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	<title>Teologia &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<description>Revista Científica de Alto Impacto.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 12 Mar 2026 10:37:09 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Teologia &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<item>
		<title>ENTRE TOMÁS DE AQUINO E FRANCISCO SUÁREZ: O ESQUECIMENTO DO ATO DE SER</title>
		<link>https://revistaft.com.br/entre-tomas-de-aquino-e-francisco-suarez-o-esquecimento-do-ato-de-ser/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2025 22:46:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Teologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512091945 Lázaro Teixeira Trindade RESUMO O artigo investiga, a partir da filosofia de Henrique Cláudio de Lima Vaz, as transformações no âmbito da racionalidade metafísica que levaram ao obscurecimento da novidade tomista do ato de ser na transição para a modernidade. Analisa-se como o deslocamento da problemática clássica do subjectum metaphysicae — centrada [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512091945</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Lázaro Teixeira Trindade</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O artigo investiga, a partir da filosofia de Henrique Cláudio de Lima Vaz, as transformações no âmbito da racionalidade metafísica que levaram ao obscurecimento da novidade tomista do ato de ser na transição para a modernidade. Analisa-se como o deslocamento da problemática clássica do <em>subjectum metaphysicae</em> — centrada no ente enquanto ente e na distinção real entre essência e existência — para a determinação do <em>objectum metaphysicae</em>, especialmente em Suárez, instaurou uma racionalidade unívoca e representacional que abriu caminho ao modelo ontoteológico criticado por Heidegger. Mostra-se, assim, que o esquecimento do “ato de ser” não decorre de Tomás de Aquino, mas de sua posterior leitura reduzida ao formalismo da essência. O estudo conclui evidenciando a proposta lima-vaziana de recuperação da metafísica do ser como base para uma filosofia da pessoa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Metafísica; Lima Vaz; Tomás de Aquino; Ontoteologia; Modernidade</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">This article examines, through the philosophy of Henrique Cláudio de Lima Vaz, the transformations in metaphysical rationality that obscured the Thomistic novelty of the act of being during the transition to modernity. It analyzes how the shift from the classical problem of the <em>subjectum metaphysicae</em>—centered on the being-as-being and on the real distinction between essence and existence—to the determination of the <em>objectum metaphysicae</em>, especially in Suárez, established a univocal and representational rationality that paved the way for the ontotheological model later criticized by Heidegger. The study argues that the forgetting of the “act of being” does not arise from Aquinas himself but from subsequent readings reduced to essentialist formalism. It concludes by highlighting Lima Vaz’s proposal to recover the metaphysics of being as a foundation for a philosophy of the person.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>Metaphysics; Lima Vaz; Thomas Aquinas; Ontotheology; Modernity</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O problema do sentido da existência é uma das questões fundamentais da reflexão filosófica. De fato, durante o decurso da civilização ocidental muitos pensadores elencaram respostas e desenvolveram sistemas para responder a tal questão. Atualmente, no entardecer do projeto moderno, a humanidade é obrigada a posicionar esta questão ante o “nada”: no horizonte do caminho humano emerge o Niilismo em sua dimensão ética e metafísica. Resta ao homem algum sentido? É no intuito de resolver esta questão que Lima Vaz constituirá sua filosofia realista da Pessoa<sup>1</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Filosofia de Lima Vaz, no intuito de resgatar o Absoluto transcendente e sua relação com a História, se inspira principalmente em Platão, Hegel e Tomás de Aquino. Dos dois primeiros ela se apropria do método dialético como interpretação de seu momento histórico-cultural. Tanto Platão como Hegel, são pensadores que tiveram de superar a crise e a fragmentação de suas respectivas épocas. Poderíamos dizer que Platão e Hegel, assim como Lima Vaz, têm de dar conta do não-sentido de seu tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As superações da crise nestes pensadores vêm através de um caminho de inquirição e busca do fundamento do real, ou seja, de uma Metafísica. Aliás, tanto o filósofo de Atenas, como o pensador Alemão têm de se haver com o não-ser: não é por acaso que este é um dos problemas iniciais do <em>Sofista</em><sup>2</sup>, e da <em>Ciência da Lógica</em><sup>3</sup>. Também Tomás de Aquino desenvolve seu pensamento em meio a uma crise: as disputas entre Filosofia e Teologia na Universidade de Paris no século XIII.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido, Lima Vaz retoma o Aquinate como o pensador Cristão que tematizou a relação entre essência e existência, afirmando a inteligibilidade do existir singular. A novidade de Tomás, é justamente a de não ver a existência singular como um mero acidente na ordem das essências<sup>4</sup>. Além disso, o Doutor Angélico pode ser considerado um autor epocal pois ao procurar estabelecer o equilíbrio entre o mundo antigo e o mundo cristão teria levado a termo o projeto da Metafísica clássica, “o ciclo da ‘metafísica’ da <em>physis</em> no sentido do cosmocentrismo antigo”<sup>5</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido, é no desdobrar do pensamento de Tomás de Aquino, nas suas várias interpretações que a modernidade instala suas raízes. Mas seria o Aquinate o pai da modernidade? Esta não é a resposta lima-vaziana. Para o filósofo jesuíta, o doutor angélico permanece cosmocêntrico em seu pensamento. Se a modernidade se enraíza do desenrolar do tomismo, isto acontece numa dialética de “ruptura e continuidade”. Para Vaz, há uma continuidade de algumas questões do cenário teológico-metafísico, mas ocorre também uma ruptura fundamental com o modelo de racionalidade clássica. Ora, é esta ruptura que nos interessa aqui.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>PROPOSIÇÃO DO PROBLEMA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das grandes discussões atuais na filosofia é a do “destino da Metafísica”. De fato, Heidegger levanta uma séria objeção a Metafísica quando afirma que ela é a história do “esquecimento do Ser”. O ponto fulcral da crítica heideggeriana é que toda a Metafísica, de Platão a Hegel, adota um modelo de racionalidade unívoca, incapaz de reconhecer a diferença ontológica entre Ser e Ente gestando o modelo ontoteológico. Entretanto, para Lima Vaz existem pelo menos três momentos da história da Metafísica que são irredutíveis a esta análise heideggeriana: o neoplatonismo, a metafísica tomásica do ato de ser, e a metafísica moderna da subjetividade<sup>6</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A metafísica de Tomás, nosso objeto de análise aqui, situa-se no término da metafísica clássica e na madrugada da metafísica moderna. Mas, para Lima Vaz, as várias disputas do século XIII contribuíram para o obscurecimento da Metafísica do Esse, novidade do pensamento de Tomás: o abandono de uma racionalidade analógica, e da noção de intuição espiritual fecham, por assim dizer, qualquer abertura para pensar a inteligibilidade da existência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido, podemos agora esboçar o problema que move nossa investigação e que fora tematizado por Vaz em um artigo na revista <em>Síntese</em>: “Por que caminhos a &#8220;inteligência espiritual” foi abandonada pelo pensamento metafísico e cedeu lugar à razão abstrata e aos sistemas por ela construídos nos albores da modernidade?”<sup>7</sup>. A esta poderíamos acrescentar: Se a modernidade tem a raiz mais profunda na metafísica do ato de ser, porque ele se constitui como filosofia da imanência?<sup>8</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Se debruçando sobre esta questão, Oliveira <em>apud</em> Lima Vaz elenca as mudanças histórico-culturais que ocorreram no universo medieval e que possibilitaram o surgimento da razão moderna. Historicamente o esquecimento da metafísica do <em>esse</em> resulta do posicionamento de Tomás de Aquino quanto as disputas na entre as faculdades de Arte e de Teologia na Faculdade de Paris e a consequente condenação de algumas de suas teses pela autoridade eclesiástica e das várias interpretações que se seguem após sua morte<sup>9</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em algumas páginas também, Oliveira mostra os desenvolvimentos no terreno intelectual que levaram à inflexão moderna da metafísica e culminaram no niilismo<sup>10</sup>. Ora, são as mudanças no terreno da racionalidade que nos interessam aqui. Dito de outro modo, quais as mudanças no âmbito da metafísica que levaram o esquecimento do <em>esse</em>? Nosso fio condutor é a inflexão sujeito-objeto da metafísica ocorrida entre Tomás e Suárez. Ora é esta inflexão que permitirá o surgimento da razão unívoca e do modelo ontoteológico. Abordaremos agora, a paulatina desconstrução do <em>Subjectum Metaphysiquae</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>METAFÍSICA: DO SUJEITO AO OBJETO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Courtine, a metafísica na escolástica se desenvolve sobre o horizonte de uma problemática que se tornará clássica: O que é a Metafísica? O que ela estuda? Para os escolásticos, “o estatuto da metafísica, de sua natureza e de seu “objeto” se resumem na determinação do <em>subjectum metaphysicae</em>”<sup>11</sup>. Entretanto, o termo “sujeito” não diz respeito ao <em>cogito</em> cartesiano, nem a uma subjetividade empírica. O termo sujeito aqui deriva do “<em>hypokeimenon”</em> aristotélico que pode ser traduzido aqui por substrato material, ou simplesmente por <em>subjacente</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto ao termo objeto, este se refere ao termo <em>antikeimenon</em>, este se refere àquilo que é usado para designar o conteúdo de uma ciência, tida como hábito de investigação<sup>12</sup>. Esta distinção entre sujeito e objeto aparece primeiramente em Avicena, e é ela que acompanhará todos os debates metafísicos da escolástica. Para este pensador é o sujeito que distingue uma ciência das outras, e é ele que permite que a ciência se intencione para uma grande quantidade de objetos. Sendo assim, se toda ciência possui seu sujeito, deve haver um sujeito para a estrutura da ciência em geral, ou seja, um sujeito para a metafísica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ora, aqui poderíamos afirmar que o sujeito da ciência em geral é o próprio Deus, entretanto, para Avicena esta relação é problemática. É justamente esta problemática que os medievais desenvolverão como plano de fundo de suas reflexões: Se Deus não é o sujeito da metafísica, qual é a relação que ele possui com este sujeito? Aqui residirá a própria tensão entre Metafísica e Teologia Revelada, pois se Deus pode ser alcançado como sujeito na Metafísica, porque precisaríamos da Revelação?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Avicena desenvolve esta questão afirmando que, se a universalidade é característica da metafísica, então seu sujeito deve ser o ente como tal, ou o <em>ens commune</em>, no sentido de que ela se ocupa da natureza do ente absoluto. Esta constatação de Avicena, levanta outra questão: não seria o ente absoluto, em sua generalidade máxima, compreendido como Deus? Ao fazer estas relações, o filósofo árabe abre espaço para a afirmação do modelo ontoteológico que ganhará força após Tomás de Aquino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas se Avicena ensaia uma metafísica sistemática ao delimitar o sujeito da metafísica, o mesmo não acontece com o Aquinate. Tomás, assim como Lima Vaz, não intitula nenhum de seus livros de “Metafísica Sistemática”. Porém, ambos trazem novidades na releitura – no caso de Tomás – da metafísica aristotélica. Tomás elabora em seus comentários a Aristóteles uma distinção entre o <em>Ente</em> comum, o <em>Ente</em> criado, e o <em>Ser</em> divino. Entre os primeiros há uma distância no nível de generalidade e abstração, mas estes comparados ao último, se diferenciam no próprio nível ontológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tomás de Aquino segundo a interpretação de Courtine consegue chegar a delimitar o sujeito da metafísica através da reflexão completa, de forma mais específica, pelo juízo negativo da <em>separatio</em>. A <em>separatio </em>é uma operação do intelecto que compete mais propriamente à ciência divina ou a metafísica, nela o ente é entendido como atualidade – ou seja, aquele que tem ser<sup>13</sup>. Neste sentido, o sujeito da metafísica para Tomás de Aquino é o <em>ens commune </em>no sentido do ente enquanto ente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o Aquinate não o toma como simples abstração ou generalização, do contrário, ele aparece como sujeito porque no processo normal da metafísica (<em>via resolutionis</em>) capitamos primeiro o ente enquanto ente e só remontando às causas podemos alcançar o <em>ato puro</em>. A separatio é um caminho de atualização pelo qual chegamos do ente ao ser. Com esta afirmação do sujeito da metafísica Tomás salva a um só tempo o lugar da Metafísica e da Teologia no contexto Medieval. Mostrando a heterogeneidade delas, ele mostra que ambas discorrem sobre o mesmo assunto, mas por caminhos diferentes.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O Ente universal ou o <em>ens commune</em> que constitui o sujeito da metafísica, ou seu objeto formal, não pode ser identificado com Deus que, como vimos, é a própria causa mais universal do Ser dado a todas as coisas.<sup>14</sup></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Logo, o próprio <em>ens commune</em> participa do ser da causa altíssima e por isso é ontologicamente distinta dela. No fundo desta argumentação encontra-se a distinção real entre Ser e Essência e graças a ela o conceito de ens commune no Aquinate é analógico e não unívoco. Entretanto, o abandono da concepção de sujeito da metafísica acarretará no esquecimento da distinção entre essência e ser. Isso podemos perceber já nos primeiros discípulos de Tomás de Aquino, como Alberto o Grande e Gilles de Roma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alberto o Grande, ao se apropriar das teses tomistas também afirmará que o sujeito da Ciência é o ente enquanto tal. Porém, sua posição tende ao exclusivismo do <em>ens commune</em>, enfatizando a metafísica como ciência do fundamento absoluto.<sup>15</sup> Ao buscar o fundamento absoluto O Grande acentua unilateralmente a unidade da ciência reconduzindo toda a realidade ao ente comum. Enfatizando ens commune, Alberto abrirá caminho para uma ontologia independente, ou da coisa enquanto coisa.<sup>16</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na mesma linha Gilles de Roma consegue ser ainda mais radical: “Deus não é o sujeito da metafísica, o sujeito próprio desta ciência é o ser enquanto ser: <em>ens secundum quod ens secundum</em>”<sup>17</sup>. Dito de outro modo, cada ciência só é, na prática, em virtude de seu objeto formal e principal.<sup>18</sup> Em Gilles de Roma, vemos que a questão do subjectum passa a ser transposta na busca de um sujeito-objeto da metafísica. A destruição do sujeito da metafísica, será o intuito mesmo do projeto de Duns Scotus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como afirma Courtine, “na história da constituição ontoteológica da metafísica, há certamente uma época scotista”<sup>19</sup>. De fato, Scotus é o pensador que levantará sérias objeções à noção de sujeito da metafísica. Voltando à problemática de Avicena, Scotus analisa as condições de possibilidade de uma filosofia primeira. E ela é a primeira em dois sentidos: (1) enquanto nada pode ser conhecido antes dela ou sem ela e (2) enquanto ele busca o conhecimento das realidades primeiras. Se do segundo sentido, ela pode ser ciência (i) ciência do ente enquanto tal e (ii) ciência da causa primeira do ente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ora, para Scotus não se pode realizar (ii) sem que se elucide (i), dito de outro modo, a metafísica enquanto ciência mais universal deve tratar do ente enquanto ente, e para Scotus isto é tratar dos transcendentais: eis porque, a metafísica scotista é também conhecida como ciência transcendente. Assim, o Doutor Sútil distingue dois modos de metafísica: a <em>metafísica em si</em>, no qual se pode conhecer o sujeito da metafísica em conceito distinto, e a <em>metafísica para nós</em> que é a metafísica como filosofia primeira e ciência abstrativa<sup>20</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devido a limitação do intelecto só nos é possível a metafísica, sendo que nesta, o conceito de sujeito é tido como meramente metafórico, pressupondo sempre a figura da metafísica em si. E se é impossível afirmar o sujeito da metafísica para nós, também é tarefa vã afirmar uma ciência divina, pois, ou ela é ciência que existe somente para Deus, ou ela é ciência somente em sentido metafórico-analógico uma vez que o intelecto humano não pode abarcar Deus. Neste sentido, para Scotus não há possibilidade de um conhecimento imediato e a priori de Deus, ou de uma intuição espiritual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Notemos aqui que é em torno desta oposição principal que se cristalizarão, em suas diferenças, as doutrinas respectivas, tomista e scotista, da Analogia vs. Univocidade”<sup>21</sup>. Mas se é assim, o que resta a metafísica? Ora, se há uma ciência tal como a metafísica ela deve-se ocupar primeiramente daquilo que nos permite ascender da ideia ao conhecimento das realidades últimas, ou seja, ela deve repousar sobre o conceito unívoco de Deus, do Ente e da criatura. Ora, esta constatação do primeiro objeto adequado de nosso intelecto pode ser chamada de determinação “formal do ente”<sup>22</sup>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eis que saímos do ser concreto, para o ente formal, de uma razão analógica para uma razão unívoca. No itinerário da metafísica escolástica, a desconstrução scotista marca a vitória do objeto. Vitória esta que será sacramentada com o projeto de sistematização da metafísica empreendido por Suárez e com o novo estatuto da objetividade e da realidade conferido por ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>O SISTEMA DA METAFÍSICA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Se a pergunta de fundo da escolástica era sobre o estatuto do sujeito da metafísica, Francisco Suárez irá transmutá-la na questão sobre a determinação do “objeto” da metafísica. Qual é o objeto da metafísica? Eis a pergunta de Suárez que marca, como afirma Lima Vaz, o início do domínio da representação sobre o Ser que dominará toda metafísica moderna e uma “evolução noética que transforma o saber metafísico”<sup>23</sup>. Desta mudança de paradigma noético surge a necessidade de, não mais elaborar comentários, mas erguer um completo sistema de metafísica que busca dar conta do real.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ora, é somente por esta virada noética que podemos compreender os principais conceitos do sistema de Suárez. Um destes é marca profundamente o esquecimento da metafísica de Tomás de Aquino: o conceito de <em>essência real</em>. Ao sistematizar a relação entre essência e existência, Suárez afirma que a essência real é causa de si mesma, e tem força própria para se opor ao não-ser<sup>24</sup>. Assim é a essência e não a existência que constitui a realidade objetiva do ente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segue-se que a distinção real entre essência e existência é apenas uma abstração didática. E o resultado desta indistinção real gera um dos principais conceitos de Suárez: o <em>ser como tal</em>, ou o <em>ens ut sic</em>. Que aqui têm uma acepção formal e objetiva: enquanto formal delineia o ato do intelecto de conceber alguma coisa, e o segundo a coisa mesma que o intelecto apreende no conceito. Além disso, algo pode existir aqui e agora, ens particípio, mas esta mesma realidade possui uma essência que lhe existir como ela mesma – o <em>ens nominal</em>.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Em suma, Suárez deixa de lado o conceito de ente como <em>res</em>, que existe fora de sua causa (<em>extra causas</em>), como o entenderam Aristóteles e Tomás de Aquino, para se filiar a uma tendência, partilhada com Scot, que concebe o ente como o não-contraditório em si e, portanto, apto a existir, ainda que não exista.<sup>25</sup></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Ora é no movimento de obscurecimento da <em>res</em> concreta que podemos entender a mudança empreendida por Suárez na noção de analogia. Se dizendo discípulo do Aquinate, Suárez propõe recuperar a ideia de analogia. Entretanto, dentro de suas opções noético-epistemológicas a analogia se resume na atribuição formal de um conceito de ente a um número de entes determinados. Neste sentido, de toda a realidade a natureza e Deus, nós podemos atribuir o predicado “é ente”. Em última instância, a diferença real entre o ser-criado e o ser-criador (Deus) se resume na diferença entre ser-finito e ser-infinito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, não faz sentido aqui falar, em termo tomistas, do <em>esse ipsum subsistens</em>. A diferença ontológica se esvai, surge a divisão da metafísica entre Metafísica Geral e Metafísica Especial – que trata de Deus enquanto ente infinito. Aqui, vemos a primeira forma acabada do sistema da ontoteologia, que se desenrolará na modernidade e desembocará na feroz crítica heideggeriana. Como vimos, não foi o desenvolvimento da novidade de Tomás de Aquino que gera a ontoteologia, mas sim, seu completo esquecimento. Lima Vaz, ao optar pelo Aquinate, quer fazer uma memória desta novidade, como ele diz, memória do Ser<sup>26</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nosso intento de investigação neste trabalho foi perceber quais mudanças ocorreram, no nível da racionalidade, que soterraram a novidade tomista no final da transição para a modernidade. Vimos que ao se aproximar das margens modernas a metafísica foi progressivamente se esquecendo do ato de ser. Concluímos que este esquecimento se deu principalmente por causa da inversão da problemática do <em>subjectum metaphysicae</em> para o <em>objectum metaphysicae</em>. Esta nos parece ser esta a questão que articula os problemas da diferença ontológica, da participação, da analogia, e da ontoteologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aqui não negamos a importância dos acontecimentos históricos para este processo. Há, por assim dizer, uma dialética entre a história das ideias e a história dos fatos. Fatos provocam ideias, e ideias quando fortes modificam e criam fatos. Acreditamos que na história da civilização ocidental, as ideias que marcaram o final da Idade Média influenciaram profundamente o mundo moderno. Uma destituição do caráter do sujeito da ciência e do real pode ter influenciado na dinâmica de dominação da natureza, por exemplo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lima Vaz, também de posse desta dialética, deixa transparecer que o problema sujeito e objeto da metafísica está para além da Metafísica em sentido estrito. Ao buscar responder as questões fundamentais que elencamos no início deste trabalho, o filósofo mineiro busca em seu pensamento relacionar o ente enquanto tal (o homem em seu agir no mundo com os outros) e Deus (Absoluto transcendente, mas em relação com a história).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lima Vaz realiza isso com a afirmação da Pessoa – que conserva em si o caráter do sujeito clássico e da subjetividade moderna. Em suma, o sistema lima-vaziano é uma “ciência” da Persona metaphysicae.&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator alignwide has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Cf. OLIVEIRA, <em>Metafísica e Ética</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>2</sup>Cf. PLATÃO, <em>Diálogos I</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>3</sup>Cf. HEGEL, <em>A Ciência da Lógica</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>4</sup>OLIVEIRA, <em>Metafísica e Ética</em>. p. 116</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>5</sup>OLIVEIRA, <em>Metafísica e Ética</em>. p. 120.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>6</sup>LIMA VAZ, Metafísica: história e problema. p. 397</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>7</sup>Id., p. 398</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>8</sup>OLIVEIRA, <em>Metafísica e Ética</em>. p. 122</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>9</sup>Id., p. 124</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>10</sup>Id., p. 124-131</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>11</sup>COURTINE, <em>Suarez et le système de la Mètaphysique</em>. p. 9</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>12</sup>Id., p. 13</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>13</sup>Cf. SOUZA, Separatio e Subjectum</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>14</sup>COURTINE, <em>Suarez et le système de la Mètaphysique</em>. p. 61.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>15</sup>Id., p. 103.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>16</sup>Coisa entendida como “ens creatum”. Cf. ibid., p. 108.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>17</sup>Id., p. 109</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>18</sup>Id., p. 111</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>19</sup>Id., p. 137</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>20</sup>HONNEFELDER, <em>João Duns Scotus</em>. p. 82</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>21</sup>COURTINE, <em>Suarez et le système de la Mètaphysique</em>. p. 149</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>22</sup>HONNEFELDER, <em>João Duns Scotus</em>. p. 82</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>23</sup>LIMA VAZ, Metafísica: história e problema. p. 401</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>24</sup>COURTINE, <em>Suarez et le système de la Mètaphysique</em>. p. 185-190</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>25</sup>OLIVEIRA, <em>Francisco Suarez</em>. p. 51</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>26</sup>LIMA VAZ, <em>Raízes da Modernidade</em>. p. 269</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">COURTINE, Jean-François. <em>Suarez et le système de la Metaphysique</em>. Paris, Epiméthée. 1990.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HEGEL, G. W. F. A Ciência da Lógica <em>in</em>: <em>Enciclopédia das Ciências Filosóficas em compêndio (1830)</em>. São Paulo, Loyola, 2005. p. 175 – 185.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">HONNELFELDER, L. João Duns Scotus. São Paulo. Ed. Loyola. 2010. (col. Leituras Filosóficas)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIMA VAZ. Henrique C. Escritos de Filosofia III: Filosofia e Cultura. São Paulo. Ed. Loyola. 2ª ed. 2002. (Col. Filosofia – 42).</p>



<p class="wp-block-paragraph">______. Escritos de Filosofia VII: Raízes da Modernidade. São Paulo. Ed. Loyola. 2002. (Col. Filosofia – 55).</p>



<p class="wp-block-paragraph">______. Metafísica: História e Problema. <em>Síntese Nova Fase</em>. Belo Horizonte. v. 21 nº 66, 1994, p. 395-406.</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA. Cláudia Maria Rocha de. <em>Metafísica e Ética</em>: A filosofia da pessoa em Lima Vaz como resposta ao niilismo contemporâneo. São Paulo. Ed. Loyola. 2013 (Coleção Estudos Vazianos)</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA, Juliano. Francisco Suárez: a metafísica na aurora da modernidade. <em>Theoria – revista eletrônica de filosofia</em>. São Paulo. v. 2 nº 4, 2010, p. 44-57.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PLATÃO. <em>Diálogos I</em>: Teeteto (ou Do conhecimento); Sofista (ou Do ser); Protágoras (ou Sofistas). São Paulo: EDIPRO, 2007 v.1. (Clássicos EDIPRO)</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
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		<item>
		<title>UTOPIA E TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO: A PRESENÇA-AUSÊNCIA DA PARADIGMA UTÓPICO NA RIBLA (1988-2000)</title>
		<link>https://revistaft.com.br/utopia-e-teologia-da-libertacao-a-presenca-ausencia-da-paradigma-utopico-na-ribla-1988-2000/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2025 21:44:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Teologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512091843 Lázaro Teixeira Trindade RESUMO:&#160; O presente trabalho examina a presença-ausência do paradigma utópico na Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana (RIBLA) entre os anos de 1988 e 2000. Ele sintetiza os resultados da pesquisa homônima situando a interpretação bíblica na aporética entre Utopia e Teologia da Libertação. O trabalho possui três momentos. Primeiro [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512091843</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Lázaro Teixeira Trindade</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO:&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente trabalho examina a presença-ausência do paradigma utópico na <em>Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana (RIBLA) </em>entre os anos de 1988 e 2000. Ele sintetiza os resultados da pesquisa homônima situando a interpretação bíblica na aporética entre Utopia e Teologia da Libertação. O trabalho possui três momentos. Primeiro descrever-se-á a metodologia utilizada na pesquisa. Os resultados desta serão assunto do segundo momento. Por fim, o terceiro momento esboçará o conceito de utopia que advém da RIBLA e suas características fundamentais. Disso concluir-se-á que a utopia não é somente algo acrescentado desde fora da interpretação bíblica: há na exegese da RIBLA um momento utópico.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Bíblia; Presença-Ausência; RIBLA; Teologia da Libertação; Utopia&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Qual a influência de um conceito ou paradigma extrabíblico na interpretação das Escrituras? Existem critérios pelos quais pode-se definir quais deles são aptos ou não para o trabalho exegético? De fato, desde os Santos Padres, a Teologia e a Exegese serviram-se de tais conceitos e paradigmas para auscultar e falar da Revelação de Deus. Em continuidade com esta tradição, a Teologia da Libertação se apropriou do <em>paradigma utópico</em> para explicitar a ação de Deus e sua práxis libertadora em terras latino-americanas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso do paradigma utópico não é consenso na Teologia da Libertação. Para uns a utopia é força de esperança, para outros, rompe com a originalidade histórica do Cristianismo. A problemática insere-se na polêmica relação entre cristianismo e marxismo. A <em>Instrução sobre alguns aspectos da “Teologia da Libertação</em>” (1984) chama a atenção para a apropriação acrítica do instrumental marxista que reduz à aspectos puramente imanentes os componentes fundamentais da Revelação Cristã (SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, 1984, p. 29).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Interpretando esta <em>Instrução </em>Lima Vaz defende a incompatibilidade radical entre utopia-marxismo e cristianismo. Ao se propor como motor da história a utopia nega o Evento Cristo como “lugar” hermenêutico fundamental da Teologia Cristã da História e encerra a dialética história e meta-história num nível da imanência fazendo com que não se consiga perceber a salvação de Deus no tempo e no espaço (LIMA VAZ, 1984, p. 10-13).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por seu turno, Libânio (1989a, p. 92-100) mostra que o paradigma utópico é algo constitutivo do homem. A utopia é a face imanente da Esperança Cristã não fechando o homem a dimensão meta-histórica e transcendente. Neste sentido, utopia e cristianismo não são incompatíveis (Ibid., p. 104). Hinkelammert (2013, p. 20), neste sentido, chama atenção para a “ingenuidade anti-utópica”: pois uma sociedade sem utopias já é uma utopia. A isso, soma-se o desencanto das novas gerações que – mesmo perdendo a dimensão de futuro – anseiam por transformações radicais, isto é, por utopias (ALMEIDA, 2018, p. 27).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho transpõe essa questão para o campo da exegese. Aqui se analisará a influência da utopia na exegese bíblica latino-americana tomando como base uma revista paradigmática nesta relação entre os anos de 1988 e 2000: a <em>Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana</em> (RIBLA). Esta consiste num periódico de leitura popular da Bíblia que emergiu das experiências de fé das comunidades de todo continente. A RIBLA é uma revista de intercâmbio entre biblistas, comunidades e toda a sociedade. Sua intenção primeira é incentivar a centralidade da Palavra de Deus na vida de fé dos cristãos latino-americanos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o uso do paradigma utópico, ajuda ou atrapalha a reflexão exegética? Esta é a questão que guiará este trabalho. Aqui demonstrar-se-á a tese de que somente uma autocrítica da exegese utópica pode tornar o uso deste paradigma viável. Tal crítica revela o mais originário da utopia com sua potência simbólica e mítica possibilitando o diálogo entre a bíblia e a realidade da América Latina.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A metodologia aplicada para a realização da pesquisa consistiu numa análise e sistematização conceitual do paradigma utópico presente nos trinta e sete números da RIBLA entre os anos de 1988 e 2000. Primeiro analisou-se como a Utopia está presente-ausente nos textos da RIBLA identificando as principais citações e qual o lugar do lexema “utopia” na hermenêutica dos teólogos bíblicos. Em seguida, essas recorrências foram organizadas e sistematizadas em categorias que manifestassem o que os autores entendem por utopia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sendo assim, a pesquisa não toma uma definição <em>a priori </em>de utopia para depois perscrutar se ela aparece ou não na RIBLA. Por isso, trabalha-se aqui com a expressão “paradigma utópico” e não com o conceito de utopia. O primeiro indica um certo horizonte de sentido, não unívoco, pelo qual os autores leem a realidade. O segundo denota uma compreensão mais delimitada e definida desde fora da pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na análise, optou-se por uma leitura cronológica do material enfatizando as recorrências lexicais do termo “utopia” e seus afins. Logo, não é objeto dessa pesquisa empreender uma exegese direta dos textos bíblicos, nem se usará desta para corrigir ou legitimar a “exegese” da RIBLA. Não obstante, a pesquisa se valerá de categorias filosóficas e teológicas que advém do <em>status quaestionis </em>da utopia principalmente na América Latina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O conceito de utopia na RIBLA será esboçado somente no momento da sistematização. Neste momento, as várias citações foram agrupadas segundo três critérios: (1) se são de interpretação bíblica ou de teologia sistemática, (2) se possuem uma visão positiva ou negativa do termo utopia. Por último, e mais importante, (3) se tomam a utopia como uma “forma” (gênero literário) ou como “conteúdo” dos textos bíblicos e sistemáticos. Além disso, uma atenção especial fora dada ao v. 24 (1996) da revista. Totalmente dedicado à utopia, ele marca uma evolução do paradigma na RIBLA.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir destes critérios, a pesquisa discute em que medida a utilização do paradigma utópico é ou não plausível para a teologia bíblica latino-americana. Nesta perspectiva, confrontou-se o conceito de utopia que emergiu da análise e sistematização da RIBLA com algumas categorias exegético-teológicas fundamentais tais como a Esperança Cristã. De tal confronto emergem os limites e as possibilidades da relação entre utopia e teologia da libertação.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo em questão possui dois momentos: o primeiro apresenta as principais recorrências do lexema utopia nos 37 volumes da RIBLA destacando os artigos de exegese bíblica e “realidade pastoral”. O segundo momento esboçará as linhas fundamentais do conceito de utopia presente na RIBLA: força dinamizadora, resistência crítica e ligação com as culturas populares.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O termo “utopia” é citado 424 vezes nos 37 volumes pesquisados da RIBLA (1988-2000). Ele aparece em todos os volumes, com exceção dos vv. 5-6, 17 e 20. Além disso, o v. 24 (1996) é totalmente dedicado à utopia. Neste sentido, percebe-se que a exegese da RIBLA é marcada pelo paradigma utópico. Nas primeiras linhas da revista, a utopia emerge como uma mediação hermenêutica decisiva para leitura bíblica na América Latina (SCHWANTES, 1988a, p. 5). Tal leitura da Bíblia se dá de dois modos: na RIBLA, (1) nos artigos de interpretação bíblica e (2) em textos que refletem situações da atualidade pastoral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos artigos de interpretação bíblica, o maior uso do lexema “utopia” corresponde à hermenêutica do Antigo Testamento (AT). A “utopia” está relacionada a expressões como “vida abundante”, “terra que corre leite e mel”, “Promessa” e “Aliança”. A utopia remete à espera da ação de Deus na vida do povo de Israel, em especial do campesinato, destinatários e partícipes da utopia (MESTERS, 1996, p. 102). De maneira geral, os textos do AT traduzem o desejo de libertação popular que os autores da RIBLA nomearam de “utopia”. Neste sentido, a profecia é a porta-voz da utopia, como afirma Croatto (2000, p. 24):&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A ideia central é destacar que na redação dos mesmos, os autores queriam, em última instância, gerar uma utopia de libertação, de realização de seus destinatários judeus como povo em sua terra, a utopia de um futuro em nova aliança sem retorno a infidelidade, mas sim com recuperação econômica, política e religioso-cultural<sup>1</sup>.&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o vocábulo designa o conteúdo da mensagem profética e veterotestamentária tornando-se instrumento de fidelidade e resistência pela qual o Povo de Deus se opunha a seus opressores. Nesta perspectiva os autores da RIBLA leem os grandes símbolos da história de Israel em chave utópica como por exemplo a figura de Sião-Jerusalém (Is 66) e a Lei do Jubileu (Lv 25). Na maioria das vezes este uso é positivo, em outros casos, o vocábulo é usado de maneira pejorativa como propõe Galazzi (1992, p. 94): “uma utopia anacrônica e nunca realizada”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em ambos os casos o paradigma utópico emerge como uma solução exegética para as questões bíblicas. Aqui a utopia emerge como um gênero literário. Ela suscita a imaginação crítica e criativa gera novas maneiras de pensar e de agir (ZAVATIERO, 1989, p. 24). Através da utopia os autores transitam entre as narrativas veterotestamentárias e a realidade das comunidades latino americanas. Esta abordagem se repete na maioria dos textos. Não obstante, é notável a ausência do lexema utopia na exegese do bloco sapiencial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por seu turno, na exegese do Novo Testamento (NT) o lexema está ligado às realidades como o Reino de Deus, a esperança, a ressurreição e ao “novo céu e nova terra”. Além disso, também a prática e a pessoa de Jesus manifestam uma utopia de vida nova (GONZALO, 1994, p. 96). Além disso, para os autores da RIBLA, a imagem da Igreja presente em Mt 18 é também uma utopia que guia as primeiras comunidades. Esta utopia orienta as igrejas: o importante não é a realização da “utopia”, mas estar caminhando na direção histórica e evangélica impelida por ela (RICHARD, 1997, p. 6-8).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A exegese da 1 e 2Pd enfatiza a manutenção da utopia como “resistência”. Neste sentido, a utopia alimenta as esperanças da comunidade frente às dificuldades da fé como o retardo da <em>parousia</em> e a relação daquela com os poderes civis. Do “reino da utopia” retira-se as energias necessárias para o aqui e o agora das comunidades. Tal movimento é atualizado para o contexto da modernidade:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A proposta da modernidade é um regime de eficiência, produtividade e avanço tecnológico. É a negação de outros valores como a arte, a dignidade da pessoa humana, a necessidade não só de produzir, mas de distribuir com justiça. Porém, é sobretudo a morte dos sonhos, a negação dos ideais e a orfandade da utopia [&#8230;]. Negar a utopia de uma sociedade nova é matar a possibilidade de resistência. Anunciá-la é ao contrário negar o fracasso do Reino de Deus e pinçar a esperança construtiva dos cristãos (RODRIGUEZ, 1992, p. 54)<sup>2</sup>.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">De maneira geral, os autores da RIBLA procedem relacionando e identificando no texto bíblico os anseios e projetos das primeiras comunidades, isto é, “suas utopias”. Também aqui opera-se uma atualização da mensagem mostrando que as “utopias bíblicas” correspondem às utopias da comunidade Latino-Americana. Não obstante, é notável a ausência do lexema utopia na interpretação dos textos paulinos e joaninos. Nos escritos paulinos, as poucas menções identificam utopia e esperança no contexto do retardo da parousia. Já nos escritos joaninos, o lexema liga-se à exegese do Ap.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos artigos de exegese bíblica, o termo utopia exerce a mediação entre a Palavra de Deus e a atualidade. Tal caráter deve-se a presença da utopia na Bíblia e a presença da Bíblia nas utopias populares. A leitura utópica das Escrituras indica um “para onde” a ser percorrido criando novas maneiras de compreender, viver e esperar (RICHARD, 1988, p. 14). Num primeiro momento, a utopia é <em>conteúdo</em> comum entre as Escrituras e as comunidades. Ela é uma realidade para ou pelo qual tendem a Bíblia e a Teologia Latino Americana. Noutro momento, ela é <em>forma literária </em>comum à Bíblia e a realidade e, portanto, mediação hermenêutica.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A utopia enquanto conteúdo fica mais nítida nos artigos que aqui são nomeados de “atualidade pastoral”. Tais artigos não se detêm na exegese de um texto bíblico, mas comentam, à luz da teologia, algum acontecimento ocorrido nas comunidades da América Latina. Mesmo em menor número, estes textos enfatizam a importância da utopia. Ao comentar os 500 anos da colonização do continente Americano, Severino Croatto vê na imaginação utópica, o caminho para projetar tempos melhores (CROATTO, 1992, p. 48). Além disso, para estes autores o que sustenta e mantém a perseverança das comunidades é a utopia que elas comportam.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Pois a utopia levanta energias ocultas que os pobres não quiseram entregar a seus dominadores. A sua inteligência encontra refúgio e apoio na utopia para não se deixar conquistar pelo dominador. A utopia não se realizará tal qual, mas graças à utopia os pobres salvam uma parte de sua força de humanidade, o que lhes permite trabalhar para derrubar o reino dos seus dominadores e suscitar um projeto alternativo que lhes pareça superior à desordem estabelecida (COMBLIN, 1989, p. 41- 42).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido, a utopia comporta o resquício de humanidade daqueles mais pobres e oprimidos. Pode-se dizer que ela é a dignidade deles: o que os faz “humanos”. Por isso, os artigos apontam para a fundamental manutenção da utopia (RODRIGUEZ, 1992, p. 45). Aqui fala-se de utopia das CEBs em sua luta e organização popular (PIXLEY, 1991, p. 91). A própria ressurreição emerge “como força de utopia que impele os povos a continuar lutando” (RAMIREZ, 1988, p. 59-60). Assim, nenhuma situação pode ser mudada ou transformada se não é antes sonhada ou planejada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não obstante, alguns autores mencionam a utopia de forma negativa. Neste caso, entende-se a utopia como algo “ilusório” ou como fruto da ideologia de Mercado. Nesse contexto, Miguéz (1998, p. 6) afirma que a “vida plena não é uma utopia”, mas é o que orienta a vida dos homens no concreto, na economia real e no imperfeito da existência. Ora, tais acenos para a face negativa do lexema “utopia” sinalizam para uma inflexão da relação utopia e RIBLA ocorrida a partir da RIBLA v. 24 subintitulada “redimensionado nossa utopia”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A intenção deste volume é “ir das grandes utopias para as pequenas esperanças” (SCHWANTES, 1996, p. 205). Essa diretriz mostra que o conteúdo da “utopia” na RIBLA passa a valorizar as pequenas mudanças ao invés das grandes revoluções. É uma utopia que toma corpo à medida que é pensada e sonhada (ARANGO, 1996, p. 8). Ora, isto é capital porque relativiza o uso do paradigma utópico: “nenhuma utopia pode ser absolutizada, é preciso sempre resguardar um nascimento, dores de parto, de ver o mundo pela primeira vez” (PEREIRA, 1996, p. 24).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com isso, nota-se que alguns dos autores da RIBLA não tomam apressadamente o lexema utopia. Eles operam uma autocrítica da “exegese utópica”. O melhor testemunho disso consiste no artigo de Francisco Archila intitulado <em>Voltar a ser criança, uma bela utopia</em> (Mc 10,13-16). O autor percebe que 1) é necessário questionar o paradigma de onde se pensa e se assume as utopias e 2) o uso do paradigma utópico não atrapalha a exegese, mas sim a racionalização da utopia. Isto não permite que o exegeta escute e penetre verdadeiramente na simbólica bíblica. Pois, como exegetas:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Consideramos as utopias que nos alimentaram durante as décadas passadas (sociedade nova, homens novos, socialismo, etc.) como as únicas válidas e pertinentes no momento histórico e, de passagem, desconhecemos, negamos e condenamos, a partir de nossa racionalidade o potencial e o horizonte utópico presente em nossas culturas populares (ARCHILA, 1996, p. 55).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Uma vez que a sociedade moderna “pode explicar a utopia” (Ibid., p. 55), a proposta do autor é, através das culturas populares, recuperar e redimensionar o caráter simbólico e mítico das utopias: “que faça justiça àquelas dimensões profundas do ser humano” (Ibid., p. 57). Tal exegese simbólica transparece em si mesma uma dimensão utópica que alimenta a esperança das comunidades. Note-se aqui, que não é a utopia emerge como uma mediação desde fora das escrituras e da realidade, mas aparece como a estrutura de ambas: como forma literária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, a RIBLA interpreta as Escrituras e a Pastoral usando o paradigma utópico. Percebe-se, porém, que o uso deste lexema não é unívoco, tão pouco, há uma definição explícita de utopia que envolva a maioria dos artigos da revista. Nota-se, contudo, que o lexema utopia é usado como <em>conteúdo </em>e como <em>gênero literário</em>. Por isso, num esforço de sistematização, esboçar-se-á os invariantes da utopia na RIBLA a partir destas duas categorias. Eis a questão que guiará a discussão: “o paradigma utópico usado na RIBLA contribui ou atrapalha a reflexão exegético-pastoral?”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante destes resultados destacam-se dois modos da presença do paradigma utópico na RIBLA: a utopia <em>conteúdo </em>e como <em>gênero literário</em>. Estas duas formas revelam três características da utopia. Assim, o paradigma utópico é (1) força dinamizadora e crítica, (2) lugar de resistência e (3) está ligada às culturas populares. Tais características compõem o núcleo conceitual da utopia que será examinado por meio da discussão a seguir. Além disso, se analisará o significado da pontual ausência da utopia em alguns volumes e artigos da RIBLA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A maioria dos artigos toma a utopia como um <em>conteúdo</em> dos textos bíblicos. Isso significa que o texto bíblico aponta uma realidade, realizável ou não, que anima as comunidades. Aqui o paradigma utópico é tomado em sentido <em>lato</em>. Ela é o <em>para onde</em>, a realidade que almejam as comunidades cristãs. Por isso, fala-se que a ressurreição, o “novo céu e a nova terra”, entre outras realidades “estão no horizonte como força de utopia” (RAMIREZ, 1988, p. 59-60).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por um lado, o uso da utopia em sentido<em> lato</em> permite a atualização dos conteúdos bíblicos para a vida da comunidade.&nbsp; Por outro, o paradigma utópico é assumido sem nenhuma ou com pouca criticidade. Neste sentido, não se sabe se é a utopia que exerce a mediação para o texto bíblico ou vice-versa. A utopia emerge como um modo de explicar uma determinada perícope para a comunidade. Logo, o paradigma utópico está presente não porque a bíblia é “utópica”, mas porque as comunidades o são. Eis porque a leitura popular da bíblia:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Provém da prática da comunidade e a ela se direciona. São as lutas pela terra e pelo teto as que, entre nós, puxam, animam as redescobrir a história bíblica. É a opressão da mulher pobre e a espoliação da classe trabalhadora que direcionam a ótica de leitura. Reivindicam uma interpretação que parta do concreto e do social, das dores e utopias da gente latino-americana (SCHWANTES, 1988b, p. 81).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Ora, isso não invalida a exegese da RIBLA, do contrário, situa-a num contexto. Do mesmo modo, o trecho acima revela que o uso do paradigma utópico não é meramente ideológico. A utopia compõe o <em>Sitz im Leben </em>(ambiente vital) dos autores e das comunidades envolvidos na RIBLA de 1988 a 2000. Por isso, a exegese da RIBLA opera uma <em>fusão de horizontes</em> (GADAMER, 2003, p. 404) por meio do paradigma utópico. Além disso, o uso da utopia não é ideológico na revista, porque muitos artigos assumem a utopia como <em>gênero literário</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como gênero literário a utopia é assumida em sentido <em>stricto</em>. Neste caso, a utopia é a forma que envolve uma determinada realidade. Neste sentido, os textos bíblicos irrigam a imaginação das comunidades propiciando novas maneiras de pensar, sonhar e de agir. O caso paradigmático disso na RIBLA é a exegese de Lv 25 (GALLAZZI, 1999, p. 71): da mesma forma que a obra de Morus indicava o Estado com a legislação perfeita, Lv 25 apresenta literariamente a lei do jubileu que, mesmo não existindo, pauta o ideal de vida do povo de Israel. Por mais que o gênero utópico não seja um gênero bíblico, a utopia como gênero literário reconhece que a exegese parte da Escritura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso implica renunciar o caráter ideológico da utopia, filho da racionalização da mesma operado pelas teorias da modernidade (capitalismo e socialismo). O gênero literário chama atenção para o caráter mítico e simbólico da utopia. Como afirma Pablo Richard (1988, p. 14) a utopia compõe o sentido espiritual da leitura bíblica que indica para onde se deve caminhar. Não obstante é preciso se perguntar: por que optar pelo gênero utópico? Inclusive alguns autores o assumem em detrimento dos gêneros bíblicos (CROATTO, 2000, p. 26).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nisso se explica a grande ausência do lexema em questão na exegese dos textos sapienciais, paulinos e joaninos. Ora, os primeiros enfatizam sabedoria para a vida no aqui e agora. Paulo é o autor que mais desenvolve o tema da Esperança Cristã. A seu tempo, os Escritos Joaninos acentuam o conhecimento-amor de Jesus a Testemunha do Pai e não tanto a dinâmica do Reino como nos sinóticos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ausência do lexema gera duas hipóteses que aqui não poderão ser resolvidas: (1) ou não há compatibilidade entre o gênero utópico e os blocos acima descritos ou (2) os gêneros bíblicos descritos já englobam a utopia e o <em>Sitz im Leben</em> das comunidades latino-americanas. Em todo caso, enquanto conteúdo e enquanto gênero literário, o conceito de utopia aparece na RIBLA como (1) <em>força dinamizadora de </em>(2) <em>resistência crítica</em> (3)<em> ligada às culturas populares</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como <em>força dinamizadora</em> a utopia movimenta as comunidades impelindo a ação e a transformação histórica. Tanto os povos bíblicos quanto às culturas latino-americanas manifestam esta característica. Só pode haver transformação histórica na medida em que essa é planejada, sonhada, isto é, torna-se utopia. Por isso, a utopia não é a salvação social, antes ele emerge como “medida” pela qual se pode julgar os ataques contra a vida promovidos pela ordem vigente, ao passo que se sonha sociedades mais humanas (PIXLEY, 1994, p. 15). Isso se dá questionando e indo de encontro as figuras históricas de opressão e violência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eis porque a utopia é também <em>resistência crítica</em>. Ela é resistência (1) contra a opressão e (2) contra a desesperança. Dá utopia nascem as energias necessárias para permanecer na vida cristã mesmo quando as condições sociais são adversas. Neste sentido, a utopia mantém aberta a possibilidade de mudança e transformação. Tal resistência incomoda o <em>status quo</em> e por isso é crítica: ao passo que nega o regime de opressão, ela propõe novos caminhos. Enquanto resistência a utopia converte-se em “espiritualidade” (SARAIVA, 1992, p. 7).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ora, tal espiritualidade só existe num <em>ethos </em>concreto, ou seja, nas culturas populares. A utopia que prega a RIBLA não é aquela do socialismo/comunismo ou do capitalismo fundada em bases racionais. O paradigma utópico presente na RIBLA aposta no intercâmbio entre as culturas originárias da bíblia e da América Latina. Somente nas das culturas populares é possível atingir o sentido bíblico como dinamizador de utopias (ARCHILA, 1996, p. 58). Logo, é a exegese simbólica da bíblia que revela a utopia e não o contrário. Tal perspectiva é fundamental para uma autocrítica das utopias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, percebe-se que a utopia em si não atrapalha a reflexão exegético-pastoral advinda da RIBLA. A principal razão disso é que o paradigma utópico compõe o <em>Sitz em Leben</em> dos autores e das comunidades do continente latino-americano. Como tal, a interpretação da bíblia deve ser vista como uma exegese contextual, ou uma “leitura popular”. Não obstante, falta por parte dos autores da revista uma maior explicitação disso, bem como, uma autocrítica do uso do paradigma utópico na interpretação do texto bíblico. Acredita-se que a autocrítica eliminaria as equivocidades e explicitaria o que se entende por utopia na RIBLA.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, diante dos resultados e da discussão apresentados pode-se afirmar que a exegese da RIBLA é eminentemente utópica. Há no método de interpretação dos autores um “momento” onde o paradigma utópico se faz presente de forma determinante. Tal momento transita na posição do paradigma como conteúdo ou como gênero literário. Sendo assim, quais as relevâncias e limites da presença da utopia na leitura popular da Bíblia na revista?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A presença da utopia é <em>relevante</em> porque constitui uma presença atual e eficaz na leitura bíblica latino-americana. Por meio da utopia, o sentido bíblico ganha vida no meio da comunidade e a impele à vida Cristã. Isso fomenta a imaginação criativa fazendo com que estas comunidades possam resistir em contextos de crise (RICHARD, 1988, p. 15). Além disso, o paradigma utópico é imagem para uma realidade maior: o texto bíblico não fala de Deus por meio de argumentos, mas <em>narra </em>Sua presença na história do Povo. Ora, e isso é feito por meio da única linguagem que o homem pode compreender: a linguagem humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Logo, enquanto linguagem humana, a utopia é um meio válido para a comunicação da Palavra de Deus. Ela não é só a face secular da Esperança Cristã (LIBÂNIO, 1989b, p. 181), mas constitui um dos meios pelos quais a Esperança pode se narrar. Neste sentido, a utopia é um convite para perscrutar o sentido mais originário do texto bíblico em seu conteúdo e sua forma.&nbsp; Ao mesmo tempo, ela é um modo de perscrutar o sentido mais originário da cultura latino-americana como seus mitos e símbolos fundadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não obstante o uso do paradigma utópico apresenta <em>limites</em>. Isso porque há sempre o risco de se esquecer quem opera a mediação: é a utopia que é mediação para a bíblia ou a bíblia para a utopia? Ora, se a última opção prevalece pode-se encerrar todo o conteúdo da Palavra de Deus no horizonte da história instrumentalizando a Palavra de Deus. Além disso, toda exegese utópica tem de se confrontar com a negatividade intrínseca da utopia: pois o fim de toda utopia é a sua destruição. Há sempre um “nada” no final das utopias enquanto a ação de Deus tende sempre a uma consumação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a utopia tornar-se-ia uma força dinamizadora para o nada, uma resistência pela resistência, uma apologia sem sentido às culturas populares.&nbsp; Se somente um <em>conteúdo</em> a utopia não foge da “armadilha racionalista” implicando naquilo que hoje se constata como desencanto pós-moderno ou fim das “meta-narrativas”. Por isso, faz-se necessária a autocrítica da exegese utópica. Mesmo que utopia e cristianismo não sejam <em>a priori</em> incompatíveis, cabe ao exegeta explicitar seus pressupostos e assumi-los de forma consciente e consequente.</p>



<hr class="wp-block-separator alignwide has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Nossa tradução.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>2</sup>Nossa tradução</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALMEIDA, Philippe O. de. <em>Crítica da razão antiutópica</em>. São Paulo: Loyola, 2018. (Col. Filosofia 93)</p>



<p class="wp-block-paragraph">ARANGO, José Roberto. A utopia enterrada: negação do ideal social na monarquia de Israel. <em>Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana</em>. Petrópolis: Vozes; São Leopoldo: Sinodal. n. 24, p. 7-17, 1996/2.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ARCHILA, Francisco R.&nbsp; Voltar a ser crianças, uma bela utopia. <em>Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana</em>. Petrópolis: Vozes; São Leopoldo: Sinodal. n. 24, p. 53-70, 1996/2.</p>



<p class="wp-block-paragraph">COMBLIN, José. Os pobres como sujeitos da história. <em>Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana</em>. Petrópolis: Vozes; São Leopoldo: Sinodal. n. 3, p. 36-49. 1989.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CROATTO, José. La destrucción de los símbolos de los dominados. <em>Revista de Interpretación Bíblica Latinoamericana RIBLA</em>. San Jose, Rebue; DEI, n. 11, p. 37-49, 1992.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CROATTO, José. ¿Quién pecó primero? Estudio de Génesis 3 en perspectiva utópica. <em>Revista de Interpretación Bíblica Latinoamericana RIBLA</em>. Quito: RECU; DEI, n. 37, p. 15-27, 2000.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GALLAZZI, Sandro. Jubileo ¡Aquí y ahora!. <em>Revista de Interpretación Bíblica Latino Americana RIBLA</em>. Quito, RECU; DEI, n. 33, p. 61-76, 1999.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______. Mis hijos y yo caminaremos en la alianza de nuestros padres. <em>Revista de Interpretación Bíblica Latinoamericana RIBLA</em>. San Jose, RECU; DEI, n. 11, p. 87-104, 1992.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GADAMER, H. G. <em>Verdade e Método</em>. 5ed. rev. Trad. de Flávio Paulo Meurer, nova revisão de Ênio Paulo Giachini e Márcia Sá Cavalcante Schuback. Petrópolis: Vozes, 2003.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GUERRERO, G. Solidaridad, goelazco y parábola.<em> Revista de Interpretación Bíblica Latinoamericana RIBLA</em>. San José, DEI, n. 18, p. 87-111, 1994.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HINKELAMMERT, Franz. <em>Crítica da Razão utópica</em>. Chapecó: Argos, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIBANIO, João B. <em>Utopia e Esperança Cristã</em>: a esperança não engana (Rm 5,5). São Paulo: Loyola. 1989a. (Fé e Realidade 26).</p>



<p class="wp-block-paragraph">______. Utopia e esperança cristã. <em>Perspectiva Teológica</em>. Belo Horizonte. v. 21, n. 54, p. 179-197, maio/ago., 1989b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIMA VAZ, H. C. Cristianismo e pensamento utópico: a propósito da teologia da libertação. <em>Síntese Nova Fase</em>. Belo Horizonte, v. 11 , n. 32, p. 5-19, set./dez. 1984.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MESTERS, C. El Libro de la Alianza en la vida del pueblo de Dios Exodo 19-24. <em>Revista de Interpretación Bíblica Latinoamericana RIBLA</em>. Quito, RECU; DEI, n. 23, p. 99-118, 1996.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MIGUÉZ, Néstor. Presentación. <em>Revista de Interpretación Bíblica Latinoamericana RIBLA</em>. Quito, RECU; DEI, n. 30, p. 5-8, 1998.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PEREIRA, Nancy. O messias precisa sempre ser criança. <em>Revista de Interpretação Bíblica-Latino Americana</em>. Petrópolis: Vozes; São Leopoldo: Sinodal. n. 24, p. 18-26, 1996/2.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PIXLEY, J. Las Escrituras no tienen dueño: son también para las víctimas. <em>Revista de Interpretación Bíblica Latinoamericana RIBLA</em>. San Jose, Rebue; DEI, n. 11, p. 123-132, 1992.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______. La violencia legal, violencia institucionalizada la que se comete creyendo servir a Dios. <em>Revista de Interpretación Bíblica Latinoamericana RIBLA</em>. San Jose, Costa Rica: DEI, n. 18, p. 7-19, 1994.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______. Un llamado a lanzar las redes: El nuevo protestantismo y la lectura Popular de la Biblia. <em>Revista de Interpretación Bíblica Latinoamericana RIBLA</em>. San Jose, Rebue; DEI, n. 10, p. 99-120, 1991.</p>



<p class="wp-block-paragraph">RAMIREZ, D. Violência e testemunho profético (Evangelho de Marcos).<em> Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana</em>. Petrópolis: Vozes; São Leopoldo: Sinodal. n. 2, p. 57-88, 1988/2.</p>



<p class="wp-block-paragraph">RICHARD, P. Evangelio de Mateo: una vision global y liberadora. <em>Revista de Interpretación Bíblica Latinoamericana RIBLA</em>. Quito, Rebue; DEI, n. 27, p. 7-8, 1997.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______. Leitura popular da bíblia na América Latina. <em>Revista de Interpretação Bíblica-Latino Americana</em>. Petrópolis: Vozes; São Leopoldo: Sinodal. n. 1, p. 8-25, 1988.</p>



<p class="wp-block-paragraph">RODRIGUEZ, R. Esperen el día de la llegada de Dios y hagan lo posible por apresurarla: 2 Pe. 3, 12. <em>Revista de Interpretación Bíblica Latinoamericana RIBLA</em>. San Jose, Rebue; DEI, n. 13, p. 45-56, 1992.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. <em>Instrução sobre alguns aspectos da &#8220;Teologia da Libertação&#8221;</em>. Petrópolis: Vozes, 1984. (Documentos Pontifícios 203).</p>



