REINTERPRETING THE PYTHAGOREAN TABLE IN TEACHING MULTIPLICATION: A PROPOSAL FOR TEACHER TRAINING
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512041655
Beatriz de Oliveira Nunes1
Cícera Regina Barbosa Heleno2
Daniela Souza dos Santos Ferraz3
Gisele Souza Costa4
João Paulo Bezerra Camilo5
Luciene Xavier Perusin de Souza6
Santa Rodrigues de Jesus7
Victor Carlos de Jesus Almeida8
Sâmia de Paulo Farrapo9
Resumo
O presente trabalho apresenta o desenvolvimento e a implementação de um minicurso voltado à formação continuada de professores de Matemática do Ensino Fundamental II, com foco no uso da Tabela Pitagórica como recurso pedagógico para o ensino da multiplicação. A proposta surgiu diante da necessidade de aproximar os docentes das tecnologias digitais e de promover práticas de ensino mais interativas e contextualizadas, capazes de despertar o interesse dos alunos e fortalecer a compreensão conceitual da multiplicação. O percurso formativo, estruturado em três módulos, contemplou o uso educacional de ferramentas digitais, a elaboração de materiais interativos e a aplicação desses recursos em situações reais de ensino. O minicurso foi ofertado na forma híbrida, por meio de ambientes virtuais de aprendizagem, possibilitando a troca de experiências e a reflexão coletiva sobre a prática docente. Fundamentado em autores como Pires e colaboradores, o projeto evidenciou que a integração entre conteúdos matemáticos e recursos tecnológicos favorece um ensino mais dinâmico, significativo e alinhado à realidade escolar. Conclui-se que iniciativas dessa natureza contribuem para o fortalecimento da autonomia docente, o desenvolvimento de competências digitais e a renovação das práticas pedagógicas em Matemática.
Palavras-chave: Aprendizagem; Formação Docente; Matemática; Recursos Interativos; Tabela Pitagórica.
1. INTRODUÇÃO
A crescente inserção das tecnologias digitais no cotidiano escolar tem provocado transformações significativas nas práticas pedagógicas e na forma como o conhecimento é construído e compartilhado. Nesse contexto, as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) vêm se consolidando como instrumentos capazes de ampliar as possibilidades de ensino e aprendizagem, promovendo maior interatividade, colaboração e autonomia entre professores e estudantes.
No entanto, o ensino da Matemática, especialmente no que se refere à multiplicação, ainda representa um desafio para muitos docentes da Educação Básica. Embora a Tabela Pitagórica seja um recurso tradicional amplamente utilizado para o ensino das operações fundamentais, sua aplicação costuma restringir-se a práticas mecânicas e pouco atrativas. A incorporação das TDICs pode ressignificar esse recurso, tornando-o mais dinâmico e significativo. Contudo, observa-se que muitos professores enfrentam limitações tanto no manuseio quanto na aplicação pedagógica das tecnologias, o que compromete seu potencial transformador.
Diante dessa realidade, surge o problema central que orienta esta pesquisa: de que maneira o uso das tecnologias digitais pode potencializar o ensino da multiplicação por meio da Tabela Pitagórica, contribuindo para a emancipação dos sujeitos no contexto escolar?
Como resposta a essa questão, o presente trabalho apresenta o desenvolvimento de um minicurso voltado à formação continuada de professores, com foco na aplicação da Tabela Pitagórica por meio de ferramentas digitais, como jogos interativos, softwares educativos e planilhas eletrônicas. O minicurso busca promover práticas pedagógicas mais dinâmicas, significativas e alinhadas às demandas contemporâneas da educação, favorecendo a aprendizagem ativa dos alunos e ampliando o repertório metodológico dos docentes.
A proposta foi elaborada com base na escuta ativa da comunidade escolar, considerando as necessidades formativas dos professores e utilizando os feedbacks coletados ao final de cada módulo como instrumento de aprimoramento contínuo. O minicurso foi aplicado em uma escola estadual localizada no bairro Recreio São Jorge, em Guarulhos – SP, que atende estudantes do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio em período integral. As atividades foram desenvolvidas na sala de informática, durante a ATPC (Aula de Trabalho Pedagógico Coletivo), momento destinado à formação docente.
