ZOONOSES FÚNGICAS EM AMBIENTES ESCOLARES: AMEAÇA OCULTA REPRESENTADA POR FEZES DE POMBOS CONTAMINADAS COM CRYPTOCOCCUS SP.

FUNGAL ZOONOSES IN SCHOOL ENVIRONMENTS: A HIDDEN THREAT REPRESENTED BY PIGEON FECES CONTAMINATED WITH CRYPTOCOCCUS SP.

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202511212249


Gabriela de Castro Silva¹
Alice Silva Alves²
Elieth Afonso de Mesquita³


Resumo

Os pombos (Columba livia) são aves sinantrópicas amplamente distribuídas em ambientes urbanos e reconhecidas como potenciais reservatórios de diversos agentes infecciosos de importância em saúde pública. Entre os microrganismos associados a essas aves, destaca-se o gênero Cryptococcus, responsável por causar criptococose, micose sistêmica que acomete principalmente indivíduos imunocomprometidos, podendo causar meningoencefalite e outras manifestações graves. Este estudo teve como objetivo identificar a presença de estruturas fúngicas compatíveis com Cryptococcus sp. em amostras de fezes de pombos coletadas em escolas públicas, a fim de avaliar o risco biológico associado a esses ambientes. As amostras foram submetidas à análise microscópica e os achados demonstraram a ocorrência de elementos leveduriformes sugestivos de Cryptococcus sp., reforçando o papel dos pombos como potenciais disseminadores desse fungo. A presença de material fecal de pombos em locais frequentados por crianças, professores e servidores representa um fator de risco relevante, considerando a possibilidade de dispersão de propágulos fúngicos por inalação. Esses resultados evidenciam a necessidade de implementação de medidas de controle populacional de pombos, higienização adequada das áreas escolares e ações educativas voltadas à conscientização sobre zoonoses fúngicas. Conclui-se que o acúmulo de fezes de pombos em ambientes escolares configura um problema de saúde pública, exigindo atenção integrada das áreas de vigilância sanitária, educação e meio ambiente para prevenção e controle de doenças associadas a agentes fúngicos.

Palavras-chave: Columba livia; Cryptococcus sp.; Saúde pública; Fungos ambientais; Escolas públicas.

Abstract

Pigeons (Columba livia) are synanthropic birds widely distributed in urban environments and recognized as potential reservoirs of various infectious agents of public health importance. Among the microorganisms associated with these birds, the genus Cryptococcus stands out, responsible for causing cryptococcosis, a systemic mycosis that mainly affects immunocompromised individuals and can cause meningoencephalitis and other serious manifestations. This study aimed to identify the presence of fungal structures compatible with Cryptococcus sp. in pigeon fecal samples collected in public schools, in order to assess the biological risk associated with these environments. The samples were subjected to microscopic analysis, and the findings demonstrated the occurrence of yeast-like elements suggestive of Cryptococcus sp., reinforcing the role of pigeons as potential disseminators of this fungus. The presence of pigeon feces in areas frequented by children, teachers, and staff represents a significant risk factor, considering the possibility of fungal propagule dispersal through inhalation. These results highlight the need for implementing pigeon population control measures, proper hygiene in school areas, and educational initiatives aimed at raising awareness about fungal zoonoses. It is concluded that the accumulation of pigeon droppings in school environments constitutes a public health problem, requiring integrated attention from the areas of sanitary surveillance, education, and the environment for the prevention and control of diseases associated with fungal agents.

Keywords: Columba livia; Cryptococcus sp.; Public health; Environmental fungi; Public schools.

1 INTRODUÇÃO

O processo acelerado de urbanização tem contribuído significativamente para o aumento da superpopulação de pombos domésticos (Columba livia) nas cidades. A abundância de alimento, a ausência de predadores naturais e a disponibilidade de abrigos em edificações humanas favorecem a proliferação dessas aves, que passaram a conviver intimamente com as populações urbanas (NUNES, 2003). Tal proximidade, entretanto, está associada a riscos expressivos à saúde pública, uma vez que os pombos são reconhecidos como reservatórios de aproximadamente sessenta microrganismos patogênicos potencialmente transmissores de doenças a seres humanos (MELO, 2024). Entre as enfermidades mais frequentemente relacionadas à presença dessas aves destacam-se a criptococose, histoplasmose, psitacose, salmonelose e toxoplasmose.

