ECODESIGN AND SUSTAINABLE FUTURE: A CASE STUDY OF THE ECOLAZER FLOATING RESORT, CANDEIAS DO JAMARÍ/RO – BRAZIL
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511300214
Alcilene Bezerra1
Felipe Sant’anna Cavalcante2
Renato Abreu Lima3
RESUMO
O conceito de ecodesign é relativamente recente e emergiu no início da década de 1990, impulsionado inicialmente pelo setor de eletrônicos nos Estados Unidos, que buscava desenvolver produtos menos agressivos ao meio ambiente. Nesse período, foi criada uma força-tarefa destinada à elaboração de uma base de conhecimentos focada em processos produtivos ambientalmente responsáveis, beneficiando, sobretudo, as indústrias que aderiram às primeiras práticas de gestão ambiental. Desde então, observa-se um crescimento significativo do interesse pelo tema, especialmente entre empresas que já implementaram programas de gestão ambiental, prevenção da poluição e produção mais limpa. Nesse contexto, o presente artigo tem como objetivo registrar a experiência exitosa do Ecolazer Resort Flutuante no emprego do ecodesign como ferramenta ecológica, decorativa e funcional, destacando sua contribuição para a construção de um futuro sustentável no turismo amazônico. A análise contemplou elementos estruturais e estéticos do empreendimento, bem como os fatores ambientais e socioeconômicos associados às peças desenvolvidas sob a ótica do ecodesign. Também foram avaliados os desafios e oportunidades de replicação desse modelo inovador em diferentes cenários amazônicos. Os resultados evidenciam que o Ecolazer Resort Flutuante integra soluções sustentáveis de forma eficiente e estruturada, incorporando princípios de ecodesign ao design arquitetônico, à gestão de resíduos, à reciclagem, ao aproveitamento de materiais e às práticas de preservação ambiental. Dessa forma, consolida-se como referência regional em turismo sustentável, demonstrando que a combinação entre inovação, responsabilidade socioambiental e valorização do contexto amazônico pode gerar impactos positivos, replicáveis e de longo alcance.
Palavras-chave: Ecodesign; Educação Ambiental, Turismo Sustentável; Amazônia.
INTRODUÇÃO
Atualmente, vivemos em um momento de desenvolvimento elevado. Muito deste desenvolvimento, inclusive de consciência, surge a partir de grupos de interesse público, como as organizações não governamentais. Segundo Riegel, Staudt & Daroit (2012), ao mesmo tempo em que o progresso e o desenvolvimento contribuíram para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, trouxeram, também, complicações como o aumento do crescimento populacional e, consequentemente, o aumento do consumo, o uso insensato dos recursos, o aumento da geração de resíduos e da poluição, a degradação ambiental e a escassez de recursos naturais para a sobrevivência humana.
O aumento da escala produtiva tem sido um importante fator de estímulo da exploração dos recursos naturais e da crescente geração de resíduos, prejudicando, também, o equilíbrio do clima, da vegetação e da produção de alimentos.
O mundo, e particularmente o Brasil, necessitam desenvolver-se para que se tenha maior geração de riquezas e que esta seja dividida para melhorar as condições de vida da população. De acordo com Da Costa & Ignácio, a sociedade deve procurar maneiras de se desenvolver de forma sustentável, a fim de garantir seu progresso sem prejudicar o meio ambiente e comprometer seu futuro. Deve ser meta de todos os cidadãos brasileiros, dentro das suas diferentes áreas e setores de atuação, pois o desenvolvimento sustentável é o ápice do equilíbrio entre o homem, a natureza e a economia, onde a geração atual pode usufruir o meio ambiente sem comprometer futuras gerações.
Se uma empresa lança no mercado um produto produzido de forma ecológica, ela está trabalhando de forma sustentável, porém seu produto geralmente terá custo mais elevado que o dos concorrentes que produzem produtos que agridem o ambiente. Esta diferença nos preços dos produtos acabados se dá, principalmente, porque não há a necessidade de investimentos na melhoria/otimização de processos no tratamento dos efluentes gerados. Dentro deste contexto, a questão é convencer a população de que o produto produzido de forma ecológica é melhor, ainda que muitas vezes mais caro (COSTA & IGNÁCIO, 2004).
CONCEITO DE ECODESIGN
O conceito de ecodesign é recente, segundo Fiksel (1996) originou-se no início dos anos 1990, com os esforços das indústrias eletrônicas dos EUA para criarem produtos que fossem menos agressivos ao meio ambiente. Formaram uma força tarefa para desenvolver uma base de conhecimentos em projetos voltados para a proteção do meio ambiente, que primeiramente beneficiou estas indústrias. A partir desta época, tem crescido rapidamente o interesse pelo tema, principalmente em empresas que já desenvolviam programas de gestão ambiental e de prevenção da poluição.
Segundo Vilaça (2010), o ecodesign tende a minimizar o impacto ambiental, reduzir custos de produção e possibilitar às empresas um diferencial competitivo dentro de um mercado que a cada dia dá maior ênfase ao desenvolvimento sustentável, assumindo assim um papel fundamental no contexto mundial, visto que a capacidade de se extrair matérias primas da natureza vem se esgotando em um ritmo acelerado.Assim, a utilização de técnicas de desenvolvimento de produtos deve conter
Em sua base itens que possibilitem a geração de produtos com vistas ao ecodesign, garantindo, então, o mínimo de impacto ambiental.
Segundo Ferreira,De Moraes,João &Godoy (2008), os consumidores preocupam-se mais em adquirir produtos menos impactantes ao meio ambiente, existindo,também, tendências globais que colocam como condição essencial, para os fornecedores, que os produtos e serviços tenham um projeto que vise o respeito ao meio ambiente.