<p class="wp-block-paragraph">SARAIVA, J. Editorial. <em>Revista de Interpretación Bíblica Latinoamericana RIBLA</em>. San Jose, Rebue; DEI, n. 13, p. 45-56, 1992.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SCHWANTES, Milton. Jacó é pequeno (visões em Am 7 – 9). <em>Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana</em>. Petrópolis: Vozes; São Leopoldo: Sinodal. n. 1, p. 81-92, 1988b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______. Apresentação. <em>Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana</em>. Petrópolis: Vozes; São Leopoldo: Sinodal. n. 1, p. 5-6, 1988a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______. Editorial. <em>Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana</em>. Petrópolis: Vozes; São Leopoldo: Sinodal. n. 24, p. 5-6, 1996/2.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZABATIERO, J. ¡Jahve escucha el clamor! Una lectura de Génesis 4,1-16. <em>Revista de Interpretación Bíblica Latinoamericana RIBLA</em>. Quito, Rebue; DEI, n. 4, p. 15-28, 1989.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>A RELIGIÃO E O DESENVOLVIMENTO HUMANO: A INTERFACE ENTRE A TRANSCENDÊNCIA CRISTÃ E OS ESPECTROS EPISTEMOLÓGICO, AXIOLÓGICO E SOCIOLÓGICO BRASILEIRO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/a-religiao-e-o-desenvolvimento-humano-a-interface-entre-a-transcendencia-crista-e-os-espectros-epistemologico-axiologico-e-sociologico-brasileiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Aug 2025 01:48:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Teologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 149/AGO 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202508282247 Marcelo de Azevedo Correia RESUMO: A presente monografia investiga a influência religiosa no desenvolvimento humano e social. Trata-se de estudo filosófico e científico da conexão entre a Religião em sua dupla face (espiritualidade e teologia) e a epistemologia. Destarte, exsurge a possibilidade de um desenvolvimento mais pleno, ressaltando-se a relevância da atuação [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202508282247</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Marcelo de Azevedo Correia</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO: </strong>A presente monografia investiga a influência religiosa no desenvolvimento humano e social. Trata-se de estudo filosófico e científico da conexão entre a Religião em sua dupla face (espiritualidade e teologia) e a epistemologia. Destarte, exsurge a possibilidade de um desenvolvimento mais pleno, ressaltando-se a relevância da atuação da Religião desde os primórdios da história humana. O tema se justifica ante a necessidade de um fundamento transcendente aos valores humanos, haja vista que o homem é um ser social, e, portanto, deve pautar suas ações no que é bom e justo. O cenário brasileiro apresenta múltiplas crises institucionais e de valores. Permanecem a corrupção e inércia dos poderes da República na implantação dos preceitos constitucionais tangentes à dignidade humana, justiça e desenvolvimento. O objeto deste trabalho é composto pela Teologia, Antropologia da Religião, Filosofia e Ciências Humanas, sendo objetivo geral demonstrar a importância da Religião na sociedade e o objetivo específico é apontar caminhos para o pleno desenvolvimento do homem (cognitivo e axiológico) e da sociedade brasileira (sustentável e institucional). O corte&nbsp; epistemológico dá-se na interface entre religião cristã e ciência e suas contribuições nos campos da epistemologia, axiologia e sociologia no contexto brasileiro. Tem-se como hipótese que os valores cristãos são histórica, cultural e cientificamente válidos, sendo condição suficiente e necessária ao progresso. Problematiza-se se Política, Direito e Economia atual desenvolvem-se sob o influxo de uma axiologia transcendente ou a partir de uma teoria imanente do lucro? Adotar-se-á o método hipotético-dedutivo, com marco teórico na Bíblia e seus escritores, e lastro em modernos autores, com extensa pesquisa e exploração bibliográfica.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Religião Cristã. Desenvolvimento. Epistemologia. Axiologia. Sociologia.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT:</strong> This monograph investigates the religious influence on human and social development. It is a philosophical and scientific study of the connection between Religion in its double face (spirituality and theology) and epistemology. Thus, the possibility of a fuller development emerges, emphasizing the relevance of the role of Religion since the beginning of human history. The theme is justified by the need for a foundation that transcends human values, given that man is a social being and, therefore, must base his actions on what is good and fair. The Brazilian scenario presents multiple institutional and values&nbsp; crises. The corruption and inertia of the powers of the Republic remain in the implementation of constitutional precepts related to human dignity, justice and development. The object of this work is composed of Theology, Anthropology of Religion, Philosophy and Human Sciences, with the general objective of demonstrating the importance of Religion in society and the specific objective is to point out ways for the full development of man (cognitive and axiological) and of Brazilian society (sustainable and institutional). The epistemological section takes place at the interface between Christian religion and science and its contributions in the fields of epistemology, axiology and sociology in the Brazilian context. It is hypothesized that Christian values&nbsp; are historically, culturally and scientifically valid, being a sufficient and necessary condition for progress. Does it question whether Politics, Law and current Economics develop under the influence of a transcendent axiology or from an immanent theory of profit? The hypothetical-deductive method will be adopted, with a theoretical framework in the Bible and its writers, and ballast in modern authors, with extensive research and bibliographic exploration.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>Christian Religion. Development. Epistemology. Axiology. Sociology.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A temática deste trabalho científico tem como cerne a religião e seu papel espiritual, antropológico e sociológico, de modo a gerar efeitos concretos positivos na esfera social. A sociedade na marcha de seu constante progresso recebe ingerência de várias fontes, tais como Política, Direito, Economia, Educação, etc., dentre os quais a Religião exsurge como elemento vital ao desenvolvimento humano e suas potencialidades.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A religião terá abordagem tanto na perspectiva transcendente (espiritualidade) quanto científica (teologia), haja vista que a primeira enfatiza o aspecto mais abstrato e subjetivo – dimensão importante da capacidade humana –, e a segunda acentua o caráter mais concreto, racional e objetivo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;É de se observar que o termo “religião”, embora amplo e agregador de diversas matizes de crenças e valores, será tomado dentro de uma concepção cristã, a qual foi determinante na construção e cultura das civilizações ocidentais.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Desse modo, será estabelecida uma interface entre a religião – em sua dupla abordagem – convicção e conhecimento – e a epistemologia (filosofia e ciência secular), investigando-se a natureza, conceitos, premissas, resultados e benefícios dessa interdisciplinaridade. Observar-se-á como ambas podem contribuir à construção de uma ser humano com uma inteligência mais fluída, crítica, reflexiva e complexa e dotado de uma consciência axiológica, com o escopo de moldar instituições mais justas, humanas, eficazes e promotoras do desenvolvimento e do bem estar comum.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O campo amostral estuda a intercambialidade entre a transcendência da religião e a imanência da ciência, de modo a observar como essa conexão pode produzir um ser humano mais pleno e uma sociedade mais desenvolvida e calcada nos valores do humanismo, ética, justiça, solidariedade, dignidade, igualdade, bem comum, dentre outros.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por isso o recorte dar-se-á no estudo científico do Cristianismo, sua influência transcendente, cultural, histórica intelectual, axiológica e pragmática, o qual fincou suas raízes no mundo todo, principalmente na civilização ocidental.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O pensamento cristão influenciou direta e profundamente movimentos científicos, filosóficos, a marcha pelos direitos humanos, e sua ética e moralidade moldaram ordenamentos políticos e jurídicos no mundo todo com sua espiritualidade e valores fundamentados em Deus.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Têm-se que os atores: religião e ciência são elementos estruturantes imprescindíveis ao desenvolvimento humano e social, e estiveram presentes na história deixando um legado inquestionável.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em que pese as colateralidades e nocividades produzidas em nome da ciência e da religião, tais como guerras, alienação, exploração e controle, dentre outras mazelas, são exceções, as quais confirmam as regras. A regra é o sumo bem do homem e da vida em sociedade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ademais o uso de pressupostos religiosos e científicos para fins antiéticos e desumanos não destroem, deslegitima ou enegrece a essência e autonomia desses campos, haja vista que o problema se verifica nos meios e não na fonte. Assim, como a ciência não pode prescindir da ética, a sociedade, por sua vez, não pode abrir mão do instituto da religião, pois se trata de elemento histórico vivo e dinâmico e complementar ao conhecimento e desenvolvimento humano e social.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nesse sentido, a religião não deve se divorciar da filosofia, ciência e da ética, sob pena de se tornar reducionista e ideológica, pois as primeiras a auxilia numa maior e mais completa radiografia epistemológica da natureza humana e a última a orientar melhor na configuração de seus ideais, bem como na concretização do bem comum. A história é profícua em exemplos de filósofos, humanistas, artistas, cientistas, escritores e pessoas, as quais tendo como pano de fundo a religião tornaram o mundo um lugar melhor com sua sensibilidade, exemplo e contribuição intelectual. Portanto, estudar-se-á a religião e seu intercâmbio com a ciência, verificando-se como essa relação interdisciplinar, autonômica e recíproca beneficia a sociedade nos seus propósitos de desenvolvimento, aprimoramento e fortalecimento do homem, das instituições e alcance do bem de todos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No contexto interdisciplinar religioso, antropológico, psicológico e sociológico, entende-se o desenvolvimento como a capacidade inata humana que em contato com um conjunto de condições factíveis e propícias impulsiona e possibilita o alcance da realização interna e externa. Significa o desempenho máximo da potencialidade, tornando a pessoa humana aquilo que a pode, deve e precisa ser, dentro de suas aptidões naturais. É o nexo de causalidade entre o “dever-ser” e o “ser”, o que é latente, e o que é potência.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O ser humano se torna mais completo e realizado quando imbuído do conhecimento, espiritualidade, consciência ética, inteligência e gerência emocional, profissionalização, liberdade e autonomia, conhecendo e desempenhando assim, melhor seu papel na sociedade, sem menosprezar a importância do preenchimento de suas necessidades materiais.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ressalte-se ainda que a Constituição Federal de 1988 preconiza como valores fundantes da República Brasileira a dignidade da pessoa humana, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, bem como o desenvolvimento nacional (artigos 1º, inciso III; 3, inciso I e II).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por isso, dentro da interdisciplinaridade científica, quando se almeja o desenvolvimento humano e a efetivação de uma sociedade pacífica, justa e solidária, a religião, com seu arcabouço teológico, é elemento de inconteste relevo para projetar um ser humano mais completo e apto a atuar com maior desenvoltura no cenário político, jurídico, social, econômico e educacional.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Analisar-se-á, desse modo, nos capítulos deste trabalho, a imbricação da religião e epistemologia, incluindo-se filosofia e ciência – esta entendida não apenas em seu sentido “stricto sensu”, mas “lato sensu”, diversificada em variados campos de atuação e do conhecimento humano, como a Política, Direito, Sociologia, Antropologia, Psicologia, Teoria dos Valores, etc.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Justifica-se, assim, a eleição e análise do presente tema, tendo em vista a importância da Religião na organização da vida social, cultural, política, jurídica e econômica. Seus valores e influência promovem o desenvolvimento humano e social, enfatizando-se a dignidade ímpar do homem, o amor ao próximo, a justiça social, e&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">principalmente a fé no Deus verdadeiro como elemento chave ao desenvolvimento. No capítulo 1 estudar-se-á a realidade ontológica da Religião, sua essência em variadas abordagens científicas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O capítulo 2 ocupa-se da Religião em sua perspectiva cultural enfatizando-se o Cristianismo como revelação especial e epicentro das religiões.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A perspectiva deontológica (dever ser) da religião cristã é o foco no capítulo 3 em que se analisará a axiologia bíblica e suas diretrizes na política e direitos humanos.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; No capítulo 4 far-se-á a ponte analítica entre a transcendência (fé e espiritualidade) cristã e a teoria do conhecimento (epistemologia), enfocando-se ciência e filosófica, tendo-se como parametricidade a Bíblia.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Enfim, no capítulo 5 se analisará as contribuições do Cristianismo ao desenvolvimento humano e social, em especial à sociedade e Estado Brasileiro.&nbsp;A presente monografia tem como marco teórico a Bíblia e seus escritores, bem como demais autores contemporâneos, com método hipotético-dedutivo. <strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CAPÍTULO 1: REALIDADE ONTOLÓGICA DA RELIGIÃO </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. </strong><strong></strong><strong>A </strong><strong></strong><strong>RELIGIÃO </strong><strong></strong><strong>NOS </strong><strong></strong><strong>LIMITES </strong><strong></strong><strong>DA </strong><strong></strong><strong>ANTROPOLOGIA CULTURAL, SOCIOLÓGICA, FILOSÓFICA E TEOLÓGICA&nbsp; </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Antropologia Cultural e da Religião </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Antropologia cultural secular procura estudar o homem em sua constituição física, psicológica e moral, costumes, valores, comportamentos e sua relação com o ambiente social, político, cultural e religioso. A existência e protagonismo do ser humano é objeto a ser desvendado pelas ciências antropológicas. Ela propõe um estudo objetivo e interdisciplinar a fim de se compreender a natureza do homem como um todo e de tudo que o circunda, seus valores, a forma como ele funda sociedades, constrói ordens políticas e jurídicas, relação com seu semelhante e sua dimensão transcendental.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Destarte, torna-se tarefa complexa, porém extremamente relevante conhecer o homem, sua trajetória, atividades e existência terrena, objetivando-se sempre o aprimoramento do “ser” e de suas relações solipsistas, naturais, sociopolíticas e religiosas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Antropologia, portanto, faz esse recorte epistemológico do ser humano e busca explicações plausíveis, teleológicas e compreensões desmistificadas, analisando-se a plasticidade (propriedade e capacidade de se amoldar a situações novas e desafiadoras) da condição daquele que é tanto o observador científico, analítico e histórico quanto o objeto que se propõe analisar: &nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Ao estudar outras formas do existir humano, individual e coletivo, a Antropologia é poderoso instrumento de desmistificação e alienação, possibilitando a compreensão, a um tempo, mais teleológica e relacional, capaz de refletir sobre formas petrificadas do saber humano, e construir em seu lugar um olhar e pensar que aponta mais para a plasticidade da condição do homem, em sua simbiose com tudo o que o rodeia, da natureza a seu semelhante (ROCHA, 2008, pp. 1-2).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Antropologia auxilia tanto na compreensão do homem e suas diversificações culturais quanto no estabelecimento de diretrizes e caminhos para o cumprimento de seu papel existencial e social, tangente ao acolhimento humano e&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; respeito ao diferente, valorização do semelhante e simbiose epistemológica.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nesse contexto, a Religião surge como um dado característico e peculiar das diversas culturas, as quais expressam de diferentes modos sua relação com o transcendente e o sagrado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Cada cultura tem sua religião, observando-se diversas matizes e doutrinas, a saber: magia, misticismo, politeísmo ou monoteísmo, sendo de caráter ritualística, reflexiva, contemplativa, teórica, pragmática, etc.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Religião faz parte do modo de vida das culturas humanas, sendo um dado antropológico relevantíssimo que ajuda na compreensão do homem como um todo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Se a ciência das religiões, como disciplina autônoma, tendo por objeto a análise dos elementos comuns das religiões, é recente (séc. XIX); o interesse por sua história remonta tempos antigos (séc. V), na Grécia clássica (ELIADE, 1992, pp. 5-6). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Antropologia da Religião tem como objeto as religiões em diferentes culturas e sua relação com as demais instituições sociais, haja vista que em qualquer cultura tem-se a noção do sagrado e do profano, influindo-se diretamente no modo de vida sociopolítico de qualquer povo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para a pessoa religiosa os espaços são qualitativamente diferentes: “Não te aproximes daqui, disse o Senhor a Moisés; tira as sandálias de teus pés, porque o lugar onde te encontras é santo” (Êxodo 3: 5). Portanto, há o espaço sagrado, e por conseqüência,&nbsp; significativo, e há outros espaços, os quais não são sagrados, em suma, amorfos (ELIADE, 1992, p. 17).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em regra pode se considerar que a Religião é, em si, boa, porém o uso equivocado que se faz dela pode acarretar resultados contraproducentes. É o caso de interpretações radicais que grupos islâmicos fazem de seu livro sagrado, o Alcorão, promovendo-se assim, atentados, morticínios e terrorismos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Observa-se que a problemática não reside no objeto em si (Religião), mas no sujeito (homem), que carregado de ideologia e perversidade interpreta errônea e convenientemente seus pressupostos para ajustá-los à prática pretendida.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No entanto, argumenta-se que a Religião é a fonte causadora de muitos males sociais, sem se considerar que o seu elemento chave é o homem, de modo que também a Ciência, Artes, Política, Educação, Economia e qualquer fazer humano estão sujeitos às suas intempéries e subjetivismos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No campo político deve ser exemplificado que Adolf Hitler, líder do partido Nazista (Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores) foi conduzido ao poder mediante processos políticos legais. Disso decorre que a Política não pode ser responsabilizada pelas barbáries nazistas praticadas nesse período<sup>1</sup>.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;As Ciências Econômicas e Financeiras com suas técnicas e metodologias científicas de racionalização, administração e distribuição ajudam a manter a funcionalidade do sistema econômico, crédito, financiamento. Porém, não seria plausível culpá-las pela existência de um capitalismo extremamente lucrativista, exclusivista e predatório.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na Educação poder-se-ia dizer que muitas doutrinas servem como pano de fundo para a alienação, quando referida Educação não constrói no indivíduo uma inteligência múltipla, fluída, reflexiva, crítica e complexa, ou seja, capaz de capacitá-lo para analisar um problema por variados prismas, preparando o indivíduo apenas para o trabalho servil. A pergunta subjacente é: a Educação é a fonte da alienação e do mal?&nbsp; Ou elementos ideológicos revestidos de roupagens educacionais e científicas desvirtuam-na de seus verdadeiros propósitos?&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nessa linha, o teólogo e filósofo americano Paul Copan acentua que:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Ao contrário, poderíamos argumentar que não precisamos de menos religião e demais valores do Iluminismo. Ironicamente, a barbárie da Revolução Francesa do Iluminismo transformou a busca pela liberdade, igualdade e fraternidade em desumanidade e um pesadelo de crueldade. [&#8230;] <strong>Bem compreendidos, na verdade precisamos de mais religião, não de menos. Mas precisamos do tipo certo de valores religiosos, não simplesmente qualquer coisa que se autodenomine religioso (pense em Jim Jones, David Koresh e jihadistas)</strong>. <strong>Quando dada a devida consideração, uma cosmovisão verdadeiramente bíblica deve ter um lugar à mesa devido ao seu fundamento para a moralidade e sua influência positiva na formação da cultura </strong>[&#8230;]. A fé bíblica realmente apóia a tolerância: apesar de nossas discordâncias, os seres humanos ainda são os portadores da imagem de Deus, e devemos buscar viver em paz com todos na medida em que formos capazes (Rom. 12:18) (2011, p. 203) (grifou-se).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tomando-se como base a fé cristã, observa-se que tanto no Antigo quanto no Novo Testamento há a predominância do amor divino, a inclusão, o perdão, a misericórdia e a graça divina como fios condutores que alcança os pobres, marginalizados e excluídos da sociedade.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Mesmo o Cristianismo não escapa do radar crítico, e nem poderia, haja vista que qualquer aglomerado social e humano não pode estar acima da crítica e nem arrogar para si a perfeição ou a propriedade da verdade, que no cerne do Cristianismo está personificada em Cristo (João 14:6).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Desse modo, eventos históricos e atuais, como as cruzadas, a inquisição e o uso da religião para alienar, culpabilizar e extrair vultosas quantias econômicas em incessantes escândalos não são da essência do Cristianismo, mas resultado do mau uso que se faz da Religião:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Os críticos mencionam as Cruzadas como evidência da violência do Cristianismo. Podemos admitir prontamente que as Cruzadas, a Inquisição e as guerras religiosas da Europa foram uma tragédia, uma mancha na história da cristandade. <strong>Mas esses eventos refletem a essência do Cristianismo?</strong> Toda essa conversa de religião causando guerra levanta questões próprias. O que queremos dizer com religião? Cada religião que já existiu? Confucionismo, Budismo, Baha&#8217;i, Ciência Cristã, Testemunhas de Jeová? E a conexão religião-guerra pressupõe que a religião tenha pouca conexão com a verdade. Qualquer revelação divina única, autêntica e honesta nem mesmo está na tela do radar dos críticos. Nem é feita a pergunta: a violência está inserida nesta tradição religiosa em particular ou é totalmente inconsistente com essa religião em particular? (COPAN, 2011, p. 207) (grifou-se).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Portanto, a centralidade do problema não é a Religião, mas os desvirtuamentos, interpretações, fundamentalismos e autojustificações para o uso equivocado de pressupostos religiosos em atrocidades e barbáries.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em contrapartida – em que pese os legados positivos de cada religião – é notória a contribuição da Religião Cristã à sociedade, dentre as mais importantes: erradicação da estrutura escravagista; construção de renomados centros universitários; produção de profícuas obras literárias; artes; estabelecimento da ciência moderna; contribuição política e jurídica, etc., conforme excerto a seguir: &nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Os historiadores documentaram que os valores dos direitos humanos, tolerância, justiça social e reconciliação racial são o legado da fé cristã, não alguns ideais seculares do Iluminismo. [&#8230;] <strong>Erradicação da escravidão:</strong> à medida que a fé cristã se espalhava pela Europa bárbara após a queda de Roma, a prática da escravidão diminuiu. A escravidão virtualmente morreu na Europa na Idade Média, quando a Europa estava bem cristianizada. [&#8230;] <strong>Fundação das grandes universidades da Europa e da América do Norte:</strong> Sorbonne, Oxford, Harvard, Yale e Princeton são algumas das muitas universidades notáveis estabelecidas para a glória de Deus. [&#8230;] <strong>Escrevendo obras extraordinárias da literatura: </strong>a literatura notável dos cristãos inspirados por sua fé varia de Cidade de Deus de Agostinho e História Eusébio de Eusébio à Comédia de Dante e Paraíso Perdido de John Milton [&#8230;] <strong>escrevendo sobre filosofia e teologia e a vida da razão: </strong>alguns dos principais representantes incluem Agostinho, Anselmo, Tomás de Aquino, Blaise Pascal, Soren Kierkegaard e Jonathan Edwards. <strong>Criando belas obras-primas de arte, escultura e arquitetura:</strong> pense em Michelangelo, Rembrandt van Rijn, Peter Paul Rubens ou as catedrais bizantinas e góticas. <strong>Estabelecendo a ciência moderna:</strong> A ciência moderna tem suas raízes na convicção bíblica de que o mundo foi criado por um Deus racional. [&#8230;] Podemos citar Isaac Newton, Galileo Galilei, Nicholas Copernicus, Johannes Kepler, Michael Faraday, William T. Kelvin, Robert Boyle, Antoine Lavoisier e muitos outros. <strong>Compondo música brilhante: </strong>as obras de Johann Sebastian Bach, Georg F. Handel, Felix Mendelssohn e Franz Joseph Haydn falam por si. <strong>Defender os direitos humanos, a democracia, as liberdades políticas, a preocupação com os pobres:</strong> esses temas estão enraizados nos ideais bíblicos de que todos os seres humanos são feitos à imagem de Deus, têm dignidade e valor e são iguais perante a lei (COPAN, 2011, pp. 222-224) (grifou-se).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a religião enraizada na cultura é um forte fator de enriquecimento e desenvolvimento humano e social sob múltiplos aspectos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Antropologia Sociológica</strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No enfoque sociológico, a Antropologia Social cuida em observar o “modus vivendi” das sociedades, sua ordem política, jurídica, axiológica, econômica e religiosa.&nbsp;O homem é dotado de enorme complexidade, a qual alcança o campo das relações humanas e sociais. Na qualidade de ser social o homem construiu um modo de vida que mediante participação e cooperação mútua garanta a subsistência, o progresso e a proteção de valores, conhecimentos e crenças imprescindíveis à vida coletiva, bem como a preservação de sua memória e identidade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Entretanto, determinados modelos sociais superestimam o uso da força política e jurídica, bem como das medidas coercitivas e punitivas, incentivando-se a exploração capitalista em detrimento de uma metodologia mais humanística, restaurativa, inclusiva e igualitária, colabora para o desprezo dos valores que solidificam as relações. Daí o campo aberto para a profusão da violência, crime,&nbsp; maldade, e toda sorte de desordem social.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O papel da Antropologia Social é analisar as sociedades e suas (des)funcionalidades procurando-se respostas e soluções:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Faz parte da tradição da Antropologia que o seu campo seja essencialmente sinótico, isto é, a disciplina é concebida como o estudo global de sociedades. [&#8230;] <strong>A questão central é, ainda, na maior parte dos casos, a mesma formulada por Hobbes: considerando que o homem é basicamente (sic) um ser que visa seus próprios interesses, o que possibilita a ordem social?</strong> Os tipos de respostas dadas a este problema central da teoria sociológica deram origem a dois modelos básicos de sociedade: o modelo de “consenso” ou “integração” e o modelo de “coerção” ou “conflito”.&nbsp; Em poucas palavras, o primeiro modelo atribui ao sistema social as características de solidariedade, coesão, consenso, cooperação, reciprocidade, estabilidade;<br>o outro lhe atribui as características de divisão, coerção, discórdia, conflito e mudança (FELDMAN-BIANCO, 1987, pp. 66 e 203) (grifou-se)&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A pergunta “sendo o homem um ser movido pelo egoísmo, como seria possível a manutenção da ordem social?” de retrocitada autora precisa ser respondida sob o influxo religioso, ético e moral. Decerto que não se pretende fornecer soluções automáticas a problemas complexos, tendo em vista que o ser humano não cabe prontamente em uma tabela devido sua natureza quase que insondável.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>Todavia, a revolução social e cultural que se pretende no mundo externo e concreto inicia-se no universo abstrato e interior humano. As relações de poder que moldam instituições perversas e perpetuam as mazelas sociais são dirigidas pelo próprio homem, o qual, deixando de ser “guardião de seu irmão”, tornou-se seu algoz. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">                 Tem-se que a Religião – no caso, o campo amostral da presente monografia é a Religião Cristã – configurada em um Deus Soberano e Pessoal fornece um fundamento transcendental para a moralidade humana.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A partir da transformação da consciência individual é possível mudar a escala de valores e contribuir significativamente para a construção de uma sociedade mais humana, justa, igualitária e solidária.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O desenvolvimento de qualquer sociedade passa inevitavelmente pela transformação substancial e interior de seus membros, razão pela qual o Cristianismo se projeta como solução segura, efetiva e única em si mesma, pois prega a relação metafísica com Deus e o amor tangível ao próximo, como valores máximos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Dentre os modelos propostos na pós-modernidade para o desenvolvimento, tais como desenvolvimento social (capital humano e social), desenvolvimento econômico (geração de riquezas e bens) e desenvolvimento sustentável (ecológico, social e econômico), o desenvolvimento proposto pelo Cristianismo é ímpar, pois propõe primeiro a restauração espiritual, intelectual, volitiva, emocional e axiológica do ser humano, como “conditio sine qua non” para o respeito ao semelhante, meio ambiente e seus recursos, aperfeiçoamento institucional, implementação das políticas públicas, efetividade jurídica e distribuição mais equitativa da riqueza gerada. O ser humano é governado pelo seu ego, invariavelmente centrado em si mesmo, o que gera preconceitos, injustiças e desigualdades. O “eu” para si emerge como fruto da experiência e princípios subjetivos; e o “eu” para o outro exsurge como o resultado das convenções sociais, preceitos meramente filosóficos e científicos, os quais são inócuos para uma transformação da personalidade e das condutas humanas, as quais são diretamente responsáveis pelo “statu quo”. Assim, os modelos de desenvolvimento citados são meramente baseados no homem e meio ambiente (antropo e ecocentristas).&nbsp;Mudanças externas são frágeis e transitórias, ao passo que a metamorfose da mente e consciência propicia melhores condições de se construir e manter uma sociedade mais humana, plúrima, fraterna, solidária e justa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>O “eu para Deus, para si e o semelhante” é resultado de uma conversão operada pelo Espírito Santo no ser humano, momento em que os valores teóricos e muitas vezes subjetivos e humanos são substituídos pelos valores objetivos de Deus.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Nesse processo, ódio e indiferenças dão lugar ao amor genuíno, o egoísmo é trocado pelo altruísmo, a violência pela paz, a injustiça pela justiça e a mentira pela verdade, resultando-se em decisões políticas, sentenças e acórdãos mais qualitativos e justos, e uma melhor funcionalidade da economia, tudo em um modal em que a base de toda conduta é Deus, seus valores e projetos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>Tem-se que o cerne da problemática, em especial na realidade brasileira, é que as principais e grandes áreas que concentram o poder e que têm a responsabilidade da manutenção da ordem e paz social, desenvolvimento e justiça, a saber: Política, Direito e Economia, funcionam sob o prisma meramente egoísta e humano do uso da autoridade e poder.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Antropologia Filosófica </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por sua vez, a Antropologia Bíblica, em que pese considerar os pressupostos científicos e filosóficos seculares na compreensão da natureza humana, analisa-a sob o enfoque da primazia teológica descrevendo-a em sua totalidade: consciência, corpo, alma e espírito.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A busca pela definição do que é o homem, suas origens e papel na esfera existencial o acompanha desde os primórdios de sua história. O conhecimento de si e do ambiente em que vive é determinante para a realização pessoal do homem.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Filosofia sempre se preocupou com reflexões acerca do homem:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">É de domínio da reflexão filosófica e não da observação científica enunciar o que o ser humano precisa para realizar sua essência. Se não sabemos o que é o homem, como vamos poder analisar as consequências das políticas de mercado, da clonagem, das técnicas reprodutivas, do uso de seres humanos em experiências científicas, do prolongamento artificial da vida, e de muitos outros temas relacionados à sua realização? (ACHA e PIVA, 2013, p. 11).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Torna-se importante conhecer a natureza humana, seu potencial, aspirações, limitações, deficiências e valores, haja vista que o homem é um ser de atividades cognitivas em escalas industriais e tecnológicas, as quais têm impacto em todo ecossistema:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Só o conhecimento integral do homem e o reconhecimento deste como pessoa humana vão possibilitar o estabelecimento de limites éticos à ação das tecnologias, da biotecnologia, das experiências médicas etc. Problemas desse tipo aparecem quase que diariamente. Discute-se se é válido sacrificar um ser humano que não tem importância social ou que não faz uso correto de sua consciência para salvar a vida de alguém que tem um status social reconhecido (ACHA e PIVA, 2013, p. 12).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">                 As ações do homem precisam ter limites, pois sua ambiguidade, complexidade e capacidade podem promover tanto resultados úteis e para o bem-estar coletivo quanto danosos. Daí que precisam ser referendadas sob o prisma ético e moral.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">                O que o homem realiza é de interesse de toda a coletividade e diz respeito inclusive às gerações futuras, como a preservação dos recursos naturais, os quais dão condições à vida. Por isso se torna necessário conhecê-lo:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Para a construção da bioética, o conhecimento antropológico do homem – a antecipação de sua estrutura ontológica – é uma das condições principais. A bioética ou ética aplicada à vida não terá uma direção válida e verdadeira se não conhecemos de antemão o que é o homem (ACHA e PIVA, 2013, p. 12).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ademais, a premissa socrática “conhece-te a ti mesmo” é fundamental para a autorrealização, desenvolvimento das capacidades e desempenho de sua vocação natural. A partir desse conhecimento o ser humano pode explorar e desenvolver maximamente suas possibilidades e realidades.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Isso porque diferente dos animais, que já são o que podem ser, o homem pode ser mais do que já, é tanto&nbsp; no crescimento pessoal quanto na capacidade criativa e instauradora de novos modelos de vida:&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O homem é o valor fundamental, algo que vale por si mesmo, identificando-se seu ser com sua valia. De todos os seres, só o homem é capaz de valores, e as ciências do homem são inseparáveis de estimativas. [&#8230;] <strong>o homem representa algo que é um acréscimo à natureza, a sua </strong><strong><em>capacidade de síntese</em></strong><strong>, tanto no ato instaurador de novos objetos do conhecimento, como no ato constitutivo de novas formas de vida</strong> (REALE, 2002, pp. 210-211) (grifou-se).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por isso o ser humano é um “ser mais”, pois é um eterno “vir a ser”, podendo crescer, se adaptar, superar-se, transformar a si e o meio em que vive pelo advento de novos conhecimentos, experiências e práticas mais intensas dos valores que afirmam sua humanidade, identidade e irrepetibilidade, bem como de seu próximo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Entretanto, devido ao embate de forças conflitantes na sociedade em que o homem passa de guardião à carrasco de seu próximo, a capacidade e possibilidade de “ser mais” é substituída pela realidade de “ser menos”.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O reducionismo brutal do homem (fim) à simples mercadoria (meio) rouba sua humanidade, subjetividade, axiologia e possibilidade de superação:&nbsp; &nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A desumanização, que não se verifica apenas nos que têm sua humanidade roubada, mas também, ainda que de forma diferente, nos que a roubam, é distorção da vocação do <em>ser mais</em>. É distorção possível na história, mas não vocação histórica (FREIRE, 2018, p. 40).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;É de se observar que o processo de desumanização do indivíduo é engendrado pela elite do poder político, econômico, midiático e cultural para manutenção do “statu quo”. As estruturas socioeconômicas, seus mecanismos e articulações intelectuais colaboram para sua diminuição enquanto ser:&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Os principais inimigos da liberdade, no homem, são os reducionismos, os psicologismos, os economismos, o historicismo, os fisiologismos etc. Qualquer tipo de reducionismo é frustrante, principalmente os que reduzem o homem a um produto histórico, ou os que o condicionam a estruturas socioeconômicas ou a mecanismos psíquico-biológicos (ACHA e PIVA,&nbsp;2013, p. 13).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A possibilidade do sequestro da humanidade do indivíduo e a imposição de uma condição inferior, com a consequente paralisação de suas capacidades, embora seja uma constatação histórica, não é um destino natural, mas uma ação articulada política e socioculturalmente:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Constatar esta preocupação implica, indiscutivelmente, reconhecer a desumanização, não apenas como viabilidade ontológica, mas como realidade histórica. É, também, e talvez, sobretudo, a partir desta dolorosa constatação que os homens se perguntam sobre a outra viabilidade – a de sua humanização. (&#8230;) Vocação negada na injustiça, na exploração, na opressão, na violência dos opressores. Mas afirmada no anseio de liberdade, de justiça, de luta dos oprimidos, pela recuperação de sua humanidade roubada (FREIRE, 2018, p. 40).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Daí a relevância de se conhecer o homem em sua totalidade nos contextos metafísico (espiritual), psicológico, biofísico e em sua rede de relações a fim de que sejam denunciadas toda e qualquer política ou educação ideológicas que não estejam militando em prol de seu pleno desenvolvimento:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">É fundamental saber <strong>como é </strong>o ser humano para poder argumentar em sua defesa ante os processos alienantes ou massificantes que a sociedade atual apresenta. Explicitar os princípios para se posicionar ante as leis essencialmente positivistas, ante a destruição dos verdadeiros valores ontológicos e a substituição destes por valores de conveniência apoiados em uma moral fundada em construções puramente sociológicas – que partem de dados estatísticos ou de interesses de grupos de poder (ACHA e PIVA, 2013, p. 12) (grifo do autor).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O indivíduo imbuído de uma educação de qualidade, consciente de seus direitos e sabedor de seu papel no cenário humano e social equipa-se adequadamente para administrar a vida, assumir seu protagonismo histórico e cumprir sua vocação, escapando das armadilhas ideológicas que desumanizam, reduzem e escravizam o ser humano.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;É oportuno discorrer sobre a natureza ímpar e irrepetível do ser humano, tendo em vista que a sociedade pós-moderna parece ser o ápice da reificação e mercantilização humanas, elegendo os valores estritamente materialistas, lucrativistas, produtivistas e de entretenimento em detrimento dos valores teológicos, antropológicos e axiológicos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pós-modernidade produziu características muito peculiares e introduziu meios sagazes de distrair e reduzir as possibilidades humanas de desenvolvimento intelectual, emocional, social e espiritual:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Na síntese de Octavio Ianni sobre as características da pós-modernidade, seria possível identificar esse niilismo como uma mentalidade propiciadora de alguns fenômenos como: a troca da experiência pela aparência; do real pelo virtual; do fato pelo simulacro; da história pelo instante; do território pelo dígito; da palavra pela imagem. Ou seja, declinou a razão e soltou-se a imaginação, provocando primeiro, a “morte do espaço”, em uma circunstância em que tudo se fragmentou; e, segundo, a “morte do tempo”, em razão da possibilidade de permanência do pós-moderno e do pré-moderno, simultaneamente na própria modernidade (o que certamente só é possível por meio do abandono da razão) (GABARDO, 2003, p. 79).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O sacrifício dos valores no altar do prazer, do lucro, da tecnologia e da “morte” do tempo-espaço criou um ambiente de dominação velada:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Nesta ótica, o homem “não precisa mais ser colocado na ‘massa’ para ser controlado”. O indivíduo é condicionado com a preservação de sua liberdade e direitos da individualidade, pois este é o método mais eficaz na medida em que dissimula a dominação. A ausência de valores e sentidos, característica da apologia ao “nada” ou “quase nada”, é sentida de forma contundente [&#8230;].&nbsp; (GABARDO, 2003, p. 79).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A pós-modernidade, com tudo que ele propicia e estabelece, parece configurar e prefigurar a profecia apocalíptica do sistema religioso, político e econômico apóstatas dos últimos dias, consoante descrito pelo Apóstolo João:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">E clamou fortemente com grande voz, dizendo: Caiu, caiu, a grande Babilônia [&#8230;]. Porque todas as nações beberam do vinho da ira de sua prostituição e os reis da terra se prostituíram com ela; e os<strong> mercadores da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias</strong>. [&#8230;] Mercadorias de ouro, e de prata, e de pedras preciosas, e de pérolas, e de linho fino [&#8230;]; e cavalos, e carros, <strong>e corpos e almas de homens</strong> (Apocalipse, 18:2a, 3, 12a-13b) (grifou-se).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O autor Severino Pedro da Silva comenta o epílogo do versículo 13:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A grande lista de mercadorias continua nesta secção trazidas pelos mercadores à cidade, depois de cavalos e carros, e numa progressão habilmente ascendente, <strong>chega-se a Sôma kai psyché anthopôn, que traduzido classicamente exprime por “corpos e almas dos homens”, que outros traduzam: “escravos e cativos”</strong>. [&#8230;] A grande Babel (Babilônia) escatológica, terá em poderoso “caçador de almas em oposição a Deus”. Será ele, sem dúvida, a figura sombria do Anticristo. <strong>Ele controlará com seu poder e habilidade, o mundo político e comercial. O autor sagrado frisa esse mal, declarando mais elaboradamente o seu modo de ser </strong>(1985, p.&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">185-186) (grifou-se). &nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Face ao quadro universal e nacional que se apresenta emerge um desafio teológico gigantesco de enfrentamento dos poderes seculares que se opõem aos valores teológicos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Entretanto, a agenda eclesiástica em seu “locus” terreno tem inserida na ordem do dia a missão precípua de afirmar referidos valores. Isso porque a dignidade do homem o coloca como o objeto sublime da Criação e o projeta no epicentro da história. Sua vocação para ser sempre mais e avançar rumo ao pleno desenvolvimento de suas potencialidades é uma realidade constatável em sua experiência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Luiz Feracine comentando o pensamento de Pico D. Miràndola, assevera:&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A Dignidade do Homem, na visão do autor renascentista, tinha por finalidade própria valorizar o ser humano. Daí decorre uma pergunta: é oportuno, hoje, dissertar acerca da nobreza ímpar do homem? (&#8230;) Antes de Pico, o cardeal Nicolau de Cusa (1401-1464) enfocará o mesmo tema, limitando-se, porém, a ressaltar o apreço singular que o homem merece pelo fato de representar o microcosmo, o epicentro e a síntese de toda a criação. (&#8230;) O que há no homem de único, específico e estupendo, não é simplesmente a sua racionalidade, como já vira Aristóteles, nem a imortalidade, como pregava o cristianismo, e, sim, a prerrogativa de autocriar-se livremente (2007, pp. 9 e&nbsp;24).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O filósofo alemão Immanuel Kant discorre sobre as características fundamentais do ser humano e seu elevado valor intrínseco:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O dever de respeito por meu próximo está contido na máxima de não degradar qualquer outro ser humano, reduzindo-a um mero meio para meus fins (não exigir que outrem descarte a si mesmo para escravizar-se a favor de meu fim). A humanidade ela mesma é uma dignidade, pois um ser humano não pode ser usado meramente como um meio por qualquer ser humano (que por outros quer, inclusive, por si mesmo), mas deve sempre ser usado ao mesmo tempo como um fim. É precisamente nisso que sua dignidade (personalidade) consiste, pelo que ele se eleva acima de todos os outros seres do mundo que não são seres humanos e, no entanto, podem ser usados e, assim, sobre todas as coisas (KANT, 2003, pp. 293 e 306).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para se combater doutrinas ideológicas disfarçadas de “ensino”, “educação” e “ciência”, as quais pervertem o paradigma natural do homem, e assim colocá-lo na perspectiva correta, o conhecimento fornecido pela Antropologia Filosófica é fundamental para depurar os elementos e ações que reduzem e denigrem a dignidade humana:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Qualquer tipo de reducionismo é frustrante, principalmente os que reduzem o homem a um produto histórico, ou os que o condicionam a estruturas socioeconômicas ou a mecanismos psíquico-biológicos. Todos eles o levaram a perder sua identidade, a se desnaturalizar. Por isso, é válido o esforço levado a cabo pela Antropologia Filosófica para desvendar a estrutura do ser humano, para explicar quem é o homem. Para poder ter um ponto de referência na hora de escolher qual sistema <strong>é ou não </strong>importante para construção da personalidade (ACHA e PIVA, 2013, p. 13) (grifo do autor).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A importância da Antropologia Filosófica reside na tratativa das principais questões existenciais que o homem tem que lidar, tais como: “Quem é o homem e, portanto, quem sou eu? Qual é o sentido da existência? Em que medida o homem é ser?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Qual é seu nível ontológico?” (ACHA e PIVA, 2013, p. 14)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tais questionamentos decorrem da própria capacidade cognitiva humana que está sempre inquieta em busca de respostas que ofereçam um norte. O homem não existe apenas para suas funções biológicas, possuindo também a necessidade de preencher seu espírito, intelecto e sistema psicológico.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Diferente dos animais, o homem pensa, transforma o meio em que vive, sonha, projeta e possui transcendência. Questiona qual o sentido de se fazer o que faz, qual sua identidade, e reflete sobre as problemáticas subjacentes à existência, tais como sobrevivência, relações, trabalho, felicidade, procriação, dor, morte, prazer, doença, e o que vem após a morte.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O ser humano traz no coração o desejo pela transcendência, haja vista que sua macrovisão está para além de si mesmo e do mundo limitado e efêmero que habita, projetando-se para a continuidade da vida sob a égide da perfeição, autorrealização definitiva e plenitude. Deus inseriu no coração humano a perspectiva da eternidade:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">E, no entanto, Deus fez tudo apropriado para seu devido tempo. <strong>Ele colocou um senso de eternidade no coração humano</strong>, mas mesmo assim ninguém é capaz de entender toda a obra de Deus, do começo ao fim (Eclesiastes: 3:11. SAGRADA, BÍBLIA – NVT –, 2016, p. 1227)<sup>2</sup> (grifou-se).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">                 O conjunto do tempo a que chamamos eternidade é tema complexo ao limitado e precário intelecto humano acostumado com a transitoriedade e finitude das coisas. Na verdade, a polissemia do termo “eternidade” traz mais uma ideia de qualidade que uma descrição temporal, haja vista que o tomando no sentido de “casa de Deus” (céu) compreende-se uma nova pessoa transformada em nova condição, imortal, perfeita e com consciência, inteligência e vontade aprofundadas na verdade e sem os condicionamentos culturais terrenos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O vocábulo hebraico “olam”, ora é traduzido no português como “mundo”, ora como “eternidade”. No primeiro caso, configura-se a ideia de que ainda que possuamos autocriação, superação e capacidade de “ser sempre mais”, a condição terrena impõe determinados limites, que na vida celeste não existirão, consoante parágrafo anterior. No segundo, acentua-se a qualidade de uma nova, sublime e superior existência e imortalidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sobre as duas possibilidades semânticas do termo hebraico “olam”, têm-se:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Capítulo 3. Tempo próprio para tudo. Ao ler este capítulo, ficamos intrigados com o versículo 11, que, segundo Almeida, reza: “também pôs o mundo no coração deles”, e na V. B. “também pôs no coração deles a ideia da eternidade”. A palavra hebraica “olam” é traduzida de vinte diferentes maneiras no V. T., e geralmente com o sentido de “duração”. É certo que a “idéia da eternidade” está na teologia dos homens, mas porventura está deveras na sua compreensão? (MCNAIR, 1983, p. 226) (grifou-se).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O filósofo Salomão no livro veterotestamentário de Eclesiastes 3:11 é quem discorre sobre essa transcendência (eternidade) colocada no coração humano por Deus para que o homem não se perca na transitoriedade de sua vida e reconheça a qualidade superior das coisas celestes quando comparadas às terrenas. Tal comparação é relevante à medida que o ser humano e a vida são marcados pela incompletude e transitoriedade:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Ec 3.11 Deus “pôs o mundo no coração” dos homens. Isto quer dizer que nunca poderemos ficar completamente satisfeitos com os prazeres e os objetivos terrenos. Por termos sido criados à imagem de Deus, temos uma sede espiritual, temos valor eterno e nada, exceto o Deus eterno, pode nos satisfazer verdadeiramente. Ele colocou em nós um incessante anseio pelo tipo de mundo perfeito que somente pode ser encontrado no seu governo perfeito. Ele nos deu um vislumbre da perfeição de sua criação. Mas é apenas um vislumbre; não podemos ver o futuro, nem compreender tudo. Por isso, devemos confiar em Deus agora, e realizar sua obra na terra (ALMEIDA, 2015, p. 685).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Antropologia Filosófica define a transcendência referindo-se ao contexto religioso e psicológico:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">No sentido <strong>religioso</strong>, “transcendência” significa transcender às limitações humanas em direção a um sentido maior. Um sentido que está por trás do mundo que percebemos pelos sentidos. Precisamos da transcendência porque precisamos dar sentido a nossa existência, aos valores que executamos, a nossa conduta moral. Psicologicamente, o termo significa transcender o próprio ego, superando com esse movimento excêntrico (de dentro para fora) o narcisismo.&nbsp; Esse movimento é impulsionado pelo amor, pela ternura, pelo interesse pelo outro. O amor sempre é reconhecido como uma experiência transcendente do ser humano (ACHA e PIVA, 2013, pp. 21-22) (grifo do autor).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No que tange à sua constituição o ser humano é uma unidade, que possui alma, corpo e espírito, dimensões que constituem a sua ontologia como um todo, e o leva a determinadas aspirações e distintas necessidades, biológicas, fisiológicas, psicológicas e espirituais.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na Antropologia Filosófica o homem é assim definido:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A Antropologia Filosófica primeiramente diferencia no homem as regiões essenciais: CORPO FÍSICO; PSIQUE; ESPÍRITO. [&#8230;] O ser humano é uma <strong>estrutura unitária, </strong>apoiada em uma <strong>unidade essencial [&#8230;] </strong>Essa unidade é composta por três regiões ou princípios: o <strong>vital</strong>, o <strong>psíquico </strong>e o <strong>espiritual</strong>. Em sua antropologia, Scheler destaca o conceito de que o espírito é uma potência que complementa e direciona as outras potências, tanto a biológica como a psicológica. O termo “espírito” indica uma autoconsciência de si mesmo. As manifestações espirituais ou próprias do ser humano são: compreensão do sentido, prefixação de metas, de fins, de ideais, a religiosidade. Todas são possibilitadas pela dimensão espiritual (ACHA e PIVA, 2013, p. 17).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na busca pelo aprimoramento e desenvolvimento humano (individual) e social (coletivo) é preciso considerar o homem em sua integral constituição, a fim de se evitar imprecisões teológico-científicas, filosóficas, antropológicas e sociológicas, bem como distorções e reducionismos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na ordem política e jurídica brasileira é estabelecido o conceito de “personalidade” e o de “capacidade”, os quais designam o indivíduo como titular de direitos e deveres:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil. A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. [&#8230;] A existência da pessoa natural termina com a morte [&#8230;] (artigos 1º, 2º e 6ºa, do Código Civil Brasileiro de 2002).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A legislação estabelece dois conceitos jurídicos, o de “personalidade” e o de “capacidade”. A primeira é atributo conferido às pessoas humanas (e jurídicas), colocando-as como destinatárias de direitos e obrigações; e a segunda é o poder conferido a elas para exercerem seus direitos, direta (capacidade plena) ou indiretamente (capacidade limitada) (artigos 1º ao 6º, 11 e 41 a 44, todos do Código Civil).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No Brasil, usa-se a expressão “pessoa física” para se referir a uma pessoa humana, terminologia que não a coloca na perspectiva integral de sua constituição.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Já o termo “pessoa natural”, utilizado no artigo 6º do Código Civil, parece mais acertado por contemplar todas as dimensões concernentes ao homem:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">No direito francês, no direito italiano e no de outros países, bem como na legislação brasileira concernente ao imposto de renda, é utilizada a denominação “pessoa física”. Também é criticada por desprezar as qualidades morais e espirituais do homem, que integram a sua personalidade, destacando apenas o seu aspecto material e físico. A nomenclatura “pessoa natural” revela-se, assim, a mais adequada, como reconhece a doutrina em geral, por designar o ser humano tal como ele é, com todos os predicados que integram a sua individualidade (GONÇALVES, 2003, p. 76).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O entendimento da estrutura essencial e integral da constituição humana, além de delimitar com maior precisão e objetividade o objeto a ser estudado, tem o escopo de propiciar um mais amplo desenvolvimento antropológico e sociológico.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Portanto, “O homem biológico, psicológico e espiritual é o objeto de estudo da Antropologia Filosófica” (ACHA e PIVA, 2013, p. 16).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Antropologia Teológica </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Antropologia, sob o prisma científico da Teologia, faz uma abordagem ainda mais ampla de seu objeto humano à medida que considera a dimensão da espiritualidade (relação vertical) e suas imbricações ético-morais e sociais (relação horizontal) a partir da perspectiva divina expressa nas Escrituras Bíblicas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Destarte, leva-se em conta não apenas fatores culturais, psicológicos, psicofísicos, biológicos e sociológicos, mas também enfoca sua gênese e constituição; as relações horizontais (social) e vertical (espiritual); estabelece pressupostos sobre a restauração moral humana; tece críticas construtivas sobre a natureza e efeitos destrutivos do desvirtuamento do padrão ético-moral; oferece proposta para a implantação de uma nova personalidade; e aborda a trajetória e destino futuro do ser humano,&nbsp; haja vista este possuir vocação para a eternidade.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em que pese a complexidade da natureza humana, tem-se que a lente teológica – a qual lança um enfoque transcendente sobre o objeto e adota uma metodologia objetiva e intersubjetiva – investiga mais acuradamente o problema da origem, natureza e propósitos antropológicos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Isso porque os elementos objetivo (realidade), subjetivo (sujeito) e intersubjetivo (relação entre seres humanos e entre ser humano e objeto) são importantes vetores no desafio humano em conhecer a si mesmo, o outro, bem como o mundo que o circunda:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Alcançar a compreensão de si mesmo ainda é o maior problema filosófico para o homem. Daí a importância sempre atual do desafio contido na máxima “Conhece-te a ti mesmo”, do oráculo de Delfos, que serviu de base à Filosofia Moral do genial Sócrates. Por séculos o espírito humano tem-se debruçado sobre essa questão fundamental. Suas conquistas nesse campo, entretanto, ainda são bastante modestas. Será que se deve esse atraso à natureza altamente complexa do problema antropológico, ou teria sido, em grande parte, uma questão do método utilizado nessa investigação? (ROSA, 2004, p. 17).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A pós-modernidade configurou um modo vida com extrema proliferação do conhecimento, ciência e tecnologia, mostras suficientes de que o ser humano obteve êxito na sua jornada de conhecimento do mundo objetivo (Daniel 12:4).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Entretanto, uma mera análise perfunctória desse homem contemporâneo revela que no contexto de sua subjetividade, ele se encontra espiritualmente vazio, frágil emocionalmente, axiologicamente errante e desacreditado das convenções culturais, sociais, tradicionais e institucionais (II Timóteo 3:1-8):&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">No prefácio que escreveu como tradutora de Erich Fromm – <em>Psicanálise e religião</em> – Iracy Doyle expressa magistralmente essa ideia, quando afirma que o homem moderno encontra-se cada vez mais alienado de si mesmo, cada vez mais pobre emocionalmente, apesar das notáveis conquistas de sua inteligência no que concerne ao domínio sobre a natureza. <strong>O homem do nosso século chegou, diz a referida autora, ao máximo do conhecimento da realidade objetiva, porém, ao mínimo de sabedoria subjetiva</strong>. Daí resulta a grande crise moral<strong> </strong>e espiritual por que passa o homem contemporâneo: desconfiança básica nos valores tradicionais das culturas, desengano dos ídolos criados pelo próprio homem, que se revelam impotentes para ajudá-lo na solução dos seus mais graves problemas existenciais. No entanto, conclui a autora, “ainda assim [&#8230;] <strong>O grande desenvolvimento da psicologia, imbuída da tradição humanista dos filósofos da Antiguidade, faz do nosso século a era da grande descoberta – ‘a descoberta do homem a si mesmo</strong>” – (Erich Fromm. Psicanálise e religião, 1956, p. X-XI) (ROSA, 2004, pp. 18-19) (grifou-se).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O homem com sua capacidade intelectual produziu e descobriu conhecimentos e saberes em diversas áreas desde o macrocosmo como as ciências astronômicas, médicas, matemáticas, geométricas, físicas, nas humanidades, os saberes filosóficos e ciências jurídicas e políticas até o campo microscópico da física quântica, porém quando chega o desafio de conhecer a si mesmo entra em campo inúmeras complexidades e mistérios, obtendo-se maior êxito quando o corte epistemológico do estudo situa-se sob ingerência do conhecimento teológico calcado na Bíblia. </p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; A dificuldade da autoanálise (conhece-te a ti mesmo, conforme dito socrático) e da análise antropológica em si reside no fato de que o observador não pode manter níveis mais elevados da equidistância necessária do objeto analisado, mesclando-se observador e objeto observado:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A impossibilidade prática do estabelecimento de uma antropologia totalmente objetiva resulta do fato de, nessa tentativa, o homem ser, ao mesmo tempo, sujeito e objeto da ciência. Isto é, o homem é aqui o conhecedor e, ao mesmo tempo, o objeto a ser conhecido. Portanto, no estudo do homem, o sujeito cognoscente e o objeto cognoscível se identificam: são os mesmos (ROSA, 2004, p.23).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Desse modo, as experiências, cultura, valores, inteligência, sensibilidade e subjetivismos introjetados no âmago do indivíduo comprometem a neutralidade científica exigida para extrair as características descritivas do objeto estudado.&nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Isso porque entre o sujeito cognoscente e o objeto cognoscível interpõe-se uma cadeira hermenêutica que imprime no objeto juízos a “priori”, sendo que a conclusão pode ou não corresponder à realidade e refletir ou não a essência do objeto sob análise dependendo do grau de desvencilhamento do observador e nível de cientificidade empregado.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Disso decorre que o fato de a Bíblia (conjunto dos livros sagrados) conter um relato antropológico sob a perspectiva de Deus afastando do processo conclusivo (doutrina) a ingerência do homem, embora esse participe do processo construtivo (escrita) sob inspiração e direcionamento divinos, torna a conclusão pura, neutra e com o selo da verdade. (Salmos 119:160; João 1:14,17; 8:32; 14:6; 17:17 e II Timóteo 3:15-17).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Infere-se que a Antropologia Teológica possui elevado grau de confiabilidade, haja vista que se ancora na Bíblia, “locus” topográfico em que a humanidade é analisada por terceiro (Deus), o qual se encontra equidistante (neutro) do objeto (homem), cumprindo-se assim, os pressupostos científicos da observação, experiência e conclusão, linguagem humana que dentro da onisciência divina se esvai, pois em verdade Ele não precisa experienciar, analisar ou concluir, pois sabe tudo de antemão. Seu ato criativo abarca em si referidos pressupostos:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Eu te louvarei porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia. E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grandes são as somas deles (Salmos: 139:&nbsp;14-17).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Repise-se que o movimento contrário não seria possível. Assim, os pressupostos científicos da experiência, observação e conclusão não são válidos em sua integralidade quando aplicados do homem para Deus.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Isso a onipresença divina impede que se destaque DELE e se elabore considerações a partir de tal afastamento. O método exequível e eficiente para conhecer na medida permitida o Incognoscível Absoluto é o observador humano aprofundar sua participação N’Ele: “Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor” e ““[&#8230;] que também eles sejam um em nós [&#8230;]” (Oséias 6:3 e João 17:21).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os termos “absoluto” e “incognoscível” aplicados a Deus – dada a riqueza infinita da sua natureza – significam que de certo modo Deus é completamente incompreensível. A limitada mente humana não pode apreender as coisas divinas em sua integralidade, pois não seria possível o finito absorver o infinito (Salmos 40:5).&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Entretanto, Deus, sendo um Ser amoroso e relacional, deseja se comunicar e se relacionar com suas criaturas, e assim, se dá a conhecer na medida da estrutura, possibilidade e vontade dos seres humanos. O nível de profundidade relacional entre Deus e o homem é determinado por este, pois quanto mais se aplica a conhecer os mistérios divinos, mais estes se desdobram diante dele.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Esse conhecimento se dá por intermédio de Jesus Cristo, o “Logos” vivo que se manifestou pessoalmente à humanidade:&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No princípio era o Verbo, e&nbsp; o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou. [&#8230;] Já não vos chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, <strong>porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer </strong>(João 1:1-4, 17-18 e 15:15) (grifou-se).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Algumas religiões, como o Agnosticismo, preconizam não serem acessíveis ao intelecto humano as questões transcendentes (metafísicas ou religiosas) a respeito de Deus por não poder se aplicar a metodologia científica no espectro empírico:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Agnosticismo</strong>. Declara que há provas negativas e positivas quanto à existência de Deus, porém, todas inconclusas. Dentro desse conceito, crê e, ao mesmo tempo, não crê; e, baseado na suposta subjetividade de Deus, adota a “ausência de conhecimento” como sendo a melhor forma de se lidar com o desconhecido. <strong>RESPOSTA APOLOGÉTICA</strong>: da mesma forma que a Bíblia convida o homem ao arrependimento e à conversão a Cristo (conhecimento espiritual), o convida também ao conhecimento de Deus por meio de sua Palavra. Oséias vai ainda mais longe ao esclarecer que o conhecimento de Deus não se resume à “letra”, mas ao contato íntimo, que, neste livro, é simbolizado pelo casamento. Por evitarem o conhecimento natural – a “letra” – os agnósticos ficam distante da experiência que esse conhecimento, em sua forma mais importante, pode lhes proporcionar. Estamos falando da experiência que depende da fé que decorre do conhecimento da “letra” (Rm 10.17). Neste sentido, é notório que permaneçam na “ausência de conhecimento” (ALMEIDA, 2007, pp. 819-820) (grifos do autor).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">                 Com exceção da observação, os pressupostos da experiência e conclusão são exequíveis à medida que o ser humano pode ter experiência concreta com a realidade transcendente de Deus recebendo assim, conhecimento espiritual e conhecimento teológico-científico expressos principalmente na implementação de uma nova personalidade e postura diante da vida e das relações vertical e horizontal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; A observação de Deus, que é impossível no sentido de se destacar D’Ele e analisá-lo externamente, torna-se possível mediante o que os antropólogos designam “observação participante”, a qual envolve união intensa, prolongada e profunda àquilo que se pretende conhecer, o que não poderia ser feito de modo meramente superficial:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Esta definição tenta resguardar a característica microscópica dos estudos antropológicos e a sua <strong>especialidade peculiar de procurar desvendar os meandros mais profundos da vida social</strong>. Para atingir este objetivo, desde as pesquisas de campo pioneiras de Malinowski e Boas, antropólogos fizeram uso de <strong>observação participante</strong> <strong><em>(i.e., </em></strong><strong>vivência prolongada com a população sob estudo)</strong>. Conseguiram, por este meio, revelar o significado de costumes, valores e normas sociais em uma variedade de culturas e sociedades particulares (FELDMAN-BIANCO, 1987, p. 15) (grifou-se).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Embora se enquadre na classificação de ciências humanas e sociais modernas, a Teologia é anterior à criação destas ciências – na forma como a conhecemos hoje –, à medida que remonta tempos antiquíssimos, seja no período de uma teologia configurada no Velho Testamento bíblico, seja no contexto neotestamentário.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Historicamente as cidades de Atenas (Grécia) e Jerusalém (Israel) possuem certa sincronia intelectual na medida em que ambas se empenharam em buscar o conhecimento e a verdade. Se a Grécia foi o centro da filosofia ocidental nos primórdios da história, Jerusalém foi o epicentro do movimento judeu-cristão, contribuindo significativamente, e a seu modo, para a construção de uma epistemologia e reflexão sobre o estatuto da verdade (MOSER, 2010, p. 13-14).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A visão multifocal lançada na busca do conhecimento e da própria verdade é uma característica histórica das culturas humanas, as quais não se satisfazem com uma única matriz de explicação, destarte: “O Mito, a Religião e a Filosofia constituem as principais formas pré-científicas de consciências e de explicação das condições de existência social” (COSTA, 1987, p. 15).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Teologia e Filosofia constituem campos independentes e interdisciplinares do conhecimento humano, as quais estão cristalizadas na história dos saberes:&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Consequentemente, Sócrates e Platão prosseguiram vigorosamente com seu trabalho filosófico mesmo com ciências naturais ou sociais imaturas, na melhor das hipóteses, se existiam. De modo semelhante, a teologia característica do primeiro movimento cristão em Jerusalém não esperou pelo trabalho empírico das ciências naturais e sociais posteriores. Sua teologia da Boa Nova, da intervenção redentora de Deus em Jesus como Filho concedido aos homens, chegou ao mundo sem contar com as ciências naturais e sociais. Portanto, os primeiros filósofos e teólogos de Atenas e Jerusalém não precisaram recorrer às ciências naturais ou sociais para iniciar suas respectivas tradições na busca da verdade pelo conhecimento (MOSER,&nbsp;2010, p. 14).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A pergunta, de matiz cético-cognitiva, subjacente, sobre a confiabilidade e veracidade da promessa redentora escriturística, e que os filósofos atenienses poderiam dirigir aos teólogos judeus-cristãos pode ser respondida em termos de experiência prática. Ou seja, deve-se conhecer por vontade própria e de imediato o Autor da promessa, pela participação pessoal no poder disponível do Espírito de Deus, que transforma a vida (MOSER, 2010, p. 18).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">                 A abordagem de sua antropologia recebe o influxo de uma metodologia escriturística e científica. Nela o homem não surge de modelos inferiores de vida, mas é entendido como uma criação especial e direta do próprio Deus. Ele é construído&nbsp; biologicamente a partir de um elemento físico preexistente, a saber, o pó da terra e recebe o sopro divino (fôlego da vida) para então, se tornar “alma vivente”, distinguindo-se das demais criações divinas por ser qualificado como “imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26-27; 2:7).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No contexto bíblico o homem nasce biologicamente perfeito, com sistema espiritual, psicológico, inteligência e consciência moral saudáveis, qualidades essas que são potencialmente progressivas à medida que o ser humano, mediante seu livre arbítrio, se relaciona mais intimamente com o Criador (Gênesis 2:15-20).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O homem, objeto do amor e da criação de Deus, torna-se, portanto, um agente ético e moral livre, responsável por suas ações e com capacidades relacionais verticalizadas e horizontalizadas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;É, considerado, por sua condição de mortalidade, um pouco inferior às criaturas angelicais, todavia, é a coroa da criação divina:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites? Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: Todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo, As aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas dos mares (Salmos 8:4-8).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Portanto, pela Teoria Criacionista, o homem não é descendente de primatas, evolutivo de formas biológicas inferiores, mas é produto da livre e direta criação de Deus.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Antropologia enfocada na Teologia não desconsidera as contribuições das ciências naturais e sociais na compreensão da complexa matéria, tais como elementos físicos e químicos constitutivos de biologia humana, como o pó, sua história, sistema psicológico, cultura, etc., todavia introduz um ponto fulcral negligenciada, mormente, pela Teoria da Evolução das Espécies, a saber, o elemento sobrenatural.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O enfoque criacionista parte do pressuposto de que a vida tem origem em Deus, o qual criou o homem, direta e especialmente; direta porque, diferente das outras espécies animais, vegetais e minerais, as quais foram trazidas à existência por sua palavra criativa, a espécie humana foi construída pelas mãos divinas; e especial, porque o ser humano representa o ápice da escala biológica criada (Gênesis 1: 1-28).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">                Deus fez a criatura humana – à sua imagem e semelhança –, bem como as demais espécies animais, fixas, cada uma em sua categoria (espécie), obstando-se assim, a possibilidade evolutiva de uma espécie para outra, haja vista que cada ser pertence à sua esfera de criação:&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus. E Deus criou as grandes baleias, e todo o réptil de alma vivente que as águas abundantemente produziram conforme as suas espécies; e toda a ave de asas conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom. [&#8230;] <strong>E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie; gado, e répteis e feras da terra conforme a sua espécie</strong>; e assim foi (Gênesis 1:20-21 e 24) (grifou-se).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Desde os estudos do biólogo e geneticista austríaco, Gregor J. Mendel, no século XIX, tem-se que a ordem fixa dos animais em sua própria espécie é uma característica evidente em genética molecular, conformando-se a descrição bíblica da&nbsp;criação: &nbsp; &nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A lei da hereditariedade de Mendel parecia provar que as espécies eram fixas, e que as características adquiridas não podiam ser herdadas. Os cientistas deram mais tarde o nome de “genes” aos fatores notáveis que controlam a hereditariedade. O Dr. Robert Kofahl tem o seguinte a dizer sobre os genes: “A pesquisa nas duas últimas décadas revelou muito sobre a estrutura do gene. Houve grande progresso no conhecimento da função do gene a nível molecular. <strong>A genética molecular é um processo sumamente complicado que dá poderoso apoio ao modelo da criação bíblica</strong>” (DUFFIELD e CLEAVE, 2000, p. 161) (grifou-se).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Embora o livro de Gênesis – ou qualquer outro do cânon sagrado – não possua precipuamente o escopo de ser um manual de ciências ou um tratado sobre outras áreas do saber humano, pois sua matéria é essencialmente teológica, no entanto, sua precisão científica, histórica, geográfica, filosófica e outras é objeto de endosso por pesquisadores. Em matéria antropológica prova-se a natureza singular do ser humano:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Dr. Paul Brand [&#8230;] tem o seguinte a dizer sobre o código químico dos genes ADN que controla todas as formas de vida, garantindo a propagação da espécie, cada uma segundo a sua própria classe, de acordo com o capítulo 1 de Gênesis, e impedindo a evolução de qualquer espécie em outra</strong>: “Toda matéria viva é basicamente semelhante; um único átomo diferencia o sangue animal da clorofila vegetal. O corpo, no entanto, sente diferenças infinitesimais com olfato infalível; ele conhece seus cem trilhões de células pelo nome&#8230; [&#8230;] <strong>Uma célula nervosa pode operar segundo instruções&nbsp; do volume quatro, e uma célula renal, do volume vinte e cinco, mas ambas carregam todo o compêndio. Ele fornece a cada célula sua credencial de sócia no corpo. [&#8230;] O Desenhista do ADN desafiou a raça humana a um novo e superior propósito: tornar-se membro de seu próprio corpo&#8230; Na realidade, eu me torno geneticamente como Cristo porque pertenço a seu corpo</strong> &nbsp; (DUFFIELD e CLEAVE, 2000, pp. 161-163) (grifou-se).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">                 Decorre-se que o homem, irremediavelmente religioso, não escapa à uma origem transcendente, em que Deus mesmo o criou e o projetou no horizonte da existência, possuindo em sua consciência o DNA da ética e moral, que o leva a responsabilidades horizontais e verticais.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por não evoluir de espécies inferiores à espécies superiores, sendo produto direto da capacidade intelectual e artesanal divina, o homem carrega, dentre todas as qualidades que recebeu, a maior, a saber, “imagem e semelhança” de seu Criador, fato que o destaca entre todas as criaturas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tem-se que a expressão “imagem e semelhança” não parece trazer dois substantivos, mas tão somente tem como desiderato enfatizar a similaridade “Criador-criatura”.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No idioma hebraico a palavra “imagem” é “Tselem Elohim”, no vernáculo grego é “Eikon tou theou” e no latim o termo usado é “Imago Dei” (DUFFIELD e CLEAVE, 2000, p. 168).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Dentre uma gama interpretativa sobre o que referida expressão quer dizer, tem-se que se trata de uma referência à personalidade, e assim, como Deus possui inteligência, sentimento e vontade, também o homem, bem como o senso de eticidade e moralidade. Outro ponto de correspondência seria a trindade divina (Pai, Filho e Espírito Santo) e a tríplice constituição humana: corpo, alma e espírito.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A sinonímia de referidos termos também encontra paralelo no sentido de ser o homem legítimo representante de Deus na terra, conforme o teólogo estadunidense Wayne Grudem:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">As palavras hebraicas para imagem e semelhança informam que o homem era semelhante a Deus e o representava em muitos aspectos. “Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança, significava simplesmente: “Façamos o homem como nós, para que nos represente”. <strong>TEÓLOGO WAYNE GRUDEM </strong>(MARQUES, 2023, pp. 33-34) (grifo do autor).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No sentido evangelístico o cânon bíblico faz uso do termo político “embaixadores”, para designar a corporação eclesiástica-cristão como representantes do Reino de Deus na terra, sua essência, propósitos e valores (II Coríntios 5:20). &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; De igual modo, a teologia sistemática reformada de Louis Berkhof, proveniente da província holandesa de Drenthe, nos Países Baixos, informa que:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Louis Berkhof, teólogo sistemático, revela que as palavras imagem e semelhança são sinônimas, portanto, ambas significam a mesma coisa. Em Gn. 1.26 aparecem as duas palavras e no verso 27 apenas a primeira delas. <strong>TEÓLOGO LOUIS BERKHOF</strong> (MARQUES, 2023, pp. 33-34) (grifo do autor).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">                 Ressalte-se que a natureza ímpar do ser humano o projeta como um ser especial dentre toda a criação: <strong>1.</strong> Irrepetibilidade (singularidade pessoal de cada ser e existência única); <strong>2.</strong> Imortalidade (duração perene, embora o processo da morte sepulte o corpo, os elementos imateriais (alma e espírito) a transcendem; <strong>3.</strong> Dignidade (valor intrínseco de cada pessoa); <strong>4.</strong> Inteligência (capacidade de entender, apreender e compreender, bem como competência e habilidade para criar e resolver problemas concretos por meio do pensamento abstrato); <strong>5.</strong> Senso Ético e Moral (ponderação sobre os valores que regem a vida humana, e entender o caráter ilícito de uma conduta (imoral ou ilegal) e se orientar conforme o entendimento do que é certo, justo e correto. <strong>6.</strong> Autodeterminação (agente moral livre e autônomo para agir e ser protagonista de sua história); <strong>7.</strong> Sentimentalidade (ser afetivo com cérebro e sistema imaterial (alma e espírito) conexos e complexos que engendram variados e diversos sentimentos e emoções). <strong>8.</strong> Volição (agente com vontades próprias); <strong>9.</strong> Socialidade (capacidade para a vida em coletividade e cooperação), dentre outras.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A combinação entre dois elementos distintos: (pó da terra) e sopro divino, demonstra que o ser humano está intimamente conectado ao seu Criador, e embora sua experiência existencial se dê no âmbito terreno, todavia, seu destino é celestial, conforme pontua o filósofo hebraico Salomão (Gênesis 2:7 e Eclesiastes 12:7).&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Nesse espectro, na pós-modernidade, há uma dupla corrente de negação científica e filosófico-religiosa, as quais procuram combater ambos os elementos herdados pelo homem.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A primeira, situada no âmbito psicológico – em sua vertente dogmática ateísta – preconiza que as funções intelectivas, emotivas e volitivas humanas são derivativas exclusivamente da função física, química e elétrica do cérebro, eliminando-se qualquer base sobrenatural para as faculdades psíquicas humanas (DUFFIELD e CLEAVE, 2000, p. 176).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na segunda corrente, de cunho filosófico-religiosa, tem-se que o corpo é um elemento extremamente negativo, pois, segundo essa perspectiva, ele obsta a liberdade da alma, sendo responsável pelo mal no mundo:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Os gregos e muitos dos antigos consideravam o corpo como a prisão da alma e a fonte de todo mal. O gnosticismo, um falso culto cristão, apegava-se a essa baixa estima do corpo ao extremo de negar que Jesus tivesse um corpo físico. A fim de contestar os gnósticos, o Apóstolo João advertiu contra aqueles que negavam que Jesus tivesse vindo em carne (I Jo 4:1-3) (DUFFIELD e CLEAVE, 2000, p. 171-172).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">                 Entretanto, na Antropologia Teológica (bíblica) ambos, corpo, alma e também espírito, foram criados por Deus, sendo qualitativamente bons; acentuando-se que o ser humano, enquanto ser único, recebeu autonomia natural para ser senhor de sua vida, não obstante o mundo social restrinja exageradamente essa liberdade. Já a maldade ética e moral, estas não têm como fonte explicativa o corpo, e sim, o uso deliberado e consciente que cada pessoa faz dos atributos recebidos. As ações humanas são classificadas como boas ou más, não em virtude simplesmente da matéria biológica, mas sim das escolhas éticas e morais que o ser como um todo (corpo, alma e espírito) opera livremente.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tem-se que a revelação escriturística trata e analisa o homem mediante o elemento espiritual e sobrenatural da fé. Entretanto, conforme já ressaltado, a Antropologia Teológica, embora autônoma, independente e interdisciplinar, tem contornos científicos bem definidos, a saber: <strong>1. </strong>Tema: Homem. <strong>2.</strong> Campo Amostral:&nbsp; antropologia sob a ótica da transcendência divina); <strong>3.</strong> Objeto: (Teologia e Antropologia); <strong>4.</strong> Objetivos (gerais: (gênese e natureza antropológica) e específicos (plano restaurador e redentor do gênero humano); <strong>5.</strong> Hipótese: Delineia-se a proposição de que o homem é produto da criação direta e especial de Deus, sendo confirmada a “posteriori”, por evidências factuais e científicas, as quais refutam a evolução e apoiam a criação; <strong>6.</strong> Problematização: Elege-se o questionamento a seguir: “É o homem um produto meramente biológico, sociocultural, evolutivo e autossuficiente ou um ser que persegue a transcendência, sendo dependente da graça divina”?; <strong>7.</strong> Metodologias: <strong>a.</strong> Hipotético-dedutiva: Raciocínio lógico e dedutivo com utilização de premissas de alta probabilidade de veracidade e confiabilidade para a conclusão temática, bem como aferição e comprovação da hipótese. Uso do argumento da Transcendência (Deus) e o argumento da Imanência: “locus humano da objetividade&nbsp; e intersubjetividade.) e <strong>b.</strong> Histórico-Escriturística; <strong>8.</strong> Marco Teórico: Escritores Bíblicos (cerca de quarenta escritores sincronizados e com ajuste refinado sobre o tema); <strong>9.</strong> Justificativa: Necessidade de se conhecer a natureza humana de modo mais completo, apontando-se soluções a problemas humanos e sociais, éticos, morais e existenciais concretos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; O ser humano sob enfoque teológico não é acidente de percurso, descendente de primatas ou poeira cósmica reformatada, mas um ser com elevado potencial para o desempenho de suas funções e objetivos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">                 As Escrituras Sagradas o projeta como um ser com autonomia, liberdade e capacidade, possuindo poderes para se autocriar, inovar, superar e desenvolver amplamente suas potencialidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">                 Daí que a Igreja, na qualidade de agência missionária, anuncia a verdade do Evangelho &#8220;euangelion ( εὐαγγέλιον ) (boa notícia, boas novas), no intuito de que o ser humano, sob influxo do poder divino, seja tudo quanto pode ser nas esferas emocional, cognitiva e espiritual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; O desenvolvimento das capacidades humanas é possível, relevante e necessário, abarcando-se todas as dimensões humanas: “O poder divino essencial ao movimento da Boa Nova de Jerusalém é, na perspectiva de Paulo, importante cognitiva, moral e espiritualmente” (MOSER, 2010, p. 16).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; A verdade do Evangelho reconfigura (reorganiza) toda a estrutura ontológica do ser humano cognitiva, ética, moral, emocional, volitiva e espiritual. Há a implantação de uma nova personalidade do indivíduo, que passa a praticar a verdade e andar em amor (Gálatas 5:22).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Destarte, sendo Jesus o caminho, a verdade e a vida, o ser humano passa a trilhar uma nova via condutora em sua trajetória terrena, sobressaindo-se em amor, que se torna a base ética e moral de todas as suas ações. A verdade e o amor possuem uma simbiose ontológica que conduz à vida, entendida no ápice de seu significado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Experimenta-se uma existência mais plena e nutre-se a expectativa de uma vida transcendente porque “A verdade do Evangelho não é primeiramente proposição cognitiva, nem padrão de prática, mas sim jeito de caminhar, jeito de caminhar marcado pelo amor” (MUELLER, 2005, p. 40).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Há a necessidade de uma transformação (regeneração, novo nascimento) completa do ser humano, tendo em vista que com o advento da “Queda” e sua consequente separação da relação e dos propósitos divinos, introduziu-se no mundo a maldade em escala micro e macroscópica (Gênesis 3).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por conta disso, o coração humano se corrompeu, tornando-se egoísta, vaidoso, ganancioso, cobiçoso, perverso e materialista. Em virtude da quebra do mandamento divino rompeu-se a relação vertical (homem-Deus), repercutindo-se nas relações horizontais (homem e homem e homem e ecossistema).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os efeitos da queda humana podem ser delimitados no tempo e no espaço, pois as relações humanas se deterioraram. Estabeleceu-se um modo de vida fundado em uma nova ordem de valores e práxis, surgindo-se problemas humanos e sociais não existentes anteriormente, tais como exploração do trabalho, corrupção, violência, fome, guerras, doenças, desastres e tragédias, além da introdução de elementos nefastos, como a mortalidade e a falta de um sentido transcendente para a vida.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O homem passou a viver em sociedade e criou o Estado, para através da política, Direito e Economia reorganizar a vida, proteger valores e promover o bem estar comum. Todavia, os problemas exteriores são reflexos do desarranjo interior.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Entretanto, as Escrituras Bíblicas informam não apenas o relato da criação e queda humanas, mas igualmente, projeta solução para sua reconciliação, restauração e desenvolvimento de suas faculdades, com a perspectiva de um futuro que transcende as problemáticas e misérias humanas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">                 Os Evangelhos retratam o potencial do ser humano sob o influxo direto da graça redentora, regeneradora e salvadora de Deus, inserindo-o numa perspectiva terrena e eterna:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Como resultado da encarnação e identificação de Cristo com a natureza humana, o homem recebeu um novo potencial e uma nova humanidade em Cristo.&nbsp; [&#8230;] Em Adão temos o paraíso perdido; em Cristo Jesus, o paraíso recuperado. [&#8230;] Em Cristo, o crente tem a esperança de um lar celestial eterno (DUFFIELD e CLEAVE, 2000, pp. 197-199).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Destarte, a Teologia, no campo antropológico, se ocupa em estudar o homem de forma completa e objetiva, não se menosprezando o caráter da intersubjetividade.&nbsp;Ela abarca os seguintes e principais pontos: <strong>a.</strong> enfoca o fator da Criação, em detrimento de uma teoria evolutiva; <strong>b.</strong> define a constituição do ser humano, embora seja um ser único, é composto de corpo, alma e espírito; <strong>c.</strong> relata a queda,&nbsp; daí o estado caótico da humanidade; <strong>d.</strong> informa a redenção em Cristo e o novo potencial humano; <strong>e.</strong> projeta um destino eterno.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">                 Portanto, a contribuição da Teologia Antropológica na compreensão humana e no estabelecimento de seu papel e destino é da mais relevante e completa devido a amplitude, profundidade e objetividade na tratativa do tema.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Conforme Merval Rosa, explicando o filósofo alemão Kant:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Segundo Kant, os problemas filosóficos se reduzem a quatro, a saber: 1.0 que podemos conhecer? Este seria o campo específico da epistemologia. 2.0 que devemos fazer? Esta é a pergunta que se ocupa a ética. 3.0 que podemos esperar? Aqui nos defrontamos fundamentalmente com o problema religioso.&nbsp;4.0 que é o homem? Este é o problema antropológico (2004, p. 24).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Entretanto, a Religião, epistemologicamente delimitada no Cristianismo, abarca além das questões propostas pela Filosofia, Ciência e Antropologia Filosófica, estabelece a proposição do amor redentor divino e de sua graça potencializadora do ser humano.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CAPÍTULO 2: RELIGIÃO: SEMÂNTICA E PERSPECTIVA CULTURAL&nbsp; </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1. Religião: Definição, Conteúdo e Pluralismo&nbsp; </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O termo “Religião”, do latim “religare” tem a conotação de “ligar” ou “religar” a humanidade à Deus. Tem a ver com a organização dos preceitos e do culto sobrenatural e seus reflexos espirituais, morais e sociais. O Dicionário da Bíblia de Almeida define: “RELIGIÃO Crenças, atitudes e práticas relacionadas com o culto a Deus ou com o sobrenatural (At 26.5; Tg 1.26-27)” (KASCHEL e ZIMMER, 2014, p. 391).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de um termo genérico, haja vista que se refere à inúmeras e indiscriminadas crenças, doutrinas, práticas e dogmas, sendo aplicado antropologicamente a diversas culturas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ela faz parte do cabedal histórico, memorial e identitário de cada povo, assim como a língua, costumes, culinária, indumentária, valores, etc. Evidente que por ser o homem um ser intercambiável e relacionável muitas religiões são “importadas” e “exportadas” passando a fazer parte de outra cultura, estabelecendo-se uma ponte transcultural.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Todavia, cada religião é “sui generis” e mantém sua crença, liturgia e corpo doutrinário preservados no tempo e no espaço. O pluralismo religioso é produto de fatores histórico-culturais. Tal peculiaridade é da própria essência de cada religião:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Qualquer tentativa de falar num idioma particular não tem maior fundamento que a tentativa de ter uma religião que não seja uma religião em particular&#8230; Assim, cada religião viva e saudável tem uma idiossincrasia marcante. Seu poder consiste em sua mensagem especial e surpreendente e na direção que essa revelação dá à vida. As perspectivas que ela abre e os mistérios que propõe criam um novo mundo em que viver; e um novo mundo em que viver – quer esperemos ou não usufruí-lo totalmente – é justamente o que desejamos ao adotarmos uma religião (GEERTZ, 2008, p. 65).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Cada religião tem sua perspectiva, hermenêutica, retórica e mística, diferindo-se de outras searas como o senso comum, científico e artístico. Aliás, é da essência do pensamento religioso transcender outras matrizes de explicação da vida, dos problemas e questionamentos humanos, como a mitologia, filosofia, ciência e artes.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Embora os variados campos do saber humano sejam autônomos e independentes, nada obsta que estabeleçam entre si uma interdisciplinaridade para troca de conhecimento e experiências no propósito de auxiliar o ser humano em sua existência efêmera.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">                 Todavia, dada a complexidade das relações humanas, muitas vezes há uma postura hermética e competitiva pelo domínio do homem ao lugar de haver cooperação e simbiose para sua realização e desenvolvimento.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Conforme acentuado a Religião – em suas múltiplas manifestações específicas – se difere de outros setores epistemológicos pelos elementos metafísico, sagrado e transcendente. Enquanto Ciência, Filosofia e Artes se atém estritamente a um objeto (homem e problemáticas que o circundam) delimitadamente terreno, a Religião projeta-se para além, invocando-se a transcendência como fator explicativo, dirigente e superior.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nesse contexto, não há que se falar em superação da Religião por outras formas de conhecimento e explicação do homem e da vida. A perspectiva religiosa se destaca por sua cosmovisão abrangente e profunda:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A perspectiva religiosa difere da perspectiva do senso comum, como já dissemos, porque se move além das realidades da vida cotidiana em direção a outras mais amplas, que as corrigem e completam, e sua preocupação definidora não é a ação sobre essas realidades mais amplas, mas sua aceitação, a fé nelas. Ela difere da perspectiva científica pelo fato de questionar as realidades da vida cotidiana não a partir de um ceticismo institucionalizado que dissolve o “dado” do mundo numa espiral de hipóteses probabilísticas, mas em termos do que é necessário para torná-las verdades mais amplas, não-hipotéticas. Em vez de desligamento, sua palavra de ordem é compromisso, em vez de análise, o encontro. Ela difere da arte, ainda, porque em vez de afastar-se de toda a questão da fatualidade, manufaturando deliberadamente um ar de parecença e de ilusão, ela aprofunda a preocupação com o fato e procura criar uma aura de atualidade real (GEERTZ, 2008, p. 82).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Portanto, a Religião “lato sensu” tem o desiderato de organizar as questões transcendentais e orientar epistemológica, social e espiritualmente a vida humana conforme suas diretrizes, sendo que cada religião em si tem sua própria perspectiva.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2. Cristianismo: Revelação Divina e Epicentro da Religião&nbsp; </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Embora a expressão “Religião” seja aplicada de modo genérico, ela pode e deve ser especificada, pois cada uma delas pretende interpretar o sagrado e enquadrar o humano dentro dessa perspectiva transcendente, cósmica e mística, utilizando-se dados teórico-dogmáticos, símbolos, ritos, princípios, etc.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Pretende-se fazer um corte “Stricto Sensu” na Religião, ou seja, um recorte epistemológico sobre o tema. Desse modo, adota-se o Cristianismo como objeto mais específico de estudo e parâmetro para as formulações teóricas e pragmáticas da presente monografia.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">                 Isso porque, em que pese o valor e contribuição antropológica e social de cada religião, o Cristianismo se destaca por sua transcendência divina e por seus conteúdos revelados diretamente aos seres humanos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A doutrina cristã, mais que qualquer outra doutrina religiosa, filosófica ou científica, em todos os seus aspectos, teológicos, cristológicos, pneumatológicos, soteriológicos, antropológicos, bibliológicos, escatológicos, dentre outros foi a que mais substancial e significativamente contribuiu para o conhecimento e desenvolvimento das potencialidades humanas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O termo “Religião” quando aplicado ao Cristianismo é mera expressão técnica e semântica a enfatizar conteúdos sagrados em dada cultura, nos aspectos místicos, antropológicos e sociológicos. Em verdade ele ultrapassa toda conceituação humana para se projetar como a ponte vertical, cujo início é a própria vontade de Deus em se revelar, comunicar e relacionar com as pessoas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em sentido comum a Religião é o esforço humano para se conectar a Deus; no caso do Cristianismo, dada sua inconteste importância na história humana, representa&nbsp; a iniciativa divina em alcançar o ser humano, objeto de seu amor e preocupação.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O pensamento cristão trabalha com a ideia de um Deus pessoal, amoroso e relacional, e que, apesar de sua infinita transcendência, mantém uma atuação dinâmica e verificável na história humana através da imanência do Emanuel (Deus conosco).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;É de se observar que o advento da introdução do Deus Filho no mundo dividiu a história humana em duas fases: antes e depois DELE. Daí a importância singular da doutrina cristã expressa na Bíblia, a qual revela o caráter de um Deus que é transcendente (superior e metafísico) e ao mesmo tempo imanente (presente) nos fatos concretos da História.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ademais, o Cristianismo é portador da Doutrina que mais contribuiu e contribui para o desenvolvimento humano e social. Ela influiu substancialmente na formação do pensamento teológico, filosófico, antropológico, sociológico e jurídico de diversas sociedades.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Embora a Bíblia – mormente o Novo Testamento, o qual é a fonte primária e principal do Cristianismo – não esteja sujeita a métodos cartesianos e científicos de verificabilidade e objetividade, pois é infinitamente superior na transmissão da verdade e axiomas, ela estabelece inconteste objetividade, pois é construída por terceiro, tendo autoria espiritual no próprio Deus.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">                 Apesar da equidistância do autor (Deus) em relação ao objeto (homem) mantém-se a imanência necessária no desenrolar do drama humano, pois ao mesmo tempo em que se tece considerações antropológicas analíticas há a preocupação de uma conotação soteriológica, tendo em vista o amor relacional contido nessa estrutura esquemática. Assim, sabe-se que cada relato (descrição) e ensino (prescrição) são verdadeiros, imparciais e confiáveis.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Destarte, a Teologia Bíblica é cientificamente elevada, objetiva e segura quando comparada com qualquer área do conhecimento humano:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">I- A teologia pode ser considerada sistemática e objetivamente (com respeito àquilo que é ensinado) ou habitual e subjetivamente (com referência a um hábito que reside no intelecto). No primeiro sentido, não se pode designar-lhe com mais precisão nenhum outro gênero além da doutrina, porque esta é ensinada por Deus e assimilada pela igreja. Mas a doutrina (literalmente falando) é muito superior a toda e qualquer doutrina humana, tanto na origem quanto no assunto, na forma e no propósito. Daí ser ela descrita na Escritura como <em>didachên</em> (Jo 7.17; I Tm 4.6; 6.3) e como forma de doutrina (<em>tvpon didachês</em>, Rm 6.17) &#8211; no Antigo Testamento <em>thvrh</em> indica a totalidade da doutrina da salvação (TURRETINI, 2011, p. 59).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>Com relação à prática dos valores e liturgia cristã, estes são igualmente considerados saudáveis, haja vista que se referem ao amor, ética, moral, solidariedade, verdade, sinceridade, etc., sendo o culto cristão lastreado essencialmente no cântico (louvor), ministração da Palavra e ensino.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Desse modo, a Teologia é a parte científico-objetiva (saber) e a Fé é a parte subjetiva (prática). Fé e intelecto compõem o programa divino que completa as necessidades do homem, pois o mesmo Deus que concedeu à humanidade o mistério insondável da fé, igualmente implantou no homem a aptidão e o desejo pelo conhecimento.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Cristianismo satisfaz de modo completo as necessidades mais relevantes do ser humano, a saber, crença metafísica (espiritualidade), inteligência (cognitiva, emocional e espiritual), moralidade e sentido de existência e eternidade, pois o ser formado à imagem e semelhança do que o formou recebeu seu sopro criativo e assim, aspira a elevação e a transcendência:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">II. A fim de entendermos melhor que hábito da mente deve ser-lhe designado, notemos que os hábitos da mente são de conhecer, de crer ou de pressupor. Estes correspondem a três assentimentos da mente: o ato de conhecer, o de crer e o de pressupor. Cada assentimento da mente se fundamenta no testemunho ou no raciocínio. Se no testemunho, é fé; se na razão segura e sólida, é conhecimento; se somente na razão provável, é opinião (TURRETINI, 2011, p. 59).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">                 Entende-se que o ser humano quando tratado de forma completa necessita ao seu pleno desenvolvimento, não apenas da expansão de sua inteligência e de saúde emocional, mas também do cultivo de uma espiritualidade autêntica, construtos contributivos da herança cristã.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Outra questão e contribuição de grande relevo trazida à humanidade pelo Cristianismo é o ensino de um Deus transcendente-imanente, pessoal, santo, relacional e amoroso. Tais atributos são sumamente necessários à medida que a falta de qualquer deles colocaria o homem em nítido prejuízo ontológico e existencial.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Um Deus que não seja transcendente não passa de um artifício humano, é o movimento absurdo ao contrário, feito “à imagem e semelhança dos homens”; de igual modo, se não for imanente, estará afastado das necessidades e dramas humanos; precisa ainda ser pessoal, pois qualquer força impessoal não entenderá a problemática humana; outra característica de relevo é a santidade inerente à natureza de Deus, a qual deve ser uma realidade a infundir virtudes morais no coração humano, servindo como fundamento de toda eticidade e moralidade das ações do ser criado. Os deuses gregos sempre estiveram eivados de vícios e comportamentos humanos, fato que desqualifica uma espiritualidade saudável; Esse Deus tem ainda de ser relacional, de modo a demonstrar interesse em comunicar-se às suas criaturas, dando-lhes sentido, preservação e propósitos; por fim, o amor, haja vista que muito interessa ao ser humano saber que é objeto do amor ágape (incondicional) de Deus, de modo a valorizar sua vida, estimular sua autoestima e desenvolver suas potencialidades, pois esta é a força motriz do universo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A contribuição monoteística do Cristianismo, herança do Judaísmo, não deve ser desprezada, sendo inquestionavelmente um dado relevante na antropologia religiosa, e áreas da psicologia e sociologia.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Isso porque o ateísmo e a idolatria arraigados em muitas posturas e culturas desvirtuam o homem de seu propósito original e coloca substitutos frágeis em seu coração dando-se lugar ao egoísmo, baixa autoestima e obstando-se o conhecimento real de si, do outro e da existência – seus fenômenos e objetos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>O Monoteísmo cristão com suas exigências éticas e morais é um freio à egolatria, vaidade, soberba, promiscuidade e depravação humana, elementos que destroem a personalidade, autoestima e propósitos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A nação de Israel, é das mais prósperas do mundo, sendo ensinada a prestar culto apenas à YAHWEH (Êxodo 20: 1-6). Todavia, por diversas ocasiões se desviou do monoteísmo adotando os deuses das nações vizinhas e imitando seus costumes reprováveis. O resultado foi a ruína espiritual, psicológica e sociológica, atraindo-se miséria, ruínas e diversas mazelas sociais. Destarte:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">La investigación del pasado explicaba el problema de la idolatria en general como una caída de Israel ante los dioses del país de Canaán o por la influencia del panteón de las correspondientes grandes potencias (especialmente Asiria) y se consideraba que la norma del primer mandamiento le había sido prescrita a Israel ya desde los comienzos. Hoy día se discute hasta qué punto la crítica bíblica a la idolatría no es una retroproyección de la historia de Israel a épocas anteriores, cuando la idolatría no constituía todavia ningún problema (monoteísmo) (KASPER, 2011, p. 793).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A idolatria (culto prestado a divindades estranhas) é classificada como uma infidelidade, “prostituição espiritual”, de modo a repercutir nas relações familiares e na própria estrutura identitária de Israel, nação conhecida pelo relacionamento peculiar com o Deus único, cuja religião se tornou a marca principal de sua história, tradição, cultura e valores:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">El <em>topos</em> de las “mujeres extranjeras” que inducen a la idolatría (cf. 1 Re 11; Nm 25,lss.), así como la polémica bíblica contra la idolatría descrita como&nbsp;“prostitución” (זנְוּת [znh] ante sus dioses (Éx 34,15s.) o “alejamiento de YHWH” (Os 1,3; 4,12; 9,1; cf. em general Os 1-3; Jr 2-3; Ez 16; 23), señala la tendencia (actualizada por la investigación) a sobreacentuar, mediante el adecuado lenguaje metafórico, la participación feminina como la auténtica problemática. Al fondo se encuentra la significación de la familia (y, por tanto, de la mujer), sobre la que, desde la llamada reforma deuteronomista, pero más acentuadamente en la época post-exílica, recae, en cuanto portadora de la fe en YHWH, una función de creciente importancia para la identidad de Israel. [&#8230;] <strong>En Rom 1,18-32 Iglesia la idolatría es impiedad, injusticia, mentira y la raíz de todo mal. La idolatría es la negativa a reconocer a&nbsp;Dios y resulta, por consiguiente, inéxcusable </strong>(KASPER, 2011, pp. 794-795) (grifou-se).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Embora o plano embrionário soteriológico de Deus esteja nas páginas veterotestamentárias é no Novo Testamento que ganha corpo através da instituição da Igreja (ente interétnico) com quem Ele passa a tratar. No Antigo Testamento Deus é uma divindade mais transcendente que imanente, porém, no Novo, Ele se manifesta plenamente na pessoa de seu Filho Jesus Cristo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Portanto, a tradição cristã leva-nos as duas faces divinas (transcendência e imanência) preconizando a necessidade de um relacionamento monoteístico e a obrigatoriedade de se afastar de egolatrias e idolatrias, figuras tão prejudiciais à espiritualidade e ao progresso humano e social.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Igreja, portadora da doutrina bíblica, é o povo sacerdotal e escatológico de Deus, cuja mensagem soteriológica engloba a premissa de que Deus vindica sua autoridade e legitimidade sobre suas criaturas, de modo a validar positivamente a experiência da existência humana. O fundamento da Igreja cristã e sua Teologia é Cristo, na medida em que a ação divina fundadora ocorre na vinda (vida), morte e ressurreição de Jesus Cristo:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">La Iglesia es el pueblo de Dios escatológico, convocado de entre todos los pueblos, que, hasta la parusía de Cristo, intenta dar respuesta a la reclamación de Dios sobre su creación y conferirle validez en el mundo. A la fundamentación <em>teológica</em> le corresponde así una fundamentación cristológica, en cuanto que la acción divina fundamentadora acontece em Jesucristo, y más en concreto en su muerte y resurrección (KASPER, 2011, p. 796) (grifou-se).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nesse passo, notável e inconteste contributo do Cristianismo e que serviu de parametricidade à construções filosóficas e jurídicas ocidentais é a ideia de um ser humano, não semelhante à um macaco, mero produto do acaso ou incidente de percurso, mas um ser construído à “imagem” e “semelhança” de seu Criador. Tal reflexão teológica é de suma importância à medida que estabelece a grandeza, dignidade e valor ôntico e ontológico do ser humano:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Aunque el Antiguo Testamento no conoce el título de imagen de Dios como denominación del rey, este telón de fondo de la ideología de la realeza encaja com el hecho de que, tras el hundimiento de la monarquía, <strong>Gn 1 habla de la igualdad y semejanza con Dios de todos los hombres (también Sal 8,6-9, con insistencia en la dignidade óntica del hombre</strong> (KASPER, 2011, p. 805) (grifou-se).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No campo emocional tem-se que a graça divina, um dos assuntos centrais da Teologia Cristã, é importante remédio a curar diversos males da alma, tais como culpa, baixo autoestima, depressão, angústia, crises existenciais e demais complexos humanos. &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; De igual modo, a concepção cristã de imortalidade projeta o ser humano a ter esperança numa vida além-túmulo, o que o fortalece sobremaneira a enfrentar os problemas existenciais, pois não mais considera sua trajetória terrena como o todo da existência, mas um ensaio muito diminuto que é prelúdio de algo infinitamente maior, ou seja, a vida plena escondida em Deus.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A crença na imortalidade confere ao homem que abraça a doutrina cristã um entendimento mais profundo sobre a existência. O enfoque não mais considera a tragédia e os males como algo insuperável, mas intempéries subjacentes a um mundo que só pode ser reorganizado a partir da intervenção divina direta na história concreta humana.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quando se compreende o verdadeiro sentido da morte (não que ela possua uma substância ontológica), seu efeito transitório e ínfimo na natureza eterna do ser humano, ela passa a ser vista como passagem para a eternidade, derrubando-se as paredes do medo e da incerteza. Conforme o apóstolo Paulo:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor (I Coríntios 15:53-58 ).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Teologia Cristã combate as filosofias existencialistas e materialistas que enfatizam a finitude da vida e a proeminência da morte sobre os seres humanos. Refuta também a ideia da irreconciliabilidade entre um Deus bom, onipresente, onisciente e onipotente e os males do mundo (teodiceia), justificando que tais conceitos não são causas excludentes, mas separadas em si, explicáveis, compreensíveis e justificáveis à luz de um conjunto de fatores existenciais, ocasionais e derivativos do próprio livre-arbítrio humano.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tem-se no filósofo alemão Gottfried Wilhelm Leibniz a melhor resposta:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Los epicúreos arguyen simplemente que, puesto que el mundo está lleno de maldad, Dios tiene que ser malo o impotente o ambas cosas. Un Dios omnipotente, omnisciente e infinitamente bueno, suponiendo que un ser así sea concebible lógicamente, hubiera sido capaz de crear un mundo sin maldad y hubiera querido hacerlo. Quizá fuera Leibniz el que desarrolló con mayor claridade los argumentos contrarios. Leibniz, en su <em>Teodicea</em> y en muchos otros escritos, abordó, una y otra vez, el espinoso tema. Sus argumentos proceden desde Dios a las criaturas y no en la otra dirección y se reducen a esto: Puesto que Dios es inifinitamente sabio, bueno y poderoso, tiene que haber creado el mejor de los mundos posibles, es decir, un mundo en el que la cantidad global de bien supere a la masa del mal en la máxima proporción posible. De modo que es seguro de antemano, y ello se incluye en el concepto mismo del Ser perfecto, que vivimos en el mejor mundo que puede concebirse lógicamente (KOLAKOWSKI, 2009, pp. 20-21).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Até mesmo uma explicação teodiceica sobre o problema da conciliação entre Deus e o mal milita a favor do Cristianismo, haja vista que:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Quanto à existência do mal no mundo, Craig disse: “Jamais foi demonstrada qualquer inconsistência lógica entre os dois enunciados Deus existe e o mal existe. Além disso, ele acrescentou, em um sentido mais profundo, a presença do mal “na verdade demonstra a existência de Deus, pois sem Deus não haveria qualquer fundamento [moral] para chamar algo de mal” (CRAIG, 2011, p. 11 [Prefácio de Lee Strobel]).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>Enfim,<strong> </strong>a Teologia cristã contribui significativamente na área da espiritualidade, a qual repousa em bases verídicas e confiáveis em todos os aspectos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">                 Isso porque não se trata de uma crença cega e limitadora do crescimento intelectual, emocional, sapiencial e axiológico (valores). Antes, ela potencializa tais atributos levando o ser humano a um crescimento substancial de suas faculdades.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A espiritualidade cristã se diferencia das demais por fornecer bases empíricas observáveis de transformação interior do indivíduo, que passa a ser protagonista de sua história e entende o seu papel no mundo e o significado mais profundo de sua existência.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Além da imortalidade já citada, o Cristianismo preconiza os parâmetros para uma vida com sentido e propósitos. A partir da relação Deus-homem é possível estabelecer uma existência com profunda significação. A mera duração e&nbsp;ininterruptibilidade da existência, não é por si só, garantia de felicidade, significado e propósito:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Porém, é importante perceber que o homem precisa mais do que apenas imortalidade para sua vida fazer sentido. A mera duração da existência não faz com que a existência tenha um sentido. Ainda que a raça humana e o universo pudessem existir para sempre, se Deus não existisse, a existência continuaria a não ter um sentido último (CRAIG, 2011, pp. 35-36).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Assim, sob os vetores da transcendência espiritual, epistemologia e axiologia, a Fé e Teologia Cristã projetam-se como o epicentro da revelação divina, sendo por todos os argumentos apresentados a Religião que mais contribuiu e pode contribuir ao desenvolvimento humano e social, do ponto de vista teórico e pragmático.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3. Monoteísmo e Religiões do Livro (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo) &nbsp; </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tem-se que as três maiores religiões monoteístas são Judaísmo (Palestina), Cristianismo (Oriente) e Islamismo (Arábia). Por monoteísmo compreende-se a crença em um único Deus transcendente, que é onipresente, onipotente e onisciente, criador de todo o universo e tudo o que este contém.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Judaísmo e Cristianismo possuem, por óbvio, diversos traços comuns, tendo este nascido a partir daquele. O monoteísmo judaico-cristão é da mesma essência, haja vista referir-se ao mesmo e único Deus. A diferença está na operação divina, cuja tratativa mudou do polo judaico (ação nacional) à igreja (ação internacional), como extensão do seu projeto soteriológico, que é de cunho global.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Bíblia no Velho Testamento declara o monoteísmo original e pretendido aos homens. Mais tarde a ênfase na existência de um único Deus é confirmada na lei mosaica. Assim: “E disse Deus: façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1:26); “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20: 2-3) e “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Deuteronômio: 6:4).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A fórmula “façamos” inserida textualmente no plural designa uma unidade divina não absoluta, mas composta, tendo em vista que a glória e magnificência do único Deus é compartilhada por três pessoas distintas, a saber: Pai, Filho e Espírito Santo. Tal dedução lógica decorre da análise textual do Velho e Novo Testamento em que às três pessoas é atribuída prerrogativas e credenciais divinas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O termo hebraico “ELOHIM”, com sua referência a uma pluralidade de pessoas, tem sido objeto de diversas interpretações e críticas, perdendo-se em um espiral hermenêutico e ideológico:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Também disse Deus: Façamos o homem</strong>. A primeira pessoa no plural, “nós” (subentendido), tem sido interpretada de vários modos: 1. Os críticos opinam que o autor sagrado voltou a uma terminologia politeística, se não a noções politeístas. No épico babilónico da criação, Marduque, antes de criar o homem, envolveu Ea em seu desígnio. As cosmogonias antigas sempre envolveram <em>deuses</em>. 2. Outros pensam que esse “nós” alude ao plural, Elohim, no vs. 1, supondo que temos aqui o plural de majestade ou magnificação, que nada teria que ver com “deuses” ou outros poderes criadores em potencial. 3. Aqui, tal como no vs. 1, o nós, para certos teólogos cristãos, torna-se uma referência trinitariana. Ver os comentários sobre <em>Elohim</em>, no vs. 1, que esclarecem essa questão. 4. Outros supõem que os anjos, que também são chamados <em>elohim</em> no texto hebraico, estejam envolvidos na questão, como agentes da criação. É provável que os anjos (quando delegados por Deus) exerçam poderes criativos; mas não é provável que o autor sacro tivesse isso em mente ao usar a primeira pessoa do plural. Teólogos judeus posteriores apegam-se a essa interpretação do versículo. 5. Ou então, a exemplo de Sal. 43.3; 89.14 e 147.18, temos aqui uma espécie de hipostatização dos atributos divinos, o que nos fornece uma pluralidade. 6. Ou ainda, temos aqui apenas um <em>nós</em> editorial, sem nenhum sentido especial. 7. Maimônides brinda-nos com a curiosa idéia de que Deus tomou conselho com a terra, que haveria de suprir o corpo físico do homem. Mas Isa. 40.13 ensina que Deus só toma conselho consigo mesmo. Cf. com Jó 35.6; Sal. 149.2 e Ecl. 12.1, trechos que, no hebraico, mencionam criadores, no plural (CHAMPLIN, 2001a, p.&nbsp;15) (grifo do autor).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>Entretanto, as evidências internas em todo seu contexto remoto dão conta de que o cenário humano descrito nas Escrituras Sagradas recebem atuação e intervenção de três pessoas distintas, as quais agindo de comum acordo ostentam determinadas qualidades e características divinas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ademais, a expressão “nossa” tomada em seu contexto imediato aponta claramente que o escritor de Gênesis tinha em mente a ideia de que a criação do homem era conforma a imagem e semelhança do próprio e único Deus, descartando-se as interpretações politeístas, angelicais ou orgânicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No capítulo 1:26 é dito “façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”, e o versículo 27 diz “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>Portanto, dois pontos fulcrais são enfatizados nesse excerto bíblico, o primeiro é de que Deus é uma unidade composta por três pessoas distintas, mas iguais em essência e substância e harmônicas, e segundo, o ser humano é formado à partir da imagem divina. Conclui-se que em glória, majestade, poder e essência Deus é Uno; e em pessoalidade Ele é Trino.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Conforme o ensino geral das Escrituras:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O Deus revelado nas Escrituras não tem semelhantes nem rivais. No entanto, o Antigo Testamento apresenta vislumbres e alusões à maravilhosa verdade da Trindade, uma verdade que mais tarde seria claramente revelada por Cristo e pelos apóstolos no Novo Testamento. As declarações na terceira pessoa do plural encontradas em Gênesis (Gn 1:26; 3:22; 11:7; ver também Is 6:8) indicam que as Pessoas Divindade trabalham juntas, e as diversas ocasiões em que “o Anjo do Senhor” entrou em cena, mostram a presença do Filho de Deus (ver Gn 16:7-11; 21:17; 22:11, 15; 24:7, 40; 31:11; 32:20-24; Êx 3:1-4 com At 7:30-34; 14:19; 23:20-26; 32:33 &#8211; 33:17; Js 5:13ss; Jz 2:1-5 e 6:11 ss). O Messias (Deus, o Filho) fala de si mesmo, do Espírito e do Senhor (Pai) em Isaías 48:16, 17 e 61:1-3; e o Salmo 2:7 declara que Jeová tem um&nbsp;Filho. [&#8230;] Apesar de a palavra “trindade” não aparecer em parte alguma da Bíblia, a doutrina certamente está presente, oculta no Antigo Testamento e revelada no Novo (WIERSBE, 2006, p. 10).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tangente ao Islamismo, preconiza-se um monoteísmo absoluto, unitarista, sendo Maomé considerado como o profeta e Alá (ALMEIDA, 2007, pp. 1369-1370). </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>O ensino monoteístico é de grande monta, servindo de freio doutrinário ao politeísmo e fundamentando-se em bases sólidas o propósito e vontade divinos aos seres humanos, bem como serve de fundamento transcendente e metafísico à toda eticidade e moralidade humana, além de contribuir à uma correta e ajustada epistemologia teológica.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Judaísmo, Cristianismo e Islamismo são consideradas como as religiões do “Livro” porque a expressão máxima de sua crença, ensino, liturgia, moralidade e espiritualidade estão registrados em seu livro sagrado, de modo a impedir distorções e assim, se garantir maior segurança doutrinária.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os judeus sempre tiveram a preocupação de ter registrado positivamente em um livro o conjunto de verdades fixamente estabelecidas de sua doutrina a fim de dirimir dúvidas, auxiliar o cumprimento integral dos dispositivos e combater erros e falácias que se contrapõem ao que receberam diretamente de Deus.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A positivação das normas religiosas, ética e morais, sociais e ritualísticas em uma Escritura garante unidade, autoridade, validade e praticidade, além de ser garantia de que referidas normas não se perderão no decurso do tempo ou sofrer diluências e influências oriundas da tradição, interpretação, costumes e lapsos de memória.</p>