As excretas secas dessas aves, quando contaminadas, favorecem a disseminação aérea de Cryptococcus spp., fungo encapsulado que, ao ser inalado, pode causar criptococose, micose sistêmica de evolução variável e potencialmente grave, especialmente em indivíduos imunocomprometidos (ARANHA & ZAPPA, 2009). As manifestações clínicas da criptococose são diversificadas, podendo acometer o sistema pulmonar, nervoso central, ossos, pele e outros órgãos em decorrência da disseminação hematogênica (OLIVEIRA, 2014). Até o momento, as principais estratégias de prevenção dessa micose concentram-se em medidas de controle populacional dos pombos e em ações educativas voltadas à conscientização sobre os riscos de infecção (BENCKE, 2007).

O agente etiológico Cryptococcus neoformans corresponde à forma assexuada do basidiomiceto Filobasidiella neoformans, levedura encapsulada de grande importância na micologia médica. Sua cápsula de polissacarídeos confere elevada antigenicidade e resistência à fagocitose, características que explicam, em parte, sua capacidade de persistir no ambiente e no hospedeiro humano (OLIVEIRA, 2014). Essas aves, pertencentes à ordem Columbiformes, foram introduzidas no Brasil por volta do século XVI como animais domésticos e de estimação (GOMES et al, 2020). Com o passar do tempo, adaptaram-se amplamente aos ambientes urbanos, estabelecendo-se em praças, prédios e demais estruturas, onde encontram condições ideais para reprodução e abrigo (SARMENTO et al., 2021). 

Em ambientes escolares, sua presença é recorrente, especialmente em quadras, forros e pátios, representando um importante foco de contaminação e um potencial risco à saúde pública. Devido à sua ampla distribuição e elevada densidade populacional, os pombos atuam como importantes reservatórios e disseminadores de diversos agentes patogênicos, vírus, bactérias, fungos e protozoários, sendo responsáveis por surtos e infecções zoonóticas em humanos (GOMES et al., 2020). O acúmulo de fezes, associado a penas e restos de ninhos, pode provocar danos estruturais em edificações, obstrução de calhas e contaminação do ar e da água, criando condições ideais para o crescimento microbiano (NUNES, 2003).

A transmissão desses agentes pode ocorrer pela inalação de poeira contendo partículas fecais secas, pelo contato direto com superfícies contaminadas ou, em casos menos frequentes, pela ingestão acidental (COSTA, 2017). Em locais de grande circulação, como escolas, essa exposição torna-se mais preocupante, considerando que crianças e adolescentes têm contato frequente com áreas externas, o que aumenta o risco de infecção por agentes zoonóticos.

Apesar da relevância sanitária, a exposição de escolares às fezes de pombos contaminadas é frequentemente negligenciada. Em muitos casos, infecções fúngicas e parasitárias são subdiagnosticadas, confundindo-se com doenças respiratórias ou gastrointestinais (MELO, 2024). Assim, torna-se imprescindível adotar medidas de controle éticas e eficazes, respeitando as normas ambientais estabelecidas pela Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 (Art. 29, §3º), que classifica o pombo como ave doméstica, proibindo qualquer prática de manejo que cause danos ou morte (BRASIL, 1998; COSTA, 2017).

Diante desse cenário, o manejo populacional deve priorizar métodos de afastamento e controle ambiental, aliados a ações educativas que conscientizem a comunidade sobre os riscos e responsabilidades relacionadas à proliferação dessas aves. Considerando os potenciais impactos à saúde pública, especialmente em espaços escolares, o presente estudo tem como objetivo investigar a ocorrência de agentes patogênicos nas fezes de pombos (Columba livia) em escolas da rede pública de ensino de Porto Velho, Rondônia. Especificamente, busca-se:

(1) identificar a ocorrência de agentes infecciosos presentes nas amostras fecais por meio de técnicas de análise microscópica e coloração; (2) discutir os riscos potenciais à saúde de alunos e servidores; e (3) propor medidas preventivas e estratégias de manejo adequadas à realidade escolar.

O presente estudo se justifica pela urgência sanitária e pela escassez de pesquisas que analisam as excretas de pombos em ambientes escolares na região de Porto Velho, Rondônia. Desta forma, busca-se fornecer subsídios técnicos e epidemiológicos essenciais para as autoridades de vigilância sanitária e para as secretarias de educação e meio ambiente, de modo que contribua com a implementação de políticas públicas integradas focadas na prevenção da criptococose e de outras zoonoses fúngicas urbanas.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A presença de pombos urbanos (Columba livia) em áreas densamente povoadas tem sido amplamente debatida devido aos riscos sanitários, estruturais e ambientais que essas aves representam. O fenômeno da sinantropia da Columba livia decorre da expansão urbana e da consequente facilidade de acesso a recursos e abrigo, estabelecendo-as como aves comensais de presença constante em ambientes humanos (NUNES, 2003; SARMENTO et al., 2021). 

