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	<title>Medicina Veterinaria &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<description>Revista Científica de Alto Impacto.</description>
	<lastBuildDate>Sat, 06 Dec 2025 15:07:08 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Medicina Veterinaria &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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		<title>TOXOPLASMOSE: ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS, CLÍNICOS E RELEVÂNCIA PARA A MEDICINA VETERINÁRIA E SAÚDE PÚBLICA – REVISÃO NARRATIVA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/toxoplasmose-aspectos-epidemiologicos-clinicos-e-relevancia-para-a-medicina-veterinaria-e-saude-publica-revisao-narrativa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Nov 2025 14:43:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Veterinaria]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511301153 Samara da Costa Veras de AlbuquerqueJulia Moreira BuccosJayane Verdam RicardoFernanda Lyra SilvaDaniele Ferreira da SilvaYasmim de Souza ValverdeDarciane Vinuto RESUMO A toxoplasmose é uma zoonose amplamente distribuída, causada pelo protozoário intracelular obrigatório Toxoplasma gondii, capaz de infectar mamíferos e aves, incluindo seres humanos e animais domésticos. Os felinos são os únicos hospedeiros [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511301153</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Samara da Costa Veras de Albuquerque<br>Julia Moreira Buccos<br>Jayane Verdam Ricardo<br>Fernanda Lyra Silva<br>Daniele Ferreira da Silva<br>Yasmim de Souza Valverde<br>Darciane Vinuto</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A toxoplasmose é uma zoonose amplamente distribuída, causada pelo protozoário intracelular obrigatório Toxoplasma gondii, capaz de infectar mamíferos e aves, incluindo seres humanos e animais domésticos. Os felinos são os únicos hospedeiros definitivos, responsáveis pela eliminação ambiental de oocistos, enquanto todas as demais espécies atuam como hospedeiros intermediários. Este trabalho tem como objetivo revisar aspectos epidemiológicos, clínicos e diagnósticos da toxoplasmose, com base em literatura especializada. A infecção ocorre principalmente por ingestão de oocistos presentes no ambiente ou de cistos teciduais em carnes cruas ou mal cozidas. No Brasil, estudos sorológicos revelam alta prevalência em cães e gatos, que podem atuar como sentinelas da contaminação ambiental. Em pequenos ruminantes, a doença é relevante por causar perdas reprodutivas, como abortos e mortalidade neonatal. Em cães e gatos, a doença clínica ocorre principalmente em animais imunossuprimidos, com manifestações neurológicas, respiratórias e oculares. O diagnóstico baseia-se em métodos sorológicos, parasitológicos e moleculares. Conclui-se que a toxoplasmose permanece como importante zoonose, exigindo ações integradas de vigilância sanitária e manejo adequado de animais domésticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Toxoplasma gondii; zoonose; felinos; pequenos animais; saúde pública.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A toxoplasmose é uma das zoonoses mais importantes em medicina veterinária e saúde pública, causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, pertencente ao filo Apicomplexa. Infecta naturalmente animais selvagens e domésticos, além do ser humano, havendo ampla distribuição geográfica influenciada por fatores climáticos, culturais e socioeconômicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relevância da enfermidade decorre da possibilidade de causar abortos em diversas espécies, alterações congênitas em humanos, manifestações clínicas severas em indivíduos imunossuprimidos e impacto produtivo em ruminantes. Em pequenos animais, especialmente cães e gatos, a diversidade de sinais clínicos torna o diagnóstico desafiador, reforçando a importância da compreensão epidemiológica e clínica da infecção.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo consiste em revisão narrativa, baseada nos seguintes documentos científicos:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aspectos da toxoplasmose na clínica de pequenos animais (Galvão et al., 2014)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ações de vigilância continuada: papel do cão como animal sentinela para toxoplasmose (Ullmann et al., 2008)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Toxoplasmose animal no Brasil (Fialho; Teixeira; Araújo, 2009)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. ETIOLOGIA E CICLO BIOLÓGICO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O agente etiológico, Toxoplasma gondii, é um coccídeo intracelular obrigatório com três formas evolutivas:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Taquizoítos: replicação rápida durante fase aguda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bradizoítos: presentes em cistos teciduais na fase crônica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Oocistos: eliminados apenas por felinos, tornando-se infectantes após esporulação no ambiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Felinos jovens, em primo-infecção, eliminam grandes quantidades de oocistos, que podem persistir no ambiente por meses devido à alta resistência.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. EPIDEMIOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A toxoplasmose apresenta elevada soroprevalência em animais domésticos no Brasil. Estudos mostram prevalências de 20% a mais de 80% em cães e gatos, dependendo da região e condições de manejo. Cães podem atuar como sentinelas, indicando contaminação ambiental por oocistos, visto que podem carrear o parasito mecanicamente ou apresentar soropositividade devido à exposição contínua.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em ruminantes, especialmente ovinos e caprinos, a enfermidade é associada a importantes perdas reprodutivas, incluindo aborto, natimortalidade e mortalidade neonatal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. ASPECTOS CLÍNICOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.1 Pequenos animais (cães e gatos)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A maioria dos animais infectados permanece assintomática. Contudo, manifestações clínicas ocorrem principalmente em indivíduos jovens ou imunossuprimidos. Os sistemas mais afetados incluem:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nervoso: convulsões, ataxia, paralisia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Respiratório: pneumonia intersticial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ocular: uveíte, corioretinite.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Musculoesquelético: dor e fraqueza muscular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hepático e gastrointestinal: icterícia, diarreia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em gatos, infecções congênitas podem causar mortalidade neonatal e graves alterações sistêmicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.2 Ruminantes</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em ovinos e caprinos, o parasito é causa frequente de aborto e problemas neonatais. Achados incluem linfadenite, encefalite, pneumonia e lesões hepáticas, além de alta mortalidade perinatal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. DIAGNÓSTICO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os principais métodos diagnósticos incluem:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.1 Sorológicos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">RIFI, HAI e ELISA;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Utilizados para detectar anticorpos IgM (infecção recente) e IgG (infecção crônica). São amplamente empregados em monitoramento epidemiológico, especialmente em cães sentinelas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.2 Parasitológicos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Visualização de oocistos ou formas do parasito em tecidos ou fluídos corporais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.3 Moleculares</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Técnicas de PCR permitem alta sensibilidade e especificidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7. MEDIDAS DE CONTROLE E PREVENÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Evitar oferta de carne crua a cães e gatos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Impedir acesso de felinos a áreas de criação de ruminantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Higienizar ambientes contaminados com fezes felinas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Educar populações sobre higiene alimentar e manejo de animais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Monitorar cães como sentinelas em programas de vigilância ambiental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não existe vacina disponível para humanos; a vacina comercial é restrita a ovinos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>8. CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A toxoplasmose é uma zoonose de grande relevância sanitária, devido à ampla distribuição, variedade de hospedeiros e potencial de causar agravos clínicos e reprodutivos. Estudos mostram que cães e gatos desempenham papéis significativos na cadeia epidemiológica, sendo os felinos essenciais para a manutenção do parasito no ambiente. A doença continua representando desafio para saúde pública e produção animal, reforçando a necessidade de vigilância contínua, educação sanitária e manejo adequado das espécies domésticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">GALVÃO, A. L. B. et al. Aspectos da toxoplasmose na clínica de pequenos animais. Semina: Ciências Agrárias, v. 35, n. 1, p. 393-410, 2014.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ULLMANN, L. S. et al. Ações de vigilância continuada: papel do cão como animal sentinela para toxoplasmose. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, v. 17, supl. 1, p. 345-347, 2008.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FIALHO, C. G.; TEIXEIRA, M. C.; ARAÚJO, F. A. P. Toxoplasmose animal no Brasil. Acta Scientiae Veterinariae, v. 37, n. 1, p. 1-23, 2009.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Afiliação: Universidade de Vassouras, Campos Saquarema&nbsp;&#8211; E-mail para correspondência: <a href="mailto:samaravalbuquerque@gmail.com">samaravalbuquerque@gmail.com</a></p>
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		<title>HIPOTIREOIDISMO CANINO EM PASTOR DE SHETLAND – RELATO DE CASO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/hipotireoidismo-canino-em-pastor-de-shetland-relato-de-caso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Nov 2025 13:47:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Veterinaria]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511301058 Maria Carolina Mantovanelli BatistetiGabriela Moreno PiresOrientador: Mauricio Miriam RESUMO: O hipotireoidismo é o distúrbio tireoidiano mais comum em cães. Pode ser adquirido ou congênito, podendo ocorrer devido à destruição da glândula tireoide, diminuição da estimulação pelo TSH da glândula pituitária ou falha em qualquer uma das etapas da síntese do hormônio tireoidiano. [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511301058</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Maria Carolina Mantovanelli Batisteti<br>Gabriela Moreno Pires<br>Orientador: Mauricio Miriam</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO: </strong>O hipotireoidismo é o distúrbio tireoidiano mais comum em cães. Pode ser adquirido ou congênito, podendo ocorrer devido à destruição da glândula tireoide, diminuição da estimulação pelo TSH da glândula pituitária ou falha em qualquer uma das etapas da síntese do hormônio tireoidiano. O presente trabalho tem como objetivo relatar o caso de hipotireoidismo em um cão da raça pastor de shetland, macho, de sete anos atendido na Clínica Veterinária DeVet em São Paulo, apresentando hiperlipidemia, apatia, ganho de peso comendo pouco e com alterações dermatológicas. Ao exame físico animal apresentou escore corporal elevado, hiporexia, rarefação pilosa, “cauda de rato”, faces trágicas, frequência cardíaca baixa. Demais parâmetros clínicos dentro da normalidade e sem alterações neurológicas. Foram solicitados exames complementares como hemograma, perfil hepático e renal para melhor elucidação clínica após atendimento inicial, com os resultados evidenciando as seguintes alterações hiperlipidemia, hipercolesterolemia, funções hepáticas elevadas bem como lama biliar presente na ultrassonografia abdominal. Em virtude dos resultados obtidos, a dosagem de TSH e T4 total livre foram solicitadas com os achados suspeitando de hipotireoidismo canino, e sua confirmação sendo realizada após resultados desses hormônios alterados, juntamente com alterações clínicas encontradas. <strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Hipotireoidismo Canino, Pastor de Shetland, T4 Total Livre.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As enfermidades endócrinas representam uma parcela significativa das afecções que acometem pequenos animais, exigindo diagnóstico preciso e manejo clínico adequado por parte do médico-veterinário. Dentre essas doenças, o hipotireoidismo destaca-se como uma das endocrinopatias mais comuns em cães, sendo responsável por ampla variedade de manifestações clínicas que afetam múltiplos sistemas orgânicos. Devido à sua natureza crônica e progressiva, o reconhecimento precoce dessa disfunção é essencial para evitar complicações metabólicas, dermatológicas e cardiovasculares, contribuindo para uma melhor qualidade de vida dos animais acometidos (FELDMAN <em>et al</em>., 2014; RAMOS, 2017).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O hipotireoidismo em cães é caracterizado pela produção insuficiente dos hormônios tireoidianos tiroxina (T4) e triiodotironina (T3), sintetizados pelas células foliculares da glândula tireóide e regulados pelo hormônio estimulante da tireoide (TSH) hipofisário. Estes hormônios exercem papel central na regulação do metabolismo basal, no desenvolvimento de tecidos, no funcionamento cardiovascular, na manutenção da homeostase cutânea e na atividade neuromuscular. A deficiência hormonal promove desaceleração metabólica sistêmica, alterando múltiplos sistemas orgânicos e culminando em sinais clínicos discretos, progressivos e muitas vezes inespecíficos (FELDMAN <em>et al</em>., 2014; RAMOS, 2017).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O hipotireoidismo canino é classificado em primário, secundário e iatrogênico, conforme a origem da disfunção no eixo hipotálamo-hipófise-tireóide. O primário é o mais frequente, resultando de alterações intrínsecas da tireoide, como tireoidite linfocítica autoimune, caracterizada pela infiltração de linfócitos e plasmócitos e destruição progressiva dos folículos, ou atrofia idiopática, em que o parênquima é gradualmente substituído por tecido adiposo sem inflamação aparente. Estas condições reduzem a produção de T4 e T3 e elevam o TSH em resposta ao feedback negativo ausente.&nbsp; (FELDMAN <em>et al</em>., 2014; FREITAS, 2009). O hipotireoidismo secundário, menos frequente, decorre da deficiência de TSH pela hipófise anterior, com níveis baixos ou normais de TSH e sintomas clínicos similares ao tipo primário (RAMOS, 2017). O iatrogênico surge após tireoidectomia, radioterapia ou uso prolongado de drogas antitireoidianas, como demonstrado em cães tratados para carcinoma de tireoide, nos quais a destruição das células foliculares pode levar ao hipotireoidismo (AMORES-FUSTER <em>et al</em>., 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A predisposição ao hipotireoidismo é influenciada por fatores genéticos, demográficos e hormonais. Raças como Doberman, Golden Retriever, Pastor de Shetland, Cocker Spaniel, Labrador, Beagle, Poodle e Boxer apresentam maior susceptibilidade, sugerindo um componente hereditário na etiologia da doença. Em termos etários, a doença é mais comum em cães de meia-idade a idosos, geralmente entre quatro e dez anos, embora possa ocorrer em qualquer faixa etária. Quanto ao sexo, embora ambos sejam suscetíveis, alguns estudos apontam que fêmeas castradas apresentam maior risco, possivelmente relacionado à influência dos hormônios sexuais sobre o sistema imunológico. O conhecimento desses fatores auxilia o médico veterinário na identificação de cães de alto risco e na interpretação criteriosa de exames laboratoriais (FREITAS, 2009; RAMOS, 2017; MARINHO E SILVA, 2017).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os sinais clínicos refletem o impacto multissistêmico da deficiência hormonal e se desenvolvem gradualmente. Alterações dermatológicas incluem alopecia bilateral simétrica, pele seca, hiperpigmentação, hiperqueratose e infecções secundárias bacterianas ou fúngicas, decorrentes da lentificação do turnover epidérmico. As manifestações metabólicas incluem letargia, ganho de peso sem aumento do apetite, intolerância ao frio, apatia e diminuição da atividade física (FELDMAN <em>et al</em>., 2014; FREITAS, 2009). O sistema cardiovascular também é afetado, podendo ocorrer bradicardia, redução da contratilidade miocárdica e aumento do tempo de relaxamento ventricular. Estudos demonstram que essas alterações podem ser revertidas mediante suplementação de levotiroxina, restaurando parâmetros metabólicos e cardíacos (BILHALVA <em>et al</em>., 2020; GUIGLIELMINI <em>et al</em>., 2019; SOUZA, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico do hipotireoidismo requer uma abordagem integrada, baseada em exame clínico detalhado, avaliação laboratorial e testes complementares. A dosagem sérica de T4 total e livre, TSH e anticorpos antitireoidianos é fundamental para confirmar a doença, sendo que níveis baixos de T4 associados a TSH elevado são indicativos de hipotireoidismo primário, enquanto T4 baixo com TSH normal ou baixo sugere forma secundária (FELDMAN <em>et al</em>., 2014; RAMOS, 2017; RESENDE <em>et al</em>., 2021). Testes adicionais de estimulação com TSH recombinante ou TRH podem ser necessários em casos duvidosos. Diagnóstico diferencial para doenças que apresentam clínica similares, como hiperadrenocorticismo e dermatopatias primárias, são essenciais para evitar diagnósticos equivocados (RESENDE <em>et al</em>., 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento baseia-se na reposição hormonal contínua com levotiroxina, visando normalizar os níveis de T4 e TSH, promovendo a regressão dos sinais clínicos e restaurando a função metabólica e cardiovascular. A dose deve ser individualizada conforme idade, peso, tipo de hipotireoidismo bem como a presença de comorbidades, sendo necessário monitoramento periódico para ajustes terapêuticos. Estudos demonstram que a reposição adequada não apenas melhora os parâmetros metabólicos, mas também reverte alterações cardiovasculares, incluindo bradicardia e modificações eletrocardiográficas, e contribui para a melhora da qualidade de vida dos animais afetados (GUIGLIELMINI <em>et al</em>., 2019; AMORES-FUSTER <em>et al</em>., 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a compreensão aprofundada do hipotireoidismo canino, considerando seus tipos, fatores predisponentes, manifestações clínicas e impacto sistêmico é fundamental para o manejo clínico eficaz. Neste contexto, o presente trabalho tem como objetivo relatar um caso de hipotireoidismo em um cão da raça Pastor de Shetland, destacando os achados clínicos, laboratoriais e a resposta terapêutica ao tratamento instituído, contribuindo para o aprimoramento do diagnóstico e da conduta clínica diante dessa endocrinopatia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DESENVOLVIMENTO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi atendido pelo setor de endocrinologia, canino, macho castrado, raça pastor de shetland, de nome Fox com sete anos e sete meses pesando 11,8kg, encaminhado com histórico clínico de apatia, hiperlipidemia, hiporexia, ganho de peso e alterações dermatológicas. O Animal apresentava normodipsia, normúria, normoquesia, vacinado e vermifugado sem histórico de êmese, apenas tosses esporádicas parecidas com engasgos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alimentação a base de ração royal canin adult+ com resto de comida do prato dos tutores do dia a dia, pois não come se não tiver algo misturado. Não utiliza medicações com recorrência ou faz uso de corticoides.&nbsp; Ao exame físico foram identificados:&nbsp; nível de consciência preservada, temperatura corporal de 38,2°C, frequência cardíaca de 88 bpm, frequência respiratória de 28 mpm, tempo de preenchimento capilar de um segundo, glicemia sérica de 87mg/dL, mucosas normocoradas, linfonodos não reativos, escore corporal de 7/9 e faces trágicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, alterações dermatológicas evidentes como focos de alopecia por todo corpo, incluindo no rabo, conhecida como “cauda de rato”, crostas, rarefação pilosa, hiperemia e pele seca por toda extensão ventral do animal.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>FIGURA 1 e 2:</strong> Alterações dermatológicas em pastor de shetland.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="610" height="272" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2982.png" alt="" class="wp-image-255765" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2982.png 610w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2982-300x134.png 300w" sizes="(max-width: 610px) 100vw, 610px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: arquivo pessoal, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Exames anteriores do dia 16/04/25 apresentavam: hematócrito 45%; leucócitos 12,9 mil; plaquetas 597 mil; glicose 72mg/dL; frutosamina 368 µmol/L; ureia 39 mg/dL; creatinina 1,2 mg/dL; ALT 147 U/L; fosfatase alcalina 510 U/L; GGT 32,5 U/L; albumina 3,4 g/dL; colesterol 1059 mg/dL; triglicerides. 466 mg/dL. Ultrassonografia abdominal 08/04/2025: Fígado com moderada camada gordurosa, vesícula biliar com grande quantidade de lama.&nbsp;Adrenal esquerda medindo 1,62 x 0,46 x 0,7 e adrenal direita medicando 1,41 x 0,54 x 0,47.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Posteriormente aos achados clínicos e de exames citados, a suspeita permaneceu em Hipotireoidismo + Hiperlipidemia + Dermatite. Com isso iniciou-se o planejamento de tratamento para o paciente, realizando ajuste e dieta com medicamentos associados, ezetimiba, bezafibrato e ursacol, após 15 dias de tratamento, foi realizado exame de dosagem hormonal para TSH e T4 Total livre.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>FIGURA 3 e 4</strong>: Pastor de shetland (Fox) apático apresentando faces trágicas.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="526" height="271" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2983.png" alt="" class="wp-image-255767" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2983.png 526w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2983-300x155.png 300w" sizes="(max-width: 526px) 100vw, 526px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: arquivo pessoal, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paciente retornou com os resultados de exame solicitados, referindo que animal se adaptou ao tratamento quanto a nova dieta e receber a medicação todos os dias, além de melhora dos sintomas clínicos, está mais disposto, perdeu peso e boa melhora das alterações dermatológicas com as medicações prescritas que ainda estava utilizando. Apresentando normorexia, normoquezia, normodipsia, normúria e nega quadros de êmese. Novos exames complementares foram realizados no laboratório (10/07/25) que apontaram: Colesterol 524 mg/dL; triglicerides 126 mg/dL; T4 total livre 0,36 ng/dL; TSH 1,79 UI/L.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com resultado satisfatório da dosagem hormonal, concluiu-se o diagnóstico de Hipotireoidismo canino devido apresentar abaixo do normal de T4 total livre em conjunto com sintomas clínicos. A prescrição domiciliar foi mantida com o tratamento medicamentoso anterior e adicionado Synthroid 150mcg um comprimido + 25mcg um comprimido pela manhã juntos, 30 minutos antes da alimentação, de uso contínuo. A alimentação prescrita foi ração royal canin satiety na quantidade de 150 gramas por dia.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Visando avaliar se a dose do medicamento estava sendo efetiva, foi solicitado uma nova dosagem de TSH e teste de reposição hormonal após 20 dias de tratamento.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No retorno do paciente, os tutores relataram grande melhora na disposição e adaptação à rotina alimentar e medicamentosa, pesando 9,8kg (perdeu dois quilos). Os novos exames hormonais realizados no dia laboratório (05/09/2025) apontam T4 0,93 ng/dL, T4 pós reposição hormonal 3,81 ng/dL e TSH 0,09ng/ml pós introdução do Synthroid (levotiroxina) mostrando melhora evidente no tratamento do paciente, mas devido ainda não estar dentro dos valores ideias, foi reajustado a dosagem da medicação para duas vezes ao dia e solicitado novos exames hormonais após 20 dias de reajuste. Paciente segue em acompanhamento endocrinológico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">AMORES-FUSTER, I.; CRIPPS, P;. BLACKWOOD, L. Post-radiotherapy hypothyroidism in dogs treated for thyroid carcinomas. <strong>Veterinary and Comparative Oncology</strong>, p. 1-5, 2015. Disponível em: &lt;<a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/vco.12162">https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/vco.12162&gt;</a>. Acesso em: 20 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BILHALVA, M. A.; EVARISTO, T. A.; ISNARDI, C. P.; ROCHA, M. M.; ALVES, C. C.; SOARES, M. A.; WALLER, S. B.; BORBA, A.; SANTOS, T. C.; COSTA, P. P. C. O hipotireoidismo canino e seus efeitos sobre o sistema cardiovascular. <strong>PUBVET</strong>, v. 14, n. 4, p. 1-6, abr. 2020. Disponível em:&nbsp;<a href="https://www.pubvet.com.br/uploads/54792acab21332cdc75b352ea14391c1.pdf">&lt;https://www.pubvet.com.br/uploads/54792acab21332cdc75b352ea14391c1.pdf&gt;</a>. Acesso em: 21 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FELDMAN, E. C.; RICHARD, W. N.; REUSCH, C.; SCOTT-MONCRIEFF, C.; BEHREND,&nbsp;E. <strong>Canine and Feline Endocrinology</strong>. 4 ed. Elsevier, 2014. Disponível em:&nbsp;<a href="https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&amp;lr=&amp;id=RwujBQAAQBAJ&amp;oi=fnd&amp;pg=PP1&amp;dq=FELDMAN,+E.+C.%3B+RICHARD,+W.+N.%3B+REUSCH,+C.%3B+SCOTT-MONCRIEFF,+C.%3B+BEHREND,+E.+Canine+and+Feline+Endocrinology.+4+ed.&amp;ots=e192kId9oV&amp;sig=kYl0U6pTqbUXh4hbCayX_CONBJw#v=onepage&amp;q&amp;f=false">&lt;https://books.google.com.br/books?hl=ptBR&amp;lr=&amp;id=RwujBQAAQBAJ&amp;oi=fnd&amp;pg=PP1&amp;dq=FELDMAN,+E.+C.%3B+RICHARD,+W. +N.%3B+REUSCH,+C.%3B+SCOTT-MONCRIEFF,+C.%3B+BEHREND,+E.+Canine+and+Feline+Endocrinology.+4+ed.&amp;ots=e1 92kId9oV&amp;sig=kYl0U6pTqbUXh4hbCayX_CONBJw#v=onepage&amp;q&amp;f=false&gt;</a>. Acesso em:&nbsp;22 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FREITAS, M. A. <strong>Hipotireoidismo em cães</strong>: aspectos gerais. 2009. 20 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Medicina Veterinária) – Faculdade de Medicina Veterinária e&nbsp;Zootecnia, Universidade estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Botucatu, 2009. Disponível em: &lt;<a href="https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/630daf0b-f8cd-4b25-bdff-9d2282a26127/content">https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/630daf0b-f8cd4b25-bdff-9d2282a26127/content&gt;</a>. Acesso em: 21 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GUIGLIELMINI, C.; BERLANDA, M.; FRACASSI, F.; POSER, H.; KOREN, S.; TOALDO, M. B. Electrocardiographic and echocardiographic evaluation in dogs with hypothyroidism before and after levothyroxine supplementation: A prospective controlled study. <strong>Journal of&nbsp;Veterinary Internal Medicine</strong>, v. 33, p. 1935-1942, 2019. Disponível em:&nbsp;<a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/jvim.15600">&lt;https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/jvim.15600&gt;</a>. Acesso em: 23 out. 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARINHO E SILVA, T. S. M. <strong>Hipotireoidismo em cães</strong>: relato de caso. 2017. 46 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Medicina Veterinária) &#8211; Centro de Ciências Agrárias,&nbsp;Ambientais e Biológicas, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Cruz das Almas,&nbsp;2017. Disponível em:&nbsp;<a href="https://ri.ufrb.edu.br/bitstream/123456789/2079/1/Hipotireoidismo_Caes_Relato_TCC_2017.pdf">&lt;https://ri.ufrb.edu.br/bitstream/123456789/2079/1/Hipotireoidismo_Caes_Relato_TCC_2017.pdf&gt;</a>. Acesso em: 22 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">RAMOS, P. V. <strong>Hipotireoidismo canino</strong>: revisão bibliográfica. 2017. 48 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Medicina Veterinária) &#8211; Faculdade de Agronomia e Medicina&nbsp;Veterinária, Universidade de Brasília, Brasília, 2017. Disponível em: <a href="https://bdm.unb.br/bitstream/10483/17970/1/2017_PatriciaVieiraRamos_tcc.pdf">&lt;https://bdm.unb.br/bitstream/10483/17970/1/2017_PatriciaVieiraRamos_tcc.pdf&gt;</a>. Acesso em: 23 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">RESENDE, K. V. M. S. RODRIGUES J. B.; NASCIMENTO, J. D. O.; SOUZA, K. R. F.; LIMA, L. O.; CORTEZ, B. O. F.; FERREIRA, D. N. P.; BARROS, N. C. B. Aspectos diagnósticos do hipotireoidismo canino &#8211; Revisão de literatura. <strong>Brazilian Journal of Development</strong>. Curitiba, v. 7, n. 10, p. 95112-95117, oct., 2021. Disponível em: <a href="https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/36942/pdf">&lt;https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/36942/pdf&gt;</a>. Acesso em: 24 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, C. C. <strong>Hipotiroidismo canino</strong>: Descrição de Casos Clínicos. 2023. 114 p.&nbsp;Relatório de Estágio Final (Mestrado Integrado em Medicina Veterinária) &#8211; Universidade de&nbsp;Trás-os-Montes e Alto Douro. Vila Real, 2023. Disponível em:&nbsp;<a href="https://repositorio.utad.pt/entities/publication/c02cd1f0-7ca0-4fb0-b9cc-2fa1fc621a65">&lt;https://repositorio.utad.pt/entities/publication/c02cd1f0-7ca0-4fb0-b9cc-2fa1fc621a65&gt;</a>. Acesso em: 20 out. 2025.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>AVALIAÇÃO ULTRASSONOGRÁFICA DAS GLÂNDULAS ADRENAIS EM CÃES DA RAÇA DACHSHUND: ESTUDO RETROSPECTIVO COM ENFOQUE MORFOMÉTRICO &#8211; RELATO DE CASO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/avaliacao-ultrassonografica-das-glandulas-adrenais-em-caes-da-raca-dachshund-estudo-retrospectivo-com-enfoque-morfometrico-relato-de-caso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Nov 2025 17:10:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Veterinaria]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=254503</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511281410 Ennzo Augusto Ferreira Borges Pedro Gaspar ReisOrientador: Flávio Augusto Marques dos Santos Coorientadora: Mariana Dias Oliveira RESUMO Este estudo teve como objetivo investigar as características morfométricas das glândulas adrenais em cães da raça Dachshund, com ênfase nas variações de tamanho e espessura das adrenais direita e esquerda, por meio da análise de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511281410</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Ennzo Augusto Ferreira Borges<br> Pedro Gaspar Reis<br>Orientador: Flávio Augusto Marques dos Santos<br> Coorientadora: Mariana Dias Oliveira</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo teve como objetivo investigar as características morfométricas das glândulas adrenais em cães da raça Dachshund, com ênfase nas variações de tamanho e espessura das adrenais direita e esquerda, por meio da análise de exames ultrassonográficos. A amostra foi composta por 51 cães da raça Dachshund, adultos, de ambos os sexos, cujos exames ultrassonográficos foram avaliados para obter as medidas do comprimento e espessura das glândulas adrenais. A análise estatística revelou que não houve diferença significativa entre as adrenais direita e esquerda quanto ao comprimento (p = 0.9227) e à espessura (p = 0.2141), indicando homogeneidade nas medidas entre os lados. Observou-se, ainda, que a espessura apresentou menor variação em comparação ao comprimento, sugerindo maior consistência nas medições da espessura. Além disso, 33% dos cães apresentaram espessura do polo caudal superior ao limite esperado para cães de pequeno porte, mas sem sinais clínicos de endocrinopatia. Os resultados indicam que a raça Dachshund pode apresentar um padrão morfométrico característico para suas glândulas adrenais, o que tem implicações para a prática clínica veterinária, principalmente na interpretação dos exames ultrassonográficos. O estudo sugere a necessidade de estabelecer parâmetros de referência específicos para a raça, visando reduzir diagnósticos excessivos e melhorar a acurácia dos exames. Futuras pesquisas com amostras maiores e avaliações laboratoriais complementares são recomendadas para consolidar esses achados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A medicina veterinária de pequenos animais tem evoluído significativamente nas últimas décadas, especialmente no que diz respeito ao diagnóstico por imagem, que hoje ocupa um papel central na rotina clínica. Dentre as modalidades disponíveis, a ultrassonografia destaca-se como uma ferramenta essencial para a avaliação de estruturas abdominais, permitindo a identificação de alterações morfológicas de forma não invasiva, segura e acessível (MESQUITA et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As glândulas adrenais, localizadas cranialmente aos rins, exercem funções endócrinas cruciais, sendo responsáveis pela produção de hormônios como cortisol, aldosterona e catecolaminas, que estão diretamente envolvidos na resposta ao estresse, regulação do metabolismo e equilíbrio hidroeletrolítico. A ultrassonografia dessas estruturas tem se mostrado particularmente útil na investigação de doenças endócrinas, como o hiperadrenocorticismo, mas também na detecção de alterações dimensionais que nem sempre estão associadas a quadros clínicos evidentes (MESQUITA et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos recentes indicam que o tamanho das adrenais pode variar consideravelmente entre cães considerados clinicamente saudáveis, sendo influenciado por fatores como porte, idade, sexo e raça (MELIÁN et al., 2021). Essa variação anatômica tem implicações importantes para a interpretação dos exames de imagem, uma vez que a ausência de parâmetros morfométricos específicos por grupo pode levar a diagnósticos equivocados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste cenário, a raça Dachshund surge como uma população de interesse. Observações clínicas sugerem que cães desta raça, mesmo sem sinais evidentes de doença endócrina, frequentemente apresentam glândulas adrenais com dimensões aumentadas em exames ultrassonográficos. No entanto, a escassez de estudos voltados especificamente à avaliação morfométrica das adrenais nessa raça dificulta o estabelecimento de um critério diagnóstico preciso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas comparativas recentes reforçam a ideia de que diferentes raças podem apresentar padrões morfométricos próprios, o que torna essencial a construção de referenciais específicos para uma interpretação mais acurada dos exames (CARVALHO et al., 2023). A compreensão dessas variações naturais pode evitar diagnósticos excessivos ou incorretos e contribuir para uma abordagem clínica mais individualizada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, o presente trabalho tem como objetivo investigar a ocorrência de possíveis aumentos nas glândulas adrenais em cães da raça Dachshund, por meio da análise retrospectiva de exames de imagem ultrassonográfica. Pretende-se identificar padrões morfométricos característicos, avaliar uma possível predisposição racial para alterações dimensionais e compreender as implicações clínicas associadas, por meio da comparação com cães de raças de porte semelhante.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>JUSTIFICATIVA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A ultrassonografia abdominal tornou-se uma ferramenta fundamental na prática clínica veterinária, especialmente na avaliação de estruturas endócrinas como as glândulas adrenais. Apesar da ampla utilização desse método de diagnóstico, ainda existe uma carência de parâmetros morfométricos específicos para determinadas raças, o que pode dificultar a interpretação adequada dos achados ultrassonográficos. Entre essas raças, o Dachshund apresenta particular interesse devido a observações clínicas que sugerem a ocorrência frequente de adrenais com dimensões aumentadas mesmo na ausência de alterações endócrinas evidentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A falta de estudos que abordem de maneira aprofundada as características morfológicas e dimensionais das adrenais nessa raça cria uma lacuna importante na literatura científica. A inexistência de valores de referência específicos pode levar a diagnósticos equivocados, como a suspeita indevida de hiperadrenocorticismo ou outras endocrinopatias, especialmente quando as medidas observadas ultrapassam parâmetros definidos para a população canina geral. Essa situação tem potencial para gerar exames complementares desnecessários, custos adicionais para os tutores e interpretações clínicas erroneamente direcionadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, compreender se o Dachshund apresenta predisposição racial para adrenais relativamente maiores pode contribuir significativamente para a prática do diagnóstico por imagem, permitindo uma avaliação mais assertiva e individualizada. Em um cenário clínico no qual a precisão diagnóstica é cada vez mais exigida, estudos que buscam estabelecer padrões morfométricos específicos por raça são de grande relevância.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, este trabalho justifica-se pela necessidade de ampliar o conhecimento sobre as características ultrassonográficas das glândulas adrenais em cães da raça Dachshund e de fornecer referenciais que possam auxiliar médicos veterinários na interpretação correta dos achados. A construção desses parâmetros pode contribuir para reduzir diagnósticos excessivos, evitar condutas desnecessárias e aprimorar a tomada de decisão clínica, tornando este estudo pertinente tanto para a literatura científica quanto para a prática veterinária.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>OBJETIVO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Investigar a ocorrência de possíveis aumentos nas glândulas adrenais em cães da raça Dachshund, por meio da análise de exames de imagem, com o intuito de identificar padrões morfométricos característicos, avaliar uma possível predisposição racial para alterações no tamanho dessas estruturas e compreender as possíveis implicações clínicas associadas a essas alterações.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo terá caráter retrospectivo, observacional e comparativo, com o objetivo de analisar o tamanho das glândulas adrenais em cães da raça Dachshund, utilizando exames de ultrassonografia abdominal previamente realizados. Os dados serão obtidos por meio da análise de laudos e imagens arquivadas em clínicas veterinárias parceiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A amostra será composta por, aproximadamente, 25 cães da raça Dachshund, adultos, de ambos os sexos, que tenham realizado exames ultrassonográficos abdominais completos nos últimos anos, com especial atenção à avaliação das glândulas adrenais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os critérios de inclusão envolvem cães clinicamente estáveis, com exames de boa qualidade técnica e com descrição clara ou imagem disponível das glândulas adrenais. Serão excluídos os casos com suspeita ou diagnóstico confirmado de doenças endócrinas, como hiperadrenocorticismo, neoplasias ou qualquer outra condição que possa interferir na morfologia adrenal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ultrassonografia será realizada por uma médica veterinária especializada em diagnóstico por imagem, garantindo a padronização da técnica utilizada e a confiabilidade dos dados analisados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados coletados incluirão medidas do comprimento e da espessura das glândulas adrenais direita e esquerda, bem como a relação córtico-medular. Os resultados obtidos serão comparados entre o grupo Dachshund, buscando identificar possíveis diferenças morfométricas na raça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados coletados serão organizados em planilhas eletrônicas por meio do programa Microsoft Excel. Em seguida, será realizada uma análise estatística básica com o auxílio de um software apropriado, como o BioEstat ou GraphPad Prism, conforme a disponibilidade e orientação dos professores/coorientadores envolvidos no projeto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente, será feita uma análise descritiva, com cálculo de média, mediana, desvio padrão e outros parâmetros que ajudem a entender o comportamento das medidas das glândulas adrenais (como comprimento e espessura no polo caudal) nos cães da raça Dachshund.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Será utilizado um teste estatístico adequado, que será escolhido com base nas características dos dados, como a normalidade da distribuição, com apoio da coorientadora e demais orientadores do trabalho. Os testes serão definidos à medida que o banco de dados for sendo analisado e as características da amostra forem identificadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>OBJETIVOS ESPECÍFICOS&nbsp;</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Coletar e organizar medidas ultrassonográficas do comprimento e da espessura das glândulas adrenais direita e esquerda em cães da raça Dachshund.</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Avaliar a relação córtico-medular nas adrenais analisadas, quando essa informação estiver disponível nas imagens ou laudos.</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Descrever e caracterizar o padrão morfométrico das glândulas adrenais em cães Dachshund, identificando valores médios, variações e distribuição das medidas.</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Comparar as medidas entre os próprios indivíduos da raça, considerando variáveis como lado (direito e esquerdo), sexo e idade.</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Investigar a existência de variações dimensionais relevantes dentro da população estudada, verificando se alguns indivíduos apresentam medidas acima do esperado para a raça.</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Avaliar a possível predisposição dos cães Dachshund a apresentarem adrenais aumentadas, mesmo na ausência de sinais clínicos de endocrinopatia.</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Contribuir para a construção de parâmetros ultrassonográficos específicos da raça, auxiliando médicos veterinários na interpretação mais precisa de exames adrenais em Dachshunds.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REVISÃO DE LITERATURA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. Anatomia das Glândulas Adrenais em Cães</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As glândulas adrenais, também chamadas de suprarrenais, são órgãos pares localizados cranialmente aos rins, situando-se no espaço retroperitoneal. Em cães, a adrenal direita geralmente apresenta formato alongado e levemente triangular, posicionada medial ao polo cranial do rim direito e adjacente à veia cava caudal. Já a adrenal esquerda tende a ter formato mais ovalado, situando-se próximo ao polo cranial do rim esquerdo e à aorta abdominal (DYCE et al., 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Anatomicamente, as adrenais são constituídas por duas regiões distintas: o córtex e a medula. O córtex adrenal é dividido em três zonas — glomerulosa, fasciculada e reticulada — responsáveis, respectivamente, pela produção de mineralocorticoides, glicocorticoides e andrógenos. Já a medula é formada por células cromafins produtoras de catecolaminas, como adrenalina e noradrenalina, fundamentais na resposta ao estresse (GUYTON; HALL, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A morfologia e o tamanho dessas glândulas podem variar de forma significativa entre cães, sendo influenciados por fatores como porte corporal, idade e condição clínica. Essa variabilidade anatômica possui repercussões diretas na interpretação de exames ultrassonográficos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Fisiologia Adrenal e sua Relevância Clínica</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As glândulas adrenais exercem funções endócrinas essenciais para a homeostase. O córtex adrenal produz hormônios que participam da regulação hidroeletrolítica, metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídios, além de atuar na modulação do sistema imunológico. Entre esses hormônios, o cortisol se destaca como importante mediador da resposta ao estresse, modulando processos inflamatórios e metabólicos (NELSON; COUTO, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alterações funcionais nas adrenais estão associadas a síndromes clínicas amplamente descritas na medicina veterinária. Entre elas, destaca-se o hiperadrenocorticismo, caracterizado pelo excesso de produção de cortisol e frequentemente relacionado a aumento da espessura adrenal. Embora essas alterações sejam bem documentadas em cães com endocrinopatias, há crescente interesse em compreender como fatores fisiológicos e anatômicos podem modificar o tamanho das adrenais mesmo em animais clinicamente saudáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. Ultrassonografia das Glândulas Adrenais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A ultrassonografia é amplamente utilizada para avaliação da anatomia e morfometria das glândulas adrenais em cães, por se tratar de um método não invasivo, acessível e com alta resolução para estruturas abdominais. O exame permite visualizar o formato, contornos, ecogenicidade e medidas dimensionais das adrenais, principalmente o comprimento e a espessura do polo caudal — este último considerado a medida mais representativa para avaliação de hipertrofia (MESQUITA et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O polo caudal é particularmente relevante porque representa a região mais facilmente mensurável e menos sujeita a variações técnicas. Além disso, estudos mostram que o aumento da espessura nessa região está mais fortemente associado a alterações funcionais, como hiperplasia ou disfunção adrenal (BARR et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relação córtico-medular ultrassonográfica também é considerada um parâmetro útil, embora apresente maior subjetividade. Em animais saudáveis, o córtex é mais hipoecoico quando comparado à medula, permitindo diferenciação adequada entre as duas regiões.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Variações Morfométricas em Cães Saudáveis</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos demonstram que o tamanho das glândulas adrenais apresenta variações entre cães considerados clinicamente normais. Tais diferenças podem ser influenciadas por porte, idade, sexo e condição corporal. Cães de pequeno porte tendem a apresentar adrenais proporcionalmente menores quando comparados a cães de médio e grande porte, mesmo quando clinicamente saudáveis (MELIÁN et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar disso, as medidas de referência comumente utilizadas na prática veterinária são generalizadas para toda a espécie, o que pode gerar interpretações equivocadas quando aplicadas a raças com características corporais muito distintas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas variações anatômicas reforçam a importância de estudos que busquem parâmetros morfométricos específicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. Particularidades da Raça Dachshund</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Dachshund é uma raça caracterizada por conformação corpórea única: corpo longo, membros curtos e musculatura robusta. Essa conformação influencia avaliações ortopédicas e neurológicas, mas também pode estar relacionada a diferenças fisiológicas e anatômicas menos exploradas na literatura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Observações clínicas sugerem que cães dessa raça frequentemente apresentam glândulas adrenais com dimensões maiores do que o esperado para cães de pequeno porte. Apesar disso, existem poucos estudos específicos que investiguem essa possível predisposição racial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa ausência de informações dificulta a definição de critérios diagnósticos confiáveis e reforça a relevância de pesquisas focadas exclusivamente em Dachshunds.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. Importância da Construção de Parâmetros Específicos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante da variabilidade natural das medidas adrenais e da possível predisposição racial, estabelecer valores de referência específicos para Dachshunds é essencial para:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Evitar diagnósticos excessivos de hiperplasia adrenal;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Reduzir exames complementares desnecessários;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Auxiliar na interpretação ultrassonográfica individualizada;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Orientar condutas clínicas mais precisas.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos de caráter retrospectivo, como o proposto neste TCC, têm papel importante na formação de bancos de dados morfométricos que auxiliam na prática veterinária.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>Caracterização da amostra</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram analisados 55 cães da raça Dachshund, sendo 34 machos e 21 fêmeas, com idade variando entre 1 e 21 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise inicial incluiu 55 exames, dos quais 4 foram excluídos por apresentarem imagens incompletas, baixa qualidade técnica ou suspeita de endocrinopatia, totalizando 51 exames válidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>Medidas ultrassonográficas das glândulas adrenais&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1</strong> <strong>Comprimento e espessura – adrenal direita</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>Figura 1</em></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="633" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2714-1024x633.png" alt="" class="wp-image-254507" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2714-1024x633.png 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2714-300x186.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2714-768x475.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2714.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A adrenal direita apresentou comprimento médio de 1,86cm e espessura média de 0,55cm no polo caudal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os valores variaram entre 1,22cm e 2,92cm para o comprimento e 0,3cm e 1,23cm para a espessura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Figura 1 apresenta a análise descritiva completa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2</strong> <strong>Comprimento e espessura – adrenal esquerda</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>Figura 2</em></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="633" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2715-1024x633.png" alt="" class="wp-image-254508" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2715-1024x633.png 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2715-300x186.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2715-768x475.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2715.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A adrenal esquerda apresentou comprimento médio de 1,86cm e espessura média de 0,57cm no polo caudal, os valores variaram entre 1,22cm e 2,54cm para o comprimento e 0,28cm e 0,98cm para a espessura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Figura 2 apresenta a análise descritiva completa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>Relação córtico-medular</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A relação córtico-medular pôde ser avaliada em 48 dos 51 exames.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não foram verificadas características compatíveis com alterações nodulares ou desorganização arquitetural.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>Comparação entre adrenal direita e esquerda</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O teste t emparelhado é utilizado para comparar as médias de dois grupos relacionados ou medidas repetidas na mesma amostra. Ele verifica se existe uma diferença estatisticamente significativa entre as médias dos dois conjuntos de dados. No contexto deste estudo, o teste t emparelhado foi aplicado para comparar as medições de comprimento e espessura das glândulas adrenais direita e esquerda dos cães da raça Dachshund.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O p-valor é um valor obtido a partir da análise estatística que ajuda a determinar se os resultados observados são ou não significativos. Em termos simples, o p-valor indica a probabilidade de que as diferenças observadas entre os grupos sejam devidas ao acaso. Se o p-valor for menor que 0,05 (nível de significância), considera-se que existe uma diferença estatisticamente significativa entre os grupos. Caso contrário, não se pode afirmar que as diferenças observadas sejam relevantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No presente estudo, os valores de p para o comprimento e a espessura das glândulas adrenais direita e esquerda foram, respectivamente, 0,9227 e 0,2141. Como ambos os valores são superiores a 0,05, concluímos que não houve diferença estatisticamente significativa entre as medidas das glândulas adrenais direita e esquerda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise estatística demonstrou que não houve diferença significativa entre as medidas da adrenal direita e esquerda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados dos testes t emparelhados indicam que não há diferenças significativas entre as adrenais direita e esquerda para as medidas analisadas:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Comprimento:</strong> O valor de p foi 0.9227, que é bem maior que o nível de significância comum de 0.05, indicando que não há diferença significativa entre o comprimento das adrenais direita e esquerda.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Espessura:</strong> O valor de p foi 0.2141, também maior que 0.05, sugerindo que a espessura das adrenais direita e esquerda não difere significativamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, com base nesta análise estatística, não encontramos diferenças significativas entre as adrenais direita e esquerda nas medições de comprimento e espessura.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>Figura 3</em></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="434" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2716-1024x434.png" alt="" class="wp-image-254510" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2716-1024x434.png 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2716-300x127.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2716-768x326.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2716.png 1341w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Os desvios padrão (que indicam a variação ou homogeneidade dos dados) para as medições de comprimento e espessura são os seguintes:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Comprimento (Direita): 0.36 cm</li>



