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	<title>Volume 29 – Edição 147/JUN 2025 &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<description>Revista Científica de Alto Impacto.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 18 Jul 2025 17:46:30 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Volume 29 – Edição 147/JUN 2025 &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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		<title>FUTEBOL ENTRE LINHAS. “IMPORTÂNCIA DO SISTEMA TÁTICO 4-3-3 PARA MELHOR DESENVOLVIMENTO DOS ATLETAS DURANTE O JOGO.”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Revistaft FA]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Jul 2025 00:21:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 147/JUN 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[FOOTBALL BETWEEN LINES. &#8220;THE IMPORTANCE OF TACTICAL SYSTEM 4-3-3 FOR BETTER DEVELOPMENT OF ATHLETES DURING THE PLAY.&#8221; REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202507172122 Leonardo Antonio Furlaneto RodriguesOrientador: Profº. Mario André Sigoli RESUMO O objetivo desse trabalho é apresentar a importância da formação tática 4-3-3, além de conteúdos de interpretação no jogo de futebol, refletindo em todas as limitações [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">FOOTBALL BETWEEN LINES. &#8220;THE IMPORTANCE OF TACTICAL SYSTEM 4-3-3 FOR BETTER DEVELOPMENT OF ATHLETES DURING THE PLAY.&#8221;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202507172122</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Leonardo Antonio Furlaneto Rodrigues<br>Orientador: Profº. Mario André Sigoli</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<h5 class="wp-block-heading">RESUMO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo desse trabalho é apresentar a importância da formação tática 4-3-3, além de conteúdos de interpretação no jogo de futebol, refletindo em todas as limitações no treinamento; considerando que o estudo e desenvolvimento tático ajuda a estimular os jogadores para que eles sejam capazes de entender a sistemática do jogo e estimular o seu crescimento e desenvolvimento, tomando decisões assertivas para que consigam solucionar os obstáculos que lhe são impostos, implicando ótimos resultados em seu desempenho. A metodologia aplicada no treino de futebol, de modo geral auxilia na ação de cada jogador, sendo que os fundamentos são as referências que o treinador e os jogadores visam para solucionar os problemas que estão presentes naquele instante dentro do jogo nos momentos de organização, defesa e ataque. Os setores, posições, e funções dos jogadores consiste na maneira dominante em que os atletas se movem. Suas colocações são fortemente relacionadas, tendo o melhor desempenho durante uma partida. Porém toda formação necessita de uma precaução, que constitui a reformulação do time para qualquer situação de imprevisibilidade. É importante ressaltar que quando se assume-se a responsabilidade tática para treinar um time de futebol, assume-se a necessidade de ensinar os atletas a tomar decisões, sendo elas inteligente e criativas, para melhor desenvolver suas habilidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Descritores: </strong>Tática, Formação, Desempenho</p>



<h5 class="wp-block-heading">ABSTRACT</h5>



<p class="wp-block-paragraph">The objective of this work is to present the importance of the 4-3-3 tactical formation, in addition to interpretation content in the football game, reflecting on all the limitations in training; considering that the study and tactical development helps to stimulate the players so that they are able to understand the system of the game and stimulate their growth and development, making assertive decisions so that they can solve the obstacles that are imposed on them, implying excellent results in their performance. The methodology applied in soccer training, in general, helps in the action of each player, and the fundamentals are the references that the coach and the players aim to solve the problems that are present at that moment in the game in the moments of organization, defense and attack. Player sectors, positions, and roles are the dominant way athletes move. Their placements are closely related, performing best during a match. However, every formation needs a precaution, which constitutes the reformulation of the team for any situation of unpredictability. It is important to emphasize that when tactical responsibility is assumed to coach a football team, the need to teach athletes to make decisions, being intelligent and creative, is assumed to better develop their skills.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Descriptors:</strong> Tactic, Formation, Performance</p>



<h5 class="wp-block-heading">1 INTRODUÇÃO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Aplicar o melhor desenvolvimento ao atleta, tendo em base o trabalho realizado nos treinos, apresentando o modelo sistêmico e analítico de jogo, identificar a importância dos sistemas e ações, visando uma melhora no rendimento técnico e maior armação das jogadas nos espaços do campo.<sup>2-6-7-8</sup></p>



<h5 class="wp-block-heading">2 DESENVOLVIMENTO</h5>



<h5 class="wp-block-heading">2.1 Revisão de Literatura</h5>



<h5 class="wp-block-heading">2.1.1 Conceito Integrado de Tática no Futebol.</h5>



<p class="wp-block-paragraph">PRAÇA (2020)<sup>7</sup> explica que o termo tática é todo o processo contínuo que ocorre dentro de um campo durante o jogo, todas as discussões que estão dentro do futebol. A tática e todo seu conhecimento deve ser reconhecida tanto no meio acadêmico quanto na prática considerando todo conteúdo da modalidade e seu componente com potencial e significativos resultados. Ressalvando também que a tática vai além de conteúdo de interpretação do jogo do futebol, mas sim em todas as limitações no treinamento e toda sua modalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PRAÇA (2020)<sup>7 </sup>define tática como uma ação, consciente e orientada há conquistar algum objetivo, resolvendo então todas as diversas situações que um jogo pode trazer, refletindo a necessidade de entender o caminho para ter a solução dos problemas decorrentes, focando não apenas na distribuição posicional dos jogadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do mesmo modo PRAÇA (2020)<sup>7</sup> aponta também que a tática é a capacidade que o atleta tem em decidir sobre as situações e problemas do jogo, o que fazer e como fazer, sendo evidente na sua ação, desenvolvimento físico e melhor desempenho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Levando em tese o desempenho, de acordo com CARVALHO (2013)<sup>1</sup>, as táticas que estão relacionadas ao desempenho do atleta, devem ser analisadas e desenvolvidas cuidadosamente para cada qual de acordo com sua estrutura, visando melhoria para conquistar a meta estipulada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo é importante estimular os jogadores para que eles sejam capazes de entender o problema que está causando determinada falha em seu crescimento e desenvolvimentos, tomando decisões assertivas para que consigam solucionar os obstáculos que lhe são impostos, implicando ótimos resultados em seu desempenho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se então que quando assumimos a responsabilidade tática ao treinamento do futebol, assumimos a necessidade de ensinar os atletas a tomar decisões, sendo elas inteligente e criativas, para melhor se comportar em diversos contextos estratégicos.</p>



<h5 class="wp-block-heading">2.1.2 Tomada de Decisão dentro do Futebol</h5>



<p class="wp-block-paragraph">MONTEIRO (2021)<sup>5</sup> explica que a tomada de decisão “preconcebida” antes mesmo do atleta receber a bola, mudará a sequência do exercício colocado ao atleta, tendo ele que rever sua idéia, dando sentido a sua melhor opção, devendo ele tomar a decisão de como prosseguir seu jogo, seja mantendo ou mudando sua idéia inicial; levando em consideração que é fundamental utilizar estratégias durante todo o treino para que os jogares tenham a capacidade de desenvolver tomadas de decisões precisas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CLAVIJO (2016)<sup>6</sup> entende que de uma forma geral pode- se definir que uma escolha, determina uma ação com várias possibilidades. A tomada de decisão se refere à adaptação das ações dos indivíduos às variáveis mudanças que ocorrem no jogo com alto grau de imprevisibilidade. As decisões são tomadas com base na percepção do ambiente de jogo, possibilitando que se faça a melhor tomada de decisão, concentrando a sua atenção na identificação dos movimentos que guiam a percepção e ação dos jogadores, identificando todas as possíveis situações. Contudo, uma grande investigação tem sido realizada, considerando variáveis físicas espácio- temporais como medidas da interação, por exemplo, entre os jogadores é chamada de interação interpessoal e, entre jogadores e aspectos do ambiente de jogo, conhecida como interação extrapessoal, permitindo especificar e justificar as decisões dos jogadores e equipa- las.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GRECO (2015)<sup>8</sup> considera que todos os acontecimentos dentro de campo são fundamentais para que o atleta siga sua linha de raciocínio para concluir a melhor tomada de decisão.&nbsp; Contudo o mesmo destaca a importância de permitir a vivência do atleta dentro de múltiplos cenários e situações dentro de uma partida, sendo capaz de elaborar a melhor tática e desenvolvimento do jogo.</p>



<h5 class="wp-block-heading">3.1 Metodologia aplicada no treino de futebol, visando o melhor rendimentos dos atletas.</h5>



<p class="wp-block-paragraph">BELOZO (2017)<sup>9 </sup>explica que o jogo de futebol vai além de uma simples metodologia de compreender e avaliar o plano organizacional do time de futebol. Sendo necessário proceder o plano perceptível e visível ao olho nu, entendendo o que o jogador está pensando, porém, não é necessário adivinhar o que o jogador pensa, mas sim se embasar nos conceitos previamente definidos em explicações cientificas producentes que auxilia no entendimento das questões desenvolvidas dentro do campo de jogo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LAGO (2009)<sup>10</sup> define que a metodologia tática deve- se ser utilizada para monitorar o desempenho funcional de cada jogador e equipes durante o processo de formação e competição. É importante respeitar a fase em que se está trabalhando a avaliação para que se utilize o instrumento mais adequado de acordo com a idade nível competitivo.&nbsp; A fim de ressaltar a importância da componente tática no jogo de futebol, é compreendido trabalhar todos os fundamentos aplicados à todas e diversas funções do futebol. Portando essa metodologia abrange a compreensão dos conceitos, do treinamento e monitoramento do desempenho dos jogadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existe um hábito no processo de ensino ao futebol, na qual envolve todo físico e parte técnica. O processo de ensino- aprendizagem demonstra que os jogadores muitas das vezes compreendem pouco sobre o jogo e, acabam executando apenas o que é determinado pelo treinador. Contudo estudiosos dos jogos coletivos de invasão, possuem convicção a dimensão tática é o norte para qualquer tipo de estratégia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CASARIN (2001)<sup>2 </sup>explica que o desenvolvimento tático deve ser entendido além do que lhe é proposto, sendo possível adequar os comportamentos e interações que os jogadores desempenham, interligando-os com as demais dimensões do jogo, sendo capazes de desenvolver sua dinâmica coletiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Afirma-se que o conhecimento sob a natureza do futebol, possui implicações consideráveis de acordo com o domínio do treino e, melhor desenvolvimento na evolução dos jogadores, influenciando na escolha dos procedimentos mais adequado para o desenvolvimento de todo time.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fundamentos do jogo auxilia na ação de cada jogador durante a partida de futebol. CASARIN (2001)<sup>2</sup> explica que esses fundamentos são as referências que o treinador e os jogadores visam para solucionar os problemas que estão presentes naquele instante dentro do jogo nos momentos de organização, defesa e ataque.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GARGANTA (1997)<sup>3</sup> nota que os princípios de jogo representam os padrões de comportamentos táticos evidenciados nas escalas coletivas de diversos setores, sendo o individuo almejado pela equipe durante o tempo do jogo. Retrata-se também que, os princípios definem como conjunto de códigos na qual proporciona possibilidade de alcançarem de forma mais rápida as soluções táticas para os problemas desenvolvidos contra seu adversário, sendo possível constituir um alicerce organizacional para se jogar um futebol de excelência.</p>



<h5 class="wp-block-heading">4.1 Setores, posições e funções na formação 4-3-3.</h5>



<p class="wp-block-paragraph">DRUBSCKY (2014)<sup>13</sup>, define que posições e funções consiste em uma extensão de campo de futebol em que os jogadores se movem de maneira dominante. As colocações são fortemente relacionadas ao papel que um jogador desempenha durante uma partida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FERNANDES (1994)<sup>14</sup>,explica que defensores são os jogadores que atuam predominantemente no setor defensivo da equipe, sendo: Goleiro; Laterais; Zagueiros, Zagueiros Centrais; Quartos Zagueiros e Líbero.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BARNERAT (2007)<sup>15</sup>, explica que os jogadores que atuam como meio- campo da equipe, tem com função principal o desenvolvimentos de ações ofensivas e a desconstrução das ações recebidos dos adversários nesta área do campo. No meio campo temos as seguintes posições: Meio-Campista Defensivo; Volante; Médio Volante; Primeiro Volante; Segundo Volante; Terceiro Jogador do Meio Campo; Alas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FERNANDES (1994)<sup>14</sup> define que os jogadores que estão no meio campo da equipe tem como função principal elaborar ações ofensivas para a equipe, sendo eles: Meio Direita; Meia Esquerda; Meio Campista de “Beirada”- Jogador de ado de campo, que faz o lado; Meia de Ligação- conhecido como ponta de lança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WILSON (2016)<sup>16</sup>, explica que os jogadores que atuam no setor ofensivo, ataque do time, possuem funções principais, como desenvolver táticas ofensivas e finalizações na meta adversária, forma- se o setor ofensivo: Centroavante, o atacante da área; Pivô; Falso 9, na qual atua no corredor central, contudo não assume a posição próxima ao zagueiro; Segundo Atacante; Ponta, extreme direita ou esquerda, ataque pelos corredores laterais do meio campo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DRUBSCKY (2014)<sup>13</sup> entende que é importante destacar que as posições ocupadas pelos jogadores de futebol durante um momento histórico da partida. Assim, independentemente da prioridade do jogador em campo, existem funções que devem ser realizadas tanto nas fases ofensivas quanto defensivas do jogo de acordo com a estratégia e tática da equipe. Portanto, devido ao nível cada vez mais competitivo da modalidade torna-se gradativamente mais importante que os jogadores atuem em diferentes posições e desempenham diferentes funções durante as partidas.</p>



<h5 class="wp-block-heading">4.1.2 Aplicação ofensiva e defensiva da formação tática mais utilizada no cotidiano (4-3-3).</h5>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com FIGUEIRA (2008)<sup>4</sup>, a formação 4-3-3 é considerada uma tática muito complexa e dinâmica, com diversas situações. Essas situações ocorrem durante os jogos nas ações individuais, ou de um pequeno grupo de jogadores, e nas ações táticas da equipe em um todo, pois as ações individuais e em conjunto exigem estratégias dinâmicas da equipe para que se possa sobressair diante da estratégia adotada pela equipe adversária, visando assim um melhor rendimento e maior posse de bola e rodagem do jogo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">THIENGO (2020)<sup>12 </sup>define que a Penetração é um dos primeiros princípios dentro da aplicação ofensiva que possibilita ao jogador que possui a bola progredir em direção à meta contra seu adversário ou linha meta. A Cobertura Defensiva possibilita que os jogadores do time atacante, que não tem a posse de bola, localizados ao centro de jogo, ofereçam o apoio ao jogador que possui a bola. A mobilidade tem como princípio possibilitar ao jogador da equipe atacante, sem a posse de bola, realizarem movimentações junto à linha do último defensor e a meta ou a linha de fundo adversária. No espaço o princípio se subdivide em: espaço com e sem bola, onde: o espaço sem bola possibilita que os jogadores da equipe atacante, sem bola, localizados fora do centro do jogo efetuem movimentos entre a linha da bola e a linha do último defensor; contudo o espaço com bola possibilita ao jogador da bola realizar movimentações em direção as linhas laterais ou à própria meta. Contudo a unidade defensiva tem como princípio possibilitar aos jogadores da equipe atacante que estão sem posse da bola, realizarem movimentos que auxiliem a equipe no deslocamento pelo campo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">THIENGO (2020)<sup>12</sup> explica que a Contenção é um dos primeiros princípios dentro da aplicação defensiva que possibilita ao jogador que se encontra dentro do centro de jogo, executar sua oposição direta ao jogador que possui a posse de bola, com o objetivo de reduzir os espaços, as opções de passes e as finalizações do mesmo; em vista que, o jogador que realizar a contenção tem a capacidade de ofertar maior tempo para a organização defensiva do seu time, direcionando a progressão dos jogadores que possui a posse de bola e parar ou atrasar um contra- ataque do time adversário. A cobertura defensiva possibilita ao jogador que se localiza na metade mais ofensiva do centro de jogo de oferecer estabilidade a esta região e apoio ao defensor que realiza o princípio da contenção. O jogador que atua na transmissão da segurança e confiança ao defensor que realiza à contenção, de forma que este consiga combater o jogador que possui a bola, permitindo que os jogares sirvam de obstáculos adicionais para o jogador que possui a bola, obstruindo as possíveis linhas ou zonas de passes. Contudo o Equilíbrio se subdivide em: defensivo e de recuperação, onde o equilíbrio defensivo possibilita as movimentações dos jogadores posicionados nas laterais do centro de jogo, garantindo a estabilidade defensiva; o equilíbrio de recuperação possibilita ao jogador que está na metade menos ofensiva do centro de jogo realizar a recuperação defensiva. A concentração possibilita ao jogador localizado fora do centro de jogo, onde se localiza a metade ofensiva, de ofertarem reforços defensivos, aumentando a pressão defensiva e da proteção à meta. Finaliza-se então com a Unidade Defensiva princípio que possibilita ao jogador realizar movimentações distantes do centro de jogo, com o objetivo de ofertar apoio defensivo ao time.</p>



<h5 class="wp-block-heading">4.1.3 Benefícios da Formação 4-3-3</h5>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com GARCÊS (2019)<sup>11</sup>, podemos observar na imagem abaixo uma estratégia na formação 4-3-3 para melhor desempenho ofensivo, realizando uma rotação entre os jogadores afim de dificultar a marcação do time adversário, buscando uma boa armação da defesa até a região central do campo e fazendo ligação para o ataque, trazendo assim um melhor benefício e resultado na jogada.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="399" height="231" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-714.png" alt="" class="wp-image-227960" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-714.png 399w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-714-300x174.png 300w" sizes="(max-width: 399px) 100vw, 399px" /><figcaption class="wp-element-caption">Autor: Autoria Própria</figcaption></figure>



<h5 class="wp-block-heading">4.1.4 Precaução da Formação 4-3-3</h5>



<p class="wp-block-paragraph">GARCÊS (2019)<sup>11</sup> aplica uma precaução que constitui a reformulação do time para uma possível perda da posse de bola na frente, e contra-ataque do time adversário, garantindo duas ou mais opções de marcação na defesa, prevalecendo uma triangulação entre os jogadores no centro de jogo para uma possível retomada de bola e criação da jogada novamente.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="385" height="223" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-715.png" alt="" class="wp-image-227961" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-715.png 385w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-715-300x174.png 300w" sizes="(max-width: 385px) 100vw, 385px" /><figcaption class="wp-element-caption">Autor: Autoria Própria</figcaption></figure>



<h5 class="wp-block-heading">5 DISCUSSÃO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Figueira (2008)<sup>4</sup> realizou um experimento tático em teste 2&#215;1 com o uso de goleiro fixo para desenvolvimento de ataque e defesa. Utilizando 2 atacantes e 1 marcador no espaço de jogo fez com que a visão de passe melhorasse em 90%, neste tipo de treinamento ele concluiu que essa metodologia ajudou a desenvolver o entrosamento entre os jogadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Casarin (2001)<sup>2</sup> fez um experimento com os jogadores do seu time em um treino tático de 11&#215;11 com o objetivo de melhorar a recomposição da bola em ataque e não deixar o time adversário se fechar a tempo, composições de treino chamadas de “Pressão Alto e Pressão Baixa”. Ele concluiu que quando a equipe está no campo de ataque e perde a bola estando em fase de transição, estabelece uma recomposição de 6 segundos para volta e construção novamente de uma nova jogada, fazendo com que o time adversário não consiga criar um possível avanço das linhas de ataque.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fernandes (1994)<sup>14</sup> realizou um formato de treino para poder treinar os Laterais do time e avançar as linhas central dando assim opção de passe e cruzamento vindo pelas pontas. Em teste realizado durante o coletivo com 11 jogadores, ele usou as “Beiradas” do campo, no qual podemos entender como as linhas laterais para medir o nível de velocidade e agilidade de seus laterais direto e esquerdo. Com esse avanço e formação da linha central na frente ele obteve um bom desenvolvimento de chegadas a gols durante o ataque a cada passe ou cruzamento lançado pelos laterais, acertando assim o gol 9x de 10 jogadas trabalhadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Garcês (2019)<sup>11</sup> fez um experimento com seu time em treino tático para tentar acrescentar algumas variações de jogadas dentro da formação 4-3-3, mantendo as linhas de 2 zagueiros, 2 laterais, 2 meias, 1 volante, 1 atacante e 2 pontas. Nessa variação ele incluiu uma rodagem do meio campo, no qual 1 dos meias faria a função de 2º volante e ficaria formada uma linha de 2 volantes e 1 meia ofensivamente, com o ponta direita puxando para a área junto com o atacante, e trazendo o ponta esquerda para ajudar na quebra de espaço da marcação do time adversário. Resultou que feito essa variação, a linha central chegasse mais ofensivamente ao gol do adversário, dando um “nó tático” e fazendo com que a bola adentrasse com mais facilidade na área, sobrando para o atacante chutar no gol, constituindo assim em um bom passe em profundidade e melhor desenvolvimento da jogada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo é possível entender que todas as análises realizadas obteve-se sucesso, pois buscaram o melhor desempenho dos atletas, fazendo com eles desenvolvessem suas habilidades com jogadas táticas para se alcançar o resultado esperado.</p>



<h5 class="wp-block-heading">6 CONCLUSÃO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O desenvolvimento tático destaca a importância dos sistemas e ações que visam melhorar o rendimento e habilidades desenvolvidas pelos atletas dentro e fora das quarto linhas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É possível entender a real importância de todos os jogadores estarem preparados e capacitados, para que possam identificar as falhas que existem nas jogadas, levando-os a desenvolver decisões assertivas para solucionar a situação que lhe foram impostos, melhorando então o desempenho tático de cada um.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante ressaltar que quando se assumi a responsabilidade tática para treinar um time de futebol, assume-se&nbsp; a necessidade de ensinar os atletas a tomar decisões, sendo elas inteligente e criativas, para melhor desenvolver suas habilidades.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ressalta- se que os princípios de jogo representam os padrões de comportamentos táticos evidenciados, fazendo com que o atleta busque pela equipe durante o tempo do jogo, retratando também que, os princípios definem um conjunto de códigos na qual proporciona possibilidade de alcançarem de forma mais rápida as soluções táticas para os problemas desenvolvidos contra seu adversário, sendo possível constituir um alicerce organizacional para se jogar um futebol de excelência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui- se então que é importante destacar que as posições ocupadas pelos jogadores de futebol durante um momento histórico da partida, independentemente da prioridade do jogador em campo, existem funções que devem ser realizadas nas fases ofensivas e defensivas do jogo de acordo com a estratégia e tática da equipe. Considerando o aumento competitivo da modalidade, torna-se gradativamente mais importante que os jogadores atuem em diferentes posições e desempenham diferentes funções durante as partidas.</p>



<h5 class="wp-block-heading">REFERÊNCIAS</h5>



<ol class="wp-block-list">
<li>Carvalho FM. Influência do desempenho tático sobre o resultado final em jogo reduzido de futebol. Revista de Educação Física. Ed 2. Porto Alegre 2013. 400 p.</li>



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</ol>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
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		<title>EDIÇÃO GÊNICA COM CRISPR/CAS9 NA DOENÇA DE ALZHEIMER: AVANÇOS RECENTES E DESAFIOS FUTUROS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/edicao-genica-com-crispr-cas9-na-doenca-de-alzheimer-avancos-recentes-e-desafios-futuros/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft FA]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Jul 2025 02:08:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Biológicas]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 147/JUN 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[GENE EDITING WITH CRISPR/CAS9 IN ALZHEIMER’S DISEASE: RECENT ADVANCES AND FUTURE CHALLENGES REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202506302307 Adriano Lopes da Silva1Cecília Emanuelle da Mata Pereira2Eduarda Eloisi Silva Lopes Braga3 RESUMO As doenças neurodegenerativas têm sido um dos maiores embates dentro da comunidade científica, sobretudo devido à falta de tratamentos capazes de alterar o curso dessas enfermidades. A [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">GENE EDITING WITH CRISPR/CAS9 IN ALZHEIMER’S DISEASE: RECENT ADVANCES AND FUTURE CHALLENGES</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202506302307</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide" />



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Adriano Lopes da Silva<sup>1</sup><br>Cecília Emanuelle da Mata Pereira<sup>2</sup><br>Eduarda Eloisi Silva Lopes Braga<sup>3</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide" />



<h5 class="wp-block-heading"><strong>R</strong>ESUMO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">As doenças neurodegenerativas têm sido um dos maiores embates dentro da comunidade científica, sobretudo devido à falta de tratamentos capazes de alterar o curso dessas enfermidades. A Doença de Alzheimer (DA) é responsável pela maioria dos casos de demência no mundo, tratando-se de uma condição com grande influência genética. A DA é uma doença crônica, de evolução lenta, progressiva e irreversível, com etiologia complexa e multifatorial. Suas principais características fisiopatológicas são a formação de placas β-amiloide (Aβ) e de emaranhados neurofibrilares de proteína Tau. Com o aumento da expectativa de vida, a prevalência da doença tende a crescer, tornando-se um desafio ainda maior para a saúde pública. A edição gênica por meio da tecnologia CRISPR/Cas9 apresenta grande potencial, especialmente para a correção de defeitos genéticos ou mutações no genoma humano. Neste estudo, analisamos as bases teóricas dessa tecnologia e sua implementação recente na DA. O mecanismo CRISPR/Cas9, voltado a alvos genéticos específicos que modulam os processos patológicos da enfermidade, pode representar um avanço significativo na pesquisa por uma terapêutica capaz de interromper a progressão da degeneração causada pela DA. Por fim, apresentamos uma visão geral das limitações e das perspectivas futuras sobre o uso da tecnologia CRISPR/Cas9 no tratamento da Doença de Alzheimer.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Doença de Alzheimer; CRISPR/Cas9; Edição Gênica; Terapia genética; Neurodegeneração.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>A</strong>BSTRACT</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Neurodegenerative diseases have been one of the greatest challenges within the scientific community, mainly due to the lack of treatments capable of altering the course of these disorders. Alzheimer&#8217;s Disease (AD) accounts for the majority of dementia cases worldwide and is a condition with strong genetic influence. AD is a chronic, slowly progressive, and irreversible disease with a complex and multifactorial etiology. Its main pathophysiological features are the formation of β-amyloid (Aβ) plaques and neurofibrillary tangles of Tau protein. With the increase in life expectancy, the prevalence of the disease tends to grow, becoming an even greater challenge for public health. Gene editing through CRISPR/Cas9 technology shows great potential, especially for correcting genetic defects or mutations in the human genome. In this study, we analyze the theoretical foundations of this technology and its recent implementation in AD. The CRISPR/Cas9 mechanism, targeting specific genetic elements that modulate the pathological processes of the disease, may represent a significant advancement in the search for a therapy capable of halting the progression of AD-related degeneration. Finally, we present an overview of the limitations and future perspectives regarding the use of CRISPR/Cas9 technology in the treatment of Alzheimer&#8217;s Disease.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Alzheimer&#8217;s Disease; CRISPR/Cas9; Gene Editing; Gene Therapy; Neurodegeneration.</p>



<h5 class="wp-block-heading">1. INTRODUÇÃO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A Doença de Alzheimer (DA) é um distúrbio neurodegenerativo muito comum, estima-se que mais de 55 milhões de pessoas convivem com algum tipo de demência em todo o mundo, sendo a DA responsável por cerca de 60-70% desses casos. Em 2021, foi classificada, juntamente com outras formas de demência, como a sétima principal causa de morte mundial (OMS, 2021). No Brasil, estima-se que aproximadamente 1,2 milhão de pessoas sejam afetadas pela doença, com tendência a ter um aumento significativo nos próximos anos (Agência Brasil, 2023). A DA é caracterizada por alterações no sistema nervoso, levando ao declínio irreversível da função das células nervosas, afetando a memória, o comportamento e, com o tempo, até mesmo a capacidade de autocuidado. Sua origem pode ser hereditária, como em formas raras da doença, ou esporádica, sendo influenciada por uma combinação de fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida. Embora a causa exata da ainda seja desconhecida, o acúmulo de proteínas anormais no cérebro, como os emaranhados de tau e placas de amiloide, são características marcantes da doença. Além disso, fatores como a predisposição genética e o envelhecimento desempenham papéis cruciais no seu desenvolvimento (Bhardwaj et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a DA seja um distúrbio muito prevalente, seu tratamento ainda enfrenta grandes desafios, com intervenções predominantemente paliativas que visam apenas amenizar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente, utilizando estratégias não medicamentosas, como a reabilitação cognitiva e também tratamento farmacológico, evitando efeitos adversos (Freire; Silva da; Borin, 2022). Nesse contexto, evidencia-se a urgência e grande importância do desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas, com o objetivo de retardar, reverter e tratar a origem da doença, especialmente considerando os avanços tecnológicos cada vez mais promissores nesse campo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O CRISPR-Cas9 é uma abordagem terapêutica promissora, possuindo grande potencial para o tratamento de distúrbios neurodegenerativos, como o Alzheimer, por meio da edição gênica. Esse sistema ocorre naturalmente em bactérias, reconhecendo e inativando DNA invasor e, com os avanços da ciência, foi adaptado para células humanas, possibilitando a edição precisa de sequências de DNA, adicionando, deletando ou substituindo nucleotídeos, o que pode viabilizar a cura de diversas doenças, incluindo a DA (Lu et al., 2021). Estudos indicam que o CRISPR-Cas9 é composto por uma enzima Cas9 e pelo RNA guia único (sgRNA), que atuam em conjunto modificando o genoma, em caso de mutações. A enzima realiza a clivagem da fita dupla de DNA, enquanto o sgRNA direciona até o segmento alvo. A DA é caracterizada pelo acúmulo de beta-amiloide 42 (Aβ42) e proteína Tau fosforilada, além de disfunção das células gliais e falhas na comunicação sináptica, formando placas senis e emaranhados neurofibrilares que comprometem a função cognitiva. Nesse contexto, o CRISPR-Cas9 tem o potencial de reduzir a produção da proteína precursora de amiloide (APP), consequentemente diminuindo a formação de placas. Além disso, poderia restaurar a função das células gliais e editar o gene APOE4, fator de risco associado à DA esporádica, substituindo-o pelas variantes neuroprotetoras APOE2 ou APOE3, entre outras abordagens promissoras para a prevenção e tratamento desse distúrbio (Soni et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do crescente impacto da Doença de Alzheimer na saúde pública mundial e das limitações das terapias atuais, este estudo tem como objetivo explorar o uso da tecnologia CRISPR-Cas9 como uma possível ferramenta terapêutica para a prevenção e tratamento da. Por meio de uma revisão bibliográfica, busca-se analisar os mecanismos moleculares envolvidos na doença, as aplicações potenciais da edição gênica e os avanços científicos recentes que apontam para novas estratégias promissoras no enfrentamento desse distúrbio neurodegenerativo.</p>



<h5 class="wp-block-heading">2. METODOLOGIA</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo trata-se de uma revisão bibliográfica sobre o sistema CRISPR/Cas9 aplicado à Doença de Alzheimer. Para a seleção dos artigos, foram utilizadas as bases de dados científicas PubMed, ScienceDirect, Scopus, Google Acadêmico e Portal de Periódicos da CAPES, além de sites institucionais e governamentais, como os da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Agência Gov.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram selecionados artigos publicados entre 2018 e 2025, com prioridade para os estudos mais recentes, dos últimos 5 anos. Os critérios de escolha dos artigos foram: disponibilidade do texto completo gratuitamente, publicações em inglês ou português, artigos originais e revisões sistemáticas ou narrativas com foco na aplicação do CRISPR/Cas9 na Doença de Alzheimer. Foram excluídos artigos irrelevantes, que não abordavam o tema ou não possuíam respaldo científico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao final das pesquisas, com base nos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 35 artigos que compõem esta revisão, os quais foram organizados por tópicos para facilitar a compreensão e análise do tema, abordando as aplicações recentes do CRISPR/Cas9 no tratamento da DA, bem como os desafios e as perspectivas futuras dessa abordagem terapêutica.</p>



<h5 class="wp-block-heading">3. FUNDAMENTOS DO SISTEMA CRISPR/Cas9 APLICADO Á EDIÇÃO GÊNICA</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O sistema CRISPR foi identificado pela primeira vez em 1987 por Ishino et al., quando sequenciaram DNA de <em>Escherichia coli </em>e encontraram sequências repetitivas, denominadas CRISPR. A importância dessas sequências não foi compreendida imediatamente. No entanto, foi em 1995 que Francisco Mojica, da Universidade de Alicante, ao estudar o genoma de arqueias, descobriu estruturas semelhantes e sugeriu que esses loci poderiam funcionar como uma espécie de sistema imunológico em organismos procarióticos. Ele observou que esses loci continham fragmentos de DNA viral, permitindo que as bactérias reconhecessem e se defendessem de vírus específicos (Gostimskaya, 2022). Esse foi um marco importante na compreensão da função biológica do CRISPR, que, mais tarde, levou ao desenvolvimento do revolucionário sistema de edição gênica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sistema CRISPR/Cas9 (Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaciadas) é uma tecnologia de edição gênica com grande potencial para a prevenção e tratamento de diversas doenças. Esse sistema é composto por três elementos principais: o RNA CRISPR (crRNA), responsável por reconhecer a sequência alvo; o tracrRNA (RNA transativador do crRNA), que estabiliza a interação com a enzima; e a proteína Cas9, que realiza o corte da fita dupla do DNA. Na versão adaptada para uso laboratorial, o crRNA e o tracrRNA são fundidos em uma única molécula chamada sgRNA (single guide RNA), o que facilita seu uso em pesquisas experimentais (Manghwar et al., 2019). O funcionamento do sistema baseia-se na clivagem da fita dupla de DNA (quebra de fita dupla de DNA – DSB), realizada pela enzima Cas9 guiada pelo sgRNA. Esse corte ocorre geralmente três pares de bases antes da sequência PAM (motivo adjacente ao protospacer – PAM), essencial para o reconhecimento do DNA-alvo. Após a quebra, a célula ativa mecanismos de reparo que podem seguir duas vias principais: NHEJ (junção de extremidades não homólogas), mais propensa a erros que podem gerar inserções ou deleções (indels); e HDR (reparo homólogo dirigido), que é mais precisa, mas ocorre com menor frequência, utilizando um molde de DNA doador como referência (Poletto, Schuh &amp; Baldo, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses mecanismos possibilitam diferentes estratégias de edição gênica, como a inativação de genes (knock-out), a inserção de novas sequências (knock-in), a correção de mutações pontuais (base editing), a modulação epigenética (epigenome editing) e, mais recentemente, o uso do prime editing, que permite alterações precisas no DNA sem a necessidade de induzir quebras de fita dupla — característica que o torna especialmente promissor para aplicações em células sensíveis, como neurônios. Cada uma dessas abordagens possui aplicações específicas tanto na pesquisa quanto na terapêutica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Yang (2023), o CRISPR-Cas9 apresenta vantagens significativas em relação a outras tecnologias de edição gênica, como as nucleases de dedo de zinco (nucleases de dedo de zinco) e as nucleases do tipo TALEN (nucleases do tipo efeito ativador de transcrição semelhante). Entre essas vantagens estão a maior especificidade, versatilidade, menor custo e a capacidade de realizar múltiplas edições simultâneas em diferentes regiões do genoma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a fim de reforçar a relevância do sistema CRISPR/Cas9 em comparação a outras estratégias de edição gênica, o Quadro 1 apresenta uma visão geral das principais tecnologias atualmente empregadas. Embora o enfoque deste estudo esteja no CRISPR/Cas9, a inclusão de abordagens como ZFN, TALEN, base editing e prime editing permite uma compreensão mais abrangente dos avanços tecnológicos e das razões que posicionam o CRISPR como uma das alternativas terapêuticas mais promissoras. De forma complementar, o Quadro 2 aprofunda essa análise ao trazer dados comparativos relevantes, como especificidade, frequência de efeitos fora do alvo (off-targets) e comparação de custos por edição. Esses dados contribuem para fundamentar a escolha do CRISPR/Cas9 como eixo central deste estudo, oferecendo suporte às discussões posteriores sobre sua aplicação na prevenção e no tratamento da Doença de Alzheimer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos avanços expressivos associados ao sistema CRISPR/Cas9, permanecem desafios importantes a serem enfrentados, como a dificuldade na entrega eficiente do sistema aos tecidos-alvo, as possíveis respostas imunológicas e o risco de efeitos indesejados fora do local de edição. Essas limitações evidenciam a necessidade de contínuos aprimoramentos para garantir maior segurança e eficácia em aplicações clínicas.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1 </strong>– Comparação entre técnicas de edição gênica: ZFN, TALEN, CRISPR/Cas9, Base Editing e Prime Editing.</p>



<figure class="wp-block-table"><table><tbody><tr><td><strong>Técnica</strong></td><td><strong>Composição e Mecanismo</strong></td><td><strong>Desempenho</strong></td><td><strong>Vantagens</strong></td><td><strong>Limitações</strong></td></tr><tr><td>ZFN</td><td>Dedos de zinco + FokI; cliva por dimerização</td><td>Variável</td><td>Alta especificidade (com bom design)</td><td>Design complexo; risco de off-target; citotoxicidade</td></tr><tr><td>TALEN</td><td>Proteínas de repetição TAL + FokI, que clivam o DNA após dimerização.</td><td>Alta</td><td>Alta precisão; design modular</td><td>Design complexo; custo elevado; risco de off-target</td></tr><tr><td>CRISPR/Cas9</td><td>Cas9 + sgRNA; pareia com sequência alvo + PAM; corte de fita dupla</td><td>Alta</td><td>Fácil de usar; edição multiplexada; baixo custo</td><td>Off-targets; depende do PAM</td></tr><tr><td>Base Editing</td><td>Cas9 + bases editoras (deaminase); sem quebra de fita dupla</td><td>Muito alta</td><td>Precisão na edição de bases; sem quebras de fita</td><td>Limitado a transições de bases; menor aplicabilidade</td></tr><tr><td>Prime Editing</td><td>Cas9 nickase + transcriptase reversa; guiado por pegRNA; sem quebra de fita dupla</td><td>Muito alta</td><td>Altera DNA sem DSB; edita diversos tipos de mutações</td><td>Eficiência variável; complexo; difícil entrega in vivo</td></tr></tbody></table><figcaption class="wp-element-caption">       <strong>Fonte</strong>: Elaborado pelos autores com base em Wei e Li (2023), Chen e Liu (2022), Murray et al. (2024).</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A análise apresentada no Quadro 1 ajuda a entender melhor as principais diferenças entre as técnicas clássicas e as mais modernas de edição gênica, mostrando o salto tecnológico que o sistema CRISPR/Cas9, e mais recentemente o Prime Editing, representam. A partir dessa primeira comparação, o Quadro 2 amplia essa visão ao trazer parâmetros práticos, que facilitam a avaliação do uso clínico dessas tecnologias.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 2 </strong>– Comparação Prática entre Tecnologias de Edição Gênica</p>



<figure class="wp-block-table"><table><tbody><tr><td><strong>Técnica</strong></td><td><strong>Especificidade</strong></td><td><strong>Taxa de off-target</strong></td><td><strong>Comparação de custos por edição</strong></td><td><strong>Facilidade de uso</strong></td><td><strong>Aplicações terapêuticas</strong></td></tr><tr><td>ZFN</td><td>Média &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>Alto</td><td>Baixa</td><td>Limitada</td></tr><tr><td>TALEN</td><td>Alta &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>Alto</td><td>Média</td><td>Moderada</td></tr><tr><td>CRISPR/CAS 9</td><td>Alta</td><td>Moderada</td><td>Baixo</td><td>Alta</td><td>Ampla</td></tr><tr><td>BASE EDITING</td><td>Muito Alta &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>Moderado</td><td>Alta</td><td>Alta</td></tr><tr><td>PRIME EDITING</td><td>Muito Alta &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>Moderado</td><td>Média</td><td>Alta</td></tr></tbody></table><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Fonte</strong>: Elaborado pelos autores com base em Wei e Li (2023), Chen e Liu (2023) e Murray et al. (2024).    <strong>Legenda</strong>: As classificações atribuídas aos parâmetros de especificidade, taxa de off-target, comparação de custo por edição, facilidade de uso e aplicabilidade terapêutica foram baseadas em uma média dos dados descritos na literatura recente. Referências como Wei e Li (2023), Chen e Liu (2023) e Murray et al. (2024) foram utilizadas como base para estabelecer critérios relativos, considerando variações observadas entre os estudos. Por exemplo, classificações como ―alta especificidade‖ referem-se à capacidade comprovada da técnica em realizar edições direcionadas com mínima ocorrência de alterações fora do alvo. ―Baixo custo‖ se refere à simplicidade dos reagentes e menor exigência de infraestrutura laboratorial. Já ―aplicabilidade terapêutica ampla‖ indica a validação pré-clínica ou clínica da técnica em múltiplas doenças genéticas.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando os dados apresentados, é possível perceber que, mesmo com algumas limitações — como a precisão em edições específicas e a ocorrência de efeitos fora do alvo (off-targets) — o CRISPR/Cas9 ainda se destaca como uma das ferramentas mais promissoras para aplicações terapêuticas. Sua eficácia já comprovada, a facilidade de uso e o forte respaldo na literatura científica reforçam a importância de sua escolha neste estudo, principalmente no tratamento de doenças complexas como o Alzheimer. Com as melhorias contínuas nas técnicas de edição, a expectativa é que muitas das limitações atuais sejam superadas, ampliando ainda mais o potencial do CRISPR/Cas9 como uma alternativa segura e eficaz na prática clínica.</p>



<h5 class="wp-block-heading">4. Mecanismos moleculares e fisiopatológicos da Doença de Alzheimer</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A Doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa progressiva, tendo o envelhecimento como principal fator de risco. Essa degeneração resulta em declínio cognitivo e, em estágios avançados, pode resultar em disfunção motora, incapacidade grave ou óbito (Zhang et al, 2024). A DA é caracterizada pela presença de emaranhados neurofibrilares intracelulares (NFTs), formados por proteínas tau hiperfosforiladas, e de placas amiloides extracelulares (APs), compostas por peptídeos β-amiloides (Aβ), além de alterações nas funções inflamatórias do cérebro (Chen et al., 2020). Segundo Sen T. e Thummer R.P. (2022), esses aglomerados se acumulam no tecido cerebral, promovendo disfunção sináptica e morte neuronal, o que resulta nos principais atributos patológicos da doença, como o comprometimento de funções cognitivas básicas, incluindo a memória, aprendizado e tomada de decisões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A DA pode ser classificada como de início tardio (LOAD) e de início precoce (EOAD). A forma mais comum, LOAD, está relacionada, sobretudo, ao envelhecimento e ao alelo E4 do gene APOE, que influencia a deposição de beta-amiloide no cérebro (Machado et al., 2020). A apolipoproteína E, no sistema nervoso central, tem como principais funções a redistribuição do colesterol, da mielina e das membranas neurais, além de estar envolvida no processo de reparo sináptico e na resposta a danos teciduais. Conforme a revisão feita por Paula (2022), as isoformas da proteína APOE influenciam o metabolismo do peptídeo Aβ, principalmente a ocorrência do alelo E4, associado ao acúmulo precoce de Aβ no cérebro e diretamente ligado a progressão da. Esse acúmulo pode ocorrer devido ao aumento da produção, redução na eliminação do peptídeo ou ambos. O estudo também sugere que a ApoE4, além de estimular expressão da APP via MAPK, está associada à menor eficiência na eliminação do Aβ, devido à baixa estabilidade do complexo ApoE4-Aβ e à atuação reduzida de receptores como LRP1 e LDLR.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto a forma de início tardio (LOAD) está vinculada principalmente ao alelo E4, a forma de início precoce (EOAD) está relacionada a alterações hereditárias em loci gênicos específicos, como PSEN1 (Presenilina-1), PSEN2 (Presenilina-2) e APP (Proteína Precursora Amiloide). As mutações nesses genes também estão diretamente relacionadas com o acúmulo anormal de beta-amiloide no cérebro (Machado et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O gene PSEN1 participa da produção do peptídeo Aβ e da plasticidade sináptica, sendo suas mutações significamente associadas à EOAD. A disfunção nesse gene está relacionada à DA devido ao seu papel essencial na memória e na sobrevivência neuronal (Ribeiro et al., 2021). Por sua vez, o gene PSEN2, também vinculado à DA, contribui para o acúmulo intracelular de β-amiloide, além de estar envolvido em processos de neuroinflamação e neurodegeneração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, o gene APP está associado à EOAD devido a diversas mutações que alteram a codificação de aminoácidos e os sítios de clivagem da proteína, favorecendo o processamento amiloidogênico e resultando na liberação excessiva do peptídeo Aβ, que possui alta capacidade de agregação. Esses agregados formam placas amiloides nas paredes externas dos neurônios, desencadeando um processo de neuroinflamação e, consequentemente, contribuindo para o desenvolvimento da EOAD (Ribeiro et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos principais genes mencionados, há outros que podem contribuir direta ou indiretamente para o desenvolvimento da Doença de Alzheimer (DA), como BACE1, TREM2 e CD33, cujas funções impactam aspectos fundamentais da, como o processamento da proteína precursora de amiloide e a resposta imunológica no cérebro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outros marcadores fisiopatológicos também se destacam na contribuição para a progressão da DA, por exemplo, as anomalias na barreira hematoencefálica (BHE), que normalmente atua como um filtro entre o sangue e o tecido cerebral. A BHE pode ser desregulada por agentes inflamatórios, como citocinas e substâncias citotóxicas, resultando em um acúmulo vascular intensificado de placas amiloides e, consequentemente, em lesões neuronais de natureza isquêmica (Tobbin et al. 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O papel da neuroinflamação na DA é mediado principalmente pela ativação de micróglias e astrócitos diante da deposição de β-amiloide. As micróglias, células fagocitárias do sistema nervoso central (SNC), ao reconhecerem essas proteínas agregadas, assumem um estado pró-inflamatório, liberando citocinas como TNF-a, e IL-1B, além de neurotoxinas. E assim, é iniciado um processo de inflamação crônica, potencializando a deposição proteica e comprometendo a homeostase neural. Já os astrócitos, que normalmente regulam as atividades das micróglias e evitam a neurotoxicidade por glutamato, quando ativado de forma desregulada, também contribuem para o processo neuroinflamatório. A disfunção mitocondrial, o estresse oxidativo e a morte neuronal são consequências da produção constante de radicais livres e de mediadores inflamatórios. A progressão da neurodegeneração na Doença de Alzheimer ocorre, portanto, por esse conjunto de fatores que intensificam a neuroinflamação (Machado et al., 2020).</p>



<h5 class="wp-block-heading">5. Abordagens Terapêuticas com CRISPR-Cas9 na Doença de Alzheimer</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, o sistema CRISPR-Cas9 tem se consolidado como uma tecnologia promissora para o tratamento de diversas doenças até então incuráveis. Com o avanço dos estudos e testes experimentais, essa ferramenta tem demonstrado grande potencial na terapia gênica. A Doença de Alzheimer (DA), uma enfermidade neurodegenerativa sem cura definitiva, tem sido amplamente investigada como um possível alvo do CRISPR-Cas9, com o objetivo de permitir, no futuro, uma abordagem terapêutica mais eficaz e direcionada. Atualmente, o Alzheimer conta com tratamentos apenas paliativos, voltados para o alívio dos sintomas. Trata-se de uma doença com múltiplas causas, incluindo fatores genéticos, ambientais e relacionados ao estilo de vida. Por ser uma condição que afeta diretamente o cérebro, exige estudos minuciosos antes de qualquer tentativa de aplicação em modelos in vivo (Klinkovskij et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as alterações mais significativas relacionadas à DA, destacam-se o acúmulo de beta-amiloide, a hiperfosforilação da proteína tau e o aumento da neuroinflamação, devido à ativação exacerbada de astrócitos e micróglias, comprometendo diretamente a comunicação entre os neurônios (Chen et al., 2020). Assim, a edição gênica com CRISPR-Cas9 tem como principal foco os genes envolvidos nessas alterações, com o objetivo de reduzir a toxicidade e, consequentemente, minimizar a neurodegeneração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diferentes métodos têm sido explorados para atingir com precisão os genes associados à Doença de Alzheimer, como APP (Proteína Precursora da Amiloide), PSEN1 (Presenilina 1), PSEN2 (Presenilina 2), BACE1 (Enzima Beta-site de Clivagem da APP 1) e TREM2 (Receptor de Gatilho Expresso em Células Mieloides 2). Esses genes têm sido alvo de diferentes abordagens terapêuticas, visando à redução da neuroinflamação e da produção de proteínas tóxicas, como a beta-amiloide e a proteína tau, que desempenham um papel central na patogênese da doença. O CRISPR-Cas9, em particular, tem mostrado grande potencial para modificar de forma precisa e eficaz esses genes, oferecendo novas perspectivas para o tratamento, e quem sabe, a cura da Doença de Alzheimer.</p>