De acordo com Araújo et al. (2020) essa proximidade biológica é a base do risco sanitário, uma vez que os pombos são reconhecidos como hospedeiros e disseminadores de dezenas de microrganismos patogênicos. Estes autores destacam ainda que diversos estudos demonstram que os pombos atuam como reservatórios de microrganismos, incluindo vírus, bactérias, protozoários e fungos de interesse para a saúde pública.

Ainda que o risco zoonótico envolva diversos agentes (SILVA & CAPUANO, 2008), o destaque epidemiológico recai sobre o gênero Cryptococcus. Em particular, o agente etiológico Cryptococcus neoformans é o basidiomiceto mais frequentemente isolado das excretas secas de pombos (OLIVEIRA, 2014). 

Essas aves são consideradas o principal reservatório do fungo em ambientes urbanos, o que intensifica o problema de saúde pública (KUNIYOSHI, 2018). Suas fezes constituem um substrato altamente propício à proliferação fúngica, visto que são ricas em nitrogênio, a partir do ácido úrico, o que favorece a germinação, o crescimento e a multiplicação dos esporos (ARAÚJO et al., 2020).

As leveduras pertencentes ao gênero Cryptococcus apresentam cápsula polissacarídica espessa, formam colônias lisas, cremosas e de coloração esbranquiçada, não produzem gases, exibem atividade ureásica positiva, assimilam inositol e não sintetizam amido. Esses fungos possuem distribuição cosmopolita e podem infectar seres humanos, além de animais domésticos e silvestres (CASALI et al., 2001; QUEIROZ et al., 2008). O papel do pombo como disseminador ambiental é reforçado pela alta capacidade de dispersão aérea dos propágulos fúngicos a partir da desintegração das excretas secas (GOMES et al., 2020; MELO, 2024).

A criptococose, por sua vez, é uma infecção de elevada morbidade, com manifestações clínicas variadas. Conforme Oliveira (2014), trata-se de uma infecção primariamente pulmonar, que pode evoluir desde quadros assintomáticos até formas graves com comprometimento do Sistema Nervoso Central. 

A transmissão ocorre essencialmente pela inalação de partículas contendo células leveduriformes presentes em excretas secas (DEO, GUALQUE & LUZENTE, 2024). O diagnóstico laboratorial da criptococose é considerado relativamente simples quando comparado ao de outras micoses sistêmicas. Esse fato se deve, em grande parte, ao acentuado tropismo neurológico do fungo e à alta concentração de elementos fúngicos em amostras biológicas, como líquor, urina, escarro, pus e fragmentos teciduais. A identificação do agente pode ser realizada por meio de exames micológicos diretos, testes de coloração e métodos histopatológicos (RAJASINGHAM, MEYA & BOULWARE, 2012).

Do ponto de vista diagnóstico, nas análises microscópicas de fezes de pombos, estruturas leveduriformes com cápsula polissacarídica, características típicas do gênero Cryptococcus, têm sido frequentemente observadas (ARAÚJO et al., 2020). A identificação dessas estruturas por coloração negativa, como a tinta da China, é um indicativo importante para a vigilância sanitária.

A presença de pombos em ambientes escolares intensifica o risco biológico, dado o acúmulo de dejetos em áreas de circulação e a maior vulnerabilidade do público infantil. Sob essa perspectiva, Oliveira et al. (2017) destacam que ainda são escassas as pesquisas voltadas à análise de excretas de pombos em ambientes escolares, apesar da elevada presença dessas aves nesses espaços. Tal presença é, muitas vezes, facilitada pelas características arquitetônicas das escolas, que apresentam diversos vãos, frestas e áreas de abrigo, favorecendo o pouso, a permanência e a nidificação dessas aves. Esse cenário torna-se ainda mais preocupante em creches e escolas de educação infantil, onde o contato próximo entre crianças e aves sinantrópicas aumenta significativamente o risco de contaminação e de exposição a agentes patogênicos.

