IMPACTOS CLÍNICOS E PSICOSSOCIAIS DA DERMATITE ATÓPICA E A EFICÁCIA DAS INTERVENÇÕES MÉDICAS RECENTES: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202512091005


Murilo Ferreira Silva1
Jonathan de Oliveira Carreira1
Juliana Lilis da Silva2
Natália de Fátima Gonçalves Amâncio2


Resumo: 

Introdução: A dermatite atópica (DA) é uma doença inflamatória crônica de alta prevalência, caracterizada por prurido intenso, lesões eczematosas recorrentes e impacto substancial na saúde física, emocional e social dos pacientes. Além do acometimento cutâneo, exerce efeitos profundos na qualidade de vida, gerando distúrbios de sono, ansiedade, depressão, estigmatização, redução da produtividade e aumento dos custos familiares com medicações e consultas. O presente estudo integra essa síntese e descreve o desenvolvimento de uma cartilha educativa baseada em evidências científicas, elaborada como Produto Técnico-Tecnológico (PTT), destinada a fortalecer a educação em saúde, estimular a adesão ao tratamento, reduzir estigmas e promover o empoderamento de pacientes e familiares. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, definida por meio da estratégia PICO. As bases consultadas foram PubMed e EBSCOhost. Foram considerados artigos publicados entre 2019 e 2025, nos idiomas português e inglês. Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 27 estudos foram selecionados para análise. Resultados: Os estudos analisados evidenciam que a DA impõe um fardo clínico e psicossocial expressivo, afetando rotina, bem-estar emocional, desempenho escolar e produtividade, além de influenciar negativamente a autoestima e a vida social. As intervenções terapêuticas recentes apresentaram resultados consistentes: agentes tópicos inovadores, como ruxolitinibe, roflumilaste e difamilaste, demonstraram rápido alívio do prurido e melhora das lesões; inibidores orais de JAK (upadacitinibe, abrocitinibe e baricitinibe) exibiram eficácia robusta em quadros moderados a graves; e biológicos como dupilumabe e tralokinumabe se destacaram pela segurança e pela capacidade de controlar casos refratários. O PTT construído foi considerado adequado pelos avaliadores, após pequenas adaptações. Conclusões: As evidências confirmam que a DA apresenta impacto multidimensional significativo e que as terapias atuais proporcionam avanços relevantes no controle dos sintomas e na qualidade de vida. A cartilha elaborada constitui ferramenta educativa útil, favorecendo adesão, compreensão do tratamento e redução do estigma, embora ainda existam desafios relacionados ao acesso e ao acompanhamento em longo prazo.

Palavras-chaves: Dermatite Atópica, Terapêutica, Qualidade de Vida, Impacto Psicossocial, Prurido

1   INTRODUÇÃO

A Dermatite Atópica (DA) é uma doença inflamatória crônica da pele que afeta aproximadamente 20% das crianças e até 10% de adultos de forma global, isso a torna a principal causa de doenças dermatológicas em termos de anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs) (Pérez et al, 2025). A doença é caracterizada por prurido intenso, lesões eczematosas e flares frequentes que acarretam em infecções secundárias e hospitalizações. A DA é resultante de uma interação de complicação entre disfunção da barreira cutânea, desregulação imunológica e interações com o ambiente. Esses aspectos clínicos possuem grande impacto na qualidade de vida dos pacientes, sendo de grande importância a compreensão das suas consequências clínicas e psicossociais, bem como a identificação de intervenções eficazes para sua manipulação (Langan; Irvine; Weidinger, 2020).

A gravidade da doença, que foi medida por escalas como o Eczema Area and Severity Index (EASI) e também pela Investigator’s Global Assessment (IGA), está ligada a uma maior carga clínica, com pacientes graves apresentando uma ampla área corporal afetada e comprometimento funcional. Ademais, a DA tem impactos psicossociais profundos, isso inclui distúrbios de sono por causa do prurido, isolamento social decorrente de estigma e maior prevalência de transtornos psicológicos, como ansiedade e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Alguns estudos recentes indicam que a DA aumenta em até duas vezes o risco de desenvolver TOC, sendo importante abordar o cuidado com paciente como um todo, de forma humanizada, considerando os aspectos relacionados à saúde física e mental (Chen et al, 2023).

O impacto psicossocial da DA também abrange a esfera econômica e profissional, com evidências que mostram que quanto mais grave é a doença, mais afeta a produtividade no trabalho. Em adultos, a DA acima de nível moderado pode resultar em até 19 horas semanais de produtividade perdida, o que representa um custo econômico grave, estimado na casa dos milhões de euros anuais em países como Portugal. Essas informações reforçam a importância de tratamentos eficazes, pois não vão apenas controlar os sintomas clínicos dos pacientes, mas também reduzir o prejuízo psicossocial e econômico na sociedade, além de melhorar a qualidade de vida e funcionalidade dos pacientes (Andersen; Nyeland; Nyberg, 2019; Cunha et al, 2025).