O ECODESIGN DENTRO DE EMPRESA
O ecodesign representa a convergência de duas tendências que orientam as formas atuais de produção, que são a integração empresarial e o desenvolvimento sustentável (VENZKE, 2002). Implica na questão de como assegurar o crescimento industrial sem causar impactos ambientais adversos, indo ao encontro da máxima de “atender as necessidades das gerações presentes sem comprometer o atendimento das necessidades das gerações futuras”. O conceito de empresa ambientalmente responsável tem servido como base para superar este desafio, assim como a prevenção da poluição que já se tornou uma prática comum nas indústrias. As empresas buscam agora integrar suas atividades com os sistemas naturais em que operam (BRUXEL, ETCHEPARE & BRANDT, 2008).
Segundo Venzke (2000), grandes empresas mostram-se abertas para a adoção de tecnologias ambientalmente responsáveis em seus produtos e processos, buscando com isso melhores estratégias de desenvolvimento. Mas descobrem que a implantação de um projeto para o meio ambiente de forma consistente e efetiva é um desafio, principalmente pelos seguintes motivos: necessidade de pessoas qualificadas; a complexidade dos fenômenos naturais e suas análises; os sistemas econômicos nos quais os produtos são produzidos, utilizados e reciclados são muito mais difíceis de entender e controlar do que os próprios produtos.
ELEMENTOS DO ECODESIGN
Como o ecodesign busca descobrir inovações em produtos que resultarão na redução da poluição e resíduos em todos os estágios do ciclo de vida, além de satisfazer outros objetivos de custo e desempenho, ele não deve ser praticado isoladamente. Para que haja esta integração no processo de desenvolvimento de novos produtos, os elementos a seguir são necessários (VENZKE, 2000).
PRÁTICAS DE PROJETOS ECO EFICIENTES
Venzke (2000) relaciona estas práticas específicas associadas ao projeto de ecoeficiência, que procuram alcançar as metas ambientais propostas, tais como: substituição de materiais; redução de resíduos na fonte geradora; Redução do uso de substâncias tóxicas; Redução do consumo de energia; Extensão da vida útil do produto; Projeto de montagem e desmontagem facilitadas, Projeto para reciclagem; Projeto para a disposição final; Projeto para reuso; Projeto para fabricação; Projeto para recuperação de energia.
MÉTODOS DE ANÁLISE DE ECO EFICIÊNCIA
Para completar o processo de desenvolvimento, são necessários métodos que analisam o grau de melhoramento esperado com o novo projeto, com relação às medidas de eficiência de interesse. Entre os métodos de análises mais utilizados estão, Métodos de triagem: são utilizados para escolher entre um conjunto de alternativas; Métodos de análise: são utilizados para fazer a previsão de desempenhos de projetos esperados, com respeito a objetivos particulares; Métodos de comparação: são utilizados para comparar o desempenho e o custo de diversas alternativas de projeto, com relação a um ou mais atributos de interesse; Métodos de tomada de decisão: são utilizados para auxiliar ou grupos de projeto selecionarem alternativas quando há grande incerteza ou complexidade (VENZKE, 2000).
DIRETRIZES PARA A PRÁTICA DO ECODESIGN
Segundo Venzke (2000), para atingir tal objetivo, o ecodesign deve ser integrado de modo adequado ao processo de desenvolvimento, desde a análise das necessidades do cliente e o estabelecimento dos requisitos do produto até a constatação de que tais requisitos foram plenamente atendidos.
Uma vez definidos os objetivos do produto, seu ciclo de desenvolvimento deve ser iniciado logo em seguida. É um processo exploratório durante o qual ideias são geradas, consideradas sob várias perspectivas, e ou perseguidas ou rejeitadas. Nesse contexto, as disponibilidades de orientações voltadas para a prática do ecodesign constituem o segundo elemento-chave de apoio a esse processo de desenvolvimento.
Para Platcheck (2003), o desenvolvimento de produtos industriais é um processo de síntese que exige trabalho de grupos e equipes multidisciplinares no qual são simultaneamente consideradas as diversas características do produto como custo, desempenho, viabilidade de produção, segurança e consumo.
Assim, este desenvolvimento de produtos progride continuamente, segundo uma espiral de atividades – design, projeto, manufatura e decisões mercadológicas – em direção à comercialização fundamentada no trabalho inter e multidisciplinar em todas as fases desse processo fundamentalmente interativo. A implementação deste tipo de abordagem tem permitido a muitas empresas reduzir substancialmente a duração do ciclo do produto e gerar economia de custos maximizando a qualidade e o desempenho dos produtos industriais.
Onde se define a identificação do cliente, definição dos problemas em questão,metas para próxima fase, restrições, cronogramas, programas de trabalho e custos(PLATCHECK, 2003).
FASE DE DESENVOLVIMENTO – O ESTADO DA ARTE
A Fase de Desenvolvimento é a fase analítica do processo de projetação, onde, ao invés de buscar soluções imediatas para os problemas descritos na fase anterior, faz-se uma análise da situação e de como os problemas e necessidades são solucionados atualmente. Esta fase é um levantamento do estado da arte onde se utiliza recursos como registros fotográficos, vídeo tapes, entrevistas, enquetes, relatos, estudos, coletânea de artigos, publicações etc. a fim de tomar conhecimento dos pontos relevantes do projeto em questão, desde como são solucionados os problemas na situação existente até possíveis sistemas mecânicos, materiais, painéis de controle que possam ajudar na solução final (PLATCHECK, 2003).
FASE DE DETALHAMENTO – PROJETAÇÃO
Ao se determinar os parâmetros projetais, as sete ondas do ecodesign (NdSM, 2001)são fundamentais para um desenvolvimento sustentável, no que tange a seleção de materiais que resultem em menor impacto ambiental; ao sistema de transporte e à embalagem;ao consumo de energia, água e materiais auxiliares tanto na produção como no uso do produto final; ao ciclo de vida do produto, a reutilização, o reprocessamento e a reciclagem de todo o produto ou parte dele (PLATCHECK, 2003).
