DESFECHOS CLÍNICOS DA APENDICECTOMIA LAPAROSCÓPICA VERSUS ABERTA: REVISÃO NARRATIVA 

CLINICAL OUTCOMES OF LAPAROSCOPIC VERSUS OPEN APPENDECTOMY: A NARRATIVE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202508112204


Gustavo Machado de Rezende1
Soraia Barroso de Almeida2


RESUMO 

Introdução: A apendicite aguda é o motivo mais comum para a realização de cirurgias  de urgência, com apendicectomia aberta tradicional e laparoscópica sendo as técnicas  usadas. A laparoscopia traz vantagens, mas enfrenta desafios como custo e necessidade  de experiência. Objetivo: Este estudo busca analisar os desfechos clínicos das duas  técnicas para melhorar o tratamento. Metodologia: Revisão narrativa nas bases PubMed  e BVS com buscas específicas, incluindo estudos de 2010 a 2025 em português, inglês  e espanhol. Foram selecionados estudos originais e excluídos revisões, teses, artigos  pagos e duplicados, focando em desfechos clínicos da apendicectomia. Resultados: Inicialmente 376 estudos foram encontrados; após a triagem, 10 estudos foram  selecionados. Discussão: A laparoscopia apresenta benefícios como menos  complicações e melhor recuperação, apesar do maior tempo operatório e custos. A  experiência cirúrgica e recursos influenciam nos resultados, e a técnica é segura,  recomendada quando há condições adequadas. Conclusão: A apendicectomia  laparoscópica é segura, eficaz e promove recuperação mais rápida, embora demande  mais tempo e equipamentos. O investimento em capacitação e infraestrutura é essencial  para ampliar seu uso, especialmente em hospitais públicos. A cirurgia aberta ainda é  necessária em alguns casos, mas a laparoscopia é a preferida na maioria. 

Palavras-chave: Apendicite, Apendicectomia Laparoscópica, Apendicectomia Aberta.

ABSTRACT 

Introduction: Acute appendicitis is the most common reason for performing emergency  surgeries, with traditional open appendectomy and laparoscopic appendectomy being the  techniques used. Laparoscopy offers advantages but faces challenges such as cost and  the need for experience. Objective: We aim to analyze the clinical outcomes of both  techniques to improve treatment. Methodology: A narrative review was conducted in the  PubMed and BVS databases with specific searches, including studies from 2010 to 2025  in Portuguese, English, and Spanish. Original studies were selected, excluding reviews,  theses, paid articles, and duplicates, focusing on clinical outcomes of appendectomy.  Results: Initially, 376 studies were found; after rigorous screening, 10 studies were  included. Discussion: Laparoscopy shows benefits such as fewer complications and  better recovery, despite longer operative times and higher costs. Surgical experience and  resources influence the results, and the technique is safe and recommended when  conditions are adequate. Conclusion: Laparoscopic appendectomy is safe, effective, and  promotes faster recovery, although it requires more time and equipment. Investment in  training and infrastructure is essential to expand its use, especially in public hospitals.  Open surgery is still necessary in some cases, but laparoscopy is preferred in most. 

Keywords: Appendicitis, Laparoscopic Appendectomy, Open Appendectomy.

1. INTRODUÇÃO 

A apendicite aguda é a principal razão para cirurgias de emergência no abdômen  em todo o mundo. A incidência estimada é de cerca de 233 casos por 100.000 habitantes,  com um risco ao longo da vida de 8,6% para homens e 6,7% para mulheres. A doença  costuma afetar pessoas entre 5 e 45 anos, sendo mais comum nas duas primeiras  décadas da vida adulta. No Brasil, provoca mais de 100 mil internações hospitalares por  ano. Apesar das diferentes formas de apresentação clínica, a retirada cirúrgica do  apêndice ainda é considerada a abordagem tradicional de tratamento e é uma das  intervenções emergenciais mais frequentes realizadas por cirurgiões gerais (Nascimento  et al., 2021).

