CUIDADOS DE ENFERMAGEM A PACIENTES COM DOR CRÔNICA  ONCOLÓGICA: UMA ABORDAGEM CENTRADA NA PRÁTICA ASSISTENCIAL¹ 

NURSING CARE FOR PATIENTS WITH CHRONIC CANCER PAIN: AN  APPROACH FOCUSED ON CARE PRACTICE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202504252132


Lindalva do Nascimento Almeida Lima2
Edvaldo Silva Pinheiro3


RESUMO

Introdução: Câncer é um termo genérico para um grande grupo de doenças que pode afetar  qualquer parte do corpo. Uma característica que define o câncer é a rápida criação de células  anormais que crescem além de seus limites habituais e podem invadir partes adjacentes do corpo  e se espalhar para outros órgãos, processo referido como metástase. A dor tem grande impacto no doente oncológico, significando agravamento do prognóstico ou morte próxima, daí a  importância de uma abordagem e tratamento corretos. Objetivo: identificar, por meio de uma  revisão integrativa da literatura, as evidências disponíveis sobre os cuidados de enfermagem  prestados a pacientes com dor crônica oncológica, destacando as principais estratégias, os  desafios e as contribuições da atuação profissional no enfrentamento dessa condição. Materiais  e Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada a partir do levantamento  de artigos científicos nas bases de dados da Biblioteca Virtual em Saúde – BVS, Scientific  Eletronic Library Online – Scielo, Public Medical Literature Analysis and Retrieval System  Onlin – PubMed e Literatura Latino – Americana e do Caribe em Ciências da Saúde – LILACS.  Os critérios de inclusão foram artigos científicos disponibilizados na integra, nos idiomas  português e inglês. Os critérios de exclusão foram revisões (sistemáticas, narrativas e  integrativas), artigos de opinião, editoriais e artigos duplicados na biblioteca e bases de dados. Resultados: O resultado da busca gerou uma amostra final de 7 artigos com data de publicação  entre 2015 e 2024, prevalecendo os anos de 2015 e 2018, que juntos corresponderam a 57,1%  (n=4) do total. Quanto às bases de dados de origem, os artigos foram indexados nas seguintes  plataformas: PubMed 28,6% (n=2), BVS 57,1% (n=4), SciELO 14,3% (n=1), LILACS (0%). A análise dos artigos inseridos nessa revisão integrativa foi elencada atentando-se para o  objetivo explicitado nesse estudo, sendo criadas duas categorias: A) A percepção de enfermeiras diante da dor de pacientes oncológicos B) Ações das enfermeiras para manejo da dor do paciente com câncer. Conclusão: Nesse contexto, observou-se que o profissional de  enfermagem dispõe de estratégias, recursos e instrumentos que favorecem uma abordagem  qualificada e resolutiva, como a avaliação sistemática da dor, a escuta atenta à queixa  individual, a utilização de terapias integrativas e o manejo contínuo de analgésicos e demais  medicações. 

Palavras–Chave: Cuidados de enfermagem, Câncer, Dor crônica e Manejo da dor. 

