BREASTFEEDING: THE IMPORTANCE OF NURSING CARE
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511302244
Milena Camila Braz1
Guilherme Luís Nascimento Quintiliano2
Caroline Foster Medeiros3
Isabela do Nascimento Martins4
Laurirrane Guido Lopes5
Eline Andréia Monteiro6
Resumo
O aleitamento materno garante nutrição, proteção e vínculo, reduz doenças e fortalece mãe e filho. Recomendado pela OPAS/OMS, exige apoio do enfermeiro com orientações, estratégias educativas e suporte profissional, promovendo continuidade e bem-estar materno-neonatal. A amamentação favorece nutrição, vínculo e desenvolvimento saudável, prevenindo doenças físicas e emocionais. Reconhecida academicamente, fortalece imunidade, laços familiares e funções cognitivas, refletindo em qualidade de vida, desempenho e promoção da saúde, justificando sua relevância social. Analisar a importância da enfermagem na conscientização sobre aleitamento materno na atenção primária de saúde. O leite materno previne doenças e promove desenvolvimento saudável. A “Golden Hour” estimula a amamentação precoce. Enfrentando desafios, exige apoio da enfermagem, políticas públicas e educação em saúde, garantindo benefícios físicos, emocionais e sociais para mãe, bebê e sociedade. Apresentou-se o estudo como quantitativo, descritivo e transversal, realizado com 20 puérperas em unidades de saúde, aplicando questionários e palestras, analisando riscos, benefícios, dados demográficos e respeitando princípios éticos.
Palavras-chaves: Aleitamento materno. Assistência de enfermagem. Saúde materno-infantil. Educação em saúde. Apoio à amamentação.
ABSTRACT
Breastfeeding ensures nutrition, protection and bonding, reduces diseases and strengthens mother and child. Recommended by PAHO/WHO, it requires nurse support with guidance, educational strategies and professional support, promoting continuity and maternal-neonatal well-being. Breastfeeding favors nutrition, bonding and healthy development, preventing physical and emotional diseases. Academically recognized, it strengthens immunity, family ties and cognitive functions, reflecting on quality of life, performance and health promotion, justifying its social relevance. Analyze the importance of nursing in breastfeeding awareness in primary health care. Breast milk prevents diseases and promotes healthy development. “Golden Hour” stimulates early breastfeeding. Facing challenges, it requires support from nursing, public policies and health education, ensuring physical, emotional and social benefits for mother, baby and society. The study was presented as quantitative, descriptive and transversal, carried out with 20 puerperals in health units, applying questionnaires and lectures, analyzing risks, benefits, demographic data and respecting ethical principles.
Keywords: Breastfeeding. Nursing care. Maternal and child health. Health education. Breastfeeding support.
1. INTRODUÇÃO
O aleitamento materno favorece o desenvolvimento infantil, fortalece o vínculo mãe filho e oferece proteção, reduzindo riscos de depressão pós-parto, além de prevenir doenças cardiovasculares e metabólicas (Takemoto et al., 2023).
É fundamental para a amamentação na saúde materno-infantil, garantindo nutrientes essenciais ao desenvolvimento. A OPAS/OMS recomenda amamentação na primeira hora de vida, exclusiva até os 6 meses e complementar até os 2 anos (HAAS et al., 2021).
A enfermagem tem um papel essencial no ciclo puerperal, atuando na prevenção, promoção e assistência, orientando sobre aleitamento no pré-natal, incentivando a amamentação precoce e acompanhando no pós-parto para sua manutenção (Martins et al., 2024).
Tem como objetivo, analisar a importância da enfermagem na conscientização sobre aleitamento materno na atenção primária de saúde.
A amamentação é essencial no âmbito acadêmico, social e profissional, trazendo benefícios cognitivos, emocionais e físicos para a criança, fortalecendo vínculos familiares, prevenindo doenças e promovendo saúde coletiva, qualidade de vida e desenvolvimento.
