ANXIETY IN THE PROGRESSION OF FIBROMYALGIA: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511302239
Caroline Amorim Da Mota1
Eliana Gomes Mendes Rebelo2
Tamiris Carvalho Melo3
Maelly Larissa Mendes Pantoja4
Resumo
A pesquisa tem por objetivo geral apontar os impactos da ansiedade na vida de pacientes com fibromialgia, através de uma pesquisa bibliográfica. E como objetivos específicos descrever o conceito de fibromialgia; conhecer a relação entre a ansiedade e a intensidade da dor em pacientes com fibromialgia; e, identificar estratégias terapêuticas eficazes para o manejo dos sintomas psicológicos associados à fibromialgia. Deste modo, o delineamento metodológico se deu por meio de pesquisa bibliográfica, do tipo exploratória e descritiva, sendo revisão narrativa da literatura, na qual foram realizadas pesquisas com as seguintes palavras-chave: Fibromialgia, Fibromialgia e Psicologia, Fibromialgia e Ansiedade, Fibromialgia e Dor Crônica. Este estudo, no que tange sua coleta de dados, deu-se por meio de uma investigação mediante a consulta das bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Periódicos Eletrônicos em Psicologia (PePSIC), Livros, Notas Técnicas e Leis, sendo estes de 2014 a 2024. Evidenciou-se nos resultados que a fibromialgia é caracterizada por dor generalizada nos músculos e ossos, cansaço, distúrbio do sono, fadiga, alteração de humor, bem como problemas psicológicos; e com a relação da ansiedade com a fibromialgia, há consenso na literatura de que quadros ansiosos exercem um impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes, pois estes apresentam alto nível de incapacidade, inclusive para exercer atividades do cotidiano, intensificando a dor e reforçando o ciclo crônico da condição, e acerca de estratégias terapêuticas, faz-se imprescindível o suporte psicológico, uma vez que permite compreensão sobre os aspectos emocionais que impactam a vida desses pacientes. Portanto, faz-se necessário dar continuidade às pesquisas com a adoção de abordagens abrangentes, que possibilitem compreensão detalhada sobre a etiologia da doença e diferentes abordagens terapêuticas para o seu manejo, com o intuito de gerar novas evidências, principalmente no que se refere aos aspectos psicológicos e à eficácia de tratamentos contínuos e atualizados.
Palavras-chave: Fibromialgia, Ansiedade, Psicologia.
1. INTRODUÇÃO
A fibromialgia é uma condição neurológica que prevalece, principalmente, no público feminino, manifestando-se através de dor crônica e afetando diversas partes do corpo, principalmente músculos, tendões e articulações (LIMA et al., 2023). Neste sentido, um estudo realizado por Ramiro et al. (2014) investigou o impacto de variáveis emocionais no agravamento dos sintomas da fibromialgia (FM). O estudo apontou que sintomas como o aumento da tensão muscular, somado à sensação de fadiga e à perturbação do sono, são comuns na fibromialgia e também podem ser encontrados em transtornos ansiosos, como o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).
Ademais, a pesquisa revelou que a interação entre indícios físicos e emocionais pode agravar significativamente o quadro de fibromialgia, prejudicando excessivamente a qualidade de vida dos pacientes, ultrapassando a capacidade adaptativa do corpo e resultando em altos níveis de estresse (RAMIRO et al., 2014). Dessa forma, Lima et al. (2023) ressaltam que a ansiedade é um fator que exerce grande impacto na qualidade de vida dos indivíduos com fibromialgia. Além disso, os pacientes tendem a se tornar mais isolados socialmente, o que leva ao afastamento de familiares e amigos. Em consequência, Castro et al. (2023) afirmam que as disfunções sociais geradas por esse isolamento contribuem para o agravamento dos sintomas de ansiedade.
