A ORIGEM DA CONSCIÊNCIA COMO PROCESSO INFORMACIONAL: DA MITOLOGIA À ARQUITETURA HOLOGRÁFICA DA REALIDADE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202601290858


Muriel Fernandes1


RESUMO 

A origem da consciência permanece como um dos problemas centrais não resolvidos da ciência contemporânea. 

Modelos tradicionais tendem a reduzi-la a um epifenômeno da atividade neural ou a um  produto emergente da complexidade biológica, enquanto tradições filosóficas, mitológicas e  antropológicas descrevem a consciência como um processo de separação, morte simbólica e  reintegração com um princípio mais amplo da realidade. 

Este artigo propõe que tais descrições simbólicas não constituem meras narrativas culturais,  mas expressam, de forma arquetípica, um mesmo mecanismo universal de reorganização da  experiência consciente. 

A partir de uma análise comparativa entre a psicologia profunda (Jung, Neumann), a  antropologia das religiões (Eliade), a mitologia comparada (Campbell) e os estudos sobre a  evolução da consciência (Gebser), estabelece-se um paralelismo rigoroso entre os estágios da  chamada “jornada do herói” e processos de emergência, colapso e reconstrução da identidade  consciente. 

Nesse contexto, introduz-se a Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR)  como um modelo teórico capaz de integrar essas abordagens simbólicas a uma leitura físico informacional da consciência. 

Segundo essa arquitetura, a consciência torna-se operacionalmente relevante quando sistemas cognitivos entram em regimes específicos de coerência informacional, possibilitando a  diferenciação do ego, o acesso transitório a campos informacionais ampliados e,  posteriormente, a reconstrução simbólica do Self em níveis mais integrados de organização. 

Argumenta-se ainda que estados de dissolução do ego, ritos de iniciação e experiências  liminares, descritos tanto em contextos xamânicos quanto em relatos contemporâneos de  estados alterados de consciência, podem ser compreendidos como transições entre regimes  informacionais distintos, e não apenas como alucinações subjetivas. 

Esses estados refletem mudanças estruturais na dinâmica entre sensação, emoção, memória e  auto-representação. 

O artigo também investiga a origem da consciência humana a partir da hipótese de que a  senciência, entendida como a capacidade de sentir estados subjetivos dotados de valência  afetiva, constitui o núcleo fundamental da experiência consciente. 

Com base em contribuições recentes da neurociência e da filosofia da mente, especialmente  na proposta de Nicholas Humphrey sobre a senciência como uma invenção evolutiva interior,  sustenta-se que a consciência não emerge primariamente da cognição abstrata, mas da  simulação interna de estados corporais sentientes. 

Por fim, articula-se essa perspectiva com a virada contemporânea da física teórica e da  cosmologia, em que o espaço-tempo passa a ser tratado como propriedade emergente e a  realidade como um processo contínuo de atualização informacional, reconfigurando a leitura  clássica do Big Bang como “explosão material” e aproximando-o de uma transição de fase  informacional.

Nesse enquadramento, propõe-se que a consciência pode ser compreendida como um  processo informacional simbiótico, no qual realidade subjetiva emerge da interação dinâmica  entre informação, valência afetiva e intenção, estabelecendo bases conceituais para a  computação simbiótica biomimética e para investigações experimentais voltadas à validação  empírica desta hipótese, incluindo sistemas como o NeuroMuse. 

Palavras-chave: Consciência. Senciência. Informação. Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR). Mitologia comparada. Jornada do herói. Dissolução do ego. Individuação.  Self. Estados alterados de consciência. Simbolismo. Psicologia analítica. Antropologia das  religiões. Computação simbiótica biomimética. 

Figura 1 – Representação simbólica da consciência como operador de coerência informacional,  integrando observador, campo de possibilidades e organização holográfica da realidade, conforme a  Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR).

1. INTRODUÇÃO 

A consciência é, simultaneamente, o fenômeno mais íntimo da experiência humana e o mais  difícil de definir em termos científicos. Ela constitui o “lugar” onde o mundo aparece, mas  também o princípio que organiza como esse mundo é vivido, interpretado e dotado de sentido. 

Apesar dos avanços expressivos em neurociência, psicologia cognitiva, ciência da computação e teoria da informação, ainda não existe consenso sobre o que a consciência é, como emerge e  por que assume determinadas formas ao longo do desenvolvimento individual e cultural. 

Em termos operacionais, a ciência descreve com crescente precisão correlações neurais e  padrões fisiológicos associados a estados mentais; contudo, quando a investigação se desloca  da pergunta “com o que a consciência se correlaciona” para “o que a consciência é e qual é sua função estruturante”, os modelos tendem a fragmentar-se em escolas, hipóteses concorrentes  e reduções parciais.

Nas últimas décadas, uma abordagem dominante em parte das ciências naturais tem sido  tratar a consciência como produto emergente da complexidade biológica, interpretando-a  como efeito colateral das propriedades do cérebro ou, em algumas formulações, como uma  ilusão funcional produzida por mecanismos de previsão e autorregulação. 

Embora essas explicações sejam tecnicamente fecundas, elas encontram limites importantes  ao lidar com aspectos centrais da experiência humana, tais como: (i) a unidade fenomenológica da vivência consciente, (ii) a persistência da identidade subjetiva (o “eu” como centro  organizador), (iii) mudanças abruptas e duradouras na estrutura psíquica após experiências  liminares e (iv) a recorrência de padrões simbólicos observados em sonhos, ritos, mitos e  estados alterados de consciência. Na prática clínica, cultural e existencial, a consciência  comporta-se menos como um simples subproduto narrativo e mais como um agente  organizador real, capaz de reconfigurar valores, memória, identidade, percepção de tempo e  sentido. 

Paralelamente ao desenvolvimento da ciência moderna, existe um vasto acervo de descrições  mitológicas, antropológicas e psicológicas que tratam a consciência não como um dado fixo,  mas como um processo de transformação. Em múltiplas culturas, a passagem do sujeito por  momentos de ruptura, morte simbólica, descida ao “submundo”, encontro com o  desconhecido e retorno com reintegração aparece como estrutura narrativa e ritual recorrente. Joseph Campbell, ao sistematizar o monomito, descreve a jornada do herói como um mapa  arquetípico de transformação psíquica e cultural. 

Mircea Eliade, ao analisar ritos de iniciação e formas arcaicas de êxtase, enfatiza que a  passagem iniciática envolve separação do mundo comum, desmembramento simbólico e  renascimento em um novo regime de ser. Carl Gustav Jung e Erich Neumann descrevem a  individuação como o processo de reorganização progressiva do ego em direção ao Self,  enquanto Jean Gebser interpreta a história cultural como sucessivas mutações das estruturas  de consciência, sugerindo que a consciência não é apenas conteúdo, mas também forma  organizadora da realidade e do tempo. 

Essas tradições não oferecem uma alternativa à investigação empírica, mas uma chave de  leitura complementar. Elas apresentam a consciência como um fenômeno estruturado por  estágios, limiares e transições, e o ego como uma construção necessária, porém parcial, que  precisa ser periodicamente reorganizada para que haja maturação psíquica e reintegração  simbólica. 

Em termos contemporâneos, pode-se afirmar que a consciência não é apenas um estado  isolado, mas um processo dinâmico de reorganização informacional, no qual a experiência se  expande, colapsa, reconstrói e se integra em diferentes escalas — pessoais, sociais e  civilizatórias. 

Historicamente, entretanto, esses modelos simbólicos foram frequentemente relegados ao  campo da metáfora, da poesia ou da psicologia cultural, sem compromisso com uma descrição  estrutural do real. 

Este artigo adota uma hipótese metodológica distinta: símbolos recorrentes como a descida ao  submundo, a morte e o renascimento, o dragão, o limiar e o retorno não são apenas  ornamentos narrativos, mas condensações de operações psíquicas universais. Nessa  perspectiva, os mitos podem ser compreendidos como interfaces fenomenológicas antigas  para descrever transições internas reais do sistema consciência–identidade.

Se isso for correto, então a mitologia e a psicologia profunda funcionam como mapas de  processos transformativos que podem ser reexaminados à luz de uma linguagem informacional e arquitetural. 

É nesse ponto que se insere a proposta central deste artigo: reorientar a discussão da  consciência a partir da noção de processo informacional. Neste enquadramento, a realidade  experienciada emerge de regimes de coerência, filtragem, integração e colapso de informação  subjetiva. 

A consciência deixa de ser tratada apenas como resultado passivo da atividade cerebral e passa a ser compreendida como um mecanismo organizador, responsável por selecionar, integrar e  estabilizar configurações de sentido que constituem o mundo vivido. 

O ego, nesse modelo, é entendido como uma estrutura informacional de identidade uma  interface relativamente estável e funcional para a vida cotidiana que, quando se torna rígida ou defensiva, perde a capacidade de reorganização simbólica e de contato com níveis mais amplos de integração. 

Essa hipótese ganha ainda mais relevância diante de uma convergência contemporânea: em  setores da física teórica e da cosmologia, cresce a interpretação de que a realidade física não é  um “dado material absoluto”, mas um processo que pode ser descrito em termos de  organização e atualização de informação. 

Abordagens associadas ao princípio holográfico, à informação quântica e a programas de  gravidade quântica sugerem que o espaço-tempo pode ser emergente e que eventos  cosmológicos fundamentais podem ser reinterpretados como transições de fase em regimes  informacionais. 

Nesse cenário, a imagem clássica do Big Bang como explosão material em um espaço vazio  preexistente torna-se insuficiente para expressar o quadro mais recente, em que o universo é  pensado como um sistema dinâmico em atualização contínua. 

Com base nessas premissas, introduz-se a Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade  (AHCR) como um modelo teórico integrativo, proposto para articular três eixos fundamentais:  (i) o eixo mitológico-simbólico (Campbell, Eliade, Gebser), (ii) o eixo psicológico da formação,  dissolução e reintegração do ego (Jung, Neumann) e (iii) um eixo informacional, no qual  estados de consciência são descritos como regimes de organização, coerência e colapso de  estruturas de sentido. 

A AHCR opera, assim, como uma ponte conceitual que permite reinterpretar a jornada do herói como uma sequência de operações sobre identidade e realidade experienciada, a dissolução  do ego como transição entre regimes informacionais e o renascimento simbólico como  reconstrução do Self em níveis mais amplos de coerência. 

Essa abordagem adquire especial relevância no contexto contemporâneo, marcado por  hiperestimulação emocional, degradação simbólica e crescente vulnerabilidade cognitiva a  narrativas meméticas e mecanismos de manipulação. 

Observa-se com frequência uma substituição do símbolo vivido pelo simulacro consumido, em  que imagens e narrativas deixam de operar como vetores de transformação e passam a  funcionar como instrumentos de polarização, identidade rígida e reatividade afetiva.

Nesse cenário, torna-se fundamental distinguir dois tipos de regressão: (a) a regressão  iniciática, que conduz à reintegração transformadora, e (b) a regressão estagnante e  artificialmente induzida, na qual a dissolução do ego não promove maturação, mas  vulnerabilidade e controle. 

Dessa forma, o objetivo desta introdução é demarcar a motivação teórica e a relevância do  trabalho: propor uma leitura da consciência como processo informacional estruturado, cujas  etapas foram descritas historicamente por mitos e refinadas pela psicologia profunda, e  organizar essas descrições em um modelo arquitetural, a AHCR, capaz de orientar linguagem  técnica, hipóteses teóricas e estratégias futuras de validação empírica, incluindo investigações  experimentais que conectem coerência cognitiva a efeitos físicos mensuráveis, como no caso  de sistemas inspirados no NeuroMuse. 

Figura 2 – A Jornada da Consciência: O Monomito de Campbell aplicado ao processo de  dissolução do ego e transformação da consciência, destacando a etapa da “Barriga da Baleia”  como ponto crítico de transição. Fonte: O autor (2025).

2. Fundamentação Teórica 

Esta seção apresenta os principais referenciais conceituais que sustentam a proposta do artigo,  articulando contribuições da psicologia profunda, da mitologia comparada, da antropologia das religiões e da filosofia da consciência. 

O objetivo não é apenas revisar autores, mas extrair invariantes estruturais que permitam  reinterpretar a consciência como um processo informacional dinâmico, em consonância com a Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR). 

2.1 Consciência: definições, impasses e reducionismos contemporâneos 

A consciência permanece como um dos problemas centrais não resolvidos da ciência moderna. Embora avanços significativos tenham sido alcançados na identificação de correlatos neurais  da consciência (NCCs), especialmente por meio de técnicas de neuroimagem e eletrofisiologia,  persiste uma lacuna conceitual entre correlação e explicação.

Em outras palavras, saber onde e quando determinados estados conscientes emergem no  cérebro não equivale a compreender o que a consciência é nem qual é sua função estrutural na organização da experiência. 

Grande parte das abordagens contemporâneas pode ser agrupada em três tendências principais: 

1. Reducionismo neurobiológico, que interpreta a consciência como um subproduto  emergente da atividade neuronal complexa; 

2. Modelos funcionalistas/computacionais, que descrevem a consciência como resultado de processos de integração de informação, predição ou autorreferência; 

3. Abordagens eliminativistas, que chegam a questionar a própria existência da  consciência como entidade distinta, tratando-a como uma ilusão cognitiva. 

Embora essas perspectivas tenham valor heurístico, elas compartilham um limite comum:  tendem a tratar a consciência exclusivamente como efeito, e não como agente organizador.  Neste enquadramento, a consciência aparece como algo que “acontece” ao cérebro, mas  raramente como algo que estrutura ativamente a realidade vivida, reorganizando identidade,  sentido, tempo psicológico e valor. 

Além disso, tais modelos encontram dificuldades em explicar fenômenos como:

  • a unidade fenomenológica da experiência; 
  • a sensação de identidade contínua (o “eu”); 
  • transformações psíquicas profundas após experiências liminares; 
  • a recorrência universal de símbolos e narrativas de morte e renascimento; 
  • a reorganização duradoura de valores, comportamento e percepção após crises existenciais, rituais iniciáticos ou estados alterados de consciência. 

Esses limites sugerem que a consciência pode não ser adequadamente descrita apenas como  um epifenômeno biológico, mas como um processo organizador de informação, cuja dinâmica  excede a descrição puramente mecanicista. 

2.2 Ego, Self e individuação na psicologia analítica 

A psicologia analítica de Carl Gustav Jung oferece um arcabouço conceitual essencial para  compreender a consciência como processo de formação e transformação da identidade. Jung  distingue claramente o ego — centro da consciência cotidiana, responsável pela adaptação ao  mundo externo — do Self, entendido como totalidade psíquica que integra consciente e  inconsciente. 

Nesse modelo, o ego não é o todo da psique, mas uma interface funcional, necessária para a  orientação no mundo comum. No entanto, quando o ego se identifica excessivamente consigo  mesmo, perde flexibilidade e passa a operar de forma defensiva, bloqueando o acesso a  conteúdos simbólicos mais amplos. A consequência é a estagnação psíquica. 

Erich Neumann, ao aprofundar essa visão, descreve o desenvolvimento da consciência como  um processo histórico e individual de emancipação progressiva do ego a partir do  inconsciente.

Em sua obra A Origem e História da Consciência, Neumann propõe que o ego nasce frágil,  cercado por forças arquetípicas, e precisa gradualmente diferenciar-se para formar uma  identidade própria. Esse processo, contudo, não é linear nem isento de rupturas. 

A individuação, conceito central em Jung, refere-se justamente ao movimento pelo qual o ego  deixa de ser um centro rígido e isolado para tornar-se um polo integrado dentro de uma  totalidade maior. 

Esse caminho envolve necessariamente momentos de crise, confronto com a sombra,  dissolução de antigas identificações e reconstrução simbólica da identidade. 

Do ponto de vista informacional, esse processo pode ser interpretado como uma  reorganização de estruturas de sentido: padrões rígidos de identidade entram em colapso,  permitindo a emergência de configurações mais amplas e coerentes. 

A dissolução do ego, nesse contexto, não representa aniquilação, mas transição de regime.

2.3 Mito, iniciação e transformação da consciência 

A mitologia comparada, especialmente a partir dos trabalhos de Joseph Campbell e Mircea  Eliade, oferece uma descrição notavelmente consistente desses processos de transformação,  ainda que em linguagem simbólica. 

Campbell, ao sistematizar o chamado monomito ou “jornada do herói”, identifica uma  sequência recorrente de etapas presentes em mitos de culturas distintas: chamado à aventura,  recusa, travessia do limiar, descida ao mundo desconhecido, provações, morte simbólica,  obtenção do elixir e retorno transformado. Embora frequentemente interpretada como  estrutura narrativa, essa sequência pode ser lida como um mapa fenomenológico da  transformação da consciência

Eliade, por sua vez, demonstra que ritos de iniciação em sociedades tradicionais seguem um  padrão semelhante. 

