SEGURANÇA DA FOTOBIOMODULAÇÃO COM COMPRIMENTO DE ONDA VERMELHO E INFRAVERMELHO PRÓXIMO NO CÂNCER DE MAMA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

SAFETY OF PHOTOBIOMODULATION WITH RED AND NEAR INFRARED WAVELENGTHS IN BREAST CANCER: AN INTEGRATIVE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202508112248


Jhulie Anne Pinheiro Kemerich1
Nícolas Fernando Fioreze Cattani2
Otacel Amadeu de Oliveira Volpato3
Jéssica Michelon Bellé4
Hedioneia Maria Foletto Pivetta5


Resumo 

O câncer de mama possui estimativas cada vez mais alarmantes, sendo o câncer mais prevalente entre  as mulheres no mundo todo. Em decorrência do tratamento oncológico, complicações podem ocorrer e  a fotobiomodulação tem se mostrado um recurso promissor. O presente estudo tem como objetivo  analisar a segurança da fotobiomodulação no comprimento de onda vermelho e infravermelho próximo  em mulheres com diagnóstico de câncer de mama. Trata-se de uma revisão integrativa de literatura  realizada no mês de julho de 2025. A busca foi realizada nas bases de dados PubMed, EMBASE e  SciElo, e a estratégia de busca sensível incluiu a combinação dos seguintes termos “low-level laser  therapy” AND “breast cancer” AND “safety”, com termos alternativos utilizando o booleano “OR”.  Foram incluídos artigos publicados na íntegra, de acesso público. A análise dos dados foi realizada de  forma descritiva, considerando a natureza metodológica dos estudos incluídos, tais como taxa mitótica,  crescimento tumoral, sobrevida global, sobrevida livre da doença e taxa de recorrência tumoral. Foram identificados 188 artigos por meio da estratégia de busca. Após a aplicação dos critérios de elegibilidade,  15 artigos foram selecionados para leitura completa, com exclusão de 6 nessa etapa. Ao final, 9 estudos  foram incluídos na revisão: 6 in vitro, 2 em modelo animal e 1 estudo clínico em humanos. A FBM  demonstra segurança no câncer de mama, evidenciada pela ausência de estímulo proliferativo e presença  de efeitos bioinibitórios e pró-apoptóticos in vitro, além da ausência de progressão tumoral e metástases  em estudos in vivo. Apesar desses avanços, apenas um estudo clínico em humanos foi identificado,  provavelmente devido a desafios éticos e metodológicos. Embora os resultados indiquem segurança e  eficácia na prevenção de efeitos adversos, são necessárias mais pesquisas clínicas controladas e  padronizadas para consolidar a aplicação da FBM na prática oncológica. 

Palavras-chave: Neoplasia da mama. Fotobiomodulação. Terapia com Luz de Baixa Intensidade. Segurança.  

1. INTRODUÇÃO 

O câncer de mama representa um importante desafio de saúde pública no Brasil e no  mundo, sendo responsável por elevadas taxas de morbimortalidade entre as mulheres. No  cenário nacional, é considerado o segundo tipo de câncer mais comum, sendo o primeiro  causador de morte entre mulheres, com estimativas de cerca de 73 mil novos casos até 2030  (INCA, 2023; SANTOS, 2023). Esta neoplasia maligna é caracterizada pela multiplicação  descontrolada de células na região mamária, com potencial de invasão tanto local quanto a  distância por meio das vias linfáticas ou por contiguidade, resultando na formação de  metástases. Se trata de uma doença heterogênea, cuja evolução, tratamento e resposta  terapêutica variam conforme tipo histológico, subtipo molecular e fatores de risco associados.  Ademais, se forem diagnosticados precocemente, podem responder de maneira satisfatória ao  tratamento. Em decorrência das características do câncer de mama, mesmo com terapêuticas  cada vez mais promissoras e eficazes, ainda persistem situações complexas que levam a  complicações e comorbidades importantes, como limitações funcionais, dor, linfedema,  aderências e fibroses. Situações estas que carecem de manejo apropriado tendo em vista a  melhora da expectativa de vida dos pacientes (INCA, 2023; KATSURA et al., 2022;  BARZARMAN et al., 2020). 

