PERFIL DE INTERNAÇÃO HOSPITALAR E DE MORTALIDADE POR ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL EM UM HOSPITAL MACRORREGIONAL DE REFERÊNCIA EM ATENDIMENTO NEUROLÓGICO NO MUNICÍPIO DE DIAMANTINA 

PROFILE OF HOSPITAL ADMISSIONS AND MORTALITY DUE TO STROKES AT A MACRORREGIONAL REFERRAL HOSPITAL FOR NEUROLOGICAL CARE IN THE MUNICIPALITY OF DIAMANTINA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202502211044


Lívia Maria Gonçalves Fernandes1; Isadora Pinheiro Sousa2; Taynara Thaís de Medeiros Nascimento3; Danielle Mandacaru Ramos4; Cecília de Souza Goulart5; Maria Nazaré Lopes Baracho6; Luane Manuella Ferreira da Silva7; Cláudia Aparecida Fernandes Cordeiro8; Tatiana Almeida de Magalhães9; Roberta Silva Rocha10; Paulo Henrique da Cruz Ferreira11


RESUMO

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma doença vascular que causa lesão neurológica podendo ser classificado em isquêmico ou hemorrágico. Anualmente afeta 15 milhões de pessoas no mundo, sendo uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil. O objetivo do estudo foi analisar o perfil epidemiológico dos pacientes internados por acidente vascular cerebral em um serviço macrorregional referência em assistência neurológica no município de Diamantina. Trata-se de um estudo retrospectivo e longitudinal, de caráter exploratório e descritivo, realizado no período de janeiro de 2014 a novembro de 2024. O estudo baseou-se na análise do banco de dados de Morbidade Hospitalar do SUS, extraídos do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), considerando as internações registradas por local de ocorrência. Diamantina registrou 4.168 internações e 661 óbitos por AVC. O pico de autorizações de internação ocorreu em 2016 (476 casos), com queda até 2020. Desde 2022 os casos aumentaram. Internações e óbitos foram mais frequentes em homens (52,7% e 51,9%) e na faixa etária de 60-79 anos. Pardos foram maioria entre os óbitos (91%). A taxa de mortalidade foi semelhante entre os sexos, mas entre 40-59 anos foi maior nos homens (36,6% e 22,1% das mulheres). Após os 60 anos, a taxa feminina (31,9%) superou a masculina (25,4%). A análise indica crescimento dos casos e retomada da mortalidade desde 2022, refletindo fatores de risco e envelhecimento populacional. Homens e idosos foram os mais afetados. O estudo pode subsidiar políticas para prevenção, ampliação do acesso à saúde e melhor acompanhamento dos grupos de risco.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, internação hospitalar, perfil epidemiológico, mortalidade

ABSTRACT

Stroke is a vascular disease that causes neurological damage and can be ischemic or hemorrhagic. It affects 15 million people a year worldwide and is one of the main causes of death and disability in Brazil. The aim of this study was to analyze the epidemiological profile of patients admitted for stroke to a macro-regional neurological care service in the municipality of Diamantina. This is a retrospective, longitudinal, exploratory and descriptive study carried out between January 2014 and November 2024. The study was based on an analysis of the SUS Hospital Morbidity database, extracted from the Hospital Information System (SIH) of the Department of Informatics of the Unified Health System (DATASUS), considering hospitalizations recorded by place of occurrence. Diamantina recorded 4,168 hospitalizations and 661 deaths from strokes. The peak of HAIs occurred in 2016 (476 cases), with a drop until 2020. Since 2022, cases have increased. Hospitalizations and deaths were more frequent in men (52.7% and 51.9%) and in the 60-79 age group. Browns were the majority of deaths (91%). The mortality rate was similar between the sexes, but between the ages of 40-59, it was higher in men (36.6% against 22.1% in women). After the age of 60, the female rate exceeded the male rate (31.9% against 25.4%). The analysis indicates an increase in cases and an upturn in mortality since 2022, reflecting risk factors and an ageing population. Men and the elderly were the most affected. The study can support policies for prevention, expanding access to health and better monitoring of risk groups.

