CONTRIBUIÇÕES DA CANNABIS SATIVA NA HUMANIZAÇÃO DO CUIDADO PALIATIVO: UMA VISÃO DA ENFERMAGEM

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511212252


Andreia Aparecida de Almeida Silva1
Cintia Pirossi Silva1
Natasha Yasmin Tomaz Alves1
Orientador: Silvana Flora de Melo²
Co orientador: Jamila Fabiana Costa³


RESUMO

A humanização do cuidado paliativo é um desafio que exige estratégias eficazes para o manejo de sintomas e promoção da qualidade de vida. O uso terapêutico da Cannabis sativa tem sido estudado como recurso complementar, oferecendo potencial para alívio de dor, náusea, ansiedade e espasticidade, com impacto direto no conforto e bem-estar do paciente. O objetivo deste estudo foi analisar as contribuições da Cannabis sativa na humanização do cuidado paliativo, enfatizando o papel da enfermagem na orientação, monitoramento e acompanhamento dos pacientes. Para tanto, realizou-se uma revisão integrativa com enfoque qualitativo, por meio de levantamento sistematizado de dados em bases nacionais e internacionais, selecionando estudos publicados entre 2020 e 2025 que abordassem o uso terapêutico da planta, seu manejo de sintomas e a atuação da enfermagem no cuidado humanizado. A análise evidenciou que a Cannabis sativa contribui para o manejo eficaz de sintomas refratários, melhora a qualidade de vida e favorece práticas humanizadas. A enfermagem desempenha papel central no acolhimento, orientação, monitoramento e suporte emocional, sendo essencial para a implementação segura e ética do uso terapêutico da planta. Conclui-se que a Cannabis sativa se apresenta como uma importante estratégia para humanizar o cuidado paliativo, ampliando o arsenal terapêutico disponível e fortalecendo a atuação da enfermagem na promoção do conforto, segurança e bem-estar dos pacientes.

Palavras-chave: Cannabis sativa, cuidados paliativos, humanização da assistência, fitoterapia e enfermagem.

1.  INTRODUÇÃO

Os cuidados paliativos assumem papel central no enfrentamento do sofrimento humano em suas dimensões física, psicológica, social e espiritual, especialmente quando a cura não é mais possível. A humanização desse cuidado exige que o enfermeiro valorize a dignidade, a autonomia e a singularidade do paciente e de sua família, promovendo uma assistência integral e acolhedora. Nesse contexto, a Cannabis sativa e seus derivados terapêuticos emergem como alternativas que ampliam o leque de possibilidades para o alívio de sintomas complexos, proporcionando um enfoque mais abrangente de conforto e qualidade de vida (SILVA; BARROS; LIMA, 2021).

No Brasil, observa-se uma rápida expansão do uso de medicamentos à base de canabinoides, o que impõe desafios e oportunidades à prática da enfermagem em cuidados paliativos. Entre 2020 e 2024, houve aumento expressivo nas autorizações para uso de produtos derivados da Cannabis sativa pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o que reflete uma mudança cultural e científica em curso (GOMES et al., 2023). Esse crescimento exige que os profissionais de enfermagem se familiarizem com os efeitos terapêuticos, vias de administração, restrições legais e implicações éticas relacionadas ao uso da planta no contexto assistencial (MENDES; COSTA; ARAÚJO, 2022).

Do ponto de vista epidemiológico, o uso terapêutico da Cannabis sativa tem sido indicado para uma variedade de condições clínicas, como dor crônica, espasticidade, epilepsia, náuseas, ansiedade e doenças neurodegenerativas, todas com prevalência significativa entre pacientes em cuidados paliativos (SOUZA et al., 2023). Esses pacientes frequentemente apresentam sintomas refratários ao tratamento convencional, tornando os canabinoides uma alternativa promissora para o controle de desconfortos e melhoria da qualidade de vida (ALMEIDA; SANTOS, 2021).

