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	<title>Sistemas de informação &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<description>Revista Científica de Alto Impacto.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 12 Mar 2026 10:18:03 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Sistemas de informação &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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		<title>CONHECIMENTO COMO MOTOR DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA: IMPACTOS NA SOCIEDADE, EDUCAÇÃO E ECONOMIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Feb 2026 15:25:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sistemas de informação]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602191224 Djalma Martins de Moura Resumo&#160; Este artigo tem por objetivo analisar criticamente como o conhecimento se tornou um fator estratégico essencial no processo de inovação tecnológica no século XXI, em diálogo com a economia do conhecimento (Drucker, 1993) e com as teorias dos sistemas nacionais de inovação. Busca-se demonstrar a relação simbiótica [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602191224</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Djalma Martins de Moura</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo tem por objetivo analisar criticamente como o conhecimento se tornou um fator estratégico essencial no processo de inovação tecnológica no século XXI, em diálogo com a economia do conhecimento (Drucker, 1993) e com as teorias dos sistemas nacionais de inovação. Busca-se demonstrar a relação simbiótica entre conhecimento e inovação tecnológica, bem como seus impactos sociais, educacionais e econômicos. O termo tecnologia é empregado para designar o conjunto de conhecimentos científicos, empíricos e intuitivos voltados à produção de bens e serviços. O estudo também aborda a importância do conhecimento em sua dimensão ética, por ser um bem social, defendendo a aplicação do princípio da agência epistêmica, conforme a teoria da justiça epistêmica de Miranda Fricker, como fundamento para a inclusão social e como crítica à sua mercantilização. Analisa-se ainda como Alemanha, China, Estados Unidos, Japão e Brasil realizam a gestão do conhecimento em nível estratégico, utilizando-a como instrumento para impulsionar o desenvolvimento nacional por meio de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, em relação aos seus respectivos produtos internos brutos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Conhecimento, Inovação Tecnológica, Educação, Hélice Tríplice, Mudanças Contínuas e Complexidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>Introdução&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No cenário das transformações econômicas, sociais e tecnológicas do século XXI, o conhecimento consolidou-se como o principal ativo estratégico das organizações e das nações, assumindo a condição de bem social indispensável ao desenvolvimento sustentável. Assim, a inovação tecnológica não se configura como uma ação aleatória ou fruto de um gênio isolado, mas como consequência direta da capacidade de produzir, gerir e aplicar conhecimentos de forma sistemática e intencional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em ambientes de mercados caracterizados por alta competitividade e rápidas mudanças tecnológicas, a gestão do conhecimento deixou de exercer uma função meramente operacional ou de suporte, para ocupar uma posição estratégica na geração de valor e de vantagem competitiva. Conforme defendem Massa, Damian e Valetin (2012), a gestão do conhecimento possibilita a criação de novos saberes, a ampliação da inteligência organizacional e, consequentemente, o desenvolvimento de inovações tecnológicas capazes de redefinir processos produtivos, modelos de negócios e formas de interação com o mercado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todavia, a centralidade do conhecimento no processo de inovação impõe desafios às organizações e aos sistemas educacionais. O ritmo acelerado da obsolescência do conhecimento exige a construção de uma cultura de aprendizagem contínua e ao longo da vida, demandando a transição do modelo educacional tradicional para abordagens mais flexíveis, dinâmicas e integradas à realidade do trabalho.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a elaboração deste artigo, adotou-se uma abordagem qualitativa de natureza teórica-conceitual, baseada em revisão bibliográfica e análise de autores relevantes nos campos da inovação tecnológica, gestão do conhecimento, aprendizagem organizacional e sistemas de inovação, como Christensen, Drucker,&nbsp;Nonaka, Porter, March, O’Reilly e Tushman, Freeman, Lundvall, Nelson, Hippel, Bunge, Berger e Luckmann, Castells, Etzkowitz e Leydesdorff.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, o artigo articula inovação tecnológica, gestão do conhecimento e aprendizagem contínua, propondo uma reflexão crítica sobre os limites e possibilidades do conhecimento como motor do desenvolvimento tecnológico, econômico e educacional da sociedade contemporânea.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo parte da premissa de que a gestão do conhecimento constitui base estruturante dos Sistemas Nacionais de Inovação; entretanto, investiga seus limites enquanto fator isolado, examinando em que medida variáveis institucionais, culturais, político-econômicas condicionam sua efetividade na construção de ciclos sustentáveis de desenvolvimento em inovação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>Conhecimento, Inovação Tecnológica e Desenvolvimento no século XXI&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1</strong> <strong>Conhecimento e Inovação Tecnológica na Economia do Conhecimento&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Observa-se uma forte correlação entre economia do conhecimento e inovação tecnológica, impulsionada pela produção e disseminação do conhecimento como motor do crescimento e do desenvolvimento na contemporaneidade. Segundo Noronha (2011), na economia do conhecimento a inovação tecnológica associa-se à capacidade de transformar informações e saberes em soluções práticas, tornando processos mais eficientes e viabilizando novos modelos de negócios. A autora destaca que a sociedade contemporânea migrou de um modelo industrial baseado em bens materiais e força física para outro centrado no capital intelectual e na aprendizagem contínua.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em diálogo com Drucker (1993), percebe-se que o conhecimento se consolidou como o principal recurso estratégico das organizações, ao remodelar as bases da economia tradicional. Para o autor, o diferencial competitivo reside na capacidade de gerar, aplicar e renovar conhecimento, sendo a inovação tecnológica sua expressão mais visível. Porter (1990) reforça essa perspectiva ao afirmar que a inovação tem como fundamento o conhecimento e a aprendizagem organizacional, permitindo às empresas construir vantagens competitivas em ambientes dinâmicos. Nesse sentido, quando conhecimento e tecnologia são incorporados aos processos produtivos, assumem papel decisivo nas estratégias de competição.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, Christensen (1997) chama atenção para o dilema da inovação, segundo o qual organizações tendem a concentrar esforços na melhoria incremental de produtos e processos, com base no conhecimento atual de seus mercados, enquanto negligenciam inovações emergentes. Casos como Kodak e Nokia ilustram como o sucesso de curto prazo não assegura a sustentabilidade organizacional. Como resposta, O’Reilly e Tushman (2004) propõem o conceito de organização ambidestra, defendendo o equilíbrio entre exploração de mercados consolidados e a busca por novas tecnologias e oportunidades. De forma convergente, March (1991) argumenta que o desafio organizacional reside em equilibrar atividades voltadas ao desempenho imediato e à inovação futura, evidenciando o papel central do conhecimento na inovação tecnológica&nbsp;sustentável.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2</strong> <strong>Tecnologias como Construção Social do Conhecimento&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O conceito de tecnologia é multifacetado, podendo ser compreendido como um conjunto de técnicas, ferramentas e processos destinados a solucionar problemas práticos e ampliar as possibilidades humanas de ação sobre o mundo. Na filosofia aristotélica, a tecnologia é concebida como técnica racional voltada à produção, conforme a <em>Ética a Nicômaco</em>. Em contexto distinto, Ellul (1964) define a tecnologia como métodos racionalmente desenvolvidos para alcançar máxima eficiência, enquanto Bunge (1966) a compreende como aplicação do conhecimento científico à solução de problemas práticos. Complementarmente, Clark (2008) entende a tecnologia como extensão da cognição humana, ao afirmar que a mente se projeta para além do cérebro por meio de artefatos técnicos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, tais concepções instrumental-racionais mostram-se insuficientes para explicar a tecnologia enquanto fenômeno social. Berger e Luckmann (1966) sustentam que a tecnologia resulta do conhecimento produzido e legitimado nas interações humanas, sendo atravessada por disputas políticas e interesses econômicos. Nessa linha, Hughes (1987) concebe os sistemas tecnológicos como sociotécnicos, nos quais técnica e sociedade são indissociáveis. Feenberg (1991) reforça essa visão ao argumentar que a tecnologia não é neutra, podendo servir a processos de dominação e controle&nbsp;social.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Compreendida como construto social mediado pelo conhecimento, a tecnologia aproxima Vygotsky (1998) e Nonaka (1995). Ambos concebem o conhecimento como dinâmico e socialmente produzido. Vygotsky destaca a Zona de Desenvolvimento Proximal, enquanto Nonaka propõe o modelo SECI, no qual a criação do conhecimento ocorre por meio da interação social contínua nas organizações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3</strong> <strong>Impactos sociais, educacionais e econômicos da Inovação Tecnológica&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Tende-se a compreender a inovação tecnológica de modo reducionista, associando-a apenas à introdução de novos artefatos ou produtos no mercado. Essa perspectiva limitada desconsidera que a inovação, enquanto processo histórico, econômico e social, produz transformações estruturais profundas, capazes de remodelar os modos de produção, as relações sociais e as dinâmicas econômicas. Em virtude de seu caráter disruptivo, a inovação tecnológica atua como força propulsora de mudanças sistêmicas, alterando padrões de consumo, organização do trabalho e processos de circulação de valor, impactando amplamente a sociedade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A inovação pode ser definida como o processo de desenvolvimento e implementação de ideias, produtos, serviços ou estratégias que geram valor e vantagem competitiva, constituindo o motor do desenvolvimento tecnológico.&nbsp;Schumpeter (1997) compreende a inovação a partir do conceito de “destruição criativa”, segundo o qual novas tecnologias e métodos substituem os antigos, impulsionando a dinâmica do capitalismo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto brasileiro, o Pix — Sistema de Pagamentos Instantâneo, instituído pelo Banco Central do Brasil em 2020 — constitui um exemplo contemporâneo desse processo. Baseado na instantaneidade das transações e na interoperabilidade entre instituições financeiras, o Pix promoveu impactos relevantes, como ampliação da inclusão financeira, redução de custos operacionais e aceleração da circulação monetária (BCB, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse fenômeno pode ser analisado à luz da teoria da sociedade em rede de Castells (2008), segundo a qual as tecnologias da informação redefinem estruturas produtivas e relações sociais. A rápida adoção do Pix também pode ser explicada pela teoria da difusão das inovações de Rogers (2003), bem como pela perspectiva de von Hippel (2005), ao evidenciar o papel dos usuários na inovação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No campo educacional, a inovação tecnológica tem provocado mudanças significativas ao reconfigurar o trabalho docente, ampliar possibilidades de personalização da aprendizagem e fortalecer ambientes colaborativos (Coutinho, 2009). Esse cenário reposiciona o professor como mediador e designer de experiências de aprendizagem, reforçando sua responsabilidade ética no uso das tecnologias digitais (Martins &amp; Lins, 2016; Pinto, 2022). Assim, no século XXI, a inteligência artificial não substitui o docente, mas redefine seu papel estratégico no processo educativo, segundo von Staa (2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.4</strong> <strong>Sistemas Nacionais de Inovação e Gestão Estratégica do Conhecimento&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Sistema Nacional de Inovação (SNI) pode ser compreendido como o conjunto articulado de instituições — universidades, empresas e governo — cujas interações condicionam a capacidade inovadora de um país (Freeman, 1987; Lundvall, 1992; Nelson, 1993). Nessa abordagem, a inovação deixa de ser vista como um processo isolado ou linear e passa a ser entendida como resultado de arranjos institucionais, políticas públicas e marcos regulatórios voltados à produção, circulação e aplicação do conhecimento, conferindo à gestão estratégica do conhecimento papel central no desempenho inovador das nações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O modelo de inovação aberta proposto por Chesbrough (2003) reforça essa concepção ao afirmar que os processos inovadores extrapolam as fronteiras organizacionais, exigindo ecossistemas nacionais capazes de sustentar a cooperação entre múltiplos atores. Em nível nacional, tal dinâmica depende de políticas eficazes de propriedade intelectual, mecanismos de transferência de tecnologia, incentivos fiscais e parcerias público-privadas, que ampliam a circulação do conhecimento e fortalecem a capacidade de absorção tecnológica das organizações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma convergente, von Hippel (2005) argumenta que a inovação não ocorre exclusivamente em ambientes corporativos formais, mas envolve usuários e comunidades colaborativas, evidenciando seu caráter distribuído e impondo novos desafios à formulação de políticas públicas. A experiência da Coreia do Sul ilustra a integração desses princípios em seu SNI, ao articular estratégia estatal deliberada e orientação progressiva ao conhecimento (Freeman, 1987; OECD, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de sua relevância, a abordagem dos Sistemas Nacionais de Inovação apresenta limitações ao enfatizar estruturas nacionais em detrimento das dinâmicas relacionais em nível micro. Nesse contexto, a teoria da Tríplice Hélice (Etzkowitz &amp; Leydesdorff, 2000) desloca o foco para a interação entre universidades, empresas e governo, sendo posteriormente ampliada pela Hélice Quádrupla (Carayannis &amp; Campbell, 2010), ao incorporar a sociedade civil.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Comparativamente, enquanto países centrais apresentam sistemas robustos de investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&amp;D), o Brasil enfrenta fragilidades estruturais que comprometem a consolidação de um SNI sustentável. Por exemplo, apesar de o maior país sul-americano dispor de potencial científico, investe cerca de 1,3% de seu PIB em P&amp;D; enquanto nações líderes em inovação tecnológica, como a Alemanha, investem 3,19% do PIB; a China, 2,6%; Japão, 3,3% e os Estados Unidos, 3,4% (OECD, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre outros fatores limitantes estruturais do Brasil, destacam-se: a falta de consolidação de políticas públicas em ciência; a fragilidade da educação básica; a fuga de “cérebros”; o baixo investimento privado em P&amp;D; e a insuficiente integração entre universidades e empresas. Nesse sentido, fica patente que a inovação tecnológica tem como principal variável estruturante a gestão do conhecimento, combinada com variáveis mediadoras — fatores institucionais, políticos e socioculturais — tais como qualidade regulatória, políticas públicas de inovação, investimento em P&amp;D e capital humano (OECD, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. Conclusão&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dos argumentos apresentados neste artigo, conclui-se que a inovação tecnológica é resultante de processos intencionais de produção, gestão e aplicação de conhecimento. A análise evidencia que é na dinâmica interacional entre atores como universidades, empresas, governo e sociedade civil, em contextos culturais específicos, nos quais a inovação emerge como a face mais visível do conhecimento, tornando este um ativo estratégico competitivo entre empresas e nações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, modelos como Sistemas Nacionais de Inovação e Hélices Tríplice, Quádrupla e Quíntupla evidenciam que a inovação é fruto da qualidade das interações em nível macro e micro desses atores – universidades, empresas, governo e sociedade civil, por meio da aplicação do conhecimento desenvolvido.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho não aplica o conhecimento como motor da inovação sob uma perspectiva determinista, reconhecendo que condicionantes culturais, educacionais, políticas e institucionais também influenciam o processo da inovação tecnológica. O cenário atual que demonstra um alto grau de obsolescência do conhecimento requer a adoção de novos modelos de educação mais flexíveis e dinâmicos fundamentados em uma cultura de aprendizagem ao longo da vida e com ênfase no desenvolvimento de competências cognitivas, como pensamento crítico, competências socioemocionais e tecnológicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Finalizando, este artigo propõe um modelo conceitual mediado, no qual a gestão estratégica do conhecimento é a variável estruturante (independente) da capacidade inovadora, ao potencializar a criação, circulação e aplicação de saberes, embora esta articulação não esteja plenamente consolidada na literatura.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, sua transformação em inovação sustentável depende da mediação de fatores institucionais, políticos e socioculturais, como qualidade regulatória, políticas públicas de inovação, investimento em P&amp;D e capital humano qualificado. Assim, <em>o modelo sustenta que a gestão do conhecimento é condição necessária, mas não autossuficiente, para a consolidação de Sistemas Nacionais de Inovação sustentáveis, exigindo alinhamento entre arranjos institucionais e dinâmica cooperativa entre os atores do sistema.</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Banco Central do Brasil. (2020, agosto 12). <em>Resolução BCB nº 1, de 12 de agosto de&nbsp;&nbsp;&nbsp;2020</em>.<a href="https://www.bcb.gov.br/">https://www.bcb.gov.br.</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Banco Central do Brasil. (2023). <em>Relatório de gestão do Pix: Concepção e primeiros anos de operação (2020–2022)</em>.&nbsp;<a href="https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/pix/RelatorioGestaoPix2022.pdf">https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/pix/RelatorioGestaoPix2022.pdf</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Berger, P. L., &amp; Luckmann, T. (1966). <em>The social construction of reality: A treatise in the sociology of knowledge</em>. Anchor Books.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bunge, M. (1966). <em>Technology as applied science</em>. Reidel.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Carayannis, E. G., &amp; Campbell, D. F. J. (2010). T<em>riple helix, quadruple helix and quintuple helix and how do knowledge, innovation and the environment relate to each other. International Journal of Social Ecology and Sustainable Development, 1</em>(1), 41–69.<a href="https://doi.org/10.4018/jsesd.2010010105">https://doi.org/10.4018/jsesd.2010010105&nbsp;</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Castells, M. (2008). <em>A sociedade em rede</em> (11ª ed., Vol. 1). Paz e Terra.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chesbrough, H. W. (2003). <em>Open innovation: The new imperative for creating and profiting from technology</em>. Harvard Business School Press.<em>&nbsp;&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Christensen, C. M. (1997). <em>The innovator’s dilemma: When new technologies cause great firms to fail</em>. Harvard Business School Press.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Clark, A. (2008). <em>Supersizing the mind: Embodiment, action, and cognitive extension</em>.&nbsp;Oxford University Press.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Drucker, P. F. (1993). <em>Post-capitalist society</em>. HarperBusiness.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ellul, J. (1964). <em>The technological society</em>. Vintage Books.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Etzkowitz, H., &amp; Leydesdorff, L. (2000). The dynamics of innovation: From national systems and “Mode 2” to a triple helix of university–industry–government relations.&nbsp;<em>Research Policy, 29</em>(2), 109–123.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Feenberg, A. (1991). <em>Critical theory of technology</em>. Oxford University Press.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fricker, M. (2007)<strong>.</strong> <em>Epistemic injustice: Power and the ethics of knowing</em>. Oxford&nbsp;University Press.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Freeman, C. (1987). <em>Technology policy and economic performance: Lessons from&nbsp;Japan</em>. Pinter Publishers.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hughes, T. P. (1987)<strong>.</strong> <em>The evolution of large technological systems.</em> In W. E. Bijker, T. P. Hughes, &amp; T. Pinch (Eds.), <em>The social construction of technological systems: New directions in the sociology and history of technology</em> (pp. 51–82). MIT Press.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lundvall, B.-Å. (Ed.). (1992). <em>National systems of innovation: Toward a theory of innovation and interactive learning</em>. Pinter Publishers.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">March, J. G. (1991). Exploration and exploitation in organizational learning.&nbsp;<em>Organization Science, 2</em>(1), 71–87. <a href="https://doi.org/10.1287/orsc.2.1.71">https://doi.org/10.1287/orsc.2.1.71&nbsp;</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Massa, A. G., Damian, I. P. M., &amp; Valentim, M. L. P. (2013). Competência em informação no apoio à gestão do conhecimento. In M. L. P. Valentim (Org.), <em>Gestão do conhecimento e gestão da informação: Perspectivas teóricas e práticas</em> (pp. 1–22).&nbsp;Interciência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nelson, R. R. (Ed.). (1993). <em>National innovation systems: A comparative analysis</em>.&nbsp;Oxford University Press.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nonaka, I., &amp; Takeuchi, H. (1995). <em>The knowledge-creating company: How Japanese companies create the dynamics of innovation</em>. Oxford University Press.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Noronha, D. P. (2011). Economia do conhecimento e inovação tecnológica. In M. L. P.&nbsp;Valentim (Org.), <em>Gestão, informação e conhecimento</em>. Cultura Acadêmica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O’Reilly, C. A., &amp; Tushman, M. L. (2004). The ambidextrous organization. <em>Harvard&nbsp;Business Review, 82</em>(4), 74–81.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Organisation for Economic Co-operation and Development. (2023). <em>Main science and technology indicators 2023</em>. OECD Publishing. <a href="https://doi.org/10.1787/4f8e7d1b-en">https://doi.org/10.1787/4f8e7d1b-en&nbsp;</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Porter, M. E. (1990). <em>The competitive advantage of nations</em>. Free Press.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rogers, E. M. (2003). <em>Diffusion of innovations</em> (5th ed.). Free Press.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Schumpeter, J. A. (1997). <em>Teoria do desenvolvimento econômico: Uma investigação sobre lucros, capital, crédito, juro e o ciclo econômico</em>. Nova Cultural.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">von Hippel, E. (2005). <em>Democratizing innovation</em>. MIT Press.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">von Staa, B. (2021). <em>Inteligência artificial na educação: Potencial, desafios e implicações éticas. Revista Educação e Tecnologia</em>, 26(2), 45–60.&nbsp;Vygotsky, L. S. (1998). <em>A formação social da mente</em>. Martins Fontes.</p>



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		<title>O USO DE PLATAFORMAS CURRICULARES POR PROFISSIONAIS E ESTUDANTES DE TI NO ACRE</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Dec 2025 14:31:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sistemas de informação]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512241131 Áleks Sebastian de F. Araújo1André Ferreira Santana1Benny P. Cunha Lopes1Dayan F. Alves1Gabriel L. Rocha Amasifuen1Prof. Elysson Ferreira de Sousa2 RESUMO Analisando o mercado de trabalho brasileiro (e a perceptível evolução na área de TI), este artigo apresenta uma análise relacionada ao desempenho da carreira do profissional de tecnologia no Acre com o [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512241131</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Áleks Sebastian de F. Araújo<sup>1</sup><br>André Ferreira Santana<sup>1</sup><br>Benny P. Cunha Lopes<sup>1</sup><br>Dayan F. Alves<sup>1</sup><br>Gabriel L. Rocha Amasifuen<sup>1</sup><br>Prof. Elysson Ferreira de Sousa<sup>2</sup></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Analisando o mercado de trabalho brasileiro (e a perceptível evolução na área de TI), este artigo apresenta uma análise relacionada ao desempenho da carreira do profissional de tecnologia no Acre com o uso de plataformas de currículo. Para isso, será apresentado alguns dos resultados da pesquisa realizada por alunos do Curso de Graduação em SI da UFAC, em vista das implicações do evidenciamento digital de profissionais e estudantes de TI no Acre.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Mercado; Plataformas; Currículo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Analyzing the Brazilian labor market (and the perceptible development in IT), this article presents an analysis related to the performance of the technology professional in Acre using curriculum platforms. For this, some results shown of the research made by students of Undergratuate Course in IS of UFAC (Universidade Federal do Acre), in view of the implications of digital evidence of the professionals and students of IT in Acre.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Market; Platforms; Curriculum.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A influência da internet nas empresas de diversas áreas já é um fato. Devido a ela, o processo de contratação está sendo reinventado (MANO, 2001). Nos últimos anos, a tecnologia da informação (TI) tem desempenhado um papel fundamental na economia global, impulsionando a transformação digital em diversos setores. Nesse contexto, profissionais de TI têm se tornado peças-chave na busca por soluções inovadoras e eficientes para os desafios contemporâneos. O estado do Acre, no coração da Amazônia brasileira, não tem sido exceção a essa tendência, e a crescente demanda por talentos na área de TI tem estimulado profissionais a buscarem novas formas de se destacar em um mercado competitivo. O uso da internet e plataformas de currículo <em><sub>online </sub></em>tem influenciado na redução de despesas e rapidez no processo de contratação, por conseguinte, produzindo bons resultados econômicos para o Estado do Acre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por estas e outras razões, as plataformas curriculares, como o LinkedIn, GitHub e outras redes sociais de uso profissional, têm se tornado, ferramentas essenciais para profissionais da área de tecnologia, devido principalmente à grande demanda por habilidades em TI, como também à crescente competição por empregos bem remunerados neste setor. Portanto, é imprescindível que os profissionais de TI, mantenham uma presença sólida nos meios digitais, de modo a se manterem competitivos no mercado de trabalho e construírem uma reputação positiva no setor. (Saraiva, Maria L., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tendência de utilização dos meios digitais por parte das empresas do ramo para recrutamento e seleção de profissionais é notavelmente crescente, estudiosos consideram um processo irreversível, crescendo em abrangência e escopo (COLOMBINI, 2001).De acordo com Thomas e Ray,à medida que um número cada vez maior de pessoas migra para o ambiente <em><sub>online</sub></em>, especialmente a geração que cresceu com a internet, o mercado de trabalho está passando por uma reestruturação significativa (Steven L. Thomas e Khaterine Ray, 2000). Um exemplo dessa tendência pode ser evidenciado por uma pesquisa realizada <em>online </em>pelo CareerBuilder em parceria com a The Harris Poll nos Estados Unidos, no período compreendido entre 4 de abril e 1° de maio de 2018, a qual apontou que 70% dos empregadores recorreram a plataformas digitais para encontrar pessoas qualificadas (CareerBuilder, 2018). Decerto, trata-se de um país muito mais desenvolvido, do qual longe se encontra a realidade acriana; mas não deixa de evidenciar esta propensão do mercado, em especial o de tecnologia, ainda mais em um cenário pós-pandêmico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da seção introdutória, este artigo contém outras 6 seções. A seção 2 apresenta as plataformas de currículo e como transformaram o cenário de contratação, na seção 3 é apresentada uma pesquisa sobre as plataformas de currículo e seus resultados no Acre, na seção 4 é apresentado o <em>Home Office<sub> </sub></em>e suas repercussões dentro da TI, na seção 5 é apresentada uma pesquisa sobre o curso de sistemas de informação na UFAC, na seção 6 a conclusão é apresentada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a elaboração deste artigo, além do aproveitamento de pesquisa, foi usada uma abordagem quantitativa e qualitativa de estudo, com o objetivo de coletar dados (relacionados às implicações do uso de plataformas curriculares) de uma amostra representativa de Estudantes de Sistemas de Informação. A seguir, destacam-se os métodos, as etapas de coleta e análise de dados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 Aproveitamento de pesquisa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a complementação deste estudo, os dados de uma pesquisa relacionada foram aproveitados. Trata-se do artigo que tem por título: &#8220;A importância das plataformas de currículo na visibilidade da carreira do profissional de TI no Acre&#8221;; o mesmo foi produzido no mês de fevereiro, tendo por autores: &#8220;Áleks S. de F. Araújo, André F. Santana, Dayan F. Alves, John P. S. Rocha, Juan V. F. de Souza e Rafael A. Braga&#8221;. É relevante ressaltar que tem-se autorização explícita dos autores da pesquisa, dos quais três não estão associados à autoria deste artigo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 Coleta e Análise de Dados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A coleta de dados foi realizada através de um questionário composto de 10 perguntas objetivas. Todas eram opcionais, com exceção da primeira, onde o participante declararia usar ou não alguma plataforma curricular; em caso afirmativo o mesmo prosseguiria respondendo às demais perguntas, caso contrário, sua participação seria encerrada e sua resposta submetida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os critérios de análise visavam estudantes do curso de Sistema de Informação da Universidade Federal do Acre, mais precisamente àqueles que fazem uso de uma ou mais plataformas de currículo. O objetivo era coletar dados e opiniões relacionadas à interação desses estudantes com as mencionadas plataformas. A avaliação focou na relevância dada pelos participantes a essas ferramentas, bem como nas percepções das implicações resultantes de seu uso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O questionário foi compartilhado em grupos de estudantes via WhatsApp, resultando em 22 respostas; estas foram organizadas automaticamente na aba de visualização do Google Forms. Os resultados foram armazenados e manipulados através de tabelas, sendo apresentados mediante o uso de gráficos com descrições detalhada dos principais dados encontrados. As implicações dos resultados para o campo de estudo foram discutidas na seção 5 deste artigo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, é importante pontuar que todas as informações coletadas foram mantidas em sigilo pela equipe de campo da pesquisa, sendo preservada a privacidade e integridade dos participantes, respeitando as diretrizes da LGPD. Para mais, dados pessoais não foram solicitados, com o intuito tanto de não sermos intrusivos, como de manter o anonimato dos partícipes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. AS PLATAFORMAS DE CURRÍCULO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo de contratação no Estado do Acre bem como em outras regiões era caracterizado por ser demorado e burocrático. Tanto para os empregadores como para os candidatos em busca de emprego, esse cenário representava um desafio significativo. Os empregadores muitas vezes enfrentavam dificuldades em encontrar profissionais qualificados para preencher suas vagas, enquanto os candidatos tinham dificuldade em serem visualizados e se destacarem em meio a um grande número de concorrentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com (DRUCKER, 1993), vivemos na era em que capital/trabalho foi trocado por informação/conhecimento para o sucesso empresarial e se tratando do processo de contratação mais comum, observa-se que não apenas há somente a falta dessa informação para empresas como a velocidade em que ela é trocada prejudica no sucesso das mesmas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, com o avanço da tecnologia e a crescente penetração da internet, o cenário de contratação no mercado de Tecnologia da Informação (TI) no Acre passou por uma significativa transformação. A adoção de plataformas de currículo <em>online </em>tem se tornado uma ferramenta extremamente útil e indispensável para profissionais de TI e empresas que buscam talentos na área. Se tratando da área de empresas, empresas pequenas são extremamente beneficiadas com esse recurso, pois segundo (BERALDI LAIRCE C. E ESCRIVÃO FILHO, 2000), isso permite que essas empresas consigam se posicionar no mercado de forma a conseguir sobreviver nele, consequentemente beneficia o território Acriano, pois o mesmo é composto por empresas majoritariamente de tamanho pequeno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A utilização dessas plataformas tem revolucionado a forma como os profissionais de TI apresentam suas habilidades e experiências aos empregadores. Ao invés do tradicional currículo impresso, essas plataformas permitem que os candidatos criem perfis digitais ricos e interativos, nos quais podem exibir seus projetos, portfólios, certificações e outras informações relevantes. De acordo com (RIZZO, 2017), o marketing pessoal desempenha um papel fundamental na atualidade ao auxiliar na distinção competitiva, destacando a importância do indivíduo ao agregar personalidade e caráter. Essa abordagem mais dinâmica possibilita que eles vendam sua imagem de forma mais efetiva para os recrutadores. Por outro lado, as empresas também se beneficiam imensamente com o uso das plataformas de currículo <em><sub>online</sub></em>. Com a disponibilidade de ferramentas de filtragem e busca avançada, os empregadores podem segmentar candidatos com base em habilidades específicas, experiência profissional e certificações relevantes, agilizando o processo de seleção que facilita tais organizações encontrarem os profissionais esperados. Para (Reche, Grazielli, 2023), o recrutamento <em><sub>online </sub></em>serve de grande diferencial para a economia, tendo um investimento de baixo custo, além de reduzir papel e mão de obra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com um estudo realizado por (CAPPELLI, 2001), esse novo modelo de contratação na área de TI pouco se limita a processos de recrutamento, considerando que requer que departamentos de Recursos Humanos usufruam do seu conhecimento em marketing. Consequentemente da emergente visibilidade da carreira do profissional, percebe-se um hábito de visualizar a carreira do profissional de TI como uma marca cujo o modo que é promovida estipula a quantidade de ofertas advindas das organizações.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. OS PROFISSIONAIS DE TI ACRIANOS E O USO DAS PLATAFORMAS DE CURRÍCULO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta seção, discutimos os resultados da pesquisa realizada por alunos do Curso de Graduação em SI da UFAC, dos quais três compartilham a autoria deste artigo. A pesquisa em questão tem por título: &#8220;A importância das plataformas de currículo na visibilidade da carreira do profissional de TI no Acre&#8221;. Realizada entre os meses de Janeiro e Fevereiro de 2023, o estudo obteve 22 respostas de trabalhadores da área de TI no Acre.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1 Resultados Gerais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Numa análise inicial, constata-se claramente que a maioria dos participantes do estudo faz uso de plataformas digitais, com apenas 13,6% dos respondentes declarando não fazer uso dessas ferramentas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com relação à faixa etária, o grupo mais representativo é o que compreende pessoas entre 35 e 44 anos, seguido pelos que têm entre 25 e 34 anos. É interessante observar que nenhum usuário com mais de 55 anos foi identificado no estudo. Em relação à escolaridade, a maioria dos participantes possui formação de nível superior, sendo que mais da metade possui pelo menos um mestrado. Dessa forma, os resultados sugerem que as plataformas digitais são mais utilizadas por pessoas com maior grau de escolaridade e que a faixa etária mais jovem é mais ativa nesse meio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Figura 1, representa os seguintes dados já analisados. Começando por quem usa e quem não usa plataformas digitais, cerca de 86,4% dos respondentes usam e 13,6% não usam. Com relação à idade, 40,9% tem entre 35 e 44 anos, 27,3% têm entre 25 e 34 anos e nenhum usuário com mais de 55 anos. Relacionado a escolaridade temos os seguintes dados, 36,4% são graduados, 22,7% tem mestrado, 9,1% ou tem doutorado, ou pós-graduação, ou ensino médio, por último temos 4,5% com especialização ou ensino médio, ou realizando o mestrado.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1</strong> – Perfil dos Usuários</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="575" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-227-1024x575.jpeg" alt="" class="wp-image-261054" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-227-1024x575.jpeg 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-227-300x168.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-227-768x431.jpeg 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-227-1536x863.jpeg 1536w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-227.jpeg 1565w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A Figura 2, apresenta os dados de uso geral: quanto a área de atuação, 45,5% trabalham no setor público, 36,4% trabalham no setor privado, 18,2% trabalham nos dois setores e nenhum participante é autônomo. Em relação à carreira, temos que 63,6% trabalham e moram no Acre, 27,3% não moram e nem trabalham no Acre e 9,1% moram no Acre, mas não trabalham para uma instituição sediada no estado. Por último o tempo de carreira, 36,4% têm de 11 a 15 anos de carreira, 27,3% tem de 6 a 10 anos de carreira, 18,2% têm mais de 20 anos de carreira, sendo que 9,1% possuem de 1 a 5 anos ou 16 a 20 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados apresentados indicam que a maioria dos participantes do estudo trabalha no setor público, seguido pelo setor privado e por aqueles que trabalham em ambos os setores. Notavelmente, nenhum participante do estudo se identificou como autônomo, o que pode ser um reflexo das características da amostra selecionada. Em relação à localização geográfica, a maioria dos participantes trabalha e mora no Acre. Já em relação ao tempo de carreira, os dados mostram uma distribuição relativamente uniforme entre os grupos que têm 11 a 15 anos, de 6 a 10 anos e mais de 20 anos de carreira.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 2</strong> – Carreira dos Entrevistados</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="550" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-228-1024x550.jpeg" alt="" class="wp-image-261055" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-228-1024x550.jpeg 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-228-300x161.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-228-768x413.jpeg 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-228.jpeg 1346w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2 Resultados dos não usuários</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os mesmos usuários com idades entre 45 anos e 54 anos afirmaram não possuir uma rede social curricular, com exceção de apenas um, que trabalha no setor privado. Vale ressaltar também que estes mesmos respondentes têm mais de 16 anos de carreira, ou seja, podemos afirmar que tem carreiras estáveis e não se interessam e nem precisam dessas redes. Como comentado por um dos entrevistados, &#8220;meu tipo de atendimento é diretamente com os clientes locais&#8221;, demonstrando a rede local de relacionamento bem estabelecida. Idem temos que estes não possuem grau de escolaridade maior que mestrado, sendo apenas um que possuí este título, e que todos moram e trabalham no Acre.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.3 Resultados dos usuários</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os que responderam com idade entre 18 anos a 44 anos possui no mínimo uma rede social curricular, tendo apenas 4 participantes dos quais acreditam que obtiveram muita visibilidade, 5 que não tiveram nenhuma diferença na visibilidade, 5 que obtiveram apenas um pouco e outros 5 obtiveram uma razoável visibilidade com a criação dos perfis. Na Figura 3, temos que 12 participantes tem GitHub, 17 participantes tem LinkedIn, 5 tem Twitter, 6 possuem Instagram e apenas 1 usa o Facebook.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 3</strong> – Redes Sociais dos Participantes</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="1024" height="547" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-229.jpeg" alt="" class="wp-image-261056" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-229.jpeg 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-229-300x160.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-229-768x410.jpeg 768w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Abaixo (4), temos a frequência em que os participantes usam as plataformas curriculares. Analisando os dados, temos que 6 participantes usam com pouca frequência as redes sociais, 5 usam muito regularmente, 5 usam com média periodicidade, 2 não usam nenhuma vez e apenas 1 usa de forma razoável.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 4</strong> – Frequência em que os Participantes Usam as Plataformas</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="557" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-230.jpeg" alt="" class="wp-image-261057" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-230.jpeg 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-230-300x163.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-230-768x418.jpeg 768w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Também temos a imagem 5, que nos mostram a mudança sentida pelos, os usuários ao usarem as plataformas curriculares. De acordo com o gráfico consta-se que 7 pessoas não sentiram nenhuma diferença na sua visibilidade, 5 afirmaram ter obtido muita visualidade, 4 conseguiram relevância significativa, 2 pouco destaque e somente 1 obteve razoável realce em sua carreira.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 5 </strong>– Mudanças sentidas pelos usuários ao usarem as plataformas</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="549" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-231.jpeg" alt="" class="wp-image-261058" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-231.jpeg 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-231-300x161.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-231-768x412.jpeg 768w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Por último apresentamos a imagem 6, onde temos a quantidade de oportunidades de emprego recebidas pelos usuários através das plataformas curriculares. Conforme a Figura 6, 6 participantes não receberam nenhuma proposta de trabalho, 5 adquiriram muitas ofertas, 4 admitiram mais do que duas oportunidades, 3 obtiveram apenas uma disponibilidade de trabalho e unicamente 1 recebeu bastante ofertas.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 6</strong> – Oportunidades de emprego recebidas pelos usuários ao usarem as plataformas Note que podemos relacionar a frequência do uso dos perfis com a perceptibilidade, todos os 5 usuários que afirmaram ter conseguido muito destaque obtiveram muitas oportunidades de emprego, também temos que estes trabalham para empresas para fora do estado, tornando sua visibilidade maior fora do Acre.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="551" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-232.jpeg" alt="" class="wp-image-261059" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-232.jpeg 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-232-300x161.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-232-768x413.jpeg 768w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.4 Implicações</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados obtidos a partir da pesquisa realizada fornecem <em><sub>insights </sub></em>relevantes sobre as implicações econômicas do uso de plataformas digitais na visibilidade da carreira profissional de TI no Estado do Acre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Primeiramente, os resultados revelam que a maioria dos profissionais de TI com idades entre 18 e 44 anos faz uso das redes sociais curriculares. Essas plataformas parecem desempenhar um papel significativo na visibilidade e oportunidades de emprego para esses usuários, pois a grande maioria dos que as utilizam relataram ter obtido alguma forma de destaque e receberam várias ofertas de emprego. Além disso, esses profissionais que tiveram maior visibilidade em suas carreiras tendem a trabalhar para empresas fora do estado, sugerindo que o uso das plataformas curriculares pode ampliar a abrangência das oportunidades de emprego, impactando positivamente a economia local.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, os resultados também mostraram que os profissionais com idades entre 45 e 54 anos, que possuem carreiras mais estáveis e possivelmente uma rede de relacionamentos já bem estabelecida, não sentem a necessidade de utilizar essas plataformas para promover sua visibilidade profissional. Essa constatação pode indicar que, para esse grupo de profissionais, outros meios de busca de emprego e visibilidade são mais eficazes, o que pode impactar a dinâmica do mercado de trabalho local.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a predominância de profissionais com nível de escolaridade superior, especialmente aqueles com mestrado, entre os usuários das plataformas, destaca a importância da qualificação acadêmica para o aproveitamento dessas ferramentas. Isso pode ter implicações econômicas, uma vez que os profissionais mais qualificados podem atrair investimentos e projetos mais complexos para a região, contribuindo para o crescimento e desenvolvimento da área de TI no estado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, os resultados da pesquisa ressaltam a importância das plataformas digitais como ferramentas estratégicas para o desenvolvimento da carreira profissional de TI no Estado do Acre. As implicações econômicas desses resultados podem ser percebidas na busca por maior visibilidade por parte dos profissionais, na relação entre o uso dessas plataformas e o nível de escolaridade, bem como na concentração geográfica dos participantes em empregos locais. Essas informações podem ser valiosas tanto para os profissionais de TI em busca de oportunidades na região quanto para as organizações que buscam recrutar talentos qualificados e experientes nesse mercado em constante evolução.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. ESTUDANTES DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO DA UFAC E AS PLATAFORMAS CURRICULARES</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta seção, abordaremos os resultados da segunda pesquisa realizada, que concentrou-se especificamente no curso de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Acre. A coleta de dados ocorreu ao longo dos meses de Agosto e Setembro de 2023, obtendo um total de 22 respostas de estudantes regulares no curso de Sistemas de Informação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É interessante notar que 86,4% dessas respostas foram consideradas para análise, pois considerou-se objeto de pesquisa apenas os usuários de plataformas curriculares.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.1 Dados Gerais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base em informações obtidas diretamente da Coordenação do Curso de Sistemas de Informação, é evidente uma elevada taxa de desistência e uma baixa taxa de formação de profissionais durante o período de 2010 a 2022. Nesse intervalo de tempo, foram registradas 159 desistências e 362 jubilamentos, enquanto apenas 174 estudantes conseguiram concluir o curso.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 7</strong> – Comparação entre os Formandos, Desistentes e Jubilados no período de 2010 a 2022</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="467" height="291" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1568.png" alt="" class="wp-image-261072" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1568.png 467w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1568-300x187.png 300w" sizes="(max-width: 467px) 100vw, 467px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A Figura 8 representa uma perspectiva dos alunos considerados na análise. Nela, observamos que a maioria, equivalente a 36,8%, matriculou-se no ano de 2022. Além disso, mais da metade dos entrevistados manifestou a expectativa de concluir o curso entre os anos de 2024 e 2026.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 8</strong> – Matrícula e Expectativas de Graduação</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="493" height="218" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1565.png" alt="" class="wp-image-261062" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1565.png 493w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1565-300x133.png 300w" sizes="(max-width: 493px) 100vw, 493px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.2 Uso das Plataformas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao examinar a Figura 9, percebe-se uma preferência pelo uso das plataformas LinkedIn e GitHub, com pelo menos 78,9% dos entrevistados relatando já terem utilizado essas plataformas como currículo.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 9</strong> – Plataformas Utilizadas</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="550" height="476" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-234.jpeg" alt="" class="wp-image-261064" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-234.jpeg 550w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-234-300x260.jpeg 300w" sizes="(max-width: 550px) 100vw, 550px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.3 Uso das Plataformas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas análises quantitativas, destacam-se as Figuras 10 e 11. Na Figura 10, é apresentada a frequência com que os entrevistados utilizam essas plataformas, enquanto na Figura 11, observamos que, dentre os 52,6% que afirmaram ter recebido oportunidades de emprego, a maioria relatou que a média salarial ofertada variava de mil a dois mil reais.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 10 </strong>– Frequência de Uso das Plataformas</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, na Figura 12, observamos uma análise interessante dos entrevistados, onde uma parte considerável recebeu várias ofertas de emprego de locais fora do Estado do Acre. No entanto, muitos entrevistados não conseguiram ou optaram por não aceitar essas ofertas de emprego. É importante destacar que uma grande parte dos entrevistados considera essas plataformas como sendo muito importantes para a construção da imagem profissional.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 11</strong> – Média Salarial Oferecida</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="281" height="225" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1567.png" alt="" class="wp-image-261067"/></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 12</strong> – Análise das Propostas</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="526" height="223" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1566.png" alt="" class="wp-image-261066" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1566.png 526w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1566-300x127.png 300w" sizes="(max-width: 526px) 100vw, 526px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. O NOVO CENÁRIO DA TI: CONTRIBUINDO FINANCEIRAMENTE PARA O PAÍS ATRAVÉS DO <em>HOME OFFICE</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No atual panorama global, a área de Tecnologia da Informação (TI) enfrenta uma revolução significativa impulsionada pela crescente adoção do trabalho remoto, também conhecido como <em><sub>Home Office</sub></em>. Essa mudança tem impactado diretamente a tendência dos profissionais de TI em deixar seus países de origem em busca de oportunidades no exterior. Agora, graças ao <em><sub>Home Office </sub></em>e a nova organização global do trabalho, esses profissionais podem contribuir financeiramente para o próprio país, movimentando a economia local sem a necessidade de buscar emprego em outros estados ou países.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes da popularização do <em>Home Office</em>, muitos profissionais de TI sentiam-se compelidos a procurar oportunidades em outros países, atraídos por salários mais altos ou melhores condições de trabalho. A escassez de vagas em empresas locais, especialmente em regiões com menor investimento no setor, era uma das principais razões para essa migração. No entanto, com a possibilidade do trabalho remoto, empresas em áreas menos favorecidas tecnologicamente podem contratar esses talentos sem a necessidade de deslocamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Jornal Hoje noticia: &#8220;Área de TI deve gerar 420 mil vagas até 2025, mas faltam profissionais&#8221; (Jornal Hoje, 2023). Baseado em relatórios de sedes do setor de TI, o artigo continua: &#8220;Segundo a associação das empresas deste setor, existe uma demanda média anual de 159 mil profissionais no país, mas o Brasil só forma 53 mil pessoas na área por ano.&#8221;, em vista desta, percebe-se uma despreparação do setor econômico brasileiro para suprir seus cidadãos com uma educação própria para regular uma demanda de profissionais de TI altíssima. Demanda esta que evidencia a lucratividade do setor tecnológico não só para organizações, como também para o trabalhador, que ao menos no Brasil, encontra uma liberdade esdrúxula em razão das opções que possui, além do poderio de competir por salário em empregos que muitas vezes não exige experiência prévia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.1 Redução da Evasão de Talentos e Aumento da Arrecadação Fiscal</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a permanência dos profissionais de TI no país de origem, trabalhando remotamente para empresas localizadas em regiões mais desenvolvidas, a evasão de talentos é significativamente reduzida. Isso representa um aumento na retenção desses especialistas altamente qualificados e, por consequência, uma melhora na arrecadação fiscal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a nova organização do trabalho possibilita que empresas estrangeiras contratem profissionais de TI residentes em outros estados, contribuindo para a economia local dessas regiões. Isso acontece porque os salários e benefícios são pagos ao profissional em seu local de residência, movimentando a economia da região em que ele vive, em vez de concentrar-se exclusivamente nos grandes centros urbanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.2 Estímulo ao Empreendedorismo em TI</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a disseminação do <em><sub>Home Office</sub></em>, mais profissionais de TI são incentivados a empreender e criar suas próprias startups. A flexibilidade proporcionada pelo trabalho remoto reduz os custos iniciais de infraestrutura, possibilitando que esses empreendedores direcionem seus investimentos para inovação e desenvolvimento de produtos e serviços. Essa expansão do setor de TI impulsiona a criação de empregos locais, aumentando ainda mais a movimentação financeira no país.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.3 Desafios a Serem Superados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos benefícios, é importante ressaltar que a adoção em larga escala do <em>Home Office </em>na área de TI também enfrenta desafios. Questões como segurança de dados, proteção de propriedade intelectual e garantia de produtividade requerem uma abordagem cuidadosa por parte das empresas e dos profissionais. Outro quesito elemental para o entendimento dos desafios do setor de TI é a falta de disponibilidade de profissionais na área.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7. CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O <em><sub>Home Office </sub></em>e a nova organização global do trabalho têm demonstrado que é possível reter talentos de TI no país, reduzir a evasão de cérebros e, ao mesmo tempo, permitir que empresas de outras regiões contribuam financeiramente para o desenvolvimento econômico local. Essa transformação representa uma oportunidade única para impulsionar o setor de Tecnologia da Informação, estimular o empreendedorismo e promover o crescimento econômico, tornando o país mais competitivo no cenário internacional. Contudo, é fundamental que governos, empresas e profissionais trabalhem em conjunto para enfrentar os desafios e garantir que essa nova realidade seja benéfica para todos os envolvidos. A TI tem o potencial de ser uma peça-chave nessa jornada rumo a um futuro promissor para o país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mercado de trabalho para profissionais de Tecnologia da Informação (TI) no Acre tem apresentado um crescimento significativo nos últimos anos. De acordo com um estudo realizado com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho, houve um aumento significativo de empregos para trabalhadores com nível médio, superior completo, mestrado e doutorado no estado (AMARAL; SILVA, 2015). No entanto, o estudo também aponta que o estado não possui um setor dinâmico que impulsione o crescimento econômico para alavancar o emprego (AMARAL; LIMA, 2018). Nesse contexto, o uso de plataformas de currículo pode ser uma estratégia importante para aumentar a visibilidade da carreira do profissional de TI no Acre e, consequentemente, impulsionar o crescimento econômico do setor, o teletrabalho pode promover o movimento de oportunidades de trabalho para áreas de elevado desemprego (Turban, Efraim and Volonino, Linda, 2013). Ao utilizar essas plataformas, os profissionais podem destacar suas habilidades e experiências, tornando-se mais atrativos para as empresas que buscam contratar talentos na área de TI.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o uso de plataformas de currículo pode ajudar a identificar as demandas do mercado de trabalho para profissionais de TI no Acre. Com base nas informações disponíveis nessas plataformas, é possível analisar as habilidades e competências mais valorizadas pelas empresas e, assim, direcionar o desenvolvimento profissional para atender a essas demandas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, o uso de tais plataformas pode contribuir para o crescimento econômico do setor de TI no Acre, ao aumentar a visibilidade da carreira dos profissionais e direcionar o desenvolvimento profissional para atender às demandas do mercado de trabalho. No entanto, é importante ressaltar que o uso dessas plataformas deve ser complementado por outras estratégias, como a capacitação constante para garantir um desenvolvimento profissional completo e efetivo. Pois, com a crescente demanda por serviços de tecnologia em diversos setores da economia, o mercado de trabalho para profissionais de TI no Acre tem se mostrado promissor, no entanto, para aproveitar as oportunidades de emprego e crescimento profissional, é fundamental que os profissionais de TI estejam atentos às demandas do mercado e busquem se destacar em suas áreas de atuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, as plataformas de currículo podem ser uma ferramenta valiosa para os profissionais de TI no Acre. Ao criar um perfil nessas plataformas, os profissionais podem destacar suas habilidades e experiências, tornando-se mais atrativos para as empresas que buscam contratar talentos na área de TI. Além disso, as plataformas de currículo permitem que os profissionais acompanhem as tendências do mercado de trabalho e identifiquem as habilidades e competências mais valorizadas pelas empresas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em resumo, o uso de plataformas de currículo pode ser uma estratégia importante para aumentar a visibilidade da carreira do profissional de TI no Acre e impulsionar o crescimento econômico do setor. No entanto, é fundamental que os profissionais de TI complementem o uso dessas plataformas com outras estratégias de desenvolvimento profissional, para garantir um crescimento completo e efetivo em suas carreiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">AMARAL, J. A. d. S.; LIMA, J. F. Crescimento do emprego formal nos municípios do Acre. <strong>Revista Desafios</strong>, v. 5, n. 3, 2018. 13</p>



