INFLUÊNCIA DAS MÍDIAS SOCIAIS COMO FATOR PREDISPONENTE PARA O DESENVOLVIMENTO DA ANOREXIA NERVOSA: UMA REVISÃO DE LITERATURA 

INFLUENCE OF SOCIAL MEDIA AS A PREDISPOSING FACTOR FOR THE DEVELOPMENT OF ANOREXIA NERVOSA: A LITERATURE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202601171010


Vanessa Serrano Bezerra1
Thais Zélia dos Santos Otani2
Pedro Henrique Serrano Bezerra3


Resumo 

Entre os transtornos alimentares (TAs) temos a anorexia nervosa (AN), considerada uma doença  grave, com diagnóstico baseado em sintomas, principalmente psicológicos e médicos. O objetivo  deste trabalho foi realizar uma revisão da literatura médico-científica sobre a influência das mídias  sociais como fator predisponente para o desenvolvimento da anorexia nervosa. Foi realizada uma  revisão narrativa da literatura nas bases de dados Medline/PubMed, SciELO, Sci- Hub e DSM-5, em  língua portuguesa e inglesa dos últimos 5 anos (2018-2023). Pacientes com AN apresentam  insatisfação com a imagem corporal e busca incessante da perda de peso. Esta insatisfação é devida  entre outros fatores, a pressão da moda ditada por colegas e sociedade, ideais de magreza e em grande  parte por influência das mídias sociais que levam à distorçam da imagem do próprio corpo. A AN  traz taxas consideráveis de morbidade e mortalidade, por complicações que vão desde problemas  nutricionais, hormonais, cardíacos e ósseos. Esse quadro pode ser melhorado com a atuação de um  Psiquiatra voltada aos fatores que levam o paciente a adotar esses comportamentos e como fazê-los  entender a gravidade do quadro e reverter o mesmo. O diagnóstico precoce e uma abordagem  terapêutica adequada da AN são fundamentais para o manejo clínico e prognóstico desta condição. 

Palavras-chave: transtornos alimentares, anorexia nervosa, mídias sociais. 

1 INTRODUÇÃO 

Nas últimas duas décadas houve um aumento na ocorrência de transtornos  alimentares (TA), acometendo mais os adolescentes. Com o avanço das tecnologias e acesso  cada vez maior às redes sociais, as influências estéticas se tornaram mais acentuadas, sendo  reforçadas pelas mídias e por influencers nas redes sociais (LIMA et al., 2022). Atualmente os TAs são doenças consideradas frequentes, que apresentam patogênese  biopsicossocial, em geral associadas a comorbidades psiquiátricas e/ou somáticas. Estas  comorbidades psiquiátricas vão desde perturbações, como ansiedade, distúrbios do humor e  insônia. Já as complicações somáticas incluem alterações cardíacas, desequilíbrios  hormonais e gastrintestinais, como diarreia, obstipação e dor abdominal (HETTERICH et  al., 2018). 

Há casos que os TAs passam despercebidos por meses ou anos, com características  de comportamento alimentar perturbado associado a preocupações com peso e forma ou  ainda pelo desinteresse em alimentos, evitação ou evitação fóbica devido a aspectos  sensoriais dos alimentos e influências das mídias sociais. Pacientes com TAs também  apresentam comportamento compulsivo por exercícios, o que está associado à menor  resposta em curto prazo ao tratamento e pior prognóstico em longo prazo (DITTMER et al.,  2018; SCHLEGL et al., 2018). 

O objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão da literatura médico- científica  sobre a influência das mídias sociais como fator predisponente para o desenvolvimento da  anorexia nervosa. 

Justifica-se a opção pelo tema, o fato dos TAs serem os transtornos psiquiátricos mais  comuns que afetam desde adolescentes até adultos jovens, levando significativos prejuízos  na saúde psicológica, social e física do indivíduo, como anorexia, por exemplo. 

Considerando que o comportamento alimentar dos jovens está cada dia mais alterado,  se faz importante que haja um acompanhamento psiquiátrico para a prevenção de transtornos  como a anorexia nervosa (AN), para que sua incidência seja minimizada o máximo possível. 

O crescente número de pacientes com AN a partir de 1960, associado às tentativas  de distinguir diferentes tipos de pacientes com o quadro, aparentemente contribuiu para o  reconhecimento da doença como uma síndrome psiquiátrica específica, com características  que a distinguem de outros transtornos (APOLINÁRIO; NUNES; CORDÁS, 2022). 

