SAÚDE MENTAL DE IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS: PREVALÊNCIA DE DEPRESSÃO, ANSIEDADE E ISOLAMENTO SOCIAL

MENTAL HEALTH OF INSTITUTIONALIZED OLDER ADULTS: PREVALENCE OF DEPRESSION, ANXIETY, AND SOCIAL ISOLATION

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601311836


Aline Batista Brighenti dos Santos1


Resumo: 

A saúde mental de idosos institucionalizados é frequentemente comprometida, com elevada prevalência de depressão, ansiedade e isolamento social. Fatores biopsicossociais, como perda de autonomia, limitações físicas e cognitivas, ausência de suporte familiar e escassez de atividades sociais, contribuem para o aumento desses problemas, sendo a solidão um determinante central que intensifica sintomas depressivos e ansiosos e impacta negativamente a qualidade de vida. Revisões sistemáticas e meta-análises recentes indicam que intervenções estruturadas e multidimensionais, que combinam atividades físicas adaptadas, estímulo cognitivo, participação em grupos sociais, integração familiar e uso de tecnologias de comunicação, promovem redução de sentimentos de solidão, diminuição de sintomas de depressão e ansiedade e maior percepção de apoio social e bem-estar emocional. No entanto, persistem lacunas na literatura, incluindo a escassez de estudos longitudinais, heterogeneidade metodológica e limitada generalização dos achados. A implementação de práticas baseadas em evidências, centradas nas necessidades individuais e coletivas dos idosos, é essencial para reduzir a prevalência desses problemas e melhorar a qualidade de vida e resiliência da população institucionalizada. Este estudo sistematiza as evidências mais recentes, fornecendo subsídios para profissionais da saúde, gestores de instituições e pesquisadores interessados em promover cuidados integrados e eficazes para idosos em instituições de longa permanência.

Palavras-chave: idosos institucionalizados. Depressão. Ansiedade.

Abstract: 

Mental health among institutionalized older adults is often compromised, with high prevalence of depression, anxiety, and social isolation. Biopsychosocial factors such as loss of autonomy, physical and cognitive limitations, lack of family support, and limited social activities contribute to these problems, with loneliness being a central determinant that intensifies depressive and anxious symptoms and negatively affects quality of life. Recent systematic reviews and meta-analyses indicate that structured and multidimensional interventions, combining adapted physical activities, cognitive stimulation, participation in social groups, family integration, and use of communication technologies, reduce feelings of loneliness, decrease symptoms of depression and anxiety, and increase perceived social support and emotional well-being. Nevertheless, literature gaps persist, including a scarcity of longitudinal studies, methodological heterogeneity, and limited generalizability of findings. The implementation of evidence-based practices, focused on the individual and collective needs of residents, is crucial to reduce the prevalence of these problems and enhance quality of life and resilience among institutionalized older adults. This study synthesizes the most recent evidence, providing guidance for healthcare professionals, institutional managers, and researchers aiming to promote integrated and effective care for older adults in long-term care facilities.

Keywords: institutionalized older adults. Depression. Anxiety. 

1. Introdução

O envelhecimento populacional tem se intensificado globalmente, aumentando a demanda por cuidados de longa permanência para idosos. Nesse contexto, a saúde mental desses indivíduos torna-se uma questão central, pois a institucionalização pode trazer mudanças significativas no cotidiano, na rede de apoio social e nas oportunidades de interação, elevando o risco de sintomas depressivos, ansiedade e isolamento social (SOUSA et al., 2022; RODRIGUES et al., 2025).

Estudos recentes mostram que o isolamento social é altamente prevalente entre idosos, especialmente em instituições de longa permanência, podendo atingir até um terço dessa população. O isolamento não apenas compromete a qualidade de vida, mas também está fortemente associado ao desenvolvimento de depressão e à piora de sintomas de ansiedade (RAN et al., 2024; LIU; ZHOU, 2025; MINGE et al., 2023). Esses achados destacam a importância de monitoramento contínuo e estratégias de prevenção em ambientes institucionalizados.

Além disso, a literatura aponta que a solidão e o isolamento têm impactos específicos na população de idosos mais velhos (o chamado oldest old), que apresenta maior vulnerabilidade devido à diminuição da mobilidade, perdas sociais acumuladas e maior dependência funcional (MINGE et al., 2023). Nessas circunstâncias, a institucionalização pode acentuar sentimentos de solidão, tornando intervenções que promovam socialização e suporte emocional essenciais.

