DESAFIOS E POSSIBILIDADES DA INCLUSÃO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

CHALLENGES AND POSSIBILITIES OF INCLUSION IN EDUCATION SCHOOL PHYSICAL EDUCATION

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511300252


Lucas Tiago de Lima Pereira1
Vinicius Lima Caldas2
Orientadora: Eva Vilma Alves da Silva3


Resumo 

O presente artigo apresenta um estudo bibliográfico com o tema, “Desafios e Possibilidades da  Inclusão na Educação Física Escolar, A escolha deste tema se justifica pela necessidade de  refletir sobre como a Educação Física pode contribuir efetivamente para a inclusão de alunos  com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção e  Hiperatividade (TDAH). A investigação desta problemática é pautada pela relevância social e  educacional do tema, visto que a inclusão escolar não se limita ao acesso físico à sala de aula,  mas envolve a garantia da aprendizagem, da participação e do desenvolvimento integral de  todos os estudantes. O estudo teve como objetivos; Geral: Analisar, com base em pesquisa  bibliográfica, os desafios e possibilidades da inclusão de alunos com TEA e TDAH na  Educação Física escolar. Objetivos específicos: a) Identificar autores e teorias que tratam da  inclusão na Educação Física; b) Refletir sobre as políticas públicas que sustentam a educação  inclusiva; c) Discutir práticas pedagógicas inclusivas propostas na literatura. Para a  fundamentação teórica. Autores como Maria Teresa Eglér Mantoan (2015) e Paulo Freire  (1996) defendem que a inclusão é um processo de transformação das práticas pedagógicas,  exigindo uma postura crítica, reflexiva e dialógica dos educadores. A pesquisa é de cunho  qualitativo e caráter bibliográfico, fundamentando-se em livros, artigos científicos e  documentos oficiais que abordam a temática da inclusão na Educação Física escolar. O método  de análise é interpretativo, relacionando as ideias dos autores para entender como ocorre o  ensino-aprendizagem na Educação Inclusiva. 

Palavras-chave: Desafios e possibilidades, Educação Física, Inclusão escolar. 

1. INTRODUÇÃO 

A inclusão escolar apresenta-se como um dos grandes desafios e lacunas no processo  educativo contemporâneo. Na perspectiva da Educação Inclusiva é importante reconhecer as  desigualdades sociais nessa modalidade, e a garantia do acesso e permanência dos alunos no  ensino regular nas escolas e o atendimento às necessidades educacionais específicas dos  estudantes nessa condição. No contexto da Educação Física, essa temática ganha relevância  uma vez que a Educação Física enquanto componente curricular propõe o envolvimento do  corpo, o movimento e a socialização, aspectos fundamentais para o desenvolvimento integral  dos alunos. Segundo Lima (2010), são os professores que apontam as dificuldades desse  processo e expõem suas inquietações sobre a implementação eficaz da inclusão. A Constituição  Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente garantem a todos o direito a uma educação de  qualidade, assegurando que o acesso à escola seja acompanhado de condições reais de  aprendizagem. Essa garantia não se limita à matrícula, mas envolve a oferta de um processo  educativo capaz de promover o desenvolvimento integral dos estudantes, respeitando suas  necessidades, ritmos e singularidades.  

O interesse pela temática surgiu a partir das observações e leituras durante os estudos,  que foi possível compreender diferentes formas de inclusão no processo educativo. Neste  cenário e na perspectiva da Educação Inclusiva buscou-se realizar a pesquisa qualitativa de  caráter bibliográfico, que se fundamenta em livros, artigos científicos e documentos oficiais e  autores que abordam a temática da inclusão escolar. Gil (2015) reforça que o desafio da inclusão  na Educação Física está em “superar modelos excludentes de ensino e criar práticas  pedagógicas que valorizem a singularidade de cada aluno” (p. 32).  

