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	<title>Volume 29 &#8211; Edição 143/FEV 2025 &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<description>Revista Científica de Alto Impacto.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 31 Mar 2025 14:28:32 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Volume 29 &#8211; Edição 143/FEV 2025 &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<item>
		<title>ANÁLISE QUANTITATIVA DO CONSUMO DE ÁLCOOL ENTRE JOVENS UNIVERSITÁRIOS DA UEA: FATORES SOCIODEMOGRÁFICOS, RISCOS E IMPACTOS PARA A SAÚDE</title>
		<link>https://revistaft.com.br/analise-quantitativa-do-consumo-de-alcool-entre-jovens-universitarios-da-uea-fatores-sociodemograficos-riscos-e-impactos-para-a-saude/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CS]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Mar 2025 02:48:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 143/FEV 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202502282338 Valdelize Elvas Pinheiro1Everdan da Silva Souza2 Resumo O estudo analisou o consumo de bebidas alcoólicas entre jovens universitários da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESA) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Manaus-AM. Trata-se de uma pesquisa quantitativa, descritiva e exploratória, realizada com 630 alunos dos cursos de Medicina, Enfermagem, [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202502282338</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Valdelize Elvas Pinheiro<sup>1</sup><br>Everdan da Silva Souza<sup>2</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo analisou o consumo de bebidas alcoólicas entre jovens universitários da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESA) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Manaus-AM. Trata-se de uma pesquisa quantitativa, descritiva e exploratória, realizada com 630 alunos dos cursos de Medicina, Enfermagem, Odontologia e Educação Física, representando 32% de significância da margem de confiabilidade. Os participantes responderam um formulário autoaplicável, enviado por Google Forms, com perguntas abertas e fechadas. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UEA (n° 4814478 e CAAE: 47914421900005016). Os resultados apontaram que 40% dos participantes eram alunos de Medicina, 24% de Enfermagem, 24% de Odontologia e 12% de Educação Física, sendo 77% do sexo feminino. A idade predominante foi 21 anos (17,6%). Em relação ao consumo de álcool entre familiares, 51% relataram que pessoas com quem residem fazem uso, enquanto 40% afirmaram que seus pais ingerem bebidas alcoólicas. Entre os estudantes, 58% consomem álcool, sendo que 65% iniciaram antes dos 18 anos. O principal motivo relatado para o consumo foi problemas familiares (42%). A frequência de consumo revelou que 51% bebem mais de quatro vezes ao mês, com predomínio da cerveja (53%). A maioria dos entrevistados (83%) consome álcool acompanhado, e o bar foi apontado como o ambiente mais frequente para ingestão (37%). Sobre o uso de drogas ilícitas, 53% nunca experimentaram, enquanto 19% relataram ter utilizado maconha. Quanto ao controle do consumo, 68% afirmaram ter dificuldades em reduzir a ingestão, e 77% declararam conhecer os danos do álcool ao organismo. Dos 1.320 alunos convidados, apenas 630 responderam ao questionário e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), devido à indisponibilidade de contatos cadastrados. O estudo conclui que fatores sociodemográficos influenciam o consumo de álcool, podendo levar ao uso de outras substâncias e desencadear problemas como transtornos psíquicos, infecções sexualmente transmissíveis, violência e acidentes. Dessa forma, os resultados obtidos podem contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas e estratégias educativas voltadas à prevenção e redução do consumo de bebidas alcoólicas entre universitários.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chaves: </strong>Uso de álcool; Universitários; Cursos da saúde; UEA. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. Introdução</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O ingresso na universidade representa um período de transição psicossocial para muitos jovens, marcado pelo aumento da independência, tomada de decisões e novas responsabilidades; fase essa que envolve mudanças significativas no estilo de vida, incluindo alimentação inadequada, privação do sono e adaptação a uma nova rotina acadêmica. Para aqueles que estudam em outras cidades e moram sozinhos, esses desafios podem gerar insegurança, tornando-os mais vulneráveis ao consumo de bebidas alcoólicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O consumo de álcool atinge cerca de 43% da população mundial entre 15 e 49 anos, com uma média per capita de 6,4 litros por adulto. No Brasil, aproximadamente 40% da população consome bebidas alcoólicas anualmente, índice superior à média mundial. (OMS,2018)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O álcool, por ser uma substância psicoativa, afeta o sistema nervoso central, podendo causar intoxicação, alterações comportamentais e, quando consumido em excesso e de forma crônica, levar à dependência, além de possuir efeitos imunossupressores e carcinogênicos. (Brasil,2018)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os jovens, é a substância psicoativa mais consumida, seguida pelo tabaco e pela maconha. No Brasil, seu uso está profundamente enraizado na cultura, favorecendo sua ampla aceitação, inclusive entre estudantes universitários (Santos,2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O consumo excessivo de álcool na juventude aumenta a probabilidade de dependência na vida adulta, além de estar associado a problemas familiares, acadêmicos e de saúde, como cirrose hepática, tuberculose, diabetes e doenças cardiovasculares (OMS,2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, episódios de embriaguez elevam a exposição a riscos como envolvimento em brigas, acidentes de trânsito, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e gravidez precoce, especialmente entre mulheres que relatam menor uso de preservativo em relações casuais (Brasil,2002).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Gomes (2019), estima-se que o álcool seja responsável por cerca de 3 milhões de mortes anuais no mundo, representando 10% das mortes prematuras entre jovens de 15 a 45 anos. Os acidentes de trânsito são a principal causa, resultando em aproximadamente 1,25 milhão de óbitos por ano. No Brasil, apesar da redução nos últimos anos, o país ainda ocupa o terceiro lugar em número de mortes relacionadas ao consumo de álcool.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca por aceitação social e integração em grupos universitários também contribui para o aumento do consumo de bebidas alcoólicas, sendo um comportamento muitas vezes incentivado por veteranos, Oliveira (2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário, o consumo de álcool entre universitários se configura como um problema de saúde pública, demandando o fortalecimento de políticas de prevenção e combate ao uso de substâncias nocivas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, este estudo analisou o consumo de bebidas alcoólicas entre jovens universitários de uma instituição pública em Manaus-AM, buscando identificar características sociodemográficas, fatores associados ao consumo e o conhecimento sobre os riscos do álcool. A pesquisa visa contribuir para o planejamento de estratégias de intervenção no âmbito das políticas públicas, com o objetivo de implementar medidas educativas que previnam ou minimizem o consumo de álcool entre estudantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Caminhos da Pesquisa </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo adotou uma abordagem quantitativa, com caráter descritivo para traçar o perfil dos participantes e exploratório para aprofundar a compreensão do fenômeno investigado. Devido às restrições impostas pela pandemia, os participantes foram convidados a responder um questionário online, disponibilizado na plataforma Google Forms, garantindo a segurança e acessibilidade na coleta de dados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O formulário semiestruturado foi dividido em quatro partes, onde a primeira abordou variáveis sociodemográficas, como curso, idade, sexo, moradia, número de residentes no domicílio e responsáveis pela renda familiar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A segunda investigou o consumo de álcool entre familiares e o próprio participante, incluindo a idade da primeira experiência e os motivos que levaram ao consumo, seguida da terceira seção, que explorou a frequência e os padrões de consumo, identificando as bebidas mais consumidas (cerveja, Vodka, cachaça, entre outras), se o consumo ocorre sozinho ou acompanhado e os locais mais frequentes (residência, universidade, bares, espaços públicos). A última parte, e não menos importante, avaliou o conhecimento dos participantes sobre os danos causados pelo consumo de álcool.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE-Anexo A) foi disponibilizado junto ao formulário para garantir a participação voluntária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, o estudo envolveu alunos matriculados nos cursos regulares de Medicina, Enfermagem, Odontologia e Educação Física da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESA). Inicialmente, 1.950 estudantes foram contatados, mas 1.320 foram excluídos por falta de e-mails e contatos cadastrados nas coordenações dos cursos; e assim, 630 estudantes retornaram o questionário respondido e assinaram o TCLE. A coleta de dados ocorreu entre novembro de 2022 e julho de 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados foram organizados em planilhas do Microsoft Excel e analisados no programa EpiInfo, sendo apresentados por meio de gráficos e tabelas e interpretados à luz da literatura científica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo pretende fornecer subsídios para a gestão da ESA na formulação de ações educativas e estratégias de promoção da saúde relacionadas ao consumo de álcool, assim, a pesquisa foi submetida à Plataforma Brasil e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) sob o nº 4814478 e CAAE: 47914421900005016.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. Revisão Bibliográfica</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns autores tornam-se importantes para que essa pesquisa obtivesse um respaldo técnico científico para poder entender e compreender todo o processo evolutivo dos conceitos necessários para uma boa pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Emile Durkheim (1897), sociólogo francês, revolucionou a compreensão do suicídio com sua obra <em>O Suicídio: Estudo de Sociologia</em>, onde desafiou a visão tradicional de que o suicídio é um ato puramente individual, argumentando que ele é, na verdade, um fenômeno social profundamente influenciado pela estrutura e coesão da sociedade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O autor identificou quatro tipos de suicídio: egoísta, altruísta, anômico e fatalista. O suicídio egoísta ocorre em sociedades com baixa coesão social, onde os indivíduos se sentem desconectados do coletivo. Já o altruísta acontece em contextos nos quais o indivíduo se submete excessivamente ao grupo. O suicídio anômico está relacionado a situações de instabilidade social, como crises econômicas, e o fatalista ocorre quando há um controle social opressivo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durkheim (1897), utilizou dados estatísticos para analisar essas variações, sendo pioneiro na aplicação de uma metodologia científica para estudar fenômenos sociais, e sua análise ainda é fundamental na sociologia contemporânea, influenciando áreas como saúde mental e políticas públicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Siqueira (2021), outro pesquisador de destaque nessas pesquisas, aborda os efeitos sociais e psicológicos do consumo de álcool entre os jovens universitários, evidenciando como o consumo excessivo de bebidas alcoólicas está profundamente relacionado a fatores sociais e psicológicos no ambiente universitário.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele explora as pressões sociais que os jovens enfrentam dentro das universidades, destacando como o álcool pode ser usado como uma ferramenta para lidar com o estresse acadêmico, a pressão para se integrar aos grupos e até mesmo como uma forma de afirmação de identidade social.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Siqueira (2021) também analisa as consequências desse consumo, como o agravamento de problemas psicológicos e a ocorrência de transtornos emocionais, que muitas vezes passam despercebidos em meio à normalização do álcool como parte da vida universitária; dessa forma, sugere que, para reduzir os impactos negativos do consumo, é necessário adotar estratégias de prevenção mais eficazes, que envolvam não apenas a educação sobre os riscos, mas também a promoção de uma cultura de apoio emocional e social entre os estudantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No livro <em>Prevenção ao uso de substâncias psicoativas: modelos e intervenções</em> (Borges, 2020), investiga os principais modelos de intervenção na prevenção do uso de substâncias psicoativas, com foco específico nas abordagens para o consumo de álcool entre os jovens. Ele analisa estratégias educacionais, políticas públicas e programas comunitários, refletindo sobre as melhores práticas de prevenção, baseadas em evidências científicas; assim, é possível destacar que o uso de substâncias psicoativas, particularmente o álcool, é um problema complexo que requer uma abordagem multifacetada, que não se limite à conscientização sobre os riscos, mas que também envolve mudanças nas normativas sociais e culturais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em sua análise, Borges (2020) também discute os aspectos psicossociais que influenciam o consumo, como a influência da família, amigos e do ambiente acadêmico, e propõe que as intervenções sejam mais personalizadas, levando em conta as diferentes realidades dos jovens e os contextos em que estão inseridos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Monteiro (2022), em sua publicação “<em>C</em>omportamento de risco e saúde pública: uma análise do consumo de álcool entre universitários, realiza uma reflexão crítica sobre os padrões de consumo de álcool entre os jovens universitários e seus impactos na saúde pública.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A obra aborda os comportamentos de risco associados ao uso de álcool, como a relação com outras substâncias psicoativas, os distúrbios alimentares e os problemas psicológicos. Ainda evidencia que o consumo de álcool no ambiente universitário não é apenas uma questão individual, mas sim um reflexo de uma cultura que frequentemente glorifica o consumo e marginaliza os efeitos adversos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não obstante, investiga como o consumo excessivo de álcool pode levar a problemas como evasão acadêmica, baixa performance no estudo e aumento nos índices de saúde mental prejudicada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em linhas gerais, o estudo sugere a necessidade de políticas públicas mais robustas que envolvam estratégias de prevenção e a integração de serviços de saúde mental nas universidades para atender a essa demanda crescente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gonçalves (2023), em Saúde mental e uso de álcool: desafios e políticas públicas no Brasil, analisa a interconexão entre o consumo de álcool e os problemas de saúde mental, destacando como os jovens brasileiros, especialmente os universitários, são particularmente vulneráveis a essas questões.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a leitura do texto, o autor discute as políticas públicas existentes no Brasil para tratar esses problemas, abordando tanto os desafios estruturais quanto a falta de recursos e programas adequados para o acompanhamento da saúde mental dos estudantes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda, em suas reflexões, descreve a necessidade de um enfoque mais integrador, que considere as especificidades culturais e sociais do Brasil, propondo que as políticas de prevenção e intervenção sejam mais sensíveis ao contexto local e mais acessíveis para os jovens.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O autor também alerta para os riscos do estigma social relacionado ao tratamento de problemas de saúde mental, sugerindo que a normalização do cuidado psicológico seja uma das principais metas para combater o abuso de álcool entre estudantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Souza (2022), discute, dentre suas várias obras, como as plataformas digitais moldam os comportamentos dos jovens, incluindo os padrões de consumo de álcool; investigando dessa forma, como as redes sociais, como Instagram, TikTok e Facebook, contribuem para a construção de normas sociais relacionadas ao consumo, muitas vezes glamourizado a bebida alcoólica como parte de uma identidade desejável e socialmente aceita.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pressão social para que os jovens se incluam em uma cultura de consumo, com o risco de reforçar comportamentos prejudiciais, é um outro ponto de excelente discussão, que é identificada quando da leitura do texto, podendo mostrar que os influenciadores digitais desempenham um papel significativo na normalização do uso de álcool, e propõe estratégias para mitigar esses efeitos, como campanhas de conscientização nas próprias redes sociais, além de iniciativas educacionais que estimulem uma reflexão crítica sobre os impactos do consumo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lima (2024), em Fatores psicológicos e sociais no consumo de álcool: uma abordagem interdisciplinar<em>, </em>realiza uma análise aprofundada sobre os múltiplos fatores que contribuem para o consumo de álcool, com ênfase nas influências psicológicas e sociais, abordando assim, de uma forma interdisciplinar, combinando aspectos da psicologia, sociologia e saúde pública para entender melhor o comportamento dos jovens universitários.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Suas discussões refletem a necessidade de se combater o abuso de álcool entre os estudantes, é necessário um entendimento mais amplo das motivações e pressões psicológicas que impulsionam esse comportamento, como o estresse, a ansiedade e as expectativas sociais. A obra também sugere que estratégias de intervenção sejam adaptadas para atender às diferentes realidades sociais e emocionais dos estudantes, considerando suas vivências e o ambiente universitário no qual estão inseridos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Análise gráficas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para melhor visualização dos achados, organizamos as variáveis pesquisadas por itens:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Levantamento dos dados das características sociodemográficas dos participantes, conforme apresentados nos seguintes gráficos: </p>



<p class="wp-block-paragraph">Gráfico 1. Distribuição Sociodemográfica dos estudantes de acordo com o curso, </p>



<p class="wp-block-paragraph">Gráfico 2. Distribuição Sociodemográfica dos estudantes de acordo com a idade, </p>



<p class="wp-block-paragraph">Gráfico 3. Distribuição Sociodemográfica dos estudantes de acordo com o sexo, </p>



<p class="wp-block-paragraph">Gráfico 4. Distribuição Sociodemográfica dos estudantes de acordo com a moradia, </p>



<p class="wp-block-paragraph">Gráfico 5. Distribuição Sociodemográfica dos estudantes de acordo com a quantidade de pessoas que moram em sua residência, </p>



<p class="wp-block-paragraph">Gráfico 6. Distribuição Sociodemográfica dos estudantes de acordo com as pessoas que contribuem com a renda da família; </p>



<p class="wp-block-paragraph">Resultados dos fatores associados aos motivos do início e permanência do uso de bebidas alcóolicas entre os universitários, apresentados nos seguintes gráficos: </p>



<p class="wp-block-paragraph">Gráfico 7. Distribuição do consumo de bebidas alcoólicas dos familiares com quem o aluno reside e fazem uso de bebidas alcoólicas, </p>



<p class="wp-block-paragraph">Gráfico 8. Distribuição se alguma vez na vida o aluno tomou uma dose de bebida alcoólica, </p>



<p class="wp-block-paragraph">Gráfico 9. Distribuição dos motivos que levaram o participante ao consumo de álcool,</p>



<p class="wp-block-paragraph">Descrição dos achados relacionados ao uso descontrolado de bebidas alcoólicas, e as experiências com outros tipos de drogas lícitas ou ilícitas, apresentados seguintes gráficos: </p>



<p class="wp-block-paragraph">Gráfico 10. Distribuição da frequência do consumo de bebidas alcoólicas do acadêmico, </p>



<p class="wp-block-paragraph">Gráfico 11. Distribuição da quantidade de vezes ao dia ou semana consome bebidas alcoólicas,</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gráfico 12. Distribuição das bebidas mais consumidas pelos alunos; como cerveja, corote, Vodka, cachaça, </p>



<p class="wp-block-paragraph">Gráfico 13. Distribuição dos alunos se bebem sozinho ou acompanhado, </p>



<p class="wp-block-paragraph">Gráfico 14. Distribuição dos lugares onde os alunos mais usam álcool; </p>



<p class="wp-block-paragraph">Identificação das variáveis relacionadas aos motivos do não consumo de bebidas alcoólicas, como mostram os gráficos: </p>



<p class="wp-block-paragraph">Gráfico 15. Distribuição do não consumo de bebidas alcoólicas, </p>



<p class="wp-block-paragraph">Gráfico 16. Distribuição do grau de conhecimento dos alunos sobre os danos causados ao organismo pelo consumo de álcool, </p>



