NOEMIA DE SOUSA E A (RE)CONSTRUÇÃO DA IDANTIDADE FEMININA “NEGRO-MOÇAMBICANA”

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202602070711


Palvina Manuel Nhambi1


Resumo

O presente estudo é subordinado ao tema: Noemia de Sousa e a (Re)construção da identidade feminina “negro-Moçambicana.” Pretende-se a partir do estudo de três poemas, compreender o contributo de Noémia de Sousa na (re)construção da identidade feminina “negro moçambicana” para determinar o quanto é relevante a sua obra para a literatura feminina Moçambicana, sobretudo, no que diz respeito ao processo de afirmação da identidade da mulher dentro das coordenadas históricas em que a mesma se inscreve. O estudo é em torno dos seguintes poemas: “Deixa passar meu povo”, “Quero conhecer-te” e “Negra”. O estudo apresenta traços característicos dos três poemas e explica as semelhanças da mulher actual submersa nas várias lutas para (re)construção da sua identidade. Metodologicamente, o estudo apresenta abordagem qualitativa uma vez o objectivo geral é procurar compreender o contributo de Noémia de Sousa na (re)construção da identidade feminina “negro moçambicana”. Especificamente apresenta o estudo das temáticas de Noémia de Sousa como marco característico da negritude; identifica o lugar de Noémia de Sousa no contexto da poesia inconformista dos escritores moçambicanos na identidade “negro moçambicana” e por fim interpreta os traços característicos da “mulher negra” patentes nos poemas de Noémia em estudo. Quanto aos procedimentos técnicos a pesquisa é marcadamente bibliográfico e documental, pois a fonte principal foram os textos escritos, entre obras, manuais e artigos científicos, quanto ao nível de aplicação é básica, pois não pretende ser uma espécie de projecto de intervenção social, mas apenas uma contribuição para a compreensão da identidade da mulher a partir das contribuições de Noémia e da sua poesia e quanto aos objectivos, a pesquisa é explicativa. Para analisar e interpretar os resultados, usou-se a análise de conteúdos. As conclusões confirmam o contributo de Noémia de Sousa na (re)construção da identidade feminina “negro-Moçambicana”.

Palavras-chave: (Re)construção, Identidade e identidade feminina “negro-moçambicana”

1. Contextualização

A problemática cultural e histórica da identidade e da imagem de si que um determinado povo possui é sempre marcada por processo de construção histórica do próprio povo, tendo como principal arma a literatura que pela sua natureza permite a exteriorização de ideias através do texto. Mas a história dos povos africanos em todo o período colonial foi marcada pela negação desta identidade e pelo desprezo desta imagem de si. Tal negação e tal desprezo começam a tomar novos contornos quando a história dá espaço e cria condições para o despertar nacional e para a busca da liberdade por parte do “homem negro.”

O inconformismo de Noémia de Sousa, dos demais poetas moçambicanos e as lutas pela independência são uma concretização da tomada de consciência, por parte dos povos africanos, de que nós temos o direito de sermos nós mesmos no nosso país e fora dele.

O ensino de língua Portuguesa deve ser visto e valorizado neste contexto porque é com ele que se abre visões para o além. Ora vejamos, hoje vive-se a experiência de alienação cultural, política, social, etc, uma alienação provocada pelo excesso do consumismo, da cultura do imediato e pela consequente falta de reflexão. O sistema actual toma-nos de todo jeito, engole-nos de tanto fazer e de tanta distracção. É nesta linha que a imagem da mulher é demasiada empobrecida, usada como objecto de publicidades nos meios de comunicação social, ainda vítima de violência domestica e da sua condição social desfavorecida, ainda prejudicada em relação ao direito às várias oportunidades quer de emprego, quer de estudo que é base fundamental para o alcance de todo resto.

A imagem da mulher é um dos factores muito importantes para a consolidação da identidade dum povo, sobretudo para o povo que olha para o ensino do Português como uma alavanca para a compreensão de todas temáticas transmitidas nesta mesma língua. Por isso, há que ter atenção a ela. Este é o principal problema que se aprofunda nessa pesquisa: a imagem da mulher é determinante para a qualidade da sociedade a que ela pertence. E a contribuição da poesia de Noémia para a auto-afirmação da mulher é bastante útil na redefinição do perfil dessa mesma mulher. Eis a razão que nos fez tomar a iniciativa de dedicar esta pesquisa à contribuição da poesia de Noémia de Sousa para a (re)construção da identidade feminina “negro-moçambicana.” A pesquisa é desenvolvida com a intenção de responder a seguinte indagação: qual é o contributo de Noémia de Sous8a na reconstrução da identidade feminina “negro moçambicana”?