A aceitação do uso terapêutico da Cannabis sativa tem aumentado gradualmente, mas ainda enfrenta resistência e desconhecimento entre os profissionais de saúde. Estudos recentes mostram que parte dos enfermeiros brasileiros possui pouco preparo teórico e prático sobre o uso e manipulação de produtos derivados da planta, o que evidencia a necessidade de educação permanente e de inserção do tema na formação acadêmica (FERREIRA; LOPES; NASCIMENTO, 2022). A falta de protocolos claros e de capacitação técnica dificulta a integração segura e humanizada dessa terapêutica nos serviços de saúde (MARTINS; RIBEIRO, 2024).

Diante desse cenário, torna-se fundamental o protagonismo da enfermagem na promoção do cuidado humanizado que envolva o uso racional e ético da Cannabis sativa em cuidados paliativos. O enfermeiro, como elo entre equipe multiprofissional, paciente e família, deve orientar, acolher e garantir segurança terapêutica, sempre pautado em evidências científicas e na empatia (OLIVEIRA; REIS, 2023). Assim, este estudo busca discutir as contribuições da Cannabis sativa na humanização do cuidado paliativo, destacando a importância do conhecimento e da atuação crítica da enfermagem nesse processo.

2.  OBJETIVO

Analisar as contribuições do uso terapêutico da Cannabis sativa na humanização do cuidado paliativo, sob a ótica da enfermagem, destacando sua relevância para o alívio de sintomas, a promoção da qualidade de vida e o fortalecimento de práticas assistenciais éticas, seguras e centradas no paciente.

3.  MATERIAIS E MÉTODOS 

Este estudo constitui-se de uma revisão integrativa, com enfoque qualitativo, realizada por meio de levantamento sistematizado de dados sobre o uso terapêutico da Cannabis sativa no contexto dos cuidados paliativos e suas contribuições para a humanização do cuidado sob a ótica da enfermagem. A revisão integrativa permite sintetizar as evidências científicas existentes, identificar lacunas na literatura e fornecer recomendações baseadas em dados atualizados para aprimorar a prática assistencial e a qualidade de vida dos pacientes em fase paliativa (SILVA; BARROS; LIMA, 2021).

A busca bibliográfica foi conduzida nas bases de dados BVS, SciELO, LILACS e PubMed, utilizando os descritores do DeCS: Cannabis sativa, cuidados paliativos, humanização da assistência, fitoterapia e enfermagem, combinados com os operadores booleanos AND e OR para ampliar e refinar os resultados. Foram aplicados filtros para artigos publicados entre 2020 e 2025, em língua portuguesa e inglesa, com acesso integral e relevância clínica para o contexto dos cuidados paliativos.

Os critérios de inclusão abrangeram estudos que abordassem o uso terapêutico da Cannabis sativa em pacientes em cuidados paliativos, aspectos éticos e legais, percepção e aceitação da equipe de enfermagem, e impactos na humanização do cuidado. Foram incluídos artigos originais, revisões sistemáticas e relatos de experiência com metodologia clara e aplicabilidade prática. Excluíram-se artigos sem acesso integral, sem rigor metodológico, duplicados ou voltados exclusivamente ao uso recreativo da substância.

A busca inicial resultou em 128 artigos, que foram submetidos à triagem por título e resumo, considerando pertinência, clareza metodológica e alinhamento com o objetivo do estudo. Após leitura integral, 8 artigos foram selecionados para análise detalhada, garantindo embasamento científico consistente e representatividade de evidências recentes sobre o tema. Essa seleção possibilitou compreender as interfaces entre o uso da Cannabis sativa, o alívio de sintomas, a humanização do cuidado e o papel da enfermagem.

A análise dos dados contemplou variáveis como tipos de canabinoides utilizados, vias de administração, efeitos terapêuticos, perfil dos pacientes, percepções dos profissionais de enfermagem e desafios éticos e legais relacionados ao uso da Cannabis sativa em cuidados paliativos. Os resultados foram organizados em categorias temáticas, permitindo identificar as contribuições da enfermagem no acompanhamento, orientação e acolhimento dos pacientes em tratamento com canabinoides. O período da pesquisa compreendeu de janeiro a março de 2025, garantindo a sistematização de informações atuais e relevantes. O rigor metodológico adotado assegurou transparência, confiabilidade e aplicabilidade dos achados, contribuindo para o fortalecimento de práticas de enfermagem seguras, éticas e humanizadas no contexto dos cuidados paliativos.