<li>Comprimento (Esquerda): 0.32 cm</li>



<li>Espessura (Direita): 0.19 cm</li>



<li>Espessura (Esquerda): 0.16 cm</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Como o desvio padrão da espessura é menor em comparação ao comprimento, isso sugere que as medições de espessura apresentaram menor variação (maior homogeneidade), enquanto o comprimento apresentou um pouco mais de variação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, as espessuras apresentaram maior homogeneidade, enquanto pequenas variações no comprimento foram observadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>Identificação de indivíduos com medidas acima da média</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram identificados 17 cães (33%) com espessura do polo caudal superior ao limite considerado habitual para cães de pequeno porte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, tais animais não apresentavam sinais clínicos de endocrinopatia, conforme registros nos laudos avaliados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>Avaliação geral das medidas obtidas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados deste estudo demonstram que cães da raça Dachshund apresentam valores morfométricos das glândulas adrenais que podem diferir daqueles amplamente utilizados como referência para cães de pequeno porte. As médias encontradas para comprimento e espessura das adrenais mostram que parte da população estudada possui medidas relativamente maiores, mesmo na ausência de sinais clínicos ou laboratoriais de endocrinopatia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa observação reforça relatos clínicos mencionados por profissionais da área e sugere que o Dachshund pode apresentar um padrão próprio de morfometria adrenal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Comparação com a literatura</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos prévios indicam que o tamanho adrenal em cães saudáveis varia conforme idade, porte e raça (MELIÁN et al., 2021). Entretanto, a maioria dos parâmetros utilizados atualmente foi desenvolvida para populações heterogêneas, sem diferenciação por raça específica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os achados deste estudo corroboram trabalhos que mencionam a necessidade de referenciais morfométricos específicos (CARVALHO et al., 2023), especialmente quando há evidências de variações naturais dentro de determinadas populações&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">caninas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>Interpretação clínica das adrenais aumentadas em Dachshunds</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presença de valores aumentados em parte dos indivíduos não pode ser automaticamente interpretada como sinal de hiperplasia ou hiperadrenocorticismo. A literatura destaca que:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>a espessura aumentada isoladamente não é suficiente para diagnóstico endocrinológico;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>deve-se considerar a relação córtico-medular, forma, ecogenicidade e sinais sistêmicos;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>variações fisiológicas podem ocorrer dentro da normalidade.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo reforça a importância de uma avaliação individualizada e sugere que Dachshunds podem apresentar limites superiores normais mais amplos do que os estabelecidos para outras raças de pequeno porte.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Implicações e relevância dos achados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados têm impacto direto na prática clínica, pois:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>reduzem a probabilidade de diagnóstico excessivo de hiperplasia adrenal;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>evitam exames confirmatórios desnecessários;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>contribuem para melhora da acurácia ultrassonográfica;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>possibilitam que veterinários compreendam melhor padrões normais da raça.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo teve como objetivo investigar as características morfométricas das glândulas adrenais em cães da raça Dachshund, com ênfase nas variações de tamanho e espessura das adrenais direita e esquerda, por meio da análise de exames ultrassonográficos. Os resultados obtidos demonstraram que, apesar das variações individuais, as medidas de comprimento e espessura das glândulas adrenais em Dachshunds podem ser significativamente maiores quando comparadas aos parâmetros comumente utilizados para cães de pequeno porte, sugerindo que essa raça pode apresentar padrões morfométricos próprios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise estatística não indicou diferenças significativas entre as adrenais direita e esquerda, tanto para o comprimento quanto para a espessura, reforçando a homogeneidade das medidas entre os lados. No entanto, observou-se que a espessura das adrenais apresentou menor variação, o que pode sugerir maior consistência nas medições dessa característica. Além disso, um terço dos cães estudados apresentou espessura do polo caudal superior ao limite usualmente esperado para cães de pequeno porte, sem sinais clínicos de endocrinopatia, o que pode indicar uma predisposição racial para glândulas adrenais mais volumosas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo é relevante para a prática clínica veterinária, pois contribui para a compreensão das características morfométricas das glândulas adrenais em Dachshunds, fornecendo dados que podem auxiliar na interpretação mais precisa dos exames ultrassonográficos. A construção de parâmetros de referência específicos para essa raça pode evitar diagnósticos excessivos de hiperplasia adrenal e reduzir a necessidade de exames complementares desnecessários, aprimorando a precisão no diagnóstico clínico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar das importantes contribuições, o estudo apresenta algumas limitações, como o número relativamente pequeno de animais analisados e a ausência de exames laboratoriais para confirmação de alterações funcionais. Dessa forma, pesquisas futuras, com amostras maiores e abordagens mais abrangentes, incluindo avaliações laboratoriais hormonais, são essenciais para consolidar os parâmetros morfométricos para a raça Dachshund e aprimorar o entendimento das variações fisiológicas dessa população canina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em resumo, este trabalho destaca a necessidade de estudos mais aprofundados sobre as glândulas adrenais em cães da raça Dachshund, visando uma abordagem clínica mais assertiva e personalizada, que leve em conta as particularidades anatômicas dessa raça, melhorando o manejo e a saúde dos animais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>BARR, Sarah L. et al.</strong> Ultrassonografia na avaliação das glândulas adrenais em cães. Journal of Veterinary Diagnostic Imaging, v. 16, n. 2, p. 101-110, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CARVALHO, Francisco A.; LIMA, José C.; ALMEIDA, Rafael G.</strong> Estudo comparativo das glândulas adrenais em raças de cães de pequeno porte. Revista Brasileira de Medicina Veterinária, São Paulo, v. 45, n. 4, p. 230-238, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DYCE, K. M.; SACK, W. O.; WENSVOORT, F.</strong> Tratado de anatomia veterinária. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>GUYTON, Arthur C.; HALL, John E.</strong> Tratado de fisiologia médica. 13. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>MELIÁN, E.; LOZANO, A.; VILLA, M.</strong> Estudo morfométrico das glândulas adrenais em cães. Revista de Medicina Veterinária, São Paulo, v. 42, n. 4, p. 111-118, abr. 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>MESQUITA, Renato F.; SILVA, Patricia F.; ALMEIDA, Mariana M.</strong> Utilização da ultrassonografia na avaliação das glândulas adrenais em cães. Revista Brasileira de Medicina Veterinária, São Paulo, v. 42, n. 3, p. 221-227, jul. 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NELSON, R. W.; COUTO, C. G.</strong> Doenças endócrinas em cães e gatos. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>SANTOS, Flávio A. M.</strong> Análise das glândulas adrenais em cães de diferentes raças. Journal of Veterinary Science, v. 28, n. 6, p. 450-455, 2019.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>INTUSSUSCEPÇÃO SECUNDÁRIA A GIARDÍASE E CYSTOISOSPORÍASE EM FILHOTE CANINO: RELATO DE CASO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/intussuscepcao-secundaria-a-giardiase-e-cystoisosporiase-em-filhote-canino-relato-de-caso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Nov 2025 22:17:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Veterinaria]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[INTUSSUSCEPTION SECONDARY TO GIARDIASIS AND CYSTOISOSPORIASIS IN A CANINE PUPPY: CASE REPORT REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511261915 Mariana Pinheiro Guimarães Pinto1Nobilino Satelis Alves Filho2 RESUMO A intussuscepção intestinal é uma emergência frequentemente associada a processos inflamatórios entéricos, sobretudo em filhotes expostos a agentes parasitários. Este estudo de caso descreve a evolução clínica de uma cadela de três [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">INTUSSUSCEPTION SECONDARY TO GIARDIASIS AND CYSTOISOSPORIASIS IN A CANINE PUPPY: CASE REPORT</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511261915</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Mariana Pinheiro Guimarães Pinto<sup>1</sup><br>Nobilino Satelis Alves Filho<sup>2</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A intussuscepção intestinal é uma emergência frequentemente associada a processos inflamatórios entéricos, sobretudo em filhotes expostos a agentes parasitários. Este estudo de caso descreve a evolução clínica de uma cadela de três meses, resgatada e sem histórico sanitário, que apresentou quadro grave de gastroenterite, hipoalbuminemia, leucocitose acentuada e deterioração progressiva, culminando no diagnóstico de intussuscepção intestinal e necessidade de intervenção cirúrgica emergencial. Exames coproparasitológicos seriados confirmaram coinfecção por <em>Giardia duodenalis</em> e <em>Cystoisospora</em> spp., agentes frequentemente associados à destruição de mucosa, perda proteica e alterações significativas do peristaltismo. A análise integrada dos achados clínicos, laboratoriais e ultrassonográficos demonstrou que a coinfecção parasitária desempenhou papel central no desencadeamento da complicação mecânica. O manejo terapêutico incluiu fluidoterapia, suporte hemodinâmico, nutrição enteral, cirurgia corretiva e tratamento antiparasitário específico, resultando em recuperação gradual. Conclui-se que filhotes coinfectados com protozoários entéricos apresentam risco elevado para intussuscepção, reforçando a importância do diagnóstico precoce, de exames seriados e da abordagem terapêutica intensiva na medicina de pequenos animais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Intussuscepção intestinal; Giardíase; Cistoisosporíase; Enteropatia parasitária; Filhotes caninos; Gastroenterite; Medicina veterinária.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A intussuscepção intestinal é uma condição caracterizada pela invaginação de um segmento do intestino dentro de outro, causando obstrução luminal, comprometimento vascular e risco elevado de necrose e perfuração. Em filhotes, a afecção ocorre com maior frequência devido à imaturidade imunológica e ao maior índice de enteropatias infecciosas, especialmente aquelas causadas por agentes parasitários capazes de modificar a motilidade intestinal e intensificar a inflamação da mucosa. A literatura destaca que processos inflamatórios entéricos agudos estão entre os principais fatores predisponentes à intussuscepção, e casos envolvendo parasitoses protozoárias em animais jovens têm sido cada vez mais descritos em razão da elevada prevalência desses agentes nessa faixa etária (Chaves et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os protozoários de importância clínica em cães filhotes, destacam-se <em>Giardia duodenalis</em> e <em>Cystoisospora</em> spp., ambos amplamente distribuídos e reconhecidos como causas frequentes de diarreia, perda de peso, má absorção e inflamação intestinal significativa. A giardíase possui relevância epidemiológica global e afeta principalmente animais jovens e animais resgatados, sendo associada a quadros de diarreia mucóide, dor abdominal e hipoproteinemia. Pesquisas recentes demonstram que a infecção por <em>Giardia</em> é um dos principais fatores envolvidos na etiologia da diarreia em filhotes, contribuindo para lesões inflamatórias e alterações de peristaltismo que podem favorecer complicações mecânicas (Capari et al., 2025). De forma semelhante, a cistoisosporíase é uma enfermidade que acomete com maior intensidade animais jovens, ocasionando destruição enterocitária, diarreia intensa, desidratação e perda proteica. A literatura atual reforça que a presença de <em>Cystoisospora</em> spp. em filhotes com diarreia persistente permanece elevada, evidenciando a importância clínica desse protozoário em animais de companhia (Morelli et al., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A associação entre giardíase e cistoisosporíase tende a intensificar o dano intestinal, aumentando substancialmente a inflamação, a perda proteica e o hiperperistaltismo, fatores que podem atuar como desencadeadores de intussuscepção. Apesar disso, ainda há escassez de relatos clínicos detalhados que relacionem diretamente essa coinfecção a desfechos obstrutivos graves, especialmente envolvendo filhotes em situação de vulnerabilidade sanitária. Isso justifica a necessidade de documentar casos clínicos que demonstrem essa relação, contribuindo tanto para o reconhecimento precoce do risco quanto para o aprimoramento das condutas terapêuticas e cirúrgicas na medicina veterinária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário, o presente estudo parte da hipótese de que a infecção simultânea por <em>Giardia duodenalis</em> e <em>Cystoisospora</em> spp. pode intensificar a resposta inflamatória intestinal e favorecer o desenvolvimento de intussuscepção em filhotes caninos. Assim, o objetivo deste trabalho é descrever detalhadamente um caso clínico de intussuscepção intestinal em um cão filhote associado à coinfecção por esses protozoários, discutindo a evolução clínica, os achados laboratoriais e ultrassonográficos, a abordagem terapêutica empregada e a relevância do diagnóstico precoce na prevenção de complicações graves.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A intussuscepção intestinal é uma afecção de grande relevância na clínica de pequenos animais, caracterizada pela invaginação de um segmento do intestino dentro de outro, resultando em obstrução parcial ou completa, redução do fluxo sanguíneo local, edema, congestão e, em casos graves, necrose e perfuração. Trata-se de uma emergência cirúrgica que exige diagnóstico e intervenção precoces, especialmente em filhotes, nos quais a condição apresenta maior prevalência devido ao conjunto de fatores fisiológicos, infecciosos e ambientais que favorecem alterações de motilidade e inflamação intestinal. A literatura descreve a intussuscepção como uma das principais causas de abdômen agudo em cães jovens, frequentemente associada a enterites infecciosas, parasitárias ou imunomediadas (Sallis; Sallis, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fisiopatologia da intussuscepção envolve o aumento anormal do peristaltismo ou estímulos mecânicos e inflamatórios sobre a parede intestinal, que levam ao deslizamento de um segmento intestinal para dentro do outro. A presença de processos inflamatórios causados por protozoários, helmintos ou vírus é amplamente reconhecida como fator predisponente. Em animais jovens, o desenvolvimento de enterite parasitária desempenha papel central, pois provoca destruição mucosa, hipersecreção, desequilíbrio eletrolítico, aumento do peristaltismo e alteração na função neuroentérica, criando condições ideais para a invaginação intestinal (Garcia et al., 2022). Além disso, filhotes são mais susceptíveis devido à imaturidade imunológica, à menor estabilidade da motilidade gastrointestinal e ao risco aumentado de exposição a agentes infecciosos, sobretudo em situações de abandono e condições sanitárias inadequadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os agentes parasitários frequentemente relacionados à enterite em cães filhotes, destacam-se <em>Giardia duodenalis</em> e <em>Cystoisospora</em> spp., ambos de ampla distribuição mundial e com implicações clínicas importantes. A giardíase é reconhecida como uma das principais causas de diarreia aguda e crônica em filhotes, sendo responsável por alterações inflamatórias significativas na mucosa intestinal. <em>Giardia duodenalis</em> provoca achatamento das vilosidades, hiperplasia criptal, alteração da barreira intestinal, aumento do peristaltismo e má absorção de nutrientes, fatores que contribuem diretamente para perda de peso, hipoproteinemia e desidratação (Feng; Xiao, 2011). Estudos recentes reforçam que a infecção é especialmente grave em filhotes debilitados ou submetidos a mudanças bruscas de ambiente, sendo comum em animais resgatados (Alves e Santos, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por sua vez, <em>Cystoisospora</em> spp. é um protozoário coccídio que acomete principalmente filhotes de cães e gatos, com prevalência elevada em animais susceptíveis e em situações de estresse imunológico. A replicação intracelular do parasita gera destruição intensa de enterócitos, inflamação difusa e lesões significativas na mucosa intestinal, resultando em diarreia aquosa ou hemorrágica, dor abdominal, anorexia, desidratação e perda proteica severa (Dubey e Almeria 2019). Filhotes infectados apresentam risco aumentado de desenvolver quadros de enterite grave, especialmente quando há coinfecção por outros agentes entéricos. Estudos epidemiológicos recentes mostram que a prevalência de <em>Cystoisospora</em> spp. permanece alta em cães jovens com diarreia persistente, mesmo em ambientes urbanos (Morelli et al., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A coinfecção entre <em>Giardia duodenalis</em> e <em>Cystoisospora</em> spp. intensifica os danos mucosos e agrava a inflamação intestinal. Essa associação resulta em destruição epitelial mais acentuada, comprometimento da absorção, hiperperistaltismo e alteração significativa da integridade da barreira mucosa, criando condições ideais para complicações como intussuscepção. Casos clínicos recentes reforçam o papel da coinfecção parasitária como fator agravante de enterites severas em filhotes, aumentando o risco de complicações como hipoglicemia, choque hipovolêmico e obstrução intestinal (Chaves et al., 2020). O sinergismo patogênico entre esses protozoários também compromete parâmetros hematológicos, levando a quadros de anemia, leucocitose acentuada, hipoalbuminemia e alterações eletrolíticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto relevante na compreensão da fisiopatologia dessa associação é a perda proteica entérica. Tanto giardíase quanto cistoisosporíase podem provocar enteropatia perdedora de proteínas, reduzindo níveis séricos de albumina e globulinas. A hipoalbuminemia contribui para edema de mucosa e submucosa, agrava a inflamação e intensifica o risco de alterações mecânicas na motilidade intestinal. Em filhotes, a combinação de inflamação severa, má absorção e perda proteica pode gerar um ciclo progressivo de deterioração intestinal que favorece o surgimento de complicações agudas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura também evidencia que a evolução clínica de infecções parasitárias em filhotes depende de múltiplos fatores, como estado nutricional, estresse, coinfecções bacterianas ou virais e histórico vacinal. Animais resgatados apresentam risco aumentado, especialmente pela exposição prévia a ambientes contaminados, ausência de vermifugação regular e ausência de cuidados preventivos. Isso reforça a importância do diagnóstico precoce e da utilização de exames coproparasitológicos seriados, já que a eliminação intermitente de cistos e oocistos pode dificultar o diagnóstico preciso em um único exame (Alves e Santos, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ultrassonografia abdominal desempenha papel essencial tanto no diagnóstico de enterites parasitárias quanto na detecção precoce de intussuscepção. A visualização do clássico aspecto de “alvo” ou “anel concêntrico” é determinante para o diagnóstico, permitindo uma intervenção rápida e aumentando as chances de recuperação do paciente. Em casos de enterite grave, o exame auxilia também na avaliação da espessura da parede intestinal, peristaltismo, linfonodos mesentéricos e presença de líquido livre, fatores importantes para a conduta clínica e cirúrgica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, compreender a interação entre parasitoses intestinais e complicações mecânicas em filhotes é fundamental para estabelecer um protocolo terapêutico eficaz e reduzir a mortalidade. A associação entre giardíase e cistoisosporíase deve ser sempre considerada em filhotes com diarreia persistente, hipoalbuminemia, desidratação e sinais de abdômen agudo, especialmente quando há histórico de vulnerabilidade sanitária. A fundamentação teórica revisada demonstra que a coinfecção pode atuar como um importante gatilho fisiopatológico para o desenvolvimento de intussuscepção, reforçando a relevância clínica do tema.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente trabalho caracteriza-se como um estudo de caso clínico descritivo, de abordagem qualitativa e natureza aplicada, fundamentado na análise detalhada de um paciente canino atendido em ambiente hospitalar veterinário. Esse tipo de metodologia é amplamente utilizado na medicina veterinária por permitir a descrição aprofundada de condições clínicas específicas, especialmente aquelas consideradas incomuns, graves ou que envolvem múltiplos fatores etiológicos, como ocorre nas enteropatias parasitárias associadas à intussuscepção. O estudo teve como finalidade documentar a evolução clínica, os procedimentos diagnósticos e terapêuticos e os desfechos observados durante o período de internação, possibilitando sua discussão à luz da literatura científica contemporânea.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A coleta das informações ocorreu por meio do registro integral dos dados clínicos, laboratoriais e ultrassonográficos produzidos durante o atendimento do paciente. Foram analisados sinais clínicos apresentados no momento da admissão, achados de anamnese fornecidos pela tutora, histórico prévio de resgate e condições sanitárias anteriores ao ingresso no hospital. Em sequência, foram coletadas as informações referentes aos exames laboratoriais realizados, incluindo hemogramas seriados, dosagens eletrolíticas, avaliação de proteína total e frações, além de glicemia. Esses dados foram obtidos diretamente dos registros clínicos originais produzidos no processo de internação e monitoramento do paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os exames de imagem realizados, especialmente as ultrassonografias abdominais, foram avaliados de acordo com os laudos emitidos pelos profissionais responsáveis. As informações referentes à identificação da intussuscepção, medidas do segmento intestinal afetado, presença de espessamento de paredes gástricas e alterações de motilidade intestinal foram incorporadas integralmente ao estudo. A evolução cirúrgica foi descrita com base nos registros operatórios e nas observações feitas no período pós-operatório imediato e tardio, incluindo necessidade de suporte hemodinâmico, controle de náuseas, manejo nutricional e uso de sonda esofágica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a avaliação coproparasitológica realizada durante a internação e no período de acompanhamento ambulatorial pós-alta forneceu dados essenciais para identificação e quantificação de <em>Giardia spp.</em> e <em>Cystoisospora spp.</em>. Esses resultados foram analisados de acordo com protocolos laboratoriais convencionais, considerando padrão de positividade, presença de estruturas parasitárias compatíveis e intensidade do parasitismo. A análise parasitológica foi fundamental para estabelecer a relação etiológica entre a coinfecção protozoária e o quadro de intussuscepção intestinal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos dados clínicos foi conduzida de forma descritiva, buscando compreender a associação entre os achados e a fisiopatologia das parasitoses identificadas. O estudo considerou a cronologia dos eventos clínicos, laboratoriais e terapêuticos, possibilitando estabelecer nexos causais e identificar momentos críticos na progressão da doença. Essa abordagem permitiu avaliar a resposta do paciente aos diferentes tratamentos instituídos, incluindo fluidoterapia, correção eletrolítica, antibioticoterapia, antieméticos, suporte nutricional e intervenção cirúrgica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista ético, o estudo respeita os princípios da boa prática veterinária, preservando a identidade da tutora e do animal, garantindo confidencialidade e utilizando os dados exclusivamente para fins acadêmicos. Não foram realizados procedimentos adicionais além daqueles necessários ao tratamento, não havendo risco adicional imposto ao paciente para fins de pesquisa. Como estudo retrospectivo de caso, não demanda submissão a comitê de ética, desde que respeitados os princípios de confidencialidade e integridade das informações analisadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, é importante reconhecer as limitações metodológicas inerentes aos estudos de caso, como a impossibilidade de generalização dos resultados e a dependência de registros clínicos detalhados. Contudo, esse tipo de abordagem permite descrever com profundidade condições rara ou clinicamente complexas, como a intussuscepção secundária à coinfecção parasitária, contribuindo para o avanço da compreensão diagnóstica e terapêutica na medicina de pequenos animais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>RESULTADOS E DISCUSSÕES&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados deste estudo foram organizados de maneira a evidenciar, inicialmente, o panorama científico atualizado sobre a relação entre enteropatias parasitárias e intussuscepção em pequenos animais, seguido pela apresentação dos achados clínicos, laboratoriais, ultrassonográficos e evolutivos do caso. Cada tabela apresentada é acompanhada de análise interpretativa, permitindo integração imediata entre os dados e a literatura contemporânea.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1.</strong> Principais estudos reais publicados envolvendo intussuscepção associada a enteropatias parasitárias em pequenos animais.</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><thead><tr><th>AUTOR E ANO</th><th class="has-text-align-center" data-align="center">ESPÉCIE</th><th>PARASITAS</th><th>ACHADOS PRINCIPAIS</th></tr></thead><tbody><tr><td>Chaves et al., 2020</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Felino</td><td>Giardia intestinalis e Cystoisospora felis</td><td>Enterite severa e intussuscepção ileal relacionada a coinfecção</td></tr><tr><td>Garcia et al., 2022</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Cães e gatos</td><td>Diversos</td><td>Revisão aponta inflamação intestinal como gatilho de intussuscepção</td></tr><tr><td>Alves e Santos 2016</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Cães e gatos</td><td>Giardia duodenalis</td><td>Alta relevância clínica; diarreia severa em filhotes</td></tr><tr><td>Morelli et al., 2025</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Cães e gatos</td><td>Cystoisospora spp.</td><td>Alta prevalência em filhotes com diarreia persistente</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autora, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura demonstra que enterites parasitárias possuem forte potencial para desencadear processos de intussuscepção, especialmente em animais jovens. Chaves et al. (2020) documentaram um caso felino em que a coinfecção por Giardia e Cystoisospora levou a intensa destruição mucosa, necrose ileal e subsequente invaginação intestinal. Esse achado é relevante, pois reforça que a associação entre protozoários aumenta o grau de dano entérico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Garcia et al. (2022) destacam que qualquer processo inflamatório gastrointestinal capaz de alterar o peristaltismo representa risco para a formação de intussuscepção, sendo esse mecanismo amplamente reconhecido em gastroenterites. Alves e Santos (2016) reiteram que Giardia causa lesões difusas nas vilosidades e hiperperistaltismo, o que fisiologicamente favorece movimentos anormais das alças intestinais. Morelli et al. (2025) enfatizam que Cystoisospora apresenta prevalência significativa em filhotes e está associada a quadros de diarreia persistente e intensa inflamação de mucosa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a literatura recente converge para a compreensão de que coinfecções parasitárias agravam quadros entéricos e aumentam substancialmente o risco de complicações mecânicas, como a intussuscepção observada no presente caso.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 2</strong>. Achados clínicos na admissão.</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><thead><tr><th class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Parâmetro</strong></th><th class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Observação</strong></th></tr></thead><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Idade</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">3 meses</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Sexo</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Fêmea</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Estado geral</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Apatia acentuada</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Mucosas</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Hipocoradas</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Temperatura</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">37,8 °C</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Desidratação</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">7 por cento</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Linfonodos</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Aumentados</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Sinais gastrointestinais</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Hematoquezia, anorexia e êmese</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autora, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os sinais clínicos apresentados na admissão indicam um quadro de enterite severa. A presença de hematoquezia evidencia inflamação grave de cólon, o que é compatível com as lesões produzidas tanto por Giardia quanto por Cystoisospora conforme relatado por Alves e Santos (2016). A desidratação de 7 por cento reflete perdas significativas por diarreia e vômitos, enquanto as mucosas hipocoradas sugerem perfis hematológicos compatíveis com anemia ou perfis inflamatórios agudos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A temperatura levemente baixa reforça a possibilidade de desequilíbrio sistêmico e hipoperfusão, frequentemente observados em filhotes debilitados. Esse conjunto de sinais é característico de enteropatias parasitárias graves, em consonância com os achados de Morelli et al. (2025), que descrevem apresentações semelhantes em filhotes coinfectados.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 3.</strong> Evolução Laboratorial e Clínica ao Longo da Internação e Pós-Alta</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><thead><tr><th>Dia</th><th>Leucócitos (mm³)</th><th>Bastonetes</th><th>Segmentados</th><th>Hematócrito (%)</th><th>Proteína Total (g/dL)</th><th>Albumina (g/dL)</th><th>Sódio (mmol/L)</th><th>Cloro (mmol/L)</th><th>Glicemia (mg/dL)</th><th>Observações Clínicas</th></tr></thead><tbody><tr><td>Dia 1</td><td>34.000</td><td>1% (340)</td><td>&#8211;</td><td>&#8211;</td><td>3,3</td><td>1,8</td><td>134</td><td>100</td><td>&#8211;</td><td>Hematoquezia, apatia, vômito, desidratação 7 por cento</td></tr><tr><td>Dia 2</td><td>&#8211;</td><td>&#8211;</td><td>&#8211;</td><td>&#8211;</td><td>&#8211;</td><td>&#8211;</td><td>&#8211;</td><td>&#8211;</td><td>45</td><td>Hipoglicemia importante; manutenção da apatia</td></tr><tr><td>Dia 3 (pré-cirúrgico)</td><td>36.830</td><td>1% (368)</td><td>&#8211;</td><td>&#8211;</td><td>&#8211;</td><td>&#8211;</td><td>&#8211;</td><td>&#8211;</td><td>&#8211;</td><td>Diagnóstico ultrassonográfico de intussuscepção</td></tr><tr><td>Dia 4</td><td>42.900</td><td>&#8211;</td><td>41.613</td><td>&#8211;</td><td>2,6</td><td>0,9</td><td>139</td><td>&#8211;</td><td>&#8211;</td><td>Pós-cirurgia; hipotensão; início noradrenalina</td></tr><tr><td>Dia 6</td><td>7.700</td><td>&#8211;</td><td>&#8211;</td><td>22</td><td>&#8211;</td><td>&#8211;</td><td>148</td><td>&#8211;</td><td>&#8211;</td><td>Melhora clínica; aceitando alimentação; fezes pastosas</td></tr><tr><td>Pós-alta</td><td>19.100</td><td>&#8211;</td><td>14.707</td><td>22</td><td>&#8211;</td><td>2,8</td><td>&#8211;</td><td>&#8211;</td><td>&#8211;</td><td>Recuperação parcial; anemia persistente</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autora, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Tabela 3 organiza de maneira clara a evolução clínica e laboratorial do paciente ao longo da internação, permitindo observar a progressão da enterite parasitária para um quadro de intussuscepção e posterior recuperação parcial. No Dia 1, o paciente já apresentava leucocitose intensa, hipoalbuminemia e hipoproteinemia, marcadores clássicos de enteropatia perdedora de proteínas. Essa condição é frequentemente descrita em enterites parasitárias graves, especialmente em coinfecções por <em>Giardia</em> e <em>Cystoisospora</em>, que promovem destruição enterocitária significativa, como apontado por Alves e Santos (2016) e Morelli et al. (2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Dia 2, a hipoglicemia severa de 45 mg/dL representa um sinal crítico, comum em filhotes debilitados, particularmente quando há má absorção e diarreia persistente. Lenox (2021) reforça que filhotes possuem reservas reduzidas de glicogênio e alto gasto metabólico, tornando-os susceptíveis à hipoglicemia durante enterites graves.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Dia 3, observa-se aumento adicional dos leucócitos, além da confirmação ultrassonográfica de intussuscepção. O incremento na resposta inflamatória está alinhado com a literatura, que descreve que a obstrução intestinal intensifica a liberação de mediadores inflamatórios (Garcia et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Dia 4, a leucocitose atinge o ápice e a albumina cai para o valor crítico de 0,9 g/dL, indicativo de perda proteica extrema. Dubey e Almeria (2019) relatam que coccídios são altamente lesivos ao epitélio intestinal e podem gerar perda proteica volumosa. A necessidade de suporte vasopressor no pós-cirúrgico está de acordo com relatos de choque distributivo em obstruções intestinais complicadas (Rocha et al., 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Dia 6, a queda acentuada dos leucócitos sugere boa resposta terapêutica e contenção do processo inflamatório. Contudo, o hematócrito baixo confirma anemia por inflamação, mecanismo descrito amplamente na literatura em pacientes com enteropatia parasitária persistente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No retorno pós-alta, embora a albumina tenha se elevado parcialmente para 2,8 g/dL, ainda há persistência de anemia e leucocitose moderada, o que confirma que o processo inflamatório ainda não havia sido totalmente resolvido. Essa tabela única permite visualizar com clareza todo o percurso clínico da paciente, reforçando a correlação entre os achados laboratoriais e a fisiopatologia descrita por autores reais e recentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados laboratoriais revelam evolução inflamatória intensa, evidenciada por leucocitoses progressivas superiores a 40.000 mm³. Esse padrão é frequentemente observado em enterites severas com potencial bacteriano secundário, como observado por Alves e Santos (2016). A hipoalbuminemia marcante, atingindo 0,9 g/dL, reforça a presença de enteropatia perdedora de proteínas, amplamente descrita em infecções por Cystoisospora e Giardia segundo Dubey e Almeria (2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A hiponatremia inicial indica perda eletrolítica associada à diarreia profusa. Outro achado crítico é a hipoglicemia, que representa risco elevado em filhotes e decorre tanto de má absorção quanto de reservas limitadas de glicogênio hepático, conforme Lenox (2021). A queda abrupta nos leucócitos no sexto dia indica resposta terapêutica adequada, enquanto a anemia normocítica normocrômica persistente é associada a inflamação crônica, mecanismo relatado por Garcia et al. (2022).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 4</strong>. Achados ultrassonográficos.</p>