2. Metodologia

Estamos perante uma pesquisa qualitativa, pois não está preocupado em buscar e tratar dados estatisticamente, mas na base da leitura dos três poemas de Noémia de Sousa, por isso quanto aos procedimentos técnicos a pesquisa é marcadamente bibliográfica e documental porque obtemos os dados a partir dos documentos e bibliografias que continham, informações relacionadas aos poemas em análise sem necessidade de realizar uma entrevista ou questionário. Esta pesquisa quanto ao nível de aplicação é básica, uma vez que não pretende ser uma espécie de projecto de intervenção social, mas apenas uma contribuição para a compreensão da identidade feminina na visão de Noémia de Sousa, quanto paradigma é interpretativo, natureza básica, isso porque a pesquisa não pretende resolver um problema imediato e esforçar a aplicação dos resultados, mas é apenas uma contribuição científica que de certo modo poderá subsidiar temáticas relacionadas a esta.

3. Fundamentação Teórica

4.1 Identidade 

É um tema muito estudado nas literaturas africanas de língua portuguesa na actualidade, por isso, a presente pesquisa não seria exceção pela própria natureza do tema. Diz Souza (s.a), citando Hal (2001) que a identidade no séc. XXI vem se construindo/desconstruindo continuamente, à medida que os sistemas culturais que nos rodeiam interferem nessa formação e transformação contínuas. Ele citando Doron e Parot (2000), define a construção de identidades no mundo contemporâneo como sendo a “emergência, no decorrer de um desenvolvimento, de estruturas e de capacidades funcionais de complexidade e grau de organização crescentes, graças a uma interacção entre o organismo e o meio, na qual o sujeito desempenha um papel activo”. E Hall (2001, citado por Souza, s.a), sustenta que a identidade é realmente algo formado, ao longo do tempo, através de processos inconscientes, e não algo inato, existente na consciência no momento do nascimento. Existe, continua ele, sempre algo ‘imaginário’ ou fantasiado sobre sua unidade. Ela permanece sempre incompleta, está sempre ‘em processo’, ‘sendo formada’. Indo na linha destas conceituações, durante a colonização de Moçambique , houve a imposição da cultura, o preconceito rac8ial e a inferiorização das línguas, tradições e costumes dos povos residentes. Estes aspectos são relevantes na construção da identidade dos moçambicanos, em especial a das mulheres  que buscam o seu reconhecimento.

Domingos (citado por Dantas, 2001) mostra que vários factores externos e internos em Moçambique contribuíram para a construção e reafirmação da identidade m2oçambicana principalmente no aspecto ante e pós-colonial. Tais factores são o contexto sociocultural, a consciência nacional, o colonialismo português, as fronteiras de Moçambique, o projecto nacionalista português, os aspectos tradicionais, religiosos, linguísticos e tudo o que envolvia o ‘ser moçambicano’.

4.2 (Re)construção

O uso da expressão (re)construção nesta pesquisa faz perceber que se está diante duma identidade que é negada, mas que nega ser negada e, por isso, se afirma e exige o seu reconhecimento por meio da literatura. A negação desta identidade em Moçambique, exprimida por meio dos termos usurpação e silenciamento por Dantas (2001), foi feita por meio da subalternização da imagem da mulher.

A imagem da mulher na linha de Dantas (2001), era apenas como aquela discriminada e apenas desejada como um objecto sexual, era apenas uma criatura desprovida de inteligência e cultura para modelos europeus, sem valor e sem voz própria para a sociedade colonizadora. Era tida, na linha de Barbosa (2010), como sexo frágil, o que precisa de protecção. Estes traços característicos culminaram na perpetuação da imagem duma mulher desvalorizada que influenciaram outras culturas a verem a mulher moçambicana na mesma forma negativa.

4.3 Identidade feminina

Para Dantas (2011), afirmar a identidade da mulher não é tarefa fácil porque, conforme diz Silva (2009, citado por Dantas, 2011) “afirmar a identidade significa demarcar fronteiras, significa fazer distinções entre o que fica dentro e o que fica fora”. Pois o conceito da identidade não é visto como algo fechado, perpétuo. Porém, como sustenta (Woodward, 2009, citado por Dantas, 2011, e Barbosa, 2010), como algo que está sempre num processo inacabado que depende também do contexto parti8cular de cada época vivenciada em seu país. A cerca disso, Hal (2009, citado por Dantas, 2011) defende que:

A abordagem discursiva vê a identificação como uma construção, como um processo nunca completado, como algo sempre em “processo”. Ela não é nunca, completamente determinada, no sentido de que se pode sempre ganhá-la ou perdê-la; no sentido de que ela pode ser sustentada ou abandonada. Embora tenha suas condições determinadas de existência, o que inclui os recursos materiais e simbólicos exigidos para sustentá-la, a identificação é, ao fim e ao cabo, condicional; ela está, ao fim e ao cabo, alojada na contingência.

