RESISTANCE EXERCISES IN THE TREATMENT OF PATELLOFEMORAL PAIN SYNDROME
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511301750
Daniel Souza Guimarães
Pâmela Camila Pereira
RESUMO
Introdução: A Síndrome da Dor Patelofemoral (SDPF) caracteriza-se por apresentar dor anterior no joelho e prejuízo funcional. Objetivo: Revisar os efeitos dos exercícios resistidos no aumento da funcionalidade e na redução da dor em indivíduos com SDPF. Metodologia: Realizou-se uma pesquisa baseada em revisão integrativa, utilizando as bases de dados: Lilacs, PEDro, PubMed, SciELO e Periódicos CAPES. Apenas publicações a partir de 2020 foram utilizadas, além disso, fez-se uso dos seguintes Descritores em Ciências da Saúde (DeC’S): dor patelofemoral, dor anterior do joelho; exercício resistido, síndrome da dor patelofemoral e treinamento resistido. Estudos que não utilizavam exercício resistido para tratamento da dor e/ou funcionalidade foram excluídos. Resultados: Foram analisados 26 estudos publicados entre 2020 e 2025, por meio deles, observou-se a redução da dor e melhora da funcionalidade em indivíduos com SDPF, mensuradas principalmente através da Escala Visual Analógica (EVA), Anterior Knee Pain Scale (AKPS) e da Kujala Pain Score (KPS). Ademais, abordagens combinadas mostraram-se superiores. Considerações Finais: Os exercícios resistidos reduzem a dor e aumentam a funcionalidade de pacientes com SDPF.
Palavras-chave: Síndrome da Dor Patelofemoral. Exercício Resistido. Dor. Funcionalidade. Joelho.
ABSTRACT
Introduction: Patellofemoral Pain Syndrome (PFPS) is characterized by anterior knee pain and functional impairment. Objective: Review the effects of resistance exercises on increasing functionality and reducing pain in individuals with PFPS. Methodology: An integrative review was conducted using the following databases: Lilacs, PEDro, PubMed, SciELO, and CAPES Journals. Only publications from 2020 onwards were included. The following Health Sciences Descriptors (DeC’S) were used: patellofemoral pain, anterior knee pain; resistance exercise; patellofemoral pain syndrome, resistance training. Studies that did not use resistance exercise for the treatment of pain and/or functionality were excluded. Results: A total of 26 studies published between 2020 and 2025 were included. A reduction in pain and improvement in functionality were observed in individuals with PFPS, mainly measured through the Visual Analog Scale (VAS), Anterior Knee Pain Scale (AKPS) and Kujala Pain Score (KPS). Combined approaches proved to be superior. Final Considerations: Resistance exercises reduce pain and increase the functionality of patients with PFPS.
Keywords: Patellofemoral Pain Syndrome. Resistance Exercise. Pain; Functionality. Knee.
1. INTRODUÇÃO
A Síndrome da Dor Patelofemoral (SDPF) é uma das condições musculoesqueléticas mais predominantes em jovens adultos e corredores, com prevalência de 15% a 45% em indivíduos fisicamente ativos e representa uma das principais causas de queixa de dor na região anterior no joelho, especialmente em mulheres (Bagheri et al., 2021; Boitrago et al., 2021; Hong et al., 2023; Xiong et al., 2025).
Essa dor costuma ser difusa e é amplificada durante atividades como agachar, subir escadas ou ficar sentado por longos períodos. Sua etiologia é multifatorial, envolvendo desequilíbrios musculares, fraqueza dos músculos do quadril, alterações no controle neuromuscular, desalinhamento do membro inferior, fatores anatômicos e biomecânicos. O diagnóstico é essencialmente clínico, com base no exame físico e na exclusão de outras causas (Scafoglieri et al., 2021; ElMelhat et al., 2022; Hansen et al., 2023).