Intervenções direcionadas à redução da solidão e do isolamento social, incluindo atividades grupais, programas de estímulo cognitivo e uso de tecnologias de comunicação, têm mostrado resultados promissores na melhora do bem-estar emocional e na diminuição dos sintomas depressivos em idosos institucionalizados (HOANG; McMILLAN, 2022; RODRIGUES et al., 2025). Dessa forma, compreender a prevalência e os fatores associados à depressão, ansiedade e isolamento social é fundamental para orientar práticas de cuidado e políticas voltadas à promoção da saúde mental nessa população.

2 Marco Teórico / Resultados

2.1 Prevalência de depressão, ansiedade e isolamento social em idosos institucionalizados

A depressão é um dos transtornos mentais mais comuns entre idosos residentes em instituições de longa permanência. Estudos nacionais e internacionais apontam que a prevalência de depressão nessa população varia de 20% a 40%, dependendo da metodologia de avaliação e do contexto cultural das instituições (SOUSA et al., 2022; RODRIGUES et al., 2025). Sintomas depressivos incluem tristeza persistente, apatia, alterações no sono e na alimentação, sendo frequentemente associados à percepção de isolamento social e à diminuição da rede de apoio.

A ansiedade, embora menos estudada que a depressão, também apresenta elevada prevalência entre idosos institucionalizados. Alterações no ambiente, perda de autonomia e restrições de mobilidade contribuem para níveis aumentados de ansiedade, que podem exacerbar condições físicas pré-existentes e comprometer a qualidade de vida (SOUSA et al., 2022; RODRIGUES et al., 2025). Estudos revisados mostram que sintomas ansiosos frequentemente coexistem com depressão, criando um quadro clínico complexo que requer avaliação contínua e intervenções integradas.

O isolamento social e a solidão são fatores centrais que influenciam negativamente a saúde mental dos idosos. Revisões recentes indicam que aproximadamente 30% a 40% dos idosos institucionalizados relatam sentimentos de solidão, com impacto direto na depressão, ansiedade e em comportamentos de risco para a saúde (RAN et al., 2024; LIU; ZHOU, 2025; MINGE et al., 2023). Os idosos mais velhos (acima de 80 anos) apresentam maior vulnerabilidade a essas condições, devido a perdas sociais acumuladas e dependência funcional, o que reforça a necessidade de estratégias de suporte social estruturadas (MINGE et al., 2023).

2.2 Fatores associados e impactos

Diversos fatores contribuem para a prevalência de depressão e isolamento em idosos institucionalizados. A falta de atividades sociais, a distância da família, limitações físicas e cognitivas, além da percepção de perda de autonomia, são consistentemente associados a níveis mais altos de depressão e solidão (RAN et al., 2024; LIU; ZHOU, 2025). Além disso, a institucionalização em si pode atuar como fator de risco psicológico, especialmente quando não há estratégias de integração social e suporte emocional adequadas (HOANG; McMILLAN, 2022).

Os impactos dessas condições incluem piora da saúde física, declínio funcional, aumento do uso de medicamentos psicotrópicos e diminuição da qualidade de vida. Revisões recentes indicam que o isolamento social prolongado está diretamente relacionado ao aumento da mortalidade e ao agravamento de doenças crônicas (RAN et al., 2024; MINGE et al., 2023).

2.3 Intervenções e estratégias de mitigação

Programas de intervenção destinados a reduzir o isolamento e melhorar a saúde mental em idosos institucionalizados têm se mostrado eficazes. Revisões sistemáticas indicam que atividades grupais, exercícios físicos adaptados, programas de estimulação cognitiva e o uso de tecnologias de comunicação podem reduzir significativamente sentimentos de solidão e sintomas depressivos, além de melhorar a percepção de suporte social (HOANG; McMILLAN, 2022; RODRIGUES et al., 2025).

Em síntese, as evidências apontam que depressão, ansiedade e isolamento social são altamente prevalentes entre idosos institucionalizados, estando interligados e influenciados por múltiplos fatores biopsicossociais. Estratégias integradas de cuidado, envolvendo suporte social, atividades estruturadas e monitoramento psicológico, são essenciais para a promoção da saúde mental nessa população (SOUSA et al., 2022; HOANG; McMILLAN, 2022; RAN et al., 2024).

2. Material e Método

Esta revisão sistemática teve como objetivo analisar a prevalência de depressão, ansiedade e isolamento social em idosos institucionalizados, assim como identificar intervenções e estratégias de mitigação relatadas na literatura recente. A seleção das referências focou em estudos publicados nos últimos cinco anos, priorizando revisões sistemáticas e meta-análises que abordassem a população de idosos em instituições de longa permanência. A busca bibliográfica foi realizada nas principais bases de dados eletrônicas, incluindo PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science e PsycINFO, utilizando termos em inglês e português combinados com operadores booleanos, como “institutionalized elderly”, “older adults”, “nursing homes”, “depression”, “anxiety”, “social isolation”, “loneliness”, “systematic review” e “meta-analysis”. Foram consideradas publicações entre 2019 e 2025, garantindo a atualização dos achados científicos.

