TRATAMENTO ORTOCIRÚRGICO EM PACIENTES CLASSE II: BENEFÍCIOS  FUNCIONAIS, ESTÉTICOS E PSICOSSOCIAIS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511302216


Israel Matheus de Sousa Santos Passos
Orientadora: Profª Drª Laysa da Cunha Barros Marinoni


 RESUMO 

A maloclusão Classe II representa uma das condições ortodônticas mais prevalentes  mundialmente, caracterizada por discrepâncias esqueléticas maxilomandibulares que  comprometem significativamente as funções do sistema estomatognático e a  harmonia facial. Esta revisão de literatura analisa o tratamento ortocirúrgico em  pacientes com maloclusão Classe II, investigando os benefícios funcionais, estéticos  e psicossociais desta abordagem terapêutica. O objetivo consistiu em realizar uma  revisão narrativa de literatura sobre a importância e os impactos do tratamento  ortocirúrgico em pacientes com maloclusão Classe II esquelética. Realizou-se busca  sistematizada nas bases de dados Google Acadêmico e SciELO, utilizando descritores  específicos em português e inglês (“maloclusão Classe II”, “cirurgia ortognática”,  “tratamento ortocirúrgico”, “Surgery First Approach”). Os critérios de inclusão  abrangeram artigos científicos originais, relatos de caso e revisões de literatura  publicados entre 2021 e 2025, período estabelecido para garantir a atualidade das  evidências científicas diante dos avanços tecnológicos recentes na área. Os critérios  de exclusão compreenderam estudos em outras línguas, publicações anteriores a  2021 e trabalhos sem rigor metodológico adequado. Selecionaram-se 21 artigos  científicos que fundamentaram a discussão sobre características diagnósticas,  abordagens terapêuticas e impactos na qualidade de vida. Os resultados demonstram  que o tratamento ortocirúrgico proporciona melhorias substanciais na função  mastigatória, respiratória e fonética, além de harmonização facial significativa.  Observaram-se benefícios expressivos na qualidade de vida relacionada à saúde oral,  elevação da autoestima e redução dos sintomas de disfunção temporomandibular. O  Surgery First Approach emerge como alternativa promissora ao protocolo  convencional, reduzindo o tempo total de tratamento e aumentando a satisfação dos  pacientes. Conclui-se que o tratamento ortocirúrgico constitui intervenção holística  eficaz, proporcionando benefícios duradouros que justificam plenamente sua  indicação em casos de maloclusão Classe II esquelética severa, impactando  positivamente as dimensões funcionais, estéticas e psicossociais dos pacientes.. 

Palavras-chave: Cirurgia ortognática. Maloclusão Classe II. Retrognatismo  mandibular. Qualidade de vida. Tratamento Ortocirúrgico.

ABSTRACT 

Class II malocclusion represents one of the most prevalent orthodontic conditions  worldwide, characterized by maxillomandibular skeletal discrepancies that significantly  compromise stomatognathic system functions and facial harmony. This literature  review analyzes orthosurgical treatment in patients with Class II malocclusion,  investigating the functional, aesthetic, and psychosocial benefits of this therapeutic  approach. The objective consisted of conducting a narrative literature review on the  importance and impacts of orthosurgical treatment in patients with skeletal Class II  malocclusion. A systematized search was performed in Google Scholar and SciELO  databases, using specific descriptors in Portuguese and English (“Class II  malocclusion”, “orthognathic surgery”, “orthosurgical treatment”, “Surgery First  Approach”). Inclusion criteria encompassed original scientific articles, case reports,  and literature reviews published between 2021 and 2025, a period established to  ensure current scientific evidence given recent technological advances in the field.  Exclusion criteria comprised studies in other languages, publications prior to 2021, and  works without adequate methodological rigor. Twenty-one scientific articles were  selected to support the discussion on diagnostic characteristics, therapeutic  approaches, and quality of life impacts. Results demonstrate that orthosurgical  treatment provides substantial improvements in masticatory, respiratory, and phonetic  functions, in addition to significant facial harmonization. Expressive benefits were  observed in oral health-related quality of life, self-esteem elevation, and reduction of  temporomandibular dysfunction symptoms. The Surgery First Approach emerges as a  promising alternative to conventional protocol, reducing total treatment time and  increasing patient satisfaction. It is concluded that orthosurgical treatment constitutes  an effective holistic intervention, providing lasting benefits that fully justify its indication  in cases of severe skeletal Class II malocclusion, positively impacting the functional,  aesthetic, and psychosocial dimensions of patients. 

