A ASSISTÊNCIA DO ENFERMEIRO FRENTE AS HEMORRAGIAS PÓS PARTO (HPP)

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602091434


Robson Abreu Carvalho1
Anna Paula de Souza Santos2
Ana Luzia Costa e Silva Côrtes3
Orientadores: Ana Paula de Siqueira Silva4
Salatiel dos Santos5


RESUMO 

A Obstetrícia é uma área de grande complexidade, tendo em vista as emergências obstétricas relacionadas a mortalidade, sendo a Hemorragia Pós  Parto (HPP) a segunda causa de mortalidade materna no Brasil. se Caracterizando como um grande problema de saúde Pública, Diante disso é imprescindível a assistência do enfermeiro na prevenção e manejo deste agravo. Este estudo busca evidenciar as principais intervenções do profissional enfermeiro frente às emergências hemorrágicas, visto a realidade de que muitos profissionais ainda se encontram desqualificados e sem o conhecimento necessários para detecção precoce e intervenção qualificada imediata. O presente estudo se define como uma abordagem metodológica de Revisão de Literatura integrativa e pesquisa qualitativa, embasados em artigos científicos e literaturas baseadas em evidências. As pesquisas evidenciaram que muitos casos de HPP poderiam ser prevenidos através da estratificação dos riscos associados desde o Pré-natal, e identificados de maneira precocemente se a assistência fosse realizada de acordo com as principais evidências científicas. Com isso ressalta a importância da adoção de protocolos atualizados, e práticas de simulações realísticas dentro dos ambientes de saúde. as intervenções que mais se destacaram durante a realização da pesquisa científica foi o manejo qualificado durante o terceiro período do trabalho de parto e administração de medicamentos uterotónicos preferencialmente a ocitocina. Dentro deste contexto, se perpétua a importância do conhecimento técnico e científico do enfermeiro obstetra, com um olhar holístico e integral prestando uma assistência humanizada, a fim de proporcionar segurança, conforto e bem-estar ao binômio mãe e filho. 

Palavras-chave: Hemorragias, Puerpério, Enfermeiro.

1. INTRODUÇÃO 

A gestação é um momento único e singular na vida da mulher, cheio de emoções para a chegada do bebê e também o momento do parto, momento esse que pode ser marcado por diversas complicações após a fase expulsiva do trabalho de parto, como a hemorragia pós-parto (HPP). caracterizada pela saída de sangue maior que 500 ml após o parto normal e 1.000 ml após parto cesárea, a principal causa é a falta de tônus na musculatura uterina fazendo com que tenha hemorragias, seguido de coagulopatias, retenção de fragmentos placentários e lacerações de trajeto (Branga et al,.2022). 

Albuquerque e Siqueira (2024) em seu estudo entende que constantemente ocorrem diversas mudanças no organismo materno durante o processo de gestação, transformações essas que irão preparar o corpo da mulher para o período gestacional. Dentre elas as fisiológicas, anatômicas e em todos os sistemas deste organismo com o intuito de suprir as novas necessidades materna-fetal.  

Conforme Jesus et al. (2024) O enfermeiro é um dos principais profissionais atuantes na prevenção da HPP, através do olhar holístico e integral com o intuito de compreender a clínica do paciente e ter um pensamento crítico e reflexivo de acordo com as evidências científicas. Devido às mudanças funcionais específicas como a involução uterina e normalização do sistema circulatório, o enfermeiro deve estar atento ao monitoramento contínuo e realizando intervenções precoce, evitando lesões irreversíveis. Neste momento de fragilidade é crucial a abordagem do enfermeiro qualificado, humanizada que abrange todos os aspectos biopsicossocial da puérpera. 

Diante desta realidade, este estudo se torna imprescindível tendo em vista a alta prevalência deste acometimento e altas taxas de morbimortalidade, associado a falta de conhecimento técnico científico dos profissionais enfermeiros e protocolos institucionais atualizados. Por tanto este estudo tem como objetivo identificar nas principais evidências científicas a assistência do enfermeiro frente as HPP, a assistência prestada nesta emergência obstétrica deve ser qualificada e humanizada de acordo com as principais literaturas científicas, potencializando a importância da prática baseada em evidências e a qualidade e segurança da assistência obstétrica de acordo com (Xavier et al.,2025). 