O aleitamento materno, portanto, vai além da nutrição, ele é um pilar essencial para o desenvolvimento criança, refletindo também na saúde da mãe. Sua relevância é reconhecida como prática de impacto permanente na vida individual e na sociedade. Assim, compreender, apoiar e valorizar a amamentação é investir em saúde, qualidade de vida e no futuro, garantindo benefícios duradouros para toda a comunidade.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 A Importância do Aleitamento Materno para o Desenvolvimento do Bebê
A primeira hora de vida do recém-nascido é chamado de “Golden Hour”, conhecida como “hora dourada”, demanda que os profissionais de saúde se orientem de possíveis riscos a sobrevivência do bebê, dando um atendimento e cuidados adequados, com essas práticas ressalta-se o primeiro contato pele a pele entre mãe e filho, promovendo a regulação da temperatura corporal, dando maior estabilidade nas funções cardiorrespiratórias, tendo menor chance de queda glicêmica, o que facilita na diminuição do tempo de internação da criança (Monteiro et al., 2022). Já as mães, estimulam o fortalecimento do vínculo com o bebê e a amamentação por meio do reflexo de sucção e facilita no alívio da ansiedade causada no período gestacional (Monteiro et al., 2022).
Durante a gestação, o corpo da mulher passa por diversas mudanças, principalmente a mama por conta de uma grande quantidade de hormônios, assim, os alvéolos desempenham um papel muito importante na produção do colostro, ou seja, o primeiro leite produzido que acaba sendo essencial nesse processo (Leite, 2010). Com isso, ocorre uma redução nos níveis hormonais após o nascimento do bebê, o que estimula a prolactina para liberação do leite materno (Leite, 2010).
Compreende-se que a amamentação é mais que nutrir o bebê, é um desempenho que estimula o vínculo entre a mãe e o filho, oferecendo afeto, proteção e conexão para o recém-nascido (Mota, 2017). A nutrição do leite materno é essencial para os desenvolvimentos saudáveis dos lactentes e principalmente para a imunidade no primeiro ano de sua vida, período de grande importância para a saúde da criança (Mota, 2017).
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) aconselha que o leite materno seja de forma exclusiva até os seis meses de vida do bebê, após esse período, é recomendado a inclusão de outros alimentos na dieta da criança, dando continuidade a amamentação com a alimentação, conforme os desejos nutricionais e deixando fortalecer o organismo da criança (Almeida; Sousa, 2018).
É evidente a percepção da importância do aleitamento materno tanto para o lactente quanto para a mãe, proporcionando benefícios para ambos (Silva et al., 2020). O leite materno é rico em nutrientes e traz diversas vantagens, incluindo o fortalecimento do sistema imunológico do lactente, principalmente nos primeiros dias de vida, quando o bebê está mais suscetível a infecções, assim o leite materno se torna um aliado importante na defesa da saúde do recém-nascido (Silva et al., 2020).
2.2 Os Benefícios do Aleitamento Materno
Conforme os benefícios da amamentação, atuante na nutrição, psicossocial e imunológico do recém-nascido, trata-se de uma assistência maior de toda equipe da saúde, principalmente o enfermeiro, que deve integrar a essas funções no seu trabalho, colocando em prática a promoção, orientação e o apoio a amamentação (Antunes et al., 2008).
Com a redução do desmame, estão trazendo muitos efeitos positivos para realidade de hoje, ao perceber os bons resultados dos incentivos à amamentação, os profissionais de saúde tornam-se motivados a aprimorar seus conhecimentos, aperfeiçoando as práticas, as novas estratégias para favorecer ainda mais o aleitamento materno (Pereira, 2010).
Os benefícios vinculados ao aleitamento materno são abrangentes e profundamente significativos, tanto para a mãe quanto para o bebê pois, entre os principais aspectos corporais mais relevantes, destacam-se diversas mudanças que afetam diretamente o corpo, como por exemplo a aceleração do processo de involução uterina, a redução das chances de uma nova gestação a curto prazo, a reconstituição corporal da mulher no pós-parto, além de prevenção de câncer de mama e colo uterino, doenças crônicas e diabetes tipo II e para o recém-nascido, também tem seus benefícios, assim como o leite materno que oferece todos os nutrientes essenciais para um crescimento saudável, hidratação ideal, entre várias outras proteção imunológicas (Lustosa, 2020)
Dessa maneira, torna-se possível compreender que o leite materno é benéfico ao nutriente mais adequado e seguro para a criança, proporcionando impactos notáveis na diminuição da mortalidade infantil e gerando uma praticidade para mãe, como a ausência da necessidade de se levantar durante a madrugada para aquecer mamadeiras, ou até mesmo de constituir uma vantagem econômica, especialmente para famílias de baixa renda, sendo que o aleitamento não influencia em custos financeiros (Carvalho; Passos, 2021).