Keywords: Orthognathic surgery. Class II malocclusion. Mandibular retrognathism.  Quality of life. Orthosurgical treatment.

1. INTRODUÇÃO 

A maloclusão Classe II representa uma das condições ortodônticas mais  prevalentes na população mundial, caracterizando-se por discrepâncias esqueléticas  entre maxila e mandíbula que resultam em alterações funcionais e estéticas  significativas (Silva et al., 2010). Essa condição pode manifestar-se por retrognatismo  mandibular, prognatismo maxilar ou pela combinação de ambos os componentes,  afetando o relacionamento oclusal entre as arcadas dentárias e comprometendo  funções essenciais do sistema estomatognático, como mastigação, respiração,  fonação e deglutição (Takada et al., 2023). 

A maloclusão Classe II pode provocar sobrecarga funcional no sistema  estomatognático, resultando em padrões mastigatórios ineficientes e possível  predisposição a distúrbios temporomandibulares. Além disso, a discrepância entre  maxila e mandíbula pode comprometer a dinâmica respiratória e fonatória,  especialmente quando o retrognatismo mandibular reduz o espaço aéreo faríngeo. Do  ponto de vista psicossocial, indivíduos com Classe II tendem a apresentar insatisfação  estética e redução da autoestima devido à projeção facial desarmônica. (Kim et al.,  2022) 

A correção dessas discrepâncias por meio do tratamento ortocirúrgico tem  demonstrado benefícios expressivos, tanto na melhora da função mastigatória e  respiratória quanto na harmonização do perfil facial e na estabilidade oclusal pós operatória (Kim et al., 2022; Carvalho et al., 2024). Tradicionalmente, o protocolo  convencional preconiza a sequência ortodontia pré-cirúrgica, seguida pela cirurgia  ortognática e finalização ortodôntica pós-operatória, resultando em tempo total de  tratamento prolongado. Em contrapartida, abordagens contemporâneas têm revolucionado essa metodologia, destacando-se o Surgery First Approach (SFA), que  inverte a sequência tradicional ao realizar primeiro a cirurgia ortognática seguida do  tratamento ortodôntico, aproveitando o fenômeno de aceleração regional para otimizar  a movimentação dentária. Esta modalidade tem se destacado por reduzir  significativamente o tempo total de tratamento, proporcionar melhorias estéticas  faciais imediatas e aumentar a satisfação dos pacientes, quando comparada aos  protocolos convencionais (Singh et al., 2021; López et al., 2021). 

Sob a perspectiva estética e psicossocial, o tratamento ortocirúrgico em  pacientes com maloclusão Classe II proporciona melhorias significativas na  autoestima, na percepção da autoimagem e na qualidade de vida, impactando  positivamente o bem-estar emocional e social dos indivíduos (Bergamaschi et al.,  2021; Bergström et al., 2022; Mendes et al., 2024; Ribeiro et al., 2023). Dessa forma,  a abordagem ortocirúrgica consolida-se como uma modalidade terapêutica eficaz e  multidimensional na correção das deformidades dentofaciais associadas à Classe II,  promovendo benefícios funcionais, estéticos e psicossociais relevantes (Sousa et al.,  2023; Melo et al., 2025; Da Silva Guimarães et al., 2025). 

