CHALLENGES AND STRATEGIES IN TUBERCULOSIS TREATMENT: TERAPEUTIC ADHERENCE AND COMBATING DRUG RESISTANCE: LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511302230
Elayne Cristina Gomes da Silva Corrêa1
Isaila Maria Fernandes2
Nivea Maria Pereira Pinho3
MSc Frederico Augusto Rocha Neves4
Resumo
A tuberculose permanece como um dos maiores desafios de saúde pública mundial, caracterizando-se por altas taxas de incidência, mortalidade e pelo crescente problema da resistência medicamentosa. O tratamento envolve esquemas prolongados que exigem adesão rigorosa dos pacientes, fator essencial para alcançar a cura e interromper a cadeia de transmissão. No entanto, dificuldades socioeconômicas, efeitos adversos dos medicamentos e falhas no acompanhamento clínico contribuem para o abandono terapêutico, favorecendo o surgimento de cepas multirresistentes. Nesse cenário, a atuação do farmacêutico e de equipes multiprofissionais torna-se indispensável, seja no acompanhamento da terapia, na promoção do uso racional dos medicamentos ou na orientação ao paciente. Além disso, a incorporação de novos fármacos, como a bedaquilina, a delamanida e a linezolida, tem ampliado as possibilidades de tratamento da tuberculose resistente, embora ainda enfrente barreiras relacionadas ao acesso e à toxicidade. A literatura recente destaca a necessidade de estratégias integradas, envolvendo educação em saúde, monitoramento da adesão, fortalecimento das políticas públicas e ampliação do acesso a terapias inovadoras, como elementos fundamentais para o enfrentamento da tuberculose e da resistência medicamentosa.
Palavras-chave: Adesão terapêutica. Farmácia clínica. Resistência medicamentosa. Tuberculose. Tratamento farmacológico.
INTRODUÇÃO
A tuberculose é uma das doenças infecciosas mais antigas da humanidade e, ainda hoje, representa um dos maiores desafios à saúde pública mundial. Estima-se que, anualmente, milhões de pessoas sejam infectadas pelo Mycobacterium tuberculosis, configurando-se como uma das principais causas de morbimortalidade em diversos países, especialmente aqueles em desenvolvimento (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2020). Apesar dos avanços obtidos com a implementação de programas nacionais e internacionais de controle, a doença continua sendo uma preocupação global, sobretudo devido à elevada incidência em populações vulneráveis e à emergência da resistência medicamentosa (BRASIL, 2024).
O tratamento da tuberculose, baseado em esquemas combinados de antibióticos de primeira linha, apresenta elevada eficácia quando seguido corretamente. No entanto, a necessidade de uso prolongado, os efeitos adversos e as dificuldades socioeconômicas enfrentadas pelos pacientes contribuem significativamente para o abandono terapêutico (PRADIPTA et al., 2020 & ORLANDI et al., 2019). Esse fenômeno não apenas compromete a cura individual, mas também favorece a disseminação da doença e o surgimento de cepas resistentes, como a tuberculose multirresistente (TB-MDR) e a extensivamente resistente (TB XDR), que representam um grave obstáculo para os sistemas de saúde (SOEIRO, CALDAS & FERREIRA, 2022).
Diversos estudos apontam que a adesão terapêutica é um dos fatores mais críticos para o sucesso do tratamento da tuberculose. Estratégias como o acompanhamento multiprofissional, a promoção da educação em saúde e a atuação clínica do farmacêutico mostram-se fundamentais para aumentar a adesão e reduzir o risco de resistência (CONRADIE et al., 2022 & KHOSRAVI et al., 2024). Nesse sentido, a introdução de novos fármacos, como a bedaquilina, a delamanida e a linezolida, tem trazido perspectivas mais promissoras para o manejo da tuberculose resistente, embora ainda existam limitações relacionadas ao acesso, ao custo e à segurança desses medicamentos (LIU et al., 2023).
Diante desse cenário, torna-se evidente que a tuberculose ultrapassa uma simples questão clínica, configurando-se como um problema social, econômico e de saúde pública. O enfrentamento da doença depende não apenas da disponibilidade de medicamentos eficazes, mas também do fortalecimento de políticas públicas, da integração entre diferentes profissionais da saúde e do desenvolvimento de estratégias que assegurem maior adesão terapêutica e reduzam a resistência bacteriana.