Nos últimos anos, avanços em intervenções médicas, particularmente biológicos e inibidores de pequenas moléculas, cremes corporais hidratantes e opções orais, revolucionaram o tratamento para DA. Como exemplo, o Dupilumab, que é um anticorpo monoclonal, demonstrou grande eficiência em adolescentes e adultos, chegando em melhorias significativas e alívio do prurido (Cork et al, 2019). Outros biólogos, como no caso de Tralokinumabe (Wollenberg et al, 2020) e Lebrikizumabe (Silverberg et al, 2023), também mostraram bons resultados, enquanto medicamentos, como Upadacitinibe (Simpson et al, 2021), oferecem opções orais com ação rápida e que é sustentada por um certo período. Nesse sentido, o creme ruxolitinib (Papp et al, 2021) e o creme de roflumilaste (Simpson et al, 2024) emergiram como tratamentos eficazes, com ação rápida no controle do prurido e da inflamação, principalmente em casos leves da doença.

Diante desse cenário, justifica-se a realização deste estudo com vistas a buscar desfechos clínicos, como EASI e IGA, psicossociais, como qualidade de vida e produtividade, para fornecer uma visão abrangente do manejo atual da DA e suas implicações para pacientes e sistemas de saúde.

Logo, o presente estudo tem como objetivo fazer uma revisão sistemática da literatura referente a DA, sintetizando evidências sobre seus impactos clínicos e psicossociais, bem como avaliar a eficiência e segurança das intervenções médicas mais recentes, tendo foco em biológicos, inibidores de JAK e inibidores de PDE4, a partir da análise de ensaios clínicos e estudos observacionais.

2   METODOLOGIA

O presente estudo consiste em uma revisão exploratória integrativa de literatura. A revisão integrativa foi realizada em seis etapas: 1) identificação do tema e seleção da questão norteadora da pesquisa; 2) estabelecimento de critérios para inclusão e exclusão de estudos e busca na literatura; 3) definição das informações a serem extraídas dos estudos selecionados; 4) categorização dos estudos; 5) avaliação dos estudos incluídos na revisão integrativa e interpretação e 6) apresentação da revisão.

Na etapa inicial, para definição da questão de pesquisa utilizou-se da estratégia PICO (Acrômio para Patient, Intervention, Comparation e Outcome). Assim, definiu-se a seguinte questão central que orientou o estudo: “Quais são os impactos clínicos e psicossociais da dermatite atópica, e quais intervenções médicas mais recentes demonstraram eficácia no controle da doença?” Nela, observa-se o P: Pacientes com dermatite atópica moderada a grave; I: Uso de imunobiológicos e manejo multidisciplinar; C: Tratamento convencional isolado; O: Redução da gravidade das lesões, melhora da qualidade de vida, redução de sintomas psiquiátricos associados.

Para responder a esta pergunta, foi realizada a busca de artigos envolvendo o desfecho pretendido utilizando as terminologias cadastradas nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCs) criados pela Biblioteca Virtual em Saúde, desenvolvido a partir do Medical Subject Headings da U.S. National Library of Medicine, que permite o uso da terminologia comum em português, inglês e espanhol. Os descritores utilizados foram: “Atopic Dermatitis”, “Clinical Impact”, “Recent Treatments”, “Medical Interventions”. Para o cruzamento das palavras chaves utilizou-se os operadores booleanos “and” e “or”.

Realizou-se um levantamento bibliográfico por meio de buscas eletrônicas nas seguintes bases de dados: National Library of Medicine (PubMed), EBSCOhost. A busca foi realizada nos meses de agosto e setembro de 2025. Como critérios de inclusão, limitou-se a artigos escritos em inglês e português brasileiro, publicados nos últimos 6 anos (2019 a 2025), que abordassem o tema pesquisado e que estivem disponíveis eletronicamente em seu formato integral. Foram excluídos os artigos em que o título e resumo não estivessem relacionados ao tema de pesquisa e pesquisas que não tiverem metodologia bem clara.

Após a etapa de levantamento das publicações, encontrou 50 artigos, dos quais foram realizados a leitura do título e resumo das publicações considerando o critério de inclusão e exclusão definidos. Em seguida, realizou a leitura na íntegra das publicações, atentando-se novamente aos critérios de inclusão e exclusão, sendo que 23 artigos não foram utilizados devido aos critérios de exclusão. Foram selecionados 27 artigos para análise final e construção da revisão.

Posteriormente a seleção dos artigos, realizou um fichamento das obras selecionadas a fim de selecionar a coleta e análise dos dados. Os dados coletados foram disponibilizados em um quadro, possibilitando ao leitor a avaliação da aplicabilidade da revisão integrativa elaborada, de forma a atingir o objetivo desse método.

A Figura 1 demonstra o processo de seleção dos artigos por meio das palavras-chaves de busca e da aplicação dos critérios de inclusão e exclusão citados na metodologia. O fluxograma leva em consideração os critérios elencados pela estratégia PRISMA (Page et al., 2021).

Figura 1 – Fluxograma da busca e inclusão dos artigos

Fonte: Adaptado do Preferred Reporting Items for Systematic review and Meta-Analyses (PRISMA). Page et al., 2021.