2.3 As Dificuldades Encontradas para Amamentar
No século XXI, um dos principais desafios para manter a amamentação é o retorno ao trabalho, intensificado pela dor do mamilo, as fissuras, dores nas mamas, ou até mesmo de um parto traumático que se manifesta como os principais obstáculos enfrentados pelas lactantes (Urbanetto et al., 2018).
No Brasil, a duração do Aleitamento Materno Exclusivo (AME) até os seis meses está associada à participação da mulher no mercado de trabalho, sendo que a licença maternidade assegura apenas quatro meses após o nascimento, com o fim desse período, o aleitamento materno pode ser seguido, principalmente quando se um apoio familiar ou quando o ambiente profissional, auxiliando nas condições para a amamentação (Rodrigues et al., 2022). Vale ressaltar que o enfrentamento e não comprometimento dos direitos legais das mulheres por conta de situações desagradáveis como no ambiente profissional e o mesmo no educacional, por várias vezes não oferecerem suportes adequados para o esvaziamento do leite materno ou para o alívio das mamas, não só isso, mas também as lactantes enfrentam dificuldades como o cansaço físico, locomoções de trabalho, ausência de creches acessíveis e pouco auxílio familiar nas rotinas de casa (Rodrigues et al., 2022).
Sendo assim, é essencial que a grávida tenha o desejo de amamentar e tenha também a orientação e o apoio, é importante o acompanhamento dos pais e até mesmo dos avós, para que tenham conhecimentos em ajudarem e apoiarem uma amamentação mais satisfatória (Ubanetto et al., 2018).
2.4 Fatores de Proteção e o Aleitamento Materno
O leite materno é muito nutritivo e tem condições de suprir às necessidades alimentares do bebê nos primeiros seis meses de vida até o primeiro ano, ainda oferece cerca de 75% das proteínas que o lactente precisa, e após esse período segue sendo uma das fontes de proteínas na alimentação na vida infantil, por ser repleto em vitaminas, minerais, gorduras e açúcares (Margotti; Margotti, 2017).
Segundo a Organização Mundial da Saúde (2015), o aleitamento materno pode prevenir muitas mortes de crianças abaixo dos cinco anos por fatores que podem ser evitados no mundo inteiro, por isso que a amamentação tem uma consequência muito significativa para diminuição da mortalidade infantil nessa faixa etária. Mesmo a prática do aleitamento materno ter elevado no Brasil nos últimos anos, apenas um terço das mães que preservam a prática do aleitamento exclusivo até os seis meses de vida do bebê.
Conforme anteriormente exposto, com a perspectiva materna, representa como uma experiência única e enriquecedora, por ser associada a fatores protetores, essa experiência pode 12 favorecer e despertar um sentimento benéficos, como superação e satisfação, levando em conta toda dificuldade efetiva enfrentada pelas puérperas e por toda rede de apoio (Prokopenko, Sala; Pazin 2020).
2.5 A Importância da Enfermagem no Aleitamento Materno
O aleitamento materno exclusivo (AME) constitui uma questão de grande importância na saúde pública em escala mundial, ou seja, o profissional de enfermagem exerce um papel essencial na educação e promoção de saúde, sobretudo no âmbito da atenção primária, com a responsabilidade de orientar e acompanhar gestantes de forma contínua durante o pré-natal, dando sequência no período do puerpério e até mesmo nos primeiros seis meses de vida do lactente (Lima, 2020).