Por fim, este projeto tem como objetivo geral fomentar a competência digital dos professores, incentivando o uso pedagógico das TDICs para o ensino da Matemática, de modo a promover uma educação mais interativa, inclusiva e conectada à realidade dos estudantes. Acredita-se que, ao fortalecer a formação docente e o uso crítico das tecnologias, contribui-se para a melhoria das práticas educativas e para a emancipação dos sujeitos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O ensino de Matemática tem sido amplamente debatido devido ao baixo desempenho dos alunos em avaliações nacionais e internacionais, especialmente em conteúdos fundamentais para a formação cidadã, que demandam compreensão interdisciplinar e ação consciente (EXAME, 2023). Dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) apontam que grande parte dos estudantes conclui o Ensino Médio sem atingir níveis satisfatórios de desempenho em Matemática, evidenciando lacunas significativas ao longo da educação básica.
A multiplicação, segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018), inicia seu estudo no 3º ano do Ensino Fundamental I, constituindo-se como operação fundamental para o aprendizado de conteúdos posteriores, como funções, análise combinatória e equações. Tradicionalmente, o ensino dessa operação se dá por memorização repetitiva, método que limita a compreensão conceitual e o desenvolvimento do raciocínio matemático (SILVA; PIRES, 2009,
p. 24). Nesse sentido, Oliveira, Cardoso e Souza Júnior (2020) destacam que:
O uso dessa tabela, que permite a sua construção por parte dos alunos, auxilia na dedução de outras maneiras de chegar ao resultado das operações, substituindo o método de repetição exaustivo utilizado para a sua memorização. (OLIVEIRA; CARDOSO; SOUZA, 2020, p. 1)
A Tabela Pitagórica surge, portanto, como recurso pedagógico tradicional com potencial de ressignificação. Seu caráter visual e estruturado possibilita que o aluno perceba relações matemáticas, padrões multiplicativos e simetrias, favorecendo a construção de raciocínio lógico e a internalização de conceitos matemáticos de forma significativa. Além disso, a abordagem visual pode favorecer a interdisciplinaridade, articulando Matemática e Língua Portuguesa. Segundo Lorensatti (2010):
Tradicionalmente, matemática e Língua Portuguesa não dialogam na escola. […] As práticas de sala de aula têm reforçado essa premissa, e o professor […] dificilmente oportuniza uma aproximação entre esses dois componentes, de forma intencional. (LORENSATTI, 2010, p. 90)
Integrar a leitura e interpretação de enunciados matemáticos fortalece a compreensão textual e contribui para a resolução de problemas, promovendo aprendizado mais efetivo.
A perspectiva interdisciplinar se alinha a abordagens pedagógicas mais amplas, como a transdisciplinaridade. Rodrigues (2018, p. 3) ressalta que “a transdisciplinaridade supõe agir sobre os saberes […] utilizando este aprendizado como experiência essencial na reorientação de novas ações e de uma nova ética”, permitindo que o aluno compreenda o conhecimento como um todo integrado, e não fragmentado. Pires (2000), fundamentando-se em Fazenda (1979), complementa que a interdisciplinaridade consiste em “uma lógica da descoberta, uma abertura recíproca, uma comunicação entre domínios do saber, uma fecundação mútua” (FAZENDA apud PIRES, 2000, p. 75).
Essa visão fundamenta a proposta de integrar a Tabela Pitagórica com recursos tecnológicos e práticas interativas, promovendo experiências mais significativas no aprendizado da multiplicação. A utilização de TDICs contribui para a construção de um ensino mais ativo e colaborativo.
Jogos digitais, softwares educativos e planilhas eletrônicas permitem que o estudante explore padrões multiplicativos, construa a própria Tabela Pitagórica e experimente diferentes estratégias de resolução, promovendo uma aprendizagem construtivista (PIAGET, 1976).