FASE DE COMUNICAÇÃO
A fase de comunicação é a fase de compilação dos dados, onde são organizados relatórios e suportes visuais. É considerada uma fase distinta devido à complexidade e importância para futuros projetos. Ao apresentar esta metodologia, chega-se à conclusão que tais procedimentos são importantíssimos para o desenvolvimento de novos produtos.
Apropriar-se neste momento de mobilidade das empresas pelo intuito de realizar a nova manufatura de uma maneira ecologicamente consciente é uma estratégia inteligente, pois não é necessário iniciar a motivação da empresa e, sim, aproveitar o’momento em que a técnica do ecodesign propõe uma nova estratégia para o desenvolvimento de produtos, associando o sistema de gestão ambiental aos materiais e processos de fabricação (PLATCHECK, 2003).
ANÁLISE DE CICLO DE VIDA – ACV
De acordo com Medina (2005), ao contrário do que se pensa comumente, os impactos ambientais dos produtos industriais não começam onde são mais visíveis,ou seja, na fase do consumo quando eles poluem o ar, contaminam as águas e os terrenos onde são descartados ao fim de sua vida útil. A origem desses problemas está na verdade na fase do projeto, ou seja, na concepção dos produtos, no desenvolvimento e na produção dos materiais.
O projeto de um produto vai definir, desde o design, a escolha dos materiais, dos processos e das técnicas de fabricação, de componentes e peças, e da montagem final do produto. Tem-se assim, à montante, a extração de minerais, seu beneficiamento e sua transformação em materiais que vão entrar como matéria-prima na produção de bens de consumo, máquinas e equipamentos os quais, ao longo como ao fim de suas vidas, terão que ser, parcialmente ou totalmente, descartados e/ou reciclados.
O reaproveitamento dos materiais pela reciclagem ou recuperação energética prolonga o ciclo de vida dos materiais componentes dos produtos, representando assim uma forma de poupar recursos naturais não renováveis, dos quais a exaustão, em alguns casos, já se anuncia próxima.
Para Medina (2005), repensar o ciclo de vida dos materiais e reconhecê-lo em bases mais sustentáveis não é, contudo, tarefa simples e nem evidente. Requer conhecimentos e informações múltiplos, nem sempre disponíveis e que devem ser buscados caso a caso para cada projeto ou reprojeto de produto no qual se deseja intervir. Ou seja, trata-se de buscar ampliar a oferta de materiais de menor impacto ambiental, criando novas opções para que designers e engenheiros de projeto concebem produtos não apenas recicláveis, mas também sustentáveis num sentido amplo.
Atualmente, diante do novo paradigma ambiental estabelecido no fim do século passado, as empresas estão sendo instadas a reduzirem os impactos sobre o meio ambiente em toda sua cadeia produtiva (FERREIRA, MORAES, GODOY, 2008).
Isso vem sendo buscado por meio de novas formas de projetar – como Design for Assembly and Dissassembly (DFA), Design for Recycling (DFR) e Design for Environment (DFE) – novos métodos de auxílio à decisão na seleção de materiais e processos tecnológicos, como o Ciclo de Vida do Produto, hoje já estão em uso nas indústrias automobilísticas, de eletrodomésticos e de computadores. A estratégia adotada nos centros de desenvolvimento de projetos dessas empresas é de conceber não só o produto, mas o chamado sistema-produto, considerando todo o ciclo de vida destes inputs (matérias-primas e energias) até os outputs (resíduos industriais, componentes e o próprio produto em fim de vida) (MEDINA, 2005).
Para Medina (2008) de fato não é apenas o produto final que conta, mas todo um sistema projeto/produção, que consome energia e materiais em larga escala com impactos diretos e indiretos sobre a economia dos países e a vida das pessoas. A ACV é exatamente a forma mais efetiva de se avaliar todos os possíveis impactos ambientais causados por um produto, e por sua cadeia produtiva, entendendo como “Vida” de um produto todo o período compreendido entre a extração de matérias primas e seu destino final pós-consumo.
De acordo com Medina (2005), é a chamada eco concepção ou ecodesign de produtos industriais, que visa atender não só a demanda de um mercado consumidor mais consciente e responsável em termos ambientais, mas também, e principalmente, para atender a uma legislação ambiental cada vez mais restrita e globalizada.
Nesse sentido pode-se dizer que a atuação normativa e reguladora da União Europeia, está tendo um papel difusor dessa tendência comparável à Califórnia quanto à consciência ambiental nos anos 1960/1970, como nos casos das Diretivas Europeias Da Comissão Europeia sobre Meio Ambiente em relação às Embalagens (14/12/1994), sobre Veículos em fim de Vida e Reciclagem (2000/53/CE de 21/10/2000), ou ainda sobre Descarte de equipamentos e eletroeletrônicos – DEEE – (2002/96/CE e 2004/249/ CE), só para citar alguns exemplos onde a ACV e o Ecodesign têm sido instrumentos das políticas e de estratégias ambientais públicas e privadas.
Desse modo a Comissão Europeia tem estimulado e mesmo induzido o uso desses instrumentos pela indústria europeia, como fica evidente no Livro Verde da Política Integrada dos Produtos (COMMISSION EUROPÉENNE 2001, APUD ABRAS- SART e AGGERI, 2002).
O CICLO DE VIDA DOS MATERIAIS
A ANÁLISE DO CICLO DE VIDA E OS MATERIAIS
A ACV já faz parte não somente da estratégia ambiental das empresas e do desenvolvimento de projetos industriais, mas também da evolução das técnicas de diagnóstico dos impactos ambientais da produção industrial. Nesse sentido, o chamado Livro Verde da Comissão Europeia tem como objetivo favorecer o estabelecimento de um mercado de produtos verdes em nível europeu.