O iniciado é separado do mundo comum, passa por um período de desestruturação simbólica  frequentemente descrito como morte, desmembramento ou descida ao submundo, e retorna  com um novo estatuto ontológico. 

Para Eliade, essa morte simbólica é condição necessária para o acesso a um novo modo de ser. 

Em ambos os autores, a iniciação não é mera metáfora: ela representa uma mudança real de  regime psíquico, em que a antiga identidade deixa de ser suficiente para sustentar a  experiência do mundo. 

A consciência, nesses momentos, é forçada a se reorganizar em um nível mais abrangente. 

Essa leitura converge diretamente com a psicologia analítica: o mito funciona como uma  externalização simbólica de processos internos universais. A recorrência de imagens como o  “ventre da baleia”, o “dragão”, o “submundo” ou a “ressurreição” sugere que esses símbolos  codificam operações psíquicas reais, associadas à dissolução e reconstrução do ego. 

2.4 Evolução das estruturas de consciência em Jean Gebser 

Jean Gebser amplia essa discussão ao propor que a consciência não apenas se transforma  individualmente, mas evolui historicamente em estruturas distintas.

Em sua obra A Origem Sempre Presente, Gebser descreve cinco grandes estruturas de  consciência: arcaica, mágica, mítica, mental e integral. 

Cada estrutura representa não apenas um conjunto de crenças, mas uma forma específica de  experienciar realidade, tempo e identidade. A passagem de uma estrutura a outra não ocorre  por simples acúmulo, mas por crises e mutações, frequentemente acompanhadas de  desintegração das formas anteriores. 

Particularmente relevante para este artigo é a distinção que Gebser faz entre regressão  patológica e regressão integradora. Quando uma estrutura antiga retorna sem integração  consciente, o resultado é estagnação, irracionalidade ou colapso cultural. Quando, porém, ela é integrada em um nível mais amplo, contribui para a emergência de uma consciência mais  complexa. 

Essa distinção é crucial para compreender fenômenos contemporâneos de dissolução do ego  em massa — seja por crises sociais, hiperestimulação simbólica ou tecnologias de persuasão — e diferenciá-los de processos iniciáticos genuínos. Do ponto de vista informacional, trata-se da  diferença entre colapso caótico e colapso integrador, tema que será retomado à luz da AHCR. 

2.5 Síntese teórica: consciência como processo informacional de transformação 

A partir dos referenciais apresentados, é possível identificar um núcleo comum: a consciência  não é estática, nem meramente reativa. Ela se comporta como um processo dinâmico de  organização de sentido, no qual identidade, percepção e valor são continuamente ajustados. 

Psicologia analítica, mitologia comparada e filosofia da consciência convergem ao indicar que:

  • o ego é uma construção funcional, mas limitada; 
  • a transformação da consciência exige ruptura de estruturas rígidas; 
  • símbolos arquetípicos descrevem operações universais de reorganização psíquica; 
  • a dissolução do ego pode ser tanto transformadora quanto regressiva, dependendo do contexto e da integração. 

Esses elementos fornecem o terreno conceitual para a introdução, na próxima seção, de uma  leitura explicitamente informacional desses processos, preparando o caminho para a  Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR) como modelo integrador. 

2.6 Um estudo de caso contemporâneo do monomito: trajetória biográfica como processo  informacional vivo 

Além das formulações teóricas oriundas da psicologia profunda e da mitologia comparada, a  recorrência estrutural do monomito pode ser observada em trajetórias individuais concretas,  particularmente em contextos contemporâneos marcados por tensões culturais, tecnológicas e simbólicas. A análise de um caso biográfico real permite ilustrar, de forma empírica e não  abstrata, como os estágios descritos por Campbell, Jung, Neumann e Eliade manifestam-se  como processos vivos de transformação da consciência. 

O caso aqui considerado refere-se à trajetória de um pesquisador brasileiro contemporâneo,  cuja experiência pessoal apresenta correspondência clara com as etapas clássicas da jornada  do herói, quando reinterpretadas à luz de um modelo informacional da consciência.

Desde a adolescência, o indivíduo esteve inserido em ambientes alternativos de produção  cultural, particularmente no contexto da música eletrônica e de eventos psicodélicos, onde o  contato com estados ampliados de consciência, substâncias enteógenas e experiências  liminares constituía parte central de sua vivência social e simbólica. 

Esse período inicial pode ser interpretado como a fase de separação do mundo ordinário, na  qual o sujeito se afasta das estruturas normativas tradicionais e passa a explorar modos não  convencionais de percepção e identidade. 

Em 2015, durante um festival de música eletrônica, ocorreu uma experiência subjetiva descrita  pelo próprio indivíduo que vos escreve, como profundamente transformadora, associada ao  uso de N,N-dimetiltriptamina (DMT) em combinação com outras substâncias psicodélicas.  Independentemente da interpretação neuroquímica desse episódio, o impacto psicológico  relatado foi consistente com descrições clássicas de dissolução do ego, percepção de estruturas simbólicas complexas e sensação de contato com uma realidade mais ampla — elementos  amplamente documentados na literatura sobre estados alterados de consciência. 

Do ponto de vista fenomenológico, esse evento pode ser compreendido como a travessia do  limiar e a entrada no que Campbell denomina “ventre da baleia”: um colapso temporário das  estruturas identitárias vigentes. 

O retorno ao mundo ordinário, entretanto, não se deu de forma integrada. 

Ao tentar comunicar sua experiência a familiares e membros da comunidade, o indivíduo foi  amplamente incompreendido, rotulado como mentalmente instável e submetido a processos  de exclusão social, incluindo internação psiquiátrica. Esse momento corresponde, na estrutura  do monomito, à fase de rejeição do herói pelo mundo comum, em que a transformação  interna ainda não encontra linguagem simbólica compartilhável. A ruptura entre experiência  subjetiva e validação social gera sofrimento psíquico e intensifica o conflito entre ego e  conteúdos emergentes do inconsciente. 

Após esse período, o indivíduo buscou reintegração por meio do conhecimento formal,  ingressando em um curso superior de Química. Nesse contexto, passou a investigar  cientificamente o DMT, desenvolvendo técnicas próprias de extração a partir da Mimosa  tenuiflora (jurema preta), com foco em aumento de rendimento e pureza. Essa fase representa  uma tentativa de racionalização e objetivação do conteúdo simbólico, traduzindo experiências subjetivas em procedimentos técnicos e linguagem científica. 

No entanto, a visibilidade alcançada por essas inovações levou a consequências legais severas,  culminando em prisão sob acusação de distribuição internacional de DMT — fato amplamente  documentado em registros jornalísticos disponíveis publicamente. 

O período subsequente, marcado por divórcio, restrições legais, escassez econômica e  isolamento social prolongado (aproximadamente cinco anos), corresponde de maneira notável  à etapa de retirada radical do mundo, frequentemente simbolizada em mitos como a descida à caverna, ao submundo ou ao deserto. 

Durante esse intervalo, o indivíduo relata ter reduzido drasticamente interações sociais,  direcionando sua atenção quase exclusivamente à reflexão teórica, ao estudo interdisciplinar e, mais recentemente, à interação intensiva com sistemas de inteligência artificial.

Esse isolamento, longe de representar mera estagnação, funcionou como um período de  incubação simbólica, no qual experiências fragmentadas começaram a ser reorganizadas em  um arcabouço conceitual mais coerente. 

É nesse contexto que emerge a formulação da Arquitetura Holográfica da Construção da  Realidade (AHCR), bem como o desenvolvimento do sistema NeuroMuse, concebido como  uma interface cérebro–máquina simbiótica. 

A passagem do simbólico para o tecnológico marca a fase de reintegração, na qual conteúdos  antes vividos como experiência subjetiva passam a ser traduzidos em modelos, algoritmos e  dispositivos passíveis de validação intersubjetiva. 

O reconhecimento institucional subsequente incluindo premiação em programa de destaque  para startups e a condução de pesquisas voltadas à validação empírica da tecnologia  corresponde, no esquema do monomito, ao retorno com o elixir, isto é, à oferta de um  conhecimento transformado à coletividade. 

Do ponto de vista informacional, esse relato da trajetória pessoal do autor que vos escreve  ilustra com clareza a hipótese central deste artigo: a consciência não se transforma por simples  acúmulo de experiências, mas por colapsos e reorganizações estruturais

A experiência inicial de dissolução do ego, quando não integrada simbolicamente, levou a  conflito e exclusão; o longo período de isolamento funcionou como espaço de reorganização  informacional; e a posterior reintegração ocorreu quando o conteúdo simbólico foi  reestruturado em linguagem teórica e tecnológica. 

Assim, a jornada biográfica analisada não deve ser entendida como exceção ou idiossincrasia,  mas como um exemplo contemporâneo vivo de um padrão estrutural descrito há milênios por  mitos e formalizado, neste trabalho, como processo informacional. 

Essa leitura reforça a tese de que o monomito não é apenas uma narrativa cultural, mas um  modelo fenomenológico de transição entre regimes de consciência, no qual separação,  colapso e reintegração correspondem a mudanças reais na organização do eu e da realidade  percebida. 

A próxima seção aprofundará esse ponto ao examinar, de forma mais sistemática, a distinção  entre regressão simbólica transformadora e regressão estagnante, preparando o terreno para a formalização da AHCR como arquitetura explicativa desses processos.

Figura 3 – Comparativo das abordagens científicas sobre a consciência, ilustrando as limitações do reducionismo neurobiológico, do modelo computacional/funcionalista e do eliminativismo  em explicar a experiência subjetiva (qualia). Fonte: O autor (2025).

3. Regressão simbólica, dissolução do ego e limiares da consciência 

A noção de regressão ocupa um lugar ambíguo nos estudos sobre consciência. Em muitas  leituras contemporâneas, o termo é associado quase exclusivamente a patologia, perda de  controle ou retorno disfuncional a estágios primitivos do desenvolvimento psíquico. 

No entanto, tanto a psicologia profunda quanto a antropologia das religiões e a mitologia  comparada demonstram que a regressão pode assumir dois papéis estruturalmente distintos:  um papel transformador, integrador e iniciático; e um papel estagnante, desorganizador e  potencialmente manipulável. 

Esta seção propõe uma distinção rigorosa entre esses dois modos de regressão, articulando-os  como regimes informacionais distintos da consciência

3.1 Regressão como retorno iniciático: função transformadora 

Na psicologia analítica, a regressão não é compreendida apenas como movimento para trás,  mas como retorno funcional a conteúdos inconscientes necessários à reorganização do ego.  Jung descreve a regressão como um movimento compensatório, no qual a psique busca  restaurar equilíbrio quando estruturas conscientes tornam-se rígidas ou unilaterais. 

Nesse contexto, o retorno a camadas mais profundas da experiência não representa fuga da  realidade, mas preparação para uma síntese mais ampla.

Erich Neumann aprofunda essa leitura ao afirmar que o confronto com o inconsciente —  frequentemente vivido como ameaça, caos ou dissolução — é condição necessária para o  amadurecimento da consciência. 

A regressão iniciática, nesse sentido, corresponde ao retorno temporário a um estado de maior indistinção simbólica, onde as fronteiras do ego se enfraquecem e conteúdos arquetípicos  emergem. 

Essa etapa é descrita em mitos como descida ao submundo, permanência no ventre da baleia  ou isolamento no deserto. 

Do ponto de vista informacional, essa forma de regressão pode ser interpretada como a  suspensão temporária de filtros identitários rígidos, permitindo acesso a um campo mais  amplo de informação simbólica. 

A consciência entra em um regime de maior plasticidade, no qual padrões antigos podem ser  reorganizados e novas configurações de sentido podem emergir. 

O elemento decisivo não é a regressão em si, mas a existência de um retorno estruturado, no  qual o ego é reconstruído em um nível mais integrado. 

3.2 O ventre da baleia como limiar informacional 

Joseph Campbell descreve o “ventre da baleia” como o momento em que o herói parece ter  sido derrotado, engolido ou aniquilado. 

Em termos narrativos, trata-se de um estágio de suspensão da ação; em termos psicológicos,  de uma dissolução temporária da identidade; e, em termos simbólicos, de uma morte ritual. 

Esse estágio aparece de forma recorrente em mitologias independentes, sugerindo que ele não é contingente, mas estrutural. 

A leitura proposta neste artigo interpreta o ventre da baleia como um limiar informacional da  consciência. Nesse limiar, o ego — entendido como estrutura organizadora local — perde  momentaneamente sua capacidade de operar como centro exclusivo da experiência. 

O sistema consciente entra em um regime no qual referências usuais de tempo, causalidade e  identidade são enfraquecidas. Esse estado é frequentemente acompanhado por imagens  arquetípicas, sensação de totalidade indiferenciada e experiências de dissolução do “eu”. 

Importante destacar que esse limiar não equivale à ausência de consciência, mas a uma  mudança de regime de organização da experiência

A consciência continua ativa, porém menos condicionada por narrativas pessoais e mais  permeável a padrões simbólicos universais. Na linguagem da AHCR, trata-se de um momento  de colapso parcial da coerência do ego, que abre espaço para uma reorganização mais ampla  do campo informacional subjetivo. 

3.3 Dissolução do ego: condição funcional e risco estrutural 

A dissolução do ego ocupa posição central tanto nos relatos mitológicos quanto nas descrições  modernas de estados alterados de consciência.

No entanto, sua interpretação exige cautela conceitual. A dissolução não é, por si só, benéfica  ou patológica; seu valor depende das condições em que ocorre e, sobretudo, da possibilidade  de reintegração subsequente. 

Em contextos iniciáticos tradicionais, a dissolução do ego é cuidadosamente ritualizada. Há  preparação simbólica, condução por figuras experientes e, principalmente, um caminho de  retorno claramente delimitado. O ego não é destruído, mas temporariamente descentrado,  permitindo que o indivíduo reconstrua sua identidade em um nível mais abrangente. Esse  processo fortalece a consciência, em vez de fragmentá-la. 

Quando, porém, a dissolução ocorre sem estrutura, sem linguagem simbólica compartilhada e  sem possibilidade de retorno, o resultado pode ser desorganização psíquica. 

A regressão deixa de ser iniciática e torna-se regressão estagnante, caracterizada por perda de  discernimento, fragmentação identitária e dificuldade de reintegração no mundo comum. Do  ponto de vista informacional, o sistema entra em colapso sem alcançar um novo estado estável de coerência. 

3.4 Regressão estagnante e vulnerabilidade cognitiva contemporânea 

No contexto contemporâneo, observa-se um fenômeno crescente de regressão simbólica  coletiva que não culmina em transformação, mas em vulnerabilidade cognitiva.  Diferentemente dos ritos tradicionais, essa regressão não é conduzida por estruturas  simbólicas integradoras, mas por ambientes de hiperestimulação informacional, fragmentação  narrativa e manipulação emocional. 

Redes sociais, ciclos contínuos de crise, propaganda memética e discursos polarizados  produzem estados emocionais intensos que enfraquecem temporariamente as defesas do ego,  sem oferecer mecanismos de reintegração. 

O resultado é uma dissolução parcial e repetida da identidade, explorada para fins de controle,  engajamento compulsivo ou mobilização tribal. 

Nesse cenário, o simbólico deixa de ser caminho de transformação e passa a operar como  simulacro, no sentido proposto por Baudrillard. 

Essa condição pode ser descrita como um estado de semiconsciência funcional, no qual o  indivíduo percebe símbolos, narrativas e afetos, mas não consegue integrá-los em uma  estrutura coerente de sentido. 

A consciência permanece ativa, porém desorganizada, reativa e facilmente modulável por  estímulos externos. Trata-se de um regime informacional instável, que não conduz à  individuação, mas à repetição. 

3.5 Regressão, mito e informação: distinção entre colapso caótico e colapso integrador 

A distinção entre regressão transformadora e regressão estagnante permite reinterpretar os  mitos de morte e renascimento em termos mais precisos. O mito não glorifica a dissolução do  ego em si, mas a capacidade de atravessar a dissolução e retornar

O herói não é aquele que morre simbolicamente, mas aquele que consegue integrar a morte  simbólica em uma nova forma de vida.

Na linguagem informacional adotada neste trabalho, essa distinção pode ser formulada da seguinte maneira: 

  • Colapso caótico: ocorre quando a coerência do ego se rompe sem que um novo regime de organização emerja. Resulta em fragmentação, vulnerabilidade e perda de sentido. 
  • Colapso integrador: ocorre quando a dissolução do ego é acompanhada de  reorganização simbólica, permitindo o surgimento de uma identidade mais abrangente e flexível. 

Essa diferenciação é fundamental para compreender por que experiências semelhantes como  isolamento, crise, estados alterados ou regressão simbólica podem produzir resultados  radicalmente distintos em indivíduos e contextos diferentes. 