<p class="wp-block-paragraph">Gráfico 17. Distribuição do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido TCLE, para registro do aceite da participação </p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Gráfico 1 (A)<br>Distribuição Sociodemográficas dos estudantes de acordo com o curso. Manaus, Am, Brasil, 2022</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="818" height="387" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1316.png" alt="" class="wp-image-200596" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1316.png 818w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1316-300x142.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1316-768x363.png 768w" sizes="(max-width: 818px) 100vw, 818px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Gráfico 2 (A) <br>Distribuição Sociodemográfica dos estudantes de acordo com a idade. Manaus, Am, Brasil, 2022</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="1007" height="614" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1315.png" alt="" class="wp-image-200595" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1315.png 1007w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1315-300x183.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1315-768x468.png 768w" sizes="(max-width: 1007px) 100vw, 1007px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Gráfico 3 (A) <br>Distribuição Sociodemográfica dos estudantes de acordo com o sexo. Manaus, Am, Brasil, 2022</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="1007" height="370" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1314.png" alt="" class="wp-image-200594" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1314.png 1007w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1314-300x110.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1314-768x282.png 768w" sizes="(max-width: 1007px) 100vw, 1007px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Gráfico 4 (A) <br>Distribuição Sociodemográfica dos estudantes de acordo com a moradia (conforme os gráficos apresentados: A, B e C). Manaus, Am, Brasil, 2022</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="488" height="590" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1313.png" alt="" class="wp-image-200593" style="width:798px;height:auto" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1313.png 488w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1313-248x300.png 248w" sizes="(max-width: 488px) 100vw, 488px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Gráfico 5 (A) <br>Distribuição Sociodemográfica dos estudantes de acordo com a quantidade de pessoas que moram em sua residência. Manaus, Am, Brasil, 2022</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="938" height="480" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1312.png" alt="" class="wp-image-200591" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1312.png 938w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1312-300x154.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1312-768x393.png 768w" sizes="(max-width: 938px) 100vw, 938px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Gráfico 6 (A)<br>Distribuição Sociodemográfica dos estudantes de acordo com quais pessoas contribuem com a renda da família (conforme os gráficos apresentados: A, B e C). Manaus, Am, Brasil, 2022</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="910" height="1024" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1311-910x1024.png" alt="" class="wp-image-200590" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1311-910x1024.png 910w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1311-267x300.png 267w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1311-768x864.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1311.png 990w" sizes="(max-width: 910px) 100vw, 910px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Participaram do estudo os estudantes universitários da Escola Superior de Ciências da Saúde/UEA, da cidade de Manaus, AM. Dos alunos regularmente matriculados nos cursos sendo, 40% alunos de medicina, 24 % alunos de enfermagem, 24% alunos de odontologia e 12% alunos de educação física. Destes, 17,6 % (111) eram alunos com faixa etária de 21 anos. Sendo 77% do sexo feminino.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação à moradia, 54% afirmaram viver em casa alugada, sendo que apenas 18% moravam com os pais. Do total, 32% moravam com 4 pessoas ou mais em casa e 23% afirmaram morar com apenas 01 (uma) pessoa em casa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apenas 11% deles relataram ter empregado doméstico em casa e quanto à escolaridade da mãe, predominaram aquelas com ensino superior completo, alcançando 42% do total. Em relação à escolaridade dos pais, o ensino superior completo também foi o nível de ensino com maior percentual, chegando a 32%.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto à renda familiar mensal dos entrevistados, a maioria dos 27% afirmaram receber até 3 salário-mínimo mensal. Sendo 43% a mãe a maior contribuinte para esta renda mensal e apenas 10% dos participantes do estudo, são empregados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Observa-se que a maioria dos indivíduos deste estudo é constituído pelo sexo feminino. Contudo, esses resultados estão em conformidade com o último censo brasileiro de 2019, no qual as mulheres têm maior prevalência de ingresso nos cursos de nível superior da área da saúde, em comparação com os homens (14).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, os resultados dos fatores associados aos motivos do início e permanência do uso de bebidas alcóolicas entre os universitários.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Gráfico 7 (B)<br>Distribuição do consumo de bebidas alcoólicas dos familiares com quem o aluno reside e fazem uso de bebidas alcoólicas (conforme os gráficos apresentados: A e B). Manaus, Am, Brasil, 2022</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="939" height="333" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1310.png" alt="" class="wp-image-200589" style="width:1114px;height:auto" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1310.png 939w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1310-300x106.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1310-768x272.png 768w" sizes="(max-width: 939px) 100vw, 939px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Gráfico 8 (B)<br>Distribuição se alguma vez na vida o aluno tomou uma dose de bebida alcoólica (conforme os gráficos apresentados: A e B). Manaus, Am, Brasil, 2022</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="538" height="602" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1317.png" alt="" class="wp-image-200599" style="width:745px;height:auto" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1317.png 538w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1317-268x300.png 268w" sizes="(max-width: 538px) 100vw, 538px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Gráfico 9 (B) <br>Distribuição dos motivos que levaram o participante ao consumo de álcool. Manaus, Am, Brasil, 2022</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1007" height="498" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1308.png" alt="" class="wp-image-200587" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1308.png 1007w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1308-300x148.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1308-768x380.png 768w" sizes="(max-width: 1007px) 100vw, 1007px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação ao consumo de bebidas alcoólicas dos familiares com quem o aluno reside 51% fazem uso de bebida alcoólica. Quando questionados sobre o consumo de álcool pelo pai, 40% deles afirmaram que o pai ingere. Em relação aos questionamentos referentes ao uso de bebidas alcoólicas, 58% dos participantes fizeram uso.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A faixa etária inicial da primeira dose de bebida alcoólica predominou em menos de 18 anos com 65 % do total. O motivo mais comum que levou ao uso do álcool, 42% afirmaram ter problemas familiares.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas apontam que os universitários se justificando pela diminuição do lazer, pela exaustiva carga horária e pelo estresse são vistos como um grupo vulnerável para o uso de bebidas alcoólicas. Sendo o álcool classificado como a substância psicoativa mais utilizada no mundo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo as pesquisas, o consumo de bebidas alcoólicas é tido como comportamento socialmente aceito sendo o consumo permitido ou não e, quando esse comportamento está incorporado nas relações familiares, emerge outro fator de risco para o desenvolvimento de estilo de consumo que desencadeia a questão da dependência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas apontam que mais de 80% dos jovens que fizeram uso de bebidas alcoólicas alguma vez na vida tinham idade menor que 18 anos. No Brasil, as literaturas revelam que a experiência com uso do álcool e outras drogas acontecem em sua maioria antes da maioridade. Isso está relacionado à cultura entre os familiares, uma vez que consumir bebidas alcoólicas é frequente nos grupos familiares, corroborando com os achados deste estudo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudo realizado na Espanha mostrou que os jovens apresentaram maior prevalência de todos os tipos de maus-tratos pois buscam nas drogas uma forma de lidar com a vitimização sofrida no passado. A crença social de que a educação dos filhos se dá por meio de castigos, humilhações e punições revela-se como um fator de risco bastante preocupante devido à naturalização da violência. Ainda em relação à esfera familiar, sofrer violência física cometida pelos pais associou-se à maior prevalência de policonsumo em adolescentes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Continuando a seguir, os achados relacionados ao uso descontrolado de bebidas alcoólicas, e as experiências com outros tipos de drogas lícitas ou ilícitas.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Gráfico 10 (C)<br>Distribuição da frequência do consumo de bebidas, e quantidade de vezes ao dia ou semana que consome bebidas alcoólicas. Manaus, Am, Brasil, 2022</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="820" height="437" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1307.png" alt="" class="wp-image-200586" style="width:866px;height:auto" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1307.png 820w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1307-300x160.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1307-768x409.png 768w" sizes="(max-width: 820px) 100vw, 820px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Gráfico 11 (C)<br>Distribuição das bebidas mais consumidas pelos alunos; como cerveja, corote, Vodka, cachaça. Manaus, Am, Brasil, 2022</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="820" height="423" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1306.png" alt="" class="wp-image-200585" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1306.png 820w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1306-300x155.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1306-768x396.png 768w" sizes="(max-width: 820px) 100vw, 820px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Gráfico 12 (C)<br>Distribuição dos alunos se bebem sozinho ou acompanhado. Manaus, Am, Brasil, 2022</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="809" height="447" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1305.png" alt="" class="wp-image-200584" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1305.png 809w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1305-300x166.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1305-768x424.png 768w" sizes="(max-width: 809px) 100vw, 809px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Gráfico 13 (C)<br>Distribuição dos lugares onde os alunos mais usam álcool. Manaus, Am, Brasil, 2022</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="789" height="470" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1304.png" alt="" class="wp-image-200583" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1304.png 789w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1304-300x179.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1304-768x457.png 768w" sizes="(max-width: 789px) 100vw, 789px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Gráfico 14 (C)<br>Se o aluno já experimentou algum tipo de droga ilícita. Manaus, Am, Brasil, 2022</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="802" height="391" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1303.png" alt="" class="wp-image-200582" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1303.png 802w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1303-300x146.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1303-768x374.png 768w" sizes="(max-width: 802px) 100vw, 802px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto à frequência do consumo de bebidas, e quantidade de vezes ao dia ou semana que consome bebidas alcoólicas 51% consomem mais de 4 vezes ao mês.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cerveja predomina em 53% como o tipo de bebida alcoólica mais consumida, 83% afirmaram consumir bebida alcoólica acompanhado, enquanto 37% relataram o barzinho como o ambiente que costumam ingerir álcool. No entanto, 53% afirmam nunca terem experimentado nenhum tipo de droga ilícita, sendo que apenas 19% experimentaram maconha.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Organização Pan-Americana de Saúde o consumo de bebidas alcoólicas vem aumentando cada vez mais nos últimos anos, o que pode desencadear o surgimento de doenças, traumas, incapacidades e mortes em nível mundial. Tornando-se um grave problema para a saúde pública.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outros estudos relatam que jovens que consomem bebidas alcoólicas para socializar em redes sociais, e muitos utilizam deste artefato para facilitar e persuadir pessoas para encontros casuais. Em concordância com estes achados, estudos realizados com jovens de uma universidade pública, mostraram que os jovens continuam fazendo uso de álcool como uma forma de socializar e perder a timidez entre grupos de amigos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, surge o consumo de vodcas como a segunda bebida mais consumida entre os universitários. Percebe-se que a preferência dos alunos por bebidas como forma de descontração está associada a ingestão socialmente de cerveja, mais consumida em casa e barzinhos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro estudo realizado aponta que o consumo de substâncias psicoativas na rotina dos trabalhadores de saúde se encontra-se presente, evidenciou o consumo de substâncias do tipo lícitas (tabaco e álcool), entre essa prática, de uso hospitalar (sedativos/opioides e hipnóticos), substâncias ilícitas (inalantes, maconha e anfetaminas) de prescrição médica (antidepressivos) e, ambas utilizadas com motivos relacionados alívio de tensões e ansiedade, para relaxar/descansar e de desinibição, em momentos de uso recreativo, e em determinadas situações que ocorrem após o trabalho.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir os resultados identificados das variáveis relacionados aos motivos do não consumo de bebidas alcoólicas, tais como:&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Gráfico 15 (D)<br>Distribuição do não consumo de bebidas alcoólicas. Manaus, Am, Brasil, 2022</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="842" height="412" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1302.png" alt="" class="wp-image-200581" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1302.png 842w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1302-300x147.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1302-768x376.png 768w" sizes="(max-width: 842px) 100vw, 842px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Gráfico 16 (D)<br>Distribuição do grau de conhecimento dos alunos sobre os danos causados ao organismo pelo consumo de álcool. Manaus, Am, Brasil, 2022</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="842" height="412" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1301.png" alt="" class="wp-image-200580" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1301.png 842w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1301-300x147.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1301-768x376.png 768w" sizes="(max-width: 842px) 100vw, 842px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Gráfico 17 (D)<br>Distribuição do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido TCLE, para registro do aceite da participação. Manaus, Am, Brasil, 2022</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="659" height="379" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1300.png" alt="" class="wp-image-200579" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1300.png 659w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1300-300x173.png 300w" sizes="(max-width: 659px) 100vw, 659px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto ao não consumo de bebidas alcoólicas, 68 % relataram ter dificuldade de controlar a ingestão de bebidas alcoólicas, além de que 77% dos alunos afirmam ter conhecimento sobre os danos causados ao organismo pelo consumo de álcool.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De 1.320 alunos por inexistência de e-mails e contatos cadastrados pelas Coordenações dos Cursos, independente de sexo, cor, raça ou religião, que após serem esclarecidos sobre o tema da pesquisa, objetivos, relevância e finalidades, se sentiram à vontade para participar do estudo, retornado 630 (1.320) questionários com o TCLE assinado e o formulário respondido.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Achados de uma pesquisa confirmam com resultados de outras literaturas científicas onde os indivíduos representam ter baixo risco para dependência do álcool. Pode-se observar que os dados obtidos na pesquisa, mostram que a maioria dos universitários faz uso moderado de bebidas alcoólicas, ou seja, bebem social e controladamente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por se tratar de uma pesquisa envolvendo indivíduos da área da saúde, podemos destacar para os acadêmicos que não fazem uso de bebidas alcoólicas, por terem conhecimento sobre a nocividade do consumo abusivo do álcool, e temem o que pode acontecer caso se embriaguem e percam o controle sobre si. No entanto, para manter esse controle, muitos indivíduos tendem a desmanchar seus laços de amizade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, os achados de um estudo evidenciaram que 23% relataram precisar consumir bebidas alcoólicas mais do que o necessário para fazer o efeito esperado para perder a timidez. Nesse contexto, faz-se necessário que medidas educativas sejam desenvolvidas dentro da instituição, para reduzir o consumo exagerado dessa substância que vem se tornando um problema de saúde pública.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existe na literatura científica uma variedade de estudos pesquisando o uso de álcool entre jovens universitários, entretanto, no estado do Amazonas são raros esses estudos, fazendo-se necessário a realização de mais estudos nesta região.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por se tratar de uma pesquisa online, este estudo teve algumas limitações como encontrar voluntários para participar, e outros se recusaram a responder o questionário. Foi visível o desinteresse dos alunos em participar da pesquisa, acredita-se que por se tratar de um tema complexo, subjetivo, árido, invasivo, pode causar constrangimento, vergonha, medo, e outros sentimento negativos, podendo interferir na confiabilidade das respostas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. Conclusões</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos dados revelou que os fatores familiares desempenham um papel significativo no consumo de bebidas alcoólicas entre universitários, onde jovens cujos pais ou responsáveis consomem álcool regularmente têm maior tendência a iniciar o consumo antes da maioridade, o que aumenta os riscos de envolvimento com substâncias ilícitas e desenvolvimento de dependência química.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse cenário evidencia a influência do ambiente familiar na construção dos hábitos e comportamentos dos estudantes, destacando a necessidade de intervenções voltadas não apenas para os jovens, mas também para suas famílias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, observou-se que o consumo de álcool é amplamente aceito entre os estudantes universitários, sendo frequentemente associado a questões emocionais, estresse acadêmico e conflitos familiares.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitos jovens recorrem ao álcool como uma forma de aliviar a pressão da vida universitária, buscando na bebida um mecanismo de socialização e enfrentamento das dificuldades diárias. No entanto, esse comportamento pode se tornar um gatilho para padrões de consumo abusivo, contribuindo para o aumento da vulnerabilidade a diversas consequências negativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O consumo excessivo de álcool pode acarretar prejuízos significativos à saúde física e mental dos estudantes, e, entre os impactos mais preocupantes, destacam-se os transtornos psíquicos, como depressão e ansiedade, que podem ser agravados pelo uso frequente da substância.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o consumo excessivo favorece comportamentos de risco, aumentando a exposição a infecções sexualmente transmissíveis, gravidez precoce e indesejada, além de episódios de violência interpessoal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os acidentes de trânsito, frequentemente associados à ingestão de álcool, também representam uma preocupação relevante, colocando em risco não apenas a vida do próprio estudante, mas também de terceiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro fator alarmante identificado no estudo é a naturalização do consumo de álcool na cultura universitária, pois o ingresso na universidade muitas vezes representa um momento de transição para a vida adulta, onde os jovens passam a tomar decisões de forma mais independente. No entanto, essa nova fase também pode ser marcada pela influência de colegas e grupos sociais, onde a ingestão de bebidas alcoólicas é vista como uma prática comum e, muitas vezes, incentivada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os eventos universitários, festas e confraternizações se tornam espaços propícios para o consumo, reforçando a ideia de que beber é parte integrante da experiência acadêmica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo com certo nível de conhecimento sobre os riscos do álcool, grande parte dos estudantes continua consumindo a substância regularmente. Isso sugere que, embora a informação esteja disponível, sua efetividade na mudança de comportamento ainda é limitada. A falta de medidas preventivas eficazes contribui para que muitos jovens minimizem os danos potenciais do álcool e continuem a utilizá-lo sem a devida precaução; assim, torna-se fundamental a implementação de políticas educativas mais abrangentes, que não apenas informem sobre os riscos, mas também incentivem hábitos saudáveis e estratégias de enfrentamento alternativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos impactos individuais, o consumo abusivo de álcool entre universitários também gera desafios para a saúde pública, onde o aumento na demanda por atendimentos médicos relacionados a intoxicações alcoólicas, acidentes e problemas de saúde decorrentes do uso crônico sobrecarrega o sistema de saúde e gera custos adicionais para o Estado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, medidas preventivas e educativas tornam-se essenciais para minimizar esses impactos e promover um ambiente acadêmico mais seguro e saudável para todos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. Sugestões a Serem Implementadas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dos achados da pesquisa, algumas ações são sugeridas para reduzir o consumo abusivo de álcool entre universitários e minimizar seus impactos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A problemática do consumo de bebidas alcoólicas entre estudantes universitários não deve ser tratada de forma isolada, mas sim como parte de um esforço coletivo envolvendo instituições de ensino, famílias, órgãos governamentais e a sociedade em geral. Para isso, medidas preventivas e educativas devem ser fortalecidas e aplicadas de maneira contínua.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as ações mais relevantes, destaca-se o <strong>fortalecimento das políticas públicas voltadas para a prevenção do consumo excessivo de álcool</strong>, com um olhar específico para o ambiente acadêmico. Isso envolve a criação de normas e regulamentações que desestimulem o uso abusivo da substância dentro das universidades, bem como a oferta de apoio psicológico e social para os estudantes que enfrentam dificuldades em relação ao consumo de álcool.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A implementação de restrições ao consumo em eventos universitários e a fiscalização do cumprimento dessas normas também podem contribuir para a redução do problema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, é fundamental a <strong>criação de programas educativos permanentes dentro das universidades</strong>, abordando os riscos do consumo precoce e excessivo de álcool, onde esses devem ser planejados para oferecer informações claras e acessíveis sobre os impactos do álcool na saúde física e mental, destacando não apenas os perigos a curto prazo, como intoxicações e acidentes, mas também os riscos de longo prazo, incluindo dependência química e doenças crônicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A oferta de suporte psicológico e social dentro das instituições de ensino também se mostra essencial para auxiliar os estudantes que enfrentam dificuldades relacionadas ao álcool, garantindo um espaço seguro para aconselhamento e tratamento quando necessário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra medida importante é a <strong>adoção de campanhas de conscientização direcionadas aos jovens</strong>, utilizando estratégias de comunicação eficazes para ampliar o alcance das informações sobre os danos causados pelo álcool. Nesse contexto, o uso de mídias sociais, palestras interativas e materiais audiovisuais atrativos pode contribuir para um maior engajamento dos estudantes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas campanhas devem ser desenvolvidas de maneira dinâmica e envolvente, evitando abordagens moralistas que possam afastar o público-alvo. Além disso, a inclusão de depoimentos de ex-dependentes ou pessoas que enfrentam consequências negativas devido ao consumo excessivo pode tornar a mensagem mais impactante e realista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>promoção de alternativas de lazer saudáveis dentro do ambiente universitário</strong> também se apresenta como uma estratégia eficaz para desestimular o consumo abusivo de álcool, onde muitas vezes, os estudantes recorrem ao álcool devido à falta de opções de entretenimento que não envolvam bebidas alcoólicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, é essencial que as universidades incentivem atividades esportivas, culturais e recreativas que proporcionem momentos de lazer e socialização sem a necessidade de consumo de álcool. Eventos como festivais de música, competições esportivas, feiras culturais e grupos de teatro podem oferecer experiências enriquecedoras para os jovens, ao mesmo tempo em que reduzem a associação entre diversão e consumo de bebidas alcoólicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto fundamental é o <strong>engajamento da comunidade acadêmica e familiar no debate sobre o consumo de álcool</strong>. Para que as estratégias de prevenção sejam realmente eficazes, é necessário que estudantes, professores e familiares estejam envolvidos na discussão sobre os impactos do álcool e nas&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das ações mencionadas, também se sugere a implementação de <strong>parcerias entre universidades e instituições especializadas no tratamento e prevenção do consumo abusivo de álcool, </strong>pois essas parcerias podem facilitar o encaminhamento de estudantes que necessitem de atendimento especializado, bem como possibilitar a realização de pesquisas e eventos educativos sobre o tema.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A colaboração com centros de saúde, ONGs e órgãos públicos pode ampliar o impacto das ações preventivas e proporcionar uma rede de apoio mais estruturada para os jovens em situação de vulnerabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, é necessário que todas as iniciativas sejam acompanhadas de <strong>monitoramento e avaliação constantes</strong>, a fim de verificar sua efetividade e realizar ajustes sempre que necessário, onde a coleta de dados sobre o consumo de álcool entre universitários de forma periódica, avaliar o impacto das campanhas educativas e analisar a participação dos estudantes nas atividades oferecidas são estratégias fundamentais para garantir que as ações implementadas alcancem seus objetivos de maneira eficiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a construção de um ambiente acadêmico mais saudável e seguro requer um esforço contínuo e coletivo, envolvendo diferentes setores da sociedade. Somente por meio da conscientização, da educação e do fortalecimento das redes de apoio será possível minimizar os impactos do consumo abusivo de álcool e promover o bem-estar dos estudantes universitários.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7. Sugestões para estudos Futuros</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para aprofundar o entendimento sobre essa problemática e aprimorar as estratégias de prevenção e mitigação dos impactos do consumo de álcool entre universitários, sugere-se a realização de novas pesquisas que ampliem o escopo de análise e explorem diferentes variáveis associadas ao tema.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O consumo de bebidas alcoólicas entre jovens é um fenômeno multifacetado, influenciado por diversos fatores, como o ambiente acadêmico, as relações familiares, os aspectos culturais e até mesmo o marketing das indústrias de bebidas. Dessa forma, investigações mais aprofundadas podem fornecer informações valiosas para embasar políticas públicas e ações educativas mais eficazes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das possibilidades para estudos futuros é <strong>investigar o impacto das intervenções educativas na redução do consumo de álcool entre universitários</strong>, analisando a eficácia de diferentes abordagens preventivas. Pesquisas nessa área poderiam avaliar quais estratégias são mais eficientes para conscientizar os jovens sobre os riscos do álcool, levando em conta variáveis como formato das campanhas (presencial ou digital), frequência das ações educativas, nível de engajamento dos estudantes e a influência da participação de especialistas no tema. Com base nesses achados, seria possível desenvolver programas de prevenção mais direcionados e com maior potencial de impacto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, sugere-se a realização de estudos que <strong>analisem o papel de fatores socioeconômicos e psicológicos no consumo de bebidas alcoólicas</strong>, buscando compreender melhor os motivos que levam os jovens a beberem. Questões como nível de renda familiar, acesso a serviços de saúde mental, presença de transtornos psicológicos, exposição a ambientes de alto consumo e influência do meio social poderiam ser investigadas. Esses estudos poderiam contribuir para a formulação de estratégias que atendam às necessidades específicas de diferentes grupos de estudantes, promovendo intervenções mais personalizadas e eficazes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra vertente relevante seria <strong>comparar os padrões de consumo entre diferentes grupos acadêmicos</strong>, identificando cursos ou áreas do conhecimento com maior incidência de consumo abusivo e os fatores que influenciam essas diferenças. É possível que determinados cursos tenham uma cultura mais permissiva em relação ao álcool, seja pela carga de estresse enfrentada pelos alunos ou pela tradição acadêmica. Estudos comparativos poderiam revelar se há maior prevalência de consumo em determinadas áreas e, caso isso seja constatado, quais medidas poderiam ser adotadas para reduzir os riscos associados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, um campo de pesquisa de grande relevância na atualidade seria <strong>estudar a influência das redes sociais e da mídia na percepção dos jovens sobre o consumo de álcool e seus impactos</strong>. A forma como o álcool é retratado em plataformas como Instagram, TikTok e Facebook pode influenciar significativamente o comportamento dos estudantes, reforçando normas sociais que incentivam o consumo. Investigações sobre esse tema poderiam analisar o impacto da publicidade, das postagens de influenciadores digitais e da normalização do álcool no ambiente virtual, além de propor medidas para equilibrar a comunicação sobre os riscos e responsabilidades do consumo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra linha de pesquisa interessante seria a <strong>avaliação longitudinal dos efeitos do consumo de álcool na trajetória acadêmica dos estudantes universitários</strong>, investigando se há uma relação direta entre o consumo frequente e variáveis como desempenho acadêmico, taxa de evasão, dificuldades emocionais e inserção no mercado de trabalho. Esse tipo de estudo permitiria uma compreensão mais ampla dos impactos do consumo de bebidas alcoólicas ao longo do tempo, possibilitando intervenções preventivas mais direcionadas desde os primeiros períodos da graduação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dessas sugestões, também seria pertinente <strong>realizar estudos qualitativos para compreender a percepção dos jovens sobre o consumo de álcool</strong>, utilizando metodologias como entrevistas em profundidade e grupos focais. Essa abordagem permitiria captar nuances subjetivas da relação dos estudantes com o álcool, suas motivações para consumir ou evitar a substância e os desafios enfrentados ao tentar reduzir o consumo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, destaca-se a necessidade de <strong>pesquisas interdisciplinares que envolvam áreas como saúde pública, psicologia, ciências sociais e educação</strong>, garantindo uma abordagem mais completa e integrada sobre o tema. O aprofundamento dessas questões poderá contribuir significativamente para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes de prevenção e promoção da saúde, beneficiando tanto os estudantes quanto a sociedade como um todo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BORGES, L. M. F. (2020). <strong>Prevenção ao uso de substâncias psicoativas</strong>: modelos e intervenções. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. <strong>Álcool e saúde</strong>: documentos e informações sobre os efeitos do consumo de álcool na saúde humana. Brasília: Ministério da Saúde, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DURKHEIM, Émile (1858-1917). <strong>O suicídio</strong>: estudo de sociologia. São Paulo: Editora Cia. das Letras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GONÇALVES, J. R. A. (2023). <strong>Saúde mental e uso de álcool</strong>: desafios e políticas públicas no Brasil. Porto Alegre: Editora UFRGS.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GOMES, A. P. et al. (2019). <strong>Álcool, acidentes e mortes</strong>: um estudo sobre os impactos sociais e de saúde no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIMA, A. R. de (2024). <strong>Fatores psicológicos e sociais no consumo de álcool</strong>: uma abordagem interdisciplinar. São Paulo: Editora USP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MONTEIRO, M. G. (2022). <strong>Comportamento de risco e saúde pública</strong>: uma análise do consumo de álcool entre universitários. Brasília: Editora UnB.</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA, M. A.; SILVA, R. F. (2020). <strong>A influência do ambiente universitário no consumo de álcool</strong>: a busca por aceitação social entre estudantes. São Paulo: Editora USP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). <strong>Relatório mundial sobre o álcool e a saúde 2018</strong>. Genebra: OMS, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, R. G. et al. (2020). <strong>Substâncias psicoativas e saúde</strong>: impactos e prevenção. São Paulo: Editora Fiocruz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SIQUEIRA, L. M. de (2021). <strong>Os efeitos sociais e psicológicos do consumo de álcool entre os jovens universitários</strong>. São Paulo: Editora Fiocruz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, D. C. de (2022). <strong>Influência das redes sociais no comportamento juvenil e no consumo de álcoo</strong>l. Rio de Janeiro: Editora PUC-Rio.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Doutorado (1995 &#8211; 1998) &#8211; Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da Universidade de São Paulo (USP).  Mestrado (1994) na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da Universidade de São Paulo (USP).  Profª Associada do Curso de Enfermagem da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESA) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), desde 2012. <a href="https://orcid.org/0000-0001-9472-1551">https://orcid.org/0000-0001-9472-1551</a>. valdelize.elvas@gmail.com; <br><sup>2</sup>Docente da Universidade do Amazonas &#8211; ESA/UEA. Prof. Assistente do Curso de Enf da ESA, da UEA.Doutorando em Enfermagem em Saúde Pública. Programa:  Programa de Pós-graduação em Enfermagem em Saúde Pública &#8211; PEN. Modalidade: Interinstitucional (Dinter)/ Instituições:  UFSC / UEA. <a href="https://orcid.org/0000-0002-5908-2640">https://orcid.org/0000-0002-5908-2640</a>. souzaeverdan76@g mail.com. </p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ATUALIZAÇÃO SOBRE USO DE ARTROPLASTIA TOTAL DE JOELHO NAVEGADA OU CONVENCIONAL: REVISÃO SISTEMÁTICA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/atualizacao-sobre-uso-de-artroplastia-total-de-joelho-navegada-ou-convencional-revisao-sistematica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Mar 2025 02:38:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 143/FEV 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th102503022324 Nélio de Azevedo Santos FilhoOrientador: Luiz Rogério Macedo Gomes RESUMO Introdução: A ATJ navegada (ATJN) por computador tem se popularizado, e seus apoiadores argumentam que essa técnica visa, por conceito, combinar a tecnologia da cirurgia ortopédica assistida por computador com a ATJ convencional, na tentativa de melhorar os escores clínicos e funcionais [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th102503022324</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Nélio de Azevedo Santos Filho<br>Orientador: Luiz Rogério Macedo Gomes</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Introdução: A ATJ navegada (ATJN) por computador tem se popularizado, e seus apoiadores argumentam que essa técnica visa, por conceito, combinar a tecnologia da cirurgia ortopédica assistida por computador com a ATJ convencional, na tentativa de melhorar os escores clínicos e funcionais em pacientes submetidos à ATJ, reduzindo os valores discrepantes radiográficos. Todavia, outros autores questionam se o modelo assistido tem real superioridade, ou custo-benefício, a cirurgia de ATJ convencional em amplo aspecto, pensando nas complicações únicas associadas à ATJ navegada, maior despesa hospitalar e o tempo cirúrgico. Objretivo: Neste sentido, o objetivo desta revisão sistematica foi fornecer uma visão equilibrada da ATJ navegada e discutir a literatura atual sobre as vantagens desta tecnica sobre a cirurgia convencional, em relação ao nivel de evidencia para recomendação. Métodos: Esta pesquisa trata-se de uma abordagem de revisão sistemática para sintetizar as evidências mais recentes sobre o tema, orientada pela Diretrizes PRISMA 2020, e os Ensaios clínicos randomizados foram avaliados pela escala PEDro. Foram utilizados os descritores “Total knee arthroplasty”, “Knee Arthroplasty”, “Navigation”, “Assisted surgery” nos bancos de dados Pubmed, Embase e Scopus para estudos publicados até setembro de 2024. Foram utilizados os seguintes descritores: Os seguintes filtros foram utilizados para chegar ao resultado final esperado: “Randomized Controlled Trial; “Randomized Clinical Trial” “Meta-Analysis” “Systematic Reviews”. Resultados: Segundo a estratégia de busca, foram encontrados 2862 estudos com os descritores supracitados, os quais foram avaliados conforme seu desenho e relevância conforme os filtros do tipo de estudo e critérios de inclusão. Ao final foram incluidos 25 estudos. Conclusão: Através desta revisão sistemática, ficou evidenciado que a recomendação da ATJ navegada em relação a ATJ convencional deve ser interpretadas com cautela. O uso de navegação assistida na ATJ apresenta evidência cientifica superior em relação ao alinhamento da prótese, quando comparada ao procedimento convencional. Todavia, existem poucos estudos de curto, médio e longo prazo que demonstrem resultados clínicos ou funcionais significativamente superiores usando a ATJ navegada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chaves: </strong>Artroplastia total de joelho; Cirurgia assistida; Navegação; Alinhamento; Resultado funcional.</p>



