REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511212255
Mel Louise Guimarães Brito
Orientador: Marcelo O’Donnell Krause
Coorientadora: Ana Paula Adry de Oliveira Costa
RESUMO
O presente estudo teve como objetivo analisar a importância da mamografia no diagnóstico precoce do câncer de mama, destacando sua eficácia na redução da mortalidade e os desafios enfrentados em sua implementação no Brasil. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e qualitativa, baseada em publicações científicas, diretrizes institucionais e dados oficiais de órgãos como o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os resultados demonstram que a mamografia é o método mais eficaz para o rastreamento e a detecção precoce do câncer de mama, podendo reduzir em até 30% os óbitos quando realizada regularmente. A atualização das diretrizes do Ministério da Saúde em 2025, que ampliou o acesso ao exame a partir dos 40 anos, representa um avanço importante na prevenção e no diagnóstico precoce. Contudo, persistem desafios relacionados à desigualdade no acesso, à falta de profissionais capacitados e às barreiras socioculturais. Conclui-se que o fortalecimento das políticas públicas, aliado à educação em saúde e à ampliação da cobertura mamográfica, é essencial para reduzir a mortalidade e promover uma maior qualidade de vida às mulheres.
Palavras-chave: Mamografia. Câncer de mama. Diagnóstico precoce. Rastreamento. Saúde da mulher.
ABSTRACT
This study aimed to analyze the importance of mammography in the early diagnosis of breast cancer, highlighting its effectiveness in reducing mortality and the challenges faced in its implementation in Brazil. It is a bibliographic and qualitative research, based on scientific publications, institutional guidelines, and official data from organizations such as the National Cancer Institute (INCA) and the World Health Organization (WHO). The results demonstrate that mammography is the most effective method for screening and early detection of breast cancer, potentially reducing deaths by up to 30% when performed regularly. The update of the Ministry of Health guidelines in 2025, which expanded access to the examination from the age of 40, represents an important advance in prevention and early diagnosis. However, challenges related to inequality in access, lack of trained professionals, and sociocultural barriers persist. It is concluded that strengthening public policies, combined with health education and expanding mammography coverage, is essential to reduce mortality and promote a higher quality of life for women.
Keywords: Mammography. Breast cancer. Early diagnosis. Screening. Women’s health.
1. INTRODUÇÃO
O câncer de mama é, atualmente, a neoplasia maligna mais incidente entre as mulheres em todo o mundo, constituindo-se como uma das principais causas de mortalidade feminina. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 2,3 milhões de novos casos foram diagnosticados em 2023, resultando em aproximadamente 685 mil óbitos atribuídos à doença (OMS, 2023).
Nesse cenário, a mamografia destaca-se como o principal exame de imagem utilizado no rastreamento do câncer de mama, por possibilitar a detecção precoce de lesões suspeitas, mesmo na ausência de sintomas clínicos. Trata-se de uma tecnologia não invasiva, de custo relativamente baixo e amplamente reconhecida por sua eficácia na redução da mortalidade pela doença. Segundo o INCA (2024), a mamografia periódica pode reduzir em até 30% os óbitos por câncer de mama, quando realizada de forma adequada e dentro das faixas etárias recomendadas.
Em 2025, o Ministério da Saúde atualizou as diretrizes para o rastreamento do câncer de mama no Brasil, passando a recomendar o acesso à mamografia a partir dos 40 anos de idade, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Essa ampliação permite que mulheres entre 40 e 49 anos realizem o exame mesmo sem sintomas, mediante decisão compartilhada entre a paciente e o profissional de saúde, com base na avaliação dos benefícios e riscos do procedimento. A mudança se fundamenta em dados que indicam que aproximadamente 23% dos casos de câncer de mama no país ocorrem nessa faixa etária. Apesar disso, o rastreamento populacional sistemático permanece indicado prioritariamente para mulheres de 50 a 74 anos, com periodicidade bienal, conforme os padrões de saúde pública vigentes (Brasil, 2025).
Contudo, apesar das orientações estabelecidas, diversos fatores ainda dificultam a adesão ao exame, tais como barreiras socioeconômicas, falta de informação, medo e dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
Ademais, a ausência de sintomas nas fases iniciais da doença ressalta a importância de campanhas de conscientização, como o movimento Outubro Rosa, que tem por objetivo promover o autocuidado e estimular a realização periódica da mamografia. Assim, a eficácia do rastreamento mamográfico depende não apenas da tecnologia disponível, mas também da implementação de políticas públicas efetivas e de ações educativas que ampliem o acesso e a adesão da população feminina ao exame.