A fotobiomodulação (FBM) vem se destacando como um recurso eficaz para o  tratamento e prevenção de efeitos adversos da terapia oncológica, como a radiodermite induzida  pela radioterapia (RT), linfedema, mucosite oral e as complicações de cicatrização (PAGLIONI et al., 2019; FERREIRA et al., 2021; KEMERICH et al., 2025). O feixe de luz irradiado  promove alterações a nível celular em seus tecidos alvo, dentre eles a estimulação de processos  fisiológicos que incentivam a reparação atual, analgesia e redução da inflamação (ROBIJNS et  al., 2022; VIEIRA et al., 2022; CAMARGO et al., 2023). Nos comprimentos de onda do  espectro vermelho e infravermelho próximo (650-1000 nm), tem potencial de bioestimular ou  bioinibir o metabolismo de tecidos alvo (MALAVAZZI et al., 2023). A terapia de luz de baixa  intensidade ativa a unidade IV da cadeia respiratória mitocondrial, composta pela citocromo c  oxidase (CCO) e esse elemento molecular transforma o estímulo fotônico em reações  bioquímicas (HAMBLIN, 2018). A liberação moderada de espécies reativas de oxigênio  (EROS), o incremento na produção de adenosina trifosfato (ATP) e a ativação de mediadores  químicos de crescimento de componentes celulares são alguns dos eventos fotoinduzidos que  dão as condições necessárias aos efeitos biológicos (MAGHFOUR et al., 2024). 

Wang e colaboradores (2022) conduziram uma revisão sistemática sobre o efeito da  terapia a laser de baixa intensidade em linfedema relacionado ao câncer de mama. Dentre os  estudos avaliados, os comprimentos de onda variaram entre 650 e 1000 nm, com baixa  irradiação e doses específicas aplicadas sobre as áreas afetadas. Apesar de promissora por meio  de suas ações anti-inflamatórias, linfangiogênicas e ausência de efeitos adversos, a FBM  apresenta resultados conflitantes quanto a sua efetividade. De forma semelhante, PAGLIONI e  colaboradores (2019) realizaram uma revisão integrativa a fim de analisar a eficácia da FBM  na prevenção de toxicidades relacionadas ao tratamento oncológico em pacientes com câncer  de mama. De acordo com os achados, a quimioterapia, a RT e a hormonioterapia frequentemente levam a efeitos adversos que impactam na qualidade de vida das pacientes com  câncer de mama. Por meio dos estudos, observou-se que as propriedades da FBM têm  demonstrado resultados para a redução da radiodermite e melhora da neuropatia periférica  induzida pela quimioterapia. Protocolos com comprimento de onda entre 630 e 850 nm de baixa  potência apresentaram efeitos positivos no tratamento e prevenção de lesões cutâneas induzidas  pela radioterapia. Apesar dos achados positivos, considerável parte dos estudos apresentam  limitações metodológicas, as quais levam a necessidade da elaboração de mais estudos para  validar sua aplicação clínica.  

Ademais, Silva e colaboradores (2023) investigaram os efeitos da FBM com laser  vermelho (658 nm, 5,35 W/cm2e 69 J/cm2) e LED azul (470 nm, 0,77 W/cm2e 482 J/cm2)  sobre células de câncer de mama. Após 48 horas de exposição, não foram observadas alterações  significativas na viabilidade e migração celular. Contudo, a FBM reduziu significativamente a  invasão celular, especialmente com altas fluências de LED azul e na aplicação combinada com o laser vermelho. Os resultados sugerem um possível efeito inibitório da FBM sobre potencial  de invasão das células tumorais, sem estimular características relacionadas à progressão da  doença. Ainda, os efeitos moduladores da FBM ocorrem devido ao efeito bifásico dependente  da dose e do comprimento de onda. O efeito bioestimulador está associado ao aumento da  produção de ATP, enquanto o efeito bioinibitório tem sido relacionado ao estresse oxidativo  provocado pelo acúmulo de espécies reativas de oxigênio. Já foi observado que doses entre  promoveu o crescimento celular, enquanto fluências entre 4 e 6 J/cm² induziram inibição do  crescimento de células neoplásicas (KIRO, HAMBLIN & ABRAHANSE, 2017; RUPEL et al.,  2018; SUARDI et al., 2021). 