O presente estudo tem como objetivos específicos evidenciar os cuidados executados pelo enfermeiro frente às hemorragias pós parto , apresentar as intervenções qualificadas no manejo e intervenções farmacológicas eficientes. Diante disso justifica-se a relevância da pesquisa científica no âmbito da saúde pública, tendo em vista a falta de conhecimento e competências dos profissionais e altas taxas de morbimortalidade. 

Conforme De Souza et al. (2025) É importante salientar que o cuidado integral materno e infantil tem o foco de prevenção e manejo, monitorando sinais vitais e intervindo quando presente sinais de hipovolemia. Com isso destacando a relevância da utilização da ´´hora de Ouro´´, ferramenta essencial no diagnóstico precoce das Hemorragias Pós Parto e contribuindo para um desfecho positivo ( De Souza et al., 2025). 

Frente ao exposto, Almeida et al. (2023) Entende a complexidade desta patologia, reforçando o compromisso dos enfermeiros de prevenir a ocorrência e identificar precocemente os sinais e a etiologia da HPP a fim de minimizar a morbimortalidade. Por ser uma emergência obstétrica, responsável pela maior causa de mortalidade materna no Brasil e no mundo. Nessas intercorrências, pontuamos a importância do conhecimento técnico-científico do enfermeiro. 

Diante desta problemática, qual o papel do enfermeiro frente às HPP? 

2. DESENVOLVIMENTO 

2.1 Metodologia 

O estudo em questão tratou-se de uma abordagem metodológica determinada a partir da literatura de revisão bibliográfica, de caráter Revisão qualitativa  das literaturas científicas. Que tem como determinação investigar conhecimentos com base em evidências científicas, propondo-se sintetizar a relevância da assistência do enfermeiro na prevenção, promoção e manejo das HPP e as principais intervenções de acordo com as evidências científicas mais recentes. 

Abordagem metodológica desenvolvida refere-se a revisão qualitativa de literatura, em que consiste agrupar e sintetizar apuramento de múltiplos artigos de um determinado segmento ou assunto estabelecido, desenvolvendo uma investigação secundária de estudos já divulgados e indexados nas principais bases de dados. E, portanto, ser prescindível a construção de novas ideias objetivando complementar ou atualizar a ideia investigada (Branga et al.,2022). O fichamento dos artigos científicos e a coleta de dados será elaborado entre os meses de janeiro a setembro de 2025, com foco na defesa da dissertação II. Diante do aparato a pesquisa se concretizará buscando artigos nas principais bases de dados referência Google Acadêmico, Scientific Electronic Library Online (Scielo) , Biblioteca Virtual de saúde (BVS), Literatura latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde(Lilacs). Portanto, para desenvolver este artigo científico as buscas foram introduzidas neste estudo por meio das seguintes palavras chaves: puerpério, hemorragias e enfermeiro. Frente a isso foi empregado o operador booleano And, culminando na presente sequência “Hemorragias” And “Puerpério” And “Enfermeiro”.  

Acrescenta-se que, a definição das bases de dados conduzirá estudos que serão analisados para títulos, resumos, palavras-chaves e criação de novos conhecimentos, com o intuito de buscar dados fidedignos para o tema estipulado. Para a leitura na íntegra os critérios de inclusão serão tais como artigos gratuitos e relevantes ao tema, em língua portuguesa, revisão de literaturas, estudos pertinentes aos últimos quatro anos (2022 a 2025) e Revistas. Para determinar e delinear o desenvolvimento da pesquisa minimizando erros na transcrição de dados, os critérios de exclusão definidos serão livros, capítulos de livros, estudos de caso, materiais sem referências e manuais, artigos estrangeiros, pesquisa quantitativa, pesquisa exploratória e estudo de caso. 

2.2 Resultados e Discussão  

A gestação é um período de grande complexidade que ocorre transformações biológicas e emocionais, que marca a vida da mulher de maneira indescritível. um momento único e singular na vida das mulheres, frente a essas mudanças do período gestacional algumas gestantes podem se mostrar sensíveis e despreparadas psicologicamente diante do período de gestação e puerpério, enquanto outras mais seguras. Diante disso é imprescindível a atuação dos profissionais de maneira humanizada e qualificada, a fim de proporcionar uma experiência livre de traumas ( Xavier et al.,2025).  