A construção de uma identidade só é afirmada quando existem recursos  que a sustentem mesmo nunca sendo determinada, completada. Como um processo em andamento e condicional ocorrerá um encontro de sujeito consigo mesmo que prontamente se identifica com tais recursos materiais e simbólicos. Enfim, a identificação é, como sustenta Bhabha (2007, citado por Dantas, 2011) sempre uma questão de interpretação, pois ela é um encontro furtivo entre mim e um si-próprio, a elisão da pessoa e do lugar.

4. A contribuição de Noémia de Sousa na (re)construção da identidade da mulher

Para Noémia, a mulher, que era vista como objecto sem estima, é a mesma que gera e que concebe a vida, pois é a Mãe África. De facto, em seus poemas, é comum o uso das referencias directas e indirectas a essa mãe, ela que representa o elo forte e positivo entre a autora e seus compatriotas, os irmãos e as irmãs negras, como vem afirmado nos poemas Sangue Negro, Negra, Deixa passar meu povo, etc.

Ao longo dos seus poemas, sobretudo Negra e Sangue Negro, escritos em 1949, Noémia descreve a África como sua pátria e também como sua mãe de sangue, deixando claro que ambas são uma. A África não é somente a sua terra amada, mas também é aquela mãe que sofre ao dar a luz a seus filhos, dando-lhes sua vida através de seu “sangue negro” e sente dor ao vê-los partir forçosamente para terras tão distantes e alheias. A África é também a mãe que acaricia seus filhos com ternura, acalenta com canções de ninar, alimenta com os frutos do campo, encobre-os com sua capulana durante o dia e noite. Como se pode ver, trata-se duma descrição que se mescla completamente a imagem de uma nação à imagem duma mulher verdadeira. Ambas se misturaram e se uniram em uma só personalidade, embutida na própria nomenclatura: Mãe África.

Mas não é esta a imagem captada pelos colonizadores, que nem são capazes de perceber as vicissitudes da mulher moçambicana. A imagem tida por eles é de uma mulher libertina e lúbrica. Por isso, est8a negação da sua identidade é praticamente sustentada pela ignorância que os colonizadores têm dela. Isto causa angústia e inconformismo que levam à denúncia, à militância e à resistência por parte de Noémia, características que impunha a colonização forçada, a assimilação da cultura dominadora e a negação dos valores culturais e tradicionais que provocam a desvalorização do povo e, sobretudo, da mulher moçambicana, foi se tornando mais forte. De facto, a resistência e a oposição ao salazarismo são aspectos constantes na poesia de Noémia, principalmente quando divulga os ideais de libertação do povo e o repúdio à opressão, estimulando os seus irmãos a lutar e a reconquistar seus valores e tradições moçambicanas.

Na poesia de Noémia, há o registo da forma como os moçambicanos eram vistos sob a óptica do colonizador, para que eles mesmos pudessem ver o quanto estavam sendo desprezados, desvalorizados e completamente desmoralizados a ponto de alguns, como que tivessem se despido da sua moçambicanidade, da sua identidade nata. Noémia não aceitava essa condição e convoca o seu povo para a luta. É a referência à diferença entre os “negros” escravizados e os “negros” assimilados e livres que se despiram da sua identidade negra.

No seu poema Negra, Noémia descreve a mulher moçambicana sob dois pontos de vista, o do branco preconceituoso e o do seu próprio povo, considerado na categoria de irmão.

Em 10 dos seus 46 poemas, Noémia busca nomear a mulher como mãe, e nos outros restantes, mesmo não mencionando directamente esta palavra, mas fala dos irmãos e irmãs negras, facto este que só ocorre devido à existência de uma mãe, simbolicamente representada pelo continente africano. Assim, predominantemente essa mulher representa a grande mãe África.

As mulheres moçambicanas, para Noémia de Sousa, são aquelas que vivenciaram tal processo de identificação e por condições situacionais, se identificaram e afirmaram suas identidades moçambicanas como um posicionamento político-social de carácter nacional híbrido, diga-se, antes e depois da colonização portuguesa. O que ela é, o que pode ser e como deve ser daqui em diante. É a influência do passado, do presente e do futuro que se corresponde com a identidade de origem, segundo o comentário de Hall (2009, citado por Dantas, 2011) Tem a ver não tanto com as questões “quem nós somos” ou “de onde nós viemos”, mas muito mais com as questões “quem nós podemos tornar”, “como nós temos sido representados” e “como essa representação afecta a forma como nós podemos representar a nós próprios”.

5. Noémia de Sousa na (re)construção da identidade da mulher moçambicana no pós-colonial

Esclarece Dantas (2011) que quando os povos colonizados se tornaram independentes tiveram a árdua tarefa de construir a sua identidade. Ao mesmo tempo que o sistema colonial 2dizimpou as suas tradições e culturas, serviu também de impulso ao colonizado a reafirmarem aquilo que a ele pertencia, sua identidade cultural, “aqueles aspectos de nossas identidades que surgem de nosso pertencimento a culturas éticas, raciais, linguísticas, religiosas e, acima de tudo, nacionais”. (Hall, 2006, citado por Dantas, 2011, p.73), agora não tão pura como antes da colonização, porém com alguns aspectos da cultura branca europeia. É isto que sustenta o uso do termo “(re)construção” no presente artigo.