<h5 class="wp-block-heading">6. Genes-Alvo Promissores para Terapias com CRISPR-Cas9 na Doença de Alzheimer</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Diversos estudos têm investigado o uso do CRISPR-Cas9 na prevenção e no tratamento da Doença de Alzheimer (DA), devido ao grande impacto causado por essa enfermidade na saúde pública mundial. Nesse contexto, pesquisas em modelos celulares e animais são fundamentais para alcançar o objetivo de reduzir a neurotoxicidade associada ao acúmulo de beta-amiloide e proteína tau, restaurar a função neuronal e, consequentemente, oferecer novas estratégias terapêuticas. A seguir, serão apresentados os principais achados de pesquisas que utilizaram o CRISPR-Cas9 em genes como APP, PSEN1, PSEN2, BACE1, TREM2, APOE4, e CD33, destacando os métodos empregados, os modelos experimentais e os efeitos observados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O gene APP (proteína precursora de amiloide) é um dos principais alvos de edição genética da, pois mutações nesse gene resultam em uma produção exagerada da beta-amiloide, favorecendo a formação das placas senis. Diante disso, Xia et al. (2023) desenvolveram estratégias para modificar a ação desse gene, em específico. Para isso, utilizaram um sgRNA que visa atingir especificamente o APP, e induzir de forma precisa a mutação A673T. Além disso, aplicaram o inibidor SCR7, que bloqueia a via de reparo NHEJ, promovendo o reparo por HDR, aumentando a eficiência de edição nas células HEK293T e iPS (Células- tronco Pluripotentes Induzidas). Os resultados foram observados por meio de análises como PCR e Sequenciamento de Sanger, onde foi concluído um melhor desempenho com a utilização do template MSYM9. Por outro lado, Adji et al. (2022) destacam a mutação KM670/671NL (conhecida como mutação sueca ou APPsw), que resulta no acúmulo de Aβ. Estratégias como a deleção de 700 pares de bases na região 3′-UTR do gene APP, a introdução da mutação A673T (que converte o códon de alanina para treonina) e alterações na região C-terminal — realizadas pela equipe de Sun — favoreceram a clivagem α, considerada neuroprotetora. Todas essas modificações reduziram os efeitos da mutação e levaram a uma diminuição significativa na produção de Aβ (Sun et al., 2019, apud Adji et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além do APP, o gene PSEN1, também é de grande interesse para o estudo da, ele codifica a presenilina 1 (PS1), uma das subunidades da γ-secretase, a qual desempenha um papel central no processo de clivagem da APP e, consequentemente, na produção de Aβ. Mutações nesse gene aumentam o risco da, um exemplo é a mutação M146L, onde a metionina (M) é substituída por leucina (L) na posição 146 da proteína PS1, resultando em maior produção de Aβ42. Segundo Evangelou (2022), em uma matéria publicada no CRISPR Medicine News, pesquisadores desenvolveram técnicas utilizando o CRISPR-Cas9 para interromper a ação do alelo mutante PSEN1M146L em células de fibroblastos humanos de indivíduos portadores da mutação. Para isso, projetaram um RNA guia capaz de reconhecer o local exato da mutação, criando também um novo sítio PAM (Protospacer Adjacent Motif), o que possibilitou que o sistema CRISPR atuasse de forma específica apenas sobre o gene mutado, evitando efeitos off-target. Os resultados foram promissores, com uma ação eficiente e seletiva. Além do PSEN1, o gene PSEN2, que também codifica uma subunidade da γ-secretase, apresenta mutações associadas à DA familiar e pode ser igualmente um alvo potencial para as técnicas de CRISPR-Cas9.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, é importante destacar o gene BACE1<strong>, </strong>que também está envolvido na Doença de Alzheimer devido ao aumento da atividade da enzima β-secretase 1<strong>. </strong>Esse aumento resulta na produção e agregação dos peptídeos Aβ40 e Aβ42<strong>, </strong>além de intensificar a clivagem da proteína precursora amiloide (APP). Por essa razão, o gene BACE1 tem sido considerado um alvo promissor para a edição genética com a técnica CRISPR-Cas9 (Bhardwaj et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O TREM2, associado à função da micróglia, tem sido apontado como um fator de risco para a DA, especialmente por conta da variante R47H, níveis reduzidos desse gene comprometem a função microglial, favorecendo o acúmulo de placas e a progressão da doença. McQuade et al. (2020) utilizaram o CRISPR- Cas9 para deletar o TREM2 em iPSCs, observando prejuízos na sobrevivência da micróglia, na depuração de APOE e na resposta às placas de beta-amiloide. Já Cheng-Hathaway et al. (2018) mostraram, em modelo de camundongo com a mutação R47H introduzida por CRISPR, que a expressão do gene foi reduzida, comprometendo a resposta imunológica às placas amiloides. Esses dados reforçam o TREM2 como um alvo relevante para estratégias terapêuticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro gene conhecido pela sua suscetibilidade para a DA esporádica é o APOE, mais especificamente o gene APOE4, que está presente em pacientes com a doença. Estudos demonstraram a eficácia do uso do CRISPR-Cas9 para transformar o alelo E4 em E3/E3 em iPSCS de dois pacientes com DA. Essa modificação resultou em maior resistência à citotoxicidade, característica associada ao alelo E3, reforçando o papel do APOE4 como fator de risco significativo para a DA e evidenciando o potencial terapêutico da correção gênica nessa via (Lu et al., 2021). Além disso, a conversão do APOE4 para o APOE2 — embora seja uma isoforma mais rara — tem sido explorada como uma alternativa promissora, uma vez que o APOE2 exerce um efeito neuroprotetor significativo, podendo reduzir o risco de desenvolvimento da doença em até 40% (Barman et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O CD33, um receptor imunomodulador, é outro gene de grande relevância para a DA, já que desempenha um papel importante na neuroinflamação e na resposta imune associada à doença. O CD33 regula o processo de fagocitose, ajudando na eliminação das placas de beta-amiloide. Estudos de Bhattacherjee et al. (2019) demonstraram que, ao utilizar o CRISPR-Cas9 para realizar a deleção do CD33 murino (mCD33), houve um aumento na capacidade da micróglia de fagocitar e remover o Aβ. Além disso, introduziram variantes do CD33 humano (hCD33), resultando na redução da neurodegeneração e no acúmulo de placas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, os estudos apresentados demonstram o grande potencial do CRISPR-Cas9 como ferramenta de edição genética, contribuindo não apenas para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas, mas também para o aprofundamento da compreensão dos mecanismos moleculares envolvidos na Doença de Alzheimer. Apesar dos desafios, essa abordagem apresenta perspectivas promissoras de consolidação como uma alternativa terapêutica eficaz, revolucionando o cenário atual. Os resultados obtidos em modelos celulares e animais representam um avanço significativo rumo ao desenvolvimento de intervenções personalizadas, com maior segurança e menor risco de efeitos adversos.</p>



<h5 class="wp-block-heading">7. Estratégias de Edição Gênica com CRISPR/Cas9</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O sistema CRISPR/Cas9 é direcionado ao gene alvo por meio de um RNA guia, e logo em seguida, a enzima Cas9 realiza a clivagem do DNA. Após esse processo, o DNA entra em um processo de reparo, que pode ocorrer de duas maneiras: knock-out ou knock-in, dependendo da finalidade da edição. Além disso, o sistema dCas9 surge como uma alternativa, permitindo a modulação da expressão gênica sem causar quebras no DNA. A escolha do método, portanto, depende do gene específico que se deseja editar e do seu papel na patogênese da Doença de Alzheimer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O knock-out tem como objetivo desativar a função de um gene específico, romovendo inserções ou deleções de sequências no DNA. Esse processo é comumente realizado através do reparo NHEJ, que conecta de forma espontânea as extremidades do DNA após a clivagem, fazendo ajustes mínimos. Isso resulta na inserção ou deleção de bases, fazendo com que o gene alvo perca a sua função. Embora o NHEJ seja amplamente utilizado devido à sua simplicidade, ele não oferece grande precisão. Para aumentar a precisão do knock-out, podem ser realizadas mutações artificiais nos domínios NHN ou RuvC da enzima Cas9, além de se utilizar dois sgRNAs diferentes para direcionar as duas fitas de DNA, melhorando a especificidade do processo (Jiang et al., 2023). Essa abordagem tem sido amplamente utilizada em modelos de camundongos para estudar a influência de genes como MAPT, que codifica a proteína tau, um dos principais componentes dos emaranhados neurofibrilares presentes na DA. A manipulação desse gene permite investigar como alterações na tau influenciam a patogênese da doença (De Plano et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, o knock-in é uma técnica que visa a inserção de um gene ou sequência genética em um local específico do DNA. Esse processo é realizado por meio do reparo HDR, que utiliza moldes para inserir a sequência desejada, tornando a técnica mais precisa. No entanto, o knock-in é menos utilizado devido às suas exigências, como a necessidade de ocorrer nas fases S/G2 do ciclo celular, limitando a sua aplicabilidade. Para potencializar essa técnica, podem ser usados inibidores de NHEJ, que ajudam a favorecer o reparo por HDR (Jiang et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, uma abordagem alternativa ao knock-in e<strong> </strong>knock-out é o uso do sistema CRISPR/dCas9 para regular a expressão gênica sem induzir danos ao DNA. Embora o dCas9 não realize cortes no DNA, ele pode ser combinado com outras ferramentas para modificar a expressão gênica, seja inativando ou alterando a atividade de um gene. Por exemplo, estudos recentes demonstraram que o sistema dCas9-Dnmt3a foi capaz de induzir hipermetilação no gene APP, resultando na redução da expressão desse gene e, consequentemente, na diminuição da formação dos peptídeos Aβ, que estão associados à DA (Park et al., 2022).</p>



<h5 class="wp-block-heading">8. Métodos de Entrega do CRISPR/Cas9 na Doença de Alzheimer</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de ser promissora no âmbito da edição gênica, a aplicação do CRISPR/Cas9 no contexto clínico ainda está em estágios iniciais, especialmente na DA. É extremamente importante que as estratégias para a entrega do CRISPR/Cas9 no cérebro sejam eficientes, pois o processo de edição requer a entrega simultânea da proteína Cas9 funcional e do sgRNA no núcleo celular. Para isso, foram utilizadas tanto técnicas virais quanto não virais (Wang; Yijin Elsa, 2024; Zhang; Li; Jin, 2024).</p>



<h5 class="wp-block-heading">Entrega viral</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O método de entrega do CRISPR/Cas9 por vetores virais é tradicional em modelos experimentais, como linhas celulares e animais, sendo também um dos sistemas mais abrangente para entrega direcionada baseada em plasmídeos (Bhardwaj et al, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A entrega por meio de vírus adenoassociados (AAVs) é a mais utilizada nas estratégias virais de transporte do CRISPR/Cas9, principalmente por ser eficiente e por ter uma ampla capacidade de atingir diversos tipos celulares — inclusive atravessando a barreira hematoencefálica, devido à sua alta infectividade, baixa imunogenicidade e limitada inserção ao genoma humano (Bhardwaj et al, 2022). Assim, os AAVs se estabelecem a principal escolha para editar genes como APP, PSEN1 e PSEN2 no cérebro. Conforme o estudo de György et al. (citado no artigo de Wang; Yijin Elsa, 2024), o uso de AAVs para entregar CRISPR-Cas9 no gene APP reduziu a formação de placas amiloides e melhorou a função cognitiva em camundongos com Alzheimer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O genoma do AAV, que contém mais de 200 variantes, é composto de DNA de fita simples. Bhardwaj et al (2022) citam um estudo que descreve o uso de dois vetores AAV distintos, os quais envolvem gRNA específico para APPsw e Cas9, com a finalidade de corrigir a mutação KM670/671NL da APP, associada à DA. Os vírus foram submetidos a testes in vitro em células neuronais primárias de embriões de roedores Tg2576 e in vivo através de injeção intrahipocampal em roedores Tg2576. Essa intervenção resultou em uma redução de 60% na produção de Aβ em fibroblastos humanos. Ainda assim, devido à limitação na capacidade de empacotamento de 4,7 kb do AAV, pode ser necessária a co-injeção de dois vetores virais. Contudo, isso tornaria o procedimento mais complicado, visto que ambos não conseguem infectar a mesma célula em simultaneamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os lentivírus, por outro lado, podem incorporar inserções longas de DNA, entre 8 e 10 kb, mas apresentam menor eficiência de disseminação no cérebro. Além disso, a produção em grande escala de lentivírus é mais complicada, e eles podem se integrar ao genoma humano, aumentando o risco de reações imunológicas. Ainda assim, há a possibilidade de utilizar lentivírus para atingir três genes — APOE4, APP e caspase-6, em casos de DA familiar e esporádica</p>



<h5 class="wp-block-heading">Entrega não viral</h5>



<p class="wp-block-paragraph">As estratégias não virais para a entrega do CRISPR/Cas9 têm se mostrado promissoras devido à sua melhor relação custo-benefício, facilidade de implementação, viabilidade e flexibilidade. São altamente adequadas para a aplicação na DA. O processo de formação de nanocomplexos combinando peptídeos CRISPR/Cas9 carregados positivamente com ácidos nucleicos carregados negativamente é relativamente simples. Quando comparados às vias virais, esses nanocomplexos são menos imunogênicos e podem também ser aplicados em diversas situações, por serem compatíveis com ligantes. No entanto, a aplicação de nanocomplexos no cérebro é um desafio, pois eles não atravessam corretamente a BHE por via sistêmica, sendo também removidos ativamente pela corrente sanguínea pelo sistema reticuloendotelial (RES). Assim, injeções intracerebroventriculares e intratecais foram adotas como padrão. Porém, nos métodos de injeção direta, é necessário realizar várias aplicações para certificar uma eficaz distribuição no cérebro, o que limita sua aplicabilidade. Park et al (citado em Bhardwaj et al, 2022) utilizaram uma ribonucleoproteína Cas9- sgRNA direcionado à BACE1, complexada com nanocomplexos de peptídeo R7L10, e relataram sucesso no direcionamento, reduzindo a expressão de BACE1 sem causar mutações fora do alvo in vivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os nanoclews de DNA tem grande potencial para aplicações na DA, pois poderiam fornecer o complexo Cas9-sgRNA. No entanto, a montagem tradicional de nanoestruturas de DNA é complexa e demorada. Sun et al (citado em Bhardwaj et al, 2022) mostraram que os nanoclews, pequenas porções de DNA com polietilenimina, melhoram a absorção celular e a infiltração endossômica. Testes em roedores com o complexo sgRNA-Cas9 direcionado à proteína fluorescente verde aprimorada (EGFP) demonstraram eficácia ao reduzir a expressão dessa proteína. Após dez dias de tratamento, houve redução de 25% na expressão da EGFP. Contudo, os nanoclews podem induzir resposta imunogênica, que deve ser investigado mais a fundo. Além disso, as nanopartículas poliméricas e as nanopartículas lipídicas também apresentam potencial para entrega de CRISPR/Cas9, sendo amplamente utilizadas em tratamentos de hepatite, câncer e diversas infecções virais. Porém, seu uso na DA ainda requer mais estudos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Recentemente, o uso de microvesículas para o fornecimento de CRISPR/Cas9 tem ganhado atenção, transportadoras naturais e de alta biocompatibilidade. Essas vesículas contêm lipídios e são liberadas pelas células, são capazes de serem aplicadas na entrega de genes, graças à sua capacidade de carga (Akyuz et al, 2024). Nesse método, uma linha de células ―produtoras‖ é transfectada com proteínas que estimulam a formação de microvesículas (proteína RAB), sgRNA e proteínas Cas9, que são liberadas em um meio subsequentemente esterilizado para entregar ferramentas de edição de genes às células-alvo (Bhardwaj et al, 2022).</p>



<h5 class="wp-block-heading">9. Desafios e limitações da terapia com CRISPR/Cas9</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A tecnologia de edição gênica CRISPR/Cas9 representa um grande avanço no campo biomédico, especialmente no tratamento de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer. No entanto, sua aplicação ainda enfrenta diversas barreiras, tanto no aspecto técnico quanto no ético. Um dos principais desafios envolve a entrega eficiente dos vetores através da barreira hematoencefálica, além dos riscos de efeitos indesejados fora do alvo e de possíveis reações imunológicas (Akyuz et al., 2024). Também é importante considerar que alterações genéticas não intencionais, resultantes da ativação ou inativação incorreta de genes, podem gerar consequências imprevisíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das dificuldades técnicas, há uma intensa discussão ética envolvendo o uso do CRISPR/Cas9. Questões relacionadas à segurança, à equidade no acesso à tecnologia e à criação de normas regulatórias adequadas estão no centro desse debate (Almeida, 2024). Como destaca Hupffer e Berwig (2021), é essencial refletir não apenas sobre os impactos imediatos da edição genética, mas também sobre seus efeitos a longo prazo, tanto para os pacientes que passaram pelo tratamento quanto para as gerações seguintes, especialmente diante do risco de aplicações que extrapolem o uso terapêutico, como intervenções de caráter eugênico.</p>



<h5 class="wp-block-heading">10. Perspectivas futuras da terapia genética com CRISPR/Cas9</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A expectativa é que o sistema de edição genética CRISPR/Cas9 se torne um tratamento acessível, eficaz e seguro. Com o avanço das pesquisas e das tecnologias, os limites podem ser superados, como a entrega específica ao gene alvo, redução dos riscos de intercorrências e a definição dos limites éticos e regulatórios para seu uso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, juntamente com a evolução dos quesitos técnicos, são essenciais a regulamentação adequada e a comunicação clara com o público. Informações sobre o tratamento devem ser transmitidas de maneira transparente por profissionais da área, garantindo que os pacientes e demais interessados estejam cientes dos benéficios e também dos riscos envolvidos (Mendes et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O CRISPR/Cas9 tem potencial não somente para o tratamento da, mas também para diversas outras doenças que, até então, não possuem cura, como o câncer, HIV e doenças hereditárias, como a fibrose cística e anemia falciforme. Entre outros benefícios, é válido ressaltar a utilidade dessa tecnologia na criação de modelos animais mais precisos, contribuindo para o estudo das doenças e dos genes envolvidos, o que facilita o desenvolvimento de tratamentos mais específicos e seguros (Dutra; Andrade, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, é essencial que a comunidade científica continue avançando nesse campo, investimentos contínuos em pesquisas e a promoção de debates éticos sobre o uso da edição gênica, contribuindo e aumentando as chances do CRISPR/Cas9 se consolidar como uma ferramenta revolucionária na medicina atual.</p>



<h5 class="wp-block-heading">11. Considerações Finais</h5>



<p class="wp-block-paragraph">As tecnologias de edição gênica, especialmente o CRISPR/Cas9, surgem como métodos inovadores para prevenir e tratar doenças até então sem cura, como a Doença de Alzheimer (DA). O sistema CRISPR/Cas9 é promissor, mas ainda enfrenta diversos obstáculos para se tornar um tratamento amplamente acessível. As principais dificuldades incluem a entrega eficiente dos vetores ao cérebro, as possíveis respostas imunológicas adversas e os efeitos off-target, que podem causar alterações indesejadas, comprometendo a segurança do tratamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, existem diversas questões éticas e preocupações sobre a manipulação do material genético, especialmente em relação aos impactos a longo prazo nas futuras gerações. Portanto, é imprescindível que os métodos de edição genética sejam desenvolvidos com a máxima segurança e eficácia, a fim de garantir sua viabilidade clínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora diversos estudos com modelos animais, como camundongos, tenham sido conduzidos ao longo do tempo, um dos principais desafios é a dificuldade de reproduzir a Doença de Alzheimer de forma fiel nesses modelos experimentais, uma vez que as manifestações da doença em humanos são complexas e variam significativamente em relação aos modelos animais. Consequentemente, essa discrepância torna-se uma limitação importante no desenvolvimento e previsão de como o sistema CRISPR/Cas9 poderia funcionar em humanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos obstáculos, este estudo reforça a importância do aprimoramento contínuo da técnica, destacando a necessidade da união entre cientistas, médicos, biomédicos, especialistas em ética, para que possam atuar em conjunto, assegurando o máximo de segurança e responsabilidade no desenvolvimento dessa importante inovação.</p>



<h5 class="wp-block-heading">REFERÊNCIAS</h5>



<p class="wp-block-paragraph">1 ADJI, A. S. et al. A Review of CRISPR Cas9 for Alzheimer’s disease: Treatment Strategies and Could target APOE e4, APP, and PSEN-1 Gene using CRISPR cas9 prevent the Patient from Alzheimer’s disease? <strong>Open access Macedonian journal of medical sciences</strong>, v. 10, n. F, p. 745–757, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2 <strong>Alzheimer: condição afeta 1,2 milhão de pessoas no Brasil</strong>. Brasília: Agência Gov, 2023. Disponível em: https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202310/alzheimercondicao-afeta-1-2-milhao-de-pessoas-no- brasil. Acesso em: 12 abr. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3 AKYUZ, E. et al. Extracellular vesicle and CRISPR gene therapy: Current applications in Alzheimer’s disease, Parkinson’s disease, amyotrophic lateral sclerosis, and Huntington’s disease. <strong>The European journal of neuroscience</strong>, v. 60, n. 8, p. 6057–6090, 2024.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">6 BHATTACHERJEE, A. et al. Repression of phagocytosis by human CD33 is not conserved with mouse CD33. <strong>Communications biology</strong>, v. 2, n. 1, p. 450, 2019.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">12 EVANGELOU, C. <strong>Treating familial Alzheimer’s disease with CRISPR-Cas9: A proof-of-concept study</strong>. Disponível em: &lt;https://crisprmedicinenews.com/news/treating-familial-alzheimers-disease-with- crispr-cas9-a-proof-of-concept-study/&gt;. Acesso em: 27 abr. 2025.</p>



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<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide" />



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Centro Universitário UNA Divinópolis, Brasil. E-mail: adriano-lopes-silva@hotmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>2</sup>Centro Universitário UNA Bom Despacho, Brasil E-mail: cecíliaemanuelle555@gmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>3</sup>Centro Universitário UNA Bom Despacho, Brasil E-mail: eloisieduarda@gmail.com</p>
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			</item>
		<item>
		<title>DINÂMICA ECOLÓGICA DA FEBRE MACULOSA EM PARQUES URBANOS: RISCOS DE CONTAMINAÇÃO E LACUNAS NA VIGILÂNCIA EM CUIABÁ &#8211; MT</title>
		<link>https://revistaft.com.br/dinamica-ecologica-da-febre-maculosa-em-parques-urbanos-riscos-de-contaminacao-e-lacunas-na-vigilancia-em-cuiaba-mt/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft RA]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Jul 2025 01:48:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 147/JUN 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[ECOLOGICAL DYNAMICS OF SPOTTED FEVER IN URBAN PARKS: CONTAMINATION RISKS AND SURVEILLANCE GAPS IN CUIABÁ, BRAZIL REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202506300606 Marcos André da Silva¹ Resumo A febre maculosa brasileira, causada por bactérias do gênero Rickettsia, representa um importante desafio de saúde pública, sobretudo em ambientes urbanos com áreas verdes e presença de vetores e reservatórios silvestres. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">ECOLOGICAL DYNAMICS OF SPOTTED FEVER IN URBAN PARKS: CONTAMINATION RISKS AND SURVEILLANCE GAPS IN CUIABÁ, BRAZIL</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202506300606</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Marcos André da Silva¹</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A febre maculosa brasileira, causada por bactérias do gênero Rickettsia, representa um importante desafio de saúde pública, sobretudo em ambientes urbanos com áreas verdes e presença de vetores e reservatórios silvestres. Em cidades como Cuiabá (MT), a interação entre humanos, capivaras e carrapatos em parques públicos de lazer tem despertado atenção quanto aos riscos de exposição à doença. Este artigo tem como objetivo revisar a literatura científica disponível sobre os riscos de contaminação pela febre maculosa em parques urbanos, com ênfase no contexto epidemiológico do município de Cuiabá. A metodologia utilizada compreendeu uma revisão bibliográfica em bases de dados nacionais e internacionais, com seleção de estudos publicados entre 2010 e 2024. Os resultados apontam para a necessidade de monitoramento constante da fauna local, estratégias de educação em saúde e políticas públicas que integrem meio ambiente e vigilância epidemiológica. A revisão também destaca lacunas de conhecimento quanto à circulação da bactéria em áreas urbanizadas e à percepção de risco por parte da população.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Febre maculosa; Parques urbanos; Zoonoses; Cuiabá; Carrapato.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Brazilian spotted fever, caused by bacteria of the Rickettsia genus, represents a significant public health challenge, especially in urban environments with green areas and the presence of vectors and wild reservoirs. In cities such as Cuiabá (MT), the interaction between humans, capybaras, and ticks in public leisure parks has raised concerns about exposure risks to the disease. This article aims to review the scientific literature on the risks of spotted fever contamination in urban parks, with an emphasis on the epidemiological context of the municipality of Cuiabá. The methodology consisted of a bibliographic review in national and international databases, selecting studies published between 2010 and 2024. The findings highlight the need for continuous monitoring of local fauna, health education strategies, and public policies that integrate environmental management with epidemiological surveillance. The review also underscores knowledge gaps regarding bacterial circulation in urbanized areas and population risk perception. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Spotted fever; Urban parks; Zoonoses; Cuiabá; Tick.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>▄</sup><sup> </sup><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A febre maculosa brasileira é uma zoonose de elevada gravidade, causada por bactérias do gênero Rickettsia, com destaque para Rickettsia rickettsii, agente etiológico responsável pelas formas clínicas mais severas da doença no Brasil. A transmissão ocorre por meio da picada de carrapatos infectados, especialmente os pertencentes ao gênero Amblyomma, sendo o Amblyomma sculptum um dos principais vetores envolvidos na região Centro-Oeste. A letalidade elevada e o diagnóstico muitas vezes tardio reforçam a importância do tema para a saúde pública nacional (BRASIL, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas últimas décadas, o crescimento urbano desordenado e a aproximação entre áreas verdes e núcleos populacionais têm favorecido o aumento do contato entre humanos, vetores e hospedeiros silvestres, como capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris), que atuam como amplificadores da Rickettsia. Essa realidade tem sido observada com especial preocupação em parques urbanos de uso coletivo, onde a presença constante de fauna silvestre e o trânsito de pessoas geram um ambiente propício à circulação da doença (LABRUNA et al., 2020; NASSER et al., 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No município de Cuiabá, capital do estado de Mato Grosso, essa problemática tem se intensificado em função da presença de grandes áreas de preservação inseridas no tecido urbano, como o Parque das Águas, Parque Mãe Bonifácia e Parque Massairo Okamura. Esses espaços representam não apenas oportunidades de lazer e bem-estar à população, mas também potenciais zonas de risco para a transmissão de rickettsioses, dada a comprovada presença de carrapatos e capivaras nestes locais (SOUZA et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário, a presente revisão da literatura tem como <strong>objetivo</strong> principal reunir e analisar o conhecimento científico disponível sobre os <strong>riscos de contaminação pela febre maculosa em parques públicos urbanos</strong>, com foco especial no contexto epidemiológico de Cuiabá (MT). A escolha desse recorte se justifica pela escassez de estudos locais integrando aspectos ambientais, epidemiológicos e sociais no enfrentamento da doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A estrutura do trabalho está organizada da seguinte forma: após esta introdução, apresenta-se a metodologia utilizada na condução da revisão; em seguida, são discutidos os principais achados da literatura em diferentes eixos temáticos; por fim, apresenta-se a conclusão com as principais reflexões e recomendações para futuras ações de vigilância e pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>▄</sup><sup> </sup><strong>METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma <strong>revisão bibliográfica narrativa</strong>, com abordagem qualitativa, que teve como objetivo identificar, reunir e analisar publicações científicas sobre os riscos de contaminação pela febre maculosa brasileira em áreas urbanas de uso coletivo, com ênfase nos parques públicos da cidade de Cuiabá, Mato Grosso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca por estudos foi realizada entre <strong>abril e maio de 2025</strong>, em cinco bases de dados eletrônicas amplamente utilizadas na área da saúde e das ciências ambientais:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Scientific Electronic Library Online (SciELO)</strong>, <strong>PubMed</strong>, <strong>Biblioteca Virtual em Saúde BVS)</strong>, <strong>Google Scholar</strong> e <strong>Scopus</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os <strong>descritores</strong> utilizados foram selecionados com base nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e Medical Subject Headings (MeSH), combinados com operadores booleanos:</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &#8220;febre maculosa&#8221; AND &#8220;parques urbanos&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &#8220;Rickettsia&#8221; AND &#8220;áreas de lazer&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &#8220;zoonoses&#8221; AND &#8220;carrapatos&#8221; AND &#8220;capivaras&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &#8220;febre maculosa&#8221; AND &#8220;Cuiabá&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &#8220;rickettsiose&#8221; AND &#8220;ambiente urbano&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os <strong>critérios de inclusão</strong> adotados foram:</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; artigos científicos completos publicados entre <strong>janeiro de 2010 e abril de 2024</strong>;</p>



<p class="wp-block-paragraph">•       textos nos idiomas <strong>português, inglês ou espanhol</strong>; </p>



<p class="wp-block-paragraph">•        estudos com abordagem direta ou indireta sobre a <strong>febre maculosa em ambientes urbanos</strong>, com ênfase em <strong>parques públicos, áreas de lazer ou espaços com interface entre humanos, vetores e hospedeiros</strong>;</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; publicações em periódicos com avaliação por pares (peer-reviewed);</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; dissertações, teses e documentos técnicos de órgãos oficiais reconhecidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram <strong>excluídos</strong>:</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; artigos duplicados nas bases consultadas;</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; resumos de eventos sem versão completa publicada;</p>



<p class="wp-block-paragraph">•        estudos exclusivamente focados em zonas rurais ou silvestres, sem interface urbana;   </p>



<p class="wp-block-paragraph">•         relatos de casos sem análise contextual mais ampla.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a triagem, leitura dos resumos e avaliação do conteúdo integral dos textos, <strong>28 publicações científicas e documentos oficiais</strong> foram selecionados para compor a revisão. A análise foi conduzida por meio de <strong>leitura crítica interpretativa</strong> e os estudos foram organizados em <strong>categorias temáticas</strong> conforme a natureza dos conteúdos:</p>



<p class="wp-block-paragraph">1.&nbsp; &nbsp; &nbsp; Ecologia e epidemiologia da febre maculosa em áreas urbanas;</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.&nbsp; &nbsp; &nbsp; Vetores e hospedeiros em parques públicos;</p>



<p class="wp-block-paragraph">3.&nbsp; &nbsp; &nbsp; Percepção de risco e ações de prevenção;</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.&nbsp; &nbsp; &nbsp; Estudos de caso e experiências municipais, com ênfase em Cuiabá (MT).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A categorização buscou favorecer uma leitura integrativa das evidências, relacionando os aspectos ambientais, sanitários e sociais envolvidos na dinâmica da doença em ambientes urbanos de uso coletivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>▄</sup><sup> </sup><strong>Revisão da Literatura</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. Ecologia da Febre Maculosa e a Urbanização dos Ciclos de Transmissão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A febre maculosa brasileira é uma zoonose causada por bactérias do gênero Rickettsia, transmitidas principalmente por carrapatos do gênero Amblyomma. Entre as espécies de importância médica, destaca-se o Amblyomma sculptum, vetor amplamente distribuído no Brasil, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste (LABRUNA, 2009).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A presença de áreas verdes urbanas tem favorecido a adaptação de hospedeiros silvestres e vetores, resultando na urbanização parcial do ciclo de transmissão. Segundo Nasser et al. (2019), a intensa ocupação humana em regiões de preservação e a presença de fauna silvestre sinantrópica, como capivaras e gambás, criam um ambiente propício à manutenção e expansão da doença em centros urbanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A capivara (Hydrochoerus hydrochaeris), amplamente adaptada a ambientes urbanizados, tem papel central nesse contexto por atuar como hospedeiro amplificador da Rickettsia rickettsii e por suportar alta carga parasitária de carrapatos, sobretudo em parques com acesso público (HORTA et al., 2010; GARCIA et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Vetores, Hospedeiros e o Ambiente dos Parques Públicos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os parques urbanos funcionam como ecótonos, zonas de transição entre ambientes naturais e áreas antropizadas, facilitando o encontro entre carrapatos, hospedeiros silvestres e humanos. Estudos como o de Martins et al. (2020) evidenciam que o contato direto com gramíneas, vegetação rasteira e margens de córregos é um fator de risco frequente em áreas de lazer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Cuiabá (MT), levantamentos conduzidos por órgãos ambientais e pesquisadores apontam a ocorrência de carrapatos da espécie Amblyomma sculptum em locais como o Parque das Águas e o Parque Mãe Bonifácia, ambos com grande circulação de visitantes e presença de capivaras (SOUZA et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vegetação densa, somada à alta umidade e à presença de corpos d&#8217;água, favorece o desenvolvimento do ciclo de vida do carrapato. De acordo com Labruna et al. (2022), ambientes com essas características são altamente propícios à infestação por ninfas e adultos, elevando o potencial de transmissão da doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. Percepção de Risco e Educação em Saúde</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora os riscos de exposição à febre maculosa em parques urbanos estejam documentados, a percepção da população sobre esses riscos ainda é limitada. Estudos apontam que muitos frequentadores não reconhecem a presença dos carrapatos como um problema de saúde pública, tampouco associam a capivara à transmissão de doenças (FERNANDES et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ausência de sinalização clara, campanhas educativas permanentes e ações preventivas contribui para a subnotificação e o diagnóstico tardio da doença. Lima et al. (2020) reforçam que a educação em saúde deve ser integrada às estratégias de vigilância epidemiológica, especialmente em locais de grande fluxo populacional e presença de vetores.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. A Realidade de Cuiabá (MT): Casos, Monitoramento e Desafios</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O município de Cuiabá apresenta condições ambientais e urbanas que favorecem a manutenção do ciclo da febre maculosa. Ainda que os registros oficiais de casos humanos sejam pontuais, há evidências da circulação da bactéria em carrapatos e hospedeiros silvestres, especialmente nas zonas de interface urbano ambiental (MATO GROSSO, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com instituições de ensino e pesquisa, vem realizando monitoramentos pontuais em áreas de risco. No entanto, conforme aponta Oliveira et al. (2023), ainda faltam políticas públicas consistentes que integrem a gestão de áreas verdes com a vigilância zoonótica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A criação de planos de manejo populacional de capivaras, controle de carrapatos e programas educativos contínuos em parques públicos são ações prioritárias para mitigar os riscos de contaminação no município.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter"><img decoding="async" src="https://lh7-rt.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXcUCNlNkFVswQPhnkriJNSSqav7Myui54q0T4lZwR1t2VEq2BBKf2yJMkNbSlH7wrGZAX2ui6HXXL2uD1e6AX3m2DE5Hu81oJSMYjKnEgGQIa4FmRyRjWt13qnQ51sVrA2449c0?key=uOXVviO19qm29oiSWdkd-A" alt=""/></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1.</strong> Temas Críticos Identificados na Revisão sobre Febre Maculosa em Parques Urbanos. Elaboração própria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Figura 1 sintetiza visualmente os principais eixos temáticos abordados ao longo da revisão da literatura, permitindo uma leitura objetiva das dimensões mais recorrentes e relevantes para a compreensão dos riscos associados à febre maculosa em ambientes urbanos. O destaque atribuído à <strong>urbanização do ciclo da febre maculosa</strong> e à <strong>presença de vetores e hospedeiros</strong> revela uma clara preocupação da literatura científica com os aspectos ecológicos que sustentam a transmissão da doença. A caracterização dos <strong>parques urbanos como ecótonos</strong> também recebeu ênfase, reforçando a importância dessas áreas como interfaces ecológicas de alto risco. Em contrapartida, temas relacionados à <strong>percepção da população</strong> e à <strong>ausência de campanhas educativas permanentes</strong> obtiveram menor destaque quantitativo, o que pode indicar tanto uma lacuna nas investigações científicas quanto uma negligência recorrente em políticas públicas voltadas à prevenção. Por fim, os <strong>desafios locais enfrentados por Cuiabá</strong> também figuram entre os temas críticos, evidenciando a necessidade de estudos regionais aprofundados e políticas de saúde pública que considerem as especificidades ambientais e sociais do município. Assim, o gráfico atua como ferramenta de reforço interpretativo, agregando valor à compreensão da complexidade multissetorial que envolve a prevenção da febre maculosa em parques urbanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>▄</sup><sup> </sup><strong>DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos estudos revisados evidencia uma convergência quanto à <strong>relação direta entre a presença de capivaras e carrapatos do gênero Amblyomma em áreas urbanas e o aumento do risco de transmissão da febre maculosa</strong> (HORTA et al., 2010; LABRUNA et al., 2009; GARCIA et al., 2021). Tal associação é reforçada por evidências empíricas obtidas em diferentes regiões do Brasil, sobretudo em cidades com parques públicos inseridos em áreas de preservação ou com vegetação densa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação ao vetor, os trabalhos de Labruna et al. (2009; 2022) são unânimes ao apontar o Amblyomma sculptum como o principal agente transmissor da Rickettsia rickettsii em ambientes urbanizados da região Centro-Oeste, o que se aplica diretamente ao contexto cuiabano. Essa constatação é reforçada por Souza et al. (2023), que identificaram focos do vetor em áreas verdes de grande circulação em Cuiabá, como o Parque das Águas e o Parque Mãe Bonifácia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, <strong>há divergências quanto à efetiva circulação da bactéria nesses ambientes urbanos</strong>. Enquanto alguns estudos baseados em análises moleculares confirmam a presença da Rickettsia em carrapatos capturados em áreas urbanas (GARCIA et al., 2021), outros destacam que <strong>a detecção da bactéria ainda é limitada ou inconsistente em determinadas regiões</strong>, incluindo Cuiabá, sugerindo uma possível subnotificação ou insuficiência de estudos com metodologias padronizadas (OLIVEIRA et al., 2023; MATO GROSSO, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto importante diz respeito à <strong>percepção social do risco</strong>. Fernandes et al. (2021) revelam que, apesar da circulação de vetores em áreas públicas, a população frequentemente desconhece o papel das capivaras na transmissão da doença, o que compromete as ações preventivas. Essa lacuna educacional reforça a necessidade de <strong>políticas públicas de comunicação e saúde mais integradas</strong>, conforme já alertado por Lima et al. (2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura revisada também aponta <strong>falhas na integração entre os setores de saúde, meio ambiente e urbanismo</strong>, o que compromete a eficiência da vigilância zoonótica em áreas de convivência pública. Há, portanto, um desafio em <strong>transpor o conhecimento acadêmico para ações práticas intersetoriais</strong>, especialmente em cidades com características geográficas e ambientais como as de Cuiabá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, identificou-se uma <strong>lacuna científica significativa no que se refere a estudos longitudinais locais</strong> sobre a dinâmica ecológica da febre maculosa em parques urbanos cuiabanos. A maioria dos trabalhos são oriundos da região Sudeste, sendo escassa a produção científica centrada no bioma do Cerrado mato-grossense.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas limitações apontam para a necessidade de <strong>novos estudos com abordagem multidisciplinar</strong>, voltados à ecologia do vetor, à vigilância ambiental e à percepção de risco da população usuária desses espaços.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter"><img decoding="async" src="https://lh7-rt.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXerEE67_Cv_xDNa9e1Kxy4qUfybY4PDnqgQYxF4jZ-lwTK6HqcWp9gez3Uz6Qf5B9OIoMlcHAfI8ezM71huCYQhc7U_H-XZBShx7GepllQ1yXaZJkVf_kI7NFjP3hJVMTu3mlXF?key=uOXVviO19qm29oiSWdkd-A" alt=""/></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 2.</strong> Principais Fatores de Risco e Desafios para Controle da Febre Maculosa em Cuiabá. Elaboração própria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Figura 2 apresenta de forma estruturada os principais fatores de risco e desafios intersetoriais evidenciados na literatura para o enfrentamento da febre maculosa no contexto urbano de Cuiabá. Dentre os elementos destacados, observa-se o predomínio de condições ambientais favoráveis como vegetação densa, umidade e corpos d’água que sustentam a manutenção do ciclo ecológico do vetor em ambientes urbanos. A presença constante de carrapatos e a elevada densidade de capivaras, também apontadas no gráfico, refletem os achados empíricos já discutidos por autores como Horta et al. (2010) e Souza et al. (2023), consolidando o risco potencial para a população frequentadora de parques públicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O gráfico ainda evidencia fragilidades estruturais que transcendem o campo da ecologia, como a <strong>baixa percepção de risco da população</strong> e a <strong>ausência de ações preventivas integradas,</strong> aspectos que dificultam estratégias educativas e limitam o engajamento social nas medidas de controle. Esses fatores, aliados à <strong>falta de articulação entre os setores de saúde, meio ambiente e urbanismo</strong>, reforçam a urgência de uma abordagem interdisciplinar e coordenada entre os entes públicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a visualização proposta complementa a discussão ao sistematizar os múltiplos fatores de risco e gargalos operacionais que, em conjunto, perpetuam a vulnerabilidade sanitária em ambientes urbanos. A análise reforça que o controle da febre maculosa exige não apenas vigilância ecológica, mas também <strong>ações educativas, políticas públicas integradas e investimentos contínuos em monitoramento local</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>▄</sup><sup> </sup><strong>CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente revisão bibliográfica teve como objetivo analisar o conhecimento científico disponível sobre os riscos de contaminação pela febre maculosa brasileira em parques públicos urbanos, com ênfase na realidade epidemiológica do município de Cuiabá, Mato Grosso. A partir da literatura selecionada, foi possível identificar que a urbanização de áreas verdes e a crescente interface entre seres humanos, carrapatos vetores e hospedeiros silvestres como a capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) configuram um cenário de risco relevante para a disseminação da doença em ambientes urbanos de uso coletivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os principais achados apontam para a presença de condições ambientais favoráveis à manutenção do ciclo da Rickettsia rickettsii em parques urbanos, como vegetação densa, umidade elevada, corpos d’água e alta densidade populacional de capivaras. Embora o número de casos confirmados em Cuiabá ainda seja relativamente baixo, a detecção do vetor e de hospedeiros em áreas frequentadas pela população representa uma preocupação crescente para a vigilância em saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Identificou-se, ainda, uma lacuna importante quanto à percepção da população sobre os riscos envolvidos e à articulação intersetorial entre órgãos de saúde, meio ambiente e urbanismo. A literatura sugere que a ausência de ações integradas compromete o controle efetivo da doença e dificulta estratégias preventivas eficazes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do exposto, recomenda-se o fortalecimento das ações de monitoramento ecológico dos vetores, o manejo populacional ético e sustentável dos hospedeiros silvestres, além da implementação de campanhas de educação em saúde voltadas aos frequentadores de áreas de lazer públicas. A febre maculosa, ao se manifestar em espaços urbanos de convivência pública, revela-se como um desafio que ultrapassa os limites da saúde pública tradicional, exigindo ações que integrem ciência, gestão ambiental e engajamento social.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>▄</sup><sup> </sup><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. <strong>Guia de vigilância em saúde: volume único</strong>. 4. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude. Acesso em: 10 jun. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FERNANDES, A. P.; GONÇALVES, M. R.; RIBEIRO, L. C. <strong>Percepção da população sobre zoonoses em áreas de lazer urbanas: um estudo de caso</strong>. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 24, n. 2, p. 1-10, 2021. https://doi.org/10.1590/1980-549720210015</p>



<p class="wp-block-paragraph">GARCIA, M. V. et al. <strong>Infestação por carrapatos em capivaras e o risco de transmissão de rickettsioses em ambientes urbanos</strong>. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 41, e06812, 2021. https://doi.org/10.1590/16785150-PVB-6821</p>



<p class="wp-block-paragraph">HORTA, M. C. et al. <strong>Epidemiologia das rickettsioses no Brasil: situação atual e desafios para o controle</strong>. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v. 43, n. 1, p. 51–60, 2010. https://doi.org/10.1590/S0037-86822010000100012</p>



<p class="wp-block-paragraph">LABRUNA, M. B. et al. <strong>Aspectos ecológicos de carrapatos do gênero Amblyomma em ambientes urbanos e periurbanos</strong>. Cadernos de Saúde Pública, v. 25, n. 4, p. 907–916, 2009. https://doi.org/10.1590/S0102-311X2009000400022</p>



<p class="wp-block-paragraph">LABRUNA, M. B.; NAVA, S. <strong>Ecologia das rickettsioses no Brasil: vetores, hospedeiros e ambiente</strong>. Jornal Brasileiro de Parasitologia Veterinária, v. 31, n. 2, p. 1–11, 2022. https://doi.org/10.1590/S1984296120220012</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIMA, D. C. et al. <strong>Educação em saúde e zoonoses: percepção de risco e estratégias de prevenção da febre maculosa</strong>. Ciência &amp; Saúde Coletiva, v. 25, n. 5, p. 1987-1995, 2020. https://doi.org/10.1590/141381232020255.20652018</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARTINS, T. F. et al. <strong>Carrapatos e agentes de febre maculosa em áreas de lazer: uma ameaça silenciosa em espaços públicos</strong>. Revista de Saúde Pública, v. 54, n. 102, p. 1-9, 2020. https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2020054002061</p>



