OS AVANÇOS DA IMUNOTERAPIA NO TRATAMENTO DO CÂNCER

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202602062230


 Karine Almeida Foletto
Orientador: Dr. Rodrigo Jacobi Terlan


RESUMO: 

O câncer constitui um importante problema de saúde pública no Brasil, sendo uma das principais causas de morbimortalidade no país. Estima-se a ocorrência de aproximadamente 700 mil novos casos por ano, o que evidencia a magnitude da doença e o impacto significativo sobre o sistema de saúde e a qualidade de vida da população. Dessa maneira, esse artigo propõe demonstrar os diferentes tipos de imunoterapia utilizadas, atualmente, no tratamento do câncer, pois as terapias convencionais, como a quimioterapia e a radioterapia, ainda estão associadas a elevados índices de toxicidade, uma vez que não apresentam seletividade exclusiva para as células neoplásicas, afetando também tecidos saudáveis. Diante dessas limitações, a imunoterapia emergiu como uma abordagem terapêutica inovadora e promissora, ganhando destaque ao longo das últimas décadas em decorrência do avanço das pesquisas científicas. Diferentemente dos tratamentos tradicionais, a imunoterapia atua estimulando ou modulando o sistema imunológico do próprio paciente para reconhecer e combater as células tumorais de forma mais específica, o que contribui para a redução dos efeitos adversos. Além disso, evidências científicas apontam melhora significativa na sobrevida e na resposta clínica de pacientes oncológicos submetidos a essa modalidade terapêutica. Atualmente, os principais tipos de imunoterapia utilizados no tratamento do câncer incluem os inibidores de checkpoint imunológico, as terapias celulares com células T geneticamente modificadas (CAR-T), os anticorpos monoclonais, as citocinas e as vacinas terapêuticas. Contudo, apesar dos resultados promissores, a incorporação dessas terapias ainda enfrentam desafios no contexto brasileiro, sobretudo em relação ao elevado custo e à limitada disponibilidade no Sistema Único de Saúde (SUS) ,o que restringe o acesso de grande parte da população a essas inovações terapêuticas. 

Palavras chave: Câncer. Imunoterapia.Sistema imune.Toxicidade

I. INTRODUÇÃO: 

“O câncer é responsável por 9.6 milhões de mortes no mundo”. (Organização Pan americana de Saúde ,2020), ou seja, essa doença aflige, adoece uma grande parcela da população. Dessa maneira, devido a relevância dessa comorbidade para o Brasil e o Mundo, novas terapias para o tratamento são estudadas diariamente. Por fim, o objetivo desse artigo é analisar os tipos de imunoterapia – tratamento que vem ganhando destaque no cenário oncológico – e quais as descobertas mais recentes vêm ao encontro daquilo que muitos afirmam ser o “mal do século”. 

Dessa maneira, para entender o lugar de propósito da imunoterapia, é necessário, ainda, um breve olhar sobre o que venha a ser o sistema imunológico e como o mesmo funciona. O sistema imune tem a função de proteger o organismo de agentes patogênicos, tais quais vírus, fungos, bactérias e, inclusive, células cancerígenas. De acordo com Abbas, et al 2017: O sistema imunológico é: “um conjunto de células e moléculas que reconhecem padrões de injúria celular e mantêm o próprio organismo, conservando a homeostasia tecidual” . 

Desde a década de 1950, o cientista Lewis Thomas já sugeria a hipótese de que o sistema imunológico seria capaz de reconhecer e eliminar células tumorais. No entanto, sabe-se que atualmente muitos tumores desenvolvem mecanismos de evasão imunológica, dificultando sua identificação e destruição pelo sistema imune. Embora o conceito de imunoterapia tenha ganhado maior visibilidade nas últimas décadas, seus primeiros registros datam do século XIX, por meio das observações de dois médicos alemães, Fehleisen e Busch. Eles notaram que pacientes oncológicos infectados por erisipela apresentavam regressão tumoral, sugerindo uma possível ativação do sistema imunológico contra o câncer. (Schreiber; Old;Smyth, 2011) 