1. INTRODUÇÃO

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é um termo que caracteriza uma doença de origem vascular que se manifesta por meio de uma lesão focal aguda do sistema nervoso central (SNC), resultando em uma disfunção neurológica que persista por mais de 24 horas ou até ao óbito. Pode ser classificado em isquêmico ou hemorrágico dependendo da sua manifestação e ambos podem causar déficits neurológicos significativos. De acordo com dados, 70% dos pacientes apresentam alguma dificuldade para realizar atividades de vida diária, bem como limitações na funcionalidade e na comunicação oral, o que restringe sua participação social (MEIRELES, 2022). 

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, 15 milhões de pessoas no mundo sofrem AVC anualmente. Dessas, 5 milhões morrem e 5 milhões ficam permanentemente incapacitadas (OMS, 2024). Nos últimos anos houve uma redução na prevalência, incidência e mortalidade global por AVC, mas os números de prevalência da doença em pessoas com menos de 70 anos aumentaram. Além disso, a taxa de AVC em países em desenvolvimento é 3,6 vezes maior do que a dos países desenvolvidos. No Brasil, o AVC é a segunda principal causa de morte e incapacidade no país, com 110. 818 óbitos em 2023 e 50.133 até agosto do ano de 2024, gerando grande impacto econômico e social. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE AVC, 2024)

Em estudo epidemiológico realizado em unidades assistenciais do Sistema Único de Saúde (SUS), menos de 20% dos sobreviventes do AVC não tiveram uma recuperação completa e 70% não voltaram às suas atividades laborais. Após o AVC, quase 50% dos homens e 32% das mulheres deixaram de ter o trabalho como principal renda, passando a depender de aposentadoria ou benefício previdenciário. Além disso, cerca de 10% dos homens e 45% das mulheres passaram a contar com doações ou apoio financeiro de familiares (FALCÃO et al., 2004).

Considerando o elevado número de acometimentos por essa doença neurológica e as diversas repercussões pessoais e sociais associadas, é imperativo realizar estudos sobre a epidemiologia e características da doença em parcelas especificas da população. Tais informações são essenciais para formação de estratégias eficazes de intervenção, prevenção e controle, bem como o reconhecimento de padrões e fatores de risco. A Epidemiologia é o campo de estudo que investiga a distribuição e os fatores determinantes das doenças e condições de saúde em populações específicas. Essa definição também inclui a aplicação desses estudos para o controle de problemas de saúde (LAST, 1995). As estatísticas epidemiológicas das internações por acidente vascular cerebral são essenciais para avaliar o estado de saúde da população e fundamentais para a criação de estratégias que visem à redução desses índices. O enfrentamento das altas taxas de internação por AVC é uma necessidade em saúde pública (VASCONCELOS et al. 2024)

Diante disso, delineou-se esta pesquisa com o objetivo de analisar o perfil hospitalar e de mortalidade por acidente vascular cerebral em hospital macrorregional de referência em atendimento neurológico no município de Diamantina.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 

O acidente vascular cerebral pode ser classificado em isquêmico ou hemorrágico, conforme sua etiologia (SACCO et al., 2013). O AVC isquêmico é o mais prevalente em 80% dos casos. No entanto, o AVC hemorrágico apresenta uma maior mortalidade, variando entre 30-50%, em comparação com o de etiologia isquêmica, cuja mortalidade é de 10-12% (KRISHNAMURTHI et al., 2013).

O AVC isquêmico é consequente de um fornecimento inadequado de sangue ao tecido cerebral, causado por diferentes mecanismos de vaso oclusão, sendo o embolismo o mais comum entre eles. O AVC hemorrágico é comumente dividido em hemorragia intracerebral (HIC) e hemorragia subaracnóidea (HSA). Ambos ocorrem quando vasos sanguíneos se rompem, resultando em sangramento cerebral e sangramento no espaço subaracnóideo respectivamente (OHASHI, 2023). Suas principais causas são a doença hipertensiva e a angiopatia amiloide cerebral que ocorrem mais frequentemente com aumento da idade (DIAS, 2023).