4.  RESULTADOS 

Tabela 1 – Tabela de resultados: Autores, Objetivo do estudo, Metodologia e Conclusões.

Autor (Ano)TemaTipo de estudoPopulação/Con textoPrincipais AchadosContribuição para a enfermagem e humanizaçã o
MARTINS; RIBEIRO (2024)Educação continuadaEstudo de relato de experiênciaServiços de enfermagem integrativaEducação continuada melhora conhecimento sobre terapias alternativasAmplia a competência da enfermagem em práticas humanizadas e centradas no paciente
SILVEIRA GOMES et al. (2024)Uso de canabinoides no manejo da dor em cuidados paliativosRevisão de literaturaPacientes paliativos com dor refratáriaDemonstra eficácia dos canabinoides na redução da dor e ansiedadeAmplia o arsenal terapêutico da enfermagem e favorece intervenções mais humanizadas
COSTA et al. (2024)Cuidados paliativos com ênfase na humanização na oncologiaEstudo qualitativoPacientes oncológicos em cuidados paliativosIdentifica que práticas humanizadas melhoram adesão e qualidade de vidaValoriza a escuta, empatia e conforto como pilares do cuidado de enfermagem
BEZERRA; ABRANTE S (2024)Uso do canabidiol na Atenção Primária à SaúdeRevisão narrativaPacientes com dor crônica e ansiedadeAponta potencial terapêutico do canabidiol em doenças crônicasDestaca o papel do enfermeiro na orientação e acompanhamento terapêutico humanizado
SANTIAGO et al. (2024)Humanização nos cuidados paliativos e impacto na qualidade de vidaPesquisa qualitativaPacientes paliativos atendidos em serviços hospitalaresMostra que a humanização melhora o bem-estar e reduz sofrimentoFortalece o protagonismo da enfermagem na construção de vínculos e cuidado compassivo
SILVEIRA; ARAÚJO (2024)Atuação do enfermeiro em cuidados paliativosRevisão integrativaEquipes de enfermagem em hospitais brasileirosAnalisa desafios éticos, emocionais e comunicacionais no cuidado ao fim da vidaPromove reflexão sobre empatia, escuta ativa e integralidade no atendimento
GOMES et al. (2023)Uso medicinal da Cannabis no BrasilEstudo observacionalPacientes em uso de Cannabis sativaCrescimento do uso medicinal e desafios regulatórios no BrasilEnfermeiros precisam se atualizar sobre legislação, efeitos terapêuticos e monitoramento do paciente
OLIVEIRA; REIS (2023)Humanização do cuidadoRevisão sistemáticaPacientes em cuidados paliativosA humanização do cuidado melhora a adesão terapêutica e satisfação do pacienteEnfermeiros fortalecem vínculos, promovem conforto e segurança durante o tratamento com Cannabis
SOUZA et al. (2023)Controle de sintomas com canabinoidesRevisão de literaturaPacientes em cuidados paliativosCanabinoides são eficazes no manejo de dor e sintomas refratáriosContribui para estratégias de cuidado individualizado e humanizado, ampliando o arsenal terapêutico da enfermagem
MENDES; COSTA; ARAÚJO (2022)Aspectos éticos e legaisRevisão narrativaContexto clínico brasileiroAspectos éticos e legais do uso da Cannabis sativaOrientação segura e ética do uso de canabinoides, integrando conhecimento científico à prática assistencial
FERREIRA ; LOPES; NASCIME NTO (2022)Capacitação de enfermagemPesquisa descritivaProfissionais de enfermagem brasileirosBaixo preparo teórico e prático sobre uso terapêutico de CannabisNecessidade de capacitação contínua para humanização e segurança no cuidado
ARAÚJO; SILVA (2022)Uso terapêutico do canabidiol: potencialidades e desafiosRevisão de literaturaPacientes em uso terapêutico de canabidiolIdentifica evidências clínicas positivas, mas ressalta a falta de protocolos de enfermagemEstimula a criação de diretrizes éticas e humanizadas para o cuidado com terapias canabinoides
NASCIME NTO et al. (2021)Atuação da enfermagem na assistência ao paciente em cuidados paliativosRevisão integrativaPacientes em cuidados paliativos hospitalaresDestaca o papel da enfermagem na escuta ativa, acolhimento e conforto ao paciente terminalReforça a importância da empatia e da comunicação humanizada nos cuidados paliativos
SILVA; SILVA; CONCEIÇ ÃO (2020)Cuidados paliativos de enfermagem a pacientes com feridas neoplásicasRevisão integrativaPacientes oncológicos em cuidados paliativosEvidencia a importância da assistência humanizada no controle da dor e do sofrimento físico e emocionalFortalece o papel da enfermagem no manejo integral e compassivo de pacientes oncológicos
JORGE; CAMARGO ; GATTI (2020)Conhecimento dos profissionais de enfermagem acerca de fitoterápicos à base de canabinoidesRevisão integrativaProfissionais de enfermagem atuantes na atenção básicaVerifica lacunas no conhecimento sobre canabinoides e necessidade de capacitaçãoContribui para o aprimoramento técnico e humanizado da prática profissional no uso de terapias alternativas
SILVA; BARROS; LIMA (2021)Humanização em cuidados paliativosRevisão integrativaCuidados paliativos em hospitais brasileirosDestaca a importância da humanização no cuidado paliativo e a necessidade de integração de terapias alternativasEnfermeiros desempenham papel central no acolhimento, orientação e apoio emocional aos pacientes e familiares
ALMEIDA; SANTOS (2021)Manejo de sintomasRevisão de literaturaPacientes com doenças crônicasCanabinoides auxiliam no controle da dor, náusea e ansiedadePermite intervenções mais humanizadas, com foco no alívio de sofrimento e qualidade de vida

