REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510151735
Walkeny Izidio Soares Macêdo
Orientadora: Prof. Dra. Temis Gomes Parente
RESUMO
Nos últimos anos, desde a emancipação do estado, mais precisamente da década de 1990 até os dias atuais, muitos trabalhos no campo da história foram produzidos sobre o recém criado estado do Tocantins. Diversos autores e, sobretudo, historiadores se propuseram a transformar as experiências do passado em história, onde as produções historiográficas se intensificaram na tentativa de melhor compreender a experiência histórica da população. Junto com esses autores, o objetivo deste estudo é pesquisar a historiografia do estado do Tocantins a fim de identificar nessas produções das últimas três décadas, de 1990 a 2021, como foi construída a identidade e de que forma o povo tocantinense tentei dar sentido ao passado. Sob a metodologia de revisão bibliográfica e levantamento de fontes em livros, teses e dissertações, a análise centra-se na constituição da identidade historiográfica. O estudo tem como objetivo analisar as pesquisas históricas e o processo de identificação de estudos sobre as populações, grupos e sujeitos destacados nos trabalhos produzidos, buscando construir uma sistematização e divulgação como ferramenta de pesquisa.
Palavras-Chave: Identidade – Historiografia do Tocantins – Revisão bibliográfica.
ABSTRACT
In recent years, since the emancipation of the state, more precisely from the 1990s to the present day, many works in the field of history have been produced about the newly created state of Tocantins. Several authors and, above all, historians proposed to transform the experiences of the past into history, where historiographical productions intensified in an attempt to better understand the historical experience of the population. Together with these authors, the objective of this study is to research the historiography of the state of Tocantins in order to identify in these productions from the last three decades, from 1990 to 2021, how identity was constructed and how the people of Tocantins tried to make sense of the past .Under the methodology of bibliographic review and survey of sources in books, theses and dissertations, the analysis focuses on the constitution of historiographic identity. The study aims to analyze historical research and the process of identifying studies on populations, groups and subjects highlighted in the works produced, seeking to build a systematization and dissemination as a research tool.
Keywords: Identity – Historiography of Tocantins – Bibliographic review.
1. INTRODUÇÃO
A criação do Estado do Tocantins foi resultado do(s) discursos do “atraso”, projetos, ações políticas e mobilizações sociais que sustentaram as falas dos movimento(s) separatista(s) do sertão do norte goiano, envolvendo diversas ações e manifestações em benefício da desejada autonomia política, financeira e administrativa. Para efetivação desse “processo” se fez necessário recorrer à natureza do cerrado amazônico-tocantino e diversas características da região como marco de diferenciação frente ao centro-sul de Goiás. Esses símbolos1 foram legitimados através do dinâmico processo de formação de identidade, do imaginário e da memória coletiva, trazendo politicamente pelos seus protagonistas uma tradição inventada (ANJOS, 2017, p.34). Por consequência, a criação do Estado resultou em diversas transformações sociais, políticas, econômicas, culturais e, sobretudo identitárias, mudando a identidade da população como sujeitos dessa transformação.
Nos últimos anos, desde a emancipação do Estado, mais precisamente a partir da década de 1990 até o momento, muitos trabalhos na área de História foram produzidos sobre o recém-criado estado tocantinense. Muitos autores e, principalmente, historiadores/as se propuseram a transformar essas experiências do passado em história e as produções historiográficas se intensificaram na tentativa de melhor compreender a experiência histórica dessa população. Junto aos autores/as identificados temos como propósito desse estudo, pesquisar a historiografia do Estado do Tocantins para identificar nas produções das últimas três décadas de 1990 a 2021, de que maneira a identidade foi construída e de que forma se tentou dar sentido ao passado para o povo tocantinense.
Diante das diferentes produções, compostas por vários autores/as que realizaram suas pesquisas com temáticas variadas em períodos distintos, pôde-se fazer várias perguntas sobre o processo de criação do Tocantins e relacionados à construção de si, do (ser) tocantinense. Como pensar a identidade2 tocantinense? O que demarca a identidade dentro da construção do estado do Tocantins? De que forma ela é construída na sua historiografia? Os autores/as abordam nas diferentes temáticas a construção de uma identidade para a população tocantinense? Quem são os tocantinenses na produção historiográfica? As pesquisas históricas vislumbram um passado comum para construção identitária do povo do Tocantins?
Essas são algumas das indagações que instigam a pesquisa motivada a partir do artigo de conclusão de curso intitulado “Reflexões sobre os caminhos, desafios e possibilidades da historiografia tocantinense”, que nos dá abertura para um leque de possibilidades de pesquisas sobre a historiografia do Tocantins. E “através dele” sentimos a necessidade de refletir sobre o processo de identidade histórica presente nos discursos da historiografia do Estado.
O estudo teve como objetivo analisar as pesquisas históricas e o processo de identificação de estudos sobre as populações, grupos e sujeitos evidenciados nas pesquisas produzidas, buscando construir uma sistematização e divulgação como ferramenta de pesquisa. Os objetivos específicos que movem o trabalho são:
- Abordar as tramas do debate historiográfico, bem como a produção do conhecimento histórico e sua relação com a construção e concepção das identidades nortenses;
- Investigar a possibilidade de vislumbrar na historiografia do Tocantins a construção das identidades tocantinenses e por quais aspectos passam essas identidades com relação a história oficial e de memória;
- Criar um site de pesquisa com o propósito de colaborar no estudo das fontes informativas, disponibilizando informações das produções já catalogadas e dos trabalhos que serão analisados durante este trabalho.
- Refletir a respeito do papel da historiografia sobre o Tocantins na orientação do tempo, na consciência histórica e na construção identitária da população tocantinense.
Em primeiro lugar, o que justifica esse trabalho é a contribuição que ele pode oferecer para melhor compreensão da historiografia e identidade do Estado do Tocantins. O segundo motivo que torna a pesquisa relevante é porque se insere no debate historiográfico sobre o Tocantins, com o objetivo de analisar e entender não somente os processos de construção de uma identidade, mas também, como a produção desse conhecimento histórico desde a criação do Estado até a atualidade é abordado e se constituiu na sua historiografia.
O terceiro se dá pelo desejo de continuar estudando e investigando o acervo historiográfico do Estado do Tocantins iniciado com a catalogação durante a graduação no Programa Institucional de Iniciação Científica Voluntária – PIVIC, nomeada “Quando o passado vira história: (re)visão da recente historiografia sobre o Tocantins (1990-2018)” e finalizada com um artigo no trabalho de conclusão de curso3.
Visando fornecer por meio digital, informações sobre a produção historiográfica do estado do Tocantins foi construída uma plataforma de pesquisa utilizando como recurso a ferramenta Google site. É uma ferramenta que busca preservar uma memória coletiva, como também divulgar os trabalhos e disponibilizar dados sobre a produção intelectual de (livros, teses e dissertações) gerada sobre o estado tocantinense nas últimas três décadas. A ferramenta de pesquisa permite a valorização e o conhecimento da formação identitária presente na historiografia do estado, proporcionando aos leitores e principalmente alunos e professores das diferentes redes de ensino, dados informativos, relevantes na construção de um pensamento crítico sobre a comunidade em que eles vivem.
Ao longo do processo de desenvolvimento e emancipação do Tocantins, vários momentos da história foram utilizados como justificativas para autonomia da região. As dificuldades enfrentadas pela população como isolamento e abandono4, indiferença entre o Sertão e o Centro sul goiano, os problemas fundiários que somados não gerou força suficiente para que um projeto autonomista fosse sustentado (CAVALCANTE, 2003). Dessa forma, a jornalista e socióloga Ana Carolina dos Anjos nos explica sobre o contexto dos discursos que motivaram os movimentos em busca da autonomia da região, onde fica entendido que;
O Tocantins é um Estado criado pela Constituição Federal de 1988, com uma tradição inventada politicamente e uma história imaginada a partir de uma política de governo. Isso porque, no último movimento separatista (1981-1988), criou-se um discurso da diferença entre o norte e o centro-sul de Goiás. Esse discurso está respaldado na cultura, natureza e no abandono que a região viveu por séculos. (ANJOS, 2017, p.28)
Todavia, esses fatores de diferenciação motivaram a criação de uma identidade própria do povo tocantinense ou nortense como eram conhecidos, onde buscaram elementos e referências que buscavam legitimar a construção discursiva de diferenciação de identidades. Jean Carlos Rodrigues ao discutir a criação do Tocantins no artigo
“Estado do Tocantins: 20 anos de representação entre o político e o religioso”diz que;
Nesse processo de invenção do Estado do Tocantins, os discursos direcionam-se no sentido de apresentar uma diferenciação entre o norte e sul de Goiás, a fim de produzir uma identidade tocantinense por oposição à goiana e, assim, elaborar diferentes representações no imaginário popular. Falas como Goiano de direito. Tocantinense de coração e Estou Goiano, mas sou Tocantinense, produzidas pela Comissão de Estudos dos Problemas do Norte Goiano (Conorte), em sua campanha publicitária pela divisão do estado de Goiás na década de 1980, evidenciam esse caráter de diferenciação construída e estruturada, sobretudo, na produção das diferenças entre o norte e o sul goiano.(RODRIGUES, 2009, p. 106).
Em 1981 a CONORTE5 busca organizar estudos e debates sobre o potencial político-econômico e da identidade sociocultural da região. “A mobilização da população (…) em torno do projeto Estado do Tocantins foi encampada pelas lideranças políticas e pela Conorte, a partir de setembro de 1985 com destaque para o ano de 1987, em que se instalou a Assembleia Nacional Constituinte.”(CAVALCANTE,2003,p.118) Percebe-se que o discurso que era voltado para a justificativa de atraso é recriado a partir de realizações de “(…) seminários, conferências e manifestos publicados na imprensa sobre a realidade da região, suas dificuldades, potencialidades e as vantagens da divisão, quer para o Tocantins quer para Góias, (CAVALCANTE,2003, p.118). Onde inicia-se um movimento que tem como objetivo comprovar cientificamente que era viável a sua criação, no qual o movimento buscou embasamentos concretos para reforçar a identidade cultural da população, principalmente com os costumes e hábitos locais. Na luta e manifestações favoráveis a criação do estado do Tocantins várias lideranças e entidades prestavam apoio ao movimento, e a imprensa naquele momento desempenhou um papel fundamental como veículo de denúncia e potencialização do discurso autonomista.
Vejamos um apelo da imprensa regional através do jornal A Imprensa enaltecendo as potencialidades do Tocantins, onde;
(…)Foram ressaltadas as suas riquezas naturais, como as duas aquavias – os rios Tocantins e Araguaia -; a abundância, Pium, Araguacema e Natividade; o ouro de Porto Nacional, Arraias e Natividade; as minas de mica de Peixe e Paranã, e também as jazidas monazíticas.(A Imprensa,20/11/1957 Apud CAVALCANTE)
O empresário Darci Coelho também afirmava em entrevista concedida para o jornal O popular em 1984 que o Norte Goiano;
Não há identificação cultural com o sul. Nossos costumes, alimentação, formação étnica, festas religiosas, folclore são completamente diferentes. A base da nossa formação cultural foi trazida pelos dominicanos, logo que chegaram em Porto Nacional, e pelos italianos que se instalaram no início do século passado no município de Tocantinópolis. Por isso, não somos goianos e nem nortenses: somos tocantinenses (OLIVEIRA,2002, p. 29).
Após a criação do estado em 1988 a escolha de brasão, bandeiras, hinos e poemas regionalistas são criados através de concursos e são promulgados na Assembleia Legislativa na Primeira Constituição, tendo como governador do Estado do Tocantins Siqueira Campos. E esses símbolos são criados como status simbólicos de uma “tradição inventada”6 (OLIVEIRA,2002, p. 25).
Essa tradição parte de um sentido de identificação, a qual expressam e simbolizam uma comunidade buscando estabelecer e construir através de um passado histórico a invenção e constituição da sua própria identidade, ou seja, buscam símbolos com o objetivo de tornar tradição às novas identificações inventadas. (HOBSBAWM, 1984) Paralelo a essa discussão, a criação de conscientização de um indivíduo pertencente a um grupo só é possível quando se tem um vínculo e reconhecimento de uma identidade, sendo assim, as práticas ideológicas no contexto de criação do Tocantins demonstram a apropriação da história para legitimar a construção de uma identidade.
Atualmente o Tocantins possui trinta e quatro (34) anos de estado como unidade federativa, não obstante, nascem algumas questões que tangem a sua identidade nos dias atuais, algumas interrogações germinadas desde o seu processo de emancipação e que hoje nos coloca a indagar alguns fatores determinantes referentes às produções historiográficas no decorrer dessas três décadas, como: o que demarca a identidade dentro da construção do Estado do Tocantins e como esse processo é abordado na historiografia ? As indagações deste estudo em maior escala perpassa algumas questões abrangentes, a primeira se refere a ação e transformação do sujeito – goiano para tocantinense – a segunda, que por sua vez é uma complementação da primeira se refere aos processos de identificações simbólicas da identidade do Tocantins, ambas presentes na recente historiografia.
A essas duas questões afluem várias outras interrogações que movem a pesquisa, buscando observar detalhadamente questões investigativas, bem como, os autores que abordam nas diferentes temáticas aspectos que compõem a identidade tocantinense? As pesquisas históricas desejam criar um passado comum para construção identitária do povo do Tocantins? Quem é o tocantinense na historiografia? Até que ponto a historiografia conseguiu orientar a memória social e a história oficial? Quais as identidades construídas na historiografia ao longo dessas três décadas. Houve modificações, contradições ou há um perfil permanente ao longo dos anos?
Atentando para o fato que a identidade é um fenômeno de caráter sociocultural que sempre se encontra em permanente processo de construção (AQUINO, 1996) e também da necessidade de produzir uma história que seja própria, o estudo busca contribuir na estruturação da historiografia do Tocantins que, em pleno processo de construção, está trilhando caminhos e possibilidades que corroboram para o melhor entendimento das experiências históricas e para o fortalecimento da construção de sua própria identidade.
A metodologia da pesquisa realizada baseou-se de uma revisão bibliográfica, levantamentos de fontes7 dispostas em livros, teses, dissertações e análise historiográfica voltada para a constituição da identidade, o tempo demandado para desenvolvimento da pesquisa não permitirá a análise de todos os livros, já catalogados e dos que ainda poderão ser identificados, e em função do tempo estamos realizando um recorte dessas produções.
Buscando investigar como o processo da identidade tocantinense é abordado na historiografia do estado apresentamos as discussões em três Capítulos. No primeiro capítulo tecemos uma discussão teórica sobre o campo da história, escrita da história e historiografia, pois se faz necessário uma compreensão macro do campo de conhecimento a qual a pesquisa se desenvolve e atentando para o fato que a produção do conhecimento histórico também pode ser construída por pesquisadores que não possuem uma formação do campo disciplinar da história.
