MENOPAUSE AND INTERMITTENT FASTING: BENEFITS, RISKS, AND SCIENTIFIC EVIDENCE
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601311807
Aline Batista Brighenti dos Santos1
Resumo
A menopausa representa uma transição fisiológica significativa caracterizada pela redução dos hormônios ovarianos, principalmente estrogênio e progesterona, acompanhada de alterações metabólicas como aumento da adiposidade visceral, ganho de peso, resistência à insulina e maior risco de doenças cardiometabólicas. O jejum intermitente, definido como alternância entre períodos de jejum e ingestão alimentar, tem sido investigado como estratégia nutricional para controle de peso e melhora do metabolismo em adultos, incluindo mulheres na perimenopausa e pós-menopausa. Revisões sistemáticas e meta-análises recentes indicam que o jejum intermitente pode reduzir glicemia de jejum, resistência à insulina, circunferência abdominal e marcadores inflamatórios, além de contribuir para a perda de gordura corporal, embora os dados específicos em mulheres na transição menopausal ainda sejam limitados. Potenciais riscos incluem perda de massa magra, déficits nutricionais e impacto na densidade óssea, especialmente quando praticado sem supervisão profissional. Conclui-se que o jejum intermitente apresenta potencial benefício metabólico em mulheres na menopausa, mas sua implementação clínica deve ser individualizada e baseada em evidências sólidas, com acompanhamento de profissionais de saúde.
Palavras-chave: Menopausa; Jejum intermitente; Saúde da mulher.
Abstract
Menopause represents a significant physiological transition characterized by decreased ovarian hormones, including estrogen and progesterone, accompanied by metabolic changes such as increased visceral adiposity, weight gain, insulin resistance, and higher cardiometabolic risk. Intermittent fasting, defined as alternating periods of fasting and eating, has been studied as a nutritional strategy for weight management and metabolic improvement in adults, including perimenopausal and postmenopausal women. Recent systematic reviews and meta-analyses indicate that intermittent fasting may reduce fasting glucose, insulin resistance, waist circumference, and inflammatory markers, while promoting body fat loss, although specific evidence in menopausal women remains limited. Potential risks include lean mass loss, nutritional deficiencies, and reduced bone density, particularly when undertaken without professional supervision. In conclusion, intermittent fasting shows potential metabolic benefits in menopausal women, but clinical implementation should be individualized and evidence-based, under professional guidance.
Keywords: Menopause; Intermittent fasting; Women’s health.
1. Introdução
A menopausa representa uma transição fisiológica marcada pelo declínio progressivo da produção de hormônios ovarianos, principalmente estrogênio e progesterona, geralmente ocorrendo entre 45 e 55 anos. Essa redução hormonal provoca alterações metabólicas significativas, incluindo aumento da adiposidade visceral, ganho de peso, diminuição da massa magra e maior resistência à insulina, fatores que elevam o risco de síndrome metabólica, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, impactando a qualidade de vida das mulheres (GARG et al., 2025; CIENFUEGOS et al., 2021).
Diante dessas alterações, estratégias nutricionais têm sido investigadas para mitigar os efeitos metabólicos adversos da menopausa. O jejum intermitente (JI) consiste na alternância entre períodos de jejum e ingestão alimentar, podendo variar em duração e protocolo, como o modelo 16:8, em que 16 horas são destinadas ao jejum e 8 horas à alimentação, ou o modelo 5:2, em que há restrição calórica em dois dias não consecutivos da semana (LU et al., 2025; ZHANG et al., 2025). Revisões sistemáticas e meta-análises indicam que o JI pode promover redução do peso corporal, circunferência abdominal, glicemia de jejum, resistência à insulina e níveis de lipídios, além de reduzir marcadores inflamatórios, sugerindo efeitos metabólicos benéficos em adultos (LU et al., 2025; SCHWINGHACKL et al., 2024; SEMNANI AZAD et al., 2025).