<p class="wp-block-paragraph">                 O Livro Sagrado dos Judeus é a Torá ou Pentateuco, referência aos cinco primeiros livros mosaicos e que possuem centralidade no ensino religioso judaico.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Há que se notar que todo o Velho Testamento compõe a “Escritura” ou os “escritos sagrados” para o judeu ortodoxo, os quais são divididos em três seções, a saber: <strong>a.</strong> <strong>Lei (Torá)</strong> (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio); <strong>b.</strong> <strong>Profetas </strong>(Nebhiim) compostos por oito livros: Primeiros Profetas (Josué, Juízes, Samuel e Reis) e Últimos Profetas (Isaías, Jeremias, Ezequiel e os doze profetas condensados em um só: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias) e <strong>c.</strong> <strong>Escritos </strong>(Kethbhim): 11 livros: Livros Poéticos (Salmos, Provérbios, Jó, Cantares de Salomão, Rute, Lamentações, Ester e Eclesiastes), Livros Históricos: Daniel, Esdras, Neenias e Crônicas (DUFFIELD e CLEAVE, 2000, p. 3). </p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Portanto, o Livro Sagrado do Judaísmo, que serve de unidade doutrinária e de cunho inspirativo divino, é composto de 39 livros, conjunto chamado de Tanakh (Bíblia Hebraica).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A herança de escritos sagrados é ligada diretamente por Deus ao seu povo, Israel, para que este servisse de modelo e bênção ao mundo inteiro:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Deus chamou Israel a fim de que servisse de bênção para todo o mundo, e, por causa de Israel, temos o conhecimento do verdadeiro Deus, a Palavra de Deus em sua forma escrita e, acima de tudo, o Salvador Jesus Cristo (WIERSBE, 2006, p. 84).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>Desse modo, o Livro Sagrado para Israel se torna o parâmetro de sua vida histórica, religiosa, axiológica, política, jurídica, econômica e social, sendo documento legítimo, revestido de autoridade, suficiência e perfeição:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">VII. A suficiência e a perfeição das Escrituras não consistem em condenar nominalmente todos os erros e heresias, mas somente em anunciar claramente todas as doutrinas positivas. Pois, como o certo é em si mesmo obrigatoriamente a pedra de toque (toda verdade necessária estando nitidamente estabelecida), os erros que se lhe opõem são rejeitados (TURRETINI, 2011. p. 83).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No que se refere ao corpo doutrinário do Judaísmo, este é centralizado principalmente na observação à Lei, esta tomada tanto em sentido mosaico (stricto) quanto no sentido abrangente de todos os demais livros (lato), sendo que o padrão de vida agradável a Deus é o cumprimento desses preceitos:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A despeito do que certos cristãos digam ao contrário, o judaísmo, porém, sempre foi um caminho de obras humanas, e a obediência à lei era o padrão absoluto dessas obras. Até mesmo no livro de Salmos e nos Profetas não há nenhuma descrição clara acerca do que está envolvido na vida além-túmulo, exceto que são prometidas a miséria para os pecadores e a felicidade para os justos (ALMEIDA, 2007, p. 1367).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A problemática subjacente no corpo doutrinário judaico é que a ênfase da mudança de vida e a salvação parecem estar totalmente arraigadas em um perfil meritório próprio do indivíduo e à parte de qualquer ação divina.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O legalismo lastreado na mera obediência humana aos preceitos divinos&nbsp; desconsidera a impossibilidade do ser humano em se autorreformar ou salvar-se por si mesmo, bem como o verdadeiro significado da lei, a saber, revelar a natureza pecadora do homem, para em seguida apontar para os meios suficientes e necessários à regeneração e salvação (II Coríntios 3:6; Gálatas 3: 1-29 e 5:22-23).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No Novo Testamento o sacrifício vicário e perfeito de Jesus inaugura a dispensação da graça divina anunciando o perdão, regeneração e salvação mediante o binômio graça-fé (Gálatas 4: 4-7 e Efésios: 2:8).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A seu turno, o Islamismo adota como livro sagrado o Alcorão, cujo sentido é “leitura” ou “lição”, e seu conteúdo, segundo a tradição, teria sido ditado pelo anjo Gabriel a Maomé:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>ALCORÃO</strong> A palavra vem do árabe Quran, da palavra cognata qara&#8217;a, que significa “ler”. O sentido resultante é <em>leitura</em> ou <em>lição</em>. Trata-se do Livro Sagrado do islamismo, tido como eterna palavra de Deus, e que o arcanjo Gabriel teria entregue a Maomé (ver o artigo a seu respeito), em 622 D.C. Após haver chegado em Medina, Maomé começou a ditar os seus oráculos a um discípulo, à medida que lhe iam sendo revelados. O termo <em>Quran</em> a princípio foi aplicado a cada revelação, ao ser anunciada pelo profeta, mas, eventualmente, o termo foi dado ao livro inteiro compilado apôs a morte de Maomé, por seu secretário, Zaid Ibn Thabit, por ordem do califa Abu Bekr. [&#8230;] Os redatores arranjaram a obra em capítulos, ou suras, os mais longos no princípio e os mais breves no fim do livro. Esse arranjo, pois, ignora a lógica e a cronologia. Há 114 suras, totalizando cerca de 77.638 palavras. [&#8230;] O livro foi escrito em árabe clássico, tendo-se tornado modelo de outras variedades literárias, como ciências, filosofia, ética, etc. (CHAMPLIN, 2001b, pp. 99-100) (grifo do autor).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Referido livro apresenta lições de cunho espiritual, moral, cerimonial e leis civis, e dentre os preceitos religiosos contidos há vigoroso combate à idolatria e deificação dos homens. Seu escopo é traçar orientações aos piedosos que creem nos mistérios da fé e sua autoridade é postulada como acima da crítica, inerrante, afirmando-se existir o texto original no céu, do qual o exemplar terreno é apenas uma cópia física (CHAMPLIN, 2001b, p. 100).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em seu prefácio o livro sagrado muçulmano afirma a unidade indivisível: “A maior ênfase conferida neste livro é sobre a Unidade de Deus, a qual não é nunca divisível nem multiplicável. [&#8230;] O conceito de Trindade e filiação (sic) é categoricamente rejeitado pelo Sagrado Corão. Deus não teve esposas nem descendentes” (AHMAD, 1988, p. 5).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;De modo positivo, o livro assinala o propósito último do homem, que é adorar a Deus, afirma a sua dignidade ímpar, além de condenar as estruturas socioculturais hierárquicas, além de repreender a compulsão na religião (AHMAD, 1988, p. 7).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No aspecto negativo, há menção de que o amor de Allah é baseado na reciprocidade, sendo que ele não ama aqueles que são incrédulos:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Capítulo 3, Fascículo 3 (Al – ‘IMRÃM). 32. Dizei, ‘Se vós amais Allah, segui-me: então Allah vos amará e perdoará as vossas faltas: e Allah é Generoso, Misericordioso’. 33. Dizei, ‘Obedecei a Allah e ao Seu Mensageiro’; mas se eles se afastarem, então <em>recordai</em> que Allah não ama os incréus (AHMAD, 1988, pp. 51-52).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;E, ainda, no prefácio editorial, consta que: “Os ensinamentos do Sagrado Corão cobre todas as esferas do interesse humano e atividades como um completo sistema religioso, social, econômico, e sistema moral que pode ser universalmente praticado” (AHMAD, 1988, p. 7).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tangente às doutrinas islâmicas, estas projetam a salvação tanto na crença subjetiva em Alá quanto na centralidade das boas obras humanas e seus ritualismos. Contudo, deve ser observado o caráter eletivo e seletivo dessa religião, segundo os critérios de Alá, cuja soteriologia está calcada na predestinação. Já o castigo eterno é composto de um juízo em fogo eterno:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Islamismo</strong> Faz muitos empréstimos, tanto do judaísmo quanto do cristianismo. Um dos conceitos básicos dessa fé é escapar do julgamento de Alá, um juízo que consiste em chamas eternas. A salvação depende das boas obras, da conformidade com a fé religiosa islâmica, da realização de suas provisões, dos ritos especiais, etc. A crença também é importante para a salvação: crê em um monoteísmo absoluto, tendo Maomé como o profeta de Alá, o autor do Alcorão. Contudo, a salvação depende de uma eleição feita por Alá. Os eleitos, portanto, agirão como bons muçulmanos. Na seita <em>Shira </em>do islamismo, a salvação é enfatizada por meio da fé. O “após-vida” (na salvação) é um lugar agradável, com prazeres, lazer e bem-estar (ALMEIDA, 2007, pp. 1369-1370).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A crítica à doutrina do Islã é que sua revelação e seus conceitos de “verdade” e “completude” arrogam a pretensão de esgotar em si tudo o que o ser humano necessita conhecer e fazer.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Inequívoco que a catalogação escrita de ensinamentos em um livro traz segurança e preservação, todavia o texto é estático e a vida é dinâmica, e, portanto, um único livro, ainda que sagrado, não pode e nem deve pretender prever todos os desdobramentos da vida. Ele explana o essencial para que o indivíduo moldado por uma nova consciência se ajuste aos padrões de espiritualidade, eticidade, moralidade e de justiça, dentro da dinâmica existencial e social.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;E, se a vida e o universo são extremamente complexos e maiores que a mente humana, não se deve olvidar que Deus é infinito para que caiba dentro de uma revelação, a qual seja verbal, experiencial ou escriturística, tem limites definidos. A própria palavra “infinito” limita Deus em seu significado semântico, pois produzida pelo dialeto humano, não pode abarcar a infinitude divina em sua realidade ontológica:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Também não é possível que um único livro, ou uma coletânea, contenha toda a verdade de Deus. Continua sendo labor do Espírito conduzir-nos a toda a verdade. Em conseqüência, devemos respeitar as revelações, mas não podemos pô-las no lugar do próprio Deus Todo-Poderoso, o qual é maior que qualquer uma ou que a soma total de Suas revelações. Além disso, também devemos afirmar que a revelação não é o único meio através do qual obtemos conhecimento, sagrado ou profano. Há outros meios válidos de obtenção de conhecimento, mediante os quais chegamos a conhecer a Deus e às obras. Podemos buscar o conhecimento através do método empírico, conforme nos mostra a ciência. A intuição e a razão são meios frutíferos de obtenção de conhecimento. Tudo isso é criação e dom de Deus, e tudo pode ser útil na investigação dos variados aspectos da verdade de Deus. O homem é um ser temporal e finito. Portanto, ele busca sofregamente pontos finais e conforto mental (CHAMPLIN, 2001b, p. 100).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Conclui-se que as contribuições alcorânicas, registradas em seu documento sagrado, são claramente limitadas a poucos preceitos, quais sejam: reconhecer a dignidade humana, as relações de igualdade e alguns traços importantes da religião. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; No que toca ao Cristianismo – corte epistemológico do tema Religião –, sua obra literária (Bíblia) é a mais conhecida, lida, pesquisada, criticada e valorizada na história da humanidade.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Cânon Sagrado cristão (conjunto de sessenta e seis livros [na vertente protestante] e divididos em dois testamentos: antigo e velho) é a regra de fé e prática do Cristianismo. Trata-se da maior riqueza literária da humanidade, tendo em vista seus preceitos, valores, ensinamentos, conhecimentos, registros e promessas transcendentes e eternas, que perpassam mais de dois mil anos de história, desde o Novo Testamento:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Nenhum livro da história da humanidade jamais produziu um efeito tão revolucionário, exerceu uma influência tão decisiva no desenvolvimento de todo o mundo ocidental e teve uma difusão tão universal como o “Livro dos Livros”, a Bíblia. Ela está hoje traduzida em mil cento e vinte línguas e dialetos e, após dois mil anos, ainda não dá qualquer sinal de que haja terminado a sua triunfal carreira (KELLER, 1992, p. 19).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No quesito da etimologia:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A palavra portuguesa Bíblia vem do grego, bíblia, que é o plural de bíblion, “livro”. Portanto, significa “livros”. Essa palavra deriva-se originalmente da cidade fenícia de Biblos (no Antigo Testamento, Gebal), que era um dos antigos e importantes centros produtores de papiro, o papel antigo. Com o tempo, esse vocábulo terminou sendo usado para designar as Sagradas Escrituras. A palavra grega bíblos significa um livro, um escrito qualquer, tendo mesmo servido para indicar o livro da vida, como se vê em Apo. 3:5, isto é, um livro sagrado (CHAMPLIN, 2001b, p. 527).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A formação do cânon cristão completo é fruto de um processo histórico, que à semelhança de sua inspiração interna, desenvolveu-se sob o direcionamento divino até chegar na coleção completa como se tem hoje, aceita pela cristandade como regra de vida, fé e prática. Seu valor não está adstrito apenas ao contexto dos que creem, mas é fonte de ensinos religiosos e éticos de toda uma civilização:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A palavra <em>Bíblia</em>, mediante um desenvolvimento histórico divinamente dirigido, segundo cremos, veio a designar o Livro dos livros, as Escrituras Sagradas, compostas do Antigo e do Novo Testamentos, a principal fonte de ensinamentos religiosos e éticos de nossa civilização (CHAMPLIN, 2001b, p. 527).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Evidências apontam que nos dias de Jesus o Cânon Sagrado já estava completo, inobstante existirem duas teorias principais a respeito dos respectivos períodos de canonização:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A palavra “cânon” vem do grego <em>kanon</em>, significando uma “cana” ou “vara de medir” e indica uma regra ou norma. Assim sendo, o cânon da Bíblia consiste naqueles livros considerados com mérito para serem incluídos nas Sagradas Escrituras. [&#8230;] George L. Robinson [&#8230;] conclui (segundo a divisão tripla do Antigo Testamento hebraico) que os livros da Lei foram reconhecidos nos dias de Esdras (444&nbsp; A.C.); que os profetas foram reconhecidos como tal algum tempo depois (cerca de 200 A.C.); e que os Escritos receberam autoridade por volta de 100 A.C. Robinson não afirma que houvessem três cânones separados, mas que “havia três classes separadas de Escritura, que entre 450 e 100 A.C. se mantinham sem dúvida em bases diferentes e só gradualmente passaram a ter autoridade. Outros letrados se apegaram à crença de que só houve dois períodos de canonização correspondentes à “lei e aos profetas”, sendo o cânon do Antigo Testamento completado cerca de 400 A.C. (DUFFIELD e CLEAVE, 2000, pp. 7-9).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tangente ao Novo Testamento, a forma final da coleção sagrada que se nos apresenta hoje foi sendo delineada a partir de uma contextualidade prática, com misto de perseguição e apoio político, sendo referendada ao final pelo Terceiro Concílio religioso-eclesiástico da cidade africana de Cartago:&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Os livros do Novo Testamento foram escritos durante a última metade do século I A.D. A recém-formada igreja cristã usava as Escrituras do Antigo Testamento como base para a sua fé, mas, além disso, era dada grande importância às palavras de Jesus e aos ensinos dos apóstolos. [&#8230;] Um impulso adicional no sentido de formar um cânon definitivo do Novo Testamento surgiu em vista das perseguições ordenadas pelo imperador Diocleciano (302-305), que ordenou que as Escrituras fossem queimadas. Tornou-se assim necessário determinar quais livros eram considerados como Escrituras. A questão do cânon teve um significado sério e prático. Vinte e cinco anos depois das perseguições de Diocleciano, Constantino, o novo imperador, abraça o cristianismo e ordenara a Eusébio, bispo de Cesaréia e historiador da igreja, que preparasse e distribuísse 50 cópias do Novo Testamento. Foi assim necessário decidir quais livros deveriam ser incluídos. [&#8230;] Atanásio (nascido cerca de 298 A.D.), em uma de suas epístolas pastorais, menciona os 27 livros do Novo Testamento como Escritura. No terceiro concílio de Cartago (397), as igrejas cristãs ocidentais estabeleceram a forma final do cânon do Novo Testamento. Desse modo, no final do século IV, os 27 livros foram aceitos. Geisler e Nix concluem, portanto: “Uma vez que as discussões resultaram no reconhecimento dos 27 livros canônicos do cânon do Novo Testamento, não houve movimentos no cristianismo nem para acrescentar, nem para anular qualquer coisa nele” (DUFFIELD e CLEAVE, 2000, pp. 11-15).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Bíblia Sagrada, embora seja um único livro, todavia é composta por 66 livros, sendo escrita por cerca de 40 (quarenta) escritores de diferentes épocas, profissão, classe social e instrução cultural, em um período não inferior a 1.500 (mil e quinhentos) anos (DUFFIELD e CLEAVE, 2000, p. 5).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ela possui 1.189 (mil cento e oitenta e nove) capítulos e 31.173 (trinta&nbsp; e um mil cento e setenta e três) versículos, em que 929 (novecentos e vinte e nove) capítulos e 23.214 (vinte e três mil duzentos e quatorze) versículos pertencem ao Antigo; e 260 (duzentos e sessenta) capítulos e 7.959 (sete mil novecentos e cinquenta e nove) versículos compõem o Novo Testamento (DUFFIELD e CLEAVE, 2000, p. 5).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Bíblia está dividida em dois testamentos (antigo [39 livros] e novo [27 livros]), possuindo uma unidade de estrutura em que o antigo se completa no novo e este faz referência àquele. E, conforme referências internas, a metodologia escriturística se opera da seguinte maneira: o tema central é Jesus, Deus, o Autor, e o Espírito Santo, o intérprete:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Jesus respondeu: Eu lhes digo a verdade [&#8230;] Vocês estudam minuciosamente as Escrituras porque creem que elas lhes dão vida eterna. <strong>Mas as Escrituras apontam para mim</strong>. [&#8230;] Acima de tudo, saibam que nenhuma profecia nas Escrituras surgiu do entendimento do próprio profeta, nem de iniciativa humana. Esses homens foram impulsionados pelo Espírito Santo e <strong>falaram da parte de Deus</strong>. [&#8230;] Mas quando o Pai enviar o Encorajador, o Espírito Santo, como meu representante, ele lhes ensinará todas as coisas e os fará lembrar tudo que eu lhes disse. [&#8230;] <strong>Quando vier o Espírito da verdade, ele os conduzirá a toda a verdade </strong>&nbsp;(João: 5: 19, 39; 2Pedro: 1:20-21 e João 14: 26 e 16: 13) (Bíblia Sagrada Nova Versão Transformadora &#8211; NVT)&nbsp;(grifou-se).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No que se refere às fontes linguísticas utilizadas em sua configuração interna, sabe-se que há o entrosamento de dois idiomas, o hebraico para o Velho e o grego no Novo Testamento, os quais formam o pano de fundo histórico, linguístico e cultural, com a mescla de poucas citações em aramaico:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O Antigo Testamento foi escrito em hebraico, excetuando-se unicamente os trechos de Dan. 2:4 &#8211; 1:28; Esd. 4:8-6:18; 7:12-26 e Jer, 10:11, que foram escritos em aramaico. O aramaico era um dialeto semita que os israelitas adquiriram como seu idioma quando estavam no exílio, e que gradualmente foi suplantando o hebraico. Por causa de algumas poucas citações em aramaico, postas nos lábios de Jesus, sabemos que ele falava o aramaico como seu idioma natural. O hebraico antigo (clássico) era um dialeto cananeu, bem próximo do fenício e do ugarítico. [&#8230;] O Novo Testamento foi integralmente escrito em grego, excetuando-se algumas expressões usadas por Jesus e por Paulo. Algumas poucas autoridades opinam que os evangelhos sinópticos tinham um original em aramaico, mas tal idéia é rejeitada pela vasta maioria dos especialistas. Naturalmente, há até mesmo expressões hebreu-aramaicas (hebraísmos), &#8211; incluídas no texto do Novo Testamento (CHAMPLIN, 2001b, p. 529).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os conteúdos da Bíblia são de inconteste valor em diversas áreas, tais como teologia, ciência, filosofia, poesia, doutrinas axiológicas (teoria dos valores), dentre outros contributos legados à humanidade. Nisto se destaca a importância do Cristianismo, haja vista que seu livro, a Bíblia, enriquece e desenvolve as capacidades humanas, produzindo-se suprimentos à consciência, coração, intelecto e espírito humano:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A Bíblia encerra trechos de esplêndido drama, poesia, prosa histórica, filosofia, teologia e ensinamentos éticos e morais. As composições epistolares de Paulo têm poucos paralelos tão excelentes na literatura mundial. [&#8230;] Pode-se dizer que a nação de Israel era uma sociedade religiosa. Toda a cultura judaica alicerçava-se sobre a fé e a prática religiosas. Na sociedade grega, em contraste com isso, encontramos alguns poucos filósofos e legisladores preocupados e pesadamente envolvidos com as questões éticas. Todos os aspectos da vida dos hebreus eram controlados pelos preceitos da lei mosaica. O Novo Testamento aprimorou muitos dos conceitos emitidos pelo Antigo Testamento, incluindo a questão fundamental da motivação e tendo feito da lei do amor um princípio de aplicação universal no campo da ética. A Igreja herdou de Israel esse profundo respeito pelas Escrituras (CHAMPLIN, 2001b, pp. 529-530).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;É da essência da Bíblia produzir no ser humano o cultivo de uma espiritualidade sustentável (pessoal, direta e saudável). Daí que a tradição cristã legal, por meio dos dois testamentos escritos (vetero e neo), o grande ensino da conciliação entre a transcendência e a imanência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A transcendência divina no Velho Testamento, às vezes marcada por teofanias, milagres e intervenções, alcança a imanência completa no Novo Testamento. Os Evangelhos são a prova escriturística, histórica e factual da presença divina entre os homens por meio de Jesus Cristo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;É relevante e necessário que Deus seja superior, absolutamente bom, santo e afastado de toda e qualquer corrupção. Porém, é igualmente necessário que Ele estabeleça uma relação íntima e próxima, no nível do humano, fazendo-se presente de forma direta, sensível e diretiva.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para que tal fato histórico (vinda, vida, morte, ressurreição e ascensão de Jesus Cristo) não se perdesse na tradição meramente oral e cultural ou diminuísse sua força narrativa e prescritiva, os escritos evangélicos, as cartas doutrinárias e apocalíptica se reservam como fontes escritas fidedignas e autênticas de preservação e consulta pública da mensagem divina.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A doutrina cristã ensina a realidade do pecado que teve início no céu com a revolta de Lúcifer, e depois este, expulso dos céus, instigou no paraíso terrestre&nbsp; (Éden) Adão e Eva para que desobedecem a Deus, provocando-se assim, a separação entre os homens e Deus (Gênesis 3; Apocalipse 12:4,7-10).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O livro cristão descreve ainda, o amor ágape (incondicional) de Deus por suas criaturas, seus incessantes esforços de reconciliação e a elaboração e execução de seu plano soteriológico (Gênesis 3:15; João 3:16; Romanos 10:9-12 e Efésios 2:1-10).</p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Em que pese a variada gama de interpretações, a salvação é universal, estendida a todos os homens no tempo e no espaço (João 3:16).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Cristianismo também retrata o juízo eterno sobre aqueles que rejeitam o apelo divino de amor, restauração e salvação (João: 3:15-19 e Apocalipse 20:11-15). &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Na qualidade de “Religião do Livro” o Cristianismo disponibiliza à humanidade, nos hemisférios do ocidente e oriente, de modo escrito e compreensível, a possibilidade de desenvolvimento de uma espiritualidade profunda e inteligente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Tal contributo é relevante, haja vista não faltar escrito e tradições dogmáticas-religiosas que neguem a possibilidade de algum conhecimento de Deus ou de que Ele venha até os humanos. O mérito do Cristianismo reside no fato de que seus escritos não apenas trazem a verdade da coligação transcendência-imanência divina quanto estabelece os passos à construção de um perfeito relacionamento com o sagrado, com vistas ao desenvolvimento e alcance da salvação.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nada aproveitaria aos homens a transcendência de um Ser soberano se este não fosse pessoal, bondoso e relacionável, como também seria inócua uma imanência divina que não resultasse em benefício direto à vida e ao espírito humano.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O ser humano almeja e precisa da transcendência, ou seja, estabelecer relações metafísicas com o ente divino, e assim, elevar seu espírito, como precisa igualmente desenvolver na esfera terrestre suas habilidades e realizar seu papel no mundo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Todavia, o conceito de imanência conforme os registros bíblicos é muito diferente do conceito filosófico-religioso panteísta, o qual não concebe a pessoalidade de Deus, bem como seu antropomorfismo e poder criativo, preconizando uma integração absoluta entre Deus e o universo. Assim, tudo é Deus e Deus é tudo literalmente; há uma integração e identificação absoluta entre seres e coisas. Ele está em tudo e tudo está Nele, não havendo distinção entre Criador e criatura.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por sua vez, o Cristianismo, por sua doutrina bíblica, estabelece que Deus é pessoal, criador e distinto de sua criação. Nesse contexto, a imanência significa que o Senhor habita os seres humanos que buscam comunhão com Ele; e no fato central da revelação divina que dividiu a história humana, o advento da primeira vinda de Jesus Cristo é a máxima representação da imanência divina (Isaías 7:14 e 9:6 e João 1: 1-14).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;    Portanto, tal ensino reveste-se de fundamental significado e relevância, haja vista que coloca a espiritualidade em sua perspectiva correta. Satisfaz-se assim, a necessidades prementes na alma humana, quais sejam: a comunhão genuína com o verdadeiro Deus, a busca pela verdade, o conhecimento e o desenvolvimento.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Destarte:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Como já vimos, o homem está constituído para Deus em todas as partes de seu ser. Em sua vida psíquica, moral, científica, filosófica e religiosa busca e progressivamente alcança a verdade. O agnosticismo nega todo significado a estes fatos. Para ele, o mundo não é coerente, não é um sistema unitário. Está torcido. As partes do ser não se relacionam umas com as outras. Não há alimento para satisfazer a fome do homem. Tudo isso mostra que a negação do agnóstico da possibilidade da revelação baseia-se em uma teoria não científica de conhecimento. [&#8230;] A negação panteísta da possibilidade de uma revelação sobrenatural é destrutiva, diferentemente da verdadeira vida religiosa. [&#8230;] A imanência de Deus é uma verdade grande e importante. As escrituras a reconhecem em todas as partes. Mas a transcendência de Deus é igualmente importante. A transcendência de Deus envolve sua personalidade. [&#8230;] A religião coloca o homem em comunhão com Deus em termos pessoais. Isto implica tanto a imanência como a transcendência de Deus (MULLINS, 2005, pp. 181-182).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os princípios utilizados pelos organizadores da coleção em relação a quais livros e em que posição mereceriam figurar na lista sagrada foram: <strong>a.</strong> apostolicidade (autoria de algum apóstolo ou pessoa próxima); <strong>b.</strong> conteúdo espiritual (teste prático devocional e de edificação); <strong>c.</strong> exatidão doutrinária (padrão de justeza em relação ao ensino correto vigente, coerência e contraposição às doutrinas heréticas e controversas); <strong>d.</strong> aceitabilidade universal eclesiástica (reconhecimento amplo nas igrejas e pela patrística); <strong>e.</strong> inspiração (teste fundamental a que todos os demais pontos deviam convergir, provando ser o livro produto da criação divina transmitida aos homens via inspiração) (DUFFIELD e CLEAVE, 2000, p. 15).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;À Bíblia é atribuído o conceito de inerrância, proposição lógica e evidente, tendo em vista ser considerada como um produto da mente de Deus. O selo de autoridade que confere a máxima elevação espiritual, moral, intelectual e sapiencial às Escrituras decorre do fato objetivo de que é inspirada diretamente por Deus.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Deve ser mencionado que o conceito de “infalibilidade escriturística” se aplica aos textos originais, os quais se perderam no decorrer dos séculos. Todavia, a crítica textual assegura a confiabilidade plena na Bíblia pelos critérios: <strong>1.</strong> Quantidade de manuscritos disponíveis (cerca de 5700: oferece maior suporte textual para colação e correção); <strong>2.</strong> Baixa distância entre as cópias e o texto original (cerca de três séculos de distância, período relativamente baixo quando se compara a obras seculares, as quais geralmente se distanciam de seus originais com mais de mil anos (PAROSCHI, 1993. p. 18); <strong>3.</strong> Colação (comparação entre os textos para averiguação do melhor resultado, critério que tem fixado a boa qualidade e autenticidade dos manuscritos sagrados; <strong>4.</strong> Coerência estrutural doutrinária (evidência interna a mostrar que todo seu conteúdo é logicamente concatenado e coeso, mantendo-se um padrão de ensino, o qual é perfeitamente compatível com uma espiritualidade e ética e moral objetivamente adequadas; <strong>5.</strong> Suporte científico (conteúdo confirmado por pesquisadores de diversos ramos científicos, história, arqueologia, papirologia, geografia, paleontografia, etc.); <strong>6.</strong> Variantes (sejam as acidentais ou intencionais, estas não afetam a estrutura doutrinária como um todo, tratando-se apenas de mudanças periféricas cometidas por copistas); <strong>7.</strong> Capacidade de Reconstrução Textual (embora os originais tenham se perdido, a quantidade de cópias disponíveis e confiáveis do Novo Testamento permitem uma reconstrução textual completa abrangendo-se todos os livros neotestamentários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;  Por isso, a confiabilidade e infalibilidade bíblica decorrem de sua própria estrutura interna, sendo sua “inerrância” tão somente uma dedução lógica decorrente dos próprios textos sagrados. Destarte, tangente sua autenticidade e integridade:&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Enfim, embora dispondo apenas de cópias posteriores, podemos citar o veredicto pronunciado por Sir Frederic G. Kenyon, destacado estudioso da primeira parte deste século e grande autoridade em mss. antigos: O intervalo, então, entre as datas da composição original e a mais antiga evidência subsistente torna-se tão reduzido de sorte que é praticamente desprezível, e o derradeiro fundamento para qualquer dúvida de que nos hajam as Escrituras chegado às mãos substancialmente como foram escritas já não mais persiste. Tanto a autenticidade quanto a integridade geral dos livros do NT podem considerar-se como firmadas de modo absoluto e final (PAROSCHI, 1993. pp. 18-19).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quanto às cópias, a falta dos manuscritos autógrafos (originais), os quais dificilmente sobreviveriam ao lapso e intempéries do tempo, não afeta a credibilidade da Bíblia. E, a falibilidade humana, que resultou em determinados erros dos copistas, os quais são de pequena monta, não afetam sua estrutura principal, tampouco desautoriza o uso do termo “inerrância”.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A inexistência dos autógrafos e a existência de referidos erros escribais são reconhecidos pela crítica textual:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A razão para a perda prematura dos autógrafos neotestamentários certamente foi a pouca durabilidade do material em que, conforme o uso da época, escreviam-se livros e cartas: o papiro, o qual não era mais durável que nosso moderno papel. Muito provavelmente, os mss. originais do nt foram lidos e relidos pelos cristãos apostólicos até se desfazerem por completo e literalmente caírem aos pedaços. Seja como for, perderam-se todos. [&#8230;] As cópias dos autógrafos, por sua vez, converteram-se em originais no que diz respeito a outras cópias, e assim sucessivamente. Durante esse processo de cópias e recópias manuais, que se estendeu por 14 séculos até a invenção da imprensa, inevitavelmente muitos e variados erros foram cometidos, resultado natural da fragilidade humana (PAROSCHI, 1993. pp. 15-16).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Entretanto, conforme já mencionado, referidos erros não afetam a integridade da doutrina, autoridade e autenticidade autógrafa da Bíblia. A quantidade de manuscritos existentes é um fator altamente positivo, embora possa aumentar a incidência de erros no processo de transcrição textual.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Inobstante a quantidade de manuscritos favorecer o aumento do índice de erros comuns de transcrição, oferece também maior base para correção desses erros mediante a comparação (colação), sendo a margem de dúvida em relação a cópia e o texto autógrafo (original) marcadamente reduzida (PAROSCHI, 1993. pp. 19).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Paroschi afirma que a elevada quantidade de textos neotestamentários existentes oferece muito mais apoio textual que qualquer outro livro antigo, à semelhança de Homero, Platão, Cícero ou César, e outros (1993, p. 19).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No que toca às variantes (mudanças acidentais ou intencionais), estas são insignificantes à estrutura, integralidade, originalidade e confiabilidade doutrinária do Novo Testamento:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">É opinião unânime entre os críticos textuais que não possuímos nenhum ms. que tenha preservado sem nenhuma variação o texto original dos 27 livros do NT, nem sequer de apenas um deles. [&#8230;] Apesar das enormes dificuldades advindas desse fato, devemos notar que quase a totalidade das variantes diz respeito a questões de pouca ou nenhuma importância (PAROSCHI, 1993. p.&nbsp;20). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, erros e variantes são ações pertinentes ao próprio labor e capacidade limitada do ser humano, sendo que no caso dos textos bíblicos, tais ações são irrelevantes, não comprometendo a originalidade do texto, nem a pureza doutrinária da mensagem.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Com respeito à metodologia divina de produção do texto, há diversas teorias que procuram explicar a semântica do conceito de inspiração. Internamente a própria Bíblia declara sua inspiração direta de Deus:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça (II Timóteo: 3:16). Por isso também damos, sem cessar, graças a Deus, pois, havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade), como palavra de Deus, a qual também opera em vós, os que crestes (I Tessalonicenses 2:13).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A “priori”, cumpre distinguir os significados dos termos teológicos: “Revelação”, “Inspiração” e “Iluminação”. O primeiro é o ato de Deus comunicar diretamente ao homem verdades desconhecidas, absolutamente indisponíveis em outras fontes; o segundo está relacionado com a comunicação desta verdade, no sentido de que ao se difundi-la, a mantenha-se pura, impedindo-se o cometimento de erro de verdade ou de doutrina; por fim, o terceiro é a capacidade recebida de Deus para se entender e compreender as coisas de Deus (DUFFIELD e CLEAVE, 2000, pp. 23-24).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Destarte, o conceito liberal de “inspiração” preconiza que a Bíblia “contém” a Palavra de Deus. Assim, ela mescla palavras divinas e humanas. Para os neo-ortodoxos, a Bíblia possui muitos mitos, imperfeições e erros humanos, mesmo nos originais, porém, ela se “converte” na Palavra de Deus quando este confronta o homem com sua palavra Perfeita. Ela se torna uma revelação mediante a interpretação adequada em que o indivíduo é confrontado com o amor ágape apresentado no mito. A teoria conservadora possui três vertentes, a do “ditado verbal” (inspiração mecânica), em que absolutamente tudo é ditado por Deus, sem espaço a uma estilografia subjetiva; a vertente do “conceito inspirado”, o qual Deus fornece os pensamentos aos homens e estes, por sua vez, os registram com suas próprias palavras; e a terceira corrente chamada de “conceito verbal e de inspiração plena”, a qual sustenta que todas as palavras escritas são inspiradas por Deus (2 Tm 3:16). Deus guiou a própria escolha das palavras respeitando-se a personalidade, estilística e culturalidade dos escritores (DUFFIELD e CLEAVE, 2000, pp. 26-29).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tem-se que, conforme evidências internas e objetivas, a Bíblia é a própria palavra divina, confiável, verdadeira, inerrante e infalível, apesar do elemento humano.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CAPÍTULO 3: PERSPECTIVA DEONTOLÓGICA DA RELIGIÃO CRISTÃ </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1. Religião Cristã e Axiologia </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Axiologia é a Teoria dos Valores, em Filosofia ela estuda os valores, juízos de valor, os quais são de inconteste relevo na ordem das relações humanas e sociais. O termo “valor” remete à ideia de algo que vale por si mesmo, tem caráter objetivo e não está preso ao tempo, embora no espaço a noção de “valor” possa variar de cultura para cultura.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>Entretanto, há um conjunto de valores que recebem a classificação de serem “objetivos”, haja vista que valem independentemente da subjetividade, ou seja, do pensamento do sujeito. Embora não possam (ou não devam) ser chamados de “universais”, pois embora valha para toda e qualquer cultura no tempo e no espaço, não são aceitos por todos. Mas, seu caráter objetivo não está preso à atribuições subjetivas, sociais e culturais externas, tendo em vista que o “valor” tem sua própria substância, ou seja, medida, significado, mérito, elevação, grandeza e virtude intrínsecos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A </strong>Axiologia vai tratar de um conjunto de valores extremamente importantes, a saber: amor, verdade, ética, moral, justiça, solidariedade, humildade, respeito, honestidade, empatia, paz, dentre outros.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>No contexto religioso cristão, a Axiologia é estabelecida a partir das ordenanças e estatutos divinos, sendo catalogada na Palavra de Deus, valendo-se em todos os tempos e lugares. A implementação do caráter divino no coração humano engendra uma nova personalidade calcada na santidade, integridade, retidão, justiça, verdade, amor e fé.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>O apóstolo Paulo em missiva à igreja da Galácia, que ficava na Ásia Menor, território hoje correspondente à Turquia, contrapõe as condutas seculares aos valores bíblicos, estabelecendo qual é a conduta a ser praticada pelo cristão.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A expressão “obras da carne” refere-se a um conjunto de sentimentos, desejos e práticas que fazem oposição ao que ele designa como “fruto do Espírito”, o qual expressa “novo nascimento”, restauração, conversão, nova personalidade, moldada sob a égide divina.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>A teologia paulina, diferente de diversas religiões, as quais não requerem mudanças no modo de ser do indivíduo, estabelece um “modus vivendi” totalmente lastreado no amor, santidade, eticidade, paz e demais valores cristãos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desse modo:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito (Gálatas 5: 19-25).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O advento da queda no jardim do Éden (Gênesis 3) corrompeu os sentidos, consciência, inteligência, vontade e os sentimentos humanos, cujas consequências se observam ao longo da história, haja vista que as condições precárias de existência muito se derivam de uma coração degenerado, fazendo prevalecer o egoísmo, ganância, cobiça, inveja, perversidade, etc.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Daí que a criação do Estado com seu ordenamento político-jurídico tenta pôr um freio aos instintos mais primitivos e malévolos do ser humano, numa tentativa de se criar uma sociedade mais tolerante, pacífica e desenvolvida possível.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>A Axiologia bíblica pretende instalar o Reino de Deus a partir da internalização (conscientização) da norma, produzindo-se mudanças éticas substanciais no indivíduo. Isso porque, por si só, o ser humano não consegue praticar o amor e a justiça, tornando-se um ser altruísta em sua essência.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na pós-modernidade há a caracterização de diversas distopias em que ora se rejeita os valores objetivos (imoralidade); ora os neutraliza (amoralidade), ou os seculariza (desvinculação de um fundamento teológico).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sobrevém-se a crítica, sobretudo dos pós ou modernistas, de que a moral é superior à religião, e, portanto, não deve de modo algum estar a esta vinculada. A esse respeito, Gilles Lipovetsky, filósofo francês, escreve:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Dissociar a moral das confissões religiosas, concebê-la como uma ordem de coisas independente e universal, reportando-se apenas à condição humana e superior às demais esferas, sobretudo a religiosa – esse processo de secularização da ética, desencadeado a partir do século XVII, foi inequivocamente uma das manifestações mais significativas da cultura democrática moderna (2005, p. 2).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A ideologia modernista é criar uma ordem política, jurídica e econômica com uma moral que independa de uma fundamentação teológica, secularizada, suficiente e autossuficiente. Nesse sofisma entende-se que o ser humano é perfeitamente capaz de gerar um modelo de vida com justiça, justiça social, paz e desenvolvimento, sem se submeter ao império da Religião.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">                 Entrementes, quando se faz um recorte crítico-reflexivo da realidade,&nbsp;mormente, o caso brasileiro, observa-se que, inobstante os ordenamentos político e jurídicos afirmarem a busca e a relevância dos valores, no entanto, há uma distância abismal entre teoria e prática axiológica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Cite-se como exemplo a política brasileira, a qual por meio dos congressistas elaboraram o texto constitucional de 1988, pondo-se fim a um ciclo ditatorial e inaugurando um tempo respaldado pela democracia. No preâmbulo se consta:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a <strong>igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos</strong>, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, <strong>sob a proteção de Deus</strong>, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Há que se destacar que pretendeu-se erigir uma ordem calcada em valores como a igualdade e a justiça como valores supremos, invocando-se ainda, a proteção de Deus.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Carta Magna brasileira ainda preconiza dois fundamentos relevantes, quais sejam a dignidade da pessoa humana e o desenvolvimento nacional (artigo 1º, III e 3º, II). E no artigo 37, “caput”, há a determinação de que a Administração Pública, em suas esferas federal, estadual e municipal, deve pautar suas atividades, dentre outros, pelos princípios da moralidade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No entanto, a realidade sociopolítica e jurídica brasileira é marcada pela corrupção sistêmica, poucas políticas públicas e baixa efetividade do ordenamento jurídico. Há mais força simbólica que efetiva da Constituição Federal sobre a vida social. Nota-se a baixa constitucionalidade (ausência ou parca efetividade) nos direitos e garantias fundamentais insculpidos no rol do artigo 5º, em que se destacam os direitos de propriedade e sua função social (XII e XIII); presunção de inocência (LVII) e razoável duração processual (LXXVIII); e nos direitos sociais do artigo 6º, “caput”, em que se hospedam os direitos à saúde, educação, alimentação, trabalho, etc.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No artigo 170, “caput”, da Carta Política se assevera que: “A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">                 Um corte epistemológico na realidade concreta permite observar que referidos princípios não encontram o devido respaldo, tendo em vista que a sociedade é marcada pela injustiça social, pobreza, desigualdade e concentração de renda, etc. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Diversos juristas reconhecem a insuficiência do Poder Judiciário brasileiro em prestar uma tutela jurisdicional célere, efetiva e constitucional:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">É de conhecimento geral que o Poder Judiciário é o responsável pela manutenção da ordem jurídica e da paz social, bem como pelo suporte necessário para a efetividade dos direitos e garantias fundamentais previstos na nossa Carta Constitucional. [&#8230;] Por isso, sua ineficiência e anacronismo levam à frustração de sua finalidade essencial. Dessa maneira, é impossível pensarmos um Poder Judiciário com uma estrutura que não atenda aos anseios da nova sociedade (pós-moderna) e que ignore os avanços desta (SILVEIRA e MEZZAROBA (coord.); et al., 2011a, p. 86).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Estado com sua inércia e ausência de políticas públicas efetivas necessárias à construção de uma sadia qualidade de vida, em diversos pontos é conivente com a manutenção de um sistema econômico capitalista predatório e lucrativista. Isso porque não fiscaliza a economia para que esta sirva aos fins humanos, sociais, sustentáveis e desenvolvimentistas. Tangente ao seu papel, eis que:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O Estado Social, denominado <em>Welfare State</em> (Estado do bem-estar social), apresenta duplo papel: a um, fiscaliza a economia e nela intervém para reajustá-la, sempre que as condições de operação se afastem das metas sociais traçadas; e, a dois, assume o compromisso de provedor das prestações sociais básicas, assecuratórias da dignidade dos mais necessitados (BAEZ; SILVA e SMORTO (org.); et al., 2012, p. 627).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Um Estado que se propõe democrático, de bem estar-social, fundamentado em valores éticos e comprometido com o desenvolvimento da pessoa humana e da sociedade não pode permitir que os princípios capitalistas se sobreponham à sua finalidade precípua de manter a justiça social, o bem comum e efetivação de políticas públicas e dos direitos positivados:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Esse fenômeno marca a transição da isenção característica do Estado liberal para uma economia controlada, por meio do intervencionismo do Estado social, cujo desafio, segundo bem sustenta Leal, vincula-se à efetiva realização da justiça social, comprometida com o desenvolvimento da pessoa humana e com a licitude, tendo por suporte concomitante e inafastável o ordenamento jurídico, posição de que parte o autor para concluir que o Estado social se vê jungido às preocupações éticas orientadas à efetivação dos direitos e prerrogativas humanas/fundamentais (BAEZ; SILVA e&nbsp;SMORTO (org.); et al., 2012, p. 627).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O resultado de um Estado, sem uma axiologia pragmática, é a sujeição, dominação e permissão de exploração da dignidade humana, pervertendo-se nitidamente os fins para os quais se permitiu sua instituição. Destarte:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O surgimento dos Estados modernos transformou radicalmente aquelas condições de existência coletiva, fundamentalmente porque o indivíduo já não é o sujeito da política, mas “sujeitado” por ela. Por que o sujeito perde a centralidade no poder e passa a ser “violentado” por ele? Por que o poder não serve mais ao cidadão, mas o submete violentamente em meio a uma lógica tecnocientífica em nome da máxima eficiência da administração pública? (ROCHA, 2008, p. 64).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Além da inércia político-jurídica, em uma economia de mercado regulada apenas por princípios técno-científicos, prescindindo-se dos valores humanos, sociais, éticos e de justiça, a empresa deixa de ser uma agência promotora do bem estar social para se tornar uma instituição meramente lucrativista e exploradora:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A empresa não pode ser uma fábrica de lucros. Ela tem compromissos com um grande projeto de tornar a humanidade menos infeliz. [&#8230;] Muito do conflito consigo mesmo ou com o próximo advém do descompasso entre o discurso axiológico e a prática. Não é confiável a pessoa que proclama observar alguns valores e, na vida real, os despreza e desatende. O mesmo sucede com a empresa. [&#8230;] Sustentabilidade é uma concepção eminentemente ética. O aspecto moral está em pensar no próximo (SILVEIRA e MEZZAROBA (coord.); et al, 2011b, pp. 120-121 e 128).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Destarte, a concepção modernista de divorciar a Axiologia da Religião é nociva ao desenvolvimento humano e social, pois, nota-se, que, embora a ordem política, jurídica, econômica e social adote teoricamente determinados valores, no entanto não os pratica, fazendo com que a vida em sociedade seja opressiva, exploradora e injusta.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A seu turno, a Religião (cristã) tem o mérito de fundamentar as ações éticas e morais em uma realidade transcendente, a saber, Deus, e de internalizar essas normas na consciência do indivíduo, fazendo com que as condições de uma existência mais qualitativa, digna e saudáveis se tornem realidade.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Uma Teoria dos Valores calcada na Religião (cristã) concebe um arcabouço normativo com fundamentação lógica, axiológica, teológica-transcendental e teleológica. A validade desse sistema é determinada pela objetividade dos valores, ou seja, não depende da interpretação e subjetividade do sujeito, mas repousa no fato de que a norma, por seu caráter lógico e transcendente, vale por si mesma.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Destarte, o comando normativo teológico “não matarás” (Êxodo: 20: 13) independe de autojustificação humana à medida que atribui elevado e intrínseco valor à&nbsp; vida humana, sendo seu escopo a preservação da espécie, assentando-se que todos têm direito à existência, sendo seu termo a própria morte natural, está sob controle divino.&nbsp; &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;   Ademais, a vantagem da axiologia transcendental é que ela internaliza a norma na consciência do indivíduo, o qual passa a não depender meramente da prescrição da lei ou coerção dos poderes políticos, jurídicos e policiais.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A obediência à um sistema político e jurídico deve ser pautada não apenas por causa da força e autoridade da lei, mas principalmente por uma autodeterminação humana que entende o caráter benéfico da norma e se orienta conforme esse entendimento.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tem-se que a lei coage à um comportamento externo, mas a religião e a moral conscientizam e conformam internamente o indivíduo. Moisés ensinou o povo a obediência às tábuas da Lei (Êxodo 31:18), Cristo porém, a gravou no epicentro da consciência (Hebreus 10: 16).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Portanto, àquilo que é impossível à lei, eis que esta garante apenas a exterioridade e o mínimo ético, é factível à religião, haja vista que esta tem o poder de infundir virtudes morais no comportamento humano:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Mas que alguém se torne não só um homem legalmente bom, mas também moralmente bom</strong> <strong>(agradável a Deus)</strong>, i.e., virtuoso segundo o carácter inteligível (virtus noumenon), um homem que, quando conhece algo como dever, não necessita de mais nenhum outro motivo impulsor além desta representação do dever, tal não pode levar-se a cabo mediante reforma gradual, enquanto o fundamento das máximas permanece impuro, mas tem de produzir-se por meio de uma revolução na disposição de ânimo no homem (por uma transição para a máxima da santidade dela); <strong>e ele só pode tornar-se um homem novo graças a uma espécie de renascimento, como que por uma nova criação (Jo III, 5; cf. I Moisés I, 2) e</strong> <strong>uma transformação do coração </strong>(Kant, 2008, p. 56) (grifou-se).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nesse vetor axiológico a religião cumpre seu papel de ensinar aos homens o caminho do bem, infundindo em sua consciência a ética e a moral, tendo em vista a tendência natural destes ao erro e à maldade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O mundo político e jurídico dos homens é permeado pela injustiça e rivalidade, sendo que muitas vezes as instituições articulam mecanismos que promovem a degradação humana. Por exemplo, ações policiais, judiciárias, ministeriais e políticas criminais fundadas em discriminação e estereotipia, as quais aplicam punições que não reformam, mas destroem a capacidade de recuperação ética e moral do indivíduo.&nbsp; &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; As instituições estatais tendem a perpetuar as mazelas sociais que combatem pela aplicação sistematizada e mecânica da lei, gerando-se verdadeiro estado de natureza, pois sob o argumento de manutenção da ordem e da paz, muitas vezes, dissociam a Política, e o Direito de uma fundamentação ética e moral.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Desse modo, por exemplo, em uma definição de crime toma-se tão somente o conceito analítico tripartite de “fato típico, ilícito e culpável”, fazendo do Direito uma ciência exata e hermética e desconsiderando os demais atores sociais, como a sociologia, a educação e a economia, as quais poderiam explicá-lo em maior amplitude e auxiliar na sua prevenção e na recuperação do agente criminoso.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ao passo que a aplicação institucionalizada do Direito produz um estado de rivalidade entre os grupos sociais, pois desconsidera toda a problemática subjacente do crime, como a injusta distribuição de renda, a falta de educação e políticas sociais efetivas; o comportamento ético e moral estimulado pela religião faz a revolução interior e exterior na consciência, pensamento e sentimento humano.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Dentro do contexto de uma sociedade que reconhece teoricamente a importância dos valores éticos e morais, porém nega-lhes eficácia prática, fundada em promessas políticas e jurídicas de justiça, igualdade, liberdade e desenvolvimento, as quais possuem caráter eminentemente simbólico, pois estão dissociadas da realidade; é fundamental o papel religioso para promover a passagem de um estado de ausência de virtudes para uma sociedade ética.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No pensamento do filósofo alemão Immanuel Kant é preciso abandonar o&nbsp;“estado de natureza ético” (ausência de valores) e se tornar membro de uma comunidade ética:&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Assim como o estado de natureza jurídico é um estado de guerra de todos contra todos, assim também o estado de natureza ético é um estado de incessante assédio pelo mal</strong> [&#8230;] corrompem uns aos outros e de modo mútuo a sua disposição moral – e, inclusive na boa vontade de cada um em particular, em virtude da ausência de um princípio que os una, como se fossem instrumentos do mal, se afastam do fim comunitário do bem e se põem uns aos outros em perigo de cair de novo sob o domínio do mal. [&#8230;] <strong>assim o estado de natureza ético é um público assédio recíproco dos princípios de virtude e um estado de interna amoralidade, de que o homem natural se deve, logo que possível, aprontar a sair. </strong>[&#8230;]&nbsp; Mas este é o conceito de Deus como soberano moral do mundo. Por conseguinte, uma comunidade ética só pode pensar-se como um povo sob mandamentos divinos, i.e., como um povo de Deus e, claro está, de acordo com leis de virtude (Kant, 2008, pp. 112-113 e 115) (grifou-se).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Evidentemente, embora a Religião, a qual estabelece Deus como Supremo Legislador e maior interessado na boa conduta dos homens,&nbsp; proponha uma revolução de dentro para fora nos padrões humanos, não se deve deduzir que haverá um processo automático de renovação das consciências. Isso porque incumbe ao indivíduo receber a norma e se dispor a praticá-la independentemente de seus resultados úteis.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nesse sentido, fundada em Deus, a Religião preconiza uma sociedade ética e moral em que as pessoas estão inseridas em uma relação de interdependência e de responsabilidade para com o próximo, o qual não é simplesmente o “outro”, mas uma extensão de cada um. Há, assim, um dever ético e moral de ser “guardador do irmão” (Gênesis 4:9).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A moralidade e eticidade religiosa é freio à violência institucionalizada na Polícia, Poder Judiciário, Ministério Público, Advocacia e demais setores sociais. Em havendo predominância da virtude, certo que se diminui substancialmente a corrupção política, a exploração capitalista, a violência policial e a estereotipia judiciária. &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; O incremento da axiologia religiosa promove a paz, a justiça e o desenvolvimento social.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em contrapartida, ao passo que a axiologia religiosa estabelece Deus como legislador supremo e fundamentador dos valores objetivos, a ética secularista faz a aposta no ser humano e na sua racionalidade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O poder político, a democracia, a efetivação dos direitos humanos, o funcionamento das instituições e o sistema econômico, enfim, todo o organismo sociopolítico, depende, em última instância, da própria natureza decaída do homem. Daí se constatar tanta usurpação do poder, corrupção, inefetividade jurídica e exploração capitalista, coeficientes que apontam para maiores tensões sociais, injustiças, alienações, pobreza e violência.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em que pese a Constituição Federal brasileira ser promulgada sob “a proteção de Deus”, nas notas de dinheiro virem expressas a fórmula “Deus Seja Louvado” e nos fóruns e instituições jurídicas se encontrarem muitas vezes crucifixos com a “imagem de Jesus”, a verdade, é que a sociedade e o Estado brasileiro são caracterizados por gritantes contradições, haja vista que os valores axiológicos teológicos não são aplicados na prática.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O problema não está nos valores e sim na falta de disposição humana em cumpri-los. No caso de uma axiologia religiosa a consciência do indivíduo em Deus torna-se a força motriz do seu cumprimento. Em se tratando de uma ética e moral secularizadas, laicas ou ateias, não se vislumbra uma motivação dinâmica para efetivar-se os valores, mas age-se por medo da lei ou na possibilidade de não se temê-la simplesmente não se age com base em uma conduta deontológica.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Desse modo:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Com efeito, o padrão moral e o fundamento último dos tempos democráticos modernos residem numa ética laica ou de cunho universalista. [&#8230;] Não são mais as obrigações com relação ao legislador divino que fundamentam o organismo social e político, mas os direitos inalienáveis dos indivíduos&nbsp; (LIPOVETSKY, 2005, pp. 2-3).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sabe-se que a troca da transcendência pela secularização como fatores fundantes dos valores resultou em processo que além de não produzir desenvolvimento, gerou mais desigualdade, pobreza e estagnação.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A mudança de referencial – de Deus para o homem, este colocado como único protagonista da vida sociopolítica, sujeito político e de direito – apenas reforçou o postulado bíblico de que a natureza humana decaída e sem Deus é incapaz de promover a construção de uma sociedade sadia, igualitária, e com uma vida qualitativa, pacífica, justa e desenvolvida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Repise-se que não basta o reconhecimento formal de valores expressos em um texto jurídico, sob pena de o ordenamento político-jurídico da nação funcionar como força simbólica. Há uma grande diferença entre democracia formal e democracia material. A primeira reconhece apenas abstratamente os direitos e garantias do cidadão, porém, a segunda é que torna a promessa política e jurídica uma realidade concreta (material). Assim:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O século XX chegou à proclamação formal dos direitos sociais, num belo ensaio que principia nos direitos políticos individuais, passa pelo reconhecimento dos direitos coletivos, até alcançar os direitos sociais, aptos a garantir uma proteção mínima e um padrão de vida decente. No entanto, a ponte entre o sujeito virtual de direitos e o sujeito-cidadão está para ser erguida (TÔRRES (coord.); et al., 2005, p. 613).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na ausência de vontade política, jurídica e econômica para efetivação concreta das políticas públicas, da Constituição e da construção de uma ordem econômica mais justa e ética, todo trabalho legiferante, judicante, administrativo e econômico tornam-se apenas falácia e engodo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Destarte, tem-se que o motor mais eficiente para mover a vontade humana na diretriz correta do desenvolvimento é a fundamentação teológica para os valores. Assim, opera-se o movimento fundamental em que o agente principal torna-se Deus e o homem o destinatário de sua graça, que recebendo-a, passa a “amar a Deus com todo o coração, alma e intelecto e o próximo como a si mesmo” (Mateus 22: 37-40).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Inverter, derruir, ignorar ou desmerecer os valores, bem como sua genuína e verdadeira fonte (Deus), equivale a apostar na continuidade de tudo o que representa o “status quo”. Tem-se que:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O tema axiológico é dos mais relevantes no turbulento início do século XXI, em que se vive um tsunami destruidor de valores. Para o jurista a existência de valores acolhidos nas Constituições é um parâmetro útil para arrostar o fenômeno. <strong>O pacto fundante não é apenas jurídico, mas também social, político, econômico, histórico, ético, sem deixar de ser jurídico</strong> (NALINI, 2009, p.68) (grifo nosso).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Portanto, a Religião é um dado antropológico, cultural e social de máxima importância. Tem-se que o Cristianismo pode fornecer valores fundamentados em Deus, os quais são decisivos à construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Em interdisciplinaridade com outros campos do saber há que se fornecer maiores e melhores condições de desenvolvimento intelectual, emocional, axiológico e social.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Enfim, a Religião (cristã), na determinação de um Deus pessoal é imprescindível ao crescimento axiológico, epistemológico e sociológico, contribuindo para que o homem alcance o máximo desenvolvimento de suas potencialidades, assumindo o protagonismo de sua trajetória, e construindo assim, um mundo melhor para se viver dentro de um aparato social, político, jurídico e econômico mais qualitativo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2. Religião Cristã e Dever Ser (Deontologia) na Política </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Religião e Política são dois campos de conhecimento que se entrelaçam na história política e social. Possuindo autonomia e independência influenciam o modo de vida de uma sociedade, seja pelo império da transcendência, seja pelo poder terreno.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Egito, Assíria, Grécia, Roma e demais impérios foram muito religiosos, construindo e moldando sua vida e sociedade sob a égide de seu politeísmo. Guerras, vitórias, sucessos e fracassos sempre foram atribuídos à intervenção dos deuses. No Egito antigo a pessoa do faraó se confundia com a própria divindade. Na Idade Média o governante era o enviado de Deus.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No caso da nação de Israel, desde o contexto bíblico à pós-modernidade, percebe-se que sua religião monoteísta é um fator dirigente de sua história, política, jurídica e cultura. Sua relação pessoal com Yahweh construiu um Estado forte e próspero, com relevante reconhecimento na geopolítica atual.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Religião, Estado e Política se entrelaçam muitas vezes, seja em benefício ou prejuízo da sociedade civil, dependendo da interpretação religiosa e dos valores adotados para fundamentar a concentração e o uso do poder.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Estado precisa de uma fundamentação para legitimar sua existência e monopólio da força. A adesão universal das consciências depende de uma explicação e um fundamento plausível para que cada membro abra mão de sua liberdade e autonomia naturais em favor de um ente político absoluto e irresistível. Esse ser político deve ser garantidor da paz, justiça, segurança e desenvolvimento, atuando como solucionador pacífico das controvérsias, sendo um agente de equilíbrio das forças que operam dentro da sociedade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sergio Pinto Martins preleciona que “Santo Agostinho, na <em>Suma teológica</em>, afirmava que o Estado é um produto natural e indispensável à satisfação das necessidades humanas. Visa garantir a segurança de seus integrantes e promover o bem comum” (2008, p. 45).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Devido à complexidade humana há muitas forças e interesses conflitantes em jogo em uma sociedade, de forma que se torna necessária a atuação de um ente superior, equidistante e imparcial:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A observação do comportamento humano, em todas as épocas e lugares, demonstra que mesmo nas sociedades mais prósperas e bem ordenadas ocorrem conflitos entre indivíduos ou grupos sociais, tornando necessária a intervenção de uma vontade preponderante, para preservar a unidade ordenada em função dos fins sociais (DALLARI, 2011, p. 51).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Compreendendo-se a necessidade de existência de uma força social independente, neutra e irresistível, soerguido na vontade humana e que agregue em si toda a força da coletividade, passa-se a análise dos elementos fundantes desse ente e o que o legitima a agir em nome do interesse público.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O positivismo jurídico de Hans Kelsen preconiza que a legitimidade estatal decorre do Direito e seu conjunto sistematizado. Assim, o ordenamento jurídico é um conjunto de normas que estão metodológica e hierarquicamente arranjadas, em que a norma de valor mais alto garante a legitimidade e funcionalidade da norma mais baixa, sendo a Constituição a norma superior que legitima todo o ordenamento.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Constituição de um Estado, por sua vez, recebe imediata validação e legitimação de uma norma que Kelsen chama de “Norma Fundamental Hipotética”.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Se por um lado as normas jurídicas são estatuídas por um ato legislativo, daí dizer que são postas, positivadas, pois passam a constar no catálogo jurídico, a seu turno, a Norma Fundamental, a qual está acima da Constituição, é uma norma&nbsp;“pressuposta”, possuindo assim, caráter lógico e transcendente:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Mas interessa especialmente ter em conta que os atos através dos quais são produzidas as normas jurídicas apenas são tomados em consideração, do ponto de vista do conhecimento jurídico em geral, na medida em que são determinados por outras normas jurídicas; e que a <strong>norma fundamental, que constitui o fundamento da validade destas normas, nem sequer é estatuída através de um ato de vontade, mas é pressuposta</strong> pelo pensamento jurídico (KELSEN, 2006, p. 24) (grifou-se).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para Kelsen o Estado é gerado pelo Direito, a este deve se sujeitar, pois é seu fundamento válido, legítimo:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Hans Kelsen afirma que o Estado é produzido pelo Direito e não pela realidade social. O Estado é restringido pela ordem jurídica. Somente a norma jurídica pode definir o Estado. As normas de direito geram o Estado. O fundamento do Estado é a ordem jurídica (MARTINS, 2008, p. 47).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Portanto, o pensamento kelseniano rejeita qualquer elemento espiritual, metafísico ou axiológico para fundamentar e legitimar um Estado político ou uma ordem jurídica, daí a “Teoria Pura do Direito”, em que na construção da norma jurídica&nbsp; há que se expurgar os elementos por ele classificados como “estranhos”, a saber, ética, sociologia, política, etc.:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Quando a si própria se designa como “pura” teoria do Direito, isto significa que ela se propõe garantir um conhecimento apenas dirigido ao Direito e excluir deste conhecimento tudo quanto não pertença ao seu objeto, tudo quanto não se possa, rigorosamente, determinar como Direito. Quer isto dizer que ela pretende libertar a ciência jurídica de todos os elementos que lhe são estranhos. Esse é o seu princípio metodológico fundamental. [&#8230;] De um modo inteiramente acrítico, a jurisprudência tem-se confundido com a psicologia e a sociologia, com a ética e a teoria política (KELSEN, 2006, p.&nbsp;1).&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Trata-se de um normativismo positivista, o qual rejeita qualquer explicação religiosa ou axiológica como fundamento de validade do Direito, pois o cidadão deve obedecer a norma jurídica não porque é o mais certo e justo a se fazer, mas sim porque a norma faz parte de um sistema lógico.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O profeta Habacuque discordaria terminantemente de qualquer positivismo jurídico kelseniano, pois para ele a lei deveria expressar a justiça, e não apenas um enunciado lógico e político sem qualquer conotação ou relação axiológica:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O peso que viu o profeta Habacuque. Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! e não salvarás? Por que razão me mostras a iniqüidade, e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim, havendo também quem suscite a contenda e o litígio. Por esta causa a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta; porque o ímpio cerca o justo, e a justiça se manifesta distorcida. Vede entre os gentios e olhai, e maravilhai-vos, e admirai-vos; porque realizarei em vossos dias uma obra que vós não crereis, quando for contada (Habacuque 1:1-4)&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na contramão do normativismo positivista há a crítica de que a norma deve estar ligada a elementos axiológicos de justiça e ética:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Daí a distinção entre o eticismo e o normativismo lógico: — os eticistas também concluem que o Direito é norma, mas norma que vale pelo conteúdo do comportamento que prescreve; os normativistas puros sustentam que a norma jurídica obriga, mas apenas em virtude de seu enlace lógico na totalidade do sistema, e não pelo sentido moral de seu comando (REALE, 2002, p. 475).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">                 Nessa linha, tem-se que “O direito é antes de tudo, já vimos, inseparável da justiça. A língua grega dispõe, aliás, somente de uma única palavra para significar o direito e o justo: <em>to díkaion</em>”<em> </em>(BILLIER e MARYIOLI, 2005, p. 74).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para o filósofo e teólogo, Agostinho de Hipona, o elemento central do Estado é o vetor “Justiça”, razão pela qual sua ausência tornava as ações estatais sem base legítima, pois “Afastada a justiça, que são, na verdade, os reinos senão grandes quadrilhas de ladrões? Que é que são, na verdade, as quadrilhas de ladrões senão pequenos reinos”? (1996, Livro IV, Capítulo IV, p. 383).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Estado político surgiu com a somatória e o consenso dos poderes individuais, pois o indivíduo abriu mão de parcela significativa de sua autonomia&nbsp; e liberdade em prol da criação de um ente abstrato, garantidor da paz, justiça e desenvolvimento.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>A criação do Estado se deu no sentido de que suas ações devem ser pautadas por vetores axiológicos, e não meramente em critérios administrativos, técnicos e científicos. Daí que os ordenamentos jurídicos modernos sempre preconizam em suas cartas Políticas princípios e valores que expressem os anseios da coletividade:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">E, referindo-se, expressamente, ao Preâmbulo da Constituição brasileira de 1988, escolia José Afonso da Silva que <strong>“O Estado Democrático de Direito destina-se a assegurar o exercício de determinados</strong> <strong>valores supremos</strong>. ‘Assegurar’, tem, no contexto, função de garantia dogmático-constitucional; não, porém, de garantia dos valores abstratamente considerados, mas do seu ‘exercício’. Este signo desempenha, aí, função pragmática, porque, com o objetivo de ‘assegurar’, tem o efeito imediato de prescrever ao Estado uma ação em favor da efetiva realização dos ditos valores em direção (função diretiva) de destinatários das normas constitucionais que dão a esses valores conteúdo específico” [&#8230;] (ADI 2.649. Rel. Min. Carmen Lúcia.&nbsp; J.&nbsp;08-05-2008. P. DJE de 17-10-2008)<sup>3</sup> (grifo nosso).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>Espera-se do Estado e de sua política a construção de uma sociedade, que se não paradisíaca, eis que impossível às mãos humanas, em que pelo menos se diminua as infelicidades e os infortúnios da vida, em que haja o mínimo de conforto, justiça, paz e dignidade.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por isso, há que se adotar para o ente estatal uma teoria da justiça que seja capaz de influenciar a política, a jurídica e a economia, haja vista que:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Na <em>Teoria da justiça</em>, a abordagem platônica de uma sociedade justa ressurge e inaugura uma perspectiva interdisciplinar para a análise da justiça, não mais apenas moral e jurídica, mas econômica, política e social. A justiça passa a ser vista como contratual, referindo-se a instituições, e não só a pessoas justas, trasladando-se de um sentido subjetivo como virtude humana para uma visão global que abrange toda a sociedade em suas estruturas políticas, sociais e econômicas (TÔRRES (coord.); et al., 2005, p. 186).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Todavia, como já ressaltado, não basta apenas a adoção formal dos valores, é preciso mais, a sua efetivação, e ainda, que a sua fundamentação seja transcendente, amparada em Deus, para que a vontade humana seja imbuída da motivação correta e pratique o bem em escala micro e macro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;  O livro bíblico de Êxodo narra a epopeia de Moisés, sob a liderança divina, libertando os israelitas do regime político cruel e escravagista de faraó. Deus reprovou energicamente a exploração, alienação e humilhação sofridas pelo seu povo escolhido ante o regime totalitarista do governante egípcio, pelo que providenciou sua libertação para que pudessem usufruir de uma vida mais digna, justa, pacífica e desenvolvida:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">No êxodo Deus se revela como o Deus vivo que atua poderosamente em juízo&nbsp; e graça. O Deus que não suporta a idolatria dos falsos deuses e a opressão do ser humano pelo ser humano. O Deus que julga o pecado até as últimas consequências, e que ao fazê-lo revela o seu grande amor para com a humanidade (MUELLER, 2005, p. 97).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>Dentro desse espírito teológico o povo israelita, que futuramente iria congregar os três elementos chaves para se tornarem uma nação, a saber: território, povo (laços socioculturais, linguísticos e religiosos) e estrutura política, aprendeu a desenvolver uma política teológico-humanista voltada para a adoração a Deus, justiça, paz, desenvolvimento e cuidados com o próximo, mormente os pobres e as viúvas. </p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; No Evangelho de Mateus, capítulo 25, versículos 31 a 46 Jesus expressa sua preocupação com os pobre, famintos, enfermos, presidiários e as classes de necessitados em geral, ressaltando-se que a política que agrada a Deus é aquela dispensada em favor do próximo:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O cuidar do próximo inclui necessariamente o horizonte sócio-político. Como vimos, o próximo é em primeiro plano o <em>necessitado</em>. Sem dúvida, podemos e devemos interpretar isto da forma mais ampla possível, como é feito pelo próprio Lutero em vários lugares de suas explicações dos Mandamentos. Tomo como exemplo a explicação do Quinto Mandamento: “lhe ajudemos e o favoreçamos <em>em todas as necessidades da vida</em>”. Ou, mais especificamente ainda no Sétimo Mandamento: “Devemos temer e amar a Deus, de maneira que não tiremos ao nosso próximo o dinheiro ou os bens, nem nos apoderemos deles por meio de mercadorias falsificadas ou negócios fraudulentos, porém o ajudemos a melhorar e conservar os seus bens e o seu ganho” (MUELLER, 2005, pp. 106-107).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A nação de Israel é hoje das mais prósperas e poderosas do planeta, de modo que, ainda que estejam alicerçados na antiga aliança, todavia o fundamento de sua política, jurídica e economia sempre estiveram respaldados nos princípios e valores divinos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">                 Em contrapartida, inúmeros países na pós-modernidade mantêm a sua política em nível meramente técnico e científico, o que invariavelmente, abre margens para “acordos em bastidores”, com uso ilegítimo do poder, perpetuação do domínio de classes, aumento das desigualdades e mantança da pobreza em níveis sub-humanos.&nbsp; &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Desse modo, a fome, desemprego, falta de educação, violência (seja perpetrada individual ou institucionalmente), exploração, elevadas taxas de juros, o superendividamento de pessoas e países, e demais misérias humanas e sociais, são reflexos de políticas egoístas e opressoras que menosprezam o mandamento de Deus e o valor do próximo. Note-se:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Não seriam os juros da dívida externa dos países do Terceiro Mundo hoje uma forma de tirar do próximo o seu dinheiro e bens? Uma análise das origens do endividamento destes países certamente revelaria ali “negócios fraudulentos”. E tudo “sob aparência de direito”. Isso vale não só para as relações entre os países, mas também para as relações de classe internas aos mesmos (MUELLER, 2005, p. 107).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Porém, a política quando aliada aos valores fundados em Deus, deixa de ser uma estratégia de poder elitista, exploratória e de mecanismos meramente burocráticos, para se tornar o instrumento divino para cuidar de pessoas. Esse é seu “dever ser”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Não se está com isso pregando o paraíso na terra, mas construindo-se uma metodologia deontológica em que a política e a axiologia bíblica possam manter uma relação teórica e pragmática, com vistas a se promover as exigências do cuidado ao próximo e do bem comum.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A parábola retrocitada de Mateus inspira temor e cuidado com o próximo, donde se pode extrair que o uso do poder se legitima na medida em que se proporciona ao próximo o máximo de bem estar possível, pois:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Na conhecida parábola do juízo, de Mateus 25: 31-46, Jesus insinua que na pessoa do próximo necessitado, que tem fome, sede, que não tem roupa e nem abrigo, ele próprio pode estar vindo a nós. [&#8230;] A percepção de Cristo escondido no necessitado que nos interpela deve nos levar a ver este em toda a sua dignidade que lhe é conferida por Deus e em sua humanidade que foi assumida por Cristo (MUELLER, 2005, pp. 108-109).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Deve ser dito que, tomando-se como base as orientações de Cristo de amor e cuidado com o próximo, a política além de não dever ser instrumento de dominação, alienação e opressão, também não deve ser meramente assistencialista, mas precisa se constituir num conjunto de ações efetivas que promovam o pleno desenvolvimento humano e social.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Uma plataforma axiológica e deontológica tem como escopo promover um conjunto de bens espirituais e materiais que satisfaça em larga escala todas as necessidades humanas e sociais, tais como ampla e irrestrita manifestação do pensamento intelectual, artístico e religioso, educação de qualidade, alimentação digna, profissionalização, trabalho e boa remuneração, lazer, saúde, habitação, bem como controle das taxas de juros, efetivação de políticas públicas e direitos fundamentais previstos na Constituição, pacificação social, construção de políticas infraestruturais, etc.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Geralmente os Estados que praticam efetivas ações têm sido classificados como “Estado do Bem Estar Social”. A tendência estatal é o desenvolvimento, a fim de que possa praticar as políticas justas e necessárias, e assim, dar ampla e constante continuidade ao desenvolvimento da capacidade das pessoas e da sociedade:&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] os Estados em desenvolvimento que praticam políticas mais amigas do cidadão têm alargado os serviços sociais de base. Investir nas capacidades das pessoas — através da saúde, educação e outros serviços públicos — não é um apêndice do processo de crescimento, mas sim parte integrante do mesmo. A rápida expansão de empregos de qualidade constitui uma característica fundamental do crescimento que promove o desenvolvimento humano&nbsp;(Malik; et al., 2013, pp. 4-5).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;É de se observar que o Estado que se pretenda democrático deve velar por uma política que assinale o máximo de comprometimento com o cidadão, principalmente o necessitado. Mas a democracia em si é um instrumento que precisa estar acompanhado de elevada carga axiológica para frear o impulso do mau uso do poder e dirigir a máquina estatal na efetivação das políticas públicas, dos direitos e no controle ético da economia:&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O contexto político, mormente o brasileiro, é dos campos mais tormentosos das relações humanas porque lida com a estrutura do poder. O poder é sempre um elemento decisivo e que pode ser usado para promover o bem ou o mal. No caso da política brasileira há os problemas da “profissionalização da política”, clientelismo dos partidos, corrupção, caixa dois, lobismo, dentre outros.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Daí que o exercício do poder com bases meramente técnicas, científicas e administrativas mesclado com o egoísmo resulta em uma política medíocre e de interesses, ao passo que a conscientização axiológica do indivíduo que ocupa o poder pode resultar em ganhos para a coletividade.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Enfim, o “dever ser” (deontologia) da política se consiste em fundamentar o poder com os valores objetivos teológicos a fim de se promover o máximo de bem estar à coletividade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3. Religião Cristã: Direitos Humanos e Fundamentais </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A seara dos direitos humanos e fundamentais representa um marco histórico de extremo relevo como instrumento de valorização da vida e promoção da dignidade humana.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A terminologia “Direitos Humanos” se insere no contexto de direitos que estão positivados em ordenamentos jurídicos internacionais, a saber, os tratados e convenções, assim, como por exemplo, Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos; Convenção Americana de Direitos Humanos; Convenção sobre os Direitos da Criança, dentre outros.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tais direitos quando são incorporados nos ordenamentos jurídicos internos dos países, os quais são signatários desses tratados, recebem o nome de “Direitos Fundamentais”. Destarte a Carta Magna de 1988 disciplina que:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: [&#8230;] prevalência dos direitos humanos. [&#8230;] cooperação entre os povos para o progresso da humanidade. [&#8230;] Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão (artigo 4, II, IX; 5º, § 3º e§ 4º, ambos da C.F.).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Referidos direitos são, dentre muitos hospedados no artigo 5º, da Constituição Federal: contraditório, ampla defesa, acesso à justiça, manifestação do pensamento e expressão religiosa, acesso à informação, direito de ir e vir, direito de propriedade, inviolabilidade do lar; além dos direitos sociais elencados no artigo 6º: saúde, alimentação, educação, trabalho, moradia, transporte, lazer, etc.; bem como direitos políticos constantes no artigo 14.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os direitos humanos e fundamentais tem a ver com a valorização, proteção e desenvolvimento integral da pessoa humana, sujeito de direitos:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] Direitos humanos servem para tratar assuntos referentes a direitos individuais, coletivos, sociais, econômicos, violência, miséria, além de outras concepções, sob a alegação de diretrizes para a proteção da dignidade da pessoa humana. O fato é, no entanto, que nesta defesa da dignidade da pessoa humana, os direitos humanos adquiriram uma força extraordinária, fruto de uma linguagem consistente, instalado no mundo Ocidental, na qual a positivação dos direitos indica, por exemplo, se um Estado pode ou não ser reconhecido como democrático ou se assume ares de barbárie (BAEZ; SILVA e SMORTO (org.); et al., 2012, p. 175).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Cristianismo com seus poucos mais de dois mil anos de história tem contribuído significativamente para a promoção e elevação da dignidade humana com sua mensagem que retrata o homem como “imagem e semelhança” de Deus e os valores do amor, fé, paz, justiça, solidariedade, fraternidade, humanidade, humildade, respeito, dentre outros.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Pode-se considerar a Religião Cristã como o marco histórico fundamental e o movimento precursor dos direitos humanos na luta pela salvação, libertação e desenvolvimento do ser humano.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sobre a busca da justiça e Religião, segundo Perelman (1967, p. 3):&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">uma das noções mais altamente respeitadas em nosso universo espiritual. Todos os homens, crentes religiosos e incrédulos, tradicionalistas e revolucionários, invocam a justiça e nenhum deles ousa contradizê-la. A busca da justiça inspira as exprobações dos profetas hebreus e as reflexões dos filósofos gregos. Ela é invocada para proteger a ordem estabelecida, assim como para justificar a sua derrubada&#8230; um valor universal (apud SHEDD, 1993, p.1).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Inconteste que o conceito de “Imago Dei” expresso nas Escrituras Sagradas revela a ontologia do ser humano, ressaltando-se sua essência, valor, dignidade, propósito e destino. E, de Gênesis a Apocalipse, há um fio condutor do amor divino sempre preocupado com as questões humanas de bem-estar, justiça, paz, suprimento e qualidade de vida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Essa preocupação divina está expressa em teofanias, milagres, intervenções e por meio de sua mensagem que preconiza a salvação, libertação, autonomia, e desenvolvimento do ser, alcançando-se seu ápice quando o próprio Deus enviou seu Filho à terra para conciliar os homens consigo:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele (João 3:16-17).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O conceito jurídico de “dignidade humana”, expresso na ordem jurídica internacional, bem como nas legislações nacionais, a exemplo, o artigo 1º, inciso III, da Constituição Federal brasileira, tem seu paralelo na mensagem bíblica-cristão de dignificação e respeito ao valor intrínseco humano.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por esse teor bíblico extrai-se que todas as pessoas são portadoras de direitos inalienáveis, aos quais não é lícito ou justo ao Estado político suprimi-los ou omiti-los:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A razão bíblica para a eliminação da desigualdade social encontra-se na origem e destino potencial do homem, assim como no amor universal de Deus pelo mundo (Jo 3.16; Mt 5.4348). As raízes da civilização ocidental acham-se profundamente arraigadas na revelação bíblica de que o homem descende de um único casal (pai e mãe) e foi criado à imagem de Deus. A participação comum de toda a humanidade no imago dei significa que todos os homens são herdeiros dos direitos inalienáveis da dignidade e significado intencional (SHEDD, 1993, p.6).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ao passo que os ordenamentos políticos e jurídicos enxergam o homem apenas sob o prisma de seu valor natural intrínseco, a contribuição cristã vai ainda mais longe ao preconizar que o ser humano é objeto do infinito amor divino, sendo criado diretamente por suas mãos, e destinatário de todas as bem-aventuranças terrestres e celestes.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na cisão havida entre Religião e a Política e o Direito, os quais têm sua independência e autonomia, o antropocentrismo busca substituir o teocentrismo numa inversão teratológica dos valores. No contexto político-jurídico o senhor legislativo é o homem, na seara religiosa (cristã) a norma emana de Deus, Legislador e Juiz Absoluto:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Com a separação entre essas instâncias, Direito e Religião, a Teoria do Estado vai se revelar como uma teologia secularizada, na qual o Deus onipotente seria substituído por um legislador todo-poderoso; isto é, no limite, a jurisprudência socorreria ao Direito como o milagre se aproximaria da Teologia. Refiro-me ao contexto da tradição europeia e ocidental, especialmente no mundo dito moderno6, no qual as burocracias jurídicas e eclesiásticas se aproximam (GODOY e MELLO, 2016, p. 322)&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Evidentemente, por se tratarem de diferentes campos, Religião, Política e Direito, bem como demais áreas, devem manter sua autoridade, independência e autonomia, mas nada obsta a que se inter-relacionem saudavelmente, de modo que a contribuição axiológica cristã fundamente as ações político-jurídicas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Não se deve olvidar que a civilização ocidental foi erigida sobre os alicerces cristãos, e incorporou muitos desses valores em seus ordenamentos jurídicos na busca pelo desenvolvimento, paz social, justiça e dignidade humana.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Outra diferença entre o reconhecimento bíblico da dignidade humana e a expressão político-jurídica pós-moderna é que a razão bíblica é transcendental (Deus é o supremo legislador), objetiva, perene e original, oferecendo amplo contexto para sua concretização. A ordem humana estabelece esse valor, sendo: antropocêntrica (homem como agente central); reconhecimento secundário (derivativa da Bíblia); transitória (sua implementação depende do regime de governo que exerce o poder: se democrático autoritário ou totalitário); simbólico (a implementação depende do querer humano, o qual se encontra descompromissado com uma consciência axiológica); ética e moralidade secularizadas (o fundamento do valor e ação humanos é racional, natural, laico ou ateístico (o valor intrínseco humano decorre de uma visão autocêntrica, não se reconhecendo a dependência de Deus e sua “imago dei”); etc.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;À parte de Deus, a dignidade humana, liberdade, igualdade, bem-estar e desenvolvimento, bem como outros vetores axiológicos de inconteste relevância, são, invariavelmente, propaganda e marketing político-jurídico:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Em vista do humanismo socialista ter alcançado poder, embora negando a criação do homem à imagem divina, a dignidade e igualdade humanas transformaram-se em simples slogans, muito úteis com fins de propaganda. George Orwell satirizou as conseqüências do socialismo, rejeitando o fundamento da igualdade em seu livro <em>Animal Farm</em>. Djilas e, mais recentemente, A. Solzhenitzen, descreveram as consequências históricas da sociedade ideal carente de uma base na criação divina (SHEDD, 1993, p.6).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A fórmula divina vertical e horizontal “amar a Deus em primeiro lugar” e ao “próximo como a si mesmo” (Deuteronômio 6:5; Levítico 19:18 e Mateus: 37-40) é a base metafísica fundamental legitimadora de toda ação humana correta, justa e pura.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Tais ensinamentos extraídos do contexto histórico, religioso, político, jurídico e social de Israel implica em profundo reconhecimento por parte dos agentes humanos que creem, devendo estes concretizá-los em suas relações independentemente dos fatores exógenos do poder sociopolítico.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A implementação dos direitos fundamentais, execução de políticas públicas sociais e infraestruturais, bem como a construção de um sistema econômico ético e humano – elementos estruturantes para equilibrar as desigualdades socioeconômicas e proporcionar conforto material com distribuição de renda e riqueza, promovendo educação e desenvolvimento – estão relacionadas a um ponto fulcral, a saber: teocentrismo versus antropocentrismo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Isso porque não bastam simplesmente – embora relativamente importantes –mudanças exteriores no modo de produção, se capitalista, socialista ou comunista, ou na forma do exercício do poder, se democracia ou ditatorialismo, tampouco se se tem uma Constituição garantia (proteção das liberdades), dirigente (direção do Estado e governo) ou balanço (Carta Política com prazo de validade), mas uma mudança substantiva no interior do homem, em sua consciência, inteligência, emoções e vontades.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Há que se considerar que todo o mundo externo é reflexo do ser humano, o qual, diferente dos animais, o construiu à sua “imagem e semelhança”. Portanto, a ordem estrutural política, jurídica e socioeconômica funcionam conforme as diretrizes humanas, mormente, àqueles que ocupam o poder e o exercem em nome do interesse público.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por dedução, não se reforma o mundo externo se primeiro não se restaurar o interior do principal agente responsável pelas mudanças, o ser humano. E tal mudança de pensamento, consciência, sentimento e vontade não pode ser autoproduzida, mas implementada por um fator metafísico externo, a saber, a ação divina:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação. Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus (II Coríntios 5:17-20).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O amor, justiça, paz e todo o conjunto de bênçãos espirituais, psicológicas e materiais, necessários ao integral desenvolvimento da pessoa humana, emanam do Reino de Deus e podem encontrar amparo humano quando se pratica seus valores abstratos e concretamente.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Destarte, na relação vertical com Deus é perfeitamente possível a transformação do coração humano corrompido, restaurando-o aos padrões divinos, melhorando-se e potencializando-se assim, as estruturas institucionais humanas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;É de se observar que:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Para muitos humanistas seculares, a justiça social talvez não signifique muito mais do que a substituição do capitalismo pelo socialismo estatal, facilitando assim a distribuição equitativa da produção e garantindo uma divisão imparcial das riquezas do mundo a todos os homens “segundo as suas necessidades”</strong>. Outros acrescentariam a esta base a dimensão da paz internacional de modo a eliminar todas as ameaças aos indivíduos; acima de tudo, a destruição nuclear. Outros ainda, reconhecem prudentemente que o fracasso em prover significado para a vida humana erra o alvo. Por que buscar a paz, prosperidade e segurança se o enfado e o tédio impelem os homens a pensar no suicídio? <strong>Na Bíblia, a justiça social tem sua </strong><strong><em>raison</em></strong><strong> </strong><strong><em>d’etre</em></strong><strong> na relação entre o homem e Deus e na revelação transmitida ao homem registrada nas Escrituras</strong>. <strong>Deus é quem garante os fracos, protegendo-os contra o insaciável “desejo de poder” dos fortes</strong>. <strong>As estruturas ordenadas por Deus para Israel através de Moisés, tinham como um de seus principais objetivos esta imparcialidade de Deus refletida nas instituições que governavam a vida do seu povo da aliança</strong> (SHEDD, 1993, pp.7-8) (grifou-se).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Israel é hoje padrão de desenvolvimento tecnológico, científico e econômico, haja vista que a herança recebida no monte Sinai por intermédio do legislador e líder Moisés serviu como fundamento de uma sociedade sustentavelmente desenvolvida. Há que se guardar as devidas proporções, pois não há homem ou povo que nunca erre, e, ademais, o paraíso terrestre só pode ser restaurado por Deus. Todavia, é possível sentir a antecipação de seus efeitos quando se conecta diretamente com Ele se seus valores&nbsp; e princípios diretivos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;As leis de Israel foram inquestionavelmente dadas por Deus com o escopo de se instituir e manter uma sociedade justa para seus membros, sem distinção de classes sociais. O país seria um reflexo da justiça e imparcialidade divinas. Há os seguintes tipos de ordenanças: os ricos não podiam desprezar os pobres (Dt. 15: 7 e ss); provisão de alimento para os necessitados (um dos desideratos do descanso sabático da terra); proibição da discriminação racial, social e sexista (Deuteronômio 10:18 e ss e 24:17); imparcialidade nas decisões jurídicas independente da posição social das partes no processo (Êxodo 23:1,6,7 e Levítico 19: 15 e ss); aplicação do princípio da presunção da inocência e sua concretização para que não se punisse este ao lugar do culpado (Deuteronômio: 24:16); proibição da corrupção das autoridades (Êxodo 23:8); a opressão econômica era contrária à Lei de Deus (Deuteronômio 24:17); as transações econômico-financeiras, como os empréstimos, deveriam beneficiar o pobre necessitado e não ao agiota capitalista (Êxodo: 22: 25 e ss)&nbsp; (SHEDD, 1993, pp.8-9).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ressalte-se que o projeto de uma ordem sociopolítica mais justa, com boas políticas, efetivação dos direitos fundamentais e melhor distribuição de riquezas, não ocorrem de modo automático, mas depende da obediência irrestrita à Deus, seus valores e princípios norteadores.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Instituições e leis divinas reveladas não garantem a execução da vontade de Deus por parte dos homens no governo. A história de Israel na Bíblia revela constantes fracassos, seja no período dos “juízes”, em que viverem sob teocracia formal, ou debaixo de uma autoridade central considerada mais forte (monarquia). Buscaram níveis de justiça social mais elevados (I Samuel 8:4,20), porém, Deus mostrou e os anos vindouros confirmaram que as expectativas colocadas em governos humanos seriam frustradas, pois a injustiça recrudesceria (I Samuel 8:11-18) (SHEDD, 1993, pp. 9-10).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O “establishment” humano (ordem política, jurídica, cultural e socioeconômica) precisa se submeter ao império celestial, sob pena de se colher (e continuar se colhendo) os frutos de sua desobediência, traduzidos em miséria, fome, opressão, violência, exploração, guerras, etc.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Igreja, na qualidade de embaixadora da mensagem e assuntos divinos, tem a missão de proclamar a ordem divina e denunciar o pecado, crime, males e abusos, mormente daqueles que ocupam o poder político, jurídico ou econômico, e assim minimizar os males do mundo e antecipar os efeitos do Reino Celeste.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os governos humanos precisam se submeter à autoridade de Deus, que é quem concentra em si todo poder. A legitimação do poder e validação da autoridade humana estão fundadas na ordem divina:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A primeira e principal mensagem a ser anunciada pela igreja ao estado e aos que dominam as estruturas perversas do mundo, é a exigência de Deus quanto ao arrependimento (cf. At 17.30). No momento em que os líderes se submeterem à soberania de Jesus Cristo, a quem Deus entronizou como Messias e Senhor do mundo (At 2.36), a questão da injustiça poderá ser resolvida, pois esta é primariamente um sintoma de um relacionamento rompido entre o homem e Deus. “&#8230; Não há autoridade que não proceda de Deus” (Rm 13.1), só pode significar autoridade legítima. Exemplos incontáveis do abuso do direito de reinar através de toda a história, tornam claro que seguir cegamente as ordens de um estado ou de um tirano pode significar a negação da soberania de Cristo (SHEDD, 1993, pp. 13-14).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Há que se enfatizar, portanto, que a expressão religiosa cristã foi e continua sendo fundamental para a construção de uma natureza humana mais plena, realizada e desenvolvida. A doutrina, a correção do caráter humano e a sua máxima valorização são alguns dos contributos que sempre estão na ordem do dia da sociedade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Não se deve olvidar que a humanidade passou por diversas guerras localizadas, além de duas em nível mundial, fatos que levaram o homem a repensar sua existência, seus valores e propósitos, e assim, buscar aspirações mais nobres. Com isso, construiu uma ordem política e jurídica internacional que serviu de suporte aos ordenamentos jurídicos internos dos países, procurando proteger, elevar, valorizar e desenvolver a pessoa humana, estabelecendo-se o conceito de direitos humanos e fundamentais inalienáveis (inegáveis, irrenunciáveis, imprescritíveis e inegociáveis). &nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;A busca do homem por melhores condições, pela paz e pelo progresso não deve ser menosprezada. Entretanto, o ser humano muitas vezes se perde no meio do caminho, e desse modo, precisa de diretrizes sólidas para preencher sua existência, dando-lhe significado, propósito e esperança. Por isso:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O nascimento do Messias, seu ministério, morte e ressurreição são componentes de uma mensagem nova que ofereceu às pessoas um alento e esperança que os pagãos de outrora jamais sonharam ser possível experimentar. Essa mensagem nova, o evangelho que a Deus aprove revelar no século 1 da presente era, ofereceu aos corações tristes e cansados uma saída para a condição de perdição e morte em que se encontravam (GRANCONATO, 2014, pp. 25-26).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Cristianismo, sem margem de dúvidas, não apenas é precursor dos direitos humanos, como, além de fornecer um contexto para uma experiência pragmática transformadora do coração humano, ainda funciona como um freio aos instintos animalescos mais primitivos do homem, os quais muitas vezes atentam contra os direitos humanos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">                 Há relatos históricos dando conta das atrocidades praticadas por líderes políticos ateus, os quais tentaram instalar um regime “anti-Deus” sacrificando milhares de vidas humanas:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Prosseguindo na história da União Soviética descobre-se que Josef Stalin (1878-1953), entre 1922 e 1953, matou cerca de 20 milhões de pessoas na tentativa de estabelecer um estado anti-Deus. Se as lentes da história forem voltadas para a China de Mao Tsé Tung (1893-1976), verifica-se que, acalentando o mesmo sonho de Stalin, o ditador chinês matou 70 milhões de pessoas entre 1949 e 1976 (GRANCONATO, 2014, p. 174).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Religião cristã é indubitavelmente instrumento de valorização da vida, de internalização de valores objetivos, da pacificação e desenvolvimento espiritual, intelectual, emocional e social. Ela inspira mais do que ordens políticas, jurídicas e socioeconômicas, ela inspira mudanças concretas e amor ao próximo, inspira esperança&nbsp; e confiança, sendo padrão absoluto de eticidade e moralidade, e termômetro de uma sociedade saudável e bem estruturada.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A ausência da influência religiosa cristã pode pôr em descrédito as instituições humanas, e fazer com que os valores essenciais à vida em coletividade sejam esquecidos ou negligenciados, trazendo medo, tensão e violência:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Nos escritos de Plutarco (46-126) há a afirmação de que quando a religião se ausenta da vida dos homens, estes em nada superam os animais e, muitas vezes, se tornam até mais dignos de lástima. A experiência humana mostra que ele estava certo. Contudo, conforme dito anteriormente, crer numa divindade não é o bastante. É preciso crer no Deus verdadeiro, Criador e Redentor, que se revela na natureza, na consciência humana, na história e, especialmente, nas Escrituras. É preciso crer no Deus dos apóstolos: o Deus encarnado na pessoa de Jesus de Nazaré (GRANCONATO, 2014, p. 175).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Religião Cristã preconiza um Deus transcendente, pessoal, amoroso e sábio, de modo que sua influência direta na vida de um país pode alterar significativamente seus rumos sociais, econômicos, políticos e jurídicos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Isso porque quando os governantes, legisladores, magistrados e empresários entendem a ótica da sublime relação vertical e do amor ao próximo, o egoísmo, avareza, vingança e violência dão lugar aos mais elevados valores capazes de construir uma sociedade livre, solidária, justa e mais humana.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Livro dos Salmos diz: “Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor”. Tal diretriz é capaz de fornecer segurança política e jurídica, pois quando se crê em Deus verdadeiramente o ego é destronado do coração, e se passa a governar sob valores que criam atmosfera de confiança, verdade e desenvolvimento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Novamente se frisa que não se trata de restaurar a curto prazo o paraíso perdido, mas de antecipar os efeitos benéficos do Reino de Deus, o qual se implementa paulatinamente até seu ápice definitivo quando nenhuma vontade lhe será mais contrária.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Evidente que a espiritualidade cristã preconizadora de boas novas não está livre de que se enfrente vicissitudes e oposições. Pois, como se sabe o jogo político e jurídico é montado em interesses, os quais são invariavelmente travados nos bastidores, de modo que não é interessante um ordenamento jurídico efetivo, mas simbólico. &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Ademais, Deus pode ainda permitir lutas e dissabores na trajetória humana, porém sua bondade e retidão são incontestáveis:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O que se quer destacar aqui é que, quaisquer que sejam os atos e decretos de Deus, inclusive aqueles que causam sofrimento e que os homens julgam arbitrários e injustos, ele os realiza de maneira que sua inocência, santidade, justiça e bondade não sejam comprometidas. De fato, o Senhor é bom e inculpável em absolutamente tudo o que faz. E quando não parecer assim aos olhos humanos, os crentes devem se lembrar do cântico celeste ouvido por João em Patmos (Ap 15.3-4) e crer com humildade em suas palavras:&nbsp;<br><strong>Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus todo-poderoso. <em>Justos e verdadeiros são os teus caminhos</em>, ó Rei das nações. Quem não te temerá, ó Senhor? Quem não glorificará o teu nome? Pois tu somente és santo. Todas as nações virão à tua presença e te adorarão, pois os teus atos de justiça se tomaram manifestos</strong> (GRANCONATO, 2014, p.&nbsp;178-179) (grifou-se).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por todo o exposto, resta histórica, científica e escrituristicamente provado que o Cristianismo é a base religiosa e doutrinária do que se convencionou se denominar mais tarde de direitos humanos (fundamentais).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ao contrário do positivismo jurídico, que em Hans Kelsen tem seu maior expoente, e que coloca na norma (enunciado lógico e hierárquico) sua validade e autoridade; e do jusnaturalismo comum (lastreado na mera racionalidade humana ou natureza); o Cristianismo legou ao mundo um Jusnaturalismo Teológico, em que a fundamentação político-jurídica da ordem humana tem seu substrato de validade em Deus.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Irrefragável que a transcendência (elevação, superioridade e metafísica) e imanência (presença) de Deus o colocam na perspectiva de ser o primeiro e inigualável autor dos direitos humanos, haja vista a elaboração e implementação de seu projeto soteriológico. Ele ama e cuida dos céus e ama e cuida na terra.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O “Logos” divino revelado em Jesus Cristo trouxe à esfera do humano o que significa em termos materiais o amor incondicional “ágape” (αγάπη) de Deus revelado aos seres humanos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A perspectiva bíblica revela o ministério e vida de Cristo dedicado a fazer o bem: ensinar, alimentar, curar, corrigir, ouvir, libertar e salvar as pessoas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">                 O amor e cuidado ao próximo sempre esteve na pauta da agenda de Cristo: “E Jesus, saindo, viu uma grande multidão, e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas” (Marcos 6:34).&nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; O trecho “ao ver a multidão teve compaixão deles” (Ιδων δε τουs οχλουs εσπλαγχνισθη περι αυτων) revela a essência divina e humana de Jesus, bem como sua atitude com os seres humanos: “teve paixão” (amor) pelas vidas; “sofreu com eles”, “sentiu suas dores”, “considerou sua carência e necessidades”.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Portanto, irrefutável que o sustentáculo e pano de fundo histórico-axiológico dos direitos inalienáveis do ser humano é a Religião Cristã com sua mensagem de amor e justiça divinos, influência essa, que é expansiva à epistemologia, artes, etc.:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A influência do ideário cristão na construção da cultura ocidental, também, deve ser levada em conta, especialmente quando se considera modelos educacionais (a própria ideia de universidade), artísticos (o gótico, a inspiração renascentista, o barroco), as origens do direito internacional (Francisco de Vitória), bem como uma premissa de igualdade de acordo com leis naturais (GODOY e MELLO, 2016, p. 327).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nesse passo, não há que se falar em separação absoluta entre Estado e Religião, tendo em vista que os alicerces da cultura, política, jurídica e demais elementos sociais do ocidente se estruturaram a partir da cosmovisão cristã.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Apesar da permissividade religiosa plural, a República Federativa do Brasil incorporou no preâmbulo da Carta Magna o substantivo próprio e concreto “Deus”, sendo que “É inegável que um conteúdo ético de feição cristã se constitua no pano de fundo de nosso texto constitucional vigente, ainda que o regime laico seja uma de suas características mais emblemáticas” (GODOY e MELLO, 2016, p. 327).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Enfim, a Religião cristã assume a sua proeminência, influência e benevolência nos mais variados setores da vida, mormente do mundo ocidental. A importância desse legado no universo político-jurídico dos direitos humanos é fundamental, pois se trata de uma estrutura de poder que pode contribuir para a melhoria de vida do ser humano.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para Jónatas Machado “o teísmo judaico-cristão estabelece os axiomas normativos que suportam os valores e princípios do Estado Constitucional” (2013, p. 17).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em havendo o reconhecimento formal e abstrato desses axiomas pelo ordenamento jurídico brasileiro, o passo seguinte é a concretização de seus postulados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CAPÍTULO 4: TRANSCENDÊNCIA CRISTÃ: CIÊNCIA E FILOSOFIA</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1. Transcendência e Conhecimento </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>A terminologia “transcendência” significa aquilo que é “elevado”, “superior”, “exterior”, “metafísico”. Japiassú e Marcondes no dicionário de Filosofia a definem como:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Transcendência/transcendente (do lat. transcendere: ultrapassar, superar) I. A noção de transcendência opõe-se à de imanência, designando algo que pertence a outra natureza, que é exterior, que é de ordem superior. Nas concepções teístas, p. ex., Deus é transcendente em relação ao mundo criado. Ver teísmo. 2. Que está além do conhecimento, além da possibilidade da experiência, que é exterior ao mundo da experiência (2001, p. 185).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>No contexto teológico cristão significa a qualidade do Deus triúnico, que se constitui em um ente pessoal, real, espiritual, infinito, altíssimo, separado e exterior ao universo criado, dotado das prerrogativas de onipotência, onipresença e onisciência, dentre outros adjetivos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A contribuição cristã, dentre outras, à humanidade foi trazer escriturística e doutrinariamente a concepção monoteísta de um Deus pessoal, que ama, se relaciona e tem um projeto terreno e eterno a cada ser humano. Dentro dessa perspectiva a doutrina teológica do Cristianismo colabora para o crescimento espiritual, intelectual, emocional&nbsp; e axiológico em nível humano (individual) e social (coletivo).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tal proposição é de suma relevância ao desenvolvimento, pois se enquadra na compreensão, necessidade e anseio humano. A doutrina teológica do Cristianismo quando comparada a outras matizes religiosas se mostra nitidamente superior, tendo em vista que o politeísmo antropológico cultural; a ideia de Deus como força impessoal e a heresia agnóstica da impossibilidade absoluta de se conhecer a Deus obscurecem o entendimento e obstaculiza o progresso humano.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">                 A transcendência cristã (fé e espiritualidade) em sua doutrina e perspectiva empírica, coloca o ser humano como protagonista de sua própria história, conferindo-lhe autonomia e moldando-se sua consciência a partir dos valores expressos nas Sagradas Letras.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>Essa<strong> </strong>transcendência é de inconteste importância, pois a mente limitada e errante do homem lhe impossibilita muitas vezes de apreender, conhecer e compreender os dados da realidade em modal mais profundo e objetivo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Immanuel Kant considera que a perspectiva transcendental é primordial, considerando-se a necessidade de análise das condições de possibilidade da experiência&nbsp; pragmática, pois a interpretação do mundo concreto e seus fenômenos depende essencialmente da estrutura da consciência humana (JAPIASSÚ e MARCONDES,&nbsp;2001, p. 185).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>Destarte, o postulado científico de equidistância do observador em relação ao objeto estudado, máxima e possível objetividade, experiência e conclusão atinge seu pleno na transcendência, pois uma análise na perspectiva divina possibilita a penetração no âmago das coisas, transpassando-se a sua mera representação.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Criador do universo é quem tem as melhores e perfeitas condições de guiar a mente humana rumo ao conhecimento e crescimento reais. Isso tanto na análise das coisas e fenômenos pertinentes às ciências exatas e naturais quanto no campo das ciências humanas, universo em que observador e objeto se confundem acarretando maiores dificuldades, complexidades e mistérios.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No conhecimento de si, do outro, da sociedade, seus fenômenos e complexos, a subjetividade humana, marcada por limitações, preconceitos, valores e peculiaridades pode ser um obstáculo. Diferente, porém, no campo das ciências exatas e naturais em que se têm dados mais precisos, tangíveis e observáveis como números, curvas, cálculos, dimensão, peso, cheiro, substância, movimento, etc.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Portanto, a metodologia de se orientar por valores e princípios expressos na Bíblia, sem deixar de lado, por óbvio, a subjetividade e experiência do sujeito cognoscente, bem como as valiosas e legítimas contribuições dos outros ramos do saber, é um modal legítimo e objetivo em epistemologia.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Assim:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Quanto às características e especificidades das Ciências Humanas e Ciências Naturais, a questão do método, constitui-se como uma das principais diferenças. Enquanto a primeira possui como objeto de estudo o homem, pautada na subjetividade dos sujeitos. Como destaca Chauí (2000, p. 345) “[&#8230;] a expressão ciências humanas refere-se àquelas ciências que tem o próprio homem como objeto”. Em contrapartida, a segunda tem como objeto de estudo a própria natureza (SANTOS [org.]; et al., 2017, p. 34).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A transcendência cristã lança luz na empreitada humana em busca do conhecimento e progresso individual e coletivo. A oração, os conhecimentos bíblicos, os valores e princípios, a práxis, a história e os resultados científicos obtidos sob auspício religioso cristão compõem o arsenal de que dispõe o cristão para extrair da realidade que o cerca conhecimentos filosóficos ou científicos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>Destaque-se que embora a Bíblia auxilie o homem na busca por conhecimentos científicos ou filosóficos, ela&nbsp; está acima do método científico por no mínimo, três premissas estruturais: a um, Deus é uma realidade externa objetiva não passível de compreensão via metodologias humanas; a dois, a Escritura trabalha com conclusões e não com argumentos especulativos e meramente racionais, Deus não está confinado à lógica humana; e a três, o método científico é uma invenção humana, não sendo via epistemológica absoluta, mas tão somente uma das muitas formas de se obter conhecimento seguro sobre objetos e fenômenos via raciocínio, asseverando-se que a ciência é permeada pelo binômio subjetividade-objetividade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>A transcendência cristã não anula o método científico, mas sendo anterior &nbsp; e superior, o complementa. A Bíblia, enquanto documento escrito e histórico, tem no mínimo seis mil anos de história tendo consolidado sua posição de superioridade no tempo e espaço. O método científico, em sentido moderno, surgiu nos séculos 17 e 18 da era cristã (TENNEY e BARABAS, 2008a, p. 1049).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2. Religião Cristã e Epistemologia (Ciência e Filosofia) </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Epistemologia é o estudo ou teoria do conhecimento. É um ramo da Filosofia que estuda a essência (natureza) do conhecimento humano, bem como sua validação, fundamento e metodologia. O termo é formado por dois vocábulos gregos: “episteme” (ciência) e “logia” (estudo, tratado, teoria). Ela verifica as questões relativas ao conhecimento em si (científico e filosófico), se verdadeiro, ilusório, filosófico, científico, senso comum, etc. Nesse processo, a subjetividade, padrão cognitivo, crenças e valores do sujeito também são determinantes. Assim, a epistemologia é:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Disciplina que toma as ciências como objeto de investigação tentando reagrupar: a) a crítica do conhecimento científico (exame dos princípios, das hipóteses e das conclusões das diferentes ciências, tendo em vista determinar seu alcance e seu valor objetivo); b) a filosofia das ciências (empirismo, racionalismo etc.); c) a história das ciências. [&#8230;] Segundo os países e os usos, o conceito de “epistemologia” serve para designar. seja uma teoria geral do conhecimento (de natureza filosófica), seja estudos mais restritos concernentes à gênese e à estruturação das ciências (JAPIASSÚ e MARCONDES, 2001, p. 63).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O conhecimento das coisas é uma atividade natural do intelecto humano, que deseja conhecer, descobrir e expandir seus horizontes espirituais e cognitivos. Assim, há uma busca incessante por explicações transcendentais, lógico-racionais, abstratas e empíricas. A curiosidade, humildade e dúvida formam a tríade do pensamento epistemológico.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Faz parte da natureza humana indagar sobre tudo o que o circunda, seja na esfera da cognição abstrata ou no campo empírico. O homem busca nos processos de “como” (ciência) e “por quê?” (teologia, filosofia, mitologia) respostas aos seus anseios mais íntimos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Perguntas como: “de onde viemos”?, “qual o sentido da vida”?, “como tudo teve origem”?,“porque vivemos e morremos”?, “o que é justiça”?, “como se formou o universo”? “em que se consiste e como funcionam matéria, energia, tempo e espaço”?; dentre outras, formam o cabedal de dúvidas presente nos seres pensantes.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Cristianismo tem contribuído ao longo dos séculos tanto para assentar os fundamentos da ciência moderna quanto seu aprimoramento. Repise-se que embora a Bíblia não pretenda ser manual filosófico ou científico, no entanto fornece princípios, postulados e conclusões que auxiliam a busca e descoberta do conhecimento.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O cientista cristão não está livre de dúvidas, subjetivismos e incertezas, no entanto ele está preparado para seguir as evidências aonde quer que estas o encaminhe. Por óbvio, o fazer científico exige maximamente o despojo de ideias preconcebidas e a capacidade de deixar o objeto falar por si. Adota-se a perspectiva de que Deus criou o espaço, o tempo, o universo, a natureza e os animais, dentre estes o homem. Disso decorre que o funcionamento do universo, suas leis e complexidades podem ser estudados sob a ótica de um Designer Inteligente.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Fé e ciência não são termos excludentes, ao contrário, possuem relação complementar em que a fé pode guiar a razão na determinação e descoberta de fatos concretos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As críticas muitas vezes dirigidas sem fundamento à Religião se devem ao fato de o crítico não delimitar com precisão a causa e o objeto de sua discordância. A fé é um elemento transcendente e o corpo eclesiástico é formado por homens falhos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Assim, autoritarismos eclesiásticos e ideologias não são fatores nocivos presentes apenas no seguimento religioso. Há que se observar que a autoridade econômica da burguesia tem há tempos interferido no pensamento científico impedindo a máxima objetividade, verdade e ética.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Entretanto, a perspectiva de uma fé transcendente cristã, nos moldes bíblicos, praticada no âmbito religioso tem sido um fator favorável ao ramo filosófico e científico. Tem-se que:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Muitos dos homens que lançaram os fundamentos da ciência moderna eram também homens de firme fé cristã. Entre eles estavam Copérnico, Galileu. Kepler, Newton, Francis Bacon e René Descartes. A uniformidade da natureza e a inviolabilidade da lei natural eram, para eles, questões de fé religiosa. A idéia do universo mecanicista foi apresentada como mostrando a perfeição da criação de Deus, e a ausência da necessidade de um “espaço preenchido” por Deus explica os fenômenos naturais que a ciência não poderia explicar. <strong>É uma conclusão razoável que a ciência moderna está fortemente em dívida com a Bíblia. Ela tem suas principais origens conceituais na Bíblia, suas suposições básicas eram questões de fé religiosa e a busca da investigação científica é admoestada biblicamente</strong> (TENNEY e BARABAS, 2008a, p. 1050) (grifou-se).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>Tangente à criação do universo, seus elementos e a vida terrestre a Bíblia assume enfaticamente a atuação inteligente e proposital de um Deus pessoal. Em tal afirmação geral pode-se extrair princípios científicos importantes, como por exemplo, Deus é a causa de todas as coisas, o universo é menor do que Ele, portanto, deduz-se que a causa deve ser necessariamente maior que o efeito produzido. Deus é um ser vivo que criou toda a vida biológica, bem como todo o ecossistema, assim, tem-se que um ser vivo só pode proceder de outro ser vivo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Também o vetor teleológico é fundamental porque a complexidade da vida e seus organismos animais, vegetais e os elementos minerais existentes indicam que toda ordem natural cumpre um propósito. A regularidade das estações climáticas, a fotossíntese das plantas, o sol como elemento externo e fonte de luz e calor fornecidos à terra, o ciclo das chuvas, a influência da lua na produção das marés, a suspensão gravitacional da terra no espaço, etc., mostram que tudo segue uma coordenação pré-estabelecida.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ademais, a teoria do fino ajuste em que toda a vida existente surgiu e se mantém dentro de um intricado e complexo conjunto de condições é um fator admirável, dada a probabilidade infinitesimal das chances de sua ocorrência. O cálculo da massa, da força gravitacional, a distância dos corpos celestes em relação a sua posição no espaço e a terra não podem ser coincidências, mas resultado de uma mente infinitamente inteligente ou o universo não funcionaria e a vida não seria possível.&nbsp; &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">   &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Isso porque o sol, a luz, o ar, a água, o solo e a vegetação e os corpos de cada espécie animal perfeitamente ajustados para a vida no planeta formam um conjunto de condições exatamente necessárias à vida.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Bíblia fala que a criação do universo (também a terra e seus componentes bióticos e abióticos) se deu em etapas sucessivas e variadas. Primeiro a criação da luz, água, terra, vegetação, luminares (sol, lua) e estrelas, e depois de preparado todo o meio ambiente natural, criou-se a vida marinha, aves, animais, e por fim o homem, completando-se assim, todo o ecossistema, o que fornece um parâmetro para o fino ajuste das coisas sob supervisão de uma inteligência superior (Gênesis 1).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>Embora Deus tenha criado o mundo físico, deve ser dito que ele não é a totalidade da existência. Não sendo a realidade completa, ele é coexistente com o reino espiritual (Jo 4.24; Ap 16.14). Há uma permeabilidade do reino espiritual sobre o físico entre esses dois reinos (físico e espiritual) (Gn 2:7; Ef 6.12; 1 Pe 5.8), bem como uma intercambialidade entre ambos (Mt 17.19,20; Jo 13.2; At 2.2-4), destacando-se a eternidade do reino espiritual e a temporalidade do mundo físico (Mt 24.35), sendo que a fonte última de todo o conhecimento e poder consta no reino espiritual (Sl 111.10; Mt&nbsp;28.18; Rm 11.33-36) (TENNEY e BARABAS, 2008a, p. 1051).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Considerando-se a extrema relevância da ciência e tecnologia, as quais objetivam o desenvolvimento e aperfeiçoamento do homem e das condições de vida,&nbsp; há que se destacar que conhecimento e ética são campos indissociáveis.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A importância da contribuição cristã ao conhecimento reside não apenas no fato de se conceder princípios lógico-cognitivos, métodos e postulados conclusivos, mas também em fundamentar a gênese desse conhecimento, ou seja, tudo deve convergir para Deus e para o bem último do ser humano.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Conhecimento que retarda os processos de desenvolvimento, aliena, destrói o meio ambiente e subjuga o próximo não é conhecimento verdadeiro, haja vista que a razão precípua da expansão intelectual deve ser sempre uma melhoria no interior e nas condições externas da vida humana.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por isso a ciência não deve ser apenas pragmática, utilitarista e econômica, mas, sobretudo, deve estar pautada na ética, a qual ajusta os meios aos fins e conduz ao melhoramento da raça humana. Destarte:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Depois de milhões de anos de existência sobre a Terra, continua a criatura humana a defrontar-se com os mesmos problemas comportamentais que sempre a afligiram: o egoísmo, o desrespeito, a insensibilidade e a inadmissível prática da violência. Estudar ética poderá ser alternativa eficaz para o enfrentamento dessas misérias da condição humana. Ética se aprende e ética se pode ensinar. <strong>O abandono da ética não fez bem ao processo educativo, nem à humanidade</strong> (NALINI, 2009, p. 76) (grifou-se).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Assim, as ciências naturais, exatas e humanas precisam se submeter ao domínio ético, sob pena de se obscurecer o verdadeiro sentido da inteligência e valor da vida humana.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quando o conhecimento se aparta de sua fundamentação ética, e perde de vista a vida humana, seu valor e direito ao bem estar, ele passa a ser ideológico, e torna-se instrumentalidade de poder e domínio, servindo a interesses privados em detrimento do bem comum geral:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] o conhecimento aplicado tornou-se o ativo econômico mais valioso e é cada vez mais protegido por sigilo jurídico, e não mais controlado pelas principais universidades, mas sim pelos laboratórios das grandes empresas multinacionais, em benefício próprio (DUPAS, LAFER &amp; SILVA, 2008, p.&nbsp;26).&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O positivismo sempre procurou infundir a sua ideologia, quer nas ciências naturais ou nas ciências sociais e humanas. Para esse movimento cético, cuja pretensão é imaginar que sua capacidade epistêmica e metodológica é suficiente para esgotar todo o conhecimento presente na realidade, as questões metafísicas, religiosas e axiológicas são entraves que obscurecem o verdadeiro conhecimento, sua logicidade e objetividade:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O principal objetivo dos positivistas lógicos, que floresceram em Viena durante as décadas de 20 e 30 e cuja significativa influência ainda persiste, era fazer a defesa da ciência e distingui-la do discurso metafísico e religioso, que a maioria deles descartava como bobagem não-científica. [&#8230;] Os positivistas buscavam, por exemplo, uma “teoria unificada da ciência” (Hanfling, 1981, capítulo 6) que pudessem empregar para a defesa da física e da psicologia behaviorista e para criticar com severidade a religião e a metafísica (CHALMERS, 1994, pp. 14-15).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Desse modo, o positivismo, descartando a transcendência da fé, considera, por meio da sua observação fenomenológica, que o conhecimento verdadeiro se restringe apenas ao que for comprovado pelo método científico. Teologia e metafísica são consideradas estruturas inferiores e ultrapassadas na explicação dos fatos, fenômenos e da vida, sendo a espiritualidade substituída pela racionalidade, que assume ares de onipotência.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A falha no raciocínio positivista se dá por uma conjugação de fatores:&nbsp;&nbsp;</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>O conhecimento que se pretenda verdadeiro não pode se resumir à um único método de apreensão, pois a realidade e todo seu bojo de conhecimento é maior que a mente humana e suas metodologias;&nbsp;&nbsp;</li>
</ol>



<ol start="2" class="wp-block-list">
<li>Os objetos e fenômenos estudados geralmente possuem inter, multi e transdisciplinaridade, e, portanto, analisá-los sob uma única ótica pode reduzir o conhecimento daí extraído;&nbsp;&nbsp;</li>
</ol>



<ol start="3" class="wp-block-list">
<li>O método científico não é totalmente objetivo, pois seria impossível, haja vista que tudo que se sabe e se pode conhecer sobre a realidade externa passa pelo crivo da consciência humana;&nbsp;&nbsp;</li>
</ol>



<ol start="4" class="wp-block-list">
<li>Método científico não pode patentear o monopólio da verdade e do conhecimento. Além disso, a arrogância elide a busca do saber, pois, destrói um dos postulados científicos, que é a humildade;&nbsp;</li>
</ol>



<ol start="5" class="wp-block-list">
<li>A ciência é extremamente dependente da racionalidade humana, a qual&nbsp; é permeada por muitas fragilidades, erros e limitações;&nbsp;&nbsp;</li>
</ol>



<ol start="6" class="wp-block-list">
<li>A ciência e o positivismo são permeados de especulações e conjecturas. A teoria da evolução trabalha com suposições, pois não consegue explicar o salto ontológico entre os seres primatas e o homem, além da complexidade da vida e variedade das espécies. No Direito, o positivismo normativista kelseniano estabelece que o que dá sustentação, validade e legitimidade à um conjunto de normas é a Constituição, e acima dessa se localiza a norma fundamental hipotética (grundnorm), a qual não passa de uma pressuposição lógico-transcendental (aqui sem qualquer conotação metafísica, axiológica ou religiosa) que leva os homens a obedecer a ordem político-jurídica. No entanto, desconsidera que fatores psicológicos, sociológicos, antropológicos e principalmente axiológicos é que formam a força motriz de obediência e respeito à lei, mantendo-se a ordem e a paz social.&nbsp;&nbsp;</li>
</ol>