Segundo a Teoria do Aprendizado Significativo de Ausubel, “a aprendizagem ocorre de forma mais eficaz quando o conteúdo novo é conectado ao conhecimento prévio do aluno” (AUSUBEL, 2000). A Tabela Pitagórica, ao ser explorada com apoio de TDICs, possibilita essa conexão, promovendo compreensão conceitual, raciocínio lógico e autonomia do estudante.
A perspectiva do construtivismo de Piaget reforça a importância da participação ativa do aluno na construção do conhecimento. A Tabela Pitagórica digitalizada ou interativa permite que os estudantes identifiquem padrões, realizem inferências e descubram relações multiplicativas sem depender exclusivamente da memorização. Além disso, a Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner (1994) sugere que diferentes estudantes aprendem de maneiras distintas, considerando inteligências lógico-matemática, espacial, interpessoal, entre outras. A Tabela Pitagórica, ao integrar aspectos visuais, lúdicos e interativos, atende a múltiplos estilos de aprendizagem, tornando o ensino mais inclusivo e eficaz.
Finalmente, a apropriação crítica de tecnologias digitais pelos docentes é essencial para potencializar o uso pedagógico da Tabela Pitagórica. O planejamento de atividades que integrem TDICs não apenas aumenta o engajamento dos alunos, mas também contribui para o desenvolvimento de práticas inovadoras e colaborativas no currículo escolar, fortalecendo a formação continuada dos professores e incentivando a reflexão sobre suas próprias práticas pedagógicas (OLIVEIRA; CARDOSO; SOUZA JÚNIOR, 2020).
Portanto, a fundamentação teórica do presente projeto evidencia que a Tabela Pitagórica, tradicionalmente vista como instrumento de memorização, pode ser ressignificada por meio da integração com TDICs, favorecendo a emancipação dos sujeitos no currículo escolar, o desenvolvimento do raciocínio multiplicativo e a construção de aprendizagens significativas, interdisciplinares e contextualizadas.
3. METODOLOGIA
A metodologia adotada neste projeto fundamentou-se no Design Thinking, abordagem que busca propor soluções criativas e colaborativas centradas nas necessidades reais dos sujeitos envolvidos. Tal escolha metodológica se mostrou adequada ao objetivo do trabalho sobre o desenvolvimento de um minicurso de formação continuada voltado aos professores de Matemática do Ensino Fundamental II, incentivando o uso pedagógico das tecnologias digitais no ensino da multiplicação a partir da Tabela Pitagórica.
A aplicação das etapas do Design Thinking permitiu conduzir o processo de forma investigativa, empática e iterativa, favorecendo o diagnóstico das demandas da escola, a construção do protótipo do minicurso e sua validação no contexto educacional.
3.1 ESCUTAR
A etapa de escuta teve como foco compreender a realidade pedagógica e tecnológica da escola parceira e identificar as necessidades formativas dos docentes. Para isso, foi realizada uma imersão exploratória no ambiente escolar, contemplando observações, conversas informais com a equipe gestora e docentes, além da análise de documentos institucionais como o Projeto Político-Pedagógico (PPP).
Durante esse processo, foram levantadas informações sobre o perfil dos professores, a infraestrutura tecnológica disponível (como sala de informática e acesso à internet) e os principais desafios enfrentados no uso das tecnologias digitais no ensino. Essa fase revelou uma dificuldade recorrente dos docentes em integrar recursos digitais às práticas pedagógicas, especialmente no ensino da multiplicação, e apontou a Tabela Pitagórica como conteúdo que poderia ser explorado de forma inovadora.
A escuta também considerou a devolutiva positiva de experiências anteriores realizadas na mesma unidade escolar, o que reforçou a pertinência de retomar a parceria e ampliar o alcance da proposta. Com base nesse diagnóstico, consolidou-se a ideia de desenvolver o minicurso “Ressignificando a Tabela Pitagórica no ensino da multiplicação: proposta de formação docente”, alinhado às demandas da escola e às diretrizes curriculares.