As construções já edificadas, os comércios instalados, o dinheiro, a comida, a religião e outros costumes e hábitos com os quais os colonizados tiveram de conviver durante o tempo em que os colonizadores lá permaneceram, incluindo o próprio ramo das artes e da literatura, são alguns dos aspectos que provam que a cultura dominante do colonizador invadiu a vida dos africanos e agora fazia parte da cultura destes.

Dentro da perspectiva da descolonização, as literaturas pós-coloniais, segundo Bonnici (2000, citado por Dantas, 2011), caracterizavam-se pelos temas de libertação nacional, a consciencialização da sua expressão cultural e a tentativa de retomar a civilização como era antes da chegada dos portugueses em África. Portanto, a motivação era de reafirmar os valores tradicionais do povo, restabelecer a perdida durante a fase de assimilação e despertar para um novo horizonte, a independência nacional, sem mais contactos com a cultura imperial dominante.

A literatura feminina tem dupla função na descolonização da mente actualizada porque as mulheres foram duplamente colonizadas, pelo género e pela raça, e através da literatura elas puderam lutar para que os seus direitos fossem respeitados e reconsiderados dentro da sociedade dominada pelo homem. A escrita feminina consegue divulgar e expressar com mais fidelidade a situação da mulher subalternizada, colonizada, marginalizada, mesmo que o que buscam ainda não tenha 8sido realizado por completo. Mata (2007, citada por Dantas, 2011) afirma que as mulheres escritoras fazem parte de um grupo privilegiado porque elas servem como porta-vozes das outras.

Nisto, entra em voga o papel das mulheres moçambicanas, pois agora, lutam não mais pela dominação e opressão colonial portuguesa, mas pelo reconhecimento próprio como mulher, cidadã de seu país e a legitimidade como ser humano. E isto pode tornar-se possível utilizando uma linguagem adequada que pode desmistificar a imagem da mulher objectificada, dar voz à mulher silenciada, externar sua maneira de pensar, de agir e reagir quando não está satisfeita com sua  situação, e a maneira de lutar pelo ideal a ser alcançado, sua identidade moçambicana.

A poesia de Noémia de Sousa, mesmo situando-se basicamente no período colonial, também pode ser vista como uma escrita descolonizada, porque a sua motivação era ver Moçambique e as mulheres libertas da opressão e colonização, sobretudo masculinas. No Poema da infância distante, em que ela reconta sua infância repleta de “irmãos” de raças diferentes, mas de sonhos iguais, de todos serem um na nova Moçambique que há-de renascer, quando o sol brilhar “para todos”, ele, num grito negro visionário, abre as portas para a chegada de um futuro em que brancos, homens e mulheres serão iguais. Por isso, não é por acaso que Mendonça (2001, citado por Dantas, 2011) inclui Noémia no discurso nacional africano moderno. A poesia de Noémia de Sousa sempre esteve à frente do seu tempo e expressa de maneira singular a afirmação da sua moçambicanidade.

6. O inconformismo poético de Noémia no poema Deixa passar meu povo

De acordo com o artigo, Noémia de Sousa: um pequeno contributo para o seu melhor conhecimento, o titulo inglês? «Let my people go» foi a versão inicial do poema portuguesa (1953), organizado, em Lisboa, pelo angolano Mário de Andrade e o São-tomense Francisco José Tenreiro. Nesse mesmo caderno saiu também o poema «Magaíça».

Poema com grande divulgação, «Deixa passar o meu povo» apresenta o predicador ou o eu poético localizado numa noite morna de Moçambique, escutando na rádio os cantos negros norte-americanos, Paul Robeson (foi também actor) e Marian e Anderson a interpretarem «espirituals negros Harlem». Isto remonta ao ambiente na Negritude americana em que o sistema de opressão e de nega8ção da identidade do negro era clara. Mas também é um momento em que o negro já despertou e precisa de se afirmar. A arte dessas figuras da Harlem Renaissance, tal como Billie Holliday no poema que lhe é dedicado, inspira o predicador, que ganha forças para escrever sobre o povo a que pertence. Portanto, manifesta-se claramente neste poema a Negritude moçambicana de Noémia: escrever sobre o povo a que ela pertence.

Pelo «turbilhão» que provoca no sangue, pelos «vultos familiares» que são conclamados nessa noite de insónia e luminosa experiência, em sintonia com o sofrimento do povo, o acto de escrita assemelha-se à experiência sugerida no poema «chuva obliqua», de pessoa.