Diante do risco, a legislação ambiental brasileira estabelece que o manejo dessas aves deve seguir princípios éticos, sendo proibidas práticas que causem dano ou morte, conforme determina a Lei nº 9.605/1998 (BRASIL, 1998). Assim, o foco deve ser em barreiras físicas, vedação de frestas, higienização periódica e ações de educação ambiental, especialmente no contexto escolar (BENCKE, 2007). A vigilância contínua é fundamental, pois além de Cryptococcus, pesquisas indicam que os pombos podem carrear diversas outras espécies de agentes infecciosos, o que exige políticas públicas integradas entre saúde, meio ambiente e educação. Nesse contexto de monitoramento, a literatura destaca, ainda, que a análise parasitológica das fezes dessas aves é fundamental para identificar potenciais agentes zoonóticos e subsidiar ações preventivas em escolas e demais instituições (OLIVEIRA, 2014). Métodos como Hoffmann, Pons & Janer (HPJ) e Faust são amplamente utilizados na detecção de ovos, larvas, cistos e estruturas fúngicas (RODRIGUES; MORAES; MESQUITA, 2022). Quando associados a técnicas de coloração, como tinta da China e lugol, possibilitam a identificação de cápsulas, hifas e outros elementos morfológicos importantes para o diagnóstico.

3 METODOLOGIA 

O presente trabalho consiste em uma pesquisa com procedimento experimental, de abordagem qualitativa e de caráter descritivo, desenvolvido a partir da coleta de fezes de pombos (Columba livia) em quadras esportivas em duas escolas da rede pública de Porto Velho, Rondônia (Gil, 1994). A pesquisa parasitológica somente ocorreu após oficialização junto às Unidades Escolares e autorização do diretor (responsável pela Instituição).

3.1. Método de exame parasitológico de fezes (EPF)

Para a análise parasitológica, utilizou-se como referência o trabalho de Rodrigues; Moraes; Mesquita (2022), onde foram empregados dois métodos clássicos de exame parasitológico de fezes (EPF), com o objetivo de comparar sua eficiência na detecção de estruturas e na identificação morfológica de ovos, larvas, cistos e oocistos, são eles: o método de Hoffman, Pons & Janer (HPJ) e o método de Faust.

O método de Hoffman, segundo De Carli (2001) é descrito como sendo de baixo custo e de execução relativamente simples, visto que, baseia-se no princípio da sedimentação espontânea, que permite a concentração de estruturas parasitárias de diferentes morfologias. Nesse procedimento, aproximadamente 2g de fezes homogeneizadas são filtradas em gaze dobrada quatro vezes e transferidas para um cálice de sedimentação, completando-se o volume com água até próximo à borda. O material é deixado em repouso por, no mínimo, duas horas, para que ocorra a sedimentação. Em seguida, o sobrenadante é descartado e uma alíquota do sedimento é coletada com pipeta Pasteur, corada com tinta da China e analisada em microscópio óptico com objetivas de 10x e 40x.

Já o método de Faust, conforme Rezende (2015), é baseado no princípio da centrífugo-flutuação, combinando a ação da gravidade com a utilização de solução de sulfato de zinco (ZnSO₄), o que permite que ovos, larvas e cistos flutuam para a superfície da suspensão. Para a execução da técnica,foi necessário cerca de 10 g de fezes, as quais foram homogeneizadas em béquer com água destilada, filtradas em gaze dobrada em quatro camadas e transferidas para tubos de centrífuga (RODRIGUES, MORAES & MESQUITA, 2022). Após centrifugação a 2.500 rpm por 1 minuto, o sobrenadante foi descartado e o procedimento repetido até a obtenção de líquido límpido. Em seguida, a água foi substituída por solução de ZnSO₄ e o material novamente centrifugado. A película formada na superfície foi coletada com auxílio de alça de platina, colocada sobre lâmina, corada com lugol, coberta por lamínula e examinada ao microscópio (AMATO NETO & CORRÊA, 1991, apud RODRIGUES, MORAES & MESQUITA, 2022).

3.2 Método de identificação morfológica

A identificação morfológica dos parasitas será realizada por meio da observação microscópica das estruturas presentes nas amostras, seguindo critérios descritos na literatura especializada. Para a análise, serão considerados aspectos morfológicos característicos de ovos, larvas, cistos e oocistos, conforme descritos em manuais de parasitologia e atlas de diagnóstico laboratorial (OLIVEIRA, 2013; OLIVEIRA, 2014). Essa abordagem possibilita diferenciar os principais gêneros de interesse médico-veterinário, permitindo a identificação das espécies com potencial zoonótico.