2.1    ELABORAÇÃO PRODUTO TÉCNICO TECNOLÓGICO -PTT

Após redação da revisão integrativa da literatura, foi realizado a elaboração e validação de um PTT, seguindo as seguintes etapas:

2.1.1 PTT

Foi elaborado uma cartilha sobre material educativo, abordando os aspectos conceituais sobre dermatite atópica. Para melhor visualização, foi utilizado imagens ilustrativas que representasse os conteúdos abordados. 

A cartilha teve como objetivo desenvolver uma cartilha educativa baseada em evidências científicas sobre a dermatite atópica, abordando seus impactos clínicos e psicossociais, e impacto ao contribuir para o empoderamento do paciente, redução de estigmas, melhoria da compreensão sobre o tratamento e diminuição de faltas, gastos e internações.

2.1.2 Validação do PTT

A cartilha foi submetida a análise por dois “juízes” que possuíam autoridade técnica, conhecimentos e envolvimento com assuntos relacionados sobre medicina, lesões elementares da pele e dermatologia.

Os “juízes” possuem formação acadêmica nas áreas de medicina, clínica médica, endocrinologia e promoção de saúde. Atuam como docentes de graduação no curso de medicina.

As pessoas convidadas a compor a banca de “juízes” receberam os documentos impressos presencialmente, que continha o convite, juntamente com a cartilha e o Roteiro de Medida e Avaliação (APÊNDICE A).

O roteiro para avaliação foi construído a partir da adaptação de um estudo de Silva et al. (2024) sobre “Processos de validação de instrumentos para área da saúde”, estabelecendo como critérios de avaliação os itens: Conteúdo, Relevância Técnica e Utilidade; Clareza e Compreensão; Usabilidade e Design; Impressão Geral e Recomendação. O juiz precisa considerar se o item avaliado:  Discordo Totalmente; Discordo Parcialmente; Neutro (Nem concordo, nem discordo); Concordo Parcialmente; Concordo Totalmente, o conteúdo da cartilha. 

2.1.3 Adequação do PTT

A cartilha foi elaborada e submetida a análise por dois “juízes” e possibilitou realizar alterações em alguns itens do instrumento. 

A análise dos “juízes” sugeriu inclusão de imagens ilustrativas da doença, mudança da cor da fonte das letras para melhor visualização, adicionar o fato de que os pacientes não devem se automedicar e enfatizar que a dermatite atópica não é transmissível.

As sugestões dos “juízes” foram aceitas e mudanças na colocação de determinados elementos foram realizadas, colocando-se imagens ilustrativas da dermatite atópica, alterando a cor da fonte das letras e adicionando-se informações adicionais sobre a doença, com o cuidado de acatar o conteúdo proposto pela cartilha, respeitando-se a realidade, o contexto e o públicoalvo.

2.1.4 Publicação do PTT

A cartilha foi publicada e pode ser acessada a partir do registro DOI 10.5281/zenodo.17819141.

3   RESULTADOS  

O Quadro 1 apresenta os artigos que foram selecionados na presente revisão de literatura, contendo informações relevantes sobre os mesmos, como autores do estudo, o ano de publicação, o título e os achados principais.

Quadro 1 – Sobre a Dermatite Atópica encontrados nas publicações do período de 2019 a 2025.

Fonte: Dados da Pesquisa, 2025

4   DISCUSSÃO  

A dermatite atópica (DA) é uma doença crônica que causa diversos impactos clínicos e psicossociais aos pacientes que a possuem. É observado que a gravidade da DA, caracterizada por lesões eczematosas extensas e prurido intenso, está relacionada com uma carga elevada da doença, enquanto os avanços terapêuticos recentes estão proporcionando melhor controle dos sintomas (Langan; Irvine; Weidinger, 2020). A seguir, a discussão detalha como a DA afeta os pacientes do ponto de vista clínico e psicossocial, bem como as evidências de eficácia das intervenções médicas mais atuais (tópicas, orais e biológicas) no manejo da doença, incluindo considerações de segurança, limitações e perspectivas futuras.

4.1    IMPACTOS CLÍNICOS DA DERMATITE ATÓPICA

Os pacientes com DA sofrem consequências clínicas significantes por conta da atividade inflamatória cutânea. A gravidade da doença é geralmente avaliada por escalas padronizadas, com destaque no Eczema Area and Severity Index (EASI) e a Investigator’s Global Assessment (IGA), utilizadas de forma ampla nos estudos clínicos para qualificar a extensão e a intensidade do eczema e monitorar a resposta aos tratamentos (Papp et al., 2021; Reich et al., 2020). De fato, os ensaios incluídos nesta revisão empregam desfechos como proporção de pacientes atingindo EASI-75 (melhora de 75% nas lesões) e IGA 0/1 (pele limpa ou quase limpa) para refletir melhorias clínicas significativas (Simpson et al., 2022; Blauvelt et al., 2021; Papp et al., 2023). Esse envolvimento de vários sistemas simultaneamente e a cronicidade das lesões implicam em um comprometimento funcional, por exemplo, pacientes com DA grave podem ter dificuldades para dormir devido a prurido extremo e, além disso, limitações em atividades cotidianas que exigem expor as áreas afetadas na pele.

