ASSOCIATION BETWEEN LATE-ONSET DEPRESSIVE EPISODES AND THE DEVELOPMENT OF DEMENTIA SYNDROME IN THE ELDERLY: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202601131701
Isabela Cavalcante de Souza Bernardes1
Tiago Américo da Silva Melo2
RESUMO
A depressão e a demência são complexas e multifatorial, que provocam um grande impacto no dia a dia das pessoas, afetando uma grande gama de aspectos em várias esferas, incluindo psicológica, biológica e social. Desta maneira, o presente estudo tem como objetivo abordar a relação entre episódios depressivos em idosos e o maior risco desses indivíduos desenvolverem uma síndrome demencial. A metodologia utilizada foi a revisão de literatura. A busca pelas publicações foi realizada entre os meses de setembro e outubro de 2025 nas bases de dados Scielo (Scientific Electronic Library Online; Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), PubMed e Google Acadêmico. Para realizar a busca, foram utilizados os descritores em ciências da saúde (DeCS): “depressão tardia”, “demência”, “idoso”. A presente revisão de literatura demonstrou que a depressão tardia é um marcador clínico importante para o desenvolvimento de demência, principalmente em pessoas idosas. Embora não exista um esclarecimento preciso a este respeito, existe um consenso entre diversos autores de que a presença de sintomas depressivos tardios não deve ser vista somente como uma manifestação isolada de sofrimento psíquico, mas também como uma possibilidade precoce de alterações neurobiológicas subjacentes.
Palavras-chave: Alterações neurobiológicas. Depressão. Demência. Idoso.
1 INTRODUÇÃO
O envelhecimento populacional brasileiro tem ocorrido de maneira acelerada. Para o ano de 2030 existe uma projeção de que a população com idade de 60 anos chegará a 42.122.847 pessoas, e para 2060 essa projeção chegará a 73.460.946 pessoas (Bock2024). Essa alteração na pirâmide etária é uma consequência das alterações entre natalidade e mortalidade, além do perfil de morbidade da população, dando ênfase a transição epidemiológica e demográfica (Santos et al., 2020).
À medida que o indivíduo vai envelhecendo, este enfrenta diversas alterações sociais, físicas e emocionais, como por exemplo, perda de entes queridos, solidão, redução da independência, problemas crônicos de saúde, que podem contribuir para o surgimento, e até mesmo, agravamento da depressão nessa fase da vida. Além do mais, tem-se presenciado o crescimento de casos de demência nessa população (Torres et al., 2024).
A depressão tardia associa-se ao comprometimento cognitivo, e ao risco de desenvolver diversos tipos de demência, como por exemplo Alzheimer e demência vascular. A idade de início do primeiro episódio depressivo possui alta ligação com a exposição à depressão e, portanto, pode representar uma distinção fenotípica útil. Supõe-se que a depressão de início precoce pode ser proveniente de predisposição genética e de eventos adversos da vida, já a depressão tardia está mais relacionada ao acúmulo de carga vascular e outros processos patológicos provenientes do envelhecimento, quando não existe histórico familiar (Ly et al., 2021).
Vários substratos fisiopatológicos podem explicar a comorbidade entre a depressão tardia e a demência. Inicialmente, níveis elevados de cortisol (síndrome de estresse), é verificada em cerca de 70% dos idosos deprimidos, como também na patologia da doença de Alzheimer (DA). O estresse pode provocar problemas neurais no hipocampo, além de comprometimento cognitivo. Outro ponto, é que a depressão e demência após o início de doenças vasculares, o perfil de fatores de risco cerebrovasculares nesses transtornos e o comprometimento dependendo da localização das lesões cerebrovasculares, justificam a hipótese vascular como fator comum para ambos transtornos (Linnemann; Lang, 2020).
Marawi et al., (2023) acrescentam que processos neuroinflamatórios desempenham um papel fundamental na etiologia da depressão e da demência. O crescimento da ativação da micróglia, as modificações na sinalização do fator de crescimento transformador beta 1 (TGFβ1), a produção de citocinas próinflamatórias, e a diminuição de moléculas anti-inflamatória, são exemplos de vias afetadas na depressão e na demência. Além do mais, o fator neurotrófico BDNF é altamente expresso no sistema nervoso central, em especial no hipocampo, onde desempenha um papel fundamental na proliferação, diferenciação e manutenção da integridade neural ao longo da vida. Ele tem sido associado tanto a propriedade antidepressivas, como para diminuição do comprometimento cognitivo e, por este motivo, pode estar aliado à doença de Alzheimer (demência). O acúmulo de amiloide é outro fator etiológico, uma vez que o beta amiloide 42 plasmático prediz, de maneira independente, tanto a depressão tardia quanto a DA. Níveis elevados de beta-amiloide 42 plasmático predizem o desenvolvimento de depressão tardia e possível conversão para DA.