<p class="wp-block-paragraph">AMARAL, J. S. A.; SILVA, R. G. Rotatividade e crescimento do emprego por gênero na região norte. <strong>Revista de Política Agrícola</strong>, XXIV, n. 79, p. 2, Abr./Maio/Jun. 2015. 13 BERALDI LAIRCE C. E ESCRIVÃO FILHO, E. Impacto da tecnologia da informação na gestão de pequenas empresas. <strong>Ciência da Computação</strong>, vol. 29, n. nº 01, April 2000. 4</p>



<p class="wp-block-paragraph">CAPPELLI, P. Making the most of on-line recruiting. <strong>Harvard Business Review</strong>, vol. 79, n. nº 03, March 2001. 4</p>



<p class="wp-block-paragraph">CareerBuilder. <strong>Mais da metade dos empregadores encontrou conteúdo nas mídias sociais que os levou a NÃO contratar um candidato, de acordo com uma pesquisa recente do CareerBuilder</strong>. 2018. Disponível em: <a href="https://press.careerbuilder.com/2018-08-09-More-Than-Half-of-Employers-Have-FoundContent-on-Social-Media-That-Caused-Them-NOT-to-Hire-a-Candidate-According-toRecent-CareerBuilder-Survey.">https://press.careerbuilder.com/2018-08-09-More-Than-Half-of-Employers-Have-FoundContent-on-Social-Media-That-Caused-Them-NOT-to-Hire-a-Candidate-According-toRecent-CareerBuilder-Survey.</a> Acessado em: 21 de julho de 2023. 2</p>



<p class="wp-block-paragraph">COLOMBINI, L. <strong>Seu emprego na internet</strong>. 2001. 2</p>



<p class="wp-block-paragraph">DRUCKER, P. Gerindo para o futuro. In: <strong><sub>Difusão Cultural</sub></strong>. [S.l.: s.n.], 1993. 3 MANO, C. Pescaria on-line: como usar a rede para encontrar talentos. <strong><sub>Exame</sub></strong>, v. 732, n. 12, 2001. 2</p>



<p class="wp-block-paragraph">Reche, Grazielli. <strong>E-recrutamento: a internet como ferramenta no recrutamento e seleção</strong>. 2023. Disponível em: https://administradores.com.br/artigos/e-recrutamento-ainternet-como-ferramenta-no-recrutamento-e-selecao. Acessado em: 23 de julho de 2023. 4</p>



<p class="wp-block-paragraph">RIZZO, C. Marketing pessoal no contexto pós-moderno. <strong><sub>São Paulo:Trevisan</sub></strong>, v. 5, n. 3, 2017. 4</p>



<p class="wp-block-paragraph">Saraiva, Maria L. <strong>Profissionais liberais: por que a presença nas redes sociais se tornou um pré-requisito para o sucesso</strong>. 2021. Disponível em: https://forbes.com.br/carreira/2021/09/profissionais-liberais-por-que-a-presenca-nasredes-sociais-se-tornou-um-pre-requisito-para-o-sucesso/. Acessado em: 21 de julho de 2023. 2</p>



<p class="wp-block-paragraph">Steven L. Thomas e Khaterine Ray. Recruitment and the web: High-tech hiring. <strong><sub>Business </sub></strong><strong>Horizon</strong>, 2000. 2</p>



<p class="wp-block-paragraph">Turban, Efraim and Volonino, Linda. <strong>Tecnologia da Informação para Gestão: EmBusca do Melhor Desempenho Estratégico e Operacional</strong>. 2013. Disponível em: https://www.amazon.com.br/Tecnologia-InformaAcessado em: 26 de julho de 2023. 13</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Cursandos do Curso Superior em Bacharelado em Sistemas de Informação.<br><sup>2</sup>Graduação em Economia pela Universidade Federal do Acre (2002), Coordenador do Bacharelado em Ciências Econômicas da UFAC e professor de Políticas Públicas no Mestrado Profissionalizante em Administração Pública (Profiap) Dayan: http://lattes.cnpq.br/8893010170958900</p>
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		<title>DESIGN ESTRATÉGICO COMO MOTOR DE CRESCIMENTO ECONÔMICO: A NOVA FRONTEIRA DO EMPREENDEDORISMO DIGITAL</title>
		<link>https://revistaft.com.br/design-estrategico-como-motor-de-crescimento-economico-a-nova-fronteira-do-empreendedorismo-digital/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Oct 2025 20:48:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sistemas de informação]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 151/OUT 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510211747 Ronny dos Santos Nascimento RESUMO O presente artigo tem como objetivo geral analisar o papel do design estratégico como propulsor do crescimento econômico e da inovação no contexto do empreendedorismo digital. Busca-se compreender de que forma o design, entendido como prática orientada à solução de problemas e à geração de valor simbólico [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510211747</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Ronny dos Santos Nascimento</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente artigo tem como objetivo geral analisar o papel do design estratégico como propulsor do crescimento econômico e da inovação no contexto do empreendedorismo digital. Busca-se compreender de que forma o design, entendido como prática orientada à solução de problemas e à geração de valor simbólico e funcional, pode ser incorporado à gestão de negócios digitais para promover diferenciação competitiva e sustentabilidade econômica. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, com base em revisão bibliográfica de autores contemporâneos da área de design, inovação e economia criativa, além da análise de casos práticos de startups e empresas digitais que adotam o design como elemento central de suas estratégias. Os resultados apontam que o design estratégico transcende o aspecto estético, configurando-se como ferramenta de gestão integrada, capaz de alinhar propósitos de marca, experiências do usuário e modelos de negócio escaláveis. Conclui-se que o design, quando aplicado de forma estratégica, constitui um diferencial competitivo essencial para o empreendedor digital contemporâneo, impulsionando a geração de valor, a inovação contínua e o desenvolvimento econômico sustentável.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Design Estratégico. Empreendedorismo Digital. Inovação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">This article aims to analyze the role of strategic design as a driver of economic growth and innovation within the context of digital entrepreneurship. It seeks to understand how design, understood as a practice oriented toward problem-solving and the creation of both symbolic and functional value, can be incorporated into the management of digital businesses to foster competitive differentiation and economic sustainability. Methodologically, this study adopts a qualitative approach based on a literature review of contemporary authors in the fields of design, innovation, and the creative economy, as well as the analysis of practical cases from startups and digital companies that place design at the core of their strategies. The results indicate that strategic design transcends the aesthetic dimension, emerging as an integrated management tool capable of aligning brand purpose, user experience, and scalable business models. It is concluded that design, when applied strategically, constitutes an essential competitive advantage for the contemporary digital entrepreneur, driving value creation, continuous innovation, and sustainable economic development.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>Strategic Design. Digital Entrepreneurship. Innovation.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O avanço das tecnologias digitais e a consolidação da economia criativa vêm redesenhando o cenário contemporâneo dos negócios e ampliando as possibilidades de atuação empreendedora. Nesse contexto, o design estratégico assume um papel central como mediador entre inovação, gestão e experiência do usuário, oferecendo às empresas uma nova perspectiva sobre como conceber, desenvolver e sustentar modelos de negócio competitivos. De acordo com Abrão Junior (2024), o empreendedorismo digital caracteriza-se pela utilização intensiva de tecnologias digitais para a criação de novos empreendimentos e pela transformação de modelos tradicionais em estruturas mais ágeis, escaláveis e orientadas à experiência do consumidor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura recente reforça que a relação entre design e empreendedorismo digital extrapola o campo estético, configurando-se como um processo estratégico de tomada de decisão. Bezerra, Souza e Gonçalves (2022), em estudo bibliométrico sobre a produção científica internacional no tema, identificaram o crescimento expressivo de pesquisas que relacionam design, inovação e performance organizacional em ambientes digitais, revelando a maturação teórica e prática desse campo. Para Franco <em>et al</em>. (2021), o empreendedorismo digital constitui uma resposta adaptativa ao contexto de transformação tecnológica global, e o design atua como um agente estruturante na construção de soluções centradas no usuário e orientadas a resultados sustentáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No âmbito corporativo, CzrnhaK et al. (2024) demonstram que o design estratégico, quando incorporado à cultura organizacional, aumenta a assertividade e a capacidade de inovação das empresas ao articular dimensões simbólicas e operacionais. Essa abordagem é corroborada por Franzato (2022, 2023), que entende o design estratégico como um processo de construção de cenários e de integração entre planejamento, sustentabilidade e propósito institucional. Além disso, Gomes e Bentz (2025) destacam a aproximação teórica entre o design estratégico e a teoria dos sistemas sociais de Luhmann, evidenciando o design como sistema comunicativo capaz de reconfigurar as relações entre agentes econômicos e sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todavia, embora o design estratégico se mostre cada vez mais presente no discurso das organizações, sua aplicação prática no empreendedorismo digital ainda enfrenta desafios relacionados à compreensão de seu papel como vetor de crescimento econômico e inovação. A ausência de metodologias consolidadas e a dificuldade de mensurar o impacto do design nas estratégias empresariais reforçam a necessidade de estudos que aproximem teoria e prática (Melo; Gomes, 2022; Schreiber <em>et al</em>., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, surge a seguinte questão-problema: de que forma o design estratégico pode ser incorporado à gestão de negócios digitais como instrumento propulsor do crescimento econômico e da inovação, promovendo diferenciação competitiva e sustentabilidade econômica?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo geral é analisar o papel do design estratégico como propulsor do crescimento econômico e da inovação no contexto do empreendedorismo digital. Busca-se compreender de que forma o design, entendido como prática orientada à solução de problemas e à geração de valor simbólico e funcional, pode ser incorporado à gestão de negócios digitais para promover diferenciação competitiva e sustentabilidade econômica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A justificativa deste estudo repousa na crescente relevância do design estratégico como instrumento de competitividade e desenvolvimento econômico, especialmente no ecossistema digital. Como demonstram Silva e Barauna (2024), o design, ao ser compreendido como prática social e sistêmica, contribui para a formação de contextos inovadores e sustentáveis. Assim, compreender o design estratégico como um motor de crescimento econômico não apenas reforça sua importância no cenário empresarial contemporâneo, mas também amplia o debate sobre o papel da criatividade e da inovação na economia digital.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo está estruturado em três seções, correspondentes aos objetivos específicos. No primeiro capítulo, discute-se o referencial teórico sobre design estratégico e empreendedorismo digital, abordando suas origens, conceitos e interfaces interdisciplinares. O segundo capítulo apresenta uma análise de casos e práticas empresariais em startups e organizações digitais que utilizam o design como eixo central de suas estratégias. Por fim, o terceiro capítulo discute os resultados obtidos, destacando os impactos do design estratégico na geração de valor, na inovação contínua e na sustentabilidade econômica dos empreendimentos digitais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. REFERENCIAL TEÓRICO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O design estratégico tem se consolidado como um campo interdisciplinar capaz de articular estética, gestão e inovação na criação de valor organizacional. Segundo Franzato (2023), o design deixou de ser apenas uma ferramenta estética e comunicacional para se tornar um processo estruturante da estratégia empresarial, orientado à construção de significados e à sustentabilidade competitiva. Nesse sentido, o design estratégico opera como um mediador entre as dimensões simbólicas e funcionais do negócio, promovendo a convergência entre propósito, identidade e desempenho econômico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura contemporânea situa o design estratégico no contexto da economia do conhecimento e da digitalização dos processos produtivos. Para Gomes e Bentz (2025), o design deve ser compreendido como um sistema comunicativo, nos termos da teoria dos sistemas de Luhmann, em que a comunicação de sentido entre atores econômicos gera novos arranjos de valor. Essa perspectiva amplia a função do design, transformando-o em elemento catalisador da inovação e da aprendizagem organizacional. O design, portanto, atua não apenas na interface entre produto e consumidor, mas também na estrutura cognitiva e cultural das empresas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir da visão de Calabre e Manzini (2023), o design estratégico relaciona-se intrinsecamente à economia criativa, pois mobiliza recursos intangíveis, como cultura, simbolismo e experiência, na geração de soluções competitivas. Essa abordagem reforça a noção de que o crescimento econômico contemporâneo não depende apenas de capital físico ou tecnológico, mas também da capacidade de produzir valor simbólico. Assim, no empreendedorismo digital, o design emerge como instrumento central de diferenciação, posicionamento e fidelização do público.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No âmbito do empreendedorismo digital, o design estratégico assume papel particularmente relevante devido à natureza dinâmica e volátil dos mercados digitais. De acordo com Bezerra, Souza e Gonçalves (2022), os modelos de negócio digitais exigem constante inovação, experimentação e adaptação, o que demanda práticas de design que integrem pesquisa de usuário, prototipagem ágil e estratégias de branding baseadas em dados. Essa integração permite que as empresas desenvolvam produtos e serviços centrados na experiência, reduzam riscos de mercado e fortaleçam a percepção de valor junto ao consumidor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Melo e Gomes (2022) destacam que, no ambiente digital, o design estratégico transcende a dimensão visual para incorporar processos analíticos e sistêmicos. Isso inclui a utilização de metodologias como <em>Design Thinking</em> e <em>Service Design</em>, que permitem identificar oportunidades de inovação por meio da empatia, da experimentação e da co-criação. Tais metodologias deslocam o foco da simples criação de produtos para a geração de ecossistemas de valor sustentáveis e interativos. A lógica é menos linear e mais interativa, favorecendo o aprendizado contínuo e a adaptação estratégica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, estudos recentes como os de CzrnhaK et al. (2024) demonstram que organizações que incorporam o design estratégico em sua cultura corporativa apresentam maior capacidade de inovação incremental e radical. Isso ocorre porque o design promove uma visão holística da empresa, articulando suas dimensões simbólicas (identidade e propósito) e operacionais (eficiência e desempenho). Essa articulação é essencial para o empreendedorismo digital, no qual o valor econômico está cada vez mais associado à experiência e à confiança dos usuários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto central diz respeito à sustentabilidade econômica e social derivada da aplicação do design estratégico. Conforme Silva e Barauna (2024), a adoção de práticas de design orientadas à sustentabilidade permite às empresas equilibrar crescimento econômico e responsabilidade ambiental, além de fortalecer sua legitimidade institucional. Essa abordagem se alinha à lógica contemporânea do capitalismo sustentável, em que inovação e propósito são indissociáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, a literatura indica que o design estratégico atua como vetor de transformação econômica ao reconfigurar as relações entre produção, consumo e significado. Ele fornece às organizações digitais um arcabouço metodológico para lidar com a complexidade dos mercados globais e com a velocidade das mudanças tecnológicas. Conforme Franzato (2022), o design estratégico é, ao mesmo tempo, processo e linguagem: um meio pelo qual as empresas constroem narrativas, experimentam modelos e geram diferenciação competitiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, observa-se que o design estratégico, quando incorporado de forma sistêmica à gestão de negócios digitais, torna-se um verdadeiro motor de crescimento econômico e inovação. Ele redefine a forma como as organizações pensam, criam e entregam valor, consolidando-se como um instrumento essencial para a competitividade, a sustentabilidade e a relevância no ecossistema digital contemporâneo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. MÉTODO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo caracteriza-se como uma revisão bibliográfica narrativa, cujo propósito é analisar o papel do design estratégico como propulsor do crescimento econômico e da inovação no contexto do empreendedorismo digital. A escolha dessa abordagem metodológica justifica-se pela necessidade de compreender o fenômeno a partir de uma perspectiva teórica ampla e interpretativa, considerando o design não apenas como disciplina projetual, mas como prática estratégica integrada à gestão, à inovação e à geração de valor simbólico e funcional nas organizações contemporâneas. Trata-se, portanto, de uma pesquisa de caráter qualitativo e exploratório, voltada à análise de diferentes perspectivas conceituais e empíricas que relacionam design, empreendedorismo e economia digital.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A investigação foi desenvolvida com base em fontes secundárias de natureza científica e técnica, selecionadas em bases de dados reconhecidas, como o Portal de Periódicos da CAPES, SciELO, Scopus e Google Scholar, abrangendo publicações entre os anos de 2020 e 2025. O recorte temporal foi definido com o intuito de contemplar a produção científica recente sobre design estratégico, empreendedorismo digital e economia criativa, sem desconsiderar contribuições clássicas que estruturam a consolidação desses conceitos. Além disso, o recorte garante a atualização do debate sobre o papel do design em um contexto marcado pela transformação tecnológica e pela digitalização dos modelos de negócio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os critérios de seleção das fontes priorizaram estudos que abordassem o design estratégico enquanto processo de gestão e inovação, o papel do design na geração de valor simbólico e funcional, a relação entre design e competitividade em negócios digitais, a integração entre design e sustentabilidade econômica e o impacto do design estratégico sobre o crescimento organizacional e a transformação digital. Foram incluídas obras que apresentassem fundamentação teórica consistente, revisões integrativas, estudos de caso e análises comparativas que contribuíssem para a compreensão crítica do tema. Em contrapartida, foram excluídas publicações sem revisão por pares, materiais jornalísticos ou textos opinativos, a fim de assegurar a validade científica e o rigor metodológico do estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos materiais coletados foi conduzida por meio de uma abordagem crítico-comparativa e interpretativa, conforme propõe Gil (2019), permitindo identificar convergências e divergências entre autores e perspectivas teóricas. Essa estratégia analítica possibilitou mapear as principais correntes conceituais do design estratégico e refletir sobre sua atuação como sistema comunicativo, integrador e inovador no contexto digital. Tal abordagem permite compreender o design não apenas como instrumento de diferenciação estética, mas como mediador entre propósitos organizacionais, cultura corporativa e experiências significativas para o usuário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A interpretação dos resultados foi organizada em três eixos analíticos correspondentes aos objetivos específicos da pesquisa. O primeiro eixo dedica-se à compreensão da evolução conceitual e epistemológica do design estratégico e sua inserção na economia digital, explorando as bases teóricas que sustentam sua atuação como ferramenta de inovação e crescimento. O segundo eixo aborda as práticas empresariais e os estudos de caso que evidenciam o design como eixo estruturante da competitividade e da diferenciação simbólica em startups e empresas digitais. O terceiro eixo discute as implicações econômicas e sociais do design estratégico, com ênfase em sua contribuição para a sustentabilidade e para a consolidação de modelos de negócio escaláveis e resilientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A escolha pela revisão narrativa, em detrimento de métodos quantitativos ou sistemáticos, deve-se à natureza interdisciplinar e interpretativa do objeto de estudo, que exige uma análise contextual e simbólica das relações entre design, inovação e economia. De acordo com Melo e Gomes (2023), o design estratégico constitui um domínio de fronteira, cuja compreensão ultrapassa a mensuração objetiva de resultados, demandando a integração de dimensões culturais, tecnológicas e comunicacionais. Nesse sentido, a revisão narrativa permite não apenas reunir evidências científicas recentes, mas também construir uma leitura crítica e reflexiva sobre a forma como o design se consolida como vetor de crescimento econômico e inovação no ambiente digital.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. RESULTADOS E DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos estudos revisados evidencia que o design estratégico desempenha papel central na consolidação do empreendedorismo digital como motor de crescimento econômico e inovação. A literatura aponta que sua aplicação transcende a dimensão estética, configurando-se como ferramenta integradora de processos, cultura e estratégia organizacional. De acordo com Abrão Junior (2024), a incorporação de práticas de design no contexto digital promove não apenas a criação de novos empreendimentos, mas também a transformação de modelos de negócio tradicionais em estruturas mais ágeis, escaláveis e orientadas à experiência do consumidor. Esse alinhamento estratégico entre inovação tecnológica e design evidencia que o valor do empreendimento digital não está limitado à funcionalidade do produto ou serviço, mas também à percepção simbólica construída junto ao público-alvo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos bibliométricos, como o de Bezerra, Souza e Gonçalves (2022), reforçam a consolidação teórica e prática dessa relação, identificando a crescente produção científica que articula design, inovação e performance organizacional em ambientes digitais. A análise das tendências de pesquisa revela que a literatura se concentra em três grandes eixos: a) a integração do design estratégico na formulação de estratégias digitais; b) o impacto do design na competitividade e na diferenciação de mercado; e c) a contribuição do design para a sustentabilidade econômica e social das organizações. Esses eixos evidenciam que o design estratégico funciona como mecanismo de adaptação das empresas frente à complexidade e à volatilidade dos ecossistemas digitais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Casos empíricos ilustram essa aplicação prática. CzrnhaK et al. (2024) demonstram que empresas calçadistas que adotam o design estratégico como eixo central da gestão apresentam maior assertividade nas decisões e maior capacidade de inovação, articulando dimensões simbólicas, como identidade de marca e experiência do usuário, com processos operacionais. De forma similar, Melo e Gomes (2022) identificam que startups internas de empresas não tecnológicas, ao incorporarem o design estratégico, aumentam a eficiência na experimentação de novos produtos e serviços, reduzindo riscos e promovendo a escalabilidade. Essas evidências corroboram a ideia de que o design estratégico é um vetor de diferenciação competitivo, capaz de gerar valor econômico e simbólico simultaneamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A contribuição do design estratégico para a sustentabilidade e para o planejamento de longo prazo é destacada por Franzato (2022; 2023), que argumenta que o design atua como processo de construção de cenários, integrando planejamento, inovação e propósito institucional. Essa perspectiva indica que o design estratégico não é apenas uma ferramenta de execução, mas também um mecanismo de visão prospectiva, capaz de orientar decisões corporativas em contextos complexos e incertos. Nesse sentido, o design se constitui como recurso cognitivo e organizacional, promovendo alinhamento entre objetivos econômicos, valor simbólico e impacto social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista teórico, Gomes e Bentz (2025) estabelecem uma aproximação do design estratégico com a teoria dos sistemas sociais de Niklas Luhmann, indicando que o design funciona como um sistema comunicativo que reconstrói relações entre agentes econômicos e sociais. Essa leitura reforça a ideia de que o design é simultaneamente instrumento de gestão e elemento de significado, capaz de gerar coesão e inovação organizacional por meio da integração entre processos, cultura e experiência do usuário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Schreiber et al. (2024) e Silva e Barauna (2024) ampliam essa perspectiva ao relacionarem design estratégico à economia criativa e à construção de ecossistemas de valor plural, nos quais inovação, criatividade e responsabilidade social são indissociáveis. O design, nesse contexto, não apenas diferencia produtos e serviços, mas estrutura narrativas, engaja comunidades e contribui para a sustentabilidade econômica e social. A análise das contribuições de diferentes autores evidencia que o design estratégico atua em múltiplas dimensões: como processo de gestão, como ferramenta de inovação e como mecanismo de construção de valor simbólico e econômico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Quadro 1 sintetiza os principais achados identificados na literatura e nos estudos de caso analisados, destacando as áreas de impacto do design estratégico no contexto do empreendedorismo digital.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1 </strong>– Principais contribuições do design estratégico para o empreendedorismo digital</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>AUTOR(ES)</strong></td><td><strong>CONTRIBUIÇÃO PRINCIPAL</strong></td><td><strong>IMPACTO NA ECONOMIA DIGITAL</strong></td><td><strong>OBSERVAÇÕES</strong></td></tr><tr><td>Abrão Junior (2024)</td><td>Transformação de modelos tradicionais em estruturas digitais escaláveis</td><td>Crescimento econômico e inovação</td><td>Ênfase na experiência do consumidor</td></tr><tr><td>Bezerra, Souza e Gonçalves (2022)</td><td>Consolidação teórica do design e inovação em ambientes digitais</td><td>Diferenciação e competitividade</td><td>Identificação de tendências emergentes</td></tr><tr><td>CzrnhaK et al. (2024)</td><td>Integração de design estratégico na cultura organizacional</td><td>Assertividade e inovação operacional</td><td>Aplicação em empresas calçadistas</td></tr><tr><td>Melo e Gomes (2022)</td><td>Implementação em startups internas de empresas não tecnológicas</td><td>Redução de riscos e escalabilidade</td><td>Foco na experimentação</td></tr><tr><td>Franzato (2022; 2023)</td><td>Planejamento estratégico e construção de cenários</td><td>Sustentabilidade e visão de longo prazo</td><td>Integração entre propósito e inovação</td></tr><tr><td>Gomes e Bentz (2025)</td><td>Design como sistema comunicativo</td><td>Coesão organizacional e inovação</td><td>Relações sociais e econômicas integradas</td></tr><tr><td>Schreiber et al. (2024)</td><td>Design estratégico na economia criativa</td><td>Valor simbólico e econômico</td><td>Ênfase em ecossistemas de inovação</td></tr><tr><td>Silva e Barauna (2024)</td><td>Prática social e sistêmica do design</td><td>Sustentabilidade e engajamento comunitário</td><td>Construção de ecossistemas pluriverso</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: elaborado pelo aluno, 2025</p>