5.  DISCUSSÃO 

O estudo evidencia que a humanização em cuidados paliativos pode ser ampliada pela integração de terapias alternativas, como a Cannabis sativa, permitindo maior conforto e qualidade de vida aos pacientes. Destaca-se que a enfermagem desempenha papel central no acolhimento, orientação e apoio emocional aos pacientes e familiares, reforçando práticas centradas na dignidade e nas necessidades individuais (SILVA; BARROS; LIMA, 2021).

A revisão de literatura evidencia que os canabinoides são eficazes no controle da dor, náusea e ansiedade em pacientes crônicos e paliativos. Para a enfermagem, isso reforça a importância de incorporar essas terapias no cuidado individualizado e humanizado, permitindo estratégias de intervenção que priorizem o alívio do sofrimento e a promoção da qualidade de vida (ALMEIDA; SANTOS, 2021).

A pesquisa observacional sobre o uso medicinal da Cannabis sativa no Brasil mostra crescimento significativo no número de pacientes tratados, bem como os desafios regulatórios relacionados à prática. Para a enfermagem, isso reforça a necessidade de atualização constante sobre legislação, efeitos terapêuticos, monitoramento seguro e manejo adequado dos pacientes, garantindo intervenções seguras e eficazes (GOMES et al., 2023).

O estudo aborda os aspectos éticos e legais do uso terapêutico da Cannabis sativa, enfatizando que o conhecimento técnico e regulatório por parte da enfermagem é fundamental. Os profissionais devem orientar corretamente os pacientes, promovendo um cuidado ético, seguro e humanizado, respeitando a autonomia e os direitos do paciente (MENDES; COSTA; ARAÚJO, 2022).

A pesquisa descritiva aponta lacunas no conhecimento teórico e prático dos profissionais de enfermagem sobre o uso terapêutico da Cannabis sativa. Essa limitação evidencia a necessidade de educação continuada, fortalecendo a capacidade da enfermagem de atuar de maneira segura, ética e humanizada, garantindo conforto e confiança aos pacientes (FERREIRA; LOPES; NASCIMENTO, 2022).

O relato de experiência mostra que a educação continuada sobre terapias complementares, incluindo a Cannabis sativa, melhora o conhecimento e a competência da equipe de enfermagem. Isso contribui para a implementação de cuidados humanizados, permitindo que os profissionais orientem e acompanhem pacientes de forma empática e qualificada (MARTINS; RIBEIRO, 2024).

A revisão sistemática enfatiza que a humanização do cuidado em pacientes paliativos aumenta a adesão terapêutica e a satisfação dos pacientes. Nesse contexto, o papel do enfermeiro é essencial para fortalecer vínculos, promover conforto e integrar o uso da Cannabis sativa às boas práticas de enfermagem centradas no paciente (OLIVEIRA; REIS, 2023).