A análise dos resultados foi feita a partir do método interpretativo, buscando relacionar  as ideias e contribuições dos autores de forma crítica e comparativa. Os objetivos da pesquisa  foram os seguintes: Objetivo geral: Analisar, com base em pesquisa bibliográfica, os desafios  e possibilidades da inclusão de alunos com TEA e TDAH na Educação Física escolar. Objetivos  específicos: a) identificar autores e teorias que tratam da inclusão na Educação Física; b) refletir  sobre as políticas públicas que sustentam a educação inclusiva; c) discutir práticas pedagógicas  inclusivas propostas na literatura.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA 

A proposta da educação inclusiva está amparada em legislações e Diretrizes nacionais  que asseguram o direito à aprendizagem de todos, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação  Nacional (LDB nº 9.394/1996), a Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da  Educação Inclusiva (2008) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2017). Essas normas  reafirmam o princípio da equidade e da valorização das diferenças como base para uma escola  democrática. Estudos de pesquisadores como Maria Teresa Eglér Mantoan (2015) e Paulo  Freire (1996) defendem que a inclusão é um processo de transformação das práticas  pedagógicas, exigindo uma postura crítica, reflexiva e dialógica. Em síntese, os estudos  convergem ao reconhecer que a inclusão na Educação Física escolar é um processo que exige  mudança de concepções, práticas e atitudes.  

Os desafios são muitos a falta de formação específica, barreiras estruturais e resistência  cultural, mas as possibilidades também são amplas, especialmente quando o professor assume  o compromisso de transformar a aula de Educação Física em um espaço de respeito, cooperação  e aprendizagem significativa para todos os educadores. Assim, compreender os desafios e as  possibilidades da inclusão na Educação Física torna-se essencial para promover um ensino que  respeite as singularidades dos estudantes e favoreça sua plena participação nas atividades  escolares.  

A investigação desta problemática é pautada pela relevância social e educacional do  tema, visto que a inclusão escolar não se limita ao acesso físico à sala de aula, mas envolve a  garantia da aprendizagem, da participação e do desenvolvimento integral de todos os  estudantes.  

Analisar os obstáculos enfrentados e as possibilidades existentes pode subsidiar práticas  pedagógicas mais inclusivas, além de contribuir para a formação de professores mais  preparados para lidar com a diversidade no contexto escolar. Esses estudantes, por vezes,  encontram barreiras físicas, metodológicas e atitudinais que dificultam sua participação em sala  de aula, o que reforça a importância de práticas pedagógicas adaptadas e inclusivas.  

O professor precisa estar preparado para lidar com a diversidade, compreender as  particularidades de cada aluno e propor estratégias que garantam a aprendizagem significativa  de todos os alunos. 

3. METODOLOGIA  

A pesquisa é de cunho qualitativa e caráter bibliográfico, fundamentando-se em livros, artigos científicos e documentos oficiais que abordam a temática da inclusão na Educação  Física escolar. O método de análise é interpretativo, buscando relacionar as ideias e  contribuições dos autores que tratam da temática de forma crítica e comparativa a fim de  compreender os processos de ensinagem dos alunos da Educação Inclusiva. Segundo Gil  (2019), a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído  principalmente por livros, artigos científicos e outros documentos acadêmicos.  

Com base nessa orientação, o desenvolvimento da pesquisa envolveu a análise de  dissertações produzidas nas Instituições de Ensino Superior brasileiras, localizadas no Banco  de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior  (CAPES) e na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD). Também foram  consultadas bases de dados como SciELO e Google Acadêmico, considerando um recorte  temporal dos últimos cinco anos, a fim de assegurar atualidade e relevância ao estudo. Como  critérios de inclusão, foram selecionadas obras e autores cujas produções abordam diretamente  a temática da inclusão na Educação Física. Como critério de exclusão, descartaram-se textos  que não apresentavam relação com o tema ou que tratavam a inclusão de forma superficial ou  fora do contexto escolar. Para direcionar a busca nas bases consultadas, foram utilizados os  descritores “Inclusão”, “Educação Física” e “Educação Inclusiva”, possibilitando uma triagem  mais precisa e alinhada aos objetivos da pesquisa. 