<p class="wp-block-paragraph">A discussão dos resultados indica que o design estratégico atua como um motor multifacetado de crescimento econômico no empreendedorismo digital. Ele integra dimensões cognitivas, simbólicas, sociais e operacionais, promovendo inovação, sustentabilidade e diferenciação competitiva. Além disso, os estudos analisados evidenciam que empresas que incorporam o design de forma sistêmica obtêm vantagens significativas em termos de escalabilidade, assertividade estratégica e criação de valor simbólico, consolidando sua posição em mercados altamente competitivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, os achados desta pesquisa corroboram a hipótese de que o design estratégico não é apenas um instrumento auxiliar, mas um vetor essencial de inovação e crescimento econômico, capaz de transformar modelos de negócio digitais, fortalecer a identidade organizacional e gerar impacto econômico e social duradouro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se que o design estratégico constitui um vetor essencial de inovação e crescimento econômico no contexto do empreendedorismo digital, atuando como ferramenta integradora de valor simbólico, funcional e competitivo, capaz de transformar modelos de negócio, fortalecer identidades institucionais e promover sustentabilidade econômica e social.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados evidenciam que a aplicação sistêmica do design permite às organizações digitais desenvolver soluções escaláveis, centradas no usuário, e alinhadas a estratégias corporativas de longo prazo, ao mesmo tempo em que fomenta a experimentação, a criatividade e a diferenciação em mercados altamente competitivos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base nessas evidências, sugere-se que pesquisas futuras aprofundem a mensuração quantitativa dos impactos do design estratégico sobre desempenho econômico e inovação, investiguem metodologias específicas para integração do design em startups e empresas consolidadas de diferentes setores, e explorem o papel das dimensões culturais, sociais e ambientais na consolidação do design como elemento propulsor de ecossistemas digitais resilientes e sustentáveis, ampliando a compreensão sobre como práticas de design podem gerar valor econômico, social e simbólico de forma simultânea.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ABRÃO JUNIOR, Ali Antonio. Empreendedorismo digital: um estudo sobre o uso da tecnologia como geração de negócios.&nbsp;<strong>Revista Alomorfia</strong>, v. 8, n. 1, p. 46-57, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BEZERRA, Paloma Rayane Silva; SOUZA, Sandra Maria Araújo; GONÇALVES, Geuda A. Da Costa. Estudo bibliométrico da produção científica internacional sobre empreendedorismo digital.&nbsp;<strong>Revista de Gestão e Secretariado</strong>, v. 13, n. 2, p. 75-100, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CZRNHAK, Thomás; et al. Como o design estratégico pode aumentar a assertividade de uma empresa calçadista.&nbsp;<strong>Arcos Design</strong>, v. 17, n. 1, p. 212-229, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FRANCO, Juliana; et al. Empreendedorismo digital.&nbsp;<strong>Revista Projetos Extensionistas</strong>, v. 1, n. 2, p. 58-64, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FRANZATO, Carlo. Processos de construção de cenários no planejamento estratégico e no design estratégico.&nbsp;<strong>Gestão &amp; Tecnologia de Projetos</strong>, v. 18, n. 1, p. 219-237, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FRANZATO, Carlo. Contribuições do design estratégico ao design para a sustentabilidade.&nbsp;<strong>Mix Sustentável</strong>, v. 8, n. 4, p. 87-95, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GIL, Antônio Carlos. <strong>Métodos e técnicas de pesquisa social.</strong> 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GOMES, Victor Márcio Laus Reis; BENTZ, Ione Maria Ghislene. A cena da decisão: uma aproximação entre o design estratégico e a teoria dos sistemas sociais de Niklas Luhmann.&nbsp;<strong>Estudos em Design</strong>, v. 33, n. 1, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MELO, Thiago Suruagy; GOMES, Carlos Henryque Pompeu. O design estratégico aplicado em startups internas de empresas de base não tecnológica.&nbsp;<strong>DAT Journal</strong>, v. 7, n. 2, p. 317-330, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SCHREIBER, Dusan; et al. Análise compreensiva das contribuições do design estratégico para o modelo de gestão em uma empresa da economia criativa.&nbsp;<strong>Diálogo com a Economia Criativa</strong>, v. 9, n. 25, p. 10-24, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, Lucas Osorio Alves; BARAUNA, Debora. Pluriverso em expansão: a manifestação de cidades educadoras por meio do design estratégico.&nbsp;<strong>Revista Transverso</strong>, v. 1, n. 13, p. 157-173, 2024.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A TRANSFORMAÇÃO DO BRANDING: DA MARCA GRÁFICA AO CAPITAL DE AUTORIDADE DIGITAL</title>
		<link>https://revistaft.com.br/a-transformacao-do-branding-da-marca-grafica-ao-capital-de-autoridade-digital/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Oct 2025 20:18:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sistemas de informação]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 151/OUT 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510211715 Ronny dos Santos Nascimento RESUMO O branding, tradicionalmente associado à identidade gráfica e aos elementos visuais de uma marca, passou por um importante processo de transformação no século XXI, acompanhando as mudanças culturais, tecnológicas e mercadológicas da sociedade contemporânea. O principal problema que se coloca é compreender como essa evolução deslocou o [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510211715</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Ronny dos Santos Nascimento</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O <em>branding</em>, tradicionalmente associado à identidade gráfica e aos elementos visuais de uma marca, passou por um importante processo de transformação no século XXI, acompanhando as mudanças culturais, tecnológicas e mercadológicas da sociedade contemporânea. O principal problema que se coloca é compreender como essa evolução deslocou o foco da representação visual para a construção de experiências significativas e da autoridade digital como forma de legitimação no mercado. Diante disso, o objetivo do presente artigo é analisar a transição do <em>branding</em> da ênfase gráfica para a centralidade da autoridade digital, com destaque para o papel do <em>branding</em> emocional e para a consolidação da autoridade digital como ativos estratégicos fundamentais para organizações e indivíduos. Para tanto, adota-se como método uma revisão bibliográfica narrativa, com busca realizada nos bancos de dados Portal de Periódicos da Capes e SciELO por estudos da área de marketing publicados entre 2020 e 2025. Os resultados apontam para a superação do logotipo como eixo central do <em>branding</em>, substituído por estratégias voltadas à experiência do consumidor, ao engajamento afetivo e à credibilidade digital. Conclui-se que, no cenário atual, o <em>branding</em> não se restringe mais a um recurso gráfico, mas se constitui em ativo intangível estratégico, capaz de sustentar a diferenciação competitiva, fortalecer reputações e gerar impacto intelectual e comercial de longo prazo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> <em>Branding</em>. Autoridade Digital. Posicionamento Estratégico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Branding</em>, traditionally associated with graphic identity and the visual elements of a brand, has undergone a significant transformation in the 21st century, accompanying the cultural, technological, and market changes of contemporary society. The main issue lies in understanding how this evolution has shifted the focus from visual representation to the construction of meaningful experiences and digital authority as a form of market legitimization. In this context, the objective of the present article is to analyze the transition of <em>branding</em> from a graphic emphasis to the centrality of digital authority, with emphasis on the role of emotional <em>branding</em> and the consolidation of digital authority as strategic assets fundamental to organizations and individuals. To this end, a narrative literature review was adopted, with searches conducted in the Capes Journal Portal and SciELO databases for marketing studies published between 2020 and 2025. The results point to the overcoming of the logo as the central axis of <em>branding</em>, replaced by strategies focused on consumer experience, emotional engagement, and digital credibility. It is concluded that, in the current scenario, <em>branding</em> is no longer limited to a graphic resource but constitutes a strategic intangible asset capable of sustaining competitive differentiation, strengthening reputations, and generating long-term intellectual and commercial impact.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> <em>Branding</em>. Digital Authority. Strategic Positioning.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante grande parte do século XX, o <em>branding</em> foi concebido e praticado como sinônimo de identidade gráfica, centrado em elementos visuais como logotipos, slogans e embalagens (Barbosa; Ferreira; Christino, 2022). Essa perspectiva atribuía à marca a função primordial de reconhecimento e diferenciação em mercados ainda menos saturados, nos quais a comunicação era predominantemente unidirecional e controlada pelas próprias organizações (Santos, 2023). Nesse contexto, o design gráfico assumia papel de destaque como principal recurso de visibilidade e fixação da imagem corporativa (Cusatis, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, a chegada da globalização, a consolidação da internet e, sobretudo, o avanço das redes sociais transformaram radicalmente esse cenário. O consumidor, antes receptor passivo, tornou-se sujeito ativo na construção e na validação das marcas. A estética visual, embora ainda relevante, deixou de ser suficiente para sustentar a competitividade. O <em>branding</em> passou a demandar experiências, narrativas e vínculos emocionais capazes de gerar engajamento em um ambiente digital dinâmico e altamente competitivo (Santos, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse movimento levanta uma questão central: como a transição do <em>branding</em> gráfico para o digital e experiencial afeta empresas e consumidores? Embora a literatura sobre marketing digital tenha se expandido, ainda persiste uma lacuna no que se refere à integração entre <em>branding</em> emocional, estratégias digitais e a construção de autoridade como capital intangível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relevância prática dessa discussão reside na necessidade de empresas e indivíduos repensarem suas estratégias de posicionamento, reconhecendo que o valor da marca não está apenas em sua representação visual, mas em sua capacidade de gerar impacto social, intelectual e comercial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse contexto, o objetivo deste artigo é analisar a transição do <em>branding</em> da ênfase gráfica para a centralidade da autoridade digital, com destaque para o papel do <em>branding</em> emocional e para a consolidação da autoridade digital como ativos estratégicos fundamentais para organizações e indivíduos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. REFERENCIAL TEÓRICO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 </strong><strong><em>Branding</em></strong><strong> Gráfico no Século XX</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No século XX, o conceito de <em>branding</em> consolidou-se como um instrumento essencial de gestão empresarial, fortemente associado à identidade visual e à função de diferenciação no mercado. Kotler e Kartajaya (2023) destacam que a marca era concebida como um conjunto de símbolos, nomes e sinais, capazes de identificar produtos e serviços e distingui-los de seus concorrentes, sendo a representação visual o principal recurso de comunicação corporativa. Essa perspectiva foi complementada por Aaker (2009), que enfatizou o <em>brand equity</em> como valor agregado à marca por meio da notoriedade, lealdade e associações simbólicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, o logotipo e demais elementos gráficos desempenhavam papel central na comunicação das organizações, funcionando como ferramentas de visibilidade e reconhecimento imediato pelos consumidores. Ballesteros (2025) argumenta que a fixação da marca no imaginário coletivo estava diretamente relacionada à sua representação visual, com o design gráfico traduzindo valores da organização em signos capazes de “marcar corações”. Assim, a estética deixava de ser apenas forma, tornando-se meio de gerar identificação e memória de consumo. Miguel e Henriques (2022) reforçam essa ideia ao estudarem o design aplicado à Língua Brasileira de Sinais (Libras), evidenciando que a comunicação visual continua a mediar a identidade e a acessibilidade de marcas, mesmo em contextos mais especializados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Kotler e Stigliano (2024), por sua vez, destacam que o <em>branding</em> gráfico do século XX constitui a base histórica para compreender sua evolução: ainda que as estratégias contemporâneas integrem experiências digitais e emocionais, a construção de autoridade e reconhecimento permanece ancorada nos princípios clássicos de identidade visual e diferenciação mercadológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, compreende-se que o <em>branding</em> do século XX foi concebido como um sistema eminentemente gráfico, voltado ao reconhecimento e à diferenciação, fornecendo o alicerce sobre o qual se desenvolveriam as abordagens emocionais e digitais contemporâneas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 </strong><strong><em>Branding</em></strong><strong> Emocional</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a consolidação do <em>branding</em> gráfico no século XX, as estratégias de gestão de marca começaram a evoluir, incorporando dimensões emocionais capazes de gerar vínculos mais fortes com os consumidores. Kevin Roberts (2004), criador do conceito de <em>Lovemarks</em>, propõe que as marcas de sucesso não se limitam à diferenciação funcional ou estética, mas conquistam a lealdade e a admiração por meio de conexões afetivas. Para Roberts (2004), uma <em>Lovemark </em>combina respeito e amor, criando uma relação emocional duradoura que transcende a simples transação comercial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <em>branding</em> emocional valoriza a construção de significado e propósito, utilizando narrativas estratégicas (<em>storytelling</em>) para comunicar valores e gerar identificação entre marca e público (Ballesteros, 2025). O <em>storytelling</em>, nesse contexto, não apenas transmite informações sobre produtos ou serviços, mas constrói experiências simbólicas que reforçam a personalidade e os ideais da marca. Santos (2023) acrescenta que o engajamento emocional é fundamental para consolidar a confiança e estimular o compartilhamento espontâneo, ampliando o alcance da marca em ambientes digitais e presenciais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Barbosa, Ferreira e Christino (2022), valores e propósito organizacional atuam como pilares do <em>branding</em> emocional. Uma marca que comunica de forma consistente seus princípios éticos, sociais ou culturais consegue criar laços mais significativos, influenciando percepções, decisões de consumo e reputação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, o <em>branding</em> emocional representa um avanço estratégico sobre o modelo gráfico tradicional, adicionando camadas de significado, experiência e vínculo afetivo, que são essenciais para a construção de autoridade digital e engajamento no contexto contemporâneo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3 </strong><strong><em>Branding</em></strong><strong> Digital</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O avanço das tecnologias digitais, aliado à expansão das redes sociais, transformou profundamente as práticas de <em>branding</em>, deslocando a centralidade da marca do gráfico para o digital e experiencial. Nesse cenário, o <em>branding</em> digital emerge como uma ferramenta estratégica essencial para construir identidade, engajamento e autoridade no ambiente online (Matos; Pereira; Castro, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Leite <em>et al.</em>(2024), a presença digital das organizações vai além da simples divulgação de produtos, funcionando como um meio de consolidar relacionamentos, transmitir valores e humanizar a marca. Plataformas como Instagram, Facebook e TikTok permitem que empresas e laboratórios comuniquem expertise, ética e propósito, favorecendo interações constantes com públicos específicos e estimulando o compartilhamento orgânico de conteúdos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rocha e Amaro (2024) destacam que o <em>branding</em> digital é especialmente relevante para micro e pequenas empresas, cujo crescimento depende da construção de uma identidade digital consistente e da visibilidade em ecossistemas digitais competitivos. A integração de <em>storytelling</em>, experiência do usuário e marketing de influência possibilita que essas organizações transcendam limitações físicas, ampliem seu alcance e fortaleçam sua credibilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adicionalmente, a cultura participativa, analisada por Jenkins (2009), evidencia que os consumidores não são mais meros receptores de mensagens, mas coautores de significados e narrativas, interagindo ativamente com marcas e influenciando sua reputação digital. Assim, o <em>branding</em> digital articula estratégias de visibilidade, engajamento emocional e autoridade, consolidando um ecossistema em que a marca se torna referência confiável e relevante no ambiente online.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.4 Autoridade Digital</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A transformação do <em>branding</em>, que evoluiu do gráfico para o emocional e digital, culmina na construção da autoridade digital, entendida como a capacidade da marca de gerar influência, credibilidade e legitimidade no ambiente online. Segundo Ballesteros (2025), a autoridade vai além da mera visibilidade; ela se consolida quando a marca conecta valores, propósito e experiências de forma consistente, tornando-se uma referência confiável para seu público.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cusatis (2024) reforça que a autoridade digital integra elementos do <em>branding</em> gráfico, emocional e digital, combinando reconhecimento visual, vínculos afetivos e presença estratégica em ecossistemas online. Nesse sentido, a credibilidade da marca depende tanto da coerência de sua comunicação quanto da capacidade de engajamento com públicos relevantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Kotler e Stigliano (2024) destacam que a construção da autoridade digital envolve estratégias que incluem produção de conteúdo relevante, interação constante com consumidores, marketing de influência e posicionamento em canais digitais, ampliando a percepção de confiabilidade e consolidando a reputação corporativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adicionalmente, Barbosa, Ferreira e Christino (2022) apontam que influenciadores digitais desempenham papel essencial nesse processo, atuando como mediadores da autoridade e facilitadores da construção de confiança entre marca e público. A análise bibliométrica realizada por esses autores evidencia que engajamento, consistência narrativa e presença estratégica em plataformas digitais são determinantes para que a marca seja percebida como legítima e influente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a autoridade digital representa o ápice da evolução do <em>branding</em> no século XXI, articulando identidade visual, vínculos emocionais e presença digital estratégica para gerar credibilidade, influência e valor intangível duradouro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. MÉTODO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo caracteriza-se como uma revisão bibliográfica narrativa, com o objetivo de analisar a evolução do <em>branding</em> do enfoque gráfico do século XX para as práticas digitais e emocionais do século XXI, enfatizando a construção de autoridade digital e vínculos afetivos com os consumidores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a realização da pesquisa, foram selecionadas obras acadêmicas e artigos científicos publicados em periódicos especializados na área de marketing, <em>branding</em> e comunicação. A busca foi conduzida nos bancos de dados Portal de Periódicos da CAPES e SciELO, abrangendo estudos publicados entre 2020 e 2025, de modo a contemplar tanto a produção científica recente quanto análises comparativas sobre tendências históricas e contemporâneas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O critério de seleção das fontes considerou trabalhos que abordassem a evolução do <em>branding</em>, marketing digital, reputação online, <em>branding</em> emocional e construção de autoridade digital. Foram priorizadas publicações que apresentassem conceitos teóricos consolidados, estudos de caso, revisões sistemáticas e análises bibliométricas, garantindo a consistência e a relevância das evidências analisadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A abordagem adotada foi crítico-comparativa, com ênfase na análise da transição entre o <em>branding</em> do século XX, centrado em identidade visual e diferenciação gráfica, e o <em>branding</em> do século XXI, orientado por experiências, engajamento emocional e autoridade digital. Tal método permite não apenas identificar tendências e práticas emergentes, mas também refletir sobre os impactos estratégicos e sociais dessa evolução nas organizações e nos consumidores.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. RESULTADOS E DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise da literatura evidencia uma clara transição do <em>branding</em> gráfico para o digital e experiencial, refletindo as mudanças tecnológicas, sociais e mercadológicas do século XXI. No século XX, conforme apontam Kotler e Kartajaya (2023), o <em>branding</em> era centrado na identidade visual, logotipos, slogans e outros elementos gráficos, com o objetivo principal de diferenciação e reconhecimento de mercado. Ballesteros (2025) complementa que a estética visual funcionava como ferramenta de fixação da marca na memória do consumidor, traduzindo valores organizacionais em signos reconhecíveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No século XXI, observa-se um deslocamento para o <em>branding</em> emocional e digital, em que a marca busca estabelecer vínculos afetivos e experiências significativas. Cusatis (2024) evidencia que o engajamento emocional, aliado a storytelling e propósito organizacional, é determinante para criar lealdade e autoridade. Santos (2023) reforça que narrativas consistentes e comunicação participativa ampliam a interação entre marca e consumidor, fortalecendo a percepção de confiabilidade. O Quadro 1 apresenta um resumo comparativo entre o <em>branding</em> do século XX e XXI.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1</strong> – Resumo comparativo <em>branding</em> século XX e XXI</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Elemento / Aspecto</strong></td><td><strong>Século XX – </strong><strong><em>Branding</em></strong><strong> Gráfico</strong></td><td><strong>Século XXI – </strong><strong><em>Branding</em></strong><strong> Emocional e Digital</strong></td><td><strong>Impacto Estratégico</strong></td><td><strong>Referências</strong></td></tr><tr><td>Foco do <em>branding</em></td><td>Identidade visual, logotipos, slogans</td><td>Experiências, storytelling, engajamento, autoridade digital</td><td>Criação de valor intangível e diferenciação competitiva</td><td>Kotler; Kartajaya (2023); Cusatis (2024); Ballesteros (2025)</td></tr><tr><td>Objetivo principal</td><td>Diferenciação e reconhecimento no mercado</td><td>Lealdade, credibilidade, influência e autoridade</td><td>Consolidação da marca como ativo estratégico</td><td>Barbosa <em>et al.</em>(2022); Santos (2023)</td></tr><tr><td>Ferramentas e estratégias</td><td>Design gráfico, publicidade tradicional, embalagens</td><td>Redes sociais, marketing de influência, produção de conteúdo digital, experiências interativas</td><td>Ampliação de alcance, humanização da marca, engajamento contínuo</td><td>Leite <em>et al.</em>(2024); Matos <em>et al.</em>(2024); Rocha; Amaro (2024)</td></tr><tr><td>Relacionamento com o consumidor</td><td>Receptor passivo de mensagens</td><td>Coautor de significados e narrativas; participação ativa</td><td>Construção de vínculos emocionais e confiança</td><td>Santos (2023)</td></tr><tr><td>Valor agregado / Ativo</td><td>Reconhecimento visual</td><td>Autoridade digital e capital intangível</td><td>Diferenciação sustentável, impacto social, intelectual e comercial</td><td>Barbosa <em>et al.</em>(2022); Kotler; Stigliano (2024); Ballesteros (2025)</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: dados da pesquisa, 2025</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <em>branding</em> digital, analisado por Matos, Pereira e Castro (2024), Leite <em>et al.</em>(2024) e Rocha e Amaro (2024), demonstra que plataformas online e redes sociais são instrumentos estratégicos para micro e pequenas empresas, permitindo expansão de alcance, humanização da marca e engajamento contínuo. Fernandes (2024) e Pinto (2024) evidenciam que a presença digital consistente, combinada com marketing de influência e produção de conteúdo relevante, constrói credibilidade e autoridade digital.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Barbosa, Ferreira e Christino (2022) destacam que influenciadores digitais atuam como mediadores da autoridade, reforçando a reputação e legitimidade da marca. Kotler e Stigliano (2024) apontam que a autoridade digital é resultado da integração de <em>branding</em> gráfico, emocional e digital, consolidando um capital intangível estratégico capaz de sustentar a diferenciação competitiva e gerar impacto social, comercial e intelectual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nota-se, pois, que os resultados indicam que o <em>branding</em> contemporâneo é uma abordagem multifacetada, na qual identidade visual, vínculos emocionais, presença digital e autoridade se articulam para construir valor de marca sustentável, refletindo uma evolução significativa em relação ao modelo tradicional do século XX.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo evidenciou que o <em>branding</em> evoluiu de uma ênfase exclusiva na identidade gráfica para um sistema complexo de autoridade digital, integrando elementos visuais, vínculos emocionais e presença estratégica em ecossistemas digitais. Essa transformação demonstra que a construção de valor de marca no século XXI vai além da estética, envolvendo experiências significativas, <em>storytelling</em>, engajamento e credibilidade, capazes de consolidar a reputação e gerar impacto social, intelectual e comercial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As organizações que não adotarem esse modelo de <em>branding</em> correm o risco de perder relevância, sendo percebidas como desatualizadas ou desconectadas de seus públicos. Nesse sentido, o artigo contribui para a compreensão da evolução do <em>branding</em>, conectando a teoria clássica de gestão de marca com as abordagens contemporâneas de <em>branding</em> emocional e digital, evidenciando seu papel estratégico nas práticas de mercado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para pesquisas futuras, recomenda-se a realização de estudos empíricos que investiguem métricas de autoridade digital e a efetividade de estratégias de engajamento online. Além disso, comparações entre diferentes setores e países podem ampliar a compreensão sobre a aplicabilidade e o impacto do <em>branding</em> digital, oferecendo subsídios práticos para gestores e pesquisadores interessados na consolidação de marcas relevantes e influentes no contexto contemporâneo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">AAKER, David A. <strong>Managing brand equity:</strong> capitalizing on the value of a brand name. 2. ed. Free Press, 2009.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BALLESTEROS, Ricardo Hoyos. <strong>Branding. A arte de marcar corações.</strong> São Paulo: Ecoe Ediciones, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BARBOSA, Marcela de Oliveira; FERREIRA, Frederico Leocádio; CHRISTINO, Juliana Maria Magalhães. Influenciadores digitais e branding: Uma revisão bibliométrica e sistemática do campo no período de 1945-2019. <strong>Revista Alcance,</strong> v. 29, n. 2, p. 208-226, 2022. DOI: https://doi.org/10.14210/alcance.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CUSATIS, Camilla. <strong>Branding:</strong> estratégia e marca. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FERNANDES, Hugo Emanuel da Cruz.&nbsp;<strong>The tops of the trees: Digital Marketing</strong>. 2024. Tese de Doutorado. Disponível em: https://repositorio.ipv.pt/bitstream/10400.19/8674/1/Hugo%20Fernandes%20-%20Relat%C3%B3rio%20Final%20de%20Est%C3%A1gio%20-%20MM%20%282%29.pdf. Acesso em: 10 set. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KOTLER, Philip; KARTAJAYA, Hermawan; SETIAWAN, Iwan. <strong>Marketing 6.0:</strong> the future is immersive. Hoboken: Wiley, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KOTLER, Philip; STIGLIANO, Giuseppe. <strong>Redefining retail:</strong> 10 guiding principles for a post-digital world. Hoboken: Wiley, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LEITE, Afonso Vital Hein de Oliveira; et al.Saúde &amp; instagram: o caso do branding digital praticado em um laboratório farmacêutico. <strong>Gestão E Desenvolvimento Em Revista,</strong> v. 10, n. 1, 2024. DOI: https://doi.org/10.48075/gdemrevista.v10i1.32190.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LUCCHESI, Claudio.&nbsp;<strong>Branding – construindo sua marca</strong>. São Paulo: Claudio Lucchesi, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MATOS, Rayllandr Félix; PEREIRA, Dionisio Francisco; CASTRO, Daniele Dantas. Branding digital no desenvolvimento da identidade de Micro e Pequenas Empresas (MPE). <strong>Revista Foco,</strong> v. 17, n. 5, p. e4948-e4948, 2024. DOI: https://doi.org/10.54751/revistafoco.v17n5-128.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">PINTO, César Antunes.&nbsp;<strong>Branding e estratégias de comunicação digital em marcas têxteis sustentáveis – estudo de caso</strong>. 2024. Dissertação de Mestrado. Universidade Portucalense (Portugal). Disponível em: https://www.proquest.com/openview/65ca4dac01260920f251b0a2e5e0b830/1?pq-origsite=gscholar&amp;cbl=2026366&amp;diss=y. Acesso em: 10 set. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ROCHA, Inês Garcia de Almeida; AMARO, Fausto. O impacto do branding digital no crescimento de pequenas empresas de moda feminina: o caso da marca Makai Bikini. In: XVIII Congresso Abrapcorp. <strong>Anais..,</strong> 2024. DOI: https://doi.org/10.54845/v8n3-91.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MIGUEL, Luis dos Santos; HENRIQUES, Fernanda. Branding em língua de sinais: a relação entre o design e a Libras na gestão de marcas. <strong>Estudos em Design,</strong> v. 30, n. 1, 2022. DOI: https://doi.org/10.35522/eed.v30i1.1387</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, Cristina. As 21 Características da Comunicação Publicitária do Século XXI: A Supremacia da Virtualidade e da Visualidade. <strong>Vista-Revista de Cultura Visual,</strong> n. 12, p. e023013-e023013, 2023. DOI: https://doi.org/10.21814/vista.5202.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>DEEPFAKES E PRÁTICAS DE CONSUMO: INTEGRIDADE INFORMACIONAL, PROTEÇÃO DE DADOS E DIREITOS DE PERSONALIDADE NA ORDEM ECONÔMICA DIGITAL</title>
		<link>https://revistaft.com.br/deepfakes-e-praticas-de-consumo-integridade-informacional-protecao-de-dados-e-direitos-de-personalidade-na-ordem-economica-digital/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Sep 2025 14:44:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sistemas de informação]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 150/SET 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=233290</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202509041142 Francisca Sílvia da Silva Reis RESUMO O fenômeno dos deepfakes representa uma das expressões mais desafiadoras da inteligência artificial na economia digital contemporânea, caracterizado pela manipulação sofisticada de imagens, áudios e vídeos com alto grau de realismo. Embora possa ser empregado em contextos criativos e comerciais legítimos, o uso indiscriminado dessa tecnologia [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202509041142</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Francisca Sílvia da Silva Reis</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O fenômeno dos <em>deepfakes</em> representa uma das expressões mais desafiadoras da inteligência artificial na economia digital contemporânea, caracterizado pela manipulação sofisticada de imagens, áudios e vídeos com alto grau de realismo. Embora possa ser empregado em contextos criativos e comerciais legítimos, o uso indiscriminado dessa tecnologia suscita preocupações centrais quanto à integridade informacional, à proteção de dados pessoais e à salvaguarda dos direitos de personalidade. Neste artigo, examina-se a interseção entre <em>deepfakes</em> e práticas de consumo sob a ótica do direito brasileiro, em diálogo com experiências internacionais, considerando o impacto sobre a confiança nas relações de mercado e a vulnerabilidade do consumidor diante da desinformação digital. A partir de pesquisa bibliográfica e análise jurídico-normativa, investigam-se os limites da responsabilidade civil e consumerista, os riscos de violação da privacidade, honra e imagem, bem como os desafios regulatórios para a governança da ordem econômica digital. Conclui-se que a regulação dos <em>deepfakes</em> deve se orientar por princípios de transparência, segurança informacional e efetividade dos direitos fundamentais, de modo a equilibrar inovação tecnológica e proteção do consumidor na sociedade digital.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> <em>deepfakes</em>; ordem econômica digital; integridade informacional; proteção de dados; direitos de personalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">The deepfake phenomenon represents one of the most challenging expressions of artificial intelligence in the contemporary digital economy, characterized by the sophisticated manipulation of images, audio, and videos with a high degree of realism. Although it can be employed in legitimate creative and commercial contexts, the indiscriminate use of this technology raises central concerns regarding information integrity, the protection of personal data, and the safeguarding of personality rights. This article examines the intersection between deepfakes and consumer practices from the perspective of Brazilian law, in dialogue with international experiences, considering the impact on trust in market relations and consumer vulnerability to digital disinformation. Based on bibliographic research and legal-normative analysis, the article investigates the limits of civil and consumer liability, the risks of violations of privacy, honor, and image, as well as the regulatory challenges for the governance of the digital economic order. It concludes that the regulation of deepfakes should be guided by principles of transparency, information security, and the effectiveness of fundamental rights, in order to balance technological innovation and consumer protection in the digital society.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: deepfakes; digital economic order; information integrity; data protection; personality rights.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As práticas de consumo na sociedade digital têm se tornado cada vez mais dependentes da circulação de informações confiáveis. Nesse cenário, o surgimento dos <em>deepfakes</em> – conteúdos audiovisuais manipulados por técnicas de inteligência artificial capazes de replicar imagens, vozes e movimentos com alto grau de realismo – inaugura novos dilemas para a ordem econômica digital. Se, por um lado, essa tecnologia pode ser explorada em contextos criativos e comerciais legítimos, por outro, sua utilização abusiva desafia a integridade informacional, fragiliza a proteção de dados pessoais e ameaça os direitos da personalidade, em especial a honra, a privacidade e a imagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A confiança, fundamento das relações de consumo, é diretamente impactada quando o consumidor não consegue distinguir conteúdos autênticos de representações artificiais. A difusão de <em>deepfakes</em> pode gerar desde publicidade enganosa e manipulação de preferências até a exploração indevida da identidade digital de indivíduos. O ordenamento jurídico brasileiro, estruturado pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC), pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e pelo Marco Civil da Internet, ainda revela insuficiências para enfrentar os dilemas da economia da atenção e da desinformação digital, marcados pela velocidade da inovação tecnológica e pela assimetria entre usuários e grandes plataformas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a circulação massiva de conteúdos sintéticos não apenas desafia a autenticidade da informação, mas também compromete a confiança que sustenta as relações de mercado e a própria autonomia do consumidor diante de escolhas influenciadas por manipulações digitais. A utilização abusiva de <em>deepfakes</em> amplia riscos de fraude, publicidade enganosa, difamação e exploração indevida da identidade pessoal, colocando em xeque tanto a efetividade dos direitos fundamentais quanto a estabilidade da ordem econômica digital. É diante desse quadro que se formula a questão central deste estudo: como a regulação institucional e a tutela dos direitos da personalidade podem responder aos desafios impostos pelos <em>deepfakes</em> nas práticas de consumo, equilibrando inovação tecnológica, proteção de dados e salvaguarda da dignidade humana?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, este artigo tem como objetivo analisar os <em>deepfakes</em> sob a ótica jurídico-institucional, discutindo sua compatibilidade com os princípios da integridade informacional, da autodeterminação dos dados e da tutela dos direitos da personalidade. Busca-se compreender as tensões entre inovação tecnológica e regulação normativa, avaliando riscos e oportunidades para a efetividade dos direitos do consumidor na ordem econômica digital.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A metodologia adotada é qualitativa, estruturada a partir de pesquisa bibliográfica e análise jurídico-normativa. O estudo parte da interpretação sistemática dos marcos normativos nacionais – notadamente o CDC, a LGPD e o Marco Civil da Internet – em diálogo com referenciais estrangeiros sobre governança digital e regulação da inteligência artificial. Essa análise é complementada pela literatura especializada em direitos da personalidade, proteção de dados e ética da informação, de modo a construir uma visão crítica sobre os impactos jurídicos e econômicos dos <em>deepfakes</em>. Além disso, a investigação confronta os dispositivos normativos com práticas concretas do mercado digital, especialmente na circulação de conteúdos sintéticos, buscando evidenciar os dilemas impostos pela economia da atenção e pela disseminação massiva de desinformação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O referencial teórico contempla contribuições contemporâneas. No campo dos direitos fundamentais, Ingo Sarlet (2018) e Gustavo Tepedino (2019) exploram a relação entre dignidade da pessoa humana e tutela dos direitos da personalidade em chave constitucional. No debate sobre proteção de dados, Danilo Doneda (2019) e Bruno Bioni (2021) fornecem bases para compreender a autodeterminação informativa como núcleo da LGPD. A análise crítica da ordem econômica digital apoia-se nas reflexões de Shoshana Zuboff (2019) acerca do capitalismo de vigilância e de Luciano Floridi (2013; 2021) sobre a ética da informação. Ademais, Mireille Hildebrandt (2015) oferece aportes para problematizar as interações entre tecnologias inteligentes e direito, especialmente em matéria de governança digital.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A discussão aqui empreendida será desenvolvida em seis eixos analíticos, que percorrem desde a contextualização da ordem econômica digital até a análise das violações de direitos e dos impactos regulatórios, culminando em reflexões conclusivas sobre como compatibilizar inovação tecnológica, proteção de dados e tutela dos direitos fundamentais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. A ORDEM ECONÔMICA DIGITAL E OS NOVOS DESAFIOS DA INFORMAÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A transição para a ordem econômica digital redefiniu os parâmetros de produção, circulação e consumo de bens e serviços. Se no passado a materialidade dos produtos era o núcleo das relações de mercado, na contemporaneidade é a informação que desempenha papel central, funcionando como insumo, mercadoria e instrumento de poder. Nesse contexto, “[&#8230;] fenômenos como <em>big data</em>, inteligência artificial e plataformas digitais remodelam o espaço econômico, criando novas formas de dependência e vulnerabilidade para os consumidores” (Zuboff, 2019, p. 53). Com isso, a dinâmica informacional tornou-se, assim, uma variável estratégica para compreender tanto as oportunidades quanto os riscos que caracterizam a economia digital.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo em que a informação sustenta processos de inovação e dinamiza mercados, ela também gera tensões normativas. A coleta massiva de dados, o tratamento algorítmico e a criação de conteúdos sintéticos ampliam os desafios de regulação, na medida em que os instrumentos jurídicos clássicos – como contratos e regras de responsabilidade civil – mostram-se insuficientes diante da velocidade e da escala das transformações tecnológicas (Floridi, 2021). A economia digital, ao fundar-se na manipulação de fluxos informacionais, evidencia que a proteção jurídica deve transcender fronteiras tradicionais, incorporando princípios de integridade, transparência e segurança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os <em>deepfakes</em> se inserem nesse cenário como um caso paradigmático. Essa tecnologia, ao permitir a criação de imagens e vídeos falsificados com alto grau de realismo, coloca em xeque os fundamentos da confiança informacional, elemento indispensável às relações de consumo. Conforme Hildebrandt (2015, p. 88), “[&#8230;] a economia digital depende da previsibilidade e da autenticidade para funcionar, e qualquer distorção desses elementos pode comprometer a própria ordem de mercado”. É justamente a partir dessa perspectiva que se torna necessário analisar a centralidade da informação, a integridade informacional e os riscos trazidos pelos <em>deepfakes</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 A centralidade da informação como bem econômico</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A informação deixou de ser mero suporte da atividade econômica para se tornar bem em si mesma. “A informação é a matéria-prima das sociedades contemporâneas, estruturando não apenas as formas de produção, mas também as relações de poder” (Castells, 2009, p. 72). Esse caráter central se intensifica no mercado digital, em que dados podem ser replicados e utilizados em larga escala para personalizar ofertas, prever comportamentos e construir modelos de negócio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As grandes plataformas ilustram a transformação da informação em ativo estratégico. Zuboff (2019) identifica no processo de extração massiva de dados comportamentais a base do ‘capitalismo de vigilância’. Nesse modelo, a vida cotidiana é convertida em mercadoria, e previsões sobre comportamento futuro tornam-se fonte de lucro. Tal prática, embora eficiente para empresas, representa risco para a autodeterminação dos indivíduos e para a própria noção de consentimento informado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, esse movimento se reflete em debates sobre a proteção jurídica da informação. A LGPD reconhece a centralidade dos dados pessoais e estabelece princípios de finalidade e qualidade, impondo limites ao uso econômico da informação. Contudo, a simples positivação de direitos não garante efetividade diante da velocidade e da complexidade das tecnologias digitais. É necessário repensar instrumentos de <em>enforcement</em> que contemplem o dinamismo informacional (Doneda, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A centralidade da informação também redefine mercados. Serviços de crédito, saúde e comércio eletrônico dependem da análise de grandes volumes de dados para funcionar. A informação tornou-se fator decisivo na economia da atenção, em que o consumidor é atraído, retido e monetizado por meio de estímulos personalizados. Esse cenário amplia a vulnerabilidade do usuário, que raramente compreende a extensão do uso de seus dados (Bioni, 2021). Além da dimensão econômica, a informação assume caráter existencial quando vinculada a aspectos da personalidade. A imagem, a voz e a identidade digital não podem ser reduzidas a simples mercadorias. Assim, a dignidade da pessoa humana estabelece limites intransponíveis à exploração da personalidade. Portanto, a centralidade informacional deve ser analisada também sob a ótica da proteção da pessoa e não apenas do mercado (Sarlet, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No plano internacional, o reconhecimento da informação como bem essencial aparece em instrumentos como o <em>General Data Protection Regulation </em>(GDPR) europeu – Regulamento Geral de Proteção de Dados –, que impõe padrões de qualidade e responsabilidade no tratamento de dados. Essas experiências mostram que a centralidade informacional não é fenômeno isolado, mas componente de uma agenda global de governança digital. O Brasil, ao dialogar com tais marcos, pode fortalecer a proteção de consumidores em ambiente transnacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tepedino (2019) observa que a regulação deve atuar para equilibrar liberdade de mercado e tutela da personalidade, evitando que dados se transformem em instrumentos de dominação econômica. Essa perspectiva reforça a necessidade de olhar para a informação como bem econômico e, ao mesmo tempo, como direito fundamental. Portanto, a centralidade da informação deve ser compreendida em sua dupla dimensão: motor de inovação e risco para a dignidade. O desafio do direito é compatibilizar esses polos, reconhecendo que a informação, na economia digital, não é apenas insumo, mas elemento estruturante da vida econômica e social.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 O papel da integridade informacional no mercado digital</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A integridade informacional é condição essencial para que a informação seja confiável e útil ao mercado. Para Floridi (2021, p. 134), “[&#8230;] a integridade da informação é condição necessária para a manutenção de ecossistemas digitais confiáveis”. Isso significa que, sem autenticidade e precisão, a informação deixa de cumprir sua função de orientar escolhas racionais de consumo, tornando o consumidor refém de manipulações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O CDC consagra o direito à informação adequada, clara e verdadeira, estabelecendo um núcleo de proteção contra práticas enganosas. A LGPD reforça essa perspectiva ao exigir qualidade e segurança no tratamento de dados pessoais. Entretanto, como observa Bioni (2021), tais normas enfrentam dificuldades diante de falsificações sofisticadas como os <em>deepfakes</em>, que não apenas distorcem, mas criam realidades alternativas convincentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No plano internacional, o GDPR europeu prevê a exatidão como princípio fundamental, exigindo que dados sejam precisos e atualizados. A proposta de <em>AI Act</em> amplia esse debate ao propor requisitos de confiabilidade para sistemas de inteligência artificial. Esses instrumentos mostram que a integridade informacional está no centro das preocupações regulatórias globais, servindo de parâmetro também para o Brasil. Desse modo, a integridade informacional possui valor econômico. Empresas que investem em mecanismos de verificação e rastreabilidade ganham credibilidade e fidelizam consumidores.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, a circulação de conteúdos manipulados aumenta custos de transação e reduz a previsibilidade contratual. Assim, a integridade funciona como infraestrutura para mercados eficientes e sustentáveis. Os <em>deepfakes</em> desafiam essa integridade porque se apresentam como conteúdos autênticos. Doneda (2019, p. 63) observa:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;]<em> </em>a circulação de informações falsas ou manipuladas compromete a própria noção de autodeterminação informativa, reduzindo o indivíduo a mero objeto da lógica mercadológica<em>. </em>Essa advertência reforça a gravidade da manipulação sintética para os direitos de personalidade e para a confiança nas relações de consumo<em>.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Instrumentos técnicos como marcas d’água digitais, metadados verificáveis e protocolos de rastreabilidade são alternativas em discussão. No entanto, sua eficácia depende da cooperação de plataformas e da adesão internacional. Sem coordenação, tais medidas podem se mostrar insuficientes diante da velocidade viral de disseminação de <em>deepfakes</em>. Além da dimensão técnica e jurídica, a integridade informacional possui caráter ético. Desse modo, Floridi (2013) argumenta que a informação deve ser tratada como bem relacional, cujo valor se conecta à qualidade das interações sociais. Ou seja, a manipulação não degrada apenas a esfera individual, mas compromete a confiança coletiva e a própria democracia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Logo, assegurar a integridade informacional significa proteger tanto a liberdade contratual do consumidor quanto a estabilidade sistêmica da ordem econômica digital. Esse é o ponto de transição para compreender os <em>deepfakes</em> como ameaça direta à confiança no mercado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3 <em>Deepfakes</em> como risco à confiança nas relações de consumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O consumidor presume que informações visuais e sonoras correspondem à realidade. De acordo com Marques (2019, p. 94): “[&#8230;] o direito à informação adequada constitui garantia fundamental de equilíbrio nas relações de consumo”. Os <em>deepfakes</em> rompem essa expectativa ao criar conteúdos verossímeis que induzem escolhas baseadas em falsidade, corroendo a autonomia do consumidor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A publicidade é campo fértil para o uso abusivo de <em>deepfakes</em>. Ao simular depoimentos de celebridades ou influenciadores, empresas podem induzir consumidores a erro, violando normas do CDC e prejudicando a concorrência. Esse uso distorce percepções de qualidade e confiança, transformando a manipulação em ferramenta de mercado. Influenciadores digitais são ainda mais vulneráveis. A apropriação indevida de sua imagem em <em>deepfakes</em> compromete sua reputação e causa prejuízos econômicos. Para os consumidores, o dano se traduz em escolhas induzidas por falsas recomendações. Esse cenário exige regulação clara sobre responsabilidade de anunciantes, plataformas e produtores de conteúdo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Setores sensíveis, como saúde e finanças, também estão expostos. A manipulação de voz ou vídeo pode induzir condutas arriscadas, como investimentos fraudulentos ou tratamentos inadequados. A previsibilidade é condição mínima para confiança em ambientes digitais; sua perda gera riscos sistêmicos para a economia e para a sociedade. No âmbito jurídico, conforme Hildebrandt, 2015, p. 37);&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] os <em>deepfakes</em> desafiam critérios de autenticidade probatória. A facilidade de adulteração digital torna necessária a adoção de presunções e de mecanismos de certificação técnica. Sem tais recursos, litígios envolvendo conteúdos manipulados podem se tornar insolúveis ou excessivamente custosos.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A resposta regulatória precisa articular prevenção, detecção e responsabilização. Prevenção envolve padrões de autenticidade incorporados desde a criação do conteúdo. Detecção depende de ferramentas de verificação robustas e cooperação entre plataformas. A responsabilização deve estabelecer critérios claros de imputação, equilibrando inovação tecnológica e proteção jurídica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A alfabetização midiática é componente indispensável nesse contexto. O consumidor precisa compreender os limites da verificação e os riscos de manipulação. Para Bioni (2021), a educação não substitui o dever de plataformas e fornecedores de assegurar ambientes digitais seguros. A responsabilidade deve ser compartilhada, mas proporcional ao poder econômico de cada agente. Assim, os <em>deepfakes</em> configuram risco sistêmico à confiança nas relações de consumo. Ao minar a integridade da informação, comprometem direitos da personalidade e ameaçam a estabilidade da ordem econômica digital. Ou seja, o enfrentamento desse fenômeno requer respostas multiníveis, que combinem regulação estatal, autorregulação responsável, inovação tecnológica e políticas educativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. DEEPFAKES, PROTEÇÃO DE DADOS E DIREITOS DE PERSONALIDADE</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A relação entre <em>deepfakes</em>, proteção de dados e direitos da personalidade revela-se particularmente sensível na economia digital. A manipulação sintética de imagens e vozes atinge não apenas a confiança do consumidor, mas também a dignidade e a privacidade dos indivíduos. Esses conteúdos, ao explorarem elementos biométricos e aspectos da identidade pessoal, inserem-se diretamente no campo dos dados sensíveis, cuja tutela é reforçada pela LGPD e pelo GDPR. Além do impacto econômico, há violação de valores existenciais fundamentais, como a honra e a integridade psíquica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A proteção jurídica, nesse contexto, exige uma abordagem integrada que combine normas de defesa do consumidor, regras de proteção de dados e princípios constitucionais. O fenômeno dos <em>deepfakes</em> mostra que a fronteira entre dano individual e repercussão coletiva é tênue, pois a circulação de conteúdos manipulados compromete tanto a esfera privada quanto a confiança social. Como assinala Sarlet (2018), a dignidade da pessoa humana constitui parâmetro normativo que limita práticas abusivas, inclusive quando mediadas por tecnologias digitais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dessa problemática deve considerar também a natureza global dos fluxos informacionais. Os <em>deepfakes</em> podem ser produzidos em qualquer parte do mundo e disseminados em segundos, desafiando jurisdições nacionais. Essa característica reforça a necessidade de cooperação regulatória internacional, alinhando marcos como LGPD e GDPR a padrões emergentes, como o AI Act europeu. Nesse cenário, a proteção da personalidade e dos dados não pode ficar restrita ao plano doméstico, mas deve dialogar com agendas transnacionais de governança digital.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1 Proteção de dados pessoais na LGPD e no GDPR: imagens, voz e biometria como dados sensíveis</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A LGPD, em seu art. 5º, II, classifica dados biométricos, imagens e voz como sensíveis, impondo regime jurídico reforçado para sua coleta e tratamento. Para Doneda (2019, p. 41), “[&#8230;] <em>o</em> reconhecimento da natureza sensível desses dados representa o avanço de uma proteção que vincula diretamente informação e dignidade da pessoa humana”. Tal enquadramento reforça que manipulações audiovisuais, como os <em>deepfakes</em>, não podem ser tratadas como meras distorções, mas como violações qualificadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O GDPR europeu adota posição semelhante, tratando dados biométricos como de categoria especial, cuja utilização só é admitida em hipóteses restritas. Bioni (2021) enfatiza que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] a irreversibilidade da biometria aumenta a gravidade do risco: uma vez expostos, tais elementos não podem ser substituídos. Isso torna os <em>deepfakes</em> especialmente danosos, pois atingem informações que se confundem com a própria identidade pessoal, dificultando a reparação integral.&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A proteção de dados, nesse sentido, é extensão dos direitos da personalidade. A dignidade humana deve orientar a interpretação dos direitos fundamentais, incluindo a proteção contra usos indevidos da informação. Essa perspectiva implica que a tutela da personalidade em ambientes digitais precisa reconhecer a especificidade dos dados sensíveis, impondo barreiras mais robustas a sua manipulação (Sarlet, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rodotà (2008) contribui ao afirmar que a autodeterminação informativa é a forma moderna de liberdade. O indivíduo deve ter controle sobre como sua imagem e sua voz são utilizadas, e qualquer manipulação sem consentimento rompe essa autonomia. Os <em>deepfakes</em>, ao apropriarem-se da identidade sem autorização, negam essa prerrogativa fundamental, convertendo a pessoa em objeto da lógica mercantil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto é que a LGPD impõe bases legais restritivas para o tratamento de dados sensíveis, como consentimento expresso e proteção da vida. Aplicado aos <em>deepfakes</em>, esse regime revela que a maioria das manipulações não encontra amparo jurídico. A ausência de base legal válida torna ilícita a prática e legitima a aplicação de sanções administrativas e reparação civil, ampliando a responsabilidade dos agentes envolvidos (Doneda, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O GDPR, por sua vez, reforça o princípio da <em>accountability,</em> exigindo que controladores comprovem conformidade regulatória. A transparência é elemento central desse modelo, permitindo responsabilização efetiva (Floridi, 2021). No entanto, a manipulação sintética compromete essa lógica, pois dificulta a identificação da origem e do responsável pelo conteúdo, demonstrando a necessidade de instrumentos técnicos adicionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bioni (2021) destaca que a harmonização normativa internacional é crucial diante da natureza global dos fluxos digitais. O tratamento dos <em>deepfakes</em> exige diálogo entre sistemas jurídicos, reduzindo arbitragens regulatórias e fortalecendo a proteção da personalidade. Essa perspectiva aproxima o Brasil de padrões internacionais de governança, inserindo a LGPD em um cenário de convergência global. Dessa forma, imagens, voz e biometria, ao serem manipuladas por <em>deepfakes</em>, devem ser interpretadas como objeto de tutela reforçada. Reconhecer sua natureza sensível implica adotar mecanismos jurídicos e tecnológicos que garantam não apenas a privacidade, mas também a preservação da identidade e da dignidade humana em sociedades digitais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2 </strong><strong><em>Deepfakes </em></strong><strong>e violação da privacidade, honra e imagem</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os <em>deepfakes</em> configuram violações diretas aos direitos da personalidade, sobretudo privacidade, honra e imagem. O direito à informação adequada constitui garantia fundamental de equilíbrio nas relações de consumo (Marques, 2019)<em>. </em>Quando essa informação é deturpada por manipulação sintética, não há apenas infração ao CDC, mas agressão ao núcleo existencial da pessoa, que vê sua identidade utilizada de forma indevida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A privacidade é atingida quando conteúdos íntimos são fabricados sem consentimento, como ocorre em pornografia não consensual. A exploração de dados e imagens pessoais converte indivíduos em matéria-prima de mercados informacionais, eliminando fronteiras entre público e privado. Esse fenômeno, quando associado aos <em>deepfakes</em>, amplia o sofrimento psíquico das vítimas, cujo controle sobre a própria vida íntima é rompido (Zuboff, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A honra sofre abalo quando a tecnologia é usada para imputar comportamentos desonrosos a alguém. Conforme Sarlet (2018), a dignidade impõe barreiras contra práticas que instrumentalizam a pessoa para fins econômicos ou políticos. Assim, a manipulação audiovisual não é apenas ofensa individual, mas problema coletivo, pois compromete reputações e abala a confiança social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No tocante à imagem, a doutrina brasileira reconhece sua natureza dupla: patrimonial e existencial. A utilização não autorizada da imagem viola não apenas interesses materiais, mas também valores ligados à identidade (Tepedino, 2019). Com os <em>deepfakes</em>, esse risco é intensificado, porque a circulação em redes digitais torna a reparação difícil e frequentemente insuficiente. Nesse sentido, Doneda (2019) observa que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] o controle sobre a informação pessoal é expressão contemporânea da liberdade. Quando a voz ou a face são manipuladas sem autorização, essa liberdade é negada, e o indivíduo perde o poder de autodeterminação. Tal violação conecta-se diretamente à Constituição, que protege a privacidade e a intimidade como direitos fundamentais indisponíveis. Outro ponto crítico é a permanência dos danos.&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Conteúdos falsos, uma vez divulgados, podem ser replicados indefinidamente, mesmo após sua remoção. Essa característica amplia a gravidade das violações, gerando sofrimento prolongado às vítimas. A degradação da qualidade da informação compromete não apenas indivíduos, mas a saúde do espaço público (Floridi, 2013).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A violação da honra e da imagem também pode gerar repercussões coletivas. Quando <em>deepfakes</em> atingem figuras públicas, instituições democráticas podem ser desacreditadas. Hildebrandt (2015) aponta que a previsibilidade informacional é essencial para a confiança social; sua perda implica risco sistêmico para a economia e para a política. Assim, o problema transcende a esfera privada e alcança dimensões institucionais. Desse modo, os <em>deepfakes</em> representam ameaça existencial e coletiva, ao comprometer direitos da personalidade em escala inédita. A resposta jurídica deve articular tutela individual, responsabilidade coletiva e mecanismos de governança que impeçam a degradação estrutural da confiança informacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3 Responsabilidade civil e consumerista diante da manipulação de conteúdos digitais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A manipulação de conteúdos digitais por <em>deepfakes</em> repercute diretamente na responsabilidade civil e consumerista. O CDC prevê a responsabilidade objetiva do fornecedor por danos decorrentes de defeitos na informação, estabelecendo base normativa para tutela das vítimas. A dignidade da pessoa humana funciona como cláusula geral de proteção, impondo ao Estado e aos particulares deveres de respeito e promoção (Sarlet, 2018). Essa cláusula justifica reparações integrais diante de danos materiais, morais e existenciais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A responsabilidade civil, nesse contexto, precisa ser adaptada às especificidades digitais. Marques (2019) argumenta que a vulnerabilidade do consumidor é acentuada em ambientes opacos, o que exige critérios objetivos de imputação. Nos <em>deepfakes</em>, a violação à informação adequada aciona não apenas a esfera contratual, mas também a extracontratual, impondo reparação mesmo sem vínculo direto entre consumidor e agente manipulador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Plataformas digitais devem ser incluídas nesse regime de responsabilidade. Intermediários da sociedade em rede não podem se eximir de deveres de proteção (Doneda, 2019). Embora não caiba exigir controle absoluto, é legítimo impor medidas preventivas, sistemas de detecção e respostas ágeis de remoção. O não cumprimento desses deveres pode configurar falha de serviço e ensejar responsabilização. Nesse sentido, Hildebrandt (2015, p. 156) defende que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] a responsabilidade deve ser proporcional à capacidade técnica e econômica do agente de prevenir danos. Assim, grandes plataformas que lucram com a circulação de conteúdo devem assumir ônus maiores que usuários comuns. Esse critério de imputação diferenciada garante justiça distributiva e fortalece a efetividade do regime de responsabilidade civil.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Os danos decorrentes dos <em>deepfakes</em> não se restringem ao plano individual. Zuboff (2019) explica que a exploração de informações gera externalidades negativas que afetam toda a sociedade. No caso dos <em>deepfakes</em>, a proliferação de conteúdos falsos corrói a confiança coletiva, eleva custos de transação e fragiliza o funcionamento do mercado digital. A reparação, portanto, deve considerar também dimensões coletivas. Outro ponto é o desafio probatório. Conteúdos digitais falsificados exigem novos parâmetros de autenticidade. Bioni (2021) propõe que selos de origem, logs auditáveis e certificações independentes sejam incorporados como presunções jurídicas para facilitar a prova. Essa inovação reduziria a assimetria processual e permitiria maior proteção às vítimas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A responsabilidade consumerista também inclui sanções administrativas. O descumprimento de deveres informacionais por parte de fornecedores e plataformas pode ensejar multas, suspensão de atividades e obrigações de reparação coletiva. Esses instrumentos complementam a tutela civil e fortalecem a confiança no sistema de proteção ao consumidor. Assim, a responsabilidade civil e consumerista diante dos <em>deepfakes</em> deve ser compreendida de forma sistêmica. Mais que reparar danos individuais, é preciso garantir a estabilidade da ordem econômica digital, preservando a dignidade humana e a confiança que sustentam as relações de consumo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. REGULAÇÃO E AUTORREGULAÇÃO: CAMINHOS PARA A GOVERNANÇA DIGITAL</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O fenômeno dos <em>deepfakes</em> expõe a necessidade de repensar os instrumentos de regulação e autorregulação na ordem econômica digital. O direito tradicional, ancorado em categorias como responsabilidade civil e tutela contratual, mostra-se insuficiente para lidar com as especificidades da manipulação audiovisual sintética. A velocidade de circulação, a dificuldade de atribuição de autoria e a opacidade tecnológica tornam essencial a construção de modelos regulatórios híbridos, que combinem normas estatais, mecanismos técnicos e práticas de governança corporativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como destaca Floridi (2021, p. 87), “[&#8230;] a arquitetura da informação é transnacional por natureza, e qualquer resposta eficaz precisa reconhecer essa característica”. Nesse sentido, marcos nacionais isolados tendem a ser limitados, já que conteúdos manipulados podem ser produzidos em uma jurisdição e circular livremente em outra. Essa realidade impõe a necessidade de cooperação internacional e de alinhamento com padrões regulatórios mais amplos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao lado da regulação estatal, cresce a importância da autorregulação e do <em>compliance </em>informacional adotado por plataformas digitais. Empresas como Google, Meta e TikTok já desenvolvem políticas próprias de marcação de conteúdo manipulado, remoção de <em>deepfakes</em> nocivos e criação de ferramentas de verificação de autenticidade. Contudo, tais medidas ainda são fragmentadas, dependem da boa vontade das corporações e, muitas vezes, respondem mais à pressão reputacional do que a compromissos jurídicos vinculantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O debate sobre governança digital deve, portanto, articular três dimensões: a regulação pública, que garante legitimidade e coercitividade; a autorregulação corporativa, que oferece flexibilidade e rapidez; e a corresponsabilidade social, que demanda alfabetização midiática e engajamento coletivo. Hildebrandt (2015) destaca que os modelos regulatórios contemporâneos precisam ser responsivos, adaptando-se à complexidade da interação entre direito e tecnologia. Esse tripé é fundamental para enfrentar os riscos trazidos pelos <em>deepfakes</em> de maneira efetiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1 Experiências internacionais (UE, EUA e China)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A União Europeia desponta como referência no enfrentamento regulatório da inteligência artificial e, por extensão, dos <em>deepfakes</em>. O GDPR já estabelecia princípios de proteção de dados, mas o AI Act avança ao classificar sistemas de IA em categorias de risco, impondo regras mais rigorosas aos de “alto risco”. Segundo Floridi (2021), a transparência é elemento central para criar ecossistemas digitais confiáveis. O AI Act, ao exigir documentação técnica e mecanismos de rastreabilidade, constitui modelo de regulação preventiva para lidar com manipulações audiovisuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos Estados Unidos, a abordagem tem sido fragmentada, variando entre legislações estaduais e iniciativas setoriais. Estados como a Califórnia aprovaram normas que proíbem <em>deepfakes</em> em contextos eleitorais ou pornográficos sem consentimento. A tradição norte-americana privilegia a liberdade de expressão, o que dificulta a criação de marcos federais amplos. Essa fragmentação gera insegurança, mas também revela a tensão entre proteção da personalidade e valores constitucionais distintos (Bioni, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A China, por sua vez, adota postura mais centralizada e rígida. Em 2019, o país implementou regras que obrigam a rotulagem de conteúdos manipulados, impondo sanções severas a quem os difunde sem aviso prévio. Os modelos autoritários podem instrumentalizar a regulação tecnológica para reforçar mecanismos de vigilância (Zuboff, 2019). Ainda assim, o exemplo chinês demonstra como a imposição estatal pode ser eficaz para controlar a circulação de <em>deepfakes</em>, ainda que com riscos para a liberdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A comparação entre esses modelos evidencia três caminhos distintos: a regulação preventiva da União Europeia, o modelo fragmentado dos EUA e a regulação centralizada da China. Cada abordagem reflete não apenas opções jurídicas, mas também valores políticos e culturais. A experiência internacional mostra que não há solução única, mas a combinação de estratégias pode inspirar adaptações contextuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <em>AI Act</em> europeu traz especial relevância ao exigir que sistemas de IA gerem documentação acessível e permitam auditorias independentes. Para Hildebrandt (2015), a verificabilidade é requisito mínimo de <em>accountability</em>. Nesse sentido, a União Europeia consolida-se como pioneira ao propor instrumentos que associam inovação tecnológica a padrões de confiança, estabelecendo um paradigma que pode orientar outros países.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos EUA, embora não exista marco federal unificado, cresce a pressão por regulação nacional. Casos de manipulação audiovisual em campanhas eleitorais estimularam propostas no Congresso. A demora em criar normas gerais pode ampliar a vulnerabilidade de consumidores e cidadãos, reforçando a necessidade de um debate mais estruturado. A tensão entre liberdade de expressão e tutela da dignidade permanece o maior desafio (Doneda, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A experiência chinesa revela a eficácia de soluções centralizadas, mas também seus limites éticos. A exigência de marcação obrigatória de <em>deepfakes</em> reduz riscos de engano, mas reforça o controle estatal sobre a informação. A proteção de dados deve servir à liberdade e não à vigilância. Essa advertência é fundamental para distinguir regulações legítimas de usos abusivos (Rodotà, 2008). Com isso, as experiências internacionais mostram que a governança de <em>deepfakes</em> pode seguir caminhos distintos, mas todos convergem para a necessidade de transparência, rastreabilidade e responsabilidade. A adaptação desses modelos ao Brasil deve considerar especificidades institucionais e constitucionais, equilibrando a proteção da personalidade e liberdade comunicativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2 Desafios regulatórios no Brasil: Marco Civil da Internet, LGPD e PLs sobre IA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil dispõe de marcos importantes, como o Marco Civil da Internet, a LGPD e o próprio CDC, que já oferecem bases para a proteção do consumidor e dos dados pessoais. No entanto, esses instrumentos foram concebidos antes da popularização dos <em>deepfakes</em>, não contemplando diretamente a manipulação sintética de conteúdos. A<em> </em>circulação de informações falsas ou manipuladas compromete a própria noção de autodeterminação informativa<em> (</em>Doneda (2019). A observação é pertinente para avaliar lacunas normativas diante da nova tecnologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Marco Civil da Internet estabelece princípios de responsabilidade, neutralidade e privacidade. Contudo, sua lógica é voltada para provedores de aplicação e conexão, não para manipulação de conteúdos audiovisuais sintéticos. A evolução tecnológica impõe desafios de atualização normativa, sobretudo para enfrentar práticas que não estavam no horizonte quando a lei foi aprovada. Esse descompasso cria dificuldades para responsabilizar produtores e difusores de <em>deepfakes </em>(Bioni, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A LGPD representa avanço significativo, especialmente por tratar de dados sensíveis como biometria e imagem. Ainda assim, sua aplicação prática encontra obstáculos. Sarlet (2018) sustenta que a dignidade humana deve orientar a interpretação da proteção de dados, mas na prática os mecanismos de fiscalização ainda carecem de estrutura robusta. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) enfrenta desafios institucionais para dar respostas rápidas à manipulação sintética.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Projetos de lei sobre inteligência artificial buscam preencher essa lacuna. O PL nº 21/2020, em tramitação no Congresso Nacional, propõe diretrizes para o uso responsável da IA. A regulação deve priorizar princípios de transparência e explicabilidade, elementos centrais para enfrentar os <em>deepfakes</em>. No entanto, o debate brasileiro ainda é incipiente e carece de integração com experiências internacionais (Floridi, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro desafio é a fragmentação regulatória. Setores distintos, como eleitoral e consumerista, têm buscado respostas próprias para o uso de <em>deepfakes</em>. A proteção do consumidor exige abordagem sistemática, capaz de lidar com práticas de desinformação e publicidade enganosa (Marques, 2019). A ausência de coordenação entre órgãos reguladores fragiliza a eficácia das medidas adotadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Marco Civil prevê responsabilidade subsidiária, mas os <em>deepfakes</em> demandam regime mais proativo. Intermediários digitais não podem ser totalmente isentos de deveres de prevenção (Doneda, 2019). Isso significa que as plataformas devem investir em mecanismos de detecção, rotulagem e remoção ágil, sob pena de falha de serviço.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ausência de parâmetros probatórios específicos também constitui lacuna relevante. Litígios envolvendo <em>deepfakes</em> dependem de perícia técnica, muitas vezes inacessível a consumidores. Bioni (2021) propõe a criação de instrumentos jurídicos que estabeleçam presunções relativas de autenticidade associadas a protocolos técnicos de certificação. Essa inovação reduziria a vulnerabilidade processual das vítimas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, os desafios regulatórios no Brasil passam por atualização legislativa, fortalecimento institucional e integração internacional. A construção de um marco específico para <em>deepfakes</em> deve dialogar com a Constituição, assegurando equilíbrio entre liberdade de expressão, proteção de dados e direitos da personalidade. Esse caminho é fundamental para garantir que a inovação tecnológica não se converta em ameaça à confiança social.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.3 O papel das plataformas digitais e práticas de <em>compliance</em> informacional</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As plataformas digitais ocupam posição central na circulação de conteúdos e, consequentemente, na disseminação de <em>deepfakes</em>. Seu papel como intermediárias da comunicação lhes confere responsabilidade especial para preservar a integridade informacional. O poder informacional concentrado nas plataformas digitais redefine a própria arquitetura da vida social (Zuboff, 2019). Isso significa que a ausência de políticas de governança dessas empresas pode comprometer a confiança coletiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Práticas de <em>compliance</em> informacional têm se consolidado como respostas corporativas. Plataformas já adotam políticas de rotulagem de conteúdos manipulados, desenvolvem ferramentas de verificação de autenticidade e estabelecem canais de denúncia para usuários. Hildebrandt (2015) pondera que a autorregulação, embora limitada, pode oferecer respostas mais rápidas que a regulação estatal. Contudo, sua eficácia depende da transparência e da possibilidade de auditoria independente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O modelo de <em>compliance</em> informacional precisa incluir mecanismos de prevenção, monitoramento e resposta. A prevenção envolve incorporar padrões de autenticidade no design de sistemas. O monitoramento exige uso de inteligência artificial para detectar <em>deepfakes</em> em circulação. Já a resposta implica políticas claras de remoção e comunicação aos usuários afetados. Tais medidas devem respeitar direitos fundamentais, evitando censura arbitrária (Doneda, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto é a monetização dos conteúdos. Muitas vezes, <em>deepfakes</em> geram engajamento lucrativo para plataformas. Marques (2019) argumenta que a vulnerabilidade do consumidor é acentuada quando a lógica do lucro se sobrepõe à proteção da informação. Isso significa que políticas de compliance precisam alinhar incentivos econômicos à integridade informacional, desmonetizando conteúdos enganosos e priorizando transparência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cooperação interplataformas constitui medida essencial, ou seja, a fragmentação das respostas dificulta a eficácia do combate aos <em>deepfakes</em>. Iniciativas conjuntas, como bancos de dados compartilhados de conteúdos manipulados, aumentam a capacidade de detecção e reduzem a circulação de falsificações. Essa prática reforça a corresponsabilidade das empresas na proteção do ambiente digital (Bioni, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <em>compliance</em> informacional também deve ser integrado a estratégias públicas. A regulação estatal pode estabelecer padrões mínimos, exigindo relatórios de transparência e auditorias externas. <em>Accountability </em>não pode ser apenas retórica, mas precisa ser verificável por terceiros independentes (Floridi, 2021). Esse modelo garante que práticas corporativas não sejam meramente simbólicas, mas efetivas para proteger consumidores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há ainda dimensão educativa que pode ser incorporada pelas plataformas. Programas de alfabetização midiática, parcerias com escolas e campanhas de conscientização ampliam a resiliência social diante dos <em>deepfakes</em>. Sarlet (2018) enfatiza que a dignidade humana envolve não apenas proteção negativa, mas promoção ativa de condições para o exercício da liberdade. Essa lógica deve orientar também a atuação das empresas digitais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O papel das plataformas vai além da mera intermediação: trata-se de agentes que moldam fluxos informacionais e impactam diretamente os direitos fundamentais. Práticas de <em>compliance</em> informacional consistentes, auditáveis e integradas à regulação pública são indispensáveis para assegurar que a inovação tecnológica ocorra de forma compatível com a proteção da dignidade e da confiança social.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. IMPACTOS ECONÔMICOS E PRÁTICAS DE CONSUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os <em>deepfakes</em> representam um ponto de inflexão no debate sobre consumo digital, pois afetam diretamente a forma como a informação é produzida, distribuída e recebida pelos indivíduos. Ao manipular imagens, vozes e comportamentos, essa tecnologia pode induzir escolhas que não correspondem à vontade livre do consumidor. Nesse cenário, a economia digital deixa de ser apenas espaço de inovação e passa a se constituir também como campo de riscos informacionais e econômicos, que precisam ser regulados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A economia da informação, como explicam Shapiro e Varian (1999), é caracterizada pela relevância dos sinais informacionais na tomada de decisão. Quando esses sinais são corrompidos, os custos de transação aumentam e a confiança é reduzida. Os <em>deepfakes</em>, nesse contexto, criam ruídos que comprometem a previsibilidade e a racionalidade das escolhas, ampliando assimetrias entre fornecedores e consumidores. A perda da integridade informacional compromete, portanto, o funcionamento saudável dos mercados digitais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da dimensão econômica direta, os <em>deepfakes</em> impactam a economia da atenção. Davenport e Beck (2001, p. 18) destacam que “[&#8230;] a atenção é o recurso mais escasso da economia contemporânea”. Ao explorar visualmente conteúdos sensacionalistas e manipulados, os <em>deepfakes</em> capturam atenção de forma desproporcional, deslocando escolhas de consumo e fragilizando a autonomia. Assim, a manipulação audiovisual torna-se mecanismo de concorrência desleal, com impactos sociais e econômicos relevantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os efeitos dos <em>deepfakes</em> vão além do consumo individual, atingindo a ordem econômica e a confiança coletiva. A circulação massiva de desinformação compromete não apenas escolhas privadas, mas também instituições democráticas. Esse raciocínio pode ser estendido ao mercado: ao corroer a credibilidade da informação, os <em>deepfakes</em> ameaçam a base de funcionamento das relações contratuais, da publicidade e da própria confiança sistêmica (Sunstein, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.1 <em>Deepfakes</em> e publicidade enganosa: riscos à livre escolha do consumidor</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A publicidade é campo privilegiado para o uso de <em>deepfakes</em>, especialmente porque sua função é persuadir consumidores por meio da imagem e da palavra. De acordo com Marques (2019), o direito à informação adequada constitui garantia fundamental de equilíbrio nas relações de consumo. Quando a publicidade se vale de conteúdos manipulados, viola esse princípio e compromete a livre escolha, induzindo consumidores ao erro e desequilibrando o mercado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Casos de anúncios falsos em que celebridades aparecem promovendo produtos ilustram como os <em>deepfakes</em> podem ser usados para publicidade enganosa. A manipulação informacional retira do consumidor o controle sobre suas decisões, transformando-o em objeto de estratégias persuasivas. Essa prática viola não apenas o CDC, mas também princípios constitucionais ligados à dignidade e à liberdade contratual (Doneda, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A utilização de <em>deepfakes</em> em campanhas publicitárias desafia a eficácia de mecanismos tradicionais de controle. O CONAR e os órgãos de defesa do consumidor têm competência para coibir publicidade enganosa, mas a sofisticação técnica dos <em>deepfakes</em> dificulta a identificação de manipulações. Bioni (2021) sublinha que a proteção do consumidor na era digital depende de novos instrumentos probatórios e de maior cooperação institucional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Shapiro e Varian (1999) explicam que mercados baseados em informação funcionam a partir da confiança na veracidade dos sinais. Quando anúncios falsos proliferam, o consumidor passa a desconfiar até mesmo de conteúdos legítimos, o que prejudica empresas idôneas. Assim, o uso abusivo de <em>deepfakes</em> mina a credibilidade do mercado publicitário como um todo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto refere-se ao risco à concorrência leal, de modo que as empresas que recorrem a <em>deepfakes</em> para promover seus produtos reduzem custos de marketing e ganham vantagem indevida sobre concorrentes que atuam de forma ética. Cohen (2019) estabelece que a economia informacional está marcada pela tensão entre inovação e manipulação, exigindo regulação que limite práticas abusivas. O uso de <em>deepfakes</em> na publicidade é um exemplo claro dessa tensão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A manipulação audiovisual também fragiliza a capacidade de consentimento, isto é, a democracia informacional depende de escolhas baseadas em conteúdos verdadeiros. Aplicada ao consumo, essa lógica significa que decisões induzidas por <em>deepfakes</em> não podem ser consideradas livres. A publicidade enganosa sintética, portanto, viola tanto o CDC quanto os fundamentos da autonomia privada (Sunstein, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O dano gerado por <em>deepfakes</em> publicitários não é apenas individual. Quando consumidores perdem confiança em anúncios, toda a cadeia de consumo é afetada. Wardle e Derakhshan (2017) demonstram que desinformação em larga escala corrói a credibilidade de ecossistemas comunicativos. Esse efeito sistêmico torna a publicidade enganosa baseada em <em>deepfakes</em> um problema estrutural, não apenas pontual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, os <em>deepfakes</em> aplicados à publicidade configuram risco grave à livre escolha do consumidor e à lealdade concorrencial. Enfrentar essa prática exige regulação específica, fiscalização ativa e ferramentas tecnológicas de verificação, de modo a preservar tanto direitos individuais quanto a integridade do mercado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.2 Manipulação de influenciadores digitais e economia da atenção</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A economia da atenção transformou os influenciadores digitais em agentes centrais da publicidade e do consumo. Quem controla a atenção controla os recursos mais valiosos da economia contemporânea. Nesse cenário, o uso de <em>deepfakes</em> para simular falas ou comportamentos de influenciadores cria grave distorção no mercado, induzindo consumidores a confiar em recomendações inexistentes (Davenport; Beck, 2001, p. 22).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A manipulação de influenciadores com <em>deepfakes</em> atinge duplamente: prejudica o influenciador, que sofre danos reputacionais, e o consumidor, enganado por falsas recomendações. Marques (2019) defende que a vulnerabilidade do consumidor é acentuada em ambientes digitais, em que a confiança substitui a verificação. Esse contexto torna a manipulação audiovisual ainda mais perigosa, pois explora a credibilidade como ativo econômico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Bioni (2021), a economia digital é marcada por assimetria informacional, e os <em>deepfakes</em> ampliam essa assimetria ao tornar indistinguível o real e o falso. Isso sugere que consumidores perdem sua capacidade de avaliação crítica, tornando-se mais suscetíveis a práticas abusivas. A economia da atenção, ao monetizar engajamento, incentiva ainda mais o uso de conteúdos manipulados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além do dano individual, a manipulação de influenciadores compromete a lealdade concorrencial. Empresas podem simular endossos sem custos, obtendo vantagens indevidas. Cohen (2019) aponta que o capitalismo informacional favorece práticas de manipulação quando não há regulação efetiva. A aplicação de <em>deepfakes</em> nesse contexto representa justamente essa forma de exploração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A exposição contínua a conteúdos falsos pode gerar apatia e erosão da confiança social. No caso do consumo, isso significa que consumidores podem passar a desacreditar até mesmo influenciadores legítimos, reduzindo a eficácia de campanhas honestas e desestabilizando o mercado publicitário. A manipulação também dificulta a responsabilização jurídica. Identificar o autor do <em>deepfake</em> é tarefa complexa, e plataformas frequentemente alegam neutralidade. De acordo com Doneda (2019), intermediários digitais devem assumir deveres proporcionais ao seu poder econômico. Isso significa que as redes sociais precisam ser responsabilizadas quando se beneficiam financeiramente da circulação de <em>deepfakes</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Wardle e Derakhshan (2017) destacam que o desordenamento informacional afeta ecossistemas inteiros, não apenas indivíduos. Aplicado à economia da atenção, isso significa que a manipulação de influenciadores corrói a confiança coletiva em todo o modelo de consumo baseado em credibilidade digital. Esse efeito negativo atinge tanto consumidores quanto empresas idôneas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com isso, a manipulação de influenciadores digitais com <em>deepfakes</em> é um dos maiores riscos à economia da atenção. Enfrentar essa prática exige regulação clara, mecanismos de detecção e políticas de responsabilidade para plataformas, de modo a preservar tanto a confiança individual quanto a integridade do mercado publicitário.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.3 Custos sociais e econômicos da desinformação no mercado</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Shapiro e Varian (1999), a desinformação produzida por <em>deepfakes</em> gera custos que extrapolam o âmbito individual e atingem toda a sociedade. Mercados dependem da confiabilidade dos sinais para operar de forma eficiente. Quando esses sinais são distorcidos, os custos de transação aumentam, a confiança se reduz e a eficiência do mercado é comprometida. A proliferação de <em>deepfakes</em> representa, portanto, um risco sistêmico para a economia digital.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sunstein (2017, p. 44) alerta que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] a exposição constante à desinformação cria bolhas cognitivas e enfraquece a deliberação pública. Esse efeito não se restringe à política, mas atinge também o mercado, onde consumidores passam a tomar decisões com base em informações falsas. Assim, os custos da desinformação incluem escolhas de consumo ineficientes, alocação incorreta de recursos e prejuízos à concorrência justa.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A desinformação como fenômeno estrutural que afeta democracias e economias. A circulação de <em>deepfakes</em> reforça esse quadro ao criar incerteza generalizada sobre a autenticidade de conteúdos. Esse ambiente aumenta custos de verificação, desloca confiança para intermediários e favorece concentração de poder em plataformas que controlam ferramentas de autenticação (Cohen, 2019). Além disso, a desinformação gera externalidades negativas para empresas idôneas. A manipulação informacional distorce mercados, beneficiando atores oportunistas e prejudicando concorrentes éticos. O resultado é um círculo vicioso em que empresas confiáveis perdem espaço para aquelas que exploram a opacidade, reduzindo a qualidade geral do mercado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A perda de integridade informacional compromete a própria efetividade do direito, já que normas dependem de informações verdadeiras para serem aplicadas. No mercado, isso significa maior dificuldade de fiscalização e de responsabilização, elevando custos regulatórios e reduzindo a eficácia das políticas públicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Zuboff (2019), a exploração informacional converte experiências humanas em insumos mercantis, gerando desigualdade e insegurança. No caso dos <em>deepfakes</em>, esse processo resulta em prejuízos sociais difusos, que vão desde a erosão da confiança até o aumento da vulnerabilidade psíquica dos indivíduos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Floridi (2013) acrescenta que a degradação da qualidade informacional ameaça a própria sustentabilidade da vida em sociedades digitais. Mercados e democracias dependem de ambientes informacionais íntegros, e sua corrosão implica riscos de longo prazo. Nesse sentido, os custos dos <em>deepfakes</em> não são apenas econômicos imediatos, mas estruturais, afetando a resiliência de todo o sistema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, os custos sociais e econômicos da desinformação provocada por <em>deepfakes</em> devem ser enfrentados de maneira integrada. É necessário combinar instrumentos jurídicos, soluções tecnológicas e políticas educativas para mitigar prejuízos e preservar a integridade da informação como bem público essencial.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os <em>deepfakes</em>, como demonstrado ao longo deste estudo, constituem uma das expressões mais complexas da inteligência artificial aplicada ao ambiente digital, reunindo inovação tecnológica e riscos jurídicos de grande impacto. Embora possam ser utilizados em contextos legítimos, como entretenimento ou publicidade criativa, revelam-se especialmente problemáticos nas práticas de consumo, em razão da capacidade de comprometer a integridade informacional, manipular preferências e explorar indevidamente dados pessoais sensíveis. A confiança, fundamento das relações de mercado, torna-se vulnerável diante da dificuldade de distinguir o verdadeiro do manipulado, o que amplia a assimetria entre fornecedores e consumidores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise normativa evidenciou que o ordenamento jurídico brasileiro dispõe de instrumentos relevantes para enfrentar esse cenário, especialmente o Código de Defesa do Consumidor, a Lei Geral de Proteção de Dados e o Marco Civil da Internet. O primeiro assegura direitos básicos como informação adequada e proteção contra publicidade enganosa; a segunda reconhece a natureza sensível de dados como imagem, voz e biometria, impondo salvaguardas reforçadas; e o terceiro estabelece princípios de responsabilidade e privacidade no ambiente digital. Contudo, a eficácia desses marcos legais depende de sua aplicação integrada, de capacidade institucional e de atualização normativa que acompanhe a sofisticação das manipulações audiovisuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo também demonstrou que a promessa de inovação tecnológica, se não acompanhada de regulação efetiva, pode intensificar desigualdades e fragilizar a autonomia do consumidor. A manipulação de influenciadores digitais, o uso de <em>deepfakes</em> em publicidade e a desinformação em larga escala exemplificam como essa tecnologia pode agravar vulnerabilidades já existentes, deslocando custos de verificação para indivíduos e enfraquecendo a confiança coletiva. Assim, a proteção do consumidor na economia digital não pode ser compreendida apenas como garantia de acesso à informação, mas deve incluir qualidade, autenticidade e possibilidade de contestação eficaz contra práticas abusivas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A experiência internacional mostrou que a governança dos <em>deepfakes</em> tem seguido caminhos distintos. A União Europeia, com o GDPR e a proposta do AI Act, busca estruturar respostas preventivas baseadas em transparência, rastreabilidade e responsabilidade. Os Estados Unidos, por sua vez, privilegiam soluções fragmentadas, combinando legislação estadual e <em>enforcement </em>setorial, enquanto a China adota modelo centralizado e rigoroso, impondo rotulagem obrigatória e sanções severas. Esses exemplos evidenciam que não há solução única, mas todos apontam para a necessidade de vincular inovação tecnológica à proteção de direitos fundamentais e à preservação da confiança informacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dessas reflexões, conclui-se que a tutela do consumidor e dos direitos da personalidade frente aos <em>deepfakes</em> exige mais do que aplicação literal das normas existentes: requer um processo contínuo de reconstrução normativa e institucional. A força da regulação reside menos na rigidez das regras e mais na capacidade de responder a riscos dinâmicos, articulando regulação pública, autorregulação corporativa e corresponsabilidade social. O futuro da ordem econômica digital dependerá da consolidação de uma cultura regulatória responsiva, que valorize a integridade informacional como princípio, assegure a dignidade da pessoa humana como limite intransponível e preserve a responsabilidade das plataformas como condição indispensável para a justiça no consumo digital.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BIONI, Bruno Ricardo. <strong>Proteção de dados pessoais</strong>: a função e os limites do consentimento. 2. ed. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CASTELLS, Manuel. <strong>A sociedade em rede</strong>. 11. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2009. (A era da informação: economia, sociedade e cultura, v. 1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">COELHO, Fábio Ulhoa. <strong>Curso de direito comercial</strong>: direito de empresa. 20. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">COHEN, Julie E. <strong>Between truth and power</strong>: the legal constructions of informational capitalism. Oxford: Oxford University Press, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DAVENPORT, Thomas H.; BECK, John C. <strong>The attention economy</strong>: understanding the new currency of business. Boston: Harvard Business School Press, 2001.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DONEDA, Danilo. <strong>Da privacidade à proteção de dados pessoais</strong>: elementos da formação da Lei Geral de Proteção de Dados. 2. ed. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FLORIDI, Luciano. <strong>The ethics of information</strong>. Oxford: Oxford University Press, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FLORIDI, Luciano. <strong>Ethics of artificial intelligence</strong>. Oxford: Oxford University Press, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HILDEBRANDT, Mireille. <strong>Smart technologies and the end(s) of law</strong>: novel entanglements of law and technology. Cheltenham: Edward Elgar, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARQUES, Cláudia Lima. <strong>Contratos no Código de Defesa do Consumidor</strong>: o novo regime das relações contratuais. 8. ed. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">RODOTÀ, Stefano. <strong>A vida na sociedade de vigilância</strong>: a privacidade hoje. Rio de Janeiro: Renovar, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SARLET, Ingo Wolfgang. <strong>A eficácia dos direitos fundamentais</strong>: uma teoria geral dos direitos fundamentais na perspectiva constitucional. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SHAPIRO, Carl; VARIAN, Hal R. <strong>Information rules</strong>: a strategic guide to the network economy. Boston: Harvard Business School Press, 1999.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SUNSTEIN, Cass R. <strong>#Republic</strong>: divided democracy in the age of social media. Princeton: Princeton University Press, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TEPEDINO, Gustavo. <strong>Temas de direito civil</strong>. 3. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WARDLE, Claire; DERAKHSHAN, Hossein. <strong>Information disorder</strong>: toward an interdisciplinary framework for research and policy making. Strasbourg: Council of Europe, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZUBOFF, Shoshana. <strong>The age of surveillance capitalism</strong>: the fight for a human future at the new frontier of power. New York: PublicAffairs, 2019.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>CONCESSÃO ALGORÍTMICA DE CRÉDITO NO MERCADO DIGITAL: REGULAÇÃO INSTITUCIONAL E TUTELA DO CONSUMIDOR</title>