Em média, 92% dos pacientes acometidos pela AN são do sexo feminino, apesar disso todas as etnias, gêneros e orientações sexuais podem ser afetados. Há estimativas de  hereditariedade baseadas em gêmeos de 50 a 60%. O início da AN em geral ocorre entre 15  a 25 anos de idade, porém aparentemente a idade de início está diminuindo. Entre 4 e 11 anos, a incidência é baixa, aumentando de forma significativa a partir dos 11 anos de idade. 

Há relatos de mulheres diagnosticadas com AN na meia-idade ou na idade adulta. Raramente  o início da AN ocorre após os 30 anos de idade. O subtipo restritivo de AN está associado  ao início mais precoce da doença e maior probabilidade de transição para o subtipo de  compulsão alimentar/purgativa (SOLANO-PINTO et al., 2018; BULIK et al., 2019;  PAOLACCI et al., 2020; FROSTAD; BENTZ, 2022; HAN et al., 2022). 

Entre todos os transtornos psiquiátricos, a AN apresenta a maior taxa de mortalidade  (entre 3,2 e 10,5) apresentando aumento de 5,6% para cada década que o indivíduo  permanece com o transtorno. Em relação à população em geral, pacientes com AN possui  aproximadamente 5 vezes mais chances de morrer por qualquer causa e 18 vezes mais  chances de morrer por suicídio (COUYTURIER et al., 2020; KEELER et al., 2021; SOLMI  et al., 2021). 

Em geral o prognóstico da AN é ruim, apresentando eventos de recaída e 59% aos 9  anos de doença e de 30% aos 15 anos da doença (COUYTURIER et al., 2020; KEELER et  al., 2021; SOLMI et al., 2021). 

Resultados de estudos mostram que o sobrepeso e a obesidade na adolescência levam  à baixa autoestima e consequente insatisfação com a própria imagem corporal, culminando  no aumento das ocorrências de TAs. Esse quadro se agrava com a pressão das mídias sociais  pela busca de um padrão de beleza magro que tem influenciado muitos jovens a desenvolver  esses transtornos, os quais levam à desnutrição, caquexia e até ao óbito, nos casos mais  graves (FONTENELE et al., 2019). 

Diversos meios de comunicação podem influenciar o comportamento alimentar de  risco, principalmente, as mídias sociais, por ser estas caracterizadas por forte apelo ao padrão  ideal de beleza e suas campanhas de Marketing considerado agressivo para venda de  suplementos, alimentos, roupas e afins, com objetivo de induzir seus usuários a idealização e corpos esculturais e soluções milagrosas para controlar o peso, levando às pessoas a se  sentirem frustradas com os padrões estabelecidos (OLIVEIRA; MONTEIRO; ALVES). 

2 METODOLOGIA  

Foi realizada uma revisão narrativa da literatura sobre as evidências existentes em  relação à influência das mídias sociais na ocorrência da anorexia nervosa. As bases de dados Medical Literature Analysis and Retrievel System Online  (Medline/PubMed), Scientific Eletronic Library Online (SciELO) e Sci-Hub foram  pesquisadas usando termos “transtorno alimentar”, “insatisfação corporal”, “anorexia nervosa”, “mídias sociais”, “eating disorder”, “body dissatisfaction”, “anorexia nervosa”,  “social media” de forma isolada ou combinada entre si. 

Os critérios de inclusão foram: todos os tipos de estudos em língua portuguesa e  inglesa, dos últimos cinco anos (2018 a 2023), com exceções que se fizeram necessárias pela  importância do conteúdo. As exceções foram: 1 Manual de Diagnóstico e Estatístico de  Transtornos Mentais (DSM-5) (2014); 2 livros, sendo 1 livro de prática Psiquiátrica em  hospital e 1 Compêndio de Psiquiatria (2017); 1 artigo que discorre sobre o DSM-5 (2017).  Foram excluídos os artigos duplicados e cartas ao editor. 

Os materiais foram lidos na íntegra, analisados e utilizados na produção deste  trabalho. 

É importante relatar que existem muitos estudos sobre TA, AN, influência das mídias  sociais, com resultados muitas vezes repetidos, mudando apenas o tipo de TA. 

