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	<title>Volume 30 – Edição 155/FEV 2026 &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<description>Revista Científica de Alto Impacto.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 06 Mar 2026 17:32:02 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Volume 30 – Edição 155/FEV 2026 &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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		<title>COMPARAÇÃO DO USO DE BOLSAS DE BOGOTÁ E TERAPIAS DE PRESSÃO NEGATIVA (NPT) EM PERITONEOSTOMIAS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA.</title>
		<link>https://revistaft.com.br/comparacao-do-uso-de-bolsas-de-bogota-e-terapias-de-pressao-negativa-npt-em-peritoneostomias-uma-revisao-integrativa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft RA]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Feb 2026 23:34:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[COMPARISON OF THE USE OF BOGOTÁ POUCHES AND NEGATIVE PRESSURE THERAPIES (NPT) IN PERITONEOSTOMIES: AN INTEGRATIVE REVIEW. REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202602280048 Miguel Batista Ferreira NetoOrientador: Raimundo Hugo Matias Furtado RESUMO Procedimentos cirúrgicos, como a laparotomia, normalmente exigem o fechamento primário da fáscia abdominal. Quando isso não é possível, recorre-se à peritoneostomia ou ao fechamento temporário da [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">COMPARISON OF THE USE OF BOGOTÁ POUCHES AND NEGATIVE PRESSURE THERAPIES (NPT) IN PERITONEOSTOMIES: AN INTEGRATIVE REVIEW.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202602280048</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Miguel Batista Ferreira Neto<br>Orientador: Raimundo Hugo Matias Furtado</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Procedimentos cirúrgicos, como a laparotomia, normalmente exigem o fechamento primário da fáscia abdominal. Quando isso não é possível, recorre-se à peritoneostomia ou ao fechamento temporário da cavidade abdominal (TAC), podendo-se utilizar algumas técnicas, como a Bolsa de Bogotá e as terapias de pressão negativa, as quais possuem suas vantagens e desvantagens. Objetivou-se analisar e comparar a eficácia do uso de peritoneostomias em pacientes submetidos a abdome aberto, avaliando as diferenças entre o uso de bolsas de Bogotá e a terapia de pressão negativa (NPT). Este trabalho é uma Revisão Integrativa da Literatura, com buscas realizadas no PUBMED, SciELO, <em>Cochrane Library </em>e Biblioteca Virtual em Saúde, utilizando os Descritores em Ciências da Saúde: <em>&#8220;Negative-Pressure Wound Therapy”; “Abdominal Wound Closure Techniques” ; “General surgery” ; “Peritoneum”</em>. Após filtrar 321 artigos, o corpus de análise foi reduzido a 12 publicações. Os artigos analisados indicam que as técnicas de terapia para abdômen aberto, como a Bolsa de Bogotá e a Terapia de Pressão Negativa, têm eficácia variável conforme o contexto clínico. A Bolsa de Bogotá permite mobilização precoce sem evisceração, enquanto a NPT se destaca no fechamento fascial e controle da pressão intra-abdominal, apesar dos custos mais altos. Conclui-se que a NPT oferece vantagens em relação ao fechamento da parede abdominal, mas as diferenças clínicas a longo prazo não são significativas ou não foram estudadas de forma mais aprofundada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>PALAVRAS-CHAVE: </strong>Terapia a vácuo, Bolsa de Bogotá, Bolsa de Borráez, Abdômen aberto, Cirurgia geral, Desfecho clínico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Surgical procedures, such as laparotomy, typically require primary closure of the abdominal fascia. When this is not possible, peritoneostomy or temporary closure of the abdominal cavity (CT) is used, and some techniques can be used, such as the Bogotá Bag and negative pressure therapies. Which have their advantages and disadvantages. The objective of this study was to analyze and compare the efficacy of peritoneostomies in patients undergoing open abdomen, evaluating the differences between the use of Bogotá bags and negative pressure therapy (TPN). This study is an Integrative Literature Review, with searches carried out in PUBMED, SciELO, Cochrane Library and Virtual Health Library, using the Health Sciences Descriptors: &#8220;Negative-Pressure Wound Therapy&#8221;; &#8220;Abdominal Wound Closure Techniques&#8221;; &#8220;General surgery&#8221;; &#8220;Peritoneum&#8221;. After filtering 321 articles, the corpus of analysis was reduced to 12 publications. The analyzed articles indicate that therapy techniques for the open abdomen, such as the Bogotá Bag and Negative Pressure Therapy, have variable efficacy according to the clinical context. The Bogotá Pouch allows early mobilization without evisceration, while the TPN excels at fascial closure and intra-abdominal pressure control, despite higher costs. It is concluded that TPN offers advantages over abdominal wall closure, but the long-term clinical differences are not significant or have not been studied in more depth.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>KEYWORDS: </strong><em>Vacuum therapy, Bogotá Pouch, Borráez Pouch, Open abdomen, General surgery, Clinical outcome.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.&nbsp;&nbsp;INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Diversos procedimentos cirúrgicos necessitam de acesso à cavidade abdominal, variando seu local e tamanho da incisão, de acordo com a região que se deseja acessar. Nesse sentido, uma das cirurgias realizadas é a laparotomia, em que a abordagem ideal é a que realiza o fechamento primário da fáscia do abdômen, suturando a aponeurose. Entretanto, em certas ocasiões tal fechamento não é possível por diversos motivos. Dentre esses, pode-se mencionar edema intestinal causado por peritonite, trauma e hemorragia, intestino isquêmico, laparatomia de segunda análise, síndrome compartimental abdominal e transplante com discrepância de tamanho (Cheng <em>et al. </em>2022; Huang <em>et al</em>., 2016; Sharon <em>et al</em>. 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A peritoneostomia, também conhecida como fechamento temporário da cavidade abdominal (TAC) é uma técnica cirurgica utilizada nessas situações, visando tanto prevenir, como tratar a hipertensão intra- abdominal, sepse e reduzir a mortalidade. Além disso, destaca-se a importância desta técnica visto que o abdômen aberto demonstra um desafio para os médicos, por conta da inflamação peritoneal, apresentando uma taxa de mortalidade superior a 30%. Ademais, sabe-se que essas técnicas visam ofertar uma resolução transitória até que a fáscia abdominal possa ser ocluida, consequentemente propiciando o controle de danos intra-abdominais e possibilitando a visualização e acesso a essa cavidade (Brown, R., Rentea, R. 2024; Pio <em>et al</em>., 2018; Sharon <em>et al</em>. 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa conjuntura, a técnica cirúrgica ideal se baseia em prevenir a evisceração, remover os fluidos intraperitoneais que detêm citocinas inflamatórias, evitar o surgimento de fístulas enteroatmosféricas, preservar a mecânica da parede abdominal e facilitar a reoperação e o fechamento definitivo, consequentemente reduzindo a contaminação, evitando aderências e possibilitando acesso a cavidade, como também minimizando e prevenindo danos e desfechos clínicos insatisfatórios (Roberts <em>et al</em>., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A peritoneostomia pode ser realizada por diversas técnicas cirúrgicas. Dentre essas, pode-se citar, o uso da Bolsa de Bogotá, também conhecida como Bolsa de Borráez, descrita em 1984, por Oswaldo Borráez. Tal técnica é uma das mais comuns entre as técnicas de fechamento temporário e uma das mais conhecidas no Brasil, devido sua alta disponibilidade, fácil acesso, baixo custo e um procedimento simples e rápido. O procedimento consiste na utilização de uma bolsa plástica com a qual é realizada uma sutura diretamente na fáscia ou na pele da parede abdominal. Podendo, em alguns casos ocorrer reforço com uma tela de polipropileno para reduzir o risco de eviscerações e facilitar a mobilização e deambulação dos pacientes. (Ribeiro <em>et al</em>. 2016; Karakaya <em>et al</em>. 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, o uso da Bolsa de Bogotá apresenta algumas vantagens, como baixo custo, disponibilidade imediata, flexibilidade, boa resistência, causa poucas aderência aos tecidos, dificilmente provoca reações alérgicas, sendo fácil e rápido de instalar. Além disso, é eficaz na proteção contra a perda de água e calor. Deve-se salientar que este procedimento pode demandar maior utilização de drenos e limpezas frequentes, fato que aumenta o risco de evisceração e dificulta a mobilização do paciente, como também pode causar lacerações na pele, aderência do intestino à parede abdominal, dificuldades para fechar o abdômen e a necessidade de esterilização da bolsa antes do uso (Atema <em>et al.,</em>2015; Kurt <em>et al</em>. 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra técnica de extrema relevância usada no fechamento temporário da cavidade abdominal (TAC) introduzida por Barker é terapia assistida a vácuo (VAC), também denominada de terapia de pressão negativa, sendo um método mais abrangente de tratar uma ferida abdominal aberta. A intervenção usa espuma de poliuretano ou álcool polivinílico com poros de 400 a 600 micrômetros, fixada no local por um adesivo. Uma camada de filme plástico separa as vísceras da espuma e a ajusta à lesão. A espuma é coberta por adesivo, com um pequeno orifício conectado a um dispositivo que direciona o fluido para um reservatório. O sistema é ligado a uma bomba de vácuo que aplica pressão subatmosférica contínua ou intermitente, geralmente de 125 mmHg, distribuída uniformemente pela ferida (Hu <em>et al</em>., 2018; Poortmans <em>et al</em>., 2020; Seternes <em>et al</em>., 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tal terapia de pressão negativa oferece várias vantagens, como a drenagem do líquido peritoneal, eliminando o fluido acumulado e os resíduos, o que diminui o edema visceral e melhora o fluxo sanguíneo e a deposição da matriz. Como resultado, ele não só aplica maior tensão fascial na parede abdominal, contribuindo para o fechamento definitivo da cavidade abdominal, mas também aumenta a pressão parcial de oxigênio nos tecidos, o que ajuda a reduzir a proliferação bacteriana. Porém, uma das principais desvantagens que a terapia de pressão negativa (NPT) apresenta é o custo mais elevado que as outras técnicas (Hu <em>et al</em>., 2018; Poortmans <em>et al</em>., 2020; Seternes <em>et al</em>., 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, o presente estudo tem por objetivo analisar e comparar a eficácia do uso de peritoneostomias em pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos de peritoniostomias, avaliando as diferenças entre o uso de bolsas de Bogotá e as terapias de pressão negativa (NPT).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.&nbsp;&nbsp;METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo é uma revisão integrativa da literatura, fundamental para o avanço de um conhecimento específico, promovendo a criação de novas teorias e a identificação de lacunas e oportunidades de pesquisa em um tema específico (GODOI, 2021). O estudo foi realizado em seis fases: definição do tema e elaboração da pergunta de pesquisa, aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, identificação dos estudos pré-selecionados e selecionados, categorização dos estudos escolhidos, discussão dos resultados e apresentação da revisão ou síntese do conhecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira fase envolveu a definição do tema com o intuito de responder à pergunta central da pesquisa: “Na realização de peritoneostomias, qual é a intervenção mais eficaz ao se comparar o uso de bolsas de Bogotá com a terapia de pressão negativa (NPT)?”. A segunda fase consistiu em investigar a presença do tema na literatura científica por meio dos Descritores em Ciências da Saúde <em>&#8220;Negative- Pressure Wound Therapy”; “Abdominal Wound Closure Techniques” ;</em> <em>“General surgery” ; “Peritoneum”; “Peritonitis” e “Surgical Stomas”. </em>As bases de dados consideradas elegíveis foram: 1) <em>Scientific Electronic Library Online </em>(SciELO); 2) <em>Cochrane Library </em>; 3) Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e 4) <em>National Library of Medicine</em>(PUBMED).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As etapas três e quatro incluíram os critérios de inclusão, utilizando filtros como: estudos publicados nos últimos 10 anos, além de artigos completos acessíveis em formato eletrônico sem custo e em português, inglês e espanhol. Em seguida, foram aplicados critérios de exclusão para remover estudos duplicados nas bases de dados ou que não tratavam da questão central da pesquisa. Para uma melhor compreensão do processo de amostragem, consulte o fluxograma na figura 1, que culminou em uma amostra final de 12 artigos. (Figura 1).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 1. Fluxograma de seleção dos artigos</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="476" height="441" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-32.png" alt="" class="wp-image-266555" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-32.png 476w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-32-300x278.png 300w" sizes="(max-width: 476px) 100vw, 476px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Dados de pesquisa, 2024/2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a seleção dos artigos que farão parte do estudo e com o intuito de organizar e sintetizar as informações que formam o objetivo desta revisão, foi feita uma leitura detalhada das publicações, a partir da qual foram escolhidas as seguintes variáveis: autor/ano, título do artigo, revista, Qualis Capes, idioma, país, tipo de pesquisa, população-alvo. Além disso, os principais resultados dos estudos analisados foram examinados e categorizados, sendo a apresentação dos resultados feita por meio da criação de tabelas no <em>Microsoft Word</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por último, a RIL foi finalizada com a análise e interpretação dos dados que foram coletados , bem como a apresentação dos resultados/ síntese.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A revisão integrativa de literatura tem como objetivo compilar, analisar e simplificar a compreensão existente sobre devidos temas. Desse modo, os resultados abordados a seguir demonstram as principais propensões, vieses e avanços percebidos na literatura averiguada, visando obter uma elucidação mais aprofundada do tema em questão, consequentemente buscando propiciar uma discussão sólida para as próximas análises do assunto e colaborar para o progresso científico desse assunto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, o quadro 1 aborda os componentes relacionados as características de todos os estudos selecionados nesta revisão. Conforme o quadro 1 a maioria dos artigos selecionados são estudos estadunidenses (25%, n=3), com Qualis Capes A1 e B1 na mesma quantidade (33,3%, n=4), no idioma inglês (75%, n=9), sendo mais de um artigo publicado na Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (14,2%, n=2) e na <em>World Journal of Surgery </em>(14,2%, n=2).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1: Caracterização geral dos artigos selecionados para compor a RIL.</strong></p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Autores e ano</strong></td><td><strong>&nbsp;Título do artigo</strong></td><td><strong>Título &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; do</strong> <strong>periódico</strong></td><td><strong>Qualis</strong></td><td><strong>Idioma</strong></td><td><strong>País</strong></td></tr><tr><td>Batacchi, S. <em>et al</em>. 2016</td><td>Vacuum-assisted closure device enhances recovery of critically ill patients&nbsp; following&nbsp; emergency surgical procedures</td><td><strong>Critical</strong> <strong>Care</strong></td><td>B1</td><td>Inglês</td><td>Itália</td></tr><tr><td>Bruhin, A. <em>et al</em>. 2014</td><td>&nbsp;Systematic review and evidence based recommendations for the use of negative pressure wound therapy in the open abdomen</td><td><strong>Internationa l Journal of Surgery</strong></td><td>B2</td><td>Inglês</td><td>Reino Unido</td></tr><tr><td>Cheng, Y. <em>et al</em>. 2022</td><td>&nbsp;Negative pressure wound therapy for managing the open abdomen in non-trauma patients</td><td><strong>Cochrane</strong> <strong>Database of</strong> <strong>Systematic</strong> <strong>Reviews</strong></td><td>A1</td><td>Inglês</td><td>China</td></tr><tr><td>Chandrase khar, V. <em>et al</em>. 2020</td><td>Negative Pressure&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Wound <em>&nbsp;</em>Therapy &nbsp;&nbsp;&nbsp; Compared to Petrolatum Gauze and a Bogota Bag to Manage Postoperative Midline Abdominal Wound Dehiscence: A Pilot, Nonrandomized Controlled Trial</td><td><strong>Wound</strong> <strong>Managemen t &amp;</strong> <strong>Prevention</strong></td><td>A1</td><td>Inglês</td><td>EUA</td></tr><tr><td>Cicuttin, E.&nbsp; <em>et al. </em>2019</td><td>Trends in open abdomen <em>&nbsp;</em>management in Italy: a subgroup analysis from the IROA project</td><td><strong>Updates in</strong> <strong>Surgery</strong></td><td><strong>&nbsp;</strong>A1</td><td>Inglês</td><td>Itália</td></tr><tr><td>Junior,&nbsp; R. <em>et al</em>. 2015</td><td>&nbsp;Abdômen aberto: experiência em uma única instituição</td><td><strong>Revista &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; do</strong> <strong>Colégio</strong> <strong>Brasileiro de Cirurgiões</strong></td><td>B1</td><td>Português</td><td>Brasil</td></tr><tr><td>Pillay, P. <em>et al</em>. 2023</td><td>&nbsp;The Efficacy of VAMMFT Compared to &#8220;Bogota Bag&#8221; in Achieving&nbsp; Sheath &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Closure Following Temporary Abdominal&nbsp; Closure&nbsp; at&nbsp; Index Laparotomy for Trauma</td><td><strong>World</strong> <strong>Journal of Surgery</strong> &nbsp; &nbsp;</td><td>A2 <strong>&nbsp;</strong></td><td>Inglês</td><td>EUA</td></tr><tr><td>Poilluci <em>et al. </em>2021</td><td><em>&nbsp;</em>Open abdomen closure methods for severe abdominal sepsis: a retrospective cohort study</td><td><strong>European</strong> <strong>Journal &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; of</strong> <strong>Trauma and</strong> <strong>Emergency</strong> <strong>Surgery</strong></td><td>A2 <strong>&nbsp;</strong></td><td>Inglês</td><td>Alemanha</td></tr><tr><td>Rendon, M.; Perez, M. 2015</td><td>Robusto bolso Bogotá en abdomen abierto.</td><td><strong>Cirujano General</strong></td><td>B1</td><td>Espanhol</td><td>Espanha</td></tr><tr><td>Ribeiro, M. <em>et al</em>. 2016</td><td>Estudo comparativo de técnicas de fechamento temporário da cavidade&nbsp;&nbsp; abdominal&nbsp;para controle de danos</td><td><strong>Revista &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; do</strong> <strong>Colégio</strong> <strong>Brasileiro de</strong> <strong>Cirurgiões</strong></td><td><strong>&nbsp;</strong>B1</td><td>Português</td><td>Brasil</td></tr><tr><td>Salamone, G. <em>et al</em>. 2018</td><td>Vacuum-Assisted&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Wound Closure with Mesh-Mediated Fascial Traction Achieves Better Outcomes than Vacuum-Assisted Wound&nbsp; Closure&nbsp; Alone:&nbsp; A Comparative Study</td><td>&nbsp;<strong>World</strong> <strong>Journal &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; of</strong> <strong>Surgery</strong> &nbsp;</td><td>A2 <strong>&nbsp;</strong></td><td>Inglês</td><td>EUA</td></tr><tr><td>Zahid,&nbsp; M. <em>et al</em>. 2024</td><td>&nbsp;A descriptive analysis of skinonly closure and Bogota bag techniques for achieving complete fascial closure in damage&nbsp;&nbsp; control&nbsp;&nbsp; abdominal surgery</td><td><strong>BMC</strong> <strong>Surgery</strong></td><td>A1</td><td>Inglês</td><td>Reino Unido</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte: Autoria própria</strong></p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">Em relação ao quadro 2 a maioria dos estudos apresentam artigos de caráter de estudos prospectivos (25%, n=3) e estudos retrospectivos (25%, n=3), em seguida estudos qualitativos (16,7%, n=2), em que a população alvo é constituída principalmente por pacientes que foram submetidos a terapia de abdômen aberto (OA), por meio de algumas técnicas, como bolsa de Bogotá, VAC( Dispositivo de fechamento assistido a vácuo), NPT( Terapia de pressão negativa) , VAMMFT (Tração fascial mediada por malha assistida a vácuo e <em>Vaccum-Pack.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, foi também destacado os principais resultados, em que os estudos evidenciaram que a terapia de abdômen aberto (OA) em que o tempo de tratamento da OA revelou-se importante para as complicações, como também foi visto em relação à mortalidade, fatores significativos como a idade e a pancreatite. Ademais, pode-se afirmar que a técnica de Bogotá possibilita uma mobilização, deambulação precoce e o uso de suporte ventilatório, porém apresenta o risco de evisceração. No entanto, as técnicas de pressão negativa (NPT) em comparação a técnica de Bogotá mostraram-se semelhantes, entretanto estudos mostram superioridade da NPT em relação ao tempo médio para o fechamento fascial, no controle da pressão intra-abdominal, na normalização do lactato nas primeiras 24 horas e menor duração da ventilação mecânica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contrapartida outro estudo analisou que a técnica de Bolsa de Bogotá apresentavam benefícios, tais como o fácil acesso aos materiais e um custo reduzido, em comparação a terapia de pressão negativa, que mesmo denotando maior eficácia, apresentava desvantagens, como alto custo e indisponibilidade na grande maioria dos centros de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, vale salientar que não foram observadas diferenças significativas entre as técnicas NPT (Terapia de pressão negativa) e BB (Bolsa de Bogotá). Porém, comparando NPT e não- NPT, foram vistos que a realização da NPT garante tempos significativamente menores para sinais de granulação, fechamento fascial e internação hospitalar, como também menor taxa de mortalidade. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, é importante destacar a técnica VAMMFT (tração fascial mediada por malha assistida a vácuo) em que alcançou uma taxa de fechamento maior, principalmente em pessoas mais velhas em comparação com a técnica da bolsa de Bogotá, porém, esta apresentou maior tempo de internação. Também, é relevante frisar que um estudo também afirmou que pacientes que receberam fechamento somente da pele (SC) tiveram taxas significativamente maiores de fechamento fascial primário (PFC) em comparação aos que receberam fechamento por bolsa de Bogotá (BBC).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 2. Características metodológicas dos estudos para compor a RIL.</strong></p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td></td><td></td><td></td><td></td></tr><tr><td></td><td></td><td></td><td></td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Autores (Ano)</strong></td><td><strong>Tipo de estudo</strong></td><td><strong>População-alvo</strong></td><td><strong>Principais resultados</strong></td></tr><tr><td>Batacchi, S. <em>et al</em>. 2016</td><td>Estudo Prospectivo</td><td>Pacientes admitidos em unidade de terapia intensiva (UTI) tratados com a bolsa de Bogotá versus pacientes tratados com VAC (Dispositivo de fechamento assistido a vácuo).</td><td>Os grupos Bogotá e VAC eram semelhantes, mas  VAC se mostrou mais eficaz no controle da pressão intra-abdominal e na normalização dos lactatos nas primeiras 2 horas. Além disso, o VAC apresentou fechamento abdominal mais rápido menor duração de ventilação mecânica,  sem  diferenças significativas nos escore SOFA e na taxa de mortalidade.</td></tr><tr><td>Bruhin, A. <em>et al</em>. 2014</td><td>Estudo Qualitativo</td><td>Pacientes que necessitam de de terapia de abdômen aberto</td><td> A taxa de fechamento fascial foi de 72% com NPWT(Terapia de pressão negativa para feridas comercial e 82% com fechamento dinâmico. Pacientes sépticos tiveram taxas menores, enquanto recomendações baseadas em evidências   foram estabelecidas para tratamento Além disso, as taxas d mortalidade  estavam direcionadas à condição médica do que ao tipo d curativo.</td></tr><tr><td>Cheng, Y. <em>et al</em>. 2022</td><td>ECR</td><td>Pacientes com abdômen&nbsp; aberto associado a&nbsp; várias condições, predominando peritonite grave.</td><td>Observou-se que a comparação da NPWT com a bolsa de Bogotá, não apresentou certeza sobre a redução do tempo de fechamento fascial ou eventos adversos Além disso, não se sabe se a NPWT diminui a mortalidade ou o tempo de internação. O estudo não relatou dados sobre fechamento primário bem- sucedido, qualidade de vida, reoperação, infecção ou dor.</td></tr><tr><td>Chandrasekhar, V. et al. 2020</td><td>Estudo Prospectivo</td><td>Pacientes com 18 anos ou mais que apresentaram deiscência da ferida abdominal pós- operatória após laparotomia eletiva e de emergência.</td><td>Observou-se que os pacientes do grupo NPWT e do grupo não-NPWT apresentaram características demográficas e cirúrgicas semelhantes. Ambos os grupos conseguiram cobertura total da ferida. Entretanto, o grupo NPWT apresentou tempos significativamente menores para sinais de granulação ,fechamento fascial e internação hospitalar . Apenas 2 pacientes (7,6%) no grupo NPWT desenvolveram <br>fístulas; não houve fístulas no grupo controle e nenhum caso de abscessos, hérnias ou deiscência em ambos os grupos.</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>Cicuttin,&nbsp; E.&nbsp; <em>et&nbsp; al. </em>2019</td><td>Estudo Prospectivo</td><td>Pacientes com peritonite secundária e pós-operatória, trauma submetidos as técnicas de AO, tais como terapia comercial de pressão negativa e bolsa de Bogotá.</td><td>Foram vistos que o fechamento definitivo do  abdômen foi obtido em 82,4% dos pacientes após 6 dias d AO, com uma taxa d  fechamento primário da fascial de 84,7%. A mortalidade total foi de 29,1%, enquanto a taxa de complicações atingiu 50,8%, incluindo 7,5% d fístulas enteroatmosféricas. A duração do tratamento da OA mostrou-se relevante para a complicações. Quanto mortalidade, a idade, duração da OA(Abdômen aberto) e a pancreatite foram consideradas fatores significativos; a anális multivariada validou a idade e a pancreatite como relevantes.</td></tr><tr><td>Junior, R. <em>et al</em>. 2015</td><td>Estudo Retrospectivo</td><td>Pacientes submetidos à técnica de fechamento abdominal temporário (FAT), comparando o método bolsa de Bogotá(BB) e Fechamento assistido a vácuo (VAC).</td><td>Observou-se              diferença significativa entre os grupo quanto às suas indicações par o fechamento abdominal temporário, não havendo diferenças estatísticas em relação a idade. Além disso, o tempo médio para o fechamento fascial foi de 10,8 dias no grupo BB(Bolsa d Bogotá) e de 7,52 dias no grupo VAC.</td></tr><tr><td>Pillay, P. <em>et al</em>. 2023</td><td>Estudo Retrospectivo</td><td>Pacientes com trauma submetidos a técnica de fechamento duplo denominada tração fascial mediada por malha&nbsp; assistida&nbsp; a vácuo (VAMMFT) e a Bolsa de Bogotá (BB).</td><td>Não foram observada diferenças significativas na características demográfica entre os grupos VAMMFT e BB. O grupo VAMMFT&nbsp; alcançou&nbsp; uma&nbsp; taxa de&nbsp; fechamento de 73%, que é superior aos 54,9% do grupo BB. O tempo médio de internação foi maior para o grupo VAMMFT, com 30 dias, em comparação aos 17 dias do grupo BB. Não foram encontrados preditores de fechamento no VAMMFT, e pacientes mais velhos apresentaram menor probabilidade de fechamento com o BB. As falhas no VAMMFT ocorreram principalmente por falta de estoque e por violações de protocolo.</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>Poilluci <em>et al. </em>2021</td><td>Estudo de Retrospectivo</td><td>Pacientes com sepse intra-abdominal grave em que foram tratados com abdômen aberto (OA).</td><td>Observou-se que a duração d OA foi maior no grupo NPWT (terapia de pressão negativa). As taxas d mortalidade hospitalar foram de 40,3% para pacientes com NPWT e 51,7% para os sem enquanto a mortalidade gera em 30 dias foi de 18,2% no grupo NPWT e 51,7% no grupo não NPWT.</td></tr><tr><td>Rendon,&nbsp; M.;&nbsp; Perez, M. 2015</td><td>&nbsp;Estudo Piloto</td><td>Pacientes com sepse abdominal e perda da parede abdominal submetidos a técnica de bolsa de Bogotá.</td><td>Foram vistos que a realização da técnica de Bogotá possibilitou mobilização deambulação precoces, sem necessidade de curativo abdominal. Também, observou-se que nenhum do pacientes precisou se reoperado, e o fechamento d parede abdominal foi realizado como uma hérnia ventral planejada. Todos o pacientes conseguiram tolera a mobilização precoce e/ou o uso de suporte ventilatório sem evisceração.</td></tr><tr><td>Ribeiro, M. <em>et al</em>. 2016</td><td>Revisão integrativa</td><td>Pacientes submetidos a uma das três técnicas cirúrgicas de fechamento temporário da cavidade abdominal: fechamento a vácuo (Vacuum-Assisted Closure Therapy &#8211; VAC), Bolsa de Bogotá e Vacuum- pack.</td><td>Observou-se que as técnica da Bolsa de Bogotá Vacuum-pack têm como benefícios o fácil acesso aos  materiais e um   custo reduzido, diferentemente d terapia a vácuo (VAC), que além de ser cara, não est disponível na maioria do  hospitais. Por outro lado, a  técnica VAC demonstrou maior eficácia na diminuição da tensão nas bordas da lesões, ao eliminar fluido acumulados e detritos, além de promover uma ação em nível celular que aumenta a taxas de proliferação e divisão celular, resultando na melhores taxas de fechamento primário da   cavidade abdominal.</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>Salamone, G. <em>et al</em>. 2018</td><td>Estudo comparativo</td><td>Pacientes traumáticos tratado com abdômen aberto (OA).</td><td>Foram vistos que 72% dos pacientes analisados foram tratados com VAWCM (fechamento de ferida assistido a vácuo e tração fascial mediada por malha ). Dentre esses, 68% conseguiram o fechamento primário da fáscia, sendo que 5% dos tratados com VAWC e 95% com VAWCM obtiveram melhores resultados. No tratamento de OA por síndrome compartimental abdominal (SCA), a taxa de sobrevivência foi de 50%, comparada a 75% em outros motivos. O grupo SCA necessitou de suporte ventilatório mecânico por mais tempo e teve maior duração de internação hospitalar e na UTI, além de escores SAPS II (Sexo, idade, pontuação fisiológica aguda<br>simplificada II) mais altos.</td></tr><tr><td>Zahid, M. <em>et al</em>. 2024</td><td>Estudo Transversal</td><td>Pacientes que passaram por fechamento abdominal temporário utilizando apenas técnicas de pele ou a técnica da bolsa de Bogotá.</td><td>Observou-se que pacientes que receberam fechamento somente da pele (SC) tiveram taxas significativamente maiores de fechamento fascial primário (PFC) comparação aos em que receberam fechamento por bolsa de Bogotá (BBC), além de menores taxas de deiscência fascial e infecções de feridas. A análise multivariada indicou que o SC estava associado a uma maior probabilidade de alcançar PFC em relação ao BBC.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte: Autoria própria.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No quadro 3 evidencia-se a tabela de categorização dos estudos. Foi visto que apesar de muito utilizadas às técnicas de peritoneostomias, como terapia de pressão negativa e as bolsas de Bogotá, ainda há uma escassez de estudos que ratifique qual das técnicas apresentam maior efetividade, principalmente quando analisados os pacientes a longo prazo, não demonstrando uma abordagem completa da intervenção e a evolução clínica do paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, quando analisado a facilidade de acesso, disponibilidade imediata e o menor custo, alguns estudos denotam que as bolsas de Bogotá apresentam essa vantagem quando comparada a NPT. Além disso, foi demonstrado que tal intervenção é considerada um procedimento simples e rápido (Barbosa <em>et al</em>. 2020; Brown, L., Rentea, R.2024; Cicuttin <em>et al</em>., 2020; Rendón, G., Pérez, S. 2015; Ribeiro <em>et al</em>. 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, quando avaliado as indicações para a realização de cada técnica, segundo o estudo de Junior <em>et al</em>. (2015) a terapia de pressão negativa é mais efetiva em feridas não traumáticas, sepse abdominal, síndrome compartimental abdominal e isquemia mesentérica, enquanto as bolsas de bogotá devem ser usadas mais em casos que envolvam lesões traumáticas, no entanto, alguns artigos não abordam tal assertiva (Barbosa <em>et al</em>.2020; Bruhin <em>et al</em>., 2014; Pillay <em>et al. </em>2023; Zahid <em>et al</em>. 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa conjuntura, outro ponto importante discutido nos artigos foi em relação ao maior controle da pressão intra-abdominal (PIA), em que a PIA normal entre 5 e 7mmHg, sendo considerada a partir de 12mmhHg hipertensão intra-abdominal e a partir de 20mmHg é apontada a síndrome compartimental abdominal. Tal abordagem é importante, tendo em vista que tais níveis pressóricos estão associados maiores desfechos clínicos negativos, como disfunção orgânica, efeitos metabólicos diversos e mortalidade (Barbosa <em>et al</em>. 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitos estudos consideram que o uso da terapia de pressão negativa (NPT) propicia um maior controle da pressão intra-abdominal, consequentemente reduzindo tais desfechos clínicos insatisfatórios (Barbosa <em>et al</em>. 2020; Batacchi <em>et al</em>. 2009; Brown, L., Rentea, R.2024; Bruhin <em>et al</em>. 2014; Chandrasekhar <em>et al</em>. 2020; Cicuttin <em>et al</em>., 2020; Ribeiro <em>et al</em>. 2016; Salamone <em>et al</em>. 2018). Outrossim, o uso das bolsas de Bogotá apresenta dificuldades no domínio de déficits de fluidos, o que podem ocasionar uma elevação de tamanho, em decorrência do aumento da PIA, sendo necessário a substituição cirúrgica por uma bolsa de maior tamanho (Brown, L., Rentea, R.2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa perspectiva, quando avaliado o tempo para fechamento fascial primário do abdômen foi denotado em alguns estudos que não houve diferença nesse aspecto (Brown, L., Rentea, R.2024; Cheng <em>et al</em>. 2022; Junior, A. <em>et al</em>. 2015). Além disso, segundo Batacchi <em>et al</em>. (2009) foi percebido que na realização da terapia a vácuo os índices de lactato e a necessidade de ventilação mecânica apresentaram menores taxas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa conjuntura, em relação ao tempo de internação apenas o estudo de Pillay <em>et al</em>. (2023) demonstrou um período de internação maior após a realização da terapia de pressão negativa, enquanto outros demonstraram um menor período (Batacchi <em>et al</em>. 2009; Brown, L., Rentea, R.2024; Chandrasekhar <em>et al</em>. 2020; Cicuttin <em>et al</em>., 2020; Poilluci <em>et al. </em>2021; Ribeiro <em>et al</em>. 2016). Ademais, outras pesquisas não demonstraram diferenças relevantes nesse quesito (Cheng <em>et al</em>. 2022; Rendón,G., Pérez, S. 2015; Zahid <em>et al</em>. 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, de acordo com Barbosa <em>et al</em>. (2020) o uso da bolsa de Bogotá apresenta menos efeitos colaterais e proporciona resultados como boa resistência e flexibilidade. No entanto, exige o uso mais frequente de drenos e uma aplicação mais intensa de lavagens abdominais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, Cheng <em>et al</em>. (2022) se refere a bolsa de Bogotá como terapêutica superior nesse aspecto quando comparada a NPT, abordando principalmente o surgimento de fístulas; no entanto outras pesquisas estudadas discordam de tal abordagem, ratificando que o uso da bolsa de Bogotá apresenta maiores eventos adversos (Brown, L., Rentea, R.2024; Poilluci <em>et al. </em>2021). Além disso, quando analisados as taxas de mortalidade apenas um estudo ratifica que tais índices foram menores quando realizado a técnica de pressão negativa, nos demais não foram percebidos diferenças significativas (Salamone <em>et al</em>. 2018).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 3. Categorização dos estudos para compor a RIL</strong></p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Categorias</strong></td><td><strong>Subcategorias</strong></td><td><strong>Autor (Ano)</strong></td></tr><tr><td>Acesso e custo</td><td>Bolsa de Bogotá apresenta um fácil acesso e baixo custo quando comparada com a terapia a vácuo.</td><td>Cicuttin <em>et al</em>., 2020; Rendón, G., Pérez, S. 2012;&nbsp; Ribeiro&nbsp; <em>et&nbsp; al</em>. 2016.</td></tr><tr><td rowspan="2">Eficiência das técnicas de acordo com o ocasionador para necessidade cirúrgica</td><td>Terapia a vácuo é mais eficiente em feridas não ocasionadas por trauma,&nbsp; como&nbsp; sepse&nbsp; abdominal,&nbsp; síndrome&nbsp; compartimental abdominal e isquemia mesentérica</td><td>Junior, A. <em>et al</em>. 2015</td></tr><tr><td>Bolsas de Bogotá mais efetiva em casos que envolvem trauma</td><td>Junior, A. <em>et al</em>. 2015.</td></tr><tr><td rowspan="8">Tratamento mais efetivo</td><td>A terapia a vácuo apresenta maior controle da pressão intra-abdominal e menores taxas de lactato quando comparado com Bolsas de Bogotá.</td><td>Batacchi, S. <em>et al</em>. 2016; Bruhin, A. <em>et al</em>. 2014;&nbsp; Chandrasekhar, V. <em>et al</em>. 2020; Cicuttin <em>et al</em>., 2020;&nbsp; Ribeiro, M.&nbsp; <em>et&nbsp; al</em>.&nbsp; 2016; Salamone, G. <em>et al</em>. 2018;</td></tr><tr><td>A terapia a vácuo apresenta menor tempo de internação e desfechos clínicos insatisfatórios</td><td>Batacchi, &nbsp;&nbsp;&nbsp; S. &nbsp;&nbsp; <em>et &nbsp;&nbsp;&nbsp; al</em>. 2016;&nbsp; Chandrasekhar, V. <em>et al</em>. 2020; Cicuttin <em>et al</em>., 2020; Poilluci <em>et al. </em>2021;&nbsp; Ribeiro, M. <em>et al</em>. 2016.</td></tr><tr><td>Não houve diferença no tempo de internação</td><td>Cheng, Y. <em>et al</em>. 2022; Rendón, G., Pérez, S. 2015; Zahid, M. <em>et al</em>. 2024</td></tr><tr><td>A terapia a vácuo demonstrou menor necessidade de ventilação mecânica</td><td>Batacchi, S. <em>et al</em>. 2016</td></tr><tr><td>Não houve diferença das terapias quando avaliado o SOFA</td><td>Batacchi, S. <em>et al</em>. 2016</td></tr><tr><td>Não houve diferença da taxa de mortalidade nos pacientes submetidos a terapia à vácuo e bolsas de bogotá</td><td>Batacchi, S. <em>et al</em>. 2016; Cheng, Y. <em>et al</em>. 2022; Cicuttin <em>et al</em>., 2020; Poilluci <em>et al. </em>2021; Rendón, G., Pérez, S. 2015; Zahid, M. <em>et al</em>. 2024.</td></tr><tr><td>Não houve diferença no tempo para o fechamento fascial primário do abdômen</td><td>Cheng, Y. <em>et al</em>. 2022; Junior, A. <em>et al</em>. 2015;</td></tr><tr><td>Taxa de mortalidade menor em pacientes tratados com terapia a vácuo</td><td>Salamone, G. <em>et al</em>. 2018.</td></tr><tr><td rowspan="3">Eventos adversos</td><td>Terapia a vácuo apresenta maiores eventos adversos, como fístulas</td><td>Cheng, Y. <em>et al</em>. 2022;</td></tr><tr><td>Bolsa de Bogotá apresenta maiores eventos adversos, como fístulas</td><td>Poilluci <em>et al. </em>2021;</td></tr><tr><td>Não houve diferença em relação aos eventos adversos quando comparada ambas as terapias</td><td>Chandrasekhar, V. <em>et al</em>. 2020; Junior, A. <em>et al</em>. 2015; Pillay, P. <em>et al</em>. 2023; Rendón, G., Pérez, S. 2015;</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte: Dados de pesquisa, 2024/2025.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.&nbsp;DISCUSSÃO DOS RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a leitura, análise e extração das principais considerações sobre o sobre o tratamento com abdome aberto com uso de Bolsa de Bogotá e Terapia de Pressão Negativa, observou-se dois pontos fundamentais:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>As técnicas utilizada,</li>