Logo, esse tema se torna significativo para estudos e investigações, principalmente nos parâmetros psicológicos, por permitir compreender de que maneira a ansiedade afeta a vida do indivíduo diagnosticado. Portanto, apresentou-se como hipótese que a ansiedade intensifica o nível de dor em pacientes que sofrem de fibromialgia. Deste modo, o objetivo geral foi apontar os impactos da ansiedade na vida de pacientes com fibromialgia por meio de uma pesquisa bibliográfica. E como objetivos específicos: descrever o conceito de fibromialgia segundo a literatura; conhecer a relação entre a ansiedade e a intensidade da dor em pacientes com fibromialgia; e identificar estratégias terapêuticas eficazes para o manejo dos sintomas psicológicos associados à fibromialgia.
2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A trajetória metodológica deste estudo, tratou-se de uma pesquisa bibliográfica, do tipo exploratória e descritiva, em uma revisão narrativa da literatura. A pesquisa bibliográfica, segundo Marconi e Lakatos (2017), envolve a análise de materiais já publicados, incluindo livros, periódicos, teses, artigos e outros. A abordagem exploratória, buscou contextualizar a fibromialgia e a relação entre ansiedade e a intensidade da dor em pacientes com a condição. De acordo com Gil (2017), esse método tem por objetivo alcançar e entender a questão, tornando-a visível para obter uma hipótese que se busca compreender.
Foi classificada como descritiva, uma vez que buscou identificar as estratégias terapêuticas eficazes para o manejo dos sintomas psicológicos associados à síndrome. Isto posto, Marconi e Lakatos (2017) sinalizam que esse tipo de estudo se baseia em pesquisa prática, cujo objetivo principal é descrever ou examinar as características de eventos, populações ou fenômenos.
A coleta de dados ocorreu por meio de uma revisão narrativa da literatura, conforme descrito por Cavalcante e Oliveira (2020) caracteriza-se pela análise rápida e não sistemática do desenvolvimento amplo do tema. Nas pesquisas foram utilizadas as bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Periódicos Eletrônicos em Psicologia (PePSIC), Livros, Notas Técnicas e Leis. Ainda nesse aspecto, foram realizadas buscas utilizando as seguintes palavras-chaves: Fibromialgia, Fibromialgia e Psicologia, Fibromialgia e Ansiedade, Fibromialgia e Dor Crônica.
Os critérios utilizados para a inclusão na pesquisa foram: artigos publicados nos últimos 10 anos, escritos na língua portuguesa, textos completos e originais, e leis relacionadas ao tema. Portanto, foram excluídos: artigos duplicados nas bases de dados, artigos que se referiam a outras patologias e artigos indisponíveis para download.
Inicialmente, encontrou-se 774 materiais, dos quais foram descartados 528 por critérios de inclusão não atendidos. Dos 246 restantes, excluiu-se 215, após análise de título e resumo, dos quais, selecionou-se 31 artigos para leitura. Ao final, 26 artigos seguiram incluídos para elaborar a discussão da revisão.
Este trabalho foi composto pela contribuição dos principais autores Goulart et al. (2016), Marconi; Lakatos (2017), Oliveira Júnior; Ramos (2019), Oliveira (2019), Cavalcante; Oliveira (2020), Batista et al. (2021), Costa; Ferreira (2023), Lima et al. (2023), Menezes et al. (2024) e outros. Sendo as exceções fora dos critérios de inclusão, Brasil, (1991), Heymann et al. (2010), Andrade et al. (2013), Ramiro et al. (2014) e outros.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A fibromialgia é uma condição crônica complexa, caracterizada por uma variedade de indícios físicos e emocionais. Os capítulos a seguir, exploram as características multifacetadas da doença, destacando a relação entre dor e ansiedade e a importância de uma abordagem multidisciplinar para o manejo eficaz dos sintomas.
3.1 Compreendendo a fibromialgia
A partir da análise dos dados, revelou-se que a fibromialgia é uma condição crônica caracterizada por dor generalizada e difusa, acompanhada por fadiga, alterações de humor e outras ocorrências, como problemas de memória (SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA, 2011). Conforme discutido por Castro et al. (2024) a dor musculoesquelética influência diretamente para a evolução de malefícios psicológicos relacionando-se de forma intensa, ocasionando uma baixa qualidade de vida dos pacientes, logo os níveis elevados de dor, afetam diretamente diversos aspectos da vida, desenvolvendo até mesmo, aumento do risco de suicídio.