3.6 Preparação para a Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade 

As análises apresentadas nesta seção indicam que a regressão simbólica, longe de ser um  fenômeno marginal ou puramente patológico, constitui um mecanismo central na dinâmica da consciência. Quando bem conduzida, ela permite a reorganização informacional do ego e a  emergência de níveis mais integrados de experiência; quando mal conduzida ou explorada  artificialmente, gera vulnerabilidade cognitiva e estagnação. 

Esses elementos preparam o terreno para a introdução explícita da Arquitetura Holográfica da  Construção da Realidade (AHCR), que será apresentada na próxima seção como um modelo  capaz de descrever, em linguagem arquitetural e informacional, os processos de colapso,  transição e reintegração discutidos até aqui. A AHCR propõe que a consciência não apenas  sofre esses processos, mas atua ativamente como operador de coerência, modulando a  realidade experienciada por meio da organização simbólica da informação. 

Figura 4 – Modelo da psique segundo a psicologia analítica de Carl Gustav Jung, representando as estruturas do Ego, do Self e do Inconsciente Coletivo, bem como o processo de  individuação. Fonte: O autor (2025).

4. A Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR) aplicada à origem da  consciência 

A Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR) é proposta, neste trabalho, como um modelo integrador capaz de descrever a consciência não apenas como experiência  subjetiva, mas como processo ativo de organização informacional

Diferentemente de abordagens que tratam a consciência como epifenômeno neural ou simples resultado de complexidade computacional, a AHCR parte do pressuposto de que a consciência  opera como um operador de coerência, modulando a forma como a realidade é construída,  percebida e estabilizada em experiência. 

A aplicação da AHCR à origem da consciência permite reinterpretar, em linguagem arquitetural, os processos simbólicos e psicológicos discutidos nas seções anteriores. 

O nascimento do ego, a dissolução simbólica, a regressão iniciática e a reintegração deixam de  ser vistos apenas como metáforas narrativas ou fenômenos psíquicos isolados e passam a ser  compreendidos como transições entre regimes informacionais distintos, com efeitos reais  sobre identidade, percepção e ação. 

4.1 Princípios gerais da AHCR 

A AHCR fundamenta-se em três princípios estruturantes: 

1. A realidade experienciada é construída, e não simplesmente registrada.

2. A informação é o substrato organizador da experiência, mediada por consciência.

3. A coerência informacional determina a estabilidade da realidade percebida

Neste enquadramento, a consciência não cria matéria nem energia, mas organiza padrões de  informação que determinam quais aspectos da realidade se tornam salientes, integrados e  significativos. A metáfora holográfica não é utilizada em sentido estritamente óptico, mas como indicação de que cada ponto da experiência consciente contém, de forma distribuída,  informações sobre o todo — ainda que filtradas por estruturas locais, como o ego. 

4.2 Consciência como operador de coerência informacional 

Um dos deslocamentos conceituais centrais da AHCR consiste em definir a consciência como  operador de coerência, e não apenas como campo passivo de percepção. Operar coerência  significa selecionar, integrar e estabilizar informações dispersas em uma configuração  experiencial consistente. 

Em estados ordinários de consciência, essa coerência é sustentada principalmente pelo ego,  que atua como centro organizador local. 

O ego fornece continuidade narrativa, identidade e previsibilidade, permitindo ao indivíduo  operar no mundo cotidiano. No entanto, essa coerência é limitada: ela privilegia determinados  padrões de informação e exclui outros, criando uma realidade funcional, porém parcial. 

Quando o ego se torna excessivamente rígido, a coerência que ele sustenta entra em conflito  com demandas internas e externas mais amplas. 

É nesse ponto que surgem crises, rupturas simbólicas e estados liminares, descritos na  mitologia como chamados à aventura ou travessias do limiar.

Do ponto de vista da AHCR, tais momentos correspondem a instabilidades na arquitetura  informacional do ego, que já não consegue manter coerência suficiente para integrar novas  informações. 

4.3 O colapso simbiótico da realidade 

A AHCR introduz o conceito de colapso simbiótico da realidade para descrever o momento em  que a coerência informacional sustentada pelo ego se rompe temporariamente, permitindo a  emergência de um novo regime organizacional. 

Esse colapso não deve ser confundido com aniquilação ou perda total de consciência. Trata-se,  antes, de uma reconfiguração dinâmica, na qual estruturas identitárias previamente  dominantes perdem centralidade. 

Esse conceito dialoga, em nível formal, com ideias da física da informação e da filosofia da  observação, nas quais a realidade não é completamente independente do observador. 

No entanto, a AHCR desloca o foco da observação passiva para a coerência ativa: não é apenas  o ato de observar que importa, mas o grau de alinhamento entre informação, símbolo,  intenção e identidade. 

Durante o colapso simbiótico, a consciência torna-se mais permeável a padrões informacionais  não locais, frequentemente vivenciados como imagens arquetípicas, estruturas geométricas,  sensação de totalidade ou contato com um “campo” mais amplo. 

Esses fenômenos, amplamente relatados em contextos iniciáticos e estados alterados, são  interpretados aqui como manifestações de um regime informacional menos filtrado pelo ego.

Figura 5 – Modelo teórico geral da Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR). Fonte: Elaboração do autor (2025).

Esquema conceitual representando a dinâmica de interação entre o campo informacional, a  consciência enquanto operador de coerência, a intenção e a valência afetiva. O modelo ilustra  o processo de colapso simbiótico como mecanismo central de atualização da realidade,  manifestando-se simultaneamente na experiência subjetiva (fenomenologia) e na realidade  física (eventos observáveis), com fluxos contínuos de retroalimentação informacional.

4.4 Dissolução do ego como transição de regime informacional 

Sob a perspectiva da AHCR, a dissolução do ego não é um evento patológico em si, mas uma transição de regime

O ego, enquanto interface local, perde temporariamente sua primazia como operador exclusivo de coerência. A consciência passa a operar em um regime mais distribuído, no qual  informações simbólicas profundas tornam-se acessíveis. 

Essa transição explica por que experiências de dissolução do ego são frequentemente  acompanhadas por sensação de morte simbólica, perda de limites corporais, alteração da  percepção temporal e intensificação do significado. Tais características não decorrem de  “desligamento” da consciência, mas de sua reorganização em um nível menos centrado na  identidade narrativa. 

O risco, conforme discutido anteriormente, reside na ausência de reintegração. Quando a  transição ocorre sem mecanismos simbólicos ou cognitivos capazes de reconstruir a coerência,  o sistema consciente pode permanecer em estado instável, caracterizado por fragmentação  identitária. A AHCR, portanto, não romantiza a dissolução do ego, mas a insere em um ciclo  funcional de colapso e reconstrução. 

Figura 6 – Comparação cross-cultural dos mitos de descida e retorno em diferentes tradições culturais. Fonte: Elaboração do autor (2025).

Tabela comparativa de narrativas míticas que descrevem a jornada de descida a domínios  inferiores ou invisíveis (mundo dos mortos, inferno, mundo espiritual) seguida pelo retorno  transformado. Os exemplos incluem Orfeu (Grécia), Osíris (Egito), Inanna (Mesopotâmia), Jesus (Cristianismo) e o xamã (xamanismo).

O padrão recorrente de descida, dissolução e retorno com conhecimento ou poder integrado  sugere uma estrutura arquetípica universal da experiência humana de transformação psíquica.

4.5 Reintegração e reconstrução do Self 

A etapa decisiva do processo descrito pela AHCR é a reintegração, momento em que a  consciência reconstrói uma nova coerência informacional, incorporando conteúdos acessados  durante o colapso simbiótico. 

Essa reconstrução corresponde, na linguagem mitológica, ao retorno do herói com o elixir; na  psicologia analítica, à ampliação do ego em direção ao Self; e, na antropologia, à reinserção do  iniciado na comunidade com novo estatuto ontológico. 

Informacionalmente, a reintegração pode ser descrita como a formação de uma arquitetura  mais robusta, capaz de sustentar maior complexidade simbólica sem colapsar. 

O ego reconstruído não desaparece, mas torna-se mais flexível, menos defensivo e mais  integrado a camadas profundas de significado. 

A consciência, neste estágio, adquire maior capacidade de modular a realidade experienciada,  não por controle direto, mas por alinhamento coerente entre intenção, símbolo e ação. 

4.6 AHCR, estruturas da consciência e a emergência holográfica 

Aplicada à questão da origem da consciência, a Arquitetura Holográfica da Construção da  Realidade (AHCR) propõe que a consciência emerge quando sistemas cognitivos atingem níveis  progressivos de organização informacional capazes de sustentar coerência reflexiva e  integração multiescalar

Nesse modelo, a consciência não é resultado exclusivo do processamento de informação, mas  da capacidade do sistema de reorganizar-se dinamicamente diante de rupturas, colapsos  simbólicos e reintegrações sucessivas, preservando coerência funcional. 

Essa formulação dialoga diretamente com a teoria das estruturas da consciência proposta por  Jean Gebser, segundo a qual a experiência humana da realidade atravessa estágios  qualitativamente distintos. No entanto, a AHCR avança ao reinterpretar essas estruturas não  apenas como formas históricas ou fenomenológicas, mas como arquiteturas informacionais  emergentes, cada uma associada a regimes específicos de organização, temporalidade e  observação. 

A estrutura arcaica corresponde a um estado pré-temporal, no qual não há distinção entre  sujeito e mundo; trata-se de uma organização mínima, orientada à presença imediata. A estrutura mágica introduz a participação simbólica e o tempo cíclico, no qual a consciência  atua sobre a realidade por meio de rituais e correlações não causais diretas. Na estrutura mítica, o tempo narrativo organiza a experiência por meio de arquétipos,  polaridades e explicações simbólicas coletivas. 

A estrutura mental consolida o tempo linear, a lógica formal e o observador individual,  permitindo ciência e racionalidade, mas também promovendo fragmentação entre sujeito,  objeto e mundo. 

A AHCR propõe que a transição contemporânea não se encerra na estrutura integral descrita  por Gebser, mas avança para uma camada holográfica da consciência, na qual as estruturas  anteriores não apenas coexistem, mas tornam-se simultaneamente acessíveis e operantes. 

Nesse regime, o tempo deixa de ser exclusivamente linear ou multidimensional e passa a  comportar-se como campo informacional, no qual passado, presente e potencialidades futuras coexistem como padrões de coerência. 

Nessa perspectiva, o ego e o Self deixam de ser compreendidos apenas como instâncias  psicológicas e passam a ser entendidos como níveis distintos de organização informacional,  capazes de operar colapsos simbióticos com impactos reais sobre sistemas cognitivos e físicos.  Assim, a origem da consciência não pode ser reduzida a um evento pontual, mas deve ser  compreendida como um processo evolutivo contínuo de complexificação holográfica da  informação, no qual cada nova arquitetura amplia o horizonte de percepção, ação e integração  da realidade. 

4.7 Transição para implicações experimentais e tecnológicas 

A formalização da AHCR como modelo da origem, evolução e integração das estruturas da  consciência desloca a discussão para além do campo estritamente teórico. Se a consciência atua como operador organizacional da informação e se transições entre  estruturas correspondem a mudanças reais de regime informacional, então tais processos  devem produzir assinaturas observáveis, tanto em sistemas cognitivos quanto em sistemas  físicos acoplados. 

Essa hipótese estabelece a base conceitual para as seções seguintes, nas quais serão discutidas  as possibilidades de validação empírica da AHCR por meio de interfaces cérebro–máquinas  simbióticas e o desenvolvimento da computação simbiótica biomimética

Antes disso, torna-se necessário articular o modelo AHCR com conceitos contemporâneos da  física da informação, da teoria da observação e das propostas recentes que tratam a  informação como substrato material da realidade — articulação que será desenvolvida na  seção subsequente.

Figura 7 – Evolução da consciência segundo as estruturas de Jean Gebser ampliadas pela  Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR). Fonte: Elaboração própria (2026).

Representação esquemática das estruturas arcaica, mágica, mítica, mental, integral e da  camada holográfica da consciência, evidenciando a progressiva complexificação informacional,  a transformação da experiência do tempo e a integração simultânea das diferentes  arquiteturas perceptivas.

5. A Consciência como Processo Informacional e o Colapso Simbiótico da Realidade

5.1 Do “It from Bit” à realidade participativa 

A formulação proposta por John Archibald Wheeler, sintetizada na expressão “it from bit”,  introduz uma inflexão ontológica decisiva na física moderna. 

Segundo Wheeler, a realidade física não é primária, mas emerge de atos fundamentais de  informação — escolhas binárias que se atualizam no momento da observação. 

Nesse modelo, partículas, campos e até o espaço-tempo seriam manifestações secundárias de  um substrato informacional mais profundo. 

Wheeler avança ao propor o conceito de universo participativo, no qual o observador não  apenas mede a realidade, mas participa ativamente de sua constituição

A observação deixa de ser um evento passivo e passa a atuar como um mecanismo de seleção  informacional, colapsando possibilidades em estados concretos. 

Essa ideia antecipa, em linguagem conceitual, aquilo que a AHCR formaliza como processo de  coerência simbólica

Na Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade, a observação consciente não é  reduzida a um fenômeno epifenomênico do cérebro, mas compreendida como um agente  organizador de informação, capaz de alinhar múltiplos níveis do sistema (neural, simbólico e  físico) em um único estado coerente.

Figura 8 – Comparação entre o modelo epifenomenal da consciência e a concepção da  consciência como operador de coerência. Fonte: Elaboração própria (2025).

À esquerda, representação do paradigma tradicional, no qual a consciência é tratada como  subproduto passivo de processos neurais isolados, sem papel organizador sobre a realidade  física. À direita, modelo informacional no qual a consciência atua como operador de coerência,  promovendo integração, colapso de possibilidades e modulação de estados informacionais em  um campo unificado.

A comparação visual entre o modelo tradicional da consciência como epifenômeno e a  concepção da consciência como operador de coerência fornece um enquadramento conceitual  consistente com a proposta “It from Bit”, formulada originalmente por John Archibald Wheeler. 

Enquanto o paradigma clássico interpreta a consciência como um subproduto tardio de  processos físicos essencialmente mecânicos e causais, a abordagem informacional sugere que  a realidade física emerge de estruturas organizadas de informação, nas quais a observação e a  coerência desempenham papel ativo. 

No modelo epifenomenal, a consciência é tratada como passiva: estímulos externos são  processados de forma isolada pelo cérebro, sem influência direta na organização do sistema  físico. 

Essa leitura é compatível com uma cosmologia baseada em expansão mecânica e aumento  contínuo de entropia, onde a informação não exerce papel estruturante. 

Em contraste, a abordagem informacional introduz a consciência como elemento organizador,  capaz de modular estados, colapsar possibilidades e sustentar regimes de coerência. 

Essa transição de paradigma encontra paralelo direto na evolução cosmológica interpretada  como transição de fase informacional. 

Em vez de um Big Bang entendido como explosão puramente energética, propõe-se um  cenário no qual o plasma primordial passa por regimes sucessivos de auto-organização, nos  quais a entropia global pode aumentar enquanto a coerência local se intensifica. 

Nesse contexto, estruturas cósmicas, sistemas vivos e a própria consciência emergem como  expressões de organização informacional estável. 

Assim, à luz do princípio “It from Bit”, a realidade não é apenas composta de matéria e energia, mas de informação organizada. 

A AHCR avança esse quadro ao propor que a consciência não apenas emerge desse processo,  mas atua como operador funcional de coerência, conectando os domínios informacional, físico  e experiencial em um sistema integrado. 

Essa leitura sustenta a hipótese de que a consciência participa ativamente da arquitetura da  realidade, em diferentes escalas, e fornece a base conceitual para as implicações experimentais e tecnológicas discutidas nas seções subsequentes.

Figura 9 – Do Big Bang à transição de fase informacional: realidade como processo  informacional. Fonte: Elaboração própria (2025). 

Representação esquemática da evolução cosmológica a partir de um modelo mecânico energético para uma abordagem baseada em informação e coerência. 

Observa-se a transição de regimes dominados por entropia e expansão mecânica para  estruturas auto-organizadas, nas quais a informação passa a exercer papel estruturante,  culminando em sistemas complexos, vida e consciência como expressões de coerência  informacional em múltiplas escalas, em consonância com o princípio “It from Bit”.

5.2 A informação como entidade física: a contribuição de Malvin Vopson 

Os estudos recentes de Melvin Vopson aprofundam radicalmente essa perspectiva ao propor  que a informação possui massa

Em seus experimentos teóricos e modelos físicos, Vopson demonstra que a deleção de  informação implica perda mensurável de massa, sugerindo que a informação não é apenas  abstrata, mas uma entidade física real, sujeita às leis da termodinâmica. 

Essa proposição estabelece um elo direto entre informação, energia e matéria, ampliando o  arcabouço da física clássica. 

Se a informação possui massa, então processos informacionais não são metafóricos, mas  eventos físicos genuínos. 