Anos depois , Bradley Coley –considerado o pai da imunoterapia– aprofundou esses estudos ao utilizar cepas da bactéria Streptococcus pyogenes para induzir infecções controladas em pacientes com sarcoma e linfoma, as chamadas “toxinas de Coley” pareciam estimular o sistema imune, promovendo regressão tumoral em alguns casos. No entanto, apesar dos resultados promissores , a ausência de recursos tecnológicos e a falta de validação científica rigorosa na época levaram a comunidade médica a direcionar os esforços para outras terapias emergentes, como a quimioterapia e a radioterapia, que passaram a dominar o cenário do tratamento oncológico por décadas. (Pardoll, 2012) 

Nos últimos tempos, a imunoterapia destaca-se devido ao aprofundamento de estudos e aprimoramento no tratamento em diferentes tipos de tumores, trazendo benefícios relacionados à melhora na qualidade de vida e no prognóstico da doença. Porém, ainda apresentam limitações em relação aos efeitos colaterais que não são totalmente conhecidos e variam individualmente, além da disponibilidade da medicação para a população, devido o alto custo desse tratamento.(Alencar Et al, 2021).

II. METODOLOGIA: 

Este artigo científico tem como objetivo analisar os principais tipos de imunoterapia utilizados no tratamento do câncer, bem como os avanços recentes nesse campo. Para a elaboração do presente trabalho, foram utilizados como fontes primárias de pesquisa científica os bancos de dados UpToDate, SciELO, PubMed, além de periódicos científicos e do Google Acadêmico. A busca bibliográfica foi delimitada a publicações dos últimos quinze anos, compreendendo o período de 2010 a 2025, com o intuito de assegurar a atualidade e a relevância das informações obtidas. Dessa maneira, foram incluídos estudos que abordavam diretamente a temática da imunoterapia oncológica, contemplando aspectos relacionados aos seus mecanismos de ação, eficácia clínica e aplicações terapêuticas. Por outro lado, foram excluídos trabalhos que não apresentaram relação direta com o tema proposto ou que não atenderam aos critérios metodológicos previamente estabelecidos.

III. RESULTADOS E DISCUSSÃO: 

A incidência do câncer segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) “ passará de 20 milhões em 2022 para 35 milhões em 2050, um aumento de 77%”. Os tipos mais prevalentes de câncer no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer – INCA são: em primeiro o lugar o câncer de pele não melanoma, em segundo lugar nos homens o câncer de próstata e nas mulheres o câncer de mama, após na sequência segue-se como câncer colorretal e o câncer de pulmão. É uma comorbidade que apresenta um grande impacto tanto em relação ao diagnóstico quanto ao tratamento. Tratamento esse que ao longo das décadas é estudado por médicos e cientistas visando combater de forma mais específica essa patologia. (Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica – SBCO). 

Dessa forma, devido ao aumento no número de diagnósticos a cada ano, e a limitação dos tratamentos atuais, o surgimento da imunoterapia aparece como uma grande aliada devido ao seu potencial de melhorar prognósticos, sendo usada em conjunto com a quimioterapia e outras modalidades de tratamento. (Almeida,F.et al, 2018; Lustosa, et al 2024). Entretanto, a imunoterapia apresenta um alto custo,com necessidade de recursos financeiros por parte do sistema único de saúde- SUS para a implementação e maior abrangência. Segundo Alencar, B.L, et al, 2021 ela, pode ser “60% mais cara que um tratamento cirúrgico”. Portanto, a imunoterapia ainda enfrenta problemas em relação a implementação orçamentária, com a necessidade de “novas pesquisas e encontrar formas de custear esse tratamento para auxiliar o maior número de pacientes”. (Alencar, B.L, et al, 2021). 

Os principais tipos de imunoterapia utilizadas no tratamento do câncer encontradas na literatura são: os inibidores checkpoint, anticorpos monoclonais, vacinas terapêuticas e citocinas. É importante salientar que diferente da quimioterapia e radioterapia, que utiliza o tratamento visando destruir a célula cancerígena, a imunoterapia é baseada em auxiliar o sistema imune do paciente para identificar e combater células agressoras/neoplásicas de maneira mais específica e com menos danos colaterais. Almeida, F et al, 2018; Sociedade Americana de Oncologia Clínica – ASCO). 

