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	<title>Psicologia &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<description>Revista Científica de Alto Impacto.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 12 Mar 2026 10:37:58 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Psicologia &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<item>
		<title>HABILIDADES SOCIOEMOCIONAIS NO AMBIENTE DE TRABALHO: UMA ANÁLISE ESTRATÉGICA À LUZ DA NR-1/2024 E DAS CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL</title>
		<link>https://revistaft.com.br/habilidades-socioemocionais-no-ambiente-de-trabalho-uma-analise-estrategica-a-luz-da-nr-1-2024-e-das-contribuicoes-da-psicologia-organizacional/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2025 13:58:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512091056 Cristiane de Souza Brito¹Kamylla Antunes de Ávila Cunha²Orientador: Lucas de Oliveira Borges³ RESUMO&#160; As transformações no cenário organizacional contemporâneo evidenciam a importância das habilidades socioemocionais como estratégia de gestão de pessoas. O desenvolvimento de competências socioemocionais — como resiliência, empatia e comunicação assertiva — tem se mostrado essencial para fortalecer o clima [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512091056</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Cristiane de Souza Brito¹<br>Kamylla Antunes de Ávila Cunha²<br>Orientador: Lucas de Oliveira Borges³</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As transformações no cenário organizacional contemporâneo evidenciam a importância das habilidades socioemocionais como estratégia de gestão de pessoas. O desenvolvimento de competências socioemocionais — como resiliência, empatia e comunicação assertiva — tem se mostrado essencial para fortalecer o clima organizacional e promover interações colaborativas, aumento da produtividade e fortalecimento das relações de confiança entre colaboradores e gestores. Este estudo, de natureza qualitativa e fundamentado em pesquisa bibliográfica, objetiva compreender como tais habilidades podem ser incorporadas de forma estratégica no ambiente de trabalho, especialmente frente às recentes mudanças normativas do Ministério do Trabalho e Emprego (NR-1/2024), que incluem riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. A pesquisa analisa conceitos clássicos e contemporâneos sobre socioemocionalidade, discute sua relevância para a Psicologia Organizacional e avalia os benefícios da integração destas competências em políticas corporativas. Os resultados indicam que o investimento em habilidades socioemocionais promove engajamento, reduz conflitos internos e favorece a sustentabilidade organizacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>habilidades socioemocionais; gestão de pessoas; psicologia organizacional; inteligência emocional; NR-1.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">The transformations in the contemporary organizational scenario highlight the importance of socio-emotional skills as a people management strategy. Competencies such as emotional intelligence, empathy, assertive communication, and resilience contribute to improving the organizational climate, increasing productivity, and strengthening trust relationships between&nbsp; employees and managers. This qualitative study, based on bibliographic research, aims to understand how these skills can be strategically incorporated into the workplace, especially in&nbsp; light of recent changes in the Ministry of Labor and Employment regulations (NR-1/2024), which include psychosocial risks in Occupational Risk Management. The research analyzes classical and contemporary concepts of socio-emotionality, discusses its relevance to Organizational Psychology, and assesses the benefits of integrating these skills into corporate policies. The results indicate that investing in socio-emotional skills promotes engagement, reduces internal conflicts, and favors organizational sustainability.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: socio-emotional skills; people management; organizational psychology; emotional intelligence; NR-1.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O ser humano é constituído como ser biopsicossocial, necessitando equilibrar aspectos biológicos, psicológicos e sociais em sua vida. Nesse sentido, as habilidades socioemocionais se tornam essenciais, uma vez que dizem respeito tanto às relações intrapessoais quanto às interpessoais, impactando diretamente na convivência familiar, social e profissional (Gabaldi, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto organizacional, caracterizado por complexidade e constantes mudanças, o capital humano passou a ser reconhecido como principal ativo. Assim, habilidades como empatia, colaboração e comunicação assertiva tornam-se estratégicas, equiparando-se às competências técnicas no alcance de resultados (Scott, 2017).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em paralelo às exigências do mercado de trabalho, a revisão da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1/2024) pelo Ministério do Trabalho e Emprego revela um avanço significativo ao enfatizar a integração entre capacitação, comportamento seguro, gestão de riscos e atenção aos fatores psicossociais. A NR-1 reafirma a importância de práticas preventivas baseadas na formação contínua, na cultura de segurança e na participação ativa dos trabalhadores.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse cenário, a Psicologia, especialmente a Psicologia Organizacional, assume protagonismo ao oferecer fundamentos teóricos e práticos capazes de orientar intervenções, diagnósticos e programas voltados à saúde mental, ao bem-estar e às relações humanas no trabalho. Assim, compreender como habilidades socioemocionais dialogam com a segurança, a saúde mental e as regulamentações trabalhistas se torna fundamental para consolidar políticas organizacionais mais efetivas e humanizadas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a pandemia de COVID-19, intensificaram-se os desafios emocionais no ambiente de trabalho, revelando a necessidade de lideranças mais empáticas e acolhedoras. Goleman (2011) destaca que as emoções são responsáveis por mais da metade do desempenho profissional, evidenciando a relevância da inteligência emocional na gestão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse cenário, surge a problemática central: como as habilidades socioemocionais podem ser utilizadas estrategicamente na gestão de colaboradores para promover um ambiente de trabalho mais saudável, produtivo e engajado?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As habilidades socioemocionais, segundo Duckworth e Yeager (2020), são competências não cognitivas que influenciam metas, relações sociais e bem-estar. Inicialmente compreendidas como traços fixos de personalidade, atualmente são vistas como habilidades passíveis de desenvolvimento ao longo da vida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gardner (2020) propôs as inteligências interpessoal e intrapessoal, posteriormente ampliadas por Goleman (2020) sob o conceito de inteligência emocional. Segundo Rodríguez (2020), com base nas diretrizes da UNESCO, as habilidades do século XXI podem ser agrupadas em três dimensões principais: pessoais (como resiliência e responsabilidade), sociais (como empatia e trabalho em equipe) e de aprendizagem (como pensamento crítico e resolução de problemas).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Travassos (2019) destaca que, à medida que a sociedade avança e os mercados se modificam, surgem novas demandas sociais e profissionais que tornam essencial a adoção de habilidades que vão além das meramente técnicas. Essas novas exigências envolvem a contratação de indivíduos ou o aprimoramento das competências interpessoais e pessoais de trabalhadores já presentes no mercado, consideradas ainda mais significativas que as habilidades técnicas&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em sua obra “O Indivíduo nas Organizações: Dimensões Esquecidas”, Chanlat (2018) critica a visão mecanicista da gestão tradicional que ignora subjetividades, afetos, valores e sentidos atribuídos ao trabalho. Segundo o autor, compreender o indivíduo em sua dimensão emocional é essencial para promover ambientes corporativos saudáveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Goulart (2021) aprofunda esse debate ao destacar que a Psicologia Organizacional não deve restringir-se à produtividade, mas também ao bem-estar afetivo e relacional dos colaboradores.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chiavenato (2022) reforça que o capital humano tornou-se o principal diferencial competitivo das organizações modernas. Para o autor, gerir pessoas é gerir emoções, relações, expectativas e sentidos simbólicos, Já Cukier (2023) traz a perspectiva da “inteligência do carisma”, defendendo que líderes emocionalmente habilidosos influenciam positivamente a motivação, a confiança e o engajamento das equipes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos brasileiros publicados entre 2020 e 2024 em periódicos como:&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Psicologia: Organizações e Trabalho&nbsp;</li>



<li>RAE — Revista de Administração de Empresas&nbsp;</li>



<li>Cadernos EBAPE&nbsp;</li>



<li>Revista de Administração Mackenzie&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">demonstram que habilidades socioemocionais estão associadas a:&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>redução de conflitos internos;&nbsp;</li>



<li>melhoria do clima emocional;&nbsp;</li>



<li>aumento da produtividade (até 25% em empresas analisadas);&nbsp;</li>



<li>diminuição do absenteísmo;&nbsp;</li>



<li>fortalecimento da saúde mental.&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A relevância das habilidades socioemocionais&nbsp; e do bem-estar nas organizações transcende o campo da gestão estratégica, alcançando o plano da conformidade legal e da segurança e saúde no trabalho . A Norma Regulamentadora n. 1 (NR-1), que trata das Disposições Gerais e do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), sofreu importantes atualizações (com destaque para as consolidações de 2020 e 2024), promovendo uma significativa alteração no paradigma regulatório brasileiro.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A principal inovação da NR-1 foi a obrigatoriedade da implementação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que exige que todas as organizações identifiquem, avaliem, classifiquem e controlem todos os riscos presentes em seu ambiente de trabalho (MTE, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa evolução, o conceito de risco ocupacional foi ampliado, forçando as empresas a olhar para além dos riscos tradicionalmente reconhecidos (físicos, químicos e ergonômicos) e incluir os fatores de risco psicossocial. A atualização da NR-1/2024 define, implicitamente e por força de seu escopo abrangente, que os riscos psicossociais devem ser tratados com a mesma seriedade dos demais riscos. Tais riscos são decorrentes da organização do trabalho, das relações interpessoais e do conteúdo das tarefas, e incluem:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">a) Assédio Moral e Sexual: Comportamentos que expõem o trabalhador a situações vexatórias e degradantes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">b) Sobrecarga e Ritmo de Trabalho Excessivo: Pressão abusiva e metas inatingíveis que levam ao estresse crônico e ao burnout.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">c) Falta de Autonomia e Controle: Limitação da capacidade do trabalhador de influenciar ou participar nas decisões sobre seu próprio trabalho.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">d) Relações de Trabalho Degradantes: Conflitos não gerenciados e clima emocional negativo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">e) O não tratamento desses riscos implica o descumprimento legal e expõe a organização a sanções, além de aumentar a probabilidade de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais (MTE, 2024).&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O Gerenciamento de Riscos Ocupacionais deve constituir um processo contínuo de aprimoramento, sendo que a sua eficácia deve ser avaliada periodicamente. [&#8230;] A identificação de perigos e a avaliação de riscos devem considerar, também, a possibilidade de lesões ou agravos à saúde relacionados aos fatores psicossociais. (NR-1, MTE, 2024, adaptado).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O novo cenário regulatório da NR-1/2024 redefiniu a gestão de pessoas, exigindo uma postura proativa e baseada em habilidades socieoemocionais para o cumprimento da lei. Para gerenciar eficazmente os riscos psicossociais, as empresas são obrigadas a implementar:&nbsp;</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Políticas Formais de Prevenção: Documentação clara sobre canais de denúncia e regras de conduta contra o assédio.&nbsp;</li>



<li>Treinamentos Socioemocionais Estruturados: Capacitação contínua de líderes e equipes em comunicação, empatia e manejo de conflitos para mitigar as fontes de risco.&nbsp;</li>



<li>Canais de Apoio Psicológico: Oferta de suporte e tratamento para os colaboradores em sofrimento.&nbsp;</li>



<li>Indicadores Emocionais e Psicossociais: Ferramentas de pesquisa e monitoramento para medir o clima organizacional e os níveis de estresse.&nbsp;</li>



<li>Liderança Emocionalmente Competente: A atuação do líder torna-se crucial; ele deve ser o primeiro agente a identificar e prevenir os riscos em sua equipe, exigindo o desenvolvimento de habilidades interpessoais robustas.&nbsp;</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">A NR-1, portanto, estabelece um elo inegável entre o bem-estar subjetivo (objeto de estudo de Goulart e Chanlat) e a obrigatoriedade legal, consolidando as habilidades socioemocionais como um pilar da governança corporativa moderna e responsável.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido a Psicologia Organizacional desempenha papel central nesse processo, contribuindo para o fortalecimento de ambientes saudáveis, prevenção de adoecimentos e promoção de programas de desenvolvimento socioemocional (CFP, 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. </strong><strong>METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo adota um caráter qualitativo e se configura como uma pesquisa teórica, tendo como procedimento técnico principal a pesquisa bibliográfica. A natureza qualitativa é justificada por sua adequação à investigação de fenômenos complexos e subjetivos, como as interações sociais e o sentido atribuído ao trabalho, que são centrais ao tema das habilidades socioemocionais e à saúde organizacional (CRESWELL, 2014).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa bibliográfica se mostrou o método mais eficaz para o objetivo do estudo, que é sistematizar o conhecimento existente e construir um arcabouço conceitual que articule três eixos temáticos distintos: a teoria das habilidades socioemocionais, as contribuições da Psicologia Organizacional&nbsp; e o imperativo regulatório da NR-1/2024 (GIL, 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A coleta de dados foi realizada priorizando a literatura especializada, abrangendo artigos científicos, livros de referência e documentos normativos. O foco da pesquisa bibliográfica foi direcionado para estudos que abordassem:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">a) Habilidades Socioemocionais e Inteligência Emocional (enfoque teórico e aplicabilidade no setting corporativo).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">b) Gestão de Pessoas, Saúde Organizacional e Psicologia do Trabalho (enfoque no bem-estar, subjetividade e riscos psicossociais).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">c) Legislação Trabalhista e Segurança e Saúde no Trabalho (com especial atenção às atualizações da NR-1/2024 e o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais – GRO).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O recorte temporal priorizou publicações dos últimos cinco anos (2020–2025), a fim de garantir a pertinência e o alinhamento com o cenário atual, especialmente em relação à legislação mais recente (MTE, 2024). Autores clássicos e fundamentais que estabeleceram as bases conceituais do tema ( Goleman, Chanlat) foram, contudo, incorporados para fornecer a profundidade teórica necessária.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As bases de dados e plataformas digitais consultadas para a seleção do material incluíram:&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>SciELO (Scientific Electronic Library Online)&nbsp;</li>



<li>PePSIC (Periódicos Eletrônicos em Psicologia)&nbsp;</li>



<li>Google Acadêmico&nbsp;</li>



<li>Bibliotecas Digitais Universitárias (focadas em teses e dissertações em Administração e Psicologia)&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A análise do corpus textual coletado foi realizada por meio da Análise de Conteúdo Temática, seguindo as diretrizes metodológicas de Bardin (2011). Essa técnica se mostrou a mais adequada para o tratamento da variedade de fontes (teorias, pesquisas e normas), permitindo a identificação dos núcleos de sentido e a organização das informações em categorias coerentes com o objetivo do estudo. As etapas de Pré-análise, Exploração do Material e Tratamento dos Os Resultados possibilitaram:&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Codificação: Identificar trechos que discutem a necessidade de desenvolvimento das habilidades socioemocionais s como estratégia de gestão, agrupar os dados em categorias analíticas centrais, tais como: &#8220;Implicações da Subjetividade no Trabalho&#8221; (Chanlat e Goulart), &#8220;Liderança Emocionalmente Competente&#8221; (Goleman e Cukier) e &#8220;Obrigações Legais na Prevenção de Riscos Psicossociais&#8221; (NR-1/2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Interpretação: Articular as categorias para construir a análise estratégica, demonstrando como o desenvolvimento das habilidades sociemocionais&nbsp; é o caminho mais eficaz para o atendimento das exigências regulatórias e para a promoção de um ambiente de trabalho saudável e produtivo. O rigor na aplicação dessa técnica garante a validade da interpretação teórica e a coerência entre o referencial bibliográfico e as conclusões apresentadas (BARDIN, 2011).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. </strong><strong>DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise da literatura e dos dados contemporâneos confirma a tese central deste trabalho: o investimento no desenvolvimento das habilidades socioemocionais é um diferencial competitivo e um imperativo estratégico para as organizações modernas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos de caso recentes, realizados em grandes organizações brasileiras e globais, fornecem evidências concretas dos benefícios mensuráveis. Por exemplo, a literatura de mercado aponta que programas estruturados de Inteligência Emocional&nbsp; (Goleman, 2020) em empresas de grande porte, como as do setor energético (exemplo citado pela Psico Smart, 2023), sugerem melhorias significativas:&nbsp;</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Colaboração e Clima: Relatos de melhoria de aproximadamente 30% na colaboração e consequente redução de conflitos internos após a implementação de programas focados em empatia e habilidades sociais (PSICO SMART, 2023).&nbsp;</li>



<li>Produtividade: Análises realizadas por consultorias estratégicas renomadas endossam o vínculo entre IE e performance. Um estudo clássico da McKinsey &amp; Company (2012) e pesquisas mais recentes, como as de Harvard (2021), reforçam a relação direta, indicando ganhos de até 20% em produtividade em equipes com alto índice de desenvolvimento socioemocional e relacional.&nbsp;</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">Tais achados corroboram a visão de que o capital humano (Chiavenato, 2022), munido de habilidades socioemocionais, é o principal vetor de valor, e que a liderança carismática e emocionalmente inteligente (Cukier, 2023) é capaz de influenciar positivamente a motivação, o engajamento e, consequentemente, o resultado financeiro.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar das evidências de retorno sobre o investimento, muitas organizações ainda enfrentam dificuldades significativas na implementação de políticas efetivas de desenvolvimento socioemocional. Essas barreiras são de natureza complexa e podem ser divididas em:&nbsp;</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Barreiras Culturais: A persistência da visão mecanicista e instrumental do trabalho (Chanlat, 2018), onde as emoções são vistas como fraquezas ou distrações, e não como fontes de informação e insight.&nbsp;</li>



<li>Falta de Estrutura: A carência de programas estruturados e a ausência de métricas adequadas para avaliar o clima emocional e o bem-estar subjetivo (Goulart, 2021).&nbsp;</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, a Psicologia Organizacional&nbsp; emerge como a área-chave para orientar práticas e intervenções. A psicologia organizacional fornece o know-how necessário para diagnosticar as barreiras, desenhar treinamentos que integrem as habilidades sociemocionais (em vez de focar apenas em competências técnicas) e criar canais de apoio psicológico que legitimem a experiência emocional no ambiente de trabalho.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os achados discutidos — a evidência empírica de ganhos e a dificuldade de implementação — reforçam a urgência do tema, especialmente à luz da legislação brasileira. A necessidade de ir além da gestão tradicional, focada apenas em metas e produtividade, não é mais uma opção, mas uma exigência legal. A inclusão mandatória da gestão de riscos psicossociais na NR-1/2024 (MTE, 2024) coloca a ausência de habilidades socioemocionais e de suporte emocional como um risco ocupacional passível de fiscalização.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, a incorporação das habilidades socioemocionais (Autoconsciência, Empatia, Habilidades Sociais) passa a ser um fator de mitigação de riscos ( compliance ) e um diferencial estratégico, estabelecendo a base para uma saúde organizacional sustentável e ética.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. </strong><strong>CONCLUSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se que as habilidades socioemocionais não são mais acessórios, mas sim mecanismos estratégicos fundamentais na gestão contemporânea de colaboradores. A revisão teórica, amparada por autores como Goleman (2020) e Chanlat (2018), confirmou que ao integrar a dimensão emocional e subjetiva do trabalhador:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">a) Promove-se Ambientes Saudáveis: A autoconsciência e a empatia fortalecem as relações de confiança, reduzem conflitos e mitigam o sofrimento ético e psíquico no trabalho.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">b) Gera-se Sustentabilidade e Desempenho: Há uma correlação direta entre o desenvolvimento das Habilidades Socioemocionais (pela liderança e equipes) e indicadores de produtividade e engajamento (McKinsey, 2012; Harvard, 2021), contribuindo para a sustentabilidade organizacional a longo prazo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise estratégica do tema é reforçada pelo cenário regulatório. Com a atualização da&nbsp;Norma Regulamentadora n. 1 (NR-1/2024), que exige o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e, por extensão, a identificação e controle dos riscos psicossociais (MTE, 2024), torna-se legalmente imperativo que empresas adotem medidas concretas de promoção do bem-estar afetivo e relacional de seus trabalhadores.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a Psicologia Organizacional e do Trabalho desempenha um papel decisivo (Goulart, 2021). Segundo ele a psicologia Organizacional e do trabalho é a área-chave para:&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>diagnosticar as barreiras culturais e sistêmicas que negligenciam a subjetividade.&nbsp;</li>



<li>formular políticas, programas e práticas que conciliem os resultados corporativos com a saúde mental e a dignidade do trabalhador.&nbsp;</li>



<li>desenvolver a liderança emocionalmente competente, que atua como agente de prevenção de riscos, conforme exigido pela NR-1.&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A gestão de pessoas, portanto, deve superar a perspectiva tradicional focada apenas em metas e adotar uma visão integral e humanizada, onde a incorporação das habilidades socioemocionais é a base para a conformidade legal e para o sucesso estratégico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Recomenda-se que futuras pesquisas explorem estudos de caso em organizações brasileiras de diferentes portes e setores, visando aprofundar a compreensão dos impactos práticos e quantificáveis da implementação de programas estruturados de desenvolvimento de habilidades socioemocionais na:&nbsp;</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Redução de índices de absenteísmo, turnover e burnout.&nbsp;</li>



<li>Melhoria do clima organizacional e segurança psicológica sob o prisma do atendimento à NR-1/2024.&nbsp;</li>