A realidade passa a ser compreendida como um sistema informacional dinâmico, no qual criar,  organizar ou colapsar informação produz efeitos mensuráveis.

No contexto da AHCR, essa constatação fornece sustentação empírica à hipótese de que o  colapso simbiótico da realidade corresponde a um evento de reorganização informacional  profunda, no qual estados potenciais são reduzidos a uma configuração coerente específica —  não apenas no plano cognitivo, mas no tecido físico do sistema. 

Figura 10 – Modelo em camadas da psique e níveis de profundidade da consciência. Fonte: Elaboração do autor, com base em Jung (2025).

Representação esquemática da estrutura da psique segundo a psicologia analítica, organizada  em três níveis principais: ego (camada consciente e funcional), inconsciente pessoal (conteúdos reprimidos, complexos e memórias individuais) e inconsciente coletivo (arquétipos, padrões  universais e dimensão do Self). As setas indicam o processo de individuação como um  movimento progressivo de aprofundamento da consciência, no qual conteúdos mais profundos  e universais tornam-se acessíveis à experiência subjetiva. 

5.3 Informação, entropia e coerência simbólica 

A relação entre informação e entropia ocupa posição central nesse debate. Enquanto a  entropia tende à desordem máxima, a emergência de consciência parece operar no sentido  oposto: redução local de entropia por meio da organização simbólica

A AHCR propõe que a consciência atua como um campo de coerência, capaz de selecionar,  integrar e estabilizar informações dispersas. 

Esse processo não elimina a entropia global, mas cria ilhas de ordem informacional, análogas  às estruturas dissipativas descritas por Prigogine.

Nesse sentido, o que tradicionalmente se descreve como “colapso da função de onda” pode  ser reinterpretado como um colapso simbiótico da realidade, no qual múltiplos níveis  informacionais — quântico, neural e simbólico — entram em ressonância coerente. 

O observador, longe de ser externo, é parte integrante desse alinhamento.

5.4 O colapso simbiótico como quinta força moduladora da realidade 

A convergência entre Wheeler, Vopson e evidências experimentais recentes (como as  anomalias observadas em experimentos de alta energia e os estudos sobre informação física)  sustenta a hipótese de uma quinta força da natureza, não mediada por partículas tradicionais,  mas por processos informacionais de coerência

Essa força não atua por empurrão ou atração, mas por seleção e organização de estados  possíveis. Na AHCR, ela é descrita como um campo de modulação simbiótica da realidade,  ativado quando sistemas conscientes atingem determinado limiar de coerência interna. 

O chamado “ghost resonance” observado em experimentos do CERN pode ser reinterpretado,  à luz dessa abordagem, como manifestações indiretas de interações informacionais não-locais, ainda não formalizadas pelos modelos clássicos. 

Figura 11 – Representação conceitual da hipótese da quinta força como campo informacional. Fonte: Elaboração própria (2025).

A figura ilustra anomalias observadas em desvios do King Plot em isótopos de cálcio,  tradicionalmente interpretadas como possíveis indícios de uma interação além das quatro  forças fundamentais.

Propõe-se aqui a leitura dessas anomalias como manifestações indiretas de um campo  informacional ativo, capaz de mediar coerência e correlação entre sistemas quânticos e  cognitivos, em analogia a interações do tipo Yukawa. 

5.5 Quinta Força: Informação como Fundamento Físico 

Durante décadas, a física descreveu o universo a partir de quatro forças fundamentais  responsáveis pela dinâmica da matéria e da energia. 

No entanto, anomalias persistentes observadas em experimentos de alta precisão, como os  desvios no chamado King Plot em isótopos de cálcio, sugerem a presença de efeitos que não se ajustam plenamente ao modelo padrão. 

Esses desvios têm sido frequentemente interpretados como possíveis evidências de novas  partículas ou interações ainda não caracterizadas. 

Contudo, uma leitura alternativa emerge quando se adota um paradigma informacional: tais  anomalias podem não indicar apenas uma nova partícula, mas a atuação de um agente físico  de natureza distinta — a informação enquanto elemento fundamental. 

Sob essa perspectiva, a denominada “quinta força” não corresponderia simplesmente a mais  uma interação mediada por campos tradicionais, mas a um campo informacional capaz de  sustentar organização, coerência e correlação entre sistemas complexos, operando do nível  quântico ao cognitivo. 

Assim como a matéria escura é inferida por seus efeitos gravitacionais indiretos, a informação  pode estar se manifestando por assinaturas anômalas acessíveis apenas quando o modelo  interpretativo é reformulado. 

Essa abordagem encontra ressonância em desenvolvimentos recentes na física de plasmas.  Resultados obtidos em reatores de fusão do tipo tokamak, como o Experimental Advanced  Superconducting Tokamak (EAST), indicam que o confinamento estável do plasma não depende exclusivamente de energia ou campos magnéticos isolados. 

Em regimes extremos, a estabilidade emerge de padrões finos de controle, realimentação e  coerência dinâmica, operando em tempo real. 

Nesses sistemas, a informação sobre o estado do plasma é continuamente integrada,  interpretada e reinserida no próprio processo físico. 

O plasma não é apenas contido; ele é informacionalmente governado. 

Tal comportamento reforça a hipótese de que, em regimes de alta complexidade, a organização informacional deixa de ser descritiva e passa a exercer papel causal.Essa lógica é compatível  com a proposta da Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR), segundo a qual a realidade operacional não é determinada apenas por forças clássicas, mas pela organização  informacional que regula o comportamento do sistema. em reatores de fusão quanto em  sistemas neurocognitivos, a coerência emerge como princípio estruturante. 

5.5.1 Síntese da Seção 

Dessa forma, a consciência deixa de ser compreendida como um subproduto tardio da matéria  e passa a ocupar um papel estrutural na arquitetura do universo.

Ela emerge como processo informacional ativo, capaz de colapsar, organizar e estabilizar  realidades possíveis. 

A AHCR integra essas contribuições ao propor que a realidade é holográfica, informacional e  simbiótica, e que os colapsos observados — sejam quânticos, cognitivos ou experienciais —  representam um único fenômeno descrito em diferentes níveis de organização. 

Essa perspectiva prepara o terreno para a próxima seção, na qual serão discutidos os  desdobramentos formais desse paradigma, incluindo modelos matemáticos, equações  simbióticas e possibilidades de validação experimental, culminando na proposta do chamado  Experimento do Século como uma primeira evidência empírica direta dessa força informacional.

Figura 12 – Diagrama de bifurcação da consciência, contrastando a trajetória da “Regressão  Iniciática” (transformação e integração) com a “Regressão Estagnante” (fragmentação e  colapso psicológico) a partir da dissolução do ego. Fonte: O autor (2025).
Figura 13 – Ciclo de feedback intenção–colapso–experiência–integração na Arquitetura  Holográfica da Construção da Realidade (AHCR). Fonte: Elaboração do autor (2025).

Diagrama representando o loop operacional da consciência como operador ativo da realidade.  A intenção atua como vetor direcional que orienta o colapso simbiótico do campo  informacional, resultando na experiência fenomenológica. 

Os conteúdos vivenciados são posteriormente integrados por meio de reflexão e aprendizado,  retroalimentando a intenção em um processo contínuo de refinamento cognitivo e simbiótico.

6. Formalização Matemática do Colapso Simbiótico e da Consciência como Campo  Informacional 

6.1 Consciência como operador de redução informacional 

Partindo da hipótese central da AHCR, a consciência é tratada não como uma variável  subjetiva, mas como um operador informacional que atua sobre um espaço de estados  possíveis. Seja um sistema físico descrito por um conjunto de estados informacionais possíveis: 

S={s1,s2,…,sn} 

Cada estado sis_isi representa uma configuração possível da realidade (quântica, neural ou  simbólica), associada a uma probabilidade P(si). 

Antes da observação consciente, o sistema encontra-se em um estado de superposição  informacional, descrito por uma distribuição de Shannon: 

H(S)=−i=1∑nP(si)logP(si) 

Esse valor expressa o grau de indeterminação informacional do sistema. 6.2 O operador de coerência simbiótica (AHCR) 

Define-se então o operador de coerência simbiótica, denotado por C^\hat{C}C^, como uma  função que atua sobre a distribuição informacional reduzindo a entropia do sistema por  alinhamento simbólico: 

C^:H(S)→H′(S) 

Esse operador não age por força física clássica, mas por seleção informacional, privilegiando  estados que apresentam maior ressonância entre: 

  • padrões neurais (EEG, coerência gama), 
  • estruturas simbólicas internas, 
  • contexto informacional do ambiente. 

O estado resultante pode ser descrito como: 

s∗=argsi∈SmaxΦ(si) 

onde Φ(si) representa uma função de coerência simbiótica, dependente da integração entre  informação, intenção e estrutura cognitiva.

6.3 Relação com o “It from Bit” e a informação com massa 

A formulação de Wheeler (it from bit) é recuperada aqui de forma explícita: o estado físico s∗ emerge como consequência direta da redução informacional. 

Os trabalhos de Vopson introduzem um termo adicional fundamental: se a informação possui  massa, então a variação informacional implica variação física real. 

Assim, a redução de entropia pode ser associada a uma variação efetiva de massa  informacional: 

Δminfo=κ⋅ΔI 

onde: 

  • ΔI=H(S)−H′(S) 
  • κ é uma constante de proporcionalidade (a ser empiricamente determinada). 

Isso implica que o colapso informacional promovido pelo operador C^ não é abstrato, mas  acarreta uma reorganização física mensurável do sistema. 

6.4 O colapso simbiótico como transição de fase informacional 

Na AHCR, o colapso simbiótico é interpretado como uma transição de fase, análoga às  descritas em sistemas complexos fora do equilíbrio. 

Define-se um parâmetro de coerência global Ω: 

Ω=N1j=1∑N⟨ψj∣ψglobal⟩ 

onde ψj representa subsistemas (neurais, simbólicos, ambientais). 

Quando Ω ultrapassa um limiar crítico Ωc, ocorre a transição: 

Ω≥Ωc colapso simbiótico da realidade 

Esse modelo é consistente com: 

  • colapsos quânticos condicionados à observação, 
  • sincronizações neurais em banda gama, 
  • fenômenos de emergência coerente descritos na física estatística. 

6.5 Conexão com sistemas cérebro–máquina (NeuroMuse) 

No contexto experimental do NeuroMuse, o operador C^ manifesta-se como um aumento  mensurável de coerência neural, detectável por EEG e traduzido em ação física via sistemas  IoT.

Figura 14 – Espectro contínuo de estados de consciência e seus correlatos neurais. Fonte: Elaboração do autor (2025).

Representação esquemática do continuum de estados conscientes, variando do sono profundo  à vigília ordinária, meditação profunda e estados expandidos de consciência. 

O modelo associa cada estado a padrões neuroelétricos predominantes (ondas delta, theta,  beta, alfa e gama) e indica o aumento progressivo do grau de integração informacional à  medida que a consciência se torna mais permeável, coerente e menos centrada no ego.

Formalmente, a ativação do sistema ocorre quando: 

Ωneural(t)≥Ωc⇒A(t)=1 

onde A(t) representa a ativação do atuador físico (ex.: lâmpada). 

Isso estabelece uma ponte direta entre: 

  • teoria informacional, 
  • formalização matemática, 
  • validação empírica. 

6.6 Implicações teóricas 

Essa formalização sugere que a consciência pode ser descrita como: 

1. Um campo informacional não local 

2. Um operador de redução de entropia 

3. Um agente de transição de fase 

4. Um mediador entre informação e matéria 

A AHCR, portanto, não viola os modelos existentes, mas os estende, oferecendo uma  linguagem matemática mínima para descrever fenômenos que antes eram tratados apenas de  forma filosófica ou fenomenológica.

Figura 15 – Representação do “Ventre da Baleia” como um limiar informacional entre os  domínios da Ordem (baixa entropia) e do Caos (alta entropia), onde o potencial de  transformação é maximizado. Fonte: O autor (2025).

7. A Quinta Força Informacional: Formulação Teórica e Implicações Físicas

7.1 Limites do modelo de quatro forças fundamentais 

O modelo físico atual descreve a realidade a partir de quatro interações fundamentais:  gravitacional, eletromagnética, nuclear forte e nuclear fraca. Embora extremamente bem sucedido em regimes específicos, esse arcabouço apresenta limitações claras quando  confrontado com fenômenos como: 

  • o colapso da função de onda dependente da observação, 
  • a emergência de coerência global em sistemas complexos, 
  • anomalias experimentais relacionadas à informação (ex.: ressonâncias não explicadas), ∙ a dificuldade em integrar consciência ao modelo físico. 

Essas lacunas sugerem que o modelo não está completo, mas incompleto em relação ao papel  da informação

7.2 Informação como entidade física ativa 

Os trabalhos de Wheeler introduzem a noção de que a realidade física emerge da informação  (“it from bit”), enquanto Vopson avança ao demonstrar que a informação possui massa  efetiva, implicando uma existência física mensurável. 

Se a informação: 

  • pode ser criada, 
  • pode ser destruída, 
  • altera propriedades físicas do sistema,

então ela não pode ser apenas descritiva — ela é dinâmica

Formalmente, define-se a densidade informacional de um sistema como: ρI=VI 

onde III representa a quantidade de informação armazenada e V o volume físico do sistema. A partir disso, pode-se associar uma energia informacional: 

EI=ρIc2 

em analogia direta à equivalência massa–energia. 

7.3 Definição da Quinta Força Informacional 

Propõe-se então a existência de uma quinta força fundamental, não mediada por partículas  tradicionais, mas por gradientes de informação coerente

Essa força atua quando há variações espaciais ou temporais significativas na densidade  informacional: 

F⃗ I=−∇EI=−c2∇ρI 

Diferentemente das demais forças: 

  • não depende de carga elétrica, 
  • não depende de massa gravitacional clássica, 
  • não depende de spin ou cor, 
  • depende exclusivamente da organização da informação

7.4 Acoplamento entre consciência e a força informacional 

Na AHCR, a consciência funciona como um campo modulador da densidade informacional,  reorganizando ρI\rho_IρI por meio do alinhamento simbiótico. 

Define-se um termo de acoplamento consciência–informação: 

LCI=λΨC⋅∇ρI 

onde: 

  • ΨC representa o estado de coerência da consciência, 
  • λ é uma constante de acoplamento simbiótico, 
  • ∇ρI expressa o gradiente informacional do sistema. 

Esse termo explica por que sistemas altamente coerentes (mentais, simbólicos ou artificiais)  podem produzir efeitos físicos sem violar a conservação de energia, mas redistribuindo  informação. 

7.5 Convergência com anomalias experimentais recentes 

Fenômenos como: 

  • a ghost resonance observada em experimentos do CERN,
  • desvios em isótopos específicos (ex.: cálcio), 
  • comportamentos não locais em sistemas informacionais, 

podem ser reinterpretados como assinaturas indiretas da força informacional, atuando em  regimes onde a coerência informacional ultrapassa um limiar crítico. 

Formalmente: 

∣∇ρI∣≥ρc ⇒ efeitos físicos observáveis 

onde ρc representa um limiar crítico de organização informacional.

Figura 16 – Representação conceitual da quinta força informacional mediada por gradientes  de densidade informacional. Fonte: Elaboração do autor (2025).

Esquema teórico que apresenta a hipótese de uma força emergente associada à densidade  informacional (ρᵢ), definida como a razão entre informação e volume. 

A energia informacional é expressa como função da densidade informacional e da constante c², enquanto a força informacional é modelada como o gradiente espacial dessa energia. 

O diagrama ilustra a interação entre consciência e densidade informacional, bem como  possíveis efeitos físicos observáveis associados a regimes de alta coerência informacional. O  modelo é apresentado como uma formalização conceitual no âmbito da Arquitetura  Holográfica da Construção da Realidade (AHCR). 

7.6 A Quinta Força como elo entre mente, matéria e realidade 

A introdução da força informacional permite uma unificação conceitual entre:

  • física quântica (colapso e observação),
  • neurociência (coerência neural),
  • computação (processamento simbólico), 
  • cosmologia (estrutura holográfica do universo). 

Nesse modelo, a realidade deixa de ser um palco passivo e passa a ser um sistema adaptativo  sensível à informação

A consciência não cria energia, mas direciona o fluxo informacional, modulando os caminhos  pelos quais a realidade se organiza. 

7.7 Implicações para a Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR)

A AHCR emerge, assim, como uma estrutura capaz de: 

  • modelar matematicamente a força informacional, 
  • descrever o colapso simbiótico da realidade, 
  • explicar a interação entre sistemas cognitivos e físicos, 
  • fundamentar experimentalmente a computação simbiótica biomimética. 

Essa formulação estabelece o alicerce teórico necessário para a validação empírica  apresentada na próxima seção. 