<ol start="7" class="wp-block-list">
<li>Existem verdades que a ciência não pode provar, e, no entanto, são válidas e legítimas. Exemplos, a ciência não pode provar verdades oriundas das questões éticas, estéticas, metafísicas, lógicas e matemáticas. Não se pode provar que um assassinato é errado pelo método científico (ética); não se pode fazer julgamento sobre o conceito de “belo” usando a ciência (estética); não se pode provar o pensamento abstrato, e que existem outras mentes além daquela que cada ser humano possui (metafísica). A atividade científica requer utilização da lógica e da matemática, então, tentar provar se estas são verdadeiras seria andar em círculos, pois para se provar sua validade seria necessário se despojar delas, o que não é possível. Assim, para provar a veracidade da matemática e da lógica a ciência teria que usá-las no processo, incorrendo-se na falácia de petição de princípio (“petitio principii”).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No que concerne ao pensamento filosófico a pós-modernidade é marcada por filosofias materialistas, existencialistas e de cunho essencialmente neoateísta. Como se não bastasse a deificação das ciências, entronização da racionalidade humana e&nbsp; secularização dos valores, a ideia de que Deus não existe encerra o ciclo de pretensão, jactância e autossuficiência humana.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Essas filosofias parecem obscurecer o verdadeiro conhecimento, e sob pretexto de libertar e desenvolver as faculdades intelectivas humanas, nota-se, que elas se tornam, inevitavelmente, sua prisão.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O conhecimento da verdade produz libertação (João 8:32), porém não a verdade subjetiva e ilusória dos homens, mas a verdade de Deus. Falsas filosofias tendem a aprisionar o homem na caverna da ignorância impedindo-o de conhecer a verdade, se libertar e se desenvolver.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O apóstolo Paulo orientou a Igreja de Colossos para que não fossem seduzidos por pretensas filosofias e ficassem, assim, subjugados: “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo”&nbsp;(Colossenses 2:8).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A nota orientativa não era contra a verdadeira Filosofia – esta entendida, valorizada e validada como atividade cognitiva natural do ser humano, mas sim contra os ensinamentos vazios, pretensos, ilusórios e perversos, produtos da natureza decaída do homem, embutidos na sua tradição.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Algumas religiões interpretam erroneamente referido versículo:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Testemunhas de Jeová</strong>. Empregam este versículo para ensinar a seus adeptos que não devem estudar filosofia. <strong>RESPOSTA APOLOGÉTICA</strong>. A filosofia não era uma ciência abominada por Paulo, mas, sim, a “vã filosofia. Aquela que, além de não produzir conhecimento, deturpa o alcançado, não conduzindo ninguém ao conhecimento de Deus, mas exaltando as doutrinas humanas (2.22; Mc 7.3,5,8). O apóstolo advertiu Timóteo contra estas práticas, exortando-o a que guardasse o conhecimento que já havia recebido (1 Tm 6.20), da mesma forma que advertiu Arquipo (4.17). Considerando a etimologia, Paulo não poderia, de modo algum, condenar a filosofia, uma vez que a filosofia é “o amor à sabedoria”, virtude solicitada por Salomão a Deus (2 Cr 1.11) (ALMEIDA, 2007, pp. 1202-1203).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No contexto bíblico, Deus se constitui na realidade mais importante da vida humana, e alcançar o máximo entendimento possível sobre sua pessoa, natureza, valores e propósitos se torna a atividade intelectual e pragmática mais nobre do indivíduo.&nbsp; <strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong> A<strong> </strong>relação com Deus é “conditio sine qua non” para o autoconhecimento, conhecimento externo e desenvolvimento epistêmico máximo. Partindo-se do pressuposto que cada ser humano possui uma identidade e digital distinta, conclui-se que o ser individual não foi criado conforme uma padronização natural, mas conforme o ideal e propósito divino, e em Deus está, portanto, a chave para a descoberta do potencial próprio e os meios para se desenvolvê-lo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Diversos pensadores cristãos como Agostinho de Hipona, Tomás de Aquino, Boécio ou Giovanni P. D. Mirandola enfatizaram a questão da existência e transcendência divina, espiritualidade e potencialidade humana, ressaltando-se a natureza ímpar e epistêmica do ser humano, que se reinventa, investiga, descobre, questiona e se desenvolve porque traz consigo a “Imago Dei”.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, o Cristianismo não apenas é fonte de espiritualidade saudável, mas também de conhecimentos filosóficos de alto nível, pois considera Deus o objeto máximo da atividade pensante humana, e o homem, é concebido como portador de uma dignidade e capacidade que o faz ir além do que já é, pois seu destino não está traçado, e ele pode-se inovar, renovar, criar, crescer e desenvolver ao máximo suas potencialidades.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Cristianismo reconhece que a realidade física é maior que sua capacidade de conhecê-la. Reconhece também sua finitude e transitoriedade. Todavia está fundamentado em uma realidade transcendente que o leva a superar os obstáculos cognitivos e extrair o conhecimento necessário ao seu desenvolvimento:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Visto que somos seres finitos e não podemos enxergar o todo da realidade de uma vez, nossa perspectiva da realidade é necessariamente limitada por nossa finitude. Mesmo assim, cremos que é possível ter conhecimento suficiente da realidade para encontrar as respostas a algumas das questões mais importantes da vida sem deter conhecimento exaustivo da realidade (GEISLER e BOCCINO,&nbsp; 2003, p. 50).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>O universo e sua complexidade, os fatos observáveis e os fenômenos verificáveis e todos os demais elementos da realidade estão à disposição do teísta e do ateísta, e embora o ponto de partida seja idêntico, no entanto, a conclusão a que chegam é diametralmente oposta. Isso porque o cristão considera Deus como a causa não causada é a melhor explicação para qualquer tema, e o ateu sustenta que o homem, o universo e os dados da realidade formam um conjunto de tudo o que existe:&nbsp; &nbsp; <strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O <em>ateísmo</em> acredita que não existe Deus nenhum, seja no próprio universo, seja além dele. O universo ou cosmos é tudo o que existe ou existirá, ele é autosustentável. Entre os mais famosos ateus estão Karl Marx, Friedrich Nietzsche, Sigmund Freud e Jean-Paul Sartre. Seus escritos tiveram tremenda influência sobre o mundo (GEISLER e BOCCINO, 2003, p. 57).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Enfim, a epistemologia quando alicerçada em Deus descortina e potencializa o conhecimento (científico e filosófico) verdadeiro e alavanca o desenvolvimento humano e social.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.3. Fé e Razão: Uma Complementaridade Necessária </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O (neo) ateísmo e muitos seguimentos cientificistas e secularistas têm dirigido uma crítica reiterada às religiões, em especial ao Cristianismo, de que não é possível conciliar fé e razão, sendo que aquela tem prejudicado grandemente o cientista. &nbsp; &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; A crítica é que religião e ciência são coisas distintas e às vezes inimigas, de modo que uma não deve intervir no campo de atuação da outra. Para muitos seguimentos ateístas o ato de fazer ciência exige total despojamento da subjetividade, principalmente dos valores religiosos, os quais em tese, obscureceriam o conhecimento. &nbsp; &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; No entanto, há que se enfatizar a “priori” que não existe a objetividade pura&nbsp; e completa preconizada principalmente pelo positivismo e pela classe burguesa, a qual tem patrocinado a produção de conhecimento em diversas áreas. Uma margem subjetiva sempre permanece na consciência do cientista, sendo impossível uma total neutralidade. &nbsp; &nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Ademais, é importante a subjetividade, a fim de que haja paixão, ética, humildade e sentido naquilo que se faz.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por seu turno, o ateu também tem seus valores, a saber, a sua “descrença”, a qual inevitavelmente compromete a análise objetiva e científica dos dados da realidade.&nbsp; &nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Ciência e história já demonstraram empírica, abstrata e metafisicamente que a força e inspiração da fé podem imprimir maior qualidade na produção científica. Elevado número de cientistas e filósofos de diversas culturas no tempo e no espaço sempre mantiveram sua fé no sagrado. Há que se considerar que Deus representa o objeto mais nobre e elevado da busca humana pelo conhecimento, sentido e respostas à existência e eternidade.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No contexto da Religião cristã pode-se falar em fé, a qual é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova&nbsp; das que se não vêem (Hebreus: 11:1); e em razão, que se consiste na faculdade humana de raciocinar, usar&nbsp; o intelecto para apreender as coisas divinas no nível do conhecimento, inteligência. A Bíblia exorta a busca da sabedoria e do conhecimento (2 Crônicas 1: 11-12; Provérbios: 1: 1-7; 3:13; Isaías 11:2; Daniel 1: 3-4, 17; Oséias 6:3; Romanos 1:28; 2 Coríntios 4:6; I Timóteo 2:4; 2 Pedro 1:8; 3:18).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Se ao uso da fé relaciona-se o espírito, o ato de conhecer atribui-se à razão. Por meio da fé apreende-se tudo que é mistério à razão humana. A fé é elemento firme, fundamentado, real e verídico. Ao passo que com a razão tenta-se entender científica e racionalmente tudo aquilo que já está assentado e aceito no campo da fé.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Teologia é o instrumento racional, lógico e científico para se conhecer as coisas de Deus, haja vista que Ele mesmo estabeleceu esses dois canais distintos. Assim, fé e razão são dois elementos imprescindíveis e perfeitamente conciliáveis, ambos sendo exigíveis e necessários no trato das coisas divinas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Teologia demonstra sua importância para se chegar à verdade por meio da razão. Mas, a razão humana é imperfeita e limitada, e por isso constantemente se chega a erros, equívocos e ilusões. A sociedade secularizada apresenta um relativismo em que a verdade depende do tempo, lugar e percepção do indivíduo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Entretanto, a verdade encerrada na Bíblia provém de Deus, sendo objetiva, é um dado externo ao homem. Daí a segurança cristã. Ademais, o tempo mostrou que a Bíblia é confiável e inerrante.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Norman Geisler, sobre a essência da verdade discorre:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A verdade por sua própria natureza é: Não-contraditória — não viola as leis básicas da lógica. Absoluta — não depende de tempo, lugar nem condição nenhuma. Revelada — existe independentemente de nossa mente; não a criamos. Descritiva — é a concordância da mente com a realidade (correspondência). Inevitável — negar-lhe a existência é confirmá-la (estamos presos a ela). Imutável — é o padrão fixo pelo qual se verificam as declarações de verdade (GEISLER e BOCCINO, 2003, p. 51).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A verdade na filosofia é diferente da verdade concebida nas ciências. Na primeira, a verdade possui uma moldura mais abstrata, seguindo-se o princípio da não contradição, dentro de uma estrutura lógica do pensamento; na segunda, verdade é aquilo que se torna maiormente aceito por uma comunidade científica, sendo de caráter transitório, até que outra verdade, baseada em evidências mais sólidas substitua a anterior. Em ambos os casos, a verdade está influenciada pelo subjetivismo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na espiritualidade cristã, a verdade está em Deus, é uma pessoa, pois representa todo o conjunto das coisas que fazem sentido, sendo harmoniosa com a realidade transcendente e física, perfeita, eterna e objetiva. Ela influencia a cognição, vontade, emoção e consciência do indivíduo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Fé e razão, em nível teológico, é ponto incontroverso. Porém, no seguimento secular, filosófico e científico, existem declarações de que fé e razão são campos diversos e incompatíveis, possuindo suas próprias esferas de atuação. De fato, se trata de dois elementos distintos, todavia, profundamente compatíveis e entrelaçados.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Deus requer e capacita o ser humano ao exercício da fé e da razão:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem. E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, E, vendo, vereis, mas não percebereis. Porque o coração deste povo está endurecido, E ouviram de mau grado com seus ouvidos, E fecharam seus olhos; Para que não vejam com os olhos, e ouçam com os ouvidos, E compreendam com o coração, e se convertam, E eu os cure (Mateus: 13: 13-15).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O advento da queda, o qual afastou o ser humano da única fonte de vida, poder e conhecimento autênticos; dentre tantas outras coisas, afetou substancialmente a sua capacidade cognitiva, de modo que a aproximação espiritual e ético-moral é condição “sine qua non” para um conhecimento mais exato e profundo das coisas. &nbsp; &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">  &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Uma compreensão mais apurada e aprofundada das ciências naturais, exatas e humanas depende da fé em Deus. Como profetizou Isaías ratificado no ensino de Jesus no retrocitado texto, em que se extrai a fórmula “Se não creres não compreendereis”, a fé é elementar para auxiliar a razão. Note-se:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O próprio fato de que a lógica pode ser válida ou inválida pressupõe um padrão de lógica que vai além do pensamento humano. Conseqüentemente, <em>para que a ciência seja sólida, ela deve manter a fé que tem na razão, e o raciocínio correto logicamente depende da existência de uma entidade pensante (Deus). </em>Portanto, essa entidade necessariamente deve ser a <em>causa primária </em>ou base racional para todos os primeiros princípios, entre eles as hipóteses científicas. Uma vez que a pesquisa científica não é isolada das hipóteses filosóficas, é preciso examinar essas hipóteses para verificar se são válidas. O princípio primeiro da ciência e um pressuposto filosófico sobre o qual a disciplina ciência repousa: é conhecido por <em>principio da causalidade.</em> (GEISLER e BOCCINO, 2003, p. 71).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A ciência preconiza que a causa deve ser anterior e superior ao seu efeito, tratando-se de uma operação lógica do pensamento abstrato. Considerando-se que o universo (efeito) teve um início, sendo criado em determinado ponto do tempo, decorre que houve uma causa (Deus).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em havendo uma causa espiritual ou metafísica (Causa Primeira: Deus) para a existência do universo e todas as demais coisas, a atitude mais inteligente ao filósofo e cientista é conhecer essa “Causa não Causada”, e, assim, compreender melhor todo o conjunto de efeitos existentes no mundo da realidade. Tem-se que:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Devemos nos recordar também de que <em>o princípio da causalidade é filosófico por natureza</em> e, como tal, afirma que <em>para todo efeito deve haver uma condição necessária e suficiente</em>. Os efeitos não ocorrem sem causas. Isso vale para tudo o que é finito e vem à existência, até o universo. O pai da ciência moderna, Francis Bacon (1561-1626), disse: “O verdadeiro conhecimento é o conhecimento das causas”. Se o universo é finito e teve um começo, então precisa ter uma causa — se o princípio da causalidade é um princípio válido. Uma imperfeição no princípio da causalidade seria equivalente a um colapso fatal no fundamento da ciência (GEISLER e BOCCINO, 2003, pp. 72-73).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A fé honra a inteligência pelo fato de que os princípios científicos de experiência, observação e conclusão não precisam ser suprimidos, mas melhorados, pois a transcendência acrescenta maior capacidade cognitiva, humildade e sinceridade. &nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Deve-se destacar que a objetividade é importante na análise dos fatos até o limite em que o indivíduo se despoja de ideias preconcebidas deixando-se que o objeto fale por si mesmo, entretanto a participação subjetiva também tem seu valor, haja vista que a realidade exterior passa pela consciência e intelecto do indivíduo que pode imprimir sua fé, paixão pela verdade e a vida.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ademais, a ciência jamais atingiu uma objetividade pura, tampouco o fará, haja vista que negar o valor da experiência subjetiva é descartar boa parte dos elementos qualitativos imprescindíveis e que faz a vida ser valorosa: amor, confiança, fé, beleza, espanto, maravilha, compaixão, verdade, arte, moralidade e a própria mente (CHOPRA e MLODINOW, 2012, p. 48).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A fé, embora transcendente, não anula o sistema racional e lógico do ser humano, mas pode potencializar sua inteligência, não de forma automática, mas se houver vontade e disposição para a busca do conhecimento e do desenvolvimento intelectual.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Não obstante, a vida em si, com toda a sua complexidade e multiplicidade, ser imprevisível, a fé oferece uma base para a experiência, observação e conclusão. Muito embora, não signifique que todos os mistérios serão descortinados, ou que a vida seguirá rigidamente o esquema lógico, pois na trajetória espiritual há transcendência, imprevisibilidade, crescimento, paradoxos e fenômenos complexos e inalcançáveis. Todavia, a fé não implica na supressão da estrutura intelectual humana composta pela logicidade, curiosidade, dúvida, incerteza e desejo de conhecer.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;As Escrituras oferecem parametricidade de segurança e confiabilidade na busca da verdade e do conhecimento, ainda que não tenhamos um panorama geral da realidade:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A Bíblia ensina a transcendência de Deus. Seus caminhos e pensamentos são muito mais altos que os nossos (Is 55.9; Rm 11.33). [&#8230;] Às vezes nos dá apenas parte da verdade, mas essa verdade parcial jamais constitui erro (I Co 13.12). Ele se revela progressivamente, mas nunca erroneamente (v. Revelação Progressiva). Ele nem sempre nos diz <em>tudo</em>, mas tudo o que nos diz é verdadeiro (GEISLER, 2002, p. 12).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A transcendência cristã lastreada na Bíblia aponta no mínimo cinco vantagens sobre o método científico. A primeira é que a fé em Deus fornece uma base segura para seguir qualquer evidência até os seus limites. A segunda vantagem, atrelada a primeira, revela que à essa evidência objetiva acompanha a mudança subjetiva. A riqueza da experiência espiritual produz mudança empírica observável na consciência e no comportamento humano, em termos de ética, inteligência e sentido de vida. &nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; A terceira vantagem é que a dinamicidade da realidade e da vida não comporta regimes herméticos e deterministas, pois tudo pode acontecer. A vida não cabe numa tabela preordenada. O próprio homem é um eterno “vir a ser”, pois nos desdobramentos da vida ele vai se amoldando, reciclando, se reinventado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Igualmente, em Física Quântica, a própria observação do sujeito observador tem o poder de fazer uma partícula subatômica mudar a sua posição. O universo está em expansão, a realidade e a vida não são entidades estáticas, então, a janela da imprevisibilidade e espontaneidade pode trazer um espiral de possibilidades de conhecimento e reformulação de “verdades” e conceitos. Assim:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] a espiritualidade aceita a imprevisibilidade. [&#8230;] A imprevisibilidade destrói todas as formas de determinismo, o que é fatal para as explicações físicas, pois os sistemas físicos são regidos por processos fixos. Um átomo de carbono não pode escolher se ligar ou não a um átomo de oxigênio. Ao se encontrarem a interação está determinada. Quando dois seres humanos se encontram, eles podem não partilhar nenhuma química (CHOPRA e MLODINOW, 2012, pp. 447, 449-450).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quarto, o Cristianismo considera a realidade física e espiritual como reais, portanto, concebe um quadro de conhecimento bem mais amplo e profundo. A transcendência entende essa vida terrena como apenas uma parte diminuta de um contexto maior, haja vista que o conceito de “vida” abarca a experiência terrena e a vida eterna. A morte física é parte de um processo superior, completando-se assim o projeto geral de Deus.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A quinta vantagem é que a fé pode suprir as lacunas da razão. A fé vem de uma operação de Deus (Efésios 2: 8) e a razão, embora dada por Ele, foi prejudicada no evento da queda. Assim, nem tudo será compreendido com a razão, mas a fé oferece suporte necessário para uma aceitação daquilo que escapa ao intelecto.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Entretanto, é com a razão que se descobre que Deus é um Ser necessário (Ele não pode não existir), e a criação uma entidade contingencial (sua não existência não altera a realidade divina nem a ordem das coisas).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Pelo argumento ontológico é possível raciocinar sobre a existência de Deus, haja vista que um ser de máxima grandeza, beleza, poder e perfeição deve – por critérios lógico-racionais – necessariamente existir, pois a perfectibilidade é um dos requisitos à existência.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por consequência, a razão auxilia e denota que Deus é tanto o criador quanto mantenedor do universo, e que os milagres são provas verificáveis e incontestes de sua existência e intervenção na própria ordem regular que Ele delegou à natureza.&nbsp; &nbsp; &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Elencadas as vantagens da transcendência, é preciso dizer que fé e razão são importantíssimas para o desenvolvimento humano. Embora a fé seja relevante e imprescindível para o plano salvífico e questões outras, a razão desempenha um papel primordial na existência humana.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Inobstante a fé, revelação e conhecimento dos mistérios sejam implantados por Deus, seu receptáculo é frágil e imperfeito (II Coríntios 4:7), de modo que o ser humano sempre estará imerso nas dúvidas, falhas e incertezas presentes na vida terrena e na realidade que a compõe.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tem-se que a racionalidade é importante, intrínseca e extrinsecamente, pois ajuda o indivíduo de fé a compreender, dentre de seus limites. Deus e seus propósitos, e a adquirir conhecimento, seja teológico, filosófico ou científico.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A razão também auxilia nas questões apologéticas, haja vista que a fé cristã trabalha também com os dados lógicos e epistemológicos, respondendo a muitas indagações formuladas pelos opositores: “Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estais sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (I Pedro: 3:15).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Norman Geisler, filósofo, teólogo e apologista cristão americano, enfatiza que o filósofo e teólogo e também cristão, Agostino de Hipona, coloca a razão como superior à fé:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Como todos os grandes filósofos cristãos, Agostinho lutou para entender a relação entre fé e razão. Muitos apologistas tendem a destacar a ênfase de Agostinho sobre a fé e menosprezar sua valorização da razão na proclamação e defesa do evangelho (v. fideísmo; apologética pressuposicional). Enfatizam passagens em que o bispo de Hipona colocou a fé antes da razão, como: “Creio para que possa entender”. Na verdade, Agostinho disse: “Primeiro crer, depois entender” (Do Credo, 4). [&#8230;] Pois, “se desejamos saber e depois crer, não conseguiremos nem saber nem crer” (Do evangelho de João, 27.9). [&#8230;] Em resumo, Agostinho acreditava que a razão humana era usada antes, durante e depois de alguém depositar sua fé no evangelho (GEISLER, 2002, pp. 20-21).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Torna-se complexo verificar se a razão é superior à fé ou vice-versa, sendo que as duas procedem de Deus, e o ser humano (vaso de barro), é contemplado com ambas, as quais desempenham papéis relevantes e atuam em campos distintos (espírito e intelecto). Parece acertado que a fé por projetar uma relação com o mundo espiritual e ser requisito soteriológico assume maior relevância sobre a razão.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;De tanto a tanto, fé e razão estão intimamente ligadas, sendo a sua cisão impossível, operando-se em comum acordo para o cristão aceitar, entender, viver e explicar os mistérios divinos, de modo que: “Pela <strong><em>fé</em></strong> <strong><em>entendemos</em></strong> que os mundos pela palavra de Deus foram criados” (Hebreus 11: 3) (grifou-se).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;E, até mesmo na prestação do culto espiritual a Deus, o qual envolve a santificação e abnegação do ser humano, há a exigência da presença do elemento racional: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso <strong><em>culto racional</em></strong>” (Romanos 12:1) (grifou-se).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A razão também é de extrema relevância na tarefa apologético-eclesiástica, pois: “Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o <strong>conhecimento de Deus</strong>, e levando cativo todo o <strong>entendimento à obediência de Cristo”</strong> (2 Coríntios 10:5) (grifou-se).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ambas, fundamentadas em Deus, são responsáveis por produzir no ser humano: sabedoria (prudência para a vida); inteligência (conhecimento); percepção (captação e interpretação das coisas pelos sentidos); discernimento (compreensão e avaliação do certo e do errado pelo sentido ou pelo conhecimento); sensibilidade (sintonia com Deus e empatia com o próximo).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CAPÍTULO 5: CRISTIANISMO: DESENVOLVIMENTO HUMANO E SOCIAL&nbsp; </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.1. Cristianismo: Realidade Crítica e Metamorfose Humana e Social&nbsp; </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em critérios mais específicos o Cristianismo não é simplesmente uma “Religião”, pois esta é essencialmente um fenômeno antropológico indicando um movimento dos homens à Deus. O movimento cristão é antes de tudo uma ação de Deus na direção da humanidade. Por isso, o Cristianismo é o epicentro das Religiões. &nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; O Cristianismo se consiste na própria revelação direta e especial de Deus aos seres humanos. O projeto soteriológico de restauração, santificação, comunhão e salvação jamais poderia ter começado pelo ser humano, sendo de iniciativa exclusivamente divina. A natureza é uma revelação geral e Jesus é a revelação especial de Deus, pois a revelação geral é insuficiente para efeitos salvíficos (Salmos 19; Atos 14:17; João 1:18; Hebreus 1: 1-2) (MARQUES, 2023, p. 12).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por se tratar de uma revelação especial e direta de Deus, o Cristianismo tem contribuído ao desenvolvimento de forma ímpar, fundamental, inconteste e substancial, abrangendo-se o aspecto individual, coletivo e multidimensional da humanidade. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Na era pós-moderna muito se tem falado sobre desenvolvimento sustentável, que é apoiado na tríade: desenvolvimento social, econômico e ambiental. Todavia, pouco êxito tem sido alcançado, pois o apreço pelo lucro e o desprezo pelo próximo, bem como pelo ambiente tem sido a marca notória de um sistema político e econômico que antagoniza os valores mais básicos à vida em sociedade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nessa esteira, o pensamento cristão introduziu historicamente uma ética transformadora que condena a usura, exploração, alienação, dominação, violência e utilização irresponsável dos recursos naturais.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A proposta cristã é uma mudança de dentro para fora em um esquema que tem início na consciência dos homens e neles se internaliza a norma suprema do amor, para depois mudar as relações humanas, sociais e institucionais. O sistema político, o ordenamento jurídico e o modo de produção econômico refletem ideologias interiores. A cartilha do capitalismo é lucratividade, produtividade e exploração numa progressão ascendente desses elementos para acúmulo da riqueza. Disso surgem as pelejas, divisão de classes lastreada na injustiça, violência, miséria e desumanização do indivíduo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O ser humano lastreado na doutrina de Deus não entesoura para essa vida,&nbsp; e por isso, ganância, mau uso dos poderes político, jurídico e econômico, acúmulos e subversão do próximo em meios está fora de sua agenda.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Pontue-se que a contribuição do cristianismo vai muito além das melhorias das condições de vida, paz, progresso e justiça social, e desenvolvimento das faculdades humanas; sua maior contribuição é conferir a cada ente humano a cidadania celeste e todos os direitos, privilégios, benefícios e prerrogativas advindas desse “status” espiritual.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O desenvolvimento humano vai mais que o aporte religioso, filosófico, científico e sociológico, bem como suporte jurídico aos direitos humanos; e no nível individual, o crescimento emocional, intelectual, axiológico e social. Trata-se de um benefício que transcende a barreira temporal da existência, projetando-se o homem para a eternidade (vida eterna e plena em Deus).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>Um recorte crítico-reflexivo da realidade demonstra com máxima clareza que a vida sociocultural construída pela inteligência humana carece de mudanças radicais. Há problemas em diversas áreas: falta de empatia e excesso de competitividade; desumanização do ser humano; misérias e fomes; violência individual e institucional; desigualdades; injustiças; etc.; e a pior delas, a saber, o afastamento de Deus.&nbsp; &nbsp; &nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>O ser humano é a peça chave para o início de uma metamorfose necessária e substancial, pois o meio ambiente, as relações humanas e socioeconômicas, o poder político, jurídico e econômico, toda a rede de interligação entre indivíduo e instituição passa inexoravelmente por uma restauração no âmago do ser.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por isso que a proposta cristã é a restauração de dentro para fora e o desenvolvimento humano nas seguintes faculdades: espiritual, intelectual, consciência, emoções, vontades e valores. Restaurando-se e transformando-se o homem, desenvolve-se, melhora-se e aprimora-se, por consequência, a sociedade.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>Não se trata de pregar um “paraíso terrestre”, pois a existência das vicissitudes humanas, contrariedades e dificuldades permanecerão até o desígnio divino de intervir e restaurar o paraíso perdido em definitivo. O tempo “kairós” (καιρος) e o “kronos” (χρόνος) divinos, significando “tempo oportuno” e “tempo contabilizado”, respectivamente, são encobertos ao homem, bastando a este submeter-se a Deus.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Entretanto, a restauração e o desenvolvimento preconizados pelo Cristianismo possibilitam a (re) construção e funcionamento de uma sociedade mais humana, justa e pacífica, diminuindo-se suas mazelas e potencializando-se ao máximo o ser humano.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.2. Áreas do Desenvolvimento Humano: Cognitiva, Emocional Axiológica e&nbsp;Espiritual </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O ser humano, na qualidade de “Imago Dei”, recebeu um complexo e latente potencial para o desenvolvimento de suas faculdades. Dotado de consciência, inteligência, vontade e sentimentos, o que é potência (possibilidade) em seu ser pode se transformar em ato (realidade).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ao passo que o episódio da queda no Jardim do Éden (Mesopotâmia) subtraiu determinadas qualidades e capacidades humanas, o evento da reconciliação em Cristo na colina do Calvário (Israel) recompôs ao ser um humano um conjunto de bênçãos, que se não lhe devolve a perfeição pretendida de imediato o transforma interna e substancialmente e o coloca no caminho de um efetivo e proficiente desenvolvimento espiritual, intelectual, axiológico e emocional.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O desenvolvimento cognitivo tem a ver com a potencialização da inteligência humana. Por óbvio, nada na doutrina cristã demonstra que os processos de amadurecimento e crescimento se deem de modo imediato e automático. Conquanto Deus deseje esse progresso no ser humano, este deve se empenhar ao máximo para que em um sistema de parceria e colaboração suas aptidões floresçam.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Desse modo, é preciso que a pessoa se desvencilhe de muitos artifícios que embaraçam seu crescimento, tais como uso irresponsável da tecnologia, mau gerenciamento do tempo, falta de estudo e leitura, bem como preconceitos a “priori” sobre determinados temas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para o desenvolvimento de uma inteligência fluída, múltipla e do pensamento complexo (capacidade de analisar um problema por diversos ângulos), da criticidade e reflexão é necessário uma disposição e movimentos internos incessantes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Superado o óbice acima impende dizer que o Cristianismo oferece pela transcendência amplas possibilidades de um desenvolvimento individual e coletivo da&nbsp;inteligência. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Interessa a Deus a construção de um ser pensante e de uma sociedade, livre, solidária, justa e desenvolvida. Para isso há que se investir na educação e construção de valores que leve o ser humano a amar a Deus e seu próximo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Entretanto, a política e a economia têm sido orientadas no sentido de alienar e “desumanizar” o indivíduo, despojando-o de suas capacidades para que não questione o sistema, e assim, se possa perpetuar a exploração, o acúmulo da riqueza e o uso ilegítimo, disfuncional e desviante do poder.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ignorância e medo são ingredientes recorrentes no uso da manipulação, controle e alienação. O ser humano nasceu para brilhar, crescer, protagonizar e fazer a diferença cumprindo seu papel no mundo:&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A capacidade de aprender a aprender, a visão ampla do mundo, o saber pensar são desafios reais para a escola do século XXI. A escola do presente deve formar seres humanos com capacidade de entender e intervir no mundo em que vivem. Não meros espectadores, sujeitos sem ânimo e sem conhecimento crítico para enfrentar a revolução de valores, de técnicas, de meios que se deflagrou (CHALITA, 2001, p. 59).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Um recorte espacial e temporal que prova historicamente a influência positiva do Cristianismo no desenvolvimento da inteligência é o caso dos Estados Unidos da América que se ergueu sobre valores cristãos e alcançou muito progresso filosófico, científico, tecnológico:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“Nós, cujos nomes seguem e que, para a glória de Deus, o desenvolvimento da fé cristã e a honra da nossa pátria, empreendemos estabelecer a primeira colônia nestas terras longínquas, acordamos pelo presente ato, por consentimento mútuo e solene, e diante de Deus, formar-nos em corpo de sociedade política, com o fim de nos governar e de trabalhar para a consumação de nossos propósitos; e, em virtude desse contrato, acordamos promulgar leis, atos, decretos, e instituir, conforme as necessidades, magistrados a quem prometemos submissão e obediência” (TOCQUEVILLE, 2005, pp. 43-44).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Cristianismo não é apenas uma revelação de um Deus objetivamente existente para a transformação de padrões éticos, mas também representa uma estrutura intelectual e cultural de alto nível que pode propiciar a expansão das funções cognitivas capacitando o indivíduo a influenciar e provocar mudanças sociais.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Desse modo, a relação intensa com Deus, aliada ao estudo constante das Escrituras e a aplicação no dom natural recebido, seja em ciências naturais, exatas ou humanas, leva o ser humano a obter uma macrovisão para apreensão, compreensão e aplicação de conhecimentos descobertos ou desenvolvidos:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e <strong>enriquecidos da inteligência</strong>, para conhecimento do mistério de Deus e Pai de Cristo. <strong>Em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência </strong>(Colossenses 2: 2-3) (grifou-se).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Cristianismo é um sistema completo porque na busca do estudo e desenvolvimento humano abarca diferentes dimensões (inteligência, consciência, espiritualidade, vontade, sentimento e sociabilidade). Especificamente na área da inteligência ele engloba as principais matérias para expansão cognitiva: Deus (objeto máximo do pensamento); Teologia (inteligência e fé); Metafísica (realidade transcendente); Epistemologia (teoria do conhecimento nas áreas da Filosofia e Ciência) e Axiologia (valores éticos e morais).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por isso que, além de expandir o universo intelectual e cultural no nível individual o Cristianismo propõe que esse conhecimento seja extensivo à sociedade:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A tarefa maior da Apologética cristã é auxiliar na criação e sustentação de um meio cultural no qual o evangelho possa ser ouvido como uma opção intelectualmente viável para homens e mulheres que valorizam a razão.&nbsp;(BECKWITH, CRAIG e&nbsp; MORELAND, 2006, p.25).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Igualmente, o desenvolvimento emocional e axiológico é de máxima significância. Isso porque uma transformação no gerenciamento das emoções representa domínio sobre paixões, excessos e um ganho excepcional no equilíbrio comportamental. Tal gerenciamento, chamado hodiernamente de inteligência emocional, consiste em coordenar racionalmente o campo psíquico de energia, matriz dos sentimentos e comportamentos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Consoante o apóstolo Paulo: “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gálatas 5:22).&nbsp; &nbsp; &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; O conjunto classificado como “fruto” representa a implantação de uma nova personalidade no indivíduo, que agora é um novo “ser”, restaurado em suas emoções&nbsp; e consciência para andar na prática dos valores cristãos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Esse “fruto” significa o desenvolvimento emocional e axiológico, o primeiro se dá no gerenciamento do “eu” tangente à sua força motriz psíquica-emocional, e o segundo, atua na sua consciência ética e moral. São nove características que moldam e interligam a consciência, emoção e inteligência.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O desenvolvimento emocional, conforme as Escrituras, atua no controle do “eu”, no sentido técnico de gerenciamento das emoções humanas: perdão, raiva, inveja, medo, ansiedade, depressão, vícios, culpa, relações, etc.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A outra faceta desse desenvolvimento, o axiológico,&nbsp; se dá na construção de uma consciência ética e moral apta a obedecer interna e externamente as normas divinas, humanas (quando estas não estiverem em oposição às normas de Deus) e do próprio indivíduo, pois sua autonomia é um fator de extrema relevância, porém, subordinada às normas citadas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Essa nova personalidade não se constitui em ato único, pronto e acabado. É desenvolvida paulatinamente à medida que o indivíduo se submete à Deus, aprende, entende e pratica os valores bíblicos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O desenvolvimento emocional e axiológico bíblico implanta uma consciência ética e moral objetiva e gerencia as emoções em seus focos de tensão, configurando uma autoestima saudável com ampla consciência ontológica e axiológica de Deus, de si e do outro. Evita-se autoculpa, complexos de inferioridade e superioridade, desenvolvimento de padrões inalcançáveis, condutas meramente proibitivas e permissivas (impostas externa e internamente), bem como traumas e outras mazelas de ordem emocional.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Um indivíduo saudável emocional e axiologicamente se desenvolve com maior amplitude, melhorando-se os relacionamentos, e tornando-se produtivo e respeitador das leis, o que é benéfico à qualquer sociedade que procure a justiça e a paz social.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Diferentemente da legislação humana que só consegue moldar comportamentos externos, o desenvolvimento emocional e axiológico transforma de dentro para fora, internaliza a norma ética e moral e confere maior grau e senso de autorresponsabilidade.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O homem “legal” se pauta pela ordem político-jurídica e teme suas consequências, o que não garante o seu cumprimento, haja vista que o crime é resultado de uma inconformidade, inaceitabilidade e cálculo para escapar à ingerência do direito positivado. O homem emocional e axiologicamente maduro aceita e compreende as&nbsp; normas divinas e também humanas, e as respeita mesmo na possibilidade de infringi-las, pois sabe de sua natureza divina, benéfica e inexorável.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Não se trata de obedecer com lastro em um pensamento utilitarista, mas de considerar a fonte produtora da norma:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O fator básico para o cristão, ao considerar sobre a consciência, é o fato de que por trás da consciência está Deus, que é santo, pessoal e o criador de um universo moral, que será julgado por sua justiça. O homem foi feito à imagem de Deus (Gn 1.26) e é responsável diante dele pelo que faz de si mesmo, como exerce sua obrigação de ser um próximo (Lc 10.37), e seu domínio sobre a ordem criada (TENNEY e BARABAS, 2008a, p. 1134)&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A diferenciação entre homem “legal” e “ser moral” não decorre por força do que ensina a Filosofia ou a Ciência Social, mas por uma intervenção direta de Deus no “Imago Dei” no homem.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;As correntes racionalistas consideram que o conteúdo da consciência é a lei moral inata refinada e ampliada pelas verdades da Filosofia Moral e da Cultura. O pensamento marxista coloca o homem como um produto do ambiente socioeconômico, corrompido pela sociedade. A consciência do ser é o resultado dos valores de sua classe. Em Sigmund Freud há no homem o “id”, “ego” e o “superego”. O objetivo é fazer com que o ego domine a consciência usando-se o relativismo a fim de diminuir sua autoridade. E, o existencialismo ateu de Jean Paul Sartre consagra um relativismo existencial e define o homem submisso à Igreja e Estado como “não autêntico” e covarde&nbsp; (TENNEY e BARABAS, 2008a, pp. 1135-1136).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Entretanto, a saúde moral, intelectual e emocional não pode ser resultado da sociedade, cultura, filosofia e ciências, as quais são subprodutos de um homem decaído e em constante conflito consigo e com os valores que regem a vida.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por fim, o desenvolvimento espiritual é outra dimensão da expansão das faculdades humanas. Como “imagem e semelhança” de Deus o ser humano só encontra desenvolvimento, autorrealização e propósito quando se conecta com seu Criador. &nbsp; &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; A orientação bíblica é para que o ser humano seja cheio do conhecimento da vontade divina, em toda a sabedoria e inteligência espiritual (Colossenses 1:9). &nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; A inteligência espiritual pode ser definida como o relacionamento pessoal, verdadeiro, profundo e contínuo com Deus, consistente na oração, obediência aos valores objetivos expressos nas Escrituras, seu constante aprendizado e prática.&nbsp; &nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Tem a ver com a crença e obediência ao Deus verdadeiro, configurando-se no sujeito uma consciência aprofundada de sua importância ontológica, descoberta e exercício do dom pessoal, encontro de um propósito metafísico para a vida e direcionamento pela verdade objetiva.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O monoteísmo com sua lógica observa que é contraditório o politeísmo, pois o adjetivo da “máxima grandeza” não pode estar indiscriminadamente diluído, sob pena de se tornar “comum” aquilo que é intransmissível.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Inúmeros seres de “máxima grandeza” “diluiriam” a essência divina, o que é impossível. Trata-se de um Ser com “essência ou substância” em si mesmo, que é sua peculiaridade exclusiva.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ademais, sendo Deus a causa primeira e única que dá movimento à todos os entes criados, não poderia haver várias causas a dar origem para o efeito do universo e da vida, que se desdobrou em vários efeitos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;E, ainda, assim como cada ser humano possui sua própria identidade pessoal e única, convém que Deus seja único. Demonstra Tomás de Aquino, que Deus e sua essência são a mesma coisa:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Ora, em Deus, como se mostrou [c. 11], são o mesmo o ser e a essência. É impossível, portanto, que Deus seja alguma espécie predicada de muitos. Daí aparece, ademais, a necessidade de que Deus seja único. Porque, se há muitos deuses, dir-se-ão deuses ou equivocadamente ou univocamente. [&#8230;] Ora, mostrou-se [c. 13-14] que Deus não pode ser gênero, nem espécie sob a qual muitos se contenham. É impossível, portanto, que haja muitos deuses. [&#8230;] Ora, a essência divina individua-se por si mesma, porque em Deus não se distinguem a essência e <em>que é</em>, pois que, como se mostrou [c. 10], Deus é sua essência: é impossível, portanto, que Deus não seja único (AQUINO, 2015, p. 89).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em referido silogismo da essência e intransmissibilidade, a inteligência espiritual se projeta como o vetor em que se pode racionalmente obstar a pluralidade religiosa como realidade ontológica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O conceito ultrapassa o contexto simplesmente religioso e reveste o indivíduo de um significado especial para a vida, considerando-se sua transitoriedade e incompletude, pois supera a organização sociocultural humana e confere uma visão metafísica para a eternidade. Não se trata de opção religiosa, mas de se encontrar a verdade “original”.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Brasil é um país laico, pois permite a diversidade religiosa, podendo o indivíduo optar pela matriz espiritual que melhor lhe convier, nos termos do artigo 5º, inciso VI, da Constituição Federal: “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A seu turno, o pluralismo religioso assevera que qualquer uma ou talvez todas as religiões podem conduzir a Deus ou à salvação. De igual modo, há o exclusivismo religioso, que sustenta que apenas uma única religião verdadeira leva a Deus; e ainda, tem-se uma terceira via, a saber, o inclusivismo, pois conciliando-se premissas das duas posições anteriores preconiza que uma única religião é verdadeira (exclusivismo) e que os que seguem diferentes religiões também podem ser salvos (pluralismo) (BECKWITH; CRAIG e MORELAND, 2006, pp. 349-351).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Conforme já realçado o Cristianismo se projeta como o epicentro das religiões, haja vista que traduz o movimento de Deus na direção humana, tratando-se de uma revelação autêntica em que se tem a transcendência e a imanência divina. No pensamento cristão Deus é soberano, incognoscível sob certo aspecto, porém cognoscível em outro, sendo relacional e amoroso; ao mesmo tempo em que conserva o universo e a vida, encontrando em Jesus Cristo o ápice de sua revelação e presença. &nbsp; &nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A transcendência cristã contribui ao desenvolvimento do ser humano em seus múltiplos espectros, mormente espiritual, pois aborda questões centrais e fundamentais sobre a existência e essência de um único Deus, a imanência máxima na revelação de Jesus, a realidade da queda, a necessidade de se estabelecer relação com Deus mediante o Espírito Santo, bem como a eternidade da alma e a salvação, pontos centrais que são discordes no pluralismo religioso.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A existência de múltiplas “verdades” sobre questões idênticas e fulcrais é logicamente contraditória. Daí que o Cristianismo emerge como uma revelação especial e verdadeira. Evidente que cada Religião em si pode abarcar algo verdadeiro, e mesmo o Cristianismo, pode conter interpretações erradas (doutrinas meramente especulativas) sobre outros temas, tais como “teologia da prosperidade”, “doutrina da maldição hereditária”, “disciplina da predestinação”, etc.; todavia naquilo que é central o pensamento e fé cristão são unívocos e inequívocos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Destarte:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] Se o cristianismo é profundamente verdadeiro, os budistas estão certos quanto ao ensino de que o sofrimento é universal. Os muçulmanos estão certos em acreditar que há um só Deus. Os hindus estão certos em que o Supremo é infinito. Os judeus estão certos em crer que Deus falou por meio de seus profetas hebreus. Assim, o exclusivismo em relação à questão da verdade significa que somente uma religião está certa na mais central das questões religiosas (BECKWITH; CRAIG e MORELAND, 2006, p. 352).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O religiosismo, pouco, e o ateísmo com seu materialismo existencialista, em nada acrescenta à busca pela verdade e desenvolvimento amplo, ainda que muitos de seus expoentes se destaquem intelectualmente.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Portanto, o Cristianismo com sua doutrina transcendente é inconteste e relevante na condução à verdade e espiritualidade, e consequente instrumento de humanização, eticização, moralidade, cultura e desenvolvimento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.3. Cristianismo e o Desenvolvimento da Sociedade Brasileira</strong>&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Brasil é uma das maiores economias mundiais; entretanto, é reconhecidamente a República dos “contrastes”, pois inobstante seu potencial, geografia e reservas naturais, sobram corrupção, injustiças e acumulação da riqueza, acarretando-se notadamente, exclusão, pobreza, marginalização e desumanização. &nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Embora a Constituição Federal de 1988 tenha inaugurado um “novo tempo”, após longo período ditatorial; e preconizar valores como o desenvolvimento, justiça, igualdade, dignidade humana e justiça social, objetivando-se uma sociedade pluralista, fraterna, sem preconceitos e harmoniosa (Preâmbulo e artigo 1º, III e artigo 170, “caput” e incisos), a realidade socioeconômica brasileira é caótica e incompatível com os valores positivados no seu texto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A corrupção sistêmica e a marcada ineficiência e parcialidade de seus órgãos políticos e jurídicos, além de um sistema econômico capitalista meramente lucrativista, apontam a ausência prática de valores que poderiam levá-lo a um desenvolvimento real e compatível com sua grandeza.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A observação crítico-reflexiva e científica que se faz é que Política, Direito e Economia, no Brasil, a tríade do poder, seguem um fluxo caudatário dos impulsos egoísticos em que se prioriza a vaidade do “status” social e o dinheiro, menosprezando-se a importância ontológica do ser humano, numa espiral em que os mecanismos institucionais articulam suas agências para controlar, reprimir e desumanizar.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nesse espectro, os valores expressos na Carta Magna tangente à dignidade, justiça, desenvolvimento e outros, funcionam como estratégia simbólica para mostrar a aparência de um Estado neutro diante dos conflitos de interesses entre as classes dominantes e dominadas, quando na verdade é evidente e inequívoca a discrepância entre as metas constitucionais e a realidade social concreta.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Constituição do Brasil preconiza que a Administração Pública, nas suas esferas estadual, municipal e federal, deve pautar suas ações pela moralidade, e, que a ordem econômica deve objetivar uma existência digna a todos, devendo ser guiada pelos ditames da justiça social:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte [&#8230;].&nbsp; A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: [&#8230;] função social da propriedade; livre concorrência; defesa do consumidor; defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; redução das desigualdades regionais e sociais; busca do pleno emprego (arts. 37, “caput” e 170, “caput” e incisos III a VIII, da Constituição Federal de 1988).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No entanto, os parâmetros do sistema político, jurídico&nbsp; e capitalista são os da dominação, repreensão, violência, lucro, acumulação e alienação. Nesse esquema o ser humano é meio, servindo como veículo para obtenção e concentração do poder, status, riquezas, etc.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A disfuncionalidade do Estado político e da economia – que funciona sob seus auspícios – denota que não há observação e prática dos valores assumidos textualmente, demonstrando desvio dos seus reais objetivos e natureza.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O Estado <em>aparece</em> como a realização do interesse geral (por isso Hegel dizia que o Estado era a universalidade da vida social), mas, na realidade, ele é a forma pela qual os interesses da parte mais forte e poderosa da sociedade (a classe dos proprietários) ganham a aparência de interesses de toda a sociedade. [&#8230;] Ele exprime na esfera da política as relações de exploração que existem na esfera econômica (CHAUÌ, 2003, pp. 65-66).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Estado brasileiro não está à parte da ordem política e jurídica internacional, devendo observar os princípios estabelecidos por este ordenamento, objetivando-se o freio lucrativista e o pleno desenvolvimento humano:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O desenvolvimento é responsabilidade primordial de cada país e deve constituir um processo integral e continuado para a criação de uma ordem econômica e social justa que permita a plena realização da pessoa humana e para isso contribua (OEA, 1948, Artigo 33).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A ideologia do (neo) liberalismo da autorregulação do mercado, em que se preconiza o afastamento estatal, permite que os valores de uma sociedade justa e fraterna sejam substituídos pelos preceitos da lucratividade, competitividade e máxima eficiência administrativa, gerando-se concentração da riqueza e produção de exclusão, miséria, injustiça e desumanização do ser.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Poder Judiciário brasileiro, que poderia denunciar a injustiça e equilibrar as relações e os interesses sociais divergentes, sendo um instrumento para propiciar e impulsionar o desenvolvimento sustentável, interpretando e efetivando-se as normas constitucionais, emerge não como solução legítima, mas como parte fundamental do problema:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] Como bem destaca Werneck Vianna, uma série de fatores necessitavam ser perscrutados perante a magistratura concreta com o fim de indagar qual o perfil do magistrado e até que ponto havia, de fato, a democratização da prática judicante. É preciso se indagar ‘para que’ e ‘a quem’ o Poder Judiciário está servindo. Diferentemente dos militares e embaixadores, sob os quais a ‘instituição’ procede a uma contínua e reiterada domesticação e homogeneização ideológica, munida, ademais, de mecanismo apto à exclusão do pensamento dissonante, na magistratura, por sua organização e história, essa possibilidade de uniformização resta presente [&#8230;], mas um tanto quanto difusa (ROSA, 2006, p. 247).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O liberalismo burguês não se contenta em patrocinar e dominar a produção do conhecimento científico, mas almeja também o controle das esferas política, jurídica e do mercado, os “senhores” proprietários do poder, que insculpe um mundo social conforme “sua imagem” e sua cartilha.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O positivismo jurídico – fruto da ideologia burguesa e seu liberalismo político e econômico – preconiza o afastamento dos valores transcendentes, deixando-se um campo aberto e livre para a dominação e produção de um projeto minimizador e nocivo ao ser humano e à sociedade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O positivismo surge como uma ideologia, um método de interpretar o Direito de forma meramente técnica, em nome da ciência, administratividade e eficiência. Ideologia assume o sentido de ficção, pseudoverdade e instrumento social de conformação à uma realidade artificial. Destarte:&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Es muy conocida la distinción de Bobbio entre tres sentidos de positivismo jurídico: positivismo como enfoque general en el estudio del derecho, positivismo como teoría del derecho, y <strong>positivismo como ideología acerca del derecho</strong> (MANERO, 2015, p. 2)<sup>4</sup> (grifou-se).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em Política, o Brasil parece importar e aplicar as ideias e preceitos maquiavelistas. Nicolau Maquiavel, italiano, considerado o pai da ciência política moderna, em sua obra “O Príncipe”, descreve os caminhos para aquisição, manutenção e exercício do poder. A carga principiológica de sua obra se consiste em manter o poder a qualquer custo, assim, os meios importam mais que os fins.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A realidade socioeconômica brasileira reflete os valores de sua elite, a qual priorizando o poder e as vantagens daí advindas, em detrimento da igualdade, solidariedade e justiça, não se importa com as condições precárias de existência de milhões de pessoas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Daí o esforço dos ocupantes do poder para controlar as ciências, filosofias, politica, direito e o mercado econômico, áreas estratégicas de domínio e exploração, no intuito de perpetuar o atual estado de coisas. O último passo é então, combater e obstaculizar a prática de qualquer axiologia transcendente e denunciante.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tradutor e comentarista de Maquiavel, Antonio D’Elia, em o “Príncipe”, assevera:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Não se importe o príncipe, ainda, de incorrer na infâmia daqueles vícios sem os quais dificilmente possa salvar o Estado. [&#8230;] <strong>Será bom sempre que possível e fará com que o estimem; mas, não sendo possível, será cruel e praticará o mal.</strong> [&#8230;] E é preferível ser temido a desconsiderado, pois o mal, no terreno político, não é mal, mas, – como qualquer outro – é meio de se alcançar um fim: a segurança do príncipe e, portanto, a segurança do Estado e, em última instância, a dos súditos. <strong>A política não cabe nos quadros dos juízos morais</strong>; pelo menos enquanto no jogo entram os meios, não os fins.&nbsp;(MAQUIAVEL, 2006, p.17) (grifou-se).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>Maquiavel parece demolir a ética e moral cristã empreendendo técnicas utilitaristas e perversas para administrar o poder, cuja finalidade é o poder pelo poder, incitando a violência, hipocrisia e a conveniência própria:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">À vista do que, é de notar que os homens devem ser ganhos com agrados ou destruídos, pois que, se podem vingar-se das ofensas leves, das graves não o podem fazer. Assim, a ofensa que se faz a alguém deve ser tal, que não se tema a vingança. [&#8230;] Nasce disso uma questão, a saber: é melhor ser amado do que temido ou o contrário? Responder-se-á que se desejaria ser uma e outra coisa; mas, como é difícil casá-las, é muito mais seguro ser temido que amado, quando se haja de optar por uma das alternativas. [&#8230;] Não pode e não deve, portanto, um príncipe prudente manter a palavra empenhada quando tal observância se volte contra ele e hajam desaparecido as razões que a motivaram. Se os homens fossem todos bons, esse preceito não seria bom, mas como são pérfidos e não mantêm a sua palavra em relação a ti, da mesma maneira não tens de mantê-la em relação a eles (MAQUIAVEL, 2006, pp. 44; 108; 112).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quando Maquiavel elege os valores morais, isto se dá invariavelmente em um contexto meramente utilitarista:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Assim, é útil parecer e ser piedoso, fiel, humanitário, íntegro, religioso; mas deve-se ter o espírito prevenido, a fim de que, precisando não sê-lo, se possa e se saiba ser o contrário. [&#8230;] E, pois, é necessário que o príncipe possua espírito capaz de modificar-se de acordo com o que lhe ditam a direção dos ventos&nbsp; eo variar das circunstâncias; e que, como acima se disse, não se afaste do bem, se possível, mas saiba valer-se do mal, se necessário (MAQUIAVEL, 2006, pp. 112-113).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Paradoxalmente, Maquiavel reconhece a figura de Moisés como exemplo de príncipe notável e valoroso, e por seu relacionamento com Deus:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Falando dos que, em virtude do próprio valor mais do que por boa sorte, tornaram-se príncipes, direi que os mais notáveis foram Moisés, Ciro, Rômulo, Teseu e outros como eles. E ainda que não se deva, no caso, considerar a atuação de Moisés, que foi mero executor do que lhe ordenava Deus, não obstante deve ele ser admirado pela graça única que o fez digno de falar a Deus (MAQUIAVEL, 2006, p. 58).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Noutro trecho, o escritor italiano reconhece a importância dos valores morais, bem como da espiritualidade (fé e religião) na política, não obstante isso se dê em um contexto de comparação entre o poder e a conquista da glória:&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Não se pode, de outro lado, chamar mérito o matar seus concidadãos, trair os amigos, não ter fé, não ter piedade, não ter religião, atitudes estas que podem levar ao poder, mas não à glória</strong> (MAQUIAVEL, 2006, p.&nbsp;70) (grifou-se).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A conclusão racional a que se chega é que boa parte das mazelas e problemas humanos e sociais brasileiros, como desigualdades socioeconômicas e regionais, miséria, injustiça, preconceitos e “desumanização do ser”, se devem à uma estrutura política, jurídica e econômica, a&nbsp; qual se organiza e funciona com sua própria cartilha de “valores” e propósitos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na contrapartida da filosofia política antiaxiológica maquiavelista, a Religião Cristã – calcada na existência e crença em um Deus bom, justo e sábio – fornece um fundamento para a moralidade, cujo arcabouço normativo não está lastreado no mero utilitarismo, recompensa ou conveniência, mas sim no dever imperativo de tornar factível a vontade divina.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A prática dos valores cristãos (fé, amor, ética, solidariedade, verdade, justiça, humildade, alegria, respeito, obediência, integridade, etc.) objetiva a antecipação da instalação do reino de Deus na terra. Evidente que a construção final do império divino na plataforma terrestre se dará em um conjunto de eventos escatológicos futuros, porém&nbsp; a prática do bem ajuda a melhorar a sociedade (o reino dos homens) e colocar as coisas na perspectiva correta.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nesse contexto, o homem tem uma obrigação triádica para com Deus, consigo e seu próximo: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus: 22:37-40).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O amor é o terreno que potencializa e legitima todas as ações morais do ser humano. Assim, ao lugar do temor, hipocrisia, violência, maldade e desejo por poder e controle preconizados por Maquiavel a moral cristã traça diretrizes opostas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Política que considera o valor e a dignidade intrínsecos do homem, o qual deve sempre tratado como fim e não meio, haja vista que neste repousa a imagem e semelhança divina, irá criar leis e executar a coisa pública visando sempre alcançar o bem comum, a paz e a justiça.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O operador do Direito que enxerga no homem uma extensão de si mesmo e uma obra de Deus aplica na prática os valores constitucionais da dignidade humana e do desenvolvimento nacional, sempre procurando pautar a investigação policial, a denúncia ministerial e o processo jurídico pelos parâmetros humanísticos, éticos e de justiça. &nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Na Economia, o empresário imbuído de ética e moral cristã verdadeiras não utiliza mão de obra como produto descartável, mas valoriza o ser humano como um fim em si mesmo, pagando bons salários, ofertando melhores condições de trabalho e promovendo o bem estar de seus empregados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na Educação, o mestre que baseia sua pedagogia no amor, na verdade e na esperança respeita sua condição socioeconômica, seus conteúdos, experiência, saberes, e a história dos alunos, tratando-os como seres humanos, portadores de uma dignidade elevada e capazes de serem protagonistas de sua vida, sendo mais do que já são, alcançando superações e contribuindo para mudar os rumos da sociedade.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>A Religião Cristã preconiza que se mudando o homem muda-se a sociedade. Desse modo, a resposta à pergunta iniciada de como é possível manter-se a ordem social, no caso em um patamar mais qualitativo, saudável e funcional, a resposta é: menos rigidez estatal, menor burocracia, diminuição do repressivismo e punitivismo; e mais espiritualidade, educação e ensino de valores éticos e morais que transformam de dentro para fora.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Uma fundamentação teológica da moralidade é importante para eliminar as impurezas humanas na prática do bem. O ser humano imbuído de valores entende que a norma vale por si mesma, eis que posta por um Ser Amoroso, Onipotente, Onisciente e Onipresente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Portanto, quando se efetua um dever religioso não se busca o próprio bem, reconhecimento externo ou resultados benéficos, pois parte-se do pressuposto de que tal dever está sendo feito na presença de um Ente, diante do qual é impossível mentir ou esconder razões que poderiam anular a qualidade ética da ação, qualidade intrínseca ao próprio dever.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ademais, necessário frisar que a despeito de determinadas religiões que acreditam em um Deus impessoal, como uma força cósmica, com poderes dissociados de uma personalidade, tal imagem não possibilita a fundamentação de valores éticos e morais, pois axiologia e pessoalidade são indissociáveis:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">De onde então vêm a dignidade e os direitos em um mundo de elétrons e genes egoístas? A doutrina da imagem de Deus apóia (sic) nossas intuições mais fortes de que os humanos não são objetos para usar e abusar, mas pessoas que devem ser respeitadas e tratadas com justiça perante a lei. Pessoas intrinsecamente valiosas e pensantes não vêm de processos impessoais, inconscientes, não guiados e sem valor ao longo do tempo. Um Deus pessoal, autoconsciente, proposital e bom fornece o contexto tão necessário que um universo sem Deus simplesmente não consegue. Personalidade e moralidade estão necessariamente conectadas; os valores morais estão enraizados na pessoalidade. <strong>Sem Deus (um Ser pessoal), nenhuma pessoa &#8211; e, portanto, nenhum valor moral &#8211; existiria. Somente se Deus existe, as propriedades morais podem ser realizadas </strong>(COPAN, 2011, p. 216) (grifou-se).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A filosofia e os ordenamentos políticos e jurídicos sempre se preocuparam com questões éticas, muitas em sincronia com a moral cristã, todavia falta-lhes a devida fundamentação de um Ser transcendente que as legitima, autoriza e lhes confere autenticidade e pureza:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Mesmo os sistemas éticos seculares &#8211; sejam variações nas visões éticas dos filósofos Aristóteles ou Kant ou talvez alguma visão do contrato social – podem afirmar muitas verdades que os crentes em Deus afirmam. Esses sistemas podem concordar que devemos cumprir certas obrigações morais ou cultivar certas qualidades de caráter. Mesmo assim, esses sistemas ainda estão incompletos porque não oferecem uma base para a dignidade e o valor humanos (COPAN, 2011, p. 217).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Uma ética ateísta, utilitarista, naturalista ou eficientista não focaliza o ser humano dentro de uma visão abrangente e realista, eis que está calcada em distorções e direcionada em resultados. Por conseguinte, não considera o elevado valor humano, suas deficiências e limitações, e que carrega em si, a efígie de Deus. A moralidade cristã é altruísta e enxerga no próximo a extensão de si mesmo, a mais perfeita obra de Deus. &nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Os valores sempre estiveram arraigados no excelente, bom, justo e santo caráter de Deus, o qual quando criou o homem num determinado ponto do tempo, o qualificou como sendo a sua imagem e semelhança, dotando-o no início de sua existência com os valores pessoais divinos:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Em contraste, a hipótese de Deus não nos força a dar um grande salto da falta de valor para o valor. Em vez disso, começamos com valor (o bom caráter de Deus) e terminamos com valor (humanos portadores da imagem divina com responsabilidade moral e direitos). Um bom Deus efetivamente preenche o abismo entre o que é e o que deve ser. O valor existe desde o início; está enraizado em um Deus bom e autoexistente. Portanto, apesar de todas as suas críticas à religião, os novos ateus ainda carecem dos fundamentos morais para justificar a crítica moral genuína do teísmo, nem pode o ateísmo verdadeiramente fundamentar o valor moral ou a dignidade e o valor humanos (COPAN, 2011, p. 220).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A importantíssima contribuição judaica à humanidade legando-nos uma crença monoteísta em um Deus pessoal, relacional, perfeito e universal em contraste com os panteões e deuses da cultura grega e romana, padroeiros locais, cheios de vícios e distantes do drama humano, fornece em YHAWEH a base perfeita para a moralidade humana. O politeísmo e a impessoalidade não se coadunam com a existência de valores, pois a pluralidade desintegra a essência divina e a impessoalidade não reconhece os valores.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No caso do Deus judaico-cristão, trata-se de uma entidade Trina, uma unidade composta e não absoluta porque a glória, a majestade e essência divinas são compartilhadas por três pessoas distintas. Assim, há concentração da glória e atividade relacional que começa com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Igreja Cristã, na qualidade de agência dos valores divinos, dotada de comissionamento missionário e sendo embaixadora dos interesses celestiais na terra, cumpre seu papel de promover os valores do reino de Deus entre a humanidade, não obstante possua falhas e cometa erros, pois ajuntamentos humanos não são perfeitos:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Apesar de todas as suas falhas, a igreja cristã desempenhou um papel importante em trazer enormes benefícios à civilização. Muitas vezes esse impacto foi inspirado pela devoção a Cristo, que transborda em amor ao próximo para a glória de Deus (COPAN, 2011, pp. 222-223).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A vertente católica do Cristianismo, por intermédio do Papa João XXIII na Encíclica “Pacem in Terris” apregoa a necessidade do bem comum, como um conjunto de medidas que propiciam o desenvolvimento integral da pessoa humana:&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Concordam estes princípios com a definição que propusemos na nossa encíclica &#8220;Mater<strong><em> et Magistra</em></strong><em>:</em> O bem comum “consiste no conjunto de todas as condições de vida social que consintam e favoreçam o desenvolvimento integral da personalidade humana”. (&#8230;) “A função primordial de qualquer poder público é defender os direitos invioláveis da pessoa e tornar mais viável o cumprimento dos seus deveres”&nbsp; (JOÃO XXIII, 1963, Itens 58 e 60, pp. 10-11) (grifou-se).&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A problemática subjacente é que o modelo de sociedade e estado atuais são contraditórios, injustos e refratários ao pleno desenvolvimento humano e social. Sua perversidade em ocultar sua verdadeira identidade e propósito, adotando-se determinado conjunto de valores e os mantendo simbolicamente no ordenamento jurídico, é a causa explicável e suficiente dos problemas mais graves que se podem observar e denunciar.&nbsp; &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Na teoria se fala em justiça, solidariedade, humanismo, fraternidade e paz, dentre outros valores importados do Cristianismo histórico, porém no terreno pragmático, se lhes nega eficácia, com o objetivo primaz de iludir, controlar e impedir o estabelecimento do Reino de Deus, seus valores e objetivos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O apóstolo Paulo, escrevendo a Timóteo, líder da Igreja da cidade de Éfeso, capital da província romana da Ásia, e hoje território da Turquia, estabelece um panorama da personalidade do homem dos “últimos tempos”:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus. Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te (II Timóteo 3: 1-5).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Referido perfil psicológico se coaduna com o retrato dos ocupantes do poder na era pós-moderna, os quais negam eficácia aos valores bíblicos. Se há nos países ricos e nos subdesenvolvidos, como o Brasil, miséria, desigualdade socioeconômica, injustiça e tanta brutalidade humana, é porque sobeja amor ao dinheiro e hipervalorização do que é matéria e efêmero, minimizando-se a eternidade e menosprezando-se o próximo.&nbsp; &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Tem-se como hipótese que os valores cristãos são histórica, cultural e cientificamente válidos, sendo condição e solução suficiente e necessária ao progresso humano e social, apto a produzir resultados positivos e substanciais no caso do Brasil, país de fundação e cultura cristã.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Cristianismo originou-se a partir do Judaísmo, religião oficial de Israel, nação reconhecida por se destacar nos campos do desenvolvimento social, científico, econômico e bélico.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A história de Israel é riquíssima em diversos aspectos, mormente sob o prisma espiritual, servindo como parâmetro para um desenvolvimento amplo para qualquer nação.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A principal fonte de informações históricas do antigo Israel é evidentemente a Bíblia, sendo que ela oferece relativamente mais espaço à história do que qualquer outro livro sagrado. Há ainda, escavações arqueológicas feitas no Oriente Próximo, registros de outros povos (egípcios, assírios, babilônios, persas, gregos e romanos), além de historiadores de renome, como o judeu Flávio Josefo (37-103 d.C.)&nbsp; &nbsp; (TENNEY e BARABAS, 2008c, p. 319). <strong>&nbsp;&nbsp;</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Utilizando-se o método científico da objetividade e da linguagem descritiva, a Bíblia narra a trajetória religiosa, militar, política e econômica de Israel, informando seus êxitos e fracassos, os quais estavam diretamente relacionados com sua proximidade ou afastamento de Yahweh.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A pedra fundamental e que diferenciou Israel das outras nações foi seu relacionamento peculiar com o Deus verdadeiro:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A religião de Israel é uma religião histórica singular, fundada sobre os atos poderosos de Deus em salvar e castigar os homens, e nas revelações de Deus aos homens em determinados lugares e tempos. [&#8230;] Ao chamar Moisés Deus se identificou como “o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó” (Êx 3.6). Dessa forma o Deus de Moisés é o mesmo que havia prometido abençoar os descendentes de Abraão (Gn 12.1-3), trazê-los do Egito e dar a eles a terra de Canaã (Gn 15.13-21). [&#8230;] <em>A Eleição de Israel</em>. Várias vezes Deus faz referência a Israel, na chamada de Moisés, como “meu povo” (e.g., Êx 3.7,10). Em Êxodo 4.22 a relação especial de Israel com Deus é expressa pela figura do “primogênito”. Entre as bênçãos que Israel é escolhido para receber estão o conhecimento de Deus (6.7), libertação da escravidão no Egito (3.8), o privilégio de adorar a Deus (3.12) e a posse da terra de Canaã (TENNEY e BARABAS, 2008c, pp. 340 e 342). <strong>&nbsp;&nbsp;</strong>&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Considerando-se que de um só homem Deus fez todos os países, e Ele mesmo promete abençoar o planeta todo, deduz-se que qualquer país que aplicar os seus valores e princípios experimentarão as mesmas e particulares bênçãos que Israel experimentou, pois “Bem aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor” (Salmos 33:12a).&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; O conjunto de bênçãos contempla, dentre muitas, o privilégio do relacionamento espiritual com aquele que é a única matriz legítima da vida, paz, autoridade, poder, força e justiça, trazendo consigo amplo e profundo desenvolvimento humano e socioeconômico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Considera-se a grandeza político-militar, a força humana e seus aparatos insuficientes para vencer adversidades e alcançar salvação (Salmos 33: 16-22). Assim:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Deus e as nações</strong>. Deus criou Adão, do qual descendem todas as nações. Deus prometeu que por meio dos descendentes de Abraão todas as nações seriam abençoadas. Deus zela pela história das nações: por exemplo, ao retirar os filisteus de Caftor e os siros de Quir (Am 9.7). Deus julga as nações por seus pecados (Am 1.1-2.3; Is 13-19), mas ele também usa a Assíria (Is 10.5) e a Babilônia (Jr 25.9) como instrumentos para disciplinar outras nações, inclusive Israel. Finalmente, todas as nações tomarão parte na adoração ao Senhor e nas bênçãos universais do reino messiânico de paz (Is&nbsp;2.2-4; Jr 3.17; 16.19; Sf 3.9,10) (TENNEY e BARABAS, 2008c, p. 360)&nbsp;(grifo do autor). <strong>&nbsp;&nbsp;</strong>&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No Antigo Testamento Israel foi abundantemente abençoado e próspero, devendo-se seguir as leis do Senhor tangente ao amparo das viúvas, órfãos, pobres e estrangeiros, norma que foi estabelecida também no Novo Testamento (Deuteronômio 24: 17-22 e Tiago: 1:27).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Referente à distribuição de renda, combate às desigualdades e equilíbrio socioeconômico, a Festa do Jubileu, que deveria ser observada por Israel a cada cinquenta anos, preconizava o perdão e cancelamento de dívidas, libertação de escravos, distribuição de propriedades, dentre outras coisas:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Jubileu</strong>. Este acontecia a cada cinquenta anos. Escravos eram libertos, e todos recebiam de volta suas propriedades. Todos os débitos eram cancelados. A terra tinha que permanecer desocupada. O preço de tudo em Israel era avaliado com base no número de anos até o Jubileu (Lv 25.14-17) (WATER, 2014, p. 758) (grifo do autor).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sobre as taxas de juros, débitos, empréstimos e contratos há legislações específicas nos livros de Êxodo e Levítico (Antigo Testamento), com estipulações detalhadas e restrições, cujo desrespeito acarretavam reprovações e penalidades severas transmitidas pelos profetas. A ética veterotestamentária centra-se nos juros e na usura, haja vista que eram fontes de lucros e abusos (TENNEY e BARABAS, 2008b, p. 63). <strong>&nbsp;&nbsp;</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Repetindo-se os valores do Antigo, o Novo Testamento, Jesus e seus apóstolos tratam de assuntos relacionados à dívidas, devedores, credores, cambistas e outras práticas comerciais. No seu ensino parabólico, o Senhor traz a ilustração do credor incompassivo ilustrando que requer perdão e compreensão por parte dos credores (Mateus 18:23-35 ) (TENNEY e BARABAS, 2008b, p. 64). <strong>&nbsp;&nbsp;</strong>&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Não se deve olvidar que nações política, militar, cultural e economicamente potentes e desenvolvidas, como Israel e Estados Unidos, soergueram-se sobre os valores bíblicos; Israel no Antigo Testamento e EUA basicamente no Novo Testamento.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tem-se que o “eterno” subdesenvolvimento brasileiro pode ser superado, caso o país adote a mesma postura, reconhecendo-se Deus como o Soberano, e a axiologia bíblica (Velho e Novo Testamento) como a diretriz mais importante na prática política, jurídica e econômica.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Embora a Economia insira nas cédulas do dinheiro nacional a expressão “Deus seja Louvado” e a Constituição Federal se declare “sob a Proteção de Deus”, no entanto, isso não passa de um reconhecimento teórico e formal. Na prática permanece a ética do lucro, da usura, da exploração, da corrupção política tramada nos bastidores, e nas escolas, embora, se esteja sob os auspícios de uma nova democracia, não há espaço para o ensino criacionista, mas apenas evolucionista.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Como consequência tem-se um país que, inobstante possua enorme potencial e consideráveis riquezas geográficas, materiais e naturais, ainda luta por justiça social, distribuição mais equânime de sua riqueza e desenvolvimento nacional.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ademais, considerando-se a complexidade, contrariedades e tragédias da vida humana, mais a desordem e injustiças sociais, o Cristianismo se sobressai como a única resposta e caminho seguros a corresponder aos anseios do homem e suprir suas mais elevadas expectativas. Isso porque a vida, morte e ressurreição de Jesus é um fato histórico verificável e, portanto, oferece uma base segura para a fé e a esperança eterna. &nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph">  &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Portanto, a hipótese de que os valores cristãos – por sua veracidade, autenticidade e validade histórica, científica e cultural – formam uma solução segura ao desenvolvimento humano e social brasileiro, dadas as especificidades de sua realidade político-jurídica e sociocultural, mostra-se como uma metodologia efetiva e verdadeira:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Alguns aspectos da religião de Israel são de validade permanente para os cristãos. Em primeiro lugar está o ensino do AT sobre Deus, de que ele é um, pessoal, bom e justo, que ele criou o mundo e governa sobre ele, dirige a história humana e responde às orações. Outro desses aspectos é a crença israelita sobre o homem, de que ele foi criado à imagem e semelhança de Deus, que ele é um pecador e que ele pode ser perdoado e transformado pela graça de Deus. A lei moral é o melhor guia para satisfazer a vida pessoal e social. A esperança do israelita, assim como do cristão, é que o reino de Deus virá. As crenças mencionadas acima são aceitas pelo NT e são fundamentais para seu entendimento (TENNEY e BARABAS, 2008c, p. 361).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Conclui-se que o desenvolvimento humano e social, mormente no Brasil, com uma sadia qualidade de vida, é possível por meio de uma implementação efetiva de valores ético-morais, fundados em Deus, os quais ganham corpo por meio de pessoas que internalizam a norma e a praticam em diversos contextos da vida: religiosa, pessoal, familiar, relacional, profissional, educacional, político, jurídico, econômico, social, etc.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSÃO</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;À guisa de conclusão é possível tecer importantes conclusões, considerando-se a riqueza do tema, e acentuando-se que a pluralidade hermenêutica que incide sobre ele pode abrir margem à diversas discussões científicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Observou-se que a Religião é um campo rico, candente e complexo, haja vista que é elemento histórico presente em inúmeras culturas, as quais mantêm diferentes perspectivas sob o sagrado e o profano.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tratou-se a Religião como objeto de estudo que recebeu variados enfoques científicos na área da Antropologia, e no campo da&nbsp; Teologia deu-se uma tratativa mais apurada, metodológica e completa, pois o homem foi analisado sob o influxo de uma visão transcendental objetiva, Deus.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;De referida análise ficou demonstrado que todo ser humano possui o desejo e a necessidade da transcendência, fato observado a partir da constatação que o elemento central na maior parte das culturas é a Religião. De igual modo, a efemeridade da vida, as tragédias e os desajustes da ordem social contribuem para que cada pessoa expresse suas aspirações religiosas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em uma perspectiva semântica e cultural procurou-se definir o conceito de&nbsp;Religião, e, estudou-se sinteticamente as três maiores religiões monoteístas do mundo, a saber, Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, enfocando-se os temas centrais de cada uma delas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Depreendeu-se que há características comuns entre elas, como a doutrina monoteística, pois creem na existência de um único Deus; e o fato de serem consideradas religiões do “livro”, haja vista que seus ensinos estão registrados por escritos em cânones, os quais são considerados sagrados.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Entretanto, verificou-se que existem pontos divergentes e inconciliáveis entre elas, pois ao passo que o monoteísmo do islã é centrado em uma deidade absoluta, o monoteísmo judeu e cristão defende a ideia de uma Trindade, apontando-se que há uma complexidade na divindade, pois não se trata de uma unidade absoluta, mas composta.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A conclusão cristã decorre da análise de que que nas Escrituras Sagradas, a Bíblia, são apresentadas três pessoas com prerrogativas incomunicáveis: o Pai, Filho e Espírito Santo. Trata-se de um único Deus, cuja glória, brilho, magnificência e poder são compartilhados por essas três pessoas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>Nesse contexto, constatou-se que o Cristianismo se sobressai por suas características inigualáveis e superiores, pois ao passo que as religiões representam um esforço humano na direção divina, ele significa o próprio movimento de Deus na direção da humanidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A vinda de Jesus – sendo o ápice da a imanência divina no mundo – provou que o Cristianismo não é simplesmente uma construção antropológica e religiosa, mas é a pura revelação de Deus aos seres humanos, sendo, portanto, o epicentro das Religiões. A vida, ministério, morte e ressurreição de Jesus é um fato histórico que separou a história humana em duas fases distintas: antes e depois D’Ele.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Notou-se a superioridade do Cristianismo porque ele responde a questões fundamentais sobre a natureza humana e seu propósito, o sentido da vida, a verdade, o conhecimento, etc.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Questões como: a necessidade de Deus ser Único (embora Trino, conforme demonstrado), Todo-Poderoso, Autoexistente, Amoroso e Relacionável são importantíssimas a uma espiritualidade inteligente e saudável, pois oferece elevada margem de segurança no exercício da fé; a necessidade de o ser humano reconhecer seu estado moral decaído e voltar-se à Deus; a “Imago Dei”, que revela a natureza ímpar e a dignidade humana; a relevância de se tornar uma nova pessoa e praticar os valores do Reino de Deus e a esperança na vida eterna; são respondidas pelo Cristianismo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">                 No campo político e jurídico, especificamente na área dos direitos humanos, a perspectiva deontológica da religião cristã mostrou-se de grande necessidade e utilidade para a organização sociopolítica de qualquer sociedade. A axiologia (teoria dos valores) pregada pela Bíblia, livro que se analisou sob o crivo da ciência da crítica textual, demonstrou-se tratar de um conjunto de valores objetivos, pois sua natureza e fundamentalidade independem da análise subjetiva do ser humano ou de sua cultura.&nbsp; &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Diferente do ateísmo e do secularismo humanista, os quais rejeitam uma base metafísica e transcendente para as ações éticas e morais do ser humano, o Cristianismo fundamenta seus valores em Deus, o qual é a base e a centralidade de todas as boas ações e “dever ser” da pessoa.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na contramão do “homem legal”, o qual obedece a ordem sociopolítica e jurídica com medo das consequências da lei, o “homem moral”, produzido pela influência da transcendência cristã internaliza a norma bíblica, e assim, a aplica nos variados espaços das relações humanas e sociais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A transcendência cristã ensina que o bem deve ser praticado pelo valor intrínseco que representa e que deve ser praticado em qualquer circunstância, seja em benefício ou prejuízo próprio.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Do ponto de vista<strong> </strong>científico e histórico os valores cristãos influenciaram a política de muitos países, mormente no ocidente, com sua pregação sobre ética e moralidade denunciando-se o mau uso do poder, a exploração e a corrupção, bem como o imperioso dever e necessidade de se amar ao próximo, como portador da “imago&nbsp;Dei”.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;De igual modo, no Direito, especialmente nos direitos humanos, os valores ensinados pelo Cristianismo, o qual ensina que o homem é a “imagem e semelhança” de Deus, e, portanto, tem natureza sublime, irrepetível e uma dignidade intrínseca, foi a força motriz que iniciou movimentos e lutas pela igualdade, dignidade, liberdade e desenvolvimento integral da pessoa humana.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Observou-se que muitos ordenamentos jurídicos internacionais se inspiraram na Bíblia, a qual é o documento que registra os valores cristãos, para reger suas sociedades civis e Estados políticos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nessa esteira, a Constituição Federal do Brasil de 1988 incorporou em seu texto a axiologia cristã tangente a “Proteção de Deus” na promulgação do documento e explicitada em seu prefácio, bem como os conceitos de ética, moralidade, justiça, fraternidade, igualdade, dignidade, justiça social e desenvolvimento.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">                 Destacou-se que a doutrina cristã preconiza que o poder político, jurídico, econômico e religioso deve funcionar sob o influxo dos valores bíblicos, sendo, portanto, um reflexo do Reino de Deus na terra.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Referido ensinamento enfatiza que a realidade física não é a totalidade da existência das coisas, mas que há uma dimensão espiritual, na qual Deus é a única fonte de vida, salvação e poder superior e legítimo, sendo que a realidade se completa com a intercambialidade entre essas duas esferas diversas: mundo físico e reino espiritual.&nbsp; &nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Na Economia a doutrina e ética cristã condena a ganância, usura, taxa de juros elevada, exploração e contratos enganosos como fontes de enriquecimento sem causa, bem como enfatiza causas socioeconômicas relevantes, como o amparo aos órfãos, viúvas, pobres e estrangeiros.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Conclui-se que o estabelecimento de uma sociedade mais justa, humana, solidária, fraterna, ética e desenvolvida constrói-se a partir da adoção e prática dos&nbsp; valores expressos na Bíblia, classificada como a Palavra de Deus. Referido arcabouço axiológico não reconstrói o “paraíso perdido”, mas antecipa o Reino de Deus na terra. &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Da relação entre a Religião Cristã e a Epistemologia observou-se uma interdisciplinaridade necessária, interativa e profícua. Depreendeu-se que o livro sagrado cristão, a Bíblia, serviu de fundamento para a ciência moderna e de inspiração a muitos cientistas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Embora as Escrituras não tenham escopo precipuamente científico, todavia seus conteúdos se mostram objetivos, metodológicos, legítimos, confiáveis e verdadeiros, sendo comprovados em variadas&nbsp; áreas do conhecimento humano, como a Filosofia, Física Quântica e Gravitacional, Antropologia, Ciências Políticas, Direito, Sociologia, História, etc.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em epistemologia o pensamento e a contribuição cristã também se sobressaíram, haja vista que a Escritura Sagrada demonstrou exatidão e metodologia objetiva, pois não trabalha com deduções, mas com premissas conclusivas, servindo-se como parâmetro na descoberta e produção de conhecimento verdadeiro e confiável.&nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Outro ponto fulcral observado foi a complementaridade necessária que se estabelece entre fé e razão. As Escrituras afirmam e o pensamento abstrato e a experiência empírica comprovam que coabitam no âmago do ser humano dois elementos distintos que interagem no desenvolvimento de suas potencialidades, a saber: fé e racionalidade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">                 Uma análise escriturística topográfica demonstrou com máxima clareza que o mesmo Deus que implementou na consciência humana o dom e mistério da fé é o mesmo que capacitou-o com habilidades cognitivas, razão pela qual o ser humano é instado constantemente a desenvolver ambas as faculdades, que se entrelaçam e se complementam. O exercício da fé e da razão é primordial ao desenvolvimento humano.&nbsp; &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">  &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Embora o filósofo africano Agostinho de Hipona e o filósofo americano Norman Geisler, ambos também teólogos, defendam a primazia da razão sobre a fé, o presente estudo não localizou referida hierarquia, haja vista que ambos atuam em diferentes espectros e se mesclam na natureza humana, sendo muito difícil e complexo detectar qual vem antes e é mais importante. Ao final, pareceu que a fé é mais relevante, pois a capacidade cognitiva humana foi prejudicada com a queda no Éden, e, ademais, a fé é o elemento central na salvação eterna. Todavia, o assunto permanece em aberto.&nbsp; &nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; No que se refere à crítica de que fé e razão não se harmonizam, sendo termos excludentes, a premissa se mostrou falsa, pois restou largamente provado nas ciências&nbsp; e na história que a fé sempre inspirou a inteligência a produzir o que de melhor há no ser humano.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Observou-se que algumas doutrinas, como o positivismo, incluindo-se aí a área jurídica, o secularismo humanístico e o ateísmo, constituem-se uma ideologia construída para justificar e manter o “status quo”, em que a dominação das classes sociais mais abastadas sobre os despossuídos acontece sob formas aparentemente “legítimas”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Assim, cosmovisões, tais como: o homem como centro de tudo; a ciência como único meio de se alcançar a verdade e se obter conhecimento válido; a autorregulamentação do mercado econômico; a “ética” maquiavelista na condução dos assuntos políticos e o afastamento dos valores transcendentes na interpretação e aplicação da norma jurídica constituem formas veladas de alienar, subjugar e “desumanizar” o sujeito de direitos, e assim, negar-lhe a importância de sua dignidade intrínseca expressa na fórmula “imagem e semelhança” de Deus.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Entretanto, a validade e historicidade da mensagem cristã é insuperável e imutável, não se vergando às ideologias ateísticas culturais pós-modernas, as quais além de serem a “posteriori”, são culturalmente inferiores, nocivas, antidesenvolvimentistas e sofismáticas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O postulado de que o homem é irremediavelmente religioso mostrou-se verossímil, pois todas as culturas têm uma relação com o sagrado, sendo a descrença a exceção que confirma a regra; excepcionalidade caracterizada como um tipo de disfuncionalidade social e incidental.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A afirmação teológica e a confirmação histórica de que o ser humano traz consigo uma consciência e um coração que almejam a transcendência e a infinitude é uma verdade objetiva, pois o instinto humano não deseja a morte, mas a vida, e mais, a sua continuidade perene.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por isso, a humanidade, em sua síntese de superação, autocriação e busca por ser “sempre mais”, pois seu destino não está traçado como os animais, que já são tudo o que poderiam ser; e na busca por sentido e respostas, não aceita o “ser menos”, haja&nbsp; vista que a verdade de Deus, firme e estabelecida no tempo e no espaço, não pode ser subvertida.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Enfim, na área do desenvolvimento humano e social o Cristianismo emerge como a mais relevante metodologia desenvolvimentista, superando-se os modelos de desenvolvimento social, desenvolvimento econômico e desenvolvimento sustentável, os quais são essencialmente antropocêntricos e ecocêntricos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A<strong> </strong>necessidade de uma<strong> </strong>metamorfose humana e social é enfrentada pelo Cristianismo, que apresenta as causas das mazelas humanas (a queda espiritual e moral do ser humano); os efeitos (egoísmo, violência, injustiça, etc.), e aponta uma solução plausível, efetiva e dinamogênica: restaurar o relacionamento com o Deus Criador. &nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Considerou-se que a lei e os ensinos humanos são incapazes de infundir virtudes ético-morais na consciência e coração humano, e por isso, as mudanças almejadas e articuladas por qualquer projeto sociopolítico de desenvolvimento são meramente exteriores, ínfimas e insuficientes.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A diferenciação e superação cristã repousam no fato de que se evoca valores transcendentais como fundamento de validade para uma ordem política, jurídica e econômica justa e desenvolvida. A mensagem cristã postula que o teocentrismo (Deus como centro do reino e aspiração humana) é a chave para uma mudança substancial que começa de dentro do coração humano até alcançar o mundo exterior, a sociedade, com toda sua complexidade e rede de relações e instituições.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Lastreada na ética de amar a “Deus sobre todas as coisas” e ao “próximo como a si mesmo”, o Cristianismo se apresenta como a solução completa que supre todas as necessidades do homem em variadas dimensões. Ademais, a mensagem cristã é profunda, ulterior e superior, pois considera a existência atual como um tipo de preparação para uma vida mais plena e elevada na eternidade.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A proposta cristã de desenvolvimento mostrou-se suficiente, completa, abrangente e profunda, pois abarca um acréscimo na ontologia humana nos setores: espiritual, axiológico, intelectual, emocional, comportamental e social.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No recorte e análise crítica e reflexiva da realidade social brasileira, a qual se mostra complexa e imersa em diversas crises e problemáticas, tais como pobreza, injustiça, desigualdade e subdesenvolvimento, o estudo concluiu que, embora o Brasil seja um país com gigantesco potencial para o desenvolvimento e propiciação de uma vida mais qualitativa, com saúde, educação, trabalho distribuição de renda equânime, etc., o egoísmo político, jurídico e econômico são sérios óbices.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A problemática que se perseguiu e se comprovou é que os setores do poder (política, jurídica e economia) são refratários à uma postura prática e efetiva dos valores cristãos, pois contraria interesses escusos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na hora de se concretizar políticas públicas que vão ao encontro dos mais pobres; aplicar a norma constitucional como método para se concretizar a justiça e se alcançar a sociedade fraterna e harmoniosa preconizada no Texto Magno; e imprimir uma ética para barrar o “espírito” lucrativista e exploratório do capitalismo, há diversos óbices e forte oposição.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Daí que a hipótese se mostrou verdadeira, pois a ética cristã é a solução segura para por freio às ações nocivas e perversas que obstaculizam a construção de uma sociedade fraterna, solidária, humana, justa, plural, democrática e desenvolvida.&nbsp; &nbsp; &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; A transcendência cristã (fé e espiritualidade) propõe um esquema nos seguintes termos: uma vez transformada a consciência do indivíduo, seu coração e mente absorvem os valores de Deus, sua inteligência se expande e aí se passa a aplicar os valores e princípios nos mais variados espaços sociais e culturais: religião, família, relações interpessoais, trabalho, sociedade, política, direito e economia.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Comportamentos nocivos como egoísmo, mentira, perversidade, ganância e corrupção são substituídos por condutas mais nobres, tais como amor a Deus, a si e ao próximo, altruísmo, bondade, verdade, fraternidade, solidariedade e elevado senso de autorresponsabildidade social.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Conforme repetidas vezes salientado, a adoção e aplicação da axiologia bíblica não transformará a sociedade em um “paraíso terrestre”, mas atenuará a dor e as misérias, promoverá a justiça, melhores condições espirituais e materiais de existência, disseminando-se maior clima de paz, implementando-se o crescimento integral das pessoas, e antecipando-se o Reino de Deus na terra, propiciando-se uma existência mais digna, profunda e com real significado.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><sup>1</sup>&lt; https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/article/hitler-comes-to-power&gt; Acesso 01 jun. 2023</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>2</sup>Disponível em:<strong> &lt;Baixar Bíblia Nova Versão Transformadora (NVT)&nbsp;</strong>https://blogdoarildo.wordpress.com/2019/11/10/baixar-biblia-nova-versao-transformadora-nvt/&gt;. Acesso 02 jun. 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>3</sup>Disponível em: &lt;www.stf.jus.br/portal/constituicao/constituicao.asp&gt;. Acesso em: 14 jun. 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>4</sup>MANERO, Juan Ruiz. <strong>Bobbio y el positivismo: La triple distinción y el propio Bobbio</strong>. Espana: Revus &#8211; Journal for Constitutional Theory and Philosophy of Law, 26/2015. Disponível em: &lt;Bobbio y el positivismo – Revus – Revues.org&gt;. Acesso em: 24 jun. 2023.</p>



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<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



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		<title>O ENSINO SOCIAL DA IGREJA NA DIMENSÃO ESPIRITUAL DOS FUTUROS PRESBÍTEROS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/o-ensino-social-da-igreja-na-dimensao-espiritual-dos-futuros-presbiteros/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Feb 2025 15:05:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 143/FEV 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[La Enseñanza Social de la Iglesia en la Dimensión Espiritual de los futuros Sacerdotes REGISTRO DOI:10.69849/revistaft/th102502111205 Carlos Marçal Lima RESUMO O artigo em questão pretende ser uma chave de leitura na compreensão dos desafios da Doutrina Social da Igreja no ministério presbiteral. Visa encontrar caminhos pedagógicos no processo formativo dos futuros presbíteros, que conduzam ao [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>La Enseñanza Social de la Iglesia en la Dimensión Espiritual de los futuros Sacerdotes</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI:10.69849/revistaft/th102502111205</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Carlos Marçal Lima</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O artigo em questão pretende ser uma chave de leitura na compreensão dos desafios da Doutrina Social da Igreja no ministério presbiteral. Visa encontrar caminhos pedagógicos no processo formativo dos futuros presbíteros, que conduzam ao enfrentamento das preocupações e entraves na compreensão, acolhida e prática do Ensino Social pelos presbíteros. Objetiva-se apresentar de modo sucinto e seletivo, a natureza do Ensino e da Prática Social da Igreja e sua íntima relação com o ministério ordenado. Pretende-se mostrar como a compreensão do caráter salvífico-espiritual da Doutrina Social e a dimensão espiritual do processo formativo, podem ajudar parte dos presbíteros a superarem a descrença e descompromisso com o Ensino e a Prática Social. Frente aos desafios do contexto de mudança de época, de uma cultura individualista, imediatista e polarizada, indicar-se-á o cultivo de uma espiritualidade encarnada, capaz de ajudar os candidatos ao ministério presbiteral a sair de si mesmos e volta-se para os mais necessitados. Dar-se-á através do contato íntimo com a Palavra de Deus, que evangeliza o próprio interior e educa-os para amar e servir, para solidariedade e humanidade, que entre outros aspectos, apontam para um processo formativo que seja expressão de uma adesão livre e responsável.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Desafios. Formação. Futuros presbíteros. Doutrina Social. Ensino.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">The article in question aims to be a reading key in understanding the challenges of the Social Doctrine of the Church in the priestly ministry. It aims to find pedagogical paths in the training process of future priests, which lead to facing concerns and obstacles in the understanding, reception and practice of Social Teaching by priests. The aim is to present in a succinct and selective way the nature of the Church&#8217;s Teaching and Social Practice and its intimate relationship with the ordained ministry. It is intended to show how understanding the salvific-spiritual character of the Social Doctrine and the spiritual dimension of the formative process can help some of the priests to overcome disbelief and lack of commitment to Teaching and Social Practice. Faced with the challenges of the context of changing times, of an individualistic, immediate and polarized culture, the cultivation of an incarnated spirituality will be indicated, capable of helping candidates for the priestly ministry to leave themselves and turn to the most needy. It will take place through intimate contact with the Word of God, which evangelizes one&#8217;s own interior and educates them to love and serve, for solidarity and humanity, which among other aspects, point to a formative process that is an expression of an adhesion free and responsible.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Challenges. Training. Future priests. Social Doctrine. Teaching.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<ol class="wp-block-list"></ol>



<p class="wp-block-paragraph">O Ensino e a Prática Social da Igreja são traços essenciais do ser cristão, uma vez que Deus não é alheio à vida e aos problemas da humanidade. Na realidade, toda a economia da salvação mostra-nos que Deus fala e intervém na história a favor do homem e da sua salvação integral (cf. VD, nº 23). A fé possui um conteúdo moral: dá origem e exige um compromisso coerente de vida, comporta e aperfeiçoa o acolhimento e a observância dos mandamentos divinos (cf. VS, nº 89).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O discurso e a ação da Igreja em favor dos mais pobres e vulneráveis, partindo das Escrituras e atravessando os séculos até os nossos dias, mostra-nos uma rica Tradição magisterial e teológica sobre as questões sociais, políticas e econômicas. Trata-se de um rico patrimônio da Igreja que precisa ser conservado com fidelidade e desenvolvido para responder progressivamente às novas necessidades da convivência humana (cf. <a>OEESOIFS</a>, nº 1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, nos tempos atuais, encontramos uma forte tendência em diversos setores da Igreja que ameaça a compreensão e a prática social da Igreja, representada pela polarização sociopolítica, cultural e religiosa do Brasil nos últimos anos; pelo contexto, que alguns teóricos chamam de época da pós verdade; pela própria tendência presente que aponta a uma fé intimista e desencarnada, que reduz a vida cristã a alguns momentos<strong> </strong>religiosos que proporcionam um certo alívio às angústias existências, mas que não alimentam o encontro com os outros, o compromisso com a vida fraterna e com a construção de um mundo mais justo (cf. EG, nº 78).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Junto a essas tendências, podemos colocar o clericalismo, que conforme vem ressaltando o Papa Francisco, é uma perversão da Igreja e não é só dos clérigos (cf. FRANCISCO, 07 de agosto 2023). Realidade que precisa melhor ser aprofundada, pois pode ter diversas abordagens, entre elas sociológicas, uma vez que nossa sociedade é autoritária, em que um manda e o outro obedece; psicológica, uma vez que pode estar ligado a traços ou mesmo transtornos de personalidade; e teológica, uma vez que tem a ver com um modelo eclesiológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A compreensão do que é o ensino e a prática social da Igreja se faz necessária a todos os batizados, uma vez que é notável que entre os cristãos hoje, corre-se um risco de se ter uma visão reducionista da Ação Evangelizadora e dificuldades de internalizar e assumir o ensinamento social da Igreja. Contudo, a opção pela temática do ensino social na Dimensão Espiritual dos futuros presbíteros, dar-se-á pela carência de referências teóricas que auxiliem os formadores, mediante a urgência que os candidatos ao ministério estejam conscientes da natureza, das finalidades e dos elementos essenciais da Doutrina Social da Igreja, para poder aplicá-la em suas atividades pastorais, uma vez que o ensino e a difusão da doutrina social fazem parte da missão evangelizadora da Igreja (cf. SRS, nº 41).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A escrita deste trabalho justifica-se justamente pela urgência de encontrarmos caminhos para o enfrentamento da nossa problemática que nos propomos a refletir: como a Dimensão Espiritual no processo formativo pode despertar nos futuros presbíteros a sensibilidade e consciência de suas tarefas na dimensão social da fé?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Justifica-se ainda porque, embora nossa reflexão gire em torna da dimensão social da fé no ministério ordenado, ela pode trazer luzes a todos os cristãos e é uma discussão que tem sido muito presente na pauta do magistério atual do Papa Francisco. Para o Papa, “o querigma possui um conteúdo inevitavelmente social: no próprio coração do Evangelho, aparece a vida comunitária e o compromisso com os outros. O conteúdo do primeiro anúncio tem uma repercussão moral imediata, cujo centro é a caridade (cf. EG, nº 177).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando as questões postas acima, a reflexão que segue, pretende enfrentar a seguinte problemática: como a compreensão do caráter salvífico-espiritual da Doutrina Social da Igreja pode ajudar os candidatos ao ministério presbiteral a assumir o cuidado com os pobres como parte integrante do seu ministério? Através de que vias a dimensão espiritual pode ajudar os futuros presbíteros a compreender que a prática da solidariedade aos que mais sofrem, pertence à sua natureza e é expressão irrenunciável da própria essência da vida ministerial?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em nosso entendimento, nada neste mundo é indiferente a Deus, ao seu plano de salvação e nem mesmo pode ser indiferente à Igreja ou aos seus ministros. A compreensão do ensino e da prática social da Igreja, para que tenha respaldo e aceitação, precisa estar situado no contexto mais amplo da Teologia Social, que trata da dimensão social da fé (cf. AQUINO, 2018 p.12). A esse respeito, o Papa Francisco tem insistido que se é importante a opção pelos pobres, mais importante ainda é sua percepção no caráter salvífico-espiritual. “O laço indissolúvel entre a recepção do anúncio salvífico e um efetivo amor fraterno exprime-se em diversos textos da Escritura, que convém considerar e meditar atentamente para tirar deles todas as consequências” (EG, nº 179).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que o ensino e a prática social sejam parte integrante do ministério presbiteral é fundamental reforçar o contato íntimo com a Palavra de Deus, em vista de evangelizar o próprio interior. É fundamental educar para a liberdade e responsabilidade, para amar e servir. A solidariedade e o compromisso com os mais pobres e excluídos, a defesa e a promoção da pessoa humana, passam precisamente pelo cultivar de uma espiritualidade encarnada, capaz de sair de si mesmo e volta-se para os necessitados, pondo-se ao lado dos mais pobres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo da presente pesquisa é apresentar uma abordagem do Ensino Social, à luz da Dimensão Espiritual, a qual é considerada central e unificante relativamente ao ser e ao agir do ser do presbítero, cujo seu conteúdo essencialmente é viver em íntima comunhão e familiaridade com o Pai, por meio do seu Filho Jesus Cristo, no Espírito Santo, e ser enviados a&nbsp; anunciar a Boa Notícia, especialmente aos pobres, sofredores, doentes, pecadores e descrentes (PDV, nº 45).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa perspectiva a presente pesquisa tem como objetivos específicos: explicitar a relação existente entre a identidade presbiteral e a natureza da Doutrina Social, ajudando os futuros presbíteros a superar a dicotomia entre dimensões “ad intra” e “ad extra” da ação evangelizadora; demostrar que o nosso compromisso com os mais pobres fundamenta-se na Palavra de Deus, na encarnação de Jesus Cristo, fortalecendo assim o engajamento e o compromisso dos presbíteros com os pobres e marginalizados; apontar algumas luzes que colaborem para que o ensino social seja conhecido e internalizado como um valor cristão, enfrentando assim, a rejeição ou desconfiança que alguns têm em relação a Doutrina Social.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nosso estudo será de revisão bibliográfica qualitativa, tendo como referencial básico os Documentos da Igreja que tratam do processo formativo dos futuros presbíteros e a obra “Formação: desafios morais”<a href="#_ftn1" id="_ftnref1">[1]</a>,&nbsp; a qual lança luzes sobre a empreitada da formação dos futuros presbíteros e que poderá nos ajudar a recuperar o sentido salvífico-espiritual do compromisso com os pobres e aprofundar o aspecto integral da vida e missão dos presbíteros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para tal, no primeiro capítulo de nosso estudo, buscaremos identificar as principais dificuldades que criam entraves para compreensão, acolhida e prática do ensino social da Igreja no ministério presbiteral. Pretendemos evidenciar a preocupação com a tendência do contexto atual e do novo perfil de candidatos à vida sacerdotal, fortemente caracterizado pelo descompromisso com a realidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No segundo capítulo, procuraremos apresentar, de modo sucinto e seletivo, o ensinamento social da Igreja, seus princípios fundamentais, sua relevância atual e orientações indispensáveis para uma reta organização social, para a dignidade da pessoa humana e para o bem comum. Esse entendimento é fundamental e traz uma contribuição significativa para que os candidatos ao ministério ordenado tenham uma ideia clara da natureza e finalidade da Doutrina Social, e possam aplicar em sua atividade pastoral, na integralidade, tal como vem formulada e proposta pelo Magistério da Igreja.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No terceiro capítulo, buscaremos apresentar algumas proposições que podem auxiliar-nos a encontrar indicações práticas que tendem a ajudar a repensar o ensino social da Igreja na formação dos futuros presbíteros.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. OS DESAFIOS DO ENSINO SOCIAL NA FORMAÇÃO DOS PRESBÍTEROS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente reflexão busca responder a uma problemática que parece estar sendo percebida nos diversos contextos eclesiais: o distanciamento de muitos presbíteros das raízes evangélicas da opção preferencial pelos pobres e consequentemente, indiferença à Doutrina Social da Igreja. A reflexão que segue pretende abordar os principais desafios que poderiam ser os entraves para o crescimento e amadurecimento dos candidatos ao ministério presbiteral, na compreensão, internalização e compromisso com o ensino social da Igreja.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Papa Francisco, sensível às intuições do Concílio Vaticano II, tem insistido na urgência de volta a um modelo eclesiológico que lança a Igreja para fora, que vai em direção ao mundo e ao encontro dos dramas existenciais, das tristezas e esperanças que as pessoas vivem, particularmente, as mais fragilizadas e vulneráveis (cf. GS, nº 1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Igreja em saída que recorda Francisco, é uma Igreja que não fica estagnada, cuidando apenas de sua manutenção, mas que sai em busca das pessoas, abandona o comodismo, a cegueira, o moralismo hipócrita e saem em busca das ovelhas perdidas (cf. EG 20-24).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Francisco, a formação deve levar ao compromisso de salvar os excluídos, os vulneráveis e os pobres, além de ajudar a enfrentar os desafios das novas pobrezas na sociedade. O processo formativo deve colaborar para que os joves candidatos ao presbiterado não fiquem alienados dessas questões, mas tenham coragem e audácia para dar passos no seu discernimento vocacional, capacidade de sair de si e voltar-se às necessidades dos outros, pondo-se ao lado dos mais pobres e marginalizados (cf. FRANCISCO, 20 de novembro de 2015<a>).</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, percebemos certa <a>distância entre o ensinamento do Magistério atual e a realidade formativa existente</a>, cujas características são de autossuficiência e autoreferencialidade. Busca-se uma espiritualidade difusa, marcada pelo subjetivismo que oferece satisfações emotivas, proximidade e conforto interior, sem alteridade, empatia, gratuidade e indiferença nas relações, especialmente com os mais pobres e com a natureza (cf. DGFP, nº 10).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Qual será o perfil do presbítero que seja capaz de encarar o ser de uma Igreja em saída e comprometida com a Doutrina Social da Igreja, em suas novas demandas, tais como a cultura do cuidado, o imperativo da misericórdia e da fraternidade universal? Que tipos de padres necessitamos para a Igreja hoje e amanhã? Qual o modelo eclesiológico formará ministros que correspondam aos anseios e às necessidades de uma sociedade em permanente mudança? <a>(</a><a>cf.&nbsp; (</a><a></a><a>TRASFERETTI; MILLEN; ZACHARIAS, 2018</a>, p. 11).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reflexão que pretendemos fazer neste capítulo pretende encarar as questões postas acima, em vista de posteriormente encontramos, na dimensão espiritual, luzes que possam nos ajudar a superar os principais desafios na compreensão e prática da Doutrina Social da Igreja pelos presbíteros nos dias atuais. Limitar-nos-emos aqui a refletir sobre algumas realidades que nos desafiam, nos preocupam e que acabam se tornando entraves para o Ensino e a Prática Social no ministério presbiteral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.1 O DESAFIO DA MUDANÇA DE ÉPOCA</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2017, a V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, se deparou com o desafio do que já se convencionou chamar de mudança de época, trazendo consigo o enfraquecimento da identidade espiritual dos presbíteros, que dificultam o processo de formação de autênticos discípulos missionários (Cf. D.A, nº 318).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Amado, os bispos em Aparecida reconheceram que os desafios da mudança de época não são alterações periféricas ou circunstanciais. Ao contrário, além das transformações nos mais diversos aspectos da vida, afetam-se também os alicerces de compreensão. Não são apenas os fatos que, de tão novos, pedem novas compreensões. São também os critérios para a interpretação desses fatos que se mostram atingidos (cf. AMADO, 2018, p. 107).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pedro Ribeiro, doutor em sociologia e então assessor da CNBB, numa análise de conjuntura, assim constatava: “vivemos em uma realidade marcada por mudanças que afetam profundamente a vida dos seres humanos e o os cristãos não podem esperar que as coisas voltem ao mundo que existia antes. Vivemos um período contraditório, no qual várias tendências se entrecruzam” (CNBB, 2008, p. 11).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Papa Francisco, em discurso à Cúria Romana, dizia que encontramo-nos num daqueles momentos em que as mudanças já não são lineares, mas epocais; constituem opções que transformam rapidamente o modo de viver, de se relacionar, de comunicar e elaborar o pensamento, de comunicar entre as gerações humanas e de compreender e viver a fé e a ciência. (cf. FRANCISCO, 21 dezembro de 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bauman, na tentativa de compreender essa mudança de época constata que no contexto atual os jovens correm o risco de assumir “identidades fragmentadas”, tornarem-se pessoas incapazes de lutar por objetivos exigentes e por realizar projetos que exijam esforço, fidelidade, compromisso, sacrifício (cf. <a>BAUMAN, 2007, </a>p.17).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo sem se alongar e aprofundar a questão do desafio da mudança de época, podemos dizer que, no fundo, o que está acontecendo no ministério presbiteral, sobretudo no clero mais jovem, é uma variação dentro da dinâmica histórica que “exige de nós maior atenção aos projetos de formação dos seminários, pois os candidatos ao ministério são filhos desse tempo, caracterizado pela fragmentação da personalidade, a incapacidade de assumir compromisso definitivos, a ausência de maturidade humana e o enfraquecimento da identidade espiritual (cf. DA, nº 318).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos dizer também, que as constatações acima são importantes pois, além de nos deixar questionar pelos desafios do tempo presente, nos ajudam a compreender a visão de mundo dos presbíteros e suas contradições ou mesmo aversão às problemáticas sociais, conforme apareceu na recente pesquisa de Brighenti</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Dificuldade em ver a importância e a necessidade do reconhecimento e a promoção dos direitos sociais, do bem comum ou dos direitos das minorias, dos invisibilizados&#8230; Não se vê como problemas importantes a situação política, a corrupção, a falta de assistência à saúde, o desemprego, o narcotráfico ou as condições precárias de moradia&#8230; Falta de preocupação pelos pobres, típica dos regimes neoliberais que voltam com força no continente e para além dele, não é mencionada como uma realidade negativa de peso (<a>BRIGHENTI, 2021</a>, p. 273).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Como consequência dessa visão de vida, podemos constatar ainda, a frieza e o distanciamento dos presbíteros, diante das exigências de assumir posturas possíveis de mudanças na vida pessoal, na Igreja e na sociedade. Contudo, podemos dizer que essas constatações nos encorajam a buscar luzes para o enfrentamento da problemática da indiferença e até mesmo à rejeição da Doutrina Social da Igreja por parte de clérigos, realidade presente também em muitos cristãos leigos e leigas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.2 SINAIS DE PREOCUPAÇÃO</p>



<p class="wp-block-paragraph">A constatação que estamos vivenciando em um momento de transformações profundas, numa cultura que dá prioridade ao que é temporário, que descarta as pessoas e lhe nega o reconhecimento da dignidade humana (cf. <a>FRANCISCO, 4 de março 2015</a>), coloca-nos diante de algumas preocupações que acabam comprometendo o processo formativo do futuro clero. Aqui referimo-nos apenas a três preocupações: o clericalismo, a volta de uma eclesiologia e espiritualidade contrárias à renovação do Concílio Vaticano II e a certos planos de Pastoral desvinculados de qualquer tipo de preocupação com a transformação da realidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É claro que essas três temáticas merecem ser refletidas com espírito crítico e profundidade, em uma outra oportunidade, considerando os elementos culturais, psicológicos, antropológicos e eclesiológicos. Contudo, aqui faremos apenas uma referência à essas tendências que são vistas como sinais de preocupação no processo formativo dos presbíteros.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É motivo de perplexidade, que nas diversas instâncias em que o Povo de Deus é chamado a participar, como foi o caso da primeira Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe no ano de 2021,  em que o clamor pela superação do clericalismo e o afastamento dos presbíteros do compromisso com a dimensão social da fé, foi uma das reivindicações mais fortes (cf. CELAM, 2022, nº 96). Para o Papa Francisco, “o clericalismo é um flagelo, é uma chaga, é uma forma de mundanidade que suja e danifica o rosto da esposa do Senhor; escraviza o santo povo fiel de Deus. É triste quando os ministros exageram no seu serviço e maltratam o povo de Deus, desfigurando o rosto da Igreja com atitudes machistas e ditatoriais (cf. FRANCISCO, 25 de outubro 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">            É motivo de perplexidade também percebermos algumas tendências a voltar a uma eclesiologia e espiritualidade contrárias à renovação do Concílio Vaticano II: uma espiritualidade individualista que relativiza o ético e a aplicação do rico patrimônio que contém a Doutrina Social da Igreja (cf. DA, nº 100). Essas tendências “dão origem a um elitismo narcisista e autoritário, onde em vez de evangelizar, se analisam e classificam os demais e, em vez de facilitar o acesso à graça, consomem-se as energias a controlar. Em ambos os casos, nem Jesus Cristo nem os outros interessam verdadeiramente (GE, nº 35).</p>



<p class="wp-block-paragraph">É motivo de perplexidade ainda, percebermos que enquanto multidões de pessoas morrem de fome, sendo violentadas em todas as dimensões da vida, tendo a própria dignidade ferida, muitas dioceses apresentam planos de pastoral desvinculados de qualquer tipo de preocupação com a transformação da realidade cf. (TRASFERETTI; MILLEN; ZACHARIAS, 2018, p.13). No conjunto da visão dos católicos há um olhar mais para dentro da Igreja do que para fora dela, há uma visão predominantemente religiosa e moral da sociedade, o que impede de ir às causas estruturais de realidades complexas como é a exclusão e a pobreza, a violência e a opressão (cf. BRIGHENTI, p. 272 e 273).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As três preocupações apresentadas acima torna-se um desafio na formação dos presbíteros, pois são contrárias aos ensinamentos da Igreja, uma vez “a caridade não é uma espécie de atividade de assistência social que se poderia mesmo deixar a outros, mas pertence à sua natureza, é expressão irrenunciável da sua própria essência” (cf. DCE, nº 25). “A proposta é o Reino de Deus” (cf. Lc 4, 43); trata-se de amar a Deus, que reina no mundo. Na medida em que Ele conseguir reinar entre nós, a vida social será um espaço de fraternidade, de justiça, de paz e de dignidade para todos. Por isso, tanto o anúncio como a experiência cristã tendem a provocar consequências sociais” (cf. EG, nº180).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Frente a essas preocupações, é necessário que todo processo formativo, sobretudo a dimensão espiritual, proporcione aos vocacionados ao ministério presbiteral uma larga possibilidade de evangelizar a própria interioridade por meio de um contato profundo com a Palavra de Deus.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Possibilidade esta que os ajude a trocar um estado de conforto por um espírito capaz de se compadecer das misérias humanas, de amar, de acolher e de valorizar a pessoa do outro, especialmente os mais vulneráveis, como os pobres, os simples, os doentes, os idosos, e assim superando atitudes de arrogância, indiferença, desprezo e intolerância, e assumindo como seus os mesmos sentimentos de Cristo Jesus (TRASFERETTI; MILLEN; ZACHARIAS, 2018, p.12).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse horizonte, deve-se entender que a formação dos futuros presbíteros precisa ser sustentada pela vida espiritual, pelo fazer da própria vida um diálogo constante com a Palavra de Deus (<a>FRANCISCO, 25 de janeiro de 2016)</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.3 OS ENTRAVES DO ENSINO SOCIAL NA FORMAÇÃO PRESBITERAL</p>



<p class="wp-block-paragraph">No ano de 1988, a Congregação para Educação Católica publicou um Documento intitulado: orientações para o estudo e o ensino da Doutrina Social da Igreja na formação sacerdotal. Neste Documento reconheceu-se algo, que também hoje, seja um dos entraves do Ensino Social na formação presbiteral: a falta de conhecimento da riqueza contida na Doutrina Social da Igreja (cf. CEC, 1988, nº1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Documento em questão afirma que a Doutrina Social constitui um rico patrimônio que a Igreja progressivamente foi adquirindo a partir da leitura da Palavra e atendendo às situações mutáveis dos povos nas diversas épocas da história. “Por isso, é cada vez mais urgente e decisiva a irrenunciável presença evangelizadora da Igreja no complexo mundo das realidades temporais que condicionam o destino da humanidade (<a>Ibidem,</a> nº 2).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">João Paulo II, na encíclica Sollicitudo Rei Sociallis exortava aos candidatos ao sacerdócio a adquirem uma ideia clara acerca da natureza e das finalidades da DSI para poder aplicá-la na atividade pastoral pois esse “ensino e a difusão da doutrina social fazem parte da missão evangelizadora da Igreja” (cf. <a>SRS </a>1987, nº 41).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na pesquisa de Brighenti, em relação ao exercício do ministério presbiteral os entrevistados frisaram: é preciso mudar a linguagem, pois libertação, pobres, luta, compromisso social, comunidade, etc., podem gerar mal-entendidos ou mesmo, desinteressar aqueles mais sintonizados com novas formas de expressão na atualidade (Ibidem, p. 276).</p>



<p class="wp-block-paragraph">É motivo de perplexidade e indignação perceber que, enquanto multidões de irmãos e irmãs estão morrendo de fome, sendo violentadas em todas as dimensões da vida, tendo a própria dignidade ferida (Ibidem, p.13), aqueles que deveriam ser os anunciadores de uma Boa Nova possam, “por medo de mal entendido”, abrir mão da defesa dos prediletos de Cristo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mentalidade posta acima, mostra que a Doutrina Social da Igreja não é conhecida e muito menos internalizada por uma boa parte dos presbíteros, pois conforme veremos mais a frente, dentre as linhas mestras no desenvolvimento histórico da Doutrina Social da Igreja a mais incisiva preocupação sempre foi a centralidade e a dignidade da pessoa humana. A promoção integral do homem e a defesa incondicional da vida faz parte da concepção cristã da vida, de modo que uma sadia educação da fé não pode descuidar do aspecto social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É fundamental conhecer a Doutrina Social, pois como já reconhecia João XXIII,</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">a Santa Igreja, apesar de ter como principal missão a de santificar as almas e de as fazer participar dos bens da ordem sobrenatural, não deixa de preocupar-se ao mesmo tempo com as exigências da vida cotidiana dos homens, não só no que diz respeito ao sustento e às condições de vida, mas também no que se refere à prosperidade e à civilização em seus múltiplos aspectos, dentro do condicionalismo das várias épocas (MEM, 1961, nº 3).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">É indispensável que como Igreja, aprendamos a “escutar os sinais dos tempos”, ou seja, ouvir a voz de Deus nos acontecimentos e interpretá-los à luz do Evangelho, de tal modo que possa responder, de maneira adaptada a cada geração, às interrogações eternas sobre os significados da vida presente e futura e de suas relações mútuas. É necessário, por conseguinte, conhecer e entender o mundo no qual vivemos, suas esperanças, suas aspirações e sua índole frequentemente dramática (cf. GSP, nº4).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. A NATUREZA DA DOUTRINA SOCIAL E A IDENTIDADE DOS PRESBÍTEROS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A reflexão que segue pretende abordar os elementos constitutivos da Doutrina social da Igreja, em vista de descobrir como esses fundamentos teológicos podem ajudar os futuros presbíteros a assumir uma vida próxima e solidária com os mais pobres. Busca demostrar que a experiência de fé da comunidade eclesial são expressão da salvação integral de Cristo, que deve ser acolhida, celebrada, anunciada e testemunhada (cf. ZACARIAS e MANZINI, 2016, p. 16). “Evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo. O querigma possui um conteúdo inevitavelmente social: no próprio coração do Evangelho, aparece a vida comunitária e o compromisso com os outros. O conteúdo do primeiro anúncio tem uma repercussão moral e imediata, cujo centro é a caridade (cf. EG 176 e 177).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Doutrina Social da Igreja é o conjunto dos ensinamentos e da prática da Igreja Católica em relação à dimensão social da vida humana, presente em seu Magistério, ou seja, nas encíclicas, declarações, decretos, notas, exortações apostólicas e pronunciamentos oficiais dos papas. São declarações do Magistério sobre temas intimamente relacionados com a defesa e a promoção humana em todas as dimensões <a>(cf. ZACARIAS e MANZINI, 2016, p. 8).</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Doutrina Social da Igreja constitui um rico patrimônio que a Igreja progressivamente foi adquirindo a partir da leitura da Palavra de Deus e atendendo às situações mutáveis dos povos nas diversas épocas da História (CEC, 1988, nº1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lamentavelmente, esse rico patrimônio da Igreja continua sendo um grande desconhecido, principalmente pelos sujeitos de quem se espera um comprometimento com sua prática <a>(cf. MESSIAS e CRUZ, 2020, p.12). </a>Além da Doutrina Social ser desconhecida, é visível que há, por parte dos presbíteros, uma rejeição a esse ensinamento e prática da Igreja. Dizia os bispos em Aparecida: “verificamos uma mentalidade relativista no ético e no religioso, a falta de aplicação criativa do rico patrimônio que contém a Doutrina Social da Igreja” (DA, nº 100).</p>



<p class="wp-block-paragraph">É necessário que todo o processo formativo, em todas as suas etapas, especialmente na dimensão espiritual, proporcione aos vocacionados à vida presbiteral, a clareza de que há uma união ontológica e existencial entre a profissão de fé e a transformação social. O querigma e a profissão de fé possuem um conteúdo necessariamente social: a vida comunitária e o compromisso com os outros (cf. ZACARIAS e MANZINI, 2016, p. 16).</p>



<p class="wp-block-paragraph">3.1NATUREZA E DESENVOLVIMENTO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA</p>



<p class="wp-block-paragraph">A doutrina social da Igreja tem como marco oficial o século XIX, com a publicação da Rerum Novarum (1891), de Leão XIII. Contudo, ela tem o seu fundamento essencial na Revelação Bíblica e na Tradição da Igreja (cf. MESSIAS e CRUZ, p. 36). João Paulo II disse no discurso inaugural de Puebla que a Doutrina Social “nasce à luz da Palavra de Deus e do magistério autêntico, da presença de cristãos no seio das transformações do mundo, em contato com os desafios que delas provêm. Tal doutrina social comporta, portanto, princípios de reflexão, mas também normas de julgamentos e diretrizes de ação” (PUEBLA, 1979, p. 31).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um rápido olhar sobre os textos bíblicos, a experiência das primeiras comunidades, a patrística e os outros períodos da história, podem nos dar uma ideia do quanto o discurso e a ação da Igreja em favor dos pobres sempre estiveram presentes através dos papas, teólogos e missionários.&nbsp; “A pessoa do pobre e o tema da pobreza, em geral, estão presentes no coração da Igreja desde sempre. Efetivamente, trata-se de um tema transversal a toda a ação apostólica da Igreja desde os primeiros tempos, que decorre da sua dimensão diaconal, do serviço da caridade” (DINIZ, 2022, p.10).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Aqueles que estão familiarizados com a história da Igreja sabem que em todos os tempos houve admiráveis figuras de Bispos profundamente empenhados na promoção e na destemida defesa da dignidade humana daqueles que o Senhor lhes havia confiado. Fizeram-no sempre sob o imperativo da sua missão episcopal, porque para eles a dignidade humana era um valor evangélico que não podia ser desprezado sem grande ofensa ao Criador. (PUEBLA, p. 25)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Para o aprofundamento do Pensamento Social na Sagrada Escritura, na patrística e nos períodos históricos seguintes, indicamos aqui apenas uma referência, o capítulo I do Compêndio da Doutrina Social da Igreja: o desígnio do amor de Deus a toda humanidade. Por agora, interessa-nos reconhecer como se deu o desenvolvimento da Doutrina Social, a partir da encíclica Rerum Novarum e como desde então, a cada pontificado, a cada transformação da sociedade, gerava novos problemas sociais que exigiam novas respostas de ação social da Igreja.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A expressão “doutrina social”, será de certa forma, oficializada por Pio XI na Encíclica “Quadragésimo Anno”, em 1931 (<a>FAUX, 2019</a>, p. 7).&nbsp; Contudo, será em 1975, na Evangelii Nuntiandi, que o papa Paulo VI usará o termo para se referir ao esforço que Igreja deve fazer para se inserir sempre na luta em favor da libertação dos homens (cf. EN, nº 38).</p>



<p class="wp-block-paragraph">João Paulo II usará a terminologia “doutrina social” em vários momentos. Um exemplo claro é o discurso inaugural de Puebla</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“confiar responsavelmente nesta Doutrina Social, ainda que haja alguns que procuram semear dúvidas e desconfianças sobre ela, estudá-la com seriedade, tentar pô-la em prática, ensiná-la e ser-lhe fiel é, num filho da Igreja, garantia de autenticidade do seu empenho nas delicadas e exigentes tarefas sociais e dos seus esforços em favor da libertação e da promoção dos seus irmãos” ( PUEBLA, p. 31)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O papa João Paulo II usará termo doutrina social de modo especial na Encíclica <a>Sollicitudo Rei Sociallis (1987), </a>na qual o pontífice afirma que a solicitude social da Igreja, tem como fim um desenvolvimento autêntico do homem e da sociedade, o qual respeita e promove a pessoa humana em todas as suas dimensões (<a>SRS, 1987, nº1).</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para João Paulo II, à luz da fé e da tradição eclesial, a finalidade da doutrina social é interpretar as realidades de cada tempo, examinando a sua conformidade ou desconformidade com as linhas do ensinamento do Evangelho sobre o homem e sobre a sua vocação terrena, e ao mesmo tempo transcendente; visa pois, orientar o comportamento cristão. Ela pertence, por conseguinte, não ao domínio da ideologia, mas da teologia e especialmente da teologia moral (Ibidem, nº 41).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pelo que vimos nesse breve esboço histórico sobre a natureza do termo Doutrina Social, fica evidente a solicitude da Igreja na defesa e na promoção da dignidade humana. Fica claro também que por ser parte da missão evangelizadora e dever da Igreja anunciar a libertação integral do ser humano, deve-se colocar particular cuidado na formação de uma consciência social em todos os níveis e em todos os setores (cf. PUEBLA, p,31).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No processo histórico de desenvolvimento da Doutrina Social da Igreja as Encíclicas papais, da Rerum Novarum de Leão XIII, à Fratelli Tutti de Francisco, notamos a originalidade e o interesse da Igreja pelo ensinamento e dicas de modo de agir frente às grandes questões sociais, no cuidado com toda a criação e na defesa pela dignidade e promoção humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Francisco de Aquino Júnior, em sua obra “Encíclicas Sociais, um guia de leitura” <a href="#_ftn2" id="_ftnref2">[2]</a>nos apresenta de modo objetivo e profundo, o contexto em que cada encíclica foi escrita e o seu ensinamento fundamental. O Compêndio da Doutrina Social, dos números 87 a 101, nos apresenta uma visão panorâmica dos princípios desse rico patrimônio da Igreja que foi se desenvolvendo ao longo da história, através do ensinamento dos papas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Frente à riqueza desse patrimônio e devido ao limite nosso em não podermos refletir aqui sobre o contexto de cada encíclica, seus respectivos ensinamentos e os seus princípios, faremos uma breve apresentação das principais temáticas de cada encíclica, seguindo a ordem cronológica de sua publicação, conforme a obra citada de Aquino Junior:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rerum Novarum do Papa Leão XIII, sobre a &#8220;condição dos operários&#8221; – 15 de maio de 1891 (p. 19- 41). Quadragesimo Anno do Papa Pio XI, &#8220;sobre a restauração e aperfeiçoamento da ordem social em conformidade com a lei evangélica&#8221; – 15 de maio de 1931 (p. 43-69). Mater et Magistra do Papa João XXIII &#8220;sobre a evolução da questão social à luz da doutrina cristã&#8221; – 15 de maio de 1961 (p. 71-99). Pacem in Terris do Papa João XXIII, &#8220;sobre a paz de todos os povos na base da verdade, justiça, caridade e liberdade&#8221; – 11 de abril de 1963 (p. 101-128). Populorum Progressio do Papa Paulo VI, &#8220;sobre o desenvolvimento dos povos&#8221; – 26 de março de 1967 (p. 129-153). Octogesima Adveniens do Papa Paulo VI – dirigida/endereçada ao Cardeal Maurice Roy, presidente da Comissão Pontifícia Justiça e Paz e do Conselho de Leigos – 14 de maio de 1971 (p. 155-179). Laborem Exercens do Papa João Paulo II, &#8220;sobre o trabalho humano&#8221; – 15 de maio de 1981 (p. 181-209). Sollicitudo Rei Socialis do Papa João Paulo II, &#8220;sobre a solicitude social da Igreja&#8221; – 30 de dezembro de 1987 (p. 211-239). Centesimus Annus do Papa João Paulo II, &#8220;por ocasião do centenário da Encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XIII&#8221; – 1º de maio de 1991 (p. 241-269). Caritas in Veritate do Papa Bento XVI &#8220;sobre o desenvolvimento humano integral na caridade e na verdade&#8221; – 29 de junho de 2009 (p. 271-302). Laudato Si&#8217; do Papa Francisco, &#8220;sobre o cuidado com a casa comum&#8221; – 24 de maio de 2015 – (p. 303-333). Fratelli Tutti do Papa Francisco, &#8220;sobre a fraternidade e a amizade social&#8221; (p. 335-368).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A citação das temáticas de cada encíclica, mesmo sem oportunidade para aprofundamento, nos ajuda a constar aquilo que o Compêndio da Doutrina Social reconhece</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A Doutrina Social da Igreja não foi pensada desde o princípio como um sistema orgânico; mas foi se formando pouco a pouco, com progressivos pronunciamentos do magistério sobre temas sociais. Tal gênese torna compreensível o fato de que tenham podido intervir algumas oscilações acerca da natureza, do método e da estrutura epistemológica da (Compendio da Doutrina Social da Igreja&#8221; (n. 72).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Ajuda-nos também a reconhecer o que a encíclica Sollicitudo Rei Sociallis, na sua apresentação constata</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Os Sumos Pontífices não deixaram de ilustrar, com as suas intervenções, também aspectos novos da doutrina social da Igreja. Começando, pois, do validíssimo subsídio de Leão XIII, enriquecido pelas sucessivas contribuições magistrais, que se articula à medida em que a Igreja, dispondo da plenitude da Palavra revelada por Cristo Jesus e com a assistência do Espírito Santo (cf. Jo 14, 16. 26; 16, 13-15), vai lendo os acontecimentos, enquanto eles se desenrolam no decurso da história. Deste modo, ela procura guiar os homens para corresponderem, com o auxílio também da reflexão racional e das ciências humanas, à sua vocação de construtores responsáveis da sociedade terrena (SRS, nº 41).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Ajuda-nos ainda no entendimento de que o magistério social da Igreja através das encíclicas sociais está inserido no contexto mais amplo da Tradição viva da Igreja, pois são parte constitutiva da Tradição que enquanto processo vivo e dinâmico, vai sendo enriquecida ao longo da história no discernimento das novas situações e no enfrentamento dos novos desafios. Essa compreensão é importante, sobretudo no contexto presente, em que muitos procuram semear dúvidas e desconfiança sobre a Doutrina Social (PUEBLA, p.31).</p>



<p class="wp-block-paragraph">3.2 PRINCÍPIO FUNDAMENTAL DA DSI: A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Doutrina Social da Igreja orienta-se pelo princípio personalista e pelo humanismo integral que destacam a Dignidade da Pessoa Humana como valor absoluto. &nbsp;“A mensagem fundamental da Sagrada Escritura anuncia que a pessoa humana é criatura de Deus (cf. Sl 139, 14-18) e identifica o elemento que a caracteriza e distingue no seu ser à imagem de Deus: Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher (Gn 1, 27). Deus põe a criatura humana no centro e no vértice da criação” (CDSI, nº 108).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A preocupação da Igreja pelo ser humano é porque ela vê em cada pessoa, a imagem do prórpio Deus (cf. MESSIAS e CRUZ, p. 63). Para Bartolomeo Sorge, Jesuita, teólogo e grande estudioso da Doutrina Social da Igreja:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A expressão &#8220;ser pessoa criada à imagem e semelhança de Deus&#8221; não significa apenas ser naturalmente inteligentes e livres, mas também ser chamados a participar na vida divina, a tornarem-se filhos no Filho, até poder dizer: &#8220;Não sou mais eu que vivo, é Cristo que vive em mim&#8221; (Gl 2,20). Só em Cristo a pessoa humana alcança o seu pleno significado. (SORGE, 2018, p. 29).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A Constituição Pastoral Gaudium et Spes, &nbsp;ao tratar do tema da dignidade humana afirma que o homem é capaz de conhecer e amar o seu criador. Ele foi constituído Senhor de todas as criaturas terrenas para governá-las e usá-las, glorificando a Deus. Tudo quanto existe sobre a terra deve ser ordenado em função do homem, como seu centro e seu termo: neste ponto existe um acordo quase geral entre crentes e não-crentes. (cf. GS 12).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em outras palavras, a diginidade humana é identificada e está configuirada em uma dimensão profundamente ontológica e teológica, ou seja, o ser humano é digno, sobretudo, pelo que ele é, e não reduzidamente pelo que ele faz ou deixa de fazer (cf. MESSIAS e CRUZ, p. 64). Sorge afirma categoricamente</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O Evangelho ensina que o homem vale pelo que é e não pelo que tem ou pelo que faz. O homem merece amor e respeito porque vive, não porque possui. A sua dignidade está ligada ao fato de que é pessoa. Por- tanto, desde o momento em que se acende a primeira centelha da vida no seio da mãe, até o momento da morte física, toda pessoa conservará sempre a sua honorabilidade, mesmo se for pobre ou enferma, mesmo se erra ou é delinquente (SORGE, 2018, p. 27).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Além do princípio personalista, a Doutrina Social ainda contempla os seguintes princípios fundamentais, dentre outros que lhes são submetidos:</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Princípio do Bem Comum recorda-nos o conjunto de condições sociais que permitem ao indivíduo e à comunidade atingir a própria perfeição (cf. Gaudium et Spes, n. 26). Pressupõe o estabelecimento de condições estatais básicas (Estado de Direito) e a preservação das condições naturais (alimentação, habitação, saúde, educação etc.).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Princípio da Destinação Universal dos Bens ensina-nos que a propriedade deve ser distribuída de modo que todos tenham o necessário para viver dignamente. Esse princípio requer o cuidado especial com os pobres (cf. CDSI, 2005, nº 182).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Princípio da Subsidiariedade recorda-nos que os organismos sociais são estruturados em níveis, dos pequenos aos maiores, de modo que entre eles existe uma obrigação de ajuda (caráter positivo), sem que isso implique superar/invadir as competências respectivas (caráter negativo) (cf. DOCAT, 2016, nº 95 e CDSI 2005, nº 186).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Princípio da Participação ensina-nos que a participação na vida comunitária não é somente uma das maiores aspirações do cidadão, mas também uma das pilastras de todos os ordenamentos democráticos, além de ser uma das maiores garantias de permanência da democracia (cf. CDSI, 2005, nº 190).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Princípio da Solidariedade, em vista da determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum (CDSI, 2005, nº 183), recorda-nos que vivemos uma relação de interdependência, superando a “globalização da indiferença”. Por esse princípio, somos chamados a vencer as “estruturas de pecado” e construir uma “civilização do amor”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Doutrina Social da Igreja, partindo desses princípios, procura nortear a edificação de uma sociedade caracterizada pela preocupação com a defesa da dignidade humana, fazendo com que cada pessoa tenha acesso aos bens necessários (Cf. MESSIAS e CRUZ, 2020, p. 12).</p>



<p class="wp-block-paragraph">3.3 CARÁTER TEOLÓGICO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pelo que já temos visto até aqui, podemos dizer que “a Doutrina Social da Igreja é uma reflexão teológica, é uma fonte singular de alimentação das nossas virtudes teologais: fé, esperança e caridade” (<a>MESSIAS e CRUZ</a>, 2022 p. 26). O próprio Compêndio da Doutrina Social ressalta isso ao afirmar: “tal doutrina possui uma profunda unidade, que provém da Fé em uma salvação integral, da Esperança em uma justiça plena, da caridade que torna todos os homens verdadeiramente irmãos em Cristo. Ela é expressão do amor de Deus pelo mundo” (cf. CDSI, 2005, nº 3). E esse amor, toda graça da salvação que Jesus alcançou para cada um de nós no madeiro da cruz é uma salvação completa. “Deus não salvou parcialmente; pelo contrário, é uma salvação integral, que nos envolve em todo o nosso ser, em tudo que somos, com todas as dimensões de nossa existência (MESSIAS e CRUZ, 2022, p. 25).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No centro e ao mesmo tempo o fundamento teológico dessa sensibilidade e atividade da Igreja no campo social, está o mistério da Encarnação do Filho de Deus que assumiu a totalidade do ser humano, com todas as suas dimensões. Com o mistério da Encarnação, o Filho de Deus, abraçou inteiramente o ser humano: ser corpóreo e espiritual. “Jesus Cristo, ao se encarnar em nossa história, assumiu, de fato, toda a nossa história, sendo semelhante a nós em tudo, exceto no pecado (cf. Hb 4,4,15). Tal mistério manifesta a grandeza, a abrangência e a integralidade da salvação que nos foi conquistada” (Ibidem, p. 25). &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Compêndio da Doutrina Social da Igreja assim vai se referir</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O homem todo, não uma alma separada ou um ser encerrado na sua individualidade, mas a pessoa e a sociedade das pessoas ficam implicado na economia salvífica do Evangelho. Portadora da mensagem de Encarnação e de Redenção do Evangelho, a Igreja não pode percorrer outra via: com a sua doutrina social e com a ação eficaz que ela ativa, não somente não falseia o seu rosto e a sua missão, mas é fiel a Cristo e se revela aos homens como sacramento universal da salvação (CDSI, 2005, nº 65).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa perceptiva, podemos dizer que um ministério presbiteral desencarnado das realidades humanas, perde sua missão e seu sentido, pois para o Magistério da Igreja, a realidade social não é somente um anexo de nossa existência, nem muito mesmo, uma realidade ruim que deve ser repudiada e negada. João Paulo II assim se referia</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Se a Igreja estar presente na defesa e na promoção da dignidade do homem, o faz na linha da sua missão, que apesar de ser de carácter religioso, e não social ou político, não pode deixar de considerar o homem na integridade do seu ser. O próprio Senhor delineou na parábola do Bom Samaritano o modelo da atenção a todas as necessidades humanas; e, mais, declarou que no juízo final se identificará com os desvalidos — enfermos, encarcerados, famintos, solitários — a quem se tenha dado a mão. A Igreja aprendeu nestas e noutras páginas do Evangelho que a sua missão implica como parte indispensável a ação em prol da justiça e as tarefas de promoção do homem e que entre evangelização e promoção humana existem laços muito fortes de carácter antropológico e teológico e da ordem da caridade (PUEBLA, nº 2).  </p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A partir dessa concepção teológica, entendemos que o homem, criado à imagem e semelhança de Deus, possui uma dignidade altíssima e, portanto, inviolável. Embora sujeito ao drama do pecado, a pessoa humana não perde a sua dignidade, ainda que cometa os atos mais reprováveis do ponto de vista moral ou crimes gravíssimos (cf. CIC, 2002 nº 2267).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim sendo, &nbsp;apresentamos em uma&nbsp; visão panorâmica os fundamentos da Doutrina Social. Buscamos compreender como se deu o seu desenvolvimento, quais são os fundamentos teológicos &nbsp;e que habilitam no Magistério a se posicionar diante das realidades sociais como seus princípios basilares &nbsp;e o quanto podem contribuir na compreensão de que não há divórcio entre fé e vida. “O compromisso social daquele que professa a fé em Cristo Jesus é parte integrante da vida cristã” (MESSIAS e CRUZ, 2022, p.11).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. LUZES SOBRE OS DESAFIOS DA DOUTRINA SOCIAL NO MINISTÉRIO PRESBITERAL&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de adentramos na reflexão que pretende buscar luzes para o enfrentamento dos desafios da Doutrina Social da Igreja no ministério presbiteral, apresentaremos, em linhas gerais, algumas considerações sobre o processo formativo dos presbíteros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tomaremos como referência três Documentos da Igreja: Pastores Dabo Vobis (PDV, 1992), a nova Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis (RFIS, 2016) e as Diretrizes para a formação dos presbíteros da Igreja no Brasil (DFPIB, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nestes três Documentos, a Igreja propõe um sério caminho de formação, levando em consideração quatro dimensões, que devem ser entendidas como um percurso unitário e integral (RF, nº53): espiritual, humano, intelectual e pastoral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A nossa opção pela dimensão espiritual como “resposta” aos desafios do ensino e a prática social no mistério presbiteral pode parecer estranha para alguns ou mesmo gerar alguns questionamentos: por que a dimensão espiritual foi inserida dentro do contexto dos desafios da Doutrina Social da Igreja no ministério presbiteral? Por que a escolha pela dimensão espiritual como caminho de enfrentamento da problemática que nos propomos a pesquisar e como ela pode ajudar a “ascender luzes” para o enfrentamento dos desafios da Doutrina Social da Igreja no ministério presbiteral?</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.1 A DIMENSÃO ESPIRITUAL</p>



<p class="wp-block-paragraph">Francisco de Aquino Júnior, ao explicitar o caráter salvífico-espiritual das lutas e organizações populares, defende que a “opção pelos pobres”, que é constitutiva da missão da Igreja, tem raiz no Evangelho (AQUINO, 2023, p 13). A opção pelos pobres tem como fonte de vida o seguimento de Cristo e a prática do discernimento Espiritual das primeiras comunidades cristãs: movidos pelo Espírito e desejosos de seguir Jesus Cristo, os que a Ele aderiram pela fé recebem como dom um itinerário integral de vida, que não separa o ser do fazer, mas os integra em uma única e grande síntese que aponta para a santidade, para a Bem-Aventurança ou, se desejarmos, para a Felicidade (ZACHARIAS e MANZINI, 2016, p. 82.).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A nova Ratio Fundamentalis reconhece que a formação presbiteral é um caminho de transformação, que renova o coração e a mente da pessoa, a fim de que ela possa “distinguir o que é da vontade de Deus, a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito” (Rm 12,2). O progressivo crescimento interior no caminho formativo, de fato, deve favorecer especialmente que o futuro presbítero seja “um homem de discernimento”, capaz de interpretar a realidade da vida humana à luz do Espírito, e assim escolher, decidir e agir de acordo com a vontade divina (cf. RFIS, n°43).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação à identidade e a missão dos presbíteros, já em 1992, João Paulo II declarava: “os presbíteros são chamados a prolongar a presença de Cristo, único e sumo Pastor, atualizando o seu estilo de vida e tornando-se como que a Sua transparência no meio do rebanho a eles confiado” (PDV, nº 15).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2016, a Congregação para o Clero reitera que o objetivo das dimensões formativas é a “transformação ou assimilação do coração à imagem do próprio coração de Cristo” (RFIS, 2016, n. 89). São integradas, e a partir delas é articulada a formação inicial e permanente, e a vida dos ministros ordenados. “A ideia de fundo é que os seminários possam formar discípulos missionários ‘enamorados’ do Mestre, pastores ‘com o cheiro das ovelhas’ que vivam no meio delas para servi-las e conduzi-las à misericórdia de Deus” (RFIS, 2016, nº 18).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2018, as Diretrizes para a formação dos presbíteros da Igreja no Brasil reconhecia que o Povo de Deus sente necessidade de presbíteros que sejam:&nbsp; configurados com o Bom Pastor e movidos pela caridade pastoral, cuidando do rebanho a eles confiados; servidores e cheios de misericórdia, atentos às necessidades dos mais pobres; profetas inseridos da realidade, atentos à solidariedade, justiça e ética (<a>DFPIB</a>, 2018,&nbsp; nº 74).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Pelo que foi dito até aqui, fica evidente que os desafios no ensino e na prática da Doutrina Social da Igreja quanto à identidade e à missão dos presbíteros nas circunstâncias atuais pedem um processo de discernimento espiritual tendo em vista a integralidade do ministério presbiteral e a profunda relação que existe entre experiência de fé e caridade (Ibidem. nº 85).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As Diretrizes para a formação dos presbíteros da Igreja no Brasil, ao tratar dos fundamentos teológicos do processo formativo, reconhece a necessidade de cultivar nos presbíteros uma espiritualidade centrada na solidariedade efetiva com os sofredores, na opção preferencial pelos pobres, num espírito de pobreza (Ibidem nº 235 e 237).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto de uma Igreja missionária e em saída, esse estilo profético de vida requerido dos presbíteros configurados como “discípulos-missionários, cheios de misericórdia, pastores e santos” (Ibidem nº 65 e 274), peritos em humanidade, homens da proximidade, da misericórdia, de oração (<a>Ibidem n.</a> 44), pede a atenção para a perda do senso de comunidade, para o imediatismo, a instantaneidade e a virtualidade da própria vida, a primazia das relações virtuais (Ibidem nº 224).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Exige-se, ainda, evitar “práticas fundamentalistas marcadas por rigidez e busca de segurança em um estilo de vida próprio do passado, atitudes individualistas, marcadas pelo relativismo ético e indiferença religiosa” (Ibidem nº14), reconhecendo e corrigindo a “mundanidade espiritual: a obsessão pela aparência, uma segurança doutrinal ou disciplinar presunçosa, o narcisismo e o autoritarismo, a pretensão de impor-se, o cuidado somente exterior e ostentado com a ação litúrgica, a vanglória, a incapacidade de escutar o outro e todo o gênero de carreirismo” (Ibidem nº cf. n. 66).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pelo que temos visto até aqui, nota-se mais uma vez, que entre o ideal dos projetos formativos e o modo como se vive o ministério, coexistem forças opostas, distância entre o ensinamento do Magistério sobre a identidade dos presbíteros e a realidade formativa existente. Nesse sentido, como a dimensão espiritual pode nos ajudar a integrar o ensinamento social a prática dos presbíteros? Por fidelidade a Jesus e seu Evangelho, como pensar um processo formativo que enfrente os desafios no contexto atual, em vista de não vivermos alienados ou ignorando as diversas situações de vulnerabilidade que ameaçam e ferem o Reino de Deus?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pelo que já foi dito até aqui, sem perder o caráter unificador e integrante do processo formativo, a dimensão espiritual visa oferecer diversas contribuições que podem ajudar no enfrentamento das questões acima.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reflexão que faremos agora busca vislumbrar novos horizontes no enfrentamento dos desafios da Doutrina Social da Igreja no ministério presbiteral. Apresentaremos alguns elementos, tendo por base a dimensão espiritual, enfatizando o acompanhamento espiritual dos candidatos ao ministério presbiteral. Essa opção se apoia na “convicção de que o Espírito age na história e na vida de cada um, mesmo no meio de milhares de outras vozes, cujos estrépitos tentam sufocá-los” (CENCINI, 2022, p. 9).</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.2 EDUCAR PARA TORNAR-SE LIVRES PARA AMAR E SERVIR</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas vezes caímos na tentação de pensar que com a simples insistência em questões doutrinais, disciplinares ou morais, sem acompanhar a pessoa em seu processo de abertura à graça, já é o suficiente para o processo formativo. Contudo, no acompanhamento espiritual a primeira tarefa que precisamos assumir é a que propõe o Papa Francisco a toda Igreja em Amoris Laetitia: “somos chamados a formar as consciências, não a pretender substituí-las” (AMORIS LÆTITIA, 2016, nº 37). A proposta do Papa nos coloca diante de um grande desafio: fomentar entre os jovens em formação sua capacidade de serem transparentes e sinceros (TRASFERETTI; MILLEN; ZACHARIAS, 2018, p. 49).</p>