3.3 Coleta das amostras

As amostras foram coletadas em duas escolas da rede pública de ensino de Porto Velho – RO, sendo uma localizada na zona sul da capital e outra na zona leste (Figura 1).

Figura 1: Coleta de amostras nas escolas

Figura 1A – Coleta das fezes nos espaços da quadra esportiva das escolas; Figura 1B – Estrutura geral da quadra com excrementos de pombos; Figura 1C – Fezes no chão do local da coleta. Figura 1D – Alojamento de pombos no telhado e forro da quadra.  Fonte: autores.

As amostras foram coletadas com o uso de uma espátula esterilizada. As fezes secas foram acondicionadas temporariamente em recipientes estéreis. Durante cada coleta, fez-se o registro da data, horário e local, sendo cada ficha de campo identificada com um número correspondente ao da amostra coletada. As amostras foram armazenadas em líquido MIF, e três amostras armazenadas em formol 10%.

3.4 Procedimentos laboratoriais

As amostras de fezes de pombos foram inicialmente maceradas utilizando instrumentos esterilizados e suspensas em 10 mL de solução estéril de cloreto de sódio a 0,9%. A suspensão foi deixada em repouso por aproximadamente 30 minutos, permitindo a decantação de partículas mais densas. Após esse período, o sobrenadante foi cuidadosamente coletado com uma pipeta Pasteur e depositado sobre lâminas de microscopia previamente limpas.

Para a observação microscópica, foram aplicados os testes de Hoffmann e Willis e a coloração com tinta da China (nanquim). À preparação foram adicionadas gotas de tinta da China, e a lâmina foi coberta com lamínula. As amostras foram examinadas em microscópio óptico, utilizando ampliação de 10x e 40x, a fim de identificar estruturas morfológicas compatíveis com elementos fúngicos e outros materiais biológicos presentes nas fezes.

Complementarmente, algumas lâminas receberam aplicação de solução de lugol, permitindo a visualização de estruturas intracelulares e a diferenciação de componentes celulares, conforme técnicas padrão de contraste.

Todos os procedimentos seguiram rigorosamente normas de biossegurança e manuseio estéril.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A presença de pombos em ambientes urbanos tem sido amplamente estudada devido aos potenciais impactos que essas aves podem causar à saúde pública e ao meio ambiente. A manifestação desses animais em áreas densamente povoadas está associada à transmissão de doenças, à degradação de edificações e à contaminação do solo e da água (MACENA, et al., 2017). O Cryptococcus sp. é um fungo saprófito que habita o trato digestivo de várias espécies de aves, incluindo os pombos. No entanto, suas fezes, mesmo após exposição ao sol e desidratação, permanecem como um ambiente favorável ao desenvolvimento da levedura patogênica, funcionando como potencial fonte de infecção (PERAZZONI & GUIMARÃES, 2023).

4.1 Identificação da ocorrência de agentes infecciosos nas amostras fecais

As amostras analisadas foram derivadas de fezes de pombos coletadas em escolas públicas, locais que, por apresentarem estruturas abertas, coberturas e locais de abrigo, favorecem o estabelecimento dessas aves. Essa condição torna-se preocupante, considerando o intenso trânsito de alunos, professores e funcionários, configurando um potencial risco à saúde pública.

A investigação da ocorrência de agentes infecciosos começou com a confirmação da presença das aves nos locais de estudo. Foi identificada a presença de pombos em ambos os locais de coleta, evidenciada por fezes, penas e outros vestígios biológicos. Em um dos pontos de amostragem, as aves foram observadas durante o momento da coleta, confirmando a frequência de visitação e o potencial de contaminação direta do ambiente escolar.

Aanálise das amostras de fezes de pombos preparadas em suspensão salina 0,9% por métodos parasitológicos de rotina (sedimentação e flutuação) não identificou a presença de formas parasitárias (ovos de helmintos ou cistos de protozoários) de relevância clínica nas amostras, conforme a figura a seguir.

Figura 2. Morfologia de estruturas parasitárias e outros achados

Figura 1A – Leveduras encapsuladas com halos claros compatíveis com Cryptococcus neoformans observadas com tinta nanquim em diluição 1:2 com aumento de 40x.; Figura 1B – Estruturas agrupadas de Cryptococcus sp observadas com tinta nanquim em diluição 1:3 com aumento de 40x.; Figura 1C – Estrutura filamentosa e translúcida em suspensão de fezes de pombos com aumento em 10x.; Figuras 1D e 1E – (ND). Fonte:autores.