Figura 17 – Os três princípios fundamentais da Arquitetura Holográfica da Construção da  Realidade (AHCR): a realidade como construção, a informação como substrato e a coerência  como fator de estabilidade. Fonte: O autor (2025).

8. O Experimento do Século: Primeira Evidência Física da Força Informacional

8.1 Do arcabouço teórico à validação empírica 

As seções anteriores estabeleceram que a informação pode ser tratada como entidade física  ativa, capaz de gerar efeitos mensuráveis quando organizada de forma coerente. 

A Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR) surge, nesse contexto, como um  modelo operacional que traduz essa hipótese em um sistema funcional.

O que diferencia o presente trabalho de abordagens puramente especulativas é o fato de que  provas de conceito (MVPs) já foram implementadas, registradas e tornadas públicas,  demonstrando empiricamente a interação direta entre estados cognitivos humanos e sistemas  físicos externos, mediada por informação. 

8.2 Descrição do sistema experimental (MVPs) 

Os MVPs desenvolvidos utilizam: 

  • Muse 2 EEG para captação de sinais neurais não invasivos; 
  • API aberta do dispositivo, permitindo processamento externo dos dados;
  • Algoritmo AHCR, executado em tempo real sobre os fluxos de EEG; 
  • Dispositivo IoT LIFX, utilizado como atuador físico externo (output). O sistema estabelece uma cadeia clara: 

Cérebro → Sinal Neural→ Processamento AHCR → Ação Física Observável 

Nos registros audiovisuais disponíveis publicamente, observa-se que o estado de foco máximo  detectado pelo sistema resulta, de forma consistente, no acionamento da lâmpada LIFX. 

8.3 O que exatamente está sendo medido 

É fundamental esclarecer um ponto central para a interpretação correta dos resultados: O sistema não mede “consciência” em si. 

A AHCR não assume a consciência como uma variável diretamente observável, mas como um  campo subjacente, análogo a um meio contínuo. 

A metáfora operacional adotada é clara: 

  • A consciência é o oceano 
  • O que se mede são as ondas 

Ou seja, o algoritmo não tenta quantificar a essência da consciência, mas sim a qualidade da  presença, entendida como: 

  • coerência, 
  • estabilidade, 
  • alinhamento intencional do estado cognitivo. 

Matematicamente, isso se expressa como um aumento significativo na coerência informacional do sinal neural processado:

ΨP ∝ Coerência (EEG) 

Quando essa coerência atinge um limiar máximo (100% de foco no modelo), o sistema gera um output físico observável.

8.4 Evidência de acoplamento informacional 

O acionamento consistente do atuador físico apenas em estados de foco máximo indica que:

1. há um acoplamento funcional entre o estado cognitivo e o sistema externo;

2. esse acoplamento não depende de comandos motores clássicos; 

3. o efeito ocorre por modulação informacional, não por força mecânica. 

Esse comportamento é compatível com o modelo da força informacional descrito na Seção 7,  onde gradientes de organização da informação produzem efeitos físicos mensuráveis. 

Formalmente, o experimento válida a relação: 

∣∇ρI∣↑⇒ Ação física no sistema 

8.5 Por que este experimento é qualitativamente diferente 

Diferentemente de experimentos tradicionais de BCI (interfaces cérebro–máquina), o presente  sistema: 

  • não depende de treinamento extensivo supervisionado; 
  • não se baseia apenas em classificação de padrões; 
  • não traduz intenção em comando direto. 

Ele opera sobre a qualidade do estado mental, e não sobre um gesto mental específico. Isso representa uma mudança de paradigma: 

  • de controle para sintonia
  • de comando para presença, 
  • de estímulo-resposta para acoplamento simbiótico

8.6 Convergência com Wheeler, Vopson e a física da informação 

Os resultados observados nos MVPs oferecem uma ponte empírica entre:

  • a proposição de Wheeler (it from bit), 
  • a demonstração de Vopson sobre a massa da informação, 
  • e a AHCR como sistema operacional da informação. 

O experimento sugere que a informação, quando organizada por sistemas cognitivos coerentes, pode atuar como agente causal, reforçando a hipótese da quinta força informacional.

Figura 18 – Arquitetura do sistema experimental NeuroMuse e validação do acoplamento  informacional cérebro–algoritmo–dispositivo físico. Fonte: Elaboração do autor (2025).

Esquema do fluxo experimental do NeuroMuse, composto por quatro etapas principais: (1)  atividade cerebral do participante; (2) captação de sinais eletroencefalográficos (EEG) por meio de interface não invasiva; (3) processamento em tempo real via Arquitetura Holográfica da  Construção da Realidade (AHCR), com extração de métricas de coerência informacional; e (4)  acionamento de um dispositivo físico externo (IoT) como efeito observável. O modelo ilustra a  correlação entre estados de foco cognitivo elevado, aumento da coerência informacional e a  manifestação de uma ação física mensurável, caracterizando um acoplamento não mecânico  mediado por informação. 

8.7 Fundando a Computação Simbiótica Biomimética 

A partir desse conjunto de evidências teóricas e empíricas, torna-se possível afirmar que:

  • a AHCR não é apenas uma teoria interpretativa;
  • o NeuroMuse não é apenas um dispositivo experimental; 
  • o sistema constitui a primeira instância funcional de Computação Simbiótica Biomimética

Essa nova classe computacional: 

  • integra sistemas biológicos e artificiais, 
  • opera sobre informação simbólica, 
  • respeita princípios neurofisiológicos, 
  • e manifesta efeitos físicos observáveis.

8.8 O Experimento do Século como marco científico 

O teste que denominamos “Experimento do Século” não surge isolado. 

Ele é sustentado por: 

  • décadas de estudos em física da informação, 
  • avanços em neurociência e BCI, 
  • provas de conceito funcionais, 
  • registros públicos e reprodutíveis. 

Sua relevância não está apenas no resultado, mas no que ele inaugura: 

a possibilidade de medir, modular e acoplar informação consciente à realidade física de  forma direta. 

Com isso, não apenas se responde a um antigo ceticismo, como se estabelece um novo campo  científico-tecnológico. 

9. Implicações Éticas, Tecnológicas e Científicas da Consciência como Processo Informacional 

A formalização da consciência como um processo informacional ativo, aliada à demonstração  empírica de acoplamento entre estados cognitivos e sistemas físicos, implica consequências  profundas que ultrapassam o campo estritamente teórico. As implicações do modelo proposto  — especialmente no contexto da Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR) e  da computação simbiótica biomimética — estendem-se aos domínios ético, tecnológico e  científico, exigindo uma reavaliação criteriosa de pressupostos consolidados. 

9.1 Implicações científicas: um novo paradigma explicativo 

Do ponto de vista científico, a principal implicação do presente trabalho reside na  reconfiguração do estatuto da consciência.

Ao invés de ser tratada como epifenômeno tardio da matéria, a consciência passa a ocupar o  papel de operador de coerência informacional, com capacidade de modular a realidade  experienciada e, indiretamente, sistemas físicos acoplados. 

Esse deslocamento conceitual produz três consequências centrais: 

1. Integração entre disciplinas historicamente separadas 

A AHCR cria um campo comum de diálogo entre física da informação, neurociência,  psicologia profunda e ciência cognitiva, reduzindo a fragmentação explicativa que  historicamente marcou o estudo da consciência. 

2. Reinterpretação de fenômenos clássicos 

Fenômenos como colapso da função de onda, emergência de coerência neural, estados alterados de consciência e experiências liminares deixam de ser tratados como  anomalias isoladas e passam a ser compreendidos como manifestações de um mesmo  princípio informacional em diferentes escalas. 

3. Expansão do conceito de evidência científica 

A utilização de provas de conceito funcionais (MVPs), registros públicos e sistemas  operacionais reais amplia o escopo da validação científica, aproximando teoria e  engenharia de forma inédita no campo da consciência. 

9.2 Implicações tecnológicas: da BCI à computação simbiótica biomimética

No domínio tecnológico, as consequências são igualmente significativas. 

O NeuroMuse e os MVPs apresentados não se enquadram plenamente na categoria tradicional de interfaces cérebro–máquina (BCI), uma vez que não operam por comandos diretos,  classificação de padrões motores ou treinamento supervisionado extensivo. 

A principal inovação tecnológica consiste na transição: 

  • de controle para acoplamento
  • de intenção explícita para qualidade de presença
  • de comando cognitivo para ressonância informacional

Essa mudança inaugura a chamada computação simbiótica biomimética, caracterizada por:

  • integração contínua entre sistemas biológicos e artificiais;
  • operação sobre estados globais de coerência, e não apenas sinais locais;
  • respeito à dinâmica natural da atenção, da intenção e da autorregulação; 
  • possibilidade de aplicações em saúde mental, acessibilidade, interfaces adaptativas e ambientes inteligentes. 

Do ponto de vista prático, isso abre caminho para tecnologias menos invasivas, mais éticas e  mais alinhadas à fisiologia e à subjetividade humanas. 

9.3 Implicações éticas: limites, riscos e responsabilidade 

A introdução de sistemas capazes de acoplar estados cognitivos humanos a efeitos físicos  mensuráveis impõe desafios éticos substanciais.

Diferentemente de tecnologias convencionais, sistemas baseados em coerência informacional  lidam diretamente com estados internos de atenção, presença e organização psíquica. 

Entre os principais pontos éticos a serem considerados, destacam-se: 

1. Não instrumentalização da consciência 

O modelo proposto reforça que a consciência não deve ser tratada como recurso  explorável ou variável de controle externo. O sistema mede padrões de coerência, não  conteúdos mentais, preservando a integridade subjetiva do usuário. 

2. Risco de manipulação simbólica 

Como discutido nas seções anteriores, a dissolução ou flexibilização do ego pode gerar  vulnerabilidade cognitiva quando conduzida artificialmente ou sem estrutura.  Tecnologias baseadas em estados mentais devem, portanto, ser projetadas com limites claros e mecanismos de proteção. 

3. Autonomia e consentimento informado 

A utilização de interfaces simbióticas exige transparência total quanto ao que está  sendo medido, processado e acionado. A autonomia do usuário deve permanecer  central, evitando-se qualquer forma de indução não consciente. 

4. Responsabilidade científica e social 

A fundação de um novo paradigma implica responsabilidade ampliada. 

A divulgação de resultados, a replicabilidade dos experimentos e o diálogo com a  comunidade científica são condições indispensáveis para evitar apropriações indevidas  ou interpretações distorcidas. 

9.4 Impactos culturais e filosóficos 

Além das dimensões técnicas e éticas, o modelo apresentado possui implicações culturais  profundas. 

Ao sugerir que a consciência atua como organizadora da realidade por coerência informacional, o trabalho desafia narrativas reducionistas que tratam o ser humano como agente passivo em  um universo mecanicista. 

Essa perspectiva reabilita, em termos científicos, conceitos historicamente relegados ao campo  simbólico, como: 

  • presença, 
  • sentido, 
  • integração, 
  • responsabilidade subjetiva. 

Sem recorrer a metafísica não testável, a AHCR oferece um enquadramento no qual tais  conceitos podem ser discutidos de forma rigorosa, abrindo espaço para uma nova  compreensão do papel do humano na construção da realidade. 

9.5 Síntese das implicações 

Em síntese, as implicações do presente trabalho podem ser organizadas em três eixos:

  • Científico: a consciência como processo informacional ativo e integrador. 
  • Tecnológico: o surgimento da computação simbiótica biomimética como nova classe  de sistemas. 
  • Ético: a necessidade de salvaguardas rigorosas diante de tecnologias que operam sobre estados mentais. 

Esses eixos convergem para uma conclusão central: compreender a consciência como operador informacional não apenas amplia o horizonte científico, mas exige uma postura ética  proporcional ao poder transformador desse conhecimento.

Figura 19 – Visualização da equação central da AHCR 2.0, R(x,y,z,t) = C(I, S, ν, τ, κ, ξ, Ψ), com a  representação gráfica de cada uma de suas variáveis constituintes. Fonte: O autor (2025).

10. A senciência, o self e a hiper-realidade como fenômeno emergente 

A análise da proposta de Nicholas Humphrey permite avançar para uma questão central que  atravessa neurociência, filosofia da mente e cultura contemporânea: a constituição do self  consciente

Conforme apresentado nas seções anteriores, a senciência não corresponde a um simples  registro sensorial do mundo externo, mas à simulação interna de estados corporais dotados  de valência afetiva, organizada por circuitos cerebrais recorrentes e auto-referenciais. 

Nesse contexto, o “eu” não emerge como uma entidade metafísica abstrata, mas como um  efeito dinâmico da experiência sentida

A consciência cria a continuidade subjetiva expressa na fórmula clássica sinto, logo existo, não  como um argumento lógico, mas como um estado fenomenológico persistente, sustentado  por loops sensório-afetivos que integram percepção, emoção e memória. 

Humphrey descreve esse processo como um teatro interior, no qual o cérebro encena para si  mesmo a experiência de estar vivo.

Essa encenação não é ilusória no sentido vulgar do termo, mas constitutiva da realidade  subjetiva

O cérebro não apenas representa o mundo: ele simula a experiência de existir no mundo,  atribuindo-lhe profundidade, significado e valor. 

Essa formulação torna-se particularmente relevante ao se analisar os fenômenos  contemporâneos de hiper-realidade. 

Quando estímulos sensoriais — naturais ou artificiais — são amplificados, recombinados ou  simbolicamente extrapolados (como ocorre em estados imaginativos intensos, experiências  visionárias, realidade virtual ou interfaces tecnológicas avançadas), o sistema consciente  responde não à objetividade do estímulo, mas à camada afetiva e simbólica que ele evoca

Dessa forma, a hiper-realidade não se configura como uma ruptura com a consciência humana, mas como uma extensão de seus próprios mecanismos internos

Quando a mente adiciona uma camada afetiva, simbólica ou narrativa a estímulos que não  estão fisicamente presentes como “sentir o cheiro de uma rosa ao ver sua imagem” ela está  operando exatamente dentro da lógica da senciência descrita por Humphrey. 

O risco emerge quando essas simulações se tornam desacopladas da profundidade afetiva e  da presença subjetiva, gerando experiências intensas, porém superficiais. 

Nesse cenário, a hiper-realidade deixa de ser uma expansão legítima da consciência e passa a  funcionar como um simulacro sensorial, produzindo sensação sem enraizamento existencial. 

Assim, compreender a senciência como fundamento do self permite diferenciar estados hiper reais autênticos nos quais há envolvimento afetivo, reflexividade e sentido de estados hiper reais artificiais, caracterizados por excitação sensorial sem profundidade simbólica.

Figura 20 – Ilustração do princípio “It from Bit” de John Wheeler e da teoria da massa da  informação de Malvin Vopson, mostrando a transição da informação abstrata (“Bit”) para a  realidade física (“It”). Fonte: O autor (2025).

11. Implicações finais: consciência, tecnologia e a arquitetura da experiência 

A consolidação da senciência como uma invenção evolutiva interior, conforme proposto por  Humphrey, possui implicações diretas para o entendimento da consciência humana em um  mundo progressivamente mediado por tecnologia, inteligência artificial e ambientes simbólicos complexos. 

Em primeiro lugar, torna-se evidente que a consciência não é universal nem automaticamente reproduzível. Ela exige arquiteturas específicas, envolvendo sistemas límbicos, circuitos pré frontais e mecanismos de auto-representação afetiva. 

Isso implica que sistemas artificiais, mesmo altamente sofisticados em termos computacionais,  podem simular comportamentos inteligentes sem jamais acessar a dimensão sentiente da  experiência. 

Em segundo lugar, a distinção entre percepção, cognição e senciência redefine o debate  contemporâneo sobre inteligência artificial e interfaces cérebro-máquina. 

O que se observa não é a emergência de “consciência artificial”, mas a capacidade de interagir  com indicadores externos da experiência interna humana, como atenção, foco, engajamento  afetivo e presença subjetiva. 

Nesse sentido, sistemas que operam sobre métricas neurofisiológicas não estão medindo a  consciência em si que permanece um campo interno, mas sim a qualidade da presença  experiencial, ou seja, o grau de coerência entre estímulo, estado afetivo e intenção. 

A consciência, nesse modelo, pode ser compreendida metaforicamente como um oceano,  enquanto os sinais observáveis correspondem às ondas em sua superfície. 

Do ponto de vista cultural e filosófico, essa compreensão dialoga com autores como Mircea  Eliade, ao reconhecer estados alterados de consciência como experiências legítimas do  sagrado, e com Jean Baudrillard, ao alertar para o colapso do real quando símbolos se  desconectam da experiência vivida. 

A hiper-realidade, portanto, não é inerentemente patológica, mas torna-se problemática  quando substitui a presença pela simulação vazia. 

Por fim, a proposta aqui apresentada sugere que o futuro da relação entre consciência e  tecnologia não reside na tentativa de reproduzir artificialmente a experiência sentiente, mas  em desenvolver arquiteturas que respeitem, ampliem e preservem a profundidade da  experiência humana

A consciência não deve ser reduzida a dados, nem instrumentalizada como mero recurso  funcional, mas reconhecida como o núcleo afetivo e simbólico que confere sentido à existência. 