O presente estudo tem como objetivo geral realizar uma revisão de literatura  sobre a importância e os impactos do tratamento ortocirúrgico em pacientes com  maloclusão Classe II, considerando os benefícios funcionais, estéticos e psicossociais  dessa abordagem terapêutica. Especificamente, busca-se caracterizar as  particularidades diagnósticas da maloclusão Classe II esquelética e identificar as  diferentes modalidades de tratamento ortocirúrgico, incluindo protocolos  convencionais e o Surgery First Approach (Rico Bocato et al., 2021; Singh et al., 2021).  Além disso, pretende-se avaliar os benefícios funcionais e estéticos relatados na  literatura, analisando as melhorias nas funções mastigatória, respiratória e fonética, bem como na harmonização, e examinar os impactos psicossociais e de qualidade de  vida decorrentes da intervenção cirúrgica.

2. METODOLOGIA 

O presente trabalho constitui uma revisão narrativa de literatura, método que  possibilita a síntese e a análise crítica de conhecimentos previamente publicados  sobre um tema específico, oferecendo uma visão ampla e atualizada acerca do  tratamento ortocirúrgico em pacientes com maloclusão Classe II. A escolha por esse  tipo de revisão fundamenta-se em sua capacidade de integrar diferentes perspectivas  teóricas e abordagens terapêuticas descritas na literatura científica contemporânea,  permitindo uma compreensão abrangente dos avanços e desafios relacionados à  correção desta deformidade dentofacial.  

A busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados Google Acadêmico e  SciELO, reconhecidas pela relevância na indexação de produções científicas  nacionais e internacionais na área da saúde. A estratégia de pesquisa utilizou  descritores específicos em português e inglês, a fim de ampliar o alcance dos  resultados, incluindo os termos: “tratamento orto-cirúrgico em pacientes Classe II”,  “maloclusão”, “benefícios do tratamento orto-cirúrgico em pacientes Classe II”,  “orthognathic surgery”, “Class II malocclusion”, “mandibular retrognathism” e  “orthosurgical treatment”.  

Foram estabelecidos critérios de inclusão que contemplaram publicações dos  últimos cinco anos (2021-2025), escritas em português ou inglês, e que abordassem  diretamente o tratamento ortocirúrgico em pacientes Classe II, abrangendo relatos de  caso, estudos retrospectivos, prospectivos e revisões sistemáticas.  

Excluíram-se artigos que não permitiam acesso integral, que não se  enquadraram no recorte temporal definido, duplicados ou que apresentavam  metodologias inadequadas e resultados inconclusivos. Inicialmente, a busca com descritores em português resultou em 78 artigos, reduzidos a 21 após aplicação do  filtro temporal, enquanto a pesquisa em inglês retornou 108 resultados, dos quais 44  se mantiveram dentro do período de interesse. Após análise minuciosa dos títulos,  resumos e textos completos, foram selecionados 21 artigos que atenderam  rigorosamente aos critérios estabelecidos, garantindo a qualidade e relevância  científica das fontes utilizadas. Os estudos selecionados foram submetidos à análise  qualitativa, com leitura integral e extração das informações mais pertinentes aos  objetivos da pesquisa.  

Os dados foram organizados em categorias temáticas relacionadas às  características diagnósticas da maloclusão Classe II, abordagens terapêuticas,  benefícios funcionais e estéticos, e impactos psicossociais e na qualidade de vida dos  pacientes. A síntese dos achados foi elaborada de forma descritiva e interpretativa,  possibilitando a integração dos resultados disponíveis na literatura e contribuindo para  a compreensão da importância do tratamento ortocirúrgico como abordagem efetiva e  multidimensional na correção das deformidades esqueléticas de Classe II.

3. REVISÃO DE LITERATURA 

3.1 Características e diagnóstico da maloclusão classe II 

O diagnóstico da maloclusão Classe II esquelética inicia-se pela análise clínica  facial, que permite identificar características morfológicas específicas desta condição.  Durante a avaliação do perfil facial, observa-se tipicamente uma convexidade  acentuada, caracterizada por um terço médio facial proeminente (região nasal e  maxilar) e um terço inferior deficiente (região mandibular), o que resulta em uma  evidente desarmonia das proporções faciais (Kamboj et al., 2022). 