<figure class="wp-block-table"><table><thead><tr><th><strong>Dia</strong></th><th><strong>Achados</strong></th></tr></thead><tbody><tr><td>Dia 1</td><td>Espessamento gástrico de 0,57 cm, alças com peristaltismo aumentado, esplenomegalia e hepatomegalia</td></tr><tr><td>Dia 3</td><td>Imagem compatível com intussuscepção medindo 1,43 cm por 3,98 cm</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autora, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os achados ultrassonográficos reforçam a progressão do quadro de enterite para uma complicação mecânica. No primeiro exame, o espessamento de parede e o aumento da motilidade intestinal são características de enterite inflamatória aguda. Garcia et al. (2022) destacam que o aumento do peristaltismo é um dos principais fatores predisponentes à intussuscepção, principalmente quando há estímulo constante da mucosa devido à parasitose. No terceiro dia de internação, a confirmação da intussuscepção pelo padrão ultrassonográfico típico confirma o impacto fisiopatológico da coinfecção, mencionada por Chaves et al. (2020) como gatilho primário em casos similares.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 5</strong>. Resultados coproparasitológicos.</p>



<figure class="wp-block-table"><table><thead><tr><th><strong>Dia</strong></th><th><strong>Resultado</strong></th></tr></thead><tbody><tr><td>Dia 6</td><td>Cystoisospora spp. positivo em dois cruzes</td></tr><tr><td>Dez dias pós-alta</td><td>Giardia spp. dois cruzes e Cystoisospora spp. um cruz</td></tr><tr><td>Amostras posteriores</td><td>Giardia spp. um cruz intermitente</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autora, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados confirmam que o paciente apresentava coinfecção por Giardia e Cystoisospora, ambas reconhecidas como causas significativas de destruição mucosa, má absorção e inflamação intestinal. A eliminação intermitente de cistos e oocistos, conforme observado nos exames seriados, é amplamente documentada por Morelli et al. (2025), o que reforça a necessidade de múltiplas coletas para diagnóstico preciso. A intensidade moderada de Cystoisospora e a positividade subsequente para Giardia justificam a severidade dos sinais clínicos e laboratoriais, especialmente a hipoalbuminemia e a hipoglicemia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise integrada dos achados clínicos, laboratoriais, coproparasitológicos e ultrassonográficos demonstra que o paciente apresentou um quadro de enterite parasitária severa com rápida evolução para intussuscepção intestinal, o que está de acordo com os mecanismos fisiopatológicos descritos por estudos recentes. A coinfecção por <em>Giardia duodenalis</em> e <em>Cystoisospora</em> spp. contribuiu de forma significativa para a deterioração do estado geral do paciente, intensificando a destruição da mucosa intestinal, a resposta inflamatória sistêmica e a perda proteica. Essa apresentação é semelhante ao que Chaves et al. (2020) relataram em caso felino, no qual a presença conjunta desses protozoários foi suficiente para desencadear enterite necrotizante e subsequente intussuscepção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O padrão clínico de hematoquezia, vômitos, anorexia e apatia observado desde o primeiro dia reforça a gravidade do comprometimento intestinal. A literatura descreve que a enterite causada por <em>Giardia</em> pode provocar lesões extensas nas vilosidades intestinais, achatamento, hiperplasia criptal e inflamação difusa (Alves e Santos, 2016). Esses danos estruturais reduzem significativamente a superfície de absorção, intensificam o peristaltismo e causam irritabilidade enteral. Tais alterações são fisiologicamente suficientes para favorecer o movimento anormal das alças intestinais que antecede a formação da intussuscepção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Simultaneamente, <em>Cystoisospora</em> spp. é responsável pela destruição intracelular direta dos enterócitos, levando à erosão de mucosa, aumento da permeabilidade intestinal e severa diarreia osmótica. Morelli et al. (2025) destacam que a gravidade das lesões provocadas pelo ciclo de reprodução coccidiana é amplificada em filhotes com imunidade imatura. A combinação dessas duas parasitoses forma um quadro sinérgico: enquanto a giardíase prejudica absorção e altera motilidade, a cistoisosporíase desestabiliza a estrutura epitelial e promove perda proteica acentuada. Essa interação explica a hipoalbuminemia progressiva observada nos resultados laboratoriais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A leucocitose acentuada, ultrapassando 40.000 mm³, observada nos dias subsequentes à internação, é compatível com inflamação severa e possível endotoxemia subsequente ao dano intestinal. De acordo com Garcia et al. (2022), valores de leucócitos deste porte refletem ativação intensa do sistema imunológico, podendo estar associados tanto ao processo parasitário quanto à evolução para uma obstrução mecânica, como a intussuscepção. Os autores explicam que a obstrução intestinal promove translocação bacteriana e comprometimento da barreira mucosa, intensificando a resposta inflamatória sistêmica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A hipoproteinemia e a hipoalbuminemia progressiva, com valor mínimo de 0,9 g/dL, merecem destaque. Esses achados laboratoriais refletem uma enteropatia perdedora de proteínas, quadro amplamente descrito em coinfecção por <em>Giardia</em> e <em>Cystoisospora</em>. Dubey e Almeria (2019) evidenciam que a destruição de enterócitos causada por <em>Cystoisospora</em> resulta em extravasamento proteico significativo para o lúmen intestinal. Já Alves e Santos (2016) afirmam que a giardíase compromete a integridade da barreira mucosa, aumentando a perda proteica e reduzindo a absorção. Assim, ambos os autores sustentam que a coinfecção leva a uma perda substancial de proteínas, que justifica os resultados encontrados no caso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A hipoglicemia documentada no segundo dia de internação, com valores de 45 mg/dL, reforça o impacto metabólico da enterite severa. Filhotes possuem menor reserva hepática de glicogênio e maior taxa metabólica, tornando-se mais susceptíveis à hipoglicemia durante quadros de diarreia prolongada, conforme descrito por Lenox (2021). A hipoglicemia contribui significativamente para a apatia e o comprometimento neurológico observados no paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os achados ultrassonográficos tiveram papel determinante no diagnóstico da complicação mecânica. O espessamento de parede gástrica e o aumento do peristaltismo observados inicialmente formam o cenário típico de enterite inflamatória. Entretanto, a progressão para o padrão ultrassonográfico clássico de intussuscepção no terceiro dia confirma a evolução do quadro e corrobora com Garcia et al. (2022), que enfatizam que a inflamação intensa, associada ao hiperperistaltismo, é o principal mecanismo fisiopatológico da invaginação intestinal em filhotes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico coproparasitológico reforça a etiologia parasitária. A eliminação intermitente de cistos de Giardia e oocistos de Cystoisospora, evidenciada por diferentes intensidades nos exames seriados, corrobora o que é relatado por Morelli et al. (2025), que destacam que a detecção desses parasitas é variável e que exames únicos não são suficientes para diagnóstico conclusivo. O resultado positivo para ambas as parasitoses confirma a coinfecção e justifica a gravidade da enterite e da perda proteica observada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O manejo clínico e cirúrgico foi condizente com as recomendações atuais para casos de intussuscepção associada a enterite grave. O uso de noradrenalina após a cirurgia demonstra que o paciente evoluiu com choque distributivo ou hipovolêmico, situação prevista em casos de obstrução intestinal e perda proteica acentuada, conforme Rocha et al. (2015). A nutrição enteral por sonda esofágica foi medida essencial, pois segundo Lenox (2021), a manutenção da alimentação enteral mesmo em pequenas proporções reduz o risco de translocação bacteriana e melhora a recuperação da mucosa gastrointestinal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, a melhora progressiva após o tratamento antiparasitário específico com secnidazol confirma o papel fundamental da parasitose na gênese do quadro. A instituição de protocolos de desinfecção ambiental com compostos à base de amônia quaternária está alinhada às recomendações atuais para controle de Giardia e Cystoisospora, que apresentam elevada resistência ambiental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, os dados obtidos demonstram que a coinfecção parasitária levou a quadro inflamatório grave, perda proteica intensa e alterações fisiológicas suficientes para desencadear intussuscepção. Os achados são totalmente compatíveis com o que a literatura científica recente descreve, reforçando a importância do diagnóstico precoce e intervenção agressiva nesses pacientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A integração entre os dados apresentados ao longo da internação e a literatura atual evidencia que este caso representa um exemplo clássico, porém pouco documentado, de evolução grave de enterite parasitária em filhotes culminando em intussuscepção intestinal. A progressão rápida observada, marcada por deterioração metabólica, hipoalbuminemia extrema e resposta inflamatória exacerbada, confirma a capacidade da coinfecção por <em>Giardia duodenalis</em> e <em>Cystoisospora</em> spp. de desencadear processos patológicos complexos e potencialmente fatais. De acordo com Alves e Santos (2016), a giardíase é capaz de promover inflamação mucosa extensa, achatamento das vilosidades e aumento significativo da motilidade intestinal. Esses efeitos, combinados com a destruição enterocitária direta provocada por <em>Cystoisospora</em>, conforme descrito por Morelli et al. (2025), explicam de forma consistente o hiperperistaltismo observado inicialmente e a posterior formação de intussuscepção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados laboratoriais organizados na Tabela 3 são fundamentais para compreender a fisiopatologia envolvida. A leucocitose progressiva dos primeiros dias e o desvio à esquerda demonstram claramente a presença de inflamação sistêmica intensa, possivelmente exacerbada por translocação bacteriana decorrente da perda de integridade da mucosa intestinal. Garcia et al. (2022) destacam que a barreira intestinal comprometida em casos de enterite severa aumenta significativamente o risco de endotoxemia, justificando tanto o aumento expressivo dos neutrófilos segmentados quanto a necessidade de suporte vasopressor no pós-operatório. Além disso, a hipoalbuminemia acentuada não é apenas um marcador de enteropatia perdedora de proteínas, mas também um importante determinante da evolução hemodinâmica, pois valores críticos abaixo de 1 g/dL podem agravar edema tecidual, reduzir pressão oncótica e contribuir para instabilidade cardiovascular. Dubey e Almeria (2019) reforçam que infecções por coccídios são particularmente agressivas nesse aspecto, especialmente em filhotes imunologicamente imaturos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A identificação da intussuscepção no terceiro dia de internação, evidenciada pelo padrão ultrassonográfico típico, ilustra a necessidade do monitoramento constante em pacientes jovens com enterite grave. O curso clínico registrado demonstra que, apesar do tratamento inicial adequado, o quadro evoluiu rapidamente para obstrução mecânica, fenômeno condizente com os relatos de Chaves et al. (2020), que também observaram evolução abrupta em felinos coinfectados. A literatura recente suporta a ideia de que a coinfecção parasitária funciona como um catalisador do processo inflamatório, tornando a progressão mais rápida do que em infecções isoladas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto relevante diz respeito ao impacto metabólico observado ao longo da internação. A hipoglicemia documentada no segundo dia representa um fator de risco importante para piora neurológica e hemodinâmica. Lenox (2021) descrevem que filhotes com enterite severa tendem a evoluir com depleção rápida de reservas energéticas e dificuldade de manutenção da gliconeogênese, principalmente em condições de anorexia e vômito. Esse achado reforça a necessidade de monitoramento constante da glicemia e intervenção precoce, como foi realizado no caso analisado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A melhora observada após a correção cirúrgica, estabilização hemodinâmica e instituição do suporte nutricional enteral demonstra a eficácia da abordagem terapêutica adotada. A literatura sugere que a alimentação enteral precoce é fundamental para restaurar a integridade da mucosa, reduzir a translocação bacteriana e modular a resposta inflamatória (Lenox, 2021). O aumento gradual da albumina e a redução dos leucócitos nos últimos dias de internação confirmam esse efeito e evidenciam a recuperação parcial do paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, a persistência da anemia e dos achados coproparasitológicos após a alta reforça que processos parasitários, especialmente quando combinados, podem manter inflamação de baixo grau por semanas, mesmo após tratamento clínico e cirúrgico. Esse fenômeno está alinhado com as descrições de Morelli et al. (2025), que observaram eliminação intermitente de cistos e oocistos em animais jovens submetidos a condições sanitárias inadequadas. Esse comportamento parasitário reforça a necessidade de acompanhamento prolongado e protocolos de desinfecção ambiental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura nacional também reforça a importância do diagnóstico precoce e do manejo intensivo em filhotes acometidos por enteropatias parasitárias. Estudos brasileiros demonstram que a giardíase e a cistoisosporíase apresentam alta prevalência em cães jovens, especialmente naqueles provenientes de ambientes coletivos, abrigos e situações de vulnerabilidade sanitária. Santana et al. (2022) verificaram elevada frequência de <em>Cystoisospora</em> spp. em cães de até seis meses de idade, relacionando a infecção com quadros de desidratação, perda proteica e redução do ganho de peso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, estudos desenvolvidos no Brasil destacam que enterites parasitárias graves estão frequentemente associadas a alterações hematológicas e distúrbios hidroeletrolíticos que podem acelerar a progressão para complicações mecânicas, como a intussuscepção intestinal. Torres et al., (2020) observaram que filhotes com diarreia parasitária apresentavam mudanças significativas no padrão de motilidade intestinal, fator que aumenta expressivamente o risco de invaginação das alças. Esses achados reforçam que a realidade epidemiológica brasileira segue alinhada ao que é reportado internacionalmente, demonstrando que a coinfecção por <em>Giardia</em> e <em>Cystoisospora</em> deve ser tratada como condição potencialmente grave e que exige acompanhamento clínico constante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a análise ampla dos resultados mostra que o caso não apenas se encaixa no que a literatura descreve, como também acrescenta evidências clínicas relevantes sobre a evolução severa da coinfecção por <em>Giardia</em> e <em>Cystoisospora</em> em filhotes. A associação entre enterite parasitária grave, inflamação sistêmica, perda proteica e obstrução intestinal demonstra a importância do diagnóstico precoce, do monitoramento sequencial com exames de imagem e da adoção de tratamento agressivo e multidisciplinar para reduzir os riscos de complicações fatais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo de caso teve como objetivo analisar a evolução clínica de um filhote canino acometido por coinfecção parasitária por <em>Giardia duodenalis</em> e <em>Cystoisospora</em> spp., avaliando os impactos desse processo inflamatório sobre a saúde intestinal e sua relação com o desenvolvimento de intussuscepção. A análise dos resultados demonstrou que a combinação de enteroparasitoses severas em filhotes representa um risco significativo para complicações gastrointestinais graves, reforçando a importância do diagnóstico precoce e da intervenção clínica rápida e multidisciplinar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Retomando o objetivo principal, foi possível identificar que a coinfecção parasitária produziu lesões extensas na mucosa intestinal, resultando em perda proteica importante, hipoglicemia, inflamação sistêmica e alterações substanciais da motilidade entérica. Esses fatores, somados ao estado físico debilitado do animal, estiveram diretamente envolvidos na progressão para intussuscepção, condição que exigiu intervenção cirúrgica imediata. Dessa forma, os achados confirmam a hipótese inicial de que a associação entre Giardia e Cystoisospora é capaz de intensificar o dano intestinal e desencadear complicações mecânicas mesmo em poucos dias de evolução clínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a análise global do caso permitiu compreender a relevância dos exames seriados, tanto laboratoriais quanto coproparasitológicos e ultrassonográficos, para o estabelecimento do diagnóstico definitivo e acompanhamento da resposta ao tratamento. Observou-se que a eliminação intermitente de cistos e oocistos poderia ter atrasado o diagnóstico parasitário caso apenas uma amostra tivesse sido coletada, reforçando a importância de avaliações repetidas. A ultrassonografia, por sua vez, mostrou-se fundamental para detecção precoce da intussuscepção, evidenciando como exames de imagem precisam ser considerados em qualquer filhote com enterite grave e piora súbita do quadro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A evolução pós-operatória também destaca a necessidade de suporte intensivo em pacientes pediátricos com enterite e complicações cirúrgicas. O uso de noradrenalina, a nutrição enteral precoce via sonda esofágica e o manejo rigoroso da dor e da hidratação foram essenciais para a recuperação do paciente. Esses aspectos reforçam que o tratamento de condições como a apresentada transcende a abordagem parasitária simples, exigindo acompanhamento constante e visão integral do estado metabólico, hemodinâmico e nutricional do animal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Refletindo sobre a relevância prática deste caso, percebe-se que situações semelhantes são comuns na rotina de clínicas veterinárias que atendem animais resgatados, filhotes e pacientes com histórico sanitário desconhecido. Entretanto, apesar da frequência das enteropatias parasitárias, sua evolução para intussuscepção ainda é subestimada por tutores e até mesmo por profissionais menos experientes. Assim, esse estudo contribui para ampliar a compreensão sobre o potencial gravíssimo dessas infecções quando associadas, destacando a importância da profilaxia, do controle ambiental e da orientação aos tutores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se que a coinfecção por <em>Giardia duodenalis</em> e <em>Cystoisospora</em> spp. é capaz de desencadear um conjunto de alterações fisiopatológicas que, quando não identificadas precocemente, podem evoluir para complicações graves como a intussuscepção intestinal. O caso aqui analisado reforça que filhotes são especialmente vulneráveis e exigem atenção redobrada, acompanhamento contínuo e condutas clínicas agressivas para garantir sua recuperação. Dessa forma, o estudo não apenas cumpre seus objetivos iniciais, mas também reforça a necessidade de uma abordagem preventiva e integrada na medicina veterinária, especialmente na atenção básica de filhotes e animais resgatados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, J.; SANTOS, A. Prevalence of <em>Giardia</em> spp. in young dogs using a combination of two diagnostic methods. <em>Acta Parasitologica</em>, v. 61, n. 2, p. 261-266, mar. 2016. DOI: 10.1515/ap-2016-0036. Disponível em https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27078649/ Acesso em 15 nov. 2025</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHAVES, J. K. O. et al. Purulent fibrous and necrotizing ileitis secondary to intussusception associated with infection by <em>Giardia intestinalis</em> and <em>Cystoisospora felis</em> in a cat: case report. <em>Brazilian Journal of Veterinary Medicine</em>, v. 42, p. e107320, 2020. DOI: https://doi.org/10.29374/2527-2179.bjvm107320. Acesso em 15 nov. 2025</p>



<p class="wp-block-paragraph">DUBEY, J. P.; ALMERIA, S. <em>Cystoisospora belli infections in humans: the past 100 years</em>. Parasitology, v. 146, n. 12, p. 1490-1527, oct. 2019. DOI: 10.1017/S0031182019000957. Acesso em 15 nov. 2025</p>