4.2    IMPACTOS PSICOSSOCIAIS E ECONÔMICOS

Os impactos da DA extrapolam a esfera dermatológica, alcançando dimensões que estão além da parte física, sendo elas psicossociais e econômicas expressivas. Estudos de base populacional mostram que adultos com eczema atópico apresentam risco significativamente maior de transtornos mentais comuns, incluindo depressão (com aumento de 14% no risco) e ansiedade (com 17% de aumento do risco) em comparação a população sem a DA. Tal vulnerabilidade psicológica tende aumentada nos casos de maior gravidade, a análise de Schonmann (2019) apontou que a gravidade da DA está associada a maior incidência de depressão. No quesito qualidade de vida, a DA impõe um fardo significativo: sintomas como prurido crônico e lesões visíveis contribuem para uma autoestima baixa, isolamento social e estigmatização, são fatores que atuam para o aumento da ansiedade que foi observada. (Langan; Irvine; Weidinger, 2020).

Na área profissional e econômica, a doença também possui um valor. Há evidências de que quadros moderados e até graves de DA comprometem de forma substancial a produtividade do paciente. Em um estudo multinacional, pacientes adultos com DA severa relatam que perdem cerca de 19 horas de trabalho por semana, em média, seja por absenteísmo ou por perderem desempenho, ao passo que casos leves tendem a perder por volta de 2,4 horas semanais (Andersen; Nyeland; Nyberg, 2019).

 Essa redução da produtividade no trabalho é convertida em elevados custos económicos. Em países desenvolvidos, ônus financeiro anual da DA está na casa dos bilhões: em Portugal, por exemplo, estimou-se um custo total aproximado de €1,477 bilhão por ano relacionado à DA, isso inclui perdas por absenteísmo (€43 milhões), presenteísmo (€1,295 bilhão) e assistência de cuidadores (€139 milhões) (Cunha et al., 2025). Adicionalmente, os valores gastos diretos com tratamento da doença contribuem significativamente para esse ônus, no contexto de Portugal, foram calculados €218 milhões de custos anuais para o sistema público de saúde e €800 milhões em despesas familiares com terapias e cuidados físicos da DA (Cunha et al., 2025). 

Esses números evidenciam que a DA, especialmente em suas formas mais graves, representa não só um desafio clínico, mas também um problema de saúde pública que afeta a qualidade de vida, a economia e o trabalho dos pacientes e da sua família (Andersen; Nyeland; Nyberg, 2019; Schonmann et al., 2019). Portanto, reduzir esse impacto multidimensional demanda intervenções eficazes que controlem a atividade da doença e melhorem os desfechos físicos e psicossociais.

4.3    TERAPIAS TÓPICAS RECENTES (RUXOLITINIBE,   ROFLUMILASTE, DIFAMILASTE)

Nos últimos anos surgiram tratamentos tópicos inovadores que estão aumentando o número de opções além dos corticosteroides e inibidores de calcineurina tradicionais. Um dos destaques é o creme de ruxolitinibe, um inibidor de Janus quinase de uso cutâneo. Alguns ensaios clínicos de fase 3 demonstraram benefícios significativos do ruxolitinibe tópico em comparação ao veículo: em indivíduos com DA leve e moderada, cerca de 50% atingiram IGA 0/1 (pele totalmente limpa ou quase totalmente limpa) após 8 semanas de tratamento com ruxolitinibe 0,75% ou 1,5%, enquanto isso no grupo placebo essa taxa foi inferior a 16% (Papp et al., 2021). 

Além do desfecho superior em lesões, o ruxolitinibe traz alívio rápido do prurido, com uma redução comprovada estatisticamente da coceira já nas primeiras 12 horas após a aplicação, um achado clínico de grande relevância dada a carga sintomática imediata imposta pela DA. A manutenção desse tratamento a longo prazo também se mostrou vantajosa: Após 52 semanas de uso contínuo do ruxolitinibe creme, por volta de 74% – 78% dos pacientes se mantiveram com IGA 0/1, sem evidência de novas classes de efeitos adversos (Papp et al., 2021). 

Esses resultados de longo prazo sugerem controle sustentado da doença com segurança. É importante notar que o perfil de segurança do ruxolitinibe tópico foi eficiente em diferentes faixas etárias, no estudo TRuE-AD3, que foi conduzido em crianças de 2 a 11 anos, foi observado melhora clínica significativa em 8 semanas, sem eventos adversos relevantes relacionados ao tratamento (Eichenfield et al., 2025). Assim, o ruxolitinibe em creme representa uma terapia objetiva e eficaz, bem tolerada, apropriada tanto para adultos quanto para populações pediátricas com DA localizada ou gravidade leve-moderada (Papp et al., 2023; Eichenfield et al., 2025).

