AN ANALYSIS OF THE RISKS OF USING ANTIDEPRESSANTS IN ELDERLY PATIENTS TAKING MULTIPLE MEDICATIONS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202601092311
Andrya Furtado Alcantara1
Camille Vitória da Costa Pantoja2
Eshyla Machado Rodrigues3
Jones Farias Costa4
Mayara Sabrina de Amorim Rodrigues5
Paulo de Oliveira Paes de Lira Neto6
Resumo
Embora o envelhecimento seja um processo natural, ele desencadeia várias alterações fisiológicas nos idosos que afetam diretamente no seu estado físico, funcional e mental, como a depressão que é comum nessa faixa etária, e o tratamento farmacológico contribui para o uso simultâneo de diversos medicamentos, favorecendo complicações clínicas (Santos, 2022). A revisão aborda as principais classes de antidepressivos utilizadas na geriatria, seus mecanismos, benefícios e potenciais riscos, evidenciando que a escolha terapêutica deve considerar as particularidades do idoso. O estudo tem como objetivo reforçar a necessidade de monitorização contínua e do acompanhamento farmacêutico para reduzir danos, prevenir interações e promover maior segurança e qualidade de vida aos pacientes idosos. Este estudo trata-se de uma revisão integrativa da literatura, que reúne e analisa pesquisas sobre os riscos do uso de antidepressivos em idosos polimedicados, reforçando a importância da discussão sobre esse tema, uma vez que se trata de uma população altamente sensível às mudanças fisiológicas impostas pelo envelhecimento e ao uso simultâneo de múltiplos fármacos. A análise dos estudos selecionados demonstrou que, embora os antidepressivos sejam fundamentais no tratamento da depressão nessa faixa etária, eles exigem cautela, monitorização constante e avaliação criteriosa de riscos e benefícios, a atuação integrada entre médico, farmacêutico e equipe multiprofissional é imprescindível para garantir um acompanhamento seguro e eficaz, prevenindo danos e promovendo o uso racional de medicamento. Diante disso, torna-se evidente que o manejo de antidepressivos em idosos polimedicados deve ser pautado na prudência, na avaliação individualizada e na integração entre profissionais de saúde, de modo a minimizar riscos e maximizar benefícios terapêuticos.
Palavras-chave: Polifarmácia, idosos, depressão.
1 INTRODUÇÃO
A depressão afeta aproximadamente 154 milhões de pessoas em todo o mundo, com prevalência de 15% entre os idosos. Segundo Fernandes (2021), esta doença é causada por uma série de alterações psicopatológicas que podem variar em sintomas, gravidade e prognóstico. Santos (2022), destaca que com o passar dos anos, há uma diminuição gradual das funções, frequentemente relacionada a várias mudanças no organismo, como: a queda no equilíbrio, na mobilidade, nas funções fisiológicas e transformações psicológicas, o que consequentemente, torna o grupo de idosos, um dos mais afetados por doenças crônicas não transmissíveis (DCNT).
No último século, a expectativa de vida humana aumentou exponencialmente, e, consequentemente, um aumento significativo da população idosa. Visando o aumento de DCNT, como por exemplo o transtorno da depressão, com isso houve a necessidade da Polifarmacia, que segundo a OMS se caracteriza como o uso concomitante de quatro ou mais medicamentos, tal qual pode ser causadora de reações adversas medicamentosas (RAM) e interações medicamentosas (IMs). O número de fármacos utilizados pelos geriatras varia de 2 a 5, e estimasse que acima de 65 anos administram em média 13,6 medicamentos por ano, número esse que aumenta conforme o processo de envelhecimento (Dos Santos; Lopes; Tormin, 2022).
Segundo a organização mundial da saúde (OMS), no Brasil, 61,8% dos idosos com depressão optaram pelo tratamento farmacológico (Silva et al., 2024). O tratamento com antidepressivos depende do tipo e gravidade da depressão, comorbidades e de outras doenças; da escolha adequada de antidepressivos, de sua eficácia e perfil de efeitos adversos; da orientação do paciente e de sua aderência ao tratamento. O uso de antidepressivos pelos idosos merece destaque por ser uma classe de medicamentos com muitos efeitos colaterais e por se tratar de uma parcela da população já tão frágil. Os mecanismos de ação devem ser conhecidos bem como suas indicações, além da observação da adaptabilidade do idoso aos medicamentos prescritos (Moreno et al., 2019).