3.2 PROTOTIPAR/CRIAR
Nesta fase, foram planejadas e desenvolvidas as ações que dariam forma ao minicurso, considerando as necessidades mapeadas durante a escuta. A criação do protótipo baseou-se nas referências teóricas de Pires e colaboradores, que defendem a integração entre conteúdos matemáticos e tecnologias digitais, além de orientações do Recurso Educacional Aberto (REA) disponível no AVA da UNIVESP.
A partir dessas diretrizes, o minicurso foi estruturado em três módulos sequenciais, com carga horária total de 15 horas, organizados para atender às demandas formativas identificadas.
- O Módulo 1 apresentou ferramentas digitais para uso pedagógico;
- O Módulo 2 abordou a Tabela Pitagórica como recurso para o ensino da multiplicação, integrando plataformas como Genially e Kahoot;
- O Módulo 3 promoveu a aplicação autônoma dos conhecimentos por meio de estudo de caso.
Essa estrutura formativa favoreceu a construção colaborativa entre os participantes, estimulando o protagonismo docente e a apropriação crítica das tecnologias digitais. Ao longo do processo de criação, foi priorizado o caráter participativo da formação, permitindo que os professores atuassem como autores de suas próprias práticas pedagógicas, ampliando sua autonomia e fortalecendo sua atuação como mediadores do conhecimento.
3.3 IMPLEMENTAR
A fase de implementação ocorreu em uma Escola Estadual localizada no bairro Recreio São Jorge, em Guarulhos/SP, durante o horário da ATPC, espaço institucional destinado à formação continuada e à troca de experiências entre docentes. Participaram da ação cinco professores de Matemática do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental II.
O minicurso foi ministrado em formato híbrido, combinando encontros presenciais, apresentações interativas no Genially 10e acompanhamento virtual. Durante os encontros, os docentes puderam explorar os recursos, elaborar atividades e compartilhar reflexões sobre o uso das tecnologias digitais no ensino da multiplicação.
Para a avaliação da eficácia da formação, foram utilizados os seguintes instrumentos:
- Observação direta das interações dos docentes com as ferramentas digitais;
- Questionários de feedback ao final de cada módulo;
- Registro das discussões e reflexões ocorridas durante a ATPC.
A análise qualitativa e quantitativa dos dados revelou avanços significativos na apropriação das TDICs, no fortalecimento da autonomia pedagógica e na reflexão crítica sobre práticas inovadoras. Mesmo diante de limitações estruturais e de tempo, os participantes reconheceram o potencial das tecnologias para promover um ensino mais dinâmico e significativo.
Essa etapa consolidou o Design Thinking como um caminho metodológico eficaz para a formação docente, permitindo identificar necessidades reais, testar soluções e promover transformações concretas no contexto escolar.
Em síntese, a metodologia articulou escuta, criação e implementação de forma coerente e contínua. O uso do Design Thinking assegurou que o projeto permanecesse centrado nas necessidades reais dos professores, favorecendo a integração entre conteúdo matemático, tecnologias digitais e desenvolvimento profissional docente — aspectos essenciais à emancipação e ao protagonismo no ambiente educacional.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A proposta inicial consistiu na elaboração de um minicurso de formação continuada voltado a professores do Ensino Fundamental II, com o objetivo de aproximá-los das TDICs e demonstrar a eficácia da aplicação de atividades digitais no ensino da multiplicação.
O minicurso foi estruturado em três módulos temáticos, com carga horária total de 15 horas, e contou com materiais autoexplicativos, atividades práticas e suporte por meio de fórum virtual para esclarecimento de dúvidas e troca de experiências. Foram elaborados materiais de apoio, apresentações em slides e links de acesso aos recursos digitais, organizando a sequência didática de forma coerente com os objetivos da formação.
Como recurso ilustrativo, foi incorporado ao curso um jogo interativo desenvolvido na plataforma Genially, fundamentado na Tabela Pitagórica, permitindo uma abordagem lúdica e dinâmica dos conceitos multiplicativos.
