IMPACTO DA DERMATITE DE CONTATO NA QUALIDADE DE VIDA DOS PACIENTES

IMPACT OF CONTACT DERMATITIS ON PATIENTS’ QUALITY OF LIFE 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202601171036


Roberta Silva e Souza Lins1
Cristiano Nascimento de Souza2
Loraynne Maria Pontes  Soster3
Adriana Michele de Araújo Miranda4


RESUMO 

Introdução: A dermatite de contato é uma inflamação que ocorre quando a pele entra em  contato com substâncias que podem irritá-la ou causar alergias. Além dos sintomas físicos,  como vermelhidão, coceira e descamação, essa condição pode impactar a qualidade de  vida das pessoas, afetando suas atividades diárias, o desempenho no trabalho e até o bem estar emocional. Objetivo: Este estudo tem como objetivo avaliar o impacto da dermatite  de contato na qualidade de vida dos pacientes, analisando os principais fatores  desencadeantes, as consequências psicossociais e as estratégias de manejo da doença. Método: Este trabalho trata-se de uma revisão bibliográfica integrativa na qual foram  incluídos artigos originais e de revisão afim de selecionar informações relevantes para o  resultado desta pesquisa. Resultados: Os dados mostram que a dermatite de contato tem  um efeito significativo no dia a dia dos pacientes, gerando desconforto físico e limitações  tanto no trabalho quanto na vida emocional, como estresse e ansiedade. Profissionais que  lidam com agentes irritantes, como aqueles da área da saúde e da indústria química, estão  mais propensos a desenvolver essa condição. Para aliviar os sintomas e melhorar a  qualidade de vida, é importante usar barreiras protetoras, hidratantes específicos e  identificar os alérgenos que podem estar causando a reação. Conclusão: Portanto, a  dermatite de contato não deve ser vista apenas como um problema de pele, mas sim como  uma questão que afeta o bem-estar geral das pessoas. Estratégias de prevenção,  tratamento adequado e suporte psicológico são fundamentais para minimizar os impactos  negativos da doença, melhorando a qualidade de vida e reduzindo a recorrência dos  sintomas. 

Palavras-chave: Dermatite de contato; Qualidade de vida; Dermatologia; Dermatite  ocupacional. 

ABSTRACT 

Introduction: Contact dermatitis is an inflammation that occurs when the skin comes into  contact with substances that can irritate it or cause allergies. In addition to physical  symptoms such as redness, itching, and scaling, this condition can impact people’s quality  of life, affecting their daily activities, work performance, and even emotional well-being. Objective: This study aims to evaluate the impact of contact dermatitis on patients’ quality  of life by analyzing the main triggering factors, psychosocial consequences, and disease  management strategies. Method: This study is an integrative literature review in which  original and review articles were included to select relevant information for the results of this  research. Results: The data show that contact dermatitis has a significant effect on patients’  daily lives, causing physical discomfort and limitations both at work and in emotional life,  such as stress and anxiety. Professionals who deal with irritating agents, such as those in  the healthcare and chemical industries, are more likely to develop this condition. To relieve  symptoms and improve quality of life, it is important to use protective barriers, specific  moisturizers, and identify allergens that may be causing the reaction. Conclusion: Therefore, contact dermatitis should not be seen merely as a skin problem but as an issue  that affects people’s overall well-being. Prevention strategies, appropriate treatment, and  psychological support are essential to minimizing the negative impacts of the disease,  improving quality of life, and reducing symptom recurrence. 

Keywords: Contact dermatitis; Quality of life; Dermatology; Occupational dermatitis. 

INTRODUÇÃO 

A pele humana, maior órgão do corpo, tende a sofrer modificações estruturais e  indução de respostas imunes ao entrar em contato com os xenobióticos (alérgenos).  Esse contato resulta em sensibilização cutânea e desencadeia o mecanismo imunológico  contra aquele fator expositor. À medida que ocorrem os processos contínuos de exposição  e posteriores ressensibilizações, a resposta imunológica atinge o nível de tolerância  do indivíduo, manifestando a sintomatologia (MARQUES et al., 2022). 