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
DEPRESSÃO
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS 2022), o Brasil é o país com maior prevalência de depressão, esse transtorno, é a principal causa de incapacidade em todo o mundo e estima-se que mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, sofram com esse transtorno. Com isso, pode-se afirmar que a depressão é uma doença que traz grande sofrimento ao indivíduo, envolvendo problemas no trabalho, no meio familiar e na comunidade, bem como aumento do risco de suicídio.
DEPRESSÃO NA GERIATRIA
Os países do terceiro mundo apresentam um declínio gradual nas taxas de mortalidade e natalidade. Esses dois fatores combinados fazem aumentar a taxa real de envelhecimento destas populações, ainda que em menor grau do que nos países desenvolvidos. Nessa perspectiva, dados do IBGE mostram que o crescimento da população idosa passou de 9,8% em 2005 para 14,3% em 2015, com estimativa de que até 2025, um quinto da população brasileira será idosa (Pires et al, 2018).
As estimativas sugerem que, em 2050, 38 milhões de idosos poderão sofrer de depressão, o que representa uma proporção maior do que a de jovens na sociedade (Ramos et al., 2019). Levando em consideração essa afirmação, o transtorno depressivo tem sido cada vez mais notado entre os idosos, o que causa preocupação, pois afeta a qualidade de vida e a capacidade funcional, além de elevar o risco de doenças e mortalidade. Esse transtorno, é causado por alterações psicopatológicas que podem variar em sintomas, gravidade e prognóstico. Caracteriza-se por um estado de espírito predominantemente deprimido e/ou irritável, com falta de capacidade de sentir alegria ou felicidade, possivelmente acompanhado por uma sensação subjetiva de cansaço e fadiga, além de alterações no sono e no humor, pessimismo, preguiça e pensamentos de fracasso. (Sousa, et al., 2021).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a depressão como a quarta causa de incapacidade social e espera que se torne a segunda causa de incapacidade nos países subdesenvolvidos e a primeira nos países desenvolvidos a próxima década. Neste contexto, o reconhecimento da depressão em idosos é importante na prática clínica, pois permite intervenções rápidas e eficazes, além da prevenção de fatores de risco. (Borges, et al., 2020)
Dessa forma, a seleção da farmacoterapia precisa ser cuidadosamente avaliada em relação à segurança de pacientes mais velhos, uma vez que eles são o grupo populacional mais vulnerável, pois, o uso prolongado de medicamentos, as frequentes comorbidades nessa idade, acarretam na polifarmácia, assim aumentando os riscos de efeitos adversos e interações entre os medicamentos. (Fernandes, 2021).
POLIFARMÁCIA E SEUS RISCOS
Segundo a Organização Mundial da Saúde (2018), polifarmácia se caracteriza pelo uso concomitante de quatro ou mais medicamentos pelo mesmo paciente, podendo ser prescritos ou isentos de prescrição, sendo classificada como, leve se houver uso de dois ou três fármacos, moderada de quatro a cinto e graves de cinco ou mais medicamentos. Esta pratica se dá principalmente pelo aparecimento de diferentes doenças crônicas e/ou sintomas, podendo também ser resultado de uma série de fatores como: atendimento com vários médicos, acesso facilitado a medicamentos e a prática da automedicação (Dos Santos; Lopes; Tormin, 2022).
A população idosa é responsável pelo maior quadro de portadores de doença crônica não transmissível (DCNT) no mundo (Christinelli et al., 2020). Consequente, estes indivíduos também tem a maior prevalência ao uso de polifarmácia, entretanto este consumo pode trazer consequências de reações adversas. (Barreto, 2024).
Segundo Aguiar e Virgens (2022), foram descritos na tabela 2 as classes de medicamentos mais utilizadas pelos pacientes geriátricos
REAÇÃO ADVERSA MEDICAMENTOSA
Diante do pressuposto a OMS define reação adversa como todo efeito prejudicial e/ou indesejado que surge de forma não intencional após o uso de um fármaco, qual pode ser administrado para tratamento, profilaxia ou diagnostico de uma patologia. Podendo ser desencadeadas pelo uso irracional de medicamentos (Tinôco et al., 2021).