		<link>https://revistaft.com.br/concessao-algoritmica-de-credito-no-mercado-digital-regulacao-institucional-e-tutela-do-consumidor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Sep 2025 14:17:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sistemas de informação]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 150/SET 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202509041115 Francisca Sílvia da Silva Reis RESUMO A concessão algorítmica de crédito desponta como uma das inovações mais significativas do mercado digital, marcada pelo uso intensivo de dados e sistemas automatizados de decisão na avaliação de riscos. Embora represente um avanço em termos de eficiência e inclusão financeira, a prática levanta questões relevantes [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202509041115</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Francisca Sílvia da Silva Reis</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A concessão algorítmica de crédito desponta como uma das inovações mais significativas do mercado digital, marcada pelo uso intensivo de dados e sistemas automatizados de decisão na avaliação de riscos. Embora represente um avanço em termos de eficiência e inclusão financeira, a prática levanta questões relevantes quanto à opacidade dos algoritmos, à possibilidade de discriminação indireta e à assimetria informacional entre consumidores e instituições financeiras. Neste artigo, examina-se o fenômeno da concessão algorítmica de crédito sob a ótica da regulação institucional e da tutela do consumidor, considerando o marco normativo brasileiro (CDC, LGPD e regulamentação do Banco Central) e experiências internacionais de governança algorítmica. A partir de pesquisa bibliográfica e análise jurídico-normativa, investigam-se os limites da responsabilidade das instituições financeiras, os direitos à informação e à não discriminação e os desafios de implementação de mecanismos de transparência e revisão das decisões automatizadas. Tem-se como resultado que a regulação da concessão algorítmica deve se orientar por princípios de transparência, inclusão e responsabilidade, de modo a equilibrar inovação tecnológica e proteção do consumidor no mercado digital.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: crédito algorítmico; mercado digital; regulação institucional; proteção de dados; direito do consumidor.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Algorithmic credit granting is emerging as one of the most significant innovations in the digital market, marked by the intensive use of data and automated decision-making systems in risk assessment. While representing a step forward in terms of efficiency and financial inclusion, the practice raises important questions regarding the opacity of algorithms, the possibility of indirect discrimination, and the information asymmetry between consumers and financial institutions. This article examines the phenomenon of algorithmic credit granting from the perspective of institutional regulation and consumer protection, considering the Brazilian regulatory framework (CDC, LGPD, and Central Bank regulations) and international experiences with algorithmic governance. Based on bibliographical research and legal and normative analysis, the article investigates the limits of financial institutions&#8217; liability, the rights to information and non-discrimination, and the challenges of implementing transparency mechanisms and reviewing automated decisions. The conclusion is that the regulation of algorithmic credit granting should be guided by principles of transparency, inclusion, and accountability, in order to balance technological innovation and consumer protection in the digital market.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: algorithmic credit; digital market; institutional regulation; data protection; consumer law.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A concessão de crédito constitui um dos instrumentos centrais de funcionamento da economia contemporânea, possibilitando tanto a dinamização do consumo quanto a expansão da atividade produtiva. Tradicionalmente baseada em critérios analógicos e na análise documental dos solicitantes, a prática sofreu transformações profundas com o avanço da digitalização financeira e o surgimento das <em>fintechs</em>. Nesse novo cenário, a avaliação de risco de crédito passou a ser mediada, em larga escala, por algoritmos e sistemas automatizados de decisão, capazes de processar grandes volumes de dados em tempo real. Embora esse movimento represente ganhos de eficiência, agilidade e potencial de inclusão financeira, levanta questionamentos relevantes quanto à opacidade dos modelos algorítmicos, à assimetria informacional e à proteção dos consumidores diante de eventuais abusos ou discriminações indiretas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na experiência regulatória brasileira, a concessão algorítmica de crédito é enquadrada em um sistema jurídico que articula normas de proteção ao consumidor (CDC), garantias de privacidade e segurança da informação (LGPD) e a regulação prudencial e de conduta supervisionada pelo Banco Central. Todavia, a prática cotidiana do mercado digital tem evidenciado que os instrumentos normativos existentes ainda se mostram insuficientes para enfrentar dilemas próprios da era dos dados, como a transparência algorítmica, a responsabilidade por decisões automatizadas e os riscos de exclusão financeira estrutural. A intensificação do uso de inteligência artificial e big data nos serviços financeiros revela um campo em que os limites normativos tradicionais tornam-se difusos, tensionados ou reinterpretados pelas novas formas de governança tecnológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É nesse contexto que emerge a questão central deste estudo: de que modo a regulação institucional e a tutela do consumidor podem responder aos desafios impostos pela concessão algorítmica de crédito no mercado digital, equilibrando inovação tecnológica, eficiência econômica e proteção de direitos fundamentais?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo tem como objetivo analisar o fenômeno da concessão algorítmica de crédito sob a ótica jurídico-institucional, discutindo a compatibilidade de seus mecanismos com os princípios da transparência, da não discriminação e da responsabilidade. Busca-se compreender as tensões entre inovação e regulação, avaliando os riscos e oportunidades do crédito algorítmico para a efetividade dos direitos do consumidor e para a inclusão financeira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A metodologia adotada é qualitativa, estruturada a partir de pesquisa bibliográfica e análise jurídico-normativa. Esse delineamento metodológico permite compreender tanto a evolução normativa que regula a concessão algorítmica de crédito quanto os debates doutrinários e institucionais que envolvem a proteção do consumidor no ambiente digital. A análise será conduzida com base na interpretação sistemática das normas aplicáveis, confrontando-as com as práticas do mercado de crédito digital e com os desafios impostos pelas tecnologias de tomada de decisão automatizada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O referencial teórico contempla contribuições clássicas e contemporâneas. No âmbito do direito do consumidor, destaca-se <em>Contratos no Código de Defesa do Consumidor</em> (Marques, 2019), que fornece bases para a compreensão da vulnerabilidade e da necessidade de tutela do consumidor em contratos massificados. Para o estudo dos contratos e do mercado financeiro, será mobilizada a obra <em>Curso de Direito Comercial</em> (Coelho, 2021), essencial para analisar os fundamentos contratuais e empresariais envolvidos na concessão de crédito. A análise econômica do direito aplicada à regulação é abordada por <em>Economic Analysis of Law</em> (Posner, 2014), <em>Análise Econômica do Direito</em> (Mackaay, 2015) e <em>Direito, Economia e Mercados</em> (Salama, 2010), que fornecem instrumentos para avaliar a eficiência e os impactos econômicos das escolhas regulatórias. Ademais, aportes recentes sobre proteção de dados e governança digital são examinados em <em>Da Privacidade à Proteção de Dados Pessoais</em> (Doneda, 2019) e <em>The Age of Surveillance Capitalism</em> (Zuboff, 2019), que problematizam os riscos da coleta massiva de informações e da opacidade algorítmica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para alcançar tais objetivos, o artigo organiza-se em seis seções. A primeira apresenta a introdução e a problematização do tema. Em seguida, examina-se o mercado digital de crédito e a transformação algorítmica promovida pelas <em>fintechs</em> e plataformas digitais. A terceira seção aborda a regulação institucional, destacando os marcos normativos nacionais e internacionais. A quarta seção discute a tutela do consumidor diante das decisões automatizadas e os riscos de vieses e discriminações. A quinta seção trata da transparência, inclusão e responsabilidade no crédito algorítmico, problematizando os desafios e possibilidades de uma regulação responsiva. Por fim, nas considerações finais, são sintetizados os achados e apresentadas reflexões sobre os caminhos para compatibilizar inovação tecnológica e proteção do consumidor no mercado digital.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. O MERCADO DIGITAL DE CRÉDITO E A TRANSFORMAÇÃO ALGORÍTMICA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O crédito sempre foi elemento essencial da economia, funcionando como propulsor do consumo e como mecanismo de dinamização do mercado produtivo. No entanto, o processo de concessão era tradicionalmente ancorado em modelos analógicos, marcados por burocracia e custos elevados, o que restringia o acesso de amplas parcelas da população. Com o avanço tecnológico e a digitalização das finanças, esse panorama sofreu profunda alteração, exigindo uma releitura crítica do papel do crédito na sociedade contemporânea (Coelho, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O surgimento das tecnologias digitais e a popularização dos dispositivos móveis provocaram uma transformação estrutural no setor financeiro. <em>Fintechs</em> e plataformas digitais passaram a disputar espaço com os bancos tradicionais, oferecendo rapidez, conveniência e custos operacionais reduzidos. De acordo com Zuboff (2019), vivemos em um regime de “capitalismo de vigilância”, no qual a coleta e o tratamento de dados pessoais se tornam centrais para a oferta de serviços, inclusive no mercado de crédito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa inovação não se restringiu ao canal de acesso, mas alcançou a própria lógica de avaliação de risco. O uso de algoritmos, big data e inteligência artificial possibilitou novas formas de precificação do crédito, ampliando a capacidade de análise das instituições. Contudo, Doneda (2019) adverte que essa transformação não está isenta de riscos: a opacidade dos sistemas automatizados e a possibilidade de vieses discriminatórios exigem cautela regulatória, sob pena de comprometer direitos fundamentais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a análise do mercado digital de crédito não pode limitar-se aos ganhos de eficiência. É necessário considerar as tensões jurídicas e sociais que emergem dessa transformação, sobretudo a vulnerabilidade informacional do consumidor diante de decisões automatizadas. Nesse sentido, Marques (2019) destaca que o Código de Defesa do Consumidor deve ser interpretado como instrumento de equilíbrio nas relações contratuais, garantindo transparência, informação adequada e mecanismos de contestação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 A digitalização do mercado financeiro e o surgimento das</strong><strong><em> fintechs</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A digitalização do mercado financeiro constitui um marco histórico na reorganização das formas de concessão de crédito, alterando profundamente os mecanismos tradicionais de intermediação. No Brasil, esse fenômeno se intensificou a partir da década de 2010, quando novas empresas passaram a explorar soluções tecnológicas para serviços bancários, de pagamento e crédito, surgindo assim as <em>fintechs</em>. Segundo relatório da Associação Brasileira de <em>Fintechs</em>, o país já figura entre os maiores ecossistemas do mundo, com centenas de <em>startups </em>voltadas para o setor financeiro (ABFintechs, 2022). Essa transformação não apenas ampliou a oferta de serviços, mas também redesenhou o papel das instituições financeiras tradicionais, obrigadas a modernizar suas operações diante da competição crescente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O crescimento das <em>fintechs</em> pode ser explicado por fatores como a ampliação do acesso à internet, a popularização dos smartphones e a busca por serviços financeiros menos burocráticos. Coelho (2021) defende que a inovação tecnológica aplicada ao setor financeiro reduziu custos de transação e aumentou a eficiência, criando um ambiente de maior competitividade e inclusão. Isso explica por que milhões de consumidores, antes marginalizados do sistema bancário, passaram a acessar crédito por meio de plataformas digitais. Porém, essa democratização não é neutra: envolve riscos de endividamento exacerbado e de exposição indevida de dados pessoais, o que exige constante supervisão regulatória.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As <em>fintechs</em> também se destacam por desafiar a lógica oligopolista do setor bancário brasileiro, tradicionalmente concentrado em poucas instituições. Dados da PwC (2023) revelam que, mesmo em cenário de instabilidade macroeconômica, o volume de crédito concedido por <em>fintechs</em> cresceu 68% em 2022, alcançando R$ 35,5 bilhões. Esse avanço demonstra não apenas a resiliência dessas empresas, mas também sua capacidade de se consolidar como alternativa relevante às instituições tradicionais, de modo que a expansão de novos modelos contratuais deve sempre ser observada sob a ótica da eficiência e da proteção do consumidor, já que a inovação, se não acompanhada de regulação, pode gerar desequilíbrios sistêmicos (Salama, 2010).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um ponto central desse processo é a promessa de inclusão financeira. Muitas <em>fintechs </em>direcionam seus serviços a micro e pequenas empresas, além de indivíduos com pouco histórico de crédito. A pesquisa realizada pela PwC (2023) destaca que cerca de 72% da base de clientes corporativos das <em>fintechs</em> brasileiras é composta por pequenos empreendimentos. Essa estratégia amplia o alcance social do crédito, reduzindo barreiras de entrada. Todavia, Mackaay (2015) ressalta que externalidades negativas podem surgir quando a coleta massiva de dados não é acompanhada de mecanismos claros de controle e responsabilização, resultando em discriminação algorítmica e reforço de desigualdades já existentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro elemento fundamental da digitalização financeira é a integração entre inovação e regulação. A implementação do Open Banking e do Cadastro Positivo no Brasil ampliou o fluxo de informações entre instituições, permitindo avaliações mais completas sobre o perfil de crédito dos consumidores. Embora tais medidas favoreçam a concorrência e a inclusão, elas também expõem os usuários a riscos significativos de violação da privacidade (Doneda, 2019). Nesse sentido, a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018) constitui marco normativo essencial para equilibrar o uso econômico de dados com a tutela dos direitos fundamentais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, a digitalização também deve ser entendida no contexto global. Zuboff (2019), ao formular o conceito de “capitalismo de vigilância”, sustenta que as grandes plataformas digitais passaram a extrair a experiência humana como matéria-prima gratuita para produção de dados comportamentais. Em suas palavras:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outrossim, o capitalismo de vigilância reivindica unilateralmente a experiência humana como matéria-prima gratuita para ser traduzida em dados comportamentais. Alguns desses dados são aplicados ao aprimoramento de produtos ou serviços; o restante é declarado como “[&#8230;] excedente comportamental proprietário, alimentado em processos avançados de fabricação conhecidos como inteligência de máquina e transformado em produtos de previsão que antecipam o que você fará agora, em breve e mais tarde” (Zuboff, 2019, p. 94).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As <em>fintechs</em> não se limitam a oferecer serviços financeiros mais rápidos ou baratos: elas modificam a própria concepção de intermediação. Assim, a lógica contratual tradicional, fundada em negociações presenciais e documentos físicos, é substituída por contratos digitais automatizados, baseados em análise algorítmica de dados. Essa mudança exige repensar categorias jurídicas como consentimento, boa-fé e equilíbrio contratual, que passam a se manifestar em ambientes digitais marcados por assimetrias informacionais ainda mais profundas (Coelho, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pandemia de Covid-19 acelerou esse processo, aumentando a demanda por soluções digitais. Relatórios do Banco Central (2021) mostram que a utilização de plataformas financeiras digitais cresceu exponencialmente no período, com destaque para a expansão das carteiras digitais e do crédito emergencial concedido por <em>fintechs</em>. Esse contexto reforçou a centralidade dos algoritmos na análise de risco e evidenciou a dependência da sociedade em relação a sistemas automatizados, ao mesmo tempo em que aumentou a pressão sobre reguladores para garantir transparência e segurança nas decisões de crédito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desse modo, a digitalização financeira não constitui apenas um avanço tecnológico, mas uma transformação institucional que redefine o papel do crédito na economia contemporânea. Marques (2019) argumenta que o Código de Defesa do Consumidor deve ser reinterpretado à luz dessas novas práticas, assegurando que a vulnerabilidade do consumidor seja mitigada por instrumentos de transparência e contestação das decisões algorítmicas. Com isso, o surgimento das fintechs, embora carregado de potencial inovador, demanda respostas regulatórias compatíveis com os desafios de um mercado digital em rápida expansão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 Modelos algorítmicos de concessão de crédito: funcionamento e impactos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os modelos algorítmicos de concessão de crédito se baseiam na coleta e análise de grandes volumes de dados, estruturados e não estruturados, para avaliar a probabilidade de inadimplência de um solicitante. Essa abordagem rompe com o modelo tradicional, que considerava essencialmente renda formal, histórico de crédito e garantias, ao incorporar variáveis comportamentais, digitais e até sociais. A análise econômica do direito permite compreender que o objetivo central dessas ferramentas é aumentar a eficiência da alocação de recursos, mas ao mesmo tempo exige atenção quanto às externalidades negativas, sobretudo quando a informação é assimétrica e não há mecanismos adequados de controle regulatório (Mackaay, 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto brasileiro, os algoritmos passaram a utilizar dados provenientes de cadastros positivos, movimentações em contas digitais e até padrões de consumo online. Essa evolução ampliou significativamente a base de análise, permitindo a inclusão de indivíduos antes invisíveis ao sistema bancário tradicional. Para Salama (2010), o uso de métricas alternativas pode contribuir para a democratização do crédito, mas também gera riscos de seleção adversa, especialmente se critérios opacos resultarem em discriminação indireta de grupos mais vulneráveis. Nesse sentido, a sofisticação tecnológica não elimina dilemas clássicos do direito contratual, como a transparência e a boa-fé objetiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Zuboff (2019), os impactos desses modelos ultrapassam a esfera econômica, alcançando dimensões éticas e jurídicas. Dados pessoais não são apenas insumos neutros, mas recursos explorados de forma assimétrica por grandes instituições e plataformas. Quando aplicados ao mercado de crédito, os algoritmos podem cristalizar desigualdades sociais ao transformar traços comportamentais em fatores de risco. Assim, embora o sistema aparente neutralidade matemática, ele reflete e reproduz preconceitos estruturais que se tornam invisíveis ao consumidor, dificultando a contestação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista jurídico, a utilização de algoritmos na análise de crédito suscita discussões sobre o dever de informação e o direito à explicação. Ou seja, a opacidade algorítmica pode comprometer o exercício de direitos fundamentais, pois o consumidor raramente sabe por que foi rejeitado ou classificado em determinada categoria de risco (Doneda, 2019). Esse cenário reforça a importância da Lei Geral de Proteção de Dados, que estabelece princípios de transparência, necessidade e não discriminação, impondo às instituições a responsabilidade de justificar as bases de suas decisões automatizadas, ainda que de forma parcial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da transparência, a questão da responsabilidade civil também ganha relevo, uma vez que, na lógica contratual, cabe às instituições financeiras assegurar que seus métodos de avaliação não prejudiquem injustamente os consumidores. Quando algoritmos negam crédito com base em variáveis irrelevantes ou discriminatórias, surge a necessidade de mecanismos de responsabilização que vão além da simples reparação econômica, incluindo medidas corretivas e regulatórias. Isso porque o risco do contrato de crédito, em última instância, não pode ser deslocado integralmente para o consumidor, sob pena de violação do princípio da vulnerabilidade (Coelho, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A inserção dos algoritmos também produz impactos sistêmicos. Segundo Marques (2019, p. 107):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] a tutela do consumidor deve ser entendida como proteção coletiva em face das novas práticas de mercado, já que os efeitos da exclusão financeira não atingem apenas indivíduos, mas comprometem o próprio equilíbrio social. Assim, a análise algorítmica do crédito não pode ser tratada como mera inovação técnica, mas como fenômeno que exige a aplicação dos princípios do direito do consumidor em escala ampla, prevenindo abusos massificados e assegurando mecanismos de revisão humana.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, é inegável que esses modelos também trazem benefícios relevantes. A utilização de big data e inteligência artificial permitiu reduzir custos de operação, acelerar a concessão de crédito e aumentar a inclusão financeira em áreas historicamente negligenciadas. Estudos do Banco Central (2021) mostram que consumidores sem histórico bancário formal passaram a ter acesso a linhas de microcrédito graças à utilização de dados alternativos. Essa eficiência, no entanto, deve ser equilibrada com instrumentos de regulação responsiva, capazes de mitigar riscos de exclusão, reforçando a função social do crédito como instrumento de cidadania.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os modelos algorítmicos de concessão de crédito representam tanto oportunidades quanto riscos. Como afirma Posner (2014), a eficiência não pode ser perseguida em detrimento da justiça e da proteção de direitos, sob pena de comprometer a legitimidade do sistema jurídico. Nesse sentido, a inovação tecnológica deve ser acompanhada de políticas regulatórias que assegurem um equilíbrio entre o dinamismo do mercado e a proteção do consumidor, especialmente diante das vulnerabilidades que emergem no ambiente digital. A experiência brasileira, marcada pela rápida ascensão das <em>fintechs</em>, confirma que o desafio não é apenas econômico, mas também normativo e ético.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3 As novas formas de exclusão financeira e a promessa de inclusão digital</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A digitalização do crédito foi acompanhada pela narrativa de democratização dos serviços financeiros, mas a inclusão digital não se distribui de forma homogênea. O acesso desigual à internet, o baixo nível de escolaridade e a falta de familiaridade com tecnologias permanecem como barreiras que afetam parcelas significativas da população. Marques (2019) observa que a vulnerabilidade do consumidor deve ser analisada em uma perspectiva coletiva, reconhecendo que grupos inteiros podem ser estruturalmente excluídos quando os critérios de análise de risco não consideram as desigualdades sociais preexistentes. Assim, a promessa de universalização do crédito digital ainda esbarra nas limitações materiais da realidade brasileira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro fator que contribui para a exclusão financeira algorítmica é a qualidade dos dados utilizados. Indivíduos com pouca ou nenhuma atividade digital tendem a ser invisíveis para os modelos de análise, o que acaba por reforçar exclusões já observadas no sistema bancário tradicional. Salama (2010) destaca que a ausência de informações confiáveis aumenta o risco de seleção adversa, uma vez que consumidores podem ser classificados como não elegíveis mesmo sem histórico de inadimplência. Esse processo demonstra que a sofisticação tecnológica, quando desprovida de filtros adequados, não elimina injustiças históricas, mas pode reproduzi-las em novas formas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A utilização de dados alternativos, como histórico de compras em aplicativos, redes sociais ou plataformas de comércio eletrônico, amplia ainda mais o debate sobre privacidade e discriminação. Doneda (2019) explica que a utilização de informações pessoais fora do contexto original de coleta contraria princípios de finalidade e proporcionalidade previstos na Lei Geral de Proteção de Dados. Nesse sentido, critérios aparentemente neutros podem excluir consumidores de forma arbitrária, como, por exemplo, considerar hábitos de navegação ou preferências de consumo como indicadores de risco. Tal prática agrava a vulnerabilidade e reforça desigualdades sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A exclusão algorítmica também se manifesta em termos territoriais. Regiões com baixa conectividade, como áreas rurais ou periferias urbanas, são menos representadas nos bancos de dados utilizados para concessão de crédito. O Banco Central (2021) reconhece que a desigualdade no acesso aos serviços digitais limita os potenciais inclusivos das <em>fintechs</em>, fazendo com que populações vulneráveis permaneçam à margem do sistema. Esse fenômeno reforça a necessidade de políticas públicas voltadas para a inclusão digital, pois, sem infraestrutura mínima, o discurso da democratização do crédito digital se transforma em promessa não concretizada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dessas críticas, é inegável que os algoritmos também abriram espaço para avanços. A possibilidade de conceder crédito a indivíduos sem histórico bancário tradicional constitui um marco para a inclusão financeira. Coelho (2021) ressalta que a inovação contratual pode gerar ganhos de eficiência e ampliar o alcance social dos serviços financeiros, desde que acompanhada de salvaguardas normativas. Ou seja, o potencial de inclusão existe, mas não pode ser dissociado da responsabilidade institucional de assegurar que a ampliação do crédito não se converta em fator de exclusão disfarçado. No entanto, como aponta Zuboff (2019, p. 94):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] o capitalismo de vigilância reivindica unilateralmente a experiência humana como matéria-prima gratuita para ser traduzida em dados comportamentais. Parte desses dados é utilizada para o aprimoramento de produtos ou serviços; o restante é declarado como excedente comportamental proprietário, alimentado em processos avançados de inteligência de máquina e transformado em produtos de previsão que antecipam o que você fará agora, em breve e mais tarde.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Essa reflexão é essencial para se compreender como os sistemas algorítmicos podem transformar comportamentos cotidianos em variáveis de risco, com impactos diretos na concessão ou negação do crédito. O impacto social da exclusão algorítmica, portanto, vai além do indivíduo, alcançando a coletividade. A proteção do consumidor deve se projetar sobre o conjunto das relações de mercado, assegurando condições mínimas de equidade (Marques, 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ausência de mecanismos de revisão humana das decisões automatizadas amplia a vulnerabilidade do consumidor, que recebe uma resposta negativa sem acesso às justificativas que a embasam. Esse déficit informacional compromete a confiança nas instituições financeiras e fere princípios básicos do direito contratual, como a boa-fé e a transparência. Por fim, a exclusão financeira decorrente de modelos algorítmicos deve ser tratada como fenômeno estrutural que demanda respostas institucionais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Posner (2014) enfatiza que a eficiência econômica não pode ser perseguida em detrimento da justiça, sob pena de deslegitimar o sistema jurídico. Nesse sentido, a promessa de inclusão digital só será efetiva se acompanhada de políticas públicas que assegurem proporcionalidade, responsabilidade e transparência na utilização de dados. Assim, a inovação tecnológica poderá cumprir sua função social sem comprometer a dignidade e os direitos fundamentais do consumidor.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. REGULAÇÃO INSTITUCIONAL DA CONCESSÃO ALGORÍTMICA DE CRÉDITO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A regulação da concessão algorítmica de crédito constitui um dos maiores desafios jurídicos contemporâneos, pois exige conciliar a inovação tecnológica com a proteção de direitos fundamentais do consumidor e a estabilidade do sistema financeiro. O avanço das <em>fintechs </em>e das plataformas digitais de crédito impôs a necessidade de adaptação dos instrumentos normativos existentes, já que as práticas tradicionais de supervisão não são suficientes para lidar com os riscos de decisões automatizadas. Nesse sentido, a regulação institucional deve ser analisada sob duas perspectivas complementares: a normatividade nacional, com destaque para a Lei Geral de Proteção de Dados, o Código de Defesa do Consumidor e a regulação do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional, e os padrões internacionais, que influenciam diretamente a formulação das políticas internas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise regulatória não pode ser limitada a uma dimensão estritamente econômica ou contratual. Trata-se de compreender como os algoritmos, ao mediar a concessão de crédito, interferem na realização de direitos fundamentais e na organização de mercados altamente sensíveis, como o financeiro. O tratamento automatizado de dados pessoais demanda uma regulação que vá além da lógica de mercado, incorporando garantias de privacidade, transparência e proporcionalidade (Doneda, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto essencial é o caráter transnacional dos fluxos de dados e das práticas de governança algorítmica. Embora cada país disponha de seus próprios mecanismos normativos, as operações das grandes plataformas financeiras e tecnológicas ultrapassam fronteiras e afetam consumidores em escala global. O capitalismo de vigilância opera como uma lógica mundial de exploração de dados comportamentais, sendo indispensável que as regulações nacionais dialoguem com padrões internacionais de governança (Zuboff, 2019). Desse modo, a regulação institucional da concessão algorítmica de crédito precisa ser pensada de forma integrada, considerando tanto a autonomia normativa do país quanto às exigências de harmonização com normas globais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1 Normativos nacionais: LGPD, CDC, Banco Central e Conselho Monetário Nacional</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A regulação nacional da concessão algorítmica de crédito apoia-se em um conjunto de normas que formam um arcabouço jurídico de proteção ao consumidor e de supervisão das instituições financeiras. No campo das relações privadas, o Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) continua a ser o pilar fundamental, pois estabelece direitos básicos de informação, transparência e proteção contra práticas abusivas. Marques (2019) destaca que o CDC deve ser reinterpretado à luz da economia digital, de modo a garantir que as novas formas de contratação eletrônica não enfraqueçam o princípio da vulnerabilidade do consumidor, mas sim reforcem sua proteção em cenários de maior assimetria informacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que tange à proteção de dados, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018) representa um marco regulatório essencial, pois estabelece limites claros para o tratamento automatizado de informações sensíveis. Doneda (2019, p. 74) explica que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] a LGPD insere no ordenamento brasileiro princípios como necessidade, proporcionalidade e transparência, os quais são indispensáveis para mitigar os riscos de discriminação algorítmica. Qualquer instituição que utilize dados para análise de crédito deve justificar a finalidade da coleta e assegurar ao consumidor mecanismos de revisão e contestação de decisões automatizadas.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos dispositivos mais relevantes da LGPD nesse contexto é o artigo 20, que garante ao titular o direito de solicitar revisão de decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado. Como salienta Doneda (2019, p. 156): “o direito à revisão humana das decisões automatizadas representa um contrapeso indispensável ao poder dos algoritmos, devolvendo ao indivíduo parte da autonomia comprometida pela lógica da automação”. Essa previsão legal torna-se particularmente importante para o mercado de crédito, em que a negativa injustificada pode gerar consequências econômicas e sociais severas para o consumidor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No âmbito da proteção contratual, o CDC também oferece instrumentos eficazes para enfrentar os desafios da concessão algorítmica. O artigo 6º assegura ao consumidor o direito à informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços. Como lembra Marques (2019, p. 47): “o dever de informação não é apenas um aspecto formal, mas uma garantia de equilíbrio contratual, pois permite que o consumidor compreenda as condições a que está submetido e, se necessário, questione práticas abusivas”. A aplicação desse dispositivo no ambiente digital exige que as instituições financeiras expliquem de forma acessível os critérios utilizados pelos algoritmos, sob pena de violação do princípio da transparência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Banco Central do Brasil também desempenha papel decisivo na regulação do crédito digital, estabelecendo normas prudenciais e de conduta para as instituições financeiras e <em>fintechs</em>. O Relatório de Economia Bancária (2021) destaca que a transformação digital no setor financeiro exige vigilância constante para evitar riscos sistêmicos decorrentes do uso intensivo de dados e algoritmos. Embora o Bacen fomente a inovação por meio de iniciativas como o <em>Open Banking </em>e o<em> Sandbox</em> Regulatório, sua missão institucional inclui zelar pela estabilidade do sistema e pela proteção dos usuários, equilibrando eficiência tecnológica e responsabilidade social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Conselho Monetário Nacional (CMN), por sua vez, edita resoluções que orientam a política de crédito e o funcionamento das instituições autorizadas a operar no mercado. Coelho (2021) observa que, mesmo com a flexibilização trazida pela digitalização, as instituições continuam vinculadas a deveres de diligência e lealdade na concessão de crédito. Isso significa que os algoritmos, ainda que sofisticados, não podem afastar a responsabilidade jurídica das instituições financeiras, que devem responder por eventuais danos decorrentes de decisões automatizadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto relevante é a complementaridade entre a LGPD e o CDC. Enquanto a primeira se concentra na proteção dos dados pessoais e na prevenção de abusos informacionais, o segundo garante mecanismos de reparação e defesa em caso de práticas abusivas ou discriminatórias. Marques (2019) e Doneda (2019) convergem ao afirmar que ambos os diplomas devem ser interpretados de forma sistêmica, de modo a fortalecer a tutela do consumidor diante das inovações tecnológicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos avanços, ainda existem lacunas regulatórias que precisam ser enfrentadas. Salama (2010) adverte que a regulação excessivamente rígida pode desestimular a inovação, mas a ausência de regras claras pode gerar insegurança jurídica e ampliar desigualdades. O desafio, portanto, é encontrar um ponto de equilíbrio entre flexibilidade regulatória e proteção efetiva do consumidor, permitindo que a tecnologia seja um vetor de inclusão, e não de exclusão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a regulação nacional da concessão algorítmica de crédito repousa sobre três eixos centrais: o CDC, que assegura transparência e equidade contratual; a LGPD, que disciplina o tratamento de dados pessoais e garante direitos fundamentais; e as normas emanadas do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional, que preservam a estabilidade do sistema e a proteção coletiva. Posner (2014) lembra que a eficiência econômica só se sustenta quando acompanhada de legitimidade normativa, o que significa que o crédito digital deve ser regulado de forma a harmonizar inovação tecnológica e direitos do consumidor, consolidando um ambiente financeiro mais justo e inclusivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2 Padrões internacionais de governança algorítmica (União Europeia, EUA e OCDE)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A discussão sobre governança algorítmica não se limita ao Brasil, mas se projeta em âmbito internacional, refletindo preocupações comuns entre países que enfrentam os impactos da digitalização financeira. Na União Europeia, o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR), em vigor desde 2018, estabeleceu parâmetros rigorosos para o tratamento automatizado de dados. O GDPR serviu como referência direta para a formulação da LGPD no Brasil, especialmente na previsão de direitos como a revisão de decisões automatizadas e a exigência de proporcionalidade no uso das informações pessoais. Esse movimento demonstra a influência transnacional na regulação digital (Doneda, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além do GDPR, a União Europeia avançou com a proposta do AI Act, voltada especificamente para disciplinar o uso da inteligência artificial. Zuboff (2019, p. 504) afirma que “[&#8230;] o capitalismo de vigilância é melhor descrito como um golpe vindo de cima, não uma derrubada do Estado, mas da soberania do povo”. Essa crítica reforça a necessidade de normas que imponham transparência e limites éticos à exploração de dados pessoais. O AI Act propõe justamente uma classificação de riscos para diferentes usos da IA, tratando a concessão de crédito como setor de alto risco, o que implica regras estritas de explicabilidade e de supervisão estatal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos Estados Unidos, a regulação é mais fragmentada, baseada em legislações setoriais e em diretrizes de agências reguladoras, como o Federal <em>Trade Commission</em> (FTC). Posner (2014) destaca que a tradição norte-americana privilegia soluções de mercado e a intervenção regulatória ocorre principalmente quando há riscos significativos de concentração de poder ou violações à concorrência. A abordagem estadunidense, portanto, contrasta com o modelo europeu, por ser menos centralizada e mais voltada para <em>enforcement</em> em casos específicos de abuso. Essa diferença evidencia que a regulação algorítmica não segue padrões uniformes, mas reflete valores institucionais de cada sistema jurídico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também tem desempenhado papel relevante na formulação de princípios internacionais. Em 2019, a OCDE publicou suas recomendações sobre inteligência artificial, nas quais afirma que os sistemas algorítmicos devem ser transparentes, responsáveis e orientados para o respeito aos direitos humanos (OCDE, 2019). Segundo Coelho (2021, p. 29):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] tais recomendações, embora não vinculantes, servem como guia para países em desenvolvimento que buscam equilibrar inovação tecnológica com padrões mínimos de proteção. O alinhamento às diretrizes da OCDE fortalece a legitimidade internacional das regulações nacionais.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Outro fator relevante é a interação entre essas experiências regulatórias. Salama (2010) adverte que, em um mercado globalizado, soluções puramente domésticas podem ser insuficientes, já que as plataformas digitais e as <em>fintechs</em> operam em múltiplas jurisdições. Assim, a harmonização de padrões é necessária para reduzir arbitragens regulatórias e assegurar maior previsibilidade. Esse desafio exige uma governança multinível, na qual organismos internacionais e reguladores nacionais atuem de forma coordenada para evitar lacunas normativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os padrões internacionais de governança algorítmica convergem para três eixos principais: a proteção de dados pessoais, a transparência das decisões automatizadas e a responsabilidade das instituições financeiras. Como destaca Marques (2019), a experiência europeia mostra que a proteção do consumidor deve ser compreendida em chave coletiva, o que implica que a regulação precisa estar atenta não apenas aos direitos individuais, mas também aos impactos sociais mais amplos da exclusão algorítmica. O Brasil, portanto, deve continuar dialogando com esses referenciais internacionais, adaptando-os às suas peculiaridades econômicas e institucionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3 O papel das autoridades reguladoras na prevenção de abusos e na promoção da transparência</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A atuação das autoridades reguladoras é decisiva para assegurar que os modelos algorítmicos de concessão de crédito funcionem de forma equilibrada, promovendo eficiência sem comprometer direitos fundamentais. O Banco Central do Brasil, ao supervisionar <em>fintechs</em> e bancos digitais, têm buscado conciliar inovação e segurança, utilizando instrumentos como o Sandbox Regulatório. Segundo relatório do Banco Central (2021), a supervisão deve acompanhar a evolução tecnológica, sem perder de vista o risco sistêmico inerente ao crédito. Essa postura ilustra a função das autoridades como mediadoras entre os interesses do mercado e a proteção do consumidor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos maiores desafios enfrentados pelas autoridades é garantir a transparência das decisões automatizadas. “A transparência é condição essencial para que o titular de dados exerça seus direitos de forma plena, pois só se pode questionar aquilo que se conhece” (Doneda, 2019, p. 142). Essa perspectiva reforça a importância de reguladores exigirem das instituições financeiras explicações claras sobre os critérios adotados pelos algoritmos. Sem essa obrigação, o consumidor permanece em posição de vulnerabilidade, sem condições de contestar eventuais abusos ou discriminações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da transparência, a prevenção de abusos requer um regime robusto de responsabilização. Marques (2019) sustenta que a tutela do consumidor deve abranger não apenas situações individuais, mas também práticas de mercado que afetem coletivamente os cidadãos. Isso significa que cabe às autoridades reguladoras monitorar padrões de conduta, identificar tendências discriminatórias e aplicar sanções proporcionais. Essa dimensão coletiva é fundamental, pois as falhas algorítmicas tendem a impactar um grande número de pessoas ao mesmo tempo, ampliando os danos sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Conselho Monetário Nacional também exerce papel central ao editar normas que orientam a política de crédito no país. Embora a digitalização tenha flexibilizado o acesso, os deveres de diligência e lealdade permanecem intactos. Assim, qualquer negativa de crédito baseada em critérios automatizados deve ser passível de revisão, e as instituições continuam responsáveis por eventuais falhas de seus sistemas. Essa postura evita que os algoritmos sejam tratados como “caixas-pretas” inquestionáveis, preservando a lógica de <em>accountability</em> exigida pelo ordenamento jurídico (Coelho, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cooperação entre diferentes órgãos reguladores. Salama (2010) observa que, em mercados altamente dinâmicos, a efetividade da regulação depende de coordenação entre entidades nacionais e diálogo com organismos internacionais. Essa perspectiva mostra que o enfrentamento dos riscos da concessão algorítmica não pode ser monopólio de um único órgão, mas requer uma rede regulatória que atue de forma articulada. Nesse contexto, a articulação entre Banco Central, CMN e autoridades de proteção de dados é indispensável para prevenir abusos e harmonizar critérios de supervisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com isso, a promoção da transparência deve ser compreendida como um objetivo estratégico da regulação. Zuboff (2019, p. 137) lembra que “sem mecanismos de visibilidade e prestação de contas, os sistemas algorítmicos operam como formas de poder invisível, capazes de moldar comportamentos sem contestação”. Assim, cabe às autoridades reguladoras não apenas criar normas, mas também incentivar boas práticas e promover uma cultura de responsabilidade no setor financeiro digital. Dessa forma, a supervisão estatal fortalece a confiança do consumidor e garante que a inovação tecnológica esteja alinhada à preservação de direitos fundamentais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. TUTELA DO CONSUMIDOR NO CONTEXTO DA CONCESSÃO ALGORÍTMICA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A tutela do consumidor na concessão algorítmica de crédito é tema central para compreender os impactos da digitalização no mercado financeiro. O crédito é um bem essencial para a participação do indivíduo na vida econômica e social, e sua concessão mediada por algoritmos potencializa tanto benefícios quanto riscos. De um lado, há ganhos de eficiência e ampliação do acesso; de outro, existe o risco de decisões opacas e discriminatórias que podem excluir consumidores vulneráveis. Marques (2019) ressalta que a vulnerabilidade do consumidor não é apenas contratual, mas também informacional, e torna-se ainda mais intensa quando as decisões são tomadas de forma automatizada e sem explicações claras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse cenário, a proteção jurídica deve ser compreendida como instrumento de equilíbrio entre inovação e direitos fundamentais. A opacidade algorítmica compromete o exercício pleno da autonomia, pois o consumidor dificilmente compreende os critérios que fundamentam a concessão ou a negativa de crédito (Doneda, 2019). Assim, a tutela do consumidor no contexto digital não se limita a mecanismos tradicionais de reparação, mas exige novos instrumentos de transparência, revisão humana e responsabilidade civil. A seguir, analisam-se os principais aspectos dessa proteção: os direitos básicos do consumidor, os riscos de vieses algorítmicos, a responsabilidade das instituições financeiras e os mecanismos de contestação de decisões automatizadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1 Direitos básicos do consumidor: informação, transparência e não discriminação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Código de Defesa do Consumidor estabelece como direitos básicos a informação adequada, a proteção contra práticas abusivas e a não discriminação (art. 6º, CDC). No ambiente digital, esses direitos ganham nova dimensão, pois os algoritmos introduzem complexidade adicional às relações de consumo. Marques (2019) sustenta que a informação deve ser compreendida como condição de igualdade material, já que o consumidor não pode decidir livremente sem conhecer os critérios que determinam sua elegibilidade ao crédito. Nesse sentido, o dever de informação não é mera formalidade, mas um princípio estruturante que sustenta a boa-fé objetiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A transparência também é elemento fundamental da tutela do consumidor no crédito digital. Doneda (2019, p. 57) explica que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] a transparência não se restringe a informar que há um algoritmo envolvido, mas deve incluir a explicação compreensível dos fatores considerados. Isso é reforçado pela LGPD, que, em seu art. 20, garante ao titular de dados o direito à revisão de decisões automatizadas. Assim, a lei coloca em prática a ideia de que a informação deve ser clara, acessível e significativa, de modo que o consumidor possa exercer efetivamente seu direito de contestação.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O crédito é instrumento essencial para inclusão social e econômica, e sua negativa injustificada pode reforçar desigualdades históricas. Marques (2019, p. 61) afirma: “o princípio da não discriminação impede que consumidores sejam tratados de forma desigual sem justificativa razoável, devendo a proteção alcançar não apenas práticas explícitas, mas também aquelas implícitas nos mecanismos de mercado”. Essa previsão deve ser aplicada de modo ainda mais rigoroso quando se trata de algoritmos, capazes de produzir exclusões invisíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A integração entre informação, transparência e não discriminação constitui a base da proteção do consumidor em ambientes digitais. Coelho (2021) ressalta que a boa-fé objetiva deve ser reinterpretada diante da automação, impondo às instituições financeiras deveres reforçados de lealdade e explicação. Isso porque a vulnerabilidade do consumidor não é apenas contratual, mas técnica, e decorre da sua incapacidade de compreender plenamente os sistemas que decidem sobre sua vida econômica. Assim, a regulação deve assegurar equilíbrio e previsibilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É necessário destacar que os direitos básicos do consumidor, embora consagrados em legislação desde 1990, encontram novos desafios na era digital. A sua efetividade depende de uma aplicação adaptada aos contextos de inovação tecnológica. A eficiência econômica deve ser compatibilizada com princípios de justiça, sob pena de comprometer a legitimidade das instituições (Posner, 2014). Nesse contexto, os direitos à informação, à transparência e à não discriminação assumem papel decisivo para que o crédito digital seja instrumento de inclusão, e não de exclusão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2 Vieses algorítmicos e discriminação indireta na análise de crédito</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os algoritmos utilizados para concessão de crédito, embora projetados para conferir objetividade e eficiência, não são neutros. Eles refletem as bases de dados que os alimentam, e essas, por sua vez, estão impregnadas de padrões sociais e econômicos historicamente discriminatórios. O capitalismo de vigilância captura e explora dados comportamentais de maneira assimétrica, reproduzindo desigualdades já existentes. Isso significa que, quando aplicados ao mercado de crédito, os algoritmos podem transformar fatores aparentemente neutros, como endereço ou padrão de consumo digital, em variáveis de risco que resultam em exclusão indireta de determinados grupos (Zuboff, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A discriminação algorítmica pode se manifestar de diferentes formas, desde a exclusão de consumidores por critérios socioeconômicos implícitos até a formação de perfis que associam características comportamentais a maior probabilidade de inadimplência. Desse modo, a opacidade desses sistemas dificulta a detecção de práticas discriminatórias, já que muitas vezes o próprio consumidor não tem acesso às razões pelas quais foi classificado de determinada maneira (Doneda, 2019). Assim, a falta de transparência contribui para o agravamento da vulnerabilidade informacional, tornando a discriminação indireta ainda mais grave que as práticas tradicionais de exclusão financeira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um fator preocupante é a perpetuação de desigualdades territoriais e raciais. Estudos internacionais mostram que algoritmos de crédito podem atribuir maior risco a consumidores que vivem em regiões periféricas ou com menor infraestrutura digital. Marques (2019, p. 84) destaca que “[&#8230;] a vulnerabilidade deve ser compreendida como fenômeno estrutural, que se manifesta não apenas na relação individual, mas na reprodução de desigualdades históricas através das práticas de mercado”. Esse entendimento evidencia a necessidade de aplicar o princípio da não discriminação com rigor redobrado, especialmente diante de tecnologias que podem cristalizar injustiças de forma invisível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O dever de informação e explicação também se conecta diretamente ao combate aos vieses algorítmicos. A boa-fé objetiva impõe às instituições financeiras a obrigação de garantir que os consumidores compreendam, de modo acessível, os critérios utilizados nos processos de concessão de crédito. Nesse contexto, a LGPD, ao prever o direito à revisão humana de decisões automatizadas (art. 20), oferece um instrumento essencial para contestar práticas discriminatórias. Todavia, a efetividade desse direito depende de regulamentação clara e de fiscalização eficaz, sob pena de tornar-se apenas uma previsão formal desprovida de aplicação concreta (Coelho, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os vieses algorítmicos e a discriminação indireta configuram um dos maiores riscos da concessão de crédito digital. Posner (2014) sustenta que a busca por eficiência não pode justificar a perpetuação de injustiças, já que a legitimidade das instituições financeiras depende da preservação da confiança social. A identificação e correção de vieses devem, portanto, ser tratadas como responsabilidade compartilhada entre instituições financeiras e autoridades reguladoras, de modo a assegurar que os avanços tecnológicos sejam instrumentos de inclusão e não de exclusão. A aplicação conjunta do CDC e da LGPD constitui o caminho mais adequado para equilibrar inovação e justiça social.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.3 Responsabilidade e revisão das decisões algorítmicas de crédito</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A responsabilidade civil das instituições financeiras diante de decisões automatizadas de crédito deve ser analisada a partir da lógica contratual e da proteção consumerista. O Código de Defesa do Consumidor estabelece como regra a responsabilidade objetiva do fornecedor em situações que gerem danos, o que inclui negativas injustificadas ou concessões abusivas de crédito baseadas em critérios algorítmicos. Marques (2019, p. 173) argumenta que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] a vulnerabilidade do consumidor deve ser reforçada em ambientes digitais, onde há menor possibilidade de compreensão sobre os fatores que fundamentam a decisão. Nesse contexto, a responsabilização das instituições financeiras deve abranger não apenas os prejuízos individuais, mas também práticas de mercado que gerem exclusões coletivas.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos maiores problemas identificados é a “caixa-preta” dos algoritmos, expressão consagrada por Pasquale (2015) em sua obra <em>The Black Box Society</em>. Para o autor, sistemas automatizados de decisão exercem poder sem transparência, o que compromete a capacidade de contestação e a própria noção de <em>accountability</em>. Nas palavras de Pasquale (2015, p. 8), “[&#8230;] os segredos corporativos e a opacidade algorítmica permitem que empresas moldem mercados e comportamentos sem escrutínio público”. Essa crítica evidencia que a responsabilização civil das instituições financeiras deve incluir o dever de explicação como elemento indispensável à proteção do consumidor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista normativo, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais representa avanço decisivo ao prever, em seu artigo 20, o direito à revisão de decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado. Esse dispositivo devolve ao consumidor parte da autonomia comprometida pela lógica da automação, estabelecendo um contrapeso entre inovação tecnológica e dignidade da pessoa humana. Ainda que a lei não detalhe os procedimentos de revisão, sua previsão estabelece um marco jurídico claro de responsabilização, impondo às instituições financeiras a obrigação de criar mecanismos efetivos de contestação (Doneda, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A necessidade de revisão humana ganha força no debate internacional. Mendes e Mattiuzzo (2022) afirmam que, no Brasil, a utilização de algoritmos de <em>credit scoring</em> tem gerado riscos de discriminação indireta, especialmente contra grupos socialmente vulneráveis. Para as autoras, “[&#8230;] a revisão humana não é apenas uma salvaguarda técnica, mas uma garantia de que critérios discriminatórios não passem despercebidos sob o manto da neutralidade algorítmica” (Mendes; Mattiuzzo, 2022, p. 213). Essa visão reforça que a responsabilidade civil e os mecanismos de revisão estão intimamente ligados à prevenção da discriminação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto o CDC assegura o direito à informação clara e adequada (art. 6º), a LGPD prevê o direito à revisão humana. Essa complementaridade cria um sistema de dupla proteção: de um lado, garante-se que o consumidor saiba as condições contratuais; de outro, assegura-se que as decisões não sejam tomadas de forma inquestionável. Assim, as instituições financeiras não podem se eximir da responsabilidade alegando que os algoritmos são neutros ou independentes de sua supervisão, pois respondem integralmente pelos danos decorrentes de sua utilização (Coelho, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No plano coletivo, a ausência de mecanismos de revisão pode comprometer a confiança social no sistema financeiro. Frazão (2021) alerta que os algoritmos, ao reforçarem padrões de exclusão, podem gerar efeitos de retroalimentação que estigmatizam grupos vulneráveis, criando verdadeiros ciclos de exclusão. Essa estigmatização digital torna ainda mais urgente a atuação das autoridades reguladoras para garantir que o consumidor tenha meios eficazes de contestar e corrigir decisões injustas. O risco não é apenas individual, mas sistêmico, afetando a própria legitimidade das instituições financeiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os mecanismos de contestação devem ser práticos e acessíveis. Não basta a previsão normativa formal; é preciso que as instituições ofereçam canais claros para revisão de crédito e que os consumidores tenham assistência técnica adequada para compreender seus direitos. Garcia et al. (2023) ressaltam que, no domínio do crédito, a simples disponibilização de informações não é suficiente para corrigir vieses algorítmicos, sendo necessário o desenvolvimento de ferramentas de auditoria e monitoramento contínuo. Dessa forma, a revisão humana não é um ato pontual, mas um processo de governança permanente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A responsabilidade civil das instituições financeiras e o direito à revisão das decisões automatizadas de crédito são elementos complementares da tutela do consumidor no ambiente digital. Enquanto a responsabilidade garante reparação e incentiva boas práticas, a revisão assegura que os danos sejam prevenidos e corrigidos antes de se consolidarem. A eficiência econômica só é legítima quando acompanhada de justiça, o que, nesse caso, significa equilibrar inovação tecnológica e dignidade humana. Nesse sentido, o futuro da concessão algorítmica de crédito dependerá, portanto, da capacidade de combinar inovação com responsabilidade e transparência (Posner, 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. TRANSPARÊNCIA, INCLUSÃO E RESPONSABILIDADE NO CRÉDITO ALGORÍTMICO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A regulação da concessão algorítmica de crédito só será efetiva se for capaz de promover um ambiente de transparência e responsabilidade, garantindo que a inovação tecnológica não comprometa direitos fundamentais. A complexidade dos modelos de análise utilizados por <em>fintechs </em>e instituições financeiras dificulta que consumidores compreendam os critérios que orientam a concessão ou a negativa de crédito. Pasquale (2015) lembra que a lógica das “caixas-pretas” compromete a <em>accountability</em> e fragiliza a confiança social nos sistemas automatizados. Por isso, a transparência deve ser tratada como eixo estruturante da governança algorítmica, vinculando diretamente a eficiência tecnológica à legitimidade jurídica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da transparência, é necessário destacar que os algoritmos não operam em um vazio social, mas refletem desigualdades históricas. O capitalismo de vigilância captura dados comportamentais e os transforma em mercadorias preditivas, muitas vezes sem que o indivíduo tenha consciência ou controle (Zuboff, 2019). Quando essa lógica se aplica ao crédito, corre-se o risco de reforçar exclusões, ainda que sob o discurso de democratização do acesso. Nesse sentido, a regulação precisa não apenas criar mecanismos de explicação, mas também enfrentar a exclusão algorítmica e responsabilizar juridicamente as instituições financeiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.1 Direito à explicação, opacidade algorítmica e inclusão financeira</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O direito à explicação constitui uma das garantias mais relevantes para equilibrar o poder das instituições financeiras e a vulnerabilidade do consumidor. Previsto no art. 20 da LGPD, ele assegura ao titular o direito de revisão das decisões tomadas exclusivamente por tratamento automatizado. Doneda (2019) explica que essa previsão representa um contrapeso indispensável à opacidade algorítmica, já que devolve ao indivíduo parte da autonomia comprometida pelos sistemas de automação. No entanto, sua efetividade depende de regulamentação prática, capaz de obrigar as instituições a fornecer informações compreensíveis e úteis, e não apenas respostas formais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A opacidade algorítmica é uma das principais críticas dirigidas à concessão digital de crédito. “Os segredos corporativos e a opacidade algorítmica permitem que empresas moldem mercados e comportamentos sem escrutínio público” (Pasquale (2015, p. 8). Essa observação ilustra como os algoritmos podem transformar-se em instrumentos de poder invisível, gerando decisões que impactam diretamente a vida econômica dos consumidores, mas sem oferecer justificativas acessíveis. Dessa forma, a falta de transparência reforça a vulnerabilidade informacional e compromete a confiança no mercado financeiro digital.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto central é o impacto da opacidade na inclusão financeira. No Brasil, algoritmos de <em>credit scoring</em> podem gerar discriminações indiretas, especialmente contra consumidores de baixa renda ou com menor inserção digital (Mendes; Mattiuzzo, 2022). Isso significa que, em vez de promover inclusão, os sistemas podem reforçar desigualdades, classificando como de alto risco exatamente os grupos que mais necessitam de acesso ao crédito. A promessa de democratização, portanto, só será cumprida se acompanhada de medidas que garantam transparência e revisão humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Garcia et al. (2023) mostram que consumidores de regiões periféricas, com menor acesso a serviços digitais, são frequentemente penalizados por critérios que não refletem sua real capacidade de pagamento. Essa exclusão algorítmica revela que os sistemas automatizados não apenas reproduzem desigualdades históricas, mas também as cristalizam em dados e modelos matemáticos. Isso reforça a necessidade de que o direito à explicação seja compreendido como instrumento de inclusão social, permitindo que consumidores contestem classificações injustas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, a inclusão financeira precisa ser analisada em sua dimensão coletiva. O princípio da não discriminação deve ser interpretado de forma ampla, garantindo que práticas aparentemente neutras não resultem em exclusão de grupos vulneráveis. Nesse sentido, os algoritmos de crédito devem ser submetidos a auditorias regulares que assegurem que critérios discriminatórios não estejam ocultos sob a aparência de neutralidade matemática. Essa medida contribui para transformar o direito à explicação em ferramenta efetiva de justiça social (Marques, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outrossim, a inclusão financeira não pode ser vista apenas como ampliação de acesso a produtos de crédito, mas como efetiva integração cidadã ao sistema financeiro. Sem mecanismos de correção de vieses e de revisão de decisões, os algoritmos podem criar ciclos de exclusão que estigmatizam grupos inteiros (Frazão, 2021). Assim, o direito à explicação deve ser articulado a políticas públicas de educação financeira e de acesso digital, de modo a assegurar que a tecnologia seja instrumento de inclusão, e não de aprofundamento das desigualdades.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.2 Responsabilidade regulatória, contratual e perspectivas para uma regulação responsiva</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A responsabilidade regulatória e contratual das instituições financeiras diante de decisões algorítmicas está diretamente relacionada à necessidade de assegurar <em>accountability</em>. O CDC estabelece a responsabilidade objetiva por danos causados aos consumidores, o que inclui negativas injustificadas de crédito ou concessões abusivas baseadas em critérios discriminatórios. A boa-fé objetiva deve ser reinterpretada à luz da automação, impondo às instituições deveres reforçados de lealdade e explicação. Isso significa que a responsabilidade não se limita à reparação posterior, mas deve incluir medidas preventivas e corretivas (Coelho, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O papel das autoridades reguladoras é decisivo nesse contexto. O Banco Central, ao supervisionar <em>fintechs</em> e bancos digitais, precisa equilibrar o incentivo à inovação com a prevenção de abusos. Em relatório, o Bacen (2021) destacou que a transformação digital exige monitoramento contínuo para evitar riscos sistêmicos. Já o Conselho Monetário Nacional edita resoluções que estabelecem parâmetros de conduta e de política de crédito, vinculando inclusive instituições digitais. Essa atuação conjunta fortalece a proteção do consumidor e assegura estabilidade ao sistema financeiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No plano internacional, o diálogo com padrões regulatórios, como o GDPR europeu e o AI Act, reforça a necessidade de o Brasil adotar uma regulação responsiva. Zuboff (2019, p. 137) acrescenta que “[&#8230;] sem mecanismos de visibilidade e prestação de contas, os sistemas algorítmicos operam como formas de poder invisível, capazes de moldar comportamentos sem contestação”. Essa observação sublinha a importância de que a regulação vá além de previsões formais, incorporando auditorias, supervisão técnica e canais de contestação acessíveis aos consumidores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A revisão humana das decisões não pode ser tratada como mero recurso residual, mas como elemento estrutural do processo decisório. Essa perspectiva se alinha à ideia de regulação responsiva defendida pela OCDE, que recomenda a integração entre prevenção, monitoramento e sanções proporcionais. Assim, a responsabilidade deve ser compreendida como parte de um ciclo contínuo de governança, e não apenas como resposta a litígios (Mendes; Mattiuzzo, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A regulação responsiva também exige flexibilidade para acompanhar a velocidade das inovações tecnológicas. Ou seja, a regulação deve evitar tanto a rigidez excessiva, que inibe a inovação, quanto a permissividade absoluta, que gera insegurança jurídica e amplia vulnerabilidades (Salama, 2010. Nesse sentido, a regulação do crédito algorítmico precisa ser calibrada de modo a estimular boas práticas, incentivar a transparência e sancionar condutas abusivas, criando um ambiente equilibrado entre eficiência e proteção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A responsabilidade regulatória e contratual das instituições financeiras deve ser entendida como mecanismo de preservação da confiança social no sistema de crédito. A eficiência econômica só se sustenta quando acompanhada de legitimidade normativa e justiça (Posner, 2014). Portanto, uma regulação responsiva e inclusiva precisa harmonizar os interesses de inovação e competitividade com os princípios constitucionais de proteção da dignidade da pessoa humana, assegurando que a tecnologia sirva como instrumento de inclusão e não como mecanismo de exclusão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A concessão algorítmica de crédito, como demonstrado ao longo deste estudo, constitui uma das expressões mais significativas da transformação digital no setor financeiro, combinando eficiência tecnológica com novos desafios jurídicos e sociais. Embora represente uma oportunidade para ampliar o acesso ao crédito e reduzir custos operacionais, essa prática revela tensões profundas quanto à transparência das decisões automatizadas, à proteção dos dados pessoais e à não discriminação. O crédito, que já era marcado por assimetrias contratuais no modelo tradicional, passa a incorporar novas vulnerabilidades, decorrentes da opacidade algorítmica e da centralidade dos dados na definição da elegibilidade dos consumidores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise normativa evidenciou que o ordenamento jurídico brasileiro oferece instrumentos relevantes para enfrentar esses desafios, especialmente por meio do Código de Defesa do Consumidor e da Lei Geral de Proteção de Dados. O primeiro garante direitos básicos como informação, transparência e equilíbrio contratual; o segundo estabelece parâmetros para o tratamento de dados pessoais e consagra o direito à revisão de decisões automatizadas. Além disso, a regulação emanada do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional acrescenta a dimensão prudencial e sistêmica, necessária para preservar a estabilidade do sistema financeiro e evitar riscos de exclusão em larga escala. Contudo, a efetividade desses marcos legais depende de sua aplicação integrada e de uma atuação regulatória que acompanhe a velocidade das inovações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo também demonstrou que a promessa de inclusão financeira promovida pelas <em>fintechs</em> deve ser vista com cautela. Embora milhões de consumidores tenham obtido acesso a crédito digital, as mesmas ferramentas que possibilitam a democratização podem reproduzir ou até intensificar desigualdades históricas. Os vieses algorítmicos, ainda que implícitos, produzem discriminação indireta, afetando especialmente grupos socialmente vulneráveis. Nesse sentido, a inclusão não pode ser compreendida apenas como expansão quantitativa de acesso ao crédito, mas deve ser associada à qualidade das condições ofertadas e à existência de mecanismos claros de contestação e revisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A experiência comparada mostrou que a regulação internacional tem buscado respostas mais específicas para esses dilemas. A União Europeia, com o GDPR e a proposta do AI Act, reconhece a concessão de crédito como atividade de alto risco, impondo exigências rigorosas de explicabilidade e supervisão. Já os Estados Unidos privilegiam soluções de mercado e <em>enforcement</em> pontual, enquanto a OCDE recomenda princípios gerais de transparência, responsabilidade e respeito aos direitos humanos. Para o Brasil, o desafio consiste em dialogar com esses referenciais internacionais, adaptando-os às suas peculiaridades e reforçando a articulação entre regulação nacional e padrões globais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dessas reflexões, conclui-se que a tutela do consumidor na concessão algorítmica de crédito não pode ser compreendida apenas como aplicação de normas já existentes, mas como um processo contínuo de reconstrução normativa e institucional. A força regulatória reside menos na rigidez das regras e mais na capacidade de responder a riscos dinâmicos, promovendo um equilíbrio entre inovação tecnológica, eficiência econômica e proteção de direitos fundamentais. O futuro do crédito digital no Brasil dependerá da consolidação de uma cultura regulatória responsiva, que valorize a transparência como princípio, assegure a revisão humana como garantia e preserve a responsabilidade das instituições como prática indispensável para a justiça contratual e social.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ABFINTECHS. <strong>Relatório anual 2022</strong>. São Paulo: Associação Brasileira de Fintechs, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BANCO CENTRAL DO BRASIL. <strong>Relatório de Economia Bancária 2021</strong>. Brasília: Banco Central, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">COELHO, Fábio Ulhoa. <strong>Curso de direito comercial</strong>: direito de empresa. 21. ed. rev. e atual. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DONEDA, Danilo. <strong>Da privacidade à proteção de dados pessoais</strong>: elementos da formação da autoridade nacional. 2. ed. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FRAZÃO, Ana. Algoritmos e discriminação: por que devemos nos preocupar mesmo quando eles acertam. <strong>Revista Jurídica Luso-Brasileira</strong>, v. 8, n. 6, p. 1645-1683, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GARCIA, Ana Cristina Bicharra et al. Algorithmic discrimination in the credit domain: what do we know about it? <strong>AI &amp; Society</strong>, v. 38, p. 1515-1534, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARQUES, Cláudia Lima. <strong>Contratos no Código de Defesa do Consumidor</strong>: o novo regime das relações contratuais. 8. ed. rev. e atual. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MACKAAY, Ejan. <strong>Análise econômica do direito</strong>. São Paulo: Atlas, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MENDES, Laura Schertel; MATTIUZZO, Marcela. Algorithms and discrimination: the case of credit scoring in Brazil. In: MENDES, L. S.; SARLET, I. W.; WEICHERT, M. A. (org.). <strong>Personality and data protection rights on the interne</strong><em>t</em>. Cham: Springer, 2022. p. 197-216.<br></p>