Para além disso, a Nota Técnica Conjunta Nº 15/2023, enfatiza que a dor da FM, inicia- se de forma intermitente, após torna-se mais persistente. Por vezes, inicia em uma área localizada, que pode migrar para outras áreas do corpo ao longo do dia, sendo mais severa na parte da manhã, melhorando com o decorrer do dia (RIO GRANDE DO SUL/RS, NOTA TÉCNICA CONJUNTA Nº 15/2023).
A referida nota ainda acrescenta que, apesar da causa da enfermidade ser desconhecida, existem fatores associados para aumento do risco de fibromialgia, como por exemplo: história familiar, sexo feminino, infecção (doença de Lyme, hepatite C), estresse ou lesão física, não evoluindo para um quadro de deformidades, apresentando somente uma má qualidade de vida (RIO GRANDE DO SUL/RS, NOTA TÉCNICA CONJUNTA Nº 15/2023).
Nesse sentido, Heymann et al. (2010) reforçam a necessidade de acompanhamento especializado, devido a necessidade da identificação da origem da dor, geralmente realizado por reumatologistas, sobretudo devido à sua ligação com persistente dor crônica muscular. Dessa forma, levando em consideração a variabilidade dos sintomas, essa condição demanda uma abordagem abrangente e multidisciplinar, que inclui fisioterapia, psicoterapia e farmacologia.
Menezes et al. (2024) e Oliveira Júnior e Ramos (2019) ressaltam que os pacientes frequentemente encontram dificuldades em lidar com a dor e as manifestações associadas, em parte devido a fatores psicológicos. Destarte, a literatura aponta que a dor crônica pode aumentar a incidência de problemas emocionais, como: distúrbios do sono, irritação, problemas de memória, desânimo, tristeza e outros.
Nesse contexto, Batista et al. (2021) e Melo et al. (2022) evidenciam que as manifestações emocionais intensificam os sintomas físicos, como a dor nos músculos, a dor nos ossos, a dor nas articulações, a sensação de queimação, o cansaço, as náuseas, o aumento da dor no período menstrual e durante a relação sexual. Isso faz com que os pacientes se sintam relutantes em realizar determinados movimentos, temendo que possam intensificar a dor que já experimentam no cotidiano.
Além disso, conforme discutido por Menezes et al. (2024), a relação entre dor e ansiedade é muito significativa e, devido a ser persistente e incapacitante, pode desencadear ou agravar os traços ansiosos. Essa interação, pode criar um ciclo vicioso que agrava o diagnóstico do paciente. Isso é consistente com as observações de Batista et al. (2021) e Melo et al. (2022) que destacam a ansiedade (sudorese, náusea, batimentos cardíacos acelerados, falta de ar e tonturas) como um fator que pode intensificar o sofrimento.
Costa e Ferreira (2023) corroboram ao enfatizar que a fibromialgia impacta a vida diária dos pacientes, levando a sensibilidade ao toque, incômodo ao usar roupas apertadas, permanecer muito tempo em pé e/ou sentado, subir escadas, por exemplo. Em resposta a esses desafios, a legislação brasileira, por meio da Lei nº 8.213/1991, que trata do Plano de Benefícios da Previdência Social, a Lei nº 14.233/2021, que busca promover a conscientização e combater o estigma e adicionalmente, e a recente Lei nº 14.705/2023, que regulamenta o tratamento da fibromialgia pelo SUS, representam um avanço significativo no reconhecimento e suporte necessário para o tratamento multidisciplinar (BRASIL, 1991; 2021; 2023).