ABSTRACT

Introduction: Cancer is a generic term for a large group of diseases that can affect any part of  the body. A defining characteristic of cancer is the rapid creation of abnormal cells that grow  beyond their usual limits and can invade adjacent parts of the body and spread to other organs,  a process referred to as metastasis. Pain has a major impact on cancer patients, resulting in  worsening prognosis or imminent death, hence the importance of a correct approach and  treatment. Objective: to identify, through an integrative literature review, the available  evidence on nursing care provided to patients with chronic cancer pain, highlighting the main  strategies, challenges and contributions of professional practice in coping with this condition.  Materials and Methods: This is an integrative literature review carried out based on a survey  of scientific articles in the databases of the Virtual Health Library – BVS, Scientific Electronic  Library Online – Scielo, Public Medical Literature Analysis and Retrieval System Online – PubMed and Latin American and Caribbean Literature in Health Sciences – LILACS. The  inclusion criteria were scientific articles made available in full, in Portuguese and English. The  exclusion criteria were reviews (systematic, narrative and integrative), opinion articles,  editorials and duplicate articles in the library and databases. Results: The search result  generated a final sample of 7 articles with publication dates between 2015 and 2024, with the  years 2015 and 2018 prevailing, which together corresponded to 57.1% (n=4) of the total.  Regarding the source databases, the articles were indexed in the following platforms: PubMed  28.6% (n=2), BVS 57.1% (n=4), SciELO 14.3% (n=1), LILACS (0%). The analysis of the  articles included in this integrative review was selected taking into account the objective set out  in this study, and two categories were created: A) Nurses’ perception of the pain of cancer  patients; B) Nurses’ actions to manage the pain of cancer patients. Conclusion: In this context,  it was observed that nursing professionals have strategies, resources and instruments that favor  a qualified and resolute approach, such as systematic assessment of pain, attentive listening to  individual complaints, the use of integrative therapies and the continuous management of  analgesics and other medications. 

Keywords: Nursing Care, Cancer, Chronic Pain and Pain Management.

1 INTRODUÇÃO 

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) define o câncer como um conjunto de mais de  100 enfermidades malignas distintas, caracterizadas pela multiplicação descontrolada de  células que podem invadir tecidos vizinhos ou se disseminar para órgãos distantes. Essas  células, por sua divisão rápida e desordenada, tornam-se altamente agressivas e imprevisíveis,  originando tumores com potencial de metástase (INCA, 2020). 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a carga global do câncer continua  em expansão, gerando impacto significativo de ordem física, emocional e financeira não apenas  para os indivíduos acometidos, mas também para suas famílias, comunidades e os sistemas de  saúde como um todo. Estima-se que, entre 2020 e 2040, o número de novos casos alcance 30  milhões em escala mundial. No Brasil, a média anual atual é de aproximadamente 600 mil diagnósticos, podendo atingir cerca de 995 mil casos por ano até 2040 (GCO, 2022; WHO,  2022). 

Waterkemper e Schmidt Reibnitz (2008) afirmam que o diagnóstico de câncer  representa uma das experiências mais temidas no contexto das doenças crônicas. Isso se  evidencia nas narrativas de pessoas que enfrentaram ou enfrentam a enfermidade,  principalmente diante da presença de sintomas difíceis de controlar, sendo a dor um dos sinais  mais frequentes e relatados pelos pacientes. 

A dor, por sua vez, configura-se como uma das principais causas de sofrimento humano,  afetando diretamente a qualidade de vida e gerando repercussões nos âmbitos psicossocial e  econômico, o que a torna um relevante problema de saúde pública. Entre os sintomas associados  estão distúrbios no sono, apetite e libido, irritabilidade, fadiga, dificuldades de concentração e  prejuízos nas atividades familiares, profissionais e sociais (BOTTEGA; FONTANA, 2010). 

Bittencourt et al. (2021), destacam que as elevadas taxas de morbimortalidade  associadas ao câncer ainda promovem a estigmatização do diagnóstico, frequentemente  relacionado à dor e ao sofrimento, mesmo diante de possibilidades de cura. Nos estágios  avançados da doença, são comuns sintomas debilitantes, como dor intensa e manifestações de  ordem física, psicossocial e espiritual. 

Nesse sentido, a dor crônica é compreendida como aquela que persiste além do período  previsto para recuperação de uma lesão, estando frequentemente relacionada a processos  patológicos duradouros. Trata-se de uma dor recorrente ou contínua que perde sua função  biológica de alerta. A dor oncológica, especificamente, pode decorrer tanto do avanço da  doença quanto das intervenções terapêuticas, e mesmo com os avanços no tratamento, seu  controle permanece como um desafio importante (RIGOTTI; FERREIRA, 2005; RODRIGUES  ET AL., 2021). 