O Segundo capítulo tem o objetivo de construir uma introdução à compreensão dos períodos da história da historiografia tocantinense. Construindo uma abordagem sobre o surgimento das primeiras produções sobre o Tocantins e do seu conhecimento histórico, buscando entender de onde esses trabalhos nasceram, quais as circunstâncias e as preocupações desse primeiro momento, atentando às questões identitárias presentes nas abordagens.
O terceiro capítulo se constitui de uma revisão bibliográfica dos livros que serão investigados. Com o propósito de compreender e realizar uma análise das identidades presentes nas pesquisas históricas que compõem a historiografia nortense, verificando os discursos historiográficos da identidade nos principais livros produzidos dentro do campo disciplinar da história e identificando os elementos da identidade na historiografia.
E por fim, em um último momento a contextualização do site criado como ferramenta de pesquisa, proposta de produto final do trabalho
2. HISTÓRIA, ESCRITA DA HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
Este estudo tem como objetivo desenvolver uma análise historiográfica de produções que apresentam uma narrativa histórica sobre o passado de uma região. E buscamos neste primeiro capítulo da pesquisa tecer uma abordagem sobre as sutis diferenças e condições entre o campo da História, Escrita da História e Historiografia.
As reflexões teóricas sobre estes discursos históricos torna-se uma necessidade e suporte seguro para compreensão do caminho a qual nos propomos a percorrer com a realização desta pesquisa. São vários os trabalhos que nos permitem delinear sob a escrita da história do Tocantins, abordados por vários autores que debruçaram a escrever essa história, e é através dessas pesquisas que trazem, cada uma a seu modo, diferentes abordagens e recortes que pretendemos apresentar uma introdução à história da historiografia tocantinense e analisar como é constituída a identidade nessa historiografia no processo de construção do Estado. Dessa forma, entendemos que a historiografia é um dos meios para produção de conhecimento reflexivo e este primeiro capítulo tem a preocupação de apresentar uma discussão entre as sutis condições da História, Escrita da História e Historiografia.
2.1 A História como Área de Conhecimento
Conclui a graduação em história no ano de 2019 na Universidade Federal do Tocantins, campus de Porto Nacional e nos últimos 2 anos (2021-2023) tenho dedicado a prática docente, a qual é bem recente, considerando o fato que tenho mais presente do que passado lecionando na educação, ora ou outra sou submetida ao questionamento: Porque escolheu estudar e ensinar história ? ou ainda, o que é a história ? Em um primeiro momento parece ser questionamentos fáceis de serem respondidos. Mas quando nos colocamos diante dessa grande área de conhecimento que é a história e de todos os autores que tivemos acesso e que discutem abordagens teóricas e metodológicas fundamentais para sua compreensão, percebemos que o conceito de história não é algo tão simples assim. Tão qual o ato de ensinar história.
A minha escolha em estudar história seria certamente óbvia se analisássemos o boletim escolar chegaríamos à conclusão que este componente curricular era o meu predileto, fator este, devido as minhas habilidades e competências estar voltada para área de ciências humanas e graças a influência de alguns professores dessa área de conhecimento que ao longo dos anos passaram pela minha formação, mas em especial o professor de História Salvador Heder8 a qual lecionava a disciplina nos anos finais (20132015) do ensino médio regular na minha formação escolar. A cada conteúdo, eu ficava fascinada em como este professor sabia com tanto domínio e maestria os acontecimentos históricos. E claro, muitas vezes me questionava: isso realmente aconteceu? E se aconteceu, será mesmo que foi assim? Hoje compreendo que meus questionamentos e dúvidas sobre os fatos históricos estudados são necessários para compreensão das perspectivas e versões históricas. Pois os acontecimentos são descritos e entendidos de acordo com a perspectiva de quem o produziu, e/ou de quem ensina e conta a história.
Outra motivação em aprender história era alimentada pela condição a qual eu me encontrava, diante de um mundo e sociedade que inocentemente buscava entender. Ainda nos anos finais do ensino fundamental, eu era uma jovem menina, que sempre havia estudado em escola pública, em média 90% dos meus colegas eram pretos assim como eu, natural do sertão, descendente quilombola, já havia sentido na pele o racismo, mas por não entender se reprimia. Filha de mãe solteira onde a única profissão exercida e que constava na carteira de trabalho era o de empregada doméstica, diga-se de passagem, em uma família de grande prestígio na cidade.
Todos estes fatores foram motivações que condicionadas a influência de um educador me fez estudar história, na esperança de encontrar uma ou as histórias que explicasse não somente a minha condição histórica social, mas também, da minha comunidade e dos meus iguais. Hoje, além de estudar história, tenho a oportunidade de ensinar e contar a história a partir da minha leitura e perspectiva9.
Quando falamos sobre o conceito de história:
No novo dicionário Aurélio, ao se procurar o termo “história”, encontramos muitos significados para a palavra. Entre uns quinze enumerados podemos encontrar alguns que enfocam a história como: o passado da humanidade, estudo desse mesmo passado, uma simples narração, uma “lorota”, uma complicação, etc. (BORGES,1980, p.44)
Crescemos estudando história ao longo de toda a nossa formação como uma disciplina obrigatória da Base Nacional Comum Curricular e logo aprendemos que a história estuda o passado da humanidade que analisa os processos, fatos e personagens históricos para que possamos entender os diferentes períodos históricos, povos, culturas e civilizações. E entre as diferentes possibilidades associadas ao conceito de história, trago o conceito pensado por Vavy Pacheco Borges, (1980, p.44) que reforça a área de conhecimento histórico a qual nos debruçamos a estudar no decorrer da educação básica, como “o passado da humanidade, estudo desse mesmo passado” O “passado da humanidade” está ligado ao significado da história em si, sendo portanto o objeto de estudo da História, o “o estudo desse mesmo passado” está relacionado ao campo disciplinar ou como área do conhecimento histórico.
Marc Bloch vai nos dizer que a história desde quando surgiu “já, há mais de dois milênios, nos lábios dos homens, ela mudou muito de conteúdo” (BLOCH, 2001, p.51) Dessa forma vejamos inicialmente, algumas transformações e processos da história ao longo do tempo para compreender algumas mudanças ocorridas nessa área de conhecimento até o momento. As narrativas históricas na cultura do antigo regime eram muito diversificadas;
Desde os tempos de Heródoto e Tucídides, a história tem sido escrita sob uma variada forma de gêneros: crônicas monásticas, memória política, tratados de antiquários, e assim por diante. A forma dominante, porém, tem sido a narrativa dos acontecimentos políticos e militares, apresentada como a história dos grandes feitos de grandes homens – chefes militares e reis. (BURKE,2010, p.17).
Em meio aos jogos de poder instaurados naquele tempo a primeira contestação desse tipo de narrativa histórica foi no período do iluminismo, que em um futuro próximo obteve sequência em, três gerações de historiadores Alemães, ingleses e franceses que vão reivindicar o estabelecimento da história como ciência e propor:
Em primeiro lugar, a substituição da tradicional narrativa de acontecimentos por uma história-problema. Em segundo lugar, a história de todas as atividades humanas e não apenas história política. Em terceiro lugar, visando completar os dois primeiros objetivos, a colaboração com outras disciplinas, tais como a geografia, a sociologia, a psicologia, a economia, a linguística, a antropologia social, e tantas outras. (BURKE,2010, p12)
Logo, essa geração de historiadores tem como preocupação não somente com “uma história que não se limitava a guerras e à política, mas preocupava-se com as leis e o comércio, a moral e os “costumes”, temas que haviam sido o centro de atenção do famoso livro de Voltaire essai sur les moeurs” (BURKE,2010.p 18) Além de contribuir com a constituição da história enquanto ciência e enriquecer o campo da história essa geração de historiadores denominada Escola dos Annales fundada em 1929 por Marc Bloch e Lucien Febvre, vai também realizar diversas contribuições historiográficas, onde os debates sobre a forma de como estudar e pesquisar a história foram acrescidos, permitindo ao historiador amplificar sua visão do homem. Ficando entendido que,
Bloch e Febvre abriram uma nova seara nos estudos históricos rumo a uma história mais social, global e interdisciplinar, introduzindo uma nova compreensão do tempo e da temporalidade histórica, aperfeiçoando métodos e abordagens e constituindo uma nova matriz disciplinar historiográfica, ao lado do marxismo e do historicismo. (DE RANKE A BRAUDEL, 2013, p. 214)
A história tem como objeto de estudo o homem, e Marc Bloch nos explica isso muito bem: “Diz-se algumas vezes: A história é a ciência do passado. É [no meu modo de ver] falar errado” (…) “Ciência dos homens, dissemos. É ainda vago demais. É preciso acrescentar: dos homens, no tempo”. (BLOCH, 2001, p.52; p.55) Ou seja, Bloch nos explica que o passado enquanto tal não pode ser objeto de estudo da ciência, onde ela possa abstrair-se somente do tempo. Da mesma forma, o historiador não vai refletir somente questões do “humano” ficando assim, definida como a ciência que estuda os homens no tempo. Trazendo um significado mais abrangente da história e seu objeto de estudo, seria :
O que não proíbe, antecipadamente, nenhuma orientação de pesquisa, deva ela voltar-se de preferência para o indivíduo ou para a sociedade, para a descrição das crises momentâneas ou a busca dos elementos mais duradouros; o que também não encerra em si mesmo nenhum credo; não diz respeito segundo sua etimologia primordial se não a “pesquisa”. (BLOCH,2001, p.51)
Dessa forma, a história não apresenta previamente uma indicação para onde uma pesquisa deve ou não se direcionar, ao indivíduo; à sociedade; à crises momentâneas; ou à elementos duradouros, como também, não termina com princípios e regras, mas como uma ciência que investiga crucialmente através da pesquisa histórica, o homem no tempo. (MACEDO, 2019 ).
O pensamento de Marc Bloch que a história é a “ciência dos homens no tempo”, tem como característica as relações humanas entre o passado e o presente. Acredito que essa característica é não somente pela importância de compreendermos o nosso presente através do passado e vise-versa, mas principalmente pela importância de compreender as rupturas e continuidades. Sendo assim, a revisão dos livros aqui propostos têm a pretensão de olhar o passado para que possamos ao longo da nossa história propor novas questões, novas formas de investigações buscando visualizar não somente a história do antigo Norte de Goiás como dada e acabada mas sim as suas continuidades na história, e que consequentemente, resultam na reescrita da história através de outros olhares e perspectivas.
2.2 Escrita da História
No seu famoso livro A escrita da História (1982), o historiador Michel de Certeau apresenta uma reflexão sobre a operação Historiográfica, e começa com um questionamento indispensável que nos dá auxílio para pensar a História como campo que estuda os acontecimentos do passado. “O que fabrica o historiador quando “faz história?” (1982, p. 65) Através do manejo de fontes que permaneceram até o momento da investigação, vestígios do passado que foram procurados, achados, reunidos, selecionados, classificados, submetidos à análise e transformados em documentos históricos, através do uso de instrumentos teórico- metodológicos, do entrelaçamento de temporalidades, do levantamento de problemas e questões relacionadas ao objeto, do diálogo com intelectuais, muita pesquisa e outros procedimentos, o historiador fábrica conhecimento histórico sobre uma dada realidade. Possibilitando mais do que uma simples opinião, mas sim, uma perspectiva sobre determinado fato que é fruto de uma construção. (MACÊDO, 2019).
No chão de fábrica da História como sugere Certeau ou mesmo no ateliê da História, como prefere Durval Muniz de Albuquerque (2019). de forma mais artesanal do que industrial, o historiador tece uma narrativa que propõe conferir sentido ao passado. Nas palavras do autor,
Trabalho de ordenamento e de racionalização do vivido, a história nasce como este trabalho artesanal, paciente, meticuloso, diuturno, solitário, infindável que se faz sobre os restos, sobre os rastros, sobre os monumentos que nos legaram os homens que nos antecederam que, como esfinges, pedem deciframento, solicitam compreensão e sentido. O historiador, como a bordadeira, ao final de suas atividades de pesquisa, tem à sua frente uma cesta cheia de documentos, de relatos, de imagens, de escritos, de narrativas, de variadas cores e tonalidades, misturados de forma caótica. É ele, como faz a profissional do bordado, que submete esse caos a uma ordem, a um desenho, a um pano, a um projeto, a um molde, a um modelo, que deve ser previamente pensado. (ALBUQUERQUE JR, 2009, p. 16-17)
O trabalho do historiador/a se dá através desse trabalho artesanal, paciente e meticuloso e o nosso trabalho também se submete a esse caos e buscamos aqui refletir previamente o campo de conhecimento a qual iremos trilhar, onde será possível a construção de uma narrativa a partir de diferentes autores, abordagens e perspectivas.
O historiador busca por meio do que ficou de alguma forma registrado no presente, entender a realidade do passado, contudo “a narrativa histórica (…) não é um documentário e fotomontagem ela não mostra o passado ao vivo como se você estivesse lá”( VEYNE,1998, p.18), deste modo ela se molda além de todos os documentos, uma vez que nenhuma narração histórica pode ser interpretada como específico evento.
O pensamento de Paul Veyne reforça a compreensão da qual a escrita da história não é o que assimila ser a realidade, todavia, é a partir da leitura dessa escrita que podemos entender a realidade alicerçada na perspectiva de observação do escritor, equivalente ao seu interesse e importância dada ao fato.
A partir dessa distinção entre pontos de vistas, Koselleck nos diz que diante dessas situações “ o ofício do historiador deixou de ser apenas o de relatar histórias, ele passou a criá-las” (KOSELLECK, 2006,p.176) Nesse sentido, percebe-se que a história se torna uma ciência descontínua estabelecida por domínios, assim como por colunas, que a depender da interpretação e posicionamento do leitor pode ser perceptíveis ou não.
A escrita da História como produto da história tem relação direta com o seu tempo, como lugar de produção, tal como momento de produção. Destacando aqui uma famosa expressão que remonta a ideia de que “toda história é contemporânea” salientou também que é de essencial importância a contribuição de diferentes e novos estudos para que se obtenha recortes reflexões, abordagens e apontamentos, até mesmo, para evitar um único domínio da perspectiva histórica.
Os lugares e momentos de produção apresentam ao longo do tempo novos problemas, aspectos e discussões que muitas vezes não foi possível ser realizada em outras circunstâncias. Nesse caso, não há necessidade de se desfazer da produção e abordagens anteriores. Koselleck (2006, p. 176) nos afirma que “[…] o exercício da historiografia só é possível por meio da elaboração crítica da historiografia anterior” Percebe-se então que a historiografia como tal possui história, do mesmo modo a escrita, produção do conhecimento histórico que também tem história, nessa linha tênue entre escrita e historiografia é necessário um diálogo e olhar crítico sobre essa produção para que a historiografia possa se constituir e ganhar novos contornos de maneira central ou marginal.