Assim, este estudo tem como objetivo abordar a relação entre episódios depressivos em idosos e o maior risco desses indivíduos desenvolverem uma síndrome demencial.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Depressão Tardia: conceitos e características clínicas
A prevalência de depressão tardia varia significativamente em todo o mundo, sendo que a prevalência média esperada de depressão tardia é de 31,8%, com maior prevalência em países em desenvolvimento do que em países desenvolvidos. A idade e o sexo são os principais fatores de risco para a depressão tardia, sendo que a população de 70 a 80 anos de idade possuem maior probabilidade de depressão, enquanto a população com 80 anos a mais possui menor probabilidade. Os sintomas depressivos são mais verificados em pessoas do sexo feminino do que no sexo masculino, embora os homens tenham risco proporcionalmente maior de suicídio nessa faixa etária (Zhao et al., 2023).
No DSM-5, a depressão tardia não possui uma diferenciação. É um problema que pode se assemelhar com síndromes depressivas em adultos mais jovens, porém difere em características demográficas, prognóstico, fenomenologia, tratamento, risco de suicídio, relação com outros transtornos e etiologia. Geralmente, idosos com depressão tardia apresentam menos sintomas depressivos maiores, maior preocupação com sintomas somáticos ou psicóticos, menor alteração de humor e déficits cognitivos enganosos (Husain-Krautter; Ellison, 2021).
A diferença entre a depressão de início em pessoas mais jovens em comparação com a depressão tardia apresenta diferenças. O humor deprimido pode ser menos prevalente e marcante, porém, fadiga, queixas somáticas, perda de interesse (anedonia) e alterações cognitivas, como dificuldade de atenção e lentificação, são mais presentes. Além do mais, é comum o idoso apresentar alteração no sono, dores generalizadas, perda de peso, falta de apetite e queixas somáticas inespecíficas. Na depressão tardia, a presença de déficits cognitivos, mesmo que de maneira inicial, é mais comum, podendo dar a impressão de pseudodemência, ou até mesmo mascarar o quadro. Outro fator é a multimorbidade, como polifarmácia, presença de doenças crônicas e processo fisiológicos que interagem com os sintomas depressivos, o que pode complicar o quadro e interferir no diagnóstico e tratamento (Hausain-Krautter; Ellison, 2021; Manning et al., 2022).
Zhao et al., (2023) destacam que, geralmente, a depressão tardia possui um prognóstico heterogêneo, com maior risco de recorrência, maior carga de comorbidade médica, e recuperação funcional deficitária em comparação a depressão de início precoce. Outro fator é que, a depressão tardia frequentemente é subdiagnosticada, e isso acontece devido suas características atípicas, com menor ênfase no humor e mais sintomas somáticos e presença de alterações cognitivas.
2.2 Demência: aspectos neurobiológicos e clínicos
As demências têm se destacado como principais causas das perdas cognitivas (memória, comportamento, linguagem, personalidade, funções executivas e visuoespaciais), comprometimento funcional e da qualidade de vida da pessoa idosa, com prevalência das perdas cognitivas na população feminina, de baixa escolaridade, sedentários, baixa condição econômica, idade mais avançada e em situação de fragilidade. Outros fatores de risco ligados à demência, são: diabetes mellitus, hipertensão arterial, depressão e baixos níveis de vitamina D, sendo estes fatores modificáveis (Santos et al., 2020).
A demência, é definida pela Organização Mundial da Saúde como um termo que abrange diversas doenças, que em sua grande maioria são progressivas e afetam a memória, habilidades cognitivas e comportamentais que prejudicam a capacidade da pessoa em se manter ativo na vida diária. É uma significativa causa de dependência e incapacidade entre a população idosa de todo o mundo, impactando não somente pessoas, mas também a família, sociedade e comunidade. A demência é norteada por um heterogêneo grupo de distúrbios, sendo que os mais comuns são a demência vascular e a doença de Alzheimer (Gomide et al., 2022).