Patologia de crescente prevalência nos países industrializados, as dermatites de contato são as principais causas de doenças cutâneas ocupacionais, representando  cerca de 90% de seu total, podendo também causar incapacidade laboral no  acometido. Com a presença de sintomas como prurido, dor, exsudação e eventual  infecção das lesões, a DC afeta aspectos profissionais e pessoais da vida do paciente,  sendo apenas a descoberta de seu agente causador o ponto principal para a evolução e  prognóstico positivo da doença (FONSÊCA et al., 2021). 

A dermatite de contato pode ser distinguida em 2 tipos, com etiologia e  fisiopatogenia absolutamente distintas: dermatite de contato por irritante primário  (DCIP) e dermatite de contato alérgica (DCA). A DCIP decorre dos efeitos tóxicos e pró-inflamatórios de substâncias capazes de ativar a imunidade da pele ainda que de  maneira não específica, correspondendo a 80% dos casos de dermatite de contato Estudos comprovam que além da DCIP ser a forma mais frequente de  acometimento, é a principal causa de dermatite relacionada às atividades  profissionais, representando 60% de todas as dermatoses ocupacionais (MENEZES et al.,  2023). 

MATERIAL E MÉTODO  

CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA 

Pesquisa de método indutivo, com natureza básica, objetivo explicativo e abordagem  quantitativa. Este estudo trata-se de uma revisão bibliográfica integrativa que utilizou  publicações disponíveis em bancos de artigos científicos como os portais SCIELO, Pubmed  e Science Direct. 

COLETA DE DADOS 

Critérios de Inclusão 

Foram considerados na inclusão estudos de revisão bibliográfica, publicados nos  idiomas português e inglês, descrevendo o impacto da dermatite de contato na qualidade  de vida dos pacientes. 

Critérios de Exclusão 

Como critérios de exclusão, foram considerados os seguintes aspectos: (1) estudos  que não estivessem dentro do recorte temporal 2020-2025; (2) estudos que não possuem  Impacto da dermatite de contato na qualidade de vida dos pacientes; (3) estudos com  ausência de clareza na descrição dos resultados. 

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

O presente estudo de revisão integrativa foi organizado a partir dos seguintes  passos: a) temática de pesquisa; b) critérios de inclusão e exclusão; 3) levantamento dos  dados relevantes; d) avaliação dos estudos encontrados; e) seleção dos estudos para análise integrativa; f) interpretação dos dados e g) apresentação da revisão integrativa e  dos dados coletados conforme o que será exposto a seguir. 

Os principais artigos selecionados e analisados estão dispostos na tabela 1, com  período de publicação seguindo uma ordem decrescente, dos publicados mais  recentemente até ao mais antigo, para melhor compreensão dos dados.  

Tabela 1. Principais artigos selecionados para revisão integrativa de literatura  considerando autores; ano de publicação; objetivos; métodos; resultados e  conclusões.