Assim, este trabalho tem como objetivo analisar os desafios e estratégias relacionados ao tratamento da tuberculose, com ênfase na adesão terapêutica e no enfrentamento da resistência medicamentosa. A pesquisa se justifica pela relevância do tema, uma vez que compreender os fatores associados à baixa adesão, resistência aos medicamentos e às falhas terapêuticas pode contribuir para o aprimoramento das práticas clínicas e das políticas públicas voltadas ao controle da tuberculose, promovendo impactos positivos tanto para a saúde individual quanto coletiva.
1. REVISÃO DA LITERATURA
Fatores de barreira à adesão terapêutica
A adesão ao tratamento da tuberculose é um desafio complexo e multifatorial que envolve barreiras de ordem socioeconômica, geográfica, cognitiva, clínica e social. Em relação aos fatores econômicos, estudos recentes demonstram que o custo do deslocamento até as unidades de saúde, a perda de renda causada pela ausência no trabalho e a dificuldade de manter uma alimentação adequada impactam diretamente na continuidade do tratamento. Esses aspectos contribuem para a interrupção da terapia, sobretudo em populações em situação de vulnerabilidade social (ABAS et al., 2024).
Do ponto de vista geográfico, a distância entre a residência do paciente e os centros de tratamento, somada às dificuldades de transporte e às más condições de infraestrutura, tem se mostrado uma barreira significativa, principalmente em áreas rurais e periféricas. Esse fator agrava o risco de abandono terapêutico e dificulta a supervisão direta da administração dos medicamentos (HU et al., 2025).
Outro ponto relevante é o nível de conhecimento e compreensão do paciente acerca da doença e do tratamento. Muitos indivíduos abandonam a medicação ao perceberem melhora inicial dos sintomas, sem compreender a necessidade da continuidade do regime por, no mínimo, seis meses. A falta de clareza quanto à duração do tratamento e a baixa alfabetização em saúde estão entre os principais determinantes da não adesão (ABAS et al., 2024).
Os efeitos adversos relacionados ao esquema terapêutico também figuram como um dos maiores desafios. Náuseas, vômitos, hepatotoxicidade e neuropatias são queixas frequentes entre pacientes em uso de poliquimioterapia para tuberculose. Esses eventos, quando não monitorados e manejados de forma adequada, desestimulam o paciente a prosseguir com o tratamento (HU et al., 2025).
Por fim, fatores sociais e de apoio psicossocial são determinantes para a adesão. O estigma associado à doença, a discriminação e a falta de suporte familiar ou comunitário contribuem para o isolamento do indivíduo e reduzem sua motivação para seguir corretamente a terapêutica. Nesse sentido, a presença de redes de apoio tem se mostrado fundamental para o engajamento no tratamento, reforçando a necessidade de políticas públicas que contemplem não apenas a dimensão clínica, mas também a social da doença (HU et al., 2025 & ABAS et al., 2024).
Desafios relativos à resistência medicamentosa
A resistência medicamentosa na tuberculose representa uma das maiores ameaças à saúde pública global e está diretamente relacionada tanto ao abandono ou uso irregular da terapêutica quanto a fatores estruturais e biológicos. Nos últimos anos, tem-se observado um aumento significativo da resistência a fármacos de última geração, como a bedaquilina, utilizada no tratamento da tuberculose multirresistente (MDR-TB). Esse fenômeno preocupa especialistas devido à escassez de opções terapêuticas eficazes e à toxicidade elevada dos medicamentos alternativos (HU et al., 2025).
Outro desafio importante diz respeito à qualidade dos medicamentos distribuídos em alguns contextos de baixa e média renda. A circulação de fármacos falsificados ou de baixa qualidade compromete a eficácia do tratamento e favorece o desenvolvimento de resistência bacteriana. Estima-se que parte significativa dos medicamentos antituberculose disponíveis em determinados mercados não atende plenamente aos padrões de qualidade exigidos, representando um risco negligenciado para o controle global da doença (TEIXEIRA et al., 2021).