<p class="wp-block-paragraph">MATO GROSSO (Estado). Secretaria de Estado de Saúde. <strong>Plano Estadual de Vigilância das</strong> <strong>Rickettsioses – 2022-2026</strong>. Cuiabá: SES-MT, 2022. Disponível em: https://www.saude.mt.gov.br. Acesso em: 05 jun. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NASSER, J. M. et al. <strong>Urbanização e zoonoses: estudo da febre maculosa em áreas verdes de grandes cidades brasileiras</strong>. Revista Pan-Amazônica de Saúde, v. 10, n. 1, p. 45-52, 2019. https://doi.org/10.5123/S2176-62232019000100006</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA, J. T. et al. <strong>Monitoramento de carrapatos e hospedeiros em parques urbanos no CentroOeste: desafios e perspectivas</strong>. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, v. 32, n. 1, p. 1–9, 2023. https://doi.org/10.1590/S1984-296120230015</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, R. A. et al. <strong>Distribuição de carrapatos em áreas verdes de Cuiabá (MT) e risco de febre maculosa</strong>. Boletim Epidemiológico do Município de Cuiabá, v. 6, n. 2, p. 15-22, 2023.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-black-color has-alpha-channel-opacity has-black-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">¹Mestre em Política Social. Administrador. Servidor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT) – Campus Cuiabá – Cel. Octayde Jorge da Silva. Acadêmico do 9º semestre do curso de Medicina Veterinária na Universidade de<br>Cuiabá (UNIC). E-mail: marcos.silva@ifmt.edu.br</p>
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		<item>
		<title>ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA NO PERÍODO PERINATAL: REVISÃO INTEGRATIVA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/atuacao-do-enfermeiro-na-prevencao-da-violencia-obstetrica-no-periodo-perinatal-revisao-integrativa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft RA]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Jul 2025 01:17:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 147/JUN 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202506300555 Aline Geralda da Cruz BeatoCarolina Rocha BritoFabiana Ribeiro da SilvaJulia Marques GuimarãesRebecca Queiroz XavierOrientadora: Profᵃ. Me. Renata Lacerda Prata Rocha RESUMO A violência obstétrica caracteriza-se por condutas impróprias e inadequadas ocorridas no contexto da assistência durante o período perinatal por parte dos profissionais de saúde. Este estudo buscou analisar as publicações científicas [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202506300555</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Aline Geralda da Cruz Beato<br>Carolina Rocha Brito<br>Fabiana Ribeiro da Silva<br>Julia Marques Guimarães<br>Rebecca Queiroz Xavier<br>Orientadora: Profᵃ. Me. Renata Lacerda Prata Rocha</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A violência obstétrica caracteriza-se por condutas impróprias e inadequadas ocorridas no contexto da assistência durante o período perinatal por parte dos profissionais de saúde. Este estudo buscou analisar as publicações científicas sobre a atuação do enfermeiro na prevenção da violência obstétrica no contexto do pré-natal, parto e pós-parto, nos serviços de saúde. Foi realizada uma revisão integrativa de publicações indexadas nas bases de dados BVS, PubMed e LILACS Plus, a partir de descritores definidos considerando a questão norteadora do estudo. Foram selecionados estudos publicados nos últimos cinco anos, nos idiomas inglês, português e espanhol. Após a aplicação de critérios de exclusão, como a eliminação de revisões, estudos duplicados e trabalhos que, após a leitura e análise dos títulos, resumos ou do texto completo, não contribuíram para a resposta ao problema de pesquisa, foram selecionados 14 artigos. A literatura científica evidencia que o enfermeiro atua na prevenção da violência obstétrica por meio de um cuidado humanizado e respeitoso, promovendo uma assistência qualificada, oferecendo orientações claras sobre todas as etapas do parto e os direitos da mulher, buscando garantir sua autonomia no período perinatal. Embora a Violência Obstétrica seja um tema contemporâneo, ainda é necessário ampliar a atenção dedicada a ele, destacando-se a atuação fundamental do enfermeiro na sua prevenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>violência obstétrica; prevenção; enfermeiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Obstetric violence is characterized by improper and inadequate conduct occurring in the context of care during the perinatal period by health professionals. This study aimed to analyze scientific publications on the role of nurses in preventing obstetric violence in the context of prenatal, childbirth, and postpartum care in health services. An integrative review of publications indexed in the BVS, PubMed, and LILACS Plus databases was carried out, using descriptors defined according to the guiding question of the study. Studies published in the last five years, in English, Portuguese, and Spanish, were selected. After applying exclusion criteria, such as the elimination of reviews, duplicate studies, and works that, after reading and analyzing the titles, abstracts, or full text, did not contribute to answering the research question, 14 articles were selected. The scientific literature shows that nurses act in the prevention of obstetric violence through humanized and respectful care, promoting qualified assistance, offering clear guidance on all stages of childbirth and women&#8217;s rights, and seeking to ensure their autonomy during the perinatal period. Although obstetric violence is a contemporary issue, it is still necessary to increase the attention given to it, highlighting the fundamental role of nurses in its prevention.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: obstetric violence; prevention; nurse.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1 INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A violência obstétrica (VO) é caracterizada por práticas negligentes, desrespeitosas, humilhantes e coercitivas contra gestantes e parturientes durante o pré-natal, parto e pós-parto, incluindo agressões físicas e verbais, imposição de procedimentos desnecessários e dolorosos, e a negação de autonomia e direitos. Essas práticas ocorrem principalmente nos serviços de saúde e são perpetuadas por diversos profissionais da área, como médicos, enfermeiros e outros membros da equipe interdisciplinar (Brasil, 2021b;Mesquita <em>et. al, </em>2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A VO não apenas evidencia uma falha no sistema de saúde, como também constitui uma violação dos direitos humanos, refletindo preconceitos de gênero e hierarquias culturais. Essa prática gera consequências traumáticas na paciente, tendo em vista que pode trazer danos físicos, além de traumas a saúde psíquica, transtorno de estresse-pós-traumático e depressão pós-parto, impactando negativamente no vínculo entre mãe e filho e no processo de aleitamento materno, além de repercutir em maior tempo de internação e quebra na relação de confiança no sistema de saúde (Leite<em> et al., </em>2022<em>).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando que a VO, além de desumanizante, viola os direitos das mulheres e isso inclui perda da autonomia e decisão sobre seus corpos, foram criadas Políticas Públicas com o objetivo de fortalecer os programas desenvolvidos pelo Ministério da Saúde, que buscam o enriquecimento da informação voltada ao pré-natal, com vistas a combater a VO (Feitosa, 2017; Sales <em>et al.</em>, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a partir dos anos 2000, destaca-se a criação do Programa de Humanização do Parto e Nascimento, da Política Nacional de Humanização – Humaniza SUS, e da Política de Atenção Integral à Saúde da Mulher, entre outros (Brasil, 2014). Em consonância, com o objetivo de assegurar o direito ao planejamento reprodutivo e à atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério, bem como de implementar um modelo de atenção voltado à saúde da mulher e da criança, desde o parto até os 24 meses de vida, com vistas a reduzir a mortalidade materna e infantil, institui-se a Rede Cegonha por meio da Portaria n. 1.459/2011. Com o objetivo de ampliar essa estratégia, em 2024, ela foi renomeada pela Rede Alyne, reforçando o compromisso do governo no enfrentamento das desigualdades no campo da saúde, com melhores condições de cuidado para gestantes, puérperas e bebês, por meio da reestruturação de serviços, incentivo ao aleitamento materno e ao pré-natal, além da redução da mortalidade materna, com atenção especial à saúde das mulheres pretas. (Brasil, 2011; Brasil, 2021a).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todo esse movimento tem como objetivo final reduzir a prevalência da VO, ainda tão presente no cenário atual. Um estudo realizado em 2010 pela Fundação Perseu Abramo, denominado <em>Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Público e Privado</em>, com 1.466 mulheres que tiveram pelo menos uma gestação prévia, revelou que 25% das participantes sofreram VO, caracterizada por abusos físicos, psicológicos, sexuais e negligência, e que 90% delas não receberam qualquer tipo de orientação. Dessa forma, essas mulheres desconheciam como preservar sua autonomia, além de seus direitos reprodutivos e sexuais durante o pré-parto, parto e pós-parto. É importante também destacar os recortes necessários ao abordar a violência obstétrica, que incluem aspectos voltados para raça/cor, econômicos e culturais, com foco em mulheres negras, de baixa renda e escolaridade, e usuárias do sistema público de saúde (Leite <em>et. al.,</em> 2024; Oliveira; Elias; Oliveira, 2020; Pantoja; Batisti; Pereira, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando o impacto negativo da VO para a mulher, é necessário que todos os profissionais envolvidos estejam cientes de seu papel e engajados no enfrentamento a essa prática. É essencial desfazer o modelo de atenção predominante, focado no profissional médico e no uso rotineiro de intervenções desnecessárias, com baixa valorização de aspectos psicossociais do parto e nascimento (Zanardo <em>et al.</em>, 2017). Portanto, a participação do enfermeiro nesse cenário é de suma importância para acompanhar as gestantes em todas as fases do processo: pré-natal, parto e pós-parto. O enfermeiro desempenha por si só um papel fundamental tanto na prevenção, quanto na orientação acerca dos direitos das mulheres e na conscientização sobre a VO (Mesquita <em>et al.</em>, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante deste contexto, surge a questão central deste estudo: qual a atuação do enfermeiro na prevenção da violência obstétrica no pré, durante e no pós-parto, sob a luz da literatura científica?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.1 Justificativa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando ser emergente a necessidade de promover um ambiente de saúde mais adequado tanto para gestantes, parturientes quanto para puérperas, assim como para os profissionais de saúde, justifica-se este estudo pela necessidade de reflexão sobre a atuação do enfermeiro na prevenção e construção de estratégias para o enfrentamento da violência obstétrica durante o período perinatal. Trata-se de um tema atual que, apesar de estar em crescente evidência nas abordagens acadêmicas e nas políticas públicas, ainda se faz presente no cotidiano da assistência à saúde da mulher. Dessa forma, torna-se imperioso discutir essa temática, de modo a contribuir para a formação dos profissionais envolvidos nesse cuidado, bem como para a qualidade da prática assistencial prestada. Além disso, é necessário que toda a comunidade, seja acadêmica ou profissional, esteja ciente dos direitos das mulheres, tanto no parto quanto no puerpério, a fim de evitar qualquer forma de negligência. O compartilhamento desse conhecimento é, portanto, crucial no contexto da prevenção da VO. Espera-se que esse estudo possa suscitar discussões e reflexões sobre essa temática, de modo a impactar positivamente na prática do cuidado à saúde da mulher, bem como em resultados mais exitosos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.2 Objetivo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Analisar as publicações sobre a atuação do enfermeiro na prevenção da violência obstétrica no contexto do período perinatal, nos serviços de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2 METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo configura-se como uma revisão integrativa, cujo objetivo é reunir, analisar e sintetizar as evidências disponíveis sobre o tema em questão (Mendes; Silveira; Galvão, 2008).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta revisão integrativa, foram seguidos os passos propostos por Mendes, Silveira e Galvão (2008), essenciais para o desenvolvimento desse tipo de pesquisa. O primeiro passo consistiu na definição do problema a ser abordado, ou seja, a questão de pesquisa, que deve ser clara e objetiva, por orientar toda a revisão. Após a definição do problema, estabeleceram-se os critérios de inclusão e exclusão, os quais determinaram os estudos a serem utilizados e a seleção das bases de dados. Em seguida, procedeu-se à busca sistemática em bases de dados científicas, com a organização e definição do banco de dados. O passo seguinte envolveu a análise e interpretação dos dados extraídos dos estudos, considerando a inclusão, exclusão e análise crítica deles. O quinto passo consistiu na interpretação dos resultados, com a discussão dos achados, propostas e sugestões. Por fim, no sexto e último passo, foi realizada a síntese do conhecimento, consolidando os resultados para apresentação da revisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, inicialmente, foi definido como tema para esta revisão: “<em>Atuação do Enfermeiro na Prevenção da Violência Obstétrica no Período Perinatal</em>”. Após a definição do tema, foi utilizada a estratégia PICo, na qual se estabeleceu o tema a ser investigado e elaborouse uma pergunta de pesquisa. A priori, a estratégia PICo representa um acrônimo (Paciente, Intervenção, Comparação e <em>Outcome</em> que significa Desfecho) e é utilizada como ferramenta para a construção da pergunta norteadora (Santos; Pimenta; Nobre, 2007). Embora seja muito utilizado, esse modelo nem sempre se adapta a diferentes contextos de saúde e, portanto, passou a contar com variações e adaptações em modelos alternativos (Sousa<em> et al</em>., 2018). Dessa forma, nesta revisão, adotou-se o acrônimo PICo, representado por: P — paciente, problema ou população; I — intervenção; Co — contexto.&nbsp; O quadro 1 mostra a estratégia PICo utilizada para a construção da pergunta da pesquisa. (Mohammad <em>et. al;</em> 2024), subsidiando a construção da seguinte questão norteadora: qual a atuação do enfermeiro na prevenção e enfrentamento da violência obstétrica no período perinatal, sob a luz da literatura científica?</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1 &#8211; Estratégia PICo para construção da pesquisa. Belo Horizonte, 2025.</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="428" height="130" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-103.png" alt="" class="wp-image-226122" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-103.png 428w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-103-300x91.png 300w" sizes="(max-width: 428px) 100vw, 428px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">No segundo passo foi realizada a busca na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) e no MEDLINE (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online), via PubMed, que direcionou a artigos da BVS, LILACS Plus (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), juntamente com as bases de dados da América Latina e do Caribe disponíveis na BVS e no MEDLINE. Para a busca das publicações, procedeu-se inicialmente à definição dos seguintes descritores, identificados no site DeCS/MeSH: enfermeiros; violência obstétrica; parto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;A busca ocorreu com a seguinte estratégia, replicada nas bases de dados: (enfermeir* or nurse*) and (“violência obstétrica” or “obstetric violence”) and (parto or parturition) que resultou em sessenta e três (63) artigos na BVS, quarenta e seis (46) na Lilacs Plus e vinte e dois (22) artigos na Pubmed.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a triagem das publicações, foram aplicados os seguintes filtros para refinar os resultados: estudos publicados nos últimos de 2019 a 2025, relacionados à atuação do enfermeiro na prevenção da violência obstétrica durante o atendimento à mulher, considerando temas correlatos, e publicados nos idiomas português, inglês ou espanhol. Além disso, foram excluídos estudos do tipo revisão, priorizando-se pesquisas originais. Como fontes principais de consulta, foram utilizados artigos selecionados pelas fontes de pesquisa BVS, Pubmed e Lilacs Plus. Após a aplicação dos filtros, foram identificadas vinte e nove (29) publicações na BVS, vinte (20) na LILACS e três (3) na PubMed para a próxima etapa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram excluídos vinte (20) artigos da LILACS por estarem duplicados na BVS, além de dois (2) artigos da própria BVS, que também foram removidos por estarem duplicados na base PubMed. A partir dos critérios de exclusão, cinco (5) artigos foram descartados por não estarem disponíveis gratuitamente, um (1) por estar indisponível e um (1) por se tratar de uma revisão integrativa, mesmo após a aplicação do filtro destinado a excluir esse tipo de estudo. Além disso, após a leitura completa, foram excluídos mais nove (9) artigos por não contribuírem para a resolução do problema de pesquisa. &nbsp;Assim, o processo resultou em quatorze (14) artigos finais que, após leitura na íntegra, foram incluídos e passaram a compor a base teórica deste estudo. Esse rigoroso processo de busca e seleção garantiu que os artigos escolhidos trouxessem contribuições significativas para a compreensão da atuação do enfermeiro na prevenção da violência obstétrica no pré-parto, durante o parto e no pós-parto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Toda a busca realizada está representada no fluxograma <em>Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses</em> (PRISMA), ferramenta utilizada para demonstrar, de forma visual e concisa, o percurso desde a busca inicial até a seleção final dos estudos (Prisma, 2021). A Figura 1 apresenta o fluxograma PRISMA, ilustrando as etapas de condução da pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Figura 1 &#8211; Fluxograma PRIMA com a estratégia de busca e seleção de estudos. Belo Horizonte, 2025. </strong><strong>&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="543" height="653" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-6.jpeg" alt="" class="wp-image-226121" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-6.jpeg 543w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-6-249x300.jpeg 249w" sizes="(max-width: 543px) 100vw, 543px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Elaborado pelas autoras (2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em seguida, na terceira etapa, foi construído um quadro sinóptico para sintetizar o conhecimento advindo dos estudos que compõem a amostra final desta pesquisa, organizando, de forma clara e objetiva, as informações mais relevantes, com o objetivo de proporcionar uma compreensão mais eficaz das evidências e dados encontrados, bem como apresentar, de maneira sintética e estruturada, os principais achados. Também foi realizada a crítica dos estudos selecionados, buscando compreender e aprofundar os resultados, além de identificar padrões e tendências significativas sobre o tema. Para tanto, as informações foram organizadas com base em cinco (5) categorias temáticas conceituais: 1) Formas de violência obstétrica; 2) Impacto da violência obstétrica na saúde perinatal; 3) Recortes sociais; 4) Formas de prevenção; e 5) Atuação do enfermeiro.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na quarta etapa, os estudos foram classificados conforme os níveis de evidência, que variam da seguinte forma: Nível I são as evidências provenientes de revisão sistemática ou metanálise de todos os ensaios clínicos randomizados relevantes, ou de diretrizes clínicas baseadas em revisões sistemáticas de ensaios clínicos randomizados; o Nível II são evidências derivadas de pelo menos um ensaio clínico randomizado controlado bem delineado; o Nível III são aqueles obtidos de ensaios clínicos bem delineados sem randomização; o Nível IV são as evidências provenientes de estudos de corte e de caso-controle bem delineados; o Nível V são evidências originárias de revisão sistemática de estudos descritivos e qualitativos; o Nível VI as evidências derivadas de um único estudo descritivo ou qualitativo; e, o Nível VII são as evidências oriundas de opinião de autoridades e/ou relatório de comitês de especialistas. (Melnyk; Fineout-Overholt, 2019, p. 137).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi realizado também, uma pesquisa no Portal Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), onde através do Qualis, foi possível classificar os níveis de relevância dos artigos encontrados e que foram utilizados neste trabalho. Segundo a CAPES, Qualis é o conjunto de procedimentos utilizados pela Capes para estratificação da qualidade da produção intelectual dos programas de pós-graduação. A estratificação da qualidade dessa produção é realizada de forma indireta. Dessa forma, o Qualis afere a qualidade dos artigos e de outros tipos de produção, a partir da análise da qualidade dos veículos de divulgação, ou seja, periódicos científicos e anais de eventos A classificação de periódicos e eventos é realizada pelas áreas de avaliação e passa por processo anual de atualização. Esses veículos são enquadrados em estratos indicativos da qualidade &#8211; A1, o mais elevado; A2; B1; B2; B3; B4; B5; C &#8211; com peso zero (CAPES, 2023, p. 1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na sequência, durante a quinta etapa, foi realizada a interpretação e discussão dos resultados encontrados, de modo a comparar os dados evidenciados, as literaturas existentes e possíveis convergências. Nesta etapa, foi possível contextualizar os artigos encontrados e propor novas perspectivas de pesquisa que amplie a discussão acerca da temática.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, na sexta e última etapa, foi apresentada a revisão integrativa, na qual se sintetizaram as principais conclusões e implicações dos estudos analisados, além da proposição de recomendações para futuras pesquisas e para a prática profissional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3 RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A amostra final desta revisão integrativa da literatura constitui-se de 14 artigos, sendo eles a maioria da base de dados BVS seguido por (85,7%) e da PubMed (14,3%). Quanto à qualificação dos periódicos, a maioria dos artigos analisados está classificada entre os estratos A1 e B2 do Qualis, indicando alta relevância nacional e internacional. Três dos artigos utilizados, no entanto, não constam no portal, o que indica que suas revistas não foram avaliadas pela CAPES no período consultado. A maioria dos artigos (28,6%) foi publicada em 2022, seguida por (21,4%) em 2020; (14,3%) em 2023 e a mesma proporção em 2024. Já os anos de 2019, 2021 e 2025 registraram cada um, (7,1%) das publicações. Observa-se, portanto, um interesse constante nesse assunto durante os últimos cinco anos, o que evidencia a relevância, pertinência e atualidade do tema.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto ao idioma das publicações, verifica-se que a maioria dos artigos (50%) foi escrita em português, seguida por (35,7%) em inglês e (14,3%) em espanhol. Esse dado revela que o interesse pelo assunto é predominante no território brasileiro, mas também demonstra uma presença significativa de artigos em inglês, o que indica um interesse internacional crescente e contribui para a ampliação do diálogo global sobre essa forma de violência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Observou-se, quanto ao delineamento, a predominância do estudo qualitativo (78,6%), seguido do transversal (14,3%) e do metodológico (7,1%). Esse cenário reflete a complexidade e subjetividade do tema, além da escassez de dados quantitativos e da necessidade de instrumentos padronizados para mensuração da violência obstétrica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto ao período em que ocorre a violência obstétrica nos estudos analisados, o parto foi o mais citado (64,3%), seguido do pós-parto (21,4%) e do pré-parto (14,3%). No que diz respeito às formas de prevenção da violência obstétrica, a educação em saúde é amplamente destacada nos estudos como a principal estratégia (71,4%), enquanto a Rede Cegonha aparece com menor frequência (14,3%). Quanto à atuação do enfermeiro, os estudos ressaltam a importância da qualidade da assistência ao parto (71,4%) como elemento fundamental para o enfrentamento da violência obstétrica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação às principais formas dessa violência, a violência institucional é a mais recorrente (78,5%). No que se refere aos impactos da violência obstétrica na saúde perinatal e na saúde da mulher, os traumas psicológicos e emocionais são os mais destacados (28,5%), seguidos, com menor ênfase, por complicações clínicas (14,3%).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com relação às vulnerabilidades associadas à violência obstétrica, foi possível analisar que, (28,7%) abordam recorte socioeconômico, apenas (7,1%) o recorte racial, (7,1%) o recorte educacional e (7,1%) o recorte geográfico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para melhor compreensão dos artigos que compõem esta revisão, foi elaborado um quadro sinóptico contendo informações pertinentes quanto ao título, autor(es), ano de publicação, classificação quanto ao delineamento e nível de evidência, além da resposta à questão norteadora.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 2 &#8211; Quadro sinóptico, caracterização dos artigos selecionados para análise. Belo Horizonte, 2025. N=14.</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="571" height="472" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-104.png" alt="" class="wp-image-226123" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-104.png 571w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-104-300x248.png 300w" sizes="(max-width: 571px) 100vw, 571px" /></figure>



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<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="571" height="108" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-107.png" alt="" class="wp-image-226126" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-107.png 571w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-107-300x57.png 300w" sizes="(max-width: 571px) 100vw, 571px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Com o objetivo de facilitar a compreensão dos dados, foram elaboradas cinco categorias conceituais para a análise, baseados nas semelhanças entre os conteúdos abordados nas publicações, e representadas no quadro abaixo:&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 3 &#8211; Síntese dos resultados encontrados nos artigos analisados sobre a Violência Obstétrica. Belo Horizonte, 2025. N =14.</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="567" height="520" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-108.png" alt="" class="wp-image-226127" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-108.png 567w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-108-300x275.png 300w" sizes="(max-width: 567px) 100vw, 567px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="565" height="396" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-109.png" alt="" class="wp-image-226128" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-109.png 565w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-109-300x210.png 300w" sizes="(max-width: 565px) 100vw, 565px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4 DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerada como um problema mundial, a violência obstétrica pode ser definida como qualquer ato violento baseado no gênero que resulte em danos mentais, sexuais, patrimoniais, ou físicos, ocasionando o sofrimento da mulher, através de ameaças, coerção ou privação arbitrária da liberdade, podendo ocorrer durante o período perinatal e em situações de abortamento (Moreira <em>et al., </em>2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos analisados demonstram que a violência obstétrica pode ser caracterizada por intervenções realizadas sem consentimento, coerção e desrespeito. A violação dos direitos da mulher acarreta consequências físicas e emocionais, como depressão pós-parto e transtorno do estresse pós-traumático, submetendo a parturiente a sentimento de impotência e desamparo no período perinatal. Além dos danos individuais, a VO também compromete a confiança das mulheres no sistema de saúde, ao envolver a realização de procedimentos desnecessários, o que contribui para o aumento de cesarianas sem indicação obstétrica e para o surgimento de complicações clínicas (Çamlibel, 2025; Infanti <em>et al.,</em> 2020; Collins; Burns; Dahlen, 2024; Baggio <em>et al.,</em> 2024; Poo <em>et al.,</em> 2022; Villota; Rocha; Morales, 2022; Silva <em>et al.,</em> 2020; Moreira <em>et al.</em>, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com os estudos, ainda hoje, ocorrem práticas sem o devido aviso e consentimento da mulher, o que ressalta a importância de promover a educação em saúde voltada às parturientes. Essa educação deve focar no esclarecimento de dúvidas, na orientação sobre os processos e procedimentos aos quais serão submetidas e no conhecimento de seus direitos, inclusive na concessão de consentimento. A ausência dessas informações compromete a autonomia decisória da mulher, submetendo-a a intervenções desnecessárias e/ou obsoletas, como a manobra de Kristeller e a episiotomia. Nesse contexto, destaca-se o papel do consentimento informado, que garante que toda intervenção ocorra com base na compreensão e autorização consciente da mulher, assegurando o respeito à sua dignidade e autonomia durante o parto (Baggio <em>et al., </em>2022)</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Portanto, o pré-natal desempenha um papel fundamental nesse contexto, ao oferecer orientações sobre direitos e elaboração do plano de parto, fortalecendo a participação ativa da gestante e contribuindo para uma assistência obstétrica mais ética, humanizada e livre de abusos (Nascimento; Souza, 2022; Swahnberg, <em>et al.,</em> 2019; Pantoja<em> et al;</em> 2024; Mena-Tudela<em> et al. </em>2020; Çamlibel, 2025; Baggio <em>et al.,</em> 2024; Viana <em>et al.,</em> 2024; Villota; Rocha; Morales, 2022; Silva <em>et al.,</em> 2020 e Brasil, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O enfermeiro desempenha um papel importante nesse processo, especialmente durante o pré-natal, momento em que possui contato direto com a gestante e pode instruí-la sobre seus direitos, orientando-a quanto ao plano de parto, à Rede Cegonha e ao Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento (Nascimento; Souza, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sob essa ótica, o enfermeiro assume um papel essencial ao oferecer suporte emocional e orientações claras quanto aos direitos da parturiente de forma prévia ou posterior ao parto. Nesse processo, é fundamental promover o empoderamento da mulher, garantindo que suas dúvidas e dificuldades nos períodos pré e pós-parto sejam devidamente acolhidas. A atuação da equipe multiprofissional, com encaminhamentos adequados para suporte psicológico, contribui para que a gestante se sinta segura e amparada, transformando o parto em uma experiência positiva. Além disso, os estudos destacam que o enfermeiro atua também na qualidade da assistência, com a promoção de um parto seguro e humanizado, criando um ambiente acolhedor e buscando ir contra práticas violentas e hostis, oferecendo à parturiente um suporte de excelência, centrado na paciente e em suas singularidades e individualidades (Collins; Burns; Dahlen, 2024; Poo <em>et al.,</em> 2022; Silva <em>et al.,</em> 2020 e Moreira<em> et al.</em>, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa atuação torna-se ainda mais relevante diante do fato de que, predominantemente, a violência obstétrica ocorre durante o período do parto, momento em que a gestante está mais vulnerável. Nesse contexto, evidencia-se que o período do parto se destaca como o mais suscetível à violência obstétrica, especialmente por meio de práticas como a ausência de informação sobre o direito ao acompanhante, a realização de procedimentos sem consentimento informado e o uso de condutas ultrapassadas ou contraindicadas. Tais condutas refletem os impactos da violência obstétrica e a insuficiência de orientações adequadas no período pré-parto (Nascimento; Souza, 2022; Swahnberg, <em>et al.,</em> 2019; Pantoja <em>et al.,</em> 2024; Mena-Tudela <em>et al.,</em> 2020; Infanti <em>et al.,</em> 2020; Collins; Burns; Dahlen, 2024; Viana <em>et al.</em>, 2024; Poo <em>et al.,</em> 2022; Silva <em>et al.,</em> 2020; Nascimento <em>et al.,</em> 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um ambiente acolhedor e seguro pode ser implementado, entre outras questões, com a presença do acompanhante durante o parto, reconhecida como uma estratégia eficaz para garantir apoio emocional e segurança à mulher. Com o objetivo de assegurar esse importante apoio durante a internação para o parto, foi publicada a Lei Federal nº 11.108/2005 (BRASIL, 2022), que garante à parturiente e ao acompanhante o direito de informação e orientação sobre a situação do bebê e da gestante. Mais recentemente, foi sancionada em 27 de novembro de 2023 a Lei nº 14.737, que altera a Lei nº 8.080/1990 e amplia o direito da mulher de ter acompanhante nos atendimentos realizados em serviços de saúde públicos e privados. Cabe ao enfermeiro não apenas orientar a parturiente, mas também garantir que, quando acompanhada, o direito à presença do acompanhante seja respeitado e devidamente esclarecido, enfatizando que essa escolha deve partir da própria gestante, conforme estabelece a legislação (Nascimento; Souza, 2022; Pantoja<em> et al;</em> 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por conseguinte, torna-se evidente a importância da atuação do enfermeiro nesse contexto, principalmente quando se faz necessária uma intervenção em práticas violentas que, mesmo não identificadas como violência obstétrica, devem ser abordadas de maneira a acolher a gestante, parturiente e puérpera. A partir disso, um direcionamento de qualidade, destaca-se quanto aos direitos da gestante, parturiente e puérpera, compondo um serviço de excelência para prevenção da VO. <strong>(</strong>Nascimento; Souza, 2022; Swahnberg, <em>et al.,</em> 2019; Pantoja<em> et al;</em> 2024; Mena-Tudela<em> et al. </em>2020; Collins; Burns; Dahlen, 2024; Poo <em>et al.,</em> 2022<strong>; </strong>Silva <em>et al.,</em> 2020; Moreira <em>et al.</em>, 2023; Nascimento<em> et al.,</em> 2022; Brasil, 2024b).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, os estudos evidenciam que a escassez de orientação às parturientes sobre temas importantes que retratam a VO, está sendo negligenciada por grande parte dos profissionais. Destaca-se, por exemplo, os canais de denúncia, que são de extrema importância para o direcionamento das puérperas diante desse cenário. As denúncias podem ser feitas por via telefônica, como Disque Mulher (180), Disque Saúde (136) e Disque Direitos Humanos (100). Ademais, a denúncia pode ser feita também na instituição em que a mulher foi atendida, na secretaria de saúde encarregada pelo estabelecimento ou nos conselhos de classe correspondentes, como, por exemplo, o Conselho Regional de Medicina (CRM) ou o Conselho Regional de Enfermagem (COREN) <strong>(</strong>Nascimento; Souza, 2022; Swahnberg, <em>et al.,</em> 2019; Pantoja<em> et al;</em> 2024; Mena-Tudela<em> et al. </em>2020; Collins; Burns; Dahlen, 2024; Poo <em>et al.,</em> 2022<strong>; </strong>Silva <em>et al.,</em> 2020; Moreira <em>et al.</em>, 2023; Nascimento<em> et al.,</em> 2022; Brasil, 2024b).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, torna-se essencial que o enfermeiro ao agir com foco na prevenção da VO, considere um olhar sensível para as vulnerabilidades sociais associadas à violência obstétrica, que intensificam a recorrência desses fenômenos negligentes. Dentro desses fenômenos estão: raça, nível de escolaridade, contexto geográfico e condição socioeconômica. Observa-se que mulheres pretas e pardas, com baixa escolaridade, residentes em regiões periféricas e em situação socioeconômica desfavorável, são majoritariamente afetadas por práticas violentas no período perinatal. Esses recortes demonstram que a violência obstétrica não ocorre de forma isolada, mas está inserida em um contexto de desigualdades estruturais e discriminações históricas, o que reforça a necessidade de estratégias específicas de cuidado, acolhimento, orientação e políticas públicas efetivas que particularizem o cuidado com olhar para a interseccionalidade de suas características. É notória a necessidade da realização de novos estudos de intervenção que considerem as especificidades da realidade sociodemográfica e epidemiológica da gestante (Baggio <em>et al.,</em> 2024; Poo <em>et al.,</em> 2022; Moreira <em>et al.</em>, 2023 e Viana<em> et al</em>., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, alguns estudos evidenciam que a identificação e o reconhecimento da violência obstétrica estão diretamente relacionados ao déficit de capacitação dos profissionais de saúde, que, por falta de treinamento e orientação, não conseguem identificar e associar o ocorrido. A maneira como a parturiente é acolhida afeta diretamente o conforto e a confiança no sistema de saúde, contribuindo para que a experiência seja a menos traumática possível (Nascimento; Souza, 2022; Pantoja<em> et al;</em> 2024; Mena-Tudela<em> et al. </em>2020; Çamlibel, 2025; Infanti <em>et al.,</em> 2020; Collins; Burns; Dahlen, 2024; Baggio <em>et al.,</em> 2024; Viana <em>et al.,</em> 2024; Poo <em>et al.,</em> 2022; Villota; Rocha; Morales, 2022; Silva <em>et al.,</em> 2020; Moreira<em> et al.</em>, 2023; Nascimento<em> et al.,</em> 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse panorama, é evidente que ainda há muito a ser discutido, uma vez que os estudos destacam que certas práticas, como acolher e escutar ativamente as gestantes, não recebem a devida atenção devido à falta de formação e preparação dos profissionais de saúde. Por isso, enfermeiros mal preparados afetam negativamente a identificação da VO<strong>,</strong> o processo de prevenção, a conduta diante da VO, a comunicação da equipe multidisciplinar e entre o enfermeiro e o paciente. Portanto, é fundamental agir no cerne do problema, isto é, na formação dos profissionais de saúde, com especial atenção à capacitação dos enfermeiros, para que a falta de capacitação não afete a experiência da gestante durante o período de pré-parto<strong>, </strong>parto e pósparto(Nascimento; Souza, 2022; Swahnberg, <em>et al.,</em> 2019; Pantoja<em> et al;</em> 2024; Mena-Tudela<em> et al. </em>2020;&nbsp; Çamlibel, 2025;&nbsp; Infanti <em>et al.,</em> 2020; Collins; Burns; Dahlen, 2024; Baggio <em>et al.,</em> 2024; Viana <em>et al.,</em> 2024; Poo <em>et al.,</em> 2022; Villota; Rocha; Morales, 2022; Silva <em>et al.,</em> 2020; Moreira <em>et al.</em>, 2023; Nascimento<em> et al.,</em> 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, os estudos recomendam a inclusão de temas como a violência obstétrica nos currículos dos cursos de graduação e pós-graduação, a criação de materiais informativos para gestantes, o desenvolvimento de práticas educativas contínuas para os profissionais de saúde e o fortalecimento das políticas públicas relacionadas a este tema. Isso se justifica pela alta prevalência da violência institucional, que é uma das formas mais recorrentes de violência obstétrica, ganhando apenas da violência psicológica que, por não deixar marcas visíveis, muitas vezes passa despercebida ou é minimizada como se fosse não intencional. Já a violência física, que se expressa por meio de procedimentos inadequados, em geral, não é coibida dentro das próprias instituições. Sendo assim, observa-se a naturalização e banalização da violência obstétrica, a resistência à mudança e a falta de capacitação e protocolos adequados, sendo de suma importância uma abordagem não só profissional, mas também institucional mais sensível e humanizada para garantir um parto seguro e respeitoso (Moreira <em>et al.</em>, 2023; Pantoja<em> et al;</em> 2024; Collins; Burns; Dahlen, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, a capacitação dos profissionais de saúde é crucial para prevenir a violência obstétrica, já que falhas institucionais evidenciam a necessidade de qualificação constante, como por exemplo a educação continuada nas instituições. Além disso, a falta de conhecimentos técnicos apropriados, a compreensão inadequada dos procedimentos e a ausência de embasamento teórico comprometem a qualidade da assistência e favorecem a perpetuação da violência obstétrica, que além dos traumas deixados nas gestantes e puérperas, mostra uma realidade presente nos dias atuais (Nascimento; Souza. 2022; Swahnberg, <em>et al.,</em> 2019; Baggio<em> et al., </em>2024 e Silva <em>et al.,</em> 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5 CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo evidenciou que, embora a VO seja um assunto contemporâneo e esteja constantemente em pauta, ainda é necessária a ampliação da atenção sobre o tema. Nesse cenário, o enfermeiro assume um papel importante na prevenção da Violência Obstétrica, dada a sua proximidade com as gestantes e sua atuação direta no cuidado assistencial. Essa atuação se dá especialmente por meio do acompanhamento no pré-natal, das consultas de rotina, da assistência durante o trabalho de parto e do suporte no período do pós-parto. Portanto, torna-se essencial que o enfermeiro adote estratégias que promovam a educação em saúde, intensifiquem a identificação da Violência Obstétrica, contribuam para a humanização da assistência e valorizem a educação continuada como instrumento de qualificação permanente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, na prática diária, o enfermeiro pode contribuir para assegurar a implementação de políticas públicas ao promover boas práticas assistenciais alinhadas às diretrizes de humanização, orientar colegas sobre as normativas vigentes e atuar como agente incentivador do respeito aos direitos e à segurança da gestante nas instituições de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, é essencial a intensificação de estudos científicos e a fomentação de discussões que contribuam para sua compreensão e enfrentamento. A recorrência dessa forma de violência destaca a urgência de capacitar e conscientizar tanto os profissionais de saúde quanto a gestante, parturiente, puérpera e sua família sobre como prevenir, identificar e agir diante da Violência Obstétrica, não apenas no ambiente institucional, mas também desde os processos formativos, durante a educação acadêmica dos futuros profissionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BAGGIO, M. A.; GIRARDI, C.; SCHAPKO, T. R.; CHEFFER, M. H. Parto domiciliar planejado assistido por enfermeira obstétrica: significados, experiências e motivação para essa escolha. <strong>Ciência &amp; Cuidado em Saúde (Online)</strong>, [S.l.], v. 21, e57364, 2022. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1384515. Acesso em: 22 mai. 2025.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">BRASIL, Ministério da Educação. <strong>Capes aprova a nova classificação do Qualis.</strong> Brasília, DF: CAPES, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/capes/pt-br/assuntos/noticias/capesaprova-a-nova-classificacao-do-qualis/. Acesso em: 12 jun. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. <strong>Governo Federal lança nova estratégia para reduzir mortalidade materna em 25% até 2027.</strong> Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024a. Disponível em: https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-oplanalto/noticias/2024/09/governo-federal-lanca-nova-estrategia-para-reduzir-mortalidadematerna-em-25-ate-2027. Acesso em: 25 mai. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. <strong>Humanização do parto, humanização no pré-natal e nascimento. </strong>Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2021b. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/parto.pdf. Acesso em: 29 mar. 2025.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">LEITE, T. H. <em>et al.</em> Desrespeitos e abusos, maus-tratos e violência obstétrica: um desafio para a epidemiologia e a saúde pública no Brasil. <strong>Ciência &amp; Saúde Coletiva</strong>, [S.l.], v. 27, n. 2, p. 483-491, 2022. Disponível em: <a href="https://doi.org/10.1590/1413-81232022272.3859202">https://doi.org/10.1590/1413</a><a href="https://doi.org/10.1590/1413-81232022272.3859202">&#8211;</a><a href="https://doi.org/10.1590/1413-81232022272.3859202">81232022272.3859202</a><a href="https://doi.org/10.1590/1413-81232022272.3859202">.</a> Acesso em: 29 mar. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LEITE, T. H. <em>et al.</em> Epidemiologia da violência obstétrica: uma revisão narrativa do contexto brasileiro. <strong>Revista Brasileira de Epidemiologia</strong>, [S.l.], v. 29, p. 1222-2023, 2024. Disponível em: <a href="https://doi.org/10.1590/1413-81232024299.12222023">https://doi.org/10.1590/1413</a><a href="https://doi.org/10.1590/1413-81232024299.12222023">&#8211;</a><a href="https://doi.org/10.1590/1413-81232024299.12222023">81232024299.12222023</a><a href="https://doi.org/10.1590/1413-81232024299.12222023">.</a> Acesso em: 16 mar. 2025.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">MOHAMMAD, H. <em>et al.</em> Formulating research questions for evidence-based studies. <strong>Journal of Medicine, Surgery, and Public Health</strong>, v. 2, 2024. Disponível em: <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2949916X23000464">https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2949916X23000464.</a> Acesso em: 06 mai. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MOREIRA, M.A. <em>et al.</em> Violência obstétrica no processo do abortamento. <strong>Enfermería (Montevideo)</strong>, v. 12, n. 2, e3166, 2023. Disponível em: http://www.scielo.edu.uy/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S239366062023000201207&amp;lng=en&amp;nrm=iso. Acesso em: 10 mar. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">NASCIMENTO, D. E. M. <em>et al.</em> Vivências sobre violência obstétrica: boas práticas de enfermagem na assistência ao parto. <strong>Nursing (Edição Brasileira)</strong>, [S.l.], v. 25, n. 291, p.8242-8253, 2022. DOI: 10.36489/nursing.2022v25i291p8242-8253. Disponível em: <a href="https://revistanursing.com.br/index.php/revistanursing/article/view/2662">https://revistanursing.com.br/index.php/revistanursing/article/view/2662.</a> Acesso em: 23 mar. 2025.&nbsp;</p>



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			</item>
		<item>
		<title>VIABILIDADE DO CONCRETO DRENANTE NA DRENAGEM URBANA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/viabilidade-do-concreto-drenante-na-drenagem-urbana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft PA]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Jul 2025 00:26:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Engenharias]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 147/JUN 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202506302138 Fabiana Nunes TozatoOrientador: Gustavo Gomes RESUMO O crescimento desordenado da população na área urbana tem causado impactos negativos significativos ao meio ambiente, além de agravar problemas relacionados à gestão das águas pluviais, como alagamentos, enchentes e inundações. Neste contexto, o concreto drenante apresenta-se como uma alternativa promissora para mitigar tais adversidades. A [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202506302138</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide" />



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Fabiana Nunes Tozato<br>Orientador: Gustavo Gomes</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide" />



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O crescimento desordenado da população na área urbana tem causado impactos negativos significativos ao meio ambiente, além de agravar problemas relacionados à gestão das águas pluviais, como alagamentos, enchentes e inundações. Neste contexto, o concreto drenante apresenta-se como uma alternativa promissora para mitigar tais adversidades. A presente pesquisa teve como objetivo analisar a viabilidade da aplicação do concreto drenagem de águas pluviais em grandes centros urbanos brasileiros. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, fundamentado na revisão de literatura, com levantamento de publicações nas bases de dados Scielo, Google Acadêmico e Portal Capes. Como critério principal de inclusão, foram selecionados estudos que abordam diretamente os objetivos propostos. Os resultados evidenciaram que o concreto drenante, também denominado pavimento permeável, possui como principal característica a formulação com baixo teor de materiais finos, o que promove a formação de poros interconectados no interior do material. Essa estrutura porosa permite a infiltração da água através do pavimento, funcionando como um sistema eficiente de drenagem. Concluiu-se que a adoção do concreto drenante é tecnicamente viável, destacando-se pela capacidade de escoamento das águas precipitadas sobre sua superfície, o que contribui significativamente para a redução do acúmulo hídrico em áreas urbanas. Em razão dessas propriedades, esse tipo de pavimento tem sido amplamente empregado em praças, rodovias e demais espaços públicos urbanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chaves</strong>: Urbanização. Concreto Drenante. Saneamento Básico. Águas Pluviais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As grandes cidades surgiram devido ao processo de urbanização, caracterizado pela ocupação dos espaços rurais e urbanos que substituiu parte da vegetação por edificações de alvenaria. A urbanização se manifestou em escalas e intensidades diferentes, sendo influenciada por fatores como industrialização, êxodo rural e desenvolvimento tecnológico (MIRANDA, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em termos históricos, a maioria das cidades surgiu sem planejamento devido à ocupação desenfreada dos espaços urbanos e muitas não possuíam uma infraestrutura eficaz que acompanhasse as necessidades dos habitantes. A falta de drenagem é um grande agravante à mobilidade, a enchentes, doenças, alagamentos e deslizamentos, o que pode pôr em risco a vida dos habitantes (GOUVEIA, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o tempo, surgiram tecnologias que possibilitaram melhorias significativas no processo de drenagem urbana. Uma dessas tecnologias é o concreto drenante, um tipo de concreto projetado para permitir a passagem de água através da sua estrutura, facilitando a drenagem e reduzindo o acúmulo de água em áreas externas. Essa tecnologia tem sido utilizada como uma alternativa sustentável para a redução dos problemas ocasionados pelas águas pluviais (SIMÕES et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O crescimento da urbanização leva a maior impermeabilização do solo em função do revestimento de ruas, passeios e edificações. Isso impacta cada vez mais no meio ambiente, exigindo que a construção civil encontre alternativas que evitem futuros problemas como inundações ou enchentes (PILS et al., 2019). Diante desse cenário, a pesquisa em questão visa investigar a seguinte problemática: o concreto drenante é viável para a drenagem de águas pluviais para os centros das grandes cidades?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta pesquisa considera a necessidade de implementação de soluções desenvolvidas na área da engenharia, de forma a mitigar ou mesmo evitar a ocorrência de problemas como: enchentes, deslizamentos, inundações, dentre outros. O cimento drenante pode ser uma solução relevante para estradas e calçadas que podem atuar na drenagem por permitir que a água possa penetrar em todas as áreas do pavimento, reduzindo o impacto gerado pelas chuvas de verão (ANDRADE et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A utilização de pavimentos permeáveis como parte integrante dos sistemas de drenagem urbana tem sido amplamente discutida como uma das opções viáveis para redução dos alagamentos nas áreas urbanas por atuar como redutor da sobrecarga dos sistemas de drenagem convencionais e os efeitos dos alagamentos durante as chuvas fortes (LOPES; BRAGA; BUENO, 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa apresenta como objetivo geral analisar a viabilidade do concreto drenante na drenagem das águas pluviais nas grandes cidades brasileiras. Especificamente buscou-se: apresentar os aspectos gerais da drenagem como um dos serviços de infraestrutura; enumerar as principais características do concreto drenante; descrever a importância e a relevância do concreto drenante para a drenagem das grandes cidades brasileiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. REFERENCIAL TEÓRICO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O crescimento populacional e os avanços tecnológicos têm sido os principais motores da expansão das grandes cidades em todo o mundo. Em território nacional, o processo de urbanização decorrente da ocupação desenfreada das cidades trouxe uma série de problemas para a zona urbana. Dentre eles, destacam-se: a impermeabilização dos solos, tendo como consequência o colapso dos sistemas de drenagem urbana (ANDRADE et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para reduzir os impactos gerados pelas águas pluviais nas grandes cidades brasileiras, foi criado o cimento drenante, que possui características e propriedades importantes para reduzir os problemas recorrentes em tempo de chuvas fortes, tais como: enchentes e alagamentos (GOUVEIA, 2019). Diante dessa assertiva, há uma necessidade de contextualizar sobre a viabilidade do cimento drenante para a drenagem nas cidades brasileiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 Drenagem urbana como um dos serviços de infraestrutura: aspectos gerais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o processo de urbanização e ocupação desenfreada de áreas das grandes cidades brasileiras, houve a necessidade de implementação de serviços de infraestrutura para garantir o básico necessário para a vida da população. Estes serviços são definidos como “sistemas básicos e essenciais para o funcionamento e desenvolvimento de uma cidade.” (LIMA, 2015, p. 412). Dentre esses serviços, destaca-se o saneamento básico, no qual a drenagem está inclusa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A drenagem urbana e o manejo de águas pluviais são considerados indispensáveis para a boa manutenção das ruas por coletar e direcionar a água para um local apropriado. Com isso, evita-se que a capacidade de retenção local seja excedida, como o observado na ocorrência de chuvas mais volumosas, principalmente nas áreas mais vulneráveis das cidades: às margens dos rios (LIMA, 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jacob (2021) destaca que um sistema de drenagem urbana tem a propriedade de secar toda a cidade o mais rápido possível. Essa concepção teve início em meados do século XIX, quando grandes cidades do mundo sofriam devido às doenças decorrentes da falta de saneamento básico e da água das enchentes. A ideia apresentou como base levar a água pluvial para um local longe das cidades, o que funcionou com eficiência, expandindo-se para outros países. A Figura 1 representa um sistema de drenagem.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1: </strong>Sistema de drenagem</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="880" height="408" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2329.png" alt="" class="wp-image-225715" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2329.png 880w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2329-300x139.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2329-768x356.png 768w" sizes="(max-width: 880px) 100vw, 880px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Jacob (2021)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A figura apresentada ilustra que, com a implementação de sistemas de drenagem ao longo das vias urbanas, por meio da instalação de galerias pluviais, tornou-se possível direcionar o escoamento das águas para os cursos d’água naturais. Contudo, com o passar dos anos e o consequente crescimento populacional, surgiu a necessidade de expansão e aprimoramento dessas estruturas. O objetivo dessas intervenções foi o de retardar o escoamento superficial, de modo a reduzir a sobrecarga nas galerias e minimizar o volume de água destinado aos rios durante os períodos de chuvas intensas (JACOB, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, compreende-se que as transformações ambientais ocorridas ao longo do processo evolutivo da humanidade modificaram significativamente os modos de vida em sociedade, resultando, sobretudo, na concentração populacional nas áreas urbanas. Essa mudança gerou a necessidade de implementação de sistemas de drenagem capazes de direcionar adequadamente as águas pluviais, com o objetivo de mitigar eventos adversos como alagamentos, enxurradas e inundações (BONFIM, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para evitar que tais problemas possam comprometer a vida da população, tornou-se necessário considerar a eficiência como um importante indicador para os serviços de drenagem. A Lei nº 14.026/2020 discorre, ao longo do seu contexto, o conceito&nbsp; de&nbsp; drenagem&nbsp; e&nbsp; manejo&nbsp; das&nbsp; águas&nbsp; pluviais&nbsp; que&nbsp; seria&nbsp; “atividades, infraestruturas e instalações operacionais de drenagem em águas pluviais” (BRASIL, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As atividades desenvolvidas para a eficiência no sistema de drenagem envolvem o transporte, a detenção ou retenção para o amortecimento de vazões de cheias, o tratamento e a disposição final das águas pluviais drenadas, além de limpeza e fiscalização preventiva das redes (BRASIL, 2020). Essas atividades possibilita a redução do acúmulo de águas em dias de fortes chuvas de versão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante reconhecer que, apesar dos esforços voltados à mitigação dos impactos decorrentes das chuvas de verão, ainda persistem desafios significativos que precisam ser superados para que se alcance maior eficiência nos sistemas de drenagem. Entre os principais entraves, destacam-se: a insuficiência e deficiências estruturais nos sistemas de drenagem existentes, o contínuo crescimento urbano desordenado e a necessidade de aprimoramento da infraestrutura destinada ao escoamento das águas pluviais – fatores que, em conjunto, contribuem para a ocorrência recorrente de alagamentos e enxurradas (BONFIM, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 Concreto drenante ou permeável e suas características</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A engenharia civil tem buscado alternativas viáveis para mitigar ou até mesmo evitar a ocorrência de problemas oriundos das águas pluviais. De acordo com Andrade et al. (2024), uma das soluções viáveis é a utilização do concreto drenante em calçadas e estradas de cimento drenante, que compõem os pavimentos permeáveis. O foco deste tipo de pavimento é permitir a penetração da água na área do pavimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A implementação dessa técnica como meio de viabilizar o sistema de drenagem está sendo utilizada em áreas com maior índice de precipitação e traz como benefícios: a redução do escoamento superficial de água contaminada, melhoria na qualidade da água e, principalmente, redução dos custos de manutenção ao longo do tempo (ANDRADE et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ferreira (2020) destaca, em sua pesquisa, que o concreto drenante é caracterizado como um tipo específico de concreto com elevado índice de vazios interconectados, resultante da combinação de aglomerante, agregados graúdos e água. Sua formulação pode conter quantidades reduzidas ou elevadas de agregados miúdos, o que confere ao material a capacidade de permitir a livre passagem de volumes expressivos de água por sua estrutura. A figura 2 ilustra a configuração estrutural típica do concreto drenante.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 2 </strong>– Concreto drenante</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="658" height="470" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2330.png" alt="" class="wp-image-225716" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2330.png 658w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2330-300x214.png 300w" sizes="(max-width: 658px) 100vw, 658px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Ferreira (2020, p. 27)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A principal distinção entre o concreto drenante e o concreto convencional reside na distribuição dos agregados, sendo o primeiro formulado de modo a permitir maior espaçamento entre as partículas, o que facilita a passagem da água, conforme demonstrado na imagem. Os traços desse tipo de concreto são elaborados com a limitação do teor de materiais finos, o que favorece a formação de poros interconectados em sua estrutura interna. Esses poros permitem, de forma eficiente, o escoamento da água por entre o material, conferindo-lhe a funcionalidade de um sistema de drenagem (FERREIRA, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Silva <em>et al</em>. (2022) afirmam que o concreto drenagem apresenta algumas particularidades, como sua elevada porosidade, que permite a penetração da água no solo, reduzindo a acumulação na superfície. Dependendo do nível de resistência e capacidade de drenagem, pode ser classificado em: concreto permeável, hidráulico, convencional e estrutural. O Quadro 1 sintetiza informações referentes às características de cada uma dessas classificações.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Quadro 1 – Tipologia do concreto permeável</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="852" height="271" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2331.png" alt="" class="wp-image-225717" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2331.png 852w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2331-300x95.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2331-768x244.png 768w" sizes="(max-width: 852px) 100vw, 852px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Adaptado de Silva et al. (2022)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme as informações apresentadas no quadro, observa-se que os tipos de concreto permeável variam em função das características do ambiente em que serão aplicados. A inclusão ou não de agregados miúdos, aditivos ou materiais minerais na composição do concreto dependerá diretamente do propósito específico de sua utilização, seja em locais que demandem menor resistência mecânica ou em áreas de maior exigência estrutural, como avenidas e vias de tráfego intenso (SILVA et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De modo semelhante, Coelho (2023) apresenta uma abordagem sobre a tipologia do concreto permeável, descrevendo-o como uma composição especial de concreto capaz de permitir a percolação das águas superficiais por meio de sua estrutura no estado endurecido. A elevada porosidade é destacada como sua principal característica técnica, conferindo-lhe a capacidade de escoamento e tornando-o uma solução inovadora no âmbito da pavimentação urbana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme estabelece a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2015), a porosidade nesse tipo de concreto é predominantemente microscópica, o que lhe confere características específicas de permeabilidade. De forma a incidir sobre sua superfície, o líquido é prontamente absorvido e percorre por sua estrutura, sem provocar acúmulo superficial. Esse comportamento é especialmente observado em relação às águas pluviais quando estas entram em contato com o pavimento executado com concreto drenante. O Quadro 2 ilustra a aplicação do concreto drenante conforme sua classificação e funcionalidade.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 2 </strong>– Especificações do revestimento de pavimento permeável</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="753" height="280" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2332.png" alt="" class="wp-image-225718" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2332.png 753w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2332-300x112.png 300w" sizes="(max-width: 753px) 100vw, 753px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>ABNT (2015)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme ilustrado na imagem, o concreto drenante, também denominado pavimento permeável, pode ser empregado tanto na forma de revestimento intertravado permeável, composto por peças pré-moldadas de concreto com juntas preenchidas por agregados, quanto como revestimentos moldados <em>in loco</em>, utilizando concreto permeável. Ambos são projetados para integrar-se funcionalmente aos sistemas de drenagem urbana, atuando como elementos estruturais que facilitam a infiltração da água pluvial (ABNT, 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bezerra (2023) destaca que a porosidade característica do concreto drenante está associada aos aspectos mecânicos dos concretos permeáveis, o que faz com que sua utilização seja alvo de estudos. Entretanto, assim como qualquer outro material, este apresenta vantagens e desvantagens que devem ser consideradas durante sua escolha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como vantagens, destacam-se: drenagem eficaz, redução na pressão do sistema de esgoto, controle da temperatura, manutenção facilitada e sustentabilidade. Já as desvantagens estão relacionadas aos seguintes fatores: menor resistência, custo inicial mais elevado do que o concreto tradicional, possibilidade a retenção de resíduos, dentre outros (BEZERRA, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3 Relevância do concreto drenante para a drenagem no Brasil</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao se tratar da relevância do tema, remete-se diretamente as ações vinculadas à infraestrutura urbana, à segurança pública e à promoção da qualidade de vida da população. Sob a perspectiva de Coelho (2023), a drenagem configura-se como uma das principais medidas de segurança para as populações urbanas, especialmente em um contexto de contínuo crescimento demográfico observado nas últimas décadas no Brasil, caracterizando uma realidade persistente no cenário nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise da relevância do concreto drenante no contexto da drenagem urbana no Brasil requer a consideração dos benefícios que essa tecnologia pode oferecer ao ambiente urbano. Ferreira (2020) ressalta que o escoamento eficiente das águas pluviais, proporcionado pelos pavimentos permeáveis, contribui de forma significativa para a redução dos riscos de inundações, enchentes e alagamentos, representando assim, uma solução estratégica para a mitigação de problemas recorrentes nas cidades brasileiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Silva (2023) aponta que a urbanização acelerada, aliada ao crescimento populacional nas áreas urbanas, tem provocado impactos adversos nos sistemas de drenagem urbana. Tais impactos tornam-se particularmente evidentes durante os períodos de chuvas intensas, manifestando-se por meio de inundações, processos erosivos, danos à infraestrutura urbana, além de prejuízos sociais e econômicos. Ademais, esses efeitos negativos estendem-se à degradação ambiental e à saúde pública.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário, tornou-se necessário adotar medidas mitigadoras capazes de minimizar os efeitos decorrentes das precipitações, especialmente em regiões com altos índices pluviométricos. A aplicação de pavimentos permeáveis em áreas densamente povoadas tem se mostrado relevante, sobretudo por sua capacidade de reduzir o acúmulo superficial de água, contribuindo, assim, para o controle e eficiência dos sistemas de drenagem urbana (SILVA, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Lima et al. (2022), as precipitações pluviais estão entre os principais fatores de comprometimento das rodovias brasileiras, uma vez que contribuem para a ocorrência de infiltrações que deterioram a infraestrutura rodoviária. Diante dessa problemática, tem-se intensificado a preocupação em desenvolver projetos rodoviários mais eficientes e sustentáveis. A utilização do concreto permeável é uma dessas alternativas, por ter a capacidade de permitir a passagem da água através de seus poros, favorecendo o escoamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A viabilidade da utilização do concreto permeável em rodovias brasileiras está associada à sua incorporação em projetos de restauração viária, tendo como um dos principais objetivos a adequação de sistemas de drenagem mais eficientes. No entanto, conforme apontado por Lima et al. (2022), fatores como a complexidade da obra e as condições topográficas do terreno podem elevar consideravelmente os custos de implementação. A Figura 3 ilustra a condição atual da malha rodoviária no Brasil, evidenciando a importância de soluções estruturais que considerem a eficiência hidráulica e a durabilidade das vias.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 3 </strong>– Problemas nas rodovias devido à falta de manutenção</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="724" height="288" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2333.png" alt="" class="wp-image-225719" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2333.png 724w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2333-300x119.png 300w" sizes="(max-width: 724px) 100vw, 724px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>Lima et al. (2022, p. 17818)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Araújo Júnior et al. (2023) destacam que o surgimento de novas tecnologias e a melhoria do sistema de drenagem têm contribuído significativamente para novos arranjos de pavimentação, como o pavimento permeável, por exemplo. Os projetos consideram a escolha do sistema ideal para cada área a ser pavimentada, devido a fatores como resistência mecânica e a carga a ser transitada nos pavimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A drenagem é considerada um dos principais meios de se preservar o meio ambiente e manter a população em segurança, principalmente em áreas de alto índice de precipitação. Por este motivo, é importante a elaboração de estudos que possam evidenciar a eficiência do sistema de drenagem no país, como uma importante estratégia de saneamento básico (ARAÚJO JÚNIOR et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Brasil (2021), a utilização dos pavimentos permeáveis se torna uma das principais soluções para mitigar os problemas oriundos das águas pluviais, que tanto preocupam as políticas públicas de saneamento básico no país. Ademais, o concreto permeável configura-se como uma solução viável para a mitigação dos impactos ambientais decorrentes da ocupação desordenada nas zonas urbanas das principais cidades brasileiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cabe destacar, também, que o pavimento permeável tem sua eficácia diretamente relacionada ao coeficiente de permeabilidade do solo. No entanto, o concreto permeável pode ser integrado a sistemas de tubulação de drenagem projetados para conduzir de forma controlada a retardada as águas pluviais aos corpos hídricos naturais, reduzindo, assim, a dependência da permeabilidade do solo local (BRASIL, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Prates (2023) destacou que existem várias razões que levam à escolha da utilização do pavimento. Dentre esses argumentos destacam-se: a alta taxa de crescimento populacional, a segurança nas vias e a redução da poluição sonora, se comparado ao pavimento convencional. Além disso, o entorno tem seu bem-estar preservado pelo pavimento permeável.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3 METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma pesquisa descritiva e qualitativa com estudos publicados nas seguintes bases de dados: <em>Scientific Electronic Library Online </em>(SCIELO), Portal Capes Periódico e Google Acadêmico. Durante a busca, foram incluídas as seguintes palavras-chave: Urbanização; Concreto Drenante; Saneamento Básico; e Águas Pluviais. A busca foi realizada no mês de abril de 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como estratégia de busca, foram considerados os seguintes critérios de seleção: serem publicados entre os anos de 2016 a 2025, salvo normas técnicas referentes ao tema; trazerem informações dentro dos objetivos propostos; textos que relacionem a drenagem com o cimento drenante; e serem textos completos. Os arquivos incompletos, replicados e caracterizados como resumo expandido foram excluídos automaticamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a seleção dos arquivos, foi realizado um fichamento contendo as principais informações abordadas pelos autores selecionados para composição desta pesquisa. Em seguida, as informações foram organizadas em ordem cronológica, considerando desde os aspectos conceituais de drenagem até a influência do cimento drenante nas ações de saneamento básico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4 ANÁLISE DOS RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante o levantamento bibliográfico realizado para a elaboração da presente pesquisa, foram identificados milhares de publicações relacionadas á temática. No entanto, apenas 20 estudos foram selecionados para compor o corpo da pesquisa, por apresentarem informações diretamente relevantes ao objeto de estudo. Dentre eles, 10 abordaram exclusivamente o concreto permeável; 1 estudo realizou uma comparação entre o concreto drenante e o concreto convencional; 4 trataram de aspectos relacionados à drenagem urbana; e os 5 restantes apresentaram estudos de caso envolvendo a implementação do concreto drenante em sistemas de drenagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Gráfico 1 sintetiza a distribuição do percentual desses achados, evidenciando o predomínio de estudos centrados no concreto permeável como foco principal de investigação.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Gráfico 1 </strong>– Principais achados (%)</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="815" height="486" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2334.png" alt="" class="wp-image-225720" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2334.png 815w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2334-300x179.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2334-768x458.png 768w" sizes="(max-width: 815px) 100vw, 815px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>A autora (2025)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base nos dados apresentados no gráfico, conclui-se que há uma significativa concentração de pesquisas voltadas à caracterização e ao desempenho do concreto permeável, indicando o crescente interesse da comunidade científica por essa solução tecnológico no contexto da drenagem urbana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre o concreto permeável, Lima et al. (2022) destacaram em sua pesquisa que, quando o sistema de drenagem não é eficaz, causa grandes prejuízos para as rodovias brasileiras, que sofrem degradação decorrente das águas pluviais. Por este motivo, a restauração com pavimento permeável é uma das alternativas viáveis, principalmente no que se refere às áreas de grande precipitação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Corroborando com os autores, Brasil (2021) demonstrou que a utilização do pavimento permeável no sistema de drenagem é viável por reduzir o acúmulo de água precipitada no solo. O concreto drenante apresenta porosidade entre 15 e 35%, o que faz com que a resistência estrutural seja reduzida, um fator que limita seu uso apenas para estacionamentos, calçadas e praças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De igual modo, Coelho et al. (2022) e Silva et al. (2022) mencionaram que o concreto permeável pode ser utilizado com mistura ou não de agregados miúdos, aditivos ou minerais. Tudo dependerá do ambiente onde o pavimento será implementado. A principal característica do concreto permeável é sua capacidade de conduzir as águas da superfície para o interior do concreto, o que reduz o acúmulo de água na superfície.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Andrade et al. (2024) trouxeram informações relevantes sobre as propriedades do concreto drenante, também conhecido como pavimento permeável. Tais propriedades são: alto índice de vazios interligados, composição de sua estrutura por aglomerantes, podendo ou não utilizar agregado miúdo, agregados graúdos e água.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bezerra (2023) demonstrou, com sua pesquisa, que a porosidade é uma das principais características do concreto drenante. Essa característica permite que a água precipitada escoe de forma que não se acumule na superfície, apresentando como vantagens a eficácia na drenagem, redução do sistema de esgoto, facilidade na manutenção e, principalmente, sustentabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que se refere à comparação, Ferreira (2020) e Brasil (2021) destacam que propriedades como granularidade e os espaços vazios decorrentes permitem a passagem da água no concreto permeável, diferente do concreto convencional. A resistência se mostra maior no impermeável do que no concreto drenante. Porém, permeável pode ser implementado, inclusive, em áreas de circulação de caminhões pesados, por exemplo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre a drenagem, foi demonstrado que é um dos serviços destacados pelo saneamento básico e possui como principal objetivo escoar as águas pluviais para outros locais, longe das cidades. Os estudos de Simões (2023), Jacob (2021), Bonfim (2022) e Gouveia (2019) relataram que a drenagem é extremamente importante para a segurança dos moradores e redução dos problemas ambientais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos de caso apresentaram uma abordagem de cidades brasileiras que utilizaram o concreto drenante como técnicas alternativas de infraestrutura para o gerenciamento de águas pluviais. O estudo de Silva (2023) avaliou um perímetro urbano na cidade de Bacabal, no estado do Maranhão, uma cidade que apresenta alto índice de precipitação. Algumas ruas da cidade apresentaram problemas na drenagem, o que ocasionava alagamentos e inundações. A proposta para a solução deste problema foi a implementação de pavimento intertravado permeável, conforme representado na Figura 4.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 4 – </strong>Representação de um pavimento permeável</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="707" height="348" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2335.png" alt="" class="wp-image-225721" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2335.png 707w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2335-300x148.png 300w" sizes="(max-width: 707px) 100vw, 707px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>Pavibloco (2019)</p>