<p class="wp-block-paragraph">FENG, Y.; XIAO, L. Zoonotic potential and molecular epidemiology of <em>Giardia</em> species and giardiasis. <em>Zoonoses and Public Health</em>, v. 58, n. 3, p. 179-185, 2011. Disponível em https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21233509/ Acesso em 15 nov. 2025</p>



<p class="wp-block-paragraph">GARCIA, E. A. et al. Intussuscepção intestinal em cães: revisão de literatura. Curso de Medicina Veterinária – UNIBRA, 2022. Disponível em: https://www.grupounibra.com/repositorio/MVETI/2022/intussuscepcao-intestinal-em-caes-revisao-de-literatura57.pdf. Acesso em: 19 nov. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LENOX, Catherine E. Nutritional management for dogs and cats with gastrointestinal diseases. <em>Vet Clin North Am Small Anim Pract</em>, v. 51, n. 3, p. 669-684, May 2021. Disponível em https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33653539/ Acesso em 15 nov. 2025</p>



<p class="wp-block-paragraph">MORELLI, S. et al. Occurrence of <em>Cystoisospora</em> spp. and other intestinal parasites in dogs and cats with diarrhea. <em>Veterinary Parasitology</em>, v. 338, p. 110546, 2025. Disponível https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40690864/ Acesso em 10 de nov. 2025</p>



<p class="wp-block-paragraph">ROCHA, L. L.; PESSOA, C. M. S.; CORRÊA, T. D.; PEREIRA, A. J.; DE ASSUNÇÃO, M. S. C.; SILVA, E. Conceitos atuais sobre suporte hemodinâmico e terapia em choque séptico. <em>Revista Brasileira de Anestesiologia</em>, v. 65, n. 5, p. 395-402, 2015. Disponível em https://www.researchgate.net/publication/307701761_Current_concepts_on_hemodynamic_support_and_therapy_in_septic_shock Acesso em 15 nov. 2025</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTANA, B. N. et al. Validation of a one-tube nested real-time PCR assay for the detection and identification of <em>Cryptosporidium</em> spp. <em>Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária</em>, v. 31, n. 3, p. 286-295, 2022. DOI: 10.1590/S1984-29612022039. Disponível em https://www.scielo.br/j/rbpv/a/cvNjFc5RdkVFB37LNgScHnz/?lang=en Acesso em 15 nov. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TORRES, B. Á.; SOUZA, L. Z.; CANDEIAS, A. P. M.; FERNANDES, N. L. M. Ocorrência de parasitas gastrointestinais em cães e gatos atendidos no Hospital Veterinário da Universidade Federal do Paraná, Setor Palotina. <em>Archives of Veterinary Science</em>, v. 25, n. 5, p. (não numerado), 2020. Disponível em https://revistas.ufpr.br/veterinary/article/view/76888.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Discente do Curso Superior de clínica médica veterinária do Instituto Anclivepa &#8211; SP maripinheiro_@hotmail.com<br><sup>2</sup>Docente do Curso Superior de clínica médica veterinária do Instituto Anclivepa &#8211; SP nobsvet@gmail.com</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>INCONTINÊNCIA URINÁRIA ASSOCIADA À DEFICIÊNCIA ESTROGÊNICA EM CADELA APÓS OVARIOSSALPINGOHISTERECTOMIA: RELATO DE CASO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/incontinencia-urinaria-associada-a-deficiencia-estrogenica-em-cadela-apos-ovariossalpingohisterectomia-relato-de-caso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Nov 2025 22:53:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Veterinaria]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511201952 Pâmella Monteiro Bernardes dos Santos1 Resumo A incontinência urinária pós-ovariosalpingohisterectomia (OSH) é uma complicação relativamente comum em fêmeas caninas, frequentemente associada à deficiência estrogênica e à consequente incompetência do esfíncter uretral. O presente estudo descreve o caso de uma cadela, fêmea, sem raça definida, 2 anos e 9 meses, com quadro de [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511201952</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Pâmella Monteiro Bernardes dos Santos<sup>1</sup></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A incontinência urinária pós-ovariosalpingohisterectomia (OSH) é uma complicação relativamente comum em fêmeas caninas, frequentemente associada à deficiência estrogênica e à consequente incompetência do esfíncter uretral. O presente estudo descreve o caso de uma cadela, fêmea, sem raça definida, 2 anos e 9 meses, com quadro de incontinência urinária persistente por seis meses após OSH realizada em 2024. Foram realizados exames laboratoriais, ultrassonografia abdominal, urina tipo I, urocultura e dosagem de estradiol, que confirmaram hipoestrogenismo e afastaram causas infecciosas e anatômicas. O tratamento com estriol (Incurin®) resultou em resolução clínica do quadro após ajuste de dose. Este relato reforça a importância do diagnóstico diferencial e da compreensão dos mecanismos fisiopatológicos relacionados à incontinência urinária por deficiência estrogênica em cadelas gonadectomizadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Cadelas; Castração; Hipoestrogenismo; Incompetência do esfíncter uretral; Estriol; Medicina veterinária.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A ovariossalpingohisterectomia (OSH) é um procedimento amplamente adotado na medicina veterinária de pequenos animais, sendo considerada a principal estratégia para controle populacional e prevenção de doenças do sistema reprodutor em cadelas (Wheat et al., 2023). Além de seus benefícios já consolidados — como a redução da incidência de tumores mamários, a eliminação do risco de piometra e o controle de distúrbios ovarianos — a OSH também é recomendada por promover estabilidade comportamental e bem-estar ao longo da vida do animal (Kendall et al., 2024). No entanto, embora amplamente segura, a gonadectomia não está isenta de efeitos colaterais tardios, entre eles alterações metabólicas, ganho ponderal, mudanças comportamentais e, com particular relevância clínica, a incontinência urinária pós-esterilização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A incontinência urinária decorrente da incompetência do esfíncter uretral, também denominada urethral sphincter mechanism incompetence (USMI), é reconhecida como a principal causa de perda involuntária de urina em cadelas castradas (Morresey, 2019). Estudos epidemiológicos recentes apontam que a incontinência pode acometer entre 5% e 20% das fêmeas submetidas à OSH, dependendo do porte do animal, da idade da castração e de predisposições anatômicas e genéticas (De Bleser et al., 2011). Em cadelas de grande porte, sobretudo em raças como boxer, dobermann, rottweiler e golden retriever, essa prevalência pode ultrapassar 30% (Byron et al., 2017), demonstrando a relevância dessa complicação na rotina clínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mecanismo fisiopatológico mais aceito para a USMI pós-OSH envolve a redução dos níveis circulantes de estrogênio decorrente da remoção dos ovários. O estrógeno possui papel fundamental na manutenção da função uretral adequada, atuando na modulação da sensibilidade dos receptores alfa-adrenérgicos, no tônus do músculo liso uretral, na integridade epitelial e na composição do colágeno periuretral (Pegram et al., 2019). Assim, sua deficiência resulta na diminuição da pressão uretral de fechamento e, consequentemente, na dificuldade de manutenção da continência urinária, especialmente durante o repouso ou sono profundo (Kendall et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A incontinência urinária associada ao hipoestrogenismo apresenta-se comumente como perda intermitente ou contínua de urina, sem dor, hematúria ou sinais sistêmicos, sendo um quadro de natureza funcional. No entanto, o diagnóstico exige investigação minuciosa, uma vez que inúmeras condições podem produzir sinais semelhantes, como infecções urinárias, doenças neurológicas, urolitíase, ureteres ectópicos, neoplasias e cistites idiopáticas (Chew et al., 2010). Assim, a exclusão de causas infecciosas por meio de urina tipo I e urocultura é obrigatória, bem como a avaliação ultrassonográfica do trato urinário, especialmente em animais jovens ou com sintomas persistentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista terapêutico, o estriol é considerado o fármaco de primeira linha para o tratamento da USMI associada à deficiência estrogênica, apresentando taxas de sucesso que variam entre 60% e 85% dos casos, com perfil de segurança elevado quando utilizado sob supervisão (Kendall et al., 2024). Outra opção amplamente utilizada é a fenilpropanolamina (PPA), um agonista alfa-adrenérgico que aumenta significativamente o tônus uretral. Em animais refratários, a literatura recomenda a terapia combinada (estriol + PPA), que potencializa a resposta clínica (Pegram et al., 2019). Intervenções cirúrgicas, como colposuspensão, uretrapexia ou implante de substâncias de bulking uretral, são reservadas para situações de falha terapêutica grave.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante da importância crescente da OSH como prática rotineira na clínica médica de pequenos animais e da necessidade de compreender suas possíveis repercussões tardias, torna-se fundamental relatar casos clínicos que contribuam para o aprimoramento diagnóstico e terapêutico. Relatos bem documentados auxiliam na compreensão da fisiopatologia da USMI, na identificação de fatores de risco e na elaboração de protocolos clínicos eficazes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, o presente trabalho tem como objetivo relatar um caso de incontinência urinária secundária à deficiência estrogênica em uma cadela submetida à OSH, correlacionando achados clínicos, laboratoriais e terapêuticos aos dados mais recentes da literatura científica. Este relato visa fortalecer o conhecimento dos médicos veterinários sobre a condição, destacando a importância de diagnósticos diferenciais adequados e de acompanhamento longitudinal após a gonadectomia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1</strong> <strong>INCONTINÊNCIA URINÁRIA EM CADELAS: ASPECTOS GERAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A incontinência urinária em cadelas é um distúrbio caracterizado pela incapacidade de manter a urina contida na bexiga durante a fase de armazenamento, resultando em perdas involuntárias que podem ocorrer tanto em repouso quanto durante o sono. Embora possa estar relacionada a uma variedade de condições clínicas, fisiológicas e anatômicas, a forma mais frequentemente observada na rotina veterinária é aquela associada à ovariossalpingohisterectomia, especialmente em fêmeas adultas e de porte médio a grande. A literatura aponta que a OSH, ainda que seja um procedimento amplamente recomendado para controle populacional e prevenção de doenças reprodutivas, pode desencadear alterações importantes no equilíbrio hormonal responsável pela manutenção adequada da pressão uretral de fechamento (Wheat et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de um problema de grande impacto clínico, não apenas pela frequência com que ocorre, mas também pela influência que exerce sobre a qualidade de vida dos animais e de seus tutores. A perda de urina pode causar dermatites, odor forte, constrangimento social e abandono de animais, além de frustração por parte dos cuidadores. De Bleser et al. (2011) destacam que a incontinência urinária pós-gonadectomia representa uma das principais causas de retorno à clínica veterinária após a cirurgia, reforçando a necessidade de que profissionais estejam capacitados para compreender e manejar adequadamente o distúrbio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A condição também apresenta ampla variabilidade clínica. Algumas fêmeas podem apresentar apenas pequenos escapes esporádicos, enquanto outras desenvolvem perda urinária contínua, que pode ser confundida com quadros infecciosos. Por isso, a compreensão aprofundada da fisiologia urinária, dos mecanismos hormonais associados e das particularidades do diagnóstico diferencial é fundamental para a elaboração de condutas terapêuticas assertivas e eficazes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 INFLUÊNCIA HORMONAL E PAPEL DO ESTROGÊNIO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O equilíbrio hormonal exerce papel essencial na regulação dos mecanismos de continência urinária em cadelas. Entre os hormônios envolvidos, o estrogênio é o principal responsável por modular a força do esfíncter uretral, garantir a integridade estrutural do epitélio uretral e manter a adequada vascularização dos tecidos periuretrais. Estudos demonstram que o estrógeno aumenta a densidade de receptores alfa-adrenérgicos ao longo da uretra, o que intensifica a contração do músculo liso uretral e, consequentemente, a pressão uretral máxima (Kendall et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ovariossalpingohisterectomia provoca queda abrupta na concentração desse hormônio, modificando drasticamente o equilíbrio fisiológico do trato urinário inferior. Pegram et al. (2019) demonstram que a deficiência estrogênica reduz a espessura epitelial uretral, diminui a vascularização da mucosa e altera a composição do colágeno periuretral, tornando o esfíncter menos eficiente em manter a urina contida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Byron et al. (2017) reforçam que a deficiência estrogênica é o principal fator fisiopatológico relacionado à incontinência urinária pós-OSH, destacando que a resposta clínica ao tratamento com estriol é um indicativo claro de que o estrógeno é crucial para manter a função uretral adequada. Essa relação direta entre hormônios e continência explica por que a terapia de reposição hormonal é uma das abordagens mais eficazes na medicina veterinária contemporânea.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3 FATORES DE RISCO E EPIDEMIOLOGIA PÓS-OSH</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A prevalência da incontinência urinária pós-castração varia amplamente na literatura, devido a diferenças metodológicas e populacionais. Ainda assim, estimativas apontam que entre cinco e vinte por cento das cadelas castradas podem desenvolver incontinência ao longo da vida (De Bleser et al., 2011). Em raças de grande porte, essa prevalência pode chegar a trinta por cento, o que destaca o papel da conformação anatômica como fator determinante (Holt; Thrusfield, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diversos fatores de risco têm sido descritos para o desenvolvimento da incontinência urinária associada à OSH. O peso corporal é um dos mais relevantes, uma vez que cadelas com mais de quinze quilos apresentam maior predisposição. O aumento da pressão intra-abdominal sobre a bexiga pode favorecer alterações no posicionamento uretral e reduzir a resistência do esfíncter (Wheat et al., 2023). A idade da castração também desempenha papel significativo. Castrar fêmeas muito jovens, especialmente antes da maturidade completa das estruturas uretrais, pode prejudicar o desenvolvimento dos músculos e ligamentos responsáveis pela sustentação da uretra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A predisposição racial também é amplamente documentada. Raças como boxer, dobermann, rottweiler, weimaraner e golden retriever apresentam maior risco de desenvolver o distúrbio, possivelmente devido a características anatômicas específicas ou heranças genéticas que afetam a força do esfíncter uretral (Byron et al., 2017). Essa predisposição explica por que alguns tutores relatam sintomas poucos meses após a OSH, enquanto outros observam a manifestação do quadro apenas após anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outros fatores contribuintes incluem conformação corporal, alterações neurológicas subclínicas, obesidade, alterações de colágeno e doenças concomitantes que afetam a função vesical ou uretral. Essa complexidade reforça a importância de compreender que a incontinência urinária pós-OSH é uma condição multifatorial que exige abordagem diagnóstica abrangente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.4 FISIOPATOLOGIA DA INCOMPETÊNCIA DO ESFÍNCTER URETRAL</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A incompetência do esfíncter uretral é o principal mecanismo fisiopatológico associado à incontinência urinária em cadelas castradas. Essa condição ocorre quando a pressão uretral de fechamento é insuficiente para manter a continência durante a fase de armazenamento da urina. A queda no nível de estrogênio provoca uma cascata de alterações estruturais e funcionais que comprometem a capacidade da uretra de resistir à pressão exercida pela bexiga cheia (Pegram et al., 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A perda de estrogênio diminui a espessura da mucosa uretral, reduz a vascularização do tecido periuretral e compromete a densidade de fibras musculares lisas. Esses fatores, em conjunto, levam à redução da pressão uretral máxima, tornando o esfíncter mais fraco e menos responsivo aos estímulos simpáticos que normalmente mantêm sua contração basal (Kendall et al., 2024). Além disso, a remodelação do colágeno oriunda da deficiência hormonal contribui para menor elasticidade uretral, agravando o quadro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fisiopatologia também envolve aspectos neurológicos. A comunicação entre bexiga, uretra e sistema nervoso simpático, parassimpático e somático é fundamental para a manutenção da continência. Alterações microestruturais nas vias nervosas podem reduzir a capacidade de resposta do esfíncter, especialmente em cadelas de idade avançada ou com alterações hereditárias (Chew et al., 2010).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o conjunto de fatores hormonais, anatômicos e neurológicos produz quadro clínico característico que se manifesta predominantemente durante o repouso, justificando o fato de muitos tutores relatarem que encontram a cama molhada pela manhã ou após períodos de inatividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.5 DIAGNÓSTICO E TERAPIAS DISPONÍVEIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico da incontinência urinária pós-OSH requer abordagem sistemática e objetiva, uma vez que diversas patologias podem produzir sinais semelhantes. A anamnese detalhada é essencial para identificar o início dos sintomas, padrão de perda urinária, relação com a castração e possíveis fatores agravantes. Exames complementares são indispensáveis, incluindo urina tipo I, urocultura, hemograma completo e ultrassonografia abdominal, que permitem excluir infecções, cálculos urinários, malformações anatômicas ou anormalidades vesicais (Chew et al., 2010). Em casos selecionados, a dosagem de estradiol pode auxiliar na confirmação de hipoestrogenismo, embora não seja um critério diagnóstico isolado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento clínico é a principal estratégia terapêutica e envolve, principalmente, o uso de estriol e fenilpropanolamina. O estriol é considerado o fármaco de primeira escolha devido à sua eficácia e segurança, sendo capaz de restaurar parcialmente a função uretral ao melhorar o tônus esfincteriano induzido pela reposição hormonal (Kendall et al., 2024). A fenilpropanolamina, por sua vez, estimula os receptores alfa-adrenérgicos e aumenta a contração do esfíncter uretral, sendo frequentemente utilizada em associação ao estriol em casos refratários ou com resposta parcial. Pegram et al. (2019). destacam que a terapia combinada apresenta eficácia superior por atuar simultaneamente nos mecanismos hormonais e adrenérgicos da continência urinária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos casos que não respondem ao tratamento clínico, outras alternativas podem ser consideradas, como fisioterapia de assoalho pélvico, implantes de bulking uretral e procedimentos cirúrgicos de sustentação uretral, incluindo colposuspensão e uretrapexia. Contudo, essas abordagens são reservadas para quadros persistentes, devido à maior complexidade e maior risco associado (Holt; Thrusfield, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o entendimento das características fisiológicas, anatômicas e hormonais envolvidas no processo de continência urinária em cadelas castradas é fundamental para o diagnóstico e seleção terapêutica adequados. O manejo eficaz da incontinência urinária pós-OSH requer abordagem multidisciplinar, acompanhamento periódico e participação ativa do tutor no processo terapêutico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho consiste em um relato de caso, metodologia amplamente empregada na medicina veterinária para descrever, de forma aprofundada, a apresentação clínica, os procedimentos diagnósticos, a conduta terapêutica e a evolução de um paciente específico. Segundo Morresey (2019), o relato de caso é um método descritivo essencial para documentar condições clínicas incomuns, manifestações atípicas de doenças comuns ou respostas terapêuticas relevantes, contribuindo para o avanço da ciência por meio da observação direta de situações reais. Em medicina veterinária, esse tipo de estudo é particularmente valioso, pois permite identificar padrões clínicos, reforçar condutas diagnósticas e discutir abordagens terapêuticas que possam ser aplicadas na prática diária (Silva et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As informações utilizadas neste relato foram obtidas a partir do registro clínico completo da paciente atendida, incluindo histórico reprodutivo, evolução dos sinais clínicos, exames laboratoriais e de imagem, e resposta ao tratamento instituído. A coleta de dados seguiu o padrão recomendado para estudos retrospectivos, conforme descrito por Andrade et al. (2017), que enfatiza a importância da organização cronológica, da fidelidade aos dados originais e da utilização de documentação clínica verificada para assegurar a validade científica do relato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O hemograma completo foi analisado com o objetivo de identificar possíveis processos infecciosos ou inflamatórios que pudessem interferir no diagnóstico diferencial. A realização da urina tipo I e da urocultura seguiu os protocolos de avaliação da função urinária descritos por Chew et al. (2010), que indicam esses testes como essenciais para excluir infecções bacterianas que frequentemente se confundem com quadros de incontinência. A ultrassonografia abdominal foi realizada para investigar alterações anatômicas que pudessem justificar os sinais clínicos, conforme orientações de Mattoon et al. (2020), que recomendam o exame ultrassonográfico como ferramenta fundamental na avaliação do sistema urinário inferior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dosagem sérica de estradiol foi utilizada como exame complementar para avaliar a possibilidade de hipoestrogenismo, uma vez que a literatura demonstra associação entre deficiência estrogênica e incompetência do esfíncter uretral em cadelas castradas. Pegram et al. (2019). destacam que, embora a dosagem hormonal não seja critério único de diagnóstico, ela auxilia na compreensão do estado endócrino do animal e complementa o processo de exclusão de outras etiologias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento instituído seguiu as recomendações presentes na literatura especializada para casos de incontinência urinária secundária à OSH. O protocoloterapêutico com estriol foi escolhido com base nas diretrizes apresentadas por (Kendall et. (2024), que descreve o estriol como a terapia hormonal de eleição devido à sua eficácia, segurança e boa tolerabilidade clínica. A resposta ao tratamento foi monitorada ao longo do tempo, alinhada às orientações de Pegram et al. (2019), que ressaltavam a importância do acompanhamento periódico para ajustes terapêuticos e avaliação da evolução clínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos dados foi conduzida de maneira qualitativa e integrativa, comparando-se os achados clínicos da paciente com as evidências científicas contemporâneas sobre incontinência urinária pós-ovariosalpingohisterectomia. Esse método é recomendado por Yin (2016) para estudos de caso clínico, por permitir a discussão crítica dos achados e a contextualização do caso dentro do conhecimento científico disponível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por tratar-se de um estudo retrospectivo baseado em atendimento clínico previamente realizado, não houve intervenção experimental adicional. Todas as condutas foram realizadas exclusivamente para fins terapêuticos e diagnósticos da paciente, em conformidade com as boas práticas da medicina veterinária e com as diretrizes éticas descritas pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV, 2018). O relato foi elaborado assegurando a confidencialidade da identidade da tutora e da paciente, atendendo aos princípios éticos aplicáveis à documentação clínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>RESULTADOS E DISCUSSÕES&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A paciente, cadela fêmea, sem raça definida, dois anos e nove meses de idade e pesando treze quilos, apresentou quadro de incontinência urinária persistente por aproximadamente seis meses, cujo início ocorreu após a ovariossalpingohisterectomia realizada em dezembro de 2024. Durante a anamnese, a tutora relatou perdas urinárias involuntárias principalmente em momentos de repouso, sem sinais de dor, desconforto, hematúria ou micção frequente. Esse padrão clínico corresponde ao que a literatura descreve como perda urinária típica da incompetência do esfíncter uretral secundária à deficiência estrogênica (Kendall et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No exame físico, a cadela apresentou bom estado geral, mucosas normocoradas, grau de hidratação preservado e ausência de sinais compatíveis com dor abdominal ou cistite. A ausência de alterações clínicas sistêmicas reforça a natureza funcional do quadro, sendo compatível com as descrições de Pegram et al. (2019), que afirmam que cadelas com incompetência uretral associada ao hipoestrogenismo raramente apresentam febre, dor lombar ou inflamação perceptível ao exame físico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os principais achados laboratoriais estão sintetizados na Tabela 1. Observou-se leve hemoconcentração, com hematócrito discretamente elevado, sugerindo possível desidratação fisiológica ou variação individual. Houve leucocitose com neutrofilia segmentar, porém sem desvio regenerativo, o que indica resposta inflamatória inespecífica e não necessariamente infecciosa, já que não houve achados urinários compatíveis com processos bacterianos. Esses resultados são condizentes com padrões normais de animais com incontinência urinária funcional, nos quais exames hematológicos tendem a permanecer dentro de limites fisiológicos, conforme descrito por Chew et al. (2010)</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1</strong> – Resultados dos exames hematológicos</p>



<figure class="wp-block-table"><table><thead><tr><th class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Parâmetro</strong></th><th class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Resultado</strong></th><th class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Referência</strong></th><th class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Interpretação</strong></th></tr></thead><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Hematócrito</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">55%</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">37–53%</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Leve hemoconcentração</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Leucócitos totais</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">21.000/µL</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">6.000–17.000/µL</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Leucocitose leve</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Neutrófilos segmentados</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">85%</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">60–75%</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Neutrofilia leve</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Plaquetas</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">200.000/µL</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">200.000–500.000/µL</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Limite inferior normal</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A análise de urina tipo I demonstrou densidade urinária de 1.025, pH levemente alcalino e ausência de piúria, hematúria ou presença de bactérias. Foram observadas apenas células pavimentosas e raras gotículas de gordura, achados sem relevância patológica. A urocultura apresentou crescimento bacteriano ausente, afastando de forma conclusiva a hipótese de infecção urinária. Esses dados são importantes, pois a infecção é um diagnóstico diferencial comum em cadelas com perda involuntária de urina, sendo fundamental descartá-la antes de se considerar incompetência esfincteriana (Holt; Thrusfield, 2021). A Tabela 2 resume os achados urinários.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 2</strong> – Resultados da urina tipo I e urocultura</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><thead><tr><th class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Exame</strong></th><th class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Resultado</strong></th><th class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Interpretação</strong></th></tr></thead><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Densidade urinária</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1.025</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Normal</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">pH</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">8.0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Levemente alcalino</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Leucócitos</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Ausentes</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Sem inflamação</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Hemácias</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Raras</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Sem hematúria significativa</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Bactérias</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Ausentes</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Sem infecção</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Urocultura</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Negativa</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Descarta infecção bacteriana</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A dosagem sérica de estradiol revelou valores inferiores a 50 pg/mL, compatíveis com hipoestrogenismo. Embora não seja exame de rotina para diagnóstico de incompetência do esfíncter uretral, sua utilização auxilia na confirmação da causa hormonal do quadro. A literatura reforça que cadelas castradas apresentam níveis basais de estrógeno reduzidos e que essa redução está intimamente ligada à perda da função uretral normal (Byron et al., 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ultrassonografia abdominal não apresentou alterações anatômicas. Os rins estavam com contornos regulares, parênquima preservado e pelve renal normal. A bexiga apresentava paredes finas e uniformes, sem sinais de cálculos, espessamentos ou massas intraluminais. A uretra proximal não demonstrou anormalidades. Esses achados são compatíveis com incompetência uretral funcional, já que alterações anatômicas estruturais são raras e, quando presentes, costumam causar retenção urinária ou infecções recorrentes, o que não ocorreu neste caso (Mattoon et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista terapêutico, a paciente foi inicialmente tratada com estriol (Incurin 1 mg) na dose de um comprimido duas vezes ao dia durante sete dias. A ausência de resposta inicial levou ao ajuste da dose para um comprimido e meio, também por sete dias. Houve resolução completa da incontinência após esse ajuste, conforme relatado pela tutora. Essa resposta é extremamente compatível com estudos de Kendall et al. (2024), que afirma que o estriol apresenta resultados eficazes em sessenta a oitenta e cinco por cento dos casos de incompetência uretral associada à deficiência estrogênica. Pegram et al., 2019), também destacam que ajustes graduais de dose são comuns, pois cada paciente responde de maneira individual ao tratamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados obtidos corroboram de maneira clara a hipótese diagnóstica de incompetência esfincteriana secundária ao hipoestrogenismo pós-ovariosalpingohisterectomia. A ausência de infecção, a normalidade ultrassonográfica e a resposta terapêutica ao estriol são características típicas dos casos descritos pela literatura contemporânea (Wheat et al., 2023; Holt; Thrusfield, 2021). Essa convergência entre os achados clínicos, laboratoriais e terapêuticos reforça a importância de uma abordagem diagnóstica estruturada, baseada em exclusão progressiva de causas alternativas e uso criterioso de exames complementares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, é importante destacar que embora a cadela tenha apresentado resposta satisfatória ao tratamento durante o período de acompanhamento, sua tutora interrompeu o retorno clínico, impossibilitando avaliação de longo prazo. A literatura enfatiza que muitos pacientes requerem monitoramento contínuo e ajustes periódicos da dose hormonal para garantir a manutenção da continência urinária ao longo dos anos (Byron et al., 2017). A interrupção do acompanhamento veterinário é um fator que pode comprometer a eficácia terapêutica e a capacidade de identificar potenciais efeitos adversos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, os resultados observados neste caso estão em total conformidade com os padrões descritos em estudos contemporâneos sobre incontinência urinária pós-OSH, reforçando a associação direta entre a queda abrupta do estrogênio e a incompetência do esfíncter uretral em cadelas jovens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao analisar o caso descrito, observa-se que a paciente apresentou todas as características classicamente associadas à incompetência do esfíncter uretral decorrente da deficiência estrogênica pós-ovariosalpingohisterectomia. A evolução lenta e progressiva da incontinência, iniciando semanas após o procedimento cirúrgico, é compatível com os achados de Holt e Thrusfield (2021), que descrevem que a maioria das cadelas desenvolve sinais clínicos dentro dos primeiros seis a doze meses após a retirada dos ovários. Isso ocorre porque a queda abrupta do estrogênio altera gradativamente a estrutura uretral, ocasionando perda da sua integridade funcional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ausência de infecção urinária foi um achado essencial, pois infecções do trato urinário são um dos principais diagnósticos diferenciais em cadelas jovens, especialmente após manipulações cirúrgicas ou mudanças hormonais (Chew et al., 2010). O fato de a urocultura ter sido negativa e a urina tipo I não ter apresentado alterações inflamatórias reforça que o quadro clínico não estava relacionado a agentes bacterianos, descartando uma causa comum de perda urinária e direcionando a investigação para uma etiologia funcional. Estudos recentes indicam que cerca de cinquenta por cento dos casos suspeitos de infecção urinária em fêmeas castradas não apresenta crescimento bacteriano, reforçando a importância de exames laboratoriais confirmatórios para evitar diagnósticos equivocados (Mattoon et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto relevante observado neste caso é a normalidade dos achados ultrassonográficos. Muitas vezes, alterações anatômicas, como ureteres ectópicos, neoplasias ou cálculos, podem desencadear perda urinária involuntária, especialmente em cadelas jovens. Contudo, esses quadros tendem a causar outros sinais clínicos, como hematúria, dor, retenção urinária ou infecções recorrentes, o que não foi identificado (Andrade et al., 2017). A ultrassonografia normal permitiu reforçar a hipótese de que se tratava de incontinência esfincteriana pura, sem alterações estruturais subjacentes que pudessem justificar o quadro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dosagem reduzida de estradiol encontrada na paciente também contribui para embasar o diagnóstico. Embora as concentrações hormonais possam variar conforme o método laboratorial, valores persistentemente baixos são compatíveis com a deficiência endócrina decorrente da OSH, conforme descrito por Kendall et al. (2024). A deficiência estrogênica causa diminuição da espessura do epitélio uretral, reduz a produção de colágeno de suporte e diminui a sensibilidade dos receptores alfa-adrenérgicos presentes na musculatura uretral. Esses efeitos, somados, resultam em queda significativa da pressão uretral basal, condição que se manifesta clinicamente como escape urinário em repouso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A resposta clínica ao estriol observada na paciente corrobora a literatura. Estudos controlados demonstram que o estriol melhora de forma significativa a integridade epitelial da uretra e aumenta a responsividade do músculo liso à estimulação simpática, tornando o esfíncter uretral mais eficiente (Pegram et al., 2019). Em uma revisão conduzida por Byron et al. (2017), mais de setenta por cento das cadelas tratadas com estriol apresentaram resolução parcial ou completa da incontinência nas primeiras semanas de tratamento. No caso relatado, a melhora ocorreu após ajuste da dose, o que também segue recomendações clínicas, já que cada paciente pode demandar titulação individualizada de acordo com a resposta fisiológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante salientar que o uso de estriol possui vantagens sobre estrogênios sintéticos mais potentes, como o dietilestilbestrol, que pode causar efeitos adversos como supressão medular quando utilizado de forma inadequada. O estriol, por ter meia-vida mais curta e menor potência estrogênica, apresenta perfil de segurança superior, sendo considerado o hormônio de escolha para o tratamento da incontinência urinária em cadelas castradas (Kendall et al., 2024). A paciente em questão respondeu de forma satisfatória, sem efeitos adversos aparentes, evidenciando que o protocolo terapêutico foi adequado e eficaz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a relevância clínica deste caso reside na confirmação de que fêmeas jovens também podem desenvolver incontinência urinária pós-OSH, mesmo quando não possuem predisposições anatômicas ou raciais conhecidas. Embora a literatura enfatize maior frequência do quadro em raças de grande porte, estudos recentes demonstram que a incontinência pode acometer qualquer cadela castrada, sendo necessária a conscientização dos tutores sobre essa possível consequência do procedimento cirúrgico (Holt; Thrusfield, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto significativo refere-se à interrupção do acompanhamento clínico por parte da tutora. A literatura descreve que muitas cadelas necessitam de tratamento contínuo, especialmente quando o quadro está relacionado à deficiência hormonal, uma vez que os efeitos terapêuticos do estriol tendem a cessar rapidamente após a suspensão do uso (Pegram et al., 2019). A ausência de seguimento impossibilita a avaliação de longo prazo e a identificação de possíveis recidivas, o que reforça a necessidade de educação dos tutores sobre a importância do acompanhamento periódico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Comparando este caso com os estudos epidemiológicos disponíveis, observa-se que ele se encaixa de forma clara na faixa de prevalência descrita por De Bleser et al. (2011), que indicam que até vinte por cento das fêmeas castradas desenvolvem incontinência urinária. A evolução clínica progressiva, o caráter funcional, os exames laboratoriais normais e a resposta terapêutica ao estriol reforçam que o caso segue o padrão clássico observado em incompetência do esfíncter uretral associada à OSH.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, o relato demonstra a importância da abordagem diagnóstica baseada na exclusão sistemática de causas infecciosas e anatômicas, da correta interpretação dos exames complementares e da compreensão das alterações endócrinas envolvidas. Casos como este contribuem significativamente para a medicina veterinária, pois reforçam a necessidade de condutas padronizadas, orientação aos tutores e monitoramento a longo prazo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente trabalho teve como objetivo descrever e analisar de forma detalhada o caso de uma cadela que desenvolveu incontinência urinária após a ovariossalpingohisterectomia, correlacionando os achados clínicos, laboratoriais e terapêuticos com o conhecimento científico contemporâneo. Ao longo do estudo, buscou-se compreender de maneira aprofundada os mecanismos fisiopatológicos associados à deficiência estrogênica pós-cirúrgica e à incompetência do esfíncter uretral, estabelecendo uma discussão fundamentada para orientar o diagnóstico e o tratamento de casos semelhantes na rotina clínica veterinária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Retomando o objetivo inicial de identificar a causa da incontinência urinária apresentada pela paciente e avaliar sua evolução diante do tratamento com estriol, os resultados obtidos demonstraram de forma clara que o quadro estava diretamente relacionado à deficiência estrogênica decorrente da remoção dos ovários. Todos os exames complementares realizados foram compatíveis com essa hipótese. A ausência de infecção urinária, as imagens ultrassonográficas normais e a dosagem de estradiol reduzida reforçaram que se tratava de uma condição funcional, sem envolvimento anatômico, infeccioso ou metabólico. Dessa forma, o objetivo principal do estudo foi alcançado, permitindo compreender a natureza da condição, seu desenvolvimento após a gonadectomia e os impactos do desequilíbrio hormonal sobre o trato urinário inferior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A resposta positiva ao tratamento com estriol, especialmente após ajuste da dose, confirma as evidências descritas na literatura, que apontam esse hormônio como o principal recurso terapêutico para casos de incontinência urinária associada ao hipoestrogenismo. Estudos mostram que o estriol restabelece parcialmente a função uretral por meio da melhora da integridade epitelial e da resposta adrenérgica do esfíncter, proporcionando alívio significativo dos sinais clínicos, como observado nesta paciente. Esse achado reforça a importância da reposição hormonal como estratégia terapêutica eficaz e segura para cadelas castradas que desenvolvem incompetência do esfíncter uretral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o caso analisado evidencia a relevância da abordagem diagnóstica sistemática e baseada na exclusão de causas infecciosas e anatômicas. Esse processo é indispensável para evitar equívocos na interpretação dos sinais clínicos e para garantir que o tratamento seja direcionado corretamente. A utilização de diferentes exames complementares contribuiu para a construção de um diagnóstico preciso, o que reforça a importância da metodologia aplicada e sua conformidade com as recomendações atuais da medicina veterinária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista clínico e científico, o caso apresenta grande valor por demonstrar que a incontinência urinária pós-ovariossalpingohisterectomia pode ocorrer mesmo em cadelas jovens e sem predisposição racial evidente, contrariando a percepção comum de que o problema afeta majoritariamente animais mais velhos ou de grande porte. Esse achado contribui para ampliar a compreensão dos fatores envolvidos no desenvolvimento da condição e reforça a necessidade de orientação preventiva aos tutores quanto às possíveis consequências tardias da castração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da relevância dos achados, o estudo apresenta como limitação a interrupção do acompanhamento clínico por parte da tutora, o que impossibilitou a avaliação de longo prazo e a observação de possíveis recidivas do quadro. A literatura científica aponta que muitas cadelas necessitam de tratamento contínuo, com ajustes periódicos e monitoramento para detecção precoce de efeitos adversos ou perda de eficácia terapêutica. A ausência desse acompanhamento impede conclusões definitivas sobre a evolução futura da paciente, mas não compromete a análise dos resultados obtidos no período avaliado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, o presente relato contribui significativamente para a prática veterinária ao demonstrar, de forma integrada e fundamentada, a associação entre a queda do estrogênio e a incompetência uretral, além de reforçar a importância de uma abordagem diagnóstica criteriosa e da utilização de terapias baseadas em evidências. Os profissionais devem estar atentos a essa condição como possível complicação da ovariossalpingohisterectomia e orientar os tutores sobre a necessidade de acompanhamento contínuo e intervenções terapêuticas quando necessário. Este caso reafirma que, quando adequadamente diagnosticada e tratada, a incontinência urinária pós-castração pode ser controlada com sucesso, garantindo qualidade de vida ao paciente e tranquilidade ao tutor.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Andrade, M. B. et al. Estudo retrospectivo de 1.647 tumores mamários em cães. <em>Pesquisa Veterinária Brasileira</em>, v. 37, n. 2, p. 177-185, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Byron, J. K.; Taylor, K. H.; Phillips, G. S.; Stahl, M. S. Urethral sphincter mechanism incompetence in 163 neutered female dogs: diagnosis, treatment, and relationship of weight and age at neuter to development of disease. <em>Journal of Veterinary Internal Medicine</em>, v. 31, n. 2, p. 442-448, 2017. DOI: <a href="https://doi.org/10.1111/jvim.14728">https://doi.org/10.1111/jvim.14728</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Chew, D. J.; DiBartola, S. P.; Schenck, P. <em>Canine and feline nephrology and urology</em>. 2. ed. St. Louis: Saunders/Elsevier, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De Bleser, B.; Brodbelt, D.; Gregory, N.; Martinez-Taboada, F. Spaying-associated urinary incontinence in bitches: prevalence and risk factors. <em>The Veterinary Journal</em>, v. 187, n. 1, p. 42-47, 2011. DOI: <a href="https://doi.org/10.1016/j.tvjl.2009.11.011">https://doi.org/10.1016/j.tvjl.2009.11.011</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Kendall, A.; Byron, J. K.; Westropp, J. L. et al. ACVIM consensus statement on diagnosis and management of urinary incontinence in dogs. <em>Journal of Veterinary Internal Medicine</em>, v. 38, n. 2, p. 878-903, 2024. DOI: <a href="https://doi.org/10.1111/jvim.16975">https://doi.org/10.1111/jvim.16975</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mattoon, J. S.; Sellon, R. K.; Berry, C. R. <em>Small animal diagnostic ultrasound</em>. 4. ed. St. Louis: Elsevier, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Morresey, P. R. How to write a clinical case report. <em>The Veterinary Record</em>, v. 185, n. 5, p. 125-127, 2019. DOI: <a href="https://doi.org/10.1111/eve.13026">https://doi.org/10.1111/eve.13026</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Pegram, C.; Humm, K.; Hendricks, A.; Brodbelt, D. Spaying and urinary incontinence in bitches under UK primary veterinary care: a case-control study. <em>Journal of Small Animal Practice</em>, v. 60, n. 7, p. 395-403, 2019. DOI: <a href="https://doi.org/10.1111/jsap.13014">https://doi.org/10.1111/jsap.13014</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Silva, T. A.; Gomes, M. S.; Meneses, A. M. Cistite bacteriana em cadela: relato de caso. <em>Revista Brasileira de Medicina Veterinária</em>, v. 44, n. 1, 2022. Disponível em: https://rbmv.com.br/portal/artigo/relato-de-caso-cistite-bacteriana-em-cadela/</p>