AUTOR/ ANOOBJETIVO METODOLOGIA RESULTADOS CONCLUSÕES
KARAGOUNIS  et al. 2023Dermatite  
ocupacional  das mãos é um  distúrbio  comum da pele  relacionado ao  trabalho. A  prevenção e o  gerenciamento  desta doença  são essenciais  para melhorar a  qualidade de  vida dos  trabalhadores e  para a retenção  específica da  
ocupação.
Esta é uma revisão crítica da literatura 
atual sobre  
dermatite  
ocupacional das  mãos.
A dermatite
ocupacional
continua a ter uma
alta prevalência
entre os
trabalhadores,
embora a incidência
geral possa estar
diminuindo
lentamente. A
dermatite de contato irritante
devido à
exposição ao
trabalho úmido é a
causa mais comum
de dermatite
ocupacional das
mãos.
Trabalhadores da
saúde, cabeleireiros
e metalúrgicos estão em risco
particularmente alto
para esta doença.
Pesquisas
contínuas são
necessárias sobre
maneiras de
gerenciar
exposições de
trabalho úmido e
sobre programas
de prevenção
escaláveis e
eficazes para
dermatite
ocupacional das
mãos. O espectro
de alérgenos de
contato culpados
continua a evoluir,
e a vigilância para
potenciais
alérgenos
específicos da
ocupação
continua
importante.
LIU et al.,  2023Nesta revisão,
exploraremos
pesquisas
emergentes
descrevendo
funções
efetoras
neuronais em
células imunes
da pele em
modelos
murinos de
dermatite
atópica e de contato.
Também
discutiremos as
contribuições
de subconjuntos
neuronais
específicos e
fatores imunes
secretados para
a indução de
coceira e os
processos
inflamatórios
associados.
Revisão  Interativa.Nesta revisão,
discutimos como
subconjuntos
específicos de
neurônios cutâneos
têm funções
distintas em alças
inflamatórias de DA
e DAC. Na DA, os
neurônios
peptidérgicos
iniciam e sustentam
a inflamação por
meio da secreção de neuropeptídeos
imunogênicos que
atuam nos
mastócitos para
impulsionar a
migração de DC e a
preparação Th2,
enquanto os
neurônios não
peptidérgicos,
principalmente o
subconjunto NP3,
respondem a sinais
inflamatórios para
impulsionar o
prurido e o
comportamento de
coçar.
Embora os
neurônios não
peptidérgicos
pareçam ter
alguma função
efetora
imunológica
independente de
coçar, os
mecanismos
subjacentes são
mal descritos.
Finalmente, a
relação entre coçar e inflamação é
claramente crítica
para a
patogênese das
doenças
inflamatórias do
tipo 2, mas os
detalhes
mecanísticos do
ciclo coceira-
coçar precisam de
mais exploração.
Em suma, a
relação entre os
neurônios
sensoriais
cutâneos e a
inflamação do tipo
2 na pele ainda é
incipiente, com
muitas vias e
relações
fundamentais e
terapias
potenciais ainda a
serem descobertas.
TANG et al.,  2023Este artigo
analisa relatos
de dermatite de
contato causados por várias medidas
de prevenção e
higiene durante
a pandemia de
COVID-19.
Revisão  Integrativa.Para ter uma
compreensão
abrangente da
dermatite de contato causada por
medidas de
proteção, a revisão
discutiu a DC
causada por
máscaras,
desinfetantes e
outros
equipamentos de
proteção individual
para o público em
geral, especialmente
os profissionais de
saúde durante a
pandemia.
Envolvendo um
conjunto
relativamente
completo de
equipamentos de
proteção. Máscaras,
luvas, roupas de
proteção, óculos de proteção, máscaras
faciais e
desinfetantes que
podem aparecer em
várias ocasiões são
resumidos de forma
abrangente.
Em particular, os
danos à pele
relacionados à
DC causados por
desinfetantes
ambientais e de
vestuário
mencionados
neste artigo
tendem a ser
ignorados no
estudo anterior. O
público precisa
ser educado
sobre a escolha
de medidas de
prevenção
adequadas e
evitar danos à pele com proteção
excessiva.
PATEL et al.,  2022Esta revisão fornece um resumo
abrangente dos
fatores endógenos e
exógenos que
desempenham
um papel na
patogênese da
dermatite de
contato irritante.
Revisão  Integrativa.Juntamente com a
prevenção de
irritantes, proteção
de barreira e
aplicação regular de
hidratantes, a
gerência agora
enfatiza a
importância da
prevenção primária
por meio de
iniciativas
educacionais em
locais de trabalho de alto risco.
A Dermatite de
contato irritante é
uma doença
complexa
influenciada por
fatores
endógenos e
exógenos.
Continua sendo
um diagnóstico de
exclusão e,
atualmente, não
há teste
diagnóstico
disponível. Para
muitos clínicos, o
diagnóstico pode
ser difícil,
especialmente se
o teste de contato
não estiver
disponível.
Atrasos no
diagnóstico da
CID estão
associados a um
prognóstico pior.
CHOI et al.,  2021Fornecer uma
abordagem
para identificar
ingredientes de
medicamentos
tópicos que
causam dermatite
alérgica de contato e reconhecer
cenários clínicos comuns nos quais esses ingredientes
podem estar
presentes.
Revisão  Integrativa.Antibióticos tópicos
são a causa mais
comum de dermatite
alérgica de contato a medicamentos e
frequentemente
causam
cosensibilização a
múltiplos alérgenos.
Essa reação de
hipersensibilidade é
frequentemente
vista após
procedimentos
cirúrgicos e deve ser
diferenciada da
infecção pós-
operatória. A alergia
a corticoides é fácil
de passar
despercebida e deve ser suspeita em casos de
dermatoses
sensíveis a
corticoides que
pioram apesar do
tratamento
apropriado.
A dermatite
alérgica de
contato é fácil de
passar
despercebida e
deve sempre ser
considerada em
casos de
erupções
eczematosas. Um
histórico completo
de medicamentos,
incluindo todos os
produtos tópicos
— tanto os
prescritos quanto
os de venda livre
— é essencial. O
teste de contato
pode ajudar a
identificar alérgenos
específicos para o
paciente evitar.
JACOBSEN et al., 2021O objetivo do
presente estudo
é revisar a relação entre exposição a
irritantes
ocupacionais e
Dermatite de
contato irritante
(DCI) e o
prognóstico de
DCI.
Por meio de uma busca sistemática,
1516 títulos foram
identificados e
48 estudos foram incluídos na revisão
sistemática.
Descobrimos que a
evidência para uma
associação entre
Dermatite de contato Irritativa e irritantes
ocupacionais foi
forte para trabalho
úmido, moderada
para detergentes e
desinfetantes não
alcoólicos e forte
para uma
combinação. Os
estudos de mais alta
qualidade
forneceram
evidências limitadas
para uma
associação com o
uso de luvas
oclusivas sem
outras exposições e
evidências
moderadas com
exposição
simultânea a outros
irritantes de trabalho úmido.
Esta revisão
relata fortes
evidências de
uma associação
entre Dermatite
de contato
irritativa e uma
combinação de
exposição a
trabalho úmido e
desinfetantes não
alcoólicos,
moderada para
fluidos de usinagem,
limitada para
exposição
mecânica e de
luvas, e uma forte
evidência de um
prognóstico ruim.
THORNTON  et al., 2021O objetivo
deste artigo é
fornecer aos
médicos um
diagnóstico
diferencial
quando
confrontados
com complicações
após o uso de
adesivos médicos para fechamento de
feridas. Além
disso, este artigo visa delinear as
diferenças entre os adesivos mais
comumente usados,
fornecer uma
justificativa para
avaliar o risco
pessoal de um
indivíduo
desenvolver
DAC e destacar
as vantagens e
desvantagens
exclusivas de
cada adesivo.
Esta revisão
utilizou o banco
de dados Medline por meio do
mecanismo de
busca PubMed
para identificar
artigos
publicados de
1980 a 2020
examinando
adesivos médicos e
dermatite de
contato.
Os adesivos mais
comumente usados
são cianoacrilatos,
derivados de
benzoína e Mastisol.
Todos esses
produtos são usados
de forma
semelhante para
obter o fechamento
de feridas. Eles são
aplicados
topicamente em
áreas de baixa
tensão do corpo em
vez de colocar
suturas ou grampos.
Além das
complicações potenciais
estabelecidas após
o fechamento da
ferida, os adesivos
médicos apresentam
o risco de causar
dermatite alérgica
de contato de
gravidade variável.
Com base nos
resultados da
nossa revisão, é
nossa
recomendação
que o Dermabond
seja considerado
o adesivo médico
de primeira linha
e superior, com o
alto custo sendo a
principal
desvantagem
deste produto. Em
pacientes com
preocupações
financeiras e sem
histórico de ACD
para Mastisol ou seus componentes
individuais,
recomendamos
Mastisol como o
adesivo médico
de segunda linha.
Os médicos
devem considerar
ACD em seu
diferencial quando
confrontados com
complicações de
cicatrização de
feridas após o uso
de adesivos
médicos e
entender as
principais
características.