Os principais fatores de risco para o AVC podem ser divididos em modificáveis e não modificáveis. Os fatores não modificáveis englobam idade avançada, sexo masculino, histórico familiar e diabetes tipo 2. Os fatores modificáveis englobam hipertensão arterial, colesterol alto, obesidade, sobrepeso, tabagismo, sedentarismo, consumo excessivo de álcool e uso de drogas ilícitas (BRASIL, 2024).

No Brasil, nos últimos 10 anos houveram 2.824.779 autorizações de internações hospitalares por AVC e 420.971 óbitos (DATASUS, 2025). No período de 2018 a 2022, o maior número de internações concentra-se na região sudeste, com 348.063 casos (42,42%) (JÚNIOR et al., 2023). Além da alta incidência, o AVC pode causar graves impactos médicos e sociais, incluindo sequelas motoras, de comunicação, funcionais e emocionais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é a principal causa de incapacidade entre adultos no mundo. Junto ao impacto à saúde, o AVC também gera consequências econômicas que afetam a sociedade. O custo econômico do AVC no país é estimado em R$ 134.050,00 e a maior parte desse valor (56,2%) decorre da perda de produtividade no trabalho, enquanto os custos com internação hospitalar representam apenas 10,6% (AÇÃO AVC, 2023).

Embora as doenças cerebrovasculares causem sérios impactos emocionais e deixem sequelas motoras, funcionais e de comunicação, a assistência e as políticas públicas voltadas para essas condições ainda não são adequadas para lidar com sua complexidade e alta demanda (FONSECA et al., 2018). 

Os benefícios na assistência ao AVC são evidentes quando a abordagem é feita de maneira estruturada. Baptista (2014) analisou a qualidade da assistência ao AVC em um hospital de Botucatu (SP) antes e depois da criação de uma Unidade de AVC (U-AVC). Além de infraestrutura e equipe dedicadas, a unidade adotou protocolos específicos para o atendimento. O estudo revelou que a gravidade do quadro na alta hospitalar caiu de 26,92% para 8,8% enquanto o comprometimento dos pacientes reduziu de 24,13% para 9,09%. A mortalidade também apresentou queda significativa, passando de 20,68% para 12,72% após a implementação da unidade. 

Atualmente, Minas Gerais conta com prestadores credenciados na política estadual como Unidade de AVC Estadual (U-AVCE) na linha de frente do atendimento ao AVC, sendo Diamantina um dos municípios que dispõem desse serviço (SES-MG, 2025). 

3. METODOLOGIA 

Trata-se de um estudo retrospectivo e longitudinal, de caráter exploratório e descritivo, realizado no período de janeiro de 2014 a novembro de 2024.O estudo baseou-se na análise do banco de dados extraídos do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), considerando as internações registradas por local de ocorrência.

Os dados coletados são referentes a autorizações de internações hospitalares (AIH) e óbitos da população acometida por acidente vascular cerebral de acordo com o código da Décima Revisão da Classificação Internacional de Doenças e Causas de Mortalidade (CID-10), sendo utilizado os códigos G45 referente a Acidentes vasculares cerebrais isquêmicos transitórios e síndromes correlatas, I61 referente a Hemorragia Intracraniana, I63 referente a Infarto Cerebral, I64 referente a Acidente vascular cerebral, não especificado como hemorrágico ou isquêmico e I67 referente a Outras Doenças Cerebrovasculares. Entre as variáveis de interesse do estudo foram selecionados o sexo, faixa etária e raça/cor.

Os dados foram filtrados de acordo com as variáveis e em seguida foram tabulados no programa Excel da Microsoft® (versão 2024), sintetizados, analisados e transformados em tabelas para facilitar a compreensão e interpretação dos mesmos.