<li>Avaliação da eficácia dos modelos de treinamento de liderança emocionalmente competentes no contexto de gestão de riscos psicossociais.&nbsp;</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. </strong><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 10520: Informação e documentação – Citações em documentos – Apresentação. BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016. Dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais. Disponível em: https://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2016/Reso510.pdf. Acesso em: 10 mar. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego.&nbsp; Governo Federal atualiza NR-01 para incluir riscos psicossociais e reconstitui Comissão do Benzeno. Disponível em: <a href="https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2024/Setembro/governo-federal-atualiza-nr-01-para-incluir-riscos-psicossociais-e-reconstitui-comissao-do-benzeno">https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2024/Setembro/governofederal-atualiza-nr-01-para-incluir-riscos-psicossociais-e-reconstitui-comissao-do-benzeno.</a>&nbsp;Acesso em: 20 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHANLAT, Jean-François. O indivíduo nas organizações: dimensões esquecidas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2018.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CRESWELL, John W. Research design: qualitative, quantitative, and mixed methods approaches. 4th ed. Thousand Oaks: SAGE Publications, 2014.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CUKIER, Ken. Inteligência do Carisma: como líderes emocionalmente habilidosos influenciam e inspiram. Rio de Janeiro: [Insira a editora], 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GOULART, Iris Barbosa. Psicologia organizacional e do trabalho: fundamentos e aplicabilidade. In: GOULART, Iris Barbosa; SILVA, Roseli B. P. da (Org.). Psicologia e Gestão de Pessoas nas Organizações. Curitiba: Juruá, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FLICK, U. Introdução à pesquisa qualitativa. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">GOLDMAN, M. Inteligência emocional na gestão empresarial. São Paulo: Atlas, 2017.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GOLEMAN, D. Liderança: a inteligência emocional na formação do líder de sucesso. 2. ed.&nbsp;Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GOLEMAN, D. Inteligência Emocional. Rio de Janeiro: Objetiva, 2020.&nbsp;</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">¹Graduanda de Psicologia da Faculdade UNINASSAU; e-mail: cris.cris.uft@gmail.com<br>²Graduanda de Psicologia da Faculdade UNINASSAU; e-mail: Kamyllaantunes04@hotmail.com<br>³Pós graduado em gestão de pessoas pela UNICATÓLICA e em psicanálise pela FACOP; e-mail: psicólogo.lucasborges@gmail.com</p>
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		<title>SUICÍDIO: FATORES BIOPSICOSSOCIAIS QUE INFLUENCIAM A DECISÃO DE MORTE INTENCIONAL EM JOVENS-ADULTOS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/suicidio-fatores-biopsicossociais-que-influenciam-a-decisao-de-morte-intencional-em-jovens-adultos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Nov 2025 12:16:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[SUICIDE: BIOPSYCHOSOCIAL FACTORS THAT INFLUENCE THE DECISION TO COMMIT INTENTIONAL DEATH IN YOUNG ADULTS REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511301047 Walison da Silva1Fabíolla Delfino Alves Oliveira Vinhal2 RESUMO&#160; O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial que afeta uma parcela significativa da população mundial, atingindo indivíduos de diferentes faixas etárias e contextos sociais, muitas vezes de forma silenciosa. [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">SUICIDE: BIOPSYCHOSOCIAL FACTORS THAT INFLUENCE THE DECISION TO COMMIT INTENTIONAL DEATH IN YOUNG ADULTS</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511301047</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Walison da Silva<sup>1</sup><br>Fabíolla Delfino Alves Oliveira Vinhal<sup>2</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial que afeta uma parcela significativa da população mundial, atingindo indivíduos de diferentes faixas etárias e contextos sociais, muitas vezes de forma silenciosa. Sintomas como tristeza, angústia, solidão e desmotivação são frequentemente negligenciados, inclusive no ambiente familiar. Este estudo teve como objetivo geral analisar os fatores biopsicossociais que influenciam o aumento dos casos de suicídio entre jovens-adultos brasileiros, com idades entre 15 e 29 anos, nas últimas décadas. A pesquisa, de natureza qualitativa, descritiva e exploratória, foi desenvolvida por meio de revisão bibliográfica. Os resultados indicam que fatores biológicos (alterações em áreas cerebrais relacionadas à regulação emocional), psicológicos (depressão, traumas e transtornos mentais) e sociais (pressão social, discriminação, perdas e isolamento) estão interligados e contribuem significativamente para o comportamento suicida nessa população. Conclui-se que a compreensão integrada dos aspectos biopsicossociais é fundamental para a prevenção do suicídio, sendo indispensável o desenvolvimento de políticas públicas eficazes, intervenções clínicas humanizadas e ações educativas que promovam acolhimento e escuta ativa aos indivíduos em sofrimento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-Chave:</strong> Suicídio. Comportamento autolesivo. Comportamento suicida. Tentativa de suicídio.&nbsp;Ideação suicida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O suicídio é um problema multifatorial e autodestrutivo que afeta grande parte da sociedade em todo o mundo, sejam eles homens, mulheres, jovens e idosos que, na maioria das vezes, agem de maneira silenciosa (Lima <em>et al.,</em> 2018). Os sinais nem sempre são claros. Tristeza, angústia, solidão e desmotivação chegam a passar despercebidos até mesmo dentro de casa. O comportamento suicida não fatal compreende a ideação suicida, havendo ideias que encorajam o desejo de morrer, já a tentativa de suicídio consiste em lesões a si mesmo, podendo ou não resultar em um fim trágico (Braun <em>et al</em>., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Félix <em>et al</em>., (2019) este ato consiste em um fenômeno único desde a motivação até o óbito, sendo a tentativa de suicídio o momento mais propício a intervenções em saúde. Segundo o Ministério da Saúde (Brasil, 2024) o suicídio é um grave problema de saúde pública em todo o mundo. Estima-se que a cada 40 segundos uma pessoa morra por suicídio no mundo, sendo de 10 a 40 tentativas de suicídio para cada morte, a depender da região no mundo (Félix <em>et al.,</em> 2019).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a vítima decide extinguir a própria vida como válvula de escape para uma dor íntima e psíquica consideravelmente insuportável (Ramos <em>et al</em>., 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conhecer e compreender quais fatores têm contribuído para que esses casos tenham crescido, acentuadamente na última década, e quais mudanças vêm ocorrendo com este público deve ser de total importância para a criação de políticas públicas mais eficazes de prevenção.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido, este trabalho tem como objetivo apresentar aspectos que tenham contribuído para o aumento da ideação, tentativa e principalmente do suicídio na última década em jovens-adultos no Brasil.<em> </em>&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de um tema muito relevante, principalmente na atualidade, pois de acordo com dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2021), mais de 700 mil suicídios ocorreram no ano de 2019, representando um óbito a cada 100 mortes no mundo (1,3%), demonstrando um expressivo aumento de sua ocorrência na última década. Calar-se ou ficar inerte a este assunto causa mais danos que o próprio suicídio, pois faz-se necessário falar sobre este incidente, demonstrando total atenção para com essas pessoas que se encontram em um momento de vulnerabilidade (Oliveira; Farias, 2023).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho busca informar e conscientizar leigos, estudantes de psicologia, profissionais da área da saúde e da saúde mental, bem como, possibilitar a criação de novas políticas públicas mais eficientes, tendo em vista que são milhões de vidas que se perdem por ano em decorrência do suicídio. Tal grupo precisa ser visto através de uma ótica mais humanizada e compreensiva, levando em consideração que este fenômeno precisa urgentemente ser analisado e estudado na busca da diminuição desses óbitos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante destacar que a taxa anual de suicídio na faixa etária de jovensadultos vêm aumentando consideravelmente, são números alarmantes que a cada ano parece ter um salto gigantesco (Félix <em>et al</em>., 2019). Esta vem sendo nos últimos anos a segunda principal causa de morte entre jovens-adultos, especificamente de 15 a 29 anos, perdendo apenas para acidentes de trânsito (Braun <em>et al.,</em> 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo geral é analisar os fatores biopsicossociais que influenciam a decisão de morte intencional em jovens-adultos no Brasil. E como específicos, investigar a contextualização histórica do suicídio na cultura Ocidental e Oriental, além de compreender a influência das religiões sobre o comportamento suicida; elencar fatores biopsicossociais que tenha contribuído para que o suicídio ocorra no meio de jovens-adultos com idade entre 15 e 29 anos na última década; identificar a&nbsp;prevalência do suicídio entre jovens-adultos; mapear estratégias de intervenção e prevenção utilizados na atualidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dessa pesquisa, tornou-se relevante o seguinte questionamento: Quais fatores biopsicossociais contribuem para o suicídio no meio de jovens-adultos no Brasil? <strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERENCIAL TEÓRICO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Conceitualização e contextualização histórica do suicídio nas mais diversas culturas</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para renomados autores da psicologia, como Viktor Frankl (2022) e Thomas Joiner (2005), o suicídio é visto como um ato complexo e multifacetado que requer uma compreensão profunda das causas subjacentes e dos fatores de risco envolvidos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Viktor Frankl (2022), famoso psiquiatra e fundador da Logoterapia<sup>3</sup>, acreditava que o suicídio muitas vezes é resultado de um profundo sentimento de falta de significado na vida. Ele argumentava que os indivíduos que não encontram um propósito ou significado na existência podem sucumbir ao desespero e à falta de esperança, levando-os a considerar o suicídio como uma saída para sua dor emocional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Thomas Joiner (2005), psicólogo clínico de destaque e autor da obra <em>Por que as pessoas morrem por suicídio?</em> introduziu a teoria interpessoal do suicídio. Nesta perspectiva, o autor ressalta o papel crucial das relações pessoais na redução do risco de suicídio. Ele defende que essa tragédia ocorre devido a uma combinação de três elementos: a percepção de ser um fardo para os outros, o sentimento de solidão e a incapacidade de suportar dores físicas e emocionais. De forma complementar, a teoria enfatiza a importância de introduzir estratégias que limitem a probabilidade de suicídio, como restringir o acesso a métodos letais e a resiliência, assim como a busca por suporte.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Antiguidade, as punições para o suicídio eram muito rigorosas. Em cidades como Tebas e Chipre, os mortos que se suicidavam eram negados de honras fúnebres. Na Grécia antiga, esse ato era visto como algo secreto, anormal e solitário. Em Atenas, a mão direita da pessoa era cortada e sepultada em um lugar separado do corpo. Em Esparta, o suicídio era visto como uma alternativa justificável (Lopes, 2007).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já em Roma, os indivíduos precisavam apresentar suas justificativas ao Senado para o desejo de suicidar-se, pois o ato não era totalmente ilegal. Assim, o suicídio era visto como uma saída digna em situações em que a pessoa era objeto de zombaria por parte de seus inimigos. Entretanto, aqueles que se enforcavam em Roma não recebiam um local de sepultamento. O suicídio entre militares e indivíduos condenados pela Justiça era desaprovado e banido com a penalidade da confiscação dos bens pelo Estado (Lopes, 2007).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com relação ao suicídio, a filosofia estoica defendia e valorizava a ideia de tal ato, afirmando que &#8220;é aceitável morrer para quem já não deseja viver&#8221;. Os epicuristas viam o suicídio como uma parte natural da vida (Lopes, 2007). No seu livro <em>As Dores do Mundo</em>, Schopenhauer (2018) propôs o suicídio como a solução mais lógica para uma existência repleta de sofrimento (apud Lopes, 2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, Santo Agostinho de Hipona, nos séculos IV e V, tinha uma visão rigorosa a respeito do suicídio. Ele negava sua aceitabilidade, independentemente das circunstâncias, argumentando que tal ato elimina a chance de arrependimento. Santo Agostinho definia o suicídio como uma &#8220;perversão repugnante&#8221; e &#8220;demoníaca&#8221;, afirmando que o mandamento &#8220;não matarás&#8221; da Bíblia também se aplicava a &#8220;não se matar&#8221;. Assim, a igreja utilizava todos os meios à sua disposição para combater o suicídio, considerando que aquele que o fizesse era um traidor da humanidade, comparado a Judas (apud Lopes, 2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme afirma Valdemar Augusto Angerami (apud Lopes, 2007), de concílio em concílio, o direito canónico ao suicídio se torna progressivamente mais rígido. O concílio de Arles, em 452, retoma as sanções do direito romano contra os escravos e os servidores. Em 553, o concílio de Orleans priva de funerais religiosos aqueles acusados de um crime. Em Bragues, trinta anos depois, essa sanção passa a abranger todos os casos, quaisquer que sejam os motivos ou circunstâncias. O assunto é encerrado no concílio de Toledo (693) com excomunhão dos autores de tentativas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda na Idade Média, o indivíduo e sua vida pertenciam a Deus. O sujeito era castigado quando tentava se apoderar da vida que não lhe pertencia por meio do suicídio ou tentativas. A partir dos séculos XVI e XVII, com a Revolução Francesa, a sociedade e a Igreja tornaram-se mais tolerantes com o suicídio (Lopes, 2007).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Lopes (2007), o suicídio foi estimulado em algumas culturas. Ainda hoje, há quem o enalteça como um ato heroico, digno dos maiores elogios e das maiores recompensas. Muitos encaram o suicídio como a única maneira de escapar de uma dor emocional insuportável. Dessa maneira, a pessoa que morre por suicídio não busca a morte, mas sim uma saída para o sofrimento. Em última análise, o suicídio não se trata apenas de morrer, mas sim de como viver. Por isso, muitas pessoas em risco de suicídio não almejam a morte, mas sim uma transformação em suas vidas, onde se sintam valorizados e amados (Lopes, 2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O suicídio no cinema e na televisão&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os filmes <em>Close</em> (2022) e <em>Orações para Bobby</em> (2009) discutem o suicídio, investigando as pressões sociais, emocionais e familiares que agravam o padecimento dos adolescentes. <em>Close</em> (2022) se concentra na amizade entre dois jovens, Liam e Rémi, evidenciando como a ausência de comunicação e as expectativas sociais acerca da masculinidade resultam no isolamento e, por fim, no suicídio de Rémi.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mãe de Bobby, em <em>Orações para Bobby</em> (2009), enfrenta a culpa e o luto após o suicídio do filho. O filme ressalta como a pressão, a falta de suporte e o desafio de expressar sentimentos podem sufocar os jovens, intensificando assim o seu sofrimento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dois filmes enfatizam a relevância do diálogo franco e do suporte emocional na prevenção do suicídio. <em>Orações para Bobby</em> também expressa uma mensagem de resiliência, com a mãe de Bobby procurando um grupo de suporte. Essas narrativas destacam a importância da empatia e do entendimento para gerir a saúde mental e evitar tragédias similares.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O suicídio em diferentes religiões&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A religião desempenha um papel ambíguo no contexto do suicídio, pois, por um lado, oferece crenças estruturadas que podem promover o bem-estar mental e físico, além de criar uma rede de apoio social. No entanto, muitas doutrinas religiosas também contribuem para o estigma em torno do suicídio, dificultando a busca por ajuda profissional, como evidenciado pelas diferentes atitudes em várias tradições religiosas (Botega, 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por exemplo, no judaísmo, embora o suicídio seja condenado, exceções são feitas em casos de doenças mentais ou tortura. No cristianismo, a liberdade de interpretação bíblica pode estar associada a uma maior taxa de suicídios entre protestantes, em comparação com católicos (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No islamismo, o suicídio é amplamente condenado, levando a uma taxa mais baixa de suicídios nos países muçulmanos, embora existam grupos fundamentalistas que veem o suicídio como um ato heroico, como o caso do Hamas. Já na China antiga, o suicídio era considerado digno, especialmente entre guerreiros, como uma forma de vingança ou para desestabilizar os inimigos em combate (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tradição japonesa associava o suicídio a honra e dignidade, como visto no seppuku<sup>4 </sup>e no harakiri, que continuaram a ser praticados até a Segunda Guerra Mundial pelos pilotos kamikazes<sup>5</sup> (Botega, 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas religiões cristãs pentecostais no Brasil, como a Assembleia de Deus e a Igreja Universal do Reino de Deus, embora o suicídio seja condenado, a atenção dada ao tema é geralmente limitada, com foco maior na cura espiritual e prosperidade material (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, o espiritismo de Allan Kardec vê o suicídio como um grande tormento para o espírito, considerando-o um ato de falsidade e autossabotagem. A pessoa que morre por suicídio é vista como a principal vítima de sua própria escolha, refletindo a ideia de que o sofrimento resultante desse ato persiste para além da vida terrena. Essa visão também reforça a noção de que a espiritualidade pode oferecer um tipo de suporte moral, mas com uma forte crítica à decisão de tirar a própria vida (Botega,&nbsp;2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ideação suicida&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O conceito de ideação suicida abrange diversas facetas: desde reflexões fugazes de que a vida não tem sentido até inquietações profundas sobre a razão de viver ou morrer. Ideias suicidas também podem surgir como resultado de estados de delírio. Pesquisas globais indicam uma oscilação na prevalência de pensamento suicida, variando de 2 a 19% ao longo da vida, sendo sempre mais comum em mulheres (Botega, 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Grandes autores da psicologia, como Aaron Beck (1964), Carl Rogers (1942) e Albert Ellis (1955), têm abordado a temática do suicídio de diversas maneiras ao longo de suas carreiras. Aaron Beck (1964), criador da Terapia Cognitivo-Comportamental<sup>6</sup>, enfatiza a importância de identificar e desafiar os pensamentos distorcidos que levam a ideações suicidas. Ele acreditava que muitas vezes esses pensamentos surgem de interpretações negativas e irreais da realidade, sendo possível a mudança desses padrões de pensamento através de intervenções terapêuticas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Carl Rogers (1942), por sua vez, foca na importância da empatia e da aceitação incondicional na relação terapêutica. Ele defende que é fundamental para o terapeuta criar um ambiente seguro e acolhedor para que o paciente possa expressar seus pensamentos e sentimentos, inclusive aqueles relacionados à ideação suicida. Rogers acreditava que através desse processo de auto exploração e aceitação, o paciente poderia encontrar recursos internos para lidar com suas dificuldades.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fechando essa tríade de autores, Albert Ellis (1955), criador da Terapia Racional Emotiva Comportamental<sup>7&nbsp; </sup>aborda a ideação suicida como resultado de crenças irracionais e disfuncionais. Ele defende que ao identificar e confrontar essas crenças, o paciente pode desenvolver uma visão mais realista e adaptativa de suas dificuldades, reduzindo também o risco de comportamentos autolesivos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Comportamentos autolesivos&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Autores e teóricos da psicologia, como Marsha Linehan (1993), Judith Herman (1992) e Bessel van der Kolk (2021) têm contribuído significativamente para a compreensão dos comportamentos autolesivos, como a automutilação, ao longo de suas carreiras.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Marsha Linehan (1993), criadora da Terapia Comportamental Dialética<sup>8</sup> (DBT), dedicou grande parte de seus estudos à compreensão e tratamento da automutilação e outros comportamentos autolesivos. Ela enfatiza que esses comportamentos muitas vezes são utilizados como estratégias ineficazes de regulação emocional por pessoas que possuem dificuldades em lidar com emoções intensas. Linehan (1980) desenvolveu a DBT como um tratamento eficaz para ajudar esses indivíduos a aprender habilidades saudáveis de regulação emocional e a lidar de forma mais adaptativa com suas próprias emoções.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Judith Herman (1992), por sua vez, foca nas experiências de trauma e abuso como fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de comportamentos auto lesivos. Ela destaca a importância de abordar o trauma subjacente a esses comportamentos e de oferecer um espaço terapêutico seguro para que os indivíduos possam processar e curar essas experiências dolorosas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bessel van der Kolk (2021) também tem contribuído significativamente para a compreensão dos efeitos do trauma no corpo e na mente. Ele destaca a importância de abordar a regulação do sistema nervoso autônomo e do corpo no tratamento de indivíduos que apresentam comportamentos autolesivos, ressaltando a conexão entre experiências traumáticas e a somatização de dor e sofrimento.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tentativa de suicídio</strong>&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Refere-se a qualquer comportamento suicida não fatal ou dano intencionalmente causado a si mesmo. A pessoa pode agir de forma autodestrutiva com a finalidade de morrer, seja por meio de uma tentativa de suicídio planejada ou impulsiva (Rodrigues, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É crucial identificar se a tentativa de suicídio foi uma ação precipitada ou algo bem planejada. Isso indica a forma de comunicação interpessoal, pois existem aqueles que se organizam para evitar socorro, deixando tudo meticulosamente planejado, como cartas de despedida, por exemplo. Compreender o processo de elaboração permite uma avaliação mais aprofundada de todos os riscos e os cuidados que os familiares precisam tomar na prevenção de novas tentativas (Rodrigues, 2022).<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, é importante estar alerta ao perigo de suicídio e ao aumento da letalidade em casos de tentativas anteriores, já que o indivíduo pode intensificar a gravidade a cada tentativa (Rodrigues, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Duas características nas tentativas de suicídio são especialmente relevantes na prática: a letalidade e o risco de repetição. A letalidade refere-se à probabilidade de resultar em consequências irreversíveis, enquanto a ocorrência de tentativas anteriores é um dos principais indicadores do risco de suicídio (Braun <em>et al.,</em> 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seleção dos métodos empregados em tentativas de suicídio é influenciada por uma série de elementos: a disponibilidade de métodos letais, os gostos pessoais e culturais, e a motivação por trás do comportamento autodestrutivo. Métodos não violentos, como o automedicamento e o consumo excessivo de medicamentos são mais comuns entre as mulheres. Os homens costumam recorrer a métodos extremos e letais. No Brasil, a maioria das tentativas atendidas em serviços de emergência é devido à ingestão excessiva de medicamentos ou venenos (Botega, 2015).<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aumento do suicídio em jovens-adultos.&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde 1980, constatou-se um crescimento nas taxas de suicídio, alcançando 21% até o ano 2000 e 29,5% até 2006. Outros países da América Latina também têm demonstrado um crescimento: Suriname, México, Chile e Equador (Botega, 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, o índice de suicídios pode ser visto como relativamente baixo, em comparação com outros países. Apesar disso, por sermos um país com grande população, ocupamos a oitava posição no ranking de países com maior número de mortes por suicídio. No ano de 2012, o país registrou oficialmente 11.821 suicídios, o que equivale a uma média diária de 32 óbitos (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em grande parte dos países, as taxas de óbitos por suicídio são de 3 a 4 vezes superiores entre homens. No Brasil, a proporção de suicídios entre homens e mulheres é de 3,8. Em outras palavras, 79% das mortes por suicídio são realizadas por homens (Botega, 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os índices de suicídio costumam ser mais altos em indivíduos com mais de 70 anos, tanto em homens quanto em mulheres. Este modelo difere entre as nações. Por exemplo, na Nova Zelândia, o auge das taxas de suicídio ocorre entre os 25 e 34 anos de idade. No Japão, essa faixa etária varia de 55 a 64 anos (Botega, 2015).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, observa-se um aumento nas taxas de suicídio conforme a idade avança, especialmente entre os homens. Contudo, de 1980 a 2006, as taxas de suicídio aumentaram significativamente (30%) entre pessoas de 20 a 59 anos, em comparação com os que possuíam 60 anos ou mais (19%) (Botega, 2015).<strong>&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Chachamovich <em>et al.,</em> (2009) afirmam que o suicídio é uma das principais causas de morte em todo o mundo, especialmente entre jovens-adultos. De maneira geral, a taxa de mortes por suicídio é mais alta nos países da Europa Oriental, enquanto mais baixa na América Central e do Sul.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O impacto do suicídio é encoberto pelas taxas elevadas de homicídios e acidentes de trânsito, que superam em média seis e quatro vezes, respectivamente&nbsp;(Chachamovich <em>et al.,</em> 2009).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fatores biopsicossociais que contribuem para a ocorrência de suicídio em jovens-adultos com idade entre 15 e 29 anos na última década&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fatores biológicos&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme Schmaal e Harmelen (2019), pelo menos duas áreas do cérebro demonstram funcionamento distinto em indivíduos que morreram por suicídio, ou que tiveram pensamentos ou tentativas de suicídio. Essa descoberta foi divulgada na revista científica <em>Molecular Psychiatry</em>, por pesquisadores das universidades de Cambridge, no Reino Unido, e Yale, nos Estados Unidos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa analisou 131 artigos com mais de 12 mil participantes, todos focados em exames de imagem do sistema nervoso. Os resultados indicaram alterações estruturais, funcionais e moleculares no cérebro de pessoas com histórico de pensamentos e tentativas de suicídio. Em especial, foram observadas diferenças na interação entre duas redes neurais, sugerindo uma possível ligação com comportamentos suicidas (Schmaal; Harmelen, 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com as autoras, a primeira área do cérebro que apresenta uma atuação distinta nesses indivíduos é o córtex pré-frontal ventral, tanto medial quanto lateral. Essa região do sistema nervoso é responsável por se interligar às áreas cerebrais associadas às emoções, e, portanto, mudanças nessa rede podem resultar em pensamentos negativos excessivos e em dificuldades na regulação emocional (Schmaal; Harmelen, 2019).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A segunda região que opera de forma diferente é o córtex pré-frontal dorsal e o sistema do giro frontal inferior. Segundo as autoras, essas áreas são cruciais para a tomada de decisão, a busca por alternativas para solucionar problemas e o controle comportamental (Schmaal; Harmelen, 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Schmaal e Harmelen (2019) destacam que mudanças na estrutura, funcionamento ou composição bioquímica de certas áreas cerebrais podem aumentar a frequência de pensamentos negativos sobre o futuro, além de dificultar o controle desses pensamentos. Essa situação pode, então, colocar o indivíduo em um cenário com maior probabilidade de suicídio. As autoras enfatizam que essas mudanças cerebrais não servem como indicadores definitivos, ou seja, não determinam quem irá ou não tirar a própria vida.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Schmaal <em>et al.,</em> (2019) destacam que os fatores de risco biológicos atualmente reconhecidos para o suicídio apresentam um valor preditivo limitado, e ainda não foi descoberto um marcador biológico de risco confiável.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que a prevenção do suicídio seja mais efetiva, é imperativo compreender melhor os mecanismos que aumentam o risco de pensamentos e comportamentos suicidas, assim como identificar marcadores biológicos que possam ajudar a desenvolver estratégias de prevenção mais focadas, além de monitorar as respostas a essas iniciativas (Schmaal <em>et al.,</em> 2019).<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos dez anos, e especialmente nos cinco últimos anos, houve um aumento significativo no número de pesquisas em neuroimagem que relatam correlatos estruturais e funcionais dos circuitos cerebrais relacionados aos pensamentos e comportamentos suicidas (Schmaal <em>et al.,</em> 2019).<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fatores psicológicos&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os elementos psicológicos dizem respeito a questões ligadas ao funcionamento da mente, às emoções e aos comportamentos de um indivíduo, os quais podem afetar seu bem-estar, sua saúde mental e até comportamento suicida (Lopes, 2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Oliveira e Farias (2023) destacam que compreender os elementos psicológicos que levam uma pessoa ao suicídio é tão desafiador quanto identificar os motivos subjacentes a este ato. Embora seja uma ação deliberada e intencional, é possível que o indivíduo se encontre em um estado de incerteza. <strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Depressão&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O distúrbio depressivo maior é caracterizado por um estado de humor deprimido ou pela falta de interesse em muitas atividades, persistindo por pelo menos duas semanas e acompanhado por, no mínimo, quatro sintomas, como desesperança, desvalia, culpa e desamparo, além de alterações no apetite e sono, fadiga, lentidão ou agitação psicomotora, redução do interesse sexual, dificuldades de concentração e raciocínio, além de pensamentos recorrentes sobre a morte, com ou sem tentativas de suicídio (Lopes, 2007).<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Transtornos psicológicos&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Lopes (2007), uma pessoa pode atingir um nível de descontrole e perturbação mental sendo impedida de pensar com clareza. A mente se torna confusa e as emoções ficam desordenadas. Esses distúrbios podem ter origens tanto internas quanto externas, ou seja, podem ser resultantes de fatores genéticos ou de situações vividas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O indivíduo afetado por esse tipo de perturbação enxerga a vida com um sentimento de desespero, acreditando que a única saída para seu sofrimento é o suicídio. A pressão mental, a sobrecarga emocional e a desarmonia interna são tão intensas que, em certas situações, aqueles que optam pelo suicídio não podem ser considerados totalmente responsáveis por sua decisão (Lopes, 2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Teorias psicológicas&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Sigmund Freud (1987), em seu livro <em>Luto e Melancolia</em>, publicado em 1917, notou que em indivíduos predispostos, o estado melancólico fazia com que a agressividade direcionada a um objeto de amor perdido se voltasse contra o próprio indivíduo. Sugeriu, assim, que a pessoa que morre por suicídio procura, inicialmente, o objeto de amor perdido e reprimido (apud Botega, 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem morre intencionalmente, seria capaz de anular psicologicamente a perda do objeto e se vingaria do ambiente ou da pessoa que causou seu desespero. No processo normal de luto, a maioria das pessoas chora a perda do objeto amado, enquanto o melancólico se despede de si mesmo (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Karl Menninger (1985), mantendo-se fiel às concepções iniciais de Freud, sobre o dualismo pulsional e a ideia de que o suicídio é uma manifestação da agressividade inconscientemente introjetada, publicou, em 1938, um clássico da literatura psicanalítica sobre o suicídio: <em>O Homem Contra Si Mesmo </em>(apud Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Menninger (1985) explora as várias maneiras de se autodestruir. A profundidade na descrição de casos clínicos e de diversas circunstâncias da vida, muitas delas extraídas da literatura ou de notícias de jornais, torna a leitura do seu livro cativante, mesmo que, atualmente, não pensemos no suicídio apenas como a vitória de tânatos sobre Eros (apud Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Menninger (1985) defendia a existência de pelo menos três elementos distintos no comportamento suicida: o desejo de matar, o desejo de ser morto e o desejo de morrer (apud Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desejo de matar: Toda tentativa de suicídio é, primeiramente, um crime de homicídio. O anseio de matar pode não ser apenas direcionado a um objeto interiorizado, mas também a outro indivíduo, tendo essa pessoa que suportar a dor de uma morte, numa espécie de vingança implícita (Botega, 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desejo de ser morto: O indivíduo que nutre desejos homicidas também experimenta, de forma inconsciente, a necessidade de uma punição do ego, na mesma proporção da sua própria destruição, porém direcionada para o exterior. Por culpabilidade, o anseio de ser morto é a reação do superego ao anseio de punição (Botega, 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desejo de morrer: Deve-se estabelecer uma diferença entre o desejo consciente de morrer e o desejo inconsciente de morrer. Por exemplo, acredita-se que exista um anseio inconsciente de não morrer naqueles que continuam vivos, mesmo após diversas tentativas de encerrar a vida. O anseio inconsciente de morrer é apenas uma possibilidade, já que podem estar ativas fantasias de nascimento e de regresso à tranquilidade do útero materno (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Terapia Cognitivo-comportamental&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os especialistas em saúde mental lidam frequentemente com grupos variados de indivíduos, não pelo que possuem (doenças), mas pelo que sentem ou fazem (comportamentos). Qualquer conduta que afete as habilidades de controle e escolha, contrariando assim a adaptação, pode ser vista como anormal e merecer atenção clínica. O suicídio é uma ação que envolve a decisão pessoal e as influências sociais (Botega, 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto da teoria comportamental, o suicídio é visto como uma manifestação extrema de comportamento de fuga. Para evitar uma situação de grande sofrimento, o indivíduo pode optar por tirar a própria vida. Depois de uma tentativa de suicídio, acontecem alterações ambientais que podem elevar ou reduzir a chance de novos suicídios (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Edwin Shneidman&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Edwin Shneidman (1993), popularmente reconhecido como o pai da suicidologia, desenvolveu a chamada teoria dos cinco blocos do suicídio. Nesta teoria ele destaca os cinco principais fatores que contribuem para o comportamento suicida: desejo, ideação, planejamento, preparação e execução.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desejo: Refere-se à presença de um sentimento intenso de desejo ou impulso de morrer, muitas vezes motivado por uma intensa dor emocional e psicológica.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ideação: Envolve a presença de pensamentos ou planejamentos relacionados ao suicídio, como ideias de como realizar o ato ou de que a morte seria a solução para os problemas;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Planejamento: Refere-se à formulação de um plano concreto e detalhado para uma tentativa de suicídio, incluindo o local, o método e também o momento em que será realizado;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Preparação: Envolve ações concretas realizadas pelo indivíduo para se preparar para o suicídio, como adquirir os meios necessários ou se despedir de familiares e amigos;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Execução:<strong> </strong>É o ato final para concretização do suicídio.&nbsp;Shneidman (1993) destaca que a maioria dos suicídios é resultado de uma intensa dor psicológica e emocional, muitas vezes causada por fatores como problemas interpessoais, adversidades emocionais, traumas e transtornos mentais não tratados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele também argumentava que compreender e interromper esse processo em qualquer uma de suas fases pode ser crucial na prevenção do suicídio. A teoria dos cinco blocos do suicídio destaca a importância de abordar o comportamento suicida de forma individualizada, levando em consideração a complexidade e a intensidade do sofrimento psicológico de cada indivíduo em risco.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda utilizando-se tanto um referencial psicodinâmico quanto cognitivo, Shneidman (1993) criou o termo <em>psychache</em> para designar a condição psicológica de uma pessoa que está à beira da morte. É uma dor insuportável, experimentada como um turbilhão emocional, uma sensação angustiante de estar aprisionado em si mesmo, sem conseguir escapar. A <em>psychache</em> surge do desespero por não conseguir satisfazer as necessidades psicológicas fundamentais, tais como realização, autonomia, reconhecimento, apoio e a prevenção de humilhação, vergonha e dor (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Durkheim: o suicídio</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista sociológico, tanto o suicídio quanto as mortes resultantes de acidentes, crimes, alcoolismo e uso de drogas, são frutos da pressão e do estresse social (Botega, 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde o século XVII, o suicídio tem sido analisado como uma questão ética.&nbsp;No século XIX, começou a ser percebido como um problema social em ascensão. Em 1897, foi publicada uma obra &#8211; <em>O Suicídio: Um Estudo Sociológico</em>, escrito por David Émile Durkheim. O trabalho de Durkheim rompeu um paradigma: o ato suicida não mais se resumia ao âmbito pessoal e íntimo (apud Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Através de uma perspectiva moderna, ele destaca que, após a Revolução Industrial, a família, o Estado e a igreja deixaram de ser elementos de união e coesão social, não sendo encontrados substitutos para esses elementos. A combinação desses elementos ressalta, de maneira mais destacada, três tipos de suicídio, sendo esses os principais alvos de sua pesquisa: o suicídio egoísta, o suicídio altruísta e o suicídio anômico (apud Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O suicídio egoísta acontece entre indivíduos que possuem pouca ou nenhuma ligação com um grupo social, pois já não estão mais sob a influência da sociedade, da família e da religião (Botega, 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No suicídio altruísta, a existência de um indivíduo é posta em risco em prol do bem-estar de outro ou de um grupo (Botega, 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O suicídio anômico acontece entre indivíduos que vivem em uma sociedade em crise econômica, marcada por intensos conflitos entre as classes sociais e alterações na estrutura coletiva (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fatores sociais&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Desilusão nos relacionamentos&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Lopes (2007) afirma que muitos casos de suicídio estão ligados a questões passionais, decorrentes de relacionamentos desfeitos. Os envolvidos experimentam sentimentos intensos de perda, desvalorização, desprezo, rejeição e abandono, levando-os ao desânimo com a vida, perdendo a vontade de recomeçar e se envolver em novas relações. Quando essa base instável se desmorona, a pessoa pode entrar em desespero, a ponto de não vislumbrar outra saída que não seja a morte.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Perdas financeiras&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas pessoas sofrem com o horror da perda repentina de seus bens. Habituadas ao conforto, abundância e luxo, não se sentem motivadas a recomeçar a vida, pisando o árduo solo da pobreza. Poucas pessoas tiram a própria vida devido à pobreza que sempre experimentaram, porém muitos se desesperam diante da súbita mudança no status social (Lopes, 2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os ricos se suicidam em proporção maior do que os pobres. Nos países desenvolvidos, a taxa de suicídio é superior à dos países em desenvolvimento. O saber e o dinheiro não possuem a força necessária para libertar o ser humano do desespero (Lopes, 2007).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Álcool&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas pessoas buscam fugir da depressão, da ausência de sentido, do medo e da incerteza através do uso abusivo de álcool. Eles bebem para esquecer, recordar e aliviar as mágoas (Lopes, 2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os indivíduos bebem para escapar da realidade ou para encará-la. Bebem por prazer ou por repulsa. Bebem tanto para viver quanto para morrer. Bebem para adquirir coragem e encarar a vida como ela é ou escapar da sua dura realidade (Lopes, 2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em todas as áreas do Ocidente, aproximadamente metade das pessoas encaminhadas aos serviços de emergência dos hospitais após uma tentativa de suicídio estavam sob efeito de álcool. Os casos de suicídio entre os dependentes de álcool são mais frequentes do que entre os que não o consomem (Lopes, 2007).<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pressão da vida moderna&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No Japão, a taxa de suicídio entre os jovens é uma das mais altas do mundo, resultado da intensa pressão familiar e social por desempenho acadêmico e sucesso profissional. Segundo a OMS, o país lidera o ranking anual de suicídios, com 24,1 casos por 100 mil habitantes, motivados por fatores como competição escolar, dificuldades no mercado de trabalho e exigências de uma sociedade rigorosa (Lopes,&nbsp;2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Homossexualidade&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os homossexuais, um dos maiores índices de suicídio é observado. Os homossexuais morrem três vezes mais por suicídios do que os heterossexuais. Vários fatores contribuem para esse índice elevado. Mesmo que os ativistas sociais se esforcem para demonstrar a normalidade e a naturalidade da homossexualidade, não conseguem anular o intenso conflito que esse grupo vivencia (Lopes, 2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O homossexual é uma pessoa que luta com sua própria mente, corpo e alma. Até mesmo as famílias mais liberais não veem o homossexualismo como uma excelente opção de vida. A simples manifestação de uma tendência homossexual em alguém da família já causa sofrimento, vergonha e dor à família. Desde a infância, os homossexuais são marcados pelo preconceito. A mesma sociedade que louva as manifestações da comunidade LGBTQIAPN+, trata os homossexuais com discriminação (Lopes, 2007).<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Radicalismo religioso&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Karl Marx se referiu à religião como &#8220;o ópio do povo&#8221;. A fé, quando usada como mecanismo de dominação, pode alienar o indivíduo da realidade social. Ela tem o poder de envenenar os indivíduos com ódio ou deturpá-los com falsidades perigosas (apud Lopes, 2007).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jim Jones<sup> </sup>causou o suicídio coletivo de 912 indivíduos em Jamestown, na Guiana, em 1978, ao levá-los a consumir uma substância tóxica. Centenas de indivíduos, iludidos por promessas falsas, ingeriram veneno como se embarcassem numa nave espacial em direção à felicidade eterna (apud Lopes, 2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fatores de risco e de proteção</strong> <strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Chamamos de grupo de risco uma classe de indivíduos que, devido a certas características ou à exposição a circunstâncias específicas, ficam mais propensos a desenvolver uma doença ou condição clínica. A característica dos fatores de risco varia, pois a genética, elementos da história pessoal e familiar, fatores culturais e socioeconômicos, eventos estressantes, características de personalidade e distúrbios mentais são alguns dos fatores que influenciam (Botega, 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns aspectos são características pessoais inalteráveis e, mesmo não sendo passíveis de intervenções clínicas ou preventivas, atuam como indicadores práticos de risco de suicídio, como sexo, histórico de abuso sexual ou tentativa de suicídio. Outros elementos, como emoções e acesso a armas letais, podem ser alterados, tornando-se foco tanto da atenção clínica direcionada a um paciente quanto das estratégias de prevenção (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação aos fatores de risco, podemos destacar três categorias principais:&nbsp;fatores sociodemográficos, distúrbios mentais, fatores psicossociais e outros fatores. Nas características sociodemográficas, podemos destacar a predominância do sexo masculino, jovens-adultos e idosos, estados civis de viúvo, divorciado e solteiro, homossexuais e bissexuais, ateístas, protestantes tradicionais (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No âmbito dos transtornos mentais, podemos destacar a depressão, o transtorno bipolar, o uso excessivo e dependência de álcool e outras substâncias, a esquizofrenia, os transtornos de personalidade &#8211; especialmente o borderline, comorbidades psiquiátricas, história familiar de doença mental, falta de tratamento ativo e continuado em saúde mental, ideação suicida, tentativa de suicídio e histórico familiar de suicídio (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No âmbito dos fatores psicossociais, podemos citar as seguintes justificativas:&nbsp;abuso físico ou sexual, perda ou separação dos pais durante a infância, instabilidade familiar, falta de suporte social, desemprego, aposentadoria, violência doméstica, desesperança, desamparo, <em>bullying</em>, baixa autoestima, instabilidade emocional, características de personalidade como impulsividade e agressividade (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outros elementos que também merecem destaque incluem o acesso a armas de fogo, venenos, enfermidades físicas incapacitantes, dolorosas e terminais, desinteresse pelo tratamento, agravamento ou repetição de enfermidades prévias e uma relação terapêutica frágil ou instável (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fatores de risco que ocorreram em um passado remoto (predisponentes) tendem a ser menos lembrados quando um suicídio acontece. Inicialmente, há uma tendência da sociedade e dos meios de comunicação buscarem o fator ou os fatores mais recentes (proximais ou precipitantes) que possam elucidar a morte (Botega, 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação aos fatores de proteção, destacam-se basicamente quatro grandes grupos: personalidade e estilo cognitivo, estrutura familiar, elementos socioculturais e outros elementos. Em relação ao grupo de personalidade e estilo cognitivo, ressalta-se a adaptabilidade cognitiva, a prontidão para pedir conselhos em decisões cruciais, a abertura para ouvir experiências alheias, a capacidade de se comunicar, a capacidade de avaliar corretamente a realidade e a capacidade de resolver problemas da vida (Botega, 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na estrutura familiar, é notável o bom relacionamento interpessoal, o senso de responsabilidade em relação à família, a presença de crianças pequenas, pais presentes e constantes, além do suporte em momentos de necessidade (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os jovens costumam recorrer a métodos menos letais e, frequentemente, lidam com situações de conflito interpessoal e têm menor estabilidade emocional. Os mais velhos costumam recorrer a métodos mais destrutivos na tentativa de suicídio. Tendem a ter um maior nível de intenção suicida e tendem a estar mais deprimidos &#8211; alguns exagerando no consumo de álcool (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Geralmente, as taxas de suicídio entre pessoas viúvas, separadas e divorciadas são quatro vezes superiores às de indivíduos casados. Os solteiros têm o dobro da taxa em comparação aos casados. Embora adultos casados apresentem taxas de suicídio reduzidas, casais mais jovens correm um risco maior quando envolvidos em relações conflituosas e violentas (Botega, 2015).<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Meios de intervenções utilizados na atualidade para casos de ideação e tentativas de suicídio&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para além do conceito convencional de ações preventivas nos níveis primário, secundário e terciário, surgiu a concepção de ações específicas voltadas para certos grupos, levando em conta suas condições de saúde e seu nível de risco para o suicídio (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prevenção abrangente é uma ação preventiva que abrange toda a população. Incluindo a limitação do acesso a recursos letais e soluções arquitetônicas destinadas a prevenir comportamentos suicidas (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prevenção seletiva, o público-alvo é formado por pessoas que são mais propensas ao suicídio. Este grupo engloba indivíduos que enfrentam determinados distúrbios mentais e outros problemas de saúde (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já a prevenção indicativa é recomendada para grupos populacionais que apresentam um elevado risco de suicídio. Por essa razão, dar atenção especial a indivíduos que tentaram suicídio é uma das principais táticas na prevenção do suicídio. Apesar disso, é conhecido que, nos serviços de urgência, os casos de tentativa raramente recebem um cuidado adequado em saúde mental ou sequer são direcionados para um serviço especializado (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abordagem psicofarmacológica&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Valadas <em>et al.,</em> (2021), ressalta que o suicídio está frequentemente ligado à existência de uma condição psiquiátrica, especialmente a depressão. A maior parte dos indivíduos que se suicidam procuraram serviços de saúde pouco antes de seu falecimento. A identificação e o tratamento da depressão são estratégias fundamentais na prevenção do suicídio, sendo o uso de antidepressivos uma alternativa eficiente e prática.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme Valadas <em>et al., </em>(2021) é crucial a combinação terapêutica com antidepressivos, benzodiazepínicos, estabilizadores de humor e até mesmo antipsicóticos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No tratamento com antidepressivos, são levadas em conta três etapas: a aguda, a de continuidade e a de manutenção.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Valadas <em>et al.,</em> (2021), a fase aguda se refere aos momentos iniciais do tratamento, quando a manifestação dos sintomas depressivos é mais intensa. Nessa etapa, a meta é eliminar o sofrimento emocional e o dano funcional. A reavaliação do paciente deve ocorrer em 3 a 4 semanas após o início do tratamento com antidepressivo, ou mais cedo em situações de suspeita de ideação suicida, se o paciente for menor de 30 anos, ou em situações de piora do quadro.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a remissão dos sintomas agudos iniciais, a meta principal é evitar uma nova recaída. Segundo recomendações de Valadas <em>et al.,</em> (2021), após a remissão dos sintomas, deve-se continuar a tomar o antidepressivo por um período de seis a nove meses, no caso de um primeiro episódio de depressão. Em pacientes com um ou mais episódios anteriores, a continuidade do tratamento deve ser de, pelo menos, dois anos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abordagem psicoterapêutica&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Valadas <em>et al.,</em> (2021), as intervenções psicoterapêuticas podem ser adotadas no manejo de transtornos mentais, empregando a linguagem, a comunicação e a interação com um terapeuta qualificado como meios de provocar uma mudança. As psicoterapias são realizadas em contexto ambulatorial, oferecendo uma opção no tratamento de transtornos mentais que pode ser incorporada ao tratamento medicamentoso.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o êxito de qualquer intervenção, é imprescindível o estabelecimento de um vínculo terapêutico. A elaboração de um plano de segurança é uma tática de base cognitiva e comportamental que deve ser implementada em todos aqueles que estão passando por pensamentos suicidas, com o objetivo de auxiliá-los a superar uma crise suicida severa (Valadas <em>et al.,</em> 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante enfatizar a função da terapia breve de suporte na atuação em situações de crise. Trata-se de um método empregado para auxiliar em circunstâncias ligadas a eventos de vida desfavoráveis. Alguns componentes desta terapia de apoio são integrados em outras abordagens psicoterapêuticas (Valadas <em>et al.,</em> 2021).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Valadas <em>et al.,</em> (2021), as psicoterapias podem ser incorporadas ao plano terapêutico de pacientes com risco de suicídio, contudo, não se apresentam como uma alternativa em circunstâncias de alto risco.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Valadas e colaboradores (2021), relata que é aconselhável o uso de psicoterapia cognitivo-comportamental, terapia breve de suporte ou psicoterapia interpessoal em pessoas com histórico de comportamentos suicidas. Em situações de transtorno de personalidade borderline, a terapia comportamental dialética é a mais recomendada, com a expectativa de melhor adesão ao tratamento e diminuição dos comportamentos suicidas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dutra <em>et al.,</em> (2018) analisaram, por meio de um estudo, que uma das estratégias mais recorrentes entre os sobreviventes de um suicídio é se apegar a Deus, o que para muitos se tornou um importante suporte na recuperação. Os parentes também destacaram a importância do apoio de amigos e vizinhos na reconstrução da vida.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A assistência dos especialistas em saúde também foi mencionada como uma estratégia, destacando o papel do psicólogo. No entanto, também houve relatos de indivíduos que optaram por se isolar. A eliminação de itens que remetiam ao ocorrido também foi mencionado como um dos métodos, como também a mudança de residência e até mesmo de cidade, para atenuar a dor e vencer a desordem existente nas famílias (Dutra <em>et al.,</em> 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dutra <em>et al.,</em> (2018) defendem que o luto possui sua relevância, pois provoca uma mudança psicossocial significativa afetando áreas cognitivas, emocionais, físicas, religiosas, familiares e culturais. Segundo os autores, surgem indícios de recordações passadas, pesadelos e imagens perturbadoras do evento, especialmente durante os sonhos. Esses dados sugerem que o suicídio deixa marcas que não podem ser apagadas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o Instituto Alere (2024), dentre as possíveis intervenções estão: redução do preconceito, gestão de drogas, grupos de apoio para pessoas que sobreviveram a tentativas de suicídio, centros de assistência para indivíduos em situação de crise, capacitação de socorristas e capacitação para clínicos gerais, canais de suporte, assistência psicológica e de saúde mental, orientações para a imprensa; ensino acerca da saúde mental, limitação do acesso à recursos e combate ao suicídio através da internet.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Setembro amarelo, mês de prevenção ao suicídio&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Janeiro Branco, setembro amarelo, outubro rosa, novembro azul, novembro lilás, dezembro laranja, dezembro vermelho, mas o que essas cores simbolizam e por que o calendário colorido da saúde foi estabelecido? Qual é o sentido de cada um? O calendário colorido da Saúde foi criado para alertar a população sobre o período de incidência de certas doenças e promover a prevenção e o tratamento dessas condições (Rodrigues, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No mês de setembro de 1994, nos Estados Unidos, o adolescente Mike Emme&nbsp;tirou a própria vida. Ele tinha um Mustang 68 amarelo e, no dia do seu funeral, seus pais e amigos optaram por distribuir cartões envoltos em fitas amarelas com mensagens de conforto para indivíduos que possam estar lidando com questões emocionais. A iniciativa resultou em um movimento de prevenção ao suicídio, cujo emblema até hoje permanece sendo uma fita amarela (Prefeitura de Bossoroca &#8211; RS, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Araújo (2021) destaca que a iniciativa setembro amarelo foi estabelecida em 2015 pela Associação Brasileira de Psiquiatria em colaboração com o Conselho Federal de Medicina, visando aumentar a conscientização e a prevenção do suicídio, além de desafiar o estigma e a discriminação associados às enfermidades mentais. No entanto, a ampliação da campanha para todo o mês de setembro tem gerado, nos últimos anos, um efeito oposto ao pretendido: a comercialização e a desinformação sobre comportamentos suicidas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Várias pessoas criticam fortemente o setembro amarelo, alegando que não é apenas em setembro que as pessoas atentam contra a própria vida e que falar sobre o tema pode estimular ou levar indivíduos a desejarem acabar com tudo. Isso pode ser um pouco incoerente, pois se fosse assim, não teríamos o outubro rosa, já que não é um tema exclusivo deste mês, mas é quando há uma maior concentração de campanhas. Com o setembro amarelo não é diferente, permite dar ênfase à questão e, através do conhecimento, auxiliar pessoas a terem uma consciência mais apurada, facilitando o encaminhamento para serviços especializados (Rodrigues, 2022).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo do tempo, o setembro amarelo tem recebido críticas de alguns especialistas e profissionais de saúde mental, que ressaltam a mercantilização e a falta de informação precisa em torno do movimento. Muitas vezes, a campanha é explorada como uma estratégia de marketing por empresas, desvirtuando seu verdadeiro propósito de conscientização e prevenção. Ademais, há críticas sobre a generalização do assunto e a omissão das causas subjacentes do sofrimento psicológico, que frequentemente envolvem questões sociais e estruturais, como desigualdade, preconceito e a escassez de acesso a serviços de saúde mental (Araújo, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A questão da prevenção do suicídio é um assunto que requer esclarecimento, especialmente ao analisarmos os dados epidemiológicos: cerca de 80% das mortes por suicídio no mundo acontecem em países em desenvolvimento. Nos países de alta renda, a taxa de suicídio é elevada entre populações vulneráveis e marginalizadas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, os grupos que apresentam as taxas mais altas de suicídio são aqueles que enfrentam maior violência, incluindo as comunidades indígenas, negras, LGBTQIAPN+ e as pessoas idosas. Assim, fica evidente a conexão entre suicídio e violência estrutural<sup>10</sup>, o que torna a formulação de políticas de prevenção mais complexa, exigindo abordagens universais, seletivas e específicas (Araújo, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos dados imprecisos que circulam durante o setembro amarelo – disseminado por alguns “especialistas” e oportunistas – é a afirmação de que 90% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais. Esse dado, já contestado devido à sua fragilidade metodológica, originou-se de pesquisas que analisaram retrospectivamente mortes por suicídio no final dos anos 1990 e no início dos anos 2000. Essas pesquisas estão fundamentadas em uma perspectiva excessivamente medicalizada do fenômeno humano, que acaba por reduzir o suicídio a uma mera patologia (Araújo, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A disseminação irresponsável desses dados segue uma lógica mercadológica. Neste mês, testemunhamos um aumento acentuado no número de profissionais da saúde mental e da administração de empresas que oferecem soluções milagrosas para o comportamento suicida, abrangendo abordagens comportamentais, motivacionais ou farmacológicas. Alguns chegam ao ponto de prometer a erradicação total dos suicídios no Brasil, algo sem precedentes na história humana (Araújo, 2021).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, um fenômeno que é, na verdade, determinado socialmente, como o suicídio, transforma-se em tema de discursos que individualizam e patologizam, sendo reduzido a uma anormalidade a ser corrigida. Isso resulta em uma dinâmica semelhante à da Idade Média, onde o indivíduo com tendências suicidas eram vistas como alvo de culpa e expiação por seu sofrimento diabólico (Araújo, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, a ampliação da campanha ao longo de todo o mês de setembro gerou um efeito inverso ao desejado: a comercialização e a disseminação de informações incorretas sobre o suicídio. Esse período se tornou uma &#8220;tendência de mercado&#8221;, onde tanto profissionais qualificados quanto não qualificados, influenciadores, celebridades e políticos exploram a questão social do suicídio como uma forma de se promover (Araújo, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CVV &#8211; Centro de Valorização da Vida&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Rodrigues (2022) descreve o Centro de Valorização à Vida (CVV) como uma das organizações não governamentais mais antigas do Brasil. Estabelecido em São Paulo em 1962, presta assistência emocional e prevenção ao suicídio através do número 188, bem como através de chat, e-mail e presencialmente.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, aproximadamente 4 mil voluntários, distribuídos em mais de 120 locais, oferecem serviço voluntário e sem custos 24 horas por dia, 365 dias por ano, aos que desejam e necessitam expressar seus sentimentos, dores, descobertas e desafios (Rodrigues, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O voluntário do CVV, de maneira discreta e isenta de julgamentos, escuta a pessoa que telefona com profundo respeito, aceitação, confiança e entendimento, valorizando a vida e, consequentemente, evitando o suicídio. Em um terço dos países, a juventude representa o grupo mais suscetível a riscos de suicídio segundo&nbsp;Rodrigues (2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Morte digna: entre eutanásia, ortotanásia e distanásia&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A morte, embora natural e inevitável, desperta inúmeros dilemas quando associada à dor, sofrimento e ao prolongamento artificial da vida. Nos debates contemporâneos sobre bioética e saúde, práticas como a eutanásia, a ortotanásia e a distanásia ganham destaque por abordarem distintas formas de lidar com o fim da vida. A eutanásia refere-se ao ato intencional de provocar a morte de um paciente, com o seu consentimento, visando à eliminação de um sofrimento extremo e irremediável. A ortotanásia, por sua vez, consiste na aceitação da morte natural, sem o uso de procedimentos invasivos ou tecnologias que apenas prolonguem artificialmente a vida. Em contraste, a distanásia caracteriza-se pela manutenção obstinada da vida biológica, ainda que isso implique sofrimento adicional e sem benefícios reais ao paciente (Silva; Dall’Aglio, 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas práticas se conectam, ainda que indiretamente, ao debate sobre o suicídio, especialmente quando se consideram os casos em que o desejo de morrer surge como uma resposta ao sofrimento insuportável. No suicídio, a decisão é muitas vezes solitária, impulsiva e relacionada a transtornos psíquicos ou contextos de desamparo. Já a eutanásia é uma escolha regulada, mediada por critérios éticos, médicos e legais, em geral aplicada a pacientes em estágios terminais e conscientes de sua condição. Ambas, contudo, tocam na mesma questão central: o direito à autonomia sobre a própria vida e morte. O desafio ético que se impõe é distinguir entre o desejo de morrer como expressão de desespero e o desejo de morrer como uma escolha racional diante do sofrimento inevitável (Pessini; Barchifontaine, 2006).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, os cuidados paliativos surgem como uma alternativa ética e humanizada à distanásia e à eutanásia. Fundamentados no princípio do respeito à dignidade do paciente, os cuidados paliativos buscam aliviar a dor física e o sofrimento emocional, espiritual e social, sem apressar nem prolongar o processo de morte. A ortotanásia é prática compatível com esse modelo, pois permite que a morte ocorra de forma natural, sem intervenções desnecessárias, oferecendo ao paciente e à família um espaço de acolhimento, escuta e cuidado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (2014), cuidados paliativos devem ser ofertados de forma integral, respeitando os valores, as crenças e os desejos da pessoa enferma, de modo a garantir uma morte digna e com qualidade (Moraes; Leite, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Posvenção: cuidados após o suicídio&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A posvenção refere-se ao conjunto de ações realizadas após um suicídio consumado ou uma tentativa, voltadas para oferecer suporte às pessoas diretamente afetadas, como familiares, amigos e a comunidade. Essas intervenções têm como objetivo aliviar o sofrimento psíquico, prevenir o luto complicado e reduzir o risco de suicídios subsequentes entre os enlutados, que constituem um grupo vulnerável (Andriessen, 2009). A Organização Mundial da Saúde (2014) reconhece que a posvenção é uma dimensão fundamental da prevenção do suicídio, uma vez que a exposição ao suicídio de alguém próximo aumenta o risco de sofrimento emocional intenso e comportamentos autolesivos em sobreviventes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as principais estratégias de posvenção estão o acompanhamento psicológico individual e em grupo, grupos de apoio para enlutados, ações escolares e comunitárias, além do acolhimento por equipes multiprofissionais treinadas. Intervenções como visitas domiciliares, acolhimento espiritual e orientações sobre o processo de luto também são recomendadas (Botelho <em>et al.,</em> 2021). Além disso, o fortalecimento de redes de apoio e a redução do estigma relacionado ao suicídio são aspectos centrais para garantir um ambiente de escuta, empatia e cuidado contínuo (Minayo; Cavalcante, 2013).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da crescente valorização da posvenção nas políticas públicas de saúde mental, muitos desafios ainda dificultam sua implementação efetiva, como a falta de recursos, a carência de profissionais capacitados e o estigma cultural que ainda envolve o suicídio (Brasil, 2023). Dessa forma, é fundamental que estratégias de posvenção sejam integradas de maneira sistemática aos programas de prevenção ao suicídio, garantindo ações coordenadas e sensíveis ao sofrimento dos enlutados. A promoção de campanhas educativas e a valorização de espaços de fala podem contribuir para que o suicídio deixe de ser um tabu e se torne uma questão de saúde pública tratada com responsabilidade, ética e compaixão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>METODOLOGIA</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O método de pesquisa descritiva e exploratória foi empregado para descrever e investigar o tema proposto, por meio de uma análise detalhada sobre o suicídio. Foi realizada uma revisão bibliográfica extensa e detalhada, com o propósito de examinar as teorias e conceitos mais relevantes sobre o assunto (Cavalcante, 2020).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro da abordagem qualitativa podemos encontrar as pesquisas exploratórias que, como o próprio nome diz, explora um problema fornecendo informações para uma investigação mais precisa. Existem ainda os estudos descritivos que fornecem informações adicionais sobre o tema pesquisado, associando-se de forma eficaz a pesquisa exploratória (Qualibest, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente trabalho buscou demonstrar dados estatísticos anuais referentes a jovens-adultos, os fatores de risco e as estratégias empregadas, combinando informações primárias (artigos), secundárias (livros, artigos de revisão) e terciárias (bibliografias, resumos).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o referencial teórico foram escolhidos 10 artigos completos e dois livros:&nbsp;<em>Crise Suicida: Avaliação e Manejo</em> (Botega, 2015); <em>Suicídio: Causas, Mitos e&nbsp;Prevenção</em> (Lopes, 2007), além de sites como o próprio Scielo e o Google Acadêmico.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos critérios de exclusão de artigos foi pesquisas que haviam sido realizadas de maneira isolada em uma cidade ou região específica do Brasil, ou até mesmo fora do território nacional. Outro critério de exclusão foi estabelecido após a avaliação de alguns títulos e resumos, nos quais nada foi identificado que pudesse contribuir para o trabalho proposto ou que abordavam assuntos que um outro artigo já explanava.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra questão importante foi a inclusão de artigos que abordassem a historicidade do suicídio, aspectos biológicos, psicológicos e sociais em geral no Brasil.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DISCUSSÃO DO TCC&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das constatações mais significativas desta pesquisa foi a comprovação de que, na literatura disponível, não encontra-se uma avaliação integrada dos aspectos biológicos, psicológicos e sociais ligados ao suicídio.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Consequentemente, os artigos tratam apenas de um desses aspectos de forma isolada. Contudo, para um entendimento mais profundo e eficiente deste fenômeno, é crucial integrar esses fatores, pois estão intrinsecamente ligados e influenciam de maneira mútua a expressão deste comportamento (Frankl, 2022; Joiner, 2005).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A medida que integra esses três fatores &#8211; biológico, psicológico e social &#8211; dentro de uma análise integrativa a pesquisa buscou contribuir de maneira significativa para esta lacuna na literatura.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Schmaal e Harmelen (2019) este método integrado oferece uma perspectiva mais abrangente e exata das causas e dos processos que levam ao suicídio, possibilitando estratégias mais compreensivas e eficientes para a prevenção deste incidente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o estudo identificou que a maior parte dos casos encontrados estão ligados a uma determinada faixa etária &#8211; jovens-adultos de 15 a 29 anos. Isso evidencia a relevância da concentração de esforços na prevenção destinada a esta faixa etária, que está suscetível aos fatores de risco abordados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pensadores como Viktor Frankl (2022) e Thomas Joiner (2005) contribuíram de forma significativa para esta visão integrada. Frankl (2022), com sua Logoterapia, argumenta que a falta de sentido na vida é um fator central para o suicídio.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Joiner (2005), por meio da Teoria Interpessoal, sugere que o suicídio ocorre quando a pessoa se sente um fardo para os outros, está isolada e não teme a dor ou a morte. Ambos enfatizam que o suicídio não é uma escolha impulsiva, mas sim o resultado de uma combinação de fatores psicológicos e sociais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As ideias sobre o suicídio mudaram ao longo da história, dependendo dos valores de cada época. Na Antiguidade, algumas culturas viam o suicídio como uma forma de preservação da honra, enquanto outras o restringiam. Com o Cristianismo, especialmente a partir de Santo Agostinho, passou-se a considerá-lo um pecado grave, pois a vida era vista como um dom de Deus.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Renascença e na Revolução Francesa, o sofrimento humano foi reconhecido como uma justificativa válida para o suicídio, e a autonomia individual começou a ser mais valorizada. Em certas culturas, como a japonesa, o suicídio era considerado um ato de honra e bravura.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Constantemente, o suicídio é visto como uma tentativa de escapar de um sofrimento insuportável, não como uma procura pela morte em si, mas como um esforço para se libertar da dor emocional ou existencial.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As perspectivas de Frankl e Joiner, aliadas à análise histórica e cultural, realçam a complexidade deste fenômeno, demonstrando a relevância de entender o suicídio não somente como uma ação individual, mas também como um espelho das circunstâncias sociais e existenciais do indivíduo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O suicídio é tratado de maneiras distintas pelas religiões, que influenciam a visão social e as atitudes individuais sobre a vida, a morte e o sofrimento. Essas interpretações religiosas desempenham um papel importante na prevenção do suicídio, seja por meio do apoio das comunidades religiosas ou pelas posturas adotadas diante desse ato (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Religiões tradicionais como o Judaísmo, Cristianismo, Islã e Hinduísmo geralmente condenam o suicídio, considerando-o uma transgressão à vida e ao plano divino. No entanto, há um crescente reconhecimento do sofrimento mental, especialmente no Judaísmo e no Cristianismo (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Protestantismo enfatiza a liberdade individual, enquanto o Islã o vê como pecado, mas em casos extremos pode ser interpretado como martírio. O Hinduísmo considera o suicídio um obstáculo ao progresso espiritual (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar das diferenças, as religiões desempenham um papel essencial na formação moral, na saúde mental e no apoio social das comunidades (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, as posturas religiosas em relação ao suicídio, frequentemente carregadas de julgamento e estigma, podem ser danosas, impedindo os indivíduos aflitos de procurar ajuda. A punição severa ao suicídio pode intensificar o isolamento emocional, tornando mais difícil a recuperação e o tratamento (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, a religião tem um papel vital na prevenção do suicídio, mas é necessário que se adapte para se tornar mais inclusiva e atenta aos desafios emocionais e psicológicos enfrentados pelos indivíduos em sofrimento (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Destarte, as religiões podem contribuir significativamente para a criação de uma sociedade mais empática e solidária, onde a saúde mental seja uma prioridade, ajudando a evitar tragédias como o suicídio (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, o aumento da taxa de suicídio entre jovens adultos, particularmente entre 15 e 29 anos, tornou-se um problema de saúde pública urgente tanto no Brasil quanto no mundo (Braun <em>et al.,</em> 2023; Brasil, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa aponta que compreender os fatores biopsicossociais envolvidos no suicídio é essencial para a criação de estratégias preventivas eficazes e para a implementação de políticas de saúde mental acessíveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Botega (2015), embora a taxa de suicídios no Brasil seja inferior à de outros países, os números ainda são preocupantes, com 11.821 ocorrências em 2012, o que coloca o Brasil em oitavo lugar no ranking mundial.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um aspecto alarmante é a desigualdade de gênero: em que 79% dos casos são homens, o que pode ser justificado por questões culturais e sociais que inibem a expressão de sentimentos e a procura por auxílio (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No período de 1980 a 2006, observou-se um crescimento nas taxas de suicídio entre jovens-adultos no Brasil, refletindo obstáculos como pressões acadêmicas, problemas financeiros e incertezas no ambiente laboral.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses dados ao redor do mundo variam de acordo com o acesso a serviços de saúde mental e as políticas públicas implementadas. Em diversas nações, o preconceito cultural obstrui a discussão sobre o assunto, prejudicando a prevenção.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sob uma perspectiva biológica, progressos na neurociência indicam que certas mudanças cerebrais podem estar ligadas ao comportamento suicida. Essas mudanças cerebrais complicam o controle dos impulsos e agrava os pensamentos negativos, tornando a pessoa mais propensa ao suicídio.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, o impacto dos elementos biológicos não é determinante por si só, sendo intensificado por elementos psicológicos e sociais. De acordo com Schmaal e Harmelen (2019), não há indicadores neurobiológicos definitivos que possibilitem a previsão com exatidão da incidência de suicídios, evidenciando a complexidade deste fenômeno.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista sociológico, o suicídio entre jovens está intrinsecamente ligado às transformações culturais e estruturais da sociedade. A avaliação de Durkheim (1996) acerca do suicídio ressalta o impacto da desintegração dos vínculos sociais e da crise de valores coletivos como elementos que favorecem o crescimento dos casos (apud Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, as exigências para alcançar sucesso profissional, acadêmico e social têm aumentado, em grande parte devido às redes sociais, que intensificam comparações e geram sentimentos de inadequação. A busca incessante por validação digital pode diminuir a autoestima e promover o isolamento emocional (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto psicológico, os transtornos mentais são um dos fatores de risco mais significativos para o suicídio. Em particular, a depressão está frequentemente ligada a suicídios entre jovens-adultos, uma vez que gera sentimentos intensos de desespero, isolamento e ausência de perspectivas futuras.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Lopes (2007), o transtorno depressivo maior está fortemente associado ao risco de suicídio, particularmente em pessoas que não recebem tratamento adequado. Além disso, transtornos de ansiedade, distúrbios alimentares e o abuso de substâncias psicoativas agravam o sofrimento emocional e comprometem a capacidade de enfrentar os desafios diários.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Freud (1987) sugeriu que, no caso do suicídio, o ato é uma maneira de anular psicologicamente a perda e, simultaneamente, punir o ambiente ou a pessoa que causou o sofrimento. Portanto, a destruição de si mesmo seria uma retaliação simbólica contra o que ou quem provocou o desespero.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta interpretação psicanalítica do suicídio destaca a complexidade dos processos psicológicos implicados, mostrando que o intenso sofrimento emocional pode levar à negação do próprio valor e à procura pela destruição como meio de enfrentar a dor.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em <em>O Homem Contra Si Mesmo</em>, Karl Menninger (1985) expande a visão psicanalítica do suicídio, baseando-se nas ideias de Freud (1987) sobre a introjeção da agressividade. Menninger identifica três aspectos centrais no comportamento suicida: o desejo de matar, o desejo de ser morto e o desejo de morrer.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele argumenta que o suicídio é mais do que um ato de autodestruição, sendo um fenômeno complexo que envolve sentimentos de vingança, culpa e punição, além de um possível desejo inconsciente de voltar ao estado de serenidade intrauterina.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A teoria de Menninger oferece uma compreensão mais profunda do suicídio, indo além de sua dimensão clínica e explorando aspectos psicológicos subjacentes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta visão psicanalítica ainda exerce influência na compreensão do suicídio, porém não deve ser analisada de forma isolada. Atualmente, está claro que o comportamento suicida é resultado de uma combinação de elementos biológicos, psicológicos e sociais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A psicanálise auxilia ao desvendar os conflitos internos do sujeito, contudo, a prevenção efetiva do suicídio requer estratégias multidisciplinares que incluam apoio emocional, tratamento psiquiátrico e políticas públicas que diminuam fatores de risco, como a marginalização social e o obstáculo ao acesso a serviços de saúde mental.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A teoria dos &#8220;cinco blocos do suicídio&#8221;, proposta por Edwin Shneidman em 1993, oferece uma abordagem estruturada para entender o processo que pode levar ao comportamento suicida. Ela destaca momentos-chave para intervenções, tornando a prevenção mais eficaz.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A principal importância dessa teoria é permitir a interrupção do ciclo suicida antes que se concretize. Assim, as estratégias de prevenção devem focar na identificação precoce dos sinais de risco, no tratamento de distúrbios mentais, no fortalecimento das redes de apoio e na restrição ao acesso a métodos letais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A sensibilização da sociedade acerca do sofrimento mental e a diminuição do preconceito ligado à saúde mental são essenciais para que mais indivíduos procurem auxílio antes de alcançarem as fases mais avançadas do processo suicida, enfatizando a importância de uma estratégia abrangente, preventiva e personalizada no combate ao suicídio de acordo com a teoria de Shneidman.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disto, aspectos econômicos têm um papel fundamental no crescimento do suicídio entre jovens-adultos. A insegurança no mercado laboral, o desemprego e a ausência de possibilidades profissionais provocam frustração e insegurança, intensificando sentimentos de desespero.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A desigualdade social e a falta de apoio da comunidade também intensificam essa circunstância, contribuindo para um período de grande fragilidade emocional na juventude.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dada a complexidade dos elementos que levam ao suicídio entre jovensadultos, a prevenção deve ser feita através de uma estratégia integrada e multidisciplinar. É crucial que as políticas governamentais de saúde mental assegurem o acesso simplificado a tratamentos psicológicos e psiquiátricos, bem como incentivando a formação de profissionais da saúde para reconhecer precocemente indícios de angústia emocional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para entender o suicídio em jovens-adultos, é necessário um enfoque integrador que leve em conta os fatores biológicos, psicológicos e sociais ao mesmo tempo, já que esses aspectos estão interligados e afetam diretamente o comportamento suicida. Do ponto de vista biológico, pesquisas indicam mudanças notáveis em áreas do cérebro associadas à regulação emocional, como o córtex pré-frontal ventral e dorsal e o giro frontal inferior. Essas regiões estão envolvidas no controle de impulsos, na tomada de decisões e na manifestação de pensamentos negativos sobre o futuro (Schmaal &amp; Harmelen, 2019).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas mudanças podem afetar a habilidade da pessoa em lidar com frustrações e angústias diárias, principalmente quando combinadas com experiências de sofrimento psicológico intenso. O suicídio está psicologicamente ligado a condições como depressão, transtornos de personalidade e efeitos de traumas mal processados (Lopes, 2007). Ademais, pensadores como Beck (1964), Rogers (1942) e Ellis (1955) enfatizam o papel de pensamentos distorcidos, crenças disfuncionais e ausência de sentido existencial como fatores que contribuem para a ideação suicida (Botega, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fatores como desilusão amorosa, perdas financeiras, pressão por desempenho, homofobia e falta de apoio familiar intensificam a sensação de desamparo e solidão, principalmente em uma sociedade caracterizada pela desigualdade e marginalização de grupos vulneráveis (Lopes, 2007; Botega, 2015). A literatura indica que jovens que enfrentam adversidades sociais têm maior tendência a desenvolver depressão e impulsos autodestrutivos, especialmente quando não possuem recursos emocionais e uma rede de apoio (Oliveira; Farias, 2023).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, levando em conta que as estruturas cerebrais alteradas interagem com crenças negativas internalizadas e contextos sociais excludentes, entende-se que o suicídio não deve ser encarado como um ato isolado ou puramente individual, mas como consequência de uma complexa combinação de vulnerabilidades. Essa abordagem multidimensional possibilita tanto um diagnóstico mais preciso quanto intervenções preventivas mais eficazes e humanizadas, que consideram a individualidade do sujeito e os contextos em que ele está inserido.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A introdução de programas de sensibilização sobre saúde mental em escolas e universidades pode ter um impacto significativo na prevenção, motivando os jovens a procurar auxílio sem receio do preconceito social.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Reduzir o preconceito sobre transtornos mentais é essencial para prevenir o suicídio entre jovens-adultos. Criar espaços mais seguros para que possam expressar suas emoções sem medo de julgamento, além de incentivar o diálogo sobre saúde mental e fortalecer redes de apoio, são ações chave para salvar vidas e diminuir as taxas de suicídio.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fatores como decepção amorosa, pressão social por sucesso, perda financeira, uso excessivo de substâncias e discriminação aumentam o risco de suicídio. A decepção amorosa pode levar à depressão e sofrimento, enquanto a pressão por êxito, especialmente entre os jovens, agrava o quadro (Lopes, 2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A perda financeira também é um fator crítico, afetando principalmente aqueles acostumados a altos padrões de vida. O uso de álcool e drogas intensifica a impulsividade, tornando mais provável o comportamento suicida (Lopes, 2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a discriminação, especialmente contra a comunidade LGBTQIAPN+, resulta em taxas de suicídio significativamente mais altas, devido à marginalização e falta de apoio emocional (Lopes, 2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prevenção do suicídio requer uma abordagem integrada, com políticas públicas que ampliem o acesso à saúde mental, fortaleçam redes de apoio social e combatam o estigma sobre os transtornos psicológicos. O apoio familiar e a orientação profissional são essenciais para impedir que indivíduos em sofrimento considerem o suicídio como uma solução.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As medidas preventivas podem ser classificadas em três etapas: primária, com foco em campanhas de conscientização e na restrição de métodos letais; secundária, voltada ao apoio psicológico e medicamentoso para pessoas em risco; e terciária, que busca evitar novas tentativas de suicídio, oferecendo apoio psicossocial intensivo a quem já passou por uma tentativa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento envolve a utilização de antidepressivos e estabilizadores de humor, particularmente em situações de depressão e transtorno bipolar, sendo crucial a sua combinação com métodos psicoterapêuticos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) provou ser eficiente na alteração de padrões de pensamento negativos, ao passo que a Terapia Comportamental Dialética (DBT) ajuda pacientes com transtornos de personalidade borderline. Outro método importante é o plano de segurança, que reconhece indícios de perigo e cria mecanismos de suporte para situações de crise.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O apoio social é fundamental para a recuperação de pessoas em situação de risco. O suporte de familiares, amigos e redes comunitárias pode oferecer amparo e diminuir o efeito da solidão e do isolamento. Portanto, a prevenção do suicídio exige uma ação conjunta entre a saúde pública, a psicologia e a sociedade, assegurando um ambiente de apoio e acolhimento para aqueles que experimentam dor intensa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como abordado no referencial teórico, os filmes abordam o suicídio ao explorar as pressões sociais, emocionais e familiares que contribuem para esse ato. <em>Close</em> (2022) mostra como as expectativas sobre a masculinidade e a falta de comunicação emocional levam ao suicídio de Rémi, enquanto <em>Orações para Bobby</em> (2009) ilustra como a rejeição familiar devido à identidade sexual de Bobby intensifica sua dor emocional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ambos os filmes destacam que o suicídio é resultado de fatores como isolamento e a falta de apoio. Eles enfatizam a importância de criar ambientes seguros para os jovens se expressarem e a necessidade de maior empatia e aceitação social para prevenir o suicídio.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A campanha Setembro Amarelo desempenha um papel fundamental na conscientização sobre a prevenção do suicídio e na promoção da saúde mental, com foco na redução do estigma associado ao tema e na ampliação do acesso ao suporte psicológico. Iniciativas como a do Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional gratuito, são essenciais nesse contexto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, apesar da crescente visibilidade das campanhas, persiste a discussão sobre sua real eficácia na prevenção do suicídio, além de preocupações acerca da mercantilização da saúde mental, o que levanta questões sobre a abordagem e os impactos a longo prazo dessas ações na sociedade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas companhias empregam o movimento como estratégia de marketing, desviando-se do propósito de oferecer suporte autêntico a quem sofre. Também, a noção de que 90% dos suicídios estão diretamente relacionados a distúrbios mentais simplifica uma questão que também engloba desigualdade social, preconceito e ausência de acesso a atendimento psicológico adequado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A luta contra o suicídio demanda uma abordagem multifacetada, que envolva a promoção da educação em saúde mental, o fortalecimento das redes de apoio e a garantia de acesso facilitado a serviços psicológicos (Fleck, 2016). A mudança cultural, especialmente no que diz respeito à aceitação da vulnerabilidade emocional, é um aspecto fundamental para mitigar os impactos dessa realidade (Brasil, 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que haja avanços significativos, é necessário que as políticas públicas priorizem a saúde mental, combatendo o estigma e criando ambientes seguros para a expressão emocional. Além disso, é crucial oferecer suporte adequado aos jovens que enfrentam momentos de crise, com ênfase na redução da solidão e no estímulo à busca de ajuda profissional (Fleck, 2016).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O suicídio é uma questão complexa que envolve dimensões biológicas, psicológicas, sociais, culturais e espirituais, principalmente entre jovens-adultos, fatores como dificuldades interpessoais, pressão social e discriminação são determinantes, e a sociedade precisa trabalhar de forma conjunta para oferecer suporte psicológico e combater as desigualdades. Alguns autores ao longo deste trabalho ofereceram insights sobre este fenômeno, destacando a importância das relações interpessoais e das questões existenciais na ocorrência do suicídio.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A história e as diversas religiões abordam o suicídio de formas diversas, refletindo a influência das normas sociais e espirituais, tornando essencial uma análise das interações entre o indivíduo e o contexto social e cultural.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há filmes como <em>Close</em> e <em>Orações para Bobby</em> que destacaram o efeito das pressões sociais, da comunicação insuficiente e da falta de apoio emocional dentro de casa, elementos esses fundamentais no crescimento dos casos de suicídio.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre a prevenção do suicídio, está exige ações diversificadas, envolvendo políticas públicas que promovam o bem-estar emocional e combatam o estigma em torno da saúde mental, além de intervenções medicamentosas, psicoterapêuticas e sociais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prevenção do suicídio deve transcender iniciativas pontuais e se incorporar a políticas públicas permanentes. Estratégias eficientes englobam a expansão dos serviços de saúde mental, programas de suporte em escolas e ambientes de trabalho, bem como, a diminuição do preconceito relacionado à saúde mental.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O trabalho colaborativo entre sistemas de saúde, comunidades e políticas públicas é essencial para detectar riscos precocemente e criar condições favoráveis à recuperação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora as campanhas de conscientização tenham papel importante na redução do estigma e no incentivo ao apoio psicológico, é necessário que sejam constantemente avaliadas quanto à sua eficácia. A mercantilização da saúde mental e a superficialidade de algumas iniciativas ainda geram desafios para que as ações preventivas sejam verdadeiramente eficazes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que haja avanços significativos, é essencial uma atuação mais ampla e coordenada entre políticas públicas, profissionais da saúde e a sociedade, com foco em estratégias que não só sensibilizem, mas também ofereçam soluções sustentáveis e inclusivas para os indivíduos em sofrimento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O acesso aos serviços de saúde mental, para casos desde a ideação suicida até a tentativa, apresenta desafios consideráveis devido à burocracia e à complexidade do sistema vigente. A exigência de realizar várias triagens e entrevistas, juntamente com o estigma social relacionado ao suicídio, desencoraja muitos indivíduos a procurar auxílio. Ainda que recebam atendimento, frequentemente são solicitadas atividades extras, como a participação em grupos de suporte.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, reforça-se a importância de ampliar os espaços de diálogo e de desenvolver políticas públicas eficazes, voltadas à escuta, acolhimento e proteção dos jovens em sofrimento psíquico. Compreender o suicídio sob a ótica biopsicossocial é um passo essencial para quebrar o silêncio, reduzir o estigma e salvar vidas.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><sup>3</sup>A Logoterapia, criada por Viktor Frankl, foca na busca de sentido e propósito na vida, baseando-se na liberdade de escolha, responsabilidade e busca por significado, promovendo resiliência e bem-estar emocional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>4</sup>Refere-se ao ritual suicida japonês reservado à classe guerreira, principalmente samurai, em que ocorre com tortura que consiste em abrir o ventre da vítima e extrair seus órgãos internos (vísceras).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>5</sup>Eram pilotos da força aérea japonesa que, na Segunda Guerra Mundial, deliberadamente chocavam seus aviões, repletos de bombas, geralmente em navios da marinha americana.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>6</sup>A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) auxilia na identificação e modificação de pensamentos distorcidos, tratando transtornos como depressão e ansiedade. Seu objetivo é promover habilidades para enfrentar problemas e melhorar a qualidade de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>7</sup>A Terapia Racional Emotiva Comportamental (TREC), desenvolvida por Albert Ellis, ajuda a identificar e substituir crenças irracionais por pensamentos saudáveis, melhorando a gestão das emoções e a resolução de problemas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>8</sup>A Terapia Comportamental Dialética (DBT), desenvolvida por Marsha Linehan, ajuda pacientes a lidar com emoções intensas, impulsividade e conflitos, combinando aceitação incondicional e a mudança de comportamentos disfuncionais e pensamentos negativos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>9</sup>James Warren &#8220;Jim&#8221; Jones foi um assassino em massa americano, fundador e líder da seita Templo do Povo entre 1955 e 1978.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>10</sup>A violência estrutural é entendida como a restrição do acesso aos direitos básicos decorrente da estrutura dos sistemas econômico, social e político, tornando a vítima dessa violência mais vulnerável ao sofrimento e à morte.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong>&nbsp;</p>