Outra novidade para o arsenal tópicos é o roflumilaste 0,15% em creme, um inibidor seletivo de fosfodiesterase-4 (PDE4) de última geração. Em um estudo de extensão (fase 3, aberto) com duração de 1 ano, o roflumilaste mostrou ser capaz de controlar os sintomas da DA por 52 semanas, mantendo a melhora clínica obtida na fase aguda sem sinal de taquifilaxia ou diminuição da eficiência ao longo do tempo. Além disso, a incidência de efeitos adversos foi de baixo nível durante todo o período do seguimento, indicando um perfil de segurança favorável do uso crônico do roflumilaste tópico (Simpson et al., 2025). Esses dados encorajam o uso, pois colocam o roflumilaste como uma alternativa não-esteroidal eficiente para manejar os casos de nível leve e moderado de DA, inclusive em pacientes relativamente jovens (6 anos de idade). Com seu mecanismo anti-inflamatório específico, o roflumilaste pode diminuir o eritema, o prurido e a descamação características clássicas do eczema atópico, oferecendo uma opção para manter de forma prolongada sem os riscos de atrofia cutânea que são associados aos corticoides tópicos (Simpson et al., 2025).

Por fim, o difamilaste aparece como outro agente tópico promissor no controle da DA. Trata-se igualmente de um inibidor de PDE4, formulado em pomada, avaliado recentemente em diversas populações. Em adultos com a doença, um ensaio clínico fase 3 placebo-controlado no Japão demonstrou que difamilaste 1% resultou em taxa de resposta (IGA 0/1) de 38,5%, um número significativamente maior ao grupo veículo (aproximadamente 12,6%), após 4 semanas de tratamento (Saeki et al., 2022). A diferença significativa indica uma potente ação anti-inflamatória tópica do difamilaste, com a grande parte dos eventos adversos notificados sendo leves ou moderados. 

Resultados consistentes foram identificados em pacientes pediátricos: crianças tratadas com difamilaste (0,3% ou 1%) mostraram por volta de 45% de sucesso clínico (IGA 0/1) contra os apenas 18% no grupo placebo, evidenciando um benefício significativo também na faixa etária infantil (Saeki et al., 2022). Notavelmente, o difamilaste está sendo já em idades bem precoces. Um relatório interino de um estudo aberto em lactentes (3 a 24 meses) indicou uma melhora significativa, com 63,4% dos bebês apresentando pele totalmente ou quase totalmente limpa segundo avaliação do investigador e 78,1% atingindo EASI-75, resultados altamente expressivos para tal grupo etário (Saeki et al., 2024). 

Nesse estudo com lactantes, 53,7% dos participantes apresentaram algum evento adverso, porém predominantemente de gravidade leve. Apesar de quase metade dos bebês terem apresentado reações, como por exemplo irritação transitória no local da aplicação, não houve sinais de alarmes de segurança sérios (Saeki et al., 2024). Assim, o difamilaste se destaca por expandir as possibilidades terapêuticas tópicas consideradas seguras estatisticamente desde os primeiros anos de vida, o que pode ser particularmente útil em bebês e crianças pequenas nos quais terapias sistêmicas não são indicadas.

Em geral, as terapias tópicas recentes (ruxolitinibe, roflumilaste e difamilaste) estão revolucionando o manejo de formas leves a moderadas de DA, propiciando rápido alívio sintomático e melhora das lesões causadas pela doença com segurança, preenchendo algumas lacunas que foram deixadas por alguns tratamentos mais tradicionais (Papp et al., 2023; Saeki et al., 2024; Simpson et al., 2025).

4.4  TERAPIAS ORAIS (UPADACITINIBE, ABROCITINIBE, BARICITINIBE)

Os inibidores orais de JAK surgem como um novo e importante avanço terapêutico no tratamento da DA moderada e grave que requerem intervenções sistêmicas. (Simpson et al., 2020; Blauvelt et al., 2021; Silverberg et al., 2021). Dentre eles, o upadacitinibe e o abrocitinibe, ambos agentes seletivos para a isoforma JAK1, têm se destacado por sua alta eficácia. Em um ensaio clínico de 52 semanas de duração, o upadacitinibe apresentou um controle notável da doença: cerca de 79–85% dos pacientes tratados com upadacitinibe (15 mg ou 30 mg ao dia) atingiram resposta EASI-75, proporção marcadamente superior à esperada com imunossupressores tradicionais, aliada a um perfil de segurança aceitável (Simpson et al., 2022). 

Além da alta eficácia, o upadacitinibe apresenta início de ação rápido. No estudo de Blauvelt et al. (2021), que comparou upadacitinibe 30 mg com dupilumabe em adultos com DA moderada-grave, o grupo do JAK1 inibidor alcançou 72,4% de pacientes com EASI-75 em 16 semanas, significativamente mais que os 62,6% obtidos com dupilumabe (p = 0,007). Ademais, o alívio do prurido foi mais veloz com upadacitinibe: logo na primeira semana de tratamento observou-se redução elevada da coceira em relação ao baseline, superando o efeito do comparador biológico. Esses achados evidenciam que o upadacitinibe é uma alternativa potente para tratar rapidamente a inflamação cutânea e o sintoma mais debilitante da DA, o prurido. 

