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	<title>Fonoaudiologia &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<description>Revista Científica de Alto Impacto.</description>
	<lastBuildDate>Sat, 27 Sep 2025 14:49:13 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Fonoaudiologia &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<item>
		<title>NEONATOS E LACTENTES COM CARDIOPATIA CONGÊNITA: NUANCES RELACIONADAS À ALIMENTAÇÃO POR VIA ORAL</title>
		<link>https://revistaft.com.br/neonatos-e-lactentes-com-cardiopatia-congenita-nuances-relacionadas-a-alimentacao-por-via-oral/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Sep 2025 17:45:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fonoaudiologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 150/SET 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[NEONATES AND INFANTS WITH CONGENITAL HEART DISEASE: NUANCES RELATED TO ORAL FEEDING NEONATOS Y LACTANTES CON CARDIOPATÍAS CONGÉNITAS: MATICES RELACIONADOS CON LA ALIMENTACIÓN ORAL REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202509221443 Josiene dos Santos1Maria da Conceição Carneiro Pessoa de Santana2Ana Marlusia Alves Bomfim3Alexsandra Nunes de Assunção4Erika Henriques de Araújo Alves da Silva5Waleria Ferreira da Silva6Maria Isabele Carneiro Pessoa de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">NEONATES AND INFANTS WITH CONGENITAL HEART DISEASE: NUANCES RELATED TO ORAL FEEDING</p>



<p class="wp-block-paragraph">NEONATOS Y LACTANTES CON CARDIOPATÍAS CONGÉNITAS: MATICES RELACIONADOS CON LA ALIMENTACIÓN ORAL</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202509221443</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Josiene dos Santos<sup>1</sup><br>Maria da Conceição Carneiro Pessoa de Santana<sup>2</sup><br>Ana Marlusia Alves Bomfim<sup>3</sup><br>Alexsandra Nunes de Assunção<sup>4</sup><br>Erika Henriques de Araújo Alves da Silva<sup>5</sup><br>Waleria Ferreira da Silva<sup>6</sup><br>Maria Isabele Carneiro Pessoa de Santana<sup>7</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Neonatos e lactentes com cardiopatia congênita apresentam risco aumentado de dificuldades alimentares devido a múltiplos fatores, como: descompensação hemodinâmica, maior esforço respiratório, gastro-refluxo, internações prolongadas, ventilação mecânica e possíveis lesões iatrogênicas. Essas condições podem impactar o ganho ponderal, aumentar o tempo de internação e elevar o risco de aspiração e complicações respiratórias. Esta revisão sintetiza evidências sobre aspectos relacionados à prevalência, a fatores fisiopatológicos, a processos de avaliação (clínica e instrumental), ao manejo fonoaudiológico e a implicações para a equipe interdisciplinar. Compreender as nuances da alimentação por via oral em neonatos e lactentes com cardiopatia congênita é fundamental para orientar práticas clínicas seguras, eficazes e centradas nas necessidades individuais de cada paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Recém-Nascido; Lactente; Cardiopatias Congênitas; Ingestão de Alimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Neonates and infants with congenital heart disease are at increased risk of feeding difficulties due to multiple factors, such as hemodynamic decompensation, increased respiratory effort, gastro-reflux, prolonged hospitalizations, mechanical ventilation, and potential iatrogenic injuries. These conditions can impact weight gain, increase hospital stays, and increase the risk of aspiration and respiratory complications. This review synthesizes evidence on aspects related to prevalence, pathophysiological factors, assessment processes (clinical and instrumental), speech-language pathology management, and implications for the interdisciplinary team. Understanding the nuances of oral feeding in neonates and infants with congenital heart disease is essential to guide safe, effective clinical practices focused on the individual needs of each patient.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>Infant, Newborn; Infant; Heart Defects, Congenital; Eating / Food Intake / Dietary Intake.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMEN</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Los neonatos y lactantes con cardiopatías congénitas presentan un mayor riesgo de dificultades alimentarias debido a múltiples factores, como la descompensación hemodinámica, el aumento del esfuerzo respiratorio, el reflujo gastroesofágico, las hospitalizaciones prolongadas, la ventilación mecánica y las posibles lesiones iatrogénicas. Estas afecciones pueden afectar el aumento de peso, aumentar las estancias hospitalarias y aumentar el riesgo de aspiración y complicaciones respiratorias. Esta revisión sintetiza la evidencia sobre aspectos relacionados con la prevalencia, los factores fisiopatológicos, los procesos de evaluación (clínica e instrumental), el manejo de la logopedia y las implicaciones para el equipo interdisciplinario. Comprender los matices de la alimentación oral en neonatos y lactantes con cardiopatías congénitas es esencial para guiar prácticas clínicas seguras y eficaces, centradas en las necesidades individuales de cada paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palabras-clave: </strong>Recién Nacido; Lactante; Cardiopatías Congénitas; Ingestión de Alimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A cardiopatia congênita (CC) é definida como uma anomalia estrutural do coração e/ou dos grandes vasos presente ao nascimento, que pode variar desde defeitos hemodinamicamente insignificantes até lesões complexas que exigem intervenção cirúrgica precoce (Meng et al., 2024). Estima-se que a CC afete de 8 a 10 por 1.000 nascidos vivos, configurando-se como a anomalia congênita mais comum e uma das principais causas de morbimortalidade infantil (Chan et al., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Crianças nascidas com CC, frequentemente, apresentam desafios nutricionais e de alimentação, desde a fase neonatal, decorrentes de mecanismos fisiopatológicos como cianose, sobrecarga pulmonar, redução do débito cardíaco e maior esforço respiratório, que comprometem a coordenação entre sucção-deglutição-respiração e aumentam o risco de intolerância oral e desequilíbrio energético (Chan et al., 2025; Kołodzie; Skulimowska, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto pediátrico, a delimitação etária é essencial para compreender o impacto da CC sobre o desenvolvimento alimentar. O termo neonato se refere ao recém-nascido durante os primeiros 28 dias de vida, período de maior vulnerabilidade adaptativa e de maior risco de morbidade e mortalidade (WHO, 2023); já o termo lactente corresponde à criança no período após o neonatal até o primeiro e, em algumas definições, até 23 meses de idade (BIREME/OPAS/OMS, 2025). Essas delimitações temporais são importantes porque a maturação das habilidades de alimentação oral e a capacidade de gerar aporte calórico adequado mudam rapidamente, durante esses períodos (Lau et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ingestão por via oral depende da interação harmônica entre sucção, deglutição e respiração. Em neonatos e lactentes com CC, esse processo é frequentemente comprometido por alterações fisiopatológicas, como insuficiência cardíaca, cianose, sobrecarga pulmonar e fadiga respiratória, resultando em risco aumentado de disfagia, aspiração e dificuldades no ganho ponderoestatural (Norman et al., 2022; Silva et al., 2023). Estudos apontam que entre 30% e 50% dessas crianças apresentam distúrbios de alimentação ou deglutição, com impacto direto sobre tempo de internação, prognóstico cirúrgico e qualidade de vida familiar (Norman et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lactentes com cardiopatia congênita podem apresentar uma série de desafios na alimentação oral, como dificuldades na sucção eficaz devido a fraqueza muscular, fadiga durante a alimentação devido à baixa capacidade cardíaca, e problemas de coordenação motora oral decorrentes de alterações anatômicas no trato orofacial. Esses desafios podem levar a recusa alimentar, desnutrição, aspiração e pneumonia por aspiração (Silva et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2019, alguns pesquisadores (Goday et al., 2029) propuseram o termo ”distúrbio alimentar pediátrico” (DAP) para definir a condição em que a criança possui uma ingestão oral prejudicada e não apropriada para a sua idade, com interferências em seu desenvolvimento. Segundo eles, o DAP pode ser ocasionado por uma disfunção médica, nutricional, habilidade alimentar e/ou psicossocial e pode ocorrer em qualquer fase da infância, sendo mais prevalente entre 6 meses e 4 anos de idade (Dutra et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Publicações apontam movimento para cuidados nutricionais individualizados, com estratégias que consideram a fisiologia hemodinâmica da CC, favorecendo abordagens estratificadas que buscam otimizar o ganho de peso sem aumentar complicações (Chan et al., 2025). Estudos recentes também questionam práticas tradicionais de jejum perioperatório, mostrando que, quando criteriosamente aplicadas, abordagens de alimentação pré-operatória e protocolos padronizados podem favorecer maior probabilidade de alimentação oral plena na alta hospitalar (Irfan et al., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, compreender as nuances da alimentação por via oral em neonatos e lactentes com CC é fundamental para planejar estratégias de cuidado que favoreçam a segurança alimentar, o desenvolvimento global e a redução de complicações hospitalares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo é<strong> </strong>sintetizar as evidências científicas acerca da prevalência das dificuldades alimentares em neonatos e lactentes com cardiopatia congênita, discutir os fatores fisiopatológicos associados, descrever os métodos de avaliação clínica e instrumental, destacar o manejo fonoaudiológico e refletir sobre as implicações para a prática interdisciplinar em saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma revisão de literatura, a qual resultou na construção de uma análise ampla e objetiva das evidências encontradas. O estudo foi estruturado seguindo seis etapas: 1) elaboração do problema de pesquisa; 2) busca nas bases de dados; 3) seleção dos estudos; 4) coleta de dados; 5) análise e interpretação; 6) divulgação dos resultados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para responder à pergunta de pesquisa “o que as evidências referem sobre a alimentação por via oral em neonatos e lactentes com cardiopatia congênita?”,&nbsp; foram realizadas buscas em bases eletrônicas &#8211; Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System online (MEDLINE), Scielo e serviço de pesquisa da National Library of Medicine nas bases de dados PubMed – até setembro de 2025, com os termos: Feeding Behavior, Feeding Methods, Deglutition Disorders, Congenital Heart Disease, Nutrition, Infant, Newborn.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram selecionadas evidências relacionadas à pergunta norteadora, sem restrições quanto ao tipo do estudo e ao idioma. Os estudos foram triados com leitura dos títulos e resumos e seguiram para avaliação de texto completo. Também foram incluídos diretrizes nacionais e documentos internacionais sobre alimentação e deglutição pediátrica.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. RESULTADOS E DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram localizados 64 registros nas bases de dados, sendo:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Cinco, na SciELO, para as estratégias de busca: deglutition disorders AND Congenital heart disease / congenital heart disease AND nutrition AND infant / nutrition AND Congenital heart disease/ feeding methods AND Congenital heart disease;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; 48, na MEDLINE (Via PubMed), para as estratégias: feeding behavior AND deglutition disorders AND Congenital heart disease / deglutition disorders AND newborn AND Congenital heart disease;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; 11, na LILACS, para as estratégias: doença cardíaca congênita AND nutrição AND recém-nascido / doença cardíaca congênita AND métodos de alimentação AND recém-nascido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram analisados títulos e resumos e, das 64 evidências, 28 foram selecionadas para leitura completa, dos quais 19 pré-selecionados foram excluídos por não estarem associados à pergunta norteadora da pesquisa. Ao final da busca, 9 foram incluídos nesta revisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As evidências selecionadas serão apresentadas de acordo com os aspectos: (1) prevalência e fatores associados; (2) fisiopatologia das dificuldades alimentares; (3) estratégias de avaliação; (4) intervenções fonoaudiológicas e recomendações práticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos e revisões mostram ampla variabilidade na prevalência de dificuldades alimentares e disfagia em crianças com CC. Estimativas relatam taxas que variam amplamente (~18% a &gt;80%), dependendo da população, idade e critérios diagnósticos. Essas dificuldades estão associadas a maior necessidade de alimentação por sonda, maior tempo de internação e risco de crescimento inadequado (Norman et al., 2022). As evidências selecionadas e estudadas no âmbito dessa categoria destacam impacto sobre ganho de peso, custos, tempo de internação e qualidade de vida familiar. Ressaltam-se as seguintes implicações clínicas<strong>:</strong> monitorização nutricional rigorosa e rastreamento fonoaudiológico precoce são essenciais para identificar lactentes em risco e planejar intervenções.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os seguintes mecanismos fisiopatológicos contribuem para a disfunção alimentar em CC (Lefton-Greif, 2021): alterações hemodinâmicas, incluindo hipoperfusão sistêmica, congestão pulmonar e baixa tolerância ao esforço, que comprometem a eficiência e a resistência funcional durante os processos de sucção e deglutição; respiração aumentada / taquipneia compromete a coordenação sucção-deglutição-respiração, favorecendo aspiração e engasgos; imaturidade neuromotora (particularmente em recém-nascidos prematuros com CC) prejudica padrões motores orais; experiências alimentares limitadas (múltiplos procedimentos, intubação, jejum) conduzem a aversão oral e atraso do aprendizado das habilidades alimentares.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Revisões narrativas e revisões de diretrizes indicam que o manejo nutricional deve ser individualizado, considerando a fisiologia do defeito cardíaco (por exemplo, sobrecarga pulmonar que limita oferta hídrica versus situações de hipoperfusão em que a tolerância enteral pode ser reduzida). Recomenda-se priorizar leite materno quando possível, usar fortificação calórica quando necessário para otimizar ganho (respeitando restrições de volume) e ter baixo limiar para suporte alternativo (sonda nasoenteral / nutrição parenteral) quando a oferta oral for insegura. Revisões de diretrizes (Kołodziej; Skulimowska, 2024) mostram heterogeneidade nas recomendações e apontam lacunas importantes na qualidade da evidência, ressaltando a necessidade de protocolos institucionais adaptados e pesquisa adicional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Avaliações clínicas apenas (observação de mamada e sinais clínicos) subestimam a presença de aspiração silenciosa em lactentes com CC. Estudos mostram que VFSS (videofluoroscopic swallowing study) e FEES (fiberoptic endoscopic evaluation of swallowing) detectam alterações que mudam o manejo clínico (modificação de consistência, indicação de jejum, necessidade de sondas). Em particular, trabalhos como Kwa et al. (2022), demonstraram que o exame FEES é viável, bem tolerado e útil na avaliação de disfagia em lactentes com CC e que sinais como congestão laríngea úmida no FEES se correlacionam com risco aumentado de aspiração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A avaliação clínica fonoaudiológica em neonatos e lactentes com CC é crucial para detectar e intervir precocemente em dificuldades alimentares. As alterações hemodinâmicas — incluindo hipoperfusão sistêmica, congestão pulmonar e baixa tolerância ao esforço — reduzem a eficiência e a resistência necessárias para a sucção e deglutição (Goday et al., 2019). A atuação fonoaudiológica inclui aplicação de protocolos específicos de avaliação miofuncional orofacial, observação da sucção e deglutição, análise de sinais de risco durante a alimentação e orientação familiar, sempre em articulação com a equipe interdisciplinar, garantindo segurança, eficácia e otimização do ganho ponderal (Silva et al., 2023; Kwa et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Evidência observacional sugere benefício funcional da exposição controlada à alimentação oral antes da cirurgia. Estudos/coortes multicêntricas (Dabbagh et al.; Irfan et al., 2025) reportaram que neonatos/lactentes que receberam oferta oral (quando segura) no pré-operatório tiveram maior probabilidade de alta hospitalar sem necessidade de alimentação por sonda. Esses estudos, embora observacionais, sugerem que a proibição sistemática de alimentação oral pré-operatória pode impedir o desenvolvimento de competências orais necessárias para o desmame. É importante interpretar esses achados com cautela (potencial viés de seleção), mas eles sustentam a prática de considerar oferta por via oral/aleitamento pré-operatório quando o estado hemodinâmico permite e com monitorização adequada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As intervenções direcionadas a neonatos e lactentes com cardiopatia congênita devem priorizar três pilares fundamentais: segurança da via aérea, otimização do ganho calórico e estímulo à aprendizagem alimentar. A segurança da via aérea é crucial devido ao risco elevado de aspiração e disfagia, especialmente em crianças com insuficiência cardíaca, cianose ou fadiga durante a sucção. Estratégias incluem posicionamento adequado durante a alimentação, monitorização da saturação de oxigênio, pausas programadas e uso de técnicas de suporte oral específicas, com supervisão fonoaudiológica constante (Chan et al., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paralelamente, a intervenção visa garantir aporte energético suficiente para o crescimento e desenvolvimento, considerando que neonatos e lactentes com cardiopatia congênita apresentam maior gasto energético basal e menor eficiência de sucção. O manejo nutricional pode envolver ajuste da densidade calórica das fórmulas ou do leite materno, uso de técnicas compensatórias de sucção, volumes fracionados e, quando necessário, suplementação enteral temporária (Chan et al., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outrossim, a aprendizagem alimentar deve ser estimulada de forma gradual e individualizada, respeitando o ritmo e a tolerância de cada lactente. Intervenções fonoaudiológicas incluem exercícios de estimulação oral, treinamento da coordenação sucção-deglutição-respiração, exposição controlada a diferentes volumes e consistências e reforço positivo para aceitação de alimentos, promovendo o desenvolvimento de habilidades alimentares seguras e independentes ao longo do tempo (Chan et al., 2025). Essas práticas integradas são essenciais para reduzir complicações, otimizar o ganho ponderal e favorecer a transição para a alimentação oral plena, impactando positivamente o prognóstico clínico e a qualidade de vida familiar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os aspectos fonoaudiológicos relacionados à alimentação por via oral em lactentes com cardiopatia congênita exigem uma abordagem interdisciplinar e no âmbito da singularidade do cuidado. A intervenção precoce e baseada em evidências é essencial para otimizar o desenvolvimento alimentar desses bebês e prevenir complicações a longo prazo. A colaboração entre os profissionais de saúde é fundamental para garantir os melhores desfechos possíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ressalta-se que a intervenção fonoaudiológica visa aprimorar as habilidades alimentares do lactente e promover uma alimentação segura e eficaz. Isso pode incluir técnicas de posicionamento adequado durante a alimentação, exercícios de fortalecimento muscular oral, uso de bicos e mamadeiras especiais, e adaptações na consistência e volume dos alimentos. Além disso, a orientação dos pais é crucial para garantir a continuidade do tratamento em casa (Oliveira <em>et al</em>., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lactentes com CC enfrentam desafios importantes para a amamentação: fadiga durante a mamada, dessincronização sucção–deglutição–respiração, maior gasto energético, risco de descompensação hemodinâmica e maior prevalência de disfagia/aspiração. Todavia, apesar desses desafios, leite humano e a amamentação direta estão associados a melhores desfechos clínicos em vários estudos e devem ser priorizados, sempre que clinicamente possível, com suporte multidisciplinar (cardiologia, neonatologia, nutrição, fonoaudiologia e apoio à lactação) (Elgersma et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A amamentação direta pode ser viável para muitos neonatos com CC, mas sua segurança deve ser avaliada caso a caso. Sinais de risco que recomendam investigação ou suporte incluem dessaturação significativa durante a mamada, cansaço importante que impede a ingestão do volume necessário, vômitos persistentes ou sinais clínicos de aspiração. Quando houver suspeita de aspiração ou dificuldade de coordenação, a avaliação fonoaudiológica clínica e, se indicado, instrumental (VFSS ou FEES) deve ser realizada, pois avaliações clínicas isoladas podem subestimar aspiração silenciosa. Pesquisadores (Kwa et al., 2022) demonstraram que FEES é uma ferramenta viável e informativa em lactentes com CC e pode orientar decisões sobre manutenção/alteração da amamentação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chan et al. (2025) destacam que a nutrição em neonatos e lactentes com cardiopatia congênita deve ser cuidadosamente individualizada, considerando o alto gasto energético basal, a baixa tolerância à alimentação oral e os riscos associados à fadiga e à aspiração. Os autores enfatizam a importância de estratégias que combinem aportes calóricos adequados — por meio de fórmulas densificadas ou leite materno enriquecido — com técnicas adaptativas de alimentação, como posicionamento adequado, sucção fracionada, pausas durante a mamada e monitoramento clínico contínuo. Além disso, a equipe multiprofissional deve promover a transição gradual para a alimentação oral plena, priorizando a segurança da via aérea, o estímulo ao desenvolvimento de habilidades alimentares e a aprendizagem de padrões de sucção-deglutição-respiração eficientes. Essas práticas nutricionais individualizadas são fundamentais para otimizar o ganho ponderal, reduzir complicações pós-operatórias e favorecer a evolução clínica global desses pacientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise da literatura sobre neonatos e lactentes com cardiopatia congênita evidenciou que esses pacientes apresentam elevada prevalência de dificuldades alimentares, resultantes de alterações fisiológicas que comprometem a coordenação entre sucção, deglutição e respiração, além de favorecerem a fadiga durante a alimentação. Tais dificuldades podem afetar o ganho ponderal, o desenvolvimento global e a segurança alimentar, reforçando a importância de intervenções precoces e individualizadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A avaliação clínica e instrumental constitui ferramenta essencial para identificar alterações específicas, permitindo o planejamento de estratégias que promovam segurança, eficiência e progressão da alimentação oral. O manejo fonoaudiológico desempenha papel central nesse contexto, abrangendo a proteção da via aérea, o estímulo à aprendizagem alimentar e a otimização do aporte calórico, além de orientar as famílias sobre práticas de alimentação seguras e adaptadas às necessidades do neonato ou lactente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A integração de profissionais de diferentes áreas é determinante para a implementação de um cuidado interdisciplinar efetivo. A colaboração possibilita intervenções coordenadas, favorecendo desfechos clínicos positivos, desenvolvimento saudável das crianças e melhoria da qualidade de vida das famílias. Dessa forma, compreender as nuances da alimentação por via oral em neonatos e lactentes com cardiopatia congênita é fundamental para orientar práticas clínicas seguras, eficazes e centradas nas necessidades individuais de cada paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BIREME/OPAS/OMS. Descritores em Ciências da Saúde: DeCS. Termo: Infant/Lactente. São Paulo: BIREME, 2025. Disponível em: https://decs.bvsalud.org/. Acesso em: 15 set. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHAN, Belinda; WOODBURY, Anne; HAZELWOOD, Libbi; SINGH, Yogen. Feeding Approach to Optimizing Nutrition in Infants with Congenital Heart Disease. <strong>Journal of Cardiovascular Development and Disease</strong>, v. 12, n. 2, p. 38, 2025. Disponível em: <a href="https://doi.org/10.3390/jcdd12020038">https://doi.org/10.3390/jcdd12020038</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">DABBAGH, A.; MILLER, S.; McCULLOCH, M.; ROSENTHAL, G.; CONAWAY, M.; WHITE, S<strong>.</strong> Preoperative oral feeding in infants with congenital heart disease within the first month of life is associated with a higher likelihood of freedom from tube feeding at time of postoperative discharge. <strong>Pediatric Cardiology</strong>, v. 46, p. 1–8, 2025. DOI: 10.1007/s00246-024-03750-z. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s00246-024-03750</p>