O estudo foi conduzido em conformidade com os princípios estabelecidos na Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. Por se tratar de uma análise de dados secundários, não foi requerida a aprovação do Comitê de Ética em Saúde.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

No período de janeiro de 2014 a novembro de 2024 foram registradas 4.168 autorizações de internação hospitalar. Observou-se uma tendência de crescimento com variações em determinados períodos. Em 2016 registrou-se o maior número de AIH, totalizando 476, o que representa uma diferença de aumento de 21,01% em comparação a 2020 – ano com o menor número de registros (376) (Gráfico 1). Um estudo realizado em Belém, no estado do Pará, entre 2016 e 2020, identificou uma redução progressiva no número de hospitalizações ao longo do período (REZENDE, AMORIM & de SOUZA, 2021). Em contraste, a pesquisa de Figueiredo et al. (2021) no Distrito Federal apontou um aumento nas internações ao longo dos anos, atingindo seu pico em 2018. Esses achados evidenciam que a variação no número de internações pode estar relacionada a fatores regionais.

Em 2020 e 2021 observou-se uma redução significativa de AIH. A reorganização e a sobrecarga dos serviços de saúde causadas pela COVID-19, somadas ao isolamento social imposto e ao medo das pessoas procurarem atendimento podem ter levado a uma diminuição considerável no volume de internações. Um estudo conduzido pela World Stroke Organization (WSO), com a participação de mais de 100 países, indicou uma queda nas admissões por acidente vascular cerebral (AVC) de 10% a 90% em relação ao período anterior a 2019. A diminuição média das admissões variou entre 50% e 70% (WSO, 2020) (Gráfico 1).

A partir de 2022, observou-se uma retomada progressiva no número de AIH. No primeiro semestre de 2023, a Secretaria de Saúde do estado de São Paulo registrou um aumento de 20,2% nos atendimentos relacionados a AVC, totalizando 219,4 mil casos em comparação aos 182,4 mil registrados no mesmo período de 2022 (SECRETARIA DE SAÚDE DE SÃO PAULO, 2023).

Gráfico 1 -Autorizações de Internações Hospitalares em Diamantina- Minas Gerais. (n=4.168)

Fonte: Os autores

Em relação ao perfil de AIH e óbitos por AVC, a análise da Tabela 1 e Tabela 2 revelou uma diferença modesta na variável sexo, com leve predomínio de AIH entre os homens, que representaram 52,7% dos casos, além de uma maior proporção de óbitos masculinos (51,9%). Esses dados são consistentes com o estudo de Almeida e Vianna (2018) que observou que 54,6% das internações por AVC em Minas Gerais ocorreram em homens. Similarmente, Rocha et al. (2022) encontraram predominância masculina nos óbitos por AVC, com 51,8%. A maior incidência no sexo masculino pode estar associada a comportamentos de risco, como tabagismo e consumo excessivo de álcool, conforme apontado por De Souza et al. (2023).

Quanto à variável faixa etária, a maior proporção de AIH, considerando ambos os sexos, ocorreu na faixa etária de 60 a 79 anos (46,3%), seguida pelos grupos de 40 a 59 anos e 80 anos ou mais. Em contraste, indivíduos com até 39 anos representaram apenas 7,1% das internações, sendo a faixa de 1 a 19 anos a menos afetada, com 45 casos. Além disso, a faixa de 60 a 79 anos também apresentou a maior proporção de óbitos. A prevalência do AVC na população idosa era esperada, pois esse grupo apresenta maior incidência de comorbidades como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e doenças cardiovasculares, fatores de risco conhecidos para o AVC (OLIVEIRA & WATERS, 2021). Ademais, a idade avançada está associada a piores desfechos, incluindo maior tempo de internação, sequelas e óbitos (GASPARI et al., 2021) (Tabela 1 e Tabela 2).

A respeito da variável raça/cor, embora Lotufo & Bensenor (2013) apontem um maior risco de óbito entre negros no Brasil, seguidos por pardos e brancos, este estudo identificou uma maior frequência de óbitos e AIH entre pardos, representando 90% das internações e 91,11% dos óbitos. Essa predominância pode estar, em parte, relacionada ao alto índice de autodeclaração dessa etnia em Minas Gerais, onde o Censo de 2022 revelou que, em 404 municípios, mais de 50% da população se declarou parda (IBGE, 2022) (Tabela 1 e Tabela 2).