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

Os objetivos propostos na pesquisa para a obtenção dos resultados nortearam o diálogo  com outros pesquisadores, os objetivos específicos: a) Identificar autores e teorias que tratam  da inclusão na Educação Física; b) Refletir sobre as políticas públicas que sustentam a educação  inclusiva; c) Discutir práticas pedagógicas inclusivas propostas na literatura analisada. 

No quadro abaixo apresentamos a bibliografia analisada para obtenção dos resultados  da pesquisa na Tabela 01.  

Tabela 1: Obras, Artigos, Leis e publicações analisadas.

N° Título Autores Ano
01 O que é? Como fazer? MANTOAN, Maria Teresa Eglér 2015
02 Inclusão e avaliação na escola: de alunos  com necessidades educacionais especiaisBEYER, Hugo Otto 2016
03 A inclusão e a escolarização de alunos com  deficiência: o papel do professor e da escola.BAPTISTA, Cláudio Roberto 2015
04 Educação inclusiva: desafios e  possibilidades.GIL, Maria Fátima S 2018
05 Inclusão e Educação: doze olhares sobre a  educação inclusiva.RODRIGUES, David 2015
06 Base Nacional Comum Curricular (BNCC). MEC 2017
07 Estatuto da Criança e do Adolescente. 1990
08 Estatuto da Pessoa com Deficiência. 2015
09 Educação inclusiva: concepções de  professores e diretores.SANTANA, Izabella Mendes 2005
10 Inclusão escolar: concepções de professores  e alunos da educação regular especial.TESSARO, Nilza Sanches 2005
11 Inclusão: construindo uma sociedade para  todos.SASSAKI, Romeu Kazumi 2005
12 Inclusão escolar e educação física: desafios  na prática docente.SOUZA, Márcio; BOATO, Elisa 2015
13 Educação física inclusiva: percepções dos professores na educação básica.COSTA, Fernanda; SILVA, Simone 2016
14 Inclusão e participação de estudantes com  deficiência nas aulas de educação física.HERNANDEZ, Rita; BATISTA, André 2019
15 A formação de professores para a inclusão  escolar: dificuldades e perspectivas.GARCIA, Rosalba 2014
Fonte: Elaborado pelos autores

Nos estudos de Mantoan (2015) ele observa que a inclusão requer a superação do  paradigma da homogeneidade escolar, promovendo práticas pedagógicas que reconheçam e  valorizem as diferenças. A autora em seu livro intitulado “Inclusão escolar o que é? Por quê? E  como fazer?” destaca o processo de inclusão escolar com base em evidências empíricas  vivenciadas por ela. Expõe a importância de se perceber a diferença entre os processos de inclusão  que geralmente acontecem em escolas. 

No quadro acima relacionamos obras, artigos e documentos analisados como parte da  pesquisa bibliográfica a partir dos descritores, Educação Física escolar, inclusão, e práticas  pedagógicas inclusivas. A busca retornou 20 artigos que após a análise do resumo, foram  excluídos. Portanto, 15 obras, artigos e documentos foram utilizados nesta pesquisa. Foi possível alcançar os objetivos propostos. Os principais desafios da Educação Física Escolar são a  falta de práticas pedagógicas adequadas, falta de espaços físicos e as características dos alunos.  Além disso as contribuições apresentam-se na adaptação curricular através dos conteúdos das  aulas com base no lúdico, na adaptação de regras e na utilização de materiais didáticos de fácil  compreensão. 