Dada abordagem, neste estudo demarcamos a escrita da história como produto do historiador quando faz história. Contudo, é preciso salientar que isso não significa que pesquisadores de outras áreas do conhecimento não fabricam reflexões históricas do passado. E consentimos com tal feito, pois no processo de levantamento e catalogação de fontes encontramos também vários trabalhos de autores que lidam com a produção do conhecimento histórico de forma direta ou indireta, mas que não possuem formação no campo disciplinar da história. Portanto, não importa a área de conhecimento, qualquer estudioso pode sim fabricar escrita da história, mas a narrativa histórica possui em seu caráter “princípios de objetividade” onde podemos caracterizá-la como um resultado intelectual dos historiadores;
Existe algo na construção narrativa chamada “história” que não pode ser inventado, pois é previamente dado e tem de ser reconhecido como tal pelos historiadores (…) a interpretação histórica não pode ir além dos contornos da experiência quando tenha por intenção enunciar o que ocorreu no passado (CORDEIRO,2015,p.02 Apud RÜSEN, 2001,p.94).
Como já ressaltado, tal feito não se limita ao historiador de formação, porém é necessário como justificativa não menos que o uso do artesanal teórico-metodológico e das especificidades do ofício do historiador.
2.3 A Historiografia como Produto das escritas(s) das História(s)
Chegamos ao último item deste capítulo, assim como demarcamos a escrita da história como produto do historiador quando faz história, buscaremos também tecer a trama da historiografia como uma subdisciplina do conhecimento histórico que é produto/conjunto da escrita da história. Para José d’ Assunção Barros
A Historiografia – ou História – pode ser compreendida como o vasto universo de realizações produzidas até hoje por todos os historiadores e autores de História. Neste sentido, a Historiografia é a “História escrita”; de modo que não é à toa que a expressão indica literalmente isto (historio-grafia). (BARROS, 2014, p.13)
À primeira vista o conceito de historiografia parece ser descomplicado, mas se voltarmos a um olhar crítico, veremos um conceito abundante de complexidades que ainda não foram possíveis de serem apuradas permanentemente. Neste trabalho, a Historiografia é entendida como o conjunto da(s) escrita(s), contudo ela não se resume somente a isso. Robson Nascimento da Cruz, diz que:
A historiografia é uma disciplina preocupada com a pesquisa histórica em si; em como fazer a coleta de dados; quais os critérios de escolha dos dados; como analisar; qual orientação teórica utilizar. Todas essas e outras mais são questões que envolvem o trabalho historiográfico, uma reflexão sobre a atividade dos historiadores ou meta-historiográfica, uma reflexão sobre a atividade dos historiadores, como muitos preferem denominar. Assume-se, portanto, que as pesquisas historiográficas, como qualquer pesquisa em qualquer campo de conhecimento, irá definir critérios arbitrários para direcionar sua investigação. Critérios esses que estão baseados na concepção epistemológica e científica que se tem do objeto de estudo e da própria história. (CRUZ, 2006, p.163)
José d’ Assunção Barros compartilha em um de seus escritos, da mesma compreensão de (CRUZ, 2006) onde:
O “olhar sobre si” que os historiadores devem exercer regularmente consubstancia-se na disciplina intitulada “Historiografia” sendo que as obras dos próprios historiadores sobre a historiografia começam a ser escritas ainda no século XIX, tendo conhecido especial intensificação a partir das últimas décadas do século XX. (BARROS,2014, p. 44).
A historiografia é entendida neste trabalho como uma subdisciplina da história que se configura como “um olhar sobre si” e produto da própria história, que está repleta de historicidade, os historiadores têm procurado nessa subdisciplina um horizonte panorâmico de si, observando as peculiaridades de determinada historiografia e apresentando os perfis historiográficos estabelecidos por período e tema.
Sabemos que as discussões apresentadas têm sido amplamente discutidas por muitos intelectuais. O professor Valdeir Lopes de Araújo em suas discussões sobre a história da historiografia apresenta a seguinte questão “Ao contrário da teoria da história, que tem uma identidade construída, a história da historiografia não raro mal consegue ser separada de seu objeto mais evidente, a escrita da história” (ARAUJO,2023,p.35) Talvez eu realmente ainda seja um tanto nércia neste campo de conhecimento, mas lanço-me em direção as palavras do professor Valdeir no que diz respeito a compreensão da história da historiografia e principalmente quando nos dedicamos a estudar e pesquisar a história de uma historiografia. Contudo, mesmo diante das dificuldades que partem deste pensamento, proponho aqui pensar a historiografia do Tocantins e os elementos da sua construção, até o presente momento nos encontramos satisfeitos com as discussões aqui apresentadas entre as distinções da história, escrita da história e historiografia.
3. AS PRODUÇÕES HISTÓRICAS: UMA INTRODUÇÃO AOS PERÍODOS DA HISTORIOGRAFIA TOCANTINENSE (1990-2023)
Neste capítulo propomos construir uma introdução aos períodos históricos da historiografia tocantinense. Utilizando o levantamento realizado no trabalho de conclusão do curso de história (2019) estudo este, que vem motivar a elaboração desta pesquisa, foi possível identificar 7 trabalhos10 de doutorado que no quantitativo total de produções do período equivale a 9%, As dissertações11 constituem 39% com 32 trabalhos vinculados aos programas de mestrado. E 52% correspondem a 43 trabalhos publicados com o formato de livros12 físicos. Ou seja, mais da metade da produção historiográfica nesse período corresponde ao formato livro, esse maior percentual de trabalhos sob esta natureza é um dos critérios que justifica o recorte da produção historiográfica desse período a ser analisada de forma mais detalhada no terceiro capítulo, onde apresentamos uma análise de literatura contendo o objeto dessas pesquisas, as abordagens escolhidas e construção narrativa dos trabalhos selecionados no formato livro.
Tendo como ponto de partida os dados fornecidos no trabalho de graduação, uma das questões evidenciadas na atual pesquisa é a emergência e necessidade de uma sistematização e estruturação da historiografia, no intuito de vislumbrar através do tempo a distinção dos momentos e suas preocupações no tempo e espaço. Neste sentido, para dar continuidade à discussão, se fez necessário atualizar os dados do levantamento produzido no trabalho de graduação (2019) no que tange às produções, vez que, o desenvolvimento deste trabalho envolve o processo de levantamento de dados que precisam ser atualizados ao longo do tempo. As produções historiográficas analisadas que se dispõem como fonte, referência e objeto de estudo, foram catalogadas mediante um levantamento de fontes, em repositórios como o Portal da Biblioteca da UFT – Universidade Federal do Tocantins, Bancos de Teses e Dissertações, Portal da CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Repositórios Institucionais de outras Universidades e Bibliografia dos Trabalhos encontrados. Sendo assim, percebe-se no gráfico 1 que houve um aumento das produções sob a natureza de dissertação. Vejamos:
Gráfico 1

Fontes: Bancos de teses e dissertações, Portal da Biblioteca da Universidade Federal do Tocantins, Portal da CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Repositórios Institucionais de Trabalhos Científicos de outras Universidades.
Percebe-se uma permanência no quantitativo das produções de livros e teses realizadas nos dois períodos. E fica visível o quantitativo das dissertações que sofrem um aumento de 33 produções catalogadas até o ano de 2019, para 53 produções catalogadas em 2023, com um acréscimo de 20 trabalhos produzidos em um intervalo de 3 anos por Programas de Pós-graduação em História.
A criação do estado do Tocantins se dá mediante o seguinte artigo da Constituição Federativa Brasileira de 1988:
Art. 13. É criado o Estado do Tocantins, pelo desmembramento da área descrita neste artigo, dando-se sua instalação no quadragésimo sexto dia após a eleição prevista no § 3º, mas não antes de 1º de janeiro de 1989.
§ 1º O Estado do Tocantins integra a Região Norte e limita-se com o Estado de Goiás pelas divisas norte dos Municípios de São Miguel do Araguaia, Porangatu, Formoso, Minaçu, Cavalcante, Monte Alegre de Goiás e Campos Belos, conservando a leste, norte e oeste as divisas atuais de Goiás com os Estados da Bahia, Piauí, Maranhão, Pará e Mato Grosso.
§ 2º O Poder Executivo designará uma das cidades do Estado para sua capital provisória até a aprovação da sede definitiva do governo pela Assembleia Constituinte.
§ 3º O Governador, o Vice-Governador, os Senadores, os Deputados Federais e os Deputados Estaduais serão eleitos, em um único turno, até setenta e cinco dias após a promulgação da Constituição, mas não antes de 15 de novembro de 1988, a critério do Tribunal Superior Eleitoral, obedecidas, entre outras, as seguintes normas:
I – o prazo de filiação partidária dos candidatos será encerrado setenta e cinco dias antes da data das eleições;
II – as datas das convenções regionais partidárias destinadas a deliberar sobre coligações e escolha de candidatos, de apresentação de requerimento de registro dos candidatos escolhidos e dos demais procedimentos legais serão fixadas, em calendário especial, pela Justiça Eleitoral;
III – são inelegíveis os ocupantes de cargos estaduais ou municipais que não se tenham deles afastado, em caráter definitivo, setenta e cinco dias antes da data das eleições previstas neste parágrafo;
IV – ficam mantidos os atuais diretórios regionais dos partidos políticos do Estado de Goiás, cabendo às comissões executivas nacionais designar comissões provisórias no Estado do Tocantins, nos termos e para os fins previstos na lei.
§ 4º Os mandatos do Governador, do Vice-Governador, dos Deputados Federais e Estaduais eleitos na forma do parágrafo anterior extinguir-se-ão concomitantemente aos das demais unidades da Federação; o mandato do Senador eleito menos votado extinguir-se-á nessa mesma oportunidade, e os dos outros dois, juntamente com os dos Senadores eleitos em 1986 nos demais Estados.
§ 5º A Assembléia Estadual Constituinte será instalada no quadragésimo sexto dia da eleição de seus integrantes, mas não antes de 1º de janeiro de 1989, sob a presidência do Presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Goiás, e dará posse, na mesma data, ao Governador e ao Vice-Governador eleitos.
§ 6º Aplicam-se à criação e instalação do Estado do Tocantins, no que couber, as normas legais disciplinadoras da divisão do Estado de Mato Grosso, observado o disposto no art. 234 da Constituição.
§ 7º Fica o Estado de Goiás liberado dos débitos e encargos decorrentes de empreendimentos no território do novo Estado, e autorizada a União, a seu critério, a assumir os referidos débitos. (BRASIL, Congresso. 1988,p.2)
Antes do norte goiano se tornar o estado do Tocantins já era possível vislumbrar as produções historiográficas por diversos intelectuais nortenses. Desde a emancipação do estado, as produções têm se intensificado cada vez mais, dessa forma, acreditamos que a historiografia tocantinense é construída a partir de três momentos. Este capítulo trata do relato descritivo em ordem alfabética, sob natureza historiográfica de cada um destes momentos históricos.
3.1 Experiência histórica de criação do Tocantins – (1990 – 1999)
Neste item, apresentamos os trabalhos de natureza bibliográfica em ordem alfabética produzidos no primeiro momento – do recorte historiográfico que se faz deste estudo – a qual se refere aos anos de 1990 a 1999. Este conjunto de obras apresenta experiências e elementos históricos da criação, autonomia financeira, política e administrativa do norte goiano, uma vez que a motivação dos grupos era norteada pelo compartilhamento e desejo de desenvolvimentista da região.
AQUINO, Napoleão Araújo De. A CONSTRUÇÃO DA BELÉM – BRASÍLIA E A MODERNIDADE NO TOCANTINS.’ 01/02/1996 215 f. Mestrado em História. Instituição de Ensino UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, GOIÂNIA Biblioteca Depositária: MESTRADO EM HISTÓRIA UFG
BARROS, Kátia Maia Flores. O Olhar do Outro. O norte de Goiás na Visão dos Viajantes estrangeiros do Século XIX’ 01/11/1997 126 f. Mestrado em História Instituição de Ensino: UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO, RECIFE Biblioteca Depositária: Biblioteca Central.
BORGES, Barsanufo Gomides. O despertar dos dormentes. Goiânia: Ed. UFG, 1990.
BRAGA, Ana. Nossa Senhora da Natividade, Padroeira do Estado do Tocantins e D. Alano Maria de Noday, Apóstolo do Tocantins. Goiânia: Cartografia, Editora e Pap. Lida,1994,68 Págs.
Carvalho, Francisquinha Laranjeira. Fronteiras e Conquistas pelo Araguaia – Século XIX. / Francisquinha Laranjeira Carvalho. 2° Edição. – – Goiânia:Kelps, 2010.
CAVALCANTE, Maria Do Espirito Santo Rosa. O MOVIMENTO SEPARATISTA DO NORTE DE GOIÁS 1821-1988. Maria do Espirito Santo Rosa Cavalcante. – São Paulo: Anita Garibaldi, Editora da UCG;1999.
CHAUL, Nasr Nagib Fayad. Caminhos de Goiás: Da construção da decadência aos limites da modernidade/ Nasr Nagib Fayad Chaul. – – Goiânia: Ed. da UFG,1997.
CHAUL, Nasr Nagib Fayad. Coronelismo em Goiás: Estudos de casos e famílias / Nasr Nagib Fayad Chaul, coordenador. Conteúdo: O coronelismo do Estado de Goiás(18891930):as construções feitas do fenômeno pela história e literatura/ Gracy Tadeu da Silva Ferreira. Coronelismo e cotidiano: Morrinhos (1889-1930) / Maria Lúcia Fonseca.
GIRALDIN, Odair.Kayapó e Panará: Luta e sobrevivência de um povo já no Brasil Central /Odair Giraldin. – Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 1997.
GÓMEZ, Luis Palacín. Coronelismo no Extremo Norte de Goiás: O Padre João e as Três Revoluções de Boa Vista – Tocantinópolis. São Paulo: Edições Loyola, 1990.
O Sonho de uma Geração (Casa do Estudante do Norte Goiano (CENOG) e Movimento Separatista – 1959-1968)’ 01/12/1996 142 f. Mestrado em HISTÓRIA Instituição de Ensino: UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO, RECIFE Biblioteca Depositária: Biblioteca Central da UFPE
OLIVEIRA, Maria De Fátima. Um Porto no Sertão: cultura e cotidiano em Porto Nacional 1880-1910.’ 01/05/1997 174 f. Mestrado em HISTÓRIA Instituição de Ensino: UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, GOIÂNIA Biblioteca Depositária: Mestrado em História
PALACIN, Luís O século do ouro em Goiás: 1722-1822, estrutura e conjuntura numa capitania de Minas/Luís Palacin – 4 ed. – Goiânia: Ed.UCG,1994.