INTERAÇÃO MEDICAMENTOSA
Já interação medicamentosa é todo efeito não desejado (efeitos alterados) de um fármaco, pela presença de outro fármaco no organismo ou alimentos. Deste modo quando praticada a polifarmácia os medicamentos podem agir da forma esperada ou podem interagirem entre si, aumentando ou diminuindo o efeito terapêutico e toxico de um dos fármacos. As complicações por interações medicamentosas são classificadas em menor gravidade, quando seus efeitos não necessitam de mudança na terapia, moderada quando é necessária revisão na terapia e a grave, que nesse caso os efeitos da interação evoluem para uma forma crônica, sendo crucial a mudança de terapia e intervenção medica. (Barbosa; De Medeiros, 2018).
As IMs são divididas em dois mecanismos comumente conhecidos que são os mecanismos de interações farmacocinéticos e farmacodinâmicos, além desses alguns autores ainda citam um terceiro que é de incompatibilidades farmacêuticas.
Tabela 1: Mecanismo de interações medicamentosas
| Interações Farmacocinéticas | Interação altera a absorção, distribuição, metabolismo ou excreção dos fármacos |
| Interações Farmacodinâmicas | Interação no local de ação ou junto ao local de ação dos fármacos |
| Interações Incompatibilidade Farmacêutica | Interação derivada de incompatibilidade química ou física entre os constituintes dos fármacos. |
Fonte: Autores, 2024
Uma das causas de alta IMs e RAMs em idosos polimedicados, se explica pelo fato que o envelhecimento afeta a absorção, distribuição, metabolismo e excreção medicamentos, uma vez que a biodisponibilidade da medicação oral depende basicamente da absorção pelo trato gastrointestinal, visto que, é a primeira passagem hepática da droga (Freitas, 2018).
NEUROTRANSMISSORES
Os neurotransmissores são substancias químicas sintetizadas e liberadas pelos neurônios responsáveis pela sinalização por meio das sinapses. As principais funções desses mediadores são de regular as atividades do sistema nervoso central e periférico, para controlar a homeostase.
De acordo com De Andrade et al (2003) os neurotransmissores são armazenados são em vesículas neuronais, dessa forma quando um neurotransmissor é liberado, ocorre a síntese e o armazenamento de novas moléculas de neurotransmissor bem como novas vesículas neuronais para substituir as que foram utilizadas. Se sintetizado e não for liberado, o neurotransmissor permanece armazenado a espera de ser liberado.
Tabela 2: Relação de principais Neurotransmissores e suas funções
| Classe | Neurotransmissor | Função |
| Classe I | Acetilcolina | Controle do tônus muscular, aprendizado e emoções. |
| Endorfina | Calmante natural que alivia a sensação de dor; responsável pelo sentimento de euforia, êxtase. | |
| Classe II (Aminas) | Epinefrina | Vasodilatação ou vasoconstrição, dependendo do receptor do vaso |
| Norepinefrina | Vasoconstrição e redução da atividade inflamatória do SNC | |
| Dopamina | Em geral, tem efeitos inibitórios | |
| Serotonina (5-hidroxitriptamina) | Excitação de órgãos, vasoconstrição e estímulo dos batimentos cardíacos | |
| Histamina | Regulação do estado de alerta |
Fonte: Diniz et al.,2020
3 METODOLOGIA
O presente estudo trata-se de uma revisão integrativa da literatura, que segundo Souza; Silva; Carvalho (2010), é uma abordagem metodológica ampla, que permite a compreensão de um assunto abordado, através de revisões da literatura. Este trabalho possui uma abordagem qualitativa e quantitativa, considerando a importância dos estudos acerca dos riscos associados ao uso de antidepressivos por idosos polimedicados.
O levantamento bibliográfico foi conduzido através de uma busca de artigos científicos publicados entre os anos 2018 a 2025. Foram selecionados nas bibliotecas virtuais um quantitativo de 48 artigos relacionados ao tema proposto. As fontes de dados incluíram SciELO e PubMed. Com os descritores: idoso, antidepressivos e polifarmácia.