Neste sentido, Mantoan (2015, p. 21), “os velhos paradigmas da modernidade  continuam sendo contestados, e o conhecimento, matéria-prima da educação escolar, mais do  que nunca, passa por uma reinterpretação”. Por esse viés a autora considera relevantes as  mudanças de paradigmas para o desenvolvimento do processo de inclusão escolar, para isto a  autora sinaliza reestruturar o modelo educativo, e reelaboração dos aspectos pedagógicos e  administrativos da escola, a formação do professor e pedagogia da diferença. 

Beyer (2016) complementa que no processo inclusivo deve partir do princípio de que  todos os alunos são capazes de aprender, cabendo ao educador buscar estratégias diversificadas  para favorecer o acesso e a permanência nas atividades. Paulo Freire (1996) destaca a  importância do diálogo, da escuta e do respeito à individualidade como pilares de uma educação  libertadora e inclusiva. A literatura aponta que a inclusão nas aulas de Educação Física envolve  muitos desafios, dentre eles a falta de formação específica dos professores, a escassez de  recursos pedagógicos adaptados que resultam em barreiras atitudinais no contexto escolar. 

Em relação às políticas públicas voltadas para a Inclusão de alunos com TEA e TDH na  Educação Física é importante destacar que a Constituição Federal em seus artigos 6º, 205, 206,  208, 211, 227 tratam, respectivamente,  

[…] dos direitos sociais, da educação, dos princípios da educação, do dever do Estado, do regime de colaboração e do dever da família, da sociedade e do Estado de assegurar os direitos da criança, do adolescente e do jovem, com absoluta prioridade, colocando os a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Brasil (1988) 

A BNCC (2017) reforça o papel da Educação Física na formação inclusão por isto a  investigação desta problemática se justifica pela relevância social e educacional do tema, visto  que a inclusão escolar não se limita ao acesso físico à sala de aula, mas envolve a garantia da  aprendizagem, da participação e do desenvolvimento integral de todos os estudantes.  

A Educação Inclusiva se distingue com uma política de justiça social que alcança alunos  com necessidades especiais, como estar explícito na Declaração de Salamanca:  

O princípio fundamental desta linha de ação é de que as escolas devem acolher todas as crianças independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras. Devem acolher crianças com deficiência e crianças bem-dotadas, crianças que vivem nas ruas e que trabalham, crianças de minorias linguística, étnicas ou culturais e crianças de outros grupos ou zonas desfavoráveis ou marginalizadas (1994, p. 17- 18) 

Diante dessa premissa, as políticas públicas de educação têm promovido o acolhimento  junto ao sistema de ensino o ingresso de todas as pessoas com necessidades especiais em idade  escolar. Diante dessas ações, ainda não se configuram processos de inclusão, pois existem  grupos que se encontram fora desse processo.  

A educação básica deve ser inclusiva, no sentido de atender a uma política de integração  dos alunos com necessidades educacionais especiais nas classes comuns dos sistemas de ensino.  Isso exige que a formação dos professores das diferentes etapas da educação básica inclua  conhecimentos relativos à educação desses alunos (BRASIL, PARECER CNE/CP 009/2001,  p.26) tema de ensino o ingresso de todas as pessoas em idade escolar. Tais esforços, nem sempre  vem se configurando, pois existem grupos que se encontram fora desse processo. 

As Diretrizes Curriculares Nacionais (BRASIL, 2001) para o sistema de ensino propõe  que: 

A educação básica deve ser inclusiva, no sentido de atender a uma política de integração dos alunos com necessidades educacionais especiais nas classes comuns dos sistemas de ensino. Isso exige que a formação dos professores das diferentes etapas da educação básica inclua conhecimentos relativos à educação desses alunos (BRASIL, PARECER CNE/CP 009/2001, p.26). 

Na perspectiva da legislação o atendimento a alunos com necessidades especiais,  deverão ser atendidos em classes comuns, no entanto para isso é necessário a formação dos  professores para atuarem nos espaços de atendimento a esta clientela. 