<p class="wp-block-paragraph">GODAY, P. S. et al. Pediatric feeding disorder: consensus definition and conceptual framework. <strong>Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition</strong>, v. 68, n. 1, p. 124-129, 2019. DOI: https://doi.org/10.1097/MPG.0000000000002188&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">IRFAN, A.; DABBAGH, A.; MILLER, S.; McCULLOCH, M.; ROSENTHAL, G.; CONAWAY, M.; WHITE, S. Preoperative oral feeding in infants with congenital heart disease within the first month of life: feasibility and impact on discharge feeding modality. <strong>Pediatric Cardiology</strong>, 2025. DOI: https://doi.org/10.1007/s00246-025-03688-y</p>



<p class="wp-block-paragraph">KWA, Lauren; WILLETTE, Susan; SCHROEDER, James W. Jr. Evaluating dysphagia in infants with congenital heart disease using fiberoptic endoscopic evaluation of swallowing. International <strong>Journal of Pediatric Otorhinolaryngology</strong>, v. 152, p. 111004, jan. 2022. DOI: 10.1016/j.ijporl.2021.111004. Disponível em: <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0165587621003979">https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0165587621003979</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">KOŁODZIEJ, M.; SKULIMOWSKA, J. A systematic review of clinical practice guidelines on the management of malnutrition in children with congenital heart disease. <strong>Nutrients</strong>, v. 16, n. 16, p. 2778, ago. 2024. DOI: 10.3390/nu16162778. Disponível em: https://www.mdpi.com/2072-6643/16/16/2778</p>



<p class="wp-block-paragraph">LAU, C.; AL-SAFAR, A.; CORVINO, T. Development of infant oral feeding skills: what do we know? <strong>Journal of Perinatology</strong>, v. 42, p. 1485-1493, 2022. DOI: <a href="https://doi.org/10.1038/s41372-022-01374-6">https://doi.org/10.1038/s41372-022-01374-6</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LEFTON-GREIF, M. A. et al. Disruptions in the development of feeding for infants with congenital heart disease. <strong>Cardiology in the Young</strong>, v. 31, n. 4, p. 589–596, abr. 2021. DOI: 10.1017/S1047951120004382</p>



<p class="wp-block-paragraph">MENG, X.; SONG, M.; ZHANG, K.; LU, W.; LI, Y.; ZHANG, C.; ZHANG, Y. Congenital heart disease: types, pathophysiology, diagnosis, and treatment options. <strong>MedComm</strong> (2020), v. 5, n. 7, e631, 2024. DOI: https://doi.org/10.1002/mco2.631</p>



<p class="wp-block-paragraph">NORMAN, V.; ZÜHLKE, L.; MURRAY, K.; MORROW, B. Prevalence of feeding and swallowing disorders in congenital heart disease: a scoping review. Frontiers in <strong>Pediatrics</strong>, v. 10, 2022. DOI: https://doi.org/10.3389/fped.2022.1016489</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA, R. S. et al. Desenvolvimento alimentar em lactentes com cardiopatia congênita: abordagem fonoaudiológica. <strong>Revista de Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional</strong>, v. 12, n. 1, p. 45–58, 2024. Disponível em: https://www.rfteo.org.br/volumes/2024/12-1/45-58</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, M. A. et al. Intervenção fonoaudiológica na alimentação de lactentes com cardiopatia congênita: uma revisão sistemática. <strong>Jornal Brasileiro de Fonoaudiologia</strong>, v. 41, n. 3, p. 210-225, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Newborn health. Genebra: WHO, 2023. Disponível em: <a href="https://www.who.int/health-topics/newborn-health">https://www.who.int/health-topics/newborn-health</a>. Acesso em: 15 set. 2025.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduanda em Fonoaudiologia pela Universidade Estadual de&nbsp;Ciências da Saúde de Alagoas &#8211; UNCISAL&nbsp;E-mail: <a href="mailto:josiene.santos@academico.uncisal.edu.br">josiene.santos@academico.uncisal.edu.br</a><br><sup>2</sup>Professora da UNCISAL; Fonoaudióloga do Hospital Universitário&nbsp;Professor Alberto Antunes (HUPAA/EBSERH⁄UFAL). E-mail: <a href="mailto:maria.pessoa@uncisal.edu.br">maria.pessoa@uncisal.edu.br</a><br><sup>3</sup>Professora Adjunta da UNCISAL. E-mail: <a href="mailto:ana.bomfim@uncisal.edu.br">ana.bomfim@uncisal.edu.br</a><br><sup>4</sup>Fonoaudióloga da Prefeitura Municipal de Palmeira dos Índios-AL&nbsp; e da UNCISAL (MESM/CER). E-mail: <a href="mailto:fga.alexsandra.nunes@hotmail.com">fga.alexsandra.nunes@hotmail.com</a><br><sup>5</sup>Professora da UNCISAL. E-mail: <a href="mailto:erika.henriques@uncisal.edu.br">erika.henriques@uncisal.edu.br</a><br><sup>6</sup>Fonoaudióloga da Secretaria de Saúde de Maceió-AL e&nbsp;da UNCISAL (MESM). E-mail: <a href="mailto:ferreira.waleria@gmail.com">ferreira.waleria@gmail.com</a><br><sup>7</sup>Graduanda em Medicina CESMAC. E-mail: <a href="mailto:maria.isabele.santana@gmail.com">maria.isabele.santana@gmail.com</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>DISFUNÇÃO VESTIBULAR EM MULHERES NA MENOPAUSA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/disfuncao-vestibular-em-mulheres-na-menopausa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Sep 2025 15:11:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fonoaudiologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 150/SET 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=235503</guid>