<p class="wp-block-paragraph">João Paulo II, na mesma perspectiva afirmava que “não se pode esquecer que o próprio candidato ao sacerdócio deve ser considerado protagonista necessário e insubstituível na sua formação: toda e qualquer formação, naturalmente incluindo a sacerdotal, é no final das contas uma auto-formação. Ninguém, de fato, nos pode substituir na liberdade responsável que temos como pessoas individuais” (PDV, nº 69).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Precisamente nesta linha, Amadeo Cencini afirma que o acompanhamento espiritual deve considerar, antes de mais nada, a disposição interior do sujeito que discerne, aquela disposição que emerge justamente da sensibilidade e que colabora para libertar a liberdade das pessoas a fim de torná-las sujeitos responsáveis pela própria existência (cf. CENCINI, 2015, p.11). Nesta perspectiva é fundamental ajudar os candidatos ao ministério presbiteral a crescer na consciência de que o protagonista por excelência da sua formação é o Espírito Santo que, com o dom do coração novo, configura e assimila a Jesus Cristo Bom Pastor</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">nesse sentido, o candidato afirmará a sua liberdade da maneira mais radical, ao acolher a ação formadora do Espírito. Mas acolher esta ação significa também, da parte do candidato ao sacerdócio, acolher as &#8220;mediações&#8221; humanas de que o Espírito se serve. Por isso mesmo, a ação dos vários educadores só se revela verdadeira e plenamente eficaz se o futuro sacerdote lhe oferece a seu pessoal, convicta e cordial colaboração (PDV, nº 69).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Gustavo Gutiérrez, em sua famosa obra “Beber do próprio poço”, defendia que a conversão é o ponto de partida de todo caminho espiritual. “Ela implica uma ruptura com a vida levada até então e supõe também, e sobretudo, que nos decidamos a empreender uma nova rota” (GUTIÉRREZ, 1984, p. 107).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse caminho proposto para o enfrentamento da desconfiança e mesmo a rejeição ao Ensino Social da Igreja encontra muitas dificuldades nas realidades formativas, sobretudo por causa da influência dos “formadores das redes sociais” que estimulam os formandos a fechar-se aos projetos formativos dos seminários e esconder-se nas “famosas teologias do pano e da fumaça…” <a>(CARMO, 21 abril 2017).</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Em muitos casos, lamentavelmente, o que sustenta o processo formativo não é a consciência reta, a retidão moral que compromete a pessoa em busca da verdade (<a>TRASFERETTI; MILLEN; ZACHARIAS, 2018</a> p. 51), nem mesmo a abertura para ação do Espírito Santo, conforme o caminho proposto nesta pesquisa, mas um fechamento a uma ideologia ou modelo eclesiológico contrário ao &nbsp;Concílio Vaticano II.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É triste constatar que muitos jovens desejam receber o ministério presbiteral, mas não mergulham inteiramente na formação intelectual; não estão inteiros na pastoral, vivem a vida comunitária de modo superficial e fazem dos momentos de oração uma exigência formal a ser cumprida, mais do que uma resposta vocacional ao Deus que chama a um encontro diário com Ele; escondem-se no fundamentalismo e na rigidez (Ibidem, p. 17).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A superação dessa triste realidade só é possível pelo educar para a verdade, que liberta a pessoa das amarras do mundanismo espiritual que corrompe a Igreja (FRANCISCO, 2023) e os torna livres para amar e servir. Ameaças a desligamento do processo formativo, apelar para a Doutrina ou ensinar regras não garantem que o processo formativo esteja acontecendo. É preciso que os destinatários da formação assumam em primeiro lugar a responsabilidade do próprio caminho (cf. COELHO, <a>2013, </a>p. 17).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A solidariedade e o compromisso com os mais pobres e excluídos, a defesa e a promoção da pessoa humana, passam precisamente por evangelizar o próprio interior, pelo reconhecimento do próprio pecado de não reconhecer o Senhor nos desvalidos, nos enfermos, encarcerados, famintos, solitários (cf. Mt 25). A experiência de compromisso com os mais pobres e desfavorecidos exige a conversão, ponto de partida de todo seguimento de Jesus. A alegria do dom gratuito do amor de Deus nos impele a rompermos com o pecado, com a injustiça e a morte (cf. GUTIÉRREZ, 2000, p. 106).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A formação para o compromisso com os mais pobres deve estar baseada na intenção de formar pessoas livres, maduras e responsáveis, capazes de assumir compromissos que exigem as mesmas condições ou valores (<a>TRASFERETTI; MILLEN; ZACHARIAS, 2018</a>, p, 72). Assim constata Cencini:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Uma autêntica ação formativa é bastante exigente. Deve ser capaz de conjugar verdade e liberdade, para formar pessoas não apenas corretas e responsáveis, obedientes e rigorosas, mas felizes, que amam aquilo que fazem, que aprenderam o gosto de fazer as coisas por amor, pessoas sempre mais livres para escolher o que é verdadeiro, belo e bom, e de amar o que lhes dá verdade, beleza e bondade (ou seja, a identidade delas), e por isso mesmo veem e vivem sempre mais a sua vocação, e Deus mesmo e a relação com Ele, que é o máximo da liberdade (CENCINI, 2015, p. 32).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">É necessário que o processo formativo, em todas as suas etapas, proporcione aos vocacionados larga possibilidade de evangelizar a própria interioridade por meio de profundo contato com a Palavra de Deus, ajudando-os a trocar um estado de conforto por um espírito capaz de se compadecer das misérias humanas, especialmente dos mais pobres e vulneráveis, e construir assim um estilo de vida que testemunhe a opção feita pelo próprio Cristo, o qual se fez pobre para nos enriquecer (cf. 2Cor 8,9), numa busca constante e incansável de conhecimento e, sobretudo, de sabedoria. Se, por um lado, é preciso considerar a disciplina dos estudos, a qual favorece o aprofundamento da filosofia, da teologia e das demais ciências, por outro, é preciso deixar-se interpelar pela realidade concreta, pelos desafios que surgem a cada momento, sobretudo pela escuta atenta das pessoas (cf. TRASFERETTI; MILLEN; ZACHARIAS, 2018, p.12).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que a evangelização do interior, que conduza os candidatos ao ministério presbiteral a torna-se livres para amar e servir, faz-se necessário um acompanhamento de discernimento mais próximo e periódico, com uma teoria que lhe informe como funciona a pessoa humana e, tratando-se de acompanhamento psicoespiritual, de como é a pessoa cristã; portanto, noções de psicologia e de antropologia cristã.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A teoria de referência que indicaríamos e que pode ser desenvolvido em outra oportunidade, é a “Antropologia da Vocação Cristã” (AVC) – elaborada com método indutivo e interdisciplinar, a partir dos anos 1960 e ainda em vigor, pelo Instituto de Psicologia da Pontifícia Universidade Gregoriana restritamente conhecida como “Escola de Rulla”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para educar a tornarem-se livres para amar e servir é fundamental que o acompanhador no discernimento dos vocacionados seja capaz de usar estratégias que conduza os acompanhados a reconhecerem-se onde se encontra atualmente e os passos que precisam serem dados em seu processo de conversão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.3 EDUCAR PARA A SOLIDARIEDADE</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Formação Espiritual é orientada a promover no discípulo de Jesus a paixão pela edificação da civilização do amor, da justiça e da paz. Conforme vimos no capítulo anterior, há uma íntima relação entre evangelização e promoção humana. A evangelização tem como foco a pessoa que não está isolada, mas inserida numa realidade social.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O presbítero, como Cristo, não pode reduzir seu raio de ação à Igreja apenas. Tem que olhar para fora, para o mundo. A esse envia o Espírito, para levar-lhes a Palavra do Evangelho da graça e da salvação. Portanto, o presbítero não é somente homem de Deus e da Igreja, mas também homem do mundo, no sentido de que está a serviço de todos os homens e mulheres de hoje (<a>CNP, 2001, </a>p. 430)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O compêndio da Doutrina Social da Igreja é claro ao afirmar que entre evangelização e promoção humana há laços profundos: laços de ordem antropológica, dado que o homem que há de ser evangelizado não é um ser abstrato, mas é sim um ser condicionado pelo conjunto de problemas sociais e econômicos; laços de ordem teológica, porque não se pode nunca dissociar o plano da criação do plano da Redenção, um e outro a abrangerem as situações bem concretas da injustiça que deve ser combatida e da justiça a ser restaurada; laços daquela ordem eminentemente evangélica, qual é a ordem da caridade: como se poderia proclamar o mandamento novo sem promover na justiça e na paz o verdadeiro e autêntico progresso do homem? (CDSI, 2005, nº 66)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não há dúvidas que pela natureza do ministério ordenado e da Doutrina Social da Igreja, o presbítero deve estar a serviço da promoção da vida e da missão do discípulo de Jesus Cristo que está inserido numa história concreta com sua cultura, economia, política etc. Por isso deverá, onde vive, ser “sal e luz”, sabendo testemunhar sua fé em Jesus Cristo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o Papa Francisco, a formação dos presbíteros deve ter o compromisso de salvar os excluídos, os vulneráveis e os pobres. Assim o Papa reconheceu em seu discurso por ocasião da celebração dos 50 anos da promulgação dos decretos conciliares Optatam Totius e Presbyterorum Ordinis</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O processo formativo deve colaborar para que o jovem candidato ao presbiterado não fique alienado dessas questões, tenha coragem e audácia para dar passos no seu discernimento vocacional, capacidade de sair de si e voltar-se às necessidades dos outros, pondo-se ao lado dos mais pobres e marginalizados (FRANCISCO, 25 jan. 2016).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Para que os presbíteros não se omitam no ensino e na prática social, é fundamental que no processo formativo ofereça-se um estilo de vida próximo das realidades de periferias geográficas e existenciais, em vista de os ajudar a tornar-se sensível à problemática social, superando desta forma a tentação de viver apenas a dimensão ad intra da evangelização. “Evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo. Nenhuma definição parcial e fragmentada, porém, chegará a dar razão da realidade rica, complexa e dinâmica que é a evangelização, a não ser com o risco de a empobrecer e até mesmo de a mutilar” (EG, nº176).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A compreensão da dimensão social não pode ser entendida como acréscimo ao Evangelho, um momento sucessivo a esse, mas sim como uma realidade interior, propriamente intrínseca.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </strong>Para que o educar para solidariedade aconteça se faz necessário oferecer experiências pastorais que conduzam os candidatos à vida ministerial a deixarem-se afetar pelas situações sofridas dos mais pobres. Em uma outra oportunidade poderíamos discutir melhor onde e como oferecer essas experiências pastorais. Por agora, é suficiente dizer que com essas experiências inseridas na vida dos mais pobres, é fundamental que o acompanhador no discernimento vocacional realize encontros de partilha de vida e pastoral, organize momentos de espiritualidade, para que à luz da Palavra de Deus (Lectio divina), o candidato ao ministério possa ir integrando fé e vida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É fundamental que a equipe de formação empreenda esforços para ajudar àqueles que querem dar uma honesta e reta resposta ao chamado, a assumirem seriamente a preparação específica para o ministério presbiteral tendo como modelo Jesus Cristo, o Bom Pastor, o Ensino Social da Igreja, as concepções eclesiológicas do Concílio Vaticano II, das Conferências Latinas Americana e da CNBB. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.4 EDUCAR PARA SER PERITO EM HUMANIDADE</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Igreja, seguindo os gestos, palavras e atitudes de Jesus Cristo que veio para salvar a humanidade, em todos os contextos é servidora da humanidade, promotora e defensora da sua dignidade. Assim, a DSI tem como objetivo propor princípios éticos, definir critérios e apresentar diretrizes gerais a respeito do desenvolvimento humano integral em vista da promoção da paz e da justiça no mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há uma íntima união da Igreja com toda a família humana. Por isso, o Concílio Vaticano II declarou – “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para a comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja se sente real e intimamente ligada ao gênero humano e à sua história” (GS, nº 1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deve haver sempre uma profunda relação entre o ministério presbiteral e a tarefa de promoção da sensibilidade humana. Quando os conteúdos das homilias só ficam na cabeça e não atingem o coração, não contribuem para a formação do bom samaritano, capaz de compaixão e misericórdia para com as pessoas, sobretudo as mais vulneráveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atenção da Igreja para com o ser humano é em vista de salvaguardar a sua dignidade inalienável, preservando a sua totalidade de dimensões de qualquer forma de reducionismos ideológicos, violência política e religiosa, ou agressão cientificista e utilitarista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Igreja, à luz da Vida de Cristo, reconhece a dignidade da vocação humana, acolhe suas mais profundas aspirações, defende seus direitos naturais, respeita seus limites, educa, acompanha e orienta a humanidade. Por isso, o Papa Paulo VI ousou afirmar que a Igreja é “perita em humanidade” (cf. PP, 1998, nº 13).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que o educar a ser peritos em humanidade aconteçam, entre outros aspectos que poderíamos sugerir futuramente, sugerimos que os candidatos ao ministério presbiteral conheçam a experiência de tantos presbíteros e bispos que se converteram ao se permitirem entrar na realidade e na vida dos mais pobres. O legado histórico de bispos como Hélder Câmara, José Maria Pires e Luciano Mendes de Almeida, e padres como Ibiapina e Antônio Chevier, precisa ser conhecido pelas novas gerações. É importante ver nestes e tantos testemunhos, verdadeiros peritos em humanidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa perspectiva, oferecer leituras espirituais de verdadeiros pastores é fundamental para que os candidatos ao ministério ordenado possam ir, através da admiração por testemunhos vivos, constituindo uma espiritualidade encarnada. Como é edificante conhecer o testemunho de Dom Helder e como ele cultivou uma força místico-espiritual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conhecer a vida de Dom Helder e tantos outros leva-nos à conclusão de que esse pastor foi um modelo de pessoa que se doou na caridade, por amor a Cristo e à sua Igreja. Seu profundo relacionamento pessoal com Cristo era expresso no calor de seu amor, na bondade de seu coração, na verdade de suas palavras, no alento dado à esperança, no cuidado aos mais pobres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, procuramos apresentar algumas luzes que podem ajudar a enfrentarmos os desafios do Ensino Social da Igreja no ministério presbiteral. Buscamos, à luz da dimensão espiritual, indicar caminhos pedagógicos que colaborem na superação dos desafios em toda essa pesquisa.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Toda essa nossa reflexão nos colocou diante do urgente, enorme e complexo desafio: enfrentar as desconfianças e as resistências à Doutrina Social da Igreja na formação e no exercício do ministério presbiteral. Além de ser pouco conhecida, compreendida e assumida pelos próprios presbíteros, o ensino social é muito contestado por pensamentos do tipo: “a Igreja não deve preocupar-se e ocupar-se com as questões sociais, pois sua missão é salvar as almas”.<strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Tal desafio, revelado ao longo da dissertação, vai exigir dos processos formativos diversas estratégias para superar essas mentalidades equivocadas e despertar nos candidatos ao ministério presbiteral, a sensibilidade para estudar com seriedade a Doutrina Social da Igreja e aplicar esse ensinamento como parte integrante da vida e missão dos presbíteros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que isso aconteça, não será suficiente a aplicação mecânica de uma orientação sobre o Ensino Social, mas um processo de construção conforme cada realidade e iluminada pelo caráter salvífico-espiritual da Doutrina Social da Igreja, tendo em vista a unidade, a coerência e a gradualidade do processo formativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os entraves para a acolhida e prática do Ensino Social da Igreja, como o clericalismo, eclesiologias contrárias ao Espírito do Vaticano II e planos de pastoral diocesanos sem compromisso com a promoção humana, só poderão ser superados com a formação da consciência, de que, nada neste mundo é indiferente a Deus e ao seu desígnio salvífico, nem poderá ser indiferente à Igreja. Isso só será possível por uma educação que os torna livres para amar e servir. Vimos outrossim ao longo de nossa exposição, a importância de formar a consciência moral, que consiste em educar aos que assumem o ministério presbiterial, a mergulhar no mistério da oração como diálogo com Deus, deixando-se guiar ao mesmo tempo pelo Espírito de Deus, que os torna livres para amar e responder aos seus apelos de conversão e mudança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nossa reflexão sobre a natureza da Doutrina Social da Igreja e a identidade dos presbíteros, nos proporcionou compreender que o ministério presbiteral, não pode se reduzir à dimensão sacramental e litúrgica, mas deve abraçar a totalidade da vida do discípulo de Jesus Cristo em todos os seus níveis de relação. Deve iluminar as relações sociais, em suas múltiplas dimensões, como a econômica, política, profissional, cultural, lúdica e todas as realidades do bem comum, dentre elas, a natureza e o cuidado com os pobres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por tudo que foi dito, podemos dizer que a presente dissertação colabora para o enfrentamento dos desafios do Ensino Social no ministério presbiteral, uma vez que deixa evidente que o ensino e a prática social são parte integrante do ministério presbiteral. Colabora ainda, apontando alguns elementos que contribuem no enfrentamento da dicotomia entre ensino social e ministério presbiteral, <a>através do cultivo de uma espiritualidade encarnada, capaz de ajudar os candidatos ao ministério presbiteral a saírem de si mesmos e voltarem-se para os mais necessitados, através do contato íntimo com a Palavra de Deus, que evangeliza o próprio interior e que os educa para amar e servir, serem solidários e ser peritos em humanidade.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo o presente artigo oferecendo uma relevante contribuição, cabe-nos reconhecer que dado a complexidade do tema, sobretudo os entraves para acolhida e prática do ensino social no ministério presbiteral, caberá em uma outra oportunidade buscar as possíveis causas que levam uma boa parte do clero jovem a duvidar, desconfiar e rejeitar a Doutrina Social da Igreja. Caberá em uma outra ocasião aprofundar essa realidade, pois pode ter diversas razões que precisam ser compreendidas por diferentes abordagens, entre elas sociológica, psicológica e teológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente trabalho sempre permanecerá aberto, pois o Espírito de Deus suscitará processos de conversão e mudanças aos que assumem o ministério presbiterial. Para quem se deixa guiar pelo espírito de Deus, não será possível manter todo o tempo seus olhares voltados aos céus. O convite insistente vem do próprio Jesus que os convoca a regressarem à Galileia e recomeçar uma caminhada ao lado dos pobres e sofredores. Os ensinamentos do Papa Francisco hão de oferecer-lhes luzes e nortear um “caminhar juntos” por presbíteros de corações abertos às novidades de um Deus imprevisível. A Doutrina Social da Igreja estará sempre no horizonte de todo presbítero que deseja servir e amar a Igreja e aos pobres, na liberdade que Cristo veio nos trazer.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">AMADO, J. P. Cuidar de si para cuidar dos outros! O presbítero dez anos depois da Conferência de Aparecida. In: FONTES, D. A; MORAIS, J. G. de; FERREIRA, N. S. (Org.).&nbsp;<em>A formação sacerdotal hoje</em>. Rio Bonito: Benedictus, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a>AQUINO. F. J. Encíclicas sociais: um guia de leitura. São Paulo: Paulinas, 2023.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">­­­­­­________. Organizações populares. São Paulo: Paulinas, 2018</p>



<p class="wp-block-paragraph">BAUMAN, Zygmunt. Tempos líquidos. São Paulo: Zahar, 2007.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BENTO XVI. Deus Caritas Est. São Paulo: Paulinas, 2006</p>



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<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> TRASFERETTI, J. A.; MILLEN, M. I. C.; ZACHARIAS, R. (Org.). Formação: desafios morais. São Paulo: Paulus, 2018. Obra que sugere reavaliar os métodos, programas, posturas e toda a estrutura conceitual que rege o processo formativo nos seminários e seus envolvidos.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Francisco Junior Aquino é Presbítero da Diocese de Limoeiro do Norte – CE; professor de teologia da Faculdade Católica de Fortaleza (FCF) e da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP).</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">[1] Mestre em Discernimento Vocacional e Acompanhamento Espiritual pela Pontificia Universidade de Comillas, Espanha. Doutorando em Teologia Sistemática, pela PUCRS,E-mail: <a href="mailto:carlosmarcal1@yahoo.com.br">carlosmarcal1@yahoo.com.br</a>, Currículo Lattes: <a href="https://lattes.cnpq.br/6906516424837797">https://lattes.cnpq.br/6906516424837797</a> e ORCID ID: <a href="https://orcid.org/0009-0001-7628-2572">https://orcid.org/0009-0001-7628-2572</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>A FORMAÇÃO CONTÍNUA DOS CATEQUISTAS: NOVAS ABORDAGENS PEDAGÓGICAS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/a-formacao-continua-dos-catequistas-novas-abordagens-pedagogicas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jan 2025 18:55:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 142/JAN 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th102501241264 Valdirlei Augusto Chiquito[1] RESUMO Este estudo aborda a formação contínua dos catequistas, destacando a importância de novas abordagens pedagógicas no contexto catequético. Com a crescente necessidade de atualização das práticas catequéticas, metodologias ativas e o uso de tecnologias educacionais emergem como alternativas promissoras para aprimorar o processo de ensino e aprendizagem na [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th102501241264</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Valdirlei Augusto Chiquito<a href="#_ftn1" id="_ftnref1">[1]</a></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo aborda a formação contínua dos catequistas, destacando a importância de novas abordagens pedagógicas no contexto catequético. Com a crescente necessidade de atualização das práticas catequéticas, metodologias ativas e o uso de tecnologias educacionais emergem como alternativas promissoras para aprimorar o processo de ensino e aprendizagem na catequese. No entanto, a implementação dessas inovações enfrenta desafios, como a resistência à mudança e a necessidade de adaptação dos catequistas. A pesquisa explora as estratégias para a catequese com adultos e discute os recursos digitais como ferramentas para a formação dos catequistas, enfatizando a importância de uma formação contínua que equilibre tradição e inovação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Formação de catequistas; Metodologias ativas; Catequese; Tecnologias educacionais; Educação religiosa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">This study addresses the continuous training of catechists, highlighting the importance of new pedagogical approaches in the catechetical context. With the increasing need to update catechetical practices, active methodologies and the use of educational technologies emerge as promising alternatives to enhance the teaching and learning process in catechesis. However, the implementation of these innovations faces challenges, such as resistance to change and the need for catechists to adapt. The research explores strategies for adult catechesis and discusses digital resources as tools for catechists&#8217; training, emphasizing the importance of continuous training that balances tradition and innovation.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>Catechist training; Active methodologies; Catechesis; Educational tecnologies; Religious education.<strong><br></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A formação contínua dos catequistas desempenha um papel fundamental na transmissão eficaz dos ensinamentos da fé católica. Diante dos desafios contemporâneos, o catequista é convidado a aprofundar seus conhecimentos e a se adaptar a novas metodologias pedagógicas que atendam às necessidades espirituais e educacionais dos fiéis. O tema &#8220;A Formação Contínua dos Catequistas: Novas Abordagens Pedagógicas&#8221; busca explorar as transformações no processo de ensino e a importância da capacitação contínua para que os catequistas possam desempenhar suas funções com excelência, alinhando a prática pastoral com as exigências modernas da educação cristã.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo deste estudo é analisar como a formação contínua dos catequistas pode ser aprimorada através da adoção de novas abordagens pedagógicas<a href="#_ftn2" id="_ftnref2">[2]</a>, que valorizem o uso de tecnologias educacionais, a inclusão de metodologias ativas e o fortalecimento do vínculo entre catequistas e catequizandos. Pretende-se investigar as estratégias que têm sido implementadas em diferentes contextos eclesiais para capacitar os catequistas, buscando identificar as melhores práticas para a educação da fé nos dias atuais. Com base em uma revisão bibliográfica abrangente, o estudo se fundamentará em fontes e documentos do Magistério e de autores que falam a respeito da formação na catequese [em fontes acadêmicas obtidas em bases de dados como PubMed, SciELO e Google Scholar], permitindo uma análise aprofundada e atualizada sobre o tema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Especificamente, este estudo tem como objetivos examinar as novas abordagens pedagógicas que estão sendo implementadas no contexto catequético, identificar os desafios enfrentados pelos catequistas na adoção dessas práticas, e propor sugestões para o desenvolvimento de programas de formação contínua que atendam às demandas da atualidade. A pergunta norteadora desta pesquisa é: &#8220;Como a formação contínua dos catequistas pode ser aprimorada através de novas abordagens pedagógicas que atendam às necessidades educacionais e espirituais da comunidade?&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A metodologia adotada para a realização deste estudo é a pesquisa bibliográfica, com ênfase em publicações relevantes e artigos científicos na área de catequese e pedagogia, bem como em documentos oficiais da Igreja Católica. Através da análise de estudos disponíveis em bases de dados como PubMed, o presente trabalho busca construir uma compreensão sólida e crítica acerca da formação dos catequistas, contribuindo para o desenvolvimento de uma prática catequética que seja tanto eficaz quanto inovadora, sempre respeitando os valores e princípios da fé cristã.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. A Importância da Formação Contínua na Catequese</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A formação contínua dos catequistas é fundamental para garantir a eficácia na transmissão dos ensinamentos cristãos, especialmente em um contexto social e religioso em constante transformação. O papel do catequista não se limita apenas à transmissão de conhecimento religioso; ele é um formador de discípulos<a href="#_ftn3" id="_ftnref3">[3]</a>, um agente pastoral que colabora na missão evangelizadora da Igreja. Desde os primórdios do cristianismo, a catequese tem desempenhado um papel central na formação dos fiéis, sendo um processo que se desenvolve ao longo da vida, começando na infância e se estendendo até a vida adulta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Historicamente, a catequese surgiu como uma resposta à necessidade de transmitir a fé cristã de maneira sistemática e organizada. Nos primeiros séculos da Igreja, os catecúmenos passavam por um longo processo de preparação antes de receber os sacramentos da iniciação cristã, que incluíam o batismo, a confirmação e a eucaristia (CNBB, 1998, p. 72). A importância de uma formação sólida para os catequistas sempre foi reconhecida, uma vez que são responsáveis por guiar os fiéis nesse caminho de preparação espiritual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo dos séculos, a catequese evoluiu para acompanhar as mudanças culturais e sociais<a href="#_ftn4" id="_ftnref4">[4]</a>. O Concílio Vaticano II foi um marco importante nesse processo de renovação catequética, trazendo novas diretrizes para a formação dos catequistas, enfatizando a necessidade de um engajamento contínuo no estudo da doutrina e na aplicação de métodos pedagógicos adequados à realidade dos catequizandos (CNBB, 2006, p. 89). A formação contínua, portanto, torna-se não apenas uma necessidade, mas uma exigência para que o catequista esteja sempre preparado para enfrentar os desafios da evangelização no mundo contemporâneo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A formação do catequista é um processo dinâmico que exige atualização constante, tanto no campo teológico quanto pedagógico. A Igreja reconhece a importância dessa formação e, por isso, oferece orientações claras sobre como ela deve ser conduzida. No Diretório Nacional de Catequese (2007), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) destaca que a formação contínua deve abranger três dimensões fundamentais: a formação humana, que trata do desenvolvimento pessoal do catequista; a formação teológica, que visa o aprofundamento no conhecimento da fé; e a formação pedagógica, que se refere às técnicas e métodos de ensino (CNBB, 2007, p. 101).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O papel do catequista, portanto, vai além de ser um simples transmissor de conteúdos. Ele é um formador de consciências, um guia espiritual que ajuda os fiéis a aprofundarem sua relação com Deus e com a comunidade eclesial. Essa missão exige, por parte do catequista, não apenas conhecimento doutrinário, mas também habilidades pedagógicas que lhe permitam adaptar sua mensagem ao público com o qual trabalha. Na catequese com crianças, por exemplo, o catequista precisa utilizar uma linguagem acessível, que desperte o interesse dos pequenos e os ajude a internalizar os valores cristãos (Donzellini, 2003, p. 35).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já na catequese com adultos, os desafios são diferentes. Nesse contexto, o catequista deve lidar com a bagagem cultural e religiosa prévia dos catequizandos, muitas vezes marcada por dúvidas e questionamentos que exigem respostas claras e fundamentadas. A formação contínua, portanto, capacita o catequista a enfrentar essas situações, oferecendo-lhe as ferramentas necessárias para conduzir os fiéis a uma compreensão mais profunda da fé cristã (Leite, 2004, p. 58).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Documento de Aparecida, resultado da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, reforça a importância da catequese como um processo de formação integral, que abrange não apenas o aspecto intelectual, mas também o espiritual e o comunitário (Documento de Aparecida, 2007, p. 142). Nesse sentido, o catequista deve ser alguém que vive intensamente sua fé e que, por meio de sua formação contínua, é capaz de transmitir essa vivência aos outros de maneira autêntica e inspiradora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os desafios contemporâneos para a catequese são inúmeros. Em uma sociedade cada vez mais pluralista e secularizada, o catequista precisa estar preparado para dialogar com diferentes visões de mundo, mantendo-se fiel aos ensinamentos da Igreja. Isso exige uma formação contínua que vá além do conhecimento doutrinário, abrangendo também temas como a ética, a moral e a espiritualidade (Ramos, 2008, p. 79). Nesse contexto, a utilização de novas tecnologias pode ser uma ferramenta valiosa para a formação dos catequistas, permitindo o acesso a uma vasta gama de recursos e materiais que facilitam o processo de ensino-aprendizagem (Moraes, 2018, p. 93).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A formação contínua dos catequistas, portanto, não é apenas uma responsabilidade individual, mas uma exigência pastoral que deve ser apoiada por toda a comunidade eclesial. A Igreja, por meio de seus documentos e diretrizes, oferece um caminho claro para a capacitação desses agentes pastorais, enfatizando que a formação deve ser contínua, abrangente e adaptada às necessidades do contexto em que se encontra (Souza, 2012, p. 112). Ao seguir essas orientações, o catequista estará preparado para enfrentar os desafios de sua missão, ajudando a construir uma Igreja cada vez mais viva e comprometida com a evangelização.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. Novas Abordagens Pedagógicas na Formação dos Catequistas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As novas abordagens pedagógicas na formação dos catequistas têm buscado incorporar práticas mais dinâmicas e participativas, reconhecendo a importância de métodos que coloquem o catequizando no centro do processo de aprendizagem. As metodologias ativas, como a aprendizagem baseada em projetos e a aprendizagem colaborativa, vêm se destacando como ferramentas eficazes para promover uma catequese mais engajadora e significativa. Ao aplicar essas abordagens, a catequese não se limita a ser um espaço de transmissão de conhecimento, mas se transforma em um ambiente de construção conjunta de saberes, onde o catequista e o catequizando se tornam coparticipantes do processo formativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A aprendizagem baseada em projetos é uma metodologia que incentiva os catequizandos a serem protagonistas de seu aprendizado, por meio do desenvolvimento de projetos que integram os conteúdos catequéticos a situações práticas e reais de suas vidas. Ao adotar essa abordagem, o catequista convida os catequizandos a refletirem sobre os ensinamentos da fé e a aplicarem esses ensinamentos em projetos que beneficiem suas comunidades. Essa metodologia fomenta o desenvolvimento de competências como o pensamento crítico, a resolução de problemas e a colaboração, elementos essenciais para a formação de discípulos comprometidos com a vivência da fé cristã no cotidiano (Gil, 2007, p. 50).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por meio de projetos catequéticos, os catequizandos podem, por exemplo, desenvolver ações de solidariedade, campanhas de conscientização sobre temas sociais ou atividades que promovam a inclusão e o respeito ao próximo. Esses projetos não apenas reforçam os conteúdos doutrinários, mas também permitem que os catequizandos experimentem a fé de maneira prática e concreta, o que contribui para uma internalização mais profunda dos valores cristãos (Donzellini, 2003, p. 28).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A aprendizagem colaborativa, por sua vez, destaca-se como outra metodologia ativa com grande potencial transformador no contexto catequético. Nesse modelo, os catequizandos são incentivados a trabalhar em equipe, compartilhando suas experiências e conhecimentos para a construção coletiva do aprendizado. A catequese deixa de ser um espaço de monólogo do catequista e passa a ser um ambiente de diálogo, onde todos os participantes têm a oportunidade de contribuir para o desenvolvimento do grupo (Leite, 2004, p. 63).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa abordagem é particularmente eficaz para a catequese de jovens e adultos, que trazem consigo uma riqueza de vivências pessoais e espirituais que podem enriquecer o processo de aprendizagem. O trabalho em equipe permite que os catequizandos confrontem diferentes perspectivas, refletindo sobre suas próprias crenças e aprofundando sua compreensão da fé a partir das experiências compartilhadas. A aprendizagem colaborativa promove o fortalecimento dos laços comunitários, um dos pilares da catequese, ao incentivar a construção de uma comunidade de fé que se apoia mutuamente (CNBB, 2007, p. 74).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A aplicação de metodologias ativas no contexto catequético também contribui para a superação de alguns desafios enfrentados pelos catequistas, como a desmotivação dos catequizandos e a dificuldade de tornar os conteúdos catequéticos relevantes para as suas vidas. Ao colocar o catequizando como agente ativo do processo de aprendizagem, essas metodologias despertam o interesse e o engajamento dos participantes, tornando a catequese uma experiência mais atrativa e significativa (Ramos, 2008, p. 82).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto importante das metodologias ativas é a sua flexibilidade. Elas podem ser adaptadas a diferentes contextos e públicos, o que é essencial para a catequese, que muitas vezes lida com grupos heterogêneos, compostos por pessoas de diferentes idades, níveis de conhecimento e experiências de vida. A aprendizagem baseada em projetos e a aprendizagem colaborativa oferecem ao catequista a possibilidade de personalizar o processo de ensino, atendendo às necessidades específicas de cada grupo, sem perder de vista os objetivos gerais da catequese (Souza, 2012, p. 95).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As metodologias ativas promovem uma integração entre teoria e prática, algo que é fundamental para a catequese. O conhecimento da doutrina cristã, por mais importante que seja, precisa ser vivenciado na prática para que tenha um impacto real na vida dos fiéis. Ao desenvolver projetos e trabalhar em equipe, os catequizandos têm a oportunidade de aplicar os ensinamentos da fé em situações concretas, o que facilita a internalização dos valores cristãos e contribui para a formação de discípulos comprometidos com a vivência do Evangelho (Moraes, 2018, p. 110).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A implementação dessas metodologias, no entanto, exige uma formação contínua e adequada dos catequistas. Eles precisam estar preparados para lidar com as demandas pedagógicas dessas abordagens, o que requer não apenas o conhecimento das técnicas, mas também uma postura aberta e flexível diante das novas práticas. A formação contínua, portanto, deve contemplar a capacitação dos catequistas para o uso dessas metodologias, fornecendo-lhes os recursos e o apoio necessários para que possam aplicá-las de maneira eficaz em suas paróquias e comunidades (Cavalcanti, 2015, p. 102).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A incorporação de metodologias ativas na formação dos catequistas representa um avanço significativo para a catequese, ao promover uma aprendizagem mais participativa e centrada no catequizando. Essas abordagens contribuem para a construção de uma catequese mais dinâmica, capaz de responder aos desafios do mundo contemporâneo e de formar discípulos comprometidos com a vivência da fé em todas as dimensões de suas vidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Uso de Tecnologias Educacionais na Formação Catequética</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso de tecnologias educacionais na formação catequética é uma resposta à crescente demanda por métodos que acompanhem a evolução das práticas pedagógicas e atendam às necessidades contemporâneas de ensino. No contexto da catequese, a integração de recursos digitais, como plataformas online e aplicativos, tem ganhado espaço, oferecendo novas possibilidades para a formação contínua dos catequistas. Embora a catequese tenha raízes profundas em métodos tradicionais, a utilização de tecnologias educacionais permite ampliar o alcance das atividades formativas, facilitando o acesso ao conhecimento e promovendo uma aprendizagem mais interativa e personalizada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os recursos digitais, como plataformas de ensino online, possibilitam que os catequistas tenham acesso a uma vasta gama de materiais e conteúdos atualizados, que podem ser utilizados para o aprimoramento de suas práticas catequéticas. Essas plataformas oferecem cursos, vídeos, textos e atividades interativas que podem ser acessados de qualquer lugar, a qualquer momento, permitindo que o catequista organize seu tempo de estudo de acordo com sua disponibilidade. Essa flexibilidade é uma das principais vantagens do uso de tecnologias educacionais, pois permite que a formação contínua se adapte às realidades de cada catequista, que muitas vezes já possuem uma rotina intensa de atividades pastorais e pessoais (Moraes, 2018, p. 45).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os aplicativos específicos para catequese têm se mostrado ferramentas úteis para a organização do conteúdo a ser transmitido, facilitando o planejamento de encontros e a distribuição de tarefas entre os catequistas. Aplicativos como bibliotecas digitais de documentos religiosos, calendários de eventos catequéticos e até plataformas de comunicação com os catequizandos permitem uma gestão mais eficiente do processo catequético, tornando-o mais acessível e organizado (Souza, 2012, p. 82). Esses recursos digitais também promovem uma maior integração entre os catequistas, facilitando o compartilhamento de materiais e experiências entre diferentes comunidades e paróquias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto relevante é a capacidade das tecnologias educacionais de promover uma aprendizagem mais interativa e participativa. Recursos como vídeos, animações, quizzes interativos e fóruns de discussão incentivam a participação ativa dos catequistas no processo formativo, estimulando o pensamento crítico e a troca de ideias entre os participantes. Essa interatividade é essencial para o desenvolvimento de uma formação contínua que não se limite à mera transmissão de conteúdos, mas que incentive o catequista a refletir sobre sua prática e a buscar constantemente novas formas de evangelização (Gil, 2007, p. 58).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A implementação dessas tecnologias na formação catequética também apresenta desafios significativos. Um dos principais obstáculos é a resistência à mudança, especialmente entre os catequistas mais experientes, que podem ter dificuldades em se adaptar às novas ferramentas digitais. O uso de tecnologias educacionais exige uma familiaridade com recursos digitais que nem todos os catequistas possuem, o que pode gerar insegurança e até mesmo desmotivação. Para superar esse desafio, é necessário que a formação contínua dos catequistas inclua não apenas o ensino sobre o conteúdo catequético, mas também capacitações específicas sobre o uso de tecnologias, de forma a integrá-las de maneira eficaz em suas práticas (Cavalcanti, 2015, p. 76).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro desafio é a questão do acesso às tecnologias. Embora o uso de plataformas online e aplicativos seja cada vez mais comum, ainda há regiões onde o acesso à internet é limitado ou inexistente, o que dificulta a utilização dessas ferramentas. A desigualdade tecnológica pode criar disparidades no processo formativo dos catequistas, especialmente em comunidades mais periféricas ou em áreas rurais. Nesse sentido, é fundamental que a Igreja busque soluções que incluam todos os catequistas, garantindo que a formação contínua seja acessível para todos, independentemente de sua localização ou condição socioeconômica (Donzellini, 2003, p. 91).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há o desafio de manter a integridade dos conteúdos doutrinários ao utilizá-los em plataformas digitais. A catequese, por sua natureza, envolve uma profunda conexão com a tradição da Igreja e com os ensinamentos da fé. Ao transferir parte desse processo para o ambiente digital, é preciso garantir que os conteúdos permaneçam fiéis ao Magistério da Igreja e que a tecnologia seja utilizada como uma ferramenta complementar, e não como um substituto da experiência comunitária e sacramental que é central à vida cristã (CNBB, 2007, p. 112).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos desafios, os recursos digitais oferecem um grande potencial para transformar a formação contínua dos catequistas, especialmente ao possibilitar a disseminação de conhecimentos e práticas em uma escala maior do que nunca. Ao integrar tecnologias educacionais em suas estratégias formativas, a Igreja tem a oportunidade de enriquecer o processo catequético, tornando-o mais inclusivo, dinâmico e adaptado às realidades contemporâneas (Ramos, 2008, p. 101).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso de tecnologias educacionais na formação catequética representa uma evolução importante no campo da evangelização. Essas ferramentas digitais oferecem uma série de vantagens que podem facilitar a formação contínua dos catequistas, tornando-a mais acessível e interativa, e promovendo um aprendizado contínuo que vai além dos limites das salas de aula tradicionais. No entanto, é crucial que a implementação dessas tecnologias seja acompanhada de uma reflexão cuidadosa sobre como integrá-las de maneira que respeite as tradições e os valores fundamentais da catequese cristã, garantindo que o uso dessas ferramentas contribua para a missão evangelizadora da Igreja e não comprometa a profundidade do encontro com Cristo que está no coração da catequese (Documento de Aparecida, 2007, p. 146).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. A Formação dos Catequistas e a Catequese com Adultos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A catequese com adultos apresenta uma série de desafios e especificidades que exigem uma adaptação contínua na formação dos catequistas. Diferente da catequese com crianças e adolescentes, a catequese voltada para adultos lida com indivíduos que já possuem uma bagagem de vida consolidada, experiências prévias e, muitas vezes, questionamentos profundos sobre fé, moralidade e espiritualidade. Isso demanda uma abordagem que vá além da simples transmissão de conteúdos doutrinários, envolvendo uma escuta atenta e uma formação robusta dos catequistas, que devem estar preparados para lidar com as complexidades dessa fase da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A formação contínua dos catequistas que atuam com adultos precisa incluir estratégias específicas que levem em consideração o perfil desse público. A catequese de adultos muitas vezes ocorre em contextos de preparação para os sacramentos, como o batismo, a eucaristia e o matrimônio, mas também pode incluir momentos de aprofundamento espiritual para pessoas que já vivenciam a fé há muitos anos (CNBB, 2007, p. 104). O catequista, nesse cenário, deve ser capaz de dialogar com adultos que podem estar retornando à Igreja após um longo período de afastamento ou que estão redescobrindo a fé cristã em meio a novas circunstâncias da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das estratégias fundamentais para a catequese de jovens e adultos é o uso de metodologias que promovam o diálogo e a reflexão. Ao contrário de um modelo de ensino tradicional, onde o catequista é o único transmissor de conhecimento, a catequese com adultos deve ser construída em torno de conversas e debates, nos quais os catequizandos possam expressar suas dúvidas, compartilhar suas experiências e buscar juntos o sentido da fé. Essa abordagem permite que o catequista não apenas transmita doutrina, mas também ajude os adultos a integrarem os ensinamentos da Igreja em suas vidas pessoais e comunitárias (Ramos, 2008, p. 67).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto importante é a necessidade de contextualizar os ensinamentos da Igreja na realidade vivida pelos adultos. Enquanto a catequese infantil frequentemente se concentra em histórias bíblicas e na introdução aos fundamentos da fé, a catequese com adultos precisa conectar esses ensinamentos a questões concretas, como os desafios da vida familiar, profissional e social. Para isso, o catequista deve estar bem preparado não apenas no campo teológico, mas também nas questões pastorais, sendo capaz de relacionar a doutrina cristã com temas como ética, justiça social e a busca por sentido em meio às dificuldades cotidianas (Gil, 2007, p. 48).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A formação dos catequistas para o trabalho com adultos também deve incluir o desenvolvimento de habilidades de escuta ativa e empatia. Os adultos frequentemente trazem para a catequese questões profundas e complexas, que podem envolver experiências dolorosas, dúvidas existenciais ou crises de fé. Nesse sentido, o catequista precisa ser um facilitador que acolha essas questões com respeito e sensibilidade, ajudando os catequizandos a encontrar respostas na luz da fé cristã, sem impor julgamentos ou soluções prontas (Donzellini, 2003, p. 71).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto crucial na catequese de adultos é o reconhecimento da diversidade de experiências de vida que esse público traz consigo. Diferente de crianças e adolescentes, cuja vivência ainda está em construção, os adultos já possuem uma trajetória consolidada, muitas vezes marcada por diferentes experiências religiosas ou pela ausência delas. Isso significa que o catequista precisa estar preparado para lidar com uma pluralidade de perspectivas, desde pessoas que já têm uma formação cristã sólida até aquelas que estão conhecendo a fé pela primeira vez (CNBB, 2006, p. 93). A formação contínua dos catequistas deve, portanto, fornecer ferramentas para que eles possam adaptar sua abordagem de acordo com o perfil dos catequizandos, sem perder de vista a essência do ensino cristão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A utilização de testemunhos e partilhas de vida é outra estratégia eficaz na catequese de adultos. Ao invés de apenas apresentar conceitos teológicos e doutrinários de forma abstrata, o catequista pode convidar os catequizandos a refletirem sobre suas próprias vidas à luz da fé. Essa abordagem pode ser complementada com a partilha de testemunhos de outros cristãos, sejam eles santos da Igreja ou pessoas da comunidade, que viveram suas vidas de forma exemplar. Ao conectar a doutrina cristã com a realidade vivida, o catequista ajuda os adultos a verem o Evangelho como uma fonte de sabedoria e orientação para os desafios que enfrentam no dia a dia (Souza, 2012, p. 110).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A catequese com adultos também precisa considerar o ritmo de vida desse público. Muitas vezes, os adultos têm horários limitados devido às suas responsabilidades familiares e profissionais. Por isso, a formação contínua dos catequistas deve incluir a preparação para organizar encontros catequéticos que respeitem esse ritmo, sendo flexíveis em relação ao tempo e ao formato das atividades. A utilização de encontros mais curtos, grupos de reflexão ou até mesmo a oferta de materiais de estudo para serem utilizados em casa são algumas das estratégias que podem facilitar a participação dos adultos na catequese (Moraes, 2018, p. 99).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A formação dos catequistas que atuam com adultos precisa, portanto, ser abrangente e contínua, abordando desde questões teológicas até habilidades práticas de comunicação e acolhimento. Além de conhecer profundamente a doutrina cristã, o catequista precisa estar preparado para atuar como um verdadeiro guia espiritual, que caminha junto com os catequizandos em seu processo de descoberta e aprofundamento da fé. A catequese com adultos não é apenas uma transmissão de conteúdos, mas um espaço de encontro, de diálogo e de transformação pessoal, onde o Evangelho é vivido e experimentado de maneira concreta e significativa (Cavalcanti, 2015, p. 87).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. Desafios na Implementação de Novas Abordagens Pedagógicas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A implementação de novas abordagens pedagógicas na catequese encontra, por vezes, resistência por parte dos catequistas. Essa resistência geralmente decorre de uma sensação de insegurança diante de mudanças que rompem com práticas estabelecidas ao longo de anos de serviço. Muitos catequistas, especialmente aqueles que já atuam há mais tempo, sentem-se mais confortáveis com métodos tradicionais, como a catequese baseada em palestras ou em leitura de textos doutrinários (Gil, 2007, p. 54). A mudança para metodologias mais ativas e interativas pode ser vista com desconfiança, principalmente quando se exige o uso de tecnologias ou a adoção de novas técnicas pedagógicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos principais desafios é o medo do desconhecido. Novas abordagens frequentemente demandam o domínio de ferramentas tecnológicas ou a aplicação de conceitos pedagógicos que fogem ao treinamento inicial dos catequistas. Mesmo que as novas práticas sejam apresentadas como benéficas para o engajamento dos catequizandos, muitos catequistas podem sentir-se sobrecarregados ao tentar incorporar essas mudanças em sua rotina (Souza, 2012, p. 79). A formação contínua, portanto, deve incluir não apenas o ensino das novas metodologias, mas também um suporte emocional e prático, que ajude os catequistas a se adaptarem de forma gradual e segura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro obstáculo comum é o apego às tradições. A catequese, por sua natureza, está profundamente enraizada nas tradições da Igreja, e muitos catequistas veem as novas abordagens como uma possível ameaça à preservação desses valores (CNBB, 2007, p. 93). Há uma preocupação legítima de que o foco em metodologias modernas possa desviar a atenção dos conteúdos essenciais da fé. Por isso, a introdução de novas práticas deve ser acompanhada de uma contextualização clara, que mostre como essas abordagens podem, na verdade, reforçar e enriquecer a tradição catequética.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A adaptação às novas abordagens exige dos catequistas uma postura de abertura e disposição para aprender. É fundamental que a formação contínua ofereça oportunidades para que eles experimentem essas novas práticas em um ambiente seguro e de apoio, onde possam testar e ajustar suas estratégias sem medo de falhar (Cavalcanti, 2015, p. 104). O acompanhamento por parte da comunidade eclesial e o incentivo constante são essenciais para que os catequistas possam, gradualmente, superar a resistência inicial e abraçar as inovações pedagógicas com confiança.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A formação contínua dos catequistas, em um contexto de constantes mudanças sociais e educacionais, exige um compromisso com o aprimoramento pedagógico e espiritual. As novas abordagens pedagógicas, que integram metodologias ativas e o uso de tecnologias educacionais, representam uma oportunidade significativa para renovar a catequese, tornando-a mais dinâmica e próxima da realidade dos catequizandos. No entanto, esses avanços também apresentam desafios, especialmente no que diz respeito à resistência à mudança e à adaptação dos catequistas a essas novas práticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao enfrentar esses desafios, é essencial que a formação dos catequistas inclua não apenas o desenvolvimento de competências técnicas, mas também um suporte contínuo que promova a confiança e a abertura para o novo. A catequese, com sua missão de transmitir a fé cristã, pode se beneficiar imensamente das inovações pedagógicas, desde que essas sejam implementadas com cuidado, respeito pelas tradições e um foco constante na centralidade do Evangelho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sucesso na implementação dessas novas abordagens depende da disposição dos catequistas em se adaptar e da capacidade da Igreja em oferecer os recursos necessários para essa transformação. A catequese, ao adotar essas inovações, pode se fortalecer como um espaço de aprendizagem profunda e significativa, capaz de responder aos desafios contemporâneos sem perder de vista os fundamentos da fé cristã.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BÍBLIA SAGRADA. Tradução dos Originais, mediante a versão dos Monges de Maredsous (Bélgica) pelo Centro Bíblico Católico. 73ª Edição. São Paulo: Editora Ave Maria, Edição Claretiana, 1993.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CNBB. Catecismo da Igreja Católica. 9ª Edição. Petrópolis: Editora Vozes, 1998.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CNBB. Catequese Renovada: Orientações e Conteúdos – 26. 37ª Edição. São Paulo: Editora Paulinas, 2006.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CNBB. Diretório Nacional Catequético. 5ª Edição. São Paulo: Editora Paulinas, 2005.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CNBB. Diretório Nacional de Catequese. 5ª Edição. São Paulo: Editora Paulinas, 2007.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO. Documento de Aparecida. V Conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe (13-31 de maio). São Paulo: Editora Paulus, 2007.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DONZELLINI, Ir. Mary. Adultos na fé: Pistas para a Catequese com Adultos. Caderno Catequético. Nº 12, 2ª Edição. Diocese de Osasco, São Paulo: Editora Paulus, 2003.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GIL, Padre Paulo César. Metodologia Catequética. Petrópolis: Editora Vozes, 2007.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LEITE, Elias. Iniciação Cristã para Jovens e Adultos. 3ª Edição. São Paulo: Editora Ave Maria, 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAURÍCIO, Leornado de Porto. As Excelências da Santa Missa. Roma: Conforme a edição romana, dedicado à Sua Santidade o Papa Clemente XII, 1737.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PANAZZOLO, João. Caminho de iniciação à vida cristã: elementos fundamentais. 2ª Edição. São Paulo: Paulus, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, Patrícia de Carvalho. Catequese e Formação de Catequistas. São Paulo: Editora Paulinas, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">RAMOS, Frei Antônio. A Missão Catequética da Igreja. Aparecida: Editora Santuário, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, Marília Aparecida de. Abordagens Pedagógicas na Catequese Contemporânea. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CAVALCANTI, Maria José. A Formação Permanente dos Catequistas. Recife: Editora Universitária, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MORAES, Carlos Eduardo. Catequese e Novas Tecnologias: Desafios e Perspectivas. São Paulo: Editora Loyola, 2018.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> Doutorando pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR. Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR. Especialista em Catequética pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR. Bacharel em Teologia pelo Studium Theologicum afiliado à Pontifícia Universidade Lateranense de Roma. Licenciado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR. E-mail: chiquito72@gmail.com.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref2" id="_ftn2">[2]</a> “O objetivo da pedagogia e da metodologia é ajudar as pessoas no amadurecimento da fé, da esperança e da caridade” (Carvalho, 2015, p. 32).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref3" id="_ftn3">[3]</a> Sobre essa temática, vale a pena ler o capítulo 4 do livro e autoria de João Panazzolo: <em>Caminho de Iniciação à vida cristã: elementos fundamentais</em>, nas páginas 85 a 107 (Panazzolo, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref4" id="_ftn4">[4]</a> Vale refletir sobre o que a professora Solange do Carmo fala sobre as reflexões na Igreja em geral, nas páginas 28 seguintes do seu livro: Catequese no mundo atual: crises, desafios e um novo paradigma para a catequese (Carmo, 2016).</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>CONTRIBUIÇÕES DE VIKTOR FRANKL PARA A FORMAÇÃO HUMANA DOS FUTUROS PRESBÍTEROS CATÓLICO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/contribuicoes-de-viktor-frankl-para-a-formacao-humana-dos-futuros-presbiteros-catolico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Sep 2024 15:45:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 28 – Edição 138/SET 2024]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10249091245 Carlos Marçal Lima RESUMO O presente artigo busca investigar as possíveis contribuições do psiquiatra e filósofo austríaco Viktor Emil Frankl para a formação humana dos futuros presbíteros católico. Partindo da compreensão da finalidade da formação humana nos seminários, propomo-nos a analisar as situações que afetam e desafiam o processo formativo dos candidatos [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10249091245</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Carlos Marçal Lima</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente artigo busca investigar as possíveis contribuições do psiquiatra e filósofo austríaco Viktor Emil Frankl para a formação humana dos futuros presbíteros católico. Partindo da compreensão da finalidade da formação humana nos seminários, propomo-nos a analisar as situações que afetam e desafiam o processo formativo dos candidatos ao ministério ordenado. Destarte, serão apresentadas as premissas fundamentais da doutrina frankliana que estão centradas em conceitos eminentemente filosóficos: pessoa, liberdade, responsabilidade, significado e transcendência. Frankl defende uma unidade antropológica radical, ainda que permeada por uma irrecusável diversidade ontológica, a qual se pretende logicamente imune a reducionismos. Para ele, o homem é ser espiritual-pessoal; é capaz de se autodeterminar; orienta-se, primariamente, para o significado e os valores; a transcendência pertence de maneira essencial ao ser-homem. Por fim, tentaremos constatar, a partir das premissas fundamentais de Frankl, suas possíveis contribuições para a formação humana dos futuros presbíteros católico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Viktor Frankl. Formação humana. Desafios. Princípios. Logoterapia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">This article seeks to investigate the possible contributions of the Austrian psychiatrist and philosopher Viktor Emil Frankl to the human formation of future Catholic priests. Starting from an understanding of the purpose of human formation in seminaries, we propose to analyze the situations that affect and challenge the formative process of candidates for ordained ministry. Thus, the fundamental premises of the Franklian doctrine will be presented, which are centered on eminently philosophical concepts: person, freedom, responsibility, meaning and transcendence. Frankl defends a radical anthropological unity, even if permeated by an irrefutable ontological diversity, which is intended to be logically immune to reductionism. For him, man is a spiritual-personal being; is capable of self-determination; is oriented primarily towards meaning and values; transcendence belongs in an essential way to being-man. Finally, we will try to establish, based on Frankl&#8217;s fundamental premises, his possible contributions to the human formation of future Catholic priests.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Viktor Frankl. Human formation. Challenges. Principles. Logotherapy.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1 INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente artigo pretende investigar as possíveis contribuições de Viktor Frankl para à formação humana dos futuros presbíteros católico. Antes de colocar nossa problemática, faz-se necessário, desde já, trazer presente alguns elementos da vida e obra de nosso referencial teórico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Viktor Frankl foi professor de neurologia e psiquiatria na Universidade de Viena e foi o fundador da chamada logoterapia, escola psicológica de caráter fenomenológico, existencial e humanista, também conhecida como a terceira escola vienense de psicoterapia ou como a psicologia do sentido da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Partindo de conceitos eminentemente filosóficos: pessoa, liberdade, responsabilidade, significado e transcendência, Frankl defende uma unidade antropológica, ainda que permeada por uma irrecusável diversidade ontológica. Para ele, o homem é ser espiritual-pessoal; é capaz de se autodeterminar; orienta-se, primariamente, para o significado e os valores; a transcendência pertence de maneira essencial ao ser<strong>&#8211;</strong>homem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dito essa poucas palavras sobre o nosso referencial teórico, cabe-nos agora dizer que a ideia inicial que motivou a produção desse artigo diz respeito a uma necessidade própria de um instrumento teórico que nos auxiliasse na formação humana dos futuros presbíteros católico e iluminasse as situações que o contexto atual afeta e desafia o processo formativo dos candidatos ao ministério ordenado. Diante da novidade proporcionada por Frankl à ciência psicológica, sobretudo os aspectos do humanismo, da libertação do determinismo psicologista e a descoberta que o homem pode ir além do sofrimento, é que decidimos investigar as possíveis contribuições de Viktor Frankl para a formação dos futuros presbíteros católico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse raciocínio, o problema central de nossa pesquisa é: como ou em que a Logoterapia de Viktor Frankl pode ajudar no acompanhamento humano-afetivo dos candidatos ao ministério ordenado católico? Neste sentido outras perguntas surgiram como desdobramento desta, a saber: que desafios encontramos hoje na formação humano-afetivo dos nossos candidatos ao sacerdócio católico? Quais princípios da logoterapia de Viktor Frankl que podem oferecer luzes para enfrentar os desafios levantados?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo desse artigo é, a partir da identificação dos atuais desafios na formação humana do presbítero católico e de uma análise crítica dos princípios básicos da logoterapia de Viktor Frankl, apontar o que das suas premissas são válidas e podem ser aplicado à formação humana dos candidatos ao ministério ordenado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nossa hipótese de pesquisa é a de que, a partir da sistematização de conceitos-chave da doutrina frankliana (liberdade, responsabilidade, sentido da vida e busca de sentido), poderemos traçar um percurso compreensivo que lançará as bases para o enfrentamento das situações que afetam e desafiam o processo formativo pedagógico dos presbíteros católico. <strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa perspectiva, o presente artigo é relevante porque poderá oferecer aos formadores, possíveis respostas aos desafios que o atual contexto apresenta à formação humana dos candidatos ao ministério presbiteral. É significativo ainda porque os princípios básicos da logoterapia de Viktor Frankl podem ser uma colaboração para a construção de um projeto de vida estável, maduro e definitivo para os presbíteros católico. É relevante ainda porque esses mesmos princípios são válidos para formação humana de qualquer pessoa que deseja trilhar um caminho de maturidade. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O procedimento metodológico estará diretamente relacionado à pesquisa bibliográfica e terá característica dialética, na medida em que levou em conta o contexto do grupo e da instituição envolvida, permitindo uma abertura para níveis mais abrangentes de significado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No primeiro momento de nossa pesquisa, procuraremos apresentar uma síntese do que se espera da formação humana dos futuros presbíteros católico. Tentaremos responder a pergunta: qual a finalidade ou onde se pretende chegar com essa dimensão formativa? Tentaremos ainda, refletir sobre as situações que desafiam a formação nos dias atuais, no desejo de compreender as características fundamentais de nosso tempo e quais as suas influências no processo educativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No segundo momento, lançaremos as bases para a compreensão dos conceitos básicos desenvolvidos por Frankl, especificamente, aqueles que tendem a colaborar com o objetivo dessa pesquisa: a concepção de liberdade e responsabilidade; de sentido da vida humana e de vontade de sentido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, no desejo que de elencar as possíveis contribuições de Viktor Frankl para a formação dos futuros presbíteros católico, proporemos, à luz do que a Igreja pretende e espera de seus ministros e dos desafios da formação em nossa época, apontar as bases de todo o processo formativo: liberdade, responsabilidade e autonomia; opção e vivência de um projeto de vida, centrado no anúncio do Reino de Deus e no seguimento a Jesus Cristo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2 A FORMAÇÃO HUMANA DOS FUTUROS PRESBÍTEROS E SEUS DESAFIOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O que pretendemos aqui não é traçar uma análise completa da formação dos futuros presbíteros, mas apenas apresentar alguns pontos importantes para a compreensão da finalidade da formação do processo educativo humano e seus desafios. Isso se dá, para nos lembrar de que é fundamental se propor um sério caminho de formação integral, <s>e</s> para se demonstrar a necessidade de aparato teórico na formação e de suas contribuições no processo formativo, como assim pensamos que Viktor Frankl pode sugerir.&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir de tal constatação que, parece-nos necessário começarmos o presente artigo apresentado em linhas gerais qual é a finalidade da formação humana, <s>e</s> quais as situações que afetam e desafiam o processo formativo dos futuros presbíteros católico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A respeito da finalidade da formação humana dos presbíteros, é importante lembrar desde já, a importante orientação elaborada por João Paulo II, que afirma: “sem uma adequada formação humana, toda a formação sacerdotal estaria privada do seu necessário fundamento” (C.f. PDV, 1992, n. 43). É oportuno recordar também o que o Documento de Aparecida afirma com relação a finalidade da formação humana dos candidatos:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] levar a pessoa a assumir a própria história e a curá-la, com o objetivo de tornar-se capaz de viver como cristão em um mundo plural, com equilíbrio, fortaleza, serenidade e liberdade interior, e para isso Jesus Cristo é o grande modelo, pois ele mesmo formou pessoalmente seus apóstolos e discípulos (Cf. DAp, n. 276-280, 2007).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Diante das afirmações acima e de toda riqueza dos Documentos e Diretrizes da Igreja acerca da formação dos presbíteros, o que tentaremos fazer aqui é apenas apresentar de maneira sintética e sistemática o desejo da Igreja em formar os candidatos ao presbitério de “tal modo que estes possam formar-se integralmente e ser devidamente preparados para enfrentar os desafios do nosso tempo” (Cf. O DOM DA VOCAÇÃO, nº7, 2017). Cabe lembrar que não abordaremos aqui todas as dimensões da formação, a saber: espiritual, intelectual, comunitária, pastoral e humana, mas apenas a formação humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A nova <em>Ratio Fundamentalis Instituionis Sacerdotalis<a href="#_ftn1" id="_ftnref1"><strong>[1]</strong></a></em> (2017, p.?) afirma que o caminho formativo deve favorecer que o futuro presbítero seja “um homem de discernimento”, ou seja, “capaz de interpretar a realidade da vida humana à luz do Espírito, e escolher, decidir e agir de acordo com a vontade divina”. O futuro presbítero procura busca viver a sua afetividade com o equilíbrio desejável para o exercício do bom pastoreio:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">capaz de compreender as próprias moções, seus dons, suas necessidades e suas fragilidades, sendo capaz de livrar-se de todas as afeições desordenadas e, depois de havê-las eliminadas, procurar e entregar a vontade de Deus na organização da própria vida em vida da salvação das almas” (Cf. PAPA FRANCISCO, 2017, nº 43).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos dizer que a nova “<em>Ratio</em>” recorda o que sempre foi defendido pelo Magistério da Igreja, que seus ministros sejam pessoas integradas, homens de comunhão, unidade e diálogo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo São João Paulo II, “os futuros presbíteros devem cultivar uma série de qualidade humanas necessárias à construção de personalidades equilibradas, fortes e livres, capazes de suportar o peso das responsabilidades pastorais” (Cf. PDV, 1992, n. 43, p. 117).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Preconizou o Papa Bento XVI, em sua carta aos seminaristas, a importância da formação humana integral:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] os anos no Seminário devem ser também um tempo de maturação humana. Para o sacerdote, que terá de acompanhar os outros ao longo do caminho da vida e até às portas da morte, é importante que ele mesmo tenha posto em justo equilíbrio coração e intelecto, razão e sentimento, corpo e alma, e que seja humanamente íntegro (Cf. Papa Bento XVI, Apud. CERNUZIO, 2015, s/p).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O Papa Francisco, em audiência aos participantes de um Congresso promovido pela Congregação para o Clero por ocasião do 50º aniversário dos Decretos Conciliares <em>Optatam totius</em> e <em>Presbyterorum Ordinis</em>, assim se expressou:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Um bom sacerdote é antes de tudo um homem com a sua própria humanidade, que conhece a sua própria história, com as suas riquezas e as suas feridas, e que aprendeu a fazer as pazes com ela, alcançando a serenidade de fundo, própria de um discípulo do Senhor (FRANCISCO, 2015, s/p)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, elucida o Documento Pastores Dabo Vobis (1992), que a formação humana dos presbíteros visa formar padres que sejam capazes de se determinar e de viver a reponsabilidade, capazes de conhecer em profundidade a alma humana, facilitar encontro e diálogo, exprimir juízos serenos e objetivos; capazes de assumir o compromisso celibatário de maneira madura, serena, alegre, como virtude que desenvolve a autentica maturidade da pessoa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Feito as considerações acima sobre a finalidade da formação, acabe agora elencar algumas situações culturais que afetam e desafiam a formação dos futuros presbíteros nessa mudança de época. A priori, se faz necessário reconhecer que os desafios aqui refletidos não são unicamente apresentados aos que almejam o ministério ordenado, mas atinge a todos. De fato, os fenômenos a serem apresentados aqui estão presentes na vida de todo e qualquer jovem de nossa época.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um traço forte na cultura presente é mudança na maneira de lidar com o tempo. Nota-se uma busca pelo imediato, pela satisfação do aqui e agora, “no gosto pela rapidez, no centra-se no instante, nos contatos imediatos e na virtualidade da própria vida” (Cf. CNBB, 2011, n. 17). É Notável que um contexto de fluidez “rejeita-se o fato de que construir um percurso pessoal de vida signifique renunciar a percorrer no futuro diferentes estadas: ‘hoje escolho isto, amanhã veremos’” (FRANCISCO, 2017, p. 28). Essa situação exige dos futuros presbíteros a capacidade de se programar a logo prazo e assumir as consequências de sua escolha presbiteral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro traço da cultura contemporânea é a forte tendência à aparência e o exibicionismo. “Na cultua dominante, ocupa o primeiro lugar aquilo que é exterior, imediato, visível, superficial, provisório. O real cede o lugar à aparência” (EG, 2013, nº 62). Diante dessa tendência a superficialidade, torna-se necessário uma formação que ofereça um caminho de amadurecimento dos valores humanos e cristãos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro fenômeno de nossa geração é o acento ao individualismo e, como consequência, o enfraquecimento da vivência comunitária. Percebe-se uma forte tendência à incapacidade de verdadeiras relações humanas. “Muitos tentam escapar dos outros, fechando-se na sua privacidade confortável ou no círculo reduzido dos mais íntimos” (EG, 2013, n. 87).&nbsp; Frente a esse fenômeno, sentimos o desafio de formar para a superação da desconfiança permanente e do isolamento. É importante mostrar aos futuros presbíteros que a opção pela fraternidade presbiteral, é marca do cristão e condição para a vivência do ministério. “A forma individualista do exercício do ministério ordenado, além de ser uma traição à sua própria essência, é um dos principais entraves à realização de uma Igreja toda ela responsável pela missão” (Cf. DGAE, 2015, nº 327).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra marca da cultura atual são as modernas tecnologias da comunicação, geralmente chamada de “mundo virtual”. O mundo digital “oferece possibilidade de acesso a uma série de oportunidades que as gerações anteriores não tinham, e ao mesmo tempo apresenta riscos” (FRANCISCO, 2017, p. 27). Dado a ser levado em consideração é que aqueles que iniciam o caminho no seminário já estão habituados e, de certa maneira, imersos na realidade digital e seus instrumentos. Sobre esse aspecto a nova <em>Ratio</em> <em>Fundamentalis Iinstituionis Sacerdotalis</em> (2017, n. 99, p.? orienta que “é necessário guardar a devida providência relativamente aos inevitáveis riscos que a fragmentação digital comporta, incluindo várias formas de dependência”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na esfera eclesial há o desafio de uma verdadeira conversão pastoral. Constata-se a necessidade da Igreja estar em estado permanente de missão. Aqui nota-se “o desafio de viver na Igreja a paixão que norteia a vida de Jesus Cristo: o Reino de Deus, fonte de graça, justiça, paz e amor” (Cf. CNBB, Doc. 93, 2011, n. 30). Sobre esse âmbito, a formação presbiteral não pode deixar de acentuar o caráter missionário do ministério ordenado, o seguimento a Cristo como marca do ser cristão e o serviço ao Reino de Deus e sua justiça como fundamentação da formação presbiteral.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No campo afetivo/emocional, nota-se nessa geração uma forte tendência à imaturidade psicológica, certa instabilidade vocacional e vulnerabilidade. É notável que entre os jovens que pedem para ingressar nos seminários, “alguns são dotados de uma fragilidade humana, espiritual e afetiva muito grande” (OSIB,2012, p.42). Percebe-se ainda, uma preocupação exagerada pelos status, pouco sentido do dever e tendência a buscar o fácil e uma vida cômoda, rejeitando todo tipo de sacrifício. “Encontram-se alguns que podem apresentar uma identidade sexual desintegrada, o que fragmenta a própria personalidade e a vida psíquica como sujeito humano” (Cf. CNBB, Doc. 93, 2011, n. 38). Nesse campo afetivo/emocional é necessário um projeto formativo que lhes permita chegar a uma maturidade afetiva que lhes permita viver o celibato na fidelidade e na alegria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As situações ou tendências aqui apresentadas serviram-nos para nos recordar que os futuros presbíteros católico vivem inseridos nesta realidade e dela provêm, sendo por ela influenciados. Serviram-nos também, para nos lembrar duma questão fundamental, que deve orientar todo processo formativo: como formar presbíteros que estejam à altura destes tempos, bem formados, autônomos, maduros, livres, responsáveis, capazes de viver um projeto de vida estável e sejam sustentados pela opção pelo Reino de Deus, no seguimento a Cristo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3 A INDIVIDUALIDADE NA FORMAÇÃO HUMANA DOS FUTUROS PRESBÍTEROS CATÓLICOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O seminarista, em seu processo formativo, é chamado a viver a sua individualidade, isto é, seu modo de ser e a sua mais bela expressão do “eu real” com o “nós” da relação comunitária, elemento constitutivo da pessoa. Não se pode pensar, a formação humana dos futuros presbíteros sem o elemento da individualidade, pois se tira este elemento não conseguimos pensar o sujeito de forma profunda. A individualidade gera a unidade interna, sendo ela sagrada, inviolável e que permite adentrar naquilo que é a unidade interna da pessoa fazendo com que, a mesma, obtenha a realização plena de sua unidade e das relações. Nesse sentido, a pessoa é una em si mesma com uma coerência interna que se dá pela individualidade, pois é a expressão daquilo que ela é e, condição para o exercício da liberdade na comunidade. Desta forma, o “eu seminarista” se realiza a partir de um consenso espontâneo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, a cultura contemporânea está marcada pela supremacia do individualismo que é contrária a individualidade, ou seja, não haverá uma relação comunitária entre o “eu” e o “nós”, pois com o individualismo o “eu” se torna absoluto em relação ao “tu” na relação interpessoal e em ligação ao “nós” no consenso espontâneo, por causa do fechamento em si mesmo. Em suma o individualismo é uma:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] doutrina moral ou política que atribua ao indivíduo humano preponderante valor de fim em relação as comunidades de que faz parte. O extremo desta doutrina é, obviamente, a tese de que o indivíduo tem valor infinito, e a comunidade valor nulo. (ABBAGNANO, 2000, p. 638).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Percebe-se que, essa doutrina impede que o seminarista revele seu “eu real”, pois a comunidade tendo valor nulo perderá a perspectiva da expressão do “eu” fazendo com que o seminarista se direcione ao “enclausuramento” diante das concepções reducionistas da hipermodernidade que impossibilita uma efetiva participação, pois essa doutrina individualista afirma que o indivíduo é um bem social supremo e que tudo deve submeter-se a ele. Torna o sujeito isolado concentrado sobre si mesmo e em seu próprio bem. Atua com os outros em vista do próprio interesse desvelando seu “eu inautêntico” através de seus atos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, essas atitudes inautênticas, fonte de uma supremacia do eu em relação à comunidade, direcionam o “eu seminarista” a um conformismo servil e ao descompromisso ou evasão, pois são privadas de solidariedade e do valor personalista. Só haverá um valor personalista no “eu seminarista” se, de fato, ele for capaz de cultivar uma abertura para o processo formativo e uma interiorização do mesmo e, nessa experiência construir a sua autenticidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, se há um fechamento do “eu” no processo formativo, por meio do individualismo, o seminarista não será capaz de ser autêntico, mas irá desvelar uma inautenticidade e não terá uma realização, pois é na abertura e em sua relação com a comunidade que o “eu” vai se realizar. O <em>telos</em> dessa inautenticidade é o surgimento de máscaras nas aparências exteriores: falsa obediência, criatividade selvagem, exibicionismo e o descompromisso com o bem comum na dimensão do cuidado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dimensão do cuidado é bastante relevante na vida humana. Esta dimensão vê-se muitas vezes velada pelo tecnicismo, subjetivismo e o relativismo. A inautenticidade do ser faz com que o homem perca esta dimensão. Inautenticidade significa o modo de ser de forma impessoal, ou o modo de viver no qual a presença pode &#8220;escolher-se&#8221;, ganhar-se ou perder-se ou ainda jamais ganhar-se ou só ganhar-se &#8220;aparentemente&#8221;; é um modo subjetivista de vida. A autenticidade se mostra na relação da presença com a sua realidade intramundana. É por meio da autenticidade que se chega à verdade das relações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A autenticidade, na vida do seminarista católico, demonstra aquilo que é a própria pessoa do seminarista. Na relação com as outras pessoas, o ser humano encontra a sua realização. Sendo assim, a pessoa do seminarista é convidada a agir solidariamente na vida do seminário, superando o individualismo, um dos meios é a solidariedade, ou seja, se dispor a realizar constantemente a parte que cabe a cada membro que participa da vida comunitária. A manifestação desta solidariedade se dá na participação ativa na comunidade do seminário, de forma que o seminarista faça aquilo que ele deve fazer, além de ajudar os demais membros. Esta ajuda não pode ser uma inversão de funções, ou seja, cada membro da comunidade possui diferenças e é a aceitação da diferença de cada um que faz com que a comunidade cresça, por meio de uma espiritualidade de comunhão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo São João Paulo II (2001), sem a espiritualidade de comunhão, seriam ineficazes todos os instrumentos que visam à comunhão, pois ela é:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A comunhão de vida com Deus e a unidade do povo de Deus, pelas quais a Igreja é o que é, são significados e realizados pela Eucaristia. Nela se encontra o cume, ao mesmo tempo, da acção pela qual Deus, em Cristo, santifica o mundo, e do culto que no Espírito Santo os homens prestam a Cristo e, por Ele, ao Pai. (CIC, 1993, nº 148)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A espiritualidade de comunhão visa uma conversão da subjetividade fechada que gera o hiperindividualismo em uma subjetividade aberta, que gera o acolhimento do outro e o agir ético a partir das relações para se encontrar humanamente. Sendo assim, essa “conversão neste mundo é uma meta nunca alcançada plenamente: no caminho que o discípulo é chamado a percorrer seguindo as pegadas de Cristo, a conversão é um compromisso de toda a vida.” (JOÃO PAULO II, 1999, nº 98)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4 OS TRÊS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA LOGOTERAPIA</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Os três princípios fundamentais da logoterapia, no dizer de Frankl, são: “a busca de significado, o sentido da vida e a liberdade do querer” (FRANKL, 2005, p. 11). Se para alguns autores os sentidos e os princípios são mecanismos de defesa, formações e sublimações, para Frankl, a busca de sentido na vida é a principal força motivadora no ser humano (Cf. XAUSA, 2011, p. 144).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A logoterapia, segundo o próprio Frankl, é uma (psico) terapia centrada no sentido ou “a cura através do significado” (FRANKL, 2005, p. 17). É uma teoria que “concentra-se no sentido na existência humana, bem como na busca da pessoa por esse sentido” (FRANKL, 2011, p. 124). Para Iza Aparecida de Moraes Xausa, psicóloga, pedagoga e pesquisadora do movimento de logoterapia na América Latina, “a logoterapia é uma psicologia que sem perder o rigor cientifico, introduz a noção de transcendência na ciência do ser humano” (XAUSA, 2011, p. 8).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa perspectiva, podemos dizer que se a psicoterapia ajudou a descobrir as motivações inconscientes que se escondem sob o comportamento humano. A logoterapia indo além desse plano, mostra a capacidade humana de autotranscedência. O próprio Frankl afirma que a logoterapia em caso algum invalida as descobertas sérias e legítimas de Freud. Mas defende também que “o homem não pode mais ser considerado apenas como uma criatura cujo interesse fundamental é o de satisfazer as pulsões, de gratificar os instintos. Ao contrário, o homem revela-se como um ser em busca de um sentido” (FRANKL2005, p. 15).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tendo apresentado os três princípios da logoterapia e dito em poucas palavras em que consiste seu pensamento, demonstraremos o conteúdo essencial dos três princípios fundamentais defendido por Frankl na logoterapia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O primeiro princípio da logoterapia, a busca de sentido é um dos aspectos mais caros a Frankl, pois diz respeito à fonte primária de motivação do ser humano. Para ele “o homem procura sempre um significado para a sua vida. Ele está sempre se movendo em busca de um sentido para o seu viver” (FRANKL, 2005, p.29). Para Frankl “o problema do homem é descobrir e realizar o significado da própria existência, por meio da realidade concreta da vida” (PETER, 2005, p. 20), ou seja, gerar o sentido da vida a partir da realidade, onde estamos inseridos. Dessa forma, Viktor Frank, argumentava que a força motivadora é a vontade de sentido. Assim defendia:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">As teorias atuais sobre a motivação veem o home como um ser que reage a estímulos, ou obedece aos próprios impulsos. Estas teorias não levam em consideração o fato de que, na realidade, em vez de reagir ou obedecer, o homem responde, isto é, responde às questões que a vida lhe oferece (FRANKL, 2005, p. 29).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Para ele, o homem não é impelido pelo impulso, mas atraído pelo sentido e influenciado pelos valores. É notável que a ideia de “vontade de sentido tem sido contraposta à vontade de prazer, explícitas nas teorias psicanalíticas e comportamentalistas, e à vontade de poder da psicologia adleriana.” (XAUSA, 2011, p. 146). Contudo, faz-se necessário frisar que essa contraposta não nega os instintos em si, mas defende que “o prazer em si não é nada capaz de, por si só, dar sentido à existência” (PEREIRA, 2013, p. 91). Para Frankl “o indivíduo precisa de algo em função do qual viver” (FRANKL, 2011, p. 125) e sem um ponto fixo no futuro, “o homem não consegue propriamente existir” (Cf. PEREIRA, 2013, p.105). Nessa perspectiva, a logoterapia concentra-se mais no futuro, ou seja, nos sentidos a serem realizados pelo paciente em seu futuro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong>O segundo princípio da logoterapia, o sentido da vida, expressa com originalidade científica o aspecto fundamental do sentido na vida de cada ser humano. Para Frankl, o homem só é completamente ele mesmo, quando está dedicado a uma tarefa, serviço ou causa. De acordo com a logoterapia podemos verificar que o sentido da vida se dá em três diferentes formas: quando se pratica um ato; quando se ama ou se doa a uma pessoa ou causa; quando tomamos atitude positiva em relação ao sofrimento inevitável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Frankl, a principal preocupação da pessoa não consiste em obter prazer ou evitar a dor, mas antes, em ver um sentido para sua vida. A questão, portanto, não devemos esperar da vida, mas o que podemos realizar pela vida, ou seja, temos a responsabilidade de encontrar em si o que dar à vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O terceiro princípio defendido por Frankl, a liberdade do querer, é um dos pilares da logoterapia. Segundo ele, o homem é livre para se posicionar diante de certas condições biológicas, sociais e econômicas, de forma que, dentro das possibilidades oferecidas pelo ambiente, caberia a cada um decidir por sua submissão, ressignificação e decisão, a favor ou contra a influência do meio. A nosso ver, essa visão de homem defendida por Frankl, ao libertá-lo dos determinismos, tanto psicológicos como sociais, transformando-se numa mensagem libertadora do ser humano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Frankl, a liberdade plena está sempre ao nosso alcance. É a liberdade de enfrentar quaisquer condições adversas e a maneira como reagiremos às condições imposta é uma decisão nossa. “Se não pudermos mudar a situação, ainda resta-nos a liberdade de mudarmos nossa atitude frente a essa situação” (FRANKL, 1985, s/p).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em linhas gerais, podemos dizer que os três princípios da logoterapia aqui refletidos, tendem apontar o ser homem como consciente e responsável, com liberdade de escolha, o qual busca o sentido de vida, num mundo pleno de sentido, constituído de razões, motivações, pelo qual o próprio transcende a si mesmo, através de sua abertura para este mundo, que se realiza na comunidade e no convívio com o outro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5 AS CONTRIBUIÇÕES VIKTOR FRANKL PARA A FORMAÇÃO HUMANA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Após ter procurado apresentar a finalidade da formação dos futuros presbíteros católico, elencar alguns situações que desafiam o processo formativo e verificar quais os princípios fundamentais da logoterapia, podemos agora adentrar ao problema central de nossa pesquisa: como ou em que a logoterapia de Viktor Frankl pode ajudar na formação humana dos candidatos ao ministério ordenado católico?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não há dúvidas de que os princípios fundamentais da logoterapia de Frankl são válidos e tendem a colaborar com a formação humana dos candidatos ao ministério ordenado. De fato, esses princípios apontam bastante para aquilo que a Igreja espera de seus ministros e dão respostas positivas a muitas situações que desafiam os presbíteros católico nos dias atuais. Os princípios de liberdade da escolha, vontade de sentido e o sentido da vida, podem ajudar os futuros presbíteros a descobrirem o sentido da própria existência no exercício do ministério e na vivência de um projeto de vida estável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Igreja pretende, como deseja o papa Francisco, preparar pastores que sejam:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] capazes de descer na noite sem ser invadidos pela escuridão e perder-se; capazes de ouvir a ilusão de muitos, sem se deixar seduzir, capazes de acolher as desilusões, sem desesperar-se nem precipitar-se na amargura; capazes de tocar a desintegração alheia, sem se deixar dissolver e decompor na sua própria identidade (CF. FRANCISCO, 2013, s/p).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando que a logoterapia procura criar no paciente uma consciência plena de sua própria liberdade e responsabilidade, podemos dizer que uma primeira contribuição de Frankl, consiste em reforçar o princípio de se formar presbíteros para a liberdade, responsabilidade e autonomia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um tempo, de pouca determinação e distorção do conceito de liberdade, em que para muitas pessoas “a liberdade é vivida como adesão cega às forças do instinto e à vontade de poder de cada um” (PDV, 2015, nº 8, p. 9), o princípio de liberdade do querer de Frankl, pode contribuir para uma formação clara e sólida para a liberdade, responsabilidade e autonomia. &nbsp;De fato, para Frankl, “a liberdade é para reeducar e edificar a si mesmo. Para tomar a vida em suas próprias mãos” (PETER, 2005, p. 79).</p>



<p class="wp-block-paragraph">É notável que a ideia defendia por Frankl acerca da liberdade pode colaborar com a compreensão que a Igreja tem de liberdade e que espera de seus ministros. Nesta perspectiva o autor destaca:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Assim entendida, a liberdade requer que a pessoa seja verdadeiramente dona de si mesma, decidida a combater e a superar as diversas formas de egoísmo e de individualismo que atacam a vida de cada um, pronta a abrir-se aos outros, generosa na dedicação e no serviço do próximo (PDV, 2015, nº 44, p. 55).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Os conceitos de liberdade e responsabilidade defendidos por Frankl, sobretudo no aspecto de que o homem é capaz de se autodeterminar em qualquer situação, são elementos fundamentais os mesmos devem ser levados em consideração no processo formativo dos futuros presbíteros católico. Em um contexto de instabilidade vocacional, aplicar o princípio de que “todo homem, mesmo quando tiver condicionado por gravíssimas situações externas, pode de alguma maneira decidir o que será dele” (PETER, 2005, p. 75), é neste sentido, que este princípio esse princípio pode contribuir para reforçar na formação humana dos presbíteros, a ideia de que na liberdade, na responsabilidade e na autonomia, o presbítero tem capacidade de tomar atitudes com relação aos próprios limites vitais e sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A logoterapia tem sua especificidade e seu princípio basilar defende que o importante “não é o sentido da vida de um modo geral, mas antes o sentido específico da vida de uma pessoa em dado momento” (Cf. FRANKL, 1993, p. 98). Assim, podemos dizer que uma segunda contribuição de Viktor Frankl na formação dos presbíteros, consiste em ajudar os vocacionados à vida presbiteral a elaborar um projeto de vida sacerdotal que contemple o Reino de Deus, mediante o seguimento a Cristo, como opção fundamental para vida a qual foi chamado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O primeiro princípio da logoterapia, a busca de sentido, poderá ajudar os futuros presbíteros a descobrir, <s>e</s> realizar os valores e o significado que atraem na sua vocação, pois “se perdermos a base existencial do para quê, qualquer continuidade de nossa vida também perde seu valor” (LUKAS, 1992, p. 15). Assim também, se o presbítero perde a base do para quê é seu ministério, qualquer continuidade do seu exercício estará comprometida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Num contexto em que a própria compressão do sentido de uma vocação presbiteral torna-se um desafio, é fundamental que o processo formativo dos futuros presbíteros incentive e ofereça meios para “o reconhecimento do sentido da vida como dom livre e responsável de si mesmo aos outros, como disponibilidade para colocar-se inteiramente como sacerdote ao serviço do Evangelho e do Reino de Deus” (PDV, 1992, nº 8, p.?).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Frankl defendia “que o ser humano é capaz de viver e até morrer por seus ideais e valores” (FRANKL, 2011, p.125) Nessa perspectiva, podemos dizer que o tempo de formação deve se tornar ocasião decisiva para os seminaristas definirem suas vidas, a partir do seguimento à Pessoa de Jesus Cristo, na opção pelo Reino de Deus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Frankl defende que quando um homem decide se orientar para o melhor de si mesmo, ele se torna livre das pulsações inativas e é capaz de orientar a sua vida a partir de um projeto ou de uma causa (Cf. Peter, 2005, p. 79). É fundamental incutir na formação presbiteral a ideia de Frankl que uma vez feita uma opção, nós somos responsável por ela e devemos orientar toda a nossa vida a partir dessa causa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A logoterapia visa ampliar a capacidade da pessoa de perceber todas as possibilidades existentes de sentido em sua vida, escolhendo para realizar aquela que considera mais significativa. É necessário um “processo formativo humano para a maturidade, de tal maneira que a vocação ao sacerdócio ministerial chegue a ser para cada um deles um projeto de vida estável e definitivo, em meio a uma cultura que exalta o descartável e o provisório” (Cf. DOCUMPENTO DE APARECIDA, 2007, nº 321. P. 146).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6 CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Partindo da reflexão que nos foi proposta nesta pesquisa, pretendemos numa visão retrospectiva, analítica e crítica, retomar os elementos que julgamos serem preponderantes para as contribuições de Victor Frankl acerca da formação humana dos futuros presbíteros católico. <strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vivemos num tempo de fragmentação, incapacidade de se assumir compromissos definitivos e ausência de maturidade humana, podemos dizer que é essencial se dar uma especial atenção à formação humana dos futuros presbíteros católico, (faz-se necessário ajudar os candidatos de forma responsável, imparcial e decisiva. E nessa perspectiva, se torna fundamental a utilização de certos instrumentos teóricos que colaborem na formação de presbíteros que sejam capazes de enfrentar as dificuldades e os desafios deste nosso tempo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando a complexidade do contexto atual e os desafios na formação humana dos futuros presbíteros católico – o que foi visto no início desta pesquisa &#8211; &nbsp;constatamos que a logoterapia de Viktor Frankl pode nos apontar para (possíveis sugestões) contribuições de valores que nos conduzam a um processo formativo, que deverá cuidar do clima da sã liberdade e de responsabilidade pessoal dos formandos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa perspectiva, uma primeira contribuição de Frankl para a formação humana dos futuros presbíteros, à qual parece oportuno retomar, diz respeito à necessidade da formação para a liberdade, responsabilidade e autonomia. A importância dessa contribuição consiste, no fato o qual é indispensável ajudar os candidatos à vida presbiteral, a tomarem consciência de sua liberdade, e de agir responsavelmente, motivados pelo que consideram os sentidos de suas vidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Partindo da compreensão da finalidade da formação humana dos presbíteros católico, em linhas gerais, espera formar homens de discernimento, unidade e integralidade nesta perspectiva, podemos evidenciar um elemento que não pode faltar na formação dos presbíteros, é a conscientização sobre o sentido da vida ministerial, centrada num projeto de vida, o qual a opção pelo Reino no seguimento, é o grande motor da vida e do exercício do ministério.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando a tentativa de Victor Frankl em construir uma psicoterapia capaz de ajudar o ser humano a descobrir o sentido da vida e de sublinhar o sentido como característica essencial do ser humano, constatamos que a logoterapia de Viktor pode nos apontar para valores que nos conduzem a um processo formativo, no qual a opção pelo ministério é o grande sentido da vida do presbítero.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa perspectiva<strong>, </strong>uma segunda contribuição de Victor Frankl para a formação humana dos futuros presbíteros católico<strong>, </strong>que nos parece necessário retomar, diz respeito à necessidade da formação não hesitar em desafiar seus candidatos ao ministério ordenado com um sentido em potencial a ser por ele cumprido. Para Frankl, as inferências de Nietzsche elucidava a psicoterapia: “Quem tem porque viver, suporta quase todo como viver”. A importância dessa contribuição, consiste no fato, de que é indispensável ajudar os candidatos à vida presbiteral a encontrar na opção pelo Reino, no seguimento a Cristo o porquê do seu viver e do seu ser presbítero, pois só assim eles serão capazes de suportar o fardo que a vida presbiteral exige.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depreende-se, portanto, que o presente artigo foi fiel às questões levantadas, na medida em que as situações que desafiam hoje a formação humana dos candidatos ao sacerdócio católico, encontram-se nos princípios da logoterapia de Viktor Frankl, luzes para enfrentar os desafios levantados. Outrossim, a hipótese inicial ficou provada através dos princípios da logoterapia refletidos, como também, do confronto com a finalidade das situações que desafiam a formação humana dos presbíteros.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ABBAGNANO, Nicolas. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2000.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BENTO, Papa XVI. Carta aos Seminaristas. Disponível em: &lt; https://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/letters/2010/documents/hf_ben-xvi_let_20101018_seminaristi.html &gt;. Acesso em: 16 mai. 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CERNUZIO, Salvatore. Papa: “Cuidado com os sacerdotes rígidos (mordem!) e na admissão nos seminários”. E aos bispos: “Presente na diocese, ou então, Renunciem!”. Instituto Humanitas Unisinos. Ed. 506. 2015. &nbsp;Disponível em: &lt; http://www.ihu.unisinos.br/169-noticias-2015/549334-papa-qcuidado-com-os-sacerdotes-rigidos-mordem-e-na-admissao-nos-seminarios-e-aos-bispos-presentes-na-diocese-ou-entao-renunciem&gt; Acesso em: 16 mai. 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. São Paulo: Paulinas,. Loyola, &nbsp;Ave-Maria, 1993</p>



<p class="wp-block-paragraph">CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. <strong>Diretrizes para a formação dos presbíteros da Igreja no Brasil</strong>. Brasília, 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CONGREGAÇÃO PARA O CLERO. <strong>O dom da vocação presbiteral. Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis.</strong> Brasília, CNBB, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DOCUMENTO DE APARECIDA. <strong>Texto conclusivo da Quinta Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe</strong><em>.</em> São Paulo, Paulus, 2007.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DIRETRIZES GERAIS DA AÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA NO BRASIL 2015-2019 (DGAE 2015-2019). Edições CNBB. São Paulo, 2015.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Exortação Apostólica Pós-sinodal Pastores Dabo&nbsp;Vobis (PDV). </strong>Paulinas, São Paulo, 1992,&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FRANCISCO, Papa. <strong>Encontro com o episcopado brasileiro, 27 de julho de 2013</strong>. Disponível em: w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2013/july/documents/papa&#8211;francesco_20130727_gmg-episcopato-brasile.html. Acesso em: 31 mai. 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_______________. Discurso aos participantes no congresso promovido pela Congregação para o clero, por ocasião do cinquentenário dos decretos conciliares “Optatam Totius” e “Presbyterorum Ordinis”. Roma, 2015.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">_________. <strong>Evangelii Gaudium</strong>. Brasília: Edições CNBB, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_________. <strong>Os jovens, a fé e o discernimento vocacional</strong>. São Paulo, Paulus, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FRANKL, E. Viktor. <strong>Psicoterapia e sentido da vida</strong>: Fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial. São Paulo, Quadrante, 2003.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_________. <strong>Um sentido para a vida</strong>: Psicoterapia e humanismo. Aparecida, Ideias e Letras, 2005.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_________. <strong>A presença ignorada de Deus</strong>. Petrópolis, Vozes, 2007.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_________. <strong>Em busca de Sentido</strong>. Petrópolis, Vozes, 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_________. <strong>A vontade de sentido</strong>. São Paulo, Paulus, 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JOÃO PAULO, Papa II.&nbsp; <strong>Pastores Dabo Vobis</strong>. São Paulo, Paulinas, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________________.&nbsp; <strong>Exortação Apostólica Pós-Sinodal Ecclesia in América.</strong> São</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paulo: Paulinas, 1999.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LUKAS, Elisabeth. <strong>Assistência Logoterâpeutica</strong>. Petrópolis, Vozes, 1992.</p>



<p class="wp-block-paragraph">OSIB. <strong>Texto base II seminário sobre a formação presbiteral</strong>. Aparecida: Santuário, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_________. <strong>A formação sacerdotal nos Seminários</strong>. OSIB, 2012. Disponível em: &lt;www.osib.org.br&gt;. Acesso em: 20 jun. 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PEREIRA, Ivo Studart. <strong>A ética do sentido da vida</strong>. São Paulo, Ideias e Letras, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PETER, Ricardo. <strong>Viktor Frankl</strong>: a antropologia como terapia. São Paulo, Paulus, 2005.</p>



<p class="wp-block-paragraph">XAUSA, Izar Aparecida. <strong>A psicologia do sentido da vida. </strong>Petrópolis, Vozes, 2011.&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> Trata-se do mesmo documento “O DOM DA VOCAÇÃO PRESBITERAL”, Brasília, CNBB, 2017</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>EL REINO TRIUNFANTE DE CRISTO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/el-reino-triunfante-de-cristo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jul 2024 00:10:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 28 - Edição 136/JUL 2024]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=148485</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.12741277 LUIS MANUEL LEICEA YINS El Reino de Dios no vendrá con advertencia,  ni dirán: Helo aquí, o helo allí; porque he aquí el Reino de Dios está entre vosotros. Jesucristo(San Lucas 17:20-21) PRÓLOGO Antes de comenzar este trabajo es válido dar a conocer al autor del artículo El Reino Triunfante de Cristo, a través [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.12741277</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"> LUIS MANUEL LEICEA YINS</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong><em>El Reino de Dios no vendrá con advertencia, <br> ni dirán: Helo aquí, o helo allí; porque he aquí el Reino de Dios está entre vosotros. </em></strong><br><strong><em>Jesucristo</em></strong><br><strong><em>(San Lucas 17:20-21)</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>PRÓLOGO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de comenzar este trabajo es válido dar a conocer al autor del artículo <em>El Reino Triunfante de Cristo</em>, a través del cual recibí la guía y el interés para escribir la presente monografía; el Reverendo Herbert McClellan Riggle (Figura 1) Se da a conocer su foto, un titularde su muerte que apareció en el diario <em>El</em> <em>Centinela de Rochester</em> el 7 de octubre de 1952, y los títulos de algunas de sus publicaciones, sobre todo en la revista <em>Gospel Trumpet, </em>de la cual fue Presidente por 23 años.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="467" height="592" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-828.png" alt="" class="wp-image-148486" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-828.png 467w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-828-237x300.png 237w" sizes="(max-width: 467px) 100vw, 467px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1. Rev. Herbert McClellan Riggle (<em>Iglesia de Dios, Indiana</em></strong><br><strong>NACIMIENTO</strong>: 18 Febrero 1872<br>Cochrans Mills, Armstrong County, Pennsylvania, USA<br><strong>DEFUNCIÓN</strong>: 7 Octubre 1952 (de 80 años de edad)<br>Indiana, USA<br><strong>SEPULTURA</strong>: Akron IOOF Cemetery<br>Akron, Fulton County, Indiana, EE. UU.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Noticia del diario Centinela de Rochester &#8211; 7 de octubre de 1952</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>El Rev. H. M. RIGGLE, 416 W. 5th Street, de Anderson, Indiana, falleció hoy a las 4 a.m. en el Hogar de Ancianos No. 1 de Rochester, donde se encontraba internado desde el domingo. El reverendo Riggle sufrió un ataque de parálisis el viernes por la noche y no pudo recuperarse. Llevaba más de seis meses enfermo.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Se mudó aquí hace 14 años y sirvió como Pastor de la Iglesia de Dios durante dos años.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>El Sr. Riggle luego aceptó una llamada de una iglesia de Anderson y más tarde fue Pastor de una iglesia de Defiance, Ohio. Regresó a Rochester hace seis años.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Durante 23 años fue presidente de Gospel Trumpet<a href="#_ftn1" id="_ftnref1"><strong>[1]</strong></a>, una revista cristiana publicada en Anderson. Él y su esposa también sirvieron en los campos misioneros extranjeros durante varios años.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>El reverendo Riggle nació el 18 de febrero de 1872 en Mateer, Pensilvania, hijo de George y Mary (ASHBAUGH) RIGGLE. Estaba casado con Minnie M. SHELLHAMER, el 12 de enero de 1893. El Rev. Riggle era miembro de la Iglesia de Dios de Rochester.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Sus tres hijas, Sra. M. R. BALLENGER, Rochester; Sra. Charles WHITE, Akron y Sra. George PONCIOUS, Huntington; dos hijos, Herbert A. [RIGGLE], Huntington y George W. RIGGLE, Jacksonville, Florida; diecinueve nietos y diecinueve bisnietos. Una hija, Naomi [RIGGLE] que le precedió en muerte.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Los servicios funerarios a cargo del Dr. A. T. ROWE de Anderson se realizaron a las 2:30 p.m. del jueves en la Iglesia de Dios de Akron. El entierro será en Akron I.O.O.F. cementerio. El cuerpo descansa en la funeraria Zimmerman Brothers adonde los amigos pueden llamar.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Algunas publicaciones de Riggle</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>• Riggle, H. M. (Herbert McClellan), 1872-: La Iglesia cristiana, su ascenso y progreso, (Anderson, Ind., Gospel Trumpet Company, [1912]) (imágenes de la página en HathiTrust)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>• Riggle, H. M. (Herbert McClellan), 1872-: La Segunda Venida de Cristo y lo que seguirá, (Anderson, Ind., Gospel Trumpet Company, [c1918]) (imágenes de la página en HathiTrust)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>• Riggle, H. M. (Herbert McClellan), 1872-: La discusión Ebeling-Riggle: sobre el reino de Dios, la salvación universal de la familia humana, la Iglesia de Dios y las prácticas y enseñanzas de la Iglesia Reorganizada de Jesucristo de los Santos de los Últimos Días / ([Blystone, Pa.: 1901?]), también por F. J. Ebeling (imágenes de la página en HathiTrust)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>• Riggle, H. M. (Herbert McClellan), 1872-: El hombre; su presente y futuro&#8230; (Anderson, Ind., Gospel Trumpet Co., [pref. 1916]) (Imágenes de página en HathiTrust)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>• Riggle, H. M. (Herbert McClellan), 1872-: El hombre, su presente y futuro / (Anderson, Ind.: Gospel Trumpet Co., c1904) (imágenes de la página en HathiTrust)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>• Riggle, H. M. (Herbert McClellan), 1872-: Evangelización pionera: Experiencias y observaciones en casa y en el extranjero / (Anderson, Ind.: Gospel Trumpet Co., c1924) (imágenes de la página en HathiTrust)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>• Riggle, H. M. (Herbert McClellan), 1872-: El catolicismo romano a la luz de sus propias Escrituras y autoridades, por H. M. Riggle. (Anderson, Indiana, compañía de trompetas Gospel, [c1917]) (Imágenes de la página en HathiTrust)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUCCIÓN</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">El presente artículo pretende ser una actualización de una vieja monografía escrita por el autor Rev. H.M. Riggle acerca de la realidad del Reino Triunfante de Cristo entre nosotros (Figura 2) Con la luz del Señor que ese siervo tenía hasta ese entonces, Riggle describió oportuna y claramente el Reino de Dios como algo que los profetas mesiánicos predijeron, y que fue cumplido, bajo el Evangelio de paz en el Señor Jesucristo, por lo que explicó que Cristo es Rey ahora, y no debemos esperar un reino milenario como muchos maestros de doctrina predican. Riggle explicó además la relación tipológica del Rey David con Jesús, definiendo el reinado del primero como algo temporal y limitado que feneció cuando el hijo de Isaí murió, pero el Reinado universal de Jesucristo lo describió, de acuerdo a la Palabra de Dios, como algo universal y eterno (Isaías 9:6-7) Se trata de un Reinado Redentor de la raza humana de acuerdo al propósito divino de <em>reunir todas las cosas en Cristo en la dispensación del cumplimiento de los tiempos, tanto en los cielos como en la tierra</em> (Efesios 1:10), así como un reinado que en su primera etapa se verifica aquí entre sus santos, <em>los llamados a salir</em>, la Iglesia, pero que se extiende más allá, en la eternidad, para su segunda etapa, como bien el Señor le dijo a Pilato acerca de que su señorío no es de aquí, de la tierra, sino que se remite más allá , en los cielos (Juan 18:36-37)</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="239" height="328" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-829.png" alt="" class="wp-image-148487" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-829.png 239w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-829-219x300.png 219w" sizes="(max-width: 239px) 100vw, 239px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Figura 2. Carátula del viejo folleto <em>El Reino Triunfante de Cristo</em> de H.M. Riggle</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">En la Dedicatoria hice la salvedad de que el presente trabajo es un atrevimiento de mi parte, porque aspiro a actualizar el estudio de Riggle, ya que el tiempo ha pasado y nuevas verdades y situaciones están siendo reveladas y vividas. La Iglesia del tiempo de Riggle tenía sus retos en su tiempo, más la Iglesia de hoy tiene también sus propios retos; el diablo está cada día más cerca de su muerte eterna y arrecia su furia contra la Iglesia, el mundo del error ha crecido grandemente en nuevas formas de paganismo y <em>evangelio</em> <em>light</em><a href="#_ftn2" id="_ftnref2">[2]</a>, las herejías se han multiplicado y el pecado en diversas formas se ha recrudecido, lo que apunta a que la Segunda Venida de Cristo cada vez está más cerca. Profecías que no podían entenderse a plenitud en el tiempo pasado, incluso antes del Gran Avivamiento de los últimos años del siglo XIX, se han esclarecido más. Riggle vivió (1872-1952) la mayoría de sus años (58) dentro de la etapa de la Iglesia de Filadelfia (1880-1930, Apocalipsis 3:7-13), y unos años (22) de la etapa de la Iglesia de Laodicea (1930-Segunda Venida de Cristo), pero a medida que se acerca el Advenimiento de Cristo aumenta el pecado y el error y la característica de la Iglesia de este último tiempo es de tibieza espiritual (Apocalipsis 3:14-22), lo que no quiere decir que tengamos que ser tibios forzosamente, pero&nbsp; Cristo describe las características de este tiempo para avisarnos de ese gran peligro. Además, otros peligros más agudos y grandes acechan a la Iglesia de hoy, como por ejemplo, el peligroso Octavo enemigo que cada vez se vislumbra más, y que para él, el Israel de Dios (Gálatas 6:16) debe estar preparado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">El artículo consta de siete capítulos siguiendo incluso la estructura temática que Riggle describió, pero, repito, se trata del aporte de más datos, más citas bíblicas, y más epígrafes, incluso se añaden figuras que hacen más potable la lectura. Espero poder ayudar a la Iglesia de Dios en Cuba en la comprensión de este importante tema, y si logro este objetivo me sentiré bien y gozoso al poder llegar a cada lector con la verdad del Reino de Cristo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estoy en deuda con todos los que me ayudaron con sus escritos, libros y publicaciones, y especialmente con H.M. Riggle, que con su artículo, nos enseñó la gran verdad del <em>Reino Triunfante de Cristo</em>, monografía que estudiamos muchos de los Pastores y Ministros de la Iglesia de Dios en Cuba y por medio de él pudimos conocer acerca de la verdad de Dios en este sentido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Me pongo entonces en las manos del Altísimo para que me ayude a desarrollar el tema, tener fe en terminarlo con éxito, y lograr el beneficio de la Iglesia en Cuba.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>EL ESCRITOR</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DESARROLLO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CAPÍTULO 1. EL REINO DE CRISTO PROFETIZADO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">En este Capítulo 1 nos adentramos primeramente en el tema de la divinidad del Señor Jesucristo a fin de demostrar que al hablar del Reino de Dios estamos haciendo una referencia fuerte al Reino del Señor Jesucristo por cuanto Él es Dios, ocupando la Segunda Persona de la Trinidad (una ilustración sencilla se muestra en la Figura 3), la cual es Dios en tres personas, o sea un solo Dios, pero en tres personas diferentes en su gran obra de la salvación del hombre, pero iguales en contenido. El Padre proveyó la salvación, El Hijo es el Mediador de ella y el Espíritu Santo es su Sostenedor (1 Juan 5:7) También se estudian algunas de las profecías que apuntaban a ese reinado, y como esas predicciones fueron cumplidas en la dispensación del Evangelio de paz.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="833" height="679" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-830.png" alt="" class="wp-image-148488" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-830.png 833w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-830-300x245.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-830-768x626.png 768w" sizes="(max-width: 833px) 100vw, 833px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Figura 3. Ilustración de la Bendita Trinidad</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.1. La Divinidad de Cristo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">La escritura de Juan 1:1-13 es una de las muchas que reportan con claridad meridiana la divinidad de Nuestro Señor Jesucristo, ya que recrean al Señor como Creador, Divino y Salvador. Esta cita es considerada como un himno a la divinidad de Jesucristo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Observaciones introductorias</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">La cuestión del origen de la vida ha fascinado a personas de todos los ámbitos.&nbsp; Aunque muchas teorías se han inventado para explicar el mundo lejos de la historia del Génesis 1 y 2, aún resuenan en los confines de la eternidad que <em>en el principio creó Dios los cielos y la tierra </em>(Génesis 1:1) y nadie lo ha podido desmentir.</p>



<p class="wp-block-paragraph">El testimonio del resto de las Escrituras, especialmente del Nuevo Testamento (NT) nos habla de la veracidad de la Creación de Dios.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>San Lucas, presenta una genealogía de Jesús que sigue el relato del Génesis hasta llegar a Adán y Dios: (Lucas 3: 23-38)</li>



<li>Pablo señala a Adán para explicar la importancia de la salvación en Jesús: (Romanos 5:14, 1 Corintios 15:22, y 1 Timoteo 2:13)</li>



<li>Jesús mismo menciona a Abel como el primer mártir (Mateo 23:35)</li>



<li>Hebreos 11:3-34 comienza con la historia de la creación y luego enumera una multitud de héroes del Antiguo Testamento asumiendo que todas esas historias son verdaderas.</li>



<li>Las referencias podrían multiplicarse (Mateo 13:35; 19:4-5; 25:34, Marcos 2:27; 10:6,7-8; 13:19; 16:15, Lucas 11:50; Juan 17:24 , Hechos 4:24; 10:12; 11:6; 14:15; 17:24,26; Rom 1:20,23,25-27; 4:17; 5:12,17-19, 8:19-22,39; 11:36; 1 Corintios 6:16; 8:6; 11:8-9; 15:45, 2 Corintios 4:6; 5:17; 11:3; Efesios 1:4, 3:9, 5:31, para nombrar solo unos pocos textos).  Objetar la creación significa no sólo objetar Génesis 1 y 2, sino la inspiración y la exactitud de toda la Biblia, algo que aún en este siglo XXI, repetimos, nadie ha podido desmentir fehacientemente.  Es a la luz de lo anterior que se puede entender mejor Juan 1:1-13.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Son siete los elementos que vinculan la verdad acerca de Cristo como Dios, descrita por Juan en Juan 1:1-13 con la creación narrada en Génesis 1 y 2.</p>



<p class="wp-block-paragraph">1. Juan 1:1 comienza con las mismas palabras de Génesis 1:1: “<em>En el principio</em>”, lo que da a entender que Juan quiere llamar la atención del lector a Génesis 1.&nbsp; Jesús estaba allí antes que todas las cosas ¡Gloria a Dios!</p>