Nesse contexto, o exercício resistido direcionado aos músculos do quadril e do joelho é frequentemente relacionado à melhora clínica na SDPF por influenciar diretamente os mecanismos biomecânicos. O fortalecimento de abdutores, rotadores externos e extensores contribui para o alinhamento patelofemoral e para maior estabilidade dinâmica do joelho, fatores que reduzem a sobrecarga articular e favorecem o desempenho funcional (Hansen et al., 2023; Hong et al., 2023; Kamel et al., 2024; Xiong et al., 2025).
Apesar da conhecida relevância dos exercícios resistidos para o tratamento da SDPF, ainda há dúvidas sobre sua aplicabilidade direta na redução da dor, assim como a extensão e a durabilidade de seus efeitos nesse sintoma e a relação direta na melhora da funcionalidade em indivíduos com SDPF.
2. OBJETIVO
Revisar os efeitos dos exercícios resistidos no aumento da funcionalidade e na redução da dor em indivíduos com SDPF.
3. REFERENCIAL TEÓRICO
3.1 Síndrome da Dor Patelofemoral
A etiologia da SDPF envolve fatores biomecânicos como desalinhamento patelar, falhas no controle motor e redução de força muscular, especialmente do quadríceps, do glúteo médio e do glúteo máximo (Walli; McCay; Tiu, 2023; Wang et al., 2023; Mohamed et al., 2024; Xiong et al., 2025). Além disso, diferenças sexuais na biomecânica do quadril e do retropé, como maior adução do quadril e eversão do retropé em mulheres, podem desempenhar papel importante na prevalência e manutenção da dor (Esculier et al., 2020; Arin-Bal et al., 2023).
3.2 Métodos de Avaliação
A avaliação clínica da SDPF deve conter uma análise abrangente da dor, funcionalidade e dos fatores biomecânicos envolvidos. Testes físicos como o Anterior Knee PainTest (teste da dor anterior no joelho), realizado durante a execução do agachamento, demonstra boa sensibilidade clínica e pode ser empregado como ferramenta diagnóstica, apresentando valor preditivo positivo de até 80% para SDPF (Martinez-Cano et al., 2021).
Analogamente, existem avaliações subjetivas, através de escalas como a Escala Visual Analógica (EVA), Anterior Knee Pain Scale (AKPS) e Kujala Pain Scale (KPS) que são utilizadas como uma forma qualitativa para mensurar o nível de dor (Martinez-Cano et al., 2021). A medição da força muscular por via de dinamômetros, testes como o step-down test e a análise da estabilidade postural com plataformas de equilíbrio são recursos adicionais que ajudam a identificar a redução de força e mudanças no controle neuromuscular associados à SDPF (Na et al., 2021; Botta et al., 2023; Mohamed et al., 2024; Xiong et al., 2025).
Um método importante de análise é a ressonância magnética, pois permite uma avaliação mais detalhada das estruturas moles, como cartilagem, tendões e ligamentos, sendo útil na constatação de alterações sutis e na avaliação da qualidade da cartilagem, especialmente por medidas semi-quantitativas, como o MOAKS (Magnetic Resonance Imaging Osteoarthritis Knee Score). Esse escore mescla elementos de avaliação qualitativa com uma pontuação numérica baseada na interpretação de quem analisa (Garza-Borjón et al., 2024).
3.3 Exercícios Resistidos
Os Exercícios Resistidos são condutas que se resumem aos movimentos contra uma resistência externa, como pesos livres, faixas elásticas, aparelhos de musculação ou o próprio peso corporal. Os exercícios resistidos favorecem adaptações fisiológicas importantes, tanto na hipertrofia, no ganho de força, na estabilização articular e na redução do risco de lesões (De Paula et al., 2022; Salem et al., 2025; Xiong et al., 2025).
A prescrição dos Exercícios Resistidos deve respeitar princípios específicos, como a carga (intensidade do esforço), o volume (número de séries e repetições), a frequência (quantidade de sessões semanais) e a progressão (aumento gradual da dificuldade) (Santos et al., 2021; De Paula et al., 2022; Sinclair; Chockalingam; Taylor, 2022; Song et al., 2023; Xiong et al., 2025).
