ENVELHECIMENTO E DOENÇAS DO NERVO ÓPTICO: UMA ANÁLISE SOBRE NEUROPATIA ÓPTICA

AGING AND OPTIC NERVE DISEASES: AN ANALYSIS OF OPTIC NEUROPATHY

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10250221237


Gabriel Vinícius Trindade De Abreu¹
Jonas Gustavo Trindade De Abreu²
Pedro Piazza Schmidt³
Ítalo Carneiro De Oliveira⁴


Resumo:

O envelhecimento é um processo biológico que impacta diversas funções do organismo, incluindo a visão, com destaque para as doenças do nervo óptico. A neuropatia óptica, caracterizada por danos ao nervo óptico, torna-se mais prevalente com a idade, sendo frequentemente associada a processos isquêmicos, inflamatórios ou degenerativos. Este estudo visa analisar a relação entre o envelhecimento e as doenças do nervo óptico, com foco na neuropatia óptica, destacando os mecanismos fisiopatológicos, fatores de risco e implicações clínicas. A metodologia utilizada foi uma revisão sistemática da literatura, realizada entre 12/01/2024 e 02/02/2025, com buscas nas bases de dados PubMed, SciELO e Periódico CAPES. Os critérios de envolvimento artigos publicados entre 2010 e 2024, em inglês, português e espanhol, que tratam da relação entre envelhecimento e neuropatia óptica em idosos. A análise resultou na seleção de 10 artigos relevantes que para Os resultados indicam que o envelhecimento acelera processos de degeneração das fibras nervosas do nervo óptico, com destaque para a diminuição do fluxo sanguíneo e o aumento do estresse oxidativo, fatores que favorecem o desenvolvimento da neuropatia óptica. Condições como hipertensão e diabetes mellitus, comuns em idosos, aumentam ainda mais o risco de neuropatia óptica isquêmica (NOI), uma das formas mais graves da doença. A detecção precoce da NOI em idosos é testada, pois seus sintomas podem ser confundidos com outras condições oculares relacionadas à idade, como glaucoma ou degeneração macular, ou que dificultam o diagnóstico e agravam o prognóstico. Estratégias terapêuticas, como tratamentos farmacológicos e cirúrgicos, mostram-se eficazes na preservação Este estudo conclui que o envelhecimento é um fator crucial no desenvolvimento de doenças do nervo óptico, especialmente a neuropatia óptica, e enfatiza a importância do diagnóstico precoce, da implementação de programas de rastreamento e da abordagem multidisciplinar para o manejo dessa condição. A educação sobre saúde ocular e a conscientização sobre os sinais precoces da neuropatia óptica são fundamentais para prevenir a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida dos idosos.

Palavraschave: Envelhecimento, Neuropatia Óptica, Nervo Óptico

Abstract:

Aging is a biological process that impacts various bodily functions, including vision, with a particular focus on optic nerve diseases. Optic neuropathy, characterized by damage to the optic nerve, becomes more prevalent with age, often associated with ischemic, inflammatory, or degenerative processes. This study aims to analyze the relationship between aging and optic nerve diseases, focusing on optic neuropathy, highlighting the pathophysiological mechanisms, risk factors, and clinical implications. The methodology employed was a systematic literature review, conducted between 12/01/2024 and 02/02/2025, with searches in the PubMed, SciELO, and Periódico CAPES databases. Inclusion criteria included articles published between 2010 and 2024 in English, Portuguese, and Spanish, addressing the relationship between aging and optic neuropathy in the elderly. The analysis resulted in the selection of 10 relevant articles that provided a solid foundation for the study. The results indicate that aging accelerates processes of degeneration in the optic nerve fibers, particularly through reduced blood flow and increased oxidative stress, factors that favor the development of optic neuropathy. Conditions such as hypertension and diabetes mellitus, common in the elderly, further increase the risk of ischemic optic neuropathy (ION), one of the most severe forms of the disease. Early detection of ION in elderly patients is challenging, as its symptoms may be confused with other age-related ocular conditions such as glaucoma or age-related macular degeneration, complicating diagnosis and worsening prognosis. Therapeutic strategies, such as pharmacological and surgical treatments, prove effective in preserving vision, and raising awareness about the importance of early diagnosis is crucial for improving patients’ quality of life. This study concludes that aging is a critical factor in the development of optic nerve diseases, especially optic neuropathy, and emphasizes the importance of early diagnosis, implementing screening programs, and a multidisciplinary approach to managing this condition. Education about ocular health and awareness of early signs of optic neuropathy are essential to prevent disease progression and improve the quality of life for the e