PARENTE, Temis Gomes. Fundamentos Históricos do Tocantins. Goiânia: UFG, 1999
PARENTE, Temis Gomes. Resistência em um Universo de Pobreza. Norte de Goiás – 1749-1800′ 01/12/1996 138 f. Mestrado em HISTÓRIA Instituição de Ensino: UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO, RECIFE Biblioteca Depositária: Biblioteca Central da UFPE
PEREIRA, Edithe Da Silva. AS GRAVURAS E PINTURAS RUPESTRES NO PARÁ, MARANHÃO E TOCANTINS: ESTADO ATUAL DO CONHECIMENTO E PERSPECTIVAS. 01/09/1990 300 f. Mestrado em HISTÓRIA Instituição de Ensino: UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO, RECIFE Biblioteca Depositária: UNDEFINED,1990.
RIBEIRO, Miriam Bianca Amaral. Memória, família e poder: História de uma permanência política: os Caídos em Goiás/ Miriam Bianca Amaral Ribeiro. – Goiânia: editora Kelps,1998.
SALLES, Gika Vasconcelos Ferreira de. Economia e escravidão na Capitania de Goiás. Goiânia: CEGRAF/UFG,1992.
SANTOS, Edivaldo Antonio Dos. OS DOMINICANOS EM GOIÁS E TOCANTINS 18811930:FUNDAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DA MISSÃO DOMINICANA NO BRASIL 01/08/1996 174 f. Mestrado em HISTÓRIA Instituição de Ensino: UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, GOIÂNIA Biblioteca Depositária: MESTRADO EM HISTÓRIA.
3.2 O papel da Universidade Federal do Tocantins como protagonista da trama voltada a produção do conhecimento histórico do cerrado-amazônico- tocantino – historiografia (2000 – 2009)
A criação e desenvolvimento sócio- político – econômico do antigo Norte Goiano, como sua emancipação política se deu após décadas de exploração dos metais preciosos da região e embates políticos dos movimentos separatistas, estes movimentos são frutos da universidade e da pesquisa científica que contribuíram no desenvolvimento do estado e na produção de uma massa crítica na região. A instituição de Ensino Superior – UNITINS foi criada em 1990 integrando o desejo e projeto de emancipação da região. Foi Criada em 21 de Fevereiro de 1990 pelo Governador Siqueira Campos, pensada “como uma instituição verdadeiramente crítica e formadora, proficiente no papel de suscitar mentes capazes de compreender e transformar a realidade do estado.” (PRETTO E PEREIRA, 2008, 29p.)
No segundo semestre de 1996 restringiu-se a gratuidade dos cursos oferecidos pela UNITINS em função dos custos, este fato, procedeu a movimentos de resistência à privatização do meio acadêmico. Depois de intensas reivindicações da sociedade tocantinense o Governo do Estado tenciona a constituição de uma Universidade Federal e no dia 23 de outubro do ano 2000 foi criada a Universidade Federal do Tocantins.
Atualmente a UFT se encontra com 23 anos de criação – “tendo como missão, produzir e difundir conhecimento visando a formação de cidades e profissionais qualificados e comprometidos com o desenvolvimento da Amazônia” DECOM – Memória da UFT) – sendo uma das instituições que tem contribuído de forma significativa com a produção do conhecimento histórico do cerrado-amazônico tocantino.
A seguir, apresentamos as produções bibliográficas em ordem alfabética que trazem no seio das suas abordagens temáticas e reflexões sobre o estado em processo de afirmação, produzidas entre os anos 2000 a 2009.
APOLINÁRIO, Juciene Ricarte. Escravidão Negra no Tocantins Colonial: Vivências escravistas em Arraias (1739-1800) / Juciene Ricarte Apolinário. 2° edição – Goiânia: Kelps,2007.
APOLINÁRIO, Juciene Ricarte. Os Akroá e outros povos Indígenas nas Ponteiras do Sertão – Políticas Indígenas e Indigenistas no Norte da Capitania de Goiás – Século XVIII. Juciene Ricarte Apolinário—Goiânia: Kelps, 2006
BARROS, Kátia Maia Flores. Caminhos que andam: O rio Tocantins e a navegação fluvial nos sertões do Brasil‘/ Kátia Maia Flores. – Goiânia: Ed. da UCG,2009.
BRUNI, Fernanda Zilli. Ideais separatistas e autonomia política: depoimentos sobre a criação do estado do Tocantins.‘ 01/01/2007 202 f. Profissionalizante em HISTÓRIA, POLÍTICA E BENS CULTURAIS Instituição de Ensino: FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS/RJ, RIO DE JANEIRO Biblioteca Depositária: Biblioteca Mario Henrique Simonsen.
CARVALHO, Francisquinha Laranjeira. Nas águas do Araguaia: A navegação e a Hibridez Cultural. / Francisquinha Laranjeira Carvalho. / — Goiânia: Kelps,2009.
CAVALCANTE, Maria Do Espírito Santo Rosa. O Discurso Autonomista Do Tocantins/ Maria do Espirito Santo Rosa Cavalcante. – Goiânia: Ed. da UCG,2003.
CHAUL, N. N. F. Da Construção da Decadência aos Limites da Modernidade. 3ª. ed. Goiânia: Editora UFG, 2010. v. 1. 288p.
GARCIA, Ana Cláudia de Aquino. O rastro e o laço: o contrabando do boi no sertão dos goyazes (1830-1870). 2009. Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2009.
LISBOA, Andreia Silva. The Brazil – Central” and its potential in the information Goyana magazine (1917-1935). 2009. 103 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas) Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2009.
MAIA, Cláudio Lopes. The owners of the land: the struggle over the fate of the border – The fight for the squatters and Trunks Formoso 1950/1960. 2008. 275 f. Tese (Doutorado em História) – UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, Goiânia, 2008.
MATTOS, Paulo Henrique Costa. Vida Vermelha (História da esquerda no Brasil) Dos primeiros partidos à luta armada no Araguaia – Gurupi Tocantins – Veloso Editorações, Capítulo 5. 2004. 320p.
MESSIAS, Noeci Carvalho. Porto Nacional: Patrimônio Cultural e Memória / Noeci Carvalho Messias. – Goiânia: Ed. da PUC Goiás, 2012.
MOTTER, ANA ELISETE. Representações da identidade do Tocantins na literatura e na imprensa (1989-2002).’ 01/04/2010 157 f. Doutorado em HISTÓRIA Instituição de Ensino: UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS, São Leopoldo Biblioteca Depositária: Biblioteca Central da UNISINOS
Novos olhares sobre as Capitanias do Norte do Estado do Brasil / Carla Mary S. Oliveira; Ricardo Pinto de Medeiros(Organizadores). João Pessoa: Editora Universitária / UFPB, 2007.
OLIVEIRA, Maria de Fátima. Cidades Ribeirinhas do Rio Tocantins: Identidades e Fronteiras’ 01/12/2007 223 f. Doutorado em HISTÓRIA Instituição de Ensino: UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, GOIÂNIA Biblioteca Depositária: Biblioteca Central da UFG
OLIVEIRA, Maria de Fátima. Entre o sertão e o litoral: cultura e o cotidiano em Porto Nacional 1880/1910/ Maria de Fátima Oliveira. – Anápolis: Universidade Estadual de Goiás,2010.
PARENTE, Temis Gomes. O avesso do Silêncio: vivências de mulheres do século XIX / Temis Gomes Parente. – Goiânia: Editora da UFG, 2005. 165 p.
PEREIRA, EDITHE DA SILVA. AS GRAVURAS E PINTURAS RUPESTRES NO PARÁ, MARANHÃO E TOCANTINS: ESTADO ATUAL DO CONHECIMENTO E PERSPECTIVAS 01/09/1990 300 f. Mestrado em HISTÓRIA Instituição de Ensino: UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO, RECIFE Biblioteca Depositária: undefined
Revista Fontes. Universidade do Tocantins. Centro de Pesquisa Histórico-cultural do Tocantins- Ano 01.Volume 01.N°01.Maio de 2002.Palmas:Editora da Unitins. Maio:2002.
RIBEIRO, Fabrízio de Almeida. A invenção do Tocantins: memória, história e representação. Goiânia. Dissertação. (Mestrado em História), Universidade Federal de Goiás, 2001.
SANTOS, Jocyléia Santana Dos. A SEDUÇÃO DA IMAGEM (A TELEVISÃO NO LIMIAR DO ESTADO DO TOCANTINS)’ 01/02/2006 214 f. Doutorado em HISTÓRIA Instituição de Ensino: UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO, RECIFE Biblioteca Depositária: BIBLIOTECA CENTRAL UFPE
SANTOS, Jocyléia Santana dos. O sonho de uma geração: o movimento estudantil Goiás e Tocantins/ Jocyléia Santana dos Santos. – Goiânia: Ed. da UCG,2007.
SANTOS, Roberto de Souza. Educação, território e cultura quilombola no Tocantins: Debates, experiências e pesquisa. – Roberto de Souza Santos (org). – Goiania:/ Kelps,2005.
SILVA, Cleube Alves da. Confrontando mundos: Os Xerentes, Xavante, Xakriabá e Akroá e os contatos com os conquistadores da Capitania de Goiás /Cleube Alves da Silva -Dourados,MS:UFGD, 2006.165 p.
SILVA, Norma Lucia da. Caderno Didático: História do Tocantins. Norma Lucia da Silva (Org.) Goiânia: Gráfica e Editora Ltda,2008. 90p:il.
FIRMINO, Eugencio Pacelli de Moraes. Tocantins do passado (RE) construído e o do presente em construção: história, escola, universidade e conhecimento/organização. – Goiânia: Ed. da UCG, 2009.
3.3 A estruturação historiográfica do Tocantins: 3 décadas de produções – historiografia (2010 – 2023)
Neste terceiro item, apresentamos as produções historiográficas referentes ao período mais atual da historiografia tocantinense, a mesma se refere a última década reunindo trabalhos produzidos entre os anos de 2010 a 2023 expostos em ordem alfabética.
GIRALDIN, Odair. A (trans)formação Histórica do Tocantins/Odair Giraldin (org.). – Goiânia: Ed.UFG, 2.ed.2014.
ALBERNAZ, Flávio Barbosa de. O uso de jogos digitais no ensino de História: uma aprendizagem significativa dos centros históricos tombados do Tocantins.2022.137f. Dissertação (Mestrado em História das Populações Amazônicas) – Universidade Federal do Tocantins, Programa de Pós-Graduação em História das Populações Amazônicas, Porto Nacional, 2021.
ALMEIDA, Fabrício Viana de. Aprendizagem histórica ambiental: a relação entre história local e o território ambiental do rio lontra como estratégia de ensino de História no Colégio Estadual Rui Barbosa -Araguaína-TO . 2020.142f. Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino de História) – Universidade Federal do Tocantins, Programa de Pós-Graduação em Ensino de História, Araguaína, 2020.
ALMEIDA, Vasni de. História e Narrativas:Regionalidade, ensino e arte / Vasni de Almeida; Ana Elisete Motter, Dernival Venâncio Ramos, Braz Batista Vaz & Dimas José Batista(Organizadores). 2°Edição. Palmas: Nagô Editora, 2012.
IPHAN, Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Babaçu: Universo Cultural da Palmeira [Organização Antônio Miranda dos Santos, Cejane Panici Leal Muniz]. — Palmas,TO: IPHAN – Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional,2016.
BELLO, Marco Antônio Bueno. Cultura política e consciência histórica entre estudantes do terceiro ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Guilherme Dourado, Araguaína – Tocantins. 2021.114f. Dissertação – Universidade Federal do Tocantins, Programa de Mestrado profissional em ensino de História, Araguaína, 2021.
BORGES, Maria Helena. “Agora nóis é quilombo, mas nossa raiz é a mesma”: de campesinato a território quilombola, a história narrada da Barra da Aroeira.2021.153f. Dissertação (Mestrado em História das Populações Amazônicas) – Universidade Federal do Tocantins, Programa de Pós-Graduação em História das Populações Amazônicas, Porto Nacional, 2021.
BRESSANIN, Cesar. A ordem Dominicana nos Sertões do Norte: Entre Missões, desobrigas, construções e projetos educacionais em Porto Nacional / César Evangelista Fernandes Bressanin. Palmas: Nagô Editora,2017.
CARVALHO, Francisquinha Laranjeira. Taquaruçu. / Francisquinha Laranjeira Carvalho. Goiânia: Kelps, 2010.
CASTRO, Carolina do Carmo. Practices and representations of popular culture hinterland: a number of stories. Geraldinho Nogueira. 2010. 103 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas) – Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2010.
CORMINEIRO, Olivia Macedo Miranda. A ficcionalização dos sertões: discursos sobre os vales dos rios Araguaia e Tocantins 11/12/2017 undefined f. Doutorado em HISTÓRIA Instituição de Ensino: Universidade Federal De Uberlândia, Uberlândia Biblioteca Depositária: UNDEFINED
CORMINEIRO, Olivia Macedo Miranda. Trilhas, veredas e ribeiras: os modos de viver dos sertanejos pobres nos vales dos rios Araguaia e Tocantins (séculos xix e xx). 01/02/2010 259 f. Mestrado em HISTÓRIA Instituição de Ensino: Universidade Federal De Uberlândia, UBERLÂNDIA Biblioteca Depositária: Biblioteca Campus Santa Mônica da UFU
COSTA, Miriam Mendes. As relações de poder no processo de territorialização dos religiosos da congregação pequena obra da divina providência no norte goiano (19501970). 20/09/2017 143 f. Mestrado em Estudos de Cultura e Território Instituição de Ensino: Universidade Federal Do Tocantins, Araguaína Biblioteca Depositária: BDTD/UFT
FARIA, Ronair Justino de. O ensino de História no contexto da pedagogia da alternância: um estudo da Escola Família Agrícola de Porto Nacional. 2018.134f. Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino de História) – Universidade Federal do Tocantins, Programa de Pós-Graduação em Ensino de História, Araguaína, 2018.
FLORES, Kátia Maia. Estrangeiros no Tocantins do Século XIX / Kátia Maia Flores – Palmas: Nagô Editora,2013.
FRACADOSSO, Luciana Rodrigues. OS NORDESTINOS NA FORMAÇÃO DE PALMAS (1990-2002) 27/06/2017 126 f. Mestrado em História Instituição de Ensino: PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS, Goiânia Biblioteca Depositária: PUC GOIÁS.
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LARINDO, Aparecida Macedo. José do Patrocínio Marques Tocantins (1844-1889): trajetória de um afrodescendente na província de Goiás no século xix’ 19/04/2017 124 f. Mestrado em História; Instituição de Ensino: Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiânia Biblioteca Depositária: PUC GOIÁS
MENEZES, Ivaldino Ferreira de. Natividade e o recenseamento de sua população (1872 – 1920).2022.67f. Dissertação (Mestrado em História das Populações Amazônicas) – Universidade Federal do Tocantins, Programa de Pós-Graduação em História das Populações Amazônicas, Porto Nacional, 2022.
MESSIAS, Noeci Carvalho. Piety and devotion: the festivals of the Divine and the Rosary on Monte do Carmo and Nativity – TO. 2010. 352 f. Tese (Doutorado em História) – Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2010.