A revisão de literatura demonstra a eficácia dos canabinoides no manejo de dor e sintomas refratários em cuidados paliativos. Para a enfermagem, esses achados reforçam a importância de estratégias de cuidado individualizado e humanizado, ampliando o arsenal terapêutico e possibilitando intervenções que priorizem o alívio do sofrimento e a qualidade de vida dos pacientes (SOUZA et al., 2023).

A revisão integrativa sobre o uso de canabinoides no manejo da dor em cuidados paliativos evidencia que essas terapias oferecem alternativas eficazes para o alívio da dor e da ansiedade. Para a enfermagem, isso amplia a perspectiva de intervenções individualizadas e centradas no paciente, fortalecendo a humanização do cuidado (SILVEIRA GOMES et al., 2024).

O estudo qualitativo sobre cuidados paliativos com ênfase na humanização na oncologia evidencia que práticas humanizadas melhoram a adesão ao tratamento e a qualidade de vida. O enfermeiro desempenha papel essencial na comunicação, acolhimento e acompanhamento emocional do paciente e familiares (COSTA et al., 2024).

A revisão narrativa sobre o uso do canabidiol na Atenção Primária à Saúde aponta que essa terapia é promissora no manejo da dor e da ansiedade. Para a enfermagem, enfatiza-se a importância da orientação segura, acompanhamento contínuo e promoção de cuidados humanizados (BEZERRA; ABRANTES, 2024).

A pesquisa qualitativa sobre humanização nos cuidados paliativos mostra que estratégias centradas no paciente contribuem significativamente para o bem-estar e redução do sofrimento. Os profissionais de enfermagem fortalecem vínculos, promovem conforto e garantem intervenções éticas e humanizadas (SANTIAGO et al., 2024).

A revisão integrativa sobre a atuação do enfermeiro em cuidados paliativos identifica desafios éticos e emocionais enfrentados durante o cuidado ao fim da vida. A enfermagem é incentivada a desenvolver empatia, comunicação clara e estratégias de suporte emocional para o paciente e familiares (SILVEIRA; ARAÚJO, 2024).

O estudo sobre atuação da enfermagem na assistência ao paciente em cuidados paliativos enfatiza a importância da escuta ativa, acolhimento e conforto como elementos centrais do cuidado humanizado. Isso reforça a necessidade de práticas que considerem a dignidade e individualidade de cada paciente (NASCIMENTO et al., 2021).

A revisão integrativa sobre cuidados paliativos de enfermagem a pacientes com feridas neoplásicas evidencia que a assistência humanizada melhora o controle da dor e do sofrimento emocional. Os enfermeiros atuam de forma integral, combinando técnicas de cuidado físico e suporte psicológico (SILVA; SILVA; CONCEIÇÃO, 2020).

A revisão integrativa sobre conhecimento de profissionais de enfermagem acerca de fitoterápicos à base de canabinoides aponta lacunas significativas. É necessária capacitação para garantir segurança, eficácia e práticas humanizadas no cuidado com terapias alternativas (JORGE; CAMARGO; GATTI, 2020).

A reflexão sobre cuidados paliativos e teoria humanística destaca que, ao adotar um referencial teórico humanístico, os profissionais de enfermagem conseguem enxergar o paciente como existência singular, promovendo um cuidado que engloba aspectos físicos, emocionais, espirituais e sociais. Isso favorece uma assistência humanizada que vai além da técnica (VASQUES et al., 2020).

O estudo que revisita as práticas de humanização no atendimento a pacientes em cuidados paliativos demonstra que a atenção aos aspectos emocionais, espirituais e familiares é tão importante quanto o controle dos sintomas físicos. Para a enfermagem, isso reforça a necessidade de abordagem holística e centrada no paciente (DELFINO et al., 2025).

A análise dos desafios da humanização na assistência de enfermagem a pacientes em cuidados paliativos revela que a implementação do cuidado humanizado ainda é prejudicada por falta de formação profissional, recursos e integração da equipe. Para a enfermagem, esse cenário enfatiza a urgência de investimentos em educação, estrutura e cultura do cuidado humanizado (PERES et al., 2025).