Em contraste, a análise microscópica das amostras, preparadas e coradas com tinta da China, revelou uma diversidade de estruturas morfológicas, indicando a presença de distintos elementos biológicos. Foram identificadas estruturas arredondadas, de bordas bem definidas e núcleo central denso, compatíveis com leveduras capsuladas, possivelmente Cryptococcus sp.. A presença de halos claros ao redor das células, evidenciada pela coloração negativa no teste de tinta da China, confirma a existência de cápsulas polissacarídicas, característica morfológica marcante do gênero Cryptococcus. Esse achado é relevante, pois a cápsula constitui um importante fator de virulência, conferindo resistência à fagocitose e facilitando a persistência do microrganismo no ambiente e no hospedeiro (Kwon-Chung et al., 2014). 

Adicionalmente, a análise revelou também a presença de estruturas alongadas e translúcidas, com aspecto filamentoso, compatíveis com hifas fúngicas ou fragmentos vegetais, sugerindo contaminação por fungos saprófitos do ambiente. Também foram observadas estruturas mais espessas e alongadas, apresentando morfologia heterogênea, que sugere origem não fúngica, compatíveis com fragmentos de origem animal que se desenvolveram ou se depositaram sobre o substrato fecal. A presença desses elementos evidencia o grau de contaminação ambiental das amostras, uma vez que fezes de aves depositadas em ambientes abertos estão sujeitas à colonização por insetos, ácaros e outros invertebrados detritívoros. O acúmulo de matéria orgânica, associado à umidade e à presença de substratos nitrogenados, cria condições ideais para o crescimento de fungos e o desenvolvimento de formas larvais (OLIVEIRA, 2014).

A detecção de estruturas morfologicamente compatíveis com Cryptococcus sp. em amostras de fezes de pombos coletadas em escolas públicas reforça a relevância epidemiológica dessas aves como potenciais disseminadoras de agentes fúngicos.

A criptococose é uma micose sistêmica causada, predominantemente, pela inalação de propágulos de Cryptococcus neoformans (ou gattii), que inicialmente se instalam nos pulmões, podendo causar infecção primária assintomática ou sintomática. Posteriormente, pode ocorrer disseminação hematogênica, atingindo diversos órgãos, com predileção pelo sistema nervoso central, onde pode provocar meningoencefalite, além de acometer pele, linfonodos e ossos (BIVANCO, MACHADO & MARTINS, 2006; REZENDE et al., 2009; CONTIN et al., 2011). A cápsula polissacarídica é um importante fator de virulência, conferindo resistência à fagocitose e facilitando a persistência do microrganismo no ambiente e no hospedeiro (Kwon-Chung et al., 2014).

O ambiente escolar, por ser frequentado diariamente por crianças, servidores e demais membros da comunidade, torna-se um espaço de exposição contínua a bioaerossóis contaminantes, especialmente quando há acúmulo de fezes em locais abertos e pouca higienização. A coexistência de fezes aviárias e estruturas compatíveis com Cryptococcus sp. em escolas públicas reforça o risco biológico relacionado à exposição de crianças e servidores a agentes patogênicos oportunistas. 

A inalação de propágulos fúngicos dispersos a partir de excretas secas constitui a principal via de transmissão da criptococose, podendo causar quadros graves (OLIVEIRA, 2014). Assim, a presença do fungo em áreas escolares evidencia um importante problema de saúde pública, demandando ações integradas de vigilância sanitária, controle populacional de pombos e educação ambiental voltada à prevenção de zoonoses fúngicas.

4.2 Riscos Potenciais à Saúde de Alunos e Servidores

A presença de pombos (Columba livia) em ambientes escolares representa um risco biológico considerável, uma vez que essas aves atuam como reservatórios e disseminadores de agentes infecciosos de importância médica e veterinária. Diversos estudos evidenciam a associação entre fezes de pombos e microrganismos patogênicos, como Cryptococcus neoformans, Histoplasma capsulatum, Chlamydia psittaci, Salmonella spp. e Toxoplasma gondii (NUNES, 2003; OLIVEIRA, 2014). Esses agentes podem causar infecções respiratórias, gastrointestinais e neurológicas, além de quadros sistêmicos graves em indivíduos imunocomprometidos.