<p class="wp-block-paragraph">2. En Génesis 1:1 Dios es el centro de la atención: &#8220;<em>En el principio creó Dios</em>&#8230;&#8221;&nbsp; Así también en Juan 1:1: &#8220;<em>En el principio era el Verbo, y el Verbo era con Dios, y el Verbo era Dios</em>” La diferencia es que mientras que Génesis presenta la persona de Dios de forma resumida como una unidad, Juan desarrolla este concepto para explicar que Dios está compuesto de varias personas (menciona aquí dos de las tres existentes, el Padre que aquí se llama &#8220;<em>Dios</em> “y el Hijo, Jesús, el <em>Logos</em><a href="#_ftn3" id="_ftnref3">[3]</a>, que también es Dios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3. El sustantivo <em>logos </em>o <em>Palabra</em>, usado aquí como un título para Jesús, también se origina en la historia de la Creación.&nbsp; El verbo griego afín, <em>lego</em>, que es &#8220;<em>hablar</em>&#8220;, del cual deriva el sustantivo <em>logos</em>, aparece 11 veces en Génesis 1 (Génesis 1:3,6,9,11,14,20,22,24,26,28,29) y siempre en relación con actos creativos de Dios.&nbsp; Del mismo modo, <em>logos</em> se utiliza en otros lugares en referencia a la creación: Ejemplo: Salmo 33:6.&nbsp; Vinculando a Jesús como el <em>Logos</em> de Dios que trajo todo a la existencia, Juan hace de Jesús el agente que actúa en la obra de la Creación. Jesús es Creador.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Salmo 33:6<em> Por la <u>palabra</u> (Logos) de Jehová fueron hechos los cielos,</em><br><em>Y todo el ejército de ellos por el aliento de su boca.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">4. En Juan 1:3 el evangelista usa tres veces las formas del verbo &#8220;hacer&#8221; (<em>Todas las cosas por él fueron <strong>hechas</strong>, y sin él nada de lo que ha sido <strong>hecho</strong>, fue <strong>hecho</strong>)</em> Este verbo es el mismo que se utiliza profusamente en Génesis 1 (23 veces) con relación a la obra creadora de Dios.&nbsp; El hecho de que Juan aclara que &#8220;<em>todas las cosas</em>&#8221; han sido hechas por Jesús, aclara muy enfáticamente el origen de la vida por la palabra de Dios, Jesús.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">5. Ya en Juan 1:4 Juan nos aclara que en Cristo <em>estaba la vida y la vida era la luz de los hombres</em>.&nbsp; El Padre sopló en las narices de Adán el “<em>aliento de vida</em>” (Génesis 2:7) y este fue un “<em>ser vivo</em>”. Adán no posee la vida por su propia voluntad, sino que la recibió de Dios.&nbsp; Cuando la mujer fue creada a partir de la costilla de Adán, éste la llamó &#8220;<em>Eva</em>&#8221; (&#8220;<em>vida</em>”) porque &#8220;<em>ella era la madre de todos los vivientes</em>&#8221; (Génesis 3:20), así que todos los seres humanos deben su vida a Eva, ya que ella es la madre de todos, y ella a su vez fue creada del costado de Adán.&nbsp; Adán, a su vez, recibió la vida de Dios.&nbsp; En ese sentido, la vida de todos los seres humanos proviene de Dios, el Creador de la vida.&nbsp; Por el contrario, Jesús tiene vida en sí mismo, su vida no ha sido creada ni tomada de nadie; es esa vida la que fue compartida con Adán y con todo el orden creado ¡Gloria a Dios!</p>



<p class="wp-block-paragraph">6. Juan declara que Jesús era &#8220;<em>la luz de los hombres</em>&#8221; y que &#8220;<em>la luz brilla en las tinieblas</em>&#8221; (Juan 1:4-5), lo que de nuevo nos lleva al relato de la creación de Génesis ya que la luz fue lo primero que Dios creó y es el elemento que disipa la oscuridad al comenzar el proceso de la creación (Génesis 1:3-4, <em>3</em> <em>Y dijo Dios: Sea la luz; y fue la luz, 4 Y vio Dios que la luz era buena; y separó Dios la luz de las tinieblas…</em>; o sea de la oscuridad a la luz, del caos al orden.&nbsp; Juan toma este motivo temático y le da una dimensión espiritual, en el sentido de que el mundo sin Dios y sumido en el pecado, es oscuro, pero la venida de Jesús dispersó la oscuridad del pecado, y trajo orden y belleza espiritual al alma humana.&nbsp; Así como Jesús produjo la luz en la creación para extinguir la oscuridad, también trajo la vida espiritual para acabar con la oscuridad espiritual del pecado (Juan 1:29) La obra de la redención, por lo tanto, es una bendita réplica de la obra de la creación.</p>



<p class="wp-block-paragraph">7. Juan hace una última referencia a la Creación en el concepto de filiación que él construye.&nbsp; Adán era &#8220;<em>hijo de Dios</em>&#8221; en virtud de la creación (Lucas 3:38) Aquellos que creen en Jesús son hijos de Dios (Juan 1:12-13) Las tres palabras, sangre, carne, y hombre, aparecen en el relato del Génesis.&nbsp; La sangre es un símbolo del origen humano en Dios (Génesis 9:9-10) La carne apunta a la creación de Adán y Eva (Génesis 2:21-23) y, lo que es más importante, alude al plan divino del matrimonio y la procreación instituido en el Edén, y que hoy el hombre quiere desvirtuar, (Génesis 2:24) “El hombre&#8221;, a su vez, señala de nuevo a Adán como el padre de todos los seres humanos, e incluso la fuente de la que Eva fue creada. Juan está exponiendo aquí la experiencia del nuevo nacimiento como una repetición del acto de la creación, pero en un sentido espiritual, y tiene su origen en Dios.&nbsp; Así como los humanos no podrían crearse a sí mismos, tampoco los pecadores pueden regenerarse a sí mismos sin la intervención de Dios (Ver Juan 3:3-5)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumen</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Es entonces evidente que Juan utiliza magistralmente un lenguaje relacionado con la Creación para definir la divinidad de Jesús.&nbsp; Dios creó todo por medio de Jesús, el <em>Logos</em>, que es igual al Padre.&nbsp; Es el Creador de toda la vida.&nbsp; En ese sentido, Juan expone sobre el origen de la vida, y le da más claridad al tema.&nbsp; Juan luego toma el lenguaje de la Creación para describir la Nueva Creación.&nbsp; La venida de Jesús trae la luz que dispersa las tinieblas del pecado, al igual que la luz creada por Jesús en la creación dispersó la oscuridad que envolvía a la tierra.&nbsp; Y, además, así como dio la vida física a Adán, nos ofrece la vida espiritual a todos los que creemos en un proceso de recreación a través del cual los pecadores se convierten en hijos de Dios (Juan 1:12-13) Sin duda, la historia de la Creación juega un papel central, tanto en la formación de la Teología<a href="#_ftn4" id="_ftnref4">[4]</a> de Juan como en toda la Soteriología<a href="#_ftn5" id="_ftnref5">[5]</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Toda esta reseña acerca de la Divinidad de Cristo nos sitúa en la verdad tangible de que cuando se habla del Reino de Dios se está hablando igualmente del Reino de Cristo, porque Cristo es Dios, contrario a lo que enseña, por ejemplo, la secta de los Testigos de Jehová cuyo texto del Evangelio del Apóstol Juan comienza irrespetuosamente: &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Juan 1:1(Versión del Nuevo Mundo) En el principio la Palabra existía, la Palabra estaba con Dios y la Palabra era un dios.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Con esta declaración, se intenta quitar a Cristo su divinidad, el poder para quitar el pecado de en medio (Juan 1:29), la capacidad de ser la Cabeza de su Iglesia (Colosenses 1:18), y la gloriosa verdad de tener un Reinado, como Rey de toda la Creación, la cual está sujeta a Él (Efesios 1:17-23; 3:19 y 4:9,10)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.2. Profecías relativas al Reino de Cristo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">El Antiguo Testamento (AT) Dios lo concibió para que fuera la imagen de la sustancia que se verificaría en el NT. Así el AT está repleto de profecías mesiánicas que se cumplen meridianamente ya que Dios nunca nos deja sin información acerca de Su Voluntad para el hombre. En muchos de los Salmos, el Rey David predijo que el Mesías reinaría sobre el Monte Sión<a href="#_ftn6" id="_ftnref6">[6]</a> (Figura 4, Anexo 1), el cual tipifica la Iglesia del NT, el pueblo de Dios de la Nueva Dispensación. Por ejemplo el profeta Isaías dijo en Isaías 32:1:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Isaías 32:1 He aquí que para justicia reinará un rey, y príncipes presidirán en juicio.</em></strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="693" height="523" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-831.png" alt="" class="wp-image-148489" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-831.png 693w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-831-300x226.png 300w" sizes="(max-width: 693px) 100vw, 693px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Figura 4. Monte Sión (<em>Unplash</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">En un cumplimiento temprano de la profecía, el rey Ezequías (Figura 5) ciertamente cumplió. De él&nbsp;se escribió: <em>Hizo lo recto ante los ojos de Jehová, conforme a todas las cosas que había hecho David su padre. En Jehová Dios de Israel puso su esperanza; ni después ni antes de él hubo otro como él entre todos los reyes de Judá. Porque siguió a Jehová, y no se apartó de él, sino que guardó los mandamientos que Jehová prescribió a Moisés&nbsp;</em><em>(2 Reyes 18:3,&nbsp;5-6)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Sin embargo, apuntando al futuro, a la dispensación en el NT, el rey Ezequías era un tipo<a href="#_ftn7" id="_ftnref7">[7]</a> del Rey de reyes, Jesucristo. Jeremías 23:5 anuncia esto acerca de nuestro Mesías: <em>He aquí que vienen días, dice Jehová, en que levantaré a David renuevo justo, y reinará como Rey, el cual será dichoso, y hará juicio y justicia en la tierra. </em>Y quien sino Jesús cumplió esa profecía mesiánica. Del linaje de David vino el Señor, como un renuevo<a href="#_ftn8" id="_ftnref8">[8]</a>. Así David fue cortado de la tierra de los vivientes pues su reinado fue temporal, pero en su lugar nació este Rey Eterno (Mateo 2:1-2) cuya justicia es como ninguna otra, ya que nos extendió un certificado de inocencia ante el Padre; nosotros que como pecadores no merecíamos esa bendición, por lo que nos reconcilió y justificó ante Él.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="381" height="381" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-832.png" alt="" class="wp-image-148490" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-832.png 381w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-832-300x300.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-832-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 381px) 100vw, 381px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 5. Rey Ezequías (<em>Wikipedia</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No era suficiente, tener un rey justo. El rey debe tener ayudantes,&nbsp;príncipes&nbsp;bajo su liderazgo,&nbsp;que&nbsp;también&nbsp;presidirían en juicio y justicia. Ezequías tuvo&nbsp;ese tipo de leales&nbsp;príncipes,&nbsp;como Eliaquim, el escriba Sebna, los ancianos de los sacerdotes y el mismo Isaías&nbsp;(2 Reyes 19:2) Estos no eran&nbsp;príncipes&nbsp;en el sentido literal de ser hijos del rey Ezequías. La palabra hebrea para&nbsp;príncipe&nbsp;puede significar cualquier gobernante bajo un rey.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Si Ezequías, el rey justo, apunta a Jesús, el Rey Justo; entonces ¿quiénes son los&nbsp;<em>príncipes&nbsp;</em>de Jesús? Sus santos son&nbsp;sus príncipes,&nbsp;¡gloria a Dios!como&nbsp;señala 1 Pedro 2:9:&nbsp;<em>Mas vosotros sois linaje escogido, real sacerdocio, nación santa, pueblo adquirido por Dios, para que anunciéis las virtudes de aquel que os llamó de las tinieblas a su luz admirable. </em>Así anunciamos la justicia divina en la tierra de acuerdo a la Gran Comisión que el Rey nos dejara en Mateo 28:18-20. Apocalipsis 5:10&nbsp;también tiene esta proclamación al respecto del pueblo de Dios:&nbsp;<em>y nos has hecho para nuestro Dios reyes y sacerdotes, y reinaremos sobre la tierra</em>.&nbsp;Y es verdad, nosotros estamos reinando ahora aquí sobre el mundo, la carne y el pecado e intercedemos ante Dios por todos los pecadores para que sean salvos. Muchas de las pruebas y dolores que sufrimos los hijos de Dios en esta vida tienen un propósito maravilloso hoy, y en el mundo del más allá mañana, y es entrenarnos para ser los príncipes&nbsp;del Rey sufriente, parecernos a Él, participar de sus sufrimientos, pero también de su victoria, siguiendo sus pasos sabiendo que nos promete gran bendición (Filipenses 3:9-10, Juan 16:39), y&nbsp;de esta forma gobernar fielmente con el Rey Jesús cuando finalmente nos lleve con Él a las moradas celestiales y eternas (Salmo 23:6)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pero, gloria a Dios, el amor y la misericordia de Dios no se quedó solo en el pueblo físico de Israel a quien El escogió entre las naciones de la tierra para manifestarse a él (Éxodo 19:5-6), sino que fue más allá y se manifestó el misterio escondido en los rincones de la eternidad cuando el incluyó en su Plan de Redención al pueblo gentil (Efesios 2:11-19; 3:5-6) ¡Gloria a Dios!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Así como bien profetizó el profeta Zacarías en Zacarías 9:10, y 14:9:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Zacarías 9:10 Y de Efraín destruiré los carros, y los caballos de Jerusalén, y los arcos de guerra serán quebrados; <u>y hablará paz a las naciones, y su señorío será de mar a mar, y desde el río hasta los fines de la tierra.</u></em></strong><strong><em><u></u></em></strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Zacarías 14:9 Y Jehová será <u>rey sobre toda la tierra. En aquel día Jehová será uno, y uno su nombre</u>.</em></strong><strong><em></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Todas estas profecías nos están asegurando que Cristo sería el Rey que traería justicia y paz verdaderas a su pueblo al establecer su Reinado eterno en el corazón de los hombres, bendición alcanzable no solo para el pueblo de Israel, sino para todos los gentiles, para el Israel de Dios (Efesios 3:5,6, Gálatas 6:16) ¡Gloria a Dios!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algunas profecías mesiánicas se muestran en la Tabla 1.</p>



<figure class="wp-block-table"><table><tbody><tr><td><strong>No.</strong><strong></strong></td><td><strong>PROFECÍA</strong><strong></strong></td><td><strong>CITA BÍBLICA</strong><strong></strong></td><td><strong>CUMPLIMIENTO</strong><strong></strong></td></tr><tr><td>1</td><td>Nacería en Belén</td><td>Miqueas 5:2</td><td>Mateo 2:1-11</td></tr><tr><td>2</td><td>Nacería de una virgen</td><td>Isaías 7:14</td><td>Mateo 1:18-23</td></tr><tr><td>3</td><td>Autoridad profética comparable a la de Moisés</td><td>Deuteronomio 18:18-19</td><td>Mateo 28:18-20, Marcos 11:27-33</td></tr><tr><td>4</td><td>Luz para los gentiles</td><td>Isaías 49:6-7</td><td>Lucas 2:32</td></tr><tr><td>5</td><td>Moriría en la cruz</td><td>Salmos 22:14.16-18</td><td>Mateo 27:50</td></tr><tr><td>6</td><td>Montaría sobre un pollino</td><td>Zacarías 9:9</td><td>Mateo 21:1-13</td></tr><tr><td>7</td><td>Vendido por 30 piezas de plata</td><td>Zacarías 11:11</td><td>Mateo 27:3-10</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table"><table><tbody><tr><td><strong>No.</strong><strong></strong></td><td><strong>PROFECÍA</strong><strong></strong></td><td><strong>CITA BÍBLICA</strong><strong></strong></td><td><strong>CUMPLIMIENTO</strong><strong></strong></td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td></tr><tr><td>8</td><td>Tendría un mensajero que le prepararía el camino</td><td>Malaquías 3.1</td><td>Mateo 3:1-6</td></tr><tr><td>9</td><td>Haría señales que nos mostrarían que Él está presente</td><td>Isaías 35:4</td><td>Marcos 16:17</td></tr><tr><td>10</td><td>Reino sempiterno</td><td>Salmo 45:1-6</td><td>Romanos 14:17</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tabla 1. Algunas profecías mesiánicas cumplidas bajo el Evangelio de paz (<em>Wikipedia</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.3. La Nueva Dispensación con Cristo Rey</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">El Evangelio según San Marcos narra la primera aparición de Jesús y el mensaje que estaba predicando (Marcos 1:14-15)</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>14 Después que Juan fue encarcelado, Jesús vino a Galilea predicando el evangelio del <u>reino de Dios</u>,&nbsp;<br>15 diciendo: El tiempo se ha cumplido, y el reino de Dios se ha acercado; arrepentíos, y creed en el evangelio.</em></strong><strong><em></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">El Señor estaba anunciando que el tiempo estipulado por Dios (tiempo no <em>Cronos </em><a href="#_ftn9" id="_ftnref9">[9]</a> sino <em>kairos</em><a href="#_ftn10" id="_ftnref10">[10]</a>) para que se cumpliese la dispensación del Evangelio, se había acercado a la tierra con la sola presencia del Salvador del mundo, un tiempo que se había estado esperando por los buenos israelitas, como el viejo Simeón que cuando movido por Espíritu Santo fue al Templo, y tomó en sus manos al niñito Jesús exclamó:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>29&nbsp;&nbsp; Ahora, Señor, despides a tu siervo en paz,&nbsp;<br>Conforme a tu palabra;&nbsp;<br>30&nbsp;&nbsp; Porque <u>han visto mis ojos tu salvación</u>,&nbsp;<br>31&nbsp;&nbsp; La cual has preparado <u>en presencia de todos los pueblos</u>;&nbsp;<br>32&nbsp;&nbsp; <u>Luz para revelación a los gentiles,<br>Y gloria de tu pueblo Israel.</u></em></strong><strong><em></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Tres cuestiones importantes expresó el viejo Simeón:</p>



<ol class="wp-block-list" style="list-style-type:lower-roman">
<li>Cristo es la salvación del pecado del género humano (Juan 1:29)</li>



<li>El Padre había propiciado esta salvación (no el hombre, ni ninguna agencia), y lo había hecho no solo para Israel, sino para todo el mundo (Juan 3:16)</li>



<li>Había llegado la luz espiritual para los gentiles que andaban sin Dios y sin esperanza en el mundo (Efesios 2:11-22), y este hecho fue la gloria de Israel pues de allí precisamente vino la salvación (Juan 4:22), referencia resumida a las palabras proféticas pronunciadas por Jacob antes de su muerte. (Génesis 49:10)</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">El tiempo del establecimiento del Reino de Jesucristo había llegado por fin a la tierra, y para desmentir creencias de un reino físico, material, como Jesús mismo aclaró a sus atribulados y dudosos discípulos en Hechos 1:6-8 cuando lo que más ellos necesitaban en ese momento era <em>poder</em> para la misión que les esperaba.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Hechos 1:6 Entonces los que se habían reunido le preguntaron, diciendo: Señor, ¿restaurarás <u>el reino</u> a Israel en este tiempo?&nbsp;<br>7 Y les dijo: No os toca a vosotros saber los tiempos o las sazones, que el Padre puso en su sola potestad;&nbsp;<br>8 pero recibiréis poder, cuando haya venido sobre vosotros el Espíritu Santo, y me seréis testigos en Jerusalén, en toda Judea, en Samaria, y hasta lo último de la tierra.</em></strong><strong><em></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">El Salvador aclaró además a los fariseos que le hicieron una pregunta similar (no solo para saber porque ellos no entendían nada de la misión del Señor, sino también para tentarle), en Lucas 17:20-21, escritura que reza:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>20 Preguntado por los fariseos, cuándo había de venir el </em></strong><strong>reino de Dios<em>, les respondió y dijo: El reino de Dios no vendrá con advertencia,&nbsp;<br>21 ni dirán: Helo aquí, o helo allí; porque he aquí el reino de Dios está entre vosotros.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Las palabras del Maestro encierran una verdad muy grande, algo que cambió la historia dándole un ritmo salvador, de esperanza y de gozo al expresar que su Reino había llegado y estaba precisamente entre la gente ¡Gloria a Dios! Que su Reino tiene carácter espiritual, porque es establecido en los corazones de los hombres de fe, allí donde la paz y el gozo pueden transformar las vidas, allí donde Él puede llegar para dar justicia, regeneración, propiciación, adopción, reconciliación, redención y santificación, pilares todos de la salvación del hombre (Figura 6)</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="991" height="540" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-833.png" alt="" class="wp-image-148491" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-833.png 991w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-833-300x163.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-833-768x418.png 768w" sizes="(max-width: 991px) 100vw, 991px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 6. Pilares de la salvación (<em>El autor</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Pablo, el Apóstol de los gentiles, arrojó mucha luz sobre este particular cuando dijo en Romanos 14:17 y 1 Corintios 15:50:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Romanos 14:17…porque el <u>reino de Dios</u> no es comida ni bebida, sino justicia, paz y gozo en el Espíritu Santo.</em></strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>1 Corintios 15:50 Pero esto digo, hermanos: que la carne y la sangre no pueden heredar el <u>reino de Dios</u>, ni la corrupción hereda la incorrupción.&nbsp;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Aquí Pablo recalca la inmaterialidad del Reino de Cristo, el cual no es comer y beber, lo cual implica cuestiones meramente materiales, o sea necesidades físicas del hombre que se pueden resolver fácilmente comiendo o bebiendo alguna cosa, sino que consiste en cuestiones y dones espirituales, que ninguno puede dar a menos que crea en el Señor Jesucristo y su Reino, cuestiones estas que son justicia, paz y gozo en el Espíritu Santo. Además el Reino no es habitación de carne, ni sangre, ni tampoco de corrupción. Los hombres, sin saberlo, muchas veces procuran alimentar sus almas con mucha mundanalidad, pero nada pueden hacer para calmar sus espíritus y se diluyen es muchas concupiscencias y pecados; y es que el alma del hombre solo puede ser alimentada y sostenida por Dios, quien la creó y la quiere salvar buscándole un especial refugio: <em>El Reino de Cristo</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Otra cita que explica que este Reino es una realidad presente es Colosenses 1:12-14:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Colosenses 1:12 con gozo dando gracias al Padre que nos hizo aptos para participar de la <u>herencia de los santos en luz</u>;&nbsp;<br>13 el cual nos ha librado de la potestad de las tinieblas, y trasladado al <u>reino de su amado Hijo</u>,&nbsp;<br>14 en quien tenemos redención por su sangre, el perdón de pecados.</em></strong><strong><em></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Y el Apóstol Pedro también nos aclara:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>9 <u>Más vosotros sois linaje escogido, real sacerdocio, nación santa, pueblo adquirido por Dios</u>, para que anunciéis las virtudes de aquel que os llamó de las tinieblas a su luz admirable;&nbsp;<br>10 vosotros que en otro tiempo no erais pueblo, pero que ahora sois pueblo de Dios; que en otro tiempo no habíais alcanzado misericordia, pero ahora habéis alcanzado misericordia.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Estos versos nos aclaran que debemos dar gracias a Dios por habernos escogido para redención, ya que nos trasladó del reino de las tinieblas del pecado al Reino de Jesús, Su Amado Hijo, por ello somos un linaje escogido, adquirido por el Dios de misericordia y amor, para que estando en esa bendición podamos anunciar al mundo las virtudes de quien nos llamó a su eterna luz, haciendo un pueblo especial, un reinado de gente santa, como dijera en Éxodo 19:5-6 y se ratificara en Tito 2:14.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Y también Juan, el teólogo, dice en Apocalipsis 1:9ª:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Apocalipsis 1:9 Yo Juan, vuestro hermano, y copartícipe vuestro en la tribulación, <u>en el reino</u> y en la paciencia de Jesucristo,…</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De acuerdo a este verso, Juan nos sitúa junto con él participando del Reino de Jesucristo ahora. Todos estos versos y muchísimos más son decisivos en la verdad que estamos desarrollando: <em><u>El Reino de Cristo fue implantado en la dispensación del Evangelio de paz por lo que Cristo tiene un reino, una agencia donde mora, rige y gobierna. ¡Gloria al Señor!</u></em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CAPITULO 2. ACTUALIDAD DEL REINO DE CRISTO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1.&nbsp;&nbsp; Introducción</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Muchas profecías que predican el <em>milenio</em> <a href="#_ftn11" id="_ftnref11">[11]</a>, o período de 1 000 años, apuntan a que Jesucristo implantará su reinado en una etapa posterior a esta dispensación. Existen varias teorías al respecto, las cuales se muestran en la Figura 7. La teoría Premilenialismo Post-tribulacional enseña que el <em>milenio</em> sucederá después de la segunda venida de Cristo y antes del juicio final, la Pre-tribulacional (dispensacional) afirma que sucederá el rapto de la novia- Iglesia, luego un período de tribulación en la tierra, después la segunda venida de Cristo con su ya esposa- Iglesia (boda que se realizó previamente en el cielo), entonces sitúa el <em>milenio</em> antes del juicio final. La Post-milenialista lo señala justo antes de la segunda venida de Cristo, sucediendo el juicio final junto a la segunda venida de Cristo después de este período, y por último la teoría amilenialista que lo trata como un tiempo simbólico antes de la segunda venida de Cristo, la cual sucedería al mismo tiempo que el juicio final.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="749" height="565" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-834.png" alt="" class="wp-image-148492" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-834.png 749w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-834-300x226.png 300w" sizes="(max-width: 749px) 100vw, 749px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 7. Teorías acerca del milenio (<em>Mario Revel</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Es la Teoría Pre-tribulacional (dispensacional) la que abunda entre el Denominacionalismo<a href="#_ftn12" id="_ftnref12">[12]</a>, y se explica en la Figura 8.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="990" height="617" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-835.png" alt="" class="wp-image-148493" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-835.png 990w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-835-300x187.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-835-768x479.png 768w" sizes="(max-width: 990px) 100vw, 990px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Figura 8. Teoría Pre-milenialista predicada por la mayoría de las Congregaciones denominacionalistas (Ver Anexo 2 para la explicación del paquete doctrinal escatológico que estas predican)<em> (el autor)</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2. ¿Un Reino milenario?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">El punto de vista de la Iglesia de Dios respecto al milenio señala este tiempo como los alrededor de mil años que el Catolicismo romano (Bestia de Apocalipsis 13:1-10) estuvo reinando en la escena religiosa mundial sin oposición (530 d.C., efervescencia del Catolicismo Romano hasta 1530 d.C., comienzo del tiempo del Protestantismo o Imagen de la Bestia, Apocalipsis 13:11-18) El afirmar que Cristo tiene un Reino ahora sería un golpe bajo a esta doctrina milenarista, que por demás es una doctrina relativamente nueva al igual que el rapto de la Iglesia, los dos juicios (de recompensas y condenación), el Armagedón, las bodas de Cristo con su Iglesia en el cielo, el afirmar que Cristo tiene actualmente una Iglesia-novia, y la Gran Tribulación. Todas estas doctrinas conforman un paquete doctrinal de tal manera que el desmentir una de ellas todas pierden su sostén de verdad (Ver Anexo 2) Ellos esperan un reinado milenial donde Cristo se sentaría en el trono de David en un Tercer Templo, y sometería a todos los reyes de la tierra (Figura 9), lo cual no tiene basamento bíblico toda vez que el Capítulo 20 de Apocalipsis expresa sí ciertos eventos, pero en el orden simbólico.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="853" height="543" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-836.png" alt="" class="wp-image-148494" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-836.png 853w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-836-300x191.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-836-768x489.png 768w" sizes="(max-width: 853px) 100vw, 853px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 9. Maqueta del Tercer Templo <em>Milenial </em>de Jerusalén que se exhibe en museo en esa ciudad (<em>Acontecer</em> <em>cristiano</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">La Figura 10 muestra la posición de la Iglesia de Dios respecto a este tema:,</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1011" height="532" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-837.png" alt="" class="wp-image-148495" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-837.png 1011w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-837-300x158.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-837-768x404.png 768w" sizes="(max-width: 1011px) 100vw, 1011px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 10. El milenio: posición de la Iglesia de Dios (<em>el autor</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">La Figuras 11, 12 y 13 explican el significado espiritual de Apocalipsis 20, escritura simbólica que se toma literalmente por el mundo denominacional.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="924" height="506" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-838.png" alt="" class="wp-image-148496" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-838.png 924w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-838-300x164.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-838-768x421.png 768w" sizes="(max-width: 924px) 100vw, 924px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 11. Explicación de Apocalipsis 20 (I) <em>(Alex Figueroa)</em></strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1003" height="540" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-839.png" alt="" class="wp-image-148497" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-839.png 1003w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-839-300x162.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-839-768x413.png 768w" sizes="(max-width: 1003px) 100vw, 1003px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 12. Explicación de Apocalipsis 20 (II)<em> (Alex Figueroa)</em></strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1015" height="368" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-840.png" alt="" class="wp-image-148498" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-840.png 1015w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-840-300x109.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-840-768x278.png 768w" sizes="(max-width: 1015px) 100vw, 1015px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 13. Explicación de Apocalipsis 20 (III)<em> (Alex Figueroa)</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3. &nbsp;Evidencias de que Cristo tiene un Reino</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A continuación, algunas de las principales evidencias de que Cristo tiene un reino ahora, las que se muestran en la Tabla 2.</p>



<figure class="wp-block-table"><table><tbody><tr><td><strong>No.</strong><strong></strong></td><td><strong>EVIDENCIA</strong><strong></strong></td><td><strong>CITA BÍBLICA</strong><strong></strong></td><td><strong>COMENTARIO</strong><strong></strong></td></tr><tr><td>1</td><td>Cristo nació Rey</td><td>Mateo 2:1-2</td><td>No fue por disposición legal, no por herencia.</td></tr><tr><td>2</td><td>Aseveración ante Pilato</td><td>Juan 18:36,37</td><td>Cristo afirmó que la naturaleza de su reino no es terrena, más espiritual, que había nacido precisamente con el objetivo de ser Rey, además le expresó a Pilato que este había afirmado precisamente esa verdad.</td></tr><tr><td>3</td><td>Episodio con Natanael</td><td>Juan 1:47-51</td><td>En este bello episodio, Natanael expresa con vehemencia que Cristo es Rey, y el Hijo de Dios, afirmación muy especial y estupenda, tras comprobar su omnisciencia.</td></tr><tr><td>4</td><td>Episodio de la entrada triunfal en Jerusalén</td><td>Juan 12:12-15</td><td>Este episodio es concluyente cuando las gentes que le recibieron en la ciudad le identificaron como el Rey de Israel, cumpliéndose lo dicho por el profeta Zacarías en 9:9.</td></tr><tr><td>5</td><td>Predicción de la venida del Rey</td><td>Isaías 33:22</td><td>Isaías predijo su venida, oficio y trabajo. El apóstol Pablo dijo que es ahora es el día de salvación (2 Corintios 6:2)</td></tr><tr><td>6</td><td>Afirmación del Apóstol Juan</td><td>Apocalipsis 1:5, 17:14</td><td>Cristo es Rey de reyes. Él está por encima de todos los reyes de la tierra.</td></tr><tr><td>7</td><td>Afirmación del Apóstol Pablo a Timoteo</td><td>1 Timoteo 6:14-15</td><td>Cristo es Rey ahora y al vencer y sentarse a la diestra del Padre esta verdad se hacía más amplia y comprensible.</td></tr><tr><td>8</td><td>Testimonio de Pedro</td><td>Hechos 2:29-36</td><td>Dios levantó a Jesús para ser príncipe de paz y vida.</td></tr><tr><td>9</td><td>Testimonio del escritor del libro a los Hebreos</td><td>Hebreos 2:9</td><td>Jesús fue coronado de honra y de gloria.</td></tr><tr><td>10</td><td>Afirmación del apóstol Pablo a los efesios</td><td>Efesios 1:20-23</td><td>El Padre lo puso sobre todo principado y autoridad y poder y señorío.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tabla 2. Algunas evidencias de la actualidad del Reino de Cristo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.4.&nbsp; Importancia de la muerte y resurrección de Cristo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumen</strong><em>: </em>En el sacrificio de la crucifixión de Jesús se nos muestra la profundidad del amor de Dios por nosotros (Romanos 5:8) y las benditas medidas tomadas por el Padre para salvarnos de nuestros pecados (Hebreos 1:1-4) Y en la resurrección de Jesús vemos el triunfo de Dios sobre la muerte (Juan 11:25), señalando la promesa de la vida eterna en la presencia de Dios (Juan 3:16-17) Así, con su muerte, Cristo destruyó al diablo que tenía poder para traer al hombre la muerte espiritual y el pecado (1 Corintios 15:26) La resurrección de Jesús, por otro lado, hizo nula la victoria del sepulcro y dejó sin efecto la muerte misma, haciendo posible la salvación plena de todos nuestros pecados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">El pecado nos aleja de Dios<strong>. </strong>Desde que Adán y Eva dieron la espalda a Dios en el jardín del Edén (Génesis 3), los seres humanos hemos sido corrompidos por el pecado (Romanos 5:12-21) Ignoramos lo que Dios quiere porque preferimos hacer lo que queremos (Egocentrismo<a href="#_ftn13" id="_ftnref13">[13]</a>) Ponemos nuestro corazón en acumular poder y riqueza para nosotros mismos, y no cuidamos bien lo que Dios nos da. Estamos demasiado oscurecidos por nuestros pecados para encontrar el camino de vuelta a Dios por nosotros mismos. Y la regia justicia de Dios exige que haya un precio por nuestros pecados y yerros (Isaías 53:11)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sin embargo, a pesar de nuestros yerros, Dios nos ama y quiere que nos reunamos con Él. Jesús, el Hijo de Dios, vino a la tierra para hacer posible nuestra reconciliación con Dios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">En los tiempos del AT, el pueblo de Israel seguía un sistema de sacrificios para pagar la deuda por sus pecados. Las leyes de Dios determinaban qué tipos de sacrificios se requerían para expiar los diferentes pecados. La mayoría de los sacrificios vivos debían ser animales perfectos y sin mancha (Levítico 1:2-4, 10)</p>



<p class="wp-block-paragraph">En el Nuevo Testamento, Jesús, el Hijo de Dios, vino a la tierra para reunirnos con Dios mediante el máximo sacrificio: su propia vida (Hebreos 9:1-14)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nunca podríamos llevar una vida digna de Dios por nosotros mismos, debido a nuestra naturaleza pecaminosa (Romanos 3:9-18) Por ello, Jesús vivió una vida sin pecado por nosotros. Y luego murió la dolorosa muerte que nuestros pecados merecían (Filipenses 2:8) Juan 3:17 dice: &#8220;<em>Dios no envió al Hijo al mundo para condenar al mundo, sino para que el mundo se salve por él</em>&#8220;. Al sacrificarse por nosotros en la cruz, asumió el castigo de todos nuestros pecados a la vez. Esto le convirtió en el sacrificio definitivo, satisfaciendo de una vez por todas las exigencias de la justicia de Dios. Por eso llamamos a Jesús &#8220;<em>Cordero de Dios</em>&#8221; (Juan 1:29) Fueron dos las obras maravillosas que este sacrificio trajo al hombre: <em>la salvación de nuestros pecados cometidos y la santificación de nuestras vidas que arranca de raíz la semilla del pecado adámico (Anexo 3)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Gracias al sacrificio de Jesús en la cruz, nuestras vidas ya nunca serán iguales. Este regalo o don que se nos ha procurado nunca nos lo podrán quitar, nunca perderá su poder, y nunca dejará de existir. La nueva vida en Cristo es el mejor regalo que podemos recibir (Efesios 4:20-32)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Es imposible disociar la idea de salvación del concepto del Reino de Dios.&nbsp;Entrar en el Reino de Dios expresa precisamente la realidad de ser redimidos por Cristo y habitados por el&nbsp;Espíritu Santo&nbsp;.&nbsp;Así que nadie puede entrar en el Reino de Dios por sus propios méritos, es necesario experimentar una nueva vida (Juan 3:3)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Los discípulos no entendieron la íntima conexión entre la salvación y el Reino de Dios.&nbsp;Cuando Jesús dijo que&nbsp;<em>es más fácil que un camello pase por el ojo de una aguja&nbsp;que un rico entre en el Reino de Dios</em>, inmediatamente preguntaron:&nbsp;<em>“¿Entonces quién podrá salvarse?”.&nbsp;</em>(Marcos 10:25-26).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entonces Jesús con su muerte y resurrección adquirió un pueblo el cual compró con su sangre. Ese pueblo le sirve y le tiene como rey de sus corazones porque allí es donde Él en gobierna y está en control (Apocalipsis 1:10-20) Cristo compró una Iglesia (Mateo 16:18), <em>los llamados a salir</em>. Un coro que forma parte de la liturgia de la Iglesia de Dios reza:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>Aleluya que el Reino de Dios entre nosotros está,</em></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>Aleluya que el Reino de Dios es justicia es gozo y es paz</em></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>En el Espíritu Santo que enseña toda la verdad,</em></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>//El Reino es la Iglesia de Dios, es la Iglesia de la Santidad//</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.5.&nbsp; Sobre la identidad del Reino</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">El Reino de Dios es básicamente el dominio, reinado o soberanía de Dios sobre todo.&nbsp;La doctrina del Reino de Dios impregna toda la Biblia.&nbsp;Por lo tanto, es necesario entender que la expresión “Reino de Dios” trae consigo un concepto muy amplio, cuyo sentido debe entenderse a la luz del contexto de toda Escritura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Las profecías sobre el Reino de Dios están presentes desde el AT.&nbsp;Pero es en el NT donde el mensaje sobre el Reino de Dios se desarrolla de manera aún más clara, siendo principalmente el tema más frecuente de la predicación de Jesús.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algunas personas tratan de aplicar diferentes significados a las designaciones &#8220;Reino de Dios&#8221; y &#8220;Reino de los Cielos”. La expresión “Reino de los Cielos” aparece treinta y cuatro veces en el&nbsp;Evangelio de Mateo&nbsp;;&nbsp;mientras que la expresión “Reino de Dios” aparece sólo cinco veces.&nbsp;Los otros tres Evangelios hacen uso frecuente de la expresión “Reino de Dios”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Además, en varios pasajes donde Mateo usa la designación “Reino de los Cielos”, los textos paralelos de Marcos, Lucas y Juan usan la designación “Reino de Dios”.&nbsp;Mateo mismo usó las dos expresiones juntas indistintamente (Mateo 19:23,24).&nbsp;Por lo tanto, las designaciones “Reino de Dios”, “Reino de los Cielos” o simplemente “Reino” son sinónimos (cf. Mateo 5:3; Lucas 6:20)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hay una sugerencia que se usa a menudo para explicar por qué Mateo usa &#8220;Reino de los cielos&#8221; en lugar de &#8220;Reino de Dios&#8221;.&nbsp;Esta explicación dice que&nbsp;Mateo&nbsp;usa la expresión “Reino de los Cielos” porque él era un judío que escribía a judíos.&nbsp;Era costumbre de los judíos usar el nombre de Dios lo menos posible, ya que lo consideraban muy sagrado.&nbsp;Entonces Mateo respetó esta tradición y habló del &#8220;Reino de los Cielos&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por otro lado, la expresión “Reino de los Cielos” quizás no era tan inteligible para los gentiles como “Reino de Dios”.&nbsp;Así que esa podría ser la razón por la cual Marcos, Lucas y Juan usan esa expresión en lugar de &#8220;Reino de los Cielos&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">El concepto del Reino de Dios puede trabajarse tanto de manera más amplia como más estrecha;&nbsp;tanto en su sentido más general como en el más específico.&nbsp;Como se ha dicho, su significado general habla del reinado eterno y soberano de Dios sobre todos.&nbsp;De principio a fin, la Biblia muestra a Dios como el Rey supremo que gobierna sobre todas las cosas (cf. Salmo 103:19; 113:5; Daniel 4:34,35; Mateo 5:34; Efesios 1:20; Colosenses 1:16; Hebreos 12:2; Apocalipsis 7:15; etc.)</p>



<p class="wp-block-paragraph">El Reino de Dios, en su acepción más restringida, habla de todo lo que implica la acción soberana de Dios en la redención de su pueblo.&nbsp;Por lo tanto, el concepto de &#8220;Reino de Dios&#8221; incluye la obra de Cristo, la realidad presente de la Iglesia y las bendiciones de la salvación, y la consumación de todas las promesas en la bienaventuranza eterna en el universo redimido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aunque Dios gobierna el universo entero soberanamente desde su trono (Salmo 11:4, Habacuc 2:20), debido al&nbsp;pecado&nbsp;la humanidad caída se niega a reconocer el gobierno de Dios.&nbsp;Desde el comienzo de la historia del mundo, los malvados se han levantado en rebelión contra el Reino de Dios.&nbsp;Pero que un día llegará a su fin.&nbsp;El Reino de Dios durará para siempre y toda oposición caerá en eterna ruina (Isaías 9:6-7)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pero según las Escrituras, todo esto implica un largo proceso histórico.&nbsp;El compromiso con el Reino de Dios se llevó a cabo por primera vez en el linaje piadoso de&nbsp;Set&nbsp;, que culminó con la obediencia de&nbsp;Noé (Génesis 6 y 7)&nbsp;Después, en una nueva etapa, se mantuvo con&nbsp;Abraham&nbsp;y su simiente, la cual es Cristo (Génesis 12:1-3;15:4-6, Gálatas 3:16)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entonces es posible decir que en el Antiguo Testamento la revelación del Reino de Dios estaba limitada al pueblo de Israel.&nbsp;Mientras tanto, las demás naciones estaban en tinieblas y en completa rebelión contra Dios (Efesios 2:11-12)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pero había un propósito mucho más amplio;&nbsp;el Reino de Dios no estaría restringido sólo al pueblo de Israel ¡Gloria a Dios!&nbsp;Esa fue solo una etapa temporal que daría paso a una nueva etapa, una etapa final y superior del Reino de Dios (Efesios 2:13-22)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por eso los profetas anunciaron la expansión del Reino de Dios sobre toda la tierra, donde judíos y gentiles se unirían en total entrega y obediencia a Dios, cuyo reino nunca terminaría (cf. Génesis 17:17-20; 18:18; 1 Crónicas 16:23-36; Salmo 67; 97; Isaías 52:7-15; Malaquías 4; Romanos 4:13-17, Efesios 2:12-22)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cuando Cristo se encarnó en este mundo, marcó el comienzo de la etapa final del Reino de Dios (Mateo 3:2-3)&nbsp;Él es el Mesías davídico, el Rey elegido que trajo el Reino de Dios a la tierra de una manera sin precedentes.&nbsp;Por eso,&nbsp;Juan el Bautista&nbsp;, el heraldo del Mesías, y el mismo Jesús, anunciaron con firmeza que el Reino de los Cielos había llegado, trayendo gracia y juicio (Mateo 3:2-12; 4:17).&nbsp;Pero como es claro, el Reino de Dios se desarrolla de tal manera que alcanzará su pleno cumplimiento al final de los tiempos (1 Corintios 15:24-28)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Las actividades narradas de Jesús, al sanar las enfermedades, expulsar los demonios, enseñar una nueva ética de vida y ofrecer una nueva esperanza en Dios al más pobre, se entiende como una demostración que el Reino está en acción. Tener al Mesías, el Rey de los judíos, entre ellos, es un aspecto de este Reino: el Rey había llegado para representar su Reino. Por su vida sin pecado y mediante sus milagros estaba demostrando a los judíos como es el Reino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jesús dio mucha importancia a este tema, como se puede ver en el Padrenuestro, donde es el segundo asunto más importante en esa oración.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Mateo 6:9</em></strong><strong><em> Vosotros, pues, oraréis así: Padre nuestro que estás en los cielos, santificado sea tu nombre.<br></em></strong><strong><em>10</em></strong><strong><em> <u>Venga tu reino</u>. Hágase tu voluntad, como en el cielo, así también en la tierra.</em></strong><strong><em></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">En el presente hablamos del Reino de Dios en su presente continuación en la Iglesia de Dios.&nbsp;Al respecto, W. Hendriksen <a href="#_ftn14" id="_ftnref14">[14]</a>habla del Reino de Dios como el dominio del Señor reconocido en el corazón y activo en la vida de su pueblo.&nbsp;Entonces este concepto involucra las bendiciones de la salvación para aquellos que reconocen el señorío de Cristo.&nbsp;Los ciudadanos del reino son aquellos que han sido arrancados del reino de las tinieblas al Reino de Cristo (Colosenses 1:13, 1 Pedro 2:9-10)</p>



<p class="wp-block-paragraph">También es cierto que el Reino de Dios se desarrolla de manera misteriosa durante la era&nbsp;evangélica&nbsp;(Mateo 13:19-52; Marcos 4:30)&nbsp;Aún en este aspecto presente, y a través de su vida y testimonio, la Iglesia de Dios está llamada a hacer visible el Reino de Dios.&nbsp;Además,&nbsp;los milagros de Jesús&nbsp;, obrados por el poder del Espíritu Santo, sirvieron como evidencia de la venida del Reino de Dios (Mateo 12:28)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por tanto, el Reino de Dios en esta última etapa, en su aspecto presente, fue inaugurado por Cristo (Mateo 2:2; 4:23; 9:35; 27:11; Marcos 15:2; Lucas 16:16; 23: 3; Juan 18:37).&nbsp;Ahora está en pleno apogeo en la Iglesia de Dios (Mateo 24:14; Romanos 14:16,17; 1 Corintios 4:19,20; Colosenses 4:11)</p>



<p class="wp-block-paragraph">El Reino de Dios también se refiere al cambio de corazón o mente (<em>metanoia</em>) por parte de los cristianos, dando énfasis a la naturaleza espiritual de su Reino al decir que «<em>el Reino de los Cielos está dentro de vosotros mismos</em>» (Lucas 17:21) Esta frase puede también traducirse, sin embargo, «<em>el reino de los cielos está en medio de vosotros</em>.»</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jesús usó el lenguaje del &#8220;Reino de Dios&#8221; de una forma que se contrapone con los revolucionarios judíos del siglo I, llamados zelotes<a href="#_ftn15" id="_ftnref15">[15]</a>, que creían que el Reino era una realidad política que llegaría con una revuelta violenta contra la dominación romana, reemplazada por una teocracia judía.</p>



<p class="wp-block-paragraph">En los Evangelios canónicos, Jesús de Nazaret invita a todos los hombres a entrar en el Reino de Dios; aun el peor de los pecadores es llamado a convertirse y aceptar la infinita misericordia del Padre. El Reino pertenece, ya aquí en la tierra, a quienes lo acogen con corazón humilde. A ellos les son revelados los misterios del Reino de Dios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">El Reino de Dios continuará en progreso hasta que alcance su manifestación final y plena&nbsp;cuando Cristo regrese&nbsp;en gloria por segunda y última vez.&nbsp;Sí, en un aspecto el Reino de Dios ya está aquí, pero en otro aspecto aún está por venir.&nbsp;Es algo presente, pero también es algo futuro (Mateo 7:2-22; 25:34; 26:29).&nbsp;Por eso&nbsp;Jesucristo&nbsp;habla del Reino como herencia preparada para los santos (Mateo 25:34)</p>



<p class="wp-block-paragraph">El Reino de Dios, que en esta última etapa presente se extiende a todos los pueblos y naciones, pronto será consumado (1 Corintios 15:50-58; Apocalipsis 11:15)&nbsp;El día en que esto sucederá está decretado por Dios mismo, pero es desconocido para los hombres (Hechos 1:7)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Conclusión</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Hablar del Reino de Dios es hablar del mensaje mismo de las Escrituras.&nbsp;En su Comentario al NT, W. Hendriksen sintetiza de manera muy didáctica el concepto bíblico del Reino de Dios en la enseñanza de Jesús, que se reproduce a continuación con algunas adaptaciones:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>El Reino de Dios es el gobierno o soberanía reconocido de Dios (Mateo 6:10)</li>



<li>El Reino de Dios implica la salvación completa. En otras palabras, el Reino de Dios incluye todas las bendiciones materiales y espirituales que vienen cuando Dios es reconocido y obedecido como el Rey de nuestros corazones (Mateo 10:25,26)</li>



<li>La Iglesia de Dios es la comunidad de personas en cuyo corazón se reconoce a Dios como Rey y Señor. Así que hay un sentido específico en el que el Reino de Dios y la Iglesia son expresiones equivalentes. Esto explica la promesa de Jesús cuando habla del liderazgo y del fundamento apostólico en la edificación de la Iglesia: <em>&#8220;A ti te daré las llaves del reino de los cielos&#8221;</em> (Mateo 16:19)</li>



<li>El Reino de Dios habla también de eterna bienaventuranza; habla de la vida eterna en el cielo con todo su esplendor. Este es el significado futuro del Reino que expresa la realización final del poder salvador de Dios (Mateo 25:34)</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Conclusivamente podemos observar uniformemente en todos los textos analizados hasta aquí que no es para un futuro, sino ahora, que Cristo al levantarse de los muertos, sentarse a la diestra del Padre en las alturas sobre todo principado y potestad, poderío y dominio, sobre todo nombre que se nombra, sobre todas las cosas y dado por cabeza sobre la Iglesia, es constituido Rey fuerte y eterno sobre todas las cosas. Nada hay más claro en este sentido. Un rey, presupone un reino, y ese es Cristo y su Iglesia, en las dos fases, tierra hoy y cielos mañana cuando Él regrese a buscarla.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Hebreos 1:8 Más del Hijo dice: <u>Tu trono, oh Dios, por el siglo del siglo;&nbsp;<br>Cetro de equidad es el cetro de tu reino.<br></u>9 Has amado la justicia, y aborrecido la maldad,&nbsp;<br>Por lo cual te ungió Dios, el Dios tuyo,&nbsp;<br>Con óleo de alegría más que a tus compañeros.<br>10 Y tú, oh Señor, en el principio fundaste la tierra,&nbsp;<br>Y los cielos son obra de tus manos.&nbsp;<br>11 Ellos perecerán, más tú permaneces;&nbsp;<br>Y todos ellos se envejecerán como una vestidura,&nbsp;<br>12 Y como un vestido los envolverás, y serán mudados;&nbsp;<br>Pero tú eres el mismo,&nbsp;<br>Y tus años no acabarán.<br>13 Pues, ¿a cuál de los ángeles dijo Dios jamás:&nbsp;<br>Siéntate a mi diestra,&nbsp;<br>Hasta que ponga a tus enemigos por estrado de tus pies?</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.6&nbsp;&nbsp; El Jinete del caballo blanco en Apocalipsis</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">La cita de Apocalipsis 19:11-16 nos acerca a la identidad del Rey de Reyes, Jesucristo:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>11 Entonces vi el cielo abierto; y he aquí un caballo blanco, y el que lo montaba se llamaba Fiel y Verdadero, y con justicia juzga y pelea. <br>12 Sus ojos eran como llama de fuego, y había en su cabeza muchas diademas; y tenía un nombre escrito que ninguno conocía sino él mismo. <br>13 Estaba vestido de una ropa teñida en sangre; y su nombre es: EL VERBO DE DIOS. <br>14 Y los ejércitos celestiales, vestidos de lino finísimo, blanco y limpio, le seguían en caballos blancos. <br>15 De su boca sale una espada aguda, para herir con ella a las naciones, y él las regirá con vara de hierro; y él pisa el lagar del vino del furor y de la ira del Dios Todopoderoso.<br>16 Y en su vestidura y en su muslo tiene escrito este nombre: <u>REY DE REYES Y SEÑOR DE SEÑORES</u>.</em></strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="795" height="482" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-841.png" alt="" class="wp-image-148499" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-841.png 795w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-841-300x182.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-841-768x466.png 768w" sizes="(max-width: 795px) 100vw, 795px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 14. El Jinete del caballo blanco (<em>Noticias del Chaco</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este pasaje, como casi todos los del libro de Revelaciones está lleno de un grande simbolismo. Que el cielo esté abierto significa que iba a salir de allí, o sea de un origen divino alguien poderoso y con una grande misión divina. El caballo significa poder para pelear contra las huestes de Satanás, pero lo blanco del color apunta a su Santidad. Ahora se detallan características propias del jinete, el cual, como aseguramos, es el Señor Jesucristo. Veamos:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Nombre: Fiel y Verdadero.- El jinete destaca por su fidelidad y la verdad que representa.</li>



<li>La pelea de Él es con justicia, o sea inclinado a obrar y juzgar respetando la verdad de Dios, y dando a cada uno lo que le corresponde de acuerdo a sus actos. Es necesario destacar que el jinete estaba preparado para la lucha espiritual contra sus enemigos.</li>



<li>Ojos como llama de fuego.- Nos traslada a la penetrante visión espiritual del jinete, con una mirada que penetra para reconocer la verdad y los que son de la verdad.</li>



<li>Cabeza con muchas diademas.- Estaba adornada su cabeza con muchas coronas que no solo le adornaban, sino más bien son símbolo de nobleza o dignidad, y de victorias alcanzadas. El jinete era de gran realeza y reinado.</li>



<li>Nombre que nadie conocía, sino Él mismo.- Puede referirse a: (a) Aspectos de la naturaleza de Cristo no revelados y por eso no entendidos por el hombre (Mateo 11:27), (b) al hecho de que el nombre de Cristo “es sobre todo nombre” (Filipenses 2:9), y que ningún hombre puede conocer (experimentar u ocupar) tal posición de autoridad y poder. Nadie posee su poder. Amén.</li>



<li>Vestidura de ropa teñida en sangre.- Nos habla del sacrificio que como Cordero de Dios hizo para redimirnos del pecado (Juan 1:29)</li>



<li>Nombre: El Verbo de Dios.- Juan 1:1. Este verso ya fue comentado en el Capítulo 1.</li>



<li>Los ejércitos celestiales le seguían en caballos blancos.- La vestidura de estos “<em>ejércitos celestiales</em>” era blanca, lo que habla de santidad y pureza, y los pasajes tales como Apocalipsis 3:5; 6:11; 19:8; 17:14; Filipenses 3:20, sugieren que son compuestos de los santos, quienes siguen a Cristo en la pelea espiritual victoriosa contra las dos bestias de Apocalipsis 13. Pero, tales pasajes como Daniel 7:10; Mateo 26:53; Mateo 2:1-23, 1 Tesalonicenses 1:7; apuntan a la conclusión de que son seres celestiales. De todos modos es un cuadro simbólico de fuerzas de justicia, dirigidas por Cristo el Victorioso, en una batalla espiritual contra las fuerzas del mal,  Apocalipsis 14:1,  14:20;  17:14; Salmo 68:17; Salmo 149:6-9; Zacarías 14:5; Mateo 26:53; 2 Tesalonicenses 1:7; Judas 1:14.</li>



<li>De su boca sale una espada aguda.- La Palabra de Dios es lo que Él habla; es una espada de dos filos de la que se habla en Apocalipsis 1:16.</li>



<li>Hiere con la espada a las naciones.- Puede ser una declaración general del juicio o una referencia a los ejércitos espirituales de maldad de la tierra al ser «<em>vencidos y</em> <em>muertos con la espada</em>» por Él (Apocalipsis 19:21). Cristo regirá con vara de hierro en cumplimiento de las profecías mesiánicas en el Salmo 2:8, Salmo 2:9; Isaías 11:4.</li>



<li>Furor e ira es lo único que les espera a los enemigos de la Verdad. (Considérese Rom 11:22) Cristo es quien pisa el lagar del vino del furor y de la ira de Dios Todopoderoso, o sea como lagar donde se pisan las uvas para extraer el jugo de ellas, así también Cristo pisa el lagar de la ira de Dios para que salga puro esa ira y furor contra la mentira y el error. Indica no solamente su poder absoluto sobre el enemigo, sino también que Él es el Gran Juez de las naciones. Véase Judas 1:14-15.</li>



<li>Y en su vestidura y en su muslo tiene escrito este nombre: REY DE REYES Y SEÑOR DE SEÑORES. He aquí la completa y clara identidad del jinete del caballo blanco. Él es el Rey sobre todo rey, y Señor sobre todo señor. Su reinado es sobre todo reinado y su señorío sobre todo señorío. Es Nuestro Señor Jesucristo.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CAPÍTULO 3. CRISTO Y EL TRONO DEL REY DAVID</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1. Profecías falsas sobre el trono de David</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Los defensores del reino milenario de Cristo pretenden demostrar que Cristo no reina en estos momentos, o sea que no está sentado en el trono de los corazones de los redimidos donde Él es Señor y Rey, guiando las almas del Israel de Dios (Gálatas 6:16) Esto lo atestiguan dado que la Palabra dice que Cristo se sentaría en el trono de David; pero esto lo hace de forma simbólica, siendo el rey David un tipo de Cristo (Isaías 9:6-7)</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>6 Porque un niño nos es nacido, hijo nos es dado, y el principado sobre su hombro; y se llamará su nombre Admirable, Consejero, Dios Fuerte, Padre Eterno, Príncipe de Paz.&nbsp;<br>7 Lo dilatado de su imperio y la paz no tendrán límite, <u>sobre el trono de David y sobre su reino</u>, disponiéndolo y confirmándolo en juicio y en justicia desde ahora y para siempre. El celo de Jehová de los ejércitos hará esto.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Los maestros de estas doctrinas llegan a predicar que Cristo se sentará en el trono de David que en ese tiempo será restablecido a fin de que Cristo y la nación de Israel literal reine sobre todas las naciones, lo cual parece algo muy hermoso y hasta lógico dadas las muchas promesas de Dios para esta nación que se cumplieron en un tiempo cercano. Pero estas declaraciones no tienen fundamento bíblico, son meras especulaciones de mentes humanas.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="535" height="535" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-842.png" alt="" class="wp-image-148500" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-842.png 535w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-842-300x300.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-842-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 535px) 100vw, 535px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 15. Trono del rey David, ¿será restaurado para Cristo? Respuesta: No. (<em>El Blog del apologista cristiano</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta teoría carece de base toda vez que la palabra trono, significa soberanía, poder y dignidad. Así como el rey David fue exaltado a ese lugar de poder y gobierno en Israel literal, también Jesucristo será levantado y exaltado a ese lugar de soberanía y poder, pero no en un reinado literal, sino en un señorío espiritual sobre una nación espiritual como lo es el Israel de Dios (Gálatas 6:16), título hermoso para la Iglesia de Dios. Hay un interesante escrito de Erick Jiménez Milla <a href="#_ftn16" id="_ftnref16">[16]</a>al respecto del trono de David y el Reino de Cristo:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>En Apocalipsis hay dos textos que relacionan a Jesús con David. Cuando desarrolló su ministerio aquí en la Tierra, más de uno lo llamó, el hijo de David. Lo que hace que tenga una vinculación interesante con el que ha de instaurar el reino fructífero y eterno. Apocalipsis 3:7 dice “el que tiene la llave de David”, llevando una explicación lógica de la experiencia de un mayordomo de la casa de David (Isaías 22: 20-22; 2 Reyes 18: 18)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Eliaquim fue nombrado para supervisar “la casa de David”, como lo demuestra el hecho de que se le” daría “la llave de la casa de David”. Esto tiene una relación con Cristo teniendo la “llave” la cual representa su autoridad sobre la Iglesia y sobre el propósito divino que debía ser cumplido por ella (Mateo 28: 18; Efesios 1:22) Es decir, con “la llave de David”, Cristo tiene plena autoridad para abrir y cerrar, para hacer triunfar el plan de la redención. La supremacía o prioridad de David, aun hasta del mismo Abraham, es vista en Mateo 1: 1 y en Apocalipsis 5: 5 describe que “la raíz de David, ha vencido para abrir el libro y desatar sus siete sellos”. Apocalipsis 22: 16, también dice: Yo soy la raíz y la descendencia de David”. El significado de esta expresión lo podemos comprender si entendemos que David es considerado como uno de los mejores reyes y guerreros de Israel.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Este título proviene de Isaías 11: 1, 10, donde dice: “saldrá vara de la raíz de Isaí” (LXX) o “retoño del tronco de Isaí” (Heb.), o sea el padre de David. En Romanos 15:12 Pablo aplica este símbolo a Cristo, lo que muestra que Cristo es un segundo David, el cual fue el máximo rey y héroe militar de Israel. El concepto davídico del Mesías era esencialmente el de un vencedor que restauraría el reino de Israel (Mateo 21:9; cf. Hechos 1:6) Aunque Cristo no restauró el reino literal de los judíos, su victoria en el gran conflicto con Satanás restituirá el reino en un sentido infinitamente mayor y más importante. Por lo tanto, desde el punto de vista de este pasaje, este título es sumamente adecuado.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2. Interpretación fiel de 2 Samuel 7:12-16</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Pasamos ahora a explicar fielmente la cita de 2 Samuel 7:12-16, la cual arroja mucha luz en cuanto al reinado de Cristo, en contraposición con las doctrinas milenaristas acerca de tal señorío.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>12 Y cuando tus días sean cumplidos, y duermas con tus padres, yo levantaré después de ti a uno de tu linaje, el cual procederá de tus entrañas, y <u>afirmaré su reino</u>.</em></strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>13 El edificará casa a mi nombre, y yo <u>afirmaré para siempre el trono de su reino.</u></em></strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>14 Yo le seré a él padre, y él me será a mí hijo. Y si él hiciere mal, yo le castigaré con vara de hombres, y con azotes de hijos de hombres;</em></strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>15 pero mi misericordia no se apartará de él como la aparté de Saúl, al cual quité de delante de ti.</em></strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>16 <u>Y será afirmada tu casa y tu reino para siempre delante de tu rostro, y tu trono será estable eternamente</u>.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De este verso, que está apuntando a dos reinados; uno temporal y otro eterno, se pueden sacar varias verdades las cuales enumeramos:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>De acuerdo a Hechos 2:29-30, Jehová profetizó al rey David por medio del profeta Natán que después de su muerte, Él iba a levantarle a su casa un rey perteneciente a su descendencia. Este rey no fue otro que Salomón, su hijo, el cual edificó la casa a Dios con el modelo y medidas que Dios ordenó, ya que David no pudo. Esto fue el cumplimiento cercano de la profecía, más en su cumplimiento a largo plazo apunta hacia el Reinado del Señor Jesucristo, cuando incluso apunta en los versos 12 y 13 que tal reino no tendría fin (Isaías 9:6-7, Salmo 132:11) El rey David reconoció diáfanamente que él tenía un Señor al cual obedecer, por tanto con toda su gloria no se envaneció, sino que aceptó que él no subió a los cielos como lo hizo el Señor para sentarse a la diestra del Padre en las alturas tras levantarle de los muertos (Salmo 16:10), y reconoció el señorío eterno de Cristo (Hechos 2:34-35)</li>



<li>Ciertamente de acuerdo al verso 13 Salomón edificó la casa material, pero Cristo edificó también <em>casa, </em>pero espiritual, que no es otra que la Iglesia de Dios (Mateo 16:18)</li>



<li>La eternidad del reinado es solo característica intrínseca del reinado de Cristo, ya que el reinado de David y Salomón fue temporal, tuvo fin.</li>



<li>La palabra afirmar denota que el reinado de Cristo es verdad y dado como cuestión muy cierta, además de asegurar al Señor en la posición de Rey eterno ¡Gloria a Dios!</li>



<li>Los versos 14 y 15 deben ser aplicados al rey Salomón, aunque el Señor Jesucristo tiene la misma filiación al Padre (Hebreos 1:1-14)</li>



<li>La misericordia de Dios hacia el rey Salomón, de cierto fue extendida, no así con la actitud observada por el rey Saúl, su abuelo.</li>



<li>Ya en el verso 16 la alusión es al reinado de Cristo, único con la etiqueta de eternidad, y con la característica de ser un reinado estable, o sea que se mantiene invariable o inalterable en el mismo lugar, estado o situación.</li>



<li>Este fue el propósito fundamental de la venida de Cristo al mundo, o sea, establecer su reino entre los hombres (Romanos 1:3-4)</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">Así que el rey David se convierte en tipo de Cristo, y es por ello que se dice que este último se sienta en el trono del primero, arguyendo a la soberanía que David tuvo sobre la casa de Israel, así es la soberanía, dominio y autoridad de Cristo sobre su reino, o sea la Iglesia de Dios (Apocalipsis 1:10-20) Esta formidable descripción simbólica obedece al Señor Jesucristo, ¡Gloria a Dios!</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3. El Templo de Salomón, tipo de la Iglesia de Dios</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="817" height="556" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-843.png" alt="" class="wp-image-148501" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-843.png 817w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-843-300x204.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-843-768x523.png 768w" sizes="(max-width: 817px) 100vw, 817px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 16. Templo de Salomón reconstruido en 3D (<em>Aleteia</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De acuerdo a la&nbsp;descripción&nbsp;bíblica, el&nbsp;Templo de Salomón&nbsp;era un edificio que se encontraba orientado sobre un eje longitudinal dirección este-oeste; se calcula que su longitud debió ser de cerca de 27 metros de longitud interior, 13.5 metros de altura y 9 metros de ancho.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Mobiliario del templo y sus significados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Con la misma simbología de los objetos del Tabernáculo, el mobiliario y los utensilios del gran templo construido por Salomón estaban repletos de analogías sagradas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">El templo erigido para Dios por Salomón, así como lo que sucedió, fueron hechos con el propósito de sustituir al Tabernáculo. Básicamente, seguían el mismo plano dado por el Señor a Moisés para la gran tienda que acompañaba al pueblo de Israel por el desierto. Tenía prácticamente el mismo mobiliario ceremonial básico y casi los mismos artefactos, con los mismos significados.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="575" height="471" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-844.png" alt="" class="wp-image-148502" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-844.png 575w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-844-300x246.png 300w" sizes="(max-width: 575px) 100vw, 575px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 17. Maqueta del Templo de Salomón (<em>Bible-history.com</em>)</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="892" height="584" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-845.png" alt="" class="wp-image-148503" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-845.png 892w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-845-300x196.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-845-768x503.png 768w" sizes="(max-width: 892px) 100vw, 892px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 18. Vista superior del Templo de Salomón (<em>armandilopezgolart.wordpress.com</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>El altar de sacrificios</strong> – Luego de entrar al patio externo del templo, después de las murallas, se encontraba un gran altar en el que se sacrificaban los animales ofrecidos a Dios. Ellos eran el símbolo de los pecados y morían en expiación por ellos. Sólo podían ser sacrificados animales en perfectas condiciones (Levítico 1:1-17, 2 Corintios 2:14-15a), generalmente los mejores entre los mejores de los rebaños. Quemados, producían humo que subía a los cielos como “<em>olor grato</em>” al Señor (Éxodo 29:25), lo que significaba que el fiel estaba libre de pecados, lo que agradaba a Dios. Esto es símbolo del tiempo presente cuando el sacrificio de Cristo, como el Cordero de Dios que quita el pecado del mundo (Juan 1:29) Vea Figura 19.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="703" height="473" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-846.png" alt="" class="wp-image-148504" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-846.png 703w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-846-300x202.png 300w" sizes="(max-width: 703px) 100vw, 703px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 19. El altar de los sacrificios<em> (Universal.org)</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>El “<em>mar de bronce</em>”</strong> – También llamado “mar de fundición” (1 Reyes 7:23-40), era un gran reservorio de agua que estaba junto al altar de sacrificios. Con la misma simbología de la antigua pileta del Tabernáculo, en su agua se lavaban los pecados, con un fuerte significado de purificación (por la sangre y cualquier otro residuo que quedara en las manos y pies de los sacerdotes). El reservorio, redondo, estaba sobre doce bueyes esculpidos en bronce que, en grupos de tres, tenían sus cabezas orientadas a los cuatro puntos cardinales. En el mar de bronce se abastecían diez piletas móviles, sobre ruedas, que eran distribuidas sobre el patio externo, cinco de cada lado del templo. Significa la obra segunda de gracia operada por la sangre de Cristo que purifica las vidas de los hombres, extirpando la raíz del pecado adámico heredado.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="659" height="518" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-847.png" alt="" class="wp-image-148505" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-847.png 659w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-847-300x236.png 300w" sizes="(max-width: 659px) 100vw, 659px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 20. El mar de bronce<em> (Wikipedia)</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Las dos columnas</strong> – Al lado del pórtico principal del templo se ubicaban dos columnas de bronce que llegaban casi hasta el techo, llamadas Joaquín y Boaz por su realizador, Hiram Abiff, enviado por el rey de Tiro, su homónimo, Hiram, con los arquitectos y artífices que trabajarían en la obra del templo (1 Reyes 7:13-22). Reconocido artesano del bronce, Abiff había homenajeado a los reyes David y Salomón con dos pilares, de acuerdo con algunos creyentes. Para los judíos, son pilares simbólicos de mucha importancia para la vida con Dios: Joaquín simbolizaba la sabiduría y Boaz la inteligencia (ambos atributos de Salomón que lo hacían famoso en todo el mundo conocido de la época) Espiritualmente representan los dos testigos de la presencia de Dios en el mundo, o sea la Palabra de Dios y el Espíritu Santo.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="660" height="523" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-848.png" alt="" class="wp-image-148506" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-848.png 660w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-848-300x238.png 300w" sizes="(max-width: 660px) 100vw, 660px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 21. Las dos columnas<em> (Salvos X gracia)</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>La mesa de los panes de la proposición</strong> – Como la mesa de los panes del Tabernáculo, el gran templo también tenía la suya, en la misma posición, a la derecha de quien entraba al Santo Lugar. Con doce panes ácimos apilados en dos columnas de seis, la mesa de la proposición simbolizaba el alimento que viene de Dios, así como el alimento espiritual de su Palabra. Hoy sabemos que era uno de los símbolos alusivos a Jesucristo, que se refirió a sí mismo como el “<em>pan de vida</em>” (Juan 6:35), aunque en esa época los constructores del templo no supieran sobre eso, no lo quita.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="543" height="371" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-849.png" alt="" class="wp-image-148507" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-849.png 543w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-849-300x205.png 300w" sizes="(max-width: 543px) 100vw, 543px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 22. La mesa de los panes de la proposición<em> (paperblog)</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Los menorás</strong> – El menorá, gran candelabro de oro con siete lámparas de aceite, era solamente uno en el Tabernáculo. En el gran templo de Salomón, la cifra aumentó hasta diez, en dos columnas de cinco a los lados del Lugar Santo (1 Reyes 7:49) Además de la evidente utilidad de iluminar el ambiente, simbolizaba la presencia de Dios en el lugar. Además de eso, sus lámparas eran alimentadas con aceite, simbolizaba la unción de Dios (Espíritu Santo) sobre nuestras vidas. La luz simbolizaba también la propia Palabra, la verdadera iluminación para la vida, indicando el camino hacia el Señor.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="725" height="454" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-850.png" alt="" class="wp-image-148508" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-850.png 725w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-850-300x188.png 300w" sizes="(max-width: 725px) 100vw, 725px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 23. Candelabro de oro<em> (Enlace judío)</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Altar de incienso</strong> – En el altar que estaba al final del Lugar Santo, el oráculo (1 Reyes 7:49), se colocaban los inciensos, cuyos aromas de especias y otros perfumes dominaban la sala. Una simbología bastante fuerte para las súplicas, que nuevamente nos llevan a la figura del olor agradable que sube a los cielos en dirección al Señor. Allí los sacerdotes dirigían sus súplicas y la de sus fieles, ya que eran como intermediarios entre el pueblo y Dios. Hoy, gracias al sacrificio supremo de Cristo, hablamos directamente con el Padre ¡Gloria a Dios! (Apocalipsis 8:3-13)</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="723" height="478" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-851.png" alt="" class="wp-image-148509" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-851.png 723w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-851-300x198.png 300w" sizes="(max-width: 723px) 100vw, 723px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 24. Altar del incienso<em> (Estudiospentecostales.com)</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>El velo</strong> – Separando el Santo Lugar del Santo de los Santos había un velo, un gran cortina con dos querubines bordados que era la única barrera. Solamente el sumo sacerdote entraba a través de él para conversar con Dios directamente. El simbolismo del velo es fuerte: aunque sea un material frágil, la única cosa que impedía que otros sacerdotes entraran allí era el respeto y el temor a Dios. También era un obstáculo para la vista. Los sacerdotes comunes, así como el pueblo, no entraban allí. Pero por medio de la oración que el sumo sacerdote llevaba, todos tenían su acceso indirecto al Padre. Un obstáculo frágil, fácil de superar para llegar a Dios, bastando para eso, orar (Marcos 15:38) Ese velo fue rasgado en dos de arriba abajo cuando Cristo murió, indicando un camino expedito para entrar a la presencia del Padre por todo aquel que así lo quisiera (Mateo 27:51).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="581" height="439" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-852.png" alt="" class="wp-image-148510" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-852.png 581w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-852-300x227.png 300w" sizes="(max-width: 581px) 100vw, 581px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 25. El velo<em> (Gracia más gracia)</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>El Arca de la Alianza</strong> – El Arca de la Alianza, después de habitar durante muchos años en el Tabernáculo, fue depositada en el Lugar Santísimo del gran templo de Salomón. Objeto sagrado solamente tocado por los sacerdotes y nunca por una persona común del pueblo, contenía otros objetos con un inmenso significado sagrado: la tablas de los Diez Mandamientos que Moisés labró orientado por Dios (la Palabra), un bocado del maná que fue dado como alimento al pueblo en el desierto por primera vez (la provisión de Dios) y la vara de Aarón que floreció (el reconocimiento de Dios sobre la autoridad conferida a alguien). Sobre el Arca estaba el Propiciatorio, la tapa del gran baúl, con dos imágenes de querubines frente a frente con las alas desplegadas. Entre los ángeles dorados, el sumo sacerdote debería focalizar la presencia de Dios, quien le hablaba (Éxodo 25:10-22) Hoy la presencia de Dios está con nosotros, con su pueblo, a través del Espíritu Santo que nos fue dado (Romanos 5:5)</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="806" height="409" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-853.png" alt="" class="wp-image-148511" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-853.png 806w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-853-300x152.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-853-768x390.png 768w" sizes="(max-width: 806px) 100vw, 806px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 26. El Arca del pacto<em> (Aleteia)</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Dios había expresado la idea de que habitaría entre los hombres en Éxodo 25:8. El santuario proporcionaba un centro visible para el culto del único Dios verdadero, acercaba a Dios a su pueblo y hacía que su presencia entre ellos fuese algo real. También esto constituía una protección contra la idolatría (Éxodo 29:43-45; Números 35:34) y un baluarte contra la adoración de los numerosos dioses de las naciones idólatras que le rodeaban contribuyendo a eliminar la costra idólatra que se apoderaba del pueblo debido a las tales.</p>



<p class="wp-block-paragraph">La concepción judía del templo antiguo fue descrita magistralmente por el santo Esteban poco antes de su lapidación en Hechos 7:44-50:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Hechos 7:44 Tuvieron nuestros padres el tabernáculo del testimonio en el desierto, como había ordenado Dios cuando dijo a Moisés que lo hiciese conforme al modelo que había visto.<br>45 El cual, recibido a su vez por nuestros padres, lo introdujeron con Josué al tomar posesión de la tierra de los gentiles, a los cuales Dios arrojó de la presencia de nuestros padres, hasta los días de David.&nbsp;<br>46 Este halló gracia delante de Dios, y pidió proveer tabernáculo para el Dios de Jacob.<br>47 Más Salomón le edificó casa;<br>48 si bien el Altísimo no habita en templos hechos de mano, como dice el profeta:&nbsp;<br>49&nbsp;&nbsp; El cielo es mi trono,<br>Y la tierra el estrado de mis pies.&nbsp;<br>¿Qué casa me edificaréis? dice el Señor;&nbsp;<br>¿O cuál es el lugar de mi reposo?&nbsp;<br>50&nbsp;&nbsp; ¿No hizo mi mano todas estas cosas?</em></strong><strong><em></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De esa escritura podemos sacar las siguientes cuestiones:</p>



<ol class="wp-block-list" style="list-style-type:lower-alpha">
<li>Moisés construyó el tabernáculo de reunión, como Dios le ordenó.</li>



<li>Lo llevaron a Canaán con Josué al frente.</li>



<li>El rey David quiso construir una nueva morada par Dios, lo cual su hijo Salomón logró (1 Crónicas 17, 1 Reyes 6:1, 1 Crónicas 28:10-13, 19)</li>



<li>El propio Salomón, en el momento de la dedicación del templo (1 Reyes 8:27; 2 Crónicas 2:6), reconoce su incomprensión acerca de que un Dios que habita la eternidad (Isaías 40:12), decidiera establecer su morada en la tierra, en una casa como la que se le había construido. También los profetas apuntan a que el Señor está y no depende exclusivamente del templo. Isaías 32:14-15 y Salmo 51:10-11, reconocen al Espíritu de Dios, y David acepta que es habitado y guiado por Dios.</li>



<li>Pero, Dios no habita en casas construidas por los hombres (Isaías 66:1-2, Hechos 17:24)</li>



<li>Lo que comenzó como una tienda de campaña (tabernáculo), ahora fue un magnífico templo en Jerusalén.</li>



<li>Luego entonces Esteban señala un contraste con los versículos anteriores que hablan del tabernáculo y del templo como lugares donde Dios se encuentra con los hombres, de manera que esta escritura destaca el hecho de que Dios no mora en edificios fabricados por manos humanas.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">En Hebreos 9:11-12, la palabra nos dice:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>11 Pero estando ya presente Cristo, sumo sacerdote de los bienes venideros, por el más amplio y más perfecto tabernáculo, no hecho de manos, es decir, no de esta creación,&nbsp;<br>12 y no por sangre de machos cabríos ni de becerros, sino por su propia sangre, entró una vez para siempre en el Lugar Santísimo, habiendo obtenido eterna redención.</em></strong><strong><em></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">¡Gloria a Dios! Cristo se presentó al mundo como Rey (Mateo 2:1-2) y sumo sacerdote (Hebreos 9:11) por el más amplio y perfecto tabernáculo no erigido por humanos, sino por el mismo Dios, sin intervención de todos los ritos que tanto el tabernáculo de reunión, como el templo de Salomón observaban para la remisión de los pecados del pueblo (Hebreos 9:1-10) El Señor entró una única vez al Lugar Santísimo para hacer notar que se había abierto un camino expedito para la redención de los hombres (Hebreos 9:12), los cuales ahora son redimidos por la sangre preciosa de un Cordero sin mancha ofrecido una sola vez (Hebreos 9:12), dando paso a un Nuevo Pacto (Hebreos 9:15-28) El Señor está construyendo su reino, la Iglesia, los llamados a salir del pecado, del mundo y de la carne (Mateo 16:18)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Un permanente contraste vemos en toda la Escritura acerca de este tema. &nbsp;Isaías 57:15 nos recuerda magníficamente que Dios habita “<em>en un lugar santo y sublime, pero también con el contrito y humilde de espíritu, para reanimar el espíritu de los humildes y alentar el corazón de los quebrantados</em>”. Por un lado, hay un concepto profundísimo e invariable de la eternidad y grandeza de Dios y por otro lado, hay un concepto igualmente vívido que el infinito Jehová es un Dios que está muy próximo, cercano; que es amigo de la humanidad, que comulga con ella. El problema que Esteban pone de relieve con este repaso histórico es que los referentes espirituales de Israel se habían concentrado tanto en la verdad de que el Señor había prometido favorecer al templo con su presencia, que limitaban al Altísimo a este edificio; y lo que era peor, habían llegado a reverenciar más el edificio que a Aquel para quien había sido construido. Esto, de hecho, los incapacitó para reconocer y recibir a Dios “<em>manifestado en carne</em>” (1 Timoteo 3:16) cuando se encarnó y vivió entre ellos. Su culto estaba centralizado en el templo terrenal, pero Esteban trata de señalarles que el antiguo sistema simbólico ya había pasado, y que el propósito de Dios es construir un templo espiritual en el corazón de los hombres. San Pablo, que había escuchado esta defensa de Esteban y en cuyos pies habían puesto sus vestiduras (Hechos 7:58), empleó un argumento similar al hablar a los filósofos de Atenas (Hechos 17:24-25)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Así podemos afirmar que tanto el tabernáculo como el templo de Salomón son tipos de la Iglesia del NT. La presencia de Dios se hizo una realidad cuando el Verbo (Cristo) se hizo carne y habitó entre nosotros (Juan 1:14), trayendo el reinado sempiterno del cual hablara el profeta Isaías (9:6-7) Si antes la gloria divina se posaba sobre el Tabernáculo, es ahora Jesús en quien vemos al Padre (Juan 14:9; Colosenses 1:15). El Señor viajó allí para la fiesta de los tabernáculos (Juan 7:10), enseñó en el templo (Marcos 14:49), y utilizó su autoridad mesiánica para restaurar el decoro apropiado al encontrar el abuso de comerciantes y cambistas, llamando al templo “<em>la casa de mi Padre</em>” (Juan 2:16) Sin embargo, los cuatro Evangelios también registran la profecía de Jesús respecto a la destrucción venidera del templo en Jerusalén (Mateo 24:1-2), y en su conversación con la mujer samaritana, Jesús explica que la adoración al Padre no depende de lugar físico, sino que debe ser en Espíritu y en verdad (Juan 4:21-23) La noche antes de su muerte, en la Santa Cena, Jesús anunció la inauguración del nuevo pacto basado, no en la sangre de animales sacrificados en el Templo, sino en su propia sangre (Mateo 26:28) El día ha llegado, cuando Jesús renovó el santuario y la adoración, y esta acción fue el motivo para proceder oficialmente contra él, de una manera definitiva. Efectivamente, el templo le importaba a Jesús en tanto en cuanto lo llama “<em>mi casa</em>” y “<em>la casa de mi Padre</em>”. Luego, es más explícito al declarar que el templo de Dios es Él mismo (Juan 2:19) levantado por mano divina y es Cristo resucitado de los muertos. Es a través suyo que entramos en la presencia de Dios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Las palabras de Jesús señalan el final de la adoración en un edificio como templo. Jesús instituyó un nuevo pacto bajo el cual Dios no habita entre su pueblo por medio de un edificio, sino que está en su pueblo por medio del Espíritu Santo. El culto divino no se restringiría a determinada localidad o por determinada raza o pueblo. Esto es posible gracias a la reconciliación que Cristo efectuara en la cruz y a su resurrección (Mateo 12:6)</p>



<p class="wp-block-paragraph">En las palabras de Jesús vemos cómo Dios estaba determinado a edificar otro templo, un templo del nuevo pacto, Su Iglesia. El plan divino era infinitamente mejor que bellas rocas talladas por hombres. Su templo real estaría hecho de seres humanos, la Iglesia, su Reino. El culto del templo era, por diseño, una institución temporal en el plan divino que prefiguró el trabajo futuro de Cristo, pero nunca podría proveer una completa reconciliación entre Dios y hombre (Hebreos 10:4). Por medio de la obra redentora cumplida de Cristo, el velo, y en efecto toda la sistema de culto del Templo, había quedado obsoleto, y ahora se invita a los creyentes verdaderos a acercarse “<em>confiadamente al trono de la gracia</em>” (Hebreos 4:14-16) Por ello fue de gran significación el rasgado del velo del templo que separaba el Lugar Santo del Santísimo (Mateo 27:51, Marcos 15:38; Lucas 23:45)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jesús nos anuncia la llegada del Espíritu Santo quien supera la limitación física y temporal de la persona de Cristo (Juan 16:7), quien vive en nosotros y nos guía a toda la verdad (Juan 16:13-15) He aquí la intención del Hijo y del Padre a través del Espíritu Santo: hacer su morada en nosotros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Es por ello que el Apóstol de los gentiles dice con claridad que somos el templo del Dios viviente, así el Cristo resucitado y ascendido habita dentro de la comunidad de creyentes verdaderos (la Iglesia) por medio del Espíritu Santo. Es esta comunidad de verdaderos creyentes quienes son un “<em>templo espiritual</em>” que reemplaza el templo arquitectónico del Antiguo Testamento. Pablo lo reflejará de la siguiente manera en varias oportunidades (Hechos 17:24-25, 1 Corintios 3,16-17, 6:19, 2 Corintios 6:16-17; 7:1)</p>



<p class="wp-block-paragraph">La dimensión del templo en la Iglesia (no iglesia como edificio sino como reunión de personas redimidas) es reflejada también por Pablo en su carta a Timoteo en 1 Timoteo 3:15:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>1 Timoteo 3:15 para que si tardo, sepas cómo debes conducirte en la casa de Dios, que es la iglesia del Dios viviente, columna y baluarte de la verdad.</em></strong><strong><em></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">En esta cita maravillosa se subraya el papel de la Iglesia como depositaria, guarda y defensora que Dios ha confiado para transmitir su revelación. El apóstol Pedro lo describe a cristianos individuales como “<em>piedras vivas</em>” de los cuales Dios está construyendo una “casa espiritual” (1 Pedro 2:5) Aquí está el templo verdadero sin paredes de la fe del Nuevo Testamento. Esta imagen recuerda la vocación de la Iglesia: ser un lugar espiritual privilegiado en el que Dios actúa, se manifiesta y es adorado. Ella es el “<em>cuerpo de Cristo</em>” (Efesios 1:22-23; 4:11-16; Colosenses 1:18; 2:19; 1 Corintios 12:27), imagen que muestra la unidad orgánica de la iglesia, así como su relación estrecha y vital con Cristo, su Cabeza gloriosa. La Biblia describe a la Iglesia como una realidad de origen divino y la llama “<em>La Iglesia de Dios</em>” (Hechos 20:28; 1 Corintios 1:2) Y no hay otra, es única, perfecta, hermosa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">La Iglesia apostólica, de vocación universal, rompió las barreras nacionales y étnicas de Israel. Así siguió el plan original de Dios (Efesios 3:1-10) y la orden de Jesús: “<em>Id y haced discípulos de todas las naciones</em>” (Mateo 28:19)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Conclusión</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Es sencilla. El tabernáculo y el templo del AT son un tipo de la Iglesia del Nuevo Testamento. Se trata de una plan escondido desde la eternidad por el Padre Celestial de reunir todas las cosas en Cristo y atraer hacia sí a los gentiles además de a los judíos para formar un nuevo y espiritual pueblo que le sirviese, y fuera embajada de Él en l tierra para también atraer a otros a su amor y misericordia.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Efesios 1:9…dándonos a conocer el misterio de su voluntad, según su beneplácito, el cual se había propuesto en sí mismo,&nbsp;<br>10 de reunir todas las cosas en Cristo, en la dispensación del cumplimiento de los tiempos, así las que están en los cielos, como las que están en la tierra.</em></strong><strong><em></em></strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Efesios 2:14 Porque él es nuestra paz, que de ambos pueblos hizo uno, derribando la pared intermedia de separación,&nbsp;<br>15 aboliendo en su carne las enemistades, la ley de los mandamientos expresados en ordenanzas, para crear en sí mismo de los dos un solo y nuevo hombre, haciendo la paz,&nbsp;<br>16 y mediante la cruz reconciliar con Dios a ambos en un solo cuerpo, matando en ella las enemistades.&nbsp;<br>17 Y vino y anunció las buenas nuevas de paz a vosotros que estabais lejos, y a los que estaban cerca;<br>18 porque por medio de él los unos y los otros tenemos entrada por un mismo Espíritu al Padre.&nbsp;<br>19 Así que ya no sois extranjeros ni advenedizos, sino conciudadanos de los santos, y miembros de la familia de Dios…</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CAPÍTULO 4. CRISTO REINA AHORA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1.&nbsp; Análisis de Isaías 9:5-7</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">El texto de Isaías 9:5-7 arroja mucha luz para la interpretación correcta de que Cristo reina ahora, y no tenemos que esperar un futuro para el cumplimiento de las profecías que nítidamente explican esta verdad, como tratan de contradecir las actuales enseñanzas heréticas.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Isaías 9:6 Porque un niño nos es nacido, hijo nos es dado, y el principado sobre su hombro; y se llamará su nombre Admirable, Consejero, Dios Fuerte, Padre Eterno, Príncipe de Paz.&nbsp;<br>7 Lo dilatado de su imperio y la paz no tendrán límite, sobre el trono de David y sobre su reino, disponiéndolo y confirmándolo en juicio y en justicia desde ahora y para siempre. El celo de Jehová de los ejércitos hará esto.</em></strong><strong><em></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este texto trae a colación varias verdades que enumeramos:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Cuando el profeta dice nos, apunta a la relación estrecha de Cristo con la humanidad en la salvación del pecado del hombre. El nació para la raza humana, descendió y de gloria nos llenó, su gracia hizo que pudiésemos ver nuestra condición, y renacer a una vida nueva. Esto es claro para su comprensión en el hecho que el cumplimiento del reinado de Cristo sucedería cuando un niño naciera, y nos fuera dado.</li>



<li>El Padre dio a su Hijo por nosotros, y puso el principado sobre sus hombros como título eterno de verdadera dignidad.</li>



<li>Él es Admirable, o sea que causa admiración o es digno de admiración, brillante, lúcido, sobresaliente en todos los aspectos de su vida: su concepción, nacimiento, predicación, milagros, sufrimientos, muerte, resurrección y ascensión.</li>



<li>Él es Consejero, o sea que aconseja o al que se le pide consejo, asesor, mentor, guía, maestro, tanto en la exposición correcta de la ley, demostrando su origen, objetivo, naturaleza y propósitos, como en la exposición de su Reino. Siempre está delante del Padre en favor de los hombres, de tal manera que cuando el Padre mira y considera, siempre ve a Cristo, quien nos sirve como Mediador perfecto (1 Timoteo 2:5)</li>



<li>Él es Dios fuerte como veíamos en Juan 1:1.</li>



<li>Él es Padre Eterno, el origen de todas las cosas, la causa de la existencia o vida, el Padre de los espíritus.</li>



<li>Él es el Príncipe de paz, una paz que solo él puede dar al hombre (Juan 14:27-28), en medio de tanta guerra espiritual.</li>



<li>La extensión de su imperio no tiene límites, porque su reinado es infinito, así como la paz que trae al corazón del hombre, no como ausencia de guerra, sino como algo interior que no se puede explicar con palabras, es necesario sentirlo.</li>



<li>La mención al rey David ya vimos en epígrafes anteriores que es un tipo de Cristo.</li>



<li>La justicia y juicio de Cristo son características intrínsecas del reinado del Señor obrando y juzgando con respeto a la verdad y dando a cada uno lo que le corresponde. No hay otro como Él. Amén.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">Otra escritura valedera para confirmar esta verdad se halla en las palabras que el ángel expresara a María en la gran anunciación de Lucas 1:30-33:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Lucas 1:30 Entonces el ángel le dijo: María, no temas, porque has hallado gracia delante de Dios.&nbsp;<br>31 Y ahora, concebirás en tu vientre, y darás a luz un hijo, y llamarás su nombre JESÚS.<br>32 Este será grande, y será llamado Hijo del Altísimo; <u>y el Señor Dios le dará el trono de David su padre;&nbsp;<br>33 y reinará sobre la casa de Jacob para siempre, y su reino no tendrá fin.</u></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta cita apunta a que Cristo sería llamado Hijo del Altísimo, y que su reino sería establecido para siempre, es decir que sería eterno. Si bien el reinado de David tuvo su fin, así como todos los reinos de la tierra, el reino de Cristo triunfa sobre el infierno y la muerte (1 Corintios 15:25-28), su dominio no tiene fin. He aquí la gloria, extensión y perpetuidad del Reino del Señor, el cual en su manifestación prístina radica en su Iglesia (Mateo 16:18, Colosenses 1:18), pero que finalmente será un reino por la eternidad en los cielos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2. El Reino y el Primer Advenimiento de Cristo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">La identificación, sobre todo para los judíos, de que Cristo es rey es precisamente su asiento en el trono de David, rey muy famoso y querido entre ellos, al cual Dios exaltó grandemente (1 Samuel 13:14, Hechos 13:22-23, Mateo 27:42) Ellos comprenderían exactamente la misión y oficio del Señor, pero como dice la Palabra, a los suyo vino (a ser Rey sobre todo y todos), pero los suyos (judíos) no le recibieron, pero a los que le recibieron, como es todo aquel que cree en su nombre, le dio el poder de ser llamados hijos de Dios (Juan 1:11-13) ¡Qué privilegio pertenecer a ese tipo especial de Reino: el de Cristo! Nosotros, los gentiles, que estábamos lejos de Dios, nos hizo cercanos, y con El reinamos vencedores (Efesios 2:13-14)</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Mateo 27:41 De esta manera también los principales sacerdotes, escarneciéndole con los escribas y los fariseos y los ancianos, decían:&nbsp;</em></strong><strong><em><br>42 A otros salvó, a sí mismo no se puede salvar; si es el <u>Rey de Israel</u>, descienda ahora de la cruz, y creeremos en él.&nbsp;<br>43 Confió en Dios; líbrele ahora si le quiere; porque ha dicho: Soy Hijo de Dios.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Así que Cristo principió su Reino sobre el trono de David, su tipo, durante los días de su encarnación. Nacido rey (Mateo 2:1-2), y revestido de toda autoridad evidenciada en su ministerio, comenzó a dar pautas a seguir a los hombres (Mateo 5,6 y 7), de tal manera que el pueblo se vio obligado a expresar que su predicación y sus hechos no eran iguales a los hipócritas fariseos y escribas, sino que había autoridad en sus enseñanzas y actitudes (Mateo 7:28-29)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pedro expresó estas ideas de forma condensada en Hechos 2:29-36.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Hechos 2:29 Varones hermanos, se os puede decir libremente del patriarca David, que murió y fue sepultado, y su sepulcro está con nosotros hasta el día de hoy.&nbsp;<br>30 Pero siendo profeta, y sabiendo que con juramento Dios le había jurado que de su descendencia, en cuanto a la carne, <u>levantaría al Cristo para que se sentase en su trono</u>,<br>31 viéndolo antes, habló de la resurrección de Cristo, que su alma no fue dejada en el Hades, ni su carne vio corrupción.&nbsp;<br>32 A este Jesús resucitó Dios, de lo cual todos nosotros somos testigos.&nbsp;<br>33 Así que, exaltado por la diestra de Dios, y habiendo recibido del Padre la promesa del Espíritu Santo, ha derramado esto que vosotros veis y oís.&nbsp;<br>34 Porque David no subió a los cielos; pero él mismo dice:&nbsp;<br>Dijo el Señor a mi Señor:&nbsp;<br>Siéntate a mi diestra,&nbsp;<br>35&nbsp;Hasta que ponga a tus enemigos por estrado de tus pies.<br>36 Sepa, pues, ciertísimamente toda la casa de Israel, que a este Jesús a quien vosotros crucificasteis, Dios le ha hecho Señor y Cristo.</em></strong></p>



<ol class="wp-block-list" style="list-style-type:lower-alpha">
<li>El rey David murió y fue sepultado, así que su reino no podía ser eterno.</li>



<li>Dios le había jurado que de su descendencia en la carne levantaría al Cristo, para que se sentase en su trono, de forma que fue constituido un tipo de Jesús.</li>



<li>David habló del acto de resurrección del Señor, lo cual confirmó que Su Señorío es eterno.</li>



<li>La resurrección del Señor fue un acto el cual tiene muchos testigos y es la base de la victoria del hombre salvo por su sangre y vencedor sobre el pecado, la carne y el mundo.</li>



<li>El Espíritu Santo es la agencia actual de Dios entre nosotros que nos permite conocer siempre la verdad (Juan 16:13)</li>



<li>David reconoció el Señorío de Cristo sobre todas las cosas.</li>



<li>Dios le hizo (a Jesús) Señor y Cristo<a href="#_ftn17" id="_ftnref17">[17]</a>, a pesar de que había sido crucificado, pero Él venció la muerte con poder y al cielo se exaltó.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">Volviendo a la escritura de Hechos 15:13-17:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>13 Y cuando ellos callaron, Jacobo respondió diciendo: Varones hermanos, oídme.&nbsp;<br>14 Simón ha contado cómo Dios visitó por primera vez a los gentiles, para tomar de ellos pueblo para su nombre.&nbsp;<br>15 Y con esto concuerdan las palabras de los profetas, como está escrito:&nbsp;<br>16 Después de esto volveré&nbsp;<br>Y reedificaré el tabernáculo de David, que está caído;&nbsp;<br>Y repararé sus ruinas,&nbsp;<br>Y lo volveré a levantar,<br>17 Para que el resto de los hombres busque al Señor,&nbsp;<br>Y todos los gentiles, sobre los cuales es invocado mi nombre,&nbsp;<br>18 Dice el Señor, que hace conocer todo esto desde tiempos antiguos.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta escritura nos habla del amor de Dios al extenderlo hacia los gentiles (Efesios 2:11-22), y por ello el templo fue reconstruido, con un nuevo pueblo, gentiles y judíos, o sea la Iglesia de Dios. Así todo hombre que quiera buscar a Dios tiene la maravillosa oportunidad de hacerlo ya que Dios extendió su misericordia a todos. Es aquí donde se reitera el reinado eterno del Señor Jesucristo sobre el trono de David en esta dispensación; cuando judíos y gentiles pueden disfrutar juntos de las bendiciones del Señor.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="583" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-854-1024x583.png" alt="" class="wp-image-148512" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-854-1024x583.png 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-854-300x171.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-854-768x437.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-854.png 1026w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 27. Extensión mundial del Reino Triunfante de Cristo (<em>Wikipedia y el autor</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.3 Las parábolas<a href="#_ftn18" id="_ftnref18"><strong>[18]</strong></a> del Reino</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde los tiempos de Jesús, la gente ha estado tratando de comprender el Reino de Dios. Jesús mismo lo enseñó con una serie de parábolas, llamadas «<em>las siete parábolas del Reino de Dios</em>». Estas parábolas se encuentran en los Evangelios sinópticos de Mateo, Marcos y Lucas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">En el Sermón de la Montaña, por ejemplo, Jesús trata explícitamente la ética del Reino de Dios;&nbsp;así como en sus parábolas enseñó los principios que caracterizan la naturaleza de ese reino.&nbsp;La mayoría de&nbsp;<em>las parábolas de Jesús</em>&nbsp;se introducen con el objetivo de revelar algún aspecto del Reino de Dios (“<em>Y el Reino de Dios es como [&#8230;]”) </em>Ver Figura 28<em>.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Las siete parábolas del Reino de Dios son:</p>



<p class="wp-block-paragraph">1. La parábola del sembrador (Mateo 13:1-9, Marcos 4:1-9, Lucas 8:4-18)<br>2. La parábola del trigo y la cizaña (Mateo 13:24-30)<br>3. La parábola del grano de mostaza (Mateo 13:31-32, Lucas 13:18-19)<br>4. La parábola de la levadura (Mateo 13:33, Lucas 13:20-21)<br>5. La parábola del tesoro escondido (Mateo 13:44)<br>6. La parábola de la perla de gran precio (Mateo 13:45-46)<br>7. La parábola de la red (Mateo 13:47-50)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Las Parábolas sobre el Reino de Dios en la Biblia&nbsp;ciertamente fueron enseñanzas dadas por Jesús a todos sus seguidores, y con las que Él manifestaba el&nbsp;significado de lo que Dios haría en la vida de las personas&nbsp;a quienes se les revelaría la llegada del Reino de los cielos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada una de estas enseñanzas dadas por el Rey tiene mensajes para el crecimiento y madurez personal y comunitario, que aun en este tiempo funcionan para todos los creyentes en Dios, quienes deben escudriñar estos mensajes que Jesús trajo a la tierra directamente del cielo y que enseñan tanto respecto a las características del Reino de Dios.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="559" height="565" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-855.png" alt="" class="wp-image-148513" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-855.png 559w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-855-297x300.png 297w" sizes="(max-width: 559px) 100vw, 559px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 28. Jesús enseña las Parábolas del Reino (<em>Wikipedia</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Cuando se escudriñan las Sagradas Escrituras se puede ver como la palabra parábola aparece en&nbsp;36 oportunidades&nbsp;en los libros de&nbsp;Mateo, Marcos, Lucas y Juan, en el que se refieren a esas siete parábolas que Jesús habla sobre el Reino de Dios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">En la revisión de cada una de estas siete parábolas se puede describir&nbsp;la historia de la Iglesia desde el principio, ya que Jesús fue quien inició la Iglesia (Mateo 16:18) a través de su ministerio sembrando la Palabra a través de su recorrido por cada una de las localidades que pudo visitar y expandirse con sus discípulos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre estas narraciones revisten importancia particular las que enuncian y nos permiten descubrir el carácter de desarrollo histórico y espiritual que es propio de la Iglesia según el proyecto de su mismo Fundador. Desde el principio hasta el fin, la existencia de la Iglesia se inscribe en la admirable perspectiva escatológica del Reino de Dios, y su historia se despliega desde el primero hasta el último día.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jesús dice a los suyos:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Marcos 4:11a A vosotros se os ha dado el <u>misterio del reino de Dios</u></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Los instruye acerca de este misterio y, al mismo tiempo, con su palabra y su obra:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">&nbsp;<strong>Lucas 22:29 Yo, pues, os asigno un reino, como mi Padre me lo asignó a mí,</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta preparación se lleva a cabo incluso después de su resurrección. En efecto, leemos en los Hechos de los Apóstoles <em>que se les apareció durante cuarenta días y les hablaba acerca de lo referente al reino de Dios </em>(Hechos 1:3) hasta el día en que <em>fue elevado al cielo y se sentó a la diestra de Dios</em> (Marcos 16:19) Eran las últimas instrucciones y disposiciones para los Apóstoles sobre lo que debían hacer después de la Ascensión y Pentecostés, a fin de que comenzara concretamente el Reino de Dios en los orígenes de la Iglesia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No es posible comprender el origen de la Iglesia sin tener en cuenta todo lo que Jesús predicó y realizó (Hechos 1:1) Precisamente de este tema habló a sus discípulos, y nos ha dejado su enseñanza fundamental en las parábolas del Reino de Dios.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Marcos 4:26 Decía además: Así es el <u>reino de Dios</u>, como cuando un hombre echa semilla en la tierra;&nbsp;<br>27 y duerme y se levanta, de noche y de día, y la semilla brota y crece sin que él sepa cómo.&nbsp;<br>28 Porque de suyo lleva fruto la tierra, primero hierba, luego espiga, después grano lleno en la espiga;&nbsp;<br>29 y cuando el fruto está maduro, en seguida se mete la hoz, porque la siega ha llegado.</em></strong><strong><em></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Por tanto, el Reino de Dios crece aquí en la tierra, en la historia de la humanidad, en virtud de una siembra inicial, es decir, de una fundación que viene del mismo Dios, y luego de este impulso inicial divino la Iglesia se sigue cultivando a lo largo de los siglos. En la acción de Dios en relación con el Reino también está presente la <em>hoz </em>del sacrificio: el desarrollo del Reino no se realiza sin sufrimiento. Éste es el sentido de la parábola que narra el evangelio de San Marcos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. <u>Parábola del Sembrador</u></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">En esta parábola del Sembrador Jesús explica como Él se convierte en ese Sembrador, quien entrega esa <em>buena semilla</em> que es la Palabra de Dios, y es sembrada en un campo amplio que es toda la tierra, y trae cuatro resultados o cuatro tipos de oyentes (Tabla 4)</p>



<figure class="wp-block-table"><table><tbody><tr><td><strong>No. Oyente</strong><strong></strong></td><td><strong>Destino de la semilla</strong><strong></strong></td><td><strong>Explicación de Cristo</strong><strong></strong></td></tr><tr><td>1</td><td>Junto al camino</td><td>Venida del malo, arrebatando lo que fue sembrado en el corazón.</td></tr><tr><td>2</td><td>Pedregales</td><td>Recepción primaria de la Palabra con gozo, pero no hay raíz, pues al venir las pruebas, aflicciones y persecución por la Palabra, tropieza.</td></tr><tr><td>3</td><td>Entre espinos</td><td>Oye la Palabra, pero el afán de este siglo y el engaño de las riquezas la ahogan y esta se hace infructuosa en su corazón.</td></tr><tr><td>4</td><td>Buena tierra</td><td>El que oye y entiende la palabra, y da fruto; y produce a ciento, a sesenta, y a treinta por uno.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Es por eso que Jesús dijo que los frutos hablarían del creyente (Mateo 7:15-20)</p>



<p class="wp-block-paragraph">El crecimiento del reino de Dios se presenta ciertamente como fruto de la acción del Sembrador; pero la siembra produce fruto en relación con el terreno y con las condiciones climáticas: <em>una ciento, otra sesenta, otra treinta</em> (Mateo 13:8) El terreno representa la disponibilidad interior de los hombres. Por consiguiente, a juicio de Jesús, también el hombre condiciona el crecimiento del Reino de Dios. La voluntad libre del hombre es responsable de este crecimiento. Por eso Jesús recomienda que todos oren: <em>Venga tu Reino. </em>En sus palabras se transparenta la dimensión temporal y escatológica del reino de Dios.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. <u>Parábola del Trigo y la Cizaña</u></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A través de esta parábola Jesús enseña como se siembra una&nbsp;semilla la cual es la Palabra de Dios,&nbsp;pero el enemigo quiere hacerla improductiva en el corazón del hombre, y empieza a sembrar odio, mentiras, discordia y divisiones que vienen a perjudicar el crecimiento del verdadero creyente en Dios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todo esto se refiere a que al mismo tiempo en que crece el&nbsp;trigo, también lo hace la cizaña, la cual al final del tiempo&nbsp;será levantada, pero el trigo prevalecerá porque es edificado en&nbsp;Cristo Jesús, haciendo evidente que esa cizaña no se mantendrá de pie ante el Reino de Dios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Es importante hacer notar que la espiga de trigo y la de la cizaña son parecidas, lo que humanamente no permite muchas veces identificar el malo del bueno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta parábola explica la coexistencia y, con frecuencia, el entrelazamiento del bien y del mal en el mundo, en nuestra vida y en la misma historia de la Iglesia. Jesús nos enseña a ver las cosas con realismo cristiano y a afrontar cada problema con claridad de principios, pero también con prudencia y paciencia. Esto supone una visión transcendente de la historia, en la que se sabe que todo pertenece a Dios y que todo resultado final es obra de su Providencia. Como quiera que sea, no se nos oculta aquí el destino final de dimensión escatológica de los buenos y los malos, lo que está simbolizado por la recogida del grano en el granero (cielo) y la quema de la cizaña (infierno)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. <u>Parábola de la Semilla de Mostaza</u></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A través de esta parábola se hace evidente como se&nbsp;iniciaba la Iglesia&nbsp;y de como la fe de una persona al ser sustentada en la roca que es Cristo Jesús, podría dar un árbol con grandes frutos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Es por ello que se puede decir que a través de esta semilla de mostaza se convierte en un gran árbol, es decir que la iglesia&nbsp;nacería y se expandiría por todo el mundo,&nbsp;a través de la Palabra dada por Jesús que se multiplicó a través de cada uno de sus discípulos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se trata del crecimiento del Reino en sentido <em>extensivo.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. <u>Parábola de la Levadura</u></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">La&nbsp;parábola de la Levadura&nbsp;se viene a deducir como que no se puede subestimar el potencial de algo pequeño, ya que se hace una similitud de como el Reino de los cielos al llegar a un lugar produce&nbsp;crecimiento y transformación, así como lo hace la levadura que agranda la masa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Es una metáfora sobre como el Espíritu Santo empieza a obrar en la vida del creyente,&nbsp;trayendo una gran transformación&nbsp;desde adentro hacia afuera, activando los dones espirituales y ver tangible el fruto del Espíritu, y así poder ver los cambios sustanciales en la vida de una persona.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muestra su crecimiento en sentido <em>intensivo</em> o <em>cualitativo</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. <u>Parábola del Tesoro Escondido</u></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta parábola se refiere a que cuando una persona se encuentra con el&nbsp;Reino de los cielos&nbsp;en su vida deja a un lado todo aquello que lo desvía de su propósito delante de Dios, y se desprende de aquellas cosas que son estorbo para poder tener esas bendiciones que&nbsp;Dios promete a sus hijos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esto se refiere a que ese tesoro está escondido en un campo que en este caso viene a ser el mundo, y ese tesoro se está refiriendo a esa&nbsp;luz que es la Palabra y enseñanza de Dios, pero muchos no la encuentran porque prefieren seguir la rutina del pecado que es común en el mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. <u>Parábola de la Perla de Gran Precio</u></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">La parábola de la perla de gran precio es la evidencia de como un mercader está buscando una&nbsp;Perla Preciosa, y al encontrarla vende todo lo que tiene para obtenerla, pues ve en ella la oportunidad de obtener todo lo que desea.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta&nbsp;parábola es un símil&nbsp;de lo que ocurre cuando una persona conoce el Reino de los cielos, y esto lo tiene al recibir una palabra que le revela la salvación eterna, y al entender ese mensaje decide tenerla, y dejar todo aquello que puede ser impedimento en tener ese gran regalo tan valioso como es una eternidad delante de Dios.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7. <u>Parábola de la Red</u></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta última parábola se está refiriendo a como será el&nbsp;fin de los tiempos, ya que Jesús en ella está ordenando que la Iglesia debe lanzar la red en el mar y recoger todos los peces que pueda, y&nbsp;Dios en ese caminar transformará las vidas de las personas, para luego apartar aquellos que serán aprobados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">En esta enseñanza se ve como serán recogidos todos esos&nbsp;buenos peces&nbsp;que viene a representar a esa Iglesia que está limpia, sin mancha y que podrá llegar a la eternidad con el&nbsp;Padre Celestial. Luego de ello están esos peces malos que son recogidos y serán juzgados por el Señor, y que tendrá un destino eterno en el infierno.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Conclusión</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Las palabras dirigidas a Pedro en Cesarea de Filipo y que luego son repetidas a los demás discípulos en Mateo 18:18 se inscriben en el ámbito de la predicación sobre el Reino. En efecto, le dice:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Mateo 16:17 Entonces le respondió Jesús: Bienaventurado eres, Simón, hijo de Jonás, porque no te lo reveló carne ni sangre, sino mi Padre que está en los cielos.&nbsp;<br>18 Y yo también te digo, que tú eres Pedro, y sobre esta roca <u>edificaré mi iglesia</u>; y las puertas del Hades no prevalecerán contra ella.&nbsp;<br>19 Y a ti te daré las llaves del <u>reino de los cielos</u>; y todo lo que atares en la tierra será atado en los cielos; y todo lo que desatares en la tierra será desatado en los cielos.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Es una promesa que en ese momento se formula con el verbo en futuro, <em>edificaré</em>, porque la fundación definitiva del Reino de Dios en este mundo todavía tenía que realizarse a través del sacrificio de la cruz y la victoria de la resurrección. Después de este hecho, Pedro y los demás Apóstoles tendrán viva conciencia de su vocación de anunciar las alabanzas de Aquel que les ha llamado de las tinieblas a su luz admirable (1 Pedro 2:9) Al mismo tiempo, todos tendrán también conciencia de la verdad que brota de la parábola del sembrador, es decir, que <em>ni el que planta es algo, ni el que riega, sino Dios que hace crecer</em>, como escribió San Pablo (1 Corintios 3:7)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Juan da voz a esta misma conciencia del Reino cuando afirma en el canto al Cordero: <em>porque tú fuiste inmolado, y con tu sangre nos has redimido para Dios, de todo linaje y lengua y pueblo y nación;&nbsp;y nos has hecho para nuestro Dios reyes y sacerdotes, y reinaremos sobre la tierra.</em>&nbsp; (Apocalipsis 5: 9-10) El apóstol Pedro precisa que <em>nosotros también, como piedras vivas, debemos ser edificados como casa espiritual y sacerdocio santo, para ofrecer sacrificios espirituales aceptables a Dios por medio de Jesucristo</em>&nbsp; (1 Pedro 2:5) Todas éstas son expresiones de la verdad aprendida de Jesús quien, en las parábolas del sembrador y la semilla, del trigo y la cizaña, y del grano de mostaza que se siembra y luego se con vierte en un árbol, hablaba del Reino de Dios que, bajo la acción del Espíritu Santo, crece en las almas gracias a la fuerza vital que deriva de su muerte y su resurrección; un Reino que crecerá hasta el tiempo que Dios mismo previó desde la eternidad.</p>