De forma semelhante, o abrocitinibe demonstrou eficácia significativa em pacientes com DA refratária. No estudo JADE MONO-1 (Simpson et al., 2020), monoterapia com abrocitinibe resultou em EASI-75 em 40% e 63% dos pacientes tratados com doses diárias de 100 mg e 200 mg, respectivamente, após 12 semanas, resultados bem superiores ao grupo placebo, no qual apenas 12% atingiram essa melhora. O abrocitinibe 200 mg, dose mais alta avaliada, apresentou benefício clínico comparável ao de dupilumabe em termos de lesões e destacou-se pelo alívio mais rápido da coceira (Bieber et al., 2021). Uma investigação de fase III que comparou indiretamente abrocitinibe, dupilumabe e placebo evidenciou que a dose de 200 mg de abrocitinibe não só superou o placebo (EASI-75 em ~70% vs. 27%), como proporcionou redução do prurido dentro de 2 semanas, desempenho superior ao do dupilumabe nesse aspecto específico. Isso demonstra o efeito anti-inflamatório direto dos JAK1 inibidores nas vias pruritogênicas, proporcionando um conforto sistemático mais imediato para o paciente. Por fim, no quesito segurança, tanto upadacitinibe quanto abrocitinibe foram bem tolerados nos ensaios, com eventos adversos contornáveis e ausência de sinais de toxicidade limitante nas doses estudadas. 

Por sua vez, o baricitinibe, inibidor de JAK1/JAK2, foi uma das primeiras opções dessa classe introduzidas para DA e representa uma alternativa oral adicional, embora com eficácia algo inferior aos JAK1 seletivos. Em estudo de fase 3 combinando baricitinibe com corticosteroide tópico em DA moderada a grave, aproximadamente 31% dos pacientes atingiram IGA 0/1 após 16 semanas com baricitinibe 4 mg ao dia, comparado a 15% no grupo placebo (que também usou corticoterapia tópica) (Reich et al., 2020). Essa discrepante diferença confirma o benefício do baricitinibe quando adicionado à terapia padrão, entretanto, a taxa de resposta absoluta é menor em relação aos agentes mais novos.

Porém, a eficácia do baricitinibe parece aumentar com o uso prolongado. Dados de extensão a 68 semanas mostraram que até 81,5% dos pacientes em uso contínuo de baricitinibe (4 mg) alcançaram resposta EASI-75 em algum momento durante o seguimento, indicando melhora progressiva ao longo do tempo (Silverberg et al., 2021). É possível que a ação menos potente do baricitinibe necessite de um período maior para otimização dos resultados clínicos, ou reflita a contribuição cumulativa do controle da inflamação cutânea em prevenir recorrências. 

Agora, no quesito segurança, o baricitinibe apresenta perfil favorável, sem eventos adversos graves predominantes nos estudos. Nasofaringite e infecções de vias aéreas superiores de caráter transitório são exemplos dos principais efeitos colaterais observados, demonstrando que foram efeitos leves. Esse achado é consistente com o perfil de segurança da classe JAK: também nos estudos com upadacitinibe e abrocitinibe os eventos adversos comuns incluíram infecções leves (p.ex., acne, rinofaringite) e elevações laboratoriais assintomáticas, geralmente manejados com medidas de suporte (Reich et al., 2020; Silverberg et al., 2021).

Em suma, as terapias sistêmicas orais com inibidores de JAK trouxeram ganhos substanciais no controle da DA moderada a grave, oferecendo rápido alívio dos sintomas e elevada taxa de clareamento da pele, representando um avanço considerável diante das limitações de eficácia e velocidade de ação dos tratamentos sistêmicos convencionais (Simpson et al., 2020; Blauvelt et al., 2021; Bieber et al., 2021; Silverberg et al., 2021).

4.5    TERAPIAS BIOLÓGICAS (DUPILUMABE, TRALOKINUMABE)

A introdução de terapias biológicas direcionadas às vias imunológicas da DA revolucionou o tratamento da doença nos últimos anos (Cork et al., 2020; Paller et al., 2023; Davis et al., 2023). O principal expoente é o dupilumabe, um anticorpo monoclonal que bloqueia a sinalização das interleucinas 4 e 13, citocinas-chave na inflamação atópica. Desde seu lançamento, o dupilumabe tem se consolidado como terapia de primeira linha para DA moderada a grave não controlada com medidas tópicas.

Em um estudo envolvendo adolescentes com DA moderada-grave não controlada, o dupilumabe alcançou melhorias clínicas dramáticas ao longo do tempo: após 52 semanas de tratamento, houve redução média de 85% no escore EASI em relação ao basal, tanto com dose de 2 mg/kg quanto 4 mg/kg, indicando efetivo controle da atividade da doença. Essa melhora robusta e sustentada veio acompanhada de um perfil de segurança satisfatório, os eventos adversos relatados foram em grande parte leves, destacando-se nasofaringite como um dos mais comuns, efeito já esperado dado o mecanismo de modulação imunológica do fármaco (Cork et al., 2020).

