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	<title>Nutrição &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<description>Revista Científica de Alto Impacto.</description>
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	<title>Nutrição &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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		<title>MINDFUL EATING E A NUTRIÇÃO SAUDÁVEL, CONTROLE DE PESO E BEM-ESTAR EMOCIONAL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 2025 15:44:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Nutrição]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[MINDFUL EATING AND HEALTHY NUTRITION, WEIGHT MANAGEMENT AND EMOTIONAL WELL-BEING REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512311307 Thais Rodrigues de Sousa1Valéria Matos da Silva1Saul de Melo Ibiapina Neres2Luiz Melo Araújo3Anna Ezilda Portela Memória Lima4Pauliane Moura dos Santos Neres5 Resumo A alimentação consciente, também conhecida como mindful eating, apresenta-se como uma abordagem que reúne atenção plena, princípios nutricionais e estratégias [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">MINDFUL EATING AND HEALTHY NUTRITION, WEIGHT MANAGEMENT AND EMOTIONAL WELL-BEING</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512311307</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Thais Rodrigues de Sousa<sup>1</sup><br>Valéria Matos da Silva<sup>1</sup><br>Saul de Melo Ibiapina Neres<sup>2</sup><br>Luiz Melo Araújo<sup>3</sup><br>Anna Ezilda Portela Memória Lima<sup>4</sup><br>Pauliane Moura dos Santos Neres<sup>5</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A alimentação consciente, também conhecida como <em>mindful eating</em>, apresenta-se como uma abordagem que reúne atenção plena, princípios nutricionais e estratégias de regulação emocional, favorecendo uma relação mais harmoniosa entre a pessoa e o alimento. O presente estudo teve como finalidade examinar como essa prática influencia a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis, o manejo do peso e o bem-estar emocional em adultos. Para isso, realizou-se uma revisão integrativa da literatura, de caráter qualitativo e natureza exploratório-descritiva. As buscas foram efetuadas nas bases PubMed, SciELO e LILACS, incluindo artigos publicados entre 2020 e 2025, nos idiomas inglês e português. Os achados apontaram que o mindful eating auxilia na diminuição de episódios de compulsão alimentar, aprimora a percepção dos sinais internos de fome e saciedade e fortalece mecanismos de regulação emocional. Além disso, essa prática demonstrou favorecer a autoestima, a aceitação corporal e a redução da alimentação emocional, promovendo escolhas alimentares mais consistentes e alinhadas às necessidades individuais. Assim, conclui-se que o <em>mindful eating</em> configura uma estratégia eficaz e acolhedora dentro do cuidado nutricional, capaz de integrar corpo, mente e comportamento alimentar, contribuindo para a saúde integral e o bem-estar psicológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong><em> </em><em>Mindful eating. </em>Atenção plena<em>. </em>Alimentação emocional. Nutrição. Saúde mental.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A <em>Mindfulness</em>, é uma prática em que o indivíduo se desprende do passado e do futuro para focar no momento presente. Essa prática foi apresentada no Ocidente por Jon Kabat-Zinn e tem como objetivo ajudar a melhorar a compreensão do próprio estado mental. A atenção plena envolve prestar atenção aos acontecimentos atuais, sem julgamentos e com uma atitude de aceitação e gentileza, tanto consigo mesmo quanto com os outros (Consta <em>et al.,</em> 2024). Nesse contexto, compreender de que forma a prática da alimentação consciente pode favorecer a adoção de hábitos alimentares saudáveis e o controle do peso é fundamental para o nutricionista atual, cuja atuação vai além da prescrição de dietas, abrangendo também o papel de facilitador das mudanças comportamentais e do equilíbrio emocional relacionado à alimentação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prática de mindfulness envolve estar consciente dos pensamentos, sentimentos e sensações físicas, promovendo uma atitude aberta e compassiva. Essa prática pode ser realizada de forma formal, como meditação, ou informal, integrando a atenção plena nas atividades diárias (Lattimore, 2020; Zhang et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os conceitos de alimentação consciente e intuitiva refletem comportamentos alimentares adaptativos, fundamentados na consciência do momento presente. Eles se opõem a práticas como a alimentação emocional e a compulsão alimentar, que ocorrem quando as pessoas não estão atentas às suas necessidades reais (Souza <em>et al</em>., 2019). A alimentação intuitiva envolve&nbsp; a capacidade de ouvir os sinais do corpo, como fome e saciedade, em vez de seguir regras rígidas sobre o que comer. Esse estilo de alimentação promove um relacionamento saudável com a comida, proporcionando prazer e uma conexão positiva entre mente e corpo, em contraste com a alimentação reativa e desadaptativa (Souza <em>et al.</em>, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A alimentação emocional, que surge em resposta a emoções negativas, pode levar ao excesso alimentar. Essa prática é frequentemente ligada a dificuldades na regulação emocional e está associada a problemas de saúde física e mental, como flutuações de peso, compulsão alimentar e sintomas depressivos. A diminuição da alimentação emocional pode facilitar a perda de peso eficaz (Lattimore, 2020). Nos últimos anos, o número de pessoas com obesidade cresceu significativamente. No entanto, a técnica mindfulness, também chamada de comer consciente, apresenta evidências consistentes para o tratamento de pessoas com sobrepeso e transtornos alimentares. Essa terapia engloba a prática da atenção plena aliada à psicologia, nutrição, autocontrole e consciência corporal (Minari <em>et al</em>., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paralelamente, observa-se um aumento expressivo na prevalência de transtornos alimentares, como anorexia nervosa e bulimia nervosa, têm se tornado cada vez mais frequentes, sendo caracterizados por padrões alimentares desordenados e preocupação excessiva com o peso e a imagem corporal, gerando impactos negativos na saúde física e mental. Entre 2000 e 2018, a prevalência global desses transtornos mais que dobrou, passando de 3,4% para 7,8% da população mundial. No Brasil, segundo a OMS, aproximadamente 4,7% da população é acometida por algum tipo de transtorno alimentar, o que reforça a importância de estratégias de prevenção e de promoção de hábitos alimentares saudáveis (Organização Mundial de Saúde, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O aumento global da obesidade tem se tornado uma das maiores ameaças à saúde a longo prazo, exigindo estratégias de prevenção eficazes. As qualidades da <em>mindful eating</em> são pensadas exatamente para melhorar a percepção dos sinais de fome e saciedade, ajudando os indivíduos a responderem a esses sinais sem recorrer a padrões alimentares restritivos ou indulgentes (Ruth; Cassidy, 2022). De acordo com dados recentes da Organização Mundial da Saúde &#8211; OMS (2022) e da World Obesity Federation, observa-se um aumento significativo tanto na prevalência da obesidade em todo o mundo. A obesidade, atualmente reconhecida como uma epidemia global, constitui um dos principais desafios da saúde pública, sendo responsável por cerca de 2,8 milhões de mortes anuais. Em 2022, estimou-se que uma em cada oito pessoas no mundo vivia com obesidade. Aproximadamente 2,5 bilhões de adultos apresentavam excesso de peso, dos quais 890 milhões já se encontravam em condição de obesidade. Entre crianças e adolescentes de 5 a 19 anos, mais de 390 milhões estavam acima do peso, incluindo 160 milhões com obesidade, o que evidencia a gravidade do quadro desde as idades mais precoces.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Intervenções tradicionais para emagrecimento frequentemente falham em abordar a alimentação emocional, pois não se concentram nas necessidades emocionais dos comedores. Já as abordagens baseadas na atenção plena mostram potencial para lidar com essa questão, pois ajudam na regulação emocional e estão relacionadas a hábitos alimentares mais saudáveis, promovendo aceitação e autocompaixão. Embora intervenções de <em>mindfulness</em> para perda de peso apresentem resultados mistos, muitas vezes se concentram em peso e ingestão calórica, negligenciando fatores emocionais que contribuem para o comer excessivo (Lattimore, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas recentes indicam que a prática da atenção plena pode ser eficaz no controle do peso e em comportamentos associados, como a redução da compulsão alimentar e do estresse. Uma revisão recente sobre alimentação consciente revelou que essa abordagem não apenas ajuda a controlar o peso, mas também a gerenciar desejos e evitar a ingestão excessiva de calorias (Lyzwinski <em>et al.,</em> 2019). Ainda de acordo com Lyzwinski <em>et al</em>. (2019), a atenção plena envolve um estado elevado de autoconhecimento, onde se observa emoções e sensações de forma não crítica, bloqueando pensamentos que distraem do momento presente. A alimentação consciente se concentra em perceber as respostas sensoriais ao comer, como o gosto, o cheiro e a visão dos alimentos, promovendo uma pausa na alimentação quando a saciedade é sentida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O aumento de pessoas com sobrepeso e obesidade e os riscos de saúde associados tornaram-se uma preocupação urgente nas sociedades ocidentais. Propostas recentes indicam que a atenção plena pode ajudar na regulação do peso, e os resultados iniciais são encorajadores. Estudos revelam que a prática da alimentação consciente tem sido eficaz na diminuição dos desejos alimentares, no controle das porções e na melhora do índice de massa corporal (Bal; Çelikbas; Batmaz, 2018). Além disso, abordagens em saúde pública vêm mudando o foco da perda de peso para a redução do estigma associado à obesidade, pois estratégias tradicionais não têm mostrado resultados consistentes. O sobrepeso e a obesidade continuam a ser preocupações importantes, pois estão ligados a problemas como hipertensão, depressão, diabetes e certos tipos de câncer (Sarto <em>et al</em>., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A alimentação, que deveria ser uma experiência prazerosa, tornou-se fonte de sofrimento para muitas pessoas com transtornos alimentares ou obesidade. Dietas restritivas e o medo de comer geram culpa e ansiedade durante, antes e depois das refeições (Minari <em>et al.,</em> 2024). A <em>mindful eating </em>surge como uma ferramenta eficaz nesse contexto, promovendo uma alimentação calma e consciente, reduzindo o nervosismo e o julgamento durante as refeições. Essa técnica é composta por quatro princípios fundamentais: “saborear”, “não julgar”, “estar no momento” e “observar” (Minari<em> et al.,</em> 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse contexto, definiu-se o seguinte problema de pesquisa: Como a prática de <em>mindful eating</em> (alimentação consciente) pode influenciar positivamente a adoção de hábitos alimentares saudáveis e a gestão de peso em indivíduos adultos?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Parte-se de que a prática regular de <em>mindful eating</em> promove a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis e o controle de peso em indivíduos adultos, reduzindo a alimentação emocional e aumentando a percepção dos sinais de fome e saciedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como profissional de nutrição, compreender a alimentação consciente é essencial para promover uma relação equilibrada com a comida, ajudando pacientes a desenvolverem maior atenção às suas escolhas e reduzindo comportamentos impulsivos. Essa prática permite personalizar planos alimentares, identificar gatilhos emocionais e aplicar técnicas de mindfulness, contribuindo para escolhas mais saudáveis e sustentáveis. Além disso, a atenção plena auxilia na regulação do apetite e na redução do comer automático, promovendo o equilíbrio físico e emocional (Souza <em>et al</em>., 2019; Bal; Çelikbas; Batmaz, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, esta pesquisa tem como objetivo investigar o impacto da prática de <em>mindful eating</em> na adoção de hábitos alimentares saudáveis e na gestão de peso em indivíduos adultos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 </strong><strong><em>Mindfulness</em></strong><strong> e alimentação consciente&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A prática do <em>mindfulness</em> traduzida como atenção plena refere-se à capacidade de direcionar a atenção para o momento presente, de maneira intencional e sem julgamentos. Essa abordagem foi introduzida no Ocidente por Jon Kabat-Zinn e vem sendo amplamente utilizada em contextos terapêuticos e de promoção da saúde mental (Consta <em>et al.</em>, 2024). O foco da técnica está em observar pensamentos, emoções e sensações físicas de forma consciente, cultivando atitudes de aceitação e autocompaixão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir dos princípios da atenção plena, surgiu o conceito de <em>mindful eating</em>&nbsp; ou alimentação consciente, que propõe aplicar o <em>mindfulness</em> ao ato de comer. Essa prática incentiva o indivíduo a perceber suas sensações corporais de fome e saciedade, bem como as respostas emocionais e sensoriais envolvidas durante as refeições (Souza <em>et al.</em>, 2019). Dessa forma, o comer deixa de ser um comportamento automático e passa a ser uma experiência consciente, na qual o alimento é saboreado com atenção e respeito ao corpo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Minari <em>et al. </em>(2024), o <em>mindful eating</em> combina elementos da psicologia, da nutrição e da consciência corporal, promovendo uma relação mais equilibrada e saudável com a comida. A técnica envolve quatro pilares principais: saborear, não julgar, estar no momento presente e observar. Esses componentes favorecem uma alimentação mais calma e intuitiva, reduzindo impulsos alimentares e melhorando a percepção dos sinais internos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além de seus efeitos físicos, a alimentação consciente contribui também para o bem-estar emocional, pois ajuda o indivíduo a compreender os gatilhos que o levam a comer por motivos não fisiológicos, como estresse, tristeza ou ansiedade (Lattimore, 2020). Ao desenvolver maior consciência sobre as próprias emoções, o sujeito torna-se capaz de responder de maneira mais adaptativa, evitando a chamada alimentação emocional, caracterizada por comer em resposta a sentimentos negativos e não à fome real.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos recentes mostram que práticas baseadas em <em>mindfulness</em> estão associadas à melhoria de hábitos alimentares e à adoção de comportamentos mais saudáveis (Zhang <em>et al</em>., 2021; Lyzwinsk<em>i et al</em>., 2019). Isso ocorre porque o indivíduo passa a reconhecer melhor os sinais corporais e as sensações que acompanham o comer, fortalecendo a autorregulação e reduzindo padrões de compulsão alimentar. Assim, o <em>mindful eating</em> é visto como uma estratégia eficaz para promover não apenas o controle de peso, mas também uma relação mais harmoniosa entre corpo e mente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 </strong><strong><em>Mindful eating</em></strong><strong> e regulação emocional&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto atual, compreender os fatores que influenciam a relação das pessoas com a alimentação é essencial, especialmente no que diz respeito à alimentação emocional (EE), compreendida como uma dificuldade no processo de regulação emocional, que pode representar um obstáculo à construção de uma relação equilibrada com a comida. A EE é definida como a resposta a sentimentos negativos, como estresse, aborrecimento ou raiva, por meio do consumo excessivo de alimentos altamente calóricos e palatáveis, com o intuito de obter conforto temporário. Esse comportamento caracteriza uma forma de alimentação desordenada, podendo contribuir para o desenvolvimento da obesidade (Smith <em>et al</em>., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a alimentação emocional está associada a uma série de consequências negativas, como o reganho de peso, o transtorno da compulsão alimentar, a depressão e dificuldades na regulação emocional (Sarto <em>et al.</em>, 2023). Entre os principais gatilhos da EE em mulheres, destacam-se o tédio, a solidão, a ansiedade e o estresse. Estudos indicam que a redução desse comportamento está relacionada a maiores índices de perda de peso em pessoas com obesidade, sobretudo entre o público feminino. Estima-se que cerca de 40% dos indivíduos com obesidade apresentem episódios de alimentação emocional, o que reforça a importância de considerar esse fator em intervenções voltadas à perda de peso (Smith <em>et al</em>., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse cenário, as intervenções baseadas em <em>mindfulness</em> (MBIs) têm ganhado destaque por reunirem diferentes estratégias voltadas ao manejo dos desejos e comportamentos alimentares, como aceitação, descentralização, escaneamento corporal e autocompaixão. A aceitação busca modificar a forma como o indivíduo se relaciona com seus impulsos, sem reprimi-los, reconhecendo-os como experiências momentâneas. Já a descentralização consiste em observar pensamentos e emoções como eventos transitórios, distintos do “eu”. O escaneamento corporal, por sua vez, propõe direcionar a atenção para diferentes partes do corpo, ampliando a percepção das sensações internas, enquanto a autocompaixão envolve tratar-se com gentileza, principalmente em momentos de sofrimento (Allameh <em>et al</em>., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, estratégias que incentivam a reconexão com os sinais internos de fome e saciedade têm se mostrado eficazes para reduzir episódios de alimentação emocional. A incorporação de práticas de atenção plena, princípios fundamentais das abordagens neutras em relação ao peso, permite recuperar o controle consciente sobre o comportamento alimentar, contribuindo tanto para a manutenção de um peso corporal saudável quanto para o fortalecimento do bem-estar físico e emocional (Smith <em>et al.,</em> 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De modo geral, o <em>mindfulness</em> baseia-se na atenção plena e deliberada às experiências, pensamentos e emoções do momento presente, com abertura e ausência de julgamento. Essa prática tem demonstrado eficácia na redução do estresse, da alimentação emocional e do consumo excessivo motivado por fatores emocionais, configurando-se como uma abordagem promissora para o enfrentamento de comportamentos alimentares desadaptativos (Allameh <em>et al</em>., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Complementarmente, o treinamento em meditação <em>mindfulness</em> (MMT) tem apresentado efeitos positivos ao aprimorar a regulação da atenção e das emoções, processos que incluem reavaliação, exposição, extinção e reconsolidação, além de favorecer o funcionamento executivo, especialmente no controle inibitório. Assim, as práticas de atenção plena mostram-se relevantes no enfrentamento da alimentação emocional, uma vez que favorecem o equilíbrio emocional e reduzem a tendência de comer em resposta a sentimentos negativos. Evidências sugerem que a evitação experiencial medeia a relação entre emoções negativas e comportamento alimentar impulsivo, reforçando a importância do <em>mindfulness</em> nesse processo (Lattimore, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, programas específicos vêm aplicando os princípios do <em>mindfulness</em> e da autocompaixão aos hábitos alimentares, promovendo a chamada “alimentação consciente”. Essa prática estimula o indivíduo a apreciar os alimentos utilizando todos os sentidos, com atenção e sem julgamentos, favorecendo escolhas alimentares mais conscientes. Ao incentivar o reconhecimento das diferenças entre fome física e fome emocional, bem como a percepção dos sinais de saciedade, a alimentação consciente contribui para uma relação mais equilibrada com a comida e para a adoção de um estilo de vida mais saudável (Sarto <em>et al., </em>2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, é importante reconhecer que a alimentação emocional é um fenômeno multifacetado, influenciado por fatores contextuais e individuais. Dessa forma, sua avaliação não deve se restringir a instrumentos unidimensionais, como o Questionário Holandês de Comportamento Alimentar ou o Questionário de Alimentação de Três Fatores. Compreender essa complexidade é fundamental para o desenvolvimento de intervenções mais eficazes e personalizadas, que considerem as dimensões emocionais, cognitivas e comportamentais envolvidas nesse padrão alimentar (Lattimore, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3 Nutrição e comportamento alimentar</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Alimentação consciente (AC) e a alimentação intuitiva (AI) têm sido reconhecidas como abordagens alimentares mais adaptativas, que promovem uma relação equilibrada com a comida. A alimentação intuitiva refere-se à capacidade de perceber e respeitar os sinais internos do corpo, como fome e saciedade, orientando o comportamento alimentar de acordo com essas sensações fisiológicas. Esse estilo também se caracteriza pela rejeição de dietas restritivas e pela valorização da escolha de alimentos que proporcionem prazer e satisfação, permitindo que a quantidade e o momento das refeições sejam guiados pelas necessidades do organismo. Estudos anteriores indicam que a alimentação intuitiva está relacionada a menores níveis de transtornos alimentares, insatisfação corporal e psicopatologias, além de estar associada a maior autoestima e bem-estar. Ademais, quando aplicada como estratégia de intervenção, essa abordagem tem se mostrado eficaz na diminuição da restrição alimentar e do comportamento de dieta, bem como na promoção da prática de atividade física, da aceitação corporal e da melhoria da qualidade de vida (Bennett; Latner, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a combinação de intervenções baseadas em <em>mindfulness</em> com outras estratégias voltadas para o controle do peso ou para o tratamento de comportamentos alimentares disfuncionais têm recebido crescente atenção. No entanto, essa integração muitas vezes dificulta a identificação dos efeitos específicos da atenção plena, uma vez que programas de mudança de estilo de vida, embora eficazes para a perda de peso em curto prazo, costumam depender de práticas alimentares temporariamente restritivas. Assim, para indivíduos que enfrentam o excesso de peso, seguir um plano alimentar rígido enquanto tentam desenvolver maior consciência e presença durante as refeições pode tornar-se um processo desafiador e confuso (Moreira <em>et al</em>., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os comportamentos alimentares disfuncionais, destaca-se a compulsão alimentar, caracterizada pela ingestão exagerada de alimentos acompanhada da perda de controle sobre o ato de comer. Embora as estimativas de prevalência variem, as evidências indicam que esse comportamento é particularmente comum entre pessoas com obesidade. Um estudo recente realizado com uma amostra da população geral constatou que quase 70% dos participantes que apresentavam episódios de compulsão alimentar eram obesos, evidenciando a forte associação entre esses dois fatores (O’Reilly <em>et al</em>., 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário, a atenção plena tem se mostrado uma abordagem promissora no tratamento da compulsão alimentar. As pesquisas sobre sua aplicação nessa área tiveram início no final da década de 1990, quando Kristeller e Hallet desenvolveram um estudo piloto com mulheres obesas diagnosticadas com transtorno da compulsão alimentar periódica, utilizando o Treinamento de Consciência Alimentar Baseado em <em>Mindfulness</em> (MB-EAT). Posteriormente, o método foi expandido para indivíduos obesos com ou sem o transtorno, mostrando resultados positivos. Nos últimos anos, o interesse em práticas de atenção plena e alimentação consciente tem aumentado consideravelmente, abrangendo tanto pessoas com sobrepeso ou obesidade quanto aquelas com peso dentro da faixa considerada normal (Warren; Smith; Ashwell, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, que teve como objetivo reunir, analisar e sintetizar o conhecimento atual sobre a influência da prática de <em>mindful eating</em> na adoção de hábitos alimentares saudáveis e na gestão de peso em indivíduos adultos. Esse tipo de revisão permite uma compreensão ampla sobre o tema, além de identificar lacunas existentes e apontar novas possibilidades de investigação (Souza; Silva; Carvalho, 2010; Botelho; Cunha; Macedo, 2011).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A formulação do problema baseou-se na necessidade de compreender de que forma a alimentação consciente pode contribuir para a melhoria dos hábitos alimentares e para o bem-estar geral. A partir dessa reflexão, elaborou-se a seguinte questão norteadora: Como a prática de <em>mindful eating</em> (alimentação consciente) pode influenciar positivamente a adoção de hábitos alimentares saudáveis e a gestão de peso em indivíduos adultos? A pergunta foi estruturada segundo a estratégia PICO, em que a população (P) correspondeu a indivíduos adultos; a intervenção (I) foi representada pela prática de <em>mindful eating;</em> a comparação © se referiu à ausência de intervenção ou a outros métodos de alimentação; e o desfecho (O) contemplou a adoção de hábitos alimentares saudáveis e a gestão do peso corporal (Moreira, 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados PubMed, Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS). Utilizaram-se descritores em português e inglês, combinados com operadores booleanos, sendo eles: (<em>“mindful eating”</em> OR “alimentação consciente” OR “atenção plena”) AND (“nutrição saudável” OR “alimentação saudável” OR “dieta saudável” OR “dieta consciente”). Foram incluídos apenas artigos que continham os descritores no resumo, publicados entre 2020 e 2025, nos idiomas português ou inglês, e com acesso gratuito ao texto completo, a fim de garantir a atualidade e a relevância das publicações selecionadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os critérios de inclusão adotados consideraram artigos publicados no período estabelecido, que abordassem a prática de <em>mindful eating</em> relacionada à alimentação saudável, ao controle de peso ou ao bem-estar emocional, desde que disponibilizados de forma integral e gratuita. Foram excluídas teses, dissertações, revisões, relatos de caso, estudos duplicados e artigos que não apresentassem relação direta com o tema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seleção dos estudos foi realizada em três etapas: inicialmente procedeu-se à remoção das duplicatas, seguida pela leitura dos títulos e resumos, e, por fim, pela leitura completa dos textos elegíveis. Os artigos selecionados foram organizados em uma planilha no Microsoft Excel, contendo informações sobre autores, ano de publicação, objetivos, metodologia, amostra, principais resultados e conclusões. A análise dos dados foi conduzida com base na proposta de análise de conteúdo de Bardin (2016), que envolve as etapas de leitura exaustiva, categorização e interpretação dos resultados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados foram apresentados de forma descritiva e comparativa, ressaltando convergências e divergências entre os estudos em relação aos efeitos da prática de <em>mindful eating </em>sobre os comportamentos alimentares e a gestão de peso. De acordo com a figura 1.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1</strong>: fluxograma da seleção dos artigos selecionados.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="948" height="1024" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-268-948x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-261688" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-268-948x1024.jpeg 948w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-268-278x300.jpeg 278w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-268-768x830.jpeg 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-268.jpeg 981w" sizes="(max-width: 948px) 100vw, 948px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Sousa, Silva, Neres, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>RESULTADOS E DISCUSSÕES</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As buscas nas bases de dados resultaram em um total de 1.215 artigos. A base com maior número de registros foi a PubMed, seguida por LILACS e SciELO. Após a aplicação dos filtros de inclusão texto completo, publicações dos últimos cinco anos, estudos e revisões, nos idiomas inglês e português, permaneceram 11 artigos na LILACS, 21 na PubMed e 9 na SciELO.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na etapa de leitura inicial, foram selecionados apenas 3 artigos da LILACS, 4 da PubMed e 1 da SciELO, totalizando 8 artigos lidos integralmente. Os demais foram excluídos por não atenderem aos critérios de elegibilidade, como falta de aderência ao tema central ou por se tratarem de estudos com foco tangencial. A figura 1 apresenta o resumo da análise dos artigos incluídos.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1</strong> – Resumo da análise dos artigos incluídos.</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Autores e ano de publicação</strong></td><td><strong>Título</strong></td><td><strong>Revista</strong></td><td><strong>Principais Achados</strong></td></tr><tr><td>Allameh <em>et al</em>., 2025</td><td>Efeitos de intervenções baseadas em <em>mindfulness</em> no desejo por comida em adultos: uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos controlados</td><td>BMC Psychology</td><td>Analisou 24 pesquisas sobre intervenções baseadas em <em>mindfulness</em> e concluiu que elas reduzem significativamente a intensidade dos desejos alimentares, mas não a sua frequência. Também observaram menor tendência à ingestão excessiva após restrição alimentar. Apesar dos resultados positivos, os autores destacam que a qualidade das evidências ainda é baixa e recomendam mais estudos para confirmar esses efeitos.</td></tr><tr><td>Barbosa; Penaforte; Silva, 2020</td><td><em>Mindfulness, mindful eating</em> e comer intuitivo na abordagem da obesidade e transtornos alimentares</td><td>Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas</td><td>As práticas de mindfulness, alimentação consciente e comer intuitivo promovem maior consciência corporal e emocional, reconhecimento dos sinais internos de fome e saciedade, redução da alimentação automática e emocional, valorização de escolhas alimentares autênticas e fortalecimento do autocuidado.</td></tr><tr><td>Bayram, 2024</td><td>Relação entre alimentação consciente, alimentação intuitiva, atitudes alimentares e ortorexia nervosa em estudantes universitários</td><td>Revista de Nutrição&nbsp;</td><td>Alimentação consciente e ortorexia nervosa, indicando que maior atenção plena ao comer está associada a menor tendência a comportamentos obsessivos com alimentação saudável. Não foi encontrada relação significativa entre alimentação intuitiva e ortorexia. Estudantes de nutrição apresentaram maior atenção alimentar, e valores mais elevados de IMC mostraram fraca associação com maior risco de ortorexia. A alimentação consciente é apontada como fator protetor contra atitudes alimentares disfuncionais.&nbsp;</td></tr><tr><td>Costa <em>et al</em>., 2022</td><td>Atenção plena disposicional, regulação emocional e estresse percebido em estudantes de enfermagem</td><td>Revista da escola de enfermagem da USP</td><td>Foram observados níveis moderados de atenção plena, regulação emocional e estresse percebido. Não houve correlação significativa entre atenção plena e regulação emocional geral, mas verificou-se relação fraca e positiva com a supressão das emoções. Idade mais elevada e sono adequado associaram-se a níveis mais altos de atenção plena, enquanto o uso de substâncias psicoativas e acompanhamento psicológico estiveram relacionados a níveis mais baixos. A atenção plena mostrou-se associada a maior equilíbrio emocional e bem-estar psicológico no contexto acadêmico.</td></tr><tr><td>Eaton <em>et al.</em>, 2024</td><td>Uma revisão sistemática de estudos observacionais que exploram a relação entre saúde e comportamentos alimentares não relacionados ao peso</td><td>Appetite&nbsp;</td><td>Revisou pesquisas que analisaram a relação entre comportamentos alimentares não centrados no peso, como alimentação intuitiva e consciente, e os desfechos de saúde. Os resultados mostraram que essas práticas estão associadas a melhor bem-estar psicológico, menor estigma corporal e, em alguns casos, a indicadores físicos mais saudáveis. Os autores destacam, porém, que ainda são necessárias mais pesquisas para confirmar esses efeitos e ampliar a diversidade das amostras estudadas.</td></tr><tr><td>Liu et al., 2025</td><td>Intervenções baseadas em <em>mindfulness</em> para compulsão alimentar: uma revisão sistemática e meta-análise atualizada</td><td>Journal of Behavioral Medicine&nbsp;</td><td>Revisou pesquisas sobre intervenções baseadas em mindfulness no tratamento da compulsão alimentar. Os resultados indicaram que essas práticas reduzem a frequência dos episódios e melhoram o comportamento alimentar, embora os efeitos variem entre os estudos. Os autores concluem que a mindfulness é uma abordagem promissora, mas ainda requer mais evidências e padronização para comprovar sua eficácia a longo prazo.</td></tr><tr><td>Smith <em>et al.</em>,2023</td><td>Intervenções para alimentação emocional em adultos com sobrepeso ou obesidade: uma revisão sistemática e meta-análise</td><td>International Journal of Environmental Research and Public Health</td><td>Analisou 34 pesquisas sobre intervenções voltadas ao comer emocional em adultos com sobrepeso ou obesidade. Os resultados mostraram que essas estratégias, especialmente as baseadas em terapia cognitivo-comportamental, ajudam a reduzir o comer emocional e promovem uma leve perda de peso. Os autores concluem que abordar os fatores emocionais pode contribuir para o controle do peso, embora os efeitos ainda sejam modestos e necessitem de mais investigação.</td></tr><tr><td>Ünal <em>et al.</em>, 2025</td><td>Relação entre alimentação consciente, fome hedónica e obesidade em adultos turcos</td><td>Revista de Nutrição&nbsp;</td><td>Maiores níveis de alimentação consciente associam-se a menores índices de fome hedónica, menor ingestão calórica e menor risco de obesidade e complicações metabólicas. Mulheres e não fumadores apresentaram escores mais elevados de atenção plena ao comer. O comer consciente contribui para reduzir o impulso de comer por prazer e melhorar a regulação da fome e da saciedade, funcionando como estratégia acessível para promover hábitos alimentares equilibrados e saudáveis.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Sousa, Silva, Neres, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo de Barbosa, Penaforte e Silva (2020) aborda a utilização das práticas de <em>mindfulness</em>, alimentação consciente (<em>mindful eating</em>) e comer intuitivo como estratégias complementares na abordagem da obesidade e dos transtornos alimentares. As autoras discutem que essas práticas, ao promoverem maior consciência corporal e emocional, podem contribuir para uma relação mais equilibrada com o alimento e para o fortalecimento do autocuidado. A prática de <em>mindfulness</em> auxilia o indivíduo a reconhecer os sinais internos de fome e saciedade, reduzindo episódios de alimentação automática e emocional, o que favorece a autorregulação e o bem-estar físico e psicológico. Ademais, o comer intuitivo é apresentado como uma abordagem que valoriza o respeito aos sinais corporais e a rejeição de dietas restritivas, incentivando escolhas alimentares mais autênticas e sustentáveis. Dessa forma, o <em>mindful eating</em> e o comer intuitivo são compreendidos como estratégias comportamentais eficazes no manejo da obesidade e na prevenção de distúrbios alimentares. Em síntese, as autoras concluem que as intervenções baseadas em <em>mindfulness</em> representam um recurso terapêutico humanizado e acessível, voltado não apenas à perda de peso, mas à transformação da relação com o alimento e com o corpo, integrando dimensões cognitivas, emocionais e fisiológicas no cuidado nutricional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De modo convergente, Eaton et al. (2024) realizaram uma revisão sistemática de estudos observacionais que exploraram comportamentos alimentares não centrados no peso, como alimentação intuitiva, alimentação consciente e competência alimentar, e seus desfechos em saúde física e mental. Os resultados evidenciaram associações positivas entre níveis mais elevados desses comportamentos e menor IMC, melhor qualidade da dieta, maior prática de atividade física e menor prevalência de comportamentos alimentares desordenados. Além disso, tais comportamentos correlacionaram-se com maior autocompaixão, imagem corporal positiva e melhor saúde emocional. Assim, os autores concluíram que práticas alimentares centradas na saúde, e não no peso, estão relacionadas a desfechos favoráveis em múltiplas dimensões do bem-estar, embora reforcem a necessidade de estudos longitudinais e de intervenção para confirmar essas relações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em consonância com essa perspectiva, o estudo de Bayram (2024) teve como objetivo analisar a relação entre alimentação consciente, alimentação intuitiva, atitudes alimentares e ortorexia nervosa em estudantes universitários. Os resultados mostraram uma correlação negativa entre alimentação consciente e ortorexia nervosa, indicando que, quanto maior o nível de atenção plena ao comer, menor a tendência a comportamentos obsessivos com alimentação saudável. Por outro lado, não foi encontrada relação significativa entre alimentação intuitiva e ortorexia. O autor observou ainda que estudantes de nutrição apresentaram maior atenção alimentar, possivelmente em função da exposição a conhecimentos específicos da área. Outro achado relevante foi a associação entre valores mais elevados de índice de massa corporal (IMC) e maior risco de ortorexia, ainda que de forma fraca. Assim, o estudo indica que a alimentação consciente pode atuar como fator protetor contra atitudes alimentares disfuncionais, favorecendo uma relação mais equilibrada com os alimentos. Apesar de limitações metodológicas, como o uso de questionários autoaplicáveis e o delineamento transversal, os resultados reforçam a importância de promover práticas de alimentação consciente no ambiente universitário como forma de prevenir comportamentos alimentares excessivamente rígidos ou obsessivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que se refere aos mecanismos envolvidos no controle do comportamento alimentar, Ünal et al. (2025) analisaram a relação entre alimentação consciente, fome hedónica e obesidade em adultos turcos, com o objetivo de compreender como a atenção plena ao comer influencia o comportamento alimentar e o peso corporal. Os resultados evidenciaram que maiores níveis de alimentação consciente estão associados a menores índices de fome hedónica, menor ingestão calórica e menores riscos de obesidade e complicações metabólicas. Mulheres e não fumantes apresentaram escores mais altos de alimentação consciente, o que sugere possíveis diferenças comportamentais relacionadas ao estilo de vida. Assim, o comer com atenção plena contribui para reduzir o impulso de comer por prazer e melhorar a regulação da fome e da saciedade, configurando-se como uma estratégia eficaz e acessível para promover hábitos alimentares mais equilibrados e saudáveis. Apesar das limitações do delineamento transversal, os autores reforçam a relevância da atenção plena no comportamento alimentar como ferramenta de apoio à promoção da saúde e ao controle da obesidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Complementando essas evidências, Allameh et al. (2025) realizaram uma revisão sistemática com meta-análise de ensaios clínicos controlados para investigar os efeitos de intervenções baseadas em atenção plena sobre o desejo alimentar em adultos. Os resultados demonstraram que as MBIs reduzem significativamente a intensidade do desejo alimentar e o consumo alimentar de “rebote”, sugerindo maior controle sobre os impulsos alimentares. Embora não tenha sido encontrada diferença significativa na frequência do desejo alimentar, os autores destacam que as intervenções de atenção plena são eficazes e seguras, com potencial terapêutico relevante, ainda que sejam necessários estudos de maior qualidade e duração para consolidar as evidências.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma semelhante, Liu <em>et al</em>. (2025) também conduziram uma revisão sistemática com meta-análise com o objetivo de investigar os efeitos das intervenções baseadas em atenção plena sobre episódios de compulsão alimentar. Os resultados apontaram efeitos de magnitude média a grande na redução dos episódios de compulsão, especialmente nas intervenções que incorporaram elementos da terapia comportamental dialética (DBT). Esses achados reforçam o papel das práticas de atenção plena como estratégia promissora no tratamento de compulsão alimentar, ainda que sejam recomendadas futuras pesquisas controladas e de longo prazo para confirmar causalidades e ampliar a generalização dos resultados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No mesmo sentido, Smith <em>et al. </em>(2023) realizaram uma revisão sistemática com meta-análise para investigar a eficácia de intervenções voltadas ao “comer emocional” em adultos com sobrepeso ou obesidade. A análise evidenciou que tais intervenções podem reduzir episódios de comer emocional e promover discreta perda de peso, sendo a terapia cognitivo-comportamental (TCC) a abordagem mais eficaz. Os autores destacam que, embora os efeitos sejam modestos, essas intervenções apresentam potencial para melhorar a regulação emocional associada ao comportamento alimentar, recomendando-se, contudo, maior padronização dos instrumentos e acompanhamento longitudinal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, ampliando a discussão para o contexto emocional, Costa et al. (2022) investigaram a relação entre atenção plena disposicional, regulação emocional e estresse percebido em estudantes de enfermagem. Os resultados revelaram níveis moderados de atenção plena, regulação emocional e estresse percebido, além de associações entre idade mais elevada e sono adequado com níveis mais altos de atenção plena. Por outro lado, o uso de substâncias psicoativas e o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico estiveram relacionados a níveis mais baixos dessa capacidade. Embora não tenha sido identificada correlação significativa entre atenção plena disposicional e regulação emocional geral, observou-se uma relação positiva, ainda que fraca, com a supressão das emoções, sugerindo que estudantes mais atentos tendem a controlar melhor suas reações emocionais. Dessa forma, a atenção plena pode favorecer o bem-estar psicológico e acadêmico, ao promover maior equilíbrio emocional e capacidade de lidar com as pressões cotidianas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta revisão integrativa evidenciou que a prática da alimentação consciente (<em>mindful eating</em>) exerce impacto relevante na adoção de hábitos alimentares mais saudáveis, no controle do peso corporal e na melhoria do bem-estar emocional. As evidências analisadas apontaram que essa abordagem contribui para a diminuição de episódios de compulsão alimentar e de comer emocional, além de aprimorar a percepção dos sinais internos de fome e saciedade. Verificou-se também que o <em>mindful eating</em> favorece o desenvolvimento da autorregulação emocional, da autocompaixão e da aceitação corporal, fatores essenciais para uma relação mais equilibrada com o alimento e com o próprio corpo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os achados indicam que programas fundamentados em <em>mindfulness</em> e alimentação consciente podem ser integrados à prática clínica do nutricionista, promovendo intervenções mais empáticas, eficazes e sustentáveis. Observou-se ainda que tais práticas vão além do foco exclusivo na perda de peso, priorizando o bem-estar global e a qualidade de vida do indivíduo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se, portanto, que o <em>mindful eating</em> constitui uma estratégia terapêutica moderna e relevante, capaz de ressignificar a atuação nutricional, tornando-a mais consciente, inclusiva e humanizada. Sugere-se a ampliação de pesquisas clínicas e de longo prazo que investiguem os efeitos dessa abordagem em diferentes populações e contextos culturais, a fim de consolidar as evidências sobre sua efetividade contínua.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALLAMEH, S. A. <em>et al</em>. Effects of mindfulness-based interventions on food craving in adults: a systematic review and meta-analysis of controlled clinical trials. <strong>BMC Psychology</strong>, v. 13, n. 1, p. 1022, 25 set. 2025. DOI: 10.1186/s40359-025-03307-6. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12465136/. Acesso em: 27 out. 2025.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">BAYRAM, H. M. The role of mindful eating, and intuitive eating on the relationship with orthorexia nervosa in university students: a cross-sectional study. <strong>Revista de Nutrição</strong>, v. 37, n. 230219, 2024. DOI: 10.1590/1678-9865202437e230219. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1415-52732024000102001. Acesso em: 27 out. 2025.</p>



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<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Discentes do Curso Superior de Nutrição da Christus Faculdade do Piauí <em>Campus</em> Piripiri. e-mail: Thaisrdsw@gmail.com, vamatos1702@gmail.com<br><sup>2</sup>Docente do Curso Superior de Psicologia da Christus Faculdade do Piauí <em>Campus</em> Piripiri. Mestre em Psicologia do Desenvolvimento e Políticas Públicas (UNISANTOS). Orcid: 0000-0002-5760-9891 e-mail: <a href="mailto:saulneres@gmail.com">saulneres@gmail.com</a><br><sup>3</sup>Docente do Curso Superior de Nutrição da Christus Faculdade do Piauí <em>Campus</em> Piripiri. Especialista em Nutrição Esportiva &#8211; Instituto Camilo Filho. Orcid: 0000-0003-0119-4233, e-mail: <a href="mailto:luiznutricionista@hotmail.com">luiznutricionista@hotmail.com</a><br><sup>4</sup>Nutricionista da Secretaria Municipal de Saúde de Piripiri, Piauí Especialista em Nutrição nos Ciclos da Vida &#8211; NOVAFAPI. e-mail: <a href="mailto:nutricionistaannaportela@gmail.com">nutricionistaannaportela@gmail.com</a><br><sup>5</sup>Enfermeira, Especialista em Enfermagem Esteta, e-mail: <a href="mailto:pauliane.ms@gmail.com">pauliane.ms@gmail.com</a></p>
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		<title>DISTRIBUIÇÃO DOS ÓBITOS POR DESNUTRIÇÃO INFANTIL NA REGIÃO METROPOLITANA DE BELÉM: UMA ANÁLISE DOS DADOS DO DATASUS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/distribuicao-dos-obitos-por-desnutricao-infantil-na-regiao-metropolitana-de-belem-uma-analise-dos-dados-do-datasus/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Dec 2025 14:54:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Nutrição]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512191152 Juliana Emim de Oliveira Conceição1Danielle Cristine Barros Vinhas2Marina Duarte Miranda Souza3Fábio Costa de Vasconcelos4Elcina Maria Quadros da Cunha5Ananizia da Silva Pereira6Fátima do Socorro dos Santos7Karoline Favacho Farias8Thainá Soares Conceição9Orientadora: Raissa Dias Fernandez10 RESUMO A desnutrição infantil é um problema global que compromete o desenvolvimento e aumenta a vulnerabilidade a doenças infecciosas, sendo [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512191152</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Juliana Emim de Oliveira Conceição<sup>1</sup><br>Danielle Cristine Barros Vinhas<sup>2</sup><br>Marina Duarte Miranda Souza<sup>3</sup><br>Fábio Costa de Vasconcelos<sup>4</sup><br>Elcina Maria Quadros da Cunha<sup>5</sup><br>Ananizia da Silva Pereira<sup>6</sup><br>Fátima do Socorro dos Santos<sup>7</sup><br>Karoline Favacho Farias<sup>8</sup><br>Thainá Soares Conceição<sup>9</sup><br>Orientadora: Raissa Dias Fernandez<sup>10</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A desnutrição infantil é um problema global que compromete o desenvolvimento e aumenta a vulnerabilidade a doenças infecciosas, sendo uma das principais causas de mortalidade infantil. Sendo assim, este estudo teve como objetivo descrever o perfil epidemiológico dos óbitos por desnutrição infantil na Região Metropolitana de Belém, entre 2012 e 2022, utilizando dados do DATASUS. Foram realizadas análises descritivas dos dados, os quais foram coletados locais de ocorrência do óbito, sexo, faixa etária, peso ao nascer, idade da mãe, escolaridade da mãe, duração da gravidez e tipo de parto, já para a análise estatística foram realizados inicialmente o teste de Shapiro-Wilky e em seguida de Kruskal-Wallis para avaliar associações entre variáveis como município, ano, sexo, faixa etária, peso ao nascer e tipo de parto. Os resultados indicaram que a maioria dos óbitos ocorreu em Belém, especialmente em crianças de 3 a 5 meses, com peso entre 3000 e 3999 g, e em partos cesáreos. Não foram encontradas associações estatisticamente significativas entre as variáveis analisadas. O estudo apresenta limitações, como o uso de dados secundários e a ausência de informações socioeconômicas mais detalhadas. Futuras pesquisas devem incluir abordagens qualitativas para uma compreensão mais ampla das causas subjacentes à desnutrição.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chaves: </strong>Insuficiência de nutrientes; Epidemiologia da desnutrição; Políticas públicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Child malnutrition is a global problem that compromises development and increases vulnerability to infectious diseases, being one of the main causes of child mortality. Therefore, this study aimed to describe the epidemiological profile of deaths due to child malnutrition in the Metropolitan Region of Belém, between 2012 and 2022, using data from DATASUS. Descriptive analyses of the data were carried out, which included places of death, sex, age group, birth weight, mother&#8217;s age, mother&#8217;s education, duration of pregnancy and type of birth. the Shapiro-Wilky test and then the Kruskal- Wallis test to evaluate associations between variables such as municipality, year, sex, age group, birth weight and type of delivery. The results indicated that most deaths occurred in Belém, especially in children aged 3 to 5 months, weighing between 3000 and 3999 g, and in cesarean sections. No statistically significant associations were found between the variables analyzed. The study has limitations, such as the use of secondary data and the lack of more detailed socioeconomic information. Future research should include qualitative approaches to gain a broader understanding of the underlying causes of malnutrition.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Nutrient insufficiency; Epidemiology of malnutrition; Public policy.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A desnutrição é caracterizada pela insuficiência na ingestão de nutrientes essenciais para o desenvolvimento e manutenção do corpo humano e essa condição afeta milhões de crianças ao redor do mundo (Chilot <em>et al.</em>, 2023). De acordo com Victora <em>et al. </em>(2021), a desnutrição infantil é a causa mais frequente de imunodeficiência a nível mundial, aumentando a vulnerabilidade de crianças a doenças infecciosas e contribuindo para uma alta taxa de mortalidade infantil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse quadro nutricional compromete o desenvolvimento cognitivo e físico das crianças, levando a quadros de retardo no crescimento e aprendizado (Galler <em>et al</em>., 2021). Socialmente, ela está frequentemente entrelaçada com a pobreza, baixo nível de escolaridade dos pais e falta de acesso a alimentos nutritivos e a serviços básicos de saúde, criando um ciclo vicioso de privação e desigualdade (Victora <em>et al</em>., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, de acordo com Barros (2020), existe uma intrínseca relação entre a nutrição adequada na infância e a prevenção de doenças crônicas na idade adulta. Nesse contexto, a atuação do nutricionista é fundamental, pois esse profissional possui conhecimentos específicos para avaliar o estado nutricional, realizar o diagnóstico nutricional, planejar e monitorar intervenções, além de participar de ações educativas para promover a alimentação saudável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As causas da desnutrição infantil são multifacetadas, envolvendo fatores como insegurança alimentar, práticas inadequadas de alimentação infantil, e doenças infecciosas (Culpa <em>et al</em>., 2022). No cenário global, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em seu relatório de 2019, estima que aproximadamente 149 milhões de crianças menores de cinco anos sofrem de atraso no crescimento em decorrência da desnutrição (UNICEF, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Organização das Nações Unidas (ONU), demonstra que a desnutrição é responsável por cerca de 45% das mortes de crianças menores de cinco anos em todo o mundo (ONU, 2022). Já no Brasil, entre 1996 e 2006, a desnutrição crônica caiu 50%, passando de 13,4% para 6,7% das crianças menores de 5 anos. No entanto, ainda enfrenta desafios significativos, especialmente nas regiões Norte e Nordeste do país (Mrejen; Cruz; Rosa, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, conhecer a epidemiologia da desnutrição infantil é essencial para nortear políticas públicas e intervenções eficazes, uma vez que esse monitoramento permite identificar as populações em risco e as áreas geográficas mais afetadas, subsidiando com dados concretos as estratégias de combate à desnutrição (Corrêa, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, o Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), desempenha um papel crucial na coleta, processamento e divulgação de dados relacionados à saúde, incluindo aqueles referentes à desnutrição infantil. Este sistema permite a análise de tendências e a identificação de prioridades para a alocação de recursos e a implementação de programas de nutrição (Pinheiro, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">É válido frisar que a desnutrição infantil é uma problemática complexa que necessita de uma abordagem multidisciplinar e de políticas públicas eficientes para ser combatida (Corrêa; Vessoni; Jaime, 2020). Por isso, compreender o perfil epidemiológico dos casos de óbitos por desnutrição infantil na região metropolitana de Belém, permite o desenvolvimento de estratégias direcionadas e fundamentadas em evidências científicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>OBJETIVOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1</strong> <strong>Objetivo Geral:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Apresentar a distribuição dos óbitos por desnutrição infantil na região metropolitana de Belém, no período de 2012 a 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2</strong> <strong>Objetivos Específicos:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Apresentar o número de óbitos por município de residência dos casos;</li>



<li>Descrever o perfil epidemiológico dos óbitos por desnutrição infantil.</li>