Diante desse contexto, este trabalho tem como objetivo analisar a importância da mamografia no diagnóstico precoce do câncer de mama, evidenciando seus benefícios clínicos, os desafios enfrentados em sua implementação e a relevância das políticas públicas e campanhas educativas na promoção do rastreamento e na redução da mortalidade por essa neoplasia.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Mamografia
A mamografia é um exame de imagem que utiliza baixas doses de raios-X para obter imagens detalhadas do tecido mamário. É considerado o principal método de rastreamento e diagnóstico precoce do câncer de mama, especialmente em mulheres com mais de 40 anos. O procedimento é relativamente rápido e consiste na compressão das mamas entre duas placas para espalhar o tecido e obter imagens mais nítidas (Migowski et al., 2018).
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA, 2024), “a mamografia é o único exame cuja aplicação em programas de rastreamento apresenta eficácia comprovada na redução da mortalidade por câncer de mama”.
A eficácia da mamografia está relacionada à sua capacidade de detectar alterações milimétricas no tecido mamário antes que sejam palpáveis. Estudos demonstram que a detecção precoce por meio da mamografia aumenta consideravelmente as chances de sucesso no tratamento e diminui a necessidade de intervenções agressivas (Alkmim et al., 2024).
Para padronizar a interpretação dos achados mamográficos e facilitar a comunicação entre os profissionais de saúde, utiliza-se o sistema BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System), desenvolvido pelo Colégio Americano de Radiologia (ACR). Esse sistema classifica os resultados das mamografias em categorias que variam de 0 a 6, indicando desde a necessidade de exames complementares até a confirmação histopatológica de malignidade. O uso do BI-RADS aprimora a qualidade dos laudos, reduz erros diagnósticos e contribui para a tomada de decisões clínicas mais seguras, sendo amplamente adotado em programas de rastreamento e diagnóstico do câncer de mama (ACR, 2013).
Quadro 1 – Resultados categoria BI-RADS®

Figura 1 – Aparelho de mamografia com posicionamento do paciente e incidência crânio-caudal do feixe de raios X

2.2 Diagnóstico Precoce Do Câncer De Mama
O diagnóstico precoce do câncer de mama é uma das estratégias mais eficazes para reduzir a mortalidade pela doença. Ele consiste na identificação de sinais e sintomas em estágios iniciais, antes que o câncer atinja dimensões avançadas ou se espalhe para outros órgãos. Quanto mais cedo a doença é detectada, maiores são as chances de cura e menores são as necessidades de tratamentos agressivos (Migowski et al., 2018).
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA, 2024), o diagnóstico precoce se dá por meio de duas abordagens principais: a investigação clínica de alterações suspeitas nas mamas e a realização de exames de rastreamento, como a mamografia. A mamografia é especialmente recomendada para mulheres com idade entre 50 e 69 anos, a cada dois anos, mesmo na ausência de sintomas.
Além da mamografia, o exame clínico das mamas (realizado por profissionais da saúde) e o autoconhecimento corporal — onde a mulher percebe alterações nas suas mamas — são fundamentais para a detecção precoce. Em muitos casos, o diagnóstico precoce permite o tratamento com técnicas menos invasivas e com melhores índices de recuperação (Facina, 2016).
Estudos apontam que países com programas organizados de rastreamento populacional apresentam maiores taxas de detecção precoce e, consequentemente, maior sobrevida das pacientes diagnosticadas (Batista et al., 2021). No Brasil, embora haja avanços, ainda existem desafios em relação à cobertura dos programas de rastreamento e ao acesso aos serviços de saúde, especialmente em regiões mais vulneráveis.
2.3 Desafios Para Realização Da Mamografia
Embora a mamografia seja um exame fundamental para o diagnóstico precoce do câncer de mama, sua realização no Brasil enfrenta diversos desafios que comprometem a eficácia dos programas de rastreamento. Esses desafios envolvem tanto questões estruturais quanto socioeconômicas, afetando principalmente as mulheres de regiões mais vulneráveis e com menor acesso a serviços de saúde de qualidade.