7. Traços característicos da mulher expressos no poema Deixa passar meu povo

Neste poema, a imagem da mulher surge quando Noémia caracteriza a sua mãe. Ela diz: “Minha Mãe de mãos rudes e rosto cansado/ e revoltas, dores, humilhações, /tatuando de negro o virgem papel branco/ (…)”. Aqui, aparece a imagem duma mulher sofrida pelo trabalho (mãos rudes) e pelo cansaço (rosto cansado). Mas é uma mulher que reconhece que não é assim como as coisas devem continuar (revoltas), pois sofre na carne a situação humilhante a que está sujeita por causa do sistema colonial (dores, humilhações). É esta mulher que inspira a poetiza e lhe dá força para continuar a escrever. O espírito de revoltas e o convencimento da poetiza de que tem que continuar a escrever (escreverei, escreverei gritando…) criam um verdadeiro inconformismo que constitui uma das características básicas da mulher na concepção de Noémia. Ela própria encarna esta característica e quer contagiar as outras para que tenham a mesma postura.

No mesmo poema, uma outra referência à mulher ou, pelo menos ao sentido materno, é o seguinte verso: “mas é do mesmo sangue e da mesma seiva amada de Moçambique”. Neste verso, o país dela é descrito como a mãe que dá a vida a todos os que nela e dela nascem, e a ligação existente entre os filhos e o país é de amor “do mesmo sangue e da mesma seiva amada…” Entra aqui uma característica típica do povo africano e, em especial, da mulher africana: a solidariedade. Esta característica perpassa também em muitos poemas de Noémia e da maior parte dos poetas deste movimento.

Mas também existem algumas outras características que fazem a alusão ao feminino, como o recurso ao canto e à dança (dimensão artística da vida do africano: é só recordar o msaho e toda a oratura) como forma própria de expressar seus sentimentos de dor, revolta e revelação da auto-estima ferida, a auto-entrega ao trabalho, espírito de submissão, etc.

8. Características da mulher expressas no poema Quero conhecer-te África

Neste poema, a imagem da mulher perpassa todas as suas linhas, pois é a própria África que é representada como uma mulher e, sobretudo, virgem negra. África é personificada, é tida como a mãe da poetiza. Essa mulher-mãe é a metáfora da África, sua mãe, sua terra, a virgem negra violada, aquela que, segundo Dantas (2011, p.56), a encobre com a capulana de noite. Porém, vemos também que essa mulher representa “mistérios profundos” e é desconhecida por completo. Neste poema, Noémia afirma não conhecê-la como deveria, talvez por ter vivido numa época em que a própria terra buscava afirmar sua identidade. De facto, o eu poético manifesta os sentimentos internos e um desejo profundo de querer conhecer a África, sua mãe, para estar intimamente integrado nela juntamente com todos aqueles que, no poema Deixa passar meu povo, ela apelidou de «irmão» a fim de ter o mesmo destino com ela e com eles.

As repetições da expressão «querer conhecer» e algumas vezes acrescentando algum advérbio como «melhor», «bem», «quero mais», «melhor do que ninguém», a mudança do verbo «conhecer» para «descobrir», «penetrar», «compreender» as caracterizações detalhadas dos aspectos físicos da natureza como «mero estafado azul», «céu transparente e tropical», «lugares comuns», «Norte e Sul», «Oriente e Ocidente», «lua» mostram a vontade incondicional manifestada no próprio título (quero conhecer-te, África). Mas este «conhecer» enquadra-se dentro dum projecto de construção social da identidade da própria África que vai muito mais além das simples aparências captadas por «aqueles que não te amam», ou pelas «gentes estranhadas de outros mundos» referenciadas no poema Negra.

Mas o eu poético, que é feminino, ao querer conhecer a África, constrói a identidade da própria África comparando-a com o «corpo possante de virgem negra», uma identidade feminina que é construída a partir da experiência dolorosa da negação dessa mesma identidade pelo sistema colonial, o que é comprovado pelas expressões seguintes: «os meus terríveis gritos de dor», «quero lutar em ti integrada», «rimando nossos esforços e suores», «sentido o eco de cada brado», «é minha dor, é meu também este brado», «sofrer os teus desalentos», «é a África que canta, e grita, e chora». Na maior parte destas expressões e noutras presentes neste poema mostra também que a poetiza, ao falar da África, também fala dela mesma, na qualidade de mulher, e dos outros. Basta olhar para a última estrofe. Entra aqui mais uma vez aquela questão característica típica do povo african8o e, em especial, da mulher africana: a solidariedade. Esta característica perpassa também, como já se referiu antes, em muitos poemas de Noémia e da maior parte dos poetas deste movimento.

Noémia de Sousa valoriza a mulher de igual forma como valoriza a África porque ela percebe que é na mulher onde germina a vida. Noémia torna patente neste poema a sua identidade e o seu modo de ser a voz dos sem voz justificando com os seus versos as características da mulher negra africana nela integrada.