<li>A eficácia inicial e o desfecho tardio.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">As técnicas utilizadas:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Bolsa de Bogotá</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A técnica cirurgica ideal se baseia em prevenir a evisceração, remover os fluidos intraperitoneais que detem citocinas inflamatórias, evitar o surgimento de fístulas enteroatmosféricas, preservar a mecânica parede abdominal, facilitar a reoperação e o fechamento definitivo, consequentemente reduzindo a contaminação, evitando aderências e possibilitando acesso a cavidade, como também minimizando e prevenindo danos e desfechos clínicos insatisfatórios (Roberts <em>et al</em>., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Bolsa de Bogotá é uma das diversas técnicas de peritoneostomia. O procedimento consiste na utilização de uma bolsa plástica com a qual é realizada uma sutura diretamente na fáscia ou na pele da parede abdominal. Podendo, em alguns casos, ocorrer reforço com uma tela de polipropileno para reduzir o risco de eviscerações e facilitar a mobilização e deambulação dos pacientes. (Ribeiro <em>et al</em>., 2016; Karakaya <em>et al., </em>2022). A Bolsa de Bogotá apresenta algumas vantagens, como baixo custo, disponibilidade imediata, flexibilidade, boa resistência, causa poucas aderência aos tecidos, dificilmente provoca reações alérgicas, sendo fácil e rápido de instalar. (Atema <em>et al</em>.,2015; Kurt <em>et al</em>., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto,foi demonstrado que tal intervenção é considerada um procedimento simples e rápido (Barbosa <em>et al</em>., 2020; Brown, L., Rentea, R.2024; Cicuttin <em>et al</em>., 2020; Rendón, G., Pérez, S. 2015; Ribeiro <em>et al</em>., 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Terapia de Pressão Negativa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Terapia de pressão negativa (NPT) também denomincada terapia assistida a vácuo (VAC), introduzida por Barker é outra técnica de extrema relevância usada no fechamento temporário da cavidade abdominal (TAC), sendo um método mais abrangente de tratar uma ferida abdominal aberta. A intervenção usa espuma de poliuretano ou álcool polivinílico com poros de 400 a 600 micrômetros, fixada no local por um adesivo. Uma camada de filme plástico separa as vísceras da espuma e a ajusta à lesão. A espuma é coberta por adesivo, com um pequeno orifício conectado a um dispositivo que direciona o fluido para um reservatório. O sistema é ligado a uma bomba de vácuo que aplica pressão subatmosférica contínua ou intermitente, geralmente de 125 mmHg, distribuída uniformemente pela ferida (Hu <em>et al</em>., 2018; Poortmans <em>et al</em>., 2020; Seternes <em>et al., </em>2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tal terapia de pressão negativa oferece várias vantagens, como a drenagem do líquido peritoneal, eliminando o fluido acumulado e os resíduos, o que diminui o edema visceral e melhora o fluxo sanguíneo e a deposição da matriz. Como resultado, ele não só aplica maior tensão fascial na parede abdominal, contribuindo para o fechamento definitivo da cavidade abdominal, mas também aumenta a pressão parcial de oxigênio nos tecidos (Hu <em>et al</em>., 2018; Poortmans <em>et al</em>., 2020; Seternes <em>et al., </em>2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora sua aplicação não seja complexa, o conhecimento adequado de seu mecanismo de ação e suas principais indicações pode otimizar e racionalizar seu uso, levando à resolução mais eficaz das feridas. (Lima <em>et al.</em>, 2017). Porém, uma das principais desvantagens que a terapia de pressão negativa (NPT) apresenta é o custo mais elevado que as outras técnicas (Hu <em>et al</em>., 2018; Poortmans <em>et al</em>., 2020; Seternes <em>et al</em>., 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A eficácia inicial e o desfecho tardio</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um estudo realizado por Ribeiro <em>et al</em>. (2016), foram comparadas as técnicas de Bogotá e NPT para o fechamento temporário da cavidade abdominal em pacientes com trauma abdominal. Constatou-se que o uso da técnica NPT mostrou-se mais eficaz no controle da pressão intra- abdominal, normalização do lactato sérico, redução do tempo de ventilação mecânica e fechamento abdominal mais rápido, resultando em menor permanência na UTI e no hospital. No entanto, não houve diferença significativa nas pontuações &#8220;<em>Sequential Organ Failure Assessment</em>&#8221;&nbsp;&nbsp; (SOFA)&nbsp; &nbsp;nem&nbsp;&nbsp; na&nbsp;&nbsp; taxa&nbsp;&nbsp; de&nbsp;&nbsp; mortalidade&nbsp;&nbsp; entre&nbsp;&nbsp; as&nbsp;&nbsp; técnicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já no contexto de pacientes com síndrome compartimental abdominal e hipertensão intra- abdominal (IAH), um estudo conduzido por Batacchi <em>et al</em>. (2009), foram comparados esses dois métodos de fechamento abdominal temporário. Foram incluídos 66 pacientes, sendo 33 tratados com bolsa de Bogotá e 33 com NPT, entre 2006 e 2009. O NPT foi mais eficaz no controle da pressão intra-abdominal e na normalização dos lactatos séricos nas primeiras 24 horas, como também teve um tempo de fechamento abdominal mais rápido (4,4 vs. 6,6 dias), menor tempo de ventilação mecânica, menor duração de internação na UTI e no hospital. A taxa de mortalidade foi semelhante entre os dois grupos. Concluindo-se que o NPT oferece vantagens em termos de recuperação mais rápida em pacientes com síndrome compartimental abdominal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No intuito de proporcionar melhorias na terapêutica de abdome aberto e com técnica diferente de Batacchi <em>et al</em>. (2009) foi realizado uma modificação na técnica da bolsa de Bogotá, que oferece maior suporte à camada de polivinil para pacientes com abdômen aberto. Entre dezembro de 2008 e março de 2010, seis pacientes (idade de 40 a 78 anos) foram tratados com essa técnica modificada. A modificação permitiu mobilização precoce sem o uso de bandagem abdominal compressiva, prevenindo evisceração, especialmente em pacientes com suporte ventilatório. Nenhum paciente precisou de reoperação e o fechamento da parede foi feito como hérnia ventral planejada. Todos os pacientes toleraram bem a mobilização precoce e/ou o uso de suporte ventilatório sem complicações. A modificação mostrou ser eficaz, proporcionando maior resistência e permitindo recuperação precoce com segurança (Rendón, G., Pérez, S. 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante mencionar que, em análise de outro estudo, se verificou a eficácia da terapia por pressão negativa (TPN) em feridas complexas, destacando seus mecanismos de ação e principais indicações. A TPN atua por meio de efeitos físicos, como aumento da perfusão, controle do edema e exsudato, redução das dimensões da ferida e eliminação bacteriana, além de efeitos biológicos, como estímulo à formação de tecido de granulação, micro deformações e diminuição da resposta inflamatória. (Lima <em>et al</em>., 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, em outro estudo prospectivo, realizado por Chandrasekhar <em>et al. </em>(2020), entre 46 pacientes analisados, o grupo NPT apresentou tempos significativamente menores para início do tecido de granulação (2,92 vs. 6,65 dias), fechamento fascial (15,50 vs. 29,50 dias) e alta hospitalar (24,30 vs. 37,90 dias). Dois pacientes no grupo NPT desenvolveram fístulas, mas nenhum outro tipo de complicação grave foi observado em ambos os grupos. Outro artigo corrobora com os achados dos outros estudos analisados, demonstrando que a NPT aumenta a taxa de fechamento fascial primário, especialmente quando combinada com técnicas de fechamento dinâmico, superando outros métodos. As recomendações baseadas em evidências enfatizam o uso da NPT em todo o processo de tratamento do abdômen aberto, proporcionando maior clareza sobre sua aplicação adequada (Bruhin <em>et al.</em>, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desse modo, em novo estudo realizado não foi encontrado diferença estatística entre as técnicas de terapia de pressão negativa (NPT) e a bolsa de Bogotá (BB) quanto ao número de operações, fechamento primário e tempo médio de fechamento. No entanto, pesquisas anteriores relataram melhores taxas de fechamento primário com NPT (88%) em comparação com BB (50% a 70%). A escolha da melhor abordagem para fechamento abdominal definitivo em pacientes com abdômen aberto ainda é controversa. Para melhorar as taxas de fechamento fascial, recomenda-se evitar reanimação com excesso de volume e implementar rigorosamente o balanço hídrico desde a admissão até o final do tratamento. A alta taxa de fechamento da parede abdominal observada neste estudo, 80% com BB e 96% com NPT, sem diferença significativa, foi atribuída ao uso dessas práticas e ao acompanhamento por uma equipe cirúrgica constante. A retração dos músculos reto-abdominais é um grande desafio e deve ser evitada, mantendo-se as bordas fasciais sob tensão com sutura interrompida de fio inabsorvível para facilitar o fechamento progressivo. Essas estratégias contribuíram para as elevadas taxas de sucesso e o tempo reduzido de fechamento, mesmo com a técnica BB (Junior <em>et al., </em>2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa maneira, ainda avaliando as comparações entre as duas técnicas um estudo prospectivo analisou 375 pacientes na Itália, destacando peritonite secundária (32,5%), peritonite pós-operatória (22,9%) e trauma (11,7%) como principais indicações. As técnicas mais utilizadas foram terapia de pressão negativa (49,6%) e bolsa de Bogotá (27,7%). Com o uso de NPT o fechamento abdominal definitivo foi alcançado em 82,4% dos casos após seis dias, com taxa de fechamento primário da fáscia de 84,7%. A mortalidade foi de 29,1%, e complicações ocorreram em 50,8% dos pacientes, incluindo fístula enteroatmosférica em 7,5%. Idade, pancreatite e duração do AO foram associadas ao aumento do risco de morte. O estudo destaca a necessidade de diretrizes padronizadas para melhorar os resultados e reduzir custos (Cicuttin <em>et al., </em>2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos benefícios demonstrados sobre a NPT, o artigo de Cheng <em>et al. </em>(2022) demonstra que a eficácia desta técnica permanece incerta para alguns pesquisadores, todavia, em outra parcela de estudos se mostrou uma técnica eficiente. Uma revisão avaliou dois ensaios clínicos com 74 pacientes não traumatizados. Comparando NPT com a bolsa de Bogotá, não houve evidência clara de benefícios em termos de fechamento fascial, redução de fístulas, mortalidade ou duração da internação (certeza muito baixa).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outrossim, como visto a peritoneostomia é uma técnica de controle de danos que visa prevenir sepse abdominal, síndrome compartimental abdominal e danos extensos à parede abdominal. Contudo, por manter o abdômen aberto, pode gerar complicações como fístulas, infecções, eviscerações e perdas nutricionais. A melhor abordagem é realizar o fechamento o mais cedo possível, utilizando a técnica mais adequada para o paciente, respeitando sua fisiologia. Em casos de infecção, o tratamento envolve remoção e drenagem da fonte infecciosa, aliado a antibioticoterapia e suporte ventilatório e hemodinâmico adequados. Em alguns casos, pode ser necessária cirurgia para controlar a infecção intra-abdominal, ajudando a reduzir a intensidade da síndrome da resposta inflamatória sistêmica. (Barbosa <em>et al., </em>2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, as técnicas de peritoneostomia comparadas, a Bolsa de Bogotá e a terapia de pressão negativa (NPT), apresentaram semelhanças e diferenças relevantes. Ambas são eficazes como fechamento temporário do abdômen, mas a NPT demonstrou maior eficácia no controle da pressão intra-abdominal, normalização dos níveis de lactato e redução do tempo de ventilação mecânica, além de permitir fechamento abdominal mais rápido e menor permanência na UTI e no hospital. No entanto, as taxas de mortalidade e as pontuações SOFA não apresentaram diferenças significativas entre as técnicas. Assim, a NPT é frequentemente considerada a intervenção mais eficiente para manejo de abdômen aberto devido aos melhores desfechos clínicos associados ao seu uso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda nesse contexto, dentre as técnicas utilizadas, outra pesquisa analisou a experiência de dois anos com a Tração Fascial Mediada por Malha Assistida por Vácuo (VAMMFT) após cirurgia abdominal de emergência em 77 pacientes. Durante esse período (2017-2019), 62 pacientes sobreviveram, com 46 alcançando fechamento fascial primário (SFC) e 16 permanecendo com hérnia ventral (VH). A taxa geral de SFC foi de 62%. A média de internação foi de 29 dias, com 4 laparotomias repetidas e 32,2% dos pacientes necessitando de UTI. As principais complicações foram falha anastomótica, sepse, lesão renal aguda e pneumonia. O VAMMFT mostrou-se seguro e eficaz, sem contraindicações absolutas, e a prática continua sendo monitorada para melhorias futuras (Rowe-Setz <em>et al</em>., 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pacientes com síndrome compartimental abdominal (SCA) apresentaram maior mortalidade, maior necessidade de ventilação mecânica e maior tempo de internação. A taxa geral de sobrevivência foi de 62%, e fatores como SCA, SAPS II, sexo, doença cardiovascular preexistente e a técnica cirúrgica utilizada foram preditores de mortalidade. A técnica de pressão negativa (NPT) mostrou-se superior, associando-se a melhores taxas de fechamento fascial e maior sobrevida (Salamone <em>et al., </em>2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, é relevante abordar que em outro estudo prospectivo, realizado por Chandrasekhar <em>et al. </em>(2020), o qual também aborda a eficácia da terapia de pressão negativa (NPT), porém comparando com curativos tradicionais com gaze de vaselina e bolsa de Bogotá no tratamento de deiscência de ferida abdominal pós-laparotomia foi constatado que a NPT acelera o processo de cicatrização, mas recomenda investigações controladas para avaliar o tempo de fechamento definitivo e complicações a longo prazo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, embora o abdome aberto possa ser uma estratégia de salvamento de vidas, ela está associada a uma morbidade considerável. É imperativo fechar o abdome aberto de forma mais rápida e eficaz possível. Dados apresentados após realização de pesquisa mostraram que a terapia de pressão negativa (73%) tem muito mais probabilidade de atingir o fechamento tardio do que uma abordagem de bolsa de Bogotá exclusiva (55%). (Pillay <em>et al</em>., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pode-se observar, ainda, que o tratamento de pacientes com abdômen aberto é um grande desafio para médicos e enfermeiros, devido à complexidade e individualidade de cada caso. A terapia de pressão negativa para feridas (NPT) é uma técnica essencial, pois pode ser aplicado em diferentes estágios do tratamento, como no gerenciamento de feridas, controle de fluidos, facilitação do fechamento fascial primário e imobilização de enxertos de pele, consequentemente tendo uma importante abordagem na cirurgia de controle de danos para infecções intra- abdominais graves. Nesse contexto, as taxas de mortalidade hospitalar foram de 40,3% para NPT e 51,7% para não-NPT (p = 0,126), enquanto a mortalidade geral em 30 dias foi de 18,2% e 51,7%, respectivamente (p = 0,0002). Pacientes submetidos a NPT após cirurgia colorretal de emergência apresentaram menor taxa de colostomia (p = 0,025). Conclui-se que a NPT é a técnica mais eficaz para reduzir mortalidade e necessidade de colostomia em pacientes com OA (Poillucci <em>et al., </em>2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fica claro, dessa forma, que algumas limitações no desenvolvimento deste estudo podem dificultar a precisão e a validade dos resultados, como o número reduzido de pacientes analisados, o que dificulta a aplicação das conclusões a uma população maior. Além disso, parte dos dados foi obtida analisando tratamentos já realizados, o que pode ter levado a distorções nos resultados porque as variáveis não foram controladas desde o início. Outro fator é que alguns estudos usados como referência tinham um risco maior de apresentar resultados influenciados por condições externas ou fatores não relacionados diretamente ao tratamento. Além disso, não foi visto em todos os estudos um acompanhamento a longo prazo dos pacientes, o que dificulta uma abordagem completa da intervenção e a evolução clínica do paciente. Por fim, diferenças nos protocolos adotados pelos hospitais também podem ter afetado os desfechos. Isso demonstra a necessidade de estudos mais planejados e controlados para validar as conclusões e estabelecer recomendações mais seguras.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.&nbsp;&nbsp;CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se, portanto, a partir dos resultados e ao final do estudo que as abordagens de fechamento abdominal temporário, como a bolsa de Bogotá e a terapia de pressão negativa (NPT), são importantes para o cuidado de pacientes com abdômen aberto, sobretudo em situações de trauma e em complicações após cirurgias. Porém, a técnica NPT se diferencia por proporcionar vantagens clínicas significativas, como o controle aprimorado da pressão intra- abdominal, a normalização dos níveis de lactato, a diminuição do tempo de ventilação mecânica; ocasionando menor risco de evisceração e acelerando o fechamento abdominal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, foi observado que a taxa de mortalidade e os índices de falência de órgãos não mostraram diferenças significativas entre as duas técnicas, indicando que, embora a NPT tenha vantagens, as diferenças clínicas podem não ser tão relevantes. Além disso, a escolha entre as abordagens deve considerar a individualidade do paciente, as condições clínicas e as particularidades de cada hospital.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, é de extrema relevância a realização de mais estudos controlados para confirmar esses resultados e melhorar as orientações para a aplicação dessas técnicas no fechamento de abdômen aberto.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.&nbsp;&nbsp;REFERÊNCIAS</strong></p>



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<hr class="wp-block-separator has-text-color has-black-color has-alpha-channel-opacity has-black-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>COMPARAÇÃO ENTRE TERAPIA POR ONDAS DE CHOQUE EXTRACORPÓREAS E ULTRASSOM TERAPÊUTICO NO TRATAMENTO DE TENDINOPATIAS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DE ENSAIOS CLÍNICOS RANDOMIZADOS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/comparacao-entre-terapia-por-ondas-de-choque-extracorporeas-e-ultrassom-terapeutico-no-tratamento-de-tendinopatias-uma-revisao-sistematica-de-ensaios-clinicos-randomizados/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft AR]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Feb 2026 21:23:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=266477</guid>