Conforme o supracitado, a fibromialgia caracteriza-se por ser uma doença crônica de natureza fisiológica. No entanto, o sintoma da dor se manifesta de maneira recorrente nos indivíduos, sendo influenciado por fatores emocionais, o que impacta em diversas áreas de sua vida. Desta maneira, um dos objetivos a seguir versa acerca da compreensão da conexão entre a ansiedade e a dor em pacientes com fibromialgia, sendo explorado como a literatura discute essa relação é de que forma afeta a vida dos pacientes diagnosticados com essa patologia.
3.2 Ansiedade e dor em pacientes com fibromialgia
Para além da dor musculoesquelética, a condição também está associada diretamente à ansiedade, que é vista como um conjunto de distúrbios chamados de transtornos de ansiedade, que inclui o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), transtorno de pânico (TP), transtorno de ansiedade social (TAS), transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) (BATISTA et al., 2021).
Oliveira et al. (2019) complementam essa perspectiva, ressaltando que a fibromialgia gera experiências indesejadas que impactam negativamente a rotina dos pacientes que, frequentemente, acabam tornando-se dependentes de medicamentos, o que resulta na convivência com efeitos colaterais como visão turva, retenção urinária, sonolência, ganho de peso, entre outros. Esses efeitos podem dificultar a realização de atividades cotidianas, além de prejudicar a capacidade de lidar de forma contínua com situações estressantes.
Neste sentido, Andrade et al. (2013) reforçam essa ideia ao mostrar que episódios de ansiedade estão fortemente ligados à dor persistente e às relações interpessoais que levam ao isolamento social, sentimento de impotência e frustração, sugerindo que esses fatores podem exacerbar essa relação entre a ansiedade e a dor, sendo que os distúrbios ansiosos são mais comuns em pessoas com fibromialgia do que na população em geral.
Um estudo realizado por Ramiro et al. (2014) investigou como o estresse, a ansiedade e a depressão em mulheres com fibromialgia provocam um impacto de variáveis emocionais no agravamento dos sintomas da fibromialgia (FM). O objetivo foi ampliar o entendimento sobre como os fatores emocionais influenciam na qualidade de vida de mulheres com a condição, comparando-as com mulheres saudáveis. Para isso, participaram do estudo 50 mulheres, divididas em dois grupos: 25 com diagnóstico de fibromialgia e 25 mulheres sem o diagnóstico. Os resultados revelaram que, no grupo com fibromialgia, houve uma prevalência expressiva do traço de ansiedade, com 52,96% das participantes, o que indica que essa variável emocional é clinicamente relevante no contexto do adoecimento.
Isto posto, na pesquisa realizada por Oliveira Júnior e Ramos (2019) acerca da adesão ao tratamento da fibromialgia, pode-se observar que a limitação causada pelos sintomas da patologia não só agrava a dor, mas contribui para o aumento da ansiedade nos pacientes, criando um ciclo vicioso. Eles observaram que a presença de alterações psicológicas, como a ansiedade, está fortemente associada à uma menor adesão ao tratamento da fibromialgia, o que compromete significativamente o manejo da síndrome. Portanto, o comprometimento com a terapia diminui, perpetuando um ciclo em que a dor, o estresse e a ansiedade se retroalimentam, tornando-se difícil a recuperação e o controle dos sintomas.
Lorente et al. (2014) destacam que a incerteza da origem da doença e a fragilidade percebida contribuem para o aumento da ansiedade. Consequentemente, o estudo de Andrade et al. (2013), realizado com 61 mulheres diagnosticadas com a síndrome da fibromialgia, apresentou dados que mostram uma correlação entre a intensidade da dor e níveis elevados de ansiedade. Observou-se que o nível de ansiedade nas participantes foi de 57,4%. Constatou-se também que 15% dos indivíduos ansiosos relataram problemas de sono, um fator que pode agravar significativamente a ansiedade.”
Com o intuito de auxiliar o paciente na formulação de expectativas mais cautelosas e eficazes, o conteúdo a seguir enfatiza as abordagens terapêuticas voltadas para o controle das questões psicológicas frequentemente esperadas diante de experiências estressantes ou dolorosas. Ressalta-se a importância do manejo da dor, da adesão ao tratamento e do suporte psicológico, elementos essenciais para que o paciente desenvolva expectativas mais realistas e produtivas.