<p class="wp-block-paragraph">La Figura 29 muestra un resumen de las parábolas del Reino.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="661" height="452" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-856.png" alt="" class="wp-image-148514" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-856.png 661w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-856-300x205.png 300w" sizes="(max-width: 661px) 100vw, 661px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 29. Parábolas del Reino, dichas por Jesús (<em>Alamy, Escritor</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp; CAPÍTULO 5. UN TRONO ETERNO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp; 5.1&nbsp;&nbsp; El Israel literal</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Hay una pregunta crucial que muchos hoy se formulan respecto a si el pueblo actual de Israel aún es el pueblo escogido de Dios, y hasta muchos defienden esta posibilidad como una verdad incuestionable. Ciertamente, la adopción, la gloria, el viejo pacto, la promulgación de la ley escrita en tablas de piedra, el culto, las promesas, los patriarcas, y de donde vino el Señor Jesucristo (Romanos 9:4-5) son patrimonio del Israel terrenal, a quien Dios escogió como su pueblo en el pasado. Hoy ya ese pueblo en su gran mayoría ciertamente se ha olvidado del Señor que les rescató y no aceptan su sacrificio, su señorío y su reinado (porque no han entendido aun el misterio escondido desde la eternidad acerca del Reino de Dios) aunque en realidad ha quedado un remanente santo (Joel 2:32) que le adora. Es por ello que el Diosde Pactos dio por obsoleto el primero, y dio paso al segundo establecido sobre mejores promesas (Hebreos 8:6; 9).</p>



<p class="wp-block-paragraph">En la dispensación presente Cristo edificó Su Iglesia, heredera de ese nuevo pacto, el cual fue establecido a través de su sangre, y que dispuso habitación para todo aquel que en el crea (San Juan 14:6), los cuales en otro tiempo no eran pueblo, y que ahora han sido constituidos nuevo pueblo de Dios (1 Pedro 2:9-10), junto con los judíos que aceptan su sacrificio.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Datos sobre el Israel literal</strong><strong></strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Israel fue el Pueblo escogido por Dios para cumplir Su Voluntad, y para que este le sirviera. Dios prometió a los patriarcas que levantaría un pueblo que le obedeciera (Génesis 12:1-3, Éxodo 19:5-6)</li>



<li>Le dio la ley para que esta fuera de obligatorio cumplimiento por ese pueblo (Éxodo 20:2-17) El pueblo viviendo bajo la ley en cuantiosas ocasiones la desobedeció trayendo en múltiples ocasiones la ira de Dios (Isaías 48:8)</li>



<li>Les dio la buena tierra de Canaán para que la habitasen (Josué 1:2-4)</li>



<li>Siempre Dios fue muy celoso con su pueblo, de tal forma que el quebrantamiento de la ley era delito muy grave delante del Señor, aunque fuera en un solo punto (Deuteronomio 4:24)</li>



<li>Les levantó jueces, sacerdotes, profetas y hasta reyes (como las demás naciones) para que les gobernasen (Jueces, 1 y 2 Samuel, 1 y 2 Reyes, 1 y 2 Crónicas.</li>



<li>Permanecieron como una sola nación hasta que el reino primero unido, fue dividido en Judá e Israel (1 y 2 Samuel, 1 y 2 Reyes)</li>



<li>Les dio grandes victorias sobre enemigos, incluso más poderosos que ellos (Éxodo 14)</li>



<li>Lo desechó al ver que era pueblo duro de cerviz (Éxodo 32:9), aunque siempre quedó un remanente santo (Isaías 5:24) que le siguió obedeciendo.</li>



<li>Extendió su amor para el resto de los gentiles y les prometió entrar en su amor haciendo de dos pueblos, uno solo (Iglesia del Nuevo Testamento) (Efesios 2:14)</li>



<li>El Señor vendrá otra vez a este mundo a buscar a UN SOLO PUEBLO, NO DOS (Mateo 8:11; 24:11; Lucas 13:29)</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Viejo Pacto, Éxodo 19 y 24</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">1. Dios encomendó al pueblo de Israel terreno a cumplir con un grupo de leyes. Estaba lleno de rituales, restricciones y órdenes, y el pueblo debió prometer solemnemente su cumplimiento por sus obras (Éxodo 24:3)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este pacto es una demanda que se hizo al pueblo desde afuera (imposición). El pueblo tenía la obligación de cumplir so pena de desagrado de Dios. Era algo de fuera hacia adentro del hombre. La imposición de tales reglas fue la pesada motivación en el cumplimiento del Pacto (Deuteronomio 4:13)</p>



<p class="wp-block-paragraph">2. La primera manifestación del pacto fue el poder de cada uno para cumplir con el mandato (Gálatas 3:10-12) Se necesitaba de la constancia y fuerza moral del hombre para cumplir con la Ley de Dios. Ellos debían actuar y suplir motivación y energía propias. Esta es una comprometida descripción del Pacto: “<em>Todo viniendo de ellos</em>”. Es decir, “<em>ellos intentando hacer algo por Dios</em>” (Éxodo 24:7)</p>



<p class="wp-block-paragraph">3. El Pacto descansa sobre la plataforma de decir sí a esa imposición. Es una cuestión del hombre el vencer para no faltarle a Dios.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NOTA</strong>: Ese fue el Pacto en acción. El aprender a caminar con una motivación de imposición y plena obediencia estricta como un deber ineludible, so pena de castigo divino.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nuevo pacto, (Jeremías 31:31, 33-34, Hebreos 8:8-13)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">1. Dios va a hacer lo que la gente misma nunca pudo hacer. A pesar de todo su fracaso, les va a restaurar a través de un nuevo proceso o pacto (V31). Dios va a cambiar la motivación de la vida de una persona, para que esta venga desde dentro en vez de desde fuera (V33).</p>



<p class="wp-block-paragraph">El “<em>Nuevo Pacto</em>” es algo puesto dentro de nosotros. Amor es la motivación. El responder en amor por Dios, y por lo que ya ha hecho en nuestra vida y corazón, esa es una nueva motivación.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2. La segunda manifestación es un nuevo poder (V33). Dios mismo es la fuerza de la vida del hombre. El suplirá el poder para actuar. Ellos son los que actúan; Él es el que suple. Esta es una bella descripción del Nuevo Pacto: “<em>Todo viniendo de Dios</em>; <em>nada viniendo de mí</em>”. No “<em>yo intentando hacer algo por Dios</em>”, sino “<em>Dios haciendo algo para mí, por medio de mí, en todo lo que hago</em>”. Ese es el nuevo poder.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3. Una nueva familia (V34): Que podamos conocerle mejor, ser como Él. Los cristianos aunque no se hayan conocido previamente, comparten la misma vida, la de Cristo (Lucas 22:20, 1 Corintios 11:25)</p>



<p class="wp-block-paragraph">4. El Nuevo Pacto descansa sobre esta gran plataforma (V34). Es así como Dios propone ganar esta batalla. Cuando la Ley falla y no podemos responder a esa imposición, Dios no nos echa en cara nuestro fracaso. Su amor estará con nosotros y nos sostendrá. Él es por nosotros, y transformará todas las dificultades por las que estamos pasando para nuestra ventaja, para que nos convierta en gente transformada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NOTA</strong>: Ese es el Nuevo Pacto en acción. Al aprender a caminar en dependencia sobre una nueva motivación y un nuevo poder, en una nueva relación los unos con los otros, descansando sobre el perdón de Dios, descubrimos que están pasando cosas maravillosas en nuestra vida. Ver Figura 30.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="582" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-857-1024x582.png" alt="" class="wp-image-148515" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-857-1024x582.png 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-857-300x171.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-857-768x437.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-857.png 1034w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 30. Extensión del Reino de Cristo a todos los hombres (<em>Wikipedia, El Autor</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Muchos toman la cita de Jeremías 31:36-37 para asegurar que Dios no ha desechado a la nación terrenal de Israel y que permanece fiel a las antiguas promesas. Un verso por sí solo no puede extraerse del contexto, además debe comprobarse con otros escritos para establecer una verdad bíblica. Por ello se deben buscar otras citas que aclaren este punto:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>El pueblo antiguo de Israel traspasó el pacto que hizo Dios con ellos) Isaías 24:5; Jeremías 34:18; Oseas 6:7, 8:1; Zacarías 12:10; Éxodo 32; Números 13) No quiere decir que todos los que habitan ese país, antiguamente escogido por Dios, no son pueblo de Él. Permanecen allí personas que han abrazado el sacrificio de Cristo (remanente) (2 Crónicas 34:21, Esdras 9:8,13-15) llevado a cabo para llamar a otro pueblo (gentil) (Mateo 10:6; 15:24; Lucas 15:4; Juan 10:16, Efesios 2:11-22) a Su amor.</li>



<li>El pacto que estableció con ese antiguo pueblo era débil para salvar, tenía limitaciones (figura del que vendría después) y fue abrogado para dar paso al segundo (esencia). Luego ese pacto nuevo, constituido para todas las naciones, no excluye al Israel terreno. Los israelitas de allí deberán creer en el Señor Jesucristo para ser salvos. Aunque ellos eran pueblo de Dios, el plan de Dios cubrió mayor área terrenal y espiritual a través de Cristo que no murió en vano. También lo hizo por ellos (Juan 3:16)</li>



<li>El reino de Cristo es espiritual (Juan 18:36; Rom. 14:17). No son necesarios tanques de guerra, municiones, aviones de combate, infantería moderna para conquistar por amor a un mundo perdido en el pecado(Juan 3:16)</li>



<li>Israel actual es una entidad política, no espiritual. Las victorias militares de Israel en el siglo pasado (XX) se debieron a su pericia, organización y arrojo en el combate, además, debido a la voluntad de Dios que hace y permite lo que Él quiere (Salmo 24:1)</li>



<li>El profeta decididamente está hablando aquí en símbolos porque Dios ya no tiene hijos de sangre y carne, sino de la promesa (Juan 1:11-13) Así que al hablar de Israel, es el espiritual (Gálatas 6:16)</li>



<li>Las promesas dadas a Israel terrenal eran condicionales (Deuteronomio 28:1-2, 62-63)</li>



<li>Israel desechó al Señor Jesucristo (Mateo 21:33-41, Mateo 22:1-14, Lucas 19:41-44, Juan 1:11-13) Cristo predijo la destrucción de Jerusalén, el templo y los sacrificios y así sucedió tras la invasión del General Tito en 70 d.C. (Mateo 24:1-2)</li>



<li>Las promesas se cumplen hoy en el Israel espiritual que es la Iglesia de Dios (Hebreos 8, Romanos 9-11)</li>



<li>No hay diferencia entre judíos y gentiles (Hechos 10:34-35, Efesios 2:11-22) No hay preferencia entre judíos y palestinos. Ver Figura 31 que muestra la defensa de Pedro delante de los apóstoles  y hermanos de la Iglesia (Hechos 11)</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1011" height="583" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-858.png" alt="" class="wp-image-148516" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-858.png 1011w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-858-300x173.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-858-768x443.png 768w" sizes="(max-width: 1011px) 100vw, 1011px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 31. Pedro ante el Concilio de Jerusalén (<em>Wikipedia y Autor</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp; 5.2&nbsp; El Misterio escondido</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Analicemos ahora Efesios 3:1-9 a fin de establecer un misterio que había estado escondido desde la eternidad, pero que ahora ha sido declarado al Apóstol de los gentiles por revelación:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>1 Por esta causa yo Pablo, prisionero de Cristo Jesús por vosotros los gentiles;&nbsp;<br>2 si es que habéis oído de la administración de la gracia de Dios que me fue dada para con vosotros;&nbsp;<br>3 que por revelación me fue declarado el <u>misterio</u>, como antes lo he escrito brevemente,&nbsp;<br>4 leyendo lo cual podéis entender cuál sea mi conocimiento en el <u>misterio de Cristo,&nbsp;<br></u>5 <u>misterio</u> que en otras generaciones no se dio a conocer a los hijos de los hombres, como ahora es revelado a sus santos apóstoles y profetas por el Espíritu:&nbsp;<br>6 que los gentiles son coherederos y miembros del mismo cuerpo, y copartícipes de la promesa en Cristo Jesús por medio del evangelio,<br>7 del cual yo fui hecho ministro por el don de la gracia de Dios que me ha sido dado según la operación de su poder.&nbsp;<br>8 A mí, que soy menos que el más pequeño de todos los santos, me fue dada esta gracia de anunciar entre los gentiles el evangelio de las inescrutables riquezas de Cristo,&nbsp;<br>9 y de aclarar a todos cuál sea la <u>dispensación del misterio escondido</u> desde los siglos en Dios, que creó todas las cosas;&nbsp;<br>10 para que la multiforme sabiduría de Dios sea ahora dada a conocer por medio de la iglesia a los principados y potestades en los lugares celestiales,</em></strong></p>



<ol class="wp-block-list" style="list-style-type:lower-alpha">
<li>En primer lugar Pablo aclara que dado la misión grande que recibiera del mismo Señor Jesús en el camino a Damasco cuando se disponía a perseguir a la Iglesia de Dios (Hechos 9:15), y que ahora está preso en cadenas debido a la predicación del mismo Evangelio que antes persiguió, tenía la autoridad, como Ministro por el don de Dios, para ser depositario del misterio de Cristo, que le fue revelado para anunciarlo a los hombres.</li>



<li>El misterio no había sido revelado antes pues no era el tiempo de Dios (kairos), pero ahora Dios lo revela a través del apóstol a sus santos profetas y apóstoles a través del Espíritu Santo (Juan 14:26; 16:13, Efesios 2:20, Colosenses 1:24-29)</li>



<li>El misterio escondido en los rincones de la eternidad lo hemos señalado en rojitas y es: <strong><em>que los gentiles son coherederos y miembros del mismo cuerpo, y copartícipes de la promesa en Cristo Jesús por medio del evangelio. </em></strong>O sea que Dios ha querido en su amor y misericordia, hacer a los gentiles (no judíos) partícipes junto a los judíos de la herencia en gloria y la familia de Dios en el Espíritu (Efesios2:15), manifestada por la gracia del Señor Jesucristo, cuya sangre derramada es capaz de limpiar los pecados de toda la raza humana. Esto no era muy comprensible para el pueblo judío que creían en que todo lo concerniente a Dios y sus caminos solo pertenecían a su pueblo, pero, ¡gloria a Dios!, Él estaba edificando un Reinado tan abarcador que puede alcanzar a todos los hombres que deseen integrar la Iglesia de Dios, actual depositaria de las promesas del Señor donde el Reino de Cristo es una bendita realidad presente. Pablo hace un resumen del misterio en una manera triple:</li>



<li>Gentiles coherederos con los judíos.- Comparten con los judíos la misma herencia espiritual que incluye todos los beneficios del pacto de gracia y los pilares de la salvación eterna: adopción, justificación, redención, reconciliación, regeneración, propiciación y santificación. Para entender esta gloriosa herencia se requiere fe y ayuda de Dios, y así el alma se eleva a los confines eternos del cielo.</li>



<li>Mismo cuerpo.- Se trata de la Iglesia de Dios. Los gentiles están incorporados al cuerpo de Cristo, que es la Iglesia (Colosenses 1:18), o sea están ambos pueblos sobre la misma base, en lo que toca a compartir la vida de Cristo.</li>



<li>Copartícipes de la promesa.- Antes, los gentiles estaban ajenos a los pactos de la promesa (Efesios 2:12), pero ahora comparten con los judíos la promesa de vida y salvación (Tito 1:1-3) Ambos pueblos pertenecen a la misma sociedad, o sea disfrutan del don por el cual la sociedad nueva se distingue de la vieja.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">Y esta relación es realizada en Cristo y su cruz (Figura 32) Los gentiles no lo logran abrazando la fe judía. Ocupan el mismo lugar con Cristo que ocupan los judíos. Cuando el Evangelio es predicado efectivamente y bajo la unción del Espíritu Santo produce el nacimiento espiritual de los hombres, sean ricos o pobres, hombres o mujeres, de una u otra nación. Nadie es alguien antes de venir a Cristo, pero todos son de Cristo cuando son unidos a Él (1 Pedro 2:9-10)</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="506" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-859.png" alt="" class="wp-image-148517" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-859.png 1000w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-859-300x152.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-859-768x389.png 768w" sizes="(max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 32. Judíos + gentiles, un nuevo hombre, misterio divino escondido antes, revelado ahora (<em>MIAPIC</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.3&nbsp; El Gran Reino Redentor</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">La palabra redención apunta a uno de los pilares de la salvación por gracia que hoy disfrutamos muchos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Redención: Salvación de la humanidad lograda por Jesucristo con su pasión y su fallecimiento. Jesucristo murió en la cruz para redimir al hombre y permitirle el acceso al Cielo, liberándolo de la culpa del pecado. Ahondando más en la etimología del término, encontramos que en el verbo «redimir» se aprecia el prefijo latino «<em>re</em>» y el verbo «<em>émere</em>», que juntos dan la idea de «<em>volver a comprar o a adquirir</em>». Esto puede servir para entender las acciones de Jesucristo con más claridad, ya que él&nbsp;<em>devolvió a las personas ese estado libre de pecado</em>&nbsp;que habían tenido en el pasado, y para ello tuvo que entregar algo a&nbsp;<em>cambio</em>, nada más y nada menos que <em>su propia vida</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Puede decirse que la&nbsp;Redención&nbsp;es el precio que&nbsp;Jesucristo&nbsp;asume y paga ante&nbsp;Dios&nbsp;para que los&nbsp;seres humanos&nbsp;sean redimidos y puedan alcanzar un estado diferente, llegando al&nbsp;Reino de Dios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Analicemos ahora la cita bíblica de 1 Corintios 15:22-28:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>22 Porque así como en Adán todos mueren, también en Cristo todos serán vivificados.&nbsp;<br>23 Pero cada uno en su debido orden: Cristo, las primicias; luego los que son de Cristo, en su venida.&nbsp;<br>24 Luego el fin, cuando entregue el reino al Dios y Padre, cuando haya suprimido todo dominio, toda autoridad y potencia.&nbsp;<br>25 Porque preciso es que él reine hasta que haya puesto a todos sus enemigos debajo de sus pies.<br>26 Y el postrer enemigo que será destruido es la muerte.&nbsp;<br>27 Porque todas las cosas las sujetó debajo de sus pies. Y cuando dice que todas las cosas han sido sujetadas a él, claramente se exceptúa aquel que sujetó a él todas las cosas.&nbsp;<br>28 Pero luego que todas las cosas le estén sujetas, entonces también el Hijo mismo se sujetará al que le sujetó a él todas las cosas, para que Dios sea todo en todos.</em></strong><strong><em></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De esta cita se desprenden varias verdades:</p>



<ol class="wp-block-list" style="list-style-type:lower-roman">
<li>Habrá una resurrección universal de todos los hombres (Apocalipsis 1:7, Juan 5:25-29)</li>



<li>La resurrección tendrá lugar al tiempo de la segunda venida de Cristo, con un orden dado por Dios (1 Tesalonicenses 4:15-17), pero todo ojo le ha de ver, aun los que le traspasaron (Apocalipsis 1:7, 1 Corintios 15:51-56)</li>



<li>Con la segunda venida de Cristo y la resurrección de los muertos vendrá el fin de todas las cosas, el fin de este mundo, el fin de la oportunidad de ser salvos, el fin del tiempo (1 Corintios 15:24-28)</li>



<li>Con la resurrección de los muertos, el último enemigo, la muerte, será derrotado.</li>



<li>Cristo debe reinar hasta que ponga a todos sus enemigos debajo de sus pues, esto quiere decir que ese reinado no es después, sino mientras que derrote a todos sus enemigos. Entonces no se debe esperar un reinado milenario en el futuro, porque Cristo está reinando ahora. Está claro.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">Así que con esta cita queda demostrado que Cristo tiene un reino ahora, pero lo más importante es que se trata de un Reino Redentor, el cual todos estamos llamados a alcanzar, aunque como el criminal al lado del Señor crucificado, estemos al final de nuestras existencias, pero nos arrepintamos de nuestra vieja vida y abracemos la nueva que por el Señor podemos alcanzar (Efesios 4:22-24)</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Lucas 24:42 Y dijo a Jesús: Acuérdate de mí cuando vengas en <u>tu reino</u>.&nbsp;<br>43 Entonces Jesús le dijo: De cierto te digo que hoy estarás conmigo en el paraíso.</em></strong><strong><em></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Muy importantes las palabras <strong><em><u>reino</u></em></strong> que el criminal comprendió, asegurando que estaba ante el Rey; y la palabra <strong><em><u>hoy</u></em></strong>, que significa actualidad de ese reino, ¡gloria al Señor! Entonces, ¿por qué esperar un reinado de mil años futuro, si hoy podemos estar reinando con Cristo en su reino triunfante sobre la carne, el pecado y el mundo?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CAPÍTULO 6. VICTORIA DE CRISTO SOBRE SATANÁS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">El hecho más glorioso que la raza humana puede experimentar es la ascensión de Cristo al reinado de cada corazón usurpando al diablo el alto puesto que tenía allí.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.1. La misión de Cristo en su primera venida</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Por muchos años Satanás se ha opuesto al Reino de Cristo, como veremos en el capítulo 7, tratando de robar las almas de los hombres a través del pecado y la muerte, o separación espiritual del hombre con su Dios, es decir robó al hombre todos los privilegios que gozaba al salir de las perfectas manos del Creador (Génesis 27:26-31) para ser con Él un ser perfecto que obedeciera en todo a Altísimo. Es por ello que el mundo entero vive en un desosiego total, sumidos en la caída que produce el pecado, llenos de miseria, muerte, tinieblas, enemistad, sufrimientos, etc. Satanás entonces es un usurpador, y se hizo príncipe de las tinieblas y de la potestad del aire de este mundo (Efesios 2:2; 6:12, 2 Corintios 4:4-6)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Es entonces, que como dice San Pablo, el pecado reinó desde Adán hasta Cristo (Romanos 5:12), por lo que la raíz adámica solo es removida de nuestras almas a través de la segunda obra de gracia ganada por Cristo en la cruz: la santificación (1 Tesalonicenses 4:3)</p>



<p class="wp-block-paragraph">La ley de Moisés era débil y tenía limitaciones para salvar al hombre:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Trajo maldición y no justificación (Deuteronomio 27:26, Levítico 18:5, Romanos 3:6-14)</li>



<li>No puede anular la promesa de Dios a Abraham, 430 años antes prometida a Padre de la fe (Romanos 3:15-18)</li>



<li>Tuvo una función muy específica, ser el ayo<a href="#_ftn19" id="_ftnref19">[19]</a> para llevarnos a Cristo (Romanos 3:19-24)</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Solo Cristo pudo salvar a los pecadores, pues Él es el Cordero de Dios que remueve el pecado del mundo, y para eso vino (Juan 1:27), por ello apareció en nuestro mundo, para traer libertad y redención predicando según la promesa de Isaías 32:1-20 y su cumplimiento en Lucas 1:15-16:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>PROMESA: Isaías 32:1 He aquí que para justicia <u>reinará un rey</u>, y príncipes presidirán en juicio.</em></strong><strong><em></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>CUMPLIMIENTO: Lucas 1:14 Después que Juan fue encarcelado, Jesús vino a Galilea predicando el evangelio del <u>reino de Dios</u>,&nbsp;<br>15 diciendo: El tiempo se ha cumplido, y el <u>reino de Dios se ha acercado</u>; arrepentíos, y creed en el evangelio.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Cristo estableció un reinado opuesto completamente al reino que mantenía al hombre esclavo del pecado, de la carne, del yo triunfante. Por ello muchísimas almas fueron libertadas por el ejercicio de su gran poder (Hechos 10:38). Las almas eran sanadas tanto las materiales, como las espirituales, los demonios salían tan solo por orden de Cristo, perdonaba pecados en el acto con autoridad y poder, envió a sus doce discípulos a predicar, a los 70 que regresaron con gozo, les aseguró haber visto a Satanás cayendo desde el trono del corazón humano (Lucas 10:17-18) Todas, absolutamente todas las penurias que la raza humana experimenta en todos los tiempos son producto de ese diablo, el cual fue echado fuera del corazón de aquellos que hemos creído al Evangelio del Reino de Cristo.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Lucas 11:17 Más él, conociendo los pensamientos de ellos, les dijo: <u>Todo reino</u> dividido contra sí mismo, es asolado; y una casa dividida contra sí misma, cae.&nbsp;<br>18 Y si también Satanás está dividido contra sí mismo, ¿cómo permanecerá su <u>reino</u>? ya que decís que por Beelzebú echo yo fuera los demonios.&nbsp;<br>19 Pues si yo echo fuera los demonios por Beelzebú, ¿vuestros hijos por quién los echan? Por tanto, ellos serán vuestros jueces.&nbsp;<br>20 Más si por el dedo de Dios echo yo fuera los demonios, ciertamente el <u>reino de Dios</u> ha llegado a vosotros.&nbsp;<br>21 Cuando el hombre fuerte (el diablo) armado guarda su palacio, en paz está lo que posee.&nbsp;<br>22 Pero cuando viene otro más fuerte que él (Cristo) y le vence, le quita todas sus armas en que confiaba, y reparte el botín.</em></strong><strong><em></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Entendemos entonces definitivamente que la misión especial de Cristo al venir a este mundo fue la de establecer su reinado en el corazón de los hombres, destronando por completo al diablo. Entonces, ¿a qué esperar un reino milenario, si ya estamos reinando con Cristo aquí en la tierra, hollando serpientes y escorpiones espirituales que batallan contra nuestras almas? (Lucas 10:18-19)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cristo restauró lo que el diablo le arrebató al hombre, pero para ello debió morir como un maldito (Gálatas 3:12-14, Filipenses 2:5-11), a fin de satisfacer el requisito de su Padre de que un cordero muriera en nuestro lugar para redimir de una vez y por todas al hombre cuyo corazón estaba esclavizado por el que tenía el imperio de la muerte (Hebreos 2:14) Fue así que yendo a la muerte fue echado el que tenía el poder de la muerte, y Satanás fue destronado del alto puesto que había retenido por muchos años sobre la raza humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.2. La tentación de Cristo en el desierto de Judea</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">La tentación del Señor Jesucristo en el desierto de Judea (Figura33) es de vital importancia para el triunfo del Reino de Cristo. Es por ello que la analizaremos. Dice la Palabra que Cristo fue llevado por el Espíritu al desierto para ser tentado y ayunó por 40 días y 40 noches:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Mateo 4:1 Entonces Jesús fue llevado por el Espíritu al desierto, para ser tentado por el diablo.<br>2 Y después de haber ayunado cuarenta días y cuarenta noches, tuvo hambre.</em></strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="809" height="544" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-860.png" alt="" class="wp-image-148518" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-860.png 809w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-860-300x202.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-860-768x516.png 768w" sizes="(max-width: 809px) 100vw, 809px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 33. Monte de la Tentación en el desierto de Judea donde Cristo fue tentado (<em>Wikipedia</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">El Señor Jesucristo había tenido una gran victoria en el acontecimiento público de su bautismo en el Jordán, pero inmediatamente le siguió una experiencia agonizante, dura y áspera en el desierto de Judea cuando fue tentado por el diablo. En nuestras vidas como santos de Dios, las grandes bendiciones generalmente son seguidas por grandes tentaciones. Esto es una lección para nosotros hoy. Esta horrible tentación y la posterior victoria sobre ella hicieron que su poder alcanzara a los que son tentados (Hebreos 2:17-18) Es de notar que Jesús fue llevado por el Espíritu Santo, lo que quiere decir que a diferencia de los hombres que al ser tentados es fácil pensar que estamos fuera de la voluntad de Dios, el Señor estaba bajo la divina dirección del Padre. El Padre permitiría que el Hijo fuese probado antes de comenzar su salvadora obra pública, como el metal es probado antes de ser usado en un lugar crucial. El diablo abrigaba la esperanza de hacerle caer, cuestión esta que sembraría el precedente de que el cristiano no podría vencer la tentación en su vida, además de las devastadoras consecuencias que traería para el plan de salvación de la raza humana. Todo esto es muy diferente a los sucedido en el Edén cuando a diferencia del Maestro, Adán y Eva estaban acompañados el uno por el otro (Él estaba solo), estaban en un lugar paradisíaco (Él estaba en un lugar desolado) y tenían abundancia de pan (Él estaba hambriento), pero a diferencia de la primera pareja que cayó en la tentación y se labró su muerte espiritual, Él triunfó sobre la tentación.</p>



<p class="wp-block-paragraph">En la Tabla 3 se muestran los detalles de la tentación de Jesús por el diablo en el desierto de Judea.</p>



<p class="wp-block-paragraph">El Señor fue tentado por el diablo, y lo venció con las mismas armas que hoy tenemos a nuestra disposición: la Palabra de Dios (Efesios 6:17)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Efesios 6:17 Y tomad el yelmo de la salvación, y la espada del Espíritu, que es la palabra de Dios;</em></strong></p>



<figure class="wp-block-table"><table><tbody><tr><td><strong>No.</strong><strong></strong></td><td><strong>Provocación del enemigo</strong><strong></strong></td><td><strong>Nivel</strong><strong></strong></td><td><strong>Cita usada</strong><strong></strong></td><td><strong>Respuesta de Jesús</strong><strong></strong></td><td><strong>Cita usada</strong><strong></strong></td></tr><tr><td>1</td><td>Hambre(hacer algo bueno de manera equivocada, obedeciendo al diablo antes que a Dios)</td><td>Físico</td><td>V4</td><td>La Palabra de Dios es más necesaria y preferente</td><td>Deut. 8:3</td></tr><tr><td>2</td><td>Conducta imprudente(no es evidencia de fe, sino de presunción)</td><td>Intelectual</td><td>Sal. 91:11-12</td><td>Resistencia de Jesús al sensacionalismo. Toma el sencillo sendero humilde de obediencia al Padre.</td><td>V7</td></tr><tr><td>3</td><td>Ganar todo el mundo sin ir a la cruz. Alcanzar los objetivos aprobados por el Padre, pero empleando la estrategia de Satanás</td><td>Espiritual</td><td>V8-9</td><td>Ordena a Satanás que se marche, obteniendo victoria completa</td><td>V10, Deut. 6:13, 1 Reyes 19:5-7</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Tabla 3. Detalles de la tentación de Jesús en el desierto de Judea (el autor)</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Satanás no estaba especulando en manera alguna; él pensaba que tenía el poder para someter a Cristo, y en un supremo intento de desbaratar la misión del Maestro, y sabiendo que su poder y reinado iba a ser roto si Cristo iba a la cruz y establecía su Reino, trató en vano de hacerle caer. Cristo soportó estoicamente la tentación, obteniendo redención para la raza humana, por ello nos alienta en Juan 16:33 a tener paz en Él en medio de un mundo de aflicciones porque Él triunfó y nos da poder para vencer también (Juan 14:18-19) Así que la salvación del hombre está completamente asegurada ¡Gloria al Señor!</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Juan 16:33 Estas cosas os he hablado para que en mí tengáis paz. En el mundo tendréis aflicción; pero confiad, yo he vencido al mundo.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.3. La venida del Espíritu Santo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Después de ir a la cruz, nuestro Señor resucitó, lo que constituye la piedra angular de la fe cristiana ya que al vencer la muerte Cristo granjeó para el hombre la salvación eterna (1 Corintios 15:1-17) El ascendió a los cielos y desde la diestra del Padre intercede por nosotros siendo un Mediador excelente ante el Altísimo (Hechos 1:9-11, 1 Timoteo 2:5) Ya en los cielos, Su Padre y Él enviaron al Espíritu Santo, el cual es Dios con nosotros hoy al convencernos de justicia de juicio y de pecado y guiarnos a toda la verdad (Juan 14: 16-17,26; 16:7-14)</p>



<p class="wp-block-paragraph">El Espíritu Santo descendió en Pentecostés cuando el Reino de Dios fue empoderado y la Iglesia, su agencia orgánica visible, fue una realidad en el mundo alcanzando a muchos hombres que se vieron libres del pecado, la muerte espiritual, la carne, el mundo y el diablo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">La Iglesia es entonces un reino de sacerdotes y gente santa, como Dios pretendió fuera el pueblo de Israel en el pasado (Éxodo 19:5-6) y como lo es hoy en el Nuevo Israel (Gálatas 6:16, 1 Pedro 2:9, Tito2:14, Apocalipsis 1:5-6,9a)</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>1 Pedro 2:9 Más vosotros sois <u>linaje escogido, real sacerdocio, nación santa, pueblo adquirido por Dios</u>, para que anunciéis las virtudes de aquel que os llamó de las tinieblas a su luz admirable;&nbsp;<br>Apocalipsis 1:5 y de Jesucristo el testigo fiel, el primogénito de los muertos, y el soberano de los reyes de la tierra. Al que nos amó, y nos lavó de nuestros pecados con su sangre,&nbsp;<br>6 <u>y nos hizo reyes y sacerdotes para Dios, su Padre; a él sea gloria e imperio por los siglos de los siglos. Amén.</u></em></strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Apocalipsis 9a Yo Juan, vuestro hermano, y copartícipe vuestro en la tribulación, <u>en el reino y en la paciencia de Jesucristo</u></em></strong><strong><em></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CAPÍTULO 7. ENEMIGOS DEL REINO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde su surgimiento, el Reino de Cristo ha tenido acérrimos y poderosos enemigos, los cuales lejos de amedrentarlo, lo que han hecho es que, ante la oposición y persecución, el Reino ha experimentado un gran desarrollo, porque es en la confrontación que <em>el Reino</em> <em>se ha hecho fuerte y los valientes lo arrebatan</em> (Mateo 11:12) La idea es que desde que Juan comenzó a predicar que el Mesías había llegado y que El vino a traer salvación y juicio, multitudes corrían con ímpetu y fuerza por entrar en el reino de los cielos, para alcanzar la salvación. Esa es la naturaleza de la fe salvadora. Aquél que posee la fe salvadora se esforzará para llegar a los cielos. El Reino de los cielos sufre violencia, es decir, muchos desean entrar a los cielos y alcanzar la salvación eterna. El sustantivo violento en griego es “<em>biastés</em>” que significa: hombre esforzado o violento. Implica fuerza, vehemencia, dedicación, celo; los que ofrecen violencia en las cosas de Dios heredan el reino de los cielos (Judas 3)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Relacionamos ahora los enemigos que ha tenido el Reino de Cristo, sobre los cuales, ha vencido y vencerá (Apocalipsis 6:2) <strong><em></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7.1. El Paganismo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">La Figura 34 muestra la trayectoria de la Iglesia de Dios, o sea del Reino de Cristo a través de la historia. En ella se destacan los enemigos que este ha tenido a lo largo de esa historia, y pasamos a describirlos. El primero fue el Paganismo (Figura 35), representado en el Apocalipsis como un dragón escarlata que se situó frente a la mujer encinta, o sea la Iglesia (Apocalipsis 12: 1-6) para devorar su criatura, o sea los santos primitivos tan pronto la Madre de todos los creyentes (Gálatas 4:26) diera a luz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">El Paganismo<a href="#_ftn20" id="_ftnref20"><sup>[20]</sup></a>, adoración de imágenes y todo tipo de objetos hasta del mismo hombre, fue desarrollado e impulsado por Roma, y fue el primer enemigo de la naciente Iglesia. Fue un período triste dado la feroz persecución a la que fue sometida. La Figura 36 muestra la imagen de un grupo de hombres adorando un palo. Esta forma primitiva de paganismo está ahora en plena efervescencia en los medios espiritistas de todo el mundo, a pesar de lo desarrollado de este siglo. Bien expresa la palabra de Dios en Habacuc 2:18-20 un <em>ay</em> para los que vayan tras esa torpeza espiritual.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="996" height="565" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-861.png" alt="" class="wp-image-148519" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-861.png 996w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-861-300x170.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-861-768x436.png 768w" sizes="(max-width: 996px) 100vw, 996px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 34. Representación histórica de los períodos de la Iglesia de Dios (<em>El autor</em>)</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="705" height="533" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-862.png" alt="" class="wp-image-148520" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-862.png 705w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-862-300x227.png 300w" sizes="(max-width: 705px) 100vw, 705px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 35. La Mujer (Iglesia de Dios) y el Dragón escarlata (el diablo en la forma del Paganismo romano, Apoc. 12 (<em>Goodsalt.com</em>)</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="600" height="493" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-864.png" alt="" class="wp-image-148522" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-864.png 600w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-864-300x247.png 300w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 36. Imagen del Paganismo (hombres adorando un simple palo). Esta es la base de la adoración actual en medios espiritistas (Hab. 2:18-20) (<em>Wikipedia</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">La Figura 35 muestra una imagen de la Iglesia simbolizada por una mujer vestida del sol (Cristo) con la luna (Ley de Moisés) debajo de sus pies y una corona de 12 estrellas en su cabeza (12 apóstoles del Cordero) la cual estaba encinta. Esta gravidez no significa para nada que esa mujer Iglesia iba a parir a Jesucristo, como muchos enseñan, porque la Iglesia no puede dar a luz al Señor, sino por el contrario, Jesús da a luz a la Iglesia cuando muere por ella.</p>



<p class="wp-block-paragraph">El dragón bermejo simboliza el Imperio Romano bajo su forma pagana. La mujer representa la Iglesia en dos fases; la fase representada por el niño es la fase de la Iglesia que fue quitada de la tierra debido a la persecución y al martirio, mientras la otra fase se trata de la mujer que huyó al desierto y es la que continuó en la tierra, pero escondida en cuevas y catacumbas debido a la gran apostasía que sobrevino. Después aparece una gran batalla de Miguel y sus ángeles, que no es otro que Cristo y sus ángeles contra el gran dragón (Apocalipsis 12:1-11) Esto representa el conflicto primitivo entre la Iglesia y el paganismo, pero el dragón fue echado del cielo, o sea del corazón de los hombres que aceptaban a Cristo como su Salvador. Este conflicto es bien narrado en la Historia secular. Mientras los paganos lucharon con espada, tormento, persecución sin tregua, bestias de la tierra, martirio de miles de santos de Dios en el círculo romano<a href="#_ftn21" id="_ftnref21">[21]</a> (Figura 37), incendiándolos como postes de alumbrado, etc., los discípulos de Cristo, cual David contra Goliat (1 Samuel 17:26-54), fueron en el nombre de Su Maestro Redentor, y la palabra de su gran testimonio público, y gracias a Dios, vencieron. Ellos tuvieron en poco sus vidas con tal de agradar al Señor que les rescató. Con este testimonio muchos paganos fueron convertidos al Evangelio de paz, llegando incluso el tiempo bajo el Emperador Constantino<a href="#_ftn22" id="_ftnref22">[22]</a> que los templos paganos fueron destruidos, quedando el cristianismo como religión del imperio. Ellos reinaron en sus vidas junto al Rey de reyes, Jesús, que ya había establecido su reino en el mundo.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="842" height="598" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-866.png" alt="" class="wp-image-148524" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-866.png 842w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-866-300x213.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-866-768x545.png 768w" sizes="(max-width: 842px) 100vw, 842px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 37. Mártires cristianos en el Coliseo o Circo romano (<em>Alamy</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">El período del reinado del Paganismo fue entre el 33 y hasta el 530 d.C.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a><strong>PERÍODO DE 33-270 d.C.</strong></a></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Comienzo glorioso de la Iglesia que Cristo edificó. (Hechos 2:42-47; 4:32-35, Lucas 18:38). Todo comenzó como UN SOLO PUEBLO, UN SOLO REBAÑO. Solo estaban en la escena religiosa los judíos (fariseos, escribas, esenios, samaritanos y saduceos), los paganos y la Iglesia de Dios.</li>



<li>IGLESIA viene del griego <em>ecclesia</em> que significa &#8220;los llamados a salir fuera&#8221;. El Señor no se unió a ningún grupo desprendido de la doctrina de Moisés, sino que formó Su Iglesia llamándolos a salir de sectas fundadas por hombres.</li>



<li>Ya a finales del período y aún antes de ese tiempo los hermanos estaban dejando (no perdiendo) el primer amor (Filipenses 2:19-21), aunque siempre quedó un remanente santo ¡Gloria a Dios!</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><a><strong>PERÍODO DE 270-530 d.C.</strong></a></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Florecimiento del Paganismo (adoración de las criaturas antes que a Su Creador). Comienzo de apostasía (vivir sin ley).</li>



<li>La Roma Pagana perseguía a los santos de Dios y muchos sucumbieron ante esta persecución. Comenzó a desmembrarse ese único pueblo que comenzó tan gloriosamente.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7.2 El Catolicismo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">La Figura 38 muestra la imagen de la bestia que es descrita en Apocalipsis 13:1-10 y 17:1-12), segundo enemigo del Reino de Cristo, el cual tuvo preponderancia en la escena religiosa desde el 530-1530 d.C. Es necesario destacar que fue un tiempo de nublado espiritual (Ezequiel 34:12) donde el Catolicismo reinó en el mundo religioso sin ninguna oposición. Este período fue funesto para los cristianos verdaderos que sufrieron persecución y muerte ya que este sistema no aceptaba oposición alguna so pena de morir en una hoguera, ser aserrado, ser descuartizado, ser empalado, ser crucificado, y muchas otras formas de asesinato que se practicaron con la Biblia en la mano, describiendo un capítulo tristísimo en la historia de la humanidad, a la cual este sistema le debe mucho, y no será posible que pague. Este período tiene las características siguientes:</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="565" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-867.png" alt="" class="wp-image-148525" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-867.png 950w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-867-300x178.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-867-768x457.png 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 38. La Bestia que surge del mar (Catolicismo) (<em>Escuela sabática</em>)</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Florecimiento del Catolicismo (aproximadamente 1 000 años. La apostasía había hecho su obra mortal entre los santos de Dios a través del trono papal (2 Tesalonicenses 2:3-4).</li>



<li>Los falsos profetas abundaban (Núm. 25:1-3; 31:14-16).</li>



<li>Una parte de la Iglesia cayó en fornicación espiritual (creer que María es corredentora con Cristo, la misa (ceremonia que celebra el sacrificio de Cristo, ofreciendo cuerpo y sangre bajo las especies de pan y vino), las penitencias y la confesión son formas de alcanzar la salvación). También el celibato sacerdotal y la veneración y adoración de imágenes en los templos, entre muchas otras doctrinas y tradiciones de hombres. Cristo es el único mediador entre Dios y los hombres (1 Timoteo 2:5).</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Un estudio concienzudo de las profecías contenidas en la Palabra de Dios junto a acontecimientos históricos perfectamente ciertos y verificables pueden arrojar la verdad sobre este personaje, que no es uno como tal, sino varios que se tienen sí, un mismo espíritu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Es preciso conocer la identidad y trabajo de este espíritu que se opone a Cristo o quiere tomar el lugar de Cristo para destruir la verdad de Dios en cada corazón humano y llevarlo a la perdición eterna.</p>



<p class="wp-block-paragraph">En la Palabra existen varias citas donde se menciona la palabra ANTICRISTO, O ANTICRISTOS. El apóstol San Juan, como nadie, nos habla con insistencia sobre ese espíritu: 1 Juan 2:18, 1 Juan 4:1, 2 Juan 7-11. 7.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Algunas características:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>La palabra viene del griego αντιχριστός, esto es (i.e.) &#8220;opositor de Cristo, “o que &#8220;pretende ocupar el lugar de Cristo“.</li>



<li>No acepta que Jesús es el Cristo (Mesías) o que Él es el Hijo de Dios. — 1 Juan 2:22.</li>



<li>Se opone a Cristo, el Ungido de Dios. — Salmo 2:1, 2; Lucas 11:23.</li>



<li>Finge ser el Cristo. — Mateo 24:24. Aparece como apóstoles de Cordero, pero predican un Cristo diferente (2 Corintios 11:3-45; 13-15)</li>



<li>Persigue a los seguidores de Cristo, porque, como Jesús dice, quien persigue a sus seguidores persigue a Jesús mismo. — Hechos 9:5.</li>



<li>Dice que él apoya al cristiano, pero impulsa a hacer lo que está errado y engaña a otros. (Mateo 7:22, 23; 2 Corintios 11:13)</li>



<li>Además de hablar de individuos que actúan como anticristos, la Palabra también se refiere a ellos colectivamente como el Anticristo (2 Juan 7). El espíritu del Anticristo siempre ha estado activo. La Palabra había advertido que eso iba a acontecer (1 Juan 4:3)</li>



<li>Recalcamos que aunque la Palabra parece referirse a una personalidad como enseñan hoy muchos maestros, realmente es un <em>espíritu</em> que ha estado presente siempre en la historia de la Iglesia.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">En nuestra modesta opinión, San Agustín <a href="#_ftn23" id="_ftnref23">[23]</a>definió muy correctamente este espíritu presente en toda la historia del cristianismo. Destacadas en letras itálicas están las frases con las que de forma desnuda y viral este eminente teólogo desnudó este espíritu.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;Son ciertamente anticristos todos los que salen de las Iglesias y se separan de su unidad. O sea, los que se van al mundo por sus pasiones carnales y abandonan a Dios. Nadie lo dude; como pasó con la iglesia del mismo Juan: Salieron de entre nosotros, pero no eran de los nuestros, pues, si hubiesen sido de los nuestros, sin duda hubiesen permanecido con nosotros. Resulta evidente, por tanto, que es anticristo cualquiera que, en vez de permanecer con nosotros los cristianos, salga de nosotros. ¿Y cómo se prueba que son anticristos? Por su mentira. (&#8230;) Hemos hallado a los anticristos mismos: quien niega a Cristo con sus obras es un anticristo, Quien dice que Jesús fracasó en la cruz del Calvario es anticristo. Quien se hace llamar sucesor de Cristo es un anticristo, todo el que busque grandeza y adoración la cual únicamente pertenece al Rey de reyes es un anticristo. No presto oído a lo que suena al oído, sino que pongo los ojos en cómo vive. (&#8230;) Mentiroso consumado es el anticristo que confiesa con la boca que Jesús es el Cristo y le niega con las obras. Por eso es mentiroso, porque dice una cosa y hace otra. (&#8230;) Ahora ya, hermanos, si son las acciones las que han de ser sometidas a examen, encontramos no sólo que hay muchos anticristos que salieron, sino que hay muchos otros, aún no al descubierto, que no han salido en absoluto. (&#8230;) Pero si no quieres y amas y te abrazas a tus pecados, estás contra Cristo. Estés fuera, estés dentro, eres un anticristo; estés dentro, estés fuera, eres paja. ¿Por qué entonces no estás fuera? Porque te ha faltado el viento favorable. ““San Agustín de Hipona&#8221;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ahora bien, este espíritu habita en el sistema católico, lo cual constituye una base moderna para su establecimiento y peligroso empoderamiento actual. Comencemos por el sueño del rey babilónico, Nabucodonosor interpretado por el profeta Daniel (Daniel 2:31-35) y que coincide con el sueño del profeta en Daniel 7:1-8, como una confirmación de Dios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">La Figura 39 muestra la imagen que el rey vio en sueños y la interpretación, también vista en sueños, de Daniel, mientras que la Figura 40 muestra la piedra, lanzada sin mano (Roca de los siglos) que destruyó la imagen y que significa la destrucción de cada gran imperio y el establecimiento final del Reino eternal de Cristo.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1012" height="575" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-863.png" alt="" class="wp-image-148521" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-863.png 1012w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-863-300x170.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-863-768x436.png 768w" sizes="(max-width: 1012px) 100vw, 1012px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 39. Imagen del sueño del rey Nabucodonosor (<em>jw.org</em>)</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="945" height="537" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-865.png" alt="" class="wp-image-148523" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-865.png 945w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-865-300x170.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-865-768x436.png 768w" sizes="(max-width: 945px) 100vw, 945px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 40. Piedra que destruyó la imagen (Reino de Cristo) (<em>Editorial La Paz</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">La Figura 41 muestra las bestias que Daniel vio en su sueño del capítulo 7 de su libro, y que es una confirmación del mensaje de Dios al profeta para que escribiera los hechos que se iban a manifestar a nivel mundial.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="974" height="575" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-868.png" alt="" class="wp-image-148526" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-868.png 974w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-868-300x177.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-868-768x453.png 768w" sizes="(max-width: 974px) 100vw, 974px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 41. Las 4 bestias que Daniel vio (<em>Recursos bíblicos</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">La Figura 42 muestra el cuerno pequeño que surgió de entre los 10 cuernos del sistema romano y que tiene especiales características que le proporcionan una base para sostener a nivel mundial todo espíritu de anticristianismo. Las 10 divisiones del imperio romano, que aparecen destacadas en la figura, se mencionan a continuación:</p>



<p class="wp-block-paragraph">1. Francos (Hoy Francia)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 6. Ostrogodos (exterminados)</p>



<p class="wp-block-paragraph">2. Alemanis (Hoy Alemania)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 7. Suavos (Hoy Portugal)</p>



<p class="wp-block-paragraph">3. Herulios (exterminados)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 8. Anglosajones (Hoy Inglaterra)</p>



<p class="wp-block-paragraph">4. Burgundianos (Hoy Suiza)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 9.&nbsp; Lombardos (Hoy Italia)</p>



<p class="wp-block-paragraph">5. Vándalos (exterminados)                             10. Visigodos (Hoy España)</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="589" height="333" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-869.png" alt="" class="wp-image-148527" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-869.png 589w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-869-300x170.png 300w" sizes="(max-width: 589px) 100vw, 589px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 42. El cuerno pequeño y sus características (<em>Wiki index</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">La Tabla 5 denota una comparación entre Daniel 7 y Apocalipsis 13 que señalan inequívocamente la identidad del Catolicismo Romano como principal sistema sostenedor del anticristianismo.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="992" height="563" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-870.png" alt="" class="wp-image-148528" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-870.png 992w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-870-300x170.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-870-768x436.png 768w" sizes="(max-width: 992px) 100vw, 992px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tabla 5. Comparación entre Daniel 7 y Apocalipsis 13 (<em>El autor</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">La Tabla 6, de forma muy explicativa y haciendo un resumen, enseña diferentes nombres que la Biblia da al Papado, señalando varias características de ese sistema, que lo hacen triste merecedor de la base de todo espíritu de anticristianismo.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="980" height="551" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-871.png" alt="" class="wp-image-148529" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-871.png 980w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-871-300x169.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-871-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 980px) 100vw, 980px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="980" height="551" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-872.png" alt="" class="wp-image-148530" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-872.png 980w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-872-300x169.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-872-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 980px) 100vw, 980px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabla 6. Identificación del espíritu del Anticristo en el Catolicismo (<em>Wikipedia</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Hacia el año 1530 d.C. un movimiento mundial de Reforma religiosa tuvo lugar con Juan Calvino<a href="#_ftn24" id="_ftnref24">[24]</a>, en Inglaterra y Martín Lutero<a href="#_ftn25" id="_ftnref25">[25]</a> en Alemania como sus mayores expositores. Este movimiento paró en seco el poder absoluto del Papado. Fue un período de más de mil años en que los santos de Dios fueron martirizados, y la mujer apóstata, o sea la Iglesia Católica Apostólica y Romana se embriagaba con la sangre de los mártires de Jesús (Apocalipsis 17:6), pero el Cordero venció ese poder a través de los reformadores que le infligieron una herida mortal, aunque realmente fue sanada de esta herida pues volvió a aparecer su fea cabeza en el ámbito espiritual (Apocalipsis 13:3)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7.3 El Denominacionalismo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">La Figura 43 muestra una bestia que no es tan horrorosa, la cual Juan ve surgir de la tierra (Apocalipsis 13:11-18) Esta bestia representa otro sistema contrario a la verdad de Dios, el cual, usando el nombre de Cristo, proclama representar el verdadero pueblo de Dios. De la misma forma que en los versos 1-10 de Apoc. 13, donde el Dragón dio su autoridad a la bestia que surgió del mar, o sea el Sistema Católico, también en esta Bestia ese dragón está presente ya que la misma hablaba como este mitológico animal (verso 11b). Esto lleva a concluir que detrás de cada sistema religioso falso está la influencia engañosa y anticristiana del dragón, que es el diablo en la forma del Paganismo.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="904" height="681" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-874.png" alt="" class="wp-image-148532" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-874.png 904w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-874-300x226.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-874-768x579.png 768w" sizes="(max-width: 904px) 100vw, 904px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 43. La segunda bestia surgida de la tierra, representativa del Denominacionalismo (Apocalipsis 13:11-18) (<em>Wikipedia</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fijémonos en las características fundamentales de esta bestia:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Sube de la tierra, es decir su origen no es divino, sino es un sistema de hombres (Apoc. 12:1, la mujer que aparece en el cielo es la Iglesia, esta es de origen divino). También ver Santiago 1:17.</li>



<li>Tiene dos cuernos que le dan una apariencia benévola ya que parece un cordero. Estos dos cuernos representan el sostén que tuvo el sistema, o sea Alemania (con Lutero) e Inglaterra (con Calvino).</li>



<li>Contrario a la primera bestia de los versos 1-10, no parece ser tan engañosa, su engaño no es tan palpable, o sea es más atractiva. El sistema que ella representa es mucho más atractivo en el orden espiritual.</li>



<li>Sus ministros no son enviados, se envían a ellos mismos (Jeremías 14:14-15; 23:21)</li>
</ul>



<figure class="wp-block-table"><table><tbody><tr><td><strong>No.</strong><strong></strong></td><td><strong>CARACTERÍSTICA</strong><strong></strong></td><td><strong>DRAGÓN (PAGANISMO)</strong><strong></strong></td><td><strong>2DA. BESTIA</strong><strong></strong> <strong>(DENOMINACIONALISMO)</strong><strong></strong></td></tr><tr><td>1</td><td>ADORACIÓN</td><td>Muchas formas (Adore<em> en la forma que desee).</em></td><td>Muchos grupos cristianos (Vaya al de su preferencia).</td></tr><tr><td>2</td><td>CRENCIAS O DOGMAS</td><td>Muchas formas de creer y muchos dioses que adorar.</td><td>Muchas formas de adoración y muchos ministros que obedecer.</td></tr><tr><td>3</td><td>DIVISIÓN</td><td>Justifica la cantidad de dioses y dogmas.</td><td>Justifica la cantidad de denominaciones.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tabla 7. Comparación entre el Paganismo y el Denominacionalismo (<em>el autor</em>)</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Ejerce toda la autoridad de la primera bestia en presencia de ella ya que muchas de las naciones (Alemania, Inglaterra, Suecia, Noruega, Dinamarca, Holanda y Suiza) y hombres católicos como Yiye Ávila, Cesar Castellanos, Cash Luna, Emma Claudia Castellanos, Yuri (cantante), entre otros muchos, se hicieron protestantes.</li>



<li>El Sistema Protestante le hace imagen o refleja a la Iglesia Católica ya que ambos son sistemas de hombres, el uno espera por la guianza del papa y el otro por su fundador o líder (Tabla 7)</li>



<li>En este sistema se hacen señales. Muchas de estas señales son hechas por los ministros del ocultismo. <em>En nuestros días, han salido a la palestra agoreros del fin del mundo, heraldos de juicios divinos, pregoneros de catástrofes, teólogos de mal agüero, profetas de pacotilla…, ante la pandemia provocada por el coronavirus en 2019. Todos tienen un denominador común: mercadear con la fe provocando miedo. ¡Qué lejos están del evangelio y de la intención de Jesús de Nazaret! Las señales de Jesús estaban orientadas a dar luz, a aclarar cómo es el Dios que le enviaba, no a anunciar juicios apocalípticos.</em><a href="#_ftn26" id="_ftnref26"><sup>[26]</sup></a> Tales señales aún engañan a los escogidos. </li>



<li>Hizo matar debido a que, en parte, por su causa tuvieron lugar las guerras entre católicos y protestantes<a href="#_ftn27" id="_ftnref27"><sup>[27]</sup></a>. No es ese el espíritu de la Iglesia de Dios (Lucas 9:51-56)</li>



<li>Cristo advirtió acerca de falsos Cristos y falsos profetas en Mateo 7:15; 24:23-24)</li>



<li>Se le llama también FALSO PROFETA (Apocalipsis 16:13; 19:20; 20:10), debido a que se hace pasar por enviado de Dios, cuando en verdad surgió de la tierra, de ideas y mentes humanas.</li>



<li>Hablaba como dragón, es decir su forma de operar se asemeja a la forma de operar del Paganismo. Como la Babel del capítulo 11 de Génesis, habla diferentes lenguajes religiosos.</li>



<li>Este fue el tiempo que el dragón fue suelto de su prisión (Apocalipsis 9:1-3; 20:2-3)</li>



<li>Adorar la primera bestia es adorar al dragón, y adorar la segunda bestia es adorar la primera.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Merece atención aparte la marca de la bestia. Muchos creen en estas marcas que se harán de forma literal en las manos y frentes de las personas, pero esto también es una expresión simbólica. La frente es usada para representar la mente y el espíritu del hombre (Ezequiel 3:7-9). Ser marcado en la mano es señal de compañerismo y comunión (Gálatas 2:9). Los que mantienen comunión con este sistema blasfemo de la bestia, así como han aceptado en sus mentes y corazones su doctrina, están marcados en frente y manos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">La marca 666 es la de UN ANTICRISTO, no del Anticristo. Esta no tiene que ver con un evento futuro, sino con uno pasado cuando la bestia reinó sin oposición durante 42 meses, 1 260 días, tres años y medio, o tiempos y tiempo y la mitad de un tiempo. Dice la palabra en Apocalipsis 13: 18 que el número de la bestia es 666 y esto no es más que: VICARIUS FILII DEI (VICARIO DEL HIJO DE DIOS). La Figura 44 expresa los títulos de la Iglesia Apostólica Romana, aquella bestia a la cual la2da. Bestia, también llamada falso profeta hace imagen. Todos los títulos suman 666.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="441" height="371" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-875.png" alt="" class="wp-image-148533" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-875.png 441w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-875-300x252.png 300w" sizes="(max-width: 441px) 100vw, 441px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 44. Títulos de la Iglesia Católica Romana. Todos suman 666 (<em>Wikipedia</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">En la actualidad casi un 40 % de los cristianos pertenecen a una iglesia protestante. Luteranos, calvinistas, anabaptistas, anglicanos y otras más. El luteranismo se consolidó en los principados alemanes y en los países escandinavos. Esta doctrina se ha mantenido a lo largo del tiempo, pero en su interior surgió otro movimiento en el siglo XVll, el <em>pietismo</em><a href="#_ftn28" id="_ftnref28">[28]</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Una denominación religiosa es un subgrupo dentro de una religión que opera bajo un nombre, tradición e identidad comunes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">El término se refiere principalmente a las diversas denominaciones cristianas (por ejemplo, ortodoxo oriental, católico romano y muchas variedades de protestantismo). También se utiliza para describir las cuatro ramas del judaísmo (ortodoxo, conservador, reforma y reconstruccionista). Dentro del Islam, puede referirse a ramas o sectas (como sunitas, chiitas y ahmadíes), así como a sus subdivisiones y sucumbas, escuelas de jurisprudencia, escuelas teológicas y movimientos religiosos. La denominación religiosa más grande es el Islam sunita, seguido por el catolicismo romano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ahora bien, ¿Es el &#8220;Denominacionalismo&#8221; del orden de Dios o de los hombres?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todo cristiano ha mirado más o menos a la Palabra de Dios (la Biblia) para encontrar el camino a la salvación, pero parece que muy pocos, después de ser salvos, han buscado la Palabra para encontrar cómo el Señor los reuniría para adorar y ministrar. Aunque todo el mundo cree que sólo hay una manera de ser salvo, muchos consideran que cada uno se queda la opción para sí mismo de cómo debe adorar. Como resultado, la mayoría de los cristianos adoran a cada uno en su propia forma o estilo propio de su afiliación confesional, aunque el modelo de Dios para la verdadera adoración cristiana y ministración permanece claramente revelado en la Biblia (Juan 4:21-24) Es apropiado que todo creyente auténtico busque las Escrituras para aprender cuál es Su voluntad en este importante asunto. En la Figura 43 se observa una imagen de los espíritus de los opositores al Reino de Cristo (Apocalipsis 16:13) que son a manera de ranas, o sea habitan en lugares terrenales, no celestiales, dado que las ranas habitan tanto en la tierra como en el agua (Figura 45)</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="866" height="454" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-876.png" alt="" class="wp-image-148534" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-876.png 866w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-876-300x157.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-876-768x403.png 768w" sizes="(max-width: 866px) 100vw, 866px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 45. Espíritus de los opositores al Reino de Cristo (el dragón, la bestia, el falso profeta) a manera de ranas (Apocalipsis 16:13) (<em>Editorial La Paz</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos estos sistemas contrarios al Reino de Cristo forman los que la Palabra llama Misterio Babilonia, el cual en Apocalipsis 18 se predice un tiempo de una gran reformación que da lugar al progreso del Reino de Cristo en el cual la caída de este sistema babilónico (o de confusión religiosa) es caído y el verdadero pueblo de Dios es llamada a <em>salir de allí</em> (Apocalipsis 18:4) Aquí se presenta la separación espiritual de la Iglesia inmaculada de todo el conjunto apóstata en la tarde del día del Señor. De ella se habla en Apocalipsis 15:2-4. El mar de vidrio es la pureza y santidad de Dios mezclado con el fuego del Espíritu Santo donde la Iglesia vencedora sobre los sistemas blasfemos del Catolicismo y el Denominacionalismo se coloca de pie sobre cantando el himno de victoria, el cántico de Moisés de Éxodo 15 cuando los israelitas cruzaron el Mar Rojo. Ver Figura 46. El Señor quiere dejar claro que si Israel no recibe bendición no es porque Él falló o falló su Palabra, sino porque los israelitas no siguieron el orden de Dios. Moisés invita al pueblo a que vean el pasado y analicen en qué punto se desviaron.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Es preferible referir las dos expresiones de canto a un único canto, que sería precisamente el de Apocalipsis 15:3-4. Si Juan lo designa con dos expresiones diversas, se debe a que este canto, en el cual los vencedores de la Bestia agradecen a Dios su redención y su victoria, conseguida en virtud de la sangre del Cordero, se inspira en el himno con que los israelitas expresaron su gratitud por la liberación de Egipto, guiados por Moisés. Para los judíos del tiempo de Cristo, en efecto, el paso del mar Rojo era tipo y prefiguración de la redención mesiánica; Moisés era tenido por el primer libertador; Jesús por el segundo. El canto está compuesto íntegramente con material del AT. Los cantores exaltan las obras y los caminos de Dios, o sea, su intervención poderosa, sabia, justa y bondadosa en la historia. Con tales expresiones se refieren, ante todo, a la obra de la redención, y manifiestan, alegres, su seguridad de que al fin nadie rehusará a Dios, el único santo, el honor y la gloria, y que aun los paganos acabarán por someterse a él, cuando todos sean testigos de su justicia al premiar y al castigar. De esta esperanza se hicieron eco los salmos y profetas. </em>[Extraído de A. Wikenhauser, El Apocalipsis de San Juan. Barcelona, Ed. Herder, 196]</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>2 Vi también como un mar de vidrio mezclado con fuego; y a los que habían alcanzado la victoria sobre la bestia y su imagen, y su marca y el número de su nombre, en pie sobre el mar de vidrio, con las arpas de Dios. <br>3 Y cantan el cántico de Moisés siervo de Dios, y el cántico del Cordero, diciendo: Grandes y maravillosas son tus obras, Señor Dios Todopoderoso; justos y verdaderos son tus caminos, Rey de los santos. <br>4 ¿Quién no te temerá, oh Señor, y glorificará tu nombre? pues sólo tú eres santo; por lo cual todas las naciones vendrán y te adorarán, porque tus juicios se han manifestado. </em></strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="570" height="236" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-877.png" alt="" class="wp-image-148535" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-877.png 570w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-877-300x124.png 300w" sizes="(max-width: 570px) 100vw, 570px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 46. Paso del Mar Rojo por los israelitas (<em>Guioteca</em>)/ Cántico del Cordero sobre el mar de vidrio representativo de la santidad de Dios (<em>Twitter</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7.4 El Octavo Enemigo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">En el libro de Apocalipsis capítulo 17:3-6 Dios nos habla acerca de la visión del Apóstol Juan sobre una bestia color escarlata, la cual trae una mujer ebria, con un nombre blasfemo y vestida pomposamente (Ver Figura 47) Se trata de la Falsa Iglesia, madre de las rameras espirituales de todo el mundo (V5), con una copa llena de las abominaciones cometidas por ella contra el Señor (V4, 1 Corintios 6:16) y enarbolando falsas verdades (Mateo 7:6, Apocalipsis 3:18) Entendemos por la Palabra que representan el sistema católico romano que sostiene a la Babilonia o confusión religiosa global.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="592" height="393" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-878.png" alt="" class="wp-image-148536" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-878.png 592w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-878-300x199.png 300w" sizes="(max-width: 592px) 100vw, 592px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 47. El octavo y último enemigo de la Iglesia (Apocalipsis 17) (<em>YouTube)</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No es objetivo explicar hasta la saciedad estos interesantes símbolos en este artículo, solo enfatizaremos en lo que al presente tema se refiere. Interpretamos que ambas poseen un mismo espíritu religioso falso que ha habitado en todos y cada uno de los siete períodos de existencia de la Iglesia de Dios en el mundo. Pero, se nos habla también de un <em>octavo reino o bestia</em>, la cual exhibe los espíritus religiosos falsos existentes en todos los períodos de la Iglesia, y que representa el último enemigo al cual ésta deberá enfrentarse (Apocalipsis 17:11) Se trata de la más peligrosa amenaza espiritual contra el pueblo de Dios. Si bien los enfrentamientos contra la Iglesia en el pasado fueron abiertos y directos, este último es fino, encubierto y astuto. Aparentemente no existe siquiera una feroz y relativa persecución expresa. Es precisamente este movimiento religioso falso quien intentará representar la reunión (no unidad) de todas las religiones conocidas y por conocer, en una sola religión mundial, donde lo más peligroso es que no importaría el credo de cada cual, aún si alguna negara la divinidad y señorío de nuestro Señor Jesucristo, cruciales para la salvación de la raza humana. Estos intentos ecuménicos no son nuevos. Hace ya muchos años que el espíritu religioso falso habita en el Movimiento Ecuménico Mundial, pero actualmente se ha exacerbado a través de la acción intercesora del Papado, puntualizado en encíclicas, reuniones y visitas, incluso, a líderes religiosos antes enemigos acérrimos del catolicismo romano, como el líder ortodoxo cristiano. También conocemos que muchas denominaciones cristianas, fieles al espíritu falso del sistema protestante, han comulgado entre sí y con el sistema católico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">En este epígrafe solo destacaremos varios hechos que con una evidencia brutal nos acerca al pensamiento e intenciones de la Iglesia Católica, guiada por el espíritu del Anticristo, en el contexto mundial actual y que reafirma ser parte importante del <em>octavo enemigo de la Iglesia</em>. Se trata de las doctrinas que enarbola su flamante líder, el Papa Francisco, y que ha dejado boquiabierto al mundo. A continuación mencionamos varias de ellas:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Llamamiento para un Nuevo Pacto Educativo Mundial.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Lanzado el pasado 12 de septiembre de 2019, el Papa Francisco convocó a la sociedad mundial para participar en un evento global que se celebró en octubre de 2020, en Roma, Italia, con la intención de consolidar un <em>NUEVO PACTO EDUCATIVO GLOBAL</em> con los pretendidos objetivos primordiales de cuidar el medio ambiente y lograr el fomento de una mayor solidaridad mundial. Participaron del mismo los líderes del mundo en varios ámbitos: político, humanitario, religioso, económico, cultural, científico; para suscribir con ellos una alianza estratégica. El llamado también se extendió a exponentes de organizaciones internacionales y de diversas instituciones humanitarias, científicos y pensadores, economistas, educadores, sociólogos y políticos, artistas y deportistas. Este pacto señala tácitamente a la Iglesia Católica como el próximo líder mundial que gobernaría en un Nuevo Orden Mundial, el cual la Biblia le ha llamado el Octavo y último sistema o Reino que se levantaría contra la Iglesia, según Apocalipsis 17. Se trata del trampolín que el enemigo de las almas ha orquestado para introducir ese nuevo orden, con sometimiento total a los designios papales.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>El Papa Francisco ha emitido tres encíclicas, las cuales cada vez se acercan más a las herejías más profundas que se puedan tolerar y que señalan al sistema católico como un líder espiritual del <em>octavo enemigo de la Iglesia</em>: Encíclicas del Papa Francisco: 1ra. LUMEN FIDEI, 2da. LAUDATO SI, 3ra. FRATELLI TUTTI.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1ra. LUMEN FIDEI</strong>.- <em>Luz de la fe, 29 de junio de 2013. La fe es como una luz que disipa las tinieblas e ilumina el camino del ser humano.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2da. LAUDATO SI</strong>.- <em>Laudato si’, mi’ Signore» – «Alabado seas, mi Señor. Nuestra <u>casa común</u> es también como una hermana, con la cual compartimos la existencia, y como una madre bella que nos acoge entre sus brazos: «Alabado seas, mi Señor, por la hermana nuestra madre tierra, la cual nos sustenta, y gobierna y produce diversos frutos con coloridas flores y hierba »</em> El Papa habla del disfrute de una <em>casa común</em>, término que debe unir a todos los hombres de la tierra. Los cristianos no tienen una casa común con los infieles. Estos tienen una casa donde se hace la voluntad de su padre, el diablo (San Juan 8:44), y los santos de Dios tienen su casa, la cual es la Iglesia en este mundo, y otra casa, eterna en los cielos, si le somos fieles (2 Corintios 5:1-10). No podemos comulgar con los que no hacen la voluntad de nuestro Padre, porque no hay acuerdo alguno entre los pecadores y los santos de Dios (2 Corintios 6:14-18). Nosotros tenemos la misión de atraer a los hombres a la casa de Dios, pero no a través de esfuerzos humanos, sino a través de la conversión de las vidas por medio del Espíritu Santo (Hechos 16:31) En esos términos es que se puede hablar de <em>casa común.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3ra. FRATELLI TUTTI</strong>. &#8211; <em>Escribía San Francisco de Asís para dirigirse a todos los hermanos y las hermanas, y proponerles una forma de vida con sabor a Evangelio. De esos consejos quiero destacar uno donde invita a un amor que va más allá de las barreras de la geografía y del espacio. Allí declara feliz a quien ame al otro «tanto a su hermano cuando está lejos de él como cuando está junto a él». Con estas pocas y sencillas palabras expresó lo esencial de una <u>fraternidad abierta</u>, que permite reconocer, valorar y amar a cada persona más allá de la cercanía física, más allá del lugar del universo donde haya nacido o donde habite.</em> Es precisamente un movimiento religioso falso que intentará representar la reunión (no unidad) de todas las religiones conocidas y por conocer, en una sola religión mundial, como dijimos anteriormente.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Está tratando de afirmar que hay que actualizar la Palabra de Dios.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">El papa está tratando en vano de hacer ver que la Biblia se ha desactualizado, que ya no le sirve al hombre moderno, que la palabra <em>sangre</em> que aparece muchas veces en la Palabra, es muy fuerte para lidiar con ella, cuando es precisamente la sangre de Cristo la que nos limpia de todo pecado (1 Juan 1:7), que la Biblia no tiene autoridad alguna sobre el hombre moderno, que la cultura es lo que determina el comportamiento humano, y por consiguiente el puro Evangelio no sirve para este siglo, y predican otro evangelio (Gálatas 1:6) Así, por ejemplo, afirma que la carta del apóstol Pablo a Filemón muestra la insuficiencia de la Biblia. ¡Cuánta blasfemia!</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Aceptación del homosexualismo como una condición y no como un comportamiento pecaminoso.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Esto sencillamente es una aberración ya que en este punto la Palabra de Dios es muy clara. Se trata de decir que las referencias directas a prácticas homosexuales en la Biblia se consideran escasas y ambiguas. En Génesis 1:27, Dios creó la mujer y el hombre, no términos sexuales medios. El Señor Jesús ratificó la creación de hombre y mujer en Marcos 10:6-9.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Refrenda el matrimonio <em>gay</em><a href="#_ftn29" id="_ftnref29">[29]</a>. En Génesis 2:24, Dios instituye el matrimonio entre una mujer y un hombre, y para ello los dotó en sus cuerpos de características tales, que ambos se complementan perfectamente. Nada hay más bello que esta institución divina. ¿Por qué el hombre quiere ir en contra de lo que Dios ha implementado para él? ¿Por qué el hombre no está de acuerdo con ese plan perfecto para procrear nuevos hombres, ya que el homosexualismo es incapaz de hacerlo? ¿Cómo podrá lograrse la natural fructificación y multiplicación de la especie humana si se aumentara desproporcionadamente el homosexualismo en nuestro planeta? (ver Génesis 1:28) ¿Cómo podrán criarse los niños adoptados por una pareja homosexual si no tienen siquiera el ADN<a href="#_ftn30" id="_ftnref30"><sup>[30]</sup></a> de sus verdaderos padres? ¿Cómo se perpetuará la raza humana entonces? Son preguntas difíciles de responder, o no se pueden responder satisfactoriamente.</li>



<li>Aceptación del aborto.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">La aceptación del aborto es la aceptación de uno de los crímenes más grandes que se cometen a diario en nuestra sociedad. Y hay que decir que se cometen por millares en el mundo diariamente, todo debido a la no aceptación de lo que Dios dice al respecto del adulterio y la fornicación. Es muy difícil que una pareja bien casada cometa tal pecado, aunque no imposible, ya que todo hecho pecaminoso nace en el corazón del hombre (Marcos 7:21) El adulterio se castigaba en la Ley de Moisés con la muerte (Levítico 20:10, 21:9) aunque Dios perdonó a David cuando el cometió tan deleznable acto (2 Samuel 11:2-5, Salmo 51:1-2) y Cristo perdonó a la mujer adúltera en Juan 8:11 cuando el Maestro le dijo <em>vete y no peques más</em>. Pablo habla de la fornicación como otro deleznable pecado (1 Corintios 6:18) y que también nace en el corazón del hombre de acuerdo a las palabras de Jesús.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Colocación de la Palabra de Dios en igual condición o por debajo de los postulados de la ciencia.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Actualmente, la posición oficial de la Iglesia Católica, por ejemplo, en cuanto a la Creación de Dios, es que no acepta completamente esta verdad que se plasma en la Palabra desde el primer versículo, Génesis 1:1:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Génesis 1:1 En el principio creó Dios los cielos y la tierra.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">El propio Papa Francisco ha afirmado que la Evolución<a href="#_ftn31" id="_ftnref31"><sup>[31]</sup></a> y el Big Bang<a href="#_ftn32" id="_ftnref32"><sup>[32]</sup></a> son líneas de pensamiento correctas y no entran en conflicto con el Catolicismo Romano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aunque acepta la creación de Dios también dan lugar y crédito a tales teorías en boga actualmente ya que éstas son científicamente válidas. Esta posición es llamada Creacionismo Evolucionista o Evolucionismo Creacionista. Los católicos enseñan y defienden que estas teorías científicas no niegan el origen divino del mundo y tienen la función de describir el método usado por Dios para crear todas las cosas. No considera, entonces la Creación como un diseño inteligente del Creador de todo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta posición le hace juego a los que no aceptan la creación de Dios, comulga con los impíos que no creen en el poder del Creador, disminuye a un estado muy bajo el poder del Altísimo y constituye el punto de inflexión más importante para creer en todas las cosmogonías<a href="#_ftn33" id="_ftnref33"><sup>[33]</sup></a> con base babilónica(costra idolátrica). Todo método científico parte de la premisa de que la ciencia es algo observable. Para ser científico, se precisa empíricamente observar un fenómeno y percibir que se repita en condiciones específicas. Cuando hablamos de micro evolución es un hecho científico porque es posible, por ejemplo, observar una especie de mosquito sufriendo una mutación, y a partir de ahí, debemos cuestionarnos que evolución no es la palaba correcta a usar, sino la palabra mutar, cambiar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cuando hablamos de la Evolución de Darwin<a href="#_ftn34" id="_ftnref34"><sup>[34]</sup></a>, por ejemplo, hablamos de macro evolución, o sea la creencia de que una especie puede evolucionar a otra. No existe posibilidad alguna de observar un cambio de un mono a un hombre, por tanto si nadie pudo observar ese cambio efectuado durante tres millones de años, concluimos que la macro evolución no es un proceso científico, sino un acto de creencia, de fe. El libro de Génesis no intenta presentar un hecho metodológicamente científico (es un libro genealógico, no cronológico), pues muchos de sus puntos no son observables. No estamos lidiando con instrucción de ciencia, sino con instrucción de fe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">En Génesis vemos un Dios Creador de todas las cosas, que es personal, y que por más que no entendamos, Él quiere una relación íntima con el hombre. <em>Nuestro Dios no es como ellos</em>, de acuerdo a Jeremías 10:1-16.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Jeremías 10:16.- 16 No es así la porción de Jacob; porque él es el Hacedor de todo, e Israel es la vara de su heredad; Jehová de los ejércitos es su nombre.</em></strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Afirmación de que el sacrificio de Cristo fue el fracaso de Dios.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Esta afirmación es el colmo de la herejía, cuando fue el sacrificio de Cristo el que obró la salvación del hombre y esto es un don inefable del Dios de los cielos que se despojó a sí mismo para obrar tan grande redención (Isaías 53:4-6).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Isaías 53:4 Ciertamente llevó él nuestras enfermedades, y sufrió nuestros dolores; y nosotros le tuvimos por azotado, por herido de Dios y abatido.&nbsp;<br>5 Más él herido fue por nuestras rebeliones, molido por nuestros pecados; el castigo de nuestra paz fue sobre él, y por su llaga fuimos nosotros curados.<br>6 Todos nosotros nos descarriamos como ovejas, cada cual se apartó por su camino; más Jehová cargó en él el pecado de todos nosotros.</em></strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Afirmación de que el infierno no existe.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">En San Lucas 16:19-31, Jesús narra una parábola que nos aclara varios puntos sobre el infierno (ver Figura 48).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="906" height="503" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-879.png" alt="" class="wp-image-148537" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-879.png 906w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-879-300x167.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-879-768x426.png 768w" sizes="(max-width: 906px) 100vw, 906px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 48. La realidad del infierno (<em>el autor</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Es pues el infierno (ver Figura 49):</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Un Lugar de tormento eterno (Mateo 5:22; 2 Pedro 2:4)</li>



<li>Desconocemos su dimensión, pero no por ello podemos decir que es irreal, como pretende hacer ver el papa.</li>



<li>Fue creado por Dios para el diablo y sus ángeles, no para el hombre. (Mateo 25:41; 2 Pedro 3:7; Juan 3:16)</li>



<li>El diablo nunca estuvo en el cielo, como pretenden hacer ver muchas denominaciones cristianas, es un ser creado con el fin de desarrollar en el hombre el LIBRE ALBEDRÍO. Dios no obliga a nadie (Génesis 1:26-31; 2:16-17)</li>
</ul>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="942" height="618" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-880.png" alt="" class="wp-image-148538" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-880.png 942w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-880-300x197.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-880-768x504.png 768w" sizes="(max-width: 942px) 100vw, 942px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 49. Características del infierno (<em>el autor</em>)</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Afirmación de que Dios no tiene una sola Iglesia, que todos los caminos conducen a Dios, no importa la religión que se practique se va al cielo.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Esto sencillamente no es verdad. Cristo tiene una sola Iglesia, la cual es su cuerpo y es su Redentor, el Reino de Dios entre nosotros. Él es el único camino para el hombre, sea cubano, norteamericano, hindú, chino, etc. (Juan 3:16, 14:6). La prédica de lo contrario trae una confusión muy grande y peligrosa para la salvación de los hombres. Es precisamente el Ecumenismo un movimiento que distorsiona completamente el hecho de UNA SOLA IGLESIA en el mundo comprada por Cristo (ver Figura 50)</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="992" height="554" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-881.png" alt="" class="wp-image-148539" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-881.png 992w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-881-300x168.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-881-768x429.png 768w" sizes="(max-width: 992px) 100vw, 992px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Figura 50. El Ecumenismo, paso inicial para una religión mundial, como parte de un Nuevo Orden Mundial (<em>Facebook.com/findelsiglo</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este es el panorama actual de la Iglesia Católica, y este es el peligro que se cierne sobre la raza humana. Todo unido a la rapidación<a href="#_ftn35" id="_ftnref35"><sup>[35]</sup></a> como fenómeno envolvente que destruye la espiritualidad del hombre y la destrucción paulatina que éste hace de su medio ambiente están dirigidos a la destrucción espiritual del hombre, y la Iglesia de Dios debe estar consciente de estas verdades para prepararse contra estos peligros.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>El Sistema Católico se ha erigido como la base de todo sistema blasfemo contra Cristo y sus santos (Apoc. 17:3-6) De ahí que se vea como la cabeza de todo espíritu anticristiano.</li>



<li>Apoya a todo sistema que se opone a Cristo, dándole abrigo espiritual y gubernamental, es decir, a todos los sistemas que le hacen imagen a la bestia católica (Apocalipsis 13:11-18) Son los sistemas (por ejemplo, el Denominacionalismo) y otros muy alejados de la realidad de la salvación de Cristo y de la unidad por la cual el Maestro oró (Juan 17) que se apartan de los santos, pues no son santos, y tienen tergiversado el concepto de unidad de la Iglesia.</li>



<li>En este tiempo muchos dicen tener la verdad, y confiesan de Cristo, pero ¿cómo está su testimonio? Y si tienen la verdad, ¿qué espíritu tienen?</li>



<li>Se trata de un espíritu desarrollado en todos los períodos de la Iglesia de Dios.</li>



<li>De ella saldrá la <em>octava bestia</em>, que se constituye el último enemigo siniestro de la Iglesia de Dios.</li>



<li>Dios nos ayude a estar apercibidos de este enemigo encubierto que tratará de destruir la Iglesia de Dios en este último tiempo.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Ahora vemos a la octava bestia con la que estamos lidiando hoy. Se le llama así porque es una conglomeración de todas las bestias anteriores, incluyendo aquellas que aparecen en el libro de Daniel. Se trata del movimiento ecuménico de las iglesias alrededor del mundo, donde vemos reunidos a católicos, protestantes, metodistas, bautistas, religiones del medio oriente y hasta comunistas. Cierto gobernante comunista, mientras hacía morir de hambre al pueblo, mandaba representantes a África con muchísimo dinero con el propósito de ayudar al consejo ecuménico de iglesias. Es por ello por lo que en estos encuentros podemos encontrar rabinos, obispos, además de gurús hindúes.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>No hace mucho tuvo lugar uno de esos servicios en Tampa, donde aparecía además uno de esos doctores africanos danzando. Así es que el alcalde de la ciudad quería mostrar cuán unidos estamos en esta ciudad, sin importar en qué creyeras, fuera en el aborto, la fornicación, el feminismo o todo tipo de desviación sexual. Lo importante es que estén todos unidos. En la imagen los vemos a todos juntos y encima de ellos a Babilonia la grande, la madre de todas las rameras (Apocalipsis, capítulo 17). ¿Por qué son prostitutas? Porque Babilonia la Grande, que es la Iglesia Católica, es la madre de todas las denominaciones que salieron del falso profeta. Si le preguntamos a los protestantes cuál es la madre iglesia, dirán con certeza que es la Iglesia Católica Romana. Sin embargo, la Iglesia de Dios es la madre de todos nosotros (Gálatas 4:26), la cual descendió del Cielo (Apocalipsis 12:1), producida por el Señor mismo, saliendo del costado de Jesucristo en la cruz del Calvario. Esa es la razón que es llamado como el Segundo Adán, porque Eva salió de su costado. Por eso es por lo que Él nos protege y estamos bajo Sus alas (Romanos 5:12-19)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Vemos a la Iglesia dando hijos a Jesús, parada sobre el mar de vidrio. ¿Cuántos tienen el mar de vidrio con ustedes? La Palabra dice que la Biblia es como un espejo que cuando la abres te puedes ver en ella, y si estás mal, puedes notarlo. Esto solo lo oirás en la Iglesia de Dios, columna y baluarte de la Verdad, la cual está firme en el mar de vidrio mezclado con fuego, refiriéndose al fuego del Espíritu Santo y la Palabra. Ambos son los Dos Testigos, a los que vemos sobre una nube, juntos, sobre los que estamos parados. Lo que dice la Palabra, el Espíritu Santo lo respalda. No podemos tomarlos por separado, pues siempre están en común acuerdo. Si seguimos su testimonio, nunca caeremos.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Estamos en este tiempo, y es por eso por lo que el diablo está luchando tan fuerte contra la Iglesia. ¿A quién le habla el Señor ahora? A ti, y te está diciendo algunas cosas que solamente Él y tú sabes. ¿Estás tú en el mar de vidrio mezclado con fuego, o estás de acuerdo con la octava bestia, con todo lo que es aceptado por la mayoría, aunque sea malo, y tienes temor de llamarlo por su nombre? El pueblo de Dios siempre ha tomado una decisión. Daniel lo hizo y terminó en la fosa de los leones (Daniel 6:1-17), pero ahí mismo el Señor les cerró la boca. Igualmente, los tres varones hebreos por no acatarse a las leyes humanas fueron arrojados en el horno de fuego ardiente, pero terminaron dentro con el hijo de Dios (Daniel 3:16-30)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Gracias al Señor por los que han tomado esa determinación. ¿Para quién trabajas tú? ¿A quién promueves con tu testimonio? En Apocalipsis 4 vemos el trono de Dios y a los veinticuatro ancianos, símbolos de las doce tribus de Israel o la vieja dispensación del Antiguo Testamento, y a los doce apóstoles, símbolos de la nueva dispensación del Espíritu en el Nuevo Testamento.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;Apocalipsis 4:6-7 nos habla de un trono donde aparecen los cuatro seres vivientes, a los que llaman así para no confundirlos con las otras bestias, las cuales tenían apariencia de león, águila, de hombre y becerro. Estas son las cuatro características de la Iglesia. La razón por la que el Señor me dijo esto antes de que comenzara la serie, es porque nunca entenderemos qué es la Iglesia hasta que no nos demos cuenta de que la misma está formada por seres humanos. ¿Puedes entenderlo? Muchos tropiezan y caen, por causa de aquellos que se llaman Iglesia, que son afectados al no reconocer que la Iglesia no es una organización sino un organismo. Hay una gran diferencia entre ambas.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Puedes tener una organización con sus propias reglas y todo tipo de creencias, siendo un grupo organizado con un propósito específico. Pero un organismo es algo vivo. No daríamos nada a cambio por una de nuestras piernas, un ojo o un brazo. Cada uno de ellos nos completa como organismo. Somos el cuerpo de Cristo, unido por Su amor en nuestras coyunturas, uniéndonos como a uno solo. Esa es la diferencia entre la Iglesia de Dios y el mundo religioso. Ella es hermosa, así la describe la Palabra (Cantares 6:4)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Este ha sido el problema de muchos por tanto tiempo. Les encanta saber que la Iglesia tiene las características del león, y qué bueno que podemos ser como el águila, pero también debemos ser como el becerro sacrificial en poder decir no a nuestra propia voluntad (Romanos 12:1). Sin embargo, es en el rostro de hombre donde muchos se traban; en otras palabras, en nuestra humanidad. El hecho de que seguimos siendo humanos, pero tenemos que aprender cómo actuar, sin llegar a ser carnales.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Santos, necesitamos reconocer que somos humanos, de lo contrario eso trae consigo el chisme, las dudas en contra de los hermanos, el espíritu de sospecha y son las cosas que quieren tomar el primer lugar. Toda la Iglesia es santa, pero recordemos a aquellos que no son aún santificados, y que todavía son carnales. Tenemos que soportarnos los unos a los otros, dejar de mirar a los demás y concentrarnos en nuestra propia vida. ¡Cuidado con la cara de hombre! Tenemos que saber que no podemos concentrarnos en nuestra humanidad mientras muchos se van al infierno preocupados porque alguien no lo saludó. Algunos se ofenden porque un hermano no le saluda, así que se creen con el derecho de dejarles saber cómo se sienten. Ella tenía que saludarme porque yo soy yo. Y ahí está el problema, en el “yo”.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Cuando olvidamos que la Iglesia está formada por seres humanos, tenemos que chequearnos a nosotros mismos y preguntarnos si hemos recibido al Espíritu Santo desde que hemos creído. Si la gente te molesta de tal manera, mírate y es probable que no seas santificado todavía. Estos estudios bíblicos son para ayudarnos a vivir conforme a la voluntad de Dios.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Él nos enseñará a volar como las águilas, a vivir una vida sacrificada como un cordero, poder rugir como un león. Pero recordemos siempre que somos humanos y la Biblia nos enseña que debemos tratarnos y amarnos los unos a los otros no como una organización, sino como un organismo.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>El punto es que estamos al final del cartel. Todo lo que queda es la segunda venida Cristo. ¿Estás listo? Que el Señor nos ayude y que podamos llegar al cielo, nuestro hogar celestial (Anna Figueroa, Pastora de la Iglesia de Dios en Tampa, FL, EEUU)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7.5 La victoria final del Reino de Cristo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Es importante notar que el poderoso ejército de redimidos por la sangre del Cordero ha obtenido la victoria tanto en el orden individual como en el comunitario sobre la bestia, su imagen, su marca, y el número de su nombre (Apocalipsis 13:17), es decir el triunfo se ha verificado sobre toda religión falsa, sobre todo el ejército de Satanás, sobre la carne y sobre el mundo. Esto le da honor y gloria a Aquel que bajó de los cielos y vino al mundo a padecer porque su amor era grande y nos quiso socorrer muriendo en la cruz del Calvario para darnos salvación cumpliendo la gran misión de establecer su reino en el corazón de los hombres. Ese Rey de los Santos cuyo nombre es precioso, maravilloso y poderoso al fin ha vencido, ¡aleluya! Ante Él los enemigos de su reino han caído (Apocalipsis 19:1-8) tras ruda lucha espiritual, la gran ramera del diablo por fin será juzgada de acuerdo a sus macabros hechos, vengando la sangre de sus siervos de todas las edades. Todos estos espíritus inmundos serán atormentados por los siglos de los siglos, mientras que los santos de Dios gozarán de perfecta paz y gozo en el cielo junto a su Dios que reina y reinará por la eternidad. Como vimos en el epígrafe 2.5 el Jinete del caballo blanco, llamado Fiel y verdadero se ha enfrentado con sus ejércitos a todo espíritu de error y pecado y los ha vencido en esta grande y espiritual batalla final.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>1 Después de esto oí una gran voz de gran multitud en el cielo, que decía: ¡Aleluya<a href="#_ftn36" id="_ftnref36"><strong>[36]</strong></a>! Salvación y honra y gloria y poder son del Señor Dios nuestro;&nbsp;<br>2 porque sus juicios son verdaderos y justos; pues ha juzgado a la gran ramera que ha corrompido a la tierra con su fornicación, y ha vengado la sangre de sus siervos de la mano de ella.<br>3 Otra vez dijeron: ¡Aleluya! Y el humo de ella sube por los siglos de los siglos.<br>4 Y los veinticuatro ancianos y los cuatro seres vivientes se postraron en tierra y adoraron a Dios, que estaba sentado en el trono, y decían: ¡Amén<a href="#_ftn37" id="_ftnref37"><strong>[37]</strong></a>! ¡Aleluya!&nbsp;<br>5 Y salió del trono una voz que decía: Alabad a nuestro Dios todos sus siervos, y los que le teméis, así pequeños como grandes.<br>6 Y oí como la voz de una gran multitud, como el estruendo de muchas aguas, y como la voz de grandes truenos, que decía: ¡Aleluya, porque el Señor nuestro Dios Todopoderoso reina!&nbsp;<br>7 Gocémonos y alegrémonos y démosle gloria; porque han llegado las bodas del Cordero, y su esposa se ha preparado.&nbsp;<br>8 Y a ella se le ha concedido que se vista de lino fino, limpio y resplandeciente; porque el lino fino es las acciones justas de los santos.</em></strong><strong><em></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No es el Armagedón como muchos predican (ver Anexo 1). La confusión religiosa se ve bajo los nombres de Gog y Magog profetizados por el profeta Ezequiel en los capítulos 38 y 39.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lo importante de este conflicto final es que a esta hora ya está en completa efervescencia las bases que lo apuntalan, existiendo ya una confederación de falsas religiones que se han unido para presentar guerra espiritual contra el Reino de Cristo (Apocalipsis 20:7-15), como vimos en epígrafes anteriores. Pero Cristo debe reinar hasta que ponga a todos sus enemigos de rodillas ante su presencia, llorando por su gran derrota (Salmo 110:1-3) El fuego de Dios los devorará completamente (Apocalipsis 20:10) Otro evento importante que sucederá al unísono es la resurrección final de todos los muertos que destruirá el último enemigo del Rey, o sea, la muerte. Aquí termina la primera fase del Reinado del Señor Jesucristo: Su Reino Redentor. A partir de aquí la oportunidad de salvación para el hombre termina, y es tiempo del juicio final, para juzgar las obras de todos ante el Gran Trono Blanco (Ver Anexo 1) Este Reino Redentor abarcó dos propósitos: el primero destruir todo poder antagónico y enemigo de su Reino, y el segundo restaurar todo lo que se había perdido debido a la caída inicial del hombre en Edén (Génesis 3)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cristo ahora reina en un trono mediador, intercediendo por toda la raza humana ante el Padre, el cual mira su sacrificio, y no nuestros yerros, ¡gloria a Dios!</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Hechos 3:19 Así que, arrepentíos y convertíos, para que sean borrados vuestros pecados; para que vengan de la presencia del Señor tiempos de refrigerio,&nbsp;<br>20 y él envíe a Jesucristo, que os fue antes anunciado;&nbsp;<br>21 a quien de cierto es necesario que el cielo reciba hasta los tiempos de la restauración de todas las cosas, de que habló Dios por boca de sus santos profetas que han sido desde tiempo antiguo.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ahora bien, la segunda fase del Reinado de Cristo es muy distinta ya que se sentará como juez. Ya el mundo andará sin abogado, sin Salvador, abandonado a su suerte. Será el juicio ante el Gran Trono Blanco de Apocalipsis 20:11-12. Allí toda rodilla se doblará, quiera o no, y toda lengua confesará, quiera o no, la gloria del Padre (Romanos 14:11-19), y reconocerán a Cristo como el Rey de reyes y Señor de señores. Es entonces que se oirá con voz aterradora y de juicio: <em>Alejaos de mí, malditos al fuego eterno preparado para el diablo y sus ángeles (Mateo 25:41) </em>Es entonces que Cristo recibirá a sus santos que han lavado y emblanquecido sus ropas espirituales en la sangre del Cordero (Apocalipsis 22:14) Estos santos recibirán al Señor en el aire (1 Tesalonicenses 4:17), ante la vista de todos (Apocalipsis 1:7). Es la oportunidad esperada por el Padre de presentarle el éxito, la cosecha del sacrificio del Rey Amado (1 Corintios 15:24) Termina así la obra redentora del Señor, desde que fue ungido por el Espíritu Santo en su bautismo en el Río Jordán por Juan el Bautista (Mateo 3:13-17), siguió con el anuncio de que su reino había comenzado entre los hombres (Lucas 17:20-21, Mateo 4:17), hasta la escena tremenda del juicio para todos, el malvado con su castigo y el justo recibiendo su premio de vida eterna. Todo este trabajo fue ejecutado por el Rey de reyes. El Padre le encomendó toda esta gran obra (Efesios 1:10; 3:4:8-13), y Él la cumplió a la perfección, y ahora ya está preparado para entregar el Reino al Padre para siempre jamás.</p>



<p class="wp-block-paragraph">¿No es el Reino de Cristo, un Reino triunfante?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Claro que lo es, ¡gloria a Dios!</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSIONES</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Terminadas las ideas que me había formado para la actualización del folleto acerca del Reino Triunfante de Cristo escrito por Riggle hace muchos años, noto que quizás me haya quedado un poco corto dado el gran volumen de información que este bello y extenso tema puede llevar. Desde la Introducción de este trabajo me había propuesto este atrevido intento, y evaluando el asunto creo haber llenado en algo las expectativas de este objetivo. Repito que la Iglesia de Dios, o sea el Reino Triunfante de Cristo vive en estos momentos una nueva etapa, distinta a la que vivió Riggle, ya que como afirmábamos, el tiempo del fin de las cosas está cerca, el diablo hace ingentes esfuerzos aún por destruir la Iglesia y la esperanza que Dios ha puesto en los corazones de los santos de Dios, el error cada vez está tomando más y más terreno en el campo religioso, nuevas doctrinas y enseñanzas que terminan abrazando un evangelio <em>light</em> pululan en el mundo denominacional, amenazando con destruir la sana doctrina en las vidas de los hombres. Además la práctica del pecado cada vez se hace más desvergonzada y profunda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pero la Iglesia de Dios ha de permanecer firme en las doctrinas sanas de nuestro Rey de reyes y Señor de señores, esperando por su venida que ya está muy cerca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este pequeño esfuerzo está dedicado a la Iglesia de Dios en Cuba. Nuestro país se ha alejado peligrosamente de la sana doctrina del Señor, y vive en estos momentos una crisis en todos los sentidos, sobre todo en el orden espiritual, que demanda de la grey de Dios una actitud mucho más firme y comprometida hacia fuera de sus puertas que hacia dentro de ellas. Nuestro país necesita que se le explique y se le haga conocer la sana doctrina que ahora está enrarecida y se quiere pervertir (Gálatas 1:6-9) El mundo denominacional con sus paquetes de doctrinas ha copado el mundo cristiano cubano, el paganismo se ha enraizado mucho más en nuestro pueblo, y el pecado en sus formas más blasfemas ha llegado a nuestros hogares, escuelas, centros de trabajo; aunque, en cierta forma, más tarde que en otros países. La situación entonces es espiritualmente desesperada y se requiere que la verdad sea predicada y vivida de acuerdo a lo que Cristo expresara a la mujer samaritana: en espíritu y en verdad.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Espero que este atrevido intento pueda ayudar a los santos de la Iglesia de Dios en Cuba, sobre todo a aquellos que se preparan como obreros para cumplir la bendita y noble misión de llevar la sana doctrina al pueblo, así como aquellos que habiéndonos formado con el precioso folleto de Riggle, hoy experimentamos un nuevo escenario de la verdad revelada y necesitamos un nuevo toque doctrinal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ruego a Dios que muchos puedan llegar a la lectura y estudio de este artículo, y si de alguna manera ha servido de ayuda doy gracias a Dios por ello, y espero, además, por alguna que otra recomendación, adición o sustracción a este esfuerzo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Doy gracias a mi Dios por permitirme escribir acerca de sus cosas. Me gusta hacerlo, y siento que mi vida se hincha de gozo al mover mis manos, cerebro y corazón, y así poder servir de alguna ayuda.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>EL ESCRITOR</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>BIBLIOGRAFÍA CONSULTADA</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><em>Beacon, Hill. Comentario Bíblico Beacon.</em></li>



<li><em>BIBLE.COM. Mateo: El evangelio del Reino.</em></li>



<li><em>Bíblico, Mundo. Curso de Teología Sistemática, Brasil.</em></li>



<li><em>Cabrera, Ángela. Israel &#8211; El primer templo en tiempos del rey Salomón entorno al 952 a.C.</em></li>



<li><em>Citas bíblicas tomadas de la RVR 1960 y de la versión PDT.</em></li>



<li><em>Comentario al Nuevo Testamento por Partain.</em></li>



<li><em>Comentario Bíblico, Biblia. Work, Comentario de Apocalipsis 19:15 – Exégesis y Hermenéutica de la Biblia.</em></li>



<li><em>Cypriano, Marcelo. Los artefactos del templo y sus significados, De la redacción de Arca Universal.</em></li>



<li><em>El crecimiento del reino de Dios según las parábolas. clerus.org, http:/www.clerus.org /clerus/dati, 25.9.1991.</em></li>



<li><em>Figueroa, Alex. Explicación del libro de Apocalipsis.</em></li>



<li><em>Figueroa, Anna. Notas de mensajes en el Templo de la Iglesia de Dios en Tampa, Florida, Estados Unidos.</em></li>



<li><em>Green, Samuel (guía turístico autorizado en Israel), Mi guía israelí.</em></li>



<li><em>Jiménez Milla, Erick. La identidad del “Octavo” en Apocalipsis 17:11.</em></li>



<li><em>Leicea Yins, Luis Manuel. El Octavo, 2021.</em></li>



<li><em>Leicea Yins, Luis Manuel. Consideraciones sobre el Pacto Educativo Global, 29 de junio de 2020.</em></li>



<li><em>Leicea Yins, Luis Manuel. El diablo nunca estuvo en el cielo, julio 2022.</em></li>



<li><em>Leicea Yins, Luis Manuel. La realidad del infierno, enero 2023.</em></li>



<li><em>Leicea Yins, Luis Manuel. La Historia de la Iglesia en Apocalipsis, septiembre de 2022.</em></li>



<li><em>Leicea Yins, Luis Manuel. Pilares de la salvación, febrero 2023.</em></li>



<li><em>Leicea Yins, Luis Manuel. Respuesta a hermana temerosa, junio 2022.</em></li>



<li><em>Leicea Yins, Luis Manuel. Soy de la Iglesia de Dios, 2020.</em></li>



<li><em>Leicea Yins, Luis Manuel. Biblia 2.0, 2021.</em></li>



<li><em>Pastor Quiñones, Roberto. Sermón: Mateo 11:12 Sólo los violentos arrebatan el reino de los cielos, August 13, 2018.</em></li>



<li><em>Patiño, José Uriel. Historia de la Iglesia Tomo I. La Iglesia, comunidad e institución protagonista de la historia siglos I-VII, San Pablo, 3ª edición, Bogotá 2009. pp 41-42.</em></li>



<li><em>Revel, Mario. Perspectivas cristianas en cuanto al rapto, milenio y segunda venida,</em></li>



<li><em>Soldevilla, Samuel Gil. Teología del templo en el Nuevo Testamento, Universitat Jaume I de Castellón, España, email: </em><em>ssoldevi@uji.es, Recibido: 06 agosto de 2015, Aceptado: 15 de octubre de 2015.</em></li>



<li><em>Spectrum Magazine “Juan 1:1-13: la creación, la divinidad, la salvación”, Published: January 19, 2012.</em></li>



<li><em>Strong, James. Concordancia Exhaustiva de la Biblia.</em></li>



<li><em>Unger. Diccionario Bíblico.</em></li>



<li><em>Versión Nuevo Mundo de la Biblia Watchtower de los Testigos de Jehová.</em></li>



<li><em>Versión Reina Valera 1960 de la Biblia.</em></li>



<li><em>Wikipedia, Profecías mesiánicas.</em></li>



<li><em>Wikipedia. Enciclopedia Libre.</em></li>



<li><em>Willmington. Auxiliar Bíblico Portavoz.</em></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ANEXOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ANEXO 1. Monte Sión</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="992" height="480" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-882.png" alt="" class="wp-image-148540" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-882.png 992w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-882-300x145.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-882-768x372.png 768w" sizes="(max-width: 992px) 100vw, 992px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Figura 1. Monte Sión (<em>Wikipedia, Enciclopedia libre</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">En el Salmo 87:2-3 dice que Sión es sinónimo de ciudad de Dios, y es un lugar queDios ama. Sión es Jerusalén. El monte Sión es la alta colina sobre la que David construyó una ciudadela. Se halla en el lado sureste de la ciudad de Jerusalén.</p>



<p class="wp-block-paragraph">La palabra Sión aparece más de 150 veces en la Biblia. Significa esencialmente &#8220;fortificación&#8221; y tiene la idea de ser &#8220;levantada&#8221; como un &#8220;monumento&#8221;. Sión es descrita tanto como la ciudad de David como la ciudad de Dios. En la medida en que avanza la Biblia, la palabra Sión amplía su alcance y adquiere un significado espiritual adicional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">La primera vez que se menciona Sión en la Biblia es en 2 Samuel 5:7: &#8220;<em>Pero David tomó la fortaleza de Sion, la cual es la ciudad de David</em>&#8220;. Sión era originalmente una antigua fortaleza jebusea en la ciudad de Jerusalén. Tras la conquista de la fortaleza por David, Jerusalén pasó a ser posesión de Israel. Allí se construyó el palacio real, y Sión/Jerusalén se convirtió en la sede del poder del reino de Israel.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cuando Salomón construyó el templo en Jerusalén, el significado de Sión se amplió aún más para incluir la zona del templo (Salmo 2:6; 48:2, 11-12; 132:13) Este es el significado que se encuentra en la profecía de Jeremías 31:6: &#8220;<em>Levantaos, y subamos a Sion, al Señor nuestro Dios</em>&#8220;. En el AT, Sión se utiliza como nombre de la ciudad de Jerusalén (Isaías 40:9), de la tierra de Judá (Jeremías 31:12) y de la nación de Israel en su totalidad (Zacarías 9:13)</p>



<p class="wp-block-paragraph">La palabra Sión también se utiliza en sentido teológico o espiritual en las Escrituras. En el AT, Sión hace referencia a Israel como pueblo de Dios (Isaías 60:14). En el NT, Sión se refiere al reino espiritual de Dios. No hemos venido al monte Sinaí, dice el apóstol, sino &#8220;<em>al monte de Sion, a la ciudad del Dios vivo, Jerusalén la celestial</em>&#8221; (Hebreos 12:22). Pedro, citando a Isaías 28:16, se refiere a Cristo como la Piedra Angular de Sión: &#8220;<em>He aquí, pongo en Sion la principal piedra del ángulo, escogida, preciosa; y el que creyere en él, no será avergonzado</em>&#8221; (1 Pedro 2:6).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Anexo 2. Paquete doctrinal escatológico del Denominacionalismo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Permítaseme expresar que cada una de estas doctrinas fue inventada hace muy poco tiempo, tal vez en el siglo XVIII o XIX, así que son relativamente jóvenes y son como especie de un paquete que, si bien no hallan sostén en la Palabra de Dios, todas, una a una, se caen por su inconsistencia. Algunos datos ya observados dentro del volumen del artículo los estamos repitiendo aquí en este paquete, pero entendemos que es válido.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. RAPTO DE LA IGLESIA</strong></p>