3 REVISÃO DE LITERATURA 

3.1 TRANSTORNO ALIMENTAR 

Os TAs são considerados como um problema de saúde mental crescente e de  significativa importância, cada vez mais reconhecido como um problema impactante nos  países em desenvolvimento e em países de renda média, como o Brasil. Na última década  pesquisas sobre tratamento, etiologia e compreensão de sua distribuição e seus determinantes  tiveram um rápido crescimento. Isso tudo associado ao reconhecimento de novos transtornos  alimentares, principalmente o transtorno de compulsão alimentar (TCA) e o transtorno  alimentar restritivo evitativo (TARE) pela 11ª edição da Classificação Internacional de  Doenças (CID-11), da Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela 5ª edição do Manual  Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), da American Psychiatric  Association (APA) (APOLINÁRIO; NUNES; CORDÁS, 2022). 

O DSM-5 trouxe uma série de ajustes nos critérios diagnósticos,  especialmente para os TAs, diminuindo assim o número de casos de TAs que se  enquadram na antiga categoria diagnóstica “transtorno alimentar não especificado de outra forma” (TANE), uma categoria residual mal definida e heterogênea que representa  a maioria dos casos de TAs no antigo DSM-IV (DAHLGREN et al., 2017). Assim, o  transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) foi removido da categoria TANE do DSM-IV e reintroduzido como um diagnóstico independente e especificado do DSM-5, e expandindo os limites da AN. O DSM-5 reteve praticamente todos os recursos principais do AN, mas esclareceu os critérios de peso alterando o texto de “peso corporal  menor que 85% do esperado” para “peso significativamente baixo”. Além disso, o critério  “amenorreia” foi removido em virtude da presença evidente, não rara, de pacientes  diagnosticadas com AN que engravidaram (DSM, 2014; APOLINÁRIO; NUNES; CORDÁS, 2022). 

A busca pelo emagrecimento imediato é induzida por fatores que vão desde a baixa  autoestima até distorção da imagem corporal, que podem levar o indivíduo à prática  excessiva de exercícios físicos, jejum intermitente e uso de diuréticos e laxantes, levando a  quadros graves de TA (CONTE; PEDROZO; RAVAZZANI, 2020). 

No sexo masculino, os TAs por muito tempo foram ignorados, o que dificultou seu  diagnóstico e tratamento. Em homens, a prevalência de TAs em relação às mulheres sofre  variações entre 1:6 a 1:10 (entre os homens com TAs temos: modelos, bailarinos,  fisioculturistas, ginastas, nadadores, corredores, etc), com aumento da incidência e maior  prevalência entre os homossexuais. Os homens também são alvos de atenção quanto à  preocupação com uma alimentação mais saudável e preocupação em excesso com a imagem corporal, impactando assim nas suas escolhas alimentares (MANOCHIO-PINA et al., 2018). 

A Tabela 1 nos apresenta algumas doenças físicas que devemos considerar no  diagnóstico diferencial dos TAs. 

Tabela 1 – Doenças físicas que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial dos  TAs. 

Fonte: Adaptado de BOTEGA (2017). 

Principalmente, nos adolescentes, o desenvolvimento de TA sofre influencia dos  padrões estéticos veiculados pelas mídias sociais, que refletem de forma direta e significativa na autoestima destes, levando-os à prática restritivas de alimentação, como a  AN, por exemplo (LIMA et al., 2022). 

3.2 ANOREXIA NERVOSA 

A AN, ao longo da história foi entendida como um sintoma inespecífico, passível de  manifestação em todos os diagnósticos psiquiátricos praticamente, uma vez que levam à perda acentuada de peso. Provavelmente, tal concepção é devida a existência de aspectos inespecíficos que se encontram presentes em sua psicopatologia, como as alterações afetivas, cognitivas e de comportamento, que são  provocadas pela inanição. Há também outras formas de se conceber a AN, como reflexo de  variantes de outras doenças psiquiátricas – especialmente, esquizofrenia, histeria, Transtorno  Obsessivo (TO) e doença afetiva (APOLINÁRIO; NUNES; CORDÁS, 2022). 