Os critérios de inclusão para a escolha dentro da literatura são os seguintes: artigos na língua portuguesa, publicados na cronologia selecionada e que se enquadrasse no tema proposto. Após a triagem inicial, os estudos foram revisados e filtrados com base em critério de exclusão, que incluiu a eliminação de estudos duplicados, irrelevantes ao tema e em idiomas diferentes da língua portuguesa (Autores 2024)
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
Figura 1: Fluxograma da seleção dos trabalhos

Fonte: Autores 2025
Com o intuito de sistematizar e facilitar a compreensão dos achados científicos, os estudos selecionados nesta revisão integrativa foram organizados em uma tabela, a qual contempla informações essenciais como título, autores, objetivos e principais conclusões. Essa organização possibilita uma visualização clara e comparativa dos resultados apresentados na literatura, permitindo a identificação de convergências entre os estudos e dos principais riscos associados ao uso de antidepressivos em idosos submetidos à polifarmácia.
A tabela a seguir apresenta a síntese dos 17 artigos incluídos na revisão, constituindo a base para a discussão crítica dos resultados e reforçando a importância de uma abordagem terapêutica cautelosa, individualizada e multiprofissional no manejo da depressão em idosos polimedicados.
Tabela 3: Dados dos artigos incluídos na revisão sistemática
| TITULO DO ARTIGO | AUTORES/ANO | OBJETIVO | PRINCIPAIS CONCLUSÕES |
| Fatores de risco para depressão em idosos | Fernandes; Rodrigues (2022) | Identificar fatores associados ao desenvolvimento da depressão em idosos | A depressão em idosos está relacionada a fatores biológicos, psicológicos e sociais, demandando acompanhamento contínuo e abordagem multidisciplinar. |
| Psicogeriatria: modificações farmacocinéticas e farmacodinâmicas associadas ao envelhecimento | D’Agostin; Budni (2019) | Analisar alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas decorrentes do envelhecimento | O envelhecimento interfere na absorção, metabolismo e excreção dos fármacos, aumentando o risco de reações adversas e interações medicamentosas. |
| Os riscos da polifarmácia na saúde do idoso: uma revisão da literatura | Dos Santos; Lopes; Tormin (2022) | Avaliar os impactos da polifarmácia na saúde do idoso | A polifarmácia está associada ao aumento de eventos adversos, hospitalizações e redução da qualidade de vida. |
| Polifarmácia em idosos: consequências de polimorbidades | Tinôco et al. (2021) | Investigar as consequências clínicas da polifarmácia em idosos | A presença de múltiplas comorbidades favorece o uso excessivo de medicamentos, elevando o risco de quedas, confusão mental e hipotensão. |
| Interação medicamentosa: um agravo à saúde fragilizada | Barbosa; Medeiros (2018) | Analisar os riscos das interações medicamentosas | As interações medicamentosas podem comprometer a eficácia terapêutica e potencializar efeitos tóxicos, sobretudo em idosos polimedicados. |
| Depressão em idosos: o papel do profissional farmacêutico | Ferreira; Melo (2018) | Discutir a atuação do farmacêutico no tratamento da depressão em idosos | O acompanhamento farmacêutico contribui para a segurança do tratamento, prevenção de interações e uso racional de antidepressivos. |
| Ação dos neurotransmissores envolvidos na depressão | Diniz et al. (2020) | Descrever o papel dos neurotransmissores na fisiopatologia da depressão | Alterações nos níveis de serotonina, noradrenalina e dopamina justificam o uso de antidepressivos no tratamento da depressão. |
| Atribuições do farmacêutico clínico no cuidado à pessoa idosa | Aguiar; Virgens (2022) | Analisar a importância da atuação clínica do farmacêutico no cuidado ao idoso | A intervenção farmacêutica reduz riscos relacionados à polifarmácia e melhora a adesão terapêutica. |
| Estudo bibliográfico sobre potenciais interações medicamentosas envolvendo antidepressivos tricíclicos | Barros et al. (2022) | Avaliar interações medicamentosas associadas aos antidepressivos tricíclicos | Antidepressivos tricíclicos apresentam elevado potencial de interações e efeitos adversos, sendo menos indicados para idosos. |