Em termos neuropatológicos, a DA se caracteriza especialmente pelo acúmulo extracelular de placas de beta-amilóide (Aβ) e acúmulo intraneuronal de tau hiperfosforilada, que provocam perda da sinapse e perda neuronal em redes hipocampais e corticais, que interagem com processos inflamatórios locais, disfunção mitocondrial e desequilíbrio de cálcio, dando origem a ciclos que aceleram a neurodegeneração. Supõe-se que a interação entre Aβ, tau e inflamação favorece a progressão da DA (Maschio; Ni, 2022).
Ademais, as contribuições vasculares para o comprometimento cognitivo representam um importante mecanismo patológico e, na maioria das vezes, coexistente com a DA. Infartos lacunares, lesões de pequenas artérias, alterações da substância branca e perfusão cerebral comprometida, contribuem com a disfunção cognitiva; portanto, fatores como diabetes, hipertensão arterial, hipercolesterolemia e tabagismo, são alvos para a prevenção. Destaca-se ainda, que fenótipos como vasculopatia e proteínas neurodegenerativas, são frequentes e influenciam na apresentação clínica e no prognóstico (Silva et al., 2022).
Biomarcadores de imagem para proteínas patológicas são vitais para o diagnóstico clínico, o estadiamento da doença e o monitoramento de potenciais abordagens terapêuticas para a DA. A ligação não específica de traçadores radiomarcados à substância branca ou a outras estruturas neurais é um fator de confusão na interpretação de imagens. Marcadores sanguíneos, como p-tau isoformas, NfL, GFAP, têm demonstrado uma boa relação com depósitos cerebrais e com risco de declínio cognitivo, facilitando a triagem e acompanhamento da doença (Maschio; Ni, 2022).
2.3 Relação entre depressão tardia e demência
A demência afeta vários domínios cognitivos e representa um declínio tão grave que compromete o funcionamento pessoal e social e, em muitos casos, manifesta sintomas comportamentais e psicológicos. A idade é o principal fator de risco para o desenvolvimento de demência, e a incidência praticamente dobra a cada 5 anos após os 65 anos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o surgimento de aproximadamente 30 milhões de novos casos a cada ano levará a uma estimativa de 152 milhões de casos de demência até o ano de 2050. O impacto será de tamanha importância que a OMS já reconhece a demência como uma prioridade de saúde pública (Fernández; Martin; Antón, 2024).
Livingston et al., (2020) destacam que existe um conjunto de fatores de risco potencialmente modificáveis para a demência, sendo estes: menor escolaridade, hipertensão, deficiência auditiva, tabagismo, obesidade, depressão, inatividade física, diabetes, baixo contato social, consumo excessivo de álcool, traumatismo cranioencefálico (TCE) e poluição do ar. Juntos, esses fatores são responsáveis por cerca de 40% dos casos de demência em todo o mundo, que, consequentemente, poderiam teoricamente ser prevenidos ou retardados.
Hayley; Hakim; Albert (2021) ressaltam que o transtorno depressivo maior (TDM) é um dos transtornos psiquiátricos mais comuns em todo o mundo, e a OMS classifica o TDM como a principal causa da carga global de doenças, com maior frequência em pessoas do sexo feminino. O TDM não apenas impacta os sistemas de neurotransmissores e hormonais, mas também pode afetar a estrutura física de múltiplas redes cerebrais. Há evidências de redução no volume do córtex cingulado anterior e na conectividade funcional do córtex pré-frontal medial em casos de depressão maior.
Após os 70 anos de idade, as perdas cognitivas e a ocorrência da depressão acontecem paralelamente. Uma das hipóteses para a ocorrência da depressão e da demência concomitantemente é que existe uma associação da depressão com a elevação dos níveis de cortisol, com possibilidade da hipercortisolemia provocar a morte de neurônios no hipocampo e a desregulação do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal, que evolui para atrofia hipocampal e declínio cognitivo (Araújo et al., 2023).
No mesmo sentido, Ramires et al., (2022) colocam que o agravamento da depressão e da idade em idosos, relaciona-se a redução do hipocampo, sendo que a liberação de glicocorticóides pela neurotoxicidade proveniente do estresse pode assumir papel atrófico da região cerebral. A ligação entre níveis de β-amilóide e depressão sugerem que sintomas depressivos também são sinais precoce para surgimento da doença de Alzheimer. Existe também, a inflamação e a presença de doença cerebrovascular, que pode conectar a depressão e a demência, uma vez que esses processos se relacionam tanto a sintomas depressivos quanto ao declínio cognitivo.