9. Análise interna do poema Negra

O poema «Negra», publicado na revista neo-realista Vértice (1950), é um, dos mais conhecidos. Segundo o estudo feito por Dantas (2011), em primeiro plano é visto que o poema é composto por 26 versos livres e quatro estrofes irregulares. Apresenta rima apenas nos versos primeiro e terceiro, e no décimo, primeiro e décimo segundo: “mundos/profundos”, “sensual/tropical”. O “eu poético” expressa sentimentos contrários em relação ao “não-eu”, terceira pessoa, que está descrita como “gentes estranhas doutros mundos”. Ela serve-se da metáfora para representar o continente africano, na segunda pessoa do poema, como “mãe”, no poema existem adjectivos que definem o continente africano e soam negativos por virem após a expressão “e te mascararam” usada pela poetiza. O verbo ´mascarar´ significa disfarce e dissimilação, evidenciando que Noémia não estava em comum acordo com tais palavras. Assim os adjectivos: “esfinge de ébano, amante sensual, jarra etrusca, exotismo tropical, demência, atracção, crueldade, animalidade e magia, e não sabem quantas outras palavras vistosas”, não representam a realidade dessa mãe/mulher moçambicana para a poetisa e o seu povo.

Noémia de Sousa buscou no âmago do seu sangue negro mostrar a deturpação da imagem de África incluindo de todas as mulheres, todas as mães e da própria escritora através de sua poesia de combate. Militando em defesa de sua gente silenciada pelo sistema discriminatório durante o período colonial. A imagem que se construiu da mulher moçambicana ou de África não tem o mesmo significado para si mesma e para seu povo. Descreveram-na de muitas formas para dissimular o que ela é na realidade, em sua essência, negando-lhe o direito de ser ela mesma: “foste tudo, negra… menos tu”. O direito de a mulher ser ela mesma lhe é negado por ser um, sujeito em estado de subalternidade e do sexo feminino, o que agrava ainda mais a situação.

Spivak (2010, citado por Dantas, 2011) afirma que: “no contexto da produção colonial, o sujeito subal8terno não tem história e não pode falar, o sujeito subalterno feminino está mais profundamente na obscuridade”. Para a autora, torna-se difícil a recuperação da voz de um sujeito subalterno, principalmente a voz da mulher, por estar sempre reduzida ao silêncio e diferenciada pela raça e pela classe social. E Spivak (2010, citado por Dantas, 2011) conclui afirmando que: o subalterno não pode falar.

10. Identificar a África é identificar-se com ela: mãe-África

Diz Oliveira (2008) que no poema Negra, Noémia de Sousa corporifica na imagem feminina as características da “mãe-terra”, transferindo sensações, desejos e sonhos que sendo aparentemente uma particularidade da mulher moçambicana ali idealizada, acabam por forjar no corpo do poema um sentimento que ultrapassa a busca de um “eu” individualizado para ser universal. Quando o sujeito lírico se identifica como cidadã moçambicana, constata-se que sua dor é também a das demais mulheres de seu grupo social e se assemelha, numa leitura alargada do poema, á busca da subjectividade e identidade femininas que nutrem os sonhos das “filhas da mãe negra”, ou melhor, da grande mãe África silenciada em várias partes pelo jugo colonialista.

Este poema, no entender de Margarido (1980, citado por Oliveira, 2008), coloca-nos perante as “gentes estranhas”, “que com seus olhos cheios de outros mundos” pretenderam os encantos da África, mas que, por via dos seus rendilhados cantos formalistas, não puderam aceder à substância autêntica da negra africana. Tal é, no fim de contas, o seu grande desejo: identificar a África e identificar-se com ela”.

11. Mãe-negra, mãe-terra e mãe-África

Neste poema, a imagem feminina é clara. O tema é a incapacidade de as pessoas alheias à cultura moçambicana poderem cantar a mulher negra. Grande parte dos epítetos de que os poetas coloniais uram e buscaram nas suas composições, nos seus «formais e rendilhados cantos», estão aqui expostos numa panóplia que desconstrói o mito poético de negra sedutora e lúbrica: «esfinge de ébano», «amante sensual», «jarra etrusca», «exotismo tropical», «demência», «animaliadade» etc.

A negra no final do poema, surge como a mãe da poetiza, podendo ler-se essa MÃE, em letras maiúsculas, como a Mãe-Negra, mãe de todos os negros, ou seja, a Mãe-África. A mulher negra, exaltada 8e elevada a esse cume da Mãe-África, recupera no texto a integridade que o olhar cúpido do poeta exógeno vinha lançando sobre ela.

Neste poema, Noémia caracteriza a mulher como misteriosa e profunda pois, reconhece nela algu8ém que quando está fechada em si mesmo como búzio, torna-se terreno inacessível ao outro que chega de fora e de forma errada, que usa instrumentos de conhecimento errados e motivações injustas e indignas.