A Dermatite de contato (DC) foi definida pela Sociedade Europeia de Dermatite de  Contato como uma reação inflamatória cutânea local eczematosa causada por exposições  diretas e geralmente repetidas a objetos ou produtos químicos nocivos, que, dependendo  da localização do contato, podem ocorrer em qualquer parte do corpo. A DC, segundo o a  revisão realizada por Jacobsen et al.1, é clinicamente caracterizada por vermelhidão da  pele, pápulas ou vesículas com coceira, mas pode variar de leve hiperceratose a fissuras,  inchaço, descamação e secreção. A DC histopatológica é caracterizada por inflamação nas  partes superficiais da pele, ou seja, as camadas mais externas da derme com envolvimento  da epiderme. A cura é sem cicatrizes. Além da Dermatite de contato irritativa, existem três  outras formas de DC, sendo a mais importante a Dermatite de contato alérgica, que é  caracterizada por uma hipersensibilidade adquirida com envolvimento de células T  “específicas do alérgeno” como mediadoras da reação inflamatória da pele. Outro tipo de  DC é a dermatite de fotocontato, que é o resultado de uma interação entre uma substância  nociva na pele e a radiação ultravioleta. Isso pode ser dermatite de contato fotoalérgica,  que é uma doença imunológica muito parecida com alergia de contato, mas onde UV é  necessário, ou uma dermatite fototóxica, uma reação não alérgica que pode acontecer a  qualquer pessoa exposta ao produto químico em questão e à radiação UV. Finalmente, a  DC pode ser uma reação alérgica tipo 1, urticária de contato com base em anticorpos  específicos de IgE e dermatite de contato proteica. 