A apendicectomia convencional (AC) é o método clássico há mais de cem anos,  reconhecida por sua confiabilidade e eficácia. Com o desenvolvimento da cirurgia  minimamente invasiva, a apendicectomia por vídeo (LA) tornou-se mais comum,  mostrando vantagens como menor tempo de hospitalização, redução da dor após a  cirurgia e melhor resultado estético, inclusive em pacientes com obesidade. Contudo,  algumas pesquisas não apontam diferenças relevantes entre LA e AC, além de indicarem  custos superiores e procedimentos mais demorados na LA. Apesar de segurar, a LA pode  apresentar complicações específicas, como abscessos dentro do abdômen,  principalmente em casos mais graves que exigem maior experiência técnica. Por isso, a  vantagem da LA ainda não é consenso, mantendo a AC como procedimento amplamente  utilizado (Zosimas et al., 2018). 

A introdução da laparoscopia em serviços públicos de urgência em países em  desenvolvimento, como o Brasil, enfrenta obstáculos que vão desde a necessidade de  capacitação progressiva dos médicos em formação até os altos custos e a limitada oferta  de equipamentos e materiais específicos. Em contextos em que há dificuldades até para  a realização de cirurgias convencionais, a adoção de técnicas mais complexas exige  cautela, apesar dos inúmeros benefícios associados à via laparoscópica. Nos últimos  anos, no entanto, a apendicectomia por laparoscopia realizada por residentes sob  supervisão tem se mostrado segura, com queda nas complicações à medida que se  adquire experiência (Damous et al., 2023). 

O manejo dos desfechos clínicos da LA versus aberta é complexo devido às  diferentes implicações cirúrgicas e pós-operatórias de cada técnica. A falta de consenso  e de estudos padronizados dificulta a definição da melhor conduta. Dessa forma, o  objetivo deste estudo foi analisar e comparar os desfechos clínicos relacionados às  técnicas laparoscópica e aberta na apendicectomia, visando contribuir para a melhoria  dos tratamentos. 

2. METODOLOGIA 

O presente estudo é uma revisão narrativa da literatura que foi realizada nas bases de dados PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Na PubMed, a busca foi feita utilizando a estratégia:  (“Appendicitis”[Mesh] OR appendicitis) AND (“Laparoscopy”[Mesh]  OR laparoscopy OR laparoscopic) AND (“Laparotomy”[Mesh] OR  laparotomy) AND (“Treatment Outcome”[Mesh] OR outcomes OR  complications). Na BVS, a busca foi realizada com os termos  “apendicite”, “apendicectomia laparoscópica”, “apendicectomia  aberta” e “desfechos clínicos”, combinados pelos operadores  booleanos “AND”.  
Os critérios de inclusão incluíram estudos transversais,  prospectivos, de coorte, ensaios clínicos e estudos de caso  publicados entre 2010 e 2025, nos idiomas português, inglês ou  espanhol. Foram excluídos da pesquisa os estudos de revisão,  teses, dissertações, artigos com acesso pago e duplicatas. 

3. RESULTADOS 

Inicialmente, foram identificados 376 estudos nas bases de dados (362 na PubMed  e 14 na BVS). Destes, 179 foram excluídos por estarem fora do recorte temporal definido,  resultando em 197 estudos submetidos à triagem. Durante a triagem, 113 estudos foram  excluídos, sendo 106 por se tratarem de revisões ou utilizarem outras metodologias, e 7  por possuírem títulos irrelevantes ao tema. Restaram, então, 84 estudos para análise.  Desses, 1 foi excluído por ser duplicado, totalizando 83 estudos avaliados de forma  íntegra quanto à elegibilidade. Na etapa de avaliação completa, 40 estudos foram  excluídos por não estarem disponíveis na íntegra e 33 por não responderem à questão  de pesquisa proposta. Sendo assim, restando 10 estudos para a revisão. 

Figura 1 – Diagrama do processo de triagem dos estudos.

Fonte: PRISMA, 2020.

Quadro 1 – Resumo dos estudos escolhidos.

Fonte: Autores, 2025.

O Quadro 2 apresenta uma síntese dos principais desfechos clínicos da  apendicectomia laparoscópica em comparação à cirurgia aberta, organizados pelos  desfechos avaliados, resultados para cada técnica e as conclusões gerais.  