Considerando a carência de estudos in vivo, e que estudos in vitro sugerem que a FBM  produz diferentes efeitos em linhagens celulares, surge a necessidade de verificar a segurança  da sua aplicação em contexto oncológico. Dessa forma, o objetivo do presente estudo é avaliar  a segurança do uso da FBM com comprimento de onda vermelho e infravermelho no câncer de  mama. 

2. METODOLOGIA  

Trata-se de uma revisão integrativa de literatura. Para a produção deste estudo foram  utilizados artigos científicos em português, inglês e espanhol, de revistas indexadas nas bases  de dados PubMed, EMBASE e SciElo. Para detectar outros relatórios potencialmente elegíveis  que pudessem atender aos critérios de inclusão, a lista de referências de todos os estudos  selecionados foi verificada pelos revisores. 

2.1 CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE 

Foram incluídos todos os artigos in vitro, in vivo e ensaios clínicos em humanos que  abordassem a segurança do uso da FBM no comprimento de onda vermelho e infravermelho  próximo no tratamento e/ou prevenção de complicações relacionadas ao tratamento do câncer  de mama, bem como estudos in vitro sobre a segurança da FBM em linhagens celulares do  câncer de mama, publicados até junho de 2025. Foram excluídos relatos de caso, estudos de  coorte, estudos de caso-controle, revisões sistemáticas e de literatura, cartas ao editor, teses,  estudos publicados em outro idioma que não o inglês, espanhol ou português, monografias,  comentários, resumos de congressos e dados não publicados.

2.2 ESTRATÉGIA DE BUSCA 

Foram utilizadas as seguintes palavras-chave, isoladas ou em conjunto:  (“photobiomodulation therapy” OR “low-level laser therapy” OR “low intensity laser therapy”  OR “laser phototherapy” OR “laser therapy” OR “low-level light therapy” OR “LLLT” OR  “PBM”) AND (“breast cancer” OR “breast carcinoma” OR “breast neoplasm” OR “breast  cancer” OR “breast cell”) AND (“safety” OR “adverse effects” OR “tumor progression” OR  “tumor growth” OR “tumor recurrence” OR “cancer recurrence” OR “recurrence rate” OR  “mitotic rate” OR “mitotic index” OR “mitotic activity” OR “cell proliferation” OR “cell  survival” OR “apoptosis” OR “cell differentiation” OR “radiation effects” OR “overall survival”  OR “disease-free survival” OR “progression-free survival”). A busca foi realizada no mês de  julho de 2025 por dois pesquisadores independentes. 

2.3 SELEÇÃO DOS ESTUDOS 

Todos os registros identificados foram organizados em uma planilha do Microsoft  Excel. Inicialmente, os títulos foram analisados para a exclusão de duplicatas. Em seguida,  realizou-se a leitura dos títulos e resumos no intuito de selecionar os estudos potencialmente  elegíveis que atendessem ao objetivo central desta revisão sistemática. Os artigos foram  agrupados em categorias específicas: estudos in vitro, estudos in vivo e estudos clínicos. Dois  revisores independentes realizaram a avaliação dos textos completos, aplicando os critérios de  elegibilidade previamente estabelecidos. Estudos que não apresentaram informações  metodológicas suficientes foram excluídos da análise final. 

2.4 EXTRAÇÃO DOS DADOS 

Os dados dos estudos incluídos foram extraídos de acordo com Autor e ano de  publicação; Tipo de estudo (in vivo, in vitro e ensaio clínico); Parâmetros da FBM; População  (tipo de modelos animais, tipos de células, pacientes) e Medidas de desfecho. 