| Fatores relacionados à adesão ao tratamento farmacológico por idosos | Christinelli et al. (2020) | Identificar fatores que interferem na adesão ao tratamento | Regimes terapêuticos complexos comprometem a adesão e aumentam riscos clínicos. |
| Aspectos farmacológicos do idoso: uma revisão integrativa de literatura | Oliveira; Corradi (2018) | Analisar alterações farmacológicas no envelhecimento | Alterações fisiológicas exigem ajustes de doses e maior vigilância terapêutica. |
| Perfil de medicamentos utilizados por automedicação por idosos | Oliveira (2018) | Identificar o perfil de automedicação em idosos | A automedicação potencializa riscos de reações adversas e interações medicamentosas. |
| Interações medicamentosas entre idosos na atenção primária | Santos et al. (2019) | Avaliar a ocorrência de interações medicamentosas | As interações são frequentes em idosos acompanhados na atenção primária, especialmente em contextos de polifarmácia. |
| Adesão de pacientes idosos polimedicados | Barreto et al. (2024) | Analisar o comportamento de idosos frente ao uso de múltiplos medicamentos | A polifarmácia compromete a adesão terapêutica e aumenta o risco de eventos adversos. |
| O processo de envelhecimento na sociedade | Figueiredo (2022) | Analisar o processo de envelhecimento populacional | O envelhecimento populacional amplia as demandas por cuidados de saúde e uso de medicamentos. |
| Revisão integrativa: método de pesquisa para síntese do conhecimento na área da saúde | Lima; Santos; Oliveira (2022) | Descrever a revisão integrativa como método científico | A revisão integrativa permite a sistematização e análise crítica de evidências científicas. |
| Problemas de sono em idosos | Moreno et al. (2019) | Analisar fatores associados aos distúrbios do sono em idosos | Distúrbios do sono impactam a saúde mental e podem agravar quadros depressivos. |
Fonte: autores 2025
Após a análise dos artigos selecionados para esta revisão integrativa da literatura, destacou-se a vulnerabilidade da população idosa, isto é, tanto para sua suscetibilidade em desenvolver depressão ao longo dos anos, quanto para o aumento a incidências de reações adversas medicamentosas e interações medicamentosas em razão de suas alterações fisiológicas decorrentes do fator envelhecimento.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a depressão como a quarta causa de incapacidade social e espera que se torne a segunda causa de incapacidade nos países subdesenvolvidos e a primeira nos países desenvolvidos a próxima década. Neste contexto, o reconhecimento da depressão em idosos é importante na prática clínica, pois permite intervenções rápidas e eficazes, além da prevenção de fatores de risco. (Borges, et al., 2020)
Deste modo, os resultados evidenciam que o aumento das doenças crônicas não transmissíveis, são em sua maioria crucial para o aumento do consumo da polifarmacia entre os idosos, o que potencializa de forma geral os riscos durante o tratamento com antidepressivos, vale ressaltar que estudos reforçam que neste grupo populacional as ocorrências de RAMs acontecem com mais frequência porque, em idosos a função renal, o metabolismo do fígado e a distribuição dos medicamentos pelo corpo já não funcionam tão bem quanto antes, o que contribui para efeitos como tontura, hipotensão, confusão mental, alterações gastrointestinais e risco aumentado de quedas — complicações amplamente citadas por Tinôco et al. (2021) e D’Agostin & Budni (2019).
Dessa forma, a seleção da farmacoterapia precisa ser cuidadosamente avaliada em relação à segurança de pacientes mais velhos, uma vez que eles são o grupo populacional mais vulnerável, pois, o uso prolongado de medicamentos e as frequentes comorbidades nessa idade, acarretam na polifarmácia, assim aumentando os riscos de efeitos adversos e interações entre os medicamentos. (Fernandes, 2021).
Já nas interações medicamentosas, os artigos analisados apontam que as interações farmacocinéticas e farmacodinâmicas são as mais recorrentes, podendo haver alteração na absorção, distribuição, metabolização ou excreção dos antidepressivos. Tais interações são potencializadas pela quantidade de classes terapêuticas em uso, conforme apresentado no Quadro 1, que destaca anti-hipertensivos, antidiabéticos e antidepressivos como os medicamentos mais consumidos por idosos.