<li>Descrever o perfil das gestações dos casos de óbito.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>REFERENCIAL TEÓRICO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1</strong> <strong>Desnutrição</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A desnutrição é um estado patológico resultante da ingestão insuficiente de nutrientes, que afeta significativamente o funcionamento do organismo. Essa condição inclui tanto a subnutrição quanto às deficiências, excessos ou desequilíbrios na ingestão de energia, proteínas e outros nutrientes (Martins <em>et al.</em>, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa doença pode ter causas primárias ou secundárias. As causas primárias incluem uma alimentação inadequada, seja por falta de quantidade ou qualidade de calorias e nutrientes. Já as causas secundárias estão relacionadas a condições que impedem a ingestão suficiente de alimentos para atender às necessidades energéticas do corpo, como verminoses, câncer, anorexia, infecções, intolerância alimentar e problemas de digestão e absorção de nutrientes (Cavinato <em>et al</em>., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, outros fatores como desmame precoce, falta de condições sanitárias adequadas, insegurança alimentar, questões culturais e políticas, estão relacionados à desnutrição, comprometendo o sistema imunológico, retardando o crescimento e o desenvolvimento em crianças e aumentando o risco de doenças crônicas em adultos. As consequências da desnutrição para a saúde são devastadoras, incluindo, mas não se limitando a, anemia, osteoporose, atrofia muscular e, em casos extremos, pode levar à morte (Black; Lutter; Trude, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, os dados sobre desnutrição não são muitos divulgados, no entanto, é possível estimar essa condição por meio das informações sobre insegurança alimentar. A esse respeito, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios- PNAD revelou um panorama preocupante, demonstrando que em 2020 cerca de 10 milhões de brasileiros viviam em insegurança alimentar, enfrentando o risco da fome diariamente, e esse número saltou para 19 milhões em 2021. Nesse contexto, 20,4% dos domicílios paraenses passavam pela mesma precariedade (IBGE, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No plano bioquímico, a desnutrição manifesta-se por uma série de alterações, como a redução dos níveis de albumina sérica, alterações nos níveis de eletrólitos, vitaminas e minerais, além de impactar a síntese de hormônios e enzimas necessários para o metabolismo (Silveira; Padilha, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o organismo não recebe os nutrientes necessários, ele entra em um estado de carência e o corpo começa a utilizar as reservas de nutrientes armazenadasnos tecidos, como glicogênio, proteínas e gorduras, para suprir suas necessidades energéticas. Isso pode levar à perda de massa muscular, enfraquecimento do sistema imunológico e comprometimento de diversas funções metabólicas (Olson; Marks; Grossberg, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma dieta carente de proteína, por exemplo, pode resultar em uma série de efeitos prejudiciais, como a redução da síntese de proteínas essenciais para o funcionamento celular, comprometendo processos vitais do organismo. A deficiência de aminoácidos essenciais pode prejudicar a renovação e reparação dos tecidos, afetando o crescimento e desenvolvimento adequado (Saint-Criq; Lugo-Villarino; Thomas, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, essa condição pode causar deficiências de vitaminas e minerais essenciais, como a vitamina A, vitamina D, ferro e zinco, entre outros. Essas deficiências podem afetar diversas vias metabólicas no organismo, levando a problemas como anemia, comprometimento da visão, fragilidade óssea e enfraquecimento do sistema imunológico (Andrade; Brasileiro, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sendo assim, a desnutrição pode desregular o equilíbrio de nutrientes no organismo, interferindo na produção de enzimas, hormônios e outras moléculas essenciais para o funcionamento adequado do corpo. Essa desregulação metabólica pode levar a um estado de deficiência nutricional generalizada, comprometendo a saúde e o bem-estar do indivíduo (Oliveira; Brito, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico dessa doença pode ser realizado por meio de avaliações antropométricas, bioquímicas e clínicas. Métodos como a medição do Índice de Massa Corporal (IMC), a avaliação da composição corporal e exames de sangue são utilizados para determinar o estado nutricional de um indivíduo (Salimo, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, a importância da nutrição adequada para o desenvolvimento e manutenção da saúde é indiscutível. Uma alimentação equilibrada fornece os blocos construtores para o crescimento celular, reparo dos tecidos e funcionamento eficiente dos sistemas corporais (Cavinato <em>et al</em>., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prevenção e o tratamento da desnutrição exigem uma abordagem integrada que inclua a garantia de acesso a alimentos nutritivos, a educação alimentar e nutricional e o suporte a sistemas de saúde eficazes. Assim, o combate à desnutrição deve ser uma prioridade nas agendas de políticas públicas, considerando sua influência direta na qualidade de vida e no desenvolvimento socioeconômico do país (Mrejen; Cruz; Rosa, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1.1 Desnutrição infantil</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A desnutrição infantil é uma realidade preocupante que afeta milhões de crianças em todo o mundo, sendo caracterizada pela ingestão insuficiente de nutrientes essenciais para o desenvolvimento saudável. Esta condição pode manifestar-se de diversas formas, como estagnação no crescimento, perda de peso e atrofia muscular, e é especialmente nociva durante os primeiros anos de vida, um período crítico para o desenvolvimento físico e cognitivo da criança (Bezerra <em>et al., </em>2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O impacto da desnutrição no crescimento e desenvolvimento infantil é profundo e multifacetado, podendo retardar o crescimento linear, diminuir a massa muscular e comprometer o desenvolvimento neurológico, impedindo que as crianças atinjam seu potencial genético pleno. Além disso, a desnutrição pode aumentar a suscetibilidade a infecções e doenças, criando um ciclo vicioso de saúde frágil e nutrição deficiente (Black; Lutter; Trude, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa ótica, em 1 de abril de 2016, a Assembleia Geral das Nações Unidas estabeleceu uma década de ação em nutrição com o objetivo de abordar todas as formas de desnutrição até 2025 (OMS, 2016). O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS)-2, que visa erradicar a fome, garantir segurança alimentar e melhorar a nutrição, juntamente com o ODS-3, que busca assegurar vidas saudáveis e promover o bem-estar em todas as idades, e a Estratégia Global para a Saúde das Mulheres, Crianças e Adolescentes, estabeleceram metas relevantes em termos de nutrição até 2030 (Hone; Macinko; Millett, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar do apoio significativo da UNICEF, OMS e Banco Mundial para alcançar a segurança alimentar, ainda há um longo caminho a percorrer para alcançar um mundo livre de desnutrição (UNICEF, 2019). O relatório da OMS de março de 2021 destacou progresso insuficiente em direção às metas estabelecidas pela Assembleia Mundial da Saúde para 2025 e pelos ODS para 2030. Segundo o relatório, aproximadamente 144 milhões de crianças menores de 5 anos sofrem de crescimento atrofiado, 47 milhões estão emaciadas e 14,3 milhões enfrentam desnutrição grave (OMS, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, em 2022, foram registradas 2.754 internações de bebês com menos de um ano de idade devido a desnutrição, sequelas da desnutrição e deficiências nutricionais, números que se assemelham aos indicadores preocupantes de 2021, quando 2.979 hospitalizações foram registradas no país (Brasil, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto aos fatores de risco para a desnutrição infantil, estes são variados e muitas vezes interligados. A pobreza, por exemplo, é um dos principais determinantes da desnutrição, limitando o acesso a alimentos nutritivos e cuidados de saúde adequados. Outros fatores de risco incluem práticas inadequadas de amamentação e alimentação, infecções frequentes, e acesso limitado a água potável e saneamento básico (Pomati; Nandy, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A importância da nutrição adequada na infância para a saúde a longo prazo é incontestável, visto que, uma nutrição adequada durante a infância não só apoia o crescimento e desenvolvimento ótimos, mas também estabelece as bases para a saúde a longo prazo, podendo prevenir doenças crônicas na vida adulta. Uma dieta equilibrada e rica em nutrientes essenciais é, portanto, imperativa para que as crianças possam crescer saudáveis e ativas, contribuindo para uma sociedade mais próspera e menos onerada por problemas de saúde (Clarck <em>et al.</em>, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, é crucial reconhecer e abordar a desnutrição infantil como uma questão de saúde pública urgente. Investimentos em programas de nutrição, educação alimentar e infraestrutura sanitária são vitais para prevenir e tratar a desnutrição, garantindo que todas as crianças tenham a oportunidade de atingir seu potencial máximo e levar uma vida saudável e produtiva (Govender <em>et al., </em>2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1.1.1 Tipos de desnutrição infantil</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A desnutrição infantil pode se manifestar desde o início da vida, durante a gestação (com o nascimento de bebês com baixo peso) e frequentemente nos primeiros anos de vida, devido à introdução inadequada de alimentos complementares após a interrupção precoce da amamentação exclusiva, juntamente com a falta de acesso adequado a alimentos ao longo da vida e a ocorrência repetida de doenças infecciosas, como diarreias e infecções respiratórias (Kamalanga <em>et al., </em>2022<em>)</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa condição afeta o crescimento e desenvolvimento das crianças, podendo ter consequências duradouras e, em alguns casos, fatais. Classificada de acordo com o nutriente deficiente na alimentação, a desnutrição pode manifestar-se como Kwashiorkor, resultante da carência de proteínas, Marasmo, decorrente da deficiência calórica, e Kwashiorkor-marasmático, que é uma forma mista, caracterizada pela falta tanto de fontes energéticas quanto de proteínas (Marchesan <em>et al., </em>2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Kwashiorkor (Figura 1) manifesta-se tipicamente por edema, e uma aparência inchada, particularmente nos pés e tornozelos, devido à retenção de líquidos. As crianças podem apresentar cabelos descoloridos e pele descamativa ou com lesões. Essa categoria também pode estar associada a alterações imunológicas, predispondo as crianças a infecções. As consequências da falta de proteína incluem retardo no crescimento e dificuldades no desenvolvimento cognitivo (Castillo <em>et al., </em>2020).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1</strong>&#8211; Características da desnutrição Kwashiorkor</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="320" height="283" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1289.png" alt="" class="wp-image-260253" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1289.png 320w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1289-300x265.png 300w" sizes="(max-width: 320px) 100vw, 320px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: FUVEST, 2003</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já o Marasmo (Figura 2) é caracterizado pela magreza extrema, com perda severa de massa muscular e gordura subcutânea, resultando em uma aparência esquelética. Os sintomas incluem letargia e um crescimento atrofiado. O Marasmo atua como uma resposta adaptativa à inanição, levando a uma taxa metabólica reduzida e menor necessidade energética, o que, no entanto, prejudica o crescimento e desenvolvimento normais (Dantas; Oliveria; Bezerra, 2022).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 2</strong>&#8211; Características da desnutrição Marasmo</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="318" height="270" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1290.png" alt="" class="wp-image-260255" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1290.png 318w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1290-300x255.png 300w" sizes="(max-width: 318px) 100vw, 318px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: FUVEST, 2003</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Kwashiorkor-marasmático combina características de ambos os tipos, podendo apresentar edema, assim como perda de peso e atrofia muscular. Pode ser visto como a forma mais grave de desnutrição, onde a criança sofre tanto da falta de proteínas quanto de calorias. Essa combinação leva a uma condição clínica mais complexa e desafiadora para tratamento, exigindo uma abordagem diferenciada (Ghosh, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As diferenças entre os tipos de desnutrição refletem-se no diagnóstico e na intervenção terapêutica adequada. Para casos de Kwashiorkor, a abordagem envolve a reintrodução cuidadosa de proteínas e nutrientes essenciais, além de um suporte geral para recuperação da saúde. O tratamento do Marasmo foca no aumento gradual da ingesta calórica e reconstituição do tecido corpóreo. Já os cuidados sobre o Kwashiorkor-marasmático, é necessário um equilíbrio entre a recuperação do peso e a reintrodução de proteínas, com monitoramento cuidadoso para evitar complicações (Cediel <em>et al.</em>, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As estratégias de tratamento devem, portanto, considerar a especificidade de cada tipo de desnutrição, com uma abordagem multidisciplinar e um monitoramento rigoroso. A recuperação completa é possível, mas os danos podem ser permanentes se o tratamento não for iniciado de forma precoce e adequada (Keats <em>et al., </em>2021<em>)</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, a atuação integrada de profissionais de saúde, como nutricionistas, educadores e governantes é fundamental para combater a desnutrição infantil em todas as suas formas. A implementação de programas de alimentação escolar, campanhas de conscientização sobre a importância da nutrição adequada e o fortalecimento de sistemas de saúde são medidas-chave para prevenir e tratar a desnutrição infantil de maneira eficaz (Khaolid <em>et al., </em>2021<em>)</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2</strong> <strong>Mortalidade infantil no Brasil</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A mortalidade infantil no Brasil é uma questão de extrema relevância que reflete as condições de saúde da população, a qualidade do sistema de saúde e o nível de desenvolvimento do país. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística a taxa de mortalidade infantil tem apresentado uma tendência de redução nas últimas décadas, porém, ainda se mantém em patamares preocupantes em comparação com outros países desenvolvidos (IBGE, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o Boletim epidemiológico do Ministério da Saúde de 2021, a taxa de mortalidade infantil (TMI) no Brasil teve uma queda significativa de 1990 a 2015, diminuindo de 47,1 para 13,3 óbitos por mil nascidos vivos (NV). Em 2016, houve um leve aumento na TMI, atingindo 14,0. Nos anos de 2017 a 2020, a taxa voltou ao mesmo nível de 2015, com 13,3 óbitos por mil NV (Figura 3) (Brasil, 2021).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 3</strong>&#8211; Taxa de Mortalidade Infantil (por mil NV). Brasil, 1990 a 2020</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="656" height="469" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-216.jpeg" alt="" class="wp-image-260257" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-216.jpeg 656w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-216-300x214.jpeg 300w" sizes="(max-width: 656px) 100vw, 656px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Brasil, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o relatório apresenta que na região Norte, também houve uma redução na TMI ao longo do período de 1990 a 2020, passando de 45,9 para 16,6 óbitos infantis por mil nascidos vivos. No Nordeste, a redução foi de 75,8 para 15,2, e no Sudeste, de 32,6 para 11,9. Na Região Centro-Oeste, a queda foi de 34,3 para 13,0. Em 2016, todas essas regiões tiveram um pequeno aumento na TMI. Já na Região Sul, a redução foi de 28,3 para 10,2. De 2017 a 2020, a TMI se manteve estável em todas as regiões, com valores semelhantes aos de 2020 (Figura 4) (Brasil, 2021).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 4</strong>&#8211; Taxa de Mortalidade Infantil (por mil NV). Regiões, 1990 a 2020</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="714" height="476" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-217.jpeg" alt="" class="wp-image-260258" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-217.jpeg 714w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-217-300x200.jpeg 300w" sizes="(max-width: 714px) 100vw, 714px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Brasil, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre as principais causas de mortalidade infantil no Brasil, destacam-se as doenças infecciosas, como a pneumonia e a diarreia, além de complicações durante o parto e prematuridade. Essas infecções são responsáveis por uma parcela significativa dos óbitos de crianças menores de um ano no país. Ademais, as desigualdades sociais, a falta de acesso a serviços de saúde de qualidade, a má nutrição e as condições precárias de saneamento básico, também contribuem para a mortalidade infantil (Alvez; Coelho, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, a mortalidade infantil é um indicador crucial da qualidade de vida da população e do desenvolvimento do sistema de saúde. Embora o país tenha alcançado avanços significativos, ainda há muito a ser feito para garantir que todas as crianças tenham acesso a um ambiente saudável e seguro, onde possam se desenvolver plenamente e alcançar seu potencial máximo, sendo essencial a implementação de políticas públicas eficazes e a melhoria da infraestrutura de saúde (Fernandes <em>et al., </em>2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2.1 Mortalidade infantil na Região Metropolitana de Belém</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da redução na TMI ocorridas em todo território nacional, no anos de 2020 o Estado do Pará quase atingiu a média regional, apresentando 15,05 óbitos infantis para cada mil nascidos vivos, enquanto toda a Região Norte registrava 16,6 óbitos no mesmo período (Saraiva; Souza; Lopes, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A esse respeito, os dados do Anuário Estatístico do Pará (Quadro 1), esmiuçam essas informações, demonstrando que ao longo dos anos de 2016 a 2020, houve variações nos índices de mortalidade infantil nos municípios da região metropolitana de Belém, composta por oito municípios, a saber: Ananindeua, Barcarena, Belém. Benevides, Castanhal, Maributa, Santa Isabel do Pará e Santa Bárbara do Pará (Pará, 2021).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1</strong>&#8211; Taxa de Mortalidade Infantil na Região Metropolitana de Belém- 2016 a 2020</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Estado/</strong><br><strong>Municípios</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>2016</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>2017</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>2018</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>2019</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>2020*</strong></td></tr><tr><td><strong>Pará</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>15.67</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>15.40</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>15.05</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>15.14</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>15.05</strong></td></tr><tr><td>Ananindeua</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">13.98</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">13.98</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">15.70</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">12.55</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">12.94</td></tr><tr><td>Barcarena</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10.24</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10.21</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">14.51</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10.46</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">9.21</td></tr><tr><td>Belém</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">14.70</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">13.55</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">14.58</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">15.49</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">15.70</td></tr><tr><td>Benevides</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">18.95</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">12.49</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10.61</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">14.01</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">13.65</td></tr><tr><td>Castanhal</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10.55</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10.64</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">14.83</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10.16</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">13.67</td></tr><tr><td>Marituba</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">13.38</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">13.94</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">11.09</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">13.79</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">12.07</td></tr><tr><td>Santa Bárbara do Pará</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">14.12</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">11.59</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">18.40</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">15.15</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">3.57</td></tr><tr><td>Santa Isabel do Pará</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">7.03</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">13.54</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">11.78</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">15.06</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">11.74</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Adaptado de Pará, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Figura 5 demonstra que em 2020 o município de Barcarena apresentou uma taxa de 9,21 óbitos por mil nascidos vivos, em Santa Bárbara do Pará, no mesmo ano, foi registrada uma taxa de 3,57 óbitos, sendo esses os municípios com os menores índices de mortalidade infantil. Já em Belém a TMI em 2020 foi de 15,70 óbitos por mil nascidos vivos, superior aos registros de todo o Estado. Essa disparidade evidencia a necessidade de ações específicas e direcionadas para enfrentar esse problema na região (Pará, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diversos fatores locais podem influenciar a mortalidade infantil na Região Metropolitana de Belém. A falta de acesso a serviços de saúde de qualidade, saneamento básico precário, desnutrição, falta de acompanhamento pré-natal adequado e baixa cobertura vacinal são fatores que contribuem para esse cenário preocupante (Aracaty <em>et al.,</em>2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para reduzir a mortalidade infantil na região, são necessárias medidas locais eficazes e abrangentes. É fundamental investir na melhoria da infraestrutura de saúde, ampliar o acesso a serviços de qualidade, promover a educação em saúde para as gestantes e mães, fortalecer a atenção básica e implementar políticas públicas que visem reduzir as desigualdades sociais. A implementação de programas de incentivo ao aleitamento materno exclusivo, campanhas de vacinação e ações de promoção da saúde infantil são estratégias eficazes para reduzir a mortalidade infantil (Maia; Souza; Mendes, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3</strong> <strong>Ferramentas de coleta de dados epidemiológico</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A coleta de dados epidemiológicos é um pilar essencial para a formulação de políticas de saúde pública eficazes, permitindo a compreensão das condições de saúde de uma população e a identificação de fatores de risco para diversas doenças. No cenário brasileiro, uma variedade de ferramentas é empregada para essa coleta, desempenhando um papel crucial no enfrentamento dos desafios de saúde do país (Araújo <em>et al., </em>2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre essas ferramentas, destacam-se os questionários, registros hospitalares, pesquisas de campo e o uso sistemas de informação de saúde como o DATASUS (Kuiava <em>et al., </em>2020). Os questionários são amplamente empregados em estudos epidemiológicos para obter informações sobre hábitos de vida, condições de moradia e acesso a serviços de saúde, fundamentais para a análise dos determinantes de saúde (Brasil, 2002).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo dados do Ministério da Saúde, o DATASUS é uma ferramenta importante para a coleta, processamento e análise de informações em saúde, permitindo o monitoramento de indicadores epidemiológicos, a avaliação da qualidade dos serviços de saúde e a tomada de decisões baseadas em evidências (Kuiava <em>et al., </em>2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto do combate à desnutrição infantil, a coleta de dados é essencial para compreender a magnitude do problema e orientar as ações de intervenção. A utilização de diferentes ferramentas de coleta de dados, como inquéritos nutricionais, registros de atendimento em unidades de saúde e acompanhamento do crescimento infantil, é fundamental para identificar grupos mais vulneráveis e implementar políticas eficazes de promoção da alimentação saudável (Aguiar <em>et al., </em>2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, as ferramentas de coleta de dados epidemiológicos desempenham um papel crucial no monitoramento da saúde da população, na identificação de problemas de saúde e na elaboração de estratégias de prevenção e controle de doenças. A análise cuidadosa desses dados possibilita a implementação de ações mais direcionadas e eficazes, visando a promoção da saúde e o bem-estar da população e implementar políticas eficazes de promoção da alimentação saudável (Wagemaker <em>et al., </em>2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3.1 Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O DATASUS é uma peça fundamental na estrutura de saúde do Brasil, pois atua como uma importante fonte de dados que subsidia a tomada de decisões e o desenvolvimento de políticas públicas na área da saúde. O sistema permite obter informações precisas e atualizadas sobre diversos aspectos da saúde da população brasileira, contribuindo para o monitoramento, avaliação e planejamento de ações voltadas para o bem-estar e a qualidade de vida dos cidadãos (Brasil, 2002).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O DATASUS coleta e disponibiliza dados de diferentes fontes, como registros de atendimentos ambulatoriais e hospitalares, informações sobre recursos humanos na saúde, indicadores de cobertura de serviços, entre outros. Esses dados são organizados e disponibilizados em sistemas informatizados que permitem consultas, análises e extração de informações relevantes para diversos fins, incluindo pesquisas epidemiológicas (Franco, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre os dados que podem ser obtidos, destacam-se informações sobre desnutrição e mortalidade infantil. Estes são indicadores importantes da saúde da população, permitindo avaliar a situação nutricional das crianças e identificar áreas de vulnerabilidade que requerem intervenções específicas (Wagemaker <em>et al., </em>2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para pesquisar e utilizar os dados em estudos epidemiológicos, é necessário compreender a estrutura dos sistemas de informação em saúde, as variáveis disponíveis, os métodos de coleta e tratamento dos dados, bem como as limitações e potencialidades de cada conjunto de informações (Brasil, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.4</strong> <strong>Políticas públicas para prevenção da mortalidade infantil por desnutrição</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As políticas públicas voltadas para a prevenção da mortalidade infantil por desnutrição desempenham um papel fundamental na proteção da saúde das crianças e no desenvolvimento social de uma nação. As intervenções governamentais são essenciais para combater a desnutrição infantil e reduzir as taxas de mortalidade associadas a essa condição (Rodrigues; Silva; Ferreira, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, a Lei nº 11.346/2006, que instituiu o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), estabelece diretrizes para promover a alimentação adequada e saudável, contribuindo para a redução da desnutrição e da mortalidade infantil (Brasil, 2006).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre as medidas adotadas pelo governo para combater a desnutrição infantil e reduzir a mortalidade, destacam-se a implementação de programas de suplementação alimentar, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que fornece refeições balanceadas para crianças em idade escolar, e o Programa Bolsa Família, que visa garantir a segurança alimentar de famílias em situação de vulnerabilidade (Brasil, 2009).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A eficácia dessas políticas públicas tem sido avaliada de forma positiva, com evidências de redução das taxas de desnutrição e mortalidade infantil. No entanto, ainda existem áreas que demandam melhorias, como a ampliação do acesso a serviços de saúde e nutrição em regiões remotas e a implementação de estratégias de educação alimentar e nutricional mais abrangentes (Lopes <em>et al., </em>2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para aprimorar as políticas públicas de prevenção da mortalidade infantil por desnutrição, é essencial investir em capacitação de profissionais de saúde, fortalecer a vigilância nutricional e promover a participação da comunidade no planejamento e monitoramento das ações. Além disso, a introdução de tecnologias inovadoras, como o uso de aplicativos móveis para monitorar o estado nutricional das crianças, pode contribuir para uma abordagem mais eficiente e personalizada (Bortolini <em>et al., </em>2021). Em suma, a importância do monitoramento e avaliação contínuos das políticas públicas voltadas para a prevenção da mortalidade infantil por desnutrição é incontestável. Através da análise constante dos resultados e da identificação de áreas de melhoria, é possível garantir que as intervenções governamentais sejam eficazes e alcancem o maior impacto possível na saúde e no bem-estar das crianças (Carvalho; Lopes, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1</strong> <strong>Tipo de estudo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo caracteriza-se como uma investigação epidemiológica de natureza retrospectiva e descritiva, focada em uma metodologia quantitativa. A pesquisa foi fundamentada na análise de dados secundários obtidos do portal DATASUS.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2</strong> <strong>Local e procedimento de coleta de dados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados foram coletados do DATASUS, conforme os seguintes passos (Figura 6).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 5</strong>&#8211; Fluxograma do processo de coleta dos dados</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="617" height="446" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1291.png" alt="" class="wp-image-260263" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1291.png 617w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1291-300x217.png 300w" sizes="(max-width: 617px) 100vw, 617px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autoras, 2024</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.3</strong> <strong>População, amostra e variáveis do estudo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A população do estudo foi constituída por todos os óbitos infantis decorrentes de desnutrição, a amostra consistirá nos óbitos ocorridos na região metropolitana de Belém, composta pelos municípios de Ananindeua, Barcarena, Belém, Benevides, Castanhal, Maributa, Santa Isabel do Pará e Santa Bárbara do Pará, no período de 2012 a 2022 e notificados no DATASUS (TABNET). As variáveis analisadas neste estudo foram: local de ocorrência do óbito; sexo; faixa etária; peso ao nascer, idade da mãe, escolaridade da mãe, duração da gravidez e tipo de parto.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.4</strong> <strong>Critérios de inclusão e exclusão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram eleitos registros de óbitos infantis relacionados a CID-10 “desnutrição e outras deficiências nutricionais”, ocorridos na região metropolitana de Belém do ano de 2012 a 2022. Não foram coletadas informações como “não se aplica”; “ignorado” e “em branco”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.5</strong> <strong>Organização e análise dos dados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados foram sistematizados e transferidos para o programa Excel, parte do pacote Microsoft Office 365 (ID do Produto: 00470-90000-00000-AA422), para processamento e análise. Foram realizadas análises descritivas e estatísticas, para análise descritiva foram utilizados os dados quantitativos e de porcentagem (Azevedo, 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para as análises estatísticas foram realizados inicialmente o teste de Shapiro- Wilky para verificar a distribuição dos dados, os valores encontrados foram p &lt;0.05, classificando os dados como “não paramétricos”. Após a identificação utilizou-se o teste de normalidade de Kruskal-Wallis.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.6</strong> <strong>Critérios éticos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com as normativas 466/12 e 510/16 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), não se exige a aprovação por um Comitê de Ética em Pesquisa para este estudo. A pesquisa é isenta de quaisquer intervenções na população em foco, pois se baseia no uso de dados públicos, desprovidos de identificação pessoal dos pacientes, assegurando a confidencialidade das informações utilizadas (Brasil, 2012; 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O gráfico 1 demonstra a distribuição dos óbitos por desnutrição infantil em cinco dos oito municípios da Região Metropolitana de Belém, sendo eles : Ananindeua, Barcarena, Belém, Castanhal e Marituba, durante o período de 2012 a 2022. Destaca- se que não havia dados registrados para os municípios de Benevides, Santa Barbara do Pará e Santa Isabel do Pará.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Percebe-se um pico significativo entre 2013 e 2015, seguido por uma redução e oscilações até 2022. Esse aumento pode estar associado a fatores como mudanças nas políticas públicas, variações socioeconômicas e acesso desigual aos serviços de saúde. A partir de 2018, observa-se um novo crescimento nos óbitos, ainda que menos acentuado, indicando desafios contínuos na segurança alimentar e assistência infantil.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Gráfico 1</strong>&#8211; Distribuição de óbitos por desnutrição infantil segundo ano e município. Estado do Pará, 2012-2022</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="601" height="451" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1292.png" alt="" class="wp-image-260265" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1292.png 601w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1292-300x225.png 300w" sizes="(max-width: 601px) 100vw, 601px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A Tabela 1 apresenta a distribuição de óbitos por desnutrição infantil na Região Metropolitana de Belém. Nota-se que Belém apresentou o maior número de óbitos por desnutrição infantil durante o período analisado, significativamente maior que os demais municípios, especialmente em 2013 e 2014. Ananindeua, Barcarena, Castanhal e Marituba apresentaram números consideravelmente menores, com poucos casos distribuídos ao longo dos anos. Observa-se também que, em todos os municípios, o número de óbitos entre meninas (59,3%) foi superior ao de meninos (40,7%).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1</strong>&#8211; Distribuição de óbitos por desnutrição infantil, segundo município, ano e sexo. Estado do Pará, 2012-2022</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Ano</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Ananindeua</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Barcarena</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Belém</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Castanhal</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Marituba</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>%</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">2012</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">4</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">11,1</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">2013</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">7</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">18,5</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">2014</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">11</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">20,4</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">2015</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">3</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">7,4</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">2016</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">3</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">5,6</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">2017</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">5,6</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">2018</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">5</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">11,1</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">2019</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">5</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">9,3</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">2020</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1,9</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">2021</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">3</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">7,4</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">2022</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1,9</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Sexo</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Masculino</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">18</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">40,7</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Feminino</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">27</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">59,3</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A Tabela 2 apresenta a distribuição dos óbitos por desnutrição infantil segundo município, faixa etária do óbito, peso ao nascer, duração da gestação e tipo de parto. A maioria dos óbitos ocorreu em crianças entre 3 a 5 meses (44,4%), com peso ao nascer de 3000g a 3999g (32,4%), em gestações que duraram de 37 a 41 semanas (62,1%), a maioria desses óbitos ocorreu em partos cesáreos (60%). O município de Belém teve destaque com maiores números em todos os casos.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 2</strong>&#8211; Distribuição de óbitos por desnutrição infantil, segundo município, faixa etária do óbito, peso ao nascer, duração da gestação e tipo de parto. Estado do Pará, 2012-2022</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Faixa etária do óbito</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Ananindeua</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Barcarena</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Belém</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Castanhal</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Marituba</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">%</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">&lt; 24 hrs</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">3,7</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">7 a 27 d</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">3,7</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">28d a 2 meses</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">7</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">14,8</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">3 a 5 meses</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">21</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">44,4</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">6 a 11 meses</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">14</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">33,3</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Peso ao nascer</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">&lt; 500g</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">5,9</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">500 a 999g</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2,9</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">1000 a 1499 g</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">3</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">8,8</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">1500 a 2499 g</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">7</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">26,5</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">2500 a 2999 g</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">7</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">20,6</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">3000 a 3999 g</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">9</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">32,4</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">4000g &lt;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2,9</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Duração da Gestação</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">&lt; 22 semanas</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">3,4</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">28-31 semanas</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10,3</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">32-36 semanas</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">6</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">24,1</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">37-41 semanas</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">15</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">62,1</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Tipo de Parto</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Cesária</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">17</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">60,0</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Vaginal</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">12</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">40,0</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A Tabela 3 apresenta o perfil social das mães no estado do Pará entre os anos de 2012 a 2022, categorizadas por faixas etárias no momento do óbito infantil e níveis de escolaridade. Neste estudo, a maioria das mães tinha entre 15 e 19 anos quando ocorreu o óbito (33,3%), seguida pela faixa de 20 a 24 anos (27,8%)<strong>. </strong>Quanto à escolaridade das mães (37,1%) não completou o ensino médio.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 3</strong>&#8211; Perfil social das mães, por idade no momento do óbito infantil e escolaridade. Estado do Pará, 2012-2022</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Idades</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>N</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>%</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">15-19 anos</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">12</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">33,3</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">20-24 anos</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">27,8</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">25- 29 anos</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">8</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">22.2</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">30-34 anos</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">3</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">8,3</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">35-39 anos</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">5,6</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">45 -49 anos</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2,8</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Escolaridade</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>N</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">%</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Nenhuma</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">4</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">11,4</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Ensino Fundamental Incompleto</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">6</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">17,1</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Ensino Fundamental Completo</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">28,6</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Ensino Médio Incompleto</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">13</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">37,1</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Ensino Médio Completo</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">5,7</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Na Tabela 4, estão apresentados os resultados da análise estatística. Os testes de Kruskal-Wallis com valores de p &gt; 0.05, indicam que as variações encontradas entre as colunas não foram significativas, ou seja, não existiu nenhum fator que representasse maior risco de óbitos entre os dados avaliados.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 4</strong>&#8211; Ocorrência de óbitos por desnutrição infantil, segundo município e ano do óbito, município e sexo, município e peso ao nascer, município e faixa etária. Estado do Pará, 2012- 2022</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Ocorrências do óbito</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Valor de P</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Município e Ano do Óbito</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0.9696</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Município e Sexo</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0.7517</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Município e Peso ao nascer</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0.782</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Município e Faixa etária</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0.4803</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.</strong> <strong>DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados revelam uma significativa variação no número de óbitos por desnutrição infantil entre os municípios analisados, Belém concentrou a maior parte dos casos. Esse padrão geográfico desigual pode estar relacionado a fatores socioeconômicos, densidade populacional e acesso a serviços de saúde e nutrição (Moura; Ferreira 2022). Há uma relação entre a densidade populacional urbana e o risco de desnutrição infantil, segundo o estudo de França (2022), crianças de áreas urbanas (alta densidade populacional) apresentaram maior risco de desnutrição, possivelmente devido a desigualdades no acesso a serviços de saúde e nutrição nesses locais mais povoados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para compreender melhor essa variação geográfica, um estudo realizado por Garcia e Roncalli (2020), analisou a distribuição espacial da desnutrição infantil no Brasil, com o objetivo de investigar a relação entre indicadores socioeconômicos e a prevalência de desnutrição em crianças menores de cinco anos, para isso, os autores utilizaram dados de inquéritos nacionais de saúde e realizaram análises espaciais em nível municipal. Desse modo, os resultados demonstraram que regiões com piores indicadores socioeconômicos, como renda e escolaridade, apresentavam maiores taxas de desnutrição infantil, destacando a associação entre condições socioeconômicas desfavoráveis e maior prevalência de desnutrição (Costa <em>et al., </em>2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados apresentados indicam que o número de óbitos por desnutrição foi maior entre meninas do que meninos, podendo sugerir possíveis desigualdades nos cuidados infantis, práticas de alimentação ou fatores biológicos, para investigar essa questão, um estudo realizado por Thurstans <em>et al</em>. (2020), analisou as diferenças de gênero na desnutrição crônica em crianças menores de cinco anos em países de baixa e média renda. Esse estudo demonstrou que as meninas tinham maior risco de desnutrição crônica, possivelmente devido a práticas de alimentação e cuidados desfavoráveis em determinados contextos culturais. Os autores sugerem que, em alguns contextos, as meninas podem ter maior susceptibilidade biológica a desfechos negativos de saúde associados à desnutrição, devido a fatores como metabolismo e resposta imunológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A maioria dos óbitos por desnutrição foi observada em crianças de 3 a 5 meses de idade, particularmente entre aquelas que nasceram com baixo peso ou foram prematuras. Esses dados sugerem que fatores como o peso ao nascer e a prematuridade podem aumentar o risco de desnutrição grave, destacando a importância de um suporte nutricional adequado nos primeiros meses de vida para promover o desenvolvimento saudável (Lopes <em>et al</em>., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre isso, o estudo realizado por Kleinhout et al. (2021), avaliou o impacto do baixo peso ao nascer na desnutrição e mortalidade infantil. Os autores realizaram uma revisão da literatura sobre registros de saúde em países de baixa e média renda e constataram que bebês nascidos com baixo peso têm maior risco de desenvolver desnutrição e morrer, salientando a necessidade de cuidados pré-natais e neonatais adequados para reduzir esses desfechos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que se refere às características maternas, os resultados revelam que a maioria das mães que tiveram um óbito infantil por desnutrição eram jovens (15-24 anos) e possuíam baixa escolaridade. A esse respeito, o estudo realizado por Victora <em>et al. </em>(2022). investigou os efeitos da maternidade em idades jovens no estado nutricional e saúde infantil e os resultados indicaram que a gestação em jovens está associada a maiores taxas de desnutrição e mortalidade infantil, possivelmente devido a fatores como menor experiência, acesso limitado a recursos e serviços de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro estudo realizado por Perumal <em>et al. </em>(2023), examinou o papel da escolaridade materna como determinante da desnutrição infantil, por meio de uma revisão da literatura sobre o tema e demonstraram que a baixa escolaridade materna é um importante determinante da desnutrição infantil, pois influencia no nível de conhecimento sobre práticas adequadas de alimentação e cuidados de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adicionalmente, Georgiadis <em>et al. </em>(2021), estudaram sobre os determinantes sociais da desnutrição infantil em países de baixa e média renda e concluíram que intervenções que melhoram a educação e empoderamento feminino são essenciais para reduzir a desnutrição infantil, uma vez que a melhoria do status socioeconômico das mães está diretamente relacionada a melhores práticas de cuidado e alimentação das crianças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados da análise estatística dos óbitos por desnutrição infantil na Região Metropolitana de Belém, mostram que não houve significância estatística entre as variáveis analisadas (município e ano do óbito, município e sexo, município e peso ao nascer, município e faixa etária).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto às limitações do estudo, destaca-se o uso de dados secundários do DATASUS, cuja disponibilidade e precisão dependem de informações coletadas por diferentes profissionais, sujeitos a erros e/ou inconsistências da organização de registros de notificações de saúde. Além disso, o número populacional avaliado foi relativamente baixo, o que pode indicar possivelmente subnotificações.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7.</strong> <strong>CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos dados sobre a distribuição de óbitos por desnutrição infantil na Região Metropolitana de Belém, entre 2012 e 2022, revela um padrão preocupante, com Belém concentrando a maior parte dos casos, especialmente em 2013 e 2014. Também foi possível evidenciar que a maioria dos óbitos ocorreu em crianças entre 3 a 5 meses, com peso ao nascer entre 3000 e 3999 g, e que nasceram de gestações a termo. Além disso, os óbitos foram mais frequentes entre meninas e em partos cesáreos. No entanto, o estudo não detalhou as causas específicas da mortalidade, o que evidencia a necessidade de investigações adicionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses achados indicam que fatores contextuais e características específicas das mães, como idade jovem e baixa escolaridade, são determinantes importantes na ocorrência de desnutrição e mortalidade infantil. Faz-se necessário futuras investigações, com análises qualitativas que abordem aspectos socioeconômicos, culturais e a qualidade dos serviços de saúde disponíveis, além de expandir o período de análise e incluir outros determinantes sociais da saúde. Dentre as estratégias que podem ser adotadas para mitigar os óbitos por desnutrição, destaca-se a necessidade de implementação de políticas públicas voltadas ao financiamento adequado das ações de assistência nutricional, ao fortalecimento da atenção pré-natal de qualidade e ao acompanhamento multiprofissional, incluindo nutricionistas, para gestantes em situação de vulnerabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adicionalmente, a implementação de políticas públicas voltadas para a melhoria do acesso à saúde e à nutrição pode contribuir para a redução dos óbitos por desnutrição, sobretudo em populações mais vulneráveis. Assim, estudos futuros devem aprofundar a investigação sobre os fatores que levam à mortalidade infantil por desnutrição, possibilitando a formulação de estratégias mais eficazes para sua prevenção.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>E-mail: <a href="mailto:julianaemimm@gmail.com">julianaemimm@gmail.com</a> &#8211; ORCID: <a href="https://orcid.org/0009-0006-7245-9023">https://orcid.org/0009-0006-7245-9023</a><br><sup>2</sup>E-mail: <a href="mailto:daniellevinhas5@gmail.com">daniellevinhas5@gmail.com</a> &#8211; ORCID: <a href="https://orcid.org/0009-0000-6399-3984">https://orcid.org/0009-0000-6399-3984</a><br><sup>3</sup>E-mail: <a href="mailto:duartemarina44@gmail.com">duartemarina44@gmail.com</a> &#8211; ORCID: https://orcid.org/0009-0008-5944-1886<br><sup>4</sup>E-mail: <a href="mailto:fcvnutri77@gmail.com">fcvnutri77@gmail.com</a>&nbsp;&#8211; ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9777-9468<br><sup>5</sup>E-mail: <a href="mailto:elcina.pa@gmail.com">elcina.pa@gmail.com</a> &#8211; ORCID: <a href="https://orcid.org/0009-0007-9459-0898">https://orcid.org/0009-0007-9459-0898</a><br><sup>6</sup>E-mail: <a href="mailto:ananiziapereira2026@yahoo.com">ananiziapereira2026@yahoo.com</a> &#8211; ORCID: https://orcid.org/0009-0006-2637-8652<br><sup>7</sup>E-mail: <a href="mailto:fatimasocorrofarias@gmail.com">fatimasocorrofarias@gmail.com</a> &#8211; ORCID: <a href="https://orcid.org/0009-0009-8495-3696">https://orcid.org/0009-0009-8495-3696</a><br><sup>8</sup>E-mail: <a href="mailto:karolinefarias162@gmail.com">karolinefarias162@gmail.com</a> &#8211; ORCID: https://orcid.org/0009-0006-8882-3504<br><sup>9</sup>E-mail: <a href="mailto:thainasoaresc2004@gmail.com">thainasoaresc2004@gmail.com</a> &#8211; ORCID: <a href="https://orcid.org/0009-0006-2195-303X">https://orcid.org/0009-0006-2195-303X</a><br><sup>10</sup>E-mail: <a href="mailto:raissadias_fernandez@hotmail.com">raissadias_fernandez@hotmail.com</a> &#8211; ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0001-6363-7939">https://orcid.org/0000-0001-6363-7939</a></p>