3.3 Estratégias terapêuticas para os sintomas psicológicos da fibromialgia
O debate em torno do tratamento da fibromialgia revela a condição como desafiadora e multifacetada, e a discussão sobre seu tratamento reflete essa complexidade. Monteiro et al. (2021) destacam a relevância de uma abordagem integral e de um acompanhamento multidisciplinar, incluindo a psicologia como um dos tratamentos, para que o paciente consiga lidar com os novos desafios e se adaptar de forma mais saudável ao seu dia a dia, além de tratar eventuais transtornos psiquiátricos, como a ansiedade. Nesse contexto, a psicologia pode contribuir para o tratamento ao facilitar a adesão, ajudar a lidar com as dificuldades e comorbidades, e buscar minimizar o impacto causado pela enfermidade.
Oliveira et al. (2019) afirmam que, dada a variedade de consequências que a fibromialgia provoca na saúde da pessoa, é essencial que o tratamento e o acompanhamento sejam realizados de maneira interdisciplinar, abordando tanto os aspectos físicos quanto os cognitivos, com diferentes perspectivas e conhecimentos necessários, a fim de lidar com o conjunto de sintomas que resultam em sofrimentos de diversas naturezas, como a diminuição da autoestima, depressão e dificuldades físicas, mentais e emocionais.
Ao explorar formas de melhorar a saúde dos pacientes com fibromialgia, é essencial adotar uma abordagem integrada que combine tratamentos medicamentosos (Quetiapina, Amitriptilina, Nortriptilina, entre outros) e não medicamentosos (atividade física, caminhadas, hidroginástica, entre outros). Essa abordagem deve enfatizar a educação do paciente e estimular sua participação ativa no gerenciamento da condição. A combinação de monitoramento com estratégias educativas pode não apenas aprimorar os resultados do tratamento, reduzindo a intensidade da dor, as limitações físicas e os custos associados a essas doenças (COSTA et al., 2021; SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA, 2011).
Essa perspectiva é compartilhada por Oliveira Júnior e Almeida (2018), que reconhecem a insatisfação comum com os tratamentos farmacológicos isolados e defendem uma abordagem mais holística, que inclua intervenções psicoterapêuticas. Acrescentam ainda que, em muitos casos, o tratamento farmacológico continua sendo uma das práticas mais comuns, e que vários tipos de medicamentos já foram testados e aprovados para controlar a sintomatologia da doença a longo prazo.
Além disso, a visão de Oliveira Júnior e Ramos (2019) corrobora a ideia de que os pacientes tendem a se sentir mais satisfeitos quando os médicos adotam um conjunto abrangente de tratamentos, incluindo suporte psicológico. Fiszson et al. (2021) complementam essa visão ao evidenciar os benefícios das intervenções psicológicas, que têm mostrado eficácia na redução da ansiedade, da dor e na melhora da qualidade de vida. A importância do suporte terapêutico e da avaliação psicológica individualizada é destacada por Goulart et al. (2016), que sugerem que a compreensão dos fatores biológicos, sociais e culturais que afetam o paciente é crucial para um tratamento eficaz. A combinação de tratamentos onde o fisioterapeuta, o reumatologista, o psicólogo e ainda exercícios diversos, não só alivia a dor, como também aborda as questões funcionais da condição de saúde do paciente com essa patologia
Monteiro et al. (2021) acrescentam que o controle do estresse é fundamental, pois, em níveis elevados, pode exacerbar os danos físicos. Nesse sentido, sob a perspectiva da psicologia, esse fator possui elevado potencial de agravar os sintomas e desencadear quadros ansiosos. Oliveira Júnior e Almeida (2018) afirmam que as intervenções comportamentais são eficazes na modificação do comportamento e na promoção de estratégias de enfrentamento da condição, uma vez que, durante a terapia, é notável a evolução do quadro clínico, tanto em relação às questões emocionais quanto comportamentais.