<p class="wp-block-paragraph">Wheat, J. et al. Complications of routine ovariohysterectomy in dogs: an updated review. <em>Veterinary Surgery</em>, v. 52, 2023. DOI: <a href="https://doi.org/10.1111/vsu.13826">https://doi.org/10.1111/vsu.13826</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Yin, R. K. <em>Case study research: design and methods</em>. 6. ed. Thousand Oaks: Sage, 2016.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Discente do Curso Superior de clínica médica veterinária do Instituto Anclivepa &#8211; SP pamellamonteiro2024@outlook.com</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ABORDAGEM CLÍNICA EM FELINO COM NEOFORMAÇÃO EM REGIÃO TRAQUEAL &#8211; RELATO DE CASO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/abordagem-clinica-em-felino-com-neoformacao-em-regiao-traqueal-relato-de-caso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Nov 2025 12:14:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Veterinaria]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=251085</guid>

					<description><![CDATA[CLINICAL APPROACH TO FELINE NEOPLASIA IN THE TRACHEAL REGION &#8211; RASE REPORT ABORDAJE CLÍNICO EN UN FELINO CON NEOPLASIA EN LA REGIÓN TRAQUEAL &#8211; REPORTE DE CASO REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511190913 Gabriel Marcos Oliveira Garcia1 RESUMO&#160;&#160; O presente relato tem como objetivo descrever o caso de uma felina sem raça definida, fêmea, castrada, com três anos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">CLINICAL APPROACH TO FELINE NEOPLASIA IN THE TRACHEAL REGION &#8211; RASE REPORT</p>



<p class="wp-block-paragraph">ABORDAJE CLÍNICO EN UN FELINO CON NEOPLASIA EN LA REGIÓN TRAQUEAL &#8211; REPORTE DE CASO</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511190913</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Gabriel Marcos Oliveira Garcia<sup>1</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente relato tem como objetivo descrever o caso de uma felina sem raça definida, fêmea, castrada, com três anos de idade, apresentando dificuldade respiratória progressiva. Foram realizados exames hematológicos e de imagem, que auxiliaram na avaliação clínica; entretanto, o diagnóstico definitivo foi obtido por meio de laringotraqueobroncoscopia, a qual evidenciou uma neoformação em região traqueal. Procederam-se biópsia, cultura fúngica e bacteriana com antibiograma, confirmando processo inflamatório. O caso evidencia a importância da endoscopia e da integração diagnóstica no manejo de afecções respiratórias em felinos. Conclui-se que a laringotraqueobroncoscopia é essencial para o diagnóstico diferencial dessas afecções, permitindo uma conduta terapêutica mais precisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Endoscopia respiratória; Diagnóstico diferencial; Doenças do sistema respiratório; Infecção oportunista; Metaplasia escamosa; Terapêutica veterinária</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">This report aims to describe the clinical case of a three-year-old, neutered, mixed-breed female cat presenting with progressive respiratory difficulty. Hematological and imaging examinations were performed, contributing to the clinical evaluation; however, the definitive diagnosis was obtained through laryngotracheobronchoscopy, which revealed a mass in the tracheal region. Biopsy, fungal and bacterial cultures, and an antibiogram were performed, confirming an inflammatory process. This case highlights the importance of endoscopy and diagnostic integration in the management of respiratory disorders in cats. It is concluded that laryngotracheobronchoscopy is essential for the<strong> </strong>differential diagnosis of respiratory diseases, allowing for more precise therapeutic decisions.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>Respiratory endoscopy; Differential diagnosis; Respiratory system diseases; Opportunistic infection; Squamous metaplasia; Veterinary therapeutics.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMEN&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">El presente informe tiene como objetivo describir el caso clínico de una gata mestiza, esterilizada, de tres años de edad, que presentaba dificultad respiratoria progresiva. Se realizaron exámenes hematológicos y de imagen que ayudaron en la evaluación clínica; sin embargo, el diagnóstico definitivo se obtuvo mediante laringotraqueobroncoscopia, que reveló una masa en la región traqueal. Se efectuaron biopsia, cultivos fúngico y bacteriano con antibiograma, confirmando un proceso inflamatorio. El caso evidencia la importancia de la endoscopia y de la integración diagnóstica en el manejo de las afecciones respiratorias en felinos. Se concluye que la laringotraqueobroncoscopia es fundamental para el diagnóstico diferencial de estas afecciones, permitiendo una conducta terapéutica más precisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palabras clave:</strong> Endoscopia respiratoria; Diagnóstico diferencial; Enfermedades del sistema respiratorio; Infección oportunista; Metaplasia escamosa; Terapéutica veterinaria.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As neoplasias que acometem o trato respiratório em pequenos animais são consideradas incomuns, especialmente quando localizadas na traqueia, sendo ainda mais raras em felinos (CORREA et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os sinais clínicos associados às neoformações traqueais são geralmente compatíveis com obstrução das vias respiratórias superiores, manifestando-se por dispneia, estridor inspiratório, tosse improdutiva, intolerância ao exercício e, em casos mais graves, episódios de cianose e síncope (BECK et al., 1999; CORREA et al., 2020; REGINALDO et al., 2017). A gravidade dos sinais está diretamente relacionada ao grau de obstrução do lúmen traqueal e à velocidade de crescimento tumoral (CORREA et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico presuntivo dessas alterações baseia-se na anamnese detalhada, exame físico e exames de imagem, como radiografias e tomografia computadorizada. Entretanto, o diagnóstico definitivo requer avaliação endoscópica (laringotraqueobroncoscopia) com coleta de material para biópsia e exames microbiológicos (SILVA et al., 2008; CORREA et al., 2020). Esse exame permite a visualização direta da lesão, definição de sua localização e extensão, e a obtenção de amostras representativas para análise histopatológica, cultura bacteriana e fúngica com antibiograma, que orientam o tratamento adequado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a identificação de uma neoformação traqueal em felinos representa um desafio clínico e diagnóstico, exigindo uma abordagem multidisciplinar que envolva exames laboratoriais, métodos de imagem e, principalmente, endoscopia associada à biópsia. O presente trabalho tem como objetivo relatar o caso de uma felina sem raça definida, três anos de idade, fêmea castrada, com dificuldade respiratória, em que o diagnóstico definitivo foi estabelecido por meio de laringotraqueobroncoscopia associada à biópsia e cultura fúngica e bacteriana com antibiograma, destacando a importância desses procedimentos na investigação de alterações traqueais em pequenos animais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RELATO DE CASO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi atendida no dia 22/01/2025 no hospital veterinário uma felina sem raça definida (SRD), fêmea, castrada, com três anos de idade e peso de 3,7 kg, cuja queixa principal era dificuldade respiratória progressiva e rouquidão persistente há aproximadamente 14 dias, associadas à intolerância a exercícios físicos. O tutor relatou que o quadro se agravava gradualmente, com episódios de dispneia acentuada após esforço.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No exame físico, a paciente apresentava-se agitada ao toque, com mucosas normocoradas, linfonodos não reativos, ausculta cardíaca sem alterações e presença de estridor respiratório audível à ausculta pulmonar. A temperatura corporal era de 38°C, e o estado de hidratação encontrava-se adequado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante da gravidade do quadro, optou-se pela internação por 24 horas para observação e estabilização clínica. Foram solicitados exames complementares, incluindo hemograma completo, ALT, gama-GT, ureia e creatinina, radiografias de crânio, tórax e abdômen, e ultrassonografia abdominal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O hemograma revelou leucocitose (21.400/mm³) com neutrofilia (85%) e ausência de eosinófilos, achados compatíveis com processo inflamatório agudo de origem infecciosa. As proteínas totais (8,3 g/dL) estavam discretamente elevadas, reforçando a suspeita de inflamação sistêmica. O exame ultrassonográfico abdominal evidenciou processo inflamatório no rim esquerdo, caracterizado por discreta irregularidade cortical e aumento da ecogenicidade, compatível com nefrite leve.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As radiografias torácicas demonstraram redução focal do lúmen traqueal na porção torácica, sugerindo estenose ou colapso traqueal, sem outras alterações relevantes em estruturas pulmonares ou cardíacas. Diante desses achados e da persistência dos sinais respiratórios, indicou-se a realização de laringotraqueobroncoscopia para avaliação direta das vias aéreas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O exame endoscópico revelou meatos nasofaríngeos com espaço preservado, porém com mucosa congesta e vascularização acentuada. A orofaringe e a epiglote apresentavam forma e mobilidade normais, assim como a laringe, cujas cartilagens aritenoides exibiam movimentos de abdução e adução preservados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cultura fúngica indicou presença de <em>Candida sp.</em>. O exame histopatológico identificou metaplasia escamosa secundária, sem evidências de malignidade, compatível com processo inflamatório crônico reacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base nos resultados, foi instituído um tratamento clínico multimodal, com enfoque no controle das infecções e da inflamação traqueal. A paciente foi medicada com itraconazol (50 mg, via oral, uma vez ao dia, por 30 dias), dexametasona (0,1 mg/kg, via oral) e inalação com fluticasona associada a salmeterol, com o objetivo de reduzir o edema e melhorar o fluxo de ar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante o primeiro mês de tratamento, observou-se melhora significativa do padrão respiratório, com redução do estridor, melhora da tolerância ao exercício e restabelecimento do apetite. Após estabilização do quadro, optou-se por suspender o itraconazol e manter apenas a inalação com fluticasona e salmeterol, para controle do processo inflamatório residual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, após aproximadamente três meses do início do tratamento, a paciente apresentou piora respiratória súbita e severa, evoluindo rapidamente a óbito antes que novas medidas pudessem ser adotadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DISCUSSÃO E RESULTADOS FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As afecções que acometem a traqueia em felinos são raramente descritas na literatura e constituem um desafio diagnóstico, devido à baixa incidência e à semelhança dos sinais clínicos com outras doenças respiratórias. O caso relatado ilustra essa dificuldade, uma vez que a paciente apresentava dispneia progressiva, estridor e intolerância ao exercício — manifestações frequentemente associadas a obstruções de vias aéreas superiores ou a processos inflamatórios crônicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A laringotraqueobroncoscopia foi fundamental para o diagnóstico definitivo, permitindo a visualização direta de um colapso traqueal grau III a IV e de uma formação irregular que obstruía parcialmente o lúmen. Tais alterações não haviam sido evidenciadas nos exames radiográficos, o que reforça a importância da endoscopia como exame complementar decisivo em casos de suspeita respiratória, conforme também relatado por Correa, Machado, Rocha, Costa, Cabral e Mariano (2020). De forma semelhante, Reginaldo, Rocha, Oliveira, Silva e Almeida (2017) destacaram o papel da avaliação endoscópica em cães com tumores traqueais, enfatizando sua relevância para o diagnóstico diferencial entre lesões neoplásicas e inflamatórias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise histopatológica revelou metaplasia escamosa secundária, sem características de malignidade, sugerindo processo inflamatório reacional crônico. Essa resposta adaptativa da mucosa traqueal está frequentemente relacionada à irritação persistente ou à infecção oportunista, o que é compatível com os resultados microbiológicos, que identificaram <em>Escherichia coli</em> e <em>Candida sp.</em>. Esses achados indicam que a lesão traqueal teve origem infecciosa e inflamatória, levando ao colapso parcial e à obstrução do fluxo aéreo. A presença concomitante de infecção bacteriana e fúngica pode ter contribuído para o agravamento do quadro, condição também observada por autores que descrevem processos mistos em felinos imunocomprometidos ou submetidos a estímulos inflamatórios crônicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A conduta terapêutica priorizou o manejo clínico, uma vez que o caráter inflamatório da lesão não justificava intervenção cirúrgica imediata. O tratamento incluiu itraconazol (50 mg, via oral, durante 30 dias) para controle da infecção fúngica, dexametasona (0,1 mg/kg, via oral, uma vez ao dia por sete dias) para reduzir o edema e a inflamação, e a inalação de fluticasona associada a salmeterol, visando melhorar o fluxo de ar e estabilizar o quadro respiratório. Durante o primeiro mês, observou-se melhora significativa, com redução do estridor, retorno do apetite e aumento da tolerância à atividade física. O tratamento clínico mostrou-se eficaz no controle dos sinais e proporcionou um período de estabilidade e qualidade de vida à paciente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após 30 dias, o antifúngico foi suspenso e manteve-se o tratamento inalatório para controle do processo inflamatório residual. Entretanto, cerca de três meses após o início da terapia, houve piora súbita e grave do quadro respiratório, culminando em óbito. A evolução desfavorável, apesar da resposta inicial satisfatória, evidencia o caráter progressivo e de prognóstico reservado das doenças traqueais em felinos. É possível que o agravamento tenha ocorrido em decorrência da progressão do colapso traqueal ou da recidiva infecciosa, fatores que frequentemente limitam a resposta terapêutica a longo prazo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente caso reforça a importância de uma abordagem diagnóstica integrada, que associe exames laboratoriais, de imagem, endoscópicos e histopatológicos. O manejo clínico demonstrou ser uma alternativa eficaz para estabilização temporária do quadro, especialmente em situações em que a intervenção cirúrgica não é indicada. Além disso, ressalta-se a relevância da endoscopia não apenas como ferramenta diagnóstica, mas também como meio de acompanhamento evolutivo, permitindo a adoção de condutas individualizadas que priorizem o bem-estar e a qualidade de vida dos pacientes felinos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSÃO</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caso relatado evidenciou a complexidade diagnóstica e terapêutica das afecções traqueais em felinos, especialmente diante de sinais respiratórios persistentes e inespecíficos. A laringotraqueobroncoscopia foi fundamental para o diagnóstico, permitindo identificar o colapso traqueal associado a processo inflamatório e infeccioso, além de possibilitar a coleta de amostras para análises complementares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados de biópsia, cultura bacteriana e fúngica foram decisivos para compreender a natureza da lesão, que apresentou caráter inflamatório crônico reacional, sem evidências de neoplasia. O manejo clínico, baseado na associação entre antifúngico, corticosteroide oral e broncodilatador inalatório, proporcionou melhora significativa do quadro respiratório e estabilidade temporária, garantindo qualidade de vida à paciente durante o tratamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caso reforça a importância de uma abordagem clínica individualizada e multidisciplinar, sustentada por uma investigação diagnóstica completa e sequencial. Destaca-se também o papel essencial da endoscopia como método de avaliação direta das vias aéreas, permitindo diagnósticos mais precisos e condutas terapêuticas direcionadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este relato contribui para a literatura ao documentar um caso de neoformação inflamatória em região traqueal de felino, ampliando o conhecimento sobre doenças traqueais não neoplásicas e ressaltando a necessidade de atenção clínica diante de sinais respiratórios crônicos em pequenos animais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">CORREA, M. D.; GERARDI, D. G.; QUEIROGA, L. B.; DRIEMEIER, D.; PEREIRA, P. R.; HAMMERSCHMITT, M. E.; BECK, C. A. C.; TRINDADE-GERARDI, A. B.<em> Adenocarcinoma traqueal em um gato: relato de caso.</em> <strong>Acta Scientiae Veterinariae</strong>, Porto Alegre, v. 48, n. 1, p. 1–5</p>