A. INIBIDORES CHECKPOINTS: 

Entre os tipos de imunoterapia, os inibidores de checkpoints imunológicos representam um dos avanços mais significativos. Os checkpoints são pontos de verificação do sistema imune, fundamentais para a manutenção da homeostase imunológica, uma vez que impedem respostas autoimunes, ou seja, o ataque do sistema de defesa contra as células do próprio organismo. (Postow et al, 2018)

Entretanto sabe-se que as células tumorais se aproveitam desses mecanismos para escapar da detecção imunológica. Entre os principais alvos desses checkpoints estão as moléculas CTLA-4, PD-1 e PDL-1, que podem ser expressas em diversos tipos de câncer. As células tumorais ao expressarem marcadores que ativam esses checkpoint imunes acabam desativando as células T- as responsáveis por atacar as células cancerígenas. (Carvalho et al, 2019 , Instituto Nacional do câncer dos Estados Unidos, Johnson et al, 2018) 

Em 2018, os cientistas Tasuku Honjo e James Allison foram laureados com o Prêmio Nobel de Fisiologia por suas descobertas pioneiras relacionadas a esses mecanismos. Seus estudos demonstraram que a supressão da ativação das células T por meio das proteínas PD-1 e CTLA-4 constitui um dos principais mecanismos de escape utilizados pelas células tumorais para evitar a destruição do sistema imune ( Huang & Chang, 2018). 

O estudo de Huang e Chang (2018) evidenciou que o melanoma é um dos tipos de câncer que mais se beneficiou desse tipo de imunoterapia. Segundo os autores “ no melanoma maligno metastático a taxa de sobrevivência de longo prazo, anteriormente de 5%, pode agora ser estendida para até 50% com o tratamento combinado anti-PD-1 e anti CTLA-4”. Além disso, essa classe de fármacos demonstrou também eficácia no tratamento do câncer renal, câncer de pulmão não pequenas células, carcinoma de cabeça e pescoço e alguns tumores do trato gastrointestinal. 

No entanto, essa terapia apresenta uma gama de efeitos colaterais, sendo as mais comuns: letargia, rash cutâneo e prurido, até os mais graves como intoxicação hepática, pneumonites e hipofisites. Em casos de sintomas leves a moderados a terapia pode ser suspensa de forma temporária e realizado um ciclo com corticoide oral, entretanto, em casos de intoxicação grave a terapia é suspensa de forma total e realizado ciclo com corticoide endovenoso.(Gomes et al, 2020 ;Brazilian Journal of Oncology, 2013; Postow et al, 2018)  

B. CÉLULAS CAR-T: 

A terapia com células CART-T ou Chimeric Antigen Receptor T é um método avançado de imunoterapia no qual as células do paciente são modificadas laboratorialmente para que possam reconhecer e matar as células tumorais. (Arruda et al, 2025; Cabedar et al 2024; Karren et al, 2020). Esse tratamento surgiu nos Estados Unidos em 2010 quando passou a ser utilizado no tratamento de um grupo de pacientes com câncer terminal. Por conta, dos resultados promissores a Food and Drug Administration – FDA, aprovou o uso dessa terapia para o combate ao câncer em 2017 (Butantan, 2020). Tal abordagem tem mostrado excelentes resultados, especialmente, no tratamento das seguintes neoplasias: leucemia linfoblástica aguda, mieloma múltiplo e linfoma difuso de grandes células B.(Arruda et al,2025; Karren et al, 2020).

Além disso, para os pacientes com Leucemia Linfoblástica Aguda, que é um câncer extremamente agressivo, estudos têm demonstrado a alta taxa de remissão da doença, especialmente em pacientes em estágio refratário, isto é, não respondente aos regulares tratamentos e a recidiva da doença.(Cabedar et al, 2024; Karren et al,2020).No entanto, apesar dos avanços, essa imunoterapia ainda apresenta limitações importantes, principalmente, relacionadas a efeitos colaterais graves, como a neurotoxicidade e síndrome de liberação de citocinas. A neurotoxicidade pode provocar sintomas como: alterações do nível de consciência, encefalopatia, convulsões e, em casos extremos levar ao óbito. Já a síndrome de liberação de citocinas pode ocasionar: hemorragias, hipotensão e danos significativos aos órgãos- alvo. Ainda segundo o estudo citado, medicamentos vêm sendo pesquisados para mitigar esses efeitos adversos, destacando-se o tocilizumabe como uma das opções terapêuticas mais promissoras (Cabedar et al, 2024; Karren et al, 2020). 