<h5 class="wp-block-heading">INTRODUÇÃO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A osteoartrite do joelho (OA) é um dos distúrbios músculo-esqueléticos mais comuns, afetando supostamente mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo (1), e em OA em estagio avançado a principal recomendação de tratamento é a artroplastia total do joelho (ATJ). Devido aos sucessivos desenvolvimentos nas últimas décadas, foi possivel reduzir as complicações mais frequentes na ATJ, como infecções pós operatórias, o que refletiu em uma taxa de sobrevivência em mais de 95% dos casos, com melhora da qualidade de vida dos pacientes (2). No entanto, cerca de 20% dos pacientes relatam insatisfação com os resultados pós-operatórios devido à dor e à restrição da função do joelho (3).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos anteriores demonstraram que o alinhamento da prótese de joelho foi um fator chave que influencia os resultados clínicos pós-operatórios (4,5). O desalinhamento da prótese pode afetar a mecânica e a cinemática da articulação, como o retrocesso femoral, a rotação tibial e o estresse nos ligamentos e no inxerto, além de aumentar a taxa de desgaste dos componentes de polietileno (6-8). Alguns designs protéticos também podem levar mais tempo para serem inseridos, com durações cirúrgicas mais longas associadas a um risco aumentado de complicações clínicas e revisão (7,8).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido, a navegação assistida, ou navegada, por computador foi desenvolvida no final dos anos 70, com para melhorar a exatidão e precisão cirúrgica. Inicialmante, a técnica foi aplicada na neurocirurgia, em seguida foi transferida para a ortopedia, nas cirurgias de coluna e, gradualmente, nas cirurgias de quadril e joelho (7- 10).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ATJ navegada (ATJN) por computador tem se popularizado, e seus apoiadores argumentam que essa técnica visa, por conceito, combinar a tecnologia da cirurgia</p>



<p class="wp-block-paragraph">ortopédica assistida por computador com a ATJ convencional, na tentativa de melhorar os escores clínicos e funcionais em pacientes submetidos à ATJ, reduzindo os valores discrepantes radiográficos. Todavia, outros autores questionam se o modelo assistido tem real superioridade, ou custo-benefício, a cirurgia de ATJ convencional em amplo aspecto, pensando nas complicações únicas associadas à ATJ navegada, maior despesa hospitalar e o tempo cirúrgico. Neste sentido, o objetivo desta revisão sistematica foi fornecer uma visão equilibrada da ATJ navegada e discutir a literatura atual sobre as vantagens desta tecnica sobre a cirurgia convencional, em relação ao nivel de evidencia para recomendação.</p>



<h5 class="wp-block-heading">MÉTODOS</h5>



<h5 class="wp-block-heading">Estratégia de pesquisa</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Esta pesquisa trata-se de uma abordagem de revisão sistemática para sintetizar as evidências mais recentes sobre o tema, orientada pela Diretrizes PRISMA 2020 (https://www.prisma-statement.org/), e os Ensaios clínicos randomizados foram avaliados pela escala PEDro ( https://pedro.org.au/portuguese/resources/pedro-scale/).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para avaliar a literatura disponível sobre ATJ navegada ou convencional, dois revisores independentes conduziram uma busca sistemática utilizando os descritores: Foram utilizados os seguintes descritores: “Total knee arthroplasty”, “Knee Arthroplasty”, “Navigation”, “Assisted surgery”. Os seguintes filtros foram utilizados para chegar ao resultado final esperado: “Randomized Controlled Trial; “Randomized Clinical Trial” “Meta-Analysis” “Systematic Reviews”. ((Total knee arthroplasty [MeSH Terms]) OR (Total knee arthroplasty [Title/Abstract] OR TKA*[Title/Abstract] AND Navigation [Title/Abstract] OR Assisted surgery [Title/Abstract]. As bases de dados consultadas</p>



<p class="wp-block-paragraph">foram Pubmed, Web Of Science, Scopus e Embase, considerando publicações até o dia 2 de setembro de 2024. O protocolo PRISMA foi adotado para orientar a pesquisa, aplicando filtros específicos como “Randomized Controlled Trial”, “Meta-Analysis” e “Systematic Reviews” para refinar os resultados.</p>



<h6 class="wp-block-heading">Critérios de Elegibilidade e Seleção</h6>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos identificados passaram por uma rigorosa seleção baseada nos seguintes critérios de inclusão:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Relevância direta ao tema de interesse;</li>



<li>Publicação em periódicos científicos indexados;</li>



<li>Disponibilidade em qualquer idioma;</li>



<li>Realização de pesquisas em seres humanos;</li>



<li>Acesso ao texto completo do artigo.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Foram excluídos estudos que apresentavam apenas relatos de caso isolados ou metodologias consideradas de baixa confiabilidade como ausência de avaliação de viés de seleção e validação de dados, estudos retrospectivos e ensaios experimentais em animais ou cadáveres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Variáveis Investigadas e Dados Extraídos: Os investigadores, trabalhando de forma independente, seguiram os mesmos critérios de seleção para os estudos e extraíram informações pertinentes como o desenho do estudo, objetivo, tipo de avaliação, e os desfechos clínicos alcançados.</p>