A eficácia do dupilumabe em reduzir drasticamente lesões e prurido reflete-se diretamente em ganhos na qualidade de vida dos pacientes, permitindo melhora do sono, da produtividade escolar/laboral e do bem-estar psicológico, conforme observado em relatos clínicos. Diretrizes terapêuticas recentes para DA em adultos reforçam o excelente desempenho do dupilumabe, recomendando-o como tratamento sistêmico preferencial devido à elevada eficácia e segurança no curto prazo, embora enfatizem a necessidade de continuar monitorando seus efeitos em longo prazo (Davis et al., 2023). Dessa forma, o dupilumabe continua sendo o referencial terapêutico com o qual novas intervenções são comparadas.

Outro agente biológico aprovado para DA é o tralokinumabe, um anticorpo antiIL13, que representa uma estratégia mais específica de bloquear a inflamação tipo 2 cutânea. Os estudos clínicos indicam que o tralokinumabe tem benefício significativo em subconjuntos de pacientes, embora os percentuais de resposta sejam mais moderados que os observados com dupilumabe. Em um ensaio com adolescentes acometidos por DA moderada a grave, as proporções de pacientes que atingiram pele limpa ou quase limpa (IGA 0/1) com tralokinumabe (dose de 150 mg ou 300 mg a cada 2 semanas) foram de aproximadamente 17–21%, comparadas a 4,3% no grupo placebo, após 16 semanas de tratamento. 

Da mesma forma, cerca de 28% dos pacientes tratados alcançaram EASI-75 nesse intervalo, em contraste com <5% dos controles, demonstrando uma diferença favorável estatisticamente significativa (Paller et al., 2023). Apesar de percentuais absolutos não tão elevados, é importante ressaltar que esses resultados ocorreram em uma população jovem, historicamente com opções terapêuticas sistêmicas limitadas, e que respondiam inadequadamente a tratamentos tópicos convencionais.

Outrossim, tralokinumabe mostrou-se seguro e bem tolerado nesses estudos, ampliando as alternativas de tratamento imunológico direcionado para pacientes que eventualmente não tenham acesso ou resposta ideal ao dupilumabe. Em adultos, ensaios clínicos prévios (por exemplo, em população adulta, Trials ECZTRA 1 e 2) também evidenciaram eficácia superior do tralokinumabe em comparação ao placebo, corroborando seu papel no manejo da DA moderada-grave. Logo, o tralokinumabe mostra-se uma opção útil e eficaz, ainda que os dados de longo prazo sejam incipientes, um cenário comum a qualquer biológico recémincorporado.

Em suma, os anticorpos monoclonais como dupilumabe e tralokinumabe provaram ser capazes de melhorar os desfechos da DA, especialmente no controle da inflamação de padrão Th2, constituindo hoje pilares importantes do tratamento sistêmico da doença (Cork et al., 2020; Davis et al., 2023).

4.6    SEGURANÇA, LIMITAÇÕES E PERSPECTIVAS FUTURAS

De modo geral, as intervenções médicas recentes para DA apresentam perfil de segurança aceitável e têm sido bem toleradas pelos pacientes nos ensaios clínicos, mas alguns aspectos requerem consideração cautelosa (Papp et al., 2021; Saeki et al., 2022; Silverberg et al., 2021; Paller et al., 2023). As terapias tópicas inovadoras mostraram eventos adversos predominantemente leves. Por exemplo, o uso do difamilaste em adultos e crianças foi associado principalmente a reações adversas locais de gravidade leve a moderada, e o ruxolitinibe em creme apresentou eventos incomuns e de pouca severidade nas avaliações de segurança, inclusive em crianças (Saeki et al., 2022; Saeki et al., 2024; Eichenfield et al., 2025; Papp et al., 2023). 

Em comparação com corticosteroides tópicos, esses novos agentes parecem não causar efeitos colaterais sistêmicos ou cutâneos significativos a curto prazo, tornando-se alternativas atraentes para uso prolongado. Já as terapias sistêmicas direcionadas (biológicos e JAK inibidores) também têm demonstrado boa tolerabilidade nos estudos. Infecções leves de vias aéreas superiores (p. ex., nasofaringite) são exemplos de eventos adversos relatados com alguma frequência tanto com dupilumabe quanto com baricitinibe, porém, de maneira geral, tais efeitos são controláveis e raramente levam à descontinuação do tratamento (Reich et al., 2020; Silverberg et al., 2021; Cork et al., 2020).

Alterações laboratoriais como elevação de enzimas hepáticas ou de parâmetros hematológicos foram observadas pontualmente com inibidores de JAK, mas sem tradução clínica importante na maioria dos casos. Apesar desses dados tranquilizadores, convém ressaltar que a experiência de longo prazo ainda é limitada. Muitos dos ensaios reportados tiveram duração de 16 semanas a 1 ano, período no qual não se observaram sinais de toxicidade cumulativa severa (Davis et al., 2023). Entretanto, persistem lacunas de conhecimento quanto à segurança em uso por vários anos, especialmente para as medicações mais novas. Recomendase, portanto, vigilância contínua e estudos de seguimento prolongado para detectar eventos adversos raros ou tardios, o que já é apontado nas diretrizes atuais.