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<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Discente do Curso Superior de Psicologia do Centro Universitário de Desenvolvimento do Centro-Oeste Campus I. E-mail: walison820silva820@gmail.com<br><sup>2</sup>Docente do Curso Superior de Psicologia do Centro Universitário de Desenvolvimento do Centro-Oeste Campus I. Professora Mestranda</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A ACEITAÇÃO DO DIAGNÓSTICO DE AUTISMO NA FASE ADULTA: DESAFIOS, BENEFÍCIOS E ESTRATÉGIAS DE ADAPTAÇÃO </title>
		<link>https://revistaft.com.br/a-aceitacao-do-diagnostico-de-autismo-na-fase-adulta-desafios-beneficios-e-estrategias-de-adaptacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Nov 2025 21:33:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=252195</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511211832 Aline Marta França Fialho1Phlávia Rodrigues Fernandes2Samira Cordeiro Alves3Orientadora: Prof. Esp. Isabela Bernardes Bosque4 Resumo:&#160; O&#160; presente&#160; trabalho&#160; tem&#160; como&#160; objetivo&#160; analisar&#160; a&#160; aceitação&#160; do&#160; diagnóstico&#160; de&#160; Transtorno&#160; do&#160; Espectro&#160; Autista&#160; (TEA)&#160; em&#160; adultos,&#160; enfocando&#160; os&#160; desafios,&#160; benefícios&#160; e&#160; estratégias&#160; de&#160; adaptação&#160; vivenciados&#160; por&#160; esses&#160; indivíduos.&#160; O&#160; estudo&#160; busca&#160; compreender&#160; como&#160; o&#160; reconhecimento&#160; [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511211832</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Aline Marta França Fialho<sup>1</sup><br>Phlávia Rodrigues Fernandes<sup>2</sup><br>Samira Cordeiro Alves<sup>3</sup><br>Orientadora: Prof. Esp. Isabela Bernardes Bosque<sup>4</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo:&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp; presente&nbsp; trabalho&nbsp; tem&nbsp; como&nbsp; objetivo&nbsp; analisar&nbsp; a&nbsp; aceitação&nbsp; do&nbsp; diagnóstico&nbsp; de&nbsp; Transtorno&nbsp; do&nbsp; Espectro&nbsp; Autista&nbsp; (TEA)&nbsp; em&nbsp; adultos,&nbsp; enfocando&nbsp; os&nbsp; desafios,&nbsp; benefícios&nbsp; e&nbsp; estratégias&nbsp; de&nbsp; adaptação&nbsp; vivenciados&nbsp; por&nbsp; esses&nbsp; indivíduos.&nbsp; O&nbsp; estudo&nbsp; busca&nbsp; compreender&nbsp; como&nbsp; o&nbsp; reconhecimento&nbsp; tardio&nbsp; da&nbsp; condição&nbsp; impacta&nbsp; aspectos&nbsp; emocionais,&nbsp; sociais&nbsp; e&nbsp; psicológicos,&nbsp; influenciando&nbsp; a&nbsp; autoestima,&nbsp; as&nbsp; relações&nbsp; interpessoais&nbsp; e&nbsp; a&nbsp; qualidade&nbsp; de&nbsp; vida.&nbsp; Realizou-se&nbsp; uma&nbsp; revisão&nbsp; bibliográfica&nbsp; em&nbsp; fontes&nbsp; especializadas,&nbsp; a&nbsp; fim&nbsp; de&nbsp; identificar&nbsp; padrões&nbsp; de&nbsp; enfrentamento&nbsp; e&nbsp; mecanismos&nbsp; de&nbsp; adaptação&nbsp; adotados&nbsp; pelos&nbsp; adultos&nbsp; diagnosticados.&nbsp; Espera-se&nbsp; que&nbsp; os&nbsp; resultados&nbsp; contribuam&nbsp; para&nbsp; a&nbsp; ampliação&nbsp; do&nbsp; conhecimento&nbsp; sobre&nbsp; o&nbsp; processo&nbsp; de&nbsp; aceitação&nbsp; do&nbsp; TEA&nbsp; na&nbsp; fase&nbsp; adulta,&nbsp; fornecendo&nbsp; subsídios&nbsp; para&nbsp; profissionais&nbsp; da&nbsp; saúde,&nbsp; familiares&nbsp; e&nbsp; sociedade em geral, promovendo maior compreensão, empatia e inclusão social.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>&nbsp;adaptação&nbsp; social;&nbsp; diagnóstico&nbsp; do&nbsp; espectro&nbsp; autista&nbsp; em&nbsp; adultos;&nbsp; qualidade de vida; saúde mental; transtorno do espectro autista.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract: </strong>&nbsp;This&nbsp; study&nbsp; aims&nbsp; to&nbsp; analyze&nbsp; the&nbsp; acceptance&nbsp; of&nbsp; the&nbsp; diagnosis&nbsp; of&nbsp; Autism&nbsp; Spectrum&nbsp; Disorder&nbsp; (ASD)&nbsp; in&nbsp; adults,&nbsp; focusing&nbsp; on&nbsp; the&nbsp; challenges,&nbsp; benefits,&nbsp; and&nbsp; adaptation&nbsp; strategies&nbsp; experienced&nbsp; by&nbsp; these&nbsp; individuals.&nbsp; The&nbsp; research&nbsp; seeks&nbsp; to understand&nbsp; how&nbsp; the&nbsp; delayed&nbsp; recognition&nbsp; of&nbsp; the&nbsp; condition impacts&nbsp; emotional,&nbsp; social,&nbsp; and&nbsp; psychological&nbsp; aspects,&nbsp; influencing&nbsp; self-esteem,&nbsp; interpersonal&nbsp; relationships,&nbsp; and&nbsp; quality&nbsp; of&nbsp; life.&nbsp; A&nbsp; literature&nbsp; review&nbsp; of&nbsp; specialized&nbsp; sources&nbsp; was&nbsp; conducted&nbsp; to&nbsp; identify&nbsp; coping&nbsp; patterns&nbsp; and&nbsp; adaptation&nbsp; mechanisms&nbsp; adopted&nbsp; by&nbsp; diagnosed&nbsp; adults.&nbsp; The&nbsp; results&nbsp; are&nbsp; expected&nbsp; to&nbsp; contribute&nbsp; to&nbsp; the&nbsp; expansion&nbsp; of&nbsp; knowledge&nbsp; about&nbsp; the&nbsp; process&nbsp; of&nbsp; accepting&nbsp; ASD&nbsp; in&nbsp; adulthood,&nbsp; providing&nbsp; support&nbsp; for&nbsp; health&nbsp; professionals,&nbsp; family&nbsp; members,&nbsp; and&nbsp; society&nbsp; in&nbsp; general,&nbsp; and&nbsp; promoting&nbsp; greater&nbsp; understanding,&nbsp; empathy,&nbsp; and social inclusion.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>&nbsp;Social&nbsp; adaptation;&nbsp; diagnosis&nbsp; of&nbsp; autism&nbsp; spectrum&nbsp; disorder&nbsp; in&nbsp; adults;&nbsp; quality of life; mental health; autism spectrum disorder.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. </strong><strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp; Transtorno&nbsp; do&nbsp; Espectro&nbsp; Autista&nbsp; (TEA)&nbsp; é&nbsp; frequentemente&nbsp; identificado&nbsp; ainda&nbsp; na&nbsp; infância,&nbsp; mas&nbsp; nas&nbsp; últimas&nbsp; décadas,&nbsp; tem-se&nbsp; observado&nbsp; um&nbsp; crescimento&nbsp; expressivo&nbsp; nos&nbsp; diagnósticos&nbsp; realizados&nbsp; na&nbsp; vida&nbsp; adulta.&nbsp; De&nbsp; acordo&nbsp; com&nbsp; Gaiato&nbsp; (2018),&nbsp; trata-se&nbsp; de&nbsp; uma&nbsp; condição&nbsp; do&nbsp; neurodesenvolvimento&nbsp; que&nbsp; envolve&nbsp; dificuldades&nbsp; contínuas&nbsp; na&nbsp; comunicação&nbsp; e&nbsp; nas&nbsp; interações&nbsp; sociais,&nbsp; além&nbsp; de&nbsp; comportamentos&nbsp; repetitivos&nbsp; e&nbsp; interesses&nbsp; restritos.&nbsp; No&nbsp; entanto,&nbsp; pessoas&nbsp; com&nbsp; manifestações&nbsp; mais&nbsp; sutis,&nbsp; especialmente&nbsp; mulheres&nbsp; e&nbsp; indivíduos&nbsp; com&nbsp; elevado&nbsp; desempenho&nbsp; cognitivo,&nbsp; muitas&nbsp; vezes&nbsp; não&nbsp; são&nbsp; diagnosticadas&nbsp; precocemente.&nbsp; Esse&nbsp; fator&nbsp; tem&nbsp; contribuído&nbsp; para&nbsp; o&nbsp; aumento dos casos identificados tardiamente (Mendes, 2018; Alves, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme&nbsp; a&nbsp; Organização&nbsp; Mundial&nbsp; da&nbsp; Saúde&nbsp; (OMS,&nbsp; 2021),&nbsp; estima-se&nbsp; que&nbsp; aproximadamente&nbsp; uma&nbsp; em&nbsp; cada&nbsp; cem&nbsp; crianças&nbsp; no&nbsp; mundo&nbsp; seja&nbsp; diagnosticada&nbsp; com&nbsp; o&nbsp; TEA.&nbsp; Contudo,&nbsp; esse&nbsp; número&nbsp; pode&nbsp; ser&nbsp; inferior&nbsp; à&nbsp; realidade,&nbsp; uma&nbsp; vez&nbsp; que&nbsp; muitos&nbsp; casos&nbsp; deixam&nbsp; de&nbsp; ser&nbsp; identificados&nbsp; na&nbsp; primeira&nbsp; infância.&nbsp; O&nbsp; Manual&nbsp; Diagnóstico&nbsp; e&nbsp; Estatístico&nbsp; de&nbsp; Transtornos&nbsp; Mentais&nbsp; (DSM-5-TR)&nbsp; ressalta&nbsp; a&nbsp; ampla&nbsp; heterogeneidade&nbsp; das&nbsp; manifestações&nbsp; clínicas&nbsp; do&nbsp; TEA,&nbsp; o&nbsp; que&nbsp; significa&nbsp; que,&nbsp; em&nbsp; adultos,&nbsp; os&nbsp; sinais&nbsp; podem&nbsp; se&nbsp; apresentar&nbsp; de&nbsp; maneira&nbsp; atípica&nbsp; e&nbsp; menos&nbsp; perceptível&nbsp; (American&nbsp; Psychiatric&nbsp; Association,&nbsp; 2022).&nbsp; Essa&nbsp; variabilidade&nbsp; nos&nbsp; perfis&nbsp; do&nbsp; espectro&nbsp; evidencia&nbsp; a&nbsp; importância&nbsp; de&nbsp; se&nbsp; adotar&nbsp; uma&nbsp; abordagem&nbsp; diagnóstica&nbsp; e&nbsp; terapêutica&nbsp; personalizada,&nbsp; conforme sugerem Schwartzman (2011) e Del Porto (2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp; ausência&nbsp; do&nbsp; diagnóstico&nbsp; precoce&nbsp; pode&nbsp; impactar&nbsp; negativamente&nbsp; diversas&nbsp; áreas&nbsp; da&nbsp; vida&nbsp; do&nbsp; indivíduo,&nbsp; gerando&nbsp; sofrimento&nbsp; psíquico,&nbsp; baixa&nbsp; autoestima,&nbsp; dificuldades&nbsp; nas&nbsp; relações&nbsp; interpessoais&nbsp; e&nbsp; prejuízos&nbsp; acadêmicos&nbsp; e&nbsp; profissionais&nbsp; (Barbosa,&nbsp; 2023;&nbsp; MacDonald&nbsp; &amp;&nbsp; Stone,&nbsp; 2021).&nbsp; Muitos&nbsp; adultos&nbsp; chegam&nbsp; à&nbsp; fase&nbsp; adulta&nbsp; com&nbsp; um&nbsp; histórico&nbsp; de&nbsp; exclusão,&nbsp; bullying&nbsp; escolar,&nbsp; fracasso&nbsp; acadêmico&nbsp; e&nbsp; problemas&nbsp; laborais,&nbsp; sem&nbsp; que&nbsp; essas&nbsp; dificuldades&nbsp; tenham&nbsp; sido&nbsp; corretamente&nbsp; compreendidas&nbsp; no&nbsp; decurso do tempo (Lima &amp; Filho, 2020; Goffman, 1988).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp; descoberta&nbsp; da&nbsp; identificação&nbsp; clínica&nbsp; na&nbsp; fase&nbsp; adulta,&nbsp; apesar&nbsp; de&nbsp; tardia,&nbsp; pode&nbsp; funcionar&nbsp; como&nbsp; um&nbsp; marco&nbsp; de&nbsp; reinterpretação&nbsp; da&nbsp; trajetória&nbsp; de&nbsp; vida.&nbsp; Lewis&nbsp; (2017)&nbsp; defende&nbsp; que&nbsp; o&nbsp; diagnóstico&nbsp; possibilita&nbsp; a&nbsp; edificação&nbsp; de&nbsp; uma&nbsp; nova&nbsp; identidade&nbsp; narrativa,&nbsp; onde&nbsp; o&nbsp; indivíduo&nbsp; encontra&nbsp; sentido&nbsp; para&nbsp; suas&nbsp; experiências&nbsp; passadas.&nbsp; Sentimentos&nbsp; de&nbsp; alívio,&nbsp; pertencimento&nbsp; e&nbsp; autocompreensão&nbsp; são&nbsp; comumente&nbsp; relatados&nbsp; nesse&nbsp; processo,&nbsp; ainda&nbsp; que&nbsp; também&nbsp; possam&nbsp; surgir&nbsp; emoções&nbsp; como&nbsp; luto,&nbsp; negação&nbsp; ou&nbsp; confusão&nbsp; (Gaiato,&nbsp; 2018; Mendes, 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse&nbsp; assunto&nbsp; é&nbsp; importante&nbsp; para&nbsp; ampliar&nbsp; a&nbsp; compreensão&nbsp; sobre&nbsp; as&nbsp; implicações&nbsp; psicológicas&nbsp; e&nbsp; sociais&nbsp; do&nbsp; diagnóstico&nbsp; tardio&nbsp; do&nbsp; TEA,&nbsp; contribuindo&nbsp; para&nbsp; que&nbsp; profissionais&nbsp; da&nbsp; saúde&nbsp; mental,&nbsp; educadores,&nbsp; gestores&nbsp; públicos&nbsp; e&nbsp; familiares&nbsp; estejam&nbsp; mais&nbsp; preparados&nbsp; para&nbsp; oferecer&nbsp; suporte&nbsp; adequado.&nbsp; Como&nbsp; enfatizam&nbsp; Milton&nbsp; e&nbsp; Bracher&nbsp; (2013),&nbsp; a&nbsp; escuta&nbsp; ativa&nbsp; de&nbsp; pessoas&nbsp; autistas&nbsp; é&nbsp; fundamental&nbsp; para&nbsp; compreender&nbsp; o&nbsp; impacto&nbsp; subjetivo&nbsp; do&nbsp; diagnóstico&nbsp; e&nbsp; elaborar&nbsp; estratégias&nbsp; de&nbsp; acolhimento&nbsp; mais&nbsp; efetivas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além&nbsp; disso,&nbsp; compreender&nbsp; os&nbsp; processos&nbsp; de&nbsp; aceitação&nbsp; do&nbsp; diagnóstico&nbsp; na&nbsp; fase&nbsp; adulta&nbsp; permite&nbsp; refletir&nbsp; sobre&nbsp; a&nbsp; indispensabilidade&nbsp; de&nbsp; políticas&nbsp; públicas&nbsp; mais&nbsp; inclusivas,&nbsp; tanto&nbsp; no&nbsp; âmbito&nbsp; da&nbsp; saúde&nbsp; mental&nbsp; quanto&nbsp; da&nbsp; inserção&nbsp; social&nbsp; e&nbsp; profissional&nbsp; (Leopoldino,&nbsp; 2016;&nbsp; IBGE,&nbsp; 2019).&nbsp; A&nbsp; Lei&nbsp; nº&nbsp; 12.764/2012&nbsp; e&nbsp; a&nbsp; Lei&nbsp; Brasileira&nbsp; de&nbsp; Inclusão&nbsp; (Lei&nbsp; nº&nbsp; 13.146/2015)&nbsp; reconhecem&nbsp; os&nbsp; indivíduos&nbsp; com&nbsp; TEA&nbsp; como&nbsp; sujeitos&nbsp; de&nbsp; direitos,&nbsp; reforçando&nbsp; a&nbsp; urgência&nbsp; de&nbsp; se&nbsp; pensar&nbsp; em&nbsp; práticas&nbsp; que&nbsp; respeitem&nbsp; suas&nbsp; especificidades&nbsp; ao longo de toda existência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp; relevância&nbsp; deste&nbsp; estudo&nbsp; decorre&nbsp; do&nbsp; aumento&nbsp; no&nbsp; reconhecimento&nbsp; do&nbsp; autismo&nbsp; em&nbsp; adultos,&nbsp; impulsionado&nbsp; por&nbsp; um&nbsp; maior&nbsp; acesso&nbsp; à&nbsp; informação&nbsp; e&nbsp; pela&nbsp; ampliação&nbsp; dos&nbsp; critérios&nbsp; diagnósticos.&nbsp; Muitas&nbsp; dessas&nbsp; pessoas&nbsp; passaram&nbsp; a&nbsp; vida&nbsp; enfrentando&nbsp; dificuldades&nbsp; em&nbsp; compreensão&nbsp; social,&nbsp; sobrecarga&nbsp; sensorial&nbsp; e&nbsp; desafios&nbsp; no&nbsp; ambiente&nbsp; de&nbsp; trabalho&nbsp; sem&nbsp; o&nbsp; suporte&nbsp; adequado.&nbsp; Dessa&nbsp; forma,&nbsp; compreender&nbsp; o&nbsp; impacto&nbsp; do diagnóstico&nbsp; tardio&nbsp; e&nbsp; os&nbsp; processos&nbsp; de&nbsp; aceitação pode&nbsp; contribuir&nbsp; para&nbsp; o&nbsp; desenvolvimento de políticas públicas, estratégias de inclusão e suporte adequado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este&nbsp; estudo&nbsp; se&nbsp; justifica&nbsp; pela&nbsp; necessidade&nbsp; de&nbsp; discutir&nbsp; as&nbsp; implicações&nbsp; psicológicas&nbsp; e&nbsp; sociais&nbsp; da&nbsp; descoberta&nbsp; tardia&nbsp; do&nbsp; autismo,&nbsp; além&nbsp; de&nbsp; destacar&nbsp; a&nbsp; importância&nbsp; do&nbsp; acesso&nbsp; à&nbsp; informação&nbsp; e&nbsp; a&nbsp; suporte&nbsp; especializado.&nbsp; O&nbsp; diagnóstico&nbsp; tardio&nbsp; pode&nbsp; representar&nbsp; um&nbsp; momento&nbsp; de&nbsp; reinterpretação&nbsp; da&nbsp; própria&nbsp; história&nbsp; de&nbsp; vida&nbsp; e&nbsp; possibilitar um maior entendimento das dificuldades enfrentadas ao longo dos anos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp; metodologia&nbsp; utilizada&nbsp; é&nbsp; de&nbsp; caráter&nbsp; teórico,&nbsp; baseada&nbsp; em&nbsp; uma&nbsp; revisão&nbsp; bibliográfica&nbsp; qualitativa&nbsp; fundamentada&nbsp; na&nbsp; literatura&nbsp; acadêmica&nbsp; e&nbsp; materiais&nbsp; especializados,&nbsp; proporcionando&nbsp; um&nbsp; panorama&nbsp; abrangente&nbsp; sobre&nbsp; o&nbsp; tema.&nbsp; Foram&nbsp; selecionadas&nbsp; obras&nbsp; acadêmicas,&nbsp; artigos&nbsp; científicos,&nbsp; livros&nbsp; e&nbsp; publicações&nbsp; relevantes&nbsp; que&nbsp; tratam&nbsp; do&nbsp; TEA,&nbsp; com&nbsp; ênfase&nbsp; no&nbsp; diagnóstico&nbsp; em&nbsp; adultos,&nbsp; aceitação&nbsp; e&nbsp; estratégias&nbsp; de&nbsp; adaptação.&nbsp; Diante&nbsp; disso,&nbsp; o&nbsp; presente&nbsp; estudo&nbsp; busca&nbsp; responder&nbsp; ao&nbsp; seguinte&nbsp; problema&nbsp; de&nbsp; pesquisa:&nbsp; como&nbsp; adultos&nbsp; diagnosticados&nbsp; com&nbsp; Transtorno&nbsp; do&nbsp; Espectro&nbsp; Autista&nbsp; (TEA)&nbsp; vivenciam&nbsp; o&nbsp; processo&nbsp; de&nbsp; aceitação&nbsp; de&nbsp; sua&nbsp; condição&nbsp; e&nbsp; quais&nbsp; os&nbsp; impactos emocionais, sociais e identitários dessa descoberta tardia?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. </strong><strong>Aceitação do diagnóstico de autismo na vida adulta&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1. </strong><strong>Conceito sobre o Transtorno do Espectro Autista&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp; TEA&nbsp; é&nbsp; um&nbsp; transtorno&nbsp; do&nbsp; neurodesenvolvimento&nbsp; que&nbsp; se&nbsp; manifesta,&nbsp; geralmente,&nbsp; nos&nbsp; primeiros&nbsp; anos&nbsp; de&nbsp; vida,&nbsp; caracterizado&nbsp; por&nbsp; dois&nbsp; domínios&nbsp; principais:&nbsp; déficits&nbsp; persistentes&nbsp; na&nbsp; comunicação&nbsp; social&nbsp; e&nbsp; na&nbsp; interação&nbsp; social&nbsp; em&nbsp; múltiplos&nbsp; contextos,&nbsp; e&nbsp; padrões&nbsp; restritos&nbsp; e&nbsp; repetitivos&nbsp; de&nbsp; comportamento,&nbsp; interesses&nbsp; ou&nbsp; atividades&nbsp; (American&nbsp; Psychiatric&nbsp; Association,&nbsp; 2022,&nbsp; p.&nbsp; 50).&nbsp; O&nbsp; termo&nbsp; &#8220;espectro&#8221;&nbsp; é&nbsp; utilizado&nbsp; para&nbsp; refletir&nbsp; a&nbsp; ampla&nbsp; variação&nbsp; nas&nbsp; manifestações&nbsp; do&nbsp; transtorno,&nbsp; em&nbsp; termos&nbsp; de tipo e intensidade dos sintomas (Santos, 2022, p. 10).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além&nbsp; disso,&nbsp; é&nbsp; uma&nbsp; condição&nbsp; de&nbsp; base&nbsp; neurobiológica,&nbsp; com&nbsp; causas&nbsp; multifatoriais&nbsp; que&nbsp; envolvem&nbsp; fatores&nbsp; genéticos&nbsp; e&nbsp; ambientais.&nbsp; Para&nbsp; Bosa&nbsp; (2002),&nbsp; o&nbsp; transtorno&nbsp; “reflete&nbsp; uma&nbsp; perturbação&nbsp; precoce&nbsp; e&nbsp; grave&nbsp; do&nbsp; desenvolvimento&nbsp; cerebral,&nbsp; comprometendo&nbsp; a&nbsp; forma&nbsp; como&nbsp; a&nbsp; criança&nbsp; compreende&nbsp; e&nbsp; se&nbsp; relaciona&nbsp; com&nbsp; o&nbsp; mundo&nbsp; social” (Bosa, 2002, p. 27).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse&nbsp; contexto,&nbsp; é&nbsp; importante&nbsp; destacar&nbsp; que&nbsp; a&nbsp; prevalência&nbsp; do&nbsp; TEA&nbsp; tem&nbsp; aumentado&nbsp; nas&nbsp; últimas&nbsp; décadas,&nbsp; o&nbsp; que&nbsp; pode&nbsp; estar&nbsp; relacionado&nbsp; tanto&nbsp; à&nbsp; ampliação dos&nbsp; critérios&nbsp; diagnósticos&nbsp; quanto&nbsp; à&nbsp; maior&nbsp; conscientização&nbsp; da&nbsp; população&nbsp; e&nbsp; da&nbsp; comunidade&nbsp; médica.&nbsp; Segundo&nbsp; o&nbsp; Instituto&nbsp; Brasileiro&nbsp; de&nbsp; Geografia&nbsp; e&nbsp; Estatística&nbsp; (IBGE)&nbsp; estima-se&nbsp; que&nbsp; haja&nbsp; cerca&nbsp; de&nbsp; 2&nbsp; milhões&nbsp; de&nbsp; pessoas&nbsp; com&nbsp; o&nbsp; Transtorno&nbsp; do&nbsp; Espectro&nbsp; Autista,&nbsp; o&nbsp; que&nbsp; corresponde&nbsp; a&nbsp; 1%&nbsp; da&nbsp; população.&nbsp; A&nbsp; abordagem&nbsp; educacional&nbsp; e&nbsp; terapêutica&nbsp; do&nbsp; TEA&nbsp; deve&nbsp; ser&nbsp; individualizada,&nbsp; considerando&nbsp; as&nbsp; particularidades&nbsp; de&nbsp; cada&nbsp; pessoa.&nbsp; Para&nbsp; Schwartzman&nbsp; (2011)&nbsp; “a&nbsp; intervenção&nbsp; precoce&nbsp; e&nbsp; intensiva&nbsp; com&nbsp; enfoque&nbsp; no&nbsp; desenvolvimento&nbsp; das&nbsp; habilidades&nbsp; sociais&nbsp; e&nbsp; comunicativas&nbsp; têm&nbsp; mostrado&nbsp; melhores resultados a longo prazo” (Schwartzman, 2011, p. 85).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2. </strong><strong>Conceito sobre a fase adulta&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp; fase&nbsp; adulta&nbsp; é&nbsp; a&nbsp; transição&nbsp; entre&nbsp; adolescente&nbsp; e&nbsp; velhice,&nbsp; ela&nbsp; começa&nbsp; legalmente&nbsp; ao&nbsp; completar&nbsp; os&nbsp; 18&nbsp; anos&nbsp; e&nbsp; no&nbsp; ponto&nbsp; de&nbsp; vista&nbsp; biológico&nbsp; é&nbsp; quando&nbsp; tem&nbsp; o&nbsp; pleno desenvolvimento físico e psicológico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp; período&nbsp; delineado&nbsp; em&nbsp; nossa&nbsp; sociedade&nbsp; como&nbsp; adultez&nbsp; é&nbsp; diversificado&nbsp; e&nbsp; longo.&nbsp; Normalmente,&nbsp; se&nbsp; enquadram&nbsp; no&nbsp; grupo&nbsp; de&nbsp; adultos&nbsp; pessoas&nbsp; de&nbsp; 18&nbsp; à&nbsp; 65&nbsp; anos,&nbsp; por&nbsp; ser&nbsp; um&nbsp; período&nbsp; longo&nbsp; da&nbsp; vida,&nbsp; é&nbsp; comum&nbsp; subdividir&nbsp; a&nbsp; adultez&nbsp; em:&nbsp; vida&nbsp; adulta&nbsp; inicial, vida adulta intermediária e vida adulta tardia (Papalia e Feldman, 2013).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp; adulto&nbsp; jovem&nbsp; (vida&nbsp; adulta&nbsp; inicial)&nbsp; está&nbsp; na&nbsp; faixa&nbsp; etária&nbsp; dos&nbsp; 20&nbsp; aos&nbsp; 40&nbsp; anos&nbsp; de&nbsp; idade,&nbsp; a&nbsp; fase&nbsp; da&nbsp; meia&nbsp; idade&nbsp; (vida&nbsp; adulta&nbsp; intermediária)&nbsp; é&nbsp; dos&nbsp; 40&nbsp; aos&nbsp; 65&nbsp; anos&nbsp; de&nbsp; idade e a vida adulta tardia é a partir dos 65 anos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E&nbsp; além&nbsp; das&nbsp; fases,&nbsp; tem&nbsp; os&nbsp; três&nbsp; critérios&nbsp; que&nbsp; definem&nbsp; a&nbsp; idade&nbsp; adulta:&nbsp; (1)&nbsp; aceitar&nbsp; a&nbsp; responsabilidade&nbsp; por&nbsp; si&nbsp; mesma,&nbsp; (2)&nbsp; tomar&nbsp; decisões&nbsp; independentes&nbsp; e&nbsp; (3)&nbsp; tornar-se&nbsp; financeiramente independente (Arnett, 2006).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3. </strong><strong>Barreiras e impactos no autoconhecimento e na identidade&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp; identificação&nbsp; clínica&nbsp; do&nbsp; TEA&nbsp; na&nbsp; fase&nbsp; adulta,&nbsp; muitas&nbsp; vezes,&nbsp; ocorre&nbsp; de&nbsp; forma&nbsp; tardia&nbsp; devido&nbsp; a&nbsp; uma&nbsp; combinação&nbsp; de&nbsp; fatores.&nbsp; Entre&nbsp; eles,&nbsp; destacam-se&nbsp; as&nbsp; dificuldades&nbsp; no&nbsp; acesso&nbsp; ao&nbsp; sistema&nbsp; de&nbsp; saúde,&nbsp; a&nbsp; limitação&nbsp; de&nbsp; atendimento&nbsp; por&nbsp; profissionais&nbsp; capacitados&nbsp; para&nbsp; reconhecer&nbsp; o&nbsp; transtorno,&nbsp; as&nbsp; barreiras&nbsp; financeiras&nbsp; que&nbsp; dificultam&nbsp; a&nbsp; busca&nbsp; por&nbsp; avaliação&nbsp; especializada&nbsp; e,&nbsp; sobretudo,&nbsp; a&nbsp; falta&nbsp; de&nbsp; informação&nbsp; adequada.&nbsp; Essa&nbsp; ausência&nbsp; de&nbsp; conhecimento&nbsp; impede&nbsp; que&nbsp; muitas&nbsp; pessoas&nbsp; reconheçam&nbsp; em&nbsp; si&nbsp; mesmas&nbsp; ou&nbsp; em&nbsp; outros&nbsp; os&nbsp; sinais&nbsp; característicos,&nbsp; o&nbsp; que&nbsp; contribui&nbsp; para&nbsp; o&nbsp; atraso&nbsp; no diagnóstico&nbsp; e,&nbsp; consequentemente,&nbsp; na&nbsp; obtenção&nbsp; de intervenções&nbsp; adequadas.&nbsp; Segundo&nbsp; Santos&nbsp; (2021,&nbsp; p.&nbsp; 45),&nbsp; a&nbsp; ausência&nbsp; de&nbsp; profissionais&nbsp; especializados&nbsp; para&nbsp; diagnosticar&nbsp; o&nbsp; TEA&nbsp; tardio&nbsp; constitui&nbsp; uma&nbsp; barreira&nbsp; importante&nbsp; que&nbsp; dificulta&nbsp; o&nbsp; reconhecimento&nbsp; precoce&nbsp; do&nbsp; transtorno,&nbsp; atrasando&nbsp; o&nbsp; encaminhamento&nbsp; para&nbsp; intervenções apropriadas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp; processo&nbsp; de&nbsp; autoconhecimento&nbsp; e&nbsp; a&nbsp; construção&nbsp; da&nbsp; identidade&nbsp; são&nbsp; contínuos&nbsp; ao&nbsp; longo&nbsp; da&nbsp; vida&nbsp; e&nbsp; influenciam&nbsp; diretamente&nbsp; a&nbsp; forma&nbsp; como&nbsp; o&nbsp; indivíduo&nbsp; percebe&nbsp; a&nbsp; si&nbsp; mesmo&nbsp; e&nbsp; se&nbsp; posiciona&nbsp; no&nbsp; mundo.&nbsp; De&nbsp; acordo&nbsp; com&nbsp; a&nbsp; Organização&nbsp; Mundial&nbsp; da&nbsp; Saúde&nbsp; (OMS),&nbsp; o&nbsp; autoconhecimento&nbsp; é&nbsp; definido&nbsp; como&nbsp; a&nbsp; “habilidade&nbsp; de&nbsp; reconhecer&nbsp; a&nbsp; si&nbsp; próprio,&nbsp; incluindo&nbsp; seu caráter, &nbsp; pontos fortes&nbsp; e&nbsp; limitações,&nbsp; desejos&nbsp; e&nbsp; desapontamentos” &nbsp; (WHO,&nbsp; 1997,&nbsp; p.&nbsp; 2).&nbsp; Essa&nbsp; construção&nbsp; pode&nbsp; ser&nbsp; significativamente&nbsp; impactada na &nbsp; vida&nbsp; da pessoa&nbsp; com&nbsp; autismo, &nbsp; tanto por&nbsp; aspectos&nbsp; internos &nbsp; quanto&nbsp; externos.&nbsp; O&nbsp; diagnóstico&nbsp; tardio, ao &nbsp; mesmo&nbsp; tempo&nbsp; que&nbsp; pode&nbsp; gerar&nbsp; alívio&nbsp; e&nbsp; sentido&nbsp; para&nbsp; experiências passadas,&nbsp; também&nbsp; exige&nbsp; uma&nbsp; reelaboração&nbsp; da&nbsp; identidade &nbsp; e&nbsp; das&nbsp; narrativas pessoais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo &nbsp; Erikson&nbsp; (1976), a&nbsp; identidade&nbsp; é&nbsp; formada&nbsp; por &nbsp; meio de &nbsp; uma&nbsp; integração&nbsp; das&nbsp; vivências e &nbsp; do&nbsp; reconhecimento&nbsp; de&nbsp; si&nbsp; frente&nbsp; ao&nbsp; contexto&nbsp; social.&nbsp; O diagnóstico&nbsp; na&nbsp; fase &nbsp; adulta pode&nbsp; desestabilizar&nbsp; a &nbsp; imagem&nbsp; previamente&nbsp; construída,&nbsp; ao&nbsp; mesmo&nbsp; tempo&nbsp; em que &nbsp; oferece&nbsp; novas&nbsp; ferramentas&nbsp; para&nbsp; compreender&nbsp; comportamentos,&nbsp; dificuldades&nbsp; e&nbsp; traços&nbsp; pessoais.&nbsp; Como&nbsp; aponta Grandin &nbsp; e Panek &nbsp; (2014),&nbsp; ao conhecer &nbsp; suas particularidades,&nbsp; muitos &nbsp; adultos autistas &nbsp; relatam&nbsp; sentimentos&nbsp; de validação &nbsp; e&nbsp; auto&nbsp; aceitação, o que contribui para uma identidade mais autêntica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, &nbsp; essa&nbsp; reconfiguração&nbsp; identitária&nbsp; também&nbsp; é mediada&nbsp; pelas&nbsp; experiências&nbsp; sociais&nbsp; e&nbsp; pelos&nbsp; estigmas&nbsp; associados &nbsp; à&nbsp; condição&nbsp; do espectro. &nbsp; Conforme Goffman&nbsp; (1988) , a&nbsp; identidade&nbsp; social&nbsp; é &nbsp; construída&nbsp; a&nbsp; partir&nbsp; da&nbsp; interação&nbsp; entre&nbsp; os&nbsp; atributos&nbsp; percebidos&nbsp; e os &nbsp; rótulos&nbsp; impostos&nbsp; pelo&nbsp; meio.&nbsp; Assim,&nbsp; o autoconhecimento,&nbsp; embora&nbsp; fundamental&nbsp; para&nbsp; o&nbsp; bem-estar&nbsp; psíquico, &nbsp; pode&nbsp; ser&nbsp; dificultado&nbsp; por&nbsp; experiências de &nbsp; exclusão,&nbsp; invalidação&nbsp; ou&nbsp; falta&nbsp; de&nbsp; compreensão,&nbsp; tanto&nbsp; no&nbsp; ambiente&nbsp; familiar quanto profissional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp; compreensão&nbsp; da&nbsp; avaliação clínica &nbsp; como&nbsp; parte constitutiva&nbsp; da&nbsp; identidade&nbsp; e&nbsp; não &nbsp; como um &nbsp; fator&nbsp; limitante&nbsp; pode&nbsp; favorecer&nbsp; o&nbsp; fortalecimento&nbsp; da autoestima,&nbsp; da&nbsp; autonomia&nbsp; e&nbsp; da&nbsp; capacidade&nbsp; de&nbsp; estabelecer &nbsp; relações&nbsp; mais saudáveis &nbsp; e&nbsp; alinhadas&nbsp; aos próprios&nbsp; limites&nbsp; e&nbsp; potenciais.&nbsp; Nesse&nbsp; sentido,&nbsp; o &nbsp; processo&nbsp; de&nbsp; aceitação está&nbsp; diretamente&nbsp; ligado&nbsp; à&nbsp; construção&nbsp; de&nbsp; um&nbsp; novo&nbsp; significado&nbsp; sobre&nbsp; si&nbsp; mesmo.&nbsp; Como&nbsp; ressaltam&nbsp; Milton&nbsp; e&nbsp; Bracher&nbsp; (2013),&nbsp; ao&nbsp; abordarem&nbsp; o&nbsp; conceito&nbsp; de&nbsp; &#8220;condição&nbsp; do&nbsp; espectro&nbsp; autista&nbsp; crítico&#8221;,&nbsp; que&nbsp; valoriza&nbsp; as&nbsp; narrativas&nbsp; dos&nbsp; próprios&nbsp; sujeitos&nbsp; neurodivergentes como centrais na definição de sua individualidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.4</strong><strong>. </strong><strong>Sentimentos comuns após o diagnóstico&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos&nbsp; últimos&nbsp; anos,&nbsp; observou-se&nbsp; o&nbsp; crescente&nbsp; número&nbsp; de&nbsp; diagnósticos&nbsp; de&nbsp; TEA&nbsp; na&nbsp; fase&nbsp; adulta,&nbsp; especialmente&nbsp; aqueles&nbsp; que&nbsp; apresentam&nbsp; características&nbsp; mais&nbsp; sutis&nbsp; ou&nbsp; que&nbsp; desenvolveram&nbsp; estratégias&nbsp; de&nbsp; camuflagem&nbsp; ao&nbsp; longo&nbsp; da&nbsp; vida.&nbsp; Esses&nbsp; indivíduos&nbsp; frequentemente&nbsp; passaram&nbsp; por&nbsp; experiências&nbsp; de&nbsp; exclusão,&nbsp; incompreensão&nbsp; e&nbsp; dificuldades&nbsp; de&nbsp; adaptação&nbsp; social,&nbsp; sem&nbsp; saber&nbsp; a&nbsp; real&nbsp; causa&nbsp; de&nbsp; tais&nbsp; desafios&nbsp; (Lima&nbsp; &amp;&nbsp; Filho, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De&nbsp; acordo&nbsp; com&nbsp; Barbosa&nbsp; (2023),&nbsp; o&nbsp; diagnóstico&nbsp; é&nbsp; frequentemente&nbsp; acompanhado&nbsp; de&nbsp; um&nbsp; alívio&nbsp; ao&nbsp; compreender&nbsp; aspectos&nbsp; da&nbsp; própria&nbsp; identidade,&nbsp; mas&nbsp; também&nbsp; pode&nbsp; vir&nbsp; carregado&nbsp; de&nbsp; sofrimento&nbsp; acumulado&nbsp; ao&nbsp; longo&nbsp; dos&nbsp; anos.&nbsp; Isso&nbsp; pode&nbsp; ocorrer&nbsp; por&nbsp; conta&nbsp; da&nbsp; ausência&nbsp; de&nbsp; um&nbsp; olhar&nbsp; clínico&nbsp; adequado&nbsp; desde&nbsp; a&nbsp; infância&nbsp; que&nbsp; pode&nbsp; levar&nbsp; o&nbsp; indivíduo&nbsp; a&nbsp; receber&nbsp; o&nbsp; diagnóstico&nbsp; equivocado&nbsp; ou&nbsp; ser&nbsp; rotulado&nbsp; socialmente&nbsp; de&nbsp; maneira&nbsp; negativa,&nbsp; contribuindo&nbsp; para&nbsp; quadros&nbsp; de&nbsp; ansiedade,&nbsp; depressão e isolamento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp; diagnóstico&nbsp; em&nbsp; adultos,&nbsp; embora&nbsp; tardiamente&nbsp; revelador,&nbsp; pode&nbsp; representar&nbsp; um&nbsp; misto&nbsp; de&nbsp; sentimentos.&nbsp; Ele&nbsp; proporciona&nbsp; um&nbsp; novo&nbsp; olhar&nbsp; sobre&nbsp; a&nbsp; trajetória&nbsp; pessoal,&nbsp; trazendo&nbsp; alívio&nbsp; ao&nbsp; permitir&nbsp; a&nbsp; compreensão&nbsp; de&nbsp; vivências&nbsp; anteriores,&nbsp; comportamentos&nbsp; e&nbsp; padrões&nbsp; de&nbsp; pensamentos.&nbsp; No&nbsp; entanto,&nbsp; o&nbsp; processo&nbsp; de&nbsp; aceitação&nbsp; pode&nbsp; ser&nbsp; desafiador,&nbsp; envolto&nbsp; em&nbsp; sentimentos&nbsp; de&nbsp; negação,&nbsp; alívio,&nbsp; confusão&nbsp; ou&nbsp; até&nbsp; mesmo&nbsp; luto&nbsp; por uma identidade construída sem esse conhecimento (Mendes, 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp; descoberta&nbsp; do&nbsp; TEA&nbsp; na&nbsp; fase&nbsp; adulta&nbsp; pode&nbsp; despertar&nbsp; uma&nbsp; gama&nbsp; de&nbsp; emoções,&nbsp; como:&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Alívio:&nbsp; representa&nbsp; um&nbsp; momento&nbsp; de&nbsp; alívio&nbsp; e&nbsp; validação,&nbsp; pois&nbsp; possibilita&nbsp; compreender&nbsp; dificuldades&nbsp; anteriores,&nbsp; reduzir&nbsp; a&nbsp; autocrítica&nbsp; e&nbsp; favorecer&nbsp; maior&nbsp; aceitação de si mesmos (Hickey, Crabtree, &amp; Stott, 2018).&nbsp;</li>



<li>Confusão:&nbsp; a&nbsp; necessidade&nbsp; de&nbsp; reavaliar&nbsp; experiências&nbsp; passadas&nbsp; sob&nbsp; uma&nbsp; nova&nbsp; perspectiva&nbsp; pode&nbsp; ser&nbsp; desafiadora,&nbsp; gerando&nbsp; sentimentos&nbsp; de&nbsp; confusão&nbsp; em&nbsp; adultos&nbsp; diagnosticados&nbsp; tardiamente&nbsp; com&nbsp; TEA&nbsp; (Hickey,&nbsp; Crabtree,&nbsp; &amp;&nbsp; Stott, 2018) .&nbsp;</li>