3 METODOLOGIA
A metodologia utilizada no presente estudo foi a revisão de literatura. Segundo Marconi; Lakatos (2020) a revisão de literatura pauta-se no levantamento, seleção e análise crítica de textos científicos publicados sobre determinado tema, permitindo a identificação de avanços, lacunas e perspectivas de investigação.
A busca pelas publicações foi realizada entre os meses de setembro e outubro de 2025 nas bases de dados Scielo (Scientific Electronic Library Online; Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), PubMed e Google Acadêmico. Para realizar a busca, foram utilizados os descritores em ciências da saúde (DeCS): “depressão tardia”, “demência”, “idoso”.
Para selecionar as publicações foram adotadas como critérios de inclusão: artigos publicados entre os anos de 2020 a 2025; gratuitos; disponíveis na íntegra; nos idiomas português e inglês; que tivessem como foco central a relação entre depressão e demência. Foram excluídas publicações duplicadas, que não tinham a depressão tardia e a demência como foco central.
Após a escolha do material que formou a base deste estudo, foi feita a leitura dos títulos e resumos, seguida de uma avaliação crítica e analítica do conteúdo selecionados, com o intuito de verificar a relação entre a depressão tardia e a ocorrência da demência em idosos.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
As publicações que fizeram parte deste estudo foram categorizadas conforme autoria, ano de publicação, objetivo do estudo e resultado alcançado, conforme demonstra a Tabela 1.
Tabela 1: Publicações selecionadas e categorizadas conforme autoria, ano de publicação, objetivo do estudo e resultado alcançado
| Autor(es) | Ano | Objetivo | Resultado |
| Hayley, S et al. | 2020 | Apresentar evidências de que, ao tratar as alterações inflamatórias, a depressão pode ser revertida em muitos casos. | Há evidências de que tratamentos anti-inflamatórios e antidepressivos podem reduzir ou prevenir a demência em pessoas com depressão. |
| Linnemann, C; Lang, UE | 2020 | Descrever caminhos que conectam a depressão na terceira idade e a demência. | A ligação não específica de traçadores radiomarcados à substância branca ou outras estruturas neurais é um fator de confusão na interpretação de imagens. Para melhorar as propriedades de ligação, como a afinidade de ligação, e eliminar a ligação não específica, a segunda geração de traçadores PET para tau foi desenvolvida. |
| Livingston, G et al. | 2020 | Abordar a prevenção, intervenção e cuidados na demência, com base no relatório de 2020 da Comissão Lancet. | Intervenções, incluindo a organização da complexa doença física e das necessidades sociais, para apoiar pessoas afetadas por demência podem ter um enorme impacto quando consideradas em seu conjunto. |
| Santos, CS et al. | 2020 | Analisar os fatores associados à demência em idosos atendidos em um ambulatório de memória da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul). | Estiveram independentemente associadas à demência: vitamina D, depressão, hipertensão arterial e indivíduos com idade igual e maior que 80 anos. |
| HusainKrautter; Ellison, J | 2021 | Descrever as características da depressão na terceira idade, apresentando uma abordagem para avaliação e manejo. | Instrumentos formais de triagem e avaliação biopsicossocial auxiliam no diagnóstico e tratamento. Evidências comprovam a eficácia de intervenções no estilo de vida, diversas psicoterapias, e uma variedade de abordagens de tratamento somático. |
| Ly M et al. | 2021 | Determinar se aqueles com depressão na terceira idade apresentaram declínio cognitivo mais rápido em comparação com participantes do grupo controle (GC) sem histórico de depressão (SND) da comunidade e se a estratificação da depressão na terceira idade em subtipos de depressão de início precoce (DIP) e depressão de início tardio (DIT) revelou taxas diferentes e expressão específica de domínio do declínio cognitivo. | Os indivíduos com demência de início tardio, em comparação com outros, apresentaram pior desempenho em todos os domínios na linha de base e declínio mais rápido nas habilidades verbais e na memória tardia |
| Gomide, MESMA et al. | 2022 | Analisar as características da Demência Vascular (DV) e Doença de Alzheimer (DA). | A doença de Alzheimer é a principal causa de demência, seguida pela demência vascular. |
| Maschio, C; Ni, R | 2022 | Fornece uma visão geral dos biomarcadores de imagem PET para Aβ e tau existentes e suas propriedades de ligação a partir de avaliações in silico, in vitro e in vivo. | Biomarcadores de imagem para proteínas patológicas são vitais para o diagnóstico clínico, o estadiamento da doença e o monitoramento das potenciais abordagens terapêuticas da doença de Alzheimer. |