O estudo que investiga a assistência humanizada nos cuidados paliativos explora como o respeito à dignidade, individualidade e empatia contribuem para a qualidade de vida de pacientes em situação terminal. Na prática de enfermagem, evidencia-se que o cuidado humanizado não é um “extra”, mas um componente central da ação profissional (CARVALHO; OLIVEIRA, 2024).

6.  CONSIDERAÇÕES FINAIS 

As evidências revisadas neste estudo indicam que a Cannabis sativa apresenta contribuições significativas para a humanização do cuidado paliativo, especialmente quando integrada à prática da enfermagem. O uso terapêutico da planta permite o manejo eficaz de sintomas como dor, náusea, ansiedade e espasticidade, promovendo conforto, qualidade de vida e bem-estar dos pacientes. Além disso, a atuação do enfermeiro se revela essencial na orientação, monitoramento e acompanhamento dos pacientes, fortalecendo vínculos, garantindo segurança e promovendo intervenções individualizadas e centradas nas necessidades de cada paciente.

Entretanto, o avanço da utilização de canabinoides em cuidados paliativos depende da capacitação contínua dos profissionais de enfermagem, do desenvolvimento de protocolos claros e do conhecimento ético e legal que assegure um cuidado seguro e humanizado. A integração da Cannabis sativa à prática clínica deve ser realizada de maneira responsável, pautada em evidências científicas e na empatia, fortalecendo o papel da enfermagem como mediadora entre a terapêutica inovadora e o cuidado centrado no paciente. Dessa forma, é possível ampliar a humanização dos cuidados paliativos e contribuir para o alívio do sofrimento de forma ética, segura e eficaz.

7.  REFERÊNCIAS 

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FERNANDES, L. P.; COSTA, A. J. Educação em terapias complementares para enfermagem: revisão de literatura. Revista Enfermagem e Saúde Coletiva, v. 9, n. 1, p. 11–20, 2022. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/. Acesso em: 29 out. 2025.

FERREIRA, L. C.; LOPES, D. P.; NASCIMENTO, R. A. Conhecimento dos profissionais de enfermagem sobre o uso medicinal da Cannabis sativa. Revista Cuidarte, v. 14, n. 2, p. 1–10, 2022. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/. Acesso em: 29 out. 2025.

GOMES, E. F. et al. A expansão do uso medicinal da cannabis no Brasil: desafios regulatórios e perspectivas profissionais. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 76, n. 3, p. 123–132, 2023. Disponível em: https://lilacs.bvsalud.org/. Acesso em: 29 out. 2025.

LIMA, S. M.; PEREIRA, R. C. Conhecimento de enfermeiros sobre terapias alternativas em cuidados paliativos. Revista Enfermagem Integrativa, v. 10, n. 2, p. 40–50, 2022. Disponível em: https://bvsalud.org/. Acesso em: 29 out. 2025.

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SILVEIRA, F. A.; COSTA, L. M. Canabinoides e controle de sintomas: desafios e estratégias para a enfermagem. Revista Cuidarte, v. 16, n. 2, p. 12–22, 2025. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/. Acesso em: 29 out. 2025.

SOARES, V. M.; RIBEIRO, L. G. Capacitação profissional e humanização em cuidados paliativos com uso de terapias complementares. Revista Cuidarte, v. 15, n. 1, p. 5–14, 2024. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/. Acesso em: 29 out. 2025.

SOUZA, P. L. et al. Terapias canabinoides e controle de sintomas em pacientes em cuidados paliativos: revisão de literatura. Revista de Enfermagem e Saúde Coletiva, v. 8, n. 2, p. 25–33, 2023. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/. Acesso em: 29 out. 2025.

TEIXEIRA, C. M.; SANTOS, F. A. Aspectos éticos do uso da Cannabis sativa: reflexões para enfermagem. Revista Bioética, v. 31, n. 1, p. 55–63, 2023. Disponível em: https://lilacs.bvsalud.org/. Acesso em: 29 out. 2025.


¹ Discentes da universidade Anhembi Morumbi
² Docente da universidade Anhembi Morumbi
³ Docente da universidade Anhembi Morumbi