A seguir, apresenta-se a composição dos três módulos, cada um com carga horária de 5 horas:
- Módulo 1: Conhecendo as Ferramentas TecnológicasCarga horária: 5h Objetivo de aprendizagem: Apresentar as ferramentas digitais que serão utilizadas para auxiliar o trabalho do professor em sala de aula. A Figura 01, apresentada a seguir, ilustra a abertura do Módulo 1 do minicurso. O conteúdo completo referente a esse módulo encontra-se disponível no Apêndice B.

Figura 1: Página Inicial do Módulo 1 do minicurso.
- Módulo 2: Conhecendo a Tabela Pitagórica e sua AplicaçãoCarga horária: 5h. Objetivo de aprendizagem: Compreender a Tabela Pitagórica como uma ferramenta para a construção dos fatos básicos da multiplicação e do cálculo mental, integrando recursos digitais como as plataformasGenially e Kahoot. A Figura 02, apresentada a seguir, ilustra a abertura do Módulo 2 do minicurso. O conteúdo completo referente a esse módulo encontra-se disponível no Apêndice B.

Figura 2: Página Inicial do Módulo 2 do minicurso.
Módulo 3: Estudo de Caso e Aplicação Autônoma com Tecnologias DigitaisCarga horária: 5h. Objetivo de aprendizagem: Aplicar, de forma autônoma, os conhecimentos adquiridos por meio de um estudo de caso utilizando as tecnologias apresentadas ao longo do curso. A Figura 03, apresentada a seguir, ilustra a abertura do Módulo 3 do minicurso. O conteúdo completo referente a esse módulo encontra-se disponível no Apêndice B.

Figura 3: Página Inicial do Módulo 3 do minicurso.
A proposta foi então aplicada em uma escola estadual de tempo integral localizada em Guarulhos/SP, que atende alunos do Ensino Fundamental II e Médio. A unidade escolar conta com equipe pedagógica completa e infraestrutura adequada, incluindo sala de informática, utilizada como espaço principal para o desenvolvimento deste projeto.
A apresentação ocorreu durante o horário de ATPC, com cinco professores presentes, dos quais três participaram ativamente durante a apresentação, porém somente dois docentes conseguiram efetivamente concluir o minicurso proposto. Os participantes relataram positivamente a clareza dos materiais, a aplicabilidade dos recursos e a relevância da abordagem metodológica. Abaixo, momentos da apresentação:

Figura 4: Momento de aplicação do minicurso

Figura 5: Momento de aplicação do minicurso
Os docentes participantes demonstraram receptividade e certo engajamento durante as atividades propostas. No entanto, surgiram apontamentos importantes que devem ser considerados em futuras implementações:
- Obrigatoriedade do uso das tecnologias: alguns docentes observaram que a imposição do uso das TDICs, sem considerar a autonomia profissional, pode gerar desmotivação;
- Falta de tempo para explorar plataformas: os professores participantes relataram dificuldades em conciliar as demandas da rotina escolar com a exploração das ferramentas digitais e o desenvolvimento de recursos pedagógicos diferenciados. Além disso, destacaram a elevada carga de trabalho como um fator que impacta diretamente na disponibilidade para a participação em atividades formativas.
Após a realização do minicurso, foram definidos e aplicados indicadores de avaliação, conforme descrito a seguir.
4.1 INDICADORES DE AVALIAÇÃO
A avaliação do minicurso “Ressignificando a Tabela Pitagórica no ensino da multiplicação: proposta de formação docente” teve como objetivo analisar a efetividade da proposta formativa, verificando o alcance dos objetivos de aprendizagem e identificando os fatores que contribuíram ou dificultaram o desenvolvimento das competências docentes relacionadas ao uso pedagógico das TDICs. Para tanto, foram utilizados instrumentos quantitativos e qualitativos, tais como formulários de feedback aplicados ao final dos módulos, autoavaliações reflexivas realizadas pelos participantes e registros de observações efetuadas durante os encontros presenciais e virtuais.