NASCIMENTO JUNIOR, José Alves Nunes do. O patrimônio arqueológico de Lajeado – TO: Uma abordagem nas aulas de História. 2022.102f. Dissertação – Universidade Federal do Tocantins, Programa de Mestrado profissional em ensino de História, Araguaína, 2022.
NUNES, Radamés Vieira. Francisco Ayres, lembranças de um porvir: Porto Nacional e a modernização no norte de Goyaz. 2016. Tese (Doutorado em História) – Pós-graduação em História, Linha Política e Imaginário, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2016.
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PADOVAN, Regina Celia. Lugar De Escola é “Lugar De Fronteira”: Instrução primária em boa vista do Tocantins em Goiás no século XIX (1850-1896) / Regina Célia Padovan. – Goiânia: [s.n],2011.
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Populações tradicionais do Tocantins: Cultura e Saberes de Comunidades Quilombolas / Organizadores Karylleila Andrade. Kátia Maia Flores. Roseli Bodnar. – Tocantins: UFT, 2013.
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Através dos dados apresentados acima é possível aferir de forma mais nítida no gráfico 2 que a historiografia do estado do tocantins dentro do campo disciplinar da história tem na sua a primeira década, de 1990 a 1999, 24% das suas produções que equivale 20 trabalhos desenvolvidos neste primeiro momento histórico, a segunda década obteve 31% com 26 produções e, por fim, a última década com um percentual de 55% referente a 57 produções.
Gráfico 2

Fontes: Bancos de teses e dissertações, Portal da Biblioteca da Universidade Federal do Tocantins, Portal da CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Repositórios Institucionais de Trabalhos Científicos de outras Universidades
Podemos analisar que o primeiro momento é marcado pelas produções que buscam apresentar a experiência histórica de criação do Tocantins entre os anos de 1990 a 1999 , ou seja, busca justificar e dar sentido ao passado do estado recém criado. Revela uma rica fonte de pesquisa para aqueles que têm o interesse de voltar-se às produções que conferem sentido à construção e história do norte goiano.
Já o segundo momento marca a criação da Universidade no Estado do Tocantins, pois estas instituições desempenham um papel fundamental na historiografia, não seria possível analisar o pensamento histórico de construção da nossa historiografia sem destacar a importância da universidade pública. O contexto de criação da Universidade Estadual do Tocantins – UNITINS e a Universidade Federal do Tocantins – UFT fez com que os estudos voltados para a produção de conhecimento histórico do cerrado amazônico tocantino ganhassem amplitude, superando um discurso de atraso e abandono da região. Podemos caracterizar este período como o período de busca da afirmação do conhecimento histórico, principalmente no sentido de que as linhas de pesquisa se encontravam definidas, as reflexões sobre as mudanças trazidas pela Universidade como instituição e discurso veio dar estímulos à reflexões sobre um estado emergente, rico, com grandes belezas e em processo de afirmação, entre os anos 2000 a 2009.
O Terceiro momento da historiografia se refere ao período mais atual, 2010 a 2023. Sendo este, o período em que mais houve produções ao longo dos anos, não somente por propor reflexões sobre 34 anos de criação do estado, mas também em função de que as universidades públicas e os discursos históricos estão amadurecidos e consolidados.
4. REVISÃO DE LITERATURA
Para o desenvolvimento das propostas dessa pesquisa é indispensável o diálogo com autores/as que fizeram uso do passado na elaboração de suas pesquisas. Sobretudo aqueles produzidos com as preocupações do campo disciplinar da História. Com a catalogação das produções percebemos que vários autores se debruçaram a escrever a história do Tocantins. Como não seria possível a revisão de literatura de todas as obras encontradas, selecionamos os trabalhos a partir de alguns critérios, como biografia e trajetória acadêmica dos autores/autoras, os livros mais citados, de maior visibilidade e circulação, isto é, os considerados “clássicos” na historiografia do Tocantins. Estes autores, assim como os outros apresentados de forma quantitativa, participaram e construíram o debate historiográfico, e acima de tudo contribuem para a consolidação da identidade sobre/do Tocantins. Autores/as que nos são caros/as para o enfrentamento dos desafios travados na lida com nosso objeto de pesquisa.
4.1 Fundamentos Históricos do Tocantins
A autora Temis Parente13 (1990) no livro Fundamentos Históricos do Tocantins aponta que para o melhor entendimento da experiência e identidade histórica do jovem Tocantins se faz necessário entender a situação do Norte de Goiás no período das descobertas auríferas.
Quando ocorreram as descobertas auríferas no norte de Goiás na década de 1730, a região foi sendo povoada pelos não indígenas, intensificando a exploração do ouro principalmente o de aluvião e os conflitos com a população autóctone. De acordo com Parente (2005) a fixação dessas novas populações era muito estáveis, uma vez que acompanhava as novas descobertas de ouro.
Segundo (PARENTE, 1990) os principais fatores que contribuíram para que o Norte de Goiás não conseguisse acumular capital e se estruturasse economicamente foi o arrefecimento da mineração, fazendo com que a população buscasse uma nova forma econômica devido ao cenário de crise que se encontrava.
No século XVIII inicia-se pelos bandeirantes de prospecção os desdobramentos auríferos na região Norte de Goiás, atual Estado do Tocantins, a princípio se tem a extração do ouro de aluvião e posteriormente a exploração de minas mais ricas. E toda a economia da Colônia Brasileira era explorada por Portugal, uma vez que existia as metrópoles e o restante eram colônias, sendo assim, o que estava acontecendo no Norte de Goiás também estava sendo enfrentado por toda a colônia, era uma conjuntura nacional de colônias que estavam na mesma situação, e sua decadência e exploração ocorreu em função da metrópole.
Não obstante, para entendermos os fatores de não acumulação de capital da região norte de Goiás é crucial compreendermos que todo o processo de exploração estava interligado a um sistema econômico mais amplo e dominante, que eram as ideias mercantilistas, praticadas por todas as metrópoles Europeias da Idade Moderna, a qual o nível de riqueza era determinado a partir do montante de metais preciosos existentes em cada nação, ou seja, tudo que se produzia era para Portugal.
A região Norte sempre foi vista como uma apêndice de Goiás, identificada como pobre, devido a mercantilização e colonização. Podemos elencar como outro fator do não acúmulo de capital nessa região apontado pela autora, foi que a mesma também não se desenvolveu em consequência do contrabando, resultando cada vez mais em um arrocho fiscal e elevados número de impostos.
Diante disso, Parente nos explica que o Sul Goiano não explorava o Norte, pois se encontravam na mesma situação de exploração da estrutura e conjuntura mercantilista, onde todo o ouro era drenado à metrópole através do pagamento do quinto. Portanto, entende-se que o não acúmulo e desenvolvimento do Norte de Goiás está ligado a acontecimentos macros e amplos de um campo econômico que visa a acumulação de riqueza por parte da Burguesia Mercantil Metropolitana.
4.2 O avesso do Silêncio: Vivências de mulheres do século XIX
Essa mesma autora no livro O avesso do Silêncio: vivências de mulheres do século XIX nos dá um panorama sobre a história e identidade cultural das mulheres do norte goiano, atual Tocantins, no século XIX, na perspectiva de dar visibilidade aos seus papéis sociais, dando ênfase ao cotidiano das mesmas. E como o próprio título do livro propõe, o trabalho mostra o avesso do silêncio empregado nos discursos, na historiografia e nas fontes que retratam as mulheres, que até então não eram consideradas historicamente e muito menos empregado algum significado histórico.
Parente nos revela que escrever a história das mulheres neste período, considerando o recorte de tempo e espaço, não foi fácil, uma vez que sua primeira dificuldade foi em função da história dessa região ainda está em construção, e em função das pesquisas encontradas do antigo norte ser direcionada para a região Sul. Outro fator, foi que no processo de formação da história do Tocantins a figura masculina se destaca tradicionalmente nos espaços econômicos, políticos e sociais, silenciando assim a figura feminina.
Visto isso, é crucial destacar que a autora parte da seguinte ideia;
(…) pressuposto de que a vida da mulher era mais dinâmica do que a simples função feminina de executar serviços domésticos e de procriar de que ela contribuiu não só para o processo de sobrevivência familiar, mas também para o processo de transformação vivida pela sociedade nortense. (Parente,2005)
Ou seja, as mulheres ao longo e no decorrer do processo foram ímpar na constituição da sociedade que se formou através das suas práticas cotidianas. A autora utiliza como fonte documental os testamentos, inventários post-mortem, censos, listas de impostos, fontes eclesiásticas e registro de batismo, como a maior parte documental existente vai ser da cidade de Arraias, Natividade, e Porto Imperial, mesmo abordando a temática de forma mais ampla estas cidades ganham maiores ênfases.
Diante desse cenário, a autora percebe que as mulheres não aparecem nos relatos dos viajantes que passam pelo norte de Goiás, nem mesmo na historiografia regional, e nessa análise ela nos diz que as mulheres não aparecem em razão de que os discursos daqueles que descreveram a região colocava sempre a figura masculina como o centro. Portanto, a imagem das mulheres do século XIX do norte de Goiás é a imagem dos viajantes que por aqui passaram. “Mulheres que viviam em total pobreza tanto de bens materiais como de espirito, mulheres que tinham de sair de casa envolvidas em grandes véus pretos que cobriam os seus rostos e corpos para não demonstrar a pobreza em que viviam” (Parente,2005).
Visto isso, os viajantes não perceberam a fundamental importância dessas mulheres nas suas labutas diárias que viviam na busca do seu próprio sustento, seja com os maridos ou sozinhas. Isto posto, no âmbito regional de acordo com a autora, somente confirma os discursos dos viajantes quando anula a importância das mesmas no processo histórico de formação do estado na sua historiografia.
Contudo, compreende-se que a mulher desempenha e assume nesse processo um quinhão importante, que vai das atividades domésticas em casa a produção do alimento, do remédio, do vestuário, do sabão e também das atividades agrícolas. E “É na luta pela sobrevivência na pequena produção agrícola que a mulher representa o seu principal papel como força produtiva da qual o homem não pode abrir mão” (Parente, 2005).
As mulheres também eram responsáveis por desenvolver como uma forma de atividade econômica o pequeno comércio, na qualidade de vendeiras, quitandeiras e taberneiras muitas vezes nas suas próprias residências, é importante ressaltar que eram mulheres de diferentes condições e cores. A labuta não para por aí, outra forma de ocupação das mulheres era a tecelagem, porém essa atividade era desenvolvida para o próprio consumo, como preenchimento e entretenimento das horas vagas.
A autora analisa através dos inventários a cultura material da população do Norte de Goiás, nestes também é possível perceber como apresenta Parente uma desvalorização e menosprezo, onde as atividades realizadas cotidianamente eram subestimadas e os procedimentos de registro eram voltados para o público masculino.
Uma observação interessante é que nos inventários é possível traçar uma comparação dos bens herdados pelos homens e mulheres, pois as mulheres herdaram os móveis de casa, jóias, bugigangas, para o olhar dos avaliadores a mulheres se dedicava as matérias mais humildes. Diferente dos homens que herdaram montarias feitas de metais, relógios de bolso.
A mulher no século XIX vivia em total dependência, prova disso na página 72 Parente nos mostra um trecho citado pelo marido de uma mulher tomando posse da herança de sua esposa, uma vez que as mulheres casadas não podiam legalmente ministrar seus bens. No norte de Goiás predominou-se como forma de organização familiar o concubinato e relações ilícitas, a autora explica que isso é decorrente do fato que o casamento era uma opção que as camadas mais pobres da população tinham pouco acesso.
O Livro como todo, mas o capítulo 4 intitulado Atitudes mentais é essencial para o fechamento de toda contextualização da autora, nos fazendo compreender o porquê que as mulheres permaneceram invisíveis diante das suas atividades cotidianas, familiares e na cultura material. Ficando entendido que foram as experiências culturais determinantes que as colocaram em uma situação de invisibilidade, e que as mulheres somente apareciam quando realizavam atitudes divergentes das julgadas oficialmente corretas.
4.3 Caminhos que andam: o rio Tocantins e a navegação fluvial nos sertões do Brasil
Outra autora importante para nosso trabalho é a Kátia Maia Flores14 que apresenta, no livro Caminhos que andam: o rio Tocantins e a navegação fluvial nos sertões do Brasil. Flores nos permite pensar o rio Tocantins, tendo como fontes principais os relatórios, dos viajantes e textos da imprensa elaborados no século XIX.
É importante refletirmos a forma que a autora inicia o seu livro, onde diz: “A história do Tocantins é a história do Tocantins” (FLORES, 2009), porque se pensarmos por meio dos seus escritos e de outros o rio Tocantins foi um dos grandes obstáculos de superação para que o progresso chegasse nessa região. “(…) abrindo caminhos pelo sertão, ampliando fronteiras, transportando riquezas, integrando culturas” (FLORES,2009)
A navegação do rio Tocantins possibilitou a inserção de uma nova civilização, transportando as suas riquezas como também trazendo novidades, devido as grandes riquezas desse Estado, o mesmo é considerado pela autora, um resultado da integração de culturas advindas por imigrantes para explorar as regiões, promovendo assim sua interiorização e popularização.
Em um primeiro momento a autora vem caracterizar as múltiplas características do rio, seus pilares de construção, fantasia, poesia imersa, sua ligação com os ribeirinhas, ressaltando a sua vital importância não somente para a região Norte mas para todo o Estado do Tocantins. Em aspectos gerais, a obra nos permite compreender o rio nas suas diversas e múltiplas histórias, através de relatos de viajantes, estrangeiros, comerciantes, missionários, bandeirantes e outros, atentando para a integração do território, ou seja, compreendendo através das diferentes narrativas a importância do Rio Tocantins no processo de interiorização do estado através da navegação.
O primeiro Capítulo intitulado o rio Tocantins rumo ao interior do Brasil, a autora nos traz a relação dual do homem e suas múltiplas faces com o rio através de suas bases materiais de sustentação como alimentação, construção e do processo de comunicação. O rio Tocantins é apresentado como um dos rios que perpassa entre planícies e planaltos, se dividindo em Alto, Médio e Baixo Tocantins, o mesmo nasce na confluência entre os rios do Paraná e Maranhão, a autora explica suas características geográficas destacando a sua importância como elemento de integração entre territórios e fronteiras.
Um ponto instigante, apesar de não haver qualquer documentação que comprove a existência desses povos, assim como a autora ressalta é o fato do nome do rio ser adotado por franceses, jesuítas e portugueses, ainda na colônia como Tocantins, devido as populações (indígenas) existentes que habitavam as margens do rio, onde é apontada as controvérsias e imprecisões no que diz respeito o nome do rio, hoje denominado Tocantins a partir de diferentes visões e argumentos.