A assistência que passa a ser prestada pela equipe de enfermagem mostra-se fundamental no enfrentamento dos obstáculos vivenciados pelas lactantes e suas famílias, além disso, os enfermeiros por ser o profissional mais próximo das puérperas, exercem um papel essencial nas promoções de educação em saúde, que cabe a esses profissionais fortalecer, 13 incentivar e ajudar na prática do aleitamento materno, levando em consideração o contexto sociocultural e familiar de cada mulher, desenvolvendo um cuidado mais humanizado e eficaz (Palheta; Aguiar, 2021).
A atuação dos enfermeiros se refere no contexto de política Nacional de Aleitamento Materno, tem como responsabilidade prevenir, identificar, orientar e solucionar as dificuldades vistas entre as mães e os filhos, observando-se constantemente ao processo de amamentação e aos obstáculos que dificultam sua efetivação bem sucedida, tornando-se os profissionais mais qualificados e sensíveis às necessidades maternas durante todo o período de internação hospitalar e o pós parto, a fim de evitar um desmame precoce (Barroso; Alves, 2020). Diante dessa perspectiva, verifica-se que os enfermeiros exercem um papel fundamental voltada ao aleitamento materno, agindo de forma ágil na orientação das puérperas e suas redes de apoio, reforçando a relevância da amamentação e reforçando para lactante e o recém-nascido a importância da recomendação da lactação até os seis meses de vida, buscando esclarecer dúvidas e dificuldades enfrentadas pelas mulheres durante todo o período (Martins et al., 2024).
2.6 Educação em Saúde no Contexto do Aleitamento Materno
A educação em saúde, define-se como uma das intervenções mais sugestivas no fortalecimento de práticas e condutas, nos costumes das comunidades, pois nesse ponto de vista, os profissionais ajudam no reconhecimento necessário para o fortalecimento o empoderamento dos pacientes em relação ao seu próprio ciclo saúde-doença, considerando fatores que identificam a aleitação como associado mais relevante (Sousa et al.,2023).
Dessa forma, a promoção da saúde e a educação em saúde estabelecem condutas indispensáveis durante o período gestacional, sendo fundamentais para a preparação da mulher para o parto, o puérpero e a amamentação, proporcionando momentos de esclarecimento de dúvidas, segurança e compreensão em toda etapa (Neto, 2019).
Contanto que as ações de educação em saúde devem ser efetuadas com maior frequência no campo, comprovando que as gestantes certificam a importância dos benefícios do aleitamento, tendo um entendimento que despertam o interesse sobre esse método e causando um impacto positivo nas orientações recebidas (Neto, 2019).
2.7 Políticas Públicas que Incentivo ao Aleitamento Materno
Atualmente, os desafios enfrentados pelas políticas públicas de aleitamento materno do Brasil, estão interiormente relacionados a equidade de gênero no trabalho, extensão das leis de licença maternidade e paternidade, desigualdade econômica e sociais, além disso, observam as barreiras que dificultam essas políticas em diferentes circunstâncias sociais e regionais (Paiva et al., 2024).
No Brasil, há diversos tipos de políticas públicas de incentivo à amamentação, que ocorrem especialmente nos primeiros meses de vida do recém-nascido, considerando a frequência com que ocorre o desmame precoce, trazendo problemas imunológicos para as crianças (Nascimento et al., 2022). Outra política pública relacionada ao aleitamento materno é ligada a lei da amamentação, Neves 2020 fala que a limitação a comercialização de substituto de leite materno, promovendo a licença maternidade de 4 a 6 meses com melhora nos processos sistemáticos de banco de leite, essas políticas mencionadas são algumas entre as iniciativas que contribuíram consideravelmente para o reconhecimento do Brasil (Nascimento et al., 2022).
Portanto, constataram que a política pública se aponta essenciais para estabilizar as estratégias de promoção, educação e incentivo, estabelecendo conjuntos de diretrizes a práticas de enfermagem, com evolução qualificada e atendimento fornecido ao aumento de índices a amamentação ao longo dos anos (Rodrigues et al., 2023).