A AN se caracteriza pela diminuição da ingestão calórica e redução da dieta, que aos  poucos vai excluindo os alimentos rotulados “engordativos” – como os carboidratos – com  demasiada repulsa de engordar ou comportamentos que interpõem no aumento do peso e  rejeição com a concepção da sua autoimagem e peso. A tendência do indivíduo é conservar  seu peso corporal inferior ao considerado normal. A AN apresenta morbidade significativa.  Por acometer, principalmente os adolescentes – período crucial de formação do esqueleto – uma das complicações mais graves é a diminuição da massa óssea. Em até 90% dos jovens, pode ocorrer osteopenia e um terço desses casos podem ser acometidos por osteoporose  (APA, 2014). 

3.2.1 Fatores de risco 

A predisposição genética associada a fatores psicossociais e à significativa gama de  informação sobre a valorização do corpo magro tem incentivado as mulheres na busca  obsessiva de um padrão de beleza (BARCACCIA et al., 2018). 

Há também outros fatores relacionados à AN que incluem: traços de personalidade  com tendências perfeccionista, baixo autoestima, importantes perdas afetivas e pais muito  controladores (LOPES; CAMPOS; LOPES, 2022). 

Em gêmeos monozigotos, as taxas de concordância para AN são significativamente mais altas em relação às encontradas em gêmeos dizigotos (APA, 2013).

O desenvolvimento e/ou manutenção da AN tem como elemento base a estrutura  familiar, uma vez que muito do que somos se aprende neste meio. Em geral os padrões de  alimentação são transmitidos por gerações. Neste sentido, a família deve estar atenta com o  que transmite de valores relacionados ao corpo ou o que seria um corpo ideal na opinião  deles (LOPES; CAMPOS; LOPES, 2022). 

Na prevalência da AN, a variabilidade transcultural e histórica reforça sua com  contextos e culturas que valorizam excessivamente a magreza. Alguns trabalhos e ocupações  também incentivam o culto à magreza – modelo, atleta de elite – também estão associados a  um maior risco (APA, 2013). 

3.2.2 Quadro clínico 

A principal característica da AN é a incapacidade cognitiva e emocional para manter  um peso normal e uma luta constante contra a sensação de fome. Os sintomas usuais dos  pacientes, nos casos agudos incluem: tontura, fadiga e síncope. Já nos casos crônicos, todos  os órgãos são afetados por conta da desnutrição: comprometimento digestivo, hepático,  respiratório, cardíacos, ósseo, endócrino, distúrbios eletrolíticos, imunodepressão e  infecções oportunistas relacionadas (PAOLACCI et al., 2020; FAYSSOIL et al., 2021). 

A longo prazo, pacientes com AN podem desenvolver cabelos e unhas quebradiças,  pele seca, osteopenia, hipotensão, constipação, hipotermia, bradicardia, amenorreia, cabelo  lanugo, perda de massa muscular e infertilidade (PAOLACCI et al., 2020; FAYSSOIL et al.,  2021). 

3.2.3 Diagnóstico 

Desde suas primeiras descrições clínicas no final do século XIX, os critérios  diagnósticos da AN apresentaram evolução significativa, apesar disso, permaneceram  algumas características essências ao longo do tempo, as quais são consideradas como núcleo  conceitual desse TA (APOLINÁRIO; NUNES; CORDÁS, 2022): 

Baixo peso: pacientes com AN exibem restrição de ingestão de calorias, que levam a  peso corporal significativamente baixo – inferior ao peso mínimo considerado nor mal –. O julgamento clínico do “peso baixo” deve levar em conta o histórico de peso  do indivíduo e parâmetros de status de nutrição para sexo e estatura amplamente baseados em referências. Um parâmetro utilizado frequentemente utilizado para de finir baixo peso tem como base o Índice de Massa Corporal (IMC) em adultos (<18,5 kg/m2), em crianças e adolescentes (<5º percentil no indicador IMC/idade), porém, este referencial não deve ser interpretado de forma específica, mas apenas como diretriz geral de baixo peso corporal. Acrescenta-se também para a avaliação os casos em eu ocorrem  rápida perda de peso – superior a 20% do peso corporal em até meses) ou falha em acompa nhar a trajetória de desenvolvimento pôndero-estatural que se espera para a idade e sexo em  crianças e adolescentes; 