Um dos principais obstáculos é a distribuição desigual dos serviços de saúde no país. O acesso à mamografia é frequentemente restrito às grandes cidades e centros urbanos, enquanto as regiões mais afastadas e as áreas rurais enfrentam dificuldades significativas, como a escassez de equipamentos especializados e falta de profissionais capacitados (Facina, 2016). Segundo Migowski et al. (2018), “a falta de mamógrafos nas unidades de saúde e a distância das mulheres em relação aos centros de diagnóstico resultam em uma cobertura insuficiente dos programas de rastreamento, especialmente nas zonas rurais e periferias”.
Além disso, a cultura de subnotificação e a falta de informação sobre a importância da mamografia também são fatores que contribuem para a resistência de muitas mulheres ao exame. Estudos apontam que, mesmo com o acesso ao exame garantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), muitas mulheres não realizam a mamografia devido a medo, desconhecimento ou falta de incentivo por parte dos profissionais de saúde (Batista et al., 2021).
Outro grande desafio é o tempo de espera para realização do exame e, em alguns casos, para o diagnóstico posterior. De acordo com o INCA (2024), a dificuldade no agendamento e nos prazos de resposta aumentam a ansiedade e a demora no início do tratamento, comprometendo o prognóstico das pacientes.
Por fim, o financiamento e a gestão pública também são barreiras a serem enfrentadas. O INCA (2024) destaca que, embora a mamografia seja parte dos programas nacionais de rastreamento, a insuficiência de recursos e a sobrecarga dos serviços públicos de saúde dificultam a expansão e a continuidade desses programas de maneira eficiente.
Portanto, para melhorar o acesso e a efetividade da mamografia no Brasil, é essencial um planejamento mais robusto, que inclua a expansão da infraestrutura de saúde, o treinamento contínuo de profissionais, a educação em saúde e o reforço no financiamento e na gestão desses programas (Facina, 2016).
2.4 Câncer De Mama
O câncer de mama é uma das principais causas de morte por câncer em mulheres em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o câncer de mama é responsável por cerca de 25% de todos os casos de câncer em mulheres e representa 15% das mortes por câncer no sexo feminino globalmente. No Brasil, é a neoplasia mais comum entre as mulheres, sendo também a principal causa de morte por câncer no país, com uma estimativa de 66.280 novos casos em 2025 (INCA, 2024).
O câncer de mama é uma neoplasia maligna que se desenvolve a partir de alterações celulares nos tecidos mamários. Embora muitas vezes seja assintomático em seus estágios iniciais, é essencial conhecer os sinais e sintomas mais comuns para favorecer o diagnóstico precoce e, consequentemente, melhores prognósticos (INCA, 2024).
O desenvolvimento do câncer de mama é influenciado por diversos fatores, sendo que alguns são modificáveis e outros, não. Fatores genéticos, como a presença de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, estão diretamente relacionados ao aumento do risco de desenvolver a doença, podendo elevar o risco em até 80% (INCA, 2024). Além disso, o histórico familiar de câncer de mama e a idade avançada são fatores de risco bem estabelecidos, com a incidência da doença aumentando consideravelmente após os 50 anos.
Outros fatores de risco incluem exposição a hormônios, como no uso prolongado de terapia hormonal para a menopausa, obesidade, sedentarismo, e consumo excessivo de álcool. A alimentação inadequada, o tabagismo e a falta de atividade física também são associados a um aumento do risco (OMS, 2023).
2.4.1 Sintomatologia
O câncer de mama muitas vezes não apresenta sintomas em suas fases iniciais, o que destaca a importância do diagnóstico precoce. Quando os sintomas começam a aparecer, os mais comuns incluem: nódulos mamários persistentes, lesões eczematosas que não melhoram com tratamentos tópicos, inchaço mamário progressivo, pele avermelhada com aspecto de casca de laranja, retração na pele da mama, secreção sanguinolenta unilateral, alteração no formato do mamilo e presença de nódulos axilares (SCBO, 2022).
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA, 2024), “a maioria dos nódulos não é cancerosa, mas todo nódulo deve ser avaliado por um profissional de saúde”. Essa avaliação precoce é crucial, uma vez que, quando detectado em fases iniciais, o câncer de mama tem taxas elevadas de cura.
A conscientização da população sobre os sintomas e sinais clínicos da doença é um dos pilares das campanhas de prevenção e rastreamento. É por isso que, além da mamografia, o conhecimento sobre a própria mama e suas mudanças — prática conhecida como autoconhecimento mamário — tem ganhado espaço nas orientações de saúde pública (Facina, 2016).