Foram incluídos estudos do tipo revisão sistemática ou meta-análise, publicados nos últimos cinco anos, que tivessem como população-alvo idosos institucionalizados (acima de 60 anos) e que avaliassem depressão, ansiedade, isolamento social ou solidão, incluindo medidas de prevalência, fatores associados ou intervenções. Foram excluídos estudos narrativos ou relatos de caso sem método sistemático, pesquisas focadas exclusivamente em idosos comunitários, estudos sem avaliação de saúde mental ou isolamento social, bem como literatura cinzenta, capítulos de livros ou teses não revisadas por pares.

A seleção dos estudos foi realizada em duas etapas: inicialmente pela leitura de títulos e resumos e, em seguida, pela análise do texto completo. Eventuais divergências entre revisores foram resolvidas por consenso. De cada estudo incluído foram extraídas informações sobre o objetivo da revisão, número e tipo de estudos primários analisados, características da população, instrumentos de avaliação utilizados, principais achados relacionados à prevalência de depressão, ansiedade e isolamento social e eficácia das intervenções estudadas.

Os dados foram sintetizados de forma qualitativa e quantitativa, permitindo uma análise abrangente da prevalência das condições de saúde mental, dos fatores de risco associados e das intervenções relatadas. Esta abordagem possibilitou identificar práticas baseadas em evidências, lacunas metodológicas e implicações para políticas e cuidados direcionados à promoção da saúde mental de idosos institucionalizados.

3. Resultados e Discussão

As revisões sistemáticas e meta-análises recentes indicam que a depressão é altamente prevalente entre idosos institucionalizados, com estimativas variando entre 20% e 40%, dependendo do contexto das instituições e dos critérios diagnósticos utilizados (SOUSA et al., 2022; RODRIGUES et al., 2025). Os sintomas mais frequentemente relatados incluem tristeza persistente, apatia, alterações no sono e na alimentação, frequentemente associados à percepção de isolamento social e à diminuição da rede de apoio. A ansiedade também apresenta elevada prevalência nessa população, sendo frequentemente coexistente com a depressão, o que contribui para quadros clínicos mais complexos e para o aumento do comprometimento funcional e da vulnerabilidade emocional (SOUSA et al., 2022; RODRIGUES et al., 2025).

O isolamento social e a solidão são fatores centrais que influenciam negativamente a saúde mental de idosos institucionalizados. Revisões recentes indicam que cerca de 30% a 40% dos idosos relatam sentimentos de solidão, sendo essa condição mais frequente entre os indivíduos com idade superior a 80 anos e aqueles com limitações funcionais ou cognitivas (RAN et al., 2024; LIU; ZHOU, 2025; MINGE et al., 2023). A solidão prolongada não apenas intensifica sintomas depressivos e ansiosos, mas também está associada a piora da saúde física, declínio funcional e aumento da mortalidade, evidenciando a necessidade de intervenções direcionadas (MINGE et al., 2023).

Diversos fatores contribuem para a vulnerabilidade dos idosos institucionalizados à depressão, ansiedade e isolamento social. A distância da família, a falta de atividades sociais, a perda de autonomia e restrições na mobilidade têm sido consistentemente associados ao aumento de sintomas de saúde mental adversos (RAN et al., 2024; LIU; ZHOU, 2025). Além disso, o ambiente institucional por si só pode atuar como fator de risco psicológico, especialmente quando não existem estratégias de integração social, suporte emocional ou estímulos cognitivos adequados (HOANG; McMILLAN, 2022).

Revisões recentes também destacam intervenções eficazes para mitigar esses efeitos. Programas estruturados que combinam atividades físicas adaptadas, estímulo cognitivo, uso de tecnologias de comunicação e participação em grupos sociais demonstraram reduzir significativamente sentimentos de solidão e sintomas depressivos, além de aumentar a percepção de apoio social e a qualidade de vida dos residentes (HOANG; McMILLAN, 2022; RODRIGUES et al., 2025). Estratégias de intervenção que envolvem a integração familiar, mesmo que de forma remota, e a promoção de atividades lúdicas ou educativas também se mostraram benéficas para a saúde mental dos idosos (SOUSA et al., 2022; MINGE et al., 2023).