Nessa perspectiva, podemos ter alguns riscos associados ao parto, com isso devemos reconhecer todas as etapas do trabalho de parto desde os pródromos, dilatação, expulsão, dequitação e greenberg e como elas devem acontecer para que quando ocorra alguma intercorrência rapidamente intervimos. Por outro lado, alguns históricos de anteparto podem aumentar a ocorrência das hemorragias Pós Parto (HPP), Por exemplo gravidez gemelar, multiparidade, plaquetopenia, macrossomia fetal e trabalho de parto prolongado. Frente aos riscos expostos podemos desenvolver diversas ações com foco preventivo desde o pré-natal por meio da educação em saúde e estratificação dos riscos associados conforme ( Jesus et al.,2024). 

No pensamento de Araújo et al. (2025) conceitua-se como Hemorragia Pós Parto (HPP) o sangramento excessivo acima de 500 ml após o parto natural e 1000 ml após parto cirúrgico até a sexta semana após o parto, Ou qualquer perca sanguínea que possa evoluir com instabilidade hemodinâmica. Neste sentido a identificação precocemente da etiologia das HPP é fundamental para uma intervenção imediata e assertiva, dentre as principais causas de HPP está a Atonia uterina em 70% dos casos, laceração de trajeto, retenção de fragmentos transplacentários e coagulopatias.  

Frente a isso, evidência-se a importância da assistência da equipe multiprofissional, preferencialmente o enfermeiro que é o profissional responsável pelo cuidado direto e indireto dos pacientes diante dos agravos relacionados à gestação, parto e nascimento. A hemorragia pós parto se caracteriza como a segunda causa de mortalidade e morbidade materna no período do puerpério no Brasil, tornando um grande desafio para os profissionais de saúde de acordo com (Xavier et al.,2024). 

Em consonância com Araújo et al.(2025) A hemorragia pós-parto é uma das principais causas de morbimortalidade materna, levando a 14 milhões de mortes de puérpera por ano em nível internacional. Considerada situação de risco que exige atendimento obstétrico imediato, evoluindo com instabilidade hemodinâmica que pode comprometer múltiplos órgãos e tecidos. 

Souza et al (2025) e Bonfim et al (2022) destaca a importância do início do pré-natal o mais precoce possível, entende-se que enquanto mais cedo iniciar menos chances de desenvolver complicações decorrentes do processo gestacional e melhor o desfecho obstétrico, estratificando todos os riscos associados ao desenvolvimento de hemorragias pós parto. A estratificação dos fatores de risco é de suma importância quando falamos de uma patologia com altos índice de mortalidade materna, com o enfermeiro sendo a peça fundamental na identificação e resolução durante o pré-natal. 

Em complemento, o enfermeiro presta a assistência em todos os ciclos de vida da mulher, necessitando de capacitação e atualização recorrente quando se fala em qualidade e segurança. Com isso estudos corroboram que treinamentos da equipe multiprofissional e práticas de simulações realísticas está cada vez mais relacionado com a segurança diante dessa emergência obstétrica, tendo em vista a falta de conhecimento e habilidades necessárias para lidar diante desse cenário conforme (Silva et al., 2025) e (Santos et al., 2023). 

Para realizar uma assistência qualificada e baseada em evidências científicas,  É de suma importância saber identificar a etiologia da hemorragia pós parto, com isso alguns estudos sugerem que utilizamos uma ferramenta conhecida como “hora de ouro´´ que consiste no monitoramento e detecção em até 60 minutos da origem do sangramento. aumentando as taxas de sobrevida, favorecendo assim uma intervenção precoce e ideal para cada tipo de hemorragias. É de total relevância que o profissional saiba identificar as manifestações clínicas de um choque hipovolêmico,  pois só assim, de acordo com protocolos rigorosos, intervimos com as principais práticas segundo (Jesus et al., 2024). 