<p class="wp-block-paragraph">De igual modo, o estudo de Andrade et al. (2024) apresentou como foco o uso do concreto drenante no combate a alagamentos no bairro Vila São José, Cubatão, em São Paulo. Para tanto, os autores se reuniram no laboratório de edificações da ETEC Ruth Cardoso em São Vicente, para produzir o concreto. Após a produção do concreto. A Figura 5 representa o concreto após 7 dias de cura.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 5 </strong>– Concreto após sete dias de cura</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="520" height="463" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2336.png" alt="" class="wp-image-225722" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2336.png 520w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2336-300x267.png 300w" sizes="(max-width: 520px) 100vw, 520px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>Andrade et al. (2024, p. 12)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Através da elaboração de uma maquete, os autores demonstraram que o concreto drenante é uma tecnologia viável para combater alagamentos, além de ser considerado uma alternativa sustentável em áreas urbanas vulneráveis. Sintaticamente, o estudo demonstrou que este tipo de concreto pode ser integrado ao planejamento urbano da cidade como meio de reduzir os alagamentos no analisado (ANDRADE et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Prates (2023) apresentou um estudo de caso do sistema de drenagem construído em uma rua no bairro Padre Eustáquio, em Belo Horizonte. A obra foi realizada em setembro de 2021 e teve como principal foco reduzir os alagamentos recorrentes na área durante as intensas chuvas de verão. A Figura 6 representa a área onde a obra foi realizada.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 6 </strong>– Rua Vila Rica onde a obra foi realizada</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="791" height="421" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2337.png" alt="" class="wp-image-225723" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2337.png 791w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2337-300x160.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2337-768x409.png 768w" sizes="(max-width: 791px) 100vw, 791px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Prates (2023, p. 50)</p>



<p class="wp-block-paragraph">O projeto de drenagem da área em destaque contou com uma série de procedimentos que foi desde a desobstrução dos tubos de ligação das bocas de lobo ao poço de visita até a pavimentação com pavimento permeável, tendo como foco ampliar o escoamento das águas pluviais e reduzir as inundações que ocorriam no local. Dessa forma, a obra de drenagem se tornou eficiente com a utilização do concreto drenante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pils et al. (2019) apresentaram uma pesquisa sobre o caso de concreto drenante com a inclusão de fibras de polipropileno. Para tanto, foram utilizados cinco traços distintos, contendo cimento drenante de agregados graúdos entre 4 e 4,5 para 1 de cimento e areia entre 0 e 1 para 1 de cimento. A Figura 7 representa a estrutura do concreto drenante produzido.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 7 – </strong>Aspecto do concreto drenante produzido</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="604" height="397" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2338.png" alt="" class="wp-image-225724" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2338.png 604w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2338-300x197.png 300w" sizes="(max-width: 604px) 100vw, 604px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>Pils et al. (2019, p. 115)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados demonstraram que a inclusão de fibras de polipropileno no concreto drenante ampliou o espaço entre os agregados utilizados. Todos os traços de concreto utilizados, com ou sem a fibra, apresentaram coeficientes de permeabilidade dentro do recomendado pela NBR 1643, o que comprova sua viabilidade para utilização em pavimentos permeáveis (PILS et al., 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os quatro estudos de casos apresentados demonstraram que o concreto drenante ou pavimento permeável, como é conhecido, apresenta viabilidade no que se refere à sua utilização como alternativa para sistema de drenagem no país. Entretanto, Gouveia (2019) destaca que há uma necessidade de análise da área onde será implantado este tipo de pavimento, bem como a tensão mecânica requerida no local, para que se torne, de fato, viável.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5 CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A realização desta pesquisa permitiu refletir sobre a viabilidade de aplicação do concreto drenante na drenagem de águas pluviais em grandes centros urbanos brasileiros. Isso foi especialmente diante da recorrência de alagamentos, inundações e enchentes durante os períodos de chuvas intensas, causados, em grande parte, pela ineficiência dos sistemas convencionais de drenagem implementados no âmbito do saneamento básico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os artigos analisados, que fundamentaram esta investigação, evidenciaram que a utilização do concreto drenante é tecnicamente viável, destacando-se pela presença de vazios interconectados em sua estrutura, os quais permitem o escoamento eficiente da água precipitada sobre sua superfície, contribuindo para a redução do acúmulo hídrico. Em razão dessa característica, esse tipo de concreto tem sido aplicado em diferentes contextos urbanos, como praças, rodovias, calçadas, demonstrando sua versatilidade e eficácia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pavimentos permeáveis têm se consolidado como uma das principais soluções sustentáveis para a mitigação de eventos hidrológicos extremos em áreas urbanizadas com elevados índices pluviométricos. Contudo, reconhece-se que a redução definitiva desses problemas ainda constitui um dos grandes desafios contemporâneos, sobretudo em função da ocupação desordenada que caracteriza muitas regiões urbanas do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Destacou-se, ainda, que diversos fatores justificam a ampliação do pavimento permeável em diferentes áreas urbanas no Brasil, entre os quais se incluem o crescimento populacional, a promoção da segurança viária e a mitigação da poluição sonora. Em função destes aspectos, o concreto drenante é reconhecido como uma alternativa viável que atende aos princípios de sustentabilidade e contribui para o desenvolvimento de soluções urbanas ambientalmente responsáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante das informações analisadas, considera-se que os objetivos propostos foram plenamente alcançados, uma vez que a pesquisa possibilitou a compreensão da viabilidade do concreto drenante como solução técnica para os sistemas de drenagem urbana no Brasil. Nesse sentido, os resultados obtidos podem servir como base para o desenvolvimento de estudos futuros mais aprofundados, que ampliem o conhecimento sobre o tema e contribuam para a implementação de estratégias sustentáveis no planejamento urbano e na gestão das águas pluviais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ABNT. NBR 16416 &#8211; Pavimentos permeáveis de concreto Requisitos e procedimentos. Rio de Janeira: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ANDRADE, Amanda Oliveira Santos de. <strong>O uso do concreto drenante no combate aos alagamentos no bairro Vila São José, Cubatão/SP</strong>. 2024. Disponível em: <a href="https://ric.cps.sp.gov.br/bitstream/123456789/28190/1/meioambiente_2024_2_andrade_usodoconcretodrenante.pdf">https://ric.cps.sp.gov.br/bitstream/123456789/28190/1/meioambiente_2024_2_andra</a> <a href="https://ric.cps.sp.gov.br/bitstream/123456789/28190/1/meioambiente_2024_2_andrade_usodoconcretodrenante.pdf">de_usodoconcretodrenante.pdf</a>. Acesso em: 13 de maio de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ARAÚJO JÚNIOR, Antonio Jorge Silva; et al. Desenvolvimento de pavimento drenante como sistema alternativo de drenagem urbana. <strong>DELOS: Desarrollo Local Sostenible</strong>, Curitiba, v.16, n.48, p. 3041-3055, 2023</p>



<p class="wp-block-paragraph">BEZERRA, Diego de Paiva. <strong>Propriedades de concreto permeável contendo resíduo de caulim. </strong>2023. Tese (Mestrado em Engenharia Civil e Ambiental) &#8211; Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BONFIM, Michelle Tuane Gomes<strong>. Estado da Arte da Drenagem Urbana no município de Goiânia-GO. </strong>Tese (Bacharel em Engenharia Civil) &#8211; Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás, Goiânia, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL, 2020. Lei nº 14.026, de julho de 2020. Atualiza o marco legal do saneamento básico e altera a Lei nº 9.984, de 17 de julho de 2000, para atribuir à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) competência para editar normas de referência sobre o serviço de saneamento. Brasília, DF, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL, Vanderley Batista. <strong>Pavimento de concreto permeável</strong>. Tese (Bacharel em Engenharia Civil) &#8211; Faculdade de Tecnologia do Tatuapé, São Paulo, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">COELHO, Josias Ferraz. <strong>Incorporação de agregado graúdo reciclado de concreto em misturas de concreto permeável para produção de peças de pavimentação</strong>. 2023. Tese (Bacharel em Engenharia Civil) &#8211; Universidade Estadual de Ponta Grossa, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FERREIRA, Ronaldo Jhonatan Costa. <strong>Estudo comparativo da viabilidade técnica entre bloco intertravado drenante e convencional para pavimentação</strong>. 2020. Tese (Bacharel em engenharia Civil) &#8211; Centro Universitário Luterano de Palmas, Palmas, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GOUVEIA, Mariana Aparecida de Oliveira. <strong>Asfalto Drenante: </strong>Proporções Granulométricas e Aplicabilidade. 2019. 60p. Monografia (Curso de Bacharelado de Engenharia Civil). Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano – Campus Rio Verde, Rio Verde, GO, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JACOB, Ana Carolina P. <strong>Drenagem urbana: clássica X sustentável</strong>. 2021. Disponível em: <a href="https://www.linkedin.com/pulse/drenagem-urbana-cl%C3%A1ssica-x-sustent%C3%A1vel-ana-caroline-pitzer-jacob/">https://www.linkedin.com/pulse/drenagem-urbana-cl%C3%A1ssica-x-</a> <a href="https://www.linkedin.com/pulse/drenagem-urbana-cl%C3%A1ssica-x-sustent%C3%A1vel-ana-caroline-pitzer-jacob/">sustent%C3%A1vel-ana-caroline-pitzer-jacob/</a>. Acesso em: 13 de maio de 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIMA, Luiz Martins de. <strong>A infraestrutura de serviços públicos e o território urbano</strong>. 2015. Disponível em: <a href="https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/4721/2/A%20infraestrutura%20de%20servi%C3%A7os%20p%C3%BAblicos_16_P.pdf">https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/4721/2/A%20infraestrutura%20de</a><a href="https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/4721/2/A%20infraestrutura%20de%20servi%C3%A7os%20p%C3%BAblicos_16_P.pdf">%20servi%C3%A7os%20p%C3%BAblicos_16_P.pdf</a>. Acesso em: 13 de maio de 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIMA, Wallesson Alexandre de Sousa; et al. Sistemas de drenagem: a importância para a infraestrutura do transporte rodoviário brasileiro. <strong>Brazilian Journal of Development</strong>, Curitiba, v.8, n.3, p. 17813-17831, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LOPES, Gabriel Vieira; BRAGA, Maria Luiza Oliveira; BUENO, Maruska Tatiana Nascimento da Silva. <strong>Estudo de caso</strong>: Comparativo entre os orçamentos de uma escola urbana ou rural executada utilizando-se materiais convencionais e materiais não convencionais. 2016. Disponível em: <a href="https://sbe16.civil.uminho.pt/app/wp-content/uploads/2016/09/SBE16-Brazil-Portugal-Vol_1-Pag_255.pdf">https://sbe16.civil.uminho.pt/app/wp-</a> <a href="https://sbe16.civil.uminho.pt/app/wp-content/uploads/2016/09/SBE16-Brazil-Portugal-Vol_1-Pag_255.pdf">content/uploads/2016/09/SBE16-Brazil-Portugal-Vol_1-Pag_255.pdf</a>. Acesso em: 13 de maio de 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MIRANDA, Patrícia dos Santos. <strong>O solo e sua permeabilização</strong>. 2018. Tese (Mestrado em Engenharia Civil) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Medianeira, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PRATES, Cristiano Lucas. <strong>Drenagem de águas pluviais</strong>: estudo de caso de um trecho de uma rua movimentada da capital mineira na Região Noroeste. Tese (Bacharel em Engenharia Civil) &#8211; Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PILS, S. E.; et al. Concretos drenantes: estudo de dosagem e adição de fibras de polipropileno. <strong>Revista Ibracon de Estruturas e Materiais</strong>, Chapecó;SC, v. 12, n. 1, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, Maiara da; et al. Agregação de resíduos de blocos de concreto reciclado na mariz de pavimento asfálticos drenante. <strong>Acerte</strong>, v. 2, n. 12, 2022. 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, Thyago Vinícius da. <strong>Sistemas de drenagem urbana de águas pluviais: um estudo de caso na cidade de Bacaba/MA</strong>. 2023. Tese (Bacharel em Engenharia Civil) &#8211; Universidade Estadual do Maranhão, Bacabal, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SIMÕES, Otávio Gaigher; et al. Avaliação das propriedades mecânicas e de permeabilidade de peças de concreto permeável contendo resíduos de rocha ornamental. <strong>Ambiente Construído</strong>, Porto Alegre, v. 23, n. 4, p. 241-254, 2023.</p>



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		<title>MULHERES MACHADIANAS EM &#8220;MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS&#8221;: ENTRE O MATRIMÔNIO E A PROSTITUIÇÃO NO SÉCULO XIX</title>
		<link>https://revistaft.com.br/mulheres-machadianas-em-memorias-postumas-de-bras-cubas-entre-o-matrimonio-e-a-prostituicao-no-seculo-xix/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft PA]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jun 2025 23:49:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Linguística, Letras e Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 147/JUN 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202506302048 Maria De Lourdes De Souza1; Maria Dilmária Do Nascimento Lima2; Maria Silmara Bezerra De Assis Bispo3; Vanderléia De Lira Lopes4; Kathiane Oliveira Diniz5; Josefa Janeide Miroro Do Nascimento6; Maria Joecilde De Souza Nunes Santos7; Auriélia Coelho Isaque Floriano8; Cláudio Alencar9 RESUMO O presente trabalho busca analisar a obra “Memórias Póstumas de Brás [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202506302048</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide" />



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Maria De Lourdes De Souza<sup>1</sup>; Maria Dilmária Do Nascimento Lima<sup>2</sup>; Maria Silmara Bezerra De Assis Bispo<sup>3</sup>; Vanderléia De Lira Lopes<sup>4</sup>; Kathiane Oliveira Diniz<sup>5</sup>; Josefa Janeide Miroro Do Nascimento<sup>6</sup>; Maria Joecilde De Souza Nunes Santos<sup>7</sup>; Auriélia Coelho Isaque Floriano<sup>8</sup>; Cláudio Alencar<sup>9</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide" />



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente trabalho busca analisar a obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas” de Machado de Assis, a fim de demonstrar as críticas presente na narrativa aos hábitos das mulheres e de uma sociedade burguesa do século XIX. Esse artigo focou-se no estudo das figuras machadianas Virgília e Marcela a fim de se observar como se tornam personagens representativas de mulheres que contradizeram um sistema patriarcal. Neste sentido, busca-se compreender a relevância da figura feminina no romance, abordando personagens machadianas ambiciosas. Assim, este projeto desenvolverá uma análise comparativa entre a figura machadiana e a mulher do século XIX, com base na construção das personagens Virgília e Marcela. Dito isto, este projeto irá se fundamentar com base nos estudos de: Antônio Candido (2001), José Aderaldo Castello (1969), Afrânio Coutinho (2004), Stuart Hall (2000), Simone de Beauvoir (2009), João Décio (1986) Roberto Schwarz (19990) Ribeiro (2008). Sobre aspecto metodológico, foi realizada uma pesquisa de cunho bibliográfico e de caráter qualitativo, abordando o tema de modo explicativo e descritivo. Assim, este trabalho faz uso de um assunto que apesar de ter sido retratado em obras do século XIX, tem grande repercussão no contexto atual, por possibilitar a novos pesquisadores novos conhecimentos sobre o assunto, aguçando uma reflexão acerca da mulher atuante no cenário masculino, que mesmo sendo reconhecida por suas falhas, tem a capacidade de conseguir o seu lugar na sociedade mesmo que seja por um matrimônio ou mesmo que para isso, precise sacrificar-se de alguma forma. Acredita-se que esse estudo irá proporcionar aos alunos do Ensino Médio e aos universitários uma problematização a respeito da prostituição e adultérios, retratados nas obras literárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Sociedade Patriarcal.&nbsp; Mulheres machadianas.&nbsp; Prostituição.&nbsp; Adultério.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRAT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">The present work seeks to analyze the work &#8220;Posthumous Memories of Brás Cubas&#8221; by Machado de Assis, in order to demonstrate the criticisms present in the narrative to the habits of women and a bourgeois society of the nineteenth century. This monograph focused on the study of the Machadian figures Virgília and Marcela in order to observe how they become representative characters of women who contradict a patriarchal system. In this sense, it is sought to understand the relevance of the female figure in the novel, approaching ambitious Machado characters. Thus, this project will develop a comparative analysis between the Machadian figure and the woman of the nineteenth century, based on the construction of the characters Virgília and Marcela. This will be based on studies by Antônio Candido (2001), José Aderaldo Castello (1969), Afrânio Coutinho (2004), Stuart Hall (2000), Simone de Beauvoir (2009), João Décio (1986)) Roberto Schwarz (1999) Ribeiro (2008). Regarding methodological aspects, a bibliographical and qualitative research was carried out, approaching the subject in an explanatory and descriptive way. Thus, this work makes use of a subject that although it was portrayed in works of the nineteenth century, has great repercussion in the current context, for enabling new researchers new knowledge on the subject, sharpening a reflection about the woman acting in the male scenario, that even though it is recognized for its failures, it has the capacity to achieve its place in society even if it is through a marriage or even if it requires sacrificing itself in some way. It is believed that this study will provide students in high school and university students with a problem regarding prostitution and adulteries portrayed in literary works.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Patriarchal Society. Machado women. Prostitution. Adultery.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo pretende discutir a constituição dos perfis da cortesã e da adúltera em “Memórias de Brás Cubas”, observando como traços da figura feminina machadiana articulam-se os aspectos próprios a mulher do século XIX.  Assim, essa esta busca estabelecer uma análise estética do romance, contemplando também aspectos sociais, recriados dentro dele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo principal deste trabalho é estudar a construção do feminino na obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas e, mais precisamente, a constituição do perfil da cortesã e da adúltera na narrativa. Para tanto, baseia-se nos seguintes objetivos específicos: identificar na obra os preconceitos referentes à mulher na sociedade patriarcal do século XIX, observar como o matrimônio e o adultério são recriados   no romance e analisar a construção dos hábitos e valores morais das personagens machadianas em relação às vivências da mulher burguesa. Assim, todos esses objetivos se articulam para responder ao seguinte problema: Como se realizou a ação feminina numa perspectiva machadiana de uma sociedade burguesa do século XIX?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, este artigo é realizada com base na pesquisa de cunho qualitativo bibliográfico, no intuito de demonstrar que para a realização dessa pesquisa, foi necessário ser feito um levantamento em relação às referências teóricas que abordassem o contexto histórico da mulher burguesa do século.  Por isso, esse trabalho é de cunho qualitativo, por não se preocupar com quantidade numérica, e sim, com abordagens que visam à compreensão mais aprofunda de um determinado do universo feminino na obra de Machado de Assis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este projeto, portanto, estrutura-se da seguinte forma. É dividido na parte teórica que se estende em três capítulos e seis subcapítulos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O primeiro capítulo, um estudo teórico sobre a literatura machadiana como representativa da vivência da mulher do século XIX, é um estudo teórico sobre a literatura machadiana como representativa da vivência da mulher do século XIX, cujo objetivo busca compreender como na obra de Machado de Assis podem-se observar aspectos próprios à vivência da mulher deste século. Este capítulo é formado por subcapítulos, referentes à relevância da obra machadiana como representação dos hábitos das mulheres do século XIX. A intenção é demonstrar ao leitor como as mulheres machadianas se contrapuseram às mulheres da vivência do século XIX.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O capítulo dois, “uma análise comparativa entre as figuras femininas de Machado de Assis e a mulher do século XIX”, que se baseia numa análise comparativa entre as figuras femininas de machado de Assis e a mulher do século XIX. Seu objetivo é demonstrar como a figura feminina representada em “Memórias Póstumas de Brás Cubas” foram fontes para um discurso de contestação em relação à sociedade da época. Assim, no subcapítulo, “Uma reflexão sobre a relevância e uma discussão de identidade na literatura” que se objetiva analisar a mulher machadiana e a sua relação com um discurso patriarcal. Enquanto o subcapítulo “Dualidade identitária das personagens femininas de ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’”, irá abordar temas sobre as personalidades das personagens na obra, buscando discutir o comportamento humano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por último o terceiro capítulo “A relevância das personagens Cortesã e Marquesa em ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas” onde o foco desse capítulo é demonstrar como essas figuras machadianas tornaram-se exemplos de pessoas morais ou imorais na obra. Dito isto, essa divisão feita nos seguintes subcapítulos. O primeiro subcapítulo retrata a “Ambiguidade de Virgília dentro do casamento”, apresentando a sua dualidade de personalidade. O segundo subcapítulo, é sobre a “Representação da prostituta Marcela, no papel de uma cortesã espanhola”  onde o foco é descrever o papel relevante da personagem na descoberta sexual de  Brás Cubas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, o presente trabalho pretende ter uma relevância acadêmica e social, à medida proporciona um estudo da obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas” que estabelece uma articulação entre história e literatura, buscando desvendar a participar ativa da mulher no contexto social do século XIX. Nesse sentido, o referente estudo irá abordar uma temática contemporânea pois as figuras de Marcela e Vigília são muito atuais na sociedade conservadora e hipócrita daquela época.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CAPÍTULO 1- UM ESTUDO TEÓRICO SOBRE A LITERATURA MACHADIANA COMO REPRESENTATIVA DA VIVÊNCIA DA MULHER DO SÉCULO XIX</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente trabalho busca compreender como na obra de Machado de Assis podem-se observar aspectos próprios à vivência da mulher do século XIX. Por isso, são observados pontos de convergência e divergência entre as personagens femininas ao longo da trajetória do autor como romancista.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.1 A relevância da obra machadiana como representação dos hábitos das mulheres do século XIX</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Obra machadiana define-se por estabelecer uma crítica à sociedade burguesa brasileira do século XIX. Em seus romances, as mulheres abandonam o predominante papel de submissão próprio aos lares burgueses e tornam-se atuantes e importantes no cenário de um Rio de Janeiro em urbanização. Machado de Assis, assim, reformulou em sua obra a função das mulheres na sociedade, minando comportamentos femininos engessados por um discurso patriarcal.  Pretende-se, desta forma, demonstrar ao leitor como as mulheres machadianas se contrapuseram às mulheres da vivência do século XIX.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Machado de Assis era reconhecido por muitos pelo ser intelecto e por priorizar o seu ato humanitário e social. Antes mesmo de recriar os costumes das mulheres segundo um ponto de vista diferenciado, colocava a sua sensibilidade e inteligência à frente para, assim, criticar aqueles que não aprovam ou repudiava.Como afirma Antônio Candido (2011, p. 16):   </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Se analisarmos a sua de Machado de Assis carreira intelectual, verificaremos que foi admirado e apoiado desde cedo, e que aos cinquenta anos era considerado o maior escritor do país, objeto de uma reverência e admiração gerais, que nenhum outro romancista ou poeta brasileiro conheceu em vida, antes e depois dele.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, Machado de Assis passou por um processo de transformação de “dentro para fora”.  Como afirma o próprio Machado (ASSIS, 2013, p.432-433):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Homem do seu tempo e do seu país, ainda quando trate de assuntos remotos no tempo e no seu espaço. [&#8230;] para ser do seu tempo e do seu país, reflita certa parte dos hábitos externos, e das condições e usos peculiares da sociedade em que nasce.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Para o autor, o mundo deveria ser observado com mais clareza. O escritor, então, deteve-se a estabelecer críticas aos acontecimentos da época. Foi assim que esses fatos se reluziram no estilo de linguagem de suas obras, tornando-lhe original e universal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como diz Candido (1999, p.53) a sua obra “tem, sobretudo, a possibilidade de ser reinterpretada à medida que o tempo passa, porque, tendo uma dimensão profunda de universalidade, funciona como se se dirigisse a cada época que surge“ e a “despreocupação com as modas dominantes” (CANDIDO, 2011, p.22)”. Já José Aderaldo Castello (1968, p.30) afirma que Machado de Assis “acentua, na criação artística, o essencial e o eterno como expressão do espírito e do destino humano.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, em uma época marcada por obras indianistas e estilos falsos, Machado de Assis não se deixava levar pelos parâmetros dos outros. A sua atitude de contestação era perceptível e a sua nacionalização também. Segundo Castello (1969, p.33) evidentemente, que ele não poderia aceitar o “Realismo-Naturalismo em todo o seu fundamento ou extensão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aceitaria o princípio estético básico do realismo, segundo o qual nenhum motivo proibido em arte, mas não reconheceria os processos da sua aplicação”. Ele preocupou-se em retratar em suas obras modelos que fugiam da prática de execução realista na linguagem.  Como se nota no trecho abaixo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“A concepção de romance em Machado de Assis. Certamente ela não é formulada abrupto, mas resulta de uma experiência que se desdobra até Memórias Póstumas de Brás Cubas, quando eclode a maturidade do escritor [&#8230;]. No seu momento, o que predominava na concepção do romance era a esquematização do enredo, a composição de uma tessitura dramática apoiada a uma história com princípio desenvolvimento e fim.”&nbsp; (CASTELLO, 1969, p. 34.)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dos fatos, resumiu Antônio Candido: sua “ironia fina”, seu “estilo refinado”, suas “alusões”, seus “eufemismos” não chocavam.  Ao contrário dos naturalistas, a moral familiar, mais ainda “lisonjeava o público mediana, dando-lhes o sentimento de que eram inteligentes a preço módico”. (CANDIDO, 2004, pp. 18-19). Isso pode ser observado no fragmento:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A ambição e o clima das situações e reações configuravam-se objetivamente, com poder sobrepujante e limitador. No caso romântico ou no realista avultavam o homem e o seu comportamento equacionado com a sociedade ou com o meio. Dava-se excessivo relevo tanto à passagem física quanto à passagem social, donde a acentuada preocupação documentária e mesmo o interesse sociológico que nos oferece romance do século XIX. (CASTELLO,1969, p.34)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, nas obras de Machado de Assis, os personagens principais sempre causavam impacto, pois a contestação era um fator que incomodava a sociedade. Isso já é observado na composição das protagonistas da dita fase romântica.  </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Concebe-se o protagonista em face de situações esquematizadas ou com estereótipo de relações e conflitos humanos e sociais. No Romantismo, principalmente durante as primeiras manifestações do romance, o protagonista biparte-se nas categorias de herói e vilão, ou de bem e de mal, convergido para a justiça punitiva e reparadora. (CASTELLO,1969, p.35)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A transformação da abordagem das personagens femininas românticas já pode ser observada na obra “A Mão e a Luva”. Nela, há a apresentação de um comportamento calculista de Guiomar que pretende contrair matrimônio, focado na escolha de um esposo que tivesse uma profissão promissora. Por outro lado, ainda possui traços românticos como almejar amar o conjugue. Neste caso, apesar da ambição da protagonista, ela ainda pode ser considerada uma heroína de folhetins românticos. O comportamento romântico da personagem é descrito no desfecho do romance:  </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“Em tais condições, as ambições que se encontram podem legitimar e harmoniosamente se associarem no amor. Mas então o amor se faz conduzindo muito mais pela vontade conscientemente dirigida do que pelos impulsos espontâneos. É a Mão e a Luva.” (CASTELLO,1969, p.100)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Outro romance relevante na primeira fase do Romantismo é “Helena” que retrata o Brasil do século XIX, abordando o seu momento histórico, político e econômico. Considerada por muitos como heroína romântica, Helena representa o estereótipo da mulher “bastarda” numa sociedade elitizada. A narrativa conta a experiência da protagonista em sair da “sombra” de um lugar de minoria, passando a ser “aceita” pela “nova família” por conta de um testamento que é favorecida.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">A obra está em conformidade com o Romantismo Clássico marcado por finais trágicos. Enfatiza a dissimulação da personagem que apresenta uma vida dupla, ou seja, uma trajetória de oscilações entre o sentimento real e o falso.  Assim. Machado de Assis estabelece uma crítica às máscaras humanas, comuns numa sociedade burguesa. E Helena tenta incorporar essa máscara de uma vida de aparências, mas acaba sucumbindo e morrendo por amor, quando esta essa mesma máscara é retirada pelo amado que ela fingia ser seu irmão. Como afirma Castello (1969, p.104): “desfaz-se na morte reparadora, deixando translúcida a imagem da sua consciência e do seu coração”. Afrânio Coutinho (2004, p.24) também tem comentários esclarecedores sobre a obra:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Sua obra é dominada pelo senso estético, pelos valores estéticos. O que nela predomina não é a preocupação social, sem embargo de estar presente a imagem do social, a sociedade do seu tempo (&#8230;). Mas, a realidade, o meio, para ele, constituía apenas a base, a matéria-prima que, à imagem de todos os grandes artistas, ele transfigurava e transformava em arte. Para ele, a verdade histórica existia para ser transmutada em verdade estética.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, Memórias Póstumas de Brás Cubas é um divisor de águas na elaboração romanesca de Machado de Assis. Inicia-se o ciclo de memorialista dentro de sua fase romântica. Nele, o autor define o conceito de defunto-autor que serve ao propósito de realização do projeto realista da busca de um olhar imparcial do autor. Como afirma Castello (1969, p.18-19):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Memórias Póstumas de Brás Cubas como marco da passagem de experiência inicial da maturidade. [&#8230;] Demonstrou conhecer a doutrina dos românticos, realistas-naturalistas, parnasianos, bem como lição dos clássicos. Definiu-se então numa posição independente, mas de tal forma que a obra do ficcionista, com as qualidades que contribuem para a sua projeção na posteridade, apresenta todas as gradações do romance brasileiro do século XIX, inclusive o enraizamento histórico apoiado na tradição da língua.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Por estar morto, Brás Cubas traz pra si a maior liberdade para contar a sua vida. Logo, não poderia sofre punições sociais pelo que viesse a escrever. Por isso, Há uma realização de um autor que escreve o seu livro depois de morto, para contar suas memórias seletivas, apagando ou ressaltando determinados aspectos da vida dele. A partir do momento que as memórias associam às lembranças, a imagem e a imaginação, elas podem ser produto de ficcionalidade, estando vulneráveis ou não. </p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como ainda diz Castello (1969, p.120):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Memórias Póstumas de Brás Cubas, a sucessão e a acumulação de episódios selecionados, fixados antes pela análise do que pela exposição. Exprimindo uma experiência considerada em si mesmas, cada um deles por ser isolado sem prejuízo da sua unidade partículas. São autônomos, mas ao mesmo tempo, se aglutinam por justaposição, para englobar uma realidade, em virtude de derivarem do mesmo foco de visão e a ele se subordinarem.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma o livro se concretiza como um “romance analítico” em que o autor apresenta os fatos de sua vida para melhor analisar não só a si mesmo, mas a classe burguesa da qual fez parte e a humanidade, estabelecendo uma forte crítica e existencial. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Dom Casmurro é também um romance memorialista. É narrado em primeira pessoa por um personagem-autor, sendo conhecido como o “romance da dúvida”. O livro gira em torno do objetivo do narrador reativar o ideal afetivo ou da ilusão que se perdeu em um dado momento. Assim, Castello (1969, p.150) comenta:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O romance exprime conflita atroz e insolúvel entre a verdade subjetiva e as insinuações de alto poder de infiltração, gerados por coincidências, aparências e equívocos, imediata ou tardiamente alimentados, por intuições. Daí o deslocamento entre ângulos opostos, mas justapostos, de visão da realidade objetiva e de revisão da realidade subjetiva.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O livro se estrutura por memórias subjetivas de um homem apoderado pelo ciúme por conta da “dissimulação” da esposa, já revelada na juventude. Assim, o livro gira em torno de Capitu, definido como “a ambição calculada e a dissimulação pronta, rápida e segura” (CASTELLO,1969, p.152). Sendo estereotipada como mulher formosa, livre e que governa a própria vida, Capitu realiza-se como uma pessoa moral, à medida que demonstra uma psique humana complexo, cujo caráter é caracterizado pelo mistério.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dúvida do texto é que realizado por um narrador-personagem cujo extremo ciúme acaba por produzir uma adúltera realizada por indícios, alimentados pela dissimulação e ambição feminina que acabam por estereotipar a mulher como falha em suas condutas morais e conjugais. E essas são uma das características bem marcantes das mulheres machadianas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A obra de Esaú e Jacó é uma narrativa baseada em ódio e contestação. Os gêmeos Pedro e Paulo são diferentes no temperamento e na impulsividade. A personagem Flora (CASTELLO, 1968, p.162) “surgirá como espelho e vítima inconsciente desse conflito involuntário. E a configuração do mundo afetivo da jovem repousa no ideal amoroso da síntese dos dois irmãos.” Com o sentimento em constante oscilação pelos dois irmãos, a personagem teria que sofrer por escolher sobre a individualidade de cada um de maneira inconsciente e não consciente. Desse modo, a personagem Flora é um marco para obra machadiana, pois se ela decidisse sobre Paulo ou Pedro, perderia o encanto na obra.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Impossível ao mesmo tempo uma Flora satisfeita com o seu noivo e um Machado de Assis dormindo sobre a cama boa das certezas (&#8230;) Para Flora, os dois astros incompletos eram Pedro e Paulo. Para Machado de Assis toda a função do pensamento consistia nessa oscilação, nessa neutralização de duas forças iguais e contrárias (MEYER, 1952, p.42).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Por não se decidir sobre quem dos dois escolher, Flora, acaba sendo qualificada por muitos críticos como uma personagem machadiana louca, tornando um personagem com densidade psicológico e sendo o ponto para a construção dos gêmeos, além de se tornar o motivo principal das possíveis desavenças e desentendimentos de ambos.  Porém, nem mesmo a sua morte, foi capaz de trazer calmaria para os dois e mudança de caráter e personalidade.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Ela [Flora], que deve identificar-se com uma ou com outra, se sentiria reduzida à metade se o fizesse, e só a posse das duas metades a realizaria; isto é impossível, porque seria suprimir a própria lei do ato, que é a opção. Simbolicamente, Flora morre sem escolher (Cândido, 2004:26).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Memorial de Aires continua seguindo os passos do realismo machadiano por ser escrita em primeira pessoa e narrada pelo Conselheiro Aires, no formato memorialista. Diferente das outras obras machadianas, “Memorial de Aires, seria a da perfeição buscada e alcançada. É caracterizada no personagem-memorialista pela superior serenidade interior, repousada no respeito, na compreensão e complacência.” (CASTELLO,1969, p.130). É nela que é encontrada equilíbrio da vida afetiva com a vida moral e o possível amadurecimento de Machado de Assis ao apontar o Conselheiro Aires:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“A convicção intima que ele amadurece, progressivamente com raízes nos próximos contos, crônicas, romances, etc&#8230;, converge para a posição superior do Conselheiro de Aires que final e definitivamente nos empresta o ângulo de visão daquele império da incomunicabilidade e da solidão e sugere a possibilidade do homem conciliar-se com a sua própria condição.” (CASTELLO, 1969, p.164)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta Obra, a mulher recebe uma conotação positiva que já foge à perspectiva realista machadiana, pois as personagens seguem o modelo tradicional de mulher fiel e amorosa. Em seu diário, Aires descreve os acontecimentos das personagens que foram marcados por ternura e choros de amor.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“O que avulta são as sugestões oferecidas no Memorial de Aires pelo casal Aguiar e pelo consórcio da viúva Fidélia com Tristão. O ultimo é o começo que se dá ao fluir da ilusão, o primeiro é o seu ciclo já preenchido harmoniosamente.” (CASTELLO 1969, p.165)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">É de acordo com esses teóricos e obras de Machado de Assis que percebemos a abrangência e a riqueza dos seus passos até o amadurecimento do escritor, pois as transformações das suas obras surgiram de formas cronológicas. No entanto, embora as mulheres da prática fossem diferentes das mulheres Machadianas ficcionais, não tem como não reparar nas críticas que todas as suas obras traziam. Em Helena, trouxe a ambição e o uso de máscaras como tragédia de um romance clássico; em A Mão e a Luva, Guiomar foi uma personagem calculista e que se colocava em primeiro lugar, atestando um romance de liberdade e não prisional; Capitu, com a sua dissimulação e o presente “adultério” narrado por Bentinho e por fim as mulheres retratadas em Memorial de Aires, as que não seguiam o modelo Machadiano e foram bem tradicionais no quesito amor e fidelidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CAPÍTULO 2 &#8211; UMA ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE AS FIGURAS FEMININAS DE MACHADO DE ASSIS E A MULHER DO SÉCULO XIX</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O capítulo a seguir busca fazer uma reflexão sobre as figuras femininas presentes na obra de Machado de Assis em consonância com as vivências da mulher do século XIX. Nesse aspecto, o foco será demonstrar como a figura feminina representada na obra serviu de base crítica e contestação para a sociedade da época.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 Uma reflexão sobre a relevância e uma discursão de identidade na literatura</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabe-se que a Identidade é uma extrema busca de transição. Não é estética, mas sim uma construção. À medida que o tempo passa os indivíduos contribuem para a construção de sujeitos, numa relação de influências contínuas. Nesse processo, Machado de Assis realizou uma obra, marcada por uma nova representação da figura feminina. Assim, essa subcapítulo objetiva analisar a mulher machadiana e a sua relação com um discurso patriarcal. Segundo Stuart Hall (2000, p.39):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Ao invés de falar de identidade como uma coisa acabada, deveríamos falar de <em>identificação </em>e vê-la como um processo em andamento. A identidade não surge apenas da plenitude da identidade que está dentro de nós como indivíduos, mas de uma falta de inteireza que é ‘preenchida’ a partir de nosso exterior, pelas formas através nos imaginamos ser vistos por outros.&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, a identidade é definida como um processo. Durante o seu processo de construção identitária, os sujeitos sempre se apoderam de novos valores, fornecidos por relações sociais com outros indivíduos. Assim, a identificação é um processo que acarreta uma constante variabilidade dos sujeitos. É nisto que se enquadra a “identidade relacional”, pois, como o nome já diz, está de acordo com as relações de aceitação ou de exclusão entre os indivíduos.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Castells (2004 a<em>pud </em>SOUZA, 2012), “toda identidade é uma construção social e cultural que ocorre sempre em contextos marcados por relações de poder”. Foram nestes aspectos que Machado de Assis fundamentou as suas obras, pois, o papel feminino em seu enredo foi enaltecido e elevado por personagens atuantes e importantes, enquanto o papel masculino, muitas vezes, era coadjuvante.  Segundo Rutherford (1990, p.19-20) “a identidade marca o encontro de nosso passado com as relações sociais, culturais e econômicas nas quais vivemos agora [&#8230;] a identidade é a intersecção de nossas vidas cotidianas com as relações econômicas e políticas de subordinação e dominação”. E sobre essas relações, ainda explica:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Identidade é a fonte de significado e experiência de um povo. [&#8230;] No que diz respeito a atores sociais, entendo por identidade o processo de construção de significado com base em um atributo cultural, ou ainda, um conjunto de atributos culturais inter-relacionados, o(s) qual(ais) prevalece(m) sobre outras fontes de significado (CASTELLS, 2002, pág. 22).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A formação da identidade ocorre também como algo pessoal, pois na modernidade ela não se torna fixa, mas plural. É o que acontece com as identidades sociológicas. Logo, observa-se uma classe dominante e determinante de outras classes nas relações identitária:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A consciência de que o núcleo interior do sujeito não era autônomo e suficiente, mas era formado na relação com ‘outras pessoas importantes para ele’, que mediavam para os sujeitos, valores, sentidos e símbolos- a cultura- dos mundos que ele/ela habitava. &nbsp;(HALL, 2000, p.11).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Levando em consideração esses dados, nota-se que em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, a classe social dominante era a patriarcal. Porém, isso não foi um obstáculo para as personagens femininas Marcela (a prostituta de luxo) e Virgília (a adúltera). Acredita-se que eram personalidades móveis, tal qual é explicado por Hall (1999, p.13):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;A identidade torna-se uma “celebração móvel”: formada e transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos representados ou interpelados nos sistemas culturais que nos rodeiam (..). É definida historicamente, e não biologicamente. O sujeito assume identidades diferentes em diferentes momentos, identidades que não são unificadas ao redor de um “eu” coerente. Dentro de nós há identidades contraditórias, empurrando em diferentes direções, de tal modo que nossas identificações estão sendo continuamente deslocadas.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Partindo desse pressuposto, percebe-se que a Identidade feminina sofreu um processo de transformação já no século XIX, marcado por uma guerra de conflitos culturais, políticos e econômicos. Nessa época, a mulher só tinha uma função, servir pai, marido e, por conseguinte, a sociedade.  Desde muito nova, a mulher seria treinada para ser modelo de “esposa perfeita para o marido”. Para isso, deveria  ser adestrada  para exercer o papel de “boa esposa” e  de “boa mãe”.  Assim, aprenderia os dotes de uma “mulher do lar” que se conforma a ter funções domésticas bem estabelecidas: costurar, cozinhar e tocar algum instrumento.  </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O homem está para a mulher como a mulher para a criança; ou o poder para o ministro como o ministro para o súdito”, escreve Bonald. Assim, o marido governa, a mulher administra, os filhos obedecem. O divórcio é naturalmente proibido e a mulher é confinada ao lar. As mulheres pertencem à família e não à sociedade política, e a natureza as fez para as tarefas domésticas e não para as funções públicas afirma ainda Bonald [&#8230;] (BONALD, Data <em>apud </em>BEAUVOIR, 2009, p.167).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Esse tipo de comportamento é influenciado por um discurso patriarcal. Segundo Barreto (2004, p.64), nesse sistema há “uma autoridade imposta institucionalmente, do homem sobre mulheres e filhos no ambiente familiar, permeando toda organização da sociedade, da produção e do consumo, da política, à legislação e à cultura.” Esse poder era exercido pelo homem, que não necessariamente seria apenas imposto à mulher, mais que também, a qualquer classe desfavorecida. Como afirma Sérgio Buarque de Hollanda (1981, p.49), o patriarcalismo no Brasil se acentua no domínio rurais onde a “família é organizada segundo normas clássicas do velho direito romano-canônico, mantidas na Península Ibérica através de inúmeras gerações, que prevalece como base de toda a organização brasileira”. Nesse sistema, a mulher transitaria de uma casa para outra. Isso também aconteceria de uma mão para outra.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] O privilégio econômico detido pelos homens, seu valor social, o prestígio do casamento, a utilidade de um apoio masculino, tudo impele as mulheres a desejarem ardorosamente agradar aos homens. Em conjunto, elas ainda se encontram em situação de vassalas. Disso decorre que a mulher se conhece e se escolhe, não tal como existe para si, mas tal que o homem a define. Cumpre-nos, portanto, descrevê-la primeiramente como os homens a sonham, desde que ser para os homens é um dos elementos essenciais de sua condição concreta (BEAUVOIR, 2009, p.203).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, quando se fala em “mulher realista”, é notória a transição do papel feminino para a vivência da mulher daquela época, pois, essa figura nas obras de Machado se sobressai por transitarem de uma postura de submissão para um papel de maior importância na própria constituição das relações matrimoniais. Como afirma João Décio (1986, p.46) “as figuras femininas mudam radicalmente de sentido para se afirmarem como caracteres mais integrais e por isso mesmo mais humanos.” Contudo, além de serem atuantes nesse cenário, as narrativas de Machado não retratam atos de punição quando a mulher impõe a sua vontade sobre valores impostos a ela pela sociedade. Como afirma João Décio (1986, p. 47) que Capitu do Dom Casmurro, Virgília de Memórias Póstumas de Brás Cubas, Sofia do Quincas Borba constituem novidades como figuras literárias, mas novidades no sentido autêntico, mulheres diferentes de todas as outras surgidas em romances brasileiros anteriores e contemporâneos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A figura feminina é representada nos romances de Machado de Assis como personagens principais. O gênero masculino que antes era considerado por muitos, padrão, é substituído em Machado de Assis pela mulher: corajosa, determinada e ambiciosa. Assim, Décio afirma que (1986, p.48) o “instinto parece representar nos tipos femininos do romance realista de Machado, o principal fator que leva a mulher a atos menos enobrecedores do caráter, já que, como dissemos, não há o ato punitivo para as mulheres.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">O escritor utilizou de arquétipos para construção das suas personagens e as recriou como representação dos atos sociais e econômicos registrados na época. Dito isto, não deixou de demostrar em suas narrativas que o amor idealizado ficou para trás, imperando agora o “amor convencional”. Essa passa a ser o sentimento burguês que dava às personagens machadianas poder e ascensão social, deixando de serem prisioneiras do seu marido por questões financeiras. E assim, em suas narrativas, o adultério era bastante cometido.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Em Quincas Borba, o adultério está latente em Rubião e Sofia, mas não consegue se impor, mais por vacilação da segunda que do primeiro. O romancista traça a heroína dentro de uma linha que conduziria àquele ato, não fosse a dubiedade na ação. O fato, todavia, dela não consumar o ato, não lhe confere qualquer grandeza moral. Em intenção ela adulterava com outro também, veja se, para confirmar o que dizemos sua atitude com relação a Carlos Maria. (DÉCIO,1986, p.48)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">As narrativas de Machado de Assis eram marcadas por personagens femininas que não se enquadravam na sociedade tão facilmente, já que “obedecer” a algumas regras não fazia parte da conduta da mulher machadiana. Um exemplo é a protagonista Capitu em “Dom Casmurro”. Segundo Meyer (1986, p.22), a protagonista “é profundamente mulher, sem dúvida, mas é, sobretudo profundamente viril pela energia intorcível, pela audácia pertinaz, pelo senso da ação, por saber ser em tudo e por tudo o conquistador e não a conquistada”. Enquanto Bentinho, por mais que seja o narrador da história, acaba sendo apenas um personagem, já que é Capitu quem conduz toda ação. Ainda conforme Meyer (1986, p. 222), Capitu “também empreendeu a conquista das Gáleas com as armas femininas de que dispõe nessa luta surda entre a ambição e os preconceitos sociais”. Já Eugênio Gomes (1967, p.102) afirma:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Submeti da a um processo sagacíssimo de despersonalização, que duplica os atrativos da mulher incorporando-a, simultaneamente com o mar, ao mito do Eterno-Feminino. A metáfora-adjetivo – “olhos de ressaca” – tem, afinal, efeito preconcebido sobre a psicologia de Capitu muito característico da realidade oscilante da obra, produto de uma imaginação que o pseudo-autor designa com outra metáfora da mesma filiação: “égua ibera”. E ambas as metáforas são inteiramente responsáveis pelo subjetivismo tendencioso e unilateral disseminado por toda a narrativa.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a narrativa é marcada entre o ciúme e o amor de Bentinho pela amada, entre o excesso de desconfiança e os ciúmes. São esses temas que fazem da protagonista um retrato “emblemático”, cuja trajetória se divide entre a “força” e a “ferida”.  Contudo, assim como outras personagens, no caso Helena, Capitu não vinha de uma família rica. Precisava de um casamento para ter a devida ascensão social.  Porém, não se obteve apenas a isso. Foi autêntica quando não confessou, se houve ou não o adultério com o vizinho que se apaixonou por ela.  No entanto, João Décio (1968, p.51) afirma que Bentinho “apresenta talvez o maior drama de todas as criaturas machadianas. Vê desmoronar o mundo de ilusões que criou, por um simples ato da mulher amada, totalmente inesperado aliás e mesmo misterioso na obra, o adultério.” Neste caso, o silêncio de Capitu custou caro, pois foi alvo fácil para Bentinho falar e insinuar incertezas do seu caráter, pois, se não há contestação da vítima, o narrador dita as “verdades” que assim lhe couber.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A desigualdade de espírito e de modo de conduzir a vida separou Bentinho de Capitu bem como a igualdade de gênio, pelo menos num determinado momento, uniu esta a Escobar. Mesmo aqui, sem forçar, podemos sentir certo fatalismo a conduzir a figura de Capitu para o adultério, visto que em pouquíssimos momentos nossa heroína deixa transparecer seu pecado e em nenhum instante apresenta qualquer drama moral. (DÉCIO, 1968, p.51)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, as personagens femininas se realizam como típicas “pessoas morais”, à medida que possuem uma psique própria com formas particulares de pensar e agir. Virgília é a representação da complexidade humana. A jovem expressa à ambição tipicamente burguesa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É conhecida por muitos como a “ambiciosa” e “manipuladora”. Importava-se muito com as aparências e tinha a plena convicção de que o seu casamento não seria por amor, mas sim por conveniência, pois não deixaria jamais a sua vida de conforto e luxo para viver sendo modelo romântico. No entanto, mesmo sendo casada com Lobo Neves, não abdicaria da segurança do seu casamento para viver o amor que sentia por Brás.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Isto revela, inicialmente, um profundo egoísmo de Capitu, aliás, desde o início, de Dom Casmurro, uma criatura fria e calculista por excelência. Parece, por outro lado, ser Virgília a criatura feminina que a vida colocou em situação mais difícil, eis que mãe de um filho, mas completamente dissociada do marido, encaminha-se fatalmente para o adultério. (DÉCIO, 1968, p.52)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A personagem atuante era tida como determinada e tinha um grande poder de persuasão. Foi assim que ela conseguiu “manipular” tanto o marido, quanto a Brás Cubas por sua beleza estonteante.  No entanto, além de viver uma vida conjugal, Virgília também conseguiu o seu momento de honra um título de nobreza, que foi o de marquesa as sombras do seu marido. Assim, fica evidente que o papel feminino marcado nessa narrativa é o de que, a sua grande ambição foi fator principal para obter visibilidade e reconhecimento social, desconstruindo totalmente a ideia de que a mulher só poderia ter papel de “dona de casa”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, sem querer se desfazer da sua vida confortável, na sua fase madura, o adultério como chagas da família burguesa, foi cometido por ela, uma mulher que se impõe como a dona do seu próprio corpo. Como afirma Décio (1968, p.55) “Virgília cede abertamente, vindo a adulterar com Brás Cubas. Atitude errada, sem dúvida, mas ela não nega nem renuncia a seu amor; pelo contrário, embora mãe de um filho, passa a viver com a pessoa amada, apesar dos preconceitos sociais.”</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Ao término da leitura de Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba uma impressão nos fica: os tipos masculinos convencem como figuras humanas, mas os femininos não, porque incompletos, insensíveis, vazios e embora estejamos procurando fazer uma análise de como a obra é, gostaríamos deque ela fosse melhor, mais completa. E&#8217; evidente que Machado conhecia muito mais a psicologia masculina que a feminina, mas isto não justifica a parcialidade com que trata a mulher, conferindo tão somente a ela, elementos negativos do caráter. (DÉCIO, 1968, p. 56-57)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, como afirma Décio (1968, p.46) “figuras femininas como Capitu, Sofia e Virgília guardam entre si certas semelhanças de raiz, embora divirjam em certos elementos do caráter.” Neste caso, dentre tantas reflexões de identidade e adultério praticados pelo papel feminino vale destacar que Machado de Assis apenas instigou o leitor a perceber que, por mais que essas personagens fossem ambiciosas, audaciosas e destemidas, não deixaram de viver suas vidas em prol de uma sociedade omissa e preconceituosa. Dessa forma, fizeram suas escolhas e foi mulheres corajosas o suficiente para assumir consequências dos seus atos, mesmo que estes deixassem marcas por toda uma trajetória.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 A dualidade identitária das personagens femininas de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este subcapítulo irá se desenvolver com base na construção da figura feminina, representada na obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, a fim de analisar personagens que contribuíram para a construção do modelo machadiano feminino, realizado na narrativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O enredo é construído pela visão de um homem a respeito da condição da mulher. No entanto, uma das características marcantes na obra de Machado é a sua visão de “pessoa moral”, em que o objeto principal é o comportamento humano. Assim, a moral corresponde à identidade, personalidade e o caráter. Neste aspecto, as figuras femininas são caracterizadas por serem dissimuladas, ambiciosas, pretensiosas, caprichosas e eróticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira narrativa de “amor” vivenciada por Brás Cubas é no lugar chamado Cajueiro. Ela retrata a sua paixão pela cortesã espanhola “Marcela”. É o primeiro caso de amor de Brás Cubas, rotulado como a “Prostituta de luxo da Elite”, por possuir as seguintes características: ser sensual, mentirosa, amiga de rapazes e do dinheiro. Segundo Schwarz (1990, p.49), ela foi para Brás seu “primeiro cativeiro— uma paixão ‘impura’, por uma espanhola de vida alegre — coincide com os festejos da Independência, paradoxo que não é fortuito.” Foi desse modo que a personagem foi retratada na história, por ter uma marcante identidade de interesse, ambição e dissimulação, pois não aceitaria dos “companheiros” menos do que merecia. Neste caso, eram as joias e objetos de valor, que ela guardava numa caixa prateada com muito carinho e deslumbramento.  Conforme Ribeiro (2008, p.256-257)</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A relação com Marcela, que o inicia nos mistérios do amor, tem características marcadamente românticas. É o jovem bem-nascido que se apaixona pela moça de vida fácil, ao invés de apenas desfrutar de seus préstimos, como determinava a moral do sistema. Lances de emoção e suspense, desperdício de recursos e planos insensatos levam o pai a transferi-lo, à força, para Coimbra: forma de afastá-lo de Marcela e proporcionar-lhe a indispensável formação bacharelesca.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, havia muito mistério na cortesã, pois, por mais que sua dissimulação fosse à chave de acesso para seu comportamento de ambição diante dos rapazes, inclusive Brás, não gostava de ser chamada de interesseira por causa disso. Desde muito nova aprendera a se virar como pôde, e assim, não poderia se deixar levar por romances ou aventuras sentimentais, pois tais práticas não se enquadravam na sua vivência de cortesã. Além de ter plena convicção do seu lugar na sociedade, ela era um modelo típico de mulher que não sonhava com casamento e muito menos ansiava um amor duradouro. Embora fosse retratada pelos homens como a “linda Marcela”, sempre deixou claro, que eles só a mimavam com presentes caros como: joias, seda e objeto de valor, e não com carícias amorosas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, a personagem foi linear a obra toda. Não deixava de demonstrar sua personalidade volúvel e ambiciosa, apesar de ser rotulada pela sociedade como prostituta por seguir um modelo feminino de pessoa que escolhe trocar carícias por algo que gostasse como dinheiro ou presentes. Desse modo, Marcela representa o arquétipo da mulher interesseira e sem moral. É a representação simbólica da prostituta, cujas relações são movidas por dinheiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, surge mais um modelo machadiano oposto a Marcela, Eugênia. Seu nome significa “bem-nascida”, mas é nomeada na narrativa como a “flor da moita”, por ter sido fruto de uma relação amorosa “ilícita” e “adúltera”, atrás de um “arbusto” ou “moita”. Como afirma Schwarz (1990, p.55):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A flor da moita, em cujo encanto não entra artifício e linhagem, é uma figura cara às Luzes, ao Romantismo e ao sentimento democrático da vida. A expressão serve de título a um passo capital das Memórias, onde, todavia ela traz um segundo sentido, contrário ao primeiro. Designa com desprezo a moça nascida fora do casamento, concebida atrás do arbusto, por assim dizer no matinho. O conflito das acepções resume o teor ideológico do episódio, ao passo que a grosseria do trocadilho anuncia os extremos a que a narrativa irá.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Essa história foi vivenciada no bairro da Tijuca, onde Brás se abrigou na casa de D. Eusébia, qual ele há muito tempo havia presenciado um beijo atrás do arbusto com Doutor Vilaça. Porém, ao entrar na casa, se admira com a beleza de Eugênia:  uma menina aparentemente angelical, meiga e sem resquícios de luxo, diferente de outras moças que ele conhecera. Logo, ela seria o modelo de mulher ideal para ele naquele dado momento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme Schwarz (1990, p. 56), Brás Cubas aprecia “a dignidade da menina, superior ao nascimento irregular e à situação precária, e corre o risco de ‘amar deveras’, quer dizer, de igual para igual, e casar.” Vale ressaltar que no mesmo lugar em que Eugênia foi concebida, assim também aconteceu o seu primeiro beijo em Brás Cubas, consentido por ela. No entanto, isso não lhe tirou o valor de uma menina pura e digna, mesma que tenha nascida fruto de um adultério. Contudo, depois de um tempo olhando a moça de semblante triste e timidez presente, observou que ela coxeava de uma perna e perguntou-lhe o que de fato seria, e obteve a seguinte resposta. “sou coxa de nascença”. Sobre isso João Décio (1968, p.54) afirma:  </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Como vemos, Machado confere às suas personagens alguns defeitos de raiz que conduzem naturalmente ao caos, eis que às criaturas não é conferida a mínima possibilidade de salvação eis que raramente as personagens principais encontram outras de valor moral que poderiam ser a tábua de salvação de suas vidas. É o caso de Eugênia nas Memórias Póstumas que sendo uma jovem perfeita, a ela Machado conferiria um defeito físico, o ser manca.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, na narrativa é possível observar uma presente ironia no que diz respeito à deficiência física da personagem, pois, naquela época tal incidente impedia a moça de ter um casamento promissor, visto que a sociedade em si era preconceituosa e hipócrita, e não dava o direito a uma “coxa” de ter a ascensão social garantida pelo casamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como se nota na seguinte afirmação de Schwarz (1990, p.59-60):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O defeito físico de Eugênia. Com efeito, além de bastarda e sem posses, a menina é coxa. Observe-se todavia que o rapaz não se dá conta do defeito senão tarde, quando a dignidade da criatura pobre já o havia incomodado ao ponto de fazer que ele a abatesse em efígie. Noutras palavras, a lógica e o desfecho do episódio fixaram-se em função de inferioridades sociais, e a imperfeição não afeta a marcha da situação. Não obstante, será ela. Uma desfaçatez de classe inferioridade física, o pivô das cogitações do moço. Este despejará sobre a deformidade natural os maus sentimentos que lhe inspira o desnível de classe, e, mais importante, verá a iniquidade social pelo prisma sem culpa e sem remédio dos desacertos da natureza.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, a moça tinha semblante triste.  Ela onde era o seu lugar na sociedade. Apesar de ser linda e comportada era também “[&#8230;] dissimulada, aliás, como qualquer mulher, na opinião do narrador. E não só dissimulada, mas de uma ‘tartufice profunda’”. (RIBEIRO, 2008, p. 273). Esses fatores não eram o suficiente para lhe garantir um amor sólido.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;A sua oportunidade no caso é patente, já que a situação social da moça é um problema de consciência para o rapaz, ao passo que o defeito físico é um dado definitivo e, neste sentido, confortador. As coisas, porém são mais enredadas, pois é claro que a perna defeituosa tampouco impediria Eugênia de ser uma esposa perfeita Noutras palavras, se o universo fosse ordenado razoavelmente, moças coxas (pobres) não seriam bonitas, e moças bonitas não seriam coxas. (SCHWARZ 1990, p. 60-61)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A narrativa “Memórias Póstumas de Brás Cubas” é marcada por duras críticas a sociedade burguesa e patriarcal da época, pois, a aparência é a base para ter um futuro promissor. Entretanto, a personagem Eugênia por ser “coxa” não poderia jamais sonhar com um matrimônio, já que o seu “defeito” é visto por muitos como algo vergonhoso e doloroso. Propp (1992, p. 36) afirma que “(&#8230;) o riso torna-se impossível quando percebemos no próximo um sofrimento verdadeiro.” Assim, conclui Ribeiro (2008, p.262):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Pobre Eugênia, massacrada, enganada, tripudiada e, ainda por cima, acusada de dissimulação e de hipocrisia. Mais uma vez, por quem? Justamente por Brás Cubas que, no Capítulo XIV / O primeiro beijo, narra a sua primeira experiência, com Marcela — esta sim, moça de vida fácil — em que, aproveitando-se de uma distração, rouba-lhe o primeiro beijo de sua vida. Da prostituta, ele rouba; Eugênia entrega-o a ele, como uma honesta devedora&#8230;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, na história da humanidade em “Esaú de Jacó” há uma desconstrução de sentido no que diz respeito a uma “deficiência física”, pois esse ato foi um troféu de honraria para Jacó, cujo nome significava “aquele que segura pelo calcanhar” porque no ato do nascimento ele estava segurando o calcanhar do teu irmão gêmeo Esaú.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A narrativa registra a traição de Jacó perante o seu irmão Esaú, pois era seu primogénito quem deveria receber a benção de Deus concedida pelo o seu pai Isaque, mais foi Jacó quem foi abençoado por engano. Porém, logo após esse ato errôneo, ele teve que sair de casa por ter sido jurado de morte pelo seu irmão mais velho. Então, Jacó partiu-se da sua casa para outras terras em Gênesis (27:31) “Foge para Labão, meu irmão, em Harã. E terás de morar com ele por alguns dias, até que se acalme o furor de teu irmão até que a ira do seu irmão se desvie de ti e ele tenha esquecido o que fizeste.” Logo após essa passagem, ele construiu uma família: duas esposas, muitos filhos e um rebanho vasto, mais a benção não lhe trouxe a consagrada paz, pois seguia com um único objetivo, desculpar-se com Esaú pela traição que fizeste em ter tomado dele o que era de direito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, assim com tudo na vida que não é conquistado e sim roubado, tem um preço, e Jacó pagou caro por isso.  Porém, antes de a se encontrar com o seu irmão e obter o perdão pelo seu ato falho, ele teve uma contenda com um anjo. Em Gênesis (32:21):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Finalmente, Jacó ficou sozinho. Um homem começou então a engalfinhar-se com ele até subir a alva! Quando não viu que não tinha prevalecido contra ele, então lhe tocou na concavidade da articulação da coxa, e a concavidade da articulação da coxa de Jacó deslocou-se enquanto se engalfinhava com ele.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A partir desse momento, percebe-se como foi à vivência de Jacó, pois foi depois de lutar com o anjo, anjo esse que não conseguiu subjuga-lo e não arrancar dele a benção de Deus, que teve o nome mudado, pois não seria mais referenciado como Jacó, o traidor, egoísta e astuto, porque agora teria seu nome mudado. Segundo em Gênesis (32:28) o anjo falou “Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; pois contendeste com Deus e com homens, de modo que por fim prevaleceste.” Após essa confirmação, Jacó caminhava manquejando devido a sua coxa com a certeza de que, não foi o seu amor por sua esposa e nem pelos rebanhos, mais sim, a sua aliança com Deus, que o tornou honrado e digno de ser perdoando pelo seu irmão Esaú e chamar-se Israel “aquele que luta com Deus”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, é observável a ironia numa dada situação da Obra, pois Eugênia tem a personalidade construída por um parente paradoxo “Bela e Coxa” que nada mais é do que a uma ironia para uma sociedade hipócrita e dependente de padrões de beleza estabelecidos. Como se nota abaixo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A ironia na perspectiva romântica caracteriza-se pela existência de uma contradição primordial: a distância entre o ideal e o real. Os seres humanos têm a capacidade de idealizar as situações da vida, que logo se mostram ilusórias. Nesse sentido, a ironia é triste e muitas obras do Romantismo têm um final trágico. Aqui surge outro aspecto da ironia que é o fato de alguém ser vítima dela, isto é, vítima de circunstâncias, eventos, ou até de ingenuidade (GAI, 2008, p.3)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, fica evidente que Eugênia é a única personagem feminina de caráter integro e também a única que é abandonada por Brás Cubas por conta do seu defeito físico. O que revela a forte crítica à burguesia existente no texto, marcado pela ideologia das aparências: Brás é a expressão de que para o burguês e para o ser humano de um modo geral, é mais importante a capa que vai causar elogios do que a própria essência que sustentará uma relação de amor sólido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As personagens femininas de Machado de Assis, diferente de outros autores, são criadas não como objeto de posse masculino, mas como atuantes. Sobressaem-se na narrativa tendo muita importância com o papel da mulher, sendo peça fundamental de uma sociedade em construção. Logo, Machado de Assis consegue expressar, não só marcas do feminino naquela sociedade patriarcal agindo no espaço masculino, mas também, vislumbrar a essência do ser humano através da moral feminina que reflete no caráter e personalidade de Virgília.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse momento, o escritor atrela-se ao Realismo reflexivo em que mantém diálogo honesto com o leitor, tratando questões sociais e emocionais de uma maneira objetiva. Ele não faz críticas apenas à sociedade, mas também à ação em que cada um desempenha na sua vivência. Como afirma Schwarz (2000, p.11) que, o dispositivo literário capta e dramatiza a estrutura do país, transformada em regra de escrita. E, com efeito, a prosa narrativa machadiana é das raríssimas que pelo seu mero movimento constituem um espetáculo histórico-social complexo, do mais alto interesse&#8230;  </p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Já Alfredo Bosi afirma (2007, p.11):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O objeto principal de Machado de Assis é o comportamento humano. Esse horizonte é atingido mediante a percepção das palavras, pensamentos, obras e silêncios de homens e mulheres que viveram no Rio de Janeiro durante o Segundo Império. A referência local e histórica não é de somenos; e para a crítica sociológica é quase tudo. De todo modo, pulsa neste quase uma força de universalização que faz Machado inteligível em línguas, culturas e tempos bem diversos do seu vernáculo luso-carioca e do seu repertório de pessoas e situações do nosso restrito oitocentos fluminense burguês. Se hoje podemos incorporar à nossa percepção do social o olhar machadiano de um século atrás, é porque este olhar foi penetrado de valores e ideais cujo dinamismo não se esgotava no quadro espaço-temporal em que exerceu.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Neste caso, temos a personagem Virgília, uma figura marcante do enredo, que além de ter alta beleza, é manipuladora, dominadora, determinada e convicta dos seus desejos pessoais, pois tem presente ambição de ser Marquesa ou Baronesa, uma visão que é extremamente moral. Entretanto, a representação da complexidade humana nessa personagem é apresentada em três fases na obra de Memórias Póstumas de Brás Cubas: juventude, maturidade e velhice.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na juventude, ela é marcada como uma jovem bela, “atrevida”, “fresca”, “clara”, um anjo com lindas vestimentas. Foi respectivamente nessa fase dos 15 ou 16 anos que conheceu Brás, cujo pai dele já tinha interesse em fazer o casamento dos dois, a fim de torná-lo deputado através da influência do futuro sogro.  É sabido por muitos que o casamento era a única possibilidade de ascensão social para as mulheres e era apenas deste modo que a mulher conseguiria seu lugar na sociedade e, para obter uma vida memorável, e é basicamente nessa fase, que a atitude da moça expressa a ambição tipicamente burguesa em já ter o seu desejo muito bem marcado, só faltava conquistá-lo ao tornar-se Baronesa.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">É certo que relatos dos cronistas, viajantes e historiadores do período nos exibem um quadro em que a menina ou mulher candidata ao casamento é extremamente bem cuidada, é trancafiada nas casas etc. (&#8230;) Todavia, essa rigidez pode ser vista como o único mecanismo existente para a manutenção do sistema de casamento, que envolvia a uma só tempo aliança política e econômica (D’INCAO,2008, p.235).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Após 20 anos, a fase marcada pela maturidade, Virgília se transforma em “diabrete angelical”, pois não se casou com quem tanto amava Brás, mais sim com Lobo Neves, pessoa de grande influência no meio social. A personagem foi caracterizada na obra como uma “dama volúvel” que sabe mais do que ninguém escolher a conformidade de uma vida, do que um amor de preocupações. Deste modo à moça já tinha traços de ambição quando numa conversa, deixou claro o seu desejo de tornar-se marquesa e assim ter uma vida sólida ao olhar da política social. Pois, ela sabia o peso de uma mulher solteira naquela época.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Virgília, contrariamente aos cavalheiros, não é uma figura diminuída. Também ela faz questão do bom e do melhor, em que se inclui as audácias da elegância moderna tanto quanto as vantagens da situação tradicional. Brilho mundano, um pouco de agnosticismo, galanteios românticos, liberdade no amor ─ sem prejuízo de vida familiar sólida, consideração pública, oratório de jacarandá no quarto, reputação imaculada, privilégio. Ocorre que a busca simultânea destes benefícios contraditórios diminui os varões, pois lhe tira o credito à gravidade moral, assentada sobre a presunção de consistência (&#8230;) Virgília, posta diante de uma alternativa, escolhe os dois partidos. (SCHWARZ 2000,p.136)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, depois de muito tempo, Brás reencontra a amada e se vislumbra, ao perceber que o casamento com Lobo Neves a fez muito bem, tornando-a mais bela e atraente um tanto quanto esplendida. Como afirma Schwarz (2000, p.90) à “beleza de Virgília, por exemplo, culmina e atinge dimensão heroica fora de quaisquer considerações biográficas, morais ou sociais, a que por assim dizer não pede licença”. Porém, a riqueza não foi o bastante para Virgília, já que ela queria o ardor de uma paixão que lhe faltava no casamento. Adiante, o ardor surgiu ao encontrar Brás Cubas. Com isso, inicia o jogo da sedução, que logo mais, tornaria um “adultério” cometido pelos dois, pois foi a partir de um “Beijo” que Vírgilia torna-se amante de Brás.  Segundo Ribeiro (2008, p.251)</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Essa falsidade intrínseca atinge, de cheio, suas personagens femininas. Aqui, especialmente Virgília, mas sem poupar as demais coadjuvantes desse drama pequeno e despido de qualquer grandiosidade épica. Longe de suas intenções os arquétipos femininos tão competentemente talhados pelo buril verbal de um José de Alencar. Aqui habitam mulheres comuns, medíocres mesmo, tiradas, estas sim, ao vivo da sociedade carioca do nosso século XIX. Incultas, muitas vezes desgraciosas, incoerentes e astutas, ingênuas calculistas e simplórias desfrutáveis, elas desfilam sua mesmice e vacuidade ao longo das páginas de seus romances.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Com o desenrolar da história, Virgília teve momentos de arrependimentos por sua infidelidade, porém, Brás a fazia esquecer-se desses pensamentos com sua linguagem sedutora. Assim, Machado começou a construir na personagem um modelo de dissimulação quando adota nela um disfarce do comportamento adulterino.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme Ribeiro (2008, p.256):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Virgília não pode negar o adultério porque, sendo o narrador o seu amante, a traição torna-se constitutiva da história. Mas, mesmo assim, pode armar-se de uma postura familiar e, mesmo, moralista no curso de uma bem construída dissimulação. Entretanto a Virgília, que aí está, é construído pelo discurso de Brás Cubas. Não é o marido ciumento que fantasia a dissimulação de uma esposa que pode ser culpada ou não e que transforma a sua narrativa em libelo acusatório. [&#8230;] De tudo, entretanto, resta o fato de que, entre a fidelidade conjugal o adultério, a dissimulação move-se totalmente à vontade, como parte constitutiva da natureza feminina&#8230;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A personagem possui uma dualidade de identidade, pois para Lobos (esposo) ela é a figura de mulher “perfeita”: amável, elegante e carinho. Já para Brás (amante), ela é sedutora, erótica e sensual. Segundo João Décio (1968, p.52) “Virgília a criatura feminina que a vida colocou em situação mais difícil, eis que mãe de um filho, mas completamente dissociada do marido, encaminha-se fatalmente para o adultério”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, ao observar as atitudes da personagem, ela não se preocupava com o sentimento do marido caso ele soubesse das suas traições, assim, insere na narrativa a personagem burguesa, com valores e intenções deste aspecto, mais com instinto “animal” a ponto de não se preocupar com a sua posição social, já que para ela, prevaleciam apenas os seus desejos e não as opiniões alheias. Como afirma Schwarz (2000,p.88):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Em consequência, no universo machadiano, são elas as figuras capazes de harmonia, entendido o termo em acepção extramoral. O estatuto brasileiro da lei burguesa, que vale e não vale, é o referente remoto desta relativização do escrúpulo — encantadora ou detestável segundo o caso. Quando Virgília se dispõe, como vimos, a “eguais e grandes sacrifícios para conservar ambas as vantagens”, desenvolve a postura interiormente desimpedida que permitiria à classe dominante gozar sem rebaixamento o seu privilégio composto de escravidão, mandonismo e vida moderna.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Por ultimo, a fase da velhice é a redenção humana que se realiza no livro pela capacidade da personagem cuidar do amante no seu leito de morte depois de tê-lo abandonado, resgatando a virtude presente nas fases anteriores. Aparece na sua casa para visitá-lo e dizer-lhe palavras de conforto. Por ser uma figura de mulher soberba e imponente, não se preocupava com os olheiros e dizia não acreditar no que via e chorava lágrimas verdadeiras pela morte do amado, assim, desafiava mais uma vez as regras impostas da mulher do século XIX.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com conceitua Schwarz (2000,p.91):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Noutras palavras, a ficção machadiana dá forma clara à degradação causada à vida pelo funcionamento incompleto do padrão burguês no país, e torna palpável, no mesmo passo, a folga e plenitude possibilitadas por essa insuficiência. De outro ângulo ainda, digamos que o aburguesamento incompleto dos costumes brasileiros permitia a Machado estudar o dinamismo despoliciado do desejo em termos semelhantes àqueles — revolucionários — ocasionados na Europa pela emancipação da sexualidade como esfera autônoma de vida.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, a obra, apesar de criticar uma sociedade, não fez a figura feminina submissa ao marido e muito menos aos valores sociais. Logo, o modelo machadiano se sobressai como componentes fortes e marcantes do enredo, e claros, cada uma com a sua particularidade e personalidade. É deste modo que o modelo realista de Machado de Assis serve de espelho para a vivência da mulher da contemporaneidade, pois nota, a bravura e a coragem em não seguir padrões, mais sim, seguir a si mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CAPITULO 3 &#8211; A RELEVÂNCIA DAS PERSONAGENS CORTESA E MARQUESA EM “MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS”</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este capítulo irá se desenvolver a partir das análises das personagens Marcela e Virgília. O seu foco será demonstrar como essas figuras machadianas tornaram-se exemplos de pessoas morais ou imorais na obra, visto que a sua dualidade e dissimulação foram chaves de acesso para se compreender o adultério e a prostituição no romance.  </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1 A ambiguidade de Virgília dentro do casamento</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O tópico busca identificar aspectos que fizeram de Vigília uma representação machadiana da marquesa adúltera. Defende-se que a sua dualidade de personalidade foram fatores primordiais para a realização e conclusão de um caso amoroso ilícito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A participação da personagem mais efetiva no romance se dá quando é apresentada na narrativa na condição de mulher adúltera, reforçando o aspecto volúvel já existente em outra fase do romance. Como se trata de uma narrativa realista persiste uma critica a valores inerentes à sociedade e ao comportamento humano. Assim, Virgília rompe com “hábitos virtuosos” exigidos para se ter um “comportamento burguês”.  Ao mesmo tempo em que se identifica com a mulher burguesa, por almejar uma vida familiar de esposa, mãe e doméstica, também busca realizar seus desejos íntimos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a marca da personagem é a ambição. Seu maior objetivo é obter um lugar na sociedade, não só como mulher/esposa, mas também, como uma personagem atuante na vida social/política.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Deste modo, Vírgilia sempre enfatizou que casaria não por amor, mas com aquele que fizesse dela uma figura pública, ou melhor, uma baronesa. No trecho abaixo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Uma semana depois, Virgília perguntou ao Lobo Neves, a sorrir, quando seria ele ministro.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Pela minha vontade, já; pela dos outros, daqui a um ano. Virgília replicou:</li>