Nesse sentido, a carga é geralmente modulada pensando no percentual da carga máxima (1RM — uma repetição máxima) suportado pelo indivíduo. Desse modo, recomenda-se o manejo de cargas moderadas a altas, pensando em ganho de força. Em caso de uso de elásticos ou peso corporal, pode-se utilizar a percepção subjetiva de esforço para basear uma zona de intensidade (De Paula et al., 2022; Sinclair; Chockalingam; Taylor, 2022; Song et al., 2023; Xiong et al., 2025).
4. METODOLOGIA
Dessa forma, a presente pesquisa trata-se de um estudo descritivo, conduzido sob a forma de revisão integrativa da literatura. Tem-se, então, o objetivo de reunir e analisar evidências científicas acerca da eficácia dos exercícios resistidos na redução da dor e no aumento da funcionalidade em indivíduos com SDPF.
A busca bibliográfica foi realizada nas seguintes bases de dados científicas: LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), PEDro (Physiotherapy Evidence Database), PubMed (National Library of Medicine), SciELO (Scientific Electronic Library Online) e Periódicos CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).
Durante a pesquisa, utilizou-se os seguintes Descritores em Ciências da Saúde (DeC’S), nas línguas inglesa e portuguesa, individualizados ou combinados por meio de operadores booleanos AND e OR: Dor Patelofemoral (Patellofemoral Pain), Dor Anterior Do Joelho (Anterior Knee Pain), Exercício Resistido (Resistance Exercise), Síndrome da Dor Patelofemoral (Patellofemoral Pain Syndrome) e Treinamento Resistido (Resistance Training).
Os critérios de inclusão dos estudos que formariam a presente pesquisa contemplaram artigos completos publicados a partir de 2020, que utilizassem o Exercício Resistido como intervenção para redução de dor e/ou aumento da funcionalidade na SDPF. Considerou-se também ensaios clínicos randomizados, estudos observacionais transversais, revisões sistemáticas e revisões sistemáticas com meta-análise em rede. Em contrapartida, excluíram-se artigos de opinião, editoriais, estudos duplicados e publicações sem resultados aplicáveis à temática proposta.
Considerando a natureza metodológica do estudo, de caráter bibliográfico, não se fez necessária a submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP).
5. RESULTADOS
Os resultados foram construídos a partir da análise de 26 artigos publicados entre 2020 e 2025, que atenderam aos critérios de inclusão e exclusão definidos. Os estudos analisados incluíram populações de jovens e adultos, em sua maioria mulheres, diagnosticadas com SDPF.
De modo geral, todos os estudos investigaram tanto a dor quanto a funcionalidade. As medidas usadas para avaliar dor foram: Escala Visual Analógica (EVA), Knee Injury and Osteoarthritis Outcome Score (KOOS) e Escala Numérica da Dor (END). Deve-se ressaltar que a EVA foi utilizada em 20 dos 26 estudos incluídos, a KOOS foi utilizada em 2 estudos e a END foi utilizada por 4 estudos.
A melhora da funcionalidade foi mensurada através do Anterior Knee Pain Scale (AKPS), pelo Knee Outcome Survey-Activities of Daily Living Scale (KOS-ADLS), Funcional Index Questionnaire (FIQ), Osteoarthritis Outcome Score (KOOS), Hop Test e Step-Down Test. Vale citar que a AKPS foi utilizada em 19 estudos, a KOS-ADLS foi usada em 2 estudos, a KOOS em 6 estudos, a Hop Test e Step-Down Test em 2 estudos e o FIQ em 1 estudo.
Ao final da análise, pôde-se perceber que os ensaios que combinaram exercícios resistidos com estratégias adicionais, como Kinesio taping, o short foot exercise e o fortalecimento associado a alongamentos, evidenciaram ganhos superiores em estabilidade, controle postural e desempenho funcional, quando comparado somente ao Exercício Resistido (Jellad et al., 2021; Hong et al., 2023; Kamel et al., 2024).