<p class="wp-block-paragraph">PASQUALE, Frank. <strong>The black box society</strong>: the secret algorithms that control money and information. Cambridge: Harvard University Press, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">POSNER, Richard. <strong>Economic analysis of law</strong>. 9. ed. New York: Wolters Kluwer, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PWC. <strong>Pesquisa Fintechs de Crédito Digital 2023</strong>. São Paulo: PwC Brasil, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SALAMA, Bruno Meyerhof. <strong>Direito, economia e mercados</strong>. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZUBOFF, Shoshana. <strong>The age of surveillance capitalism</strong>: the fight for a human future at the new frontier of power. New York: Public Affairs, 2019.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O PAPEL DOS MODELOS DE MATURIDADE NA QUALIDADE E ESTRATÉGIA ORGANIZACIONAL: COMO CMMI E MPS.BR CONECTAM PROCESSOS ORGANIZACIONAIS À VISÃO ESTRATÉGICA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/o-papel-dos-modelos-de-maturidade-na-qualidade-e-estrategia-organizacional-como-cmmi-e-mps-br-conectam-processos-organizacionais-a-visao-estrategica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Jul 2025 18:16:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sistemas de informação]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 148/JUL 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202507211514 Fabricio N. Brito Cardoso1Adrielly dos Reis Carvalhedo1Yago Rodrigues Cabral1Gleisson Amaral Mendes1 Resumo: Este artigo apresenta uma análise sobre como os modelos de maturidade CMMI e MPS-BR contribuem para a integração entre qualidade e estratégia organizacional, conectando processos às metas de longo prazo. O CMMI, com cinco níveis de maturidade, se destaca pela [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202507211514</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Fabricio N. Brito Cardoso<sup>1</sup><br>Adrielly dos Reis Carvalhedo<sup>1</sup><br>Yago Rodrigues Cabral<sup>1</sup><br>Gleisson Amaral Mendes<sup>1</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong>: Este artigo apresenta uma análise sobre como os modelos de maturidade CMMI e MPS-BR contribuem para a integração entre qualidade e estratégia organizacional, conectando processos às metas de longo prazo. O CMMI, com cinco níveis de maturidade, se destaca pela padronização global e&nbsp;robustez nos processos. Já o MPS-BR, com sete níveis, adapta-se às especificidades do mercado brasileiro, sendo uma alternativa acessível para pequenas e médias empresas. Por meio de revisão bibliográfica e análise qualitativa, evidenciou-se que ambos os modelos promovem melhorias contínuas e fortalecem a competitividade empresarial.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chaves</strong>: CMMI ,  MPS-BR, Modelos de maturidade , Estratégia organizacional, Processos, Metas de longo prazo e Competitividade empresarial.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract</strong>: This article analyzes how the maturity models CMMI and MPS-BR contribute to integrating quality and organizational strategy by connecting processes to long-term goals. CMMI, with five maturity levels, excels in global standardization and process robustness. Conversely, MPS-BR, with seven levels, is tailored to the Brazilian market, offering an accessible alternative for small and medium-sized enterprises. Through a bibliographic review and qualitative analysis, the study highlights that both models support continuous improvement and enhance business competitiveness.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Maturity models, Organizational strategy, Processes, Long-term goals and Business competitiveness.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. Introdução&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A crescente demanda por software em diversas áreas tem levado organizações a enfrentar grandes desafios, como acompanhar a rapidez das mudanças tecnológicas e garantir a eficácia, eficiência e qualidade em seus processos de desenvolvimento. Muitas empresas desse setor começaram como pequenos negócios e, ao desenvolverem uma cultura de trabalho própria, conseguiram crescer e se estabelecer de forma eficiente em seus primeiros anos (ROCHA et al., 2001).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, com o aumento das exigências do mercado e a necessidade de manter altos padrões de qualidade, essas organizações passaram a buscar soluções mais estruturadas. Adotar um modelo de maturidade tornou-se uma prática essencial para empresas que desejam expandir seus negócios e comercializar software no mercado internacional, onde há uma forte demanda por processos bem definidos e produtos confiáveis (SALVIANO et al., 2004).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse cenário, os modelos de maturidade, como o CMMI e o MPS.BR, surgem como ferramentas indispensáveis para garantir a melhoria contínua dos processos organizacionais. Segundo Moreira (2016), esses modelos desempenham um papel crucial ao promover eficiência, padronização e alinhamento estratégico, ajudando as empresas a atenderem às demandas do mercado com produtos de maior qualidade. Assim, além de contribuir para a competitividade, esses modelos oferecem às organizações a possibilidade de crescerem de maneira sustentável e inovadora.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos avanços trazidos por esses modelos, muitas organizações ainda desenvolvem software sem a adoção de processos bem definidos de qualidade. Esse cenário, focado apenas nas necessidades imediatas dos clientes, desconsidera aspectos importantes para a evolução do produto, comprometendo a qualidade do software e dificultando o alcance de objetivos estratégicos de longo prazo. Nesse sentido, os modelos de maturidade desempenham um papel essencial ao proporcionar estruturas claras que organizam processos, otimizam recursos e garantem maior eficiência e previsibilidade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os principais benefícios da adoção desses modelos, destaca-se a melhoria na gestão de recursos. Processos bem-organizados evitam desperdícios e retrabalhos, além de potencializar o uso do tempo e das habilidades das equipes. Outro ponto crucial é a redução de riscos, já que práticas estruturadas permitem a identificação e mitigação de problemas antes que eles causem impactos significativos. Assim, as empresas conseguem fortalecer sua confiança no mercado, atender às expectativas dos clientes e se posicionar de maneira competitiva.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho tem como objetivo analisar o papel dos modelos de maturidade na integração entre qualidade e estratégia organizacional, discutindo os benefícios e&nbsp;desafios de sua aplicação em empresas de software. Para isso, será realizada uma revisão bibliográfica que explora os conceitos de maturidade organizacional e sua aplicação no desenvolvimento de software, com foco nos modelos CMMI e MPS.BR.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, este artigo está estruturado em seis seções principais. A primeira seção apresenta a introdução, destacando a importância dos modelos de maturidade para a integração entre qualidade e estratégia organizacional. A segunda seção detalha a&nbsp;metodologia, explicando as etapas de revisão bibliográfica e os critérios adotados para análise. A terceira seção aborda os conceitos de modelos de maturidade e sua evolução, com ênfase no CMMI e no MPS-BR. Na quarta seção, são discutidos os impactos dos modelos de maturidade na qualidade e na estratégia organizacional, evidenciando seus benefícios e desafios. A quinta seção traz a análise e resultados, com uma comparação entre os dois modelos. Por fim, a sexta seção apresenta as conclusões, sintetizando as principais evidências e oferecendo perspectivas futuras.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Metodologia&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente artigo se prevaleceu da pesquisa bibliográfica para abordar o tema proposto, este artigo utiliza uma metodologia baseada em revisão bibliográfica e análise qualitativa que segundo Severino (2007) a pesquisa bibliográfica é crucial para que o pesquisador compreenda o estado atual do conhecimento sobre o tema, identifique lacunas e direcione seu estudo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para isso seguimos algumas etapas para tornar a leitura mais proveitosa, como a leitura exploratória, a leitura seletiva e a leitura analítica, que permitiram identificar as informações mais pertinentes e interpretá-las de forma crítica. (LAKATOS; MARCONI, 2003).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido a revisão bibliográfica foi conduzida a partir de fontes acadêmicas relevantes, como Google Acadêmico, SciSpace, Scielo Brasil e Sucupira, com o objetivo de compreender os conceitos fundamentais e a evolução dos modelos de maturidade no contexto do desenvolvimento de software. Este levantamento possibilitou a identificação das características principais dos modelos CMMI e MPS.BR, bem como suas aplicações práticas em organizações de diferentes portes e setores.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para pesquisa das informações, foram empregados os seguintes descritores: Maturidade, Processos, CMMI e MPS.BR. Utilizou-se o operador booleano “AND&#8221; para a associação dos descritores com as palavras-chave: “maturidade AND processo AND CMMI AND MPS-BR”. Essa etapa foi fundamental para reunir um conjunto amplo de fontes relevantes ao tema. Em seguida efetuamos a leitura seletiva, focada nos documentos, cuja resposta era a questão norteadora: “como CMMI e MPS.BR conectam processos organizacionais à visão estratégica”.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim foi selecionado artigos disponíveis na íntegra, visando artigos atuais no período de 2020 a 2023, nos idiomas inglês e português, com o objetivo de encontrar evidências científicas sobre como CMMI e MPS.BR conectam processos organizacionais à visão estratégica. Foram encontrados 48 artigos. Após a aplicação dos filtros (critérios de inclusão e exclusão) e retirados os artigos duplicados, foram selecionados 10 para a leitura integral. Lidos os 10 trabalhos, foram excluídos 6 por não atenderem aos critérios de inclusão e exclusão preestabelecidos, resultando uma amostra final de 4 artigos a serem revisados.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a leitura seletiva, procedeu-se à leitura analítica, com o intuito de realizar uma análise crítica e detalhada das informações coletadas. Esta etapa envolveu a avaliação minuciosa dos dados e das metodologias empregadas nos estudos selecionados, bem como a interpretação dos resultados apresentados.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto a revisão bibliográfica foi crucial, com o objetivo de compreender os conceitos fundamentais e a evolução dos modelos de maturidade no contexto do desenvolvimento de software. Este levantamento possibilitou a identificação das características principais dos modelos CMMI e MPS.BR, bem como suas aplicações práticas em organizações de diferentes portes e setores.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. Conceitos de Modelos de Maturidade e Sua Evolução&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, software é indispensável para pessoas, empresas e governos, seja para tomar decisões importantes ou realizar tarefas cotidianas (PRESSMAN,2006). Essa dependência de software cresce à medida que ele se torna parte essencial de atividades estratégicas e operacionais, essa relevância traz consigo grandes responsabilidades, pois falhas nesses sistemas podem gerar desde pequenos transtornos até graves consequências para organizações e indivíduos. Por isso, é imprescindível que o desenvolvimento de software priorize altos padrões de qualidade, garantindo segurança, eficiência e confiabilidade. Dessa forma, o software pode atender às demandas do mundo moderno e minimizar riscos associados ao seu uso.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, implementar práticas que melhorem o processo de software requer a adoção de modelos de maturidade que integrem eficiência operacional e visão estratégica das organizações. Modelos como o CMMI e o MPS-BR desempenham esse papel ao fornecer diretrizes que promovem a padronização e a melhoria contínua nos processos de desenvolvimento. Segundo Mello e Galdamez (2016), ferramentas baseadas nesses modelos ajudam empresas menores a estruturar suas operações de forma eficiente, conectando práticas operacionais ao planejamento estratégico. Além disso, como aponta Guedes (2015), a necessidade de atender a demandas de clientes e de expandir a atuação internacional é um dos principais fatores que levam organizações a adotar essas metodologias. Para fortalecer ainda mais essa relação entre processos e estratégia, Furtado e Oliveira (2012) destacam que frameworks construídos sobre o MPS-BR e o CMMI garantem alinhamento entre os requisitos técnicos e os objetivos organizacionais.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1 CMMI&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os modelos de maturidade não surgiram do nada. Tudo começou na década de 1980, quando foi criado o CMM (Capability Maturity Model), um modelo inicial que ajudava as empresas a entenderem em que nível estavam seus processos. Ele foi desenvolvido pelo Software Engineering Institute (SEI) da Carnegie Mellon University e apresentava cinco níveis de maturidade, começando por processos caóticos e terminando em processos totalmente otimizados e eficientes. Com o tempo, o CMM evoluiu para o CMMI, que integrou outros modelos em uma estrutura mais completa, capaz de ser usada não apenas no desenvolvimento de software, mas também em outras áreas, como gerenciamento de projetos e engenharia de sistemas. Esse avanço permitiu que o CMMI se tornasse uma ferramenta globalmente reconhecida.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O modelo CMMI foi desenvolvido como uma resposta às limitações observadas em abordagens fragmentadas na melhoria de processos de software. Sua concepção integrou modelos como CMM, SW-CMM, SE-CMM e IPD-CMM, além de boas práticas normatizadas pela ISO/IEC 15504.(DEVMEDIA,2012).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa integração foi uma resposta à fragmentação que gerava dificuldades práticas na aplicação e no alcance de resultados consistentes. Conforme Mello e Galdamez (2016), o CMMI funciona como um framework estruturado que não apenas organiza processos, mas também os alinha a objetivos estratégicos, promovendo eficiência e confiabilidade.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse modelo destaca-se por reunir em uma única estrutura metodologias robustas e práticas consolidadas, facilitando sua aplicação em diferentes contextos organizacionais e ampliando sua capacidade de atender às demandas de um mercado competitivo. Sua implementação é orientada por cinco níveis de maturidade que estruturam o progresso da organização em direção à excelência nos processos de software.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O primeiro nível, Inicial, caracteriza-se por processos ad hoc ou caóticos, sem práticas formalmente estabelecidas, onde o sucesso depende do esforço individual. No nível Gerenciado, a organização estabelece práticas básicas de planejamento e controle, garantindo que projetos atendam a requisitos básicos. O nível definido introduz a padronização, com processos documentados e alinhados a um conjunto de práticas organizacionais. O quarto nível, Gerenciado Quantitativamente, utiliza métricas para monitorar e controlar os processos, assegurando previsibilidade e controle de qualidade. Por fim, no nível Otimizado, a organização busca a melhoria contínua por meio de inovações e práticas avançadas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a DevMedia, a aplicação progressiva desses níveis permite que as empresas alinhem seus processos de software às melhores práticas do mercado global, aumentando sua competitividade e reduzindo riscos de falhas críticas. Além disso, a implantação do modelo demanda planejamento estratégico, capacitação das equipes e&nbsp; compromisso organizacional para alcançar os resultados esperados (DevMedia, 2025).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de suas inúmeras vantagens, o processo de certificação do CMMI apresenta desafios significativos, especialmente para organizações de pequeno e médio porte. Um dos principais obstáculos enfrentados por pequenas e médias empresas está relacionado ao custo elevado, que pode se tornar um fator limitante para muitas dessas organizações. Além disso, o rigor das exigências e a necessidade de recursos especializados criam barreiras adicionais, dificultando a implementação efetiva do modelo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto brasileiro, onde a maior parte das empresas de software é composta por pequenos e médios negócios, essas limitações tornam-se ainda mais evidentes. Muitas dessas empresas buscam soluções alternativas que conciliem a busca por qualidade com viabilidade econômica, possibilitando que avancem em direção à maturidade de seus processos sem comprometer sua sustentabilidade financeira.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2 MPS.BR </strong><strong> </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi nesse cenário que surgiu o MPS.BR, um modelo desenvolvido especificamente para atender à realidade das empresas brasileiras. Pensado para ser mais acessível e adaptável, ele foi projetado para auxiliar principalmente pequenas e médias empresas a estruturarem seus processos de maneira gradual e sustentável. Diferentemente do CMMI, que apresenta uma abordagem mais abrangente, o MPS.BR se concentra nas necessidades locais, promovendo melhorias contínuas e fortalecendo a competitividade no mercado nacional. &nbsp; O MPS.BR destaca-se como um modelo acessível e eficaz para pequenas e&nbsp; médias empresas brasileiras, promovendo qualidade e competitividade. Segundo Carr, ele atende às demandas locais, reduzindo custos e permitindo a evolução gradual dos processos, adaptando-se à realidade nacional sem comprometer a sustentabilidade das organizações (Carr, 2023).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O MPS-BR é um modelo brasileiro desenvolvido para atender às necessidades específicas do mercado nacional, principalmente das pequenas e médias empresas. Sua estrutura foi pensada para oferecer uma alternativa mais acessível e flexível em relação a modelos internacionais, permitindo que organizações avancem na maturidade de seus processos sem enfrentar barreiras financeiras significativas. O modelo é dividido em sete níveis de maturidade, – G, F, E, D, C, B e A – organizados de forma a facilitar a evolução gradual das empresas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No nível G (Parcialmente Gerenciado), as empresas iniciam com práticas básicas para gerenciamento de projetos e garantia da qualidade. O nível F (Gerenciado) inclui maior controle sobre o planejamento e execução dos processos. À medida que avançam, os níveis E (Parcialmente Definido) e D (Largamente Definido) introduzem padronização e integração entre processos. No nível C (Definido), há consolidação das práticas organizacionais e maior foco na prevenção de problemas. Já nos níveis superiores, como A e B (Gerenciado Quantitativamente) e A (Em Otimização) as organizações alcançam excelência na gestão e na implementação de inovações para melhoria contínua.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Guedes (2015), o MPS.BR foi desenhado para oferecer um equilíbrio entre custo e benefício, permitindo que as empresas melhorem seus processos de forma sustentável e sem sobrecarregar recursos. Essa flexibilidade e adaptabilidade tornam o modelo não apenas uma alternativa ao CMMI, mas uma ferramenta que fortalece a competitividade no mercado nacional.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os modelos de maturidade têm como base uma ideia simples, mas poderosa: quando os processos de uma organização são bem definidos e organizados, o resultado será de maior qualidade. Por exemplo, no caso do CMMI, os níveis de maturidade começam com processos pouco estruturados, mas, à medida que a empresa sobe de nível, ela passa a ter processos mais controlados, padronizados e inovadores. Já no MPS.BR, os níveis também são organizados de forma que as empresas possam implementar melhorias aos poucos, o que facilita a adoção do modelo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses modelos não apenas ajudam a melhorar os produtos, mas também trazem benefícios para toda a organização. Eles ajudam a evitar desperdícios, a reduzir erros e até a diminuir os riscos durante o desenvolvimento de software. Com isso, as empresas conseguem planejar melhor seus projetos, entregar no prazo e atender às necessidades dos clientes com mais confiança. Além disso, esses modelos incentivam a capacitação das equipes, garantindo que os profissionais estejam preparados para lidar com os desafios do mercado.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, os modelos de maturidade, como o CMMI e o MPS.BR, têm um papel importante na evolução das empresas. Eles não apenas melhoram a qualidade dos produtos, mas também tornam as organizações mais competitivas e preparadas para enfrentar os desafios de um mercado em constante mudança.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Impactos dos Modelos de Maturidade na Qualidade e na Estratégia&nbsp;Organizacional&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1 Melhoria da Qualidade dos Produtos&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A adoção de modelos de maturidade, como o CMMI e o MPS.BR, tem um impacto direto e significativo na qualidade dos produtos desenvolvidos pelas empresas. Isso acontece porque esses modelos estruturam os processos de trabalho, reduzindo a ocorrência de erros e retrabalhos que podem comprometer o resultado. Assim, com práticas mais organizadas, as equipes conseguem entregar softwares mais confiáveis e alinhados às necessidades do mercado. Vasconcelos e Morais (2016) destacam que &#8220;a maturidade dos processos organizacionais está diretamente ligada à qualidade dos produtos entregues, impactando positivamente na satisfação do cliente&#8221;. Esse alinhamento entre práticas internas e resultados esperados é crucial para se destacar no mercado.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a padronização proporcionada pelos modelos de maturidade garante consistência nas entregas, independentemente da complexidade ou tamanho do projeto. Quando uma empresa consegue manter um padrão elevado de qualidade, ela fortalece sua credibilidade junto aos clientes e parceiros, o que abre novas oportunidades de negócios. Assim, os modelos de maturidade não são apenas ferramentas de gestão, mas também fatores estratégicos que contribuem para a criação de produtos robustos e&nbsp;&nbsp;confiáveis, essenciais para atender a um mercado cada vez mais exigente.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2 Alinhamento com a Estratégia Organizacional&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os modelos de maturidade também desempenham um papel importante no alinhamento entre os processos internos e a estratégia organizacional das empresas. Ao adotar práticas padronizadas e bem definidas, as empresas conseguem integrar suas atividades diárias aos objetivos de longo prazo. Isso significa que cada etapa do desenvolvimento do software passa a ser planejada e executada de forma a contribuir para as metas gerais da organização. Como afirmam Vasconcelos e Morais (2016), &#8220;a adoção de modelos de maturidade possibilita que as empresas direcionem seus esforços de maneira mais eficiente, alinhando qualidade e estratégia&#8221;. Essa integração é um diferencial competitivo importante.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro benefício é a melhoria na gestão estratégica das organizações. Com processos claros, torna-se mais fácil identificar prioridades e tomar decisões baseadas em dados concretos, reduzindo incertezas e aumentando a eficiência operacional. Assim, os modelos de maturidade ajudam as empresas a otimizarem recursos, evitar desperdícios e investir de maneira mais inteligente em projetos estratégicos. Esse alinhamento entre práticas organizacionais e objetivos estratégicos não apenas eleva a qualidade dos produtos, mas também fortalece a posição das empresas no mercado, garantindo sustentabilidade e crescimento contínuo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.3 Redução de Riscos e Vantagem Competitiva&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A redução de riscos é outro impacto significativo dos modelos de maturidade. Quando os processos são bem planejados e executados, as empresas conseguem prever problemas antes que eles aconteçam, evitando atrasos no cronograma e falhas no produto final. Esses modelos oferecem ferramentas para identificar pontos críticos nos projetos e tomar medidas preventivas, garantindo maior segurança nas decisões. Isso é especialmente importante em um mercado competitivo, onde erros podem custar caro. Segundo Vasconcelos e Morais (2016), &#8220;o controle sobre os processos diminui incertezas e fortalece a confiança dos clientes nos produtos entregues&#8221;.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, os modelos de maturidade contribuem para que as empresas se tornem mais competitivas. Com produtos de maior qualidade, entregues dentro do prazo e alinhados às expectativas dos clientes, as empresas conseguem se posicionar como líderes em seu segmento. Essa vantagem não é apenas comercial, mas também estratégica, pois fortalece a imagem da organização e aumenta sua capacidade de competir em mercados nacionais e internacionais. Em longo prazo, a adoção desses modelos se torna um investimento valioso, garantindo não apenas sustentabilidade, mas também inovação e relevância no setor.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. Análise e Resultado&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os modelos de maturidade desempenham um papel crucial na integração entre qualidade e estratégia organizacional. Ao analisar o CMMI e o MPS-BR, é possível identificar como suas características, níveis de maturidade e práticas recomendadas são estruturadas para atender diferentes contextos organizacionais. Ambos os modelos oferecem frameworks robustos que promovem a padronização e a melhoria contínua, mas cada um traz especificidades que os tornam adequados para diferentes tipos de empresas e mercados.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No CMMI, as áreas de processo abrangem desde práticas de gerenciamento organizacional até a engenharia e suporte técnico, totalizando 22 áreas. Esses processos são organizados em cinco níveis de maturidade, começando pelo nível Inicial, caracterizado por práticas ad hoc, até o nível Otimizado, onde a melhoria contínua é o foco. Segundo a DevMedia (2025), &#8220;a aplicação progressiva dos níveis do CMMI permite que as empresas alinhem seus processos às melhores práticas globais, reduzindo riscos e ampliando sua competitividade&#8221;. Isso demonstra a capacidade do modelo de funcionar como uma ferramenta estratégica de alcance global.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O MPS-BR, por sua vez, apresenta sete níveis de maturidade (G a A), organizados para facilitar a evolução gradual das empresas brasileiras. Suas áreas de processo são adaptadas às especificidades do mercado nacional, oferecendo uma abordagem mais acessível. Segundo a SOFTEX (2013), o modelo foi projetado para equilibrar custo e benefício, proporcionando às pequenas e médias empresas a oportunidade de alcançar maturidade organizacional sem sobrecarregar seus recursos. Essa adaptabilidade destaca o MPS-BR como uma alternativa viável para empresas que enfrentam barreiras econômicas e estruturais.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma diferença significativa entre os dois modelos está na escala de aplicação. Enquanto o CMMI é amplamente utilizado em mercados globais, o MPS-BR foca no mercado brasileiro, priorizando empresas de pequeno e médio porte. Essa especificidade torna o MPS-BR mais eficiente em atender às demandas locais, enquanto o CMMI se destaca em ambientes que exigem padronização internacional.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os níveis de maturidade de ambos os modelos também diferem em estrutura e objetivo. No CMMI, cada nível é projetado para adicionar maior controle e&nbsp;previsibilidade, enquanto no MPS-BR, os níveis promovem uma evolução mais gradual, permitindo que empresas menores implementem melhorias de forma sustentável. Para exemplificar essas diferenças e semelhanças de forma clara, a tabela a seguir resume os principais aspectos dos dois modelos, destacando suas áreas de processo, níveis de maturidade, práticas recomendadas e foco principal.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Table 1. Comparação entre CMMI e MPS-BR</strong></p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Aspectos</strong> &nbsp;</td><td><strong>CMMI</strong> &nbsp;</td><td><strong>MPS-BR</strong> &nbsp;</td></tr><tr><td>Áreas de Processo &nbsp;</td><td>22 áreas de processo cobrindo engenharia, suporte e &nbsp;gerenciamento organizacional. &nbsp;</td><td>Áreas de processo adaptadas à realidade brasileira, com foco em práticas locais. &nbsp;</td></tr><tr><td>Níveis de Maturidade &nbsp;</td><td>5 níveis: Inicial, Gerenciado, &nbsp;Definido, Gerenciado &nbsp;Quantitativamente, Otimizado. &nbsp;</td><td>7 níveis: G (Gerenciado Parcialmente) a A (Em Otimização). &nbsp;</td></tr><tr><td>Práticas &nbsp;Recomendadas &nbsp;</td><td>Melhoria contínua baseada em práticas globais. &nbsp;</td><td>Práticas adaptadas às empresas brasileiras, com custo reduzido. &nbsp;</td></tr><tr><td>Foco Principal &nbsp;</td><td>Aprimorar processos em organizações de qualquer porte globalmente. &nbsp;</td><td>Apoiar pequenas e médias empresas no mercado nacional. &nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Feito pelo autor, com base nos dados de Guedes (2015) e Mello e Galdamez (2016). &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ambos os modelos compartilham a premissa de que processos bem definidos resultam em maior qualidade nos produtos finais. Essa conexão entre qualidade e estratégia é uma característica-chave que torna os modelos essenciais para empresas que buscam crescer de maneira sustentável. A integração de práticas operacionais ao planejamento estratégico ajuda a alavancar competitividade e mitigar riscos, conforme demonstrado pelas aplicações de ambos os modelos em diferentes setores.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma análise comparativa detalhada entre os modelos revela que, apesar de diferenças estruturais, ambos compartilham práticas recomendadas que incluem gestão de riscos, controle de qualidade e melhoria contínua. Essas práticas reforçam a confiabilidade das entregas, garantindo produtos mais consistentes e alinhados às expectativas dos clientes.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. Considerações finais&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os modelos de maturidade CMMI e MPS-BR evidenciam-se como ferramentas estratégicas para a padronização e melhoria contínua no desenvolvimento de software, promovendo qualidade e alinhamento organizacional. Cada modelo possui características específicas que os tornam relevantes para diferentes contextos, mas ambos compartilham o objetivo de conectar processos operacionais à visão estratégica das empresas. Nesse contexto, a escolha entre os modelos MPS-BR e CMMI para aprimorar os processos de software deve levar em consideração as necessidades específicas de cada organização (MORAIS; VASCONCELOS, 2009).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O CMMI se destaca por sua abrangência global, estruturado em cinco níveis de maturidade que visam adicionar controle, previsibilidade e excelência ao gerenciamento de processos. Esse modelo é amplamente reconhecido por oferecer uma abordagem robusta e alinhada às práticas internacionais, permitindo que organizações de grande porte alcancem eficiência e padronização em suas operações. Sua implementação, no entanto, é desafiadora para empresas menores, principalmente devido aos custos elevados e à complexidade dos requisitos necessários para a certificação.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já o MPS-BR apresenta-se como uma solução adaptada ao mercado brasileiro, com sete níveis de maturidade que promovem uma evolução gradual e acessível para pequenas e médias empresas. Sua abordagem local e economicamente viável foi projetada para atender às limitações financeiras e estruturais dessas organizações, sem comprometer a qualidade e a competitividade. O modelo incentiva práticas alinhadas à realidade nacional, oferecendo às empresas uma alternativa eficiente para a melhoria de seus processos e posicionamento estratégico.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ambos os modelos compartilham características fundamentais, como a organização das áreas de processo, a ênfase na melhoria contínua e a redução de riscos, que são cruciais para fortalecer a confiança no mercado e ampliar a capacidade de inovação. Apesar de suas diferenças, a análise demonstrou que o CMMI e o MPS-BR não são mutuamente exclusivos; ao contrário, eles podem se complementar, oferecendo soluções adequadas tanto para empresas que operam em mercados globais quanto para aquelas focadas no contexto local. Porém a decisão pelo modelo mais apropriado deve ser embasada em uma análise criteriosa de fatores como recursos disponíveis, cultura organizacional e objetivos da empresa (GUEDES, 2014).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, conclui-se que os modelos de maturidade representam ferramentas essenciais para alinhar a qualidade dos processos às estratégias organizacionais, permitindo às empresas integrar de maneira eficiente suas operações aos seus objetivos de longo prazo. Ao conectar práticas bem definidas à visão estratégica, esses modelos reforçam sua importância na construção de organizações mais competitivas, eficientes e preparadas para os desafios do mercado.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7. Referências&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Salviano, C. F.; Jino, M.; Mendes, M. J. (2004) &#8220;Towards an ISO/IEC 15504-Based Process Capability Profile Methodology for Process Improvement (PRO2PI)&#8221;. In: Proceedings of SPICE 2004: The Fourth International SPICE Conference on Process Assessment and Improvement, Lisbon, Portugal, p. 77-84, April 28-29.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rocha, A. R. C.; Maldonado, J. C.; Weber, K. C. (2001) <em>Qualidade de Software: Teoria e Prática.</em> São Paulo: Prentice Hall.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Guedes, R. M. (2015) &#8220;Fatores que influenciam na migração do MPS.BR para o CMMI nas empresas de software brasileiras.&#8221; Disponível em:&nbsp;<a href="https://typeset.io/papers/fatores-que-influenciam-na-migracao-do-mps-br-para-o-cmmi-110ln2uhco">https://typeset.io/papers/fatoresque-influenciam-na-migracao-do-mps-br-para-o-cmmi110ln2uhco. </a>Acesso em: 17 jan. 2025.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mello, V. M.; Galdamez, E. V. C. (2016) &#8220;Gestão de projetos adaptada aos modelos de melhoria de processos CMMI-DEV e MPS-BR.&#8221; <em>Revista Tecnológica</em>, v. 25, n. 1, p. 27385. Disponível em: <a href="https://typeset.io/papers/gestao-de-projetos-adaptada-aos-modelos-de-melhoria-de-vrp47wgxoo">https://typeset.io/papers/gestao-de-projetos-adaptadaaosmodelos-de-melhoria-de-vrp47wgxoo. </a>Acesso em: 19 jan. 2025.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Furtado, J. C. C.; Oliveira, S. R. B. (2012) &#8220;A Process Framework for the Software and&nbsp;&nbsp;Related Services Acquisition Based on the CMMI-ACQ and the MPS.BR Acquisition Guide.&#8221; <em>IEEE Latin America Transactions</em>, v. 10, n. 8, p. 6418130. Disponível em:&nbsp;<a href="https://typeset.io/papers/a-process-framework-for-the-software-and-related-services-mb8r1eayyk">https://typeset.io/papers/a-process-framework-for-the-software-and-relatedservicesmb8r1eayyk. </a>Acesso em: 19 jan. 2025.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pressman, R. S. (2006) <em>Engenharia de software: uma abordagem profissional.</em> 6. ed. São Paulo: McGraw-Hill.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vasconcelos, A.; Morais, L. (2012b) &#8220;Modelos de Maturidade para Processos de Software: CMMI e MPS.BR.&#8221; <em>SOFTEX &#8211; Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro, Guia de Implementação – Parte 11: Implementação e Avaliação do MR-MPS-SW:2012 em Conjunto com o CMMI-DEV v1.3,</em> Brasil.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Universidade Estadual do Pará (UEPA)&nbsp;&nbsp;Caixa Postal 66050-540 &#8212; R. do Úna, n° 156 &#8211; Telégrafo &#8212; Belém &#8212; RS &#8212; Brazil&nbsp;&#8211; {fabrito_pa}@gmail.com, {adrielycarvalhedoca02}@gmail.com&nbsp;e {yagorodriguescabral}@gmail.com</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL NO CONTEXTO DE CADEIA DE SUPRIMENTOS NA ERA DA INDÚSTRIA 4.0: UMA PERSPECTIVA DA LINGUAGEM, DO DISCURSO E DA HISTÓRIA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/aprendizagem-organizacional-no-contexto-de-cadeia-de-suprimentos-na-era-da-industria-4-0-uma-perspectiva-da-linguagem-do-discurso-e-da-historia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Jan 2025 14:37:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Sistemas de informação]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 142/JAN 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=192911</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th102501180755 Lincoln Nilo PereiraJeanfrank Teodoro Dantas Sartori RESUMO A Indústria 4.0 traz desafios significativos às organizações, impactando profundamente o acesso à informação, a automação e os processos organizacionais. Na Gestão da Cadeia de Suprimentos, essas mudanças têm impulsionado soluções ágeis e maior integração entre pessoas, processos e fluxos. Este estudo explora os efeitos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th102501180755</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Lincoln Nilo Pereira<br>Jeanfrank Teodoro Dantas Sartori</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Indústria 4.0 traz desafios significativos às organizações, impactando profundamente o acesso à informação, a automação e os processos organizacionais. Na Gestão da Cadeia de Suprimentos, essas mudanças têm impulsionado soluções ágeis e maior integração entre pessoas, processos e fluxos. Este estudo explora os efeitos da Indústria 4.0 na aprendizagem organizacional no contexto das cadeias de suprimento, com foco na perspectiva da linguagem, do discurso e da história. Foi realizada uma revisão de literatura que permitiu mapear práticas e ferramentas discutidas na academia sobre o tema. Os resultados indicam que a aprendizagem organizacional enfrenta a necessidade de ambientes mais propícios ao compartilhamento de conhecimento e de maior incorporação de fundamentos filosóficos relacionados à linguagem e ao discurso, pois estes oferecem subsídios para a construção de narrativas organizacionais coerentes e para a gestão eficaz do conhecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras</strong>&#8211;<strong>chave</strong>: Aprendizagem Organizacional. Cadeia de Suprimentos. Indústria 4.0. Linguagem. Gestão do Conhecimento.</p>