<li>Aceitação&nbsp; gradual:&nbsp; o&nbsp; processo&nbsp; de&nbsp; aceitação&nbsp; pode&nbsp; variar,&nbsp; sendo&nbsp; influenciado&nbsp; por&nbsp; fatores&nbsp; como&nbsp; suporte&nbsp; social,&nbsp; acesso&nbsp; a&nbsp; informações&nbsp; e&nbsp; histórico&nbsp; de&nbsp; vida ( Gaiato, 2018).&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp; diagnóstico&nbsp; é&nbsp; visto,&nbsp; por&nbsp; muitos,&nbsp; como&nbsp; uma&nbsp; oportunidade&nbsp; de&nbsp; se&nbsp; conhecer&nbsp; melhor,&nbsp; promover&nbsp; a&nbsp; autoaceitação&nbsp; e&nbsp; resgatar&nbsp; a&nbsp; própria&nbsp; história&nbsp; sob&nbsp; uma&nbsp; nova&nbsp; perspectiva.&nbsp; Conforme&nbsp; Goleman&nbsp; (1995),&nbsp; “o&nbsp; autoconhecimento&nbsp; emocional&nbsp; é&nbsp; a&nbsp; capacidade&nbsp; de&nbsp; reconhecer&nbsp; e&nbsp; compreender&nbsp; suas&nbsp; próprias&nbsp; emoções.”&nbsp; Nesse&nbsp; sentido,&nbsp; a&nbsp; compreensão&nbsp; desses&nbsp; sentimentos&nbsp; é&nbsp; essencial&nbsp; para&nbsp; que&nbsp; profissionais&nbsp; da&nbsp; área&nbsp; e&nbsp; familiares possam oferecer suporte adequado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.5</strong><strong>. </strong><strong>Benefícios do diagnóstico tardio&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De&nbsp; acordo&nbsp; com&nbsp; o&nbsp; estudo&nbsp; de&nbsp; Lewis,&nbsp; citado&nbsp; por&nbsp; Del&nbsp; Porto&nbsp; (2022),&nbsp; muitos&nbsp; adultos&nbsp; que&nbsp; recebem&nbsp; um&nbsp; diagnóstico&nbsp; tardio&nbsp; de&nbsp; TEA&nbsp; relatam&nbsp; benefícios&nbsp; significativos&nbsp; associados&nbsp; a&nbsp; essa&nbsp; descoberta.&nbsp; Nesse&nbsp; contexto,&nbsp; o&nbsp; autodiagnóstico,&nbsp; ainda&nbsp; que&nbsp; informal,&nbsp; costuma&nbsp; anteceder&nbsp; o&nbsp; diagnóstico&nbsp; profissional,&nbsp; funcionando&nbsp; como&nbsp; uma&nbsp; etapa preliminar de autocompreensão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo&nbsp; Lewis&nbsp; (2017),&nbsp; para&nbsp; muitas&nbsp; pessoas,&nbsp; especialmente&nbsp; adultos&nbsp; sem&nbsp; acesso&nbsp; ao&nbsp; diagnóstico&nbsp; formal,&nbsp; o&nbsp; autodiagnóstico&nbsp; representa&nbsp; uma&nbsp; forma&nbsp; legítima&nbsp; de&nbsp; autocompreensão&nbsp; e&nbsp; construção&nbsp; identitária,&nbsp; permitindo&nbsp; que&nbsp; se&nbsp; reconheçam&nbsp; dentro&nbsp; do&nbsp; espectro&nbsp; e&nbsp; se&nbsp; conectem&nbsp; a&nbsp; uma&nbsp; comunidade&nbsp; que&nbsp; compartilha&nbsp; experiências&nbsp; semelhantes.&nbsp; Dessa&nbsp; forma,&nbsp; mesmo&nbsp; que&nbsp; nem&nbsp; todos&nbsp; recebam&nbsp; posteriormente&nbsp; o&nbsp; diagnóstico&nbsp; formal&nbsp; de&nbsp; TEA,&nbsp; esse&nbsp; processo&nbsp; pode&nbsp; revelar&nbsp; sintomas&nbsp; subliminares&nbsp; ou&nbsp; outras condições relevantes que também merecem atenção clínica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As&nbsp; dificuldades&nbsp; na&nbsp; comunicação&nbsp; variam&nbsp; amplamente&nbsp; entre&nbsp; os&nbsp; indivíduos&nbsp; autistas.&nbsp; Além&nbsp; disso,&nbsp; fatores&nbsp; como&nbsp; o&nbsp; potencial&nbsp; cognitivo,&nbsp; histórico&nbsp; de&nbsp; vida&nbsp; e&nbsp; presença&nbsp; de&nbsp; comorbidades&nbsp; influenciam&nbsp; significativamente&nbsp; o&nbsp; desenvolvimento&nbsp; da&nbsp; pessoa&nbsp; no&nbsp; espectro,&nbsp; tornando&nbsp; essencial&nbsp; uma&nbsp; abordagem&nbsp; individualizada&nbsp; para&nbsp; a&nbsp; compreensão&nbsp; de suas capacidades e desafios&#8221; (DEL MONDE; NOGUEIRA, 2023, p 16).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.6</strong><strong>. </strong><strong>Estratégias para lidar com o diagnóstico tardio&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando&nbsp; se&nbsp; trata&nbsp; de&nbsp; condição&nbsp; do&nbsp; espectro&nbsp; na&nbsp; vida&nbsp; adulta,&nbsp; o&nbsp; tratamento&nbsp; é&nbsp; feito&nbsp; com&nbsp; o&nbsp; apoio&nbsp; de&nbsp; uma&nbsp; equipe&nbsp; multidisciplinar,&nbsp; formada&nbsp; por&nbsp; profissionais&nbsp; como&nbsp; médicos,&nbsp; terapeutas&nbsp; ocupacionais,&nbsp; fonoaudiólogos,&nbsp; pedagogos,&nbsp; assistentes&nbsp; sociais&nbsp; e,&nbsp; claro,&nbsp; a&nbsp; participação&nbsp; ativa&nbsp; da&nbsp; família,&nbsp; que&nbsp; é&nbsp; essencial&nbsp; nesse&nbsp; processo&nbsp; de&nbsp; apoio&nbsp; e&nbsp; evolução.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diferente&nbsp; da&nbsp; infância,&nbsp; em&nbsp; que&nbsp; o&nbsp; foco&nbsp; está&nbsp; no&nbsp; desenvolvimento&nbsp; de&nbsp; habilidades&nbsp; básicas,&nbsp; na&nbsp; fase&nbsp; adulta&nbsp; a&nbsp; terapia&nbsp; passa&nbsp; a&nbsp; ter&nbsp; como&nbsp; principal&nbsp; objetivo&nbsp; a&nbsp; promoção&nbsp; da&nbsp; autonomia,&nbsp; sempre&nbsp; respeitando&nbsp; os&nbsp; limites&nbsp; de&nbsp; cada&nbsp; indivíduo.&nbsp; Esse&nbsp; processo&nbsp; é&nbsp; fundamental&nbsp; para&nbsp; que&nbsp; a&nbsp; pessoa&nbsp; consiga&nbsp; se&nbsp; integrar&nbsp; de&nbsp; forma&nbsp; mais&nbsp; eficaz&nbsp; à&nbsp; sociedade&nbsp; e&nbsp; aumente&nbsp; suas&nbsp; chances&nbsp; de&nbsp; inserção&nbsp; no&nbsp; mercado&nbsp; de&nbsp; trabalho.&nbsp; (Autismo&nbsp; e&nbsp; Realidade, 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Realizar&nbsp; o&nbsp; diagnóstico&nbsp; tardio&nbsp; do&nbsp; TEA&nbsp; pode&nbsp; trazer&nbsp; diversos&nbsp; benefícios&nbsp; para&nbsp; a&nbsp; pessoa&nbsp; autista,&nbsp; pois,&nbsp; além&nbsp; de&nbsp; possibilitar&nbsp; o&nbsp; acesso&nbsp; a&nbsp; direitos&nbsp; garantidos&nbsp; por&nbsp; lei,&nbsp; como&nbsp; atendimento&nbsp; prioritário,&nbsp; inclusão&nbsp; educacional,&nbsp; transporte&nbsp; adaptado&nbsp; e&nbsp; isenções&nbsp; fiscais,&nbsp; também&nbsp; contribui&nbsp; diretamente&nbsp; para&nbsp; a&nbsp; melhoria&nbsp; do&nbsp; bem-estar.&nbsp; No&nbsp; entanto,&nbsp; é&nbsp; importante&nbsp; destacar&nbsp; que&nbsp; esse&nbsp; processo&nbsp; ainda&nbsp; enfrenta&nbsp; desafios&nbsp; significativos,&nbsp; especialmente nos casos mais complexos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp; identificação&nbsp; clínica&nbsp; em&nbsp; adultos&nbsp; costuma&nbsp; envolver&nbsp; uma&nbsp; etapa&nbsp; inicial&nbsp; de&nbsp; triagem,&nbsp; seguida&nbsp; da&nbsp; aplicação&nbsp; de&nbsp; instrumentos&nbsp; específicos&nbsp; que&nbsp; avaliam&nbsp; as&nbsp; características&nbsp; descritas&nbsp; nos&nbsp; manuais&nbsp; de&nbsp; classificação&nbsp; e&nbsp; diagnóstico.&nbsp; Apesar&nbsp; das&nbsp; dificuldades,&nbsp; essa&nbsp; identificação&nbsp; tardia&nbsp; pode&nbsp; representar&nbsp; um&nbsp; ponto&nbsp; de&nbsp; virada&nbsp; na&nbsp; trajetória&nbsp; da&nbsp; pessoa,&nbsp; permitindo&nbsp; maior&nbsp; autoconhecimento,&nbsp; acolhimento&nbsp; e&nbsp; acesso&nbsp; ao&nbsp; suporte adequado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.7. </strong><strong>Inclusão no mercado de trabalho na vida adulta&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">É&nbsp; possível&nbsp; identificar&nbsp; diversas&nbsp; barreiras&nbsp; no&nbsp; processo&nbsp; de&nbsp; inclusão&nbsp; de&nbsp; pessoas&nbsp; com&nbsp; TEA&nbsp; no&nbsp; mercado&nbsp; de&nbsp; trabalho,&nbsp; entre&nbsp; elas&nbsp; a&nbsp; postura&nbsp; inadequada&nbsp; de&nbsp; alguns&nbsp; empregadores,&nbsp; a&nbsp; ausência&nbsp; de&nbsp; suporte&nbsp; no&nbsp; ambiente&nbsp; profissional&nbsp; e&nbsp; a&nbsp; oferta&nbsp; de&nbsp; vagas&nbsp; com&nbsp; baixa&nbsp; qualidade,&nbsp; que&nbsp; muitas&nbsp; vezes&nbsp; não&nbsp; correspondem&nbsp; à&nbsp; qualificação&nbsp; e&nbsp; ao&nbsp; potencial dos indivíduos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em&nbsp; 2007,&nbsp; a&nbsp; Organização&nbsp; das&nbsp; Nações&nbsp; Unidas&nbsp; (ONU)&nbsp; publicou&nbsp; a Convenção&nbsp; sobre&nbsp; os&nbsp; Direitos&nbsp; das&nbsp; Pessoas&nbsp; com&nbsp; Deficiência,&nbsp; a&nbsp; qual&nbsp; reconhece&nbsp; os&nbsp; direitos&nbsp; das&nbsp; pessoas&nbsp; com&nbsp; TEA&nbsp; e&nbsp; contribui&nbsp; para&nbsp; a&nbsp; criação&nbsp; do&nbsp; aperfeiçoamento&nbsp; de&nbsp; políticas&nbsp; voltadas à inclusão desses indivíduos no mercado de trabalho (Leopoldino, 2016).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas&nbsp; leis&nbsp; brasileiras&nbsp; garantem&nbsp; os&nbsp; direitos&nbsp; das&nbsp; pessoas&nbsp; com&nbsp; TEA,&nbsp; como&nbsp; a&nbsp; Lei&nbsp; nº&nbsp; 12.764/2012,&nbsp; que&nbsp; criou&nbsp; a&nbsp; Política&nbsp; Nacional&nbsp; de&nbsp; Proteção&nbsp; dos&nbsp; Direitos&nbsp; da&nbsp; Pessoa&nbsp; com&nbsp; TEA&nbsp; e&nbsp; reconhece&nbsp; esses&nbsp; indivíduos&nbsp; como&nbsp; pessoas&nbsp; com&nbsp; deficiência&nbsp; para&nbsp; todos&nbsp; os&nbsp; efeitos&nbsp; legais.&nbsp; Essa&nbsp; legislação&nbsp; é&nbsp; complementada&nbsp; pela&nbsp; Lei&nbsp; nº&nbsp; 13.146/2015,&nbsp; conhecida&nbsp; como&nbsp; Lei&nbsp; Brasileira&nbsp; de&nbsp; Inclusão&nbsp; ou&nbsp; Estatuto&nbsp; da&nbsp; Pessoa&nbsp; com&nbsp; Deficiência,&nbsp; que&nbsp; tem&nbsp; como&nbsp; objetivo&nbsp; assegurar&nbsp; o&nbsp; exercício&nbsp; pleno&nbsp; e&nbsp; igualitário&nbsp; dos&nbsp; direitos&nbsp; e&nbsp; liberdades&nbsp; fundamentais,&nbsp; promovendo&nbsp; a&nbsp; inclusão&nbsp; social&nbsp; e&nbsp; o&nbsp; fortalecimento&nbsp; da&nbsp; cidadania dessas pessoas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas&nbsp; nem&nbsp; sempre&nbsp; o&nbsp; direito&nbsp; desses&nbsp; indivíduos&nbsp; é&nbsp; respeitado,&nbsp; ainda&nbsp; existem&nbsp; dificuldades&nbsp; relacionadas&nbsp; à&nbsp; compreensão&nbsp; das&nbsp; características&nbsp; do&nbsp; TEA,&nbsp; bem&nbsp; como&nbsp; à&nbsp; identificação&nbsp; e&nbsp; remoção&nbsp; das&nbsp; barreiras&nbsp; presentes&nbsp; no&nbsp; ambiente&nbsp; de&nbsp; trabalho.&nbsp; Além&nbsp; disso,&nbsp; observa-se&nbsp; um&nbsp; desafio&nbsp; na&nbsp; implementação&nbsp; de&nbsp; estratégias&nbsp; adequadas&nbsp; de&nbsp; acompanhamento para adultos com TEA.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para&nbsp; a&nbsp; adaptação&nbsp; profissional&nbsp; é&nbsp; preciso&nbsp; compreender&nbsp; as&nbsp; necessidades&nbsp; específicas&nbsp; e&nbsp; as&nbsp; características&nbsp; individuais&nbsp; de&nbsp; pessoas&nbsp; com&nbsp; TEA&nbsp; é&nbsp; fundamental&nbsp; para&nbsp; evitar&nbsp; julgamentos&nbsp; e&nbsp; atitudes&nbsp; preconceituosas&nbsp; no&nbsp; ambiente&nbsp; corporativo.&nbsp; Além&nbsp; disso,&nbsp; é&nbsp; necessário&nbsp; que&nbsp; as&nbsp; empresas&nbsp; realizem&nbsp; adaptações&nbsp; no&nbsp; espaço&nbsp; de&nbsp; trabalho,&nbsp; favorecendo a inclusão e o bem-estar desses profissionais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De&nbsp; acordo&nbsp; com&nbsp; o&nbsp; Soeker&nbsp; (2020),&nbsp; é&nbsp; fundamental&nbsp; que&nbsp; exista&nbsp; um&nbsp; sistema&nbsp; de&nbsp; apoio&nbsp; sólido&nbsp; no&nbsp; ambiente&nbsp; de&nbsp; trabalho,&nbsp; especialmente&nbsp; voltado&nbsp; para&nbsp; ampliar&nbsp; o&nbsp; conhecimento&nbsp; sobre&nbsp; as&nbsp; características&nbsp; do&nbsp; TEA&nbsp; entre&nbsp; empregadores&nbsp; e&nbsp; colegas.&nbsp; Isso&nbsp; ajuda&nbsp; a&nbsp; reduzir&nbsp; barreiras&nbsp; e&nbsp; promover&nbsp; uma&nbsp; convivência&nbsp; mais&nbsp; respeitosa&nbsp; e&nbsp; inclusiva.&nbsp; Dessa&nbsp; forma,&nbsp; a&nbsp; inclusão&nbsp; desses&nbsp; trabalhadores&nbsp; pode&nbsp; ocorrer&nbsp; por&nbsp; meio&nbsp; de&nbsp; programas&nbsp; de&nbsp; reabilitação&nbsp; profissional&nbsp; bem&nbsp; estruturados,&nbsp; que&nbsp; realmente&nbsp; considerem&nbsp; as&nbsp; necessidades individuais e favoreçam a adaptação no contexto profissional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. </strong><strong>MATERIAL(IS) E MÉTODOS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este&nbsp; trabalho&nbsp; foi&nbsp; desenvolvido&nbsp; a&nbsp; partir&nbsp; de&nbsp; uma&nbsp; revisão&nbsp; bibliográfica,&nbsp; com&nbsp; o&nbsp; objetivo&nbsp; de&nbsp; compreender&nbsp; a&nbsp; aceitação&nbsp; do&nbsp; diagnóstico&nbsp; tardio&nbsp; do&nbsp; TEA&nbsp; em&nbsp; adultos,&nbsp; bem&nbsp; como&nbsp; a&nbsp; importância&nbsp; das&nbsp; intervenções&nbsp; terapêuticas&nbsp; nesse&nbsp; processo.&nbsp; A escolha&nbsp; por&nbsp; esse&nbsp; tipo&nbsp; de&nbsp; metodologia&nbsp; se&nbsp; justifica&nbsp; pela&nbsp; necessidade&nbsp; de&nbsp; reunir,&nbsp; organizar&nbsp; e&nbsp; analisar&nbsp; textos&nbsp; acadêmicos&nbsp; e&nbsp; institucionais&nbsp; que&nbsp; tratam&nbsp; do&nbsp; diagnóstico&nbsp; tardio&nbsp; de&nbsp; autistas,&nbsp; considerando seus desdobramentos clínicos, psicológicos e sociais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp; busca&nbsp; pelos&nbsp; materiais&nbsp; foi&nbsp; realizada&nbsp; nas&nbsp; bases&nbsp; de&nbsp; dados&nbsp; SciELO,&nbsp; PubMed&nbsp;e&nbsp; PePSIC,&nbsp; além&nbsp; de&nbsp; sites&nbsp; institucionais&nbsp; e&nbsp; organizações&nbsp; voltadas&nbsp; à&nbsp; inclusão&nbsp; e&nbsp; ao&nbsp; autismo,&nbsp; como&nbsp; Autismo&nbsp; e&nbsp; Realidade&nbsp; e&nbsp; o&nbsp; Instituto&nbsp; Inclusão&nbsp; Brasil.&nbsp; Também&nbsp; foram&nbsp; incluídos&nbsp; artigos&nbsp; de&nbsp; revistas&nbsp; acadêmicas&nbsp; e&nbsp; dissertações&nbsp; de&nbsp; profissionais&nbsp; e&nbsp; estudantes da área da saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram&nbsp; utilizadas&nbsp; palavras-chave&nbsp; como&nbsp; adaptação&nbsp; social;&nbsp; diagnóstico&nbsp; do&nbsp; espectro&nbsp; autista&nbsp; em&nbsp; adultos;&nbsp; qualidade&nbsp; de&nbsp; vida;&nbsp; saúde&nbsp; mental;&nbsp; transtorno&nbsp; do&nbsp; espectro&nbsp; autista.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os&nbsp; critérios&nbsp; de&nbsp; inclusão&nbsp; abrangeram&nbsp; textos&nbsp; publicados&nbsp; entre&nbsp; os&nbsp; anos&nbsp; de&nbsp; 1976&nbsp; e&nbsp; 2024,&nbsp; redigidos&nbsp; em&nbsp; português&nbsp; ou&nbsp; inglês,&nbsp; que&nbsp; tratassem&nbsp; de&nbsp; forma&nbsp; direta&nbsp; da&nbsp; experiência&nbsp; do&nbsp; diagnóstico&nbsp; do&nbsp; TEA&nbsp; na&nbsp; vida&nbsp; adulta&nbsp; ou&nbsp; de&nbsp; suas&nbsp; implicações&nbsp; terapêuticas&nbsp; e&nbsp; sociais.&nbsp; Foram&nbsp; excluídos&nbsp; materiais&nbsp; que&nbsp; abordassem&nbsp; o&nbsp; TEA&nbsp; exclusivamente&nbsp; na&nbsp; infância&nbsp; ou&nbsp; que&nbsp; não&nbsp; apresentassem&nbsp; fundamentação&nbsp; teórica&nbsp; relevante para o tema.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após&nbsp; a&nbsp; seleção,&nbsp; os&nbsp; materiais&nbsp; foram&nbsp; organizados&nbsp; por&nbsp; eixos&nbsp; temáticos,&nbsp; de&nbsp;modo a possibilitar uma análise integrada e coerente com os objetivos da pesquisa.&nbsp; Esses&nbsp; eixos&nbsp; contemplaram&nbsp; aspectos&nbsp; como&nbsp; saúde&nbsp; mental,&nbsp; autoconhecimento,&nbsp; identidade&nbsp; e&nbsp; inclusão&nbsp; social,&nbsp; permitindo&nbsp; compreender&nbsp; de&nbsp; maneira&nbsp; integrada&nbsp; os&nbsp; diferentes impactos do diagnóstico tardio do TEA em adultos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro&nbsp; de&nbsp; cada&nbsp; eixo,&nbsp; buscou-se&nbsp; comparar&nbsp; as&nbsp; abordagens&nbsp; dos&nbsp; diferentes&nbsp; autores,&nbsp; identificar&nbsp; pontos&nbsp; de&nbsp; convergência&nbsp; e&nbsp; divergência&nbsp; e&nbsp; compreender&nbsp; como&nbsp; cada&nbsp; estudo&nbsp; contribui&nbsp; para&nbsp; o&nbsp; entendimento&nbsp; do&nbsp; processo&nbsp; de&nbsp; aceitação&nbsp; do&nbsp; diagnóstico&nbsp; em&nbsp; adultos&nbsp; com&nbsp; TEA.&nbsp; Essa&nbsp; organização&nbsp; permitiu&nbsp; uma&nbsp; leitura&nbsp; crítica&nbsp; das&nbsp; produções&nbsp; existentes, possibilitando uma visão ampla e articulada sobre o tema.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. </strong><strong>DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;A&nbsp; revisão&nbsp; bibliográfica&nbsp; realizada&nbsp; evidencia&nbsp; que&nbsp; a&nbsp; aceitação&nbsp; do&nbsp; diagnóstico&nbsp; de&nbsp;Transtorno&nbsp; do&nbsp; Espectro&nbsp; Autista&nbsp; (TEA)&nbsp; na&nbsp; fase&nbsp; adulta&nbsp; é&nbsp; um&nbsp; processo&nbsp; complexo,&nbsp; marcado&nbsp; por&nbsp; sentimentos&nbsp; ambíguos&nbsp; que&nbsp; variam&nbsp; entre&nbsp; o&nbsp; alívio&nbsp; e&nbsp; o&nbsp; luto. Os&nbsp; estudos&nbsp; analisados&nbsp; indicam&nbsp; que,&nbsp; embora&nbsp; o&nbsp; diagnóstico&nbsp; tardio&nbsp; possa&nbsp; inicialmente&nbsp; causar&nbsp; desconforto&nbsp; e&nbsp; questionamentos&nbsp; sobre&nbsp; a&nbsp; própria&nbsp; identidade,&nbsp; ele&nbsp; também&nbsp; representa&nbsp; uma&nbsp; oportunidade&nbsp; significativa&nbsp; de&nbsp; autoconhecimento&nbsp; e&nbsp; reinterpretação&nbsp; da&nbsp; trajetória&nbsp; pessoal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Autores&nbsp; como&nbsp; Gaiato&nbsp; (2018),&nbsp; Mendes&nbsp; (2018)&nbsp; e&nbsp; Lewis&nbsp; (2017)&nbsp; destacam&nbsp; que&nbsp; o&nbsp; reconhecimento&nbsp; do&nbsp; autismo&nbsp; na&nbsp; vida&nbsp; adulta&nbsp; permite&nbsp; que&nbsp; muitos&nbsp; indivíduos&nbsp; compreendam&nbsp; suas&nbsp; dificuldades&nbsp; passadas,&nbsp; reduzam&nbsp; a&nbsp; autocrítica&nbsp; e&nbsp; passem&nbsp; a&nbsp; desenvolver&nbsp; uma&nbsp; autoimagem&nbsp; mais&nbsp; positiva.&nbsp; O&nbsp; diagnóstico,&nbsp; nesse&nbsp; sentido,&nbsp; funciona&nbsp; como&nbsp; uma&nbsp; ferramenta&nbsp; de&nbsp; validação&nbsp; subjetiva,&nbsp; auxiliando&nbsp; na&nbsp; reconstrução&nbsp; da&nbsp; autoestima e no fortalecimento da identidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto,&nbsp; o&nbsp; processo&nbsp; de&nbsp; aceitação&nbsp; está&nbsp; intimamente&nbsp; relacionado&nbsp; ao&nbsp; suporte&nbsp; recebido&nbsp; após&nbsp; a&nbsp; descoberta.&nbsp; Estudos&nbsp; mostram&nbsp; que&nbsp; a&nbsp; falta&nbsp; de&nbsp; acolhimento&nbsp; familiar,&nbsp; de&nbsp; acompanhamento&nbsp; psicológico&nbsp; e&nbsp; de&nbsp; políticas&nbsp; públicas&nbsp; inclusivas&nbsp; pode&nbsp; dificultar&nbsp; a&nbsp; adaptação&nbsp; e&nbsp; intensificar&nbsp; sentimentos&nbsp; de&nbsp; isolamento&nbsp; e&nbsp; inadequação&nbsp; (Barbosa,&nbsp; 2023;&nbsp; Milton&nbsp; &amp;&nbsp; Bracher,&nbsp; 2013).&nbsp; A&nbsp; rede&nbsp; de&nbsp; apoio&nbsp; social&nbsp; e&nbsp; o&nbsp; acesso&nbsp; à&nbsp; informação&nbsp; são,&nbsp; portanto, elementos centrais para uma aceitação mais saudável.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. </strong><strong>CONCLUSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp;presente&nbsp; estudo&nbsp; permitiu&nbsp; compreender&nbsp; que&nbsp; a&nbsp; aceitação&nbsp; do&nbsp; diagnóstico&nbsp; de&nbsp; Transtorno&nbsp; do&nbsp; Espectro&nbsp; Autista &nbsp;( &nbsp;TEA)&nbsp; na&nbsp; fase&nbsp; adulta&nbsp; é&nbsp; um&nbsp; processo&nbsp; multifacetado&nbsp; que&nbsp; envolve&nbsp; dimensões&nbsp; emocionais,&nbsp; sociais&nbsp; e&nbsp; identitárias.&nbsp; A&nbsp; descoberta&nbsp; tardia&nbsp; pode&nbsp; ser&nbsp; desafiadora,&nbsp; mas&nbsp; também&nbsp; representa&nbsp; uma&nbsp; oportunidade&nbsp; de&nbsp; autodescoberta&nbsp; e&nbsp; de&nbsp; reconstrução da narrativa pessoal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Constatou-se&nbsp; que&nbsp; estratégias&nbsp; de&nbsp; suporte&nbsp; multidisciplinar&nbsp; e&nbsp; familiar&nbsp; demonstram&nbsp; ser&nbsp; essenciais&nbsp; para&nbsp; favorecer&nbsp; a&nbsp; autonomia,&nbsp; a&nbsp; integração&nbsp; social&nbsp; e&nbsp; o&nbsp; bem-estar&nbsp; psicológico&nbsp; do&nbsp; adulto&nbsp; com&nbsp; TEA,&nbsp; sendo&nbsp; fatores&nbsp; determinantes&nbsp; para&nbsp; uma&nbsp; adaptação mais saudável. (Autismo e Realidade, 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além&nbsp; disso,&nbsp; é&nbsp; imprescindível&nbsp; que&nbsp; a&nbsp; sociedade&nbsp; e&nbsp; as&nbsp; instituições&nbsp; promovam&nbsp; maior&nbsp; conscientização&nbsp; sobre&nbsp; o&nbsp; autismo&nbsp; em&nbsp; adultos,&nbsp; ampliando&nbsp; o&nbsp; acesso&nbsp; a&nbsp; diagnósticos&nbsp; precisos&nbsp; e&nbsp; a&nbsp; intervenções&nbsp; que&nbsp; respeitem&nbsp; as&nbsp; singularidades&nbsp; de&nbsp; cada&nbsp; indivíduo,&nbsp; conforme&nbsp; indicam&nbsp; Leopoldino&nbsp; (2016)&nbsp; e&nbsp; a&nbsp; Lei&nbsp; Brasileira&nbsp; de&nbsp; Inclusão&nbsp; (Lei&nbsp; nº&nbsp; 13.146/2015),&nbsp; que&nbsp; asseguram&nbsp; o&nbsp; direito&nbsp; à&nbsp; igualdade&nbsp; e&nbsp; à&nbsp; participação&nbsp; plena&nbsp; das&nbsp; pessoas com deficiência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante&nbsp; disso,&nbsp; este&nbsp; estudo&nbsp; conclui&nbsp; que&nbsp; o&nbsp; conhecimento&nbsp; sobre&nbsp; os&nbsp; sintomas&nbsp; e&nbsp; característica&nbsp; do&nbsp; TEA&nbsp; é&nbsp; fundamental,&nbsp; pois&nbsp; possibilita&nbsp; às&nbsp; pessoas&nbsp; realizarem&nbsp; o&nbsp; autodiagnóstico&nbsp; e&nbsp; ter&nbsp; acesso&nbsp; a&nbsp; profissionais&nbsp; capacitados.&nbsp; Esse&nbsp; entendimento&nbsp; é&nbsp; essencial&nbsp; para&nbsp; promover&nbsp; a&nbsp; inclusão&nbsp; social,&nbsp; o&nbsp; bem-estar&nbsp; e&nbsp; viabilizar&nbsp; o&nbsp; diagnóstico&nbsp; precoce,&nbsp; contribuindo&nbsp; para&nbsp; o&nbsp; desenvolvimento&nbsp; pessoal&nbsp; e&nbsp; social&nbsp; do&nbsp; indivíduo&nbsp; com&nbsp; TEA.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. </strong><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES,&nbsp; Hellen&nbsp; Cristina&nbsp; de&nbsp; Oliveira. <strong>&nbsp;O&nbsp; diagnóstico&nbsp; do&nbsp; Transtorno&nbsp; do&nbsp; Espectro&nbsp; Autista&nbsp; na&nbsp; fase&nbsp; adulta:&nbsp; uma&nbsp; scoping&nbsp; review. </strong>&nbsp;Id&nbsp; on&nbsp; Line&nbsp; Revista&nbsp; de&nbsp; Psicologia,&nbsp; v. 18 , n. 71, p. 1-18, maio 2024. ISSN: 1981-1179.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">AMERICAN&nbsp; PSYCHIATRIC&nbsp; ASSOCIATION. <strong>&nbsp;Diagnostic&nbsp; and&nbsp; statistical&nbsp; manual&nbsp; of&nbsp; mental&nbsp; disorders:&nbsp; DSM-5-TR. </strong>&nbsp;5th&nbsp; ed.,&nbsp; text&nbsp; revision.&nbsp; Washington,&nbsp; DC:&nbsp; American&nbsp; Psychiatric Publishing, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">AUTISMO&nbsp; E&nbsp; REALIDADE. <strong>&nbsp;Se&nbsp; descobrindo&nbsp; autista&nbsp; na&nbsp; idade&nbsp; adulta. </strong>&nbsp;Autismo&nbsp; e&nbsp;Realidade, 31 out. 2019. Disponível em<a href="https://autismoerealidade.org.br/2019/10/31/se-descobrindo-autista-na-idade-adulta/">: &nbsp;https://autismoerealidade.org.br/2019/10/31/se-descobrindo-autista-na-idade-adulta/</a> .&nbsp; Acesso em: 05 abr. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BARON-COHEN,&nbsp; S.;&nbsp; LAUNDY,&nbsp; S.;&nbsp; AHAMED,&nbsp; S. <strong>&nbsp;Adult&nbsp; diagnosis&nbsp; of&nbsp; autism&nbsp; spectrum conditions. </strong>&nbsp;Autism Research, v. 11, n. 5,&nbsp; p. 728–740, 2018.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BARGIELA,&nbsp; S.;&nbsp; STEWARD,&nbsp; R.;&nbsp; MANDY,&nbsp; W. <strong>&nbsp;The&nbsp; experiences&nbsp; of&nbsp; late-diagnosed&nbsp; women&nbsp; with&nbsp; autism&nbsp; spectrum&nbsp; conditions:&nbsp; An&nbsp; investigation&nbsp; of&nbsp; the&nbsp; female&nbsp; autism&nbsp; phenotype. </strong>&nbsp;Journal&nbsp; of&nbsp; Autism&nbsp; and&nbsp; Developmental&nbsp; Disorders,&nbsp; v.&nbsp; 46,&nbsp; n.&nbsp; 10,&nbsp; p.&nbsp; 3281–3294,&nbsp; 2016<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27457364/">. &nbsp;https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27457364/ .</a>&nbsp; Acesso&nbsp; em:&nbsp; 12&nbsp; maio&nbsp; 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BOSA,&nbsp; C.&nbsp; A. <strong>&nbsp;Autismo:&nbsp; intervenções&nbsp; psicoeducacionais. </strong>&nbsp;Porto&nbsp; Alegre:&nbsp; Artmed,&nbsp; 2002.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CENTROS&nbsp; DE&nbsp; CONTROLE&nbsp; E&nbsp; PREVENÇÃO&nbsp; DE&nbsp; DOENÇAS&nbsp; (CDC).&nbsp; Transtorno&nbsp; do&nbsp; Espectro Autista (TEA), 2023.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;ERIKSON,&nbsp; Erik&nbsp; H. <strong>&nbsp;Identidade:&nbsp; juventude&nbsp; e&nbsp; crise. </strong>&nbsp;2.&nbsp; ed.&nbsp; Rio&nbsp; de&nbsp; Janeiro:&nbsp; Zahar,&nbsp; 1976.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">GRANDIN,&nbsp; Temple;&nbsp; PANEK,&nbsp; Richard. <strong>&nbsp;O&nbsp; cérebro&nbsp; autista:&nbsp; pensando&nbsp; através&nbsp; do&nbsp; espectro. </strong>&nbsp;São Paulo: Évora, 2014.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">HICKEY,&nbsp; Aoife;&nbsp; CRABTREE,&nbsp; Jason;&nbsp; STOTT,&nbsp; Joshua&nbsp; et&nbsp; al. <strong>&nbsp;“Suddenly&nbsp; the&nbsp; first&nbsp; fifty&nbsp; years&nbsp; of&nbsp; my&nbsp; life&nbsp; made&nbsp; sense”:&nbsp; experiences&nbsp; of&nbsp; older&nbsp; people&nbsp; with&nbsp; autism. </strong>&nbsp;Autism,&nbsp; v.&nbsp; 22,&nbsp; n.&nbsp; 3,&nbsp; p.&nbsp; 357-367,&nbsp; abr.&nbsp; 2018.&nbsp; doi:&nbsp; 10.1177/1362361316680914.&nbsp; Disponível&nbsp; em: <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29153003/">&nbsp;https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29153003/</a> . Acesso&nbsp; em: 18 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">INSTITUTO&nbsp; BRASILEIRO&nbsp; DE&nbsp; GEOGRAFIA&nbsp; E&nbsp; ESTATÍSTICA&nbsp; –&nbsp; IBGE. <strong>&nbsp;Pessoas&nbsp; com&nbsp; deficiência&nbsp; e&nbsp; as&nbsp; desigualdades&nbsp; sociais&nbsp; no&nbsp; Brasil. </strong>&nbsp;Rio&nbsp; de&nbsp; Janeiro:&nbsp; IBGE,&nbsp; 2019.&nbsp;Disponível em<a href="https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/8fd079e0e024594e16f9666ed843be78">: &nbsp;https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/8fd079e0e0245 &nbsp;94e16f9666ed843be78</a> . Acesso em: 05 abr. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LEWIS,&nbsp; Laura&nbsp; Foran. <strong>&nbsp;Narrative&nbsp; constructions&nbsp; of&nbsp; autism&nbsp; and&nbsp; adulthood:&nbsp; The&nbsp; case&nbsp; of&nbsp; self-diagnosis. </strong>&nbsp;Disability&nbsp; Studies&nbsp; Quarterly,&nbsp; v.&nbsp; 37,&nbsp; n.&nbsp; 1,&nbsp; 2017.&nbsp; Disponível&nbsp; em<a href="https://dsq-sds.org/article/view/5352">: &nbsp;https://dsq-sds.org/article/view/5352. </a>&nbsp;Acesso em:&nbsp; 12 maio 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIMA,&nbsp; Marina;&nbsp; FILHO,&nbsp; João&nbsp; Pedro. <strong>&nbsp;O&nbsp; diagnóstico&nbsp; do&nbsp; autismo&nbsp; na&nbsp; fase&nbsp; adulta:&nbsp; desafios e possibilidades. </strong>&nbsp;Revista Psicologia em Foco,&nbsp; v. 12, n. 2, 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;MACDONALD,&nbsp; Hannah;&nbsp; STONE,&nbsp; Nicole. <strong>&nbsp;Reflexões&nbsp; autobiográficas&nbsp; de&nbsp; adultos&nbsp; autistas&nbsp; diagnosticados&nbsp; na&nbsp; metade&nbsp; da&nbsp; vida&nbsp; adulta. </strong>&nbsp;Instituto&nbsp; Inclusão&nbsp; Brasil,&nbsp; 2021. Disponível em<a href="https://institutoinclusaobrasil.com.br/reflexoes-autobiograficas-de-adultos-autistas-diagnosticados-na-metade-da-vida-adulta/">: &nbsp;https://institutoinclusaobrasil.com.br/reflexoes-autobiograficas-de-adultos-autistas-dia</a> <a href="https://institutoinclusaobrasil.com.br/reflexoes-autobiograficas-de-adultos-autistas-diagnosticados-na-metade-da-vida-adulta/">&nbsp;gnosticados-na-metade-da-vida-adulta/ .</a> Acesso em:&nbsp; 05 abr. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MENDES,&nbsp; Camila. <strong>&nbsp;Identidade&nbsp; e&nbsp; diagnóstico&nbsp; tardio&nbsp; no&nbsp; TEA:&nbsp; percepções&nbsp; de&nbsp; adultos autistas. </strong>&nbsp;Cadernos de Psicologia Social, v.&nbsp; 5, n. 1, 2018.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;MILTON,&nbsp; Damian;&nbsp; BRACHER,&nbsp; M. <strong>&nbsp;Autistics&nbsp; speak&nbsp; but&nbsp; are&nbsp; they&nbsp; heard?. </strong>&nbsp;Medical&nbsp; Sociology Online, v. 7, n. 2, p. 61–69, 2013.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA,&nbsp; Rafaela. <strong>&nbsp;Autismo&nbsp; e&nbsp; identidade:&nbsp; um&nbsp; estudo&nbsp; sobre&nbsp; a&nbsp; aceitação&nbsp; na&nbsp; vida&nbsp; adulta. </strong>&nbsp;Revista Brasileira de Terapias Cognitivas,&nbsp; v. 17, n. 3, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">PAPALIA,&nbsp; Diane&nbsp; E.;&nbsp; FELDMAN,&nbsp; Ruth&nbsp; Duskin. <strong>&nbsp;Desenvolvimento&nbsp; humano. </strong>&nbsp;12.&nbsp; ed.&nbsp;[S.l.]:&nbsp; [s.n.],&nbsp; 2013.&nbsp; Disponível&nbsp; em<a href="https://archive.org/details/desenvolvimento-humano/page/457/mode/2up">: &nbsp;https://archive.org/details/desenvolvimento-humano/page/457/mode/2up .</a>&nbsp; Acesso&nbsp; em: 18 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;SANTOS,&nbsp; Alessandra&nbsp; Ferreira. <strong>&nbsp;Diagnóstico&nbsp; tardio&nbsp; em&nbsp; adultos&nbsp; com&nbsp; Transtornos&nbsp; do&nbsp; Espectro&nbsp; do&nbsp; Autismo:&nbsp; uma&nbsp; revisão&nbsp; de&nbsp; literatura&nbsp; e&nbsp; análise&nbsp; de&nbsp; depoimentos.&nbsp;</strong>UFMG&nbsp; &#8211;&nbsp; Universidade&nbsp; Federal&nbsp; de&nbsp; Minas&nbsp; Gerais,&nbsp; 2022.&nbsp; Disponível&nbsp; em: <a href="http://hdl.handle.net/1843/60353">&nbsp;http://hdl.handle.net/1843/60353 .</a> Acesso em: 04 abr. 2025 .&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS,&nbsp; Ana&nbsp; Maria. <strong>&nbsp;Desafios&nbsp; no&nbsp; diagnóstico&nbsp; do&nbsp; Transtorno&nbsp; do&nbsp; Espectro&nbsp; Autista em adultos. </strong>&nbsp;São Paulo: Editora Saúde &amp; Ciência, 2021 .&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS,&nbsp; Gabriela&nbsp; Rodrigues&nbsp; dos. <strong>&nbsp;O&nbsp; diagnóstico&nbsp; do&nbsp; Transtorno&nbsp; do&nbsp; Espectro&nbsp; Autista&nbsp; na&nbsp; fase&nbsp; adulta. </strong>&nbsp;Monografia&nbsp; (Graduação&nbsp; em&nbsp; Psicologia)&nbsp; –&nbsp; Faculdade&nbsp; Estácio&nbsp; de São Luís, São Luís, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SCHWARTZMAN,&nbsp; José&nbsp; Salomão. <strong>&nbsp;Transtornos&nbsp; do&nbsp; Espectro&nbsp; do&nbsp; Autismo. </strong>&nbsp;São&nbsp; Paulo: Memnon, 2011.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA,&nbsp; A.&nbsp; C.;&nbsp; ROSA,&nbsp; E.&nbsp; M. <strong>&nbsp;Diagnóstico&nbsp; tardio&nbsp; do&nbsp; Transtorno&nbsp; do&nbsp; Espectro&nbsp; Autista&nbsp; em&nbsp; adultos:&nbsp; implicações&nbsp; para&nbsp; o&nbsp; tratamento&nbsp; e&nbsp; intervenção.&nbsp; Revista&nbsp; de&nbsp; Terapias&nbsp;Cognitivas</strong> ,&nbsp; 2019.&nbsp; Disponível&nbsp; em<a href="https://revistaft.com.br/diagnostico-tardio-do-transtorno-do-espectro-autista-em-adultos-implicacoes-para-o-tratamento-e-intervencao">: &nbsp;https://revistaft.com.br/diagnostico-tardio-do-transtorno-do-espectro-autista-em-adult &nbsp;os-implicacoes-para-o-tratamento-e-intervencao. </a>&nbsp;Acesso&nbsp; em: 12 maio 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA&nbsp; DE&nbsp; MENDONÇA,&nbsp; Sophia. <strong>&nbsp;Neurodivergentes:&nbsp; Autismo&nbsp; na&nbsp; contemporaneidade</strong>, &nbsp; 2019.&nbsp; Disponível em:&nbsp; <a href="https://www.researchgate.net/publication/357992220">&nbsp;https://www.researchgate.net/publication/357992220</a> .&nbsp; Acesso em: 04 abr. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">TRINDADE,&nbsp; Mônica. <strong>&nbsp;Vida&nbsp; adulta:&nbsp; conquistas&nbsp; e&nbsp; desafios. </strong>&nbsp;Disponível&nbsp; em<a href="https://monicatrindadepsicologia.com.br/vida-adulta-conquistas-e-desafios/">: &nbsp;https://monicatrindadepsicologia.com.br/vida-adulta-conquistas-e-desafios/</a> .&nbsp; Acesso&nbsp; em: 18 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">WEIZENMANN,&nbsp; L.&nbsp; S.;&nbsp; PEZZI,&nbsp; F.&nbsp; A.&nbsp; S.;&nbsp; ZANON,&nbsp; R.&nbsp; B. <strong>&nbsp;Inclusão&nbsp; escolar&nbsp; e&nbsp; autismo:&nbsp; sentimentos&nbsp; e&nbsp; práticas&nbsp; docentes. </strong>&nbsp;Psicologia&nbsp; Escolar&nbsp; e&nbsp; Educacional,&nbsp; v.&nbsp; 24,&nbsp; e217841,&nbsp; 2020.&nbsp; Disponível&nbsp; em: <a href="https://doi.org/10.1590/2175-35392020217841">&nbsp;https://doi.org/10.1590/2175-35392020217841</a> .&nbsp; Acesso em: 18 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">WIKIPÉDIA.&nbsp; Adulto.&nbsp; Disponível&nbsp; em<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Adulto">: &nbsp;https://pt.wikipedia.org/wiki/Adulto .</a>&nbsp; Acesso&nbsp; em:&nbsp; 18 out. 2025.&nbsp;</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduanda em Psicologia pela Uninassau Tocantins.&nbsp; E-mail: &nbsp;aline.marta.fialho15@gmail.com<br><sup>2</sup>Graduanda em Psicologia pela Uninassau Tocantins.&nbsp; E-mail: &nbsp;samiracordeiro26@gmail.com<br><sup>3</sup>Graduanda em Psicologia pela Uninassau Tocantins.&nbsp; E-mail: &nbsp;psiphlavia@gmail.com<br><sup>4</sup>Professora orientadora&nbsp; Esp. em Neuropsicologia e Psicologia Clínica. E-mail:&nbsp;bosquepsicologa@gmail.com</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A IMPORTÂNCIA DA SAÚDE MENTAL NO DESEMPENHO ESPORTIVO: PREVENÇÃO E TRATAMENTO DE TRANSTORNOS PSICOLÓGICOS EM ATLETAS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/a-importancia-da-saude-mental-no-desempenho-esportivo-prevencao-e-tratamento-de-transtornos-psicologicos-em-atletas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Nov 2025 16:31:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=249810</guid>