Abrassart e Aggeri (2002) ressaltam, na análise dessa publicação, que a adoção de práticas de eco concepção pelas empresas (europeias) aparece como uma das condições de sucesso dessa política de gestão ambiental do produto. Esses autores dizem ainda de produtos industriais dentro de um espírito denominado de Product Oriented Environmental Management System (POEMS), asegurando assim uma aplicação mais efetiva dos sistemas de qualidade ambiental baseados nos sistemas de garantia ISO 14001 e EMAS – Environmental management assessment system (MEDINA, 2005).
De acordo com Medina (2003), no Brasil a legislação ambiental é uma das mais completas do mundo, mas sua regulamentação e eficácia deixam ainda a desejar. O Brasil é o único país do mundo que colocou a questão ambiental em sua Carta Magna (a Constituição de 1988). Assim, essa legislação junto com a mundialização dos modelos de produtos de indústrias globalizadas, sejam, cada vez mais concebidos de forma a economizar materiais e energia não renováveis e mesmo substituindo esses materiais por outros de menor impacto ambiental, como materiais biodegradáveis.
Podem-se citar os compósitos de fibra vegetal substituindo a fibra de vidro para uso automotivo, os plásticos biodegradáveis para embalagens, a fibra de coco para assentos de caminhões, substituindo a espuma, o biodiesel de óleo comestível reciclado como combustível automotivo.
Ainda,segundo o Compromisso Empresarial Para Reciclagem (CEMPRE), o Brasil tem presença mundial marcante no campo da reciclagem. No ano de 2012, a reciclagem de latas de alumínio para bebidas movimentou R$ 1,8 bilhão na economia nacional; volume financeiro equivalente ao de empresas que estão entre as maiores do país. Somente a etapa de coleta (a compra das latas usadas) injetou R$ 645 milhões,o equivalente à geração de emprego e renda para 251 mil pessoas. O Brasil detém a liderança mundial na atividade com aproximadamente 97,9% da produção nacional de latas recicladas em 2012, consecutivamente, desde 2001. Superior ao Japão e Argentina.
No setor automotivo os resultados de uma sondagem realizada nos EUA sobre as tendências em materiais e reciclagem para o período entre 2004 e 2008 (OSAT, 1999), apontam que a reciclabilidade dos termoplásticos continuará a ser um desafio para essa indústria, ao contrário dos metais, onde se espera desenvolvimento significativo de processos, que sofrerão restrições e terão especificações técnicas cada vez mais estritas para os fornecedores. Por outro lado, os resultados, também, apontam que permanecerá, por mais uma década, a tendência já observada nos últimos anos de busca de materiais ao mesmo tempo mais leves e recicláveis. A sondagem registra ainda que a reciclagem e sua regulamentação, desdobramento da legislação ambiental, é uma questão estratégica para as empresas do setor (MEDINA, 2005).
FASES DA ACV
A ISO 14040/2006 estabelece que a ACV de Produtos deve incluir a definição do objetivo e do escopo do trabalho, uma análise do inventário, uma avaliação de impacto e a interpretação dos resultados. Segundo Medina (2005), na primeira fase define-se a razão principal para a condução do estudo, sua abrangência e limites, a unidade funcional, a metodologia e os procedimentos considerados necessários para a garantia da qualidade do estudo e que deverão ser adotados. Tendo sido determinados o objetivo e o escopo do trabalho, passa-se à fase de coleta e quantificação de todas as variáveis (matéria-prima, energia, transporte, emissões para o ar, efluentes, resíduos sólidos etc.) envolvidas durante o ciclo de vida de um produto (análise horizontal), processo ou atividade (análise vertical). Para Venzke (2000), da mesma forma que a fase anterior, a análise do inventário do ciclo de vida deve ser conduzida de modo iterativo, envolvendo a checagem de procedimentos de forma a assegurar que as definições estabelecidas na primeira fase estejam sendo atendidas.
A fase seguinte representa um processo qualitativo/quantitativo de entendimento e avaliação da magnitude e significância dos impactos ambientais com base nos resultados obtidos na análise de inventário. O nível de detalhamento, escolha dos impactos a serem avaliados e a metodologia utilizada dependem do objetivo do escopo do estudo. Por fim, realiza-se a identificação e análise dos resultados obtidos nas fases de inventário e/ou avaliação de impacto de acordo com o objetivo e o escopo previamente definidos para o estudo (VENZKE, 2000).
ESTRATÉGIAS DO DESIGN DO CICLO DE VIDA
Após as explanações anteriormente realizadas acerca da ACV de produtos, com base nas práticas de design previamente apresentadas, busca-se, então viabilizar a aplicação do design ao ciclo de vida de produtos mediante sete níveis estratégicos a seguir elencados: Nível 0 – Desenvolvimento de um novo conceito; Nível 1 – Seleção de materiais de baixo impacto; Nível 2 – Redução do uso de materiais; Nível 3 – Otimização das técnicas de produção; Nível 4 – Otimização do sistema de distribuição; Nível 5 – Redução dos impactos dos usuários; Nível 6 – Otimização do tempo de vida do produto; Nível 7 – Otimização do pós-uso (VENZKE, 2000).
Nesse sentido, Medina (2005), vê o ecodesign como uma abordagem global,multicritérios e multietapas, dos impactos ambientais de um produto. Multicritérios por se basear na ACV que pressupõe um inventário amplo das condições de utilização de matérias-primas, energia, água, ar, solo e dos rejeitos e perdas produzidos em cada etapa. Multietapas por considerar todas as etapas da vida de um produto da extração de matérias primas ao tratamento dos componentes e do próprio produto enfim de vida neste caso, mediante o uso de fontes de recursos renováveis; por meio da redução no uso de matérias-primas, energia e demais insumos ou, ainda, reduzindo-se os possíveis impactos ambientais quando do transporte das matérias-primas para o local de fabricação do produto.
EXTRAÇÃO MINERAL E PRODUÇÃO DE MATERIAIS
Neste caso, mediante o uso de fontes de recursos renováveis; por meio da redução no uso de matérias-primas, energia e demais insumos ou, ainda, reduzindo-se os possíveis impactos ambientais quando do transporte das matérias-primas para o local de fabricação do produto.