Medo de ganhar peso: intenso medo de ficar gordo e/ou ganhar peso é o aspecto  central na psicopatologia de pessoas com AN associado ao recorrente padrão de com portamentos alimentares disfuncionais direcionados para a perda de peso e/ou para  manutenção de peso inadequadamente baixo. É comum os pacientes apresentarem  distorções da própria imagem corporal, se sentindo gordos apesar do baixo peso. Essa  percepção corporal, apesar de intrigante, é um fenômeno de origem ainda não escla recida, mas que contribui para a insatisfação com o corpo e o medo de ganhar peso.  Esse sentimento é tão bizarro que pode se assemelhar com sintomas psicóticos; 

Excessiva preocupação com peso e forma corporal: no julgamento que os pacientes  com AN fazem sobre si mesmos o papel do peso e da forma corporal é sobrevalori zado. Esse comportamento pode ser expresso diretamente pelo paciente ou através  de relatos da família – repetidas pesagens e checagem do corpo, constante busca por  informações nutricionais dos alimentos e métodos para emagrecimento, podendo  ocorrer também evitação de roupas que deixam evidentes as formas corporais. 

Tabela 2 – Critérios diagnósticos (DSM-5) e características essências (CID-11) para AN. 

Fonte: Adaptado de APA (2014); NARDI; SILVA; QUEVEDO (2022).

3.2.4 Diagnóstico diferencial 

Há casos que pacientes com AN negam pensamentos e comportamentos patológicos  relacionados aos TAs. Nessas situações, os sintomas devem ser investigados através de  perguntas explorando de forma indireta o medo patológico de engordar e a preocupação  obsessiva com a forma do corpo e com o peso. Além disso deve-se obter informações com  familiares, observando o paciente em ambiente controlado. Devem ser solicitados também  exames complementares para monitorar as consequências do quadro de desnutrição e/ou dos  comportamentos purgativos, para que se descartem causas orgânicas para a perda de peso, principalmente em pacientes que apresentam quadros atípicos, de início tardio ou  que apresentam vômitos não autoinduzidos (BOTEGA (2017).

Tabela 3 – Diagnóstico diferencial da AN baseados nas características dos sintomas  alimentares. 

Fonte: Adaptado de BOTEGA (2017). 

3.2.5 Complicações 

Entre as complicações médicas que ocorrem durante a AN, as mais frequentes são as  cardíacas, podendo chegar a 80% de acordo com resultados de estudos. Essas complicações  sofrem variações que vão desde anormalidades cardíacas morfológicas a elétricas com  potencial risco de morte súbita. Podem envolver a válvula mitral, pericárdio, miocárdio e o  sistema de condução. Há relatos em estudos cardíacos histológicos de atenuação do  miocárdio, degeneração vacuolar, fibrose intersticial moderada, sem presença de inflamação  ou necrose. Há relatos de hipotrofia cardíaca, disfunção ventricular esquerda (VE), prolapso da valva mitral, prolongamento longo do intervalo QT e derrame do pericárdio. Pacientes  com AN devem realizar ecocardiograma Doppler e eletrocardiograma (ECG) como rotina. 

A Tabela 4 traz de forma as possíveis complicações clínicas relacionadas à AN.  (FAYSSOIL et al., 2021). 

Pacientes com AN podem apresentar também sintomas obsessivo compulsivo – como cortar a comida em pequenos pedaços ou usar os mesmos talheres (PAOLACCI et al.,  2020).

Tabela 4 – Complicações clínicas relacionadas à AN. 

Fonte: Adaptado de BOTEGA (2017). 

3.2.6 Tratamento 

Grande parte dos pacientes com AN são tratadas em ambulatórios. Poucos casos necessitam de tratamento psiquiátrico hospitalar. Existem alguns critérios para internação – perda de peso superior a 30% do peso corporal ideal, ideação suicida persistente; necessidade  de retirada de pílulas dietéticas, laxantes ou diuréticos ou ainda quando o paciente não apresenta resposta ao tratamento ambulatorial (HAN et al., 2022).

A família de paciente com AN quando identifica a acentuada perda de peso e  estranhos comportamentos diante da alimentação deve incentivar e/ou direcionar o paciente  a buscar tratamento. O profissional que conduzirá o tratamento deve ter ciência das  condições do paciente e sua resistência diante do tratamento (SILVA; MOREIRA, 2022). 