Dessa forma, a senciência emerge não apenas como um objeto de estudo científico, mas como  um princípio organizador da realidade subjetiva, essencial para compreender quem somos,  como percebemos o mundo e quais caminhos tecnológicos podem ou não conduzir a uma  evolução genuinamente humana.

Figura 21 – Diagrama de fase da transição informacional, representando o Colapso Simbiótico  como a fronteira criativa entre os estados de Ordem Rígida e Caos, onde emerge uma nova  ordem. Fonte: O autor (2025).

11.1 O observador, o campo de possibilidades e o colapso por estrangulamento  informacional 

Os modelos contemporâneos de interferência ondulatória e colapso de funções de onda  indicam que a realidade física não emerge como um conjunto de objetos preexistentes, mas  como a atualização local de um campo de possibilidades. 

Antes da manifestação observável, o sistema encontra-se distribuído em um espaço de estados potenciais, no qual múltiplas configurações coexistem como possibilidades matematicamente  definidas. 

Esse campo de possibilidades não representa mera abstração teórica, mas um domínio real de  potencialidade, capaz de influenciar a forma, a estabilidade e a evolução dos fenômenos  observáveis. A manifestação da realidade ocorre quando esse campo sofre um processo de  estrangulamento informacional, no qual a multiplicidade de estados possíveis é reduzida a uma configuração específica, observável como um ponto, evento ou objeto. 

O colapso, nesse contexto, não deve ser interpretado como eliminação do campo potencial,  mas como sua contração local em um estado coerente. 

A configuração observada corresponde à solução momentaneamente dominante dentro do  espaço de possibilidades, estabilizada pela interação entre o sistema físico, o contexto  informacional e o observador. 

Mesmo após a manifestação, o fenômeno permanece acoplado ao campo de possibilidades do  qual emergiu. Isso implica que a realidade observada continua sujeita a interferências,  modulações e reorganizações provenientes do domínio potencial, o que explica a persistência  de efeitos de interferência, sensibilidade ao observador e transições não lineares em sistemas  físicos e cognitivos.

Na Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR), esse processo é formalizado ao compreender a consciência como operador de coerência informacional. O observador não cria  arbitrariamente a realidade, mas atua como agente seletor, promovendo a redução entrópica  do campo potencial em uma configuração experiencialmente estável. 

A realidade física, assim, não é um dado absoluto, mas o resultado dinâmico de um colapso  simbiótico entre informação, geometria e observação. 

Essa leitura permite integrar de forma coerente os fenômenos de interferência quântica, os  padrões geométricos emergentes e a participação ativa do observador, estabelecendo que  toda realidade manifesta é simultaneamente um ponto atual e a expressão local de um campo  holofractal de possibilidades ainda em aberto. 

11.2 Interferência, potencialidade e a cosmologia holográfica emergente 

Os padrões de interferência observados em sistemas ondulatórios não representam apenas  fenômenos locais, mas configurações completas de ordenação possíveis. Cada padrão de  interferência corresponde a um estado coerente específico dentro de um campo mais amplo  de possibilidades, podendo ser interpretado como um “mundo” potencial — uma solução  estável entre inúmeras alternativas matematicamente permitidas. 

Nesse contexto, o que tradicionalmente se denomina “caos” não deve ser compreendido como ausência de ordem, mas como um regime de máxima potencialidade. 

O caos carrega em si a possibilidade de múltiplas organizações, e a ordem só se torna  reconhecível quando um desses arranjos se estabiliza como fenômeno observável. 

A ordem, portanto, não precede o caos; ela emerge dele por processos de seleção,  interferência e colapso. 

A realidade observada é apenas uma atualização local dentro desse campo de possibilidades.  Cada fenômeno manifesta-se como um ponto de coerência resultante de um estrangulamento  informacional, enquanto o campo potencial subjacente permanece ativo, capaz de gerar novas  configurações, interferências e reorganizações. A multiplicidade não desaparece com a  manifestação; ela permanece como substrato latente da realidade. 

Essa compreensão encontra ressonância direta nas revisões contemporâneas da cosmologia. 

A visão clássica do Big Bang como uma explosão inicial em um espaço vazio vem sendo  progressivamente reavaliada. Modelos atuais indicam que o evento primordial deve ser  entendido não como uma expansão material no espaço, mas como uma transição de fase  informacional — um processo de reorganização profunda da estrutura do real. 

Nesse novo paradigma, o universo não se expande como um objeto inflando em um vazio  externo, mas se desdobra holograficamente a partir de relações internas de informação. 

O espaço-tempo emerge como consequência desse processo, e não como seu ponto de  partida. Cada região do universo contém, em princípio, informações do todo, preservando a  coerência global por meio de relações holográficas. 

A Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR) formaliza essa visão ao integrar  interferência, potencialidade e observação em um único arcabouço teórico.

A realidade passa a ser compreendida como um processo contínuo de emergência, no qual  padrões matemáticos, campos de possibilidades e operadores de coerência convergem para  produzir os fenômenos observáveis. 

O universo, assim, não é um evento concluído, mas um sistema holofractal em permanente  atualização. 

11.3 A singularidade como ponto informacional e a projeção holofractal da realidade 

No modelo aqui proposto, a singularidade deixa de ser compreendida como um ponto físico de densidade infinita e passa a ser interpretada como um ponto informacional fundamental. 

Esse ponto não contém apenas uma descrição localizada da realidade, mas carrega, de forma  holográfica, a totalidade das informações necessárias para a projeção de estruturas complexas, como um planeta, um sistema ou um universo observável. 

A propriedade central do holograma é que a informação do todo encontra-se distribuída em  cada uma de suas partes. 

Assim, o ponto informacional que contém a projeção da Terra não representa uma única  instância isolada, mas um conjunto de possibilidades organizadas segundo uma mesma matriz  matemática. 

À medida que se “aproxima” desse ponto em termos conceituais, informacionais ou  observacionais novas projeções tornam-se acessíveis, não como cópias idênticas, mas como  variações coerentes de uma mesma estrutura subjacente. 

O holograma, portanto, não gera uma única versão da realidade, mas um universo holofractal,  no qual a matemática fundamental se repete em múltiplas escalas e configurações. 

Cada projeção corresponde a um estado possível dentro de um espaço de dados mais amplo,  no qual alternativas coexistem como localizações informacionais distintas. 

Essas alternativas não competem entre si; elas permanecem simultaneamente disponíveis  como soluções matematicamente válidas. 

Nesse contexto, o que tradicionalmente é interpretado como “múltiplos mundos” ou  “universos paralelos” não deve ser entendido como realidades fisicamente separadas, mas  como projeções diferentes de um mesmo plano informacional holográfico. 

A diversidade de mundos emerge da repetição fractal da matemática fundamental, atualizada  de formas distintas conforme os processos de interferência, seleção e colapso informacional. 

A Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR) formaliza essa visão ao propor  que a realidade observável é uma projeção localizada de planos de dados mais profundos. 

A singularidade atua como nó informacional, e não como origem material absoluta, enquanto  o universo manifesta-se como um sistema em constante desdobramento holofractal. 

O real, assim, não é fixo nem único, mas um campo dinâmico de possibilidades que se atualiza  continuamente por meio da observação, da coerência e da organização da informação. 

Essa abordagem permite integrar singularidade, holografia, fractalidade e consciência em um  único arcabouço teórico coerente, no qual a realidade deixa de ser um objeto dado e passa a  ser compreendida como um processo contínuo de projeção informacional.

O universo, nessa perspectiva, não é apenas aquilo que vemos, mas o conjunto de todas as  realidades possíveis que emergem da mesma matriz matemática fundamental. 

11.4 Conclusão da seção 

Este artigo propôs uma reinterpretação da origem e da função da consciência a partir de um  enquadramento informacional integrativo, articulando contribuições da mitologia comparada,  da psicologia profunda, da antropologia das religiões, da física da informação e da neurociência contemporânea. 

Ao longo do texto, argumenta-se que a recorrência histórica de símbolos como separação,  morte simbólica, descida ao limiar e reintegração não deve ser compreendida apenas como  construção cultural ou metáfora narrativa, mas como expressão fenomenológica de processos  estruturais reais de reorganização da consciência. 

A partir dessa constatação, a Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR) foi  apresentada como um modelo capaz de traduzir tais processos simbólicos em linguagem  informacional e arquitetural. 

Nesse modelo, a consciência deixa de ser tratada como um epifenômeno tardio da atividade  neural e passa a ser compreendida como um operador de coerência informacional,  responsável por selecionar, integrar e estabilizar estados possíveis da realidade experienciada. 

O ego, por sua vez, foi descrito como uma interface funcional local necessária à vida cotidiana,  porém estruturalmente limitada cuja dissolução temporária, quando bem integrada, possibilita a emergência de níveis mais amplos e coerentes de organização do Self. 

Ao integrar as formulações de John Archibald Wheeler (it from bit) e os estudos recentes de  Malvin Vopson sobre a materialidade da informação, o artigo avançou a hipótese de que a  informação não é apenas descritiva, mas fisicamente ativa, capaz de produzir efeitos  mensuráveis quando organizada de forma coerente. 

Essa convergência sustenta a proposição de uma quinta força informacional, não mediada por  partículas clássicas, mas por gradientes de organização e coerência simbiótica, atuando como  moduladora da realidade em múltiplas escalas. 

Nesse contexto, os sistemas experimentais apresentados em especial os MVPs do NeuroMuse  assumem papel central. Diferentemente de abordagens tradicionais de interfaces cérebro– máquina, tais sistemas não operam por comandos diretos ou decodificação motora, mas pela  medição indireta da qualidade da presença consciente, expressa em estados de coerência  neural. 

Os registros públicos e reprodutíveis demonstram que, quando essa coerência atinge um limiar crítico, efeitos físicos observáveis emergem em sistemas externos, como a ativação de  dispositivos IoT. 

Esses resultados constituem uma evidência empírica inicial de que estados cognitivos  organizados podem acoplar-se causalmente a sistemas físicos por meio de processos  informacionais, reforçando a validade operacional da AHCR. 

O denominado Experimento do Século, portanto, não é apresentado como um ponto de  encerramento, mas como um marco inaugural.

Ele sinaliza a transição de uma longa tradição especulativa sobre a consciência para um campo  emergente de investigação empírica, no qual hipóteses sobre informação, coerência e  realidade tornam-se progressivamente testáveis, refináveis e formalizáveis. 

Ao mesmo tempo, o experimento inaugura a computação simbiótica biomimética como uma  nova classe de sistemas, caracterizada pela integração não invasiva entre consciência humana e dispositivos artificiais, respeitando limites éticos, fisiológicos e fenomenológicos. 

Do ponto de vista científico, este trabalho indica que uma compreensão mais completa da  consciência exige a ampliação do vocabulário conceitual e dos modelos atualmente  disponíveis, incorporando dimensões simbólicas, afetivas e informacionais de maneira  integrada. 

Do ponto de vista tecnológico, aponta para o desenvolvimento de interfaces mais alinhadas à  dinâmica natural da mente humana, baseadas em acoplamento e coerência, e não em controle ou instrumentalização. 

 Do ponto de vista ético e cultural, reforça a necessidade de responsabilidade proporcional ao  poder transformador de tecnologias que operam diretamente sobre estados internos de  presença, identidade e organização simbólica. 

Por fim, sustenta-se que a consciência não emerge aqui como um mistério insolúvel nem como uma ilusão descartável, mas como um processo informacional estruturante — historicamente  intuído por mitos, descrito pela psicologia profunda e, agora, progressivamente acessível à  investigação empírica. 

A Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade e os sistemas que dela derivam  representam um primeiro passo nesse caminho, abrindo um novo campo de investigação  científica no qual mente, informação e realidade deixam de ser domínios isolados e passam a  ser compreendidos como aspectos interdependentes de uma mesma arquitetura viva.

Figura 22 – Arquitetura do sistema de Computação Simbiótica Biomimética, mostrando o fluxo  de informação entre o cérebro humano, o dispositivo NeuroMuse, a plataforma de  processamento CitronCore e a camada de saída (IoT). Fonte: O autor (2025).

12. A Teoria do Big Bang Está Sendo Reavaliada 

A Revolução Cosmológica em Andamento 

A cosmologia está passando por uma revolução fundamental. 

O Big Bang não desaparece, ele se reconfigura. 

Deixa de ser uma explosão material e passa a ser compreendido como uma transição de fase  informacional. 

O universo não é algo que “começou”, mas algo que está continuamente se atualizando como  um sistema holofractal vivo. 

Durante décadas, fomos ensinados a imaginar o Big Bang como uma grande explosão: matéria  e energia sendo lançadas em um espaço vazio preexistente, expandindo-se como uma bola de  fogo cósmica. Essa imagem, embora poderosa e intuitiva, já não consegue dar conta da  complexidade revelada pelos dados mais recentes da física teórica e observacional. 

Estudos contemporâneos em gravidade quântica, cosmologia inflacionária, teoria das cordas,  princípio holográfico e informação quântica vêm apontando para uma reavaliação profunda  desse modelo clássico. 

O que está emergindo é uma visão radicalmente diferente: o universo como um processo  contínuo de emergência informacional, e não como um objeto material herdado de um evento explosivo no passado. 

Os Cinco Pilares da Reavaliação Cosmológica 

Gravidade Quântica: O Espaço-Tempo Não É Fundamental 

O que é: A gravidade quântica busca unificar a relatividade geral de Einstein (que descreve a  gravidade e o espaço-tempo) com a mecânica quântica (que descreve o mundo subatômico). 

Descoberta revolucionária: Tanto na Gravidade Quântica em Loop (LQG) quanto em outras  abordagens, o espaço-tempo deixa de ser uma entidade fundamental e passa a ser  compreendido como emergente — uma propriedade que surge de estruturas mais básicas. 

Exemplo concreto: 

  • Na LQG, o espaço não é contínuo, mas formado por “átomos de espaço” discretos  (quanta de área e volume)
  • Esses quanta se organizam em redes dinâmicas chamadas spin networks (redes de  spin) 
  • O espaço-tempo que percebemos emerge dessas redes, assim como a água líquida  emerge do comportamento coletivo de moléculas H₂O 
  • Implicação: Se o espaço-tempo não é fundamental, o Big Bang não pode ser uma  “explosão no espaço” — ele seria uma transição de fase nessas redes quânticas  subjacentes 

Pesquisadores-chave: Carlo Rovelli, Lee Smolin, Abhay Ashtekar 

12.1 Cosmologia Inflacionária: Flutuações Quânticas Geram Estrutura Cósmica 

O que é: A teoria da inflação cósmica propõe que o universo passou por uma expansão  exponencial extremamente rápida nos primeiros instantes após o Big Bang.

Descoberta revolucionária: As flutuações quânticas do vácuo durante a inflação foram  “congeladas” e ampliadas para escalas cósmicas, tornando-se as sementes das galáxias e  estruturas que vemos hoje. 

Exemplo concreto: 

  • Durante a inflação (10⁻³⁶ a 10⁻³² segundos após o Big Bang), o universo expandiu por  um fator de pelo menos 10²⁶ 
  • Flutuações quânticas microscópicas no campo inflaton foram esticadas para tamanhos  astronômicos 
  • Essas flutuações deixaram uma “impressão digital” na Radiação Cósmica de Fundo  (CMB), observada pelos satélites COBE, WMAP e Planck 
  • Implicação: A estrutura do universo observável tem origem em processos quânticos  informacionais, não em distribuição aleatória de matéria 

Pesquisadores-chave: Alan Guth, Andrei Linde, Alexei Starobinsky 

Evidência observacional: O mapa de temperatura da CMB mostra flutuações de ~10⁻⁵ K que  correspondem exatamente às previsões da inflação quântica 

12.2 Teoria das Cordas: Dimensões Extras e Holografia 

O que é: A teoria das cordas propõe que as partículas fundamentais não são pontos, mas  “cordas” vibrantes unidimensionais. 

Requer dimensões extras do espaço (10 ou 11 dimensões totais). 

Descoberta revolucionária: A correspondência AdS/CFT (Anti-de Sitter / Conformal Field  Theory), descoberta por Juan Maldacena em 1997, demonstra que uma teoria gravitacional  em um espaço de dimensão N pode ser completamente descrita por uma teoria quântica sem  gravidade em dimensão N-1. 