Keywords: Aging, Optic Neuropathy, Optic

1 INTRODUÇÃO

O envelhecimento é um processo biológico complexo que traz consigo alterações significativas em diversos sistemas do organismo, incluindo a visão. Entre as condições oculares associadas ao avanço da idade, as doenças do nervo óptico ocupam um lugar de destaque devido ao seu potencial de causar perda visual grave e impactar profundamente a qualidade de vida. A neuropatia óptica, caracterizada por danos ao nervo óptico, é uma dessas condições, frequentemente relacionada a processos isquêmicos, inflamatórios ou degenerativos que se tornam mais comuns com o passar dos anos (Medanha, 2024).

Com o envelhecimento, ocorrem mudanças estruturais e funcionais no sistema vascular, como o endurecimento das artérias e a redução da capacidade de perfusão sanguínea, que podem comprometer a irrigação do nervo óptico. Além disso, o acúmulo de estresse oxidativo e a disfunção mitocondrial, processos intrínsecos ao envelhecimento, contribuem para a degeneração das fibras nervosas, aumentando o risco de neuropatias ópticas. Condições sistêmicas como hipertensão arterial, diabetes mellitus e aterosclerose, frequentemente presentes em idosos, agravam ainda mais esse quadro, predispondo ao desenvolvimento de neuropatia óptica isquêmica (NOI), uma das formas mais graves e incapacitantes dessa condição (Ferreira, 2013).

A NOI é classificada em anterior e posterior, sendo a forma anterior a mais comum e associada a danos irreversíveis à visão. Em idosos, o diagnóstico da NOI pode ser desafiador, pois seus sintomas muitas vezes se sobrepõem aos de outras doenças oculares relacionadas à idade, como o glaucoma ou a degeneração macular. Portanto, compreender os mecanismos fisiopatológicos envolvidos na neuropatia óptica no contexto do envelhecimento é essencial para o desenvolvimento de estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento eficaz (Medanha, 2024).

Este artigo tem como objetivo analisar a relação entre o envelhecimento e as doenças do nervo óptico, com foco na neuropatia óptica, destacando os mecanismos fisiopatológicos, os fatores de risco associados e as implicações clínicas dessa condição

2. OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL:

Analisar a relação entre o envelhecimento e as doenças do nervo óptico, com ênfase na neuropatia óptica, destacando os mecanismos fisiopatológicos, os fatores de risco associados e as implicações clínicas dessa condição em idosos.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

  1. Revisar os mecanismos fisiopatológicos da neuropatia óptica no envelhecimento.
  2. Identificar os principais fatores de risco para neuropatia óptica em idosos.
  3. Descrever as manifestações clínicas da neuropatia óptica em pacientes idosos.
  4. Discutir as abordagens terapêuticas atuais para o manejo da neuropatia óptica em idosos.
  5. Propor diretrizes para futuras pesquisas sobre neuropatia óptica no envelhecimento.

3. METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão sistemática da literatura realizada no período de 01/12/2024 a 02/02/ 2025 , com o objetivo de analisar a relação entre o envelhecimento e as doenças do nervo óptico , com ênfase na neuropatia óptica . A pesquisa foi conduzida a partir de buscas nas principais bases de dados científicos: PubMed , SciELO e Periódico CAPES . Para garantir a precisão e relevância da pesquisa, foram utilizados os seguintes descritores: “Envelhecimento”, “Neuropatia Óptica”, “Nervo Óptico”, “Isquemia”, “Doenças Oculares em Idosos”, conectados por operadores booleanos ( AND e OR ), com o objetivo de refinar e ampliar os resultados da pesquisa.

A busca inicial de 500 artigos , que foram então submetidos aos seguintes critérios de inclusão e exclusão:

Critérios de Inclusão :

  1. Publicações em inglês , português e espanhol
  2. Artigos publicados entre os anos de 2010 e 2024 .
  3. Estudos originais , revisões sistemáticas e meta-análises .
  4. Trabalhos que abordam a relação entre envelhecimento e neuropatia óptica em idosos.
  5. Estudos realizados em humanos , com amostras populacionais relevantes (pacientes com neuropatia óptica e idade acima de 60 anos).