Além disso, a detecção tardia de casos resistentes é um fator agravante. A limitação no acesso a testes rápidos de sensibilidade aos medicamentos e a insuficiência de laboratórios com capacidade técnica adequada contribuem para o atraso na identificação de pacientes com tuberculose resistente. Essa demora aumenta a probabilidade de transmissão comunitária de cepas resistentes e dificulta a implementação precoce de terapias adequadas (SOEIRO; CALDAS & FERREIRA, 2022).
A utilização incorreta dos regimes terapêuticos, seja por prescrição inadequada, seja por erros de dispensação ou falta de acompanhamento contínuo, também se configura como um problema crítico. A introdução de esquemas mais curtos e menos tóxicos tem sido apontada como uma estratégia promissora, mas sua implementação ainda encontra barreiras em países com sistemas de saúde fragilizados (ABAS et al., 2024).
Portanto, o enfrentamento da resistência medicamentosa exige uma abordagem multifatorial que envolve o monitoramento da qualidade dos fármacos, o fortalecimento das redes laboratoriais, o acesso universal a testes rápidos de diagnóstico, além de políticas públicas eficazes que garantam a prescrição racional e o acompanhamento contínuo dos pacientes. O farmacêutico, nesse contexto, assume papel estratégico na vigilância, dispensação correta e orientação sobre o uso adequado dos medicamentos, contribuindo de forma ativa para reduzir o avanço da resistência (RANG et al., 2020).
Estratégias e intervenções promissoras
O enfrentamento dos desafios relacionados à adesão terapêutica e à resistência medicamentosa na tuberculose demanda a implementação de estratégias inovadoras e multidimensionais. Entre as abordagens mais recentes, destacam-se as tecnologias digitais aplicadas ao acompanhamento do tratamento. O uso de aplicativos móveis, lembretes via SMS e o acompanhamento por vídeo (video-DOT) têm demonstrado resultados positivos na promoção da adesão, permitindo monitoramento em tempo real e maior interação entre paciente e equipe de saúde (ABAS et al., 2024). Essas ferramentas têm a vantagem de reduzir barreiras geográficas e aumentar a autonomia do paciente, embora ainda encontrem obstáculos relacionados ao acesso desigual à internet e à alfabetização digital (MEIRA et al., 2025).
As estratégias de educação em saúde também se mostram fundamentais, uma vez que a compreensão adequada sobre a doença e o tratamento influencia diretamente na continuidade terapêutica. Programas de educação comunitária, aliados ao fortalecimento das redes de apoio familiar e social, têm sido eficazes em reduzir o estigma e ampliar o engajamento dos pacientes (NAIR et al., 2023). Nessas ações, o farmacêutico assume papel de destaque ao orientar sobre posologia, possíveis reações adversas e importância da regularidade do tratamento.
Outra intervenção com impacto relevante são os incentivos financeiros e sociais, como o fornecimento de auxílio transporte, cestas básicas ou compensações monetárias. Essas medidas têm demonstrado capacidade de reduzir as taxas de abandono, especialmente em populações em situação de vulnerabilidade socioeconômica (TÁVORA et al., 2021). Além disso, o suporte nutricional vem sendo apontado como estratégia complementar, considerando que a desnutrição é fator de risco para piora clínica e para a redução da eficácia do tratamento (HU et al., 2025).
No campo clínico, avanços também têm sido registrados com a introdução de regimes terapêuticos mais curtos e menos tóxicos, como os esquemas de seis a nove meses para casos de tuberculose multirresistente, aprovados em diversos países. Esses novos protocolos visam aumentar a adesão e reduzir a toxicidade, embora sua implementação ainda dependa de recursos financeiros e logísticos (RANG et al., 2020).
Diante disso, a combinação de intervenções tecnológicas, sociais e clínicas apresenta maior potencial de impacto, sobretudo quando articulada com políticas públicas de fortalecimento da atenção primária e da vigilância em saúde. Nesse cenário, a atuação do farmacêutico torna-se indispensável, tanto no acompanhamento individual dos pacientes quanto na elaboração e execução de estratégias coletivas de enfrentamento da tuberculose (NAIR et al., 2023).