O enfermeiro assume papel essencial no cuidado a pacientes com dor oncológica  crônica, fornecendo assistência de qualidade e preenchendo lacunas deixadas pela carência de  profissionais com competências específicas nesta área. É indispensável que este profissional  detenha conhecimentos aprofundados sobre a dor, a fim de avaliá-la com precisão e  compreender sua complexidade (SCHNEIDER; KEMPFER, 2021). 

Além disso, a prática da enfermagem se destaca pela proximidade com o paciente que  vivencia a dor, o que atribui ao enfermeiro a responsabilidade de aplicar a Sistematização da  Assistência de Enfermagem (SAE), organizando o cuidado de forma integral, contemplando  não apenas o paciente, mas também sua família, diante dessa condição clínica (DE CASTRO  MOURA, 2017).

Diante do eixo temático abordado, a presente pesquisa tem como objetivo geral  identificar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, as evidências disponíveis sobre  os cuidados de enfermagem prestados a pacientes com dor crônica oncológica, destacando as  principais estratégias, os desafios e as contribuições da atuação profissional no enfrentamento  dessa condição. 

2 MATERIAIS E MÉTODOS 

Trata-se de um estudo descritivo, a partir de uma Revisão Integrativa de Literatura (RIL), que aborda os cuidados de enfermagem frente aos pacientes com dor crônica oncológica.  As pesquisas descritivas têm como objetivo principal demonstrar as características de  determinada população ou fenômeno que é estudado, podendo também determinar as relações  entre variáveis distintas. No mais, esse tipo de estudo busca descrever uma situação ou  fenômeno em detalhes (TURATO, 2005) 

Mendes et al (2008) afirma que para obtenção da revisão integrativa se faz necessário  passar por diferentes etapas sendo elas: identificação do tema e da hipótese; estabelecer critérios  de inclusão e exclusão para a amostra; define informações que serão extraídas dos estudos;  avaliação da literatura; análise dos resultados; e apresentação do conhecimento. 

Cabe mencionar que a elaboração da pergunta norteadora foi realizada por meio da  estratégia PICo, acrônimo que corresponde: P– Paciente/População; I – Intervenção/Interesse; e Co: Contexto. A estratégia desta revisão foi estabelecida da seguinte forma: P – Pacientes com  dor crônica oncológica; I – Cuidados de enfermagem; Co – Prática assistencial em  saúde/enfermagem. 

A partir da estratégia PICo definiu-se a pergunta norteadora: Quais cuidados de  enfermagem são descritos na literatura científica para o manejo da dor crônica em  pacientes oncológicos? Para a seleção dos estudos, utilizaram-se bases de dados consideradas  importantes no contexto da saúde e disponíveis on-line: Biblioteca Virtual em Saúde – BVS, Scientific Eletronic Library Online – Scielo, Public Medical Literature Analysis and Retrieval  System Onlin – PubMed e Literatura Latino – Americana e do Caribe em Ciências da Saúde – LILACS. 

Os critérios de inclusão estabelecidos para a seleção dos artigos foram: estudos primários publicados na íntegra que abordassem quais os principais cuidados da enfermagem  aos pacientes com dor crônica oncológica, no idioma: português e inglês. Escolheu-se o período  de 2014 a 2024. Os critérios utilizados para exclusão dos artigos foram: artigos sem resumo nas bases de dados, artigos duplicados em outras bases de dados, revisões, conteúdo que não  respondia ao problema de pesquisa ou com objetivo do estudo não condizente com o desta  pesquisa. 

O levantamento dos estudos foi realizado entre fevereiro e março 2025, ao mesmo  tempo nas quatro bases citadas, utilizando os seguintes Descritores em Ciências da Saúde  (DeCS) e do Medical Subject Headings (MeSH):Cuidados de enfermagem (Nursing Care),  Câncer (Cancer), Dor crônica (Chronic Pain) e Manejo da dor (Pain Management). Tais  palavras foram cruzadas utilizando os operadores boleanos “AND” e “OR” até que se  obtivessem estudos que correspondessem aos critérios de inclusão do estudo. 

Nesse sentido, foi efetuada a leitura analítica abordando os critérios citados, o que  possibilitou na composição dos assuntos de acordo com sua importância e as ideias  fundamentais para solucionar a problemática do estudo. 