2.5 ANÁLISE DOS DADOS 

A análise dos dados foi conduzida de forma descritiva, considerando a natureza metodológica  dos estudos incluídos, os quais foram categorizados em três grupos: estudos in vitro, in vivo e ensaios clínicos em humanos. Para cada categoria, foram extraídas informações sobre a  população, o comprimento de onda e os principais parâmetros da FBM descritos nos estudos.  Quanto à variável de desfecho principal relacionada à segurança da FBM, buscou-se a taxa  mitótica, a proliferação tumoral, a sobrevida global, a sobrevida livre da doença e a taxa de  recorrência tumoral. 

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES  

A estratégia de busca está apresentada na Figura 1. O fluxograma mostra a identificação  dos artigos encontrados pela estratégia de busca, dos quais 9 foram incluídos no estudo após a  triagem com retirada das duplicatas e utilização dos demais critérios de elegibilidade.  

FIGURA 1 – Fluxograma de seleção dos estudos.

O Quadro 1 apresenta a síntese dos estudos incluídos nesta revisão, organizados de  acordo com o autor e o ano de publicação. Para sistematizar a análise comparativa, foram descritos o tipo de estudo (in vitro, em modelo animal ou clínico), a população avaliada, o comprimento de onda utilizado, os principais parâmetros da FBM descritos no estudo e as medidas de desfecho adotadas em cada investigação. Quatro estudos utilizaram a FBM no espectro  vermelho, três no espectro infravermelho e dois com ambos os comprimentos de onda. 

QUADRO 1 – Descrição dos estudos incluídos na revisão

Autor (ano)Tipo  de estudoPopulação Comprimento  de ondaParâmetros Medidas de desfecho
Magrini et  al.  (2012)Estudo in vitroCélulas  MCF-7633 nm Três grupos com  uma única irradiação nas doses de 5  mJ/cm², 28,8  mJ/cm² e 1000  mJ/cm², potência 24  mW, irradiância  0,083 mW/cm²,  0,48 mW/cm² e  0,97 mW/cm²Na dose de 5 mJ/cm², as  células MCF-7 sofrem  bioinibição, enquanto a  1000 mJ/cm², apresentam  bioestimulação. Em 28,8  mJ/cm², a taxa metabólica  aumenta, mas não há proliferação.
Cialdai  et al.  (2015)Estudo in vitroCélulas MCF-7 e  MDA MB-231808 nm  e 905  nm, ir radiados  simultanea menteUma irradiação ao  dia por 3 dias,  modo varredura,  dose 9 J/cm², irradiância de 15  mW/cm²Os grupos irradiados não  apresentaram resultados  significativos quanto à  proliferação, viabilidade e  apoptose e formação de  colônias celulares.
Ibrahim et  al.,  (2024)Estudo  in vitroCélulas MCF-7660 nm  e 780  nmUma única irradiação com cada comprimento de onda,  com potências 10  mW, 25 mW, 45  mW e 65 mW e  tempo de por 60 s,  300 s, 600 s e 900 sApós 24h, a maior viabilidade celular foi observada  com laser 660 nm a 45  mW por 60 s. A menor viabilidade celular foi observada com o laser 780  nm a 65 mW por 60 s. O  maior efeito citotóxico foi  observado a 660 nm com  10 mW e 60 s.
Sinaei  et al.  (2024)Estudo  in vitroCélulas  MDA MB-231650 nm  e 980  nmUma única irradiação com cada comprimento de onda,  na dose 4 J/cm², potência 0,05 WApós 24h ocorreu a redução na viabilidade celular,  mais acentuada no grupo  650 nm. Após 48 horas,  houve aumento da expressão do gene BAX, no  grupo 980 nm, indicando  apoptose das células cancerígenas.
Farias et al.  (2024)Estudo  in vitroCélulas  MCF-7 e  MDA MB-231658 nm Uma única irradiação a 69 J/cm², potência 0,10 W, irradiância 0,77 W/cm2Após 48h, os níveis  mRNA foram reduzidos  nas células MCF-7 e nas  células MDA-MB-231. O  comprimento dos telôme ros reduziu nas células  MDA-MB-231
Trajano et  al.  (2025)Estudo  in vitroCélulas  MCF-7 e MDA MB-231830 nm Uma única irradiação com dose 98  J/cm², energia 12,8  J, potência 0,1 W,  irradiância 0,77  W/cm²Não foi observada diferença na quantidade relativa de cópias de  mtDNA/DNA e níveis  de mRNA
Silva  et al.  (2021)Estudo  experimental  in vivoCamundongos  (30 fêmeas  com células tumorais de  mama 4T1  que receberam 4  sessões de  RT)660 nm Três grupos: (I)  única irradiação a  150 J/cm² (6 J) em  24h após a última  sessão de RT, (II)  após cada sessão de  RT a 150 J/cm² (6  J) e (III) após cada  sessão de RT a 37,5  J/cm² (1,5 J), potência 20 mW, irradiância 500 mW/cm²Após 3 semanas, a FBM  interrompeu o cresci mento tumoral, reduziu o  número de metástases pulmonares e aumentou a sobrevida independente da  dose
Pereira  et al.  (2021)Estudo  experimental  in vivoCamundongos (31 fêmeas com células tumorais de  mama  4T1)660 nm Três grupos com  uma irradiação em  cada: (I) 1,8 J/cm²  (1,2 J), (II) 5,6  J/cm² (3,6 J) e (III)  9,4 J/cm² (6J), potência 120 mW, irradiância 38,2  mW/cm2Uma única irradiação não  aumenta o volume do tumor. A energia de 3,6 J  promoveu menor número  de nódulos metastáticos  nos pulmões
Robijns et  al.  (2022)Estudo  prospectivo  de um ensaio clínico randomizadoHumanos  (120 mulheres em  RT)808-905  nmDose 4 J/cm², potência 3,3 W, 2x/semana, 14 sessõesEm 66 meses não houve  diferença na sobrevida livre de doença, sobrevida  livre de câncer e sobrevida global