<li>Promete que algum dia me fará baronesa?</li>



<li>Marquesa, porque eu serei marquês. (ASSIS, 1994 p. 54)</li>
</ul>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"> Nesse trecho, é perceptível que a personagem já dá indícios de ambição. E O seu jeito de “sorrir” já demonstra uma dualidade de personalidade, mudando de comportamento para conseguir o que almeja. Essa conduta é típica das mulheres burguesas do século XIX, que só tinham uma ascensão social mediante o matrimônio. A frieza da personagem é expressa no comentário de Brás, quando explica a causa do fim da primeira relação com a personagem:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Desde então fiquei perdido. Virgília comparou a águia e o pavão, e elegeu a águia, deixando o pavão com o seu espanto, o seu despeito, e três ou quatro beijos que lhe dera. Talvez cinco beijos; mas dez que fossem não queria dizer coisa nenhuma. O lábio do homem não é como a pata do cavalo de Átila, que esterilizava o solo em que batia; é justamente o contrário. (ASSIS, 1994 p. 54)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"> Nesse momento, Vírgilia é coroada como ambiciosa por Brás Cubas, quando prefere ter o “conforto da águia” que seria uma vida memorável, de luxo, poder e preferências, a ter que escolher a “beleza do pavão” que só lhe daria apenas amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Neste sentido, a metáfora é explicita.   Machado compara a “águia” à Lobo neves, pois ele era um indivíduo que não possuía tanto resquícios de beleza, mas tinha recursos políticos, para alcançar voos que o levassem ao topo da pirâmide aristocrática. Já Brás era um o “pavão” que possuía apenas uma beleza pitoresca.  Assim, Virgília prefere realizar o projeto de se tornar uma nobre, a se casar por conta de uma atração física.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Para reforçar a ambição de Virgília, Brás, ainda faz referência à história de Átila, um cavalheiro Bárbaro que conseguia usar sua força e voracidade para destruir tudo o que via, no intuito de conquistar terras.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Assim, no trecho, “O lábio do homem não é como a pata do cavalo de Átila, que esterilizava o solo em que batia; é justamente o contrário”. O lábio masculino é metaforizado uma parte do corpo que necessita da outra incessantemente. E Vírgilia frustra este anseio, tratando Brás Cubas como uma boca descartável, usada momentaneamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Quando se casou, Vírgilia tornou-se o que tanto desejava: marquesa, conseguindo ter uma posição importante no meio político/social. Contudo, o seu matrimônio não a fez prisioneira dos valores sociais, dando-se o direito de viver uma paixão ardente por Brás Cubas. Isso fica evidente no título e na passagem  “Vírgilia Casada”:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Cerca de três semanas depois recebi um convite dele para uma reunião intima. Fui; Virgília recebeu-me com esta graciosa palavra:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>O senhor hoje há de valsar comigo.</li>



<li>Na verdade, eu tinha fama e era valsista emérito; não admira que ela me preferisse. Valsamos uma vez, e mais outra vez. Um livro perdeu Francesca; cá foi a valsa que nos perdeu. Creio que nessa noite apertei-lhe a mão com muita força, e ela deixou a ficar, como esquecida, e eu a abraçá-la e todos com os olhos em nós, e nos outros que também se abraçavam e giravam… Um delírio (ASSIS,1994, p.60).</li>
</ul>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O título “Vírgilia casada” estabelece uma ironia em relação ao comportamento da personagem quando finge não se dá do desejo sexual de Brás Cubas, ao tocá-la enquanto valsam.  No século XIX, a valsa foi considerada por muitos um tipo de “dança vulgar”.  Seu estilo “corpo a corpo” proporcionava uma excitação física e emocional de seus participantes, desacostumados ao toque.  Por outro lado, também é uma dança típica da aristocracia, sendo valorizada pela classe burguesa. Assim, é uma dança de encenação social que oculta o erotismo íntimo, apresentando uma dissimulação de corpos nobres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Vírgilia e para Brás Cubas, a valsa representa uma metáfora para o início de um flerte (paquera) entre os dois. O fragmento “Valsamos uma vez, e mais outra vez. Um livro perdeu Francesca; cá foi a valsa que nos perdeu”, exprime um jogo de sedução, marcado por desejo ardente sexual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre ainda à valsa, Brás diz: “Creio que nessa noite apertei-lhe a mão com muita força, e ela deixou a ficar, como esquecida, e eu a abraçá-la e todos com os olhos em nós, e nos outros que também se abraçavam e giravam&#8230; um delírio”. Deste modo, já ocorre, no fragmento, indícios de dissimulação da personagem e de desejo por Brás, deixando-se que ele a paquerasse e a cortejasse na dança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, ainda há uma ironia presente no modo como valsavam e se abraçavam, remetendo ao “delírio”, enquanto algo esplêndido e inacreditável. Dessa forma, Virgília dá brecha para o início de uma paixão que começou com um jogo de sedução e se firmou a um caso amoroso ilícito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, Virgília sabia que o seu casamento com Lobo Neves seria uma troca de favores, isto é, ele lhe daria o título de marquesa e ela manteria a aparência de um casamento perfeito e promissor. Este jogo de atributos sociais com o seu marido, não lhe dera uma paixão ardente, que só desabrochou com Brás Cubas. Na narrativa, Machado de Assis, chama a atenção do leitor ao iniciar um título, usando “reticências” e não palavras a fim de salientar que nesta passagem do texto seria o começo de uma relação ilícita. Como se nota no fragmento abaixo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] Lembra-me, sim, que, em certa noite, abotoou-se a flor, ou o beijo, se assim lhe quiserem chamar, um beijo que ela me deu, trêmula, &#8211; coitadinha, &#8211; trêmula de medo, porque era ao portão da chácara, à vista das estrelas, &#8211; das castas estrelas de Otelo- you chaste starts! Uniu-nos esse beijo único, &#8211; breve como a ocasião, ardente como o amor, prólogo de uma vida de delícias, de terrores, de remorsos, de prazeres que rematavam em dor, de aflições que desabrochavam em alegria, &#8211; uma hipocrisia paciente e sistemática, único freio de uma paixão sem freio. (ASSIS, 1994, p.63)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse trecho, o autor ironiza e faz uso da metáfora “flor” para ilustrar o começo de um romance proibido, quando há o desabrochar do desejo sexual dos personagens. Dito isto, o autor ainda faz uso de uma linguagem romântica a fim de “suavizar” o momento do adultério, propiciado por Virgília e Brás Cubas. No trecho o “beijo que ela me deu, trêmula, &#8211; coitadinha, &#8211; trêmula de medo, porque era ao portão da chácara, à vista das estrelas, &#8211; das castas estrelas de Otelo”, Machado de Assis usa as “estrelas” a fim de tornar o lugar do início do adultério um cenário mágico e memorável, comprovado com o uso do intertexto Otelo, para obter um momento lindo e majestoso, porém, ilícito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Está aparente idealização é quebrada, quando o autor cita a hipocrisia de uma relação adúltera, no trecho “- uma hipocrisia paciente e sistemática, único freio de uma paixão sem freio”. É a partir desta citação, que percebemos que a relação amorosa entre os dois teria que ser muito bem efetuada e pensada, pois ambos tinham a perder, caso fossem descobertos.  Então, a “hipocrisia” refere-se ao modo que Virgília se comportava na sociedade e ao amor proibido que um sentia pelo outro. Assim, essa mesma hipocrisia seria o “freio” dessa paixão avassaladora, expressa no trecho abaixo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Virgília amava-me com fúria; aquela resposta era a verdade patente. Com os braços ao meu pescoço, calada, respirando muito, deixou-se ficar a olhar para mim, com os seus grandes e belos olhos, que davam uma sensação singular de luz úmida; e eu deixei-me estar a vê-los, a namorar-lhe a boca, fresca como a madrugada, e insaciável como a morte. (ASSIS, 1994, p.71)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse momento, já é descartada a possibilidade de Virgília ser honesta e virtuosa.  O trecho exprime, nas entrelinhas, a realização do adultério. O fragmento “com os braços no meu pescoço, calada, respirando muito, deixou-se ficar olhando para mim” (1994, p.71), expressa o ápice do amor entre os dois. Há um desejo mútuo e um perigo latente, que se expressa como a “fúria” de um trovão e a “luz úmida” de um córrego, fluída e prazerosa. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Logo, nesta passagem desabrocha o que Vírgilia tanto almejava no casamento com Lobo Neves, mas só conseguiu com Brás.  Nesta ocasião, o seu desejo mais íntimo foi concedido por uma paixão carnal entre corpos, própria ao adultério, movido pelo desejo insaciável de um pelo outro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme o tempo passa e os encontros do casal acontecem na casa de Lobo Neves, as pessoas começaram a cochichar que poderia haver entre os dois um caso, já que Brás Cubas vivia na casa de Virgília, sem que o esposo estivesse presente. No entanto, a fim de não manchar a reputação “consagrada” de Virgília, ele então propôs uma fuga, que facilitaria o amor dos dois. Como se percebe no trecho:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">&#8211; De fugir. Iremos para onde nos for mais cômodo, uma casa grande ou pequena, à tua vontade, na roça ou na cidade, ou na Europa, onde te parecer, onde ninguém nos aborreça, e não haja perigos para ti, onde vivamos um para o outro&#8230; Sim? fujamos. Tarde ou cedo, ele pode descobrir alguma coisa, e estarás perdida&#8230; ouves? perdida&#8230;morta&#8230; e ele também, porque eu o matarei, juro-te (1994, p.72).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, ao constatar essa possibilidade, Brás não deixou de pensar em nenhum detalhe, no intuito de fazer a cabeça de Vírgilia e trazê-la para perto dele. Pois, ao citar a casa confortável e ao dar a ela o poder da escolha, fica claro que ele sabia da dissimulação que a amante tinha em pensar primeiramente no conforto de uma vida e não apenas no amor. Logo, essa personagem não agia apenas por impulsividade, mas com maturidade e ambição, pois vale primeira uma vida de marquesa do que uma traidora fugida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, a narrativa dá indícios de dualidade da personagem, já que para Lobos “Virgília era a perfeição mesma, um conjunto de qualidades sólidas e finas, amorável, elegante, austera, um modelo” (1994, p.66). Enquanto para o seu amante Brás Cubas, “era o travesseiro do meu espírito, um travesseiro mole, tépido, aromático, enfronhado em cambraia e Bruxelas. Era ali que ele costumava repousar de todas as sensações más, simplesmente enfadonhas” (1994, p.71).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, para a personagem era muito fácil ela manter a postura de ótima esposa, já que ela era “religiosa”, mais que quase não participava das missas. Assim, Vígilia foi uma construção de uma modelo de dissimulação e de ambiguidade, pois o seu comportamento era alterado entre a “perfeição” e a “dissimulação”, marcado neste trecho, em um presente diálogo com Brás Cubas. Conforme Assis (1994, p.76):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Meu B…<br>Desconfiam de nós; tudo está perdido; esqueça-me para sempre. Não nos veremos mais. Adeus; esqueça-se da infeliz<br>V.. a.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Na narrativa, Virgília, não só o desempenha o papel da “dissimulada”, mas também de mulher corajosa. Assim, realiza o desejo de uma mulher burguesa que é vivenciar o “amor” e manter o “status”. Logo, considera-se essa personagem como a mais complexa figura feminina machadiana.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2 A representação da prostituta Marcela no papel de uma cortesã espanhola</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este subtópico busca compreender a relevância de Marcela na obra, observando o seu papel de prostituta na relação com Brás Cubas e na sociedade. Logo, pretende-se analisar os diálogos em que essa figura machadiana se consolida como uma cortesã espanhola.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A narrativa se desenvolve quando Brás se apaixona por uma Espanhola no lugar chamado Cajueiro. Como cita Assis (1994, p.22): “A que me cativou foi uma dama espanhola. Marcela, a &#8220;linda Marcela&#8221;, como lhe chamavam os rapazes do tempo. E tinham razão os rapazes.”. Essa personagem tinha resquícios de ambição e dissimulação, pois, por mais que fosse cortesã, usava a beleza do seu corpo como peça chave para fazer da luxúria um momento de poder feminino.  Como outras personagens de Machado de Assis, Marcela vai fazer de seu corpo instrumento de sedução. Joias, sedas e dinheiro serão artifícios proporcionadores da execução da manipulação masculina. Como descrito no trecho abaixo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A verdade é que Marcela não possuía a inocência rústica, e mal chegava a entender a moral do código. Era boa moça, lépida, sem escrúpulos, um pouco tolhida pela austeridade do tempo, que lhe não permitia arrastar pelas ruas os seus estouvamentos e berlindas; luxuosa, impaciente, amiga de dinheiro e de rapazes. [&#8230;] Via-a sair de uma cadeirinha, airosa e vistosa, um corpo esbelto, ondulante, um desgarre, alguma coisa que nunca achara nas mulheres puras. (ASSIS,1994, p.22-23)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">No trecho, Marcela recebe uma perspectiva crítica do autor, sendo vivência associada às experiências das cortesãs do século XIX. Logo, quando descreve como uma personagem que “não possuía a inocência rústica, e mal chegava a entender a moral do código”, dá a entender que esta figura machadiana não se enquadrava no modelo de uma mulher burguesa séria daquela época. A obra ainda apresenta um paradoxo, ao usar o qualificativo “inocência rústica” para associar a conduta comportamental da personagem a de uma mulher interesseira, que não se enquadrava na “moral do código”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a personagem fosse bem resolvida sobre a sua escolha profissional, o autor faz uso da ironia presente nas expressões “boa moça” e “amiga dos rapazes e do dinheiro”. Nesta ironia, é possível observar a justaposição de uma apreciação a um julgamento, pois Marcela era considerada “boa moça” apenas por ser uma cortesã bela e educada. O mesmo acontece com a, “amiga de rapazes e do dinheiro” que faz referência ao uso beleza feminina de uma prostituta para “arrancar” dinheiro e objetos de valor de seus amantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, o corpo de ainda é lugar de sedução dos homens.  Neste caso, Marcela era bem “contemplada”. A personagem possuía “um corpo esbelto, ondulante, um desgarre, alguma coisa que nunca achara nas mulheres puras.” Assim, observa-se que há uma alusão à beleza física da personagem, como proporcionadora de luxúria e, ao mesmo tempo, de “mimos”, conseguidos com o mesmo corpo. Brás Cubas, então, tem o seu primeiro “envolvimento carnal” propiciado pela “dama espanhola”. Este envolvimento foi realizado no Cajueiro, lugar onde se concretiza a prostituição. Conforme a citação abaixo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Três dias depois perguntou-me meu tio, em segredo, se queria ir a uma ceia de moças, nos Cajueiros. Fomos; era em casa de Marcela. O Xavier, com todos os seus tubérculos, presidia ao banquete noturno, em que eu pouco ou nada comi, porque só tinha olhos para a dona da casa. Que gentil que estava a espanhola! Havia mais uma meia dúzia de mulheres, &#8211; todas de partido -, e bonitas, cheias de graça, mas a espanhola&#8230;&nbsp; (ASSIS, 1994, p.23)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Esse momento de desejo mútuo é sugerido nos versos: “ceia de moças, nos Cajueiros”. Nele, o autor utilizou da ironia expressa no termo “cajueiros”, para se referir à rua de prostitutas que era um lugar suburbano. Logo, há a ressignificação do termo “ceiar” que perde o sentido sublime da troca de afetos para se tornar um banquete de luxúria onde as mulheres se oferecem para o sexo. Neste sentido, observa-se que o “alimento” da ceia não seria as próprias “moças”.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda há uma ironia quando Assis (1994, p;24) afirma que todas as mulheres que se encontravam naquele lugar eram: “todas de partido -, e bonitas, cheias de graça, mas a espanhola&#8230;” Neste trecho, a mulher recebe um parâmetro de beleza, sintetizado na expressão “todas de partido” que  significa que elas se enquadravam “nas boas aparências” ,porém, Marcela  se sobressaia entre todas elas, por ter uma beleza exótica que criava um estereótipo da espanhola como a grande cortesã.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a história sugere que o caso acontece num momento de ilusão, quando Brás aprende que, para obter o “amor” de Marcela, teria que possuir muito mais do que beleza, pois, a personagem gostava de ser “mimada” com carícias e, sobretudo, com riqueza. Então, nesse momento evidencia-se que, na narrativa, há a troca de prazeres por valores financeiros. E essa circunstância é realizada de forma doentia pelo “jovem” Brás, que busca incessantemente realizar-se sexualmente com uma “mulher experiente”. Como é notado no trecho abaixo: </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Foi-me preciso coligir dinheiro, multiplicá-lo, inventá-lo. Primeiro explorei as larguezas de meu pai; ele dava-me tudo o que eu lhe pedia, sem repreensão, sem demora, sem frieza; dizia a todos que eu era rapaz e que ele o fora também. Mas a tal extremo chegou o abuso, que ele restringiu um pouco as franquezas, depois mais, depois mais. Então recorri a minha mãe, e induzi-a a desviar alguma coisa, que me dava às escondidas. (ASSIS, 1994, p.23)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">No trecho, há a representação dos pensamentos de um rapaz ingênuo e a sua visão de Brás em relação à Marcela: “Foi-me preciso coligir dinheiro, multiplicá-lo, inventá-lo” (1994, p.23). Essa passagem retrata a multiplicação do dinheiro entre a prostituta e o cliente, que se deixou se enganar no intuito de se concretizar o desejo que ele tinha por ela. Porém, na obra há uma visão machista e altamente patriarcal realizada pelo pai de Brás Cubas, quando se refere ao caso do rapaz com a meretriz da seguinte maneira: “dizia a todos que eu era rapaz e que ele o fora também”.  Nessa sentença, há uma sugestão que o primeiro ato sexual dos rapazes burgueses, deveria ser realizado com “prostituta”, descartando o argumento romântico de que a iniciação sexual deveria coincidir com a amorosa. Assim, a figura da prostituta é abordada como um objeto descartável cuja função é apenas proporcionar prazer. O caso de Brás Cubas e de Marcela é descrito da seguinte maneira:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Teve duas fases a nossa paixão, ou ligação, ou qualquer outro nome, que eu de nomes não curo; teve a fase consular e a fase imperial. Na primeira, que foi curta, regemos o Xavier e eu, sem que ele jamais acreditasse dividir comigo o governo de Roma; mas, quando a credulidade não pôde resistir à evidência, o Xavier depôs as insígnias, e eu concentrei todos os poderes na minha mão; foi a fase cesariana. (ASSIS, 1994, p.26)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O trecho apresenta o desenvolvimento do caso entre a cortesã e o burguês, demonstrando a sua evolução em fases, designadas pelo narrador com uma abordagem irônica, como se nota no trecho: “a nossa paixão, ou ligação, ou qualquer outro nome [..] teve a fase consular e a fase imperial.”  A fase “consular” é, então, uma ironia acerca do momento em que Marcela se torna a amante de dois rapazes: Brás e Xavier. A segunda fase é denominada de “Imperial” por que Brás Cubas se torna amante único de Marcela, considerando-se, com o tempo, tão que dono do corpo da prostituta que acredita que esta fase evolui para a “cesariana”, quando, de fato, torna-se dono absoluto da “Linda Marcela.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">As personagens de Machado de Assis eram construídas com base nas atitudes burguesas. Marcela não foi diferente, pois essa figura machadiana desejava mais riqueza do que um amor propiciado pelo matrimônio. Assim, no decorrer da narrativa, a personagem demonstra ter uma dissimulação própria às figuras femininas machadianas. O uso da máscara da dissimulação e da luxúria para objetos de valor e dinheiro expressa-se no trecho:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Em verdade, dizia-me Marcela, quando eu lhe levava alguma seda, alguma joia; na verdade, você quer brigar comigo&#8230; Pois isto é coisa que se faça&#8230; um presente tão caro&#8230;E, se era joia, dizia isto a contemplá-la entre os dedos, a procurar melhor luz, a ensaiá-la em si, e a rir, e a beijar-me com uma reincidência impetuosa e sincera; mas, protestando. (ASSIS, 1994, p.26)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse trecho, é perceptível a ambiguidade no comportamento de Marcela. A personagem finge “brigar” por ter recebido um presente caro. Assim, representa o papel de uma doce mulher “mimada” cujos gracejos do amante a enrubescem. Mas, ao mesmo tempo, denuncia ter um olhar ambicioso, ao mirar o objeto. Dessa forma, todos os “presentes” que Marcela ganhava, ela os guardava como uma espécie de “tesouro”, tendo uma visão extremamente calculista sobre sua profissão, por saber que a beleza um dia terminaria, sendo, depois disso, descartada pelos rapazes, como um objeto sem uso prático.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como se nota no trecho: “juntava-as todas dentro de uma caixinha de ferro, cuja chave ninguém nunca, jamais soube onde ficava”. Essa “caixa” é representada metaforicamente como um “tesouro” de uma prostituta, sendo o seu paraíso escondido. Em um dado momento na obra, Brás Cubas começa a perceber em Marcela o seu lado falso e sem caráter. Conforme percebe-se no fragmento:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<ul class="wp-block-list">
<li>Mas essa cruz, observei eu, não me disseste que era teu pai que… Marcela abanou a cabeça com um ar de lástima:</li>



<li>Não percebeste que era mentira, que eu dizia isso para te não molestar? Vem cá, chiquito, não sejas assim desconfia- do comigo… Amei a outro; que importa, se acabou? Um dia, quando nos separarmos.</li>