					<description><![CDATA[COMPARISON BETWEEN EXTRACORPOREAL SHOCK WAVE THERAPY AND THERAPEUTIC ULTRASOUND IN THE TREATMENT OF TENDINOPATHIES: A SYSTEMATIC REVIEW OF RANDOMIZED CLINICAL TRIALS REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202602281823 Pedro Alexandre Leite de Almeida¹; Felipe França Câmara²; Matheus Ramos Grubisik³; Manoel Messias Guimarães Neto⁴; Anna Beatriz Prado Costa⁵; Carolina Gomes Pinto Mandarino⁶; Cícero Artur dos Santos⁷; Roberta Silva Conceição⁸; Maria [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">COMPARISON BETWEEN EXTRACORPOREAL SHOCK WAVE THERAPY AND THERAPEUTIC ULTRASOUND IN THE TREATMENT OF TENDINOPATHIES: A SYSTEMATIC REVIEW OF RANDOMIZED CLINICAL TRIALS</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202602281823</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Pedro Alexandre Leite de Almeida¹; Felipe França Câmara²; Matheus Ramos Grubisik³; Manoel Messias Guimarães Neto⁴; Anna Beatriz Prado Costa⁵; Carolina Gomes Pinto Mandarino⁶; Cícero Artur dos Santos⁷; Roberta Silva Conceição⁸; Maria Alice Silveira Couto⁹; Evandro Alves Correia Tenório¹⁰.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As tendinopatias e afecções musculoesqueléticas, como a epicondilite lateral e a tendinopatia de Aquiles, representam causas frequentes de dor e incapacidade, sendo responsáveis por significativa limitação funcional em populações ativas e atletas. Entre as abordagens terapêuticas disponíveis, destacam-se o ultrassom terapêutico (US) e a terapia por ondas de choque extracorpóreas (ESWT), modalidades amplamente utilizadas na prática fisioterapêutica devido ao seu caráter não invasivo e potencial de modular o processo inflamatório, estimular reparo tecidual e promover alívio sintomático. Contudo, a literatura ainda apresenta resultados heterogêneos quanto à superioridade entre essas técnicas, sobretudo em diferentes tipos de tendinopatias. Assim, este estudo teve como objetivo sintetizar as evidências recentes acerca da eficácia comparativa entre US e ESWT no manejo de condições musculoesqueléticas, analisando seus efeitos sobre dor, funcionalidade, força muscular e parâmetros morfológicos tendíneos. Trata-se de uma revisão sistemática conduzida em dezembro de 2025 nas bases PUBMED e SCIELO, incluindo artigos publicados nos últimos cinco anos, nas línguas inglesa e portuguesa. A busca foi realizada com os descritores “Ultrasonic Therapy” AND “Trauma” NOT “Animals”, utilizando operadores booleanos padronizados. Estudos que não estivessem disponíveis na íntegra, além de revisões, meta-análises, estudos com animais e documentos técnicos foram excluídos. Foram inicialmente identificados 32 artigos, dos quais 10 foram selecionados após leitura de títulos; entretanto, apenas 5 atenderam plenamente aos critérios após leitura completa. Os resultados demonstraram que tanto a ESWT quanto o US apresentam eficácia na redução da dor e na melhora funcional em pacientes com epicondilite lateral, embora alguns estudos apontem maior benefício da ESWT em desfechos como alívio da dor durante atividade e melhora do PRTEE. Em tendinopatia de Aquiles, os achados mostraram inconsistência, com evidências sugerindo ausência de superioridade da ESWT radial quando adicionada ao exercício terapêutico. A maioria dos estudos reforça que fatores como intensidade da onda de choque, número de sessões, parâmetros do US e presença ou ausência de exercícios associados influenciam substancialmente os resultados clínicos, o que explica parte da heterogeneidade observada. Além disso, alterações morfológicas avaliadas por ultrassonografia nem sempre acompanham a melhora clínica, sugerindo mecanismos terapêuticos ainda não totalmente elucidados. Conclui-se que ESWT e US são intervenções eficazes, porém seus efeitos variam conforme o tipo de lesão, parâmetros aplicados e associação com exercícios. A ESWT tende a apresentar maior benefício em quadros de dor crônica e limitação funcional mais acentuada, enquanto o US demonstra boa resposta em protocolos padronizados de reabilitação. Dessa forma, a seleção da modalidade deve considerar características clínicas individuais, objetivo terapêutico e evidências atualizadas sobre cada condição musculoesquelética.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Ultrassom terapêutico. Terapia por ondas de choque. Tendinopatia. Reabilitação. Fisioterapia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As tendinopatias representam um conjunto de condições musculoesqueléticas altamente prevalentes, caracterizadas por dor persistente, limitação funcional e alterações degenerativas da matriz tendínea. Essas afecções, frequentemente decorrentes de sobrecarga mecânica, repetição de movimentos ou microtraumas cumulativos, acometem tendões de diferentes regiões do corpo e constituem causa comum de incapacidade laboral e esportiva. A epicondilite lateral, por exemplo, afeta entre 1% e 3% da população adulta, principalmente indivíduos expostos a atividades repetitivas e esforços manuais, e caracteriza-se por degeneração do tendão extensor comum e dor significativa no cotovelo (PERVEEN et al., 2024). De forma semelhante, a tendinopatia do tendão de Aquiles figura entre as principais causas de dor no membro inferior, sendo responsável por até 9% das lesões observadas em corredores e apresentando impacto substancial na função locomotora (BARAA ALSULAIMANI et al., 2024). Em ambas as condições, alterações estruturais progressivas, como falhas de reparação tecidual e reorganização anormal de fibras colágenas, contribuem para a cronificação do quadro e dificultam o retorno pleno às atividades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do caráter multifatorial das tendinopatias, diversas estratégias conservadoras têm sido empregadas com o objetivo de reduzir a dor, restaurar a função e promover o reparo tecidual. Entre essas modalidades, o ultrassom terapêutico constitui um recurso historicamente consolidado na prática fisioterapêutica. O método utiliza ondas sonoras de alta frequência capazes de gerar efeitos térmicos e não térmicos que estimulam o metabolismo celular, aumentam o fluxo sanguíneo local, favorecem a síntese de colágeno e contribuem para a reorganização do tecido lesionado, sendo amplamente utilizado em tendinopatias de membros superiores e inferiores (“COMPARISON OF THE CLINICAL…”, 2020). Apesar de sua difusão, estudos recentes têm questionado sua superioridade clínica quando comparado a outras modalidades não invasivas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paralelamente, a terapia por ondas de choque extracorpóreas (ESWT) tem ganhado destaque nas últimas décadas como uma intervenção capaz de estimular processos regenerativos por meio de mecanotransdução. As ondas de choque, caracterizadas por picos de alta pressão seguidos de rápidas quedas para pressão negativa, promovem neovascularização, aumento da atividade celular, modulação inflamatória e potencial reorganização das fibras de colágeno, mecanismos que explicam sua crescente aplicação em tendinopatias crônicas (KRÓL et al., 2024). No contexto da tendinopatia de Aquiles, estudos controlados têm comparado ESWT ao placebo e sugerido benefícios clínicos particularmente em situações nas quais a resposta ao exercício isolado é incompleta (GATZ et al., 2021; BARAA ALSULAIMANI et al., 2024), embora a heterogeneidade metodológica e os diferentes parâmetros de aplicação ainda dificultem conclusões definitivas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar do uso disseminado de ambas as modalidades, a literatura revela lacunas importantes quanto à sua eficácia comparativa, aos parâmetros ideais de aplicação e à consistência dos desfechos clínicos. Enquanto alguns estudos apontam melhora semelhante entre ESWT e ultrassom terapêutico em condições como epicondilite lateral, outros sugerem superioridade da ESWT especialmente em quadros de maior cronicidade ou refratários ao tratamento convencional (PERVEEN et al., 2024; KRÓL et al., 2024). Essa variabilidade reforça a necessidade de sínteses sistemáticas que reúnam criticamente as evidências disponíveis, possibilitando identificar padrões de resposta terapêutica, fatores prognósticos e possíveis diferenças entre modalidades focais ou radiais da ESWT.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário, torna-se pertinente reunir os dados existentes sobre a aplicação de ESWT e ultrassom terapêutico no manejo das tendinopatias, buscando esclarecer sua efetividade relativa e orientar decisões clínicas baseadas em evidências. Assim, a presente revisão sistemática teve como objetivo avaliar comparativamente a eficácia dessas duas abordagens fisioterapêuticas, a partir de ensaios clínicos publicados nos últimos cinco anos, com foco em desfechos clínicos relacionados à dor, função e recuperação tecidual.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo foi conduzido por meio de uma revisão sistemática da literatura, método reconhecido por sua capacidade de sintetizar criticamente a produção científica disponível por meio de etapas estruturadas, transparentes e reprodutíveis. Diferentemente das revisões narrativas, que frequentemente dependem da seleção subjetiva do autor e podem não refletir a totalidade da evidência existente, a revisão sistemática parte de uma pergunta claramente definida e utiliza procedimentos padronizados para minimizar vieses, conforme discutido por Silva e Pereira (2022). A organização metodológica adotada seguiu as diretrizes clássicas propostas por Mendes, Silveira e Galvão (2008), que estruturam o processo em seis etapas principais: formulação da questão norteadora, definição dos critérios de elegibilidade, delineamento da estratégia de busca, seleção dos estudos, extração dos dados e síntese interpretativa dos achados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pergunta que orientou o presente estudo foi: qual é a eficácia comparativa entre a terapia por ondas de choque extracorpóreas (ESWT) e o ultrassom terapêutico no manejo das tendinopatias? A escolha dessa pergunta justifica-se pela ampla utilização clínica dessas modalidades e pela heterogeneidade dos resultados observados na literatura recente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca bibliográfica foi realizada nas bases PubMed e SciELO — esta última utilizada exclusivamente para embasamento metodológico — durante o mês de dezembro de 2025. Para garantir abrangência e precisão na recuperação dos estudos, foram empregados descritores controlados do Medical Subject Headings (MeSH) combinados a termos livres, utilizando operadores booleanos. A estratégia principal incluiu o uso de “Ultrasonic Therapy” AND “Trauma” NOT “Animals”, em que o operador AND restringiu a busca à intersecção direta entre ultrassom terapêutico e lesões musculoesqueléticas, enquanto NOT Animals eliminou automaticamente estudos experimentais com modelos animais. Ademais, foram aplicados filtros para restringir os resultados a artigos publicados nos últimos cinco anos, disponíveis nos idiomas inglês ou português e com acesso integral (Free Full Text). Revisões narrativas, metanálises, revisões sistemáticas, capítulos de livros e documentos institucionais foram excluídos já na fase inicial da triagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a seleção dos estudos, procedeu-se inicialmente à leitura de títulos e resumos, seguida pela leitura integral dos artigos potencialmente elegíveis. Essa etapa foi realizada por dois revisores independentes, com divergências resolvidas por consenso. Embora a estratégia de busca tenha recuperado publicações referentes a diferentes condições musculoesqueléticas, somente foram incluídos estudos que investigavam diretamente a aplicação de ESWT e/ou ultrassom terapêutico em tendinopatias, como epicondilite lateral, tendinopatia do tendão de Aquiles e outras afecções tendíneas por sobrecarga. Dessa forma, foram excluídos estudos que envolviam neuropatias compressivas (como síndrome do túnel do carpo), processos pós-operatórios (como reparo do manguito rotador), lesões fibrocartilaginosas (como degeneração meniscal) e patologias não caracterizadas como tendinopatias clássicas, assegurando a coerência entre escopo, metodologia e análise final.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a definição do conjunto final de estudos, procedeu-se à extração sistemática dos dados, contemplando informações relativas ao delineamento metodológico, características das amostras, parâmetros terapêuticos utilizados, desfechos avaliados (como dor, função e mudanças estruturais observadas por imagem) e principais resultados. Esses dados foram organizados de forma padronizada, possibilitando a comparação entre os estudos incluídos e favorecendo a identificação de padrões de resposta terapêutica. A síntese dos achados ocorreu de forma narrativa, respeitando a heterogeneidade entre protocolos, populações e métodos de avaliação empregados nos ensaios selecionados. Conforme enfatizado por Silva e Pereira (2022), uma revisão sistemática deve apresentar de forma clara e objetiva a resposta à pergunta que a motivou, e a análise desenvolvida neste estudo seguiu essa orientação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram observados todos os preceitos éticos e legais aplicáveis ao uso de materiais acadêmicos, com a devida referência a todas as fontes utilizadas, em conformidade com a Lei nº 9.610/1998. Por se tratar de estudo exclusivamente documental, sem envolvimento direto de seres humanos, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. RESULTADOS E DISCUSSÕES / ANÁLISE DOS DADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca sistemática conduzida na base de dados PubMed utilizando os descritores “Ultrasonic Therapy” AND “Trauma” NOT “Animals”, combinados por operadores booleanos e alinhados aos critérios de elegibilidade previamente estabelecidos, resultou inicialmente em 32 estudos potencialmente relacionados ao tema. Após a remoção das duplicidades e a análise preliminar de títulos e resumos, apenas 10 estudos foram considerados pertinentes para leitura na íntegra. A subsequente triagem completa permitiu avaliar a adequação metodológica e temática de cada artigo, levando à exclusão de trabalhos que não possuíam relação direta com tendinopatias decorrentes de trauma, além daqueles que constituíam revisões, metanálises, relatos de caso, estudos em animais ou artigos sem acesso integral. Ao final desse processo rigoroso, somente 5 estudos atenderam integralmente aos critérios metodológicos, compondo o conjunto final de evidências desta revisão. Esse percurso de seleção, apesar de reduzir substancialmente o número de estudos incluídos, conferiu maior consistência à análise ao assegurar que apenas trabalhos metodologicamente robustos e diretamente alinhados ao objetivo da investigação fossem considerados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise integrada dos estudos selecionados revelou um panorama heterogêneo sobre o uso do ultrassom terapêutico (US) e da terapia por ondas de choque extracorpóreas (ESWT) no tratamento de tendinopatias relacionadas ao trauma. Embora todos os artigos tenham investigado intervenções físicas aplicadas a estruturas tendíneas lesionadas, a diversidade de protocolos terapêuticos, formas de administração dos agentes eletrofísicos, características das amostras e métricas de avaliação contribuiu para resultados parcialmente convergentes e parcialmente contrastantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo de Perveen et al. (2024) destacou-se por demonstrar efeitos superiores da ESWT sobre o ultrassom associado à fricção profunda no tratamento da epicondilite lateral. Apesar das limitações referentes ao tamanho amostral e ao curto acompanhamento, os autores observaram redução expressiva da dor e melhora da função, sugerindo que a ESWT desencadeia respostas biológicas aceleradas, tais como redução de mediadores inflamatórios, aumento da perfusão sanguínea e estímulo direto ao reparo tecidual. Esses achados são consistentes com pesquisas que descrevem a mecanotransdução como mecanismo central na modulação de tenócitos e na reorganização da matriz extracelular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contraste, o estudo comparativo publicado em 2020 — que avaliou ultrassom, ESWT e Kinesiotaping — identificou que todas as modalidades terapêuticas promoveram melhora sintomática relevante, sem diferenças significativas entre elas. Esse resultado sugere que intervenções conservadoras distintas podem convergir no alívio da dor, sobretudo em tendinopatias subagudas ou crônicas. Contudo, a superioridade do Kinesiotaping na melhora da força de preensão chama atenção para a relevância de estímulos proprioceptivos e neuromusculares que não são reproduzidos diretamente pelas modalidades eletrofísicas. Apesar dessa equivalência clínica observada, apenas o grupo tratado com ESWT apresentou melhora ultrassonográfica tardia, reforçando que adaptações estruturais tendíneas podem demandar períodos mais prolongados que as melhorias sintomáticas precedentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo de Król et al. (2024), por sua vez, forneceu evidências robustas de que a ESWT focalizada de alta intensidade promove a maior redução percentual da dor entre todos os estudos analisados, atingindo valores superiores a 70% após 12 semanas. Os autores explicam esse efeito por meio de mecanismos neurofisiológicos bem descritos, incluindo redução de substância P e degeneração reversível de terminações nociceptivas periféricas. Entretanto, a ausência de diferenças significativas na força muscular em comparação ao ultrassom sugere que a analgesia, mais do que alterações estruturais imediatas, é o principal mediador da recuperação funcional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contrapartida, o ensaio clínico de Gatz et al. (2021) desafia a narrativa de superioridade da ESWT ao demonstrar que, em tendinopatia de Aquiles, tanto a ESWT de foco pontual quanto a linear não apresentaram efeitos superiores ao placebo. As melhoras clínicas observadas em todos os grupos, inclusive no controle placebo, evidenciam a relevância de fatores contextuais, do efeito expectativa e da variabilidade natural da dor em tendinopatias crônicas. Além disso, mesmo diante de progresso clínico, não foram observadas alterações estruturais relevantes nas avaliações por ultrassom, Doppler, elastografia ou caracterização tecidual. Esse achado reforça uma discussão recorrente na literatura: a dissociação entre sintomas clínicos e morfologia tendínea, indicando que o alívio da dor não necessariamente traduz regeneração estrutural identificável por imagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, o estudo de Baraa Alsulaimani et al. (2024) concluiu que a ESWT radial, quando associada a exercícios e orientação clínica, não supera o placebo em pacientes com tendinopatia insercional do tendão de Aquiles. Esses resultados, que contrastam com os efeitos positivos relatados em estudos voltados ao cotovelo ou ao ombro, reforçam que a resposta à ESWT é dependente de múltiplos fatores, incluindo profundidade do tendão, composição tecidual, grau de cronicidade e adequação dos parâmetros de aplicação. Além disso, o estudo destaca que intervenções baseadas em exercício e educação apresentam forte potencial terapêutico por si só, muitas vezes suplantando a contribuição marginal das modalidades eletrofísicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A síntese das evidências demonstra que, embora o ultrassom terapêutico e a ESWT compartilhem mecanismos fisiológicos relacionados à modulação da dor e ao estímulo tecidual, sua eficácia varia amplamente entre diferentes tendinopatias. De modo geral, os casos envolvendo epicondilite lateral mostraram respostas mais consistentes à ESWT, sobretudo em protocolos de alta intensidade, enquanto tendinopatias do tendão de Aquiles apresentaram resultados mais controversos, frequentemente sem diferença clara em relação ao placebo. Esses achados ressaltam a importância de individualizar o tratamento conforme a região anatômica, profundidade tecidual e estágio da lesão, além de considerar que a dor em tendinopatias pode ser modulada por mecanismos neuropsicológicos que ultrapassam a intervenção física isolada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao analisar em conjunto os cinco estudos selecionados, observa-se que a heterogeneidade metodológica — incluindo diferenças nos parâmetros de ultrassom, variação na densidade de energia da ESWT, protocolos de exercícios associados, diferentes métodos de mensuração e tempos de seguimento — limita a possibilidade de estabelecer um consenso definitivo sobre a superioridade de uma modalidade sobre outra. Ainda assim, o conjunto das evidências aponta para uma tendência favorável à ESWT em tendinopatias do cotovelo, enquanto seu papel em tendinopatias do tendão de Aquiles permanece incerto, exigindo estudos adicionais com amostras maiores, padronização de protocolos e avaliações estruturais mais sensíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente revisão sistemática buscou analisar criticamente a eficácia comparativa entre a terapia por ondas de choque extracorpóreas (ESWT) e o ultrassom terapêutico (US) no manejo das tendinopatias, com foco especial na epicondilite lateral e na tendinopatia de Aquiles. A partir da aplicação rigorosa dos critérios de elegibilidade e exclusão, cinco estudos publicados nos últimos cinco anos foram incluídos, permitindo uma síntese consistente das evidências mais recentes sobre o tema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De maneira geral, os resultados apontam para um desempenho superior ou equivalente da ESWT em relação ao ultrassom, principalmente no que diz respeito à redução da dor e à melhora funcional em quadros de epicondilite lateral, conforme observado em estudos como os de Perveen et al. (2024) e Król et al. (2024). A ESWT demonstrou capacidade consistente de promover alívio sintomático, favorecer o retorno funcional e, em alguns casos, induzir mudanças estruturais favoráveis no tendão ao longo do tempo. No entanto, a magnitude dos efeitos apresentou grande variabilidade entre os estudos, influenciada por fatores como intensidade aplicada, número de sessões, tipo de onda (radial ou focalizada), parâmetros energéticos e características específicas das populações estudadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto da tendinopatia insercional do tendão de Aquiles, os achados mostraram-se mais heterogêneos. Estudos como os de Gatz et al. (2021) e Baraa Alsulaimani et al. (2024) indicaram que a ESWT pode não ser superior ao placebo quando combinada a programas estruturados de exercícios, reforçando a relevância da terapia ativa como componente central na reabilitação dessas lesões. Em alguns ensaios, a ausência de diferença entre grupos pode ter sido influenciada por respostas placebo, padrões naturais de evolução da doença, heterogeneidade nas cargas de treino e diferenças metodológicas que dificultam comparações diretas com estudos sobre epicondilite lateral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, a síntese global sugere que a ESWT apresenta maior potencial terapêutico do que o ultrassom em tendinopatias crônicas, especialmente quando aplicada com parâmetros adequados, periodicidade regular e integração a um programa de reabilitação progressivo. O ultrassom, por sua vez, demonstrou ser eficaz na redução da dor e na melhora funcional, mas com efeitos geralmente mais modestos e menos consistentes ao longo do tempo, destacando-se como modalidade complementar e não como principal estratégia terapêutica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto relevante evidenciado pelos estudos incluídos refere-se às limitações metodológicas recorrentes, como amostras pequenas, ausência de acompanhamento prolongado, falta de cegamento apropriado, intervenções associadas não padronizadas e variabilidade nos parâmetros aplicados. Tais fragilidades reforçam a necessidade de ensaios clínicos randomizados mais robustos, com protocolos claramente definidos e maior rigor na mensuração dos desfechos clínicos e estruturais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do conjunto de evidências analisadas, conclui-se que a ESWT representa uma alternativa terapêutica segura, viável e frequentemente mais eficaz que o ultrassom terapêutico, sobretudo para tendinopatias de caráter crônico e refratário. No entanto, sua superioridade não se estende de forma uniforme a todas as condições tendíneas, como observado na tendinopatia insercional do tendão de Aquiles, onde resultados conflitantes ainda limitam recomendações definitivas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, embora a ESWT se destaque como intervenção promissora, a escolha entre ESWT e ultrassom deve considerar as características clínicas da tendinopatia, os objetivos terapêuticos, a disponibilidade de recursos, e a integração com abordagens baseadas em exercício e educação, reconhecidamente fundamentais no manejo dessas patologias. Estudos futuros são essenciais para elucidar parâmetros ideais, identificar perfis de pacientes mais responsivos e consolidar o papel de cada modalidade no arsenal terapêutico da fisioterapia musculoesquelética.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">AL SULAIMANI, Baraa et al. Does shockwave therapy lead to better pain and function than sham over 12 weeks in people with insertional Achilles tendinopathy? A randomised controlled trial. <strong>Clinical Rehabilitation</strong>, 20 dez. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">COMPARISON OF THE CLINICAL AND SONOGRAPHIC EFFECTS OF ULTRASOUND THERAPY, EXTRACORPOREAL SHOCK WAVE THERAPY AND KINESIO TAPING IN LATERAL EPICONDYLITIS. <strong>Turkish Journal of Medical Sciences</strong>, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GATZ, M. et al. Line- and Point-Focused Extracorporeal Shock Wave Therapy for Achilles Tendinopathy: A Placebo-Controlled RCT Study. <strong>Sports Health: A Multidisciplinary Approach</strong>, v. 13, n. 5, p. 511–518, 13 fev. 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KRÓL, P. et al. Focused shock wave and ultrasound therapies in the treatment of lateral epicondylitis – a randomized control trial. <strong>Scientific Reports</strong>, v. 14, n. 1, 30 out. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARCUS TOLENTINO SILVA; MAURÍCIO FERNANDES PEREIRA. Revisões sistemáticas e outros tipos de síntese: comentários à série metodológica publicada na Epidemiologia e Serviços de Saúde. <strong>Epidemiologia e Serviços de Saúde</strong>, v. 31, n. 3, 1 jan. 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MENDES, K. D. S.; SILVEIRA, R. C. de C. P.; GALVÃO, C. M. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. <strong>Texto &amp; Contexto – Enfermagem</strong>, v. 17, n. 4, p. 758–764, dez. 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PERVEEN, W. et al. Effects of extracorporeal shockwave therapy versus ultrasonic therapy and deep friction massage in the management of lateral epicondylitis: a randomized clinical trial. <strong>Scientific Reports</strong>, v. 14, n. 1, p. 16535, 17 jul. 2024.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">¹Discente do Curso Superior de Medicina da Universidade Tiradentes Campus Farolândia e-mail: pedroalexandre1604@gmail.com orcid: https://orcid.org/0009-0001-3025-5077;<br>²Discente do Curso Superior de Medicina da Universidade Tiradentes Campus Farolândia e-mail: felipefcamara09@gmail.com orcid: https://orcid.org/0009-0000-4429-685X;<br>³Discente do Curso Superior de Medicina da Universidade Tiradentes Campus Farolândia e-mail: matheus.grubisik@souunit.com.br orcid: https://orcid.org/0009-0006-4240-6289;<br>⁴Discente do Curso Superior de Medicina da Universidade Tiradentes Campus Farolândia e-mail: manoelnetoguimaraes@gmail.com orcid: https://orcid.org/0009-0000-0192-6604;<br>⁵Discente do Curso Superior de Medicina da Universidade Tiradentes Campus Farolândia e-mail: annabeatriz.pradocosta@gmail.com orcid: https://orcid.org/0009-0002-8926-037X;<br>⁶Discente do Curso Superior de Medicina da Universidade Tiradentes Campus Farolândia e-mail: carolinagomespmmm@gmail.com orcid: https://orcid.org/0009-0004-7867-1055;<br>⁷Discente do Curso Superior de Medicina da Afya Centro Universitário UNIMA e-mail: ciceroartur22@gmail.com orcid: https://orcid.org/0009-0006-4959-0082;<br>⁸Discente do Curso Superior de Medicina da Universidade Tiradentes Campus Farolândia e-mail: silva.robertaconceicao@gmail.com orcid: https://orcid.org/0009-0009-5463-9970;<br>⁹Discente do Curso Superior de Medicina da Universidade Tiradentes Campus Farolândia e-mail: maria.asilveira@souunit.com.br orcid: https://orcid.org/0009-0006-6429-939X;<br>¹⁰Discente do Curso Superior de Medicina da Afya Centro Universitário UNIMA e-mail: evandrotenorio04@gmail.com orcid: https://orcid.org/0009-0001-4833-1357.;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>PANORAMA EPIDEMIOLÓGICO DE SUICÍDIO NO NORDESTE DO BRASIL: UM ESTUDO RETROSPECTIVO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/panorama-epidemiologico-de-suicidio-no-nordeste-do-brasil-um-estudo-retrospectivo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft AR]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Feb 2026 20:57:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[EPIDEMIOLOGICAL OVERVIEW OF SUICIDE IN NORTHEASTERN BRAZIL: A RETROSPECTIVE STUDY REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202602281757 Osvaldo Do Rêgo Mello FilhoRafael Lucas Cerqueira SilvaOrientador: Prof. Dr. Danilo Gonçalves Dantas Resumo O suicídio constitui um importante problema de saúde pública global, caracterizado por sua natureza multifatorial e pelo impacto significativo na morbimortalidade populacional. A Organização Mundial da Saúde estima [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">EPIDEMIOLOGICAL OVERVIEW OF SUICIDE IN NORTHEASTERN BRAZIL: A RETROSPECTIVE STUDY</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202602281757</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Osvaldo Do Rêgo Mello Filho<br>Rafael Lucas Cerqueira Silva<br>Orientador: Prof. Dr. Danilo Gonçalves Dantas</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O suicídio constitui um importante problema de saúde pública global, caracterizado por sua natureza multifatorial e pelo impacto significativo na morbimortalidade populacional. A Organização Mundial da Saúde estima que uma morte por suicídio ocorra a cada 40 segundos, evidenciando a magnitude desse agravo. No Brasil, observa-se crescimento das taxas, especialmente entre adolescentes e jovens adultos, além de impacto relevante em idosos. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico do suicídio na região do Nordeste do Brasil entre 2014 e 2024, identificando tendências temporais, características sociodemográficas e fatores associados. Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo baseado em dados secundários oficiais. Os resultados indicam crescimento progressivo das taxas no período analisado, com predominância de casos no sexo masculino e maior ocorrência entre jovens adultos. Observou-se associação entre o suicídio e fatores sociais e econômicos, como desigualdade social, desemprego, vulnerabilidade social e limitações no acesso aos serviços de saúde mental. Além disso, verificou-se impacto significativo do contexto pandêmico recente, com aumento nas notificações e agravamento dos indicadores relacionados à saúde mental. A análise epidemiológica demonstrou que o suicídio apresenta distribuição heterogênea, atingindo grupos populacionais com diferentes níveis de vulnerabilidade, incluindo jovens, populações socialmente vulneráveis e indivíduos com histórico de transtornos mentais. Conclui-se que a compreensão do perfil epidemiológico é fundamental para subsidiar o planejamento de políticas públicas e estratégias de prevenção direcionadas, contribuindo para a redução dos índices e fortalecimento da rede de atenção psicossocial.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Suicídio; Epidemiologia; Saúde mental; Mortalidade; Vulnerabilidade social.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Suicide is a major global public health problem characterized by its multifactorial nature and significant impact on population morbidity and mortality. The World Health Organization estimates that one suicide occurs every 40 seconds, highlighting the magnitude of this issue. In Brazil, suicide rates have increased, particularly among adolescents and young adults, while also affecting older populations. This study aimed to analyze the epidemiological profile of suicide in Northeastern Brazil between 2014 and 2024, identifying temporal trends, sociodemographic characteristics, and associated factors. This is a descriptive epidemiological study based on secondary official data. The findings revealed a progressive increase in suicide rates during the analyzed period, with a predominance among males and higher occurrence among young adults. Suicide was associated with social and economic determinants such as social inequality, unemployment, social vulnerability, and limited access to mental health services. Additionally, the recent pandemic context significantly impacted mental health indicators, increasing self-harm notifications and suicide rates. The epidemiological analysis demonstrated heterogeneous distribution across population groups with varying vulnerability levels, including young individuals, socially vulnerable populations, and individuals with mental disorders. Understanding the epidemiological profile of suicide is essential to support public policies and preventive strategies, contributing to suicide rate reduction and strengthening psychosocial care networks.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Suicide; Epidemiology; Mental health; Mortality; Social vulnerability.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1&nbsp;INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O suicídio é considerado um grave problema de saúde pública em todo o mundo, sendo responsável por milhões de mortes anualmente. Trata-se de um fenômeno complexo, multifatorial e que atinge diferentes faixas etárias, gêneros e contextos sociais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, a cada 40 segundos, uma pessoa morre por suicídio, o que demonstra a magnitude e a relevância do tema (Johnston <em>et al.,</em> 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, os números também chamam a atenção. Segundo dados oficiais, as taxas de suicídio têm crescido, especialmente entre adolescentes e jovens adultos, embora também haja impacto expressivo entre idosos. Essa realidade impõe a necessidade de estudos epidemiológicos que permitam compreender melhor o perfil das pessoas afetadas e as circunstâncias relacionadas ao ato (Barbora <em>et al</em>., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo do perfil epidemiológico de suicídio nos últimos 10 anos é essencial, pois permite identificar tendências temporais, variações geográficas e fatores associados, fornecendo subsídios para o planejamento de políticas públicas de prevenção e intervenção (Serrano, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise epidemiológica possibilita ainda mapear grupos de maior vulnerabilidade, como homens jovens, povos indígenas, populações em situação de vulnerabilidade social e indivíduos com histórico de transtornos mentais. Esse conhecimento é crucial para ações direcionadas e eficazes (Posselt <em>et al.,</em> 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto de relevância é a associação entre o suicídio e condições sociais, econômicas e culturais. Fatores como desemprego, desigualdade social, violência urbana, isolamento social e até mesmo o impacto da pandemia de COVID-19 influenciaram diretamente as taxas de mortalidade por suicídio nos últimos anos (Brasil, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o suicídio é frequentemente permeado por estigma e silêncio, o que dificulta sua abordagem adequada em diversas esferas da sociedade. Essa falta de discussão aberta contribui para a perpetuação do problema e para a carência de estratégias efetivas de prevenção (Thompson <em>et al</em>., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos epidemiológicos podem ajudar a desmistificar o tema, trazendo dados concretos e cientificamente embasados que sustentem o desenvolvimento de campanhas de conscientização e políticas públicas de saúde mental mais robustas (Sher <em>et al.,</em> 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vale destacar que compreender o perfil epidemiológico não significa apenas observar números, mas também reconhecer os contextos sociais, culturais e de saúde que cercam cada caso. Essa visão integrada é fundamental para compreender o fenômeno em sua complexidade (Park <em>et al</em>., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, investigar o perfil epidemiológico do suicídio nos anos de 2014 à 2024, que é uma iniciativa de grande relevância acadêmica, científica e social, pois possibilita uma leitura crítica da realidade atual e contribui para a criação de estratégias preventivas mais eficazes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A escolha desse tema se justifica pela crescente relevância do suicídio como problema de saúde pública, que ainda enfrenta barreiras em termos de visibilidade, compreensão e enfrentamento social. Apesar dos números alarmantes, o suicídio é frequentemente negligenciado em debates públicos e políticas governamentais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A compreensão epidemiológica do fenômeno é necessária para evidenciar tendências e transformações ao longo do tempo. O recorte temporal de 10 anos permite observar variações importantes, seja no aumento ou diminuição dos casos, bem como no surgimento de novos fatores associados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O suicídio, por ser um evento multifatorial, exige estudos que articulem dimensões biológicas, psicológicas e sociais. A análise epidemiológica é capaz de reunir esses aspectos de forma quantitativa, evidenciando padrões e favorecendo diagnósticos situacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relevância também está ligada ao fato de que o suicídio atinge populações diversas, mas com diferentes graus de vulnerabilidade. Identificar quais grupos apresentam maiores índices contribui para direcionar medidas específicas de prevenção e cuidado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto a ser considerado é que a ausência de informações epidemiológicas sistematizadas gera lacunas importantes no campo da saúde mental e limita a capacidade das autoridades em propor políticas públicas assertivas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, o suicídio impacta não apenas o indivíduo, mas também famílias, comunidades e a sociedade como um todo. A dor e as consequências sociais e emocionais reforçam a necessidade de ampliar a produção de conhecimento sobre o tema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, estudar o perfil epidemiológico do suicídio nos últimos 10 anos é uma forma de contribuir para a produção científica nacional, fortalecer o debate sobre saúde mental e apoiar o desenvolvimento de ações estratégicas para redução desse grave problema social. Isso leva ao seguinte problema: qual o perfil epidemiológico do suicídio no Nordeste do Brasil durante os anos de 2014 à 2024? Quais fatores podem estar associados às variações nas taxas de ocorrência nesse período?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O trabalho tem como objetivo geral analisar o perfil epidemiológico do suicídio no Nordeste do Brasil durante os anos de 2014 à 2024, identificando tendências, temporais, características sociodemográficas e fatores associados. E ainda: identificar as taxas de suicídio registradas nos anos de 2014 à 2024, considerando variações temporais e características sociodemográficas e fatores associados no período de 2014 à 2024; descrever o perfil das vítimas de suicidio, levando em conta variáveis como idade, sexo, escolaridade e fatores socioeconômicos e analisar fatores associados ao aumento ou redução das taxas de suicídio, como contexto social, econômico, cultural e de saúde mental.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2 METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo foi de caráter quantitativo, descritivo e retrospectivo, fundamentando-se na análise de dados secundários provenientes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponibilizado pelo Ministério da Saúde. A escolha por esse delineamento justificou-se pela possibilidade de compreender, com base em registros oficiais, a magnitude e o comportamento do suicídio na região Nordeste, permitindo identificar padrões, perfis de vítimas e possíveis fatores associados ao evento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O recorte temporal compreendeu o período de 2014 a 2024, abrangendo uma década de registros. Essa delimitação temporal possibilitou a avaliação das tendências epidemiológicas do suicídio na região Nordeste do Brasil, considerando suas particularidades socioeconômicas, culturais e de acesso aos serviços de saúde. A análise desse período permitiu verificar a evolução das taxas de mortalidade e incidência, bem como possíveis mudanças nos perfis das notificações ao longo dos anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados analisados foram extraídos das notificações de casos de lesão autoprovocada, incluindo tentativas e óbitos por suicídio, conforme os critérios estabelecidos pela Classificação Internacional de Doenças (CID-10), especialmente os códigos da categoria X60 a X84, que correspondem às diversas formas de autointoxicação, enforcamento, afogamento, uso de armas de fogo e outros meios utilizados. Essa categorização permitiu padronizar a coleta e a análise, garantindo comparabilidade com outros estudos e regiões do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram consideradas variáveis relacionadas ao perfil sociodemográfico das vítimas, como idade, sexo, raça/cor, escolaridade e unidade federativa de residência, possibilitando traçar um panorama detalhado das populações mais vulneráveis. Além disso, foram incluídas informações referentes às circunstâncias do evento, como local de ocorrência (domicílio, via pública, hospital, entre outros) e o meio empregado, fatores essenciais para compreender o contexto e a dinâmica dos casos notificados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise estatística foi conduzida por meio de estatística descritiva, com o cálculo de frequências absolutas e relativas, bem como taxas de incidência e mortalidade específicas por sexo, faixa etária e estado nordestino. Os resultados foram apresentados em tabelas, gráficos e mapas temáticos, de modo a facilitar a visualização e interpretação dos dados, permitindo identificar possíveis tendências regionais e temporais. Sempre que pertinente, foram aplicados indicadores comparativos entre os estados do Nordeste, com o objetivo de destacar diferenças e semelhanças entre os territórios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para garantir a fidedignidade dos resultados, foi avaliada a qualidade do preenchimento das fichas de notificação no SINAN, uma vez que inconsistências, subnotificações ou registros incompletos podem interferir nas estimativas e interpretações. Tais limitações foram discutidas de forma crítica, reconhecendo os desafios inerentes à utilização de dados secundários no campo da saúde pública.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a presente metodologia buscou oferecer uma análise ampla e detalhada da epidemiologia do suicídio no Nordeste do Brasil, contribuindo para o entendimento do fenômeno e fornecendo subsídios para a formulação de políticas públicas de prevenção e promoção da saúde mental na região.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3 RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos dados epidemiológicos provenientes do DATASUS e do Ministério da Saúde evidenciou crescimento expressivo da mortalidade por suicídio na região do Nordeste entre os anos de 2014 e 2024. Observou-se aumento aproximado de 54,9% no número de casos ao longo do período analisado, configurando a região como uma das que apresentou maior crescimento proporcional no país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A taxa de mortalidade evoluiu de 4,39 para 6,80 óbitos por 100 mil habitantes, demonstrando tendência ascendente e sustentada ao longo da última década. Em relação à distribuição entre os estados, a Bahia apresentou o maior número absoluto de casos em 2024, totalizando 816 registros, seguida pelo Ceará, com 767 casos. Entretanto, quando consideradas as taxas proporcionais, o Piauí apresentou a maior taxa regional, atingindo 11,8 óbitos por 100 mil habitantes, mantendo-se historicamente acima da média nacional.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="599" height="457" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-18.png" alt="" class="wp-image-266470" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-18.png 599w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-18-300x229.png 300w" sizes="(max-width: 599px) 100vw, 599px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O estado de Pernambuco registrou 578 casos estimados, com destaque para o aumento das notificações de autolesões, principalmente entre jovens. O Maranhão apresentou aproximadamente 350 casos, com crescimento estatisticamente significativo ao longo da última década. A Paraíba registrou cerca de 320 casos, destacando-se pelo aumento expressivo de aproximadamente 83% entre o público feminino no período analisado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Rio Grande do Norte apresentou 248 casos estimados, com crescimento de aproximadamente 15% entre 2023 e 2024. O estado de Alagoas registrou cerca de 190 casos, mantendo relativa estabilidade nos índices, embora existam evidências de subnotificação, sobretudo em áreas rurais. Já Sergipe apresentou aproximadamente 140 casos, configurando o menor volume absoluto da região, porém com taxa proporcional superior à observada na Bahia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto ao perfil sociodemográfico das vítimas, observou-se predominância do sexo masculino, representando aproximadamente 78% a 80% dos casos. A faixa etária mais acometida correspondeu a adultos jovens, com maior concentração entre 20 e 39 anos. Contudo, verificou-se crescimento progressivo entre adolescentes e jovens, especialmente entre 15 e 29 anos, grupo considerado prioritário para intervenções preventivas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação ao local de ocorrência, a maioria dos casos foi registrada no ambiente domiciliar, correspondendo a aproximadamente 60% a 71% das notificações. Quanto aos meios utilizados, observou-se predominância do enforcamento em todos os estados nordestinos, seguido pela intoxicação exógena, principalmente por pesticidas, e pelo uso de armas de fogo.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="599" height="457" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-18.png" alt="" class="wp-image-266469" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-18.png 599w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-18-300x229.png 300w" sizes="(max-width: 599px) 100vw, 599px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados também evidenciaram associação entre o aumento dos índices e fatores socioeconômicos, como desigualdade de renda, desemprego e limitações no acesso aos serviços especializados em saúde mental, particularmente em regiões rurais. Além disso, observou-se aumento nas notificações a partir de 2021, sugerindo possível impacto dos fatores psicossociais relacionados ao período pós-pandêmico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4 DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os achados do presente estudo evidenciam tendência crescente da mortalidade por suicídio na região do Nordeste entre 2014 e 2024, corroborando investigações epidemiológicas realizadas no Brasil que apontam expansão dos índices nas regiões Norte e Nordeste nas últimas décadas. Estudos de série temporal demonstram aumento progressivo das taxas de mortalidade por suicídio no país, especialmente em áreas marcadas por maior vulnerabilidade socioeconômica e menor acesso a serviços especializados de saúde mental (Malta et al., 2020; Santos et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A predominância de óbitos no sexo masculino observada neste estudo, representando aproximadamente 78% a 80% dos casos, mantém padrão consistente com a literatura nacional e internacional. Evidências indicam que homens apresentam maior letalidade nas tentativas, menor busca por assistência psicológica e maior exposição a fatores como abuso de substâncias e estressores ocupacionais, o que contribui para maiores taxas de mortalidade (Meneghel; Moura, 2021; Pinto et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No presente estudo, o destaque epidemiológico do Piauí, que apresentou a maior taxa proporcional da região, reforça a heterogeneidade intra-regional da mortalidade por suicídio. Investigações ecológicas demonstram que estados com maiores desigualdades sociais e dificuldades estruturais nos serviços de saúde mental apresentam maior vulnerabilidade populacional para comportamentos autolesivos (Silva et al., 2023). Esses resultados sugerem que fatores socioeconômicos e barreiras no acesso aos cuidados em saúde mental podem atuar como determinantes relevantes para o aumento das taxas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Observou-se também crescimento expressivo entre o público feminino, especialmente na Paraíba, indicando possível modificação do perfil epidemiológico tradicional. Estudos recentes sugerem aumento gradual das taxas entre mulheres, possivelmente relacionado ao crescimento da prevalência de transtornos depressivos, violência doméstica e sobrecarga psicossocial (Oliveira et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A elevação dos casos entre adolescentes e jovens adultos, particularmente entre 15 e 29 anos, constitui achado preocupante e consistente com dados nacionais que apontam o suicídio entre as principais causas de morte nessa faixa etária. Pesquisas recentes evidenciam agravamento dos indicadores após a pandemia de COVID-19, associando o aumento dos casos ao isolamento social, insegurança econômica e maior prevalência de sintomas ansiosos e depressivos (Teixeira et al., 2023; Souza et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto aos métodos utilizados, a predominância do enforcamento em todos os estados analisados acompanha tendência nacional descrita na literatura, sendo considerado método de alta letalidade e ampla disponibilidade. Estudos epidemiológicos também apontam intoxicações por pesticidas e o uso de armas de fogo como métodos relevantes, especialmente em áreas rurais, onde o acesso a substâncias tóxicas pode ser facilitado (Ferreira et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O predomínio da ocorrência dos casos no ambiente domiciliar, identificado em mais de 60% dos registros, reforça evidências de que o suicídio frequentemente ocorre em contextos privados, dificultando a detecção precoce e a intervenção preventiva. Pesquisas indicam que o fortalecimento das redes de apoio social e familiar pode atuar como fator protetor, reduzindo o risco de comportamento suicida (Barros et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados também evidenciaram associação entre o aumento das taxas e determinantes sociais, como desemprego, desigualdade de renda e limitações no acesso aos serviços de saúde mental, sobretudo em áreas rurais. A literatura demonstra que esses fatores estruturais exercem impacto significativo sobre a saúde mental coletiva, reforçando a necessidade de políticas públicas intersetoriais que integrem ações de saúde, educação e assistência social (Carvalho et al., 2020; Andrade et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, os achados do presente estudo reforçam a importância do desenvolvimento de estratégias preventivas direcionadas a grupos vulneráveis, especialmente jovens e homens adultos, além do fortalecimento da rede de atenção psicossocial e ampliação do acesso aos serviços de saúde mental, com foco na detecção precoce e no acompanhamento contínuo dos indivíduos em situação de risco.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5 CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo evidenciou crescimento expressivo da mortalidade por suicídio na região do Nordeste entre 2014 e 2024, confirmando tendência ascendente dos indicadores epidemiológicos e ressaltando a relevância do problema como desafio de saúde pública. Observou-se distribuição heterogênea entre os estados, com maior número absoluto de casos na Bahia e maiores taxas proporcionais em estados como o Piauí, evidenciando influência de fatores demográficos, sociais e estruturais na determinação do fenômeno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O perfil epidemiológico identificado demonstrou predominância do sexo masculino, especialmente entre adultos jovens, além de crescimento preocupante entre adolescentes e jovens adultos. A ocorrência majoritária dos casos no ambiente domiciliar e a predominância do enforcamento como principal meio utilizado reforçam a complexidade da prevenção e a necessidade de estratégias que ultrapassem o ambiente institucional de saúde, envolvendo ações comunitárias e familiares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os achados também sugerem forte associação entre o aumento dos índices e determinantes sociais, como desigualdade socioeconômica, desemprego e dificuldades no acesso aos serviços especializados em saúde mental, sobretudo em áreas rurais. Tais evidências reforçam a necessidade de fortalecimento das políticas públicas voltadas à promoção da saúde mental, ampliação da rede de atenção psicossocial e implementação de estratégias intersetoriais que integrem saúde, educação e assistência social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, conclui-se que o enfrentamento do suicídio na região Nordeste exige abordagem abrangente, baseada em vigilância epidemiológica contínua, ampliação do acesso aos serviços de saúde mental, qualificação dos profissionais para identificação precoce de fatores de risco e desenvolvimento de estratégias preventivas direcionadas aos grupos mais vulneráveis. Além disso, destaca-se a importância de novos estudos que explorem fatores culturais, sociais e individuais relacionados ao comportamento suicida, contribuindo para a formulação de intervenções mais eficazes e contextualizadas à realidade regional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ANDRADE, L. H. et al. Desigualdades sociais e fatores associados ao suicídio no Brasil. <strong>Revista Brasileira de Epidemiologia</strong>, São Paulo, v. 26, 2023.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">BARROS, M. B. A. et al. Apoio social e saúde mental na população brasileira. <strong>Ciência &amp; Saúde Coletiva</strong>, Rio de Janeiro, v. 26, n. 9, p. 3795-3804, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. <strong>Sistema de Informações sobre Mortalidade</strong> – DATASUS. Mortalidade – desde 1996 pela CID-10. <strong>Disponível em: </strong>https://datasus.saude.gov.br/mortalidade-desde-1996-pela-cid-10/. <strong>Acesso em:</strong> 02 ago. 2025.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">FERREIRA, C. M. et al. Métodos utilizados em suicídios no Brasil: análise epidemiológica recente. <strong>Jornal Brasileiro de Psiquiatria</strong>, Rio de Janeiro, v. 71, n. 2, p. 85-93, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JOHNSTON, J. N.; CAMPBELL, D.; CARUNCHO, H. J.; HENTER, I. D.; BALLARD, E. D.; ZARATE, C. A. Biomarcadores de suicídio para prever riscos, classificar subtipos de diagnóstico e identificar novos alvos terapêuticos. <em><strong>International Journal of Neuropsychopharmacology</strong></em>, v. 25, n. 3, p. 197–214, 2022. DOI: 10.1093/ijnp/pyab083.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MALTA, D. C. et al. Tendência temporal da mortalidade por suicídio no Brasil e regiões, 2000-2016. <strong>Revista Brasileira de Epidemiologia</strong>, São Paulo, v. 23, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MENEGHEL, S. N.; MOURA, R. Suicídio, gênero e masculinidades no Brasil. <strong>Ciência &amp; Saúde Coletiva</strong>, Rio de Janeiro, v. 26, n. 7, p. 2803-2812, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA, A. P. et al. Mortalidade por suicídio em mulheres brasileiras: tendências recentes. <strong>Revista de Saúde Pública</strong>, São Paulo, v. 56, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PARK, C. H. K. et al. Suicide risk factors across suicidal ideators, single suicide attempters, and multiple suicide attempters. <em><strong>Journal of Psychiatric Research</strong></em>, v. 131, p. 1–8, 2020. DOI: 10.1016/j.jpsychires.2020.08.018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PINTO, I. V. et al. Fatores associados ao suicídio e tentativas de suicídio no Brasil. <strong>Epidemiologia e Serviços de Saúde</strong>, Brasília, v. 31, n. 2, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">POSSELT, M.; et al. The impact of screen media portrayals of suicide on viewers: a rapid review of the evidence. <em><strong>Health &amp; Social Care in the Community</strong></em>, v. 29, n. 1, p. 28–41, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, E. G. et al. Tendência temporal e distribuição espacial da mortalidade por suicídio no Brasil. <strong>Cadernos de Saúde Pública</strong>, Rio de Janeiro, v. 37, n. 9, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SERRANO, C. C.; FAJARDO DOLCI, G. (DOLCI, G.). Suicide prevention and suicidal behavior. <em><strong>Gaceta Médica de México</strong> (Gac. Med. Mex.)</em>, v. 157, n. 5, p. 547–552, 2021. DOI: 10.24875/GMM.M21000611.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SHER, L.; OQUENDO, M. A. Suicide: an overview for clinicians. <em><strong>Medical Clinics of North America</strong></em>, v. 107, n. 1, p. 119–130, 2023. DOI: 10.1016/j.mcna.2022.03.008.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, M. L. et al. Impactos da pandemia de COVID-19 na saúde mental de adolescentes e jovens brasileiros. <strong>Jornal Brasileiro de Psiquiatria</strong>, Rio de Janeiro, v. 73, n. 1, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TEIXEIRA, R. A. et al. Saúde mental e comportamento suicida em jovens no período pós-pandemia. <strong>Revista Brasileira de Psiquiatria</strong>, São Paulo, v. 45, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">THOMPSON, E. C.; et al. Suicide risk and psychotic experiences: considerations for safety planning with adolescents. <em><strong>R I Medical Journal</strong></em> (R I Med J), v. 105, n. 4, p. 26–30, 2022</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>INFLUÊNCIA DE DIFERENTES DENTIFRÍCIOS NO DESGASTE E NA RUGOSIDADE DO ESMALTE DE DENTES BOVINOS &#8211; ESTUDO IN VITRO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/influencia-de-diferentes-dentifricios-no-desgaste-e-na-rugosidade-do-esmalte-de-dentes-bovinos-estudo-in-vitro/</link>
		
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		<pubDate>Sat, 28 Feb 2026 19:37:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[INFLUENCE OF DIFFERENT TOOTHPASTES ON THE WEAR AND ROUGHNESS OF BOVINE TOOTH ENAMEL &#8211; AN IN VITRO STUDY REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202602280033 José Gabriel Bernardino da Silva Brito¹Juliana Raposo Souto Maior¹Lucas Rodrigues dos Santos¹Matheus José da Câmara de Oliveira¹Luís Felipe Espíndola Castro¹Emanuel Ewerton Mendonça Vasconcelos¹Alexandre Batista Lopes do Nascimento¹Maria Sabrina dos Santos Lima¹Orientadora: Hilcia Mezzalira Teixeira¹Coorientadora: [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">José Gabriel Bernardino da Silva Brito¹<br>Juliana Raposo Souto Maior¹<br>Lucas Rodrigues dos Santos¹<br>Matheus José da Câmara de Oliveira¹<br>Luís Felipe Espíndola Castro¹<br>Emanuel Ewerton Mendonça Vasconcelos¹<br>Alexandre Batista Lopes do Nascimento¹<br>Maria Sabrina dos Santos Lima¹<br>Orientadora: Hilcia Mezzalira Teixeira¹<br>Coorientadora: Renata Pedrosa Guimarães¹</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">¹ Universidade Federal de Pernambuco</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo <em>in vitro </em>avaliou a influência de diferentes dentifrícios no desgaste e na rugosidade do esmalte dentário de dentes bovinos submetidos a desafio erosivo. Foram confeccionados 30 corpos-de-prova, distribuídos em 6 grupos (n=5). Os seguintes materiais foram utilizados: Gel Dental Colgate Renew Anti-Aging (Colgate), Creme Dental Ozonizado (Ozoncare); Forever Bright Toothgel (Forever Bright); Colgate Máxima Proteção Anticáries (Colgate); água destilada, escova elétrica adulto macia (Oral B) e saliva artificial. Os espécimes passaram por protocolo padronizado de escovação com escova elétrica e aplicação de carga controlada, simulando três meses de escovação clínica. A avaliação da rugosidade e do desgaste foi realizada por Microscopia Confocal a Laser. Os dados foram avaliados quanto aos pressupostos de normalidade pelo teste de Shapiro-Wilk (p &lt; 0,05) e de homocedasticidade pelo teste de Levene (p &lt; 0,05). Atendidos os pressupostos, os dados foram analisados por ANOVA à um critério, considerando a variável tipo de tratamento, seguido do pós teste de Tukey. O nível de significância foi fixado em 5%. Os grupos G3 (Forever Bright Toothgel, sem flúor) e G4 (Colgate Máxima Proteção Anticáries) apresentaram os maiores valores de desgaste, sendo o G3 o mais abrasivo. O grupo G4 também se destacou com os maiores valores de rugosidade superficial. Em contrapartida, os dentifrícios Colgate Renew Anti-Aging e o Creme Dental Ozonizado apresentaram os menores valores de desgaste e rugosidade, evidenciando comportamento mais conservador em relação ao esmalte dentário. A composição dos produtos, especialmente o tipo e a quantidade de abrasivos e a presença ou ausência de flúor, mostrou influência direta nos resultados. Os achados reforçam a necessidade de escolha criteriosa do dentifrício por parte dos cirurgiões-dentistas, considerando o potencial abrasivo dos produtos e os hábitos dos pacientes. O estudo também destaca os riscos da popularização de produtos odontológicos por meio das redes sociais sem respaldo técnico-científico. Conclui-se que, embora alguns dentifrícios promovam maior abrasividade, outros apresentam formulações mais seguras para o esmalte, sendo fundamental que sua recomendação seja baseada em evidências científicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Esmalte dentário; dentifrícios; escovação; desgaste.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">This <em>in vitro </em>study evaluated the influence of different toothpastes on the wear and roughness of bovine tooth enamel subjected to an erosive challenge. Thirty specimens were prepared and divided into six groups (n=5). The following materials were used: Colgate Renew Anti-Aging Tooth Gel (Colgate), Ozonized Toothpaste (Ozoncare), Forever Bright Toothgel (Forever Bright), Colgate Maximum Cavity Protection (Colgate), distilled water, soft-bristled adult electric toothbrush (Oral B), and artificial saliva. The specimens underwent a standardized brushing protocol using an electric toothbrush with controlled load, simulating three months of clinical brushing. Enamel roughness and wear were evaluated using Confocal Laser Microscopy. Statistical analysis included measures of mean, standard deviation, median, and percentiles, with comparisons made using ANOVA followed by Tukey&#8217;s test, adopting a 5% significance level. Groups G3 (Forever Bright Toothgel, fluoride-free) and G4 (Colgate Maximum Cavity Protection) showed the highest wear values, with G3 being the most abrasive. G4 also exhibited the highest surface roughness values. In contrast, Colgate Renew Anti-Aging and Ozonized Toothpaste presented the lowest wear and roughness values, demonstrating a more conservative effect on dental enamel. The composition of the products, particularly the type and quantity of abrasives and the presence or absence of fluoride, had a direct influence on the outcomes. These findings highlight the importance of careful toothpaste selection by dental professionals, considering the abrasive potential of the products and patients&#8217; habits. The study also underscores the risks associated with the popularization of dental products through social media without technical and scientific support. It is concluded that, while some toothpastes promote greater abrasiveness, others offer safer formulations for enamel, making it essential that their recommendation be based on scientific evidence.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>Tooth enamel; toothpastes; brushing; wear.</p>



<p class="has-ast-global-color-7-color has-text-color has-link-color wp-elements-11 wp-block-paragraph"><a id="_Toc37971"><strong>1&nbsp; INTRODUÇÃO</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">O dentifrício surgiu no Egito Antigo, com a finalidade de remover resíduos acumulados na superfície dental, e desde o princípio possui agentes abrasivos na sua composição, a fim de auxiliar nessa remoção. A formulação inicial continha mirra, cascas de ovo, pedra-pomes e cinza em pó de cascos de boi (Lippert, 2013). Com o passar dos séculos, novos componentes foram inseridos e/ou modificados, mas contendo problemas como sabor ruim, custo elevado e nível alto de abrasividade, desafiando assim os pesquisadores a desenvolverem um dentifrício com menor abrasividade tecidual, melhor remoção de manchas e sabor agradável (Jardim; Alves; Maltz, 2009; Lippert, 2013).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dentifrícios são amplamente utilizados para higiene bucal e prevenção da cárie dentária, e contêm agentes abrasivos com o propósito de remover manchas e outros pigmentos da superfície dentária. Fórmulas diferentes possuem agentes abrasivos diferentes. A abrasividade do dentifrício depende no tamanho, forma e quantidade de partículas abrasivas presentes nos dentifrícios, sendo que a sua abrasividade é comumente descrita como Relative Enamel Abrasivity (REA) (Abrasividade Relativa do Esmalte) e Relative Dentine Abrasivity (RDA) (Abrasividade Relativa da Dentina). Abrasividade Relativa é uma escala numérica, que indica o grau de abrasividade e é útil para a comparação entre dentifrícios em relação ao substrato dental (Rosa <em>et al</em>., 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além de sua ação abrasiva, os dentifrícios também atuam como veículos de agentes ativos utilizados na prevenção de doenças bucais. Defeitos erosivos são ocorrências de superfícies localizadas em partes mais expostas dos dentes por agentes químicos e impactos físicos, e isso leva a uma superfície de esmalte parcialmente desmineralizada, sendo sujeita a lesões abrasivas (Ganss <em>et al</em>., 2016; Assunção <em>et al</em>., 2019). Observa-se na literatura que dentifrícios fluoretados apresentam efeito benéfico em relação aos dentifrícios não fluoretados sobre a abrasão da dentina e esmalte submetidos a desafios erosivos, uma vez que os fluoretados têm potencial de diminuir o desenvolvimento do desgaste do dente (Magalhães <em>et al</em>., 2014; Scaramucci <em>et al</em>., 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Recentemente, novas pesquisas reforçaram o potencial do sistema remineralizante Regenerate Enamel Science, composto por gel e creme dental à base de silicato de cálcio e fosfato, associado a 1450 ppm de íons flúor. Estudos mais atuais evidenciam que essa combinação é eficaz na proteção contra o desgaste erosivo, promovendo a reposição de minerais no esmalte e a formação de uma camada mineralizada semelhante à hidroxiapatita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, verificou-se que o uso desse sistema reduz a perda de dureza do esmalte e da dentina em comparação aos dentifrícios fluoretados convencionais, inclusive após desafios ácidos simulados (Alhamdan <em>et al</em>., 2024; SciELO Brasil, 2024; BMC Oral Health, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Levando em consideração a influência das mídias sociais e da internet como estratégias de marketing contemporâneas, produtos odontológicos são comumente divulgados via Instagram, uma das redes sociais mais acessada por brasileiros, e dotados de alto engajamento <em>online</em>, o que permite ainda mais que a indicação desses produtos seja realizada de forma inadequada e por indivíduos sem formação na área Odontológica, trazendo repercussões reais na saúde oral desses consumidores (Greuling <em>et al</em>., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista prático, o desempenho dos dentifrícios disponíveis no mercado é perceptível, tanto para profissionais quanto para os paciente, porém é necessário que a eficácia dos dentifrícios e os desgastes provocados por seu uso sejam analisados por métodos científicos que vão além da simples observação clínica, a fim de conferir rigor científico para escolha dos melhores produtos a ser empregados para a higiene bucal ou, ainda, descartar a eficácia deles. Dessa forma, o presente estudo avaliou o desgaste e a rugosidade após o uso de diferentes dentifrícios que prometem diversos benefícios para a estrutura dental.</p>



<p class="has-ast-global-color-7-color has-text-color has-link-color wp-elements-12 wp-block-paragraph"><a id="_Toc37972"><strong>2&nbsp; MATERIAIS E MÉTODOS</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética no Uso de Animais (CEUA) nº0049/2024 da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE (Anexo A), e foi desenvolvida nas instalações do Curso de Odontologia da UFPE, no Núcleo de Pesquisa Clínica em Biomateriais, no Laboratório Multiusuário e no Instituto de Pesquisa em Petróleo e Energia &#8211; LITPEG (UFPE).</p>



<p class="has-ast-global-color-7-color has-text-color has-link-color wp-elements-13 wp-block-paragraph"><a id="_Toc37973"><strong>2.1&nbsp; Divisão dos grupos experimentais</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram utilizados 30 incisivos de bovinos jovens, obtidos com autorização do matadouro Mercado Nordeste – Tuparetama/PE. Os dentes foram previamente armazenados em solução de clorexidina a 2% por 12 horas para desinfecção e, em seguida, acondicionados em água destilada. A profilaxia dos dentes foi realizada com escova de Robinson e pasta de pedra-pomes e água. Após esse procedimento, os dentes permaneceram armazenados em água destilada e refrigerados até o momento da utilização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os corpos-de-prova foram distribuídos em 6 grupos (n=5), divididos de acordo com os géis dentais utilizados: Gel Dental Colgate Renew Anti-Aging (Colgate), Creme Dental Ozonizado (Ozoncare); Forever Bright Toothgel (Forever Bright); Colgate Máxima Proteção Anticáries (Colgate); água destilada, escova elétrica adulto macia (Oral B) e saliva artificial (Quadro 1).</p>