<h5 class="wp-block-heading">RESULTADOS</h5>



<h6 class="wp-block-heading">Identificação dos estudos</h6>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a estratégia de busca, foram encontrados 2862 estudos com os descritores supracitados, os quais foram avaliados conforme seu desenho e relevância conforme os filtros do tipo de estudo e critérios de inclusão. Ao final restaram 27 estudos, e destes 25 foram incluídos (Tabela 1) (5-34).</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="728" height="613" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-68.png" alt="" class="wp-image-200909" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-68.png 728w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-68-300x253.png 300w" sizes="(max-width: 728px) 100vw, 728px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Figura 1. Fluxograma PRISMA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Figura 2. Descrição temporal da literatura incluída por ano de publicação.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="642" height="358" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-70.png" alt="" class="wp-image-200911" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-70.png 642w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-70-300x167.png 300w" sizes="(max-width: 642px) 100vw, 642px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Observou-se heterogeneidade em relação ao desenho do estudo (Figura 3). Os artigos selecionados apresentaram as seguintes características: Ensaio Clinico randomizado; Revisão sistemática; Meta-análise.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Figura 3. Número de artigos segundo o desenho do estudo.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="692" height="399" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-71.png" alt="" class="wp-image-200912" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-71.png 692w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-71-300x173.png 300w" sizes="(max-width: 692px) 100vw, 692px" /></figure>



<h5 class="wp-block-heading">Caracteristicas gerais da amostra</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Um total de 25 estudos com 8129 joelhos foram incluídos; dos quais 5122 foram submetidos a ATJ convencional e 3006 foram submetidos a ATJ navegada. A média de idade dos pacientes do Grupo ATJC e do Grupo ATJN foi de 65,47 e 61,89 anos, respectivamente, o sexo feminino foi prevalente nos dois grupos (ATJC=59% e ATJN=62%). Os pacientes apresentaram IMC médio de 26,48 e 28,03, respectivamente.</p>



<h5 class="wp-block-heading">Resultados clínicos e funcionais</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos demonstraram grande variação no tempo de acompanhamento (6-120) meses). Os escores médios combinados do Western Ontario e do McMaster Universities Osteoarthritis Index e do Knee Society Score Function Function não foram descritos como diferentes de forma significativa entre as abordagens cirurgicas no curto prazo de seguimento (até 2 anos de acompanhamento), todavia foram melhores, na maioria dos trabalhos incluídos, no grupo com navegação no seguimento a longo prazo (5-8 anos).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados mais contundentes são relatados quanto ao melhor alinhamento do túnel femoral na ATJ com navegação quando comparada a cirurgia convencional (5,6-9- 18).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As complicações no pós-imediato e curto prazo foram descritas como equivalentes entre os tipos de cirurgia, sendo pouco comum em mais de 80% dos artigos, as principais complicações relatadas foram as infecções superficiais, sagramento e Trombose Venosa Profunda (TVP).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1. </strong>Representação dos artigos coletados no estudo.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="559" height="810" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-72.png" alt="" class="wp-image-200913" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-72.png 559w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-72-207x300.png 207w" sizes="(max-width: 559px) 100vw, 559px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="571" height="812" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-73.png" alt="" class="wp-image-200914" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-73.png 571w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-73-211x300.png 211w" sizes="(max-width: 571px) 100vw, 571px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="566" height="834" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-74.png" alt="" class="wp-image-200915" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-74.png 566w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-74-204x300.png 204w" sizes="(max-width: 566px) 100vw, 566px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="555" height="813" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-75.png" alt="" class="wp-image-200916" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-75.png 555w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-75-205x300.png 205w" sizes="(max-width: 555px) 100vw, 555px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="567" height="818" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-76.png" alt="" class="wp-image-200917" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-76.png 567w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-76-208x300.png 208w" sizes="(max-width: 567px) 100vw, 567px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="554" height="756" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-77.png" alt="" class="wp-image-200918" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-77.png 554w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-77-220x300.png 220w" sizes="(max-width: 554px) 100vw, 554px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="562" height="824" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-78.png" alt="" class="wp-image-200919" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-78.png 562w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-78-205x300.png 205w" sizes="(max-width: 562px) 100vw, 562px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="569" height="416" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-79.png" alt="" class="wp-image-200920" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-79.png 569w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-79-300x219.png 300w" sizes="(max-width: 569px) 100vw, 569px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta revisão sistemática, foi possível observar que o uso de navegação assistida na ATJ apresenta evidência cientifica superior em relação ao alinhamento da prótese, quando comparada ao procedimento convencional, todavia, em outros parâmetros como dados funcionais e clínicos não fica clara sua superioridade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabe-se que, o sucesso da ATJ depende da acurácia e da precisão da técnica cirúrgica (7,9) que estão diretamente relacionados com o alinhamento do eixo mecânico e o posicionamento dos componentes protéticos.(10,11)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido, diversos autores tem concluído que a navegação tem sido mais precisa, mais reprodutível, evitando pequenos desvios do eixo que ocorrem por falha humana e que comprometem a sobrevida do implante. Os argumentos a favor da ATJ navegada sobre a ATJ convencional incluem a diminuição da porcentagem de discrepâncias radiográficas no alinhamento dos planos coronal e sagital, maior precisão na rotação axial dos componentes, maior intervalo de flexão-extensão e balanceamento ligamentar (5-24).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sheridan <em>et al(</em>6), 2024, em meta-análise mais recente da literatura, compararam os resultados radiográficos, clínicos e funcionais entre os métodos convencionais de ATJ e ATJN. Com base nos resultados, concluiram que a ATJ navegada alcança alinhamento radiográfico superior para componentes femorais e tibiais tanto no plano coronal quanto sagital. Porém, o tempo operatório é em media, 10 minutos maior no grupo ATJN. Já os resultados funcionais são semelhantes entre grupos navegados e convencionais. Finalmente descrevem que os resultados clínicos relatados em estudos de Nível I são limitados ao acompanhamento de curto prazo, portanto são necessários estudos prospectivos futuros (17-32). Da mesma forma, Panjwani et al.(13), em outra meta- análise, concluiu que há evidências para a melhora do alinhamento femoral na ATJN em comparação ao ATJ convencional, porém, essas evidências são limitadas em relação aos resultados funcionais no acompanhamento a longo prazo, de 5 a 8 anos,</p>



<p class="wp-block-paragraph">Várias metanálises revisam estudos comparativos de alinhamento radiográfico entre ATJ padrão e assistidos por computador. Alcelik et al. examinaram 29 estudos de CAS versus ATJ padrão. O desalinhamento do eixo mecânico superior a 3 ° ocorreu em 9,0% do CAS, comparado com 31,8% dos ATJ padrão. Em outros estudos (2-9) a cirurgia relatada realizada com navegação reduziu a taxa de discrepantes no eixo mecânico do membro em aproximadamente 80%. Cheng et al.(5) revisaram 13 estudos: no grupo de</p>



<p class="wp-block-paragraph">pacientes submetidos à técnica padrão, os cirurgiões implantaram 75% das próteses na zona segura (180 ° ± 3 °), enquanto no grupo com navegação implantaram quase 94% das próteses na região zona segura. Pacientes que passaram por cirurgia tiveram menor risco de desalinhamento em limiares críticos superiores a 3 °, de acordo com outra metanálise dos achados de 11 estudos randomizados (1-12).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos anteriores demonstraram que a ATJ navegada ajuda a melhorar a precisão cirúrgica e o alinhamento das posições dos membros inferiores e dos componentes da prótese em comparação com a ATJ convencional (3-18) Algumas metanálises também apoiaram esta conclusão. No entanto, apenas alguns estudos investigaram se a melhora radiográfica se traduz em melhores escores clínicos e funcionais ou na sobrevivência do implante a médio e longo prazo. Em nossa investigação, a ATJ navegada parece ter um resultado satisfatório em relação ao convencional, entretanto faltam elementos mais precisos para determinar essa tendência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados dos ECRs são divergentes, alguns autores descrevem melhora de dor e função após ATJN em acompanhamento de 2 anos (14). Outros descrevem não haver diferença entre navegação assistida e ATJ convencional em relação ao resultado relatado pelo paciente e/ou função (8,11,12,15). Todavia, a maioria das pesquisas descrevem a superioridade da ATJN em relação ao alinhamento femoral e tibial nos dados radiográficos, o que em tese, diminuem a chance de revisão cirúrgica. Corroborando com o ECR mais recente encontrado, de Zheng <em>et al</em>(2024), que após estudo, comparando ATJ convencional com navegada, concluiu que a ATJ navegada por computador permite a restauração do alinhamento articular e minimiza a liberação de tecidos moles, o que, quando comparado ao alinhamento mecânico na ATJ convencional, pode estar associado a resultados iniciais superiores (5).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, o benefício concreto dos dispositivos assistidos por computador provavelmente é a redução dos valores discrepantes definidos pelo desalinhamento pós- operatório superior a 3º nos componentes tibial ou femoral ou no eixo mecânico da perna; também permite uma técnica mais homogênea, que, ao mesmo tempo, pode ser personalizada para cada paciente.</p>



<h5 class="wp-block-heading">CONCLUSÃO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Através desta revisão sistemática, ficou evidenciado que a recomendação da ATJ navegada em relação a ATJ convencional deve ser interpretadas com cautela. O uso de navegação assistida na ATJ apresenta evidência cientifica superior em relação ao alinhamento da prótese, quando comparada ao procedimento convencional. Todavia, existem poucos estudos de curto, médio e longo prazo que demonstrem resultados clínicos ou funcionais significativamente superiores usando a ATJ navegada.</p>



<h5 class="wp-block-heading">REFERÊNCIAS</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Han SB, Kim HJ, Kim TK, In Y, Oh KJ, Koh IJ, Lee DH. Computer navigation is effective in reducing blood loss but has no effect on transfusion requirement following primary total knee arthroplasty: a meta-analysis. Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc. 2016 Nov;24(11):3474-3481.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Shin YS, Kim HJ, Ko YR, Yoon JR. Minimally invasive navigation-assisted versus conventional total knee arthroplasty: a meta-analysis. Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc. 2016 Nov;24(11):3425-3432.</p>



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<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>INCLUSÃO E CIDADANIA: UMA ANÁLISE DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DESTINADAS À POPULAÇÃO LGBTQIAPN+ EM FORTALEZA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/inclusao-e-cidadania-uma-analise-das-politicas-publicas-destinadas-a-populacao-lgbtqiapn-em-fortaleza/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Mar 2025 02:29:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 143/FEV 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=200899</guid>

					<description><![CDATA[INCLUSION AND CITIZENSHIP: AN ANALYSIS OF PUBLIC POLICIES FOR THE LGBTQIAPN+ POPULATION IN FORTALEZA INCLUSIÓN Y CIUDADANÍA: UN ANÁLISIS DE LAS POLÍTICAS PÚBLICAS DESTINADAS A LA POBLACIÓN LGBTQIAPN+ EN FORTALEZA REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th102503022323 CORREIA, Fabíola Maria Rodrigues RESUMO O artigo busca analisar as políticas públicas destinadas à população LGBTQIAPN+ no contexto da cidade de Fortaleza, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"> <strong>INCLUSION AND CITIZENSHIP: AN ANALYSIS OF PUBLIC POLICIES FOR THE LGBTQIAPN+ POPULATION IN FORTALEZA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INCLUSIÓN Y CIUDADANÍA: UN ANÁLISIS DE LAS POLÍTICAS PÚBLICAS DESTINADAS A LA POBLACIÓN LGBTQIAPN+ EN FORTALEZA</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th102503022323</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">CORREIA, Fabíola Maria Rodrigues</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O artigo busca analisar as políticas públicas destinadas à população LGBTQIAPN+ no contexto da cidade de Fortaleza, com foco em sua implementação, desafios e impacto na promoção de cidadania, inclusão e enfrentamento das desigualdades. A abordagem inclui uma revisão teórica sobre direitos humanos e inclusão social, bem como a análise de dados sobre um questionário aplicado com professores e gestores a fim de investigar a aplicação de programas e projetos destinados à população LGBTQIAPN+ nas escolas públicas de Fortaleza, bem como o conhecimento dos gestores e professores sobre políticas públicas voltadas para essa população. O estudo ressalta a importância de políticas estruturadas e integradas que considerem as especificidades dessa população, destacando a escola como espaço de transformação social e combate à discriminação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras chave</strong>: Políticas públicas. População LGBTQIAPN+. Inclusão social</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>SUMMARY</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">The article aims to analyze public policies directed at the LGBTQIAPN+ population in the context of the city of Fortaleza, focusing on their implementation, challenges, and impact on promoting citizenship, inclusion, and addressing inequalities. The approach includes a theoretical review of human rights and social inclusion, as well as an analysis of data from a questionnaire applied to teachers and managers to investigate the implementation of programs and projects aimed at the LGBTQIAPN+ population in public schools in Fortaleza, as well as the knowledge of managers and teachers regarding public policies directed at this population. The study emphasizes the importance of structured and integrated policies that consider the specificities of this population, highlighting the school as a space for social transformation and combating discrimination.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>Public policies. LGBTQIAPN+ population. Social inclusion.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMEN</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">El artículo busca analizar las políticas públicas destinadas a la población LGBTQIAPN+ en el contexto de la ciudad de Fortaleza, centrándose en su implementación, desafíos e impacto en la promoción de la ciudadanía, inclusión y enfrentamiento de las desigualdades. La aproximación incluye una revisión teórica sobre derechos humanos e inclusión social, así como el análisis de datos de un cuestionario aplicado a profesores y gestores con el fin de investigar la aplicación de programas y proyectos destinados a la población LGBTQIAPN+ en las escuelas públicas de Fortaleza, así como el conocimiento de los gestores y profesores sobre políticas públicas dirigidas a esta población. El estudio resalta la importancia de políticas estructuradas e integradas que consideren las especificidades de esta población, destacando la escuela como espacio de transformación social y combate a la discriminación.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palabras clave: </strong>Políticas públicas. Población LGBTQIAPN+. Inclusión social.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As políticas públicas destinadas à população LGBTQIAPN+ têm se mostrado fundamentais na promoção da cidadania, na garantia de direitos e no enfrentamento das desigualdades sociais. No entanto, essa população ainda enfrenta desafios históricos que envolvem discriminação, exclusão social, violência e a negação de direitos básicos. No Brasil, os índices de violência contra pessoas LGBTQIAPN+ permanecem alarmantes, colocando o país entre os que mais registram homicídios motivados por LGBTQIAPN+fobia no mundo. Esses dados escancaram a necessidade de ações estruturadas e integradas que busquem combater as desigualdades e assegurar condições de vida dignas para essa comunidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto da cidade de Fortaleza, capital do Ceará, a realidade da população LGBTQIAPN+ reflete tanto os avanços conquistados em âmbito nacional quanto os desafios específicos enfrentados em nível local. Apesar de iniciativas como o reconhecimento do nome social e a criação de programas de inclusão, ainda há barreiras significativas na implementação de políticas públicas nas áreas da educação, saúde, segurança e assistência social. A escola pública, por exemplo, enfrenta o desafio de ser um espaço de acolhimento e transformação social diante de um cenário em que o preconceito e a desinformação muitas vezes prevalecem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, compreender as políticas públicas voltadas para a população LGBTQIAPN+ em Fortaleza é essencial para avaliar seus impactos, identificar lacunas e propor estratégias de fortalecimento. O presente artigo busca contribuir para esse debate ao analisar as iniciativas existentes na cidade, bem como os desafios associados à sua aplicação. Além disso, este trabalho destaca a importância do papel da escola pública como um espaço privilegiado para a promoção da diversidade, o combate à discriminação e a construção de uma sociedade mais inclusiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o objetivo geral deste artigo é analisar as políticas públicas destinadas à população LGBTQIAPN+ em Fortaleza, identificando avanços, desafios e possibilidades de fortalecimento dessas iniciativas. Os objetivos específicos incluem mapear as políticas públicas locais, investigar as barreiras à sua implementação, refletir sobre o papel da escola pública nesse contexto e propor estratégias para aprimorar as ações existentes. Ao longo do texto, busca-se, assim, dialogar com os desafios enfrentados por essa população, a fim de contribuir para a construção de políticas públicas mais efetivas e inclusivas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERENCIAL TEÓRICO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O referencial teórico deste estudo fundamenta-se em três eixos principais: os direitos humanos e a cidadania LGBTQIAPN+, as políticas públicas como instrumentos de inclusão social e o papel da escola pública na promoção dos direitos dessa população. Esses eixos dialogam entre si para construir uma base teórica que permita compreender os desafios enfrentados pela população LGBTQIAPN+ e a relevância de políticas públicas no contexto educacional e social.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA LGBTQIAPN+</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os direitos humanos são um conjunto de garantias universais que asseguram a dignidade, a liberdade e a igualdade de todos os indivíduos, independentemente de suas características pessoais, como gênero, orientação sexual ou identidade de gênero. Contudo, a população LGBTQIAPN+ historicamente enfrenta violações sistemáticas de seus direitos, resultado de preconceitos estruturais que permeiam a sociedade. Judith Butler (2015), em sua obra <em>Problemas de Gênero</em>, destaca que as normas sociais e culturais frequentemente marginalizam aqueles que não se enquadram nos padrões heteronormativos, limitando o exercício pleno da cidadania.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, embora avanços significativos tenham sido alcançados, como o reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo (2011), a criminalização da LGBTQIAPN+fobia (2019) e políticas de inclusão como o uso do nome social em documentos (Decreto nº 8.727/2016), a realidade cotidiana ainda evidencia desigualdades profundas. Segundo Bento (2017), a cidadania LGBTQIAPN+ no Brasil, ainda é marcada pela precariedade, pois a existência formal de direitos não garante sua efetividade, especialmente em territórios mais vulneráveis, como periferias urbanas e regiões menos assistidas pelo Estado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo com os avanços das políticas a luta ainda é muto grande pois conforme o “Dossiê dos ASSASSINATOS e da violência contra TRAVESTIS e TRANSEXUAIS brasileiras em 2019”, lançado pela ANTRA e IBTE, pode-se constatar que o Brasil segue como o país que mais assassina pessoas trans do mundo. O dossiê também traz um dado alarmante sobre uma pesquisa realizada por ocasião do mês de enfrentamento da LGBTIfobia no mundo, segundo a qual que 99% das pessoas LGBTI+ participantes afirmaram não se sentirem seguras no país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E ainda e, 2019, foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal a Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO 26).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Nesse julgamento, reconheceu-se a inconstitucionalidade na demora do Congresso Nacional em legislar sobre a proteção penal à população LGBTI+, interpretando conforme a Constituição Federal para enquadrar a homofobia e a transfobia, ou qualquer que seja a forma da sua manifestação, nos diversos tipos penais definidos em legislação já existente, como a Lei Federal 7.716/1989 (que define os crimes de racismo), até que o Congresso Nacional edite norma autônoma. A tese defendida no julgado entende que as práticas LGBTIfóbicas constituem uma forma de racismo social, considerando que tais condutas segregam e inferiorizam pessoas LGBTI. (Giowanna Cambrone &#8211; Publicado no Dossiê dos ASSASSINATOS e da violência contra TRAVESTIS e TRANSEXUAIS brasileiras em 2019)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto de Fortaleza, a luta pela cidadania LGBTQIAPN+ envolve desafios significativos, incluindo altos índices de violência contra essa população. De acordo com o relatório “Violência da LGBTfobia no Brasil” da ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), o Brasil é considerado um dos países mais perigosos para pessoas LGBTQIAPN+, com uma média alarmante de assassinatos a cada ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Dossiê de LGBTIfobia Letal denunciou que durante o ano de 2023 ocorreram 230 mortes LGBT de forma violenta no país. Dessas mortes 184 foram assassinatos, 18 suicídios e 28 outras causas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Figura 1- Número de mortes de LGBTI+ no Brasil por seguimento em 2023.</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="492" height="295" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-61.png" alt="" class="wp-image-200902" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-61.png 492w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-61-300x180.png 300w" sizes="(max-width: 492px) 100vw, 492px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>Observatório de Mortes e Violências contra LGBTI+, Brasil 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da violência física, muitos membros da comunidade enfrentam a exclusão de serviços básicos, como saúde, educação e assistência social. Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que a população LGBTQIAPN+ frequentemente busca serviços de saúde, mas enfrenta discriminação que impede o acesso a um atendimento de qualidade, contribuindo para desigualdades em saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. POLÍTICAS PÚBLICAS E INCLUSÃO SOCIAL: UMA PERSPECTIVA TEÓRICA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação ao tema, é importante destacar que, com base na decisão do STF (MI 4733 e ADO 26), a LGBTIfobia foi reconhecida como crime de racismo. Isso significa que, por exemplo, os atos de praticar, induzir ou incitar o preconceito ou a discriminação com base na raça, conforme o artigo 20 da Lei 7.716/89 (Lei Antirracismo), assim como quaisquer outros crimes raciais, incluem a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero da população LGBTI+, e não se aplicam apenas a pessoas heterossexuais e cisgêneras. É importante ressaltar que não existe &#8220;racismo reverso&#8221;, conforme reconheceu uma recente decisão judicial que fez menção explícita à referida decisão do STF.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As políticas públicas representam um conjunto de ações governamentais que buscam atender às demandas da sociedade, promovendo o bem-estar coletivo e combatendo desigualdades. Para a população LGBTQIAPN+, essas políticas devem considerar as especificidades de suas vivências, enfrentando as estruturas de exclusão e preconceito que historicamente marginalizam esses grupos (SILVA, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Bourdieu (1989), a exclusão social é resultado de desigualdades estruturais que reproduzem hierarquias de poder e acesso. No caso da população LGBTQIAPN+, essas desigualdades se manifestam na dificuldade de acesso a serviços de saúde, educação e emprego, bem como no alto índice de violência motivada por intolerância. Portanto, políticas públicas inclusivas precisam não apenas garantir direitos formais, mas também atuar na transformação das estruturas sociais que perpetuam a discriminação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos da População LGBTQIAPN+ (2009) foi um marco importante na tentativa de integrar ações em diversas áreas, como saúde, segurança e educação. Apesar disso, a implementação dessas políticas enfrenta desafios, como falta de recursos, descontinuidade administrativa e resistências culturais. Em Fortaleza, embora existam iniciativas importantes, como o Centro de Referência Janaína Dutra, voltado ao atendimento da população LGBTQIAPN+, a efetividade dessas ações ainda é limitada, especialmente no que diz respeito à integração com outras políticas setoriais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A inclusão social da população LGBTQIAPN+ passa, portanto, pela necessidade de políticas públicas que articulem ações concretas e educação como ferramenta fundamental para a transformação cultural e social. Desde 2004 se tem um olhar politico mais voltado as questões LGBTQIAPN+ a partir de um conjunto de iniciativas que consideramos:</p>