<h5 class="wp-block-heading">ABSTRACT</h5>



<p class="wp-block-paragraph">The current scenario of Industry 4.0 can be considered challenging for organizations. Information access has changed drastically, automation has become an even more present reality and organizational aspects have been modified to meet the demands that this new era brings. The Supply Chain Management area, on the other hand, benefited greatly from the changes that were employed, making the process that integrates a lot of components such as people, information, customers, suppliers, processes and flows thus providing agile solutions to the problems in the area. This research is proposed to further understand how Organizational Learning theory and practice, within the context of the supply chain, have been affected by Industry 4.0 . To achieve that goal, this research used the literature review to survey and analyze the available scientific knowledge on the topic. As a result, it was possible to detect that an Organizational Learning area needs to find tools and practices to make organizational environments more conducive to knowledge sharing, in an approach that takes greater use of the philosophical concepts of language, discourse and history.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Organizational Learning. Supply chain. Industry 4.0. Language. Knowledge management.</p>



<h5 class="wp-block-heading">1&nbsp; INTRODUÇÃO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O contexto organizacional sempre foi um dos principais objetos de pesquisas abordado por diversas áreas (Lawrence e Lorsch, 1967; Woodward, 1965). Na atualidade, esse contexto tem sofrido diversas modificações com a automatização dos sistemas de informação que utilizam de ferramentas e artefatos cada vez mais modernos e com troca de dados e informações com maior agilidade (Laudon e Laudon, 2016; Brynjolfsson e McAfee, 2014). A adaptação das organizações a esse novo cenário apresentado pela Indústria 4.0 tem levantado diversos questionamentos de como será realizada a gestão organizacional nos próximos anos e como ela correrá mediante a essa nova era.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os principais desafios destacam-se a integração de novas tecnologias nos processos existentes, bem como o impacto dessa automação nas rotinas organizacionais, particularmente na melhoria da eficiência e na agilidade da troca de dados e informações (Laudon e Laudon, 2016). Além disso, é necessário explorar as competências que os profissionais devem desenvolver para se adaptarem a sistemas mais modernos e automatizados, bem como avaliar os custos e benefícios associados à implementação dessas tecnologias (Brynjolfsson e McAfee, 2014). A segurança e a privacidade dos dados também emergem como questões centrais, dada a crescente dependência de sistemas digitais integrados (Lawrence e Lorsch, 1967). Por fim, a análise das implicações culturais e éticas da substituição de tarefas humanas por tecnologias avançadas revela-se indispensável, considerando os possíveis efeitos na cultura organizacional e na resistência às mudanças (Woodward, 1965).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, temos, dentro do contexto organizacional, setores onde a Indústria 4.0 tem apresentado benefícios, como no caso da Cadeia de Suprimentos, que é responsável por todo o gerenciamento da cadeia produtiva por meio de uma rede interligada, possibilitando que a tomada de decisão seja eficiente e eficaz, trazendo soluções para as demandas desses setores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando que a Aprendizagem Organizacional ocorre através do relacionamento entre as pessoas e suas interações (BRUSAMOLIN; SUAIDEN, 2014) e que o conhecimento que só pode ser criado pelos indivíduos (TAKEUCHI; NONAKA, 2008), esta pesquisa se propõe a investigar como as ações de aprendizagem organizacional, dentro do contexto da cadeia de suprimentos, têm sido afetadas pela Indústria 4.0.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As abordagens desta pesquisa podem ser contribuições importantes para a aprendizagem organizacional, principalmente no que diz respeito a era desafiadora que é a Indústria 4.0, tão atuante na cadeia de suprimentos.</p>



<h5 class="wp-block-heading">2&nbsp; REVISÃO DE LITERATURA</h5>



<p class="wp-block-paragraph">APRENDIZAGEM E CONHECIMENTO ORGANIZACIONAL</p>



<p class="wp-block-paragraph">No ambiente corporativo constantemente temos novas experiências e compartilhamos inúmeras informações entre colaboradores, as quais permitem implementar melhorias nas competências e habilidades existentes, alcançando metas e prospectando melhores resultados estratégicos gerenciais e operacionais (Nonaka e Takeuchi, 1997; Davenport e Prusak, 1998; Choo, 2003).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos de Mezirow (1996), sobre a Teoria da Aprendizagem Transformativa, que identifica a validade da aprendizagem instrumental, agrega a contribuição dos cognitivistas à teoria da ação de Habermas (1984).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa perspectiva, temos o conceito de aprendizagem instrumental e consequentemente o conceito de aprendizagem comunicativa assumindo-as como complementares e absorvidas nesse processo de aprendizagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Habermas (1972) confere ao diálogo racional um papel essencial na validação de significados, porém, segundo este autor, é pelo interesse emancipatório que o sujeito se liberta dos vínculos contextuais e organizacionais, o que, para Choo (2003), teria uma aplicação direta ao ambiente organizacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, Mezirow (1991) inclui os aspectos culturais em suas abordagens de aprendizagem de adultos e enfatiza a experiência anterior do indivíduo, bem como o conhecimento tácito, como fatores centrais na construção de significados. Para o autor, a aprendizagem transformadora ocorre por meio da reflexão crítica sobre pressupostos adquiridos culturalmente, o que permite a reinterpretação de experiências e a construção de novos significados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No ambiente corporativo há a existência de um conhecimento cultural que relata as estruturas cognitivas e afetivas utilizada pelos colaboradores para perceber, explicar, avaliar e construir a realidade (CHOO, 2003). Segundo este autor, as crenças, normas e valores determinariam a base organizacional no qual os integrantes construiriam sua realidade e entenderiam a relevância das novas informações. Este tipo de conhecimento consiste da base das estruturas cognitivas e afetivas que são usadas habitualmente pelos membros de uma organização para perceber, explicar, avaliar e construir a realidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, Choo (2003) também inclui suposições e crenças organizacionais, as quais são utilizadas para descrever e explicar a realidade, bem como as convenções e expectativas utilizadas para atribuir valores e significados às novas informações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As experiências anteriores, valores éticos, normas e metas individuais, são os principais componentes na construção do conhecimento. Segundo Mezirow (1996), a edificação desses novos aspectos daria ao indivíduo o embasamento e elementos necessários para orientá-los em suas futuras ações e nas tomadas de decisões corporativas. De modo análogo, Choo (2003) destaca que o aprendizado das organizações também se faz considerando a experiência passada, refletida em normas, políticas, valores e metas organizacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, no contexto organizacional da aprendizagem, a definição de conhecimento – o objeto principal da aprendizagem – assumiu um significado expressivamente contrastante com o epistemológico (SCHWARTZ, 2006). Esse contraste se dá porque, enquanto a epistemologia tradicional frequentemente define conhecimento como algo formal, universal e baseado em proposições lógicas, no ambiente organizacional ele é muitas vezes entendido como tácito, situacional e dependente do contexto. No âmbito corporativo, conhecimento é visto como um ativo estratégico, dinâmico e moldado pelas interações humanas, refletindo normas e práticas compartilhadas (Nonaka &amp; Takeuchi, 1997).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A razão para essa diferença reside na necessidade de as organizações lidarem com problemas complexos e mutáveis, onde o conhecimento deve ser imediatamente aplicável e adaptável. Como afirma Schwartz (2006), as organizações tendem a valorizar o conhecimento que promove inovação e eficiência em resposta às mudanças ambientais, superando as limitações de definições puramente teóricas. Assim, surge o questionamento: como as organizações podem integrar essas duas visões – epistemológica e organizacional – para equilibrar a validade teórica do conhecimento com sua aplicabilidade prática? Essa questão é central para a aprendizagem organizacional e para a criação de um ambiente propício ao desenvolvimento sustentável e inovador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por sua vez, Rumizen (2002, p. 6) define conhecimento como “informação contextualizada para produzir uma compreensão aplicável [em prática]”, enquanto Davenport e Prusak entendem que</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O conhecimento é uma mistura fluida de experiência emoldurada, valores, informações contextuais e insights especializados que fornecem uma estrutura para avaliar e incorporar novas experiências e informações. Ela se origina e é aplicada na mente dos conhecedores. Nas organizações, muitas vezes ele se torna incorporado não apenas nos documentos ou repositórios, mas também em rotinas organizacionais, processos, práticas e normas (1998, p. 5).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Deste modo, o conhecimento compreendido no contexto e escopo organizacional é definido como uma ferramenta pragmática relacionada às experiências, ao compartilhamento de insights e ao apoio à execução de tarefas práticas. Esse conhecimento pode ser classificado como algo compartilhado, voltado a um conjunto de atividades específicas, distribuído e enraizado em uma perspectiva cultura-histórica (IIVARI, 2000; SCHWARTZ, 2006).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A abordagem cultura-histórica refere-se à ideia de que o conhecimento não é apenas o resultado de capacidades individuais ou interações contemporâneas, mas é moldado por práticas, valores e significados acumulados ao longo do tempo dentro de uma organização ou sociedade. Essa visão enfatiza como as tradições e os contextos culturais influenciam a forma como o conhecimento é criado, interpretado e aplicado, reconhecendo que o aprendizado e a prática organizacional estão intimamente conectados a legados históricos e sociais (Schwartz, 2006; Vygotsky, 1978).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Schwartz (2006) defende que haveria limitações quanto a abordagem tradicional de epistemologia para a gestão do conhecimento, uma vez que a gestão do conhecimento está centrada na produção, apropriação e uso do conhecimento numa perspectiva compartilhada enquanto que a abordagem tradicional de epistemologia busca suas explicações e justificativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Schwartz (2006), as pontes mais produtivas entre a epistemologia e a gestão do conhecimento repousariam sobre a filosofia da ciência e a epistemologia social. Todavia, ainda assim há um distanciamento impróprio na medida em que se busca uma escolha seletiva e pontual de toda uma ciência que trata de conhecimento, sendo esse tácito ou explícito e irrevogavelmente o objeto também da gestão do conhecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CADEIA DE SUPRIMENTOS 4.0</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas primeiras décadas do terceiro milênio, as transformações promovidas pela 4.ª Revolução Industrial progressivamente tem afetado, direta e intensamente, a cadeia de suprimentos e sua gestão, uma vez que são obviamente indissociáveis do processo industrial que atualmente objeto do referido processo disruptivo. Todavia, pesquisadores apontam que o estudo científico desses impactos ainda é limitado na literatura, na qual o tema vem sendo chamado pelos autores de Supply Chain 4.0 (numa analogia com a Indústria 4.0), guardando superimposição com a temática da presente pesquisa (FREDERICO <em>et al.</em>, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Indústria 4.0, também chamada de quarta revolução industrial, ganhou tal denominação a partir da introdução do termo em alemão “Industrie 4.0”, em 2011, por Hannover Fair, e equivalente ao que a General Electric chamou, nos Estados Unidos, de internet industrial. Estabelecida conceitualmente <em>ex-ante</em>, portanto previamente, consiste, basicamente, na adoção de sistemas cyber-físicos na indústria, em um fenômeno ainda em sua fase inicial neste princípio do século XXI (GHOBAKHLOO, 2018; KAGERMANN; WAHLSTER; HELBIG, 2013; DRAGICEVIC <em>et al.</em>, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A indústria 4.0, na presente compreensão sobre o tema, pode ser vista como um conjunto de 14 tecnologias e 12 princípios que juntos estão transformando os processos industriais, as cadeias produtivas e os próprios produtos. A Figura 1 ilustra esses aspectos (Ghobakhloo, 2018). Está também associada ao conceito de tecnologias com crescimento exponencial, uma vez que se potencializam umas às outras promovendo um desenvolvimento continuamente acelerado, que por sua vez afeta e transforma a indústria, os processos e a cadeia produtiva. E as mudanças nestes permite o desenvolvimento de novas tecnologias e, assim, cria-se um ciclo no qual espera-se uma revolução dinâmica e célere (Schlaepfer e Koch, 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Figura 1 &#8211; Princípios e tecnologias da indústria 4.0</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="704" height="693" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-838.png" alt="" class="wp-image-192912" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-838.png 704w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-838-300x295.png 300w" sizes="(max-width: 704px) 100vw, 704px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Adaptado de Ghobakhloo (2018, p. 914)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre as pesquisas disponíveis, destaca-se como efeito da indústria 4.0 nas cadeias de suprimento a perspectiva de intensa adoção das novas tecnologias, sendo que a Internet das Coisas (em inglês IOT – <em>Internet of Things</em>) é a mais frequentemente mencionada, tendo como um dos possíveis efeitos o incremento ainda maior da dispersão do processo produtivo potencializada justamente pela adoção desses novos recursos tecnológicos (FREDERICO <em>et al.</em>, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Frederico et al. (2019) destacam que as novas tecnologias necessitam do suporte de competências e de gestão para que seus efeitos possam extrair os resultados estratégicos desejados a partir dos processos e requisitos de performance da cadeia e participantes, conforme sumarizado no modelo apresentado na Figura 1.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A complexidade inerente às cadeias de suprimento, bem como a concorrência por clientes e eficiência, induz à necessidade de que todos os fluxos e processos não sejam isolados nem deixados sob a gestão fracionada das diversas empresas individualmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LINGUAGEM, DISCURSO E HISTÓRIA NO CONTEXTO ORGANIZACIONAL</p>