Quanto às limitações e perspectivas futuras, destaca-se inicialmente o desafio do acesso e custo dessas terapias. Os medicamentos biológicos e inibidores de JAK possuem alto custo de produção, refletindo-se em preços elevados que podem restringir sua disponibilidade ampla nos sistemas de saúde. Apenas em Portugal, pacientes e governo gastam conjuntamente mais de €1 bilhão por ano com a doença, de forma que a incorporação de novos fármacos deve vir acompanhada de políticas de acesso que considerem custo-efetividade e equidade. Outra limitação refere-se à variabilidade de resposta: embora a maioria dos pacientes apresente melhoras significativas com as novas terapias, uma parcela pode não atingir os desfechos desejados (por exemplo, cerca de 20–30% não respondem adequadamente a certos biológicos ou JAK inibidores) (Cunha et al., 2025). Isso sugere a necessidade de estratificação de pacientes e medicina personalizada, identificar biomarcadores ou características clínicas que predigam qual tratamento é mais indicado para cada caso.

Apesar desses pontos, o horizonte para o manejo da DA é promissor. Em perspectiva futura, espera-se a introdução de novos agentes biológicos (como outros anticorpos anti-IL-13, anti-IL-31 e anti-TSLP, entre outros) e de pequenas moléculas inovadoras que estão em desenvolvimento, visando cobrir vias inflamatórias não totalmente abordadas pelas terapias atuais. Adicionalmente, combinações terapêuticas estratégicas podem melhorar resultados, por exemplo, a associação de tratamentos sistêmicos com moduladores tópicos da barreira cutânea ou probióticos para restauração microbioma ainda carece de investigação mais aprofundada, mas representa uma frente potencial.

Estudos comparativos diretos entre as opções disponíveis também serão valiosos para guiar escolhas clínicas; até o momento, poucos ensaios clínicos comparativos diretos foram conduzidos (uma exceção foi o comparativo de upadacitinibe vs. dupilumabe, que ajudou a elucidar diferenças de eficácia). Por fim, enfatiza-se a importância de uma abordagem de tratamento integral e multidisciplinar: considerando os profundos impactos psicossociais da DA, intervenções de suporte psicológico e educação do paciente/cuidadores devem atuar em conjunto das inovações farmacológicas, assegurando adesão ao tratamento e otimização dos resultados a longo prazo.

Dessa maneira, as perspectivas futuras apontam para um tratamento cada vez mais eficaz, seguro e individualizado da dermatite atópica, reduzindo seu impacto negativo e melhorando a vida dos pacientes.

5   CONCLUSÃO

A dermatite atópica configura-se, no presente, como uma doença de elevado impacto clínico e psicossocial, que se manifesta por inflamação cutânea crônica, prurido intenso e lesões eczematosas recorrentes, comprometendo a qualidade de vida, a saúde mental e a produtividade dos pacientes. Frente a esse cenário, as intervenções médicas mais recentes têm se mostrado efetivas no controle da doença, atendendo em grande medida às necessidades terapêuticas antes não supridas. 

Novas terapias tópicas, a exemplo do ruxolitinibe em creme e dos inibidores de PDE4 (roflumilaste, difamilaste), fornecem alternativas seguras e eficazes para reduzir a inflamação e o prurido em casos leves a moderados, melhorando rapidamente as lesões da pele. Paralelamente, tratamentos sistêmicos inovadores, como os inibidores orais de JAK (upadacitinibe, abrocitinibe e baricitinibe) e os agentes biológicos (dupilumabe e tralokinumabe), demonstraram elevada eficácia em controlar a DA moderada a grave, alcançando índices substanciais de melhora (redução das lesões e do prurido) e promovendo remissão clínica em uma proporção considerável de pacientes refratários às terapias convencionais.

Esses avanços terapêuticos, aliados a um perfil de segurança favorável observado a curto e médio prazo, representam uma mudança de abordagem no manejo da DA, possibilitando um alívio mais completo dos sintomas e a mitigação das consequências psicossociais da doença. Em síntese, as evidências atuais confirmam que, ao abordar de forma eficaz os mecanismos imunológicos subjacentes à dermatite atópica, as intervenções médicas conseguem não apenas melhorar os desfechos, mas também diminuir o fardo psicossocial associado, contribuindo para uma expressiva melhora na qualidade de vida dos pacientes. Ainda se mantém, contudo, a necessidade de acompanhamento de longo prazo e de esforços para ampliar o acesso a essas terapias, garantindo que os benefícios constatados nos estudos se traduzam em resultados duradouros e abrangentes na prática clínica real.

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1Discente do curso de Medicina do Centro Universitário de Patos de Minas -UNIPAM.
2Docente do Centro Universitário de Patos de Minas -UNIPAM.