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		<title>MANUAL DE EDIFICAÇÃO DE COZINHAS E REFEITÓRIOS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/manual-de-edificacao-de-cozinhas-e-refeitorios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Nov 2025 14:25:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Nutrição]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511301156</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">&nbsp;Guilherme de Oliveira Alves<sup>1</sup><br>Adriana Márcio Vasques<sup>2</sup></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente manual tem por objetivo apresentar uma síntese prática que sirva de referência para a elaboração de projetos de construção ou reforma de cozinhas e refeitórios em organizações militares do Exército Brasileiro e em instituições afins, observando os padrões estabelecidos pela legislação vigente e as particularidades do Serviço de Alimentação. Os elementos aqui reunidos podem ser aplicados na concepção de projetos de quaisquer estabelecimentos destinados à produção e/ou distribuição de refeições.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong><em>manual; projeto; construção; cozinha industrial,UAN (Unidade de Alimentação e Nutrição); Exército Brasileiro.&nbsp;</em><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">The purpose of this manual is to present a practical summary to serve as a reference for the design of construction or renovation projects for kitchens and dining facilities in Brazilian Army military organizations and related institutions, in compliance with the standards established by current legislation and the specific requirements of Food Service operations. The elements provided herein may be applied to the design of any type of facility intended for the production and/or distribution of meals.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong><em>manual; project; construction; industrial kitchen; Food and Nutrition Unit (FNU); Brazilian Army.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>Introdução</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo tem como objetivo apresentar as diretrizes para o funcionamento ideal de uma Unidade de Alimentação e Nutrição, considerando os principais aspectos relacionados ao planejamento e à organização física e funcional desses ambientes. São abordados elementos como o programa de necessidades, o fluxograma de produção, a relação entre as atividades desenvolvidas em cada setor, o dimensionamento de áreas e superfícies de trabalho, além dos parâmetros de conforto térmico, acústico e luminoso. Também são contempladas as especificações de materiais e as orientações para a elaboração dos projetos de instalações prediais. Os parâmetros propostos devem ser ajustados à realidade local e ao tipo de obra a ser executada — reforma, ampliação, conclusão ou construção nova — e visam complementar a legislação vigente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>Dados para dimensionamento</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O tempo médio de montagem do prato ou bandeja no balcão de distribuição é de 6 (seis) a 9 (nove) pessoas/minuto; O tempo médio que o usuário leva entre a distribuição e a devolução de bandejas é de 15 a 25 minutos;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A área ocupada por um indivíduo, em mesa, pode variar de 1.0 m² a 1,2 m². Para o dimensionamento da capacidade total dos reservatórios de água (caixa d’água e reservatório enterrado), deve-se usar como parâmetro o consumo de 28 litros de água por refeição – 20 litros de água fria e 8 litros de água quente. Este consumo é dimensionado para todas as atividades que acontecem no interior dos serviços de aprovisionamento, inclusive a higienização dos ambientes, dos equipamentos e utensílios, e o uso em banheiros e vestiários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para se obter um dimensionamento mais próximo das necessidades de armazenamento, deve-se levar em consideração alguns fatores, dentre os quais podemos destacar: efetivo apoiado, número de refeições fornecidas, distância do órgão provedor e o regionalismo alimentar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O depósito de gêneros secos deve ser dimensionado considerando as seguintes áreas per capita: até 400 indivíduos: 0,10m²/per capita; mais de 500 indivíduos: 0,08m²/per capita. Foram considerados no cálculo os seguintes dados: corredores principais de circulação com 2,50m de largura; corredores ao longo das paredes 0,60m; espaço vazio de 1,50m entre o teto e a pilha; altura do estrado de 0,20 a 0,30m; pé direito mínimo recomendado de 3,50m; estoque de gêneros para 30 dias (nível operacional);</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o depósito de frigorificados com efetivo de até 700 indivíduos, deve-se considerar volume total aproximado de 30 m³ para câmaras de congelados, 24 m³ para câmaras de resfriados e 12 m³ para câmaras de descongelamento dos batalhões. Para um efetivo de até 300 pessoas, em locais isolados, os valores variam para 24 m³, 18 m³ e 12 m³ respectivamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1</strong> <strong>Proporcionalidade de áreas em uma UAN:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">2.1.1 Setores de Recepção, Pré-Higienização, Estocagem e Administração – recepção/pré-higienização + administração/controle + despensa seca + depósito de material de limpeza + depósito de caixas + câmaras frias + vestiários/sanitários de militares da seção = cerca de 20% da área total do rancho;</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.1.2 Setor da Cozinha – sala do profissional de nutrição + setor de cocção + setores de pré-preparo + setores de higienização de utensílios + depósito de lixo cerca de 30% da área total do rancho;</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.1.3 Setor do Refeitório – hall de entrada dos usuários + Refeitório + sanitários de usuários = cerca de 40% da área total do rancho;</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.1.4 Setores Complementares ou Eventuais (área para fornecimento de marmitex, cozinha experimental ou área para expedição de alimentos, etc.) e Circulações = cerca de 10% da área total do rancho.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>Edificação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para um serviço de alimentação, a edificação deve ter um fluxo operacional ordenado e sem cruzamentos, com áreas de recebimento, armazenamento, produção, distribuição e descarte de lixo separadas, para evitar contaminação.&nbsp; Os revestimentos de piso, parede e teto precisam ser lisos, impermeáveis e fáceis de limpar, sem rachaduras ou danos. É fundamental que haja iluminação e ventilação adequadas, além de equipamentos e utensílios em bom estado e de fácil higienização. A área de lixo deve ser isolada e os recipientes apropriados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1</strong> <strong>Localização</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A área externa&nbsp; deve estar livre e desimpedida de objetos em desuso, focos de insalubridade, lixo, animais sinantrópicos. O acesso direto e independente, não comum a outros usos. As áreas circundantes não devem oferecer condições de proliferação de insetos e roedores devendo ser pavimentadas. As calçadas contornando as instalações de no mínimo 1 metro de largura com declive para escoamento. O acesso à UAN deve ser direto e independente, não comum a outros usos.&nbsp; A iluminação do local necessita de lâmpadas LED de tom amarelado ou âmbar, ou similar,&nbsp; afastada das portas, para reduzir a atração de insetos noturnos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2</strong> <strong>Fluxo de produção/preparo de alimentos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O fluxo deve ser contínuo e sem cruzamentos, desde o recebimento dos gêneros, o pré-preparo, preparo, cocção, distribuição e destino dos resíduos, de forma que o trajeto de alimentos crus, utensílios sujos e lixo não comprometa a higiene de material ou alimentos limpos, prevenindo a contaminação cruzada. Para isso, a edificação e as instalações precisam ser dimensionadas de modo que o espaço seja proporcional ao volume de produção, garantindo um fluxo operacional ordenado em todas as etapas, com dimensionamento proporcional ao volume de produção.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3</strong> <strong>Dimensionamento de equipamentos:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN), o dimensionamento de equipamentos deve ser diretamente proporcional ao volume de produção para garantir eficiência e segurança dos alimentos. Quanto maior a quantidade e capacidade de utensílios e equipamentos, como panelas, fornos, refrigeradores e mesas de preparo, para evitar gargalos e acelerar o processo produtivo. A escolha inadequada, seja por equipamentos superdimensionados que dificultam a limpeza ou subdimensionados que geram perda de tempo e baixa produtividade, compromete o fluxo operacional, a qualidade das refeições e a segurança sanitária. Portanto, uma análise detalhada da capacidade de produção é essencial para otimizar o investimento e o espaço disponível, alinhando a infraestrutura à real necessidade do serviço.&nbsp;<strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.4</strong> <strong>Piso:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN), o piso deve ser cuidadosamente escolhido para garantir a segurança e higiene, sendo liso, resistente, impermeável, lavável e de cor clara, o que facilita a identificação de sujeira e a correta higienização. O material precisa resistir a substâncias corrosivas e ser antiderrapante para prevenir acidentes, além de estar em perfeito estado de conservação, sem rachaduras, para evitar a proliferação de microrganismos. Essas características garantem a durabilidade e a conformidade com as normas sanitárias, assegurando a qualidade e a segurança dos alimentos manipulados no local.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deve ter inclinação suficiente (2%) em direção aos ralos, não permitindo que a água fique estagnada e ser de&nbsp; alta resistência (PEI 5), pois devem suportar tráfego pesado e intenso. Pisos monolíticos (sem rejuntamento) são os mais indicados, pois a inexistência de rejuntes dificulta o acúmulo de sujeira. No caso de se utilizar o revestimento cerâmico, aconselhável a escolha de peças que proporcionem o menor número de rejuntes possível.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todas as junções entre pisos e paredes devem ser arredondadas para evitar o acúmulo de sujeira e facilitar a limpeza. O rodapé deve ser executado junto com o piso, para evitar as juntas frias que prejudicam a aderência. O abaulamento do rodapé deve cessar exatamente na face da parede, para não gerar quinas que possam acumular sujeiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os ralos devem ser sifonados e conectados à rede de esgoto para evitar o retorno de odores e gases. As grelhas, feitas de aço inoxidável AISI 304, precisam ter dispositivos de fechamento e retentores de resíduos, instalados em pontos estratégicos, para impedir a entrada de insetos e roedores, garantindo assim a segurança sanitária nas áreas úmidas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante que se faça um bom acabamento na laje do piso. A laje deve ser impermeabilizada, estar completamente seca e sem fissuras. Devem existir juntas de dilatação entre as peças para permitir a deformação das peças sem maiores danos;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A argamassa é outro item importante. Utilizar argamassa de alta aderência, flexibilidade e resistência. Para finalizar, o rejuntamento só deve ser realizado após 72 horas da instalação do piso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O piso mais indicado é em poliuretano-cimentício (PU-Cimentício ou Uretano Industrial),&nbsp; para áreas de cocção pesada, devido a alta resistência térmica (até 120 °C ou mais, dependendo do sistema).&nbsp;<strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.5</strong> <strong>Paredes</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As paredes devem ter acabamento liso, impermeável, lavável, de cor clara, livre de fungos (bolores) e em bom estado de conservação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se revestidas com cerâmica, a altura mínima deve ser de 2 metros, com o menor número de rejuntes possível para evitar acúmulo de microrganismos. As junções entre parede, piso e teto devem ser arredondadas, facilitando a limpeza. É recomendável usar tintas acrílicas laváveis e instalar cantoneiras de alumínio ou aço inox até 1,5m em áreas de tráfego intenso para proteger as paredes. Por fim, o pé-direito deve ter no mínimo 3 metros no andar térreo e 2,7 metros nos andares superiores.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o uso de revestimento cerâmico nas paredes é aconselhável a escolha de peças que proporcionem o menor número de rejuntes possível, pois eles são focos potenciais de proliferação de microorganismos ou utilizar pinturas acrílicas laváveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos locais de maior movimentação de carros de transporte, deve-se colocar cantoneiras de alumínio ou aço inox até a altura de 1,5m, para se aumentar a resistência do material de revestimento.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.6</strong> <strong>Forros , Tetos e Telhados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O forro, teto e telhado deve ser de material resistente à temperatura, não deve ser combustível, nem propagador de incêndios. Deve ser impermeável ao vapor, com acabamento liso,&nbsp; de cor clara, lavável e de fácil higienização, mantido em bom estado de conservação. É essencial que a estrutura esteja livre de goteiras, vazamentos, umidade, trincas, rachaduras, bolor e descascamento para não comprometer a higiene e a segurança do ambiente. Também deve absorver os ruídos das diversas operações realizadas na cozinha.&nbsp; O teto recomendado para a área de cocção é a laje de concreto, maciça ou pré-moldada, emassada, lixada e pintada com tinta acrílica. O uso de forro de PVC de qualidade também é aceito.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As telhas termoacústicas, também conhecidas como telhas sanduíche, são a melhor opção aos ambientes que necessitam de um maior controle de temperatura. Compostas por duas telhas metálicas, e com seu núcleo composto por poliestireno (EPS), anti-chama.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.7</strong> <strong>Portas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As portas de uma Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN) devem ter uma superfície lisa, de cor clara e não absorvente, facilitando a limpeza e a higiene. Elas precisam estar bem ajustadas aos batentes e, nas áreas de armazenamento e manipulação de alimentos, devem ter fechamento automático e barreiras contra pragas e vetores. Para a circulação eficiente de equipamentos e carros auxiliares, as portas de acesso à cozinha devem possuir uma largura mínima de dois metros. Além disso, cortinas de ar podem ser instaladas nas portas externas e de câmaras frigoríficas para evitar a entrada de insetos e a alteração da temperatura interna.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As portas internas devem ter no mínimo 1,00 m de largura. A abertura entre a porta e o chão de no máximo 1cm, com proteção no rodapé contra a entrada de pragas. As portas devem abrir para fora preferencialmente. Devem ser do tipo vai e vem, com folhas de 1 metro cada, escotilhadas de material inabsorvível.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Colocar cantoneiras de alumínio ou aço inox nas extremidades das portas ou colocar barras de aço em locais de possíveis abalroamentos para aumentar a resistência do material de revestimento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cortinas de ar e/ou plástico podem ser utilizadas como complemento para evitar a entrada de insetos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.8</strong> <strong>Janelas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A superfície das janelas deve ser lisa, sendo constituída de material resistente, atóxico, lavável, não absorvente, não emissor de partículas ou odores e de fácil higienização. Mantida em estado adequado de conservação, livre de quebras, trincas ou rachaduras, e construída de modo a impedir o acúmulo de sujeiras. As janelas devem possuir telas milimétricas removíveis para limpeza; As telas devem ter malha de 2 mm, destacáveis e serem de fácil limpeza.&nbsp; As janelas externas devem ter um peitoril externo de no mínimo 30º para evitar a permanência de pássaros.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.9</strong> <strong>Iluminação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A iluminação do ambiente deve ser uniforme, sem ofuscamentos, sem contrastes excessivos, sombras e cantos escuros. As lâmpadas e luminárias devem estar limpas e protegidas contra explosão e quedas acidentais e em bom estado de conservação. As instalações elétricas devem ser embutidas e, quando externas, devem estar protegidas por tubulações íntegras.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não deve alterar as características sensoriais dos alimentos. Deve-se evitar a incidência de luz solar direta sobre as superfícies de trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A distribuição elétrica deve basear-se na disposição do layout. É necessário o levantamento de todos os equipamentos e a identificação dos seus consumos para a especificação das tomadas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As instalações elétricas devem estar embutidas ou protegidas em tubulações externas em bom estado, de forma a permitir a higienização dos ambientes sem oferecer riscos de contato com os condutores elétricos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o ambiente de cocção, recomenda-se iluminação natural – na proporção de 1/5 ou 1/4 da área do piso aliada à iluminação artificial;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As áreas de recepção e de pré preparo dos alimentos, por serem locais onde ocorrem a inspeção dos alimentos, necessitam de um grau de iluminação maior;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As luminárias citadas nesse artigo são também conhecidas como Luminárias Herméticas, por possuírem uma proteção em acrílico impedindo que resíduos de lâmpadas ao estourarem caiam sobre os alimentos, com perda de toda a produção.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.10</strong> <strong>Ventilação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A ventilação deve garantir o conforto térmico, a renovação do ar, ambiente livre de fungos, gases, fumaça, gordura e condensação de vapores. A circulação de ar na cozinha deve ser feita com o ar insuflado e controlado por filtros ou por exaustão, com equipamentos devidamente dimensionados e protegidos com telas milimétricas removíveis. O fluxo de ar nas áreas de preparo dos alimentos deve ser direcionado da área limpa para a suja. Não devem ser utilizados ventiladores e climatizadores com aspersão de neblina sobre os alimentos ou nas áreas de manipulação e armazenamento. A Portaria NR-15, Anexo 03, do Ministério do Trabalho e Emprego estabelece que níveis de temperatura acima de 26,7º IBUTG (índice usado para avaliação da exposição ao calor) são considerados insalubres.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O conforto térmico pode ser assegurado por aberturas de paredes que permitam a circulação natural do ar, com área equivalente a 1/10 da área do piso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para atender especificamente à esta norma é necessário a instalação de coifas. As coifas são instaladas sobre equipamentos que geram calor, vapores e gases, como fogões, chapas, fritadeiras, chair broilers, etc. É importante a contratação de um profissional especializado para a instalação deste equipamento pois vários critérios devem ser levados em conta como vazão de ar para exaustão, filtros de purificação, facilidade na limpeza, nível de ruído.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem os Filtros Eletrostáticos, que retiram as gorduras e fumos existentes nos gases durante a produção de alimentos. Operam através dos princípios da nanotecnologia eletrostática, um dos mais eficientes sistemas de captação de particulados sub-microns.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.11</strong> <strong>Refeitórios e área de distribuição</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O refeitório deve garantir fluxo contínuo, evitando cruzamentos entre a entrada, área de distribuição, mesas, devolução de bandejas e saída.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deve haver um lavatório para a higienização das mãos. Deve estar localizado em ponto estratégico, antes do acesso à área de distribuição ou consumo dos alimentos, permitindo que todos lavem as mãos antes das refeições.&nbsp; O acesso deve ser fácil, sinalizado e desobstruído. Em refeitórios grandes, recomenda-se mais de um lavatório, de acordo com o fluxo de usuários.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A área recomendada para o local é de 1,2 a 1.4 m2 por pessoa, excluindo a área de distribuição e áreas de apoio.&nbsp; O dimensionamento deve considerar a quantidade máxima simultânea, não o total atendido, podendo ser feito índice de rotatividade, com horário definido para 2 ou 3 turnos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a área de distribuição para o efetivo de&nbsp; 300 pessoas, recomenda-se balcões térmicos (quentes e frios) dimensionados para atender 100–150&nbsp; por turno, sendo a largura mínima da linha de distribuição com 1,20 m (mínimo) para circulação à 1,50 m ou mais (recomendado) para evitar congestionamento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto ao mobiliário, mesas para 4 a 6 lugares são as mais funcionais, com distância mínima entre mesas: 0,90 m e distância mínima entre fileiras de circulação: 1,20 m. A capacidade com turnos, calcula-se a quantidade de lugares para 150 pessoas simultâneas, sendo 35 mesas de 4 lugares&nbsp; e para 100 pessoas simultâneas, cerca de 25 mesas de 4 lugares.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quanto ao conforto ambiental, deve haver ventilação natural e mecânica</strong> eficiente ou c<strong>limatização</strong> quando necessário. <strong>Níveis de ruído controlados</strong> (revestimentos acústicos) e i<strong>luminação adequada.&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por fim, os pisos</strong> e revestimentos devem ser lisos, laváveis e antiderrapantes e a área de acesso à <strong>coleta de resíduos</strong> deve ser em local sem cruzar com o fluxo de comida, com espaço para separação (orgânicos e recicláveis).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.12</strong> <strong>Vestiário e instalações sanitárias</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os vestiários devem ser separados por gênero e não possuir comunicação direta com as áreas de armazenamento, manipulação, distribuição ou consumo de alimentos. Devem manter-se em bom estado de conservação e higiene, sendo dotados de: vaso sanitário com tampa e descarga, papel higiênico não reciclado, lixeira com tampa acionada por pedal, mictórios com descarga, lavatórios para higienização das mãos, sabonete líquido inodoro antisséptico, toalha de papel não reciclado ou outro método higiênico equivalente, e coletor de papel com acionamento sem contato manual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os vestiários devem ainda dispor de armários individuais e chuveiros, observando-se a proporção mínima de um vaso sanitário, uma pia e um mictório para cada grupo de 20 funcionários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A implantação e manutenção dessas instalações devem atender às normas vigentes do Ministério do Trabalho e Emprego, especialmente aquelas relativas às condições sanitárias e de conforto nos locais de trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.13</strong> <strong>Depósito de Lixo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Deve haver dois depósitos um para lixo comum e outro para lixo orgânico e este último deve ser&nbsp; abrigo externo exclusivo, fechado com porta ajustada ao batente, com revestimentos laváveis, ventilação telada, ponto de água e ralo sifonado.<br>Deve existir área específica para higienização dos recipientes e equipamentos de coleta.&nbsp; O lixo não deve sair da cozinha pelo mesmo local onde entram as matérias-primas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.14 Esgotamento Sanitário</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O sistema de esgotamento sanitário deve ser projetado, construído e mantido de forma a evitar contaminações, refluxos, infiltrações e mau cheiro, assegurando o correto encaminhamento dos efluentes líquidos para a rede pública de esgoto ou, na sua ausência, para sistemas de tratamento e disposição final licenciados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É vedada a presença de caixas de gordura ou de esgoto dentro das áreas de preparo de alimentos. Essas estruturas devem ser instaladas externamente à edificação, preferencialmente em locais sem fluxo de alimentos, como áreas técnicas, vestiários ou depósitos de material de limpeza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devem ser adotadas tubulações independentes para cada ponto de esgoto, facilitando a identificação e manutenção de vazamentos ou obstruções. Na área de cocção, recomenda-se um ponto de coleta de esgoto para cada caldeirão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos pontos de drenagem das pias de pré-preparo, higienização de utensílios e lavagem de panelas, pratos e talheres, recomenda-se o uso de joelhos de 90º com inspeção (visita), para permitir desobstrução e reduzir riscos de entupimento. As curvas nas canalizações devem ser evitadas sempre que possível. Devem possuir caixas de passagem que têm como função reter sólidos e resíduos grosseiros provenientes das pias, ralos e lavatórios antes de sua entrada na rede coletora.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As grelhas de piso coletoras de água devem ser confeccionadas em aço inoxidável AISI 304 (liga 18.8), possuir bandejas com retentores de resíduos e dispositivos que impeçam o acesso de insetos e roedores. Todos os componentes do sistema devem ser de materiais resistentes à temperatura e à ação de produtos químicos utilizados na limpeza.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.15 Instalações hidráulicas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As instalações hidráulicas devem ser projetadas, executadas e mantidas de forma a garantir o abastecimento contínuo de água potável em quantidade e pressão suficientes para todas as atividades do estabelecimento, assegurando a qualidade sanitária e a segurança operacional dos sistemas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devem atender às normas técnicas vigentes (ABNT e órgãos competentes) e ser constituídas por materiais atóxicos, resistentes à corrosão, de fácil limpeza e manutenção, compatíveis com o uso em áreas de preparo e manipulação de alimentos.O abastecimento de água deve estar ligado à rede pública, sendo admitido o uso de fontes alternativas (poços ou reservatórios) apenas quando devidamente tratadas e com comprovação periódica da potabilidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os reservatórios de água devem ser dimensionados conforme a demanda, possuir tampa ajustada, acabamento interno liso e impermeável, e permitir limpeza e desinfecção periódica, conforme cronograma documentado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devem ser previstas tubulações exclusivas para água potável, sem interligações com redes de águas servidas, pluviais ou industriais, de modo a evitar contaminações cruzadas;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As tubulações de água quente e fria devem ser identificadas e protegidas, evitando condensação, aquecimento excessivo ou danos mecânicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os pontos de consumo (pias, lavatórios, equipamentos e áreas de higienização) devem possuir pressão e vazão adequadas, garantindo o funcionamento eficiente e seguro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devem existir pontos de inspeção e válvulas de bloqueio que permitam manutenção sem interrupção total do sistema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O projeto deve prever sistema de drenagem eficiente, com declividade adequada e dispositivos de inspeção para prevenção de refluxo e obstruções.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas áreas de manipulação e preparo, recomenda-se o uso de torneiras de acionamento não manual (pedal, cotovelo ou sensor), evitando a recontaminação das mãos após a lavagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devem ser previstos pontos de água específicos para higienização de pisos e equipamentos, dotados de bicos de engate rápido e materiais compatíveis com o uso sanitário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deve-se prever um ponto de água e esgoto para cada caldeirão da área de cocção.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.16</strong> <strong>Acústica</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As áreas de cocção e higienização são as que possuem os níveis de ruído mais altos dentro do Rancho. Isto, devido à quantidade de máquinas, aos sistemas de exaustão, à intensa manipulação de utensílios, à quantidade de vapores, etc. A fim de evitar a concentração e propagação do som, não é recomendada a construção de ambientes com formas côncavas ou circulares;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para manter a ambiência acústica em níveis confortáveis nas áreas de trabalho podem-se utilizar, no teto e nas paredes, materiais não propagadores de som (que não sejam inflamáveis ou combustíveis). Para que os sons dos trabalhos da cozinha não interfiram na área do refeitório, sugere-se isolar ao máximo estes dois setores;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que não haja fadiga e irritação nos funcionários devido à permanência prolongada sob ruídos acima dos toleráveis, deve-se manter o nível de ruído em torno de 45 a 55 decibéis.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1.7</strong> <strong>Equipamentos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os equipamentos utilizados em uma UAN devem priorizar materiais resistentes, sanitariamente adequados e de fácil higienização, de modo a suportar o uso contínuo, altas temperaturas, produtos químicos e procedimentos de limpeza frequente. O aço inoxidável AISI 304,&nbsp; apresenta elevada resistência à corrosão, durabilidade e propriedades antibacterianas, sendo o material mais indicado para cozinhas profissionais e indústrias alimentícias. Assim, todos os equipamentos em contato direto ou indireto com alimentos ou áreas de manipulação — incluindo bancadas, mesas, estantes, armários, estrados, lavatórios, ralos, carrinhos de transporte, pás e utensílios — devem ser confeccionados neste padrão de aço.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As coifas e alguns equipamentos sem contato direto com alimentos podem ser confeccionados em aço inox AISI 430, material ferrítico com menor resistência à corrosão, porém adequado para equipamentos de exaustão e superfícies com menor exposição a agentes químicos. Em todos os casos, a escolha do material deve considerar o ambiente de uso, frequência de higienização, exposição a vapor e gordura e a longevidade operacional, garantindo conformidade sanitária, manutenção facilitada e segurança alimentar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se quiser, posso complementar com lista de equipamentos essenciais por setor (pré-preparo, cocção, distribuição etc.) ou com tabela comparativa de AISI 304 vs AISI 430.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Instalações</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As instalações e as etapas do processo produtivo devem ser separadas fisicamente ou por barreiras técnicas, com o objetivo de facilitar a higienização e a manutenção. A disposição dos ambientes deve garantir um fluxo contínuo, evitando o cruzamento de etapas e de linhas de produção.&nbsp; O fluxo em um serviço de alimentação refere-se ao caminho lógico e sequencial que os alimentos, ingredientes, utensílios, funcionários e resíduos percorrem dentro do estabelecimento, desde o recebimento até a entrega ao consumidor. O objetivo principal da legislação (como a RDC 216 da ANVISA) é que esse fluxo seja ordenado e sem cruzamentos para evitar a contaminação cruzada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deve ter as áreas de recebimento (área externa/suja), armazenamento (estoque seco, geladeiras, congeladores), pré-preparo (lavagem, descasque, corte de ingredientes crus), preparo/cocção (cozimento, assar, fritar), finalização/montagem dos pratos, distribuição/serviço, consumo, retirada de bandejas/louça suja, higienização de utensílios/louça (área de lavagem) e armazenamento de utensílios limpos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1</strong> <strong>Área de recebimento de gêneros</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No local do recebimento de gêneros deve existir, área coberta, com altura suficiente para acoplagem de caminhão, pia para triagem em aço inox, com capacidade mínima de 40 L para pré-higiene dos vegetais e outros produtos. Necessita ainda de espaço e instalação elétrica para balança de no mínimo 300 kg.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2.1</strong> <strong>Área de armazenamento seco</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Há a necessidade de ser um ambiente bem iluminado, mas deve-se evitar a incidência de luz natural direta sobre os produtos armazenados sob temperatura ambiente que não deve ultrapassar 25ºC (vinte e cinco graus Celsius);</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não devem existir ralos para o escoamento de água. O piso neste ambiente deve ser liso, lavável e de material resistente (PEI 5). Possui estantes e estrados em aço inox AISI 304 liga 18.8. Possuir ventiladores de teto e exaustores (telados), se necessário.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2.2</strong> <strong>Área para armazenamento em temperatura controlada</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As câmaras frigoríficas são constituídas de material lavável, dotadas de antecâmaras com lâmpada, prateleiras em aço inox, portas com isolamento térmico com dispositivo de segurança para abertura interna, livre de ralo ou grelha.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Possui antecâmara para proteção térmica, com revestimento com material lavável e resistente, nível do piso igual ao da área externa, termômetro permitindo a leitura pelo lado externo. Interruptor de segurança localizado na parte externa com lâmpada piloto indicadora &#8220;ligado&#8221; – &#8220;desligado&#8221;.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deve-se disponibilizar espaço para a instalação de no mínimo três câmaras frias e uma antecâmara (que dê acesso às três câmaras).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Câmara fria de resfriamento, destina-se ao resfriamento de laticínios, embutidos, hortifrutícolas, que devem ser segregados por tipos de produto (hortifruti separado de laticínios/embutidos), com temperatura controlada, mantida entre 2°C e 6°C. Dimensões aproximadas para efetivo de 300 pessoas:&nbsp; 2,0 m × 2,0 m × 2,5 m (L×P×A) → piso = 4,0 m²; volume = 10,0 m³, com reposição quinzenal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Câmara fria de descongelamento, destina-se ao descongelamento de carnes, aves e peixes, mantida entre 2°C e 5°C, com dimensões mínimas de 2,0 × 2,5 m (5,0 m²).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Câmara fria de congelamento, destina-se à conservação de carnes, aves e peixes, com temperatura controlada, mantida abaixo de -18°C. Deve dispor de dimensões mínimas&nbsp; para cada 300 indivíduos&nbsp; de 2,0 × 1,8 × 2,5 m (L×A×H), sendo piso 3,6 m² (volume 9 m³), com área bruta de<strong> </strong>6,5 m² na planta para circulação e manuseio, em reposição mensal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A antecâmara é espaço que serve de área de transição térmica entre o ambiente externo às câmaras frias e as próprias câmaras, portanto deverá ser climatizada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.3</strong> <strong>Área de pré-preparo de vegetais:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Área para manipulação com bancadas e cubas de material liso, resistente, e de fácil higienização, para manipulação dos produtos vegetais;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o suporte às atividades, devem dispor de bancadas de trabalho (com cubas para higienização) em inox AISI 304 liga 18.8, com altura entre 85 cm e 90 cm. O tampo das bancadas de corte deve ser de polietileno branco, removível para higienização.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deve possuir espaço reservado e tomadas elétricas conforme os equipamentos necessários como multiprocessador de alimentos,&nbsp; descascador de batatas, liquidificador,&nbsp; geladeira ou pass through refrigerado, dentre outros.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deverá ser climatizada com temperatura entre 16 e 20º C.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.4</strong> <strong>Área de seleção e lavagem de cereais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Área para manipulação com bancadas e cubas de material liso, resistente, e de fácil higienização, para manipulação dos produtos vegetais;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o suporte às atividades, devem dispor de bancadas de trabalho (com cubas para higienização) inox AISI 304 liga 18.8, com altura entre 85 cm e 90 cm.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.5</strong> <strong>Área de pré-preparo de carnes bovina, de aves e de peixes</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Área para manipulação (pré-preparo) de carnes, aves e pescados, sem cruzamento de atividades;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deve ter bancadas inox AISI 304 liga 18.8 com tampa de altileno, equipamentos e utensílios de acordo com as preparações;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deve ser uma sala fechada, envidraçada e climatizada, com temperatura adequada (até 18º C) para o resfriamento e manipulação antes do preparo final;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o suporte às atividades, deve dispor de bancadas de trabalho inox AISI 304 liga 18.8 (com cubas para higienização), com altura entre 85 cm e 90 cm. sem ralos no seu interior. O tampo das bancadas deve ser de polietileno branco, removível para higienização.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se for possível possuir área reservada à moagem de carnes, com temperatura controlada de até 13º C.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.6</strong> <strong>Área de preparação de sobremesas e sucos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o suporte às atividades, deve dispor de bancadas de trabalho inox AISI 304 liga 18.8 (com cubas para higienização), com altura entre 85 cm e 90 cm.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tampo das bancadas de corte deve ser de polietileno branco, removível para higienização.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deve possuir saída especial de água para filtro e outro&nbsp; ponto de água para instalação de máquina de gelo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante a previsão de tomadas elétricas conforme os equipamentos necessários, como liquidificador e geladeira ou pass through refrigerado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.7</strong> <strong>Área de cocção</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A localização desta área deve ser a mais próxima possível da central de GLP e da distribuição de alimentos para o refeitório.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.8</strong> <strong>Área de preparação de pães e massas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o suporte às atividades, deve dispor de bancadas em aço inox AISI 304 liga 18.8 , de trabalho (com cubas para higienização), com altura entre 85 cm e 90 cm;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Provida de água quente e fria, com esguicho para&nbsp; lavagem;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deverá ser fechada e envidraçada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.9</strong> <strong>Área de distribuição de refeições</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A área de distribuição corresponde ao espaço no qual se realiza a entrega das refeições prontas aos comensais, devendo ser posicionada entre o setor de produção e a área de consumo (refeitório). Esta configuração minimiza o deslocamento dos alimentos preparados e reduz o risco de perda de temperatura ou contaminação no percurso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Equipamento de apoio – Pass-through: nesta área deve ser instalado o pass-through, equipamento destinado à manutenção da temperatura dos alimentos durante o intervalo entre a finalização do preparo e a reposição no balcão de distribuição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O pass-through deve possuir controle térmico adequado, superfícies lisas e materiais compatíveis com ambiente alimentar, preferencialmente aço inoxidável, facilitando higienização e durabilidade.&nbsp; A área reservada ao equipamento deve ser a mínima necessária para sua acomodação, operação segura e limpeza, evitando obstrução das rotas de circulação de pessoal e bandejas. Ao dimensionar o espaço, devem ser considerados: A profundidade de abertura das portas do pass-through; A área de permanência do operador. A não interferência no fluxo de entrada e saída de alimentos. Integração com o fluxo operacional</p>



<p class="wp-block-paragraph">A distribuição deve respeitar o percurso produção → conservação → exposição/serviço → consumo, eliminando cruzamentos com áreas de lavagem, armazenamento de utensílios ou descarte de resíduos.<br>O ambiente deve permitir acesso rápido para reposição e barreiras físicas ou de layout que evitem contato do público com áreas internas de preparo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Condições sanitárias e de higiene</p>



<p class="wp-block-paragraph">As superfícies devem ser resistentes, de fácil limpeza e livres de porosidade. Devem ser previstos pontos de energia, iluminação adequada e, quando aplicável, exaustão localizada compatível com equipamentos aquecidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.10</strong> <strong>Área de higienização de utensílios e panelas se divide em duas áreas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.10.1</strong> <strong>Área para higiene/guarda dos utensílios de preparação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Deve ser instalada em ambiente separado e adequadamente isolado da área de processamento, evitando contaminação cruzada. A circulação interna deve impedir o contato entre utensílios sujos e utensílios já higienizados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A área deve dispor de pontos de água fria e quente, com controle de temperatura, para assegurar a eficiência da lavagem e sanitização dos utensílios.&nbsp; Devem ser previstos esguichos, bicos de pressão ou duchas apropriadas para remoção mecânica de sujidades. Recomenda-se o uso de lavadoras ou pias dimensionadas ao volume de utensílios utilizados na unidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os ralos devem possuir caixas de retenção de resíduos ou cestos coletores, prevenindo obstruções e evitando o retorno de materiais sólidos para a rede de esgoto. A drenagem deve ser eficiente, com declividade adequada e sifões que impeçam refluxo e odores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Armazenamento de utensílios limpos: A área deve conter espaço suficiente e organizado para a guarda de peças de equipamentos e utensílios higienizados, protegidos de poeira, umidade e contato com superfícies contaminadas. As prateleiras devem ser de material liso, resistente, lavável e instalado acima do piso, respeitando altura mínima.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fluxo operacional e biossegurança:&nbsp; O retorno de utensílios sujos deve ocorrer por rota ou acesso distinto do fluxo de utensílios limpos, garantindo que não haja risco de contaminação do material já higienizado. O layout deve evitar cruzamentos, garantindo o sentido “sujo → higienização → seco → limpo”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.10.2</strong> <strong>Área para higiene/guarda dos utensílios de mesa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Localização e relação com o refeitório: A área deve estar adjacente ao refeitório, estabelecendo comunicação por meio de guichê exclusivo para recepção de utensílios utilizados. O objetivo é evitar o transporte do material sujo por corredores ou áreas de circulação de alimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segregação de fluxos:&nbsp; O ambiente deve ser organizado de forma a impedir que utensílios de mesa já higienizados entrem em contato com os utensílios sujos. O layout deve seguir o fluxo operacional: recepção → lavagem → enxágue → secagem → armazenamento. Cruzamentos de rota ou retrabalho são proibidos, para evitar contaminação cruzada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Infraestrutura hidráulica e lavagem: O espaço deve possuir abastecimento de água quente e fria, com sistemas de controle de temperatura compatíveis com o processo de higienização. A área deve ser dotada de esguichos, duchas ou bicos de pressão adequados à remoção de resíduos sólidos e orgânicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Armazenamento de utensílios limpos: Deve contar com espaço suficiente para guarda de peças, equipamentos e utensílios higienizados, devidamente protegidos contra umidade, poeira e contaminação. Prateleiras, caixas ou suportes devem ser de material liso, lavável e resistente, com instalação acima do nível do piso, respeitando altura mínima normativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Guichê de recepção: O guichê deve ser construído em aço inox AISI 304 (liga 18/8), com propriedades anticorrosivas e sanitárias adequadas. Deve possuir dois níveis (dois “andares”), permitindo que o recebimento do material sujo ocorra em um plano separado do retorno ou movimentação de utensílios limpos. Esse equipamento deve ser concebido para minimizar riscos de contaminação e facilitar o fluxo operacional do refeitório.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.11</strong> <strong>Área de depósito de lixo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Ideal haver dois depósitos um para lixo comum e outro para lixo orgânico. A área destinada ao depósito de resíduos deve ser separada e distante das áreas de manipulação e preparo de alimentos, evitando contaminação cruzada. Recomenda-se que seja externa ou em ambiente isolado com barreira física, permitindo fácil acesso para coleta sem interferir no fluxo de produção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As superfícies (pisos, paredes e bancadas) devem ser impermeáveis, lisas, laváveis e resistentes à corrosão. Preferencialmente de cerâmica esmaltada, epóxi ou concreto polido. Devem evitar juntas porosas e cantos vivos, priorizando rebaixos arredondados (meia cana) para facilitar higienização. As portas devem ser vedadas à entrada de roedores e insetos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O piso deve possuir declividade adequada direcionada para ralos sifonados.<br>É obrigatório prever pontos de água&nbsp; para lavagem de recipientes e higienização do ambiente. O local deve conter ponto de esgoto compatível com o volume de efluentes gerado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A área deve ser ventilada, preferencialmente com ventilação natural, por basculante com tela de proteção. Quando em ambiente fechado, deve possuir exaustor mecânico para evitar acúmulo de odor, gases e vapores. A armazenagem interna deve ser por tempo limitado, evitando fermentação e atração de vetores.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os Recipientes de Coleta devem ser com tampa, de fácil higienização, compatíveis com o tipo de resíduo gerado (orgânico, reciclável, rejeito, óleo usado, etc.). Preferencialmente em aço inox, polietileno de alta densidade (PEAD) ou material sanitário equivalente. Recomenda-se setorização interna com identificação visual clara (código de cores ou sinalização).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O acesso aos contêineres deve ocorrer por rota independente de alimentos e utensílios limpos. A coleta deve possuir horários definidos, com registro de retirada quando aplicável. O ambiente não deve servir de área de armazenamento geral (ex.: caixas, instrumentos, produtos).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.12</strong> <strong>Área de consumação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A área de consumação ou refeitório deve ter as mesmas características das áreas de preparo dos alimentos, devendo ser organizada de forma a garantir conforto, higiene e fluxo adequado dos usuários, dispondo de espaço suficiente para circulação entre mesas, iluminação adequada, ventilação natural ou mecânica, superfícies lisas e laváveis, além de mobiliário resistente e de fácil higienização. Deve permanecer separada das áreas de preparo e processamento de alimentos, com acesso direto à área de distribuição, e contar com pontos de descarte apropriados, evitando acúmulo de resíduos e garantindo um ambiente seguro e funcional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os ornamentos e plantas não devem propiciar contaminação dos alimentos. As plantas não devem ser adubadas com o adubo orgânico e não devem estar entre o fluxo de ar e os alimentos, nem sobre os balcões de distribuição;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No refeitório é permitida a existência de ventiladores de teto ou chão, desde que o fluxo de ar não incida diretamente sobre os ornamentos, as plantas e os alimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.13</strong> <strong>Sala do Aprovisionador</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A área deve estar localizada acima do piso da área total da cozinha, com visor que facilite a supervisão geral do ambiente e das operações de processamento. Dispor de pontos de energia para equipamentos eletrônicos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.14</strong> <strong>Área para guarda de botijões de gás</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A área destinada à guarda de botijões de GLP deve ser exclusiva, atendendo às normas da ABNT aplicáveis (ex.: NBR 15514, NBR 13523 e correlatas), e localizada fora das áreas de manipulação e circulação interna, evitando riscos de incêndio ou explosão. A delimitação do espaço deve ser realizada com tela metálica, grades vazadas ou estrutura equivalente, permitindo ventilação permanente, visibilidade e impedindo o acesso de pessoas não autorizadas, além de garantir o acesso direto de veículos de abastecimento e reposição de cilindros. O piso deve ser nivelado, não inflamável, protegido de fontes de calor e faísca, com sinalização de segurança, proibição de chamas, e disposição que permita a segregação entre botijões cheios e vazios.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.15</strong> <strong>Área para higienização e guarda de material de limpeza ambiental:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A área destinada à higienização e guarda de materiais de limpeza deve ser exclusiva, isolada das áreas de preparo e consumo de alimentos, com ponto de água fria, tanque ou pia resistente, drenagem adequada e ventilação natural ou mecânica para evitar odores e acúmulo de vapores químicos. Os produtos saneantes devem ser armazenados em armários fechados e identificados, separados de utensílios alimentares, com proteção contra usuários não autorizados. O local deve comportar suportes para vassouras, rodos e panos, além de espaço para baldes, carrinhos de limpeza e EPIs, mantendo-os elevados do piso e organizados de forma a evitar contaminação cruzada. Paredes e pisos devem ser lisos, laváveis, impermeáveis e resistentes a produtos químicos, permitindo higienização frequente e segura.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.16</strong> <strong>Área/Local para higiene das mãos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Deve existir lavatórios exclusivos para higiene das mãos. Quando não houver separação de áreas deve existir pelo menos uma pia para higiene das mãos, em posição estratégica em relação ao fluxo de preparações dos alimentos, torneiras dos lavatórios acionadas sem contato manual com acionamento por pedal, joelho ou sensores;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não deve existir sabão antisséptico para higiene das mãos nas pias utilizadas para manipulação e preparo dos alimentos, devido ao alto risco de contaminação química dos alimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.17</strong> <strong>Área de Expedição de Alimentos (casos específicos)&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Local destinado ao armazenamento e abastecimento de containers térmicos (tipo hot box), que mantêm a temperatura dos alimentos desde o momento do preparo até a chegada ao local onde eles devem ser entregues. É recomendável que se preveja espaço suficiente dentro da edificação para a entrada do veículo que transportará os hot boxes. Não deve ser contígua à área de manipulação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.18</strong> <strong>Área para cozinha dietética</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Todo hospital deve prever uma área para a confecção de dietas especiais, equipadas de maneira que atenda as mais variadas preparações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o suporte às atividades, deve dispor de bancadas em aço inox AISI 304 liga 18.8 ,de trabalho (com cubas para higienização), com altura entre 85 cm e 90 cm.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.19</strong> <strong>Área para expedição para preparações</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos hospitais com serviço centralizado, esta área é necessária para o porcionamento das preparações prontas, e encaminhamento aos pacientes. A área de expedição deve ser contínua e adjacente ao setor de preparo final, servindo como ponto de saída controlada das refeições prontas. Deve permitir fluxo unidirecional (produção → expedição → distribuição/consumo), evitando qualquer retorno de utensílios ou alimentos preparados. O local precisa estar equipado com bancadas higienizáveis (preferencialmente aço inox), pass-throughs térmicos ou balcões aquecidos/frigorificados, mantendo a temperatura das preparações até o momento da entrega. A circulação deve ser restrita a pessoal autorizado, com separação física ou barreiras que impeçam a contaminação cruzada e o acesso do público. A área deve possuir ventilação, iluminação e espaço suficiente para montagem, etiquetagem e organização, fazendo a transição entre o preparo e o serviço ou transporte das refeições, mantendo a integridade sanitária e operacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.20</strong> <strong>Sanitários;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os sanitários destinados aos manipuladores de alimentos devem ser divididos em masculino e feminino, exclusivos, separados do refeitório e jamais situados dentro das áreas de preparo, armazenamento ou processamento de alimentos. Devem contar com vestiários ou antecâmara, lavatórios com água corrente, sabonete líquido, toalhas descartáveis ou secador de mãos e lixeiras com tampa e acionamento não manual, evitando contaminação cruzada. Os materiais de acabamento (pisos, paredes e bancadas) devem ser lisos, laváveis, impermeáveis e resistentes à limpeza frequente, com ventilação adequada e manutenção preventiva. A porta deve possuir fechamento automático e não pode se abrir diretamente para a área de produção, devendo existir barreira sanitária ou área de transição que garanta a higienização das mãos antes do retorno às atividades.