Evidências quantitativas
As evidências quantitativas sobre adesão terapêutica na tuberculose reforçam a importância da regularidade no uso dos medicamentos para o alcance de desfechos clínicos favoráveis. Estudos de larga escala têm demonstrado que não apenas a quantidade total de doses perdidas, mas principalmente a forma como essas perdas ocorrem, influencia diretamente o sucesso do tratamento. Pacientes que interrompem a medicação em blocos consecutivos, ainda que por períodos curtos, apresentam risco significativamente maior de falha terapêutica e de desenvolvimento de resistência em comparação com aqueles que perdem doses de forma esporádica (HU et al., 2025).
Uma revisão sistemática recente analisou diferentes estratégias de comunicação para melhoria da adesão, incluindo lembretes eletrônicos, supervisão direta por vídeo (video-DOT) e intervenções comunitárias. Os resultados mostraram que a combinação entre dispositivos digitais e programas de educação em saúde resultou em aumento significativo das taxas de conclusão do tratamento, reduzindo em até 30% os casos de abandono (ABAS et al., 2024). Esse dado confirma a eficácia das tecnologias digitais quando aplicadas em conjunto com medidas de suporte social.
Outro ponto relevante está relacionado aos esquemas terapêuticos reduzidos. Estudos multicêntricos apontaram que protocolos mais curtos, de até nove meses para tuberculose resistente, apresentaram taxas de sucesso superiores aos regimes tradicionais mais longos, além de maior aceitabilidade entre os pacientes (TÁVORA et al., 2021). Esses achados sugerem que a simplificação terapêutica pode ser uma estratégia eficaz para aumentar a adesão, desde que acompanhada de monitoramento rigoroso e de disponibilidade dos medicamentos adequados.
Por fim, dados quantitativos também indicam que o suporte financeiro exerce papel decisivo na adesão. Uma meta-análise envolvendo populações de países de baixa e média renda mostrou que incentivos monetários e benefícios sociais aumentaram em até 20% a probabilidade de adesão completa ao tratamento (MEIRA et al., 2025). Esses resultados demonstram que a combinação de intervenções clínicas, sociais e tecnológicas é mais eficaz do que a aplicação isolada de qualquer uma delas.
Fármacos de primeira e segunda linha no manejo da tuberculose
O tratamento da tuberculose baseia-se em um regime padronizado de fármacos classificados em primeira e segunda linha, definidos conforme eficácia, toxicidade e resistência bacteriana. Os medicamentos de primeira linha constituem a base do tratamento por apresentarem maior potência e menor risco de toxicidade, sendo compostos principalmente por isoniazida, rifampicina, pirazinamida e etambutol. Estes fármacos atuam em diferentes mecanismos do metabolismo do Mycobacterium tuberculosis, proporcionando um efeito bactericida e esterilizante essencial para a cura e prevenção da resistência. Estudos recentes reforçam que a combinação destes medicamentos, utilizada de forma adequada, é responsável por altas taxas de sucesso terapêutico e redução da transmissibilidade da doença (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2020 & BRASIL, 2024).
A isoniazida e a rifampicina são consideradas os pilares do esquema básico, pela potente ação bactericida. A pirazinamida tem papel crucial na redução da duração do tratamento, uma vez que atua sobre bacilos em estado de latência. Já o etambutol, embora não seja bactericida potente, é utilizado como fármaco complementar para prevenir resistência, especialmente nos casos em que há risco aumentado de cepas resistentes (FOX et al., 2022).
Quando há falha terapêutica, abandono de tratamento ou resistência aos medicamentos de primeira linha, torna-se necessário recorrer aos fármacos de segunda linha. Esses incluem as fluoroquinolonas (como levofloxacino e moxifloxacino), aminoglicosídeos (amicacina e estreptomicina), além de novos agentes como bedaquilina, linezolida e delamanida. Apesar de mais eficazes contra cepas resistentes, os fármacos de segunda linha apresentam maiores riscos de toxicidade, custos mais elevados e maior complexidade de manejo clínico (MICHALIK et al., 2025).