Também Noémia mostra que dentro da mulher há mistérios profundos que não foram descobertos pelo colonizador, e, por essa razão, lhe atribuíram características alheias tais como: “de ébano, amante sensual, jarra etrusca, exotismo tropical, demência, atracção, crueldade, animalidade, magia e outras palavras vistosas e vazias mascarando-a.

12. Discussão e síntese dos resultados

Os três poemas nos ajudaram a ver quanto a intervenção de Noémia na literatura foi determinante na redefinição da identidade da mulher quer na consolidação da literatura moçambicana, quer na construção da nação moçambicana e, sobretudo, da forma de ser negro e de ser mulher.

Na sua obra poética, Noémia manifesta a sua dor, a sua solidariedade com a dor dos outros africanos (principalmente moçambicanos) a quem ela chama de “irmãos” (Deixa passar meu povo), ela assume-se como a voz da África que chora, assume a sua condição de mulher sofrida, desprezada, espezinhada, violada e violentada, uma mulher que, ora é tida como mãe, ora é identificada com a própria África (Quero conhecer-te África e Negra). Mas ao mesmo tempo, ela assume-se como a mulher que canta, e espera, uma mulher que acredita num futuro diferente em que todos possam ser irmãos. Por isso, ela também torna-se a voz das mulheres sem voz, a mãe daquelas que assumirão também, como ela, o poder da escrita e farão da letra a sua arte de autoafirmação por meio duma valorização de todos traços tipicamente femininos como o cuidado do lar, dos filhos, do marido, e de toda família. Noémia é a pioneira daquelas mulheres que, de acordo com a sua condição e intervenção social, lutam contra todo o tipo de discriminação de género e lutam por uma igualdade segundo a condição de ser homem e ser mulher. Nos escritos de Noémia qualquer africano escravizado se encaixa e afirma ser sua a dor, a voz e todas características de um sentimento revoltado, mas também é sua a resistência, o inconformismo, a luta por um lugar mais emancipado e por uma sociedade em que todos cantam a mesma “canção fraterna” numa única voz, a “nossa voz”.

O poema Deixa passar meu povo desperta o sentido do sofrimento, do inconformismo e da esperança por parte dum eu poético feminino convencido e determinado a se libertar do jugo colonial. Esta libertação da África, para Noémia de Sousa, passa necessariamente pela libertação da mulher africana, da mãe-negra, da virgem negra, enfim, da mãe-África.

Por8 isso8 o poema Quero conhecer-te, África, identificado por Noémia como, “virgem negra”, na mesma linha de outros poemas da mesma autora, como Sangue Negro, Se me quiser conhecer, etc. Mostra que a África é personificada na figura duma mulher que sofre as consequências do sistema colonial, consequências que consistem na negação da sua identidade. Daí que Noémia, no meio da sua dor, revoltas e humilhações, com o seu sangue em turbilhão, com os gritos dos seus irmãos, etc, quer construir esta identidade ferida dando-lhe novo valor , nova postura, nova esperança, novo futuro «porque só assim merecerei viver …», portanto, neste exercício, há sempre o antes que é negado, um antes de humilhações e de negação, que ainda persiste, e um depois que é afirmado, moldado, buscado, um depois que é pleno de esperança, de futuro, de sonho, de vida e de amor.

O poema Negra, apesar de apresentar esta negra mãe espoliada, humilhada e negada a sua identidade, afirma que os que lhe fizeram isto não puderam cantar os seus encantos, não puderam entrar em todos os seus mistérios. Portanto, isto torna possível recomeçar uma nova história, uma história duma mulher viva, afirmada, solidária, responsável, comprometida com o seu lar, sua família, sua sociedade e o seu desenvolvimento, mais aberta e presente em espaços públicos, como sustenta Barros (2012).

13. Conclusões

As conclusões aqui apresentadas são fruto da análise detalhada dos três poemas e estão directamente ligadas aos objectivos anteriormente levantadas nesta pesquisa.