Segundo Fernandez (2007), a grande unanimidade como tendência mundial da P&D em ecomaterais está ligada à produção de novas formas de energia. São os biocombustíveis, as membranas permeáveis ao oxigênio, o hidrogênio e suas formas de estocagem, células combustível, nova geração de baterias à base de lítio, entre outras.
Em um segundo grupo, os materiais que retêm as diversas formas de poluição: os filtros, os catalisadores etc.; os materiais que substituem substâncias tóxicas à progressiva interdição parcial ou total destas em nível mundial, como é o caso do amianto, dos metais pesados em geral e do chumbo e do mercúrio em particular os materiais recicláveis, biodegradáveis, reutilizáveis, enfim as diversas alternativas que reduzem os resíduos finais a serem descartados e prolongam a vida dos materiais, economizando matérias-primas primárias. O presente artigo tem como objetivo principal registrar a experiência exitosa do Ecolazer Resort Flutuante, quanto a utilização do Ecodesign como ferramenta ecológica decorativa e sua contribuição para um futuro sustentável no turismo amazônico. A relevância do estudo está na interface entre turismo, construção flutuante e ecologia aplicada, o que pode contribuir para a literatura de ecoturismo e para práticas de gestão sustentável de empreendimentos no Brasil.
2. MATERIAIS E MÉTODOS
O presente estudo trata-se de um relato de experiência de natureza descritivo-reflexiva, fundamentado em vivência prática, caracterizado como pesquisa aplicada, de natureza qualitativa e descritiva, configurando-se em um estudo de caso único sobre o Ecolazer Resort Flutuante, empreendimento amazônico voltado ao turismo ecológico e à educação ambiental. A pesquisa foi conduzida nos anos de 2024 e 2025, abrangendo as etapas de estudos e levantamento de dados, observação e coleta de material, produção e análise documental.
2.1 Área de estudo
O Ecolazer Resort Flutuante está localizado no município de Candeias do Jamari – RO, às margens do rio Madeira, em uma área de transição entre ecossistemas de várzea e floresta densa. A estrutura é composta por módulos flutuantes interligados, compreendendo área de hospedagem, restaurante, loja de conveniência, piscina, espaço de lazer e setores administrativos. A escolha deste empreendimento deve-se à sua proposta inovadora de integrar conforto turístico, educação ambiental e práticas de ecodesign em um ambiente fluvial amazônico.
2.2 Procedimentos Metodológicos
A metodologia adotada baseou-se em três eixos complementares de investigação, articulando coleta, registro e análise de dados qualitativos, de modo a garantir uma compreensão ampla e contextualizada sobre a aplicação do Ecodesign como ferramenta ecológica decorativa e estratégica para o turismo sustentável no Ecolazer Resort Flutuante.
a) Levantamento documental: Realizou-se a análise dos memoriais descritivos, plantas arquitetônicas, registros fotográficos e documentos internos referentes à implantação e à operação do empreendimento, compreendendo o Plano de Gestão Ambiental e o Programa de Sustentabilidade Ecolazer (2023–2025). Esse levantamento possibilitou identificar diretrizes de projeto, cronologia de execução, materiais empregados e procedimentos operacionais voltados à sustentabilidade ambiental e social.
b) Observação in loco e coleta de material: Por meio de visitas técnicas presenciais ao empreendimento, com o objetivo de observar diretamente os elementos de Ecodesign aplicados à infraestrutura e à ambientação decorativa do resort. Nessas visitas, procedeu-se à coleta de registros fotográficos, anotações em diário de campo e amostragem de materiais utilizados na composição dos ambientes, como revestimentos naturais, estruturas modulares, sistemas de iluminação e soluções de reaproveitamento de recursos. A observação considerou aspectos como funcionalidade estética, integração paisagística, eficiência energética, conforto ambiental e percepção dos usuários.
c) Produção das peças e análise documental: Com base nos dados coletados, foram catalogadas e descritas as peças decorativas e estruturais representativas do conceito de Ecodesign, produzidas a partir de materiais reaproveitados ou de origem sustentável, tais como madeiras de reflorestamento, fibras vegetais, cerâmicas artesanais e elementos naturais regionais. A análise documental subsequente envolveu a interpretação das soluções projetuais e simbólicas adotadas, relacionando-as com as dimensões da sustentabilidade (ambiental, econômica, social e cultural). Essa etapa permitiu compreender o papel do design ecológico não apenas como estética funcional, mas também como instrumento educativo e comunicativo da responsabilidade socioambiental do empreendimento.
Cada categoria foi analisada com base em indicadores qualitativos (descrição das práticas, resultados ambientais e sociais percebidos) e quantitativos disponíveis em relatórios internos, de modo a permitir triangulação de fontes (documental, observacional e verbal).
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise dos dados e sistematização dos resultados foi conduzida de forma descritiva e interpretativa, buscando identificar padrões, lacunas e contribuições relevantes dos manuscritos selecionados e da vivência práticas.
A aplicação dos princípios de ecodesign no Ecolazer Resort Flutuante resultou em benefícios ambientais e socioeconômicos expressivos, configurando-o como referência regional de turismo sustentável na Amazônia Ocidental.
3.1 Caracterização Geral do Empreendimento
O Ecolazer Resort Flutuante configura-se como um modelo inovador de turismo ecológico na Amazônia, estruturado a partir dos princípios do Ecodesign aplicados à arquitetura flutuante. Localizado às margens do rio Madeira, no município de Candeias do Jamari – RO, o empreendimento foi projetado para interagir harmoniosamente com o ecossistema local, reduzindo impactos ambientais e valorizando a estética e os materiais naturais amazônicos.