O estudo de ElMelhat et al. (2022) investigou controle neuromuscular associado ao fortalecimento e observou que houve diminuição da dor e aumento da funcionalidade corporal, o que contribui para um melhor alinhamento articular e, para que assim, haja diminuição do valgo dinâmico.
Por outro lado, Hammami et al. (2024) investigou mulheres com sobrepeso submetidas ao fortalecimento de quadríceps e isquiotibiais e comparou com outro grupo, o qual recebeu Mobilização Passiva Contínua (MPC). Como resultado, fica evidente que o fortalecimento reduziu mais a dor do que a MPC.
O protocolo de fortalecimento de quadríceps isolado mostrou resultados semelhantes aos de fortalecimento dos músculos do quadril, confirmando a equivalência entre os grupos (Hansen et al., 2023). Além disso, os programas funcionais se destacaram pela melhora adicional em parâmetros biomecânicos, como redução do valgismo dinâmico (Xiong et al., 2025).
Bagheri et al. (2020) demonstraram que tanto os músculos do quadril quanto os do quadríceps, quando fortalecidos isoladamente, são capazes de reduzir a dor e de melhorar a função de cada membro, reforçando o papel central do exercício resistido no tratamento, independentemente de qual grupo muscular será fortalecido.
Outrossim, intervenções que realizaram o fortalecimento dos músculos intrínsecos dos pés e outro protocolo que incluiu também mobilização talonavicular reduziram a dor, melhoraram o alinhamento dos membros inferiores. Ademais, houve a melhora da funcionalidade, principalmente pela redução da pronação e do valgo dinâmico durante atividades funcionais e com a mobilização, ela pode reduzir o colabamento do arco medial (Kim; Cho; Lee, 2022; Kamel et al., 2024).
Outro método chamado de estimulação elétrica neuromuscular também tem seu papel no tratamento da SDPF. Isso ocorre porque quando aliada a exercícios resistidos, como visto por Zheng et al. (2025), há potencialização do ganho de força e, consequentemente, há melhora da dor e da funcionalidade, sendo mais evidente em protocolos superiores a quatro semanas.
Na Tabela 1, são apresentados os exercícios mais utilizados para redução de dor e aumento da funcionalidade.
Dos 26 artigos que foram utilizados na realização dessa revisão, 5 estudos são apresentados na tabela 2 como exemplo para facilitar a visualização das principais abordagens e resultados observados, pois incrementaram condutas extras de tratamento além de exercícios resistidos isolados. Na Tabela 2, são apresentados características metodológicas e resultados mais comuns dos artigos selecionados.
6. DISCUSSÃO
Durante o estudo, observou-se que tanto o fortalecimento de quadríceps quanto dos músculos do quadril promovem melhora na dor e na funcionalidade, sugerindo que ambas as abordagens são eficazes no tratamento da SDPF (Bagheri et al., 2020; Hansen et al. 2023). Isso reforça a ideia de que diferentes alvos musculares podem gerar benefícios semelhantes quando o objetivo é reduzir dor e restaurar a função do músculo.
A integração de exercícios resistidos com controle neuromuscular descrito no estudo de ElMelhat et al. (2022), como, por exemplo, sand bag, teve como resultado a redução da dor e o aumento da funcionalidade muscular. Isso é notório especialmente em mulheres com déficits de estabilidade proximal, já que elas tendem a apresentar maior tendência de valgo dinâmico. Além do mais, ocorre a melhora no controle dinâmico do membro inferior, o que pode ser interpretado como consequência de uma melhora do controle proximal, que vai reduzir a rotação interna do fêmur durante as atividades funcionais e diminuindo a sobrecarga femoropatelar.