Em consonância a essas informações, Santos et al. (2025) aborda a importância de uma assistência humanizada, com suporte emocional e psicológico, respeitando a autonomia da mulher e atendendo a parturiente com um olhar biopsicossocial. Em outra visão, a abordagem integrada faz total diferença, colocando a puérpera como o centro do cuidado sistematizado e respeitando a Política Nacional de Humanização (PNH). 

Albuquerque e Siqueira (2023) ressalta que o manejo adequado ao terceiro período do trabalho de parto e a monitorização contínua é fator preponderante para a prevenção da hemorragia pós parto, isso porque qualquer alteração clínica do seu estado geral, vai ser identificada rapidamente promovendo um prognóstico positivo. A verificação dos sinais vitais é o principal meio para identificar alterações sistêmicas, através da oximetria, frequência cardíaca e pressão arterial. 

Moura et al. 2025 aborda a importância de conhecer o mnemônico dos 4Ts que se refere à tônus, trauma, tecido e trombina que são as causas da hemorragias pós parto. A atonia uterina é a principal responsável por esta emergência obstétrica, caracterizada pela ausência de tônus na musculatura uterina aumentando as chances de sangramentos intensivos. Com isso é imprescindível que o enfermeiro realize a manobra de Hamilton, que consiste em apalpar o fundo uterino bimanual para estimular a contração uterina e avaliar a presença do globo de segurança de Pinard de acordo com (Santos et al., 2025). 

Araújo et al. (2024) em sua vertente aborda o trauma nas hemorragias pós parto relacionado a macrossomia fetal, trabalho de parto extenso e polidrâmnio. Através da revisão de períneo e do canal vaginal podemos identificar se há a presença de lacerações de diferentes graus, sendo as de pequeno grau competência do enfermeiro realiza a sutura perineal, e em casos mais críticos encaminhar para o centro cirúrgico quando for necessário. 

Albuquerque e Siqueira (2023) ressalta a relevância da inspeção de placenta e anexos fetais, verificando se a placenta se encontra íntegra ou ocorreu alguma retenção, prevenindo a ocorrência de sangramentos por retenção de fragmentos placentários. Nos distúrbios de trombina a investigação de problemas de coagulação com os familiares faz se necessário, a fim de identificar problemas hereditários, uso de determinados medicamentos e até mesmo problemas de anemia, coleta de dados no prontuário, análise de exames laboratoriais como valor de hemoglobina e hematócrito é de grande relevância na identificação da causa conforme (Xavier et al., 2024). 

Alguns cuidados executado pelos enfermeiros são primordiais para controle de hemorragias, tais como avaliar perfusão capilar, realizar cateterismo vesical de Demora, Coletar gasometria arterial para avaliar os níveis de gases e eletrólitos, oferta de Oxigênio quando necessário, verificar a presença do globo de segurança de pinard são intervenções fundamentais na monitorização e acompanhamento do estado de saúde das puérperas segundo (Branga et al., 2022). 

Em consonância Xavier et al. (2024) e Moura et al. (2025) aponta que a realização de dois acesso venoso calibrosos é de grande importância, frente a sangramentos, com o objetivo de repor hemoderivados e a administração de solução fisiológica ou Ringer lactato aquecidos, posicionar paciente em posição de trendelenburg, se atentar aos sinais de choque hipovolêmico é de grande relevância neste contexto. 

Em contrapartida, Almeida et al. (2023) afirma que prioridade é realizar a quantificação do sangramento, através de pesagens de compressas, campos cirúrgicos a fim de dimensionar a quantidade de volume perdido. Com tudo, alguns estudos sugerem o uso de medicamentos uterotónicos como a ocitocina para profilaxia após a dequitação, ou em menor custo o misoprostol via retal. Porém existem algumas barreiras que impedem uma assistência qualificada como a escassez de insumos, falta de protocolos atualizados e profissionais competentes. 

Silva et al. (2025) aborda em sua tese que Junto com os uterotónicos como a ocitocina, podemos utilizar o ácido tranexâmico um antifibrinolítico, utilizados em sangramentos excessivos. Quando essas alternativas mais básicas não demonstra tantos resultados, há formas mais avançadas de intervenções no manejo das hemorragias puerperais, tais como a utilização do Balão de tamponamento Intrauterino (BTI) que deve ser realizado por profissionais capacitados e qualificados devido os riscos associados, à utilização do Traje Antichoque Não Pneumático (TAN) de acordo (Gomez; Feitoza,2024). 