Sua infraestrutura modular e interligada compreende áreas de hospedagem, restaurante, loja de conveniência, piscina, salão de eventos e espaços recreativos, todos concebidos com materiais sustentáveis e design inspirado na paisagem ribeirinha. A modularidade permite adaptação ao regime de cheias e vazantes do rio, evitando a supressão de vegetação marginal e preservando a paisagem natural do entorno.
3.2 Elementos de Ecodesign Presentes no Ecolazer Resort Flutuante
A partir de observações in loco e análise documental, foram identificados diversos componentes arquitetônicos e decorativos fundamentados nos princípios do Ecodesign. Esses elementos foram classificados nas categorias a seguir:
a) Materiais e construção sustentável – a estrutura do empreendimento foi concebida com foco na sustentabilidade, priorizando o uso de madeira certificada de manejo florestal sustentável na construção arquitetônica do flutuante, garantindo a rastreabilidade da matéria-prima e a redução da pressão sobre áreas de vegetação nativa. Além disso, incorpora-se o reaproveitamento de troncos, galhos e resíduos naturais encontrados ao longo do rio e de suas margens para a produção de mobiliário, luminárias, utensílios de cozinha e peças decorativas, prática que diminui significativamente o desperdício e promove o uso circular dos recursos disponíveis no ambiente amazônico. As tintas e vernizes utilizados são à base d’água, livres de compostos orgânicos voláteis, reduzindo a emissão de poluentes atmosféricos e os riscos à saúde de trabalhadores e visitantes. Os móveis e elementos decorativos seguem a estética ecológica do empreendimento, incorporando madeiras de árvores caídas naturalmente, galhos secos, palha, cipós e fibras naturais amazônicas, mantendo a identidade cultural e ambiental da região. Além do valor estético, essas escolhas contribuem para a mitigação dos impactos ambientais, uma vez que conferem novo destino a materiais já descartados na natureza, reforçando o compromisso do Ecolazer Resort Flutuante com o ecodesign, a gestão responsável dos recursos naturais e a valorização da biodiversidade amazônica.
b) Gestão de Resíduos Sólidos – A gestão dos resíduos sólidos no Ecolazer Resort Flutuante é conduzida de acordo com os princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010), da NBR 10.004/2004 (Classificação dos Resíduos), da Resolução CONAMA nº 275/2001 e da RDC ANVISA nº 222/2018, assegurando o manejo ambientalmente adequado de todos os tipos de resíduos gerados nas atividades do empreendimento sendo:
Resíduos Recicláveis (Classe II B – Não Inertes)
Os resíduos recicláveis — papel, plástico, metal e vidro, são acondicionados em lixeiras seletivas padronizadas, conforme o código de cores definido pela Resolução CONAMA nº 275/2001. A segregação na fonte é realizada pelos colaboradores treinados no Programa Interno de Educação Ambiental, seguindo critérios de segurança e limpeza.
Os materiais recicláveis são armazenados temporariamente em local ventilado, coberto e identificado, e posteriormente comercializados com cooperativas licenciadas para destinação ambientalmente adequada. Como incentivo socioambiental, o valor arrecadado com a venda desses materiais é revertido na aquisição de cestas básicas, destinadas aos colaboradores responsáveis pela separação e manutenção do programa de reciclagem e educação ambiental reforçando o compromisso do empreendimento com a valorização humana, economia circular e sustentabilidade.
Resíduos Perigosos (Classe I)
Os resíduos perigosos, classificados conforme a NBR 10.004/2004, englobam pilhas, baterias, lâmpadas e equipamentos eletroeletrônicos. Esses materiais apresentam potencial risco à saúde humana e ao meio ambiente, em razão da presença de metais pesados e substâncias tóxicas.
Para garantir a destinação correta, o Ecolazer Resort Flutuante mantém parceria formalizada com o Instituto Descarte Correto, entidade licenciada para o recebimento, transporte e destinação final de resíduos perigosos, em conformidade com a RDC ANVISA nº 222/2018 e demais legislações correlatas.
Os resíduos são armazenados temporariamente em recipientes rígidos e identificados, localizados em área ventilada e protegida contra intempéries, com acesso restrito aos colaboradores responsáveis pela gestão ambiental.
Resíduos Orgânicos (Classe II A – Não Perigosos, Biodegradáveis)
Os resíduos orgânicos provenientes de restos alimentares e matéria biodegradável são segregados na fonte geradora e depositados no corpo hídrico adjacente (Rio Preto), onde servem de alimento para peixes e outros organismos aquáticos. Tal prática é monitorada e controlada, evitando o descarte de substâncias químicas, óleos ou materiais não biodegradáveis, de modo a preservar o equilíbrio ecológico e não comprometer a qualidade da água.
Logística Reversa
O óleo de cozinha utilizado nas atividades gastronômicas do empreendimento é classificado, segundo a legislação ambiental brasileira, como resíduo especial do grupo II – resíduo não perigoso, porém poluidor, devido ao seu elevado potencial de contaminação do solo e da água quando descartado de forma inadequada. Um único litro de óleo pode contaminar até 20 mil litros de água, além de causar obstrução de redes hidráulicas, proliferação de pragas e prejuízos aos sistemas de tratamento de esgoto. No Ecolazer Resort Flutuante, o óleo de cozinha usado é manejado de forma ambientalmente correta, seguindo diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos e princípios do ecodesign. Após o resfriamento, o óleo é armazenado em recipientes herméticos e devidamente identificados, evitando vazamentos e contaminações cruzadas. Esses resíduos são periodicamente encaminhados para cooperativas de reciclagem cadastradas, que realizam o processo de coleta, filtragem e destinação final, transformando-o em sabão artesanal, velas ecológicas e outros subprodutos sustentáveis.
Essa prática promove a logística reversa, reduz a carga poluidora do empreendimento e fortalece a economia circular, contribuindo diretamente para a geração de renda das cooperativas locais e ampliando o impacto socioambiental positivo da iniciativa. Além disso, a destinação adequada do óleo usado reforça o compromisso do Ecolazer Resort Flutuante com as boas práticas ambientais e com a educação ecológica, servindo como exemplo replicável para empreendimentos turísticos da região amazônica.