					<description><![CDATA[VESTIBULAR DYSFUNCTION IN MENOPAUSAL WOMEN REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202509221208 Nathália Beatriz Alexandre Vitor1Lauralice Raposo Marques2 RESUMO Introdução:&#160; A menopausa marca o fim da capacidade reprodutiva feminina e está associada a alterações hormonais que podem impactar o sistema vestibular, gerando sintomas como tontura, vertigem e instabilidade. A avaliação otoneurológica é essencial para identificar possíveis lesões no sistema [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">VESTIBULAR DYSFUNCTION IN MENOPAUSAL WOMEN</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202509221208</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Nathália Beatriz Alexandre Vitor<sup>1</sup><br>Lauralice Raposo Marques<sup>2</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introdução:</strong>&nbsp; A menopausa marca o fim da capacidade reprodutiva feminina e está associada a alterações hormonais que podem impactar o sistema vestibular, gerando sintomas como tontura, vertigem e instabilidade. A avaliação otoneurológica é essencial para identificar possíveis lesões no sistema auditivo e vestibular, especialmente em mulheres na menopausa. <strong>Objetivo: </strong>Verificar a ocorrência de disfunções vestibulares em mulheres na menopausa. <strong>Métodos: </strong>Estudo descritivo de corte transversal com 50 mulheres, entre 40 e 55 anos. A amostra foi dividida em dois grupos: G1, com 25 mulheres na menopausa, e G2, com 25 mulheres que não estão na menopausa. A coleta de dados incluiu anamnese otoneurológica, manobras de Dix-Hallpike e Head Holl, além de Vectoeletronistagmografia. Os dados foram registrados em planilhas do Excel e analisados por meio do Teste Qui-Quadrado, Exato de Fisher (p <img decoding="async" src="blob:https://revistaft.com.br/00394567-6e1b-4b41-a8b6-9846277dd0a7" width="10" height="12">0,050) e cálculo do Odds Ratio.&nbsp; <strong>Resultados: </strong>A chance de disfunção vestibular em mulheres na menopausa foi aproximadamente 2,3 vezes maior do que em mulheres que não estão na menopausa. <strong>Conclusão:</strong> Os resultados indicam que mulheres na menopausa têm 2.3 vezes mais chances de apresentar disfunções vestibulares em comparação com mulheres não menopausadas. Foi observada uma ocorrência de 34% de disfunção vestibular entre as mulheres na menopausa. Esses achados sugerem uma possível tendência, mas estudos com amostras maiores são necessários para confirmar essa relação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>:&nbsp; Menopausa. Vertigem. Eletronistagmografia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introduction:</strong> Menopause marks the end of female reproductive capacity and is associated with hormonal changes that can affect the vestibular system, leading to symptoms such as dizziness, vertigo, and instability. Otoneurological assessment is essential to identify possible lesions in the auditory and vestibular systems, especially in menopausal women. <strong>Objective:</strong> To verify the occurrence of vestibular dysfunctions in menopausal women. <strong>Methods:</strong> Descriptive cross-sectional study with 50 women, aged between 40 and 55 years. The sample was divided into two groups: G1, with 25 menopausal women, and G2, with 25 women who were not in menopause. Data collection included otoneurological anamnesis, Dix-Hallpike and Head Roll maneuvers, as well as Vector Electronystagmography. Data were recorded in Excel spreadsheets and analyzed using the Chi-Square Test, Fisher’s Exact Test (p ≤ 0.050), and Odds Ratio calculation. <strong>Results:</strong> The likelihood of vestibular dysfunction in menopausal women was approximately 2.3 times higher than in women who were not in menopause. <strong>Conclusion:</strong> The results indicate that menopausal women are 2.3 times more likely to present vestibular dysfunctions compared to non-menopausal women. An occurrence of 34% of vestibular dysfunction was observed among menopausal women. These findings suggest a possible trend, but studies with larger samples are necessary to confirm this relationship.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Menopause. Vertigo. Electronystagmography.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Menopausa, o último período menstrual, marca o término da vida reprodutiva da mulher. Ao nascimento, a mulher apresenta cerca de um milhão de folículos primordiais que é reduzido a aproximadamente cem mil no momento da menarca. Essa diminuição do estoque folicular se intensifica, normalmente após os 39 anos, culminando na senescência ovariana completa e, consequentemente, na menopausa (Dunneram; Greenwood; Cade, 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Allshouse <em>et al.</em> (2018) a menopausa é acompanhada por alterações metabólicas, físicas e psicológicas que desencadeiam na mulher um quadro de sinais e sintomas significativos para a qualidade de vida da mesma. Os sintomas mais comuns relatados são ondas de calor excessivo e suores noturnos, tonturas rotatórias e não-rotatórias, instabilidade, insônia, distúrbios de sono, dores de cabeça, palpitações, ganho de peso e alterações na função cognitiva.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atividade metabólica do sistema nervoso central (SNC) sofre influência hormonal que interfere na relação direta com o ouvido interno. A menopausa é caracterizada por alterações hormonais, que segundo Medeiros e Bittar (2002) podem desestabilizar a homeostase dos fluidos labirínticos ao impactar os processos enzimáticos e interferir na função dos neurotransmissores.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alterações no sistema vestibular se manifestam como tontura, definida como uma percepção equivocada de movimento do corpo ou do ambiente. A tontura se caracteriza por instabilidade, flutuação, sensação de queda, desvio de marcha, denominada vertigem, quando rotatória (Ribeiro; Mancini; Bicalho, 2023). A tontura pode ser aguda ou crônica e causar impacto na qualidade de vida do paciente, diversos fatores podem desencadear esse problema, já que o sistema vestibular é altamente sensível a influências que distúrbios que acometem outras partes do corpo humano.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Rivera <em>et al.</em> (2003), o aumento dos níveis de progesterona no organismo feminino pode resultar na retenção de líquidos, potencialmente causando problemas nos canais labirínticos devido ao edema nas vias vestibulares centrais.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relação da menopausa com os distúrbios vestibulares é enfatizada por De Lorenzi (2005), visto que são comuns relatos de mulheres com queixas de instabilidade, zumbidos, tontura e flutuação durante essa fase, sendo tais sintomas associados a insuficiência de estrógeno que ocorre durante e após a menopausa.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A avaliação otoneurológica engloba a avaliação otorrinolaringológica, estudo da função auditiva e vestibular e a anamnese, por isso deve ser abrangente para um diagnóstico adequado de lesões auditivas e/ou vestibulares, a fim de determinar se a localização é periférica ou central e a intensidade da lesão, além de auxiliar na identificação do agente etiológico, e no estabelecimento do prognóstico e melhor tratamento para cada caso (Borges; Ganança; De Campos, 2008).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Caovilla e Ganança (1999), em mulheres no período da menopausa a avaliação vestibular pode mostrar sinais de comprometimento vestibular periférico (Borges; Ganança; De Campos, 2008).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devido a carência de estudos abrangentes que envolvem a menopausa e a pertinência relacionada ao aumento da incidência de queixas otoneurológicas, como vertigem e sensação de instabilidade entre mulheres neste estágio, é crucial que elas sejam submetidas a uma avaliação que analise de maneira precisa e objetiva o funcionamento do sistema vestibular, com a finalidade de conceder ao paciente o conhecimento acerca dessas queixas, possibilitando assim a procura por tratamento especializado.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o objetivo desta pesquisa é verificar a ocorrência de disfunções vestibulares em mulheres na menopausa, associando às suas queixas otoneurológicas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>METODOLOGIA&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de um estudo quantitativo, transversal, analítico e observacional, realizado em um Centro Especializado em Reabilitação de uma Universidade de Alagoas. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição sob parecer n° 6.859.994.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A amostra do estudo foi composta por 50 mulheres, com idade entre 40 e 55 anos, distribuídas equitativamente em dois grupos: Grupo 1 (G1) e Grupo 2 (G2), cada um com 25 participantes. O Grupo 1 foi composto por participantes que se encontravam na fase da menopausa ou pós-menopausa, caracterizada pela ausência de menstruação por, no mínimo, 12 meses consecutivos. Já o Grupo 2 incluiu participantes da mesma faixa etária, não menopausadas. Para ambos os grupos, os critérios de exclusão incluíram diagnóstico prévio de disfunção vestibular antes da menopausa e histórico de alterações otológicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após o consentimento e assinatura do TCLE, foi realizada uma anamnese (anexo V) composta por vinte e sete perguntas fechadas, em lugar reservado e privativo. Em seguida, os participantes foram submetidos à otoscopia, com otoscópio da marca Heine, modelo Mini 3000, para verificar obstruções no meato acústico externo. O objetivo desta inspeção foi identificar se havia obstrução no meato acústico externo, além de verificar a integridade da membrana timpânica. Após a otoscopia foi realizada a avaliação otoneurológica, utilizando a Prova de Dix-Hallpike para verificar a presença de vertigem e nistagmo de posicionamento e a Prova de Head Holl para avaliar os canais semicirculares laterais. Em seguida, a avaliação foi composta pelas etapas de calibração, observação e registro dos movimentos na pesquisa de nistagmo espontâneo (com os olhos abertos e fechados) e nistagmo semi-espontâneo (nas quatro direções cardeais), a realização de provas oculomotoras (rastreio pendular e pesquisa do nistagmo optocinético) e provas calóricas (Bohlsen; Zanchetta; Nishino; Natal, 2012).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os participantes foram orientados a se absterem do consumo de bebidas alcoólicas nas 72 horas anteriores ao exame, suspender o uso de estimulantes labirínticos como café, chocolates, chás e refrigerantes por um período de 24 horas, bem como não utilizarem medicamentos como antivertiginosos, antialérgicos e calmantes para evitar interferência no resultado das provas vestíbulo-oculomotoras. Foi solicitado jejum de 3 horas antes do exame associado a uma alimentação leve nas refeições anteriores.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A obtenção dos registros vestibuloculares com eletrodos e análise dos resultados foram realizadas utilizando o Sistema Computadorizado de Vectoeletronistagmografia Contronic Sistemas Automáticos Ltda., e na estimulação da prova calórica foi utilizado o otocalorímetro a ar (modelo E107AR Contronic) programado para as temperaturas de 50ºC e 24ºC (Albertino e Bittar, 2013).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os valores relativos e absolutos considerados alterados na prova calórica foram os seguintes: predomínio labiríntico (PL) maior que 19%; preponderância direcional (PD) maior que 17%; soma dos valores da velocidade angular da componente lenta (VACL) das provas fria e quente da orelha direita ou esquerda menor que 5º/s (hiporreflexia unilateral); soma dos valores da VACL nas quatro provas menor que 12º/s (hiporreflexia bilateral); soma dos valores da VACL das provas fria e quente do ouvido direito ou esquerdo maior que 62º/s (hiperreflexia unilateral); soma dos valores da VACL nas quatro provas maior que 122º/s (hiperreflexia bilateral) (Albertino; Bittar, 2013).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a realização dos exames, caso identificadas disfunções vestibulares, os participantes foram encaminhados para uma avaliação otorrinolaringológica e posteriormente terão acompanhamento fonoaudiológico no CER III da Uncisal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada resultado de exame foi identificado através de números cardinais, sendo este de restrito conhecimento dos pesquisadores. Nenhum dado que revele a identificação dos participantes será divulgado durante a pesquisa. Com isso, as informações coletadas permaneceram desconhecidas por terceiros até a divulgação da pesquisa, sem registro ou exposição de dados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados coletados foram armazenados em fichas de extração e registrado em documento eletrônico (Software Excel 2010) e mantidos em sigilo, com acesso restrito aos pesquisadores. Ao término da pesquisa, os dados serão destruídos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise estatística foi realizada a partir dos dados obtidos por meio do programa Jamovi. Para avaliar a associação entre os resultados do exame vestibular com grupo etário, queixa de tontura, queixas auditivas e antecedentes patológicos foram utilizados os testes Qui-Quadrado e Exato de Fisher, com nível de significância de 5% (p <img decoding="async" src="blob:https://revistaft.com.br/f4e72756-6957-429f-967d-b85c296942b3" width="10" height="12">0,05). Para verificar se o risco de disfunções vestibulares era maior nas mulheres na menopausa, foi utilizado o odds ratio. Os resultados encontrados foram apresentados na forma de análise estatística descritiva em números absolutos e percentuais e na forma de tabelas, produzidos no programa de Software Microsoft Excel.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>RESULTADOS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados analisados referem-se às variáveis relacionadas aos sinais e sintomas otoneurológicos coletados a partir da anamnese e avaliação vestibular entre dois grupos distintos. O Grupo 1 (G1) foi constituído por 25 mulheres na menopausa, com idades entre 40 e 55 anos (média = 52,1 anos). O Grupo 2 (G2) incluiu 25 mulheres não menopausadas, na mesma faixa etária (média = 46,1 anos).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tabela 1 apresenta a análise em percentual da incidência de sinais e sintomas referidos durante a anamnese otoneurológica nos grupos estudo (G1) e controle (G2).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1</strong> &#8211; Incidência dos sintomas referidos durante a anamnese &#8211; Brasil, 2025.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="602" height="351" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image-756.png" alt="" class="wp-image-235507" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image-756.png 602w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image-756-300x175.png 300w" sizes="(max-width: 602px) 100vw, 602px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Própria&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abreviatura: G1 &#8211; mulheres na menopausa, G2 &#8211; mulheres que não estão na menopausa Teste Exato de Fisher: diferença estatisticamente significativa quando p ≤ 0, 05.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados da análise descritiva entre os grupos: Estudo (G1) e Controle (G2), demonstra maior prevalência de sinais e sintomas entre as mulheres na menopausa (G1). Entre os sinais e sintomas mais relatados no grupo G1 estão: visão turva (48%), questões emocionais (40%), cefaleia (40%), náusea (38%), flutuação (42%). No grupo G2, os relatados foram: visão turva (38%), náusea (34%), cefaleia (34%) e questões emocionais (26%).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre os sinais e sintomas apresentados, os resultados foram significantes para a queixa de flutuação (p=0.007), influência emocional (p=0.038), ansiedade (p=0.038).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação aos sintomas auditivos referidos durante a anamnese otoneurológica, no grupo G1, os sintomas auditivos mais prevalentes foram zumbido (22%), plenitude auricular (28%) e hipoacusia (12%). No grupo G2, as queixas auditivas também estão presentes, mas em menor frequência. O zumbido foi relatado por 26% das mulheres, seguido por plenitude auricular (06%) e hipoacusia (8%). Dentre os sintomas auditivos, a queixa de zumbido apresentou significância (p=0.025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os testes que avaliam as funções cerebelares estiveram presentes em 02% das mulheres avaliadas. Não foi encontrada alteração no Head Roll Test, enquanto na Dix Hallpike foi observada alterada em 04% da população, dois resultados positivos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 2</strong> &#8211; Resultados encontrados na pesquisa da manobra Dix Hallpike &#8211; Brasil, 2025.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="596" height="154" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image-757.png" alt="" class="wp-image-235508" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image-757.png 596w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image-757-300x78.png 300w" sizes="(max-width: 596px) 100vw, 596px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Própria</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abreviatura: G1 &#8211; mulheres na menopausa, G2 &#8211; mulheres que não estão na menopausa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A calibração dos movimentos oculares da vectoeletronistagmografia foi regular no exame de todas as mulheres, tanto na vertical quanto na horizontal.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Através da tabela 3, demonstra-se os resultados referentes ao desempenho das participantes encontradas na prova do Rastreio Pendular.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 3</strong> &#8211; Resultados encontrados na pesquisa de rastreio pendular &#8211; Brasil, 2025.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="591" height="175" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image-758.png" alt="" class="wp-image-235509" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image-758.png 591w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image-758-300x89.png 300w" sizes="(max-width: 591px) 100vw, 591px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Própria</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abreviatura: G1 &#8211; mulheres na menopausa, G2 &#8211; mulheres que não estão na menopausa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos dados analisados foi observado que mulheres na menopausa (G1) apresentaram uma maior proporção de respostas sugestivas de alteração no rastreio pendular, especialmente no Tipo II (28%), em comparação com mulheres fora da menopausa (G2), que apresentaram maior frequência de respostas normais (Tipo I &#8211; 36%).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa do Nistagmo Optocinético na horizontal e na vertical, apresentou-se simétrico em todas as participantes avaliadas. A pesquisa do Nistagmo Semi-espontâneo apresentou-se ausente para as quatro direções em todas as mulheres avaliadas. Assim como no nistagmo pré-calórico, a ausência foi predominante em ambos os grupos&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na tabela 4, são apresentados os resultados encontrados na pesquisa do Nistagmo Espontâneo e Nistagmo Pós Calórico.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 4</strong> &#8211; Resultados encontrados na pesquisa do nistagmo espontâneo e nistagmo pós-calórico &#8211; Brasil, 2025.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="607" height="389" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image-759.png" alt="" class="wp-image-235511" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image-759.png 607w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image-759-300x192.png 300w" sizes="(max-width: 607px) 100vw, 607px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Própria&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abreviação: G1 &#8211; mulheres na menopausa, G2 &#8211; mulheres que não estão na menopausa&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ambos os grupos apresentaram ausência de Nistagmo Espontâneo em olhos abertos e fechados (G1: 46%; G2: 42%), o que indica um padrão de normalidade vestibular na maioria dos casos. No entanto, um número reduzido de participantes apresentou nistagmo ausente de olhos abertos e&nbsp; presente com olhos fechados, especialmente em G2 (6%) e em menor proporção em G1 (4%). O caso de nistagmo presente de olhos abertos e ausente de olhos fechados foi observado em apenas uma participante do grupo G2 (2%).