Essa dinâmica de busca por ajuda motivada pela família está descrita abaixo (APA,  2014, p. 340): 

Geralmente, o indivíduo é levado à atenção profissional por familiares  depois de perda de peso marcante (ou insucesso em obter o ganho de peso  esperado) ter ocorrido. Se buscam ajuda por si mesmos, costuma ser devido  à angústia causada por sequelas somáticas e psicológicas da inanição. É  raro uma pessoa com anorexia nervosa queixar-se da perda de peso por si  só. Na verdade, indivíduos com anorexia nervosa com frequência carecem  de insight ou negam o problema. É, portanto, importante obter informações  de familiares ou de outras fontes para avaliar a história da perda de peso e  outros aspectos da doença. 

3.2.6.1 Nutrição e restabelecimento do peso 

O principal aspecto do tratamento é o restabelecimento do peso. O pilar central do  tratamento da AN também em regime ambulatorial é a reabilitação da nutrição, enfatizando  sempre a normalização do peso corporal e o comportamento alimentar. A reabilitação do  comportamento alimentar deve ser realizada por Nutricionistas treinados no acompanhamento de pacientes com TAs. Normalmente a intervenção nutricional é realizada  em um contexto de gerenciamento comportamental, com estratégias para reforçar  comportamentos alimentares saudáveis, para que se evite a intensidade dos sintomas da  doença (NARDI; SILVA; QUEVEDO, 2022). 

3.2.6.2 Psicoterapia 

Deve ser iniciada o mais precocemente possível, a abordagem psicoterápica, as quais  podem ser administradas tanto individual quanto em grupo. Várias técnicas foram avaliadas,  como: intervenções familiares, Terapia Cognitiva Comportamental (TCC), Terapia  Interpessoal (TIP), terapia focal dinâmica e terapias focadas nos TAs. O Método Maudsley  é uma abordagem familiar baseada em elementos da entrevista motivacional, sendo uma das formas mais recomendadas pata adolescentes com AN. Tem sido desenvolvidas variantes  desse método para adultos, as quais tem se mostrado eficazes no tratamento dessa condição  clínica (NARDI; SILVA; QUEVEDO, 2022). 

O tratamento de primeira linha recomendado para jovens e alguns adultos jovens é a  terapia com base na família. Resultados de estudos sobre tratamento baseada na família  mostram taxas de remissão mais altas e ganho de peso maior quando se compara com a terapia individual. Este tipo de tratamento prepara os pais a desempenhar um importante  papel na facilitação do ganho de peso do paciente antes de devolver o controle de forma  progressiva ao paciente. Internações curtas para estabilizar o paciente clinicamente  acompanhadas de terapia familiar ou programas ambulatoriais tem apresentado resultados  bem semelhantes aos que se conseguem com internações mais longas. Assim sendo,  recomenda-se um ambiente de tratamento mais seguro e menos intensivo (KLEIN et al.,  2021; HERPERTZ- DAHLMANN, 2021). 

Em pacientes adultos com AN, TCC, psicoterapia psicodinâmica focal, terapia  familiar, psicoterapia interpessoal e o manejo clínico de apoio especializado tem  demonstrado ser eficaz e podem ser implementados tendo como base as referências do  paciente (KLEIN et al., 2021; HERPERTZ-DAHLMANN, 2021). 

3.2.6.3 Medicamentoso 

Não há tratamento aprovado pelas agências reguladoras para a AN, embora haja  evidências de efeito positivo do uso de agentes antipsicóticos de segunda geração, principalmente a Olanzapina na recuperação do peso. O uso de antidepressivos podem ser considerados quando sintomas depressivos e/ou obsessivos  comórbidos estão presentes (NARDI; SILVA; QUEVEDO, 2022). 

Antidepressivos, como a Fluoxetina, apresenta papel secundário, exceto quando  coexiste depressão maior (HAN et al., 2022). 

3.2.7 Curso e prognóstico 

O curso da AN apresenta grandes variações, que vão desde recuperação espontânea  sem tratamento, recuperação após diversos tratamentos, flutuação de cursos de ganhos de  peso seguido por recaída e curso de gradual deterioração que resulta em morte causada por complicações da inanição (SADOCK; SADOCK; RUIZ, 2017).