<p class="wp-block-paragraph">2004: Criação do Brasil Sem Homofobia (BSH) &#8211; Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra GLBT e de Promoção da Cidadania Homossexual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2008: Realização da I Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, com o tema &#8220;Direitos humanos e políticas públicas: o caminho para garantir a cidadania de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2009: Lançamento do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais &#8211; PNDCDH-LGBT.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Publicação do decreto que cria o Programa Nacional de Direitos Humanos 3 &#8211; PNDH 3.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2010: Criação da Coordenadoria Nacional de Promoção dos Direitos de LGBT, no âmbito da Secretaria de Direitos Humanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Implantação do Conselho Nacional LGBT, com representação paritária do governo federal e da sociedade civil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2011: Criação da Política Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT &#8211; Um marco importante que visa garantir os direitos da população LGBT em diversas áreas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2013: Aprovação da união estável entre pessoas do mesmo sexo pelo Supremo Tribunal Federal (STF) &#8211; Uma decisão histórica que reconheceu a união de casais do mesmo sexo, garantindo direitos civis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2014: Lançamento do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT &#8211; Este plano incluiu ações voltadas para a educação, saúde e segurança da população LGBT.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2016: Criação do Comitê Nacional de Promoção da Igualdade Racial e de Gênero &#8211; Este comitê incluiu a questão LGBT em suas pautas, promovendo a interseccionalidade nas políticas públicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre os movimentos destacamos ainda a ABGLT, fundada em 1995, é a maior rede LGBT da América Latina, reunindo mais de 200 grupos em todo o Brasil. Seu principal foco é defender os direitos LGBT através de ações junto ao Poder Legislativo, Executivo e Judiciário. Além da ABGLT, que representa a comunidade LGBT de forma ampla, existem outras organizações que se dedicam a causas específicas: Antra: uma associação nacional que representa os direitos de travestis e transexuais. ABL (Associação Brasileira de Lésbicas) e LBL (Liga Brasileira de Lésbicas): focadas nos direitos das mulheres lésbicas. CNT (Coletivo Nacional de Transexuais): defende os direitos da comunidade transexual. ABRAGAY (Associação Brasileira de Gays) e Artgay (Articulação Brasileira de Gays): lutam pelos direitos da comunidade gay.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outras organizações, como a Rede Afro GLBT, o Coletivo Nacional de Lésbicas Negras Feministas Autônomas (Candaces – BR) e a Rede E-Jovem, trabalham com grupos específicos dentro da comunidade LGBT, levando em consideração questões como raça/cor e idade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vale destacar também o Plano Integrado de Enfrentamento da Feminização da Epidemia de Aids e outras DST (2007), que inclui ações específicas para mulheres lésbicas, bissexuais e transexuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Somente em 2021 completou-se 31 anos que a homossexualidade deixou de ser considerada patologia e foi retirada da Classificação Internacional de Doenças, a CID-10 (OMS, 1994).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vale ressaltar, portanto, que os direitos ora conquistados não são garantidos de forma permanente, e, nesse sentido, é preciso uma constante vigilância para que não haja retrocesso e tais direitos não sejam retirados, uma vez que são objetos de disputa de diferentes projetos políticos e da complexa construção democrática, sobretudo na América Latina (Dagnino et al, 2006; Comparato, 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta mesma perspectiva, Fernandes (2020, p. 26) ressalta que ao falar sobre agências de controle governamental, é importante tratar “não apenas do controle, mas também do contra controle, este último entendido como ações adotadas pelos governados para modificar ou repelir um tipo de controle específico [&#8230;]”, a exemplo dos movimentos sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aprovação de leis estaduais e municipais em diversas cidades e estados começaram a aprovar leis que garantem direitos e proteção à população LGBT, mesmo em um cenário nacional desafiador. &nbsp;Esses eventos mostram a evolução e os desafios enfrentados pela comunidade LGBT no Brasil ao longo dos anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo após 31 anos da retirada da&nbsp;homossexualidade&nbsp;da lista de doenças, a comunidade LGBT+ ainda precisa lutar para proteger seus direitos.&nbsp;Este artigo tem como objetivo analisar a trajetória das políticas públicas LGBT+ no&nbsp;Brasil, mostrando como elas impactam a vida das pessoas LGBT+ e quais avanços e desafios elas enfrentam. Além disso, vamos discutir as mudanças nas normas que orientam o trabalho de psicólogos com a comunidade LGBT+, refletindo sobre o papel da&nbsp;Psicologia&nbsp;e da&nbsp;Análise do Comportamento&nbsp;nesse contexto.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. O PAPEL DA ESCOLA PÚBLICA NA PROMOÇÃO DOS DIREITOS LGBTQIAPN+</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A escola pública ocupa uma posição estratégica na promoção dos direitos humanos e na construção de uma sociedade mais inclusiva. Segundo Freire (1996), a educação é um espaço de emancipação e transformação social, capaz de desconstruir preconceitos e promover a conscientização sobre as desigualdades que afetam diferentes grupos sociais. Nesse sentido, a escola pública tem o potencial de ser um ambiente acolhedor e seguro para estudantes LGBTQIAPN+, contribuindo para o reconhecimento de suas identidades e a valorização da diversidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, o ambiente escolar muitas vezes reflete os preconceitos e as exclusões presentes na sociedade. Estudos como os realizados por Brito (2020) apontam que estudantes LGBTQIAPN+ enfrentam altas taxas de bullying, abandono escolar e invisibilização de suas vivências no currículo escolar. A falta de formação de professores para lidar com questões de gênero e sexualidade também é um obstáculo, reforçando a necessidade de políticas educacionais que abordem essas temáticas de forma transversal e inclusiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Iniciativas como o &#8220;Projeto Escola Sem Homofobia&#8221;, lançado pelo governo federal em 2011, são exemplos de políticas voltadas para a inclusão de estudantes LGBTQIAPN+. Embora tenha sofrido resistência e cortes, ele trouxe à tona a importância de discutir gênero e sexualidade no ambiente escolar. Em Fortaleza, a rede pública tem adotado algumas iniciativas pontuais, mas ainda enfrenta desafios na formação de professores e na implementação de práticas pedagógicas inclusivas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, é imprescindível que a escola pública seja reconhecida como um espaço de promoção dos direitos LGBTQIAPN+, capaz de combater a discriminação e contribuir para a construção de uma cultura de respeito e diversidade. Para isso, é necessário investir em formação continuada de professores, revisão de materiais didáticos e ações pedagógicas que fomentem o diálogo e a conscientização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, os direitos humanos, as políticas públicas e o papel da escola pública são elementos interdependentes na promoção de uma sociedade mais igualitária para a população LGBTQIAPN+. A análise desses três eixos oferece uma base teórica sólida para compreender os desafios enfrentados e propor estratégias que fortaleçam a inclusão e a cidadania.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Elaboramos um quadro com algumas das principais políticas públicas voltadas à população LGBTQIAPN+, tanto em nível nacional quanto no estado do Ceará. O quadro apresenta o ano, o nome da política e um resumo sobre cada uma delas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Âmbito Nacional</strong>: Inclui políticas e decisões judiciais que têm abrangência em todo o território brasileiro, como a criminalização da LGBTQIAPN+fobia ou a Política Nacional de Saúde Integral LGBT.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Âmbito Ceará</strong>: Apresenta políticas específicas do estado do Ceará e da cidade de Fortaleza.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1</strong></p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Ano</strong></td><td><strong>Nome da Política</strong></td><td><strong>Resumo</strong></td><td><strong>Âmbito</strong></td></tr><tr><td>&nbsp; 2004<strong></strong></td><td>Programa &#8220;Brasil Sem Homofobia&#8221;<strong></strong></td><td>Lançado pelo Governo Federal, o programa visava combater a discriminação contra LGBTQIAPN+ e promover direitos.<strong></strong></td><td>&nbsp; Nacional<strong></strong></td></tr><tr><td>&nbsp; &nbsp; 2009</td><td>Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos da População LGBTQIAPN+</td><td>Documento que definiu diretrizes para a promoção da igualdade e o enfrentamento da violência contra LGBTQIAPN+.</td><td>&nbsp; Nacional</td></tr><tr><td>&nbsp; 2011</td><td>Resolução nº 12 do Conselho Nacional de Combate à Discriminação</td><td>Garantiu o direito ao uso do nome social por pessoas trans em órgãos públicos federais.</td><td>&nbsp; Nacional</td></tr><tr><td>&nbsp; 2013</td><td>Política Nacional de Saúde Integral LGBT</td><td>Criada pelo Ministério da Saúde, visa garantir o acesso da população LGBTQIAPN+ a serviços de saúde sem discriminação.</td><td>&nbsp; Nacional</td></tr><tr><td>&nbsp; 2018</td><td>Decisão do STF (Adoção por Casais Homoafetivos)</td><td>O Supremo Tribunal Federal reconheceu o direito de casais homoafetivos à adoção, ampliando a cidadania LGBTQIAPN+.</td><td>&nbsp; Nacional</td></tr><tr><td>&nbsp; 2019</td><td>Criminalização da LGBTQIAPN+fobia (STF)</td><td>Decisão do STF que equiparou a LGBTQIAPN+fobia ao crime de racismo, prevendo punição para atos discriminatórios.</td><td>&nbsp; Nacional</td></tr><tr><td>&nbsp; 2019</td><td>Decreto nº 33.615/2019 (Ceará)</td><td>Criou o Comitê Estadual de Promoção dos Direitos Humanos da População LGBTQIAPN+, visando articular políticas no estado.</td><td>&nbsp; Ceará</td></tr><tr><td>&nbsp; 2020</td><td>Implementação do Centro de Referência LGBTQIAPN+ Janaína Dutra</td><td>Espaço voltado à assistência, acolhimento e promoção de direitos para a população LGBTQIAPN+ em Fortaleza.</td><td>Ceará</td></tr><tr><td>&nbsp; 2021</td><td>Lei Municipal nº 11.106/2021 (Fortaleza)</td><td>Criou o &#8220;Dia Municipal do Orgulho LGBTQIAPN+&#8221; e reforçou a importância de ações de conscientização e combate à discriminação.</td><td>&nbsp; &nbsp; Fortaleza</td></tr><tr><td>&nbsp; 2021</td><td>Campanha Ceará Sem LGBTQIAPN+fobia</td><td>Iniciativa da Secretaria da Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos (SPS) do Ceará para conscientização e combate à LGBTQIAPN+fobia.</td><td>&nbsp; &nbsp; Ceará</td></tr><tr><td>2022</td><td>Decreto nº 34.583/2022 (Ceará)</td><td>Regulamentou o uso do nome social em instituições públicas estaduais para pessoas trans e travestis.</td><td>&nbsp; Ceará</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Autoria própria 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com esse quadro, é possível observar que o Brasil e o estado do Ceará têm buscado acompanhar as diretrizes para a política mundial no que se refere aos direitos LGBTQIAPN+, com realizações de várias ações e implementação de políticas públicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Resultados encontrados acerca da compreensão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Objetivo deste questionário foi investigar a aplicação de programas e projetos destinados à população LGBTQIAPN+ nas escolas públicas de Fortaleza, bem como o conhecimento dos gestores sobre políticas públicas voltadas para essa população. Elaboramos o questionário e aplicamos através do link de WhatsApp nos grupos de gestores e professores da rede municipal de fortaleza. Os respondentes foram Diretor(a), Professor(a) e Coordenador Pedagógico, com 61 respostas coletadas as quais eram livres para que o respondente ficasse à vontade para responder ou não a análise dos gráficos revela várias conclusões importantes. Na primeira sessão com três perguntas e acerca da Identificação e Contextualização tivemos 60 respostas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gráfico 1</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="588" height="248" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-62.png" alt="" class="wp-image-200905" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-62.png 588w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-62-300x127.png 300w" sizes="(max-width: 588px) 100vw, 588px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Autoria própria 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A grande maioria (86,7%) dos respondentes são professores, com uma pequena porcentagem sendo diretores (8,3%) e coordenadores pedagógicos (5%). Este dado é importante porque indica que a maioria das opiniões refletem a perspectiva docente sobre a questão da inclusão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gráfico 2</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="599" height="252" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-63.png" alt="" class="wp-image-200901" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-63.png 599w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-63-300x126.png 300w" sizes="(max-width: 599px) 100vw, 599px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Autoria própria 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A maior parte (41,7%) tem entre 0 a 10 anos de experiência na educação. Há uma distribuição relativamente uniforme entre os outros grupos de tempo de experiência. Este dado não indica uma preponderância de opiniões baseadas em anos de experiência.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gráfico 3</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="565" height="238" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-64.png" alt="" class="wp-image-200900" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-64.png 565w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-64-300x126.png 300w" sizes="(max-width: 565px) 100vw, 565px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Autoria própria 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A maioria dos respondentes (53,3%) trabalha no ensino fundamental I. Uma porcentagem substancial (28,3%) trabalha no ensino fundamental II, e menor porcentagem na educação infantil (18,3%). A ausência de informações sobre a amostra de Educação de Jovens e Adultos (EJA) (0%) pode limitar a capacidade de generalizar os resultados para todos os níveis de ensino.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gráfico 4</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="709" height="321" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-65.png" alt="" class="wp-image-200903" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-65.png 709w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-65-300x136.png 300w" sizes="(max-width: 709px) 100vw, 709px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Autoria própria 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Seção 2: Programas e Projetos na Escola, uma alta porcentagem (90%) das escolas participantes relata ter algum programa ou projeto voltado para inclusão LGBTQIAPN+. Este dado é positivo, sugerindo que a maioria das escolas está se esforçando para promover a inclusão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os programas citados incluem: distribuição de panfletos contra discriminação, vôlei inclusivo, feira de ciências, e um programa denominado &#8220;#semhomofobia&#8221;. A variedade de tipos de programas sugere um esforço diversificado para alcançar a inclusão. No entanto, a falta de detalhes sobre a implementação e o impacto desses programas limita uma análise mais profunda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na pergunta: Quais ações ou atividades relacionadas à diversidade sexual e de gênero são realizadas em sua escola? Responderam que a maioria das escolas relatam ter ações ou atividades relacionadas à diversidade sexual e de gênero. No entanto, muitas dessas ações são pontuais, informais, ou focadas no respeito geral, sem especificar ações voltadas para a comunidade LGBTQIAPN+. Este dado destaca uma lacuna na aplicação prática de políticas inclusivas, apesar da declaração de intenção. As ações incluem palestras, diálogos sobre respeito à diversidade, atividades esportivas e campanhas de conscientização. A variedade de abordagens indica esforços em múltiplas frentes, embora falte aprofundamento e avaliação de impacto.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gráfico 5</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="709" height="298" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-67.png" alt="" class="wp-image-200906" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-67.png 709w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-67-300x126.png 300w" sizes="(max-width: 709px) 100vw, 709px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Autoria própria 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A grande maioria (87,9%) das escolas afirma oferecer suporte específico para alunos LGBTQIAPN+ em situação de vulnerabilidade. Isso indica um compromisso institucional com o bem-estar desses alunos. Os tipos de suporte incluem escuta ativa, conversas informais, e algumas escolas mencionam o encaminhamento ao Conselho Tutelar se necessário. No entanto, seria benéfico conhecer maiores detalhes sobre a eficácia e o alcance destes suportes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gráfico 6</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="709" height="321" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-66.png" alt="" class="wp-image-200904" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-66.png 709w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-66-300x136.png 300w" sizes="(max-width: 709px) 100vw, 709px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Autoria própria 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma porcentagem significativa (78,3%) dos respondentes demonstra conhecimento sobre políticas públicas municipais ou estaduais para a população LGBTQIAPN+. Este resultado sugere que há um nível razoável de informação sobre as políticas existentes. Os exemplos de políticas mencionadas incluem leis estaduais e municipais de combate à LGBTfobia, e a possibilidade de aplicação da lei Maria da Penha em casos de violência contra mulheres trans.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gráfico 7</strong><img loading="lazy" decoding="async" width="567" height="257" src="blob:https://revistaft.com.br/b558ec65-bbec-4c55-9b31-b10275ebbfca"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Autoria própria 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A grande maioria (100%) das escolas relata não oferecer treinamento ou formação continuada para questões de gênero e diversidade sexual. Esta é uma grande lacuna que precisa ser endereçada, pois a formação contínua é crucial para garantir a implementação eficaz das políticas de inclusão. Há opiniões divergentes sobre a eficácia das políticas públicas existentes. A maioria percebe a ineficácia, apontando a falta de implementação prática, formação de professores, e conscientização na comunidade. Os principais desafios incluem a formação de professores, a aceitação de pais e comunidade, a falta de projetos claros e sistemáticos, o preconceito, e a falta de conhecimento dos gestores. A complexidade e diversidade desses desafios destacam a necessidade de abordagens multifacetadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na última pergunta que foi livre e sobre Sugestões para Fortalecer a Inclusão, as sugestões do questionário as respostas se dividem entre aqueles que consideram as políticas eficazes e aqueles que as veem como ineficazes, com uma proporção significativa indicando ineficácia.&nbsp; Esta divisão reflete a complexidade do problema e a dificuldade de implementar políticas inclusivas em um contexto marcado por preconceitos arraigados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As justificativas para a ineficácia das políticas públicas apontam para diversos fatores: Falta de Implementação: Muitos consideram as políticas ineficazes porque elas não são implementadas de forma adequada na prática.&nbsp; As leis e os decretos existem, mas não se traduzem em ações concretas nas escolas.&nbsp; A falta de recursos, de formação dos professores e de acompanhamento são obstáculos para a implementação efetiva. Falta de Conhecimento e Sensibilização:&nbsp; A falta de conhecimento sobre as políticas públicas existentes, tanto entre os professores quanto entre as famílias, contribui para sua ineficácia.&nbsp; A sensibilização e a conscientização sobre a importância da inclusão LGBTQIAPN+ são também elementos fundamentais para o sucesso das políticas públicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Preconceito e Resistência: A resistência e o preconceito por parte de professores, funcionários, alunos e famílias são obstáculos poderosos que impedem a efetividade das políticas públicas de inclusão. As políticas precisam ser acompanhadas de ações que promovam a mudança de atitudes e comportamentos, combatendo os preconceitos e a discriminação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Falta de Programas e Projetos Adequados:&nbsp; A ausência de programas e projetos estruturados, com objetivos claros, metas definidas e recursos adequados, também é apontada como um fator de ineficácia.&nbsp; Ações pontuais e desarticuladas não são suficientes para promover mudanças reais e sustentáveis no ambiente escolar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Justificativas para a Eficácia (menos frequentes): As justificativas para a eficácia das políticas públicas são menos frequentes e geralmente condicionadas: Eficácia Condicional: Algumas respostas indicam a eficácia das políticas, mas apenas quando implementadas de forma adequada, acompanhadas de formação e sensibilização e com o apoio da comunidade escolar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com esses resultados as sugestões não são apenas um apêndice ao questionário, mas sim uma síntese das necessidades mais urgentes e das principais lacunas identificadas na busca por uma inclusão LGBTQIAPN+ verdadeira e efetiva nas escolas de Fortaleza.&nbsp; A falta de formação, o diálogo limitado com a comunidade e a fragilidade dos programas existentes são pontos críticos que precisam ser endereçados simultaneamente para que as políticas de inclusão se tornem realidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONSIDERAÇÕES</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo indica um cenário complexo em relação à inclusão LGBTQIAPN+ nas escolas públicas de Fortaleza. Embora haja um esforço declarado por parte das escolas, a implementação prática das políticas de inclusão enfrenta grandes obstáculos, principalmente a falta de formação continuada e o preconceito.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ascensão dos movimentos sociais desempenhou papel crucial na visibilidade de temas como&nbsp;gênero,&nbsp;sexualidade&nbsp;e&nbsp;orientação sexual, impulsionando o debate público e a conscientização social. A difusão da internet e das redes sociais, a partir da década de 2000, potencializou esse processo, democratizando o acesso à informação e ampliando as possibilidades de engajamento e participação social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A internet, como plataforma de comunicação e difusão de conhecimento, facilitou a construção de redes de apoio, a troca de experiências e a produção de conteúdo sobre questões sociais, contribuindo para a desmistificação de preconceitos e a ampliação do debate público. No entanto, é importante reconhecer que o acesso à informação e a participação em debates online ainda se apresentam de forma desigual, com desafios relacionados à digitalização, à&nbsp;alfabetização digital&nbsp;e à própria estrutura social, que reproduzem desigualdades e dificultam o acesso a todos os indivíduos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos avanços, a resistência e o desconhecimento em relação a temas como&nbsp;gênero&nbsp;e&nbsp;sexualidade&nbsp;persistem em setores da sociedade, demandando esforços contínuos para promover a inclusão, o diálogo e a compreensão mutua.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para avançar significativamente, são necessárias ações coordenadas e sustentáveis que abordem os desafios identificados de forma multidisciplinar e abrangente.&nbsp; A pesquisa destaca a necessidade de intervenções que promovam não só a conscientização, mas também a mudança de comportamentos e atitudes, incluindo os professores, famílias e toda a comunidade escolar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERENCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ANTRA. <strong>Dossiê dos ASSASSINATOS e da violência contra TRAVESTIS e TRANSEXUAIS brasileiras em 2019</strong>. Publicado em: <a href="https://antrabrasil.org/assassinatos/">https://antrabrasil.org/assassinatos/</a> . Acesso: 02.12.2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BENTO, B. <em><strong>Cidadania LGBTQIAPN+:</strong> Avanços e desafios</em>. São Paulo: Editora X, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BOURDIEU, P. <em><strong>O poder simbólico</strong></em>. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. <strong>Decreto nº 8.727, de 28 de abril de 2016</strong>. Dispõe sobre o uso do nome social e o reconhecimento da identidade de gênero de pessoas travestis e transexuais no âmbito da administração pública federal direta, autárquica e fundacional. Disponível em: <a href="http://www.planalto.gov.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">http://www.planalto.gov.br</a>. Acesso em: 02 jan. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. <em><strong>Política Nacional de Saúde Integral LGBT</strong></em>. Brasília: Ministério da Saúde, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. <strong>Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos da População LGBTQIAPN+</strong>. Brasília: Secretaria de Direitos Humanos, 2009. Disponível: <a href="https://www2.mppa.mp.br/sistemas/gcsubsites/upload/39/LGBTI/Plano%20Nacional%20de%20Promo%C3%A7%C3%A3o%20da%20Cidadania%20e%20Direitos%20Humanos%20LGBTI.pdf">https://www2.mppa.mp.br/sistemas/gcsubsites/upload/39/LGBTI/Plano%20Nacional%20de%20Promo%C3%A7%C3%A3o%20da%20Cidadania%20e%20Direitos%20Humanos%20LGBTI.pdf</a> . Acesso em 12 dez, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BUTLER, J. <em><strong>Problemas de gênero:</strong> Feminismo e subversão da identidade</em>. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cf. &lt;https://www.conjur.com.br/2020-jan-29/racismo-reverso-equivoco-interpretativo-define-juizgoias&gt;. Acesso: 12.10.2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">COMPARATO, F. K. <strong>A afirmação histórica dos direitos humanos</strong>. 9ª. ed. São Paulo: Saraiva. Educação SA. 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DAGNINO, E.; Oliveira, A. J; Panfichi, A. Para uma outra leitura da disputa pela construção democrática na América Latina. São Paulo: Paz e Terra, 2006.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FREIRE, P. <em><strong>Pedagogia da autonomia:</strong> Saberes necessários à prática educativa</em>. São Paulo: Paz e Terra, 1996.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CAMBRONE Giowanna &#8211; Dossiê dos ASSASSINATOS e da violência contra TRAVESTIS e TRANSEXUAIS brasileiras em 2019. Artigo publicado originalmente no Dossiê LGBT+ do ISP/RJ. Disponível em: &lt;http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/8528204/4225954/DossieLGBT1.pdf&gt;. Acesso: 12.12.2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">OBSERVATÓRIO de Mortes e Violências contra LGBTI+ no Brasil. <strong>A garantia do Direito à Vida da comunidade LGBTI+.</strong> Disponível em: https://observatoriomorteseviolenciaslgbtibrasil.org/dossie/mortes-lgbt-2023/. Acesso em: 12, dez, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, R. <em><strong>Políticas públicas e inclusão social:</strong> Uma perspectiva teórica</em><em>. </em>Fortaleza: Editora Z, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão nº 26. Decisão sobre a criminalização da LGBTQIAPN+fobia. Brasília: STF, 2019.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ATUALIZAÇÃO SOBRE O PRINCÍPIO DA IRRADIAÇÃO PELO MÉTODO DE FACILITAÇÃO NEUROMUSCULAR PROPRIOCEPTIVA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/atualizacao-sobre-o-principio-da-irradiacao-pelo-metodo-de-facilitacao-neuromuscular-proprioceptiva-uma-revisao-integrativa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft PA]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Mar 2025 02:13:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 143/FEV 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=200558</guid>