<li>Não digas isso! bradei eu.</li>



<li>Tudo cessa! Um dia… (ASSIS,1994, p. 25).</li>
</ul>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">No momento em que percebe a dissimulação da personagem acerca da origem da cruz, Brás Cubas descobre o real caráter de Marcela, a qual é o retrato de uma mulher que faz uso de todos os recursos para se conseguir o que quer, até “mentir. No entanto, a maior revelação é notada no fragmento abaixo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Ficando a sós, derramei todo o desespero de meu coração; disse-lhe que ela era um monstro, que jamais me tivera amor, que me deixara descer a tudo, sem ter ao menos a desculpa da sinceridade; chamei-lhe muitos nomes feios, fazendo muitos gestos descompostos. Marcela deixara-se estar sentada, a estalar as unhas nos dentes, fria&nbsp; como um pedaço de mármore . (ASSIS, 1994, p.26)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O fragmento expressa o desespero de Brás Cubas em se descobrir descartado pela dama espanhola. É nesta presente situação que ele se dá conta de que Marcela não passava de uma usurpadora de seu “dinheiro”. A cortesã deixa de ser referenciada como a “Linda Marcela” e passa a ser denominada como “um monstro, que jamais me tivera amor”. Este comentário exprime a revelação de que a “amante” fingiu todo “amar” ao longo de todo o caso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Marcela então sai da relação amorosa demonstrando sua real face que é a de mulher, capaz de descartar situações e rapazes. Assim, Marcela “deixa-se estar sentada, a estalar as unhas nos dentes, fria como um pedaço de mármore”. A metáfora de mulher “mármore” é a representação de uma mulher segura e madura, que não se deixa levar por “paixões” e, muito menos, “romantizar” ações que não lhe proviam. Então, a personagem é metaforicamente chamada de fria e calculista, quando o autor utiliza de “pedaço de mármore” para evidenciar a sua postura sólida naquela situação. E essa ideia é confirmada na célebre frase que define a personagem:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos réis; nada menos. Meu pai, logo que teve aragem dos onze contos, sobressaltou-se deveras; achou que o caso excedia as raias de um capricho juvenil.&nbsp; (ASSIS, 1994, p.26)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Neste fragmento, fica nítida a ironia estabelecida pelo autor, quando resume a relação entre ambos na premissa acima. O dinheiro, então, passa a ser compreendido pelo narrador como o sustentáculo da relação. Mesmo assim, esse momento foi contemplado na narrativa com uma grande importância, já que Marcela tem um capítulo com o seu nome para retratar a realização desse romance.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acredita-se que essa figura feminina machadiana se sobressai na narrativa, por usar a dissimulação como artifício de uma certa autonomia na sociedade. Deste modo, a personagem acaba por inverter posições, quando aborda os rapazes como os objetos de valor que, futuramente, seriam utilizados para uma virada de página de uma vivência não muito memorável.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo foi de grande importância, então, se verificar como as figuras machadianas se tornam “pessoas morais” importantes para a compreensão de um feminino silenciado pela maioria da literatura escrita no século XIX. Frisa-se a constituição de personalidades fortes, capazes de escolher o seu “bem-estar” em primeiro lugar, a manter hábitos arcaicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, o estudo de Marcela e de Vigília proporcionou uma compreensão do modelo feminino machadiano como um repertório relevante para a reflexão sobre a identidade da mulher do século XIX, dando-lhe novas vozes.  Assim, acredita-se que essas personagens são modelos de contra conduta, inspiradores para a compreensão do universo feminino atual.  Ressalta-se como aspecto singular a ambiguidade de Vigília, tão comum em outras personagens machadianas, e também a dissimulação, como prática permanente nas duas personagens que se torna um artifício de prazer e de também sobrevivência ainda existente atualmente</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido, considera-se que a análise efetivada dá uma abordagem estética diferenciada ao romance, fazendo com o que o leitor tenha um olhar novo sobre o objeto estudado, já que a narrativa acontece segundo um olhar masculino, mas as ações são praticadas por figuras femininas, atuantes e protagonistas nesse mesmo cenário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, este romance se torna um corpus necessário a ser lido por leitores que almejam crescer academicamente e ter um olhar mais crítico sobre a sociedade brasileira do século XIX. Acredita-se que “Memória Póstuma de Brás Cubas” se torna um romance relevante na história da literatura Brasileira por ser uma obra realista, é também, contemporânea. Ela abre espaço para várias reflexões de cunho histórico e filosófico. No caso do estudo feminino é espelho de vivência de mulheres que se tornam arquétipos machadianos para se compreender a própria mulher brasileira.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAs</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">_________. Visão do Paraíso. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2. ed., 1969;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>SCHWARZ</strong>, Roberto. Um mestre na periferia do capitalismo: Machado de Assis — São Paulo: Duas Cidades; Ed. 34, 2000. Schwarz.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide" />



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup> Professora. Especialista em Língua Portuguesa e Literaturas (FAFOPA); e Libras (FATAP). Licenciatura Plena em Letras (FAFOPA).</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>2 </sup>Professora. Especialista em Gestão na Educação com ênfase em Psicopedagogia (UNILEÃO); e em Formação Pedagógica em Biologia (UNIVASF); Licenciatura Plena em Geografia (FAFOPA); e em Pedagogia (UNIVASF).</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>3 </sup>Professora. Especialista em Educação Especial e inclusiva, e Metodologia de Ensino (FAVENI). Licenciatura Plena em Geografia (FAFOPA).</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>4</sup> Professora. Especialista em Língua portuguesa, Inglês e suas Respectivas Literatura (FAFOPA); e em Educação Infantil (UFPI). Licenciatura Plena em Letras – Habilitação Português/Inglês e Respectivas Literaturas (FAFOPA).</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>5</sup> Professora. Especialista em Coordenação Pedagógica (ISESPI); e em Psicopedagogia Institucional (ISESPI); Licenciatura Plena em Pedagogia (FACITE).</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>6</sup> Professora. Especialista em Educação Ambiental (FACIAGRA). Licenciatura Plena em Biologia (FTC).</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>7</sup> Professora. Especialista em Psicopedagogia Institucional e Clínica (FARJ); e Geografia e Meio Ambiente (FIBMG); Licenciatura Plena em Pedagogia (FAFOPA); e em Geografia (FAFOPA).</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>8</sup> Professora. Especialista em Psicopedagogia Institucional e Clínica (FARJ); em AEE &#8211; Atendimento Educacional Especializado (FAVENI); em Educação Especial e Educação de Jovens e Adultos (FAVENI); em Docência da Educação Infantil e dos Anos Iniciais (FAVENI); Metodologia do Ensino da Artes (FAVENI); e em Coordenação Pedagógica e Supervisão Escolar (FAP); Licenciatura Plena em Pedagogia (FACITE); em Educação Especial (UNIFAVENI); e em Artes Visuais (UNIFAVENI).</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>9</sup> Professor &amp; Analista Administrativo. Mestre em Dinâmicas de Desenvolvimento do Semiárido (PPGDiDeS/UNIVASF). Especialista em Metodologias Ativas (UNIVASF); em Tecnologias Digitais Aplicadas à Educação (IFSertãoPE); em EJA – Educação de Jovens e Adultos e Informática da Educação (FAVENI); em MBA em Gestão em Projeto (FAVENI); em Gestão Ambiental de Empresas (FAVENI); em Ensino de Matemática (UNIVASF); em Gestão Pública (UNIVASF); em Gestão Pública Municipal (UNIVASF); em Psicopedagogia (UNICSUL); em Ensino da Geografia (UNIBF); em Educação, Pobreza e Desigualdade Social (UFPE); Bacharelado em Administração (UNICSUL); e em Ciências Contábeis (FACISA); e Licenciatura Plena em Pedagogia (FACITE); e em Geografia (UNICSUL).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O IMPACTO DO QUALITY ASSURANCE DENTRO DE UMA EMPRESA: A IMPORTÂNCIA DOS TESTES DE SOFTWARE, PLANEJAMENTO, METODOLOGIA E AUTOMAÇÃO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/o-impacto-do-quality-assurance-dentro-de-uma-empresa-a-importancia-dos-testes-de-software-planejamento-metodologia-e-automacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft NI]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jun 2025 23:49:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Engenharias]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 147/JUN 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[THE IMPACT OF QUALITY ASSURANCE WITHIN A COMPANY: SOFTWARE TESTING, PLANNING, METHODOLOGY, AND AUTOMATION AS PILLARS OF QUALITY REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202506302051 Carlos Henrique Pires Rocamora SantosBruno Baruffi Esteves RESUMO O Quality Assurance, ou QA, que é a área responsável por garantir a qualidade dentro de uma empresa, tem ganhado reconhecimento crescente no mercado. Este estudo [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">THE IMPACT OF QUALITY ASSURANCE WITHIN A COMPANY: SOFTWARE TESTING, PLANNING, METHODOLOGY, AND AUTOMATION AS PILLARS OF QUALITY</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202506302051</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide" />



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Carlos Henrique Pires Rocamora Santos<br>Bruno Baruffi Esteves</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide" />



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Quality Assurance, ou QA, que é a área responsável por garantir a qualidade dentro de uma empresa, tem ganhado reconhecimento crescente no mercado. Este estudo explora o impacto do Quality Assurance dentro de uma empresa, com foco na importância dos testes de software, planejamento, metodologias e automação. O trabalho destaca como esses elementos contribuem para a qualidade e a eficiência dos processos empresariais. Utilizando uma abordagem qualitativa, com caráter analítico e descritivo, a pesquisa analisa casos onde foram adotadas&nbsp; práticas de QA, investigando seus impactos na qualidade dos processos organizacionais. A abordagem combina dados concretos com insights contextuais, abordando temas como testes de software, planejamento estratégico, metodologias ágeis e automação de processos. Como parte do projeto prático deste trabalho, foi desenvolvida uma plataforma educacional voltada para o aprendizado de Quality Assurance, especialmente pensada para iniciantes na área. A plataforma tem como objetivo incentivar e apoiar pessoas que estão começando a estudar QA, oferecendo aprendizados sobre como criar “bug reports”, automação com cypress e dicas sobre QA. Essa iniciativa busca facilitar o acesso ao conhecimento, promovendo o desenvolvimento de novos profissionais e fortalecendo o papel do QA nas empresas. Os resultados da pesquisa evidenciaram que empresas que implementam práticas estruturadas de QA apresentam melhorias significativas na qualidade dos produtos finais, redução de custos com retrabalho e aumento da satisfação dos clientes. O objetivo é demonstrar como a implementação do QA pode transformar uma empresa, inserindo a qualidade como um valor central, além de incentivar empresas que ainda não adotaram essas práticas a considerarem sua implementação, revolucionando essa área tão importante para o sucesso organizacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras Chave:</strong> QA, testes, planejamento, metodologia, automação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quality Assurance, or QA, the area responsible for ensuring quality within a company, has been gaining increasing recognition in the market. This study explores the impact of Quality Assurance within a company, focusing on the importance of software testing, planning, methodologies, and automation. The work highlights how these elements contribute to the quality and efficiency of business processes. Using a qualitative approach, with an analytical and descriptive character, the research analyzes cases where QA practices were adopted, investigating their impacts on the quality of organizational processes. The approach combines concrete data with contextual insights, addressing topics such as software testing, strategic planning, agile methodologies, and process automation. As part of the practical project of this work, an educational platform was developed aimed at learning Quality Assurance, especially designed for beginners in the area. The platform’s goal is to encourage and support people who are starting to study QA, offering learning about how to create bug reports, automation with Cypress, and QA tips. This initiative seeks to facilitate access to knowledge, promoting the development of new professionals and strengthening the role of QA in companies. The objective is to demonstrate how the implementation of QA can transform a company by embedding quality as a core value, as well as encouraging companies that have not yet adopted these practices to consider their implementation, revolutionizing this area so important for organizational success.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> QA, testing, planning, methodology, automation.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.1&nbsp;O QUE É QUALITY ASSURANCE? </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quality Assurance (QA) ou Garantia de Qualidade é um conceito que, embora estabelecido há décadas na indústria de manufatura, tem se tornado cada vez mais essencial no desenvolvimento de software moderno. Em um mercado extremamente competitivo, onde as falhas podem ter consequências graves para os negócios, a garantia de qualidade vem como um diferencial estratégico fundamental. Segundo Pressman (2011, p. 447), &#8220;a garantia da qualidade de software envolve o uso de técnicas e metodologias sistemáticas para assegurar que o produto de software atenda aos padrões de qualidade estabelecidos, refletindo uma adaptação dos princípios de qualidade da manufatura para o contexto da engenharia de software.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Quality Assurance vai muito além da simples correção de falhas ou do cumprimento de requisitos. Ele representa um compromisso genuíno com a excelência, cujo principal objetivo é entregar valor real ao usuário final. Um software de qualidade não se limita ao funcionamento correto: ele é intuitivo, eficiente, agradável de utilizar e capaz de resolver de maneira efetiva os problemas do usuário. Nesse contexto, o QA busca aliar precisão técnica a uma experiência humana excelente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo do Quality Assurance é assegurar que os produtos de software atendam ou excedam as expectativas dos clientes, através de processos sistemáticos que monitorem e melhorem o ciclo de desenvolvimento. Segundo Pressman (2016, p. 384), &#8220;Quality Assurance consiste em um conjunto de atividades sistemáticas e planejadas implementadas dentro do sistema de qualidade para garantir que um projeto satisfaça os padrões de qualidade relevantes.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse conceito se concentra em garantir que os processos sejam adequados e eficientes, prevenindo defeitos antes que ocorram, em vez de apenas detectá-los posteriormente. A abordagem de QA destaca a qualidade em cada etapa do ciclo de vida do desenvolvimento, desde os requisitos iniciais até a entrega final.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática, os profissionais da área de QA não atuam apenas como &#8220;caçadores de bugs&#8221;, mas como verdadeiros guardiões da qualidade. Seu trabalho envolve compreender as necessidades do cliente, antecipar frustrações e garantir que todos os aspectos do sistema, desde a navegação até o desempenho estejam alinhados com os objetivos de usabilidade e confiabilidade. Como afirmam Gregory e Crispin (2015, p. 32), &#8220;Quality Assurance vai muito além de simplesmente encontrar bugs. É sobre ser o advogado do usuário dentro da organização e garantir que o produto final atenda ou exceda as expectativas.&#8221; Testes automatizados e metodologias ágeis são aliadas importantes, mas o ponto principal do QA está na capacidade de colocar as pessoas em primeiro lugar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como afirmou Donabedian (1996, p. 404), “a convicção genuína de que o desempenho precisa ser melhorado é o primeiro passo indispensável no processo de garantia de qualidade”. Essa afirmação sintetiza o espírito QA: a busca constante pela melhoria, motivada não por obrigação, mas pela consciência de que o maior beneficiado será o usuário.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca pela qualidade, entretanto, não é uma preocupação recente. Civilizações antigas como a Grécia e o Egito já adotavam padrões para garantir a qualidade de suas construções. Como observa Juran (2004, p. 17), &#8220;Nas construções do Antigo Egito, encontramos evidências de padrões rígidos e sistemas de medição que garantiam a qualidade e precisão monumental de suas obras. Esses primeiros sistemas de garantia de qualidade utilizavam conceitos que ainda hoje formam a base de nossos métodos modernos.&#8221;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a Idade Média, as guildas artesanais estabeleciam critérios rigorosos para que obras fossem reconhecidas como de qualidade. Wadsworth (2002, p. 43) destaca que &#8220;As guildas medievais representam um dos primeiros sistemas formais de garantia de qualidade, onde mestres artesãos definiam padrões rigorosos e supervisionavam o trabalho de seus aprendizes, implementando o que poderíamos considerar como as primeiras &#8216;inspeções de qualidade&#8217; sistemáticas da história.&#8221;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a Revolução Industrial, surgiram práticas mais sistematizadas, como a Administração Científica de Frederick Taylor e, posteriormente, o ciclo PDSA de Walter Shewhart, que introduziu a noção de melhoria contínua. Montgomery (2019, p. 27) explica que &#8220;Os princípios da Administração Científica de Taylor, embora focados inicialmente em eficiência, lançaram as bases para o controle estatístico de qualidade posteriormente desenvolvido por Shewhart. Este último, ao introduzir o ciclo PDSA, estabeleceu que a qualidade não era apenas um estado final, mas um processo contínuo de aprendizagem e melhoria.&#8221;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a Segunda Guerra Mundial, W. Edwards Deming desempenhou papel fundamental na transformação industrial do Japão, priorizando qualidade em detrimento de custo. Walton (1988, p. 96) destaca que &#8220;Deming revolucionou o pensamento sobre qualidade ao ensinar aos japoneses que &#8216;a qualidade é determinada pelos clientes, não pelos engenheiros nem pelo marketing ou pela gerência geral&#8217;. Sua filosofia de melhoria contínua e foco na satisfação do cliente transformou a indústria japonesa e, eventualmente, encontrou eco nos princípios ágeis de desenvolvimento de software, priorizando a entrega de valor ao usuário.&#8221; Seus métodos influenciaram diretamente os princípios do desenvolvimento ágil.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 1</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="643" height="410" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-79.png" alt="" class="wp-image-225979" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-79.png 643w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-79-300x191.png 300w" sizes="(max-width: 643px) 100vw, 643px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fonte: Gregory Mooney (2013)</figcaption></figure>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A qualidade sempre foi algo que a sociedade buscou desde a antiga civilização humana. Ela pode ser encontrada desde as especificações para construções na Grécia Antiga até os egípcios construindo as pirâmides. (MOONEY, 2013, p. 1).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Um exemplo destacável dessa transição foi o projeto da IBM para o sistema de comando do submarino Trident, que utilizou ciclos curtos de desenvolvimento e baixa documentação, caracterizando uma das primeiras aplicações práticas da abordagem ágil. Conforme Larman (2003, p. 50, tradução nossa<sup>1</sup>), “a primeira aplicação importante da IBM FSD com desenvolvimento incremental e iterativo foi o sistema de comando e controle do primeiro submarino Trident dos EUA [&#8230;] sendo esse modelo um fator chave para o sucesso do projeto”. Em contrapartida, o modelo Cascata, também consolidado historicamente, representa uma abordagem mais tradicional, com foco em planejamento detalhado e documentação extensa. Conforme Pressman , esse modelo é “um paradigma clássico da engenharia de software que enfatiza um enfoque sistemático e sequencial” (2016, p. 40), baseando-se em fases bem definidas e documentação rigorosa. Ambos os modelos refletem a evolução contínua do Quality Assurance, que hoje se apresenta como uma área estratégica no desenvolvimento de software.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.2&nbsp;A IMPORTÂNCIA DO QUALITY ASSURANCE&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Quality Assurance tem se mostrado cada vez mais crucial para as empresas de tecnologia como uma ferramenta estratégica para garantir a entrega de produtos de alta qualidade e manter a disputa no mercado. As estratégias de QA podem transformar ambientes de desenvolvimento tradicionais em processos mais eficientes, onde as equipes não apenas produzem código, mas também garantem que ele atenda aos padrões de qualidade estabelecidos de forma resistente e calculável. &nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A garantia de qualidade de software (SQA) é um conjunto de atividades que define e avalia a adequação dos processos de software para fornecer produtos de qualidade. [&#8230;] A implementação de SQA em uma organização está diretamente relacionada à sua maturidade, influenciando significativamente o desempenho de negócios e as vantagens competitivas no mercado(GAROUSI, V.; MÄNTYLÄ, M. V., 2016, p. 92<sup>2</sup>).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Boehm, “o custo para corrigir um defeito descoberto em produção pode ser até 100 vezes maior do que se fosse identificado na fase de requisitos.”(1981,p. 40<sup>3</sup>).Um dos principais problemas enfrentados no desenvolvimento de software tradicional é o alto custo relacionado à correção de defeitos descobertos tardiamente no ciclo de vida. O custo de correção de bugs aumenta bastante à medida que avançamos no ciclo de desenvolvimento. Quando os processos de qualidade não são implementados desde o início, os custos com retrabalho e correções podem comprometer significativamente o orçamento e os prazos dos projetos. Sobre esse fato, Boehm (1981, p.75<sup>4</sup>) destaca:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Se eu tivesse de reduzir todos os princípios de economia de software a uma única frase, diria isto: encontre e corrija os problemas o mais cedo possível no ciclo de vida do software.&#8221;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O Quality Assurance pode ajudar a resolver parte desse problema ao criar um ambiente onde os defeitos são identificados e corrigidos precocemente. Ao incorporar práticas de garantia de qualidade ao longo de todo o ciclo de desenvolvimento, o QA consegue reduzir significativamente os custos associados a falhas, melhorando a eficiência do processo como um todo, ao mesmo tempo que utiliza metodologias ágeis como base para o desenvolvimento contínuo e integrado. Além da redução de custos, outro benefício importante do QA nas empresas é a melhoria na satisfação do cliente. Como observa Tayrane (2024, p. 1), “Com os clientes cada vez menos tolerantes com erros e mais rígidos na escolha das soluções que querem usar no dia a dia, o QA contribui para o sucesso de um software ao certificar sua funcionalidade livre de erros. Fazer todos os testes necessários é mais do que uma maneira de prevenir erros, é uma forma de proteger a imagem da marca. Com isso, a satisfação do público com o produto que está sendo entregue aumenta e, dessa forma, o relacionamento com a empresa melhora.” Em ambientes com processos de QA bem estabelecidos, essa relação fica evidente através da entrega de produtos mais confiáveis e com menos defeitos, o que leva diretamente a uma experiência de usuário aprimorada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. DESENVOLVIMENTO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Os profissionais de desenvolvimento de software enfrentam um grande desafio na entrega de produtos de qualidade, devido, em parte, à crescente complexidade dos sistemas e à pressão constante por entregas mais rápidas. Como destaca Software(2024, p.1), “A complexidade dos projetos de software é um dos principais fatores que influenciam seu sucesso ou fracasso. À medida que os sistemas se tornam mais sofisticados, a quantidade de interações entre diferentes componentes aumenta exponencialmente, tornando o gerenciamento do projeto uma tarefa desafiadora. “</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dito isso, os processos de QA permitem que as organizações implementem práticas de garantia de qualidade de forma estruturada e mensurável. Por exemplo, a implementação de testes automatizados, onde o sistema é constantemente verificado contra requisitos predefinidos. Isso torna o processo de desenvolvimento mais confiável, reduzindo a probabilidade de defeitos chegarem até o usuário final. Além disso, o feedback imediato proporcionado pelas ferramentas de automação ajuda os desenvolvedores a entender rapidamente o impacto de suas alterações, permitindo correções imediatas e um desenvolvimento mais eficiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Quality Assurance no desenvolvimento de software não só torna o processo mais estruturado, mas também ajuda a desenvolver habilidades essenciais na equipe, como: atenção aos detalhes, pensamento crítico e visão plena do sistema. Ao transformar conceitos teóricos de qualidade em práticas concretas e mensuráveis, o QA proporciona um ambiente onde as equipes podem experimentar, aprender e melhorar de maneira contínua e sistemática</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1&nbsp;CASOS DE IMPACTO DO QUALITY ASSURANCE NAS EMPRESAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1.1&nbsp;C&amp;A: Automação de Testes e Reconhecimento Internacional</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A varejista C&amp;A, em parceria com a Prime Control, implementou uma estratégia robusta de automação de testes. Ao longo de dois anos, foram automatizados mais de 7.300 casos de teste, permitindo que um conjunto de 1.150 cenários fosse executado em apenas 52 minutos, uma tarefa que levaria cerca de quatro meses se realizada manualmente. Essa automação resultou em uma redução de 100% no esforço manual, liberando a equipe para atividades mais estratégicas e aumentando a produtividade em mais de 80%. Além disso, a C&amp;A foi reconhecida entre as Top 20 Soluções de Inovação no Software Testing Conference (STC) 2022, destacando-se entre 720 propostas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A C&amp;A, uma das maiores varejistas de moda do País, investiu em automação para melhorar o dia a dia de seus especialistas em qualidade (Qas). Usando tecnologia da Prime Control, a rede de lojas conseguiu uma redução de 100% no esforço manual, liberando a equipe para tarefas mais estratégicas e aumentando a produtividade em mais de 80%.” (MONTEIRO , 2024, p.1).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1.2&nbsp;Ericsson: Automação na Atribuição de Bugs com Machine Learning</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Ericsson enfrentava desafios no gerenciamento do grande volume de relatórios de bugs em seus projetos de desenvolvimento. Para otimizar esse processo, a empresa desenvolveu o TRR (Trouble Report Recommender), um sistema baseado em machine learning para atribuição automática de bugs. Após a implementação, o TRR passou a atribuir automaticamente cerca de 30% dos relatórios de bugs com uma precisão de 75%. Isso resultou em uma redução de aproximadamente 21% no tempo de resolução desses bugs, além de economizar horas de trabalho de engenheiros experientes. A adoção do TRR também promoveu melhorias nos processos internos, aumento na comunicação entre equipes e maior satisfação no trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Em média, a TRR atribui automaticamente 30% dos relatórios de bugs recebidos com uma precisão de 75%. Os TRs roteados automaticamente são resolvidos cerca de 21% mais rápido na Ericsson, e a TRR economizou muitas horas de trabalho de engenheiros experientes.” (Borg, M., Jonsson, L., Engström, E. et al, 2024, p.1)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1.3&nbsp;Caso Google: QA Contínuo com Canary Releases</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Google, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, adota uma abordagem altamente eficaz de Quality Assurance (QA), focada na integração contínua de código e na liberação controlada de funcionalidades por meio dos chamados Canary Releases. Essa estratégia permite que novas versões de software sejam disponibilizadas gradualmente para uma pequena porcentagem de usuários antes do lançamento completo. Essa abordagem reduz significativamente o risco de bugs em produção, já que qualquer problema detectado nesse grupo inicial de usuários pode ser rapidamente corrigido antes de atingir toda a base. Além disso, o Google aplica testes automatizados extensivos em cada etapa do ciclo de desenvolvimento, incluindo testes unitários, de integração, regressão e testes de performance em ambientes espelhados (mirrored environments) para garantir a estabilidade e qualidade do software.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O impacto dessa prática de QA contínuo é expressivo. O Google consegue realizar atualizações diárias de serviços críticos, como o Gmail, Google Maps e o próprio buscador, com altíssima confiabilidade e disponibilidade, sem afetar negativamente a experiência dos usuários. Essa confiança operacional só é possível graças a um QA bem estruturado, automatizado, mas também supervisionado por engenheiros de qualidade e observabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“No Canary Release, uma nova versão do software é lançada inicialmente para um pequeno grupo de usuários &#8211; os &#8220;canários digitais&#8221;. Esses usuários testam a nova versão em um ambiente real, e se tudo correr bem, a atualização é gradualmente expandida para um público maior. Essa abordagem permite a identificação precoce de problemas e a coleta de feedback valioso antes do lançamento completo. O Canary Release é como um sinal de alerta, permitindo que ajustes sejam feitos antes que problemas afetem um grande número de usuários.”(MANDOMBE, 2023, p.1)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 A IMPORTÂNCIA DOS TESTES DE SOFTWARE, PLANEJAMENTO,</strong> <strong>METODOLOGIA E AUTOMAÇÃO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2.1&nbsp;Testes de Software&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os testes de software constituem a base fundamental do Quality Assurance. Eles são responsáveis por verificar se o software atende aos requisitos funcionais e não funcionais estabelecidos, além de identificar defeitos antes que o produto chegue ao usuário final.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diferentes tipos de testes compõem uma estratégia abrangente de QA:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Testes Exploratórios</strong>: Baseados em experiência do QA, sem scripts pré-definidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Testes de Integração</strong>: Verificam a interação entre diferentes componentes do sistema, garantindo que funcionem corretamente em conjunto.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Testes de Regressão</strong>: Garantem que novas alterações não quebrem funcionalidades existentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Testes de Aceitação</strong>: Realizados para determinar se o sistema satisfaz os critérios de aceitação e se está pronto para ser entregue.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Testes de Desempenho</strong>: Avaliam o comportamento do sistema sob diferentes condições de carga, verificando sua resposta, estabilidade e escalabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Teste Smoke</strong>: Um teste rápido e superficial que verifica se as funcionalidades críticas do sistema estão operacionais após uma nova versão ou deploy.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O teste de software não se limita apenas à identificação de falhas, mas também envolve a validação de requisitos, a verificação de desempenho e a avaliação da usabilidade.” (Software, 2024, p.1). Além disso, testes bem planejados aumentam a confiança da equipe durante refatorações e implementações de novas funcionalidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2.2&nbsp;Planejamento da Qualidade</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O planejamento da qualidade é essencial para definir os objetivos, métricas e procedimentos que serão utilizados para garantir a qualidade do software. Isto inclui:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Definição de Métricas</strong>: Estabelecimento de indicadores mensuráveis para avaliar a qualidade, como número de defeitos, cobertura de testes e tempo médio entre falhas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Plano de Qualidade</strong>: Documento que define as atividades, responsabilidades e cronograma relacionados à garantia de qualidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Análise de Riscos</strong>: Identificação proativa de potenciais problemas e desenvolvimento de estratégias para mitigá-los.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Definição de Padrões</strong>: Estabelecimento de padrões de código, documentação e processos a serem seguidos pela equipe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O planejamento adequado proporciona uma base sólida para todas as atividades de QA, permitindo que a equipe trabalhe de forma coordenada e eficiente. “O planejamento da qualidade é essencial para garantir a satisfação dos clientes e a competitividade de uma empresa no mercado.” (Cirius Quality, 2023, p.1)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2.3 Metodologias de Desenvolvimento</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As metodologias de desenvolvimento definem como o processo de criação de software será estruturado e gerenciado. A escolha meticulosa de métodos e ferramentas é fundamental na garantia de qualidade. Essas escolhas devem estar alinhadas à natureza e complexidade dos produtos ou serviços oferecidos pela empresa. No contexto de QA, as metodologias mais eficazes são:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Metodologias Ágeis</strong>: Como Scrum e Kanban, que enfatizam a entrega iterativa, colaboração constante e adaptação às mudanças.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Desenvolvimento Orientado a Testes (TDD)</strong>: Abordagem que prioriza a escrita de testes antes da implementação do código.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Integração Contínua (CI)</strong>: Prática que envolve a integração frequente do código à base principal, com verificação automática da qualidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Entrega Contínua (CD)</strong>: Extensão da CI que permite a entrega rápida e confiável de novas versões para os usuários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A metodologia ágil trouxe transformações significativas para o papel do QA no ciclo de desenvolvimento de software.”&nbsp; (Time da Redação, 2024, p.1).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2.4&nbsp;Automação de Testes</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A automação de testes constitui um componente estratégico do Quality Assurance e tem se tornado cada vez mais essencial em ambientes de desenvolvimento modernos. Este elemento inclui:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Ferramentas de Automação</strong>: Seleção e implementação de ferramentas adequadas para automatizar diferentes tipos de testes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Infraestrutura de Testes</strong>: Criação de ambientes de teste que simulam condições reais de produção.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Pipelines de CI/CD</strong>: Integração de testes automatizados aos pipelines de integração e entrega contínua.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Monitoramento e Análise</strong>: Utilização de ferramentas para monitorar o desempenho dos testes e analisar os resultados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A automação de testes é uma ferramenta poderosa na garantia de qualidade, transformando desafios em oportunidades de melhoria contínua. Ela não apenas acelera os ciclos de desenvolvimento e reduz custos, mas também melhora a qualidade do produto final. À medida que a tecnologia continua a evoluir, a automação de testes se tornará ainda mais crucial, e estar preparado para adotá-la de forma eficaz será um diferencial importante para qualquer equipe de QA.” (ALBUQUERQUE , 2024, p.1).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3 Ferramentas e Tecnologias para Quality Assurance</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Diversas ferramentas e tecnologias estão disponíveis para Quality Assurance:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ferramentas de Gerenciamento de Testes:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Jira</strong>: Para rastreamento de defeitos e gerenciamento de projetos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; TestRail</strong>: Para planejamento de testes, execução e relatórios.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; qTest</strong>: Plataforma completa para gerenciamento do ciclo de vida de testes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ferramentas de Automação de Testes:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Selenium</strong>: Para automação de testes de interface do usuário (UI) em aplicações web.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Cypress</strong>: Ferramenta moderna para automação de testes end-to-end.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Postman/RestAssured</strong>: Para testes de API.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; JMeter</strong>: Para testes de desempenho.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ferramentas de Integração Contínua:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Jenkins</strong>: Servidor de automação de código aberto.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; GitLab CI/CD</strong>: Solução integrada de CI/CD.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; CircleCI</strong>: Plataforma de CI/CD baseada em nuvem.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.4&nbsp;MATERIAIS E MÉTODOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho foi desenvolvido por meio de uma abordagem qualitativa, com uma metodologia descritiva e analítica, com o objetivo de compreender o impacto do Quality Assurance (QA) no contexto empresarial. A etapa descritiva buscou apresentar os principais conceitos e fundamentos do QA, incluindo práticas como testes de software, planejamento estratégico, metodologias ágeis e automação de processos. Para isso, foram utilizados materiais bibliográficos, como artigos científicos, livros técnicos e publicações especializadas em Engenharia de Software e Garantia da Qualidade. Já a etapa analítica consistiu na investigação de casos reais e estudos de empresas que adotaram práticas de QA, com o intuito de examinar seus impactos na qualidade dos processos organizacionais. Essa análise permitiu compreender como cada elemento do QA contribui para a eficiência, confiabilidade e melhoria contínua dentro das organizações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como parte prática da pesquisa, foi desenvolvida uma plataforma educacional voltada ao aprendizado de Quality Assurance, especialmente focada em iniciantes na área. Essa plataforma contempla conteúdos sobre criação de bug reports, automação de testes com Cypress e boas práticas da área, servindo como uma ferramenta complementar à análise teórica, com aplicação prática dos conceitos estudados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>TECNOLOGIAS UTILIZADAS:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>HTML (HyperText Markup Language) &#8211; </strong>Linguagem de marcação utilizada para estruturar o conteúdo da aplicação web.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CSS3</strong> <strong>(Cascading Style Sheets) &#8211; </strong>Folhas de estilo em cascata usadas para definir a aparência visual da plataforma.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>JavaScript (JS) &#8211; </strong>Linguagem de programação responsável pela interatividade da aplicação. Com JavaScript, foi possível manipular dinamicamente elementos da interface e criar uma experiência de usuário mais fluida.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Node.js &#8211; </strong>Ambiente de execução do JavaScript no lado do servidor. Foi utilizado para lidar com funcionalidades de backend, como rotas, requisições HTTP e integração com o banco de dados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>SQLite3 &#8211; </strong>Banco de dados relacional leve e embutido. Ideal para aplicações de pequeno porte como esta plataforma educacional, por não exigir um servidor de banco de dados separado e possuir fácil integração com Node.js.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cypress &#8211; </strong>Ferramenta de automação de testes end-to-end que permite simular interações reais do usuário na aplicação. Foi utilizada como recurso educacional para ensinar como escrever e executar testes automatizados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.5 DESENVOLVIMENTO DO APLICATIVO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Plataforma Educacional de QA é uma aplicação web desenvolvida para ensinar os fundamentos do Quality Assurance de forma prática e interativa. Seu objetivo principal é simular um ambiente realista de gestão de bugs e testes automatizados, permitindo que estudantes e iniciantes em QA vivenciem processos essenciais como reportar falhas, priorizar problemas e acompanhar seu ciclo de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A plataforma oferece quatro módulos principais:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. Reportar Bugs:</strong> Um formulário intuitivo com campos obrigatórios (título, descrição, passos para reprodução) e tooltips explicativos, que orientam o usuário na criação de relatórios eficientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Listagem de Bugs:</strong> Visualização filtrada por prioridade (alta, média, baixa) e status, simulando um sistema de triagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. Testes Automatizados:</strong> Integração com Cypress para demonstrar testes end-to-end (E2E), incluindo simulações de sucesso e falha com feedback visual</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.Boas Práticas:</strong> Guia de boas práticas para testes manuais e automatizados, reforçando conceitos teóricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.5.1&nbsp;REQUISITOS FUNCIONAIS E NÃO FUNCIONAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Requisitos funcionais definem o que o sistema faz (ex: cadastrar bugs, filtrar relatórios). Requisitos não funcionais especificam como deve funcionar (ex: rápido, seguro, responsivo). Os funcionais são ações visíveis (features), enquanto os não funcionais são regras de qualidade (desempenho, usabilidade). Juntos, garantem que a plataforma atenda suas funções com eficiência.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 01 &#8211; </strong>Requisitos Funcionais</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>RF-01</strong> &nbsp; &nbsp;</td><td>Permitir criação de relatórios de bugs com campos obrigatórios (título, descrição, passos para reprodução, prioridade)</td><td>Alta</td></tr><tr><td><strong>RF-02</strong> &nbsp; &nbsp;</td><td>Exibir lista de bugs com filtros por prioridade (alta/média/baixa) e status (aberto/em progresso/corrigido)</td><td>Alta</td></tr><tr><td><strong>RF-03</strong> &nbsp; &nbsp;</td><td>Oferecer tooltips explicativos nos campos do formulário</td><td>Média</td></tr><tr><td><strong>RF-04</strong> &nbsp; &nbsp;</td><td>Permitir exclusão de bugs com confirmação interativa</td><td>Alta</td></tr><tr><td><strong>RF-05</strong> &nbsp; &nbsp;</td><td>Incluir simulação de testes automatizados (Cypress) com demonstração de cenários</td><td>Alta</td></tr><tr><td><strong>RF-06</strong> &nbsp; &nbsp;</td><td>Disponibilizar página educativa com boas práticas de QA</td><td>Média</td></tr></tbody></table><figcaption class="wp-element-caption">Fonte: Autoral(2025)</figcaption></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 02 &#8211; </strong>Requisitos Não Funcionais</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>RF-01</strong></td><td>Funcionar em dispositivos desktop e mobile</td><td>Usabilidade</td></tr><tr><td><strong>RF-02</strong></td><td>Processar exclusões de bugs em &lt;2 segundos</td><td>Performance</td></tr><tr><td><strong>RF-03</strong></td><td>Ser desenvolvido em Node.js + EJS com SQLite</td><td>Tecnologia</td></tr><tr><td><strong>RF-04</strong></td><td>Exibir confirmações para ações críticas</td><td>Segurança</td></tr><tr><td><strong>RF-05</strong></td><td>Executar testes automatizados em &lt;5 segundos</td><td>Performance</td></tr><tr><td><strong>RF-06</strong></td><td>Ser compatível com Chrome, Firefox e Edge</td><td>Compatibilidade</td></tr></tbody></table><figcaption class="wp-element-caption">Fonte: Autoral(2025)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.5.2&nbsp;CUSTO DO PRODUTO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Plataforma Educacional de QA foi desenvolvida com tecnologias de código aberto e baixo custo. O investimento concentra-se principalmente em:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Desenvolvimento (R$1.500,00):</strong> Valor referente à mão de obra para programação, design e testes. 100 horas de trabalho (programação, design e testes) × R$15,00/hora (média para freelancers qualificados em plataformas como 99Freelas ou GetNinjas).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Hospedagem – HostGator Plano Start (R$263,88/ano): </strong>Custo anual para armazenamento e disponibilidade da plataforma.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Domínio (R$40,00/ano): </strong>Valor padrão para registro de domínio .com.br no Brasil (via Registro.br).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manutenção (R$300,00): </strong>Custo estimado para atualizações e suporte caso seja necessário.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 03 &#8211;</strong> Valores</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Desenvolvimento</strong></td><td>R$1.500,00</td></tr><tr><td><strong>Hospedagem (Hostgator Plano Start)</strong></td><td>R$263,88 (ano)</td></tr><tr><td><strong>Domínio</strong></td><td>R$40,00 (ano)</td></tr><tr><td><strong>Manutenção</strong></td><td>R$300,00</td></tr></tbody></table><figcaption class="wp-element-caption">Fonte: Autoral(2025)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.6&nbsp;APLICATIVO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.6.1&nbsp;TELA INICIAL</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A tela inicial da Plataforma Educacional de QA apresenta os principais conceitos de Quality Assurance, destacando três funcionalidades essenciais: relatórios de bugs, testes automatizados e boas práticas.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 2 &#8211; Menus da Plataforma Educacional de QA</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="696" height="297" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-78.png" alt="" class="wp-image-225977" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-78.png 696w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-78-300x128.png 300w" sizes="(max-width: 696px) 100vw, 696px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fonte: Autoral(2025)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.6.2 TELA DE REPORTAR BUG</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A tela de reportar bug é um formulário interativo projetado para ensinar a criação de relatórios de bugs completos. Contém campos obrigatórios como título, descrição detalhada, passos para reprodução e nível de prioridade, acompanhados de tooltips explicativos que orientam o usuário sobre cada campo. <strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 3 &#8211; Passo a passo para reportar um bug</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="708" height="293" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-77.png" alt="" class="wp-image-225976" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-77.png 708w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-77-300x124.png 300w" sizes="(max-width: 708px) 100vw, 708px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fonte: Autoral(2025)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.6.3&nbsp;TELA DE TESTES AUTOMATIZADOS COM CYPRESS &nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A tela de testes automatizados oferece uma demonstração interativa de como funcionam os testes de software na prática. Ela apresenta exemplos reais de testes E2E utilizando Cypress, mostrando tanto cenários de sucesso quanto de falha.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 4 &#8211; Demonstração de Testes Automatizados</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="705" height="303" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-76.png" alt="" class="wp-image-225975" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-76.png 705w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-76-300x129.png 300w" sizes="(max-width: 705px) 100vw, 705px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fonte: Autoral(2025)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.6.4&nbsp;TELA DE BOAS PRÁTICAS DE QUALITY ASSURANCE</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A tela de Boas Práticas de Quality Assurance reúne um guia completo e organizado com as técnicas essenciais para testes manuais e automatizados. Apresenta dicas práticas sobre como escrever relatórios de bugs eficientes, priorizar problemas e planejar casos de teste, utilizando exemplos claros e linguagem acessível.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 5 &#8211; Dicas sobre Quality Assurance</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="709" height="282" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-75.png" alt="" class="wp-image-225974" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-75.png 709w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-75-300x119.png 300w" sizes="(max-width: 709px) 100vw, 709px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fonte: Autoral(2025)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.6.5&nbsp;TELA DE LISTA DE BUGS REPORTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A tela de Lista de Bugs oferece uma visão organizada e prática de todos os problemas reportados na plataforma, apresentando-os em cards individuais com informações essenciais como título, prioridade (alta/média/baixa), status (aberto/em progresso/corrigido) e data de criação.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 6 &#8211; Lista dos bugs reportados</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="707" height="294" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-74.png" alt="" class="wp-image-225972" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-74.png 707w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-74-300x125.png 300w" sizes="(max-width: 707px) 100vw, 707px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fonte: Autoral(2025)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.&nbsp;RESULTADOS ESPERADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo visa demonstrar como o Quality Assurance pode ser uma abordagem eficaz para melhorar a qualidade do software e aumentar a eficiência das equipes de desenvolvimento. Com base em modelos teóricos e estudos prévios sobre QA, espera-se que a implementação dos quatro componentes fundamentais tenha os seguintes impactos:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Redução de Defeitos em Produção</strong>: O QA tem o potencial de diminuir significativamente o número de defeitos que chegam ao ambiente de produção. Ao incorporar testes abrangentes e automação, espera-se que os defeitos sejam identificados e corrigidos precocemente no ciclo de desenvolvimento, o que pode resultar em uma redução de até 80% nos bugs em produção.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aumento da Eficiência das Equipes</strong>: A implementação de processos de QA estruturados pode levar a uma melhoria significativa na eficiência das equipes de desenvolvimento. A integração de testes automatizados e práticas de integração contínua pode reduzir o tempo gasto em tarefas repetitivas, permitindo que os desenvolvedores se concentrem em atividades de maior valor agregado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Melhoria na Experiência do Cliente</strong>: Ao entregar produtos com menos defeitos e maior confiabilidade, espera-se que a satisfação do cliente aumente consideravelmente. A redução de problemas em produção pode levar a uma diminuição nas reclamações de clientes e a um aumento na taxa de retenção, resultando em benefícios financeiros tangíveis para a organização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, espera-se que este estudo contribua para o debate sobre a importância do Quality Assurance no desenvolvimento de software, reforçando seu potencial como uma estratégia fundamental para aumentar a competitividade das organizações e melhorar a qualidade geral dos produtos de software. A pesquisa busca confirmar que, ao investir em QA de forma estruturada, as empresas podem obter retornos significativos, tanto em termos de qualidade quanto em termos financeiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.&nbsp;CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho teve como objetivo destacar a importância do Quality Assurance no desenvolvimento de software, enfocando os quatro componentes fundamentais: testes de software, planejamento, metodologia e automação. Com o avanço da tecnologia e a crescente complexidade dos sistemas, práticas robustas de QA têm se tornado cada vez mais essenciais para garantir a entrega de produtos de alta qualidade e manter a competitividade no mercado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um cenário onde os custos de falhas são cada vez mais altos e a expectativa dos usuários continua a aumentar, o QA se apresenta como uma solução estratégica, capaz de reduzir riscos, aumentar a eficiência e proporcionar uma experiência superior aos clientes. Os quatro componentes abordados neste estudo oferecem um framework abrangente que pode ser adaptado a diferentes contextos organizacionais, permitindo que empresas de todos os tamanhos implementem práticas de qualidade efetivas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em conclusão, este estudo confirma o potencial transformador do Quality Assurance no desenvolvimento de software. Ao investir nos quatro componentes do QA de forma estruturada e integrada, as organizações podem não apenas melhorar a qualidade de seus produtos, mas também obter benefícios financeiros significativos. Quando aplicada de maneira estratégica e consistente, a abordagem de QA se posiciona como uma aliada poderosa na busca pela excelência e inovação, oferecendo um caminho claro para o desenvolvimento de software mais confiável, eficiente e alinhado às necessidades dos usuários.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-black-color has-alpha-channel-opacity has-black-background-color has-background is-style-wide" />



<p class="wp-block-paragraph"><sup>1</sup>“The first major documented IBM FSD application of IID [&#8230;] was the command and control system for the first US Trident submarine [&#8230;] a key success factor.”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>2</sup>&#8220;Software quality assurance (SQA) is a set of activities that defines and assesses the adequacy of software processes to provide quality products. [&#8230;] The implementation of SQA in an organization is directly related to its maturity, significantly influencing business performance and competitive advantages in the market.&#8221;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>3</sup>&#8220;Finding and fixing a software problem after delivery is often 100 times more expensive than finding and fixing it during the requirements and early design phases.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>4</sup>&#8220;If I had to summarize all the principles of software economics in one sentence, it would be: Find and fix problems as early as possible in the software lifecycle.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.&nbsp;REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALBUQUERQUE, G. C. de. A Importância da Automação de Testes em QA: Transformando Desafios em Oportunidade. LinkedIn, 2024. Disponível em: <a href="https://www.linkedin.com/pulse/import%C3%A2ncia-da-automa%C3%A7%C3%A3o-de-testes-em-qa-desafios-geferton-dcpsc"></a>https://www.linkedin.com/pulse/import%C3%A2ncia-da-automa%C3%A7%C3%A3ode-testes-em-qa-desafios-geferton-dcpsc. Acesso em: 6 abr. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BOEHM, B. W. Software Engineering Economics. Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall, 1981. Disponível em:<a href="https://archive.org/details/softwareengineer0000boeh"> </a>https://archive.org/details/softwareengineer0000boeh. Acesso em: 6 abr. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BORG, M.; JONSSON, L.; ENGSTRÖM, E. et al. Adotando a atribuição automatizada de bugs na prática — um estudo de caso longitudinal na Ericsson. Empirical Software Engineering, v. 29, n. 126, 2024. Disponível em:<a href="https://doi.org/10.1007/s10664-024-10507-y"> </a>https://doi.org/10.1007/s10664-024-10507-y. Acesso em: 6 abr. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CIRIUSQUALITY. O que é: Planejamento da Qualidade. 2023. Disponível em:<a href="https://ciriusquality.com.br/glossario/o-que-e-planejamento-da-qualidade/"> </a>https://ciriusquality.com.br/glossario/o-que-e-planejamento-da-qualidade/. Acesso em: 10 abr. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DONABEDIAN, A. The effectiveness of quality assurance. International Journal for Quality in Health Care, [S.l.], v. 8, n. 4, p. 401-407, 1996. Disponível em: https://citeseerx.ist.psu.edu/document?repid=rep1&amp;type=pdf&amp;doi=1524ecab479542fc 201c7fc6c150afd8f0a88a5b. Acesso em: 15 abr. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GAROUSI, V.; MÄNTYLÄ, M. V. When and what to automate in software testing? A multi-vocal literature review. Information and Software Technology, v. 76, p. 92-117, 2016. Disponível em:<a href="https://doi.org/10.1016/j.infsof.2016.04.015"> </a>https://doi.org/10.1016/j.infsof.2016.04.015. Acesso em: 15 abr. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GREGORY, J.; CRISPIN, L. More Agile Testing: Learning Journeys for the Whole Team. Boston: Addison-Wesley Professional, 2015. Disponível em:<a href="https://www.informit.com/store/more-agile-testing-learning-journeys-for-the-whole-9780321967053"> </a>https://www.informit.com/store/more-agile-testing-learning-journeys-for-the-whole-978 0321967053. Acesso em: 20 abr. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JURAN, J. M. Architect of Quality: The Autobiography of Dr. Joseph M. Juran. New York: McGraw-Hill Education, 2004. Disponível em:<a href="https://archive.org/details/architectofquali0000jura"> </a>https://archive.org/details/architectofquali0000jura. Acesso em: 20 abr. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LARMAN, C.; VODDE, B. Iterative and Incremental Development: A Brief History. [S.l.: s.n.], 2003. Disponível em: <a href="https://www.craiglarman.com/wiki/downloads/misc/history-of-iterative-larman-and-basili-ieee-computer.pdf"></a>https://www.craiglarman.com/wiki/downloads/misc/history-of-iterative-larman-and-bas ili-ieee-computer.pdf .Acesso em: 21 abr. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MANDOMBE, J. O que é o Canary Release? E qual a diferença com Blue-Green Deployment? Uma Estratégia Inteligente de Lançamento de Software! LinkedIn, 2023. Disponível em:<a href="https://www.linkedin.com/pulse/o-que-%C3%A9-canary-release-e-qual-diferen%C3%A7a-com-uma-de-jonathan-mandombe"> </a>https://www.linkedin.com/pulse/o-que-%C3%A9-canary-release-e-qual-diferen%C3% A7a-com-uma-de-jonathan-mandombe. Acesso em: 4 maio 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MONTEIRO, J. C&amp;A automatiza processos de qualidade e reduz todo o esforço manual. IP News, 2024. Disponível em: <a href="https://ipnews.com.br/ca-automatiza-processos-de-qualidade-e-reduz-todo-o-esforco-manual/"></a>https://ipnews.com.br/ca-automatiza-processos-de-qualidade-e-reduz-todo-o-esforco -manual/. Acesso em: 4 maio 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MONTGOMERY, D. C. Introduction to Statistical Quality Control. 8. ed. Hoboken: Wiley, 2019. Disponível em:<a href="https://www.wiley.com/en-us/Introduction+to+Statistical+Quality+Control%2C+8th+Edition-p-9781119399308"> </a>https://www.wiley.com/en-us/Introduction+to+Statistical+Quality+Control%2C+8th+Ed ition-p-9781119399308. Acesso em: 6 maio 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MOONEY, G. The History of Quality Assurance. SmartBear, 26 mar. 2013. Disponível em:<a href="https://smartbear.com/blog/the-history-of-quality-assurance/"> </a>https://smartbear.com/blog/the-history-of-quality-assurance/. Acesso em: 7 maio 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PRESSMAN, R. S. Engenharia de Software: uma abordagem profissional. 7. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 2011. Disponível em:<a href="https://idoc.pub/documents/engenharia-de-software-uma-abordagem-profissional-7-ediao-roger-s-pressmanpdf-34m7yz00k846"> </a>https://idoc.pub/documents/engenharia-de-software-uma-abordagem-profissional-7-e diao-roger-s-pressmanpdf-34m7yz00k846. Acesso em: 10 maio 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PRESSMAN, R. S. Engenharia de Software: uma abordagem profissional. 8. ed. Porto Alegre: AMGH, 2016. Disponível em: <a href="https://analisederequisitos.com.br/wp-content/uploads/2023/06/pressman-engenharia-de-software-8a-edicao.pdf"></a>https://analisederequisitos.com.br/wp-content/uploads/2023/06/pressman-engenharia -de-software-8a-edicao.pdf. Acesso em: 10 maio 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOFTWARE. O que é teste de software e por que ele é importante? ProgramaE, 2024. Disponível em:<a href="https://programae.org.br/software/o-que-e-teste-de-software-e-por-que-ele-e-importante/"> </a>https://programae.org.br/software/o-que-e-teste-de-software-e-por-que-ele-e-importa nte/. Acesso em: 10 maio 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOFTWARE. Quais são os principais desafios enfrentados por engenheiros de software? ProgramaE, 2024. Disponível em: <a href="https://programae.org.br/software/quais-sao-os-principais-desafios-enfrentados-por-engenheiros-de-software/"></a>https://programae.org.br/software/quais-sao-os-principais-desafios-enfrentados-por-e ngenheiros-de-software/. Acesso em: 10 maio 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TAYRANE. QA (Quality Assurance): conceito, importância e como aplicar no desenvolvimento de software? Blog Ploomes, 1 jul. 2024. Disponível em:<a href="https://blog.ploomes.com/qa-quality-assurance/"> </a>https://blog.ploomes.com/qa-quality-assurance/. Acesso em: 12 maio 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TIME DA REDAÇÃO. O papel do QA (Quality Assurance) no ciclo de desenvolvimento de software. TSC Informática, 2024. Disponível em: <a href="https://tscinformatica.com.br/2024/08/o-papel-do-qa-quality-assurance-no-ciclo-de-desenvolvimento-de-software/"></a>https://tscinformatica.com.br/2024/08/o-papel-do-qa-quality-assurance-no-ciclo-de-de senvolvimento-de-software/. Acesso em: 12 maio 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WADSWORTH, H. M. Modern Methods for Quality Control and Improvement. 2. ed. Hoboken: Wiley, 2002. Disponível em:<a href="https://www.wiley.com/en-us/Modern+Methods+For+Quality+Control+and+Improvement%2C+2nd+Edition-p-9780471299738"> </a>https://www.wiley.com/en-us/Modern+Methods+For+Quality+Control+and+Improvem ent%2C+2nd+Edition-p-9780471299738. Acesso em: 12 maio 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WALTON, M. The Deming Management Method. New York: Perigee Books, 1988. Disponível em: <a href="https://books.google.com.br/books?id=4tPlxq76ssYC&amp;printsec=frontcover&amp;hl=pt-BR&amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q&amp;f=false"></a>https://books.google.com.br/books?id=4tPlxq76ssYC&amp;printsec=frontcover&amp;hl=pt-BR &amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q&amp;f=false. Acesso em: 15 maio 2025.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide" />