Um aspecto crucial do risco biológico reside na natureza do material fecal acumulado. A excreta seca de pombos, frequentemente depositada em locais de difícil acesso, como forros, calhas e beirais das escolas, é um substrato altamente favorável à sobrevivência e multiplicação de leveduras do gênero Cryptococcus. Sua alta concentração de nitrogênio, oriundo do ácido úrico, atua como um nutriente essencial que permite a persistência do agente por longos períodos no ambiente. Assim, mesmo após a saída das aves, a simples desintegração e aerossolização desse material seco transformam os pontos de acúmulo em fontes permanentes de esporos infecciosos, expondo alunos e servidores de maneira contínua e passiva.

Em espaços escolares, onde há grande circulação de pessoas e acúmulo de poeira e matéria orgânica, o risco de disseminação aumenta. As fezes secas dessas aves, ao se desintegrarem, liberam partículas contaminadas que podem ser inaladas por alunos e servidores, favorecendo a transmissão de doenças como a criptococose e a histoplasmose (Aranha & Zappa, 2009). Além das doenças fúngicas, outras zoonoses como a psitacose (causada por Chlamydia psittaci) e a salmonelose representam riscos adicionais, com potencial de transmissão por inalação ou contato com superfícies contaminadas. Esses patógenos podem provocar sintomas respiratórios e gastrointestinais inespecíficos, frequentemente confundidos com infecções comuns, o que contribui para o subdiagnóstico (COSTA, 2017; SARMENTO et al., 2021).

Crianças e adolescentes possuem o sistema imunológico em desenvolvimento e são mais suscetíveis à exposição ambiental devido às atividades recreativas e à menor percepção de risco. Assim, a presença de fezes e ninhos em quadras, forros e pátios escolares representa uma ameaça à saúde coletiva, podendo ocasionar surtos localizados e absenteísmo escolar. O contato contínuo com detritos e poeiras contaminadas pode ainda agravar quadros alérgicos e respiratórios pré-existentes, como asma e rinite (MELO, 2024).

A manifestação de pombos em escolas, portanto, configura um risco biológico de relevância epidemiológica. De fato, pombos são reconhecidos como vetores de agentes patogênicos capazes de afetar humanos e outros animais, pois suas fezes, penas e secreções veiculam microrganismos potencialmente perigosos, criando condições favoráveis à proliferação de fungos e bactérias (NUNES, 2003). 

Reforçada pela detecção de estruturas compatíveis com Cryptococcus sp., essa situação exige a implementação de vigilância sanitária, educação ambiental e protocolos preventivos específicos para minimizar a exposição da comunidade escolar a agentes zoonóticos.

4.3 Medidas Preventivas e Estratégias de Manejo na Realidade Escolar

O controle da presença de pombos em ambientes escolares deve priorizar ações integradas, éticas e ambientalmente sustentáveis, conforme previsto na Lei nº 9.605/1998 (BRASIL, 1998). Diante das restrições legais ao abate ou uso de métodos letais, a estratégia mais eficaz envolve a prevenção da atração e o impedimento do acesso das aves aos locais de abrigo, associadas a ações educativas de conscientização comunitária.

Entre as medidas preventivas de caráter físico e estrutural, destacam-se:

  • Instalação de barreiras mecânicas, como redes, telas e espículas metálicas, em beirais, marquises, janelas e telhados, evitando o pouso e a nidificação (GOMES et al., 2020);
  • Vedação de frestas e forros, reduzindo pontos de abrigo e reprodução;
  • Limpeza e manutenção regulares de calhas e áreas externas, impedindo o acúmulo de fezes e restos orgânicos que funcionam como substrato para fungos e insetos;
  • Gestão adequada de resíduos sólidos, principalmente restos alimentares, que são os principais atrativos para as aves.

O componente de educação ambiental transcende as campanhas pontuais e deve ser incorporado ao Projeto Político Pedagógico (PPP) das escolas. Tendo em vista que o sucesso do manejo depende da alteração do comportamento humano (como não alimentar as aves e gerir corretamente o lixo), a escola se estabelece como um espaço privilegiado para promover a conscientização. O desenvolvimento de ações interdisciplinares pode utilizar o tema das zoonoses aviárias como um estudo de caso real, abordando a cadeia de transmissão do Cryptococcus sp., a importância da higiene e a convivência ética com a fauna urbana. Tal abordagem capacita alunos e servidores a serem agentes multiplicadores de práticas de biossegurança, garantindo a sustentabilidade das medidas preventivas a longo prazo.