Por este viés, Nogueira (2000) expõe:  

[…] que os currículos de formação de professores, em sua grande maioria, possuem reduzida carga horária com informações sobre alunos com necessidades educacionais especiais, tornando-se desta forma difícil, senão impossível, que os professores consigam identificar e trabalhar eficientemente com estes alunos sem suas salas de  aula (NOGUEIRA, 2000, pg. 36). 

Assim, emerge a necessidade de políticas de formação continuada específica para  professores que atuam no âmbito das redes de ensino, ampliando a carga horária dos cursos nas  áreas de atuação dos professores especificamente aos professores de apoio escolar de alunos  portadores de necessidades especiais. 

A respeito das discussões sobre as práticas pedagógicas inclusivas, expõe as dificuldades  e possibilidades existentes no contexto escolar, assim como as práticas pedagógicas inclusivas.  Além disso, trazem contribuições que apontam para a formação de professores frente à diversidade no contexto escolar visando a participação integral dos sujeitos. Propondo  competências que envolvem o respeito às diferenças, o trabalho coletivo e a valorização da  diversidade corporal e cultural no processo educativo.  

Neste sentido Radmann e Pastoriza (2016) afirmam que ao falar da educação inclusiva  no ensino é importante para desmascarar a ideia de que educandos com necessidades não  conseguem compreender o conteúdo conceitual das aulas. Os estudos dos autores apontam, que  escolas brasileiras inserem alunos com necessidades especiais em salas de aulas, no entanto tal  ação não efetiva de fato a inclusão, uma vez que ainda prevalece somente a “inclusão” da  criança no espaço escolar. 

Com base na revisão da literatura, os autores de livros no recorte temporal dos últimos  10 (dez) anos conclui-se que os principais desafios da inclusão na Educação Física escolar estão  relacionados à formação docente, à ausência de recursos adequados e à necessidade de mudança  de concepção sobre o ensino e a aprendizagem. Porém, as possibilidades de melhorias nesta  modalidade também tornam evidentes as possíveis soluções para a problemática pesquisada.  Para isso apontamos as medidas a seguir: a adoção de metodologias participativas, a  flexibilização das atividades e o fortalecimento de uma postura docente acolhedora e reflexiva  podem transformar a realidade das aulas. Para Tessaro (2005). 

“Muito empreendimento ainda se faz necessário no sistema educacional público e privado, para que o processo integrativo possa se concretizar e trazer benefícios reais e duradouros às pessoas com necessidades educativas especiais. Embora a inclusão escolar seja contemplada em lei e tenha como meta recuperar toda uma história de segregação, isolamento, discriminação e preconceito, sua prática está longe desse ideal. O que se tem são professores assustados, amedrontados, inseguros, despreparados, portanto, incapacitados para exercer tal função.”  

Neste sentido a inclusão, portanto, não se limita à presença física do aluno com  deficiência ou transtorno, mas implica garantir sua participação ativa, aprendizagem  significativa e valorização como sujeito de direitos. Fortalecer a formação dos professores e  promover o diálogo entre teorias e prática são caminhos essenciais para construir uma Educação  Física escolar realmente inclusiva. 

Tessaro (2005) em sua pesquisa destacou “que a maioria dos alunos sem necessidades  educativas especiais vê a inclusão escolar de forma positiva, apesar das dificuldades sociais envolvidas”. Neste sentido, observa-se que a inclusão escolar principalmente nos espaços  educativos torna-se um fato pertinente para a consolidação das garantias do direito da pessoa  com necessidades especiais. Uma vez que nas aulas de Educação Física os alunos interagem  por meio das brincadeiras e movimentos corporais. 

Sassaki (2002), endossa: “A escola deve ser preparada para todos os alunos, adaptando  métodos, ambientes e atitudes, e não apenas esperar que o aluno se adapte.” Neste prisma a  educação física escolar nos depende diretamente da intervenção dos governantes através de  políticas públicas que atenda de forma eficaz com melhorias das estruturas de escolas, e da  formação continuada de professores que atuam nesta modalidade de ensino. 