Tabela 1- Perfil sociodemográfico das Autorizações de Internações Hospitalares (AIH) de Diamantina – Minas Gerais no período 2014 a 2024. (n=4.185)

Fonte: Os autores

Tabela 2- Perfil do número de óbitos durante internações hospitalares em Diamantina, Minas Gerais no período de 2014 a 2024. n=661.

Fonte: Os autores

No mesmo período, o município apresentou 661 óbitos por acidente vascular cerebral. Ao analisar o gráfico 2, observa-se que 2016 registrou o maior número de óbitos (n=69), igualando-se a 2024. Predominam os óbitos entre indivíduos do gênero masculino (n=42), na faixa etária de 60 a 79 anos (n=34). De acordo com uma análise global sobre a perda de vidas e os impactos na saúde decorrentes de longas jornadas de trabalho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estimam que, em 2016, aproximadamente 398 mil pessoas morreram devido a acidente vascular cerebral como resultado de uma carga horária de, no mínimo, 55 horas semanais. Esse número representa um aumento de 19% em relação ao ano 2000. Além disso, a maioria das mortes registradas ocorreu entre indivíduos de 60 a 79 anos, que haviam trabalhado 55 horas ou mais por semana ao longo dos 45 aos 74 anos (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE, 2021).

O aumento da taxa mortalidade em 2024, mesmo com um número de óbitos semelhante ao de 2016, pode indicar uma redução populacional ou o agravamento das condições de saúde na comunidade. Segundo a Organização Mundial de AVC, as mortes por AVC podem aumentar em 50%, atingindo 10 milhões de casos até 2050 se as ações de monitoramento e prevenção não sejam aprimoradas com impacto ainda maior em países de baixa e média renda, como o Brasil. Esse cenário também poderia levar a um aumento superior a 100% nos custos diretos e indiretos do AVC. Entre as principais causas desse crescimento estão a alta prevalência de hipertensão não controlada ou não diagnosticada, investimentos insuficientes na prevenção de fatores de risco e hábitos de vida pouco saudáveis (FEIGIN et al., 2023) (Gráfico 2).

Gráfico 2 – Número de óbitos e taxa de mortalidade em Diamantina, Minas Gerais no período de 2014 a 2024.

Fonte: Os autores

Outrossim, a tabela 3 mostrou uma taxa de mortalidade semelhante entre os sexos, com o valor para o sexo feminino apenas 0,10 superior ao sexo masculino. O sexo masculino apresentou maior mortalidade do que as mulheres na mesma faixa etária, especialmente entre 40 e 59 anos (36,6 contra 22,1). A partir dos 60 anos a taxa de mortalidade feminina supera a masculina (31,9 contra 25,4 na faixa de 60 a 79 anos). De acordo com o National Institute of Neurological Disorders and Stroke (NINDS) 2024, homens apresentam maior risco na juventude e na meia-idade, mas as taxas se igualam em idades mais avançadas e um quantitativo maior de mulheres morrem de AVC. Mulheres de 1 a 19 anos obtiveram uma taxa de mortalidade muito superior à dos homens, o que pode indicar um evento específico.

Em relação a raça/cor, a taxa de mortalidade para pardos foi idêntica entre o sexo feminino e masculino, sugerindo maior representatividade dessa cor no município. Já a raça negra apresentou uma maior taxa entre os homens. No Brasil, o risco de óbitos por doenças vasculares é 40% maior em homens negros em comparação aos brancos (Lotufu & Bensenor, 2013). O grupo “outros” apresentou a maior taxa de mortalidade feminina, mas como não há registro para homens pode se tratar de um número pequeno de casos que amplificou o percentual.

Tabela 3- Taxa de mortalidade segundo sexo, faixa etária e raça/cor do município de Diamantina, Minas Gerais no período de 2014 a 2024.