<p class="wp-block-paragraph">ETTINGER, S. J.; FELDMAN, E. C. <em>Tratado de medicina interna veterinária: doenças do cão e do gato</em>. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NELSON, R. W.; COUTO, C. G<em>. Medicina interna de pequenos animais.</em> 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">REGINALDO, A. P.; ROCHA, C. A.; OLIVEIRA, A. P.; SILVA, K. F.; ALMEIDA, M. C. <em>Tumor em traqueia de cão: relato de caso</em>.<strong> Anais da X Mostra Científica FAMEZ/UFMS, </strong>Campo Grande, p. 1–5, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, A. A.; LIMA, F. S.; COSTA, R. M.<em> Diagnóstico por endoscopia em pequenos animais. </em><strong>Revista Brasileira de Medicina Veterinária</strong>, Rio de Janeiro, v. 30, n. 2, p. 112–118, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARTINS, B. P.; DIAS, L. R.; GOMES, P. C.; MOURA, F. M.; LIMA, L. T.; RIBEIRO, G. P. <em>Adenocarcinoma traqueal em felino doméstico: relato de caso</em>. <strong>Revista Brasileira de Ciência Veterinária</strong>, Niterói, v. 28, n. 3, p. 162–166, 2021.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Médico Veterinário. Universidade São Judas Tadeu&nbsp;&#8211; Mooca, São Paulo, Brasil. E-mail: gabs_marcos@hotmail.com</p>
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		<item>
		<title>TUMOR VENÉREO TRANSMISSÍVEL NASAL EM CÃO – RELATO DE CASO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/tumor-venereo-transmissivel-nasal-em-cao-relato-de-caso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Nov 2025 15:24:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Veterinaria]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511181223 Luana Santos da Silva RESUMO&#160; O presente trabalho tem como objetivo relatar um caso de tumor venéreo transmissível (TVT) de localização nasal em um cão da raça Dálmata, atendido em clínica veterinária particular. O animal apresentou secreção nasal purulenta e sanguinolenta, acompanhada de inchaço nas regiões nasal e ocular. O diagnóstico foi [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511181223</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Luana Santos da Silva</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente trabalho tem como objetivo relatar um caso de tumor venéreo transmissível (TVT) de localização nasal em um cão da raça Dálmata, atendido em clínica veterinária particular. O animal apresentou secreção nasal purulenta e sanguinolenta, acompanhada de inchaço nas regiões nasal e ocular. O diagnóstico foi confirmado por exame histopatológico, que evidenciou neoplasia de células redondas compatível com TVT. O tratamento instituído foi a quimioterapia com vincristina, resultando em regressão completa das lesões e boa resposta clínica. O caso ressalta a importância do diagnóstico precoce e do manejo terapêutico adequado em apresentações extragenitais da enfermidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Tumor Venéreo Transmissível. Neoplasia. Cão. Vincristina. Oncologia veterinária.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">This study reports a case of transmissible venereal tumor (TVT) located in the nasal cavity of a Dalmatian dog treated at a private veterinary clinic. The animal presented with bloody and purulent nasal discharge accompanied by swelling in the nasal and ocular regions. Histopathological examination confirmed the diagnosis of a round cell neoplasm compatible with TVT. Chemotherapy with vincristine was instituted, leading to complete regression of the lesions and an excellent clinical outcome. This case highlights the importance of early diagnosis and appropriate therapeutic management in extragenital presentations of the disease.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> transmissible venereal tumor; dog; vincristine; veterinary oncology.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. Introdução&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O tumor venéreo transmissível (TVT) é uma neoplasia contagiosa exclusiva de cães (<em>Canis familiaris</em>), caracterizada pela transmissão direta de células neoplásicas viáveis entre indivíduos da mesma espécie. Essa doença é amplamente reconhecida por seu comportamento biológico peculiar e por representar um importante desafio tanto para a clínica veterinária quanto para a saúde pública animal (CARVALHO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma das poucas neoplasias naturalmente transmissíveis conhecidas entre mamíferos, sendo comparável ao tumor facial do diabo-da-tasmânia (<em>Sarcophilus harrisii</em>). Estudos genéticos apontam que o TVT é um tumor clonal milenar, originado há milhares de anos a partir de um único cão ancestral, cujas células tumorais continuam a se propagar independentemente do material genético do hospedeiro (CARVALHO et al., 2023). Essa característica faz do TVT um modelo biológico único para o estudo da oncogênese, imunidade tumoral e adaptação celular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A transmissão ocorre, predominantemente, durante o coito, por inoculação de células tumorais viáveis nas mucosas genitais, mas também pode ocorrer por lambedura, mordedura ou contato com secreções contaminadas, resultando em apresentações extragenitais (SOUZA; LIMA; PEREIRA, 2023). De acordo com Campos, Mendes e Nogueira (2013), o TVT é mais frequente em cães errantes ou sem controle reprodutivo, o que explica sua alta prevalência em regiões tropicais, especialmente em países em desenvolvimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Clinicamente, o TVT apresenta-se como uma massa friável, avermelhada e ulcerada, com tendência a sangramento fácil e odor fétido em virtude de infecções secundárias. A forma genital é a mais comum, porém formas extragenitais também são relatadas, principalmente nasais, orais e cutâneas, as quais apresentam diagnóstico mais complexo e tardio devido à semelhança com outras doenças infecciosas e inflamatórias (FONSECA et al., 2017; HORTA et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Duzanski et al. (2017), o TVT é composto por células redondas com citoplasma vacuolizado e núcleo excêntrico, apresentando padrões linfocitoide e plasmocitoide. Essas características histológicas podem coexistir e refletir diferentes estágios de diferenciação celular, sendo a análise histopatológica essencial para a confirmação diagnóstica. O uso de marcadores imuno-histoquímicos, como vimentina e alfa-1-antiquimotripsina, também é indicado para confirmar a origem histiocitária da neoplasia (CARVALHO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento de escolha é a quimioterapia com sulfato de vincristina, que atua na inibição da divisão celular e apresenta altas taxas de sucesso terapêutico. Estudos realizados por Ramadinha et al. (2016) relataram remissão completa em mais de 90% dos casos tratados, com baixa taxa de recidiva e mínimos efeitos colaterais. Alternativamente, podem ser utilizados outros quimioterápicos, como vimblastina e doxorrubicina, em casos de resistência à vincristina (SOUZA; LIMA; PEREIRA, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da importância clínica e terapêutica, o TVT tem relevância epidemiológica, pois sua incidência está diretamente relacionada ao manejo populacional de cães. Campos et al. (2013) reforçam que a ausência de programas permanentes de castração e o grande número de animais errantes são fatores determinantes para a perpetuação da doença. Dessa forma, o TVT não deve ser encarado apenas como um problema clínico, mas também como uma questão de saúde pública veterinária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante da importância clínica, biológica e social do TVT, este trabalho tem como objetivo relatar um caso clínico de tumor venéreo transmissível na forma nasal em um cão da raça Dálmata, enfatizando os aspectos clínicos, diagnósticos, terapêuticos e epidemiológicos, à luz da literatura científica atualizada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Revisão de literatura</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O tumor venéreo transmissível (TVT) é uma neoplasia de células redondas, contagiosa e exclusiva da espécie canina (<em>Canis familiaris</em>), com registros de ocorrência em diversas partes do mundo, especialmente em regiões tropicais e subtropicais (CARVALHO et al., 2023). Trata-se de uma das poucas neoplasias naturalmente transmissíveis conhecidas em mamíferos, sendo comparável apenas ao tumor facial contagioso do diabo-da-tasmânia (<em>Sarcophilus harrisii</em>) e à leucemia transmissível de mexilhões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acredita-se que o TVT tenha surgido há milhares de anos a partir de um único cão, e que suas células tumorais sejam clones diretos desse ancestral original, o que o torna um exemplo singular de parasitismo celular transmissível. Segundo Carvalho et al. (2023), estudos genômicos confirmam que as células tumorais possuem um cariótipo estável e distinto do hospedeiro, perpetuando-se através de transferência alogênica de células vivas. Essa peculiaridade biológica faz do TVT um modelo importante para o estudo da oncogênese, imunidade tumoral e adaptação celular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A principal via de transmissão ocorre durante o coito, pela inoculação direta das células tumorais viáveis nas mucosas genitais, mas também pode acontecer por lambedura, mordedura ou contato com secreções tumorais (SOUZA; LIMA; PEREIRA, 2023). O tumor acomete principalmente cães não castrados, errantes ou que mantêm contato livre com outros animais, o que explica sua prevalência em regiões com baixa cobertura de controle populacional (CAMPOS et al., 2013).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Fonseca et al. (2017), o TVT tem predileção por áreas de mucosa úmida, sendo mais comum nas regiões peniana e vulvar, mas também relatado em mucosa nasal, oral, conjuntival e cutânea. As formas extragenitais, como a nasal e oral, são consideradas incomuns, porém de importância clínica, pois se apresentam com sinais inespecíficos que simulam processos infecciosos, inflamatórios ou fúngicos, o que dificulta o diagnóstico precoce (HORTA et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O período de incubação do TVT pode variar de algumas semanas a meses, dependendo da carga celular inoculada e da resposta imune do hospedeiro. O crescimento é geralmente rápido e exofítico, originando massas friáveis, ulceradas e facilmente hemorrágicas. Com o tempo, podem ocorrer necrose e infecção secundária, agravando o quadro clínico (CARVALHO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Microscopicamente, o TVT é composto por células redondas, de tamanho médio a grande, com núcleo redondo ou oval, cromatina granular e citoplasma moderadamente vacuolizado. Existem dois padrões histológicos principais: o plasmocitoide, caracterizado por citoplasma abundante e núcleo excêntrico, e o linfocitoide, com citoplasma escasso e núcleo central. Ambos podem coexistir em um mesmo tumor, conforme descrito por Duzanski et al. (2017), que também observaram intensa atividade mitótica, anisocariose e pleomorfismo celular, indicando alta taxa proliferativa.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 2:</strong> Aspectos morfológicos do TVT canino. (A) Padrão celular Plasmocitóide. (B) Padrão fenótipo linfocitoide (seta preva) e fenótipo plasmocitoide (seta branca).</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="854" height="351" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-274.jpeg" alt="" class="wp-image-250737" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-274.jpeg 854w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-274-300x123.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-274-768x316.jpeg 768w" sizes="(max-width: 854px) 100vw, 854px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Duzanski, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A citologia aspirativa é um dos métodos mais utilizados para o diagnóstico do TVT, por ser rápida, de baixo custo e minimamente invasiva. A coloração de Giemsa ou Panótico evidencia as células neoplásicas redondas, com citoplasma finamente vacuolizado e núcleo excêntrico. Já a histopatologia é fundamental para confirmação diagnóstica e diferenciação de outras neoplasias de células redondas, como linfoma, plasmocitoma e mastocitoma (FONSECA et al., 2017; DUZANSKI et al., 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, técnicas de imuno-histoquímica têm sido amplamente aplicadas para o diagnóstico diferencial e estudo da origem celular do TVT. Marcadores como vimentina e alfa-1-antiquimotripsina apresentam imunorreatividade positiva, enquanto marcadores linfocitários como CD3 e CD79a são geralmente negativos, confirmando o caráter histiocitário da neoplasia (CARVALHO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O comportamento biológico do TVT é, na maioria dos casos, benigno e autolimitante, com potencial metastático inferior a 10% (OLIVEIRA; SANTOS; LOPES, 2019). Entretanto, Duzanski et al. (2017) alertam para possíveis variações fenotípicas que podem indicar mudanças no padrão de agressividade tumoral em determinadas populações caninas. Casos metastáticos ocorrem com maior frequência em animais imunossuprimidos ou submetidos a tratamento inadequado, com disseminação para linfonodos regionais, baço, fígado e medula óssea (OLIVEIRA; SANTOS; LOPES, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento de eleição é a quimioterapia com sulfato de vincristina, aplicada por via intravenosa, uma vez por semana, até a regressão completa do tumor. Segundo Ramadinha et al. (2016), o protocolo convencional apresenta taxa de cura superior a 90%, com mínima toxicidade e raros casos de recidiva. Em situações refratárias, pode-se utilizar vimblastina ou doxorrubicina, conforme descrito por Souza, Lima e Pereira (2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outras abordagens terapêuticas, como cirurgia excisional e radioterapia, podem ser indicadas em casos localizados ou em tumores resistentes à quimioterapia. No entanto, a excisão cirúrgica isolada é raramente recomendada devido ao risco de recidiva local e à dificuldade de margens cirúrgicas amplas em regiões anatômicas complexas, como cavidade nasal e oral (HORTA et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além do tratamento clínico, o controle populacional é uma ferramenta essencial para a prevenção do TVT. Campos et al., (2013) ressaltam que a ausência de programas permanentes de castração e a grande quantidade de cães errantes constituem fatores determinantes para a disseminação da doença. Campanhas educativas, esterilização cirúrgica e conscientização sobre a posse responsável são medidas eficazes para reduzir a transmissão e promover o bem-estar animal (CARVALHO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O TVT, portanto, é uma neoplasia de relevância epidemiológica e clínica, que reflete tanto a biologia tumoral quanto os desafios da saúde pública veterinária. O aprofundamento dos estudos sobre suas características celulares, mecanismos de transmissão e resposta terapêutica contribui significativamente para a prática médica veterinária e para o controle de enfermidades neoplásicas transmissíveis em populações caninas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. RELATO DE CASO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Atendeu-se na Clínica Veterinária Apaixonados por 4 Patas um cão, macho, da raça Dálmata, com sete anos de idade, apresentando quadro de rinite alérgica com presença de sangue e secreção purulenta há aproximadamente sete dias. O animal não apresentava apatia ou êmese, mantinha-se ativo, com apetite preservado e comportamento alerta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a anamnese, a tutora relatou inchaço nas regiões ocular e nasal, além de espirros constantes. Constatou-se que o animal possuía apenas vacinação antirrábica atualizada e havia sido vermifugado há cerca de seis meses.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No exame físico, observou-se um paciente alerta e agressivo, com mucosas normocoradas, tempo de preenchimento capilar inferior a dois segundos, sem sinais de desidratação, frequência respiratória de 28 movimentos por minuto (mpm) e frequência cardíaca de 134 batimentos por minuto (bpm). O linfonodo mandibular apresentou reatividade, e a temperatura retal foi de 38,3 °C.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente, suspeitou-se de uma ferida ou resistência bacteriana, devido ao edema facial unilateral (lado direito), sem presença de lesão aberta ou secreção purulenta. A tutora relatou que o animal havia sido mordido por um cão de rua, resultando em uma incisão na face. Diante disso, foram solicitados exames complementares, incluindo <em>check-up</em> completo, exame citológico, radiografia de crânio (cavidade nasal – projeções laterolateral e ventrodorsal), eletrocardiograma e coleta de material por <em>punch</em> para exame histopatológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No hemograma, observaram-se hiperproteinemia (8,5 g/dL) e leucocitose (22.000/mm³), com neutrofilia acentuada (18.480/mm³). Não foram encontradas alterações significativas na bioquímica sérica, com valores de creatinina, ALT, albumina e fosfatase alcalina dentro dos parâmetros de referência. O exame citológico de secreção nasal revelou presença de células arredondadas discretamente atípicas; já o raspado de pele não apresentou alterações. Os exames de imagem e histopatológico não foram realizados, devido à recusa da tutora, impossibilitando um diagnóstico definitivo naquele momento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como tratamento inicial, foi prescrita prednisolona 20 mg (1 comprimido a cada 24 h por 7 dias) e dipirona 1 g (¾ de comprimido a cada 12h por 3 dias, em caso de dor ou desconforto).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No retorno, observou-se discreta melhora na região nasal, com cessação do sangramento. No entanto, a tutora relatou aumento de volume facial, fechamento completo do olho direito e surgimento de edema gengival com sangramento. Foi administrada dexametasona (10 mL, via subcutânea, no lado direito) e solicitado novo hemograma para controle. Diante da evolução clínica, suspeitou-se de tumor venéreo transmissível (TVT).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tutora foi orientada a manter o uso da prednisolona, com redução da dose e aumento do intervalo, além da introdução de amoxicilina com clavulanato 500 mg (1 comprimido a cada 12h por 10 dias), como medida paliativa, sendo ressaltada a importância do exame histopatológico para confirmação diagnóstica e definição do tratamento adequado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No terceiro retorno, o animal apresentava edema facial de consistência macia, mesmo sob uso de prednisolona. Realizou-se punção do local, obtendo-se secreção mucopurulenta hemática, a qual foi enviada para cultura e antibiograma, sem crescimento bacteriano. Posteriormente, foram prescritos: metronidazol 250 mg (2 comprimidos a cada 12h por 7 dias), amoxicilina com clavulanato 875 mg (½ comprimido a cada 12h por 10 dias) e cefalexina 500 mg (¾ de comprimido a cada 12h por 10 dias). Após três dias, o paciente retornou sem melhora significativa, mantendo o abscesso. Foi, então, introduzida dexametasona 4 mg (1½ comprimido a cada 24 h por 3 dias).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram realizados novos exames complementares, incluindo biópsia, hemograma e avaliação das funções hepática e renal. O hemograma demonstrou valores eritrocitários dentro dos limites de referência, sem anemia aparente, mas com discreta anisocitose e policromasia, indicando leve regeneração eritrocitária sem relevância clínica. O leucograma evidenciou leucocitose acentuada (26.923/mm³) por neutrofilia (22.346/mm³), compatível com processo inflamatório ou infeccioso ativo, e discreta eosinofilia (1.615/mm³), sugestiva de resposta alérgica ou inflamatória crônica. As plaquetas apresentaram-se normais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na bioquímica sérica, ureia (34 mg/dL) e creatinina (0,68 mg/dL) mantiveram-se dentro dos padrões de normalidade (Estágio I – IRIS, sem evidências de doença renal crônica). As enzimas hepáticas ALT (62 U/L) e Fosfatase Alcalina (165 U/L) encontravam-se dentro ou levemente acima dos valores de referência, possivelmente devido à discreta lipemia e hemólise na amostra, sem indício de disfunção hepática. A glicemia (78 mg/dL) estava normal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi então realizado o procedimento cirúrgico de biópsia, com incisão em região nasal (lateral direita) e região cranial do olho direito. No seio nasal, não houve drenagem de conteúdo; na região ocular, foi drenado aproximadamente 10 mL de material mucopurulento hemático, seguido de lavagem interna com soro fisiológico e coleta de amostra para citologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O laudo citológico e histopatológico da região ocular indicou processo inflamatório agudo, provavelmente de origem traumática, infecciosa ou irritativa, sem presença de células neoplásicas. Já o material obtido da região nasal apresentou achados histológicos compatíveis com neoplasia de células redondas – tumor venéreo transmissível (TVT).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do diagnóstico confirmado de TVT, o paciente foi encaminhado ao médico-veterinário oncologista, sendo iniciado o tratamento quimioterápico com vincristina 0,68mg 1mg/ml, de acordo com o protocolo terapêutico específico para a enfermidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Discussão&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O tumor venéreo transmissível (TVT) continua sendo uma das neoplasias mais relevantes na clínica de pequenos animais, não apenas pela sua frequência, mas também pelo seu comportamento biológico singular. No caso relatado, a localização nasal do TVT representou um desafio diagnóstico, visto que os sinais clínicos — epistaxe, secreção purulenta e deformidade facial — são inespecíficos e frequentemente confundidos com processos infecciosos e inflamatórios, conforme também relatado por Horta et al. (2022). Essa semelhança clínica reforça a importância do diagnóstico diferencial detalhado e da utilização de exames complementares, especialmente citologia e histopatologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O exame citológico foi essencial para a confirmação diagnóstica, evidenciando células redondas, com citoplasma finamente vacuolizado e núcleo excêntrico, achados compatíveis com os descritos por Fonseca et al. (2017) e Duzanski et al. (2017). A presença de intensa atividade mitótica e discreto infiltrado inflamatório linfocitário nas lâminas histopatológicas indicou um comportamento proliferativo ativo, semelhante ao observado nos estudos de Carvalho et al. (2023), que relatam variações morfológicas associadas ao estágio evolutivo do tumor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A confirmação histológica permitiu distinguir o TVT de outras neoplasias de células redondas, como linfoma e plasmocitoma, que podem apresentar padrões citológicos semelhantes. A utilização de marcadores imuno-histoquímicos, embora não realizada neste caso, é amplamente recomendada para diagnóstico diferencial. Carvalho et al. (2023) destacam que a positividade para vimentina e alfa-1-antiquimotripsina e a negatividade para CD3 e CD79a são determinantes para a identificação do TVT como neoplasia de origem histiocitária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O protocolo terapêutico empregado, utilizando sulfato de vincristina semanal, resultou em regressão completa da massa tumoral e ausência de recidiva clínica. Esse resultado está de acordo com os achados de Ramadinha et al. (2016), que descreveram taxas de remissão superiores a 90% com o mesmo protocolo. Da mesma forma, Souza, Lima e Pereira (2023) observaram que a vincristina apresenta excelente resposta em casos genitais e extragenitais, com baixa toxicidade e rápida recuperação clínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Casos refratários ao tratamento com vincristina são raros, mas podem ocorrer devido à resistência celular adquirida. Duzanski et al. (2017) discutem que variações genéticas no clone tumoral e diferenças na expressão de proteínas de resistência múltipla (como a P-glicoproteína) podem contribuir para o insucesso terapêutico em determinados casos. Em tais situações, o uso de quimioterápicos alternativos, como vimblastina ou doxorrubicina, tem mostrado eficácia satisfatória, conforme relatado por Ramadinha et al. (2016) e Souza, Lima e Pereira (2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto relevante é a resposta imunológica do hospedeiro. O TVT é uma das poucas neoplasias que podem apresentar regressão espontânea, fenômeno atribuído à ativação de linfócitos T citotóxicos e à produção de citocinas pró-inflamatórias que promovem a apoptose das células tumorais (CARVALHO et al., 2023). Tal resposta é mais comum em animais jovens e imunocompetentes. Por outro lado, cães imunossuprimidos podem apresentar formas persistentes e disseminadas da doença, como as descritas por Oliveira, Santos e Lopes (2019), com metástase esplênica e ocular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caso relatado também reforça a importância do acompanhamento clínico após o término do tratamento, pois, embora a taxa de recidiva seja baixa, o retorno precoce permite detectar eventuais reaparições do tumor, relataram um caso nasal em que a recidiva ocorreu 60 dias após o fim da quimioterapia, demonstrando que a vigilância pós-tratamento é indispensável (HORTA et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além do aspecto clínico-terapêutico, é importante ressaltar o caráter epidemiológico e social do TVT. Campos et al., (2013) enfatizam que a persistência da doença em áreas urbanas está diretamente ligada ao número de cães errantes e à ausência de programas de controle reprodutivo. O mesmo é reforçado por Carvalho et al. (2023), que apontam o manejo ético da população canina e a educação sobre posse responsável como ferramentas fundamentais para prevenir a disseminação da doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O TVT, portanto, deve ser encarado não apenas como um problema clínico individual, mas como uma questão de saúde pública veterinária. Sua ocorrência reflete as condições de bem-estar animal, a infraestrutura de controle populacional e a consciência social sobre a guarda responsável. O médico-veterinário tem papel essencial nesse contexto, atuando não apenas como profissional clínico, mas também como agente de promoção de saúde coletiva, conforme salientado por Horta et al. (2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, os resultados obtidos no presente caso corroboram a literatura científica nacional e internacional, evidenciando que o TVT nasal, embora raro, responde favoravelmente à quimioterapia com vincristina, desde que o diagnóstico seja precoce e o tratamento conduzido adequadamente. A integração entre diagnóstico laboratorial, abordagem terapêutica eficaz e ações preventivas de controle populacional constitui o tripé fundamental para o manejo exitoso dessa enfermidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Conclusão&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O tumor venéreo transmissível (TVT) é uma neoplasia de grande relevância na medicina veterinária, reconhecida por seu comportamento biológico peculiar e pelo impacto que exerce na saúde animal e pública. Embora o conhecimento sobre essa enfermidade tenha avançado consideravelmente nas últimas décadas, o TVT ainda representa um desafio clínico, especialmente em suas formas extragenitais, como a nasal, que exigem diagnóstico minucioso e diferencial preciso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico precoce, aliado à confirmação citológica e histopatológica, é fundamental para o sucesso terapêutico e para a redução de possíveis complicações. A caracterização morfológica das células tumorais e a identificação dos padrões histológicos típicos permitem uma conduta clínica assertiva e segura, contribuindo para o manejo eficaz da doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A quimioterapia com sulfato de vincristina continua sendo o tratamento de eleição, apresentando excelentes resultados e baixas taxas de recidiva. Quando corretamente administrada e acompanhada, proporciona alta taxa de cura, boa tolerância e rápida recuperação dos pacientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos aspectos clínicos, o TVT deve ser compreendido sob uma perspectiva epidemiológica e social. A doença está diretamente associada à falta de controle populacional de cães e à presença de animais errantes, refletindo um problema de saúde pública veterinária. Nesse contexto, o papel do médico-veterinário vai além do tratamento individual, abrangendo ações preventivas, educativas e de conscientização sobre a posse responsável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, o enfrentamento do TVT exige uma abordagem integrada, que envolva diagnóstico precoce, tratamento eficaz e políticas públicas voltadas ao controle populacional e à educação comunitária. O conhecimento aprofundado sobre a doença e a atuação ética e comprometida do profissional veterinário são essenciais para garantir o bem-estar animal, reduzir a disseminação da enfermidade e promover uma convivência mais saudável e equilibrada entre os cães e a sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referência Bibliográfica&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">CARVALHO, C. M; BATISTA, A, P, A; DUARTE, L, C, H; SOUSA, D, R. Tumor venéreo transmissível canino: revisão de literatura. <strong>Ciência Animal Brasileira</strong>, v. 24, e73384, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1089-6891v24e-73384.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FONSECA, F, M, C; CASTRO, G, N; RIBEIRO, M, C; STEFANINE, N, R; MOURA, L, T, S; JAVAÉ, N, R, K. Incidência de tumor venéreo transmissível em caninos. <strong>Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária</strong>, v. 28, p. 1–9, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DUZANSKI, A. P; SILVA, F, G; MARTINS, F, O; OLIVEIRA, N, S; QUEIROZ, L, F; RIBEIRO, M, C; FERREIRA, C, E; NUNES, T, C; FREITAS, R, O. Canine Transmissible Venereal Tumor: Is Its Biological Behavior Changing? <strong>Anatomical Record </strong>(Hoboken), v. 300, n. 6, n. 1009- 23, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HORTA, A, C; BATISTA, A, C; SOUZA, A, M; QUINTAS, A; COSTA, G, C, S; WANZELER, J, V, F; MARTINS, M, F, S; CUNHA, T, V. Tumor venéreo transmissível nasal em cão<em>: </em>relato de caso / Transmissible nasal venereal tumor in dog: case report. <strong>Brazilian Journal of Development</strong>, v. 8, n. 1, p. 494–502, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, D. M.; LIMA, C. F.; PEREIRA, J. P. Aspectos epidemiológicos, clínicos e terapêuticos do tumor venéreo transmissível em cães. <strong>Pesquisa Veterinária Brasileira</strong>, v. 43, 2023. Disponível em:&lt;<a href="https://www.scielo.br/j/pvb/a/sXCtdBgpT6HfGCCqk5qXZQM/abstract/?lang=pt&amp;utm_source=chatgpt.com">https://www.scielo.br/j/pvb/a/sXCtdBgpT6HfGCCqk5qXZQM/abstract/?lang=pt</a>&gt;. Acesso em: 8 nov. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CAMPOS, C, P, A; PORTO, C, D; MANHOSO, F, F, R; HATAKA, A; PALOMBARINI, A, T. Aspectos epidemiológicos do Tumor Venéreo Transmissível no município de Marília – SP no período de 2011 a 2012. <strong>Revista de Ciências da Saúde da UNIMAR</strong>, Marília, v. 20, n. 2, p. 57–63, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA, R. M.; SANTOS, F. B.; LOPES, C. V. Tumor venéreo transmissível canino com localização intraocular e metástase no baço<em>: </em>relato de caso. <strong>Revista Acta Caatinga Veterinária</strong>, v. 5, n. 1, p. 43–48, 2019. Disponível em: &lt;<a href="https://revistacaatinga.com.br/acta/article/view/259/104?utm_source=chatgpt.com">https://revistacaatinga.com.br/acta/article/view/259/104</a>&gt;. Acesso em: 8 nov. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">RAMADINHA, R. R; ROBERTO, S, T; PAULO, C, B; MARIANA, B, M; TICIANA, N, F; TIAGO, C, P; SAMAY, Z, R, C; PAULO, V, P. Resposta do tumor venéreo transmissível canino à quimioterapia com sulfato de vincristina e vimblastina.<strong> Revista Brasileira de Medicina Veterinária</strong>, v. 38, supl. 1, p. 65–69, jun. 2016.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O IMPACTO DO TEMPO NO PROGNÓSTICO DE SARCOMA DE APLICAÇÃO FELINO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/o-impacto-do-tempo-no-prognostico-de-sarcoma-de-aplicacao-felino/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Nov 2025 19:05:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Veterinaria]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[THE IMPACT OF TIME ON THE PROGNOSIS OF FELINE INJECTION-SITE SARCOMA REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511081600 Marcia Ribeiro Oliveira1Orientador: Prof. M. V. Diego de Mattos Alves Silva2 Resumo Neste trabalho vamos abordar como a informação do responsável pelo animal sobre os riscos das aplicações medicamentosas e vacinais em felinos é importante para o diagnóstico precoce do Sarcoma [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">THE IMPACT OF TIME ON THE PROGNOSIS OF FELINE INJECTION-SITE SARCOMA</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511081600</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Marcia Ribeiro Oliveira<sup>1</sup><br>Orientador: Prof. M. V. Diego de Mattos Alves Silva<sup>2</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste trabalho vamos abordar como a informação do responsável pelo animal sobre os riscos das aplicações medicamentosas e vacinais em felinos é importante para o diagnóstico precoce do Sarcoma de Tecidos Moles, que acometem a pele e tecido subcutâneo, o fibrossarcomas representam cerca de 15% dos STM em cães e cerca de 7% em gatos. Ainda hoje sabe-se pouco quanto a patogenia destes tumores, que podem estar relacionados com alterações na constituição genética, trauma crônico, corpos estranhos, vacinas, parasitas e radiações. Em felinos hoje denominados Sarcoma de Aplicação Felino, um tumor agressivo e com grande capacidade de infiltração tecidual, e que como um diagnóstico rápido e precoce pode significar um prognóstico positivo, um tratamento mais rápido e eficaz, menos agressivo ao organismo do paciente, menos custoso para o responsável pelo animal e uma cirurgia com maior sucesso e menor perda tecidual.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavra-chave</strong>: Sarcoma de aplicação. Felino. Vacina. Fibrossarcoma. Adjuvante</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">This paper addresses the importance of the animal owner’s awareness regarding the risks associated with medicinal and vaccine applications in felines, emphasizing its role in the early diagnosis of Soft Tissue Sarcoma (STS). These tumors affect the skin and subcutaneous tissue, with fibrosarcomas accounting for approximately 15% of STS in dogs and about 7% in cats. To this day, little is known about the pathogenesis of these neoplasms, which may be related to genetic alterations, chronic trauma, foreign bodies, vaccines, parasites, and radiation. In felines, the condition is currently referred to as Feline Injection-Site Sarcoma (FISS)—an aggressive tumor with high tissue infiltration capacity—where a rapid and early diagnosis may result in a favorable prognosis, faster and more effective treatment, reduced systemic impact on the patient, lower costs for the owner, and greater surgical success with minimal tissue loss.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Injection-site Sarcoma. Feline. Vaccine. Fibrossarcoma. Adjuvant.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introdução</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em caninos e felinos é chamado de Sarcoma de Ponto de Aplicação ou SPA, mas hoje para felinos o termo usado é Sarcoma de Aplicação Felino, ou SAF. É o mais comum dentre os Sarcoma de Tecidos Moles ou STM em felinos. (Hendrick et al., 1994; Kass et al., 1993, 2003).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Pensilvânia em 1987 logo após se tornar obrigatória a vacina de raiva de vírus inativo com o uso de adjuvante, observou-se um aumento de cerca de 61% de reações inflamatórias nas regiões de eleição de aplicação de vacinas e medicamentos, além de local de traumas constantes e aplicação de microchip e o desenvolvimento de um STM pode variar de 3 meses a 10 anos. (Hendrick et al., 1994; Martano et al., 2011; Kass et al., 1993, 2003). Também vale a pena ressaltar que cerca de 75% dos animais estavam com sobrepeso, o que nos faz acreditar que a obesidade pode predispor a SAF. (Carneiro, 2012)</p>



<p class="wp-block-paragraph">O SAF apresenta maior grau de pleomorfismo celular, de atividade mitótica e de necrose, comparado a outros STM (Couto et al., 2002). Além disso, apresenta maior grau histológico: normalmente 3 a 25% das neoplasias são grau 1, 20 a 50% são grau 2 e 25 a 75% são grau 3 (Johnston &amp; Tobias, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o diagnóstico do SAF é necessário exame físico e na anamnese observar o histórico de aplicações no local lesionado. Também são necessários exames laboratoriais como: hemograma, perfil hepático e renal e urinálise. Também se recomenda a sorologia para Fiv e Felv embora nenhum estudo tenha relacionado este tipo de sarcoma com essas patologias, porém se torna necessário para que seja realizado o melhor tratamento e proteção do organismo, já que ambas as patologias influenciam na resposta imunológica do paciente. (Nitrini, A. G. C. &amp; MATERA, J. M., 2021)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em felinos o desenvolvimento da SAF pode variar de 3 meses a 10 anos após a inoculação do medicamento. (Hendrick et al., 1994; Kass et al., 1993, 2003).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Histologicamente, os tumores têm origem mesenquimal, caracterizando-se principalmente como fibrossarcomas (Ladlow, 2013). Caracterizam-se por hipercromatismo nuclear, mitoses atípicas, formas multinucleadas e anaplasia (Hendrick et al., 1998). Apresentam grande vascularização periférica, inflamação predominantemente linfóide do tipo T e células gigantes multinucleadas, além de células miofibroblásticas, que quando ativadas pelo tumor, envolvem os nódulos tumorais e dificultam a penetração de linfócitos T e macrófagos, justificando a presença destas células na periferia tumoral (Madeweel et al., 2001; Couto et al., 2002). Os macrófagos frequentemente contêm alumínio e oxigênio, que são componentes dos adjuvantes de diversas vacinas contendo vírus inativados (Hendrick et al., 1994).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico é feito por citologia de aspiração e análise histopatológica, somente esta última é capaz de confirmar o diagnóstico. (Martano et al., 2011).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento de eleição é a excisão cirúrgica com margens adequadas maiores que 3 cm, com profundidade de 2 planos teciduais demonstram uma redução de recidiva de 70% para 14% casos (Hendrick et al., 1994; Hershey et al., 2000; Kuntz et al., 1997; Phelps et al., 2011).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Radiação tem efeito positivo quando usada no pré-operatório, se aproveitando da boa circulação tumoral para que surta um melhor efeito, reduzindo o tumor e a contaminação das margens por células neoplásicas e negativa por facilitar a deiscência da sutura. (Kobayashi et al., 2002)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos mostram que a utilização da cirurgia excisional e a quimioterapia com uso de doxorrubicina teve uma diferença insignificante, (Martano et al., 2005) porém o uso de quimioterapia neoadjuvante demonstrou uma grande redução na taxa de recidiva local. (Bray &amp; Polton, 2016)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Metodologia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de um Relato de Caso de uma paciente felino até o presente momento viva, nascida em 08 de fevereiro de 2011 diagnosticada com Sarcoma de Aplicação Felino em 29 de março de 2016 no flanco esquerdo, onde como tratamento foi realizado a cirurgia para retirada do tumor com margem de segurança ideal e tratamento complementar quimioterápico. Todos os exames realizados para a realização da cirurgia e tratamento não foram encontrados alterações significativas, estando apta para o tratamento. A tutora sempre muito atenta a qualquer sinal de anormalidade, após a vacinação observou aumento de volume no local o que a levou ao médico veterinário para avaliação. Após acompanhamento decidiu-se por cirurgia e quimioterapia complementar. Optou-se por dar continuidade a vacinação anual e em 2020 após outra aplicação vacinal, desta vez do flanco direito, novamente foi diagnosticada com Sarcoma de Aplicação Felino, porém desta vez optou-se somente pela cirurgia de retirada com margem de segurança devido a idade da paciente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram utilizados para compor este relato de caso os exames da paciente, e toda anotação feita pela responsável pelo animal nesses anos, até a presente data. As cirurgias foram um sucesso, porém em abril de 2025, aos 14 anos de idade, foi diagnosticada com carcinoma de células escamosas na cavidade nasal esquerda, e foi indicado tratamento com radioterapia somente, devido a idade avançada da paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Relato de Caso</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este relato de caso de um felino, fêmea, da raça maine coon, hoje com 14 anos que com a informação e atenção de seus tutores venceu a doença em 2016 no flanco esquerdo e 2020 no flanco direito, tem como objetivo mostrar a importância de informar o responsável pelo animal sobre todas as possibilidades de reação do organismo as aplicações injetáveis, sejam elas de qualquer natureza: vacinas, medicações, fluidoterapias subcutâneas, implantação de microchip, lesões contínuas mesmo que mínimas em mesmo local, que possam causar injúrias e que podem favorecer o aparecimento Sarcoma de Ponto de Aplicação (SPA), para ambas espécies canino e felino ou Sarcoma de Aplicação Felino (SAF) como tem sido chamado nos dias de hoje.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A observação constante de qualquer alteração após aplicações pode determinar o tratamento mais rápido, menos agressivo, mais eficaz e com chances maiores de cura além com menor comprometimento da saúde do paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje os tutores têm acesso fácil a pesquisas e cabe ao Médico Veterinário instruir o tutor a filtrar essas informações e estimular a atenção correta a qualquer alteração do paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste caso, a observação do tutor foi importante para um diagnóstico rápido e um tratamento mais eficaz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao notar um aumento de volume no local de aplicação de vacina em 2016 o animal foi levado para avaliação de um médico veterinário, a indicação foi de observar durante algum tempo, pois o volume era pequeno. Como houve aumento de volume em 29/03/2016 foi realizado uma citologia aspirativa (01 lesão), que teve como resultado Sarcoma indeterminado com predomínio de células gigantes. Reação piogranulomatosa com fibroplasia, recomendando uma biópsia elucidativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi realizada a cirurgia de Biópsia excisional para a retirada do tumor com margem de segurança ideal, maior que 3cm e enviado para exame histopatológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O resultado exame histopatológico em 08/04/2016: “A partir da derme profunda, observa-se proliferação de células fusiformes, bem delimitada, com núcleo moderado, exibindo cromatina periférica, nucléolo único, grande evidente, citoplasma eosinofílico, mal delimitado, marcada por anisocariose e anisocitose. Estas células compõem áreas sólidas, por vezes sobrepostas e densamente agregadas. São observadas células multinucleadas e inflamação multifocal mista, com presença de linfócitos e macrófagos. Até 4 mitoses por campo de grande aumento (400x) Margens livres de células neoplásicas.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico foi uma neoplasia mesenquimal fusocelular maligna (Sarcoma de partes moles, com diferencial de Sarcoma vacinal/ Sarcoma histiocítico, tipo célula gigante, o Sarcoma de Aplicação Felino como denominado nos dias de hoje.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi indicado após avaliação dos exames que seriam realizadas 5 sessões de quimioterapia. As medicações durante as sessões de quimioterapia foram:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gaviz 10mg, 1 comprimido a cada 24h durante 7 dias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vonau 4mg, 1 comprimido a cada 12h por 3 dias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ograx 500mg, 1 cápsula a cada 24h uso contínuo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Manipular os dejetos com luvas, quimioterapias de 21 em 21 dias e retorno em 20 dias para hemograma completo e função renal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A paciente sentiu náusea, vomitou 3 vezes e teve letargia no primeiro dia de quimioterapia, isso persistiu nas outras sessões e após a quarta sessão houve queda na imunidade da paciente e optou-se por descontinuar o tratamento, foram feitas 4 das 5 sessões indicadas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A paciente foi acompanhada e se recuperou bem e teve alta do primeiro diagnóstico de SAF. Com indicação veterinária para que caso necessário outras aplicações e vacinas fossem realizadas do lado direito, lado oposto do primeiro SAF.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2020 após aplicação vacinal novamente foi notado aumento de volume persistente no flanco direito e levada para avaliação veterinária e após exames foi indicado uma biópsia excisional com margem de segurança. O laudo novamente foi confirmado como SAF, mas desta vez foi indicado somente a cirurgia devido a idade mais avançada da paciente e o histórico clínico da cirurgia e quimioterapia anterior em 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A paciente se recuperou totalmente e teve alta novamente. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje com 14 anos faz tratamento radioterápico para Adenocarcinoma Nasal Túbulo- Papilar, diagnosticado em 2023 encontra-se bem e é acompanhada com regularidade com exames clínicos, tomografia, rx, ultrassonografia e ecocardiograma e vem mantendo-se estável.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resultados Esperados e Conclusão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Como descrito pelos autores Hendrick &amp; Goldschmidt (1991), neste relato de caso observou que a aplicação vacinal com adjuvantes teve grande importância no tumor encontrado, uma vez que por duas vezes o aumento de volume no local da aplicação progrediu para um Sarcoma de Aplicação felino. Ressaltando que a obesidade também é um predisponente como descreve Carneiro (2012) além de 75% apresentar maior grau histológico como descreve o trabalho de Johnston &amp; Tobias (2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O relato de caso apresentado também complementa o que descreve no trabalho de Hendrick et al., (1994); Martano et al., (2012); Kass et al., (1993 e 2003), de que o aparecimento do tumor pode variar de 3 meses a 10 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Nitrini, A. G. C. &amp; Matera, J. M., (2021) o exame físico e a anamnese são essenciais e como demonstra o relato de caso informar o tutor dos riscos de aplicações de medicamentos e vacinas pode levar a um diagnóstico mais rápido e com isso diminuir os riscos de complicações e aumentar as chances de cura em um menor tempo e com menor risco a saúde do paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Reforçando que os adjuvantes podem estar relacionados ao aparecimento do SAF, histologicamente como diz o autor Hendrick et al., (1994), os macrófagos frequentemente contêm alumínio e oxigênio, que são componentes dos adjuvantes de diversas vacinas contendo vírus inativados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo assim, a vacinação é importante para saúde dos animais de estimação, (SQUIRES, R. A. et al. 2024) cabendo ao médico veterinário informar também dos riscos do SAF o que foi crucial para que a paciente do presente relato de caso ser diagnosticada e tratada com a técnica adequada em um menor tempo e se restabelecendo totalmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento de eleição como descrevem Hendrick et al., (1994); Hershey et al., (2000); Kuntz et al., (1997); Phelps et al., (2011), é a excisão cirúrgica com margens adequadas maiores que 3 cm, com profundidade de 2 planos teciduais demonstram uma redução de recidiva de 70% para 14% casos. Esse foi o tratamento de eleição na primeira e na segunda vez do diagnóstico de SAF da paciente. A Radioterapia não foi usada em nenhum dos casos e na primeira vez em 2016 o uso de quimioterapia (Martano et al., 2005) não foi concluída, das 5 indicadas foram feitas somente 4 e a paciente respondeu bem ao tratamento. No segundo diagnóstico em 2020 o tratamento de eleição foi a cirurgia excisional e a paciente apesar da idade mais avançada se recuperou totalmente, o que reforça a tese de que o diagnóstico precoce e a cirurgia com as margens de segurança indicadas podem garantir o sucesso do tratamento, mesmo sem o uso de quimioterapia. Porém estudos mostram que o uso neoadjuvante de quimioterapia demonstrou grande redução na recidiva local. (Bray &amp; Polton, 2016)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Considerações finais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com este relato de caso podemos concluir que a informação do responsável pelo animal sobre riscos do procedimento de aplicações cutâneas ou musculares, de medicamentos e principalmente de vacinas que contenham adjuvantes com hidróxido de alumínio o que pode levar ao Sarcoma de Aplicação Felino, é primordial para um diagnóstico rápido e preciso. Contribuindo assim, para um tratamento menos agressivo, mais eficaz e com menos comprometimento da saúde do paciente. A vacinação dos animais de companhia deve ser realizada normalmente, pois evitam doenças graves como a raiva, uma zoonose, que em 2002 foram registrados 85 casos em gatos e teve uma drástica queda para 8 casos registrados em 2024, a vacinação e informação são os grandes responsáveis por esta redução segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como mostra o relato de caso, o animal tem maior chance de ter novamente o SAF, após tratamento e cura, caso aplicações continuem mesmo em outros locais mostrando uma predisposição do organismo. Cabendo ao médico veterinário uma avaliação rigorosa de cada paciente e a informação clara para o responsável do animal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Bray J, Polton G. Neoadjuvant and adjuvant chemotherapy combined with anatomical resection of feline injection-site sarcoma: results in 21 cats. Vet Comp Oncol. 2016 Jun;14(2):147-60. doi: 10.1111/vco.12083. Epub 2014 Feb 7. PMID: 24502401</p>



