REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511212346
Bruna Rocha Alexandre¹
Ewelyn Jacinto de Souza¹
Larissa Passaia de Medeiros¹
Miriã Pires Mota¹
Natalia Bete Teixeira¹
Silvana Flora de Melo²
Lucas Ferreira de Moraes³
Jamila Fabiana Costa4
RESUMO
As infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) representam um desafio constante nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), especialmente nas cirúrgicas, devido ao uso frequente de dispositivos invasivos, como cateteres, sondas e ventiladores mecânicos, que aumentam a vulnerabilidade dos pacientes. A literatura evidencia que a equipe de enfermagem exerce papel essencial na prevenção dessas infecções, sendo responsável pelo manejo, manutenção e monitoramento dos dispositivos, além da aplicação de práticas baladas em evidências, como higienização das mãos, técnica asséptica e adesão a protocolos institucionais. Estudos recentes comprovam que a implementação de bundles de prevenção, a educação permanente e a vigilância microbiológica reduzem significativamente as taxas de infecção, reforçando a importância da capacitação continuada e do compromisso com a segurança do paciente. Observa-se que fatores como sobrecarga de trabalho, ausência de protocolos padronizados e falhas na adesão às medidas preventivas contribuem para o aumento das IRAS. Assim, o enfermeiro assume papel central nesse processo, atuando não apenas na execução técnica, mas também na liderança, supervisão e educação da equipe, promovendo uma assistência qualificada, segura e alinhada aos princípios de controle de infecção e qualidade do cuidado em saúde.
Descritores: Qualidade da Assistência à Saúde, Infecção Cruzada, Cateter, Enfermagem.
ABSTRACT
Healthcare-associated infections (HAIs) represent a constant challenge in Intensive Care Units (ICUs), especially in surgical settings, due to the frequent use of invasive devices such as catheters, urinary tubes, and mechanical ventilators, which increase patient vulnerability. The literature highlights that the nursing team plays an essential role in preventing these infections, being directly responsible for the management, maintenance, and monitoring of such devices, as well as for implementing evidence-based practices, including proper hand hygiene, aseptic techniques, and adherence to institutional protocols. Recent studies demonstrate that the implementation of prevention bundles, continuous education, and microbiological surveillance significantly reduce infection rates, emphasizing the importance of ongoing training and commitment to patient safety. It is observed that factors such as work overload, lack of standardized protocols, and poor adherence to preventive measures contribute to the increase in HAIs. Therefore, nurses assume a central role in this process, acting not only in technical execution but also in leadership, supervision, and team education, promoting qualified, safe, and infection-controlled healthcare aligned with quality and safety standards in critical care.
Descriptors: Quality of Healthcare, Cross Infection, Catheter, Nursing
1.INTRODUÇÃO
As infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) representam um desafio constante no ambiente hospitalar, especialmente nas unidades de terapia intensiva (UTIs) cirúrgicas, onde os pacientes estão expostos a diversos dispositivos invasivos, como cateteres venosos centrais (CVCs), sondas e drenos. Essas infecções podem ocorrer durante a internação ou após a alta, gerando complicações e aumento da mortalidade (PEREIRA et al.,2024).
Devido à complexidade dos procedimentos e a gravidade dos pacientes, a UTI cirúrgica apresenta alto risco para o desenvolvimento de IRAS, destacando-se as infecções de corrente sanguínea associadas a CVCs, considerando a segunda mais frequente nesse contexto (SILVA et al., 2021).
Segundo Kallel et al. (2020), a equipe de enfermagem exerce papel essencial na prevenção dessas infecções, por ser responsável direta pelo manuseio e manutenção dos dispositivos invasivos. A adoção de práticas baseadas em evidências, como a higienização das mãos, o uso de técnicas assépticas, a avaliação diária da necessidade do cateter e a capacitação contínua, é fundamental para reduzir as IRAS e garantir a segurança do paciente.
Ressaltando que microrganismos emergentes, como Mycolicibacterium iranicum também podem comprometer o cuidado (Ranson et al., 2023). Rodriguez-Calero e Blanco-Mavillard (2022) destacam a necessidade de avaliar criticamente o uso e a manutenção de cateteres, sendo também importante que o local de inserção influencia o risco de infecção, sobretudo quando não se utilizam barreiras estéreis e antissepsia adequada (COSME et al., 2024).