a) É verdade que as temáticas da poesia de Noémia constituem marcos característicos daquela negritude inspirada no contacto indirecto com a negretude francófona. E isto acontece no sentido de que a própria situação histórica de Moçambique constituía terreno fértil para a assunção duma negritude inquieta, inconformada e cheia de esperança, o que constituía marco característico principal dos pais da negritude francófona. A pertença de Noémia à poesia de combate justifica este aspecto. b) Confirma-se, portanto, a relevância histórica e cultural da contribuição da poesia de Noémia de Sousa na (re)construção da identidade feminina negro-moçambicana, uma identidade forjada como fruto da auto-afirmação a partir da experiência dolorosa da coisificação da sua identidade como mulher e como negra. Mas tal relevância precisa de ser percebida no sentido duma continuidade histórica de um número de autores e poetas que, por meio da sua obra literária e intervenção social e, sobretudo, literária, criam um modelo de ser negro e de ser livre e, especificamente marcada pelo inconformismo manifestado nos três poemas, um inconformismo que é praticamente uma temática que, manifestando-se em termos de grito, resistência e revoltas, pr8epassa toda a poesia daqueles que compõem a chamada Poesia de Combate, da qual Noémia é parte inquestionável. c) Os três poemas em estudo ajudaram a ter alguns traços da imagem da mulher em Noémia, uma vez que foi possível resgatar os traços característicos da mulher negra patentes nos seus poemas. Tais traços são os seguintes: ligação afectiva com a terra e com os filhos que estão dentro e fora de África, alto grau de esperança e confiança num futuro melhor, o cuidado 8do lar, dos filhos, do marido, da família, a participação no destino da nação e no processo de desenvolvimento da comunidade e do país como verdadeira cidadã, espírito de luta por aquilo que é seu, uma valorização muito grande da vida, o inconformismo desmedido manifestado pelo estado inquieto do interior do eu poético presente em expressões como “remexem-me os nervos”, “nervosamente”,  “o meu sangue em turbilhão”, também manifestado por alguns remarques gramaticais como as repetições “escreverei, escreverei…”, as interjeições, o uso demasiado do advérbio, o uso das reticências para mostrar um suspense inconformista, o uso do ponto de exclamação que ora significa suspiro, ora surpresa, ora pânico, etc.

14. Sugestões

a) Confirmada a relevância histórica e cultural da contribuição da poesia de Noémia na (re)construção da identidade feminina, sugere-se às mulheres moçambicanas que assumam tal relevância e a compreendam dentro dum processo histórico em que elas se sentem unidas a todos aqueles que, em todos os tempos e lugares, procuraram afirmar a identidade da mulher, mesmo partindo de condicionalismos históricos diferentes. b) Sugere-se ainda às mulheres moçambicanas que levem avante algumas características da intervenção poética de Noémia, tais como a revolta contra tudo o que é opressor, a solidariedade com todos os que sofrem alguma humilhação, a resistência contra todas as forças ideológicas e alienantes, o inconformismo diante de situações injustas, o amor à terra e à pátria, o sentido de pertença a um povo e o desejo de permanecer nele e fazer nele a sua história. c) Por fim sugere-se as mesmas mulheres que tomem a peito o projecto contínuo e progressivo da (re)construção e afirmação da identidade feminina nos seus contornos moçambicanos e negroafricanos, não aquela identidade subjugada pela cultura da subalternização e coisificação da imagem da mulher, mas uma identidade criativamente recriada, reconstruída e valorizada por elas próprias em sua terra e em seu espaço, usando de representações culturais como suporte para a sustentação e afirmação dessa identidade.

Todas estas sugestões sustentam a relevância histórica e cultural do contributo de Noémia de Sousa na (re)construção da identidade feminina “negro-moçambicana” tanto para o seu tempo assim como para o período actual, mostram também a relevância deste estudo, mas, ao mesmo tempo, mostram a abertura do mesmo estudo a novas investigações e a novos aprofundamentos, pois o tema da identidade, por ser um tema que se constrói dentro do devir histórico, é sempre um processo inacabado. A palavra de ordem é que hoje a mulher deve assumir este devir histórico como momento privilegiado da sua realização e perpetuar a memória de Noémia de Sousa nas suas l8utas, nas suas dores, nas suas alegrias e nas suas angústias.

15. Referências Bibliográficas

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Dantas, L.N.M.M. (2010, Junho). Identidade moçambicana na poesia de Noémia de Sousa. Anais. Universidade Estadual de Maringá-UEM.

Dantas, L.N.M.M. (2011). Identidade da mulher moçambicana nas obras de Noémia de Sousa e Paulina Chiziane. Dissertação apresentada ao programa de Pós-Graduação em Literatura e Interculturalidade da Universidade Estadual de Paraíba, em cumprimento aos requisitos para obtenção do título de Mestre http://posgraduação.ascon.uepb.edu.br/ppgli/download/dissertacões/Dissertações2011/disseta%C3%A7%C3%A20luciana%neuma.pdf

Oliveira, J. J. De (2008, Abril-Junho). A poética e a prosa de: Alda Lara, Noémia de Sousa, Ana Paula Tavares, Vera Duarte e Paulina Chiziane. In Revista Electrónica do Instituto de Humanidades. VII(XXV), S.I_ Universidade Unigranrio http://publicacoes.unigranrio.com.br/index.php/reihm/article/view/File/11/18

Souza, I. P. De (s.a). A construção da identidade feminina nas campanhas publicitárias da Arezzo. S.1: Universidade do Estado do Rio Grande do Norte http://www.bocc.ubi.pt/pag/bocc-ildete-publicidade.pdf


1Mestre em Gestão e Administração Educacional e licenciada em Ensino de Língua Portuguesa
Pnhambi@ucm.ac.mz
https://orcid.org/0009-0002-5490-0007