					<description><![CDATA[UPDATE ON THE PRINCIPLE OF IRRADIATION BY THE PROPRIOCEPTIVE NEUROMUSCULAR FACILITATION METHOD: AN INTEGRATIVE REVIEW REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202502282312 Maria Vitória Alves Machado1; Arthur da Costa Sousa1; Maria Cristina e Silva Castro1; Jhulia do Nascimento Dias1; Pedro Henrique Fontenele Magalhães1; Victor Hugo do Vale Bastos2 RESUMO Introdução: A FNP é um método de tratamento global com [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>UPDATE ON THE PRINCIPLE OF IRRADIATION BY THE PROPRIOCEPTIVE NEUROMUSCULAR FACILITATION METHOD: AN INTEGRATIVE REVIEW</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202502282312</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Maria Vitória Alves Machado<sup>1</sup>; Arthur da Costa Sousa<sup>1</sup>; Maria Cristina e Silva Castro<sup>1</sup>; Jhulia do Nascimento Dias<sup>1</sup>; Pedro Henrique Fontenele Magalhães<sup>1</sup>; Victor Hugo do Vale Bastos<sup>2</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introdução: </strong>A FNP é um método de tratamento global com enfoque terapêutico positivo. O objetivo primário dessa técnica é aprimorar a funcionalidade do paciente por meio de padrões de movimentos em diagonal e espirais, estimulando os proprioceptores musculares e articulares. Através do princípio de irradiação, é possível amplificar a resposta de músculos sinergistas da mesma articulação e de articulações adjacentes mediante a contração muscular ativa desencadeada por uma resistência apropriada, conferindo aos pacientes inúmeros benefícios. <strong>Objetivo: </strong>Compilar e sintetizar os achados da literatura científica publicados na última década relativos à irradiação por Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva. <strong>Metodologia: </strong>A busca dos dados foi realizada em dezembro de 2024. Foram utilizadas três bases de dados: Pubmed, Embase e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS). <strong>Resultados: </strong>Os resultados da revisão destacam os efeitos da técnica de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva na indução da irradiação muscular em diferentes contextos e condições clínicas. Um dos estudos demonstrou que a aplicação dos padrões de FNP resultou em recrutamento muscular significativo durante a tarefa de sentar e levantar. Outro estudo, indicou que a irradiação de força foi mais eficaz durante tarefas de esforço máximo e varia conforme a diagonal e o sexo dos participantes. Dois estudos obtiveram resultados positivos da aplicação da irradiação em pacientes pós AVE, embora possuam amostra limitada para a pesquisa. <strong>Discussão: </strong>Os estudos denotam a eficácia da FNP na indução da irradiação muscular e na melhoria do recrutamento muscular. Embora a eficácia da FNP tenha sido demonstrada em vários estudos, há limitações em suas metodologias, como amostras pequenas e falta de grupos de controle, e a necessidade de mais pesquisas é mencionada para confirmar e aprofundar os resultados e entender melhor a eficácia da FNP em diferentes populações e contextos. <strong>Conclusão: </strong>A Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva é destacada como uma técnica eficaz para promover a irradiação de força contralateral, melhorar a ativação muscular e contribuir para a reabilitação após lesões neuromusculares.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-Chaves:</strong><strong> </strong>Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva; Irradiação; Contração muscular; FNP.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>ABSTRACT</em></strong><strong><em></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Introduction: </em></strong><em>PNF is a global treatment method with a positive therapeutic approach. The primary objective of this technique is to improve the patient&#8217;s functionality through patterns of diagonal and spiral movements, stimulating muscle and joint proprioceptors. Through the principle of irradiation, it is possible to amplify the response of synergistic muscles of the same joint and adjacent joints through active muscle contraction triggered by appropriate resistance, giving patients numerous benefits. <strong>Objective: </strong>To compile and synthesize the findings of the scientific literature published in the last decade regarding irradiation by Proprioceptive Neuromuscular Facilitation. <strong>Methods: </strong>The data search was carried out in December 2024. Three databases were used: Pubmed, Embase and Latin American and Caribbean Literature in Health Sciences (LILACS). <strong>Results</strong>: The results of the review highlight the effects of the Proprioceptive Neuromuscular Facilitation technique on the induction of muscle irradiation in different contexts and clinical conditions. One of the studies demonstrated that the application of PNF patterns resulted in significant muscle recruitment during the sit-to-stand task. Another</em> <em>study indicated that force irradiation was more effective during maximum effort tasks and it varies according to the diagonal and gender of the participants. Two studies obtained positive results from the application of</em> <em>irradiation in post-stroke patients, although they had a limited sample for the research. <strong>Discussion: </strong>Studies show the effectiveness of PNF in inducing muscle irradiation and improving muscle recruitment. Although the effectiveness of PNF has been demonstrated in several studies, there are limitations in its methodologies, such as small samples and lack of control groups, and the need for more research is mentioned to confirm and deepen the results and better understand the effectiveness of PNF in different populations and contexts.</em> <strong><em>Conclusion: </em></strong><em>Proprioceptive Neuromuscular Facilitation is highlighted as an effective technique to promote contralateral force irradiation, improve muscle activation and contribute to rehabilitation after neuromuscular injuries.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Keywords:</em></strong><strong><em> </em></strong><em>Proprioceptive</em><em> </em><em>Neuromuscular</em><em> </em><em>Facilitation;</em><em> </em><em>Irradiation;</em><em> </em><em>Muscular</em><em> </em><em>contraction;</em><em> </em><em>PNF.</em><em></em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O método de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) foi concebido pelo Dr. Herman Kabat em 1940, com subsequente colaboração de Margaret Knott e Dorothy Voss no seu aprimoramento. Inicialmente aplicado como abordagem terapêutica para a poliomielite, o FNP passou a ser empregado no tratamento de diversas condições de saúde após novos conceitos e experiências<sup>1</sup>. A FNP é um método de tratamento global com enfoque terapêutico positivo. Nessa abordagem, ocorre uma combinação de estímulo físico e envolvimento mental, promovendo motivação e sentimento de realização ao incorporar atividades terapêuticas as quais o paciente tem potencial para concluir<sup>2</sup>. O objetivo primário dessa técnica é aprimorar a funcionalidade do paciente por meio de padrões de movimentos em diagonal, estimulando os proprioceptores musculares e articulares. Esses padrões envolvem a ativação de músculos em uma sequência específica para facilitar a resposta neuromuscular, seja de facilitação, por meio da contração, ou de inibição, por meio do relaxamento muscular<sup>1,3</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A explicação para esse evento reside na possibilidade de amplificar a resposta de músculos sinergistas da mesma articulação e de articulações adjacentes mediante a contração muscular ativa desencadeada por uma resistência apropriada, com a supressão simultânea dos músculos antagonistas. A propagação dessa resposta neuromuscular é definida como irradiação, a qual estará condicionada pela magnitude e extensão do estímulo e ocorrerá de acordo com padrões específicos<sup>1</sup>. Além disso, é possível orientar o fortalecimento ou reforço para os músculos mais fracos, iniciando a aplicação dessa resistência em regiões mais fortes e saudáveis do corpo, e posteriormente, em áreas menos desenvolvidas<sup>1,3</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os benefícios diretos e indiretos do FNP englobam ganhos na amplitude de movimento ativa e passiva, na aprendizagem motora, na força muscular, na postura corporal, na marcha e nas atividades de vida diária (AVD). Ademais, pode-se reduzir os efeitos deletérios do imobilismo e, pelo princípio da irradiação, ser uma alternativa de exercício resistido, principalmente em casos de fraqueza muscular localizada, limitação de movimento unilateral e lesões esportivas<sup>1-4</sup>. Entretanto, apesar do tempo de existência e de seus benefícios, o conhecimento acerca da irradiação por FNP permanece limitado no âmbito acadêmico. Com base nisso, observa-se uma carência de estudos que efetuem uma síntese</p>