Segundo a revisão de Choi et al.2, um episódio anterior de sensibilização é  necessário, embora isso possa ocorrer com apenas uma aplicação e nem sempre seja  evidente na história. A sensibilização normalmente leva pelo menos 2 semanas para se  desenvolver. Em casos agudos, a dermatite alérgica pode se apresentar com vesículas,  crostas e secreção, enquanto os casos crônicos levam a pápulas e placas escamosas ou  liquenificadas. Essas alterações geralmente aparecem em uma área bem circunscrita onde  ocorreu o contato com o alérgeno. No entanto, elas podem se tornar mais generalizadas e  afetar locais não expostos (ou seja, autoeczematização). A dermatite alérgica de contato a  medicamentos tópicos é uma entidade frequentemente negligenciada que é cada vez mais  relevante para os médicos de família, pois as taxas parecem estar aumentando. 

A pesquisa de Karagounis e Cohen3, diz que a disfunção da barreira cutânea, como  a dermatite atópica, aumenta o risco de desenvolvimento de dermatite de contato. Essa  disfunção não apenas facilita a penetração cutânea de irritantes e alérgenos, mas também  promove um ambiente inflamatório local propício ao desenvolvimento de dermatite. Fatores  exógenos, como trabalho úmido, também demonstraram aumentar o risco de dermatite  ocupacional nas mãos. Em particular, o contato com fluidos, o uso de luvas e a alta  frequência de lavagem das mãos representavam exposições ocupacionais de alto risco ao  trabalho úmido. Notavelmente, os autores também descobriram que exposições úmidas  não ocupacionais, como lavagem frequente das mãos fora do trabalho, também  contribuíam para o risco de dermatite nas mãos. Portanto, ao avaliar pacientes com  potencial dermatite ocupacional nas mãos, exposições fora do ambiente de trabalho, como  atividades recreativas e domésticas, também devem ser consideradas. 