De forma complementar, Badparva et al. (2023) comprovaram que a implementação de bundles de prevenção em UTIs reduz significativamente as taxas de infecção de corrente sanguínea, evidenciando o impacto positivo de práticas simples quando aplicadas de forma sistemática. Diante disso, observa-se que a prevenção das IRAS associadas a CVCs depende da combinação entre conhecimento científico, técnica asséptica, protocolos institucionais e capacitação permanente da equipe de enfermagem.
O enfermeiro assume papel central nesse processo, sendo responsável pela indicação, manutenção e avaliação dos dispositivos (KALLEL et al.,2020). Além dos fatores técnicos, aspectos institucionais, como a proporção enfermeiro e paciente, a sobrecarga de trabalho e a ausência de protocolos que influenciam diretamente nas taxas de infecção (REDALYC, 2020).
2. OBJETIVO
Analisar a atuação da enfermagem na prevenção de infecções relacionadas a dispositivos invasivos em pacientes internados na UTI, destacando estratégias de cuidado, protocolos assistenciais e medidas de segurança que contribuem para a redução de riscos e complicações.
3. METODOLOGIA
A pesquisa foi apresentada em cinco etapas claras, a primeira etapa consistiu em escolher e estabelecer os limites para o tópico, que foi “o desempenho de enfermagem na prevenção de infecções de dispositivos invasivos em pacientes na UTI cirúrgica”. Em seguida, o trabalho foi desenvolvido de forma lógica, com metas definidas, plano de ação e cronograma (DANTAS et al., 2021).
Na terceira etapa, foram identificadas fontes em bases de dados eletrônicas como PubMed/Medline, Scopus, Lilacs, Scielo, BDEF e Google Acadêmico. Para a busca, utilizaram-se descritores específicos (DeCS) e seus correspondentes em inglês (MeSH), combinados com o operador booleano “AND”.
Os principais termos empregados foram: em português Enfermagem, Infecção Cruzada, Cateter, Infecção relacionada a dispositivos, Qualidade da Assistência à Saúde; e em inglês Nursing, Nursing research methodology, Quality of Healthcare, Cross Infection, Catheter.
Pesquisas recentes indicam que a atuação da enfermagem é fundamental para o controle de infecções associadas a dispositivos, como sondas e ventiladores mecânicos (SOUZA et al., 2022).
Os critérios de inclusão abrangeram artigos publicados entre janeiro de 2022 e dezembro de 2025, nos idiomas português, inglês ou espanhol, com texto completo e abordagem direta ao tema. Foram excluídos 5.427 artigos, sendo eles duplicados, resumos simples, livros, teses e dissertações. Essa definição metodológica seguiu o modelo proposto por Dantas et al. (2021), adaptado às recomendações para revisões integrativas em enfermagem (FERREIRA et al., 2023).
A triagem dos artigos ocorreu em duas etapas: inicialmente a leitura de títulos e resumos, seguida da leitura completa dos textos elegíveis. Dois revisores realizaram a seleção de forma independente, resolvendo divergências por consenso, conforme recomendações metodológicas para revisões integrativas (GOMES et al., 2020).Na quarta etapa, os dados foram compilados e analisados, utilizando um instrumento padronizado para extração das informações relevantes — autores, ano, objetivos, métodos e principais resultados. Estudos recentes apontam que estratégias de enfermagem centradas em bundles e medidas rigorosas de controle de infecção podem reduzir significativamente as infecções associadas a dispositivos em UTIs (SILVA et al., 2024).
Por fim, realizou-se uma análise temática dos dados, tendo como base 10 artigos centrais, integrando informações qualitativas e quantitativas e apresentando uma síntese organizada das evidências. Essa análise seguiu os princípios metodológicos descritos por Dantas et al. (2021), que enfatizam a sistematização do processo de revisão narrativa em enfermagem.
Por se tratar de um estudo baseado em literatura previamente publicada, não houve contato direto com seres humanos, sendo dispensada a submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, conforme a Resolução CNS nº 510/2016.