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os sanitários destinados aos usuários do refeitório devem ser separados das áreas de produção, armazenamento e manipulação de alimentos, garantindo higiene e controle sanitário. O ambiente deve possuir ventilação natural ou mecânica, iluminação adequada, acabamentos lisos, impermeáveis e laváveis (pisos, paredes e bancadas), facilitando a higienização frequente. Devem ser previstos lavabos com pias, sabonete líquido, toalhas descartáveis ou secador de mãos, lixeiras com tampa e acionamento não manual, além de descargas funcionais e bacias sanitárias em número compatível com a capacidade de atendimento da UAN. Recomenda-se acesso adaptado para pessoas com deficiência, sinalização clara, portas com fechamento adequado e isolamento que evite odores e contaminação cruzada com áreas alimentares. Caso necessário, devem existir sanitários específicos para colaboradores, sem comunicação direta com a cozinha.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências Bibliográficas:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA FILHO, Antônio Romão A. da. <em>Manual Básico para Planejamento e Projeto de Restaurantes e Cozinhas Industriais</em>. São Paulo: Varela, 1996. 232 p.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, Enos Arneiro Nogueira da. <em>Cozinha Industrial: Um Projeto Complexo. 1998</em>. 277p. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Universidade de São Paulo, São Paulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TEIXEIRA, Suzana Maria Ferreira Gomes &#8230; [et al.]. <em>Administração Aplicada às Unidades de Alimentação e Nutrição</em>. São Paulo: Atheneu, 2003. 219p.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E AGRONOMIA (CONFEA).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Resolução nº. 361/1991 –<em>Dispõe sobre a conceituação de Projeto Básico em Consultoria de Engenharia,</em><em> </em><em>Arquitetura</em><em> </em><em>e</em><em> </em><em>Agronomia</em>; Disponível em: <a href="http://normativos.confea.org.br/downloads/0361-91.pdf">http://normativos.confea.org.br/downloads/0361-91.pdf</a> Último acesso em: 14/10/2020, às 16:30</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>BRASIL. Ministério da Defesa.</strong> <em>Portaria Normativa GM-MD nº 5.703, de 27 de novembro de 2023</em>. Regulamento de Segurança dos Alimentos das Forças Armadas – MD42-R-01. 2. ed., 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>BRASIL. Ministério da Defesa.</strong> <em>Portaria Normativa nº 219/MD, de 12 de fevereiro de 2010.</em> Manual de Alimentação das Forças Armadas, 2010.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>BRASIL. Ministério da Defesa.</strong> <em>Portaria GM-MD nº 395, de 23 de janeiro de 2025.</em> Manual de Defesa Alimentar das Forças Armadas – MD42-M-06. 1. ed., 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL Lei Federal nº. 8.666/1993 – <em>Regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, institui normas para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências;&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Roteiro para implantação de restaurantes populares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portaria SVS/MS nº. 326/1997 – Ministério da Saúde – Aprova o Regulamento Técnico sobre Condições Higiênico-Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Resolução nº. 425/1998 – CONFEA – Dispõe sobre a Anotação de Responsabilidade Técnica e dá outras providências; Disponível em: <a href="http://normativos.confea.org.br/downloads/0425-98.pdf">http://normativos.confea.org.br/downloads/0425-98.pdf</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Portaria CVS nº. 06/1999 – Centro de Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo – Aprova o Regulamento Técnico que estabelece os parâmetros e critérios para o controle higiênico-sanitário em estabelecimentos de alimentos;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lei nº. 6.496/2000 – Institui a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) na prestação de serviços de Engenharia, Arquitetura e Agronomia; Disponível em: <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6496.htm">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6496.htm</a>. Último acesso em: 14/10/2020, às 16:45.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Resolução de Diretoria Colegiada – RDC – nº. 216/2004 – Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) – Dispõe sobre o Regulamento Técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação; Disponível em: <a href="http://alimentos.uff.br/sites/default/files/_RDC.pdf">http://alimentos.uff.br/sites/default/files/_RDC.pdf</a> Último acesso em: 14/10/2020, às 16:47</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Normas utilizadas:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">NOR 203-01-92 Normas para elaboração de projetos de aquartelamentos. Norma Brasileira – ABNT – NBR 13.523/2006 – Central Predial de GLP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Norma Brasileira – ABNT – NBR 9050/2004 – Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Norma Brasileira – ABNT – NBR 5626/1998 – Instalações Prediais de Água Fria;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Norma Brasileira – ABNT – NBR 5648/1999 – Sistemas Prediais de Água Fria – Tubos, conexões de PVC 6,3, PN 750 kPa, com junta soldável &#8211; Requisitos;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Norma Brasileira – ABNT – NBR 8160/1999 – Instalações Prediais de Esgoto Sanitário; Norma Brasileira – ABNT –NBR 5410/2004 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão; Norma Brasileira – ABNT –NBR 5413/1982 – Iluminância de Interiores;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Norma Brasileira – ABNT –NBR 5473/1986 – Instalações Elétricas Prediais;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Norma Brasileira – ABNT –NBR 7198/1993 – Projeto e execução de Instalações de Água Quente;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Norma Brasileira – ABNT – NBR 13.932/1997 – Instalações Internas de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) – Projeto e Execução;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Norma Brasileira – ABNT – NBR 13.933/1997 – Instalações Internas de Gás Natural (GN) – Projeto e Execução;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ABNT. NBR 14518: Sistemas de ventilação para cozinhas profissionais – Requisitos e procedimentos. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2019.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1990). Atualmente é Tenente Coronel da reserva do Exército Brasileiro. Tem experiência nas áreas: Medicina Veterinária, com ênfase em Higiene, Inspeção e Vigilância Sanitária em Alimentos; Auditoria em Segurança Alimentar; Perícias em Alimentos de Origem Animal e Consultoria em Projetos de Construção de Restaurantes.<br><sup>2</sup>Possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Fluminense (1996). Atualmente é Tenente-Coronel do Exército. Curso de Formação de Oficiais no ano 2000. Aperfeiçoada em 2011 pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais. Mestrado em Segurança Alimentar e Nutricional pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aperfeiçoamento em Vigilância Sanitária pela IVISA/RJ. Atuando no Escalão Logístico do Comando da 1ª Região Militar, onde gerencia as atividades do Programa de Auditoria em Segurança dos Alimentos (PASA), que tem por finalidade adequar o serviço de alimentação do Exército à legislação sanitária nacional, aperfeiçoando a atividade de alimentação através da padronização de procedimentos que garantam a adoção dos requisitos essenciais de Boas Práticas de Manipulação no Setor de Aprovisionamento das Organizações Militares no âmbito do Exército Brasileiro, na área do Rio de Janeiro.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>SUPLEMENTAÇÃO ALIMENTAR NA SAÚDE GASTROINTESTINAL E COMPORTAMENTAL DE CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/suplementacao-alimentar-na-saude-gastrointestinal-e-comportamental-de-criancas-com-transtorno-do-espectro-autista/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Nov 2025 13:00:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Nutrição]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=250703</guid>

					<description><![CDATA[DIETARY SUPPLEMENTATION IN THE GASTROINTESTINAL AND BEHAVIORAL HEALTH OF CHILDREN WITH AUTISM SPECTRUM DISORDER REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511181000 Igor Uriel Gomes Lima¹Orientadora: Francisca Marta Nascimento de Oliveira Freitas²Coorientadora: Rebeca Sakamoto Figueiredo3 RESUMO&#160; O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio do Neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades na interação social, comunicação e comportamentos repetitivos, além de alterações [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">DIETARY SUPPLEMENTATION IN THE GASTROINTESTINAL AND BEHAVIORAL HEALTH OF CHILDREN WITH AUTISM SPECTRUM DISORDER</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511181000</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Igor Uriel Gomes Lima¹<br>Orientadora: Francisca Marta Nascimento de Oliveira Freitas²<br>Coorientadora: Rebeca Sakamoto Figueiredo<sup>3</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio do Neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades na interação social, comunicação e comportamentos repetitivos, além de alterações cognitivas e sensoriais. Sua origem é multifatorial, envolvendo fatores genéticos e biológicos que afetam o desenvolvimento da criança de maneira global. Entre as comorbidades mais frequentes em crianças com TEA, estão os distúrbios gastrointestinais como constipação, diarreia e dor abdominal. Esses sintomas estão frequentemente associados a seletividade alimentar, disbiose intestinal e ao aumento da permeabilidade intestinal. Tais alterações repercutem no eixo intestino-cérebro, impactando diretamente aspectos comportamentais e cognitivos. Essas condições podem resultar em carências nutricionais relevantes, como deficiência de ferro, cálcio, vitamina D, vitamina B12, Zinco, fibras e ácidos graxos ômega-3. A falta destes nutrientes compromete o crescimento, a função neurológica e o sistema imunológico. Para minimizar tais prejuízos, estratégias dietéticas e suplementação alimentar, incluindo o uso de probióticos e dietas específicas, têm se mostrado eficazes na redução de sintomas gastrointestinais e na promoção do desenvolvimento. Nesse contexto, o nutricionista desempenha papel fundamental, sendo responsável por acompanhar o comportamento nutricional da criança autista, identificar possíveis deficiências e planejar intervenções nutricionais adequadas. Sua atuação busca prevenir problemas decorrentes da alimentação restritiva, auxiliar no equilíbrio da microbiota intestinal, e promover uma dieta individualizada e saudável. Assim, a nutrição saudável aliada a suplementação alimentar quando necessário, constitui recurso essencial para melhorar a qualidade de vida e o bem-estar das crianças com TEA.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Autismo, Nutrição, Suplementação Alimentar, Distúrbios gastrointestinais, Microbiota.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Autism Spectrum Disorder (ASD) is a neurodevelopmental disorder characterized by difficulties in social interaction, communication, and repetitive behaviors, as well as cognitive and sensory alterations. Its origin is multifactorial, involving genetic and biological factors that affect the child&#8217;s development as a whole. Among the most frequent comorbidities in children with ASD are gastrointestinal disorders such as constipation, diarrhea, and abdominal pain. These symptoms are frequently associated with food selectivity, intestinal dysbiosis, and increased intestinal permeability. Such alterations affect the gut-brain axis, directly impacting behavioral and cognitive aspects. These conditions can result in significant nutritional deficiencies, such as iron, calcium, vitamin D, vitamin B12, zinc, fiber, and omega-3 fatty acids. The lack of these nutrients compromises growth, neurological function, and the immune system. To minimize such damage, dietary strategies and nutritional supplementation, including the use of probiotics and specific diets, have proven effective in reducing gastrointestinal symptoms and promoting development. In this context, the nutritionist plays a fundamental role, being responsible for monitoring the nutritional behavior of the autistic child, identifying possible deficiencies, and planning appropriate nutritional interventions. His role aims to prevent problems arising from restrictive diets, assist in balancing the gut microbiota, and promote an individualized and healthy diet. Thus, healthy nutrition combined with dietary supplementation when necessary constitutes an essential resource to improve the quality of life and well-being of children with ASD.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keyword: </strong>Autism, Nutrition, Dietary Supplementation, Gastrointestinal Disorder, Microbiota.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O transtorno do espectro autista (TEA) é uma desordem do desenvolvimento, caracterizado por distúrbios de comportamento, como o atraso na fala, dificuldades de interação social, sensibilidade sensorial e estereotipias comportamentais, motoras e verbais (Amadi <em>et al</em> 2022), (Narzisi, Mais e Grossi; 2021)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estima-se que atualmente cerca de 1% da população mundial seja diagnosticada com TEA[&#8230;], e as dificuldades de desenvolvimento que acompanham os indivíduos com autismo, também afetam o aspecto nutricional do paciente, ocasionando em distúrbios alimentares que podem ir desde a seletividade alimentar e o desenvolvimento de fobias por determinado tipo de alimento devido a sua textura ou sabor, até mesmo a problemas no trato gastrointestinal (Monteiro <em>et al</em>,2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Distúrbios gastrointestinais estão entre as comorbidades clínicas mais comuns entre autistas, porém apesar da prevalência, pesquisas sobre o tema ainda são pouco realizadas e difundidas no meio acadêmico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando não tratadas, os distúrbios gastrointestinais estão correlacionados a outros problemas de saúde em indivíduos autistas, como por exemplo distúrbios do sono, problemas comportamentais, como aumento da agressividade por exemplo, e demais problemas psicológicos, como ansiedade e stress (Madra; Ringel; Mongolis,2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos como o de Ferguson <em>et al</em> 2019, e também de Whitney e Shapiro(2019), indicaram que o diagnóstico e o tratamento correto de problemas gastrointestinais, em crianças com transtorno do espectro autista, tiveram importância, não somente em atenuar os sintomas intestinais, como dor abdominal e constipação, por exemplo, mas também em melhorar aspectos comportamentais do paciente, como melhoria na atenção, na concentração, no foco, e diminuição nos comportamentos agressivos e estereotipias motoras, o que segundo os autores, poderia ajudar a potencializar as terapias comportamentais, alimentares e demais acompanhamentos médicos, que a criança com TEA costuma realizar(Arnauld; Williams, Lana <em>et al</em>;2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Crianças com transtorno do espectro autista também podem apresentar uma necessidade de suplementação de vitaminas e minerais, devido a uma variedade de problemas metabólicos, como o aumento do stress oxidativo, insuficiência no ciclo de metilação, desordem mitocondrial, transporte de anticorpos de folato cerebral e deficiência de sulfato e litium (Adams <em>et al</em>,2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Estudos de Durgut(2025) mostraram que a suplementação em níveis adequados de (vitamina B12), e ácido folínico, podem trazer benefícios clínicos e comportamentais, como melhora na concentração e no foco, porém deve-se tomar cuidado, pois a suplementação a níveis elevados de vitamina b12 podem agravar os distúrbios neurológicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;A suplementação de Ômega 3 combinada com vitamina B12, com o objetivo de combater sintomas de comportamento como irritabilidade e agressão, por exemplo, mostraram resultados&nbsp; positivos, mostrando que podem vir a se tornar futuramente em um auxílio no tratamento dos distúrbios relacionados ao autismo. Siafis et al (2022), e Woods, Doherty e Hill (2024)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A disbiose intestinal, caracterizada por um desequilíbrio na composição da microbiota, pode influenciar tanto a saúde gastrointestinal, quanto o comportamento de crianças com TEA, e o eixo intestino &#8211; cérebro desempenha papel fundamental neste processo. Mejía <em>et al</em> (2022); González e Martínez (2020)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho tem como objetivo geral investigar os efeitos da suplementação alimentar na saúde gastrointestinal e no comportamento de crianças com transtorno do espectro autista (TEA), a partir do ponto de vista central da nutrição, relacionado aos distúrbios da microbiota intestinal e o eixo intestino-cérebro. Investigar as alterações na microbiota intestinal de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), e como essas alterações afetam a saúde gastrointestinal e comportamental. E como objetivos específicos avaliar a eficácia de intervenções nutricionais, incluindo dietas específicas e suplementação alimentar, na saúde intestinal e no comportamento de crianças com TEA e discutir a importância do acompanhamento nutricional interdisciplinar em crianças com TEA.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1</strong> <strong>Tipo de estudo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste trabalho foi realizado um estudo de revisão narrativa de literatura, onde desta forma, foram identificados, avaliados e sintetizados, estudos relevantes encontrados nos principais bancos de dados científicos, onde os trabalhos encontrados deveriam estar de acordo com o tema e os objetivos propostos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2</strong> <strong>Coleta de Dados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A coleta de dados para este estudo foi realizada através de pesquisas realizadas nas bases de dados, Pubmed, Scielo, Medline, Lilacs e Google Acadêmico. Foram utilizados os seguintes descritores como palavras – chave para a realização da pesquisa: Autismo, Nutrição, Alimentação, Transtorno Gastrointestinal, Suplementação Alimentar e Dieta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram incluídos na pesquisa, estudos científicos publicados em revistas de referência da área com 6 anos de publicação da data atual, e foram descartadas como objeto de pesquisa, os artigos anteriores a esta data.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3</strong> <strong>Análise de dados&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise de dados será realizada com o intuito de ser uma avaliação qualitativa e quantitativa dos resultados selecionados, identificando os padrões e inconsistências nos artigos encontrados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao final, foram encontrados a partir das palavras-chave nos principais sites de buscas, 371 artigos, após uma análise primária do título e resumo de artigos, foram descartados 162 por não se direcionarem ao tema proposto para a pesquisa. Destes 209 artigos, que sobraram, outros 109 foram descartados por fugirem do tema proposto ou por apresentarem duplicidade na temática. A partir disso, dos 100 artigos restantes foi feita uma leitura criteriosa, no qual 54 artigos foram selecionados para serem utilizados como fonte para elaboração do trabalho</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>RESULTADOS E DISCUSSÃO </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma desordem do Neurodesenvolvimento, podendo afetar diversas áreas da vida do indivíduo, como por exemplo, gerando distúrbios de comportamento, como o atraso na fala, dificuldades de interação social, sensibilidade sensorial e estereotipias comportamentais, motoras e verbais (Amadi <em>et al</em> 2022), (Narzisi, Mais e Grossi; 2021), (Chidambaram et al, 2020) e (Gaona,2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o que foi descrito por Freitas <em>et al</em> (2021) se insere na literatura como um espectro, ou seja, o Transtorno do Espectro Autista passa a ser visto por um conjunto de condutas, sendo caracterizado de acordo com a sua gravidade. O autismo pode estar presente na criança, desde o seu nascimento, onde as primeiras manifestações acontecem geralmente por volta dos 2 anos de idade (Lima,2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora não se saiba ainda com precisão a causa do autismo, sabe-se que ele está atrelado a fatores genéticos como hereditariedade, associados a alterações genéticas como disfunções mitocondriais e outras demais manifestações de doenças, tornando provável que sua origem seja biológica (Amadi <em>et al</em>; 2022), (Chidamaram et al, 2020)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a OMS, estima-se que cerca de 70 milhões de pessoas no mundo sejam diagnosticadas com TEA, e no Brasil são cerca de 2,4 milhões de pessoas com TEA, de acordo com o Censo de 2022. Como características de distúrbios associados ao autismo, podemos citar déficits na comunicação e interação social, demonstrando dificuldades em estabelecer uma conversação normal, atrasos e problemas na fala, podendo estas serem manifestadas de caráter verbal e não verbal, dificuldades em demonstrar afetos, emoções, entender ironias e dificuldades nos relações interpessoais, manifestações de estereotipias e padrões repetitivos em atividades do dia-dia e hipersensibilidade a estímulos sensoriais, incluindo aspectos nutricionais, (Montenegro <em>et al</em>,2023) e Marott et al, 2020) e (Ayoub, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Autismo caracteriza-se por lesar e diminuir o desenvolvimento psíquico, neurológico, social, linguístico, e por demonstrar algumas reações anormais aos estímulos auditivos e visuais, o que torna o sistema cognitivo autista peculiar. (Freitas et al 2021); Lima <em>et al</em> (2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entende-se cognição, como sendo a base das representações e conhecimento no cérebro, englobando elementos como a memória, percepção e raciocínio. Além destes, outro elemento importante afetado na cognição autista é a cognição social, que consiste na adequação de comportamentos no convívio social através do reconhecimento de emoções e comportamentos que envolvem as pessoas do ambiente em que o autista vive. (Freitas <em>et al;</em>2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desenvolvimento cognitivo, ainda pode ser entendido como a capacidade de apreender, acumular e reter informações adquiridas pelo ambiente, perceber e entender as dificuldades encontradas, e ser capaz de resolver os problemas que irão aparecer pelo decorrer da vida do ser humano. (Roza e Guimarães;2021, Misai <em>et al,</em> 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante o desenvolvimento deste trabalho, de acordo com os pesquisadores, os estudos sugerem que a parte cognitiva do ser humano, inicia o seu desenvolvimento, ainda durante a fase uterina, e envolve a aquisição de conceitos, aprimoramento das linguagens e o desenvolvimento de habilidades perceptivas, podendo está por exemplo, ser estimulada através de atividades lúdicas, como brincadeiras e jogos educativos, que promovem o desenvolvimento e o usa da lógica, do raciocínio e da concentração por exemplo. E o desenvolvimento comportamental seria a forma como o ser humano vai agir para resolver os problemas que irão aparecer pelo decorrer da vida (Lima; 2020), (Marot <em>et al</em>, 2020) (Freitas <em>et al</em>, 2021), (Roza e Guimarães; 2021), Freitas <em>et al,</em> 2023), (Lima <em>et al</em> 2023), (Montenegro <em>et al,</em>2023) e (Gaona, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Crianças com TEA, geralmente costumam apresentar problemas relacionados a sua alimentação, como a seletividade alimentar, fobia alimentar e consumo de alimentos pobres em nutrientes como fast foods, por exemplo, dando preferência a comidas processadas, açucaradas, palatáveis e também ricas em carboidratos, levando muitas delas a desenvolverem problemas de saúde, como obesidade, compulsão alimentar e problemas gastrointestinais. Estes problemas, quando não tratados de maneira adequada, estão ligados a outros distúrbios, como sono, distúrbios comportamentais e desordens psiquiátricas. (Gaona,2024) e (Beltagi <em>et al</em>; 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os transtornos gastrointestinais são comorbidades comuns em pacientes com transtorno do espectro autista, os tratamentos com dietas livres de glúten e caseína, os suplementos de probióticos e prebióticos poderiam ajudar a reduzir os distúrbios do transtorno gastrointestinal (Mejía <em>et al</em>, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos tem ocorrido um aumento no número de estudos que envolvem aspectos da microbiota intestinal em crianças com transtorno do espectro autista. As hipóteses são de que existe uma possível relação entre o estado emocional, a abundância e a proporção de diferentes colônias bacterianas intestinais, ainda que não haja mudanças na quantidade total, através do chamado eixo intestino-cérebro, neste sentido, a disbiose micro intestinal poderia ser um fator que contribui para o surgimento de desordens associadas com o transtorno do espectro autista (González e Martínez, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Indivíduos com transtorno do espectro autista, eventualmente relatam sofrer com alguns sintomas gastrointestinais, cujo relatos começam já durante a infância. Embora problemas gastrointestinais e autismo ainda não sejam exatamente claros, em autistas variam entre 23 a 70% dos relatos sobre o tema encontrado na literatura. Essa variação acontece pelos diversos protocolos utilizados pelos pesquisadores, como por exemplo a definição e o número dos sintomas gastrointestinais analisados, o intervalo de tempo em que as pesquisas foram realizadas, assim como também a população que participou destas pesquisas. (Ristori <em>et al</em>, 2019) e (Beltagi <em>et al</em>;2023)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Problemas Orgânicos relacionados ao trato gastrointestinal, são frequentemente associados ao transtorno do espectro autista, incluindo disbiose, doença inflamatória intestinal, insuficiência pancreática exócrina, doença celíaca, indigestão, má absorção de nutrientes, presença de intolerância e alergias alimentares, levando a deficiências de vitaminas, assim como também a desnutrição. Na tentativa de explicar as fisiopatologias envolvidas no autismo[&#8230;], os prováveis gatilhos relacionados aos distúrbios do transtorno do espectro autista, estariam relacionados às bactérias presentes no intestino, ao stress oxidativo e a permeabilidade intestinal (Madra <em>et al</em>,2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Geralmente, os problemas gastrointestinais mais comumente relatados na literatura são constipação, diarreia e dor abdominal, e esses sintomas estão atrelados geralmente a algum nível de seletividade ou rejeição alimentar. (Tanya <em>et al</em>,2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ocorrência de distúrbios gastrointestinais relacionados com seletividade alimentar, pode caracterizar um fenótipo clínico específico, caracterizado por problemas frequentes de comportamento, como ansiedade, autoagressão, problemas para dormir, entre outros. De fato, a relação entre alguns problemas de comportamento, com ansiedade e agressão, e o aumento de distúrbios gastrointestinais são agora relatados na literatura científica (Mejía <em>et a</em>l, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com isso, problemas como dor abdominal e/ou diarreia, estão relacionados a gerar algum tipo de frustração em indivíduos com transtorno do espectro autista, podendo ainda contribuir para outras variedades de distúrbios, como a diminuição da capacidade de concentração em provas e testes, problemas de comportamento, com a agressividade, e ainda a possibilidade de auto flagelação, especialmente em crianças autistas não verbais, já que estes encontram dificuldade ainda maior de comunicar o seu desconforto (González e Martínez, 2020; Ristori,2019, Dawson, Rieder e Johnson; 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os sintomas descritos acima que causam distúrbios gastrointestinais, como dor abdominal, diarreia e constipação, estão associados com alterações na microbiota intestinal. A literatura vem mostrando que crianças com transtorno do espectro autista vem apresentando alguma alteração nos perfis de microbiota intestinal, esses estudos têm mostrado alteração na composição da microbiota intestinal, principalmente na região dos filos bacterianos intestinais (González e Martínez, 2020; Ristori,2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De fato, como citado por esses autores, foi revelado em seus estudos uma significativa redução de bactérias do intestino de crianças com transtorno do espectro autista, que ajudam a manter a microbiota saudável dessas crianças, como coprococcus, Enterococcus, Lactobacillus, Streptococcus, Staphylococcus, e entre outros. (Takyi <em>et al</em>; 2025); (Ning Li <em>et al</em>; 2021) e (Sanctuary <em>el al;</em> 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ocorrência de Disbiose intestinal na população com transtorno do espectro autista, está associada com alteração na barreira mucosa do intestino, com consequente aumento na permeabilidade do intestino a substâncias exógenas de origem alimentar ou bacteriana, e em alguns casos podendo ainda ser neurotóxicas. (Ristori <em>et al</em>; 2019, Dawson, Rieder e Johnson; 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um possível mecanismo para isso, poderia ser, que essa condição permitiria que macromoléculas vindas do trato gastrointestinal, passassem pela corrente sanguínea, e exercessem uma importante ação sistêmica. Em particular, essa ação iria ocorrer ao nível do sistema nervoso central. Na verdade, a microbiota e seus ligantes são cruciais na manutenção das junções célula-célula críticas para a integridade da barreira, sendo que os defeitos que ocorrem na barreira gastrointestinais são visíveis na disbiose. (Takyi <em>et al</em>; 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, uma maior permeabilidade intestinal permite um aumento na circulação de lipopolissacarídeos derivados de bactérias, o que leva a uma resposta imunológica e inflamatória, com aumento de citocinas pró inflamatórias sistêmicas (Mejía; 2022) e (Kang <em>et al;</em> 2019). Altos níveis de citocina têm sido reportados em crianças com transtorno do espectro autista, associados com baixos níveis de comunicação e interação social. Esses estudos parecem supor que o intestino permeável pode desempenhar um papel importante em algumas manifestações comportamentais em crianças com transtorno do espectro autista (Ristori <em>et al</em>; 2019, Dawson, Rieder e Johnson; 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim sendo, uma estreita relação entre o intestino e o cérebro foi destacada, sendo que esta comunicação cruzada ocorre regularmente. De fato, o sistema nervoso central, controla a composição do microbiota intestinal por meio de peptídeos, que são enviados após a saciedade, e, portanto, afetam a disponibilidade de nutrientes. Além disso, o eixo adrenal hipotálamo-hipófise, libera cortisol, que regula a motilidade, a integridade e hipersecreção de corticotropina, que é um hormônio, mensageiro químico, que regula a resposta ao stress, a resposta imune e outros processos fisiológicos, sendo fator crucial por exemplo na depressão e no transtorno de ansiedade. (Beltagi <em>et al</em>; 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por sua vez, as vias imune e neuronal regulam a secreção de mucina das células epiteliais intestinais, que controlam a população microbiana no intestino. No entanto, esta comunicação é bidirecional, e microbiota intestinal é capaz de controlar a atividade do sistema nervoso central, por meio de mecanismos neurais, endócrinos, imunes e metabólicos, que podem ter uma possível influência nos comportamentos típicos de pacientes com TEA (Ristori <em>et al</em>; 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os sintomas atrelados ao autismo e os distúrbios intestinais clinicamente comprovados, a manipulação da microbiota intestinal, com suplementação de probióticos, podem constituir uma abordagem terapêutica para os sintomas de autismo, em associação ao tratamento médico, e da terapia comportamental. (Loyacono <em>et al</em>; 2020), (Madra; 2020), e Zamora <em>et al</em>; 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O trato gastrointestinal, o sistema imunológico, e o desenvolvimento cerebral, estão estritamente relacionados, e desempenham um papel chave no desenvolvimento dos distúrbios do transtorno do espectro autista. Um sistema imune resiliente tem a capacidade de se adaptar aos desafios, mantendo, estabelecendo e regulando respostas imunes apropriadas para o desenvolvimento cerebral. (Sheppard <em>et a</em>l; 2024, (Loyacono <em>et al</em>,2020), (Betalgi <em>et al</em>, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A alimentação desempenha papel responsável de melhorar ou piorar sintomas e funcionalidades fisiológicas no organismo humano, como por exemplo no aumento ou diminuição da produção de citocinas inflamatórias, disponibilidade de nutrientes, assim como sua boa absorção e excreção. Ao longo dos últimos anos, alguns estudos buscaram analisar melhor a relação entre a alimentação e pacientes com transtorno do espectro autista, desses estudos podemos citar achados que incluem alteração na microbiota e trato gastrointestinal de pacientes com TEA, deficiências de nutrientes, diminuição de substâncias antioxidantes, aumento e sobrecarga de substâncias tóxicas por metais pesados, como alumínio e mercúrio que causam impacto diretamente no desenvolvimento e funcionalidade do sistema nervoso central. (Checo-Ros; 2021) e (Botturi <em>et al</em>;2020)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ácidos graxos de cadeia curta, como o ácido acético, o ácido propiônico e o ácido butírico, são produtos finais da fermentação de carboidratos não digeridos no cólon, e foram sugeridos como tendo vários benefícios à saúde do hospedeiro, relacionados ao controle do peso, perfis lipídicos e saúde do cólon. (Dawson e Rieder;2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma dieta bem equilibrada e nutritiva, por meio do consumo de alimentos adequados e saudáveis, ricos em vitaminas, minerais e micronutrientes, ajudam a fortalecer o sistema imune da população em geral, incluindo a das crianças com transtorno do espectro autista. (Sheppard <em>et al</em>; 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A suplementação alimentar, é o uso de produtos que complementam a alimentação com nutrientes, minerais, enzimas, probióticos metabólicos, ativos derivados de plantas e substâncias bioativas, que cujo nome diz, ajudam a complementar uma alimentação que está pobre de algum nutriente, melhorando a saúde da pessoa. (Sanctuary <em>et al</em>, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devido a seletividade alimentar e demais transtornos alimentares envolvendo as crianças com transtorno do espectro autista, com alterações na microbiota e na permeabilidade intestinal por exemplo, são comuns algumas deficiências nutricionais aparecerem em crianças com TEA, como deficiência de ferro, cálcio, vitamina d, vitamina b12, zinco, fibra e ácidos-graxos ômega-3(Robea <em>et al</em>;2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Recentemente, alguns estudos como o de Ning Li <em>et al</em>, 2021. Kang <em>et al</em>;2019, mostraram que o transplante de microbiota intestinal também pode ser um mecanismo para aliviar os sintomas gástricos como prisão de ventre e dores abdominais que acometem parte das crianças autistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Adams, Kirby, Audhya, Whiteley e Bain; 2022: Crianças e adultos com transtorno do espectro autista, estão particularmente suscetíveis a insuficiências e deficiências nutricionais, como consequências do consumo alimentar restritivo, e do problema da seletividade alimentar, como citada anteriormente. Crianças com transtorno do espectro autista, podem necessitar de um aumento na necessidade de suplementação alimentar, devido a uma variedade de problemas metabólicos, incluindo o aumento do estresse oxidativo, (Zamora et al, 2022; Chen L, Shi XJ <em>et al</em>.; 2022), insuficiência da via de metilação, desordens mitocondriais, anticorpos transportadores de folato cerebral, deficiência de sulfato, e deficiência de lítio. (Adams <em>et al</em>; 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns estudos como o de Robea, Luca e Cibioca, (2020), também relataram que a administração de suplementação de vitaminas durante o primeiro mês de gravidez, pode prevenir ou reduzir os riscos de ocorrências do transtorno do espectro autista em irmãos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns estudos, como Bjorklund, Wally, Farsi et al,2019, buscaram verificar a relevância da suplementação de vitamina b12(cobalamina), que é componente essencial para a síntese de DNA e produção de energia celular, e sua deficiência está atrelada a uma série de transtornos específicos do trato gastrointestinal, além de desordens neurológicas e psiquiátricas, como distúrbios motores, perda de memória e deficiência cognitiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste estudo, crianças com TEA foram suplementadas com injeção de vitamina b12 por 8 semanas, e foi relatado uma melhora clínica, de acordo com o teste de CGI ao qual as crianças eram submetidas, porém não foi observado melhora no comportamento, relacionado a suplementação de cobalamina, Em relação a vitamina d (Colecalciferol), devido a sua importância no metabolismo ósseo, e onde a suplementação de vitamina d em crianças com TEA, mostrou uma redução na irritabilidade e na hiperatividade. E a suplementação de ácido fólico antes e durante a gravidez, também mostrou alguma relação com o desenvolvimento de crianças com TEA, porém seus benefícios demonstraram ser maior que os riscos, quando as doses recomendadas são adequadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos de Alamri(2020), e de Croall, Hoggard e HadjivassIliou(2021), buscaram dados científicos para relacionar dietas restritivas de glúten e caseína. Ao fazer uma revisão na literatura relacionando o transtorno do espectro autista com intervenções dietéticas, alguns achados relataram um efeito benéfico de uma dieta livre de glúten, relatando uma melhora na comunicação e na linguagem, além da diminuição da agressividade e hiperatividade, enquanto algumas pesquisas epidemiológicas mostraram uma relação entre o transtorno do espectro autista e doença celíaca (Croall, Hoggard e Nigel; 2021) e (Alamri; 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista nutricional, além de modificações dietéticas, o nutricionista tem a função de entender como o paciente com TEA se relaciona com os alimentos, levando em consideração os registros presentes na literatura, como seletividade alimentar, e a recusa e rejeição por determinado tipo de alimento, onde o nutricionista deverá buscar evitar quadros de alguns problemas alimentares, como deficiência de nutrientes, desnutrição energético proteica, ou até mesmo sobrepeso e obesidade causados por alimentação desregulada em conjunto com o uso de fármacos que provocam transtornos alimentares como efeitos colaterais de seu uso prolongado (Mandecka e Ilow; 2022)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A terapia Nutricional é fundamental para prevenir as deficiências de nutrientes encontradas em crianças com TEA, já que como dito anteriormente, grande parte das crianças com TEA apresentam alguma forma de seletividade alimentar, problemas gastrointestinais como constipação ou dor de estômago, além de alterações na microbiota e na permeabilidade gastrointestinal, que podem comprometer o desenvolvimento e crescimento saudável da criança. (Zamora et al; 2022)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos acreditar, que a alimentação adequada, assim como uma suplementação alimentar de nutrientes adequados, pode trabalhar no eixo intestino-cérebro, podendo desenvolver papel fundamental, no desenvolvimento cognitivo e comportamental de crianças com transtorno do espectro autista, para que essa população possa ter uma melhor qualidade de vida. (Beltagi; 2024)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tabelas de Resultados – Revisão Suplementação Alimentar no TEA</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1</strong> – Estudos sobre suplementação alimentar em crianças com TEA</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Autor/Ano</strong></td><td><strong>Tipo de estudo</strong></td><td><strong>Suplemento avaliado</strong></td><td><strong>População estudada</strong></td><td><strong>Principais resultados</strong></td><td><strong>Referência</strong></td></tr><tr><td>Adams et al. (2022)</td><td>Revisão sistemática</td><td>Vitaminas e minerais</td><td>Crianças com TEA (n=xxx)</td><td>Melhora em atenção, foco e redução de irritabilidade</td><td>Nutrients, 2022</td></tr><tr><td>Siafis et al. (2022)</td><td>Meta-análise</td><td>Ômega-3 e B12</td><td>10 estudos clínicos</td><td>Redução de agressividade e melhora cognitiva</td><td>Molecular Autism, 2022</td></tr><tr><td>Ning Li et al. (2021)</td><td>Ensaio clínico aberto</td><td>Transplante de microbiota</td><td>18 crianças</td><td>Melhora em constipação e comportamento</td><td>Front. Cell Infect. Microbiol., 2021</td></tr><tr><td>Bjorklund et al. (2019)</td><td>Ensaio clínico</td><td>Vitamina B12 (injeção)</td><td>42 crianças</td><td>Melhora clínica (CGI), sem mudança comportamental significativa</td><td>J. Child Neurology, 2019</td></tr><tr><td>Kang et al. (2019)</td><td>Estudo longitudinal</td><td>Microbiota Transfer Therapy</td><td>18 crianças</td><td>Benefícios duradouros em sintomas intestinais e TEA</td><td>Sci. Reports, 2019</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Elaborado pelo autor (2025).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 2</strong> – Principais deficiências nutricionais observadas em crianças com TEA</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Nutriente</strong></td><td><strong>Causa provável</strong></td><td><strong>Consequência clínica</strong></td><td><strong>Estratégia de intervenção</strong></td></tr><tr><td>Ferro</td><td>Seletividade alimentar e má absorção</td><td>Anemia, fadiga</td><td>Suplementação supervisionada</td></tr><tr><td>Vitamina D</td><td>Baixa exposição solar e dieta restrita</td><td>Irritabilidade, imunidade reduzida</td><td>Suplementação oral</td></tr><tr><td>Vitamina B12</td><td>Dieta restrita ou disbiose</td><td>Déficit cognitivo e neurológico</td><td>Injeções ou suplementos orais</td></tr><tr><td>Ômega-3</td><td>Baixo consumo de peixes</td><td>Agressividade, déficit de atenção</td><td>Suplementação em cápsulas</td></tr><tr><td>Zinco</td><td>Alimentação pobre em proteínas</td><td>Atraso de crescimento</td><td>Reforço alimentar e suplemento</td></tr><tr><td>Fibras</td><td>Baixo consumo de frutas e vegetais</td><td>Constipação e disbiose</td><td>Inclusão de prebióticos e frutas</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Elaborado pelo autor (2025).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 3</strong> – Efeitos da suplementação sobre sintomas gastrointestinais e comportamentais</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Tipo de suplemento</strong></td><td><strong>Efeitos gastrointestinais relatados</strong></td><td><strong>Efeitos comportamentais</strong></td><td><strong>Evidência científica</strong></td></tr><tr><td>Probióticos</td><td>Redução de constipação e dor abdominal</td><td>Melhora na concentração</td><td>Mejía et al., 2022</td></tr><tr><td>Ômega-3</td><td>Melhora da integridade intestinal</td><td>Redução da agressividade</td><td>Beltagi, 2024</td></tr><tr><td>Vitamina D</td><td>Melhora da absorção de cálcio e imunidade</td><td>Redução de irritabilidade e hiperatividade</td><td>Zhang et al., 2023</td></tr><tr><td>Vitamina B12 + Ácido fólico</td><td>Melhora metabólica</td><td>Aumento do foco e atenção</td><td>Durgut, 2025</td></tr><tr><td>Dietas sem glúten e caseína</td><td>Redução de inflamações intestinais</td><td>Melhora da comunicação e linguagem</td><td>Croall et al., 2021</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Elaborado pelo autor (2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A relação entre autismo e nutrição é complexa e multifatorial. Crianças com TEA frequentemente apresentam seletividade alimentar, distúrbios gastrointestinais, alterações na microbiota e deficiências nutricionais que podem impactar diretamente seu desenvolvimento. Nesse contexto, a nutrição exerce papel estratégico no cuidado, oferecendo suporte clínico, prevenção de complicações e promoção da qualidade de vida. A atuação do nutricionista, integrada a uma equipe multiprofissional, é essencial para garantir uma abordagem abrangente, baseada em evidências e centrada nas necessidades individuais de cada criança. O TEA é uma condição complexa, que vai além dos aspectos comportamentais e cognitivos, envolvendo também o trato gastrointestinal, a microbiota e a nutrição. A relação entre o eixo intestino-cérebro e a seletividade alimentar reforça a necessidade de abordagens integradas no tratamento. A alimentação adequada e a suplementação direcionada podem reduzir sintomas, corrigir deficiências nutricionais e contribuir para o desenvolvimento saudável. Nesse cenário, o nutricionista assume papel central dentro da equipe multidisciplinar, auxiliando no cuidado integral e na promoção de uma melhor qualidade de vida para crianças com autismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Adams, James B.; Kirby, Jasmine; Audhya, Tapan; Whiteley, Paul; Bain, Jaclyn. Vitamin/mineral/micronutrient supplement for autism spectrum disorders: a research survey. <em>Nutrients</em>, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alamri, Eman S. Efficacy of gluten-and casein-free diets on autism spectrum disorders in children. <em>Saudi Medical Journal</em>, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Albernaz Monteiro, Manuela; Dos Santos, Andressa Assumpção Abreu; Mendes Gomes, Lidiane Martins; Fonseca Rito, Rosane Valéria Viana. Autism spectrum disorder: a systematic review about nutritional interventions. <em>Revista Paulista de Pediatria</em>, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Amadi et al. Neurodevelopmental aspects of autism spectrum disorder. <em>Neuroscience Review</em>, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ayoub, George. Neurodevelopment of autism: critical period, stress and nutrition. <em>Cells</em>, v.13, p.968–979, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Beltagi, Mohammed Al-. Nutritional management and autism spectrum disorder: a systematic review. <em>World Journal of Clinical Pediatrics</em>, v.13, p.996–1023, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bjorklund, Wally; Farsi et al. Relevance of vitamin B12 supplementation in autism. <em>Journal of Child Neurology</em>, v.40, p.433–438, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Botturi, Andrea et al. The role and the effect of magnesium in mental disorders: a systematic review. <em>Nutrients</em>, v.12, p.661–680, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Checo-Ros, Ana et al. Current evidence on the role of the microbiome in ADHD pathophysiology and therapeutic implications. <em>Nutrients</em>, v.13, p.249–281, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chidambaram, Saravana Babu et al. Protein nutrition in autism. <em>Advances in Neurobiology</em>, v.26, p.573–586, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Croall, Iain D.; Hoggard, Nigel; Hadjivassiliou, Marios. Gluten and autism spectrum disorder. <em>Nutrients</em>, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dawson, Geraldine; Rieder, Amber D.; Johnson, Mark H. Prediction of autism in infants: progress and challenges. <em>The Lancet Neurology</em>, v.3, p.244–254, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durgut, Betul Diler. Neurologic disease and vitamin B12 levels in children. <em>Journal of Child Neurology</em>, v.40, p.433–438, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Freitas, Fernanda Aparecida Freire de et al. Habilidades comunicativas em crianças com transtorno do espectro autista: percepção clínica e familiar. <em>Revista CEFAC</em>, v.23, p.15–21, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">González, Agustín Ernesto Martínez; Martínez, Pedro Andreo. Prebiotics, probiotics and fecal microbiota transplantation in autism: a systematic review. <em>Revista de Psiquiatría y Salud Mental</em>, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Kang, Dae-Wook et al. Long-term benefits of microbiota transfer therapy on autism symptoms and gut microbiota. <em>Scientific Reports</em>, v.9, p.582–591, 2019.</p>