<p class="has-ast-global-color-7-color has-text-color has-link-color wp-elements-14 wp-block-paragraph"><a id="_Toc37974"><strong>2.2&nbsp; Seleção e preparo dos espécimes</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">A secção dos dentes foi realizada na superfície vestibular, nos sentidos mésio-distal e ocluso-cervical, com o auxílio de disco diamantado dupla-face (KG-Sorensen) sob abundante refrigeração, obtendo-se fragmentos de esmalte com dimensões de 10 mm x 10 mm (Figura 1a). Para a inclusão dos fragmentos em resina acrílica quimicamente ativada (FastProl), foi confeccionada uma matriz de silicone de adição (Coltene) (Figura 1b).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1 </strong>&#8211; Divisão dos grupos de acordo com os dentifrícios utilizados, marca e composição dos dentifrícios</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="753" height="754" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-8.png" alt="" class="wp-image-266458" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-8.png 753w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-8-300x300.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-8-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 753px) 100vw, 753px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="559" height="229" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-9.png" alt="" class="wp-image-266459" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-9.png 559w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-9-300x123.png 300w" sizes="(max-width: 559px) 100vw, 559px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figuras 1 &#8211; a. </strong>Fragmentos de 10x10mm obtidos com corte na face vestibular, nos sentidos mésio-distal e ocluso-cervical, usando disco diamantado com refrigeração. <strong>b</strong>. Matriz de silicone de adição (Coltene).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o uso de fita dupla face (Adere) e uma placa de vidro, os fragmentos de esmalte foram transferidos para a matriz de silicone contendo a resina acrílica, formando uma superfície plana (Figura 2a).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As amostras foram inicialmente niveladas e polidas utilizando-se lixas de carbeto de silício com granulações progressivas de #600, #800 e #1200, em uma politriz (Buehler, Ecomet), sob irrigação contínua em uma velocidade de 150 rotações por minuto (Figura 2b). Em seguida, uma porção da superfície esmalte foi isolada com duas camadas de esmalte de unha (Seda Base – RISQUÉ). Após essa etapa, aplicaram-se fitas adesivas de modo a delimitar uma área de exposição de 5 x 5 mm, permitindo a comparação direta da superfície antes e depois do procedimento de escovação em cada espécime (Rocha, 2012; Lopes, 2014) (Figura 2c).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="717" height="251" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-10.png" alt="" class="wp-image-266460" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-10.png 717w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-10-300x105.png 300w" sizes="(max-width: 717px) 100vw, 717px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figuras 2 &#8211; a. </strong>Montagem dos fragmentos na matriz de silicone, <strong>b. </strong>Nivelamento e polimento das amostras, <strong>c.</strong> Delimitação da área de exposição com fita adesiva.</p>



<p class="has-ast-global-color-7-color has-text-color has-link-color wp-elements-15 wp-block-paragraph"><a id="_Toc37975"><strong>2.3&nbsp; Método de erosão/abrasão</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para reproduzir as condições clínicas durante a escovação, foram preparadas soluções <em>slurry </em>pela combinação dos géis testados com água destilada na proporção de 1 parte de gel para 2 partes de água (90g de gel para 180 mL de água destilada) (Figura 3a). Durante o processo de escovação, foi administrado 1 mL dessa mistura a cada 20 segundos entre o espécime e a escova, com exceção dos grupos G4 e G5, considerando que na cavidade oral o gel sofre diluição natural pela saliva (Rocha, 2012; Tachibana <em>et al.</em>, 2006; Silva <em>et al</em>., 2006). Antes da escovação, as amostras permaneceram imersas por 5 minutos em solução de ácido cítrico a 0,3% (Roval), simulando o “desafio ácido” pós-refeição descrito por Menezes <em>et al. </em>(2003). Na sequência, realizou-se a escovação por 2 minutos com o auxílio de uma escova elétrica (Oral B), que foi acoplada a um minitorno para manter seu alinhamento fixo e paralelo ao corpo de prova. Este também permaneceu fixo, sendo aplicada uma força constante de 200g (~2N) durante o procedimento (Figura 3b).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="554" height="278" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-11.png" alt="" class="wp-image-266461" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-11.png 554w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-11-300x151.png 300w" sizes="(max-width: 554px) 100vw, 554px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figuras 3 &#8211; a. </strong>Géis foram diluídos em água destilada na proporção de 1:2, equivalente a 90g de gel para cada 180 mL de água, <strong>b. </strong>escova elétrica (Oral B) foi fixada em um minitorno, mantendo-se alinhada e paralela ao espécime, que também permanecia fixo. A aplicação da força sobre o sistema foi padronizada em 200g (~2N).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após cada etapa de escovação, os espécimes foram enxaguados com água destilada durante 10 segundos e, em seguida, suavemente secos com papel absorvente. Posteriormente, foram imersos em saliva artificial por um período de 5 minutos (Menezes <em>et al</em>., 2003; Rodrigues <em>et al</em>., 2019; Korbmacher-Steiner <em>et al</em>., 2012). Esse protocolo foi repetido por cinco ciclos consecutivos, correspondendo à simulação de aproximadamente três meses de escovação em condições clínicas (Korbmacher-Steiner <em>et al.</em>, 2012; Kadota <em>et al.</em>, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Finalizados os ciclos, os corpos-de-prova foram retirados cuidadosamente e lavados em água corrente por 1 minuto para eliminar quaisquer resíduos de gel dental. Os corpo-de-prova permaneceram em água destilada até o momento da avaliação.</p>



<p class="has-ast-global-color-7-color has-text-color has-link-color wp-elements-16 wp-block-paragraph"><a id="_Toc37976"><strong>2.4&nbsp; Método de avaliação do desgaste e rugosidade</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">O desgaste e a rugosidade média foram medidos por um Microscópio Confocal a Laser &#8211; Microscópio Confocal ZEISS LSM 700 (Zeiss, Jena, TH, Alemanha), localizado no Laboratório de Biocorrosão e Corrosão (COMPOLAB) do Instituto de Pesquisa em Petróleo e Energia da UFPE (Figura 4). As imagens foram obtidas na objetiva de 50X, 14 através de um laser apresentando comprimento de onda de 405nm, com potência de 0,5mW.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="278" height="320" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-12.png" alt="" class="wp-image-266462" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-12.png 278w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-12-261x300.png 261w" sizes="(max-width: 278px) 100vw, 278px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 4</strong>&#8211; Microscópio Confocal ZEISS LSM 700 (Zeiss, Jena, TH, Alemanha) &#8211; Laboratório de Biocorrosão e Corrosão (COMPOLAB) do Instituto de Pesquisa em Petróleo e Energia &#8211; UFPE</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi selecionada uma área específica da amostra, a partir da qual as imagens foram adquiridas, cada uma com tamanho de 120 µm x 120 µm. As imagens foram analisadas utilizando o software ZEN X 64, versão 1.1.0 (Zeiss, Jena, TH, Alemanha). Este software permite dividir a imagem em 6 partes, de modo que foi possível obter o valor médio da rugosidade e desgaste superficial para cada corte da imagem. Os dados foram avaliados quanto aos pressupostos de normalidade pelo teste de Shapiro-Wilk (p &lt; 0,05) e de homocedasticidade pelo teste de Levene (p &lt; 0,05). Atendidos os pressupostos, os dados foram analisados por ANOVA à um critério, considerando a variável tipo de tratamento, seguido do pós teste de Tukey. O nível de significância foi fixado em 5%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dentes bovinos utilizados foram devidamente descartados de acordo com as normas ambientais e sanitárias vigentes. A destinação ocorreu por meio de empresa especializada no tratamento e reciclagem de resíduos de origem animal, a qual os encaminhou para transformação em subprodutos de valor comercial, como a farinha de osso, evitando passivos ambientais.</p>



<p class="has-ast-global-color-7-color has-text-color has-link-color wp-elements-17 wp-block-paragraph"><a id="_Toc37977"><strong>3&nbsp; RESULTADOS</strong></a></p>



<p class="has-ast-global-color-7-color has-text-color has-link-color wp-elements-18 wp-block-paragraph"><a id="_Toc37978"><strong>3.1&nbsp; Resultado de avaliação do desgaste e da rugosidade</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados foram avaliados quanto aos pressupostos de normalidade, pelo teste de Shapiro-Wilk (p &lt; 0,05), e de homocedasticidade, pelo teste de Levene (p &lt; 0,05). Após a confirmação dos pressupostos, aplicou-se a ANOVA a um critério, considerando a variável tipo de tratamento, seguida do pós-teste de Tukey. O nível de significância adotado foi de 5%.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="554" height="338" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-13.png" alt="" class="wp-image-266463" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-13.png 554w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-13-300x183.png 300w" sizes="(max-width: 554px) 100vw, 554px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Gráfico 1 </strong>&#8211; Barras indicam os valores médios de desgaste. Letras minúsculas diferentes apontam diferenças estatísticas significativas (ANOVA/Tukey, 5%).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas nas médias de desgaste entre os grupos G1, G2, G5 e G6 (p &gt; 0,05). Os maiores valores de desgaste foram registrados nos grupos G3 e G4 em comparação aos demais (p &lt; 0,05), sendo que o grupo G3 apresentou as maiores médias de desgaste entre todos os grupos avaliados (p &lt; 0,05).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="569" height="354" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-14.png" alt="" class="wp-image-266464" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-14.png 569w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-14-300x187.png 300w" sizes="(max-width: 569px) 100vw, 569px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Gráfico 2 </strong>&#8211; Barras indicam os valores médios de rugosidade. Letras minúsculas diferentes apontam diferenças estatísticas significativas (ANOVA/Tukey, 5%).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não houve diferenças estatísticas significativas nas médias de rugosidade entre os grupos G1, G2, G3, G5 e G6 (p &gt; 0,05). Por outro lado, o grupo G4 apresentou valores de rugosidade superiores aos demais (p &lt; 0,05).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Figura 5 apresenta, de maneira ilustrativa, imagens adquiridas por meio da Microscopia Confocal, nas quais as diferenças nos níveis da superfície são representadas graficamente por distintas variações de cores.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="810" height="216" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-15.png" alt="" class="wp-image-266465" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-15.png 810w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-15-300x80.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-15-768x205.png 768w" sizes="(max-width: 810px) 100vw, 810px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 5</strong>&#8211; Mostra de imagens obtidas com o Microscópio Confocal a Laser.</p>



<p class="has-ast-global-color-7-color has-text-color has-link-color wp-elements-19 wp-block-paragraph"><a id="_Toc37979"><strong>4&nbsp; DISCUSSÃO</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste estudo, avaliou-se a rugosidade e o desgaste do esmalte dentário após desafio erosivo seguido de escovação com diferentes dentifrícios, incluindo produtos amplamente divulgados em redes sociais e aqueles convencionais disponíveis no mercado. O objetivo foi verificar se os dentifrícios testados provocaram diferenças significativas na rugosidade e desgaste superficial do esmalte. Geralmente, os experimentos <em>in vitro </em>utilizam um tratamento de abrasão mais severo (duração ou número de ciclos de escovação) do que os estudos <em>in situ</em>, que são realizados na cavidade bucal de voluntários e simulam de forma mais fiel às condições reais do ambiente oral. No entanto, as pesquisas clínicas mostram que o tempo total de escovação para toda a dentição é de 30-90s, o que equivale a 300- 400 ciclos de escovação (Wiegand e Attin, 2011). No presente estudo, cada espécime foi escovado 2 minutos por dia, sendo que a cada 20 segundos foi injetada 1mL da solução (<em>slurry) </em>entre o espécime e a escova dental, durante os movimentos de escovação. Foi simulado um tempo pequeno de escovação, 3 meses, mesmo assim os maiores valores de desgaste foram registrados nos grupos G3 e G4 em comparação aos demais (p &lt; 0,05), sendo que o grupo G3 apresentou as maiores médias de desgaste entre todos os grupos avaliados (p &lt; 0,05) e o grupo G4 apresentou valores de rugosidade superiores aos demais (p &lt; 0,05).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vale enfatizar que a abrasividade da escovação não depende somente do abrasivo presente no dentifrício, mas está relacionado com a quantidade presente, frequência, duração e força durante o momento da escovação (Faria e Vilela, 2000; Lopes, 2014; Silva <em>et al., </em>2011; Consani <em>et al</em>., 1995). Para minimizar esse fato, utilizamos no nosso estudo uma escova elétrica com uma carga e número de ciclos padronizados a qual foi acoplada a um minitorno para manter seu alinhamento fixo e paralelo ao corpo de prova. Mesmo assim, a abrasividade resultou em um desgaste na superfície dentária, como podemos observar no Gráfico 1.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação ao presente estudo, a escolha pelos dentes bovinos também se justificou pela disponibilidade e pela viabilidade de padronização das amostras, fatores que contribuem para a reprodutibilidade dos experimentos laboratoriais. Além disso, o esmalte bovino possui uma composição mineral e uma estrutura cristalina semelhante à do esmalte humano, o que permite que os resultados obtidos em testes <em>in vitro </em>sejam comparáveis aos da realidade clínica. A seleção por dentes de animais jovens, abatidos entre 18 e 24 meses, garantiu uma homogeneidade no estado dos espécimes, minimizando possíveis variações estruturais e aumentando a confiabilidade dos dados obtidos (Campos et al., 2008).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o desafio ácido, foi utilizada a imersão dos espécimes em solução de ácido cítrico a 0,3%, conforme protocolos já descritos na literatura para simular condições clínicas de erosão provocadas por alimentos e bebidas ácidas (Menezes <em>et al.</em>, 2003; Attin, 2018). Essa abordagem foi escolhida por representar um modelo mais controlado e padronizado em relação ao uso de bebidas comerciais, permitindo uma análise mais precisa do efeito combinado de erosão seguida de abrasão pelo dentifrício. A combinação desses fatores é importante porque reflete o que ocorre na cavidade bucal após o consumo de alimentos ácidos, seguido da escovação dental, um momento em que o esmalte encontra-se fragilizado e mais suscetível ao desgaste (Antonini, 2007; Kadota, 2020; Koc, 2021) .</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação aos dentifrícios testados, a seleção foi baseada tanto em sua popularidade no mercado quanto em suas propostas de benefícios divulgados. Produtos como o Gel Dental Colgate Renew Anti-Aging e o Creme Dental Ozonizado foram incluídos por serem amplamente propagados nas redes sociais e indicados por influenciadores digitais, o que desperta a curiosidade do consumidor sobre seus reais efeitos na saúde bucal. Por outro lado, o Colgate Máxima Proteção Anticáries foi utilizado como referência por conter flúor em sua formulação tradicional, enquanto o Forever Bright Toothgel, que não possui flúor, o que nos permitiu avaliar a diferença no comportamento abrasivo entre dentifrícios fluoretados e não fluoretados. De acordo com os resultados obtidos, o grupo correspondente ao Gel Dental Forever Bright (G3) apresentou o maior valor médio de desgaste, com 55,4 µm, seguido pelo Creme Dental Colgate Máxima Proteção (G4), com 17,6 µm. Já o Gel Dental Colgate Renew Anti-Againg (G1) e o Creme Dental Ozonizado (G2) apresentaram valores médios de desgaste de 1,5 µm e 1,1 µm, respectivamente. Em relação à rugosidade, o grupo G3 também apresentou média elevada de 1,1 µm, enquanto o G4 atingiu 2,2 µm. Os menores valores de rugosidade foram observados nos grupos G1 e G2, com médias de 0,3 µm e 0,6 µm, respectivamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados obtidos podem ser explicados pela composição dos cremes dentais avaliados. O Forever Bright Toothgel (G3), que apresentou o maior valor médio de desgaste (55,4 µm) e rugosidade elevada (1,1 µm), contém sílica como agente abrasivo associado ao Lauril Sulfato de Sódio, surfactante que potencializa a ação abrasiva. Embora o produto também possui compostos bioativos como Aloe vera e própolis, reconhecidos por suas propriedades anti-inflamatórias e regenerativas, a presença da sílica em concentração relevante e o perfil físico das partículas podem justificar o maior desgaste observado. Estudos mostram que a sílica, especialmente em formatos irregulares e tamanhos menores, apresenta alto potencial abrasivo quando associada a agentes tensoativos (Ganss <em>et al</em>., 2016; Alhamdan <em>et al</em>., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Colgate Máxima Proteção Anticáries (G4), com desgaste médio de 17,6 µm e a maior rugosidade (2,2 µm), utiliza carbonato de cálcio como abrasivo principal, conhecido por ser menos duro que a sílica. Entretanto, a sua forma e granulometria podem influenciar diretamente a abrasividade, como descrito por Joiner (2006). Além disso, o produto contém bicarbonato de sódio, que pode potencializar o efeito abrasivo dependendo das condições de escovação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, o Colgate Renew Anti-Aging (G1), que apresentou desgaste médio de 1,5 µm e rugosidade de 0,3 µm, contém sílica hidratada e fluoreto estanoso (1100 ppm de flúor), que, além da proteção antiabrasiva promovida pelo flúor, pode formar uma camada protetora sobre o esmalte, reduzindo o desgaste, corroborando com os achados de Scaramucci <em>et al. </em>(2014). O Creme Dental Ozonizado (G2), que apresentou o menor desgaste (1,1 µm) e rugosidade intermediária (0,6 µm), também possui sílica hidratada, porém sua formulação inclui componentes naturais como óleo de oliva ozonizado, calêndula e xilitol, que podem conferir propriedades protetoras à superfície dental, minimizando o impacto abrasivo. Assim, os resultados observados confirmaram que o tipo de abrasivo, sua granulometria, a presença de surfactantes e de agentes protetores ou bioativos influenciam diretamente o potencial abrasivo dos dentifrícios, corroborando o que já foi estabelecido em estudos prévios (Joiner, 2006; Ganss <em>et al</em>., 2016; Scaramucci <em>et al</em>., 2016; Alhamdan <em>et al</em>., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A inclusão do grupo controle, escovado apenas com água destilada, e do grupo controle negativo, que não foi submetido à escovação após o desafio erosivo, foi fundamental para validar o efeito isolado de cada dentifrício sobre a rugosidade e o desgaste. Estes controles possibilitam comparar os efeitos dos tratamentos testados com a ação mecânica pura da escova e com a ausência completa de abrasão, permitindo uma interpretação mais robusta dos resultados obtidos (Menezes <em>et al</em>., 2003).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A avaliação da rugosidade superficial e o desgaste do esmalte dentário pode ser realizada por diferentes métodos. Um dos mais utilizados é o perfilômetro de contato, que examina a superfície da restauração em diferentes trajetos. Apesar de sua limitação em não abranger toda a área analisada, esse método é amplamente empregado em estudos <em>in vitro </em>e permite a obtenção de valores numéricos da rugosidade (Babina <em>et al</em>., 2020). Outra alternativa é o perfilômetro tridimensional (3D), que utiliza um feixe cônico para realizar uma análise tanto qualitativa quanto quantitativa da superfície. Esse equipamento possibilita também uma representação visual detalhada do perfil de rugosidade do compósito (Vinagre <em>et al</em>., 2023). A Microscopia de Força Atômica (AFM) é mais uma técnica disponível, permitindo a avaliação da topografia da superfície restauradora após o polimento (Prigol <em>et al</em>., 2020). Além disso, o rugosímetro pode ser empregado para investigar a rugosidade superficial e a efetividade das pontas de polimento, observando a presença ou ausência de sulcos e irregularidades (Almeida <em>et al</em>., 2019; Freitas <em>et al</em>., 2019; Silva <em>et al</em>., 2021; Batista <em>et al.</em>, 2023). Por fim, a Microscopia Confocal de Varredura a Laser, o qual possibilitou a obtenção de medidas precisas sem a necessidade de preparo prévio da amostra, preservando sua integridade para futuras análises, conforme destacado por Field, Waterhouse e German (2010). Essa técnica permite uma análise tridimensional da superfície dentária, oferecendo informações detalhadas sobre as alterações morfológicas após os desafios erosivo e abrasivo. (Cavalcanti, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados obtidos indicaram que não houve diferença estatística significativa entre os grupos G1, G2, G5 e G6 quanto ao desgaste e entre os grupos G1, G2, G3, G5 e G6 quanto à rugosidade após o protocolo erosivo/abrasivo, em conformidade parcial com a hipótese nula do estudo. Observou-se, entretanto, que os grupos G3 (55, 4µm) e G4 (17, 6 µm) apresentaram os maiores valores de desgaste. Em relação à rugosidade, o grupo G4 apresentou valores superiores aos demais, conforme podemos observar no Gráfico 2. Esses achados sugerem que determinados tratamentos podem potencializar o desgaste e a alteração da rugosidade do esmalte dentário, ainda que em condições controladas, o que também foi observado por outros autores em contextos semelhantes (Magalhães <em>et al</em>., 2014; Scaramucci <em>et al</em>., 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Destaca-se que os dentifrícios testados possuem composições distintas quanto aos agentes abrasivos e à presença ou ausência de flúor. O Gel Dental Colgate Renew Anti-Aging, o Creme Dental Ozonizado e o Forever Bright Toothgel apresentam sílica hidratada como principal abrasivo, conhecido por sua baixa agressividade em relação ao esmalte. Já o Colgate Máxima Proteção Anticáries contém carbonato de cálcio, um abrasivo mais intenso. Apesar das diferenças observadas entre os grupos, não foram registradas alterações significativas na rugosidade para a maioria dos tratamentos testados, o que pode estar relacionado ao tempo reduzido de escovação simulado e à concentração dos abrasivos empregados (Rosa <em>et al.</em>, 2016; Gonzales-Cabezas <em>et al</em>., 2013). Quanto ao desgaste, embora G3 e G4 tenham apresentado valores superiores, especialmente o G3, os demais grupos mantiveram padrões semelhantes entre si, reforçando a influência de variáveis como o tipo de tratamento associado e a resistência do substrato em protocolos erosivos/abrasivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto relevante é que o grupo G4 apresentou valores significativamente maiores em comparação aos demais. Considerando que valores elevados de rugosidade podem favorecer a retenção de biofilme bacteriano e predispor ao desenvolvimento de cárie e doenças periodontais, Lepri &amp; Palma-Dibb (2012), ressaltaram a importância da escolha criteriosa dos produtos utilizados, especialmente em pacientes suscetíveis a desgastes e alterações na superfície do esmalte. Além disso, o tamanho, a forma e a quantidade das partículas abrasivas influenciam diretamente o potencial abrasivo do dentifrício, assim como o tipo de escova utilizada, a força aplicada durante a escovação e a frequência de uso. No presente estudo, a escova utilizada, a força aplicada e a frequência de escovação foram devidamente padronizadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, o presente estudo reforça a importância da recomendação personalizada do dentifrício pelo Cirurgião-Dentista, levando em consideração não apenas o potencial abrasivo do produto, mas também os hábitos alimentares e de higiene do paciente. Ainda que o tempo de escovação simulado tenha sido reduzido, é fundamental considerar que o uso prolongado e associado a hábitos inadequados pode potencializar o desgaste do esmalte dentário. Dessa forma, novos estudos com protocolos prolongados e avaliações adicionais são necessários para compreender o impacto cumulativo desses produtos na estrutura dentária ao longo do tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5&nbsp; CONCLUSÕES</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir dos resultados obtidos, conclui-se que:</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Os grupos G3 (Forever Bright Toothgel) e G4 (Colgate Máxima Proteção Anticáries) registraram maior resultado de desgaste;</p>



<p class="wp-block-paragraph">-O grupo G4 apresentou os maiores valores de rugosidade;</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Os dentifrícios possuem composições distintas quanto aos agentes abrasivos e à presença ou ausência de flúor;</p>



<p class="wp-block-paragraph">-A abrasividade da escovação não depende somente do abrasivo presente no dentifrício, mas está relacionado com a quantidade presente, frequência, duração e força durante o momento da escovação;</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Dentifrícios que contêm sílica como agente abrasivo associado ao Lauril Sulfato de Sódio, potencializa a ação abrasiva.</p>



<p class="has-ast-global-color-7-color has-text-color has-link-color wp-elements-20 wp-block-paragraph"><a id="_Toc37981"><strong>REFERÊNCIAS</strong></a></p>



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<hr class="wp-block-separator has-text-color has-black-color has-alpha-channel-opacity has-black-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>



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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>REABILITAÇÃO RESPIRATÓRIA À PESSOA ADULTA COM FIBROSE QUÍSTICA: PROTOCOLO DE REVISÃO SCOPING</title>
		<link>https://revistaft.com.br/reabilitacao-respiratoria-a-pessoa-adulta-com-fibrose-quistica-protocolo-de-revisao-scoping/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft RA]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Feb 2026 18:58:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=266450</guid>

					<description><![CDATA[RESPIRATORY REHABILITATION IN ADULTS WITH CYSTIC FIBROSIS: A SCOPING REVIEW PROTOCOL REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202602281618 Ana Nabais1,2,3,Soraia Queiroz2,3,4,Tiago Cardoso2,5,6,António Ferreira2,7,8,Sílvia Ornelas2,9,Maria Clara Roquette Viana2,3,Patrícia Pontifíce-Sousa2,3 Resumo A Fibrose Quística é uma doença genética e autossómica recessiva. Caracteriza-se por um aumento da viscosidade das secreções, sendo a sua principal manifestação a nível respiratório, nomeadamente a dispneia, a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">RESPIRATORY REHABILITATION IN ADULTS WITH CYSTIC FIBROSIS: A SCOPING REVIEW PROTOCOL</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202602281618</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Ana Nabais<sup>1,2,3</sup>,<br>Soraia Queiroz<sup>2,3,4</sup>,<br>Tiago Cardoso<sup>2,5,6</sup>,<br>António Ferreira<sup>2,7,8</sup>,<br>Sílvia Ornelas<sup>2,9</sup>,<br>Maria Clara Roquette Viana<sup>2,3</sup>,<br>Patrícia Pontifíce-Sousa<sup>2,3</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Fibrose Quística é uma doença genética e autossómica recessiva. Caracteriza-se por um aumento da viscosidade das secreções, sendo a sua principal manifestação a nível respiratório, nomeadamente a dispneia, a tosse e a broncorreia excessiva. O tratamento e gestão da doença, incluem a Reabilitação Respiratória, realizada por equipas multidisciplinares, tendo como efeitos a melhoria da função respiratória, condição física, tolerância ao esforço e qualidade de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A metodologia seguirá as orientações da JBI Manual for Evidence Synthesis. Tendo por base o acrónimo PCC, serão considerados na revisão <em>scoping</em> estudos que façam referência a intervenções de Reabilitação Respiratória (Conceito) dirigidas à pessoa adulta com Fibrose Quística (População) independentemente do contexto. A pesquisa será realizada em três etapas nas bases de dados MEDLINE Complete, CINAHL Complete, Scopus, RCAAP e ProQuest Dissertations &amp; Thesis (acesso através da plataforma Web of Science). A revisão será levada a cabo por dois revisores de forma independente e a extração dos dados será realizada através de um instrumento criado pelos mesmos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados serão apresentados numa tabela síntese. Esta revisão permitirá mapear a evidência disponível sobre as intervenções de Reabilitação Respiratória dirigidas à pessoa adulta com Fibrose Quística, de forma a contribuir para a tomada de decisão no planeamento de cuidados individualizados e efetivos, promovendo a melhoria da sua qualidade de vida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Adulto; Fibrose Quística; Reabilitação Pulmonar; Doença Respiratória Crónica</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Cystic fibrosis is a genetic and autosomal recessive disorder. It is characterized by increased secretion viscosity, with its main clinical manifestations occurring at the respiratory level, namely dyspnea, persistent cough, and excessive bronchorrhea. The treatment and management of the disease include respiratory rehabilitation, carried out by multidisciplinary teams, which aims to improve respiratory function, physical condition, exercise tolerance, and quality of life.</p>