Fonte: Os autores

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise das Autorizações de Internações Hospitalares e óbitos por AVC no município de Diamantina, Minas Gerais entre 2014 e 2024 revelou tendências importantes sobre a evolução da doença no município. O crescimento do número de AIH e a retomada da taxa de mortalidade a partir de 2022 indicam a persistência dos fatores de risco e o impacto do envelhecimento populacional na incidência de AVC. O predomínio das internações e óbitos entre homens e na faixa etária de 60 a 79 anos reforça a vulnerabilidade desse grupo, especialmente diante da alta prevalência de comorbidades como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares.

Nesse contexto, o estudo fornece subsídios para a criação e aprimoramento de políticas públicas e estratégias voltadas à redução da morbimortalidade causada pela doença, de maneira regionalizada, focado nas características populacionais específicas de cada região, contribuindo para a implementação de medidas preventivas, melhorias no acesso aos serviços de saúde e fortalecimento do acompanhamento de grupos de risco.

REFERÊNCIAS

AÇÃO AVC. AVC não é apenas um problema médico, é nossa responsabilidade, 2023. Disponível em: <https://www.acaoavc.org.br/noticias/avc-nao-e-apenas-um-problema-medico-e-nossa-responsabilidade>. Acessado em: 12 de fevereiro de 2025.‌

ALMEIDA, Larrysa Garcia de; VIANNA, João Batista Macedo. Perfil epidemiológico dos pacientes internados por acidente vascular cerebral em um hospital de ensino / Epidemiology of patients hospitalized for stroke in a teaching hospital. HSJ, Itajubá, Brasil, v. 8, n. 1, p. 12–17, 2018. Disponível em: https://portalrcs.hcitajuba.org.br/index.php/rcsfmit_zero/article/view/741 Acessado em 02 de julho de 2024. 

BAPTISTA, Simone Cristina Paixão Dias. Qualidade da atenção ao usuário acometido por AVC, antes e após a implantação de uma Unidade de AVC. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista. Botucatu, 112 p. 2014. Disponível em: https://bdtd.ibict.br/vufind/Record/UNSP_c7fc4a1132052c96522d1848809b274b. Acessado em: 12 de fevereiro de 2025.

BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. Morbidade Hospitalar do SUS, 2025.

DE SOUZA, Daisy Polydoro; WATERS, Camila. Perfil epidemiológico dos pacientes com acidente vascular cerebral: pesquisa bibliográfica. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 6, n. 1, p. 1466–1478, 2023. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/56494.  Acessado em: 12 de fevereiro de 2025.

DIAS, Leonor. Etiopatogenia no acidente vascular cerebral hemorrágico. Escola Superior de Enfermagem do Porto, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.48684/5GJN-QY59. Acessado em: 06 de julho de 2024.

ESPERON, Júlia Maricela Torres. Pesquisa quantitativa na ciência da enfermagem. Escola Anna Nery, v. 21, n. 1, p. 21–31, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ean/a/6c6QJ6BLDW3YRjFzfXwMMkC/?format=pdf&lang=pt. Acessado em: 17 de julho de 2024.

FALCÃO, IlKa Veras; CARVALHO, Eduardo Maia Freese; BARRETO, Kátia Magdala Lima; LESSA, Fábio José Delgado; LEITE, Valéria Moura Moreira. Acidente vascular cerebral precoce: implicações para adultos em idade produtiva atendidos pelo Sistema Único de Saúde. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, 2004;4:95-101. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbsmi/a/jppVp7NXRwyyFV4CsjL8yrt/?lang=pt Acessado em: 12 de fevereiro de 2025.

FEIGIN, Valery L. et al. Pragmatic solutions to reduce the global burden of stroke: a World Stroke Organization–Lancet Neurology Commission. The Lancet Neurology, v. 22, n. 12, 9, 2023. Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/laneur/article/PIIS1474-4422(23)00277-6/fulltext Acessado em: 14 de fevereiro de 2025.

FEIGIN, Valery L. et al. World Stroke Organization (WSO): Global Stroke Fact Sheet 2025. International Journal of Stroke, 5 de dezembro de 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39635884/ Acessado em: 12 de fevereiro de 2025.