Até aqui podemos entender que mesmo com todos os relatos, o rio Tocantins foi também um objeto de relatos e imprevisões. Muito mais do que as dificuldades e perigos enfrentados a navegação fluvial também foi um importante fator na penetração dos sertões, sendo desbravado por paulistas, espanhóis, Diogo de Lepe e outros. As várias expedições ao Norte nos fazem pensar o quanto era fácil e comum trafegar pelo Rio Tocantins, um fato curioso é que foram essas expedições que vieram contribuir para a construção de uma representação geográfica daquele espaço, desde o século XVII o Tocantins foi caminho dos bandeirantes paulistas de praia de Indígenas e Percepção de ouro e posteriormente fronteira para as fazendas de criação de gado.
No segundo capítulo vemos o rio Tocantins no processo de desenvolvimento regional pós-crise da mineração, onde desde os anos quinhentos o rio Tocantins se configura geograficamente como um caminho utilizado na busca e extração de ouro, uma vez que o ouro aqui descoberto movimentava toda a região, e em um determinado período o rio se torna um empecilho para realização de tal atividade como também na locomoção do ouro, a coroa Portuguesa proíbe a sua navegação em função do contrabando e essa atitude se torna um mecanismo de controle do ouro que saía da região Norte.
A autora aponta que a lentidão do processo de comunicação da região Norte se dá por tal proibição, em 1782 foi atendido os vários pedidos dos governadores que compreendiam essa interdição como um descaso e abandono do Norte de Goiás conforme as suas dificuldades enfrentadas. A busca pela liberação para trafegar no rio, reflete na possibilidade que o mesmo desempenhava como uma interligação do centro/sul e o norte, principalmente em meados do final do século XVIII, momento este que a agropecuária representa a principal atividade produtiva do Norte de Goiás. Para realização das embarcações e navegação do rio era necessário todo um conhecimento, como as espécies de madeira mais adequada, experiência nos enfrentamentos de corredeiras e pedregais, técnica de fabricação e outros, diante disso, inicialmente o conhecimento nativo é o que prevalece, e de acordo com alguns relatos a capacidade e tamanho das cargas variavam de acordo com as embarcações. A escrita de Flores é muito envolvente, quando ela fala que a cada embarcação que partia a população local nas margens do rio, com gritos acenava e assistia a despedida, fiquei projetando em pensamento na tentativa de construir uma imagem desse escrito.
Os alimentos mais consumidos e utilizados pelos viajantes devido à resistência de armazenamento era a carne seca, peixe, farinha e caça, Flores relata que o preferido dos romeiros era o feijão com toucinho, e no decorrer da viagem se tinha uma rica possibilidades de abastecimento mas também possuía um grande empecilho no processo de interiorização do Brasil.
No decorrer de toda a história da região norte de Goiás é perceptível que o rio Tocantins vai se configurando em determinado momento seja com maior e menor grau de relevância, mas toda sua movimentação vem construir e dar base a uma população.
No último e Terceiro Capítulo intitulado os projetos de desenvolvimento regional e o rio Tocantins, Kátia Maia Flores busca evidenciar a mineração como um pontapé inicial para incorporação da região e como seu arrefecimento resultou na busca de outras alternativas de soerguimento da mesma.
Percebe-se que o trabalho é de grande importância para a construção da experiência histórica do Estado, uma vez que nos atenta a compreensão da atualidade, pois os estudos possibilitam o resgate da memória, onde o rio se apresentava como bem valioso, incorporado ao uso social com as demais regiões do país.
4.4 Portos no Sertão: Cidades Ribeirinhas do Rio Tocantins
O outro livro de Maria de Fátima Oliveira trata de um estudo sobre identidades e fronteiras em duas cidades das margens do rio Tocantins: Porto Nacional e Pedro Afonso com o objetivo principal de mostrar como, em um determinado espaço e tempo, uma identidade foi se construindo, se fragmentando e se reconstruindo ante as transformações ocorridas na região.O livro é resultado da tese de doutorado em história Cidades Ribeirinhas do Rio Tocantins: Identidades e fronteiras. O estudo tem um recorte temporal que vai do século XIX ao final do século XX, pois marca não somente o nascimento das cidades enfocadas no trabalho, mas também, os impactos causados por mudanças que afetam a identidade dessas comunidades.
A pesquisa se encontra dividida em 2 partes, a primeira Rio Tocantins: Ecos de diferentes Vozes se organiza no primeiro, segundo e terceiro capítulo. Inicia abordando a existência de uma identidade ribeirinha na perspectiva do Rio Tocantins, circunstância em que o rio para Oliveira é compreendido como uma pluralidade de sentidos, pois ela diz, “Ele une e fixa, mas também separa e divide” Essa colocação da autora nos dá a interpretar que o rio por condição própria é uma fronteira geográfica, mas é também fronteira econômica, cultural e simbólica. Entende-se o rio em dois sentidos, pois ora, ele é mostrado como uma barreira. Ora é interpretado como via de contato, comunicação, integrando regiões, fomentando as identidades e relações culturais/sociais.
Já a segunda parte Portos no Sertão: Identidades e Fronteiras se encontra dividida em quarto e quinto capítulo, Aqui vemos que a história da ocupação e navegação do rio tocantinense é inseparável das histórias e memórias das cidades ribeirinhas porque o rio foi um fator determinante para o’desenvolvimento das duas cidades em evidência – Porto
Nacional e Pedro Afonso – . A navegação é o elemento que vai contribuir para a dinamicidade dessa região, os barcos a remo foram substituídos em determinado momento por barcos a motor em função da modernização. A questão central do estudo de Oliveira é enfatizada através de fontes como jornais, revistas, livros, fotografias, mapas, relatos de ribeirinhos e administradores, memorialistas e monumentos. A união dessas fontes de memória permitiu à autora entender o processo de construção, reconstrução e fragmentação identitária da população ribeirinha do Tocantins no século XVI.
4.5 O discurso autonomista do Tocantins
No livro O discurso autonomista do Tocantins, Maria do Espirito Santo Rosa Cavalcante, nos traz uma abordagem voltada para os discursos, justificativas e movimentos realizados favorável ao Norte, de acordo com a autora para almejar uma autonomia do Estado foi preciso realizar mudanças nos embasamentos dos discursos autonomistas realizados no decorrer da história.
No segundo capítulo a autora apresenta o estado de Goiás na virada do século XX, Contextualiza o Estado economicamente, sendo identificada a agricultura o setor base da economia do Estado. No terceiro capítulo Cavalcante do livro traz a discussão que o Norte de Goiás nas proximidades da década de 1970 estava inerte em uma economia nacional de bens exportáveis. Onde os empresários que tinham interesse na exportação de seus produtos ganharam do Governo Federal um incentivo fiscal através de programas especiais e essa exportação estimulou e resultou em um grande sucesso na economia por intermédio da precarização da agricultura.
Mesmo com a agricultura recebendo um incentivo fiscal do governo federal, a região Norte de Goiás foi a que então mais se expandiu e alcançou bons resultados, porém essa expansão não significou a superação e desenvolvimento da região equiparando com o Centro/ Sul do Estado. Sabemos que durante os longos anos de luta pela emancipação de desenvolvimento da região Norte, vários momentos da história foram utilizados como justificativas para o desenvolvimento e emancipação da região. Diante do incentivo fiscal do governo federal que de certa forma resultou na expansão da agricultura, o resultado desse crescimento foi mais uma das justificativas para o desenvolvimento do Norte.
No dia 04 e 05 de Abril no congresso nacional, o deputado da região, Siqueira Campos proferiu um discurso na Câmara Federal justificando o que havia de progresso na região como “justificada euforia”. Ressaltou que a região do Norte de Goiás, uma vez inserida no mercado internacional como um dos grandes produtores agropecuários, a ocupação das terras e espaços devolutos, desempenharam um maior desenvolvimento da região e contribuíram para um aumento da produção de grãos do Estado.
Até aqui percebemos de acordo com CAVALCANTE, (2003) que entre a primeira metade dos anos de 1970 o discurso favorável em prol do Norte, buscava somente ser inserido no mercado nacional e internacional, e para que isso ocorresse seria necessário algumas medidas imediatas e urgentes como abertura de créditos e financiamentos, regularização das terras, infraestrutura como a BR-153, e a construção da ponte do Rio Tocantins via Porto Nacional. As dificuldades enfrentadas pela região como isolamento e abandono, os problemas fundiários que não tinham força suficiente para que um projeto autonomista fosse sustentado são apontados pela autora como dois principais motivos da indiferença entre a ligação Norte/ Centro Sul.
Na segunda metade dos anos 70, em função do Sul do Mato Grosso buscar instalar uma outra unidade federativa denominada Mato Grosso do Sul, fundamentadas em três razões, a primeira era que a região apresentava um grande crescimento de anos 70, tendo assim uma maior economia e representatividade política com relação ao Norte, que o novo Estado seria uma abertura ao progresso de toda a região mato-grossense, e por fim, iria favorecer a reivindicação autonomista pois o novo Estado iria atrair investimentos.
Com isso, o deputado Siqueira Campos se anima a retomar a proposta de criação do Estado do Tocantins mostrando também a necessidade de se realizar uma divisão territorial, a partir de então a busca por um desenvolvimento do Norte toma agora uma proposta de “criação do estado do Tocantins”, com essa finalidade foi então criada uma comissão em prol de uma divisão territorial, político-demográfica no país denominada “Comissão Especial Destinada à elaboração de Projetos de Lei sobre a divisão Territorial e Política Demográfica”.
Essa comissão em 1974 apresentou uma ementa escrita pelo próprio Siqueira Campos que criava o Estado do Tocantins. Três anos depois foi apresentado novamente outro projeto de lei, pelo mesmo, que propunha uma consulta plebiscitária em 52 municípios do Norte de Goiás e depois a criação do estado do Tocantins.
É interessante refletirmos os diferentes momentos da criação do estado do Tocantins, a historiografia nos aponta que à princípio buscava-se a criação de novos territórios e não de novos Estados, devido a conjuntura da época, uma vez que, os territórios que não usufruem de autonomia eram subordinados diretamente ao Governo Federal, e junto a esses territórios buscava o efeito de qualificar a região pela sua viabilidade econômica.
A partir da década de 1980, a tomada desse discurso autonomista é motivada e ganha forças com a criação do Estado do Mato Grosso do Sul, pois ele contribuiu largamente no processo de formação desse Estado.
A definição do poder político nacional abriu espaço para que se levantasse questões de representação do povo, pois buscavam uma nova representação que avaliasse a criação do discurso em defesa dos interesses e desenvolvimento do Norte, a criação da CONORTE foi resultado da liderança política da região. A mesma desempenhou um papel fundamental na criação do Estado do Tocantins, ela contribuiu no sentido de conscientização do povo, para que se unissem e buscassem juntos mobilizar a sociedade, esse foi um de seus objetivos como também buscou fortalecer as ideias da população Nortense através de pesquisa. Estudos e debates sobre região, com essa finalidade foi promovido em abril de 1982 um congresso para que as questões regional fossem apresentadas e discutidas, vários temas foram apontados mas se referiam principalmente a divisão do estado para que pudesse ser melhor gerida e fosse também integrada a região Norte de Goiás no processo de desenvolvimento Nacional.
E nesse mesmo congresso resultou o documento Carta do Tocantins 13 de Maio de 1982 onde foram mostradas as possibilidades econômicas da Região Norte, mas embora na carta a CONORTE expressasse o desejo pela autonomia da região, deixa um pedido para que a mesma unisse mais forças para viabilizar o atendimento de suas reivindicações.
Um ponto importante analisado na historiografia é que a emancipação do Norte poderia ser conquistada com o aumento da representatividade da região no parlamento, e isso contribuiu para que nas eleições de 1982 o povo votasse nos candidatos da sua região, pois o interesse no Norte estava acima de divergências partidárias.
Outro fator relevante analisado, no discurso autonomista pela autora foi duas propostas aparentemente positiva, resultante de um pronunciamento de Siqueira Campos na Câmara Federal de criar uma Amazônia, onde junto a sua proposta vieram mais duas hipóteses, a primeira tomava apenas a área de terras do Araguaia e Tocantins e parte das regiões de conflitos fundiários do Pará, Maranhão e Goiás, a segunda era as áreas do projeto Carajás, compreendia os Estados de Goiás, Pará e Maranhão. Motivado pelas possibilidades de aprovação do novo Estado, Siqueira elabora o Projeto de Lei Complementar n° 1, de 1983 na câmara dos deputados sob o n° 218 no Senado Federal. E esta lei apresentava algumas justificativas como:
- Autonomia política e administrativa/ criação de cargos para governadores, vice, senadores, deputados federais como estaduais, Tribunal de Justiça de Contas, Secretarias de Estado, Órgãos federais e autárquicos para que pudessem servir minimamente a população dessa região.
- Polo Irradiador de Cultura e progresso;
- Ampliação dos recursos federais da região;
- Aceleração do processo de desenvolvimento da região
- Aumento da confiança do empresariado nacional, do capitalista e banqueiro para investir na região.
Este projeto foi aprovado pelo Congresso Nacional em 1985, porém revogado duas vezes pelo Presidente da República, justificados pelo fato de que a criação de um Estado implicaria em uma sobrecarga dos cofres públicos, em função de que o novo Estado seria inviável economicamente, pois não tinha receita para se sustentar.
Vários são os posicionamentos de lideranças políticas contra e a favor do novo estado, onde muitos destes posicionamentos foram registrados pela imprensa Goiana em 1985, onde podemos perceber posicionamentos isolados e que ao mesmo tempo que se contradizem.
As manifestações a favor do Estado do Tocantins contribuíram para que o presidente da República viesse a autorizar em 1985 a formação de uma comissão para a divisão territorial do país com o objetivo de buscar dados socioeconômicos das regiões que reivindicavam autonomia tanto política quanto administrativa, como é o caso do Estado do Tocantins. Dessa forma, Cavalcante, (2003) se preocupou em abordar as dificuldades enfrentadas pela região como isolamento, abandono, e os problemas fundiários que não tinham força suficiente para que um projeto autonomista fosse sustentado.
4.6 A (trans) formação histórica do Tocantins
Odair Giraldin15, organiza o livro A (trans)formação histórica do Tocantins, que reúne textos de treze professores universitários do Tocantins, de Goiás e dos Estados Unidos, cujos trabalhos versam sobre aspectos da história da região que compreende hoje o Estado do Tocantins. A coletânea tematiza assuntos diversos, organizada em 3 partes.
Na primeira, Criando o Tocantins se encontram os trabalhos da Rosy de Oliveira sobre a “invenção do Tocantins” onde ela apresenta uma análise política, econômica, histórica e social ocorrida no primeiro movimento em prol da divisão do norte goiano. Da Maria do Espírito Santo Rosa Cavalcante, onde ela aborda o discurso autonomista do Tocantins: primeiras manifestações, ou seja, ela aborda a primeira manifestação da oposição autonomista no norte ao centro-sul de Goiás. O trabalho da Jocyléia Santana dos Santos sobre a Cenog no discurso dos seus integrantes descreve a atuação do movimento para despertar a população norte goiana no processo político e em movimentos sociais.