<p class="wp-block-paragraph">This <em>scoping</em> review will follow the methodology outlined in the <em>JBI Manual for Evidence Synthesis</em>. Based on the PCC mnemonic, studies referring to respiratory rehabilitation interventions (Concept) targeted at adults with cystic fibrosis (Population), regardless of context, will be considered. The search will be conducted in three stages using the following databases: MEDLINE Complete, CINAHL Complete, Scopus, RCAAP and ProQuest Dissertations &amp; Theses (accessed via the Web of Science platform). Study selection and data extraction will be conducted independently by two reviewers, using a data extraction tool developed by the review team.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;The results will be presented in a summary table. This review will allow mapping of the available evidence regarding respiratory rehabilitation interventions for adults with cystic fibrosis, supporting decision-making in the planning of individualized and effective care that contributes to improved quality of life.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Adult; Cystic Fibrosis; Pulmonary Rehabilitation; Chronic Respiratory Diseas</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Fibrose Quística (FQ) é uma doença hereditária, genética e autossómica recessiva (Stoltz et al., 2015). A prevalência a nível mundial aponta para a existência de 162.428 num total de 94 países, sendo a prevalência real difícil de calcular pelo viés do seu subdiagnóstico nos países subdesenvolvidos (Amorim, 2022). É uma condição causada pela mutação do gene <em>Cystic Fibrosis Transmembrane Conductance Regulator </em>(CFTR). Existem várias mutações do gene CFTR o que torna variável a gravidade das suas manifestações (Stoltz et al., 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na FQ, o distúrbio genético conduz ao aumento da viscosidade do muco/secreções devido à disfunção nas trocas iónicas nas células das glândulas exócrinas. É uma condição de saúde multisistémica sendo os principais sintomas da doença a nível respiratório. Caracteriza-se pela existência crónica de secreções espessas e difíceis de expelir que causam infeções respiratórias, bronquiectasias e destruição progressiva do parênquima pulmonar. Sintomas como a tosse, broncorreia excessiva e a dispneia são os mais frequentes. A dispneia aumenta a inatividade e leva a um ciclo vicioso de descondicionamento físico, com redução da força e da massa muscular, reduzindo a capacidade funcional e a qualidade de vida (Burtin &amp; Hebestreit, 2015; Flores et al., 2023). São ainda manifestações comuns desta patologia a insuficiência pancreática, diabetes, infertilidade e elevada concentração iónica no suor (Bell et al., 2020; Stoltz et al., 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A FQ condiciona o dia-a-dia&nbsp; dos seus portadores, que lidam diariamente com a necessidade de gestão da sua condição de saúde, nomeadamente realização da higiene bronquica, terapêutica inalatória e oral (Wendekier &amp; Wendekier-Raybuck, 2021). Em alguns casos, a doença apresenta manifestações mais severas e pode ser necessário recorrer à oxigenioterapia e ventiloterapia por períodos ou de forma permanente. A necessidade de hospitalização, devido sobretudo às infeções respiratórias é frequente (Agrawal et al., 2017).&nbsp; Quando a degradação da função pulmonar apresenta um grau de comprometimento avançado, o transplante pulmonar pode ser o último recurso (Wickerson et al., 2023). A progressão da doença tem elevado impacto a nível psicossocial conduzindo a diminuição da autoestima, depressão, isolamento e afeta inequivocamente a vida familiar e profissional (Garcia et al., 2018; Wendekier &amp; Wendekier-Raybuck, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sendo uma condição rara, em que a intervenção precoce é determinante para o controlo das manifestações na pessoa, faz parte, entre outras doenças genéticas, do Plano Nacional de Rastreio Neonatal em vários países e nomeadamente em Portugal desde 2018 (Amorim, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a Cystic Fibrosis Foundation, a sobrevida destas pessoas tem vindo a aumentar, nos anos 90 a esperança média de vida rondava os 30 anos e atualmente estima-se que nos indivíduos nascidos entre 2018 e 2021 a sua sobrevida suba para os 65 anos (Cystic Fibrosis Foundation, 2022). Tal, tem vindo a ser verificado à custa da intervenção precoce, acompanhamento em centros especializados por equipas multidisciplinares, mas também pelo desenvolvimento de terapêuticas inovadoras, os moduladores dos CFTR, recomendados em pessoas com mutações específicas e que restauram a função da proteína que causa as manifestações multisistémicas (Hubert &amp; Simmonds, 2015). Contudo, estas pessoas continuam a lidar com a sua condição de saúde que assume um perfil de cronicidade por ser permanente, irreversível, produzir incapacidade e implicar acompanhamento de saúde continuado e de cuidados de reabilitação (International Council of Nurses, 2010).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento e gestão da doença assentam sobretudo em três pilares: terapêutica (antibióticos, mucolíticos e broncodilatores), reabilitação respiratória e controlo nutricional (Castellani et al., 2018). A Reabilitação Respiratória (RR) é “uma intervenção abrangente baseada numa avaliação minuciosa do paciente, seguida por terapias personalizadas para o paciente que incluem, mas não estão limitadas a, treino físico, educação e mudança de comportamento, concebidas para melhorar a condição física e psicológica de pessoas com doença respiratória crónica e para promover a adesão a longo prazo a comportamentos que melhoram a saúde” (Spruit et al., 2013). Os programas de RR devem incluir reeducação funcional respiratória, treino de exercício, educação para a saúde, otimização terapêutica e intervenção psicossocial (Cordeiro &amp; Menoita, 2012).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existe evidência que a RR na pessoa com FQ melhora a qualidade de vida, reduz a dispneia e a tosse, melhorando a adesão aos comportamentos de saúde e de auto-gestão da doença, capacidade para realizar a atividades de lazer, melhora a perceção da saúde em geral e condição física, reduzindo ainda ansiedade(Schmitz &amp; Goldbeck, 2006). Os exercícios respiratórios contribuem para a mobilização das secreções (Warnock &amp; Gates, 2015) e os programas de treino de&nbsp; exercício aeróbio e anaeróbio aumentam a força, muscular, a tolerância ao esforço e a função respiratória, minimizando a degradação pulmonar (Kriemler et al., 2013) .</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os profissionais que têm um papel fulcral na implementação da RR, encontra-se o enfermeiro. Em alguns países existe uma especialidade de enfermagem, denominada <em>Cystic Fibrosis Nurse Specialist</em>. Estes enfermeiros pela sua <em>expertise</em> no cuidado a estas pessoas, têm uma importante intervenção no âmbito da educação para a saúde, otimização terapêutica e gestão da doença (Conway et al., 2014) . Na realidade dos cuidados de saúde de Portugal, existe o Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação (EEER), sendo o âmbito das suas competências profissionais conceber, implementar e monitorizar planos de reabilitação, com o objetivo de assegurar a manutenção das capacidades funcionais dos clientes, prevenir complicações e evitar incapacidades (Regulamento n.<sup>o</sup> 392/2019, sem data), este assume um papel fundamental nas equipas multidisciplinares que cuidam destas pessoas. Recentemente, foi reconhecida pelo International Council of Nurses e o Global Rehabilitation Alliance a especial relevância dos <em>Rehabilitation Nursing </em>nas equipas de reabilitação em vários contextos (Gutenbrunner et al., 2021). Contudo, o processo de reabilitação em si, pelas suas características específicas, mas ao mesmo tempo abrangentes, é caracterizado pela implementação de intervenções num contínuo de cuidados transversais não exclusivos dos enfermeiros ou outras classes profissionais, sendo os <em>outcomes</em>&nbsp; resultado de uma intervenção multidisciplinar, planeada de forma individualizada para dar resposta às necessidades das pessoas com FQ (Feo et al., 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi realizada uma pesquisa preliminar nas bases de dados PROSPERO, MEDLINE, the <em>Cochrane Database of Systematic Reviews</em> e <em>JBI Evidence Synthesis</em> a 30 de novembro de 2025 e não foi encontrada nenhuma revisão de mapeamento das intervenções de RR na pessoa adulta com FQ. Foram encontradas algumas revisões sobre intervenções de RR a estas pessoas, mas dirigidas à idade pediátrica, ou com enfoque educacional aos pais enquanto cuidadores, ou ainda que dirigidas à pessoa em idade adulta, contemplam apenas uma ou algumas intervenções específicas de reabilitação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo desta revisão <em>scoping</em> é mapear as intervenções de RR que são realizadas à pessoa adulta com FQ, no âmbito de equipas multidisciplinares, por forma a facilitar a tomada de decisão na definição dos planos de cuidados de reabilitação dirigidos a estas pessoas, contribuindo para melhorar a sua funcionalidade e permitindo-lhes viver durante mais tempo com qualidade de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A revisão <em>scoping </em>proposta será orientada pelas recomendações do Joanna Briggs Institute para <em>scoping reviews</em> (Peters et al., 2020). O protocolo foi registado na plataforma Open Science Framework <a href="https://doi.org/10.17605/OSF.IO/WAVCX">https://doi.org/10.17605/OSF.IO/WAVCX.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>MATERIAL E MÉTODOS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>QUESTÕES DE REVISÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A questão de revisão foi elaborada tendo em conta a metodologia PCC para síntese de evidência de acordo com a metodologia da <em>Joanna Briggs Institute</em> (Peters et al., 2020) , sendo esta composta por P – População, C – Conceito e C – Contexto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Questão:</strong> Quais as Intervenções de RR implementadas à pessoa adulta com FQ?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Questões Secundárias:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quais os profissionais de saúde que executam as intervenções de RR a estas pessoas?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quais as intervenções de RR realizadas por enfermeiros?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quais os contextos em que as intervenções de RR são implementadas a estas pessoas?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CRITÉRIOS DE INCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>População</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Face à questão da revisão, serão considerados estudos que contemplem intervenções de RR dirigidas a pessoas portadoras de FQ em idade adulta (idade superior ou igual a 18 anos).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Conceito</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta revisão <em>scoping</em> irá considerar intervenções de RR desenvolvidas no âmbito de equipas multidisciplinares ou individualmente por profissionais competentes neste domínio, nomeadamente enfermeiros, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. Tendo em conta definição de RR da American Thoracic Society (14) serão consideradas intervenções no âmbito de terapias respiratórias e motoras, bem como de educação para a saúde que permitam melhorar ou manter a condição de saúde da pessoa adulta com FQ.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Contexto</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Serão considerados os estudos desenvolvidos em diferentes contextos, quer no contexto de internamento hospitalar, ambulatório, em regime de telesaúde e no domicílio.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tipos de Estudos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Serão considerados todos os tipos de evidência, incluindo estudos experimentais, quaseexperimentais, observacionais, qualitativos, de métodos mistos, bem como documentos da literatura cinzenta e relatórios institucionais relevantes para o conceito em análise.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente revisão <em>scoping</em> seguirá as recomendações da<em> JBI Manual for Evidence Synthesis</em>. Este tipo de revisão permite realizar uma síntese do conhecimento, mapear evidências sobre um assunto e identificar os principais conceitos, teorias, fontes e lacunas (Peters et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Estratégia de Pesquisa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A estratégia de pesquisa será desenvolvida de acordo com as recomendações do JBI Manual for Evidence Synthesis para revisões <em>scoping</em>. O processo será realizado em três etapas distintas, com o objetivo de assegurar uma identificação abrangente e sistemática da evidência disponível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Numa primeira etapa, será realizada uma pesquisa exploratória nas bases de dados MEDLINE Complete e CINAHL, através da plataforma EBSCO. Esta pesquisa preliminar permitirá identificar descritores controlados (nomeadamente MeSH e termos equivalentes) e palavraschave relevantes presentes nos títulos, resumos e termos indexados dos artigos recuperados. A análise destes termos servirá de base para a construção da estratégia de pesquisa definitiva. Nesta fase, serão utilizados termos relacionados com a população (adultos com fibrose quística) e com o conceito (intervenções de reabilitação respiratória).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Numa segunda etapa, será realizada a pesquisa estruturada e completa nas bases de dados MEDLINE Complete, CINAHL Complete e Scopus. A estratégia de pesquisa combinará descritores controlados e termos livres relativos aos dois componentes principais definidos pelo acrónimo PCC: população (adultos com fibrose quística) e conceito (intervenções de reabilitação respiratória). Os operadores booleanos AND e OR serão utilizados para combinar os termos de forma estruturada, sendo a estratégia adaptada às especificidades de cada base de dados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A estratégia final combinará os descritores relativos à população e ao conceito, não sendo aplicada restrição por grupo profissional. A identificação dos profissionais de saúde envolvidos nas intervenções será realizada na fase de extração de dados, permitindo mapear de forma abrangente o contributo das diferentes disciplinas no âmbito da reabilitação respiratória.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>Tabela 1 &#8211; Estratégia de pesquisa para a base de dados MEDLINE Complete</em></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="787" height="599" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-6.png" alt="" class="wp-image-266451" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-6.png 787w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-6-300x228.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-6-768x585.png 768w" sizes="(max-width: 787px) 100vw, 787px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Adicionalmente, será pesquisada literatura cinzenta através do RCAAP (Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal) e da base ProQuest Dissertations &amp; Theses (acesso através da plataforma Web of Science), de modo a identificar dissertações, teses, regulamentos ou outros documentos relevantes. Numa terceira etapa, serão analisadas as listas de referências bibliográficas dos estudos incluídos, com o objetivo de identificar publicações adicionais pertinentes para responder à questão de revisão.<strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Serão incluídos estudos publicados em língua portuguesa, inglesa e espanhola. Não serão aplicadas restrições quanto ao período temporal ou localização geográfica, de forma a assegurar um mapeamento abrangente da evolução das intervenções de reabilitação respiratória dirigidas à pessoa adulta com FQ. Caso necessário, os autores dos estudos primários poderão ser contactados para esclarecimento de informação relevante.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Seleção dos Estudos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para gerir os resultados das pesquisas realizadas nas diferentes bases de dados, será utilizado o software Rayyan®, no qual serão removidos os registos duplicados. Após esta etapa, dois revisores procederão, de forma independente, à triagem dos títulos e resumos com base nos critérios de inclusão definidos. Os registos considerados potencialmente elegíveis por pelo menos um dos revisores serão selecionados para leitura em texto integral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os artigos selecionados serão avaliados na íntegra por dois revisores independentes, de acordo com os critérios de inclusão. As divergências serão resolvidas por consenso e, quando necessário, por avaliação de um terceiro revisor. Artigos não disponíveis em texto integral serão procurados através de acesso institucional e/ou contacto com os autores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os motivos de exclusão após leitura integral serão registados e reportados no artigo final. O processo de seleção será apresentado através do fluxograma PRISMA-ScR (Tricco et al., 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Extração dos Dados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A extração dos dados será realizada por dois revisores de forma independente, utilizando um instrumento de extração desenvolvido para o efeito em formato de tabela de registo. O instrumento será pilotado nos primeiros cinco estudos incluídos e poderá ser ajustado para assegurar a sua adequação ao objetivo e às questões da revisão. As discrepâncias na extração serão resolvidas por consenso e, quando necessário, com recurso a um terceiro revisor. Serão extraídos os seguintes dados: título, autores, ano, amostra, tipo de estudo, intervenções de reabilitação respiratória, profissionais de saúde envolvidos, contexto, principais resultados e referências bibliográficas relevantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>APRESENTAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados da revisão serão apresentados em formato de tabela síntese (tabela 2) na revisão <em>scoping </em>final, esta tabela será acompanhada de uma discussão narrativa que justificará a relevância dos achados face ao objetivo e questões da revisão.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>Tabela 2 – Tabela Síntese de extração de dados</em></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="837" height="112" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-7.png" alt="" class="wp-image-266452" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-7.png 837w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-7-300x40.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-7-768x103.png 768w" sizes="(max-width: 837px) 100vw, 837px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSÕES</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os avanços científicos nas últimas décadas, nomeadamente o desenvolvimento de terapêuticas moduladoras do CFTR e a melhoria dos cuidados especializados, permitiram um aumento significativo da esperança média de vida das pessoas com FQ. Esta mudança epidemiológica transformou a doença numa condição crónica que acompanha cada vez mais indivíduos na idade adulta, com necessidades clínicas, funcionais e psicossociais distintas das observadas na população pediátrica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, torna-se fundamental mapear de forma sistemática o conhecimento existente sobre as intervenções de reabilitação respiratória dirigidas à pessoa adulta com FQ. A identificação das estratégias atualmente implementadas, dos profissionais envolvidos e dos diferentes contextos de aplicação permitirá ajustar e direcionar os cuidados às necessidades específicas desta população emergente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente revisão<em> scoping </em>contribuirá para apoiar a tomada de decisão baseada na evidência, promover a organização de programas de reabilitação mais adequados à realidade adulta e identificar lacunas que orientem futuras investigações, com vista à melhoria da funcionalidade, autonomia e qualidade de vida destas pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Conflito de interesses<br></strong>Os autores expressam explicitamente a ausência de conflitos de interesses.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Agrawal A, Agarwal A, Mehta D, Sikachi RR, Du D, Wang J. Nationwide trends of hospitalizations for cystic fibrosis in the United States from 2003 to 2013. Intractable Rare Dis Res 6(3):191-198, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Amorim A. Observatório Nacional Doenças Respiratórias 2022. Fundação Portuguesa do Pulmão, 2022.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Castellani C, Duff AJA, Bell SC, Heijerman HGM, Munck A, Ratjen F, Sermet-Gaudelus I, Southern KW, Barben J, Flume PA, Hodková P, Kashirskaya N, Kirszenbaum MN, Madge S, Oxley H, Plant B, Schwarzenberg SJ, Smyth AR, Taccetti G, Drevinek P. ECFS best practice guidelines: The 2018 revision. J Cyst Fibros 17(2):153-178, 2018.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Regulamento n.º 392/2019. Regulamento das competências específicas do enfermeiro especialista em Enfermagem de Reabilitação. Diário da República, 2.ª série, n.º 85, 3 de maio de 2019.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Spruit MA, Singh SJ, Garvey C, Zu Wallack R, Nici L, Rochester C, Hill K, Holland AE, Lareau SC, Man WDC, Pitta F, Sewell L, Raskin J, Bourbeau J, Crouch R, Franssen FME, Casaburi R, Vercoulen JH, Vogiatzis I, Wouters EFM. An official American Thoracic Society/European Respiratory Society statement: Key concepts and advances in pulmonary rehabilitation. Am J Respir Crit Care Med 188(8):e13-e64, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Stoltz DA, Meyerholz DK, Welsh MJ. Origins of Cystic Fibrosis Lung Disease. N Engl J Med 372(4):351-362, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tricco AC, Lillie E, Zarin W, O’Brien KK, Colquhoun H, Levac D, Moher D, Peters MDJ, Horsley T, Weeks L, Hempel S, Akl EA, Chang C, McGowan J, Stewart L, Hartling L, Aldcroft A, Wilson MG, Garritty C, Straus SE. PRISMA Extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR): Checklist and Explanation. Ann Intern Med 169(7):467-473, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Warnock L, Gates A. Chest physiotherapy compared to no chest physiotherapy for cystic fibrosis. Cochrane Database Syst Rev 2015(12):CD001401, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Wendekier C, Wendekier-Raybuck K. Cystic fibrosis: A changing landscape. Nursing 51(6):32-38, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Wickerson L, Grewal R, Singer LG, Chaparro C. Experiences and perceptions of receiving and prescribing rehabilitation in adults with cystic fibrosis undergoing lung transplantation. Chronic Respir Dis 20:14799731221139293, 2023.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-black-color has-alpha-channel-opacity has-black-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup> Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal<br><sup>2</sup> Universidade Católica Portuguesa, Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem, Lisboa, Portugal<br><sup>3</sup> Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde – CIIS, Lisboa, Portugal<br><sup>4</sup> Unidade Local de Saúde Santa Maria, Lisboa, Portugal<br><sup>5</sup> Hospital Lusíadas Amadora, Lisboa, Portugal<br><sup>6</sup> Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal<br><sup>7</sup> Unidade Local de Saúde de São José, Lisboa, Portugal<br><sup>8</sup> Egas Moniz School of Health &amp; Science, Monte da Caparica, Portugal<br><sup>9</sup> Escola Superior de Enfermagem de São José de Cluny, Funchal, Portugal</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">ORCID dos autores<br>Ana Nabais: 0000-0001-5165-4213 <br>Soraia Queiroz: 0000-0002-6244-207X<br>Tiago Cardoso: 0000-0001-7026-857X<br>António Ferreira: 000-0003-4499-8127<br>Sílvia Ornelas: 0000-0002-2104-9992 Maria <br>Roquette-Viana: 0000-0002-9629-4618<br>Patrícia Pontífice-Sousa: 0000-0003-0749-9011</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A IMPORTÂNCIA DO ENSINO PRÁTICO EM UNIDADES DE SAÚDE DA FAMÍLIA PARA OS ALUNOS DO 1° PERÍODO DE MEDICINA: FORMAÇÃO COMO FUTUROS MÉDICOS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/a-importancia-do-ensino-pratico-em-unidades-de-saude-da-familia-para-os-alunos-do-1-periodo-de-medicina-formacao-como-futuros-medicos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Feb 2026 18:36:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602281553 Caio Feldberg Porto1Sofia Bezerra Sobral2Camila Távora Botelho de Oliveira3Bruno Sales Brancalhão4 Resumo&#160;&#160; A Prática de Interação em Saúde na Comunidade é um módulo curricular do curso de Medicina do Centro Universitário Fametro e tem como objetivo possibilitar aos estudantes uma inserção nas Unidades Saúde da Família (USF) que lhes permita compreender os [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602281553</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Caio Feldberg Porto<sup>1</sup><br>Sofia Bezerra Sobral<sup>2</sup><br>Camila Távora Botelho de Oliveira<sup>3</sup><br>Bruno Sales Brancalhão<sup>4</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Prática de Interação em Saúde na Comunidade é um módulo curricular do curso de Medicina do Centro Universitário Fametro e tem como objetivo possibilitar aos estudantes uma inserção nas Unidades Saúde da Família (USF) que lhes permita compreender os determinantes do processo saúde-doença, a importância das medidas de promoção e prevenção e da USF como espaço do cuidado. As atividades são desenvolvidas nos dois primeiros meses do curso, em módulo de cerca de 40 horas, por meio de conteúdos construídos mediante mapas conceituais que abrangem desde o conhecimento do território até atividades médicas da atenção básica. Os resultados mais evidentes são: a diversificação dos cenários de ensino-aprendizagem, a inserção precoce dos estudantes na rede básica e o desenvolvimento de habilidades voltadas à humanização do atendimento e ao cuidado centrado no paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Educação Médica. Metodologia Ativa. Ensino Prático. Atenção Primária à Saúde. Unidades de Saúde da Família.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">The Community Health Interaction Practice is a curricular module of the Medical School at Centro Universitário Fametro. It aims to provide students with an immersive experience within Family Health Units (USF), enabling them to understand the determinants of the health-disease process, the significance of health promotion and prevention measures, and the role of the USF as a space for care. Activities are carried out during the first two months of the program in a module of approximately 40 hours. The content is structured through conceptual maps that cover everything from territorial recognition to primary care medical activities. The most prominent results include: the diversification of teaching-learning scenarios, the early integration of students into the primary healthcare network, and the development of skills focused on humanized service and patient-centered care.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Medical Education. Active Methodology. Practical Teaching. Primary Health Care. Family Health Units.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>Introdução&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O curso de graduação em Medicina caracteriza-se pela interpretação e classificação de fenômenos relacionados à saúde e seleção de intervenções para a resolução dos agravos ou problemas de saúde-doença. Desta forma, os seus conteúdos essenciais devem estar relacionados a todo processo saúde-doença do cidadão, da família e da comunidade, integrado à realidade epidemiológica e profissional, proporcionando a integralidade das ações do cuidar em medicina (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2014).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para alcançar esse fim, a Resolução nº 3, de 20 de junho de 2014 (MINISTÉRIO DA&nbsp;EDUCAÇÃO, 2014), que instituiu novas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina, estabeleceu que o referido curso deve utilizar metodologias que privilegiem a participação ativa do estudante na construção do conhecimento e na integração entre os conteúdos, acolhendo, assim, a relevância de métodos que estimulem a participação efetiva do aluno.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Morán (2015), a formação de alunos proativos requer metodologias ativas, com graus crescentes de complexidade associados a tomadas de decisão com o suporte de materiais pertinentemente orientados pelo docente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das formas para implementar a participação ativa foi através da introdução do aluno de medicina na atenção primária à saúde, que é a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde. Isso permite que o discente obtenha conhecimentos sobre um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, abrangendo a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos e a manutenção da saúde da coletividade (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2017).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As vivências experimentadas pelos alunos na atenção primária envolvem a participação no acolhimento do paciente, o acompanhamento do histórico de cada pessoa que passa pelo atendimento e triagem como forma de possibilitar o acesso às informações das doenças que afetam as pessoas de determinadas localidades. Além disso, todos os processos realizados pelos discentes são acompanhados e supervisionados por um preceptor, o que colabora para o treinamento dos estudantes e evidencia a responsabilidade para com os pacientes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, este relato de experiência tem como objetivo demonstrar a importância do ensino prático em Unidades de Saúde da Família para os alunos do 1° período de Medicina e na sua formação como futuros médicos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>Metodologia&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de um relato de experiência acerca da importância do ensino prático em uma Unidade de Saúde da Família para os alunos do primeiro período de Medicina. A prática foi realizada na USF São Francisco, localizada na Rua Rodolfo Vale, S/N, bairro São Francisco, CEP: 69.079-440, Manaus/Amazonas. Teve seu início em 19 de fevereiro de 2024 e término em 15 de abril de 2024.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>Resultados&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 19 de fevereiro de 2024, os alunos iniciaram o módulo Interação em Saúde na Comunidade I, com carga horária de 40 horas. Seu objetivo é promover uma inserção nas Unidades Saúde da Família (USF), de modo a se compreender os determinantes do processo saúde-doença, a importância das medidas de promoção e prevenção e da USF como espaço do cuidado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste primeiro contato os discentes sentiram que estavam atrapalhando as atividades da USF São Francisco. Isso porque não possuíam conhecimentos, habilidades e atitudes que lhes permitisse assumir procedimentos relacionados ao cuidado e diante da demanda existente na referida USF.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, considerando a excelente capacitação técnica e conhecimento da metodologia ativa por parte da preceptora, logo foram estimulados a sair da zona de conforto e incentivados a participar das atividades práticas que estavam acompanhando, bem como discutir e refletir acerca das condutas tomadas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A USF São Francisco conta com uma equipe multidisciplinar de profissionais de saúde para atender às necessidades da população e os alunos acompanharam todos esses especialistas, com exceção da equipe de odontologistas e dos agentes comunitários de saúde, que realizam visitas domiciliares.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tiveram a oportunidade de participar ativamente junto aos enfermeiros e técnicos de enfermagem da USF, onde aprenderam a realizar a triagem do paciente, como aferir corretamente a sua pressão, verificar sua glicemia, o seu peso e altura e perímetro cefálico, em caso de se tratar de bebê. Aprenderam a técnica correta de preparo e de administração de vacinas, a realizar teste rápido de doenças sexualmente transmissíveis, a realizar a limpeza e curativo em pé diabético, bem como a proceder com o devido descarte de materiais utilizados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Junto aos farmacêuticos aprenderam a realizar a dispensação de medicamentos e passaram a conhecer para quais tratamentos eles são destinados. Quanto aos nutricionistas, puderam participar do processo de orientação sobre alimentação saudável e cuidados nutricionais específicos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também atuaram em conjunto com os técnicos de administração, onde tiveram a oportunidade de recepcionar o paciente e de realizar o seu cadastro junto ao sistema SIAB (Sistema de Informação da Atenção Básica) e de solicitação de exames e procedimentos através do SisREG (Sistema Nacional de Regulação).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já o acompanhamento junto aos médicos ocorreu de forma mais passiva e observacional, contudo, ainda assim, de extrema valia, pois viabilizou o primeiro contato com os diferentes cenários de saúde, permitindo aprender a fazer uma correta anamnese, bem como lhes proporcionou a oportunidade de desenvolver habilidades médicas humanizadas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>Considerações finais&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabendo que a USF é uma porta de entrada para o sistema público de saúde, é inequívoco que essa participação foi positiva para os discentes. Ela permitiu a compreensão dos determinantes do processo saúde-doença, da importância das medidas de promoção, prevenção, tratamento e redução de danos ou sofrimentos que possam comprometer as possibilidades de viver de modo saudável. Além disso, contribuiu para aguçar o olhar dos alunos sobre o contexto teórico e prático dentro das unidades, considerando o paciente em sua singularidade, complexidade, integralidade e inserção sociocultural.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imperioso destacar, ainda, que as atividades práticas desempenhadas convergiram de forma sinérgica na consolidação dos conhecimentos e desenvolvimento das habilidades médicas estudadas nos módulos teóricos ao longo do período. Aguçou, ainda, a curiosidade pela busca de mais informações acerca dos atendimentos e enfermidades que se depararam.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O referido ensino prático durou apenas oitos semanas, e, na opinião dos discentes, uma experiência mais duradoura, na hipótese de o módulo contar com uma carga horária maior, certamente lhes traria mais aprendizados acerca da comunicação com pacientes e comunidade; trabalho em equipe; ética geral e profissional; promoção de saúde e prevenção de doenças; raciocínio clínico; e educação em saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, foi unânime a percepção de que a inserção precoce dos discentes nos cenários de saúde bem como o desenvolvimento de ações de promoção de saúde ou de prevenção de agravos foi uma experiência exitosa e que está de acordo com o proposto pelas novas Diretrizes para o curso de medicina.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>Referências&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. 2014. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. <strong>Art. 23 da Resolução CNE/CES Nº 3, de junho de 2014</strong>. D.O.U 23/06/2014. Brasil. https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-eprogramas/pnsp/legislacao/resolucoes/rces003_14.pdf/view. Acesso em 20.03.2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO.2014. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. <strong>Art. </strong><strong>29 </strong><strong>da </strong><strong>Resolução </strong><strong>CNE/CES </strong><strong>Nº </strong><strong>3, </strong><strong>de </strong><strong>junho </strong><strong>de </strong><strong>2014</strong>. D.O.U 23/06/2014. Brasil.&nbsp; https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-eprogramas/pnsp/legislacao/resolucoes/rces003_14.pdf/view. Acesso em 20.03.2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MINISTÉRIO DA SAÚDE. 2017.<strong> Política Nacional da Atenção Primária</strong>. Disponível em&nbsp;https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/o-que-e-atencao-primaria.&nbsp; Acesso em 20.03.2024.&nbsp;MORÁN, J. <strong>Mudando a educação com metodologias ativas</strong>. PROEX/UEPG, 2015.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>caiofporto@hotmail.com<br><sup>2</sup>sofiasobral.medicina@gmail.com<br><sup>3</sup>mimilatavora@gmail.com<br><sup>4</sup>bruno.bracalhao@hotmail.com</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>LETRAMENTO ESTÉTICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL E NO ENSINO FUNDAMENTAL DA REDE PÚBLICA: UMA REVISÃO DE LITERATURA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/letramento-estetico-na-educacao-infantil-e-no-ensino-fundamental-da-rede-publica-uma-revisao-de-literatura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft NI]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Feb 2026 18:30:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Linguística, Letras e Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=266430</guid>

					<description><![CDATA[AESTHETIC LITERACY IN EARLY CHILDHOOD EDUCATION AND ELEMENTARY SCHOOL IN THE PUBLIC SCHOOL SYSTEM: A LITERATURE REVIEW REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202602282102 Marcos Antonio Negreiros Dias1; Adriana Alencar Feitosa2; Frank Cynatra Sousa Melo3; Tiago do Nascimento Alves de Paula4; Rodrigo Almeida de Sá5; Paulo Sérgio Rocha Lima6; Lucas dos Santos Barbosa Marinho7; Gerson Barbosa de Oliveira8; José [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">AESTHETIC LITERACY IN EARLY CHILDHOOD EDUCATION AND ELEMENTARY SCHOOL IN THE PUBLIC SCHOOL SYSTEM: A LITERATURE REVIEW</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202602282102</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Marcos Antonio Negreiros Dias<sup>1</sup>; Adriana Alencar Feitosa<sup>2</sup>; Frank Cynatra Sousa Melo<sup>3</sup>; Tiago do Nascimento Alves de Paula<sup>4</sup>; Rodrigo Almeida de Sá<sup>5</sup>; Paulo Sérgio Rocha Lima<sup>6</sup>; Lucas dos Santos Barbosa Marinho<sup>7</sup>; Gerson Barbosa de Oliveira<sup>8</sup>; José Carlos da Costa Abreu<sup>9</sup>; Weliane Monteiro Dourado Oliveira<sup>10</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Educação Infantil e os anos iniciais do Ensino Fundamental constituem etapas estruturantes da formação humana, nas quais se consolidam as bases da linguagem, da sensibilidade e da constituição simbólica das crianças. Nesse contexto, o letramento, compreendido como prática social, amplia-se para a noção de letramento estético, integrando linguagem, arte e experiência sensível como dimensões constitutivas da aprendizagem. Entretanto, políticas educacionais marcadas por padronização curricular e avaliações em larga escala têm priorizado resultados mensuráveis, o que pode restringir o espaço das linguagens artísticas e das experiências estéticas no cotidiano escolar. Diante desse cenário, o presente artigo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão de literatura, como o letramento estético tem sido discutido no âmbito da Educação Infantil e do Ensino Fundamental da rede pública, destacando suas implicações para a formação docente e para as práticas pedagógicas. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza teórica e bibliográfica, fundamentada no método dedutivo-analítico. O procedimento metodológico consistiu em revisão de literatura sistematizada, orientada pelas diretrizes do protocolo PRISMA e analisada à luz da Análise de Conteúdo de Bardin. Os resultados evidenciam consenso teórico quanto à centralidade da educação estética para o desenvolvimento integral, bem como à importância da formação docente para a consolidação de práticas estéticas intencionais. Contudo, identificam-se tensões entre o reconhecimento discursivo da formação integral e a predominância de abordagens instrumentalizantes. Conclui-se que o letramento estético constitui categoria integradora capaz de articular alfabetização, sensibilidade e criticidade, sendo imprescindível fortalecer políticas formativas que o incorporem de maneira sistemática na rede pública de ensino.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-Chave: </strong>Formação docente; Política curricular; Desenvolvimento humano integral; Mediação literária; Responsabilização educacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Early Childhood Education and the early years of Elementary School constitute foundational stages of human development, in which the bases of language, sensitivity, and children’s symbolic constitution are consolidated. In this context, literacy, understood as a social practice, expands into the notion of aesthetic literacy, integrating language, art, and sensory experience as constitutive dimensions of learning. However, educational policies marked by curriculum standardization and large-scale assessments have prioritized measurable outcomes, which may restrict the space for artistic languages and aesthetic experiences in everyday school life. In light of this scenario, this article aimed to analyze, through a literature review, how aesthetic literacy has been discussed within Early Childhood Education and Elementary School in the public education system, highlighting its implications for teacher education and pedagogical practices. The study is characterized as qualitative, theoretical, and bibliographic in nature, grounded in a deductive-analytical method. The methodological procedure consisted of a systematized literature review guided by the PRISMA protocol and examined through Bardin’s Content Analysis framework. The results reveal a theoretical consensus regarding the centrality of aesthetic education to integral human development, as well as the importance of teacher education for consolidating intentional aesthetic practices. Nevertheless, tensions were identified between the discursive recognition of integral formation and the predominance of instrumental approaches. It is concluded that aesthetic literacy constitutes an integrative category capable of articulating literacy, sensitivity, and criticality, making it essential to strengthen teacher education policies that systematically incorporate this dimension into public education systems.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Teacher education; Curriculum policy; Integral human development; Literary mediation; Educational accountability.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1 Introdução</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Educação Infantil e os anos iniciais do Ensino Fundamental constituem etapas estruturantes da formação humana, pois nelas se consolidam as bases da linguagem, da sensibilidade, da imaginação e da constituição simbólica das crianças (Silva; Sousa; Dias, 2025; Feitosa et al., 2026). Trata-se de um período no qual a criança amplia suas formas de expressão e compreensão do mundo por meio do brincar, da literatura, das artes visuais, da música, do movimento e de outras linguagens que articulam experiência sensível e construção cognitiva. Nesse contexto, as experiências estéticas assumem papel central, uma vez que possibilitam a ampliação do repertório cultural, o desenvolvimento da percepção, a produção de sentidos e a formação de vínculos simbólicos com a realidade social e cultural.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O conceito de letramento, compreendido como prática social historicamente situada, ultrapassa a dimensão técnica da alfabetização e envolve a produção de sentidos, a leitura crítica da realidade e a participação cultural ativa (Amado; Silva; Melo, 2020). Nesse sentido, à luz do pensamento de Freire, ler a palavra implica ler o mundo, de modo que o processo educativo deve promover a formação de sujeitos capazes de interpretar, dialogar e transformar a realidade (Freire, 1996). Quando essa concepção se articula à dimensão estética, amplia-se para o que se denomina letramento estético, conceito que integra linguagem, arte, sensibilidade e cognição no processo formativo (Araújo, 2020). Nessa perspectiva, a experiência estética não se configura como elemento acessório do currículo, mas como dimensão constitutiva da aprendizagem e da formação integral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, o cenário educacional contemporâneo tem sido marcado pela intensificação de políticas de responsabilização, avaliações em larga escala e padronização curricular, que tendem a priorizar resultados mensuráveis e habilidades instrumentais (Sousa; Alvarenga, 2021). Tal contexto pode restringir o espaço destinado às linguagens artísticas e às experiências sensíveis, especialmente nas etapas iniciais da escolarização, nas quais a aprendizagem ocorre de forma integrada e mediada por múltiplas linguagens. Ainda que documentos normativos reconheçam a importância da formação integral, observa-se, na prática, uma tensão entre o desenvolvimento de competências avaliáveis e a promoção de experiências estéticas significativas (Dias et al., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">É nesse cenário que emerge o problema de como o letramento estético tem sido abordado na produção científica sobre Educação Infantil e Ensino Fundamental da rede pública, e de que modo a literatura especializada evidencia sua relação com a formação docente e as práticas pedagógicas? Tal problematização torna-se relevante diante da necessidade de compreender se a dimensão estética tem sido tratada de forma estruturante nos estudos educacionais ou se permanece secundarizada frente às demandas instrumentais do ensino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar do avanço das discussões sobre letramento como prática social e da ampliação dos debates acerca da educação estética, identifica-se uma lacuna na literatura no que se refere à sistematização teórica que articule, de maneira integrada, letramento estético, formação docente e práticas pedagógicas nas etapas iniciais da Educação Básica (Zulusuwan; Chansirisira, 2025). Muitos estudos abordam o letramento sob a perspectiva linguística ou sociocultural, enquanto outros discutem a educação estética de forma isolada, sem estabelecer conexões consistentes com os processos de alfabetização e letramento. Do mesmo modo, há escassez de revisões que analisem criticamente como essas dimensões vêm sendo tratadas na rede pública de ensino, especialmente em contextos que apresentam avanços nos indicadores de alfabetização, mas carecem de análises qualitativas sobre a formação sensível das crianças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o presenta artigo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão de literatura, como o letramento estético tem sido discutido no âmbito da Educação Infantil e do Ensino Fundamental da rede pública, destacando suas implicações para a formação docente e para as práticas pedagógicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2 Metodologia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de abordagem qualitativa, de natureza teórica e bibliográfica, fundamentado no método de argumentação dedutivo-analítica. Tal abordagem possibilitou partir de pressupostos consolidados na literatura científica acerca do letramento como prática social, da educação estética e do letramento estético, para a construção de inferências interpretativas voltadas à compreensão de suas implicações pedagógicas na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental da rede pública. A opção pelo método dedutivo mostrou-se pertinente por permitir a articulação entre referenciais teóricos amplos e a análise crítica das condições contemporâneas de implementação dessas concepções no contexto educacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O procedimento metodológico central consistiu em uma revisão de literatura sistematizada, orientada pelas diretrizes do PRISMA (<em>Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses</em>), adaptadas à natureza qualitativa e interpretativa do estudo (Page et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O levantamento bibliográfico foi realizado nas bases de dados Google Scholar, Scientific Electronic Library Online (SciELO), Portal de Periódicos CAPES e ScienceDirect, selecionadas por sua relevância acadêmica e abrangência internacional. Foram empregados descritores em língua portuguesa e inglesa, combinados por meio de operadores booleanos (AND/OR), tais como “letramento estético”, “educação infantil”, “formação docente”, “arte”, “<em>aesthetic literacy”,</em> “<em>early childhood aesthetic education”</em> e “<em>literacy and arts education”.</em> O reporte detalhado por base evidenciou 142 registros no Google Scholar para os descritores “<em>aesthetic literacy”</em> AND “<em>early childhood aesthetic education</em>”; 18 registros na SciELO para “letramento estético” AND “educação infantil”; 34 registros no Portal de Periódicos CAPES a partir do cruzamento entre “formação docente” AND “arte”; e 22 registros na ScienceDirect para termos correlatos em língua inglesa. O total bruto identificado na etapa de identificação correspondeu a 216 registros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na fase de triagem, procedeu-se à remoção de duplicatas e à aplicação de filtros iniciais, incluindo tipo de documento, idioma, período de publicação e leitura de títulos e resumos, resultando em 85 estudos potencialmente aderentes ao objeto da pesquisa. Em seguida, na etapa de elegibilidade, 42 textos foram analisados na íntegra para verificação do alinhamento com os critérios de inclusão previamente estabelecidos, quais sejam: foco na rede pública de ensino, centralidade nas etapas iniciais da Educação Básica (Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental), articulação entre letramento, estética e práticas pedagógicas, e consistência teórico-metodológica. Ao final desse processo, 24 estudos compuseram o corpus definitivo da revisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A revisão de literatura é amplamente reconhecida como método eficaz para a compreensão de fenômenos complexos e interdisciplinares (Marconi; Lakatos, 2017). Considerando o crescimento exponencial da produção científica e o acesso ampliado às bases digitais, tornou-se indispensável a adoção de critérios rigorosos de seleção, de modo a garantir validade, confiabilidade e relevância acadêmica aos achados. Nesse sentido, buscou-se equilibrar produções empíricas recentes com referenciais teóricos clássicos, assegurando densidade conceitual e atualidade analítica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o tratamento e a interpretação das fontes selecionadas, adotou-se a Análise de Conteúdo, conforme sistematização proposta por Bardin (2016). Essa técnica mostrou-se adequada por possibilitar uma análise sistemática e interpretativa dos textos, permitindo a identificação de recorrências temáticas, convergências conceituais, tensões teóricas e lacunas investigativas. A Análise de Conteúdo desenvolveu-se em três etapas: a) pré-análise, com leitura flutuante e delimitação do corpus; b) exploração do material, com codificação e categorização temática das unidades de sentido; e c) tratamento dos resultados, inferência e interpretação, articulando os dados categorizados ao referencial teórico adotado, conforme Tabela 1.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1- Características dos Estudos incluídos nessa pesquisa.</strong></p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><thead><tr><td><strong>AUTORES PRINCIPAIS</strong></td><td><strong>ANO</strong></td><td><strong>TIPO DE DOCUMENTO</strong></td><td><strong>FOCO PRINCIPAL</strong></td></tr></thead><tbody><tr><td>Freire</td><td>1996</td><td>Livro</td><td>Leitura do mundo, linguagem como prática emancipatória e formação crítica.</td></tr><tr><td>Amado; Silva; Melo</td><td>2020</td><td>Artigo Científico</td><td>Letramento como prática social e formação de leitores literários.</td></tr><tr><td>Araújo</td><td>2020</td><td>Livro</td><td>Fundamentação do letramento estético e articulação entre linguagem e arte.</td></tr><tr><td>Coelho</td><td>2021</td><td>Artigo Científico</td><td>Educação estética e formação humana integral.</td></tr><tr><td>Sousa; Alvarenga</td><td>2021</td><td>Artigo Científico</td><td>Políticas curriculares e impactos da padronização no ensino de Arte.</td></tr><tr><td>Silva; Sousa; Dias</td><td>2025</td><td>Artigo Científico</td><td>Desenvolvimento integral e múltiplas linguagens na infância.</td></tr><tr><td>Tian; Isa</td><td>2024</td><td>Artigo Científico</td><td>Práticas de educação estética na Educação Infantil.</td></tr><tr><td>Zulusuwan; Chansirisira</td><td>2025</td><td>Artigo Científico</td><td>Competências estéticas na formação docente.</td></tr><tr><td>Dias et al.</td><td>2026</td><td>Artigo Científico</td><td>Letramento ampliado e dimensões formativas na educação básica.</td></tr><tr><td>Feitosa et al.</td><td>2026</td><td>Artigo Científico</td><td>Sensibilização estética e formação socioambiental na infância.</td></tr></tbody></table><figcaption class="wp-element-caption">Fonte: Os autores (2026)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">As categorias analíticas foram delineadas a partir de um movimento indutivo-dedutivo, articulando, de um lado, os pressupostos teóricos previamente estabelecidos no referencial conceitual e, de outro, as recorrências temáticas identificadas no corpus selecionado. Esse procedimento permitiu que as categorias não fossem impostas exclusivamente a priori, nem derivadas apenas de forma empírica, mas construídas em diálogo entre teoria e material analisado. Desse processo emergiram cinco eixos estruturantes: a) letramento como prática social; b) educação estética e formação humana integral; c) letramento estético como articulação entre sensível e cognitivo; d) tensões curriculares e políticas de responsabilização; e e) formação docente e práticas estéticas. Tais categorias orientaram a organização da análise e subsidiaram a etapa interpretativa dos resultados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A articulação entre o protocolo PRISMA e a Análise de Conteúdo, conforme sistematizada por Bardin (2016), conferiu consistência metodológica ao estudo, assegurando rastreabilidade na seleção das fontes e coerência na interpretação dos dados. Enquanto o PRISMA garantiu transparência e rigor nas etapas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos, a Análise de Conteúdo possibilitou aprofundamento interpretativo, evidenciando convergências, lacunas e tensões na produção científica examinada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3 Revisão de Literatura</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1 Letramento como prática social</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O conceito de letramento consolidou-se na literatura educacional contemporânea como uma categoria analítica que desloca o foco da aprendizagem da escrita do domínio meramente técnico para sua dimensão sociocultural. Diferentemente da alfabetização, compreendida tradicionalmente como a apropriação do sistema alfabético-ortográfico e das habilidades de codificação e decodificação, o letramento refere-se à inserção do sujeito em práticas sociais que envolvem leitura e escrita em contextos historicamente situados (Amado; Silva; Melo, 2020). Assim, o letramento não se reduz ao saber ler e escrever, mas implica compreender para que se lê, por que se escreve, em quais situações, com quais finalidades e sob quais relações de poder.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa perspectiva amplia o entendimento da linguagem como prática social mediadora das relações humanas, das formas de participação cultural e da produção de sentidos (Araújo, 2020). Ao considerar que as práticas de leitura e escrita são culturalmente organizadas e socialmente reguladas, o letramento passa a ser compreendido como fenômeno plural, situado e atravessado por dimensões ideológicas, políticas e identitárias. Nesse sentido, falar em letramento significa reconhecer que os sujeitos se constituem na interação com diferentes gêneros textuais, suportes, linguagens e esferas sociais, construindo repertórios simbólicos que orientam sua atuação no mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A contribuição de Paulo Freire é fundamental para essa concepção. Ao afirmar que a leitura da palavra está indissociavelmente articulada à leitura do mundo, Freire ressaltou o caráter político e emancipatório da linguagem (Freire, 1996). Para o autor, ensinar exige compreender que o conhecimento se constrói na relação dialógica entre sujeitos históricos, e que a alfabetização, e, por extensão, o letramento, deve possibilitar a problematização da realidade e a construção da autonomia crítica. Nessa perspectiva, a linguagem não é neutra, mas instrumento de participação social e de transformação das condições concretas de existência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O letramento, portanto, implica participação crítica na cultura escrita, produção de sentidos e exercício da cidadania. Trata-se de um processo que envolve a capacidade de interpretar textos, posicionar-se diante deles, dialogar com diferentes discursos e produzir enunciados que circulam socialmente. Essa concepção desloca o centro do processo educativo da mera aquisição de habilidades técnicas para a formação de sujeitos capazes de atuar reflexivamente em contextos diversos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tal entendimento assume relevância ainda maior nas etapas iniciais da escolarização. Na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, a aprendizagem da linguagem ocorre de maneira integrada às experiências corporais, lúdicas, sensoriais e imaginativas. A criança interage com textos orais, escritos e multimodais antes mesmo da alfabetização formal, apropriando-se de práticas sociais que envolvem narrativas, cantigas, histórias, desenhos, dramatizações e outras formas de expressão simbólica. Nesse contexto, o letramento se manifesta na participação ativa em situações comunicativas significativas, nas quais a linguagem se articula ao brincar, à imaginação e à experiência estética (Tian; Isa, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Compreender o letramento como prática social nas etapas iniciais implica reconhecer que a formação linguística da criança não se restringe à aquisição de códigos, mas envolve a construção de sentidos em interação com o outro e com o mundo (Dias et al., 2026). A escola, nesse sentido, assume papel decisivo ao criar ambientes letrados que favoreçam a circulação de diferentes textos, a escuta sensível, o diálogo e a autoria. Assim, o letramento torna-se fundamento para a constituição de sujeitos críticos, criativos e culturalmente situados, preparando o terreno para discussões mais amplas, como a articulação entre linguagem e experiência estética, eixo central deste estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2 Educação estética e formação humana</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A educação estética constitui dimensão estruturante da formação humana integral, pois envolve o desenvolvimento da sensibilidade, da percepção, da imaginação, da criatividade e da capacidade de atribuição de sentidos ao mundo. Longe de se restringir à apreciação do belo ou ao ensino formal de conteúdos artísticos, a educação estética refere-se à formação da capacidade de experienciar, interpretar, produzir e ressignificar manifestações culturais nas suas múltiplas linguagens. Trata-se, portanto, de um processo formativo que integra emoção e pensamento, sensibilidade e racionalidade, experiência e reflexão (Coelho, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental, essa dimensão assume caráter ainda mais decisivo. É nesse período que a criança constrói suas primeiras relações simbólicas com o mundo, apropriando-se de narrativas, imagens, sons, gestos e movimentos que estruturam sua percepção da realidade (Silva; Sousa; Dias, 2025). O contato sistemático com literatura infantil, artes visuais, música, dramatizações, experiências corporais e práticas lúdicas amplia o repertório cultural das crianças, favorecendo a constituição de identidades, a expressão de sentimentos e o desenvolvimento da linguagem em suas múltiplas formas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sob essa perspectiva, a experiência estética não pode ser compreendida como elemento complementar ou periférico do currículo, mas como dimensão constitutiva do processo educativo. Conforme discutido por Araújo (2020), a articulação entre linguagem e experiência estética potencializa práticas pedagógicas que promovem autoria, imaginação e criticidade. Ao vivenciar experiências estéticas mediadas, a criança aprende a perceber nuances, estabelecer relações simbólicas, elaborar narrativas e produzir sentidos sobre si e sobre o mundo. A estética, nesse sentido, amplia o campo do letramento ao incorporar formas expressivas que ultrapassam o texto verbal, incluindo linguagens visuais, sonoras e corporais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos recentes reforçam a relevância da educação estética para o desenvolvimento integral, destacando que práticas que integram arte e sensibilidade favorecem não apenas competências cognitivas, mas também habilidades socioemocionais, empatia e consciência cultural (Tian; Isa, 2024). Essa compreensão dialoga com a noção de formação integral presente em documentos normativos, ainda que sua concretização dependa das condições institucionais e das concepções pedagógicas que orientam o trabalho docente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, o cenário educacional contemporâneo apresenta tensões significativas. Políticas baseadas em responsabilização, padronização curricular e avaliações em larga escala tendem a priorizar habilidades passíveis de mensuração, o que pode resultar na redução do tempo e do espaço destinados às linguagens artísticas (Sousa; Alvarenga, 2021). Nessa lógica, as artes frequentemente são subordinadas a objetivos instrumentais ou tratadas como recursos auxiliares para o ensino de conteúdos considerados centrais, esvaziando sua potência formativa (Coelho, 2021). Tal movimento pode fragilizar a consolidação de experiências estéticas significativas, sobretudo na rede pública de ensino, onde as demandas por desempenho acadêmico costumam ser intensificadas (Santos, Franqueira, Viana, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa tensão evidencia a necessidade de reafirmar a educação estética como componente indissociável da formação humana. Ao reconhecer que a criança aprende por meio da experiência sensível e da interação simbólica com o mundo, a escola amplia seu compromisso com uma educação que não se limite à transmissão de conteúdos, mas que promova o desenvolvimento de sujeitos críticos, criativos e culturalmente situados (Coelho, 2021). Assim, a educação estética configura-se como base teórica indispensável para a compreensão do letramento estético, tema central desta revisão, ao evidenciar que o processo de alfabetizar e letrar deve incorporar, de forma intencional, a dimensão sensível como elemento constitutivo da aprendizagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3 Letramento estético: articulação entre sensível e cognitivo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O letramento estético emerge, na literatura contemporânea, como um conceito integrador que articula linguagem, arte e experiência sensível no interior das práticas sociais de produção de conhecimento. Ao reconhecer as linguagens artísticas e expressivas como formas legítimas de leitura e interpretação do mundo, o letramento estético amplia a concepção de letramento como prática social (Amado; Silva; Melo, 2020), incorporando a dimensão estética como componente constitutivo da formação humana. Nessa perspectiva, a estética não se configura como ornamento curricular ou atividade complementar, mas como eixo epistemológico que sustenta processos de significação, autoria e criticidade (Araújo, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao dialogar com a concepção freireana de que a leitura da palavra está intrinsecamente articulada à leitura do mundo, o letramento estético reafirma que a aprendizagem envolve não apenas a decodificação de signos linguísticos, mas a capacidade de interpretar símbolos culturais, imagens, narrativas e expressões corporais que estruturam a experiência humana (Freire, 1996). Assim, ler esteticamente implica perceber nuances, estabelecer relações simbólicas e posicionar-se criticamente diante das manifestações culturais que circulam socialmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa compreensão amplia o entendimento do alfabetizar letrando ao incorporar fruição literária, imaginação, sensibilidade ética e produção criativa de sentidos. A alfabetização deixa de ser concebida como mera aquisição técnica do sistema alfabético e passa a integrar processos mais amplos de construção simbólica e cultural (Araújo, 2020). Na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, essa articulação torna-se ainda mais evidente, uma vez que a criança aprende por meio da interação entre linguagem verbal, imagens, sons, gestos e movimentos (Silva; Sousa; Dias, 2025). O letramento estético, portanto, articula o sensível e o cognitivo, superando dicotomias que historicamente separaram emoção e razão no campo educacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura infantil constitui exemplo privilegiado dessa integração. Ao proporcionar o contato com narrativas simbólicas, personagens complexos e universos imaginativos, a literatura não apenas favorece o desenvolvimento linguístico, mas amplia a sensibilidade cultural e ética das crianças (Amado; Silva; Melo, 2020). Por meio da fruição literária, a criança exercita empatia, compreende conflitos, elabora emoções e constrói referências identitárias. Tal processo contribui para a formação de sujeitos críticos e culturalmente situados, em consonância com a perspectiva de formação integral discutida por Coelho (2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos recentes reforçam que práticas pedagógicas que integram educação estética e letramento promovem desenvolvimento cognitivo articulado a competências socioemocionais e culturais (Tian; Isa, 2024). Além disso, pesquisas internacionais sobre aesthetic literacy destacam que a competência estética envolve percepção crítica, sensibilidade cultural e capacidade interpretativa ampliada (Zulusuwan; Chansirisira, 2025). Esses achados convergem para a compreensão de que o letramento estético não se limita ao ensino de conteúdos artísticos, mas constitui processo formativo que integra experiência, linguagem e reflexão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, o letramento estético consolida-se como categoria teórica fundamental para compreender a articulação entre educação estética e formação humana nas etapas iniciais da escolarização. Ao integrar múltiplas linguagens no processo educativo, amplia-se o horizonte do letramento para além da dimensão verbal, incorporando experiências que favorecem a produção de sentidos, a criatividade e a participação crítica na cultura. Essa abordagem reafirma o compromisso da escola pública com uma educação que articule alfabetização, letramento e sensibilidade, consolidando práticas pedagógicas coerentes com a formação integral defendida ao longo desta revisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.4 Formação docente e práticas estéticas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A formação docente constitui eixo estruturante para a consolidação de práticas pedagógicas voltadas ao letramento estético, uma vez que as concepções de ensino, linguagem, infância e aprendizagem são diretamente influenciadas pelos percursos formativos vivenciados pelos professores. Não se trata apenas da aquisição de técnicas ou metodologias específicas, mas da construção de referenciais teóricos e éticos que orientam a intencionalidade pedagógica no cotidiano escolar. Nesse sentido, a maneira como o professor compreende a arte, a literatura, o corpo, o brincar e as múltiplas linguagens impacta diretamente a qualidade e a profundidade das experiências estéticas oferecidas às crianças (Araújo, 2020; Dias et al., 2026).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os Percursos formativos que valorizam a integração entre linguagem, arte e cultura tendem a favorecer práticas pedagógicas mais dialógicas, criativas e sensíveis, nas quais o letramento não se limita à dimensão instrumental, mas se articula à produção de sentidos e à formação crítica (Araújo, 2020). Ao reconhecer a estética como dimensão constitutiva da aprendizagem, o docente amplia o repertório de mediações pedagógicas, incorporando literatura infantil, narrativas orais, artes visuais, música, expressão corporal e práticas interdisciplinares como componentes estruturantes do processo formativo (Amado; Silva; Melo, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, formações marcadas por abordagens tecnicistas ou excessivamente centradas em resultados quantitativos podem restringir o trabalho docente a metas avaliativas e indicadores de desempenho, reduzindo o espaço para experiências estéticas significativas. Em contextos atravessados por políticas de responsabilização e avaliações em larga escala, há o risco de que a formação continuada priorize estratégias voltadas ao alcance de índices e metas, relegando a segundo plano a dimensão sensível da aprendizagem (Sousa; Alvarenga, 2021). Essa tensão repercute diretamente na organização do planejamento pedagógico, influenciando a seleção de conteúdos, metodologias e tempos escolares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto da rede pública, iniciativas como o Programa de Formação Continuada da Leitura e Escrita na Educação Infantil (LEEI), realizado na cidade de Araguaína-TO, evidenciam investimento institucional na alfabetização e no fortalecimento das práticas de linguagem. Tais políticas demonstram compromisso com a qualificação do trabalho docente e com a melhoria dos indicadores educacionais. Contudo, à luz da discussão sobre letramento estético, emerge a necessidade de problematizar em que medida essas formações incorporam, de maneira intencional e sistemática, a dimensão estética do letramento ou se permanecem predominantemente orientadas por metas quantitativas e resultados mensuráveis (Amado; Silva; Melo, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura recente aponta que a excelência formativa requer o desenvolvimento de competências estéticas nos educadores, entendidas como capacidade de percepção crítica, sensibilidade cultural e mediação criativa das linguagens (Zulusuwan; Chansirisira, 2025). Nesse sentido, a formação docente voltada ao letramento estético não se limita à oferta de oficinas artísticas pontuais, mas pressupõe um processo reflexivo contínuo que articule teoria e prática, currículo e experiência, avaliação e sensibilidade. Trata-se de formar professores capazes de reconhecer a estética como dimensão epistemológica da aprendizagem, e não apenas como recurso didático auxiliar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, discutir formação docente no âmbito do letramento estético implica compreender que a qualificação das práticas pedagógicas depende da articulação entre políticas públicas, concepções curriculares e desenvolvimento profissional crítico. Ao investir em formações que integrem linguagem, arte e sensibilidade, a escola pública fortalece sua capacidade de promover uma educação integral, na qual alfabetização, letramento e experiência estética se constituam como dimensões indissociáveis do processo formativo. Essa articulação revela-se fundamental para superar dicotomias entre conteúdo e expressão, cognição e emoção, desempenho e sensibilidade, reafirmando o compromisso da educação básica com a formação humana plena.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4 Resultados e Discussão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise da literatura evidenciou convergências teóricas significativas em torno da compreensão do letramento como prática social e da educação estética como dimensão constitutiva da formação humana, ao mesmo tempo em que revelou tensões estruturais relacionadas às políticas educacionais contemporâneas e às condições concretas de implementação dessas concepções na rede pública de ensino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente, observa-se um consenso entre os autores quanto à superação da perspectiva instrumental da alfabetização. Num primeiro momento, autores como Amado, Silva e Melo (2020) defendem que o letramento deve ser compreendido como prática cultural mediada pela linguagem, envolvendo produção de sentidos e inserção social. Essa concepção dialoga diretamente com Freire (1996), para quem a leitura da palavra está intrinsecamente articulada à leitura do mundo, ressaltando o caráter político e emancipatório do ato de ler e escrever. Nessa direção, o letramento não se reduz ao domínio técnico do código escrito, mas implica participação crítica na cultura, construção de autonomia e posicionamento reflexivo diante da realidade. Ao articular essa compreensão à dimensão estética, infere-se que o debate sustentar que o letramento estético integra linguagem, arte e experiência sensível como modos legítimos de produção de conhecimento (Araújo, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, evidencia-se que o letramento, quando concebido de forma ampliada, exige práticas pedagógicas que integrem múltiplas linguagens e experiências simbólicas. Essa exigência torna-se ainda mais evidente na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, etapas nas quais a aprendizagem ocorre de forma indissociável do brincar, da imaginação, do corpo e das experiências sensoriais (Silva; Sousa; Dias, 2025). Nesse contexto, a criança interage com narrativas, imagens, sons e movimentos que estruturam sua compreensão do mundo, de modo que a linguagem verbal não pode ser dissociada das demais formas de expressão. Assim, o letramento estético emerge como categoria teórica capaz de explicar essa integração entre sensível e cognitivo, superando dicotomias historicamente estabelecidas entre razão e emoção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que se refere à educação estética, os estudos convergem ao reconhecer sua centralidade para o desenvolvimento integral. Nesse sentido, verifica-se que a formação humana não pode ser compreendida apenas sob a lógica da transmissão de conteúdos, mas deve integrar sensibilidade, criatividade e reflexão crítica (Coelho, 2021). No mais, estudos aponta que práticas estéticas na infância favorecem não apenas o desenvolvimento cognitivo, mas também competências socioemocionais e culturais (Tian; Isa, 2024). A literatura infantil, nesse sentido, constitui exemplo emblemático da articulação entre linguagem e experiência estética, pois amplia o repertório simbólico das crianças e favorece a construção de identidades, a empatia e a consciência cultural (Amado; Silva; Melo, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, a análise também revelou tensões significativas entre o reconhecimento teórico da educação estética e sua efetivação nas práticas escolares. Constatou-se que políticas de padronização curricular e avaliações em larga escala tendem a priorizar habilidades passíveis de mensuração, o que pode reduzir o espaço destinado às linguagens artísticas (Sousa; Alvarenga, 2021). Essa lógica é reforçada por contextos institucionais que intensificam a busca por resultados quantitativos, &nbsp;produzindo um cenário no qual a dimensão estética pode ser subordinada a objetivos instrumentais (Santos, Franqueira e Viana, 2025). Assim, embora documentos normativos defendam a formação integral, observa-se, na prática, uma tensão entre desempenho acadêmico e experiências estéticas significativas (Dias et al., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse panorama, a formação docente assume papel decisivo. Nesse sentido, pode-se dizer que a incorporação do letramento estético nas práticas pedagógicas depende de referenciais formativos que integrem linguagem, arte e cultura de maneira intencional (Araújo, 2020). De forma convergente, Zulusuwan e Chansirisira (2025) argumentam que a excelência educacional requer o desenvolvimento de competências estéticas nos educadores, entendidas como capacidade de percepção crítica, sensibilidade cultural e mediação criativa das linguagens. A literatura analisada indica que, sem uma formação que reconheça a estética como dimensão epistemológica da aprendizagem, as práticas tendem a se limitar a ações pontuais ou complementares, sem integração efetiva ao currículo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desse modo, os resultados desta revisão demonstram que o letramento estético se consolida como categoria integradora capaz de articular letramento, educação estética e formação docente, especialmente nas etapas iniciais da Educação Básica. Ao integrar múltiplas linguagens e experiências sensíveis ao processo de alfabetização, amplia-se o horizonte formativo da escola pública, reafirmando seu compromisso com a constituição de sujeitos críticos, criativos e culturalmente situados. Contudo, a efetivação dessa perspectiva depende da superação de abordagens instrumentalizastes e do fortalecimento de políticas de formação docente que valorizem a estética como dimensão constitutiva da aprendizagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, os autores demonstraram que o desafio contemporâneo não reside na ausência de fundamentação teórica sobre a importância do letramento estético, mas na necessidade de sua consolidação prática no cotidiano das escolas públicas. A articulação entre linguagem, arte e criticidade apresenta-se, portanto, como caminho indispensável para uma educação que integre alfabetização, letramento e formação humana plena.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5 Considerações Finais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se que a produção científica reconhece o letramento estético como dimensão integradora entre linguagem, arte e experiência sensível, superando concepções restritas de alfabetização centradas apenas na técnica. A literatura converge ao compreender que a formação humana integral, especialmente nas etapas iniciais da escolarização, exige a articulação entre sensível e cognitivo, leitura da palavra e leitura do mundo, fruição estética e produção crítica de sentidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os principais achados, destaca-se o consenso teórico acerca da centralidade da educação estética para o desenvolvimento integral das crianças, favorecendo não apenas competências linguísticas, mas também criatividade, empatia, consciência cultural e autoria. Entretanto, a revisão evidenciou tensões estruturais no contexto da rede pública, marcadas pela predominância de políticas educacionais orientadas por metas e avaliações em larga escala, que podem restringir o espaço das linguagens artísticas e das experiências sensíveis . Observou-se ainda que a formação docente constitui fator determinante para a consolidação de práticas estéticas intencionais e integradas ao currículo, sendo insuficientes abordagens formativas que tratem a estética apenas como recurso didático complementar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, recomenda-se o fortalecimento de políticas de formação inicial e continuada que integrem, de modo sistemático, fundamentos do letramento estético, articulando teoria, prática e reflexão crítica. Ademais, sugere-se&nbsp; a ampliação de pesquisas empíricas que investiguem como escolas públicas vêm operacionalizando essa dimensão no cotidiano pedagógico, contribuindo para a superação da dicotomia entre desempenho acadêmico e formação sensível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, reafirma-se a necessidade de que currículos e políticas educacionais reconheçam a estética como dimensão epistemológica da aprendizagem, consolidando práticas que integrem alfabetização, letramento e experiência estética como expressões indissociáveis da formação humana plena.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">AMADO, D. C.; SILVA, C. da; MELO, M. A. de. A interface entre letramento acadêmico, prática de ensino e formação de leitores literários. <strong>Linguagem em Foco,</strong> v. 12, n. 3, 2020. Número atemático. DOI: <a href="https://doi.org/10.46230/2674-8266-12-4171">https://doi.org/10.46230/2674-8266-12-4171</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">ARAÚJO, G. C. de. <strong>Letramento estético na EJA e na educação do campo</strong>. Marília: Oficina Universitária; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BARDIN, L. <strong>Análise de conteúdo</strong>. São Paulo: Edições 70, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">COELHO, M. I. Interfaces curriculares da educação especial e ensino médio integrado à educação profissional no Tocantins. <strong>Humanidades &amp; Inovação,</strong> v. 8, n. 64, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DIAS, M. A. N.; SILVA, A. C. Q. da; SOUSA, I. D. de; CARVALHO NETO, E. P.; BARBOSA, W. G. O letramento corporal no ensino militar: a ordem unida na Polícia Militar do Estado do Tocantins<strong>. Revista Lumen et Virtus</strong>, v. 16, n. 46, p. 2697–2708, 2025. DOI: <a href="https://doi.org/10.56238/levv16n46-076">https://doi.org/10.56238/levv16n46-076</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">DIAS, M. A. N.; FEITOSA, A. A.; SILVA, A. C. Q. da; SÁ, R. A. de; TROMBETA, D. C.; SILVA, L. A. G.; BATISTA, D. C. S.; TIRELLO, D. C. Letramento, violência escolar e mediação de conflitos: contribuições para construção da cultura de paz no ambiente escolar. <strong>Periódicos Brasil: Pesquisa Científica,</strong> Macapá, v. 5, n. 1, p. 1354–1373, 2026. DOI: https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n1p1354-1373</p>