<p class="wp-block-paragraph">abrangente e atualizada acerca da irradiação pelo método FNP. Dessa maneira, a presente pesquisa visa compilar e sintetizar os achados da literatura científica publicados na última década relativos à irradiação por Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva, com o intuito de fornecer um recurso de estudo para investigações posteriores.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A revisão integrativa foi baseada a partir da proposta de Ganong<sup>5</sup>, que establece 6 passos: (1) seleção do tema/pergunta: (2) estabelecimento de critérios de inclusão; (3) definição das informações a serem extraídas dos estudos: (4) avaliação dos estudos; (5) interpretação dos resultados; (6) apresentação da revisão. Para compreender esses passos, identificou-se o tema e elaborou-se a pergunta central da presente pesquisa: “Qual o entendimento da literatura vigente acerca da irradiação pelo método de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva?”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca dos dados foi realizada em dezembro de 2024. Três bases de dados foram utilizadas para a pesquisa: Pubmed, Embase e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS). Para encontrar os artigos foram determinados três grupos de palavras-chaves, combinadas pelo método booleano OR, AND e NOT: (“PNF” OR “proprioceptive neuromuscular facilitation” AND “irradiation” NOT “animals” NOT “ultraviolet” NOT “radiotherapy” NOT “rat” NOT “Gamma”).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir disso, estabeleceu-se os seguintes critérios de inclusão: artigos publicados em português, inglês e espanhol; artigos na íntegra que retratem a temática referente à revisão integrativa, artigos publicados e indexados nos referidos bancos de dados nos últimos dez anos (2014 &#8211; 2024) e a presença do termo de busca “Proprioceptive Neuromuscular Facilitation” ou “PNF’’ no título. Estabeleceu-se também como critérios de exclusão: artigos publicados a mais de 10 anos, artigos que fugiam da temática proposta na revisão, artigos publicados em línguas diferentes das pré estabelecidas para a pesquisa e artigos que não possuíam os termos de busca citados acima em seus títulos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira etapa da avaliação dos artigos constou da leitura dos títulos, da exclusão de repetições entre as bases de dados e da leitura dos resumos. A segunda etapa foi da leitura e avaliação na íntegra dos estudos. Em ambas as etapas, a leitura e a análise dos artigos foram realizadas por 3 pesquisadores independentes para evitar vieses de seleção.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a conclusão das fases de triagem representada no fluxograma (Figura 1), um total de seis artigos foi considerado para inclusão na presente revisão integrativa a partir do conjunto inicial de 21 artigos pertinentes à temática em questão. Essa seleção engloba dois estudos de desenho transversal, um ensaio clínico, dois estudos preliminares e um estudo de natureza quase-experimental.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1: </strong>Fluxograma das etapas de seleção dos estudos.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="505" height="721" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1294.png" alt="" class="wp-image-200568" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1294.png 505w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1294-210x300.png 210w" sizes="(max-width: 505px) 100vw, 505px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados da revisão destacam os efeitos da técnica de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva na indução da irradiação muscular em diferentes contextos e condições clínicas, conforme descrito na tabela 1. Um estudo transversal, aplicado em 24 mulheres saudáveis e sedentárias, demonstrou que a aplicação dos padrões de FNP resultou em recrutamento muscular significativo durante a tarefa de sentar e levantar. Os padrões específicos de membro inferior com flexão-adução-rotação externa com flexão do joelho e com flexão-abdução-rotação interna com flexão de joelho, assim como a elevação para a direita do membro superior induziram maior recrutamento muscular. No entanto, a irradiação muscular não foi significativa no membro contralateral inferior durante os padrões de membro superior<sup>6</sup>. Outro estudo examinou os efeitos de exercícios diagonais unilaterais baseados em FNP nos músculos do ombro não exercitados. Os resultados indicaram que a irradiação de força foi mais eficaz durante tarefas de esforço máximo e variou conforme a direção diagonal. Houve também diferenças de atividade muscular entre homens e mulheres. Segundo os autores, esses achados apontam a importância de considerar intensidade, direção e sexo em protocolos de reabilitação<sup>7</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, um ensaio clínico com amostra de 43 adultos saudáveis avaliou diferentes intervenções de FNP para melhorar a ativação dos músculos abdominais. A combinação da manobra de retração abdominal (ADIM) com irradiação induzida pela extensão bilateral do braço mostrou-se eficaz para fortalecer músculos abdominais profundos</p>



<p class="wp-block-paragraph">e superficiais. A ADIM isolada foi vantajosa para recuperar o controle motor de músculos específicos<sup>3</sup>. Uma pesquisa preliminar israelense examinou os efeitos da FNP na ativação muscular contralateral de jovens saudáveis. Os achados evidenciam que a aplicação de FNP em um membro resultou em aumento da atividade muscular no membro contralateral. Os resultados sugerem que essa técnica pode ser útil na reabilitação de várias condições, bem como na prevenção de complicações após imobilização prolongada<sup>8</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já direcionado para condições clínicas, especificamente o acidente vascular encefálico (AVE), um estudo focou na aplicação da irradiação por FNP em pacientes em recuperação após AVE. Os resultados indicaram que a irradiação motora da FNP é eficaz para a ativação dos músculos do membro inferior afetado, porém não promoveu mudanças significativas no equilíbrio e marcha. No entanto, devido ao tamanho reduzido da amostra, os achados carecem de maior investigação<sup>9</sup>. Além deste, uma análise quase-experimental de 2016 investigou os efeitos da irradiação de força contralateral na ativação dos músculos extensores de punho em pacientes após AVC. A aplicação da técnica resultou em aumento da ativação da musculatura extensora do punho entre as etapas, indicando que essa abordagem pode ser útil na reabilitação de pacientes com hemiparesia após AVC<sup>10</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1</strong>: Caracterização dos artigos incluídos.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="806" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1295-1024x806.png" alt="" class="wp-image-200569" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1295-1024x806.png 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1295-300x236.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1295-768x604.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1295.png 1146w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="811" height="980" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1296.png" alt="" class="wp-image-200570" style="width:1017px;height:auto" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1296.png 811w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1296-248x300.png 248w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1296-768x928.png 768w" sizes="(max-width: 811px) 100vw, 811px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="678" height="933" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1297.png" alt="" class="wp-image-200571" style="width:1017px" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1297.png 678w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1297-218x300.png 218w" sizes="(max-width: 678px) 100vw, 678px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="942" height="323" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1298.png" alt="" class="wp-image-200572" style="width:1017px" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1298.png 942w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1298-300x103.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1298-768x263.png 768w" sizes="(max-width: 942px) 100vw, 942px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em geral, os estudos demonstraram a eficácia da técnica de FNP na indução da irradiação muscular e na melhoria do recrutamento muscular em diversas condições clínicas. No entanto, há variações nos resultados dependendo da direção, intensidade da contração, sexo e posição do corpo. Embora algumas limitações tenham sido identificadas, como amostras pequenas e falta de grupos controle, os achados sugerem que a FNP pode se beneficiar do princípio de irradiação e ser uma ferramenta valiosa na prática clínica de fisioterapia para melhorar o controle motor e a reabilitação muscular em diferentes contextos. Todos os artigos destacam o conceito de irradiação muscular, onde a ativação muscular de um grupo muscular é potencializada através da contração de músculos adjacentes <sup>3,6,8,10</sup>.<sup>.</sup> Nesse sentido, a literatura aborda a irradiação neuromuscular de diferentes formas, como &#8220;overflow&#8221;, por exemplo, que é descrito como a ativação neuromuscular involuntária que acompanha os movimentos voluntários ipsilaterais ou contralaterais<sup>11</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vários estudos enfatizam que a irradiação de força contralateral, promovida pela FNP, pode ser uma estratégia eficaz para melhorar a ativação muscular em membros afetados<sup>3,6</sup> ou não exercitados após uma lesão, como no caso de pacientes após AVC<sup>9,10</sup>. A irradiação, dessa forma, é um dos mecanismos pelos quais a PNF pode melhorar a função muscular e a força em pacientes com lesões neurológicas ou outras condições que afetam o sistema nervoso<sup>11</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diferentes artigos destacam a influência da intensidade da contração no efeito da irradiação muscular. Maior intensidade de contração está associada a maior ativação muscular em resposta à irradiação de força<sup>7</sup>. A direção do movimento também é apontada como um fator determinante na eficácia da irradiação de força. Assim, diferentes direções de contração podem levar a diferentes níveis de ativação muscular<sup>7</sup>. Somado a isso, alguns artigos observam diferenças na atividade muscular entre homens e mulheres durante a aplicação da FNP. Isso sugere que o sexo pode influenciar a resposta à técnica<sup>7</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os artigos destacam a relevância da técnica de FNP na reabilitação de pacientes após acidente vascular cerebral (AVC) ou em situações de fraqueza muscular<sup>3,6,8,9,10,</sup>. A técnica de irradiação de força contralateral pode ser aplicada como parte dos protocolos de reabilitação para melhorar o controle motor e a ativação muscular em membros afetados<sup>10</sup>. A literatura também aponta que a irradiação neuromuscular pode ser utilizada na prática clínica como uma estratégia terapêutica para melhorar a força muscular e a função em pacientes com</p>



<p class="wp-block-paragraph">lesões neurológicas ou outras condições que afetam o sistema nervoso<sup>11</sup>. Finalmente, vários artigos apontam limitações em suas metodologias, como amostras pequenas, falta de grupos de controle ou generalização limitada dos resultados<sup>3,6,9</sup>. A necessidade de mais pesquisas é mencionada para confirmar e aprofundar os resultados e entender melhor a eficácia da FNP em diferentes populações e contextos<sup>3,6,8</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>LIMITAÇÕES DO ESTUDO E SUGESTÕES PARA ESTUDOS FUTUROS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As limitações deste estudo incluem, primeiramente, o tamanho amostral pequeno, dado que muitos dos estudos revisados trabalharam com amostras reduzidas. Em segundo lugar, destaca-se a ausência de um grupo controle em alguns estudos, o que dificulta a comparação e a avaliação da eficácia isolada da técnica FNP. Em terceiro lugar, há a limitação quanto à diversidade populacional, uma vez que a maioria dos estudos focou em grupos específicos, o que restringe a generalização dos resultados. Por fim, a metodologia heterogênea entre os estudos — com diferentes protocolos e critérios para avaliação da irradiação muscular — limita uma comparação direta dos resultados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Futuros estudos sobre a temática podem se beneficiar de amostras maiores e mais diversificadas, com grupos controle adequados para comparar com outras técnicas terapêuticas. Expandindo para investigações longitudinais, avaliando a sustentabilidade dos efeitos da técnica ao longo do tempo, e explorar mais profundamente os mecanismos neurofisiológicos envolvidos. Por fim, a análise da padronização dos protocolos de FNP, investigando sua aplicação em diferentes condições clínicas, como pacientes com lesões neurológicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em resumo, a Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) é destacada como uma técnica eficaz para promover a irradiação de força contralateral, melhorar a ativação muscular e contribuir para a reabilitação após lesões neuromusculares, como o AVC. A intensidade da contração, direção do movimento, sexo do paciente e aplicabilidade clínica são considerados fatores importantes a serem considerados ao utilizar essa técnica. No entanto, devido a algumas limitações metodológicas, a necessidade de mais pesquisas é evidente para consolidar e expandir esses resultados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">1- ADLER, Susan S.; BECKERS, Dominiek; BUCK, Math. PNF. Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva. São Paulo: Editora Manole, 2007. E-book. ISBN 9788520442401. <em>Passim</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2- SMEDES, Fred et al. The proprioceptive neuromuscular facilitation-concept; the state of the evidence, a narrative review. <strong>Physical Therapy Reviews</strong>, v. 21, n. 1, p. 17-31, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3- HWANG, Young-In; PARK, Du-Jin. Comparison of abdominal muscle activity during abdominal drawing-in maneuver combined with irradiation variations. <strong>Journal of exercise rehabilitation</strong>, v. 13, n. 3, p. 335, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4- PAULO, Matheus Furlan et al. Efeitos do princípio de irradiação motora para os membros inferiores de indivíduos hemiparéticos pós acidente vascular cerebral: análise eletromiográfica. <strong>Brazilian Journal of Health Review</strong>, v. 3, n. 5, p. 12662-12671, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">5- GANONG LH. <strong>Integrative Reviews of Nursing Research. </strong>Res Nurs Health 1987; 10(1):1-11</p>



<p class="wp-block-paragraph">6- MARCHESE, Ritchele Redivo et al. Proprioceptive neuromuscular facilitation induces muscle irradiation to the lower limbs–A cross-sectional study with healthy individuals. <strong>Journal of Bodywork and Movement Therapies</strong>, v. 27, p. 440-446, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">7- ABREU, Rosa et al. Force irradiation eﬀects during upper limb diagonal exercises on contralateral muscle activation. <strong>Journal of Electromyography and Kinesiology</strong>, v. 25, n. 2, p. 292-297, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">8- REZNIK, J. E.; BIROS, E.; BARTUR, G. An electromyographic investigation of the pattern of overflow facilitated by manual resistive proprioceptive neuromuscular facilitation in young healthy individuals: a preliminary study. <strong>Physiotherapy theory and practice</strong>, v. 31, n. 8, p. 582-586, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">9- ABREU, Manoela de; OLIVEIRA, Giovana Maria Rodrigues de; SOUZA, Luciane Aparecida Pascucci Sande de. Efeitos do fenômeno da irradiação do método de facilitação neuromuscular proprioceptiva no acidente vascular encefálico sobre o membro inferior: estudo preliminar. <strong>Conscientiae saúde (Impr.)</strong>, p. 257-265, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">10- QUEIROZ, Mariana Luiza da Silva et al. Efeitos da irradiação de força contralateral na extensão de punho de pacientes após acidente vascular cerebral. <strong>Revista Brasileira de Neurologia </strong>; 52(2): 5-11, abr.-jun. 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">11- FADER, Lauren et al. Radial nerve palsy following humeral shaft fracture: a theoretical PNF rehabilitation approach for tendon and nerve transfers. <strong>Physiotherapy Theory and Practice</strong>, v. 38, n. 13, p. 2284-2294, 2022.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduando(a) em Fisioterapia, Universidade Federal do Delta do Parnaíba.<br><sup>2</sup> Doutor em saúde mental e psiquiatria e professor-Pesquisador universitário do curso de fisioterapia da<br>UFDPAR</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM FRENTE AOS FATORES DE RISCO DA PRÉ-ECLÂMPSIA: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/assistencia-de-enfermagem-frente-aos-fatores-de-risco-da-pre-eclampsia-uma-revisao-bibliografica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Mar 2025 02:08:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Enfermagem]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 143/FEV 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10202502282322 Rodrigo De Aguiar Santos Batista1 / Hyashila Souza Silva Batista2 / Vitória Mendes Rosa3 / Eduardo Carvalho Marques de Oliveira4 / Ellen Silva de Lima5 / Alana Karoline de Lemos Lima6 / Nayssa dos Santos Silva7 / Jessyane Mayara Sousa de Carvalho8 / Roger Christian Maciel Reis9 / Rita de Cassia dos [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10202502282322</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Rodrigo De Aguiar Santos Batista<sup>1</sup> / Hyashila Souza Silva Batista<sup>2</sup> / Vitória Mendes Rosa<sup>3</sup> / Eduardo Carvalho Marques de Oliveira<sup>4</sup> / Ellen Silva de Lima<sup>5</sup> / Alana Karoline de Lemos Lima<sup>6</sup> / Nayssa dos Santos Silva<sup>7</sup> / Jessyane Mayara Sousa de Carvalho<sup>8</sup> / Roger Christian Maciel Reis<sup>9</sup> / Rita de Cassia dos Santos<sup>10</sup> / Antonia da Conceição Silva<sup>11</sup> / Júlia Sousa Ribeiro<sup>12</sup> / Orientadoras: Prof.ª Ma. Naylanny Gonçalves Torres Cunha<sup>13</sup> / Ana Cláudia de Almeida Varão<sup>14</sup> / Andressa Arraes Silva<sup>15</sup></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO:</strong> A pré-eclâmpsia é uma complicação gestacional que contribui significativamente para a morbimortalidade materna e perinatal, caracterizada por hipertensão e disfunção orgânica. Fatores de risco incluem má placentação, doenças crônicas e idade avançada. A assistência de enfermagem, com monitoramento da pressão arterial e avaliação de proteinúria, é essencial para prevenir complicações graves. A identificação precoce e o manejo adequado podem reduzir os índices de mortalidade materna e melhorar os desfechos gestacionais, especialmente em países em desenvolvimento. Por isso, este trabalho tem por objetivo identificar as principais estratégias de assistência de enfermagem para manejar os fatores de risco da pré-eclâmpsia, visando melhorar os desfechos materno-fetais. <strong>MÉTODO:</strong> Optou-se por uma revisão bibliográfica descritiva e exploratória, com o objetivo de reunir e interpretar as principais estratégias de enfermagem para o manejo dos fatores de risco da pré-eclâmpsia. A busca foi realizada nas bases PubMed, BVS e Scopus, além do auxílio da Inteligência Artificial “Research Rabbit”. Os descritores utilizados foram: “Pré-eclâmpsia”, “Fatores de Risco” e “Enfermagem”. <strong>RESULTADOS:</strong> A revisão destacou estratégias-chave de enfermagem para o manejo dos fatores de risco da pré-eclâmpsia. O pré-natal completo e humanizado, com acompanhamento contínuo e personalizado, é fundamental para uma abordagem eficaz. A educação em saúde, focada na conscientização sobre os sinais da doença e na adesão ao tratamento médico, também é destacada. A triagem precoce e o diagnóstico oportuno são essenciais para a implementação de medidas preventivas e terapêuticas. A prática de acompanhamento multidisciplinar, com a colaboração de diferentes profissionais de saúde, garante um cuidado integral e eficaz. O monitoramento regular da pressão arterial se mostrou crucial para detectar precocemente a hipertensão gestacional. Além disso, a capacitação contínua da equipe de enfermagem é vital para garantir a qualidade da assistência. As estratégias de mudanças de comportamento, com foco em hábitos saudáveis e adesão ao tratamento, demonstraram ser fundamentais para reduzir os riscos da pré-eclâmpsia e melhorar os desfechos materno-fetais. <strong>CONCLUSÃO:</strong> A pesquisa evidenciou a importância das estratégias de enfermagem no manejo dos fatores de risco da pré-eclâmpsia, como o pré-natal humanizado, a triagem precoce e o acompanhamento multidisciplinar. Essas práticas ajudam a reduzir complicações e melhorar os desfechos materno-fetais. A capacitação contínua dos profissionais de enfermagem e o monitoramento da pressão arterial são essenciais para a prevenção. A atuação do enfermeiro, baseada em protocolos científicos e com empatia, é crucial para garantir uma assistência segura e eficaz, destacando a necessidade de políticas públicas que assegurem um cuidado adequado durante o pré-natal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Palavras-chave: enfermagem; fatores de risco; pré-eclâmpsia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUCTION:</strong> Pre-eclampsia is a gestational complication that contributes significantly to maternal and perinatal morbidity and mortality, characterised by hypertension and organ dysfunction. Risk factors include poor placentation, chronic diseases and advanced age. Nursing care, with blood pressure monitoring and proteinuria assessment, is essential to prevent serious complications. Early identification and appropriate management can reduce maternal mortality rates and improve gestational outcomes, especially in developing countries. This study therefore aims to identify the main nursing care strategies for managing pre-eclampsia risk factors in order to improve maternal-fetal outcomes. <strong>METHOD:</strong> We opted for a descriptive and exploratory literature review with the aim of gathering and interpreting the main nursing strategies for managing pre-eclampsia risk factors. The search was carried out on the PubMed, VHL and Scopus databases, with the help of the Artificial Intelligence ‘Research Rabbit’. The descriptors used were: ‘Pre-eclampsia’, ‘Risk Factors’ and ‘Nursing’. <strong>RESULTS:</strong> The review highlighted key nursing strategies for managing pre-eclampsia risk factors. Complete and humanised prenatal care, with continuous and personalised monitoring, is fundamental for an effective approach. Health education, focused on raising awareness of the signs of the disease and adherence to medical treatment, is also emphasised. Early screening and timely diagnosis are essential for implementing preventive and therapeutic measures. The practice of multidisciplinary follow-up, with the collaboration of different health professionals, guarantees comprehensive and effective care. Regular blood pressure monitoring has proved crucial for the early detection of gestational hypertension. In addition, continuous training of the nursing team is vital to guarantee quality care. Behaviour change strategies, with a focus on healthy habits and adherence to treatment, have proved to be fundamental in reducing the risk of pre-eclampsia and improving maternal-fetal outcomes. <strong>CONCLUSION:</strong> The research highlighted the importance of nursing strategies in the management of pre-eclampsia risk factors, such as humanised prenatal care, early screening and multidisciplinary follow-up. These practices help to reduce complications and improve maternal-fetal outcomes. Continuous training of nursing professionals and blood pressure monitoring are essential for prevention. Nurses&#8217; actions, based on scientific protocols and with empathy, are crucial to guaranteeing safe and effective care, highlighting the need for public policies that ensure adequate care during prenatal care</p>