<ol class="wp-block-list"></ol>



<p class="wp-block-paragraph">La primera de las doctrinas de este paquete es la del Rapto de la Iglesia para una supuesta boda en el cielo. La Figura 1 muestra una imagen del rapto de la Iglesia. Primeramente, debo decir que Jesús no tiene que <em>raptar </em>(arrebatar, secuestrar, tener un impulso brusco hacia su Iglesia, ocasionado por algún tipo de estado pasional.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="618" height="467" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-883.png" alt="" class="wp-image-148541" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-883.png 618w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-883-300x227.png 300w" sizes="(max-width: 618px) 100vw, 618px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1. Rapto de la Iglesia (<em>Wikipedia</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Jesucristo vendrá al fin del tiempo, pero será una <u>venida visible y gloriosa que nadie podrá ignorar</u>. Será entonces cuando ocurrirá el juicio final; vivos y muertos serán llevados de este mundo a la presencia del Señor. No existirá un &#8220;rapto secreto&#8221; anterior al fin del mundo. Cuando venga el Señor esto será un hecho paralelo al fin de los tiempos.</em></p>



<ol class="wp-block-list">
<li>El llamado Rapto no es tal, pues dice la Palabra de Dios que todo ojo verá al Señor cuando El venga, no viene a escondidas. (Apocalipsis 1:7, Hechos 1:10-11, Mateo 24:27)</li>



<li>Coincide con la Segunda y última Venida de Cristo.  El evento será visible y manifiesto. El vino la primera vez para relacionarse con el pecador y salvarlo, pero una segunda sin relación con el pecado para llevar a su pueblo, que le espera (Hebreos 9:28). Un paralelo con el Diluvio Universal expresa la misma idea (Mateo 24:36-42).</li>



<li>En ese momento se hace la separación de justos e injustos (Juan 5:28-29 y Mateo 24:30-31 que es una parábola con la misma idea).</li>



<li>Se basa en una mala interpretación de Mateo 24.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. GRAN TRIBULACIÓN</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este tiempo, según los inventores del milenio será de grandes plagas y tribulaciones que habrá al final del tiempo y antes del Milenio, otra doctrina falsa que explicaremos más adelante.&nbsp; La ira de Dios se derramará en abundancia sobre los servidores de Satanás. Este será el fin del desarrollo del pecado en la tierra. Mientras el pecado prevalecía, la tierra se volvía cada vez más corrompida y devastada. Pero al final de todo esto, Jesucristo regresará junto a los ejércitos del cielo y comenzará un tiempo glorioso y de sanación en la tierra (1 000 años).</p>



<p class="wp-block-paragraph">En el verso V3 de Mateo 24, los discípulos hicieron 2 preguntas a Cristo:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>1. ¿Cuándo sería la destrucción del templo?</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>2. ¿Qué señal habría de su venida y del fin del siglo?</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">2. El Señor debió responder ambas interrogantes:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>V4 -14.- Él les habló del fin del mundo (señales antes del fin, guerras, terremotos, pestes, etc.)</li>



<li>V15 &#8211; 22.-…cuando veáis en el lugar santo (templo)…Les habló de la destrucción del templo llevada a cabo por Tito en 70 dC.</li>



<li>V23 &#8211; 51.- Otra vez les habla del fin del mundo (aparición del Señor, envío de los ángeles para juntar a los escogidos, como los días de Noé, etc.). En los versos V40-41, tomados incorrectamente por los inventores del Rapto, se nos da el cuadro gráfico de la raza humana dividida en dos grupos; el uno esperando la venida de Cristo, el otro viviendo de espaldas a este acontecimiento (…<em>entonces estarán dos en el campo, el uno será tomado y el otro dejado, dos mujeres en un molino (molinillo manejado por dos mujeres todavía visto en Palestina), la una tomada y la otra dejada</em>…). Los versos del 42-51 nos habla de que no sabemos cuándo ha de venir nuestro Señor, por ello debemos velar (o sea, estar bien despiertos).</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Así que la destrucción de que habla este capítulo ya ocurrió. Se refiere a la abominación desoladora (algo detestable que causaría desolación en el templo) de dos momentos de la historia que tanto Daniel como Jesucristo refieren: la profanación de Antíoco Epífanes en 167 a.C. (destruyó las escrituras judías, suspendió el ritual del templo y prohibió la observancia de las leyes mosaicas; Daniel 9:27; 11:31; 12:11) y al de Tito Flavio Sabino Vespasiano (30.12.39-13.09.81) al conquistar y arrasar la ciudad de Jerusalén y el templo en abril-septiembre de 70 d.C. El Señor lo había predicho antes en Mateo 23:37-39. Según los milenaristas será un tiempo caracterizado por lo siguiente:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Tiempo antes de la Manifestación y venida de Cristo que durará 7 años (3 años y medio de aparente paz mundial y 3 años y medio de guerras a escala global, terremotos, pestes, etc.). Estas señales serán para los cristianos motivo de alegría porque les anuncia que su salvación se acerca (Lucas 21:25-26, 28; 21:28)</li>



<li>Gobernarán en la tierra el Anticristo (un líder político mundial), el Falso Profeta que es un líder religioso ecuménico y la Bestia que es el dios de la religión del futuro.</li>



<li>En 2 Tesalonicenses 1:6-9 es descrita.</li>



<li>Comienza con la proclamación de paz y seguridad (1 Tesalonicenses 5:3).</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">Así que no hay que escapar de ningún país de forma súbita como muchos expresan con temor, ni acercarse a las montañas del Escambray o de la Sierra Maestra en Cuba para escapar de esa tribulación. Se refiere, repito al tiempo pasado cuando la ciudad de Jerusalén fue atacada y sometida por los romanos.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>MILENIO</strong></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">La Figura 2 muestra la interpretación del milenio que hacen muchas denominaciones cristianas, y la 3 la de la Iglesia de Dios:</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="898" height="510" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-884.png" alt="" class="wp-image-148542" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-884.png 898w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-884-300x170.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-884-768x436.png 768w" sizes="(max-width: 898px) 100vw, 898px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Figura 2. Interpretación del milenio por parte de muchas denominaciones cristianas (<em>El autor</em>)</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1012" height="575" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-885.png" alt="" class="wp-image-148543" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-885.png 1012w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-885-300x170.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-885-768x436.png 768w" sizes="(max-width: 1012px) 100vw, 1012px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Figura 3. Posición de la Iglesia de Dios acerca del milenio (<em>El autor</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">El capítulo 20 de Apocalipsis se refiere al milenio. Ahora se explica la interpretación cabal de este pasaje:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>V1.- El ángel representa los ministros de Dios en la tierra, aquí los de la Iglesia Primitiva (Apoc. 1:20; 22:8-9). La llave es señal de autoridad para abrir y cerrar (Mat. 16:18-19, Apoc. 1:18 y Mat. 18:18). La cadena es para atar a los espíritus malignos fuertemente. No es literal. A los espíritus no se les puede atar (Luc. 8:29; Mar. 3:27).</li>



<li>V2.- Buscar paralelo con Apoc. 12:9. Allí el Dragón (Paganismo) aparece echado del lugar de exaltación (los corazones de los hombres) y aquí encadenado para que no funcione por 1 000 años en que la Bestia (Catolicismo) reinó sin oposición.</li>



<li>V3.- El abismo es un lugar terrenal, sin fundamento (Apoc. 9:11; 11:17; 17:8). Es un lugar de destrucción espiritual, no aniquilación.</li>



<li>V4.- Los 1 000 años son los profetizados para la Iglesia de Esmirna (530-1530; Apoc. 2:10). Es también el tiempo que la mujer (Iglesia) huye al desierto (Apoc. 12:6) donde es sustentada por 1 260 días. El Catolicismo (Bestia) pudo reinar abiertamente por 42 meses (Apoc. 13:5). También el tiempo donde Juan no pudo ver la Iglesia visible sino solo las almas de los que habían muerto por Cristo (Apoc. 6:9). Estos son los muertos físicos.</li>



<li> V5.- Los muertos espirituales no volvieron a vivir hasta que se cumplieron 1 000 años. Esto se refiere a que después del gobierno de la Bestia Católica los muertos pudieron volver a vivir tras la herida infligida a esa bestia por los reformadores del Siglo XVI (Apoc. 13: 3a). Esta es la primera Resurrección, la espiritual.</li>



<li>  V6.- Existen 2 resurrecciones:</li>
</ol>



<ul class="wp-block-list">
<li>LITERAL: Jn. 5:28-29. La que experimentarán todos los muertos a la llegada del Señor.</li>



<li>ESPIRITUAL: Jn. 5:25-26.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Habrá un orden de resurrección (2 Tes. 4:16-17)</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Cuando nacemos de nuevo, y experimentamos la primera resurrección somos felices y santos. La segunda muerte que es el lago de fuego no puede tocarnos ya (Apoc. 20:14).</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">7.&nbsp;&nbsp;&nbsp; V7.- Después de los 1 000 años, el dragón fue suelto de su prisión y se manifestó asomando su fea cabeza a través del Sistema Protestante que como el Dragón enseñaba muchos dioses y formas de adoración, esta Imagen de la Bestia enseña muchas formas de adoración y muchas maneras de llegar a Dios (Apoc. 13:11, hablaba como Dragón). El Sistema Protestante no cumple la oración de Cristo en Juan 17.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Los 1 000 años o Milenio es un período ya pasado en el cual la 1a. Bestia (Catolicismo) reinó sin oposición, después que el Dragón (Paganismo) fue atado por los ministros de Dios de la Iglesia Primitiva para no funcionar como lo había hecho. Tras cumplirse ese tiempo, este Dragón fue suelto de su prisión para engañar nuevamente, esta vez en forma más sofisticada, manifestándose en la 2da. Bestia (Sistema Protestante) que ofrece a la humanidad nuevas y variadas formas de adoración y nuevas formas de acercarse a Cristo, en contraposición a la oración del Maestro en Juan 17:20-23. Dios permita que podamos comprender toda la dimensión de esta verdad.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. LA IGLESIA, ¿NOVIA O ESPOSA?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Siempre en la Palabra se habla de la esposa de Cristo, no de la novia del Señor. Así que Jesús no tiene por qué raptar a su novia, porque ya Él tiene esposa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">1. En ningún pasaje de la Escritura se habla de la Iglesia como novia de Cristo; siempre como la esposa: Cantares 4:8, Isaías 62:5, Jeremías 3:14, Mateo 9:15, Juan 3:29, 2 Corintios 11:2, Apocalipsis 19:7; 21:2; 21:9; 22:17.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2. Desde que nos convertimos a Dios, nos casamos con Cristo, pertenecemos a su Iglesia. Dios no nos hace miembro de una denominación, sino de Su Iglesia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3. Las Bodas del Cordero son una realidad presente (Mateo 22:1-14). Lo demuestra el hombre que no viste traje de boda, lo que indica que ese evento no puede ocurrir en el cielo. Apocalipsis 19:9a no dice los que fueron llamados, sino los que son llamados, lo que indica que es un hecho que se está verificando en la tierra, no verificado o a verificarse en el cielo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4. Cristo viene con sus ángeles, no con sus santos (esposa, la Iglesia) (Mat. 16:27)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. JUICIO FINAL, UNO SOLO, NO DOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Respecto al juicio final podemos señalar lo siguiente:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Hay <em><u>un solo juicio (no dos) para todos los hombres</u></em>. (Mateo 13:24-30). No se recoge el trigo y después de mucho tiempo la cizaña, un evento es a continuación del otro. La separación es hecha en el mismo momento (fin del mundo). Mateo 13:41-43; 47-50.</li>



<li>El Señor se refirió al Día del Juicio en singular. Mateo 10:15; 11:22, 24; 12:36; y 41, 42.</li>



<li>Habrá un Juicio General (Mateo 16:27&#8230; a cada uno… <em><u>Cristo viene con sus ángeles, no con sus santos (Iglesia)</u></em> como predican los Milenaristas en la llamada Manifestación al final de la Gran Tribulación para la Batalla del Armagedón (2 Corintios 5:10; Romanos 14:10, Juan 5: 28-29, 2 Timoteo 4:1)</li>



<li>Los justos también estarán presentes en el Juicio Final (Mat. 19:28-29). Nadie puede evadir ese juicio.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. ARMAGEDÓN</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">También hacemos aclaración de la batalla final que dicen que habrá entre Cristo y su Iglesia y las fuerzas del mal, o sea el Armagedón detallada en Apocalipsis 16:13-16 a desarrollar en el Valle de Jezreel.</p>



<p class="wp-block-paragraph">1. Deriva de Meguido, lugar donde se desarrollaron las batallas de Israel contra sus enemigos (Siglo XV a.C., 608 a.C. y 1918). Ver Ezequiel 38 y 39.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2. En esta profecía se identifica con el nombre de Gog y Magog (V8).</p>



<p class="wp-block-paragraph">3. Dios usa este ejemplo aquí como una lección espiritual, o sea el conflicto espiritual de la Iglesia con sus enemigos, donde la victoria de sus santos es segura (V9-10).</p>



<p class="wp-block-paragraph">4. El mundo entero participará en esta batalla (V8b). Siempre ha habido en el mundo dos contrincantes en el campo de batalla, (Mateo 12:30)</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="533" height="359" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-886.png" alt="" class="wp-image-148544" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-886.png 533w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-886-300x202.png 300w" sizes="(max-width: 533px) 100vw, 533px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 4. Valle de Jezreel (עמק יזרעאל) (localización y foto) (<em>Wikipedia</em>)</strong></p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph"><strong>7. EL GRAN TRONO BLANCO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Otra de las doctrinas que se predican hoy y no tienen basamento bíblico alguno es la del Gran Trono Blanco del Señor.</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>El Gran Trono Blanco y el Trono de Dios son la misma realidad.</li>



<li>Todos seremos juzgados ante la santidad de Dios, de ahí lo blanco del trono.</li>



<li>El juicio no es para decidir quién será salvo o no. Seremos juzgados por nuestras obras. Se trata de un juicio de recompensas o condenación por las obras que hagamos hecho en la tierra (V12).</li>



<li>En el infierno algunos tendrán más tormentos que otros, así como en el cielo unos tendrán más recompensas que otros. Todo se determinará ante el Gran Trono Blanco.</li>



<li>Una cosa es ciertísima: El que no se halle inscrito en el Libro de la Vida será lanzado en el lago de fuego (V15) junto a la Bestia, el Dragón y el Falso Profeta.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSION</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Estas lecciones sé que pueden resultar extrañas para algunos, y difíciles de comprender. Mi deseo es que puedan ser comprendidas al estudiarlas con detenimiento ya que hay falsos ministros que han salido por el mundo (Judas 3-25) a trastornar la fe de muchos e infundirles un temor grande. Estoy tratando de arrebatar del fuego a muchos, de ser engañada por tales maestros. Dios les bendiga ricamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ANEXO 3. Obras de la gracia de Dios a través de Jesucristo (<em>Tomado en parte de mensaje de la Pastora Anna Figueroa, Tampa, Florida, Estados Unidos</em>)</strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">El sacrificio del Señor Jesucristo, o sea, la sangre derramada en la cruz del Calvario por nosotros los hombres, trajo dos tamañas bendiciones o dones, la salvación como primera obra de gracia que nos limpió del pecado por el cual somos responsables ante Dios, y la Santificación o bautismo del Espíritu Santo que nos liberó del pecado heredado del primer hombre Adán. Romanos 6:22 describe muy bien el hecho. Juan el Bautista profetizó esta experiencia del bautismo en el Espíritu Santo (Juan 1:32-34)</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>22 Más ahora que habéis sido libertados del pecado y hechos siervos de Dios, tenéis por vuestro fruto la santificación, y como fin, la vida eterna.</em></strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta cita trata de lo que Dios ha hecho con nosotros en tres tiempos; presente, pasado y futuro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pasado</strong>: Habéis sido libertados del pecado y hechos siervos de Dios (SALVACIÓN).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Presente</strong>: Tenéis por vuestro fruto la santificación (SANTIFICACIÓN).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Futuro</strong>: Y como fin la vida eterna (GLORIFICACIÓN).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Así que acerca de la Santificación debemos apuntar varias cuestiones:</p>



<p class="wp-block-paragraph">La santificación no es un tema retórico para dejarlo a merced de una discusión entre teólogos. ¡Es un tema muy importante para Dios y para los cristianos (1 Tesalonicenses 4:3)! Para poder recibir la vida eterna debemos haber sido santificados. Si no hemos sido santificados tampoco podremos entrar en el Reino de Dios (Hebreos 12:14). Por lo tanto, es fundamental su significado en las vidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“<em>La idea dominante de la santificación, por lo tanto, es la separación de lo secular y pecaminoso, y ser apartado con un propósito sagrado</em>” Diccionario bíblico de Unger.</p>



<p class="wp-block-paragraph">En el Antiguo Testamento: La palabra hebrea para el verbo “santificar” es <em>qadash </em>y significa “consagrar”, “dedicar”, “reverenciar”, “purificar”, “(ser, mantener) santo” (Concordancia Exhaustiva de la Biblia de Strong #6942).</p>



<p class="wp-block-paragraph">En Nuevo Testamento: La palabra griega para “santificación” es <em>hagiasmos</em>, y significa “separación, una separación” (Diccionario Bíblico de Unger, “Santificación” p. 965).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cristo a través del agente santificador, el Espíritu Santo, es el que santifica:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>“Porque el que santifica y los que son santificados, de uno son todos; por lo cual no se avergüenza de llamarlos hermanos” (Hebreos 2:11).</em></strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>“Pero cuando venga el Espíritu de verdad, él os guiará a toda la verdad; porque no hablará por su propia cuenta, sino que hablará todo lo que oyere, y os hará saber las cosas que habrán de venir. El me glorificará; porque tomará de lo mío, y os lo hará saber</strong><strong>” (Juan 16:13-14).</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Dios está interesado en santificar a un pueblo al llamarlo para que saliera de este mundo (Juan 17:14-18, 1 Tesalonicenses 5:23)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este llamamiento incluía no solo a los judíos, sino también a los gentiles. Veamos Efesios 3:6.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Efesios 3:6 que los gentiles son coherederos y miembros del mismo cuerpo, y copartícipes de la promesa en Cristo Jesús por medio del evangelio,</em></strong><strong><em></em></strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Dios santificó a Jesucristo para que hiciera su voluntad (Juan 10:36; Juan 5:30), lo que incluía que Cristo muriera por nosotros. Nosotros somos santificados a través de la sangre derramada por Jesucristo (Hebreos 13:12)</li>



<li>Dios y Jesucristo deseaban esta santificación para las personas. ¿Por qué? Así como el antiguo Israel iba a ser el pueblo de Dios, ahora la Iglesia va a ser su pueblo, su nación santa. De hecho, en 1 Corintios 1:2 se refiere a la Iglesia de Dios como santificada. Ver también Tito 2:14.</li>



<li>También vemos en 1 Pedro 2:9-10 la misma verdad.</li>



<li>De la misma manera que el antiguo Israel debía alejarse del pecado y ser obediente a Dios, los cristianos (los seguidores de Cristo, o más bien, santos) también deben evitar el pecado (Romanos 6, 1 Tesalonicenses 4:3)</li>



<li>Nosotros somos santificados por la fe en Cristo: “…<em>por la fe que es en mí, perdón de pecados y herencia entre los santificados</em>” (Hechos 26:18)</li>



<li>Nosotros somos santificados por la verdad: “<em>Santifícalos en tu verdad; tu palabra es verdad</em>” (Juan 17:17)</li>



<li>Nosotros somos santificados por el sacrificio de Cristo: “<em>porque con una sola ofrenda hizo perfectos para siempre a los santificados</em>” (Hebreos 10:14)</li>



<li>Nosotros somos santificados por Dios (Judas 1)</li>



<li>La santificación es administrada por el Espíritu Santo, no es un acto de consagración (orar más, servir más, adorar más); sino algo sobrenatural operado en el cristiano. “<em>Y esto erais algunos [pecadores]; mas ya habéis sido lavados, ya habéis sido santificados, ya habéis sido justificados en el nombre del Señor Jesús, y por el Espíritu de nuestro Dios</em>” (1 Corintios 6:11)</li>



<li>En el Antiguo y Nuevo Testamento hubo personas santificadas. En cada caso, Dios “<em>apartó</em>” espiritualmente estas personas del mundo que los rodeaba (Éxodo 19: 5-6) Dios todavía quiere un pueblo santificado, separado del mundo de pecado y maldad. Él quiere la santidad y la santificación de la mente, el espíritu, el pensamiento, el cuerpo y las acciones. Él quiere una nación espiritual, su propio pueblo especial, que proclame las alabanzas de Dios, que refleje sus valores y su carácter (Tito 2:14)</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">La Figura 23 nos muestra la transición de los estados del corazón humano desde la creación de Dios hasta la obra de la Santificación como segunda obra de gracia que Cristo compró en la cruz. La semilla del pecado está sembrada en el corazón infante ya que fue traída desde la caída del hombre en pecado en Edén (Génesis 3, Romanos 5:12-21) Esta semilla se torna un árbol frondoso representativo de los múltiples pecados en los cuáles caemos estando sin Cristo (Efesios 2:1-3), pero cuando el Señor nos resucita de esa vida pecaminosa, cuando por fe nos convertimos a Él, Cristo corta ese árbol, perdonando todos nuestros pecados (Efesios 2:4-9), pero queda la raíz del pecado. Pero, ya con la Santificación, segunda obra de gracia aceptada también por fe, esa raíz que había quedado en el corazón es arrancada de una vez y el hombre vive una vida de poder alejada del pecado y de servicio para Dios.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="582" height="435" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-887.png" alt="" class="wp-image-148545" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-887.png 582w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-887-300x224.png 300w" sizes="(max-width: 582px) 100vw, 582px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Figura 1. Las tres condiciones del corazón (<em>Tomado de mensaje de Pastor Anna Figueroa, Iglesia de Dios, Tampa, FL</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">La salvación es para muchos un proceso fácil de experimentar, y de vivir, pero la Santificación es un paso más hacia Dios, hacia la perfección que Él nos ordena, es una victoria rotunda sobre el maligno, es una situación de vivir en el poder del Espíritu Santo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">La gente complica la Santificación. Primero debemos entender que fuimos hechos a imagen y semejanza de Dios desde la creación, según Génesis 1:26.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dios puso en Adán un corazón puro, incapaz de querer hacer el mal y con capacidad para tomar sus propias decisiones. Pero cuando el hombre cayó de la gracia (Génesis 3), su descendencia ya no poseía la semilla original. De Caín, todo hombre nacería no a la imagen de Dios, sino de Adán, con una naturaleza carnal pecaminosa o tendente al pecado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entonces esa vida de pecado es manifiesta por las obras de la carne que Pablo destaca en Gálatas 5:19-21. Pero gracias a Dios que cuando estábamos muertos, o separados de Dios, en pecados, Él nos resucitó a vida nueva en Cristo (Efesios 2:1-6)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabemos que un niño no es culpable de su naturaleza caída, y si comete un pecado, no será culpable, porque no se da cuenta de que ha hecho algo malo ante Dios. Pero a medida que crece y conoce la diferencia entre el bien y el mal, asume la responsabilidad de sus acciones y del pecado cometido. El mismo Jesús bendijo a los niños, y agregó que el que recibe a Cristo como un niño, con inocencia, no puede ver el Reino de Dios (Mateo 18:1-5, 19:14)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Después de ser salvos, somos <em>cubiertos por la sangre de Jesús </em>(Hebreos 9:22, Éxodo 12:7) y perdonados de todos nuestros pecados. Él nos da el poder de ser llamados hijos de Dios (Juan 1:12-13), y la Palabra dice que empecemos a ser como niños en Cristo (Tito 3:4-7) Ver Figura 2 con la prefiguración de Dios respeto a la salvación por la sangre, requisito de Dios para la expiación del pecado.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="748" height="463" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-888.png" alt="" class="wp-image-148546" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-888.png 748w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-888-300x186.png 300w" sizes="(max-width: 748px) 100vw, 748px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 2. Muerte de un cordero y la sangre en los dinteles de la casas de los judíos (Éxodo 12:7) (<em>Twitter</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">El Espíritu Santo nos guiará para hacer lo correcto ante Dios y nos mostrará toda la Verdad. El Espíritu nos recuerda la Palabra de Dios. Si ignoramos los servicios cuando se predican, el Espíritu no tendrá manera de recordárnoslos. Por eso es tan importante prestar atención y pedirle a Dios que nos ayude a comprender la esencia de las Escrituras y atesorarlas en nuestro corazón. Cuando esto suceda, el Espíritu en nosotros nos recordará lo que se ha predicado (Juan 16:13-14)</p>



<p class="wp-block-paragraph">La Biblia dice que de la abundancia del corazón habla la boca. Muchas veces, en medio de la oración, nos damos cuenta de que el Espíritu nos guía y nos hace saber cuál es la voluntad del Señor. Cuando tengamos la Palabra dentro de nosotros, predicará sobre la Verdad que hemos escuchado antes. La fe se adquirirá precisamente escuchándola (Romanos 10:17)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Las Escrituras que más necesitamos vendrán a la mente en el momento justo si tenemos el hábito de pedirle ayuda al Señor cada vez que leemos y estudiamos Su Palabra. Cualquier verdad que se nos predique o se escuche a través de un testimonio, un himno o alguna alabanza, comienza a formar parte de nuestra historia personal con Dios. Por eso es vital tomar nota de cada nueva Escritura que se nos enseña. Necesitamos la fuerza del Espíritu en nosotros para poder vivir la Palabra, siendo estos los dos testigos de Dios en la tierra (Apocalipsis 11). Aquellas vírgenes sensatas guardaban aceite en sus lámparas mientras que las insensatas lo descuidaban, aceite que simboliza al Espíritu Santo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sin embargo, necesitamos recibir la segunda obra de gracia o bautismo del Espíritu Santo porque cuando somos santificados, <em>el Espíritu de Dios no solo nos acompañará y nos guiará para hacer el bien, sino que morará dentro de nosotros, dándonos el poder de quemar esa raíz adámica en nuestra naturaleza pecaminosa</em>. Si no lo buscamos a tiempo, corremos el riesgo de dejarnos llevar por nuestra tendencia natural al pecado (Romanos 7:5). Sin el poder de la santificación, no podremos vencer las tentaciones que vendrán a nuestra vida. Tampoco podremos eliminar la raíz de amargura que el pecado hace crecer en nosotros (Hebreos 12:14-15) Ver Figura 3. Siendo justificados, la sangre de Cristo nos ha purificado, pero aún tenemos esa naturaleza carnal. Ya no somos culpables de los pecados cometidos en el pasado, pero estamos en peligro de volver a caer.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="625" height="515" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-889.png" alt="" class="wp-image-148547" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-889.png 625w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-889-300x247.png 300w" sizes="(max-width: 625px) 100vw, 625px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 3. La raíz de amargura la corta la Santificación (<em>Ilustración del mensaje de Pastora Anna Figueroa acerca de la Santificación</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">En la cruz del Calvario, el Señor nos lava de todos los pecados cometidos, pero seguimos viviendo con una naturaleza caída. Si morimos en esta condición, vamos al cielo, pero no podemos vivir así por mucho tiempo ya que seremos tentados por dentro y por fuera, y en debemos pasar de inmediato a la segunda obra pidiendo al Señor que nos santifique. Ya no somos acusados de pecados pasados, y el diablo no puede culparnos. Sabemos quiénes somos ahora y lo que la sangre de Cristo ha hecho en nosotros. <em>Lo único que puede mantenernos en absoluta obediencia al Señor es la Santificación</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pablo nos cuenta en Romanos 7 acerca de su batalla contra el pecado, pero a medida que avanza en el capítulo 8, nos deja saber que somos liberados de la esclavitud del pecado una vez salvos (Romanos 7:14-25) No merecemos ser justificados, este es un don inmerecido de Dios, pero podemos retroceder si no buscamos la presencia del Espíritu Santo en nuestras vidas. El Espíritu de Dios nos llevará a toda la Verdad y aclarará cualquier duda. En el pasaje del Buen Samaritano, vemos que entregó los dos denarios (símbolo de la Palabra y el Espíritu) al dueño de la posada; no se la dio al azotado sino al mesonero, símbolo de los pastores que cuidan de nuestras almas (Lucas 10:25-37)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cuando Jesucristo les dice a sus discípulos que vayan a Jerusalén y esperen la promesa del Espíritu (Hechos 1:4-5), este es el poder del que habló el Señor (Juan 14 y 16). Obedecemos, pero comenzamos a ver en nosotros mismos el fruto del Espíritu (Gálatas 5:22-25) Y hablamos de fruto porque un fruto es algo que crece y se desarrolla partiendo desde la semilla, luego pasa a la raíz, al tronco, las ramas, las flores y por último se convierte en lo que llamamos el fruto. Así es la obra del Espíritu Santo dentro de nuestras vidas. Todo comienza con la siembra de la semilla de la Palabra de Dios en nuestros corazones y continúa hasta que la misma da el fruto espiritual para lo cual fue sembrada. La cosecha que Dios espera recoger es el carácter cristiano que se desarrolla y madura siendo lleno del Espíritu Santo y guiado por él. Nuestro Salvador quiere reproducir dentro de nosotros su “<em>naturaleza divina</em>” (2 Pedro 1.4)</p>



<p class="wp-block-paragraph">El Sermón del Monte comienza en Mateo capítulo 5 mostrándonos cómo debe ser el carácter del cristiano y lo hace por medio de las nueve bienaventuranzas. Este mensaje tan poderoso y cautivador concluye en Mateo 7 con las palabras tan definitivas y enfáticas del Señor: “Por sus frutos los conoceréis” (Mateo 7.16) La prueba del cristianismo verdadero siempre es el fruto de la semejanza del carácter de Dios en la vida de los cristianos (Mateo 5.44–45). No sería lógico escoger a un árbol malo y colocar en él buenos frutos. El fruto nace de la savia que está dentro del árbol. ¡El fruto artificial no se puede comer! En nuestra experiencia espiritual el crecimiento del fruto tiene su origen en el Espíritu Santo que mora en nuestro espíritu y echa raíces, ramas, flores y frutos (Salmo 1.1, 3)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde la santificación nos será más fácil seguir al Señor. Muchos no tienen una experiencia auténtica de santificación porque no salen limpios del pecado. Cuando ya estamos santificados, volvemos a tener el corazón puro que tenía Adán al principio (1 Corintios 6:9-11)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Los apóstoles fueron conducidos a Jerusalén para permanecer allí sin salir, permaneciendo unánimes en la oración. Según la Palabra, quinientos seguidores de Jesús lo habían visto ascender al cielo. Pero cuarenta días después, solo ciento veinte permanecieron en el aposento alto. El resto había preferido esperar la promesa fuera del aposento alto. Antes de Pentecostés, discutieron quién sería el más importante entre ellos una vez que Jesús partiera. Pero cuando el Espíritu Santo descendió sobre ellos, el tema de conversación cambió. Ahora todo lo que buscaban era predicar la verdad del evangelio a las almas (Hechos 2)</p>



<p class="wp-block-paragraph">El mismo Pedro había negado a Jesús por temor a perder la vida, y a los pocos días algo había sucedido, y ese mismo discípulo se puso de pie ante una gran multitud y los acusó con valentía de haber llevado al Hijo de Dios a la cruz. ¡El poder del Espíritu Santo había hecho la diferencia! (Hechos 1:8, 2:14-40)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Después de ser santificados, lo primero que sucede es que comenzamos a obedecer por la fe, aunque a veces no entendamos lo que se nos pide. Muchos sentirán la necesidad de testificar y trabajar para el Señor una vez santificados. Cuando Jesús pidió a sus discípulos que le permitieran lavarle los pies, el mismo Pedro se negó a aceptarlo (Juan 13:1-20) Pero aunque no entendió, terminó obedeciendo. Sin embargo, una vez que fue santificado, pudo predicar con poder, y una multitud de más de tres mil fue salva en un día (Hechos 2:41)</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entendemos cosas sobre el estándar, cómo debemos vivir, pero cuando somos santificados, el Espíritu en nosotros nos guiará a toda la Verdad. Por lo tanto, la Santificación es tan importante. Cualquier deseo que alguna vez tuvimos de pecar o de las cosas del mundo es reemplazado por una genuina sed y hambre de trabajar para el Señor y consagrarnos a Él.</p>



<p class="wp-block-paragraph">El Espíritu Santo quita nuestro deseo por todo lo mundano, provocando nuestra sed de Dios y de todo lo santo, dándonos así testimonio de que el Padre, el Hijo y el Espíritu Santo moran en nosotros. La tentación ya no vendrá de dentro de nosotros sino de fuera. Jesús no nació con esa naturaleza carnal, y aunque fue tentado en todo, no pecó (Mateo 4:1-11) El Espíritu dentro de nosotros nos enseñará cómo escapar de las tentaciones. Lo primero que Jesús fue tentado dentro del desierto fue el pan después de un ayuno de cuarenta días. El diablo tratará de tentarnos con lo que apela a nuestra carne. Todo lo que debemos hacer es orar para recibir poder de Dios. Cada uno de nosotros individualmente sabe qué es lo que puede usarse para tentarnos. La Palabra nos exhorta en 1 Tesalonicenses 5:22, “<em>Absteneos de toda especie de mal</em>”. Adán miró el árbol del conocimiento del bien y del mal y fue tentado (Génesis 3:1-6) (Figura 4) Solo hay tres cosas a través de las cuales podemos ser atraídos: la vanagloria de la vida, los deseos de los ojos y los deseos de la carne. ¡Debemos huir de la tentación! (1 Juan 2:16-17, Santiago 1:12, 1 Corintios 10:13)</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="992" height="501" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-890.png" alt="" class="wp-image-148548" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-890.png 992w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-890-300x152.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-890-768x388.png 768w" sizes="(max-width: 992px) 100vw, 992px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 4. Adán y Eva en el Edén (<em>Wikipedia</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De una forma u otra, nos enfrentaremos a las mismas tentaciones por las que habrán pasado otros seres humanos. Somos tentados a veces con cosas que nos toman por sorpresa, pero la Palabra misma nos dice que Dios es poderoso y que no seremos tentados más de lo que podemos soportar. El diablo nos trae una tentación, pero al mismo tiempo, el Señor nos muestra el camino para escapar de ella. Esa será nuestra decisión. El Señor nos da el poder y la fuerza para soportar cualquier prueba por fe. Todo lo que necesitamos es orar para que el Señor reprenda al enemigo de nuestra alma y nos dé la capacidad de no caer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acordémonos de José y de la mujer de Potifar (Figura 5) Esta mujer lo había tomado por su ropa, pero él salió corriendo, huyendo de su presencia. Aunque fue acusado y enviado a prisión, las Escrituras revelan que prosperaba en todo lo que hacía porque hacía la voluntad del Señor. Si vemos la tentación y no oramos, podemos quemarnos con esa tentación (Génesis 39)</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="992" height="563" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-891.png" alt="" class="wp-image-148549" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-891.png 992w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-891-300x170.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-891-768x436.png 768w" sizes="(max-width: 992px) 100vw, 992px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 5. José y la mujer de Potifar (<em>YouTube</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Por eso no debemos acercarnos a esos lugares que solíamos visitar cuando no éramos salvos porque seremos tentados. Debemos decidir porque si no somos santificados, tarde o temprano, nuestra naturaleza carnal nos llevará a pecar nuevamente (Romanos 6:22)</p>



<p class="wp-block-paragraph">El poder del Espíritu Santo se aplicará a nuestra naturaleza y quemará todo deseo carnal de volver al pecado. Sabemos quiénes somos y de qué debemos huir, pero lo mejor sería ser santificados para recibir poder de lo alto. La Palabra dice que solo las ovejas pueden ser pastoreadas, mientras que las cabras no pueden.</p>



<p class="wp-block-paragraph">El Espíritu Santo también está representado en la Palabra por fuego. Cuando Jesús fue bautizado por Juan el Bautista, aún con un corazón puro, una paloma descendió sobre Él mostrando la pureza y dulzura de Su naturaleza (Lucas 3:22) Pero en el día de Pentecostés, el mismo Espíritu se manifestó a través de lenguas de fuego, representando ese poder purificador que quemó la naturaleza sensual de sus corazones. La Palabra dice que estas lenguas de fuego se asentaron sobre sus cabezas (Hechos 2:1-3)</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="679" height="504" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-892.png" alt="" class="wp-image-148550" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-892.png 679w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-892-300x223.png 300w" sizes="(max-width: 679px) 100vw, 679px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 6. La venida del Espíritu Santo en Pentecostés (<em>Arquidiócesis de Sevilla</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Babilonia ha malinterpretado esto, asegurando que eran lenguas o lenguajes angelicales.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>“Que el mismo Dios de paz os santifique por completo, y que todo vuestro espíritu, alma y cuerpo sea guardado irreprensible para la venida de nuestro Señor Jesucristo” (1 Tesalonicenses 5:23)</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esto es lo que hace el Espíritu Santo. Limpiará nuestra alma y la disposición natural al pecado.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>“Yo a la verdad os bautizo en agua para arrepentimiento, pero el que viene detrás de mí es más poderoso que yo, cuyo calzado yo no soy digno de llevar. Él os bautizará en Espíritu Santo y fuego” (Mateo 3:11)</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">La palabra <em>santificado </em>significa estar limpio y apartado para un uso santo. La Palabra nos habla de los vasos en el templo que fueron consagrados (Esdras 5:14-15). Nadie podía tocarlos a menos que los levitas los tomaran durante las ceremonias. No podrán ser utilizados para otra cosa que no sean tales fines. Hemos sido limpiados y apartados para un uso santo cuando somos santificados. Nos hemos vaciado ya que el Señor no puede llenar algo que no ha sido limpiado. Nos acercamos voluntariamente al Señor, confesando que somos carnales y que necesitamos Su poder para servirle. Nuestra mente, alma y cuerpo están abrumados por una gran alegría. Difícilmente alguien que ha sido santificado puede darle la espalda al Señor. Una vez que recibimos la santificación, vivimos consagrados a su entera voluntad (Romanos 12:1)</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>“Así que, hermanos, os ruego por las misericordias de Dios, que presentéis vuestros cuerpos en sacrificio vivo, santo, agradable a Dios, que es vuestro culto racional” (Romanos 12:1)</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Después de que el Señor haya aceptado nuestra ofrenda, debemos morir a nosotros mismos. Debemos acudir a Él limpios después de orar y ayunar, pidiéndole al Señor que quite todo lo que le desagrada. Las personas no salvas dan sus vidas, deseos y planes al mundo, pero los hijos de Dios viven para Él y buscan trabajar para Su gloria. Debemos estar seguros de darle todo a Él, y convertirnos en vasos puros, para ser usados solo por el Señor. De lo contrario, solo somos religiosos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabemos que somos aceptables y limpios ante el Señor cuando hemos hecho Su voluntad en todo lo que sabemos. Debemos preguntarnos: ¿Estaría dispuesto a hacer lo que Dios me pidiera? Abraham aceptó la prueba de fe al aceptar sacrificar a su único hijo. La Palabra en Hebreos 11 nos dice que cuando se dirigía al lugar del sacrificio, creyó que el Señor podría cumplir la promesa que le había hecho de darle descendencia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Debemos rendirnos completamente a Dios (Figura 7). Así superaron los mártires las pruebas y tribulaciones; también surgieron los grandes avivamientos. Recibimos con santificación la valentía de testificar de esta experiencia. La Palabra dice que la limpieza haría aún más visible el fruto del Espíritu y que no hay ley contra ese fruto (Gálatas 5:23) Recordamos, además que cuando el apóstol Pablo llegó a Jerusalén ante la Iglesia defendió fuertemente lo que Dios había preparado además de la bendición del Espíritu sobre los judíos también sobre los gentiles (Hechos 15:6-9)</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="678" height="387" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-893.png" alt="" class="wp-image-148551" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-893.png 678w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-893-300x171.png 300w" sizes="(max-width: 678px) 100vw, 678px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 7. Rendidos a Dios (<em>Stanley Jones</em>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Todo lo que hagamos, cualquier celebración o reunión, incluso con la familia no salva, dará testimonio de nuestro temor a Dios y nuestra determinación de servirle. Si queremos ser populares con el mundo, nunca podremos ser santificados. No podemos limitar al Señor. Y eso fue lo que hizo Abraham (Génesis 16:1-5, 17:17) La misma Palabra dice que no podemos servir a dos señores, ni andar en dos caminos, ni comer en dos mesas (Mateo 6:24)</p>



<p class="wp-block-paragraph">La auténtica experiencia cristiana nos llenará de alegría. La vida de los salvados nunca será aburrida; al contrario, es intensa y profunda, instaurando la comunión con el Señor. Cada vez que vamos a tomar una decisión importante en nuestra vida, debemos contar con la aprobación de Dios. Al entregarle nuestros sueños y planes, estamos dispuestos a permitir que se nos use de cualquier manera. Dios bendecirá nuestro deseo de servirle.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref1" id="_ftn1"><strong>[1]</strong></a><strong> The Gospel Trumpet&nbsp;(La Trompeta del Evangelio) comenzó como el <em>Heraldo de la Libertad del Evangelio</em> en enero de 1878 en Wolcottville, Indiana. La publicación mensual duró tres años y se mudó a la ciudad de Rome antes de que terminara en noviembre de 1880. El Herald estaba asociado con el Cuerpo de Ancianos de la Iglesia de Dios del Norte de Indiana y fue editado por I. W. Lowman y J.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref2" id="_ftn2"><strong>[2]</strong></a><strong> Es un tipo de evangelio que tiende a tornar todo a su alrededor un poco volátil, etéreo, liviano, banal, permisivo. Una especie de evangelio &#8220;descafeinado&#8221;.&nbsp;Un evangelio que no es sal ni fermento en la sociedad, ni está comprometido fielmente con Jesucristo.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref3" id="_ftn3"><strong>[3]</strong></a><strong> Palabra, pensamiento, razón, ley.)&nbsp;Término que inicialmente designaba la ley universal, la base del mundo, su orden y armonía.&nbsp;Atribuido convincentemente a Cristo.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref4" id="_ftn4"><strong>[4]</strong></a><strong> Ciencia que trata de Dios y del conocimiento que el ser humano tiene sobre él.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref5" id="_ftn5"><strong>[5]</strong></a><strong> Doctrina referente a la salvación del hombre.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref6" id="_ftn6"><strong>[6]</strong></a><strong> </strong><strong>צִיּוֹן</strong><strong> Sion. Este nombre significa&nbsp;&#8220;hito&#8221;, &#8220;señal&#8221;, un lugar encumbrado y visible. En la Biblia, Sion es tanto la ciudad de David como la ciudad de Dios (Ver Anexo 1)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref7" id="_ftn7"></a><strong>7</strong><strong> Modelo ideal que reúne los caracteres esenciales de todos los seres de igual naturaleza. Modelo que reúne los caracteres esenciales de un conjunto y que sirve como pauta para imitarlo, reproducirlo o copiarlo.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref8" id="_ftn8"><strong>[8]</strong></a><strong> Tallo que brota de un árbol o de una planta después de podados o cortados.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref9" id="_ftn9"><strong>[9]</strong></a><strong> En la mitología griega, es el tiempo habitual, lineal. Es el tiempo que pasa y se va consumiendo (segundos, minutos, horas, días, etc.)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref10" id="_ftn10"><strong>[10]</strong></a><strong> En la mitología griega, Kairos (en griego antiguo καιρός)&nbsp;representa un lapso de tiempo diferente al tiempo habitual, Cronos. Es el momento en el que algo importante sucede, el tiempo de Dios.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref11" id="_ftn11"><strong>[11]</strong></a><strong> Doctrina contemporánea que concibe el Reino o gobierno futuro de Jesucristo por un período de mil años reinando en la tierra sobre el trono de David, en Jerusalén.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref12" id="_ftn12">[12]</a> <strong>Forma organizativa que las iglesias libres han aceptado y asumido como su manera de ser protestantes. Representan la acomodación de la religión al criterio particular de cada fundador.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Son emblemas, por lo tanto, de la victoria del mundo sobre la iglesia, de la secularización del cristianismo, de la sanción del divisionismo que el Evangelio puro de la Iglesia de Dios condena.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref13" id="_ftn13"><strong>[13]</strong></a><strong> Valoración excesiva de la propia personalidad que lleva a una persona a creerse el centro de todas las preocupaciones y atenciones.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref14" id="_ftn14"><strong>[14]</strong></a><strong> William Hendriksen&nbsp;(18 de noviembre de 1900 – 12 de enero de 1982) fue un teólogo y comentarista bíblico holandés, especialista en el&nbsp;</strong><a href="https://es.wikipedia.org/wiki/Nuevo_Testamento"><strong>Nuevo Testamento</strong></a><strong>.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref15" id="_ftn15"><strong>[15]</strong></a><strong> Movimiento político-nacionalista. Fueron la facción más violenta del judaísmo de su época, cuando se enfrentaron frecuentemente a otras facciones como los fariseos o saduceos.&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref16" id="_ftn16"><strong>[16]</strong></a><strong> Director de VISALIA MINISTRIES. Doctor en Teología- Especialista Consejería Familiar. Profesor Música (coro, violín, cello, guitarra y piano).</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref17" id="_ftn17"><strong>[17]</strong></a><strong> Cristo ​ es una traducción del término hebreo «Mesías», que significa «ungido», ​ y que se emplea como título o epíteto de Jesús de Nazaret en el Nuevo Testamento.​ En el cristianismo, Cristo se utiliza como sinónimo de Jesús.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref18" id="_ftn18"><strong>[18]</strong></a><strong> Narración breve y simbólica de la que se extrae una enseñanza moral.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref19" id="_ftn19"><strong>[19]</strong></a><strong> Persona encargada en las casas principales de custodiar niños o jóvenes y de cuidar de su crianza y educación.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref20" id="_ftn20">[20]</a> <strong>El paganismo (del latín paganus, que significa &#8220;campesino&#8221;, &#8220;rústico&#8221;) es un término general, generalmente utilizado para referirse a las tradiciones religiosas politeístas. Se utiliza principalmente en un contexto histórico, refiriéndose a la mitología grecorromana, así como a las tradiciones politeístas de Europa y el norte de África antes de la cristianización.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref21" id="_ftn21"><strong>[21]</strong></a><strong> Una de las instalaciones más importantes de las ciudades romanas. Junto con el teatro y el anfiteatro, forma la trilogía de grandes instalaciones destinadas a divertir al pueblo. Allí muchos cristianos vieron la muerte enfrentados a fieras de la tierra debido a su fe.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref22" id="_ftn22"><strong>[22]</strong></a><strong> Flavio Valerio Constantino fue emperador romano desde su proclamación por sus tropas el 25 de julio de 306, y gobernó un Imperio romano en constante crecimiento hasta su muerte.&nbsp;Fue el primer&nbsp;emperador&nbsp;romano en detener la persecución de los cristianos y dar libertad de culto al cristianismo, junto con todas las demás religiones en el Imperio.&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref23" id="_ftn23"><strong>[23]</strong></a><strong> Agustín de Hipona o Aurelio Agustín de Hipona, ​ conocido también como san Agustín, ​ fue un escritor, teólogo y filósofo cristiano. Después de su conversión, fue obispo de Hipona, al norte de África y dirigió una serie de luchas contra las herejías de los maniqueos, los donatistas y el pelagianismo.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref24" id="_ftn24"><strong>[24]</strong></a><strong> Teólogo y filósofo francés, considerado como uno de los autores y gestores de la Reforma protestante. Las doctrinas fundamentales de posteriores reformadores se identificarían con él, llamando a estas doctrinas «calvinismo».</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref25" id="_ftn25"><strong>[25]</strong></a><strong> Teólogo, filósofo y fraile católico agustino que comenzó e impulsó la Reforma protestante en Alemania y cuyas enseñanzas inspiraron la doctrina teológica y cultural denominada luteranismo.​&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref26" id="_ftn26"><strong>[26]</strong></a><strong> Tomado textualmente de: </strong><strong><em>Profetas de pacotilla y señales de los tiempos</em></strong><strong>, de Pedro Álamo.</strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref27" id="_ftn27"><strong>[27]</strong></a><strong> Entre 1618 y 1648, tuvo lugar un conflicto en Europa que marcó la transición del feudalismo a la Edad Moderna. La guerra de 30 años involucró a varios países, en toda la región donde se encuentra Alemania hoy en día, y tuvo como catalizador las disputas religiosas derivadas de las reformas protestantes del siglo XVI</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref28" id="_ftn28"><strong>[28]</strong></a><strong> Movimiento de avivamiento espiritual entre los luteranos promovido por Philipp Jakob Spener (1635-1705) durante el siglo XVII y que se desarrolló notablemente en el siglo XVIII con personajes como August Hermann Francke y Nikolaus Ludwig, conde de Zinzendorf.&nbsp;Fue una doctrina religiosa protestante que tuvo su origen en las ideas de Spener; se caracterizó por oponer a la frialdad derivada de la idea de la justificación por la fe, una religión del corazón, un sentimiento más sincero y emocional.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref29" id="_ftn29"><strong>[29]</strong></a><strong> Persona, especialmente un hombre, que siente atracción sexual y afectiva hacia otra de su mismo sexo.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref30" id="_ftn30"><strong>[30]</strong></a><strong> Ácido desoxirribonucleico, es un ácido nucleico que contiene las instrucciones genéticas usadas en el desarrollo y funcionamiento de todos los organismos vivos y es responsable de la transmisión hereditaria.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref31" id="_ftn31"><strong>[31]</strong></a><strong> Conjunto de cambios en caracteres fenotípicos y genéticos de poblaciones biológicas a través de generaciones, el cual ha originado la diversidad de formas de vida a partir de un antepasado común.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref32" id="_ftn32"><strong>[32]</strong></a><strong> Teoría científica que explica el origen del universo hace 13 800 millones de años. No se refiere a una explosión en el espacio ya existente, sino que designa la creación conjunta de materia, espacio y tiempo, a partir de un universo en un estado de alta densidad y temperatura que luego se expandió.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref33" id="_ftn33"><strong>[33]</strong></a><strong> Teorías que estudian el origen y evolución del universo.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref34" id="_ftn34"><strong>[34]</strong></a><strong> Naturalista británico que postuló la Evolución biológica de las especies (1809-1882)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref35" id="_ftn35"><strong>[35]</strong></a><strong> La continua aceleración de los cambios de la humanidad y del planeta unida hoy a la intensiﬁcación de los ritmos de la vida y del trabajo.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref36" id="_ftn36"><strong>[36]</strong></a><strong> Hallĕlū yăh &#8216;alabad a Dios&#8217;. Es una invitación a la alabanza, pues significa literalmente «Alaba (Hallal) al Señor» (Yahveh). Aparece en 25 ocasiones en el Antiguo Testamento (principalmente en los Salmos), y cuatro veces en el Nuevo Testamento. Es una expresión del Cristianismo usadas para expresar júbilo y alabanza a Dios. Se puede usar indistintamente como sinónimo en los contextos de salutación o admiración.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref37" id="_ftn37"><strong>[37]</strong></a><strong> Expresión desiderativa hebrea que se pronuncia al finalizar las oraciones cristianas. Con ella se indica asentimiento, conformidad y obediencia a lo que Dios hace o dice.</strong></p>



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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>APONTAR O CAMINHO DE UMA CONSTRUÇÃO ÉTICA E MORAL BASEADA NOS FUNDAMENTOS DA TEOLOGIA ATUAL MORAL DE SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO PARA ENFRENTAR O FORTE RELATIVSMO MORAL NO MUNDO ATUAL</title>
		<link>https://revistaft.com.br/apontar-o-caminho-de-uma-construcao-etica-e-moral-baseada-nos-fundamentos-da-teologia-atual-moral-de-santo-afonso-maria-de-ligorio-para-enfrentar-o-forte-relativsmo-moral-no-mundo-atual/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Jun 2024 15:50:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências Humanas]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 28 – Edição 135/JUN 2024]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=143033</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.11621563 Marise Morais Ximenes Frota1Prof. Dr. Fabio Antunes do Nascimento2 RESUMO: Este estudo examina a Teologia Moral de Santo Afonso Maria de Ligório à luz do relativismo moral e da revolução cultural contemporânea. Destaca-se a relevância da consciência moral como guia para uma vida virtuosa, baseada na lei moral divina. A obra de [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.11621563</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Marise Morais Ximenes Frota<strong><strong><sup>1</sup></strong></strong><br>Prof. Dr. Fabio Antunes do Nascimento<strong><sup>2</sup></strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO: </strong>Este estudo examina a Teologia Moral de Santo Afonso Maria de Ligório à luz do relativismo moral e da revolução cultural contemporânea. Destaca-se a relevância da consciência moral como guia para uma vida virtuosa, baseada na lei moral divina. A obra de Santo Afonso oferece insights significativos para compreender os desafios éticos da sociedade atual, enfatizando a busca pela verdade e o compromisso com a vontade de Deus. Em meio à crise de valores e paradigmas, a reflexão teológica se mostra crucial para orientar escolhas éticas em um mundo em constante transformação. As reflexões do autor convidam a repensar a interação entre moralidade, cultura e espiritualidade, ressaltando a importância da ética fundamentada em uma consciência bem formada. Nesse contexto, a Teologia Moral de Santo Afonso oferece uma abordagem sólida para enfrentar os dilemas éticos contemporâneos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>PALAVRAS-CHAVE: </strong>1 Teologia moral. 2 Santo Afonso. 3 Relativismo moral. 4 Consciência moral.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1 INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para entendermos a crise moral atual, é preciso levar em consideração o contexto global de profundas transformações em todas as esferas: social, moral, cultural, religioso etc.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há uma grande quantidade e intensidade de mudanças que põem em processo de mutação o projeto civilizacional moderno. São diversas as leituras do contexto atual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não há que negar a sensível crise de valores e de paradigmas que permeiam os vários extratos sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se hoje existe um problema de moralidade de recomposição moral na sociedade, leva-nos a pensar que resulta da ausência de Deus na nossa vida. A ideia segundo a qual Deus pode existir, mas não entra em nossa vida, está fortemente presente neste mundo chamado secularizado. Deus tornou-se um Deus distante, um Deus abstrato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O projeto civilizacional moderno provocou uma revolução na esfera da racionalidade. Tanto o movimento racionalista como o processo de secularização vão contribuir para uma maior descristianização da sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo de secularização impulsionou a pluralidade de religiões. Essa realidade plural, de busca por sentido à vida, se intensifica na atualidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é de hoje que o questionamento sobre a existência de Deus acontece. Desde os primórdios, o homem tenta responder a esta questão, buscando razões satisfatórias para continuar acreditando em um ser transformador, criador. Com o período moderno, o questionamento sobre a existência de Deus começa a exigir respostas mais racionais e elaboradas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Baseado nesse ponto de vista, o presente trabalho se propõe a fazer uma correlação entre a Teologia Moral de Santo Afonso Maria de Ligório e o relativismo moral fortemente presente no mundo atual, mostrando aspectos que venham ampliar a nossa compreensão sobre a Teologia Moral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante das diversidades de culturas, não podemos descuidar da Teologia Moral. Uma Teologia Moral fraca não pode discutir com o mundo hoje. O pluralismo ético da sociedade contemporânea obriga a Teologia Moral a elaborar sua síntese ético-teológica baseada nos padrões científicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O pensamento moral em época moderna aparece marcado pelo projeto de buscar para a moral um fundamento mais seguro e consistente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na busca de novas respostas, impõe salvaguardar a experiência fundante em Deus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Teologia Moral tem que ser fiel ao sentido sobrenatural da Fé, tomando em consideração a vocação do cristão ao amor divino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta linha de pensamento, destacamos o Concílio Vaticano II quando diz que “A Teologia Moral é útil a todo o batizado que pretende viver segundo o Evangelho de Jesus Cristo e construir o Reino de Deus”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O interesse em recorrer ao Tratado de Teologia Moral de Santo Afonso Maria de Ligório está em conhecer melhor as virtudes que o cristão deve incorporar em sua vida na busca de contribuir ainda na vida terrena, o Reino de Deus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É notório que a transformação civil já iniciada no século XVI, produziu efeitos profundos e devastadores nas formas da consciência e da conduta moral. De uma concepção teocêntrica passa-se gradualmente a uma concepção antropocêntrica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O interesse deste estudo surgiu da necessidade entre a Teologia Moral de Santo Afonso e o relativismo na sociedade atual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nosso objetivo como futura teóloga é a discussão de que o cristão como seguidor de Jesus e cujo compromisso moral está condicionado pelos fatos da história salvífica, sofre de uma nova experiência religiosa, eclética e difusa que tende a fazer de Deus um objeto dos próprios desejos. Deus emerge como quem vem ao encontro de nossas necessidades materiais, psíquicas e espirituais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Igreja enquanto instituição divina historicizada no humano, deve lutar para que a salvação não seja reduzida às contingências temporais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, não podemos separar a moral cristã da Aliança feita no Antigo Testamento, que é uma moral que se dá de forma dialogal, baseada na iniciativa amorosa de Deus e na resposta responsável e fiel do homem.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E TEOLÓGICA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O entendimento profundo da Teologia Moral de Santo Afonso Maria de Ligório requer uma imersão no contexto histórico e teológico no qual essa obra foi concebida. Neste capítulo, será traçado um panorama histórico e teológico, fornecendo as bases necessárias para compreender a influência e o desenvolvimento do pensamento moral de Santo Afonso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Teologia Moral de Santo Afonso foi moldada por diversas influências teológicas e filosóficas de sua época. Destacam-se a escolástica, especialmente a tradição moral tomista, e os escritos dos Padres da Igreja, que forneceram as bases para sua reflexão sobre a lei moral, a consciência e a relação entre graça e livre-arbítrio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar das mudanças culturais e intelectuais em curso durante o século XVIII, a Teologia Moral de Santo Afonso manteve-se firmemente ancorada na tradição católica, oferecendo respostas claras e acessíveis aos desafios éticos e morais de sua época.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Santo Afonso Maria de Ligório, nascido em 27 de setembro de 1696, em Marianella, próximo a Nápoles, Itália, foi um dos teólogos e moralistas mais influentes da Igreja Católica. Desde cedo, demonstrou uma devoção profunda à fé católica, influenciado pelo exemplo de seus pais, que o educaram na piedade e nos preceitos cristãos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após uma educação esmerada em casa, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Nápoles, onde se destacou por sua inteligência e erudição. No entanto, após uma experiência espiritual profunda aos 27 anos, decidiu abandonar sua carreira jurídica promissora para se dedicar inteiramente à vida religiosa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ordenado sacerdote em 21 de dezembro de 1726, Ligório logo se destacou por sua pregação eloquente e seu zelo apostólico, dedicando-se especialmente à evangelização dos pobres e abandonados. Sua profunda devoção à Virgem Maria e ao Santíssimo Sacramento moldou sua espiritualidade e sua obra teológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1732, fundou a Congregação do Santíssimo Redentor, mais conhecida como Redentoristas, com o objetivo de pregar o Evangelho aos mais necessitados, especialmente nas áreas rurais e periferias das cidades. A missão dos Redentoristas tornou-se uma parte integral da vida e do ministério de Ligório, que dedicou grande parte de sua vida à formação e orientação espiritual dos membros da congregação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo de sua vida, Santo Afonso Maria de Ligório escreveu numerosas obras teológicas, pastorais e devocionais, incluindo sua obra-prima, &#8220;Teologia Moral&#8221;, que se tornou uma referência fundamental no campo da moral católica. Sua abordagem pastoral, marcada pela misericórdia e compaixão, atraiu milhares de fiéis e influenciou gerações posteriores de teólogos e moralistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Santo Afonso faleceu em 1º de agosto de 1787, na Casa dos Redentoristas em Pagani, Itália, deixando um legado duradouro de santidade, sabedoria e serviço à Igreja Católica. Canonizado em 1839, é venerado como padroeiro dos confessores e moralistas, sendo reconhecido como um dos grandes santos e doutores da Igreja. O desenvolvimento é a parte principal do artigo e divide-se em seções e subseções, contendo a exposição ordenada do assunto. No desenvolvimento, o autor descreve, explica e argumenta sobre a abordagem do tema e o que deseja demonstrar e defender.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratado de Teologia Moral de Santo Afonso Maria de Ligório foi escrito durante o século XVIII, um período marcado por profundas mudanças sociais, políticas, e intelectuais na Europa. Este contexto histórico e cultural é fundamental para entender a influência e o desenvolvimento do pensamento moral de Santo Afonso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No século XVIII, a Europa estava passando por um período de transição e questionamento das estruturas tradicionais de poder e autoridade. A influência do Iluminismo, um movimento intelectual que enfatizava a razão, a ciência e a liberdade individual, estava crescendo. O Iluminismo desafiava as ideias e instituições estabelecidas, incluindo a autoridade da Igreja Católica e seus ensinamentos morais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a Reforma Protestante, que começou no século XVI, ainda exercia influência na Europa, especialmente em áreas onde o catolicismo e o protestantismo coexistiam. A Reforma havia questionado muitos dos dogmas e práticas da Igreja Católica Romana, levando a uma fragmentação religiosa e a conflitos religiosos em toda a Europa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em resposta à Reforma, a Contrarreforma Católica, destacada pelo Concílio de Trento (1545-1563), procurou reafirmar e defender os ensinamentos e instituições da Igreja Católica. A Contrarreforma desempenhou um papel importante na definição da ortodoxia católica e na resistência aos desafios do Protestantismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto de mudança e conflito religioso, a Teologia Moral de Santo Afonso Maria de Ligório emerge como uma tentativa de oferecer respostas claras e acessíveis aos desafios éticos e morais de sua época. Inspirado na tradição católica, mas também influenciado pelo pensamento moralista contemporâneo, Santo Afonso procurou oferecer uma visão equilibrada da moralidade cristã, fundamentada na lei divina e na tradição da Igreja, mas também sensível às necessidades e preocupações da sociedade em transformação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos aspectos mencionados, também é importante considerar o contexto político e econômico da época em que o tratado de Teologia Moral foi escrito. Durante o século XVIII, muitas nações europeias estavam passando por mudanças significativas em seus sistemas políticos e econômicos. O surgimento do mercantilismo e a ascensão das potências coloniais, como Inglaterra, França e Espanha, trouxeram consigo questões éticas relacionadas ao comércio, à exploração colonial e à distribuição de riquezas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o século XVIII testemunhou o surgimento da Revolução Industrial em algumas partes da Europa, o que teve impactos profundos na vida das pessoas, nas estruturas sociais e nas relações de trabalho. As condições nas fábricas e o crescimento das cidades levantaram questões morais sobre justiça social, direitos dos trabalhadores e responsabilidade dos empregadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, ao considerar o contexto histórico e cultural em que o tratado de Teologia Moral foi escrito, é importante também refletir sobre as questões políticas, econômicas e sociais da época, que influenciaram as preocupações morais e éticas abordadas por Santo Afonso Maria de Ligório em sua obra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As obras de Santo Afonso Maria de Ligório foram influenciadas por uma variedade de tradições teológicas e filosóficas, refletindo sua formação intelectual e espiritual. Sua teologia moral foi especialmente moldada por:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Tradição Moral Católica: Profundamente enraizado na tradição moral da Igreja Católica, Santo Afonso incorporou os ensinamentos dos Padres da Igreja e dos grandes teólogos medievais, como São Tomás de Aquino, em sua abordagem da moralidade cristã.</li>



<li>Escolástica: Influenciado pela escolástica medieval, Santo Afonso aplicou métodos analíticos e argumentativos à sua teologia moral, buscando uma compreensão sistemática e lógica dos princípios éticos.</li>



<li>Espiritualidade Redentorista: Como fundador dos Redentoristas, Santo Afonso enfatizou a misericórdia de Deus e a redenção por meio do sacrifício de Cristo. Sua teologia moral reflete essa ênfase na graça divina e no amor redentor de Cristo.</li>



<li>Devoção Mariana: Santo Afonso nutria uma profunda devoção à Virgem Maria, cujo papel na vida espiritual dos fiéis ele destacava em sua obra. Sua teologia moral frequentemente incluía referências à devoção mariana e à intercessão da Virgem.</li>



<li>Diálogo com o Pensamento Contemporâneo: Apesar de sua fidelidade à tradição católica, Santo Afonso também dialogou com as ideias morais e filosóficas de seu tempo, procurando integrá-las à sua visão da moralidade cristã.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Essas influências se combinaram para formar uma abordagem distintiva da teologia moral, caracterizada pela sua ênfase na misericórdia divina, no amor redentor de Cristo e na aplicação prática dos princípios éticos à vida cotidiana dos fiéis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das influências mencionadas, também é importante destacar a influência das Escrituras Sagradas na obra de Santo Afonso Maria de Ligório. Como teólogo e moralista católico, Santo Afonso baseava suas reflexões e ensinamentos em uma profunda compreensão das Sagradas Escrituras, especialmente do Novo Testamento, onde encontrava os fundamentos da moralidade cristã e da vida espiritual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A abordagem de Santo Afonso em sua teologia moral frequentemente fazia referências diretas às passagens bíblicas, como os Evangelhos, as Epístolas de São Paulo e outros livros do Novo Testamento. Ele buscava não apenas interpretar esses textos, mas também aplicá-los à vida cotidiana dos fiéis, fornecendo orientações práticas para viver uma vida cristã autêntica e virtuosa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, Santo Afonso valorizava profundamente a tradição da Igreja em sua interpretação das Escrituras, reconhecendo a importância dos Padres da Igreja, dos concílios ecumênicos e da liturgia na compreensão do significado e da aplicação das Sagradas Escrituras. Portanto, a influência das Escrituras Sagradas é uma parte essencial da abordagem teológica de Santo Afonso Maria de Ligório e permeia toda a sua obra, incluindo seu tratado de Teologia Moral.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3 FUNDAMENTOS DA TEOLOGIA MORAL DE SANTO AFONSO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Teologia Moral de Santo Afonso Maria de Ligório é construída sobre uma sólida base de princípios éticos e espirituais, derivados da tradição católica e da reflexão teológica. Esses fundamentos são essenciais para compreender sua abordagem da moralidade cristã e sua aplicação à vida cotidiana dos fiéis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em primeiro lugar, a Teologia Moral de Santo Afonso é fundamentada nas Escrituras Sagradas e na tradição da Igreja Católica. Ele recorre aos ensinamentos contidos na Bíblia e à interpretação da tradição eclesiástica para estabelecer os princípios éticos que guiam a conduta humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos pilares centrais dessa abordagem é a ética da lei divina, que se manifesta nos Dez Mandamentos e nos ensinamentos de Jesus Cristo. Santo Afonso enfatiza a importância da obediência aos mandamentos de Deus como o caminho para uma vida virtuosa e santificada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a Teologia Moral de Santo Afonso é fundamentada no princípio do amor de Deus e do próximo. Ele ensina que todas as ações morais devem ser inspiradas pelo amor a Deus e pelo amor ao próximo como a si mesmo, conforme ensinado por Jesus Cristo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A consciência e o discernimento moral também desempenham um papel crucial na abordagem de Santo Afonso. Ele reconhece a importância de uma consciência bem formada, iluminada pela lei divina e pela graça de Deus, na tomada de decisões éticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, a espiritualidade sacramental e a vida de oração são aspectos fundamentais da Teologia Moral de Santo Afonso. Ele destaca a importância dos sacramentos, especialmente da Confissão e da Eucaristia, como meios de graça para fortalecer a vida moral e superar o pecado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É fato que os tempos e os lugares mudaram e com isso novos problemas e circunstâncias surgiram. Contudo, há situações e problemas estruturais e comportamentais que tendem a se repetir. Vale a pena ver como as comunidades antigas enfrentavam tais problemas, para que nós também enfrentemos os nossos, claro, isso tudo numa relação de significado proporcional. Aquelas comunidades responderam de tais modos a seus problemas, assim, como nós devemos responder aos nossos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Santo Afonso, serve-se de suas referências literárias com muita precisão para iluminar o mundo e interpretar a realidade que descreve. Os dados literários nos permitem que ele foi um santo e zeloso sacerdote, um sábio que iluminou o seu tempo. Um pastor que soube corresponder sempre bem aos dons que Deus lhe outorgara.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Está cada vez mais difícil para o cristão se situar no ambiente cultural pós-moderno. Praticamente tudo aquilo com que interagirmos hoje é fruto de concepções filosóficas anticristãs, surgidas em movimentos anticristão em sua essência, que tentaram estabelecer uma visão da realidade e do ser humano, bem como uma cultura apartada de Deus e da revelação cristã, rejeitando toda a tradição cultural que fundamentou a civilização em que vivemos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A moral cristã tem suas bases na história da salvação do povo de Israel e de todos os povos da humanidade. O compromisso moral de um cristão está condicionado pelos fatos da história salvífica. Está determinado, sobretudo pelo acontecimento central: Jesus Cristo. Logo, o coração da moral cristã encontra-se no seguimento a Jesus Cristo e no Reinado de Deus, em buscar acima de tudo a vontade de Deus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agenor (2004) afirma que a modernidade acabou por transferir a ética para o campo da razão prática &#8211; a religião e está para a esfera do privado. Da legítima autonomia da razão diante da fé, passou-se uma radical separação que desembocou no relativismo ético: “Bom é aquilo que é bom para mim; mau é aquilo que é mau para mim”. Do subjetivismo moral na vida privada, passou-se à ausência de uma ética pública na economia, na política, na técnica, na biologia etc. O tema da ética retorna, com força, na esteira da irrupção do religioso, no seio da sociedade secularista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta linha de pensamento, Jordán (2022), destaca que a propagação de males no seio das frágeis sociedades modernas, como o relativismo moral, visa a promover o caos social e a desagregação de agrupamentos retamente organizados segundo os preceitos da fé católica na formação da civilização ocidental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda citando, Jordán, o mesmo afirma que a estrutura ética da pessoa humana se reflete ampliada nas estruturas sociais e políticas, onde se desenvolve a convivência e se converge para fins comuns.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que percebemos hoje, é que os secularistas, as instituições sociais são feitas por pessoas, portanto, se não gostarmos mais dessas visões de mundo, poderemos altera-las a qualquer momento, inclusive baseando-nos no relativismo moral que eles mesmo cultivam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na concepção dos progressistas, passando por cima dos padrões morais e seguindo os nossos próprios instintos, somos tomados por uma sensação prazerosa e reconfortante de felicidade, é isto que importa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em outras palavras, o mundo está em ruínas, o mundo perdeu sua alma, isto é, tudo que é divino, sagrado tornou-se obsoleto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As palavras culturais da nossa civilização que são a moral judaico-cristã, a filosofia grega e o direito romano estão sendo deixados de lado. Existe uma estratégia cultural de dissolução desses três pilares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O indiferentismo do século XVIII levou à tolerância liberal do século XIX, que levou a infidelidade modernista. Após dois mil anos de cristianismo, fomos capazes de perceber uma perversa apostasia que pagão nenhum jamais conheceu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Papa Bento XVI, assinala que nessa crise humana, precisa-se dar novamente um sentido compreensível à nação de cristianismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na antropologia bíblica, Deus fez o homem com livre arbítrio, mesmo que na sua onisciência já soubesse que o homem usaria a sua liberdade contra Ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Gn 2, 16-17, Deus diz ao homem: “De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. E assim foi para que, desde o início, soubéssemos que liberdade requer responsabilidade. Se Deus é o parâmetro de tudo o que é bom, afastado d´ele, e dotados de livre-arbítrio, podemos perverter o que é bom. Se nos distanciamos d´Ele, somos levados para o abismo do nada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta linha de pensamento, está a reflexão de Jonh Senior (2022) que diz que a liberdade no imaginário popular significa fazer o que quiser. Um homem tem o direito de fazer o que quiser, desde que não machuque nem prejudique outrem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mesmo Jonh Senior, afirma que se a liberdade significa fazer o que quer, uma sociedade livre pode existir sempre que os homens estão de acordo em relação ao que querem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A este respeito, Jordán (2022), assinala que não tem sentido falar da liberdade fora do conhecimento da verdade. É a verdade que torna livre o homem. O homem existe para a Verdade. Seu bem próprio e seu melhor ser, consiste em possuir e operar a Verdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Santo Afonso buscava salientar o valor da liberdade humana, entendida em seus justos e razoáveis limites, contra o rigorismo legalista do jansenismo que grassava em seu tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caminho da libertação inicia com a renovação interior em Cristo crucificado, Ele é o único e verdadeiro libertador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Lei contida nos Dez Mandamentos, ditada a moisés no Monte Sinai, é uma versão expressa da Lei Natural impressa pelo próprio Deus no coração do homem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cristão não deve conformar-se a nada que seja lesivo à ordem natural cujo autor é o Verbo que nos criou e redimiu. O cristão deve reconhecer a Soberania de Deus na pessoa de Cristo, o Verbo encarnado, a quem “todo poder foi dado no céu e sobre a terra”. Cristo é o autor e restaurador da ordem natural. O Senhorio de Jesus Cristo restabelece, confirma e santifica a ordem natural. Sem a graça de Cristo, a própria natureza humana se debilita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Santo Tomás (2017), diz que a promulgação da lei natural não se dá de modo humano, mas, pela luz natural que Deus inculta na mente humana. A promulgação da lei natural consiste no fato de que Deus a inseriu na mente dos homens a fim de que fosse naturalmente conhecida. A lei natural é a participação da lei eterna.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido, Santo Tomás, diz que a lei é certa regra e medida dos atos, segundo a qual uma pessoa é induzida ou desestimulada a agir.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa mesma direção, Santo Tomás apresenta uma célebre sentença: “Ninguém está vinculado por nenhum preceito senão mediante a ciência de tal preceito”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A este respeito, Jordán diz que a desobediência às leis naturais é causadora da separação do homem e de Deus, do próximo e de si mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tendo sido criado à imagem e semelhança de Deus, o ser humano sente-se tocado em sua consciência pelo próprio Criador, que se chama a fazer o bem e evitar o mal, dado que lhe é fundamental para o crescimento moral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A consciência é marcada por condicionamentos, por manipulações e pela força das grandes estruturas sociais. Uma consciência bem formatada é reta e verídica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agenor (2004) assinala que hoje, a intensificação das comunicações entre todos os setores da sociedade provocou em todos, uma tomada de consciência da diversidade de modos de vida que leva cada grupo humano a interrogar-se sobre sua própria identidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em sua obra, Santo Afonso, define que a consciência é o juízo ou ditame prático da razão pelo qual julgamos o que se deve fazer aqui e agora como um bem ou evitar como um mal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mesmo autor, Santo Afonso, afirma que quem tem a consciência vencivelmente errônea sempre peca, quer aja de acordo com ela, quer aja contra ela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa linha de pensamento, Santo Tomás, assinala que embora a consciência deva se adequar à lei divina em todas as coisas, a bondade ou a malícia dos atos humanos tornam-se perceptíveis para nós conforme são apreendidas pela própria consciência. Em outro trecho, Santo Tomás, escreve de modo mais claro: o ato humano é julgado virtuoso ou vicioso segundo o bem aprendido, a qual a vontade se dirige por si mesma, e não segundo o objeto material do ato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na obra Uma estrada de salvação, Santo Afonso, afirma que a experiência nos mostra que o trato com o mundo e a preocupação em adquirir os bens temais, nos fazem esquecer de Deus. Mas, na hora da morte, o que nos restará de todas as fadigas e do tempo gasto nas coisas da terra senão tormentas e remorsos da consciência?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na hora da morte encontraremos apenas aquele pouco que fizemos e que sofremos por Deus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mesmo autor, Santo Afonso, em sua obra o Retiro Espiritual, assinala que quando as pessoas estão ocupadas nas atividades do mundo, não pensam nas coisas da alma, mas quando ficam livres dessas atividades e se recolhem procurando apenas se encontrar com Deus, imediatamente vêm sobre elas os remorsos de consciência e, então, não acham descanso no recolhimento, mas tédio e desconforto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabemos que a causa primeira e o fim último de cada pessoa humana é Deus. Separado de Deus, o homem se separa do próximo e de si mesmo. O esquecimento de Deus é o perigo mais iminente de nosso tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Papa Emérito Bento XVI afirmou certa vez que o homem moderno se acha muito bom para merecer o inferno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta linha de pensamento, caminha a reflexão de Jordán (2002) que afirma que a desobediência às leis naturais é causadora da separação do homem e de Deus, do próximo e de si mesma e que conduz incontáveis almas á perdição eterna.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os secularistas atuam em duas vertentes: ou dizem que Deus não existe ou que a crença na existência de Deus é irrelevante. Criam histórias para justificar aquilo que eles querem que o mundo seja, isto é, um mundo sem Deus. Para eles, mesmo que Deus exista, isso não tem importância.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Santo Tomás diz que a lei natural só é promulgada e aplicada aos homens pela luz da razão. Diz também que a promulgação da lei natural consiste no fato mesmo de que Deus a inseriu na mente dos homens a fim de que fosse naturalmente conhecida. Escreve afirmando que a promulgação da lei natural se dá quando ela é conhecida pelos homens pela luz natural.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A alma que ama a Deus, não só quer o que Deus quer, jamais se perturba. É assim que o Espírito Santo nos lembra “Ao justo não acontecerá infortúnio algum, mas aos ímpios estão cheios de desgraça” (Pr 12, 21).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando alguém quer somente o que Deus quer, consegue tudo o que deseja, porque, executando o pecado, nada sucede no mundo contra a vontade de Deus. Das mãos de Deus nos vêm todos os bens. Podemos dizer que a maior glória que se dá a Deus é cumprir em tudo à sua vontade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em sua obra De bem com Deus, Santo Afonso, vem nos dizer que porque muito nos ama, o nosso bom Deus deseja muito ser amado por nós e, por isso, não só nos chamou ao seu amor com tantos convites repetidos nas Sagradas Escrituras, mas quis também obrigar-nos a ama-lo com o mandamento expresso, prometendo paraíso a quem o ama.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vivemos em um mundo decaído, segundo a perspectiva bíblica: desde que Adão e Eva aceitaram a proposta da serpente lá no Éden, o ser humano passou a contemplar o bem e o mal dentro de si. Deixamo-nos seduzir por tudo o que nos atrai. Somos tentados por um desejo desmensurado das coisas temporais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que se refere a este assunto, Santo Afonso, nos apresenta uma visão da perdição dos homens amarrados ao mundo ao dizer que vivem envolvidos pelas trevas e que por isso não reconhecem a intensidade dos bens e dos males eternos, são levados pelos sentidos, se entregam aos prazeres proibidos e, assim, se perdem miseravelmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na sua obra O Retiro Espiritual, Santo Afonso, chega a dizer que se os homens levassem em conta as coisas da outra vida, com certeza todos se preocupariam em se tornar santos e não correriam o risco de passar uma vida infeliz por toda a eternidade. Eles fecham os olhos para ver a luz e, assim, cegos, se precipitam em tantos males.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A respeito do pecado, Jordán (2022), afirma que Cristo não veio para promover uma revolução social, como se diz em nossos dias, veio como uma missão de redimir a todo o homem do pecado e fazê-lo participante do Reino de Deus, que é Ele mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jordán, também chega a dizer que cristo veio para atender os pecadores que são todos os homens, sem acepção de pessoas, nem de classes, nem de nações, nem de raças, nem de ideologias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os mundanistas não creem no Cristo crucificado que veio para redimir-nos do pecado, creem somente no poder das riquezas, sobretudo no poder do dinheiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A caminhada espiritual cristã é uma mudança de um estado de ser para outro, é sair de uma existência firmada na verdade. Se não existe verdade, ficamos sem referências de bem e de mal. O bem e o mal é um parâmetro pelo qual devemos estruturar nossas vidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É exatamente por essa ambiguidade, o bem e o mal, que o cristianismo, o conceito do pecado penetra em uma camada mais profunda em nosso ser.</p>



<p class="wp-block-paragraph">São Paulo afirma aos Romanos que “Tudo o que não procede da fé é pecado” (Rm 14,23).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa linha de pensamento, Santo Tomás (2017), afirma que o bem é causado de uma causa íntegra, e o mal, de defeitos singulares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que se refere a esse assunto, Agenor (2004), assinala que o ser humano no afã de se autoafirmar, extrapola à erradicação de Deus e cai na absolutização do saber racional em detrimento de qualquer realidade que a transcenda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por todo ser humano contemplar o bem e o mal em seu interior, a virtude surge justamente para perceber a maldade e não permitir que o mal prevaleça. Como auxílio da graça divina, as virtudes restabelecem a ordem e o equilíbrio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não podemos esquecer que a palavra de Deus, através do Espírito Santo, possui uma “força vital” de realização daquilo que ela diz com referência à conduta moral: “Sede santo, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lv 19,2) e também “Sede, portanto, perfeitos como vosso Pai Celeste é perfeito” (Mt 5,48).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Jesus, estão todos os parâmetros morais que devem nortear a vida do ser humano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Purificado de todo o pecado, o ser humano é chamado a viver uma nova vida em conformidade com Cristo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta linha de pensamento, Santo Afonso, torna ainda mais pontual o caminho de santidade ao deixar claro que nós não somos santos magicamente, e sim, podemos fazer em cada momento da nossa história, da nossa vida, o melhor que pudermos para sermos santos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em sua obra Uma estrada de salvação, Santo Afonso, assinala que pobre dos sábios que têm a ciência de muitas coisas, mas não sabem preparar a alma para uma sentença favorável no dia do julgamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais uma vez recorremos a ideia de Santo Afonso quando no seu livro o Retiro Espiritual, ele afirma que as verdades eternas como: a grande importância da nossa salvação, o imenso valor do tempo de Deus nos concede para alcançarmos os méritos de nossa eternidade feliz, a obrigação que temos de amar a Deus por causa de sua infinita bondade e pelo amor imenso que tem para conosco, essas e semelhantes verdades, não podem ser vistas com os olhos da carne, mas com os olhos do entendimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma outra obra De bem com Deus, Santo Afonso, assinala que se queremos realizar os desejos do Coração de Jesus, procuremos, em tudo, conformar-nos e identificarmos nos com a vontade de Deus. A identificação com a vontade de Deus exige que da vontade de Deus e da nossa, façamos uma só. Esta é a mais alta perfeição a que podemos aspirar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, com relativismo moral e cristão, a salvação para muitos, foi reduzida a contingências temporais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prática da disciplina dirige o espírito para a virtude, isto é, a virtude é alcançada pela prática diligente da disciplinada virtude. Em outras palavras, podemos dizer que a virtude é um justo meio entre o excesso e a falta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Santo Tomas (2012), afirma que as virtudes não estão em todos de um mesmo modo, pois em alguns há vícios contrários a virtude. Como as virtudes são certas perfeições do homem, parece que estão no homem por natureza, logo existe pela graça, pelo dom de Deus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em sua obra As Virtudes Morais, Santo Tomás, acrescenta que o homem atinge a reta razão pela prudência que é a reta razão de agir. Contudo, as virtudes morais não podem existir sem a prudência, nem a prudência pode existir sem a virtude moral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na própria obra, o autor também destaca as quatro virtudes cardeais afirmando que a prudência é todo o conhecimento reto; que a justiça é toda a retidão que ajusta os atos humanos; que a temperança é toda moderação que refreia o apetite do homem pelos bens temporais e que a fortaleza é toda a firmeza da alma que assegura ao homem no bem contra o ataque de qualquer mal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda com relação a virtude da prudência, Santo Tomás, afirma que a sua essência é uma virtude intelectual, mas que tem uma matéria moral. Por isso, muitas vezes, se enumera junto com as virtudes morais, como sendo de algum modo intermediária entre as virtudes intelectuais e as morais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em outras palavras, Santo Tomás, nos mostra que a virtude é tudo aquilo pelo qual se vive com retidão, em que nada se faz mau uso, pois o ser humano não pode ser vicioso e virtuoso ao mesmo tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para aprofundar esta visão, citamos Santo Agostinho no seu livro sobre o Livre Arbítrio, quando afirma que a virtude se encontra entre os bens máximos porque em nada faz mau uso da virtude. Os bens máximos provêm de Deus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa linha, camina a reflexão de São Gregório Nazianzeno quando diz que “Com um só ato de alguma virtude praticada com toda perfeição pode uma pessoa atingir o ápice das virtudes”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A este respeito, Padre Alfredo, em seu livro As Virtudes Fundamentais, assinala que a descristianização do mundo ocidental tem uma das suas raízes na absolutização da justiça em detrimento da prudência que antecede e lhe confere o sentido autêntico: “A prudência perdeu seu sentido para o liberalismo individualista, para o liberalismo democrático, para o individualismo axiológico, para o antropocentrismo agnóstico, para o determinismo positivista e para o materialismo. A descristianização do mundo comporta a sua desumanização”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Padre Alfredo também afirma que todo o itinerário da perfeição espiritual cristã é a passagem da imagem (conceito estático) para a semelhança (conceito dinâmico), por meio das virtudes e da imitação de Cristo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na teologia moral de Santo Afonso Maria de Ligório, a abordagem da lei moral e da consciência moral é profundamente enraizada na tradição católica e na reflexão teológica. Para Santo Afonso, a lei moral não é uma imposição arbitrária externa, mas sim uma expressão da vontade divina que guia os seres humanos em sua busca pela verdade e pelo bem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em sua obra seminal &#8220;Teologia Moral&#8221;, Santo Afonso explora a natureza da lei moral como uma lei inscrita no coração humano pela mão de Deus. Ele enfatiza a importância de se discernir e obedecer a essa lei interior, que é revelada através da consciência moral. Para Santo Afonso, a consciência é a faculdade pela qual os seres humanos reconhecem a moralidade de suas ações e são chamados a agir em conformidade com a vontade divina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma citação emblemática de Santo Afonso Maria de Ligório que ilustra sua compreensão da consciência moral pode ser encontrada em sua obra &#8220;A Prática do Amor a Jesus Cristo&#8221;. Ele escreve: &#8220;A consciência bem formada é o melhor guia para uma vida virtuosa, pois ela é iluminada pela luz divina e pela verdade&#8221;. Essa afirmação ressalta a importância que Santo Afonso atribui à consciência como um instrumento pelo qual os indivíduos podem discernir e seguir a lei moral inscrita em seus corações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao adotar essa abordagem da lei moral e da consciência moral, Santo Afonso Maria de Ligório oferece uma visão profundamente enraizada na tradição teológica, destacando a importância da busca pela verdade e do compromisso com a vontade divina na vida moral dos fiéis. Sua obra continua a ser uma fonte valiosa de insights para estudiosos e praticantes da teologia moral até os dias de hoje.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Teologia Moral oferece contribuições valiosas para o enfrentamento do relativismo moral e dos desafios apresentados pela revolução cultural. Uma das principais contribuições é a defesa da existência de uma lei moral objetiva, fundada na natureza humana e na vontade divina, que transcende as convenções sociais e as opiniões individuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em vez de aceitar o relativismo moral, que nega a existência de padrões éticos universais, a Teologia Moral argumenta a favor de uma ética baseada em princípios absolutos, como a dignidade intrínseca da pessoa humana e o respeito pelos direitos fundamentais. Esses princípios oferecem uma base sólida para avaliar as ações humanas e discernir entre o bem e o mal, independentemente das circunstâncias culturais ou sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a Teologia Moral enfatiza a importância da formação da consciência moral como um processo contínuo de discernimento e educação. A consciência moral bem formada é capaz de reconhecer e responder adequadamente aos princípios éticos fundamentais, mesmo em meio às pressões culturais e sociais da revolução cultural. Isso significa que os indivíduos são chamados a cultivar uma consciência sensível e responsiva aos valores morais, em vez de se submeterem passivamente às tendências culturais dominantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra contribuição importante da Teologia Moral é a promoção da virtude como um caminho para a realização moral. As virtudes, como a justiça, a prudência, a temperança e a coragem, capacitam os indivíduos a agir de acordo com o que é verdadeiramente bom e nobre, mesmo quando enfrentam desafios e tentações do ambiente cultural circundante. Ao cultivar as virtudes, os indivíduos se tornam agentes ativos na construção de uma cultura ética e resistem às influências corrosivas do relativismo moral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das contribuições mencionadas, a Teologia Moral também destaca a importância da comunidade e da tradição na formação da consciência moral. Ao invés de deixar os indivíduos isolados diante das influências culturais e do relativismo moral, a Teologia Moral enfatiza a importância de pertencer a uma comunidade moralmente comprometida, onde os valores éticos são transmitidos e vivenciados de forma coletiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa abordagem ressalta a importância das instituições religiosas, educacionais e familiares na transmissão dos valores morais ao longo das gerações. Através da participação ativa nessas comunidades e da imersão na tradição moral, os indivíduos são fortalecidos em sua capacidade de resistir às influências negativas da revolução cultural e cultivar uma vida virtuosa em conformidade com os princípios éticos fundamentais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a Teologia Moral também destaca a importância da reflexão crítica e do diálogo construtivo como meios de enfrentar os desafios éticos da atualidade. Em vez de rejeitar automaticamente as mudanças culturais, a Teologia Moral convida os indivíduos a engajar-se em um diálogo aberto e respeitoso com as diferentes perspectivas e tradições, buscando encontrar pontos de convergência e construir consenso em torno dos valores éticos fundamentais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas abordagens complementares da Teologia Moral &#8211; enfatizando a comunidade e a tradição, bem como a reflexão crítica e o diálogo construtivo &#8211; oferecem recursos poderosos para enfrentar os desafios do relativismo moral e da revolução cultural na atualidade. Ao promover uma compreensão mais profunda da natureza da moralidade e das fontes de valores éticos, a Teologia Moral pode desempenhar um papel significativo na promoção de uma cultura de respeito, justiça e solidariedade em meio às mudanças rápidas e complexas da sociedade contemporânea.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, a Teologia Moral oferece uma visão de esperança e redenção em meio às incertezas e tumultos da revolução cultural. Ao afirmar a existência de um bem absoluto e a possibilidade de transformação pessoal e social através da graça divina, a Teologia Moral inspira os indivíduos a se comprometerem com a construção de um mundo mais justo, solidário e compassivo, independentemente dos desafios e adversidades que possam enfrentar. Em última análise, a Teologia Moral oferece uma visão de humanidade e destino final que transcende as limitações e contingências da cultura e da história humanas, oferecendo uma base sólida para a resistência e a renovação em face do relativismo moral e da revolução cultural.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4 RELATIVISMO MORAL</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O entendimento do relativismo moral requer que mergulhemos um pouco no seu contexto histórico considerando que é uma das correntes filosóficas que mais tem adentrado no seio da sociedade contemporânea.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ideia da não existência de princípios que regem o comportamento dos homens tem se difundido velozmente no mundo atual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">São perceptíveis que as tomadas de decisões dos homens são influentemente guiadas pelas tendenciosidades às quais o contexto do mundo atual os insere.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A origem do relativismo moral remonta séculos, e na contemporaneidade o mesmo tem emergido com uma força avassaladora na tentativa de provar que não há uma verdade absoluta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos dizer que um dos expoentes da teoria relativista é Protágoras quando afirmou: “o homem é a medida de todas as coisas”. Nesta sua máxima está a suma do que vem a ser o relativismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os sofistas são considerados os responsáveis por levantarem a questão da possibilidade do homem conhecer a verdade absoluta ou não. Deste modo, não há uma moral absoluta e sim leis convencionais. O critério, portanto, para distinguir o verdadeiro do falso, o bom do mau, sempre é relativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eis aqui a grande problemática moral a que conduz o relativismo: se tudo é relativo, se não há a verdade absoluta, se cada uma das situações depende do indivíduo e da cultura, logo cada um está livre para fazer o que desejar sem se importar com algum princípio universal. Seguindo essa linha, Papa João Paulo II em sua Carta <em>Veritatis Splendor</em> assevera que “perante as exigências morais, todos somos absolutamente iguais”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para fundamentar ainda mais tal exposição contrária ao relativismo, na <em>Veritatis Splendor</em>, João Paulo II, também afirma: “por isso as circunstâncias ou as intenções nunca poderão transformar um ato intrinsecamente desonesto pelo seu objeto, num ato “subjetivamente” honesto ou defensível como opção”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos dizer que essa firme exposição do Papa encontra na atualidade, uma densa dificuldade de assimilação e aceitação devido à falta de um referencial, fazendo com que tudo é possível, isto é, cada indivíduo cria suas próprias normas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa anulação de um critério máximo a ser observado e da anulação de uma verdade absoluta, tem levado o mundo a um colapso. Deturpação da moralidade humana têm acontecido devido a essa visão caótica de mundo, de ser humano, de sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A posição relativista tem posto cada vez mais em dúvida inúmeros princípios e comportamentos éticos criando situações absurdas diante de valores que jamais podem se converter.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao denunciar os perigos e as consequências do relativismo, Papa Bento XVI, em seu livro Fé, verdade, tolerância, insiste em afirmar que a ideia de liberdade apresentada pelo mundo moderno é, na realidade, uma escravidão: “A liberdade anárquica, no seu sentido radical, não redime o homem, mas faz dele uma criatura malograda, um ser sem sentido” (RATZINGER, 2007, p.221).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Papa com esse mesmo pensamento em seu livro Liberar a liberdade acrescenta: “a identificação da consciência com o conhecimento superficial e a redução do homem à sua subjetividade não liberta, mas escraviza; ela nos torna apenas totalmente dependentes das opiniões dominantes e rebaixa o nível dessas mesmas opiniões dominantes” (RATZINGER, 2019 a, p.93).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sucede-se assim, uma explicação do que ficou conhecida como ditadura do relativismo no pensamento de Bento XVI.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O destaque na sua explicação está em sua homilia na Santa Missa <em>Pro Eligendo Romano Pontífice</em>, no dia 18 de abril de 2005 que diz respeito à dificuldade que os cristãos têm de viver e expressar sua fé num mundo relativista:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Cada dia surgem novas seitas e realiza-se quanto diz São Paulo acerca do engano dos homens, da astúcia que tende a levar ao erro (cf. Ef 4, 14). Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, muitas vezes é classificado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto é, deixar-se levar &#8220;aqui e além por qualquer vento de doutrina&#8221;, aparece como a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades (BENTO XVI, 2005, n.p.).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O Papa Bento XVI sempre rejeitou os modismos ao apresentar a necessidade que o homem e a sociedade como um todo possuem de conviver com a verdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, é comum comentários seus a respeito da Carta Encíclica Fides et Ratio de João Paulo II: “Se tivesse de caracterizar brevemente a intenção da encíclica, diria: ela quis reabilitar a questão da verdade em um mundo caracterizado pelo relativismo.” (RATZINGER, 2007, p. 168).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabendo que a discussão em torno do relativismo está vinculada a busca pela verdade, Ratzinger explica que essa ausência (da verdade) e a ingênua presença (da liberdade) faz surgir diversos problemas, entre eles de ordem moral e metafísico:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Essa total ausência de verdade, essa total ausência de qualquer vínculo, também moral e metafísico, essa liberdade absoluta e anárquica como determinação do ser do homem se revela, àquele que procura vivê-la, não como a maior elevação da existência, mas como a nulidade da vida, como o vazio absoluto (RATZINGER, 2007, p. 220).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">É bem verdade que o homem ao excluir a verdade perde totalmente seu ponto de apoio e tem como consequência sua própria ruína.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, o teólogo vem nos dizer que: “o mundo hodierno “é um mundo que se desvinculou dos conhecimentos fundamentais que sustentam a humanidade, um mundo que, desse modo, joga os homens num vazio de sentido, com o risco de consequências fatais se não houver uma resposta a tempo.” (RATZINGER, 2007, p. 75-76).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta linha de Pensamento, se for feita uma análise do comportamento dos homens na sociedade contemporânea, é evidente de que a tendência de se cair num abismo se fará cada vez mais presente. A falta de objetivos e de um itinerário a ser percorrido, conduz os indivíduos a um vazio existencial. Nada mais tem sentido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste horizonte, pode-se afirmar que cada vez mais é possível se deparar com indivíduos que trazem um grande vazio interior, indivíduos infelizes, corroídos por dentro. Razão disso está nas tendências que dirige as pessoas fazendo com que elas percam de vista os valores essenciais para a felicidade, para a realização pessoal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A anulação de um critério máximo a ser observado tem levado o mundo a incontáveis atrocidades e deturpações da moralidade humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5 RELATIVISMO MORAL À LUZ DA FÉ</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante de uma realidade relativista, encontra-se indivíduos com o olhar voltado para propostas concernentes à finalidade para a qual o homem foi criado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o homem faz uma escolha em sua vida, é, bem evidente que ele precisa utilizar da sua razão para traçar o itinerário ao qual se propõe. Isso é algo dado pelo próprio Criador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Destarte, sem hesitar, Ratzinger (2008) afirma que mesmo que a Igreja não seja uma força dominante da sociedade como foi no passado, ela continuará exaltando aos homens de boa vontade o agradável odor de Cristo e tornar-se-á a pátria daqueles que Nele confiam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Papa acrescenta dizendo que “hoje, a fé cristã recuperará o homem e a verdade continua a existir, sobretudo porque a Verdade em pessoa, o Logos, encarnou-se pelo amor” (RATZINGER, 2007).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Façamos aqui um percurso teológico trazendo a contribuição de alguns Papas no seu agir de toda a Igreja.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A década de 1950-1960 introduziu acontecimentos, que impactaram a sociedade, grandes avanços científicos, tecnológicos, mudanças culturais e comportamentais. Urgia, portanto, uma mudança de postura também da Igreja.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Papa João XXIII procurando promover a modernização da Igreja, divulgou a ideia segundo a qual a Igreja devia intervir construtivamente em assuntos políticos, econômicos e sobretudo sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com este pensamento, João XXIII anunciou a convocação do Concílio Vaticano II para mostrar que a Igreja do século XX não se omitia do necessário diálogo com o mundo que mudava. Convocou o Concílio porque era visível que a Igreja tinha dificuldade em dialogar com o mundo moderno e não demonstrava estar disposta a discernir e agir de acordo com os gritos da humanidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta perspectiva, a Exortação Apostólica de Paulo VI <em>Evangelica Testificatio</em> ofereceu critérios para atender os sinais do Espírito no tempo presente tornando a vida mais “humana” e leve. Neste sentido, faz-se necessário criar ambientes leves que nos levem ao encontro do outro. Nesse encontro termos a maturidade de suportar no outro, sua humanidade. A fraternidade é critério inegociável para que haja a manutenção e o crescimento de uma cultura de amor e respeito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De modo semelhante pensa Bauman (2017) ao afirmar que amar o próximo como se ama a si mesmo torna a sobrevivência humana diferente daquela de qualquer outra criatura viva. O autor acrescenta dizendo que o preceito do amor ao próximo desafia e interpela os instintos estabelecidos na natureza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há de se levar em conta que devemos cultivar relacionamentos pautados no amor, no respeito e na partilha, como sinais de vida nova num mundo egoísta, competitivo, polarizado em que vivemos. É a unidade na adversidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido, o Papa Francisco tem exortado que devemos vencer as tentações da autorreferencialidade, da autossuficiência, do mundismo espiritual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aqui cabe as palavras do Papa Bento XVI quando disse: “Ao início do ser cristão, não há decisão ética, ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento com uma Pessoa que dá a vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo” (<em>Deus caritas est</em>, n.1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta mesma direção, Papa Francisco nos tem recordado a importância de encontrar o justo equilíbrio, de tal modo que um polo sempre remeta a outro. Na Exortação Apostólica <em>Evangelii Gaudium</em>, Papa Francisco exorta dizendo da urgência de recuperar um espírito contemplativo, que nos permita redescobrir, cada dia, que somos depositários de um bem que humaniza, que ajuda a levar uma vida nova (EG, n.264).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, para ilustrar essa sociedade plural e tão diversificada como a que estamos vivendo, Baumam (2017) usa o termo a “líquida vida moderna” nos mostrando que tudo nesta vida tende a permanecer inconsistente. Que o diálogo e a interação se diluem ou nem chega a ter lugar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6 INFLUÊNCIA DE SANTO AFONSO CONTEMPORANEIDADE</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A crise moral no mundo moderno é evidente e multifacetada, abrangendo desde os avanços científicos até as mudanças culturais, decisões econômicas, políticas e profissionais. Esse cenário exige um combate à “lei da selva”, frequentemente aplicada de forma explícita ou implícita. A moral cristã se apresenta como uma fonte de esperança, oferecendo uma ética de salvação eficaz e credível, baseada no espírito de benignidade e resistência às tentações de uma consciência laxa, que afeta até mesmo os cristãos nos dias de hoje.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde o fim da escolástica e ao longo da era pós-tridentina, a consciência moral tornou-se central na vida e na reflexão moral do catolicismo. Nesse contexto, a moral católica moderna foi muitas vezes descrita como a “moral da consciência”, onde a consciência era vista como uma técnica para se destacar entre diferentes opiniões, sem buscar verdades objetivas, mas sim “certezas subjetivas”. Santo Afonso de Ligório, no entanto, afastou-se dessa visão mecânica e exageradamente procedimental da consciência moral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Constituição Pastoral <em>Gaudium et Spes</em> do Concílio Vaticano II enfatiza que, no íntimo da consciência, o homem descobre uma lei à qual deve obedecer, uma voz que o chama ao amor do bem e à fuga do mal. Essa voz, escrita pelo próprio Deus no coração humano, é a base da dignidade do homem e o critério pelo qual ele será julgado. A fidelidade a essa voz une os cristãos e os demais homens na busca da verdade e na resolução dos problemas morais individuais e sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Santo Afonso de Ligório, a partir de sua experiência missionária, examinou diversas opiniões à luz da razão iluminada pela prudência, criando um conjunto de diretrizes que refletiam tanto as exigências do Evangelho quanto a liberdade da consciência humana. No século XIX, o florescimento dos estudos bíblicos e patrísticos deu origem a uma renovação da Teologia Moral, promovida por novas escolas teológicas e estudiosos competentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Concílio Vaticano II, ao valorizar essa herança, lançou as bases para uma renovação da moral cristã, focada em uma refundação antropológica e bíblico-teológica. A Teologia Moral, então, tem a tarefa de ilustrar a “grande vocação dos fiéis em Cristo” e sua obrigação de frutificar na caridade para a vida do mundo. Documentos conciliares como <em>Lumen Gentium</em>, <em>Dei Verbum</em> e <em>Sacrosanctum Concilium</em>, embora não tratem diretamente de questões morais, oferecem contribuições valiosas nesse campo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Encíclica <em>Populorum Progressio</em> de Paulo VI destaca a dimensão moral da questão social, fundamentada na análise objetiva da realidade. A consciência, como fonte de decisões morais, é central nesse contexto. A moral afonsiana nos alerta para a importância de uma consciência bem formada e continuamente cultivada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2019, o Papa Francisco, em seu discurso à Academia Alfonsiana, elogiou o compromisso dos formadores na Teologia Moral, destacando a lógica misericordiosa que deve permear todas as palavras dessa disciplina. Na <em>Amoris Laetitia</em>, ele reforça que o ensino da Teologia Moral deve enfatizar os valores centrais do Evangelho, especialmente o primado da caridade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A realidade de seu tempo, marcada pela desigualdade entre a riqueza da nobreza e a miséria do povo, inspirou Santo Afonso de Ligório a agir em favor dos indigentes, tanto material quanto espiritualmente. Sua obra reflete uma mensagem de reconciliação e transformação dos valores humanos, baseada na misericórdia de Deus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A moral cristã não busca apenas a verdade objetiva, mas a verdade que salva. A contribuição de Afonso de Ligório provocou mudanças profundas na moral e na espiritualidade, e sua obra continua relevante para enfrentar os desafios contemporâneos da Igreja e do mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática, a moral cristã pode ser aplicada em várias áreas da vida moderna:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Bioética: Em um mundo onde os avanços científicos desafiam os limites éticos, a moral cristã fornece diretrizes para questões complexas como a manipulação genética, a clonagem e a eutanásia. Ela enfatiza a dignidade inerente de toda vida humana, desde a concepção até a morte natural.</li>



<li>Justiça Social: A luta pela justiça social é uma aplicação central da moral cristã. Inspirada pelos ensinamentos de Jesus sobre amar o próximo, a Igreja tem um longo histórico de apoio aos pobres e marginalizados, promovendo políticas que busquem a equidade e combatam a exclusão social.</li>



<li>Economia Ética: A moral cristã propõe uma economia que serve ao bem comum, onde os princípios de solidariedade e subsidiariedade orientam as práticas econômicas. Isso se traduz em promover condições de trabalho justas, salários dignos e responsabilidade ambiental.</li>



<li>Política e Direitos Humanos: A moral cristã defende a inviolabilidade dos direitos humanos e a importância da participação cidadã. Políticos e líderes são chamados a agir com integridade, justiça e respeito pela dignidade de todas as pessoas.</li>



<li>Família e Educação: Na família, a moral cristã promove valores de amor, respeito e educação integral dos filhos. Na educação, incentiva a formação de indivíduos conscientes, éticos e comprometidos com a transformação da sociedade.</li>



<li>Ecologia: A moral cristã, especialmente através da encíclica <em>Laudato Si&#8217;</em> do Papa Francisco, chama a uma ecologia integral que reconhece a interconexão entre todos os seres vivos e a responsabilidade humana de cuidar da criação.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">A moral cristã, portanto, não é apenas uma coleção de preceitos religiosos, mas uma fonte dinâmica e relevante de princípios éticos que podem orientar a vida pessoal e coletiva em busca de um mundo mais justo, solidário e em harmonia com a criação. Devemos continuar a estudar e aplicar esses ensinamentos, respondendo com entusiasmo aos desafios que nos são propostos pelo mundo e pela Igreja.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7 CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante da análise realizada sobre o Tratado da Teologia Moral de Santo Afonso Maria de Ligório à luz do relativismo moral e da revolução cultural no mundo atual, é possível concluir que a obra desse renomado teólogo católico continua a oferecer insights valiosos para a compreensão dos desafios éticos e morais enfrentados pela sociedade contemporânea.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao considerar o contexto histórico e cultural em que Santo Afonso escreveu suas obras, percebemos a relevância de sua abordagem fundamentada na tradição moral católica e na busca pela verdade divina. A ênfase na consciência moral como guia para uma vida virtuosa ressalta a importância do discernimento ético e da obediência à lei moral inscrita no coração humano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido, as reflexões de Santo Afonso Maria de Ligório nos convidam a repensar a relação entre a moralidade, a cultura e a espiritualidade em um mundo marcado por mudanças profundas e desafios éticos complexos. Suas obras continuam a inspirar não apenas os estudiosos da teologia moral, mas também todos aqueles que buscam orientação para uma vida ética e significativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, diante da complexidade dos dilemas morais contemporâneos, é fundamental resgatar a importância da consciência bem formada, iluminada pela luz divina, como um guia seguro para as escolhas éticas e a busca pela verdade. Que as reflexões de Santo Afonso Maria de Ligório possam nos inspirar a cultivar uma ética fundamentada na busca pela vontade divina e no compromisso com a virtude, em meio aos desafios do mundo atual.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">AGOSTINHO. Santo. <strong>O Livre Arbítrio</strong>. Campinas, Ecclesiae, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">AQUINO, Tomás de. <strong>A imortalidade da alma e a razão superior e inferior</strong>. Campinas, Ecclesiae, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______. <strong>As Virtudes Morais- Questões Disputadas sobre a Virtudes- questão 1 e 5</strong>. Campinas, Ecclesiae, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BAUMAM, Zygmunt. <strong>Amor Liquido</strong>: Sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BENTO XVI, Papa. <strong>Homilia na Santa Missa</strong> “Pro Eligendo Romano Pontifice”. 2005. Disponível em: http://www.vatican.va/gpII/documents/homily-pro-eligendo-pontifice_20050418_po.html. Acesso em: 01 maio 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________. <strong>Carta encíclica Deus caritas est</strong> (Sobre o amor cristão). 2005. Disponível em: https://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20051225_deus-caritas-est.html. Acesso em: 01 maio 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRIGHENTI, Agenor. <strong>A Igreja perplexa a novas perguntas, novas respostas</strong>. SP, Soter/Paulinas,2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CAMARGO, Luiz. <strong>Breve manual do cristão conservador</strong>. Campinas, Vide Editorial, 2022.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong><sup>1</sup></strong> http://lattes.cnpq.br/2065637760312015</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong><sup>2</sup></strong>http://lattes.cnpq.br/1007040231152956</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Trabalho de Conclusão do Curso de Teologia pela Universidade Católica Dom Bosco. Campo Grande, 2024.</p>
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