O conjunto dessas ações demonstra o compromisso do Ecolazer Resort Flutuante com os princípios da sustentabilidade, ecoeficiência e responsabilidade ambiental, alinhados à Agenda 2030 da ONU, especialmente aos ODS 6 (Água Potável e Saneamento), 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico) e 12 (Consumo e Produção Responsáveis).
Todas as práticas de gerenciamento de resíduos são registradas, monitoradas e periodicamente avaliadas, assegurando melhoria contínua dos processos e conformidade legal perante os órgãos ambientais competentes.
c) Integração socioambiental e educativa – o Ecolazer Resort Flutuante desenvolve o Programa “Aprendendo com a Natureza” que tem como objetivo promover ações contínuas de educação ambiental junto a alunos de escolas públicas e comunidades ribeirinhas. A ambientação decorativa, com painéis ilustrativos e arte produzida com materiais naturais, funciona como dispositivo pedagógico, reforçando mensagens sobre conservação da floresta e uso consciente dos recursos naturais.
3.3 Resultados ambientais e socioeconômicos
A análise consolidada dos indicadores ambientais e sociais permitiu identificar resultados positivos e mensuráveis, resumidos a seguir:
- Diminuição de 80 % no volume de resíduos destinados a aterro sanitário, devido às estratégias de incentivo e segregação na fonte.
- Geração de empregos diretos e indiretos, fortalecendo a economia local;
- Participação comunitária ativa, com envolvimento de artesãos e pequenos produtores regionais no fornecimento de insumos;
- Aumento de 30 % na taxa de ocupação turística desde a implementação das práticas sustentáveis.
Além dos ganhos ambientais e econômicos, os resultados demonstram forte impacto simbólico e educativo, ao integrar arte, natureza e sustentabilidade em um mesmo espaço. A ambientação decorativa inspirada na floresta e nas águas amazônicas estimula a consciência ecológica dos visitantes, reforçando o papel do Ecodesign como linguagem de sensibilização ambiental.
3.4 Desafios e perspectivas
Os desafios ainda são numerosos, sobretudo por se tratar de um empreendimento pioneiro e inovador, situado no coração da Amazônia, às margens do rio Preto, região de elevada sensibilidade ambiental e com dificuldades de acesso logístico. A implantação e a manutenção de um resort flutuante sustentável exigem planejamento técnico rigoroso, investimentos significativos e capacidade de adaptação às variações naturais do ambiente fluvial. Entre os principais desafios identificados, destacam-se:
- Alto custo para aquisição e manutenção de tecnologias sustentáveis e infraestrutura adaptada ao ambiente aquático.
- Dependência de políticas públicas de incentivo ambiental e de linhas de crédito verde, que ainda são escassas e burocraticamente complexas, dificultando a expansão de empreendimentos com foco em sustentabilidade na região Norte;
- Necessidade de mão de obra qualificada e de programas permanentes de capacitação técnica local, voltados à operação, manutenção e monitoramento dos projetos;
- Sazonalidade do fluxo turístico e influência do regime de cheias e vazantes do rio, que impactam diretamente a logística, a navegabilidade e o cronograma de manutenção das estruturas flutuantes.
Apesar dos entraves, os benefícios ambientais, sociais e institucionais alcançados compensam amplamente as dificuldades, consolidando o Ecolazer Resort Flutuante como referência amazônica em turismo sustentável e aplicação prática dos princípios do Ecodesign. O retorno positivo se expressa não apenas na redução dos impactos ambientais, mas também no fortalecimento da imagem institucional, na geração de empregos locais e na sensibilização ecológica dos visitantes e das comunidades ribeirinhas.
O Ecolazer Resort Flutuante confirma que a sustentabilidade é um investimento de longo prazo, cujo retorno transcende o aspecto econômico e se manifesta na construção de um legado ambiental e educacional duradouro para a região amazônica.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados obtidos neste estudo confirmam que o Ecodesign, quando aplicado de forma planejada, contextualizada e integrada à realidade amazônica, ultrapassa o papel meramente decorativo e assume função estratégica de gestão ambiental, inovação tecnológica e educação ambiental. No caso do Ecolazer Resort Flutuante, o design sustentável foi incorporado como linguagem visual e prática de gestão, promovendo harmonia entre funcionalidade, estética e preservação dos ecossistemas naturais.
A análise demonstrou que a adoção de soluções de arquitetura modular flutuante e programas de reaproveitamento de resíduos reduziu significativamente o impacto ambiental do empreendimento, consolidando-o como referência sustentável e responsável na Amazônia Ocidental.
Ao aliar conforto, inovação e consciência ambiental, o Ecolazer projeta-se como exemplo de empreendimento que transforma o conceito de lazer em experiência educativa e sustentável. Além dos resultados técnicos, o estudo evidencia que o Ecodesign possui dimensão social e cultural relevante, pois contribui para o fortalecimento das comunidades ribeirinhas por meio da geração de emprego, valorização da mão de obra local e inclusão produtiva sustentável. A participação da comunidade em atividades de educação ambiental e no fornecimento de insumos regionais cria um vínculo simbiótico entre turismo e território, fortalecendo a identidade amazônica e incentivando a economia circular como fonte de desenvolvimento econômico e instrumento de conservação ambiental, desde que pautado por princípios éticos e pela compreensão da interdependência entre natureza e sociedade.
O Ecolazer Resort Flutuante, ao integrar arte, ciência e natureza, oferece um legado de sustentabilidade e educação ambiental, estimulando a formação de uma cultura ecológica entre visitantes, colaboradores e comunidades afirmando que o empreendimento traduz, na prática, a essência do futuro sustentável amazônico um futuro em que a beleza do design se alia ao respeito pela vida, ao equilíbrio dos ecossistemas e à valorização do saber local.