O ângulo nasolabial apresenta-se frequentemente aumentado, enquanto o  mento mostra-se retraído em relação ao plano facial, conferindo o aspecto  característico de “queixo fugidio” (Melo et al., 2025). A linha queixo-pescoço encontra-se retruída, com ângulo cervico-mental obtuso, evidenciando a deficiência mandibular.  Clinicamente, observa-se incompetência labial com dificuldade no selamento labial  passivo e exposição excessiva dos incisivos superiores em repouso (Da Silva  Guimarães et al., 2025).  

A análise do sorriso pode revelar exposição gengival aumentada e protrusão  dentária superior, enquanto a vista frontal frequentemente apresenta assimetrias  faciais e alteração na proporção entre os terços faciais, sendo essencial a  documentação fotográfica completa para o planejamento terapêutico adequado (Rico  Bocato et al., 2021). 

A análise cefalométrica constitui o método objetivo para quantificar as  discrepâncias esqueléticas e estabelecer o diagnóstico preciso da Classe II  esquelética através de medidas angulares e lineares específicas (Silva et al., 2010).  O ângulo ANB, obtido pela diferença entre SNA e SNB, representa o principal parâmetro diagnóstico, sendo que valores superiores a 4° caracterizam a discrepância  sagital maxilomandibular própria da Classe II (Kamboj et al., 2022). O ângulo SNA  avalia o posicionamento anteroposterior da maxila em relação à base craniana, com  valores normais entre 80-82°, enquanto o SNB mensura a posição mandibular,  apresentando valores de referência entre 78-80° (Rico Bocato et al., 2021). 

A análise de Wits, que projeta os pontos A e B sobre o plano oclusal funcional,  fornece avaliação mais precisa da relação maxilomandibular, com valores superiores  a 2mm em homens e 0mm em mulheres caracterizando Classe II esquelética (Da Silva  Guimarães et al., 2025). Adicionalmente, o ângulo do plano mandibular (SN.GoGn) e  o ângulo goníaco fornecem informações sobre o padrão de crescimento vertical,  essenciais para diferenciar casos de predominância esquelética com componente  vertical ou horizontal, auxiliando na determinação da abordagem terapêutica mais  adequada para cada caso (De Castro Oliveira et al., 2022). 

As características esqueléticas tridimensionais complementam o diagnóstico  da Classe II esquelética através da avaliação detalhada das dimensões e relações  das bases ósseas (Lopez et al., 2021). Na Classe II esquelética, observa-se  tipicamente redução do comprimento efetivo da mandíbula, mensurado pela distância  condílio-gnátio (Co-Gn) ou articular-gnátio (Ar-Gn), frequentemente inferior a 110mm  em adultos, enquanto o comprimento maxilar pode apresentar-se normal ou  aumentado (Kamboj et al., 2022). 

O sistema de classificação das maloclusões desenvolvido por Edward Angle no  final do século XIX revolucionou a ortodontia moderna e permanece como referência  fundamental para o diagnóstico e planejamento terapêutico ortodôntico. 

Ribeiro (2022) define que as más oclusões de classe II são caracterizadas por  apresentarem um degrau sagital aumentado entre maxila e mandíbula, devido a uma retrusão mandibular e protrusão maxilar ou até mesmo por uma associação entre os  dois componentes. 

Kamboj et al. (2022) relatam que existe uma diferença significativa na  prevalência da maloclusão Classe II entre várias populações, com a prevalência na  Índia variando de 1,9% no Rajastão (estado indiano que faz fronteira com o Paquistão) a 8,37% no Sul da Índia. No Brasil, Batista (2023) apontou que no seu estudo,  realizado na Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE), em Governador Valadares  (MG), identificou que 14% das crianças avaliadas apresentaram maloclusão Classe II,  sendo 56% do tipo divisão 1 e 44% divisão 2, com predominância de subdivisão do  lado esquerdo (80%). Esses resultados destacam a relevância da Classe II na  dentição mista e a importância do diagnóstico precoce e da intervenção ortodôntica  preventiva. 