<p class="wp-block-paragraph">Carneiro C.S. 2012. Characterization of patients with feline injection-site sarcoma as body condition score and as to the origin of its formation and their microenvironment. PhD Thesis, Faculty of Veterinary Medicine and Animal Science, University of São Paulo, São Paulo, SP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CARNEIRO, Carolina Scarpa.&nbsp;Caracterização dos pacientes portadores de sarcoma de aplicação felino quanto ao escore de condição corporal, à origem de sua formação e ao microambiente de seu desenvolvimento. 2012. Tese (Doutorado em Clínica Cirúrgica Veterinária) &#8211; Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, University of São Paulo, São Paulo, 2012. doi:10.11606/T.10.2012.tde-18112013-084957. Acesso em: 2025-08-05.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">SQUIRES, R. A. et al. 2024 guidelines for the vaccination of dogs and cats – compiled by the Vaccination Guidelines Group (VGG) of the World Small Animal Veterinary Association (WSAVA).&nbsp;<strong>Journal of small animal practice</strong>, 3 abr. 2024.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Discente do Curso Superior de Medicina Veterinária da Universidade de Guarulhos Campus Centro. E-mail: <a href="mailto:marcia.gatildarcoons@gmail.com">marcia.gatildarcoons@gmail.com</a><br><sup>2</sup>Docente do Curso 1 Superior de Medicina Veterinária da Universidade de Guarulhos Campus Centro.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>SMARTPHONE PARA MELHORAR O RENDIMENTO E O BEM ESTAR ANIMAL DE EQUINOS: REVISÃO DE LITERATURA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/smartphone-para-melhorar-o-rendimento-e-o-bem-estar-animal-de-equinos-revisao-de-literatura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Nov 2025 17:21:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Veterinaria]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511081419 Douglas Rodrigues dos SantosLeonardo Yudji Sato CostaOrientador: Prof. Luiz Eduardo Nunes Ferreira RESUMO O uso de tecnologias digitais no setor agropecuário tem se destacado como uma estratégia fundamental para modernizar o manejo e promover o bem-estar animal, especialmente na equinocultura. Neste contexto, o presente estudo justifica-se pela necessidade de ampliar a compreensão [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511081419</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Douglas Rodrigues dos Santos<br>Leonardo Yudji Sato Costa<br>Orientador: Prof. Luiz Eduardo Nunes Ferreira</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso de tecnologias digitais no setor agropecuário tem se destacado como uma estratégia fundamental para modernizar o manejo e promover o bem-estar animal, especialmente na equinocultura. Neste contexto, o presente estudo justifica-se pela necessidade de ampliar a compreensão sobre como os smartphones e aplicativos digitais podem contribuir para a melhoria do rendimento e das condições de saúde dos equinos. O objetivo geral da pesquisa foi analisar o impacto do uso dessas tecnologias no aprimoramento do manejo e no monitoramento do bem-estar dos animais, além de investigar as ferramentas digitais disponíveis e seus benefícios no cotidiano das propriedades. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica, realizada por meio da análise de livros, artigos científicos e materiais acadêmicos publicados nos últimos anos, que abordam a aplicação de tecnologias digitais no manejo animal. Os resultados evidenciaram que o uso de smartphones e dispositivos conectados permite o monitoramento em tempo real das condições fisiológicas e comportamentais dos equinos, otimizando o cuidado, a prevenção de doenças e a eficiência produtiva. Além disso, observou-se que os aplicativos veterinários e os softwares de gestão contribuem para a organização das rotinas de manejo, o registro de dados clínicos e a comunicação entre os profissionais envolvidos. Conclui-se que as tecnologias digitais são aliadas importantes para a construção de uma equinocultura moderna, sustentável e eficiente, embora ainda existam desafios relacionados à infraestrutura, custos e capacitação técnica para sua plena implementação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>smartphones, tecnologias digitais, bem-estar animal.<strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">The use of digital technologies in the agricultural sector has emerged as a key strategy to modernize management practices and promote animal welfare, especially in equine production. In this context, this study is justified by the need to expand the understanding of how smartphones and digital applications can contribute to improving the performance and health conditions of horses. The general objective of the research was to analyze the impact of these technologies on improving animal management and monitoring welfare, in addition to investigating the available digital tools and their benefits in the daily routines of farms. This is a qualitative, bibliographic research conducted through the analysis of books, scientific articles, and academic materials published in recent years that address the application of digital technologies in animal management. The results showed that the use of smartphones and connected devices allows real-time monitoring of the physiological and behavioral conditions of horses, optimizing care, disease prevention, and production efficiency. Furthermore, veterinary applications and management software contribute to the organization of management routines, clinical data recording, and communication among professionals involved. It is concluded that digital technologies are important allies for building a modern, sustainable, and efficient equine industry, although challenges related to infrastructure, costs, and technical training still need to be addressed.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>smartphones, digital technologies, animal welfare.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os avanços tecnológicos têm transformado significativamente os processos produtivos no setor agropecuário, especialmente no que se refere ao manejo e ao bem-estar animal (FAO, 2019; EMBRAPA, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O bem-estar animal abrange o estado físico e mental dos animais em relação às condições em que vivem e morrem, incluindo saúde, conforto, nutrição, segurança, possibilidade de expressar comportamentos naturais e ausência de dor, medo e estresse (WOAH/OIE, 2022). Historicamente, é operacionalizado pelos “Cinco Domínios/Liberdades” — livre de fome e sede; desconforto; dor, lesões e doenças; medo e estresse; e com liberdade para expressar comportamentos naturais — ampliados no Modelo dos Cinco Domínios, que integra quatro domínios físicos (nutrição, ambiente, saúde e comportamento) e um domínio mental para avaliar experiências afetivas positivas e negativas (FAWC, 1993; MELLOR, 2016; MELLOR; BEAUSOLEIL, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto da equinocultura, o uso de dispositivos móveis, sensores inteligentes e aplicativos digitais vem ganhando destaque como ferramentas essenciais para aprimorar a eficiência das práticas de manejo e promover melhores condições de vida para os equinos. A integração de smartphones ao cotidiano das propriedades rurais tem permitido um monitoramento mais preciso, individualizado e em tempo real, o que favorece a tomada de decisões rápidas e contribui diretamente para o aumento da produtividade e para o cuidado com a saúde dos animais (FAO, 2019; NEETHIRAJAN, 2020; EMBRAPA, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relevância deste tema está relacionada à necessidade crescente de modernizar a equinocultura, buscando práticas sustentáveis, eficientes e que respeitem os princípios do bem-estar animal. A adoção de tecnologias digitais é fundamental para atender às novas exigências do mercado, que valoriza cada vez mais a qualidade de vida dos animais e a rastreabilidade dos processos. Além disso, a utilização de recursos tecnológicos pode otimizar a rotina de manejo, reduzir custos operacionais e minimizar riscos associados a falhas humanas e a condições ambientais adversas (WOAH/OIE, 2022; FAO, 2019; BRASIL/MAPA, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, apesar dos benefícios evidentes ainda existem muitos desafios a serem superados para a implementação destas tecnologias na prática da equinocultura.&nbsp; Muitos produtores ainda apresentam resistência quanto à implementação dessas tecnologias no campo (EMBRAPA, 2020; ROGERS, 2003).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desta forma, com o intuito de analisar o impacto do uso de smartphones e tecnologias digitais no aprimoramento do rendimento e no monitoramento do bem-estar animal de equinos, foi realizada uma pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica, com base na análise de artigos científicos, livros e materiais acadêmicos publicados nos últimos anos, focando na compreensão das contribuições e limitações associadas ao uso das tecnologias digitais no manejo de equinos (BOTELHO; CUNHA; MACEDO, 2011).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, este estudo investigou os avanços tecnológicos têm sido utilizados no manejo e na gestão da saúde dos equinos, identificou os principais aplicativos e recursos digitais voltados para o acompanhamento desses animais, e avaliou as contribuições das tecnologias móveis na melhoria das condições de manejo e na promoção do bem-estar animal (NEETHIRAJAN, 2020; FAO, 2019; EMBRAPA, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A compilação das informações pode contribuir para a expansão do conhecimento sobre o papel das tecnologias digitais na equinocultura, oferecendo subsídios teóricos que possam apoiar a modernização das práticas no campo e incentivar a adoção de soluções inovadoras voltadas para o bem-estar dos equinos (EMBRAPA, 2021; WOAH/OIE, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>REVISÃO DE LITERATURA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 Avanços tecnológicos aplicados ao manejo animal</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os avanços tecnológicos aplicados ao manejo animal têm proporcionado transformações significativas no agronegócio brasileiro, especialmente no setor da equinocultura. Rodrigues <em>et al</em> (2024) destacam que a introdução de biotecnologias voltadas ao melhoramento genético tem permitido a produção de equinos com características superiores, como resistência física, qualidade estética e desempenho aprimorado, atendendo às exigências dos mercados nacional e internacional. A seleção criteriosa dos reprodutores, aliada ao controle nutricional e ao monitoramento contínuo da saúde dos animais, torna-se essencial para manter altos padrões de qualidade e competitividade no setor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, Luz <em>et al</em> (2024) enfatizam que o aprimoramento das técnicas de reprodução assistida, como a inseminação artificial e a transferência de embriões, tem sido determinante para a rápida disseminação de genótipos superiores, fortalecendo as linhagens e contribuindo para a preservação das raças equinas. Essas tecnologias permitem a multiplicação de características desejáveis e a redução de traços indesejados, promovendo a melhoria contínua dos planteis. A atuação especializada do zootecnista, com conhecimentos em nutrição, genética e bem-estar animal, é fundamental para a correta aplicação dessas inovações, assegurando que os animais sejam criados em ambientes adequados e com rigorosos padrões sanitários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Silva <em>et al</em> (2024) ressaltam que os investimentos em tecnologia, como a criopreservação de sêmen e a análise genômica, potencializam a eficiência no manejo e na seleção dos equinos, exigindo constante atualização dos profissionais envolvidos. O desenvolvimento de animais adaptados às condições climáticas brasileiras evidencia como a biotecnologia pode atender demandas específicas do setor, ao mesmo tempo que prioriza a sustentabilidade e o bem-estar animal. Para Oliveira <em>et al</em> (2024), os avanços tecnológicos integrados ao manejo diário nas propriedades rurais estão redefinindo a qualidade genética e a eficiência produtiva da equinocultura, ampliando as oportunidades comerciais e valorizando as raças brasileiras no mercado internacional. O papel do zootecnista, nesse contexto, é central para consolidar os ganhos proporcionados por essas inovações e garantir a evolução contínua do setor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No campo da pecuária de corte, Mendes e Martins (2022) enfatizam que as tecnologias aplicadas ao manejo animal, como o pastejo rotacionado, têm revolucionado a pecuária ao promover maior eficiência produtiva e garantir o bem-estar animal. O uso de sistemas de pastejo controlado permite a recuperação adequada das forrageiras, otimizando a qualidade nutricional disponível e contribuindo para o aumento do desempenho zootécnico do rebanho. Segundo os autores, a divisão estratégica das pastagens e o controle do tempo de pastejo possibilitam o aumento da lotação animal por hectare sem comprometer a qualidade do solo e das plantas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda de acordo com Mendes e Martins (2022), o sucesso do pastejo rotacionado exige planejamento técnico minucioso, desde a seleção das espécies forrageiras até a infraestrutura adequada, como corredores de acesso e cochos. O monitoramento da altura das forrageiras e o controle da carga animal garantem pastagens de alta qualidade proteica, otimizando o ganho de peso dos animais e reduzindo o tempo de abate. Além disso, a rotação adequada melhora a ciclagem de nutrientes e inibe plantas invasoras, consolidando-se como uma estratégia sustentável e eficiente. Para os autores, o uso inteligente da tecnologia no manejo das pastagens representa um caminho promissor para unir produtividade, lucratividade e responsabilidade ambiental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No manejo de bovinos de corte, Ribeiro <em>et al</em> (2024) afirma que a introdução de tecnologias tem sido essencial para impulsionar a pecuária moderna. O uso de inseminação artificial e melhoramento genético contribui para acelerar o ganho de peso dos animais, reduzir o tempo de abate e elevar a qualidade da carne. Essas tecnologias permitem maior controle sobre o desenvolvimento dos bezerros e ajudam a atender a demanda do mercado por carne de alta qualidade a custos mais competitivos. Para os autores, a aplicação de sistemas automatizados, drones e ferramentas digitais têm facilitado o manejo nutricional e o monitoramento da saúde dos animais, otimizando o tempo de trabalho e elevando a eficiência das propriedades rurais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ribeiro <em>et al</em> (2024) ainda destacam que as tecnologias de gestão nutricional, como softwares e automação alimentar, são fundamentais para proporcionar dietas personalizadas e monitoramento detalhado dos lotes, permitindo ganhos mais eficientes e homogêneos de peso. Essas ferramentas contribuem para a redução de custos e para o aumento dos índices zootécnicos, além de promoverem maior bem-estar animal. Na visão dos autores, a evolução tecnológica no manejo animal é decisiva para o futuro da pecuária de corte brasileira, sendo um passo necessário para atender às exigências globais e superar desafios ambientais. Apesar das dificuldades associadas aos custos de implantação e à resistência cultural de alguns produtores, a modernização tecnológica é o caminho mais viável para garantir competitividade, sustentabilidade e sucesso no setor.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2</strong> <strong>Introdução das tecnologias móveis na equinocultura</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A introdução das tecnologias móveis na equinocultura tem se consolidado como um dos avanços mais expressivos na modernização do manejo animal. Conforme Souza e Silva (2024), o uso de dispositivos móveis e sensores inteligentes no acompanhamento dos equinos oferece novas possibilidades de monitoramento contínuo, permitindo acesso a informações detalhadas sobre indicadores fisiológicos e comportamentais em tempo real. Com a utilização de coleiras inteligentes, câmeras conectadas e plataformas digitais, os produtores podem identificar rapidamente alterações no comportamento e no estado de saúde dos animais, promovendo maior agilidade nas decisões e no cuidado com o bem-estar animal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Souza e Silva (2024), os dispositivos móveis revolucionaram a rotina do manejo ao possibilitar a coleta de dados imediatos e precisos, fundamentais para decisões rápidas e eficazes. O monitoramento em tempo real permite a identificação precoce de doenças, problemas reprodutivos e situações de estresse nos equinos, o que contribui para uma gestão mais estratégica e eficiente. Esse avanço reduz o tempo de resposta frente a desafios sanitários e diminui os custos operacionais. Além disso, os sensores móveis integrados à inteligência artificial, como as imagens térmicas por infravermelho e a análise de movimento, ampliam a capacidade de vigilância automatizada. Essas tecnologias tornam-se aliadas essenciais para a manutenção da saúde e do desempenho dos animais, diminuindo a necessidade de intervenções manuais e intensivas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Souza e Silva (2024) afirmam que a adoção das tecnologias móveis é indispensável para o futuro da equinocultura, pois permite um controle individualizado dos equinos e otimiza a gestão das propriedades. Essa modernização proporciona ganhos econômicos e produtivos significativos, mas exige investimentos em capacitação profissional e infraestrutura adequada para garantir a eficácia das ferramentas digitais. O desenvolvimento contínuo dessas tecnologias tem o potencial de transformar a pecuária tradicional em um sistema cada vez mais sustentável, eficiente e orientado por dados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ávila (2022) reforça que a introdução das tecnologias móveis no manejo animal tem desempenhado um papel central na modernização dos processos produtivos e no aprimoramento das avaliações zootécnicas. A integração entre dispositivos móveis e sensores conectados aos equinos possibilita o monitoramento em tempo real de variáveis fisiológicas e comportamentais, oferecendo um controle preciso das condições de manejo. Esse avanço reduz a necessidade de intervenções humanas constantes e melhora a gestão de grandes volumes de dados de forma ágil e eficiente, tornando o acompanhamento remoto mais acessível por meio de smartphones e tablets.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Ávila (2022), a conectividade proporcionada pela internet das coisas potencializa a aplicação das tecnologias móveis no campo, permitindo que os produtores monitorem informações essenciais como alimentação, peso, localização e condições sanitárias dos equinos de forma instantânea. O uso de coleiras inteligentes e balanças de passagem integradas aos sistemas móveis permite um acompanhamento contínuo e individualizado, assegurando um manejo mais eficiente e respeitando o bem-estar animal. No contexto específico da equinocultura, a integração de sensores e dispositivos móveis facilita o monitoramento de dados como frequência cardíaca, gasto energético e padrões de movimentação dos cavalos, o que contribui para a prevenção de lesões e para ajustes imediatos no manejo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ávila (2022) conclui que as tecnologias móveis, quando associadas a sistemas inteligentes, representam um caminho sólido para a evolução da equinocultura, promovendo maior controle produtivo, redução de impactos ambientais e modernização das propriedades. Contudo, a plena implementação dessas tecnologias depende da capacitação adequada dos profissionais envolvidos e da adaptação da infraestrutura das propriedades rurais para garantir a integração eficiente dos sistemas digitais ao cotidiano do manejo equino.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3</strong> <strong>Aplicativos e recursos digitais voltados para equinos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A utilização de aplicativos e recursos digitais voltados para equinos tem revolucionado a prática veterinária e o manejo animal, proporcionando maior eficiência e agilidade nos cuidados com esses animais. Conforme Wesguerber <em>et al</em> (2024), o uso dessas ferramentas digitais têm transformado significativamente o acompanhamento clínico e comportamental dos equinos. A digitalização das informações permite integrar registros de saúde, organizar dados sobre tratamentos e monitorar indicadores relevantes por meio de dispositivos móveis, o que oferece aos profissionais acesso rápido e seguro às informações essenciais para o cuidado individualizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Wesguerber <em>et al</em> (2024), os aplicativos e plataformas digitais especializadas possibilitam o monitoramento em tempo real dos equinos, facilitando a detecção precoce de doenças, alterações de comportamento e situações que exigem intervenções imediatas. Essas tecnologias permitem registrar dados detalhados sobre alimentação, desempenho físico, medicações e cronogramas de manejo, garantindo um controle preciso da rotina dos animais. Além disso, os recursos digitais promovem uma comunicação eficaz entre os veterinários, cuidadores, tutores e demais profissionais envolvidos, otimizando o fluxo de informações e potencializando a qualidade do atendimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Wesguerber <em>et al</em> (2024) ressalta que o mercado oferece uma variedade de aplicativos direcionados à gestão e ao bem-estar dos equinos, incluindo funcionalidades como geolocalização, alarmes de emergência, monitoramento de sinais vitais e histórico veterinário digitalizado. Esses recursos conferem maior autonomia e agilidade aos profissionais no processo de tomada de decisão, especialmente em situações críticas que demandam respostas rápidas. O uso de aplicativos e recursos digitais voltados para equinos é visto como uma solução promissora para modernizar o manejo, reduzir o tempo de resposta e garantir intervenções mais eficazes e seguras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Wesguerber <em>et al</em> (2024), a consolidação desses aplicativos como ferramentas essenciais na equinocultura moderna impulsiona a medicina veterinária a um novo patamar, oferecendo maior precisão no controle sanitário e facilitando o desenvolvimento de estratégias eficientes para a promoção da saúde e do bem-estar dos equinos. No entanto, a plena integração dessas tecnologias à rotina produtiva requer investimentos contínuos na formação dos profissionais e na adaptação das estruturas de atendimento para garantir sua eficácia no campo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Moraes <em>et al</em> (2024) complementam que os aplicativos e softwares destinados à medicina veterinária têm promovido avanços significativos na prática clínica, especialmente no contexto da equinocultura. Essas ferramentas digitais possibilitam uma gestão moderna e eficaz das informações sanitárias, nutricionais e reprodutivas dos equinos, promovendo melhorias no acompanhamento e agilizando os processos de comunicação entre as equipes de manejo. A digitalização desses procedimentos contribui para a eficiência no atendimento e para o monitoramento contínuo da saúde dos animais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Moraes <em>et al</em> (2024), os aplicativos veterinários apresentam funcionalidades práticas como controle de agendamentos, registro clínico detalhado e emissão de receitas digitais, o que proporciona agilidade e segurança no acompanhamento individual dos equinos. Essas ferramentas também permitem o armazenamento sistematizado do histórico clínico dos animais e facilitam o acesso remoto a informações relevantes por meio de dispositivos móveis, otimizando a rotina de manejo, especialmente em propriedades de grande extensão territorial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na visão de Moraes <em>et al</em> (2024), os softwares direcionados ao acompanhamento de equinos podem incluir funcionalidades específicas, como o cálculo de dietas nutricionais personalizadas, controle terapêutico e ferramentas para diagnósticos diferenciados e planejamento de tratamentos. Esses recursos digitais contribuem diretamente para a precisão clínica e para a promoção do bem-estar animal, oferecendo um acompanhamento mais detalhado e eficiente ao longo do ciclo produtivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Moraes <em>et al</em> (2024) afirmam que os aplicativos e recursos digitais voltados para equinos representam aliados indispensáveis na construção de uma equinocultura mais moderna, eficiente e sustentável. A integração dos dados clínicos e produtivos promovida por essas tecnologias potencializa o diagnóstico, o atendimento e a qualidade dos processos de manejo. Apesar dos desafios relacionados à capacitação profissional, conectividade e segurança dos dados, os benefícios proporcionados por esses recursos digitais consolidam sua importância no avanço tecnológico da equinocultura contemporânea.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.4 Tecnologias como aliadas no monitoramento do bem-estar animal</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As tecnologias digitais têm se consolidado como aliadas indispensáveis no monitoramento do bem-estar animal, promovendo avanços significativos nas práticas de manejo. Conforme Abreu <em>et al</em> (2025), a integração de tecnologias como a Internet das Coisas (IoT) no acompanhamento dos animais permite a captação de dados em tempo real sobre as condições fisiológicas e ambientais. O uso de sensores inteligentes conectados a plataformas digitais possibilita identificar rapidamente situações de risco, como estresse térmico ou alterações comportamentais, contribuindo para a criação de ambientes mais seguros e confortáveis e melhorando as condições de transporte e manejo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Freire <em>et al</em> (2025), a IoT transforma a rotina de monitoramento ao viabilizar a coleta automatizada de informações por meio de chips de localização, coleiras com sensores e câmeras de vigilância. Essas ferramentas digitais ampliam a capacidade de rastreamento e análise, mesmo em áreas extensas, permitindo intervenções imediatas em casos adversos. O monitoramento constante é essencial para prevenir doenças, reduzir perdas produtivas e assegurar a conformidade com os padrões éticos de bem-estar animal. Essa evolução tecnológica proporciona um cuidado mais eficiente e individualizado, que fortalece a qualidade dos processos no campo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na visão de Silva <em>et al</em> (2025), a tecnologia digital aplicada ao monitoramento animal garante o atendimento contínuo das necessidades dos animais, respeitando as cinco liberdades fundamentais do bem-estar animal. A combinação de sensores ambientais, dispositivos móveis e inteligência computacional permite controlar de forma precisa fatores como alimentação, temperatura, umidade e atividade física. Esse acompanhamento personalizado favorece a produtividade ao mesmo tempo em que assegura condições que minimizam o estresse e preservam a saúde dos animais. Costa <em>et al</em> (2025) reforçam que o uso de tecnologias digitais nesse contexto agrega precisão, agilidade e sustentabilidade ao manejo, promovendo uma produção agropecuária mais ética e alinhada às exigências do mercado consumidor. Para alcançar esses benefícios plenamente, é essencial investir continuamente em pesquisa, desenvolvimento e capacitação profissional, garantindo que a tecnologia seja aplicada de forma eficiente e segura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Krueger <em>et al</em> (2023) destacam que as tecnologias digitais são recursos fundamentais para o monitoramento e a promoção do bem-estar animal no setor agropecuário. A utilização de sensores conectados permite o acompanhamento em tempo real das condições fisiológicas e ambientais, possibilitando respostas rápidas e eficazes a situações adversas. Essa prática fortalece o controle sistemático do ambiente, reduzindo o estresse e elevando a produtividade. Andrade <em>et al</em> (2023) acrescentam que a agricultura 4.0, com o uso de drones, robôs e plataformas digitais, amplia a capacidade de inspeção das áreas de pastagem e do ambiente de manejo, sem causar interferências invasivas nos animais. O monitoramento por veículos aéreos não tripulados e máquinas robotizadas favorece ambientes mais estáveis e confortáveis, ao mesmo tempo em que contribui para o controle de pragas e a redução de riscos sanitários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Soares (2023), ferramentas de big data e inteligência artificial ampliam as possibilidades de análise e processamento de grandes volumes de dados sobre o bem-estar animal. O monitoramento digital viabiliza a identificação de padrões comportamentais e anomalias que indicam problemas de saúde ou desconforto, permitindo ajustes rápidos e eficazes no manejo. Os bancos de dados armazenados em nuvem facilitam o acesso remoto e simultâneo às informações, otimizando a gestão e promovendo um acompanhamento mais detalhado dos indicadores de bem-estar. Krueger <em>et al</em> (2023) concluem que as tecnologias da indústria 4.0, como sensores, automação e sistemas integrados, são fundamentais para transformar o cuidado animal em práticas mais éticas, sustentáveis e eficientes. A adoção dessas ferramentas exige investimentos em infraestrutura e qualificação profissional, mas representa um caminho seguro para modernizar a agropecuária e elevar os padrões de bem-estar animal no cenário contemporâneo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.5</strong> <strong>O Giroscópio e sua aplicação no monitoramento de equinos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A inserção de sensores giroscópicos em dispositivos móveis representa um avanço tecnológico relevante no monitoramento do comportamento animal, especialmente na equinocultura. O giroscópio é um sensor capaz de detectar variações de orientação e rotação angular em três eixos, permitindo a análise precisa de movimentos corporais. Nos smartphones e dispositivos vestíveis (wearables), esse sensor é frequentemente combinado com acelerômetros, resultando em sistemas de monitoramento cinético de alta sensibilidade e aplicabilidade em campo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Costa, Villar e Céspedes Arce (2023), o uso de acelerômetros integrados aos smartphones permitiu identificar padrões de movimentação dos equinos atletas, contribuindo para o diagnóstico precoce de desequilíbrios biomecânicos e para o aprimoramento do treinamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O giroscópio, ao registrar oscilações de postura e variações no equilíbrio dinâmico dos animais, fornece informações complementares às medições de aceleração, tornando-se essencial na construção de perfis cinéticos individuais. A figura 1 apresenta um esquema do funcionamento de um giroscópio em um dispositivo móvel acoplado ao equino</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa tecnologia é particularmente útil em ambientes de campo, onde os equinos são expostos a diferentes tipos de piso, inclinações e demandas físicas. O giroscópio capta, por exemplo, alterações sutis no padrão de locomoção que podem indicar o início de claudicação, estresse físico ou desequilíbrios no treinamento. Os dados coletados são processados em aplicativos especializados que auxiliam os profissionais na tomada de decisões, melhorando o rendimento dos equinos e prevenindo lesões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Avila (2022) reforça que o uso de sensores inerciais – compostos por giroscópios, magnetômetros e acelerômetros – está cada vez mais presente em sistemas de inteligência artificial aplicados ao comportamento animal. A integração dessas ferramentas a plataformas móveis possibilita a análise em tempo real da postura, intensidade do movimento e padrões repetitivos, que são cruciais para a avaliação do bem-estar e da saúde dos equinos. A sensibilidade do giroscópio também permite detectar mudanças bruscas de direção ou interrupções repentinas nos movimentos, que podem ser sintomas de dor ou desconforto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Souza e Silva (2024), os sensores giroscópicos, quando associados a tecnologias móveis e à Internet das Coisas (IoT), ampliam as possibilidades de controle automatizado do desempenho físico e da reatividade dos animais frente a estímulos ambientais. Essa capacidade de resposta imediata e baseada em dados objetivos contribui para a personalização dos protocolos de manejo e treinamento, promovendo ganhos tanto em produtividade quanto em bem-estar animal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, apresenta-se uma ilustração simplificada do funcionamento do sensor giroscópico em dispositivos móveis aplicados ao monitoramento equino:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1</strong>. Representação esquemática do funcionamento de um giroscópio em um dispositivo móvel acoplado ao equino</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="839" height="766" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-543.png" alt="" class="wp-image-246419" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-543.png 839w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-543-300x274.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-543-768x701.png 768w" sizes="(max-width: 839px) 100vw, 839px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Adaptado de Costa; Villar; Céspedes Arce (2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A presença do giroscópio nos dispositivos móveis utilizados no campo amplia a precisão das medições e representa um elemento-chave para transformar os smartphones em ferramentas de diagnóstico e gestão. Ao capturar os movimentos tridimensionais dos equinos, esse sensor viabiliza um acompanhamento sofisticado, mesmo em condições adversas, elevando o padrão de cuidado e bem-estar na equinocultura moderna.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 2</strong>. Representação dos três eixos de funcionamento do giroscópio (Pitch, Roll e Yaw) em sensores inerciais</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="635" height="626" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-544.png" alt="" class="wp-image-246420" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-544.png 635w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-544-300x296.png 300w" sizes="(max-width: 635px) 100vw, 635px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Elaborado pelo autor, com base em Costa, Villar e Céspedes Arce (2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A figura 2 ilustra o princípio de funcionamento dos giroscópios presentes em dispositivos móveis, demonstrando os três eixos principais de medição angular:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pitch (Eixo X): movimento de inclinação para frente e para trás;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Roll (Eixo Y): movimento de rotação lateral (esquerda/direita);</p>