					<description><![CDATA[THE IMPORTANCE OF MENTAL HEALTH IN SPORTS PERFORMANCE: PREVENTION AND TREATMENT OF PSYCHOLOGICAL DISORDERS IN ATHLETES REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511161331 Verônica Imbelino Cordeiro¹Orientador: Christiano Thomaz de Almeida Monteiro Barbosa² Resumo: O presente artigo aborda a importância da saúde mental no desempenho esportivo, ressaltando como fatores psicológicos influenciam diretamente o rendimento e o bem-estar dos atletas. O [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">THE IMPORTANCE OF MENTAL HEALTH IN SPORTS PERFORMANCE: PREVENTION AND TREATMENT OF PSYCHOLOGICAL DISORDERS IN ATHLETES</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511161331</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Verônica Imbelino Cordeiro¹<br>Orientador: Christiano Thomaz de Almeida Monteiro Barbosa²</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong>: O presente artigo aborda a importância da saúde mental no desempenho esportivo, ressaltando como fatores psicológicos influenciam diretamente o rendimento e o bem-estar dos atletas. O objetivo consiste em compreender a relação entre a saúde mental e a performance esportiva, enfatizando a necessidade de um olhar mais humanizado sobre o cuidado emocional no esporte. O método utilizado foi a pesquisa bibliográfica integrativa, com análise de artigos científicos e estudos recentes sobre psicologia do esporte, ansiedade, estresse e burnout. Os resultados evidenciam que o acompanhamento psicológico favorece o equilíbrio emocional, previne o adoecimento mental e contribui para o aprimoramento do desempenho. Observou-se que transtornos como ansiedade, depressão e síndrome de burnout comprometem a concentração, a motivação e a autoconfiança, interferindo significativamente na performance dos atletas. O papel do psicólogo do esporte mostra-se essencial não apenas para o tratamento, mas também para a prevenção desses quadros, promovendo um ambiente esportivo mais acolhedor e saudável. Conclui-se que a valorização da saúde mental é fundamental para o sucesso esportivo e para o desenvolvimento integral do atleta, fortalecendo a integração entre corpo e mente e incentivando práticas esportivas mais conscientes e sustentáveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Saúde mental. Desempenho esportivo. Psicologia do esporte. Atletas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract:</strong> This article addresses the importance of mental health in sports performance, highlighting how psychological factors directly influence athletes’ performance and well-being. The objective is to understand the relationship between mental health and sports performance, emphasizing the need for a more humanized perspective on emotional care in sports. The method used was an integrative bibliographic research, based on the analysis of scientific articles and recent studies on sports psychology, anxiety, stress, and burnout. The results show that psychological support promotes emotional balance, prevents mental illness, and contributes to performance improvement. It was observed that disorders such as anxiety, depression, and burnout syndrome impair concentration, motivation, and self-confidence, significantly interfering with athletes’ performance. The role of the sports psychologist is essential not only for treatment but also for the prevention of these conditions, fostering a more supportive and healthy sports environment. It is concluded that valuing mental health is fundamental to athletic success and the integral development of athletes, strengthening the connection between body and mind and encouraging more conscious and sustainable sports practices.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Mental health. Sports performance. Sports psychology. Athletes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O esporte é uma prática que envolve muito mais do que força física e habilidade técnica. Ele requer também preparo emocional, concentração, motivação e equilíbrio psicológico. Em um contexto marcado por alta competitividade e cobrança por resultados, a saúde mental tornou-se um dos pilares fundamentais para o desempenho esportivo. O cuidado com a mente influencia diretamente o rendimento, a resiliência e o bem-estar dos atletas, sendo tão essencial quanto o treinamento físico. Assim, compreender como fatores psicológicos impactam a performance esportiva é de extrema relevância para o desenvolvimento de práticas esportivas mais humanas e sustentáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Psicologia do Esporte tem ganhado destaque nas últimas décadas por buscar compreender e intervir nos aspectos emocionais e cognitivos que influenciam o comportamento dos atletas. Transtornos como ansiedade, depressão, estresse e burnout afetam o foco, a motivação e a autoconfiança, podendo comprometer a performance e até mesmo levar ao afastamento das atividades esportivas. Apesar da crescente visibilidade do tema, muitos ambientes esportivos ainda negligenciam o cuidado com a saúde mental, priorizando exclusivamente resultados e rendimento, o que reforça a necessidade de integrar o acompanhamento psicológico como parte essencial do treinamento esportivo e da formação do atleta (Weinberg &amp; Gould, 2017; Samulski, 2009).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diversos autores têm abordado essa problemática, destacando a importância da atuação psicológica no esporte. Weinberg e Gould (2017) enfatizam que o desempenho ótimo depende da integração entre corpo e mente. Já Samulski (2009) ressalta que o equilíbrio emocional é determinante para o sucesso esportivo e deve ser trabalhado desde as fases iniciais do treinamento. Reardon et al. (2019) reforçam que a falta de apoio psicológico pode gerar adoecimento mental e comprometer a longevidade da carreira de atletas de alto rendimento. Esses estudos evidenciam que, embora existam avanços na área, ainda há lacunas significativas na prevenção e no tratamento dos transtornos psicológicos em contextos esportivos, o que demonstra a importância de ampliar o debate e a atuação da Psicologia do Esporte no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, o presente artigo tem como principal contribuição a análise da relação entre saúde mental e desempenho esportivo, buscando compreender de que forma o acompanhamento psicológico pode promover o equilíbrio emocional, prevenir o adoecimento mental e potencializar o rendimento dos atletas. Além disso, pretende-se discutir estratégias eficazes de prevenção e intervenção, considerando abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), o mindfulness e o suporte psicológico contínuo, que se mostram fundamentais para o desenvolvimento integral e saudável do atleta.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa desenvolvida neste estudo possui abordagem qualitativa e caráter exploratório, tendo como objetivo compreender de que forma a saúde mental influencia o desempenho esportivo e quais estratégias psicológicas podem ser utilizadas na prevenção e no tratamento de transtornos em atletas. Essa escolha metodológica se justifica porque a abordagem qualitativa permite interpretar a realidade a partir de múltiplas dimensões humanas, considerando emoções, contextos e experiências relatadas na literatura científica. Já o caráter exploratório possibilita ampliar o conhecimento sobre o tema e identificar caminhos e estratégias que ainda estão em construção dentro da Psicologia do Esporte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O método adotado foi a pesquisa bibliográfica integrativa, que consiste na coleta, leitura e análise de materiais já publicados sobre o assunto. Essa modalidade é indicada quando se busca reunir informações e reflexões de diferentes autores para construir um panorama teórico consistente. Foram consultadas bases de dados reconhecidas, como SciELO, PePSIC, LILACS e Google Acadêmico, utilizando-se descritores como “saúde mental”, “desempenho esportivo”, “psicologia do esporte”, “ansiedade em atletas” e “burnout esportivo”. Foram considerados apenas estudos publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol, e que apresentassem fundamentação científica adequada. Trabalhos duplicados, fora do tema ou sem rigor metodológico foram excluídos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seleção e organização dos materiais seguiram uma leitura crítica e reflexiva. Após a triagem inicial, os textos foram catalogados em planilhas, destacando autores, ano, metodologia, principais resultados e contribuições para o tema. Em seguida, as informações foram agrupadas em categorias temáticas, como: principais transtornos psicológicos que afetam atletas, impactos da saúde mental no desempenho esportivo e estratégias de intervenção utilizadas por psicólogos do esporte. Essa sistematização permitiu compreender não apenas os dados apresentados, mas também as abordagens e perspectivas teóricas de cada autor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos dados foi feita de forma interpretativa e comparativa, valorizando o diálogo entre os estudos e relacionando seus achados às demandas atuais do esporte. A leitura foi conduzida à luz de autores como Weinberg e Gould (2017), Samulski (2009) e Reardon et al. (2019), que discutem a influência das emoções e dos fatores psicológicos na performance esportiva. Por se tratar de uma pesquisa baseada exclusivamente em fontes documentais e públicas, não houve contato direto com seres humanos, e, portanto, não foi necessária a submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com isso, a metodologia adotada buscou não apenas reunir informações, mas compreender a dimensão humana por trás do desempenho esportivo, oferecendo uma visão ampla, crítica e humanizada sobre o cuidado com a saúde mental de atletas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de suas contribuições, esta pesquisa apresenta como limitação a ausência de dados empíricos, visto que se baseia exclusivamente em estudos teóricos e revisões bibliográficas. No entanto, essa limitação não reduz sua relevância, pois o levantamento e a análise das produções existentes permitiram identificar lacunas importantes e apontar caminhos para novas investigações. Recomenda-se que estudos futuros realizem entrevistas ou observações em campo com atletas e profissionais da área, a fim de aprofundar a compreensão sobre os impactos emocionais vivenciados no contexto esportivo. Dessa forma, a metodologia aqui utilizada cumpre seu papel de oferecer subsídios teóricos e reflexivos para o fortalecimento da Psicologia do Esporte e para o aprimoramento das práticas voltadas à saúde mental de atletas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. RESULTADOS E DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados obtidos a partir da revisão bibliográfica demonstram que a saúde mental exerce influência direta sobre o desempenho esportivo, podendo determinar o sucesso ou o fracasso de um atleta, independentemente de seu preparo físico. Diversos estudos apontam que sintomas de ansiedade, depressão, estresse e síndrome de burnout são comuns entre atletas de diferentes modalidades e níveis de competição, afetando a concentração, a motivação e até o controle motor. Esses fatores, quando não tratados, refletem negativamente nas competições e nos treinos, comprometendo a performance e o bem-estar geral (Gomes et al., 2021; Weinberg &amp; Gould, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a análise dos materiais consultados, observou-se que muitos atletas, especialmente os de alto rendimento, convivem com altas pressões emocionais e cobranças constantes por resultados, o que favorece o surgimento de transtornos psicológicos. O ambiente competitivo, aliado às expectativas externas e internas, contribui para a intensificação de quadros de ansiedade e estresse. A saúde mental, portanto, não pode ser vista como algo separado da performance, mas como parte essencial dela. Samulski (2009) destaca que o desempenho ótimo depende da integração entre corpo e mente, e que o equilíbrio emocional deve ser trabalhado desde o início da formação esportiva, sendo indispensável para o sucesso a longo prazo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Psicologia do Esporte surge, nesse contexto, como um campo fundamental para compreender e intervir nas demandas emocionais dos atletas. A atuação do psicólogo do esporte vai além do tratamento de transtornos já instalados, envolvendo também ações preventivas, psicoeducativas e motivacionais. Weinberg e Gould (2017) reforçam que o suporte psicológico contínuo favorece o desenvolvimento da autoconfiança, o controle da ansiedade e a regulação emocional, além de fortalecer a resiliência mental diante das exigências do meio esportivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Casos reais de atletas que enfrentaram dificuldades psicológicas ajudam a compreender a dimensão humana por trás das conquistas esportivas. A ginasta Simone Biles, por exemplo, ao desistir de competir em parte das Olimpíadas de Tóquio em 2021, trouxe à tona a importância de priorizar a saúde mental mesmo diante das grandes expectativas mundiais. De forma semelhante, a brasileira Rebeca Andrade demonstrou que o equilíbrio emocional é tão importante quanto o físico para alcançar resultados expressivos. Sua trajetória, marcada por superações, cirurgias e desafios psicológicos, reflete como o apoio emocional e o acompanhamento psicológico podem ser determinantes para o sucesso esportivo e para a manutenção da motivação e do foco (Reardon et al., 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos casos emblemáticos, os estudos analisados também apontam estratégias eficazes para promover o equilíbrio emocional e prevenir o adoecimento mental. Entre as principais intervenções destacam-se a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), o<strong> </strong>mindfulness<strong> </strong>e o<strong> </strong>suporte psicológico contínuo. A TCC, segundo Beck (2013), tem se mostrado eficaz na reestruturação de pensamentos disfuncionais e crenças limitantes, auxiliando o atleta a lidar com pressões e expectativas. No contexto esportivo, essa abordagem contribui para o aumento da autoconfiança, melhora do foco e redução da ansiedade pré-competitiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>mindfulness</strong>, ou atenção plena, também tem sido amplamente utilizado na preparação psicológica de atletas. De acordo com Birrer, Röthlin e Morgan (2012), a prática regular de mindfulness ajuda na regulação emocional, na concentração e na diminuição do estresse, fatores diretamente relacionados à performance esportiva. A incorporação dessas práticas no cotidiano do treinamento favorece a presença mental e o equilíbrio, permitindo que o atleta se mantenha centrado mesmo em situações de alta pressão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto essencial é o <strong>suporte psicológico contínuo</strong>, que envolve o acompanhamento regular por parte de profissionais da psicologia do esporte. Samulski (2009) e Weinberg &amp; Gould (2017) ressaltam que esse acompanhamento deve fazer parte da rotina de treinos e competições, atuando tanto na prevenção quanto na intervenção em situações de vulnerabilidade emocional. Esse suporte pode incluir atendimentos individuais, rodas de conversa, dinâmicas de grupo e psicoeducação voltada para treinadores, familiares e equipes técnicas. O objetivo é criar uma cultura esportiva mais acolhedora, em que o cuidado com a mente seja valorizado tanto quanto o preparo físico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados da pesquisa indicam ainda que a presença de <strong>equipes multiprofissionais</strong> — compostas por psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas e preparadores físicos — é um fator decisivo para o bem-estar do atleta. Essa abordagem integrada contribui para o reconhecimento do atleta como um ser humano completo, com corpo, mente e emoções interligadas (Gonçalves &amp; Bracht, 2016). Assim, promover o diálogo entre as diferentes áreas do esporte é essencial para reduzir estigmas e ampliar o acesso a práticas de cuidado psicológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos fatores já abordados, a literatura também destaca a importância das diferenças entre modalidades esportivas na forma como os atletas vivenciam e manifestam o sofrimento psicológico. Em esportes individuais, como a ginástica e a natação, o atleta carrega de forma mais intensa a responsabilidade pelos resultados, o que aumenta a incidência de ansiedade e autocobrança. Já em esportes coletivos, como o futebol e o vôlei, as pressões se dividem entre equipe, treinador e torcida, mas surgem outros desafios, como conflitos interpessoais, rivalidade interna e dificuldade de comunicação (Weinberg &amp; Gould, 2017). Esses contextos distintos exigem intervenções psicológicas personalizadas, que considerem o tipo de modalidade, o perfil do atleta e as demandas emocionais envolvidas em cada situação competitiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto relevante observado nos estudos é o papel das <strong>instituições esportivas e das políticas públicas</strong> no cuidado com a saúde mental de atletas. Muitos clubes e federações ainda carecem de programas estruturados de acompanhamento psicológico, o que reforça a necessidade de políticas institucionais que garantam esse suporte de forma permanente. De acordo com Reardon et al. (2019), o bem-estar psicológico deve ser tratado como parte integrante da formação esportiva, com profissionais especializados inseridos nas equipes técnicas, atuando desde as categorias de base até o alto rendimento. A criação de protocolos de prevenção, programas de psicoeducação e campanhas de conscientização também se mostram estratégias eficazes para reduzir o estigma e ampliar o acesso ao cuidado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, observa-se que a <strong>pandemia de COVID-19</strong> intensificou a discussão sobre saúde mental no esporte, revelando a vulnerabilidade emocional de muitos atletas durante períodos de isolamento e suspensão de competições. Estudos recentes apontam que o afastamento social e a incerteza profissional aumentaram os níveis de ansiedade e depressão entre esportistas (Gomes et al., 2021). Nesse cenário, o uso de tecnologias, como o atendimento psicológico on-line e plataformas de mindfulness, mostrou-se um recurso valioso para manter o acompanhamento emocional e prevenir recaídas, ampliando o alcance da Psicologia do Esporte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dimensão social da saúde mental também merece destaque. O esporte, além de promover rendimento, é um espaço de formação humana, cidadania e inclusão. Quando o cuidado psicológico é incorporado a essa prática, ele contribui para o desenvolvimento de indivíduos mais conscientes, empáticos e resilientes. Gonçalves e Bracht (2016) ressaltam que o esporte tem um papel educativo que vai além das vitórias, ajudando na construção de valores como disciplina, respeito, cooperação e superação. Assim, o psicólogo do esporte não atua apenas na melhora da performance, mas também na transformação subjetiva e social do atleta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, os resultados indicam que a integração entre corpo e mente é o caminho mais eficaz para o alcance do alto rendimento sustentável. Promover o equilíbrio emocional e o bem-estar psíquico do atleta é uma forma de garantir não apenas melhores resultados em competições, mas também carreiras mais longas e saudáveis. Essa visão humanizada do esporte reforça a necessidade de reconhecer o atleta como ser integral — que sente, sofre, se alegra e precisa ser ouvido. Ao compreender que a performance é consequência de um estado emocional equilibrado, torna-se possível construir um esporte mais justo, empático e saudável, onde o cuidado com a saúde mental seja uma prioridade e não uma exceção.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com este estudo, foi possível perceber que a saúde mental é indispensável para o bom desempenho esportivo, estando diretamente ligada ao equilíbrio emocional, à motivação e à superação de desafios. O cuidado com a mente deve ser visto com a mesma importância que o cuidado com o corpo, pois ambos caminham juntos no processo de formação e sucesso de um atleta. A pesquisa evidenciou que o rendimento esportivo não depende apenas de força física e técnica, mas de estabilidade emocional, autoconhecimento e capacidade de lidar com pressões e adversidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados mostraram que o acompanhamento psicológico é essencial não apenas para tratar dificuldades já existentes, mas principalmente para prevenir o adoecimento emocional, fortalecer a autoconfiança e criar estratégias de enfrentamento mais saudáveis. Quando o atleta recebe apoio psicológico adequado, ele desenvolve maior controle sobre seus pensamentos, emoções e comportamentos, conseguindo alcançar uma performance mais equilibrada e sustentável. Além disso, esse acompanhamento contribui para a construção de uma identidade esportiva mais sólida e saudável, reduzindo o risco de esgotamento e de abandono precoce da carreira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Exemplos como os de <strong>Rebeca Andrade</strong> e <strong>Simone Biles</strong> evidenciam que reconhecer os próprios limites e buscar ajuda profissional não é sinal de fraqueza, mas sim de coragem e autoconhecimento. Essas atletas se tornaram símbolos da importância de priorizar a saúde mental, mostrando ao mundo que a mente equilibrada é tão determinante quanto o corpo preparado. Suas trajetórias inspiram uma nova geração de esportistas a compreender que cuidar das emoções é parte fundamental do treinamento e do sucesso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir das análises realizadas, foi possível compreender que investir em saúde mental no esporte é investir em rendimento, em qualidade de vida e em longevidade profissional. O psicólogo do esporte desempenha papel essencial nesse processo, atuando na prevenção de transtornos, na promoção de habilidades emocionais e no fortalecimento da resiliência mental. O trabalho desse profissional deve estar presente em todos os níveis — da base ao alto rendimento —, garantindo que o atleta seja acompanhado de forma integral, respeitando sua individualidade e seus limites.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, os resultados indicam a necessidade de uma mudança cultural dentro das instituições esportivas, para que o cuidado psicológico seja visto como parte do treinamento, e não apenas como uma medida corretiva. É fundamental que clubes, federações e gestores esportivos promovam espaços de escuta, diálogo e acolhimento, quebrando o estigma de que falar sobre emoções é sinal de fragilidade. A construção de uma cultura esportiva mais humanizada depende do envolvimento de todos os profissionais que cercam o atleta, valorizando o ser humano por trás da performance.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, valorizar a saúde mental no esporte é reconhecer que o desempenho vai muito além dos resultados e das conquistas, sendo também reflexo do bem-estar, da autoestima e do equilíbrio interior de cada atleta. O esporte, quando aliado ao cuidado emocional, torna-se uma poderosa ferramenta de crescimento pessoal, superação e transformação social. Espera-se que este estudo contribua para ampliar a conscientização sobre a importância da saúde mental no contexto esportivo e incentive futuras pesquisas e práticas voltadas à promoção do cuidado integral com o atleta&nbsp; corpo, mente e emoção caminhando juntos na busca pelo alto rendimento e pela realização humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, reforça-se que o cuidado com a saúde mental no esporte não deve se limitar apenas a momentos de crise ou a atletas de elite, mas ser incorporado desde as categorias de base e no cotidiano de todos os praticantes. A inserção da Psicologia do Esporte em clubes, escolas e centros de treinamento contribui para a formação de indivíduos mais equilibrados emocionalmente, conscientes de seus limites e capazes de desenvolver autonomia e resiliência diante das adversidades.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, recomenda-se que novas pesquisas aprofundem a temática, especialmente com estudos empíricos que investiguem de forma mais ampla o impacto das intervenções psicológicas na performance e no bem-estar de atletas brasileiros. O fortalecimento de políticas públicas e programas de prevenção voltados à saúde mental no esporte é essencial para ampliar o acesso ao cuidado psicológico e reduzir o estigma ainda existente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, este estudo busca inspirar uma nova compreensão do esporte: não apenas como campo de competição e resultados, mas como espaço de desenvolvimento humano, saúde integral e transformação social. Que cada conquista esportiva possa ser também a celebração de uma mente saudável, consciente e fortalecida — reafirmando que o verdadeiro sucesso é aquele construído em harmonia entre corpo, mente e emoção.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ANDERSEN, M. B.; WILLIAMS, J. M. A model of stress and athletic injury: prediction and prevention. <em>Journal of Sport and Exercise Psychology</em>, 1999.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GIL, A. C. <em>Métodos e técnicas de pesquisa social</em>. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GOMES, A. et al. Saúde mental e desempenho esportivo: desafios e estratégias. <em>Revista Brasileira de Psicologia do Esporte</em>, v. 12, n. 3, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">REARDON, C. L. et al. Mental health in elite athletes: International Olympic Committee consensus statement. <em>British Journal of Sports Medicine</em>, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SAMULSKI, D. M. <em>Psicologia do esporte: conceitos e aplicações</em>. São Paulo: Manole, 2009.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WEINBERG, R. S.; GOULD, D. <em>Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício</em>. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VASCONCELOS, L. M.; MENDES, P. C. <em>Saúde mental e rendimento esportivo: uma abordagem integrada entre corpo e mente.Revista Brasileira de Saúde Mental e Esporte,</em> v. 2, n. 1, p. 40–55, 2024.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>LUTO GESTACIONAL: O PAPEL DA PSICOLOGIA NO ENFRENTAMENTO DA PERDA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/luto-gestacional-o-papel-da-psicologia-no-enfrentamento-da-perda/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Nov 2025 15:48:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511141246 Bianca Coutinho dos Santos1Soraya Rodrigues Coelho da Silva2Orientadora: Profa. Andréia Ayres Gabardo3 Resumo: O presente trabalho de pesquisa demonstra a importância de validar e compreender o luto gestacional, além de destacar a necessidade de entender essa forma subjetiva de perda sob o viés do apoio psicológico. &#160;Objetivo: Analisar o papel da Psicologia [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511141246</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Bianca Coutinho dos Santos<sup>1</sup><br>Soraya Rodrigues Coelho da Silva<sup>2</sup><br>Orientadora: Profa. Andréia Ayres Gabardo<sup>3</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo: </strong>O presente trabalho de pesquisa demonstra a importância de validar e compreender o luto gestacional, além de destacar a necessidade de entender essa forma subjetiva de perda sob o viés do apoio psicológico. <strong>&nbsp;Objetivo:</strong> Analisar o papel da Psicologia no enfrentamento do luto gestacional, a partir da representação da perda gestacional na série This Is Us, utilizando a análise comportamental para compreender os padrões de comportamento relacionados ao luto, as respostas emocionais das personagens e o impacto das intervenções psicológicas no apoio emocional e comportamental das famílias afetadas.<strong> Método: </strong>Adotará o método de pesquisa bibliográfica explicativa.<strong> Resultados: </strong>A revisão narrativa foi composta por 10 artigos que nortearam o estudo, possibilitando a organização das evidências encontradas. Essas evidências abordaram os aspectos essenciais ao tema e permitiram identificar questões que podem ser exploradas em pesquisas futuras.<strong> Discussão: </strong>No presente estudo, o objeto principal de análise será uma série de televisão. A obra selecionada é <em>This Is Us</em> (2016), uma produção da emissora norte-americana NBC, disponível atualmente na plataforma de streaming Star+. A série é reconhecida por abordar com profundidade questões emocionais e familiares, incluindo a vivência do luto gestacional.<strong> Conclusão: </strong>Espera-se, com isso, contribuir para a elaboração de diretrizes de intervenção que valorizem a validação do sofrimento, o acolhimento empático e o uso de recursos midiáticos como suporte ao processo terapêutico e à conscientização social acerca do luto gestacional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> This Is Us; luto gestacional; psicologia; intervenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente trabalho de pesquisa demonstra a importância de validar e compreender o luto gestacional, uma experiência muitas vezes invisível aos olhos da sociedade, além de destacar a necessidade de entender essa forma subjetiva de perda sob o viés do apoio psicológico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o Ministério da Saúde (2014), o luto gestacional refere-se à dor e ao sofrimento emocional experimentados por mulheres, parceiros e demais familiares diante da perda de um bebê durante a gestação, seja por aborto espontâneo, morte intrauterina ou interrupção terapêutica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estima-se que cerca de 10 a 20% das gestações clínicas conhecidas terminem em perdas espontâneas, especialmente no primeiro trimestre (World Health Organization [WHO], 2020; McCreight, 2018). Apesar da frequência com que esse fenômeno ocorre, ele ainda é amplamente negligenciado em contextos sociais, médicos e psicológicos, o que contribui significativamente para a intensificação do sofrimento vivido. A ausência de rituais sociais de luto, a minimização da dor por parte do entorno e a carência de políticas públicas voltadas ao acolhimento tornam essa vivência marcada por silêncio, solidão e invalidade emocional (SANTOS, 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As perdas gestacionais precoces não abarcam consigo rituais fúnebres, pois a gravidez não é reconhecida pelos outros, visto que, na maior parte destes casos, não há evidência física visível. Já na perda gestacional tardia, segundo a mesma autora, o processo de luto poderá ter a sua elaboração facilitada dada a presença de um corpo e fotografias do bebê (SANTOS, 2015, p.12).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista psicológico, a perda gestacional implica a ruptura de um vínculo que, embora muitas vezes não concretizado fisicamente, já existia simbolicamente e emocionalmente para os pais, sobretudo para a mãe.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Franco (2021), desde o início da gestação a mãe começa a formar um espaço psíquico para o bebê, investindo afetivamente em sua existência. A perda, portanto, representa não apenas a ausência física do feto, mas a interrupção abrupta de um projeto de vida, de uma identidade materna em constituição, e de um vínculo emocional profundo — muitas vezes intensificado pelas expectativas sociais em torno da maternidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Psicologia reconhece o luto como um processo natural e necessário diante de perdas significativas. Freud (2011), em seu texto clássico Luto e Melancolia, já apontava que o luto envolve uma retirada gradual da energia psíquica investida no objeto perdido. No entanto, quando esse luto não é validado ou reconhecido — como ocorre com o luto gestacional —, há risco de cronificação ou de desenvolvimento de estados depressivos e ansiosos (WORDEN, 2018). Além disso, a literatura mostra que o luto perinatal, por sua natureza única, pode gerar sentimentos intensos de culpa, falha, vergonha e inadequação, sobretudo nas mulheres. (FRANKL ,2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sanches e Freitas (2017), mencionam a Teoria do Apego, proposta por Bowlby (1980), também oferece uma importante base para compreender o impacto emocional dessas perdas. De acordo com o autor, o sofrimento do luto está diretamente relacionado ao rompimento de vínculos afetivos significativos. Assim, a perda de um bebê durante a gestação, mesmo sem o convívio físico, pode ser profundamente dolorosa, pois já há um vínculo emocional e simbólico em formação, que inclui sonhos, expectativas e fantasias parentais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da dor psíquica individual, o luto gestacional também impacta a dinâmica conjugal e familiar. Estudos apontam que os casais podem vivenciar e expressar o luto de formas distintas, o que pode gerar dificuldades de comunicação e suporte mútuo (WHO, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ausência de protocolos clínicos, de profissionais capacitados e de espaços de escuta empática contribui para o sofrimento psíquico prolongado. Nesse sentido, práticas psicológicas baseadas na Terapia Cognitivo-Comportamental, intervenções em grupo e abordagens narrativas têm sido estudadas como estratégias eficazes para o acolhimento e elaboração do luto gestacional (WORDEN, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, grande parte das pesquisas sobre o tema ainda se concentra em aspectos clínicos ou epidemiológicos, deixando em segundo plano a análise de produções culturais e midiáticas que abordam o luto gestacional. As obras audiovisuais, por exemplo, ao dramatizarem essas vivências, têm potencial não apenas para sensibilizar o público, mas também para ampliar a compreensão simbólica do fenômeno e subsidiar práticas psicológicas humanizadas (Fonseca, 2020). A série This Is Us (NBC, 2016–2022) se destaca nesse contexto por retratar, com sensibilidade e realismo, as repercussões emocionais da perda gestacional em uma de suas protagonistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, o presente trabalho propõe uma investigação qualitativa, por meio da análise de conteúdo documental, sobre o papel da Psicologia no enfrentamento do luto gestacional, tomando como referência os episódios da série This Is Us que retratam essa experiência. Busca-se, com isso, contribuir para o debate acadêmico sobre práticas de acolhimento psicológico que valorizem a escuta ativa, a validação emocional e o uso de recursos simbólicos e culturais no cuidado a pessoas enlutadas por perdas gestacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O acolhimento psicológico é uma ferramenta essencial no cuidado à mulher enlutada pela perda gestacional, pois oferece um espaço seguro de escuta, validação emocional e expressão da dor psíquica. Essa escuta qualificada possibilita que a mulher se sinta compreendida e legitimada em seu sofrimento, promovendo um ambiente propício para a elaboração do luto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Santos (2015), atitudes como empatia, aceitação incondicional e congruência são fundamentais para que o vínculo terapêutico se estabeleça de forma genuína e transformadora. No contexto do luto gestacional, marcado muitas vezes pelo silêncio social e pela invisibilidade da dor, o acolhimento torna-se ainda mais necessário. Kutac e Larson (2016) destacam que a ausência de suporte emocional adequado pode intensificar quadros de depressão, ansiedade e luto complicado, impactando negativamente a saúde mental da mulher.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diferentes abordagens psicológicas contribuem de maneira significativa nesse processo. A terapia cognitivo-comportamental auxilia na reestruturação de pensamentos automáticos disfuncionais; a terapia narrativa favorece a ressignificação da experiência por meio do relato pessoal da perda; e a terapia de grupo fortalece o suporte social e o sentimento de pertencimento. Além disso, a Análise do Comportamento, conforme Skinner (1953), oferece compreensão sobre os reforçadores que mantêm comportamentos relacionados ao sofrimento, propondo estratégias para o desenvolvimento de respostas mais adaptativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, a Psicologia assume um papel central no enfrentamento do luto gestacional, promovendo saúde emocional e possibilitando à mulher reconstruir sua narrativa de vida de forma mais integrada e significativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, este projeto tem como pergunta de pesquisa: como a Psicologia pode contribuir para o enfrentamento do luto gestacional, a partir das vivências emocionais retratadas na série <em>This Is Us</em>?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo geral deste trabalho é analisar o papel da Psicologia no enfrentamento do luto gestacional, a partir da representação da perda gestacional na série This Is Us, utilizando a análise comportamental para compreender os padrões de comportamento relacionados ao luto, as respostas emocionais das personagens e o impacto das intervenções psicológicas no apoio emocional e comportamental das famílias afetadas. E tem como objetivos específicos: Compreender o conceito de luto gestacional e suas implicações emocionais e psicológicas; identificar como o luto gestacional é representado na série <em>This Is Us; </em>refletir sobre as formas de acolhimento e suporte psicológico às famílias que vivenciam o luto gestacional e relacionar as vivências das personagens da série com práticas psicológicas que promovam um enfrentamento saudável do luto.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 Luto gestacional: o papel da psicologia no enfrentamento da perda.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O luto gestacional é uma experiência marcada por intensa dor emocional, muitas vezes vivida de forma silenciosa e solitária por mulheres e famílias que enfrentam a perda de um bebê durante a gestação ou logo após o parto. Apesar da relevância e profundidade dessa vivência, ainda é comum que esse tipo de luto seja minimizado ou ignorado socialmente, sendo classificado como uma dor “menor” por não haver, em muitos casos, a convivência física prolongada com o bebê. Essa negligência social contribui para o agravamento do sofrimento psíquico, tornando fundamental o olhar atento da psicologia sobre o tema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Franco (2021), o luto é uma experiência complexa que se inicia quando uma situação conhecida e significativa cessa, envolvendo uma série de significados para o indivíduo e sua relação com o contexto. &#8220;Sendo o luto uma experiência que, embora apresente similaridades entre indivíduos ou grupos, terá sempre um cunho particular, a tentativa de padronizá-lo ou homogeneizá-lo não trará resultados favoráveis à sua compreensão&#8221; (Franco, 2021, p. 95).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela também discute que o luto é um processo que envolve oscilação entre o enfrentamento da perda e a busca por restauração, permitindo ao enlutado lidar com suas experiências diárias e enfrentar a dor da perda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, o que acontece quando o luto gestacional não é reconhecido? Ainda em Franco, &#8220;o luto não reconhecido é aquele que não pode ser expresso e vivenciado abertamente, por censura da sociedade ou do próprio enlutado, quando o vínculo rompido não é validado” (2021, p.116).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS, 2024), o número de óbitos fetais de 2013 a 2022 foi de 175.440. Enquanto que no último ano, 2023, o Departamento de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis (DAENT, 2024) registrou, ainda em dados preliminares, um total de 30.506 óbitos fetais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sanches e Freitas (2017) declaram que diante da ruptura de um vínculo, é natural que ocorra o luto. O luto é o processo de lidar com uma perda significativa, vivenciado de forma única e pessoal por cada indivíduo, utilizando diversos recursos que possuem para enfrentar esse momento de dificuldade e sofrimento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Casellato (2015), o luto resultante da perda gestacional ainda é visto pela sociedade como um luto não reconhecido, acabando por ser frequentemente ignorado e subestimado. Isso faz com que aqueles que sofrem essa perda sejam levados a enfrentar o luto, de maneira isolada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na cultura do desvincular-se fácil e rapidamente, do esquecimento, da não construção de uma memória, o não reconhecimento de um luto está muito próximo da não validação de relações dedicadas que possibilitem tanto a empatia como a intimidade, esta última requerendo tempo e tolerância para ser construída. Posso mesmo pensar que o luto não reconhecido surge como um sintoma da pós-modernidade (Franco, 2021, p. 117).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Moreno e Bleicher (2022) evidenciam que, embora a perda seja real, o reconhecimento do sofrimento nem sempre é o que afeta o suporte social disponível. Em um estudo conduzido pelos autores (2022), mulheres entrevistadas expressaram sentir que sua dor era invisível. “Eu queria falar do meu filho, porque eu gosto, e não me deixam falar”, “Sobre término de relacionamento tem música de sofrência, todo mundo entende a dor e a saudade, mas, quando você vai falar do filho que perdeu não deixam, pois, é mórbido (Moreno; Bleicher, 2022, p. 43).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Ferraro (2019), a perda gestacional envolve mais do que a ausência do bebê em si, ela está ligada à perda da maternidade, do status social e das expectativas futuras, o que pode levar a uma fragilidade emocional, trazendo à tona sentimentos como angústia, culpa, medo, solidão e ansiedade. Essa situação não apenas abala a identidade da mulher, como também exige uma reconstrução de si mesma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Rodrigues (2018), é importante que o psicólogo considere o sofrimento individual diante da perda e o impacto desse evento em toda a família. Reconhecer que cada membro pode lidar com o luto de maneira distinta e em momentos diferentes é essencial.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dos fatos, se faz necessário, que nesse contexto, o profissional analise a cultura familiar, relação com a perda e outros aspectos fundamentais, a fim de auxiliar cada membro no processo de elaboração do luto e promover mudanças que possam restaurar a interação familiar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda continuando com o autor citado acima o psicólogo é o profissional mais capacitado para facilitar a expressão do luto. Entretanto, é essencial entender que esse processo requer tempo e não pode ser apressado nem pela família, nem pela equipe de saúde. Esse tempo deve ser usado para fortalecer a capacidade do enlutado de lidar com a perda do bebê</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 O luto gestacional é representado na série </strong><strong><em>This Is Us.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp;morte de um filho antes ou logo depois do nascimento rompe com a ordem natural da vida, assim como interrompe os sonhos, as esperanças, as expectativas e as esperas existenciais que normalmente são depositados na criança que está por vir. Nas palavras de Franco (2021, p. 97), &#8220;A morte de um feto é a morte de um sonho&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na série This Is Us&nbsp;é um drama familiar sobre a vida da família Pearson ao longo de diferentes linhas do tempo, focando em Rebecca e Jack e seus trigêmeos Kevin, Kate e Randall. Randall foi adotado por Jack e Rebecca após a morte de um dos trigêmeos deles. A adoção dele é um dos temas centrais da série, explorando sua busca pela identidade e a relação com seus pais biológicos e adotivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A série alterna passado e presente para explorar os dilemas, amores, perdas e o crescimento dos personagens, mostrando que as experiências moldam as pessoas e que o amor e a conexão familiar são o alicerce para superar desafios.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A série This Is Us&nbsp;é fundamental para a análise psicológica, explorando de forma aprofundada como a infância, traumas e dinâmicas familiares moldam a vida adulta, além de promover a empatia ao humanizar personagens com suas feridas e traumas.&nbsp;A narrativa, que transita entre passado e presente, permite observar a formação de esquemas psicológicos, a influência do luto, a complexidade dos relacionamentos e a construção da identidade, gerando reflexões sobre amor, perda, arrependimento e redenção para o espectador.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde o primeiro episódio, “This Is Us” deixa claro que o luto será um tema recorrente. A morte de Jack Pearson, o patriarca da família, é um dos principais eventos que moldam a narrativa. Cada membro da família Pearson lida com essa perda de maneira única, refletindo a diversidade de experiências e sentimentos que o luto pode desencadear. A série explora o impacto do luto através de diferentes perspectivas e fases da vida dos personagens. Randall, Kevin e Kate, os três filhos de Jack, vivem o peso dessa perda enquanto enfrentam desafios pessoais como ansiedade, vícios e dificuldades de autoestima. Rebecca, viúva de Jack, também é retratada em sua jornada para equilibrar o papel de mãe solo com a dor de perder seu grande amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo de seis temporadas, “This Is Us” deixa uma mensagem clara: o luto não é um processo linear. Ele é cheio de altos e baixos, marcado por momentos de tristeza profunda, mas também por instantes de superação e alegria.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em “This Is Us”, o luto é mostrado como algo que não se limita apenas ao sofrimento. Ele também é um processo de ressignificação, onde a memória dos que partiram é mantida viva através do amor, das lembranças e das conexões que eles deixaram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assistir à série pode ser uma forma de apoio emocional para quem está enfrentando o luto. Ao ver como os personagens lidam com suas próprias perdas, muitos espectadores encontram conforto, compreensão e até mesmo inspiração para ressignificar suas experiências pessoais. “This Is Us” é mais do que uma série de drama familiar; é uma lição de vida. Com sua narrativa sensível e realista, ela nos ensina que o luto faz parte da jornada humana e que, mesmo diante das perdas, podemos encontrar motivos para seguir em frente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A personagem que vivencia o luto gestacional na série&nbsp;This Is Us&nbsp;é&nbsp;Kate Pearson que sofre um aborto espontâneo no início de sua jornada para engravidar com seu então marido, Toby. A série aborda de forma sensível o luto do casal e os desafios emocionais e físicos que ela enfrenta, inclusive sendo desencorajada por médicos a tentar novamente devido a riscos de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3&nbsp;O luto do ponto de vista Psicológico.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista psicológico, o luto&nbsp;é uma resposta natural e processual a uma perda significativa, envolvendo reações emocionais, cognitivas e comportamentais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme Frankl (2019), é um processo de enfrentamento da dor que pode se manifestar como tristeza, raiva, culpa, ansiedade e, às vezes, sintomas físicos, e não se limita apenas à morte, estendendo-se a outras perdas como emprego, divórcio ou fim de amizades.&nbsp;A psicologia entende o luto como uma jornada para a reestruturação emocional e para a aceitação da ausência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A psicologia entende que para dissipar a dor psíquica de uma perda, é necessário que ela seja dita, vivida, sentida, refletida e elaborada, mas nunca negada&#8221; (Moreno,&nbsp;et al., 2022, p. 65).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Levando em conta o enfrentamento ao luto, Franco (2021) aponta que do ponto de vista do desenvolvimento do trabalho do psicólogo, é importante que o profissional faça uma reflexão do luto do ponto de vista fenomenológico-existencial e quais os desdobramentos que isso terá implicações na prática clínica, visto que através dessa perspectiva, quando uma pessoa perde uma pessoa próxima, ela “perde também possibilidades próprias de existir no mundo, podendo experienciar, assim, o esvaziamento de sentido de sua existência.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sendo assim, conforme Bardin (2016), o psicólogo tem que compreender esse processo de ruptura, não desvalidando os sentimentos e narrativas apresentadas pelo enlutado. Na contramão disso, o profissional deve oferecer ferramentas para o paciente viver o luto e ressignificar o morto enquanto sentido na própria vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, mediante Santos (2017), há um tempo para todo esse processo se constituir que não pode ser apressado nem pela família e nem pela equipe de saúde. Na verdade, o tempo tem de ser usado para melhorar a capacidade do enlutado de elaborar a perda do bebê.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Rodrigues (2018), um dos papéis da psicologia diante de intercorrências como o luto perinatal é desafiar a mentalidade da morte como tema interdito, buscando identificar as vulnerabilidades e o alto risco dos pais que perderam seus filhos. Cabe à psicologia ajudar os pais e familiares a se apropriar da situação que estão vivendo, de modo que, posteriormente, eles consigam falar do fato ocorrido, assimilá-lo e, algum tempo depois, aceitá-lo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Moreno&nbsp;et al. (2021), os rituais fúnebres ajudam no processo de luto, pois a recuperação é centrada na aceitação, e o velório permite que as pessoas se despeçam e que o enlutado seja considerado como tal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Buscou-se analisar por meio de artigos, revistas e livros base a compressão do luto nas três principais abordagens da psicologia atualmente: Análise do Comportamento (AC), Psicanálise e Psicologia Humanista.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na perspectiva analítica comportamental situações em que ocorrem o luto o ambiente do sujeito é alterado, criando-se um conjunto de contingências aversivas e a perda de reforçadores valorosos para o enlutado. Aumenta-se também a emissão de comportamentos de fuga e de esquiva já que o indivíduo tende a evitar dores e frustrações, diminuindo a frequência de comportamentos de sua atividade cotidiana, expondo-se menos a diferentes contingências e reforços. (FERRARO, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na teoria psicanalítica a concepção da perda objetal é o ponto chave do processo do luto, Freud indica em sua obra que: “O luto, de modo geral, é a reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém” (Freud, Luto e Melancolia, SE, XIV, pág. 249).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No manejo clínico sobre a demanda de luto a psicanálise busca utilizar o setting terapêutico como facilitador na elaboração do luto, através de um estudo de caso apresenta que a conduta do psicólogo no espaço terapêutico favorece a formação de um lugar para o paciente significar o processo de estruturação do luto durante a terapia. (FERRARO, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para tanto é fundamental que o analista desenvolva o espaço para se realizar a significação, levando em consideração singularidades e características do sujeito para consolidação do trabalho sobre o luto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a Psicologia Humanista o luto representa a consciência da finitude do ser, por meio dele surgem sentimentos da ausência de sentido no mundo. Para além da ausência física o luto recorre na ausência da relação que se havia com o sujeito e dessa forma o luto não será visto como algo a ser superado, mas sim um fenômeno que trará evocações de lembranças e sentimentos. (CASELLATO, 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. MATERIAIS E MÉTODOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa documental utilizada neste trabalho tem como conceito principal recorrer a fontes diversificadas e dispersas, sem tratamento analítico prévio, tais como: tabelas estatísticas, jornais, revistas, relatórios, documentos oficiais, cartas, filmes, séries de televisão, fotografias, pinturas, vídeos de programas televisivos, entre outros (FONSECA, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No presente estudo, o objeto principal de análise foi uma série de televisão. A obra selecionada é <em>This Is Us</em> (2016), uma produção da emissora norte-americana NBC, disponível atualmente na plataforma de streaming Star+. A série é reconhecida por abordar com profundidade questões emocionais e familiares, incluindo a vivência do luto gestacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise foi realizada a partir de episódios específicos que retratam a perda gestacional vivida por uma das personagens centrais, buscando compreender os aspectos emocionais e comportamentais envolvidos na vivência do luto. Para tanto, foi observado o contexto psicológico da personagem afetada, sua rede de apoio, os impactos na dinâmica familiar e conjugal, além das estratégias de enfrentamento do sofrimento psíquico diante da perda.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A escolha da série <em>This Is Us</em> justifica-se por sua capacidade de sensibilizar o público ao retratar, de forma realista e emocional, experiências humanas profundas e frequentemente silenciadas, como a dor da perda de um filho ainda durante a gestação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa adotou o método de pesquisa explicativa, o qual se preocupa em identificar os fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência de determinados fenômenos (GIL, 2015). No caso deste trabalho, o fenômeno estudado é o luto gestacional e o papel da Psicologia no processo de enfrentamento dessa experiência. Por meio da análise das situações representadas na série, buscou-se compreender como a Psicologia pode contribuir para o acolhimento emocional, a validação dos sentimentos e o fortalecimento de estratégias de enfrentamento saudáveis por parte das famílias enlutadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta produção textual foi realizada a partir de uma abordagem teórica fundamentada nos princípios da Psicologia, especialmente no campo da psicologia clínica e do acolhimento do sofrimento psíquico relacionado a perdas. A análise será guiada pelos fundamentos da análise de conteúdo, conforme proposta por Bardin (2016), que permite a identificação de categorias temáticas com base na observação das falas, expressões emocionais, comportamentos e contextos apresentados pelos personagens. A técnica permite organizar e interpretar os dados de forma sistemática, favorecendo uma compreensão profunda do fenômeno estudado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, o presente trabalho propõe uma investigação qualitativa, por meio de análise de conteúdo documental, sobre o papel da Psicologia no enfrentamento do luto gestacional, considerando as vivências emocionais retratadas em <em>This Is Us</em>. Espera-se, com isso, contribuir para a elaboração de diretrizes de intervenção que valorizem a validação do sofrimento, o acolhimento empático e o uso de recursos midiáticos como suporte ao processo terapêutico e à conscientização social acerca do luto gestacional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, esta pesquisa tem também um caráter exploratório e reflexivo, ao utilizar uma obra ficcional como recurso pedagógico para ampliar a compreensão sobre o luto gestacional e a atuação psicológica. Acredita-se que a análise de obras midiáticas pode enriquecer a formação de futuros psicólogos, proporcionando empatia, escuta sensível e reconhecimento das múltiplas formas de sofrimento humano.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1 Episódios Selecionados da Série This Is Us</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a realização desta pesquisa, foram selecionados episódios específicos da série This Is Us que abordam de forma direta o luto gestacional e suas repercussões emocionais e familiares. Os episódios foram escolhidos com base na relevância temática, na intensidade emocional das cenas e na presença de elementos que permitam uma análise psicológica significativa. Os episódios selecionados são:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Temporada 1, Episódio 1:</strong> Introduz o contexto da perda gestacional e os personagens centrais envolvidos. A trama alterna entre diferentes linhas do tempo, revelando no final que as histórias estão ligadas à família Pearson.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A história dos pais, Jack (Milo Ventimiglia) e Rebecca (Mandy Moore), se passa no passado, em 1980, e gira em torno do nascimento de seus trigêmeos. O parto acontece no 36º aniversário de Jack. No hospital, eles descobrem que um dos bebês não sobreviveu ao parto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A perda do terceiro filho é um momento devastador, mas crucial para a história da família, pois leva à decisão de adotar um bebê abandonado que havia sido levado ao mesmo hospital.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Temporada 2, Episódio 8:</strong> Aborda o impacto psicológico da perda na vida de Kevin, irmão da personagem enlutada, revelando como suas perdas e traumas de infância moldaram suas inseguranças e seu vício. O episódio se concentra em Kevin, mas o tema do luto é central para toda a família.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Kevin, que sempre foi o &#8220;número um&#8221; de sua família, tem seu futuro promissor no futebol desfeito por uma lesão no joelho na adolescência. Essa experiência o leva a se sentir um fracasso e a não ser bom o suficiente, o que o faz questionar seu valor.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No presente, Kevin está mergulhado no vício em álcool e analgésicos. Ao voltar a sua antiga escola para receber um prêmio, ele tem uma crise pública de desespero e embriaguez, mostrando como ele usa o vício para anestesiar o sentimento de perda e insuficiência.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Temporada 2, Episódio 9:</strong> Foca na experiência emocional da personagem Kate, que vivencia a perda gestacional é retratado de forma devastadora e realista. A narrativa explora as complexas camadas de culpa, vergonha e luto que ela sente, enquanto tenta processar a tragédia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A perda gestacional é um evento frequentemente cercado de culpa, e o episódio capta isso de forma intensa. Kate se sente responsável, como se seu corpo tivesse falhado, um sentimento que ecoa suas inseguranças de longa data relacionadas ao seu peso e à sua saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ponto de virada no episódio ocorre durante uma conversa emocional com sua mãe, Rebecca, que também enfrentou a perda de um filho. A partilha de experiências e a compreensão de Rebecca oferecem a Kate a validação que ela precisava para começar a se curar. A conexão entre as duas, muitas vezes complicada, se fortalece na dor e na empatia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O episódio não termina na escuridão. A interação com Rebecca, a aceitação gradual de que não precisa carregar o fardo sozinha e a promessa de apoio de Toby apontam para um caminho de recuperação. A dor não desaparece, mas a perspectiva de supera-la em conjunto começa a se formar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A complexidade do luto é elogiada por retratar a experiência multifacetada da perda gestacional, mostrando que o luto não é um processo linear e que a dor pode vir acompanhada de sentimento de culpa e inadequação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Temporada 4, Episódio 6:</strong>&nbsp; Apresenta reflexões posteriores da personagem Kate sobre a perda e suas tentativas de enfrentamento. Foca nas lutas pessoais de cada um dos Pearson: Randall lida com ansiedade, o casamento com Beth enfrenta turbulências, e ele se dedica a ajudar a comunidade na Filadélfia.&nbsp;Kate e Toby enfrentam desafios na criação do bebê Jack, o que gera tensões entre eles.&nbsp;Kevin tenta manter sua sobriedade e busca respostas sobre o tio Nicky, que descobre estar vivo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No final da temporada, a doença de Alzheimer de Rebecca, já em estágio avançado, é o ponto central, com os filhos lidando com a situação e Rebecca decidindo participar de um ensaio clínico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses episódios oferecem cenas que ilustram com profundidade a vivência do luto, incluindo expressões emocionais, apoio familiar, silêncio social e tentativas de ressignificação da dor.&nbsp; Com isso, espera-se que a pesquisa contribua para ampliar o olhar da Psicologia sobre o luto gestacional, a partir da análise simbólica e reflexiva de uma obra de ficção que representa de forma sensível e realista um tema tão importante e, ao mesmo tempo, negligenciado em nossa sociedade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo busca também promover discussões sobre a importância do acolhimento psicológico e da validação do luto em contextos reais, valorizando as representações midiáticas como recurso complementar de estudo e reflexão na formação de profissionais da saúde mental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por meio desta análise, pretende-se não apenas compreender representações ficcionais de dor e superação, mas também lançar luz sobre as dores reais.&nbsp; Cenas intensas de expressões emocionais, dinâmicas familiares e estratégias de enfrentamento que podem ser examinadas à luz das práticas psicológicas. A seleção de episódios centrados no tema justifica-se pela profundidade narrativa e pelo potencial didático para a formação de psicólogos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A revisão narrativa foi composta por 10 artigos que nortearam o estudo, possibilitando a organização das evidências encontradas. Essas evidências abordaram os aspectos essenciais ao tema e permitiram identificar questões que podem ser exploradas em pesquisas futuras. (Quadro 1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com isso, espera-se que a pesquisa contribua para ampliar o olhar da Psicologia sobre o luto gestacional, a partir da análise simbólica e reflexiva de uma obra de ficção que representa de forma sensível e realista um tema tão importante e, ao mesmo tempo, negligenciado em nossa sociedade.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1. </strong>Estudos selecionados para compor a Revisão Narrativa.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Autor/ano</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Título</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Objetivo</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Tipo de Pesquisa</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">BARDIN (2016)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Análise de conteúdo</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Descrever o método e as técnicas da análise de conteúdo e suas contribuições.</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Pesquisa qualitativa deEpidemiologia</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">CASELLATO(2015)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">O resgate da empatia</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">É tornar a ajuda acessível nos mais diferentes cantos de nosso país, para enlutados que surgem aos milhares a cada dia.</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão Integrativa</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">DATASUS (2024)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Óbitos fetais</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Analisar os dados do departamento de informática do sistema Único de Saúde</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Pesquisa quantitativa deEpidemiologia</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">FERRARO(2019)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">O sofrimento psíquico e suas implicações diante da perda gestacional</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Analisar a construção da maternidade de mulheres que vivenciaram a perda gestacional e as especificidades da elaboração do luto materno nesses casos.&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Pesquisa qualitativa</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">FRANCO(2021)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">O luto no século 21: uma compreensão abrangente do fenômeno</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Caracterizar as práticas de terapeutas ocupacionais brasileiros com pessoas enlutadas</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Pesquisa transversal, exploratória, de abordagem qualitativa</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">FRANKL(2019)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">O Sofrimento Humano: fundamentos Antropológicos da psicoterapia</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Analisar o tema do&nbsp;sofrimento&nbsp;na obra do filósofo alemão Friedrich. Nietzsche (1844-1900) e do criador da Logoterapia</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Pesquisa Bibliográfica</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">MORENO et al., (2022)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">A atuação de ONGs e coletivos no apoio a pais em condição de luto perinatal.</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Dar importância a atuação de ONGs e coletivos no apoio a pais em condição de luto perinatal. Estilos da Clínica</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão Integrativa</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">RODRIGUES(2018)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Uma revisão da literatura acerca do processo de elaboração do luto no sistema familiar&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Realizar&nbsp;uma revisão&nbsp;sistemática da&nbsp;literatura&nbsp;sobre a dinâmica&nbsp;familiar&nbsp;no&nbsp;processo&nbsp;de&nbsp;luto</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão Integrativa</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">SANCHES et al.,(2017)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">O papel do psicólogo hospitalar diante da perda fetal</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Compreender o papel do psicólogo na unidade hospitalar.</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Pesquisa Bibliográfica</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">SANTOS(2017)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">A elaboração do luto materno na perda gestacional</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Compreender de que forma se organizam as vivências maternas após uma perda gestacional. Sobretudo, pretende-se compreender que factores contribuem para que essas vivências apresentem variações mais amplas ou mais restritas</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Estudo descritivo, transversal e quantitativo de campo</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos estudos selecionados evidencia uma investigação qualitativa, por meio de análise de conteúdo documental, sobre o papel da Psicologia no enfrentamento do luto gestacional, considerando as vivências emocionais retratadas em <em>This Is Us</em>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A morte do filho antes do nascimento ou óbito fetal representa, geralmente, grande perda para pais e familiares constituindo acontecimento traumatizante, lembrado e temido em uma próxima gestação. A involução da gestação coloca em suspenso os sonhos, as esperanças, as expectativas e as esperas existenciais que os pais normalmente depositam no nascimento da criança. (BARDIN ,2016).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sanches et al., (2017) (2001) organizam em três tipos as variáveis que influenciam a reação emocional à perda. No que concerne às variáveis relacionadas aos pais, deve-se evidenciar, a nível individual, fatores como a idade, as características da personalidade, as crenças religiosas, seu contexto social e sua história de vida, entre vários aspectos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dos fatos sobre a temática, a série *This Is Us*, criada por Dan Fogelman e lançada em 2016, é uma produção dramática que retrata a trajetória da família Pearson ao longo de diferentes fases da vida. Por meio de uma narrativa não linear, a obra aborda temas como amor, adoção, relações familiares, identidade e, de maneira sensível e profunda, o luto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando se fala em luto segundo Bardin (2016), é comum a associação deste termo com a experiência de perder uma pessoa querida para a morte. Contudo, o luto também pode ser compreendido de uma forma mais ampla, como uma resposta após qualquer perda significativa, podendo aparecer de forma constante durante o desenvolvimento humano, uma vez que há diversas perdas ao longo da vida, tanto reais como simbólicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Observando os diferentes olhares sobre esse fenômeno, ressalta alguns trabalhos como os de Moreno et al., (2022 apud FRANCO, 2021), que pensa o luto como um processo de construção de significado, e os de Santos (2017 apud FRANCO, 2021), que possuem um olhar voltado à possibilidade de se manter vínculos contínuos, em oposição à necessidade de desligamento da pessoa falecida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desse modo, entendem que as intervenções durante o trabalho de luto que vão além do foco no afastamento da pessoa perdida podem ser muito relevantes, uma vez que buscam a construção de um vínculo contínuo e saudável com o que se perdeu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme Frankl (2019), na série This Is Us, um dos enredos centrais envolve a perda gestacional de um dos trigêmeos esperados por Rebecca e Jack Pearson. A morte do bebê logo após o parto é apresentada como um evento marcante, que desencadeia intensas reações emocionais e comportamentais nos personagens.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, a série evidencia como o luto gestacional impacta não apenas a mãe, mas todo o núcleo familiar, demonstrando diferentes formas de enfrentamento diante da perda.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir dessa representação, de acordo com Sanches et al., (2017), This Is Us contribui para reflexões relevantes no campo da Psicologia, ao retratar o luto gestacional como uma experiência legítima e significativa, que demanda acolhimento, escuta e validação emocional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A obra ressalta a importância do suporte psicológico nesse processo, destacando o papel do profissional de Psicologia em promover um espaço de expressão emocional, favorecer a ressignificação da perda e auxiliar na reconstrução do vínculo afetivo interrompido.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma Ferraro (2019), comenta que a série oferece subsídios para compreender o luto gestacional sob uma perspectiva comportamental e emocional, reforçando a necessidade de reconhecimento social e psicológico dessa forma de perda, frequentemente invisibilizada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a realização desta pesquisa, foram selecionados episódios específicos da série This Is Us que abordam de forma direta o luto gestacional e suas repercussões emocionais e familiares. Os episódios foram escolhidos com base na relevância temática, na intensidade emocional das cenas e na presença de elementos que permitam uma análise psicológica significativa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Temporada 1, Episódio 1:</strong> Introduz o contexto da perda gestacional e os personagens centrais envolvidos. A busca por respostas sobre quem somos e de onde viemos é um tema central, especialmente para Randall, que busca se reconectar com suas origens biológicas, e Kevin, que busca entender seu próprio valor.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Temporada 2, Episódio 8:</strong> Aborda o impacto psicológico da perda na vida de Kevin, irmão da personagem enlutada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O luto de Kevin não se restringe à morte do pai. Ele lida com a morte de Jack e as perdas de sua infância, como o fim de sua carreira no futebol, que são catalisadas no episódio. A série mostra como esses eventos moldam o caráter e as ações dele na vida adulta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Kevin passa a vida tentando fugir das perdas e dos traumas. Seu vício em álcool e analgésicos é uma maneira de negar a dor. Quando está em crise, ele tenta fugir da realidade, mas a pressão interna aumenta e ele acaba explodindo. As perdas de Kevin, que vão além da morte do pai, são um exemplo de luto complexo, em que as perdas não resolvidas do passado continuam a afetar a vida adulta.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Temporada 2, Episódio 9:</strong> Foca na experiência emocional da personagem Kate, que vivencia a perda gestacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Temporada 4, Episódio 6:</strong>&nbsp; Apresenta reflexões posteriores da personagem Kate sobre a perda e suas tentativas de enfrentamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses episódios introduzem a perda como um elemento fundamental na vida dos personagens, e a série explora como uma lida com esse trauma de maneira diferente, impactando suas vidas de formas distintas. A mensagem central é que a vida é feita de altos e baixos, e que, mesmo diante de adversidades, é possível encontrar esperança e resiliência, valorizando os laços familiares e o amor.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Ferraro (2019), durante o luto, as pessoas enlutadas podem vivenciar uma ampla gama de sentimentos, como tristeza, raiva, culpa, ansiedade, solidão, fadiga, desamparo, choque, libertação, alívio e torpor. Entre os comportamentos mais comuns, estão o isolamento social, choro, lembranças, hiperatividade, valorização de lugares e objetos que lembrem ou pertenciam a pessoa morta, podendo aparecer, inclusive, distúrbios do sono.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, ainda que algumas reações sejam semelhantes, têm de se considerar que cada indivíduo vivencia o luto de uma forma distinta, sobretudo em diferentes etapas da vida, pois o modo ele irá sentir e enfrentar tem relação com a sua história.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns acontecimentos da infância certamente podem marcar toda uma jornada. Porém, a vida também traz oportunidades para que, ao topar com os fantasmas do passado, seja possível fazer uma releitura do que ocorreu e até mesmo dar um novo significado. (FERRARO,2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a literatura, o estudo busca promover discussões sobre a importância do acolhimento psicológico e da validação do luto em contextos reais, valorizando as representações midiáticas como recurso complementar de estudo e reflexão na formação de profissionais da saúde mental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mediante Franco (2021), uma das primeiras tarefas do profissional de psicologia ao acompanhar um caso de luto perinatal é acolher e buscar identificar as vulnerabilidades e o alto risco da paciente que perdeu seu bebê. Ademais, cabe ao profissional auxiliar também os pais e familiares a assimilar a situação que estão vivendo, de modo que, posteriormente, eles consigam se expressar sobre o fato ocorrido e como se sentem, para assim, algum tempo depois, aceitá-lo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para tanto Santos (2017), a intervenção psicológica precisa ser acompanhada de uma postura compreensiva e empática. Nesse contexto, mensagens sensíveis podem ser importantes, como “Isto que estão passando deve ser realmente muito difícil”, “Estou aqui disponível para vocês”, “Fico triste com vocês”, “O que posso fazer para vos ajudar? ” (SANCHES ET AL.,2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por meio desta análise, pretende-se não apenas compreender representações ficcionais de dor e superação, mas também lançar luz sobre as dores reais.&nbsp; Cenas intensas de expressões emocionais, dinâmicas familiares e estratégias de enfrentamento que podem ser examinadas à luz das práticas psicológicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do exposto, pode-se afirmar que a perda de um filho antes do nascimento tem certamente grande impacto emocional para a mulher e seus familiares.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados da presente pesquisa reforçam o entendimento do luto gestacional e o papel da psicologia no enfrentamento da perda descrito na literatura. Destaque dado à assistência profissional é um ponto interessante encontrado no estudo, que nos faz refletir sobre a importância do psicólogo no atendimento eficaz e acolhedor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos analisados apontam que se atribui ao psicólogo a função de facilitar o contato com o processo de luto, bem como, de possibilitar aos que perderam alguém a chance de expressar seus sentimentos, viabilizando a elaboração do luto pelo filho que se foi.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Espera-se, com isso, contribuir para a elaboração de diretrizes de intervenção que valorizem a validação do sofrimento, o acolhimento empático e o uso de recursos midiáticos como suporte ao processo terapêutico e à conscientização social acerca do luto gestacional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, esta pesquisa tem também um caráter exploratório e reflexivo, ao utilizar uma obra ficcional como recurso pedagógico para ampliar a compreensão sobre o luto gestacional e a atuação psicológica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acredita-se que a análise de obras midiáticas pode enriquecer a formação de futuros psicólogos, proporcionando empatia, escuta sensível e reconhecimento das múltiplas formas de sofrimento humano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao fazer essa pesquisa, não estamos apenas visando conhecimento, mas também dando voz às experiências silenciadas e de luta por uma sociedade mais compassiva e acolhedora para todas as mulheres que enfrentam o luto gestacional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com isso, espera-se que a pesquisa contribua para ampliar o olhar da Psicologia sobre o luto gestacional, a partir da análise simbólica e reflexiva de uma obra de ficção que representa de forma sensível e realista um tema tão importante e, ao mesmo tempo, negligenciado em nossa sociedade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, cabe salientar a importância de estudos futuros que possam investir em novas reflexões acerca do luto gestacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BARDIN, Laurence. <strong>Análise de conteúdo</strong>. São Paulo: Edições 70, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. <strong>Portaria nº 1.459, de 24 de junho de 2011</strong>. Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde &#8211; SUS &#8211; a Rede Cegonha. 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt1459_24_06_2011.html. Acesso em: 30 maio. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CASELLATO, G. <strong>O resgate da empatia.</strong> 1ª ed. São Paulo: Summus, 2015</p>