A higienização das áreas contaminadas deve ser realizada com equipamentos de proteção individual (EPI) e soluções desinfetantes adequadas, evitando a aspiração direta das partículas secas. Recomenda-se umedecer o material antes da limpeza para minimizar a dispersão de esporos e poeira contaminada (ARANHA & ZAPPA, 2009).

A implementação eficaz das medidas de manejo ultrapassa a simples instalação de barreiras físicas, exigindo a consolidação da escola como um agente ativo na saúde pública. O sucesso das ações depende, em grande parte, da participação contínua da comunidade escolar. Sugere-se a criação de um Comitê de Biossegurança Escolar, envolvendo direção, professores, alunos e pais, para monitorar a presença de aves e fiscalizar as práticas de descarte de resíduos. Esse engajamento é fundamental para garantir a sustentabilidade das estratégias de longo prazo, transformando a prevenção de zoonoses em uma responsabilidade coletiva e permanente.

A recorrência dessa situação em ambientes urbanos levou à elaboração de manuais específicos, como o desenvolvido pelo Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (BENCKE, 2007), que fornece orientações práticas para administradores de escolas no controle de infestações. Tais iniciativas demonstram a necessidade de priorizar ações de baixo custo e fácil execução, utilizando as escolas como espaços privilegiados para o desenvolvimento de ações coletivas e estratégias de longo prazo, associadas à educação ambiental e à participação comunitária.

Os pombos (Columba livia) são reconhecidos como importantes reservatórios de diversos agentes infecciosos de relevância para a saúde pública (SILVA & CAPUANO, 2008; OLIVEIRA, 2016), e a ocorrência do fenômeno em centros urbanos configura um problema de relevância sanitária e ambiental que exige atenção das autoridades e da sociedade.

Dessa forma, os achados deste estudo, que evidenciam a contaminação fúngica potencial das fezes de pombos por estruturas compatíveis com Cryptococcus sp., e sua complexidade microbiológica, ressaltam o papel dessas aves como reservatórios ambientais de importância epidemiológica, particularmente em locais de uso coletivo. Portanto, ações conjuntas entre as secretarias municipais de saúde, meio ambiente e educação são fundamentais para a implementação de programas permanentes de vigilância sanitária e monitoramento microbiológico contínuo. O manejo ético e preventivo, aliado à educação ambiental, constitui a forma mais eficaz e segura de reduzir os riscos à saúde coletiva sem comprometer o equilíbrio ecológico urbano. Os resultados desta pesquisa podem contribuir para a formulação de estratégias eficazes de manejo e controle de pombos em áreas urbanas, promovendo a saúde pública e a preservação ambiental.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados desta pesquisa evidenciam a relevância epidemiológica da presença de fezes de pombos (Columba livia) em ambientes escolares, uma vez que essas aves atuam como reservatórios e disseminadores de agentes patogênicos, incluindo fungos do gênero Cryptococcus

A detecção de estruturas fúngicas compatíveis com esse patógeno reforça a necessidade de reconhecer o acúmulo de excretas de pombos como um problema de saúde pública, especialmente em locais de grande circulação de pessoas e crianças.

Diante disso, torna-se imprescindível a adoção de medidas preventivas e corretivas que envolvam a limpeza e desinfecção periódica de áreas contaminadas, o controle populacional ético dessas aves e a implementação de ações educativas que promovam a conscientização sobre os riscos biológicos associados.

Os achados deste estudo contribuem para a compreensão da interface entre saúde ambiental e saúde humana, destacando a importância de estratégias intersetoriais que integrem os setores de educação, vigilância sanitária e gestão ambiental. Assim, o monitoramento contínuo da presença de pombos e de seus dejetos em espaços públicos deve ser incorporado às políticas de prevenção de zoonoses, garantindo ambientes mais seguros e saudáveis para a comunidade escolar e a população em geral.

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¹Discente do Curso Superior de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Federal de Rondônia Campus José Ribeiro Filho. e-mail: gabrieladecassilva@gmail.com 
²Discente do Curso Superior de Bacharelado em Ciências Biológicas da Universidade Federal de Rondônia Campus José Ribeiro Filho. e-mail: alice.bio.unir@gmail.com
³Docente do Curso Superior de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Rondônia Campus José Ribeiro Filho. Doutora em Parasitologia (PPGBioExp/UNIR). e-mail: eliethbio@unir.br