RACISMO ESTRUTURAL E NEUROCIÊNCIA: IMPACTOS COGNITIVOS E SOCIAIS NA EDUCAÇÃO

 STRUCTURAL RACISM AND NEUROSCIENCE: COGNITIVE AND SOCIAL IMPACTS IN EDUCATION

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601071754


Lucas Chukwuebuka Ozigbo1


Resumo 

Este estudo investiga os impactos do racismo estrutural sobre o desenvolvimento cognitivo e social de estudantes, à luz de descobertas recentes da neurociência. Analisa-se como experiências sistemáticas de discriminação e exclusão influenciam a aprendizagem, a atenção, a memória e o processamento emocional. A pesquisa revisa literatura acadêmica sobre racismo estrutural, neurociência educacional e psicologia social, buscando compreender como desigualdades institucionais afetam a plasticidade cerebral e a motivação escolar. A metodologia inclui análise qualitativa de dados secundários e síntese crítica de estudos empíricos, com foco em contextos educacionais. Os resultados evidenciam que a exposição prolongada a ambientes discriminatórios provoca alterações no comportamento, no desempenho acadêmico e na saúde mental de estudantes, reforçando a necessidade de políticas pedagógicas inclusivas e estratégias de mitigação baseadas em evidências neurocientíficas. Conclui-se que compreender os efeitos do racismo estrutural sob a perspectiva da neurociência permite desenvolver práticas educativas mais equitativas e conscientes, promovendo um ambiente de aprendizagem que valorize diversidade e inclusão. 

Palavras-chave: Racismo Estrutural. Neurociência. Educação. Aprendizagem. Inclusão. 

1 INTRODUÇÃO 

O racismo estrutural configura um conjunto de práticas, normas e estruturas sociais que perpetuam desigualdades raciais de forma sistemática. Na educação, essas desigualdades manifestam-se por meio do acesso diferenciado a recursos, oportunidades e valorização de alunos. Este trabalho propõe analisar como o racismo estrutural impacta a aprendizagem e o desenvolvimento cognitivo dos estudantes, relacionando tais efeitos às descobertas da neurociência educacional. A relevância desta pesquisa reside na necessidade de compreender os mecanismos pelos quais a exclusão social afeta o cérebro e o comportamento, permitindo a proposição de práticas pedagógicas mais equitativas. 

Objetivo Geral 

Investigar os efeitos do racismo estrutural sobre o desenvolvimento cognitivo e social de estudantes, à luz da neurociência. 

Objetivos Específicos 

  1. Revisar literatura sobre racismo estrutural e seus impactos na educação. 
  2. Relacionar princípios da neurociência ao desempenho e à aprendizagem de alunos em contextos de desigualdade racial. 
  3. Propor estratégias pedagógicas inclusivas baseadas em evidências neurocientíficas. 

Justificativa 

A compreensão dos impactos do racismo estrutural na educação é essencial para o desenvolvimento de políticas educacionais inclusivas. Ao integrar perspectivas da neurociência, este estudo contribui para um entendimento mais profundo das consequências cognitivas e sociais da discriminação e oferece subsídios para práticas pedagógicas que promovam equidade e inclusão.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA   

2.1 Racismo Estrutural 

O racismo estrutural refere-se à perpetuação de desigualdades raciais por meio de instituições, políticas e práticas sociais. Estudos indicam que essas desigualdades influenciam diretamente a trajetória educacional dos estudantes (BONILLA-SILVA, 2018; FEAGIN, 2010). 

2.2 Neurociência e Educação 

A neurociência educacional investiga como os processos cerebrais afetam a aprendizagem, memória, atenção e regulação emocional. Pesquisas mostram que ambientes estressantes ou discriminatórios alteram a plasticidade cerebral e a motivação para aprender (MERZENICH, 2013; DOHERTY et al., 2020). 

2.3 Intersecção entre Racismo Estrutural e Neurociência 

A exposição contínua a discriminação racial gera respostas de estresse crônico, afetando circuitos neurais envolvidos na memória e no processamento emocional. Essa relação evidencia a necessidade de práticas pedagógicas que minimizem efeitos negativos e promovam ambientes de aprendizagem saudáveis e inclusivos (CANTOR et al., 2019). 

3 METODOLOGIA  

A pesquisa adota abordagem qualitativa e descritiva, baseada em revisão sistemática de literatura e análise crítica de estudos empíricos sobre racismo estrutural, neurociência educacional e psicologia social. Foram selecionados artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais, livros e relatórios institucionais, utilizando critérios de relevância, atualidade e aplicabilidade ao contexto educacional. A análise priorizou a identificação de padrões de impacto do racismo estrutural sobre funções cognitivas e sociais de estudantes. 

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS 

Os estudos revisados indicam que estudantes expostos a discriminação racial apresentam alterações em atenção, memória e regulação emocional. Ambientes educacionais inclusivos, que valorizam diversidade, demonstram maior engajamento, desempenho acadêmico e bem-estar psicológico. A neurociência confirma que práticas pedagógicas que reduzem estresse e promovem estímulos positivos fortalecem circuitos cerebrais ligados à aprendizagem e à motivação (MERZENICH, 2013; CANTOR et al., 2019).  

Os dados reforçam a importância de políticas educacionais que reconheçam e confrontem o racismo estrutural, promovendo estratégias de ensino inclusivas e conscientes. 

5 CONCLUSÃO 

A pesquisa evidencia que o racismo estrutural impacta diretamente o desenvolvimento cognitivo e social de estudantes. A integração de perspectivas da neurociência permite compreender mecanismos pelos quais a discriminação afeta aprendizagem, atenção, memória e regulação emocional. Conclui-se que práticas pedagógicas inclusivas, apoiadas em evidências neurocientíficas, são essenciais para promover equidade e potencializar o desenvolvimento acadêmico e social de alunos em contextos de desigualdade racial. Limitações incluem a dependência de estudos secundários e a necessidade de pesquisas empíricas futuras que envolvam coleta direta de dados. 

REFERÊNCIAS 

BONILLA-SILVA, Eduardo. Racism without Racists: Color-Blind Racism and the Persistence of Racial Inequality in the United States. 4th ed. Lanham: Rowman & Littlefield, 2018. 

FEAGIN, Joe R. Racist America: Roots, Current Realities, and Future Reparations. 3rd ed. New York: Routledge, 2010. 

MERZENICH, Michael M. Soft-Wired: How the New Science of Brain Plasticity Can Change Your Life. San Francisco: Parnassus, 2013. 

DOHERTY, Kate et al. Neuroscience and Education: Learning, Development and the Brain. London: Routledge, 2020. 

CANTOR, Patrice et al. The impact of structural racism on child development and learning. Child Development Perspectives, vol. 13, no. 1, 2019. 

Racismo e neurodesenvolvimento (evidência empírica) 
Kral, T. R. A.; Williams, C. Y.; Wylie, A. C.; et al. Intergenerational effects of racism on amygdala and hippocampus resting state functional connectivity. Scientific Reports, 14, 17034, 2024. doi:10.1038/s41598-024-66830-3. 
Disponível em: Intergenerational effects of racism on amygdala and hippocampus resting state functional connectivity | Scientific Reports Acesso em: 28 de dezembro de 2025.


1Discente do Curso Superior de Letras português da Faculdade Metropolitana Unida – FMU Campus Liberdade
e-mail: lucasozigboo@gmail.com