<p class="wp-block-paragraph">Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). <strong>Óbitos fetais.</strong> 2024. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sim/cnv/fet10uf.def. Acesso em: 30 maio. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FERRARO, A. P. <strong>O sofrimento psíquico e suas implicações diante da perda gestacional. </strong>Marília: [s.n.], 2019. 39 f. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/ses/resource/pt/biblio-997290. Acesso em 10 mar. 2024:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FONSECA, J. J. de<strong>. Metodologia da pesquisa científica</strong>. Fortaleza: UEC, 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FRANCO, M. H. P. <strong>O luto no século 21: uma compreensão abrangente do fenômeno.</strong> 1ª ed. São Paulo: Summus, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FRANKL, V. E. <strong>O Sofrimento Humano: </strong>fundamentos Antropológicos da psicoterapia. 1ª ed. São Paulo: É Realizações, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FRANKL, V. E. <strong>Em Busca De Sentido:</strong> Um psicólogo no campo de concentração. 57ª ed. São Paulo: Editora Vozes, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GIL, Antônio Carlos. <strong>Métodos e técnicas de pesquisa social</strong>. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KUTAC, Julie; LARSON, Danielle. Supporting families experiencing perinatal loss: A critical care perspective. <strong>Critical Care Nursing Quarterly,</strong> v. 37, n. 3, p. 315-320, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MORENO, C. S.; BLEICHER, T. (2022). A atuação de ONGs e coletivos no apoio a pais em condição de luto perinatal. <strong>Estilos da Clínica</strong>, [S.L.], v. 27, n. 1, p. 36-51, 30 abr. 2022. Universidade de São Paulo, Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica (AGUIA). http<strong>://dx.doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v27i1p36-51</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">RODRIGUES, V. M. A.<strong> Uma revisão da literatura acerca do processo de elaboração do luto no sistema familiar e os manejos usados por psicólogos nesse contexto. </strong>2018. Disponível em: https://www.psicologia.pt/artigos/textos/A0996.pdf. Acesso em: 2 abr. 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANCHES, B. R. T.; FREITAS, P. M. L. O papel do psicólogo hospitalar diante da perda fetal. Rev. Uningá, Maringá, v. 29, n.1, p. 185-190, jan. 2017. Disponível em: http://revista.uninga.br/index.php/uningareviews/article/view/1910. Acesso em: 02 outubros. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANCHES, B. R. T.; FREITAS, P. M. L. O papel do psicólogo hospitalar diante da perda fetal. <strong>Rev. Uningá,</strong> Maringá, v. 29, n.1, p. 185-190, jan. 2017. Disponível em: http://revista.uninga.br/index.php/uningareviews/article/view/1910. Acesso em: 31 maio. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, D. P. B. D. <strong>A elaboração do luto materno na perda gestacional</strong>. Dissertação (Mestrado) – Psicologia (Secção de Psicologia Clínica e da Saúde, Núcleo de Psicologia Clínica Dinâmica), Universidade de Lisboa, Faculdade de Psicologia, 2017. Disponível em: https://repositorio.ul.pt/handle/10451/20463. Acesso em: 06 outubro. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">THIS IS US. [Série de TV]. <strong>Criado por Dan Fogelman. Estados Unidos</strong>: NBC, 2016–2022. Disponível em: Star+. Acesso em: 18 maio 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WORDEN, J. William. <strong>Terapia do luto: um manual para o profissional de saúde mental.</strong> São Paulo: Summus, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). <strong>Stillbirth. Geneva, 2022.</strong> Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/stillbirth. Acesso em: 18 maio 2025.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Discente do curso de Bacharelado em Psicologia, (UNINASSAU), biancacoutinho478@gmail.com<br><sup>2</sup>Discente do curso de Bacharelado em Psicologia, (UNINASSAU), sorayarodriguesdasilva9@gmail.com<br><sup>3</sup>Docente e Orientadora do curso de Bacharelado em Psicologia, (UNINASSAU).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA CONTRA A MULHER: ANÁLISE EM SAÚDE MENTAL</title>
		<link>https://revistaft.com.br/violencia-psicologica-contra-a-mulher-analise-em-saude-mental/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Nov 2025 15:50:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511061248 Tauany Duarte Silva1Cristiane Lorena Silva Machado2 RESUMO A violência psicológica contra a mulher no âmbito doméstico é um grave problema de saúde pública, uma agressão silenciosa, que não apresenta marcas visíveis, porém, impacta significativamente a saúde mental das vítimas. A fim de analisar os impactos da violência psicológica na saúde mental das [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511061248</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Tauany Duarte Silva<sup>1</sup><br>Cristiane Lorena Silva Machado<sup>2</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A violência psicológica contra a mulher no âmbito doméstico é um grave problema de saúde pública, uma agressão silenciosa, que não apresenta marcas visíveis, porém, impacta significativamente a saúde mental das vítimas. A fim de analisar os impactos da violência psicológica na saúde mental das vítimas, o presente estudo utilizou-se do método de revisão bibliográfica, contemplando artigos científicos nas bases de dados SCIELO e LILACS, partindo de uma análise qualitativa das informações e resultados. Com base nisso, obteve-se que a violência psicológica causa sérios problemas à saúde mental das vítimas. As principais consequências encontradas foram a sensação de medo, o isolamento da vítima em relação à família e sociedade devido aos abusos físicos e mentais, além de sintomas de estresse, ansiedade e depressão. Diante os resultados, intervenções profissionais voltadas ao cuidado integral das vítimas são fundamentais, uma vez que o contexto vulnerável em que as vítimas se encontram expõe a necessidade de acolhimento e acompanhamento em saúde mental.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Violência doméstica; Violência psicológica; Saúde mental; Vulnerabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Psychological violence against women in the domestic sphere is a serious public health issue. It is a silent aggression that leaves no visible marks, but significantly impacts the mental health of victims. In order to analyze the impacts of psychological&nbsp;violence on the mental health of victims, this study used a literature review method, including scientific articles in the SCIELO and LILACS databases, based on a qualitative analysis of the information and results. Based on this, it was concluded that psychological violence causes serious mental health problems for victims. The main consequences found were feelings of fear, isolation from family and society due to physical and mental abuse, as well as symptoms of stress, anxiety, and depression. Given these results, professional interventions focused on comprehensive care of victims are essential, as the vulnerable context in which victims find themselves exposes the need for support and mental health monitoring.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>Domestic Violence; Emotional Abuse; Mental Health; Vulnerability.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A violência contra a mulher é um tema de preocupação para a sociedade brasileira, com ênfase recente no contexto político. Sendo assim, há apenas alguns anos que a gravidade da violência doméstica se tornou tema de discussão e preocupação social (Guimarães; Pedroza, 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) a violência doméstica contra a mulher é crime. Dessa forma, a lei dispõe formas de evitar e punir assim como delega aos órgãos públicos o dever de amparar a mulher nessa situação. Na atualidade somam-se cinco formas de violência doméstica reconhecidas no Brasil:&nbsp; violência física &#8211; qualquer ato que dê origem a ferimentos no corpo físico da pessoa; violência moral &#8211; que se refere à calúnia, injúria e difamação, com o objetivo de prejudicar a reputação da vítima; violência patrimonial &#8211; que acontece com a&nbsp; subtração, posse ou destruição de itens da vítima, que podem ser : documentos de identidade, cartões bancários, empecilho ou bloqueio de contas entre outros; violência sexual &#8211; que se sucede por ação que force a vítima a manter relação sexual, corporal ou oral, com o emprego da força ou de&nbsp; coerção, no apontamento de crimes sexuais, tem-se o estupro, importunação violenta ao pudor e assédio sexual; violência psicológica – caracterizada por ameaças, agressões verbais, insultos e manipulação. (Brasil, 2006).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo publicação do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Bueno (2023) houve um aumento considerável no intervalo entre 2022 até 2023 nas ocorrências de violência psicológica no Brasil. Uma elevação de 33,8% nos episódios de violência psicológica em comparação a 2022, que apresentava 24.382 ocorrências, sendo registradas 38.507 em 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A violência mental inclui ofensas verbais, privações de recursos sejam eles pessoais, materiais e/ou financeiros e em alguns casos, para as mulheres as ofensas e humilhações podem ser tão graves que o dano pode abalar a segurança, a confiança e a autoestima, com repercussões graves em casos de violência física por gerar medo e terror nas vítimas (Silva <em>et. al.,</em>2017). Miller (2002, p.16) complementa, o agressor antes de agredir a vítima baixa sua autoestima para que ela aceite as agressões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Casique e Furegato (2006) alegam que a violência contra o gênero feminino está sendo cada vez mais observada como um problema de saúde da população, então há exigência e necessidade de se desenvolver programas para a percepção precoce da mesma, a fim de prevenir sua ocorrência, por meio de mediações efetivas. Contudo, dentre as violências comuns contra a mulher destaca-se maior ocorrência da violência psicológica, considerada como de difícil percepção da vítima, sendo caracterizada por ações que causem danos à autoestima, identidade social e desenvolvimento como um todo da mulher, ou seja, a violação concentra-se a nível mental (Silva <em>et. al</em>., 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o presente estudo trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, uma revisão bibliográfica que se propõe a levantar e sustentar a discussão sobre a violência psicológica contra a mulher como um tema pertinente em saúde pública, especificamente uma grave demanda em saúde mental.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. FATORES ASSOCIADOS À VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2014), define violência como a intencionalidade do emprego de força corporal ou disposição social que ocasione chantagem ou efetivação de ação violenta, de caráter autoprovocado, contra uma pessoa ou grupo, pretendendo como efeito acarretar prejuízos físicos, dano psicológico ou até mesmo morte. A violência ocasiona prejuízos ou carências pessoais, e o indivíduo comumente percebe-se sem forças para resolução de conflitos, reforçando o sentimento de insegurança e desencadeando uma queda no equilíbrio dos demais campos da vida (Siqueira; Rocha, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A violência psicológica está entre os cinco modos de violência familiar suportados pela mulher, podendo ser física, psicológica, moral, sexual e patrimonial, listados no artigo 7º da Lei 11340/06, “Lei Maria da Penha” (Brasil, 2006). A violência psicológica está delineada na lei como sendo:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“[&#8230;] qualquer ação que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima, ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento, ou que vise a degradar ou a controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir, ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação” (Brasil, 2006).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma a violência psicológica está enumerada como uma das configurações de violência íntima e familiar contra a mulher e como evidencia o artigo 7º, inciso II, da Lei Maria da Penha, sua incidência, considerada de modo isolado, até 2021 não era instituída como um crime. Ou seja, apenas depois de 15 anos da aprovação da lei, é que foi adicionado no código penal o delito de violência psicológica em relação à mulher (Gomes <em>et al.</em>, 2021). Até então, não havia a descrição de uma conduta específica para a violência psicológica (Alencar, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme Alves <em>et al</em>. (2022), violência psicológica é todo ato ou supressão que ocasione ou viabilize prejuízo à autoestima, ao desenvolvimento ou à identidade da pessoa. Essa violência apresenta-se por humilhações, ameaças, discriminação, chantagem, cobranças de comportamento, privilégio exclusivo, depreciação de cunho sexual, não consentir que a pessoa possa sair de casa, levando-a ao isolamento e distanciamento de familiares e amigos, ou proibir que ela use o seu dinheiro próprio. Entre as diferentes formas de violência, é a que apresenta maior dificuldade para ser identificada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A violência psicológica consiste em forma ardilosa de agressão, pois, na maioria das vezes é de difícil identificação pela vítima e parece invisível aos olhos de quem está de fora da situação. Já quando ocorre a violência física, o impacto é diferente pois se revela de modo intenso e manifesto, ao contrário dos resultados em uma violência psicológica, uma vez que neste caso os sinais são inconsistentes, porém podem causar efeitos destruidores. Esse tipo de violência abrange procedimentos que desestruturam o amor-próprio e a autoestima da vítima, causando receio, incerteza e fraqueza (Azevedo; Guerra, 2001).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto a violência corporal envolve ação de abuso físico, na violência&nbsp; &nbsp; psicológica, o abuso é realizado em forma de agressão mental, na qual o agressor reage com condutas e expressões que visam manipular, amedrontar, humilhar ou exercer controle sobre a vítima podendo conter ofensas, advertências, rebaixamentos, manipulação emocional, afastamento social e domínio descomunal, ocasionando angústia psicológica, o que influi diretamente na saúde mental da vítima (Alcantara, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O grande desafio consiste em constatar procedimentos que identifiquem a violência psicológica, haja vista que as agressões perpassam meios de domínio das atuações e vivências da parceira, como afazeres, gastos, afinidades sociais, conduta. O controle, geralmente, vem seguido de tentativas de manter a mulher isolada de parentes, amigos e ainda de atuar com atitudes mais agressivas (Cunha; Sousa, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme Correia (2018) sempre são detectados fatos que mostram serem as mulheres vítimas desse acontecimento, arcando não somente com as decorrências contíguas da agressão emocional, como também os conflitos tardios que atingem a sua saúde mental. A maior parte das vítimas são negras, possuem baixa escolaridade e estão em vulnerabilidade social, fatos que podem levar a vítima a continuar sofrendo violência psicológica, ampliando outros aspectos de saúde mental, tais como: estresse pós-traumático, isolamento social, ansiedade, depressão, instabilidade no desempenho profissional, autoestima baixa, conflito na imagem pessoal e intervenção na sua vida diária.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA</strong> <strong>E VULNERABILIDADE&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo que a violência psicológica seja crime, é necessário ser entendida principalmente como um acontecimento de estirpes culturais e históricas. Isso possibilita a apreensão do descuido legal relacionado a sua ocorrência perante a morosa criminalização. Pois essa morosidade somente ajuíza a visão que tem o senso comum, que banaliza a violência contra a mulher de maneira geral, especialmente quando ela não deixa marcas físicas visíveis (Cunha; Sousa, 2017).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dificuldade em identificar, entretanto, não acontece somente por essa razão, abarcando demandas tão intensas que, por vezes, nem mesmo a vítima se distingue como tal. Entender a complicação desse acontecimento motiva decodificar tumultos criados em influências mútuas assinaladas por afinidades de domínio diferentes (Debert e Gregori, 2002). Deste modo, é importante destacar que uma violência psicológica não necessita ser analisada nos próprios termos, fora do argumento da assimetria do poder.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o estudo realizado, o índice mais elevado de agressores, em mulheres de doze anos de idade ou mais, é o companheiro, com uma percentagem de 36% da totalidade de ocorrências atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2014 (Waiselfisz, p. 48, 2015). Comprova-se assim que o maior elemento agressor de mulheres prossegue sendo o homem, eles aprendem e vivenciam exemplos de que os homens continuamente serão colocados em níveis superiores aos das mulheres, razão pela qual, explicam para si próprios que a atitude violenta é somente uma forma de conservar seu poder. O que individualiza ainda mais o aspecto dos agressores (Hookes, 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o dicionário da língua portuguesa a origem da palavra &#8221;vulnerabilidade&#8221; procede do latim e quer dizer o que foi ferido, lesionado, rasgado ou rompido e encontra intensa vinculação com as elaborações que apontam para um significado ligado à vulnerabilidade: uma sensibilidade ao sofrimento ou a uma insegurança suscetível de ser ferido, ofendido, atacado (Dicio, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Butler (2019), a composição do corpo nos faz dependentes uns dos outros, existe de contínuo um marco de vulnerabilidade antecedente e essencial à vivência, uma vez que estamos expostos aos olhares dos demais, e assim o ser humano está igualmente exposto à violência. Assim, Butler (2019, p. 87) afirma ser:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“Evidentemente, o fato de o corpo de uma pessoa nunca pertencer completamente a ela, de não ser delimitado e autorreferencial, é a condição do encontro apaixonado, do desejo, do anseio e dos modos de se endereçar e de endereçamento dos quais depende o sentimento de estar vivo.”&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Se relacionado à saúde mental, o conceito do termo vulnerabilidade se expressa como modo presumível de possibilitar o conhecimento da questão por meio da escuta, e estabelecer a ligação entre particular e grupal, na medida em que consegue olhar os fatos acontecidos e antever a chance de apresentação de ofensas que originam adoecimentos resultando em um conjunto de particularidades que envolvem não somente indivíduos, mas principalmente a grupos no caso os familiares (Butler, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lucena et. al. (2016) comenta que&nbsp; a vítima de violência doméstica não distingue a agressão no princípio do relacionamento, imaginando que as atitudes violentas estão vinculadas&nbsp;a um super amparo de seu companheiro, e com o passar do tempo conseguem identificar passando a&nbsp; acreditar conseguir controlar essas atuações e em uma provável transformação do consorte, o que ocasiona diversos anos de consternação e de decorrência psicoemocional causando&nbsp; deterioração da autoestima, originando&nbsp; consequências psicológicas sérias quando não atendidas&nbsp; adequadamente .</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, Cunha e Sousa (2017) explicam que o envolvimento da condição emocional associado a insegurança pautada no sentimento que tem pelo parceiro permeia entre amor e desafeição, conforma esse procedimento de padecimento psíquico apresentando o afeto emocional e o problema em desprender-se do relacionamento impetuoso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem várias retenções e carências que impedem o término&nbsp; do período de violência, é admissível analisar que permanece um sentimento afetuoso emocional devotado a esse agressor, embora&nbsp; as pesquisas mostrem que são múltiplos os pretextos que se contestam esse corte, podendo ser citados : receio de passar por uma desforra como decorrência de uma agressão&nbsp; maior, acanhamento de desvendar a situação e não ter ideia de como&nbsp; a sociedade irá comentar ou pensar, o medo do sentimento de&nbsp; molestar o seu agressor, sendo&nbsp; maior no caso de haver&nbsp; filhos do relacionamento, em geral as vítimas&nbsp; não almejam que&nbsp; haja prisão para o pai de seus filhos, isso soma-se a culpa e a responsabilidade a respeito da violência suportada, além da vítima não contar com uma estabilidade&nbsp; financeira adequada&nbsp; também são&nbsp; pretextos que surgem nas investigações quando se trata de&nbsp; rescindir esse ciclo (Silva&nbsp; <em>et. al</em>., 2017).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Percebe-se no exposto que a vulnerabilidade ou fragilidade tanto social como econômica fortifica os motivos que são mais vistos em analogia ao problema em desfazer o período de violência, nas vinculações afetuosa emocional e parcimoniosa, sempre surgem como motivos, esse panorama crítico leva as vítimas a perderem a autoestima e a confiança em si mesmas (Batista <em>et. al</em>., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que se refere à saúde mental, a vítima em função de todo o processo de afastamento pode estar mais exposta ao risco de desenvolver transtornos, como a depressão e ansiedade, e ainda afastar de seu meio de amizades e familiares.<strong> </strong>Esteves (2020) complementa, as mulheres que são vítimas podem apresentar danos emocionais expressivos como estresse pós-traumático, isolamento social, ansiedade, depressão, instabilidade de decidir, avaria de concentração e conhecimento, perda do seu bem-estar psicológico e do seu livre-arbítrio.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. IMPACTOS DA VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA NA SAÚDE MENTAL DAS VÍTIMAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A violência causada por pessoas próximas ou ocasionadores sociais pode estabelecer e ampliar sofrimentos, adoecimentos e perturbações mentais, impactando de modo ardiloso não só a saúde como também a vida das pessoas que são vítimas e que coexistem em uma situação de violência. Além disso, aquelas que manifestam determinados tipos de problema na mente são mais frágeis em relação à violência que implica uma relação entre duas ou mais pessoas, além de eventualmente padecerem com o emprego de força física e agressividade (Minayo, 2006). Assim sendo, trata-se de um cruzamento que traz como <em>feedback</em> o comprometimento da saúde mental e adoecimentos mentais que tornam as vítimas ainda mais vulneráveis à violência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A depressão é um dos resultados de violência, como explicitam os discernimentos do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). Esse transtorno caracteriza-se por desânimo, desesperança, falta de empenho em agilidades e redução da vivacidade, podendo conter outros indícios como: prejuízo na autoestima e autoconfiança, culpabilidade inadequada, pensamentos relacionados a suicídio e morte, diminuição da atenção, perturbação do sono e falta de apetite. As pessoas com depressão podem ainda manifestar uma multiplicidade de sinais físicos ou corporais que variam entre quadros leves, moderados e graves. Tais sintomas precisam prosseguir por mais ou menos duas semanas e originar avaria e consternação manifestas ao doente (Associação Americana de Psiquiatria, 2014).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os transtornos considerados depressivos são doenças mentais ou psicopatias ordinariamente presentes em mulheres como relatam diferentes estudos (Portela, 2021). Essas perturbações de acordo com a Associação Americana de Psiquiatria APA (2014) apresentam subdivisões. O transtorno interrompe o funcionamento normal do indivíduo e modifica o humor, pode ser identificado como Transtorno Depressivo Maior, conhecido normalmente como depressão, transtorno depressivo constante, além de outros tipos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A violência psicológica segundo Portela (2021) muitas vezes pode passar despercebida e não ser avaliada como grave, sendo analisada somente como um modelo de procedimento que reprime mulheres, que ficam caladas, intimidadas, inseguras, tímidas por serem vítimas e ainda muitas vezes sendo apontadas como culpadas. É importante que o meio social possa desfazer protótipos culturais que inviabilizam a identificação da violência psicológica, a fim de que os profissionais que atuam com as vítimas, cientes da gravidade e conscienciosos da complicação da violência, não marginalizem e não causem ainda mais sofrimento às mulheres.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Acabar com o ciclo de violência psicológica é complexo para as mulheres que são ou que foram vítimas. Frequentemente a violência psicológica surge como sendo a abertura para que ocorram outros tipos de violência, fazendo-se indispensável que a percepção dos profissionais que apresentam conhecimento técnico no assunto seja aplicada de forma efetiva às devidas ações de cuidado. É de suma importância ampliar um olhar profissional vigilante que permita às vítimas compreenderem que estão vivenciando um caso de agressão, ato que pode ocasionar sérios problemas psíquicos, dentre eles, a depressão. Assim, o profissional que acolhe essas vítimas necessita ter conhecimento dos direitos humanos e sociais, pois a vítima na maioria das vezes apresenta-se como vulnerável e incapaz por si só de compreender e reagir às situações, há uma resistência em buscar ajuda. Percebe-se assim que há o desmoronamento da autoestima dessas mulheres, por isso é imprescindível que os profissionais envolvidos possam ofertar o acolhimento, a escuta para essas vítimas de forma que possam auxiliá-las na recuperação do amor-próprio e minimização dos efeitos nocivos da violência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desse modo, pode-se notar que o desconhecimento a respeito da violência psicológica ainda persiste, o que causa uma dificuldade da vítima em detectar que sofre violência, por associar agressão apenas a dor física. Portanto, os impactos da violência psicológica na saúde mental de mulheres vítimas de violência doméstica são graves, uma vez que interferem na qualidade de vida das vítimas. Elas apresentam sintomas de ansiedade, estresse e depressão, além de vivenciarem enfraquecimento dos laços familiares devido ao isolamento social. Dessa forma, no que se refere à violência psicológica e a vulnerabilidade feminina, a inércia é comportamento comum, não apenas no interior dos domicílios, mas também no âmbito social. Para mudanças efetivas é fundamental que haja atos preventivos e informativos na busca por auxiliar mulheres vítimas de violência, por meio de profissionais devidamente qualificados e atentos às necessidades específicas desse público.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALCANTARA, P. P. T. et al. Cuidado integral às mulheres vítimas de violência. <strong>Ciência &amp; Saúde Coletiva</strong>, v. 29, n. 9, set. 2024. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/csc/2024.v29n9/e08992023/. Acesso em: 21 ago. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALENCAR, R. B. <strong>Violência psicológica no casal</strong>: gênero, cultura da honra e regulação emocional. 2019. 55 f.&nbsp; Dissertação (Mestrado em Psicologia) &#8211; Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2019. Disponível em:&nbsp; https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/7111. Acesso em: 01 set. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, A. J.; TARGINO, F. J. S.&nbsp; OLIVEIRA JUNIOR, V. C. O. <strong>Violência psicológica contra a mulher no ambiente doméstico</strong>: violência silenciosa 2022. Repositório Universitário da ÂNIMA (RUNA). Disponível em: https://repositorio-api.animaeducacao.com.br/server/api/core/bitstreams/886e5d75-99c2-4bc2-a4fa-474f9b1a1bf2/content. Acesso em: 25 ago. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. <strong>Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais</strong>: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. p. 31-86.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA. <strong>Manual diagnóstico e estatístico de Transtornos mentais</strong> &#8211; DSM-5. Porto Alegre: Artmed, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">AZEVEDO, M. A.; GUERRA, V. N. A. Violência psicológica doméstica: vozes da juventude. 001, <strong>Anais&#8230;</strong> São Paulo: IP/USP, 2001. Disponível em: https://repositorio.usp.br/item/001217222. Acesso em: 02 set. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BATISTA, V. C. et al. Prisioneiras do sofrimento: percepção de mulheres sobre a violência praticada por parceiros íntimos. <strong>Rev. Bras. Enferm</strong>., v. 73, n. 1, p. 1-10, jun. 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/8nWjvQ4X73VhbvMWkkYzJ3b/?lang=pt. Acesso em: 21 ago. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BUENO, S. et al. O crescimento de todas as formas de violência contra a mulher em 2022. In: FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA, 17, 2023, São Paulo. Anuário Brasileiro de Segurança Pública <strong>Anais&#8230;</strong> São Paulo: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 2023. p. 136-145. Disponível em: https://forumseguranca.org.br/wp-content/ uploads/2023/07/anuario-2023.pd. Acesso em: 21 ago. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BUTLER, J. <strong>Vida precária</strong>: os poderes do luto e da violência. Belo Horizonte: Autêntica: 2019. 189 p.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BUTLER, J. <strong>A força da não violência</strong>: um vínculo ético-político. São Paulo: Boitempo Editorial, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. <strong>Lei n. 11.340, de 07 agosto de 2006</strong>. Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher e dá outras providências. Brasília, DF, 2006. Acesso em: http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/ l11340.htm. Disponível em: 23 ago. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CANTARES, T. S.; GUZZO, R. S. L. Violência contra Mulheres: Diretrizes Políticas da Psicologia para o Exercício Profissional. <strong>Psicologia: Ciência e Profissão</strong>, 42, e 236907. 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1982-3703003236907. Acesso em 20 de mar, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CASIQUE, L. C.; FUREGATO, A. R. F. Violência contra mulheres: reflexões teóricas. <strong>Revista Latino-Americana de Enfermagem</strong>, Ribeiro Preto, v. 14, n. 6, p. 950-956, 2006. Disponível em: https://revistas.usp.br/rlae/article/view/2385. Acesso em: 17 ago. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CORREIA, L. V. R. F. <strong>Machismo e violência contra a mulher</strong>: uma abordagem acerca da reeducação e ressocialização dos agressores. 2018. 72 fl. Monografia (Graduação em Direito) &#8211; Universidade Federal do Maranhão, Imperatriz, 2018. Disponível em: https://monografias.ufma.br/jspui/bitstream/123456789/2577/1/LeonorCorreia.pdf. Acesso em: 05 ago. 2025.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">DEBERT, G. G.; GREGORI, M. F. As delegacias especiais de polícia e o projeto gênero e Cidadania. In CORRÊA, M. (Org.). <strong>Gênero e cidadania. Campinas</strong>: Núcleo de estudos de gênero-Pagu/Unicamp, 2002. p. 10.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DICIONÁRIO ONLINE DE PORTUGUÊS- DICIO, <strong>Significado de vulnerabilidade</strong>. Porto: 7 Graus, 2020. Disponível em: https://www.dicio.com.br/vulnerabilidade/. Acesso em: 20 jul. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ESTEVES, R. <strong>Violência, estressores ideológicos em mulheres com depressão</strong>: um estudo exploratório. 2020. 154 fl. Tese (Doutorado em Enfermagem Psiquiátrica) -Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2020. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22131/tde-18092020-091058/pt-br.php. Acesso em: 10 ago. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GOMES, A. C. J. C. et al. Atuação do psicólogo na assistência à mulher vítima de violência doméstica: uma revisão integrativa. <strong>Research, Society and Development</strong>, v. 10, n. 15, p. 1-8, nov. 2021. Disponível em: https://rsdjournal.org/rsd/article/download/22586/20083. Acesso em: 30 ago. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GUIMARÃES, M. C.; PEDROZA, R. L. S. Violência contra a mulher: problematizando definições teóricas filosóficas e jurídicas. <strong>Psicologia &amp; Sociedade</strong>, v. 27 n. 2, p. 256-266 dez. 2015. Disponível: https://www.scielo.br/j/psoc/a/Dr7bvbkMvcYSTwdHDpdYhfn/?format=pdf&amp;lang=pt. Acesso em: 08 ago. 2025&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOOKES, B. <strong>Erguer a voz</strong>: pensar como feminista, pensar como negra. São Paulo: Elefante, 2019.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">MILLER, M. L. <strong>Protegendo as mulheres da violência doméstica</strong>. 2.ed. Brasília: Tahirid Justice Center, 2002.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">SIQUEIRA, C.&nbsp; A.; ROCHA, E. S. S. Violência psicológica contra a mulher: uma análise bibliográfica sobre causa e consequência desse fenômeno. <strong>Revista Arquivos Científico</strong>s (IMMES), Macapá, v. 2, n. 1, p. 12-23, 2019. Disponível em https://arqcientificosimmes.emnuvens.com.br/abi/article/view/107/63. Acesso em: 30 abr. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WAISELFISZ, J. J. <strong>Mapa da violência 2015</strong>: homicídio de mulheres no Brasil. Brasília: Flacso, 2015. 83 p.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduanda do curso de Psicologia da Faculdade Cidade de Coromandel (FCC). E-mail: duartetauany70@gmail.com<br><sup>2</sup>Docente do curso de Psicologia da Faculdade Cidade de Coromandel (FCC). Especialista em Psicologia Clínica: Terapia Cognitivo Comportamental pelo Centro Universitário Internacional (UNINTER). E-mail: cristianelorena3@gmail.com</p>
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		<item>
		<title>CAPITALISMO E ADOECIMENTO PSÍQUICO: A CRISE DA SAÚDE MENTAL NO MUNDO DO TRABALHO CONTEMPORÂNEO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/capitalismo-e-adoecimento-psiquico-a-crise-da-saude-mental-no-mundo-do-trabalho-contemporaneo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Nov 2025 15:06:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=245683</guid>

					<description><![CDATA[CAPITALISM AND MENTAL ILLNESS: THE CRISIS OF MENTAL HEALTH IN THE CONTEMPORARY WORLD OF WORK REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511061203 Gabriele Campos de Almeida1Lorhanny Gabrielly David Rabelo2Orientadora: Profa. Me. Larissa Isaura Gomes3 RESUMO&#160; O capitalismo engendra modos de existência delineados pelo sofrimento e adoecimento psíquicos. A subjetividade humana é construída em um contexto cujos balizadores tendem ao [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">CAPITALISM AND MENTAL ILLNESS: THE CRISIS OF MENTAL HEALTH IN THE CONTEMPORARY WORLD OF WORK</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511061203</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Gabriele Campos de Almeida<sup>1</sup><br>Lorhanny Gabrielly David Rabelo<sup>2</sup><br>Orientadora: Profa. Me. Larissa Isaura Gomes<sup>3</sup></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O capitalismo engendra modos de existência delineados pelo sofrimento e adoecimento psíquicos. A subjetividade humana é construída em um contexto cujos balizadores tendem ao massacre de todas as formas comportamentais distanciadas da métrica a ser alcançada custe o que custar. A lógica perversa do capital dissemina o sentimento de invalidação, fracasso e desajustamento ao mundo, com a introjeção da culpabilização nos sujeitos. Esta pesquisa objetiva sistematizar elementos conceituais que possibilitem a análise do adoecimento psíquico intensificado pelo modelo capitalista. De natureza qualitativa, esta pesquisa foi construída na forma de revisão narrativa da literatura. O modo de produção capitalista se sustenta por uma lógica perversa que naturaliza a exploração e promove a docilização dos corpos, além da manutenção da alienação velada. A saúde mental dos trabalhadores vive um panorama de retrocessos e ataques, o que culmina na intensificação do adoecimento psíquico. A Psicologia, enquanto ciência e profissão, possui o compromisso ético e profissional de posicionar-se e contribuir para a compreensão das repercussões psíquicas advindas e intensificadas pelo modelo de produção capitalista. A saúde mental dos trabalhadores precisa compor pauta prioritária neste cenário de retrocessos e banalização da exploração.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Saúde Mental; Capitalismo; Adoecimento psíquico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Capitalism engenders modes of existence shaped by suffering and mental illness. Human subjectivity is constructed in a context whose guiding principles tend to massacre all behavioral forms that are detached from the metric to be achieved at all costs. The perverse logic of capital disseminates feelings of invalidation, failure, and maladjustment to the world, with the internalization of guilt in individuals. This research aims to systematize conceptual elements that enable the analysis of mental illness intensified by the capitalist model. Qualitative in nature, this research was constructed as a narrative literature review. The capitalist mode of production is sustained by a perverse logic that naturalizes exploitation and promotes the docility of bodies, in addition to maintaining veiled alienation. Workers&#8217; mental health experiences a panorama of setbacks and attacks, culminating in the intensification of mental illness. Psychology, as a science and profession, has an ethical and professional commitment to position itself and contribute to the understanding of the psychological repercussions arising from and intensified by the capitalist production model. The mental health of workers must be a priority in this scenario of setbacks and the trivialization of exploitation.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>Mental Health; Capitalism; Mental Illness.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O capitalismo, enquanto sistema econômico e social predominante, impõe modos de vida e subjetividades marcados por contradições e sofrimento psíquico. Harvey (2016) aponta que o capitalismo contemporâneo, caracterizado pela flexibilização do trabalho e pelo avanço do neoliberalismo, acentua desigualdades e precariza as condições de vida, intensificando o impacto na saúde mental dos indivíduos. Sob essa lógica, a busca incessante por produtividade e desempenho configura-se como elemento central que molda as relações humanas, muitas vezes desconsiderando os limites subjetivos dos trabalhadores (Harvey, 2016).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa dinâmica não se restringe à esfera econômica, adentra o campo subjetivo e emocional, produzindo sentimentos de inadequação e fracasso. Em seu livro Han (2015), “A Sociedade do Cansaço”, descreve como o sujeito contemporâneo é pressionado a se tornar um “empreendedor de si mesmo”, internalizando a culpa por não atender às demandas de alta performance do mercado. Esse modelo reforça a ideia de que o sofrimento é consequência individual, ocultando os fatores estruturais que o perpetuam (Han, 2015). Nesse contexto, o adoecimento psíquico emerge como um efeito colateral naturalizado da vida moderna com justificativa e responsabilidade estritamente individual.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Dejours (2012), a precarização do trabalho e a intensificação das cobranças resultam em uma “patologia social”, caracterizada pelo esgotamento emocional e pela desconexão do sujeito com seu próprio desejo. Esse processo reflete o caráter exploratório do capitalismo, que reduz os trabalhadores a meros recursos, promovendo a docilização dos corpos e a alienação das subjetividades (Dejours, 2012). Essa lógica perversa, ao normalizar o sofrimento, dificulta o acesso a condições dignas de vida e saúde mental.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste cenário, a Psicologia emerge como campo essencial para analisar os impactos do capitalismo sobre a saúde mental. A ciência psicológica, ao lado de outras áreas do conhecimento, tem o papel de desvelar os mecanismos que perpetuam o sofrimento, oferecendo subsídios para a construção de alternativas que promovam a dignidade e o bem-estar humano. Cabe à Psicologia compreender, questionar criticamente as implicações desse sistema na subjetividade e propor caminhos para resistir à lógica alienante imposta pelo capital.&nbsp;Esta pesquisa, de natureza qualitativa, foi desenvolvida sob a metodologia de revisão narrativa da literatura. Os critérios de inclusão dos artigos definidos para esta revisão narrativa foram: estar publicados nos idiomas português ou inglês, disponíveis eletronicamente e abordarem a temática em estudo. A busca foi realizada por acesso online, em artigos completos, livros, periódicos, relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU), entre outros documentos oficiais (leis, publicações do Ministério da Saúde e do Trabalho), publicados entre os anos de 1969 e 2025. Não houve recorte temporal prévio; os artigos que emergiram da busca e atenderam aos critérios de inclusão estavam compreendidos nesse período. Dos documentos oficiais e artigos foram extraídas informações que buscassem responder ao questionamento proposto e ao objetivo do estudo, evidenciando a inter-relação entre o capitalismo e o adoecimento psíquico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Objetivou-se sistematizar elementos conceituais que contribuam para a compreensão das formas pelas quais o sistema capitalista intensifica o sofrimento humano. Busca-se reforçar a relevância de ações integradas que incluam a saúde mental dos trabalhadores como prioridade em políticas públicas e práticas institucionais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A precarização do trabalho, a intensificação do controle sobre os corpos e mentes e a alienação são algumas das características do capitalismo que agravam o cenário de sofrimento psíquico. Esse modelo se sustenta na docilização dos sujeitos, invisibilizando as condições objetivas que geram sofrimento enquanto responsabiliza os indivíduos por sua incapacidade de se moldarem às exigências do mercado. Tais dinâmicas resultam na desumanização do trabalhador, reduzido a um recurso descartável.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Psicologia, enquanto ciência e profissão, tem o compromisso ético e social de atuar contra essas condições, promovendo uma compreensão crítica do adoecimento psíquico. Essa postura implica reconhecer os determinantes históricos, sociais e econômicos que contribuem para esse processo, além de propor intervenções que privilegiem a saúde mental em detrimento das demandas desumanizantes do mercado. Assim, ao analisar a relação entre capitalismo e adoecimento psíquico, este trabalho busca contribuir para o debate sobre a centralidade da saúde mental na luta por um modelo de sociedade mais justo, humano e decente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>A LÓGICA CAPITALISTA E A PRODUÇÃO DO SOFRIMENTO PSÍQUICO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O capitalismo é um sistema econômico historicamente consolidado, cuja lógica de funcionamento visa primordialmente à acumulação de capital e à ampliação constante do lucro. Surgido na Europa entre os séculos XV e XVI, esse modelo estruturou-se com base na propriedade privada dos meios de produção e na divisão do trabalho.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As máquinas, terras, instalações industriais e demais instrumentos produtivos tornaram-se propriedades de uma minoria que detém o poder de explorar a força de trabalho da maioria da população, que precisa vender sua capacidade produtiva para sobreviver (Marx, 2013). Como observa Harvey (2016), essa lógica de organização econômica transbordou para o campo das relações sociais, políticas e subjetivas, moldando modos de vida e experiências psíquicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No campo da Psicologia, é fundamental compreender que o sistema capitalista condiciona as formas materiais de existência e engendra subjetividades. A lógica produtivista, competitiva e meritocrática, imposta como padrão normativo de sucesso e valor pessoal, configura-se como um potente vetor de sofrimento psíquico (Han, 2015). Segundo Han (2015), ao abordar o conceito de “sociedade do desempenho”, destaca-se que o sujeito contemporâneo é pressionado a ser permanentemente produtivo, multitarefas e eficaz, o que o leva a uma autovigilância constante e à exploração de si mesmo, em um processo de esgotamento psíquico invisibilizado sob o ideal da liberdade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A subjetividade é constituída sob o imperativo da performance. Aqueles que não conseguem corresponder às exigências de produtividade e sucesso imposta pelo capital são, frequentemente, tomados por sentimentos de inadequação, fracasso e desvalorização (Han, 2015). Essa experiência subjetiva é marcada por mecanismos de introjeção da culpa, nos quais o indivíduo é responsabilizado pelo próprio sofrimento, desconsiderando-se os determinantes estruturais e sociais de sua condição. Como afirma Dejours (2012), o sofrimento psíquico nas organizações é frequentemente silenciado ou individualizado, mascarando o caráter político da dor no trabalho.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A desigualdade social imposta pela concentração dos meios de produção gera a polarização entre uma minoria rica e uma maioria empobrecida, que enfrenta múltiplas formas de precarização da vida. Viapiana <em>et al</em>. (2018), analisam como essa desigualdade acarreta impactos profundos sobre a saúde mental da população, uma vez que os determinantes sociais do processo saúde-doença não podem ser ignorados. A superexploração, o assédio, os salários insuficientes, a informalidade, o desemprego e a exigência constante de produtividade compõem um cenário adoecedor que afeta diretamente o bem-estar psíquico dos trabalhadores (Viapiana <em>et al.</em>, 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O filósofo Canguilhem (2000), compreende o adoecimento psíquico como uma forma singular de relação com o mundo, resultante das rupturas entre o sujeito e o meio. Nessa perspectiva, o sofrimento não é apenas um fenômeno clínico individual, mas uma expressão da impossibilidade de adaptação às exigências de um meio hostil. O sistema capitalista impõe essa hostilidade ao normatizar formas de viver baseadas na competitividade, na aceleração e no consumo, o que marginaliza modos de existência considerados improdutivos ou “inúteis”, alimentando um ciclo de frustração e alienação (Canguilhem, 2000).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O conceito de alienação, elaborado por Marx (2013), revela como o trabalho no capitalismo deixa de ser uma atividade vital e criativa para tornar-se uma imposição externa. O trabalhador, alienado do produto de seu trabalho e de sua própria atividade, vivencia o trabalho como um sacrifício e não como expressão de sua essência. O sujeito é reduzido à condição de objeto dentro do processo produtivo, em uma relação marcada pela exploração e pelo estranhamento de si mesmo (Marx, 2013).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Engels (2008), por sua vez, já denunciava no século XIX as condições precárias de vida e trabalho da classe operária, associando o adoecimento físico e mental ao alcoolismo e à miséria. A falta de condições mínimas de moradia, lazer e segurança leva os trabalhadores a buscar refúgio em estímulos como o álcool, numa tentativa de suportar a dureza da existência (Engels, 2008).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As populações em situação de pobreza persistente vivenciam um desamparo estrutural profundamente enraizado em desigualdades socioeconômicas e naquilo que Galtung (1969) denominou de violência estrutural, caracterizada por formas sistêmicas de exclusão que limitam o acesso a direitos básicos e produzem sofrimento evitável. Essa condição fragiliza o tecido social e amplia o risco de sofrimento psíquico, favorecendo o desenvolvimento de transtornos mentais como depressão e ansiedade, além de impulsionar a adoção de estratégias de sobrevivência potencialmente danosas, como o uso abusivo de substâncias e a inserção em atividades de risco (OMS, 2014).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Castel (1997) descreve essa condição como uma “zona de vulnerabilidade”, marcada pela instabilidade laboral e pela precarização dos vínculos sociais, elementos que alimentam sentimentos de desesperança e marginalização. No contexto brasileiro, o quadro se agrava pelo subfinanciamento estrutural e pela distribuição desigual dos serviços de saúde mental, que dificultam o acesso das camadas populares a políticas de cuidado e proteção, perpetuando o ciclo de exclusão e sofrimento psíquico (Onocko-Campos, 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa maneira, constata-se que os determinantes sociais da saúde, como a educação, o trabalho, a moradia e o acesso a serviços de saúde, exercem influência sobre o bem-estar físico e se configuram como variáveis fundamentais para a compreensão da incidência e da manutenção do adoecimento psíquico em populações em situação de vulnerabilidade (Buss <em>et al.</em>, 2007).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No século XXI, uma nova categoria social emerge com destaque, o precariado. Standing (2011) define o precariado como uma classe fragmentada e vulnerável, composta por trabalhadores que vivem sob instabilidade permanente, sem acesso a direitos trabalhistas mínimos, segurança financeira ou perspectivas de ascensão social. Essa classe é especialmente afetada por formas contemporâneas de exploração, como a intermitência, os contratos temporários, a informalidade e a virtualização do trabalho (Standing, 2011). A insegurança constante e a falta de pertencimento geram efeitos devastadores sobre a saúde mental, favorecendo o isolamento, a ansiedade e o medo do futuro (Standing, 2011).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A saúde mental no capitalismo é atravessada por múltiplas variáveis que não podem ser analisadas de forma isolada. O adoecimento psíquico está associado a fatores como o deslocamento urbano, o acúmulo de funções (como a sobrecarga doméstica), a má alimentação, a dificuldade de acesso à educação e à saúde, entre outros (Bock, 2021). Trigo <em>et al</em>., (2007) alertam que a fadiga crônica e os transtornos relacionados ao trabalho, como a Síndrome de <em>Burnout</em>, não são meros distúrbios individuais, mas efeitos sistêmicos de um modelo que sobrecarrega os corpos e anula o descanso como direito humano fundamental.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O adoecimento psíquico relacionado ao trabalho tem se tornado uma das principais preocupações em saúde pública no Brasil, com crescimento expressivo dos diagnósticos de depressão, transtornos de ansiedade e <em>Burnou</em>t nas últimas décadas (OMS, 2022). Esse fenômeno não pode ser dissociado das transformações nas formas de organização do trabalho, que impõem aos indivíduos ritmos acelerados, instabilidade contratual e sobrecarga de responsabilidades.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse panorama, a Psicologia, enquanto ciência e profissão, tem o dever ético de posicionar-se criticamente frente às dinâmicas estruturais que favorecem o sofrimento psíquico. Conforme destaca Bock (2021), a atuação psicológica deve integrar uma perspectiva comprometida com a transformação social, voltada à denúncia das formas de exploração e à promoção da saúde mental coletiva. O desafio da Psicologia contemporânea está em compreender o adoecimento não como um fenômeno isolado, mas como sintoma de um sistema que esgota os sujeitos em nome do capital.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>A EPIDEMIA INVISÍVEL: INDICADORES DE SOFRIMENTO PSÍQUICO NO CONTEXTO CAPITALISTA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O modelo capitalista de produção, ao priorizar a produtividade e o lucro em detrimento da saúde e da dignidade humana, tem se mostrado uma das principais engrenagens do adoecimento psíquico contemporâneo (Dejours, 2012). A lógica de funcionamento das empresas, muitas vezes baseada em metas inatingíveis, competitividade extrema e intensificação do trabalho, favorece a propagação de transtornos mentais entre os trabalhadores (Han, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2023) apontam que, a cada 40 segundos, uma pessoa morre por suicídio no mundo, sendo os transtornos mentais associados ao trabalho uma das causas subjacentes desse fenômeno. A depressão e a ansiedade são hoje responsáveis por mais de 12 bilhões de dias de trabalho perdidos anualmente, resultando em uma perda econômica global estimada em cerca de US\$ 1 trilhão por ano (OMS, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, o Ministério da Saúde alerta para o aumento expressivo dos casos de transtornos mentais relacionados ao trabalho, como a síndrome de <em>Burnout,</em> que passou a ser reconhecida oficialmente como doença ocupacional em 2022 (Brasil, 2022a). Essa síndrome, caracterizada por esgotamento físico e emocional crônico, decorre principalmente de ambientes laborais com alta exigência e baixo reconhecimento (Trigo <em>et al</em>., 2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo dados do Ministério do Trabalho e Previdência, entre 2012 e 2021, houve um aumento de 118% nos registros de afastamentos por transtornos mentais no Brasil, representando um dos principais motivos de concessão de auxílio-doença no país (Brasil, 2022b). A análise desses dados revela que o adoecimento psíquico está profundamente enraizado na organização do trabalho imposta pela lógica capitalista.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa realidade evidencia o caráter sistêmico do sofrimento psíquico, que não se limita a experiências individuais, mas está vinculado a determinantes sociais, econômicos e organizacionais (Viapiana <em>et al</em>., 2018). A precarização do trabalho, o aumento da informalidade, os contratos temporários e a insegurança financeira são elementos estruturantes da atual configuração laboral, gerando instabilidade e afetando diretamente a saúde mental dos trabalhadores (Standing, 2011).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A lógica neoliberal, ao reforçar a responsabilização individual pelo sucesso ou fracasso, intensifica os sentimentos de culpa e impotência entre os sujeitos que não conseguem corresponder às expectativas de alta performance, promovendo um ciclo contínuo de autodepreciação e sofrimento psíquico (Bock, 2021). O sujeito é transformado em “empresa de si”, constantemente avaliado, controlado e comparado, o que compromete sua autonomia e seu equilíbrio emocional (Han, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A alienação descrita por Marx (2013), entendida como o distanciamento do trabalhador em relação ao produto de seu trabalho, ao processo de produção e a si mesmo, persiste sob novas formas nas dinâmicas contemporâneas, manifestando-se na perda de sentido, no sentimento de inutilidade e na ausência de pertencimento ao mundo social. Esses efeitos se potencializam quando o trabalho é vivido como obrigação opressiva e não como expressão do desejo ou do projeto existencial do sujeito (Marx, 2013).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a Organização Mundial da Saúde (2022), a depressão já representa a principal causa de incapacidade laboral no mundo, afetando mais de 300 milhões de pessoas, enquanto os transtornos de ansiedade ocupam a sexta posição entre os motivos de afastamento do trabalho, revelando a dimensão global e estrutural do problema.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto brasileiro, pesquisas apontam que a precarização das condições laborais intensifica diretamente o sofrimento psíquico, sobretudo pela ausência de políticas eficazes de prevenção. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2020), indicaram que quase 10% da população adulta já recebeu diagnóstico de depressão, sendo os trabalhadores submetidos a longas jornadas e baixos salários os mais afetados. Essa relação revela que a baixa qualidade de vida, marcada pela insegurança econômica e pelas pressões laborais, constitui fator determinante para o desenvolvimento de transtornos mentais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos nacionais apontam que profissionais da educação, da saúde e do setor de serviços têm apresentado índices elevados de sintomas de <em>Burnout</em>, refletindo a combinação de alta demanda emocional, ausência de reconhecimento e condições materiais precárias (Trigo <em>et al</em>., 2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As contribuições teóricas de Dejours (2012) são fundamentais para compreender esse cenário, pois apontam que o sofrimento no trabalho emerge do confronto entre a organização prescrita das tarefas e a realidade vivida pelo trabalhador. Quando não há possibilidade de transformar o sofrimento em prazer por meio do reconhecimento e da cooperação, instala-se o risco de patologização psíquica (Dejours, 2012). Nesse sentido, o adoecimento mental se apresenta como resultado de fatores individuais, e como consequência direta da precariedade estrutural e da deterioração das condições de vida.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto fundamental é a necessidade de articular a saúde mental laboral com políticas públicas amplas, que considerem a inserção do trabalhador em um contexto de desigualdade social. A precarização da vida cotidiana, marcada por insegurança alimentar, habitação inadequada e falta de acesso a serviços de saúde, amplifica a vulnerabilidade psíquica. A psicologia, nesse cenário, deve atuar para além do atendimento clínico individual, mas também na formulação de estratégias comunitárias e organizacionais que possam promover maior equilíbrio entre trabalho, vida pessoal e saúde (Bock, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O crescimento dos casos de <em>Burnout</em>, ansiedade e depressão no Brasil revela-se como fenômeno multifatorial, que reflete tanto as transformações nas formas de trabalho quanto a deterioração da qualidade de vida. O Conselho Federal de Psicologia (CFP, 2011) aponta que a compreensão desse processo demanda uma leitura crítica, interdisciplinar e comprometida com a análise estrutural da sociedade. &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Cabe à psicologia e às demais ciências da saúde assumir uma postura ativa na identificação desses determinantes, na defesa da aplicação de marcos normativos como a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), e na proposição de práticas que visem a transformação das condições de vida e de trabalho, garantindo a saúde mental como direito fundamental.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA PARA A MITIGAÇÃO DOS EFEITOS DO CAPITALISMO NA SAÚDE MENTAL DO TRABALHADOR&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Psicologia, enquanto ciência e profissão, tem responsabilidade ética de reconhecer o sofrimento psíquico do trabalho como fenômeno socialmente determinado, recusando leituras que o reduzam a traço individual ou “fragilidade” do sujeito, e propondo intervenções que incidam sobre a organização do trabalho e suas mediações institucionais, tal como demarcam as formulações do compromisso social da Psicologia no Brasil (Bock, 2021).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A psicodinâmica do trabalho oferece um eixo privilegiado de análise e intervenção ao distinguir o sofrimento “patogênico” daquele “criador”, mapeando as estratégias defensivas e as possibilidades de sublimação que emergem das coletivas de ofício, daí decorrem dispositivos clínico-institucionais que atuam sobre o real do trabalho e não apenas sobre o discurso prescritivo, como a análise do trabalho, os grupos de validação do “bem-fazer” e os pactos de cooperação (Dejours, 2012).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No plano da crítica sociocultural, o diagnóstico do “realismo capitalista” evidencia como o regime de produtividade e performatividade captura a experiência subjetiva, saturando-a de métricas e metas que naturalizam a impossibilidade de alternativas; a contribuição da Psicologia, nesse registro, é despatologizar sofrimentos que têm raízes organizacionais e simbólicas, criando tecnologia social para devolver historicidade à queixa e instituir espaços de fala vinculados a mudanças concretas no trabalho (Fisher, 2009).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A expansão de um “capitalismo emocional” reconfigura a gramática afetiva nas organizações, instrumentalizando repertórios da terapia e da autoajuda como tecnologias de gestão deslocamento que favorece a individualização da culpa e a medicalização do conflito; às Psicologias clínicas e sociais cabe tensionar esse uso gerencial da linguagem terapêutica, reconstruindo vínculos entre sintomas, normas de desempenho e hierarquias, e evitando que protocolos de “bem-estar” convertam-se em novos dispositivos de controle (Illouz, 2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A crítica à “indústria da felicidade” mostra como indicadores psicológicos convertidos em <em>Key Performance Indicators</em> <em>(KPI’s) </em>(engajamento, satisfação, propósito) tendem a operar como próteses de legitimação de metas e ritmos intensificados. Por isso, programas de saúde mental corporativos devem ser reposicionados como parte de uma governança psicossocial que inclua diagnóstico participativo, negociação coletiva, limites de carga, redesenho de tarefas e canais efetivos de proteção contra assédio e retaliação (Davies, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, a produção crítica em administração evidencia a difusão de uma cultura do <em>management </em>que, pela mídia de negócios e por <em>Think Tanks</em>, promove a figura do “empreendedor de si” e naturaliza relações laborais precárias; a Psicologia Organizacional e do Trabalho e a Psicologia Social do Trabalho podem intervir com alfabetização crítica sobre poder e discurso, revisão de competências gerenciais e implantação de políticas antiassédio com mecanismos de denúncia protegida e auditorias independentes (Ituassu <em>et al</em>., 2014).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As transformações da classe trabalhadora na economia de serviços e de plataforma impõem à Psicologia do Trabalho a ampliação de seus cenários de atuação para “zonas cinzentas” de informalidade e intermitência, onde o vínculo empregatício é difuso e a responsabilização é deslocada ao indivíduo; dispositivos de clínica ampliada, grupos de análise do trabalho em territórios, protocolos mínimos de proteção e pactos setoriais podem reduzir vulnerabilidades psicossociais típicas desse novo proletariado de serviços (Antunes, 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista metodológico, recomenda-se combinar análise ergonômica do trabalho e psicodinâmica (observação do trabalho real, entrevistas clínicas, cartografia de coletivos e incidentes críticos) com mapeamento de riscos psicossociais e indicadores qualitativos negociados com os trabalhadores, evitando o uso isolado de escalas padronizadas que descontextualizam a experiência e invisibilizam as determinações organizacionais e políticas do sofrimento (Viapiana <em>et al</em>., 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Sistema Único de Saúde (SUS) e a saúde do trabalhador demanda que a Psicologia sustente diagnósticos situados, dispositivos de cuidado voltados à cooperação e ao reconhecimento, e defenda políticas que coíbam metas abusivas, assédio organizacional e plataformas que externalizam risco. Dessa forma, o cuidado deixa de ser acessório da produtividade e se converte em componente estruturante da qualidade do trabalho e da vida, reafirmando o princípio do compromisso social da Psicologia (Bock, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atualização da norma regulamentadora nº 1 (NR-1), promulgada pela portaria Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nº 1.419/2024, representou um marco na legislação trabalhista brasileira ao incluir, de forma inédita, a obrigatoriedade de identificar, avaliar e controlar os fatores de risco psicossociais no programa de gerenciamento de riscos ocupacionais (Brasil, 2024). Essa revisão normativa, que entrará em vigor a partir de maio de 2026, prevê que todas as empresas devem contemplar, em seus inventários de riscos, aspectos relacionados à saúde mental, como estresse, assédio moral, sobrecarga, metas abusivas e conflitos interpessoais (Brasil, 2024).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente, a implementação terá caráter educativo até maio de 2027, período em que os empregadores receberão orientações técnicas sem aplicação de autuações imediatas, passando, posteriormente, à etapa de fiscalização plena. Ao alinhar-se às diretrizes internacionais, como a ISO 45003, a NR-1 amplia o escopo da saúde ocupacional no país, que tradicionalmente se restringia aos riscos físicos, químicos e biológicos, para incluir a dimensão psicossocial como determinante central do processo saúde-doença relacionado ao trabalho (Brasil, 2025).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse avanço normativo estabelece um campo de ação privilegiado para a psicologia, que encontra respaldo legal para desenvolver diagnósticos organizacionais, intervenções preventivas e estratégias de promoção da saúde mental em ambientes laborais, reforçando o compromisso ético da profissão com a dignidade e a qualidade de vida dos trabalhadores (Brasil, 2025). A aplicação efetiva dessa norma pode se tornar um importante instrumento para frear o avanço do <em>Burnout</em>, da ansiedade e da depressão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, é imperativo que a Psicologia, em diálogo com as políticas públicas de saúde mental, atue criticamente frente à naturalização do adoecimento psíquico nas relações de trabalho e na vida cotidiana. O compromisso ético da profissão demanda não apenas a escuta e o cuidado clínico, mas também o posicionamento político diante das estruturas que perpetuam a exploração, a exclusão e o sofrimento (CFP, 2011). O enfrentamento do sofrimento psíquico só será possível por meio da compreensão de suas raízes estruturais e da articulação entre prática profissional e transformação social.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise realizada ao longo desta pesquisa evidenciou que o capitalismo, em suas configurações contemporâneas, produz condições estruturais que favorecem o adoecimento psíquico. A precarização do trabalho, a intensificação das exigências de produtividade e a alienação da subjetividade aparecem como fatores centrais na manutenção desse processo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa permite compreender que o sofrimento psíquico não é um fenômeno individual isolado, mas expressão de contradições sociais e históricas. A desigualdade, a violência estrutural e a emergência do precariado demonstram que a saúde mental é atravessada por dimensões coletivas que não podem ser desconsideradas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a Psicologia é chamada a desempenhar papel crítico, ético e transformador. Não basta atender ao indivíduo de forma clínica, é necessário articular práticas e políticas que enfrentem as condições materiais e simbólicas que sustentam a lógica de exploração.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, diante da exaustão, persiste a esperança. Como entoa o Hino Nacional, <em>“Verás que um filho teu não foge à luta”: </em>há no povo brasileiro uma resistência histórica que insiste em sonhar, lutar e reinventar-se, apesar das condições adversas. Essa perseverança é combustível para pensar políticas públicas, práticas institucionais e ações comunitárias que reconheçam a saúde mental como direito inalienável.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As considerações finais deste trabalho não se encerram em constatações pessimistas, mas em um convite à transformação. Cabe à Psicologia, ao lado de outras ciências e dos movimentos sociais, contribuir para desatar as correntes da alienação e abrir frestas de futuro. Entre a dor e a esperança, entre a docilização e a resistência, a tarefa crítica é clara: construir caminhos onde o humano não seja objeto, mas presença viva, digna e plena.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se, portanto, que a relação entre capitalismo e sofrimento psíquico exige respostas integradas, que combinem políticas públicas, regulamentações trabalhistas e estratégias comunitárias. Somente assim será possível enfrentar o avanço das patologias sociais contemporâneas, promovendo saúde mental como direito humano fundamental.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ANTUNES, Ricardo. <strong>O privilégio da servidão</strong>: o novo proletariado de serviços na era digital. São Paulo: Boitempo, 2018.&nbsp;</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduanda em Psicologia pela gabriele.003971@aluno.fcc.edu.br<br><sup>2</sup>Graduanda em Psicologia pela Faculdade Cidade de Coromandel (FCC). E-mail: Lorhanny.003846@aluno.fcc.edu.br<br><sup>3</sup>Doutoranda em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Mestre em Saúde pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU); Especialista em Psicologia Jurídica pela Universidade Cândido Mendes (UCAM/RJ); Especialista em Gestão Pública pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU);Graduada em Psicologia pela Universidade de Uberaba (UNIUBE); Coordenadora do Curso de Psicologia da Faculdade Cidade de Coromandel (FCC); Docente dos<br>Cursos de Graduação e Pós-Graduação do Grupo Idea (FCC, FPM e FCJP). E-mail:<br>isaura.doutoranda.ppgpsi.ufmg@gmail.com</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>DE SONHADORES A SOBRECARREGADOS: ESTRESSE E SAÚDE MENTAL NO CONTEXTO ACADÊMICO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/de-sonhadores-a-sobrecarregados-estresse-e-saude-mental-no-contexto-academico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Nov 2025 14:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=245679</guid>