O advento de novas moléculas, como a bedaquilina, marcou um avanço significativo no combate à tuberculose multirresistente (TB-MDR), oferecendo melhores desfechos clínicos e menor tempo de tratamento. No entanto, ainda existem desafios relacionados ao acesso, à disponibilidade e à incorporação destes medicamentos em programas de saúde pública. A literatura evidencia que o uso racional dos fármacos, aliado à adesão terapêutica, é fundamental para evitar a progressão da resistência e garantir a eficácia das estratégias de controle da doença (APPIAH et al., 2023).
Assim, o manejo da tuberculose exige não apenas a escolha adequada dos medicamentos de primeira e segunda linha, mas também políticas de monitoramento, acompanhamento farmacoterapêutico e integração entre os serviços de saúde, garantindo melhores resultados no enfrentamento desta doença de grande relevância epidemiológica.
Novos medicamentos no tratamento da tuberculose resistente
O surgimento de cepas multirresistentes (Mycobacterium tuberculosis resistentes à isoniazida e rifampicina) trouxe grandes desafios ao tratamento da tuberculose, exigindo o desenvolvimento e incorporação de novos fármacos. Entre os avanços mais significativos destacam-se a bedaquilina, a delamanida e a linezolida, que vêm sendo incorporadas em esquemas terapêuticos para tuberculose resistente e extensivamente resistente. Estes medicamentos apresentam mecanismos de ação diferenciados, maior eficácia contra cepas resistentes e têm sido fundamentais para melhorar o prognóstico clínico dos pacientes (WHO, 2020 & SEID, et al., 2025).
A bedaquilina atua inibindo a ATP sintase do bacilo, comprometendo a produção de energia essencial para sua sobrevivência. Sua introdução nos protocolos terapêuticos representou um marco, pois demonstrou potencial para reduzir a mortalidade e encurtar a duração do tratamento em casos de tuberculose multirresistente (BRASIL, 2020 & VARGAS, 2024). Já a delamanida age inibindo a síntese de componentes da parede celular micobacteriana, aumentando sua eficácia contra bacilos resistentes, sendo geralmente utilizada em associação com outros fármacos de segunda linha (BRASIL, 2020a).
A linezolida, por sua vez, pertencente à classe das oxazolidinonas, atua na inibição da síntese proteica bacteriana. Apesar de demonstrar elevada eficácia, seu uso ainda é limitado por efeitos adversos importantes, como mielossupressão e neuropatia periférica, o que exige monitoramento rigoroso e acompanhamento farmacoterapêutico (MAHMOUD & TAN, 2023).
Estudos recentes reforçam que a utilização combinada destes medicamentos inovadores aumenta as taxas de cura da tuberculose multirresistente e reduz o tempo de tratamento de 18–24 meses para esquemas mais curtos, de 6 a 9 meses em alguns casos. No entanto, a disponibilidade restrita, o alto custo e a necessidade de monitoramento especializado ainda representam barreiras para a ampla implementação em países endêmicos, como o Brasil (RAVAGNANI, 2023 & BRASIL, 2024).
Assim, os novos medicamentos oferecem um horizonte promissor no enfrentamento da resistência, mas seu uso deve estar aliado a estratégias de acesso ampliado, fortalecimento da adesão e monitoramento de efeitos adversos, garantindo que avanços farmacológicos resultem em impacto positivo no controle global da tuberculose.
2. METODOLOGIA
O presente trabalho caracteriza-se como uma revisão integrativa de literatura, de abordagem qualitativa e caráter exploratório-descritivo. Esse tipo de pesquisa foi escolhido por possibilitar a síntese de resultados de diferentes estudos publicados, permitindo maior compreensão sobre os desafios e as estratégias relacionadas ao tratamento da tuberculose, com ênfase na adesão terapêutica e no enfrentamento da resistência medicamentosa.
O universo da pesquisa compreendeu publicações científicas indexadas em bases de dados eletrônicas de relevância internacional, como SciELO, PubMed, LILACS e ScienceDirect. A seleção dos estudos foi realizada entre os meses de março e abril de 2025, utilizando-se descritores controlados dos vocabulários DeCS/MeSH, entre eles: “tuberculose”, “adesão terapêutica”, “resistência medicamentosa” e “tratamento farmacológico”, bem como suas correspondentes em inglês.