Ademais Silva et al. (2022) ressalta a relevância das políticas públicas no âmbito da obstetrícia e o papel  do  profissional enfermeiro, tendo em vista que ele é o ponto de comunicação entre a equipe multiprofissional, através da coordenação da equipe por meio da comunicação eficaz, proporcionando um cuidado integral. Frente a isso é relevante sintetizar a função educativa do enfermeiro, educando a equipe de enfermagem em relação aos sinais de alerta. 

Diante de toda essa relevância da assistência frente às emergências obstétricas, o enfermeiro necessita estar atualizado com os protocolos rigorosos disponíveis nas instituições de saúde, o que muitas das vezes acaba não sendo a realidade. Com isso muitas das vezes os casos de hemorragia pós parto passa despercebido, aumentando assim as taxas de mortalidade materna. Diante disso é necessário que os gestores e coordenadores adotem essa cultura de assistência protocolada, contribuindo para uma assistência eficiente e qualificada na perspectiva de (Jesus et al., 2024). 

Com tudo, no pensamento de Branga et al. (2022) e Santos et al. (2025) desde a admissão da gestante até a alta hospitalar, a assistência deve ser realizada de forma integrada e sistematizada, realizando um manejo adequado no terceiro período do parto e a profilaxia pós parto com uterotónicos de preferência a ocitocina. O enfermeiro precisa estar atento ao monitoramento contínuo da parturiente, isso porque as primeiras horas após o parto é crucial para identificar sangramentos. Frente a isso utilizamos a “hora de ouro’’ essencial na identificação da etiologia da hemorragia. 

Dentre toda a complexidade deste agravamento branes et al.(2024) destaca a importância da Sistematização da assistência de enfermagem (SAE), no processo de cuidar eficiente atrelado ao processo de enfermagem (PE), reconhecendo manifestações clínicas precocemente como Síncope, Hipotensão, taquicardia, confusão mental, oligúria, rebaixamento do nível de consciência e hipoperfusão, realizando intervenções eficazes em tempo ágil. 

Em outro prisma Santos et al. (2025) fortalece o aspecto e importância do papel do enfermeiro de educar como estratégia preventiva, tendo em vista o impacto que a educação em saúde causa através de orientações minuciosas que fazem total diferença no período do puerpério, contribuindo na autonomia da mulher tanto para gestante, quanto para família que estará como rede de apoio neste momento tão importante. Destacando sinais de alerta e retorno materno para avaliação clínica, estreitando a relação enfermeiro- família. 

Por outro lado, algumas intervenções não farmacológicas realizadas pelo enfermeiro são a conscientização e educação sobre a importância do aleitamento materno, sanando dúvidas da puérpera e família. Ressaltando que este ato traz benefícios tanto para o neonato quanto para a parturiente, na primeira hora de nascimento e o contato pele a pele precocemente. Esses cuidados simples fazem grande diferença tendo em vista que estes quando realizados, fisiologicamente estimula a produção de ocitocina auxiliando na involução uterina por meio da contração do útero, minimizando as chances de desenvolvimento da HPP e fortalecendo o vínculo do binômio Mãe e filho. ( Branga et al.,2022). 

Um dos principais cuidados elencados dentre os artigos selecionados foi a estratificação dos riscos na gestação durante as consultas de pré-natal, ressaltando a relevância do início do pré-natal precocemente a fim de identificar fatores de riscos associados, conscientizando em relação aos cuidados necessário durante a gestação e controle de indicadores de riscos,o manejo clínico qualificado durante o trabalho de parto, revisão de canal de parto e períneo, monitorização dos sinais vitais, observar sinais de choque hipovolêmico hipotensão, taquicardia Segundo (Branes et al., 2024). 

Em complemento com os autores acima, Almeida et al. (2023) e Pinto et al. (2022) destaca a significância da profilaxia com uso de Ocitocina, metilergometrina ou misoprostol de acordo com o contexto e realidade da instituição de saúde. O uso do ácido tranexâmico no controle de sangramentos, o contato pele a pele precocemente na primeira hora de vida, a amamentação ainda na sala de parto, quantificação através de pesagens de compressas e campos cirúrgicos, controle da perda sanguínea e a manobra de Hamilton. 