Por fim, os autores dos estudos mencionados ressaltam a necessidade de um entendimento multifacetado da fibromialgia. A concordância geral reside na importância de um tratamento holístico que considere a individualidade do paciente, suas experiências de dor e o impacto psicológico da fibromialgia em sua vida diária.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente artigo propõe explorar, por meio de dados da literatura, a ansiedade na progressão da fibromialgia. A análise revela que os pacientes que sofrem dessa condição de saúde enfrentam um profundo sofrimento psicológico, com ênfase na manifestação da ansiedade. Esses sinais surgem, principalmente, devido à falta de conhecimento acerca da etiologia da doença, das dificuldades no diagnóstico, da eficácia dos tratamentos (quando isolados e não interdisciplinares) e da incerteza quanto a um prognóstico favorável.
Tais fatores podem agravar os níveis de estresse, aumentando a intensidade dos sintomas e corroborando nossa hipótese de que a ansiedade intensifica a dor em pessoas com fibromialgia. Dessa forma, torna-se cada vez mais evidente a importância de abordar essa temática, principalmente sob uma perspectiva psicológica. No que se refere à compreensão dos autores sobre a síndrome, ressalta-se que se trata de uma condição complexa, caracterizada pela dor crônica difusa e por sintomas adicionais, como ansiedade, fadiga, dificuldades cognitivas e distúrbios do sono.
Em relação ao segundo objetivo, a literatura apontou de maneira consensual que a ansiedade intensifica a dor, gerando um ciclo vicioso no qual os sintomas físicos provocam mais transtornos psicológicos, impactando negativamente a qualidade de vida do paciente. A dor inexplicável causada pela fibromialgia (FM) pode desencadear diversas alterações, como mudanças de humor, estresse e hipersensibilidade, elevando os níveis de sofrimento e podendo levar a outros transtornos psiquiátricos.
No terceiro objetivo, foram abordadas as estratégias terapêuticas eficazes para o tratamento dos sintomas psicológicos relacionados à fibromialgia. Evidenciou-se que o suporte psicológico é de suma importância para reconhecer e validar as emoções e o sofrimento dos pacientes, além de ser fundamental para auxiliá-los a enfrentar novos obstáculos e a se adaptarem de forma saudável à sua rotina, o que favorece a adesão ao tratamento e o manejo das dificuldades e comorbidades. Além da intervenção psicológica, existem tratamentos que incluem alternativas farmacológicas, exercícios físicos e massagens, entre outros, que visam aliviar o sofrimento.
Ao longo da pesquisa, identificou-se que a condição requer o envolvimento de uma equipe multidisciplinar, que pode incluir, por exemplo, médicos reumatologistas, fisioterapeutas e outros profissionais. Além disso, o apoio familiar é um suporte fundamental, que contribui para uma compreensão mais ampla da condição e oferece a assistência necessária ao paciente durante todo o processo de tratamento e recuperação, visando à melhoria de sua qualidade de vida.
Durante a investigação, notou-se que há necessidade de produções científicas pontuais que abordem de modo mais amplo e contundente a fibromialgia e fatores emocionais associados como uma problemática de saúde atual, uma vez que encontra-se uma lacuna significativa no conhecimento a respeito. Assim, é fundamental ressaltar a necessidade de dar continuidade às pesquisas, com a adoção de abordagens mais abrangentes, que possibilitem uma compreensão mais detalhada sobre a etiologia da doença e as diferentes abordagens terapêuticas disponíveis para o seu manejo. O objetivo deve ser gerar novas evidências, principalmente no que se refere aos aspectos psicológicos e à eficácia de tratamentos contínuos e atualizados.
REFERÊNCIAS
ANDRADE, Alexandro et al. Ansiedade associada a fatores sociodemográficos e clínicos de mulheres com síndrome da fibromialgia. Revista Dor, v. 14, p. 200-203, 2013. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806- 00132013000300010&lang=pt. Acesso em: 06 abr. 2024.