Apesar desses achados, a evidência específica para mulheres na transição menopausal ainda é limitada. Estudos recentes sugerem que o JI pode contribuir para a redução da adiposidade visceral e melhora de parâmetros metabólicos nesse grupo, embora muitos resultados derivem de extrapolações de populações gerais ou ensaios clínicos com amostras pequenas (GARG et al., 2025; CIENFUEGOS et al., 2021). Além disso, potenciais riscos, como perda de massa magra, déficits nutricionais e impacto sobre densidade óssea, reforçam a necessidade de supervisão profissional na adoção do JI (ZHANG et al., 2025).
Diante do exposto, este trabalho tem como objetivo revisar criticamente a literatura científica recente sobre a relação entre menopausa e jejum intermitente, destacando tanto os potenciais benefícios metabólicos quanto os riscos associados, com ênfase em evidências provenientes de revisões sistemáticas, meta-análises e ensaios clínicos relevantes.
2. Marco Teórico / Resultados
A menopausa está associada a alterações hormonais profundas, especialmente à redução dos níveis de estrogênio, que desencadeiam mudanças metabólicas relevantes e clinicamente bem documentadas. Entre essas alterações destacam-se o aumento da adiposidade visceral, a redistribuição da gordura corporal para a região abdominal, a redução progressiva da massa magra e o aumento da resistência à insulina, fatores que contribuem para maior risco de síndrome metabólica, diabetes mellitus tipo 2 e doenças cardiovasculares em mulheres na pós-menopausa (GARG et al., 2025; CIENFUEGOS et al., 2021). Essas modificações comprometem o equilíbrio metabólico e tornam essa fase da vida particularmente sensível a intervenções nutricionais inadequadas ou excessivamente restritivas.
O jejum intermitente (JI) tem sido amplamente investigado como estratégia nutricional capaz de modular parâmetros metabólicos por meio da alternância entre períodos de jejum e alimentação. Diferentes protocolos, como o time-restricted feeding (por exemplo, 16:8), a restrição calórica em dias alternados e o modelo 5:2, têm sido avaliados quanto aos seus efeitos sobre peso corporal, metabolismo glicídico e lipídico e inflamação sistêmica. Revisões sistemáticas e meta-análises recentes indicam que o JI pode promover reduções significativas no peso corporal, na circunferência abdominal, na glicemia de jejum e na resistência à insulina, além de melhorar o perfil lipídico e reduzir marcadores inflamatórios em populações adultas (LU et al., 2025; ZHANG et al., 2025; SCHWINGHACKL et al., 2024).
Esses efeitos metabólicos são atribuídos a adaptações fisiológicas associadas ao estado de jejum, incluindo maior mobilização de ácidos graxos, aumento da oxidação lipídica e melhora da regulação da glicose. A revisão em rede publicada no BMJ (SEMNANI-AZAD et al., 2025) reforça que diferentes estratégias de jejum intermitente apresentam efeitos consistentes na redução do peso corporal e de marcadores cardiometabólicos, sugerindo que os benefícios observados não dependem exclusivamente de um protocolo específico, mas sim do padrão de restrição temporal da ingestão alimentar.
No contexto específico da menopausa, as evidências ainda são limitadas, porém apontam para efeitos semelhantes aos observados em populações adultas de forma geral. Garg et al. (2025) destacam que o jejum intermitente pode auxiliar no controle do peso corporal e na redução da adiposidade abdominal em mulheres pós-menopáusicas, um aspecto particularmente relevante diante da tendência ao acúmulo de gordura visceral nessa fase da vida.
Apesar dos potenciais benefícios, a literatura também aponta limitações e riscos associados ao jejum intermitente, especialmente em mulheres na pós-menopausa. Zhang et al. (2025) alertam que a restrição energética prolongada pode favorecer a perda de massa magra, déficits nutricionais e possíveis impactos negativos sobre a densidade mineral óssea, aspectos de grande relevância clínica em uma população já vulnerável à sarcopenia e à osteoporose. A revisão de Schwinghackl et al. (2024) reforça que os efeitos do JI variam conforme características individuais, como estado nutricional, composição corporal e presença de comorbidades, o que limita a adoção indiscriminada dessa estratégia.