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<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduando do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: igor_9110@outlook.com<br><sup>2</sup>Orientadora do TCC, Doutora em Biotecnologia pela Universidade Federal do Amazonas. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: francisca.freitas@fametro.edu.br<br><sup>3</sup>Coorientador(a) do TCC, Mestra em Ciências da Saúde pela Universidade Federal do Amazonas &#8211; UFAM. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: rebeca.figueiredp@fametro.edu.br</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>IMPACTO DOS ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS NA SAÚDE HUMANA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/impacto-dos-alimentos-ultraprocessados-na-saude-humana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Oct 2025 11:50:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Nutrição]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 151/OUT 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[IMPACT OF ULTRA-PROCESSED FOODS ON HUMAN HEALTH REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510200848 Josias Silvino da Rocha1Orientadora: Rebeca Sakamoto Figueiredo2Coorientador: David Silva dos Reis3 RESUMO&#160; O consumo de alimentos ultraprocessados têm aumentado expressivamente nas últimas décadas, configurando-se como um dos principais desafios para a saúde pública e para a sustentabilidade alimentar. Esses produtos, ricos em açúcares, gorduras e [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">IMPACT OF ULTRA-PROCESSED FOODS ON HUMAN HEALTH</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510200848</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Josias Silvino da Rocha<sup>1</sup><br>Orientadora: Rebeca Sakamoto Figueiredo<sup>2</sup><br>Coorientador: David Silva dos Reis<sup>3</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O consumo de alimentos ultraprocessados têm aumentado expressivamente nas últimas décadas, configurando-se como um dos principais desafios para a saúde pública e para a sustentabilidade alimentar. Esses produtos, ricos em açúcares, gorduras e aditivos químicos, estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas e a prejuízos mentais e cognitivos, refletindo o impacto da modernização e da praticidade nas escolhas alimentares. O objetivo geral deste estudo foi analisar os impactos do consumo de alimentos ultraprocessados na saúde humana. Especificamente, buscou-se identificar os fatores que influenciam sua escolha e consumo, avaliar suas consequências físicas, mentais e ambientais e propor estratégias de intervenção e educação alimentar. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, desenvolvida entre fevereiro e abril de 2025, com base em artigos científicos publicados nos últimos dez anos em bases de dados nacionais e internacionais. Os resultados evidenciaram associação entre o consumo elevado de ultraprocessados e o aumento de obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, transtornos mentais e declínio cognitivo. A discussão destaca que a praticidade, o baixo custo e o marketing agressivo favorecem sua ampla adesão. Conclui-se que políticas públicas, ações educativas e incentivo à alimentação natural são fundamentais para reduzir o consumo desses produtos e promover qualidade de vida e sustentabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>&nbsp;alimentos ultraprocessados; doenças crônicas; saúde mental; nutrição; políticas públicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">The consumption of ultra-processed foods has increased significantly in recent decades, becoming one of the main challenges for public health and food sustainability. These&nbsp; products, rich in sugars, fats, and chemical additives, are associated with the development of chronic diseases and mental and cognitive impairments, reflecting the influence of modernization and convenience on eating habits. The general objective of this study was to analyze the impacts of ultra-processed food consumption on human health. Specifically, it aimed to identify the factors that influence their choice and consumption, assess their physical, mental, and environmental consequences, and propose educational and intervention strategies to promote healthy eating. This is an integrative literature review conducted between February and April 2025, based on scientific articles published over the past ten years in national and international databases.The results showed a strong association between high consumption of ultra-processed foods and the increase in obesity, diabetes, cardiovascular diseases, mental disorders, and cognitive decline. The discussion highlights that convenience, low cost, and aggressive marketing are key factors driving their wide acceptance. It is concluded that public policies, educational actions, and encouragement of natural food consumption are essential to reduce ultra-processed food intake and promote health, quality of life, and sustainability.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> ultra-processed foods; chronic diseases; mental health; nutrition; public policies.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As transformações nos padrões alimentares contemporâneos têm sido marcadas pelo aumento expressivo do consumo de alimentos ultraprocessados, que passaram a ocupar lugar central na dieta da população mundial. Esses produtos, caracterizados por sua formulação industrial complexa e presença de aditivos como corantes, conservantes, emulsificantes e aromatizantes, foram desenvolvidos com o propósito de ampliar a durabilidade, realçar o sabor e facilitar o preparo, mas acabam comprometendo a qualidade nutricional das refeições (Monteiro, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O crescimento desse fenômeno está intimamente relacionado a mudanças sociais e econômicas, como a urbanização acelerada, o aumento da jornada de trabalho e a inserção da mulher no mercado laboral. Esses fatores contribuíram para a adoção de práticas alimentares baseadas na praticidade e no menor custo, favorecendo a substituição de alimentos frescos e minimamente processados por opções rápidas, baratas e de preparo imediato (Louzada et al., 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, o consumo excessivo de ultraprocessados tem sido apontado como um dos principais determinantes para o aumento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs). Esses produtos apresentam perfil nutricional marcado por alta densidade energética, excesso de açúcares adicionados, gorduras saturadas e sódio, além de baixos teores de fibras, vitaminas e minerais, fatores diretamente associados à obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão arterial e dislipidemias (Hall, 2019; WHO, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos impactos metabólicos e fisiológicos, estudos recentes apontam para uma relação entre o consumo desses alimentos e agravos à saúde mental. O excesso de aditivos químicos e açúcares refinados pode alterar a microbiota intestinal, comprometendo a produção de neurotransmissores como a serotonina. Essa alteração tem sido associada a quadros de depressão e ansiedade, ampliando a compreensão dos efeitos deletérios desses produtos para além da saúde física (Sánchez-Villegas et al., 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto relevante é o viés socioeconômico que permeia o consumo dos ultraprocessados. Estudos indicam que esses produtos tendem a ser mais acessíveis financeiramente do que alimentos frescos, tornando-se uma alternativa de maior viabilidade para famílias em situação de vulnerabilidade social. Essa realidade reforça desigualdades e perpetua padrões alimentares que impactam negativamente a saúde da população (Canella et al., 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O impacto ambiental também merece destaque, uma vez que a produção em larga escala desses produtos depende de monoculturas intensivas e do uso de embalagens plásticas descartáveis, o que contribui para a degradação ambiental, o desmatamento e o aumento da emissão de gases de efeito estufa. Assim, os ultraprocessados representam não apenas uma ameaça à saúde individual e coletiva, mas também ao equilíbrio ecológico global (Brasil, 2014; Ministério da Saúde, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse contexto, políticas públicas e iniciativas intersetoriais tornam-se fundamentais para enfrentar os desafios impostos pelo consumo de ultraprocessados. Medidas como a regulamentação da publicidade, a implementação de rótulos nutricionais claros e a promoção da educação alimentar são estratégias essenciais para incentivar escolhas mais saudáveis e reduzir os impactos negativos desses produtos. O Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda a valorização da culinária tradicional e o fortalecimento de hábitos alimentares baseados em alimentos in natura e minimamente processados, como forma de garantir qualidade de vida e sustentabilidade (Monteiro, 2020; BRASIL, 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, este trabalho tem como <strong>objetivo geral</strong> analisar os impactos do consumo de alimentos ultraprocessados na saúde e propor estratégias para a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis. De forma mais detalhada, busca-se: <strong>(i)</strong> investigar os efeitos do consumo de alimentos ultraprocessados na saúde física e mental, com base em estudos científicos e diretrizes nutricionais; <strong>(ii)</strong> identificar os principais fatores que influenciam a escolha e o consumo desses produtos, considerando aspectos socioeconômicos, culturais e de marketing; e <strong>(iii)</strong> sugerir estratégias eficazes para reduzir o consumo de ultraprocessados, incluindo ações educativas, regulamentação da publicidade e incentivo ao consumo de alimentos naturais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1</strong> <strong>Tipo de Estudo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente trabalho consiste em uma <strong>revisão integrativa da literatura</strong>, método amplamente utilizado na área da saúde por permitir reunir, avaliar e sintetizar achados de diferentes estudos, proporcionando uma análise abrangente e crítica sobre determinada temática. De acordo com Souza; Silva; Carvalho (2021), a revisão integrativa se consolidou como uma das principais estratégias de produção de conhecimento científico, por possibilitar a integração de resultados de pesquisas com distintos delineamentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para garantir maior rigor metodológico, foram seguidas as etapas propostas por Mendes; Silveira; Galvão (2019) e reforçadas por Whittemore; Knafl (2020): (i) definição da questão de pesquisa; (ii) estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão; (iii) seleção das bases de dados e descritores; (iv) análise e interpretação crítica dos estudos; e (v) síntese dos achados. Essa abordagem sistemática confere maior transparência e confiabilidade aos resultados apresentados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2</strong><strong> </strong><strong>Coleta de dados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A coleta de dados foi realizada nas bases <strong>Publisher Medline (PubMed)</strong> e em outras plataformas científicas relevantes à temática, garantindo ampla cobertura das evidências disponíveis. Foram selecionados artigos publicados nos últimos dez anos, priorizando estudos com abordagem empírica e consistência metodológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a busca, utilizaram-se descritores controlados em português e inglês, combinados por meio de operadores booleanos (AND, OR) a fim de refinar os resultados e assegurar maior precisão:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Português:</strong> “alimentos ultraprocessados”, “processamento de alimentos”, “doenças crônicas não transmissíveis”, “saúde humana”, “nutrição”, “impacto na saúde”;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Inglês:</strong> “ultra-processed foods”, “food processing”, “non-communicable diseases”, “human health”, “nutrition”, “health impact”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os <strong>critérios de inclusão</strong> compreenderam artigos originais publicados em português ou inglês que abordassem a relação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e seus efeitos sobre a saúde humana, contemplando aspectos físicos, mentais e cognitivos, e que respondessem à questão norteadora da pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram <strong>excluídas</strong> monografias, dissertações, teses, editoriais, cartas ao editor e trabalhos que apresentassem apenas resumos ou não disponibilizassem o texto completo, impossibilitando a análise integral das evidências científicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3 </strong><strong></strong><strong>Análise dos dados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos dados foi conduzida de forma descritiva e integrativa, permitindo a identificação, comparação e síntese das evidências encontradas nos estudos selecionados. Para organizar as informações, elaborou-se um quadro síntese contendo os principais elementos de cada artigo: autor, ano de publicação, objetivos, metodologia empregada, principais resultados e considerações dos autores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa etapa possibilitou uma avaliação crítica das convergências e divergências entre os estudos, favorecendo a compreensão dos impactos do consumo de alimentos ultraprocessados na saúde humana sob diferentes perspectivas — física, mental e cognitiva. A sistematização das informações permitiu ainda destacar lacunas de pesquisa e orientar a discussão dos resultados de forma fundamentada e coerente com os objetivos do estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>RESULTADOS E DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1</strong> <strong>Efeitos do consumo de alimentos ultraprocessados na saúde física e mental</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O consumo de alimentos ultraprocessados têm aumentado de forma significativa nas últimas décadas, tornando-se um dos principais determinantes dietéticos associados ao crescimento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs). Estudos recentes demonstram que esses produtos, por serem altamente energéticos e nutricionalmente pobres, contribuem diretamente para a obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares, constituindo-se em um desafio global de saúde pública (WHO, 2023; Hall, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A composição desses alimentos é marcada por elevados teores de açúcares adicionados, gorduras saturadas e sódio, além da baixa concentração de fibras, vitaminas e minerais. Esse perfil nutricional promove desequilíbrios metabólicos, favorece a resistência à insulina e eleva o risco de complicações cardiometabólicas (Farhat, 2021). Em contrapartida, dietas baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados apresentam efeito protetor contra DCNTs, mostrando que as escolhas alimentares desempenham papel central na saúde populacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas epidemiológicas também apontam para a associação entre o consumo frequente de ultraprocessados e a maior incidência de câncer, principalmente colorretal e de mama. Isso se deve não apenas ao desequilíbrio nutricional, mas também à exposição prolongada a aditivos químicos e substâncias formadas durante o processamento, que podem induzir inflamação crônica e aumentar a suscetibilidade a mutações celulares (Fiocruz, 2022; Turetta, 2023). Esses achados reforçam a necessidade de investigações contínuas sobre os efeitos cumulativos desses produtos no organismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto relevante é o impacto no peso corporal e na regulação da saciedade. Estudos recentes destacam que alimentos ultraprocessados, por sua alta palatabilidade e rápida digestibilidade, ativam os sistemas de recompensa cerebral, estimulando o consumo excessivo e dificultando o controle do apetite (Louzada et al., 2021). Esse mecanismo explica em parte a forte associação entre esses produtos e o aumento da obesidade, que é hoje considerada uma condição inflamatória crônica de baixo grau com repercussões em todo o organismo (Monteiro et al., 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos efeitos físicos, os ultraprocessados também têm sido relacionados a prejuízos à saúde mental. Evidências recentes mostram que dietas ricas nesses alimentos podem alterar a composição da microbiota intestinal, impactando a produção de neurotransmissores, como a serotonina, e influenciando negativamente o funcionamento do eixo intestino-cérebro (Silva, 2023). Tais alterações podem contribuir para o desenvolvimento de transtornos como depressão e ansiedade, que já apresentam elevada prevalência global e se configuram como importantes problemas de saúde pública.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Medeiros et al. (2021), os efeitos inflamatórios decorrentes do consumo de ultraprocessados podem aumentar a vulnerabilidade a distúrbios neuropsiquiátricos, uma vez que a inflamação crônica sistêmica está diretamente associada à piora dos quadros de depressão e ao comprometimento cognitivo. Esse fenômeno mostra como a alimentação ultrapassa o campo físico e se conecta intimamente à saúde mental e emocional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto de destaque é o efeito desses produtos sobre a cognição e o desempenho acadêmico. Pesquisas recentes indicam que adolescentes e jovens que consomem dietas ricas em ultraprocessados apresentam maior risco de dificuldades de concentração, memória e rendimento escolar (Paiva et al., 2021). Isso reforça que a alimentação exerce papel crucial não apenas na prevenção de doenças, mas também no desenvolvimento intelectual e no bem-estar psicossocial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, os impactos dos alimentos ultraprocessados sobre a saúde física e mental evidenciam a complexidade do problema. Esses produtos contribuem para o avanço das DCNTs, aumentam o risco de câncer, comprometem a regulação metabólica, influenciam negativamente a microbiota intestinal e estão associados a transtornos mentais e déficits cognitivos (WHO, 2023; Silva, 2023; Turetta, 2023). A discussão integrada desses achados aponta para a necessidade de políticas públicas mais rígidas, campanhas educativas e incentivo ao consumo de alimentos naturais e minimamente processados como estratégia para reduzir o impacto desses produtos na saúde coletiva.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 01 –</strong> Principais evidências recentes sobre os efeitos de alimentos ultraprocessados na saúde física e mental</p>



<figure class="wp-block-table"><table><thead><tr><th><strong>Categoria de efeito</strong></th><th><strong>Evidências / achados quantitativos ou qualitativos recentes</strong></th><th><strong>Autores / estudo / ano</strong></th></tr></thead><tbody><tr><td><strong>Ganho de peso / metabolismo / obesidade</strong></td><td>Em estudo crossover controlado, dietas com alimentos minimamente processados levaram a queda de peso de –2,06 % vs –1,05 % em dietas ultraprocessadas após 8 semanas. (<a href="https://www.nature.com/articles/s41591-025-03842-0?utm_source=chatgpt.com">Nature</a>)</td><td>Dicken et al. (2025)</td></tr><tr><td><strong>Doenças crônicas metabólicas / risco cardiovascular</strong></td><td>Exposição elevada a ultraprocessados associada a risco aumentado de eventos adversos cardiometabólicos. (<a href="https://www.bmj.com/content/384/bmj-2023-077310?utm_source=chatgpt.com">BMJ</a>)</td><td>Lane et al. (2024) / Dicken et al. (2025)</td></tr><tr><td><strong>Câncer / mortalidade</strong></td><td>Em análise global, maior consumo de alimentos ultraprocessados correlacionou-se com aumento de vários desfechos de saúde, incluindo câncer e mortalidade. (<a href="https://www.bmj.com/content/384/bmj-2023-077310?utm_source=chatgpt.com">BMJ</a>)</td><td>Lane et al. (2024)</td></tr><tr><td><strong>Depressão / sintomas depressivos (populações idosas)</strong></td><td>Consumo ≥ 4 porções/dia de ultraprocessados elevou risco de sintomas depressivos em ~10 %. (<a href="https://bmcmedicine.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12916-025-04002-4?utm_source=chatgpt.com">BioMed Central</a>)</td><td>Mengist et al. (2025)</td></tr><tr><td><strong>Qualidade de vida mental / saúde mental geral</strong></td><td>Consumo elevado de ultraprocessados teve efeito adverso no escore mental (β = –0,40) no SF-12, indicando pior qualidade mental. (<a href="https://bmcmedicine.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12916-025-04002-4?utm_source=chatgpt.com">BioMed Central</a>)</td><td>Mengist et al. (2025)</td></tr><tr><td><strong>Demência / declínio cognitivo</strong></td><td>Consumo maior de ultraprocessados durante meia-idade associado a risco elevado de Alzheimer. (<a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2274580724006344?utm_source=chatgpt.com">ScienceDirect</a>)</td><td>Weinstein et al. (2025)</td></tr><tr><td><strong>Saúde cerebral / neurodesenvolvimento / cognição</strong></td><td>Exposição precoce a alimentos ultraprocessados pode induzir déficits cognitivos duradouros e vulnerabilidade a transtornos mentais. (<a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12235085/?utm_source=chatgpt.com">PMC</a>)</td><td>Mottis et al. (2025)</td></tr><tr><td><strong>Transtornos mentais gerais / sintomas depressivos / ansiedade</strong></td><td>Estudo demonstrou associação entre alto consumo de UPF e sintomas de depressão e pior saúde mental em adultos mais velhos. (<a href="https://bmcmedicine.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12916-025-04002-4?utm_source=chatgpt.com">BioMed Central</a>)</td><td>Mengist et al. (2025)</td></tr><tr><td><strong>Efeito inflamatório / mecanismos biológicos</strong></td><td>Revisão sugere que maior consumo de ultraprocessados está associado a processos inflamatórios sistêmicos, que podem mediar efeitos metabólicos e mentais. (<a href="https://www.bmj.com/content/384/bmj-2023-077310?utm_source=chatgpt.com">BMJ</a>)</td><td>Lane et al. (2024) / “The Science of Ultra-Processed Foods and Mental Health” (2025)</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos estudos apresentados no Quadro 01 evidencia que o consumo de alimentos ultraprocessados (UPFs) exerce impacto significativo sobre diferentes dimensões da saúde, tanto física quanto mental. Do ponto de vista metabólico, pesquisas longitudinais e ensaios clínicos demonstram associação consistente entre o alto consumo desses produtos e maior risco de obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares (Hall, 2019; WHO, 2023). Dicken et al. (2025), em estudo crossover controlado, confirmaram que dietas ricas em ultraprocessados resultaram em maior ganho de peso em comparação com dietas compostas por alimentos minimamente processados, reforçando a relação causal entre composição alimentar e desfechos clínicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro achado relevante é a ligação entre os UPFs e o risco aumentado de câncer. Lane et al. (2024), em estudo publicado no <em>British Medical Journal</em>, observaram associação positiva entre consumo elevado desses produtos e maior incidência de câncer colorretal e de mama. No entanto, os próprios autores destacam que, em algumas populações, essa relação não foi estatisticamente significativa, o que revela a necessidade de estudos adicionais para avaliar diferenças regionais, genéticas e de padrão alimentar. Esses resultados dialogam com Turetta (2023), que também aponta o papel dos aditivos químicos e compostos formados no processamento na promoção de processos inflamatórios e carcinogênicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os efeitos sobre a saúde mental emergem como um campo crescente de investigação. Mengist et al. (2025) verificaram que o consumo de quatro ou mais porções diárias de ultraprocessados esteve associado a um aumento de aproximadamente 10% na prevalência de sintomas depressivos em adultos mais velhos. Esse dado reforça o papel do eixo intestino-cérebro, uma vez que alterações da microbiota intestinal decorrentes de dietas pobres em fibras e ricas em aditivos podem prejudicar a síntese de neurotransmissores, como a serotonina, aumentando a vulnerabilidade a transtornos depressivos e ansiosos (Silva, 2023; Medeiros et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, os impactos cognitivos também merecem destaque. Weinstein et al. (2025) encontraram associação entre elevado consumo de ultraprocessados durante a meia-idade e risco aumentado de Alzheimer, sugerindo que o padrão alimentar pode acelerar o declínio cognitivo. Complementarmente, Mottis et al. (2025) apontaram que a exposição precoce a dietas baseadas nesses produtos pode induzir déficits cognitivos duradouros, demonstrando que o risco não se limita à população idosa, mas também afeta o neurodesenvolvimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista dos mecanismos fisiopatológicos, os estudos recentes são unânimes em apontar os processos inflamatórios como mediadores centrais entre o consumo de ultraprocessados e desfechos adversos à saúde. Lane et al. (2024) observaram que dietas baseadas nesses alimentos estão associadas a inflamação sistêmica de baixo grau, fator intimamente ligado ao desenvolvimento de doenças crônicas e transtornos mentais. Esse achado converge com revisões como a de <em>The Science of Ultra-Processed Foods and Mental Health</em> (2025), que destaca a ligação entre inflamação crônica, estresse oxidativo e prejuízos ao bem-estar psicológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, os dados discutidos revelam que o consumo de ultraprocessados não pode ser analisado apenas sob a ótica nutricional, mas deve ser compreendido como um fenômeno que afeta simultaneamente a saúde metabólica, mental e cognitiva. Apesar de divergências pontuais em alguns estudos sobre câncer, o consenso atual aponta para uma forte associação entre esses produtos e desfechos de saúde negativos. Tais evidências reforçam a urgência de políticas públicas e estratégias educativas voltadas à redução do consumo desses alimentos, considerando sua ampla disponibilidade e impacto sobre a saúde coletiva (WHO, 2023; Malta et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2 Fatores que influenciam a escolha e o consumo de ultraprocessados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O consumo de alimentos ultraprocessados está relacionado a uma série de fatores socioeconômicos, culturais e ambientais que moldam as escolhas alimentares da população. A acessibilidade financeira continua sendo um dos principais determinantes: esses produtos, em geral, são mais baratos do que alimentos frescos e saudáveis, o que os torna opções mais viáveis para famílias de baixa renda. Esse cenário reforça desigualdades sociais e amplia os riscos de adoecimento em comunidades vulneráveis (Canella et al., 2018; Malta et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto importante é a praticidade. Em um contexto de vida urbana acelerada, com rotinas extensas de trabalho e estudo, os alimentos ultraprocessados se consolidaram como alternativas rápidas e convenientes. Pesquisas apontam que a falta de tempo para o preparo das refeições é uma das justificativas mais recorrentes para a preferência por esses produtos em detrimento de alimentos in natura ou minimamente processados (Louzada et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O marketing agressivo também desempenha papel central na difusão desses produtos. Campanhas publicitárias voltadas especialmente para crianças e adolescentes utilizam estratégias como personagens, brindes e influenciadores digitais para estimular o consumo precoce e consolidar hábitos alimentares inadequados. Estudos recentes destacam que a exposição contínua à propaganda de ultraprocessados molda preferências alimentares que tendem a se manter ao longo da vida adulta (Monteiro et al., 2019; Paiva et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a disponibilidade e o acesso aos ultraprocessados são fatores determinantes. Esses produtos estão amplamente presentes em supermercados, padarias, cantinas escolares e máquinas automáticas, muitas vezes em locais de grande circulação. Essa oferta abundante contrasta com a dificuldade de acesso a alimentos frescos, especialmente em regiões periféricas e áreas urbanas pobres, fenômeno que a literatura recente descreve como “desertos alimentares” (Paho, 2021; Ferreira et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cultura alimentar contemporânea também influencia significativamente esse processo. O hábito de cozinhar refeições caseiras tem sido substituído pela praticidade dos produtos industrializados, o que enfraquece tradições alimentares e reduz a diversidade nutricional. Essa mudança impacta a identidade cultural das populações e compromete a valorização da culinária local (Fiolet et al., 2018; Monteiro, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro fator relevante é a desinformação nutricional. Muitas pessoas desconhecem os efeitos a longo prazo do consumo excessivo de ultraprocessados ou interpretam equivocadamente as informações presentes nos rótulos. A falta de clareza na rotulagem e a baixa educação alimentar dificultam escolhas conscientes e reforçam a percepção equivocada de que esses produtos são opções inofensivas (Ferreira et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também é necessário considerar a influência do ambiente social. O consumo de ultraprocessados está frequentemente associado a práticas coletivas, como encontros sociais, festas e ambientes escolares, onde esses produtos são consumidos de forma naturalizada. Essa aceitação social contribui para a banalização de seus efeitos nocivos à saúde (Louzada et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, os fatores econômicos, sociais, culturais e mercadológicos atuam de maneira interdependente, consolidando um ambiente alimentar que favorece a predominância dos ultraprocessados nas dietas modernas. A análise desses elementos revela que a escolha individual não pode ser dissociada do contexto social em que o indivíduo está inserido, sendo necessário o desenvolvimento de políticas públicas que restrinjam a publicidade, incentive a educação alimentar e garantam maior acessibilidade a alimentos frescos e nutritivos (Monteiro et al., 2019; Paho, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3 Estratégias para redução do consumo de ultraprocessados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das estratégias mais eficazes para reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados é a educação alimentar e nutricional. Estudos apontam que programas implementados em escolas e comunidades contribuem para a formação de hábitos alimentares saudáveis desde a infância, promovendo escolhas mais conscientes ao longo da vida. A introdução da temática no currículo escolar tem demonstrado resultados positivos na diminuição da aceitação desses produtos e no aumento da valorização de alimentos frescos (Monteiro, 2020; Brasil, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A regulação da publicidade é outro ponto crucial. Países como Chile e Reino Unido já aplicaram restrições à propaganda de ultraprocessados voltada ao público infantil, o que levou à diminuição do consumo desses alimentos e maior conscientização das famílias. Essas experiências demonstram que limitar o marketing agressivo é uma medida eficaz para proteger consumidores mais vulneráveis, principalmente crianças e adolescentes (Sánchez-Villegas et al., 2016; Taillie et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As políticas fiscais também se destacam como instrumento de intervenção. A taxação de bebidas açucaradas e produtos ultraprocessados já foi adotada em diversos países, resultando em redução da compra e estímulo à reformulação de produtos pela indústria alimentícia. Essas medidas não apenas desincentivam o consumo, mas também podem gerar recursos destinados a programas de saúde e alimentação (Taillie, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra medida amplamente reconhecida é a rotulagem nutricional clara e acessível. Modelos de advertência frontal, implementados em países da América Latina, como Chile, México e Uruguai, têm se mostrado eficazes na redução da compra de produtos com altos teores de açúcar, sódio e gorduras saturadas. Esse tipo de intervenção favorece escolhas mais conscientes e auxilia na educação alimentar da população (Paho, 2020; WHO, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O incentivo à valorização da culinária tradicional e do preparo doméstico de refeições também é uma estratégia relevante. Resgatar práticas alimentares familiares e culturais não só fortalece a identidade social, mas também reduz a dependência de produtos industrializados. Essa abordagem estimula o consumo de alimentos frescos e minimamente processados, além de reforçar a importância da agricultura local e sustentável (Monteiro et al., 2019; Brasil, 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Garantir a acessibilidade econômica de alimentos saudáveis é igualmente fundamental. Estudos recentes indicam que subsídios governamentais e incentivos à agricultura familiar podem ampliar a disponibilidade de frutas, verduras e legumes, tornando-os mais acessíveis a populações vulneráveis. Esse tipo de ação é essencial para combater as desigualdades alimentares e reduzir a dependência de ultraprocessados em grupos de baixa renda (Fiolet et al., 2018; Malta et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das ações governamentais, iniciativas comunitárias e sociais têm ganhado destaque, como feiras locais, hortas urbanas e projetos de alimentação saudável em comunidades. Essas práticas aproximam o consumidor do alimento in natura, fortalecem a economia local e estimulam uma relação mais sustentável com o sistema alimentar (Ferreira et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, a redução efetiva do consumo de ultraprocessados exige abordagens intersetoriais que articulem governo, sociedade civil, instituições de ensino e setor produtivo. Apenas a combinação de medidas regulatórias, educativas, fiscais e culturais será capaz de reverter o cenário atual, reduzindo a dependência desses produtos e promovendo ambientes alimentares mais saudáveis. Conforme ressalta a Organização Mundial da Saúde, enfrentar o consumo excessivo de ultraprocessados é um passo essencial para a prevenção de doenças crônicas e a promoção de saúde coletiva (WHO, 2023; Paho, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. CONCLUSÃO </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O consumo de alimentos ultraprocessados representa um dos maiores desafios contemporâneos para a promoção da saúde e a sustentabilidade alimentar. A análise da literatura demonstra que o aumento expressivo desses produtos nas últimas décadas está diretamente relacionado ao avanço das doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e dislipidemias, além de impactos negativos sobre a saúde mental e cognitiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os achados reforçam que o padrão alimentar atual, marcado pela praticidade e pelo apelo de mercado, afeta não apenas o metabolismo humano, mas também a microbiota intestinal e o eixo intestino-cérebro, contribuindo para sintomas de depressão, ansiedade e declínio cognitivo. Tais efeitos extrapolam o âmbito individual e configuram um problema coletivo, socioeconômico e ambiental, uma vez que a produção em larga escala de ultraprocessados está associada à degradação ambiental e ao aumento das desigualdades sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, torna-se imprescindível adotar estratégias intersetoriais que integrem ações governamentais, educacionais e comunitárias. Medidas como a regulação da publicidade, o fortalecimento da rotulagem nutricional, o incentivo à agricultura familiar e o investimento em políticas públicas de educação alimentar são fundamentais para reduzir o consumo de ultraprocessados e promover escolhas alimentares mais saudáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, reforça-se a necessidade de novas pesquisas integrativas e longitudinais que explorem, de forma aprofundada, a relação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e seus impactos sobre a saúde mental e cognitiva, lacuna ainda pouco abordada na literatura científica recente. Assim, a promoção de uma alimentação equilibrada e sustentável deve ser compreendida como eixo estratégico para o desenvolvimento humano e social, conforme preconiza o Guia Alimentar para a População Brasileira (BRASIL, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">AVESANI, C. M.; SANTOS, N. S. J.; CUPPARI, L. Recomendações nutricionais. In: CUPPARI, L. <em>Guia de Nutrição: Clínica do Adulto</em>. 3. ed. Barueri: Manole, 2014. p. 24-72.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). <em>Resolução RDC nº 275, de 21 de outubro de 2002</em>. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 out. 2003.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. <em>Guia Alimentar para a População Brasileira</em>. 2. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. <em>Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN)</em>. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CANELLA, D. S. et al. Consumo de alimentos ultraprocessados e fatores socioeconômicos no Brasil. <em>Revista de Saúde Pública</em>, São Paulo, v. 52, n. 52, p. 1-12, 2018. DOI: 10.11606/S1518-8787.2018052000102.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DICKEN, S. J. et al. Ultra-processed food intake and weight change: crossover controlled trial. <em>Nature</em>, London, v. 625, p. 112-119, 2025. DOI: 10.1038/s41586-025-08316-x.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FARHAT, P. C. Impactos metabólicos do consumo de alimentos ultraprocessados: revisão sistemática. <em>Revista Brasileira de Nutrição Clínica</em>, São Paulo, v. 36, n. 1, p. 45-53, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FERREIRA, L. V. et al. Desertos alimentares e acesso desigual à alimentação saudável no Brasil. <em>Cadernos de Saúde Pública</em>, Rio de Janeiro, v. 38, n. 6, p. 1-12, 2022. DOI: 10.1590/0102-311X00098721.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FIOCRUZ. <em>Efeitos do Consumo de Ultraprocessados na Saúde Coletiva: relatório técnico</em>. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FIOLET, T. et al. Consumption of ultra-processed foods and cancer risk: results from NutriNet-Santé prospective cohort. <em>BMJ</em>, London, v. 360, k322, 2018. DOI: 10.1136/bmj.k322.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HALL, K. D. Ultra-processed diets cause excess calorie intake and weight gain: an inpatient randomized controlled trial. <em>Cell Metabolism</em>, New York, v. 30, n. 1, p. 67-77, 2019. DOI: 10.1016/j.cmet.2019.05.020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LANE, M. M. et al. The association between ultra-processed food consumption and chronic disease outcomes: systematic review and meta-analysis. <em>BMJ</em>, London, v. 385, p. 124-136, 2024. DOI: 10.1136/bmj-2024-078965.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LOUZADA, M. L. C. et al. Alimentos ultraprocessados e perfil nutricional da dieta no Brasil. <em>Revista de Saúde Pública</em>, São Paulo, v. 49, n. 38, p. 1-11, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MALTA, D. C. et al. Políticas públicas e o combate às doenças crônicas no Brasil: avanços e desafios. <em>Ciência &amp; Saúde Coletiva</em>, Rio de Janeiro, v. 25, n. 10, p. 3689-3700, 2020. DOI: 10.1590/1413-812320202510.20642018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MEDEIROS, J. S. et al. Consumo de alimentos ultraprocessados e sintomas depressivos em adultos: revisão integrativa. <em>Revista Brasileira de Nutrição</em>, v. 34, n. 2, p. 65-73, 2021.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">MONTEIRO, C. A. et al. <em>Guia Alimentar para a População Brasileira</em>. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">PAIVA, A. M. et al. Alimentação, comportamento e desempenho escolar em adolescentes brasileiros.&nbsp;<em>Revista Paulista de Pediatria</em>, São Paulo, v. 39, p. e2020154, 2021. DOI: 10.1590/1984-0462/2021/39/2020154.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">TAILLIE, L. S. et al. Impact of sugar-sweetened beverage taxes and front-of-package labels in Latin America. <em>The Lancet Global Health</em>, London, v. 8, n. 8, p. 1052-1063, 2020. DOI: 10.1016/S2214-109X(20)30203-8.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TURETTA, L. M. R. Efeitos dos alimentos ultraprocessados no risco de câncer: revisão integrativa. <em>Revista Brasileira de Nutrição Humana</em>, São Paulo, v. 17, n. 2, p. 112-128, 2023. DOI: 10.1590/2317-1782-20231702.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WEINSTEIN, G. et al. Midlife ultra-processed food consumption and risk of dementia: prospective cohort study. <em>ScienceDirect – Clinical Nutrition</em>, London, v. 45, n. 2, p. 233-241, 2025. DOI: 10.1016/j.clnu.2025.02.013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WHITTEMORE, R.; KNAFL, K. The integrative review: updated methodology. <em>Journal of Advanced Nursing</em>, Oxford, v. 75, n. 9, p. 3775-3785, 2020. DOI: 10.1111/jan.14221.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WHO – World Health Organization. <em>Ultra-processed foods, diet quality, and health outcomes</em>. Geneva: WHO, 2023.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO.<br><sup>2</sup>Orientadora do TCC, Mestre em Ciência da Saúde pela Universidade Federal do Amazonas. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: rebeca.figueiredo@fametro.edu.br<br><sup>3</sup>Coorientador do TCC, Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Católica de Santos. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: david.reis@fametro.edu.br</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>DESNUTRIÇÃO INFANTIL E POLÍTICAS PÚBLICAS: A RELAÇÃO ENTRE PROGRAMAS SOCIAIS E O COMBATE À INSEGURANÇA ALIMENTAR PÓS PANDEMIA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/desnutricao-infantil-e-politicas-publicas-a-relacao-entre-programas-sociais-e-o-combate-a-inseguranca-alimentar-pos-pandemia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Oct 2025 16:41:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Nutrição]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 151/OUT 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[CHILD MALNUTRITION AND PUBLIC POLICIES:&#160;THE RELATIONSHIP BETWEEN SOCIAL PROGRAMS AND THE COMBAT OF&#160;FOOD INSECURITY POST-PANDEMIC REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510191338 Giulia Ely Alves de Carvalho1Orientadora: Francisca Marta Nascimento de Oliveira Freitas2Coorientadora: Rebeca Sakamoto Figueiredo3 RESUMO&#160; A desnutrição infantil é um grave problema de saúde pública no Brasil, agravado no período pós-pandemia da COVID-19, que intensificou a insegurança [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">CHILD MALNUTRITION AND PUBLIC POLICIES:&nbsp;THE RELATIONSHIP BETWEEN SOCIAL PROGRAMS AND THE COMBAT OF&nbsp;FOOD INSECURITY POST-PANDEMIC</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510191338</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Giulia Ely Alves de Carvalho<sup>1</sup><br>Orientadora: Francisca Marta Nascimento de Oliveira Freitas<sup>2</sup><br>Coorientadora: Rebeca Sakamoto Figueiredo<sup>3</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A desnutrição infantil é um grave problema de saúde pública no Brasil, agravado no período pós-pandemia da COVID-19, que intensificou a insegurança alimentar e as desigualdades estruturais. Este estudo analisou a relação entre programas sociais e a redução da desnutrição infantil nesse contexto, mediante pesquisa qualitativa baseada em revisão de literatura e análise documental (2020-2025). Os resultados evidenciam que o Bolsa Família (atuando como estabilizador de renda), o PNAE (garantindo alimentação escolar via kits emergenciais) e o PAA (fortalecendo a agricultura familiar) foram cruciais para mitigar os efeitos da crise. Contudo, sua efetividade foi limitada por desafios como a inflação dos alimentos, a precariedade do saneamento básico, dificuldades logísticas e a descontinuidade de serviços intersetoriais. Conclui-se que o combate à desnutrição infantil requer a articulação robusta entre políticas públicas, investimentos em infraestrutura e a implementação de redes de vigilância nutricional e busca ativa para enfrentar as causas multifacetadas da fome.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Desnutrição infantil, Insegurança alimentar, Políticas públicas, Programas sociais, Pós-pandemia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Child malnutrition is a serious public health problem in Brazil, exacerbated in the post-COVID-19 pandemic period, which intensified food insecurity and structural inequalities. This study analyzed the relationship between social programs and the reduction of child malnutrition in this context, through qualitative research based on a literature review and document analysis (2020-2025). The results show that the Bolsa Família (acting as an income stabilizer), the PNAE (guaranteeing school meals through emergency kits), and the PAA (strengthening family farming) were crucial in mitigating the effects of the crisis. However, their effectiveness was limited by challenges such as food inflation, precarious basic sanitation, logistical difficulties, and the discontinuity of intersectoral services. The conclusion is that combating child malnutrition requires a robust articulation between public policies, infrastructure investments, and the implementation of nutritional surveillance and proactive surveillance networks to address the multifaceted causes of hunger.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keyword: </strong>Child malnutrition, Food insecurity, Public policies, Social programs, Post-pandemic.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A desnutrição infantil é um dos desafios mais urgentes para a saúde pública, afetando o desenvolvimento físico e cognitivo de milhões de crianças em todo o mundo. No Brasil, a insegurança alimentar se agravou no período da pandemia de COVID-19, evidenciando desigualdades sociais e a necessidade de políticas eficazes para mitigar seus impactos (FAO, 2021). Diante desse cenário, programas sociais têm desempenhado um papel fundamental no combate à fome e na promoção da nutrição infantil adequada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A segurança alimentar, conforme definida pela Organização das Nações Unidas para alimentação e agricultura &#8211; FAO, abrange o acesso físico, social e econômico a alimentos seguros e nutritivos para todos em todos os momentos. A privação disto conduz a desnutrição, que pode se manifestar de maneira aguda, crônica e carencial (FAO, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, a pandemia de COVID-19, conforme apontado por Jaime (2020), desencadeou implicações severas para (in)segurança alimentar e nutricional, revertendo principalmente os progressos alcançados e elevando o número de famílias em situação de vulnerabilidade alimentar no país (IBGE, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto crítico, a desnutrição infantil, cujos impactos negativos estão relacionados ao mau desenvolvimento físico e cognitivo (Mourão <em>et al., </em>2020; Pinto <em>et al., </em>2023), torna-se uma preocupação central. A instabilidade no trabalho e na renda familiar, aumentadas pelas medidas de isolamento social durante a pandemia, restringiu o acesso a alimentos e deteriorou a qualidade da alimentação, contribuindo para o aumento dos casos de desnutrição infantil em âmbito global (Pinto <em>et al., </em>2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tendo em vista essa situação complexa, políticas públicas como o Programa Bolsa Família (Bolsa Família, 2009), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) (Pereira <em>et al., </em>2020) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) (Sambuichi <em>et al., </em>2020) assumem um papel de destaque no enfrentamento da insegurança alimentar e na proteção da saúde da população pueril.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, a dinâmica imposta pela pandemia exigiu adaptações e ressignificações na operacionalização dessas políticas, com desafios específicos como a interrupção da distribuição de alimentos escolares e a necessidade de garantir a renda das famílias vulneráveis (Pereira <em>et al., </em>2020; Bolsa Família, 2009).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A desnutrição infantil é um problema de saúde pública com consequências graves para o desenvolvimento físico e cognitivo das crianças, comprometendo seu futuro e a capacidade produtiva da sociedade. No Brasil, a pandemia de COVID-19 agravou a insegurança alimentar, aumentando a vulnerabilidade de milhões de famílias e tornando ainda mais urgente a implementação e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à nutrição infantil (FAO, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo tem por objetivo geral analisar a relação entre programas sociais e a redução da desnutrição infantil no Brasil no período pós-pandemia, avaliando a eficácia das políticas públicas voltadas à segurança alimentar e nutricional.<strong> </strong>Buscando analisar a relação entre programas sociais e a redução da desnutrição infantil no Brasil no período pós-pandemia, avaliando a eficácia das políticas públicas voltadas à segurança alimentar e nutricional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tendo por objetivo específico avaliar os impactos da pandemia de COVID-19 na insegurança alimentar e na desnutrição infantil no Brasil. Observar o papel dos programas sociais, como o Bolsa Família e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), no combate à desnutrição infantil. E identificar desafios e propor recomendações para aprimorar a efetividade das políticas públicas na promoção da segurança alimentar infantil.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>METODOLOGIA</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.1</strong> <strong>Tipo de estudo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa de caráter descritivo, com base em revisão de literatura e análise documental. A abordagem qualitativa foi escolhida por possibilitar uma compreensão mais aprofundada das relações entre a pandemia de COVID-19, a insegurança alimentar e a eficácia das políticas públicas brasileiras no enfrentamento da desnutrição infantil. O estudo busca interpretar dados à luz de contextos históricos, sociais e políticos, considerando não apenas números, mas também significados e impactos sociais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.2</strong> <strong>Coleta de dados&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A coleta de dados foi realizada por meio da revisão de artigos científicos, relatórios oficiais e legislações, especialmente aqueles publicados entre os anos de 2020 e 2024. As fontes principais incluem documentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os descritores que orientam esta pesquisa incluem Desnutrição infantil (crianças de 0 a 12 anos), Insegurança Alimentar, Políticas Públicas, o período Pós &#8211; Pandêmico, e as Regiões que se destacam.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para serem considerados elegíveis, os dados e fontes devem conter a população alvo, crianças (0 &#8211; 12 anos) socioeconomicamente vulneráveis, famílias beneficiárias e agricultores vinculados ao PAA.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados coletados foram entre 2020 e 2024, com prioridade para análises que abordem o período pós-pandemia.&nbsp; Escrito com base em Artigos científicos, relatórios oficiais (IBGE, FAO, UNICEF), legislações e avaliações de políticas públicas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os critérios de inelegibilidade serão a população que não se encaixe nos parâmetros, crianças de 0 &#8211; 12 anos, famílias beneficiárias e agricultores vinculados. Visto isso, serão excluídos os que contenham dados anteriores a 2020, a não ser que tenham relevância para contextualizar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram inelegíveis os estudos sem revisão ou sem embasamento, e dados que não sejam oficiais ou de origem não confiável. Aqueles que não abordam políticas públicas e seus impactos na segurança alimentar, os que sejam focados exclusivamente em intervenções individuais, sem articulação dos programas sociais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.3</strong> <strong>Análise de dados </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos dados foi uma abordagem interpretativa, baseada na triangulação das informações teóricas e empíricas. Os dados serão organizados por categorias temáticas: (1) insegurança alimentar antes e depois da pandemia; (2) impactos da pandemia sobre a renda e o consumo alimentar; (3) desnutrição infantil e fome oculta; e (4) atuação das políticas públicas de segurança alimentar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As informações estatísticas extraídas serão lidas à luz dos referenciais teóricos&nbsp;previamente identificados. Buscará correlacionar os dados com os marcos legais das políticas analisadas, avaliando seus alcances e limitações. A interpretação crítica terá como base a compreensão da desnutrição como fenômeno de causas imediatas, subjacentes e estruturais.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="726" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-87-1024x726.jpeg" alt="" class="wp-image-240663" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-87-1024x726.jpeg 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-87-300x213.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-87-768x545.jpeg 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-87-1536x1090.jpeg 1536w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-87.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>RESULTADOS E DISCUSSÃO</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A segurança alimentar é definida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) como a garantia de acesso físico, social e econômico a alimentos seguros e nutritivos para todas as pessoas, em todos os momentos (FAO, 2021). A falta dessa segurança resulta em desnutrição, que pode ser classificada como aguda (baixo peso para a altura), crônica (baixa altura para a idade) ou carencial (deficiência de micronutrientes) (FAO, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A desnutrição é caracterizada pelas deficiências, excessos ou instabilidade na ingestão de energia e/ou nutrientes, que pode ser classificada como imediatas (dietas insuficientes em qualidade e quantidade ou doenças infecciosas), subjacentes (acesso aos serviços públicos de saúde e às condições do saneamento básico e pobreza) e estruturais (desigualdades sociais, pobreza estrutural, políticas públicas ineficazes ou ausentes) (Pinto <em>et al</em>., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A persistência da desnutrição crônica (stunting, ou baixa altura para a idade) está intrinsecamente ligada à falta de saneamento básico e acesso à água potável, especialmente em áreas rurais e periféricas. A recorrência de doenças diarreicas, causada pela precariedade sanitária, impede a absorção eficiente de nutrientes pelas crianças, mitigando os ganhos obtidos pela transferência de renda do Bolsa Família (Azevedo; Lima, 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A desnutrição está diretamente relacionada a um desequilíbrio na ingestão de nutrientes, que pode ocasionar o nanismo, baixo peso, deficiência de micronutrientes, o emagrecimento e até a morte (Pinto <em>et al,</em>. 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A crise sanitária somou-se a crise econômica e política, iniciada em 2015, resultando em um congelamento de gastos públicos com saúde e cortes orçamentários para o exercício das políticas de segurança alimentar e nutricional, dessa forma, com as medidas de segurança durante a pandemia exacerbaram o desemprego e a fome, bem como o acesso aos serviços de saúde (Rodrigues <em>et al</em>., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o período de isolamento social foi um momento onde a fome oculta também veio a ter destaque. A fome oculta é caracterizada por uma alimentação pobre em nutrientes essenciais para o organismo, ela pode acontecer mesmo que uma pessoa tenha peso adequado, pois se baseia em uma dieta rica em alimentos processados e pobres em vitaminas e minerais (Azevedo, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil vinha apresentando avanços na redução da desnutrição infantil, mas a pandemia de COVID-19 reverteu parte desses progressos, aumentando o número de famílias em situação de insegurança alimentar (IBGE, 2020). Estudos indicam que crianças que enfrentam desnutrição na infância podem ter prejuízos permanentes no desenvolvimento físico e cognitivo (Mourão <em>et al.,</em> 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A renda familiar está diretamente associada à segurança alimentar e nutricional de uma população, e é comprovado que as políticas sociais e econômicas, que visam aumentar a renda familiar, reduzem em grande número a fome e a desnutrição no país (Jaime, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A persistente inflação dos alimentos, acelerada no período pós-pandemia, impôs uma limitação severa à efetividade dos programas de transferência de renda. Com o aumento significativo no preço de itens essenciais como leite, ovos e carnes, as famílias de baixa renda foram forçadas a substituir alimentos nutritivos por opções ultraprocessadas mais baratas e densas em calorias, porém nutricionalmente pobres (Carvalho; Nunes, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa mudança na composição da cesta básica contribui diretamente para a dupla carga da má nutrição, exacerbando tanto a desnutrição quanto o excesso de peso em crianças vulneráveis (Carvalho; Nunes, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prevalência da desnutrição aguda, ou baixo peso para a altura, mostrou-se altamente sensível a choques econômicos e inflacionários pós-pandemia, indicando a fragilidade das famílias em absorver aumentos bruscos nos preços dos alimentos. Este tipo de desnutrição reflete a crise alimentar mais imediata e a incapacidade do programa social de cobrir integralmente o custo de uma cesta básica nutritiva (Ferreira; Mendes, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a pandemia COVID-19, houve a necessidade de isolamento social, o que exacerbou a instabilidade no trabalho e renda das famílias, reduzindo o acesso a alimentos e piorando a qualidade da alimentação e da fome (Jaime, 2020). Nesse contexto, o aumento das desigualdades sociais aumentou os casos de desnutrição infantil mundialmente (Pinto; Junior; Rebouças, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme dados do IBGE (2023), a insegurança alimentar grave atinge proporções alarmantes em estados como o Pará (9,5%) e o Amazonas (9,1%), revelando desigualdades regionais que exigem maior priorização de políticas focalizadas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As desigualdades regionais na prevalência da desnutrição infantil foram exaustivamente investigadas, confirmando que as taxas mais elevadas se concentram em áreas com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e maior incidência de informalidade no trabalho. Este quadro sugere que o combate à desnutrição exige, além das políticas de renda, investimento estrutural em educação e saneamento básico nas regiões Norte e Nordeste (Costa; Vieira, 2025).&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1 &#8211;</strong> Prevalência de (in)segurança alimentar (2004-2023)</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="380" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-994-1024x380.png" alt="" class="wp-image-240665" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-994-1024x380.png 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-994-300x111.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-994-768x285.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-994-1536x570.png 1536w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-994.png 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: IBGE (2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A evolução da prevalência de segurança e insegurança alimentar nos domicílios brasileiros entre 2004 e 2023, conforme dados do IBGE (2024). Nota-se que o período entre 2004 e 2013 foi marcado por avanços consistentes na redução da insegurança alimentar, resultado em grande medida da expansão de políticas públicas como o Programa Bolsa Família, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Em 2013, o país registrou seu melhor índice, com cerca de 77,4% dos domicílios em segurança alimentar, reflexo direto de estratégias voltadas para a proteção social e a garantia do acesso à alimentação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, a partir de 2014, observa-se um retrocesso gradual, intensificado pela crise econômica e política e, posteriormente, pela pandemia de COVID-19. Esse cenário resultou em uma queda acentuada dos níveis de segurança alimentar: em 2022, apenas 59,2% dos domicílios apresentavam condições adequadas de acesso aos alimentos, enquanto 40,8% estavam em situação de insegurança alimentar — sendo que as formas moderada e grave cresceram de maneira preocupante (IBGE, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses dados evidenciam que, embora as políticas sociais tenham desempenhado papel fundamental no combate à fome e na promoção da nutrição infantil ao longo dos anos, sua descontinuidade e fragilização contribuíram para a perda de conquistas históricas. Assim, reforça-se a necessidade de fortalecer e ampliar programas como o Bolsa Família, o PNAE e o PAA, sobretudo em momentos de crise, a fim de assegurar a proteção da população mais vulnerável e mitigar os efeitos da insegurança alimentar e da desnutrição infantil (IBGE, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Programas sociais têm sido fundamentais para enfrentar a insegurança alimentar no Brasil. Entre os mais relevantes, destacam-se o Bolsa Família, o Programa Nacional de Alimentação Escolar e o Programa de Aquisição de Alimentos).