| Manning, KJ et al. | 2022 | Investigar a mudança cognitiva confiável ao longo de 2 anos na depressão da terceira idade (DTI). | Idosos com depressão tardia apresentam risco de declínio cognitivo significativo em um período relativamente curto, particularmente no domínio das funções executivas e da velocidade de processamento. |
| Ramires, AAL et al. | 2022 | Fazer um levantamento bibliográfico a fim de investigar a associação de demência vascular e síndrome metabólica, descrevendo a sua prevalência, fatores de risco e os mecanismos envolvidos. | Os achados da literatura sugerem que a demência vascular e doença de Alzheimer podem ocorrer em conjunto ou separadas e há dificuldade em se fazer um diagnóstico da doença pura, frente que, em muitos casos, indivíduos idosos portadores de prejuízo cognitivo também estão sujeitos a doenças metabólicas. |
| Silva, NCBS et al. | 2022 | Discutir as principais prioridades para pesquisas futuras sobre campo das contribuições vasculares para o comprometimento cognitivo e demência | A pesquisa das contribuições vasculares para o comprometimento cognitivo e demência abrange tópicos que visam compreender, prevenir e tratar os efeitos prejudiciais da carga de doenças vasculares no cérebro humano. |
| Araújo, DO et al. | 2023 | Discutir a relação entre demência e depressão. | Ligação entre a patologia amiloide e os sintomas depressivos levanta a possibilidade de que os sintomas depressivos possam servir como um sinal antecipado de alerta para a presença de doença de Alzheimer em seu estágio pré-clínico. |
| Marawi, T et al. | 2023 | Compreender os mecanismos que ligam a depressão tardia e o comprometimento cognitivo leve, bem como as alterações cerebrais subjacentes ao comprometimento cognitivo na depressão tardia e na depressão tardia + comprometimento cognitivo leve. | Os estudos revisados sugerem que menor espessura ou volume nas regiões frontal e temporal e menor integridade da substância branca generalizada estão associados a comprometimento cognitivo na depressão tardia. |
| Zhao, Y et al. | 2023 | Abordar a depressão na terceira idade antes e durante a pandemia de Covid-19 | Muitos fatores patológicos, como o desequilíbrio de neurotransmissores, a diminuição de fatores neurotróficos, o aumento da produção de β-amiloide, a desregulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e alterações na microbiota intestinal, são supostamente associados ao início da depressão na terceira idade. |
| Fernández, RF et al. | 2024 | Revisar as evidências científicas que abordam a relação entre depressão e demência. | Embora a idade não tenha se mostrado uma variável moderadora clinicamente significativa na presente metaanálise, ela é um dos fatores mais estudados quando se avalia a relação entre depressão e demência. |
| Torres, DSD et al. | 2024 | Compreender as correlações e fatores associados à presença mútua de demência e depressão em idosos. | Existe forte correlação entre a presença concomitante de demência e depressão em idosos, embora ainda seja incerto qual a relação causal entre as duas condições. |
Fonte: Pesquisa realizada pela residente (2025)
No estudo de Ly et al., (2021) realizado com idosos com depressão e um grupo controle, os autores verificaram que episódios depressivos que aparecem ou que se mantêm na terceira idade, estão associados a um aumento do risco de desenvolver demência. Gomide et al., (2022) acrescentam que idosos com depressão possuem maior probabilidade de evoluir para declínio cognitivo e demência, incluindo Alzheimer e demência vascular.
Marawi et al., (2023) ressaltam que clinicamente, a depressão é um fator de risco para a demência, devido mecanismos que levam a neurodegeneração; a depressão faz parte precoce do processo neurodegenerativo, que podem esconder déficits cognitivos claros suficientes para o diagnóstico de demência; e, a predisposição a depressão e a demência podem ter como fatores de risco a vascularidade cerebral, vulnerabilidade genética como APOE ε4 e inflamação. Segundo os autores, essas hipóteses ajudam a explicar a relação entre depressão tardia e demência.
Para Zhao et al., (2023) existem alguns mecanismos biológicos que explicam a depressão como marcador precoce para demência. A disfunção do eixo hipotálamo-hipófise adrenal (HPA) com exposição severa a glicocorticoides e toxicidade neuronal; inflamação sistêmica e neuroinflamação; alterações vasculares; e interações com proteínas patológicas, como por exemplo acúmulo de beta-amiloide e tau. Maschio; Ni (2022) afirmam que estudos de biomarcadores e neuroimagem demonstra alterações funcionais e estruturais em circuitos frontais e límbicos em LLD, parecidos aos verificados em fases iniciais de demência, reforçando a hipótese de que, em vários casos, a depressão tardia pode influenciar alterações neuropatológicas emergentes.