3.1 SÍNTESE DOS ESTUDOS IN VITRO 

Os seis estudos in vitro incluídos nesta revisão utilizaram linhagens de células tumorais  mamárias MCF-7 e/ou MDA-MB-231. Os comprimentos de onda utilizados ficaram na faixa  entre 633 e 980 nm. Além disso, os autores investigaram desfechos semelhantes, como viabilidade celular, proliferação, expressão gênica e apoptose, o que permitiu uma análise comparativa  dos efeitos celulares. 

Quatro estudos demonstraram resultados semelhantes quanto à viabilidade e proliferação celular. Cialdai et al. (2015), Sinaei et al. (2024), Farias et al. (2024) e Trajano et al. (2025)  não observaram estímulo proliferativo nas células do câncer de mama, reforçando a segurança  do uso da FBM nos parâmetros pesquisados. Já Ibrahim et al. (2024) identificou aumento de  viabilidade celular com laser de 660 nm a 45 mW por 60 s, enquanto Magrini et al. (2012)  demonstrou bioestimulação apenas na dose de 1000 mJ/cm² e comprimento de onda 633 nm,  com bioinibição em doses menores, evidenciando o efeito bifásico dose dependente. Esses  achados reforçam que a resposta celular à FBM é altamente dependente da dosimetria utilizada. 

Dentre os seis estudos avaliados, quatro investigaram parâmetros diretamente relacionados à apoptose celular ou atividade mitótica. Sinaei et al. (2024) observou aumento da expressão do gene BAX, marcador pró-apoptótico, especialmente com o comprimento de onda  de 980 nm e na dose 4 J/cm², indicando indução da morte celular programada em células MDA MB-231. Farias et al. (2024) também identificou redução nos níveis de mRNA e encurtamento  dos telômeros, sugerindo uma redução da replicação celular e viabilidade tumoral com LASER  vermelho e dose 69 J/cm². Por sua vez, Trajano et al. (2025) não observou alterações nos níveis  de mRNA ou na quantidade relativa de cópias de mtDNA/gDNA, indicando ausência de efeitos relevantes sobre a atividade mitótica no espectro infravermelho na dose 98 J/cm². Dessa forma, os resultados dos estudos in vitro desta revisão sugerem que a FBM com  comprimentos de onda na faixa do vermelho e infravermelho próximo demonstra a ausência de  estímulo proliferativo, aliada à presença de efeitos bioinibitórios ou pró-apoptóticos em determinados protocolos, indicando que a FBM não promove a progressão de células tumorais em  estudos in vitro, em parâmetros específicos. Isso reforça o que vem sendo apresentado na literatura sobre a relação intrínseca entre magnitude de dose e potencial de resposta, que está diretamente relacionado à segurança à medida que a intensidade das doses delimita o risco ou benefício da técnica (Lee & Oh, 2022). 