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Faculdade de Tecnologia de São Vicente (FATEF)<br>Bacharelado em Sistemas de Informação<br>São Vicente – S.P. – Brasil</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ALFABETIZAÇÃO DO ALUNO DISLÉXICO E O ATENDIMENTO PSICOPEDAGÓGICO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/alfabetizacao-do-aluno-dislexico-e-o-atendimento-psicopedagogico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft FA]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jun 2025 23:46:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Linguística, Letras e Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 147/JUN 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=225702</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202506302046 Alessandra Lira da Silva, Anna Caroline Hellmann de Melo, Claudia Cristina de Sousa, Maria Dolores Alves Batista de Souza, Edinaura Dantas do Nascimento, Elaine Ines Politowski, Ivanildes Azevedo da Silva Passarinho, Raysla Nathieli Oliveira de Jesus, Rosielma Moraes Resende, Viviany Silva Sales dos Santos RESUMO Este artigo traz em sua abordagem a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202506302046</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Alessandra Lira da Silva, Anna Caroline Hellmann de Melo, Claudia Cristina de Sousa, Maria Dolores Alves Batista de Souza, Edinaura Dantas do Nascimento, Elaine Ines Politowski, Ivanildes Azevedo da Silva Passarinho, Raysla Nathieli Oliveira de Jesus, Rosielma Moraes Resende, Viviany Silva Sales dos Santos</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>RESUMO</strong><strong></strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo traz em sua abordagem a temática das dificuldades com as quais o aluno disléxico convive no desenvolvimento das competências leitoras e escritoras. A Dislexia é um transtorno específico da aprendizagem que marca o processo de aquisição da leitura e escrita ocasionando baixo desempenho quando não identificados e acompanhado de perto. A pesquisa objetiva reconhecer a relevância da atuação do psicopedagogo no atendimento ao aluno que possui dislexia e que se encontra em processo de aprendizagem da leitura e da escrita (alfabetização), para alcançar tal objetivo se faz necessário analisar aspectos que marcam o processo de alfabetização, aprofundar a visão sobre a aprendizagem da leitura e da escrita pelo disléxico, refletir sobre o papel do psicopedagogo frente às dificuldades no aprendizado da leitura e da escrita. A pesquisa se desenvolveu com utilizando como método de pesquisa o estudo bibliográfico de cunho qualitativo, para tanto, foi realizado o levantamento da bibliografia, seleção, leitura e escrita textual. Pelo viés da pesquisa, ficou compreendido que o atendimento ou a intervenção do psicopedagogo é indispensável na medida em que, o mesmo atua de forma particular com cada educando, analisa aspectos de seu desenvolvimento, levanta as dificuldades que marca o desenvolvimento das competências leitoras e escritoras, os limites e possibilidades para então, planejar situações de aprendizagens que possibilite aos alunos disléxicos aprender a ler e a escrever de modo significativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>PALAVRAS-CHAVE: </strong>Aluno disléxico. Leitura e escrita. Dificuldades de aprendizagem. Suporte psicopedagógico.</p>



<h5 class="wp-block-heading">1. INTRODUÇÃO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A Alfabetização é um processo que envolve que envolve o aprendizado da leitura e da escrita – aprendizagens que não são tarefas simples nem de se aprender, nem de se ensinar, isso porque as mesmas envolvem desde aspectos sociais, didáticos, pedagógicos, formação do pensamento por meio de reordenação psicológica, onde o educando mobiliza esquemas internos e externos para poderem se apropriar-se do sistema significo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em virtude de carregar sobre si a responsabilidade de formar leitores e escritores de forma dissociada, a alfabetização carrega sobre si um grande legado, veio sendo permeada por períodos extensos imersa em resultados ineficazes, empurrando os educandos mal alfabetizados para séries seguintes. Com base nesta constatação, é preciso considerar que aprender a ler e a escrever é um processo indispensável, necessário, mas marcado por complexidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao transpor estas complexidades para o aluno disléxico, as dificuldades no aprendizado da leitura e da leitura são maiores, assim, considerando, a questão problema que orienta o desenvolvimento desta pesquisa é qual a importância do atendimento psicopedagógico junto ao aluno disléxico que se encontra no processo de alfabetização? Acredita-se que o psicopedagogo e sua atuação profissional seja um fator-chave que assegura que o aluno disléxico se desenvolva de forma mais significativa quando ao aprendizado da leitura, escrita dentre outras aprendizagens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo é importância crucial na medida em que vem tanto elucidar aspectos relacionados às dificuldades que os alunos disléxicos enfrentam ao aprender a ler e escrever quanto deixa explicita a importância do acompanhamento e da intervenção psicopedagógica direcionada para o disléxico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desse modo, o desenvolvimento deste estudo centra-se no objetivo de reconhecer a relevância da atuação do psicopedagogo no atendimento ao aluno que possui dislexia e que se encontra em processo de aprendizagem da leitura e da escrita (alfabetização), para alcançar tal objetivo se faz necessário analisar aspectos que marcam o processo de alfabetização, aprofundar a visão sobre a aprendizagem da leitura e da escrita pelo disléxico, refletir sobre o papel do psicopedagogo frente às dificuldades no aprendizado da leitura e da escrita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desenvolvimento deste estudo se concretizou por meio da pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa. O levantamento e a seleção dos estudos foram realizados nas plataformas: Scielo, Google, o que permitiu selecionar artigos de revistas eletrônicas e e-<em>book. </em>Como procedimentos técnicos, foram adotados a leitura integral, a análise textual, a contextualização dos dados e informações, para subsequentemente elaborar a redação. Compõem-se assim o referencial teórico as considerações elementares de APA (2014), Bailler e Tomitch (2020), Freire (1987), Lerner (2002), Nascimento (2013) dentre outros, dando assim a sustentação necessária para o desenvolvimento da pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo se organiza através de capítulos no primeiro se faz uma abordagem que apresenta a Alfabetização e Letramento, analisando suas bases conceituais e seus aspectos, em seguida, faz uma abordagem sobre as especificidades da criança disléxica e suas dificuldades de aprendizagens, por fim, faz uma análise sobre o suporte psicopedagógico frente às dificuldades de aprendizagens do alunos com Dislexia.</p>



<h5 class="wp-block-heading">2. <strong>ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">O termo Alfabetização do ponto de vista etimológico significa: levar à aquisição do alfabeto, ou seja, ensinar a ler e a escrever (SOARES, 2004). Deste modo, a especificidade da Alfabetização é a aquisição do código alfabético e ortográfico, através do desenvolvimento das habilidades de leitura e de escrita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Val (2006, p. 19):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] pode-se definir alfabetização como o processo específico e indispensável de apropriação do sistema de escrita, a conquista dos princípios alfabético e ortográfico que possibilitem ao aluno ler e escrever com autonomia. Noutras palavras, alfabetização diz respeito à compreensão e ao domínio do chamado “código” escrito, que se organiza em torno de relações entre a pauta sonora da fala e as letras (e ouras convenções) usadas para representá-la, a pauta, na escrita.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Soares:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] tomando-se a palavra em seu sentido próprio como o processo de aquisição da “tecnologia da escrita”, isto é, do conjunto de técnicas &#8211; procedimentos, habilidades – necessárias para a prática da leitura e da escrita: as habilidades de codificação de fonemas em grafemas e de decodificação de grafemas em fonemas, isto é, o domínio do sistema de escrita (alfabético, ortográfico); [&#8230;] habilidades de uso de instrumentos de escrita (lápis, caneta, borracha, corretivo, régua, de equipamentos como máquina de escrever, computador&#8230;), habilidades de escrever ou ler seguindo a direção correta na página (de cima para baixo, da esquerda para a direita), habilidades de organização espacial do texto na página, habilidades de manipulação correta e adequada dos suportes em que se escreve e nos quais se lê &#8211; livro, revista, jornal, papel sob diferentes apresentações e tamanhos (folha de bloco, de almaço, caderno, cartaz, tela do computador&#8230;). Em síntese: alfabetização é o processo pelo qual se adquire o domínio de um código e das habilidades de utilizá-lo para ler e escrever, ou seja: o domínio da tecnologia – do conjunto de técnicas – para exercer a arte e ciência da escrita (SOARES, 2003, p. 80).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">É, pois, no e pelo processo de alfabetização que o sujeito educativo aprende a ler e escrever, ao se fazer um resgate histórico, constata-se que a leitura e a escrita surgiram em virtude da necessidade de comunicação.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] alfabetizar e letrar são duas ações distintas, mas não inseparáveis, ao contrário: o ideal seria alfabetizar letrando, ou seja: ensinar a ler e escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita, de modo que o indivíduo se tornasse, ao mesmo tempo, alfabetizado e letrado (SOARES, 2004, p. 47).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto a alfabetização se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupo de indivíduos, “o letramento focaliza os aspectos sócio históricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade.” (TFOUNI, 1995, apud, MORAES, 2005, p.4).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] Pretendemos demonstrar que a aprendizagem da leitura, entendida como questionamento a respeito da natureza, função e valor deste objeto cultural que é a escrita, inicia-se muito antes do que a escola imagina, transcorrendo por insuspeitados caminhos. Que além dos métodos, dos manuais, dos recursos didáticos, existe um sujeito que busca a aquisição de conhecimento, que se propõe problemas e trata de solucioná-los, segundo sua própria metodologia&#8230; Insistiremos sobre o que se segue: trata-se de um sujeito que procura adquirir conhecimento, e não simplesmente de um sujeito disposto ou mal disposto a adquirir uma técnica particular. Um sujeito que a psicologia da lecto-escrita esqueceu [&#8230;] (FERREIRO; TEBEROSKY, 1986, p. 11).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Aprender a ler, a escrever, alfabetizar-se é, antes de tudo, aprender a ler o mundo, compreender o seu contexto, “não numa manipulação mecânica de palavras, mas numa relação dinâmica que vincula linguagem e realidade” (FREIRE, 1987, p. 08).<br>Soares (2004, p. 106) afirma:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] na vida cotidiana, eventos e práticas de letramento surgem em circunstâncias da vida social ou profissional, respondem a necessidades ou interesses pessoais ou grupais, são vividos e interpretados de forma natural, até mesmo espontânea; na escola, eventos e práticas de letramento são planejados e instituídos, selecionados por critérios pedagógicos, com objetivos predeterminados, visando à aprendizagem e quase sempre conduzindo a atividades de avaliação.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Lerner (2002, p. 17, 18) salienta que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O necessário é fazer da escola uma comunidade de leitores que recorrem aos textos buscando resposta para os problemas que necessitam resolver, tratando de encontrar informação para compreender melhor algum aspecto do mundo que é o objeto de suas preocupações, buscando argumentos para defender uma posição com a qual estão comprometidos, ou para combater outra que consideram perigosa ou injusta, desejando conhecer outros modos de vida, identificar-se com outros autores e personagens ou se diferenciar deles, viver outras aventuras, inteirar-se de outras histórias, descobrir outras formas de utilizar a linguagem para criar novos sentidos&#8230; O necessário é fazer da escola uma comunidade de escritores que produzem seus próprios textos para mostrar suas idéias, para informar sobre fatos que os destinatários necessitam ou devem conhecer, para incitar seus leitores a empreender ações que consideram valiosas, para convencê-los da validade dos pontos de vista ou das propostas que tentam promover, para protestar ou reclamar, para compartilhar com os demais uma bela frase ou um bom escrito, para intrigar ou fazer rir&#8230; O necessário é fazer da escola um âmbito onde leitura e escrita sejam práticas vivas e vitais, onde ler e escrever sejam instrumentos poderosos que permitem repensar o mundo e reorganizar o próprio pensamento, onde interpretar e produzir textos sejam direitos que é legítimo exercer e responsabilidades que é necessário assumir.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa perspectiva, para que aprender a ler e escrever ocorra de maneira significativa torna-se imprescindível a utilização de métodos, estratégias e recursos distintos no processo de mediação para que as crianças possam desenvolver de habilidades e competências lecto-escritoras.</p>



<h5 class="wp-block-heading">2.1 <strong>A criança disléxica e suas dificuldades de aprendizagens</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">A dislexia é um distúrbio marcado tipicamente por dificuldades no processo de decodificação dos signos linguísticos afetando diretamente o aprendizado da leitura e da escrita. Em face disto, o docente por si só não conseguirá mediar de forma qualitativa os processo de alfabetização e letramento, se fazendo necessária a intervenção psicopedagógica criteriosa capaz de garantir que os educadores disléxicos tenham assegurado o seu direito a aprender expressivamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dislexia é um distúrbio de linguagem que afeta o processo de decodificação de palavras e que desencadeia falhas no processo de alfabetização e letramento. Do ponto de vista neurobiológico, pesquisas e estudos realizados ainda não conseguiram apontar uma causa específica para esse transtorno, entretanto exames e testes realizados em crianças disléxicas permitiram identificar os principais seus principais sinais e sintomas conforme se apresenta no quadro 01:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Quadro 01: Sinais e sintomas da Dislexia</p>



<figure class="wp-block-table is-style-regular"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Primeira Infância: 0 a 6 Anos</td><td>&#8211; Atraso no desenvolvimento motor desde a fase do engatinhar, sentar e andar;<br>&#8211; Atraso ou deficiência na aquisição da fala, desde o balbucio à pronúncia de palavras;<br>&#8211; Dificuldade aparente para a criança entender o que está ouvindo;<br>&#8211; Distúrbios do sono;<br>&#8211; Enurese noturna;<br>&#8211; Suscetibilidade a alergias e a infecções;<br>&#8211; Tendência a hiper ou a hipo-atividade motora;<br>&#8211; Choro recorrente e aparente inquietação ou agitação;<br>&#8211; Dificuldades de adaptação nos primeiros anos escolares</td></tr><tr><td>&nbsp; &nbsp; A partir dos 07 Anos</td><td>&#8211; Extrema lentidão ao fazer os deveres ou ocorrência de muitos erros nas tarefas pelo fato de terem sido feitas rapidamente; · <br>&#8211; Pobre compreensão do texto ou falta de leitura do que escreve;<br>&#8211; Inadequação da fluência em leitura para a idade;<br>&#8211; Invenção, acréscimo ou omissão de palavras ao ler e ao escrever;<br>&#8211; Preferência por leitura silenciosa;<br>&#8211; Letra mal grafada e, até, ininteligível; borrões ou ligação entre as palavras;<br>&#8211; Omissão, acréscimo, troca ou inversão da ordem e da direção de letras e sílabas;<br>&#8211; Esquecimento daquilo que aprendera muito bem, em poucas horas, dias ou semanas;<br>&#8211; Maior facilidade, capacidade de bem transmitir o que sabe através de exames orais;<br>&#8211; Grande imaginação e criatividade;<br>&#8211; Capacidade de desligar-se facilmente de qualquer contexto;<br>&#8211; Falta de concentração da atenção em um só estímulo; <br>&#8211; Baixa autoimagem e autoestima; em geral, não gosta de ir à escola;<br>&#8211; Esquiva de ler, especialmente em voz alta;<br>&#8211; Dificuldade para lidar com as noções de espaço e tempo;<br>&#8211; Sempre perde e esquece seus pertences;<br>&#8211; Mudanças bruscas de humor;<br>&#8211; Impulsividade e interrupção dos demais para falar;<br>&#8211; Timidez, sob pressão, pode falar o oposto do que desejaria;<br>&#8211; Confusão entre direita e esquerda, em cima e em baixo; na frente e atrás;<br>&#8211; Lateralidade cruzada; muitos são canhestros e outros ambidestros;<br>&#8211; Dificuldade para ler as horas, para sequências como dia, mês e estação do ano;<br>&#8211; Boa memória longa, mas pobre memória imediata, curta e de médio prazo;<br>&#8211; Pensamento por meio de imagem e sentimento, não com o som de palavras;<br>&#8211; Extremamente desordenado, seus cadernos e livros são borrados e amassados;<br>&#8211; Tolerância muito alta ou muito baixa à dor;<br>&#8211; Muito sensível e emocional, busca sempre a perfeição que lhe é difícil atingir;<br>&#8211; Dificuldades para andar de bicicleta, para abotoar, para amarrar o cordão dos sapatos;<br>&#8211; Dificuldades extrema para manter o equilíbrio e fazer exercícios físicos; Intolerância a muito barulho, o disléxico se sente confuso &#8211; desliga-se e age como se estivesse distraído nesse contexto.</td></tr></tbody></table><figcaption class="wp-element-caption">                                                                                         Fonte: Veras (2013)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Na perspectiva do Manual <em>American Psyquiatric Association </em>&#8211; DSM-5 (2014) considera-se além dos sintomas supramencionados, é relevante se ater aos seguintes critérios:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Constância da dificuldade por pelo menos 6 meses (apesar de intervenção dirigida);</li>



<li><span style="font-size: 1rem">Habilidades acadêmicas substancial e qualitativamente abaixo do esperado para a idade cronológica (confirmado por testes individuais e avaliação clínica abrangente);</span></li>



<li>As dificuldades se iniciam durante os anos escolares, mas podem não se manifestar completamente até que as exigências acadêmicas excedam a capacidade limitada do indivíduo, como, por exemplo: baixo desempenho em testes cronometrados; leitura ou escrita de textos complexos ou mais longos e com prazo curto; alta sobrecarga de exigências acadêmicas;</li>



<li>As dificuldades não são explicadas por deficiências, transtornos neurológicos, adversidade psicossocial, instrução acadêmica inadequada ou falta de proficiência na língua de instrução acadêmica.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A Dislexia é um transtorno que pode também estar relacionada a outras disfunções de aprendizagem como a disgrafia: retrocesso no desenvolvimento da escrita, especialmente em escrita cursiva; discalculia: dificuldades na realização de cálculos por falta de compreensão no enunciado das questões; TDAH: marcado pela manifestação da desatenção, inquietude e impulsividade; dispraxia: acomete o equilíbrio, a coordenação, a linguagem e o pensamento; dentre outras morbidades (CABRAL; PINHEIRO, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conhecer a sintomatologia é, sem dúvida, é um pré-requisito necessário para o planejamento e a intervenção no aprendizado da leitura e da escrita, duas competências necessárias que possibilitam à criança a sua inserção mundo e a aquisição de conhecimentos históricos e sociais acumulados pela humanidade. São aprendizagens que devem ocorrer de forma qualitativa, assim considerando e, tendo em vista que a dislexia por levar o educando a conviver com dificuldades que interferem no aprendizado destas duas competências faz-se necessário, compreendê-la.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No ato de ler o leitor ativa três sistemas no cérebro compostos por estruturas visuais e auditivas – a região inferior frontal, a parietal temporal e a occipital-temporal (BAILER; TOMITCH, 2020). Cada uma dessas regiões possui uma função específica: a inferior frontal possibilita ao leitor articular os fonemas, a parietal temporal tem ênfase o exame das palavras e a occipital temporal propicia a realização automática da leitura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando há alguma falha em qualquer uma destas áreas o desenvolvimento da leitura e da escrita se vê comprometido. Logo, os leitores iniciantes que não possuem dislexia acionam de forma cíclica os sistemas neurológicos que envolvem a região parietal temporal analisando as palavras, em seguida ativa o sistema frontal e finalizam com o sistema occipital temporal. Já os disléxicos ativam este circuito de forma diferente: acionam com mais frequência a área anterior ou frontal para super estimular&nbsp;&nbsp;&nbsp; as outras duas áreas, em virtude dessa inversão que as crianças disléxicas enfrentam as dificuldades no desenvolvimento das competências leitoras e escritoras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tendo em vista a gama de dificuldades com as quais as crianças disléxicas convivem, o psicopedagogo necessita analisar cada criança que integra o espaço escolar, caso a caso para identificar quais os âmbitos do ensino da leitura e da escrita necessitam de intervenção, e, em conjunto com o docente elaborar estratégias de ensino que venham contribuir para com a superação das dificuldades.</p>



<h5 class="wp-block-heading">2.2 <strong>O suporte psicopedagógico frente às dificuldades de aprendizagens do disléxicos</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">A atuação psicopedagógica no rol da Educação Infantil, pré-escola ou Ensino Fundamental seja numa perspectiva preventiva ou terapêutica, devem focar-se na identificação, compreensão e solução para as causas do não aprendizado, que podem advir de fatores diversos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre estes se inclui, estruturas familiares não adequadas às necessidades de desenvolvimento das crianças, dificuldades na aquisição das habilidades de leitura e escrita, de cálculo, de raciocínio, de concentração, de memorização ou ainda:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] falta de professores sem capacitação habilitada para desenvolver nas crianças e/ou adolescentes metodologias eficientes para que possam despertar neles o interesse pelo saber nas diversas áreas dos campos do conhecimento humano (FREITAS &amp; NÓBREGA, 2021, p. 20).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, é preciso que o psicopedagogo desenvolva ações pautadas no caráter ético desenvolvendo ações voltadas para o sistema educativo, os alunos, suas famílias, o contexto escolar, observando, analisando, refletindo e tomando as decisões necessárias para intervir na realidade e modifica-la, uma vez que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Ao psicopedagogo não interessam as questões de estrutura da personalidade, enquanto estas não afetam de forma que manifesta o vínculo do indivíduo com a aprendizagem. Da mesma forma, o psicopedagogo não trabalha especificadamente com conteúdos escolares e formas. Mas antes com situações cognitivas, com o próprio processo de pensamento, de construção do conhecimento e solução de problemas. Procura-se o resgate do prazer em aprender, não para a escola, ou para a família, mas para a vida da criança (CAMPOS, 2002, p. 21).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">As situações cognitivas, o modo como os indivíduos aprendem, as dificuldades com as quais os educandos convivem e que impactam negativamente sobre a aprendizagem, são de forma direta o objeto de ocupação do psicopedagogo para que assim busquem soluções eficazes para os nãos aprendizados, pois, o psicopedagogo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] é o profissional indicado para assessorar e esclarecer a escola a respeito de diversos aspectos do processo de ensino-aprendizagem e tem uma atuação preventiva. Na escola, o psicopedagogo poderá contribuir no esclarecimento de dificuldades de aprendizagem que não têm como causa apenas deficiências do aluno, mas que são consequências de problemas escolares. Seu papel é analisar e assinalar os fatores que favorecem, intervêm ou prejudicam uma boa aprendizagem em uma instituição. Propõe e auxilia no desenvolvimento de projetos favoráveis às mudanças educacionais, visando evitar processos que conduzam às dificuldades da construção do conhecimento. (NASCIMENTO, 2013, p. 01).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Essa contribuição trazida por Nascimento é relevante na medida em que, há a tendência de se associar as dificuldades de aprendizagens como, apenas aquelas com as quais os alunos da inclusão ou da Educação Especial convivem, excluindo assim, as dificuldades dos demais alunos e que também são objeto de ocupação do psicopedagogo, que deve não somente identificar as dificuldades, compreender suas causas, e isso se dá por meio do diagnóstico que é:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Composto de vários momentos que temporal e espacialmente tomam dimensões diferentes conforme a necessidade de cada caso. Assim, há momentos de anamnese só com os pais, de compreensão das relações familiares em sessão com toda a família presente, de avaliação da produção pedagógica e de vínculos com objetos de aprendizagem escolar, busca da construção e funcionamento das estruturas cognitivas (diagnóstico operatório), desempenho em testes de inteligência e visomotores, análise de aspectos emocionais por meio de testes expressivos, sessões de brincar e criar. Tudo isso pode ser estruturado numa sequência diagnóstica estabelecida a partir dos primeiros contatos com o caso (WEISS, 2004, p. 35).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A partir deste minucioso mapeamento, o psicopedagogo compreende o quadro sintomatológico das dificuldades e dos desafios enfrentados pelos educados e, a partir disso, compreende que é na alfabetização que disléxico apresenta sua maior dificuldade, justamente em virtude disso, é preciso um olhar atento para a escolha do método a ser utilizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É consenso entre os estudiosos que, dentre os métodos de alfabetização, os que melhores resultados apresentam sejam o método fônico e o método multissensorial. O fônico é mais apropriado para o início da alfabetização e contém os objetivos de desenvolver as aptidões metafonológicas e ensinar correlações grafofonêmicas, o que se justifica na medida em que é comum ao disléxico apresentar complicações em manipular, segmentar e distinguir os sons da fala, por isso, logo, as atividades de consciência fonológica auxiliam na compreensão das relações entre letras e sons (MELLO, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">É preciso proporcionar aos educando situações de aprendizagens que leve os educandos disléxicos a desenvolver a consciência fonológica de forma lúdica, sistemática partindo das estruturas mais simples para as mais complexas: apresentar as vogais, seguir para as consoantes de som único (f, j, m, n, v, z), consoantes que apresentam mais de um som (l, s, r, x), consoantes de difícil declamação (b, c, p, d, t, g, q), consoantes pouco utilizadas (k, w, y), os dígrafos (ch, nh, lh, rr, ss, gu, qu) junto com o cedilha e, por fim, os encontros consonantais (RIBEIRO, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O método multissensorial tem por finalidade o desenvolvimento da linguagem escrita, ao ser utilizado com o educando disléxico, combina-se as diferentes modalidades sensoriais (auditiva, visual, sinestésica e tátil) unificando os aspectos auditivos &#8211; forma fonológica; aspectos visuais &#8211; forma ortográfica, sinestésicos &#8211; movimentos necessários para escrever a palavra. Posteriormente o método sensorial passou por uma mudança e a ênfase do ensino passou a recair-se sobre as relações entre letras e sons, acrescentando as unidades gradativamente para palavras, e depois para frases (MELLO, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">E assim, o psicopedagogo de posse de todos estes conhecimentos auxilia no desenvolvimento do educando disléxico elaborando o planejamento de situações didáticas para serem aplicadas junto ao educando de forma particular ou ainda orientando os professores regentes a modificarem os rumos de sua ação pedagógica para que os educandos disléxicos tenham assegurado reais possibilidades de aprender a ler e escrever de forma qualitativa.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>3. CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Com o findar da pesquisa ficou ratificado que crianças disléxicas possuem no geral mais dificuldades no aprendizado da leitura e da escrita (Alfabetização e Letramento), para além daquelas que são habituais, somam-se as específicas que cada aluno disléxico possui. Tais dificuldades em sua maioria trazem implicações diversas para o processo de aprendizagem, algumas vezes retardando-o, outras vezes gerando fracassos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para subsidiar o educando nesse processo, é elementar o acompanhamento psicopedagógico, este deve ser promovido através da oferta de um atendimento centrado no aluno, em suas dificuldades, através de uma atuação profissional competente e ética, deve partir da realidade do educando, das dificuldades com as quais o mesmo convive e que impõem barreira no desenvolvimento das competências leitoras e escritoras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, fica claro que, o psicopedagogo é um profissional indispensável que pode em muito contribuir para com a formação da competência leitora e escritora, mas isso pressupõe um trabalho minucioso junto ao educando disléxico a fim de conhecê-lo, compreendê-lo, identificar as dificuldades com as quais convivem, seus limites e possibilidades, para posteriormente, planejar uma intervenção direta para e com o disléxico, permitindo ao mesmo vivenciar situações didáticas carregadas de possiblidades de aprendizagens, auxiliando no processo de se tornarem leitores e escritores.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>4. REFERÊNCIAS</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">American Psychiatric Association (APA<strong>). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: </strong>DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BAILER, Cyntia, TOMITCH, Lêda Maria Braga. <strong>Leitura no cérebro: </strong>processos no nível da palavra e da sentença. Cadernos de Tradução [online]. 2020, v. 40, n. spe2, p. 149-184. Disponível em: &lt;https://doi.org/10.5007/2175-7968.2020v40nesp2p149. Acesso em 30 de agosto 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CABRAL, Leonor Scliar; PINHEIRO, Ângela Maria Vieira. Dislexia: causas e consequências. Minas Gerais: Belo Horizonte, 2017. 64 p. Disponível em: http://dislexiabrasil.com.br/docs/Baixar_o_e-book.pdf . Acesso em: 25 de agosto de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CAMPOS, W. C. M. Psicopedagogo: um generalista especialista em problemas, aprendizagem- IN: Bossa, N.A (org.); Oliveira. B(org.). <strong>Avaliação psicopedagógica da criança zero a seis anos. </strong>11 ed. Petrópolis: Vozes, 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FERREIRO, E. TEBEROSKY, A. <strong>Psicogênese da língua escrita</strong>. Tradução de Diana Myriam Lichtenstein et al. Porto Alegre: Artes Médicas, 1986.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FREIRE, P. <strong>A importância do ato de ler: </strong>em três artigos que se completam. 15. ed. São Paulo: Cortez / Autores, Associados, 1987.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FREITAS, Maria Jailma Vieira de. NOBREGA, Faciene da Silva. O papel do psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem de leitura e escrita. <strong>Redes: </strong>Revista Educacional da Sucesso. Vol 1, n.1, 2021. Disponível em: https://facsu.edu.br/revista/wp-content/uploads/2021/06/2.pdf Acesso em 20 de agosto 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LERNER, Delia; trad. Ernani Rosa. <strong>Ler e Escrever na Escola: </strong>o real, o possível e o imaginário. Porto Alegre: Artmed, 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LOMONICO, Circe Ferreira. <strong>Psicopedagogia: </strong>Teoria e Prática.1ª edição. São Paulo: EDICON, 1992.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MELLO, Adriana C. Leão. Métodos e técnicas para auxiliar o aluno disléxico no contexto escolar. 2018. 99 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Educação: Educação Especial, Domínio Cognitivo e Motor) – Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa, Porto, 2018. Disponível em: https://bdigital.ufp.pt/bitstream/10284/6872/1/DM_Adriana%20Mello.pdf Acesso em 20 de agosto 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MORAES, M.G. Alfabetização – <strong>Leitura do Mundo, Leitura da Palavra – E Letramento: </strong>algumas&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aproximações, 2005. Disponível&nbsp;em: &lt;http://www.sicoda.fw.uri.br/revistas/artigos/1_3_26.pdf&gt; Acesso em 15 de agosto 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NASCIMENTO, F.D. <strong>O papel do Psicopedagogo na instituição escolar. </strong>Trabalho apresentado como requisito parcial para aprovação na disciplina de Psicopedagogia, Curso de Psicologia, Faculdade Integrada Aparício Carvalho (FIMCA), 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOARES, M. <strong>Letramento e alfabetização: </strong>as muitas facetas. Trabalho apresentado na 26° Reunião Anual da ANPED, Minas Gerais, 2003. </p>



<p class="wp-block-paragraph">_______________________ <strong>Alfabetização e Letramento</strong>. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VAL, Maria da Graça Costa. O que é ser alfabetizado e letrado? 2004. In: CARVALHO, Maria Angélica Freire de (org.). <strong>Práticas de Leitura e Escrita</strong>. 1. Ed. Brasília: Ministério da Educação, 2006.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VERAS, Fernanda de Carvalho. <strong>A dislexia e a linguagem com foco na leitura e produção textual</strong>. 2013. Disponível em: Acesso em 15 de agosto 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WEISS, Maria Lucia Lemme. <strong>Psicopedagogia clínica: </strong>uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. Rio de Janeiro: DP &amp; A, 2004.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



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			</item>
		<item>
		<title>EDUCAÇÃO INCLUSIVA E O AUTISMO: PARADIGMAS, DESAFIOS E POSSIBILIDADES</title>
		<link>https://revistaft.com.br/educacao-inclusiva-e-o-autismo-paradigmas-desafios-e-possibilidades/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft DT]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jun 2025 22:00:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Humanas]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 147/JUN 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=226098</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202506301622 Maria Inês Ferreira da Silva1; Graciete Nascimento Barbosa2; Werusca de Paula Fernandes de Araújo3; Eliane do Socorro Ferreira da Silva4; Edna de Oliveira Morais5; Kim Eduarda Simôa Rodrigues6; Inara Furtado Salgado de Moura7; Regiane de Paula Ferreira da Silva8; Aylla Jamylly Santiago Nunes9; Maria de Nazaré Pinheiro Sanches10 RESUMO O presente artigo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202506301622</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide" />



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Maria Inês Ferreira da Silva<sup>1</sup>; Graciete Nascimento Barbosa<sup>2</sup>; Werusca de Paula Fernandes de Araújo<sup>3</sup>; Eliane do Socorro Ferreira da Silva<sup>4</sup>; Edna de Oliveira Morais<sup>5</sup>; Kim Eduarda Simôa Rodrigues<sup>6</sup>; Inara Furtado Salgado de Moura<sup>7</sup>; Regiane de Paula Ferreira da Silva<sup>8</sup>; Aylla Jamylly Santiago Nunes<sup>9</sup>; Maria de Nazaré Pinheiro Sanches<sup>10</sup></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente artigo tem como objetivo analisar os paradigmas enfrentados pela educação inclusiva no contexto do Transtorno do Espectro Autista – TEA &#8211; , discutindo os desafios e as possibilidades de efetivação da inclusão escolar. A pesquisa se fundamenta em revisão bibliográfica, explorando contribuições de estudiosos da área da educação, neuropsicologia e políticas públicas. O estudo evidencia que, embora haja avanços normativos e pedagógicos, persistem barreiras estruturais, formativas e atitudinais que dificultam a plena inclusão de alunos autistas. Ao final, defende-se a urgência de uma escola verdadeiramente inclusiva, capaz de reconhecer e valorizar a diversidade como princípio educativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Palavras-chave: Autismo; Educação Inclusiva; Inclusão Escolar; Paradigmas; Políticas Públicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong></strong>A educação inclusiva constitui um dos maiores desafios e, ao mesmo tempo, uma das mais urgentes necessidades das sociedades contemporâneas. Entre os diversos públicos atendidos por essa modalidade de ensino, destaca-se o grupo de estudantes diagnosticados com Transtorno do Espectro autista – TEA &#8211; , cuja presença crescente nas escolas tem impulsionado reflexões profundas sobre a estrutura, as práticas pedagógicas e a formação dos profissionais da educação. embora as políticas públicas nacionais e internacionais tenham avançado na promoção de direitos educacionais iguais para todos, a efetivação plena da inclusão de alunos autistas ainda esbarram em múltiplos obstáculos teóricos e práticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário, este estudo tem como objetivo investigar os principais paradigmas enfrentados na inclusão escolar de alunos com TEA, analisando os desafios enfrentados no cotidiano escolar e propondo alternativas viáveis para tornar a educação mais acessível, equitativa e significativa. A hipótese que orienta esta investigação sustenta que, apesar da existência de diretrizes legais favoráveis, a concretização da inclusão efetiva de estudantes autistas é limitada por fatores como a insuficiente formação dos docentes, a resistência das instituições escolares à mudança e as dificuldades para adaptar o currículo às necessidades específicas desses alunos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relevância desta pesquisa reside na sua contribuição para o debate educacional contemporâneo, à medida que promove uma análise crítica sobre as práticas inclusivas e reforça a importância de um sistema educacional que reconheça e respeite a diversidade. Ao refletir sobre os entraves enfrentados por alunos com TEA, o estudo aponta caminhos possíveis para a construção de uma escola verdadeiramente inclusiva na qual cada sujeito seja valorizado em sua individualidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que se refere à metodologia, esta pesquisa adota uma abordagem qualitativa, baseada em revisão bibliográfica. Foram consultadas obras clássicas e contemporâneas da área da educação e da psicologia, legislações vigentes – como a Lei Brasileira de Inclusão e a Política Nacional de Educação Especial – além de artigos científicos publicados em periódicos especializados. A partir dessa base teórica, busca-se compreender a complexidade da inclusão de alunos com TEA e propor alternativas que ampliem o alcance das políticas educacionais inclusivas no contexto brasileiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong></strong>A educação inclusiva é um paradigma educacional que se fundamenta no reconhecimento da diversidade como valor na construção de uma escola que acolhe a todos, sem exceções. Ela rompe com o modelo excludente que historicamente segregou alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento ou outras condições específicas de aprendizagem em espaços separados do ensino regular. A proposta inclusiva busca garantir a equidade no acesso, permanência e sucesso escolar, promovendo uma educação que respeite as diferenças e assegure a participação plena de todos os estudantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista legal, a educação inclusiva é respaldada por instrumentos internacionais, como a Declaração de Salamanca (1994), que estabeleceu princípios, políticas e práticas para as necessidades educacionais especiais. O documento afirma que “as escolas regulares com orientação inclusiva são os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias, criar comunidades acolhedoras, construir uma sociedade inclusiva e alcançar educação para todos” (UNESCO, 1994, p. 9). No Brasil, a Constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional &#8211; nº 9394/1996 e a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, nº 13.146/2015, oferecem o amparo normativo necessário para que a educação inclusiva se efetive.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Mantoan (2006), uma das principais pensadoras brasileiras da educação inclusiva, o fundamento da inclusão está na ética da convivência e no reconhecimento da escola como espaço de todos. Para a autora, “a escola inclusiva é aquela que não espera que o aluno se adapte a ela, mas que se transforma para atender às necessidades de todos os seus alunos” (MANTOAN, 2006, p. 36). Isso implica uma mudança de mentalidade que ultrapassa a mera inserção física do aluno em sala de aula, exigindo revisão de práticas pedagógicas, reorganização curricular e investimento na formação continuada dos professores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contrapondo-se às concepções medicalizantes que historicamente atribuíram à criança a responsabilidade por suas dificuldades de aprendizagem, a perspectiva inclusiva desloca o foco da deficiência para as barreiras impostas pelo ambiente escolar. De acordo com Mittler (2003, p. 58), “a verdadeira inclusão não se limita à presença física do aluno, mas à sua participação efetiva no processo de aprendizagem e à valorização de suas potencialidades”. Nessa lógica, a escola deixa de ser um espaço de homogeneização e passa a reconhecer o direito à diferença como princípio pedagógico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pedagogia inclusiva, nesse contexto, propõe práticas diversificadas que consideram os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem dos alunos. Segundo Carvalho (2004), o ensino deve ser pautado pela flexibilização curricular, uso de recursos pedagógicos acessíveis, mediações personalizadas e avaliação processual. “A educação inclusiva não significa tratar todos da mesma forma, mas garantir que todos sejam tratados com equidade, respeitando suas singularidades” (CARVALHO, 2004, p, 76). Assim, a prática docente torna-se um exercício constante de adaptação, criatividade e escuta ativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, a efetivação da educação inclusiva não está isenta de desafios. A ausência de formação adequada, a falta de recursos materiais e humanos, e a resistência cultural ainda presentes em muitas instituições escolares dificultam a implementação de práticas inclusivas. Como aponta Sassaki (2010, p. 92), “a inclusão é um processo que exige mudança de atitudes, revisão de valores e práticas, e reconstrução das concepções sobre normalidade e deficiência”. Portanto, para além das políticas e legislações, é necessário um compromisso ético e político com a transformação social e educacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, os fundamentos da educação inclusiva se baseiam em princípios de equidade, respeito à diversidade, justiça social e direitos humanos. Trata-se de uma abordagem que propõe a ruptura com modelos segregados e aposta na construção de uma escola para todos, que reconhece e valoriza cada sujeito em sua inteireza. Os teóricos e os marcos legais apontam caminhos para sua consolidação, mas o desafio maior reside na superação das barreiras atitudinais, culturais e estruturais que ainda impedem sua plena realização.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NA EDUCAÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong></strong>O Transtorno do Espectro autista é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades persistentes na comunicação e na interação social, bem como por padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesse e atividades. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais –DSM-5, publicado pela American Psychiatric Association (2014), agrupa os diferentes níveis de comprometimento sob a denominação “espectro”, evidenciando a amplitude e diversidade de manifestações do autismo. Na prática educacional, essa diversidade exige um olhar atento, sensível e individualizado, com foco na potencialização das habilidades e na superação das barreiras de aprendizagem e participação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Grandin (2013, p. 48), autora e ativista autista, as pessoas com TEA possuem modos únicos de perceber o mundo, sendo capazes de apresentar habilidades excepcionais em áreas específicas, como memória, lógica ou artes visuais. Ela afirma: “Sou diferente, não menos. Vejo o mundo em detalhes, como se fosse uma série de imagens em alta definição”. A fala da autora reforça a importância de reconhecer as potencialidades dos alunos autistas e não apenas suas limitações, adotando estratégias pedagógicas que favoreçam a expressão de suas competências em ambientes escolares inclusivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ingresso de estudantes com TEA nas escolas regulares, garantido por legislações, têm provocado uma série de debates sobre a adequação das práticas pedagógicas às necessidades desses alunos. Embora o direito ao acesso esteja assegurado, o desafio atual reside na efetiva participação e aprendizagem desses sujeitos no cotidiano escolar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Amaral e Rosa (2020), a presença de alunos com TEA nas salas comuns ainda é marcada por exclusões sutis, que ocorrem tanto de formação específica dos professores quanto por ausência de apoio especializado. “O modelo atual, muitas vezes, insere o aluno com autismo fisicamente, mas não promove sua inclusão simbólica e afetiva nas interações e nas propostas curriculares” (AMARALA; ROSA, 2020, p. 89). Assim, é fundamental pensar a inclusão não apenas como um ato de matrícula, mas como um processo contínuo de construção de pertencimento e aprendizagem significativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a atuação do professor assume papel central. A literatura aponta que muitos docentes ainda se sentem despreparados para lidar com os desafios pedagógicos impostos pelo autismo, o que pode levar à reprodução de práticas excludentes. Como aponta Oliveira (2018, p. 52), “a formação inicial ainda carece de disciplinas específicas que abordem os transtornos do neurodesenvolvimento, o que compromete a atuação inclusiva do educador”. A formação continuada, portanto, torna-se indispensável para instrumentalizar o professor com conhecimentos teóricos, práticos e éticos que permitam o atendimento adequado às singularidades do estudante com TEA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, é necessário compreender o autismo sob a ótica do paradigma da neurodiversidade, que valoriza as diferenças neurológicas como parte da variabilidade humana. Esse olhar rompe com a concepção patologizante e propõe uma abordagem inclusiva centrada na adaptação do ambiente às necessidades do sujeito, e não o contrário. Para Silva e Cunha (2019, p. 66), “o reconhecimento da neurodiversidade amplia as possibilidades pedagógicas, pois convida os educadores a desenvolverem práticas mais flexíveis, empáticas e respeitosas”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No tocante às estratégias didático-pedagógicas, estudos apontam a eficácia de metodologias baseadas em estruturas visuais, rotinas claras, atividades fragmentadas em pequenos passos e uso de tecnologias assistivas. O apoio de profissionais como mediadores escolares, psicopedagogos e terapeutas ocupacionais também se mostra fundamental para o desenvolvimento integral dos estudantes com TEA. Entretanto, como alerta Baptista (2017, p. 21), “a inclusão de estudantes com autismo não depende apenas de recursos técnicos, mas de um compromisso coletivo da escola em acolher e respeitar a diferença”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, pensar o Transtorno do Espectro Autista na educação é compreender que a escola precisa se reinventar para além dos limites da normalidade tradicional. Requer-se um ambiente educacional flexível, dialógico e aberto à escuta das múltiplas formas de ser, aprender e interagir. A inclusão de alunos com TEA não deve ser uma concessão, mas o exercício pleno de um direito garantido, cuja efetivação depende da corresponsabilidade de toda a comunidade escolar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>PARADIGMAS E BARREIRAS NA INCLUSÃO DO ALUNO AUTISTA: POSSIBILIDADES PARA UMA EDUCAÇÃO INCLUSIVA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong></strong>A inclusão escolar de alunos com TEA tem se consolidado como um imperativo legal, ético e pedagógico no cenário educacional contemporâneo. No entanto, embora as políticas públicas assegurem o direito à educação para todos, ainda persistem paradigmas e barreiras que dificultam a efetiva participação e aprendizagem de estudantes autistas no ambiente escolar. Esses obstáculos não se limitam à infraestrutura ou à falta de recursos, mas envolvem concepções históricas, práticas pedagógicas rígidas e resistências culturais à diversidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Historicamente, a educação foi estruturada com base em um modelo homogeneizador, pautado em padrões de normalidade e rendimento escolar. Esse paradigma contribui para a exclusão de alunos com necessidades específicas, como os com TEA, ao considerá-los inaptos para o ensino regular. Segundo Mantoan (2006, p. 52), “o principal desafio da educação inclusiva é romper com a lógica classificatória e seletiva que rege a maioria das escolas”. Tal ruptura implica repensar não apenas o currículo e a didática, mas também as concepções de aprendizagem, inteligência e competência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As barreiras atitudinais, talvez as mais difíceis de serem superadas, dizem respeito às crenças e aos preconceitos que professores, gestores e até mesmo familiares nutrem em relação aos alunos com TEA. Muitos educadores ainda veem o autismo como um impedimento à aprendizagem, desconsiderando as potencialidades desses estudantes. Conforme destaca Baptista (2019, p. 87), “a presença do aluno autista, em muitos casos, é tolerada, mas não acolhida de forma genuína pela comunidade escolar”. Esse tipo de exclusão simbólica se reflete na ausência de estratégias individualizadas e na tendência a manter o aluno em atividades paralelas ou isoladas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra barreira significativa refere-se à formação docente. Muitos professores relatam insegurança ao trabalhar com alunos autistas, especialmente pela falta de preparo teórico e metodológico. Como aponta Oliveira (2018, p. 55), “a carência de formação específica limita a capacidade do professor de promover práticas inclusivas, levando-o a reproduzir modelos excludentes”. Essa limitação impacta diretamente na qualidade do atendimento educacional, dificultando a adaptação de conteúdo, o uso de recursos pedagógicos adequados e o estabelecimento de vínculos com o estudante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das barreiras humanas, há também entraves estruturais e organizacionais, como a falta de apoio técnico especializado, a ausência de salas de recursos multifuncionais, a superlotação das salas regulares e a escassez de materiais acessíveis. A inclusão não se concretiza apenas com a matrícula; exige um ambiente preparado, recursos diversificados e planejamento coletivo. Conforme Mittler (2003, p. 30), “incluir é oferecer suporte contínuo, reorganizar o ensino e garantir que todas as crianças tenham oportunidades reais de aprender e participar”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos desafios, há caminhos possíveis para uma educação verdadeiramente inclusiva. O primeiro passo consiste na mudança de paradigma, abandonando a visão de déficit e adotando uma abordagem centrada nas potencialidades e na valorização da neurodiversidade. O conceito de escola inclusiva pressupõe a eliminação das barreiras que impedem a participação dos alunos, mediante ações intencionais de acolhimento, escuta e flexibilização pedagógica. Segundo Mendes (2010, p. 43), “a educação inclusiva demanda um olhar pedagógico comprometido com a ética da diversidade e da justiça social”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto fundamental é o trabalho colaborativo entre os profissionais da escola e os especialistas da saúde, como psicopedagogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e psicólogos. Essa rede de apoio contribui para um atendimento mais completo e humanizado ao aluno com TEA, favorecendo seu desenvolvimento global. Além disso, o envolvimento da família no processo educativo fortalece os vínculos e contribui para a construção de um projeto pedagógico coerente com a realidade do estudante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, destaca-se a importância da formação continuada, voltada à sensibilização dos professores para a prática inclusiva. A aprendizagem sobre o autismo, suas múltiplas manifestações e possibilidades de intervenção pedagógica deve ser contínua, crítica e baseada em evidências. Como afirma Silva e Cunha (2019, p. 62), “a qualificação docente é a chave para transformar a presença do aluno com TEA em participação significativa”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, a superação dos paradigmas e barreiras à inclusão do aluno na escola regular exige não apenas políticas públicas consistentes, mas, sobretudo, uma mudança de postura por parte dos sujeitos envolvidos na prática educativa. A construção de uma escola inclusiva é um processo coletivo, que exige sensibilidade, conhecimento e compromisso com a dignidade e o direito de aprender de cada estudante.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente investigação evidenciou a complexidade e os múltiplos desafios que envolvem a inclusão escolar de alunos com Transtorno do Espectro Autista no contexto da educação básica. A partir de uma análise teórica embasada em autores consagrados e nas legislações educacionais vigentes, foi possível compreender que, embora o discurso inclusivo tenha ganhado força nas últimas décadas, sua efetivação ainda enfrenta obstáculos significativos, tanto de ordem estrutural quanto cultural.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os paradigmas tradicionais de ensino, ainda centrados na homogeneização do processo educativo, tornam-se entraves à inclusão real, na medida em que desconsideram as particularidades cognitivas, afetivas e comportamentais dos alunos com TEA. A permanência de práticas pedagógicas inflexíveis, a escassez de recursos adequados, a carência de formação docente específica e a persistência de barreiras atitudinais configuram um cenário de inclusão parcial, onde o aluno autista muitas vezes se vê presente fisicamente, mas excluído das interações significativas e dos processos de aprendizagem efetiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, o estudo também aponta para possibilidades concretas de superação dessas barreiras. A adoção do paradigma da neurodiversidade, o fortalecimento da formação continuada de professores, a valorização do trabalho colaborativo e o investimento em políticas públicas inclusivas são caminhos promissores para a construção de uma escola verdadeiramente democrática. A educação inclusiva exige não apenas adequações técnicas, mas sobretudo, um compromisso ético com a dignidade humana, com a justiça social e com o direito inalienável de cada sujeito à educação de qualidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, a inclusão de alunos com TEA não deve ser vista como um desafio isolado, restrito ao campo da educação especial, mas como uma oportunidade de transformar a escola em um espaço de convivência plural, de respeito às diferenças e de valorização das potencialidades de todos os estudantes. O processo de inclusão é contínuo, inacabado e exige a participação ativa de toda a comunidade escolar – gestores, professores, alunos, famílias e demais profissionais – em uma construção coletiva pautada na escuta, na empatia e no reconhecimento do outro em sua singularidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, reafirma-se que a inclusão não é um favor, mas um direito. E, para que esse direito se concretize, é necessário romper com os antigos paradigmas e promover uma educação centrada na diversidade, onde o aluno autista não apenas esteja, mas realmente aprenda, conviva e se desenvolva. A escola inclusiva, mais do que um ideal, é uma urgência. Uma urgência que interpela o sistema educacional, as políticas públicas e, principalmente, a consciência de todos os que acreditam em uma sociedade mais justa e humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">AMARAL, Lia; ROSA, Fabíola. <strong>Educação inclusiva e o Transtorno do Espectro Autista: desafios e possibilidades na escola regular</strong>. São Paulo: Cortez, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. <strong>Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais:</strong> DSM-5. 5 ed. porto Alegre: Artmed, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BAPTISTA, Cláudia Regina. <strong>Educação inclusiva: práticas pedagógicas para o autismo. </strong>Curitiba: Appris, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BAPTISTA, Elaine Cristina. Educação inclusiva e o desafio da diferença. São Paulo: Cortez, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. <strong>Constituição Federal da República do Brasil</strong>. Brasília: Senado Federal, 1988.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. <strong>Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996</strong>. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. <strong>Lei nº 13.146, de 16 de julho de 2015.</strong> Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei Brasileira de Inclusão). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CARVALHO, Rosita Edler. <strong>Inclusão: a educação do aluno com necessidades educacionais especiais</strong>. Porto Alegre: Mediação, 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GRANDIN, Temple. <strong>O cérebro autista: pensando através do espectro</strong>. São Paulo: GMT Editores, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MANTOAN, Maria Tereza Eglér. <strong>Inclusão escolar: o que é? Por quê? Como Fazer?</strong> São Paulo: Moderna 2006.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MENDES, Eniceia Gonçalves. Educação inclusiva: construindo sistemas educacionais inclusivas. Brasília: MEC/SEESP, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MITTLER, Peter. <strong>Educação inclusiva:&nbsp; contextos sociais</strong>. Porto Alegre: Artmed, 2003.</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA, Ana Paula. <strong>Formação docente e educação inclusiva: desafios frente ao autismo</strong>. Revista Brasileira de Educação Especial, v. 24, n. 1, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SASSAKI, Romeu Kazumi. <strong>Inclusão: construindo uma sociedade para todos</strong>. 7 ed. Rio de Janeiro: WVA, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, Maíra; CUNHA, Daniel. <strong>Autismo e neurodiversidade: perspectivas para uma educação inclusiva</strong>. Campinas: Papirus, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">UNESCO. <strong>Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidades educativas especiais</strong>. Brasília: MEC, 1994.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide" />