A segunda, parte refletindo sobre nossa tradição: séculos XVIII e XIX é composta por cinco trabalhos. O primeiro texto é do Autor e organizador do livro Odair Giraldin que versa sobre Povos indígenas e não indígenas: uma introdução à história das relações interétnicas no Tocantins, trazendo discussões sobre a forma de sobrevivência entre os diferentes povos indígenas e não-indígenas no decorrer de quase 300 anos de ocupação do atual tocantins. O segundo é da autora Juciene Ricarte Apolinário sobre as Vivências escravistas no norte de Goiás no século XVIII a autora ressalta os papéis sociais desenpenhados dos mulheres e homens negros na atividade cotidiana, como também as estrategias de resitencia, negando a ordem escravista.
A autora Temis Gomes Parente aborda sobre o ouro como fonte de atraso pois com o declínio da mineração no norte de Goiás a sociedade teve que buscar através da produção de subsistência e agropecuária uma nova forma de atividade econômica que viesse desenvolver a região, porém isso não aconteceu de imediato, onde a região passou por um processo de crise econômica. Mary Karasch discute As mulheres do norte da capitania de Goiás: 1789-1832 trazendo importantes discussões sobre os censos realizados neste período, onde os censos oficiais da capitania de Goiás, serviam muitas vezes como meio para cumprir os objetivos do governo identificando o número de escravos em cada capitania que poderiam atuar no garimpo, caso fossem homens de cor livre eram recrutados para o serviço militar. A economia de Goiás no século XIX também é apresentada no texto de David Mc Creery Jameson Jr.
A terceira parte, refletindo sobre a nossa tradição: século XX também é composta por textos de cinco autores, o primeiro é da autora Maria de Fatima Oliveira com o título Um porto no sertão: cultura e cotidiano em Porto Nacional – 1880 a 1910. O segundo texto discorre sobre o poder público versus poder privado: coronelismo na primeira metade do século XX no Tocantins do autor Antônio Filho da Silva Machado. O terceiro é um texto do Professor Napoleão Araújo de Aquino sobre a construção da Belém-Brasília e suas implicações no processo de urbanização do estado do Tocantins. O quarto é da Sônia Maria de Souza e também versa sobre a Belém Brasília: abrindo fronteiras no norte goiano (atual Tocantins)- 1958 – 1975. O último e não menos importante é o texto da Margareth P. Arbués sobre A migração e a construção de um (nova) identidade regional: Gurupi (1958-1988)
Portanto, vemos que a coletânea reúne diversidade de abordagem e de assuntos, entretanto, tem o objetivo que está representado no título – A (trans) formação histórica do Tocantins –, para mostrar que o que viria a se tornar no atual estado do Tocantins é resultado de uma multiplicidade de eventos históricos e culturais e de populações diversas em seus encontros harmônicos ou conflituosos, ao longo de um processo histórico de mais de duzentos anos. Com este objetivo esta coletânea supre uma lacuna na historiografia regional, ao possibilitar ao leitor tocantinense o acesso a informações históricas consistentes, produzidas por historiadores de formação acadêmica sólida e profunda. Além disso, fornece aos leitores de outras regiões a possibilidade de conhecer um pouco sobre a identidade e a história vivida no interior do país.
4.7 Entre o sertão e o litoral: cultura e o cotidiano em Porto Nacional
Maria de Fátima Oliveira17 apresenta em dois dos seus livros, importantes abordagens para a nossa pesquisa, um deles é o livro Entre o sertão e o litoral: cultura e o cotidiano em Porto Nacional, é abordada na história, na cultura e no cotidiano da cidade de Porto Nacional relacionando com o antigo norte de Goiás. Onde é discorrido sobre a quebra do isolamento a qual a cidade estava inserida; as diferenças entre o sul e o norte; como também os costumes próprios, tornando possível a compreensão da pouca visibilidade e privilégio da região pela historiografia. É um estudo da cidade do cotidiano e da cultura de Porto Nacional nas décadas do século XIX e XX na busca de contribuir para o conhecimento da história de Porto Nacional, ainda pouco estudada, procurando perceber os nuances do cotidiano desse povo, como eles pensavam, viviam, se divertiam, sofriam, suas culturas e outros.
No primeiro capítulo, intitulado Porto Nacional e o Norte de Goiás a autora vem fazer uma contextualização do porto nacional que já foi Real e Imperial, tendo se originado no século XVIII era a única passagem entre dois centros monetários, era eles Monte do Carmo e Bom Jesus de Pontal, e com o tempo desenvolveu-se nas proximidades do rio Tocantins um intercâmbio de comércio, e posteriormente foi formando a cidade com o aumento do contingente da populacional com suas simples casas. No segundo capítulo ela apresenta o rio e o Porto, o terceiro a singularidade de porto nacional e no último capítulo o cotidiano da cidade.
Essa pesquisa apresenta uma brilhante e vasta fonte documental, é importante destacar o acesso ao acervo da família Ayres da Silva, em Porto Nacional, que permitiu a análise de três periódicos, documentos de leis municipais e listas de eleitores. Traz documentos manuscritos do Arquivo Estadual de Goiânia, como exonerações e nomeações, atas de exames escolares, balancetes das receitas e despesas do município, pagamentos da força pública e cobrança de impostos. Outra fonte relevante foi o relato de moradores idosos mediante a participação de entrevistas, sendo assim, este rico conjunto de fontes permitiu que a autora analisasse os aspectos sócio-culturais dentro do contexto regional evidenciando o cotidiano.
4.8 Escravidão Negra no Tocantins Colonial: Vivências escravistas em Arraias (1739-1800)
A autora Juciene Ricarte Apolinário18 no livro Escravidão Negra no Tocantins Colonial: Vivências escravistas em Arraias (1739-1800) tematiza a escravidão negra no norte da capitania de Goiás, tecendo uma narrativa referente ao período setecentista de Arraias, abordando as nuances e conjuntura da resistência escravista onde o ouro movimentava e fazia parte da estrutura sócio econômica deste período alimentando o mercantilismo europeu. Os documentos primários de inventários e testamentos encontrados no cartório do Iº Civil de Arraias – TO são utilizados como fonte de estudo e buscou-se neles identificar as resistências escravistas que entre os anos de 1739 e 1800 se davam de diferentes formas. O trabalho é elaborado em Seis capítulos, no primeiro, a Juciene revisita alguns debates historiográficos referentes a escravidão no Brasil, um ponto importante neste item é a reflexão bibliográfica, ela ressalta que o sistema escravista no Brasil caracterisava-se com o tipo e forma da economia desenvolvida nas diferentes regiões. Havendo então, o escravismo ligado a atividade açucareira, no setor pecuário, o escravismo urbano e na mineração, Apolinário chama atenção ao fato de que, mesmo a historiografia estando voltada em maior proporção para as regiões açucareiras nordestinas, existem também, trabalhos de estudiosos que têm se debruçado a estudar e analisar o escravismo na mineração. No segundo capitulo, intitulado Ouro: sonho dos brancos, pesadelo dos negros Apolinário retoma o século XVII reforçando o discurso da historiografia que nos leva ao fato que a conjuntura da escravidão mineradora se deu com a queda do açúcar no mercado internacional. Onde Portugal acreditava que a mineração seria uma das soluções ao sistema mercantilista e capitalista. O terceiro narra como ocorreu a ocupação no norte Goiano, Apolinário ressalta que originalmente o povo Indígena Jê teria estabelecido nesta região mas com a chegada por paulistas e bandeirantes em meados dos anos 1730 a procura de riquezas e com o descobrimento do grande percentual de ouro que o lugar possuía, iniciou-se um fluxo de migração intensa. Já o quarto e quinto capítulo busca apresentar o cotidiano e particularidade do grupo social explorado entre 1739 e 1800, informações riquíssimas no que diz respeito ao nome, procedência étnico-linguística, as denominações dos escravos, idade e qualificação profissional. A autora preocupa em colocar em evidencia a labuta nas minas arraianas, indo ao encontro dos escravos na atividade mineradora relatando o cotidiano das mulheres e homens submetidos a escravidão, bem como, as suas vivencias escravistas no arraial de arraias, destaco aqui a busca e promessa pela liberdade, a irmandade como um espaço de oportunidade de sociabilidade e as relações negociáveis.
A resistência ao sistema escravista se deu de diferentes formas, que vai das práticas extremas a práticas provocativas, dessa forma , o sexto capítulo retrata as fugas e formação dos quilombos na capitania de Goiás e em Arraias como forma de resistência à estrutura escravista. Portanto, o texto tem o propósito de abordar as vivências escravistas dos cativos no Tocantins colonial.
5. ANÁLISE DAS IDENTIDADES PRESENTES NAS PESQUISAS HISTÓRICAS QUE COMPÕEM A HISTORIOGRAFIA NORTENSE
A identidade é um tema debatido por muitos intelectuais e como disse Stuart Hall (2019, p. 103) “estamos observando, nos últimos anos, uma verdadeira explosão discursiva em torno do conceito de identidade” e os processos de construção de uma identidade é um tanto complexo. Na verdade o próprio conceito de identidade, pois permeia vários níveis, sendo assim, um só aspecto se torna exíguo para compreender sua totalidade. Manuel Castells (2018,p.23), entende por identidade “a fonte de significado e experiência de um povo” ou seja, na classificação e distinção entre o que é o outro, nós e eles, através da identificação do seu nome, idioma, cultura e outras características que o distingue. Nesse sentido, Tomaz Tadeu da Silva nos seus escritos sobre a produção social da identidade e da diferença vai nos dizer que:
Em uma primeira aproximação, parece ser fácil definir “identidade”. A identidade é simplesmente aquilo que se é: “sou brasileiro”, “sou negro”, “sou heterossexual”, “sou jovem”, “sou homem”. A identidade assim concebida parece ser uma positividade, um fato autônomo. (SILVA,2019, p.74)
Portanto, a identidade torna-se a sua própria referência, ou seja, ela é autossuficiente. Nessa mesma perspectiva, “em oposição a identidade, a diferença é aquilo que o outro é (…) a diferença, tal como a identidade, simplesmente existe”. (SILVA, 2019, p.74)
Isto posto, a diferença é resultante da identidade e as suas definições estão sujeitas e extremamente ligadas a marcas de poder. Manuel Castells vai nos dizer que a construção social de uma identidade sempre vai acontecer em circunstâncias marcadas por relações de poder:
A principal questão, na verdade, diz respeito a como, a partir de que, por quem, e para que isso acontece. A construção de identidades vale- se da matéria-prima fornecida pela história, geografia, biologia, por instituições produtivas e reprodutivas, pela memória coletiva e fantasias pessoais, pelos aparatos de poder e revelações de cunho religioso. Porém, todos esses materiais são processados pelos indivíduos, grupos sociais e sociedades, que reorganizam seus significados em função de tendências sociais e projetos culturais enraizados em sua estrutura social, bem como em sua visão de tempo e espaço (CASTELLS, 2018, p.55).
De forma mais simples Tomaz Tadeu da Silva (2009, p. 181) nos dá exemplos claros e diretos da presença de poder, como; “incluir/excluir (“estes pertencem, aqueles não”) demarcar fronteiras (“nós e “eles”); classificar (“bons e maus”; “puros e impuros”; “desenvolvidos e primitivos”; “racionais e irracionais”); normalizar (“nós somos normais; eles são anormais”). Até aqui, percebe-se que a identidade é um processo complexo que envolve várias questões e nesse sentido Motter diz que “a identidade, que são construídas no âmbito da representação estão em um eterno processo de construção e transformação”(MOTTER,2010,p.145).
Dessa forma, sabemos que não podemos definir uma identidade tocantinense, mas podemos analisar os discursos das identidades presentes nas pesquisas históricas que compõem a historiografia nortense, construídas nas produções aqui analisadas na tentativa de compreender seus elementos. Diante das produções historiográficas apresentadas neste trabalho identificamos no gráfico 3 as identidades e temas das produções historiográficas abordadas.
Gráfico 3

Fontes: Bancos de teses e dissertações, Portal da Biblioteca da Universidade Federal do Tocantins, Portal da CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Repositórios Institucionais de Trabalhos Científicos de outras Universidades.
No gráfico 3 podemos observar através de dados quantificados não somente as temáticas dos trabalhos catalogados mas o quanto a historiografia tocantinense é diversa, discute a identidade através de vários temas como o patrimônio, coronelismo, experiências históricas no Tocantins, crime e violência, comunidades tradicionais, povos indígenas, discussões sobre a memória e identidade, territorialidade, escravidão e outros temas, Contudo, um fator evidente que nos chama atenção é que a maior quantidade de produções discutem a educação e o ensino de história, o gráfico 4 exemplifica os diferentes temas investigados nessa perspectiva historiográfica.
Gráfico 4

Fontes: Bancos de teses e dissertações, Portal da Biblioteca da Universidade Federal do Tocantins, Portal da CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Repositórios Institucionais de Trabalhos Científicos de outras Universidades.
Autores e pesquisadores podem nos questionar, até que ponto essa discussão do ensino trata da historiografia do Tocantins? Entendemos que há uma historiografia própria sobre o ensino de história que desde as primeiras décadas do século XXI vem discutindo as melhores metodologias e conteúdos que devem ser empregados no ensino de história. Contudo, esta pesquisa busca identificar as diferentes produções historiográficas do Tocantins – (1990-3023) dentro do campo disciplinar da história, o que faz com que o trabalho também se direcione a área da educação e ensino de história.
Os dados nos leva a compreensão que dos diferentes temas do campo da história a importância dada ao ensino de história reflete o interesse dos pesquisadores e historiadores na busca pela compreensão do presente refletida no seu passado histórico. Indica que há uma demanda por pesquisas e estudos que visam aprimorar métodos de ensino, abordagens pedagógicas e recursos didáticos na área de história.
Os trabalhos trazem no seu escopo temáticas distintas que contribuíram cada uma em seu momento histórico para consolidação de uma historiografia própria, rompendo com as relações de centro e periferia, que por muito tempo foi vista de forma periférica com relação ao sul de Goiás. Apresentam a identidade do povo tocantinense em várias nuances e aspectos, o trato com os fenômenos históricos de cada produção sobre o passado de uma região, agora denominado: Tocantins, contribuem de forma não somente os contornos do estado, mas também da própria história regional do Tocantins. As abordagens nos seus diferentes temas e discussões vem contribuir para compreensão e entendimento do estado como um todo.
6. Considerações Finais
Buscou-se nesta pesquisa analisar a produção historiográfica do Tocantins disposta nos livros aqui revisados, que nos serve, ao mesmo tempo como fonte, referências e objeto de estudo para a partir dessa produção compreender as identidades, presentes no – registro do passado – escrita (s) da (s) história(s) sobre os tocantinenses.