Bonfim et al. 2022 e Moura et al. 2025 em seus estudos evidência o apoio psicológico e emocional durante a assistência como fator que contribui com o bem estar da puérpera, com o enfermeiro sendo o coordenador da assistência é de fundamental interesse a integração da equipe multiprofissional. É  imprescindível a reposição de volumes com soro fisiológico ou ringer lactato e hemoderivados, encaminhar quando necessário para o centro cirúrgico, conhecer as fases do trabalho de parto e o mnemônico 4Ts responsável pela ocorrência de HPP. 

Portanto, literaturas científicas enfatiza a importância dos cuidados do enfermeiro humanizada, de acordo com as particularidades de cada paciente, tais como avaliar globo de segurança de Pinard, fluidos vaginais, trauma genitais, sinais vitais (SSVV), histórico de coagulopatias e se atentar aos sinais de choque como Hipotensão, Taquicardia e avaliar hemograma. Tendo o enfermeiro como linha de frente, este profissional requer atualizações constantemente, para realizar a assistência de alta complexidade junto a equipe multiprofissional. Sendo uma emergência obstétrica que necessita de cuidados imediatos e pautados em evidências de acordo com (Xavier et al., 2024). 

Em oposição ao que foi deferido pelos autores anteriormente, Albuquerque e Siqueira (2023) em sua narrativa aborda que pela atonia uterina ser responsável pelo maior número de casos de HPP, ela deve ser checada prioritariamente por intermédio da verificação da presença do globo de segurançã e Pinard e se indicado a passagem do balão de tamponamento intrauterino, e destaca a importância da verificação dos sinais vitais a cada 30 minutos. 

Em primeira vista, a discussão ressalta a relevância de protocolos operacionais padrão (POP) nas instituições, a capacitação dos profissionais através de treinamentos contínuos, educação em saúde permanente e o aumento das simulações realísticas dentro do contexto hospitalar. Entretanto foram identificadas diversas intervenções medicamentosas e não farmacológicas no manejo ativo da HPP. 

3. CONCLUSÃO 

A atual pesquisa científica desenvolvida teve como foco evidenciar as intervenções que são mais relevantes e qualificadas frente ao manejo das hemorragias pós parto, Entretanto se identificou também os principais desafios relacionado ao manejo. Com tudo os mais mencionados foram a falta de protocolos rigorosos nas instituições de saúde, defeito de conhecimentos técnicos e científicos dos enfermeiros e a falta de qualificação dentro do ambiente de saúde. compactuando como a segunda causa de morte puerperal no Brasil devido sangramentos, com isso se faz necessário o enfermeiro estar atualizado de acordo com as principais literaturas científicas. 

Em consonância, outro aspecto que acende um alerta foi a dificuldade dos enfermeiros de identificar a etiologia das HPP, isso porque requer atenção  redobrada, monitorização contínua dos parâmetros vitais e conhecimento científico. Com isso foi observada em cerca de 90% dos artigos selecionados que a hora de ouro é fundamental na detecção precoce das hemorragias, investigando o tônus uterino, lacerações de canal vaginal, retenção intrauterino de fragmentos placentários e históricos de coagulopatias em até 60 minutos. 

Em outro sentido, o enfermeiro deve atuar na prevenção, promoção e tratamento, desde a estratificação de riscos anteparto durante as consultas de pré-natal, até a reabilitação da puérpera em nível secundário ou terciário. Frente a isso se perpétua a relevância da educação em saúde desde a atenção primária à saúde até o ambiente hospitalar.  Estudos identificaram que o manejo adequado do terceiro período do trabalho de parto contribui significativamente na prevenção das HPP, junto com a profilaxia com uso de medicamentos uterotónicos preferencialmente a Ocitocina, clampeamento oportuno do cordão umbilical e tração consciente do cordão umbilical.  