Como critérios de inclusão, foram selecionados artigos originais, revisões de literatura, diretrizes e documentos oficiais publicados entre 2015 e 2025, disponíveis na íntegra e em acesso gratuito, nos idiomas português e inglês. Foram excluídos editoriais, cartas ao editor, resumos de congresso, dissertações e teses não publicadas em periódicos indexados, além de estudos que não abordassem diretamente a temática proposta.
A amostra final da pesquisa foi constituída pelos estudos que atenderam rigorosamente aos critérios estabelecidos, sendo organizados em planilha eletrônica para análise. As informações extraídas incluíram dados sobre o ano de publicação, país de origem, objetivos, tipo de estudo, principais resultados e conclusões.
A análise dos dados foi conduzida por meio da leitura crítica e interpretação dos artigos, permitindo a categorização temática em dois eixos principais: (1) adesão terapêutica no tratamento da tuberculose e (2) estratégias de enfrentamento da resistência medicamentosa.
Os resultados foram sintetizados e discutidos de forma comparativa, buscando-se identificar convergências, divergências e lacunas do conhecimento.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A análise integrativa dos 25 artigos selecionados revelou que os principais desafios no tratamento da tuberculose envolvem a baixa adesão terapêutica, a resistência medicamentosa e as limitações estruturais dos sistemas de saúde, sobretudo em países de média e baixa renda. Esses fatores comprometem o controle da doença e a eficácia dos programas de tratamento. Segundo Brasil (2024), a adesão é um dos pilares fundamentais para o sucesso terapêutico, sendo indispensável a supervisão direta do tratamento e o apoio multiprofissional.
Em relação à adesão terapêutica, as evidências apontam que o abandono do tratamento está fortemente associado às condições socioeconômicas, ao desconhecimento sobre a doença e aos efeitos adversos dos medicamentos (SOEIRO; CALDAS & FERREIRA, 2022). Em muitos contextos, o estigma social e a falta de suporte familiar agravam o problema, levando o paciente a interromper o uso dos fármacos antes do término do regime prescrito (FERREIRA et al., 2021). Nesse sentido, estratégias que combinam educação em saúde, acompanhamento farmacêutico contínuo e intervenções psicossociais têm se mostrado eficazes para melhorar a continuidade do tratamento (PRADIPTA et al., 2020).
A implementação de tecnologias digitais, como aplicativos de monitoramento e mensagens automatizadas, também tem sido descrita como um avanço promissor na promoção da adesão. Estudo conduzido por LIU et al. (2023) demonstrou que o uso de ferramentas digitais para monitorar a tomada de medicamentos aumentou significativamente a taxa de conclusão terapêutica em pacientes com tuberculose em tratamento ambulatorial. Esse tipo de inovação é particularmente útil em regiões onde há déficit de profissionais e dificuldade de acesso às unidades básicas de saúde.
Outro ponto importante identificado foi o papel do farmacêutico clínico na condução do tratamento. Foz (2025) destaca que o profissional de farmácia atua não apenas na dispensação de medicamentos, mas também na orientação quanto ao uso correto, na identificação de reações adversas e no fortalecimento do vínculo com o paciente. Essa atuação reduz erros de administração e favorece a adesão, sendo essencial para garantir o uso racional dos fármacos.
No que diz respeito à resistência medicamentosa, os estudos analisados evidenciam um cenário de crescente preocupação global. A resistência às drogas antituberculose, principalmente à rifampicina e à isoniazida, tem sido impulsionada pelo uso inadequado dos medicamentos, prescrição incorreta e descontinuidade terapêutica (HU et al., 2025). Essa realidade é agravada pela circulação de fármacos falsificados e de baixa qualidade, principalmente em países com fiscalização sanitária insuficiente (ABAS et al., 2024). Tais produtos, quando administrados, comprometem o tratamento e favorecem a seleção de cepas resistentes.
Os avanços farmacológicos mais recentes incluem a incorporação de medicamentos como bedaquilina e delamanida nos protocolos de tratamento da tuberculose multirresistente. Conforme relatado pelo Ministério da Saúde, a bedaquilina foi oficialmente incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) após avaliação da CONITEC, reduzindo em até 70% o tempo de tratamento em casos resistentes. Da mesma forma, o uso da delamanida demonstrou potencial terapêutico significativo, contribuindo para melhores taxas de cura (BRASIL, 2020b).