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desempenho das participantes segundo os resultados referentes à presença ou não de alteração na pesquisa do Nistagmo Pós-calórico, demonstram que o grupo G2 (não menopausa) apresentou uma maior proporção de normorreflexia (26%), indicando respostas vestibulares dentro do padrão esperado em um número maior de participantes, em comparação com G1 (18%). Entretanto, as alterações na resposta pós-calórica foram mais frequentes em G1, especialmente a preponderância labiríntica à esquerda (12%), preponderância direcional do nistagmo à esquerda (8%) e hiperreflexia bilateral (4%). A preponderância labiríntica à direita, que não ocorreu em G1, apareceu em 6% das mulheres em G2, sugerindo que os dois grupos apresentaram diferentes padrões de assimetria vestibular. As preponderâncias direcionais (para esquerda ou direita) se fizeram presentes em ambos os grupos, com maior prevalência no grupo G1. A hiporreflexia à esquerda foi pouco frequente em ambos os grupos (2%), assim como a hiperreflexia bilateral.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O gráfico 1 apresenta a distribuição dos resultados encontrados conforme a conclusão do exame vectoeletronistagmográfico.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela&nbsp; 5</strong> &#8211; Resultados encontrados após a conclusão do exame de Vectoeletronistagmografia &#8211; Brasil, 2025.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="586" height="138" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image-760.png" alt="" class="wp-image-235512" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image-760.png 586w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image-760-300x71.png 300w" sizes="(max-width: 586px) 100vw, 586px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Própria&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abreviação: G1 &#8211; mulheres na menopausa, G2 &#8211; mulheres que não estão na menopausa<em> </em>Teste Exato de Fisher: diferença estatisticamente significativa quando p &nbsp;≤ 0, 05.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados revelam que o grupo G1 (mulheres na menopausa) apresentou um maior percentual de exames alterados (34%) e um menor percentual de resultados normais (16%), em comparação com o grupo G2, que teve 26% de exames normais e 24% de exames alterados. No entanto, essa associação não foi estatisticamente significativa (p=0.252)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A avaliação vestibular final indica que a chance de disfunção vestibular em mulheres na menopausa é aproximadamente 2.3 vezes maior do que nas mulheres que não estão na menopausa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A ocorrência de disfunções vestibulares e a presença de sinais e sintomas otoneurológicos podem estar associados à menopausa (De Lorenzi, 2005), entretanto, a relação entre essas alterações ainda não se encontra plenamente estabelecida na literatura.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os grupos avaliados neste estudo foram homogêneos quanto à quantidade. Portanto, a amostra ficou na proporção igual entre os grupos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Tabela 1, foi possível verificar que a sintomatologia esteve presente na maior parcela das mulheres, entretanto, a mesma demonstra uma maior prevalência de sinais e sintomas entre as mulheres na menopausa (G1). Sinais e sintomas relatados durante a pesquisa da anamnese, como cefaleia, náuseas, visão turva, sudorese, quedas, desmaios, flutuação, questões emocionais e ansiedade são referidos na literatura como sendo comumente encontrados em mulheres na menopausa. Nos achados desse estudo, verificou-se a presença desses sintomas em maior ocorrência no grupo de mulheres na menopausa (G1), corrobora a&nbsp;literatura de Monteleone <em>et al.</em>&nbsp; (2017), Kanuzitz <em>et al.</em>(2015) e Owada <em>et al.</em> (2014).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Guyton &amp; Hall (2002), a maioria dos sintomas típicos da menopausa resulta na diminuição dos níveis de estrogênio circulantes, sendo frequentemente citadas a instabilidade vasomotora e sintomas psicológicos como a ansiedade, os quais foram relatados em grande número na amostra avaliada, especialmente no G1, com aspectos emocionais alterados (p=0.038) e ansiedade (p=0.038).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As ondas de calor figuram entre os sintomas vasomotores mais frequentemente relatados, afetando mais de 70% das mulheres na menopausa, conforme apontado por Melo <em>et al.</em> (2000). No entanto, no presente estudo, esse sintoma foi observado em apenas 30% das participantes do grupo G1 e em 26% do grupo G2, o que indica que não houve uma diferença significativa entre o grupo Estudo e o grupo Controle (p = 0.776).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Pedro <em>et al.</em> (2003), em um estudo de base populacional com mulheres na menopausa, dentre os sintomas mais citados está a cefaleia, flutuação, visão turva e sudorese. Esse dado corrobora aos achados deste estudo, em que 42% das mulheres na menopausa se queixam&nbsp; de flutuação (p=0.007), apesar de 40% dessas mulheres terem relatado episódios de cefaleia, nesse estudo não foi estatisticamente significante (p=0.520).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda segundo Pedro <em>et al.</em> a intensidade e frequência dos sinais e sintomas do climatério variam de indivíduo para indivíduo. Entretanto, de acordo com os dados coletados durante a pesquisa, é possível perceber que todas as mulheres do G1 relataram no mínimo quatro sinais e sintomas sendo esses de forte intensidade e maior frequência, enquanto o G2 varia o número mínimo de respostas positivas, prevalecendo entre um e dois, com intensidade leve e pouca frequência. Portanto, é perceptível que as mulheres na menopausa apresentam uma maior frequência e intensidade dos sintomas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por meio da Tabela 1, é possível observar a presença das queixas de sintomas auditivos, como hipoacusia, zumbido, plenitude auricular e otite. A queixa de zumbido associado a tontura esteve presente em 32% das mulheres na menopausa, plenitude auricular em 28% e a&nbsp; hipoacusia em 12%. O G2 apresentou um percentual mais baixo, sendo o zumbido 26%, plenitude auricular 18% e hipoacusia 08%. A otite foi relatada em apenas 04% da população total.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Turek <em>et al.</em> (2023), a ocorrência de zumbido associado à tontura em mulheres durante a menopausa pode estar diretamente relacionada à insuficiência estrogênica característica desse período. A queda nos níveis de estrogênio influencia funções fisiológicas, inclusive aquelas envolvidas no equilíbrio e na audição. Os dados coletados corroboram a pesquisa de Turek, visto que a queixa de zumbido apresentou significância estatística (p=0.025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma pesquisa conduzida com o objetivo de identificar a sintomatologia climatérica em mulheres no período pós-menopausal, Lorenzi <em>et al. </em>(2005) observou uma alta prevalência de queixas relacionadas a sintomas auditivos e vestibulares, sendo o zumbido e a tontura os mais frequentemente relatados. Esses achados sugerem uma possível associação entre as alterações hormonais próprias da menopausa — especialmente a queda nos níveis de estrogênio — e disfunções nos sistemas auditivo e vestibular. De forma semelhante, os dados obtidos no presente estudo também evidenciam a presença desses sintomas entre as participantes, reforçando a hipótese de que a instabilidade hormonal do climatério pode contribuir significativamente para o surgimento de manifestações otoneurológicas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na avaliação das funções cerebelares, as alterações foram observadas em apenas duas das mulheres examinadas, indicando baixa ocorrência de disfunções nesse domínio. Em relação aos testes específicos para investigação de vertigem posicional, o Head Roll Test apresentou resultados normais em 100% da amostra, não indicando alterações relacionadas ao canal horizontal do labirinto. Já o teste de Dix-Hallpike, utilizado para detectar vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) do canal posterior, se mostrou positivo em 4% das participantes, porém sem significância estatística (p=0.490). Segundo Jeong (2020), a VPPB é uma das mais frequentes patologias do sistema vestibular e é caracterizada por episódios de vertigens recorrentes desencadeados por movimentos da cabeça ou mudanças posturais, entretanto, esse estudo não corrobora os dados descritos na literatura.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação às provas oculomotoras, a calibração dos movimentos oculares da vectoeletronistagmografia foi regular no exame de todas as mulheres, tanto na vertical quanto na horizontal. A avaliação do nistagmo optocinético, nos movimentos horizontais e verticais, revelou respostas simétricas em todas as participantes. No que diz respeito à pesquisa do nistagmo semi-espontâneo (NSE), não foram observadas respostas em nenhuma das quatro direções avaliadas. De forma semelhante, o nistagmo pré-calórico também se apresentou ausente na maioria das participantes, sendo essa ausência predominante nos dois grupos analisados.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A maioria das participantes de ambos os grupos apresentou ausência de nistagmo espontâneo com olhos abertos (NEOA) e fechados (NEOF), sendo essa condição observada em 46% das mulheres do grupo G1 e em 42% do grupo G2, o que sugere um padrão compatível com a normalidade vestibular. No entanto, um pequeno número de participantes apresentou um comportamento diferenciado: em 6% das mulheres do grupo G2 e em 4% do grupo G1, o nistagmo esteve ausente com olhos abertos, mas se manifestou com olhos fechados. Já a ocorrência inversa — presença de nistagmo com olhos abertos e ausência com olhos fechados — foi identificada em apenas uma participante do grupo G2 (2%), representando um achado isolado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na pesquisa do Rastreio Pendular,a análise dos dados revelou diferenças significativas entre os grupos estudados. As mulheres pertencentes ao grupo G1, composto por participantes na menopausa, apresentaram uma maior proporção de respostas sugestivas de alteração nesse teste, com destaque para o padrão classificado como Tipo II, observado em 28% das participantes. Esse tipo de resposta pode estar relacionado a alterações na coordenação oculomotora ou a uma possível disfunção do sistema vestibular central, o que pode ser influenciado pelas modificações hormonais típicas do período menopausal, especialmente pela redução dos níveis de estrogênio, que afeta o funcionamento neurossensorial. Por outro lado, no grupo G2, composto por mulheres fora da menopausa, houve predominância de respostas compatíveis com a normalidade, com 36% das participantes apresentando o padrão Tipo I no rastreio pendular. Esse resultado sugere que, nessa faixa etária e condição hormonal, o sistema responsável pelo controle dos movimentos oculares rítmicos tende a manter sua integridade funcional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prova pós-calórica evidenciou que grupo G2 (não menopausa) apresentou uma maior proporção de normorreflexia em 13 (26%) das participantes, indicando um número mais elevado de respostas vestibulares dentro dos padrões de normalidade, em comparação ao grupo G1 que apresentou 09 (18%). Por outro lado, as alterações nas respostas pós-calóricas foram mais frequentes no grupo G1, destacando-se a preponderância labiríntica à esquerda (12%), a preponderância direcional do nistagmo à esquerda (8%) e a hiperreflexia bilateral (4%). Observou-se, ainda, que a preponderância labiríntica à direita, ausente em G1, esteve presente em 6% das participantes do grupo G2, o que sugere diferentes padrões de assimetria vestibular entre os grupos. As preponderâncias direcionais, tanto à esquerda quanto à direita, foram identificadas em ambos os grupos, com maior prevalência no G1. A hiporreflexia à esquerda e a hiperreflexia bilateral apresentaram baixa ocorrência em ambos os grupos (2%).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados das provas oculomotoras desta pesquisa divergem dos achados de Borges <em>et al</em>. (2008) sobre sintomas observados ao exame vestibular em mulheres na menopausa. Em que foi identificado um predomínio de respostas dentro dos padrões da normalidade em todos os parâmetros analisados. No entanto, os resultados encontrados na prova pós-calórica corroboram a pesquisa de Borges, visto que em ambas pesquisas, mulheres na menopausa apresentam maior variedade de padrões vestibulares.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a avaliação final do sistema vestibular indica que o grupo G1 (mulheres na menopausa) apresentou um percentual mais elevado de exames com alterações (34%) e uma menor proporção de resultados dentro da normalidade (16%), quando comparado ao grupo G2, que apresentou 26% de exames normais e 24% de exames alterados. O presente estudo indica que existe um risco de 2,3 vezes maior de disfunção vestibular em mulheres na menopausa.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses dados corroboram ao estudo de Orendorz-Fraczkowska <em>et al</em> (2004), que avaliou a condição de equilíbrio estático e dinâmico em mulheres na menopausa, apresentando o resultado de que em seu grupo de estudo composto por mulheres na menopausa, a avaliação vestibular final se deu alterada em 70% das participantes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No confronto destes dados com a literatura, o risco 2,3 vezes maior de disfunção vestibular em mulheres na menopausa encontrado neste estudo, pode ser justificado por autores como Mor <em>et al.</em> (2001), Tiensoli <em>et al.</em> (2004), Castillo-Bustamante <em>et al.</em> (2020, 2024), onde estes revelam em seus estudos que a deficiência de estrogênio característica do período menopausal podem comprometer a homeostase dos fluídos labirínticos, favorecendo o surgimento de alterações&nbsp; vestibulares. A maior prevalência de alterações no grupo de mulheres na menopausa pode, portanto, estar associada à intensificação dessas mudanças fisiológicas no contexto da menopausa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>CONCLUSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados sugerem que mulheres na menopausa apresentam maior risco de disfunção vestibular e indicam uma ocorrência de 34% de disfunção vestibular em mulheres menopausadas. <strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os achados da sintomatologia e da avaliação otoneurológica deste estudo demonstram que o grupo composto por mulheres na menopausa (G1) apresentou uma maior ocorrência de sinais e sintomas otoneurológicos, em maior frequência e intensidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prevalência de alterações no teste de Dix-Hallpike, indicativo de VPPB, foi maior no grupo de mulheres menopausadas, indicando uma possível associação entre o período menopausal e o aumento da ocorrência dessa disfunção vestibular.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A avaliação vestibular final indica que a chance de disfunção vestibular em mulheres na menopausa é aproximadamente 2,3 vezes maior do que nas mulheres que não estão na menopausa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados sugerem que, embora o risco de disfunção vestibular em mulheres na menopausa seja maior, a falta de significância estatística e a baixa precisão requerem ampliação da amostra. Para uma melhor implicação clínica, seria recomendado que futuras pesquisas ampliassem o número da amostra para uma análise detalhada da avaliação vestibular.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALBERTINO, S. et al. Valores de referência da prova calórica a ar. Brazilian Journal of&nbsp;Otorhinolaryngology, v. 78, p. 2-2, 1 jun. 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/bjorl/a/4bxZFNs9mm7qvQtVXJQbv4P/. Acesso em: 13 ago. 2025.&nbsp;</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Discente do Curso Superior de Fonoaudiologia da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas. E-mail: nathaliabeatrizalexandre@gmail.com<br><sup>2</sup>Docente do Curso Superior de Fonoaudiologia da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas. Doutora em Saúde Materno Infantil, pelo Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP). E-mail:&nbsp;lauralice.marques@uncisal.edu.br</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>IMPLANTAÇÃO DE OFICINA TERAPÊUTICA COMO FORMA DE DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM E FALA NA ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS DE BURITIS/RO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/implantacao-de-oficina-terapeutica-como-forma-de-desenvolvimento-da-linguagem-e-fala-na-associacao-de-pais-e-amigos-dos-excepcionais-de-buritis-ro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Dec 2024 19:17:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Fonoaudiologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 141/DEZ 2024]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=188427</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10241171453 Romero Vieira Vasconcelos1Valeska Regina Soares Marques2 Resumo A presente tese teve por objetivo analisar a implantação de um oficina terapêutica na APAE de Buritis/RO para desenvolver de maneira eficiente e inteligível a linguagem falada e expressiva. Sabe-se que a metodologia abordada foi através da pesquisa descritiva, qualitativa, trazendo após, uma pesquisa de [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10241171453</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Romero Vieira Vasconcelos<sup>1</sup><br>Valeska Regina Soares Marques<sup>2</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente tese teve por objetivo analisar a implantação de um oficina terapêutica na APAE de Buritis/RO para desenvolver de maneira eficiente e inteligível a linguagem falada e expressiva. Sabe-se que a metodologia abordada foi através da pesquisa descritiva, qualitativa, trazendo após, uma pesquisa de campo, envolvendo pessoas com as terapias de fonoaudiologia e musicoterapia, analisando os resultados do grupo da APAE de Buritis-RO. Nos resultados, verificou-se que é necessário ao terapeuta entender o discurso verbal e não-verbal como relações de sentidos do grupo, uma vez que a interpretação surge na/da interação, sendo esta a instância de significações. Quando se faz um paralelo com a Musicoterapia, ao acolher a produção sonora sem exigir uma estética ou conhecimento musical prévio, dá-se a oportunidade ao sujeito de se constituir na linguagem musical. É importantíssimo estar atento para possíveis manifestações não verbais dos entrevistados que possam dar indícios interpretativos. O profissional fonoaudiólogo atendeu durante o processo avaliativo, que influencia no diagnóstico, existindo diversos aspectos alterados, abordando concomitante de dois ou mais aspectos na terapia. Conclui-se que tais aspectos são evidenciados tanto na Fonoaudiologia quanto na Musicoterapia. Assim, cada uma, com suas particularidades, promove o desenvolvimento do indivíduo que se submete ao tratamento e garante não somente alcançar objetivos peculiares de cada vivência, mas, também, outras [r]evoluções que transcendem o conhecimento clínico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Terapia. Implantação. Linguagem. Desenvolvimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">The objective of this thesis was to analyze the implementation of a therapeutic workshop at APAE in Buritis/RO to develop spoken and expressive language in an efficient and intelligible manner. It is known that the methodology addressed was through descriptive, qualitative research, followed by field research, involving people with speech therapy and music therapy, analyzing the results of the APAE group in Buritis-RO. In the results, it was found that it is necessary for the therapist to understand verbal and non-verbal discourse as relationships of meaning in the group, since the interpretation arises in/from the interaction, this being the instance of meanings. When a parallel is made with Music Therapy, by embracing sound production without requiring aesthetics or prior musical knowledge, the subject is given the opportunity to constitute themselves in the musical language. It is extremely important to be aware of possible non-verbal manifestations from interviewees that could provide interpretative clues. The speech therapist provided assistance during the evaluation process, which influences the diagnosis, with several altered aspects, addressing two or more aspects in therapy concomitantly. It is concluded that such aspects are evident in both Speech Therapy and Music Therapy. Thus, each one, with its particularities, promotes the development of the individual undergoing treatment and guarantees not only achieving objectives peculiar to each experience, but also other [r]evolutions that transcend clinical knowledge.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Therapy. Implantation. Language. Development..</p>