Tabela 4: Classes terapêuticas mais utilizada por idosos

Fonte: Autores, 2024
Observa-se que, mesmo os medicamentos das classes anti-hipertensivas e antidiabéticos sendo os primeiros do ranking, os medicamentos psicotrópicos também somam uma grande parcela dos medicamentos utilizados por pacientes idosos, ressaltando que nesse público a atenção deve ser maior, visto que são mais vulneráveis a reações adversas medicamentosas (RAM) e interações, principalmente quando administrados com outros medicamentos. (D´agostin; Budni, 2019).
Dessarte, a quantidade de fármacos pode aumentar esses riscos, gerando sintomas como: distúrbios gastrointestinais, mudanças no ritmo respiratório e cardíaco, tontura, tosse, alergias, dores abdominais, sudorese, hipotensão ou hipertensão. Sintomas esses que podem levar os pacientes a não prosseguirem com o tratamento ou até mesmo, buscando outros tipos de medicamentos para suprirem, o que para eles podem ser outras doenças (Tinôco et al., 2021).
Segundo Barbosa e Medeiros (2018) as interações medicamentosas podem causar a potencialização dos efeitos tóxicos como também a redução da eficácia terapêutica, dessa forma, comprometendo a segurança do paciente, bem como a eficácia do tratamento. Em idosos polimedicados, as interações farmacocinéticas e farmacodinâmicas mostrou-se mais frequente, fator esse causado pela sobreposição de mecanismos de ação e vias metabólicas.
A respeito da classe de antidepressivos, os resultados mostram que os antidepressivos tricíclicos, apresentam um perfil de segurança desfavorável para a população idosa, embora eficazes no tratamento da depressão, os seus efeitos anticolinérgicos, cardiovasculares e sedativos, provocam efeitos adversos no paciente, como boca seca, constipação, taquicardia e hipotensão ortostática, sendo a ultima um fator de risco significativo para queda e fraturas (Ferreira; Melo, 2018)
Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina destacaram-se como os principais antidepressivos prescritos para idosos, sendo considerados a primeira linha de tratamento em grande parte dos estudos analisados. essa preferência deve-se pelo perfil de tolerabilidade e menor risco de efeitos cardiovasculares. Segundo Diniz (2020) os ISRS não estão isentos de riscos, podem apresentar efeitos adversos como náuseas, diarreia, insônia, agitação, disfunção sexual e hiponatre mia, principalmente em idosos polimedicados.
A venlafaxina foi o principal fármaco encontrado em relação os inibidores seletivos da recaptação e serotonina e noradrenalina, embora apresente menor ação anticolinérgica, seu uso pode apresentar efeitos como náuseas, sudorese, insônia e elevação da pressão arterial. A fluoxetina demonstrou ser um dos ISRS com maior potencial de interações medicamentosas, devido a sua longa meia-vida, o que pode causar o prolongamento de efeitos adversos. No entanto, o citalopram e a sertralina apresentam vantagens farmacocinéticas, pois possuem menor potencial de interações bem como uma melhor adaptação ao uso geriátrico.
5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
O uso de antidepressivos entre a população idosa tem crescido de forma significativa nos últimos anos, em decorrência tanto do aumento expressivo desse grupo etário quanto da maior prevalência de doenças crônicas e de transtornos depressivos. Contudo, observa-se que o uso concomitante de múltiplos medicamentos, cenário recorrente nessa faixa populacional, associado às alterações fisiológicas próprias do processo de envelhecimento, eleva substancialmente a probabilidade de ocorrência de reações adversas e interações medicamentosas.