Em geral a AN tem início no período da adolescência ou idade adulta jovem. Raros  são os casos com início antes da puberdade ou após os 40 anos de idade; porém há relatos  de casos de início tardio e precoce. A ocorrência da AN em geral está associada a algum  estressor. Pacientes mais jovens podem apresentar aspectos atípicos do transtorno, como por  exemplo, a negação do “medo de engordar”. Em grande parte dos casos não há necessidade  de hospitalização para recuperar o peso e tratar as complicações clínicas. A remissão do  quadro ocorre nos pacientes com AN dentro de cinco anos após a manifestação inicial do  transtorno. A taxa de remissão pode ser menor entre os pacientes que necessitam de  hospitalização. A taxa de mortalidade bruta (TMB) por AN é de 5% por década em média,  as quais comumente são resultantes de complicações clínicas associadas ao transtorno ou até  mesmo de suicídio (APA, 2014). 

Quanto ao prognóstico da AN, a literatura nos mostra que pacientes com tipo  restritivo desse TA aparentemente apresentam probabilidade menor de se recuperar em  relação às que apresentam AN com compulsão alimentar-purgação. É considerada boa a  resposta de curto prazo das pacientes a quase todos os programas de tratamento hospitalar. 

Apesar disso, as pacientes que frequentemente recuperam peso suficiente continuam  preocupadas com a alimentação e peso corporal, além de apresentar relações sociais pobres  e quadros depressivos. O prognóstico em geral não é considerado bom (SADOCK;  SADOCK; RUIZ, 2017). 

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Entre outros fatores de risco, a busca pelo corpo perfeito sofre influência das mídias  sociais, que propagam mensagens e/ou recomendações que colocam em risco a saúde,  podendo levar a trágicas consequências, principalmente na vida das crianças, adolescentes e  adultos jovens. O discurso midiático tem assumido função geradora de padrões de estética  corporal e de alimentação, os quais contribuem para a construção e consolidação de  representações sociais, principalmente nas mulheres (SAMUEL; POLLI, 2019). 

As mídias sociais mostram a concepção de vida perfeita, mostrando apenas o que  deseja tornar público, sendo ou não real. Isso fortalece a ideia de esperança de alcançar algo  para sua própria vida, e não conseguindo isso, pode contribuir para a ocorrência de  problemas de ansiedade, autoestima e outros transtornos psicológicos, como a AN (PERES;  FERREIRA, 2018).

As mídias sociais modificam e moldam questões relacionados ao corpo a partir de  um ideal de beleza para que se torne padrão. A forma como se vê a beleza ligada ao corpo  valida a forma com que o sujeito deve se portar diante dos alimentos, considerando que a  alimentação está ligada à busca por um corpo estético, ideal e dentro dos padrões da  atualidade. Este padrão é influenciado e disseminado, moldando as escolhas da sociedade na  busca de uma idealização. Esses fatores podem causar sensação de desconforto, infelicidade,  insatisfação e desejo de estar no mesmo padrão veiculado percebido nas mídias (PERES;  FERREIRA, 2018). 

A internet tem o poder de divulgar informação que pode influenciar milhares de  pessoas, em especial os adolescentes, que por conta dessa busca se identificam com os  modelos impostos culturalmente, vinculando estes com conforto e felicidade (MORAES;  SANTOS; LEONIDAS, 2021). 

4.1 Resultados de estudos 

Copetti e Quiroga (2018) discutiram através de revisão narrativa da literatura  questões ligadas à mídia, padrão estética vigente e como estes podem influenciar no desenvolvimento de TAs em adolescentes. Pode-se verificar que as mídias sociais podem  exercer influência no desenvolvimento ou agravamento dos TAs. O tratamento  multidisciplinar é fundamental nesta população, com intervenções assertivas e consistentes,  assim como o fundamental papel da família. Mais pesquisas são necessárias para que se  desenvolvam técnicas de intervenções baseadas em evidências. Deve-se estimular também  a reflexão sobre como as mídias sociais podem influenciar de forma positiva na  desmistificação do padrão estética vigente, além da importância de incentivar o pensamento  crítico das adolescentes sobre os conteúdos veiculados. 

Revisão sistemática realizada por Samuel e Polli (2019) sobre as representações  sociais dos TAs nos últimos 10 anos mostrou que as mídias sociais contribuem para reforçar  o culto ao corpo e alimentação nem sempre adequada; as representações sociais constituem  uma opção interessante para o estudo dos significados que as pessoas constroem em relação  ao corpo e à alimentação. 