- Indicadores Quantitativos: Os indicadores quantitativos foram obtidos a partir das
respostas aos formulários de avaliação do minicurso e dos questionários aplicados ao término de cada módulo. Esses instrumentos possibilitaram mensurar o grau de satisfação dos participantes, bem como sua percepção acerca da aplicabilidade dos conteúdos trabalhados.

Tabela 1: Quantidade de participantes e percepção do minicurso. A análise dos dados revelou que nem todos os inscritos concluíram o curso, fato atribuído à elevada carga de atividades e às demandas cotidianas do trabalho docente, evidenciadas na tabulação das respostas. Com base no feedback, verificou-se que, do total de participantes, 40% concluíram o minicurso:

Tabela 2: Porcentagem da participação no minicurso
As respostas aos questionários indicaram que os participantes que finalizaram o minicurso demonstraram elevado nível de aprovação quanto à estrutura, clareza e aplicabilidade do curso, reforçando a coerência entre os objetivos formativos e os resultados alcançados.
- Indicadores Qualitativos: A análise qualitativa foi realizada a partir das respostas abertas dos participantes, que destacaram aspectos positivos, desafios e sugestões de melhoria para futuras edições. Os relatos evidenciaram aprendizagem significativa, apropriação das TDICs e valorização da troca de experiências entre pares.
Entre os principais pontos qualitativos observados, destacam-se:
- Relevância e aplicabilidade prática: os docentes relataram que o minicurso apresentou conteúdos úteis e alinhados à realidade escolar, destacando o potencial das ferramentas digitais (GeoGebra, Kahoot, Canva e Matific) para tornar o ensino da multiplicação mais interativo e atrativo;
- Aprendizagem colaborativa: as respostas ressaltam que o trabalho em grupo e os ambientes digitais colaborativos favoreceram o protagonismo docente e a reflexão sobre práticas pedagógicas;
- Desenvolvimento de autonomia: os participantes afirmaram sentir-se mais confiantes para integrar tecnologias às aulas de Matemática, reconhecendo o minicurso como um espaço de formação emancipadora;
- Desafios identificados: entre as limitações, mencionaram-se a falta de tempo para explorar as plataformas, a necessidade de infraestrutura adequada e a importância de ampliar os momentos práticos durante a formação;
- Sugestões de aprimoramento: os docentes sugeriram incluir atividades mais aplicadas, com criação de recursos digitais próprios e aprofundamento em plataformas como Wordwall, Genially e Kahoot;
As observações qualitativas revelam que o minicurso promoveu engajamento, reflexão crítica e apropriação significativa das TDICs, ao mesmo tempo em que apontou oportunidades para o aperfeiçoamento da proposta formativa.
Síntese Interpretativa: Com base nos indicadores quantitativos e qualitativos, conclui-se que o minicurso atendeu de forma satisfatória aos objetivos propostos, contribuindo para o fortalecimento da competência digital docente, a ressignificação da Tabela Pitagórica como recurso pedagógico e a promoção de práticas inovadoras no ensino da Matemática.
Esses resultados preliminares evidenciam a importância de considerar condições reais de trabalho docente, valorizando a escuta ativa, a flexibilidade e o apoio contínuo. Apesar das limitações, o minicurso demonstrou ser um passo relevante na promoção de práticas pedagógicas mais conectadas com a realidade escolar e no fortalecimento da competência digital dos docentes.
5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
O desenvolvimento deste Projeto Integrador evidenciou a relevância da formação continuada de professores para o aprimoramento das práticas pedagógicas, tornando-as mais inovadoras e alinhadas às demandas da educação contemporânea. O minicurso “Ressignificando a Tabela Pitagórica no ensino da multiplicação: proposta de formação docente” demonstrou que é possível ressignificar recursos tradicionais da Matemática, transformando-os em instrumentos que favorecem a aprendizagem ativa e significativa dos alunos.