Os hidratantes são comumente usados para melhorar os sintomas da pele seca e  manter a pele saudável, segundo o estudo realizado por Patel et al.4 Há evidências  crescentes de seu papel no tratamento de dermatite de contato, prevenindo a absorção de  substâncias exógenas e melhorando a recuperação da barreira cutânea. Acredita-se que o  uso de hidratantes aumenta a hidratação da pele e que seus componentes lipídicos  modificam os lipídios epidérmicos endógenos, com hidratantes com alto teor de lipídios  prevenindo significativamente a dermatite de conato quando comparados a formulações  com menor teor de lipídios. Os pacientes devem ser aconselhados a aplicar hidratantes  com frequência, principalmente antes e depois dos turnos e após lavar as mãos. As  evidências também mostraram o papel protetor que os hidratantes desempenham a longo  e curto prazo, na prevenção primária da dermatite de contato ocupacional. Os sais de estrôncio demonstraram ser eficazes no tratamento da irritação sensorial e acredita-se que  atuem bloqueando seletivamente a ativação dos nociceptores cutâneos do tipo C. No  entanto, esse tratamento não é comumente usado em todo o mundo. As compressas frias  são o tratamento primário da DC aguda, pois proporcionam um ambiente que reduz a  inflamação e as alterações da temperatura da superfície associada. 

CONCLUSÃO 

A dermatite de contato é uma condição de pele bastante comum que pode afetar a  qualidade de vida das pessoas. Além dos sintomas físicos, como vermelhidão, coceira e  descamação, essa doença pode trazer dificuldades no dia a dia, impactando o bem-estar  emocional, o trabalho e as relações sociais. Aqueles que enfrentam episódios frequentes  de dermatite de contato costumam sentir mais estresse, ansiedade e até depressão, o que  mostra a importância de um tratamento que envolva diferentes áreas da saúde. 

A prevenção é fundamental e envolve identificar e evitar os agentes que provocam  a dermatite. Também é importante seguir tratamentos que podem incluir o uso de barreiras  protetoras e medicamentos anti-inflamatórios, pois isso ajuda a reduzir os efeitos da  condição. Além disso, educar os pacientes sobre cuidados com a pele e hábitos preventivos  pode fazer uma grande diferença na diminuição dos episódios de dermatite. 

REFERÊNCIAS 

1. JACOBSEN, Gitte; RASMUSSEN, Kurt; BREGNHOJ, Anne; ISAKSSON, Marléne;  DIEPGEN, Thomas; CARSTENSEN, Ole. Causes of irritant contact dermatitis after  occupational skin exposure: A systematic review. Int Arch Occup Environ Health, v. 95,  n. 1, p. 35-65, 2021. 

2. CHOI, C.; VAFAEI-NODEH, S.; PHILLIPS, J.; GANNES, G. Approach to allergic contact  dermatitis caused by topical medicaments. Can Fam Physician, v. 67, n. 6, p. 414-419,  2021. 

3. KARAGOUNIS, Theodora; COHEN, David. Occupational Hand Dermatitis. Curr Allergy  Asthma Rep., v. 23, n. 4, p. 201-212, 2023. 

4. PATEL, Kajal; NIXON, Rosemary. Irritant Contact Dermatitis — a Review. Curr Dermatol  Rep., v. 11, n. 2, p. 41-51, 2022. 

5. LIU, Andrew; GILLIS, Jacob; SUMPTER, Tina; KA´LAN, Daniel. Neuroimmune  Interactions in Atopic and Allergic Contact Dermatitis. J Allergy Clin Immunol., v. 151,  n. 5, p. 1169-1177, 2023. 