<p class="wp-block-paragraph">FEITOSA, A. A.; BATISTA, L. S.; TIRELLO, D. C.; OLIVEIRA, T. B.; ALBERNAZ, M. R. A.; MELO, F. C. S.; SÁ, R. A.; LIMA, P. S. R.; DIAS, M. A. N. Educação ambiental na educação infantil como instrumento de sensibilização para a preservação do Cerrado tocantinense. <strong>Revista Lumen et Virtus,</strong> v. 17, n. 57, p. e12219, 2026. DOI: <a href="https://doi.org/10.56238/levv17n57-055">https://doi.org/10.56238/levv17n57-055</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">FREIRE, P. <strong>Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa</strong>. São Paulo: Paz e Terra, 1996.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARCONI, M. de A. LAKATOS, E. M. <strong>Fundamentos de Metodologia Científica.</strong> 8ª ed. -São Paulo: Atlas, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PAGE, M. J.; McKENZIE, J. E.; BOSSUYT, P. M.; BOUTRON, I.; HOFFMANN, T. C.; MULROW, C. D.; SHAMSEER, L.; TETZLAFF, J. M.; AKL, E. A.; BRENNAN, S. E.; CHOU, R.; GLANVILLE, J.; GRIMSHAW, J. M.; HROBJARTSSON, A.; LAL, M. M.; LI, T.; LODER, E. W.; MAYO-WILSON, E.; McDONALD, S.; McGUINNESS, L. A.; STEWART, L. A.; THOMAS, J.; TRICCO, A. C.; WELCH, V. A.; WHITING, P.; MOHER, D. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. <strong>Revista Panamericana de Salud Pública,</strong> Washington, DC, v. 46, e112, 2022. DOI: 10.26633/RPSP.2022.112</p>



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<p class="wp-block-paragraph">SILVA, A. C. Q. da; SOUSA, I. D. de; DIAS, M. A. N. Letramento corporal na infância: revisão de literatura sobre sua importância para o desenvolvimento integral do aluno. <strong>Revista FT</strong>, v. 29, n. 143, fev. 2025. DOI: <a href="https://doi.org/10.69849/revistaf.pal202502161118">https://doi.org/10.69849/revistaf.pal202502161118</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUSA, A. L. de; ALVARENGA, A. L. de. Componente curricular Arte: as linguagens artísticas e o ensino não-presencial em tempos de pandemia<strong>. Kiri-kerê: Pesquisa em Ensino</strong>, n. 7, nov. 2021. DOI: <a href="https://doi.org/10.47456/krkr.v1i7.35885">https://doi.org/10.47456/krkr.v1i7.35885</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">TIAN, T.; ISA, Z. B. M. Exploration and practice of aesthetic education in early childhood education activities. <strong>Journal of Digitainability, Realism &amp; Mastery (DREAM)</strong>, v. 3, n. 9, p. 61–74, 2024. DOI: https://doi.org/10.56982/dream.v3i09.259 </p>



<p class="wp-block-paragraph">ZULUSUWAN, Y. Z.; CHANSIRISIRA, P. Aesthetic literacy for educator excellence: a competency development framework in China’s vocational education. International <strong>Journal of Education &amp; Literacy Studies</strong>, v. 13, n. 2, 2025. DOI: <a href="https://doi.org/10.7575/aiac.ijels.v.13n.2p.412">https://doi.org/10.7575/aiac.ijels.v.13n.2p.412</a></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Doutorando em Ciências Florestais e Ambientais<br>Universidade Federal do Tocantins &#8211; UFT<br>Palmas –Tocantins –Brasil<br>E-mail: <a href="mailto:marcosnegreiros1985@gmail.com">marcosnegreiros1985@gmail.com</a><br>Orcid: <a href="https://orcid.org/0000-0003-1964-620X">https://orcid.org/0000-0003-1964-620X</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>2</sup>Especialista em Gestão Escolar<br>Instituição: Universidade Federal do Tocantins (UFT)<br>Endereço: Palmas-Tocantins-Brasil<br>E-mail: <a href="mailto:adrianaalencarfeitosa@gmail.com">adrianaalencarfeitosa@gmail.com</a><br>Orcid: <a href="https://orcid.org/0009-0000-7114-1394">https://orcid.org/0009-0000-7114-1394</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>3</sup>Mestre em Ciências Policias<br>Instituição: Academia Policial Militar Tiradentes (APMT)<br>Endereço: Palmas-Tocantins-Brasil<br>Email: <a href="mailto:frankcynatra@gmail.com">frankcynatra@gmail.com</a><br>Orcid: <a href="https://orcid.org/0000-0001-8824-6811">https://orcid.org/0000-0001-8824-6811</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>4</sup>Mestrando em Ciências Florestais e Ambientais,<br>Universidade Federal do Tocantins, Brasil<br>E-mail: <a href="mailto:tiagoalves1905@gmail.com">tiagoalves1905@gmail.com</a><br>Orcid: <a href="https://orcid.org/0009-0001-6017-0154">https://orcid.org/0009-0001-6017-0154</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>5</sup>Doutorando em Ciências Florestais e Ambientais,<br>Universidade Federal do Tocantins, Brasil<br>E-mail: <a href="mailto:rodrigoadesa@hotmail.com">rodrigoadesa@hotmail.com</a><br>Orcid: <a href="https://orcid.org/0009-0009-9690-3055">https://orcid.org/0009-0009-9690-3055</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>6</sup>Mestre em Ciências Florestais e Ambientais<br>Instituição: Universidade Federal do Tocantins<br>Endereço: Gurupi –Tocantins, Brasil<br>E-mail: <a href="mailto:paulosergio@ift.edu.br">paulosergio@ift.edu.br</a><br>Orcid: <a href="https://orcid.org/0000-0002-7399-4347">https://orcid.org/0000-0002-7399-4347</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>7</sup>Mestre em Ciências Florestais e Ambientais<br>Instituição: Universidade Federal do Tocantins (UFT)<br>Endereço: Gurupi –Tocantins, Brasil<br>E-mail: <a href="mailto:lucasmarinho1994@gmail.com">lucasmarinho1994@gmail.com</a><br>Orcid: <a href="https://orcid.org/0009-0000-5974-3691">https://orcid.org/0009-0000-5974-3691</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>8</sup>Mestrando em Educação Profissional e Tecnológica<br>Instituição: Instituto Federal do Tocantins (IFTO)<br>E-mail: <a href="mailto:grsonoliveira@gmail.com">grsonoliveira@gmail.com</a><br>Orcid: <a href="https://orcid.org/0000-0002-1455-638X">https://orcid.org/0000-0002-1455-638X</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>9</sup>Mestre em Ciências Policiais<br>Instituição: Academia Policial Militar Tiradentes (APMT)<br>E-mail: <a href="mailto:cap.abreupmto@gmail.com">cap.abreupmto@gmail.com</a><br>Orcid: <a href="https://orcid.org/0000-0002-0332-8402">https://orcid.org/0000-0002-0332-8402</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>10</sup>Especialista em Metodologia do Ensino de Música<br>Instituição: Faculdade de Administração, Ciências, Educação e Letras (FACIEL)<br>E-mail: <a href="mailto:welianemd@gmail.com">welianemd@gmail.com</a><br>Orcid: <a href="https://orcid.org/0009-0001-7459-2526">https://orcid.org/0009-0001-7459-2526</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>CUIDADOS DE ENFERMAGEM NA ESTABILIZAÇÃO E RECUPERAÇÃO DO PACIENTE POLITRAUMATIZADO: UMA REVISÃO DE LITERATURA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/cuidados-de-enfermagem-na-estabilizacao-e-recuperacao-do-paciente-politraumatizado-uma-revisao-de-literatura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft NI]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Feb 2026 17:20:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[NURSING CARE IN THE STABILIZATION AND RECOVERY OF THE POLYTRAUMATIZED PATIENT: A LITERATURE REVIEW REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202603022035 Gislaine da Silva Paixão1 RESUMO Introdução: O politraumatismo é caracterizado por múltiplas lesões decorrentes de forças e eventos mecânicos, químicos, térmicos e elétricos externos ao organismo, podendo acometer órgãos e sistemas de forma grave, com risco de evolução [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">NURSING CARE IN THE STABILIZATION AND RECOVERY OF THE POLYTRAUMATIZED PATIENT: A LITERATURE REVIEW</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202603022035</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Gislaine da Silva Paixão<sup>1</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introdução: </strong>O politraumatismo é caracterizado por múltiplas lesões decorrentes de forças e eventos mecânicos, químicos, térmicos e elétricos externos ao organismo, podendo acometer órgãos e sistemas de forma grave, com risco de evolução para óbito em casos extremos. <strong>Objetivo:</strong> Investigar e sintetizar as contribuições científicas recentes sobre os cuidados de enfermagem voltados à estabilização e recuperação de pacientes politraumatizados. <strong>Metodologia:</strong> Trata-se de uma R da Literatura realizada através de um levantamento bibliográfico nas bases de dados eletrônicas Pubmed, Scielo e Google Acadêmico. Foram incluídos artigos completos, publicados entre 2021 e 2025, no idioma português. O processo de seleção seguiu as diretrizes do protocolo PRISMA. <strong>Resultados e discussão: </strong>Os achados evidenciam que o paciente politraumatizado é considerado prioridade no atendimento em saúde, em razão do risco elevado de lesões simultâneas em diferentes sistemas do corpo, que variam conforme o mecanismo do trauma e as regiões corporais acometidas. A implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) demonstrou ser uma ferramenta indispensável para organizar o cuidado, reduzir o tempo de internação e prevenir sequelas motoras e neurológicas, assegurando uma transição segura para a fase de reabilitação. <strong>Conclusão:</strong> Os cuidados de enfermagem são vitais para a sobrevivência do paciente politraumatizado. O sucesso da estabilização e recuperação depende da agilidade da equipe, do domínio técnico sobre protocolos internacionais e da capacidade de oferecer um cuidado humanizado e contínuo. Conclui-se que a educação permanente e o treinamento simulado são estratégias essenciais para que o enfermeiro possa enfrentar os desafios da alta complexidade no trauma, mitigando erros e elevando a segurança do paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Cuidados de Enfermagem; Traumatismo múltiplo; Politrauma.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introduction:</strong> Polytrauma is characterized by multiple injuries resulting from mechanical, chemical, thermal, and electrical forces and events external to the body, potentially affecting organs and systems severely, with a risk of death in extreme cases. <strong>Objective:</strong> To investigate and synthesize recent scientific contributions on nursing care focused on the stabilization and recovery of polytrauma patients. <strong>Methodology:</strong> This is an Integrative Literature Review conducted through a bibliographic survey in the electronic databases PubMed, SciELO, and Google Scholar. Full articles published between 2021 and 2025, in Portuguese, were included. The selection process followed the PRISMA protocol guidelines. <strong>Results and discussion: </strong>The findings show that polytrauma patients are considered a priority in healthcare due to the high risk of simultaneous injuries to different body systems, which vary according to the mechanism of trauma and the affected body regions. The implementation of the Nursing Care Systematization (SAE) proved to be an indispensable tool for organizing care, reducing hospitalization time, and preventing motor and neurological sequelae, ensuring a safe transition to the rehabilitation phase. <strong>Conclusion:</strong> Nursing care is vital for the survival of polytrauma patients. The success of stabilization and recovery depends on the team&#8217;s agility, technical mastery of international protocols, and the ability to provide humanized and continuous care. It is concluded that continuing education and simulated training are essential strategies for nurses to face the challenges of high-complexity trauma, mitigating errors and increasing patient safety.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Nursing Care; Multiple Trauma; Polytrauma.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1&nbsp;INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo das últimas décadas, a definição e a classificação do politrauma passaram por sucessivas mudanças. A primeira definição formal foi descrita na literatura inglesa em 1975, na qual o politraumatizado era caracterizado pela presença de duas ou mais lesões clinicamente relevantes. Posteriormente, em 1984, o conceito foi ampliado ao estabelecer que o politrauma corresponde à ocorrência de duas ou mais lesões, sendo que ao menos uma delas, de forma isolada ou em associação com as demais, representam risco de vida (Moura et al. 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, define o politraumatismo como múltiplas lesões decorrentes de eventos externos de natureza mecânica, química, térmica ou elétrica, que podem comprometer órgãos e sistemas de forma grave, aumentando o risco de evolução para óbito (Lazzeroni et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Anualmente, cerca de 5,8 milhões de pessoas sofrem traumas graves no mundo, sendo os acidentes de trânsito responsáveis pela maior parte dos casos e por aproximadamente 10% das mortes globais (Ramos, Aguiar e Lopes, 2023). No Brasil, em 2022, registraram-se 1.544.266 mortes por eventos externos, um aumento de 29,18% em relação a 2000 (Castiglioni, 2024). Considerando os acidentes de trânsito como um problema relevante de saúde pública, devido ao impacto na vida das vítimas e aos elevados custos para o governo, que abrange desde internações até a reabilitação (Oliveira et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O politraumatismo pode ser classificado pelo número de regiões corporais afetadas, com acometimento mínimo de duas regiões, geralmente resultando em alterações fisiológicas. Pode ocorrer em decorrência de acidentes de trânsito, atropelamentos, quedas, lesões por arma branca e ferimentos por arma de fogo, entre outros tipos de acidentes (Figueiredo et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante da evolução conceitual e das atualizações no manejo do paciente traumatizado, consolidou-se o método mnemônico ABCDE do trauma, posteriormente introduzido o X para complementar o protocolo, sendo uma abordagem sistematizada de avaliação e atendimento inicial, em que temos o manejo sequencial de Controle de Hemorragias exsanguinantes, Via Aérea, Respiração, Circulação, Avaliação Neurológica e Exposição (Moura et al. 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto da saúde, a equipe de enfermagem desempenha funções importantíssimas nas unidades de urgência e emergência, em razão da proximidade com os pacientes e da prestação de assistência humanizada, seguindo diretrizes e protocolos estabelecidos (Custódio et al., 2022). O cuidado contínuo de enfermagem antecipa alterações clínicas, viabilizando intervenções imediatas que preveem a deterioração do quadro e reduzem a necessidade de procedimentos invasivos (Souza e Serra, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante da relevância do atendimento ao paciente politraumatizado, torna-se essencial compreender as condutas da enfermagem nesse contexto, com destaque para os cuidados iniciais ao paciente com múltiplas fraturas, a identificação das lesões mais frequentes e as intervenções necessárias à recuperação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2&nbsp;OBJETIVO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">2.1 Objetivo geral</p>



<p class="wp-block-paragraph">Investigar e sintetizar as contribuições científicas recentes sobre os cuidados de enfermagem voltados à estabilização e recuperação de pacientes politraumatizados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.2 Objetivos específicos</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Identificar o perfil epidemiológico e as lesões mais frequentes em pacientes politraumatizados;</li>



<li>Evidenciar a importância da atuação do enfermeiro no atendimento inicial ao paciente politraumatizado;</li>



<li>Discutir o papel da enfermagem na recuperação do paciente politraumatizado.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3&nbsp;METODOLOGIA &nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste estudo, adotou-se uma Revisão Sistemática da Literatura, de abordagem qualitativa, um método que viabiliza a análise de múltiplas pesquisas publicadas para gerar conclusões abrangentes sobre um fenômeno específico, fundamentando a prática clínica baseada em evidências. Para garantir a transparência e o rigor científico, o estudo foi estruturado em seis fases distintas, conforme preconizado pela literatura metodológica: identificação do tema e seleção da questão norteadora; estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão; busca em bases de dados; categorização dos estudos; análise dos resultados e síntese do conhecimento. A pergunta central foi delineada por meio da estratégia PICO, resultando no questionamento: &#8220;Quais são os cuidados de enfermagem realizados para a estabilização e a recuperação do paciente politraumatizado?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa foi conduzida em bases de dados reconhecidas, incluindo a National Library of Medicine (Pubmed), a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e o Google Acadêmico. Foram adotadas as seguintes palavras-chave: “Cuidados de Enfermagem”, “Traumatismo múltiplo” e “Politrauma”, conforme os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS). Os descritores foram combinados com operadores booleanos (<em>AND </em>e <em>OR</em>) para ampliar os resultados pertinentes à temática.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os critérios de inclusão contemplaram artigos publicados em língua portuguesa entre 2021 e 2025. Foram excluídos monografias, dissertações, teses, artigos duplicados, estudos com conteúdo irrelevante para a questão central da pesquisa e aqueles com ano de publicação fora do recorte temporal estabelecido. Após a leitura criteriosa e a categorização dos estudos, selecionaram-se os artigos que atenderam aos critérios estabelecidos, totalizando 15 publicações. O processo de seleção ocorreu entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;As etapas do processo de seleção seguiram as recomendações do protocolo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), contemplando as fases de identificação, triagem, elegibilidade, inclusão e exclusão. Os artigos selecionados são apresentados em uma tabela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na discussão, os achados foram organizados em quatro categorias: 1) Epidemiologia e lesões associadas; 2) Importância da Enfermagem para o paciente politraumatizado; 3) Atendimento Inicial e Intervenções de Enfermagem; 4)Enfermagem na recuperação do paciente politraumatizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4&nbsp;RESULTADOS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As buscas nos bancos de dados foram realizadas com base nos critérios estabelecidos, identificando-se 4.888 artigos: 4.760 no Google Acadêmico, 60 na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e 68 na Pubmed. Após a aplicação dos critérios de inclusão, 78 artigos foram selecionados para análise de títulos e resumos, dentre eles, apenas 15 foram selecionados para a leitura integral, compondo o corpus analítico desta revisão. A síntese quantitativa das etapas é apresentada na Figura 1.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1.</strong> Fluxograma do processo de busca, elegibilidade e inclusão, na moldagem do&nbsp;Prisma.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="510" height="448" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-5.png" alt="" class="wp-image-266428" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-5.png 510w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-5-300x264.png 300w" sizes="(max-width: 510px) 100vw, 510px" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Fonte:</strong> Prisma (2020).</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;A Figura 1 evidencia o processo de seleção do corpus analítico empregado nesta revisão. Os resultados obtidos a partir dos descritores são apresentados na Tabela 1, em ordem crescente de publicação.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1: </strong>Distribuição das características dos artigos de acordo com autores, anos, títulos, periódicos e resultados encontrados</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="536" height="789" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image.png" alt="" class="wp-image-266421" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image.png 536w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-204x300.png 204w" sizes="(max-width: 536px) 100vw, 536px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="537" height="739" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1.png" alt="" class="wp-image-266423" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1.png 537w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1-218x300.png 218w" sizes="(max-width: 537px) 100vw, 537px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="534" height="717" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2.png" alt="" class="wp-image-266424" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2.png 534w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2-223x300.png 223w" sizes="(max-width: 534px) 100vw, 534px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="536" height="716" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-3.png" alt="" class="wp-image-266425" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-3.png 536w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-3-225x300.png 225w" sizes="(max-width: 536px) 100vw, 536px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="534" height="718" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-4.png" alt="" class="wp-image-266426" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-4.png 534w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-4-223x300.png 223w" sizes="(max-width: 534px) 100vw, 534px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme observado, dos 15 artigos utilizados, dois foram publicados em 2021, dois em 2022, quatro artigos publicados em 2023, quatro em 2024 e três artigos publicados em 2025. Quanto aos periódicos: RECIMA21, Revista Brasileira Interdisciplinar em Saúde, Cuidarte Enfermagem, Brazilian Journal of Development, Revista Ibero-Americana de Humanidade, Ciências e Educação, Brazilian Journal of Review, Revista Eletrônica Acervo Saúde, Revista Foco, Research, Society and Development, Unipar – Universidade Paranaense e Revista de Pesquisa Cuidado é Fundamental Online.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Os conceitos teóricos dos artigos selecionados são apresentados na discussão e organizados em quatro tópicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5&nbsp; DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta discussão visa integrar os achados da revisão, apresentados na Tabela 1, aos conceitos teóricos e às condutas de enfermagem para o paciente politraumatizado. Os estudos selecionados abordam diversos aspectos do cuidado, como o perfil epidemiológico das vítimas, os protocolos de atendimento, a atuação da enfermagem, a humanização do cuidado e os desafios enfrentados pela equipe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">5.1 Epidemiologia e lesões associadas</p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura demonstra que a maioria das vítimas envolvidas&nbsp; no trauma é composta por adultos jovens do sexo masculino, com idade entre 18 e 40 anos, e os acidentes de trânsito são os principais causadores de politraumatismo e óbitos no Brasil (Oliveira et al., 2021; Santos et al., 2023; Zirr, Lenz e Tressoldi, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a pesquisa, as lesões mais frequentes incluem o Traumatismo Cranioencefálico (TCE), as lesões torácicas, abdominais e pélvicas, as lesões medulares e fraturas de membros. O TCE destaca-se como a principal causa de morbimortalidade, sendo responsável por aproximadamente&nbsp; 30% a 70% dos óbitos e, nos casos de sobrevivência, por sequelas neurológicas e importante comprometimento funcional (Santos et al., 2023). O trauma torácico (TT) é a segunda maior causa de morte entre pacientes politraumatizados, devido ao comprometimento de órgãos torácicos decorrente de fraturas de costelas (Pereira et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As lesões abdominais correspondem a cerca de 30% das ocorrências (Pereira et al., 2024; Neto et al., 2024). Diversos mecanismos fisiopatológicos estão envolvidos, como o aumento da pressão intra-abdominal. Esses mecanismos podem levar ao rompimento de vísceras ocas, à ruptura esplênica e à formação de hematomas retroperitoneais (Neto et al., 2024). Pereira et al. (2024) aprofundam a discussão ao afirmar que o trauma abdominal que cursa com lesão retroperitoneal representa um desafio no manejo, pois está associado a elevadas taxas de morbidade e mortalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, destacou-se que as lesões medulares representam 70% dos casos (Pereira et al., 2024; Santos et al., 2023). Essas lesões causam alterações fisiológicas nos sistemas neurológico, cardiovascular e respiratório (Ramos, Aguiar e Lopes, 2023). No âmbito cardiovascular, podem ocorrer hipovolemia, choque hemorrágico e disfunção cardíaca; no respiratório, pneumotórax e contusão pulmonar; e, no neurológico, as lesões cranioencefálicas podem levar ao desenvolvimento de edema cerebral, hematomas e ao aumento da pressão intracraniana (Ramos, Aguiar e Lopes, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O trauma pélvico associado a fraturas ou luxações apresenta alta probabilidade de provocar lesões vasculares, especialmente de origem venosa, podendo resultar em hemorragias graves (Neto et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Neto et al (2024), o choque hemorrágico é a principal causa de morte passível de prevenção no pós-trauma. Assim, o reconhecimento precoce dessas lesões é fundamental para as intervenções necessárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A avaliação detalhada das lesões em pacientes politraumatizados é fundamental para a elaboração de estratégias terapêuticas, visto que esses pacientes apresentam elevada complexidade assistencial (Zirr, Lens e Tressoldi, 2025). Tal condição exige manejo criterioso e a implementação de protocolos assistenciais específicos, de acordo com o tipo e a gravidade das lesões, para reduzir riscos e garantir uma recuperação eficaz (Zirr, Lens e Tressoldi, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">5.2 Importância da enfermagem ao paciente politraumatizado</p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura evidencia a importância da atuação da equipe de enfermagem. Os estudos de Oliveira et al (2021); Martins, Pimentel e Rodrigues (2021); Zaparoli et al (2022); Oliveira et al (2024) e Giombeli et al (2025), enfatizam a importância de um cuidado humanizado e acolhedor, fundamentado em um amplo conhecimento técnico-científico e na padronização da assistência por meio de protocolos. A prática da enfermagem deve ser pautada em princípios científicos e atuação baseada em evidências, colaborando para um atendimento qualificado e otimizado (Custódio et al., 2022; Santos et al., 2023; Oliveira et al., 2024; Giombeli et al., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">São atribuições do enfermeiro a supervisão e a gestão dos cuidados, sendo a formação contínua crucial para o aperfeiçoamento deste profissional (Zaparoli et al., 2022; Oliveira et al., 2024; Menezes et al., 2025). A sistematização dos cuidados de enfermagem é apontada como uma ferramenta fundamental para alcançar a excelência no trabalho (Menezes et al., 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da importância da enfermagem, a literatura também evidencia desafios significativos. Custódio et al. (2022) e Giombeli et al. (2025) evidenciam desafios associados à sobrecarga de trabalho, ao estresse profissional, às divergências entre os membros da equipe e à deficiência de conhecimento científico. Essa deficiência reforça a importância da educação permanente para capacitação e aprimoramento contínuo, como ressaltado por (Zaparoli et al., 2022; Oliveira et al. 2024), assegurando que as decisões do enfermeiro sejam sempre pautadas em princípios científicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">5.3 Atendimento Inicial e Intervenções de Enfermagem</p>