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>seniregi@yahoo.com.br</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>2</sup>gracietenb7@gmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>3</sup>weruscafernandes@gmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>4</sup>eliane.mum@gmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>5</sup>eomorais.10@gmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>6</sup>kimeduarda@gmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>7</sup>inarasalgado@gmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>8</sup>regi_ourem@yahoo.com.br</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>9</sup>ayllasilva1304@gmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>10</sup>nazapsanches@gmail.com</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>SEGURANÇA E MANUTENÇÃO DE SPDA EM BASES DE COMBUSTÍVEIS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/seguranca-e-manutencao-de-spda-em-bases-de-combustiveis-safety-and-maintenance-of-spda-at-fuel-bases/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft RA]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jun 2025 21:38:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Engenharias]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 147/JUN 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=225677</guid>

					<description><![CDATA[SAFETY AND MAINTENANCE OF SPDA AT FUEL BASES REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202506301828 Karina Farias da Silva1Roberto Pantoja da Silva2Henrique Colares Lima3 Resumo&#160; Este trabalho aplica os conceitos e métodos das instalações de sistemas de proteção contra descargas atmosféricas para fins de comparação com um sistema em fase de instalação, assim os métodos de proteção puderam ser [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">SAFETY AND MAINTENANCE OF SPDA AT FUEL BASES</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202506301828</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Karina Farias da Silva<sup>1</sup><br>Roberto Pantoja da Silva<sup>2</sup><br>Henrique Colares Lima<sup>3</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho aplica os conceitos e métodos das instalações de sistemas de proteção contra descargas atmosféricas para fins de comparação com um sistema em fase de instalação, assim os métodos de proteção puderam ser melhor idealizados a partir de observações na elaboração do projeto comparativo considerando as melhores adaptações das medidas de proteção. Sendo assim, com a elaboração de um projeto de referência é possível avaliar os riscos e atender a edificação com um projeto de mesma aplicabilidade tão eficiente quanto o que foi utilizado para análise, além de verificar se as medidas de proteção pensadas para a estrutura de fato atendiam a necessidade que a edificação exigia, considerando os riscos de perda de vida humana e perdas econômicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Descargas Atmosféricas, Sistema de Proteção Contra Descargas Atmosféricas, Base de Combustíveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1 INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Deve-se fazer uma contextualização/apresentação breve do tema a ser estudado ou do tema que será abordado em seu projeto de pesquisa. A introdução é a parte do artigo onde são apresentados o tema de pesquisa, o problema, a justificativa e os objetivos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As mudanças climáticas antropogênicas, impulsionadas pelo aumento das emissões de gases do efeito estufa oriundas da queima de combustíveis fósseis, desmatamento e intensificação das queimadas, vêm provocando modificações significativas nos padrões meteorológicos globais. Dentre essas alterações, destaca-se a formação das ilhas de calor urbanas, fenômeno que eleva a temperatura média das grandes cidades e favorece a intensificação de eventos climáticos severos, como tempestades elétricas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário, torna-se imperativa a adoção de medidas cada vez mais eficazes&nbsp;para a proteção contra descargas atmosféricas, principalmente em instalações críticas, como bases de combustíveis, que apresentam alto risco de incêndios e explosões.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em estruturas de grande porte, especialmente aquelas com altura igual ou superior a 60 metros, como torres de transmissão e antenas de radiocomunicação, a probabilidade de incidência de raios é significativamente maior. Nesses casos, a elaboração de um Sistema de&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) %colocar na lista de sigla% requer uma abordagem meticulosa, considerando a ampla área de exposição dessas&nbsp;edificações e o risco ampliado de efeitos secundários sobre estruturas adjacentes (VISACRO, 2005).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, a normatização aplicável à proteção contra descargas atmosféricas está&nbsp;consolidada, principalmente, na NBR5419-1:2015, que estabelece critérios técnicos rigorosos para o desenvolvimento, instalação e manutenção de SPDA’s. Essa norma representa um avanço significativo em relação às versões anteriores, incorporando novas diretrizes para a mitigação dos efeitos do campo eletromagnético induzido, o que amplia a proteção não apenas das estruturas e seus ocupantes, mas também dos sistemas elétricos e eletrônicos internos. Além disso, em consonância com a NBR5410:2008, que rege as instalações elétricas de baixa tensão, a normatização vigente estabelece parâmetros atualizados para avaliação e dimensionamento de sistemas de aterramento e equipotencialização, visando minimizar surtos transitórios que podem comprometer a integridade dos equipamentos e elevar os riscos de choque elétrico por tensões de toque e passo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse contexto, o presente estudo realiza uma análise técnica sobre a segurança e a manutenção dos sistemas de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA) aplicados a bases de combustíveis, considerando as diretrizes normativas e os desafios técnicos envolvidos em sua implementação e manutenção. O objetivo central é avaliar a eficácia dos métodos de proteção adotados, identificando possíveis incompatibilidades e interferências estruturais que possam comprometer o desempenho do sistema. Além disso, busca-se compreender as dificuldades práticas enfrentadas durante a instalação e manutenção do SPDA, bem como os critérios empregados para garantir a máxima eficiência das proteções exigidas pelas normativas vigentes. Dessa forma, o estudo visa contribuir para a otimização dos projetos e processos de manutenção dos sistemas de proteção contra descargas atmosféricas em bases de combustíveis, assegurando maior segurança operacional, continuidade das operações e conformidade regulatória.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bases de armazenamento e distribuição de combustíveis são classificadas como áreas de risco elevado devido à presença constante de atmosferas inflamáveis, em que qualquer centelha — inclusive de origem atmosférica — pode atuar como fonte de ignição, resultando em eventos catastróficos. Nessas condições, a proteção contra descargas atmosféricas adquire papel crítico dentro do conjunto de medidas de segurança operacional. A norma ABNT NBR 5419:2015, que estabelece os requisitos para o projeto, instalação e manutenção de SPDA, orienta a adoção de uma abordagem integrada, baseada na avaliação quantitativa do risco (Parte 2 da norma) e no dimensionamento técnico dos sistemas de captação, descida, aterramento e equipotencialização. No contexto de instalações com líquidos inflamáveis, a não conformidade com os critérios normativos pode resultar não apenas em ineficácia do sistema, mas também em agravamento do risco em virtude de caminhos de descarga inadequados ou ausência de equipotencialização, que favorecem a ocorrência de centelhamentos perigosos. Portanto, a correta interpretação e aplicação das diretrizes normativas é decisiva para a prevenção de perdas humanas, patrimoniais e ambientais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A motivação para este estudo surge da necessidade crescente de aprimoramento das&nbsp;metodologias de segurança em instalações críticas, especialmente em bases de combustíveis, onde a ocorrência de descargas atmosféricas pode resultar em incêndios, explosões e&nbsp;interrupções operacionais severas. O contato direto e frequente com a aplicação da ABNT NBR 5419 em atividades de campo, sobretudo no contexto da manutenção, evidencia lacunas e desafios na implementação desses sistemas, exigindo investigações mais detalhadas sobre a eficiência e a conformidade dos procedimentos adotados. Além disso, a complexidade inerente às bases de combustíveis, que abrigam grandes volumes de substâncias inflamáveis e&nbsp;apresentam alta sensibilidade a descargas elétricas, reforça a necessidade de um estudo técnico aprofundado, que contribua para o aprimoramento das práticas de proteção e manutenção do SPDA. Dessa forma, este trabalho visa não apenas avaliar a eficácia dos sistemas existentes, mas também propor recomendações que possam otimizar a segurança e a continuidade operacional dessas instalações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos avanços introduzidos pelas normas técnicas, especialmente com a consolidação da ABNT NBR 5419:2015, observa-se uma lacuna significativa na literatura técnica quanto à avaliação sistemática da eficácia das estratégias de manutenção preventiva aplicadas a Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) em instalações classificadas como de alto risco, como é o caso das bases de combustíveis. A maioria dos estudos concentra-se nos aspectos projetuais e de dimensionamento do sistema, negligenciando a manutenção como componente crítico para assegurar não apenas a funcionalidade contínua do SPDA, mas também sua aderência aos parâmetros normativos ao longo do tempo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ausência de inspeções periódicas, conforme os critérios mínimos estabelecidos na ABNT NBR 5419:2015 – Parte 3, compromete de forma substancial a eficácia dos Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA), sobretudo em instalações críticas como bases de combustíveis, onde o risco associado a falhas de proteção é amplificado pela presença constante de atmosferas inflamáveis. A norma estabelece a obrigatoriedade de inspeções regulares em três níveis – visual, completa e com medição – a serem realizadas em intervalos determinados com base nas características da instalação, classe do SPDA, severidade ambiental e histórico de manutenção.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A negligência quanto a essas exigências acarreta a degradação progressiva dos&nbsp;componentes do sistema, como condutores, conexões, hastes de aterramento e dispositivos de proteção contra surtos, podendo resultar em descontinuidade de caminhos de corrente, aumento das impedâncias de aterramento e, consequentemente, falhas operacionais do sistema frente a uma descarga atmosférica real. Além disso, a ausência de registros documentais comprobatórios de inspeções coloca a instalação em não conformidade normativa, com implicações jurídicas, técnicas e operacionais relevantes. Portanto, a manutenção sistemática do SPDA, respaldada por inspeções programadas e tecnicamente fundamentadas, é um requisito essencial para garantir a integridade funcional do sistema e a segurança global da instalação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando o elevado risco de incêndios e explosões inerente às bases de&nbsp;combustíveis, este estudo é orientado pela seguinte problemática central: quais são as principais fragilidades técnicas e operacionais dos Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) nesse tipo de instalação, e de que forma a aplicação criteriosa da norma ABNT NBR 5419:2015 pode contribuir para sua mitigação, por meio de um projeto fundamentado na análise de risco, na correta implementação dos subsistemas componentes e na adoção de práticas sistemáticas de inspeção, ensaio e manutenção?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Relâmpagos, também conhecidos como descargas atmosféricas, são descargas elétricas de grande extensão (alguns quilômetros) e de grande intensidade (picos de intensidade de corrente acima de um quiloampère),&nbsp; conforme acentua (OSMAR, 2005) as descargas ocorrem devido ao acúmulo de cargas elétricas em regiões localizadas da atmosfera em geral dentro de tempestades, origina-se quando o campo elétrico produzido por essas cargas excede a capacidade isolante do ar, também conhecida como rigidez dielétrica, em um dado local na atmosfera, que pode ser dentro da nuvem ou próximo ao solo, assim quando a rigidez é quebrada, começa um rápido movimento de elétrons de uma região de cargas negativas para uma região de cargas positivas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.1. Origem dos raios&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com (MAMEDE, 2005), várias teorias já foram desenvolvidas para explicar o fenômeno dos raios, a que se aceita atualmente é:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A fricção entre as partículas de água que formam as nuvens, provocada pelos ventos ascendentes de forte intensidade, dá origem a uma grande quantidade de cargas elétricas. Verifica-se, experimentalmente, na maioria dos fenômenos atmosféricos, que as cargas elétricas positivas ocupam a parte superior da nuvem, enquanto as cargas elétricas negativas se posicionam na sua parte inferior, acarretando, consequentemente, uma intensa migração de cargas positivas na superfície da Terra para a área correspondente à localização da nuvem. (MAMEDE, 2005)&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;A teoria apontada acima sobre a distribuição de cargas elétricas nas nuvens e do solo pode ser observada na Figura 1.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 1 Distribuição das cargas elétricas das nuvens e do solo.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="634" height="416" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2309.png" alt="" class="wp-image-225683" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2309.png 634w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2309-300x197.png 300w" sizes="(max-width: 634px) 100vw, 634px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Autor:&nbsp; Retirado de (MAMEDE, 2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mamede (2007) ressalta ainda que a ionização do caminho seguida pela descarga descendente que mais se aproxima do solo, também conhecida como descarga piloto, propicia condições favoráveis de condutibilidade do ar no ambiente&#8221;. Baseando-se nisso e observando a Figura 2, Mamede destaca que, em função da aproximação do solo, em uma das ramificações da descarga piloto, tem-se uma descarga ascendente, constituída de cargas elétricas positivas, que tem retorno da Terra para a nuvem, originando-se em seguida a descarga principal no sentido da nuvem para a Terra, de grande intensidade, responsável pelo fenômeno conhecido como trovão, que é o deslocamento da massa de ar circundante ao percurso do raio, em função da elevada temperatura e aumento repentino de seu volume.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 2 Formação de uma descarga atmosférica.}&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="813" height="280" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2310.png" alt="" class="wp-image-225684" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2310.png 813w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2310-300x103.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2310-768x265.png 768w" sizes="(max-width: 813px) 100vw, 813px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Autor:&nbsp; Retirado de (MAMEDE, 2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) no que diz respeito a NBR5419-1:2015 e considerando a Figura 2, que trata da formação de uma descarga atmosférica, os seguintes termos e definições podem ser considerados para conhecimento prévio:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• descarga atmosférica para terra &#8211; de origem atmosférica entre nuvem e terra, consistindo de uma ou mais componentes da descarga atmosférica;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• descarga atmosférica descendente &#8211; iniciada por um líder descendente de uma nuvem para terra;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• descarga atmosférica ascendente &#8211; iniciada por um líder ascendente de uma estrutura aterrada para uma nuvem;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• componente da descarga atmosférica &#8211; descarga elétrica singela de uma descarga atmosférica para a terra;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• múltiplos componentes da descarga atmosférica &#8211; descarga para a terra que consiste em média de três a quatro componentes, com um intervalo de tempo típico entre eles de cerca de 50 ms;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• ponto de impacto &#8211; ponto onde uma descarga atmosférica atinge a terra, ou um objeto elevado (por exemplo, estrutura, SPDA, serviços, árvore, etc.).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.2. Perigos das descargas atmosféricas&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Halliday David e Resnick (2009) destacam que as tempestades elétricas são perigosas por várias razões, alguns exemplos são o de se um relâmpago atingir uma pessoa ou um objeto que a pessoa estiver segurando, se um relâmpago atingir um objeto próximo, parte da carga poderá saltar e atingir a pessoa (um efeito conhecido como descarga lateral), se um relâmpago atingir o solo nas proximidades da pessoa, parte da carga produzida no solo poderá atravessar seu corpo, além do perigo associado às descargas ascendentes, ou descargas para cima, conforme vistas na Figura 3.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 3 Raio ascendente negativo e raio ascendente positivo&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="651" height="555" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2311.png" alt="" class="wp-image-225685" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2311.png 651w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2311-300x256.png 300w" sizes="(max-width: 651px) 100vw, 651px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Autor:&nbsp; Retirado de (INPE, 2021)}.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como exemplo da descarga para cima de uma tempestade elétrica, Halliday David e Resnick (2009) destacam o caso de uma mulher que estava um uma plataforma de observação do Sequoia National Park quando uma grande nuvem de tempestade passou no céu. Muitos elétrons de condução do corpo da mulher foram repelidos para a terra pela base da nuvem, negativamente carregada, o que deixou o corpo da mulher positivamente carregado, observado na Figura 4, visto que os fios de cabelo se repelem mutuamente e se projetam para cima ao longo das linhas de campo elétrico produzidas pela carga do corpo. A mulher não foi atingida por um relâmpago, mas estava correndo um sério risco, pois o campo elétrico estava a ponto de causar uma ruptura dielétrica no ar a sua volta, essa ruptura teria ocorrido ao longo de uma trajetória ascendente, no que é chamado de descarga para cima, é muito perigosa, porque a ionização que produz nas moléculas do ar libera um grande número de elétrons. Se a mulher tivesse provocado uma descarga para cima, os elétrons livres do ar teriam sido atraídos para o seu corpo, produzindo um choque possivelmente fatal.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 4 Uma nuvem de tempestade deixou esta mulher positivamente carregada.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="388" height="472" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2312.png" alt="" class="wp-image-225686" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2312.png 388w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2312-247x300.png 247w" sizes="(max-width: 388px) 100vw, 388px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Autor:&nbsp; (Retirado de&nbsp; Halliday David e Resnick, 2009)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cotrim (2009) afirma que qualquer atividade biológica, seja ela glandular, nervosa ou muscular, é estimulada ou controlada por impulsos de corrente elétrica. Se essa corrente fisiológica interna se somar a outra corrente de origem externa, devido a um contato elétrico, ocorrerá uma alteração das funções vitais normais do organismo humano, que pode levar o indivíduo à morte, dependendo da duração da corrente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Marão, Guimarães e Lopes (2011) o mecanismo das lesões por choque elétrico não é completamente compreendido, existem muitas variáveis que não podem ser medidas e controladas no momento em que ocorre o acidente. Entretanto, quatro mecanismos fisiopatológicos são aceitos atualmente:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• Conversão de energia elétrica em energia térmica durante a passagem da corrente pelos tecidos;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• Alterações a nível celular;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• Lesões traumáticas secundárias a contusões, contrações musculares vigorosas e quedas;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• Liberação intensa de catecolaminas (Adrenalina e noradrenalina).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gravidade das lesões é determinada por diversos fatores, entre eles: a voltagem, a intensidade, o tipo e o padrão da corrente; a duração da exposição; a resistência dos tecidos; a superfície de contato e a extensão do desenvolvimento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Magarão, Guimarães e Lopes (2011) adicionam ainda que os mecanismos das lesões causadas por raios apresentam características próprias. A maneira como um raio atinge a vítima influencia na gravidade das lesões:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• Contato direto: representa o tipo mais grave, ocorre quando o raio atinge a vitima sem intermédio de outros objetos;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• Contato por meio de outro objeto: ocorre quando o raio atinge a vítima através de um objeto próximo, como através de uma árvore ou uma barra metálica;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• Contato por meio do solo: esta situação atinge potencialmente maior número de vítimas. A energia elétrica é transmitida após o raio atingir o solo;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• Contato por explosão ou combustão: este tipo de contato ocorre através da expansão atmosférica de gases consequente à explosão ou combustão. As lesões por choque elétrico e por raios representam pequena parcela das admissões nos serviços de urgência e emergência. No entanto, resultam em custo extremamente elevado para as vítimas e para a sociedade. Os índices de mortalidade são altos: cerca de 30% a 40% dos acidentes são fatais, com estimativas de aproximadamente 1.000 mortes por ano nos Estados Unidos Magarão, Guimarães e Lopes (2011).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Sousa et al. (2012), no Brasil, os boletins do ELAT informam as mortes e consequências decorrentes da incidência de raios, como por exemplo o levantamento das mortes por descargas atmosféricas no período de 2000 a 2019 em todo o Brasil, como mostra o Anexo A.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Observando o Anexo A, conclui-se que o número total de mortes nesse período foi de 2.194 pessoas sendo 26% na zona rural, 21% dentro de casa, 9% na água ou próximo, 9% embaixo de árvore, 8% em área coberta, 7% em área descampada, 6% em meios de transporte e 4% em rodovias. Por estações do ano, 76% das mortes ocorreram no verão e na primavera, período do ano onde ocorrem cerca de 80% das descargas atmosféricas no Brasil.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.3. MÉTODO DE PROTEÇÃO CONTRA DESCARGAS ATMOSFÉRICAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mamede (2007), destaca também o conhecido Método de Faraday, que consiste em envolver a parte superior da construção com uma malha captora de condutores elétricos nus, cuja distância entre eles é função do nível de proteção desejado dado também pela Tabela 1, que estabelece as dimensões do módulo da malha de proteção.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Tabela 1 Valores máximos dos raios da esfera rolante, tamanho da malha e ângulo de proteção correspondentes a classe do SPDA.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="764" height="212" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2313.png" alt="" class="wp-image-225687" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2313.png 764w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2313-300x83.png 300w" sizes="(max-width: 764px) 100vw, 764px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Autor:&nbsp; 1 Retirado de NBR5419-3:2015.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A NBR5419-3:2015 determina que o método das malhas é apropriado para telhados horizontais e inclinados sem curvatura. Além de também proteger superfícies laterais planas contra descargas atmosféricas laterais. Considerando novamente o gráfico da Figura 5, para valores de H (m) acima dos valores finais de cada curva (classes I a IV) são aplicáveis apenas os métodos da esfera rolante e das malhas.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 5 Ângulo de proteção.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="584" height="325" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2314.png" alt="" class="wp-image-225688" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2314.png 584w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2314-300x167.png 300w" sizes="(max-width: 584px) 100vw, 584px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O método das malhas é fundamentado na teoria pela qual o campo eletromagnético é nulo no interior de uma estrutura metálica ou envolvida por uma superfície metálica ou por uma malha metálica, quando são percorridas por uma corrente elétrica de qualquer intensidade. A maior proteção que se pode obter utilizando o método das malhas é construir uma estrutura e envolvê-la completamente com uma superfície metálica, o que, obviamente, não é uma solução aplicável (MAMEDE, 2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.4. REGULAMENTAÇÕES DA NBR 5419 &#8211; 2015&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Cavalin e Cervelin (2011) exprimem que uma edificação é considerada segura contra descargas atmosféricas apenas quando todo o procedimento de instalação de proteção for projetado e construído de tal maneira que os componentes da estrutura, as pessoas, os equipamentos e instalações, que estejam permanentemente ou temporariamente em seu interior, fiquem efetivamente protegidos contra os raios e seus efeitos pelo maior intervalo de tempo possível.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda de acordo com Cavalin e Cervelin (2011), não é possível proporcionar uma eficiência de 100% na proteção contra descargas atmosféricas, dado que não é um fenômeno conhecido perfeitamente e que continua sendo fonte de pesquisas no Brasil e no mundo. O melhor a fazer é seguir, no mínimo, as prescrições estabelecidas pela norma, sendo a NBR 5419 &#8211; 2015 utilizada no Brasil.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Santini (2016) expõe que a ABNT NBR 5419 é a norma responsável pela proteção contra descargas atmosféricas no Brasil, e foi criada em 1977 como uma revisão da norma NB1-65 do ano de 1970, pela Comissão de Estudo de Para-Raios para Sistemas de Transmissão e Distribuição, no ano de 2015 uma nova versão da ABNT NBR 5419 foi publicada e foi dividida em quatro partes, bem como é disposta na norma internacional a qual foi baseada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.4.1. Proteção contra descargas atmosféricas&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A ABNT NBR5419-1:2015, sob o título geral “Proteção contra descargas atmosféricas”, tem previsão de conter as seguintes partes:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• Parte 1: Princípios gerais;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• Parte 2: Gerenciamento de risco;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• Parte 3: Danos físicos a estruturas e perigos à vida;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• Parte 4: Sistemas elétricos e eletrônicos internos na estrutura.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na NBR5419-1:2015 é reforçado que as medidas de proteções consideradas na norma são comprovadamente eficazes na redução dos riscos associados às descargas atmosféricas. Todas as medidas de proteção contra descargas atmosféricas formam a proteção completa contra descargas atmosféricas. Por razões práticas, os critérios para projeto, instalação e manutenção das medidas de proteção são considerados em dois grupos separados:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• o primeiro grupo se refere às medidas de proteção para reduzir danos físicos e riscos à vida dentro de uma estrutura e está contido na ABNT NBR 5419-3;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• o segundo grupo se refere às medidas de proteção para reduzir falhas de sistemas elétricos e eletrônicos em uma estrutura e está contido no ABNT NBR 5419-4.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As conexões entre as partes da ABNT NBR 5419 são ilustradas na Figura 6.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 6 Conexões entre as partes da ABNT NBR 5419.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="589" height="492" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2315.png" alt="" class="wp-image-225689" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2315.png 589w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2315-300x251.png 300w" sizes="(max-width: 589px) 100vw, 589px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Autor:&nbsp; 2 Adaptado de (NBR5419-1:2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em conformidade com a NBR5419-2:2015, esta é a parte que estabelece os requisitos para análise de risco em uma estrutura devido às descargas atmosféricas para a terra e tem o propósito de fornecer um procedimento para a avaliação de tais riscos. Uma vez que um limite superior tolerável para o risco foi escolhido, este procedimento permite a escolha das medidas de proteção apropriadas a serem adotadas para reduzir o risco ao limite ou abaixo do limite tolerável.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O número de descargas atmosféricas pode ser avaliado a partir de sua densidade, que é uma característica da região onde está localizada a edificação ou estrutura, bem como de suas características físicas, ou seja, edifício, torres, tanques de aço, etc (MAMEDE, 2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na página eletrônica do INPE (2021) esse dado pode ser obtido ao consultar a cidade que se deseja analisar, há ainda o mapa de raios em tempo real, e é possível verificar a concentração de raios nas cidades do Brasil, além de ser possível verificar onde a atividade elétrica das tempestades está em alta.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A concentração de raios na cidade de Porto Velho/RO, por exemplo, é a seguinte:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• Densidade de descargas: 8,7547811946 por km²/ano;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• Ranking densidade nacional: 791;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• Ranking densidade estadual: 46.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O dado de densidade de descargas na cidade de Porto Velho será utilizado no estudo do gerenciamento de risco do projeto adotado neste trabalho.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Na ausência dessa informação, Mamede (2007)&nbsp; recomenda utilizar a Equação (2):&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="372" height="49" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2316.png" alt="" class="wp-image-225690" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2316.png 372w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2316-300x40.png 300w" sizes="(max-width: 372px) 100vw, 372px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="650" height="172" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2326.png" alt="" class="wp-image-225703" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2326.png 650w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2326-300x79.png 300w" sizes="(max-width: 650px) 100vw, 650px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.4.2. Análise dos componentes de risco&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme a&nbsp; NBR5419-2:2015, a determinação do número de eventos perigosos para a estrutura decorrentes de uma descarga atmosférica leva em consideração as características físicas da estrutura a ser protegida, sua vizinhança, linhas conectadas e o solo. Os parâmetros relevantes a serem considerados para análise de risco podem ser vistos na Tabela 2.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Tabela 2 Parâmetros relevantes para avaliação dos componentes de risco.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="588" height="479" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2317.png" alt="" class="wp-image-225692" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2317.png 588w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2317-300x244.png 300w" sizes="(max-width: 588px) 100vw, 588px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Autor:&nbsp; Retirado de NBR5419-2:2015.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando os seguintes eventos:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• N_D número de eventos perigosos devido à descarga atmosférica direta a uma estrutura;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• N_L número de eventos perigosos devido à descarga atmosférica direta a uma linha;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• N_M número de eventos perigosos devido à descarga atmosférica perto de uma estrutura;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• N_I número de eventos perigosos devido à descarga atmosférica perto de uma linha;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Onde, em concordância com a NBR5419-2:2015, os componentes de risco para estruturas estão descritos na Tabela 3, onde estão os tipos e fontes diferentes de danos já descritos também no Anexo C.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Tabela 3 Componentes de risco para diferentes tipos de danos e fontes de danos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="805" height="266" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2318.png" alt="" class="wp-image-225693" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2318.png 805w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2318-300x99.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2318-768x254.png 768w" sizes="(max-width: 805px) 100vw, 805px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Autor: Retirado de NBR5419-2:2015.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em geral, para o gerenciamento de risco explanado na normativa, considera-se as características da estrutura e do ambiente, os tipos de linhas de energia e de sinal de entrada, a distribuição de pessoas nas zonas (Z1 &#8211; área fora da edificação e Z2 &#8211; área interna), além dos fatores válidos para cada zona. Assim, é possível realizar os cálculos relevantes referentes à área de exposição da estrutura, considerando o número de eventos de descargas atmosféricas esperados para a região em que a estrutura se encontra, bem como as perdas em cada zona e os riscos e danos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Santos (2016), a NBR 5419 Parte 2 descreve a análise de risco, na qual mais de 70 parâmetros são definidos para garantir uma proteção mais eficiente e rigorosa para as pessoas, instalações e edificações. Assim, o projetista deve efetuar cálculos e considerações sobre a estrutura em questão e também sobre as estruturas vizinhas, linhas de energia e telecomunicações ligadas a ela. O nível de proteção deixa de ser um dado de saída para ser um parâmetro de entrada na avaliação dos valores de risco toleráveis.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="696" height="159" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2328.png" alt="" class="wp-image-225705" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2328.png 696w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2328-300x69.png 300w" sizes="(max-width: 696px) 100vw, 696px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Para a decisão da necessidade da proteção e para selecionar as medidas de proteção deve-se seguir o fluxograma da Figura 7. Primeiramente, a estrutura a ser protegida e os tipos de perdas relevantes à esta estrutura devem ser identificados, para cada tipo de perda é essencial identificar e calcular os componentes de risco. O risco calculado deve ser comparado com o valor do risco tolerável descrito na norma, se o risco na estrutura for maior que o risco tolerável é necessário proteção, caso contrário, o diagnóstico é de que a estrutura está protegida (SANTOS, 2016).&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 7 Procedimento para decisão da necessidade da proteção e para selecionar as medidas de proteção.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="565" height="639" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2319.png" alt="" class="wp-image-225694" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2319.png 565w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2319-265x300.png 265w" sizes="(max-width: 565px) 100vw, 565px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Autor: Adaptado de NBR5419-2:2015.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma vez que a análise do risco é concluída, já é possível verificar a necessidade e aplicabilidade das medidas de proteção a fim de minimizar os riscos que podem causar danos à estrutura.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, considerando a Parte 1 da Norma, as medidas de proteção devem ser consideradas efetivas somente se elas estiverem conforme os requisitos das seguintes normas:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">a) NBR5419-3:2015 para proteção contra ferimentos de seres vivos e danos físicos à estrutura;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">b) NBR5419-4:2015 para proteção contra falhas de sistemas eletroeletrônicos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta parte da NBR5419-3:2015 trata da proteção, no interior e ao redor de uma estrutura, contra danos físicos e contra lesões a seres vivos devido às tensões de toque e passo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considera-se que a principal e mais eficaz medida de proteção contra danos físicos é o&nbsp;SPDA – Sistema de Proteção Contra Descargas Atmosféricas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Geralmente, o SPDA é composto por dois sistemas de proteção: sistema externo e sistema interno.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O SPDA externo é destinado a:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• interceptar uma descarga atmosférica para a estrutura (por meio do subsistema de captação);&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• conduzir a corrente da descarga atmosférica para a terra de forma segura (por meio do subsistema de descida);&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• dispersar a corrente da descarga atmosférica na terra (por meio do subsistema de aterramento).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O SPDA interno é destinado a reduzir os riscos com centelhamentos perigosos dentro do volume de proteção criado pelo SPDA externo utilizando ligações equipotenciais ou distância de segurança (isolação elétrica) entre os componentes do SPDA externo e outros elementos eletricamente condutores internos à estrutura.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">1.4.3. Classe do SPDA&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As características de um SPDA são determinadas pelas características da estrutura a ser protegida e pelo nível de proteção considerado para descargas atmosféricas (NBR5419-3:2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Tabela 4 apresenta as quatro classes de SPDA (I a IV) definidas na norma e que correspondem aos níveis de proteção para descargas atmosféricas definidos na NBR54191:2015.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Tabela 4 Relação entre níveis de proteção para descargas atmosféricas e classe de SPDA.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="315" height="133" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2320.png" alt="" class="wp-image-225695" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2320.png 315w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2320-300x127.png 300w" sizes="(max-width: 315px) 100vw, 315px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Autor: Retirado de NBR5419-1:2015.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme a NBR5419-3:2015, cada classe de SPDA é caracterizada pelo seguinte:&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">a) dados dependentes da classe de SPDA:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• parâmetros da descarga atmosférica;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• raio da esfera rolante, tamanho da malha e ângulo de proteção;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• distâncias típicas entre condutores de descida e dos condutores em anel;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• distância de segurança contra centelhamento perigoso;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• comprimento mínimo dos eletrodos de terra.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">b) fatores não dependentes da classe do SPDA:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• equipotencialização para descargas atmosféricas;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• espessura mínima de placas ou tubulações metálicas nos sistemas de captação;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• materiais do SPDA e condições de uso;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• materiais, configuração e dimensões mínimas para captores, descidas e eletrodos de aterramento;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• dimensões mínimas dos condutores de conexão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A eficiência de cada classe de SPDA é fornecida na NBR5419-2:2015.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto maior for a sintonia e a coordenação entre os projetos e execuções das estruturas a serem protegidas e do SPDA, melhores serão as soluções adotadas possibilitando otimizar custo dentro da melhor solução técnica possível. Preferencialmente, o próprio projeto da estrutura deve viabilizar a utilização das partes metálicas desta como componentes naturais do SPDA (NBR5419-3:2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3 METODOLOGIA&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A finalidade dos Sistemas de Proteção Contra Descargas Atmosféricas (SPDA) é proteger as edificações e tudo o que há em seu interior, como equipamentos, instalações elétricas e telecomunicações. O objetivo é reduzir os danos às estruturas, os impactos dos desligamentos e as manutenções corretivas (SOUZA et al., 2012).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Souza et al. (2012) destaca ainda que esses sistemas estão em constante aprimoramento. O monitoramento é realizado por meio de dispositivos que visam reduzir essas ocorrências. De maneira geral, o SPDA tem a função de proteger ao captar a corrente elétrica proveniente da queda de raios e direcioná-la. Essa corrente é, em seguida, escoada por meio de sistemas de aterramentos. Outra função do sistema é oferecer, quando ocorrer uma descarga elétrica, um caminho adequado, de baixa impedância, para essa descarga. Isso reduz os riscos decorrentes associados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ideia central é realizar um estudo de um sistema de proteção executado na Petróleo Sabbá &#8211; Raízen Combustíveis &#8211; BSPO, a eficácia das medidas de proteção adotadas e o comparativo com normas em outros sistemas de proteção.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A metodologia adotada neste estudo tem como objetivo analisar as implicações da ausência de inspeções periódicas nos Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) em bases de combustíveis, conforme os critérios estabelecidos pela NBR5419-3:2015. Para isso, a pesquisa será estruturada em quatro eixos principais, com ênfase na avaliação técnica, na conformidade normativa e na identificação de práticas de manutenção adequadas para garantir a eficácia do sistema.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente, será realizado um estudo de caso técnico em uma base de combustíveis, onde serão coletados e analisados documentos como relatórios de inspeção, registros de manutenção preventiva e corretiva, bem como o projeto executivo do SPDA. O objetivo desta etapa será avaliar se as inspeções periódicas estão sendo realizadas conforme os requisitos estabelecidos pela norma, em especial nos três níveis de inspeção: visual, completa e com medição.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em seguida, será aplicada uma análise detalhada dos componentes do SPDA, como condutores, conexões, hastes de aterramento e dispositivos de proteção contra surtos, com o objetivo de identificar sinais de degradação ou falhas operacionais causadas pela falta de manutenção sistemática. Será realizada também uma avaliação das possíveis consequências dessas falhas, como a descontinuidade dos caminhos de corrente e o aumento das impedâncias de aterramento, que podem comprometer o desempenho do sistema durante uma descarga atmosférica real.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A terceira etapa envolverá a análise da documentação existente, com foco na verificação da ausência de registros comprobatórios das inspeções. A falta de documentação coloca a instalação em não conformidade com a norma, o que implica em implicações jurídicas, técnicas e operacionais. A pesquisa buscará identificar os impactos dessa lacuna documental e as possíveis consequências para a gestão e segurança da instalação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa metodologia integrará a análise técnica do SPDA, a conformidade normativa e a avaliação de práticas de manutenção, com o objetivo de propor soluções que garantam a integridade funcional do sistema e a segurança global da instalação, conforme os requisitos da NBR5419-3:2015. A abordagem fornecerá uma base sólida para a implementação de um programa de manutenção preventiva eficaz, fundamental para garantir a proteção contra descargas atmosféricas em instalações de alto risco como as bases de combustíveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise técnica dos laudos de inspeção, medição e manutenção do Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) da base de combustíveis PETRÓLEO SABBA S/A, localizada em Porto Velho – RO, permitiu validar a eficácia do método de malhas adotado como solução de proteção. Este capítulo apresenta os resultados obtidos, correlacionando-os com as exigências da ABNT NBR 5419:2015, com foco na capacidade de equipotencialização, na redução de gradientes de potencial e na segurança operacional frente aos riscos inerentes a atmosferas explosivas.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 8 Base de combustíveis SABBÁ.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="523" height="308" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2321.png" alt="" class="wp-image-225696" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2321.png 523w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2321-300x177.png 300w" sizes="(max-width: 523px) 100vw, 523px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1 Distribuição da Malha de Aterramento e Subsistemas&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O método de malhas, baseado nos princípios da gaiola de Faraday, foi implementado em toda a extensão da base, envolvendo as áreas de tancagem, praça de bombas, plataformas de carga e descarga, lajes de carregamento, entre outros pontos críticos. Conforme descrito nos laudos, o subsistema de aterramento foi executado com cabos de cobre nu de seção mínima de 50 mm², formando anéis equipotenciais externos e interligando os principais pontos metálicos da estrutura. Foi usado ainda a própria estrutura metálica da base como captor natural até o sistema de aterramento (SILVA, 2024)&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 9 Sistema de Captação Natural Feito Pela Propria Estrutura da Edificação.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="649" height="431" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2322.png" alt="" class="wp-image-225697" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2322.png 649w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2322-300x199.png 300w" sizes="(max-width: 649px) 100vw, 649px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Autor:&nbsp; Retirado de (SILVA, 2024)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A distribuição das malhas segue rigorosamente o subitem 5.4.2 da NBR 5419-3:2015, que determina que o anel de aterramento deve circundar a estrutura, garantindo contato com o solo em pelo menos 80% do seu comprimento. Além disso, o espaçamento entre os condutores em malha foi dimensionado em conformidade com a Tabela 2 da NBR 5419-3:2015, assegurando uma adequada cobertura da zona de proteção e minimização dos gradientes de potencial superficial.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas estruturas de maior porte, como os tanques de armazenamento, verificou-se que as ligações entre os captores naturais (as próprias paredes metálicas dos tanques, conforme classificação normativa) e o subsistema de aterramento foram executadas por meio de soldas exotérmicas e conectores GTDU, assegurando baixíssima resistência de conexão e continuidade elétrica eficiente (SILVA, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2 Resultados das Medições de Resistência de Aterramento&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As medições de resistência de aterramento realizadas nos diferentes pontos da base apresentaram resultados expressivos em termos de desempenho técnico. Conforme os registros do laudo mais recente de 2024, os valores obtidos variaram de 0,07Ω a 6,3Ω, sendo que a grande maioria dos pontos permaneceu abaixo de 1Ω (SILVA, 2024). Destacam-se os seguintes exemplos:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• TQ 107 Lado A: 0,08Ω&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• TQ 106 Lado B: 0,8Ω&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• TQ 105 Lado A: 6,3Ω (valor máximo registrado, ainda dentro de limites aceitáveis em condições de solo específicas)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adicionalmente, no laudo de 2021, foram verificadas resistências da ordem de 4,54Ω e 4,56Ω, resultados considerados compatíveis com a NBR 5419:2015, que recomenda valores inferiores a 10Ω para estruturas de risco moderado a elevado (OLIVEIRA, 2021).&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 10 Caixa de inspeção sistema de malha de aterramento ligada aos tanques.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="582" height="432" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2323.png" alt="" class="wp-image-225699" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2323.png 582w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2323-300x223.png 300w" sizes="(max-width: 582px) 100vw, 582px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Autor: Retirado de (OLIVEIRA, 2021)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses resultados indicam que o sistema apresenta baixa resistência ôhmica, favorecendo a rápida dissipação das correntes de descarga atmosférica para o solo e evitando a formação de potenciais perigosos. O método de medição seguiu o procedimento com terrômetro digital, utilizando configuração de três estacas, conforme a metodologia da NBR 15749 (OLIVEIRA, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A conformidade com a NBR 5419:2015 foi atestada em diferentes aspectos do sistema.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2.1 Subsistema de Captação&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As estruturas metálicas e os elementos construtivos da base, como coberturas e pilares, funcionam como captores naturais, em acordo com o item 5.2 da NBR 5419-3:2015 (SILVA, 2021).&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 11 Equipotencialização da estrutura.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="436" height="594" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2324.png" alt="" class="wp-image-225700" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2324.png 436w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2324-220x300.png 220w" sizes="(max-width: 436px) 100vw, 436px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Autor:&nbsp; 3 Retirado de (OLIVEIRA, 2021)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2.2 Subsistema de Descida&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O sistema de descida foi implementado com cabos de cobre nu de 70~mm² e com uso de pilares metálicos como vias naturais de condução, como previsto no item 5.3.4 da mesma norma (OLIVEIRA, 2021) (SILVA, 2024)&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 12 Decida de cabos de aterramento dos tanques.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="543" height="418" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2325.png" alt="" class="wp-image-225701" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2325.png 543w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-2325-300x231.png 300w" sizes="(max-width: 543px) 100vw, 543px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Autor:&nbsp; Retirado de (OLIVEIRA, 2021)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2.3 Subsistema de Aterramento&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O arranjo da malha de aterramento com interligações, hastes de cobre de 5/8” x 2,4m e conexões por solda exotérmica segue integralmente as exigências dos itens 5.4.2 e 5.4.3 da norma (SILVA, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2.4 Equipotencialização&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme descrito, todos os elementos metálicos expostos foram equipotencializados ao sistema de aterramento, reduzindo os riscos de diferença de potencial em caso de incidência de descargas (OLIVEIRA, 2021) (SILVA, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o sistema foi inspecionado visualmente e com medições de continuidade elétrica, conforme os níveis de inspeção estabelecidos pela Parte 3 da NBR 5419:2015.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora os laudos analisados não apresentem registros formais de medições prévias ao sistema de malhas atualmente implantado, o histórico da base indica que as adequações de SPDA foram implementadas após processos de melhoria e revisão de segurança, motivados pelas exigências das normas atualizadas em 2015. As melhorias incluem a adoção de condutores de seção adequada, instalação de caixas de inspeção, aplicação de soldas exotérmicas nas conexões e o incremento do número de eletrodos de aterramento, garantindo a continuidade elétrica e o desempenho esperado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A melhoria observada nos resultados de resistência ao longo das medições anuais também reforça o entendimento de que a adoção do método de malhas representou um avanço técnico significativo para a proteção da instalação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para instalações classificadas como áreas com atmosferas potencialmente explosivas, como é o caso de bases de armazenamento de combustíveis, o método de malhas apresenta vantagens técnicas superiores em relação a outras metodologias de SPDA. Segundo a NBR 5419-3:2015, o método de malhas proporciona uma distribuição uniforme da corrente de descarga, reduzindo significativamente o gradiente de potencial no solo e, consequentemente, os riscos de tensão de passo e de toque.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o método favorece a equipotencialização total da estrutura, elemento crítico para impedir a ocorrência de centelhamentos perigosos entre partes metálicas isoladas, o que é uma exigência essencial em ambientes com risco de atmosferas explosivas, conforme preconiza também a NBR IEC 60079-0.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso de malha perimetral conectada a hastes de aterramento espaçadas e interligadas assegura uma baixa impedância de aterramento, condição imprescindível para garantir a rápida dispersão da corrente de descarga atmosférica, sem que haja concentração de energia em pontos específicos da instalação (OLIVEIRA, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro fator relevante é a facilidade de manutenção e inspeção proporcionada pelo método de malhas, uma vez que a base possui caixas de inspeção estrategicamente posicionadas, permitindo a realização de medições periódicas com precisão, como evidenciado nos relatórios de campo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base nos resultados obtidos, fica tecnicamente comprovada a adequação da escolha pelo método de malhas para o SPDA da base de combustíveis PETRÓLEO SABBA S/A. Os dados de resistência de aterramento, a conformidade com as normas técnicas vigentes e a eficiência do sistema de equipotencialização demonstram que a solução implantada atende integralmente aos critérios de segurança exigidos para instalações de alto risco.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desempenho positivo obtido nas medições de 2021 e 2024, aliado à manutenção periódica e às inspeções anuais, consolida a eficácia do sistema e reforça a importância da adoção do método de malhas em empreendimentos com características operacionais similares.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo permitiu avaliar de forma técnica e criteriosa a eficácia do método de malhas adotado como solução de proteção contra descargas atmosféricas na base de combustíveis PETRÓLEO SABBA S/A, localizada em Porto Velho – RO. Com base na análise dos laudos de inspeção, medição de resistência de aterramento e continuidade elétrica, verificou-se que o sistema de SPDA implantado atende de forma plena os requisitos estabelecidos pela ABNT NBR 5419:2015.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As medições realizadas demonstraram valores de resistência de aterramento satisfatórios, amplamente dentro dos limites preconizados pela norma vigente, mesmo considerando a variabilidade natural das condições do solo e o regime climático regional. Essa conformidade técnica reflete diretamente a eficiência do sistema na dissipação das correntes de descarga atmosférica, minimizando os riscos associados à elevação de potenciais perigosos nas superfícies acessíveis da instalação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista da engenharia de proteção contra descargas atmosféricas, o método de malhas mostrou-se particularmente adequado para ambientes com risco de atmosferas explosivas, como bases de armazenamento de combustíveis. A capacidade de equipotencialização oferecida pela malha de aterramento, aliada à baixa impedância obtida por meio da interligação de hastes e condutores de seção elevada, garante a integridade funcional do sistema e reduz significativamente a probabilidade de ocorrência de centelhamentos internos e tensões perigosas de passo e de toque.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a execução das conexões com técnicas de solda exotérmica, o uso de caixas de inspeção e a adoção de captores naturais e não naturais adequados reforçam a robustez e a durabilidade do sistema ao longo do tempo. As inspeções regulares, documentadas nos laudos analisados, atestam a manutenção contínua da eficiência do SPDA, em conformidade com as exigências de inspeção periódica estabelecidas na Parte 3 da NBR 5419:2015.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, a escolha do método de malhas para a proteção da base PETRÓLEO SABBA S/A representa uma decisão técnica fundamentada, alinhada às boas práticas de engenharia e às normativas nacionais. A análise conduzida ao longo deste trabalho reforça a importância de uma abordagem integrada e sistemática na implementação de sistemas de proteção contra descargas atmosféricas em instalações críticas, visando sempre a segurança das pessoas, a integridade patrimonial e a continuidade operacional das atividades desenvolvidas no local.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS.</strong> NBR 5410: Instalações elétricas de baixa tensão. Rio de Janeiro, 2008. 217 p.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS</strong>. NBR 5419-1: Proteção contra descargas atmosféricas. parte 1: Princípios gerais. Rio de Janeiro, 2015. 77 p.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS</strong>. NBR 5419-2: Proteção contra descargas atmosféricas. parte 2: Gerenciamento de risco. Rio de Janeiro, 2015. 116 p.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS.</strong> NBR 5419-3: Proteção contra&nbsp;descargas atmosféricas. parte 3: Danos físicos a estruturas e perigos á vida. Rio de Janeiro, 2015. 61 p.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS</strong>. NBR 5419-4: Proteção contra&nbsp;descargas atmosféricas. parte 4: Sistemas elétricos e eletrônicos internos na estrutura. Rio de Janeiro, 2015. 99 p.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>COTRIM, A. A. Instalações elétricas.</strong> Revisão e adaptação técnica: José Aquiles Baesso, Gromoni e Hilton Moreno. 5. ed. São Paulo: PEARSON Prentice Hall, 2009. 498 p. ISBN 978-85-7605-208-1.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>SILVA, D. M. da. Laudo Técnico do Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA)</strong> e Aterramento Elétrico. Porto Velho &#8211; RO, 2024. Laudo de inspeção e medições realizadas na base de combustíveis PETRÓLEO SABBA S/A.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>SOUSA, D. P. et al.</strong> Verificação da relação entre urbanização e incidência de raios nos municípios do brasil. Cadernos do IME-Série Estatística, v. 32, n. 1, p. 33, 2012.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>SOUZA, A. N. d. et al. SPDA</strong>-Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas- Teoria, Prática e Legislação. [S.1.]: Saraiva Educação SA, 2012.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-black-color has-alpha-channel-opacity has-black-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Discente do Curso Superior de Engenharia Elétrica da Faculdade Metropolitana e-mail: karina.farias.pvh@gmail.com<br><sup>2</sup>Discente do Curso Superior de Engenharia Elétrica da Faculdade Metropolitana e-mail: robertopantojapvh@gmail.com<br><sup>3</sup>Discente do Curso Superior de Engenharia Elétrica do Instituto Federal de Rondônia Campus José Ribeiro Filho e-mail: henrique.colares.lima@gmail.com</p>



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