<h1 class="wp-block-heading">1 &#8211; INTRODUÇÃO</h1>



<p class="wp-block-paragraph">Com o surgimento das novas demandas em saúde para esse modelo de cuidado, somente as práticas advindas do modelo biomédico, além de serem onerosas, já não dão conta das necessidades da população em sua plenitude (Campos, 2003).</p>



<p class="wp-block-paragraph">São criadas estratégias para atenção em saúde, por meio da união de diversas profissões que partilham de práticas e espaços de trabalho comuns, cuja assistência passa a ser provida pela coletividade (Pires, 2008).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, as pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimento de médio ou longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o que, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. E, incluir socialmente as pessoas com deficiência significa respeitar as necessidades próprias da sua condição e possibilitar acesso aos serviços públicos, aos bens culturais e artísticos e aos produtos decorrentes do avanço social, político, econômico, científico e tecnológico da sociedade contemporânea (BRASIL, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como problema, é visto que, nos dias atuais há que se pensar na <strong>importância do atendimento multidisciplinar para a pessoa com deficiência</strong>, pois os problemas de saúde são complexos, podendo afetar corpo e mente. A equipe multidisciplinar permite a percepção do problema a partir de vários olhares, podendo haver um cuidado mais eficaz e de melhor qualidade. E, <em>Sullivan e Mendonça (2017) descreve que no atendimento multidisciplinar, a equipe multiprofissional em saúde é composta por profissionais de diferentes áreas que trabalham conjuntamente em prol da saúde, do bem-estar e da qualidade de vida de um paciente ou mesmo de uma família.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, questiona-se: Até que ponto a multidisciplinaridade através de uma oficina terapêutica, com um olhar interdisciplinar, pode contribuir no desenvolvimento da linguagem e expressão do paciente PCD (Pessoa Com Deficiência) na APAE de Buritis/RO? Como hipótese, A pessoa com deficiência pode melhorar sua expressão através da oficina terapêutica. E ainda, a oficina terapêutica pode implantar as ações quanto terapia fonoaudiológica e musicaterapia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A metodologia aplicada foi abordada através da descritiva, qualitativa, trazendo após, uma pesquisa de campo, envolvendo pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Pedroso et. al. (2018)a pesquisa descritiva tem como objetivo descrever um fenômeno ou situação em detalhe, permitindo abranger com clareza as características de um indivíduo, um grupo ou uma situação, bem como desvendar a relação entre os eventos. Tem por finalidade observar, registrar os fenômenos sem se aprofundar. A pesquisa descritiva no presente estudo foi realizada através pesquisas, onde o pesquisador foi analisar um grupo de 03 pessoas, sendo pacientes que participaram tanto dos vídeos e protocolos de anamneses de fonoterapia e musicoterapia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Godoy (1995) a pesquisa qualitativa ocupa um reconhecido lugar entre as várias possibilidades de se estudar os fenômenos que envolvem os seres humanos e suas intrincadas relações sociais, estabelecidas em diversos ambientes. Algumas características básicas identificam os estudos denominados qualitativos&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa sendo qualitativa, traz informações sobre as três pessoas que participaram, para comparar as respostas das três pessoas do grupo da APAE de Buritis-RO. Houve a ficha de anamnese contendo 20 perguntas (abertas e fechadas), estas perguntas são sobre a história familiar, a gestação, o nascimento, passando por todo o processo de desenvolvimento global até o início do tratamento ou os dias atuais. Foi aplicada aos pais e/ou cuidadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O roteiro de entrevista foi aplicado diretamente aos pacientes, contém 10 (dez) perguntas, estas são perguntas referentes aos sentimentos diante das dificuldades e limitações, o que esperam do tratamento, seus sonhos, anseios, frustrações, disponibilidades para a realização dos exercícios que deverão ser feitos em casa, dificuldades para a realização deles, etc.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estes protocolos foram realizados com base em questionamentos e levantamentos de informações para melhor entender cada perfil entrevistado, observando assim, as limitações de fala e linguagem e comunicação eficaz e eficiente de cada paciente avaliado. Foram analisadas, também, a pasta de documentos que cada um desses pacientes tem na secretaria da Associação, os registros feitos em prontuários de atendimento anterior em saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Lima (2010, p. 79) “As práticas com atividades hoje, talvez possam encarnar uma nova ética que se desloca da noção capitalista de produção para a idéia de produção de vida e criação de mundos”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, é sabido que o acompanhamento lúdico incentiva o desenvolvimento global da pessoa com deficiência. Este estudo busca aplicar estratégias para que estas mesmas pessoas sejam capazes de falar e se expressarem adequadamente e de forma inteligível, objetivando o desenvolvimento da linguagem falada e expressiva.</p>



<h5 class="wp-block-heading">2. <strong>A Pessoa com Deficiência &#8211; PCD</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Cabe esclarecer que o termo “pessoa com necessidades especiais” caiu em desuso porque todos podem ter necessidades especiais em determinado momento da vida, sem necessariamente ter uma deficiência, como por exemplo, um idoso ou uma gestante. É importante também ressaltar que o termo “portador” não deve ser utilizado, pois implica algo que se “porta” e, consequentemente, que é possível se livrar a qualquer momento e em qualquer lugar (<strong>Soleman, Bousquat, 2021).</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A deficiência faz parte da pessoa e, na maioria das vezes, trata-se de algo permanente e que, portanto, não pode ser destituída da pessoa. Além disso, referir-se a esse público como “portador de deficiência”, evidencia que a deficiência passa a ser a principal característica da pessoa, em detrimento de sua condição humana (Brasil, 2012).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O acesso universal, equânime e integral à saúde, ainda que estabelecido pela Constituição Federal de 1988, continua sendo um desafio para a população brasileira, principalmente para as pessoas com deficiências (PCD). Esta parcela da população enfrenta cotidianamente barreiras físicas, comunicacionais e atitudinais ao tentar acessar o sistema de saúde, além de conviver com preconceitos (<strong>Secretaria de Direitos Humanos, 2013</strong>).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 </strong><strong>Tipos de deficiência</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o Decreto 3.298/1999, modificado pelo Decreto 5.296/2004, são consideradas deficiências as seguintes situações, para fins de cumprimento de reserva de cota:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Deficiência: toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano;</li>



<li>Deficiência permanente: aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere, apesar de novos tratamentos;</li>



<li>Incapacidade: uma redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social, com necessidade de equipamentos, adaptações, meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao seu bem-estar e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida;</li>



<li>Pessoa com deficiência habilitada: Aquela que concluiu curso de educação profissional de nível básico, técnico ou tecnológico, ou curso superior, com certificação ou diplomação expedida por instituição pública ou privada, legalmente credenciada pelo Ministério da Educação ou órgão equivalente, ou aquela com certificado de conclusão de processo de habilitação ou reabilitação profissional fornecido pelo INSS. Considera-se, também, pessoa portadora de deficiência habilitada aquela que, sem ter se submetido a processo de habilitação ou reabilitação, esteja capacitada para o exercício da função (art. 36, §§ 2º e 3º, do Decreto nº 3.298/1999);</li>



<li>Reabilitado: Entende-se por reabilitada a pessoa que passou por processo orientado para possibilitar que adquira, a partir da identificação de suas potencialidades laborativas, o nível suficiente de desenvolvimento profissional para reingresso no mercado de trabalho e participação na vida comunitária (Decreto nº 3.298/99, art. 31).</li>



<li>Deficiência física: É a alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, que acarreta o comprometimento da função física e se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções (Decreto nº 5.296/2004, art. 5º, §1º, I, “a”, c/c Decreto nº 3.298/1999, art. 4º, I).</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 A Política Nacional de Saúde da pessoa com deficiência</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente política do Ministério da Saúde, voltada para a inclusão das pessoas com defi ciência em toda a rede de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), caracteriza-se por reconhecer a necessidade de implementar o processo de respostas às complexas questões que envolvem a atenção à saúde das pessoas com deficiência no Brasil (<strong>Soleman; Bousquat, 2021).</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Suas principais diretrizes, a serem implementadas solidariamente nas três esferas de gestão e incluindo as parcerias interinstitucionais necessárias, são: a promoção da qualidade de vida, a prevenção de deficiências; a atenção integral à saúde, a melhoria dos mecanismos de informação; a capacitação de recursos humanos, e a organização e funcionamento dos serviços (<strong>Dias, Friche, Lemos, 2019).</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3 APAE</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Federação Nacional das Apaes, ou Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais &#8211; Apae Brasil é a maior rede de apoio às Pessoas com Deficiência Intelectual ou Deficiência Múltipla.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O movimento Apaeano surge da necessidade de cobrir a ineficiência do Estado em prestar devida assistência às pessoas com Deficiência Intelectual ou Deficiência Múltiplas. Em um país historicamente marcado por forte rejeição, discriminação e preconceito, as famílias dessas pessoas, empenhadas em buscar soluções alternativas para que seus filhos alcancem condições de serem incluídos na sociedade, com garantia de direitos como qualquer outro cidadão, criaram as primeiras associações assistidos (<strong>Silveira Filho et al., 2016).</strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas associações nasceram com a missão de educar, prestar atendimento na área de saúde e lutar por seus direitos na perspectiva da inclusão social (BRASIL, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa mobilização teve que contar com o apoio de vários profissionais que, acreditando na luta dessas famílias, empreenderam estudos e pesquisas, buscaram informações em entidades congêneres no exterior, trocando experiências com pessoas de outras nacionalidades que também sofriam com descaso e poucas políticas públicas que trouxessem benefícios para seus assistidos (<strong>Silveira Filho et al., 2016).</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi então que no Brasil essa mobilização social começou a prestar serviços de educação, saúde e assistência social a quem deles necessitassem, em locais que foram denominados como Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), constituindo uma rede de promoção e defesa de direitos das pessoas com deficiência intelectual e múltipla, com&nbsp;23.035.726 atendimentos&nbsp;no ano de 2022, nas áreas de prevenção e saúde, educação, assistência social e inclusão no mercado de trabalho. Atualmente, a rede apaeana&nbsp;conta com mais de&nbsp;1.600.000 assistidos, organizadas em mais de 2.249 unidades presentes em todo o território nacional (Pinho et al., 2013).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Movimento Apaeano é uma grande rede constituída por pais, amigos, pessoas com deficiência, voluntários, profissionais e instituições parceiras &#8211; públicas e privadas &#8211; unidas para a promoção e defesa dos direitos de cidadania da pessoa com deficiência e a sua inclusão social (Cursos APAE Brasil, 2023).</p>