Dessa forma, o marco teórico indica que o jejum intermitente apresenta potencial para melhorar parâmetros metabólicos em mulheres na menopausa, especialmente no que se refere ao controle do peso corporal, da adiposidade visceral e da sensibilidade à insulina. No entanto, a escassez de estudos de longo prazo exclusivamente com mulheres pós-menopáusicas e a possibilidade de efeitos adversos reforçam a necessidade de cautela, individualização e acompanhamento profissional na aplicação dessa estratégia nutricional nessa fase da vida.
2. Material e Método
Esta revisão narrativa foi elaborada a partir de uma busca sistemática em bases de dados científicas, incluindo PubMed, Cochrane Library, Scopus, SciELO e Lilacs, considerando publicações até dezembro de 2025. Foram utilizados os descritores em português e inglês: “menopausa”, “pós-menopausa”, “jejum intermitente”, “metabolismo”, “sensibilidade insulínica”, “gordura visceral” e “saúde feminina”.
Foram incluídos estudos do tipo revisão sistemática e meta-análise que abordaram o jejum intermitente e seus efeitos metabólicos em mulheres adultas ou na transição menopausal, além de ensaios clínicos randomizados que investigaram parâmetros de composição corporal, marcadores metabólicos e saúde cardiometabólica. Estudos que não abordaram diretamente a população na menopausa ou na perimenopausa, que não avaliaram parâmetros metabólicos ou de composição corporal, ou que consistiam em opiniões, blogs e literatura não revisada por pares, foram excluídos. Para cada estudo selecionado, foram extraídas informações sobre o tipo de estudo, tamanho e características da população, protocolo e duração do jejum intermitente, e principais achados relacionados à composição corporal, sensibilidade à insulina, gordura visceral e efeitos adversos. Os dados foram sintetizados qualitativamente, com ênfase em evidências provenientes de revisões sistemáticas e meta-análises, buscando fornecer uma visão crítica e baseada em evidências sobre os benefícios e riscos do jejum intermitente em mulheres na menopausa.
3. Resultados e Discussão
As evidências sobre o efeito do jejum intermitente (JI) em mulheres na menopausa ainda são limitadas, mas estudos recentes e revisões sistemáticas indicam resultados promissores em termos de composição corporal e parâmetros metabólicos. Revisões de Lu et al. (2025) e Zhang et al. (2025) apontam que o JI pode reduzir peso corporal, circunferência abdominal e gordura visceral, além de melhorar a sensibilidade à insulina e reduzir glicemia de jejum. Esses efeitos são atribuídos a adaptações metabólicas durante o jejum, incluindo aumento da lipólise, melhor regulação da glicose e redução de marcadores inflamatórios.
Garg et al. (2025) destacam que, em mulheres pós-menopáusicas, o JI pode ser uma estratégia útil para controle do peso e da gordura abdominal, promovendo efeitos benéficos similares aos observados em populações adultas de forma geral. Cienfuegos et al. (2021) mostraram que protocolos de time-restricted feeding em mulheres pré e pós-menopausa podem melhorar parâmetros metabólicos sem comprometer significativamente a massa magra, sugerindo que a prática bem estruturada do JI pode ser segura para mulheres nessa faixa etária. A revisão publicada no SEMNANI AZAD et al., 2025 reforça que diferentes protocolos de jejum intermitente, incluindo 16:8 e 5:2, produzem reduções consistentes em peso corporal e marcadores cardiometabólicos, evidenciando que o efeito positivo do JI não depende exclusivamente do tipo de protocolo adotado.
Apesar desses benefícios, os estudos também apontam limitações e riscos. Zhang et al. (2025) alertam que o JI pode levar à perda de massa magra, déficits nutricionais e impacto negativo na densidade óssea, aspectos particularmente relevantes para mulheres na pós-menopausa, que já apresentam maior vulnerabilidade à osteoporose e sarcopenia. Schwinghackl et al. (2024) enfatizam que a adesão ao JI deve considerar fatores individuais, como estado nutricional, histórico de doenças, composição corporal e risco de deficiências de micronutrientes. Esses achados indicam que, embora o JI apresente potencial benefício metabólico, sua aplicação clínica exige acompanhamento profissional e personalização das recomendações.