3 RESULTADOS  

O resultado da busca gerou uma amostra final de 7 artigos com data de publicação entre  2015 e 2024, prevalecendo os anos de 2015 e 2018, que juntos corresponderam a 57,1% (n=4)  do total. Quanto às bases de dados de origem, os artigos foram indexados nas seguintes  plataformas: PubMed 28,6% (n=2), BVS 57,1% (n=4), SciELO 14,3% (n=1), LILACS (0%). 

A fase de busca dos artigos nas bases de dados e biblioteca foi estabelecido conforme o  modelo Preferred Reporting Items for Systematic Review and Meta-Analyses – PRISMA  (PAGE et al., 2021). Logo, foi feita uma seleção minuciosa dos artigos, seguido da seleção de  postos-chaves dos materiais, para que então fosse estudado mais a fundo este método. O  fluxograma, a seguir (Figura 1), demonstra os passos efeituados para a seleção dos artigos.

Figura 01. Fluxograma do processo de seleção dos artigos incluídos na análise de acordo com PRISMA 2009. Registros identificados por meio de  pesquisa nos bancos de dados (n = 594) 

Fonte: Autores com base no modelo PRISMA (PAGE et al., 2021). 

Os trabalhos incluídos nesta revisão foram publicados em revistas/periódicos de  diferentes campos de estudo. O quadro 1 apresenta as informações referentes aos dados de  identificação dos artigos incluídos no estudo. Cada um dos trabalhos recebeu um código de  apresentação (ID) que vai de A1, A2, A3… até A7. 

Quadro 01 – Síntese dos artigos incluídos a partir do id, autores, título, bases de dados, objetivos, métodos e resultados

4 DISCUSSÃO 

Nota-se que poucas publicações foram realizadas a respeito de dor crônica oncológica  nos últimos 10 anos; somente 7 artigos foram identificados. A restrita produção acerca do  assunto proposto mostra que o interesse permaneceu inexpressível, visto que as pesquisas se  apresentaram em número limitado ao passar dos anos. 

Cabe destacar ainda, que a identificação dos artigos revelou que os estudos convergem  predominantemente para a discussão de um eixo temático, que gira em torno dos cuidados de  enfermagem aos pacientes com dor crônica oncológica. A análise dos artigos inseridos nessa  revisão integrativa foi elencada atentando-se para o objetivo explicitado nesse estudo, sendo  criadas duas categorias: A) A percepção de enfermeiras diante da dor de pacientes oncológicos B) Ações das enfermeiras para manejo da dor do paciente com câncer. 

Categoria 1: A percepção do profissional enfermeiro diante da dor de pacientes oncológicos. 

Dos sete estudos identificados por esta revisão, quatro deles realizaram entrevistas para compreender a percepção do enfermeiro frente a dor crônica dos pacientes oncológicos. Os estudos em questão foram: A1, A3, A6 e A7. Em todos, os enfermeiros entendem que a dor do paciente oncológico transcende o físico e passa a ser dor emocional/espiritual devido a condição do paciente e negação do diagnóstico clínico, por isso a necessidade do profissional trabalhar com respeito, empatia e responsabilidade estabelecendo vínculos com o paciente. 

Partindo em defesa dessa concepção, Pereira et al., (2023), afirmam que que cuidar do paciente oncológico com dor crônica ultrapassa as medidas clínicas e execução de procedimentos, o profissional precisa estabelecer empatia e vínculo afetivo com o paciente para oferecer suporte e conforto. 

 Ainda nesta análise, o estudo do A6, evidencia a questão psicológica do enfermeiro responsável pela assistência que “sofre junto com o paciente” e relata um cuidado desgastante devido as dores intensas dos pacientes. Diante deste achado, em um estudo realizado por Fonseca e Afonso (2020), confirmam o exposto, visto que os profissionais enfermeiros que trabalham diretamente com pacientes oncológicos, expressaram também durante a entrevista para a pesquisa, suas dificuldades em lidar com o sofrimento causado pelo câncer e pela dor. 