4 RESULTADOS
Para embasar este estudo, realizamos uma criteriosa busca em uma base de dados contendo aproximadamente 5.437 artigos relacionados ao tema de infecções associadas à assistência em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A partir dessa ampla amostra, selecionamos inicialmente 50 publicações que apresentavam maior relevância e aderência aos objetivos da pesquisa. Aplicamos critérios rigorosos de inclusão, privilegiando artigos originais publicados nos últimos cinco anos, com desenho metodológico randomizado, multicêntrico ou clínico-controlado, focados em pacientes adultos (≥18 anos) internados em UTIs. Após essa triagem, 10 artigos foram escolhidos para fundamentar a base teórica e metodológica do trabalho. A tabela a seguir sintetiza as principais características, objetivos, métodos e achados desses estudos, oferecendo uma visão integrada e sistematizada das evidências atuais sobre o tema.
Tabela 1. Resumo dos principais estudos selecionados para a fundamentação do trabalho, incluindo autores, ano, fonte, objetivos, tipo de estudo e principais achados relacionados às infecções associadas à assistência em Unidades de Terapia Intensiva.
| AUTOR/ANO | TÍTULO | BASE DE DADOS | OBJETIVO | TIPO DE ESTUDO | PRINCIPAIS RESULTADOS |
| Cosme, et al; 2024. | Infecção relacionada a cateter venoso central: o local de inserção ainda importa? Um estudo de coorte multicêntrico francês | PubMed | Nosso objetivo é avaliar a associação entre o local de inserção do cateter venoso central (CVC) e as complicações microbiológicas do CVC em uma coorte nacional. | Estudo multicêntrico | Os microrganismos observados em CRBSI foram estafilococos coagulase-negativos, enterobactérias , bacilos gram-negativos não fermentadores , Candida sp. e Staphylococcus aureus . |
| Locatelli, et al; 2024. | Cuidados de enfermagem ao paciente com pneumonia bacteriana associada à ventilação mecânica | PubMed | apresentar os cuidados de Enfermagem na prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica em pacientes internados em UTIs. | Artigo randomizado | a equipe de Enfermagem tem insigne participação na prevenção e cuidados à PAVM, contudo, são encontradas barreiras no cotidiano do profissional, impedindo-os de aplicar boas práticas a essa abordagem, como a falta de capacitação profissional |
| Pereira, et al; 2024. | Prevenção e controle de infecção relacionada ao manejo de cateter arterial periférico | Scielo | descrever as evidências científicas sobre as boas práticas para o manejo de cateter arterial periférico. | Artigo randomizado | Na inserção, as medidas envolveram higienização das mãos, preparo da pele, técnica no touch, técnica asséptica e barreira de proteção, componentes estéreis e transdutores, inserção do cateter arterial periférico, tentativas de inserção, uso do ultrassom e medidas de conforto. Na manutenção, questões sobre o sítio de inserção, circuito da pressão arterial invasiva, conectores, curativo e estabilização foram identificadas e, na retirada, aspectos como complicações locais e sistêmicas, após retirada do cateter arterial periférico. |
| Oliveira, et al; 2023. | Adesão às práticas de prevenção de infecção por cateter venoso central após uma intervenção simulada | Scielo | avaliar o efeito de uma intervenção educativa baseada em simulação clínica na adesão de profissionais de enfermagem às práticas de prevenção de infecções primárias da corrente sanguínea associadas ao cateter venoso central de inserção periférica em uma Unidade de Terapia. | Artigo original | Após a intervenção, houve aumento na adesão às práticas de prevenção de antissepsia cirúrgica e higiene profissional das mãos, antissepsia da pele com clorexidina, espera do tempo de efeito da clorexidina alcoólica e adesão à técnica estéril. |
| Ehlers; Merrill;2023. | Infecção por Staphylococcus saprophyticus | PubMed | Descrever as infecções causadas por Staphylococcus saprophyticus. Além de descrever a importância do atendimento das equipes multiprofissionais para que haja um bom cuidado ao paciente. | Livro | Os resultados evidenciam que as infecções de trato urinário são tratadas por uma equipe multiprofissional, no qual a Staphylococcus é um dos motivos. |
| Güner, et al;2022. | Papel da elevação da cabeceira da cama na prevenção da pneumonia associada à ventilação mecânica e pneumonia | PubMed | Investigar o impacto da posição semi reclinada a 30° e 45° no desenvolvimento de VAP . | Ensaio clínico randomizado | A frequência de PAV foi significativamente menor no ângulo de estudo de 45° em comparação com o braço de estudo < 30°. |