C. ANTICORPOS MONOCLONAIS: 

Os anticorpos monoclonais compõem uma das abordagens mais específicas viabilizadas no tratamento do câncer. São definidos como imunoglobulinas produzidas em laboratório a partir de um único clone de linfócitos B. (Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 2010). Em 1947,foram identificados por Heidelberger e Avery, como: “ moléculas responsáveis por detectar células agressoras ao organismo”, isto é, reconhecer antígenos. Após, Astrid Fagraeus comprovou que “os anticorpos monoclonais eram produzidos por linfócitos B do sistema imune” (Zahavi et al, 2020). 

Dessa forma, por possuírem alta especificidade pelos antígenos expressos, os anticorpos monoclonais podem exercer diferentes mecanismos de ação terapêutica, como, por exemplo: podem bloquear sinais de crescimento celular, como ocorre com o trastuzumabe ao inibir a ativação do receptor HER2 – medicação utilizada no tratamento do câncer de mama; podem marcar as células tumorais para destruição pelo sistema imunológico, como faz o rituximabe ao reconhecer o antígeno CD20 – utilizado no tratamento do linfoma não-hodgkin e na leucemia linfocítica crônica, por exemplo (Sartore et al, 2010). 

Além disso, também podem inibir a angiogênese, processo essencial para o suprimento sanguíneo do tumor, exemplificado pelo bevacizumabe, que bloqueia o fator de crescimento endotelial vascular – medicação utilizada no câncer de colo uterino metastático e no câncer de pulmão não pequenas células. (Carvalho et al, 2013; Menezes et al.2024). Dessa forma, conclui-se que os anticorpos monoclonais são projetados para induzir apoptose, carrear toxinas ou radioisótopos diretamente ao tumor, ou modular o microambiente tumoral, ampliando a eficácia terapêutica e reduzindo danos colaterais. (Carvalho et al, 2013).

Por conta da maior especificidade dessa modalidade de tratamento e o baixo número de efeitos colaterais quando comparados com outras terapias, os anticorpos monoclonais ganham cada vez mais visibilidade e maior número de estudos. “ Na última década verificou-se que mais de 70% dos anticorpos monoclonais antineoplásicos foram aprovados para uso em humanos” (Menezes et al, 2024) 

D. VACINAS: 

As vacinas também estão ganhando destaque no tratamento do câncer. Segundo o Ministério da Saúde a definição de vacinas corresponde a : “ Substâncias biológicas que tem finalidade de induzir a resposta imunológica do organismo, com o objetivo de proteger o indivíduo contra uma determinada doença (profilática) ou evitar que ela se desenvolva de maneira severa (terapêutica) “. 

Primeiramente, o papilomavírus humano (HPV) corresponde a um vírus que apresenta grande potencial oncogênico,especialmente, os subtipos HPV 16 e HPV 18. O surgimento de lesões precursoras quando não identificadas de forma precoce através do exame de rotina citopatológico, podem como consequência progredir para o câncer, especialmente de colo de útero, em cerca de 70% dos casos. Além disso, o vírus apresenta tropismo para a vagina, vulva, ânus, pênis, boca e orofaringe (Azero Alssuffi, J., E. et al, 2023; INCA, 2023). 

Dessa forma, é essencial a aplicação da vacina profilática para diminuir a incidência dessa neoplasia que segundo o Ministério da Saúde: “há uma estimativa que de 2023 a 2025, aproximadamente, 17 mil pacientes sejam diagnosticados com o tumor”. Por conta, desses dados preocupantes é primordial a incentivação da vacinação, pois a neoplasia na fase inicial é assintomática, sendo que os pacientes acabam realizando o diagnóstico na fase tardia, sintomática, com a doença avançada (INCA, 2023) . A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) tem registrado e aprovado três vacinas profiláticas contra o HPV, todos os tipos previnem os subtipos oncogênicos (16 e 18), isto é, de alto risco. 

A primeira vacina terapêutica contra o câncer de próstata foi aprovada pelo FDA. A Sipuleucel-T-Provenge – marca uma nova era na imunoterapia (Guanjie Tal, 2025). Diferentemente das vacinas profiláticas, a vacina terapêutica é aplicada após o diagnóstico da doença e tem como objetivo a indução da resposta antitumoral adaptativa – mediada pelos linfócitos T-gerando memória imunológica.Aos antígenos alvo dessa vacina são: antígeno prostático específico – PSA; fosfatase ácida prostática PAP; e antígeno de membrana prostático específico -PSMA (Gulleyet al, 2017; Topalian et al, 2015). O Estudo IMPACT demonstrou que os pacientes submetidos a esse tratamento obtiveram aumento da sobrevida global em comparação ao placebo, entretanto, não houve redução nos níveis de PSA ou resposta radiológica tumoral. (Kantoff et al, 2010).