FESKE, Steven K. Ischemic stroke. The American Journal of Medicine, v. 134, n. 12, p. 1457–1464, dez. 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.amjmed.2021.07.027. Acessado em: 6 de julho de 2024.

FIGUEIREDO et al. Acidente vascular cerebral: perfil epidemiológico dos pacientes internados nos hospitais públicos do Distrito Federal (DF). HRJ, v.2 n.12, 2021. Disponível em: https://hrj.emnuvens.com.br/hrj/article/view/238/163 . Acessado em: 12 de fevereiro de 2025.

GASPARI et al. Predictors of prolonged hospital stay in a Comprehensive Stroke Unit. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 27, 14 de outubro de 2019. Acessado em: 12 de fevereiro de 2025.

IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Brasileiro de 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2022.

JÚNIOR et al. Perfil Epidemiológico dos Pacientes Internados por Doença Cerebrovascular no Estado do Rio de Janeiro Entre os Anos de 2010 e 2020. Revista Científica Integrada v. 5, p. 1, 2021. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/56494 .Acessado em: 12 de fevereiro de 2025.

JÚNIOR et al. Perfil epidemiológico dos pacientes internados por acidente vascular cerebral no Brasil. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 5, n. 5, p. 361–369, 5 de outubro de 2023. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/633 . Acessado em: 12 de fevereiro de 2025.

KRISHNAMURTHI et al. Global and regional burden of first-ever ischaemic and haemorrhagic   stroke   during   1990-2010: findings from the Global burden of disease study 2010.  Lancet Glob Health, 1(5):259-81, 2013. Disponível: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25104492/ . Acessado em: 12 de fevereiro de 2025. 

LAST, John M. A dictionary of epidemiology. 3. ed. Oxford: Oxford University Press, 1995.

Longas jornadas de trabalho estão aumentando mortes por doença cardíaca e acidente vascular cerebral, afirmam OMS e OIT – OPAS/OMS. Organização Pan-Americana da Saúde, 2021. Disponível em: <https://www.paho.org/pt/noticias/17-5-2021-longas-jornadas-trabalho-estao-aumentando-mortes-por-doenca-cardiaca-e-acidente>. Acessado em: 12 de fevereiro de 2025.

LOTUFO, Paulo Andrade; BENSENOR, Isabela Judith Martins. Raça e mortalidade cerebrovascular no Brasil. Revista Saúde Pública,47(6):1201-4, 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rsp/a/StPNtDdzVfS4yRGXSnjRYBG. Acessado em: 12 de fevereiro de 2025.

MEIRELES et al. Efeitos do treino de realidade virtual na coordenação motora dos membros superiores de indivíduos após acidente vascular encefálico: uma revisão sistemática com meta-análise. Fisioterapia e Pesquisa, v. 29, p. 11–21, mai. 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1809-2950/19039029012022PT. Acesso em: 6 de julho de 2024.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. AVC. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/avc/avc. Acesso em: 6 de julho de 2024.

MOURAO et al. Perfil Dos Pacientes Com Diagnóstico De AVC Atendidos Em Um Hospital De Minas Gerais Credenciado Na Linha De Cuidados. Profile Of Patients With A Diagnosis Of Stroke Attended At A Hospital In Minas Gerais Accredited In The Care Line. Revista Brasileira de Neurologia, v. 53, n. 4, p. 12–16, 2017. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-876884. Acessado em: 12 de fevereiro de 2025.

NATIONAL INSTITUTE OF NEUROLOGICAL DISORDERS AND STROKE. Prevention of stroke. Disponível em: https://www.ninds.nih.gov/health-information/stroke/prevention. Acessado em: 12 de fevereiro de 2025.

OHASHI, et al. Role of inflammatory processes in hemorrhagic stroke. Stroke, v. 54, n. 2, p. 605–619, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1161/STROKEAHA.122.037155. Acessado em: 6 de julho de 2024.]