| Gomes, et al;2021. | Tendência de infecção da corrente sanguínea associada a cateter central em unidades de terapia intensiva adultas brasileiras: um estudo ecológico | PubMed | O objetivo deste estudo foi analisar a tendência de infecções da corrente sanguínea associadas a cateteres venosos centrais (CVCs) em pacientes internados em unidades de terapia intensiva, a taxa de infecção, a taxa de utilização de cateteres venosos centrais (CVCs), o tipo de patógeno e seu padrão de resistência antimicrobiana. | Ensaio clínico randomizado controlado | A incidência de infecções da corrente sanguínea associadas ao cateter central foi alta e estável no período. Os microrganismos mais frequentes foram Staphylococcus coagulase-negativo , Klebsiella pneumoniae , Acinetobacter spp. e Pseudomonas aeruginosa. |
| Kallel,et al; 2020. | Epidemiologia e prognóstico da infecção da corrente sanguínea adquirida na unidade de terapia intensiva. | Bvs | A infecção da corrente sanguínea adquirida na unidade de terapia intensiva é uma complicação importante em pacientes de UTI. As principais fontes são PAV, infecção associada a cateter, além de algumas infecções ainda desconhecidas. Os microrganismos isolados foram dominados por Enterobacteriaceae | Artigo randomizado | A mediana anual de infecções relacionadas a cateteres do sistema (ICS) na UTI foi de 29 casos. A mediana da idade dos pacientes avaliados foi de 49 anos, sendo que 67,3% eram do sexo masculino. Observou-se que 57,8% dos pacientes apresentavam uma ou mais comorbidades registradas. |
| Sinesio, et al; 2020. | Fatores de risco às infecções relacionadas à assistência em unidades de terapia intensiva | PubMed | Identificar os pacientes e os fatores de risco associados à ocorrência de infecções relacionadas à assistência à saúde em unidades de terapia intensiva. | Ensaio clínico randomizado | Dos 155 pacientes avaliados, 55 desenvolveram infecções relacionadas à assistência à saúde durante a internação na unidade de terapia intensiva. |
| Nascimento, et al; 2020. | Boas práticas na assistência à saúde: bundle para prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica | Bvs | Desenvolver um conjunto de medidas (bundle) para a prevenção da pneumonia associada à ventilação mecânica (PAVM) em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). | Artigo original | Foi elaborado um bundle para prevenção da PAVM contendo as principais medidas: higiene das mãos pelos profissionais, posicionamento do paciente com decúbito elevado entre 30º e 45º, ajuste adequado do nível de sedação, aspiração endotraqueal, higienização oral, troca do circuito ventilatório, monitoramento da pressão do cuff e prevenção da reintubação. |
5 DISCUSSÃO
As infecções por dispositivos invasivos é uma das principais causas de mortalidade hospitalar, em principal nas unidades de terapia intensiva, onde os pacientes são muito mais suscetíveis a complicações infecciosas, o que afirma Souza et al., (2021). Os dispositivos de Sonda vesical de demora (SVD), Ventilação mecânica, Cateter venoso Central (CVC), Cateter venoso periférico, por mais que sejam de extrema importância para auxílio no tratamento e até mesmo para monitorar o estado clínico do paciente facilitando fácil identificação de melhora e piora, porém podem facilitar o contato com diversos patógenos caso não sejam administrados de forma asséptica adequada . O que corrobora Lima et al., (2022) que estender o tempo de uso, não manusear os equipamentos de forma asséptica conforme a técnica, quando a instituição não possui protocolos padronizados, esses são pontos que afetam diretamente o aumento dessas infecções .
Alguns estudos mostram que a utilização de práticas que sejam baseadas em evidências seja o principal ponto para prevenção de infecções por meio de dispositivos invasivos. O estudo de Barakat et al. (2023) mostrou que implantar protocolos para controle de infecções, assepsia correta mediante a técnica, e revisão constante do CVC reduz consideravelmente casos de infecção de corrente sanguínea. Os resultados apresentados neste estudo se intensifica como a atuação da equipe de enfermagem e de muita importância pois foi feito o manejo de inserção, monitorização e manutenção e retirada desses dispositivos, para assegurar que esses manejos estejam sendo realizados de forma aséptica, seguindo normas e protocolos pré estabelecidos mediante a técnica de segurança do paciente.