Seguindo este raciocínio, os estudos que adotaram protocolos combinados e funcionais apontaram resultados duradouros. Hong et al. (2023) mostraram que exercícios resistidos dos músculos do quadril e joelho, associados a movimentos funcionais como agachamento parcial, step-up, step-down e ponte, resultaram em reduções expressivas da dor e ganhos em força extensora, superando os resultados obtidos apenas com educação em saúde. Corroborando com Kamel et al. (2024) e Kim; Cho; Lee (2022), que verificaram que a associação do fortalecimento dos músculos intrínsecos dos pés e a mobilidade do arco plantar associado ao fortalecimento não têm diferença quando comparados a apenas exercícios focados nas articulações do joelho e quadril.
Outro aspecto relevante é o uso de recursos como Neuromuscular Electrical Stimulation (NMES). De acordo com Zheng et al. (2025), esse método pode ser utilizado como um recurso para auxiliar e otimizar a capacidade contrátil durante os estágios iniciais do tratamento, principalmente quando o indivíduo lida com a ativação muscular reduzida. Assim, quando aplicada em conjunto com exercícios resistidos, essa estratégia potencializa o ganho de força, pois favorece o recrutamento mais eficiente de fibras do quadríceps e reduz a inibição muscular artrogênica. Entretanto, é válido citar que mesmo com o exercício como base, os recursos de NMES podem facilitar a ativação muscular.
Tabela 1 – Exercícios de resistência para redução de dor e/ou aumento da funcionalidade.

Fonte: Autoria Própria.
Tabela 2 – Resultados dos autores sobre a eficácia do exercício resistido.
| AUTOR | METODOLOGIA | RESULTADOS |
| Bagheri et al., (2020). | Estudo: Ensaio clínico randomizado.Amostra:60 participantes.Sexo: 70% mulheres e 30% homens.Idade: 18 a 35 anosIntervenção: G1: exercícios resistidos de quadril. G2: extensão de joelho, agachamento.Protocolo: 8 semanas, 3 atendimentos/semana | Ambos os grupos apresentaram melhora significativa na dor (EVA, p < 0,05) e na funcionalidade (KOS-ADLS, p < 0,05), além de redução da catastrofização (p < 0,05). Não há diferença entre G1 e G2. |
| Hong et al., (2023). | Estudo: Ensaio clínico randomizado.Amostra: 54 pacientes.Sexo: 37 mulheres e 17 homens.Idade: média de 24 anos.Intervenção: G1: exercícios resistidos supervisionados de quadril e joelho. G2: educação em saúde.Protocolo: 6 semanas, 3 atendimentos/semana. | O G1 apresentou redução significativa da dor (EVA, p < 0,01) e melhora funcional (AKPS, p < 0,01), com aumento de força extensora de joelho (p < 0,01), em comparação ao G2. |
| Hansen et al., (2023). | Estudo: Ensaio clínico randomizado.Amostra: 200 pacientes.Sexo: 138 mulheres e 62 homens.Idade: média de 27 anos.Intervenção: QE: exercícios de quadríceps. HE: exercícios de quadril.Protocolo: 12 semanas, 3x/semana. | Ambos os grupos (QE e HE) apresentaram melhora significativa da função (AKPS, p < 0,0001), confirmando equivalência estatística entre as intervenções; não houve diferença clínica relevante entre eles. |
| Kamel et al., (2024). | Estudo: Ensaio clínico randomizado.Amostra: 28 pacientes.Sexo: 18 mulheres e 10 homens.Idade: 18 a 35 anos.Intervenção: G1: fortalecimento de quadril/joelho/short-foot. G2: apenas fortalecimento de quadril/joelho.Protocolo:6 semanas, 2 atendimentos/semana supervisionadas. | Ambos os grupos melhoraram dor (EVA, p < 0,05) e função (AKPS, p < 0,05), sendo que o grupo com exercício short-foot apresentou maiores ganhos em estabilidade e desempenho funcional (p < 0,05). |
| Xiong et al., (2025). | Estudo: Ensaio clínico randomizado.Amostra: 40 universitários.Sexo: 26 mulheres e 14 homens.Idade: 18 a 30 anos.Intervenção: FST: exercícios funcionais. SST: fortalecimento tradicional de quadríceps.Protocolo: 8 semanas, 3 atendimentos/semana. | O grupo FST apresentou maior redução de dor (EVA, p = 0,026) e melhora de função (AKPS, p = 0,006) em comparação ao SST, além de melhorias biomecânicas como aumento da ativação do glúteo máximo (p < 0,001) e redução do valgismo de joelho (p = 0,032). |
LEGENDA: EVA = Escala Visual Analógica; AKPS = Anterior Knee Pain Scale; SDPF = Síndrome da Dor Patelofemoral; QE = Quadríceps Exercise; HE = Hip Exercise; FST = Functional Strength Training; SST = Standard Strength Training; G1 = Grupo 1; G2 = Grupo 2
Fonte: Autoria Própria.