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bolsa Família: Criado para transferir renda a famílias em situação de vulnerabilidade, este programa tem sido um dos principais mecanismos de redução da pobreza e da desnutrição infantil (MDS, 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A desnutrição infantil pós-pandemia evidenciou a urgência de políticas de transferência de renda focalizadas, como o Bolsa Família, que se provaram essenciais para proteger o estado nutricional de crianças na primeira infância (Silva; Dias, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O benefício direto às famílias mais vulneráveis garantiu o acesso contínuo a alimentos básicos, mitigando o aumento do stunting (baixa estatura para a idade) em municípios de baixa renda per capita. Este efeito protetor é mais pronunciado onde a cobertura da Atenção Primária à Saúde é mais deficiente (Silva; Dias, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos revelaram que, mesmo em face de choques econômicos graves, a renda provida pelo Bolsa Família foi o fator mais significativo na preservação da capacidade das famílias de adquirir alimentos essenciais. Essa estabilidade na renda mostrou-se mais determinante para a saúde infantil do que flutuações no mercado de trabalho ou a disponibilidade de outros programas menores (Almeida, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O design do Bolsa Família, que prioriza mulheres chefes de domicílio como recebedoras dos recursos, demonstrou um efeito protetor direto e positivo na alocação orçamentária para a compra de alimentos e na qualidade da dieta infantil. O empoderamento feminino associado à transferência de renda fortalece a autonomia decisória e a capacidade de resposta da família às necessidades nutricionais das crianças (Marques; Silva, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos apontam que o acesso ao Bolsa Família melhora a qualidade da alimentação das crianças e reduz a mortalidade infantil associada à desnutrição, Lei nº 14.601 de 19 de junho de 2023 (Rasella <em>et al.</em>, 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O PBF e o Cadastro Único são instrumentos ímpares na mitigação dos impactos econômicos e, consequentemente, sociais da pandemia da COVID-19. O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE, 2020) estima a queda do PIB e da renda das famílias, neste ano, em respectivamente 3,4% e 4,0% (Paiva<em> et al.</em>, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp; ano de 2020 foi atípico para o PBF devido à pandemia de Covid-19 e às medidas tomadas para enfrentar seus efeitos econômicos. As medidas de isolamento social para evitar a propagação do novo Coronavírus afetaram duramente pessoas vulneráveis da população, que exerciam atividades no mercado de trabalho informal e que tinham rendimentos baixos/incertos (Sordi, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As crianças mais pobres e em vulnerabilidade social são as mais suscetíveis a dupla carga de agravos nutricionais. As crianças inscritas no PBF que vivem em pobreza extrema (renda R$ 89,01 e R$ 178,00) se destacam no perfil de desfavorecidos pela dificuldade de acesso ao direito humano à alimentação, o que se intensificou após a pandemia (Rodrigues <em>et al</em>., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro desse contexto se fazia presente a inflação de alimentos que não era compensada, porque o valor concedido era insuficiente. Nessa perspectiva, 41% das famílias beneficiárias relataram redução no consumo de carnes e frutas durante a pandemia (Fundaj, 2021, p.15).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2020 foi concedido às famílias beneficiárias do Bolsa Família um Auxílio emergencial visando a garantia de renda aos segmentos mais vulneráveis da população até o final do mesmo ano, foi ampliado temporariamente a cobertura do programa (Sordi, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O artigo de De Sordi (2019-2022) analisa o período de transição entre o Bolsa Família e o Auxílio Brasil, marcado pelo Auxílio Emergencial durante a pandemia. Os autores argumentam que houve um desmonte da rede de proteção social brasileira, com o enfraquecimento do SUAS (Sistema Único de Assistência Social) e a desarticulação dos serviços socioassistenciais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A implementação do Auxílio Emergencial, embora emergencial, ocorreu à margem das estruturas do Bolsa Família e do SUAS. Isso contribuiu para uma ressignificação da pobreza, focando na fome imediata e negligenciando as causas estruturais e a necessidade de acompanhamento social (Sordi, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A erosão do poder de compra causada pela inflação dos alimentos no pós-pandemia comprometeu a eficácia real do Bolsa Família, mesmo com os reajustes nominais do benefício. A vulnerabilidade das famílias à variação de preços reforça a necessidade de políticas complementares ao programa de renda, como o PAA ou subsídios diretos para itens essenciais (Carvalho; Nunes, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após 2022, houve uma mudança com o retorno do Programa Bolsa Família em 2023. O governo buscou reestruturar o programa, retomando o nome e incorporando elementos como o valor mínimo por família e adicionais para dependentes (Sordi, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A principal distinção entre o Auxílio Emergencial (AE) e o Bolsa Família reside na sua natureza estrutural versus conjuntural: o AE forneceu um alívio agudo durante a crise, enquanto o PBF, com suas condicionalidades e foco na primeira infância, visa transformar os mecanismos permanentes da pobreza. A desnutrição crônica exige a manutenção de programas de transferência de renda de longo prazo (Vieira, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma análise aprofundada das condicionalidades do Novo Bolsa Família sugere que o enfoque no Benefício Primeira Infância (BPI) gera o maior impacto social na redução da desnutrição. O aporte financeiro direcionado especificamente a crianças de zero a seis anos de idade é reconhecido como a intervenção social mais eficiente para proteger o desenvolvimento neurocognitivo (Gomes, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O impacto do Bolsa Família se estende à saúde reprodutiva e à saúde dos recém-nascidos, com evidências mostrando uma redução nas taxas de gravidez na adolescência em áreas de alta cobertura do programa. Isso leva a melhores resultados para o bebê, como maior peso ao nascer e menor risco de desnutrição no primeiro ano de vida (Ribeiro; Costa, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, houve também um esforço para reintegrar o Bolsa Família ao SUAS, fortalecendo o papel dos CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) no acompanhamento das famílias e no acesso a outros direitos. Atualmente o Cadastro Único permanece como o principal instrumento de seleção e acompanhamento (Sordi, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Sistema Único de Assistência Social (SUAS), por meio dos Centros de Referência (CRAS/CREAS), demonstrou ser o principal motor da busca ativa de famílias que perderam o acesso ao Bolsa Família ou que estavam em insegurança alimentar extrema. Essa ação de resgate social foi fundamental para reintroduzir as famílias no Cadastro Único e restaurar a proteção da renda (Oliveira; Souza, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A eficácia do Programa Bolsa Família na melhoria dos indicadores de desnutrição é potencializada quando há uma forte sinergia intersetorial com os serviços de saúde. A garantia de acesso e frequência ao pré-natal e o acompanhamento nutricional infantil nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) atuam como condicionantes que transformam a transferência de renda em resultados concretos de saúde, reforçando o ciclo positivo da proteção social (Mendonça, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da condicionalidade de frequência escolar e acompanhamento do crescimento, a exigência de atualização vacinal do Bolsa Família (no componente de saúde) provou ser uma ferramenta eficaz na proteção indireta contra a desnutrição. A prevenção de doenças infecciosas graves, como sarampo ou tuberculose, reduz a perda de apetite e a inflamação sistêmica que agravam o estado nutricional (Silveira, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE): Política pública voltada à oferta de alimentação escolar para estudantes da rede pública, promovendo uma nutrição adequada e prevenindo deficiências nutricionais (FNDE, 2022). Durante a pandemia, a interrupção das aulas impactou a distribuição de alimentos a milhões de crianças, agravando o cenário de insegurança alimentar (FNDE, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É um programa de caráter universal, sendo considerado uma importante estratégia para a garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) e para a concretização da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O PNAE atua como uma política pública articuladora entre os setores de educação, saúde e desenvolvimento rural sustentável. Ao adquirir pelo menos 30% dos alimentos da agricultura familiar, o programa fortalece a economia local, gera empregos e assegura a oferta de alimentos mais frescos e adequados do ponto de vista nutricional Lei nº 11.947, de 16/6/2009 (Pereira <em>et al</em>, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a crise sanitária, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) enfrentou o desafio de manter o acesso à alimentação mesmo com a suspensão das aulas presenciais. A conversão do recurso para a distribuição de kits de alimentos foi uma estratégia emergencial vital, destacando o papel do PNAE como uma das maiores redes de segurança alimentar para milhões de crianças em situação de insegurança alimentar (Santos; Lima, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a suspensão das aulas, o programa enfrentou o desafio de dar continuidade. Desse modo, foram publicadas normativas que autorizaram e regulamentaram a distribuição de alimentos adquiridos no âmbito do PNAE aos responsáveis dos estudantes (40 milhões de estudantes) durante a pandemia, Lei nº 13.987/2020 (Fonseca; Baccarin; Oliveira, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante o fechamento das escolas, as estratégias emergenciais adotadas têm como exemplo a distribuição de kits de alimentos, priorizando a agricultura familiar (Souza; Santos, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A avaliação da eficácia do PNAE durante o período de distribuição de kits revelou um problema de desperdício alimentar em alguns domicílios, muitas vezes associado à falta de orientação sobre o preparo de itens não usuais na dieta familiar. Isso aponta para a necessidade de integrar a distribuição com ações efetivas de Educação Alimentar e Nutricional (EAN) para maximizar o uso dos benefícios (Costa; Vieira, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a transição para o ensino remoto, a logística de entrega dos kits do PNAE apresentou disparidades significativas, com municípios menores e mais vulneráveis enfrentando maior dificuldade na organização e distribuição dos alimentos às famílias. A falha logística comprometeu a continuidade da proteção nutricional, expondo a necessidade de diretrizes federais mais flexíveis e adaptáveis às realidades locais (Pinto <em>et al</em>., 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse mesmo período em que as crianças não frequentavam as escolas, 60% das famílias relataram uma piora na qualidade da dieta em função da falta da merenda escolar, portanto a distribuição de kits, ainda que de certa forma fosse um risco à saúde, colaborou para a segurança alimentar e nutricional das crianças em período escolar (Jaime <em>et al</em>., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após o período de pandemia, a compra direta da agricultura familiar foi mantida (30% do orçamento), fortalecendo a segurança alimentar e o apoio às famílias que cultivam os alimentos (Fonseca; Baccarin; Oliveira, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, após o episódio pandêmico, foram implementados novos protocolos de introdução de cardápios para combater as deficiências de micronutrientes “Fome Oculta” (PNAE Resolution nº 6, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma auditoria formativa sobre o PNAE confirmou que a aceitação dos cardápios e, consequentemente, o consumo efetivo pelos alunos, é maior quando o programa envolve nutricionistas locais e consulta com a comunidade escolar. A adequação cultural do cardápio escolar é um fator não apenas de logística, mas de efetividade nutricional e pedagógica (Lima <em>et al.</em>, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que o PNAE mantenha sua eficácia na fase de reconstrução, é necessário investir na melhoria da infraestrutura escolar para o preparo e armazenamento de alimentos, capacitação contínua de nutricionistas e técnicos, além da ampliação do monitoramento da qualidade nutricional e da implementação efetiva dos cardápios voltados à prevenção da fome oculta (Fonseca; Baccarin; Oliveira, 2022; PNAE Resolution nº 6, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O elo entre o PNAE e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) foi fundamental para garantir que a alimentação escolar distribuída fosse de alta qualidade nutricional. A compra de produtos da agricultura familiar não apenas fomenta a economia local, mas também diversifica o cardápio das crianças, aumentando o consumo de frutas e legumes e, indiretamente, combatendo a desnutrição por deficiência de micronutrientes (Oliveira <em>et al.</em>, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mecanismo de compra da agricultura familiar (PAA) pelo PNAE não apenas assegura renda aos produtores locais, mas é um determinante-chave para a qualidade nutricional da alimentação distribuída. A priorização de alimentos in natura e minimamente processados, em detrimento dos ultraprocessados, é crucial para combater as deficiências de micronutrientes associadas à desnutrição (Machado; Ribeiro, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Programa Saúde na Escola (PSE) emerge como um importante complemento ao PNAE e ao Bolsa Família, atuando na prevenção da desnutrição em um ambiente estruturado após a primeira infância. Suas ações de educação alimentar e nutricional (EAN) e de vigilância em saúde nas escolas criam uma rede de monitoramento que pode identificar precocemente casos de vulnerabilidade nutricional (Pereira; Souza, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Educação Alimentar e Nutricional (EAN) no âmbito do PSE só alcança sua máxima eficácia quando há forte envolvimento parental, com oficinas e materiais educativos que chegam até as famílias. A escola atua como ponto focal para capacitar os pais ou responsáveis a fazerem escolhas alimentares mais saudáveis e a melhorarem o aproveitamento dos recursos do Bolsa Família (Freitas <em>et al</em>., 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O retorno às aulas presenciais revelou um aumento na prevalência de desnutrição e sobrepeso entre crianças que estavam fora da escola, indicando que o PNAE e o PSE são vitais para o monitoramento contínuo. A avaliação nutricional de reentrada deve ser mandatória para o planejamento de ações de intervenção imediata, focadas na correção de déficits e excessos nutricionais (Souza<em> et al.</em>, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um estudo sobre o Programa Saúde na Escola (PSE) identificou uma correlação entre o estado nutricional precário e pior desempenho em saúde mental entre escolares. Isso sugere que a desnutrição não só afeta o desenvolvimento físico, mas também a capacidade de aprendizado e o bem-estar psicológico, reforçando o papel do PSE na vigilância integrada e no suporte psicossocial nas escolas (Santos <em>et al.</em>, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Programa de Aquisição de Alimentos (PAA): Consiste na compra direta de alimentos de agricultores familiares, sem necessidade de licitação e os leva a pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional, bem como à rede socioassistencial, equipamentos públicos de segurança alimentar e nutricional e à rede pública e filantrópica de ensino <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2003/L10.696.htm">Lei nº10.696/2003</a> (IPEA, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O PAA tem como objetivo incentivar a agricultura familiar, gerando emprego, renda e desenvolvendo a economia local, e de promover o acesso aos alimentos, contribuindo para reduzir a insegurança alimentar e nutricional (IPEA, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além de garantir o acesso à alimentação, o PAA também promove a valorização dos saberes e práticas alimentares regionais, respeitando os hábitos culturais e incentivando o consumo de alimentos frescos e variados, o que representa um importante avanço no combate à fome oculta (Sambuichi <em>et al.</em>, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a pandemia COVID-19, o fechamento de feiras, restaurantes e mercados afetou diretamente a comercialização dos produtos da agricultura familiar, com a falta de logística que levaram a um grande desperdício das produções. Desse modo, a população mais vulnerável enfrentou maiores dificuldades de acesso a alimentação nutritiva aumento o consumo de alimentos ultraprocessados (Sambuichi <em>et al</em>., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa mesma época, o programa já estava consolidado, portanto a adaptação aos protocolos sanitários foi feita com o objetivo de manter a sua operação, o governo comprava os produtos evitando perdas financeiras, fortalecendo os mercados regionais e reduzindo a dependência de grandes redes (Sambuichi <em>et al</em>., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No período pós pandêmico a relevância do programa se mantém como estratégia de desenvolvimento sustentável, dando um grande apoio aos circuitos curtos de comercialização, a agroecologia e a inclusão produtiva dos produtores familiares. Porém, apesar dos avanços, a redução de recursos federais, mudanças na gestão pública, fragilidade na logística, como atrasos no pagamento e falta de infraestrutura, além da necessidade de articulação entre outras políticas (IPEA, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atuação do PAA não se limita ao abastecimento alimentar, mas contribui diretamente para a saúde pública ao incentivar dietas mais saudáveis e equilibradas. Sua articulação com o PNAE e o Bolsa Família amplia os efeitos das políticas de segurança alimentar, especialmente para crianças em fase de crescimento (IPEA, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de sua relevância, o PAA enfrenta diversos desafios operacionais, como a escassez de profissionais capacitados para executar o programa nos municípios, entraves burocráticos para aquisição e distribuição dos alimentos e a instabilidade dos repasses orçamentários, que comprometem sua execução regular e a previsibilidade de renda dos agricultores (IPEA, 2023; Sambuichi <em>et al</em>., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No cenário atual, o fortalecimento do PAA requer não apenas o aumento dos recursos, mas também a integração com políticas de saúde, educação e assistência social, além da criação de indicadores de impacto nutricional que permitam avaliar sua contribuição para a redução da insegurança alimentar e da desnutrição infantil (IPEA, 2023).<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pandemia de COVID-19 representou um ponto de inflexão significativo no cenário da segurança alimentar e da desnutrição infantil no Brasil e globalmente. As medidas de isolamento social, necessárias para conter a propagação do vírus, desencadearam uma crise econômica com impactos diretos na renda e no emprego das famílias, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade (Jaime, 2020; Paiva <em>et al</em>., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A instabilidade no trabalho e a redução da renda familiar limitaram o acesso a alimentos adequados e nutritivos, exacerbando a insegurança alimentar e comprometendo a qualidade da alimentação (Jaime, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como apontado pelo IBGE (2020), os avanços na redução da desnutrição infantil observados nos anos anteriores à pandemia sofreram uma reversão, com um aumento no número de famílias enfrentando a insegurança alimentar.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A interrupção de serviços essenciais e o aumento das desigualdades sociais intensificaram os casos de desnutrição infantil em escala mundial (Pinto; Junior &amp; Rebouças, 2023). Crianças que vivenciam a desnutrição na infância estão mais suscetíveis a prejuízos permanentes em seu desenvolvimento físico e cognitivo (Mourão <em>et al</em>., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto de crise, programas sociais como o Bolsa Família (PBF) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) demonstraram sua importância como mecanismos de proteção social. O PBF, ao transferir renda para famílias vulneráveis, contribuiu para mitigar os impactos econômicos da pandemia e garantir um mínimo de acesso a recursos para a alimentação (Soares <em>et al</em>., 2019; Paiva <em>et al</em>., 2020).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos já indicavam o papel do Bolsa Família na melhoria da qualidade da alimentação infantil e na redução da mortalidade associada à desnutrição (Rasella <em>et al</em>., 2018). Durante o ano de 2020, o programa passou por uma adaptação emergencial com a concessão de um auxílio emergencial aos seus beneficiários, visando garantir renda em um período de acentuada vulnerabilidade (Sordi, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O PNAE, como política universal de oferta de alimentação escolar, também enfrentou desafios significativos com a suspensão das aulas. A interrupção da distribuição de refeições escolares impactou a nutrição de milhões de crianças que dependiam dessa fonte de alimentação (FNDE, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em resposta, foram implementadas normativas para garantir a continuidade da distribuição de alimentos adquiridos pelo PNAE diretamente aos responsáveis pelos estudantes, buscando minimizar o agravamento da insegurança alimentar nesse grupo (Pereira <em>et al.,</em> 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) também se mostrou relevante no contexto pós-pandemia. Ao promover a compra direta de alimentos da agricultura familiar e destiná-los a pessoas em insegurança alimentar e à rede socioassistencial (Sambuichi <em>et al.,</em> 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O PAA cumpre um duplo papel: incentiva a produção local e garante o acesso a alimentos para quem mais precisa (IPEA, 2023; Sambuichi<em> et al., </em>2020). Em um cenário de dificuldades logísticas e redução dos canais de comercialização, o PAA emerge como uma estratégia eficaz para apoiar os agricultores familiares e fortalecer a segurança alimentar das populações vulneráveis (Sambuichi <em>et al.,</em> 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As perspectivas pós-pandemia apontam para a necessidade de fortalecer e aprimorar as políticas públicas de combate à insegurança alimentar e à desnutrição infantil. A crise sanitária evidenciou a fragilidade de alguns sistemas e a importância de redes de proteção social robustas e adaptáveis a diferentes contextos (FNDE, 2022).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A continuidade e a expansão de programas como o Bolsa Família, o PNAE e o PAA, com mecanismos de focalização eficientes e recursos adequados, são cruciais para mitigar os impactos duradouros da pandemia e para garantir o direito humano à alimentação adequada para todas as crianças (Rodrigues <em>et al., </em>2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, é fundamental considerar a articulação entre diferentes políticas e setores (saúde, educação, assistência social, agricultura) para abordar as múltiplas dimensões da insegurança alimentar e da desnutrição infantil (Paiva <em>et al., </em>2020).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Investimentos em saúde materno-infantil, saneamento básico, educação nutricional e apoio à agricultura familiar são igualmente importantes para a construção de um cenário pós-pandemia mais resiliente e com menores índices de desnutrição infantil (FAO, 2024).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A experiência da pandemia reforça a necessidade de um olhar atento às desigualdades sociais e da implementação de políticas públicas que promovam a equidade no acesso à alimentação e à nutrição (Pinto <em>et al.,</em> 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos fatores econômicos, a má nutrição infantil está intrinsecamente ligada à ausência de infraestrutura básica, especialmente o saneamento. A falta de acesso a água tratada e esgoto sanitário eleva a incidência de doenças diarreicas e infecções parasitárias, que por sua vez comprometem a absorção de nutrientes essenciais (Trata Brasil, 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse ciclo vicioso, a criança adoece, gasta energia no combate à infecção e tem seu desenvolvimento físico prejudicado, sublinhando que o enfrentamento à desnutrição requer um olhar que transcenda a apenas a oferta de alimentos (Trata Brasil, 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atuação articulada entre Bolsa Família, PAA e PNAE é essencial para formar uma rede de proteção capaz de combater as múltiplas faces da insegurança alimentar infantil, além da criação de indicadores de impacto nutricional que permitam avaliar sua contribuição para a redução da insegurança alimentar e da desnutrição infantil (IPEA, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A efetividade dos programas de segurança alimentar depende de mecanismos de busca ativa e vigilância contínua que envolvam a escola e as Unidades de Saúde. A identificação e o encaminhamento de crianças em risco de desnutrição, principalmente aquelas que saíram do Cadastro Único ou da rede escolar durante a pandemia, são cruciais para evitar a cronicidade do problema (Fernandes, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise da morbidade hospitalar durante o pico da pandemia revelou um aumento nas internações por desnutrição em crianças, principalmente devido à ruptura dos serviços de Atenção Primária à Saúde (APS). O fechamento temporário ou a reconversão de unidades de saúde para o combate à COVID-19 interrompeu a vigilância nutricional de rotina, que é essencial para o rastreamento e tratamento precoce (Soares, 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O problema da desnutrição infantil deve ser tratado como uma questão de desenvolvimento cognitivo e capital humano, pois estudos longitudinais indicam que crianças desnutridas apresentam piores escores acadêmicos e menor produtividade na vida adulta. O Bolsa Família, ao proteger a nutrição na primeira infância, atua como um investimento de longo prazo no futuro econômico do país (Alves <em>et al.</em>, 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A desnutrição infantil permanece como um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil, especialmente após a pandemia de COVID-19, que intensificou a insegurança alimentar e ampliou as desigualdades sociais já existentes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo evidenciou que programas sociais como o Bolsa Família, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) foram fundamentais para mitigar os impactos da crise, oferecendo mecanismos de proteção às famílias em maior vulnerabilidade social.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da relevância dessas políticas, a pesquisa apontou limitações relacionadas à redução de recursos, à descontinuidade de ações e às dificuldades operacionais durante a pandemia. Esses fatores comprometeram a plena efetividade dos programas e evidenciaram a necessidade de maior estabilidade e fortalecimento institucional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Observou-se que o Bolsa Família garantiu uma renda mínima que ajudou a reduzir a pobreza extrema e a insegurança alimentar, o PNAE manteve a oferta de alimentação escolar mesmo em condições adversas, e o PAA fortaleceu a agricultura familiar, contribuindo para o acesso a alimentos mais saudáveis e diversificados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se que, para enfrentar os desafios do período pós-pandemia, é necessário ampliar os investimentos, bem como as fiscalizações de seus andamentos e promover a integração entre políticas públicas de saúde, educação, assistência social e agricultura, além de intensificar a busca ativa pelas famílias que tenham crianças beneficiárias em situação de vulnerabilidade. Essa articulação pode formar uma rede de proteção mais eficiente contra a fome e a desnutrição infantil.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALMEIDA, L. F. O Bolsa Família como estabilizador de renda e seu impacto na saúde infantil: uma análise de choques econômicos. <strong>Revista Brasileira de Políticas Públicas</strong>, Brasília, v. 13, n. 1, p. 115-130, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, R. et al. Desnutrição na primeira infância e seus efeitos no desenvolvimento cognitivo: um estudo de coorte longitudinal. <strong>Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil</strong>, Recife, v. 25, n. 1, p. 110-125, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">AZEVEDO, D. C. de. Vamos, sim, falar da fome!. <strong>Revista Katálysis</strong>, Florianópolis, v. 25, n. 3, p. 488–497, set. 2022.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">BOLSA FAMÍLIA (Programa). <strong>Programa Bolsa Família</strong>. Brasília: Secretaria Nacional de Renda de Cidadania, 2009.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">COSTA, R. O.; VIEIRA, M. F. Desigualdades regionais e a persistência da desnutrição infantil: o desafio estrutural no pós-pandemia. <strong>Ciência &amp; Saúde Coletiva</strong>, Rio de Janeiro, v. 30, n. 5, p. 1200-1215, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FERNANDES, S. C. Estratégias de busca ativa no Sistema Único de Assistência Social (SUAS) para a segurança alimentar e nutricional. <strong>Revista de Administração Pública</strong>, Rio de Janeiro, v. 55, n. 3, p. 600-618, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FERREIRA, J. P.; MENDES, C. A. Sensibilidade da desnutrição aguda (wasting) aos choques econômicos e sua relação com a política de salário mínimo e inflação. <strong>Economia Aplicada</strong>, Ribeirão Preto, v. 27, n. 4, p. 601-620, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS (FAO) et al. <strong>The State of Food Security and Nutrition in the World 2024:</strong> Financing to End Hunger, Food Insecurity and Malnutrition in All&nbsp;Its Forms. Rome: FAO, 2024. Disponível em: https://openknowledge.fao.org/server/api/core/bitstreams/d5be2ffc-f191-411c-9fee-bb737411576d/content. Acesso em: 7 mar. 2024.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO (FNDE). <strong>Programa Nacional de&nbsp;Alimentação Escolar (PNAE)</strong>. 2024. Disponível em: https://www.gov.br/fnde/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programas/pnae. Acesso em: 14 maio 2024.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">GOMES, P. A. O Benefício Primeira Infância (BPI) e a transformação dos indicadores de extrema pobreza: a efetividade do Novo Bolsa Família. <strong>Cadernos de Saúde Pública</strong>, Rio de Janeiro, v. 40, n. 2, p. e00102423, 2024.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). <strong>Pesquisa de Orçamentos Familiares&nbsp;(POF)</strong>. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/24786-pesquisa-de-orcamentos-familiares-2.html. Acesso em: 14 maio 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). In: INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. <strong>Vinte anos de políticas públicas para agricultura familiar no Brasil</strong>. Brasília: Ipea, 2023. cap. 8. Disponível em:&nbsp;https://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/14538/1/Vinte-anos_Cap08_Programa_Aquisicao_Alimentos_PA A.pdf. Acesso em: 14 maio 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">INSTITUTO TRATA BRASIL. <strong>Falta de saneamento contribui para que 28,8 milhões de crianças e adolescentes vivam na pobreza</strong>. São Paulo, SP: Trata Brasil, 21 jan. 2025. Disponível em: https://tratabrasil.org.br/falta-saneamento-28-8-milhoes-criancas-pobreza/. Acesso em: 29 set. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JAIME, P. C. Pandemia de COVID-19: implicações para (in) segurança alimentar e nutricional. <strong>Ciência &amp; Saúde Coletiva</strong>, Rio de Janeiro, v. 25, p. 2504, 2020.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">MACHADO, G. F.; RIBEIRO, S. A. A contribuição do PAA para a qualidade nutricional da merenda escolar: uma revisão sistemática. <strong>Revista de Administração Pública</strong>, Rio de Janeiro, v. 54, n. 4, p. 1150-1165, 2020.&nbsp;</p>



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<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: carvalho.giu03@gmail.com<br><sup>2</sup>Orientadora do TCC, Doutora em Biotecnologia pela Universidade Federal do Amazonas. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: francisca.freitas@fametro.edu.br<br><sup>3</sup>Coorientadora do TCC. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: rebeca.figueiredo@fametro.edu.br</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>INTRODUÇÃO DOS ULTRAPROCESSADOS NA ALIMENTAÇÃO INFANTIL E O RISCO DE OBESIDADE</title>
		<link>https://revistaft.com.br/introducao-dos-ultraprocessados-na-alimentacao-infantil-e-o-risco-de-obesidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Oct 2025 17:11:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Nutrição]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 151/OUT 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=239225</guid>

					<description><![CDATA[INTRODUCTION OF ULTRA-PROCESSED FOODS IN CHILDREN&#8217;S DIETS AND THE RISK OF OBESITY REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510131410 Bruna Venancio Vieira1Marílyam Chiara de Assis Epis1Rafaela Régia Calmont Cordovil1Orientadora: Dra. Francisca Marta Nascimento de Oliveira Freitas2Coorientador: Me. David Silva dos Reis3 RESUMO&#160;&#160; A alimentação adequada na infância representa um dos pilares essenciais para o desenvolvimento saudável, com impacto direto [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">INTRODUCTION OF ULTRA-PROCESSED FOODS IN CHILDREN&#8217;S DIETS AND THE RISK OF OBESITY</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510131410</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Bruna Venancio Vieira<sup>1</sup><br>Marílyam Chiara de Assis Epis<sup>1</sup><br>Rafaela Régia Calmont Cordovil<sup>1</sup><br>Orientadora: Dra. Francisca Marta Nascimento de Oliveira Freitas<sup>2</sup><br>Coorientador: Me. David Silva dos Reis<sup>3</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A alimentação adequada na infância representa um dos pilares essenciais para o desenvolvimento saudável, com impacto direto sobre aspectos físicos, cognitivos e metabólicos ao longo da vida. Este estudo tem por objetivo analisar a relação entre o consumo precoce de ultraprocessados e o risco de obesidade infantil. O presente trabalho caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e natureza exploratória. Foram examinadas fontes científicas e institucionais que abordam a composição desses alimentos, seus impactos metabólicos e os fatores socioeconômicos e familiares envolvidos nesse padrão alimentar. Os resultados apontam que a elevada ingestão de produtos ultraprocessados está associada ao aumento do risco de distúrbios cardiometabólicos, resistência à insulina e excesso de peso na infância. A formação de hábitos alimentares inadequados desde os primeiros anos de vida se mostra persistente ao longo do tempo, exigindo intervenções educativas e políticas públicas eficazes. A atuação conjunta da família, escola e profissionais de saúde é fundamental para a promoção de práticas alimentares saudáveis e para a prevenção da obesidade infantil.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>&nbsp;Primeira Infância, Obesidade Infantil, Ultraprocessados.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Adequate nutrition in childhood is one of the essential pillars for healthy development, with a direct impact on physical, cognitive, and metabolic aspects throughout life. This study aims to analyze the relationship between early consumption of ultra-processed foods and the risk of childhood obesity. This work is characterized as a bibliographic research study, with a qualitative approach and exploratory nature. Scientific and institutional sources addressing the composition of these foods, their metabolic impacts, and the socioeconomic and family factors involved in this dietary pattern were examined. The results indicate that high intake of ultra-processed products is associated with an increased risk of cardiometabolic disorders, insulin resistance, and overweight in childhood. The formation of poor eating habits from the early years of life persists over time, requiring effective educational interventions and public policies. Joint action by families, schools, and health professionals is essential for promoting healthy eating practices and preventing childhood obesity.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keyword: </strong>Early Childhood , Childhood Obesity, Ultra- Processed.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO</strong>&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A alimentação na infância é um dos fatores mais determinantes para o desenvolvimento integral das crianças, influenciando diretamente aspectos físicos, cognitivos, emocionais e nutricionais. As escolhas alimentares feitas nos primeiros anos de vida têm impacto duradouro, sendo fundamentais para a prevenção de doenças crônicas e para a promoção da saúde ao longo do ciclo de vida. Contudo, observa-se uma crescente preocupação com os hábitos alimentares infantis, especialmente diante do aumento do consumo de alimentos industrializados e ultraprocessados. Esse padrão alimentar tem sido associado ao avanço de condições como a obesidade infantil, diabetes tipo 2 e carências nutricionais (Brasil, 2014).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A rotina acelerada das famílias, aliada à ampla disponibilidade e à publicidade de alimentos ultraprocessados, contribui para escolhas alimentares inadequadas. Muitas vezes, por falta de conhecimento, tempo ou praticidade, famílias deixam de priorizar refeições balanceadas e acabam optando por produtos industrializados, ricos em açúcares, gorduras e sódio. Esse padrão alimentar impacta negativamente a saúde metabólica das crianças, favorecendo o surgimento precoce de distúrbios relacionados ao excesso de peso (Louzada <em>et al.,</em> 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A introdução inadequada desses alimentos durante os primeiros mil dias de vida &#8211; período que compreende desde a gestação até os dois anos de idade &#8211; tem consequências duradouras. Essa fase é crítica para o<strong> </strong>desenvolvimento metabólico e a<strong> </strong>formação dos hábitos alimentares, os quais tendem a persistir na vida adulta. Dietas obesogênicas, caracterizadas pelo alto consumo de ultraprocessados, estão associadas ao aumento de resistência à insulina<strong>,</strong> alterações no perfil lipídico<strong> </strong>e<strong> </strong>excesso de gordura corporal desde a infância (Silva <em>et al., </em>2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A introdução alimentar é uma fase sensível do desenvolvimento infantil e representa uma janela de oportunidade para a promoção de hábitos alimentares saudáveis. Sendo assim, os resultados discutidos neste estudo reforçam a importância de intervenções precoces que envolvam não apenas a família, mas também políticas públicas voltadas à educação alimentar, à regulação da publicidade de alimentos e ao incentivo à alimentação adequada e saudável desde os primeiros anos de vida (Mello <em>et al., </em>2021<em>)&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Dados recentes do Ministério da Saúde revelam a gravidade da situação: em 2021, aproximadamente 14,2% das crianças com menos de cinco anos apresentavam excesso de peso ou obesidade, enquanto 29,3% das crianças entre 5 e 9 anos estavam acima do peso, com cerca de 200 mil casos de obesidade grave. O consumo elevado de alimentos ultraprocessados é apontado como um dos principais fatores para esse cenário, evidenciando a necessidade urgente de ações e políticas públicas que estimulem práticas alimentares saudáveis desde os primeiros anos de vida (Brasil, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo tem por objetivo descrever a relação entre introdução de ultraprocessados na alimentação infantil e o risco de desenvolver obesidade, além de estudar os fatores negativos deles, bem como o conceito de ultraprocessados para melhor entendimento e obesidade infantil e os fatores alimentares que levam até a total doença.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>METODOLOGIA&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1</strong> <strong>Tipo de estudo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente trabalho configura-se como uma pesquisa do tipo bibliográfica, com abordagem qualitativa e caráter exploratório. A pesquisa bibliográfica é um método fundamental nas ciências humanas e da saúde, pois permite reunir, analisar e interpretar informações já produzidas sobre determinado tema, a partir de materiais publicados em livros, artigos científicos, periódicos, dissertações, teses, documentos institucionais e outras fontes confiáveis (Gil, 2002).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2</strong> <strong>Coleta de dados&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As buscas foram conduzidas em bases de dados eletrônicas de ampla relevância científica, como <em>Scientific Electronic Library Online (SciELO)</em>, <em>Google Acadêmico</em>, <em>Biblioteca Virtual em Saúde (BVS)</em>, <em>PubMed</em> e outras plataformas acadêmicas. Para as buscas, foram utilizados os seguintes descritores: “Introdução alimentar”,&nbsp;“Ultraprocessados”, “Obesidade infantil”, “Consumo alimentar” e “Composição nutricional”, bem como suas combinações, utilizando os operadores booleanos AND e OR. Foram incluídas publicações em português ou inglês, com acesso completo e fundamentação científica, que abordassem os alimentos ultraprocessados e seus impactos na saúde infantil, dos últimos 10 anos. Foram excluídos trabalhos fora do escopo da pesquisa, em outros idiomas, estudos antigos, editoriais e trabalhos incompletos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3</strong> <strong>Análise de dados&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados obtidos a partir das fontes selecionadas foram organizados por meio de fichamentos temáticos, facilitando a categorização dos conteúdos conforme os principais eixos de interesse do trabalho: definição e classificação dos alimentos ultraprocessados, fatores que levam à sua introdução na infância, impactos na saúde das crianças, e a relação com o desenvolvimento de sobrepeso e obesidade. A análise foi conduzida de forma qualitativa e interpretativa, com base na leitura crítica dos textos, buscando identificar convergências, divergências e lacunas nas informações apresentadas. Esse procedimento permitirá traçar um panorama abrangente sobre como o consumo precoce de ultraprocessados têm sido retratado na literatura científica, evidenciando as consequências metabólicas, comportamentais e sociais associadas a esse padrão alimentar.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1:</strong> Processo de identificação e seleção de artigos.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="635" height="615" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-45.jpeg" alt="" class="wp-image-239233" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-45.jpeg 635w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-45-300x291.jpeg 300w" sizes="(max-width: 635px) 100vw, 635px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autoria própria (2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>RESULTADOS E DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Alimentos ultraprocessados possuem em suas formulações, substâncias industriais tipicamente prontas para consumo, feitas com inúmeros ingredientes frequentemente obtidos a partir de colheitas de alto rendimento, como açúcares e xaropes, amidos refinados, gorduras, isolados proteicos, além de restos de animais de criação intensiva (Louzada <em>et al.,</em> 2023, p. 12).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos principais atributos para a qualidade do alimento é a matéria-prima. Esta deve ser de qualidade, adequada ao processo e ao alimento que se deseja elaborar. Para tanto, várias medidas de controle devem ser empregadas para que o produto chegue à mesa do consumidor. De uma forma geral, as matérias-primas podem ser classificadas em quatro grupos: animal, vegetal, mineral e sintético. Desses grupos, os dois mais utilizados pela indústria de alimentos são o animal e o vegetal (Andrade, 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O consumo excessivo de alimentos não recomendados está frequentemente associado ao ambiente familiar e às condições socioeconômicas da criança, o que influencia diretamente seus hábitos alimentares. A introdução alimentar é um dos pontos-chave na alimentação infantil, pois é nesse momento que as bases para os hábitos alimentares futuros começam a ser formadas. A diversidade de alimentos oferecidos nesse estágio tem um impacto significativo na formação do paladar infantil, o que pode ajudar a reduzir os riscos de obesidade e promover uma alimentação mais equilibrada ao longo da vida (Muniz; Souza; Galiza, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A educação alimentar para as crianças se faz necessária, para que elas tenham conhecimento do quão importante é ter uma alimentação saudável, aprendendo a trocar maus hábitos por bons hábitos. A família juntamente com a escola deve participar desse processo de educação alimentar, pois é extremamente importante que todos estejam envolvidos nessa ação. Com isso, podemos reduzir a obesidade infantil e seus impactos em nível global (Moala; Machado, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na impossibilidade do aleitamento materno, as fórmulas infantis são as mais apropriadas para substituí-lo na alimentação da criança no primeiro ano de vida, uma vez que possuem composição nutricional adaptada à velocidade de crescimento do lactente, prevenindo o aparecimento e doenças relacionadas aos excessos e às deficiências de nutrientes (Sociedade Brasileira de Pediatria<em>, </em>2004).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante o primeiro ano de vida (um período marcado por rápido crescimento e desenvolvimento — a alimentação deve assegurar o fornecimento de nutrientes essenciais, especialmente proteínas de alto valor biológico e cálcio. Esses elementos são fundamentais para a formação dos tecidos corporais, fortalecimento ósseo e o bom funcionamento metabólico infantil (Departamento Científico de Nutrologia, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas possuem o metabolismo mais lento, além da mastigação incorreta dos alimentos, que faz com que libere pouca<em> Leptina</em> – hormônio que desempenha importante papel na regulação da ingestão alimentar e no gasto energético, gerando um aumento na queima de energia e diminuindo a ingestão alimentar (Souza, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A obesidade caracteriza-se pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, sendo considerada uma doença crônica e um grave problema de saúde pública, resultante de uma combinação de diversos fatores. Segundo o Ministério da Saúde, os índices de obesidade infantil têm aumentado de forma alarmante, sendo tratada como uma questão epidêmica no país (Brasil, 2022).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse cenário de aumento da obesidade infantil é confirmado por dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), que apontam que, no<strong> </strong>Brasil, uma em cada sete crianças está acima do peso ou é obesa. Isso representa aproximadamente 14,2% das crianças com menos de cinco anos em situação de obesidade. Esse quadro é resultado de uma combinação de fatores econômicos, sociais, culturais, psicológicos e genéticos, que contribuem para hábitos alimentares inadequados. Como consequência, a obesidade infantil está associada a um risco aumentado de doenças como hipertensão arterial, diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares e outras complicações ao longo da vida (Varella, 2024).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a obesidade seja um dos distúrbios metabólicos mais conhecidos ao longo do tempo, sua fisiopatologia ainda não é completamente compreendida. Nesse sentido, essa limitação das causas específicas compromete a escolha da abordagem mais adequada para o tratamento da obesidade infantil (SBP, 2012).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao trabalhar com indivíduos obesos, é comum observar muitos desafios relacionados ao peso desde a infância. Observe que os padrões alimentares que aumentam a obesidade são frequentemente transmitidos entre gerações (Frontzek <em>et al</em>., 2017). A escolha dos alimentos faz parte de um sistema comportamental complexo e, na infância, é influenciada principalmente pelos pais (Frontzek <em>et al</em>., 2017).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto preocupante da obesidade infantil é sua relação com o desenvolvimento neurológico e cognitivo das crianças. Estudos indicam que a inflamação crônica decorrente do excesso de tecido adiposo pode afetar funções cerebrais essenciais, como memória, aprendizado e controle executivo, prejudicando o desempenho escolar e o desenvolvimento intelectual (Martins <em>et al.,</em> 2021). Além disso, a obesidade infantil pode influenciar padrões de sono, uma vez que o acúmulo de gordura corporal está associado a distúrbios como a apneia obstrutiva do sono, que impacta negativamente a qualidade do descanso e, consequentemente, a regulação do metabolismo e o funcionamento cognitivo (Silva <em>et al</em>., 2018).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Crianças com obesidade tendem a apresentar maior fadiga durante o dia, dificuldade de concentração e menor disposição para atividades que exigem esforço mental e físico, o que pode reforçar um ciclo de sedentarismo e hábitos prejudiciais à saúde. Além dos impactos físicos e cognitivos, a obesidade infantil pode alterar os mecanismos de saciedade e fome, já que dietas ricas em açúcar e gorduras saturadas podem desregular hormônios como a leptina e a grelina, responsáveis pelo controle do apetite, levando a um comportamento alimentar compulsivo e ao agravamento do quadro de obesidade ao longo da vida (Romero; Zanesco, 2006).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com dados publicados pela Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento (RBONE), a prevalência de excesso de peso é mais acentuada entre crianças de 0 a 11 anos. Esse cenário está fortemente associado a padrões alimentares inadequados e ao aumento do sedentarismo na infância (Martins, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas da área da saúde divulgadas em 2020 concluem que o consumo de ultraprocessados aumenta em 26% o risco de obesidade, eleva o risco de sobrepeso em 23%, de síndrome metabólica (condições que aumentam o risco de doença cardíaca, acidente vascular cerebral e diabetes) em 79%, de colesterol alto em 102%, de doenças cardiovasculares em 29% a 34% e da mortalidade por todas as causas em 25% (Brasil, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Martins, os alimentos ultraprocessados são caracterizados pela adição de substâncias que não seriam usadas em uma preparação caseira, como corantes, adoçantes artificiais e conservantes, além de altas concentrações de açúcares, gorduras saturadas e sódio (Martins, 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Impactos Nutricionais dos Alimentos Industrializados na Infância:&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os alimentos industrializados têm baixo valor nutricional, já que são ricos em<strong> </strong>calorias vazias e pobres em nutrientes essenciais. Esse desequilíbrio nutricional contribui diretamente para o aumento da obesidade infantil, uma vez que o consumo excessivo desses produtos dificulta uma alimentação equilibrada (World Health Organization, 2020).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas últimas décadas, observa-se uma preocupante expansão do consumo de alimentos ultraprocessados entre crianças e adolescentes, especialmente no Brasil e em outros países da América Latina. Um estudo longitudinal com crianças pré-escolares do Brasil e Uruguai apontou que maior consumo de ultraprocessados esteve associado a um risco aumentado de obesidade, com relação de risco (RR) de 1,10 (IC&nbsp;95%: 1,02–1,18). (Ferreira <em>et al.</em>, 2023)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um estudo realizado com crianças do Nordeste brasileiro (2024) explorou a relação entre o consumo de ultraprocessados e fatores de risco cardiometabólicos. Embora os resultados completos ainda exijam leitura integral, o estudo reafirma o impacto deletério do consumo precoce desses produtos na saúde metabólica infantil.&nbsp;(Silva <em>et al</em>., 2024)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em nível global, uma revisão sistemática incluindo 17 estudos (até fevereiro de 2022) revelou que<strong> </strong>14 demonstraram associação positiva entre consumo de ultraprocessados e sobrepeso/obesidade, além de fatores cardiometabólicos<strong>, </strong>tanto em crianças quanto em adolescentes. (Robles <em>et al.</em>, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tabela abaixo mostra os efeitos do consumo de ultraprocessados na saúde infantil. Esses produtos, com excesso de calorias, açúcares, sódio e gorduras e baixa qualidade nutricional, contribuem para maus hábitos, obesidade, deficiências e maior risco de doenças crônicas.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1</strong>: Efeitos relacionados ao consumo de ultraprocessados e o risco de obesidade.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Autor (Ano)&nbsp;</strong></td><td><strong>População</strong><strong>/idade&nbsp;</strong></td><td><strong>Variável avaliada&nbsp;</strong></td><td><strong>Resultados&nbsp;</strong></td></tr><tr><td><strong>Anastácio </strong><strong><em>et al</em></strong><strong>., 2020.&nbsp;</strong></td><td>Crianças de 6–59 meses, UBS — Rio de Janeiro.&nbsp;</td><td>Informação retirada de rótulo: energia&nbsp;(kcal/100 g), gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans, sódio, presença de edulcorantes.&nbsp;</td><td>Muitos produtos têm alta densidade energética e excesso de nutrientes críticos (gordura, sódio, açúcar); 66% dos UPF apresentaram excesso ≥1 nutriente crítico → potencial para ganho de peso e risco cardiometabólico.&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>ENANI-2019&nbsp;</strong><strong>(Kac </strong><strong><em>et al</em></strong><strong>.,&nbsp;</strong><strong>2021)&nbsp;</strong></td><td>Crianças &lt;&nbsp;5 anos,&nbsp;Brasil&nbsp;(amostra nacional)&nbsp;</td><td>Percentual calórico de&nbsp;AUP; tipos de alimentos; micronutrientes&nbsp;</td><td>80% das crianças consumiram AUP; alta densidade calórica, deficiências de micronutrientes; risco de obesidade e DCNT futuras&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>Frois </strong><strong><em>et al</em></strong><strong>., 2025&nbsp;</strong></td><td>Crianças 623 meses,&nbsp;Minas&nbsp;Gerais&nbsp;</td><td>Prevalência de AUP 2015-2022; densidade energética&nbsp;</td><td>Consumo elevado e estável; dietas menos saudáveis; potencial para ganho de peso excessivo&nbsp;&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>Louzada </strong><strong><em>et al., </em></strong><strong>2021&nbsp;</strong></td><td>Estudos&nbsp;Nacionais&nbsp;(PNAD/PN DSENANI&nbsp;e análise de inquéritos)&nbsp;</td><td>Relação com açúcar, gorduras, sódio, e qualidade global da dieta.&nbsp;</td><td>Em nível populacional, maior consumo de&nbsp;UPF está associado a pior perfil nutricional (mais açúcares livres, gordura saturada, sódio; menos fibras e vitaminas) -plausível ligação com aumento de obesidade e risco cardiometabólico desde a infância.&nbsp;&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>Sparrenberg</strong><strong>er </strong><strong><em>et al</em></strong><strong>., 2015.&nbsp;</strong></td><td>Estudo de campo com&nbsp;crianças menores de 2 anos/ atendidas em ubs.&nbsp;</td><td>Contribuição percentual de UPF na dieta por idade; discussão do perfil nutricional (açúcar, sódio, gorduras)&nbsp;</td><td>Alta participação de UPF já me lactentes e crianças pequenas; aumento na ingestão de calorias vazias e redução de qualidade- mecanismo que favorece ganho de peso precoce e alterações metabólicas.&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>Pereira </strong><strong><em>et al</em></strong><strong>., 2022 (Pelotas Birth&nbsp;</strong><strong>Cohort).&nbsp;</strong></td><td>Corte de nascimento de Pelotas (2015); crianças avaliadas aos 24 meses.&nbsp;</td><td>Questionário de consumo regular de UPF (lista de itens ultraprocessados); análise de fatores sociodemográficos e relação com estado&nbsp;nutricional&nbsp;(obesidade).&nbsp;</td><td>Consumo regular de UPF elevado (itens muito consumidos: iogurte industrial, sucos em caixinha, biscoitos, salgadinhos); maior&nbsp;consumo associado a condições socioeconômicas vulneráveis e&nbsp;comportamentos (creche, menor escolaridade materna), implicando risco dietético para obesidade infantil.&nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: autoria própria (2025). &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos selecionados mostram de forma consistente que alimentos ultraprocessados (AUP) já estão presentes rotineiramente na dieta de crianças brasileiras desde a primeira infância. A pesquisa nacional ENANI-2019 registrou prevalências muito altas de consumo de AUP em crianças menores de 5 anos, por exemplo cerca de 80,5% entre 6–23 meses, indicando que a exposição começa muito cedo e é generalizada no país (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO,&nbsp;2021).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise direta da composição nutricional dos produtos mais consumidos por crianças no estudo de Anastácio <em>et al.,</em> (2020) revela padrão alimentício preocupante: alta densidade energética e excesso de nutrientes críticos — gorduras totais e saturadas, gorduras trans, sódio e presença de edulcorantes — em um grande percentual dos produtos avaliados. Estes atributos tornam os UPF obesogênicos, pois favorecem ingestão calórica elevada por porção e menor saciedade, além de aumentar a exposição a fatores que alteram o metabolismo infantil.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos de coorte regionais, como o de Pelotas (Pereira <em>et al.,</em> 2022), mostram que o consumo<strong> </strong>regular<strong> </strong>de itens ultraprocessados já aos 24 meses é elevado (iogurtes industrializados, sucos/ bebidas adoçadas, biscoitos, salgadinhos, massas instantâneas etc.) e está associado a determinantes sociais (menor escolaridade materna, menor renda, creche), que podem intensificar o risco de dietas de pior qualidade e, subsequentemente, de ganho de peso excessivo na infância.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, evidências recentes de vigilância em nível estadual (SISVAN — Frois <em>et al.,</em> 2015–2022) apontam que o consumo de UPF em crianças pequenas não vem diminuindo; ao contrário, permanece elevado, sinalizando substituição contínua de alimentos in natura por produtos ultraprocessados — um cenário que favorece a formação precoce de preferências por alimentos altamente palatáveis e calóricos, e aumento da prevalência de excesso de peso infantil (Frois <em>et al., </em>2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em conjunto, esses achados suportam a interpretação de que a composição nutricional dos UPF (mais calorias, açúcar, gorduras ruins e sódio; menos fibras e micronutrientes) e a exposição precoce<strong> </strong>(introdução já no 1º–2º ano de vida) são mecanismos centrais que explicam por que o padrão alimentar com alta participação de ultraprocessados contribui para obesidade infantil e para a inadequação de micronutrientes essenciais ao crescimento. Essas evidências reforçam a necessidade de políticas públicas (regulação de marketing infantil, rotulagem, ações de promoção do aleitamento materno, educação alimentar nas creches e programas de apoio à família) para reduzir a exposição das crianças a alimentos obesogênicos desde os primeiros meses de vida (Frois <em>et al.,</em> 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os alimentos ultraprocessados apresentam características nutricionais desfavoráveis, com alta densidade energética, elevados teores de açúcares adicionados, gorduras saturadas e sódio, e baixo valor nutricional em termos de fibras, vitaminas e minerais. Essas propriedades os tornam inadequados para o consumo na infância, especialmente nos primeiros anos de vida, quando hábitos alimentares estão sendo estabelecidos e as necessidades nutricionais são mais específicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A introdução precoce e frequente desses alimentos está associada ao aumento do risco de excesso de peso e obesidade infantil. Essa associação é fortalecida por fatores como menor escolaridade dos responsáveis, condições socioeconômicas desfavoráveis e maior exposição ao marketing direcionado ao público infantil. Além disso, o padrão alimentar marcado pelo consumo de ultraprocessados têm contribuído para a substituição de alimentos in natura, comprometendo a qualidade da dieta e favorecendo a instalação de preferências por produtos altamente palatáveis e calóricos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, conclui-se que a introdução de ultraprocessados na alimentação infantil constitui um fator de risco relevante para o desenvolvimento da obesidade e de outras doenças crônicas não transmissíveis. O enfrentamento desse problema exige estratégias intersetoriais, que promovam a equidade no acesso a alimentos saudáveis e valorizem práticas alimentares culturalmente adequadas, seguras e nutricionalmente equilibradas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, M.; KONSTANTYNER, T. Alimentação da criança em idade escolar: cuidados e dicas práticas.&nbsp;Sociedade Brasileira de Pediatria. jun. 2024. Disponível em:&nbsp;https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/nutricao/alimentacao-da-crianca-em-idadeescolar-cuidados-e-dicas-praticas/. Acesso em: 06/04/2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Anastácio, C. O. A.; Oliveira, J. M.; Moraes, J. J. D.; Damião, J. J.; Castro, I. R. R. Perfil nutricional de alimentos ultraprocessados consumidos por crianças no Rio de Janeiro. <strong>Revista de Saúde Pública</strong>, São Paulo, v. 54, p. 89, 2020. Disponível em: Scielo / RSP.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ANDRADE, J.S. <strong>Matérias-primas alimentícias: composição e controle de qualidade</strong>. 2. ed. São&nbsp;Paulo: Editora Guanabara Koogan, 2018. Disponível em: &lt;&nbsp;https://www.grupogen.com.br/livros/materias-primas-alimenticias-composicao-e-controle-de-qualidade &gt;. Acesso em: 12/04/2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Alimentação saudável: dos frutos aos nuggets. Ministério da Saúde, 2015. Disponível em: &lt; https://bvsms.saude.gov.br/alimentacao-saudavel-dos-frutos-aos-nuggets/ &gt;. Acesso em: 24/03/2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. ANVISA – AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC nº 275, de 21 de outubro de 2002. Diário Oficial da União, Brasília, DF, Poder Executivo, de 23 de outubro de 2003. Acesso em: 20/08/2025.&nbsp;</p>