<p class="wp-block-paragraph">O atendimento inicial ao paciente politraumatizado desempenha papel decisivo no prognóstico. Nesse sentido, a utilização de protocolos estabelecidos, como o Advanced Trauma Life Support (ATLS), mostra-se essencial para orientar a conduta dos profissionais de saúde (Zaparoli <a href="https://dummy-citation.com/citation?d=W3sib3JpZ2luIjowLCJ3b3JrIjp7Imlzc3VlZERhdGUiOiIyMDIyIiwidHlwZSI6MCwic3VidHlwZSI6e30sImNvbnRyaWJ1dG9ycyI6W3sibmFtZSI6eyJnaXZlbiI6IiIsImZhbWlseSI6IlpBUEFST0xJIGV0IGFsLiwifSwicm9sZSI6MH1dLCJpZHMiOnsiaXNibiI6W10sImlzc24iOltdfX19XQ%3D%3D"></a>et al., 2022). O exame primário, fundamental para avaliação rápida e eficaz, emprega o protocolo XABCDE do trauma, uma sequência padronizada destinada à identificação e ao manejo das lesões com maior potencial de letalidade<a href="https://dummy-citation.com/citation?d=W3sib3JpZ2luIjowLCJ3b3JrIjp7ImlkcyI6eyJpc2JuIjpbXSwiaXNzbiI6W119LCJ0eXBlIjowLCJjb250cmlidXRvcnMiOlt7InJvbGUiOjAsIm5hbWUiOnsiZ2l2ZW4iOiIiLCJmYW1pbHkiOiJaSVJSIGV0IGFsLiwifX1dLCJpc3N1ZWREYXRlIjoiMjAyNSIsInN1YnR5cGUiOnt9fX1d"></a>(Zirr<a href="https://dummy-citation.com/citation?d=W3sib3JpZ2luIjowLCJ3b3JrIjp7ImlkcyI6eyJpc2JuIjpbXSwiaXNzbiI6W119LCJ0eXBlIjowLCJjb250cmlidXRvcnMiOlt7InJvbGUiOjAsIm5hbWUiOnsiZ2l2ZW4iOiIiLCJmYW1pbHkiOiJaSVJSIGV0IGFsLiwifX1dLCJpc3N1ZWREYXRlIjoiMjAyNSIsInN1YnR5cGUiOnt9fX1d"></a>et al., 2025)<a href="https://dummy-citation.com/citation?d=W3sib3JpZ2luIjowLCJ3b3JrIjp7ImlkcyI6eyJpc2JuIjpbXSwiaXNzbiI6W119LCJ0eXBlIjowLCJjb250cmlidXRvcnMiOlt7InJvbGUiOjAsIm5hbWUiOnsiZ2l2ZW4iOiIiLCJmYW1pbHkiOiJaSVJSIGV0IGFsLiwifX1dLCJpc3N1ZWREYXRlIjoiMjAyNSIsInN1YnR5cGUiOnt9fX1d">.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">O protocolo XABCDE no manejo do trauma segue uma padronização baseada nas lesões de maior risco de mortalidade, sendo composto por: X (Controle de hemorragia exsanguinantes); A (A<em>irway</em>) – vias aéreas e controle da coluna cervical; B (<em>Breathing)</em> – respiração e ventilação; C (<em>Circulation</em>) – domínio da circulação; D (<em>Disability</em>) – avaliação neurológica; e E (<em>Exposure</em>) – exposição e controle da temperatura (Zirr et al., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Giombeli et al. (2025) esclarecem as responsabilidades da enfermagem no contexto&nbsp; do atendimento inicial. Tais atribuições incluem a implementação rigorosa de protocolos, a monitorização contínua de parâmetros vitais, a obtenção de acesso venoso periférico calibroso, a passagem de sonda gástrica e vesical quando necessário, a oferta de oxigenoterapia e a realização de curativos. Ademais, o manejo eficaz da dor, por meio da quantificação e da administração de medicações, constitui elemento essencial para evitar alterações indesejadas nos sinais vitais e promover o conforto (Giombeli et al., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O exercício da enfermagem abrange, ainda, a coleta de amostras sanguíneas para exames laboratoriais, a obtenção de dados clínicos relevantes e a comunicação efetiva, visando acalmar o paciente e oferecer suporte emocional durante a fase de estabilização (Dio et al., 2022). É amplamente reconhecido que os cuidados de enfermagem são fundamentais não apenas para a prevenção de agravos secundários e para o alívio da dor, mas também para a melhora do quadro clínico geral e para a detecção precoce de quaisquer lesões adicionais que possam representar risco iminente de morte (Dio et al., 2022). Esses cuidados são intrinsecamente planejados, sistematizados e individualizados, refletindo a consideração das necessidades específicas de cada paciente (Giombeli et al., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">5.4 Enfermagem na recuperação do paciente politraumatizado</p>



<p class="wp-block-paragraph">O enfermeiro é o profissional que atua de forma contínua nos processos de diagnóstico, tratamento e reabilitação, participando ativamente como membro da equipe multiprofissional (Oliveira et al., 2024). Sua atuação envolve intervenções que contribuem de forma eficiente para a motivação e a recuperação do paciente (Martins, Pimentel e Rodrigues, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Processo de Enfermagem (PE) tem como finalidade planejar, diagnosticar e implementar, de forma organizada, as etapas das condutas de enfermagem, além de estabelecer normas práticas que promovam maior resolutividade e qualidade no cuidado. (Martins, Pimentel e Rodrigues, 2021). Esse processo favorece a qualificação da assistência prestada ao paciente, promovendo o uso racional dos insumos disponíveis no atendimento, seja no âmbito pré-hospitalar ou intra-hospitalar, com o objetivo de suprir integralmente as necessidades humanas básicas do paciente (Martins, Pimentel e Rodrigues, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A assistência de enfermagem ao paciente politraumatizado é fundamental, pois esse indivíduo demanda cuidados especiais de grande complexidade (Menezes et al., 2025; Oliveira et al., 2024). Nesse contexto, cabe ao enfermeiro avaliar continuamente o nível de consciência, a presença ou ausência de incapacidades e registrar quaisquer queixas apresentadas pelo paciente. Deve, ainda, assegurar a oxigenação e a circulação sanguíneas adequadas, bem como avaliar e manejar a dor por meio de intervenções farmacológicas e não farmacológicas (Souza, Silva e Oliveira, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Da mesma forma, é responsabilidade do enfermeiro executar os cuidados com curativos, adotando técnicas assépticas e utilizando o tipo de curativo mais apropriado para cada situação clínica, além de prevenir complicações decorrentes do repouso prolongado no leito, como lesões por pressão e trombose venosa profunda (Menezes et al., 2025). Esses cuidados são componentes fundamentais para o tratamento e a recuperação do paciente (Souza, Silva e Oliveira, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A abordagem de longo prazo inclui a gestão de sequelas e o acompanhamento&nbsp; periódico, como forma de minimizar a incapacidade física e emocional decorrente do trauma (Oliveira et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, a literatura analisada reforça a natureza complexa e multifacetada do cuidado ao paciente politraumatizado, sublinhando o papel insubstituível da enfermagem. A importância de conhecimento aprofundado, implementação de protocolos, humanização do cuidado e aprimoramento contínuo são temas centrais que permeiam todos os estudos, culminando em uma assistência de excelência desde o primeiro atendimento até a recuperação do paciente</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6&nbsp;CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base nos achados da pesquisa, a assistência de enfermagem evidencia-se como essencial no cuidado ao paciente politraumatizado. Nesse contexto, a equipe deve estar adequadamente preparada para o atendimento inicial, realizando intervenções oportunas e procedimentos conforme a fase do trauma.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados analisados demonstram a necessidade de implementar ações voltadas à prevenção de acidentes, com destaque para os acidentes de trânsito, bem como de desenvolver estratégias que garantam uma assistência em saúde sistematizada, resolutiva e fundamentada em evidências científicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados também indicam que o traumatismo cranioencefálico configura-se como um problema de saúde pública relevante, apresentando elevada incidência entre adultos jovens e sendo responsável por altos índices de mortalidade e de sequelas. A identificação precoce dessas lesões mostra-se fundamental para direcionar intervenções adequadas e reduzir a ocorrência de complicações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, o enfermeiro deve manter-se capacitado e continuamente atualizado para prestar assistência qualificada, com vistas à redução de agravos, à prevenção de óbitos decorrentes de complicações do trauma e à contribuição efetiva para o processo de reabilitação, promovendo melhor qualidade de vida ao paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">CASTIGLIONI, Aurélia Hermínia. <strong>Mortalidade Diferencial por Causas Externas no Brasil no Período de 2000 a 2022</strong>. Geografares, n. 39, 2024. Disponível em: https://journals.openedition.org/geografares/16423#bibliography. Acesso em: 3 jan. 2026.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">ZAPAROLI, Analiê Mancioppi; SILVA, Mikely Lacerda da; ASSIS, Raquel de; GASPAR, Aidê Amábile Coelho dos. Assistência de enfermagem ao paciente politraumatizado. <strong>CuidArte, Enfermagem</strong>. Vol.<em>16, pag.119-127, 2022.</em> Disponível em: <a href="https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1426937">https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1426937.</a> Acesso em 18 dez. 2025.</p>



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<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Enfermeira Especialista em Urgência e Trauma do Centro Universitário Maurício de Nassau – UNINASSAU Vilhena/RO. E-mail: gislainesp.enf@gmail.com.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>METODOLOGIAS ATIVAS NO CONTEXTO AMAZÔNICO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/metodologias-ativas-no-contexto-amazonico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Feb 2026 16:51:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=266416</guid>

					<description><![CDATA[ACTIVE METHODOLOGIES IN THE AMAZONIAN CONTEX METODOLOGÍAS ACTIVAS EN EL CONTEXTO AMAZÓNICO REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602281520 Átila de Souza1Danielly Cristyny Costa de Souza2Cristina Nogueira Paz de Lima3Glaceane Melo dos Santos4Leoguinéia do Nascimento5Neucivan Marques Pinto6Rita Lucia Souza de Souza7 Resumo Este artigo analisa as metodologias ativas no contexto amazônico, no período de 2020 a 2025, a partir [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">ACTIVE METHODOLOGIES IN THE AMAZONIAN CONTEX</p>



<p class="wp-block-paragraph">METODOLOGÍAS ACTIVAS EN EL CONTEXTO AMAZÓNICO</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602281520</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Átila de Souza<sup>1</sup><br>Danielly Cristyny Costa de Souza<sup>2</sup><br>Cristina Nogueira Paz de Lima<sup>3</sup><br>Glaceane Melo dos Santos<sup>4</sup><br>Leoguinéia do Nascimento<sup>5</sup><br>Neucivan Marques Pinto<sup>6</sup><br>Rita Lucia Souza de Souza<sup>7</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo analisa as metodologias ativas no contexto amazônico, no período de 2020 a 2025, a partir de uma revisão de literatura que contempla produções científicas voltadas à educação básica, à educação profissional e tecnológica e à formação de professores. Parte-se do pressuposto de que as metodologias ativas constituem estratégias pedagógicas capazes de promover maior protagonismo discente, aprendizagem significativa e articulação entre os conteúdos escolares e a realidade social dos estudantes. No entanto, argumenta-se que sua implementação não pode ser compreendida de forma homogênea, uma vez que se encontra condicionada por fatores estruturais, territoriais, institucionais e formativos. No contexto amazônico, tais condicionantes tornam-se mais evidentes em função da dispersão geográfica, das limitações de infraestrutura física e digital, da desigualdade de acesso à conectividade e da diversidade sociocultural presente nos territórios ribeirinhos, rurais e urbanos periféricos. A análise da literatura revela que práticas pedagógicas baseadas em projetos, resolução de problemas, atividades investigativas e propostas interdisciplinares apresentam potencial para fortalecer a relação entre escola e território, favorecer a contextualização curricular e valorizar os saberes locais. Entretanto, os estudos também apontam que a consolidação dessas metodologias depende diretamente de políticas públicas sensíveis às especificidades regionais, de investimentos em infraestrutura e, sobretudo, de processos contínuos de formação docente. Conclui-se que, embora as metodologias ativas representem importantes possibilidades para a qualificação do ensino na Amazônia, sua efetividade está fortemente associada à superação das desigualdades educacionais históricas da região e ao fortalecimento de práticas formativas que considerem o território como elemento estruturante dos processos educativos. O artigo destaca, ainda, a necessidade de pesquisas futuras que aprofundem a análise das metodologias ativas em diferentes realidades amazônicas e que investiguem seus impactos no engajamento e na permanência escolar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> metodologias ativas; educação amazônica; formação de professores; contextualização curricular; desigualdades educacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">This article analyzes active learning methodologies in the Amazonian context between 2020 and 2025 through a literature review focused on basic education, professional and technological education, and teacher education. The study is based on the assumption that active methodologies can promote student protagonism, meaningful learning, and stronger connections between school knowledge and students’ social realities. However, their implementation cannot be understood in a homogeneous way, since it is strongly influenced by structural, territorial, institutional, and pedagogical factors. In the Amazon region, these conditions become more evident due to geographic dispersion, limited physical and digital infrastructure, unequal access to internet connectivity, and the sociocultural diversity that characterizes riverside, rural, and peripheral urban communities. The literature indicates that pedagogical practices based on projects, problem solving, investigative activities, and interdisciplinary approaches have the potential to strengthen the relationship between school and territory, support curricular contextualization, and value local knowledge. Nevertheless, the studies also emphasize that the consolidation of active methodologies depends on public policies that are sensitive to regional specificities, investments in infrastructure, and, above all, continuous teacher education processes. The findings suggest that teacher professional development must be understood as a situated and collaborative process, aligned with the real working conditions of educators in the Amazon. The article concludes that, although active methodologies represent relevant possibilities for improving educational practices in the region, their effectiveness is directly associated with overcoming long-standing educational inequalities and strengthening training strategies that recognize the territory as a structuring element of educational processes. Finally, the study highlights the need for future research that examines active methodologies across different Amazonian realities and investigates their long-term impacts on student engagement, participation, and school retention.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> active methodologies; Amazonian education; teacher education; curricular contextualization; educational inequalities.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumen</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artículo analiza las metodologías activas en el contexto amazónico en el período comprendido entre 2020 y 2025, a partir de una revisión de la literatura centrada en la educación básica, la educación profesional y tecnológica y la formación del profesorado. Se parte de la premisa de que las metodologías activas constituyen estrategias pedagógicas capaces de promover el protagonismo del alumnado, el aprendizaje significativo y la articulación entre los contenidos escolares y la realidad social de los estudiantes. Sin embargo, se sostiene que su implementación no puede entenderse de manera homogénea, ya que está condicionada por factores estructurales, territoriales, institucionales y formativos. En la región amazónica, estas condiciones se vuelven más evidentes debido a la dispersión geográfica, a la precariedad de la infraestructura física y digital, a las desigualdades en el acceso a la conectividad y a la diversidad sociocultural presente en comunidades ribereñas, rurales y urbanas periféricas. La literatura analizada muestra que las prácticas pedagógicas basadas en proyectos, resolución de problemas, actividades investigativas y enfoques interdisciplinarios presentan un importante potencial para fortalecer la relación entre la escuela y el territorio, favorecer la contextualización curricular y valorar los saberes locales. No obstante, los estudios también señalan que la consolidación de estas metodologías depende de políticas públicas sensibles a las especificidades regionales, de inversiones en infraestructura y, principalmente, de procesos continuos de formación docente. Se concluye que, aunque las metodologías activas representan una alternativa relevante para la mejora de la educación en la Amazonía, su efectividad está directamente vinculada a la superación de las desigualdades educativas históricas de la región y al fortalecimiento de procesos formativos que reconozcan el territorio como un elemento estructurante de la educación.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palabras clave:</strong> metodologías activas; educación amazónica; formación del profesorado; contextualización curricular; desigualdades educativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introdução</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As metodologias ativas de ensino vêm sendo amplamente discutidas no campo educacional contemporâneo como estratégias capazes de promover o protagonismo discente, a aprendizagem significativa e a participação ativa dos estudantes na construção do conhecimento. Tais abordagens encontram respaldo em concepções pedagógicas que compreendem o processo educativo como prática social, dialógica e situada, conforme defendido por Freire (1996), ao destacar a centralidade da problematização da realidade e da experiência concreta dos sujeitos nos processos de ensino e aprendizagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto brasileiro, a adoção de metodologias ativas tem sido associada à necessidade de superação de práticas pedagógicas tradicionais, especialmente diante das transformações sociais, tecnológicas e culturais que atravessam a escola contemporânea. Contudo, a incorporação dessas metodologias não ocorre de forma homogênea no território nacional, sendo fortemente condicionada por desigualdades estruturais, institucionais e formativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na região amazônica, tais desafios assumem contornos ainda mais complexos em função da dispersão geográfica, da precariedade da infraestrutura escolar, das limitações de conectividade e da diversidade sociocultural que caracteriza os territórios ribeirinhos, rurais e urbanos periféricos. Ao mesmo tempo, esses contextos apresentam elevado potencial pedagógico para a construção de práticas educativas contextualizadas, socialmente referenciadas e articuladas aos saberes locais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, este artigo tem como objetivo analisar a produção recente sobre metodologias ativas no contexto amazônico, no recorte temporal de 2020 a 2025, buscando discutir suas potencialidades, desafios e perspectivas, com ênfase nas condições de implementação, na formação docente e nas desigualdades estruturais que atravessam os sistemas educacionais da região Norte do Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Metodologia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo caracteriza-se como uma revisão de literatura de natureza qualitativa, desenvolvida a partir da análise de produções acadêmicas publicadas entre 2020 e 2025, que abordam a temática das metodologias ativas no contexto educacional brasileiro, com ênfase em investigações realizadas na região amazônica ou que dialogam diretamente com suas especificidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram considerados como critérios de inclusão: (a) estudos que tratassem de metodologias ativas no âmbito da educação básica, da educação profissional e tecnológica ou da formação de professores; (b) produções que problematizassem a relação entre práticas pedagógicas e contexto socioterritorial; e (c) publicações veiculadas em periódicos científicos, livros ou relatórios institucionais reconhecidos na área da Educação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Metodologias ativas e contextos amazônicos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura educacional recente aponta que a adoção de metodologias ativas pode favorecer processos de ensino mais participativos, investigativos e colaborativos, contribuindo para a construção de aprendizagens mais significativas e contextualizadas. Em contextos marcados por forte diversidade sociocultural, como ocorre na Amazônia, essas abordagens apresentam potencial para articular os conteúdos escolares às experiências cotidianas dos estudantes e às problemáticas sociais, ambientais e territoriais que atravessam suas comunidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas desenvolvidas em escolas localizadas em contextos ribeirinhos e urbanos periféricos da região Norte evidenciam que práticas pedagógicas fundamentadas em resolução de problemas, projetos interdisciplinares e atividades investigativas contribuem para ampliar o engajamento dos estudantes e fortalecer a relação entre escola e território (MIRANDA; ALMEIDA, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No campo da educação profissional e tecnológica, investigações realizadas em instituições da região amazônica indicam que as metodologias ativas vêm sendo utilizadas como estratégias para articular currículo, mundo do trabalho e demandas sociais locais, favorecendo práticas pedagógicas mais integradas e contextualizadas (ALMEIDA; ANGELI; PEREIRA, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De modo geral, tais experiências revelam que a centralidade das metodologias ativas no contexto amazônico não se restringe à inovação didática, mas se vincula à possibilidade de enfrentamento de desigualdades educacionais historicamente presentes na região, ao reconhecer os saberes comunitários, as experiências territoriais e as dinâmicas socioculturais como dimensões estruturantes do processo educativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Formação docente e metodologias ativas na Amazônia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A formação de professores constitui um dos principais eixos de análise da literatura recente sobre metodologias ativas. Estudos nacionais evidenciam que a incorporação de práticas pedagógicas inovadoras depende, de forma decisiva, de processos formativos que articulem teoria e prática, favoreçam a reflexão sobre a ação docente e promovam espaços de aprendizagem coletiva entre professores (GATTI et al., 2020; VALENTE, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto amazônico, tais desafios são intensificados pelas condições territoriais, pela menor oferta de programas presenciais de formação continuada e pela fragilidade da articulação entre instituições formadoras e redes de ensino locais. Nesse cenário, a formação docente precisa ser compreendida como um processo contínuo, situado e colaborativo, capaz de considerar as condições reais de trabalho dos professores que atuam em escolas do campo, ribeirinhas e urbanas periféricas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura aponta que a efetiva apropriação das metodologias ativas exige não apenas o domínio de técnicas ou instrumentos didáticos, mas o desenvolvimento de competências pedagógicas que permitam ao professor adaptar, avaliar e ressignificar tais abordagens de acordo com as especificidades socioculturais e institucionais de cada contexto escolar (VALENTE, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Produção científica regional&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A produção acadêmica desenvolvida na região Norte tem contribuído para ampliar a compreensão sobre a relação entre metodologias ativas e educação amazônica, sobretudo ao evidenciar a importância da contextualização curricular, da interdisciplinaridade e da valorização dos saberes locais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos recentes realizados em institutos federais da região apontam que estratégias como projetos integradores, estudos de caso e atividades investigativas favorecem a articulação entre formação geral e formação técnica, contribuindo para práticas pedagógicas mais integradas e socialmente referenciadas (LIMA RODRIGUES; FARIAS; FARIAS, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma convergente, investigações no âmbito da educação básica evidenciam que a utilização de metodologias ativas em escolas amazônicas pode contribuir para ampliar a participação dos estudantes, fortalecer vínculos com o território e favorecer a problematização de questões socioambientais locais (MIRANDA; ALMEIDA, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses estudos indicam que a produção científica regional tem avançado no reconhecimento das metodologias ativas como possibilidades pedagógicas relevantes para a educação amazônica, ao mesmo tempo em que problematiza as limitações estruturais, políticas e institucionais que condicionam sua consolidação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Desafios para implementação das metodologias ativas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar do potencial pedagógico das metodologias ativas, a literatura aponta obstáculos significativos à sua implementação no contexto amazônico. Um dos principais entraves refere-se à desigualdade de acesso às tecnologias digitais e à conectividade nas escolas da região Norte, sobretudo em áreas rurais e ribeirinhas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados da pesquisa TIC Educação 2023 revelam que as escolas do Norte apresentam percentuais inferiores de acesso à internet de qualidade, menor disponibilidade de equipamentos e infraestrutura tecnológica mais precária quando comparadas a outras regiões do país, o que compromete o desenvolvimento de práticas pedagógicas que dependem de ambientes virtuais, plataformas digitais e estratégias híbridas (CGI.BR, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro desafio recorrente diz respeito à insuficiência de formação docente específica para o trabalho com metodologias ativas. Estudos nacionais sobre formação de professores evidenciam que grande parte dos docentes da educação básica não recebeu, em sua formação inicial, preparação sistemática para o uso de metodologias inovadoras, o que gera insegurança pedagógica e dificuldades de adaptação dessas abordagens às realidades escolares (GATTI et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto amazônico, esse quadro é agravado pelas longas distâncias territoriais, pela alta rotatividade docente, pelo funcionamento de classes multisseriadas e pela escassez de tempo pedagógico coletivo nas escolas do campo e ribeirinhas. Pesquisas sobre educação do campo na Amazônia demonstram que tais condições comprometem a continuidade de projetos pedagógicos e dificultam a consolidação de práticas interdisciplinares e investigativas (ARROYO, 2020; HAGE; SILVA, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Análise crítica</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise da produção recente sobre metodologias ativas no contexto amazônico evidencia avanços importantes no reconhecimento da centralidade do território, dos saberes locais e das dinâmicas socioculturais nos processos educativos. Entretanto, observa-se que parte significativa dos estudos ainda apresenta um tratamento predominantemente descritivo das experiências pedagógicas, concentrando-se nos relatos de práticas e nos potenciais formativos das metodologias ativas, com menor aprofundamento teórico-crítico acerca das condições estruturais que sustentam ou limitam sua efetivação nas escolas da região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora as pesquisas apontem ganhos no engajamento discente, na participação em sala de aula e na contextualização curricular, verifica-se que tais resultados são, em grande medida, apresentados de forma pontual e localizada, sem que se estabeleçam análises mais consistentes sobre a sustentabilidade dessas práticas no médio e longo prazo. A literatura tende a atribuir às metodologias ativas um papel quase redentor frente às fragilidades históricas da educação amazônica, o que pode ocultar o fato de que os principais entraves à qualidade do ensino permanecem fortemente associados a desigualdades estruturais, à precarização das condições de trabalho docente e à insuficiência de políticas públicas educacionais voltadas às especificidades regionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto crítico refere-se à formação docente. Embora os estudos reconheçam a centralidade dos processos formativos, observa-se que a maior parte das investigações não problematiza de maneira aprofundada os modelos de formação continuada oferecidos aos professores da região Norte, nem discute em que medida tais programas dialogam efetivamente com as realidades territoriais, culturais e institucionais das escolas amazônicas. Em muitos casos, as metodologias ativas são apresentadas como repertórios técnicos ou estratégias didáticas, dissociadas de uma perspectiva mais ampla de formação crítica, reflexiva e politicamente comprometida com a transformação das condições educacionais locais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a ênfase recorrente em práticas mediadas por tecnologias digitais, ainda que relevante, revela certo descompasso com a realidade de inúmeras escolas situadas em áreas rurais e ribeirinhas, marcadas por baixa conectividade e infraestrutura limitada. Tal tendência reforça a necessidade de problematizar modelos pedagógicos importados de contextos urbanos e tecnologicamente favorecidos, que nem sempre se mostram viáveis ou adequados às condições concretas da Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, a análise crítica da literatura indica que ainda são incipientes os estudos que investigam, de forma sistemática, os impactos das metodologias ativas sobre a permanência escolar, a redução das desigualdades educacionais e a efetiva aprendizagem dos estudantes. Assim, torna-se imprescindível avançar para abordagens investigativas mais robustas, que articulem as dimensões pedagógicas, políticas e estruturais, reconhecendo que a consolidação de práticas ativas na Amazônia depende menos da adoção isolada de metodologias e mais da construção de políticas educacionais integradas, territorialmente situadas e socialmente comprometidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Considerações Finais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise da literatura recente permite afirmar que as metodologias ativas apresentam elevado potencial para a qualificação dos processos de ensino e aprendizagem no contexto amazônico, especialmente ao favorecerem práticas pedagógicas mais contextualizadas, participativas e socialmente referenciadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, a consolidação dessas metodologias nas escolas da região Norte depende, de forma articulada, do fortalecimento das políticas públicas educacionais, da ampliação dos investimentos em infraestrutura física e digital, da garantia de condições de trabalho docente e da implementação de programas de formação continuada que considerem as especificidades territoriais, culturais e institucionais da Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como agenda para pesquisas futuras, destaca-se a necessidade de investigações empíricas de maior abrangência territorial, que analisem comparativamente a implementação de metodologias ativas em escolas urbanas periféricas, escolas do campo, escolas ribeirinhas e comunidades indígenas. Recomenda-se, ainda, o desenvolvimento de estudos longitudinais que acompanhem os impactos dessas metodologias sobre a permanência escolar, o engajamento discente e os processos de aprendizagem ao longo do tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, torna-se relevante aprofundar a relação entre metodologias ativas, saberes tradicionais e educação ambiental crítica na Amazônia, de modo a fortalecer propostas pedagógicas que reconheçam o território não apenas como cenário, mas como elemento estruturante dos processos educativos e da formação cidadã.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referêcias</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALMEIDA, Jefferson Feitosa de; ANGELI, Alessandra Cristina de; PEREIRA, Ricardo dos Santos. As metodologias ativas e a educação do século XXI. <strong>Revista Conexão na Amazônia</strong>, Rio Branco, v. 1, n. 1, p. 1-15, 2021. Disponível em: https://periodicos.ifac.edu.br/index.php/revistarca/article/view/29. Acesso em: 19 fev. 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ARROYO, Miguel Gonzales. <strong>Educação do campo: desafios teóricos e políticos contemporâneos</strong>. Petrópolis: Vozes, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CGI.BR – COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL. <strong>TIC Educação 2023: pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nas escolas brasileiras</strong>. São Paulo: Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2023. Disponível em: https://www.cetic.br/pt/pesquisa/educacao/. Acesso em: 19 fev. 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FREIRE, Paulo. <strong>Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa</strong>. São Paulo: Paz e Terra, 1996.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GATTI, Bernadete Angelina et al. <strong>Formação de professores no Brasil: características e problemas</strong>. 2. ed. Campinas: Autores Associados, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HAGE, Salomão Antônio Mufarrej; SILVA, Maria do Socorro Pimentel da. Educação do campo, escola e território na Amazônia: desafios à organização do trabalho pedagógico. <strong>Educação &amp; Sociedade</strong>, Campinas, v. 42, e236675, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIMA RODRIGUES, M. E.; FARIAS, C. S. de; FARIAS, M. E. L. R. Metodologias ativas mais utilizadas, de forma interdisciplinar, no ensino médio integrado ao técnico dos institutos federais: conceitos e características. <strong>Revista Conexão na Amazônia</strong>, v. 4, n. 1, p. 103-126, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MIRANDA, Simone da Silva; ALMEIDA, Whasgthon Aguiar de. Metodologias ativas no contexto amazônico: um olhar sobre o ensino da matemática no ensino fundamental. <strong>Revista de Estudos Aplicados em Educação</strong>, São Caetano do Sul, v. 10, n. 1, p. 1-18, 2025. Disponível em: https://seer.uscs.edu.br/index.php/revista_estudos_aplicados/article/view/9907. Acesso em: 19 fev. 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VALENTE, José Armando. Formação de professores para práticas inovadoras: desafios e possibilidades. <strong>Educação em Revista</strong>, Belo Horizonte, v. 37, e237389, 2021.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Doutor em Ciências da Educação, Universidad de la Integración de Las&nbsp;Américas (UNIDA), Asunción, Paraguay. E-mail: atilabio@hotmail.com<br><sup>2</sup>Mestranda em Ciências da Educação, Universidad&nbsp; de Las Américas (UNIDA), Asunción, Paraguay. E-mail: ynyoliver@gmail.com<br><sup>3</sup>Mestranda em Ciências da Educação, Universidad de Las Américas (UNIDA), Asunción, Paraguay. E-mail: cristina.nogueira.paz.de.lima@hotmail.com<br><sup>4</sup>Mestranda em Ciências da Educação, Universidad de Las Américas (UNIDA), Asunción, Paraguay. E-mail: glaceane.santos@semed.manaus.am.gov.br<br><sup>5</sup>Mestranda em Ciências da Educação, Universidad&nbsp; de la Integración de Las Américas (UNIDA), Asunción, Paraguai. E-mail: leoguineia@gmail.com<br><sup>6</sup>Mestranda em Ciências da Educação, Universidad&nbsp; de la Integración de Las Américas (UNIDA), Asunción, Paraguay. E-mail: neucymarques@gmail.com<br><sup>7</sup>Mestranda em Ciências da Educação, Universidad&nbsp; de la Integración de Las Américas (UNIDA), Asunción, Paraguay. E-mail: ritalucia739@gmail.com</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O CONTRIBUTO DO PROGRAMA APOIO SOCIAL DIRECTO NA MELHORIA DA QUALIDADE DE SUA VIDA DAS FAMÍLIAS BENEFICIARIAS: ESTUDO DE CASO DO DISTRITO DE RIBAUE (2018-2022)</title>
		<link>https://revistaft.com.br/o-contributo-do-programa-apoio-social-directo-na-melhoria-da-qualidade-de-sua-vida-das-familias-beneficiarias-estudo-de-caso-do-distrito-de-ribaue-2018-2022/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft RA]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Feb 2026 16:47:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Humanas]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=266566</guid>

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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202602280053</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Paulo Chinai Oliveira</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente artigo versa como tema O Contributo do Programa Apoio Social Directo na Melhoria da Qualidade de sua Vida das famílias beneficiarias: estudo de caso do distrito de Ribaue (2018-2022. Este tema teve a sua génese no Programa Apoio Social Directo que está sendo implementado pelo INAS, uma instituição do Estado, o qual constitui uma das principais estratégias que, visa dar resposta às situações que exigem uma intervenção imediata de apoio, por parte de indivíduos que por si só não têm capacidades de encontrar mecanismos, meios materiais e financeiros, para satisfação das suas necessidades básicas. Para a sua concretização foram definidos os seguintes objectivos: geral analisar o contributo do Programa de Apoio Social Directo (PASD) na melhoria da qualidade de vida das famílias beneficiárias no distrito de Ribáuè. Visa responder a seguinte pergunta de partida: de que forma O PASD contribui na melhoria da qualidade de vida das famílias beneficiarias no distrito de Ribáuè? A pesquisa levada cabo é do tipo descritiva e quanto aos procedimentos, será um trabalho de campo, realizado no distrito de Ribáuè, no que concerne a sua abordagem será uma pesquisa qualitativa, obedecendo como técnicas de recolha de dados, a entrevista semi-estruturada, observação participante, com suporte a consulta bibliográfica; envolvendo uma amostra de 4 elementos dos quais 4 beneficiários.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavra Chave:</strong> Beneficiário, Apoio social Directo, qualidade de vida</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente artigo analisa o contributo do Programa de Apoio Social Directo (PASD) na melhoria da qualidade de vida das famílias beneficiárias no Distrito de Ribáuè, na província de Nampula. O estudo procura compreender como os agregados familiares percebem os efeitos do programa nas suas condições socioeconômicas, considerando que o PASD é um dos principais mecanismos de protecção social dirigidos a grupos em situação de vulnerabilidade extrema no contexto moçambicano. A escolha deste tema é motivada pela necessidade de avaliar se o apoio disponibilizado pelo programa tem promovido mudanças reais e positivas nas comunidades que dele dependem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Moçambique é caracterizado por elevados índices de pobreza, principalmente nas zonas rurais, onde o acesso a serviços sociais básicos continua limitado. Segundo o Censo Populacional de 2017, o país conta com cerca de 28,8 milhões de habitantes, grande parte vivendo de agricultura de subsistência e enfrentando dificuldades econômicas persistentes (INE, 2018). O Relatório de Desenvolvimento Humano de 2019 refere que cerca de 81% da população moçambicana vive em situação de pobreza multidimensional, revelando a amplitude das desigualdades sociais que afectam o país (PNUD, 2019). Esta realidade demonstra a necessidade de políticas sociais eficazes e sustentadas, capazes de reduzir as fragilidades sociais e económicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A legislação moçambicana reconhece o direito à protecção social através da Lei da Protecção Social Básica, que estabelece instrumentos de apoio destinados a pessoas em pobreza absoluta, incluindo programas de assistência directa, apoio alimentar, cuidados básicos de saúde e incentivo a actividades produtivas (Governo de Moçambique, 2014). O artigo 19 deste quadro legal destaca a importância de proporcionar oportunidades de inclusão e autonomia às famílias vulneráveis, promovendo a sua reintegração social e económica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos realizados em diferentes países em desenvolvimento demonstram que programas de protecção social, quando bem estruturados, contribuem significativamente para a redução da pobreza, para o aumento da segurança alimentar, para a melhoria do acesso à educação e saúde e para a promoção da inclusão social (Barrientos &amp; Hulme, 2008). Estas experiências reforçam a importância de avaliar se os programas implementados em Moçambique produzem resultados semelhantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso do Distrito de Ribáuè, o PASD desempenha um papel fundamental na assistência às famílias em situação de vulnerabilidade extrema. O programa fornece apoio alimentar, acompanhamento psicossocial, cuidados de saúde básicos e, em alguns casos, incentiva a participação em actividades produtivas. Estas acções procuram melhorar a qualidade de vida, reduzir desigualdades e assegurar condições mínimas de dignidade para os beneficiários. Assim, estudar o desempenho do PASD em Ribáuè é essencial para perceber se o programa tem contribuído efectivamente para transformar as condições de vida das famílias e para orientar políticas futuras de protecção social.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.1</strong> <strong>Problematização</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise do contributo do Programa de Apoio Social Directo (PASD) só se torna possível quando enquadrada no percurso das políticas sociais desenvolvidas pelo Estado moçambicano desde a Independência. Ao longo das últimas décadas, o país tem implementado várias estratégias destinadas a reduzir a pobreza e promover a inclusão social. Entre estas destacam-se a economia centralmente planificada pós-Independência, o Programa de Reabilitação Económica e, posteriormente, o Programa de Reabilitação Económica e Social. Mais tarde, surgiram instrumentos como o Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta (PARPA) e o Subsistema de Protecção Social Básica, que organiza a protecção social em três níveis: segurança social básica, obrigatória e complementar. Como observa Pavia (2000), estas políticas procuram reforçar o bem-estar da população vulnerável e constituem parte essencial dos esforços de combate à pobreza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A criação do PASD insere-se exactamente nesta lógica de ampliar a resposta pública às necessidades das famílias em situação de vulnerabilidade extrema. O programa representa uma mudança gradativa na forma como a assistência social é concebida, passando de práticas tradicionais de caridade e filantropia para uma abordagem baseada em direitos, alinhada aos princípios da Lei de Protecção Social Básica. Esta mudança está em consonância com recomendações constantes em documentos como o Plano Estratégico da Segurança Social Básica 2016–2024, que defende a assistência social como mecanismo essencial para a realização dos direitos humanos e para a promoção da inclusão social das famílias pobres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto da província de Nampula, uma das mais populosas e com maiores índices de pobreza multidimensional, o PASD tem sido operacionalizado pelo Instituto Nacional de Acção Social (INAS). Relatórios anuais do INAS mostram que, nos últimos anos, o número de beneficiários no distrito de Ribáuè aumentou progressivamente, acompanhando o crescimento da população em situação de vulnerabilidade. No entanto, persistem vários desafios operacionais: limitações orçamentais que dificultam a cobertura das metas, atrasos na distribuição de kits alimentares e outros bens essenciais por parte dos fornecedores, dificuldades logísticas e inconsistências nos registos de beneficiários. Estes constrangimentos são identificados de forma recorrente em documentos como os Relatórios de Balanço do INAS, as Actas das Sessões de Avaliação Distrital e as Revisões de Desempenho do Ministério do Género, Criança e Acção Social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante destes aspectos, emerge a necessidade de compreender de forma rigorosa como as famílias beneficiárias avaliam o impacto real do PASD nas suas vidas. A análise das percepções dos beneficiários torna-se fundamental para responder à questão central deste estudo: <em>de que forma O PASD contribui na melhoria da qualidade de vida das famílias beneficiarias no distrito de Ribáuè?</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.2</strong> <strong>Objectivos da pesquisa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.2.1</strong> <strong>Objectivo geral</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Analisar o contributo do Programa de Apoio Social Directo (PASD) na melhoria da qualidade de vida das famílias beneficiárias no distrito de Ribáuè</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.2.2. Objectivos específicos:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Identificar os principais tipos de apoio fornecidos pelo PASD às famílias beneficiárias no distrito de Ribáuè;</li>



<li>Descrever as mudanças sociais e económicas percebidas pelas famílias após a inserção no PASD;</li>