Quadro 2 – Principais desfechos clínicos da apendicectomia laparoscópica versus aberta.

Fonte: Autores, 2025.

4. DISCUSSÃO 

Os resultados indicam que a LA oferece benefícios importantes, como menor taxa  de complicações, principalmente infecções na ferida operatória, além de redução da  mortalidade, diminuição do período de internação hospitalar, menor necessidade de  cuidados intensivos, menos readmissões em até 30 dias e menor risco de óbito. Esses  achados confirmam a segurança e eficácia da técnica, que também proporciona melhor  controle da dor pós-operatória e retorno mais rápido às atividades habituais (Nascimento  et al., 2021; Fonseca et al., 2021; Schietroma et al., 2012).  

Apesar disso, alguns estudos apontam divergências, relatando que a laparoscopia  pode demandar mais tempo cirúrgico e estar associada a um maior número de  reoperações, sem diferenças significativas em complicações ou duração da internação  hospitalar (Khalil et al., 2011; Zosimas et al., 2018). A laparoscopia ainda apresenta  vantagens técnicas ao permitir o acesso a toda a cavidade abdominal, facilitando o  diagnóstico diferencial, especialmente em mulheres jovens, grupo no qual é mais  frequentemente indicada (Fonseca et al., 2021).  

Além disso, em casos de peritonite difusa, a LA provoca menor resposta  inflamatória, menor bacteremia e preserva melhor a função imune, refletindo em menor  trauma cirúrgico e menor risco de abscessos intra-abdominais, embora essa diferença  não seja estatisticamente significativa (Schietroma et al., 2012; Gomes et al., 2020). Já a  cirurgia aberta apresenta maior incidência de infecções de ferida operatória, seromas, hematomas e íleo adinâmico, o que reforça a recuperação mais rápida com a técnica  minimamente invasiva (Fonseca et al., 2021; Schietroma et al., 2012).  Embora o tempo cirúrgico da LA seja geralmente maior por conta da curva de  aprendizado dos residentes, preparação do equipamento e complexidade dos casos,  essa diferença vem diminuindo com o aumento da experiência dos cirurgiões e a  otimização técnica (Nascimento et al., 2021; Fonseca et al., 2021; Damous et al., 2023).  Em serviços públicos, a adoção da técnica tem avançado, sobretudo com padronização  do uso de dispositivos como o clipe hem-o-lok, que facilitou a execução mesmo por  médicos em formação, reduzindo o tempo operatório e ampliando os resultados clínicos  positivos (Damous et al., 2023). A manutenção adequada dos equipamentos foi essencial  para essa transição e para que a LA superasse a via aberta como abordagem  preferencial.  

A taxa de conversão da laparoscopia para cirurgia aberta varia em torno de 7-8%,  sendo que os motivos para a conversão mudaram ao longo do tempo. Inicialmente, a  perfuração da base do apêndice era uma causa frequente, mas atualmente aderências e  intolerância ao pneumoperitônio são as principais razões, principalmente em pacientes  idosos ou com sintomas prolongados (Aragone et al., 2024; Fonseca et al., 2021). A  experiência da equipe cirúrgica foi determinante para a redução dessas conversões, que  atingiram um platô em torno de 0,4% após anos de prática (Aragone et al., 2024).  

Em pacientes obesos, os resultados da comparação entre LA e OA são variados,  com alguns estudos apontando benefícios da laparoscopia, como menor tempo hospitalar  e menos complicações, enquanto outros não evidenciam diferenças relevantes entre as  técnicas. Além disso, a gravidade da inflamação parece influenciar mais o tempo de  internação do que a técnica cirúrgica escolhida. Assim, a decisão sobre o procedimento  ideal deve considerar o quadro clínico do paciente, a experiência do cirurgião e a  disponibilidade de recursos (Clarke et al., 2011).  