Uma alternativa viável para adesão dos pacientes ao tratamento são as telereabilitações, nas quais são feitas através de atendimentos online. Autores como Albornoz-Cabello et al. (2021) e Lee et al. (2023) demonstraram que exercícios resistidos para tratamento da SDPF, mesmo que sem presença física do terapeuta, também reduz a dor e aumenta a funcionalidade de forma semelhante aos atendimentos presenciais.
Entretanto, Menek e Dansuk (2025) reforçam que protocolos híbridos, quando comparados a protocolos exclusivamente digitais, como nas telereabilitações, oferecem resultados superiores.
O estudo de Xiong et al. (2025) acrescenta um ponto relevante ao evidenciar que o treinamento funcional de força não apenas reduziu mais a dor em comparação ao fortalecimento tradicional de quadríceps, como também produziu melhorias biomecânicas, incluindo maior ativação do glúteo máximo e redução do valgismo dinâmico de joelho. Esse resultado destaca que a correção biomecânica pode garantir resultados mais consistentes, pois melhoram padrões de movimento que diretamente estão envolvidos na sobrecarga patelofemoral.
Hammami et al. (2024) mostra que os exercícios resistidos também têm efeitos positivos em mulheres com sobrepeso e que possuem SDPF. Mesmo com contextos biomecânicos desfavoráveis, como sobrecarga na articulação femoropatelar, ainda sim os exercícios foram eficazes no tratamento.
Ainda que todos os estudos incluídos tenham demonstrado redução significativa na dor e aumento da funcionalidade no período de 6 a 12 semanas, a manutenção desses ganhos ao longo do tempo ainda não é bem estabelecida. Enquanto protocolos mais longos, como o de Hansen et al. (2023), sugerem consolidação dos ganhos após 12 semanas, estudos prévios apontam que a interrupção dos exercícios pode levar ao retorno dos sintomas, reforçando a necessidade de manutenção a longo prazo (Scafoglieri et al., 2021; Priore et al., 2023). Isso demonstra que, embora eficazes, os exercícios resistidos devem ser vistos não apenas como uma intervenção pontual, mas como parte de uma estratégia contínua de reabilitação.
Analisando as abordagens dos estudos, foi observado que houve maior ênfase nos músculos do quadril (glúteo médio, glúteo mínimo e glúteo máximo), que são importantes para o controle da rotação interna femoral, e quadríceps com foco no alinhamento patelar e estabilização femoropatelar.
A presente análise reforça que os exercícios resistidos são eficazes e fundamentais no tratamento da SDPF. Estratégias funcionais e combinadas parecem proporcionar benefícios adicionais. Ainda assim, o risco de recidiva se mantém quando não há adesão prolongada, o que aponta para a importância de protocolos de manutenção e educação do paciente.
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em suma, os achados desta revisão sustentam que os exercícios resistidos reduzem a dor e aumentam a funcionalidade de pacientes com SDPF. Ainda, é importante acrescentar que a continuidade do tratamento e a individualização da prescrição são determinantes para evitar o retorno dos sintomas.
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