Na revisão de evidências científicas, realizada por Fernandez et al., (2024), os autores verificaram que, do ponto de vista epidemiológico, estudos têm demonstrado que episódios depressivos tardios eleva o risco relativo de demência futura, e sugerem uma importante fração de novos casos de demência ligados a transtornos depressivo ao longo da vida. Segundo os autores, o tamanho exato do risco mostra variação entre metodologias e populações, sendo que alguns estudos têm sugerido que depressão na meia-idade tem demonstrado risco aumentado, implicando que início precoce de episódio depressivo versus tardio ligado a características como severidade, recorrência e comorbidades vasculares interferem fortemente no prognóstico.
Torres et al., (2024) esclarecem que, do ponto de vista clínico, para se considerar a depressão tardia como marcador potencial para demência deve se considerar pelo menos três pontos, sendo estes: desenvolver uma maior vigilância cognitiva em pacientes idosos com depressão, para tal existem a aplicação e testes cognitivos e seguimento longitudinal; avaliar e intervir os fatores modificáveis, como diabetes, hipertensão, sedentarismo, audição, isolamento social, dentre outros, uma vez que intervenções de estilo de vida e cardiovasculares podem contribuir com a redução do risco de declínio; por fim, realizar estudo complementar quando ocorrer sinais cognitivos, o que inclui realização de neuroimagem (quando indicada), investigação neuropsicológica mais detalhadas e, em contextos de centros especializados, biomarcadores, em líquor, PET, que servem para estratificar os riscos. Essas intervenções contribuem para detectar a demência de maneira precoce, além de oferecer janelas para intervenções que retardam a progressão.
Para Hayley et al., (2020) melhorar adesão a cuidados, reduzir sintomas depressivos e tratar comorbidades vascular e metabólicas são ações que podem reduzir os riscos e por este motivo é importante implementá-las rotineiramente. Ressalta-se que nem toda depressão tardia será marcador precoce de demência, uma vez que, em alguns pacientes, a depressão será reativa ou ligada a perdas psicossociais, enquanto em outros poderá ser uma manifestação precoce de um processo neurodegenerativo. Assim, Husain-Krautter; Ellison (2021) destacam a importância de protocolos clínicos que aliem avaliação psiquiátrica cognitiva e, quando possível, biomarcadores para estratificar os riscos e a implementação de protocolos de tratamento.
5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente revisão de literatura demonstrou que a depressão tardia é um marcador clínico importante para o desenvolvimento de demência, principalmente em pessoas idosas. Embora não exista um esclarecimento preciso a este respeito, existe um consenso entre diversos autores de que a presença de sintomas depressivos tardios não deve ser visto somente como uma manifestação isolada de sofrimento psíquico, mas também como uma possibilidade precoce de alterações neurobiológicas subjacentes.
Esse é um entendimento que aumenta a compreensão da depressão, reforçando a necessidade de diagnóstico e acompanhamento multiprofissional entre geriatra, psiquiatra e neurologista. Verificou-se que o diagnóstico precoce de depressão em idosos, aliado ao monitoramento cognitivo sistemático, pode facilitar a detecção do declínio cognitivo leve e assim favorecer intervenções precoces e eficazes. Quando a depressão tardia recebe uma abordagem insuficiente, isso pode acelerar processos neurodegenerativos através de mecanismos como estresse oxidativo, inflamação crônica e alterações vasculares cerebrais. Desta forma, o tratamento adequado , em conjunto com o controle de comorbidades e promoção de hábitos de vida mais saudáveis, pode facilitar a redução do risco ou atrasar o surgimento de demências.
Além do impacto clínico, o entendimento da depressão tardia como marcador precoce de demência possui importantes implicações para a construção de políticas públicas de saúde mental no processo do envelhecimento. Desta maneira, ressalta-se que a depressão tardia não dever ser encarada apenas como uma condição psíquica, mas também como uma possível manifestação inicial de um processo neurodegenerativo passível de evoluir para quadros demenciais.
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1Residente do Curso Psiquiatria da Universidade Federal do Tocantins-UFT Campus Palmas-TO e-mail: isabela.csbernardes@gmail.com
2Docente do Curso de Psiquiatria da Universidade Federal do Tocantins-UFT Campus Palmas-TO.. e-mail: drtiago.americo@gmail.com