3. METODOLOGIA
A pesquisa foi submetida à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), em consonância com os princípios que norteiam as boas práticas em pesquisa envolvendo seres humanos. O estudo foi desenvolvido de acordo com os preceitos éticos estabelecidos pela Lei nº 14.874, de 28 de maio de 2024, que institui o Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, assegurando a proteção dos participantes e a transparência nos processos científicos. Além disso, foram observadas as Resoluções do Conselho Nacional de Saúde (CNS) nº 466/2012 e nº 510/2016, que regulamentam, respectivamente, as pesquisas na área da saúde e aquelas vinculadas às ciências humanas e sociais. Após avaliação, o projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário UninCor, sob o parecer nº 7.835.717 e CAAE nº 91614525.5.0000.0295. Essa aprovação garantiu que o estudo fosse conduzido de acordo com os princípios éticos fundamentais da autonomia, beneficência, não maleficência e justiça, assegurando o respeito à dignidade e aos direitos dos participantes. Os participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido – TCLE.
4. RESULTADOS
A amostra foi composta por 18 puérperas atendidas na estratégia de saúde da família. Na tabela 1 apresenta a caracterização do perfil sociodemográfico e obstétrica das participantes do estudo.
Tabela 1: Caracterização sociodemográfico e obstétrica das participantes, N.18, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2025.

A maioria das participantes (72,2%) iniciou a amamentação ainda na maternidade, enquanto 27,8% não o fizeram. Em relação ao tempo decorrido após o parto para iniciar a amamentação, 38,9% amamentaram na primeira hora, 50,0% dentro das primeiras 24 horas e 11,1% após esse período, evidenciando boa adesão ao aleitamento precoce.
Quanto à orientação recebida do(a) enfermeiro(a) na maternidade, 72,2% relataram ter sido orientadas, e 27,8% não receberam nenhuma instrução, o que demonstra uma presença considerável, porém não universal, da educação em saúde no momento do parto. Em relação ao uso de outro tipo de leite para o bebê, 61,1% afirmaram utilizar fórmulas ou complementos, enquanto 38,9% mantiveram exclusivamente o leite materno.
No que se refere às dificuldades enfrentadas, 33,3% relataram algum tipo de dificuldade para amamentar, e 66,7% não tiveram problemas. Já a presença de rede de apoio domiciliar foi mencionada por 61,1% das mães, sendo um fator relevante para a manutenção da amamentação. Sobre o acompanhamento pós-alta, 61,1% não receberam acompanhamento, contrastando com 38,9% que referiram algum tipo de seguimento, o que aponta para uma lacuna na continuidade do cuidado.
Os pontos de maior dificuldade referidos na amamentação foram dor nos seios ou fissuras (16,7%), pega incorreta do bebê (16,7%) e outros motivos (12,1%), totalizando 45,5% das respostas distribuídas entre essas categorias, o que reforça a importância da atuação do enfermeiro na orientação técnica e emocional das nutrizes.
Quase a totalidade das participantes (94,4%) considerou importante a amamentação exclusiva até os seis meses, conforme recomendação do Ministério da Saúde e da OMS, indicando um elevado grau de consciência sobre os benefícios do aleitamento materno. Apenas uma participante (5,6%) demonstrou não atribuir essa importância.
A tabela 2 apresenta a experiência e percepção sobre a amamentação segundo as participantes.
Tabela 2: Experiências e percepções sobre a amamentação segundo as participantes, N.18, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2025.

Entre as 18 participantes do estudo, observou-se que a maioria (72,2%) iniciou a amamentação ainda na maternidade, indicando adesão satisfatória às recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde sobre o início precoce da amamentação. Apenas 27,8% não iniciaram o aleitamento durante a internação hospitalar.
Quanto ao tempo de início, 38,9% iniciaram a amamentação na primeira hora de vida do recém nascido, 50,0% nas primeiras 24 horas e 11,1% após esse período, reforçando a importância do contato pele a pele imediato.
No que se refere à orientação recebida de enfermeiros(as) na maternidade, 72,2% das mães afirmaram ter recebido instruções sobre aleitamento, enquanto 27,8% não foram orientadas. Esse achado evidencia atuação relevante do profissional de enfermagem, ainda que haja necessidade de ampliação desse suporte educativo a todas as puérperas.