2.5 Campanhas De Conscientização
As campanhas de conscientização são fundamentais para promover o conhecimento sobre o câncer de mama e incentivar a detecção precoce da doença. Dentre essas campanhas, o Outubro Rosa é a mais reconhecida globalmente. O movimento surgiu nos Estados Unidos, na década de 1990, e rapidamente se expandiu para diversos países, incluindo o Brasil, como uma estratégia de mobilização social voltada à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer de mama (INCA, 2024).
O Instituto Nacional de Câncer (INCA), em parceria com o Ministério da Saúde, tem adotado ações anuais durante o mês de outubro com o objetivo de informar a população sobre os fatores de risco, sintomas, formas de prevenção e a importância da realização da mamografia como exame essencial para o rastreamento da doença. De acordo com o INCA (2023), campanhas como o Outubro Rosa têm contribuído significativamente para o aumento do número de exames realizados e para a disseminação de informações confiáveis sobre o câncer de mama.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) (2023), a conscientização pública e o acesso aos serviços de saúde são pilares essenciais para reduzir a mortalidade por câncer de mama, especialmente em países em desenvolvimento, onde ainda existem barreiras importantes ao diagnóstico precoce. A OMS destaca que campanhas como o Outubro Rosa têm um papel crucial ao atingir populações diversas, promovendo a equidade no acesso à informação e ao cuidado com a saúde.
Além de promover a educação em saúde, o Outubro Rosa também tem importante função simbólica e social. Edifícios públicos, monumentos e instituições são iluminados com a cor rosa, e empresas, escolas e unidades de saúde realizam eventos educativos, rodas de conversa, exames gratuitos e distribuição de materiais informativos. Essa mobilização coletiva fortalece a visibilidade da causa e amplia o alcance das mensagens de prevenção.
Entretanto, especialistas como Facina (2016) alertam para a necessidade de que essas campanhas não sejam apenas simbólicas, mas que estejam integradas a políticas públicas efetivas, garantindo acesso real aos exames, diagnóstico e tratamento oportuno, especialmente para as populações mais vulneráveis.
3. MATERIAL E MÉTODOS
Este trabalho caracterizou-se como uma pesquisa do tipo bibliográfica e qualitativa. De acordo com Lakatos e Marconi (2003), a pesquisa bibliográfica “é elaborada com base em material já publicado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”. A escolha dessa metodologia justificou-se pela necessidade de reunir, analisar e interpretar criticamente as contribuições teóricas já existentes sobre a temática do câncer de mama e a importância da mamografia no diagnóstico precoce.
A pesquisa foi desenvolvida por meio da análise de materiais científicos disponíveis em bases de dados reconhecidas, como SciELO, PubMed, Google Acadêmico e documentos institucionais do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Foram priorizados artigos publicados entre os anos de 2016 e 2024, utilizando palavras-chave como: “mamografia”, “câncer de mama”, “diagnóstico precoce”, “rastreamento” e “campanhas de conscientização”. Após a coleta, os materiais foram lidos na íntegra, avaliando-se a relevância, a atualidade e a contribuição científica de cada fonte.
A abordagem adotada foi qualitativa, pois buscou compreender, por meio da análise de conteúdo, os principais fatores que interferem na adesão à mamografia e os benefícios clínicos do diagnóstico precoce. Segundo Minayo (2001), a pesquisa qualitativa “responde a questões muito particulares, pois trabalha com o universo dos significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos”. O objetivo não é quantificar dados, mas sim refletir criticamente sobre os achados disponíveis na literatura, identificando os desafios, avanços e lacunas ainda existentes nas estratégias de rastreamento do câncer de mama no Brasil.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados obtidos a partir da revisão bibliográfica evidenciam que a mamografia é o método mais eficaz para o rastreamento e o diagnóstico precoce do câncer de mama, apresentando impacto significativo na redução da mortalidade feminina. Estudos apontam que o uso sistemático da mamografia pode reduzir em até 30% o número de óbitos relacionados à doença, desde que realizada dentro das faixas etárias e da periodicidade recomendadas (INCA, 2024).