6. TANG, Huimiao; WANG, Hao; HAMBLIN, Michael; JIANG, Lu; ZHOU, Yanjun; XU, Yidan;  WEN, Xiang. Contact dermatitis caused by prevention measures during the COVID-19  pandemic: a narrative review. Front Public Health, v. 11, p. 1-15, 2023. 

7. THORTON, Nicholas; GIBSON, Bernard; FERRY, Andrew. Contact Dermatitis and  Medical Adhesives: A Review. Cureus, v. 13, n. 3, 2021. 

8. MARQUES, A.; BARROS, B.; SANTOS, C.; BARROSO, D.; ILLANES, G.; SILVA, M.;  ASSIS, L. Dermatite de contato ocupacional e suas implicações. Brazilian Journal of  Health Review, Curitiba, v. 5, n.5, p.19064-19073, 2022. 

9. FONSÊCA, C.; LUZ, E.; NETO, W.; ALCÂNTARA, G.; SOARES, L.; VIEIRA, Y.; LIMA,  M.; ALBUQUERQUE, P. Dermatite de contato alérgica a lanolina: Um relato de caso.  Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.7, n.2, p. 16100-16106, 2021. 

10. MENEZES, G.; CARDOSO, A.; CLAUDINO, A.; FREITAS, B.; TAVARES, D.;  ORTEGA, F.; FUDO, J.; LUIZARI, L.; REGATIERI, M.; TULLI, M.; PINTO, R.; OLIVEIRA,  V. Dermatite de contato por irritante primário: A importância em saber como intervir.  Periódicos Brasil, v. 5, n. 3, p. 1256-1276, 2023. 

11. REZENDE, Mateus; SANTOS, Luciana; BARBOZA, Ana; RIBEIRO, Lígia; SANTOS,  Nathalia; ROCHA, Aurora. Mecanismos celulares na dermatite de contato alérgica.  Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 1, p. 2229-2247, 2024. 

12. BELLUCO, Paulo Eduardo; FERREIRA, Maurício; AZEVEDO, Fabíola; BELLUCO,  Rosana; REIS, Carmélia. Importância e aspectos clínicos da dermatite de contato por  própolis. Scientia Medica, v. 33, n. 1, p. 4434-4464, 2023. 

13. AZEVEDO, Fabíola; BELLUCO, Paulo Eduardo; REIS, Carmélia. Dermatite de  Contato à Metilisotiazolinona. Revista de Medicina e Saúde de Brasília, v. 9, n. 2, 2020.

14. BRIOSO, Isabella; DA CRUZ, Ana Clara; JUNIOR, Antônio. Dermatites de contato  ocupacionais durante a pandemia de COVID-19: Uma revisão integrativa sobre a relação  das dermatites de contato ocupacionais em profissionais de saúde e as medidas de  combate à pandemia. Brazilian Journal of Health Review, v. 6, n. 1, p. 413-432, 2023.

15. LOPES, Fernanda; CUNHA, Luciana; AQUINO, Sabrina; LIRA, Marcia; FERREIRA,  Flávia. Dermatite de contato pigmentada por cosmético. Arquivos de Asma, Alergia e  Imunologia, v. 7, n. 3, p. 298-302, 2023. 

16. FILON, L.; PESCE, M.; PAULA, M.; LONEY, T.; MODENESE, A.; JHON, S.; KEZIC,  S.; MACAN, J. Incidence of occupational contact dermatitis in healthcare workers: a  systematic review. J Eur Acad Dermatol Venereol., v. 35, n. 6, p. 1285-1289, 2021. 

17. LEE, Erica; LOBL, Marissa; FORD, Aubree; DELEO, Vicent; ADLER, Brandon;  WYSONG, Ashley. What Is New in Occupational Allergic Contact Dermatitis in the Year  of the COVID Pandemic? Curr Allergy Asthma Rep., v. 21, n. 4, p. 26-46, 2021. 