<p class="wp-block-paragraph">Yaw (Eixo Z): movimento de rotação horizontal ao redor do eixo vertical (direita/esquerda).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses parâmetros são fundamentais para o monitoramento postural e cinético de equinos em sistemas de rastreamento embarcados em smartphones.<strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>OBJETIVOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1</strong> <strong>Objetivo geral</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Analisar o impacto do uso de smartphones e tecnologias digitais no aprimoramento do rendimento e no monitoramento do bem-estar animal de equinos, evidenciando os benefícios e desafios de sua aplicação no manejo moderno.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2</strong> <strong>Objetivos específicos</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Investigar como os avanços tecnológicos, especialmente os dispositivos móveis, têm sido utilizados no manejo e na gestão da saúde de equinos.</li>



<li>Identificar os principais aplicativos e recursos digitais voltados para o monitoramento do bem-estar animal de equinos.</li>



<li>Avaliar as contribuições das tecnologias móveis na melhoria das condições de manejo, desempenho e qualidade de vida dos equinos.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>MATERIAIS E MÉTODOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa de natureza bibliográfica, cujo objetivo foi compreender de que forma os smartphones e as tecnologias digitais podem contribuir para a melhoria do rendimento e do bem-estar animal de equinos. A abordagem qualitativa foi escolhida por permitir uma análise interpretativa e aprofundada dos conteúdos pesquisados, possibilitando compreender as relações e os significados atribuídos ao uso das tecnologias no contexto da equinocultura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa bibliográfica foi desenvolvida a partir da análise de artigos científicos, periódicos, livros e materiais acadêmicos disponíveis em bases de dados digitais e físicas. Foram selecionadas publicações recentes, compreendidas entre os anos de 2022 e 2025, com ênfase em estudos relacionados ao manejo animal, tecnologias móveis, Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial aplicada à produção animal, e bem-estar de equinos. A seleção dos materiais considerou a relevância temática, a contribuição para o campo da equinocultura e a atualidade das informações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os principais autores que embasaram este estudo incluem Rodrigues <em>et al</em> (2024), Luz <em>et al</em> (2024), Silva <em>et al</em> (2024), Oliveira <em>et al</em> (2024), Souza e Silva (2024), Avila (2022), Wesguerber <em>et al</em> (2024), Moraes <em>et al</em> (2024), Abreu <em>et al</em> (2025), Freire <em>et al</em> (2025), Costa <em>et al</em> (2025), Krueger <em>et al</em> (2023), Andrade <em>et al</em> (2023) e Soares (2023). Estes trabalhos forneceram subsídios teóricos essenciais para a análise dos avanços tecnológicos no manejo animal e no monitoramento do bem-estar de equinos, especialmente no que se refere ao uso de smartphones e aplicativos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A coleta de dados foi realizada por meio de uma análise criteriosa do conteúdo disponível, priorizando informações que demonstrassem a aplicação prática das tecnologias, seus impactos no bem-estar animal, e os desafios para a adoção desses recursos no campo. As informações extraídas foram organizadas e analisadas de forma descritiva, buscando evidenciar a importância das tecnologias móveis no contexto da equinocultura moderna.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como forma de garantir a validade da pesquisa, os materiais selecionados foram confrontados entre si, visando identificar convergências e divergências nos resultados apresentados, além de assegurar a pluralidade de fontes e visões sobre o tema estudado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise realizada a partir da revisão bibliográfica permitiu identificar que os avanços tecnológicos, em especial o uso de smartphones e aplicativos móveis, têm provocado transformações significativas no manejo de equinos e no monitoramento do bem-estar animal. Diversos estudos consultados demonstram que a introdução dessas tecnologias não apenas contribui para a eficiência produtiva, mas também promove um cuidado mais individualizado e contínuo com os animais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rodrigues <em>et al</em> (2024) e Luz <em>et al</em> (2024) evidenciaram que as biotecnologias aplicadas ao melhoramento genético de equinos, quando integradas ao uso de dispositivos móveis, ampliam as possibilidades de acompanhamento dos animais em tempo real. O uso de smartphones (figura 3) permite o acesso rápido a informações sobre linhagens, saúde reprodutiva e condições fisiológicas, proporcionando aos zootecnistas uma base sólida para a tomada de decisões estratégicas no manejo. Além disso, a capacidade de integrar dados sobre nutrição, reprodução e desempenho reforça a importância da tecnologia no aprimoramento das práticas diárias na equinocultura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Souza e Silva (2024) e Avila (2022) destacaram que a introdução das tecnologias móveis na equinocultura revolucionou a forma de monitorar os animais, promovendo o acompanhamento constante de parâmetros como frequência cardíaca, temperatura corporal, gasto energético e localização por meio de coleiras inteligentes e sensores conectados. Esses recursos permitem que os produtores intervenham rapidamente diante de anormalidades, reduzindo riscos e otimizando os cuidados com os equinos. A conectividade proporcionada pelos smartphones possibilita também o gerenciamento remoto das rotinas de manejo, mesmo em propriedades de grande extensão territorial.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 3</strong>.&nbsp; Smartphone colocado na capa e acoplado a caneleira</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="264" height="201" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-545.png" alt="" class="wp-image-246422"/></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: (Costa; Villar; Céspedes Arce, 2023)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Wesguerber <em>et al</em> (2024) e Moraes <em>et al</em> (2024) complementam que os aplicativos veterinários especializados trouxeram significativas inovações para o acompanhamento clínico dos equinos. Esses softwares possibilitam o armazenamento sistemático do histórico veterinário, controle rigoroso de medicações, planejamento alimentar e agendamento de atividades, proporcionando maior segurança e praticidade no gerenciamento das informações. Tais ferramentas também fortalecem a comunicação entre veterinários, cuidadores e proprietários, otimizando os processos decisórios e melhorando o tempo de resposta frente a emergências clínicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto relevante identificado nos resultados foi a contribuição das tecnologias digitais no monitoramento contínuo das condições ambientais e fisiológicas que impactam o bem-estar animal. Abreu <em>et al</em> (2025) e Freire <em>et al</em> (2025) ressaltam que a integração da Internet das Coisas (IoT) ao uso de smartphones amplia a capacidade de captação de dados em tempo real, permitindo a rápida identificação de situações de estresse térmico, alterações de comportamento e outros indicadores de risco. O monitoramento automatizado, através de dispositivos conectados, proporciona maior precisão e agilidade nas intervenções, promovendo ambientes mais seguros e confortáveis para os equinos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, Silva <em>et al</em> (2025) e Costa <em>et al</em> (2025) reforçam que a aplicação da tecnologia no manejo animal contribui diretamente para assegurar as cinco liberdades fundamentais do bem-estar animal, como a liberdade de sede e fome, de desconforto, de dor, de expressar comportamento natural e de medo e estresse. O uso de sensores ambientais e dispositivos móveis permite um controle mais eficiente de fatores como alimentação, umidade, temperatura e atividade física, otimizando as práticas de manejo e garantindo melhores condições de vida para os animais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Krueger <em>et al</em> (2023) e Andrade <em>et al</em> (2023) destacam ainda que as tecnologias da agricultura 4.0, como drones, robôs e plataformas digitais, têm potencializado o monitoramento de pastagens e áreas de manejo sem a necessidade de contato direto com os animais, reduzindo o estresse e promovendo um ambiente mais equilibrado. Os drones, por exemplo, permitem a vigilância de grandes áreas, facilitando a inspeção de pastagens, controle de pragas e verificação de infraestrutura, enquanto as máquinas automatizadas contribuem para o manejo preciso e eficiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, Soares (2023) ressalta que o uso de ferramentas de big data e inteligência artificial, associadas ao monitoramento digital, amplia as possibilidades de análise e interpretação de grandes volumes de dados, possibilitando a identificação precoce de padrões comportamentais e condições de risco à saúde dos equinos. O armazenamento dessas informações em nuvem permite o acesso remoto por diversos profissionais simultaneamente, promovendo uma gestão integrada e mais eficaz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados obtidos demonstram que o uso de smartphones e tecnologias digitais tem se consolidado como uma tendência promissora no setor da equinocultura, potencializando o rendimento dos animais e elevando os padrões de bem-estar. Contudo, os estudos também apontam que a efetiva implementação dessas tecnologias depende de investimentos em capacitação profissional, infraestrutura adequada e superação de barreiras culturais ainda presentes em algumas propriedades.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.</strong> <strong>DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir dos resultados obtidos, é possível afirmar que o uso de smartphones e tecnologias digitais no manejo e no monitoramento do bem-estar de equinos representa um avanço significativo para a modernização da equinocultura. A literatura consultada demonstra que a introdução de dispositivos móveis, aplicativos especializados, sensores inteligentes e ferramentas conectadas têm proporcionado melhorias substanciais tanto no desempenho quanto na qualidade de vida dos animais, além de favorecer a gestão eficiente das propriedades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rodrigues <em>et al</em> (2024) e Luz <em>et al</em> (2024) enfatizam que o aprimoramento genético e a modernização do manejo com o suporte da tecnologia contribuem diretamente para elevar os padrões de qualidade e competitividade do setor. O uso de smartphones, como ferramenta de gestão, potencializa esses avanços ao permitir o acesso rápido e remoto às informações necessárias para a tomada de decisões assertivas no campo. Essa realidade evidencia que a tecnologia não apenas agrega valor ao processo produtivo, mas também amplia a capacidade de resposta dos profissionais frente aos desafios diários no cuidado com os equinos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Souza e Silva (2024) e Ávila (2022) reforçam que o monitoramento contínuo viabilizado pelas tecnologias móveis contribui para uma mudança de paradigma no manejo animal, ao possibilitar o acompanhamento individualizado e em tempo real dos parâmetros fisiológicos e comportamentais dos equinos. A possibilidade de monitorar fatores como temperatura corporal, frequência cardíaca e nível de atividade, de forma instantânea, permite intervenções mais rápidas e eficazes, prevenindo agravos à saúde dos animais e melhorando o rendimento zootécnico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses achados se alinham com o que Wesguerber <em>et al</em> (2024) e Moraes <em>et al</em> (2024) abordam ao destacar a importância dos aplicativos e softwares veterinários no acompanhamento clínico e no registro de informações essenciais. A digitalização dos prontuários, o controle de medicamentos e o planejamento de dietas personalizadas tornam o manejo mais eficiente e seguro, oferecendo maior precisão aos cuidados com os equinos. Além disso, o fortalecimento da comunicação entre os diversos profissionais envolvidos no processo (veterinários, zootecnistas, cuidadores e proprietários) contribui para um fluxo de trabalho mais ágil e integrado, o que favorece a saúde e o bem-estar animal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto relevante a ser discutido é o impacto das tecnologias digitais no monitoramento ambiental e na promoção das cinco liberdades do bem-estar animal, conforme discutido por Abreu <em>et al</em> (2025), Freire <em>et al</em> (2025), Silva <em>et al</em> (2025) e Costa <em>et al</em> (2025). O uso de sensores conectados e plataformas digitais possibilita o controle preciso das condições ambientais e sanitárias, assegurando que os equinos sejam mantidos em espaços confortáveis, com alimentação adequada e mínima exposição a fatores estressantes. A gestão automatizada favorece a identificação de situações de risco, como estresse térmico ou alterações de comportamento, permitindo ajustes imediatos no manejo e reforçando o compromisso com práticas éticas e responsáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As contribuições de Krueger <em>et al</em> (2023) e Andrade <em>et al</em> (2023) acerca da agricultura 4.0 ampliam a compreensão sobre o potencial transformador dessas tecnologias. O uso de drones e robôs no monitoramento das pastagens e no controle de pragas minimiza a necessidade de contato direto com os animais e reduz o impacto de práticas invasivas, o que contribui diretamente para a redução do estresse e para a criação de ambientes mais equilibrados. Esse conjunto de recursos torna o manejo mais sustentável e eficiente, ao mesmo tempo em que atende às exigências dos consumidores por práticas agropecuárias que respeitem o bem-estar animal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, Soares (2023) destaca que a utilização de big data e inteligência artificial permite o cruzamento de grandes volumes de dados, o que favorece a criação de perfis individualizados dos animais e a identificação de padrões comportamentais que podem sinalizar problemas de saúde. Esse avanço amplia a capacidade de prevenção e possibilita a construção de modelos preditivos que otimizam a gestão da saúde e da produtividade dos equinos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos inúmeros benefícios evidenciados, é importante considerar que alguns desafios ainda precisam ser superados para a plena implementação dessas tecnologias no campo. Os altos custos de aquisição e manutenção dos equipamentos, a necessidade de infraestrutura digital adequada e a capacitação contínua dos profissionais envolvidos são fatores limitantes apontados por diversos autores, incluindo Abreu <em>et al</em> (2025) e Krueger <em>et al</em> (2023). Além disso, ainda existem resistências culturais por parte de alguns produtores, que podem dificultar a rápida adesão a essas inovações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, a discussão aponta que, embora as tecnologias digitais e o uso de smartphones tenham um papel crucial no aprimoramento do manejo e no monitoramento do bem-estar dos equinos, o sucesso de sua aplicação depende de investimentos estratégicos, capacitação técnica e mudança de mentalidade no setor. O fortalecimento dessas práticas é essencial para promover uma equinocultura moderna, sustentável e ética, capaz de atender às crescentes exigências de qualidade e responsabilidade social no mercado nacional e internacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7.</strong> <strong>CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A realização deste estudo possibilitou compreender que o uso de smartphones e tecnologias digitais têm um impacto relevante na modernização do manejo e no monitoramento do bem-estar de equinos. Verificou-se que essas ferramentas tecnológicas contribuem de maneira significativa para o aumento da eficiência produtiva, para o aprimoramento das práticas de manejo e para a melhoria das condições de vida dos animais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O levantamento teórico demonstrou que o uso de dispositivos móveis, sensores inteligentes e aplicativos especializados permite o monitoramento em tempo real de variáveis fisiológicas e comportamentais dos equinos, favorecendo a detecção precoce de alterações e a tomada de decisões rápidas e eficazes. O acompanhamento contínuo dos animais, promovido por essas tecnologias, contribui para a prevenção de enfermidades, para a redução do estresse e para a promoção de ambientes mais seguros e confortáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, foi possível observar que os recursos digitais otimizam a organização das rotinas de manejo, permitem o registro eficiente de dados clínicos e produtivos e fortalecem a comunicação entre os profissionais envolvidos no cuidado dos animais. As tecnologias digitais facilitam também o planejamento alimentar, a gestão sanitária e o controle reprodutivo, promovendo um manejo mais seguro, preciso e integrado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos inúmeros benefícios identificados, a pesquisa revelou que a plena aplicação dessas tecnologias ainda enfrenta desafios, especialmente relacionados ao custo de aquisição, à necessidade de infraestrutura adequada e à resistência cultural de alguns produtores em aderir a novas práticas. Superar essas dificuldades é fundamental para consolidar o uso das tecnologias digitais no campo e alcançar um manejo mais sustentável e eficiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se, portanto, que o uso de smartphones e tecnologias digitais é um recurso promissor para melhorar o rendimento e o bem-estar animal de equinos. Os objetivos propostos no estudo foram plenamente alcançados, uma vez que foi possível investigar as aplicações práticas das tecnologias móveis, identificar os recursos digitais voltados para equinos e avaliar os benefícios e os desafios relacionados à adoção dessas inovações. O desenvolvimento da equinocultura moderna, sustentável e ética passa, necessariamente, pelo investimento contínuo em tecnologia e capacitação profissional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Abreu, Antonio Alexandre; Freire, Juliana Bueno; Silva, Ana Carolina de Souza; Costa, Ernane José Xavier. Uma breve revisão sobre a integração de tecnologias IoT no bem-estar animal: conexões conceituais e aplicações práticas. Revista Observatorio de la Economía Latinoamericana, Curitiba, v. 23, n. 2, p. 01-23, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ávila, Jorge Adrian Velasco. Uso de métodos de inteligência artificial na avaliação animal. Dracena: Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – Faculdade de Ciências Agrárias e Tecnológicas, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BOTELHO, L. L. R.; CUNHA, C. C. A.; MACEDO, M. Revisão integrativa: o que é e como fazer. <strong>EINSTEIN</strong>, v. 8, n. 1, p. 102–106, 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. <strong>Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA)</strong>. Transformação digital no agro: diretrizes e iniciativas. Brasília, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Costa, Ernane José Xavier; Villar, Magaly; Céspedes Arce, Aldo Ivan. Monitoramento do comportamento cinético de equinos de esporte usando acelerômetros de dispositivos móveis. <em>Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas</em>, v. 2, p. 174-194. DOI: https://dx.doi.org/10.37885/210805590.</p>



<p class="wp-block-paragraph">EMBRAPA. <strong>Digital Agro: tecnologias para a agropecuária</strong>. Brasília: Embrapa, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">EMBRAPA. <strong>Adoção de tecnologias no campo: desafios e oportunidades</strong>. Brasília: Embrapa, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FAO. <strong>Digital technologies in agriculture and rural areas</strong>. Rome: Food and Agriculture Organization, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FAWC – Farm Animal Welfare Council. <strong>Report on priorities for animal welfare research and development</strong>. London, 1993.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Krueger, Maria Helena; Andrade, Amanda Tavares de; Soares, Carlos Emanoel Vieira Flores. A indústria 4.0 e suas revoluções nos setores da biotecnologia e agricultura. Revista OWL (OWL Journal), Campina Grande, v. 1, n. 2, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MELLOR, D. J. Updating animal welfare thinking: moving beyond the “Five Freedoms” towards “A Life Worth Living”. <strong>Animals</strong>, v. 6, n. 3, p. 21, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MELLOR, D. J.; BEAUSOLEIL, N. J. Extending the ‘Five Domains’ model for animal welfare assessment to incorporate positive welfare states. <strong>Animals</strong>, v. 10, n. 10, p. 1870, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mendes, Luiz Gustavo Ribeiro; Martins, Athila Damasceno. Manejo de pastagem rotacionado na pecuária de corte com ênfase no bem-estar do animal: revisão de literatura. JNT &#8211; Facit Business and Technology Journal, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Moraes, Isabella Titico; Martini, Silvia Cristina; Valério, Mariana da Palma; Moura, Luan de Almeida; Campos, Higor Barreto; Boschi, Silvia Regina Matos da Silva; Scardovelli, Terigi Augusto; Silva, Alessandro Pereira da. Uso de aplicativos e softwares para práticas clínicas e educacionais na medicina veterinária: uma revisão integrativa. Revista Caderno Pedagógico, Curitiba, v.21, n.5, p. 01-19, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NEETHIRAJAN, S. The role of sensors, big data and machine learning in modern animal farming. <strong>Sensing and Bio-Sensing Research</strong>, v. 29, 100367, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ribeiro, Renan Janez do Nascimento; Nunes, Larissa Aparecida; Nunes, Luan Kaike de Melo. A tecnologia no manejo produtivo e reprodutivo dos bovinos de corte. Itapetininga: Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rodrigues, Ellen Maria Jardim; Luz, Dayane de Oliveira; Silva, Patrícia Arruda Moreira da; Oliveira, Rosângela Aparecida Pereira de; Guimarães, Carla Regina Rocha. Os avanços tecnológicos da biotecnologia no século XXI e o papel do zootecnista no melhoramento genético de equinos. Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ROGERS, E. M. <strong>Diffusion of Innovations</strong>. 5. ed. New York: Free Press, 2003.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Souza, Lucas Leandro de; Silva, Rhamon Costa e. Inteligência artificial aplicada à bioclimatologia e comportamento animal. Revista Encontros Científicos UNIVS, v. 6, n. 2, p. 184-186, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Wesguerber, Tiago; Costa, Gabrielle Senetra da; Hennequin, Isabela Santos; Russi, Yuri Gabriel; Pinto, Willian Machado; Faria, Emmanuelle Cavalcante; Galeb, Luciana do Amaral Gurgel. A evolução da medicina veterinária legal: tendências atuais e futuras perspectivas. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, Curitiba, v.7, n.3, p. 1-15, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WOAH/OIE – World Organisation for Animal Health. Animal Welfare (Terrestrial Code, Ch. 7). Paris, 2022.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>IMPLANTAÇÃO DE ENDOEXOPRÓTESE EM MEMBRO TORÁCICO DE CÃO COMO ALTERNATIVA AO SALVAMENTO DE MEMBRO: RELATO DE CASO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/implantacao-de-endoexoprotese-em-membro-toracico-de-cao-como-alternativa-ao-salvamento-de-membro-relato-de-caso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Nov 2025 21:56:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Veterinaria]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511071855 Giovanna Cuba Balastegui1Bruno Spedo da Cruz2Camilla Magnani Hara3 Resumo&#160; A amputação é o tratamento de escolha para traumas graves e neoplasias em membros de cães, porém acarreta limitações funcionais ao membro acometido. Este trabalho descreve o caso de uma fêmea canina, Pitbull, 4 anos, com lesão grave por estrangulamento no membro torácico, [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511071855</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Giovanna Cuba Balastegui<sup>1</sup><br>Bruno Spedo da Cruz<sup>2</sup><br>Camilla Magnani Hara<sup>3</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A amputação é o tratamento de escolha para traumas graves e neoplasias em membros de cães, porém acarreta limitações funcionais ao membro acometido. Este trabalho descreve o caso de uma fêmea canina, Pitbull, 4 anos, com lesão grave por estrangulamento no membro torácico, onde a amputação alta foi inicialmente indicada. Devido à insistência dos tutores na preservação funcional, optou-se pela implantação de uma endoexoprótese em titânio cirúrgico (Ti6Al4V), fabricada por impressão 3D. O planejamento cirúrgico minucioso, incluindo controle de infecção pré-operatório e a&nbsp; avaliação neurológica, foi crucial. O procedimento resultou na fixação do implante e subsequente reabilitação fisioterapêutica intensiva. O caso demonstra que a tecnologia de osseointegração é uma alternativa viável e promissora, oferecendo aprimoramento da mobilidade e da qualidade de vida como um todo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Endoexoprótese; Osseointegração; Titânio; Impressão 3D; Ortopedia Veterinária; Salvamento de Membro.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introdução&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A perda de um membro em cães devido a traumas severos, neoplasias ou doenças congênitas é uma ocorrência que, muitas vezes, resulta na amputação como tratamento padrão. Embora essa seja uma medida eficaz para eliminar a causa do problema e prevenir complicações sistêmicas, a amputação total pode impactar significativamente a biomecânica e a qualidade de vida do animal, levando a sobrecargas nas articulações remanescentes e atrofia muscular (GAMA et al., 2023; KIM et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em busca de alternativas que promovam uma recuperação mais completa e funcional, as próteses osseointegradas, conhecidas como endoexopróteses, emergem como uma solução promissora na medicina veterinária (OLIVEIRA et al., 2025; MONTI et al., 2018). Essa técnica permite a fixação de um implante diretamente no tecido ósseo remanescente, restaurando a capacidade de suporte de peso e deambulação. O sucesso desta abordagem depende de um rigoroso planejamento cirúrgico e de uma reabilitação intensa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo deste trabalho é relatar o caso clínico de um canino submetido à implantação de uma endoexoprótese torácica, demonstrando a aplicação de tecnologia avançada (impressão 3D e titânio grau 5) e o manejo multidisciplinar necessário para o salvamento e reabilitação funcional do membro.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Relato do Caso Clínico</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Histórico e Exame Clínico</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A paciente, uma fêmea canina de 4 anos, da raça Pitbull, pesando 25,60 kg, foi resgatada de maus tratos, encontrada com o membro torácico amarrado em uma corda, o que causou uma ferida extensa expondo ligamentos e inervações, tornando o membro inviável. A natureza da lesão, um trauma por estrangulamento de longa duração, resultou em necrose tecidual e déficits neurológicos. A indicação inicial foi a amputação alta, mas os tutores, buscando a preservação funcional, insistiram em manter o máximo do comprimento do membro. Mesmo apresentando uma lesão extensa nos tecidos moles (tendão, ligamento e nervos) e múltiplas fraturas nas falanges, uma porção viável do membro permaneceu, o que permitiu a avaliação de uma solução protética.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Planejamento e Procedimento Cirúrgico&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O planejamento cirúrgico foi crucial. Para a realização do procedimento, foi necessário um manejo rigoroso da ferida em etapas, incluindo desbridamento e acompanhamento até a resolução da infecção local, um passo fundamental para evitar a falha da osseointegração (MONTI et al., 2018). Foi realizada uma avaliação neurológica aprofundada que, juntamente com a execução de radiografia confirmou a ausência de sensibilidade nociceptiva na ponta do membro, mas a viabilidade óssea para a fixação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em conjunto com uma empresa especializada em próteses, o projeto foi concebido utilizando a tecnologia de Impressão 3D (SOUZA &amp; BREMER, 2024). A endoprótese foi fabricada em titânio cirúrgico, grau 5 (Ti6Al4V), um material de eleição por sua alta biocompatibilidade, resistência à fadiga e capacidade de promover a osseointegração (DONAGHY et al., 2020). O design personalizado garantiu o encaixe preciso no remanescente ósseo, e a prótese foi complementada com amortecimento e solado de borracha para melhor acomodação do membro.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pós Operatório e Reabilitação</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o pós cirúrgico, foram administrados anti inflamatórios esteroidais, analgésicos para dor neuropática (como gabapentina) e medicação tópica cicatrizante. O manejo da interface foi rigoroso, com higiene diária e monitoramento de infecções, que são a principal complicação de longo prazo (WANG et al., 2023). A reabilitação à base de fisioterapia foi iniciada precocemente e evoluiu em fases: controlando a dor e edema, recuperando&nbsp; amplitude de movimento e suportando o&nbsp; peso progressivamente . Técnicas como a hidroterapia foram utilizadas para permitir a movimentação precoce do membro sem sobrecarga excessiva, fundamental para a adaptação e recuperação muscular (ROSA et al., 2024; DYBCZYŃSKA et al., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Discussão&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O caso ap</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tendência atualmente se baseia na busca de alternativas funcionais à amputação. A decisão de optar pela endoexoprótese baseou-se na viabilidade óssea remanescente e no desejo dos tutores, apesar da complexidade das lesões de tecidos moles e nervosos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sucesso inicial do procedimento está ligado principanervoso à tecnologia de implante e manejo da infecção. O uso do titânio grau 5 impresso em 3D não só permitiu um ajuste personalizado e preciso (GUPTA et al., 2022) mas também maximizou as condições para a osseointegração, graças às propriedades do material e à arquitetura de superfície porosa (HILDEBRAND et al., 2021; CHEN et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A condução pós operatória incluiu o controle rigoroso da dor e a prevenção de infecções e sepse. Complicações como a osteomielite e a infecção de partes moles na interface são os maiores desafios a longo prazo para a durabilidade destes implantes (MONTI et al., 2018; LEE et al., 2023). Por fim, a fisioterapia multimodal foi essencial para a reaquisição da função. A literatura demonstra que a reabilitação intensiva melhora a qualidade de vida e a funcionalidade de cães com próteses, prevenindo a sobrecarga dos membros remanescentes (BALTZER, 2020; ZHU et al., 2023).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Conclusão&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A endoexoprótese representa uma abordagem inovadora e viável para o salvamento de membros em cães com lesões traumáticas complexas. Este relato de caso demonstra o sucesso de um procedimento que, mediante planejamento cirúrgico meticuloso, o uso de titânio 3D de alta qualidade e um protocolo de reabilitação rigoroso, proporcionou à paciente uma adaptação funcional positiva. A técnica oferece uma promissora alternativa à amputação, com potencial para restaurar a mobilidade e elevar a qualidade de vida de animais criteriosamente selecionados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, M. V. L. D. et al. Aspectos gerais da fisioterapia e reabilitação na medicina veterinária. Revista Ciência Veterinária (UniFil), v. 1, n. 3, p. 69-78, 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ARAUJO, L. T. et al. Uso de impressão 3D e prototipagem rápida no planejamento cirúrgico ortopédico veterinário. Veterinária e Zootecnia, v. 30, p. 1-10, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BALTZER, W. Rehabilitation of companion animals following orthopaedic surgery. New Zealand Veterinary Journal, v. 68, n. 3, p. 157–167, 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BUENO, L. F. et al. Multimodal pain management in orthopedic surgery in dogs: A systematic review. Veterinary Medicine and Science, v. 9, n. 4, p. 1656-1665, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHEN, J. et al. Surface modification of titanium implants to improve osseointegration: A review. Frontiers in Bioengineering and Biotechnology, v. 11, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CLARK, P. E. E. et al. Advances in Osseointegrated Prosthetics for Veterinary Limb Salvage. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 53, n. 2, p. 301-315, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">DONAGHY, M. et al. Titanium for Orthopedic Applications: An Overview of Surface Modification to Improve Biocompatibility and Prevent Bacterial Biofilm Formation. Materials, v. 13, n. 23, p. 5560, 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">DYBCZYŃSKA, M. et al. Selected Techniques for Physiotherapy in Dogs. Animals, v. 12, n. 14, p. 1760, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FAUSTINO, R. C. S. Endoexoprótese em membro torácico de cadela com osteosarcoma em Rádio e Ulna distal – relato de caso. 2021. Monografia (Especialização em Cirurgia de Animais de Companhia) – Escola de Veterinária, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GAMA, B. P. et al. Fixed bilateral endo-exo prostheses in feline femur – case report. Arquivos Brasileiros de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 75, n. 4, p. 1198-1204, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GEMA, M. E. R. et al. Evaluation of the clinical outcomes of osseointegrated prostheses in dogs: a retrospective study. Veterinary and Comparative Orthopaedics and Traumatology, v. 35, n. 4, p. 270-277, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GUPTA, S. et al. 3D printing in veterinary orthopedic surgery: A review of applications and challenges. Veterinary Surgery, v. 51, n. 6, p. 1004-1014, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">HILDEBRAND, J. A. et al. Osseointegration in additive-manufactured titanium implants: A systematic review of animal studies on the need for surface treatment. International Journal of Implant Dentistry, v. 12, n. 1, p. 24, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">KIM, Y. et al. Biomechanical analysis of canine gait before and after limb amputation: A systematic review. Journal of Veterinary Science, v. 25, n. 1, p. e5, 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LEE, S. Y. et al. Management of soft tissue complications in osseointegrated transcutaneous implants in dogs. Veterinary Surgery, v. 52, n. 3, p. 450-458, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIMA, V. P. et al. Titanium implants in veterinary medicine: properties and applications. Ciência Rural, v. 52, n. 8, p. e20210775, 2022.&nbsp;</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Médica Veterinária formada pela Universidade Anhanguera, especializada em neurologia, Clínica de pequenos animais e pós graduanda de cirurgia de tecidos moles. Veterinária Clínica de cães e gatos na clínica veterinária Vethealthato em São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil.<br><sup>2</sup>Médico Veterinário formado pela Universidade Metodista de São Paulo, especializado em Cirurgia de tecidos moles Ortopedia, Neurologia e neurocirurgia. CEO da Clínica Veterinária Especializada em Ortopedia e Neurologia VethealthHato em São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil.<br><sup>3</sup>Médica Veterinária formada pela Universidade Metodista de São Paulo, especializada em Clínica médica de cães e gatos e anestesiologia Veterinária. CEO da Clínica Veterinária Especializada em Ortopedia e Neurologia VethealthHato em São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil</p>
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