<li>Analisar as mudanças que o PASD traz na vida dos beneficiários;</li>



<li>Avaliar os desafios e limitações enfrentados pelo PASD na implementação das suas acções junto das famílias beneficiárias.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.3</strong> <strong>Questões de pesquisa</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Quais são os principais tipos de apoio disponibilizados pelo PASD às famílias beneficiárias no distrito de Ribáuè?</li>



<li>Que mudanças sociais e económicas as famílias beneficiárias percebem após a sua inserção no PASD?</li>



<li>De que forma o PASD tem contribuído para melhorar as condições de vida das famílias beneficiárias?</li>



<li>Quais são os principais desafios e limitações enfrentados pelo PASD na implementação das suas acções no distrito de Ribáuè?</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.4</strong> <strong>Justificativa&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A escolha do tema sobre o contributo do Programa de Apoio Social Directo (PASD) na melhoria da qualidade de vida das famílias beneficiárias no distrito de Ribáuè decorre da necessidade de compreender se as intervenções de assistência social promovidas pelo Estado estão realmente a responder às necessidades das populações mais vulneráveis. O interesse em realizar este estudo surge da observação do elevado nível de pobreza, insegurança alimentar e limitações no acesso a serviços básicos que caracterizam esta região. Estas condições despertaram a motivação pessoal do pesquisador em investigar como o PASD tem influenciado o bem-estar das famílias e até que ponto o apoio recebido se traduz em melhorias concretas nas suas vidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O PASD é actualmente uma das principais estratégias do governo moçambicano para reduzir a pobreza extrema e promover a inclusão socioeconómica. No contexto específico de Ribáuè, onde uma parte significativa da população depende de apoios sociais para garantir a sua sobrevivência, torna-se essencial avaliar se as transferências de apoio, sejam monetárias ou materiais, estão de facto a produzir impacto positivo. Esta investigação justifica-se pela necessidade de analisar, sob a perspectiva das próprias famílias beneficiárias, os efeitos do programa em áreas como nutrição, saúde, educação, rendimentos e segurança social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relevância deste estudo vai além da descrição do funcionamento do PASD. Ele procura identificar eventuais desafios e limitações que podem comprometer a eficácia do programa, como atrasos nos pagamentos, insuficiência do valor transferido, dificuldades logísticas ou falhas no acompanhamento técnico. Ao recolher as percepções dos beneficiários, o trabalho poderá fornecer informações importantes para o aprimoramento das estratégias de protecção social no distrito de Ribáuè, contribuindo para que o programa se alinhe melhor às necessidades reais da população.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista social, o estudo é significativo porque reforça a importância da participação comunitária na avaliação das políticas públicas. As populações rurais, muitas vezes marginalizadas no debate público, passam a ter voz activa na análise daquilo que lhes afecta directamente. Académica e cientificamente, o trabalho contribui para preencher lacunas existentes na literatura sobre programas de transferência de renda em Moçambique, especialmente onde ainda há poucos estudos sistematizados. A investigação contribuirá também para a compreensão das dinâmicas de pobreza rural, dos mecanismos de protecção social e dos factores que determinam o impacto dos programas de assistência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A nível pessoal, este estudo representa a oportunidade de aprofundar conhecimentos sobre políticas sociais e desenvolvimento comunitário, áreas de grande interesse para o pesquisador. Os resultados poderão servir de base para futuras investigações e para recomendações práticas direcionadas aos gestores do PASD, incentivando uma gestão mais eficiente, transparente e orientada para o desenvolvimento humano sustentável no distrito de Ribáuè.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CAPÍTULO II: QUADRO TEÓRICO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste capítulo dedicar-se-á a revisão bibliográfica, que é uma apresentação teórica dos autores que abordam sobre assuntos similares ao fenómeno em estudo, fazendo se um balanço crítico da bibliografia directamente com o objecto da pesquisa, a qual é antecipada pela definição de alguns termos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1. Revisão teórica&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A revisão da literatura apresenta os principais conceitos, teorias e contributos académicos que fundamentam o estudo sobre a protecção social e o papel do Programa de Apoio Social Directo (PASD) na melhoria da qualidade de vida das famílias vulneráveis. Esta secção procura contextualizar o fenómeno da pobreza e da vulnerabilidade social, discutir as diferentes abordagens teóricas sobre protecção social e analisar como autores nacionais e internacionais têm interpretado os mecanismos de assistência social.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1.1. Protecção Social</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A protecção social é geralmente definida como o conjunto de políticas e intervenções públicas destinadas a reduzir a vulnerabilidade e assegurar condições mínimas de sobrevivência para indivíduos e famílias expostos a riscos sociais, económicos ou ambientais. Segundo Devereux e Sabates-Wheeler (2004, cit in Barrientos &amp; Hulme, 2008), a protecção social deve ser entendida como um sistema amplo que combina medidas preventivas, assistenciais e promocionais, destinadas a mitigar a pobreza e a fortalecer a capacidade das famílias para lidarem com choques que afectam o seu bem-estar. Esta definição destaca que a protecção social não se limita a acções de curto prazo, mas integra estratégias estruturais que favorecem o desenvolvimento humano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em termos práticos, a protecção social inclui programas como transferências monetárias, subsídios alimentares, apoio a grupos vulneráveis, segurança social contributiva e serviços de acção social. O Banco Mundial (2018) descreve a protecção social como um instrumento essencial para reduzir riscos, melhorar o capital humano e apoiar famílias com baixos rendimentos, permitindo-lhes aceder a serviços essenciais como educação, saúde e nutrição. Esta concepção reforça a ideia de que, para além de mitigar dificuldades imediatas, a protecção social desempenha um papel importante na construção de oportunidades e na promoção da inclusão social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos países em desenvolvimento, onde grandes segmentos da população enfrentam pobreza persistente, a protecção social assume uma função prioritária. Em Moçambique, a vulnerabilidade social é agravada por factores como a dependência agrícola, crises económicas e desigualdades regionais. Por isso, programas de assistência, como o Programa de Apoio Social Directo (PASD), tornam-se fundamentais para apoiar pessoas em pobreza extrema. Estes programas são enquadrados na legislação nacional da Protecção Social Básica, que estabelece mecanismos destinados a garantir que nenhum cidadão fique excluído do acesso a direitos mínimos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a protecção social não é apenas uma resposta humanitária, mas um componente estratégico do desenvolvimento sustentável, contribuindo para reduzir desigualdades, fortalecer a resiliência das famílias e promover uma sociedade mais justa e inclusiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1.1.1. Tipos de Protecção Social</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A protecção social constitui um instrumento essencial das políticas públicas destinadas a reduzir desigualdades, combater a pobreza e garantir direitos sociais fundamentais. Em Moçambique, o sistema organiza-se em três componentes principais: Protecção Social Básica, Segurança Social Obrigatória e Segurança Social Complementar, conforme previsto na Lei da Protecção Social Básica (Governo de Moçambique, 2014). Esta estrutura segue o modelo do Estado-Providência amplamente discutido por Esping-Andersen, que sublinha a importância de diferentes níveis de apoio para assegurar a integração social e a dignidade dos cidadãos (Esping-Andersen, 1991).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Protecção Social Básica destina-se às pessoas em pobreza extrema e às famílias sem capacidade para garantir a sua própria subsistência. Inclui programas de apoio alimentar, transferências monetárias, cuidados sociais e acções de emergência. Trata-se de um nível não contributivo, totalmente financiado pelo Estado, e procura assegurar um padrão mínimo de bem-estar. Castel (1998), ao analisar a vulnerabilidade social, refere que medidas desta natureza funcionam como “zonas de proteção” que impedem que indivíduos em risco caiam em situações de exclusão profunda. Em Moçambique, programas como o PASD enquadram-se claramente nesta categoria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Segurança Social Obrigatória representa o segundo nível e abrange os trabalhadores do sector formal que contribuem mensalmente para o sistema (Esping-Andersen, 1991). Em Moçambique é gerida pelo Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) e inclui prestações como pensões de velhice, invalidez, subsídios de maternidade, acidentes de trabalho e proteção no desemprego. Este tipo de protecção segue o princípio da solidariedade contributiva e constitui uma garantia de estabilidade face a períodos de perda de rendimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Segurança Social Complementar corresponde ao nível voluntário, composto por seguros privados, fundos de pensões, seguros de saúde e outros mecanismos de poupança individual. É mais comum entre trabalhadores com rendimentos mais estáveis e serve para reforçar a cobertura da segurança obrigatória, ampliando a protecção económica e patrimonial das famílias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No seu conjunto, estes três níveis funcionam de forma articulada: a protecção básica salvaguarda a sobrevivência mínima; a segurança obrigatória protege os trabalhadores formais; e a complementar oferece um reforço adicional para quem pode investir em mecanismos privados. Esta combinação reflecte o entendimento, defendido por autores como Sen, de que o desenvolvimento humano exige políticas que ampliem oportunidades, capacidades e segurança social (Sen, 2000).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1.2. O Programa de Apoio Social Directo (PASD)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Programa de Apoio Social Directo (PASD) faz parte do Subsistema de Protecção Social Básica e é uma das principais iniciativas do Estado moçambicano para oferecer suporte a famílias que se encontram em situação de pobreza extrema ou que não conseguem sustentar-se.&nbsp; O PASD nasce da urgência em assegurar que nenhum cidadão seja privado do acesso a um padrão mínimo de dignidade, especialmente em situações de vulnerabilidade económica, insegurança alimentar e escassas oportunidades de inclusão social. A sua criação está alinhada com as diretrizes internacionais para a luta contra a pobreza e com a legislação nacional de proteção social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Lei de Protecção Social Básica, que foi aprovada em 2014, estabelece o enquadramento legal do PASD e define a protecção social como um direito fundamental, além de determinar que cabe ao Estado garantir os mecanismos de apoio às famílias em situação de risco (Governo de Moçambique, 2014). O Instituto Nacional de Acção Social (INAS) é o responsável pela execução do programa, que é regido por regulamentos que definem os grupos prioritários. Castel (1998) afirma que este tipo de políticas serve como um dispositivo redutor da exclusão social, garantindo uma protecção mínima para os mais vulneráveis. O PASD, portanto, faz parte de uma estratégia estatal que valoriza a intervenção pública como meio de garantir direitos e diminuir desigualdades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O PASD visa, em primeiro lugar, fornecer assistência imediata a pessoas e famílias que não conseguem sustentar a si mesmas devido a situações como doença incapacitante, velhice, deficiência, pobreza extrema ou crises inesperadas. Os objectivos mencionados estão alinhados com a legislação que rege o programa, conforme estipulado na Lei da Proteção Social Básica, que estabelece que a assistência social deve ser direcionada, em primeiro lugar, àqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade extrema e que não possuem meios de subsistência (Governo de Moçambique, 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Plano Estratégico da Segurança Social Básica 2016–2024 também sublinha que o PASD visa garantir que as famílias que vivem em pobreza extrema tenham suas necessidades básicas atendidas, através de apoio material, assistência social e intervenções de emergência (Ministério do Género, Criança e Acção Social, 2016). Estes documentos estabelecem de forma inequívoca que a ajuda deve ser direcionada àqueles que estão em maior risco social e econômico, garantindo a eles um padrão mínimo de dignidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que se beneficie deste apoio é necessário que todos os critérios de elegibilidade sejam cumpridos, que incluem a verificação da incapacidade económica, uma avaliação social domiciliária e a confirmação da situação de vulnerabilidade. O programa abrange várias vertentes: assistência financeira, entrega de alimentos, fornecimento de produtos básicos, apoio psicossocial e, em casos necessários, intervenções de emergência. Em consonância com isso, Sen (2000, citado de forma indireta) enfatiza que as intervenções sociais são indispensáveis para aumentar as capacidades humanas e garantir níveis mínimos de bem-estar. A visão de&nbsp;Sposati (2003)&nbsp;reforça que a proteção social deve incluir capacitação (cursos profissionalizantes, empreendedorismo) para emancipação económica, alinhando-se a uma lógica de&nbsp;autonomia&nbsp;em vez de assistencialismo permanente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A implementação do PASD acontece de maneira sistemática, passando pela identificação dos beneficiários, avaliação social, aprovação dos casos, entrega do apoio e acompanhamento constante. O INAS faz visitas a casa, actualiza registos e trabalha com os líderes comunitários para que o processo seja transparente. De acordo com o MGCAS (2016), “o acompanhamento próximo das famílias é decisivo para assegurar que o apoio chegue a quem dele realmente necessita” (p. 22). Ao acompanhar os beneficiários, é possível detectar alterações na sua situação, novos riscos e adequar a resposta institucional. O PASD, portanto, é um pilar importante da protecção social em Moçambique, ajudando a mitigar a vulnerabilidade e a assegurar condições mínimas de dignidade humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1.3. Qualidade de Vida e Bem-Estar das Famílias</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A qualidade de vida é um conceito que abrange várias dimensões e busca medir o nível de bem-estar físico, social e econômico dos indivíduos, levando em conta as condições indispensáveis para que possam viver com dignidade. Desde a segunda metade do século XX, o termo passou a ser um dos pilares das políticas públicas, sendo cada vez mais ligado ao desenvolvimento humano e à garantia de acesso a direitos sociais básicos. Segundo Amartya Sen (2000), a qualidade de vida deve ser vista como a habilidade das pessoas de ampliar suas oportunidades, acessar os recursos necessários e fazer escolhas que contribuam para o aumento de seu bem-estar. Essa perspectiva entende que a pobreza não é apenas a falta de dinheiro, mas a falta de capacidades para atingir os mínimos padrões de vida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Organização Mundial da Saúde (1998), considera qualidade de vida como sendo “a perceção do indivíduo sobre a sua posição na vida, no contexto da cultura e dos sistemas de valores em que vive, e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações” (p. 25).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, ambas as definições convergem para o ponto de que a qualidade de vida é um conceito que abrange várias dimensões e está ligada a fatores sociais, econômicos, culturais e individuais. No entanto, cada um tem um foco distinto: Sen dá prioridade a uma abordagem objetiva que se concentra no acesso real a capacidades e oportunidades, enquanto a OMS enfatiza a subjetividade, ou seja, a maneira como os indivíduos interpretam e avaliam suas próprias situações de vida. Desta forma, Sen fornece uma estrutura valiosa para a análise das desigualdades estruturais e dos efeitos das políticas públicas, enquanto a OMS facilita a compreensão da percepção e satisfação das pessoas em relação às suas reais circunstâncias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O conforto das famílias, por sua vez, está ligado a um conjunto de aspectos interconectados que impactam diretamente o desenvolvimento humano. A alimentação é, sem dúvida, uma das dimensões mais importantes, já que a segurança alimentar é crucial para a saúde, para o funcionamento do corpo e para o desenvolvimento das crianças. A saúde é outra dimensão essencial, uma vez que o acesso a cuidados de saúde adequados diminui a susceptibilidade a doenças e favorece a estabilidade social e económica das famílias. Também a educação é crucial, porque aumenta as chances de conseguir um emprego, eleva os rendimentos e ajuda a romper o ciclo da pobreza. O rendimento familiar, no que diz respeito à capacidade económica, garante o acesso a bens e serviços indispensáveis, ao passo que a habitação dita a segurança, o conforto e a mínima estrutura de vida das famílias. Como menciona Castel (1998), é indispensável ter condições materiais mínimas de protecção para não se cair numa exclusão social profunda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A protecção social e a qualidade de vida estão interligadas, contribuindo para a justiça social e o desenvolvimento. Programas de assistência social, como o PASD, buscam exatamente actuar nessas áreas, oferecendo suporte às famílias que não têm como se sustentar. Conforme a visão Esping-Andersen (1991), sistemas de proteção social robustos actuam como compensadores que diminuem as disparidades e garantem um padrão mínimo de bem-estar para grupos em situação de vulnerabilidade. No contexto de Moçambique, a protecção social reveste-se de uma importância especial face aos altos níveis de pobreza e à fraca capacidade das famílias para fazerem face às suas necessidades básicas sem o auxílio do Estado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o Ministério do Género, Criança e Acção Social (2016),</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“a protecção social representa um instrumento indispensável para garantir que os cidadãos em situação de vulnerabilidade tenham acesso aos serviços essenciais, reduzam a sua exposição ao risco e consigam alcançar um nível de vida digno, contribuindo para o desenvolvimento humano sustentável” (p.18).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">É a partir dessa perspectiva que se pode entender que programas como o PASD podem ser cruciais para a qualidade de vida ao oferecerem apoio alimentar, financeiro, social e serviços de acompanhamento. Estas ações não só atendem às necessidades urgentes, mas também constroem a resiliência das famílias, capacitando-as a lidar com desafios e a aprimorar seu bem-estar ao longo do tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1.4. Desafios na Implementação de Programas Sociais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os programas sociais em Moçambique encontram diversos obstáculos que comprometem a sua eficácia, especialmente nas áreas rurais, onde a pobreza é alta e as condições institucionais são fracas. As limitações de transporte são um dos maiores obstáculos, considerando que muitas comunidades estão situadas em regiões remotas, onde as estradas estão em péssimas condições e os meios de transporte são escassos. Esses desafios comprometem tanto a distribuição de auxílios alimentares ou financeiros quanto a realização de avaliações sociais regulares. Quando os serviços públicos não estão adequadamente operacionais, observa Castel (1998), aumenta o nível de vulnerabilidade social, pois o Estado falha em garantir a mínima proteção às famílias em risco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Simultaneamente, a falta de recursos financeiros afecta a continuidade e a previsibilidade das acções. Estes Programas, como é o caso do PASD, dependem do orçamento do Estado e do apoio de parceiros internacionais; contudo, a irregularidade das transferências e as limitações orçamentais afetam a capacidade de acção.&nbsp; Conforme observa Esping-Andersen (1991), quando sistemas de protecção social ficam incapazes de proporcionar uma segurança mínima por falta de financiamento, a confiança do público diminui e a credibilidade das políticas públicas é reduzida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro conjunto de desafios diz respeito às limitações institucionais que afectam directamente a execução dos programas.&nbsp; A desarticulação entre setores, os procedimentos excessivamente burocráticos, a escassez de profissionais técnicos qualificados e a falta de sistemas de informação atualizados tornam a seleção e o acompanhamento dos beneficiários um processo demorado e ineficaz. Ministério do Género, Criança e Acção Social (2016).&nbsp; De acordo com Castel (1998) e Esping-Andersen (1991), as fragilidades institucionais prejudicam a capacidade das políticas sociais de responder efetivamente, o que torna mais difícil identificar e monitorar as famílias em situação de vulnerabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda na senda do Ministério do Género, Criança e Acção Social (2016), sublinha que em muitos distritos os registos sociais não são actualizados com a frequência necessária, o que pode resultar na exclusão de famílias que deveriam ser apoiadas ou na manutenção de beneficiários que já não se enquadram nos critérios de elegibilidade. Essas lacunas administrativas comprometem a equidade, distorcem a alocação de recursos e reduzem a eficácia das intervenções.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também se somam às barreiras os obstáculos enfrentados pelos próprios beneficiários. Muitas famílias vivem longe dos centros administrativos e não têm os documentos de identificação atualizados, o que torna difícil o processo de inscrição. O analfabetismo e a falta de informação contribuem ainda mais para essas barreiras, fazendo com que indivíduos que poderiam se beneficiar não saibam dos critérios e processos necessários. De acordo com Sen (2000), as disparidades no acesso a serviços essenciais não apenas restringem o desenvolvimento das capacidades humanas, mas também mantêm a pobreza em sua essência, mesmo na presença de programas de apoio formalmente estabelecidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A transparência, a equidade e a gestão pública têm um impacto significativo na credibilidade dos programas sociais. Em certos casos, há favoritismos, influências políticas e falta de prestação de contas. Conforme destaca o Plano Estratégico da Segurança Social Básica 2016–2024 do Ministério do Género, Criança e Acção Social (2016)&nbsp; “a gestão transparente e participativa é essencial para garantir que o apoio chegue a quem realmente necessita” (p. 27). Dessa maneira, é imprescindível que os obstáculos logísticos, financeiros, institucionais e éticos sejam superados para que os programas sociais realmente auxiliem na diminuição da pobreza e na melhoria da qualidade de vida das famílias que os recebem.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2. Revisão Empírica</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A revisão empírica examina investigações de diversos contextos sobre programas de transferência de renda, a fim de entender como eles afetam a diminuição da pobreza e a melhoria das condições de vida das famílias em situação de vulnerabilidade. Aqui estão expostas evidências, tanto a nível internacional, africano como nacional, que possibilitam a identificação de resultados, desafios e tendências partilhadas entre iniciativas que se assemelham ao PASD.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2.1. Estudos internacionais sobre programas de transferência social</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos sobre programas de transferência social têm sido realizados em muitos países e oferecem evidências sólidas de que esses programas reduzem a pobreza, melhoram a segurança alimentar e aumentam o acesso a serviços sociais essenciais. O programa Bolsa Família, no Brasil, é um dos mais citados mundialmente. Segundo avaliações de Soares, Ribas e Osório (2010), o programa teve um impacto importante na redução da pobreza extrema, complementando a renda das famílias e incentivando a permanência na escola e o acompanhamento médico. Segundo esses autores, o Bolsa Família contribuiu para diminuir as disparidades e aprimorar os índices de nutrição entre crianças em situação de vulnerabilidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a avaliação e validação da abordagem, foram obtidos resultados promissores em vários cenários, tanto em ambientes simulados quanto em situações do mundo real.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na África do Sul, o Child Support Grant (CSG) é uma das principais políticas sociais do período pós-apartheid. Segundo Samson et al. (2004), o subsídio ajudou as famílias a conseguirem mais facilmente os alimentos, estabilizou suas finanças e diminuiu a insegurança alimentar entre as crianças. O estudo sublinha também que as transferências monetárias tiveram um impacto crucial na diminuição da pobreza crónica, sobretudo em lares chefiados por mulheres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Nigéria, iniciativas como o Subsidy Reinvestment and Empowerment Programme (SURE-P) e alguns programas de transferência de renda em Estados federais obtiveram resultados positivos, ainda que limitados. Segundo Bage et al. (2017), as transferências em dinheiro possibilitaram um aumento na matrícula escolar entre as crianças de famílias pobres e fortaleceram a capacidade de compra de bens essenciais, mesmo diante dos desafios fiscais e administrativos do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Gana, o programa Livelihood Empowerment Against Poverty (LEAP) é considerado um modelo na África Ocidental. Segundo Handa, Park e Darko (2018), o LEAP resultou em melhorias significativas no consumo alimentar, diminuiu as estratégias negativas de sobrevivência e aumentou o acesso das famílias a serviços de saúde. As transferências em dinheiro também ajudaram a aumentar a frequência escolar, mostrando um impacto positivo no desenvolvimento humano das crianças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há também outros países africanos, como o Quénia, a Zâmbia e o Malawi, que têm experiências positivas a compartilhar. A avaliação do Cash Transfer for Orphans and Vulnerable Children (CT-OVC) no Quénia, por exemplo, constatou que o programa diminuiu o trabalho infantil e aumentou a frequência escolar (Ward et al., 2010). Na Zâmbia, o Social Cash Transfer Scheme foi eficaz em reduzir a pobreza extrema e aumentar a segurança alimentar (MCDSS/GTZ, 2007).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, a experiência internacional mostra que os programas de transferência de renda, se bem planejados e com sistemas de monitoramento, são capazes de diminuir a pobreza multidimensional, aumentar o acesso à educação, fortalecer a segurança alimentar e promover uma inclusão social mais efetiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2.2. Estudos sobre Protecção Social em Moçambique</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Há vários estudos em Moçambique que examinam como funciona a protecção social, incluindo o PASD e outros subsistemas que fazem parte da Estratégia Nacional de Segurança Social Básica. A literatura nacional aponta que, apesar do progresso na institucionalização da protecção social, desafios significativos persistem em relação à cobertura, à sustentabilidade financeira e à capacidade de implementação. Estudos realizados pelo Ministério do Género, Criança e Acção Social (MGCAS), pelo Instituto Nacional de Acção Social (INAS) e por organizações internacionais como o UNICEF e o PNUD oferecem dados relevantes sobre como esses programas têm funcionado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com estudos realizados sobre o PASD, o programa é crucial para a assistência imediata a famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade extrema, especialmente em províncias como Nampula, Zambézia e Sofala, onde a pobreza é mais evidente. De acordo com o Ministério do Género, Criança e Acção Social (2016), as transferências sociais têm desempenhado um papel importante ao facilitar o acesso das famílias a alimentos essenciais, diminuir a insegurança alimentar e aumentar o bem-estar de idosos, pessoas com doenças crônicas e famílias chefiadas por mulheres. A pesquisa do INAS (2021) indica que o apoio financeiro e material possibilitou às famílias uma maior diversificação na alimentação, além de arcar com despesas relacionadas à saúde e frequentar mais assiduamente as consultas de nutrição infantil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, os efeitos socioeconómicos observados não são os mesmos em todas as províncias, uma vez que dependem da regularidade das transferências, da logística disponível e da capacidade técnica das delegações distritais. Por exemplo, em Tete e Gaza, pesquisas demonstraram que os programas sociais aumentaram a frequência escolar e diminuíram as estratégias negativas de sobrevivência, como a venda de bens ou a redução das refeições diárias (UNICEF, 2018). Em Nampula, observa-se uma situação similar, porém com limitações ainda mais evidentes, devido à alta densidade populacional e à fragilidade das infraestruturas distritais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atrasos nas transferências de dinheiro, dificuldades em atualizar os registos sociais, falta de recursos humanos e acompanhamento técnico limitado às famílias são alguns dos principais desafios apontados nos relatórios oficiais. A elevada rotatividade de pessoal, a dependência de financiamentos externos e a fraca articulação intersectorial minam a eficácia dos programas (INAS, 2021). Também é fundamental, conforme indica o Ministério do Género, Criança e Acção Social (2016), em colaboração com o PNUD, fortalecer os mecanismos de monitoramento e responsabilização, assegurando maior clareza na seleção dos beneficiários e na gestão dos recursos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo as pesquisas nacionais indicam que, apesar de o PASD e outros subsistemas de proteção social serem fundamentais para a diminuição da pobreza extrema, sua eficácia está condicionada a melhorias nos aspectos institucionais, financeiros e operacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CAPÍTULO III: METODOLOGIA DA PESQUISA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No presente capítulo far-se-á a descrição metodológica que a presente pesquisa irá obedecer. Apresentará os procedimentos metodológicos da pesquisa, desde o paradigma investigativo, o tipo de pesquisa, as técnicas de colecta de dados até os participantes do estudo. De acordo com Gil (2008), &#8220;metodologia é a explicação minuciosa, detalhada, rigorosa e exacta de toda acção desenvolvida no método do trabalho de pesquisa&#8221;(p.21).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1. Paradigma de investigação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As investigações científicas são guiadas por paradigmas que direcionam a maneira como o pesquisador interpreta a realidade. Serrano (2004) define um paradigma como “um sistema de crenças, princípios e postulados que informam, dão sentido e rumo às práticas de investigação” (p. 202). Optou-se pelo paradigma interpretativo neste estudo, uma vez que se visa entender as experiências e percepções das famílias que usufruem do PASD. Este modelo é apropriado quando o objetivo é ouvir as pessoas, compreender suas emoções e como elas percebem o apoio que recebem. Além disso, a pesquisa aborda um caso particular e não tem a intenção de generalizar os achados. É por essa razão que o paradigma interpretativo se mostra como o mais apropriado, uma vez que possibilita a análise do fenômeno em seu contexto real e através das palavras dos próprios beneficiários.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2. Tipo de pesquisa&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2.1. Quanto à abordagem</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando a natureza dos objectivos que orientam esta investigação, o estudo é classificado como qualitativo, o que, conforme afirma Vilelas (2009), significa “uma forma de estudar a sociedade centrando-se no modo como as pessoas interpretam e dão sentido às experiências do mundo que elas vivem” (p. 29).&nbsp; Esta perspetiva privilegia as ideias, as perceções e os significados, possibilitando ao investigador captar os fenómenos sociais através das palavras, vivências e interpretações dos participantes.&nbsp; Dessa forma, o que verdadeiramente importa não é a quantidade de dados ou a amostra em si, mas sim a profundidade e a qualidade das informações obtidas, além do significado que os participantes atribuem aos eventos que viveram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A escolha deste método deve-se ao objectivo do estudo em entender e interpretar a perspectiva das famílias que se beneficiam do PASD, avaliando como elas percebem a contribuição do programa para a melhoria de suas condições de vida no distrito de Ribáuè. A abordagem qualitativa é, assim, a mais apropriada para entender essas experiências e interpretações em seu contexto real.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2.2. Quanto aos objectivos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com os objectivos, esta pesquisa é de natureza descritiva porque procura descrever a percepção das famílias beneficiárias do PASD, sobre o contributo deste na melhoria da qualidade de vida e os constrangimentos que traz nas comunidades.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A<em> </em>pesquisa descritiva tem como objectivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento da relação entre as variáveis (Gil, 2002).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta modalidade de pesquisa não existe espaço de influência por parte do pesquisador se não se limitar a descrever aquilo que é os factos relacionados com objecto de investigação, isto é, não há interferência por parte do autor.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2.3. Quanto aos procedimentos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No que se refere aos procedimentos, a pesquisa centra-se num estudo de caso por se concentrar no estudo de grupos específicos, neste caso as famílias beneficiarias do Programa de Apoio Social Directo (PASD), com objectivo de conhecer com profundidade o fenómeno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Yin (2003, cit in Ruas, 2017, p.116), o estudo de caso:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“é uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro do contexto da vida real, especificamente quando os limites e o contexto estão claramente definidos. O seu objectivo não é só explorar um determinado fenômeno, mas também compreender esse fenômeno num determinado contexto particular”.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro deste contexto, a pesquisa centrou-se num estudo caso por se tratar de um único caso que é o de analisar a percepção das<strong> </strong>Famílias Beneficiárias Sobre o contributo do Programa “Apoio Social Directo na Melhoria da Qualidade da sua Vida. Este é um fenómeno ligado a um texto real e particular, por se estudar num determinado local, nesta caso o distrito de Mugovolas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3. Participantes da pesquisa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Tratando-se de uma pesquisa de natureza qualitativa não nos preocuparemos com a dimensão da amostra nem a generalização dos resultados, porque não nos centraremos no tratamento estatístico e classificatório, pois nas pesquisas de natureza qualitativa o propósito não é contabilizar quantidades como resultado, mas sim conseguir compreender o comportamento de determinado grupo-alvo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os participantes são os elementos que fazem parte da pesquisa, neste caso são as pessoas que de acordo com as orientações metodológicas forneceram-nos informações acerca do fenómeno em estudo no local do estudo. Estes caracterizaram-se por possuírem informações privilegiadas para o fornecimento de dados solicitados pelo estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o presente estudo selecionaremos 4 participantes, que foram beneficiários directos do PASD no período compreendido entre 2018-2023. Por tratar se de um programa temporário, isto é o beneficiário cessa logo que a situação crítica que o fez se candidatar melhore. Portando existindo dentro dele alguns beneficiários que permanecem por mais de dois anos, achou se melhor selecciona-los como participantes da pesquisa, pois ela não é censitária, isto é, não abrangeu a totalidade dos componentes do universo, surgindo a necessidade de investigar apenas uma parte desta população; aliás, no entender de Marconi e Lakatos (2002), sujeito de investigação “é uma porção ou parcela convenientemente selecionada do universo, é um subconjunto do universo”<em>. </em>Estes participantes são representativos na medida em que dispõe as características que se pretendem apurar dentro do universo. Salienta-se que os quatro elementos (participantes), foram do distrito de Mugovolas, onde se regista maior número dos beneficiários deste programa, os quais são discriminados no quadro abaixo.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>Tabela: de codificação dos participantes&nbsp;</em></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="629" height="240" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-33.png" alt="" class="wp-image-266567" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-33.png 629w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-33-300x114.png 300w" sizes="(max-width: 629px) 100vw, 629px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.4. Técnicas e instrumentos de recolha de dados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a recolha de dados, apoiarem-nos nas técnicas de observação participante e entrevista semi-estruturada, dirigida aos beneficiários do PASD. Na técnica de observação participante o investigador procurará vivenciar os contornos do objecto de estudo. Esta técnica permitirá recolher dados aos quais um observador exterior não terá acesso. Em princípio procuraremos fazer uma observação nas residências dos beneficiários, o nível de organização, com base em benefícios que recebem do programa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na perspectiva de Gil (2008), “a observação apresenta como principal vantagem, em relação a outras técnicas, a de que os factos são percebidos directamente pelo pesquisador, sem qualquer intermediário” (p. 45).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da observação participante, contaremos ainda com a aplicação de entrevista semi-estruturada à 4 beneficiários do Programa Apoio Social Directo. Nesta entrevista privilegiar-se-á perguntas abertas, com recurso a uma linguagem simples e directa para que o informante compreenda com clareza o que está sendo perguntado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A entrevista semi-estruturada permitirá que o investigador tenha contacto directo com os participantes da pesquisa ao dirigir-se a estes através de um guião de entrevista permitindo que se expressem abertamente e de forma livre em relação aos aspectos colocados. Ela será conduzida por meio de um esquema previamente estabelecido, sem com isso seguir uma estrutura rígida dos assuntos a abordar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A entrevista semi-estruturada é o instrumento de pesquisa constituído por uma série de questões sobre determinado tema que normalmente é entregue aos informantes para o preenchimento e as respostas transformadas em dados estatísticos (Vieira, 2009).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.5. Técnica de análise de dados&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados colhidos na base da observação e das entrevistas serão transcritos na íntegra e agrupadas de acordo com as categorias e subcategorias para permitir uma análise minuciosa a partir das respostas de cada pergunta para verificar a coincidência e contradições das perceções. Este processo basear-se-á na análise temática, a qual trabalhará com a noção de tema, o qual está ligado a uma afirmação a respeito do assunto em questão e para a análise e interpretação dos dados utilizaremos a técnica de análise de conteúdo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Consideremos o caso mais frequente das análises de conteúdo, em que o método utilizado reduz cada entrevista a um conjunto de preposições. A actuação mais elementar poderá consistir na procura de intersecção desses conjuntos, quer dizer, das proposições comuns a todas as entrevistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.6. Caracterização do local/ Instituição da investigação;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mogovolas é um distrito da província de Nampula, em Moçambique, com sede na vila de Nametil. Tem limite, a norte com os distritos de Nampula e Meconta, a oeste com os distritos de Murrupula e Gilé (distrito da província da Zambézia), a sul com o distrito de Moma, a sudeste com o distrito de Angoche e a nordeste com o distrito de Mogincual. O distrito está dividido em cinco postos administrativos: Calipo, Ilute, Muatua, Nametil e Nanhupo Rio. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.7. Considerações éticas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Alves (2012) afirma que o investigador deve garantir a confidencialidade dos participantes e estes têm o direito de insistir para que os seus dados sejam confidenciais, o entrevistado tem o direito de contar com o sentido de responsabilidade do investigador e este deve assegurar aos participantes que não serão prejudicados pela sua participação na investigação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No presente trabalho investigação serão tomadas em conta as formalidades. Os resultados obtidos serão confidenciais e utilizados apenas para a investigação que corresponde aos fins pelos quais foram solicitados e garantiremos aos entrevistados o máximo sigilo das informações que nos serão fornecidas durante a entrevista.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Bibliografia&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Albuquerque, L., G. (1998). <em>Estratégias de Recursos humanos e gestão da qualidade</em> <em>de vida no trabalho: o stress e a expansão do conceito de qualidade total</em>. (2<sup>a</sup><sub>.</sub> ed.) São Paulo, Brasil: editora Atlas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alves, M.P. (2012). <em>Metodologia de Investigação científica</em>. Lisboa: Editora escolar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Castel, R. (1998). <em>As metamorfoses da questão social: Uma crónica do salário</em>. Lisboa: Terramar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cohen, J, A., A, (1997). <em>Civil Society and Political Theory</em>. (3<sup>a</sup><sub>.</sub> ed.), Cambridge.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Creswell, J. (2010). <em>Projeto de pesquisa: Métodos qualitativo, quantitativo e misto</em>. Porto Alegre: Artmed.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Demo, P. (2007). <em>Política Social, Educação e Cidadania</em>. Campinas: Papirus Editora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esping-Andersen, G. (1991). <em>Os três mundos do Estado-Providência</em>. Lisboa: Editorial Presença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Feijó. R, (2007), <em>Desenvolvimento económico</em>, São Paulo, Brasil: editora Atlas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gil, A. C (2008). <em>Métodos e Técnicas de Pesquisa Social</em>. São Paulo: Atlas</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gomes, J. A. C, Freitas O. M. P, Callejas G. V, (2005). <em>Educação e Desenvolvimento comunitário, perspectivas pedagógicas e sociais da sustentabilidade</em>, s/ed. Porto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Governo de Moçambique. (2014). <em>Lei de Protecção Social Básica</em>. Maputo: República de Moçambique.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Handa, S., Park, M., &amp; Darko, R. (2018). <em>Livelihood Empowerment Against Poverty (LEAP): Impact Evaluation Report</em>. Accra: UNICEF.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Instituto Nacional de Acção Social. (2021). <em>Relatório Anual de Actividades 2020–2021</em>. Maputo: INAS.</p>



<p class="wp-block-paragraph">James, R.,M, (2001). <em>Providencia Social:</em> <em>Programas de Seguro Social</em>, (3<sup>a</sup><sub>.</sub> ed.), Porto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lakatos, E., M. e Marcon I, M. de A.(2002) <em>Metodologia de Trabalho Cientifico</em>, Editora Atlas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lei 4/2007 de 7 de Fevereiro ( Proteção Social Básica em Moçambique)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Manual do Quadro Lega de Protecção Social Básica em Moçambique (2012), Maputo, Moçambique.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MCDSS/GTZ. (2007). <em>Evaluation Report of the Zambia Social Cash Transfer Scheme</em>. Lusaka: Ministry of Community Development and Social Services.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ministério do Género, Criança e Acção Social. (2016). <em>Plano Estratégico da Segurança Social Básica 2016–2024</em>. Maputo: MGCAS.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Organização Mundial da Saúde. (1998). <em>WHOQOL User Manual</em>. Genebra: OMS.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. (2019). <em>Relatório de Desenvolvimento Humano 2019</em>. Maputo: PNUD.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ruas, J. (2017<em>). Manual de Metodologia de Investigação: como fazer propostas de investigação, monografias, dissertações e teses</em>. Maputo: Escolar Editora, Editores e Livreiros, Lda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Samson, M., van Niekerk, I., &amp; Quene, K. (2004). <em>Designing and Implementing Social Transfer Programmes</em>. Cape Town: EPRI.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sen, A. (2000). <em>Desenvolvimento como liberdade</em>. São Paulo: Companhia das Letras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sen, A. (2003), desenvolvimento como liberdade. Lisboa: Gradiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Serrano, G. P. (2004). <em>Metodologias de investigação em animação sociocultural – Teorias, programas e âmbitos</em>. Coleção Horizontes Pedagógicos. Lisboa: Instituto Piaget</p>



<p class="wp-block-paragraph">Soares, F., Ribas, R., &amp; Osório, R. (2010). <em>Evaluating the Impact of Brazil’s Bolsa Família Programme</em>. Brasília: International Policy Centre for Inclusive Growth.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sposati, A. (2003) <em>Modelo brasileiro de protecção social não contributiva: concepções fundantes. In: Concepção e gestão da protecção social não contributiva no Brasil</em>. Brasília: MDS/Unesco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Thomas, V.,Dailami M.,Dhareshwar, A., Wang, Y.(2002) <em>A Qualidade de crescimento</em>, São Paulo, Brasil: editora UNESI.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">UNICEF. (2018). <em>Social Protection in Mozambique: Assessment Report</em>. Maputo: UNICEF.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vilelas, J. (2009). <em>Investigação: O processo de construção do conhecimento</em>. Lisboa: Edições Sílabo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ward, P., Hurrell, A., Hossain, N., &amp; Wiggins, S. (2010). <em>Kenya OVC Cash Transfer Programme Evaluation</em>. Nairobi: UNICEF.</p>
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