Kamboj et al. (2022) enfatizam que as maloclusões Classe II apresentam  entidades dentárias ou esqueléticas ou uma combinação de ambas, sendo que o  sucesso no manejo de casos esqueléticos Classe II, especialmente em adultos,  depende do diagnóstico adequado e do planejamento do tratamento. 

3.2 Abordagens terapêuticas no tratamento ortocirúrgico 

O tratamento ortocirúrgico da maloclusão Classe II esquelética fundamenta-se  em procedimentos cirúrgicos específicos que visam corrigir as discrepâncias  maxilomandibulares e restabelecer a harmonia facial. A osteotomia sagital bilateral do  ramo mandibular (BSSO) constitui o procedimento principal para correção do  retrognatismo mandibular, permitindo o avanço da mandíbula entre 5 a 12mm através  da mobilização do segmento distal mandibular em direção anterior (López et al.,  2022). 

Este procedimento envolve cortes ósseos bilaterais nos ramos mandibulares,  possibilitando o reposicionamento tridimensional da mandíbula e sua fixação na nova  posição através de placas e parafusos de titânio (Da Silva Guimarães et al., 2025). A  técnica é amplamente utilizada devido à sua previsibilidade, baixa morbidade e  resultados funcionais e estéticos consistentes, sendo considerada o padrão-ouro para  correção de deficiências mandibulares (Kamboj et al., 2022). 

A osteotomia Le Fort I constitui procedimento complementar frequentemente  associado ao avanço mandibular em pacientes Classe II que apresentam alterações  verticais da maxila. Esta técnica permite o reposicionamento superior (impactação) da  maxila em casos de excesso vertical do terço médio facial, reduzindo a exposição  gengival excessiva e melhorando as proporções faciais (De Castro Oliveira et al.,  2022).  

A impactação maxilar é realizada através de um corte ósseo horizontal acima  dos ápices dentários, separando a maxila da base craniana e permitindo seu  reposicionamento vertical e anteroposterior conforme planejamento cefalométrico  (Melo et al., 2025). Este procedimento pode ser combinado com rotação maxilar para  correção de assimetrias faciais e melhoria do plano oclusal, contribuindo  significativamente para o equilíbrio facial final (Singh et al., 2021). 

Singh et al. (2021), aponta que a abordagem tradicional preconiza o tratamento  ortodôntico pré-cirúrgico seguido pela cirurgia ortognática e finalização ortodôntica  pós-operatória, enquanto metodologias mais contemporâneas propõem a inversão  desta sequência através do Surgery First Approach (SFA). Os autores relatam que o  SFA oferece uma alternativa eficiente à abordagem ortodôntica convencional primeiro  (OFA) com menor duração total do tratamento, melhoria imediata e marcante no perfil  facial, custos biológicos reduzidos e estabilidade operatória similar.

Rico Bocato et al. (2021) destacam que o tratamento ortodôntico-cirúrgico com  o “Surgery First Approach” proporciona melhorias estéticas faciais imediatas e reduz  significativamente o tempo de tratamento ortodôntico do paciente, evitando o  agravamento transitório do perfil facial devido à descompensação dentária que ocorre  em casos cirúrgicos. 

A redução do tempo total de tratamento constitui um dos principais atrativos  desta modalidade, especialmente considerando que Singh et al. (2021) observaram  uma duração média de tratamento ortodôntico pós-operatório de 15,2 meses,  significativamente menor do que a abordagem convencional. 

De acordo com Sousa e Andrade (2023), o tratamento das deformidades faciais  exige a associação de procedimentos ortodônticos e ortognáticos, além de uma  equipe multidisciplinar, sendo que os pacientes Classe II são considerados um desafio  mais completo, pois comparado aos outros tipos de classes, a reincidência esquelética  é considerada a complicação mais comum da cirurgia ortognática. 