<h5 class="wp-block-heading">3 &#8211; APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DE RESULTADOS</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O perfil dos pacientes que foram submetidos as oficinas terapêuticas, isto é, os entrevistados 03 (três) pacientes atendidos no setor de fonoaudiologia e música da APAE de Buritis/RO, conforme perfil sintético dos sujeitos da pesquisa informada abaixo:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>QUADRO 1: Perfil Sintético dos Sujeitos da Pesquisa</strong></p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>PACIENTES</strong></td><td><strong>IDADE</strong></td><td><strong>QUEIXA</strong></td></tr><tr><td>A</td><td>26 anos</td><td>Não fala direito, ninguem entende o que fala</td></tr><tr><td>B</td><td>20 anos</td><td>Não fala, ninguém entende o que diz</td></tr><tr><td>C</td><td>27 anos</td><td>Não fala direito, ninguem entende o que fala</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>FONTE: </strong>Dados do autor/2023</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1 Evolução dos pacientes submetidos as oficinas terapêuticas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fizeram ANAMNESE FONOAUDIOLÓGICA e Musicoterapia nos pacientes que foram submetidos 2x por semana durante 7 meses. Na anamnese fonoaudiológica, também pode ser chamada de entrevista inicial, que é quando o paciente ou seu responsável legal irá ter o primeiro contato com o fonoaudiólogo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a anamnese é bem-feita, possibilita que o profissional entenda melhor o caso e saiba com uma precisão maior quais os instrumentos de avaliação serão necessários para avaliar o paciente. Do mesmo modo, auxilia nas hipóteses diagnósticas e identifica quando for necessário o encaminhamento para exames complementares ou avaliação com outros especialistas. Sendo assim, é importante saber que a anamnese é um instrumento essencial para que o fonoaudiólogo tenha êxito nas avaliações e consequentemente no planejamento terapêutico do paciente em questão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abaixo, o pesquisador, que também é Fonoaudiólogo fez alguns exercícios como a emissão e articulação das vogais a, e, i, o e u, fazendo a repetição da fala, com os pacientes A, B e C.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E diante da participação na terapia fonoaudióloga e musicoterapia, os pacientes tiveram o desenvolvimento da fala, sendo que o paciente A com paralisia cerebral está no nível avançado. Na paciente B com paralisia cerebral de cinética é de nível médio e o paciente C ainda está desenvolvendo sua aceleração, que também tem paralisia cerebral de cinética.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabe-se que na área de voz, o fonoaudiólogo atua na promoção, prevenção e reabilitação de distúrbios vocais, denominados disfonia, que ocorrem quando a voz não consegue cumprir seu papel de transmissão da mensagem verbal e emocional, caracterizados por dificuldades ou alterações que impedem sua produção natural (Behlau, 2008). Ainda, a instalação da disfonia causa impacto no desempenho comunicativo do indivíduo e, consequentemente, no seu bem estar e qualidade de vida, que pode resultar em prejuízos sociais, profissionais e emocionais (Oliveira et al., 2013).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro momento foi feito a projeção da língua para vários modos, pedindo os pacientes A, B e C fazer movimentos para a direita, esquerda, para cima e para baixo, para fora e para dentro, sem levantar a ponta da língua. No outro momento do encontro, a pesquisador pede ao grupo para fazer o estalinho nos lábios para que possam fazer o treino de lábios. Ele pede para fazer várias vezes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A importância da dicção é enfatizada com relação à própria inteligibilidade do texto a ser declamado pelo ator no teatro. Em busca da precisão articulatória, ele desenvolveu o que chamou de gourmet de fonética. (Stanislavski, 1970).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Grelha n° 1: ANAMNESE FONOAUDIOLÓGICA</strong></p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td colspan="2"><strong>Pergunta: </strong>Identificar o perfil dos pacientes que serão submetidos as oficinas terapêuticas</td></tr><tr><td><strong>PACIENTES</strong></td><td><strong>UNIDADE DE REGISTRO</strong></td></tr><tr><td>&nbsp; A</td><td>Paralisia Cerebral de Cinética, muita dificuldade na articulação e desenvolvimento adequado da fala e está em processo terapêutico.</td></tr><tr><td>&nbsp; B</td><td>Paralisia Cerebral de Cinética e deficiência intelectual, muita dificuldade na articulação e desenvolvimento adequado da fala e está em processo terapêutico.</td></tr><tr><td>C</td><td>Paralisia Cerebral de Cinética, muita dificuldade na articulação e desenvolvimento adequado da fala e está em processo terapêutico. Na maioria das vezes não entende o que fala.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Autor (2023)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Verificou-se através das anamneses que:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>O paciente A tem dificuldade quanto a coordenação motora e não tem letra legível.</li>



<li>O paciente B tem dificuldade de ler, escrever, não tem coordenação motora, tem dificuldade em contar, calcular e não tem letra legível.</li>



<li>O paciente C tem dificuldade de ler, escrever, não tem coordenação motora, tem dificuldade de contar, caluclar e troca letras na escrita ou na leitura.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">É visto que a paralisia cerebral (PC), também chamada de encefalopatia crônica não progressiva da infância ou dismotria cerebral ontogenética, consiste em um conjunto de desordens motoras de caráter permanente e não progressivo, que afetam a postura e o tônus muscular. Essas desordens são causadas por uma ou mais lesões no encéfalo da criança, que podem acontecer no período intrauterino, no parto ou no período pós-natal, até os 18 meses de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Grelha n° 2: ANAMNESE FONOAUDIOLÓGICA</strong></p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td colspan="2"><strong>Pergunta: </strong>Descrever as oficinas terapêuticas implantadas e suas ações</td></tr><tr><td><strong>PACIENTES</strong></td><td><strong>UNIDADE DE REGISTRO</strong></td></tr><tr><td>A</td><td>Fonoaudiologia e musicoterapia.</td></tr><tr><td>B</td><td>Fonoaudiologia e musicoterapia.</td></tr><tr><td>C</td><td>Fonoaudiologia e musicoterapia.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Fonte: Autor (2023)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A aquisição fonológica normal ocorre quando a criança consegue estabelecer um sistema fonológico condizente com o alvo-adulto. No decurso da aquisição fonológica, observa-se um domínio gradativo dos sons da fala, tanto no que diz respeito a sua percepção e produção, quanto à compreensão das regras lingüísticas que regem sua utilização numa determinada língua. Já o desvio fonológico acontece quando a criança não adquire espontaneamente o sistema fonológico na sequência e faixa etária comum à maioria das crianças (Pagan, Wertzner, 2007; Yavas et al., 2001).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Grelha n° 3: ANAMNESE FONOAUDIOLÓGICA</strong></p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td colspan="2"><strong>Pergunta: </strong>Acompanhar a evolução dos pacientes submetidos as oficinas terapêuticas.</td></tr><tr><td><strong>PACIENTES</strong></td><td><strong>UNIDADE DE REGISTRO</strong></td></tr><tr><td>A</td><td>Conversa bem; Faz a segunda Faculdade; Mora só e cuida da casa</td></tr><tr><td>B</td><td>Conversa bem; Passa pano e lava vasilhas</td></tr><tr><td>C</td><td>Conversa bem; Mora só e cuida da casa</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Fonte: Autor (2023)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Galletti (2004), as oficinas terapêuticas surgem como desdobramento desta constatação e se constituem como um novo dispositivo de tratamento justamente porque partem da premissa de que o respeito à singularidade dos usuários deve ser observado como diretriz principal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Grelha n° 4: ANAMNESE MUSICOTERAPIA</strong></p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td colspan="2"><strong>Pergunta: </strong>Aspectos rítmico-sonoro-musicais</td></tr><tr><td><strong>PACIENTES</strong></td><td><strong>UNIDADE DE REGISTRO</strong></td></tr><tr><td>&nbsp; A</td><td>Marca o ritmo com os pés, com as mãos; mantém o ritmo; não reproduz ritmos sugeridos; não cria novos ritmos; tem sonorização, o paciente; realiza diálogo sonoro; reconhece melodias e sustenta o silêncio.</td></tr><tr><td>B</td><td>Não mantém o ritmo; não cria novos ritmos; não canta; rnão realiza diálogo sonoro; reconhece as melodias.</td></tr><tr><td>C</td><td>Marca o ritmo com os pés, com as mãos e outros. Manter o ritmo, com sonorização canta bem, reconhecendo melodia.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Autor (2023)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A música é um operador condicionante que reforça o comportamento alterado e que o impacto das experiências musicais é observável e mensurável, sendo possível estabelecer uma relação de causa-efeito entre a música e o comportamento. A Musicoterapia deve usar a análise behaviorista e incluir programas individuais de tratamento para atender às necessidades dos indivíduos com algum tipo de perturbação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Grelha n° 5: ANAMNESE MUSICOTERAPIA</strong></p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td colspan="2"><strong>Pergunta: </strong>Aspectos ligados à comunicação e linguagem</td></tr><tr><td><strong>PACIENTES</strong></td><td><strong>UNIDADE DE REGISTRO</strong></td></tr><tr><td>A</td><td>Capacidade de comunicação quanto ao diálogo e integração.</td></tr><tr><td>B</td><td>Capacidade de comunicação quanto ao diálogo e integração.</td></tr><tr><td>C</td><td>Capacidade de comunicação quanto a verbalização, diálogo e integração.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Autor (2023)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Realizar terapia&nbsp;fonoaudiológica&nbsp;da&nbsp;linguagem&nbsp;oral e escrita, voz, fluência da fala, articulação da fala, função auditiva periférica e central, função vestibular, sistema miofuncional orofacial e cervical e deglutição, tanto no que diz respeito à habilitação, como à reabilitação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Grelha n° 6: ANAMNESE MUSICOTERAPIA</strong></p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td colspan="2"><strong>Pergunta: </strong>Aspectos relacionados aos estados efetivos verificados nos atendimentos</td></tr><tr><td><strong>PACIENTES</strong></td><td><strong>UNIDADE DE REGISTRO</strong></td></tr><tr><td>A</td><td>Receptivo, calmo, sociável, atividades compulsórias</td></tr><tr><td>B</td><td>Receptivo, sociável, atividades compulsórias, rígido, agitado, melancólico, desinteressado, reatrído, impulsivo, hiperativo</td></tr><tr><td>C</td><td>Receptivo, calmo, sociável e atividades compulsórias.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Autor (2023)</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ato de ouvir música e/ou tocar,&nbsp;ajuda a melhorar as frequências cardíacas e respiratórias e pressão de pacientes portadores de doença arterial coronária. Ajudam em transtornos neurológicos, pois tem se mostrado muito eficaz nos sintomas da ansiedade, depressão e de isolamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4 CONCLUSÃO</strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">É considerado que a implantação na APAE de Buritis/RO do pensamento de um processo de realização terapêutica multidisciplinar pode ser a garantia de uma reabilitação eficaz, completa e bem-sucedida. O projeto surgiu da necessidade de contribuir com as famílias das pessoas com deficiência matriculadas na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Buritis, na qual 90% são pessoas carentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As oficinas terapêuticas representam um instrumento importante de ressocialização e inserção individual em grupos, na medida em que propõe o trabalho, o agir e o pensar coletivos, conferidos por uma lógica inerente ao paradigma psicossocial que é respeitar a diversidade, a subjetividade e a capacidade de cada sujeito. E o movimento de defesa para continuar a construção socialmente, idealizado e construído diariamente o qual pode ser representado os pilares importantes de perpetuação desta discussão no cenário da saúde brasileira.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">YAVAS M, Hernandorena CLM, Lamprecht RR. <strong>Avaliação fonológica da criança: reeducação e terapia</strong>. Porto Alegre: Artmed; 2001.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nota Bibliográfica</strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Romero Vieira Vasconcelos. Graduado em Fonoaudiologia pelo Centro Universitário São Lucas (2006). Especialista em Saúde Pública com Ênfase em Programa de Saúde da Família pela Faculdade de Pimenta Bueno &#8211; FAAP (2012). Mestre em Administração e Gestão da Saúde Pública pela Universidad Columbia del Paraguay (2021), título reconhecido pela Universidade Metropolitana de Santos &#8211; UNIMES (2024). Doutor em Saúde Pública pela Universidad de la Integracion de las Américas &#8211; UNIDA (2024) no Paraguai.</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>2</sup>Valeska Regina Soares Marques. Doutora em Saúde Pública pela Universidad Americana (2016)Mestre em Saúde Publica pela Universidad Americana (2015) Graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1996).Graduação em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia, Ciencias e Letras de Boa Esperança (2021)MBA em Gestão e Marketing pela ESPM (2000).Professora e Tutora em Saúde Pública e Ciências da Educação pela Universidad de la Integración de las Américas &#8211; UNIDA.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>INTERVENÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NO CER III NA UNIVERSIDADE ESTADO DO PARÁ</title>
		<link>https://revistaft.com.br/intervencao-fonoaudiologica-em-criancas-com-transtorno-do-espectro-autista-no-cer-iii-na-universidade-estado-do-para/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 May 2024 22:42:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Fonoaudiologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 28 - Edição 134/MAI 2024]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=137534</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.11225945 Claudia Maria da Rocha Martins1Luzianne Fernandes de Oliveira2Christiane do Rosário Teixeira Menezes3Liliane Dias e Dias de Macedo4Antônio Claudio de Melo Santos5Cinthya da Silva Lynch6Rosa de Fátima Marques Gonçalves7Orientador(a) Ana Telma Martins de Sousa8 1. INTRODUÇÃO&#160; De acordo com o DSM–V, Transtorno do Espectro Autista (TEA) é caracterizado como uma desordem do neurodesenvolvimento, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.11225945</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Claudia Maria da Rocha Martins<strong><sup>1</sup></strong><br>Luzianne Fernandes de Oliveira<strong><sup>2</sup></strong><br>Christiane do Rosário Teixeira Menezes<strong><sup>3</sup></strong><br>Liliane Dias e Dias de Macedo<strong><sup>4</sup></strong><br>Antônio Claudio de Melo Santos<strong><sup>5</sup></strong><br>Cinthya da Silva Lynch<strong><sup>6</sup></strong><br>Rosa de Fátima Marques Gonçalves<strong><sup>7</sup></strong><br>Orientador(a) Ana Telma Martins de Sousa<strong><sup>8</sup></strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o DSM–V, Transtorno do Espectro Autista (TEA) é caracterizado como uma desordem do neurodesenvolvimento, marcada por alterações na díade: sociocomunicativo e comportamental. Além disso, engloba déficits no que se relaciona com o funcionamento do cérebro da criança em desenvolvimento, ocasionando como as principais consequências o atraso na fala, na aprendizagem e, também, na obtenção dos gestos motores (Soares et al., 2015). No Brasil, muitos atendimentos em saúde ofertados pelo SUS acontecem em Centros de Reabilitação inseridos em Universidades. No município de Belém, a Universidade do Estado do Pará (UEPA) possui um complexo policlínico que oferece serviços médicos e terapêuticos a nível ambulatorial e de reabilitação, com o fonoaudiólogo inserido na equipe multidisciplinar do CERIII.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Partindo da necessidade de se criar um espaço para a prática ambulatorial dos discentes dos cursos de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, em 1997 foi fundada a Unidade de Ensino e Assistência em Fisioterapia e Terapia Ocupacional (UEAFTO) que, em Maio de 2005, passou a ser executada no Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) no Campus II da UEPA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2013, através da Portaria Nº 778, de 9 de Maio de 2013 do Ministério da Saúde (MS), a UEAFTO foi habilitada em Centro Especializado em Reabilitação do tipo II (CER II), e atualmente o CER III, nas modalidades de</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deficiência Física e Deficiência Intelectual, recebendo recursos do MS para implantação, ampliação e revitalização da sua estrutura, recebendo também incentivos para a capacitação e treinamento da equipe, manutenção do serviço e recursos para aquisição de novos equipamentos (MS, 2013). Conforme evidenciado são diversos os problemas apresentados por crianças autistas, as quais necessitam da intervenção de profissionais da saúde, como, por exemplo os profissionais da fonoaudiologia, em prol de um melhor desenvolvimento da criança, especialmente, em assuntos pertinentes a fala, dentre outros, diretamente relacionados com o desenvolvimento da linguagem.&nbsp;&nbsp; Neste contexto, os pacientes com TEA atendidos no ambulatório de Fonoaudiologia, tem como meta principal intervir as diversas manifestações fonoaudiológicas relacionadas às alterações de Motricidade Orofacial, Audição, Disfagia, Linguagem Oral e Escrita e Voz. Apesar de apresentarem um espectro de manifestações singulares, a pessoa diagnosticada com TEA apresenta desde a primeira infância comprometimentos em três critérios estabelecidos:</p>