AQUINO JUNIOR, Antonio Eduardo de; BAGNATO, Vanderlei Salvador. Fibromialgia: compreensão e tratamento. Edição online, 2023. Disponível em <https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2023/12/livro-fibromialgia.pdf>. Acesso em: 14 outubro 2024.
BATISTA, Ana Sara Adriano et al. Depressão, ansiedade e cinesiofobia em mulheres com fibromialgia praticantes ou não de dança. BrJP, v. 3, p. 318-321, 2021. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2595- 31922020000400318&lang=pt. Acesso em: 01 abr. 2024.
BRASIL. Lei nº 14.705, de 25 de outubro de 2023. Estabelece diretrizes para o atendimento prestado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) às pessoas acometidas por Síndrome de Fibromialgia ou Fadiga Crônica ou por Síndrome Complexa de Dor Regional ou outras doenças correlatas. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/l14705.htm. Acesso em: 27 maio 2024.
BRASIL. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social e dá outras providências. Disponível em:https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm#:~:text=Art.%201%C2%BA%20A%20Previd%C3%AAncia%20Social. Acesso em: 30 maio 2024.
BRASIL. Lei nº 14.233, de 3 de novembro de 2021. Institui o Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Fibromialgia. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14233.htm. Acesso em: 30 maio 2024.
CASTRO, Ana Paula dos Reis et al. O impacto da fibromialgia na qualidade de vida de adultos acometidos por essa patologia. Revista Científica Integrada, v. 7, n. 1, p. e202413- e202413, 2024. Disponível em <https://revistas.unaerp.br/rci/article/view/3178>. Acesso em: 14 outubro 2024.
CAVALCANTE, Lívia Teixeira Canuto; OLIVEIRA, Adélia Augusta Souto de. Métodos de revisão bibliográfica nos estudos científicos. Psicol. rev. (Belo Horizonte), Belo Horizonte, v. 26, n. 1, p. 83-102, abr. 2020. Disponível em:<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677- 11682020000100006&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 08 abril 2024.
COSTA, Larissa Pereira; FERREIRA, Márcia de Assunção. A fibromialgia na perspectiva de gênero: desencadeamento, clínica e enfrentamento. Texto & Contexto-Enfermagem, v. 32, p. e20220299, 2023. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104- 07072023000100508&lang=pt. Acesso em: 01 abr. 2024.
COSTA, Ana Vívian Ferreira da; BEZERRA, Larissa de Carvalho e PAULA, Juliane dos Anjos de. Uso de psicofármacos no tratamento da fibromialgia: uma revisão sistemática. J. Hum. Growth Dev. [online]. 2021, vol.31, n.2, pp.336-345. ISSN 0104-1282. Disponível em: https://doi.org/10.36311/jhgd.v31.12228. Acesso em: 27 outubro 2024.
FISZSON Herzberg, V. et al. Resultados de una intervención psicoeducativa interdisciplinar con EMDR en pacientes con fibromialgia: experiencia de un centro privado. Revista de la Sociedad Española del Dolor, v. 28, n. 3, p. 119-128, 2021. Disponível em <http://scielo.isciii.es/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1134- 80462021000400119&lang=es. Acesso em: 31 maio 2024.
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
GOULART, Rubens; PESSOA, Cinthia; LOMBARDI JÚNIOR, Império. Aspectos psicológicos da síndrome da fibromialgia juvenil: revisão de literatura. Revista Brasileira de Reumatologia, v. 56, p. 69-74, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbr/a/6JmdqgLzdt7pb3wGj5BkwxL/. Acesso em: 06 abr. 2024.
HEYMANN, Roberto Ezequiel et al. Consenso brasileiro do tratamento da fibromialgia. Revista brasileira de reumatologia, v. 50, p. 56-66, 2010. Disponível em:< https://www.scielo.br/j/rbr/a/VD3Vcmj5QPNbM6MDcHGwF3f/?lang=pt>. lang=pt&format=pdf. Acesso em: 18 março 2024.