5. CONCLUSÃO 

Após os estudos e a realização da presente pesquisa bibliográfica, conclui-se que a  construção de uma escola inclusiva, especialmente nas aulas de Educação Física, ainda é um  processo lento. Embora existam políticas que garantam o ingresso de alunos com necessidades  especiais, o acesso real e a permanência efetiva continuam limitados. A inclusão exige mais do  que presença física: requer aprendizagem, participação e desenvolvimento integral, algo ainda  dificultado pela formação docente insuficiente e pela falta de infraestrutura. 

Mesmo assim, práticas pedagógicas lúdicas, cooperativas e fundamentadas em uma  postura crítica mostram que a transformação é possível. Para que a Educação Física se torne  um espaço de justiça social, é necessário investir em formação continuada, adaptações estruturais e recursos adequados. A inclusão plena ainda está em construção, mas deve ser  perseguida com prioridade para garantir os direitos das pessoas com deficiência no contexto  escolar. 

REFERÊNCIAS 

BAPTISTA, Cláudio Roberto. A inclusão e a escolarização de alunos com deficiência: o  papel do professor e da escola. Porto Alegre: Mediação, 2015.

BEYER, Hugo Otto. Inclusão e avaliação na escola: de alunos com necessidades  educacionais especiais. Petrópolis: Vozes, 2016. 

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada  em 5 de outubro de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 2025. Disponível em:  https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao.htm. Acesso em: 25 out. 2025. 

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017. 

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB n.º 9.394/1996. Brasília:  MEC, 1996. 

BRASIL. Lei n.º 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da  Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Disponível em:  http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm. Acesso em: 5 nov.  2025. 

BRASIL. Lei n.º 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do  Adolescente. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm. Acesso  em: 3 nov. 2025. 

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São  Paulo: Paz e Terra, 1996. 

GIL, Maria Fátima S. Educação inclusiva: desafios e possibilidades. São Paulo: Cortez,  2018. 

LIMA, H. T. S. O papel do professor no contexto inclusivo: uma reflexão a partir da  teoria de subjetividade. E-Revista Facitec, v. 4, n. 1, 2010. 

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? por quê? como fazer? São  Paulo: Moderna, 2003. 

NASCIMENTO, Everton Severino do. Educação Física inclusiva no ambiente escolar:  possibilidades e desafios. Recife: O autor, 2022. 

NOGUEIRA, M. L. de L. O fazer psicopedagógico com portadores de altas habilidades.  In: CONGRESSO BRASILEIRO DE PSICOPEDAGOGIA, 5., 2000, São Paulo. Resumo.  São Paulo: Mackenzie, 2000. p. 36. 

RADMANN, Tatiane; PASTORIZA, Bruno dos Santos. Educação inclusiva no ensino de  Química. Florianópolis, 25 a 28 jul. 2016. 

RODRIGUES, David. Inclusão e educação: doze olhares sobre a educação inclusiva. São  Paulo: Summus, 2006. 

SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. Rio de  Janeiro: WVA, 2003. 

TESSARO, Nilza Sanches. Inclusão escolar: concepções de professores e alunos da  educação regular e especial. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2005.

UNESCO. Declaração de Salamanca e Enquadramento da Ação na Área das  Necessidades Educativas Especiais. Salamanca: UNESCO, 1994.


1Discente do Curso Superior de Educação Física: Licenciatura, Lucas Tiago de Lima Pereira da Universidade  Metropolitana Fametro. E-mail: Lcastiago@gmail.com
2Discente do Curso Superior de Educação Física: Licenciatura, Vinicius Lima Caldas da Universidade  Metropolitana Fametro. E-mail: viniciuslc17032004@gmail.com
3Docente do Curso Superior de Educação Física, Eva Vilma Alves da Silva da Universidade Metropolitana  Fametro. Mestre em Ciências do Movimento Humano. E-mail: eva.silva@fametro.edu.br