					<description><![CDATA[FROM DREAMERS TO OVERWHELMED: STRESS AND MENTAL HEALTH IN THE ACADEMIC CONTEXT REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511061118 Lorhanny Gabrielly David Rabelo1Gabriele Campos de Almeida2Orientadora: Profa. Me. Larissa Isaura Gomes3 RESUMO Este trabalho tem como objetivo compreender a relação entre estresse e adoecimento psíquico em estudantes universitários, por meio de uma pesquisa bibliográfica. Foram analisados estudos nacionais e [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">FROM DREAMERS TO OVERWHELMED: STRESS AND MENTAL HEALTH IN THE ACADEMIC CONTEXT</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511061118</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Lorhanny Gabrielly David Rabelo<sup>1</sup><br>Gabriele Campos de Almeida<sup>2</sup><br>Orientadora: Profa. Me. Larissa Isaura Gomes<sup>3</sup></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho tem como objetivo compreender a relação entre estresse e adoecimento psíquico em estudantes universitários, por meio de uma pesquisa bibliográfica. Foram analisados estudos nacionais e internacionais que abordam os principais fatores de risco associados ao sofrimento mental no ensino superior, bem como as possíveis contribuições da Psicologia na promoção da saúde mental nesse contexto. Os achados revelam que a sobrecarga acadêmica, as demandas psicossociais, a insegurança vocacional, o isolamento social, as dificuldades financeiras e o estigma relacionado à saúde mental estão entre os principais fatores de risco. Os indicadores mostram alta prevalência de sintomas como ansiedade, depressão e ideação suicida entre estudantes, o que evidencia a urgência de estratégias institucionais e preventivas. Nesse cenário, a Psicologia se apresenta como área fundamental, oferecendo ações de acolhimento, escuta qualificada, orientação profissional, grupos terapêuticos e apoio à formulação de políticas institucionais inclusivas. A literatura analisada indica que a atuação psicológica contribui significativamente para a redução do sofrimento psíquico dos discentes e para a promoção de ambientes acadêmicos mais saudáveis. Conclui-se portanto que, a Psicologia, enquanto ciência e profissão, agrega para as realidades discentes encontradas tendo o compromisso de fomentar espaços de conversação que instiguem a criação de serviços, ações e projetos que contribuam dentro da referida pauta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Saúde Mental; Estresse Acadêmico; Psicologia; Ensino Superior; Adoecimento psíquico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">This study aims to investigate the relationship between stress and mental illness in university students through bibliographic research. National and international studies addressing the main risk factors associated with mental distress in higher education were analyzed, as well as the potential contributions of Psychology to promoting mental health in this context. The findings reveal that academic overload, psychosocial demands, career insecurity, social isolation, financial difficulties, and stigma related to mental health are among the main risk factors. Indicators show a high prevalence of symptoms such as anxiety, depression, and suicidal ideation among students, highlighting the urgent need for institutional and preventive strategies. In this context, Psychology presents itself as a fundamental field, offering welcoming actions, qualified listening, professional guidance, therapeutic groups, and support for the formulation of inclusive institutional policies. The analyzed literature indicates that psychological intervention contributes significantly to reducing students&#8217; mental distress and promoting healthier academic environments. In conclusion, Psychology, as both a science and a profession, plays a significant role in addressing students’ realities, upholding the commitment to promote dialogical spaces that encourage the development of services, initiatives, and projects contributing to the aforementioned theme.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>Mental Health; Academic Stress; Psychology; Higher Education; Mental Illness.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O adoecimento psíquico dos estudantes universitários tem implicações de longo alcance (Moretti<em> et al.</em>, 2017). Além de prejudicar o rendimento acadêmico e deflagrar a possibilidade do aumento dos índices de evasão escolar, o impacto sobre a saúde mental pode perpetuar-se ao longo da vida, dificultando a inserção no mercado de trabalho e comprometendo o desenvolvimento pessoal (Moretti <em>et al.</em>, 2017). Pesquisas como a de Moretti <em>et al.</em> (2017), mostram que estudantes com transtornos psíquicos têm maior propensão a desenvolver doenças crônicas, como distúrbios de ansiedade e depressão majoritária, o que compromete a qualidade de vida e a produtividade a longo prazo. Portanto, torna-se urgente a implementação de estratégias de prevenção e intervenção que possam mitigar esses efeitos. E a Psicologia, assume nesse cenário, posição estratégica para instigar ações, serviços e projetos direcionados para esta demanda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2024), saúde mental refere-se a um bem estar no qual o indivíduo desenvolve suas habilidades pessoais, consegue lidar com os estresses da vida, trabalha de forma produtiva e encontra-se apto a contribuir com a comunidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A saúde mental significa um <em>socius</em> saudável, qualidade de vida de modo geral, pois implica emprego, satisfação no trabalho, vida cotidiana significativa, participação social, lazer, qualidade das redes sociais, equidade, entre outras dimensões da vida (OMS, 2024). Por mais que se decrete o fim das utopias e a crise dos valores, não se pode escapar, o conceito de saúde mental vincula-se a uma pauta emancipatória do sujeito, de natureza inapelavelmente política (Almeida <em>et al., </em>1999).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fase universitária é uma etapa de transição crucial na vida de muitos estudantes, nesse período, enfrentam múltiplas demandas, tanto no campo do desenvolvimento acadêmico quanto no pessoal e social (Lima <em>et al.</em>, 2019). A pressão para alcançar um desempenho acadêmico elevado, combinada com a necessidade de adaptar-se a um novo ambiente e equilibrar responsabilidades financeiras e sociais, cria um cenário propício ao desenvolvimento de estresse crônico (Câmara <em>et al.,</em> 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A exposição contínua a esses fatores pode resultar em consequências negativas para a saúde mental dos universitários, manifestando-se em transtornos psíquicos como ansiedade, depressão e <em>burnout</em> (Câmara <em>et al.,</em> 2024). Nesse contexto, compreender as dinâmicas do estresse e seus efeitos sobre a saúde mental torna-se imprescindível para a formulação de intervenções eficazes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O conceito de estresse, introduzido por Hans Selye (1956), refere-se à resposta inespecífica do organismo diante de estímulos internos e externos, sejam eles positivos ou negativos. No ambiente universitário, essa resposta é intensificada pela constante pressão por desempenho e pela necessidade de adaptação a um novo ciclo de vida. Segundo Dias <em>et al.</em> (2019), o estresse não é apenas uma resposta fisiológica, mas uma interação entre as demandas do ambiente e os recursos individuais para lidar com essas demandas. A forma como o estudante avalia e enfrenta essas pressões pode determinar o impacto emocional e psíquico. A literatura contemporânea indica que, sem a adoção de estratégias adequadas de enfrentamento, o estresse crônico pode evoluir para o adoecimento psíquico (Lima <em>et al.</em>, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A saúde mental dos estudantes universitários é um tema de crescente preocupação global, constituindo uma demanda de saúde pública. Segundo a Organização Mundial da Saúde (2024), em um estudo conduzido em parceria com a Iniciativa Mundial de Saúde Mental entre Estudantes Universitários (WMH-ICS), aproximadamente um terço dos calouros universitários relataram sintomas de algum transtorno mental, com a depressão e a ansiedade sendo os transtornos mais prevalentes. Fatores como a pressão acadêmica, o afastamento das redes de apoio social e as incertezas sobre o futuro contribuem para o aumento da vulnerabilidade à saúde mental nessa fase da vida (Auerbach <em>et al</em>., 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora muitas instituições de ensino superior tenham implementado programas de apoio psicológico, esses ainda são insuficientes para atender à demanda crescente de estudantes em sofrimento psíquico (Gomes <em>et al</em>., 2023). A oferta limitada de serviços de suporte, aliada à persistência do estigma associado à busca por ajuda psicológica, dificulta o acesso dos estudantes às intervenções adequadas (Gomes <em>et al</em>., 2023). A ausência de uma rede de apoio mais robusta e eficiente revela uma lacuna importante na promoção da saúde mental no ambiente universitário, tornando-se fundamental investigar novas abordagens e metodologias para lidar com essa problemática.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O adoecimento psíquico entre estudantes universitários tem se tornado uma preocupação crescente em virtude do aumento de casos de ansiedade, depressão, estafa emocional e ideação suicida (OMS, 2024). As múltiplas exigências do ensino superior, associadas à sobrecarga acadêmica, insegurança profissional, isolamento social, dificuldades financeiras e ausência de suporte institucional adequado, favorecem o desenvolvimento de quadros de sofrimento mental que comprometem a permanência e o desempenho dos discentes (Câmara <em>et al.,</em> 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse cenário, a Psicologia surge como um campo fundamental para compreender os determinantes do estresse acadêmico e propor estratégias de cuidado. Justifica-se, portanto, a realização desta pesquisa pelo seu potencial de contribuir para a promoção da saúde mental no ambiente universitário e para a formulação de práticas mais humanizadas e preventivas nas instituições de ensino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo geral deste estudo é compreender a relação entre o estresse e o adoecimento psíquico no contexto universitário, com foco nos fatores de risco e nas possíveis contribuições da Psicologia para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e suporte à saúde mental dos estudantes. Para alcançar tal finalidade, os objetivos específicos são: identificar os principais fatores de risco associados ao estresse acadêmico e ao adoecimento psíquico entre estudantes universitários; analisar os impactos do sofrimento mental na trajetória acadêmica, pessoal e social dos estudantes; discutir as possibilidades de intervenção psicológica no ambiente universitário, considerando ações de acolhimento, prevenção e políticas institucionais de cuidado; e apontar estratégias baseadas na Psicologia que favoreçam a promoção da saúde mental e a permanência qualificada no ensino superior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica. A seleção do material foi realizada entre março de 2024 e abril de 2025, com base em produções acadêmicas em língua portuguesa e inglesa, disponíveis nas bases SciELO, PePSIC, BVS e Google Acadêmico. Foram considerados artigos científicos, livros, dissertações, relatórios institucionais e documentos técnicos publicados entre 2015 e 2025, com exceção dos autores clássicos, que ultrapassam a temporalidade aqui recortada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os descritores utilizados para a busca foram: estresse acadêmico, saúde mental, ensino superior, Psicologia e adoecimento psíquico. Os critérios de inclusão envolveram produções que tratassem dos fatores de risco, impactos e intervenções relacionados ao sofrimento psíquico no ensino superior. O material foi analisado de forma exploratória, seletiva e interpretativa, visando à identificação de categorias temáticas que possibilitassem compreender o fenômeno e subsidiar propostas de intervenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. UNIVERSIDADE, FAMÍLIA E TRABALHO: O DESAFIO DO EQUILÍBRIO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A transição da vida escolar para a universitária é, para muitos jovens, um marco na conquista da independência, mas também um momento desafiador, caracterizado por um processo crítico de adaptação (Costa <em>et al</em>.,&nbsp;2016). O período universitário é marcado por transformações pessoais, profissionais e acadêmicas (Gomes <em>et al</em>., 2023). Neste contexto, os estudantes vivenciam uma série de desafios que envolvem o desempenho acadêmico, e o equilíbrio entre as diversas esferas de suas vidas, como a família e o trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada uma dessas esferas apresenta demandas próprias, que muitas vezes entram em conflito, afetando tanto o bem-estar do estudante quanto sua capacidade de se desenvolver plenamente durante sua formação acadêmica (Costa <em>et al</em>., 2016). A conciliação entre essas dimensões torna-se um grande desafio, uma vez que, no cenário atual, a pressão por resultados positivos em todos esses campos é cada vez mais intensa (Gomes <em>et al</em>., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vida universitária, é uma fase de adaptação a novas responsabilidades. Muitos estudantes deixam suas casas e assumem uma nova identidade, agora como universitários, e devem enfrentar a constante pressão por desempenho acadêmico, e lidar com questões psicossociais, como a adequação a um novo ambiente e a gestão de relações interpessoais mais complexas (Gomes <em>et al</em>., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses desafios, embora promovam crescimento, também impõem uma série de tensões. A pressão por conseguir conciliar todos os aspectos da vida acadêmica, as expectativas de suas famílias e as exigências do mercado de trabalho têm gerado um impacto significativo na saúde mental dos universitários, com reflexos diretos em sua qualidade de vida e no rendimento acadêmico (Câmara <em>et al.,</em> 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo os estudos de Leitão (2017), a família, como um dos pilares de apoio ao estudante, pode funcionar tanto como uma fonte de suporte quanto de pressão. Para muitos, as expectativas familiares em relação ao sucesso acadêmico e à rapidez com que o estudante se integra ao mercado de trabalho são intensas e podem provocar autocobrança e adoecimento psicológico no discente (Leitão, 2017).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A responsabilidade em casa pode ser uma fonte adicional de estresse (Câmara <em>et al.,</em> 2024). Muitos universitários se veem na posição de precisar ajudar com as finanças familiares ou até mesmo cuidar de membros mais velhos ou crianças, o que gera uma sobrecarga de tarefas (Leitão, 2017). Essa dinâmica familiar, se não for adequadamente compreendida e gerida, pode se tornar uma fonte de ansiedade, dificultando ainda mais a adaptação do estudante à vida universitária e comprometendo sua saúde mental (Leitão, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, o trabalho, que é uma realidade para muitos universitários, apresenta uma outra camada de complexidade. A necessidade de se manter financeiramente durante os estudos, seja por meio de estágios, empregos de meio período ou integral, formal ou informal, impõe uma carga adicional de responsabilidades (Niquini <em>et al</em>., 2015). A jornada dupla entre os estudos e o trabalho frequentemente resulta em uma agenda apertada e exaustiva (Niquini <em>et al</em>., 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, muitos estudantes acabam priorizando o trabalho em detrimento da vida acadêmica, o que pode levar ao comprometimento de seu desempenho e à perda de oportunidades de aprendizado (Niquini <em>et al</em>., 2015). O desgaste físico e emocional que acompanha essa sobrecarga pode gerar efeitos adversos na saúde mental do estudante, incluindo estresse crônico, ansiedade e até mesmo sintomas depressivos (Leitão, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este cenário de múltiplas responsabilidades reflete uma realidade que muitos estudantes enfrentam diariamente, a busca pelo equilíbrio entre as demandas da vida acadêmica, as expectativas familiares e a necessidade de trabalho. No entanto, essa balança nem sempre é fácil de alcançar, e os impactos na saúde mental desses estudantes podem ser negativos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos como o de Leitão (2017), Niquini <em>et al</em>. (2015) e Gomes <em>et al</em>. (2023), apontam que a sobrecarga de tarefas e responsabilidades está diretamente relacionada ao aumento dos níveis de estresse e adoecimento psíquico, o que evidencia a necessidade de se compensar as políticas de apoio aos universitários. Isso inclui desde a oferta de serviços de saúde mental nas universidades até a criação de estratégias que promovem a gestão do tempo e a conciliação entre estudo e trabalho (Niquini <em>et al</em>., 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em face do cenário atual, torna-se cada vez mais urgente discutir formas de oferecer suporte adequado a esses estudantes, levando em consideração a diversidade de suas experiências e desafios. Sob o ponto de vista de Gomes <em>et al</em>. (2023) as universidades, enquanto espaços de formação, precisam ser mais do que locais de ensino acadêmico. Devem ser também ambientes que compreendam as necessidades emocionais e sociais de seus alunos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Programas de acolhimento psicológico, atividades de gestão de estresse e estratégias para facilitar a conciliação entre trabalho e estudo são algumas das abordagens que podem contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos estudantes (Niquini <em>et al</em>., 2015).&nbsp; É essencial que as famílias, a sociedade e as instituições de ensino se unam para apoiar os jovens na busca por uma formação acadêmica equilibrada, que permita o seu desenvolvimento pessoal sem comprometer sua saúde mental (Leitão, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. SOB PRESSÃO: INDICADORES DE SAÚDE MENTAL NO AMBIENTE ACADÊMICO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estresse é definido como a resposta do corpo ao incômodo físico e emocional, capaz de perturbar o equilíbrio interno e levar a mecanismos disfuncionais nas esferas cognitiva e comportamental (Moretti <em>et al.</em>, 2017). Ele engloba uma série de reações desencadeadas por situações desafiadoras, como demandas acadêmicas, que podem impactar o bem-estar e o desempenho de um indivíduo (Moretti <em>et al.</em>, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desempenho acadêmico se refere à performance e aos resultados dos alunos em ambientes educacionais, influenciados por vários fatores, incluindo níveis de estresse, carga de trabalho e circunstâncias pessoais (Lima <em>et al.</em>, 2019). É um aspecto crucial da etapa educacional dos alunos, refletindo sua capacidade de atender aos requisitos acadêmicos e se destacar em seus estudos (Lima <em>et al.</em>, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relação entre estresse e desempenho acadêmico é complexa, com pesquisas indicando que altos níveis de estresse podem afetar negativamente a capacidade dos alunos de se concentrar, reter informações e tomar decisões de forma eficaz (Moretti; Hübner, 2017). Isso pode levar à diminuição do desempenho acadêmico e impedir o sucesso geral dos alunos em seus empreendimentos educacionais (Moretti; Hübner, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estressores acadêmicos, como exames, prazos de cursos e pressões de carga de trabalho, foram identificados como contribuintes significativos para os níveis de estresse entre estudantes universitários (Moretti <em>et al.</em>, 2017). E podem afetar a saúde mental dos alunos, levando a sintomas de ansiedade, depressão e esgotamento, que por sua vez afetam seu desempenho acadêmico e bem-estar (Moretti <em>et al.</em>, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As estratégias para gerenciar o estresse e melhorar o desempenho acadêmico incluem a implementação de serviços de apoio à saúde mental, a promoção de um equilíbrio saudável entre vida profissional e pessoal e o fornecimento de recursos para o gerenciamento do estresse e mecanismos de enfrentamento (Lima <em>et al.</em>, 2019). Ao lidar com os estressores de forma eficaz e apoiar o bem-estar mental dos alunos, as universidades podem criar um ambiente propício ao sucesso acadêmico e ao crescimento pessoal (Moretti <em>et al.</em>, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A saúde mental de estudantes universitários tem emergido como uma preocupação global e estratégica para a promoção do bem-estar e do desenvolvimento humano segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura &#8211; Instituto Internacional para o Ensino Superior na América Latina e nas Caraíbas (UNESCO-IESALC, 2024). De acordo com dados de 2021, mais de 60% dos estudantes do ensino superior nos Estados Unidos relataram ao menos um transtorno mental, representando um aumento de quase 50% em relação aos dados de 2013 (UNESCO-IESALC, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados são expressivos na América Latina, no Chile, 45% dos estudantes manifestaram sintomas de ansiedade, 46% de depressão e 53% de estresse, indicando uma sobreposição de condições que afetam diretamente o desempenho acadêmico (UNESCO-IESALC, 2024). No Brasil, estudos evidenciam um cenário igualmente preocupante. Uma pesquisa realizada em oito universidades federais de Minas Gerais revelou que 59,7% dos estudantes apresentam sintomas de ansiedade, sendo que quase 34% enfrentam quadros severos, interferindo na frequência às aulas e no rendimento acadêmico (Guia da Faculdade, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um estudo conduzido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) com 767 estudantes universitários identificou que 41,2% apresentaram níveis extremamente graves de ansiedade, 30,2% níveis extremamente graves de depressão e 26,2% níveis extremamente graves de estresse, refletindo o impacto significativo das desordens emocionais no contexto pós-pandêmico (Marinho, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Fundação Oswaldo Cruz, por meio do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), tem desempenhado papel de destaque na formação científica e na promoção de ações integradas à saúde pública e à educação (IOC, 2025). Em seus cursos, especialmente na pós-graduação, são relatados desafios significativos quanto ao sofrimento emocional dos estudantes, incluindo sentimentos de solidão, insegurança quanto ao futuro profissional e diagnósticos tardios de transtornos como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) (IOC, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A revisão sistemática de Campbell <em>et al.</em> (2022) identificou fatores de risco recorrentes para o adoecimento mental entre universitários, incluindo experiências adversas na infância, identidade LGBTQIA+, diagnóstico de autismo e falta de engajamento com atividades acadêmicas e sociais. A pesquisa, baseada em 31 estudos do Reino Unido, também revelou que estudantes com baixos níveis de literacia em saúde mental apresentam maior dificuldade em identificar sintomas e buscar ajuda especializada (Campbell <em>et al</em>., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estigma cultural sobre saúde mental é apontado como uma das principais barreiras ao acesso aos serviços psicológicos. Mesmo quando os serviços estão disponíveis, muitos estudantes evitam utilizá-los por medo de julgamento ou desconhecimento sobre sua existência (Campbell <em>et al</em>., 2022). A Unesco-Iesalc (2024), reforça que a ausência de metas específicas voltadas ao bem-estar estudantil nos planos educacionais agrava essa realidade, sendo que apenas 26% dos países de alta renda incluem objetivos explícitos de saúde mental em seus planos de ensino superior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pandemia de COVID-19 provocou um agravamento desse cenário. Dados revelam que 75% dos estudantes universitários no Canadá consideraram que a pandemia piorou suas condições emocionais preexistentes, fato também constatado em países latino-americanos (UNESCO-IESALC, 2024). O isolamento social, a suspensão de atividades presenciais e a sobrecarga acadêmica foram os principais fatores associados ao aumento de quadros de ansiedade, depressão e ideação suicida (Campbell <em>et al</em>., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos desafios, boas práticas institucionais na América Latina têm se destacado. A Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, adota uma abordagem interseccional e transcultural no acolhimento psicológico, considerando identidade racial, de gênero e classe social na formulação de estratégias de cuidado (UNESCO-IESALC, 2024). A Pontifícia <em>Universidad Católica de Chile</em> promove campanhas massivas de conscientização e oficinas de psicoeducação para combater o estigma e aumentar o conhecimento sobre saúde mental (UNESCO-IESALC, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Iniciativas complementares incluem investimentos em infraestrutura e ambiente universitário. Em universidades da China, por exemplo, a presença de espaços verdes foi associada a melhorias na saúde mental e no desempenho acadêmico dos estudantes (UNESCO-IESALC, 2024). A criação de salas sensoriais, uso de fones de ouvido com cancelamento de ruído e flexibilidade nos formatos de avaliação são apontadas como medidas eficazes para estudantes com TEA, ansiedade ou transtornos sensoriais (UNESCO-IESALC, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A formação docente também desempenha papel central. Em instituições como a Universidade da Califórnia, <em>Irvine</em> (EUA), e a <em>Mahidol University</em> (Tailândia), são ofertados programas de capacitação para que professores identifiquem sinais de sofrimento psicológico e encaminhem os estudantes aos serviços adequados (UNESCO-IESALC, 2024). No Brasil, o IOC integra ações de extensão e aproximação com a comunidade, como o programa “IOC+Escolas”, que promove educação em saúde e divulgação científica em escolas públicas, fortalecendo o vínculo entre ciência, educação e bem-estar (IOC, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. A PSICOLOGIA COMO POSSIBILIDADE DE CUIDADO: DESAFIOS E RECURSOS PARA A SAÚDE MENTAL UNIVERSITÁRIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Psicologia, enquanto ciência e profissão voltada ao cuidado da saúde mental, possui papel estratégico na promoção do bem-estar psíquico de estudantes universitários, contribuindo de forma significativa para a prevenção, diagnóstico e enfrentamento dos fatores que conduzem ao adoecimento mental (Barros <em>et al.,</em> 2020). Essa atuação se materializa em diversas frentes, desde o acolhimento clínico até a formulação de políticas institucionais inclusivas e sensíveis às especificidades da comunidade acadêmica (Gomes <em>et al</em>., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos principais eixos de atuação da Psicologia no ensino superior diz respeito aos serviços de apoio psicológico oferecidos pelas instituições, frequentemente vinculados a clínicas-escola ou setores de assistência estudantil (Alves <em>et al.,</em> 2020). Esses serviços promovem escuta qualificada, acolhimento individual e grupal, além de ações educativas voltadas à psicoeducação e ao fortalecimento de recursos internos dos estudantes (Alves <em>et al.,</em> 2020). Tais espaços têm se mostrado eficazes na redução de sintomas ansiosos, depressivos e relacionados ao estresse acadêmico (Souza <em>et al., </em>2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A implementação de oficinas temáticas e grupos terapêuticos é outro recurso amplamente utilizado pelos profissionais da Psicologia (Leitão, 2017). Nessas modalidades de intervenção, são trabalhadas competências emocionais, como habilidades sociais, manejo da ansiedade e regulação emocional, que auxiliam na adaptação acadêmica e no enfrentamento de situações de crise (Leitão, 2017). Tais estratégias favorecem o desenvolvimento do autoconhecimento e da autonomia dos estudantes, reforçando fatores protetivos à saúde mental (Alves <em>et al.</em>, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atuação do psicólogo também se estende à orientação profissional, auxiliando estudantes em processos de escolha ou reavaliação de sua trajetória acadêmico-profissional. Muitos casos de sofrimento psíquico estão relacionados à indecisão vocacional ou à sensação de inadequação ao curso escolhido, o que torna a orientação uma ferramenta preventiva e restauradora (Alves <em>et al.,</em> 2020). Ao favorecer a reflexão sobre expectativas, valores e metas de vida, a Psicologia contribui para o realinhamento do projeto de vida estudantil (Barros <em>et al.,</em> 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No campo institucional, a Psicologia pode colaborar na elaboração de políticas de saúde mental, com foco na inclusão e equidade, propondo ações que considerem os marcadores sociais da diferença, como raça, gênero, sexualidade e condição socioeconômica (Gomes <em>et al</em>., 2023). Nesse sentido, a abordagem interseccional adotada por algumas universidades brasileiras, como a USP, tem sido referência ao integrar questões psicossociais ao atendimento psicológico (UNESCO-IESALC, 2024). Compor espaços de análise e traçar estratégias interventivas considerando as categorias classe, raça e gênero, por exemplo, torna-se coerente com a pauta aqui exposta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto relevante é a atuação da Psicologia na formação docente. Psicólogos podem oferecer capacitação a professores sobre sinais de sofrimento psíquico e estratégias de apoio, fortalecendo a rede de cuidado na instituição (Sales, 2023). Essa ação é especialmente importante diante do estigma ainda existente em torno da saúde mental, pois promove o reconhecimento precoce de sintomas e o encaminhamento adequado dos estudantes (Campbell <em>et al</em>., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto da pandemia de COVID-19, a Psicologia ampliou suas contribuições por meio da adaptação de serviços para o formato remoto, garantindo o acesso contínuo ao cuidado mesmo durante o isolamento social (Maia <em>et al</em>. 2020). A escuta interessada e a contenção emocional foram essenciais para mitigar os impactos do distanciamento, da sobrecarga acadêmica e das incertezas vividas durante esse período (UNESCO-IESALC, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para além das intervenções clínicas e institucionais, a Psicologia também atua na produção de conhecimento por meio de pesquisas que investigam os determinantes do sofrimento psíquico no ensino superior. Tais investigações subsidiam políticas públicas, fortalecem as práticas baseadas em evidências e possibilitam o aprimoramento contínuo das ações preventivas e terapêuticas (Alves <em>et al.</em>, 2020). A produção científica brasileira tem avançado nesse campo, com destaque para estudos conduzidos por universidades públicas e institutos como a Fiocruz (IOC, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">É imprescindível destacar que a promoção da saúde mental requer um trabalho integrado e intersetorial. A Psicologia, deve articular suas práticas com outros setores da universidade, como assistência social, pedagogia e gestão acadêmica, visando construir ambientes saudáveis, colaborativos e inclusivos (Gomes <em>et al</em>., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente trabalho se propôs a compreender, por meio de uma pesquisa bibliográfica, a relação entre o estresse e o adoecimento psíquico entre estudantes universitários, destacando os principais fatores de risco e as possíveis contribuições da Psicologia na promoção da saúde mental nesse contexto. Os achados evidenciam que a vida acadêmica, embora represente um espaço de crescimento intelectual e pessoal, também pode se constituir como um ambiente de vulnerabilidade emocional e psíquica, especialmente diante da sobrecarga de demandas, da insegurança vocacional, da instabilidade financeira e da fragilidade das redes de apoio institucionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Constatou-se que o sofrimento mental dos estudantes não pode ser interpretado como uma condição meramente individual, mas como um fenômeno multifatorial, atravessado por determinantes sociais, culturais e institucionais. A ausência de políticas efetivas de acolhimento, a persistência do estigma em relação à saúde mental e a dificuldade de acesso a serviços especializados contribuem para o agravamento desse quadro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do aqui exposto, compreende-se que a Psicologia enquanto ciência e profissão se apresenta como um campo fundamental, no cuidado clínico, na articulação de políticas públicas institucionais, na formação de redes de suporte e na construção de estratégias educativas e preventivas. Intervenções como escuta qualificada, grupos terapêuticos, orientação profissional e capacitação docente mostraram-se eficazes para mitigar o sofrimento psíquico e fortalecer os fatores protetivos na trajetória acadêmica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a literatura analisada traga contribuições relevantes sobre os impactos do estresse acadêmico e as estratégias psicológicas de enfrentamento, nota-se uma lacuna significativa na produção de dados empíricos voltados às especificidades regionais e socioculturais dos estudantes de instituições de pequeno e médio porte, como as do interior do Brasil. Há escassez de estudos que avaliem a efetividade das ações institucionais de saúde mental a partir da perspectiva dos próprios discentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, recomenda-se que futuras pesquisas explorem abordagens qualitativas e quantitativas aplicadas diretamente aos contextos universitários locais, com foco em populações vulneráveis, como estudantes de primeira geração no ensino superior, trabalhadores-estudantes e alunos que apresentam histórico prévio de sofrimento psíquico. Investigações longitudinais também podem colaborar para compreender os efeitos duradouros do estresse acadêmico sobre a trajetória profissional e a saúde emocional dos egressos do ensino superior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se alguns elementos importantes, a mudança do cenário atual depende do comprometimento ético e político das instituições de ensino, das políticas públicas e dos profissionais da Psicologia, no sentido de garantir um ambiente acadêmico mais humano, justo e saudável. A Psicologia, com sua capacidade técnica, ética e crítica, oferece ferramentas para que esse compromisso seja efetivado, contribuindo com a construção de uma universidade mais democrática, inclusiva e promotora de saúde integral.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALMEIDA Filho N. COELHO, M. T. A.; PERES, M. F. T. O conceito de saúde mental. <strong>Revista USP</strong>, São Paulo, n. 43, p. 100-125, set./nov. 1999. Disponível em:&nbsp;https://www.revistas.usp.br/revusp/article/download/28481/30335/33252 Acesso em: 22 maio 2025.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">BARROS, L. O.; AMBIEL, R. A. M. Instrumentos de Avaliação Psicológica em Orientação de Carreira: Análise da Produção Nacional. <strong>Psicologia</strong>: ciência e profissão, Brasília, DF, 40, e203346, 2020. <a href="https://doi.org/10.1590/1982-3703003203346">https://doi.org/10.1590/1982-3703003203346</a> Disponível em:&nbsp; https://www.scielo.br/j/pcp/a/w7sSNrFmFfKZS8mPPjZ4VMf/?lang=pt Acesso em: 21 maio 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CÂMARA, S. G.; CARLOTTO, M. S. Estressores acadêmicos como preditores da síndrome de <em>Burnout </em>em estudantes. <strong>Revista Brasileira De Educação</strong>, Rio de Janeiro, v. 29, e290020, 2024. <a href="https://doi.org/10.1590/S1413-24782024290020">https://doi.org/10.1590/S1413-24782024290020</a> Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbedu/a/d9pY8jsZJW4QyPFVLGXJcJd/?lang=pt Acesso em: 20 maio 2025.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">SALES, R. V. <strong>Guia de Acolhimento Estudantil para a Educação Superior</strong>. Brasília, DF: CAPES, 2023. Disponível em: <a href="https://educapes.capes.gov.br/bitstream/capes/740179/2/Neiva%20Sales%20Gerioni%20-%20Produto%20educacional%20com%20ficha%20de%20avalia%C3%A7%C3%A3o.pdf">https://educapes.capes.gov.br/bitstream/capes/740179/2/Neiva%20Sales%20Gerioni%20-%20Produto%20educacional%20com%20ficha%20de%20avalia%C3%A7%C3%A3o.pdf</a> . Acesso em: 22 maio 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SELYE, H. <strong>O estresse da vida</strong>. Tradução: C. Lidiane Oliveira (2014). New York: McGraw-Hill, 1956. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/219155007/traducao-hans-selye. Acesso em: 18 out. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, J. P. A. <em>et al.</em> (2022). Sintomas de ansiedade generalizada entre estudantes de graduação: prevalência, fatores associados e possíveis consequências. <strong>Jornal Brasileiro De Psiquiatria</strong>, [S.l.], v. 71, n. 3, p. 193-203. &nbsp;https://doi.org/10.1590/0047-2085000000381 Disponível em: https://www.scielo.br/j/jbpsiq/a/phdLZspxdbSmbRtqGs5WtGh/?lang=pt Acesso em: 20 maio 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">UNESCO-IESALC. <strong>Supporting the mental health and well-being of higher education students.</strong> SDG Brief, 2024. Disponível em: <a href="https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000391501.locale=en">https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000391501.locale=en</a>. Acesso em: 22 maio 2025.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduanda em Psicologia pela Faculdade Cidade de Coromandel (FCC). E-mail: <a href="mailto:lorhanny.003846@aluno.fcc.edu.br">lorhanny.003846@aluno.fcc.edu.br</a><br><sup>2</sup>Graduanda em Psicologia pela Faculdade Cidade de Coromandel (FCC). E-mail: <a href="mailto:gabriele.003971@aluno.fcc.edu.br">gabriele.003971@aluno.fcc.edu.br</a><br><sup>3</sup>Doutoranda em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Mestre em Saúde pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU); Especialista em Psicologia Jurídica pela Universidade Cândido Mendes (UCAM/RJ); Especialista em Gestão Pública pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU);Graduada em Psicologia pela Universidade de Uberaba (UNIUBE); Coordenadora do Curso de Psicologia da Faculdade Cidade de Coromandel (FCC); Docente dos Cursos de Graduação e Pós-Graduação do Grupo Idea (FCC, FPM e FCJP). E-mail: <a href="mailto:isaura.doutoranda.ppgpsi.ufmg@gmail.com">isaura.doutoranda.ppgpsi.ufmg@gmail.com</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>MATERNIDADE SOLO E REPERCUSSÕES PSÍQUICAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA: UMA REVISÃO À LUZ DA PSICANÁLISE E DAS DESIGUALDADES SOCIAIS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/maternidade-solo-e-repercussoes-psiquicas-na-primeira-infancia-uma-revisao-a-luz-da-psicanalise-e-das-desigualdades-sociais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Oct 2025 21:01:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 151/OUT 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510281758 Lorena Farrajota Lourenço AbreuOrientador: Laszlo Antônio Ávila RESUMO&#160; Este artigo tem como objetivo analisar os impactos psíquicos da maternidade solo sobre as mulheres e seus filhos, com ênfase nas consequências subjetivas para a primeira infância. Por meio de uma revisão bibliográfica que articula autores clássicos da psicanálise com estudos recentes produzidos nos [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510281758</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Lorena Farrajota Lourenço Abreu<br>Orientador: Laszlo Antônio Ávila</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo tem como objetivo analisar os impactos psíquicos da maternidade solo sobre as mulheres e seus filhos, com ênfase nas consequências subjetivas para a primeira infância. Por meio de uma revisão bibliográfica que articula autores clássicos da psicanálise com estudos recentes produzidos nos últimos cinco anos, discutem-se as implicações da ausência de corresponsabilidade parental, da precariedade institucional e da sobrecarga materna na constituição do psiquismo infantil. O estudo evidencia como tais fatores contribuem para a repetição transgeracional do trauma, especialmente entre mulheres negras e periféricas, perpetuando ciclos de vulnerabilidade e adoecimento psíquico. A análise destaca a importância de políticas públicas que promovam suporte institucional e escuta qualificada, capazes de romper com a lógica de silenciamento e exclusão social.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Maternidade solo; Psicanálise; Saúde mental materna; Primeira infância; Transmissão psíquica transgeracional; Políticas públicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>Introdução&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.1 O panorama contemporâneo da maternidade solo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O aumento da presença feminina na chefia de famílias tem se consolidado como uma característica marcante das transformações sociais contemporâneas no Brasil.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo dados do Censo Demográfico de 2022, 49,1% das unidades domésticas passaram a ter mulheres como principais responsáveis, em contraste com os 38,7% registrados em 2010 (IBGE, 2024). Esse crescimento expressivo revela não apenas a reconfiguração das estruturas familiares tradicionais, mas também impõe novas demandas e desafios às mulheres que assumem, muitas vezes de forma solitária, a responsabilidade integral pela manutenção do lar e cuidado com os filhos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além do aumento da chefia feminina nos lares brasileiros, observa-se uma realidade ainda mais complexa e desafiadora: a das mulheres que vivem sem cônjuge e com filhos(as) de até 14 anos. De acordo com o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher, publicado pelo Ministério das Mulheres (2024), em 2022 havia 4,3 milhões de mulheres nessa condição. Dentre elas, 65,8% eram mulheres pretas e pardas, evidenciando a intersecção entre gênero, raça e vulnerabilidade social. A maioria dessas mães solo (60,3%) viviam com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo, revelando o peso das desigualdades estruturais que atravessam essa experiência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A condição de vulnerabilidade das mães solo torna-se ainda mais evidente quando associada aos altos índices de violência interpessoal e doméstica, especialmente em regiões periféricas. Segundo o Ministério das Mulheres (2024), em 2022, a residência foi o local de ocorrência de 73% dos casos de violência contra mulheres adultas entre 20 e 59 anos. A violência física foi a mais registrada (45%), seguida pela violência psicológica ou moral (24,2%) e, em terceiro, a violência sexual (17,4%). Esses dados escancaram como o espaço doméstico, onde o cuidado com os filhos é exercido, também pode ser palco de sofrimento e opressão para muitas mulheres.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse cenário, as experiências de cuidado estão atravessadas por marcadores sociais como gênero, raça e classe. Gobbi (2023) destaca que, ao analisar a prática do cuidado sob esse viés, evidenciam-se desigualdades históricas que remontam ao período escravocrata. As mulheres negras, organizando-se em redes de apoio e resistência, já praticavam formas coletivas de sobrevivência, como as poupanças para alforria, expressando estratégias solidárias diante da ausência de direitos sociais formais. Tais práticas, embora solidárias e criativas, nem sempre estão acompanhadas de direitos efetivos, o que revela o quanto a maternidade negra e periférica tem sido marcada pela precariedade e pela responsabilização exclusiva da mulher.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Compreender a realidade das mães solo, especialmente no contexto brasileiro, exige uma análise que vá além de estatísticas descritivas. Santos et al. (2022) argumentam que é fundamental adotar uma perspectiva interseccional, considerando como múltiplas categorias sociais como gênero, raça e classe interagem não apenas nas experiências individuais dessas mulheres, mas também nas estruturas sociais mais amplas. Essa articulação influencia diretamente o modo como as desigualdades se manifestam em diferentes dimensões da vida cotidiana, como o acesso à alimentação, à moradia digna e a serviços básicos de saúde e educação. A violação desses direitos aprofunda a precarização da vida e intensifica os riscos para o desenvolvimento saudável de crianças criadas sob essas condições.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.2 Conceituando maternidade solo: para além do estado civil</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A terminologia empregada para se referir à maternidade fora do contexto conjugal carrega implicações simbólicas e sociais profundas. Finamori e Batista (2022) destacam que a importância da expressão “mãe solo”, amplamente disseminada pelas redes sociais, surge como uma resposta crítica à designação tradicional “mãe solteira”, historicamente marcada por estigmas morais e preconceitos de ordem sexual e de gênero. Essa mudança linguística tensiona concepções normativas de família e parentalidade, ao desafiar a centralidade do casamento heterossexual como modelo ideal de criação dos filhos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, os debates contemporâneos sobre maternidade solo evidenciam as desigualdades nas expectativas sociais em torno do cuidado com as crianças. Conforme argumentam Finamori e Batista (2022), enquanto a maternidade é frequentemente naturalizada e exigida como responsabilidade exclusiva da mulher, a paternidade permanece socialmente tratada como uma função opcional ou auxiliar. Nesse contexto, a experiência de ser mãe solo transcende o estado civil e passa a ser compreendida como uma vivência marcada pela ausência de corresponsabilização masculina e pela sobrecarga estrutural atribuída à mulher.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme analisa Mendonça (2021), a construção social da maternidade está atravessada por exigências simbólicas que naturalizam o cuidado como um destino feminino, desconsiderando o caráter laboral e produtivo do ato de maternar. Essa lógica atua na invisibilização do trabalho doméstico e de cuidado, ao mesmo tempo em que o ideal do “amor materno” é exaltado como expressão espontânea e incondicional. Tal construção favorece a exploração das mulheres, perpetuando a responsabilização exclusiva pelo cuidado e atendendo aos interesses do capital.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, Machado e Penna (2022) destacam que mesmo diante de transformações nos papéis sociais e da crescente inserção das mulheres no mercado de trabalho, ser mãe ainda ocupa uma posição central tanto no imaginário social quanto nas diretrizes de políticas públicas, especialmente na área da saúde. Essa permanência reforça expectativas de dedicação quase exclusiva ao cuidado, sustentando uma lógica que naturaliza a sobrecarga feminina e dificulta a criação de espaços institucionais e sociais capazes de acolher a pluralidade das experiências maternas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Complementarmente, Gobbi (2023) argumenta que a maternidade solo não deve ser compreendida unicamente como uma condição de abandono ou infortúnio derivado da ausência de um companheiro ou provedor. Em muitos casos, trata-se de uma escolha ativa e legítima, vinculada ao direito de viver em liberdade, sem submissão à violência doméstica ou ao controle masculino sobre a vida cotidiana. No entanto, como ressalta a autora, essas escolhas estão frequentemente atravessadas por limitações materiais e simbólicas impostas por marcadores sociais como raça, classe e território, o que torna a experiência da maternidade solo ainda mais complexa para mulheres negras, pobres e periféricas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Borges (2020), a ausência reiterada da figura paterna impõe à mulher uma sobrecarga desproporcional de responsabilidades, refletindo desigualdades estruturais de gênero que atravessam a organização da parentalidade. Embora a maternidade solo não configure, por si só, uma forma de violência, ela pode se tornar uma violação de direitos quando ocorre sem a corresponsabilização do outro genitor e sem suporte por parte do Estado. A autora argumenta que o abandono paterno ultrapassa a esfera privada, interferindo diretamente na efetivação de direitos fundamentais da mulher e da criança.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base no julgamento do Recurso Especial nº 1.159.242/SP, do Superior Tribunal de Justiça, Borges (2020) destaca que o cuidado parental foi juridicamente reconhecido como um dever, e não como uma faculdade. Apoiada na decisão da Ministra Nancy Andrighi, a autora reforça que “o afeto não é um dever jurídico. O cuidado, sim. Amar é faculdade, cuidar é dever” (Brasil, 2019, p. 5), indicando que a negligência paterna pode acarretar responsabilização civil quando rompe com o compromisso legal de cuidado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme ressaltam Oliveira, Andrade e Lopes (2025), “a maternidade é reconhecida enquanto um evento estressor que modifica a dinâmica familiar e que pode vir a ter efeitos de adoecimento nas mulheres-mães, especialmente quando inserida em uma configuração familiar monoparental, em situação de pobreza e atravessada pelos preconceitos raciais contra população negra, potencializando a vulnerabilidade da mulher” (p. 7). Nesse contexto, a sobrecarga emocional, a insegurança financeira e os marcadores sociais da diferença se entrelaçam, gerando efeitos concretos sobre a saúde mental de mães solo. Esses efeitos se expressam em altos níveis de estresse, ansiedade, isolamento social e sentimentos recorrentes de exaustão física e emocional, com repercussões não apenas individuais, mas também nas relações de cuidado e no desenvolvimento infantil.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.3. A importância da relação mãe-bebê para o desenvolvimento psíquico&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Além do cenário de sobrecarga estrutural imposto às mulheres que exercem a maternidade de forma solo, é necessário considerar que estamos falando também de mães, o que implica reconhecer seu papel central na constituição do psiquismo infantil. A presença materna, especialmente nos primeiros anos de vida, é amplamente reconhecida como fundamental para o desenvolvimento emocional da criança.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Winnicott ([1970] 2020), “no início da vida os bebês são criaturas dependentes ao extremo; tudo o que acontece necessariamente os afeta” (p. 63). Tal constatação reforça a importância de analisar a relação mãe–bebê, especialmente na primeira infância, destacando a necessidade da presença materna como elemento fundamental para o desenvolvimento inicial.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Winnicott ([1966] 2020), um ambiente “suficientemente bom” caracteriza-se por um investimento inicial intenso por parte da mãe, e com o passar do tempo, torna-se necessário que a mãe gradualmente “falhe”, permitindo que a criança desenvolva repertórios emocionais para lidar com frustrações e estimule sua autonomia emocional. Esse processo favorece o que o autor denomina “integração”, momento em que o bebê se reconhece como uma unidade e inicia o processo de separação da mãe. Nessa etapa, o investimento materno adequado contribui para o fortalecimento do ego da criança, pois “o apoio do ego por parte da mãe facilita a organização do ego do bebê” (p. 7).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, a teoria do apego proposta por John Bowlby ressalta a importância de vínculos afetivos seguros estabelecidos entre o bebê e sua figura cuidadora primária. Segundo Feist, Feist e Roberts (2015), Bowlby argumentava que os vínculos formados na infância influenciam profundamente a forma como os indivíduos se relacionam ao longo da vida. Para o autor, a separação prolongada entre o bebê e seu cuidador pode desencadear uma sequência de três estágios emocionais: protesto, desespero e desapego.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No estágio de protesto, o bebê manifesta angústia e resistência ativa diante da ausência do cuidador, chorando intensamente e rejeitando a aproximação de outras pessoas. Se a separação persiste, o bebê entra no estágio de desespero, caracterizado por apatia, tristeza e quietude, sinalizando o início de um colapso emocional. Por fim, no estágio de desapego, a criança se mostra indiferente à presença tanto do cuidador quanto de outras pessoas, passando a interagir de forma superficial e sem expressividade emocional, o que pode se refletir em padrões de relacionamento afetivo distantes e disfuncionais na vida adulta.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda segundo os autores, Bowlby considerava essencial que o bebê percebesse o cuidador como acessível e confiável. Quando essa confiabilidade está presente, a criança tende a desenvolver segurança interna, o que favorece a autonomia emocional e a exploração do mundo de forma saudável (Feist, Feist &amp; Roberts, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em estudo sobre amamentação e desenvolvimento infantil, Benincasa et al. (2025) observaram que, embora a maior duração do aleitamento materno tenha se associado a melhores indicadores cognitivos e emocionais, os resultados não foram uniformes entre os grupos pesquisados. A conclusão dos autores aponta que, mais do que o tempo de amamentação, é a qualidade da relação estabelecida entre mãe e bebê que se mostra determinante para o desenvolvimento infantil. Além disso, destacam que fatores sociais, como acesso a serviços de saúde, suporte familiar e condições de vida, influenciam diretamente a possibilidade de amamentar e o modo como essa experiência se dá.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.4. Sobrecarga materna e seus efeitos na saúde mental e no desenvolvimento infantil&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Vargas Weiss e Baggio (2023), o vínculo estabelecido entre mãe e bebê na primeira infância repercute significativamente na vida adulta da criança, sendo essencial que essa relação seja construída de forma saudável desde os primeiros meses de vida. Para que isso ocorra, é necessário que a mãe esteja emocionalmente amparada, com condições de cuidar de si mesma, o que só é possível mediante a presença de uma rede de apoio que reduza a sobrecarga e possibilite momentos de descanso, autocuidado e presença afetiva qualificada com o&nbsp;filho.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados analisados pelas autoras indicam que mães com redes de apoio disponíveis conseguem dedicar mais tempo de qualidade aos filhos e cuidar de si. Por outro lado, aquelas que enfrentam a maternidade em solidão relataram exaustão física e emocional, dificuldade de delegar funções e restrição severa de momentos pessoais, o que interfere negativamente na qualidade do vínculo estabelecido com o bebê. O estudo reforça, assim, que o cuidado com a mãe é uma condição para o desenvolvimento saudável da criança (Vargas Weiss e Baggio 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Winnicott ([1966] 2020), quando o cuidado materno inicial é falho ou insuficiente, em decorrência de contextos de vulnerabilidade emocional, social ou econômica, há o risco de um colapso na estrutura da personalidade do bebê, comprometendo as bases da saúde mental. O autor enfatiza que a integração, entendida como a organização psíquica necessária para a constituição do self, depende de um investimento contínuo e adequado por parte do cuidador primário. Na ausência desse cuidado sustentador, o bebê pode não alcançar a integração psíquica nem desenvolver plenamente a capacidade de diferenciar o “eu” do “outro”, o que compromete o vínculo com objetos externos e com a própria realidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um conceito fundamental desenvolvido por Brazelton &amp; Cramer (1992) é o de contingência, que é a capacidade da mãe de responder adequadamente aos sinais do bebê, representando sua disponibilidade emocional. Em casos de depressão materna, observa-se a quebra dessa contingência, especialmente em aspectos como o olhar, o toque, a alimentação e a proximidade física. Quando essa indisponibilidade é severa, torna-se a norma na interação, gerando uma ausência de estímulo que impacta negativamente o bebê. O autor ilustra essa vivência com a expressão “rosto imóvel”, uma metáfora para a sensação de impotência do bebê que, ao buscar o olhar da mãe, não encontra resposta. Essa falha pode gerar consequências emocionais duradouras, como retraimento ou quadros depressivos na infância. (Brazelton &amp; Cramer, [1990] 1992)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda sobre os impactos do sofrimento psíquico materno, André Green (1988) introduz o conceito da “mãe morta” não no sentido literal, mas psíquico. Refere-se à mulher que, embora viva, encontra-se emocionalmente indisponível para o bebê, muitas vezes em luto por uma perda simbólica, como uma separação conjugal, um conflito familiar intenso ou um vazio existencial. Nessa condição, a mãe retira seus investimentos libidinais e afetivos da relação com a criança, que vivencia essa retração como uma catástrofe emocional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Green (1988), o bebê que inicialmente se percebe como o centro do universo materno tende a sentir-se responsável pela ausência do afeto, acreditando inconscientemente ter causado essa “morte psíquica”. Na tentativa de recuperar o vínculo perdido, a criança mobiliza estratégias emocionais intensas. Quando essas tentativas fracassam, surgem defesas psíquicas como agitação, terrores noturnos, insônia e, posteriormente, o desinvestimento afetivo no objeto materno. Essa ruptura simbólica tende a repercutir nas futuras relações do sujeito, que pode desenvolver uma postura de evitação afetiva ou apego inseguro, marcada pela repetição inconsciente da perda.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Krouchane e Proner (2025), a separação precoce entre mãe e bebê pode gerar uma ruptura psíquica profunda, comprometendo o desenvolvimento subjetivo da criança. As autoras destacam que, em casos de privação sensorial como ausência de toque, voz ou cheiro materno, o bebê pode vivenciar essa falta como uma forma de morte simbólica, com impacto significativo na constituição psíquica e na capacidade de simbolização.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Krouchane e Proner (2025), a dissociação sensorial e afetiva vivenciada por bebês em situações de separação precoce pode comprometer a constituição subjetiva e favorecer o fechamento autístico, entendido como uma defesa psíquica diante da impossibilidade de investir afetivamente no outro. Até os seis meses de vida, observam-se sinais expressivos dessa ruptura no comportamento do bebê, como indiferença afetiva, escassez de expressões faciais e vocalizações, apatia, embotamento emocional, desvio de olhar e sofrimento evidente no contato corpo-a-corpo. Tais manifestações revelam falhas na formação do vínculo primário e na organização sensorial do eu. Após esse período, esses sinais tendem a se intensificar e diversificar, manifestando-se em atrasos no desenvolvimento motor, na organização temporal e espacial e na aquisição da linguagem.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de toda a evidência sobre a importância da relação mãe-bebê e os impactos prejudiciais causados por falhas nesse vínculo inicial, o cenário atual de crescimento da maternidade solo suscita uma reflexão importante: seria possível chefiar uma família, manter um vínculo profissional e, ao mesmo tempo, oferecer um ambiente suficientemente bom para o desenvolvimento infantil? Emídio e Castro (2021) apontam que conciliar trabalho e maternidade raramente deixa de resultar em sofrimento para as mulheres, especialmente diante da dificuldade em acreditar que ambas as funções sejam plenamente conciliáveis. Em seus relatos, as mulheres entrevistadas optaram pela dedicação exclusiva à maternidade, porém os próprios autores questionam até que ponto essa decisão pode ser considerada, de fato, uma escolha livre, quando se consideram os imperativos sociais, econômicos e culturais que atravessam essa experiência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo os autores, há uma polarização estrutural entre o trabalho produtivo e o trabalho do cuidado, em que um parece excluir o outro. As mães que trabalham fora são muitas vezes percebidas como ausentes, distantes ou autocentradas, enquanto aquelas que se dedicam exclusivamente ao lar são vistas como desprovidas de autonomia e reconhecimento social. Essa dicotomia alimenta a ideia de que a mulher precisa renunciar alguma dimensão essencial de sua vida para cumprir o ideal da “boa mãe”, perpetuando conflitos psíquicos e sociais que recaem de forma desproporcional sobre elas (Emídio &amp; Castro, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.5. Justificativa e objetivo do artigo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A configuração das famílias chefiadas exclusivamente por mulheres tem crescido significativamente nas últimas décadas no Brasil, especialmente em contextos marcados por vulnerabilidade social, racial e econômica.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A maternidade solo, nesse cenário, não se restringe à ausência do pai, mas à falta de corresponsabilização, de suporte institucional e de redes efetivas de cuidado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora o tema envolva, por vezes, a ausência paterna, o presente estudo não se propõe a responsabilizar individualmente os homens, mas sim a compreender como a sobrecarga estrutural atribuída à mulher impacta diretamente o desenvolvimento psíquico e emocional de seus filhos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura aponta que mulheres em situação de maternidade solo enfrentam múltiplas jornadas como trabalhadoras, cuidadoras e gestoras do lar, o que compromete sua saúde mental e limita a capacidade de oferecer uma presença afetiva estável e consistente nos cuidados parentais. Tais condições geram efeitos importantes sobre o vínculo mãe-bebê, com repercussões na constituição subjetiva, nas relações sociais e no desempenho emocional das crianças ao longo da vida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, mais do que uma realidade individual, a maternidade solo e seus desdobramentos revelam uma estrutura social sustentada por desigualdades históricas, que favorecem a repetição transgeracional do sofrimento psíquico. Ao nascerem em contextos marcados por abandono institucional e fragilidade dos vínculos, muitas crianças tendem a reproduzir, em suas futuras relações, a mesma lógica de carência e exclusão que marcou sua constituição subjetiva. Essa repetição, silenciosa e estruturante, reforça um ciclo de transmissão de traumas que perpassa gerações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de haver discussões importantes sobre maternidade e trabalho, ainda são escassos os estudos que analisam os efeitos psíquicos da maternidade solo sob a ótica da criança e da cadeia transgeracional do sofrimento. Diante disso, este artigo tem como objetivo revisar a literatura científica sobre a maternidade solo e seus impactos sobre os filhos, mapeando os principais fatores de risco e proteção envolvidos nessa vivência, além de discutir possibilidades de suporte institucional que contribuam para romper ciclos de sofrimento psíquico transgeracional e promover novas formas de cuidado e pertencimento social.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Método&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo trata-se de uma revisão bibliográfica narrativa, com abordagem qualitativa e caráter descritivo-analítico. Foram selecionados artigos científicos disponíveis em plataformas de livre acesso, como Google Acadêmico, SciELO e revistas especializadas nas áreas de Psicologia, Saúde e Ciências Sociais, priorizando produções publicadas entre 2020 e 2025. Também foram incluídas teorias clássicas da psicologia do desenvolvimento, especialmente os aportes de Winnicott e Bowlby, por sua relevância na compreensão da constituição psíquica na infância.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os critérios de inclusão consideraram textos que abordassem diretamente a maternidade solo, suas repercussões na saúde mental das mães e seus efeitos sobre os filhos. Foram excluídas publicações opinativas, de difícil acesso integral, duplicadas ou que não tratassem diretamente da articulação entre maternidade e desenvolvimento infantil. Após a seleção, os materiais foram submetidos a leitura exploratória e análise crítica, com o objetivo de identificar categorias recorrentes e articulações teóricas que subsidiassem a discussão do tema sob uma perspectiva&nbsp;interdisciplinar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. Resultados e Discussão&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados do Censo Demográfico de 2022, sinalizam que 49,1% das unidades domésticas no Brasil passaram a ter mulheres como principais responsáveis, em contraste com os 38,7% registrados em 2010 (IBGE, 2024). À primeira vista, esse número pode sugerir um avanço na autonomia feminina; no entanto, uma análise mais atenta revela que boa parte dessas mulheres são atravessadas por desigualdades sociais e vivem em regiões marcadas pela precarização das condições de vida. Trata-se de uma realidade profundamente silenciada, em que a mulher exerce sozinha a chefia do lar, a maternagem e, muitas vezes, o sustento financeiro da família, sem o devido suporte institucional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse cenário não pode ser analisado de forma homogênea. É preciso considerar as intersecções entre gênero, raça e classe, que aprofundam as desigualdades vivenciadas por essas mulheres. Santos et al. (2022) destacam que há uma hierarquização dentro da própria categoria “mulher negra”, em que a vulnerabilidade social se intensifica conforme escurece o tom da pele. Quanto mais escura a cor da pele, maiores os riscos de insegurança alimentar e de impactos negativos na vida cotidiana, como o acesso a direitos básicos e à saúde mental. Tal análise reforça a compreensão da raça/cor como um constructo social que opera como mecanismo estruturante na perpetuação das desigualdades no Brasil, afetando diretamente a qualidade do cuidado que essas mulheres podem oferecer aos seus&nbsp;filhos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mendonça (2021) analisa que a construção social da maternidade está permeada por exigências que naturalizam o cuidado como destino feminino, desconsiderando o caráter laboral do ato de maternar, o que invisibiliza o trabalho doméstico e de cuidado sob o ideal do “amor materno”, esse processo impõe uma sobrecarga estrutural às mulheres, especialmente àquelas que vivenciam a maternidade de forma solo, em contextos de desigualdade social, ausência de corresponsabilidade parental e vulnerabilidade econômica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, como observam Machado e Penna (2022), a maternidade continua sendo um valor socialmente incorporado à identidade feminina. Ser mãe permanece como prioridade no imaginário coletivo e nas políticas públicas, especialmente na área da saúde. Isso evidencia uma permanência histórica da responsabilização exclusiva da mulher pelo cuidado, o que contribui para a naturalização da sobrecarga materna e dificulta a construção de alternativas institucionais e sociais que acolham as diversas formas de maternar, especialmente quando exercida em contextos de solidão, pobreza e ausência de suporte estatal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Emidio e Castro (2021), há um controle constante sobre a mulher que, embora velado e disfarçado sob a aparência de liberdade de escolha, impõe um peso significativo às suas experiências, especialmente quando relacionadas à maternagem. Essa naturalização do sacrifício feminino também reflete a configuração social na qual o masculino se sobrepõe ao feminino, sustentando relações desiguais de poder.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Carvalho et al. (2022), a normalização da violência conjugal pode ser compreendida a partir das experiências vividas dentro da própria família, a qual representa a primeira instituição de socialização e definição de padrões culturais. Assim, presenciar relações parentais marcadas por violência, contribui para a reprodução de normas que perpetuam o poder masculino. Os autores argumentam que essa perpetuação reflete uma sociedade que estrutura e sustenta a dominação masculina por gerações, evidenciando a vulnerabilidade social e a fragilidade das respostas institucionais frente ao fenômeno da violência conjugal.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda segundo Carvalho et al. (2022), essa vulnerabilidade se expressa também no âmbito programático, através da omissão do Estado, que falha em garantir um atendimento qualificado em saúde, assistência social e jurídica. Isso se manifesta tanto na escassez de profissionais quanto na inadequação dos serviços, que muitas vezes não investigam a vivência de violência e tendem a culpabilizar a vítima ou defender o agressor.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao retomar o olhar para essa mulher-mãe, que também já foi filha, implica analisar os efeitos da transgeracionalidade em sua experiência subjetiva. Como pensar o exercício da maternagem por parte de alguém que, em sua infância, não teve acesso a um ambiente suficientemente bom? A teoria de Winnicott oferece uma chave fundamental para essa reflexão. Em <em>“</em>A mãe dedicada comum”<em>,</em> o autor afirma que, nos primeiros meses de vida, “o bebê é a mãe e a mãe é o bebê” ([1966] 2020, p. 3), destacando o papel essencial do manejo materno como base para a constituição da integração psíquica e da vivência de si mesmo. Sendo assim, se essa relação primária é fundamental para a construção do sujeito, quais marcas são deixadas quando essa mãe se encontra adoecida, sobrecarregada e atravessada por uma&nbsp;história de violência?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, torna-se imprescindível discutir a noção de transmissão psíquica transgeracional. Azevedo (2022) destaca que cada criança, ao nascer, se insere em uma cadeia genealógica que a liga à origem e a convoca a responder, com seus próprios significantes, à pergunta: “o que o Outro quer de mim?”. A transmissão psíquica é, assim, uma inscrição subjetiva na cadeia de filiação, por meio da qual o sujeito se torna ao mesmo tempo portador, transformador e recriador de uma herança&nbsp;familiar.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Azevedo (2022) a transmissão pode se manifestar por repetições inconscientes que atravessam gerações, clamando por significado, mesmo que estejam ligadas a representações desconhecidas ou silenciadas. A repetição do não elaborado, do trauma ou da falta, coloca a criança diante de um legado que, muitas vezes, não lhe pertence diretamente, mas que lhe é transmitido como um chamado simbólico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ocariz (2018) propõe uma leitura psicanalítica da violência social como elemento estruturante da experiência subjetiva, articulando a noção de trauma como aquilo que se inscreve no corpo e que, muitas vezes, escapa à simbolização. Para a autora, sociedades marcadas por históricos de opressão como machismo, racismo e pobreza extrema tendem a perpetuar uma vivência repetitiva e paralisante da dor, que se transmite transgeracionalmente como se fosse impossível de ser transformada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, Ocariz (2018) analisa com base na teoria psicanalítica que o trauma rompe com a cadeia de significações, não se expressando por meio da fala, mas por meio do ato e da identificação projetiva, tornando-se uma experiência inenarrável. Essa quebra simbólica gera um sujeito desamparado, colocado fora do laço social, rotulado como desviante, como “fora da ordem”, louco ou subversivo. Quando o Estado, por sua vez, falha em reconhecer e reparar essas violências, reforça esse silenciamento e impede a elaboração do trauma, criando uma situação de desmentida.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como consequência, o sujeito não consegue projetar um futuro, nem é reconhecido socialmente como alguém que o mereça, sendo aprisionado em um discurso que o fixa à sua condição de vítima (Ocariz, 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa transmissão transgeracional de experiências traumáticas se torna ainda mais contundente quando não há espaço para a elaboração simbólica dos sofrimentos vividos. Maia, Santos e Okamoto (2023) alertam que, quando os traumatismos não são elaborados, conteúdos psíquicos aversivos são transmitidos de forma bruta, sem transformação simbólica, impedindo a construção de vínculos saudáveis a partir da memória. Sem esse trabalho psíquico, esses conteúdos permanecem não nomeados, inassimiláveis, o que faz com que o sujeito não seja narrador de sua própria história.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os autores defendem a importância de promover uma escuta interessada ao sofrimento social, rompendo com a lógica do desmentido e criando possibilidades para que os sujeitos possam ser reconhecidos e projetar um futuro diferente do que lhe foi apresentado. Só assim é possível transformar o trauma em memória e oferecer caminhos reparatórios para sua travessia (Maia, Santos &amp; Okamoto, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dos impactos subjetivos e sociais abordados, torna-se urgente investir em dispositivos de escuta capazes de acolher o sofrimento psíquico das mulheres, sobretudo daquelas atravessadas por contextos de abandono institucional, desigualdade de gênero, raça e classe. É preciso, portanto, revisar as estruturas simbólicas e institucionais que regulam os corpos, os afetos e os vínculos, criando políticas públicas que acolham as múltiplas formas de maternar e que ofereçam espaços de fala e elaboração subjetiva para essas mulheres.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Considerações Finais&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho teve como objetivo refletir sobre os impactos psíquicos da maternidade solo na mãe e na criança, a partir de uma revisão teórica que articulou autores clássicos da psicanálise, como Winnicott e Bowlby, com produções científicas recentes. A análise revelou que a sobrecarga estrutural imposta às mães solo, sobretudo negras e periféricas, compromete não apenas sua saúde mental, mas também a qualidade do vínculo primário estabelecido com seus filhos — vínculo este fundamental para o desenvolvimento emocional e subjetivo da criança.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Verificou-se que essas vivências, quando marcadas por negligência institucional e ausência de rede de apoio, favorecem a repetição transgeracional de traumas, que se inscrevem no corpo e na psique da criança de forma silenciosa e persistente. Nesse sentido, a escuta qualificada e a oferta de políticas públicas efetivas emergem como estratégias fundamentais para a ruptura desse ciclo de sofrimento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora esta pesquisa tenha se limitado à abordagem teórica, com base em revisão de literatura, sua contribuição reside na articulação entre os campos da psicanálise, das ciências sociais e das políticas públicas, propondo uma reflexão interdisciplinar sobre a maternidade solo. Como limitação, destaca-se a ausência de dados empíricos que aprofundem as vivências subjetivas dessas mulheres e crianças.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para futuras pesquisas, recomenda-se a realização de estudos qualitativos, entrevistas em profundidade ou estudos de caso, que possibilitem escutar essas vozes e experienciar mais de perto os efeitos subjetivos e sociais da maternidade solo. Ainda, faz-se necessário ampliar o debate sobre responsabilidade parental, deslocando o foco exclusivo da mãe e incluindo o papel do pai e do Estado nessa equação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, como propõe Preciado (2019), é urgente construir um novo modelo de inteligibilidade, uma cartografia menos hierárquica e mais inclusiva, que ofereça não apenas escuta, mas reconhecimento simbólico e político às mulheres que sustentam sozinhas a base de muitas famílias no Brasil.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Azevedo, L. J. C. (2022). Transgeneracionalidad, familia y origen: Un ensayo preliminar sobre las patologías de la herencia. Revista CES Psicología, 15(1), 201–216. https://doi.org/10.21615/cesp.5844&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Benincasa, M., Avoglia, H. R. C., Going, L. C., Dias, C. M., &amp; Andrade, C. de J.&nbsp;(2025). A contribuição da amamentação para o desenvolvimento infantil:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerações sobre a importância da relação mãe-bebê. ARACÊ, 7(7), 35683–35701. https://doi.org/10.56238/arev7n7-030&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Borges Galvão, L. (2020). Mãe solteira não. Mãe solo! Considerações sobre maternidade, conjugalidade e sobrecarga feminina. Revista Direito e Sexualidade, 1(1). https://doi.org/10.9771/revdirsex.v1i1.36872&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Brasil. Superior Tribunal de Justiça. (2019). Recurso Especial nº 1.159.242/SP.&nbsp;Relatora Ministra NancyAndrighi.&nbsp;https://ww2.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/componente=ITA&amp;sequencial=1089436&amp;num_registro=201001985455&amp;data=20120327&amp;formato=PDF</p>