A utilização de outro tipo de leite foi relatada por 61,1% das participantes, enquanto 38,9% mantiveram exclusivamente o leite materno. Tal dado demonstra que, embora o conhecimento sobre a importância da amamentação seja alto, ainda há uma parcela considerável que recorre à alimentação mista, possivelmente por insegurança, intercorrências mamárias ou influência cultural.
Cerca de um terço das mães (33,3%) relatou ter enfrentado algum tipo de dificuldade durante a amamentação, sendo as mais mencionadas a dor nos seios e fissuras (16,7%), a pega incorreta do bebê (16,7%) e outros motivos (12,1%). Esses resultados reforçam a importância da orientação técnica individualizada e do acompanhamento contínuo.
A presença de rede de apoio no domicílio foi relatada por 61,1% das mães, o que favorece a manutenção da amamentação e o enfrentamento de dificuldades. No entanto, 38,9% não dispunham desse suporte, o que pode contribuir para o desmame precoce. Além disso, 61,1% afirmaram não ter recebido acompanhamento pós-alta, demonstrando falhas na continuidade do cuidado e na assistência puerperal.
Quanto à percepção sobre a importância da amamentação exclusiva até os seis meses, 94,4% das participantes reconheceram sua relevância, e apenas uma mãe (5,6%) declarou não considerar essencial. Nenhuma participante recusou responder ao questionário, o que garante a completude dos dados
5. DISCUSSÃO
Os resultados apontam que, embora a maioria das mulheres tenha iniciado a amamentação precocemente e reconheça sua importância, persistem desafios relacionados à continuidade do aleitamento, especialmente pela falta de acompanhamento pós-alta e pela ocorrência de dificuldades técnicas, como fissuras mamilares e pega incorreta. O papel do enfermeiro se destaca como essencial tanto na maternidade quanto no domicílio, reforçando a necessidade de estratégias educativas e de apoio contínuo às lactantes.
O estudo evidenciou que 60% das mulheres iniciaram a amamentação no mesmo dia do parto, enquanto apenas 20% o fizeram na primeira hora, percentual consideravelmente abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (Costa; Barros, 2025). Este dado é preocupante, considerando que a amamentação na primeira hora é reconhecida como fator protetor para o sucesso do aleitamento materno exclusivo. Oliveira et al., (2021) identificaram que intervenções no período pós-parto imediato, como o contato pele a pele, aumentam em 3,5 vezes a probabilidade de amamentação na primeira hora.
Apesar de 60% das participantes terem recebido orientação de enfermeiros na maternidade, observa-se uma desconexão entre a orientação recebida e a prática efetiva da amamentação precoce. Este fenômeno pode ser explicado por fatores institucionais e assistenciais, por conta de rotinas hospitalares inadequadas e a sobrecarga de trabalho das equipes de enfermagem frequentemente comprometem a implementação das melhores práticas de aleitamento (Alves; Barbosa; Alves, 2022).
5.2 Uso de Substituições do Leite Materno e Rede de Apoio
O elevado percentual (80%) de utilização de outro tipo de leite além do materno representa um importante alerta, indicando possíveis dificuldades na manutenção do aleitamento exclusivo. Estes resultados foram encontrados por pesquisadores que associaram o uso de fórmulas infantis com à falta de suporte profissional adequado e a mitos culturais sobre a insuficiência lactacional (Santos; Lopes., 2024).
Simultaneamente, a divisão igualitária (50%) entre mulheres que possuem e não possuem rede de apoio para amamentar em casa sugere a necessidade de estratégias que fortaleçam o suporte social no período pós-alta. Conforme demonstrado na tabela, a existência de uma rede de apoio eficaz aumenta em 60% a probabilidade de sucesso na amamentação exclusiva até o sexto mês (Maciel; Melo, 2024).
5.3 Dificuldades e Perspectivas Futuras
Embora 80% das participantes tenham relatado não enfrentar dificuldades para amamentar, a análise dos pontos de maior dificuldade aponta que 50% das mulheres identificaram “outros” fatores como principais obstáculos, seguido por problemas com a pega correta (30%) e dor nos seios/fissuras (20%). Esta distribuição ressalta as várias das dificuldades lactacionais, exigindo abordagens individualizadas e multiprofissionais (Vasconcelos et al., 2023).