Estudos internacionais corroboram esses achados. Conradie et al. (2022), em ensaio clínico publicado no New England Journal of Medicine, evidenciaram que regimes contendo bedaquilina e linezolida aumentaram substancialmente as taxas de sucesso terapêutico em pacientes com tuberculose resistente, com menor incidência de efeitos adversos graves. No entanto, a resistência emergente a novos medicamentos, como relatado por Khosravi et al. (2024), reforça a necessidade de monitoramento constante e uso racional dessas terapias.
A qualidade dos medicamentos permanece como fator crítico para o controle da doença. Segundo relatório da Vargas (2024), a distribuição de fármacos de qualidade duvidosa representa um risco negligenciado para o controle global da tuberculose, especialmente em regiões de vulnerabilidade social. A atuação do farmacêutico e da vigilância sanitária é, portanto, indispensável para assegurar a procedência e a integridade dos medicamentos disponibilizados ao paciente.
Além dos aspectos clínicos e farmacológicos, as políticas públicas de enfrentamento da tuberculose ainda enfrentam desafios relacionados à falta de integração entre os níveis de atenção à saúde e à fragmentação das ações de vigilância epidemiológica. Estudos de Meira (2025) & Mahmoud e Tan (2023) ressaltam que o êxito das estratégias globais de eliminação da tuberculose depende da implementação coordenada de políticas que priorizem a atenção primária, o diagnóstico precoce e o acompanhamento contínuo do paciente.
De modo geral, os resultados desta revisão indicam que o sucesso terapêutico na tuberculose depende de uma abordagem multifatorial e integrada, que envolva desde a capacitação das equipes de saúde até o uso racional de medicamentos e o fortalecimento das políticas públicas. Embora o desenvolvimento de novos fármacos represente um avanço considerável, o comprometimento dos pacientes e o acompanhamento farmacêutico constante continuam sendo determinantes para o controle efetivo da doença e a contenção da resistência medicamentosa.
Figura 1: Fluxograma de Prisma – Processo de seleção dos artigos utilizados.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O tratamento da tuberculose ainda enfrenta inúmeros desafios, principalmente relacionados à adesão terapêutica e ao surgimento da resistência medicamentosa. Fatores como condições socioeconômicas precárias, falta de informação e efeitos adversos dos medicamentos continuam sendo os principais motivos para o abandono do tratamento, comprometendo os resultados terapêuticos e a eficácia das políticas públicas de controle da doença.
O papel do farmacêutico destaca-se como essencial nesse contexto, pois sua atuação na orientação, dispensação e acompanhamento do uso correto dos fármacos contribui diretamente para o aumento da adesão e para o uso racional das terapias. A incorporação de novos medicamentos, como a bedaquilina e a delamanida, representa um avanço significativo no manejo da tuberculose resistente, reduzindo o tempo de tratamento e melhorando as taxas de cura.
Conclui-se que o enfrentamento eficaz da tuberculose requer uma abordagem integrada, que combine inovação farmacológica, políticas públicas eficientes e educação em saúde. A conscientização do paciente e o fortalecimento da atenção farmacêutica são fundamentais para garantir o controle da doença e minimizar o avanço da resistência bacteriana.
REFERÊNCIAS
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1Elayne Cristina Gomes da Silva Corrêa Discente do Curso Superior de Farmacia do Instituto Cosmopolita Campus Belém – Pará e-mail: elayne.correa@gmail.com
2Isaila Maria Fernandes Discente do Curso Superior de Farmacia do Instituto Cosmopolita Campus Belém – Pará e-mail: isailamariafernandes222@gmail.com
3Nivea Maria Pereira Pinho Discente do Curso Superior de Farmacia do Instituto Cosmopolita Campus Belém – Pará e-mail: niveamariapereirapinhomaria@gmail.com
4Frederico Augusto Rocha Neves Docente do Curso Superior de Farmácia do Instituto Cosmopolita Campus Belém – Pará. Mestre em Biomedicina (UFPA). e-mail: freddanlu@gmail.com