<p class="wp-block-paragraph">Brazelton, T. B., &amp; Cramer, B. G. (1992). As primeiras relações (M. B. Cipolla,&nbsp;Trad.). Martins Fontes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Carvalho, M. R. da S., Oliveira, J. F. de, Gomes, N. P., Matheus, F. A. V., Silva, A. F. da, &amp; Carvalho, C. da S. (2022). Vulnerability elements for permanence in marital violence: Speeches of women who consume alcohol/drugs. Texto &amp; Contexto &#8211;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enfermagem, 31, e20180516. https://doi.org/10.1590/1980-265X-TCE-2018-0516en de Oliveira Araújo, M. H. P., &amp; de Amorim, B. M. O. (2025). Contos de dor, amor e alegria: Representações sociais da maternidade solo. Psicologia &amp; Sociedade, 37, e289724. https://doi.org/10.1590/1807-0310/2025v37289724&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">de Vargas Weiss, T., &amp; Baggio, L. (2023). A construção do vínculo mãe-bebê para o desenvolvimento infantil na primeira infância. Psicologia e Saúde em Debate, 9(1), 24–44. https://doi.org/10.22289/2446-922X.V9N1A2&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Emidio, T. S., &amp; Castro, M. F. de. (2021). Entre voltas e (re)voltas: Um estudo sobre mães que abandonam a carreira profissional. Psicologia: Ciência e Profissão, 41, e221744. https://doi.org/10.1590/1982-3703003221744&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Feist, J., Feist, G. J., &amp; Roberts, T.-A. (2015). Teorias da personalidade (8ª ed.).&nbsp;Artmed.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Finamori, S., &amp; Batista, M. A. M. (2022). Categorias empíricas e analíticas: Mães-solo e monoparentalidade feminina. Mediações, 27(3), e46283.&nbsp;<a href="https://doi.org/10.5433/2176-6665.2022v27n3e4628">https://doi.org/10.5433/2176-6665.2022v27n3e4628</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Gobbi, M. (2023). Casa da mãe solo: Na cidade segregada, a produção de um lugar para mulheres e crianças que estão por vir. Civitas &#8211; Revista de Ciências Sociais, 23, e42252. https://doi.org/10.15448/1984-7289.2023.1.42252&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Green, A. (1988). Narcisismo de vida, narcisismo de morte (C. Berliner, Trad.).&nbsp;Editora Escuta.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (2024, outubro 25). Censo 2022: Em 12 anos, proporção de mulheres responsáveis por domicílios avança e se&nbsp;equipara à de homens. Agência de Notícias IBGE.&nbsp;<a href="https://agenciadenoticias.ibge.gov.br">https://agenciadenoticias.ibge.gov.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Maia, B. B., Santos, M. A. dos, &amp; Okamoto, M. Y. (2023). Memória, desmentida e traumatismo social sob a ótica da psicanálise das configurações vinculares.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Psicologia USP, 34, e200214. https://doi.org/10.1590/0103-6564e200214&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mendonça, M. C. de. (2021). Maternidade e maternagem: Os assuntos&nbsp;pendentes do feminismo. Revista Ártemis, 31(1), 56–72.&nbsp;<a href="https://doi.org/10.22478/ufpb.1807-8214.2021v31n1.54296">https://doi.org/10.22478/ufpb.1807-8214.2021v31n1.54296</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ministério das Mulheres. (2024). RASEAM 2024: Relatório Anual&nbsp;Socioeconômico da Mulher (Ano VII). https://www.gov.br/secretariadamulher/&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ocariz, M. C. (Org.). (2018). Psicanálise e violência social. Editora Escuta.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O impacto da separação prematura no desenvolvimento do bebê. (2025). Cognitus Interdisciplinary Journal, 2(3), 337–348. https://doi.org/10.71248/aj32n954&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Preciado, P. B. (2019). Um apartamento em Urano: Crônicas da travessia (D. Henriques, Trad.). Zahar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Santos, L. A., et al. (2022). Interseções de gênero e raça/cor em insegurança alimentar nos domicílios das diferentes regiões do Brasil. Cadernos de Saúde Pública, 38(11), e00130422. https://doi.org/10.1590/0102-311XPT130422&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Winnicott, D. W. ([1966] 2020). A mãe dedicada comum (B. Longhi, Trad.). Em&nbsp;C. Winnicott, R. Shepherd, &amp; M. Davis (Orgs.), Bebês e suas mães (pp. 1–10). UBU Editora.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Winnicott, D. W. ([1970] 2020). A dependência e o cuidado com as crianças (B.&nbsp;Longhi, Trad.). Em C. Winnicott, R. Shepherd, &amp; M. Davis (Orgs.), Bebês e suas mães (pp. 63–68). UBU Editora.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>REDES SOCIAIS E SEUS IMPACTOS NO DESENVOLVIMENTO DA IDENTIDADE DE CRIANÇAS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/redes-sociais-e-seus-impactos-no-desenvolvimento-da-identidade-de-criancas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Oct 2025 17:02:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 151/OUT 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=241089</guid>

					<description><![CDATA[VIDEO-BASED SOCIAL MEDIA AND THEIR IMPACT ON CHILDREN&#8217;S IDENTITY DEVELOPMENT REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510211400 Kauanne Snak Mazurok1Marcelo de Oliveira2 Resumo&#160; O artigo visa analisar os impactos das redes sociais baseadas em vídeos na formação da identidade de crianças, buscando compreender os principais efeitos que o uso dessas redes traz para o processo de construção do eu [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">VIDEO-BASED SOCIAL MEDIA AND THEIR IMPACT ON CHILDREN&#8217;S IDENTITY DEVELOPMENT</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510211400</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Kauanne Snak Mazurok<sup>1</sup><br>Marcelo de Oliveira<sup>2</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O artigo visa analisar os impactos das redes sociais baseadas em vídeos na formação da identidade de crianças, buscando compreender os principais efeitos que o uso dessas redes traz para o processo de construção do eu infantil, além de explorar os aspectos psíquicos envolvidos, com foco na perspectiva freudiana. Com a abordagem de revisão bibliográfica, qualitativa e exploratória com coleta de dados por meio de buscas em bases de dados acadêmicos como Google Acadêmico, <em>SciELO, PepSic</em> e <em>ResearchGate</em>, além de bibliotecas virtuais que disponibilizam livros e revistas relacionadas. As redes baseadas em vídeo exercem uma influência significativa na formação da identidade de crianças anos. Essas mídias promovem uma identificação com conteúdos idealizados e muitas vezes distorcidos da realidade, o que pode afetar os desejos, as relações interpessoais e o processo de construção do eu das crianças. Embora as redes possam contribuir para problemas na saúde mental e na formação do self, seu uso controlado pode oferecer suporte e inclusão social às crianças com transtornos que as diferenciem das demais, além de oferecer oportunidade de desenvolvimento de novas habilidades.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Redes sociais. Vídeos. Desenvolvimento da identidade. Crianças.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa visa analisar os impactos que as redes sociais têm na formação de identidade de crianças, buscando a relação entre redes sociais e a formação de identidade. Visando compreender os efeitos das redes sociais baseadas em vídeo, principalmente no momento da&nbsp;formação de identidade, trazendo uma revisão da literatura disponível, além de realizar uma pesquisa teórica embasada na psicanálise freudiana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A identificação para a psicanálise freudiana é a forma mais primitiva de laço emocional estabelecido com o outro, este laço ocorre geralmente com uma figura importante, assimilando seus traços a sua personalidade ou ao seu ego. A identificação Freud (1921) é um meio pelo qual a pessoa estabelece conexões emocionais e representa algo significativo para a dinâmica social. Para além disso, a identificação pode também demonstrar o desejo ou necessidade de formar laços com o outro, buscando semelhanças nos sentimentos ou nas experiências, não sendo necessariamente uma conexão afetiva. Estando este processo ligado também ao ideal do eu, desejos e outras instâncias psíquicas (Id, Ego e Superego).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As redes sociais de vídeo, como o <em>YouTube, TikTok e Kawaii</em>, exercem cada vez mais influência na vida de crianças, principalmente ao permitir que estas vejam versões idealizadas de vidas que, fora das telas, não é da forma a qual é apresentada e isso pode causar impactos os quais sejam para além de emocionais, afetando os desejos da criança, suas relações interpessoais e seu processo de identificação. (Puccinelli 2023)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O projeto visa a importância observar como a tecnologia afeta o processo de formação de identidade de crianças e compreender mais sobre os efeitos das telas em sua formação, dialogar sobre a produção de conteúdo para as redes de vídeos e o acesso que crianças têm nos diversos conteúdos. Para a sociedade-campo acadêmico visa mostrar como as redes sociais baseadas em vídeo têm impacto na identidade e em seu processo de formação com enfoque em crianças. Demonstrar quais os principais impactos da rede na formação de identidade de crianças. Quando produzido o conteúdo, é importante compreender e estudar os possíveis impactos que este trará, já que os impactos do uso das redes permanecem pouco explorados, sendo que este período é crucial para a formação dos primeiros laços.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Freud e a identidade.</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo os conceitos de Freud, a identidade pode ser conceituada como a percepção que o indivíduo constrói de si mesmo e consiste em um conjunto de traços que definem uma pessoa, comumente apropriados de atributos de outros indivíduos, associando-se fundamentalmente à noção de individualidade e ao processo de diferenciação em relação ao contexto social, além de permitir o sujeito de se reconhecer como parte de estruturas amplas, seja da sociedade ou em suas particularidades, estando sempre em busca por si mesmo. Freud também enfatiza que essa instância psíquica se desenvolve por intermédio de experiências vivenciadas, memórias internalizadas e relações interpessoais, as quais são influenciadas por determinantes culturais, sociais e emocionais. A identidade está diretamente ligada à identificação, pois sua constituição pressupõe a ocorrência de ligações identificatórias com o outro. “A psicanálise conhece a identificação como a mais antiga manifestação de uma ligação afetiva a uma outra pessoa.” (Freud 1921 p. 46), a identificação é um laço emocional com o outro, uma construção de uma representação de si mesmo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A identificação, na perspectiva psicanalítica freudiana, a identificação constitui um mecanismo primitivo fundamental na formação de vínculos afetivos, manifestando-se primordialmente em relação a figuras significativas, tais como cuidadores primários e indivíduos proeminentes no contexto relacional do sujeito, também envolve a assimilação de características alheias ao próprio Ego ou à estrutura da personalidade, promovendo uma internalização que modela a configuração psíquica. “O garoto revela um interesse especial por seu pai, gostaria de crescer e ser como ele, tomar o lugar dele em todas as situações. Digamos tranquilamente: ele toma o pai como seu ideal.” (Freud, 1921 p.46). Nesse sentido, a identificação pode ser interpretada como uma forma de alienação psíquica, uma vez que o sujeito se distancia de sua essência ao incorporar elementos externos, oriundos da cultura e da sociedade, os quais são apropriados e integrados à sua representação de si que não é propriamente seu, além disso, o outro é mutável, não sendo fixo a um único sujeito. Nesta perspectiva, a identidade não se apresenta como estática ou pré-determinada, mas como um processo dinâmico de construção da autopercepção, que se desenvolve ao longo da existência, com ênfase particular nos estágios iniciais da vida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Freud (1921) tal processo tem um papel central na constituição do sujeito, permitindo que este internalize características externas que moldam sua subjetividade. Além de seu papel nas relações afetivas, a identificação atua diretamente nas interações sociais, refletindo conexões emocionais, e a busca inconsciente por afinidades que abrangem dimensões afetivas, vivenciais e trajetórias existenciais do outro, e tal processo não pressupõe necessariamente uma vinculação afetiva direta, podendo ser criada com figuras mais distantes ou com personagens de narrativas fictícias, revelando a necessidade de vinculação e uma expressão do desejo de estabelecer pontos de contato com o outro. A identidade e a identificação se relacionam, pois, a identidade é formada por identificações, se constituindo a partir de um acúmulo e transformações contínuas de processos identificatórios ao longo da existência. Para além disso, a relação do indivíduo com o objeto de identificação pode ficar distante e ser modificada após a internalização de características.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Nisto se renuncia ao próprio objeto — se inteiramente, ou apenas no sentido de que é preservado&nbsp;no inconsciente, é algo que escapa à presente discussão. A identificação com o objeto renunciado ou perdido, como substituição para o mesmo, a introjeção desse objeto no Eu, isto já não constitui de fato uma novidade para nós.” (Freud 1921. p. 51)&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Neste trecho Freud (1921) menciona a renúncia ao objeto de identificação, processo pelo qual o indivíduo abdica de uma relação direta com o objeto, parando o investimento afetivo, o amor ou a atenção direcionados a ele, de maneira completa ou parcial, e substitui pela incorporação das características deste. A maneira em que isso ocorre causa algumas marcações no inconsciente, configurando uma reestruturação psíquica. A incorporação das qualidades do objeto não representa algo novo para os estudos, já que é possível observar o comportamento de crianças pequenas, por exemplo a imitação do filho sobre as atitudes do pai ou de figuras masculinas próximas ou de personagens de desenhos animados frequentemente assistidos. Para além disso, a introjeção do objeto a si pode representar também uma falta que vai muito além de ignorar o afeto e atenção, implicando dimensões mais amplas de perda e reconfiguração subjetiva.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A sombra do objeto caiu sobre o Eu, afirmei em outro lugar. A introjeção do objeto, aqui, é&nbsp;inconfundivelmente clara. Mas essas melancolias nos mostram ainda algo mais, que pode ser importante para nossas considerações posteriores. Elas nos mostram o Eu dividido, decomposto em dois pedaços, um dos quais se enfurece com o outro. Esse outro pedaço é aquele transformado pela introjeção, e que contém o objeto perdido. (FREUD, 1921. p.51-52.)&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Freud (1921) fala que a introjeção do objeto a si provoca o conflito do Eu, caracterizado por uma cisão interna que opõe o Eu que assimilou as qualidades do objeto àquele que reage com fúria à sua perda, gerando sentimento de culpa e autocrítica, deste ponto, Freud introduz o conceito de ideal do Eu, uma instância crítica do Eu que se configura em torno das normas e valores absorvidos da sociedade. Um Eu o qual já teve outros processos de identificações e que agora julga o que é bom e o que não é para se modificar e trazer novos comportamentos e ideias.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Freud, (1914) a identidade, em sua configuração mais abrangente, também está relacionada com o ideal do Eu, definido por Freud como repertório de aspirações do Eu, ideias e ideais que o Eu aspira a incorporar e realizar. Originando-se do Ego e de um narcisismo presente na infância, por muitas vezes o ideal do Eu pode agir de maneira punitiva, ao evidenciar as insuficiências e deficiências do Eu, julgando a si mesmo. Por outro lado, a proximidade do Eu com esses padrões ideais suscita no indivíduo uma sensação de bem-estar, autossuficiência e grandiosidade.&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;]Com isso não entendemos jamais que a pessoa tenha um simples conhecimento intelectual da existência de tais ideias, mas que as reconheça como determinantes para si, que se submeta às exigências que delas partem. Dissemos que a repressão vem do Eu; podemos precisar: vem do autorrespeito do Eu. As mesmas impressões, vivências, impulsos, desejos que uma pessoa tolera ou ao menos elabora conscientemente são rejeitados por outra com indignação, ou já sufocados antes de se tornarem conscientes. [&#8230;]Podemos dizer que uma erigiu um ideal dentro de si, pelo qual mede o seu Eu atual, enquanto à outra falta essa formação de ideal. Para o Eu, a formação do ideal seria a condição para a repressão. (Freud 1914-1916 p. 39-40)&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O ideal do Eu exerce uma função seletiva de ideias as quais mais lhe convém, priorizando aquelas que se alinham ao Eu atual ou que promovem seu aprimoramento, perante seu próprio julgamento. A repressão vem em forma de julgamento, definindo quais comportamentos ou ideias que já foram adquiridos não lhe são mais convenientes, além de definir quais as próximas características a serem adquiridas, mas para além de repressões e julgamentos, o ideal do Eu fundamenta-se em um amor-próprio primordial, de raízes infantis, que impulsiona uma aspiração contínua à perfeição de si mais uma vez, apropriando-se e sonhando com vivências, impressões e desejos não propriamente seus.&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A esse ideal do Eu dirige-se então o amor a si mesmo, que o Eu real desfrutou na infância. O&nbsp;narcisismo aparece deslocado para esse novo Eu ideal, que como o infantil se acha de posse de toda preciosa perfeição. Aqui, como sempre no âmbito da libido, o indivíduo se revelou incapaz de renunciar à satisfação que uma vez foi desfrutada. Ele não quer se privar da perfeição narcísica de sua infância, e&nbsp;se não pôde mantê-la, perturbado por admoestações durante seu desenvolvimento e tendo seu juízo despertado, procura readquiri-la na forma nova do ideal do Eu. (Freud 1914-1916 p. 40)&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O narcisismo da infância citado pelo autor, o qual se deriva o amor-próprio que sustenta o ideal do Eu, refere-se à fase no qual a criança investe toda sua libido no Eu, todos os seus desejos e prazeres em si mesma, colocando-se como perfeição inigualável, nesta fase a criança não se diferencia do mundo e tem sua imagem e sua satisfação como o mais importante.&nbsp; O narcisismo, todavia, ultrapassa a noção de mero amor-próprio, configurando-se como uma devoção absoluta à própria imagem idealizada e perfeita, seus prazeres sexuais e seu desejo estão voltados para si, tendo o amor-próprio como uma base, o Eu narcísico da infância, no entanto, se diferencia do narcisismo patológico, o qual absorve toda a libido do ser é retraída ou fixada no Eu, levando o indivíduo a perda da realidade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Freud cita a identidade como inerente ao Ego, instância psíquica que assume a responsabilidade pela elaboração e manutenção de ideais, atuando como mediadora entre o Id e o Superego, equilibrando a realidade externa com os desejos e impulsos primitivos do Id, o Ego facilita o desenvolvimento da noção de si no indivíduo, mediante ao que ocorre socialmente, buscando se adequar de forma coerente e adequada, às contingências sociais e ambientais.&nbsp; Freud evoca os conceitos destas três instâncias psíquicas, explicando que o Id, Ego e Superego compõem a psique humana, “Proponho que a levemos em consideração, chamando de Eu a entidade que parte do sistema Pcp e é inicialmente pcs, e de Id,* segundo o uso de Groddeck, a outra parte da psique, na qual ela prossegue, e que se comporta como ics.” (Freud, 1923-1925) o Id configura-se como um reservatório de instintos primitivos, representando a essência do inconsciente, que abriga os desejos arcaicos e opera sob o princípio do prazer imediato, está ligado à libido e a pulsão de morte, os quais são forças fundamentais para o desenvolvimento humano.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Freud (1923-1925) apresenta novos conceitos além das instâncias do ego, o Pcp (Percepção-Consciência), o Pcs (Pré-Consciente) e o Ics (Inconsciente), O Pcp representa a instância psíquica inicial, encarregada da recepção e processamento de estímulos sensoriais provenientes do mundo externo, com a função primordial de transmiti-los à consciência para elaboração subsequente, opera como um sistema de filtragem e armazenamento de representações mnêmicas, permitindo a mobilização e o repasse desses conteúdos para o domínio consciente conforme as demandas do processo psíquico, atuando como um reservatório de memórias latentes que, embora não ativamente mobilizadas no momento pela consciência, permanecem acessíveis ao Ego de forma imediata e voluntária.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Freud, (1923-1925) o Id é considerado um impulso para o desenvolvimento do ego, assim como o superego. O Superego é formado da internalização de experiências e influências sociais, particularmente aquelas oriundas de figuras externas significativas, como os pais, que transmitem normas morais e éticas que o indivíduo assimila e incorpora ao seu aparato psíquico, essa instância institui regras e normas, julga as ações por base do que lhe é condizente, cria padrões de ideais e expectativas uma vez internalizadas na infância. O Superego atua como um crítico que avalia os pensamentos e ações do ego, atuando simultaneamente como uma força opositora aos impulsos instintuais do Id. Além disso o Superego pode ser considerado a instância que diferencia o ser humano, pois esta lhe traz a moral e a ética, junto aos padrões de certo e errado, exercendo uma função judicativa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>METODOLOGIA&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa adotará uma abordagem bibliográfica, qualitativa e exploratória com o objetivo de aprofundar a compreensão sobre o tema. Será realizada uma revisão sistemática da literatura que abrangerá livros, artigos científicos e documentos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A coleta de dados será realizada por meio de uma busca em bases de dados acadêmicos como Google acadêmico, <em>SciElo</em>, <em>PepSic</em> e <em>ResearchGate</em>, além de bibliotecas virtuais que disponibilizam livros relacionados e revistas, os artigos serão selecionados conforme sua relevância e compatibilidade com o tema dentro das palavras chaves: Redes Sociais, Formação de identidade, Criança, Vídeos, Identidades, Identificações. A pesquisa será realizada no campo da psicanálise freudiana com enfoque em explicar a visão da formação da identidade e redes sociais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Redes sociais e o desenvolvimento da identidade. </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os processos psíquicos anteriormente citados, são responsáveis pela formação do indivíduo e de sua psique, formando sua identidade e sua personalidade. Ao transpor o conceito de identidade para o contexto contemporâneo, observa-se uma expansão significativa além das interações tradicionais com a família e o círculo cotidiano, há mais meios de socialização, principalmente com a internet, facilitando o contato instantâneo com indivíduos de diversas origens geográficas e culturais, além disso, há redes sociais onde inúmeros vídeos, fotos e mensagens são publicadas diariamente e mundialmente, o que amplifica as oportunidades de identificação e incorporação de modelos identitários por parte do sujeito. Dentre as redes sociais às quais temos acesso facilmente pelo celular <em>smartphone</em>, podemos citar o <em>Youtube</em>, <em>TikTok </em>e<em>&nbsp;Kwai</em>, que são redes baseadas em vídeos. (Mendes, 2020)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <em>Youtube</em> teve origem no ano de 2005, criado por Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim. O primeiro vídeo publicado no <em>YouTube</em> foi do próprio criador e tinha a duração de 19 segundos e desde o ano de lançamento a plataforma já havia se tornado muito popular. Sendo o pioneiro das redes sociais baseadas em vídeo e uma plataforma digital inovadora para o compartilhamento de conteúdos, atualmente o YouTube vem sendo uma fonte de renda para milhares de pessoas e uma grande fonte de divulgação de conteúdo, produto e plataformas diversas, o site disponibiliza não apenas as publicações de vídeos mais longos, mas também<em> shorts</em> e transmissões ao vivo em tempo real.&nbsp; A diversidade de conteúdos disponíveis é vasta e multifacetada, inclusive a plataforma <em>YouTube Kids</em>, a qual limita o acesso de conteúdo apenas para vídeos marcados com a<em> tag</em> de vídeos infantis e sua classificação indicativa. (Dean, 2025) Anos após as redes sociais baseadas em vídeo emergiram como um fenômeno global, tornando-se comum o acesso diário.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando crianças são introduzidas em plataformas de redes sociais baseadas em vídeo sem a imposição de restrições parentais, o conteúdo acessado abrange assuntos diversos, desde músicas compatíveis com a idade até produções destinadas a audiências adultas, com vocabulário maduro, palavrões e insinuações sexuais. Neste contexto, tanto os formatos curtos quanto os vídeos de duração prolongada, têm um amplo espectro de ideias e representações simbólicas que ultrapassam ideias limitadas ao âmbito familiar e ao círculo social, ao revelar estilos de vida e aspirações previamente não conhecidas para o sujeito em formação. (Mendes, 2020).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os vídeos onde adultos se envolvem em atividades de <em>gaming</em> profissional, nos quais obtêm remuneração ou competem em equipes esportivas eletrônicas <em>(e-sports)</em> com viagens internacionais para campeonatos, contratos com organizações estrangeiras e a construção de trajetórias profissionais proeminentes, frequentemente exibindo conquistas, troféus e narrativas de viagens e vitórias, organizados em vitrines simbólicas ou literais, fazem com que as crianças vejam uma realidade diferente da sua e almejem alcançar tais conquistas, fomentando aspirações identitárias que emulam os comportamentos linguísticos e lúdicos dos jogadores, a replicação de jogos específicos e a idealização de uma carreira profissional no universo <em>&#8220;gamer&#8221;</em>. (Albuquerque et al., 2020) Além de produções em que adultos exibem corpos com edições digitais intensivas, padrões de magreza extrema, regimes alimentares potencialmente danosos à saúde, rostos editados ou com cirurgias plásticas não citadas podem gerar transtornos de imagem, transtornos alimentares e problemas de autoestima. Além disso, essa exposição pode induzir a percepção do corpo como um produto do mercado e da mídia. (Haroche, 2015) A identificação com esses modelos performáticos e editados pode levar à assimilação de traços que promovem uma &#8220;alienação psíquica&#8221;, onde a criança incorpora elementos externos que não são inerentes à sua essência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Freud (1921) discute a renúncia ao objeto de identificação e sua introjeção no Eu, um processo pelo qual o indivíduo abdica de uma relação direta com o objeto, substituindo-a pela incorporação de suas características, nas redes sociais, isso se manifesta na imitação de comportamentos, vocabulário e aspirações de figuras digitais.&nbsp; Essa introjeção pode gerar um &#8220;Eu dividido&#8221;, onde uma parte assimilou as qualidades do objeto digital e outra reage à perda da realidade ou à inadequação.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Sobre este aspecto, Claudine Haroche adverte que as sociedades contemporâneas, ao colocarem&nbsp;em ação a tela e a imagem, contribuem para garantir e encorajar uma visibilidade imediata, efêmera e em constante mudança, que provoca perturbações consideráveis nos indivíduos: “a partir de então, estes são vistos ou percebidos por meio de uma mídia técnica – a tela – e não mais através das mediações anteriores, que punham em ação concretamente seus corpos, mediações essas que tinham a ver com as maneiras aprendidas e transmitidas pela tradição, pela educação, pela prática da vida” (Haroche, 2015, p. 856).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A constituição da criança como sujeito também acaba sendo modificada pelas redes, suas opiniões e referências para um futuro se distorce e ancora-se em figuras identitárias moldadas pelo digital e elaboradas para apresentação performática. As narrativas construídas e encenadas nessas plataformas assumem o papel de referências primordiais e substitutos dos pais, os quais têm um papel central no desenvolvimento da criança como indivíduo. (Mendes, 2020) Quando a criança se refugia no mundo digital, onde o prazer é abundante e as frustrações são escassas, o Ego tem menos oportunidades de se desenvolver. Isso pode levar a uma &#8220;perda da realidade&#8221;, onde a criança prefere o mundo fantasioso da tela às complexidades e desafios do mundo real e das interações familiares.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Quando ela passa a ter como seu maior interlocutor a tela, principalmente se ela é ainda muito&nbsp;pequena, se não tem outras referências parentais, a ponto de serem facilmente substituídas pelas imagens televisivas ou eletrônicas. Assim, se o contato com o outro é substituído pelo contato com os eletrônicos, a criança pode apresentar problemas no decorrer do seu desenvolvimento ou ainda riscos na sua constituição subjetiva. O problema é agravado quando a interação com esses aparelhos é substituída pela interação parental e, posteriormente, pela interação social. Quando a criança perde o interesse pela exploração do ambiente em que vive e pelas atividades físicas. Quando as crianças e/ou adolescentes preferem ficar sozinhas com seus aparelhos, sem a presença do outro. (Mendes, 2020)&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A exposição contínua a vídeos tende a padronizar comportamentos e valores, contribuindo para uma formação de identidade baseada na aprovação social digital, frequentemente de caráter superficial e performático, esse tipo de interação pode levar a uma passividade emocional, caracterizada pela busca de validação por meio de métricas quantitativas como curtidas, comentários e número de seguidores, o que resulta em uma identidade orientada para a validação externa, em detrimento de uma construção autônoma do Eu. Além disso, a contínua exposição aos vídeos pode gerar conflitos na internalização de regras sociais. (Mendes 2020) Nas redes, os influenciadores detêm um poder de atração e validação, o que pode ser percebido pela criança como superior ao dos pais. A criança pode emular seus comportamentos para obter a mesma atenção e reconhecimento, mesmo que isso signifique desafiar as normas familiares.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O período da infância é onde se formam os primeiros pontos da identidade e as primeiras identificações são as mais significativas para o indivíduo, a percepção que as crianças constroem em relação aos produtores de conteúdo digital pode modular seus sonhos e aspirações futuras, reconfigurando o ideal do ego e os ideais, mudando completamente sua percepção do Eu, causando a ruptura em sua relação com o mundo, gerando um conflito entre os dois aspectos. Com o conflito do Eu com o mundo externo, a criança pode começar a busca pela fuga da realidade entrando cada vez mais neste mundo do desejo e do ideal. (Mendes, 2020) O narcisismo infantil é deslocado para esse novo Eu ideal construído a partir das referências digitais. A criança busca readquirir a &#8220;perfeição narcísica&#8221; de sua infância através da validação online, impulsionada por uma aspiração contínua à perfeição de si, mas agora mediada por curtidas, comentários e número de seguidores.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a identificação com esse outro pode levar a criança a ter comportamentos incongruentes com as expectativas para sua faixa etária, utilizar um vocabulário inadequado e incompatível com as outras crianças e ter um comportamento voltado para realizar o ideal que agora lhe cabe. Como o ideal é modificado pela realidade de outra pessoa, as ideias de vida da criança poderão ser distorcidas pelas histórias da internet, impulsionando-a em uma busca em seguir um sonho o qual é difícil de ser alcançado. A mistura de elementos visuais, narrativos e a possibilidade de interação constante cria um ambiente imersivo que estimula o retorno recorrente e compromete a capacidade de controlar o tempo nos vídeos sem a ajuda dos pais, uma vez que o ambiente fornece muitas identificações, momentos os quais não geram frustrações e geram o prazer imediato. (Mendes, 2020) O aparelho psíquico da criança, ainda em formação, é condicionado a buscar essa satisfação rápida, dificultando o desenvolvimento da capacidade de tolerar a frustração e focando apenas em satisfazer os desejos do id, que busca prazer imediato.&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;]uma quantidade crescente de pesquisas aponta para os efeitos negativos das redes sociais na saúde mental, especialmente entre os mais jovens. Questões como ansiedade, depressão e baixa autoestima têm sido associadas ao uso excessivo dessas plataformas. Isso é frequentemente atribuído à natureza das redes sociais, que podem fomentar comparações desfavoráveis, a sensação de estar faltando algo [&#8230;] e a pressão para manter uma imagem idealizada de si mesmo online. A constante necessidade de validação e reconhecimento, juntamente com a exposição a conteúdos negativos ou perturbadores, também são fatores contribuintes. (Gomes 2021)&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Os vídeos proporcionam conforto emocional e companhia virtual, além de uma fonte rápida de dopamina, o que leva as crianças a associar influenciadores digitais a amigos com os quais mantêm interações diárias, porém sendo uma relação parassocial, causando uma sensação de vazio ou ausência de vínculos mais autênticos, impulsionando a construção imaginária de laços compensatórios imaginários. O comportamento imitativo das crianças pode fazer com que elas se envolvam em situações perigosas ou falem o que não devem em alguns momentos socialmente inadequados. (Santana, 2024). A constância da recompensa oferecida pelos vídeos pode desviar a libido objetal que seria investida em relações reais, fazendo com que a criança encontre no influenciador uma satisfação que exige menos esforço e que não impõe as frustrações das relações autênticas. Isso pode levar a uma &#8220;ausência de vínculos mais autênticos&#8221;, pois a energia psíquica é direcionada para o objeto digital.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“Estar com o outro” é um fenômeno construído dentro da cultura, e não fora dela. Freud muito&nbsp;cedo mostrou que a subjetividade está concernida à cultura e seus vetores civilizatórios, castração, lei do Outro, renúncia pulsional. Do ponto de vista psicanalítico, “estar com o outro” é uma proposição que deve ser pensada na perspectiva dos discursos que regem os laços sociais, que organizam a vida na cultura. A partir desse dado, tomamos as redes sociais digitais como um veículo, dentro da cultura, que sustenta uma posição subjetiva e reivindica dos sujeitos uma relação particular com as telas anônimas do mundo virtual. (Gomes, 2017)&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Além de interferir nas relações sociais da criança, as redes sociais baseadas em vídeos podem gerar prejuízos diários na vida das crianças, abrangendo a atrofia da capacidade imaginativa durante atividades lúdicas, o distanciamento progressivo de interações com outras crianças, déficits na sustentação da atenção e de interagir com outro e criar laços aprofundados, além de prejuízos na saúde física, sedentarismo e vícios. Os vídeos curtos são uma fonte rápida de dopamina, o que pode gerar busca compulsiva por mais e consequente gerar mais tempo de tela, já que o ato de passar o <em>feed</em> gera recompensas de potenciais vídeos melhores. (Mendes 2020)&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Os efeitos nefastos ligados à utilização muito precoce das telas ou a um uso indiscriminado, como o excesso de tempo passado diante dos aparelhos eletrônicos, está na origem de problemas de concentração, falta de sono e a eliminação de outras formas de cultura. De outra parte, existem os efeitos patológicos, como a obesidade, a depressão, as lesões nos tendões e na visão, as adições às telas etc.&nbsp;(Mendes 2020)&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de analisar as consequências negativas de crianças nas redes sociais baseadas em vídeos, há perspectivas positivas onde os pais têm controle do acesso e mostram para a criança aquilo que condiz com sua idade e suas identificações que cabem no contexto familiar e social o qual estão inseridos. Dentre as consequências benéficas, destacam-se o suporte afetivo e a promoção da inclusão social: crianças portadoras de transtornos ou patologias que as posicionam como diferentes podem experimentar uma validação identitária por meio de interações com indivíduos semelhantes, o que reforça o senso de pertencimento e a identidade da criança. Essa identificação com o outro que compartilha experiências semelhantes reforça o sentimento de pertencimento e validação identitária. Em vez de uma identificação alienante com ideais inalcançáveis, a criança pode se identificar com figuras que representam superação, aceitação e diversidade, contribuindo para um ideal do Eu mais realista e inclusivo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando os pais controlam o acesso, o Ego da criança é exercitado na capacidade de escolha e discernimento, a criança aprende a diferenciar conteúdos adequados de inadequados, a tolerar a espera por um vídeo permitido e a negociar os limites de tempo, promovendo a adaptação à realidade e de tomada de decisões conscientes, em vez de ser passivamente arrastado pelo princípio do prazer. A criança, com a ajuda da mediação dos pais, pode se desenvolver com base em normas e valores que são consistentes com o contexto familiar e social, mas que também incorporam a diversidade e a inclusão encontradas online. Ao invés de um ideal do eu rígido e punitivo, que condena o &#8220;diferente&#8221;, a criança pode se tornar mais flexível e empática, que valoriza a validação identitária. Além disso a libido pode ser investida na busca de novas habilidades transformando a busca por prazer imediato em um processo de aprendizado e autodesenvolvimento. (Mendes 2020)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O acesso ilimitado e precoce às redes sociais baseadas em vídeo, propicia experiências de identificação com figuras idealizadas de influenciadores digitais, o que pode afetar a formação do self ideal e a autopercepção. A análise sob a perspectiva psicanalítica freudiana revela que esse ocorrido prejudica os processos de identificação, principalmente em conteúdos que, se não acompanhados de supervisão adequada, podem gerar distorções na autoimagem, dificuldades na construção de vínculos interpessoais saudáveis e até vulnerabilidades a futuros transtornos psicológicos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A teoria freudiana traz a identificação como um mecanismo primordial na formação da identidade, onde a criança assimila traços de objetos significativos, inicialmente os pais. No ambiente digital, essa dinâmica é reconfigurada, a libido que deveria ser investida em relações interpessoais pode ser desviada para o objeto digital, o influenciador criando relações parassociais. Esse direcionamento oferece gratificação constante e sem esforço, reforçando o princípio do prazer e dificulta o desenvolvimento da realidade, afetando a tolerância à frustração e a necessidade da busca pela satisfação. A identificação com influenciadores, pode levar à introjeção de ideais irrealistas e à construção de um ideal do Eu distorcido, esse processo, ao invés de fortalecer o Ego na sua função de mediação entre a realidade e o desejo, pode fragilizá-lo, gerando uma autopercepção baseada em comparações desfavoráveis e contribuindo para a baixa autoestima.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O conteúdo dos vídeos, especialmente de jogos, tende a apresentar uma linguagem inadequada e promover a identificação com falsos padrões de vida, o que contribui para a baixa autoestima e desenvolvimento emocional prejudicado por relações unilaterais com o Wu imaginário que o outro apresenta nos vídeos. Mas para além dos impactos negativos, os vídeos promovem maior aceitação quando usados de maneira correta e supervisionadas por adultos, além de fornecer vídeos que possam melhorar a aprendizagem de crianças em áreas às quais elas têm dificuldade ou ainda não sabem, na visão da psicanálise os impactos positivos abarcam a identificação com histórias e vidas parecidas com a do indivíduo, criando um vínculo não tão próximo, mas significativo para melhora do ideal do Eu da criança, ao invés de uma identificação alienante, ocorre uma identificação que promove a aceitação e a construção de uma autoimagem mais positiva.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">DEAN, Brian. <strong>YouTube Stats: How Many People Use YouTube?</strong> BackLinko, 2025. Disponível em: <a href="https://backlinko.com/youtube-users">YouTube Stats: How Many People Use YouTube in 2024? </a>Acesso em: 10 maio 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FREUD, Sigmund. <strong>Introdução ao narcisismo, ensaios de metapsicologia e outros textos (19141916)</strong>. 15. ed. São Paulo: Companhia das letras, 2010. v. 12.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FREUD, Sigmund. <strong>Psicologia das massas e análise do eu e outros textos (1920-1923)</strong>. 15. ed. São Paulo: Companhia das letras, 2011.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FREUD, Sigmund. <strong>O eu e o Id, “autobiografia” e outros textos (1923-1925)</strong>. 15. ed. São Paulo: Companhia das letras, 2011.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FREUD, Sigmund. <strong>O ego e o ID e outros trabalhos</strong>. São Paulo: IMAGO, 1996. v. 14.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GOMES, Alice Chaves; FILHO, Raimundo Banone; TEIXEIRA, Cavalcante. <strong>Nem ver, nem olhar: visualizar! Sobre a exibição dos adolescentes nas redes sociais.</strong> &nbsp;Ágora (Rio J.), 2021. Disponível em: <a href="https://doi.org/10.1590/1809-44142021001011">https://doi.org/10.1590/1809-44142021001011.</a> Acesso em: 10 maio 2025.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MENDES, Elzilaine Domingues, <strong>Impasses na Constituição do Sujeito causados pelas Tecnologias Digitais, Subjetividades, v.</strong> 20 (2020). Disponível em: <a href="https://ojs.unifor.br/rmes/article/view/e8984">Impasses na Constituição do Sujeito causados pelas Tecnologias Digitais | Revista Subjetividades </a></p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTANA, Washington José. <strong>A construção do eu no espaço digital: uma análise psicanalítica da identidade e da autopercepção na era das redes sociais.</strong> Editora Realize, 2024. Disponível em:&nbsp; <a href="https://editorarealize.com.br/artigo/visualizar/109165">A CONSTRUÇÃO DO EU NO ESPAÇO DIGITAL: UMA ANÁLISE PSICANALÍTICA DA IDENTIDADE E AUTOPERCEPÇÃO NA ERA DAS REDES SOCIAIS | Realize Editora </a>&nbsp;Acesso em: 26 maio 2025.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Discente do Curso Superior de Psicologia do Instituto Campo Real <em>Campus</em> Guarapuava. e-mail: psikauanemazurok@camporeal.edu.br<br><sup>2</sup>Docente do Curso Superior de Psicologia do Instituto Campo Real <em>Campus</em> Guarapuava. e-mail:&nbsp;Prof_marcelooliveira@camporeal.edu.br</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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