Com base no estudo de Maniewicz Wins, Antonarakis e Kiliaridis (2021), que  investigou os fatores preditivos da estabilidade sagital após o tratamento de más  oclusões de Classe II, observou-se que grandes alterações nas relações caninas e  molares durante o tratamento foram os únicos fatores associados de forma previsível  à recidiva, ainda que com evidências limitadas. 

Silva Guimarães et al. (2025) O tratamento ortodôntico é muito importante antes  da abordagem cirúrgica, tendo como objetivo a descompensação das arcadas  dentária e busca obter as seis chaves de Andrews, sendo assim, a fase ortodôntica é  essencial para corrigir defeitos na mordida do paciente, e buscando uma oclusão de  excelência nesse processo pré cirúrgico.

Sousa e Andrade (2023) ressaltam que a cirurgia ortognática busca normalizar  a morfologia dentofacial do paciente, de maneira a deixar no formato normal da face,  visando corrigir problemas congênitos ou adquiridos que causam desarmonia entre os  ossos maxilares e a mandíbula, promovendo o equilíbrio da função (mastigação,  respiração, fonação, deglutição, oclusão) e harmonia facial. Silva Guimarães et al.  (2025) Afirma que é necessário que ocorra um acompanhamento multidisciplinar com  o objetivo de conduzir o paciente no período pós operatório, visando uma recuperação  de excelência ao paciente. 

Ribeiro (2022) destaca que o tratamento da má oclusão de classe II depende  de diversos fatores, desde características específicas de cada paciente, por exemplo,  a idade, a severidade da má oclusão e o grau de colaboração do paciente, até a  escolha do protocolo de tratamento feito por cada profissional. 

López et al. (2022) observam que a osteotomia sagital bilateral é protocolo  padrão para corrigir o retrognatismo mandibular, sendo esta técnica amplamente  utilizada devido à sua previsibilidade e aos resultados funcionais e estéticos  consistentes obtidos. 

A evolução tecnológica tem contribuído significativamente para a melhoria dos  resultados terapêuticos e para a redução das complicações pós-operatórias. Singh et  al. (2021) observam que o Surgery First Approach (SFA) apresenta desafios elevados  em relação à seleção de casos, predição acurada e precisão cirúrgica, mas que com  um empreendimento conjunto entre cirurgiões e ortodontistas habilidosos e  experientes, o resultado pode ser muito promissor.

3.3 Benefícios funcionais e estéticos do tratamento 

O tratamento ortocirúrgico em pacientes com maloclusão Classe II proporciona  melhorias funcionais substanciais que transcendem a simples correção da oclusão,  abrangendo aspectos fundamentais do sistema estomatognático como mastigação,  respiração, fonação e deglutição (Takada et al., 2023). 

Castro Oliveira et al. (2022) destacam que as osteotomias, quando bem  concebidas pelo bucomaxilofacial, fazendo uso de todos os recursos possíveis, como  modelos de estudo, planos virtuais, traçados cefalométricos e imagens radiográficas,  apresentam altas porcentagens de sucesso e admiração do paciente, que terá, além  de uma melhoria na funcionalidade do aparelho estomatognático, aumento na  qualidade de vida e renovada estética facial.  

Melo et al. (2025) relatam que a cirurgia proporcionou uma melhora significativa  na harmonia facial, na função mastigatória, na fonação e na autoestima do paciente,  sendo que a estabilidade oclusal foi alcançada com adequado trespasse horizontal e  vertical, e os exames pós-operatórios demonstraram adequada consolidação óssea e  recuperação satisfatória. 

Melo et al. (2025) observam que o procedimento incluiu osteotomias maxilar e  mandibular para a obtenção de um perfil facial harmonioso e correção da oclusão,  com avanço maxilar e recuo mandibular, demonstrando como a combinação de  diferentes técnicas cirúrgicas pode ser empregada para alcançar resultados estéticos  otimizados. 

A estabilidade dos resultados obtidos através do tratamento ortocirúrgico  representa um aspecto fundamental para o sucesso a longo prazo, especialmente  considerando a complexidade dos procedimentos envolvidos e a necessidade de  manutenção dos benefícios alcançados (Kim et al., 2022).