Ao longo das etapas do projeto, constatou-se que muitos docentes reconhecem o potencial das TDICs, mas ainda enfrentam desafios relacionados ao tempo, à infraestrutura e à familiaridade com as ferramentas digitais. Nesse sentido, o minicurso contribuiu não apenas para o desenvolvimento de competências técnicas, mas também para a reflexão sobre o papel das tecnologias na prática pedagógica, valorizando a autonomia e o protagonismo docente. O espaço de troca de experiências e de construção coletiva do conhecimento mostrou-se essencial para fortalecer a cultura de colaboração entre os professores.
Os resultados observados revelaram boa receptividade por parte dos participantes e indicaram avanços no engajamento e na compreensão das possibilidades didáticas da Tabela Pitagórica digitalizada. A integração de recursos como jogos interativos, softwares educativos e planilhas eletrônicas ampliou o repertório metodológico dos docentes, evidenciando que a tecnologia, quando utilizada de forma crítica e contextualizada, pode potencializar o ensino da Matemática e tornar o processo de aprendizagem mais dinâmico e prazeroso.
Além de promover a inovação pedagógica, o projeto contribuiu para o fortalecimento da competência digital dos educadores que é o aspecto essencial para a emancipação dos sujeitos no contexto escolar contemporâneo. Ao incentivar o uso consciente e intencional das tecnologias, o trabalho reafirma o papel do professor como mediador do conhecimento e agente de transformação social, capaz de adaptar-se às novas demandas do século XXI sem perder de vista os princípios humanizadores da educação.
Durante a implementação da formação, contudo, foram identificados desafios significativos enfrentados pelos participantes, como a dificuldade de conciliar as exigências da rotina escolar com o tempo necessário para explorar ferramentas digitais e elaborar recursos diferenciados. A elevada carga de trabalho docente também se mostrou um fator limitante para o envolvimento mais aprofundado nas atividades formativas.
Dessa forma, o projeto reafirma a importância de se investir continuamente na formação docente, garantindo condições reais de trabalho, tempo para estudo e espaços de escuta e diálogo. A continuidade de ações semelhantes pode consolidar uma cultura escolar mais aberta à inovação, favorecendo práticas pedagógicas inclusivas, interativas e conectadas à realidade dos estudantes.
Conclui-se, portanto, que a integração de recursos digitais amplia o repertório metodológico dos professores e torna o ensino da Matemática mais dinâmico e motivador. Investir na formação continuada e no desenvolvimento da competência digital docente é fundamental para consolidar práticas pedagógicas transformadoras, capazes de promover uma educação crítica, emancipadora e socialmente relevante.
10GENIALLY. Plataforma digital Genially. Disponível em: <https://genially.com/pt-br/> . Acesso em: 23 out. 2025.
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1Discente do Curso Superior de Matemática da UNIVESP – Campus Guarulhos / e-mail: bia.on@hotmail.com
2Discente do Curso Superior de Pedagogia da UNIVESP – Campus Guarulhos / e-mail: cicerarbheleno@gmail.com
3Discente do Curso Superior de Pedagogia da UNIVESP – Campus Guarulhos / e-mail: danyssferraz@gmail.com
4Discente do Curso Superior de Pedagogia da UNIVESP – Campus Guarulhos / e-mail: giselelucaspedro4@gmail.com
5Discente do Curso Superior de Matemática da UNIVESP – Campus Guarulhos / e-mail: jopcamilo2@gmail.com
6Discente do Curso Superior de Pedagogia da UNIVESP – Campus Guarulhos / e-mail: luperozin@icloud.com
7Discente do Curso Superior de Pedagogia da UNIVESP – Campus Carapicuiba / e-mail: santinharodrigues1@gmail.com
8Discente do Curso Superior de Matemática da UNIVESP – Campus Guarulhos / e-mail: victor.carlos1999@gmail.com
9Docente/ Tutor da UNIVESP. Mestranda em Design no Programa de Pós Graduação em Design da FAAC pela Unesp- Bauru/SP. Bolsista Facilitadora da UNIVESP. Graduada em Arquitetura e Urbanismo pelo Centro Universitário UNINTA (2018) e graduada em Administração pela Universidade Anhanguera – Uniderp (2018). MBA em gestão de negócios imobiliários, especialista em cidades inteligentes e em neuroarquitetura.