A análise integrativa realizada permitiu uma compreensão ampla e sistematizada dos riscos envolvidos no uso de antidepressivos por idosos que fazem uso de outras classes de medicamentos, ressaltando a relevância científica e social desse tema diante de um cenário de envelhecimento populacional cada vez mais expressivo. Os estudos analisados evidenciam que o processo natural de envelhecimento promove alterações fisiológicas significativas, sobretudo no funcionamento renal, hepático e na distribuição dos fármacos, o que torna o idoso mais vulnerável ao desenvolvimento de reações adversas e interações medicamentosas (D’AGOSTIN; BUDNI, 2019). Portanto, o uso de medicamentos para tratar a depressão nesse grupo deve ser feito com cautela, levando em conta as características clínicas que surgem com o envelhecimento.
A literatura consultada aponta que a polifarmácia tem se tornado cada vez mais frequente entre idosos, impulsionada principalmente pela prevalência elevada de doenças crônicas não transmissíveis (DOS SANTOS; LOPES; TORMIN, 2022). Esse contexto aumenta consideravelmente a probabilidade de Reações Adversas a Medicamentos (RAMs) e Interações Medicamentosas (IMs), que podem afetar a eficácia do tratamento com antidepressivos e, em situações extremas, levar a danos funcionais importantes. De acordo com Tinôco et al. (2021), entre os efeitos colaterais mais frequentes ligados ao uso de antidepressivos, estão a vertigem, a hipotensão ao se levantar, confusão mental, alterações no sistema gastrointestinal e o aumento do risco de quedas. Notou-se também que, em virtude da junção de várias classes de medicamentos, as interações tanto farmacocinéticas quanto farmacodinâmicas se tornam mais comuns, exigindo que o prescritor avalie criteriosamente as características de cada medicamento, principalmente no que se refere ao metabolismo no fígado e à possibilidade de inibição ou ativação enzimática (BARROS et al., 2022). Essas evidências ressaltam que o tratamento deve focar na seleção de antidepressivos que apresentem perfis de segurança mais apropriados para a população idosa, conforme sugerem as diretrizes nacionais e internacionais.
Com base no que foi exposto, pode-se concluir que o tratamento da depressão em idosos polimedicados requer uma abordagem clínica que priorize a cautela, a monitorização constante, a revisão regular dos medicamentos e a avaliação cuidadosa da relação entre riscos e benefícios das prescrições. Assim sendo, é fundamental que se adotem estratégias de cuidado voltadas para os idosos e fundamentadas em evidências, a fim de assegurar uma maior segurança no tratamento, eficácia clínica e melhor qualidade de vida para esse grupo. Esta pesquisa agrega à discussão sobre os perigos relacionados ao uso de antidepressivos em um cenário de polifarmácia, sublinhando a necessidade de políticas de saúde, diretrizes clínicas e ações de equipes multiprofissionais que incentivem a utilização responsável de fármacos e a prevenção de efeitos adversos, e possíveis danos.
REFERÊNCIAS
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D’AGOSTIN, Mariana Borsatto; BUDNI, Josiane. Psicogeriatria: modificações farmacocinéticas e farmacodinâmicas associadas ao envelhecimento. Inova Saúde, v. 9, n. 2, p. 155-175, 2019.
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TINÔCO, ERICA ELEN ASSIS et al. POLIFARMÁCIA EM IDOSOS: CONSEQUÊNCIAS DE POLIMORBIDADES. Brazilian Journal of Surgery & Clinical Research, v. 35, n. 2, 2021.
1Discente do Curso de Bacharelado em Farmácia pela Faculdade de Educação e Tecnologia da Amazônia – Fam e-mail: aalcantarafurtado23@gmail.com
2Discente do Curso de Bacharelado em Farmácia pela Faculdade de Educação e Tecnologia da Amazônia – Fam e-mail: camille2002@gmail.com
3Discente do Curso de Bacharelado em Farmácia pela Faculdade de Educação e Tecnologia da Amazônia – Fam e-mail: eshylamachado@gmail.com
4Discente do Curso de Bacharelado em Farmácia pela Faculdade de Educação e Tecnologia da Amazônia – Fam e-mail: jonescosta832@gmail.com
5Docente do Curso de Bacharelado em Farmácia pela Faculdade de Educação e Tecnologia da Amazônia – Fam e-mail: mayarasabrina.farmacia@gmail.com
6Docente do Curso de Bacharelado em Farmácia pela Faculdade de Educação e Tecnologia da Amazônia – Fam e-mail: paulolira109@gmail.com