3.2 SÍNTESE DOS ESTUDOS IN VIVO 

Os dois estudos em modelo animal encontrados nesta busca utilizaram o modelo murino  com a linhagem de células tumorais 4T1 para simular o câncer de mama, possibilitando a comparação dos dados (PEREIRA et al., 2021; SILVA et al., 2022). Ademais, os autores também  avaliaram desfechos similares, tais como volume tumoral, condição clínica dos animais inseridos no estudo, contagem sanguínea, presença de metástases pulmonares e taxa de sobrevida,  permitindo uma análise integrada dos efeitos da FBM em oncologia. Dentre suas semelhanças,  ambos estudos evidenciaram que a FBM, quando aplicada de maneira protocolada, não favorece a progressão tumoral, sugerindo a segurança em seu uso em organismos portadores de neoplasias. 

De forma isolada, o estudo de Pereira et al., (2021) investigou os efeitos de uma única  irradiação com LED vermelho (660 nm) em camundongos com tumores mamários, utilizando  três diferentes energias: 1,2 J, 3,6 J e 6,0 J, correspondentes a uma única aplicação sobre a área  tumoral. Os resultados demonstraram que a dose intermediária (3,6 J) promoveu melhores condições clínicas, menor número de metástases pulmonares, valores estáveis de contagem de células sanguíneas e maior sobrevida dos animais. Desta forma, sugerindo um possível efeito modulador da FBM dependente da dose utilizada, reforçando a necessidade de mais investigações sobre os efeitos desta terapia. 

Já a pesquisa de Silva e colaboradores (2022) avaliou a combinação da FBM com a RT  no tratamento de camundongos com câncer de mama triplo negativo. A radioterapia foi aplicada  em quatro sessões consecutivas de 15 Gy (dose total de 60 Gy) e a FBM foi utilizada com  LASER vermelho (660 nm, 20 mW, 0,04 cm2, 500 mW/cm2) em três protocolos: exposição  única de 150 J/cm2 após a RT, 150 J/cm2aplicados após cada sessão de RT e 37,5 J/cm2 fracionados após cada sessão de RT. Independente do protocolo utilizado, a FBM se mostrou eficaz  em algum grau, sendo responsável pela contenção do crescimento tumoral, melhora do quadro  clínico e redução da anemia hemolítica. Contudo, destaca-se o grupo submetido à aplicação de  150 J/cm2 após cada sessão de RT, pois apresentou melhores desfechos, sendo eles a melhora  da sobrevida e menor número de metástases pulmonares, sugerindo que a FBM pode atuar como  uma importante aliada na mitigação dos efeitos adversos da radioterapia. 

3.3 SÍNTESE DOS ESTUDOS EM HUMANOS 

O delineamento do estudo desta revisão integrativa identificou um estudo realizado com  seres humanos. Os resultados do ensaio clínico conduzido por Robijns et al. (2022) indicam a  segurança do uso da FBM em pacientes com câncer de mama submetidos à RT. Com um acom panhamento de 66 meses, o estudo não evidenciou diferenças significativas na sobrevida livre  de doença, sobrevida livre de recidiva e sobrevida global entre os grupos que receberam tratamento com LASER infravermelho (808-905 nm), em uma intensidade de 4J/cm2, imediatamente após a sessão de RT. Esses achados indicam que a FBM pode ser considerada uma estratégia segura para o controle da toxicidade cutânea causada pela RT, sem comprometer os  desfechos oncológicos (ROBIJNS et al., 2022). 