OLIVEIRA, Giulia Garcia; WATERS, Camila. Perfil epidemiológico dos pacientes com acidente vascular cerebral isquêmico / Epidemiological profile of patients with stroke. Arquivos Médicos dos Hospitais e da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, v. 66, n. 1u, p. 1, 2021. Disponível em: https://arquivosmedicos.fcmsantacasasp.edu.br/index.php/AMSCSP/article/view/675 Acessado em: 12 de fevereiro de 2025.

REZENDE, Ramon William da Silva; AMORIM, Felipe Costa; de SOUZA. Emanuel de Jesus Soares. Vista do Perfil Epidemiológico de Pacientes Internados por AVC em Belém-PA entre 2016 a 2020. Disponível em: <https://www.ojs.unirg.edu.br/index.php/2/article/view/3368/1736>. Acessado em: 8 de fevereiro de 2025.

ROCHA, Gustavo Brand de Vasconcellos; GONÇALVES, Sebastião Jorge da Cunha; VIEIRA, Bruno Santos da Silva; COSTA, Camila Pinho Bassi. Análise Epidemiológica Da Ocorrência Do Acidente Vascular Encefálico E Sua Mortalidade No Período De 2010 A 2019 No Brasil. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, [S. l.], v. 8, n. 9, p. 809–826, 2022. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/6827. Acessado em: 12 de fevereiro de 2025.

SACCO et al. An updated definition of stroke for the 21st century: A statement for healthcare professionals from the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke, v. 44, n. 7, p. 2064–2089, 2013. Disponível em: https://doi.org/10.1161/STR.0b013e318296aeca. Acessado em: 6 de julho de 2024.

SANTOS, Lucas Bezerra; WATERS, Camila. Perfil epidemiológico dos pacientes acometidos por acidente vascular cerebral: revisão integrativa. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 1, p. 2749–2775, 2020. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/6186 .Acessado em: 12 de fevereiro de 2025.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE AVC. Números do AVC, 2024. Disponível em: https://avc.org.br/numeros-do-avc/. Acesso em: 3 de outubro de 2024.

VASCONCELOS et al. Perfil Epidemiológico De Pacientes Internados Por Acidente Vascular Cerebral. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, [S. l.], v. 6, n. 7, p. 36–45, 2024. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/2467 .Acesso em: 12 de fevereiro de 2025.

WHO EMRO. Stroke, cerebrovascular accident. World Health Organization – Regional Office for the Eastern Mediterranean. Disponível em: http://www.emro.who.int/health-topics/stroke-cerebrovascular-accident/index.html. Acessado em: 6 de julho de 2024.

WHO. Stroke, Cerebrovascular accident. 2025 Disponível em: http://www.who.int/topics/cerebrovascular_accident/en/. Acessado em: 11 de fevereiro de 2025.


 1Discente do Curso Superior de Enfermagem da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri Campus JK e-mail: livia.fernandes@ufvjm.com.br 
 2Discente do Curso Superior de Enfermagem da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri Campus JK e-mail: Isadora.sousa@ufvjm.com.br 
 3Discente do Curso Superior de Enfermagem da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri Campus JK e-mail: taynara.medeiros@ufvjm.com.br 
 4Doutoranda do PPGODONTO da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri Campus JK e-mail: danielle.mandacaru@ufvjm.com.br 
 5Discente do Curso Superior de Enfermagem da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri Campus JK e-mail: cecilia.goulart@ufvjm.com.br 
 6Doutoranda do PPGODONTO da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri Campus JK e-mail: nazare.baracho@ufvjm.com.br 
 7Discente do Curso Superior de Medicina da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri Campus JK e-mail: manuella.luane@ufvjm.com.br 
 8Doutoranda em Ciências da Saúde da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri Campus JK e-mail: claudia.cordeiro@ufvjm.com.br 
 9Enfermeira da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri Campus JK e-mail: magalhaes.tatiana@ufvjm.com.br 
 10Discente do Curso Superior de Enfermagem da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri Campus JK e-mail: roberta.rocha@ufvjm.edu.br 
 11Docente do Curso Superior de Enfermagem Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri Campus JK e-mail: Paulo.ferreira@ufvjm.edu.br