É promissor constatar que 90% das mulheres reconhecem a importância da amamentação exclusiva até os seis meses, demonstrando adequada conscientização sobre as recomendações vigentes. No entanto, a baixa adesão ao acompanhamento pós-alta (apenas 20%) revela uma significativa lacuna entre o conhecimento teórico e a busca por suporte profissional continuado, conforme em estudo com população similar (Vasconcelos et al., 2023).
Os resultados demonstram uma tendência positiva em relação ao início precoce da amamentação e ao reconhecimento de sua importância, porém persistem desafios no suporte técnico e no acompanhamento pós-alta. A atuação do enfermeiro é fundamental tanto na maternidade quanto na atenção primária, pois o apoio profissional e familiar influencia diretamente a adesão ao aleitamento materno exclusivo. As principais dificuldades relatadas, dor, fissuras e pega inadequada, evidenciam a necessidade de estratégias educativas contínuas e de políticas de incentivo que assegurem às lactantes suporte adequado no período puerperal.
Limitações do estudo
Entre as limitações deste estudo, destaca-se o número reduzido de participantes e a delimitação geográfica a um único município do sul de Minas Gerais, o que restringe a generalização dos resultados para outras realidades socioculturais. Além disso, o delineamento descritivo não permite estabelecer relações causais entre as variáveis analisadas, limitando a amplitude interpretativa dos achados. Recomenda-se que futuras pesquisas sejam realizadas com amostras ampliadas, incluindo diferentes contextos regionais e abordagens metodológicas mistas, a fim de aprofundar a compreensão dos fatores que influenciam o sucesso do aleitamento materno.
Contribuições para a saúde e para a enfermagem
Este estudo contribui para a área da saúde ao reforçar a importância do aleitamento materno como prática essencial para a redução da morbimortalidade infantil e para a promoção da saúde integral da mulher e da criança. Destaca-se a necessidade de políticas públicas que ampliem o acompanhamento pós-parto e assegurem suporte técnico e emocional às nutrizes.
Para a enfermagem, os achados evidenciam o protagonismo do enfermeiro na promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, reafirmando sua atuação educativa e assistencial como componente essencial do cuidado humanizado. O estudo também aponta a relevância da educação permanente das equipes de enfermagem, visando qualificar as intervenções no pré-natal, parto e puerpério, de modo a fortalecer a autonomia materna, prevenir desmame precoce e consolidar práticas seguras de cuidado à saúde materno-infantil.
6. CONCLUSÃO
Os resultados deste estudo evidenciam que, embora a maioria das participantes tenha iniciado a amamentação ainda na maternidade e reconheça sua importância, persistem lacunas relacionadas à orientação profissional e ao acompanhamento pós-alta. A ocorrência de dificuldades técnicas, como fissuras mamilares e pega incorreta, demonstra a necessidade de intervenções educativas contínuas e personalizadas, conduzidas por profissionais de enfermagem capacitados.
Assim, reforça-se que o aleitamento materno deve ser compreendido não apenas como um ato biológico, mas como um processo complexo que envolve aspectos emocionais, sociais e culturais, exigindo suporte integral à nutriz. A atuação do enfermeiro, sustentada por bases científicas, competência técnica e sensibilidade humana, é determinante para a promoção, proteção e manutenção da amamentação, desde o pré-natal até o puerpério.
Dessa forma, a valorização da assistência de enfermagem representa um eixo estratégico para fortalecer o vínculo mãe-bebê, prevenir intercorrências e consolidar práticas seguras de cuidado. Ao contribuir diretamente para o aumento das taxas de aleitamento materno exclusivo, essa atuação repercute positivamente nos indicadores de saúde pública, reafirmando o papel do enfermeiro como agente essencial na consolidação de políticas de atenção materno-infantil.
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1Discente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário UninCor – UNINCOR. Campus Três Corações. E-mail: mimibraz92@gmail.com. 0009-0001-0287-9966
2Docente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário UninCor – UNINCOR. Campus Três Corações. Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal de Alfenas. E-mail: guilhermeluisnquintiliano@hotmail.com. 0000-0003-2470-7943
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