Polesso (2020) realizou revisão narrativa da literatura, com objetivo de analisar as  mídias sociais e a internet e sua influência potencial na ocorrência da ansiedade, depressão,  bulimia e AN em adolescentes e adultos jovens. Há evidências nos resultados dos estudos de que a presença de TAs, incluindo a AN no sexo feminino pode ter relação com diversos  fatores, incluindo insatisfação corporal reflexo da constante busca de um padrão de beleza  irreal e presença de problemas psicológicos, podendo se agravar com a influência das mídias  sociais. Devem ser cautelosas as informações veiculadas nas mídias sociais relacionadas ao  comportamento alimentar e imagem corporal, por conta da grande influência negativa na  saúde dos adolescentes e adultos jovens, especialmente do sexo feminino. 

Estudo realizado por Rodgers, Slater e Gordon (2022) examinou as relações das  mídias sociais com preocupações com a imagem corporal, alimentação desordenada e  comportamentos de mudança corporal em adolescentes. Os resultados são sugestivos de que  as estruturas biopsicossociais são úteis para conceituar as relações entre o uso das mídias  sociais e a imagem corporal e alimentação. Pode-se concluir que o uso das mídias sociais  estimula a insatisfação com a imagem corporal e a preocupação com o ganho de peso. 

Pesquisa exploratória, qualitativa realizada por Silva e Moreira (2022) investigou – através do Instagram – perfis e conteúdos que podem ser considerados gatilhos para a AN.  Alguns conteúdos disponíveis no Instagram estimulam o culto ao corpo magro, com padrões  que na prática são inatingíveis ou ainda demonstrando comportamentos alimentares não  saudáveis que podem funcionar como verdadeiros gatilhos para a ocorrência, agravamento  e/ou reincidência da AN. Conteúdos que mais influenciam na AN – influência de blogueira  fitness no comportamento alimentar, venda de produtos que prometem verdadeira  transformação corporal (para chegar ao ideal do corpo perfeito). Pode-se concluir que o  Instagram contribui para desmistificar a ideia do padrão de corpo, incentivando as pessoas a  um pensamento crítico sobre os conteúdos que consomem no dia a dia em suas redes sociais.  Há conteúdos programados incorretamente, considerados verdadeiros gatilhos para AN.

Tabela 5 – Resultados de estudos sobre a influência das mídias sociais na AN. 

5 CONCLUSÃO 

Esta revisão destacou que a AN se caracteriza pela restrição alimentar intencional  que leva a um peso significativamente baixo. Medo intenso de engordar ou ter uma imagem  corporal alterada de si mesmo, por conta da percepção distorcida do próprio corpo. 

Entre os fatores de risco que levam à ocorrência de TAs, principalmente a AN, as  mídias sociais – de acordo com a literatura e resultados de estudos – tem ocupado um espaço  significativo. 

∙ Influenciam no desenvolvimento e/ou agravamento dos TAs; 

∙ Reforçam o culto ao corpo magro e alimentação inadequada; 

∙ Influenciam no agravamento dos quadros de AN; 

∙ Estimulam a insatisfação com a imagem corporal e preocupação com ganho de  peso;

∙ Incentivam o pensamento crítico sobre o que se consome no dia a dia, trans formando-os em verdadeiros gatilhos para a AN. 

A detecção, tratamento e acompanhamento precoces da AN reduz as taxas de  morbidade e mortalidade dos pacientes. Uma abordagem eficaz envolve uma equipe  interdisciplinar para que medidas sejam adotadas no sentido de fornecer ao paciente suporte  psicológico, psiquiátrico e clínico, para que este possa modificar seus comportamentos e  crenças relacionados a uma alimentação e aparência sem distorções e dentro da normalidade. 

O diagnóstico precoce e uma abordagem terapêutica adequada da AN são  fundamentais para o manejo clínico e prognóstico desta condição. 

REFERÊNCIAS 

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1Graduada. Medicina pela Faculdade de Medicina Nova Esperança e Pós-Graduada em Psiquiatria (lato sensu) pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. nessabezerra2006@hotmail.com
2Mestre. Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo thais.zelia@fcmsantacasasp.edu.br
3Acadêmico de medicina. Faculdade de Medicina Nova Esperança. pedro.serrano.jp@gmail.com