Critérios de Exclusão :

  1. Publicações duplicadas em bases de dados.
  2. Trabalhos sem acesso ao texto completo .
  3.  Estudos com baixa qualidade metodológica , avaliados através de ferramentas específicas para revisão sistemática (como a escala de qualidade do estudo do Joanna Briggs Institute).
  4. Artigos que abordam doenças oculares não relacionadas à neuropatia óptica ou que não tratam especificamente do envelhecimento.

Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 06 artigos de relevância científica e metodológica para os objetivos da revisão. Esses estudos fornecem uma base sólida para a análise dos mecanismos fisiopatológicos, fatores de risco e as implicações da neuropatia óptica em idosos , especialmente em relação ao envelhecimento.

4. RESULTADO E DISCUSSÃO:

O envelhecimento é um fator central na análise das doenças do nervo óptico, especialmente a neuropatia óptica. As mudanças biológicas associadas ao envelhecimento, como a redução do fluxo sanguíneo e o acúmulo de estresse oxidativo, importantes para a degeneração das fibras nervosas e o aumento do risco de desenvolvimento de doenças oculares, como a neuropatia óptica. As doenças vasculares e as condições sistêmicas mais prevalentes em idosos, como hipertensão e diabetes, estão diretamente relacionadas ao aumento do risco de neuropatia óptica isquêmica (NOI), uma condição particularmente incapacitante que causa danos irreversíveis à visão (De Moraes, 2024).

Segundo Araújo (2013), o envelhecimento acelera processos de degeneração das fibras nervosas do nervo óptico, principalmente devido a uma diminuição na perfusão sanguínea. A redução do fluxo sanguíneo no nervo óptico resulta em isquemia e danos à retenção de oxigênio e nutrientes necessários para a manutenção das células do nervo. Isso é particularmente prevalente em indivíduos que apresentam comorbidades como hipertensão ou diabetes mellitus, condições que afetam a microcirculação e aumentam o risco de neuropatia óptica isquêmica (NOI).

Outro fator importante é o estresse oxidativo, que é exacerbado com o envelhecimento. De acordo com De Moraes (2024), o aumento do estresse oxidativo pode levar a uma diminuição da capacidade de componentes celulares no nervo óptico, o que favorece a degeneração das fibras nervosas e, consequentemente, a progressão das neuropatias. Esse estresse é agravado por fatores ambientais e comportamentais, como a alimentação consumida, o sedentarismo, e a exposição a agentes tóxicos . Tais fatores positivos para a progressão da neuropatia óptica, especialmente em indivíduos que já possuem uma predisposição devido ao envelhecimento.

No contexto clínico, o diagnóstico de neuropatia óptica isquêmica (NOI) em idosos é desafiador. Os sintomas iniciais da NOI , como perda de visão súbita e diminuição da visão periférica , podem ser facilmente confundidos com outras condições oftalmológicas comuns na terceira idade, como o glaucoma ou a degeneração macular relacionada à idade (DMRI) . A semelhança dos sintomas torna o diagnóstico precoce uma tarefa difícil, o que agrava o prognóstico, já que a neuropatia óptica isquêmica pode resultar em perda irreversível de visão . O diagnóstico precoce e a monitorização contínua são cruciais para evitar a progressão da doença, mas muitas vezes os pacientes procuram ajuda quando a perda de visão já é significativa (TZ, 2017).

Almeida et., al (2013) observam que o diagnóstico tardio e a falta de intervenção precoce são fatores que agravam a condição dos pacientes idosos. Eles sugerem que programas de rastreamento visual e oftalmológico periódico são essenciais para a detecção precoce da neuropatia óptica, especialmente para aqueles com fatores de risco como hipertensão e diabetes , condições prevalentes em idosos. A importância de uma abordagem multidisciplinar, envolvendo oftalmologistas, clínicos gerais e especialistas em doenças vasculares, é essencial para melhorar a detecção precoce e a gestão da neuropatia óptica em pacientes idosos.

Além disso, o preconceito e a falta de conscientização sobre a saúde ocular entre os idosos também desempenham um papel no diagnóstico tardio. Muitos pacientes não detectam sinais de danos à visão como parte do processo natural de envelhecimento, ignorando sintomas iniciais ou adiando a busca por tratamento devido à crença errônea de que a perda de visão é detectada com a idade . Este fator, juntamente com a falta de educação sobre doenças oculares , retarda a detecção precoce e agrava a condição (Medina, et., al, 2011).