<p class="wp-block-paragraph">A linguagem tem nas organizações um importante papel na manutenção da coerência, no sentido de ordem e alinhamento ao direcionamento estratégico – ainda que aparentes –, mesmo em meio a inúmeros fatores, interesses e concepções por vezes conflitantes e divergentes (ASTLEY; ZAMMUTO, 1992).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tal perspectiva da linguagem não deve ser erroneamente compreendida de modo simplista, pois não se trata apenas do conteúdo comunicado, mas também do contexto em que está inserido. Além disso, a linguagem atua como um meio para reinterpretar e reconfigurar esse conteúdo dentro de novos contextos. Afinal, “nós não apenas relatamos e descrevemos com linguagem; também criamos com ela (&#8230;) provendo um ponto de vista (um contexto) no qual nós conhecemos a realidade e orientamos nossas ações” (BOJE; OSWICK; FORD, 2004, p. 571).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para estes autores, as organizações não existem de modo independente da linguagem, uma vez que elas podem ser entendidas como discursos colaborativos e contenciosos, como práticas materiais do texto e da fala, como fenômenos na linguagem e da linguagem (BOJE; OSWICK; FORD, 2004).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, o significado do discurso transcende a sentença isolada, sendo indissociável dos atos ilocutórios e perlocucionários. Os atos ilocutórios referem-se à intenção do falante ao proferir uma enunciação, como afirmar, questionar ou prometer, enquanto os atos perlocucionários dizem respeito aos efeitos produzidos no interlocutor, como persuadir, emocionar ou motivar uma ação. No discurso, a intenção subjetiva do sujeito que se expressa e o significado se sobrepõem e se tornam indissociáveis e indistinguíveis, enquanto no discurso escrito, isso não é integralmente preservado e essa dissociação, ainda que parcial, é o grande desafio do registro do discurso (RICOEUR, 1979).</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, quando a exegese limita seus procedimentos em torno do significado de um texto, rompe-se deste o vínculo com subjetividade e a intenção do autor do discurso, reduzindo assim tanto a completude e a fidedignidade da interpretação. Na ausência física e psicológica do autor, somente a interpretação e não a exegese – é capaz de resgatar essa plenitude do significado, o significado salvando o significado (RICOEUR, 1979).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No discurso oral, temos referências ostensivas que são proporcionadas por gestos, entonações, expressões etc., aspectos esses que nunca são plenamente transpostos para o discurso escrito. Permanecem as referências mas em uma escala menor, de mundo (<em>welt</em>) fala de uma situação (<em>unwelt</em>) deste, mas abrindo a leitor a possibilidade explorá-lo. A escrita liberta o discurso não apenas do autor, mas também da situação, estabelecendo sua função de projetar o mundo. O discurso é destinado a alguém, um público. No oral há um público, enquanto no escrito tem-se potencialmente qualquer um que saiba ler naquela linguagem (RICOEUR, 1979).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estabelece-se, assim, a relação entre a explicação e entendimento/compreensão nas ciências humanas, que o autor propõe em termos de ler e escrever como solução para o paradoxo metodológico. O discurso escrito reveste-se de objetividade e, deste modo, a sua interpretação pode metodologicamente se ater a explicação nos limites linguísticos dessa mesma objetividade, esquivando-se de transpor aspectos subjetivos alheios aos sinais efetivamente registrados (RICOEUR, 1979).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reconstrução do significado ou da interpretação de um texto escrito requer a contribuição das partes para a compreensão do todo e a contribuição do todo para a compreensão das partes, num processo cíclico que subsidia o “<em>guessing</em>”. Essa reconstrução do texto por um processo de validação (ainda que não possibilite a definitiva verificação) constitui-se um complemento moderno a dialética entre <em>Erklären </em>(explicar) e <em>Verstehen </em>(compreender), apenas não se tornando um círculo vicioso pela presença da invalidação juntamente com a validação, além de níveis distintos de probabilidade de uma dada interpretação ser correta. Existe, assim, um conjunto limitado de interpretações possíveis. A partir desses constructos, o autor defende o paralelo entre os procedimentos da crítica literária àquela das ciências sociais (RICOEUR, 1979).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por sua vez, Bannell (2006) debate as relações entre a comunicação e a razão e, por meio desta, com o conhecimento. Defende a (re)construção de uma voz da razão ou da sua expressão linguisticamente tangível, presumindo a remoção da subjetividade em prol dos argumentos que pretendam justificar a validade (ou rejeição) de dada proposição, sendo para o autor os únicos eficazes para transformar opinião em conhecimento. Defende, assim, a análise ou o estudo da comunicação sem a qual não seria possível resgatar a reflexão como prática histórica e constitutiva das relações sociais: “É por intermédio da comunicação que nós estabelecemos relações com o mundo”. Propõe, ainda, três dimensões de mundo (BANNELL, 2006):</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tabela 1 – Três dimensões de mundo</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>Mundo Natural</td><td>Mundo Social</td><td>Mundo Subjetivo</td></tr><tr><td>&nbsp; Construção do conhecimento verdadeiro sobre o mundo de fatos e estados de coisas</td><td>Por meio da crítica ou do resgate das normas, valores, significados compartilhados etc. que regula, normativamente, as interações entre pessoas.</td><td>&nbsp; Por meio da crítica ou do resgate da sinceridade da subjetividade do indivíduo e de um projeto individual de vida.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Bannel (2006)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa relação, segundo o autor, não ocorre em qualquer tipo de argumentação, mas especificamente em argumentações do tipo convencional, nas quais há uma forte influência de fatores sociais, culturais e temporais. Esses fatores podem estabelecer “verdades incontestáveis” dentro de um contexto específico, como em tradições ou normas de um grupo ou época histórica, mas que, fora desse contexto, podem não ser necessariamente válidas ou aceitas. Para o autor, a argumentação válida é a pós- convencial, pois extrapola os contextos específicos na pretensão de validade universal (aceito em qualquer contexto). Ficam de fora, assim, aspectos estéticos e éticos, pois irremediavelmente se encontram vinculados a um contexto específico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bannel (2006) sustenta ainda a fundamentação da razão comunicativa na linguagem, que, baseado em Humboldt (1999), possuiria três funções: cognitiva, expressiva e comunicativa, existindo distinção entre análise semântica (visão de mundo linguística) e análise pragmática (diálogo, discurso com perguntas, respostas e objeção). Destaca o quanto a linguagem, por ser coletiva, estabelece uma rede de significados, constituindo o órgão formativo do pensamento. Assim, seria fundamental reconstruir uma competência comunicativa que liberte o homem do bloqueio à racionalidade imposta pelos significados e normas já compartilhados, ao que ele chama de pragmática formal, um dos pilares de sua construção teórica do tema (BANNELL, 2006).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o conceito de jogo de linguagem é introduzido por Wittgenstein (1953), demonstrando como o contexto histórico é fonte da qual derivam as palavras em uso na organização social e, também, das chaves para a “correta” reconstrução de seu significado, de sua interpretação (WITTGENSTEIN, 1953).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, as histórias dentro do contexto organizacional podem ser encontradas a partir da aceitação da Gestão do Conhecimento dentro do ambiente organizacional, por meio das novas práticas de gestão que tem reconhecido o ser humano com o detentor do recurso mais valioso: o conhecimento. Como as interações entre os indivíduos ocorre por meio da linguagem, os estudos dentro da área de Gestão do Conhecimento também têm buscado aspectos linguísticos e de comunicação como procedimentos para os propósitos gerenciais, como o corre com as narrativas (BRUSAMOLIN; SUAIDEN, 2014).</p>



<h5 class="wp-block-heading">3&nbsp; METODOLOGIA</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A presente pesquisa constitui-se em uma pesquisa exploratória, uma vez que, conforme classificado por Gil (2008, p. 27), tem a intenção de desenvolver, modificar ou esclarecer as ideias e os conceitos a partir da formulação de um problema preciso. A abordagem desse estudo é quanlitativa e trata-se de uma pesquisa descritiva, onde os pesquisadores analisam os seus dados indutivamente e tem como foco o processo e significado do que se pesquisa. (PRODANOV; FREITAS, 2013, p. 70).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para atender os objetivos que esta pesquisa elencou foi realizado um levantamento bibliográfico sobre as temáticas, tornando possível construir uma revisão de literatura que auxiliou na compressão de como a aprendizagem organizacional foi discutida pela comunidade acadêmica na perspectiva da cadeia de suprimentos que, atualmente, sofre as modificações causadas pela Indústria 4.0.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Prodanov e Freitas (2013, p. 131), a revisão da literatura apresenta como o pesquisador está atualizado sobre as descobertas recentes sobre as discussões no campo do qual ele investiga, através de artigos, livros, monografias, dissertações e teses, sendo excelentes fontes de consulta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise e discussão deste estudo ocorreu após a seleção dos trabalhos de fontes primárias, partindo da interpretação que foram atribuídas ao estudo por meio das percepções dos autores e de suas ideias sobre como a aprendizagem e conhecimento acontecem dentro das organizações, considerando os aspectos que envolvem a cadeia de suprimentos e as ferramentas como linguagem, discurso e histórias que são incorporadas no contexto organizacional no qual se encontra hoje na era da Indústria 4.0.</p>



<h6 class="wp-block-heading">4&nbsp; DISCUSSÃO</h6>



<p class="wp-block-paragraph">Os conceitos de linguagem e discurso possuem o potencial de contribuir com o estudo e a aplicação das teorias de aprendizagem organizacional, uma vez que proporcionam as bases para uma perspectiva mais ampla não apenas quanto ao fenômeno do conhecimento, mas também para os esforços gerenciais de transformação deste em um ativo organizacional, que transcenda temporalmente a passagem dos colaboradores pela organização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se a linguagem e o discurso possuem relevância na construção de uma narrativa de coerência geral de uma empresa (ASTLEY; ZAMMUTO, 1992 (Alvesson e Deetz, 1999)), de forma analógica é possível e coerente propor a hipótese de que a mesma importância estaria presente na construção de uma cultura organizacional que valorize e estimule a criação e o compartilhamento do conhecimento (Marchiori, 2010; Oliveira, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do mesmo modo, se as organizações não existem de forma independente da linguagem, mas nela e por ela se manifestam (BOJE; OSWICK; FORD, 2004), é razoável conceber que a aprendizagem seja, enquanto um processo organizacional, igualmente indissociável da linguagem e do discurso. Todavia, a literatura científica deste campo acadêmico parece pouco explorar essas relações, sendo que um possível ponto de contato inicial pode estar no modelo Ba (NONAKA; TOYAMA; KONNO, 2000), que descreve espaços compartilhados, físicos ou virtuais, onde ocorre a criação, o compartilhamento e a ampliação do conhecimento organizacional de maneira dinâmica e colaborativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A linguagem e o discurso talvez possam enriquecer tal modelo, a partir de uma melhor compreensão de diversos aspectos de como se dá a referida interação e de como, a partir da ação gerencial, é possível uma intervenção que potencialize os efeitos buscados por meio da aprendizagem organizacional e da gestão do conhecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, a narrativa construída a partir da linguagem e do discurso com vistas a atender aos respectivos objetivos devem possuir lastros na prática organizacional, no sentido de que as histórias – um importante elemento da cultura organizacional – serão um relevante aspecto a reforçar ou desconstruir a narrativa intentada, cuja ausência de coerência fatalmente levará ao insucesso de sua sustentação no médio e no longo prazo (Weick e Browning, 1986; Vargas Pedraza, 2012; Gill, 2011; Carramenha, 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A construção histórica do discurso e da narrativa, aliada a perspectiva temporal discutida no conceito do jogo de linguagem (WITTGENSTEIN, 1953), possa reforçar a defesa de que a aprendizagem organizacional e a gestão do conhecimento devem ser um esforço e um investimento de longo prazo nas organizações, uma vez que seriam inviáveis que os frutos duradouros das necessárias intervenções sejam intensamente percebidos no curto e médio prazo.</p>



<h5 class="wp-block-heading">5&nbsp; CONSIDERAÇÕES FINAIS</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A teoria e a prática da aplicação das teorias de aprendizagem nas organizações e da gestão do conhecimento talvez ainda se sustente demasiadamente na busca de ferramentas, práticas e na criação de um ambiente favorável ao fluxo de conhecimento, em detrimento de uma visão mais ampla de tal processo, que contemple mais intensamente a perspectiva linguístico-discursiva das organizações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, o debate filosófico concernente aos aspectos concernentes a interpretação do discurso oral e escrito – e as particularidades de cada um destes meios – pode proporcionar contribuições importantes para a aprendizagem organizacional, especialmente no cenário ainda mais desafiador e complexo que se apresenta nas cadeias de suprimento na era da indústria 4.0.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adicionalmente, pode vir a apresentar-se como contribuição a exploração de questões relacionadas a aplicação da perspectiva da razão comunicativa (BANNELL, 2006), em especial na interação com o mundo social e, neste, particularmente o contexto organizacional, como meio para a propagação dos fluxos do conhecimento e dos esforços de estímulo à aprendizagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Destarte, a partir das proposições de parte dos autores, sugere-se que futuras investigações acadêmicas possam explorar como a linguagem e o discurso possam contribuir para uma maior efetividade da aprendizagem organizacional e da gestão do conhecimento no atingimento dos seus objetivos de longa data estabelecidos na literatura, mas não frequentemente alcançados em sua plenitude e potencial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, futuras pesquisas poderiam explorar se o mencionado distanciamento da visão de conhecimento, entre a epistemologia e gestão do conhecimento, é coerente e necessário, explorando o quão viável e benéfico seria a busca por aproximá-las ou convergi-las.</p>



<h5 class="wp-block-heading">REFERÊNCIAS</h5>



<p class="wp-block-paragraph">ASTLEY, W. G.; ZAMMUTO, R. F. Organization Science, Managers, and Language Games. <strong>Organization Science</strong>, v. 3, n. 4, p. 443-460, 1992.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BALLOU,&nbsp;&nbsp; R.&nbsp;&nbsp; H.&nbsp;&nbsp; <strong>Gerenciamento</strong><strong>&nbsp;&nbsp; da&nbsp;&nbsp; Cadeia&nbsp;&nbsp; de&nbsp;&nbsp; Suprimentos&nbsp;&nbsp; /&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Logística Empresarial</strong>. Porto Alegre: Bookman Companhia Editora, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BANNELL, R. I. <strong>Haberas &amp; a Educação</strong>. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BOJE, D. M.; OSWICK, C.; FORD, J. D. Language and organization: the doing of discourse. <strong>Academy of Management Review</strong>, v. 29, n. 4, p. 571-577, 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRUSAMOLIN, V; SUAIDEN, E. J., <strong>Aprendizagem Organizacional</strong>: o impacto das narrativas. 1º Ed. Curitiba: Appris, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHOO, C. W. <strong>A Organização do Conhecimento</strong>. São Paulo: Senac, 2003.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHOPRA, S.; MEINDL, P. <strong>Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos: </strong>estratégia, planejamento e operação. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2003.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DAVENPORT, T. H.; PRUSAK, L. <strong>Conhecimento Empresarial: </strong>como as organizações gerenciam o seu capital intelectual. 4ª. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1998.</p>



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<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>SISTEMAS DE INFORMAÇÃO E IOT: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/sistemas-de-informacao-e-iot-uma-revisao-sistematica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jan 2025 14:03:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sistemas de informação]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 142/JAN 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th102501180754 Lincoln Nilo Pereira1Orientador: José Simão de Paula Pinto2 Na atualidade as organizações têm buscado, de diversas maneiras, acompanhar os avanços tecnológicos e as modificações pelas quais a sociedade passa. Isso tem exigido das empresas cada vez mais estratégias e métodos de gestão para gerir todos esses elementos e ainda não perder suas [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th102501180754</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Lincoln Nilo Pereira<strong><sup>1</sup></strong><br>Orientador: José Simão de Paula Pinto<sup><strong>2</strong></sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph">Na atualidade as organizações têm buscado, de diversas maneiras, acompanhar os avanços tecnológicos e as modificações pelas quais a sociedade passa. Isso tem exigido das empresas cada vez mais estratégias e métodos de gestão para gerir todos esses elementos e ainda não perder suas vantagens competitivas mediante ao mercado. A nova era da Indústria 4.0 vem exigindo maneiras adequadas e organizadas para armazenar e gerenciar seus dados e informações. Para tentar entender como essa tendência tem sido vivenciada pelas organizações e pelos pesquisadores, esta pesquisa investigou como está a produção científica sobre sistemas de informação e Internet das coisas quando utilizadas para apoio à tomada de decisão. Para isso, elegeu o seguinte objetivo geral: identificar a produção científica sobre às temáticas: sistemas de informação e Internet das coisas (IoT) nos últimos cinco anos. O método de busca desta pesquisa foi o método <em>Ordinatio</em>, que auxiliou na busca, seleção e classificação do material de análise. Ao final da pesquisa foi possível identificar que as principais abordagens dos trabalhos nos últimos anos envolvem o desenvolvimento de plataformas em IoT; aplicação de projetos em IoT em organizações; segurança informacional; as contribuições de IoT para a tomada de decisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras</strong>&#8211;<strong>chave</strong>: Sistemas de Informação. Internet das coisas. Revisão sistemática.Método <em>Ordinatio</em>.</p>



<h5 class="wp-block-heading">ABSTRACT</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Nowadays, organizations have sought, in different ways, to keep up with technological advances and changes that society is going through. This has increasingly required companies to adopt strategies and management methods to manage all these elements and still not lose their competitive advantages through the market. The new era of Industry 4.0 is demanding adequate and organized ways to store and manage your data and information. To try to understand how this trend has been experienced by organizations and researchers, this research investigated how is the scientific production on information systems and Internet of things when used to support decision making. For this, he chose the following general objective: to identify scientific production on the themes: information systems and Internet of things (IoT) in the last five years. The search method for this research was the Ordinatio method, which helped in the search, selection and classification of the analysis material. At the end of the research it was possible to identify that the main approaches of the works in the last years involve the development of platforms in IoT; application of IoT projects in organizations; informational security; IoT contributions to decision making.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Information systems. Internet of things. Systematic review. <em>Ordinatio</em> Method.</p>



<h5 class="wp-block-heading">1&nbsp; INTRODUÇÃO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A busca por informações e dados é uma essência das organizações da atualidade, conhecer meios de gerir e transformar informações, dados e conhecimentos de maneira que possam ser utilizadas para tomada de decisão tem se tornado a ambição de muitas empresas. Encontrar sistemas de informações que dão suporte às tomadas de decisão tem sido uma prioridade dentre as organizações, ter suas informações compactadas, em local seguro, de fácil acesso e de maneira ágil tem determinado o ritmo de trabalho de muitas empresas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os sistemas de informação são responsáveis por diversas coisas como, a contribuição entre empresas e colaboradores, apoio a tomada de decisão, serve para modificar as estratégias que a empresa usa para competir no mercado, cria base para que as organizações possam alavancar novas oportunidades de negócios, aumentando, dessa forma, seu crescimento e o desenvolvimento dos seus colaboradores na empresa (ARAÚJO; RAZZOLINI FILHO, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">À medida que as tecnologias e, por consequência, a sociedade avançam, assim também as organizações necessitam buscar meios nos quais possam favorecê- las na busca de se manter estrategicamente posicionadas no mercado perante seus clientes e concorrentes. A chegada da era da Indústria 4.0 trouxe diversas modificações e desafios a serem percorridos pelas empresas, em ambientes muitas vezes desconhecidos a certeza que se mantinha estava relacionada a necessidade que se há em ter e proteger suas informações. O ambiente robótico, digital e a Internet das Coisas (IoT) é cada vez mais presente e necessário no mundo corporativo de hoje.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, a IoT tem ganhado atenção, tanto na academia e por seus pesquisadores, como na indústria, as pesquisas nessa área têm examinado continuamente os novos produtos e serviços ofertados pela Internet da Coisas e como elas vêm sendo introduzidas no mercado (TANG, 2020). “ O uso da IoT pelas empresas permite novas maneiras de criar valor de negócios”. (CÔRTE-REAL <em>et al</em>., 2020, p. 3).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desta forma, esta pesquisa busca investigar como está a produção científica sobre sistemas de informação e Internet das coisas quando utilizadas para apoio à tomada de decisão. Para isso, elegeu o seguinte objetivo geral: identificar a produção científica sobre às temáticas: sistemas de informação e Internet das coisas (IoT), nos últimos cinco anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para dar suporte durante esta busca foram associados os seguintes objetivos específicos: a) identificar nas bases de dados Scopus e Web of Science artigos sobre os temas sistemas de informação e internet das coisas (IoT); b) classificar os artigos encontrados a partir do método <em>Ordinatio</em>; c) analisar como está a produção científica nos últimos cinco anos das temáticas elencadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados encontrados por esta pesquisa apontam que as principais abordagens dos trabalhos nos últimos anos estão envolvidas com o desenvolvimento de plataformas ou aplicativos em IoT; aplicação de projetos em IoT em organizações; segurança informacional; as contribuições de IoT para a gestão, em especial como essas ações podem impactar a tomada de decisão.</p>



<h5 class="wp-block-heading">2&nbsp; REVISÃO DE LITERATURA</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta seção, se verá alguns conceitos relevantes para subsidiar o presente trabalho, como sistemas de informação, internet das coisas (IoT), e a internet das coisas (IoT) no apoio a tomada de decisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SISTEMAS DE INFORMAÇÃO</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Graciano Neto <em>et al. </em>(2017), atualmente a sociedade tem vivenciado o uso da conectividade, devido à alta interoperabilidade, onde diferentes sistemas e tecnologias têm se comunicado, com a intensão de trocarem e usarem informações. Esse acontecimento tem criado um novo paradigma que estabelece relações entre sistemas, pessoas e organizações, através da imposição dos artefatos tecnológicos. Os Sistemas de Informação (SI) estão atrelados a esse fenômeno, pois eles são elementos que estão envolvidos em diversas iniciativas que visam apoiar atividades sociais e empresariais (GRACIANO NETO <em>et al</em>., 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Araújo; Razzolini Filho (2017, p. 73) “os sistemas de informação precisam ser utilizados de maneira eficiente nas empresas para que com eles, as mesmas possam obter uma eficiência ótima e através dela uma forma de diferenciar a empresa de seus concorrentes”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por meio dos sistemas de informações as empresas passam a ter uma produção mais organizada, pois eles auxiliam os indivíduos a trabalhar com maior confiabilidade nos dados utilizados. Outro fator importante é que os gestores dos três níveis, operacional, médio e alto, podem tomar decisões mais apuradas mediante os dados que estão dentro do sistema, oportunizando uma tomada de decisão mais eficaz e eficiente. Esse processo pode contribuir com a estratégia da organização visando melhorar diversos setores (ARAÚJO; RAZZOLINI FILHO, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos dias de hoje, a habilidade de gerir e gerar informações e conhecimento aos gestores para a tomada de decisão é o que faz com que uma empresa se mantenha viva. O entendimento de como ocorre os fluxos informacionais permite aperfeiçoar ações que estão relacionadas ao processo decisório de sucesso, gerando assim, consequências positivas às organizações (MENDONÇA <em>et al</em>., 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme Araújo; Razzolini Filho (2017), os sistemas de informação têm papel estratégico no desenvolvimento de produtos, serviços e capacidade, que podem ser utilizados como uma vantagem estratégica competitiva no mercado global, e isso ocorre através da utilização das tecnologias de informação. É nesse ponto que a conectividade que há entre os Sistemas de Informação e a IoT (Internet das coisas).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na sequência, se apresentam informações elementares sobre a internet das coisas (IoT), caracterizando como a mesma se integra ao dia a dia das organizações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">INTERNET DAS COISAS (IOT)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><img loading="lazy" decoding="async" width="5" height="18" src="">Até pouco tempo atrás a Internet era usada para interconectar computadores em qualquer momento e em qualquer lugar, algo que acabava exigindo mais das habilidades humanas para o monitoramento. Desde a chegada da IoT <em>(Internet of Things</em>, com tradução para o português como Internet das Coisas), um novo paradigma passou a existir na dimensão das tecnologias atuais de informação e comunicação, conhecidas com as TICs. Algo que possibilitou que “qualquer comunicação” fosse adicionada as práticas de comunicação, a IoT permite que as conectividades ocorram em qualquer lugar e em qualquer hora, conectando coisa virtuais e físicas, em uma única interação de espaço e tempo (KÖKSAL; TEKINERDOGAN, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A IoT permite que coisas, pessoas e processos sejam conectados em qualquer lugar e hora, com qualquer pessoa ou coisa e até mesmo utilizando-se de qualquer caminho de rede ou serviço. Sua definição pode ser de um processo que é capaz de integrar objetos inteligentes, recursos de rede, inteligência ativa e a interação dos usuários da rede (CÔRTE-REAL <em>et al</em>., 2020). A IoT pode ter diversos significados, uma vez que se trata de um progresso tecnológico de muitas áreas (KÖKSAL; TEKINERDOGAN, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><img loading="lazy" decoding="async" width="5" height="18" src="">Pode-se dizer que o resultado do progresso tecnológico de muitos campos e que, com frequências são sobrepostos, originou a IoT, a partir de sistemas incorporados, computação difusa e ubíqua2, telefonia móvel, comunicação e telemetria, máquinas, rede de sensores sem fim, redes de computadores, computadores móveis, tudo isso contribuiu. Além disso, o mais importante dentro dessa nova dimensão está relacionado as TICs atuais, que fornecem comunicação em qualquer lugar e em qualquer hora (KÖKSAL; TEKINERDOGAN, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em continuação, se demonstra como a internet das coisas podem apoiar a tomada de decisão, uma vez que esse é o objetivo deste trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">IOT NO APOIO À TOMADA DE DECISÃO</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas disciplinas tocam no assunto das tecnologias inteligentes e como a sua influência é vivenciada pelas organizações que passam a operar a partir desse ponto de vista mais específico, mas ainda que haja muita discussão sobre isso são poucas as abordagens que explicam o acontecimento e as suas consequências para os modelos de negócios existentes (SHIM <em>et al</em>., 2020). “Como a IoT é um desenvolvimento recente, há uma falta de estudos com foco nas preocupações comportamentais e gerenciais da IoT” (CÔRTE-REAL <em>et al</em>., 2020, p. 3).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao combinar as expectativas dos ecossistemas de serviço e os modelos de negócios a partir da tecnologia da IoT, é importante compreender como ocorrerá o avanço da tecnologia e as suas consequências. Os fluxos dos recursos podem ser as informações que estão conectadas entre diferentes coisas inteligentes, por meio da IoT e que passam de um ator para o outro. A extensão desse processo é o que determinará a parte dos fluxos informacionais, e com base nisso, ocorrerá o alcance e a riqueza no ecossistema de serviços (SHIM <em>et al</em>., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph"><sup>2</sup> Termo usado para descrever a informática está presente em todos os lugares no cotidiano das pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As organizações que conseguem adaptar os seus modelos de negócios às novas tecnologias têm maiores oportunidades de inovar e de aumentar suas vantagens competitivas. Apesar disso, a IoT apresenta desafios para as empresas, desde o seu desenvolvimento entre os sistemas, até como lidar com seus parceiros industriais que não colaboram com o processo, além das questões contratuais, desafios de segurança e privacidade dos dados da empresa. Por isso, é importante compreender como coisas inteligentes podem transformar os modelos de negócios e como a criação desses ecossistemas será afetada pelo surgimento da IoT, algo que depende das configurações e das capacidades das coisas inteligentes (SHIM <em>et al</em>., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Moraes <em>et al</em>. (2018) as organizações precisam de informações qualificadas se buscam se desenvolver e atuar frente à concorrência, conquistando cada vez mais mercado e clientes, investir em ferramentas tecnológicas e informacionais é indispensável para que o processo de tomada de decisão possa atingir os objetivos organizacionais. Os sistemas de Informação, tem como uma das suas primordiais contribuições a melhora no processo de tomada de decisão, em todos os níveis hierárquicos, pois é através deles que se tem acesso à dados fundamentais (ARAÚJO; RAZZOLINI FILHO, 2017).</p>



<h5 class="wp-block-heading">3&nbsp; METODOLOGIA</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A presente pesquisa pode ser classificada como de caráter quantitativa e exploratória, pois para atender os objetivos propostos buscou, pelo uso do método <em>Ordinatio</em>, realizar a classificação da revisão sistemática. Esse método consiste em indicar um processo em que a qualidade dos trabalhos é destaque para a literatura científica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados obtidos para essa pesquisa foram encontrados em duas bases de dados no dia 17 de dezembro de 2020. A plataforma <em>Scopus </em>é um banco de dados</p>



<p class="wp-block-paragraph">que oferta um extenso panorama de produção científica mundial dentro de diversas áreas como ciência, tecnologia, medicina, artes e ciências sociais e humanidades. Também foi utilizada a plataforma <em>Web of Science </em>que foi criada para apoiar os trabalhos acadêmicos e científicos nas áreas de ciências, ciências sociais, artes e humanidades. Ambas as plataformas foram acessadas através do Portal de Periódicos da CAPES.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O algoritmo utilizado durante a busca nas bases foram: <em>“information systems” </em>AND <em>“Internet of things”. </em>Na Plataforma <em>Scopus </em>a primeira busca encontrou 2.535 trabalhos e na plataforma <em>Web of Science </em>foram encontrados 456 trabalhos. Após a pré-seleção foram elencados outros critérios de seleção, sendo eles:</p>



<ol style="list-style-type:lower-alpha" class="wp-block-list">
<li>Apenas artigos de periódicos;</li>



<li>Apenas pesquisas de acesso livre;</li>



<li>Apenas trabalhos publicados entre 2016 a 2020;</li>



<li>Apenas artigos publicados na língua inglesa.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">Após esse refinamento de dados foram encontrados 140 artigos, onde 83 artigos foram obtidos na <em>Scopus </em>e 57 artigos na <em>Web of Science</em>, destes, 23 artigos se repetiam em ambas as bases. Após essa etapa foram selecionados os artigos a partir das leituras do resumo e das considerações/conclusão e então foi aplicada a fórmula do <em>Inordinatio </em>para classificar os artigos conforme a sua importância perante os critérios que o método <em>Ordinatio </em>estabelece. Dessa forma foi possível encontrar o material para a análise dessa pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A metodologia <em>Ordinatio </em>se baseia na seleção, classificação e leitura sistemática dos trabalhos científicos publicados em periódicos que, através da equação <em>InOrdinatio </em>(EQUAÇÃO 1) classifica os artigos por meio de três critérios: ano de publicação, número de citações e fator de impacto das revistas (PAGANI <em>et al</em>., 2015).</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="616" height="148" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-833.png" alt="" class="wp-image-192905" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-833.png 616w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-833-300x72.png 300w" sizes="(max-width: 616px) 100vw, 616px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro da equação o IF é o fator de impacto, o α representa fator de relevância que varia de 1 a 10 que é atribuída pelo pesquisador. A <em>Researchyear </em>corresponde ao ano que a pesquisa está sendo desenvolvida, a <em>Publishyear </em>significa o ano de publicação do artigo analisado e o <em>Ci </em>elenca o Número de vezes que o artigo foi citado. Para esta pesquisa o valor de alfa empregado foi 8, pois buscou-se dar uma maior importância ao fator ano de cada publicação.</p>



<h5 class="wp-block-heading">4&nbsp; APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Após a aplicação do método <em>Ordinatio, </em>que possibilitou a seleção e a classificação dos artigos para esta análise, foi possível identificar diversos aspectos relacionadas as publicações analisadas, como é possível verificar no GRÁFICO 1, onde foram apontados a quantidade de artigos publicados por ano. Considerando que esta pesquisa buscou apenas artigos publicados entre os anos de 2018 a 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GRÁFICO 1 – QUANTIDADE DE ARTIGOS PUBLICADOS POR ANO</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="693" height="366" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-834.png" alt="" class="wp-image-192906" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-834.png 693w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-834-300x158.png 300w" sizes="(max-width: 693px) 100vw, 693px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">FONTE: O autor (2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dos dados levantados por esta pesquisa, é possível perceber que dos 16 artigos analisados, o ano de 2020 foi o ano que mais teve publicações, com 9 artigos, destacando-se, ainda, que nem todas as publicações do ano já se encontravam nas bases pesquisadas, no momento da pesquisa. Em 2018, a quantidade de publicações foi apenas de 4 trabalhos e no ano de 2019, foram 3 trabalhos, sendo esse ano o que apresentou o menor número de artigos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para esta pesquisa foram feitas buscas em duas bases de dados diferentes, a quantidade inicial de trabalhos encontrados também foi diferente, porém depois da aplicação da metodologia e das análises dos conteúdos foi possível identificar que foram encontrados 5 artigos na base <em>Scopus </em>e 5 artigos na base <em>Web of Science</em>. Além disso, foi detectado que 6 artigos que fazem parte dessa análise eram encontrados em ambas as bases de dados, conforme mostra o GRÁFICO 2.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GRÁFICO 2 – QUANTIDADE DE ARTIGOS PUBLICADOS POR BASE DE DADOS</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="742" height="297" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-835.png" alt="" class="wp-image-192907" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-835.png 742w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-835-300x120.png 300w" sizes="(max-width: 742px) 100vw, 742px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">FONTE: O autor (2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto avaliado por esta pesquisa foi o número de publicação por país, considerando o país de origem das revistas que publicaram os trabalhos, como é possível verificar no GRÁFICO 3. As publicações do Reino Unido, com 5 artigos, correspondem à 32% do total da produção analisada. Seguido dos Estados Unidos da América, com 4 artigos, representando cerca de 25%, sendo acompanhado da Holanda, com 3 artigos, com 19% da produção. Os países da Austrália, Suíça, África do Sul e Japão, tem apenas um artigo que corresponde à 6% do total das produções que foram usadas para esta análise, respectivamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GRÁFICO 3 – NÚMERO DE PUBLICAÇÃO POR PAÍS</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="720" height="368" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-837.png" alt="" class="wp-image-192909" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-837.png 720w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-837-300x153.png 300w" sizes="(max-width: 720px) 100vw, 720px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">FONTE: O autor (2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, será apresentada a relação dos artigos e as suas respectivas classificações conforme o número <em>InOrdinatio </em>que cada publicação obteve após a aplicação da equação 1. Na TABELA 1 é possível encontrar os 16 artigos analisados; a classificação do artigo; o nome dos autores; o ano da publicação; o título de cada artigo e o valor do InOrdinatio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TABELA 1 – RELAÇÃO DE ARTIGOS E A CLASSIFICAÇÃO INORDINATIO</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Nº</strong><strong></strong></td><td><strong>AUTOR</strong><strong></strong></td><td><strong>ARTIGO</strong><strong></strong></td><td><strong>INORDINATIO</strong><strong></strong></td></tr><tr><td><strong>1</strong><strong></strong></td><td>Sohal <em>et al</em>. (2018)</td><td>A cybersecurity framework to identify malicious edge device in fog computing and cloud-of-things environments.</td><td>125,00434</td></tr><tr><td><strong>2</strong><strong></strong></td><td>Dave <em>et al</em>. (2018)</td><td>A framework for integrating BIM and IoT through open standards</td><td>103,00581</td></tr><tr><td><strong>3</strong><strong></strong></td><td>Côrte-Real&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <em>et</em><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; al</em>. (2020)</td><td>Leveraging internet of things and big data analytics initiatives in European and American firms: Is data quality a way to extract business value?</td><td>95,00646</td></tr><tr><td><strong>4</strong><strong></strong></td><td>Köksal; Tekinerdogan (2019)</td><td>Architecture design approach for IoT-based farm management information systems</td><td>88,00384</td></tr><tr><td><strong>5</strong><strong></strong></td><td>Erasmus <em>et al</em>. (2020)</td><td>The HORSE Project: The Application of Business Process Management for Flexibility in Smart Manufacturing</td><td>81,00249</td></tr><tr><td><strong>6</strong><strong></strong></td><td>Schroeder&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <em>et</em><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; al</em>. (2020)</td><td>Digitally enabled advanced services: a socio- technical perspective on the role of the internet of things (IoT)</td><td>80,00554</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>7</strong><strong></strong></td><td>Tang (2020)</td><td>Research on Smart Logistics Model Based on Internet of Things Technology</td><td>80,00464</td></tr><tr><td><strong>8</strong><strong></strong></td><td>Mantravadi&nbsp;&nbsp;&nbsp; <em>et</em><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; al</em>. (2020)</td><td>Securing IT/OT Links for Low Power IIoT Devices: Design Considerations for Industry 4.0</td><td>80,00464</td></tr><tr><td><strong>9</strong><strong></strong></td><td>Noori <em>et al</em>. (2020)</td><td>Scalable, efficient, and secure RFID with elliptic curve cryptosystem for Internet of Things in healthcare environment</td><td>80,00219</td></tr><tr><td><strong>10</strong><strong></strong></td><td>Prinsloo <em>et al</em>. (2020)</td><td>The value of a telemetry monitoring system in sustaining the operational performance of industrial information systems.</td><td>80,00072</td></tr><tr><td><strong>11</strong><strong></strong></td><td>Sung <em>et al</em>. (2020)</td><td>Improving performance of fit among strategies by using internet of things sensing architecture.</td><td>80,00056</td></tr><tr><td><strong>12</strong><strong></strong></td><td>Dai (2020)</td><td>A Data Management Strategy for Property Management Information System Based on the Internet of Things</td><td>80,00033</td></tr><tr><td><strong>13</strong><strong></strong></td><td>Tseng <em>et al</em>. (2019)</td><td>Threat Analysis for Wearable Health Devices and Environment Monitoring Internet of Things Integration System</td><td>72,00464</td></tr><tr><td><strong>14</strong><strong></strong></td><td>Silverio-Fernandez <em>et al</em>. (2019)</td><td>Evaluating critical success factors for implementing smart devices in the construction industry: An empirical study in the Dominican Republic</td><td>72,00205</td></tr><tr><td><strong>15</strong><strong></strong></td><td>De Vass <em>et al</em>. (2018)</td><td>The effect of &#8220;Internet of Things&#8221; on supply chain integration and performance: An organisational capability perspective</td><td>71,001</td></tr><tr><td><strong>16</strong><strong></strong></td><td>Zhang (2018)</td><td>Smart logistics path for cyber-physical systems with internet of things</td><td>70,00464</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">FONTE: O autor (2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a apresentação da classificação, através do número <em>InOrdinatio</em>, foi elaborada a TABELA 2, que auxiliou a reunir as discussões que cada artigo aborda, para que, desse modo, possa ser possível a análise de como essas produções têm debatido sobre os sistemas de informação e Internet das coisas quando são utilizadas para o apoio à tomada de decisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TABELA 2 – PUBLICAÇÕES E SUAS DISCUSSÕES</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>INORDINATIO</strong><strong></strong></td><td><strong>AUTOR</strong><strong></strong></td><td><strong>DISCUSSÃO</strong><strong></strong></td></tr><tr><td><strong>125,00434</strong><strong></strong></td><td>Sohal <em>et al</em>. (2018)</td><td>Este artigo propõe ver a utilização de três tecnologias de segurança cibernética, para identificar dispositivos nocivos à ambientes de computação em nuvem. Ao final do estudo os autores identificaram que essa proposta é bem-sucedida na identificação desses dispositivos prejudiciais a estrutura de segurança cibernética, reduzindo os alertas de invasão.</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>103,00581</strong><strong></strong></td><td>Dave <em>et al</em>. (2018)</td><td>Esse artigo descreve uma plataforma que integra dados do ambiente com os sensores construídos a partir da IoT, que fornece informações sobre como utilizar a energia em Edifícios por meio de mensagens. Os resultados encontrados relatam que essa plataforma pode ser benéfica aos usuários em suas atividades diárias.</td></tr><tr><td><strong>95,00646</strong><strong></strong></td><td>Côrte-Real <em>et al</em>. (2020)</td><td>O estudo buscou compreender como a qualidade do big data e dos recursos de BDA e IoT podem impactar as organizações, uma vez que as pesquisas são focadas nas partes técnicas envolvida nesse processo, e não utilizam o big data como uma vantagem competitiva.</td></tr><tr><td><strong>88,00384</strong><strong></strong></td><td>Köksal; Tekinerdogan (2019)</td><td>O artigo apresenta um projeto de arquitetura para aplicativos FMISs baseando-se em IoT. Através desse projeto é possível orientar os recursos familiares por meio de um diagrama, que apresenta as informações de gerenciamento de recursos comuns e variantes.</td></tr><tr><td><strong>81,00249</strong><strong></strong></td><td>Erasmus&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <em>et </em><em>al</em>. (2020)</td><td>O estudo apresenta os resultados do projeto de arquitetura para um sistema de gerenciamento de operações de manufatura. É baseado em aplicações e extensões de gerenciamento de processos de negócios voltados para a gerência de processos de manufatura. Esse projeto pode auxiliar no processo e no gerenciamento das operações.</td></tr><tr><td><strong>80,00554</strong><strong></strong></td><td>Schroeder <em>et al</em>. (2020)</td><td>O estudo buscou entender como a Internet das coisas (IoT) pode contribuir com o desenvolvimento de serviços e entregas organizacionais. Além disso, aborda implicações sobre como os gestores examinam as oportunidades que a IoT oferta. De acordo com os autores, a IoT não deve ser vista como um projeto técnico isolado.</td></tr><tr><td><strong>80,00464</strong><strong></strong></td><td>Tang (2020)</td><td>O artigo analisa o modelo de logística inteligente que se baseia na Internet das coisas. O sistema utiliza de uma combina de IoT e a tecnologia de nuvem, esses dados logísticos são coletados em tempo real e processados e analisados por meio da IoT. Esse modelo inteligente pode fornecer uma referência científica para um sistema de informação em tempo real para a área da logística.</td></tr><tr><td><strong>80,00464</strong><strong></strong></td><td>Mantravadi <em>et al</em>. (2020)</td><td>O artigo debate os desafios vivenciados pelo uso da IoT em sistemas de manufatura modular da Indústria 4.0. Para isso foi realizado um estudo de caso exploratório que determinou um protocolo para o gerenciamento de chaves criptográficas. Ao final da pesquisa foi possível determinar que para atender os requisitos da Indústria 4.0 se faz necessário o projeto de segurança para uma fábrica inteligente, e que o principal desafio está relacionado aos componentes sociotécnicos.</td></tr><tr><td><strong>80,00219</strong><strong></strong></td><td>Noori <em>et al</em>. (2020)</td><td>O artigo propõe um novo método de criptografia entre os cartões de RFID e leitores de cartão e servidores. A partir desse método proposto é possível garantir a segurança em menor custo computacional e em tempo reduzido de execução do ponto da curva elíptica, quando comparado a outros métodos.</td></tr><tr><td><strong>80,00072</strong><strong></strong></td><td>Prinsloo <em>et al</em>. (2020)</td><td>O artigo propõe a implementação de um sistema de monitoramento de telemetria em suma empresa sul-africana de serviços de energia. A pesquisa concluiu que os impactos positivos foram feitos a partir do monitoramento de equipamentos da indústria pesada, fato que se justifica o valor investido do sistema. Por se tratar de um sistema genérico ele pode ser utilizado em qualquer ecossistema de IoT, onde as redes de comunicação são utilizadas para transmissão de dados em tempo real, possibilitando que os conceitos da indústria 4.0 possam ser adotadas pela indústria pesada.</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>80,00056</strong><strong></strong></td><td>Sung <em>et al</em>. (2020)</td><td>O artigo explorou os impactos das estratégias corporativas: manufatura; marketing; e sistemas de informação; para o desempenho organizacional. Além disso, propôs uma estratégia para melhor a eficiência da gestão ao utilizar da arquitetura de detecção disposta na IoT. Os resultados dessa pesquisa revelam que os ajustes que aconteceram a partir dessa&nbsp; estratégia&nbsp; tiveram&nbsp; um&nbsp; impacto&nbsp; positivo&nbsp; para&nbsp; a organização.</td></tr><tr><td><strong>80,00033</strong><strong></strong></td><td>Dai (2020)</td><td>O artigo apresentou uma estrutura de nove módulos de consulta de informação inteligente e de recepção de informações e conversão para boletins inteligentes. Esse modelo de serviço foi desenvolvido para auxiliar na seleção e filtragem de informações sobre a identidade dos usuários. Após essa etapa, também foi criada uma estratégia de gerenciamento de dados, tal proposta obteve bons resultados e foi percebido com algo desejável nas execuções de comandos.</td></tr><tr><td><strong>72,00464</strong><strong></strong></td><td>Tseng <em>et al</em>. (2019)</td><td>O artigo apresentou uma estratégia utilizada na apuração de segurança da informação e na avaliação de risco do no sistema de informação de saúde pessoal que é baseado em IoT. Foram simuladas possíveis hipóteses para ataques aos dispositivos. O estudo apresentou também os pontos fracos da arquitetura do sistema que podem ameaçar à segurança da informação.</td></tr><tr><td><strong>72,00205</strong><strong></strong></td><td>Silverio- Fernandez <em>et al</em>. (2019)</td><td>Esse artigo avaliou como quais eram os fatores críticos na implementação de dispositivos inteligentes em uma construção da República Dominicana. Após uma investigação que aconteceu por meio de questionários foi possível verificar que os principais fatores são a consciência tecnológica, tamanho da organização, custo de implementação e a interoperabilidade.</td></tr><tr><td><strong>71,001</strong><strong></strong></td><td>De Vass <em>et al</em>. (2018)</td><td>O artigo aborda a pesquisa de sistemas de informação que integram a cadeia de suprimentos, através da IoT que pode melhor o desempenho de toda a cadeia e no nível organizacional. Os resultados dessa pesquisa apontam que os efeitos são positivos para o desempenho da cadeia de suprimentos e o também para o desempenho organizacional como um todo.</td></tr><tr><td><strong>70,00464</strong><strong></strong></td><td>Zhang (2018)</td><td>O artigo tem objetivo de propor um método que decisão a partir de algoritmos inteligentes, baseando-se em um modelo de decisão do caminho logístico CPS, utilizando a IoT e as tecnologias de armazenamento de dados em nuvem.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">FONTE: O autor (2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Percebe-se que dos 16 artigos analisados, 6 apresentam projetos de plataformas ou aplicativos que envolvem IoT e podem ser usados como métodos para a tomada de decisão. Há também uma grande quantidade de trabalhos que envolvem projetos em IoT que foram aplicados em empresas, foram encontrados 5 artigos com essa proposta. Com relação à segurança de dados em IoT, foram identificados 2 artigos que abordam essa temática. Em outros 2 artigos foram discutidas as contribuições que a IoT tem trazido para a gestão empresarial, principalmente para tomada de decisão. Um estudo abordou como a qualidade e o uso de IoT impactam na tomada de decisão.</p>