Além disso, as lacunas na literatura incluem a escassez de ensaios clínicos randomizados de longo prazo exclusivamente com mulheres menopausadas, o que limita a generalização dos resultados. A maioria dos estudos extrapola dados de populações adultas mais amplas, ou utiliza amostras pequenas, com duração limitada, o que impede conclusões definitivas sobre segurança, aderência e efeitos a longo prazo (GARG et al., 2025; CIENFUEGOS et al., 2021).
Em síntese, os achados sugerem que o jejum intermitente pode favorecer a redução da gordura visceral, melhora da sensibilidade à insulina e controle do peso corporal em mulheres na menopausa, mas sua implementação deve ser individualizada, baseada em evidências científicas e supervisionada por profissionais de saúde, integrando-se a um plano alimentar equilibrado que atenda às necessidades nutricionais específicas dessa fase da vida.
Considerações Finais
A revisão da literatura sugere que o jejum intermitente possui potencial para promover benefícios metabólicos em mulheres na menopausa, incluindo redução de gordura visceral, melhora da sensibilidade à insulina e controle do peso corporal (LU et al., 2025; ZHANG et al., 2025; GARG et al., 2025). Esses efeitos decorrem de adaptações metabólicas durante os períodos de jejum, com impacto positivo sobre glicemia, lipídios e marcadores inflamatórios (SCHWINGHACKL et al., 2024; SEMNANI AZAD et al., 2025).
Apesar dos potenciais benefícios, evidências também indicam riscos associados à prática inadequada do JI, como perda de massa magra, déficits nutricionais e impacto negativo na densidade óssea, especialmente em mulheres pós-menopáusicas com maior vulnerabilidade à osteoporose e sarcopenia (ZHANG et al., 2025; CIENFUEGOS et al., 2021). A adesão a protocolos de jejum intermitente deve, portanto, considerar o estado nutricional, histórico de doenças, composição corporal e necessidades individuais, sendo recomendada a supervisão por profissionais de saúde qualificados.
Adicionalmente, observa-se que há lacunas significativas na literatura, incluindo a escassez de ensaios clínicos de longo prazo exclusivamente com mulheres menopausadas, o que limita a generalização dos achados. Futuras pesquisas devem investigar protocolos específicos para esta população, avaliando não apenas os efeitos metabólicos, mas também segurança, aderência e impacto a longo prazo sobre massa magra, saúde óssea e qualidade de vida.
Em conclusão, o jejum intermitente apresenta potencial benefício metabólico relevante para mulheres na menopausa, mas sua aplicação clínica deve ser cautelosa, individualizada e baseada em evidências sólidas, integrando-se a estratégias nutricionais equilibradas que atendam às necessidades específicas dessa fase da vida.
Referências
CIENFUEGOS, S. et al. Changes in body weight and metabolic risk during time restricted feeding in premenopausal versus postmenopausal women. Experimental Gerontology, 2021.
GARG, R.; CHETAN, R.; JYOTHI, G. S.; AGRAWAL, P.; GUPTA, P. Intermittent fasting and weight management at menopause. Journal of Mid Life Health, 2025.
LU, L. et al. The effect of intermittent fasting on insulin resistance, lipid profile, and inflammation on metabolic syndrome: a GRADE assessed systematic review and meta-analysis. Journal of Health, Population and Nutrition, v. 44, p. 293, 2025.
SEMNANI-AZAD, Z.; KHAN, T. A.; CHIAVAROLI, L.; CHEN, V.; BHATT, H. A.; CHEN, A. et al. Intermittent fasting strategies and their effects on body weight and other cardiometabolic risk factors: systematic review and network meta-analysis of randomised clinical trials. BMJ, v. 389, e082007, 18 jun. 2025. doi:10.1136/bmj-2024-082007.
SCHWINGHACKL, L. et al. Intermittent fasting and health outcomes: an umbrella review summarizing significant associations supported by moderate to high quality evidence. PMC, 2024.
ZHANG, S.; SUN, B.; SUN, L. et al. Effect of intermittent fasting on obesity and metabolic indices in patients with metabolic syndrome: a systematic review and meta-analysis.BMC Endocrine Disorders, v. 25, p. 130, 2025.
1Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora – SUPREMA, alinebatistabrighenti@gmail.com