Nas análises dos estudos A3 e A7, deixam claro, que os profissionais entendem que a avaliação adequada da dor é fundamental, bem como validar a fala de dor do paciente, para isso entendem a necessidade de avaliação holística por considerar a dor multifatorial. A atuação holística do enfermeiro deve ser voltada para que as necessidades do paciente oncológico (físico, emocional, social e espiritual) sejam sanadas, para isso , o enfermeiro deve imbuir-se  de conhecimentos técnico-científicos e atuar de forma interpessoal e humanizada pois, o  profissional de enfermagem precisa interpretar a subjetividade de cada paciente (CUNHA; RÊGO, 2015). 

Categoria 2: Ações desenvolvidas por enfermeiros para manejo da dor do paciente com câncer. 

As ações desenvolvidas pelos enfermeiros para manejo da dor do paciente com câncer relatadas nos artigos encontrados em suma se repetem, tendo a Avaliação da Dor como primeira etapa para terapêutica correta. Sem avaliação apropriada, a dor pode ser mal interpretada ou  subestimada, o que pode acarretar manipulação inadequada e prejudicar a qualidade de vida do  cliente (HORTENSE et al., 2017). 

Para avaliar a dor no paciente oncológico, é preciso escalas específicas que norteiam as  ações dos profissionais da saúde. O enfermeiro é protagonista nessa ação, pois é quem tem mais contato com o paciente durante as triagens e períodos de internações em diversas  instituições, as escalas mais utilizadas para classificação da algia em pacientes oncológicos são:  Escala Visual Numérica, Escala Visual Analógica, Escala de Descritores Verbais, Escala de  Faces, Pain Assessment in Advanced Dementina – PANAID , Questionário de Dor McGill (OLIVEIRA, D. S. da S.; ROQUE; MAIA, 2019). 

Após a avaliação da dor, os artigos A1, A2, A3, A6 e A7 apontam as medidas farmacológicas para alívio da dor como principal ação da enfermagem, aplicação da medicação prescrita em âmbito hospitalar, posologia, orientações quanto ao uso adequado das medicações, a necessidade de seguir os horários pré-estabelecidos, orientações para o paciente e familiar sobre o uso domiciliar bem como seus possíveis efeitos colaterais.  

Para a enfermagem o ato da administração de medicamentos é uma das mais sérias  responsabilidades que pesam sobre enfermeiro, ao fazer a terapia medicamentosa com responsabilidade, é preciso considerá – la como um ato social e humano, e não apenas como uma habilidade técnica, visto que uma falha pode ter consequências irreparáveis (PEREIRA 2023). 

O artigo A2 aponta as modalidades farmacológicas mais utilizadas pela equipe de enfermagem que foram a aplicação de analgésicos/anti-inflamatório não esteroide, opioide fraco isolado ou associado com analgésico e opioides fortes isolados ou combinados com analgésico /anti-inflamatório não esteroide. O artigo A3 também cita os medicamentos mais utilizados sendo os analgésicos não opioides, opioides fracos e fortes. 

Portela e Modena (2019), corroboram o achado ao especificar os opioides como essenciais para o tratamento da dor oncológica, além de tratar outros sintomas angustiantes  como a falta de ar, sendo assim um ponto principal para qualidade na assistência em cuidados  paliativos é garantir o acesso aos opioides. 

As medidas não farmacológicas encontradas nos estudos A2, A3, A4 e A7 foram a termoterapia, massoterapia, massagem e crioterapia. Os cuidados gerais como: banho, realização de curativos, mudança de decúbito, cuidados na administração da dieta enteral, higiene corporal e bucal, escuta terapêutica e promoção do conforto também foram citados como cuidados de enfermagem ao paciente oncológico com dor crônica. 