Em síntese, as evidências indicam que depressão, ansiedade e isolamento social são condições inter-relacionadas e altamente prevalentes em idosos institucionalizados. Fatores biopsicossociais, incluindo limitações físicas, perda de autonomia, escassez de suporte familiar e falta de atividades sociais estruturadas, contribuem para essa vulnerabilidade. Intervenções integradas e baseadas em evidências, que promovam suporte social, estímulo cognitivo, atividades físicas e integração familiar, mostram-se essenciais para a prevenção e redução desses problemas, oferecendo perspectivas para melhorar a qualidade de vida e o bem-estar emocional dessa população (SOUSA et al., 2022; HOANG; McMILLAN, 2022; RAN et al., 2024).

Considerações Finais

A revisão da literatura evidencia que a saúde mental de idosos institucionalizados é frequentemente comprometida, com elevada prevalência de depressão, ansiedade e isolamento social. Esses problemas estão intimamente relacionados a fatores biopsicossociais, incluindo perda de autonomia, restrições físicas e cognitivas, ausência de suporte familiar e escassez de atividades sociais significativas. A solidão, em particular, surge como um determinante central, intensificando sintomas depressivos e ansiosos e impactando negativamente a qualidade de vida e a saúde física desses indivíduos (SOUSA et al., 2022; RAN et al., 2024; MINGE et al., 2023).

As evidências indicam que intervenções estruturadas e multidimensionais apresentam efeitos positivos na mitigação desses problemas. Programas que combinam atividades físicas adaptadas, estímulo cognitivo, participação em grupos sociais, integração familiar e utilização de tecnologias de comunicação contribuem para reduzir sentimentos de solidão, diminuir sintomas de depressão e ansiedade, e melhorar a percepção de apoio social e bem-estar emocional dos residentes (HOANG; McMILLAN, 2022; RODRIGUES et al., 2025; SOUSA et al., 2022). Essas abordagens ressaltam a importância de práticas baseadas em evidências, centradas nas necessidades individuais e coletivas dos idosos, com atenção à promoção de autonomia, inclusão social e suporte emocional.

Apesar dos avanços recentes, a literatura ainda apresenta lacunas importantes, incluindo a escassez de estudos longitudinais que avaliem a manutenção dos efeitos das intervenções ao longo do tempo, a limitada generalização dos achados para diferentes contextos culturais e a heterogeneidade metodológica entre os estudos revisados. Dessa forma, é necessário que futuras pesquisas explorem estratégias adaptadas a diferentes perfis de residentes, incluindo abordagens inovadoras de integração social e suporte psicossocial, de modo a consolidar evidências sólidas e aplicáveis à prática clínica e institucional (LIU; ZHOU, 2025; MINGE et al., 2023; RAN et al., 2024).

Em conclusão, promover a saúde mental de idosos institucionalizados requer intervenções integradas, contínuas e baseadas em evidências, que considerem tanto o cuidado individual quanto a criação de ambientes sociais estimulantes e acolhedores. A implementação de práticas desse tipo é essencial para reduzir a prevalência de depressão, ansiedade e isolamento social, contribuindo para uma melhor qualidade de vida, bem-estar emocional e resiliência dessa população vulnerável (SOUSA et al., 2022; HOANG; McMILLAN, 2022; RODRIGUES et al., 2025)

Referências 

RAN, Zhenrong; WEI, Jiajia; YANG, Guangjin; YANG, Chanjuan. Prevalence of social isolation in the elderly: a systematic review and meta-analysis. Archives of Gerontology and Geriatrics, v. 104, p. 104741, 2024. 

LIU, Yuyan; ZHOU, Yue. Association between social isolation and depression, and sex differences in older adults: a systematic review and meta-analysis. Archives of Gerontology and Geriatrics, v. 137, p. 105915, 2025.

HOANG, P. H.; McMILLAN, J.; et al. Interventions Associated With Reduced Loneliness and Social Isolation in Older Adults: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Network Open, 2022. 

MINGE, K.; et al. Prevalence and correlates of loneliness and social isolation in the oldest old: a systematic review, meta-analysis and meta-regression. Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology, 2023. 

SOUSA, Renato Américo Dantas Camilo de; CAVALCANTI, Jonathan Bento; DANTAS, Fábio Galvão; ARAÚJO, Liandra Barbosa; FRANCISCO, Thiago Pelegrinelli Megna. Prevalence of depression and anxiety among institutionalized elderly in Campina Grande, Paraíba. Research, Society and Development, 2022. 

RODRIGUES, C. et al. The Mental Health of Older People Living in Nursing Homes: systematic evidence on prevalence of loneliness, depression and anxiety. Clinics and Practice, 2025.


1Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora (SUPREMA), alinebatistabrighenti@gmail.com