LIMA, Emerson Mateus Mendonça de et al. Acesso aos níveis de atenção à saúde e à qualidade de vida de mulheres com fibromialgia durante a pandemia da COVID-19: estudo observacional transversal. BrJP, v. 6, p. 359-365, 2023. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2595- 31922023000500359&lang=pt. Acesso em: 01 abr. 2024.
LORENTE, Giovana Davi et. al. Cinesiofobia, adesão ao tratamento, dor e qualidade de vida em indivíduos com síndrome fibromiálgica. Revista Dor, v. 15, p. 121-125, 2014. Disponível em:< http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2595- 31922018000400345&lang=pt. Acesso em: 20 maio 2024.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia científica. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
MELO, Géssika Araújo de et al. Possíveis repercussões da pandemia da COVID-19 em mulheres com fibromialgia: estudo longitudinal. BrJP, v. 5, p. 195-199, 2022. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2595- 31922022000300195&lang=pt. Acesso em: 27 março 2024.
MENEZES, Maria Mônica da Silva et al. Envolvimento do córtex somestésico primário na fibromialgia: revisão de estudos de neuroimagem. BrJP, v. 7, p. e20240002, 2024. Disponivel em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2595- 31922024000100401&lang=pt. Acesso em: 27 março 2024.
MONTEIRO, Érico Augusto Barreto; OLIVEIRA, Luciene de; OLIVEIRA, Walter Lisboa. Aspectos psicológicos da fibromialgia-revisão integrativa. Mudanças, v. 29, n. 1, p. 65-76, 2021. Disponivel em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0104- 32692021000100007&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt. Acesso em: 06 abril 2024.
OLIVEIRA JÚNIOR, José Oswaldo de; ALMEIDA, Mauro Brito de. O tratamento atual da fibromialgia. BrJP, v. 1, p. 255-262, 2018. Disponível em:< https://www.scielo.br/j/brjp/a/T9n84Yb3qy3xbsWfch4w5Ck/?lang=pt>. Acesso em: 18 março 2024.
OLIVEIRA, Julianna Pereira Ramos et al. O cotidiano de mulheres com fibromialgia e o desafio interdisciplinar de empoderamento para o autocuidado. Revista gaucha de enfermagem, v. 40, p. e20180411, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rgenf/a/9Hr3CCM7rLsqMvcGbk95MkM. Acesso em: 18 março 2024.
OLIVEIRA JÚNIOR, José Oswaldo de; RAMOS, Júlia Villegas Campos. Adesão ao tratamento da fibromialgia: desafios e impactos na qualidade de vida. BrJP, v. 2, p. 81- 87, 2019. Disponível em:https://www.scielo.br/j/brjp/a/CtNGZGCR6w5dFxMFJg58sdr/abstract/?lang=pt. Acesso em:18 março 2024.
RAMIRO, Fernanda de Souza et al. Investigação do estresse, ansiedade e depressão em mulheres com fibromialgia: um estudo comparativo. Revista Brasileira de Reumatologia, v. 54, p. 27-32, 2014. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0482- 50042014000100027&lang=pt. Acesso em: 09 abril 2024.
RIO GRANDE DO SUL-RS. SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE. DEPARTAMENTO DE ATENÇÃO PRIMÁRIA E POLÍTICAS DE SAÚDE. Nota Técnica Conjunta Nº 15/2023. Atenção ao Indivíduo com Fibromialgia nas Redes de Atenção à Saúde. Porto Alegre, 2023. Disponível em: https://atencaoprimaria.rs.gov.br/upload/arquivos/202312/13153632-nt-fibromialgia-final.pdf. Acesso em: 14 outubro 2024.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA. Fibromialgia. Cartilha para pacientes. Disponível em:file:///C:/Users/Lenovo/Downloads/CartilhaSBR- Fibromialgia%20(8)pdf. Acesso em: 30 maio 2024.