Mesmo que a incidência de abscessos intra-abdominais possa ser maior na  laparoscopia, essa diferença não foi estatisticamente significativa na maioria dos estudos  citados (Zosimas et al., 2018; Fonseca et al., 2021; Gomes et al., 2020). Em resumo, a  apendicectomia por via laparoscópica é recomendada como abordagem preferencial  quando há disponibilidade de material e equipe treinada, oferecendo melhores desfechos clínicos e recuperação, mesmo considerando alguns desafios como maior tempo  cirúrgico e custos associados (Nascimento et al., 2021; Damous et al., 2023; Fonseca et  al., 2021). 

5. CONCLUSÃO 

A laparoscopia tem se mostrado uma alternativa segura e eficaz, trazendo  vantagens como menos dor após a cirurgia, menor risco de infecção e uma recuperação  mais rápida. Mesmo exigindo mais tempo e equipamentos específicos, o preparo da  equipe e o investimento em capacitação são fundamentais para que a técnica seja mais  utilizada, especialmente em hospitais públicos, onde os desafios são maiores. Em  algumas situações, a cirurgia aberta ainda pode ser necessária, mas, quando há  estrutura adequada, a laparoscopia costuma ser a opção preferida. 

Por isso, é essencial investir no constante aperfeiçoamento dos profissionais e  assegurar os recursos necessários para que um número maior de pacientes tenha  acesso a essa técnica menos invasiva, que pode proporcionar resultados superiores.

REFERÊNCIAS 

ARAGONE, Lucía et al. Conversion Rates, Causes, and Preoperative Associated  Factors in 3,411 Laparoscopic Appendectomies: Insights after Nearly Three Decades of  Laparoscopy and an Analysis of the Learning Curve. European Surgical Research, v.  65, n. 1, p. 108-114, 2024. 

CLARKE, Tatyan et al. Laparoscopic versus open appendectomy for the obese patient:  a subset analysis from a prospective, randomized, double-blind study. Surgical  endoscopy, v. 25, p. 1276-1280, 2011. 

DAMOUS, Sergio Henrique Bastos et al. Challenges to implement laparoscopic  appendectomy as the first-line treatment for acute appendicitis: a fifteen-year experience  in a tertiary hospital in Brazil. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, v. 50, p.  e20233527, 2023.  

FONSECA, Mariana Kumaira et al. Complicações pós-operatórias em apendicectomias:  análise comparativa entre as abordagens aberta e laparoscópica. Clinical and  Biomedical Research, v. 41, n. 4, 2021. 

GOMES, Carlos Augusto et al. Laparoscopic versus open approach for diffuse peritonitis  from appendicitis ethiology: a subgroup analysis from the Physiological parameters for  Prognosis in Abdominal Sepsis (PIPAS) study. Updates in Surgery, v. 72, p. 185-191,  2020. 

KHALIL, Jawad et al. Laparoscopic versus open appendectomy: a comparison of  primary outcome measures. Saudi Journal of Gastroenterology, v. 17, n. 4, p. 236- 240, 2011. 

NASCIMENTO, João Henrique Fonseca et al. Comparison of outcomes and cost effectiveness of laparoscopic and open appendectomies in public health  services. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, v. 48, p. e20213010, 2021. 

SCHIETROMA, Mario et al. Peritonitis from perforated appendicitis: stress response  after laparoscopic or open treatment. The American Surgeon, v. 78, n. 5, p. 582-590,  2012. 

THOMSON, John-Edwin et al. Laparoscopic versus open surgery for complicated  appendicitis: a randomized controlled trial to prove safety. Surgical endoscopy, v. 29,  p. 2027-2032, 2015. 

ZOSIMAS, Dimitrios et al. Open versus laparoscopic appendicectomy in acute  appendicitis: results of a district general hospital. South African Journal of Surgery, v.  56, n. 2, p. 59-63, 2018.


1Médico Residente em Cirurgia Geral – Hospital de Base do Distrito Federal, Brasília, DF. E-mail: gustavomrezende@outlook.com
2Medicina pela Universidade Federal de Goiás Residência Médica em Cirurgia Geral no HRAN. Residência Médica em Cirurgia Videolaparoscopica no HUB. E-mail: barrosodealmeida@gmail.com