Percebemos que são vários os trabalhos que nos permitem delinear sob a história e historiografia do Tocantins, abordados por autores que debruçaram a escrever essa história, e é através dessas pesquisas que trazem, cada uma a seu modo, diferentes abordagens e recortes que contribuem para consolidação da historiografia.
Os trabalhos e produções apresentadas de forma geral, resgatam memórias, compreende a transformação históricas, sociais, políticas e econômicas da região nortense e contribuem com a construção da historiografia tocantinense e dos estudos regionais, vez que, as regiões brasileiras apresentam circunstâncias e realidades históricas próprias.
Como já ressaltado, não é possível definir uma identidade historiográfica tocantinense, porque as identidades do Tocantins e de suas produções é uma forma específica e peculiar da história global, apresenta distanciamentos e aproximações com as experiências de outras regiões. Acreditamos que a identidade do Tocantins representa mais que simplesmente uma identidade fechada em si mesma, mas sim, como um modo singular de abordar suas experiências históricas diluídas nas temáticas de pesquisas já realizadas, o que ocasiona a historiografia se desenhar em diferentes objetos.
7. Produto do mestrado profissional
O Mestrado Profissional em História das Populações Amazônicas – PPGHispam da Universidade Federal do Tocantins Campus de Porto Nacional, vinculado ao Curso de Licenciatura em História a nível stricto Sensu assim como os demais programas de pós graduação similares é uma modalidade que prioriza o atendimento aos profissionais de diversos setores que estejam trabalhando na Área de estudo, com o intuito de promover melhor articulação entre universidade e a sociedade. (NIEZER et al., 2015).
Uma das principais características do mestrado profissional a qual consta como quesito de conclusão é o desenvolvimento do produto final e educacional que tem como proposta a integração da teoria e prática gerados a partir da dissertação. Possuem um caráter de aplicabilidade do trabalho desenvolvido como uma forma de compartilhar a pesquisa através de um material educativo, podendo assumir várias configurações. Dito isso, o site de pesquisa que está em construção é uma proposta de produto final deste trabalho de dissertação como Ferramenta de Pesquisa, o site foi construído por meio da plataforma Google Apps Sites e tem como principal interesse, construir através de uma proposta didática uma ferramenta informativa que visa proporcionar uma integração do acesso, conhecimento e valorização da história, identidade e historiografia do Tocantins, voltada para o público em geral mas principalmente para alunos e professores das diferentes redes de ensino do estado tocantinense.
7.1 Objetivos geral
- Colaborar com o estudo e conhecimento das fontes historiográficas do Tocantins.
Específico:
- Promover a divulgação de obras e trabalhos recentes que compõem a historiografia.
- Publicação de resenha de livros que serão analisados.
- Proposta de plano de aula sobre a historiografia para as séries finais do ensino médio.
7.2 Desenvolvimento
Com o nome “Historiografia do Tocantins” a plataforma está sendo organizada da seguinte forma:
É Possível acessar o site por meio do link:
https://sites.google.com/view/historiografiadotocantins/p%C3%A1gina-inicial
Figura 1

Menu de pesquisa
A figura 1 representa o menu da ferramenta de pesquisa onde as informações estão sendo anexadas. A disponibilização do acervo historiográfico do estado Tocantins, dispostos em livros, teses e dissertações referentes aos anos de 1990 a 2023 está disposta nas subpáginas iniciais para leitura e visualização, já o downloads dos arquivos é possível somente via solicitação, por meio do Gmail vinculado ao site. As informações das obras que serão disponibilizadas correspondem às produções catalogadas durante a pesquisa dentro do campo disciplinar da história.
Figura 2

Subpáginas
A Figura 2 exemplifica a organização das subpáginas que o site está organizado.
Busca-se ainda:
- Realizar a divulgação no site de obras e trabalhos recentes que compõem a historiografia do Tocantins, como os trabalhos produzidos pelos programas de pós-graduação em história da Universidade Federal do Tocantins.
- Promover uma interação dos internautas com o trabalho desenvolvido por meio de uma conta no Instagram, a fim de divulgar a história e historiografia do estado. O link do site será disponibilizado na bio do perfil do Instagram19, para que as pessoas tenham acesso ao site construído.
- O site de pesquisa também conta com plano de aula sobre o Tocantins e sua historiografia voltados para as séries finais do ensino fundamental e ensino médio.
1Símbolos Oficiais através da Lei n° 92/89; Lei n° 94/89; Lei n° 977/98 (Selos Estaduais; Brasão de armas do Tocantins; Hinos; Bandeira;) Símbolos da natureza através da Lei n° 915/97 (o girassol, a fava-de-bolota, a a rolinha-fogo-apagou e a granada. Disponível em: <http://www.al.to.gov.br/legislacaoEstadual>
2Atenta a complexidade e densidade no que concerne o debate sobre identidades e no intuito de delimitação do objeto a utilização do conceito é evidenciado na pesquisa no âmbito da identidade cultural, se referindo a construção identitária do sujeito em relação ao seu contexto histórico e cultural.
3MACÊDO, Walkeny Izidio Soares. Reflexões sobre os caminhos, desafios e possibilidades da historiografia tocantinense/ Walkeny Izidio Soares Macêdo; Porto Nacional – TO, realizado no período de 2018 a 2019.
4No segundo capítulo explicamos na revisão de literatura através do livro O discurso Autonomista, da autora Maria de Fatima Cavalcante os embates entre discursos. Ou seja, os discursos prévios à emancipação como elementos fundadores e os discursos posteriores em que eles são contíguos se transformam, rivalizam.
5Comissão de Estudos dos Problemas do Norte – CONORTE. Foi responsável por congregar objetivos como: a conscientização da população Norte goiana sobre “suas necessidades e potencial político econômico; além de “congregar os ideais humanos nortenses de pesquisas, estudos e debates sobre a região”(Cavalcante,2003).
6O historiador Eric John Ernet Hobsbawm vai denominar como “tradição inventada” a criação de relações identitárias e é através dessa concepção que o conceito aqui é empregado, (1984). Mas buscaremos ainda explorar melhor essa linha do Hobsbawm fazendo um paralelo com o Benedict Anderson e o conceito de Comunidades Imaginadas, 2008.
7Valendo-se do levantamento historiográfico realizado no trabalho de conclusão de curso referente a publicações de livros, teses e dissertações realizadas dentro do campo disciplinar da História entre os anos de 1990 a 2018, uma das primeiras ações da atual pesquisa foi a continuidade do levantamento com produções que discutem e abordam a história do Tocantins entre os anos de 1990 a 2022.
8Salvador Eder é professor de História, da rede estadual de Educação no município de Arraias.
9Perspectiva construída diante de um longo processo, alicerçado com dificuldades, renúncias, alegrias, conquistas, afirmações, construção pessoal e formação profissional. Sou natural do sertão; município de Paranã, descendente da Comunidade Quilombola Kalunga – núcleo do Albino. Atualmente, estou professora e Coordenadora da Área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas da rede Estadual de Ensino, lotada na Escola Estadual Girassol de Tempo Integral Agrícola David Aires França – EEGTIADAF, localizada na zona rural de Arraias- TO. Para chegar até aqui foi preciso sair da minha zona de conforto para “fazer” História! Em Porto Nacional fui amparada por políticas públicas como o programa de residência, em um primeiro momento morei no aluguel social e posteriormente na moradia estudantil a qual foi conquistada mediante processo de ocupação dos estudantes. Logo, fui bolsista no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid/UFT), onde tive a oportunidade de trabalhar com um excelente grupo de colegas de curso e que hoje são colegas de oficio, como também, professores incríveis e a Profº. Dº. Juliana Ricarte Ferraro ( im memorian) é um exemplo de professora que contribuiu de forma ímpar ao longo da minha formação. Dessa forma, atuei como bolsista
no Colégio Est. Dr. Pedro Ludovico Teixeira e no Cem Professor Florêncio Aires desenvolvendo pesquisas, ações e oficinas didáticas pedagógicas voltadas para a Educação Patrimonial e o desafio de ensinar História através da Arte. Fui bolsista no Programa de Acesso ao Discente Ingressante- PADI, 2018. Voluntária como Professora de História no Programa de Acesso Democrático à Universidade – PADU na Escola Estadual Angélica Ribeiro Aranha de Porto Nacional no ano de 2018. Monitora da disciplina de Brasil Império 2018/2019. Monitora da disciplina de História do Tocantins, 2019. Representante Discente do Curso de História 2018/2019 e Membro do Centro Acadêmico do Curso de História- (CAHIS- Maria Beatriz Nascimento) 2018/2019. Já nos anos finais da graduação fui Estagiária do Laboratório Interdisciplinar de Formação de Educadores – LIFE, 2019. Todo este trajeto me faz olhar com orgulho da minha caminhada e formação profissional, pois tenho compromisso e preocupação de ensinar os meus alunos da melhor forma possível a disciplina que escolhi ser professora.
10Entre eles, 2 na região Sudeste do país produzida na Universidade Federal de Uberlândia, 1 na região Sul pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, 3 na região Centro Oeste, sendo 1 pela Universidade de Brasília e 2 pela Universidade Federal de Goiás, a última região é o Nordeste com 1 produção pela Universidade Federal de Pernambuco. Em perspectiva regional, a região norte onde se encontra o estado
do Tocantins é a única que não tem uma produção em nível de doutorado, esse resultado implica ao fato de
que não existe ainda programa de Doutorado em História na UFT. Interessante observar a abertura de programas de pós-graduação de instituições de outras regiões do Brasil para trabalhos que tematizam o
Tocantins. (MACEDO,2019, p. 26:27)
11Vemos que a UFGD, IPHAN; FGV; UFU; UFMG apresentam 1 produção cada uma delas, à UFT apresenta 2 produções³, à IFPA apresenta 3 produções, à UFPE apresenta 4 produções, à PUC apresenta 5,
e a UFG representa o maior perceptual com 13 produções de dissertações entre as instituições. No gráfico 4 analisamos que as dissertações foram produzidas em maior quantidade por outras instituições de ensino fora do estado do Tocantins, sendo assim, essa realidade pode ser justificada em função de que os programas
de mestrado em História da UFT são recentes, como o Programa de Mestrado Profissional em Ensino de História (ProfHistória) no campus de Araguaína e o Programa de Pós-graduação em História das Populações Amazônicas (PPHispam) em Porto Nacional. Esse predomínio de trabalhos produzidos pela Universidade Federal de Goiás, pode ser mais um indício da necessidade de superar a visão do norte construída pelo Sul, contribuindo para a marginalização do estado na historiografia. (MACEDO,2019, p.28).
12A publicação em livro tem potencial de ampliar o acesso e aumentar a circulação, isso foi perceptível em nossa busca os livros foram encontrados mais facilmente. Das 17 editoras, somente 4 apresentam um quantitativo maior ou equivalente a 6 livros, sendo 6 publicações pela editora Kelps, a editora Nagô com 7 publicações, e a Pontifícia Universidade Católica de Goiás e editora da Universidade Federal de Goiás com 9 publicações. Observando o perceptual por editoras é visível no gráfico que a editora da UFG e PUC tem publicado o maior número de livros. Dentre as 27 unidades federativas do Brasil, apenas 4 publicaram livros sobre a história do Tocantins por alguma de suas editoras, quais sejam: o estado de Pernambuco com 1 publicação, o estado de São Paulo e Paraná com 2 publicações cada, o estado do Tocantins com um total de 12 publicações e o estado de Goiás com 27 publicações. O que explica o predomínio dessa produção historiográfica situada no estado de Goiás? Seria em função do barateamento do trabalho gráfico e editorial? Qualidade? Escassez de editoras no recém-criado estado do Tocantins? Marketing Editorial? Ainda não temos uma resposta precisa. São questionamentos complexos que exigem um esforço de reflexão que não pôde ser feito nesse estudo. Provavelmente, num futuro próximo, esse cenário poderá ser revertido, mas essa é uma outra história. (MACEDO,2019, p. 32).
13Possui graduação em História pela Universidade Federal do Piauí (1986), mestrado em História pela Universidade Federal de Pernambuco (1996) e doutorado em História pela Universidade Federal de Pernambuco (2001). Fez Pós-Doutora pelo CEDEPLAR/UFMG (2010).Atualmente é Professora Titular aposentada da Universidade Federal do Tocantins.
14Graduação em Biblioteconomia pela Universidade Federal de Goiás (1986), mestrado em História pela Universidade Federal de Pernambuco (1997) e doutorado em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (2006) e Pós-doutorado em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (2016). Atualmente é professora associada da Fundação Universidade Federal do Tocantins.
15Concluiu pós doutorado em Literatura Comparada pela Université Sorbonne Nouvelle Paris 3, em 2017 e pós Doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense RJ, em 2012. Doutorado em História
pela Universidade de São Paulo/USP, em 2000 e graduação e mestrado em História pela UFG, em 1984 e 1990. É professora Titular na Pontifícia Universidade Católica de Goiás, onde exerce docência e orientação na Graduação e no Mestrado em História.
16Possui graduação em História pela Universidade Estadual de Campinas (1989), mestrado em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas (1994) com pesquisa sobre a história do povo Kayapó do Sul (antepassados dos atuais Panará) e doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (2000) com pesquisa junto aos Apinajé. Atualmente é professor associado IV da Fundação Universidade Federal do Tocantins (UFT).
17Possui Pós-doutorado em História pela Universidade Federal de Goiás (UFG), 2014; Doutorado em História pela Universidade Federal de Goiás (UFG), 2007; Mestrado em História pela Universidade Federal de Goiás (UFG), 1997; Graduação em Ciências Sociais (Licenciatura Plena) pela Faculdade de Filosofia Bernardo Sayão (FFBS), 1984. Atualmente é professora/pesquisadora na Universidade Estadual de Goiás (UEG).
18Possui graduação em História pela Universidade Estadual da Paraíba (1993), mestrado em História do Brasil pela Universidade Federal de Pernambuco (1996), doutorado em História pela Universidade Federal de Pernambuco com Bolsa da CAPES no Brasil e no Exterior ( Universidade do Porto -Portugal) e Pós Doutorado na Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal, (Bolsa CAPES, Estágio Sênior no Exterior). Atualmente é Consultora da UNESCO, Humanidades Digitais no Projeto Resgate Barão do Rio Branco e Coordenadora do Projeto Humanidades Digitais e Museu Virtual dos Povos Indígenas no Brasil. Assessora da Diretoria Geral da Procuradoria Geral do Trabalho em Brasília atuando no Gt Povos Originários e Comunidades Tradicionais. Professora do Programa de Pós Graduação em História da UFCG (Mestrado).
19Instagram é uma rede social visual, criativa e interativa. Possibilita o compartilhamento de imagens e vídeos de curta duração diretamente do aplicativo de celular. Nele, também é possível seguir usuários, curtir, comentar e compartilhar as publicações.
Referências
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