Por fim, estratégias terapêuticas, como disciplinas farmacológicas , cirurgias corretivas e o uso de novos dispositivos tecnológicos , apresentam benefícios na redução da progressão da neuropatia óptica isquêmica. O tratamento precoce pode melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes idosos, proporcionando uma gestão mais eficaz da condição e, em muitos casos, a preservação da visão . A educação para a prevenção e diagnóstico precoce deve ser priorizada como uma abordagem vital para enfrentar a crescente prevalência de neuropatia óptica associada ao envelhecimento (Bravo, 2012).

5. CONCLUSÃO

O envelhecimento é um fator crucial no desenvolvimento de doenças do nervo óptico, especialmente a neuropatia óptica, que está associado a danos irreversíveis à visão e afeta significativamente a qualidade de vida dos idosos. Uma análise dos mecanismos fisiopatológicos demonstra que o envelhecimento acelera processos como a redução do fluxo sanguíneo, o estresse oxidativo e a disfunção mitocondrial, favorecendo a degeneração das fibras nervosas do nervo óptico. Além disso, comorbidades comuns na terceira idade, como hipertensão e diabetes mellitus, aumentam o risco de neuropatia óptica isquêmica (NOI), uma das formas mais gratas

A detecção precoce da neuropatia óptica em idosos é desafiadora devido à sobreposição de sintomas com outras doenças oculares típicas da idade avançada. Portanto, o diagnóstico correto exige uma abordagem cuidadosa e criteriosa, levando em conta a presença de fatores de risco e realização de rastreamentos oftalmológicos periódicos. A falta de conscientização sobre a saúde ocular e a tendência de reduzir a perda de visão ao envelhecimento.

Por fim, as estratégias terapêuticas para o tratamento da neuropatia óptica devem ser amplamente divulgadas e renovadas, incluindo abordagens farmacológicas, cirúrgicas e o uso de tecnologias emergentes, evoluindo para a preservação da visão e a melhoria da qualidade de vida dos pacientes. A educação sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce é essencial para reduzir o impacto da neuropatia óptica no envelhecimento, enfatizando a necessidade de uma abordagem multidisciplinar para um manejo eficaz dessa condição. As diretrizes propostas para futuras pesquisas podem contribuir para avanços avançados na compreensão e tratamento da neuropatia.

REFERÊNCIAS

MENDANHA, Denise Borges de Andrade; REIS, Mauri Caldeira; MORAES, Clayton Franco. Neuropatia óptica isquêmica e envelhecimento: revisão sistemática e metanálise. Revista Brasileira de Oftalmologia, v. 83, p. e0054, 2024.   FERREIRA, Vítor Hugo Romão. Hipertensão e envelhecimento. 2013. Dissertação de Mestrado.
DE MORAES, Victória Eduarda Cavalcanti et al. GLAUCOMA SECUNDÁRIO DE ÂNGULO ABERTO-DA FISIOPATOLOGIA AO TRATAMENTO: UM ARTIGO DE REVISÃO. Periódicos Brasil. Pesquisa Científica, v. 3, n. 2, p. 1171-1177, 2024.   PUTZ, Carla. Oftalmologia-Ciências Básicas . 3.ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2017. E-book. pág.364. ISBN 9788595152199. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595152199/. Acesso em: 02 fev. 2025.   AL   ALMEEIDA, António de Gouveia Beirão. Diagnóstico diferencial entre glaucoma e neuropatia óptica isquémica anterior arterítica: a propósito de um caso clínico. 2023. Tese de Doutorado. ME MEDINA, Norma Helen; MUÑOZ, Emilio Haro. Atenção à saúde ocular da pessoa idosa. BEPA. Boletim Epidemiológico Paulista, v. 8, n. 85, p. 23-28, 2011.            BRAVO FILHO, Vasco Torres Fernandes et al. Impacto do déficit visual na qualidade de vida em idosos usuários do sistema único de saúde vivendo no sertão de Pernambuco. Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, v. 75, p. 161-165, 2012.        

¹ Médico Residente De Oftalmologia, Instituto De Olhos Ciências Medicas De Minas Gerais, E-Mail: Gabrieltrindadeabreu@Icloud.Com

² Médico Oftalmologista, Hospital Governador Israel Pinheiro, Doutorjonasabreu@Hotmail.Com

³ Graduando Em Medicina, UNIVALI – Universidade Do Vale Do Itajai, E-Mail: Pedro13schmidt@Gmail.Com

⁴ Bacharelando Em Farmácia, Centro Universitário De Excelência (UNEX), E-Mail: Farmaitalounex@Gmail.Com