<p class="wp-block-paragraph">1. Prejuízos na comunicação social: dificuldades persistentes na comunicação verbal e não-verbal, linguagem idiossincrática, ecolalia ou repetitiva, ausência de brincadeiras de faz-de-conta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2. Dificuldades na interação social: dificuldade de se relacionar entre pares, prejuízos na reciprocidade social, falta do desejo espontâneo do compartilhamento, etc.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3. Atividades/interesses/comportamentos repetitivos, restritos e estereotipados: interesses, preocupação excessiva por partes de objetos, movimento motores repetitivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda que o diagnóstico sugira características peculiares que variam em três graus diferentes, a pessoa com TEA pode também apresentar habilidades e competências importantes a serem investigadas, estimuladas e aplicadas em contextos de trabalho, lazer, esportes, artes, e outras atividades humanas. Durante o estudo, serão levantados dados sobre condição socioeconômica e as manifestações fonoaudiológicas mais encontradas na população que apresenta deficiência nas modalidades físicas e/ou intelectuais. A identificação dessas características é de grande importância, visto que são déficits que podem interferir diretamente na vida da criança e dos que estão ao seu redor; concomitantemente, o rastreio precoce destas alterações são primordiais para o início do tratamento. Araújo (2017), ressalva que, embora seja comum que não recebam tratamentos adequados ou recomendados, fazse necessária intervenções que favoreçam o desenvolvimento da criança. Deste modo, torna-se primordial que as intervenções sejam baseadas em evidências científicas, demonstrando maior grau de confiabilidade e eficácia;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que justificou este estudo foi a importância do tema na reabilitação dos pacientes com transtorno do espectro autista atendidas no CER III/Ueafto na Universidade do estado do Pará no ambulatório de fonoaudiologia e suas intervenções promovendo informações acerca do cuidado e reabilitação na área de fonoaudiologia na promoção do prognóstico na área de fala, linguagem, voz e audição da pessoa com TEA. Diversos autores, alguns pais e familiares, profissionais, acadêmicos, gestores, os próprios autistas e outros ativistas, têm promovido ampla discussão a partir de diferentes posições sobre os possíveis fatores etiológicos, a descrição nos gráficos do transtorno e as metodologias supostamente eficazes de tratamento, assim como a organização de políticas de cuidado e o arcabouço legal de garantia de direito (Oliveira, et al., 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Salienta-se que a importância da fonoaudiologia no que se refere ao&nbsp;desenvolvimento da criança com transtorno de espectro do autismo (TEA) consiste na melhoria dos sintomas comportamentais, em especial, em aspectos da linguagem e da comunicação, tanto verbal como a comunicação não verbal que por meio da intervenção de forma precoce e contínua dos profissionais da fonoaudiologia é de extrema importância para que o quadro evolua de forma satisfatória, no que envolve a comunicação geral e, especialmente, para o desenvolvimento de sua linguagem expressiva e receptiva, linguagem gestual, escrita e oral, capacitando-o para a devida compreensão, a realização das atividades e agir sobre o ambiente no qual o autista está inserido. Portanto, diante da motivação pessoal e de reflexões acerca dessa temática, tem-se como principal questão norteadora:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>INTERVENÇÃO FONOAUDIOLÓGICAS EM PACIENTES COM TEA NO CER</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>III.</em> Pessoas com deficiência eram, e ainda são, por muitas vezes, denominados com as expressões pejorativas como “incapacitado”, “retardado”, “impedido” etc, que consideramos por falta de acesso a informação ao tratamento e prognóstico positivo a reabilitação. O conceito de pessoa com deficiência evoluiu com o passar dos anos, conforme a sociedade detinha novos conhecimentos e forma de pensar. A primeira convicção concreta do que significava a palavra deficiente surgiu em 1974, origem essa que surgiu na Declaração dos Direitos dos Deficientes, aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">       Teve sua primeira alteração em 1980 quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu como conceito qualquer perda ou anormalidade da estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica. Consideremos que o autismo é uma condição de saúde pautada por um déficit relacionado com a comunicação social e comportamento, não sendo apenas um dos vários subtipos desse transtorno. É tão abrangente que se utiliza o termo “espectro”, devido aos vários níveis de suporte que necessitam, existindo desde pessoas com  outras enfermidades  e  condições associadas (concorrências), como também deficiência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A referida pesquisa objetivou apresentar as principais intervenções fonoaudiologias em pacientes com TEA atendidos no ambulatório de fonoaudiologia da CERIII/UEAFTO/CCBS/UEPA, segundo os autores, e os objetivos específicos foram; Descrever as ações realizadas pelo ambulatório de fonoaudiologia no CER    III/UEAFTO/CCBS/UEPA; Investigar as  principais deficiências e suas manifestações fonoaudiológicas presentes na população assistida pelo ambulatório de fonoaudiologia; Propor a criação de um produto cientifico eletrônico para facilitar as informações sobre a intervenção fonoaudiológica no Centro Especializado em Reabilitação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Fundamentação Teórica.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 Breve histórico da Fonoaudiologia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; A história da Fonoaudiologia no Brasil, de início, não se diferencia da Educação Especial. Já se pensava em reabilitação no Brasil na época do Império. Em 1854 foi fundado o Imperial Colégio para meninos cegos – hoje, Instituto Benjamim Constant. Em 1855 foi fundado o Colégio Nacional, destinado ao ensino dos surdos. Passou o dito Colégio, sucessivamente, pelos seguintes nomes: Imperial Instituto de Surdos-Mudos (1857), Instituto Nacional de Surdos Mudos (1949), para em 1957 ser definitivamente reconhecido pelo nome de Instituto Nacional de Educação de Surdos, mais conhecido como I.N.E.S. Neste Instituto, em 1950, Ana Rimoli de Faria Doria marcou sua presença. A Fonoaudiologia é ciência que trata do desenvolvimento de ações voltadas para prevenção, avaliação, diagnóstico e terapia na área da comunicação humana, bem como, do aperfeiçoamento dos padrões da fala e voz, cabendo ao fonoaudiólogo dentre outros, executar um trabalho de prevenção.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que se refere ao seu campo específico do saber, o fonoaudiólogo participa de equipes multidisciplinares, realiza terapia fonoaudiológica, projeta, e realiza pesquisas no campo da Fonoaudiologia, além de assumir a docência na área especifica da sua formação nos diversos graus e âmbitos do Ensino, como também, em Instituições de saúde, vez que a sua formação, contempla todos os níveis e graus de complexidade crescente do Sistema Único de Saúde &#8211; SUS, atentando para o respeito ao ser humano, e ao determinado contexto da prática de humanização, recomendada para os serviços de assistência em saúde e no ensino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Classificação Brasileira de Ocupação (CBO/2010), específica em suas descrições, que o fonoaudiólogo, é o profissional habilitado para desenvolver ações que visem à prevenção, habilitação e reabilitação da motricidade orofacial, fala, voz, linguagem e/ou audição, utilizando protocolos de procedimentos específicos que avalia, diagnostica, trata e orienta usuários dos serviços, bem como, familiares, comunicantes, responsáveis e cuidadores.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desenvolver também programas, projetos e atividades técnico-administrativas, são outros atributos conferidos à profissão nas áreas do ensino e da pesquisa, além da gestão e coordenação de recursos humanos, materiais e financeiros, seja como profissional autônomo nas áreas da saúde, da educação e áreas correlatas e/ou, com vínculo empregatício nas esferas dos serviços públicos, por extensão na prestação de serviços privados e/ou em equipes multiprofissionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paralelamente a educação dos surdos encontraremos em 1912 o Dr. Augusto Linhares, o grande precursor da Fonoaudiologia no Brasil, que já a diferencia da educação especial dando início as pesquisas e reabilitação dos distúrbios da voz e da fala, bem como cursos de orientação a professores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também, promoveu conferências sobre o “Tratamento da Voz” e “Gagueira” as quais podem ser encontradas nos Anais da Academia Nacional de Medicina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em janeiro de 1948 é lançada a terceira edição da obra “Manual de Califasia” do Dr. Silveira Bueno que tratava principalmente de problemas de dicção e articulação e era adotado em várias escolas do ensino secundário.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> O curso de Graduação Superior em Fonoaudiologia tem como característica fundamental, atender às necessidades sociais não somente do Estado, mas e também, da Região Amazônica, preparando de forma integral profissionais de alto nível. <em>A Criação do Curso de Graduação Superior de Bacharelado em Fonoaudiologia, representa o mais novo desafio que a Universidade do Estado do Pará &#8211; UEPA se impõe, visando à expansão da sua rede de cursos universitários na Área da Saúde.</em> O currículo em proposta no Projeto do curso, não se baseou apenas em Decretos, Resoluções, Normativas e Legislações operacionais vigentes, mas, em resultados de consultas documentais realizadas a diversas instituições brasileiras que ministram Cursos de Graduação em Fonoaudiologia, que foram efetivadas objetivando ser possível identificar bases comuns na formação profissional. Realizaram-se também, estudos consequentes sobre as necessidades da população local, e modelo do Perfil do Profissional em Fonoaudiologia que o Estado do Pará e a Região Norte precisam formar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 A reabilitação fonoaudiológica e a pessoa com TEA:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;O comprometimento da comunicação no Transtorno Autista é acentuado e persistente, afetando as habilidades tanto verbais quanto não verbais, podendo haver atraso ou ausência total de desenvolvimento da linguagem falada. Os indivíduos que chegam a falar podem apresentar um acentuado comprometimento da capacidade de iniciar ou manter uma conversação, um uso estereotipado e repetitivo da linguagem ou uma linguagem idiossincrática. Ainda na infância as primeiras características são percebidas pelos cuidadores e/ou pessoas que convivem com frequência com a criança, entre estas temos:&nbsp; alteração da linguagem, frequentemente marcada por um pobre repertório para a idade; pobre interação social; alterações sensoriais; rituais e comportamento estereotipados e repetitivos (VIEIRA; BALDIN, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As alterações de linguagem no TEA geralmente são caracterizadas por atrasos significativos ou ausência total de desenvolvimento desta habilidade. Dentre as possíveis alterações, grande comprometimento no nível pragmático e nos aspectos paralinguísticos é esperado e pode ser precocemente observado no recém-nascido pela ausência de contato ocular, de jogos vocais e gestuais, de balbucio e de resposta aos sons. (Freire, 2018). O movimento de práticas baseadas em evidências surge no meio médico, especialmente nos países desenvolvidos, e atinge também a assistência a pessoas com TEA. Por conta do alto investimento do dinheiro público neste tipo de assistência, a partir dos anos 2000, a necessidade de apresentar intervenções com resultados advindos de sérias pesquisas científicas fez-se primordial (LIBERALESSO; LACERDA, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Liberalesso e Lacerda (2020), lançam um e-book onde apontamprincipais práticas baseadas em evidências para pessoas com TEA, a grande maioria é baseada na ciência Análise do Comportamento. Esta ciência busca compreender a interação do homem com o ambiente do ponto de vista comportamental. Diante disso, destacamos a importância do ambiente que, além do mundo físico, leva em conta as trocas sociais com o contexto (MOREIRA; MEDEIROS, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As verbalizações, quando presentes, exibem parâmetros anormais de prosódia, e em muitos casos a comunicação é realizada por meio de gestos. A criança autista apresenta dificuldade em iniciar e manter diálogos, em interpretar palavras e frases usadas pelo interlocutor, em dominar diferentes formas explícitas ou implícitas da linguagem, em analisar forma e estilo de apresentação de uma mensagem ou em adequar à relação ao contexto, ao ambiente ou ao ouvinte. Importante é relatar que o autista pouco interpreta os sinais sutis da linguagem, a saber: quando o interlocutor irá finalizar uma frase, o uso de entonação da voz, a percepção das expressões faciais que indicam sarcasmo, preocupação e ironia. Fazem uso idiossincrático de linguagem ou de linguagem estereotipada e ecolalia, que nem sempre têm intenção comunicativa. A alteração na compreensão da linguagem nas crianças autistas pode ser evidenciada por uma incapacidade de entender perguntas, orientações ou piadas simples e em muitas crianças autistas de funcionamento superior, o nível de linguagem receptiva está abaixo daquele da linguagem expressiva. Com relação aos níveis de gravidade, podem ser de três tipos: o nível um, ou leve, que o indivíduo necessita de pouco apoio; o nível dois, ou moderado, onde exige apoio substancial; e o nível três, ou grave, onde é necessário apoio muito substancial (ONZI; GOMES, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos níveis, indivíduos com TEA também podem apresentar comorbidades como hiperatividade, deficiência intelectual, distúrbio do sono, problemas gastrointestinais e epilepsia (GRIESI-OLIVEIRA; SERTIÉ, 2017). Griesi-Oliveira e Sertié (2017), referem que se estima 1% da população mundial com TEA e a proporção seja de 4:1 meninas. A Atuação fonoaudiológica é importante na promoção da linguagem, as práticas exercidas por esses profissionais são relevantes neste processo. Na aprendizagem, é considerável que a criança no processo de aquisição de linguagem receba estímulos, para Bigochinski e Eckstein (2016), as estimulações das habilidades são consideradas essenciais à aquisição da linguagem escrita, pois são atividades complexas e necessitam de um leque de aptidões. Para o autista estes estímulos são necessários e devem ser realizados por profissionais qualificados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É possível também ocorrer variação nas alterações de linguagem associadas com o grau de severidade do quadro clinico, podendo ocorrer situações de crianças serem desprovidas de linguagem oral, sem necessidade de ser comunicarem, por vários fatores como a deficiência auditiva (Gomes, 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3 O ATENDIMENTO DO CER III NO UEAFTO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"> Foi criada a Portaria SAS/MS nº 835, de 25 de abril de 2012, instituiu incentivos financeiros de investimentos e de custeio para o Componente da Atenção Especializada da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência e a Resolução 69 de 08 de maio de 2013 CIB SUS-PA, aprovação da alocação de recursos de custeio para implantação do CERII/UEAFTO;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Avaliação realizada pela Área Técnica da Saúde da Pessoa com Deficiência do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas, aprova a Habilitação da UEAFTO em CER II, através da Portaria Nº 778, de 9 de Maio de 2013 com recursos do Ministério da Saúde para implantação, ampliação, capacitação e treinamento da equipe e manutenção do serviço, ampliação da sua estrutura e recursos para aquisição de novos equipamentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Resolução 230 de 01 de novembro de 2013 CIB-SUS-PA, Pactuação do Desenho Regional e o Plano de Ação Estadual da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) do Estado do Pará. (mostra os recursos de custeio e capital para o CERII/UEAFTO.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Resolução 94 de 14 de setembro de 2017, CIB-SUS-PA, aprova habilitação do CER tipo II/UEAFTO em CER Tipo III/UEAFTO;</p>