Corroborando o achado do presente estudo, uma revisão sistemática com meta-análise  demonstrou que a FBM apresenta efeitos benéficos significativos na prevenção e tratamento da  radiodermite aguda em graus moderados a graves em pacientes com câncer de mama e de cabeça e pescoço, destacando a eficácia clínica deste método para controle dos efeitos colaterais  da RT, sem relatos de efeitos adversos ao uso da luz (LIN et al., 2025). A revisão de Robijns e  colaboradores (2016) demonstrou que a eficácia da FBM varia significativamente de acordo  com os parâmetros de dosimetria utilizados, especialmente em relação à potência e à densidade  de energia, os quais devem se manter dentro de uma faixa terapêutica ideal para promover efeitos benéficos. Os estudos analisados relataram uma ampla variação da densidade de energia, entre 0,15 e 54 J/cm², com aplicação específica conforme a condição clínica, como linfedema,  mucosite oral e para radiodermatite. Em relação aos comprimentos de onda, a maioria dos estudos utilizou luz vermelha e infravermelha próxima, com faixa entre 639 e 904 nm. 

Esses dados reforçam a importância da seleção criteriosa dos parâmetros de irradiação  e densidade de energia para a efetividade da terapia em diferentes contextos clínicos oncológicos. Dessa forma, embora a literatura aponte benefícios clínicos relevantes e segurança quanto  aos desfechos oncológicos, ainda existem lacunas relacionadas à padronização dos protocolos,  a fim de garantir uma aplicação segura e eficaz da FBM em diferentes contextos da prática  clínica oncológica. 

3.4 LIMITAÇÕES 

Como limitações, observou-se variação significativa na forma de apresentação dos parâmetros, dificultando a comparação direta entre os resultados. Além disso, houve ausência ou  insuficiência de informações detalhadas sobre os parâmetros da FBM em diversos estudos, o  que compromete a padronização e reprodutibilidade das intervenções. Destaca-se ainda o número reduzido de ensaios clínicos disponíveis, com predomínio de estudos in vitro e in vivo, o  que limita a extrapolação dos achados para a prática clínica e reforça a necessidade de mais  pesquisas com desenho clínico robusto para confirmar a segurança da FBM em pacientes com  câncer de mama. 

4. CONCLUSÃO 

A ausência de estímulo proliferativo na maioria dos estudos in vitro, associada à presença de efeitos bioinibitórios e pró-apoptóticos em protocolos específicos, reforça a segurança  do uso da FBM quando aplicada com dosimetria adequada. De forma semelhante, os estudos  in vivo não evidenciaram progressão tumoral, metástases ou prejuízo à condição clínica dos  animais irradiados. Esses achados sugerem que, dentro de parâmetros bem controlados, a FBM  pode ser utilizada com segurança no contexto oncológico. Entretanto, apesar dos avanços na  aplicação da FBM na oncologia, esta revisão identificou apenas um estudo clínico conduzido  com seres humanos. O número reduzido de ensaios clínicos em humanos pode estar relacionado  às exigências éticas e metodológicas envolvidas nesse tipo de pesquisa. Embora os resultados  disponíveis reforcem a segurança e a eficácia clínica da FBM na prevenção e tratamento de efeitos adversos do tratamento do câncer, ainda são necessárias mais investigações controladas  e padronizadas. 

REFERÊNCIAS 

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1Mestre em Ciências do Movimento e Reabilitação pela Universidade Federal de Santa Maria. e-mail:  jhulie.k@hotmail.com
2Fisioterapeuta pela Universidade Federal de Santa Maria. e-mail: nicolasffc4@gmail.com
3Discente do Curso de Fisioterapia pela Universidade Federal de Santa Maria. e-mail: otacel.volpato@acad.ufsm.br
4Mestranda em Ciências do Movimento e Reabilitação pela Universidade Federal de Santa Maria. e-mail:  jessicambelle@hotmail.com
5Docente do Curso Superior de Fisioterapia da Universidade Federal de Santa Maria. Doutora em Educação  (UFSM). e-mail: hedioneia.foletto@ufsm.br