Sobre as sondas vesicais de demora (SVD), a literatura nos mostra que o uso consciente com monitorização constante são cuidados básicos e necessários para impedirmos infecções do trato urinário devido a utilização do cateter. Se é enfatizado por Oliveira et al., (2022) que a colonização de microrganismos ocorre de forma acelerada após a inserção, principalmente se não se toma cuidado com assepsia correta, na higiene das mãos e quando se faz manuseio e manutenção do sistema coletor. Por isso, sempre se recomenda a avaliação diária para ver a necessidade do dispositivo, pois a remoção precoce deste dispositivo ajuda a reduzir significantemente os riscos de infecção.
Outra infecção que ocorre muito frequentemente em pacientes críticos é a pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV). O pesquisador Marques et al. (2024) mostra que com medidas simples, como elevar a cabeceira do leito, aspiração correta das vias aéreas e fazer a higienização bucal com antissépticos, todas essas ações são vitais para prevenir esses tipos de infecção. A composição dessas práticas são chamadas de Bundles de prevenção, que se mostrou extremamente eficaz quando aplicada de forma organizada e com frequente monitoramento da aderência ao protocolo.
Por isso, a realização dessas medidas sempre irá necessitar da qualificação e da comunicação dos profissionais. Evidência Locatelli et al., (2024) que a educação permanente, treinamento de atualização, junto com a auditoria de processos e reuniões de feedback da equipe, é de extrema importância para garantir a realização das boas práticas. Também é importante ressaltar que Gomes et al., (2021) deixa em evidência que sobrecarregar funcionários, indisponibilidade de materiais com defasagem de enfermeiros para quantidade de pacientes impactam diretamente na qualidade e eficiência da assistência e na frequência de casos de infecções hospitalares.
Outro aspecto que é de extrema importância é a vigilância microbiológica. É importante ressaltar que Lima et al., (2022) observou que a descoberta precoce de microrganismos resistentes conseguimos ajustar as intervenções terapêuticas para prevenir surtos de infecções hospitalares. Os dispositivos possuem uma microbiota que costumam criar uma espécie de biofilme, que atrapalha no tratamento com antimicrobianos e corre o risco de aumento de infecções reincidentes e resistentes. Nesse sentido, a enfermagem sempre teve papel essencial e estratégico, não somente para executar os cuidados diretos, mas também na observação para conseguir detectar sinais de forma precoce de infecção e na comunicação efetiva com a equipe multiprofissional.
Foi relatado e observado por Rocha et al. (2008) que dispositivos invasivos, que são comumente utilizados em pacientes em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) cirúrgica, têm um papel fundamental no suporte vital e na monitorização hemodinâmica. No entanto, a utilização desses equipamentos está relacionada a um aumento significativo no risco de infecções associadas aos cuidados de saúde (IRAS). Isso se deve à violação das barreiras naturais do corpo e à exposição a microrganismos encontrados em ambientes hospitalares. Complementa Kundakci et al. (2013), pacientes que passam por cirurgias de grande complexidade frequentemente enfrentam comprometimentos imunológicos causados por fatores como o trauma cirúrgico, a anestesia, a perda de sangue e a resposta inflamatória sistêmica. Além desses fatores, comorbidades como diabetes, insuficiência renal, idade avançada, desnutrição e imunossupressão aumentam essa situação, elevando ainda mais o risco de infecção .
De acordo com Loveday et al., 2021; O’Grady et al., 2022 aumento do risco está diretamente relacionado ao tempo que os dispositivos invasivos permanecem em uso. A falta de técnicas assépticas apropriadas durante as inserções, junto com a inadequação na manutenção e a ausência de protocolos estabelecidos, contribuem significativamente para o crescimento das infecções relacionadas à assistência à saúde. Estudos demonstram que a extensão do uso de cateteres venosos centrais, sondas urinárias e tubos orotraqueais resulta em uma maior taxa de infecções, especialmente quando há falhas na troca de curativos e na limpeza dos dispositivos. Ademais, a baixa adesão da equipe às práticas de controle de infecções, como a lavagem das mãos e o uso adequado de barreiras estéreis, amplifica a propagação de microorganismos em unidades de terapia intensiva.