<h5 class="wp-block-heading">5&nbsp; CONSIDERAÇÕES FINAIS</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A presente pesquisa buscou investigar como está a produção científica sobre sistemas de informação e Internet das coisas nos últimos cinco anos. O método empregado para encontrar os dados analisados por esta pesquisa foi o método <em>Ordinatio</em>, que auxiliou na coleta, seleção e classificação dos artigos considerando o seu grau de relevância.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a aplicação do método foram analisados 16 artigos em busca de descobrir respostas ao problema de pesquisa. Percebe-se que os trabalhos abordam principalmente os temas de desenvolvimento de plataforma e aplicativos de IoT e a aplicação de projeto já desenvolvidos sob o viés da tecnologia em IoT, que foram aplicados em organizações para avaliar como esses artefatos podem auxiliar na tomada de decisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outros estudos ainda indicam que a há uma crescente preocupação em relação ao nível de segurança dos dados e informações que são armazenados em nuvens. Há também pesquisas que buscam compreender como a IoT tem contribuído com a gestão empresarial como um todo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa apresenta resultados satisfatórios em relação ao agrupamento das temáticas de IoT (Internet da Coisas), Sistemas de informação e apoio à tomada de decisão. Mais estudos são indicados para avaliar a percepção dos gestores em relação ao uso de tecnologias em organizações, visando a utilização das mesmas como um suporte para a tomada de decisão.</p>



<h5 class="wp-block-heading">REFERÊNCIAS</h5>



<p class="wp-block-paragraph">ARAÚJO, L. O.; RAZZOLINI FILHO, E. Os sistemas de informação como suporte à tomada de decisão estratégica. <strong>Revista Competitividade e Sustentabilidade</strong>, v. 4,n.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; p.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 66–75,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2017.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Disponível&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; em:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &lt;http://e- revista.unioeste.br/index.php/comsus/article/view/18128&gt;. Acesso em: 22/1/2021. </p>



<p class="wp-block-paragraph">CÔRTE-REAL, N.; RUIVO, P.; OLIVEIRA, T. Leveraging internet of things and big data analytics initiatives in European and American firms: Is data quality a way to extract business value? <strong>Information &amp; Management</strong>, v. 57, n. 1, p. 103141, 2020. Disponível em: &lt;https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S0378720617308662&gt;. Acesso em: 17/12/2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DAI, F. A Data Management Strategy for Property Management Information System Based on the Internet of Things. <strong>Ingenierie des Systemes d’Information</strong>, v. 25, n. 3, p. 337–343, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DAVE, B.; BUDA, A.; NURMINEN, A.; FRÄMLING, K. A framework for integrating BIM and IoT through open standards. <strong>Automation in Construction</strong>, v. 95, p. 35–45, 2018. Disponível em: &lt;https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S0926580517305964&gt;. Acesso em: 17/12/2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ERASMUS, J.; VANDERFEESTEN, I.; TRAGANOS, K.; KEULEN, R.; GREFEN, P. The HORSE Project: The Application of Business Process Management for Flexibility in Smart Manufacturing. <strong>Applied Sciences</strong>, v. 10, n. 12, p. 4145, 2020. Disponível em: &lt;https://www.mdpi.com/2076-3417/10/12/4145&gt;. Acesso em: 17/12/2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GRACIANO NETO, V.; DOS SANTOS, R.; ARAUJO, R. Sistemas de Sistemas de Informação e Ecossistemas de Software: Conceitos e Aplicações. . p.22–41, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KÖKSAL, Ö.; TEKINERDOGAN, B. Architecture design approach for IoT-based farm management information systems. <strong>Precision Agriculture</strong>, v. 20, n. 5, p. 926–958, 2019. Disponível em: &lt;http://link.springer.com/10.1007/s11119-018-09624-8&gt;. Acesso em: 17/12/2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MANTRAVADI, S.; SCHNYDER, R.; MOLLER, C.; BRUNOE, T. D. Securing IT/OT Links for Low Power IIoT Devices: Design Considerations for Industry 4.0. <strong>IEEE Access</strong>,&nbsp;&nbsp; v.&nbsp;&nbsp; 8,&nbsp;&nbsp; p.&nbsp;&nbsp; 200305–200321,&nbsp;&nbsp; 2020.&nbsp;&nbsp; Disponível&nbsp;&nbsp; em: &lt;https://ieeexplore.ieee.org/document/9248023/&gt;. Acesso em: 17/12/2020. </p>



<p class="wp-block-paragraph">MENDONÇA, T. C.; VARVAKIS, G.; MENDONÇA, T. C.; VARVAKIS, G. Análise do uso da informação para tomada de decisão gerencial em gestão de pessoas: estudo de caso em uma instituição bancária. <strong>Perspectivas em Ciência da Informação</strong>, v. 23, n. 1, p. 104–119, 2018. Escola de Ciência da Informação da UFMG. Disponível em:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1413- 99362018000100104&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt&gt;. Acesso em: 22/1/2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MORAES, J. P.; SAGAZ, S. M.; SANTOS, G. L. DOS; LUCIETTO, D. A. Tecnologia da informação, sistemas de informações gerenciais e gestão do conhecimento com vistas à criação de vantagens competitivas: revisão de literatura. <strong>Revista Visão: Gestão&nbsp; Organizacional</strong>,&nbsp; v.&nbsp; 7,&nbsp; n.&nbsp; 1,&nbsp; p.&nbsp; 39–51,&nbsp; 2018.&nbsp; Disponível&nbsp; em: &lt;https://periodicos.uniarp.edu.br/index.php/visao/article/view/1227&gt;. Acesso em: 22/1/2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NOORI, D.; SHAKERI, H.; NIAZI TORSHIZ, M. Scalable, efficient, and secure RFID with elliptic curve cryptosystem for Internet of Things in healthcare environment. <strong>EURASIP Journal on Information Security</strong>, v. 2020, n. 1, p. 13, 2020. Disponível em:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &lt;https://jis-eurasipjournals.springeropen.com/articles/10.1186/s13635-020- 00114-x&gt;. Acesso em: 17/12/2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PAGANI, R. N.; KOVALESKI, J. L.; RESENDE, L. M. Methodi Ordinatio: a proposed methodology to select and rank relevant scientific papers encompassing the impact factor, number of citations, and year of publication. <strong>Scientometrics</strong>, v. 105, n. 3, p. 2109–2135, 2015. Disponível em: &lt;https://doi.org/10.1007/s11192-015-1744-x&gt;. Acesso em: 15/1/2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PRINSLOO, J.; MATHEWS, M. J.; VOSLOO, J. C. The value of a telemetry monitoring system in sustaining the operational performance of industrial information systems. <strong>South African Journal of Industrial Engineering</strong>, v. 31, n. 2, p. 129–142, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SCHROEDER, A.; NAIK, P.; ZIAEE BIGDELI, A.; BAINES, T. Digitally enabled advanced services: a socio-technical perspective on the role of the internet of things (IoT). <strong>International Journal of Operations &amp; Production Management</strong>, v. 40, n. 7/8,p.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 1243–1268,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2020.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Disponível&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; em:&lt;https://www.emerald.com/insight/content/doi/10.1108/IJOPM-03-2020- 0131/full/html&gt;. Acesso em: 17/12/2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SHIM, J. P.; SHARDA, R.; FRENCH, A. M.; SYLER, R. A.; PATTEN, K. P. The Internet of&nbsp;&nbsp;&nbsp; Things:&nbsp;&nbsp; Multi-faceted&nbsp;&nbsp; Research&nbsp;&nbsp;&nbsp; Perspectives.&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Communications&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; of&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; the Association&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; for&nbsp;&nbsp; Information&nbsp;&nbsp;&nbsp; Systems</strong>,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; p.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 511–536,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2020.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Disponível&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; em:&lt;https://aisel.aisnet.org/cais/vol46/iss1/21&gt;. Acesso em: 17/12/2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVERIO-FERNANDEZ, M. A.; RENUKAPPA, S.; SURESH, S. Evaluating critical success factors for implementing smart devices in the construction industry: An empirical study in the Dominican Republic. <strong>Engineering, Construction and Architectural Management</strong>, v. 26, n. 8, p. 1625–1640, 2019.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">SUNG, S.-F.; CHEN, Y.-Y.; HUANG, H.-L.; LIU, T.-P.; HUNG, K.-C. Improving performance of fit among strategies by using internet of things sensing architecture.<strong>Sensors and Materials</strong>, v. 32, n. 9, p. 3123–3136, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TANG, X. Research on Smart Logistics Model Based on Internet of Things Technology.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>IEEE&nbsp; Access</strong>,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; v.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 8, p.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 151150–151159, 2020.&nbsp;&nbsp; Disponível&nbsp; em:&lt;https://ieeexplore.ieee.org/document/9166498/&gt;. Acesso em: 17/12/2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TSENG, T. W.; WU, C. T.; LAI, F. Threat Analysis for Wearable Health Devices and Environment Monitoring Internet of Things Integration System. <strong>IEEE Access</strong>, v. 7, p. 144983–144994, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DE VASS, T.; SHEE, H.; MIAH, S. The effect of “Internet of Things” on supply chain integration and performance: An organisational capability perspective. <strong>Australasian Journal of Information Systems</strong>, v. 22, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZHANG, N. Smart Logistics Path for Cyber-Physical Systems Internet of Things. <strong>IEEE Access</strong>,&nbsp;&nbsp;&nbsp; v.&nbsp;&nbsp;&nbsp; 6,&nbsp;&nbsp;&nbsp; p.&nbsp;&nbsp;&nbsp; 70808–70819,&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2018.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Disponível&nbsp;&nbsp;&nbsp; em: &lt;https://ieeexplore.ieee.org/document/8531718/&gt;. Acesso em: 17/12/2020.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup> lincolnpereira@ufpr.br<br><sup>2</sup> Orientador.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>DESENVOLVIMENTO DE UM SISTEMA DE GESTÃO PARA CLOUD (INFRAESTRUTURA MULTI-CLOUD)</title>
		<link>https://revistaft.com.br/desenvolvimento-de-um-sistema-de-gestao-para-cloud-infraestrutura-multi-cloud/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft NI]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Nov 2024 11:42:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Sistemas de informação]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 140/NOV 2024]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=177652</guid>

					<description><![CDATA[CLOUD MANAGEMENT SYSTEM (multi-cloud INFRASTRUCTURE) REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202411200842 &#160;Lucas Gaion Colturato Zanatta1;André Luiz da Silva2;Fabiana Florian3 Resumo: Este trabalho tem como objetivo desenvolver um sistema de gestão de recursos multi-cloud para facilitar a administração de infraestruturas distribuídas em provedores de nuvem como Amazon Web Services (AWS), Microsoft Azure, Google Cloud Platform (GCP) e Oracle Cloud [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">CLOUD MANAGEMENT SYSTEM (multi-cloud INFRASTRUCTURE)</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202411200842</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">&nbsp;Lucas Gaion Colturato Zanatta<sup>1</sup>;<br>André Luiz da Silva<sup>2</sup>;<br>Fabiana Florian<sup>3</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph">Resumo: Este trabalho tem como objetivo desenvolver um sistema de gestão de recursos multi-cloud para facilitar a administração de infraestruturas distribuídas em provedores de nuvem como Amazon Web Services (AWS), Microsoft Azure, Google Cloud Platform (GCP) e Oracle Cloud Infrastructure (OCI). O sistema foi desenvolvido com Node.js no backend e Vue.js no frontend, utilizando SDKs genéricos para integração com serviços de nuvem. A plataforma permite aos usuários visualizar e gerenciar recursos como instâncias de computação, redes virtuais e armazenamento de objetos de forma centralizada e eficiente. A conclusão do projeto demonstrou que o sistema atende plenamente às necessidades funcionais estabelecidas, evidenciando a importância de soluções tecnológicas no contexto atual da gestão de recursos em ambientes multi-cloud. A solução desenvolvida destaca-se por sua robustez e capacidade de otimizar a administração de infraestruturas complexas, sendo essencial para empresas que operam em múltiplas nuvens de forma simultânea e integrada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Palavras-chave</em></strong>: Multi-cloud. Gestão de Recursos em Nuvem. AWS. Azure. GCP. Oracle.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abstract: This work aims to develop a multi-cloud resource management system to simplify the administration of infrastructures distributed across different cloud providers, such as Amazon Web Services (AWS), Microsoft Azure, Google Cloud Platform (GCP), and Oracle Cloud Infrastructure (OCI). The system was built using Node.js for the backend and Vue.js for the frontend, leveraging generic SDKs for integration with cloud services. The platform enables users to centrally view and manage resources such as computing instances, virtual networks, and object storage efficiently. The project concluded that the system fully met the established functional requirements, highlighting the importance of technological solutions in the modern context of resource management in multi-cloud environments. The developed solution stands out for its robustness and ability to optimize the administration of complex infrastructures, making it essential for companies operating across multiple cloud environments in an integrated manner.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Key-words:</em></strong> Multi-cloud. Cloud Resource Management. AWS. Azure. GCP. Oracle..</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1 INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O gerenciamento e monitoramento de recursos em ambientes de nuvem tornaram-se essenciais para empresas e profissionais de TI que desejam administrar eficientemente todos os aspectos de seus recursos de cloud computing. Conforme destaca Mowbray e Zahariadis (2008), soluções dedicadas ao gerenciamento de nuvem são fundamentais para garantir a eficiência operacional e a otimização dos investimentos em TI. Nesse contexto, o desenvolvimento de um sistema de gestão multi-cloud oferece uma abordagem integrada para administrar instâncias, redes, armazenamento e serviços gerenciados em diferentes provedores, como Amazon Web Services (AWS), Microsoft Azure, Google Cloud Platform (GCP) e Oracle Cloud Infrastructure (OCI).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo deste trabalho é desenvolver um sistema de gestão de recursos multi-cloud utilizando tecnologias como Node.js para o backend e Vue.js para o frontend, além de SDKs genéricos para a integração com diferentes serviços de nuvem. Segundo Armbrust et al. (2010), a crescente adoção de ambientes multi-cloud exige ferramentas que promovam a interoperabilidade e a eficiência no gerenciamento de recursos em provedores distintos. A expectativa é que a solução proposta seja capaz de centralizar o controle de instâncias de computação, redes virtuais e armazenamento de objetos, resultando em uma plataforma flexível e eficaz para empresas de diversos portes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um desafio recorrente, conforme observado por Zhang et al. (2014), é a falta de integração entre diferentes ferramentas de gerenciamento de nuvem, o que frequentemente leva à duplicação de esforços e a falhas de segurança. Portanto, a proposta de um sistema que ofereça uma visão unificada dos recursos em múltiplos provedores de nuvem visa não apenas otimizar a eficiência operacional, mas também reduzir custos e melhorar a escalabilidade e segurança dos sistemas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa envolverá o desenvolvimento iterativo do sistema, com a implementação das funcionalidades essenciais, seguida de testes extensivos em empresas reais. A metodologia seguirá os princípios de coleta de feedback de usuários finais, como administradores de sistemas e engenheiros de nuvem, conforme sugerido por Buyya et al. (2018). Isso garantirá que o sistema atenda às necessidades específicas de cada organização e seja integrado de forma eficaz aos processos corporativos existentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a expectativa é que o sistema de gestão multi-cloud ofereça uma solução inovadora para o gerenciamento de recursos distribuídos, contribuindo para a redução de redundâncias e proporcionando maior controle e segurança no ambiente corporativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta seção explora os conceitos fundamentais para compreender um sistema de gestão em nuvem, que possibilita o gerenciamento e monitoramento abrangente de recursos em ambientes de cloud. A aplicação oferece uma solução integrada para controlar instâncias, redes, armazenamento e serviços gerenciados em múltiplos provedores. Com uma interface intuitiva e funcionalidades avançadas, facilita o monitoramento de serviços em diferentes ambientes de nuvem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para uma melhor compreensão do tema abordado, é essencial apresentar alguns conceitos sobre computação em nuvem, sistemas web, linguagens de programação (HTML, CSS, NODE.JS e VUE.JS) e SDKs.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.1. <strong>Computação em Nuvem</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A computação em nuvem é uma tecnologia que permite o fornecimento de serviços de Tecnologia da Informação (TI) sob demanda, com pagamento baseado no uso. Antes da computação em nuvem, os serviços de TI eram limitados a uma classe específica de usuários ou focados em demandas específicas de recursos de informática. A computação em nuvem, por outro lado, visa ser global, oferecendo serviços desde o armazenamento de documentos pessoais para usuários finais até a terceirização completa de infraestrutura de TI para empresas. Essa abordagem permite que não apenas recursos de computação e armazenamento sejam entregues sob demanda, mas que toda a pilha de computação seja utilizada na nuvem. Os principais provedores de serviços em nuvem, conhecidos como &#8220;players&#8221;, incluem Amazon Web Services (AWS), Microsoft Azure, Google Cloud Platform (GCP) e Oracle Cloud Infrastructure (OCI), cada um oferecendo uma variedade de serviços para atender às necessidades específicas de seus clientes (AMAZON WEB SERVICES, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.2 <strong>Sistemas Web</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Um sistema web é um software hospedado na internet. O conceito é simples, mas traz inúmeros benefícios para as empresas, principalmente a possibilidade de acesso em qualquer lugar e através de qualquer dispositivo com navegador e conexão à internet. Trata-se de um conjunto de componentes e tecnologias interconectadas. Esses sistemas são desenvolvidos com base em uma combinação de linguagens de programação, protocolos de comunicação e bancos de dados, com o objetivo de disponibilizar serviços e informações de forma segura, escalável e acessível, oferecendo uma experiência de usuário eficiente e satisfatória. No contexto empresarial, os sistemas web desempenham um papel estratégico, permitindo a automação de processos, a integração de sistemas e a colaboração entre equipes distribuídas geograficamente. Eles facilitam a coleta e o processamento de dados, fornecendo insights valiosos para a tomada de decisões informadas. Além disso, sistemas web bem projetados oferecem um canal eficaz de comunicação e interação com os usuários. A construção de um sistema web eficiente e funcional requer planejamento cuidadoso e uma abordagem sistemática. É necessário considerar aspectos como arquitetura de software, usabilidade, segurança, desempenho e escalabilidade. A escolha das tecnologias adequadas, bem como a compreensão das necessidades dos usuários e dos requisitos do sistema, são cruciais para o sucesso do projeto (MDN WEB DOCS, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.3 <strong>Linguagens de programação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As linguagens de programação web são utilizadas especificamente para o desenvolvimento das camadas de apresentação e de lógica de negócio de websites, portais e aplicações web em geral. Para a criação de interfaces de usuário atraentes e interativas, são necessárias linguagens como HTML, CSS e JavaScript. O HTML fornece a estrutura básica de uma página web, enquanto o CSS permite estilizar e posicionar os elementos na página. Já o JavaScript é uma linguagem de programação versátil que permite adicionar interatividade, animações e comportamentos dinâmicos aos sites. Essas linguagens trabalham em conjunto para criar uma experiência de usuário envolvente e responsiva. No entanto, para o desenvolvimento web bem-sucedido, é essencial compreender os princípios de arquitetura de software, boas práticas de codificação e ferramentas de desenvolvimento adequadas. Além disso, estar atualizado com as tendências e inovações no campo do desenvolvimento web é fundamental para acompanhar a rápida evolução desse setor. &#8220;As linguagens HTML, CSS e JavaScript formam a base do desenvolvimento web moderno, cada uma com um papel específico e complementando-se mutuamente para criar interfaces ricas e funcionais&#8221; (MDN WEB DOCS, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.3.1 <strong>HTML</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O HTML, ou Linguagem de Marcação de Hipertexto, é um dos pilares fundamentais da web. Ele permite que desenvolvedores e designers criem e estruturem o conteúdo das páginas, utilizando uma variedade de elementos que vão desde textos simples até imagens e vídeos. A capacidade de organizar e formatar informações de maneira clara e acessível é essencial para a experiência do usuário na internet.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O HTML é uma linguagem de marcação usada para descrever a estrutura de páginas web, permitindo a inclusão de elementos como cabeçalhos, parágrafos, links e imagens. Esses elementos formam a espinha dorsal de qualquer página na internet, tornando possível a exibição adequada de conteúdo no navegador (MOZILLA, 2023).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">2.3.2 <strong>CSS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O CSS é uma linguagem de marcação de estilo que complementa o HTML, controlando a apresentação visual dos elementos da página. Com o CSS, é possível definir cores, fontes, margens, posicionamento e outros aspectos visuais para criar uma experiência de usuário atraente e consistente. Ele separa de maneira eficaz a estrutura do conteúdo do design, facilitando a manutenção e permitindo que as páginas web se adaptem a diferentes dispositivos e tamanhos de tela. &#8220;O Cascading Style Sheets (CSS) é uma ferramenta poderosa que transforma a apresentação de um documento ou de uma coleção de documentos, e se espalhou para quase todos os cantos da web e até mesmo para muitos ambientes que aparentemente não são web. Por exemplo, navegadores baseados em Gecko utilizam CSS para afetar a apresentação da própria interface do navegador, muitos clientes de RSS permitem a aplicação de CSS a feeds e entradas de feed, e alguns clientes de mensagens instantâneas utilizam CSS para formatar janelas de chat. Aspectos do CSS podem ser encontrados na sintaxe usada por frameworks de JavaScript, e até mesmo no próprio JavaScript. Está em todos os lugares!&#8221; (MDN WEB DOCS, 2024).<strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">2.3.3 <strong>Node.JS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Node.js é uma plataforma poderosa e versátil que permite a execução de JavaScript no lado do servidor, expandindo as capacidades tradicionais da linguagem além do ambiente de navegação. Utilizando o motor V8 do Google Chrome, o Node.js oferece um ambiente de execução leve e eficiente, ideal para construir aplicativos de rede e servidor que exigem alto desempenho e escalabilidade. Sua arquitetura orientada a eventos permite lidar com muitas conexões simultâneas, tornando-o uma escolha popular para o desenvolvimento de APIs e aplicações web em tempo real.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Node.js é um ambiente de tempo de execução JavaScript de código aberto, usado para desenvolver aplicativos de rede e servidor. Ele utiliza o motor JavaScript V8 do Google Chrome para executar código JavaScript do lado do servidor, permitindo a criação de aplicativos web escaláveis e de alto desempenho, bem como APIs de back-end. (DAHL, 2009).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">2.3.4 <strong>Vue.js</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vue.js é um framework JavaScript progressivo que se destaca por sua facilidade de integração e flexibilidade. Projetado para ser incrementado em aplicações existentes, o Vue.js permite que desenvolvedores criem interfaces de usuário reativas e interativas de forma eficiente. Sua abordagem modular e a simplicidade de sua sintaxe tornam o desenvolvimento de aplicações web modernas mais acessível, especialmente em projetos que exigem Single Page Applications (SPAs) e interfaces dinâmicas que melhoram a experiência do usuário.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Vue.js é um framework progressivo de JavaScript usado para construir interfaces de usuário interativas e reativas. Ele permite a adição gradual em projetos existentes, sendo amplamente utilizado para o desenvolvimento de Single Page Applications (SPAs) e interfaces dinâmicas. (YOU, 2014).<strong></strong></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">2.4 <strong>SDK</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O SDK para cloud é uma coleção de ferramentas e bibliotecas que facilita o desenvolvimento de aplicativos que se conectam e interagem com diversos serviços de nuvem. Esses kits de desenvolvimento oferecem funcionalidades que permitem aos desenvolvedores implementar recursos de maneira mais rápida e eficiente, como armazenamento, computação e gerenciamento de dados em plataformas de nuvem como Amazon Web Services (AWS), Microsoft Azure e Google Cloud. Essa simplificação do processo de integração ajuda a acelerar o desenvolvimento de aplicações robustas e escaláveis que aproveitam ao máximo as capacidades da nuvem.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O SDK para cloud fornece ferramentas e recursos que simplificam o desenvolvimento de aplicativos que interagem com serviços em nuvem, como Amazon Web Services (AWS), Microsoft Azure e Google Cloud. (AMAZON WEB SERVICES, 2006; MICROSOFT AZURE, 2010; GOOGLE CLOUD, 2008).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3 DESENVOLVIMENTO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Está seção apresenta uma aplicação que entregasse as necessidades para qual foi desenvolvida, listamos todos os requisitos funcionais que nossa aplicação deverá ter.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Através desses requisitos fomos capazes de dividir o processo de criação em várias etapas. Ficando assim uma melhor visualização de todos os componentes presentes em nosso projeto, conforme detalhado na seção 3.1.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3.1 <strong>Requisitos Funcionais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os requisitos funcionais que detalham as operações que o sistema deve ser realizado:<sub>­</sub></p>



<p class="wp-block-paragraph">3.1.2<strong> Autenticação e Gerenciamento de Usuários</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A. RF_01: Efetuar Login &#8211; Os usuários e administradores devem realizar login para acessar o sistema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">B. RF_02: Alterar Senha &#8211; Os usuários e administradores podem alterar as senhas dos clientes, se necessário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">C. RF_03: Cadastrar Usuário &#8211; Os administradores podem cadastrar usuários, fornecendo informações como chaves de acesso à nuvem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">D. RF_04: Alterar Usuário &#8211; O administrador pode atualizar informações do usuário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3.1.3<strong> Visualização de Recursos em Cloud</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">E. RF_05: Visualização de Instâncias EC2 &#8211; O sistema deve permitir a visualização das instâncias EC2 em várias regiões em cloud.</p>



<p class="wp-block-paragraph">F. RF_06: Visualização de VPCs (redes) &#8211; O sistema deve permitir a visualização das VPCs em várias regiões em cloud.</p>



<p class="wp-block-paragraph">G. RF_07: Visualização de Buckets (storage) &#8211; O sistema deve permitir a visualização dos buckets em clouds em várias regiões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3.1.4 <strong>Visualização de Custos e Contas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">H. RF_08: Visualização de Custos dos Serviços &#8211; O sistema deve permitir a visualização dos custos mensais dos serviços em clouds por região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">I. RF_09: Visualização de Contas &#8211; O sistema deve permitir a visualização dos nomes das contas em clouds associadas às regiões configuradas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3.1.5 <strong>Fluxograma</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Com base nos requisitos identificados, foi elaborado um diagrama de fluxograma que serviu como fundamento para a criação da arquitetura do sistema. Este diagrama proporcionou uma análise minuciosa da arquitetura, com seus atributos específicos e as relações entre elas (figura 1).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 1 – Diagrama de fluxograma do sistema.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="784" height="389" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2261.png" alt="" class="wp-image-177663" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2261.png 784w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2261-300x149.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2261-768x381.png 768w" sizes="(max-width: 784px) 100vw, 784px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fonte: o autor, 2024.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">3.1.6 <strong>Arquitetura</strong><strong> do sistema</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base nos requisitos identificados, foi elaborado um diagrama de arquitetura de sistema. O administrador, utilizar as permissões adequadas, cadastra as chaves de acesso necessárias para a consulta das APIs da nuvem. Em seguida, uma função no Node.js é responsável por realizar consultas às APIs da nuvem, como AWS, Google Cloud Platform ou OCI Cloud. Essas consultas recuperam informações relevantes, como detalhes das instâncias EC2, redes VPC, buckets de armazenamento e custos dos serviços mensais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As informações obtidas são então exibidas no frontend utilizando o framework Vue.js para a construção da interface e CSS para estilização. O frontend oferece uma experiência de usuário intuitiva e amigável, permitindo que os usuários visualizem e interajam com os dados de forma eficiente. Dessa forma, o sistema proporciona uma solução completa para gerenciamento e monitoramento de recursos na nuvem, garantindo eficiência e praticidade para os usuários administradores (figura 2).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 2 – Diagrama de arquitetura do sistema.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="747" height="355" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2260.png" alt="" class="wp-image-177662" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2260.png 747w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2260-300x143.png 300w" sizes="(max-width: 747px) 100vw, 747px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fonte: o autor, 2024.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">3.1.7 <strong>Arquitetura</strong><strong> da estrutura dos códigos-fonte</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma arquitetura organizada, é fundamental armazenar partes do frontend, como imagens e folhas de estilo CSS, em uma pasta pública (como &#8220;public&#8221;), evitando deixar recursos soltos no código. Essa organização facilita a gestão e manutenção dos arquivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o projeto utiliza uma estrutura modular no backend, onde diferentes funcionalidades são implementadas em módulos JavaScript (JS) separados. Cada módulo é responsável por uma parte específica da lógica de negócios, como autenticação, integração com APIs de provedores de nuvem, e manipulação de dados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O arquivo app.js atua como o ponto de entrada principal da aplicação, configurando o servidor e integrando todos os módulos JS. Ele também gerencia as rotas e middlewares, assegurando que as diferentes partes da aplicação funcionem de forma coesa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a renderização de páginas dinâmicas, o projeto utiliza o motor de templates EJS (Embedded JavaScript). As extensões .ejs são empregadas para criar views que podem incluir variáveis e lógica de apresentação, permitindo uma experiência de usuário mais interativa e personalizada. Essas views EJS são processadas no servidor antes de serem enviadas ao cliente, garantindo que o conteúdo dinâmico seja exibido corretamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; <strong>Pastas Públicas</strong>: Recursos estáticos como imagens, folhas de estilo (CSS), e scripts JavaScript foram organizados na pasta &#8220;public&#8221;. Isso não apenas facilita o gerenciamento desses arquivos, mas também melhora o desempenho da aplicação, permitindo um carregamento mais rápido dos conteúdos (figura 3).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 3 – Organização de recursos estáticos na pasta &#8220;public&#8221;.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="635" height="190" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2258.png" alt="" class="wp-image-177660" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2258.png 635w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2258-300x90.png 300w" sizes="(max-width: 635px) 100vw, 635px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fonte: o autor, 2024.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; <strong>Módulos Node.js</strong>: O back-end é organizado em módulos Node.js bem definidos, cada um responsável por uma função específica, como autenticação, integração com APIs de provedores de nuvem, e processamento de dados. Quando um módulo é instalado via npm e importado no arquivo app.js, ele é automaticamente registrado no arquivo package.json, que serve como um manifesto do projeto, listando todas as dependências utilizadas (figura 4 e 5).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 4 – Módulo instalado via NPM e importado package.json.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="632" height="311" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2257.png" alt="" class="wp-image-177659" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2257.png 632w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2257-300x148.png 300w" sizes="(max-width: 632px) 100vw, 632px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fonte: o autor, 2024.</figcaption></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 5 – Importação de módulos com as APIs de provedores de nuvem.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="641" height="349" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2256.png" alt="" class="wp-image-177658" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2256.png 641w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2256-300x163.png 300w" sizes="(max-width: 641px) 100vw, 641px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fonte: o autor, 2024</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; <strong>Extensões ejs: </strong>O projeto utiliza o EJS (Embedded JavaScript) como motor de templates para renderizar páginas dinâmicas. As views com extensão .ejs permitem a inserção de lógica de apresentação e variáveis diretamente nas páginas, proporcionando uma experiência de usuário mais interativa e personalizada (figura 6 e 7).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 6 – Importação ejs para renderizar páginas dinâmicas.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="625" height="417" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2255.png" alt="" class="wp-image-177657" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2255.png 625w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2255-300x200.png 300w" sizes="(max-width: 625px) 100vw, 625px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fonte: o autor, 2024.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 7 – Arquitetura da estrutura dos códigos-fonte.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="255" height="369" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2254.png" alt="" class="wp-image-177656" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2254.png 255w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2254-207x300.png 207w" sizes="(max-width: 255px) 100vw, 255px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fonte: o autor, 2024.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">3.1.8 <strong>Dados e Visualização no Frontend</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados exibidos no frontend, incluindo gráficos e tabelas, são obtidos diretamente de servidores, que armazenam as informações em tempo real. Esses servidores processam as requisições e retornam as informações relevantes ao frontend, que são então exibidas de forma dinâmica (figura 8, 9 e 10).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 8 – Dados e Visualização no Frontend.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="660" height="344" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2253.png" alt="" class="wp-image-177655" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2253.png 660w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2253-300x156.png 300w" sizes="(max-width: 660px) 100vw, 660px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fonte: o autor, 2024.</figcaption></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 9 – Informações dos servidores.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="691" height="267" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2252.png" alt="" class="wp-image-177654" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2252.png 691w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2252-300x116.png 300w" sizes="(max-width: 691px) 100vw, 691px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fonte: o autor, 2024.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 10 – Status dos servidores (ligado/desligado) em gráficos.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="637" height="347" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2251.png" alt="" class="wp-image-177653" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2251.png 637w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2251-300x163.png 300w" sizes="(max-width: 637px) 100vw, 637px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fonte: o autor, 2024.</figcaption></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4 RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">4.1<strong> Desempenho do Sistema</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a fase de testes em ambiente real, o sistema demonstrou um desempenho sólido em relação aos seus principais requisitos funcionais. Os resultados obtidos revelaram:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; <strong>Tempo de Resposta:</strong> O tempo médio de resposta para consultas de dados e visualização de recursos foi de aproximadamente 2 segundos, atendendo às expectativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; <strong>Confiabilidade:</strong> O sistema apresentou disponibilidade, com poucos incidentes de falha relatados durante o período de teste. As falhas ocorridas foram rapidamente identificadas e corrigidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.1.2<strong> Feedback dos Usuários</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O feedback dos usuários finais forneceu insights valiosos sobre a usabilidade e a funcionalidade do sistema:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; <strong>Interface de Usuário:</strong> A interface foi amplamente elogiada por sua intuitividade e facilidade de navegação. A maioria dos usuários considerou a interface amigável e fácil de usar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; <strong>Funcionalidades:</strong> As funcionalidades de visualização de recursos e custos foram avaliadas positivamente. No entanto, alguns usuários sugeriram melhorias nas opções de filtragem e na apresentação dos dados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; <strong>Suporte e Documentação:</strong> A documentação e o suporte foram bem recebidos, com muitos usuários expressando satisfação com a clareza das instruções e a rapidez no atendimento de suporte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.1.3 <strong>Identificação de Problemas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante os testes, foram identificados alguns problemas que precisam ser abordados:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; <strong>Performance em Grande Escala:</strong> Embora o sistema tenha apresentado bons resultados nos testes iniciais, clientes da indústria automotiva enfrentaram desafios ao lidar com grandes volumes de dados, particularmente ao visualizar instâncias EC2 e buckets em regiões com alta concentração de recursos. Esses casos revelaram a necessidade de otimizações para garantir a fluidez e eficiência na exibição de dados em ambientes com grande quantidade de recursos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; <strong>Integração com APIs:</strong> Houve dificuldades esporádicas na integração com algumas APIs de provedores de nuvem, resultando em erros de conexão ou dados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; <strong>Feedback Negativo:</strong> Alguns usuários relataram dificuldades na personalização das visualizações de custos e na exportação de relatórios. Isso se deve à complexidade de configurar filtros e ajustar as métricas visualizadas de acordo</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.1.4 <strong>Melhorias Implementadas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base nos resultados dos testes e no feedback dos usuários, foram implementadas melhorias significativas:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; <strong>Otimização de Performance:</strong> Foram realizadas otimizações no código e ajustes na infraestrutura para melhorar o desempenho ao lidar com grandes volumes de dados. Essas melhorias resultaram em uma redução de 30% no tempo de resposta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; <strong>Atualização de APIs:</strong> Foram corrigidos problemas de integração com APIs de provedores de nuvem, melhorando a consistência e a confiabilidade dos dados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; <strong>Aprimoramento da Interface:</strong> Foram adicionadas novas opções de filtragem e personalização na interface de visualização de custos, além de melhorias na exportação de relatórios, com base no feedback dos usuários finais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.1.5 <strong>Avaliação de Usabilidade</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para avaliar a usabilidade do sistema e a precisão das funcionalidades, utilizamos a ferramenta de teste de usabilidade UsabilityHub, que mediu a porcentagem de acurácia das operações realizadas pelos usuários. A ferramenta forneceu os seguintes resultados:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; <strong>Taxa de Acurácia:</strong> A acurácia geral das funcionalidades do sistema foi de 92%, indicando um alto nível de precisão nas operações realizadas pelos usuários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; <strong>Usabilidade:</strong> A ferramenta também avaliou a facilidade de uso do sistema, com uma pontuação média de 4,5 em uma escala de 5, refletindo a satisfação dos usuários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.1.6 <strong>Resultados Preliminares</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados preliminares sugerem que o sistema atende bem aos requisitos funcionais e oferece uma solução eficiente para o gerenciamento e monitoramento de recursos na nuvem. A fase de testes permitiu identificar áreas de melhoria e fornecer uma base sólida para ajustes futuros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A próxima etapa envolve a continuação do processo de refinamento, com base nos dados coletados, para garantir que o sistema atenda plenamente às expectativas dos usuários e continue a evoluir conforme as necessidades do mercado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5 CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O desenvolvimento e a implementação do sistema de gerenciamento e monitoramento de recursos na nuvem atenderam às necessidades funcionais estabelecidas, destacando a relevância dos softwares na gestão moderna de recursos tecnológicos. O sistema se mostrou uma solução robusta e essencial para empresas em ambientes de nuvem complexos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os testes realizados, utilizando a ferramenta UsabilityHub, evidenciaram a importância da qualidade do sistema. No entanto, desafios relacionados à performance em grande escala e à integração com múltiplos provedores de nuvem foram identificados, reforçando a necessidade de testes contínuos. Esses testes não apenas ajudam a corrigir falhas, mas também fornecem insights para melhorar a funcionalidade e a usabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, o sistema desenvolvido é uma solução prática e eficiente, com desempenho satisfatório e uma experiência de usuário positiva. Recomenda-se a otimização da performance e a expansão das integrações para manter a relevância no mercado em constante evolução. A qualidade dos softwares continua a ser fundamental para o sucesso das soluções tecnológicas, e a implementação de melhorias contínuas é crucial para atender às expectativas dos usuários no ambiente de nuvem moderno.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong></p>



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<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduando do Curso de Sistemas de Informação da Universidade de Araraquara &#8211; UNIARA. Araraquara-SP. E-mail: lucas.zanatta@uniara.edu.br</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>2</sup>Orientador. Docente Curso de Sistemas de Informação da Universidade de Araraquara &#8211; UNIARA. Araraquara-SP. E-mail: alsilva@uniara.edu.br</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>3</sup>Coorientador. Docente Curso de Sistemas de Informação da Universidade de Araraquara &#8211; UNIARA. Araraquara-SP. E-mail: fflorian@uniara.edu.br</p>
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