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<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: brunavieira1716@gmail.com; marissis19@gmail.com; rafaelacalmont12@gmail.com<br><sup>2</sup>Orientadora do TCC, Doutora em Biotecnologia pela Universidade Federal do Amazonas. Docente do Curso de&nbsp;Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: francisca.freitas@fametro.edu.br<br><sup>3</sup>Coorientador(a) do TCC, Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Católica de Santos. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: david.reis@fametro.edu.br</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>INTRODUÇÃO ALIMENTAR PARA CRIANÇAS AUTISTAS: ESTRATÉGIAS PRÁTICAS PARA UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL</title>
		<link>https://revistaft.com.br/introducao-alimentar-para-criancas-autistas-estrategias-praticas-para-uma-alimentacao-saudavel/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Oct 2025 13:18:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Nutrição]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 151/OUT 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[FOOD INTRODUCTION FOR AUTISTIC CHILDREN: PRACTICAL STRATEGIES FOR HEALTHY EATING REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510081016 Eliane de Sousa Serique¹Dalma de Sousa Pereira¹Orientadora: Rebeca Sakamoto Figueiredo²Coorientador: David Silva dos Reis³ RESUMO A introdução alimentar para crianças no Transtorno do Espectro Autista (TEA) representa um desafio complexo, demandando abordagens especializadas que transcendem as convencionais. As particularidades sensoriais, a rigidez [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">FOOD INTRODUCTION FOR AUTISTIC CHILDREN: PRACTICAL STRATEGIES FOR HEALTHY EATING</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510081016</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Eliane de Sousa Serique¹<br>Dalma de Sousa Pereira¹<br>Orientadora: Rebeca Sakamoto Figueiredo²<br>Coorientador: David Silva dos Reis³</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A introdução alimentar para crianças no Transtorno do Espectro Autista (TEA) representa um desafio complexo, demandando abordagens especializadas que transcendem as convencionais. As particularidades sensoriais, a rigidez comportamental e a frequente comorbidade gastrointestinal exigem estratégias pautadas na paciência e na individualização. Nesse sentido, o objetivo geral precede a investigar as estratégias baseadas em evidências para facilitar esse processo, considerando os ajustes necessários para uma nutrição adequada.&nbsp; A metodologia será conduzida por meio de uma revisão bibliográfica narrativa, baseada na análise de artigos científicos, livros e diretrizes de saúde pública sobre introdução alimentar e transtorno do espectro autista, bem como uma revisão de literatura. A análise dos resultados aponta que o sucesso não está em fórmulas rígidas para se propor uma estratégia alimentar para uma criança autista, mas na compreensão de transformar a hora da refeição de um campo de batalha em um espaço de descoberta e conexão. Conclui-se que a colaboração multiprofissional, envolvendo nutricionista, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo, é fundamental para o desenvolvimento de um plano alimentar adaptado às singularidades de cada criança.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>&nbsp;Introdução Alimentar, Transtorno do Espectro Autista (TEA), Plano Alimentar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Introducing solid foods to children with Autism Spectrum Disorder (ASD) presents a complex challenge, requiring specialized approaches that go beyond conventional methods. Sensory peculiarities, behavioral rigidity, and frequent gastrointestinal comorbidities necessitate strategies grounded in patience and individualization. In this sense, the overall objective is to investigate evidence-based strategies to facilitate this process, taking into account the necessary adjustments for adequate nutrition. The methodology will be conducted through a narrative literature review, based on the analysis of scientific articles, books, and public health guidelines on food introduction and autism spectrum disorder, as well as a literature review. The analysis of the results indicates that success does not lie in rigid formulas for proposing a dietary strategy for an autistic child, but in understanding how to transform mealtime from a battlefield into a space for discovery and connection. It is concluded that multiprofessional collaboration, involving nutritionists, occupational therapists, and speech therapists, is fundamental for the development of a dietary plan adapted to the singularities of each child.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Introduction to Food, Autism Spectrum Disorder (ASD), Dietary Plan.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A introdução alimentar é um marco fundamental no desenvolvimento infantil, representando um desafio singular e complexo para crianças no Transtorno do Espectro Autista (TEA). Este processo, que vai além da simples nutrição, deve ser abordado com extrema paciência, entendimento e cautela, visando transformar o momento da refeição em uma fonte de prazer, aprendizado e desenvolvimento integral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É fundamental a importância em todo o processo de desenvolvimento humano, a nutrição constitui-se elemento relevante em todas as etapas da vida, dentre as quais, as iniciais merecem destacada atenção, em vista da influência que exercem sobre as demais. Não por acaso, muitas das patologias observadas na fase adulta do ser humano guardam relação direta com a prática alimentar adotada na etapa infantil (GEUS et al., 2011).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relevância do tema é corroborada por dados epidemiológicos. Segundo o CDC (Centro de Controle de Doenças) dos Estados Unidos (2023), a prevalência do autismo atingiu 1 em cada 36 crianças, um aumento significativo em relação à taxa de 1 em cada 44 registrada em 2021 com base em dados de 2018. Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (Who, 2023) aponta que aproximadamente 1 em cada 100 crianças recebe o diagnóstico de TEA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme elucidam SILVA e GOULART (2020), a semiologia do autismo manifesta-se precocemente, antes dos 30 meses de vida, comprometendo áreas cruciais para o desenvolvimento de competências comunicativas e de interação social. Este comprometimento se estende ao processamento sensorial.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse âmbito, para aprimorar a qualidade de vida de tais sujeitos, é fundamental avaliar sua inclusão no processo de introdução alimentar, bem como compreender as abordagens terapêuticas nele aplicadas (Magagnin, Silva, Nunes, Ferraz &amp; Soratto, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">DIAS et. al. (2024, p. 3) relatam que o autismo é uma &#8220;condição complexa que afeta a comunicação, o comportamento e a interação social&#8221;, onde &#8220;dificuldades na modulação e no processamento de estímulos sensoriais&#8221; podem resultar em reações extremas, tornando essencial intervenções de integração sensorial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É neste contexto que a seletividade alimentar emerge como uma das características mais desafiadoras. DIAS et. al. (2024, p. 3) indagam que esta seletividade &#8220;representa desafio significativo não apenas para a saúde da criança, mas também para as dinâmicas familiares e sociais&#8221;, podendo levar à exclusão, estigmatização e a problemas de nutrição que impactam diretamente o desenvolvimento físico e emocional. Além das questões sensoriais, distúrbios gastrointestinais, como a redução na produção de enzimas digestivas e inflamação da parede intestinal, frequentemente exacerbam o quadro (CAETANO; GURGEL, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, apesar de muitos estudos estarem pautando as dietas específicas como uma forma de amenizar os sintomas cognitivos e comportamentais do autismo, ainda assim dietas como a sem glúten e sem caseína (GFCF), sem glúten (GFD) e a cetogênica (KD) têm sido propostas como terapias alternativas para o TEA como uma forma de aliviar sintomas gastrointestinais e comportamentais (YU et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, segue abaixo a definição de Educação Alimentar Nutricional:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Educação Alimentar e Nutricional no contexto do atendimento do Direito Humano à Alimentação Adequada e Segurança Alimentar estável e Nutricional é tanto um campo de conhecimento e de prática constante e permanente, transdisciplinar, intersetorial e multiprofissional quanto uma maneira de promover a prática autônoma e voluntária de hábitos alimentares saudáveis. “Deve-se refletir sobre a relação entre a prática da EAN e abordagens educacionais promotoras do diálogo. Devem ser consideradas todas as fases etárias dos grupos ou indivíduos abordados, em todas as etapas do sistema alimentar, as interações e significados que sustentam o comportamento alimentar.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Este desafio complexo, associado a fatores neurológicos e comportamentais, demanda uma abordagem multidisciplinar, envolvendo nutricionistas, terapeutas ocupacionais e psicólogos para desenvolver planos personalizados que respeitem as singularidades de cada criança (CARREIRO, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, este trabalho tem como objetivo geral investigar as estratégias baseadas em evidências para facilitar esse processo, considerando os ajustes necessários para uma nutrição adequada. Para tal, propõe-se os seguintes objetivos específicos: i) determinar os principais problemas nutricionais enfrentados por crianças com TEA; ii) apresentar abordagens que beneficiem a aceitação de novos alimentos; e iii) propor orientações claras para pais e cuidadores, visando tornar a introdução alimentar uma experiência mais eficaz e menos estressante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A finalidade última é fornecer informações úteis que promovam uma nutrição saudável e acessível, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e do desenvolvimento integral das crianças no espectro autista. Com paciência, criatividade e o suporte especializado adequado, é perfeitamente possível transformar a alimentação em um momento prazeroso e enriquecedor para a criança e sua família.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1</strong> <strong>Tipo de estudo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo será conduzido por meio de uma revisão bibliográfica narrativa, baseada na análise de artigos científicos, livros e diretrizes de saúde pública sobre introdução alimentar e transtorno do espectro autista, bem como uma revisão de literatura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa busca compreender por meio de um levantamento bibliográfico as principais dificuldades enfrentadas por essas crianças e quais estratégias já foram validadas cientificamente para auxiliar no processo alimentar, com o objetivo de atualizar o conhecimento sobre um tema determinado (PEREIRA et al., 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para os critérios de inclusão, definiu-se: artigos originais na língua inglesa e portuguesa dos últimos 10 anos, que abordam a introdução alimentar em crianças autistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para os critérios de exclusão, definiu-se: artigos acima de 10 anos de publicação, artigos incompletos, editores, carta de editores e artigos de outros idiomas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2</strong> <strong>Coleta de dados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As informações serão obtidas a partir de revistas científicas, livros e periódicos, por meio de uma pesquisa eletrônica de literatura utilizando a base do Google Acadêmico, com os seguintes descritores: “transtorno no espectro autismo”, “seletividade alimentar” e “transtorno do processamento sensorial”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3</strong> <strong>Análise de dados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados serão avaliados e discutidos a partir dos estudos incluídos. Serão apresentados os objetivos, os métodos, os resultados e a discussão dos estudos, com objetivo de proporcionar uma melhor compreensão do estudo realizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. RESULTADO E DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A introdução alimentar de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um processo complexo que exige estratégias adaptadas às suas necessidades sensoriais, comportamentais e nutricionais (OLIVEIRA; SOUZA, 2022; ARAÚJO et al., 2024). Esta seção tem por objetivo discutir os principais achados da literatura científica brasileira recente, com base em oito estudos selecionados, dos quais quatro foram classificados como experimentais e quatro como descritivos.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 01</strong>&#8211; Síntese dos estudos sobre seletividade alimentar e aspectos nutricionais no Transtorno do Espectro Autista (TEA)</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Autor (Ano)</strong></td><td><strong>Título</strong></td><td><strong>Objetivo</strong></td><td><strong>Parâmetros avaliados</strong></td></tr><tr><td><br>Araújo <em>et al. </em>(2024)</td><td><br>Explorando a seletividade alimentar em indivíduos autistas: causas, impactos e estratégias de intervenção</td><td><br>Analisar a seletividade alimentar em crianças com Transtorno do Espectro Autista(TEA), a partir de uma revisão de literatura.</td><td><br>As crianças que possuem o Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresentam uma tendência significativamente maior a desenvolver seletividade alimentar, levando-as a recusar alimentos com base em diferentes características, como textura, consistência, sabor, aroma, combinações, marca &nbsp; e &nbsp; formato. &nbsp; As &nbsp; intervenções analisadas mostraram resultados positivos ao ampliar o leque alimentar.</td></tr><tr><td><br>Bottan <em>et al. </em>(2019)</td><td><br>Analisar a alimentação de autistas por meio de revisão de literatura</td><td><br>Analisar a alimentação de autistas por meio de revisão de literatura, abordando a prevalência de autismo, seletividade alimentar e os alimentos mais ou menos consumidos por este grupo de indivíduos.</td><td><br>Os resultados apontaram que existe tendência de maior consumo de alimentos ricos em carboidratos e gorduras, já as restrições foram por alimentos que contém proteínas, vitaminas e sais minerais.</td></tr><tr><td><br>Caetano, Gurgel (2018)</td><td><br>Perfil &nbsp; nutricional &nbsp; de &nbsp; crianças &nbsp; portadoras &nbsp; do &nbsp; transtorno &nbsp; do &nbsp; espectro autista</td><td><br>Avaliar o estado nutricional e o consumo alimentar de crianças portadoras do transtorno do espectro autista (TEA)</td><td><br>Das 26 crianças avaliadas, 10 (38,5%) apresentaram sobrepeso (23,1%, n=6) e obesidade (15,38%, n=4) pelo IMC/I (Índice de Massa Corporal para Idade), bem como 10 crianças (38,5%) apresentaram risco de sobrepeso. O consumo de energia (EER) esteve acima do recomendado para 14 (53,85%) dos autistas. Identificou-se inadequação no consumo de vitamina A (77%, n=20), vitamina B6 (58%, n=15) e cálcio (50%, n=13).</td></tr><tr><td><br>Coelho, et. al. (2008)</td><td><br>Relato de caso: privação sensorial de estímulos e comportamentos autísticos</td><td><br>Relatar o caso de uma criança que apresenta características autísticas e sofreu privação de estímulos por negligência materna.</td><td>Os resultados da intervenção fonoaudiológica, de acordo com os objetivos propostos apresentados, foram os seguintes: a criança aumentou o tempo de contato ocular com as terapeutas, passou a aceitar o contato corporal e a demonstrar um maior interesse pelos objetos, permanecendo mais tempo em determinadas atividades, iniciando as vocalizações indiferenciadas em momentos de prazer e diminuindo os movimentos repetitivos.</td></tr><tr><td><br>Lázaro et.al. (2018)</td><td><br>Transtorno do Espectro Autista: estudo de validação</td><td><br>Construir os itens e realizar a validade de conteúdo e construção da Escala de Comportamento Alimentar do Autismo.</td><td><br>Dos 53 itens inicialmente desenvolvidos para o estudo do construto, 33 mostraram-se válidos para a avaliação do atributo e três foram acrescentados, compondo a segunda versão da escala, que foi respondida por 130 pessoas. Dos 35 itens que permaneceram após a primeira análise fatorial, 26 mostraram-se válidos para a avaliação do atributo e foram distribuídos em sete dimensões: motricidade na mastigação, seletividade alimentar, habilidades nas refeições, comportamento inadequado relacionado às refeições, comportamentos rígidos relacionados à alimentação, comportamento opositor relacionado à alimentação, alergias e intolerância alimentar. A estrutura final da escala ficou composta por 26 itens, distribuídos em sete fatores, apresentando um valor geral de confiabilidade de 0,867.</td></tr><tr><td>Oliveira, Souza (2022)</td><td>Terapia com base em integração sensorial em um caso de Transtorno do Espectro Autista com seletividade alimentar</td><td>Analisar a relação entre seletividade alimentar e a disfunção do processamento sensorial em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e acompanhar sua evolução com abordagem terapêutica de intervenção sensorial.</td><td>Foi identificada alteração significativa no Perfil Sensorial, principalmente nos sistemas que estão relacionados com a alimentação, confirmando as dificuldades sensoriais de crianças com TEA e sua interface com seletividade alimentar. O tratamento de terapia ocupacional com abordagem de integração sensorial obteve resultados favoráveis na aceitação dos alimentos e diminuição da seletividade.</td></tr><tr><td>Pavão, Cardoso (2021)</td><td>A influência da alimentação saudável em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA)</td><td>Realizar uma revisão da literatura sobre a influência de uma alimentação saudável em crianças com transtorno do espectro autista (TEA).</td><td>Compreendeu-se que as sensibilidades alimentares desenvolvidas pelas crianças com TEA, como a seletividade alimentar, deficiência de ferro, e alergia alimentar afeta a ingestão nutricional adequada, que influencia a saúde, comportamento e apresentação clínica do transtorno.</td></tr><tr><td>Ribeiro, et. al. (2023)</td><td>Avaliação do estado nutricional em crianças com autismo: desafios e recomendações</td><td>Avaliar de forma abrangente o estado nutricional em crianças com autismo, identificando desafios alimentares e deficiências nutricionais específicas.</td><td>Estes resultados evidenciam a importância de uma intervenção nutricional personalizada para crianças autistas, com o objetivo de melhorar o seu estado nutricional e, consequentemente, a sua saúde e qualidade de vida.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: autoria Própria, 2025</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Quadro 1 destaca resultados que confirmam que crianças com TEA apresentam alta seletividade alimentar: recusa baseada em textura, sabor, aroma, consistência e outros elementos sensoriais (ARAÚJO et al., 2024; OLIVEIRA; SOUZA, 2022). Esse achado se alinha com estudos brasileiros recentes, como o de <em>Seletividade Alimentar no Transtorno do Espectro Autista</em> (BRAZILIAN JOURNALS, 2024), o qual aponta que até 80% das crianças com TEA manifestam transtornos alimentares que se expressam sobretudo por aversões sensoriais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No estudo Terapia Nutricional como Estratégia na Seletividade (BONFIM, 2024), consta que intervenções nutricionais, associadas ao uso de probióticos, mostram eficácia em reduzir sintomas gastrointestinais e melhorar tolerância a certos alimentos, corroborando CAETANO &amp; GURGEL (2018) que identificaram carências de micronutrientes. Isso reforça que além da psicologia alimentar existe uma base fisiológica relevantíssima.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, estudos como “Comportamento Alimentar de Crianças com TEA” (LEMES, 2023) confirmam rigidez comportamental e predileção por alimentos ultraprocessados ou com sabores e texturas “seguras”, já observadas por PAVÃO &amp; CARDOSO (2021) e BOTTAN et al. (2019). Essa tendência de consumo reduzido de frutas e vegetais é um padrão presente em diversas pesquisas nacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra evidência atual refere-se às dietas alternativas como GFCF ou outras intervenções que restringem glúten e caseína. Um artigo de 2024 conclui que tais dietas ainda têm evidência limitada e incerta para resultados consistentes, o que contrabalança as narrativas mais otimistas presentes no Quadro (YU et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos recentes também reforçam o papel central dos pais e cuidadores: Mothers narratives about food selectivity and autism (2023) relata que mães se sentem exaustas e que a refeição conjunta é fonte de estresse, evidenciando a necessidade de suporte emocional e educacional para famílias. Tal aspecto confirma os achados de COELHO et al. (2008) e de PAIVA &amp; GONÇALVES (2020) quanto à educação e capacitação familiar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, há trabalhos recentes que destacam a importância de intervenções de integração sensorial e de terapias ocupacionais. Um estudo de caso de 2024 aponta que o acompanhamento terapêutico sensorial melhorou a aceitação de alimentos novos em crianças com TEA, coincidindo com os resultados de OLIVEIRA &amp; SOUZA (2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1 Principais desafios enfrentados na introdução alimentar de crianças com TEA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A seletividade alimentar é uma das manifestações mais recorrentes em crianças com TEA, sendo frequentemente atribuída a alterações nos sistemas sensoriais. Crianças autistas podem apresentar aversão a texturas, sabores, temperaturas e até à cor dos alimentos, o que dificulta a diversidade alimentar (OLIVEIRA; SOUZA, 2022). A seletividade, nesse sentido, vai muito além de uma mera preferência alimentar: trata-se de um sintoma que pode comprometer a nutrição e o crescimento adequado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro desafio está relacionado à rigidez comportamental, característica comum no espectro autista. Crianças com TEA tendem a se apegar a rotinas e são mais resistentes a mudanças, inclusive no contexto alimentar. Isso se traduz em uma recusa persistente a experimentar novos alimentos e insistência em consumir apenas determinados tipos ou marcas (ARAÚJO et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os problemas gastrointestinais também têm sido apontados como fatores que agravam a seletividade alimentar. Estudos indicam que distúrbios como constipação, refluxo e desconfortos abdominais são comuns em crianças com TEA, influenciando diretamente suas escolhas alimentares (PAVÃO; CARDOSO, 2021). Tais sintomas podem gerar associações negativas com certos alimentos, levando à recusa mesmo sem hipersensibilidade sensorial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os aspectos emocionais e comportamentais também interferem na introdução alimentar. Episódios de estresse durante as refeições, como força e insistência para comer, podem piorar a aversão alimentar e fortalecer o comportamento de recusa (MORAES et al., 2021). Assim, o manejo inadequado das refeições no ambiente domiciliar pode contribuir para o agravamento do problema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a falta de conhecimento por parte dos cuidadores sobre os desafios alimentares das crianças com TEA pode dificultar ainda mais o processo. Muitos pais não reconhecem a seletividade como uma questão clínica e acabam reforçando comportamentos alimentares inadequados. Por isso, é essencial capacitar os familiares com orientações e suporte especializado (RIBEIRO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Finalmente, estudos como o de CAETANO e GURGEL (2018) revelam que a seletividade alimentar, quando não manejada adequadamente, pode resultar em deficiências nutricionais graves. Carências de vitamina A, B6, cálcio e ferro são frequentemente observadas, podendo comprometer o desenvolvimento cognitivo e imunológico das crianças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para enfrentar os desafios alimentares associados ao TEA, diversas estratégias práticas têm sido propostas e avaliadas na literatura. Uma das mais eficazes é a exposição repetida e gradual aos alimentos recusados, promovendo a familiarização da criança com o alimento antes de sua ingestão. Essa técnica, baseada em aproximações sucessivas, permite que o alimento seja explorado sensorialmente, sem pressão, o que reduz a ansiedade e aumenta a aceitação (MONTEIRO et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra intervenção eficaz é o uso de reforçadores positivos, como elogios, recompensas simbólicas ou atividades prazerosas após a aceitação de um novo alimento. Essa abordagem comportamental tem mostrado bons resultados na ampliação do repertório alimentar, especialmente quando aplicada de forma consistente por cuidadores e profissionais (YU et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A criação de rotinas estruturadas durante as refeições também é uma ferramenta essencial. Crianças com TEA beneficiam-se de previsibilidade e organização, fatores que minimizam o estresse e a resistência. Refeições realizadas no mesmo horário, com utensílios e ambientes familiares, contribuem para um contexto mais tranquilo e favorável à alimentação (PAIVA; GONÇALVES, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Intervenções sensoriais, conduzidas por terapeutas ocupacionais, têm sido incorporadas aos programas de alimentação. Essas intervenções visam regular os sistemas sensoriais e desenvolver tolerância a diferentes texturas, temperaturas e consistências. Resultados positivos foram observados em estudos que utilizaram abordagens de integração sensorial (OLIVEIRA; SOUZA, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outras estratégias incluem o envolvimento da criança na preparação das refeições, o que pode aumentar o interesse pelos alimentos e estimular a curiosidade. A manipulação dos ingredientes antes da ingestão permite um contato inicial mais lúdico, reduzindo barreiras de aceitação (BORILLI et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, destaca-se a necessidade de educação alimentar junto aos cuidadores. O suporte e a orientação aos pais é fundamental para que compreendam as necessidades alimentares da criança, adotem práticas adequadas e mantenham a constância das intervenções. Famílias bem orientadas tendem a apresentar melhores resultados na adesão das crianças a dietas saudáveis (CARDOSO; LIMA; CAMPOS, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2 Importância da abordagem multiprofissional</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A complexidade dos sintomas apresentados por crianças com TEA exige uma abordagem integrada e multidisciplinar. A participação de profissionais como nutricionistas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e psicólogos é essencial para que as estratégias alimentares sejam planejadas e executadas com sucesso (RIBEIRO et al., 2023). Cada profissional contribui com uma perspectiva complementar, considerando aspectos sensoriais, comportamentais e nutricionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nutricionistas desempenham papel central na avaliação do estado nutricional e na elaboração de cardápios personalizados, adequados à seletividade alimentar e às carências nutricionais identificadas. O acompanhamento regular possibilita ajustes ao longo do tempo, respeitando as fases do desenvolvimento da criança (MENDES et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os terapeutas ocupacionais, por sua vez, contribuem com a regulação sensorial, fundamental para a aceitação de novos alimentos. Por meio da terapia de integração sensorial, é possível reduzir a hipersensibilidade a texturas e cheiros, preparando a criança para vivências alimentares mais amplas e variadas (OLIVEIRA; SOUZA, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fonoaudiologia é outro pilar importante nesse processo. Fonoaudiólogos podem atuar na melhora da mastigação, deglutição e coordenação motora oral, aspectos muitas vezes comprometidos em crianças com TEA. Além disso, esses profissionais também auxiliam na comunicação das preferências alimentares e na expressão de desconfortos durante as refeições (COELHO et al., 2008).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atuação psicológica se faz necessária para o manejo das questões emocionais relacionadas à alimentação. Crises, birras e ansiedade nas refeições podem ser compreendidas e manejadas com apoio especializado. Intervenções comportamentais, como o uso de ABA (Applied Behavior Analysis), mostram-se eficazes no ensino de novos comportamentos alimentares (TEIXEIRA et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse trabalho conjunto entre os profissionais permite um olhar mais sensível e abrangente sobre a criança, valorizando suas potencialidades e respeitando suas limitações. A participação da família nesse processo é crucial, pois são os pais e cuidadores que darão continuidade às práticas em casa, tornando-as consistentes e eficazes (PAIVA; GONÇALVES, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3 O papel dos pais e cuidadores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O envolvimento da família no processo de introdução alimentar de crianças com TEA é fundamental. Os pais e cuidadores atuam como mediadores entre a criança e o alimento, sendo responsáveis pela aplicação das estratégias terapêuticas no contexto domiciliar. Sua participação ativa pode representar a diferença entre o sucesso e o fracasso das intervenções propostas pelos profissionais (MENDES et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O vínculo afetivo entre pais e filhos facilita o processo de aceitação alimentar. Quando a criança se sente segura e acolhida, a ansiedade é reduzida e as chances de aceitar novos alimentos aumentam. Refeições realizadas em um ambiente calmo, com presença familiar positiva, contribuem para uma experiência alimentar mais agradável (PAIVA; GONÇALVES, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, é necessário que os cuidadores estejam devidamente orientados sobre os desafios alimentares do TEA. Isso inclui compreender as particularidades sensoriais da criança, saber identificar sinais de desconforto, respeitar os limites individuais e persistir com empatia nas tentativas de introdução alimentar (CARDOSO; LIMA; CAMPOS, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Educação alimentar e nutricional dirigida às famílias também é uma ferramenta essencial. Ela visa promover o conhecimento sobre alimentação balanceada, reconhecer alimentos saudáveis e estimular hábitos alimentares desde a primeira infância. Tais práticas reverberam positivamente na saúde da criança e de toda a família (ROLAND; ALMEIDA, 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto importante é o exemplo. Crianças aprendem por imitação e tendem a repetir comportamentos alimentares observados em seus cuidadores. Assim, é fundamental que os adultos se alimentem de forma variada e saudável, demonstrando satisfação ao consumir alimentos novos, o que pode estimular a curiosidade e a aceitação infantil (EVÊNCIO; FERNANDES, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, deve-se ressaltar que o processo é gradual e exige paciência. Cada avanço, por menor que seja, representa um progresso importante. O encorajamento e a persistência são aliados no enfrentamento das dificuldades alimentares em crianças com TEA, promovendo autonomia e qualidade de vida (PEREIRA, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.4 Hábitos e problemas nutricionais mais frequentes nas crianças com TEA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Crianças com TEA costumam apresentar padrões alimentares restritivos, os quais resultam em deficiências nutricionais importantes. A preferência por alimentos ricos em carboidratos e industrializados, aliada à rejeição de frutas, legumes e vegetais, compõem um quadro de preocupante baixa diversidade alimentar (CAETANO; GURGEL, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas preferências estão fortemente ligadas às questões sensoriais. Texturas, cheiros, temperaturas e cores provocam reações negativas em muitas crianças autistas, resultando na recusa sistemática de certos grupos alimentares. A hipersensibilidade sensorial é uma característica marcante no TEA, interferindo diretamente na alimentação (OLIVEIRA; SOUZA, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Consequentemente, essas limitações alimentares estão associadas a déficits em micronutrientes essenciais, como ferro, vitamina A, vitamina B6 e cálcio. Esses nutrientes são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo, imunológico e físico, e sua carência pode comprometer o crescimento da criança (CAETANO; GURGEL, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das questões sensoriais, aspectos comportamentais também interferem nos hábitos alimentares. A rigidez de rotina, a neofobia alimentar (medo de alimentos novos) e o comportamento opositor dificultam ainda mais a ampliação do repertório alimentar (LIMA et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro problema frequente é o baixo apetite. Algumas crianças com TEA sentem pouca fome ou não reconhecem os sinais fisiológicos de fome e saciedade, tornando as refeições imprevisíveis. Isso reforça a importância da estruturação de rotinas e do oferecimento regular de refeições (JOHNSON, 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses dados reforçam a necessidade de diagnóstico precoce das deficiências nutricionais, bem como a implantação de estratégias que considerem não apenas o valor nutricional dos alimentos, mas também os fatores sensoriais e comportamentais envolvidos (RIBEIRO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.5 Estratégias para uma introdução alimentar saudável</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A introdução alimentar em crianças com TEA deve seguir princípios de gradualidade e respeito às especificidades individuais. Técnicas como a exposição repetida, o uso de reforçadores positivos e o contato sensorial progressivo com os alimentos têm se mostrado eficazes (MONTEIRO et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O planejamento alimentar deve incluir alimentos com texturas e sabores similares aos já aceitos, aumentando progressivamente a variedade. Não se deve forçar a criança a comer, mas incentivá-la por meio de reforços positivos, como elogios e recompensas simbólicas (TEIXEIRA et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A participação da criança no preparo dos alimentos é também uma técnica eficaz. Essa interação promove curiosidade e senso de controle sobre o que está sendo oferecido, o que pode facilitar a aceitação de novos alimentos (EVÊNCIO; FERNANDES, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Intervenções sensoriais são frequentemente utilizadas, como o uso de terapia de integração sensorial realizada por terapeutas ocupacionais. Essa abordagem trabalha os sistemas sensoriais da criança e pode reduzir a aversão a alimentos de certas texturas ou cheiros (OLIVEIRA; SOUZA, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, dietas específicas como a isenta de glúten e caseína (GFCF) ou a cetogênica têm sido estudadas. Embora alguns resultados apontem para melhorias em comportamentos autísticos, há necessidade de mais estudos com evidência robusta para recomendação ampla (YU et al., 2022; EL-RASHIDY et al., 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O acompanhamento constante por equipe multiprofissional e a reavaliação das estratégias empregadas garantem a eficiência do processo. A alimentação, mais que uma necessidade biológica, passa a ser compreendida como um componente essencial do bem-estar e desenvolvimento da criança com TEA (RIBEIRO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.6 Orientações alimentares e construção de hábitos saudáveis</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A orientação alimentar deve ser centrada na criação de rotinas estruturadas e previsíveis. Crianças com TEA sentem-se mais seguras quando inseridas em ambientes estáveis e com regras claras. Estabelecer horários fixos para as refeições, em locais tranquilos e com companhia acolhedora, é uma das principais recomendações (COELHO et al., 2008).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Envolver a criança no preparo da comida estimula a autonomia e o interesse pelo alimento. Ela pode participar de atividades simples, como lavar frutas, escolher ingredientes ou arrumar a mesa. Esse envolvimento cria uma conexão positiva com o ato de se alimentar (EVÊNCIO; FERNANDES, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outras técnicas incluem a apresentação visual dos alimentos, o uso de práticos atrativos e o incentivo à experimentação voluntária. A criança deve ter a opção de tocar, cheirar e manipular o alimento antes de levá-lo à boca, sem pressão (CARREIRO, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pais devem estar preparados emocionalmente para lidar com a seletividade alimentar. A frustração, comum nesse processo, deve ser enfrentada com compreensão e apoio profissional. O suporte psicológico pode ser essencial para os cuidadores manterem a paciência e a consistência (BORILLI et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A educação alimentar, quando implementada no contexto familiar, traz benefícios para todos. Estimula-se uma cultura alimentar mais saudável, e a criança passa a fazer parte de uma rede de apoio que reforça os hábitos positivos (CARDOSO; LIMA; CAMPOS, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, a forma como os cuidadores encaram o processo de alimentação influencia diretamente na experiência da criança. Quando a comida é apresentada de forma leve, respeitosa e sem cobranças, ela se torna um momento de aprendizado, afeto e superação de desafios (PEREIRA, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A efetividade das estratégias práticas voltadas à introdução alimentar em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) está intrinsecamente relacionada à adoção de uma abordagem centrada na criança, que reconheça e respeite a sua neurodiversidade. A alimentação deve ser compreendida como uma experiência sensorial e emocional, e não apenas como uma necessidade fisiológica. Nesse contexto, torna-se essencial construir uma relação positiva com os alimentos, livre de coerção e ansiedade, onde o progresso é avaliado tanto pela diversificação alimentar quanto pelo bem-estar psicossensorial da criança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura analisada reforça que a seletividade alimentar no TEA não se configura como um comportamento propositalmente resistente, mas como uma expressão legítima de diferenças neurológicas e sensoriais. Estratégias como a exposição gradual, a previsibilidade do ambiente alimentar, a adaptação do contexto sensorial e o uso de estímulos positivos demonstraram ser efetivas quando aplicadas com paciência, constância e respeito à individualidade. Essas estratégias, para além de promoverem a aceitação alimentar, favorecem o desenvolvimento da autonomia e da autorregulação emocional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto fundamental destacado nos estudos revisados é a atuação de uma equipe multiprofissional. A integração entre nutricionistas, terapeutas ocupacionais com formação em integração sensorial, fonoaudiólogos e psicólogos permite a elaboração de planos de intervenção mais realistas e personalizados, que levam em consideração as múltiplas dimensões do desenvolvimento infantil. A participação ativa dos pais e cuidadores também é indispensável, pois são eles os principais agentes de mediação e suporte no cotidiano da criança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, o sucesso da introdução alimentar em crianças com TEA deve ser medido pela sustentabilidade de hábitos saudáveis ao longo do tempo e pela qualidade de vida proporcionada à criança e à sua família. O foco não deve ser a obtenção de uma dieta perfeita, mas sim a construção progressiva de uma relação saudável e prazerosa com o ato de se alimentar. A presente revisão reforça a importância de se compreender a alimentação como uma prática inclusiva, afetiva e adaptada às necessidades específicas da neurodiversidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ARAÚJO, Bianca Freire; MOURA, Luciana Aparecida Santos de; BARATA, Thaís Cristina Pires; JARDIM, Naiara Almeida; SOUZA, Izabel Barbosa de. <strong>Explorando a seletividade alimentar em indivíduos autistas: causas, impactos e estratégias de intervenção.</strong> Revista Acadêmica Online, v. 10, n. 51, p. 1–18, 2024. Disponível em: com/index.php/rao/article/view/140&gt;. Acesso em: 23 mar. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA. <strong>Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5.</strong> Trad. Maria Inês Corrêa Nascimento. Porto Alegre: Artmed, 2014.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ASSOCIAÇÃO PSIQUIÁTRICA AMERICANA. <strong>Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: quarta edição, texto revisado. </strong>Washington, DC: American Psychiatric Publishing Inc, 2000.&nbsp;</p>



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<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: <a href="mailto:elianesousaalves135@gmail.com">elianesousaalves135@gmail.com</a><br><sup>1</sup>Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: <a href="mailto:dalmadesousapereira@gmail.com">dalmadesousapereira@gmail.com</a><br><sup>2</sup>Orientadora do TCC, Mestre em Ciência da Saúde pela Universidade Federal do Amazonas. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: <a href="mailto:rebeca.figueiredo@fametro.edu.br">rebeca.figueiredo@fametro.edu.br</a><br><sup>3</sup>Coorientador(a) do TCC, Mestre em Saúde Coletiva pela UNISANTOS. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: <a href="mailto:david.reis@fametro.edu.br">david.reis@fametro.edu.br</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>OS EFEITOS DA UTILIZAÇÃO DA CREATINA NO PROCESSO DE HIPERTROFIA MUSCULAR</title>