Enfim, existem vários estudos com outras novas vacinas em andamento com foco em diferentes neoplasias – um passo muito importante no cenário da imunoterapia futura. Entretanto, é importante salientar que, por exemplo, devido o câncer de próstata ser marcado por baixa imunogenicidade, isto é, apresenta baixa capacidade de induzir uma resposta imune robusta e pelo próprio ambiente tumoral ser imunossupressor – dificulta e limita o efeito das vacinas terapêuticas. Dessa maneira, visando não apenas o câncer de próstata mas outros tipos de tumores, é preciso ainda muito estudo para entender os diferentes mecanismos e atuações dessa terapia. Por fim, para superar essas dificuldades têm sido estudado a terapia combinada, ou seja, a associação de vacinas com, por exemplo: inibidores checkpoints ou radioterapia, com intuito de modular o microambiente tumoral e potencializar a eficácia da imunoterapia. (Kantoffetal,2010;Topalianetal,2015). 

E. CITOCINAS: 

“Citocinas são proteínas que exercem papel fundamental na regulação da resposta imune’’ (Abbas et al, 2021). Dessa maneira, seu funcionamento é marcado pela ativação das células natural killer (NK) e pelos linfócitos T citotóxicos, resultando dessa maneira na amplificação da resposta imune (Rosemberg, 2014 ; Oliveira et al, 2022). 

A interleucina 2 – foi uma das primeiras medicações utilizadas no tratamento de neoplasias, sendo utilizadas, por exemplo: no carcinoma de células renais ou no melanoma metastático (Rosemberg, 2014 ; Oliveira et al, 2022). Além disso, medicação utilizada é o interferon- alfa, sua função é imunomoduladora, e anti proliferativa, com foco direto e indireto nas células tumorais, através da ativação do sistema imune e reconhecimento do tumor pelos linfócitos T (Kirkwood,et al,2018). 

Entretanto, o uso das citocinas em geral não é indicado de maneira isolada devido seus efeitos colaterais potencialmente graves, como por exemplo: o uso das interleucinas podem acarretar em: síndrome de extravasamento capilar, hipotensão, disfunção renal e pulmonar (Abbas,Lichtman,Pillai,2021). Dessa maneira, o uso das citocinas é guiado através de combinação com outras terapias, para proteção e diminuição da toxicidade ao organismo. (Rosemberg, 2014).

CONSIDERAÇÕES FINAIS: 

Enfim, este trabalho evidenciou os principais tipos de imunoterapia atualmente utilizados no tratamento do câncer, demonstrando, a partir da análise da literatura científica, o crescente destaque e aprimoramento dessa modalidade terapêutica ao longo dos anos. Tal avanço está associado, sobretudo, à sua maior especificidade de ação e à redução dos efeitos colaterais quando comparada às terapias convencionais, como a quimioterapia e a radioterapia. 

Conclui-se que, apesar de seu caráter inovador e dos resultados promissores relacionados à melhora do prognóstico e à maior tolerabilidade ao tratamento, a imunoterapia ainda apresenta limitações importantes, especialmente no que diz respeito à sua ampla disponibilidade e ao elevado custo, o que restringe o acesso da população a essa terapêutica. Ademais, diversos imunoterápicos encontram-se em fases de desenvolvimento e estudo, com mecanismos de ação que ainda não estão completamente elucidados. 

Dessa maneira, torna-se evidente a necessidade de continuidade e ampliação das pesquisas na área oncológica, a fim de aprofundar o conhecimento sobre os mecanismos imunológicos envolvidos e viabilizar a expansão do acesso a essas terapias. Nesse cenário, a imunoterapia desponta como uma importante aliada no tratamento do câncer, com potencial para, futuramente, ser incorporada de forma mais ampla e equitativa, contribuindo significativamente para a melhoria da qualidade de vida e da sobrevida dos pacientes oncológicos.

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