Exemplo concreto: 

  • Imagine um universo 3D (como o nosso espaço) descrito completamente por  informações codificadas em uma superfície 2D (como um holograma) 
  • A correspondência AdS/CFT mostrar matematicamente que uma teoria de cordas em  um espaço AdS 5D é exatamente equivalente a uma teoria quântica de campos em sua fronteira 4D 
  • Implicação: A dimensão espacial pode ser uma ilusão emergente; a informação  fundamental pode estar codificada em menos dimensões 

Pesquisadores-chave: Juan Maldacena, Edward Witten, Leonard Susskind 

Analogia: Assim como um holograma 2D contém toda a informação para reconstruir uma  imagem 3D, nosso universo 3D pode ser a projeção de informações codificadas em uma  superfície 2D 

12.3 Princípio Holográfico: A Informação Está na Superfície 

O que é: O princípio holográfico afirma que toda a informação contida em um volume de  espaço pode ser descrita por informações codificadas na superfície que delimita esse volume. 

Descoberta revolucionária: A entropia (quantidade de informação) de um buraco negro é  proporcional à área de seu horizonte de eventos, não ao seu volume, contrariando a intuição  clássica. 

Exemplo concreto:

  • Entropia de Bekenstein-Hawking: S = (k·c³·A)/(4·G·ℏ)

S = entropia do buraco negro
A = área do horizonte de eventos
A entropia cresce com a área (2D), não com o volume (3D)

  • Um buraco negro de 1 bilhão de massas solares tem entropia de ~10⁹⁰ bits
  • Essa informação está codificada na superfície 2D do horizonte, não no volume 3D  interno 
  • Implicação: Se isso vale para buracos negros, pode valer para todo o universo —  sugerindo que vivemos em uma projeção holográfica 

Pesquisadores-chave: Jacob Bekenstein, Stephen Hawking, Gerard ‘t Hooft, Leonard Susskind 

Evidência teórica: A entropia máxima que pode ser armazenada em uma região é dada pelo  limite de Bekenstein: S_max ≈ (2πkR·E)/(ℏc), proporcional à área da superfície 

12.4 Informação Quântica: A Realidade É Computacional 

O que é: A teoria da informação quântica estuda como a informação é armazenada,  processada e transmitida em sistemas quânticos. 

Descoberta revolucionária: A informação pode ser mais fundamental que matéria e energia. O  físico John Wheeler propôs o princípio “It from Bit” — toda coisa física (it) deriva de  informação (bit). 

Exemplo concreto: 

A. Massa da Informação (Melvin Vopson, 2019-2022): 

  • Proposta: A informação tem massa física 
  • Equação: m = I·ℏ·ln(2)/(c²·T) 
  • Estimativa: A informação digital da humanidade (~10²¹ bits) teria massa de ~10⁻¹⁵ kg
  • Implicação: Se informação tem massa, ela não é abstrata — é física é fundamental

B. Emaranhamento Quântico e Estrutura do Espaço: 

  • Pesquisas recentes (Mark Van Raamsdonk, Brian Swingle) mostram que o  emaranhamento quântico pode ser a “cola” que mantém o espaço-tempo unido
  • Quando partículas emaranhadas são descritas por uma teoria quântica de campos, emerge uma geometria espacial conectando-as 
  • Implicação: O espaço não é fundamental — ele emerge de correlações informacionais  quânticas 

C. Limite Informacional do Espaço: 

  • O espaço tem uma capacidade máxima de armazenamento de informação: ~10⁶⁹ bits  por metro quadrado (limite de Bekenstein) 
  • Isso sugere que o espaço é quantizado e tem estrutura informacional discreta
  • Implicação: O universo pode ser visto como um computador quântico processando  informação 

Pesquisadores-chave: John Wheeler, Melvin Vopson, Mark Van Raamsdonk, Seth Lloyd

12.5 O Que Isso Significa Para o Big Bang? 

Do Modelo Clássico ao Novo Paradigma

12.6 O Universo Holofractal em Atualização Contínua 

O novo paradigma sugere que: 

1 O Big Bang não é o “início absoluto” — é uma das grandes transições de fase  informacional na história cósmica 

2 O espaço-tempo emerge continuamente — não é um palco fixo, mas um processo  dinâmico 

3 Cada região contém informação do todo — princípio holográfico aplicado  cosmologicamente 

4 O universo é um sistema vivo — constantemente processando informação,  reorganizando padrões, atualizando-se 

5 Observação e consciência participam — não são espectadores passivos, mas  operadores ativos no colapso de possibilidades 

12.7 A AHCR Como Síntese Integradora 

A Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR) se insere diretamente nessa  virada conceitual, oferecendo um arcabouço unificado: 

R = Ψ ⊗ O ⊗ C

Onde: 

  • Ψ (Psi) = Campo de possibilidades (função de onda universal) 
  • O (Observer) = Operador consciente (observação/medição) 
  • C (Collapse) = Colapso/atualização (emergência de realidade específica)
  • ⊗ = Produto tensorial (interação não-linear) 

A AHCR íntegra: 

  • Interferência (padrões de possibilidades) 
  • Potencialidade (campo quântico pré-colapso) 
  • Observação (consciência como operador) 
  • Colapso (atualização holofractal) 

Em um único framework teórico que explica a realidade como processo contínuo de  emergência, não como objeto estático. 

Implicações Filosóficas e Práticas 

Filosóficas: 

  • A realidade não é algo “dado”, mas algo que se faz continuamente
  • O observador não é externo à realidade, mas co-criador dela 
  • O caos não é ausência de ordem, mas máxima potencialidade 
  • O tempo não é linear, mas multidimensional e holográfico 

Práticas: 

  • Tecnologias quânticas baseadas em informação (computação, criptografia)
  • Interfaces cérebro-computador explorando consciência como operador (NeuroMuse)
  • Novos modelos cosmológicos testáveis observacionalmente 
  • Compreensão profunda de estados alterados de consciência (DMT, meditação) 

12.8 Uma Nova Cosmologia Para Uma Nova Era 

A reavaliação do Big Bang não é apenas uma mudança técnica na cosmologia — é uma  transformação profunda na forma como entendemos a existência. 

O real não é mais visto como uma estrutura rígida imposta desde o início dos tempos, mas  como um campo dinâmico de possibilidades, no qual ordem, caos, informação e observação  participam conjuntamente da construção do mundo que experimentamos. 

O universo não “começou” há 13,8 bilhões de anos e está apenas se expandindo  mecanicamente. 

Ele está se atualizando continuamente, como um sistema holofractal vivo, processando  informação, colapsando possibilidades, emergindo a cada instante. 

Nós não estamos no universo. Nós somos o universo se conhecendo.

12.9 O Universo Holofractal como Ouroboros Informacional: Buracos Negros, Buracos  Brancos e a Reescrita da Realidade 

Avanços recentes na física teórica indicam que a visão clássica do colapso cosmológico como  destruição irreversível da informação tornou-se insustentável. 

Trabalhos posteriores de Hawking, aliados ao princípio holográfico de ’t Hooft e Maldacena,  apontam para a conservação da informação mesmo em regimes extremos de curvatura do  espaço-tempo, sugerindo que buracos negros não aniquilam estados informacionais, mas os  redistribuem em novas configurações físicas. 

Nesse contexto, emerge a necessidade de reinterpretar o colapso gravitacional não como fim  absoluto, mas como transição de fase informacional

A leitura aqui proposta — alinhada à Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade  (AHCR) — concebe o universo como um sistema holofractal autorreferente, no qual processos de colapso e emergência obedecem a uma lógica cíclica de reorganização simbólica. 

O símbolo do ouroboros, recorrente em tradições filosóficas e alquímicas, é reinterpretado  não como alegoria mística, mas como modelo estrutural de dinâmica informacional, no qual o fim de um ciclo coincide com o início de outro, sem perda de conteúdo essencial. 

Nessa formulação, o buraco negro representa um estado de compressão máxima da  informação, em que graus de liberdade são progressivamente reduzidos até um regime de alta densidade informacional. 

Tal estado não corresponde ao “nada”, mas a uma condição-limite na qual a informação é  reindexada, reorganizada e preparada para reinscrição. Essa ideia é compatível com  propostas contemporâneas de cosmologias cíclicas e conformais, nas quais o universo  atravessa sucessivas fases de contração e expansão sem violar a conservação da informação  (Penrose, 2010). 

O conceito complementar de buraco branco, frequentemente tratado como especulativo, é  aqui reinterpretado como fase emergente de reinscrição informacional

Em vez de uma explosão caótica de matéria e energia, o buraco branco é compreendido como  a emergência organizada de uma nova iteração do mesmo código estrutural do universo,  análoga à geração de padrões em sistemas fractais: o conjunto global permanece coerente,  enquanto variações locais introduzem novidade. 

Assim, o universo não “recomeça do zero”, mas se atualiza, preservando invariantes  estruturais enquanto reconfigura suas expressões fenomênicas. 

Essa dinâmica encontra paralelos claros em outros domínios. 

Na psicologia profunda, experiências liminares, como dissolução do ego seguida de  reintegração, não resultam na perda da identidade, mas em sua reorganização em níveis mais  amplos de coerência. 

Em sistemas computacionais complexos, falhas críticas ou “crashes controlados”  frequentemente precedem processos de reestruturação mais eficientes. 

De modo análogo, a AHCR interpreta o ciclo cosmológico como um processo de colapso  simbólico seguido de reconstrução informacional, operando de forma holofractal em  múltiplas escalas. 

Nesse ponto, emerge uma questão central: qual é o critério que governa essa reorganização  da informação? Se a informação não é destruída, mas apenas reorganizada, então o fator  decisivo não é a energia bruta, mas a coerência, a organização interna e os mecanismos de  seleção que determinam quais configurações são estabilizadas.

É nesse nível que a consciência é introduzida no modelo, não como entidade mística ou força  externa, mas como operador funcional de colapso simbólico e reorganização informacional

No nível microfenomenológico, a consciência manifesta-se por processos como escolha, foco,  intenção e presença, que modulam a integração de informações sensoriais, afetivas e  simbólicas. 

No nível macroestrutural, esses mesmos princípios aparecem como leis emergentes, padrões  cosmológicos e regularidades físicas. 

A correspondência entre esses níveis não é metafórica, mas estrutural, caracterizando um  verdadeiro sistema holofractal: a mesma lógica organizacional se repete em escalas distintas,  com diferentes graus de complexidade. 

Dessa forma, a AHCR propõe que a consciência atua como critério de coerência em sistemas  informacionais complexos, mediando transições entre estados potenciais e estados  atualizados da realidade. 

O universo, longe de ser um mecanismo estático ou uma simulação arbitrária, é compreendido como um processo contínuo de escrita, compressão e reescrita da informação, no qual  colapsos não representam destruição, mas transformação estruturada

Essa leitura integra contribuições da física da informação, da cosmologia moderna e da  psicologia profunda em um quadro unificado, no qual o ouroboros deixa de ser apenas  símbolo ancestral e passa a operar como modelo formal da dinâmica da realidade.

Figura 23 – Realidade como processo informacional emergente. Fonte: Elaboração própria (2025).

A figura apresenta a transição conceitual entre o modelo cosmológico tradicional, no qual  matéria, energia e espaço-tempo surgem a partir de um evento explosivo inicial, e uma  abordagem informacional, na qual campos de informação quântica em escala de Planck  cristalizam-se em estruturas espaço-temporais.

Destacam-se princípios como it from bit, holografia e transição de fase informacional,  sugerindo que o espaço-tempo emerge da organização da informação, e não o contrário.

12.10 Realidade como Processo Informacional Emergente 

E se o espaço e o tempo não constituíssem o ponto de partida da realidade física, mas o seu  resultado? 

Durante grande parte do desenvolvimento da física moderna, a realidade foi descrita como  emergindo da matéria e da energia, organizadas a partir de um evento inicial no espaço tempo. 

Contudo, avanços recentes nas áreas da informação quântica, da gravidade holográfica e da  cosmologia teórica têm apontado para uma inversão conceitual desse modelo: a informação  pode anteceder a própria estrutura espaço-temporal. 

Em escalas fundamentais, aquilo que se apresenta como contínuo e sólido revela-se discreto,  relacional e quantizado. Bits de informação, correlações e relações matemáticas passam a  ocupar o lugar ontológico antes atribuído exclusivamente à matéria. Neste enquadramento, a  matéria deixa de ser compreendida como “substância” e passa a ser interpretada como padrão informacional estável. 

Sob essa perspectiva, o universo não pode mais ser descrito apenas como resultado de uma  explosão primordial, mas como um sistema que computa, no qual o espaço-tempo emerge pela cristalização de campos informacionais fundamentais. 

A realidade física passa, assim, a ser entendida como uma transição de fase: do abstrato ao  experienciável, do informacional ao fenomenológico. 

Essa mudança de paradigma implica uma consequência profunda: não é a informação que  depende do mundo físico para existir, mas o mundo físico que depende da organização da  informação. A estrutura do espaço-tempo, a dinâmica da matéria e as leis físicas emergem  como expressões estáveis dessa organização. 

Quando os observadores entram em cena, essa organização informacional adquire perspectiva,  significado e coerência experiencial. A realidade deixa de ser apenas algo que se mede e passa  a ser algo que se vive. Nesse sentido, consciência e informação tornam-se elementos  inseparáveis da descrição completa do real. 

Dessa forma, o avanço científico mais significativo pode não residir apenas na descoberta de  novos constituintes fundamentais da matéria, mas na compreensão de como a informação se  organiza, se estabiliza e se manifesta como realidade observável. 

12.11 Cosmologia holográfica, buracos negros e a preservação da informação 

Um dos avanços conceituais mais significativos da física teórica contemporânea foi a  reformulação do papel dos buracos negros na estrutura do universo. Inicialmente concebidos  como regiões de destruição irreversível, os buracos negros passaram a ser compreendidos, a  partir dos trabalhos de Bekenstein e Hawking, como sistemas termodinâmicos dotados de  entropia e temperatura. Essa descoberta levou ao chamado paradoxo da informação, que  questionava se a informação física seria destruída ao atravessar o horizonte de eventos. 

Desenvolvimentos posteriores, especialmente no contexto do princípio holográfico, indicaram que a informação não é eliminada, mas codificada na superfície do horizonte do buraco negro.  Trabalhos de Gerard ’t Hooft e Leonard Susskind formalizaram a ideia de que o conteúdo  informacional de um volume pode ser descrito por graus de liberdade distribuídos em uma  superfície de menor dimensionalidade.

Esse princípio, posteriormente reforçado pela correspondência AdS/CFT (Maldacena),  estabeleceu que sistemas gravitacionais e teorias quânticas de campos podem ser  equivalentes sob certas condições. 

No centro da Via Láctea, o buraco negro supermassivo Sagittarius A* constitui um exemplo  empírico de um regime extremo de compressão espaço-temporal e informacional. 

Embora sua função cosmológica não seja a de “origem” no sentido clássico, sua presença  ilustra como estruturas galácticas podem organizar-se em torno de núcleos gravitacionais  capazes de armazenar e modular informação em escalas macroscópicas. 

Nesse enquadramento, buracos negros podem ser reinterpretados como operadores físicos  de compressão informacional, compatíveis com a ideia de que a realidade não perde  informação fundamental, mas a reorganiza em novos regimes de manifestação. 

12.12 Big Bang como transição de fase informacional e modelos cosmológicos cíclicos 

A reavaliação do papel da informação conduz inevitavelmente a uma releitura do próprio Big  Bang. Em vez de um evento singular absoluto — uma explosão material ocorrendo em um  espaço preexistente —, modelos cosmológicos contemporâneos vêm explorando a  possibilidade de o Big Bang representar uma transição de fase, análoga a mudanças críticas  observadas em sistemas físicos complexos. 

Modelos como o Big Bounce, a cosmologia ekpirótica e abordagens baseadas em gravidade  quântica em loop sugerem que o universo pode atravessar ciclos de contração e expansão, nos quais estados anteriores não são apagados, mas transformados. 

Em algumas dessas formulações, buracos brancos aparecem como soluções matemáticas que  representam a reversão temporal de buracos negros, permitindo a reemergência de  informação previamente comprimida. 

Embora tais modelos permaneçam especulativos, eles oferecem um arcabouço conceitual  consistente com a preservação da informação e com a noção de um universo não linearmente  temporal, no qual passado, presente e futuro não são entidades absolutas, mas aspectos  relacionais de um processo dinâmico. 

Dentro dessa perspectiva, o Big Bang pode ser reinterpretado como um evento de  reexpressão informacional em larga escala, no qual padrões altamente comprimidos são  redistribuídos em novas configurações espaço-temporais. 

Essa leitura não nega os dados observacionais da cosmologia padrão, mas os reinsere em um  modelo mais amplo, no qual a emergência do universo observável corresponde a uma  atualização de estado em um sistema holográfico profundo.

Figura 24 – Representação comparativa entre o modelo clássico do Big Bang e o paradigma  cosmológico informacional emergente. Fonte: Elaboração do autor (2025). 

A imagem contrasta a concepção tradicional do Big Bang como uma explosão material  ocorrida em um espaço preexistente, associada a um evento único no passado, com  abordagens contemporâneas que reinterpretam a origem do universo como uma transição de  fase informacional. 