Castro Oliveira et al. (2022) enfatizam que, como resultado dos estudos e  atualizações realizadas ao longo dos anos, tornou-se possível corrigir essas  deformidades resultantes do malposicionamento esquelético, através da cirurgia  ortognática e sua gama de técnicas existentes. A evolução das técnicas cirúrgicas e  dos métodos de fixação têm contribuído significativamente para a melhoria da  estabilidade pós-operatória, reduzindo as taxas de recidiva e proporcionando  resultados mais duradouros. 

Melo et al. (2025) concluem que a cirurgia ortognática se mostrou eficaz na  correção da deformidade facial classe II, promovendo benefícios funcionais e estéticos  substanciais, sendo que o acompanhamento multidisciplinar foi essencial para garantir  o sucesso do tratamento e a satisfação do paciente, evidenciando a importância dessa  abordagem terapêutica para casos de discrepâncias esqueléticas severas.

4. DISCUSSÃO 

A maloclusão Classe II é caracterizada por retrusão mandibular, protrusão  maxilar ou pela combinação de ambos os componentes, conforme descrito por Ribeiro  (2022). López et al. (2022) reforçam que o diagnóstico preciso desses componentes  é essencial para o planejamento terapêutico adequado. A complexidade diagnóstica  dessa condição exige uma avaliação clínica, radiográfica e cefalométrica minuciosa,  permitindo identificar a severidade e a natureza das discrepâncias presentes. Kamboj  et al. (2022) relatam prevalências que variam de 1,9% a 8,37% em diferentes regiões  da Índia, sugerindo influência de fatores populacionais, étnicos e ambientais na  ocorrência da Classe II. 

No campo terapêutico, há destaque para a comparação entre o protocolo  convencional e o Surgery First Approach (SFA). Singh et al. (2021) apresentam o SFA  como alternativa eficiente que reduz o tempo total de tratamento, melhora o perfil facial  de forma imediata e mantém estabilidade comparável à abordagem tradicional. Rico  Bocato et al. (2021) e Mendes et al. (2024) confirmam esses benefícios, enfatizando  a estética facial aprimorada e a redução do período ortodôntico. Contudo, Singh et al.  (2021) também apontam que o SFA exige criteriosa seleção de casos e alta precisão  cirúrgica, limitando sua aplicação a profissionais experientes e casos bem indicados. 

Silva Guimarães et al. (2025) destacam a importância da fase ortodôntica pré cirúrgica para obtenção das seis chaves de Andrews e descompensação das arcadas,  em contraste à filosofia do SFA. Essa divergência reflete abordagens terapêuticas  distintas, ambas válidas quando aplicadas adequadamente. Enquanto o método  convencional preconiza a preparação ortodôntica antes da cirurgia, o SFA utiliza o  fenômeno de aceleração regional (RAP) para favorecer o movimento dentário pós-cirúrgico, reduzindo o tempo total de tratamento para cerca de 15 meses (Singh et al.,  2021). 

A literatura é unânime ao reforçar a importância da abordagem multidisciplinar  no tratamento ortocirúrgico. Sousa e Andrade (2023) e Silva Guimarães et al. (2025)  ressaltam que o sucesso terapêutico depende da integração entre cirurgiões,  ortodontistas e outros especialistas. Essa cooperação garante planejamento preciso,  execução técnica adequada e suporte psicológico ao paciente, consolidando o  tratamento como um processo integral. 

No que se refere aos benefícios funcionais e estéticos, Castro Oliveira et al.  (2022) destacam que as osteotomias bem planejadas proporcionam melhorias  significativas na funcionalidade mastigatória, harmonia facial e qualidade de vida.  Melo et al. (2025) complementam afirmando que, além da correção oclusal, há ganhos  em autoestima, fonação e consolidação óssea. As correções morfológicas, como  recuo do queixo e redução do excesso vertical, reforçam a efetividade das  osteotomias maxilomandibulares na restauração da estética facial (Castro Oliveira et  al., 2022; Melo et al., 2025). 