No Brasil, observa-se um avanço nas políticas públicas voltadas à ampliação do acesso a esse exame, especialmente após a atualização do Ministério da Saúde em 2025, que passou a permitir a realização da mamografia a partir dos 40 anos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mediante decisão compartilhada entre paciente e profissional de saúde (BRASIL, 2025). Essa mudança representa um marco importante na detecção precoce, considerando que cerca de 23% dos casos de câncer de mama ocorrem em mulheres de 40 a 49 anos (Agência Brasil, 2025). A ampliação do acesso tende a favorecer diagnósticos em fases iniciais, quando o tratamento apresenta maiores taxas de sucesso e menor necessidade de procedimentos invasivos. Contudo, o Instituto Nacional de Câncer (INCA, 2025) ressalta que o rastreamento sistemático continua sendo recomendado prioritariamente para mulheres de 50 a 74 anos, de forma bienal, por apresentar melhor relação custo-benefício e menores riscos de sobrediagnóstico.
Apesar dos avanços, persistem desafios significativos para a efetivação das políticas de rastreamento no país. A desigualdade na distribuição dos equipamentos de mamografia, a carência de profissionais capacitados e o tempo prolongado entre o exame e o diagnóstico definitivo comprometem a efetividade dos programas públicos (Migowski et al., 2018). Além disso, fatores socioculturais, como o medo, o desconhecimento e o estigma em torno do câncer de mama, ainda reduzem a adesão de muitas mulheres ao exame (Batista et al., 2021).
Tabela 1 – Principais desafios ao acesso à mamografia no Brasil

A tabela 1 apresenta uma síntese das principais barreiras que dificultam o acesso das mulheres à mamografia no Brasil, evidenciando que os desafios vão além dos aspectos estruturais e envolvem também fatores socioeconômicos, culturais e institucionais. As barreiras estruturais referem-se à distribuição desigual dos serviços de saúde, com carência de mamógrafos e profissionais capacitados, especialmente nas regiões Norte e Nordeste do país, o que resulta em cobertura insuficiente e longos deslocamentos para a realização do exame (Migowski et al., 2018).
As barreiras socioeconômicas estão relacionadas às desigualdades de renda, transporte e escolaridade, que limitam o acesso das mulheres de baixa renda aos serviços de diagnóstico. Muitas vezes, essas dificuldades são agravadas pela falta de campanhas educativas permanentes que estimulem a adesão ao rastreamento (Facina, 2016).
Já as barreiras culturais envolvem o medo, a vergonha e o desconhecimento sobre o exame, bem como o estigma associado ao diagnóstico de câncer, fatores que contribuem para a não realização da mamografia mesmo quando ela é ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, as barreiras institucionais, como a demora no agendamento e na entrega dos resultados, interferem diretamente no diagnóstico precoce e podem impactar negativamente o prognóstico das pacientes (OMS, 2023).
Dessa forma, observa-se que o enfrentamento dessas barreiras exige uma abordagem multidimensional, que combine investimentos em infraestrutura, capacitação profissional, ações de educação em saúde e estratégias de gestão mais eficientes. O fortalecimento das políticas públicas e a integração entre os diferentes níveis de atenção à saúde são fundamentais para garantir o acesso equitativo à mamografia e, consequentemente, reduzir a mortalidade por câncer de mama no Brasil.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo permitiu concluir que a mamografia é o método mais eficaz para o rastreamento e o diagnóstico precoce dessa doença, sendo capaz de detectar alterações milimétricas no tecido mamário antes do surgimento de sintomas clínicos. Essa detecção precoce é fundamental para o sucesso do tratamento e para a redução significativa da mortalidade associada ao câncer de mama.
Entretanto, os resultados também indicam que persistem desafios que comprometem a efetividade dos programas de rastreamento no país. Entre eles, destacam-se as desigualdades regionais no acesso aos serviços de saúde, a escassez de equipamentos e profissionais capacitados, além de barreiras socioeconômicas e culturais que dificultam a adesão das mulheres ao exame. Diante disso, torna-se indispensável o fortalecimento das políticas públicas, com investimentos em infraestrutura, capacitação profissional e ações educativas permanentes.
Assim, o presente estudo evidencia que o êxito das estratégias de detecção precoce depende não apenas da disponibilidade tecnológica, mas também da conscientização da população e da efetiva integração entre ações de prevenção, diagnóstico e tratamento. A mamografia, quando realizada de forma acessível e orientada por evidências científicas, mantém-se como uma ferramenta indispensável na luta contra o câncer de mama, reafirmando sua importância para a promoção da saúde da mulher e para a redução da mortalidade por essa neoplasia.
REFERÊNCIAS
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