O empreendimento se destaca como modelo replicável, adaptável a outros contextos amazônicos, desde que haja políticas públicas de incentivo verde, capacitação técnica e mecanismos financeiros que apoiem o investimento em tecnologias limpas reafirmando que o Ecodesign é mais do que uma ferramenta estética: trata-se de um eixo estruturante de inovação e transformação socioambiental, capaz de gerar impacto positivo e duradouro.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABNT NBR ISO 14044. Gestão ambiental – Avaliação do ciclo de vida – Requisitos e orientações. Brasil, 2009a.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR ISO 14044: Gestão Ambiental – Avaliação do ciclo de vida – Requisitos e Orientações. Brasil, 2009b. ABNT NBR ISO 14040. Gestão ambiental – Avaliação do ciclo de vida – Princípios e estrutura. Brasil, 2009.
BELLIA, Vitor. Introdução à economia do meio ambiente. In: Introdução à economia do meio ambiente. Brasília: Ibama, 1996.
BRUXEL, Eduardo; ETCHEPARE, Helio Dorneles; BRANDT, Elio Almiro. Viabilidade econômica de utilização do ecodesign na diminuição do impacto ambiental no beneficiamento de gemas. Anais do IV Congresso Nacional de Excelência em Gestão–CNEG, Niterói, RJ, 2008.
CANCELIER, Janete Webler; JACOSKI, Cláudio Alcides; CANCELIER, Adriano; A Busca da sustentabilidade, uma avaliação dos aspectos sociais e econômicos. I simpósio internacional de ciências integradas da UNAERP Campus Guarujá, 2004.
COSTA, Lucio Augusto Villela da; IGNáCIO, Rozane Pereira. Relações de consumox meio ambiente: em busca do desenvolvimento sustentável. Âmbito Jurídico, Rio Grande, XIV, n.95, dez 2011. Disponível em: <http://www.ambitojuridico.com.br/ site/?artigo_id=10794&n_link=revista_artigos_leitura>. Acesso em: fev. 2015.
DE MEDINA, Heloisa Vasconcellos; NAVEIRO, Ricardo M. Eco-Design: critérios ambientais no desenvolvimento de projetos automotivos. 2008. Disponível em: <http://www.cetem.gov.br>. Acesso em: 7 maio 2014.
DE MEDINA, Heloísa Vasconcellos. A análise de ciclo de vida aplicada à pesquisa e desenvolvimento de eco materiais no Brasil. 2005. Disponível em: <http://www. cetem.gov.br>. Acesso em: 30 maio 2014.
DE MEDINA, Heloisa Vasconcellos; GOMES, Dennys Enry Barreto. Reciclagem de automóveis: estratégias, práticas e perspectivas. CETEM, 2003.
FERNANDES, Francisco Rego Chaves et al. Tendências Tecnológicas Brasil 2015. Geociências e Tecnologia Mineral. 2007.
FERREIRA, Alexandre Rodrigues; DE MORAES JOÃO, Daniel; GODOY, Leoni Pentiado. A competitividade das organizações sob a ótica interativa de cadeias produtivas sustentáveis e ecodesign. Anais do IV Congresso Nacional de Excelência em Gestão–CNEG,Niterói, RJ, 2008. FIKSEL,Josef; FIKSEL,Josef,R. Design for environment: creating eco-efficient products and processes; Manuales de McGraw-Hill de ingenieria y ciencia. McGraw-Hill, 1996.
GOEDKOOP, M.; SPRIENSMA, R. The Eco-Indicator 99, A damage oriented method for Life Cycle Impact Assessment, 2ndedition, 2000.
JOHANSSON, Glenn. Success factors for integration of ecodesign in product develo-pment: a review ofstate of the art. Environmental Management and Health, v.3, n.1,2002. p.98-107.
LANGER, Eduardo. Aspectos do Ecodesign e do ciclo de vida do produto para o consumo consciente. 2011. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br>. Acesso em:1 jun. 2014. LOPES, Adriana Antunes, Estudo da gestão e do gerenciamento. 2003. Tese (Doutorado em Ciência Ambiental) – Universidade de São Paulo, 2003.
PLATCHECK, Elizabeth Regina. Metodologia de ecodesign para o desenvolvimentode produtos sustentáveis. Porto Alegre, 2003. Disponível em: <http://www.ndsm.ufr- gs.br>. Acesso em: 30 jun. 2014.
RIEGEL, Izabel Cristina; STAUDT, Daiana; DAROIT, Doriana. Identification of environmental aspects associated with the production of perfumery packaging: contribution to sustainable projects. Gestão & Produção, v.19, n.3, 2012. p.633-645.
ULBANERE, Rubens Carneiro; DE SOUZA, Cássio Daniel. A Busca da Sustentabilidade, uma Avaliação dos Aspectos Sociais e Econômicos. Simpósio Internacional de Ciências Integradas da UNAERP campus Guarujá. 2004. Disponível em: <http://www. unaerp.br>. Acesso em: 5 jun. 2014.
VENZKE, Cláudio Senna. Ecodesign – Projeto para o meio ambiente, Análise do Ciclo de Vida. Porto Alegre, 2000.
VILAÇA, Paula Carolina. Technology roadmapping (Trm) no contexto do ecodesign: um estudo de caso da madeira plástica. 2010.
1Bióloga, Especialista em Perícia, Auditoria e Gestão Ambiental, Direito Ambiental e Perícia Criminal e Ciências Forenses. Sócia-Administradora e Responsável Técnica do Ecolazer Resort Flutuante.
2Biólogo, Mestre em Ciências Ambientais do Instituto de Educação, Agricultura e Ambiente. Doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Professor Universitário do Centro Universitário São Lucas – AFYA.
3Biólogo, Especialista em Gestão Ambiental, Mestre em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente, Doutor em Biodiversidade e Biotecnologia e Pós-doutor em Ciência do Solo, Professor Universitário da Universidade Federal do Amazonas – UFAM.