Neste sentido , quanto as medidas não farmacológicas para alivio da dor, os profissionais  de enfermagem que atuam na área de oncologia devem agregar conhecimentos para  atendimento a esta clientela especializada, conhecendo os diversos tipos de tratamento e  possíveis formas de manejo, a fim de contribuir com o suporte ao paciente em busca de um  cuidado integral e seguro (PEREIRA, R. D. de M. et al., 2015). 

 O artigo A5, explora a possibilidade do uso das terapias complementares, ao mostrar a efetividade da acupuntura auricular (AA) no tratamento da dor oncológica, no artigo foram  criados dois grupos. O Experimental recebeu a aplicação da acupuntura auricular em pontos do  equilíbrio energético e em pontos indicados para o tratamento da dor, e um Placebo, em que  foram aplicados pontos placebos fixos. Os pacientes que estavam no grupo Experimental, relataram além da redução da intensidade da dor, diminuição das doses de analgésicos diários  e alteração na classificação da dor. 

Nesta linha de raciocínio, Eaton e Hulett (2019) atestam o achado referente ao uso de terapias complementares, afirmando que embora a farmacoterapia seja a principal modalidade  de tratamento, as terapias complementares são importantes ao considerar o aumento dos casos  crônicos de dor no tratamento do câncer. As intervenções são geralmente baratas, com poucos  ou nenhum efeito adverso, podendo aliviar múltiplos sintomas e oferecer uma variedade de  modalidades das quais um paciente pode escolher com base em suas preferências e necessidades  pessoais. 

No contexto da oncologia, o enfermeiro atua de forma ampla tanto em ações de  prevenção e controle quanto em ações educativas, ações integradas com outros profissionais,  na prática da assistência ao paciente oncológico e sua família. Tem como competência prestar assistência a pacientes com câncer na avaliação diagnóstica, tratamento, reabilitação e  atendimento aos familiares. Por isso, a pesquisa em enfermagem oncológica é essencial para  gerar a base de conhecimento que fundamenta a prática clínica, além de poder identificar o  impacto do câncer e do tratamento na vida de pacientes e familiares. Fonseca e Afonso (2020), 

5 CONCLUSÃO 

A presente revisão integrativa evidenciou as contribuições da enfermagem na  assistência a pacientes com dor crônica oncológica, conforme apontado na literatura científica.  Nesse contexto, observou-se que o profissional de enfermagem dispõe de estratégias, recursos  e instrumentos que favorecem uma abordagem qualificada e resolutiva, como a avaliação  sistemática da dor, a escuta atenta à queixa individual, a utilização de terapias integrativas e o  manejo contínuo de analgésicos e demais medicações. 

O estudo também possibilitou compreender a diversidade e a amplitude das práticas  assistenciais desempenhadas pelos enfermeiros, ressaltando sua importância na promoção do  alívio da dor e no cuidado integral ao paciente oncológico. No entanto, o cuidado à pessoa que  convive com dor crônica oncológica vai além da execução de protocolos e intervenções  técnicas; ele exige empatia, escuta sensível e um vínculo terapêutico pautado no acolhimento e  no respeito à experiência subjetiva do paciente. 

Ademais, observou-se uma produção científica ainda restrita sobre o tema, o que revela  um interesse limitado ao longo dos anos por essa área específica do cuidado. Tal lacuna aponta  para a necessidade de fomentar novas investigações que aprofundem a compreensão do papel  da enfermagem nesse contexto, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias  assistenciais mais eficazes e humanizadas, voltadas à melhoria da qualidade de vida dos  pacientes oncológicos com dor crônica. 

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1Artigo apresentado ao Curso de Bacharelado em Enfermagem do Instituto de Ensino Superior do Sul do Maranhão – IESMA/Unisulma;
2Acadêmica do curso de Bacharelado em Enfermagem do Instituto de Ensino Superior do Sul do Maranhão – IESMA/Unisulma. E-mail: linda.nalps@gmail.com;
3Enfermeiro Mestre em Ciências Ambientais (UNITAU), docente do curso de Bacharelado em Enfermagem do  Instituto de Ensino Superior doSul do Maranhão – IESMA/Unisulma. E-mail: enf.edivaldo.p@gmail.com