Os autores Ferreira & Mendes, 2023; Zúñiga et al., 2021 complementa que por conta desses desafios, foram criados vários protocolos e orientações a nível internacional com o intuito de padronizar práticas e aprimorar a segurança dos pacientes. As recomendações do CDC, OMS e ANVISA destacam a importância da higienização das mãos como uma das estratégias essenciais na prevenção de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), assim como o uso de barreiras estéreis completas ao inserir cateteres e a realização da antissepsia da pele com clorexidina. No qual estes evidenciam a implementação de auditorias regulares, a promoção de treinamentos contínuos e a criação de uma cultura focada na segurança são estratégias que fortalecem o comprometimento das equipes com as melhores práticas.
Evidenciou Zhang et al., 2020; Klompas et al., 2023) na manutenção dos dispositivos, é fundamental realizar a troca regular dos curativos, a inspeção diária do local de inserção e a desinfecção cuidadosa dos conectores. Corrobora Oliveira et al., 2022; Zúñiga et al., 2021 que tecnologias auxiliares, como capas impregnadas com álcool, têm se mostrado eficazes na prevenção de infecções do sangue. Quanto às sondas vesicais de demora, a inserção deve acontecer unicamente quando houver uma indicação clínica precisa, garantindo um sistema fechado, fixação correta e remoção oportuna .
No que diz respeito à ventilação mecânica o autor Silva & Souza, 2020; Zhang et al., 2020 menciona, os pacotes de prevenção englobam a elevação da cabeceira, cuidados bucais com clorexidina, aspiração asséptica e a avaliação da viabilidade de extubação antecipada. Quando estas práticas são realizadas de maneira consistente, há uma diminuição substancial nas ocorrências de pneumonia associada à ventilação. Menciona Moraes & Almeida, 2023; ANVISA, 2021 que no Brasil, o Programa Nacional de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (PNPCIRAS/ANVISA) fornece diretrizes às instituições de saúde sobre a implementação de protocolos e metas em conformidade com as orientações internacionais, enfatizando a importância da enfermagem na supervisão e na educação contínua.
Dessa forma, a literatura indica que a diminuição das infecções relacionadas a dispositivos invasivos é influenciada por uma combinação de fatores interconectados: formação profissional, monitoramento constante, protocolos bem definidos e uma cultura de segurança robusta. O enfermeiro desempenha um papel crucial nesse cenário, atuando tanto na execução dos cuidados quanto na supervisão, educação e avaliação dos resultados da assistência. A união entre habilidade técnica, conhecimento e um forte compromisso com a segurança do paciente é o que verdadeiramente transforma práticas em resultados efetivos.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As evidências analisadas reforçam que a atuação da equipe de enfermagem é determinante na prevenção de infecções relacionadas a dispositivos invasivos em pacientes internados em unidades de terapia intensiva. A adoção de práticas baseadas em evidências, a padronização de protocolos assistenciais e a manutenção da técnica asséptica são elementos essenciais para a redução das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde(IRAS). Observou-se que medidas simples, como a higienização adequada das mãos, a troca regular de curativos e a avaliação diária da necessidade dos dispositivos, impactam diretamente na diminuição de complicações infecciosas e na promoção da segurança do paciente.
Além disso, a literatura demonstra que o investimento contínuo em educação permanente, auditoria de práticas e vigilância epidemiológica fortalece a cultura de segurança e contribui para a qualidade do cuidado prestado. Conclui-se, portanto, que o papel do enfermeiro vai além da execução de técnicas, ele abrange liderança, supervisão e capacitação da equipe, constituindo um eixo central na prevenção das IRAS e na garantia de uma assistência segura e de excelência ao paciente crítico.
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21. SOUZA, A. F. et al. Práticas seguras de enfermagem no controle de infecções em unidades cirúrgicas e de terapia intensiva. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 35, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ape. Acesso em: 10 set. 2025.
1Discentes da Universidqde Anhembi Morumbi
2Orientador e docente da Universidade Anhembi Morumbi
3Co-orientador e docente da universidade Anhembi Morumbi
4Coordenadora da saúde da universidade Anhembi Morumbi