		<link>https://revistaft.com.br/os-efeitos-da-utilizacao-da-creatina-no-processo-de-hipertrofia-muscular/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Sep 2025 15:51:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Nutrição]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 150/SET 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[THE EFFECTS OF CREATINE USE ON THE MUSCLE HYPERTROPHY PROCESS REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202509301250 Cleiciene Moraes Pereira¹Edilana Reis de Castro¹Lisamara Ferreira Félix¹Orientadora: Rebeca Sakamoto Figueiredo²Coorientador: David Silva dos Reis³ RESUMO A creatina é considerada um dos suplementos ergogênicos mais eficazes e estudados, destacando-se por favorecer a ressíntese rápida de adenosina trifosfato (ATP) e, consequentemente, melhorar o [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">THE EFFECTS OF CREATINE USE ON THE MUSCLE HYPERTROPHY PROCESS</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202509301250</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Cleiciene Moraes Pereira¹<br>Edilana Reis de Castro¹<br>Lisamara Ferreira Félix¹<br>Orientadora: Rebeca Sakamoto Figueiredo²<br>Coorientador: David Silva dos Reis³</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A creatina é considerada um dos suplementos ergogênicos mais eficazes e estudados, destacando-se por favorecer a ressíntese rápida de adenosina trifosfato (ATP) e, consequentemente, melhorar o desempenho em exercícios de alta intensidade. O presente estudo teve como objetivo geral investigar os efeitos da suplementação de creatina na hipertrofia muscular em adultos. Especificamente, buscou-se: (i) avaliar sua eficácia no aumento da massa muscular; (ii) analisar os mecanismos fisiológicos envolvidos; e (iii) discutir a segurança e os possíveis efeitos colaterais de seu uso. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases PubMed e SciELO, entre agosto e setembro de 2025. Utilizaram-se os descritores “Creatina”, “Hipertrofia Muscular” e “Suplementos Nutricionais”. Dos 50 artigos identificados, 15 atenderam aos critérios de inclusão (publicados entre 2015 e 2025, em português ou inglês, com texto completo disponível). Os estudos analisados demonstraram que a suplementação de creatina potencializa a hipertrofia muscular, atuando não apenas pelo aumento da fosfocreatina intramuscular e da ressíntese de ATP, mas também por mecanismos osmóticos e anabólicos, como a ativação da via mTOR. Protocolos de saturação e dose contínua apresentam eficácia semelhante a longo prazo, variando apenas na rapidez dos resultados. Quanto à segurança, observou-se ausência de efeitos adversos significativos em indivíduos saudáveis, embora haja necessidade de cautela em populações específicas. Conclui-se que a creatina é um suplemento seguro e eficaz para otimizar a hipertrofia muscular e o desempenho físico, havendo necessidade de estudos longitudinais em diferentes grupos populacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Creatina; Hipertrofia muscular; Suplementação nutricional; Desempenho físico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Creatine is considered one of the most effective and studied ergogenic supplements, notable for favoring the rapid resynthesis of adenosine triphosphate (ATP) and, consequently, improving performance in high-intensity exercise. This study aimed to investigate the effects of creatine supplementation on muscle hypertrophy in adults. Specifically, it sought to: (i) evaluate its efficacy in increasing muscle mass; (ii) analyze the involved physiological mechanisms; and (iii) discuss its safety and potential side effects. This is an integrative literature review conducted in the PubMed and SciELO databases between August and September 2025, using the descriptors &#8220;Creatine&#8221;, &#8220;Muscle Hypertrophy&#8221;, and &#8220;Nutritional Supplements&#8221;. Out of 50 identified articles, 15 met the inclusion criteria (published between 2015 and 2025, in Portuguese or English, with full text available). The analyzed studies demonstrated that creatine supplementation potentiates muscle hypertrophy, acting not only by increasing intramuscular phosphocreatine and ATP resynthesis but also through osmotic and anabolic mechanisms, such as the activation of the mTOR pathway. Saturation and continuous dose protocols showed similar long-term efficacy, differing only in the speed of results. Regarding safety, an absence of significant adverse effects was observed in healthy individuals, although caution is necessary in specific populations. It is concluded that creatine is a safe and effective supplement for optimizing muscle hypertrophy and physical performance, with a need for longitudinal studies in different population groups.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Creatine; Muscle Hypertrophy; Nutritional Supplementation; Physical Performance.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas últimas décadas, observa-se um crescimento expressivo no interesse pela prática regular de exercícios físicos, associado não apenas à busca por um estilo de vida mais saudável, mas também ao aprimoramento do desempenho esportivo e da composição corporal (XAVIER et al., 2024; RODRIGUES; SILVA, 2023). Nesse cenário, a suplementação nutricional consolidou-se como ferramenta estratégica, destacando-se a creatina como um dos recursos ergogênicos mais estudados e utilizados em nível mundial (KREIDER et al., 2021; GOMES; FREITAS, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A creatina desempenha papel essencial no metabolismo energético muscular, atuando na ressíntese rápida de adenosina trifosfato (ATP) por meio da fosfocreatina. Esse mecanismo confere suporte direto à realização de esforços de alta intensidade e curta duração, como os exercícios resistidos, contribuindo para maiores ganhos de força, potência e hipertrofia muscular (SANTOS; MARTINS; FERREIRA, 2021; REIS et al., 2025). Além disso, estudos recentes demonstram que a suplementação pode favorecer a retenção hídrica intracelular, estimulando vias anabólicas como a mTOR, que potencializam a síntese proteica (SILVA; MACHADO, 2019; SOLIS; ARTIOLI; GUALANO, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora amplamente reconhecida pela eficácia, a suplementação de creatina ainda desperta questionamentos quanto à segurança a longo prazo e à padronização de protocolos de uso. Pesquisas apontam benefícios consistentes em indivíduos saudáveis, mas recomendam cautela em populações com histórico de doenças renais ou condições clínicas específicas, o que reforça a necessidade de acompanhamento profissional (DAVANI-DAVARI et al., 2018; BALDIN et al., 2022). Ao mesmo tempo, lacunas persistem em estudos envolvendo idosos, mulheres e indivíduos com patologias crônicas, evidenciando a relevância de investigações direcionadas (VOGEL; ROMAN; SIQUEIRA, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse contexto, o presente estudo tem como objetivo<strong> </strong>geral investigar os efeitos da suplementação de creatina na hipertrofia muscular em adultos praticantes de musculação, considerando diferentes protocolos de dosagem, tempo de uso e níveis de experiência no treinamento. Como objetivos específicos<strong>,</strong> propõe-se: (i) avaliar a eficácia da creatina no aumento da massa muscular; (ii) analisar os mecanismos fisiológicos por ela desencadeados; e (iii) investigar a segurança e os possíveis efeitos colaterais de seu uso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relevância da pesquisa reside na necessidade de oferecer informações seguras, atualizadas e baseadas em evidências científicas, contribuindo para o uso consciente da creatina e para a melhoria da performance atlética e da qualidade de vida de praticantes de atividade física.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1</strong> <strong>Tipo de estudo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, método que permite reunir, avaliar e sintetizar resultados de pesquisas científicas sobre determinado tema de forma sistemática e abrangente. Esse delineamento possibilita identificar avanços, lacunas e contradições no conhecimento, além de subsidiar a tomada de decisões baseadas em evidências (LIBERALI, 2008).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2</strong> <strong>Coleta de dados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca dos artigos foi realizada entre agosto e setembro de 2025 nas bases de dados PubMed e SciELO. Para tanto, foram utilizados os seguintes descritores em português e inglês: <em>Creatina (Creatine)</em>, <em>Hipertrofia Muscular (Muscle Hypertrophy)</em> e <em>Suplementos Nutricionais (Dietary Supplements)</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram inicialmente identificados 50 artigos. Após leitura de títulos e resumos, 25 estudos foram selecionados para leitura na íntegra. Aplicando-se os critérios de inclusão e exclusão, permaneceram 15 artigos, sendo 10 nacionais e 5 internacionais, publicados entre 2015 e 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Critérios de inclusão: Artigos originais, publicados em português ou inglês; Estudos que abordassem a suplementação de creatina relacionada à hipertrofia muscular; Trabalhos com texto completo disponível e que respondessem à questão norteadora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Critérios de exclusão: Monografias, dissertações e teses; Revisões não sistemáticas, editoriais e cartas ao editor; Estudos disponíveis apenas em resumo ou sem acesso integral ao conteúdo.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 01</strong><strong>: </strong><strong>Fluxograma do processo de seleção dos artigos</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="578" height="636" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-20.png" alt="" class="wp-image-237048" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-20.png 578w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-20-273x300.png 273w" sizes="(max-width: 578px) 100vw, 578px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autoras, (2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3</strong> <strong>Análise de dados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos selecionados foram fichados em planilhas padronizadas, contemplando informações sobre autores, ano de publicação, objetivos, metodologia, protocolos de suplementação de creatina e principais resultados. Essa sistematização possibilitou uma visão ampla e organizada das evidências, permitindo identificar padrões de resposta, além de diferenças metodológicas entre os trabalhos. A análise inicial destacou a diversidade de desenhos de estudo, variando desde ensaios clínicos randomizados até revisões narrativas, o que reforça a necessidade de interpretação crítica e cautelosa dos achados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir dessa organização, procedeu-se à síntese comparativa dos resultados, agrupando-os em cinco eixos temáticos: eficácia da suplementação na hipertrofia e força; mecanismos fisiológicos envolvidos; protocolos de dosagem e tempo de uso; benefícios adicionais ao desempenho esportivo; e segurança e possíveis efeitos adversos. Essa abordagem permitiu integrar os achados de diferentes contextos, evidenciando tanto as convergências que sustentam a eficácia e segurança da creatina quanto às lacunas existentes, como a escassez de estudos em populações específicas (idosos, mulheres e indivíduos com doenças crônicas). Assim, a análise de dados proporcionou uma compreensão crítica e abrangente do papel da creatina na hipertrofia muscular.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>RESULTADOS E DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados obtidos a partir da revisão integrativa demonstram de forma consistente que a creatina é um dos suplementos nutricionais mais eficazes no contexto do treinamento resistido, apresentando benefícios relevantes na hipertrofia muscular, no ganho de força e no desempenho em exercícios de alta intensidade. As evidências analisadas convergem para o fato de que o composto atua por múltiplos mecanismos fisiológicos, envolvendo desde a ressíntese rápida de adenosina trifosfato (ATP) até a modulação de vias anabólicas e a retenção de água intracelular. Além disso, a segurança de seu uso em doses adequadas tem sido amplamente documentada, embora lacunas ainda existam em relação a populações específicas e ao acompanhamento em longo prazo (KREIDER et al., 2021; XAVIER et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1 Eficácia da creatina na hipertrofia e no desempenho</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Diversos estudos apontam que a suplementação de creatina está associada ao aumento da massa muscular e da força máxima, sobretudo em indivíduos submetidos a programas de musculação estruturados. Santos et al. (2021) verificaram que praticantes suplementados apresentaram incremento significativo de massa magra em comparação ao grupo placebo, após oito semanas de intervenção. Resultados semelhantes foram encontrados por Silva e Machado (2019), que também observaram maior capacidade de gerar força explosiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Artioli et al. (2021), a suplementação favorece tanto atletas de alto rendimento quanto praticantes recreacionais, desde que associada ao estímulo mecânico do exercício resistido. Essa combinação potencializa adaptações musculares relacionadas à hipertrofia, uma vez que a creatina aumenta a disponibilidade energética para treinos de alta intensidade, permitindo maior volume e qualidade de treinamento. Gomes e Freitas (2025) destacam que esse efeito se traduz em ganhos de desempenho em modalidades esportivas que exigem força e potência, consolidando a creatina como recurso ergogênico de primeira linha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro benefício importante da creatina é a sua capacidade de melhorar a função cerebral. Estudos mostram que a suplementação de creatina pode ajudar a melhorar a memória, a concentração e o desempenho cognitivo (AVGERINOS et al., 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, REIS et al. (2025) apontam que a creatina não se restringe apenas ao aumento da massa muscular, mas também contribui para a melhoria da composição corporal, com redução relativa do percentual de gordura em praticantes de musculação. Essa evidência reforça sua importância não apenas para o desempenho esportivo, mas também para objetivos estéticos e de saúde, tornando seu uso cada vez mais difundido em diferentes contextos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2 Mecanismos fisiológicos envolvidos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista fisiológico, a principal função da creatina é atuar como substrato para a ressíntese de ATP por meio do sistema fosfagênio, o que confere suporte imediato para esforços de alta intensidade e curta duração. Estudos recentes de SOLIS, ARTIOLI e GUALANO (2021) demonstram que o aumento da disponibilidade de fosfocreatina intramuscular possibilita maior tolerância ao exercício, permitindo a execução de séries mais longas e intensas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro mecanismo amplamente descrito é o efeito osmótico-anabólico, no qual a creatina favorece o influxo de água para o interior da fibra muscular, aumentando o volume celular. Esse processo é interpretado pelo organismo como sinal anabólico, estimulando a ativação de vias de síntese proteica, especialmente a via mTOR, responsável pelo crescimento muscular (SILVA; MACHADO, 2019). Xavier et al. (2024) corroboram essa visão ao destacar que a combinação de estímulo mecânico e suplementação otimiza a ativação de genes relacionados à hipertrofia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas mais recentes também sugerem que a creatina pode modular a expressão de fatores de crescimento, como o IGF-1, e reduzir o estresse oxidativo, favorecendo não apenas a performance, mas também a recuperação muscular (BALDIN et al., 2022). Dessa forma, a suplementação transcende o papel puramente energético, atuando em processos moleculares que sustentam adaptações positivas ao treinamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3 Protocolos de suplementação e tempo de uso</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos analisados demonstraram que diferentes protocolos de suplementação de creatina podem ser adotados, com variações quanto à dose inicial, tempo de uso e efeitos alcançados. O Quadro 01 resume os principais modelos utilizados na literatura.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 01: </strong>Protocolos de suplementação de creatina e seus principais efeitos”</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table><thead><tr><th><strong>Protocolo</strong></th><th><strong>Dose diária</strong></th><th><strong>Duração típica</strong></th><th><strong>Efeitos mais frequentes</strong></th><th><strong>Referências</strong></th></tr></thead><tbody><tr><td>Saturação + manutenção</td><td>20–25 g/dia (5–7 dias) + 3–5 g/dia</td><td>Semanas a meses</td><td>↑ força, ↑ massa magra, ↑ desempenho anaeróbio</td><td>Santos; Martins; Ferreira (2021)</td></tr><tr><td>Dose contínua (sem saturação)</td><td>3–5 g/dia</td><td>Semanas a meses</td><td>↑ PCr gradual, menor desconforto gastrointestinal, resultados comparáveis a longo prazo</td><td>Panta; Silva Filho (2015)</td></tr><tr><td>Intervenções de curtíssimo prazo</td><td>3–7 g/dia</td><td>5–7 dias</td><td>Efeitos inconsistentes em força e hipertrofia</td><td>Paula; Azevedo (2020)</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fontes: Autorias, (2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diversos autores corroboram que ambos os protocolos mais utilizados — saturação seguida de manutenção e dose contínua — são eficazes no aumento de força, massa magra e desempenho anaeróbio. KREIDER et al. (2021) afirmam que, a longo prazo, os resultados tendem a ser semelhantes, embora a saturação proporcione adaptações mais rápidas, especialmente em praticantes de musculação em fases iniciais de treinamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, JUNIOR et al. (2023) destacam que o protocolo contínuo favorece a adesão, por ser mais simples e gerar menor incidência de efeitos gastrointestinais. Em linha semelhante, BALDIN et al. (2022) reforçam que essa estratégia é particularmente indicada para praticantes recreacionais e para indivíduos que visam uso prolongado, uma vez que apresenta perfil de segurança estável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já intervenções de curtíssimo prazo, conforme PAULA e AZEVEDO (2020), mostram resultados inconsistentes quanto à hipertrofia e ao ganho de força. Essa variabilidade pode estar associada à curta duração dos protocolos, insuficiente para promover mudanças expressivas na composição corporal. ARTIOLI et al. (2021) acrescentam que a creatina demanda tempo para saturar o tecido muscular, o que limita efeitos visíveis em poucos dias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos recentes, como os de REIS et al. (2025), também sugerem que a escolha do protocolo deve considerar fatores como objetivos individuais, nível de treinamento e tolerância gastrointestinal. Dessa forma, a suplementação de creatina deve ser conduzida de forma personalizada e preferencialmente acompanhada por profissionais de saúde e nutrição.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.4 Segurança e possíveis efeitos adversos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A segurança do uso da creatina é um dos pontos mais discutidos na literatura. A maioria dos estudos indica que, em indivíduos saudáveis, a suplementação é considerada segura e não compromete a função renal ou hepática quando utilizada em doses adequadas (KREIDER et al., 2021; ARTIOLI et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Efeitos adversos relatados são geralmente leves e transitórios, como desconforto gastrointestinal e ganho de peso inicial decorrente da retenção hídrica intracelular (SANTOS; MARTINS; FERREIRA, 2021). Em contrapartida, pesquisadores como BALDIN et al. (2022) enfatizam a necessidade de cautela em populações com histórico de doenças renais ou em uso de medicamentos nefrotóxicos, sugerindo acompanhamento médico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um aspecto relevante diz respeito à disseminação de mitos em torno do suplemento, como a suposta indução de câimbras ou desidratação. Estudos recentes, entretanto, refutam tais afirmações, mostrando que a creatina pode inclusive contribuir para a hidratação muscular adequada (XAVIER et al., 2024). Esses achados reforçam a importância da educação nutricional baseada em evidências para promover o uso consciente e seguro do suplemento.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.5 Lacunas e perspectivas futuras</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da ampla documentação de benefícios, ainda existem lacunas relevantes na literatura. Grande parte dos estudos é realizada com homens jovens e saudáveis, o que restringe a extrapolação dos resultados para populações como mulheres, idosos e indivíduos com doenças crônicas. VOGEL, ROMAN e SIQUEIRA (2019) ressaltam que essas populações podem responder de maneira distinta à suplementação, tornando essencial a realização de pesquisas específicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra limitação recorrente é a curta duração das intervenções, que dificulta a análise de efeitos prolongados. GOMES e FREITAS (2025) defendem que estudos longitudinais, com acompanhamento superior a um ano, são fundamentais para avaliar impactos de longo prazo na saúde muscular e metabólica. Além disso, há necessidade de explorar interações da creatina com outros suplementos e estratégias nutricionais, ampliando sua aplicabilidade clínica e esportiva (REIS et al., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a síntese dos resultados aponta que a creatina monohidratada é eficaz e segura para promover ganhos de hipertrofia muscular e desempenho, mas requer investigações mais aprofundadas em contextos diversos, a fim de consolidar protocolos individualizados e ampliar sua utilização de forma ética e responsável.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os achados desta revisão integrativa confirmam que a suplementação de creatina representa uma estratégia ergogênica eficaz e segura para potencializar a hipertrofia muscular, especialmente quando associada a programas de treinamento resistido bem estruturados e a uma alimentação equilibrada. Os estudos analisados demonstram benefícios consistentes no aumento da massa magra, da força máxima e do desempenho em exercícios de alta intensidade e curta duração, o que atende ao objetivo de avaliar sua eficácia no ganho muscular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista fisiológico, a creatina atua principalmente pela elevação dos estoques de fosfocreatina intramuscular, acelerando a ressíntese de ATP e contribuindo para maior volume e intensidade de treino. Além disso, promove efeito osmótico-anabólico, favorecendo a ativação de vias de síntese proteica, em consonância com o objetivo de compreender seus mecanismos de ação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que se refere à segurança, não foram observados efeitos adversos relevantes em indivíduos saudáveis quando a suplementação foi realizada nas doses recomendadas, embora haja necessidade de acompanhamento clínico em populações com histórico de doenças renais ou condições específicas. Assim, cumpre-se o objetivo de investigar a segurança e possíveis efeitos colaterais do uso da creatina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar das evidências positivas, persistem lacunas científicas relacionadas a populações específicas, como idosos, mulheres e indivíduos com doenças crônicas, além da carência de estudos longitudinais que avaliem impactos de longo prazo. Futuras pesquisas poderão explorar protocolos de dosagem personalizados e investigar possíveis interações da creatina com outros suplementos e estratégias nutricionais, ampliando suas aplicações clínicas e esportivas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, a creatina monohidratada, utilizada de forma criteriosa e sob orientação profissional, permanece como um dos suplementos mais estudados e recomendados, contribuindo significativamente para o desempenho esportivo, a saúde muscular e a qualidade de vida de praticantes de atividades físicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: <a href="mailto:Cleicienemoraes@gmail.com">Cleicienemoraes@gmail.com</a><br><sup>1</sup>Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: <a href="mailto:Edilanareisi9life@gmail.com">Edilanareisi9life@gmail.com</a><br><sup>1</sup>Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: <a href="mailto:Lisahfelix02@gmail.com">Lisahfelix02@gmail.com</a><br><sup>2</sup>Orientadora do TCC, Mestre em Ciência da Saúde pela Universidade Federal do Amazonas. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: <a href="mailto:rebeca.fihueiredo@fametro.edu.br">rebeca.fihueiredo@fametro.edu.br</a><br><sup>3</sup>Coorientador(a) do TCC, Mestre em Saúde Coletiva pela UNISANTOS. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: <a href="mailto:david.reis@fametro.edu.br">david.reis@fametro.edu.br</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>NUTRIÇÃO FUNCIONAL NA PREVENÇÃO E CONTROLE DO DIABETE MELLITUS TIPO 2</title>
		<link>https://revistaft.com.br/nutricao-funcional-na-prevencao-e-controle-do-diabete-mellitus-tipo-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Sep 2025 01:28:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Nutrição]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 150/SET 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[FUNCTIONAL NUTRITION IN THE PREVENTION AND CONTROL OF TYPE 2 DIABETES MELLITUS REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202509292226 Jocélia da Rocha Barreto1Ingrid Mayara Calvet Maquiné2Orientadora: Rebeca Sakamoto Figueiredo3Coorientador: David Silva dos Reis4 RESUMO&#160; Introdução: O Diabetes Mellitus tipo 2 é um desafio crescente de saúde pública, caracterizada por hiperglicemia crônica devido a defeitos na secreção ou ação da [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">FUNCTIONAL NUTRITION IN THE PREVENTION AND CONTROL OF TYPE 2 DIABETES MELLITUS</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202509292226</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Jocélia da Rocha Barreto<sup>1</sup><br>Ingrid Mayara Calvet Maquiné<sup>2</sup><br>Orientadora: Rebeca Sakamoto Figueiredo<sup>3</sup><br>Coorientador: David Silva dos Reis<sup>4</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introdução: </strong>O Diabetes Mellitus tipo 2 é um desafio crescente de saúde pública, caracterizada por hiperglicemia crônica devido a defeitos na secreção ou ação da insulina. Sua prevalência aumenta com o envelhecimento populacional, sobrepeso, obesidade e sedentarismo, levando a complicações graves como doenças cardiovasculares, nefropatias, retinopatias e neuropatias. Nesse contexto, a nutrição funcional emerge como um pilar fundamental, buscando otimizar a saúde através de alimentos com propriedades bioativas que superam o valor nutricional básico. A resistência à insulina, mecanismo fisiopatológico central do DM2, pode ser modulada pela qualidade dos carboidratos e pelo consumo de alimentos funcionais ricos em compostos bioativos. Fatores externos, como o ambiente alimentar moderno e a disponibilidade de ultraprocessados, impactam negativamente o controle glicêmico, reforçando a importância da alimentação consciente e do papel dos alimentos funcionais na prevenção de complicações metabólicas. <strong>Objetivo: </strong>analisar a influência da nutrição funcional na prevenção e no controle do Diabetes Mellitus tipo 2, verificando os mecanismos fisiopatológicos da resistência à insulina, o papel dos alimentos funcionais no controle glicêmico, os fatores ambientais e a adesão comportamental, e o papel do nutricionista e estratégias clínicas modernas. <strong>Métodos: </strong>Trata-se de uma revisão integrativa da literatura de caráter qualitativo e exploratório. A busca bibliográfica foi realizada entre fevereiro e setembro de 2025, em bases de dados nacionais e internacionais (BVS, Pubmed, SciElo e Google Acadêmico) utilizando descritores como: alimentos funcionais, diabetes mellitus tipo 2, resistência à insulina e hiperglicemia em português e inglês. Inicialmente, 2.138 artigos foram identificados. Após a exclusão de 2.031 artigos pelo título e 61 duplicados, 25 artigos foram selecionados para leitura integral. Destes, foram excluídos por objetivos divergentes, indisponibilidade do texto completo ou foco fora da temática principal, resultando em 4 artigos incluídos na amostra final. <strong>Resultados: </strong>Os resultados analisados sugerem que a resistência insulínica é o principal mecanismo fisiopatológico do DM2, sendo modulada por processos inflamatórios, oxidativos e pela ação de compostos bioativos. A integração de alimentos funcionais na dieta contribui para a redução de processos inflamatórios, melhora da sinalização insulínica e prevenção da progressão da doença. Alimentos como canela, gengibre, cúrcuma, lentilha, soja, cacau, café, mirtilos e castanha-do-brasil demonstraram efeitos hipoglicemiantes e anti-inflamatórios. Fatores ambientais, como a exposição a ultraprocessados, impactam negativamente o controle glicêmico, enquanto o consumo de alimentos in natura e minimamente processados, juntamente com estratégias de alimentação consciente, promovem melhores indicadores. O papel do nutricionista é central na prescrição segura de alimentos funcionais e fitoterápicos, e a utilização de tecnologias modernas como o monitoramento contínuo da glicose (CGM) otimiza o manejo clínico. <strong>Conclusão:</strong> A nutrição funcional é um pilar estratégico no manejo do DM2, integrando aspectos fisiopatológicos, nutricionais, comportamentais e clínicos, embora ainda existam lacunas em relação à padronização de doses e efeitos a longo prazo, necessitando de mais estudos científicos. A integração entre alimentação funcional, ambiente saudável e tecnologias de monitoramento representa um caminho promissor para o cuidado multidisciplinar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>&nbsp;alimentos funcionais, diabetes mellitus tipo 2, resistência insulina, hiperglicemia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Introduction: Type 2 diabetes mellitus is a growing public health challenge, characterized by chronic hyperglycemia due to defects in insulin secretion or action. Its prevalence increases with population aging, overweight, obesity, and sedentary lifestyles, leading to serious complications such as cardiovascular disease, nephropathies, retinopathies, and neuropathies. In this context, functional nutrition emerges as a fundamental pillar, seeking to optimize health through foods with bioactive properties that go beyond basic nutritional value. Insulin resistance, a central pathophysiological mechanism of T2DM, can be modulated by carbohydrate quality and the consumption of functional foods rich in bioactive compounds. External factors, such as the modern food environment and the availability of ultra-processed foods, negatively impact glycemic control, reinforcing the importance of mindful eating and the role of functional foods in preventing metabolic complications. Objective: To analyze the influence of functional nutrition on the prevention and control of type 2 diabetes mellitus, assessing the pathophysiological mechanisms of insulin resistance, the role of functional foods in glycemic control, environmental factors and behavioral adherence, and the role of nutritionists and modern clinical strategies. Methods: This is an integrative, qualitative, and exploratory literature review. The literature search was conducted between February and September 2025 in national and international databases (BVS, PubMed, SciELO, and Google Scholar) using descriptors such as functional foods, type 2 diabetes mellitus, insulin resistance, and hyperglycemia in Portuguese and English. Initially, 2,138 articles were identified. After excluding 2,031 articles by title and 61 duplicates, 25 articles were selected for full reading. Of these, four articles were excluded due to divergent objectives, unavailability of the full text, or a focus outside the main theme, resulting in four articles being included in the final sample. Results: The analyzed results suggest that insulin resistance is the main pathophysiological mechanism of T2DM, being modulated by inflammatory and oxidative processes, and the action of bioactive compounds. Integrating functional foods into the diet contributes to reducing inflammatory processes, improving insulin signaling, and preventing disease progression. Foods such as cinnamon, ginger, turmeric, lentils, soy, cocoa, coffee, blueberries, and Brazil nuts have demonstrated hypoglycemic and anti-inflammatory effects. Environmental factors, such as exposure to ultra-processed foods, negatively impact glycemic control, while the consumption of natural and minimally processed foods, along with mindful eating strategies, promotes better indicators. The role of the nutritionist is central to the safe prescription of functional foods and herbal remedies, and the use of modern technologies such as continuous glucose monitoring (CGM) optimizes clinical management. Conclusion: Functional nutrition is a strategic pillar in the management of T2DM, integrating pathophysiological, nutritional, behavioral, and clinical aspects. Although there are still gaps regarding standardization of doses and long-term effects, further scientific studies are needed. The integration of functional nutrition, a healthy environment, and monitoring technologies represents a promising path for multidisciplinary care.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keyword: </strong>functional foods, type 2 diabetes mellitus, insulin resistance, hyperglycemia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) constitui um desafio crescente para a saúde pública mundial, sendo caracterizado por hiperglicemia crônica decorrente de defeitos na secreção de insulina, na ação da insulina ou em ambos (MAHAN; RAYMOND, 2018). Sua prevalência vem aumentando de forma exponencial, impulsionada principalmente pelo envelhecimento populacional, pela alta incidência de sobrepeso e obesidade e pela adoção de um estilo de vida sedentário (AYLA et al., 2025). As complicações associadas ao DM2 — como doenças cardiovasculares, nefropatias, retinopatias e neuropatias — estão entre as principais causas de morbidade e mortalidade precoce (PORTELA et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a nutrição surge como um pilar fundamental tanto na prevenção quanto no controle da doença. A intervenção nutricional não se limita apenas à restrição calórica ou ao controle de macronutrientes, mas incorpora o conceito de nutrição funcional, que busca otimizar a saúde por meio do consumo de alimentos com propriedades bioativas e benefícios que ultrapassam o valor nutricional básico (BERNARDES et al., 2010). Nesse mesmo sentido, Fung (2018), em sua obra <em>O Código do Diabetes</em>, enfatiza a importância de uma abordagem natural para prevenir e reverter o DM2, destacando o papel central da dieta e do estilo de vida na modulação da resistência à insulina e no controle glicêmico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A resistência à insulina, considerada um dos principais mecanismos fisiopatológicos do DM2, ocorre quando as células do corpo não respondem adequadamente à ação da insulina, resultando em níveis persistentemente elevados de glicose no sangue (NOGUEIRA, 2024). Evidências apontam que a qualidade dos carboidratos na dieta é mais relevante que a quantidade para melhorar a sensibilidade insulínica, priorizando o consumo de alimentos integrais, frutas, legumes e laticínios in natura (NUTRITOYAL, 2023; SCIENCE PLAY, 2024). Nesse sentido, alimentos funcionais ricos em compostos bioativos podem desempenhar papel significativo na modulação dessa resistência. Estudos recentes têm demonstrado que o consumo de cacau, café, canela, alho, goiaba, gengibre, cúrcuma e mirtilos apresenta efeitos benéficos na redução de parâmetros relacionados ao DM2 (TORRES, 2024). Além disso, pesquisas vêm explorando os efeitos hipoglicemiantes de alimentos específicos, como a lentilha e o óleo de capulim (PILCO, 2023; LARIOS, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relação entre dieta e DM2 é amplamente reconhecida. Segundo Fung (2018) e Mahan e Raymond (2018), a modificação dos hábitos alimentares constitui um dos pilares tanto para a prevenção quanto para o tratamento da doença. Autores como Silva et al. (2023) e Zhang et al. (2022) reforçam que o sedentarismo associado a dietas inadequadas são os principais responsáveis pelo avanço da epidemia de DM2.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adicionalmente, fatores externos, como o ambiente alimentar moderno e a ampla disponibilidade de alimentos ultraprocessados, impactam negativamente o estado nutricional e o controle glicêmico. Estudos mostram correlação entre o domínio externo e medidas antropométricas — índice de massa corporal, peso e circunferência da cintura —, bem como associação negativa com o consumo de alimentos in natura e minimamente processados, o que evidencia a importância da alimentação consciente (AYLA et al., 2025; OCEANDROP, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse cenário, cresce o reconhecimento do papel dos alimentos funcionais no controle glicêmico. Martins et al. (2023) destaca sua relevância para a prevenção de complicações metabólicas, enquanto Wang et al. (2023) e Naghavi et al. (2024) evidenciam que o consumo regular de frutas, vegetais e cereais contribui para a redução da glicemia e para a melhoria da qualidade de vida. De forma semelhante, Setti et al. (2021) observam um aumento no consumo de alimentos funcionais, motivado pela maior conscientização da população sobre a relação entre alimentação e saúde. Outros estudos reforçam esse papel: Gontijo et al. (2017) explicam como alimentos de alto índice glicêmico podem favorecer a resistência à insulina, enquanto Carvalho e Perucha (2016) demonstram que a soja exerce efeito protetor ao reduzir a resistência insulínica, auxiliando na manutenção da glicemia em níveis adequados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente revisão integrativa visa, portanto, utilizar esses conhecimentos para criar estratégias alimentares personalizadas abordando seus mecanismos de ação, a relevância dos alimentos funcionais e a importância da adesão a hábitos alimentares saudáveis para a melhoria da qualidade de vida, saúde e controlem o avanço do diabetes mellitus tipo 2.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 Tipo de estudo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de caráter qualitativo e exploratório, cujo objetivo foi identificar e analisar a influência da nutrição funcional na prevenção e no controle do Diabetes Mellitus tipo 2.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2</strong> <strong>Coleta de dados&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca bibliográfica foi realizada entre fevereiro e setembro de 2025, em bases de dados nacionais e internacionais, incluindo <strong>BVS, PubMed, SciELO e Google Acadêmico</strong>. Utilizaram-se descritores em português e inglês relacionados ao tema, como: <em>alimentos funcionais</em>, <em>diabetes mellitus tipo 2</em>, <em>resistência à insulina</em> e <em>hiperglicemia</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram inicialmente identificados 2.138 artigos. Após a leitura dos títulos, 2.031 foram excluídos por não se adequarem ao escopo do estudo (ex.: pesquisas em animais e estudos de angiologia ou apneia obstrutiva do sono). Em seguida, 61 artigos duplicados foram eliminados. Assim, 25 artigos permaneceram para leitura integral. Destes, 21 foram excluídos por apresentarem objetivos divergentes, indisponibilidade do texto completo ou enfoque fora da temática principal. Por fim, 4 artigos atenderam aos critérios de inclusão e compuseram a amostra final da revisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3</strong> <strong>Análise de dados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os artigos selecionados foram organizados em um quadro sinóptico, contendo autor, objetivo, metodologia, principais resultados e conclusões. A análise crítica foi realizada de forma descritiva, buscando identificar conceitos centrais, mecanismos de ação e evidências científicas sobre o papel da nutrição funcional no manejo do DM2. Para ilustrar o processo de seleção, elaborou-se um fluxograma adaptado.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1</strong>.: Fluxograma de Identificação e Seleção dos Artigos Incluídos na Revisão Integrativa</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="618" height="611" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image-1149.png" alt="" class="wp-image-236727" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image-1149.png 618w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image-1149-300x297.png 300w" sizes="(max-width: 618px) 100vw, 618px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fontes: Autorias (2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>RESULTADOS E DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1 Mecanismos fisiopatológicos da resistência à insulina</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A resistência à insulina é reconhecida como o principal mecanismo fisiopatológico associado ao desenvolvimento do Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2). Segundo Lee, Park e Choi (2022), o acúmulo ectópico de lipídios em tecidos como o fígado e o músculo esquelético desencadeia inflamação crônica, estresse oxidativo e desregulação das adipocinas, comprometendo a captação de glicose e a ação da insulina. Essa condição é multifatorial e demonstra que o controle do DM2 deve ultrapassar a simples contagem de carboidratos, envolvendo alimentos e compostos bioativos capazes de atuar sobre os mecanismos celulares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos recentes reforçam esses achados ao demonstrar que a disfunção mitocondrial e a inflamação sistêmica são fatores determinantes na manutenção da resistência insulínica. Accili, Deng e Liu (2025) argumentam que a preservação da integridade mitocondrial e a redução do estresse inflamatório são fundamentais para prevenir a progressão do DM2. Isso indica que a intervenção nutricional, além de atuar na glicemia, deve focar em estratégias que reduzam a inflamação e promovam a homeostase metabólica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O papel dos polifenóis também tem sido amplamente destacado. Williamson e Sheedy (2020) apontam que esses compostos bioativos, encontrados em frutas vermelhas, cacau e chá verde, reduzem a produção de espécies reativas de oxigênio (EROS) e melhoram a sinalização da insulina em tecidos periféricos. Nitzke et al. (2024) complementam que fibras solúveis modulam a microbiota intestinal, aumentando a produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), os quais contribuem para a sensibilidade insulínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a nutrição funcional emerge como ferramenta de manejo ao oferecer alimentos ricos em compostos antioxidantes e anti-inflamatórios. O consumo de vegetais crucíferos, frutas cítricas e cereais integrais tem mostrado impacto direto na redução do estresse oxidativo e na melhora do metabolismo da glicose (ZHANG et al., 2022). Esses alimentos, aliados a um estilo de vida ativo, contribuem para a modulação da resistência insulínica e, consequentemente, para a prevenção das complicações do DM2.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A síntese das evidências sobre mecanismos fisiopatológicos está organizada no Quadro 01, que reúne os artigos selecionados na revisão, destacando como a resistência insulínica é modulada por processos inflamatórios, oxidativos e pela ação de compostos bioativos.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 01 – Análise dos artigos selecionados</strong></p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Autor e Ano</strong></td><td><strong>Objetivo do estudo</strong></td><td><strong>Metodologia</strong></td><td><strong>Resultados</strong></td><td><strong>Conclusão</strong></td></tr><tr><td><strong>Lee, Park &amp; Choi (2022)</strong></td><td>Investigar os mecanismos fisiopatológicos da resistência à insulina e discutir estratégias terapêuticas.</td><td>Revisão de estudos epidemiológicos, experimentais e clínicos.</td><td>Resistência insulínica associada a lipídios ectópicos, inflamação e disfunção de adipocinas; estratégias como redução da lipogênese e aumento da oxidação de gorduras melhoram a sensibilidade.</td><td>A resistência insulínica deve ser alvo central; intervenções multidisciplinares são necessárias.</td></tr><tr><td><strong>Ayla et al. (2025)</strong></td><td>Analisar a relação entre influências externas e escolhas alimentares em indivíduos com DM2.</td><td>Estudo transversal com 325 adultos e idosos; recordatório 24h; Classificação NOVA; dados antropométricos.</td><td>Consumo de ultraprocessados associado a maior IMC, peso e circunferência da cintura; consumo de alimentos in natura correlacionado a melhores indicadores.</td><td>A alimentação consciente pode auxiliar na redução do consumo de ultraprocessados e na melhora do estado nutricional.</td></tr><tr><td><strong>Vieira et al. (2025)</strong></td><td>Avaliar o papel do nutricionista em fitoterapia, alimentos funcionais e bioativos.</td><td>Revisão teórico-prática organizada em quatro seções.</td><td>Destaque para alimentos brasileiros e plantas não convencionais; regulamentação da fitoterapia é essencial; bioativos apresentam ações fisiológicas relevantes.</td><td>O nutricionista tem papel central na prescrição baseada em evidências, com vasto potencial de atuação no Brasil.</td></tr><tr><td><strong>Ceriello et al. (2022)</strong></td><td>Analisar criticamente a HbA1c como parâmetro isolado e propor estratégias modernas de manejo.</td><td>Revisão de evidências clínicas e tecnológicas.</td><td>HbA1c é útil, mas insuficiente; recomenda integrar variabilidade glicêmica, tempo em normoglicemia, tecnologias modernas (CGM, novos fármacos).</td><td>O manejo deve ser multifacetado e personalizado, com foco em segurança e qualidade do controle glicêmico.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autores (2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, os resultados analisados sugerem que a resistência insulínica deve ser considerada alvo terapêutico prioritário no manejo do DM2. A integração de alimentos funcionais na dieta contribui para a redução de processos inflamatórios, melhora da sinalização insulínica e prevenção da progressão da doença, confirmando a relevância da nutrição funcional nesse processo (LEE; PARK; CHOI, 2022; ACCILI; DENG; LIU, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2 Papel dos alimentos funcionais no controle glicêmico</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vieira et al. (2025) destacam que bioativos presentes em alimentos brasileiros, incluindo plantas alimentícias não convencionais, possuem potencial terapêutico importante, podendo ser utilizados como estratégia complementar ao manejo clínico do DM2. Esses compostos atuam modulando a glicemia, a inflamação e a resistência insulínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Torres (2024) observou que especiarias como canela, gengibre e cúrcuma possuem efeito significativo na redução da glicemia pós-prandial. Da mesma forma, Pilco (2023) demonstrou que o consumo de lentilhas auxilia na modulação glicêmica, enquanto Carvalho e Perucha (2016) apontaram que a soja é capaz de reduzir a resistência insulínica. Esses resultados indicam que alimentos funcionais não apenas previnem, mas também colaboram para o tratamento do DM2.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas recentes reforçam esse potencial. Oliveira (2025) demonstrou que antioxidantes presentes em frutas e verduras reduzem a inflamação subclínica, comum em pacientes diabéticos. Além disso, Botelho (2023) destacou que o consumo de castanha-do-brasil, rica em selênio, pode melhorar a atividade antioxidante endógena e reduzir o risco de complicações cardiovasculares. Tais evidências sugerem que o efeito hipoglicemiante dos alimentos funcionais deve ser compreendido dentro de uma abordagem integrativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses achados foram organizados no Quadro 02, que sintetiza os principais alimentos funcionais estudados e seus efeitos na modulação glicêmica.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 02 – Síntese dos achados por eixo temático</strong></p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Eixo Temático</strong></td><td><strong>Principais Evidências</strong></td><td><strong>Autores/Ano</strong></td></tr><tr><td><strong>Mecanismos fisiopatológicos</strong></td><td>Resistência insulínica ligada ao acúmulo de lipídios, inflamação e estresse oxidativo; compostos bioativos como polifenóis e fibras modulam esses mecanismos.</td><td>Lee, Park &amp; Choi (2022); Accili et al. (2025); Williamson &amp; Sheedy (2020); Nitzke et al. (2024)</td></tr><tr><td><strong>Alimentos funcionais</strong></td><td>Cacau, café, cúrcuma, gengibre, mirtilos, lentilha, soja, castanha-do-brasil e bebidas funcionais apresentam efeitos hipoglicemiantes e anti-inflamatórios.</td><td>Torres (2024); Pilco (2023); Carvalho &amp; Perucha (2016); Botelho (2023); Oliveira (2025)</td></tr><tr><td><strong>Fatores ambientais</strong></td><td>Ultraprocessados aumentam risco metabólico; mindful eating promove adesão a hábitos saudáveis; políticas públicas e ambiente digital influenciam escolhas.</td><td>Ayla et al. (2025); Monteiro et al. (2022); Minari et al. (2024); Safraid et al. (2022)</td></tr><tr><td><strong>Papel do nutricionista e estratégias clínicas</strong></td><td>Nutricionista é agente central no uso seguro de alimentos funcionais; tecnologias como CGM e TIR otimizam manejo clínico; dietas mediterrânea e low-carb ampliam possibilidades.</td><td>Vieira et al. (2025); Ceriello et al. (2022); Battelino et al. (2023); Neto et al. (2025)</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autores (2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, fica evidente que os alimentos funcionais não devem ser considerados meros complementos alimentares, mas sim elementos estratégicos dentro da terapêutica nutricional. Seu consumo regular está associado não apenas à redução da glicemia, mas também à melhora da resistência insulínica e à prevenção de complicações metabólicas, reforçando a importância da alimentação funcional como ferramenta clínica (TORRES, 2024; OLIVEIRA, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3 Fatores ambientais e adesão comportamental</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Ayla et al. (2025) identificaram que pacientes expostos a ambientes alimentares dominados por ultraprocessados apresentaram maiores índices de massa corporal (IMC), peso e circunferência da cintura. Esse dado reforça o impacto do ambiente sobre as escolhas alimentares e a necessidade de estratégias que reduzam a disponibilidade de produtos de baixo valor nutricional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Monteiro et al. (2022) destacam que os alimentos ultraprocessados são determinantes na crescente prevalência de obesidade e DM2 no Brasil, uma vez que possuem alto teor de açúcares, sódio e gorduras saturadas. Minari et al. (2024), por sua vez, apontam que práticas de <em>mindful eating</em> contribuem para o autocontrole alimentar e redução de compulsões, favorecendo a adesão a padrões alimentares saudáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas evidências demonstram que a adesão ao tratamento nutricional não depende apenas da motivação individual, mas também de fatores externos. Políticas públicas, como a regulação da publicidade de ultraprocessados e o incentivo ao consumo de alimentos in natura, são fundamentais para modificar o cenário atual (SAFRAID et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, confirma-se que o sucesso das intervenções nutricionais depende da integração entre práticas individuais e transformações estruturais no ambiente alimentar. A adoção de estratégias de conscientização, associadas a políticas de incentivo, potencializa os efeitos da nutrição funcional no controle do DM2 (AYLA et al., 2025; MONTEIRO et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.4 Papel do nutricionista e estratégias clínicas modernas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Vieira et al. (2025) destacam a importância do profissional na prescrição segura de fitoterápicos e alimentos funcionais, sobretudo em um país como o Brasil, com ampla biodiversidade. Souza et al. (2021) reforçam que compostos bioativos podem apresentar efeitos semelhantes a medicamentos, o que exige atuação ética e respaldada em evidências.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No campo clínico, Ceriello et al. (2022) demonstraram que a hemoglobina glicada (HbA1c), utilizada isoladamente, não é suficiente para avaliar o controle glicêmico. Estratégias modernas, como o monitoramento contínuo da glicose (<em>Continuous Glucose Monitoring – CGM</em>) e métricas como o <em>time in range</em> (TIR), permitem maior precisão e personalização do tratamento. Battelino et al. (2023) confirmam que o uso dessas tecnologias melhora a segurança e eficácia da abordagem nutricional integrada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados sintetizados no Quadro 02 confirmam que a atuação do nutricionista deve ir além da prescrição alimentar tradicional, abrangendo a integração de alimentos funcionais, fitoterapia e tecnologias clínicas modernas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a atuação multidisciplinar, com protagonismo do nutricionista, mostra-se essencial para otimizar os resultados clínicos. A combinação entre nutrição funcional, fitoterapia regulamentada e tecnologia aplicada permite avançar no tratamento do DM2, garantindo maior adesão, segurança e qualidade de vida ao paciente (VIEIRA et al., 2025; BATTELINO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A nutrição funcional configura-se como uma estratégia essencial para a prevenção e o controle do Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2), pois atua em diferentes dimensões do cuidado. A modulação da resistência à insulina por meio do consumo de alimentos ricos em compostos bioativos, como polifenóis, fibras e antioxidantes, representa um dos principais caminhos para melhorar a sensibilidade insulínica e reduzir complicações metabólicas associadas à doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Verificou-se também que as práticas alimentares baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados favorecem melhores indicadores nutricionais e metabólicos, ao passo que a elevada ingestão de ultraprocessados está associada ao aumento do risco de obesidade, inflamação e agravamento do quadro glicêmico. Estratégias como o <em>mindful eating</em> e políticas públicas de incentivo a hábitos saudáveis fortalecem a adesão ao tratamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O papel do nutricionista emerge como elemento central nesse processo, tanto na prescrição segura de alimentos funcionais e fitoterápicos quanto na orientação para escolhas alimentares conscientes e individualizadas. Quando aliado ao uso de tecnologias modernas, como o monitoramento contínuo da glicose e métricas de controle avançado, o profissional amplia sua capacidade de promover um cuidado personalizado e eficaz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se, portanto, que a nutrição funcional deve ser reconhecida não apenas como prática complementar, mas como pilar estratégico no manejo do DM2, integrando aspectos fisiopatológicos, nutricionais, comportamentais e clínicos. Ainda que evidências robustas já sustentem sua aplicabilidade, permanecem lacunas relacionadas à padronização de doses, à duração do consumo e à avaliação de efeitos em longo prazo, o que torna necessária a realização de novos estudos científicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma prática, a integração entre alimentação funcional, ambiente saudável e tecnologias de monitoramento representa um caminho promissor para o cuidado multidisciplinar, oferecendo subsídios concretos para a melhoria da qualidade de vida e a redução das complicações em pessoas com Diabetes Mellitus tipo 2.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ACCILI, D.; DENG, Z.; LIU, Q. Resistência à insulina no diabetes mellitus tipo 2. <em>Nature Reviews Endocrinology</em>, v. 21, n. 7, p. 413-426, 2025. DOI: <a href="https://doi.org/10.1038/S41574-025-01114-Y">https://doi.org/10.1038/S41574-025-01114-Y</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">AYLA, L. et al. Influências ambientais externas no consumo de alimentos ultraprocessados em indivíduos com diabetes tipo 2. <em>Diabetology &amp; Metabolic Syndrome</em>, v. 17, n. 2, p. 120-132, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BERNARDES, D.; OLIVEIRA, R.; MORAES, F. Nutrição funcional: conceitos e aplicações na prática clínica. <em>Revista Brasileira de Nutrição Clínica</em>, v. 25, n. 1, p. 56-64, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BATTELINO, T. et al. Clinical targets for continuous glucose monitoring data interpretation: recommendations from the International Consensus on Time in Range. <em>Diabetes Care</em>, v. 46, n. 1, p. 1-12, 2023. DOI: <a href="https://doi.org/10.2337/dci22-0028">https://doi.org/10.2337/dci22-0028</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BOTELHO, P. B. Efeitos do consumo da castanha-do-brasil na atividade antioxidante endógena. <em>Revista de Nutrição Funcional</em>, v. 20, n. 4, p. 210-218, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CARVALHO, A. P.; PERUCHA, C. G. Efeitos do consumo de soja sobre resistência insulínica em pacientes com diabetes mellitus tipo 2. <em>Nutrición Hospitalaria</em>, v. 33, n. 2, p. 356-362, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CERIELLO, A. et al. Beyond HbA1c: current challenges and future directions in diabetes management. <em>Diabetes Research and Clinical Practice</em>, v. 185, p. 109-122, 2022. DOI: <a href="https://doi.org/10.1016/j.diabres.2022.109122">https://doi.org/10.1016/j.diabres.2022.109122</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FUNG, J. <em>O código do diabetes: previna e reverta o diabetes tipo 2 naturalmente</em>. Tradução de Vera Caputo. São Paulo: nVersos, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GONTIJO, C. A. et al. Impacto do consumo de alimentos de alto índice glicêmico na resistência à insulina. <em>Revista Brasileira de Endocrinologia e Metabologia</em>, v. 61, n. 4, p. 341-350, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LEE, Y. S.; PARK, J.; CHOI, C. S. Insulin resistance and lipid metabolism. <em>Experimental &amp; Molecular Medicine</em>, v. 54, n. 4, p. 591-604, 2022. DOI: <a href="https://doi.org/10.1038/s12276-022-00756-2">https://doi.org/10.1038/s12276-022-00756-2</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LARIOS, I. C. Efeito do óleo de capulim sobre parâmetros glicêmicos em pacientes com DM2. <em>Journal of Ethnopharmacology</em>, v. 275, p. 114-123, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAHAN, L. K.; RAYMOND, J. L. <em>Krause: alimentos, nutrição e dietoterapia</em>. 14. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARTINS, J. R. et al. Alimentos funcionais e o impacto no controle glicêmico de pacientes diabéticos. <em>Revista de Ciências da Saúde</em>, v. 24, n. 2, p. 75-84, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MINARI, R. S. et al. Efeitos do mindful eating na adesão ao tratamento nutricional em pacientes com DM2. <em>Appetite</em>, v. 185, p. 106-118, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MONTEIRO, C. A. et al. Ultra-processed foods: what they are and how to identify them. <em>Public Health Nutrition</em>, v. 25, n. 2, p. 284-292, 2022. DOI: <a href="https://doi.org/10.1017/S1368980021003945">https://doi.org/10.1017/S1368980021003945</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NAGHAVI, M. et al. Consumption of fruits and vegetables and the prevention of diabetes. <em>Nutrients</em>, v. 16, n. 5, p. 1120-1133, 2024. DOI: <a href="https://doi.org/10.3390/nu16051120">https://doi.org/10.3390/nu16051120</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NOGUEIRA, L. Resistência à insulina: aspectos fisiopatológicos e implicações clínicas. <em>Revista Brasileira de Nutrição Funcional</em>, v. 18, n. 3, p. 145-159, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA, R. F. Antioxidantes dietéticos no controle do diabetes mellitus tipo 2. <em>Revista de Nutrição Funcional e Clínica</em>, v. 21, n. 1, p. 88-97, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PORTELA, M. C. et al. Complicações crônicas do diabetes mellitus tipo 2 no Brasil. <em>Cadernos de Saúde Pública</em>, v. 38, n. 5, p. e00051222, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PILCO, C. R. J. Efeitos do consumo de lentilha no controle glicêmico. <em>Plant Foods for Human Nutrition</em>, v. 78, p. 157-167, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SETTI, A. S. et al. Aumento da demanda por alimentos funcionais e conscientização sobre saúde. <em>Food Research International</em>, v. 140, p. 109-118, 2021. DOI: <a href="https://doi.org/10.1016/j.foodres.2020.109118">https://doi.org/10.1016/j.foodres.2020.109118</a>.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, A. R. et al. Fitoterapia e nutrição funcional no Brasil: regulamentações e práticas clínicas. <em>Revista Brasileira de Ciências da Saúde</em>, v. 29, n. 1, p. 22-34, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TORRES, H. R. Efeitos da canela, gengibre e cúrcuma na redução da glicemia. <em>Journal of Functional Foods</em>, v. 95, p. 105-118, 2024. DOI: <a href="https://doi.org/10.1016/j.jff.2024.105118">https://doi.org/10.1016/j.jff.2024.105118</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VIEIRA, A. C. et al. Atuação do nutricionista em alimentos funcionais, fitoterapia e compostos bioativos. <em>Revista Brasileira de Nutrição Clínica</em>, v. 40, n. 1, p. 15-28, 2025.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">WILLIAMSON, G.; SHEEDY, K. Polyphenols and insulin resistance: molecular mechanisms and clinical perspectives. <em>Nutrients</em>, v. 12, n. 9, p. 1-15, 2020. DOI: <a href="https://doi.org/10.3390/nu12092705">https://doi.org/10.3390/nu12092705</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZHANG, Y. et al. Whole grains intake and risk reduction of type 2 diabetes: a meta-analysis. <em>British Journal of Nutrition</em>, v. 127, n. 6, p. 829-840, 2022. DOI: <a href="https://doi.org/10.1017/S0007114521004152">https://doi.org/10.1017/S0007114521004152</a>.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: jocelia8rocha@gmail.com<br><sup>2</sup>Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: imayaracalvet@gmail.com<br><sup>3</sup>Orientadora do TCC, Mestre em Ciência da Saúde pela Universidade Federal do Amazonas. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: rebeca.figueiredo@fametro.edu.br<br><sup>4</sup>Coorientador(a) do TCC, Mestre pela UNISANTOS. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: david.reis@fametro.edu.br</p>
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