<p class="wp-block-paragraph">PORTARIA Nº 3.164, de 3 de dezembro de 2019, habilitou o CERII/UEAFTO em CER tipo III, passando a atender também a clientela com deficiência auditiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp; A BASE LEGAL<strong>: </strong>INSTRUTIVO DE REABILITAÇÃO AUDITIVA, FÍSICA1, INTELECTUAL2 E VISUAL (Centro Especializado em Reabilitação – CER e Oficinas Ortopédicas) – RCPCD/SUS. Versão 3.0 (agosto 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">QUANTITATIVO DE USUÁRIOS/MÊS<strong>: Reabilitação</strong></p>



<figure class="wp-block-table"><table><tbody><tr><td><strong>Reabilitação</strong> <strong>Auditiva</strong></td><td><strong>Reabilitação Física</strong></td><td><strong>Reabilitação</strong> <strong>Intelectual</strong></td></tr><tr><td><strong>&nbsp;150 usuários/mês.</strong></td><td><strong>200 usuários/mês</strong></td><td><strong>200 usuários/mês. </strong>&nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Fonte: Arquivo CERIII/2022&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O atendimento no CER III consiste no atendimento multidisciplinar (Neurologista, Psiquiatra, Terapeuta Ocupacional, Fonoaudiólogo, Fisioterapia Psicólogo, Assistente Social, Fisioterapeuta) com o objetivo de desenvolver as habilidades para a execução de atividades do dia a dia buscando a vida autônoma. O usuário vem de demanda externa referenciado da unidade de saúde, demanda interna da equipe de reabilitação e encaminhamento do médico responsável.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Modalidades de Atendimento, Métodos e Técnicas utilizadas nos atendimentos no CER III/ UEAFTO:&nbsp;</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Terapia de Integração Sensorial;</li>



<li>Método Bobath</li>



<li>Avaliação Neuropsicológica;</li>



<li>Treino de AVD;</li>



<li>Atendimento em Grupo;</li>



<li>Orientações à família;</li>



<li>Tecnologia Assistiva;</li>



<li>Hidroterapia;&nbsp;</li>



<li>Projeto Pós &#8211; Covid.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;O percurso metodológico foi dividido em três sessões, na primeira sessão foi realizado o levantamento qualitativo e bibliográfico sobre o tema, através da qual foi realizado leitura a partir das palavras chave, sobre a literatura existente relativa ao tema a ser estudado, tais como, base de dados dos projetos do CER III/UEPA, bases <em>on line</em> oficiais, Scielo, Banco Digital e Teses e Dissertações, IBICT, assim como outras fontes científicas de áreas, como projetos do Nedeta/Uepa, compreendido no período de outubro de 2021 a junho de 2022, utilizando descritores na literatura referente ao tema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa bibliográfica, ou de fontes secundárias abrange toda bibliográfica já tornada pública em relação ao tema de estudo, sua foi&nbsp;&nbsp; colocar o pesquisador em contato direto com que foi escrito, dito oi filmado sobre determinado assunto (Marconi; Lakatos 2003, p.1983)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na segunda sessão foi realizado o levantamento da literatura e estudo dos autores referentes ao tema foi feita uma revisão bibliográfica pelo olhares dos autores, com análise crítica dos trabalhos já existentes, incluindo discussão e proposição de melhorias, e outras sugestões, conforme a demanda da pesquisa e como o produto educacional que será apresentado neste artigo foi a proposta de uma cartilha eletrônica informativa, que constará informações de algumas características da pessoa com Transtorno do Espectro autista e as alterações de fala e linguagem que podem vim associada ao diagnóstico de TEA, com objetivo de informar a comunidade escolar em geral e a família quanto aos possíveis distúrbios da comunicação da pessoa com TEA que interferem no prognóstico do tratamento multidisciplinar em centros de reabilitação como o CERIII/UEPA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na terceira sessão realizamos a contextualização da demanda de atendimento, quantitativo e serviços do CER III enquanto serviço e saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Considerações Finais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir do que foi abordado, verifica-se que nossos objetivos relatados quanto aos atendimentos no CER III e a atuação fonoaudiológica tanto com as informação aos pais, escola e comunidade sobre a intervenção fonoaudiologica de forma precoce e em equipe multidisciplinar nos centros de referência como o CER III/UEPA contribuindo para a fala, linguagem e socialização da criança com TEA, nota-se que existem muitas barreiras a serem superadas na questão da informação. Torna-se imprescindível a atuação fonoaudiológica no TEA para indivíduos com o transtorno do espectro do autismo buscando aprimorar a comunicação do sujeito de forma quantitativa e qualitativa. Com o objetivo da ampliação da comunicação verbal ou da instalação do sistema de comunicação alternativa, qualquer ação com emissão com intuito comunicativo, deve ser explorada e incentivada as orientações de fala e linguagem.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A conduta terapêutica de intervenção na linguagem deve envolver a participação da família, é essencial que os pais detectem os sinais atípicos no desenvolvimento e criem diferentes contextos comunicativos que estimulem a participação da criança. O fonoaudiólogo deve fornecer informações do desenvolvimento aos pais e capacitá-los para que participem como agentes no desenvolvimento da linguagem, os quais devem aprender a criar contextos de atenção compartilhada para estimular a linguagem dos filhos, com base no aumento de experiências de comunicação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se que a cartilha informativa digital cumpre os objetivos propostos no início do trabalho de promover estratégias para a estimulação de linguagem de crianças com TEA, facilitando a intervenção fonoaudiológica promovendo aspectos da fala e linguagem na criança com diagnóstico de TEA, assim como rodas de conversa com as mães na sala de espera oportunizando esclarecimento e possíveis condutas que pais e cuidadores poderão realizar em domicilio promovendo melhor prognóstico no processo da reabilitação. A assistência para indivíduos com TEA necessita ser o mais precoce possível, especialmente por conta da neuroplasticidade entre zero e quatro anos de idade ser maior do que em crianças fora desta faixa-etária estimulando linguagem e fala precocemente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">American Psychiatric Association (2014). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. (5a ed.). Editora Artmed.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. <strong>Constituição da República Federativa do Brasil</strong>, 1988.Disponível em: cesso em: 04 de Jul/2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">_____. <strong>Lei</strong> <strong>8.213</strong>, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social e dá outras providências. Brasília, DF, 24 jul. 1991. Disponível em: . Acesso em: 04 de Jul/2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">______. <strong>Lei</strong> <strong>9.061</strong>, de 21 de maio de 2020. Institui a Política Estadual de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista &#8211; PEPTEA, cria o Sistema Estadual de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e o Conselho da Política Estadual de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista &#8211; COPEPTEA, dispõe sobre aexpedição da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista &#8211; CIPTEA, altera a Lei nº 5.838, de 1994<em>.</em> Belém, PA, 24 mai. 2021. Disponível em: Acesso em: 04 de Jul/2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">______. <strong>Lei 12.764</strong>, de 27 de dezembro de 2012. Brasília, DF, 27 dez. 2012. Disponível em: &lt; http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011- 2014/2012/lei/l12764.htm &gt;.Acesso em: 04 de Jul/2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______. <strong>Lei 13.146,</strong> de 06 de julho de 2015. Brasília, DF, 06 jul. 2015. Disponível em: &lt; http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20152018/2015/Lei/L13146.htm &gt;. Acesso em:&nbsp;04 de Jul/2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BigochinskI, E., &amp; Eckstein, M.P.W. (2016). <strong>A importância do trabalho com a consciência fonológica para a aprendizagem da leitura e da escrita</strong>. Ensaios pedagógicos, Revista Eletrônica do Curso de Pedagogia das Faculdades OPET, 11, 44-67. http://www.opet.com.br/faculdade/revistapedagogia/pdf/n11/artigo4.pdf.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CASTAGNA, Mariane Pires. O <strong>Direito à Profissionalização do Jovem Brasileiro: uma análise à luz do princípio da dignidade da pessoa humana</strong>. 2011. Orientadora: Profa. Dra. Olga Maria Boschi Aguiar de Oliveira. (Mestrado em Direito)&nbsp; Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, p. 100.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CAVALCANTE, Ricardo Bezerra; CALIXTO, Pedro; PINHEIRO, Marta Marcedo Kerr. <strong>Análise de Conteúdo: Considerações Gerais, relações com a pergunta da pesquisa, possibilidade e limitações do método</strong>. Inf. &amp; Soc.: Est., João Pessoa, v.24, n.1, p. 13-18, jan./abr. 2014.&nbsp;Disponível em &lt; http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/10000&gt; Acessado em 26/09/2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conselho Federal de Fonoaudiologia. Resolução nº 309 de 1º de abril &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; de &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2005.https://www.fonoaudiologia.org.br/resolucoes/resolucoes_html/CFFa_N_3 09_05.htm.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gomes, R.C.; Nunes, D.R.P. <strong>Interações comunicativas entre uma professora e um aluno com autismo</strong>: uma proposta de intervenção, v.40, n°1,p143-161,2014.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ferraro, L. I. G. (2015). <strong>Perfil Funcional da Comunicação e Desempenho Sócio Cognitivo em Crianças com Diferentes apresentações de Autismo</strong>. (Dissertação de Mestrado). Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Salvador, BA, Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Freire, T. (2018) <strong>Ações da fonoaudiologia na escola</strong>: programa de estimulação da consciência fonológica em escolares do 1 ano. (Tese de Doutorado) Universalidadede São Paulo. Faculdade de Odontologia de Bauru. Bauru, SP, Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LACERDA, R. et al. <strong>Práticas baseadas em evidências publicadas no Brasil</strong>: identificação e análise de suas vertentes e abordagens metodológicas. Revista da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. 45 (3): 777-86, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIBERALESSO, P.; LACERDA, L. <strong>Autismo: Compreensão e Práticas Baseadas em Evidências</strong>, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais</strong>, Ed. V, São Paulo: ARTMED, 2014.KATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia cientifica. 5º ed. São Paulo:</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARCONI, &nbsp;&nbsp; Marina &nbsp;&nbsp; de &nbsp;&nbsp;&nbsp; Andrade; &nbsp;&nbsp; LAKATOS, &nbsp;&nbsp; Eva Maria<strong>.Fundamentos de metodologia cientifica.</strong> São Paulo: Atlas 2003.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ministério do Trabalho e Economia (TEM). <strong>Instrução Normativa da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT Nº 98 DE 15.08.2012)</strong>. Disponível em: &lt;http://www.normaslegais.com.br<a href="http://www.normaslegais.com.br/">&gt;</a>. Acesso em: 04 de Jul/2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA, T. R. S., et al (2018). <strong>Intervenção fonoaudiólogica e autismo</strong>. Rev. CEFAC. 20(6), 808-814 Oliveira, et al. (2017) Atividade física e promoção da saúde na escola: coletânea de estudos [recurso eletrônico] / Organizadores, Antonio Ricardo Catunda de Oliveira. [et al]. UECE.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ONZI, F.; GOMES, R. Transtorno do Espectro Autista: A Importância do Diagnóstico E Reabilitação. <strong>Caderno pedagógico</strong>, Lajeado, v. 12, n. 3, p. 188-199, 2015</p>



<p class="wp-block-paragraph">VIEIRA, Beuza; BALDIN, Sandra. <strong>Diagnóstico e intervenção de indivíduos com transtorno do espectro autista</strong>, v 10, p.99, 2018</p>



<p class="wp-block-paragraph">THIOLLENT, M. <strong>Metodologia da pesquisa-ação.</strong> 14ª ed. São Paulo: Cortez; 2004</p>



<p class="wp-block-paragraph">YIN, R. K. <strong>Case study research: design and methods. </strong>Thousand Oaks: SAGE Publications, 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph">YIN, R. K. <strong>Estudo de caso: planejamento e métodos</strong>. 4. ed.Porto Alegre: Bookman, 2010.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> Orientador(a) Profa.Dra.UEPA&nbsp;&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup><strong>1</strong> </sup>Fonoaudiologa&nbsp; Mestre em Neurociências<br>Orcid: https://orcid.org/0000-0003-4377-0673</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong><sup>2&nbsp;</sup></strong>Fonoaudiologa Mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano<br>https://orcid.org/0000-0001-8879-544X</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong><sup>3</sup></strong>Fonoaudiolaga Mestre<br>Orcid: https://orcid.org/0000-0001-8025-0218</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong><sup>4</sup></strong> Fonoaudiologa Mestre<br>Orcid: https://orcid.org/my-orcid?orcid=0009-0003-6698-8795</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong><sup>5</sup></strong> Fonoaudiologo<br>Orcid: https://orcid.org/my-orcid?orcid=0009-0005-1973-958</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong><sup>6</sup></strong> Pos- Dourado pela USP- SP</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong><sup>8 </sup></strong>Orientador(a) Profa.Dra.UEPA&nbsp;&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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