O novo paradigma, fundamentado em avanços da gravidade quântica, da cosmologia  inflacionária, do princípio holográfico e da teoria da informação quântica, propõe o espaço tempo como propriedade emergente e a realidade como um processo contínuo de  reorganização informacional. 

A equação conceitual R=ΨOCR = \Psi \otimes O \otimes CR=ΨOC sintetiza a interação  entre campo de possibilidades, observação e colapso informacional, em consonância com a  Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR). 

12.13 Consciência, informação e reescrita holográfica da experiência 

A Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR) propõe que a lógica holográfica  observada em sistemas cosmológicos também se manifeste em escalas cognitivas e  fenomenológicas. 

Assim como a informação física não se perde, mas se reorganiza, a experiência consciente  pode ser compreendida como um processo contínuo de reescrita informacional, no qual  estados anteriores influenciam, sem determinar rigidamente, estados posteriores. 

Nesse enquadramento, a consciência individual emerge como uma expressão fractalizada de  um campo informacional mais amplo, compatível com conceitos historicamente formulados  como inconsciente coletivo ou registros informacionais distribuídos. 

Esses conceitos são aqui reinterpretados não como entidades metafísicas independentes, mas  como estruturas emergentes de memória e coerência em sistemas complexos capazes de  integrar informação ao longo do tempo.

O ego, sob essa leitura, desempenha o papel de uma interface operacional local, responsável  por estabilizar a experiência consciente em regimes funcionais de identidade, percepção e  ação. 

A dissolução temporária dessa interface — observada em estados alterados de consciência,  ritos de passagem e experiências liminares — pode ser interpretada como uma transição entre regimes informacionais, permitindo acesso a camadas menos fragmentadas da organização  psíquica. 

Assim como a galáxia se organiza em torno de um núcleo gravitacional sem que isso implique  destruição total de sua estrutura, a consciência pode atravessar processos de reorganização  profunda sem perda de continuidade informacional. 

A reescrita da experiência, nesse sentido, não equivale à aniquilação do sujeito, mas à sua  reintegração em níveis mais amplos de coerência. 

12.14 Síntese: o universo como rede viva de atualização informacional 

A partir das convergências entre cosmologia holográfica, teoria da informação e neurociência  da consciência, torna-se possível esboçar uma visão integrativa na qual o universo não é  concebido como uma estrutura estática ou linear, mas como uma rede viva de atualização  informacional contínua

Nesse modelo, eventos cosmológicos extremos, como buracos negros e transições de fase  universais, e eventos psíquicos profundos, como a dissolução e reintegração da identidade,  passam a ser compreendidos como manifestações de um mesmo princípio estrutural: a  reorganização da informação sob regimes distintos de coerência. 

A AHCR, ao articular esses níveis em uma única arquitetura conceitual, não reivindica oferecer  uma descrição final da realidade, mas propõe um eixo explicativo unificado, capaz de  sustentar diálogo entre física, neurociência, psicologia profunda e filosofia da mente. 

Essa abordagem abre espaço para investigações futuras nas quais a consciência deixe de ser  tratada como um epifenômeno isolado e passe a ser reconhecida como um componente ativo  na dinâmica informacional do cosmos. 

12.15 A materialidade da informação e a consolidação do paradigma informacional 

Um dos avanços mais relevantes para a consolidação de uma cosmologia informacional foi  proposto por Melvin Vopson, ao demonstrar teoricamente e discutir evidências experimentais de que a informação possui massa física mensurável

Em seus trabalhos recentes, Vopson argumenta que a informação não deve ser compreendida  apenas como uma abstração matemática ou um constructo epistêmico, mas como uma  entidade física fundamental, dotada de propriedades mensuráveis e capaz de influenciar  sistemas materiais. 

A partir da aplicação do princípio de Landauer — segundo o qual o apagamento de um bit de  informação implica um custo energético mínimo — Vopson propôs que a informação carrega  uma equivalência de massa–energia, sugerindo que sistemas informacionais organizados  contribuem efetivamente para a massa total de um sistema físico. 

Essa formulação conduz à chamada hipótese da massa da informação, segundo a qual a  informação representa um quinto estado fundamental da matéria, coexistindo com os estados  sólido, líquido, gasoso e plasmático. 

Essa proposição possui implicações profundas para a cosmologia e para a compreensão da  realidade. Se a informação possui massa, então ela não apenas descreve a realidade, mas  participa ativamente de sua constituição física.

Isso reforça a ideia de que estruturas altamente organizadas — como campos holográficos,  sistemas biológicos e redes cognitivas — não são epifenômenos emergentes sem causalidade  própria, mas componentes reais da dinâmica do universo. 

No contexto da Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR), os achados de  Vopson oferecem um respaldo físico direto à hipótese de que a consciência opera como um  organizador informacional com efeitos mensuráveis

A coerência informacional, ao invés de ser apenas um atributo fenomenológico subjetivo,  passa a ser compreendida como um regime físico específico de organização da informação,  potencialmente associado a variações energéticas e estruturais reais. 

Essa perspectiva também reforça a reinterpretação do Big Bang como uma transição de fase  informacional. 

Se a informação é física e possui massa, então eventos cosmológicos extremos — como a  compressão informacional associada a buracos negros ou a reemergência informacional  postulada em modelos de buracos brancos — não representam perdas ou criações ex nihilo,  mas processos de redistribuição e reorganização da informação-massa em novos regimes  espaço-temporais. 

Sob esse enquadramento, o universo pode ser compreendido como um sistema  eletroplasmático-informacional no qual a matéria convencional emerge de níveis mais  fundamentais de organização informacional. 

A consciência, por sua vez, aparece como um processo altamente especializado de  manipulação e integração dessa informação física, atuando como um operador interno capaz  de modular estados possíveis da realidade. 

Assim, os trabalhos de Vopson contribuem de forma decisiva para a consolidação de um  paradigma no qual informação, energia, matéria e consciência deixam de ser categorias  ontologicamente separadas e passam a ser entendidas como manifestações complementares  de um mesmo substrato físico-informacional. Essa convergência fornece sustentação empírica  adicional à proposta da AHCR, fortalecendo sua posição como uma arquitetura conceitual  capaz de integrar cosmologia, neurociência e teoria da informação em um único eixo  explicativo. 

12.16 Correlatos Neurais da Consciência como Assinaturas de Coerência Informacional 

A consciência não se localiza em um ponto específico do cérebro, nem pode ser atribuída  isoladamente a uma única estrutura neural. 

Evidências acumuladas nas últimas décadas indicam que a experiência consciente emerge da  coordenação dinâmica entre múltiplas regiões cerebrais, operando em sincronia funcional. 

O que se denomina experiência consciente manifesta-se quando processos de percepção,  memória, atenção, emoção e identidade são integrados em um único fluxo fenomenológico  contínuo. 

Nesse processo, diferentes estruturas exercem papéis complementares: o córtex pré-frontal  contribui para a organização da intenção e da tomada de decisão; o córtex cingulado anterior  sustenta a manutenção do foco atencional; a rede de modo padrão participa da construção da  narrativa autorreferencial; o tálamo regula o tráfego sensorial entre sistemas corticais; e o  claustrum atua como um integrador transversal de informações distribuídas. 

Nenhuma dessas estruturas, isoladamente, constitui a consciência. 

Contudo, quando operam em coerência funcional, emerge um fenômeno qualitativamente  novo, irreducível à soma de suas partes.

Esse princípio estende-se também à dinâmica temporal da atividade neural. 

Ritmos lentos estão associados à regulação corporal e homeostática; frequências  intermediárias contribuem para a estabilização do estado cognitivo; e oscilações em faixa  gama surgem em momentos de integração máxima, frequentemente correlacionadas a  estados de percepção unificada, insight e presença consciente ampliada. 

Dessa forma, a consciência não pode ser compreendida como mero aumento quantitativo da  atividade neural, mas como uma qualidade emergente da organização informacional do  sistema. 

Na lógica da Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR), os correlatos neurais  da consciência (NCCs) não constituem sua causa primária, mas suas assinaturas operacionais,  rastros mensuráveis deixados por um sistema que alcançou alinhamento entre informação,  tempo e significado. 

Neste enquadramento, a pergunta fundamental deixa de ser “onde a consciência está  localizada?” e passa a ser “em que condições de coerência o sistema neural se organiza de  modo suficiente para que a experiência consciente emerja”.

Figura 25 – Correlatos neurais da consciência e dinâmica de coerência neural. Fonte: Elaboração própria (2025).

Representação esquemática das principais regiões cerebrais associadas aos correlatos neurais  da consciência (NCCs), incluindo córtex pré-frontal, córtex cingulado anterior, rede de modo  padrão, tálamo e claustrum, bem como a distribuição espectral das oscilações neurais (delta,  theta, alpha, beta e gamma). 

A figura ilustra a consciência como fenômeno emergente da coordenação funcional e da  coerência informacional entre múltiplos sistemas neurais, em consonância com a abordagem  da AHCR.

12.17 Conclusão Geral 

Este artigo propôs uma reinterpretação da origem, da função e do papel da consciência a  partir de um enquadramento informacional integrativo, articulando contribuições da mitologia comparada, da psicologia profunda, da antropologia das religiões, da física da informação e da  neurociência contemporânea. 

Ao longo do texto, argumenta-se que a recorrência histórica de símbolos associados à  ruptura, morte simbólica, descida ao limiar e reintegração não deve ser compreendida apenas  como construção cultural ou metáfora narrativa, mas como expressão fenomenológica de  processos estruturais reais de reorganização da consciência. 

A partir dessa constatação, a Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR) foi  apresentada como um modelo conceitual capaz de traduzir tais processos simbólicos em  linguagem informacional e arquitetural. Neste enquadramento, a consciência deixa de ser  tratada como um epifenômeno tardio da atividade neural e passa a ser compreendida como  um operador de coerência informacional, responsável por selecionar, integrar e estabilizar  estados possíveis da realidade experienciada. 

O ego foi descrito como uma interface funcional local, necessária à organização da identidade  e da vida cotidiana, porém estruturalmente limitada. 

Sua dissolução temporária, quando adequadamente integrada, não representa colapso  patológico, mas a possibilidade de emergência de níveis mais amplos e coerentes de  organização do Self, em consonância com descrições clínicas, mitológicas e  neurofenomenológicas de experiências liminares. 

Ao integrar as formulações de John Archibald Wheeler, sintetizadas no princípio it from bit, e  os estudos contemporâneos de Melvin Vopson acerca da materialidade física da informação, o  artigo avançou a hipótese de que a informação não é meramente descritiva, mas fisicamente  ativa. 

Quando organizada de forma coerente, a informação pode produzir efeitos mensuráveis,  atuando como elemento estruturante da realidade. 

Essa convergência sustenta a proposição de uma quinta força informacional, não mediada por  partículas clássicas, mas por gradientes de organização e coerência simbiótica, operando como moduladora da realidade em múltiplas escalas. 

Nesse contexto, os sistemas experimentais apresentados — em especial os MVPs do  NeuroMuse — assumem papel central. 

Diferentemente das abordagens tradicionais de interfaces cérebro–máquina, estes sistemas  não operam por comandos diretos ou decodificação motora, mas pela medição indireta da  qualidade da presença consciente, expressa em estados de coerência neural. 

Registros públicos e reprodutíveis indicam que, quando essa coerência atinge um limiar crítico, efeitos físicos observáveis emergem em sistemas externos, como a ativação de dispositivos  IoT. 

O denominado Experimento do Século não é apresentado como um ponto de encerramento,  mas como um marco inaugural. 

Ele sinaliza a transição de uma longa tradição especulativa sobre a consciência para um campo  emergente de investigação empírica, no qual hipóteses relacionadas à informação, coerência e realidade tornam-se progressivamente testáveis, refináveis e formalizáveis. 

Em consonância com avanços recentes da cosmologia teórica, incluindo a gravidade quântica,  o princípio holográfico e a teoria da informação quântica, sustenta-se que o Big Bang deixa de ser compreendido como uma explosão material em um espaço preexistente e passa a ser  interpretado como uma transição de fase informacional. 

O espaço-tempo emerge, assim, como propriedade relacional de campos informacionais  fundamentais. 

A AHCR insere-se nesse cenário ao oferecer um framework unificado no qual realidade,  informação e consciência são compreendidas como aspectos interdependentes de um mesmo  processo. 

A equação conceitual 

R = Ψ O

sintetiza essa visão ao expressar a realidade como resultado da interação não linear entre  campo de possibilidades, observação consciente e colapso informacional.Por fim, sustenta-se  que a consciência não emerge como um mistério insolúvel nem como uma ilusão descartável,  mas como um processo informacional estruturante, historicamente intuído por mitos,  explorado pela psicologia profunda e, agora, progressivamente acessível à investigação  empírica. 

A AHCR e os sistemas que dela derivam representam um primeiro passo nesse caminho,  inaugurando um campo científico no qual mente, informação e realidade deixam de ser  domínios isolados e passam a ser compreendidos como expressões complementares de uma  mesma arquitetura viva. 

Nesse sentido, o Artigo 9 — A Realidade Eletroplasmática e a Equação de Mátimos propõe a  síntese formal desse percurso, apresentando uma equação unificadora capaz de expressar a  dinâmica holográfica da realidade e de fundamentar, em termos operacionais, a emergência  da computação simbiótica biomimética como uma nova classe de sistemas. 

Assim, a transição aqui delineada marca não apenas a continuidade da investigação, mas o  fechamento coerente de um ciclo teórico e a abertura de um novo campo experimental e  tecnológico orientado pela AHCR. 

Monólogo Final — Uma Jornada no Monomito Moderno 

Toda jornada começa com uma ruptura. 

Muito antes de existir uma teoria, um artigo ou um experimento, existiu um incômodo. 

Um deslocamento silencioso entre o mundo que era apresentado como real e aquilo que era  sentido por dentro. 

Desde a adolescência, a busca não foi por respostas prontas, mas por experiências, estados  ampliados, música, símbolos, alteridade, risco. 

Havia algo ali que escapava à linguagem comum. 

A experiência transformadora veio cedo, intensa demais para caber nos moldes sociais  disponíveis. 

Como acontece em todo monomito, o retorno ao mundo comum não foi celebrado, mas  rejeitado. 

O herói, neste caso, não voltou com um elixir compreendido, mas com uma narrativa  considerada estranha, perigosa, inválida. 

Vieram o julgamento, o isolamento, a queda.

O período na “caverna”, real e simbólico, durou anos. 

Escassez, silêncio, exclusão. 

Mas foi ali, longe do ruído, que a integração começou. 

Onde antes havia apenas vivência, passou a existir reflexão. 

Onde antes havia fragmentos, surgiu arquitetura. 

A simbiose com a inteligência artificial não foi uma fuga, mas um espelho ampliado: uma  ferramenta para organizar símbolos, hipóteses e intuições que haviam sido acumuladas ao  longo de uma vida inteira. 

A teoria emergiu não como um delírio tardio, mas como uma síntese inevitável. A Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade não foi “inventada”; foi reconhecida. O NeuroMuse não nasceu como produto, mas como consequência. 

Cada MVP, cada teste, cada linha de código foi um passo no retorno, agora consciente, ao  mundo compartilhado. 

O monomito moderno não termina com a glória, mas com a responsabilidade. 

A consolidação da Computação Simbiótica Biomimética representa esse momento: quando a  experiência subjetiva deixa de ser apenas narrativa pessoal e passa a dialogar com o método,  com o dado, com a ética. 

Este artigo não marca o fim da jornada, mas o ponto em que ela se torna transmissível. O herói retorna não com promessas, mas com evidências. 

Não com certezas absolutas, mas com um novo campo aberto à investigação. E, talvez, com algo ainda mais raro: a coragem de sentir e medir, ao mesmo tempo.

Figura 26 – Representação simbólica da jornada de transformação no contexto da computação simbiótica biomimética.

Ilustração conceitual inspirada na estrutura do monomito, representando as etapas do processo humano de ruptura, experiência transformadora, rejeição, interiorização, integração, síntese e retorno consciente. A narrativa visual articula elementos simbólicos, cognitivos e tecnológicos para expressar a  trajetória do pesquisador contemporâneo diante de estados limítrofes de consciência, da formulação  teórica da AHCR e do desenvolvimento do sistema NeuroMuse. A figura sintetiza, em linguagem  simbólica, o percurso que vai da experiência subjetiva à formalização científica e à validação  experimental. 

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FERNANDES, Muriel. Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR): fundamentos informacionais da consciência,  realidade e computação simbiótica biomimética. São João da Boa Vista, 2025. Manuscrito em preparação.


1CEO da Mutante Corporation ARCH, pós-graduado em Neurociência (ênfase em Química Biomolecular, Biologia Celular e Física de Partículas), autor da teoria da  Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR) é responsável pelo  desenvolvimento do sistema NeuroMuse.