Apesar dos avanços, Sousa e Andrade (2023) observam que pacientes Classe  II representam casos mais complexos e com maior risco de recidiva esquelética. Essa  instabilidade pós-operatória, considerada a complicação mais comum, reforça a  necessidade de acompanhamento prolongado e planejamento cuidadoso. Singh et al.  (2021) sugerem que o SFA mantém estabilidade comparável ao método convencional,  mas destacam a importância de estudos longitudinais que confirmem essa  equivalência a longo prazo. 

Os impactos psicossociais do tratamento ortocirúrgico também são  amplamente documentados. Bergamaschi et al. (2021), utilizando o OHIP-14 e o RDC/TMD, observaram redução significativa da mediana geral e de cinco domínios  de qualidade de vida, além de melhorias na dor articular (p=0,016), dor crônica  (p=0,019) e sintomas físicos não específicos (p=0,013). Esses resultados reforçam  que o tratamento ortocirúrgico traz benefícios não apenas morfológicos, mas também  psicológicos e funcionais relevantes. 

No entanto, Bergamaschi et al. (2021) registraram aumento no domínio de  limitação funcional (p=0,014) e ausência de associação no domínio de incapacidade  física (p=0,133), indicando possível piora temporária em algumas funções no pós operatório imediato. Essa observação ressalta a necessidade de informar os  pacientes sobre a fase de adaptação e recuperação funcional após a cirurgia. 

Os autores também identificaram associação entre pior qualidade de vida e as  variáveis do Eixo II do RDC/TMD (Bergamaschi et al., 2021), demonstrando que  condições psicológicas e comportamentais podem influenciar os resultados  percebidos. Tal evidência reforça a importância da avaliação psicológica pré operatória e da atuação interdisciplinar mencionada por Silva Guimarães et al. (2025),  evidenciando que o êxito terapêutico depende tanto da técnica cirúrgica quanto do  manejo emocional do paciente. 

A literatura recente (Ribeiro, 2022; Kamboj et al., 2022; Castro Oliveira et al.,  2022) destaca ainda que a individualização do tratamento é essencial, considerando  fatores como idade, severidade da má oclusão e cooperação do paciente. O avanço  tecnológico, como o planejamento virtual e o uso de modelos 3D, tem aprimorado a  previsibilidade cirúrgica e os resultados clínicos (Singh et al., 2021). Ainda assim,  faltam estudos comparativos robustos entre diferentes técnicas, como osteotomia  sagital bilateral e combinações maxilomandibulares (López et al., 2022; Melo et al.,  2025), que permitam determinar superioridade entre métodos específicos.

Por fim, o tratamento ortocirúrgico da maloclusão Classe II deve ser  compreendido como uma intervenção abrangente que une correção estética,  restauração funcional e reabilitação psicossocial (Melo et al., 2025; Bergamaschi et  al., 2021).

5. CONCLUSÃO 

A revisão de literatura realizada confirma que o tratamento ortocirúrgico em  pacientes com maloclusão Classe II constitui uma abordagem terapêutica eficaz e  multiprofissional, promovendo benefícios funcionais significativos nas funções  mastigatória, respiratória e fonética, melhorias estéticas substanciais na  harmonização facial e impactos psicossociais positivos na autoestima e qualidade de  vida dos pacientes. Assim, o tratamento ortocirúrgico consolida-se como modalidade  terapêutica de excelência na correção das deformidades dentofaciais associadas à  Classe II, proporcionando não apenas a restauração da função e estética, mas  também a reabilitação psicossocial dos indivíduos, confirmando sua importância na  prática clínica contemporânea.

REFERÊNCIAS 

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BERGAMASCHI, Isabela Polesi et al. Orthognathic surgery in class II patients: a  longitudinal study on quality of life, TMD, and psychological aspects. Clinical Oral  Investigations, v. 25, n. 6, p. 3801-3808, 2021. DOI: 10.1007/s00784-020-03709-3.  Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s00784-020-03709-3. Acesso  em: 24 set. 2025. 

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