18. HERZUM, Astrid; COZZANI, Emanuele; PARODI, Aurora, GALLO, R. Ketoprofen induced photoallergic consort contact dermatitis: A difficult diagnosis. Contact  Dermatitis, v. 86, n. 5, p. 438-439, 2022. 

19. GARRIDO, Pedro; ALPALHÃO, Miguel; CORREIA, Teresa; FILIPE, Paulo. Allergic  contact dermatitis caused by elastic bands of an N95 mask. Contact Dermatitis, v. 87,  n. 1, p. 94-95, 2022. 

20. BLOMBERG, Maria; JORGENSEN, Caroline; BREGNHOJ, Anne; AHRENSBOLL FRIIS, ulrik; ZACHARIAE, Claus; SOMMERLUND, mette; JOHANSEN, Jeanne.  Occupational allergic contact dermatitis caused by tetrahydroxypropyl ethylenediamine  in hand disinfectants. Contact Dermatitis, v. 87, n. 1, p. 114-116, 2022. 

21. CHUEN, Victoria; ABU-HILAL, Mohannad; PATEL, Ameen. Acute Allergic Contact  Dermatitis Presenting with Tense Bullous Eruption. J Gen Intern Med., v. 36, n. 7, p.  2144-2145, 2021. 

22. LAZZARINI, Rosana; COSTA, Lilian; SUZUKI, Nathalie; HAFNER, Mariana.  Dermatite alérgica de contato por componentes de xampu: análise descritiva de 20  casos. Anais Brasileiro Dermatologia, v. 95, n. 5, p. 658-660, 2020. 

23. LAMBERT, Julien. Itch in Allergic Contact Dermatitis. Front Allergy, v. 2, p. 702-748,  2021. 

24. LOH, Enver; YEW, Yik. Hand hygiene and hand eczema: A systematic review and  meta-analysis. Contact Dermatitis, v. 87, n. 4, p. 303-314, 2022. 

25. BLANCHARD, Gabriela; WALKER, Anna; DENDOOVEN, Ella; AERTS, Olivier;  GOOSENS, An; GILLIET, Michel; SEREMET, Teofila. Allergic contact dermatitis from a  skin-calming cream containing hydroxyphenyl propamidobenzoic acid. Contact  Dermatitis, v. 88, n. 1, p. 68-70, 2023. 

26. BLANCHARD, Gabriela; KERRE, Stefan; WALKER, Anna; DENDOOVEN, Ella;  AERTS, Olivier. GOOSSENS, Na; GILLIET, Michel; SEREMET, Teofila. Allergic contact  dermatitis from pantolactone and dexpanthenol in wound healing creams. Contact  Dermatitis, v. 87, n. 5, p. 468-471, 2022. 

27. OLIVEIRA, A. Dermatite de contato alérgica aos (meta) acrilatos-estudo  retrospectivo de sete anos num Hospital Público Português. Revista Portuguesa de  Saúde Ocupacional, v. 10, p. 1-10, 2020. 

28. SALDANHA, Celso Taques. Dermatite de contato em trabalhadores da construção  civil. Brazilian Journal of Health Review, v. 7, n. 4, p. 1840-1855, 2024.

29. DE ABREU, Maria De Fatima Aguiar. Cuidados da enfermagem com as dermatites  de contato derivadas do petróleo. Revista Gestão & Tecnologia, v. 2, n. 31, p. 66-80,  2020. 

30. STARCK, Mellanie. Testes de contato negativos: o que devemos pensar diante deste  resultado?. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 97, n. 6, p. 806-808, 2022.


1Acadêmica de Medicina. Centro Universitário Uninorte, Ac, Brasil, e-mail: roberta-orto@hotmail.com 
2Acadêmico de Medicina. Centro Universitário Uninorte, AC, Brasil
3Acadêmica de Medicina. Centro Universitário Uninorte, Ac, Brasil.
4Acadêmica de Medicina. Centro Universitário Uninorte, Ac, Brasil