Além disso, a inspeção da placenta é ideal para verificar sua integridade se reteve algum fragmento, monitorizar os sinais vitais é essencial em conjunto com a quantificação do sangramento por meio de pesagens de campos cirúrgicos e compressas, Este método é conhecido internacionalmente pelo acrônimo QBL   (Quantitative Blood Loss), o uso do ácido tranexâmico, ofertar oxigênio quando necessário, verificar níveis de hemoglobina e hematócrito, coletar gasometria arterial, passar balão de tamponamento intrauterino, posicionar paciente em trendelemburg, uso do traje antichoque não pneumático,repor hemoderivados e volume por meio de Solução fisiológica ou soro ringer lactato aquecidos são intervenções que os autores mencionaram frequentemente nas literaturas.  

Em complemento, às medidas intervencionistas desnecessárias durante o parto potencializa as chances de desenvolvimento de HPP, tais como administração inconsciente de ocitocina, uso de equipamentos para extração do bebe, episiotomia, não respeitar a fisiologia materna e puxar o bebê são situações que além de se caracterizar como violência obstétrica aumenta os riscos de complicações. 

Esta revisão de literatura buscou-se destacar a relevância da assistência do enfermeiro frente as HPP, O estudo mostrou a importância da prevenção,  intervenção  e  cuidados  de  enfermagem em intercorrências hemorrágicas  puerperais,  expondo  os principais desafios relacionados. Em outra vista, medidas não farmacológicas mostraram grande impacto como contato pele a pele e aleitamento materno precocemente. 

As informações colhidas durante a pesquisa revelou a complexidade do cuidado obstétrico, da particularidade de cada intervenção e muitas das vezes a falta de capacitação. Com tudo observou-se que para minimizar esses impactos o uso de Protocolos Operacionais Padrão (POP) é fundamental, práticas de simulação realistas dentro das instituições, capacitação dos profissionais e conhecimentos baseados em evidências. 

A Pesquisa mostrou resultados positivos, porém há um grande caminho pela frente, tendo em vista a falta de interesse dos profissionais em buscar conhecimentos sendo um fator principal para agravar ainda mais essa situação. É imprescindível as pesquisas continuarem avançando sobre essa temática, para capacitar os profissionais e acadêmicos a prestar um cuidado eficiente e integral, só assim teremos grande mudança no cenário nacional. 

Com tudo, é responsabilidade do enfermeiro buscar aprimoramento e atualização, para está apto a desenvolver cuidados pautados em evidências científicas, aliado a isso a falta de estrutura e recursos materiais gera grande impacto em uma assistência de qualidade, isto porque aumenta o tempo de intervenção precoce e contribui com desfechos desfavoráveis. Bem como a carência de políticas públicas eficientes na área da obstetrícia que minimiza a inclusão social, favorecendo a desigualdade social da assistência obstétrica. Em vista disso  se torna de suma relevância o cuidado de enfermagem de maneira integral, reconhecendo as parturientes como um ser biopsicossocial.  

Dessa forma, o estudo  evidenciou 26 cuidados  para  o  manejo de  HPP,  expondo  que esta pode  ser prevenida de diversas maneiras, principalmente , pelo enfermeiro e sua equipe, os quais podem corroborar  com  o  alcance  da  meta  nacional  e  global  em  relação  à diminuição  dos  índices  de mortalidade materna. Evidenciou a necessidade de fortalecer as práticas básicas do cuidado, como a aferição dos sinais vitais.  

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1Formação: Instituição: Enfermeiro, Universidade Pitágoras (UNOPAR ANHANGUERA), Londrina-PR.. E-mail: raimundoabreu546@gmail.com
2Formação: INSTITUIÇÃO: Bacharel. Enfermagem Faculdade de medicina Estácio de juazeiro do norte-FMJ. E-mail: annapssouza1@gmail.com
3Formação: Instituição: Enfermeira, Universidade Federal de Alagoas- UFAL. E-mail:analiamilitantedademocracia@gmail.com
4Formação: Graduada em Enfermagem pelo Centro Universitário Planalto do Distrito Federal-UNIPLAN. Pós Graduada em Saúde da Família pela Faculdade de Venda Nova do Imigrante (FAVENI). E-mail: enferanapaulasiqueira@gmail.com
5Formação: Instituição: Enfermeiro, Centro Universitário Planalto do Distrito Federal. E-mail: salatielancaster@gmail.com