<p class="wp-block-paragraph">Keywords: nursing; risk factors; pre-eclampsia.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>1 INTRODUÇÃO</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">A pré-eclâmpsia é uma complicação gestacional caracterizada pela hipertensão e disfunção orgânica, sendo uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal em todo o mundo. No Brasil, estima-se que entre 5% e 7% das gestantes evoluem ao óbito em decorrência dessa condição. Estudos realizados na América Latina indicam que a pré-eclâmpsia é responsável por aproximadamente 25% das mortes maternas na região, representando um grande desafio para os sistemas de saúde devido à alta demanda por intervenções obstétricas emergenciais, especialmente em países da América Latina e Caribe, incluindo o Brasil (Melo <em>et al.</em>, 2009).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A compreensão dessa condição evoluiu ao longo dos séculos. Hipócrates já mencionava sintomas como cefaleia e convulsões em gestantes. Entretanto, apenas no século XIX a relação entre hipertensão e proteinúria passou a ser observada na literatura médica. No século XX, a pré-eclâmpsia foi reconhecida como uma doença multifatorial, envolvendo alterações placentárias, inflamatórias e imunológicas, consolidando-se como uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal (Bell, 2010).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora sua etiologia ainda não seja completamente elucidada, a teoria da &#8220;má placentação&#8221; é amplamente aceita. Segundo essa teoria, defeitos na invasão trofoblástica levam a lesões endoteliais e espasticidade vascular, associadas a fatores como resistência à insulina, inflamação, hipercoagulabilidade e hiperlipidemia. Fatores de risco incluem primiparidade, estado nutricional pré-gestacional, dietas hipoprotéicas, obesidade, doenças crônicas, histórico de pré-eclâmpsia, idade reprodutiva elevada, baixa escolaridade e condições socioeconômicas. A pré-eclâmpsia acomete entre 2% e 8% das gestantes (Silva <em>et al.</em>, 2022; Melo <em>et al.</em>, 2009).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Casos graves podem evoluir para eclâmpsia, manifestando-se com edema pulmonar, síndrome HELLP (Hemólise, Elevação das Enzimas Hepáticas e Plaquetopenia) e insuficiência renal. Sintomas de alerta incluem cefaleia, aumento da pressão arterial, alterações visuais e dor abdominal, sendo comum a necessidade de internação em Unidades de Terapia Intensiva Obstétrica (UTIO) (Silva <em>et al.</em>, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ausência de assistência adequada agrava o quadro e eleva os índices de mortalidade materna. Em países desenvolvidos, a incidência permanece alta, reforçando a necessidade de intervenções efetivas e preventivas durante o pré-natal (Campos <em>et al.</em>, 2023; Melo <em>et al.</em>, 2009). A mortalidade materna é considerada o principal indicador da saúde feminina e reflete a qualidade da gestão de políticas públicas, uma vez que 99% das mortes maternas por causas evitáveis ocorrem em países em desenvolvimento (Silva <em>et al.</em>, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), incluindo a meta de reduzir a razão de mortalidade materna global para menos de 70 mortes por 100 mil nascidos vivos até 2030. Apesar disso, as síndromes hipertensivas continuam a ser uma das principais causas de morbimortalidade materna, especialmente em países em desenvolvimento (Brasil, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os cuidados de enfermagem desempenham um papel crucial na redução das complicações da pré-eclâmpsia. A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) possibilita um acompanhamento sistemático e individualizado, abrangendo ações como monitoramento da pressão arterial, avaliação de proteinúria, identificação precoce de sinais clínicos de complicações e orientações sobre repouso e autoavaliação dos movimentos fetais (Luz <em>et al.</em>, 2024; Santana <em>et al.</em>, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pré-eclâmpsia faz parte das síndromes hipertensivas da gravidez (SHG), sendo definida por pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg, diastólica ≥ 90 mmHg e proteinúria ≥ 300 mg em 24 horas, com surgimento após a 20ª semana de gestação. Essa condição pode levar a danos em órgãos-alvo e apresenta impacto significativo nos desfechos gestacionais, incluindo restrição de crescimento fetal e alterações no fluxo uteroplacentário (Peraçoli <em>et al.</em>, 2019; Coelho; Siqueira, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, as síndromes hipertensivas afetam entre 5% e 10% das gestações e são responsáveis por até 90% das internações em UTIs obstétricas devido ao agravamento da hipertensão gestacional. Dados do DATASUS (Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde) apontam que, em 2021, essas condições resultaram na morte de 40.166 mulheres, evidenciando seu impacto na saúde materna (Brasil, 2021; Abrahão <em>et al.</em>, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos avanços no manejo obstétrico, os índices de mortalidade materna permanecem elevados, especialmente em países em desenvolvimento. Muitas dessas mortes poderiam ser evitadas com um pré-natal de qualidade, capaz de identificar precocemente sinais e sintomas e prevenir complicações (Silva <em>et al.</em>, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, os fatores de risco associados à pré-eclâmpsia representam um desafio significativo para a assistência de enfermagem, exigindo intervenções baseadas em evidências para prevenir complicações e melhorar os desfechos materno-fetais. Este estudo tem como objetivo identificar as principais estratégias de assistência de enfermagem direcionadas ao manejo desses fatores, considerando sua relevância no contexto do pré-natal e da promoção da saúde materna e fetal. A sistematização de cuidados permite uma abordagem proativa, fundamentada na educação em saúde, no monitoramento contínuo e na identificação precoce de sinais e sintomas de agravamento, contribuindo para a redução de morbimortalidade associada à pré-eclâmpsia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Participar do projeto de extensão com gestantes “Cuidando de quem cuida: Promoção de práticas educativas em saúde para gestantes na atenção básica”, possibilitou observar a importância da educação em saúde e da promoção de práticas preventivas, especialmente no que se refere à pré-eclâmpsia, motivando, assim, o interesse pela temática. Além disso, a questão norteadora desta pesquisa é: quais são as estratégias de assistência de enfermagem utilizadas no manejo dos fatores de risco da pré-eclâmpsia em gestantes?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo tem como objetivo geral identificar as principais estratégias de assistência de enfermagem para manejar os fatores de risco da pré-eclâmpsia, visando melhorar os desfechos materno-fetais. Para atingir esse propósito, foram estabelecidos os seguintes objetivos específicos: buscar na literatura as evidências a respeito das práticas de enfermagem que contribuem para a detecção precoce e o manejo da pré-eclâmpsia; discutir os principais fatores de risco relacionados ao desenvolvimento da pré-eclâmpsia em gestantes atendidas na atenção básica; e descrever como a intervenção da enfermagem pode influenciar de forma positiva os resultados de saúde materno-fetais em gestantes com risco de desenvolver a condição.<br></p>



<h6 class="wp-block-heading"><strong>2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA</strong></h6>



<h6 class="wp-block-heading"><strong>2.1 O pré-natal e sua importância</strong></h6>



<p class="wp-block-paragraph">O Programa de Humanização do Pré-natal e Nascimento (PHPN), instituído pelo Ministério da Saúde (MS) por meio da Portaria GM nº 569/2000, busca adotar medidas que assegurem a melhoria do acesso, da cobertura e da qualidade do acompanhamento pré-natal, da assistência durante o parto, puerpério e cuidado neonatal. Entre as metas do programa, destacam-se a humanização do atendimento e a promoção de um cuidado integral à saúde da gestante e do recém-nascido (Peixoto, 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Atenção Primária à Saúde (APS) é reconhecida como um local estratégico para a realização de pré-natal de baixo risco, assegurando um acompanhamento de qualidade. No contexto brasileiro, a APS segue as diretrizes da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), atribuindo à equipe de saúde a responsabilidade de acolher e atender gestantes e crianças. Suas ações incluem prevenir doenças, promover saúde e tratar agravos que possam surgir durante a gestação, o puerpério e nos cuidados com a criança. Nesse sentido, a integração e a colaboração entre os profissionais de saúde permitem uma abordagem mais abrangente nas práticas de acompanhamento pré-natal, favorecendo um cuidado integral e ampliando a capacidade de resolver demandas (Marques <em>et al.</em>, 2021).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">É preconizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tendo a Unidade Básica de Saúde (UBS) como porta de entrada preferencial ao sistema de saúde e ponto de atenção estratégico para acompanhamento de forma contínua da gestação. A Estratégia Saúde da Família (ESF) é a proposta principal para organizar e referenciar os modelos de cuidados e práticas no tocante da atenção primária (Nascimento <em>et al.</em>, 2021, p. 2).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O Ministério da Saúde, visando qualificar as Redes de Atenção Materno-Infantil em todo o Brasil e reduzir a taxa de morbimortalidade materno-infantil, instituiu a Rede Cegonha. Esta iniciativa contempla mudanças no processo de cuidado à gravidez, ao parto e ao nascimento; articulação dos pontos de atenção em rede e regulação obstétrica no momento do parto; qualificação técnica das equipes de atenção primária e das maternidades; melhoria da ambiência dos serviços de saúde; ampliação de serviços e profissionais para estimular o parto fisiológico; e humanização do parto e do nascimento, por meio de estruturas como Casa de Parto Normal, enfermeiras obstétricas, parteiras, e Casa da Mãe e do Bebê (Brasil, 2013).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Tratando-se do componente Pré-natal da Rede Cegonha, são incluídos, minimamente, os seguintes profissionais: enfermeiro, técnico de enfermagem, médico, cirurgião-dentista e, no caso das Estratégias Saúde da Família (ESF), o agente comunitário da saúde. No entanto, podem ser incluídos outros profissionais, como terapeutas ocupacionais, nutricionistas e fisioterapeutas (Cei <em>et al.</em>, 2019, p. 2).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O pré-natal representa uma janela de oportunidade para que o sistema de saúde atue integralmente na promoção e, muitas vezes, na recuperação da saúde das mulheres. Dessa forma, a atenção prestada deve ser qualificada, humanizada e hierarquizada de acordo com o risco gestacional (Brasil, 2022, p.11).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a gravidez as alterações fisiológicas, sejam sutis ou marcantes, configuram entre as transformações mais significativas do corpo humano, gerando, na maioria das vezes, medos, dúvidas, angústias e curiosidades. Esses sentimentos precisam ser devidamente compartilhados com profissionais de saúde, como médicos e enfermeiros, no acompanhamento pré-natal, pois eles oferecem suporte emocional e técnico essencial nesse momento de tantas mudanças (Silva <em>et al.</em>, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com isso, o pré-natal é a principal ferramenta de acompanhamento da saúde materna e fetal, incluindo um conjunto de procedimentos clínicos e educativos para prevenir complicações e identificar precocemente condições que possam trazer riscos à gestação. Além disso, permite o diagnóstico e o tratamento de problemas que podem surgir nesse período. Para isso, o pré-natal deve incluir, no mínimo, seis consultas: uma no primeiro trimestre, duas no segundo e três no terceiro trimestre. Esse cuidado deve ser realizado de forma holística, humanizada e interdisciplinar, garantindo o suporte necessário para cada gestante (Cá <em>et al.</em>, 2022).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O Ministério da Saúde define que, na primeira consulta de pré-natal, devem ser dadas à gestante todas as orientações necessárias para uma gestação saudável, de modo a facilitar sua adesão às condutas e intervenções prescritas, sendo que o sucesso nas orientações é primordial para a adesão da gestante às próximas consultas de pré-natal (Brasil, 2013).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Todas as orientações fornecidas pelos profissionais de saúde às gestantes durante o acompanhamento pré-natal são parte importante nesse processo de cuidado (Marques <em>et al.</em>, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, o enfermeiro é o profissional fundamental para efetuar um pré-natal qualificado, pois traça estratégias de promoção à saúde, prevenção e humanização juntamente com a gestante e a família, cuidando das necessidades identificadas e proporcionando à gestante a resolução desse parto, orientando-a aos cuidados com o recém-nascido, orientando e encaminhando para serviços de saúde da criança para cuidados no puerpério saudável e eficaz (Ferreira <em>et al.</em>, 2021).</p>



<h6 class="wp-block-heading"><strong>2.2 Fatores de risco da pré-eclâmpsia</strong></h6>



<p class="wp-block-paragraph">A pré-eclâmpsia é definida como uma doença multissistêmica, caracterizada pela combinação da pressão arterial (PA) elevada (PA sistólica ≥140mmHg ou PA diastólica ≥90 mmHg), identificada pela primeira vez após 20 semanas de gestação, associada à proteinúria, podendo estar sobreposta a outro estado hipertensivo (Ferreira <em>et al.</em>, 2019).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O Sistema de Monitoramento e Avaliação do Pré-Natal, Parto, Puerpério e Criança, define como os principais fatores de riscos identificados foram: idade materna avançada acima de 40 anos, idade gestacional precoce, doenças crônicas pré-existentes (como doenças cardíacas e renais), obesidade, nuliparidade, baixo nível socioeconômico e intervalos curtos ou longos entre as gestações (Costa Junior <em>et al.</em>, 2024, p. 8).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Além&nbsp; disso, fatores genéticos possuem um papel significativo, sendo a predisposição hereditária para a PE amplamente reconhecida. Certos grupos étnicos, como mulheres de ascendência africana, demonstram maior suscetibilidade. Paralelamente, fatores socioeconômicos e demográficos, como baixa escolaridade e acesso limitado ao pré-natal, agravam o risco. Variáveis relacionadas ao estilo de vida, como sedentarismo, tabagismo e padrões alimentares inadequados, também estão associadas&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ao&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; desenvolvimento&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; da&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; condição. Recentemente, fatores ambientais, como exposição à poluição e substâncias tóxicas, têm sido levantados como potenciais contribuintes (Coutinho <em>et al.</em>, 2023).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Na última década, a descoberta e caracterização de novas vias antiangiogênicas&nbsp;&nbsp; foram particularmente impactantes&nbsp;&nbsp; tanto no aumento da compreensão da fisiopatologia da doença quanto no direcionamento de esforços preditivos e terapêuticos. Mulheres grávidas pela primeira vez, aquelas com histórico familiar da condição e aquelas com predisposição genética enfrentam um risco aumentado. A raça e etnia também desempenham um papel, com mulheres de ascendência africana apresentando uma propensão aumentada (Cardoso <em>et al.</em>, 2024, p. 2).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O risco de pré-eclâmpsia é maior em uma primeira gravidez (4%), e há um efeito protetor de uma primeira gravidez normal com menor risco (2%) em gestações subsequentes. O risco de recorrência é alto; 15% após uma gravidez pré-eclâmpsia e 32% após duas gestações em uma coorte de quase 800.000 gestações na Suécia, com algum efeito de confusão de um intervalo interpartal mais longo (Burton <em>et al.</em>, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O parto cesáreo aumenta o risco de pré-eclâmpsia pós-parto em 2 a 7 vezes em comparação ao parto vaginal, o que é uma descoberta consistente em vários estudos. Taxas mais altas de infusão intravenosa (IV) de fluidos no trabalho de parto e parto também estão associadas a um risco aumentado de pré-eclâmpsia pós-parto. A obesidade pré-gestacional parece estar consistentemente associada a um risco aumentado de pré-eclâmpsia pós-parto de forma dose-dependente, com um risco até 7,7 vezes maior associado a IMC maior que 40 kg/m (Hauspurg; Jeyabalan, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A avaliação dos fatores socioeconômicos e ambientais tem se mostrado essencial para a compreensão dos determinantes da pré-eclâmpsia. Estudos recentes indicam que mulheres com acesso limitado a cuidados de saúde e condições de vida precárias apresentam maiores taxas de complicações gestacionais, incluindo pré- eclâmpsia. Além disso, fatores como poluição ambiental e exposição prolongada ao estresse ocupacional têm emergido como potenciais contribuintes, reforçando a necessidade de estratégias preventivas e intervenções em políticas públicas de saúde (Morais <em>et al.</em>, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto relevante é o papel da inflamação e da função imunológica no desenvolvimento da pré-eclâmpsia. Alterações nos marcadores inflamatórios, como níveis elevados de citocinas pró-inflamatórias, têm sido associadas a desfechos adversos na gravidez. Essas descobertas sugerem que mulheres com condições inflamatórias pré-existentes, como doenças autoimunes, possuem risco ampliado, destacando a importância de um monitoramento clínico detalhado e intervenções precoces para minimizar complicações materno-fetais (Souza <em>et al.</em>, 2024).</p>



<h6 class="wp-block-heading"><strong>2.3 Sinais e sintomas da pré-eclâmpsia</strong></h6>



<p class="wp-block-paragraph">A pré-eclâmpsia representa não apenas um desafio significativo durante a gravidez, mas também um sério problema de saúde pública devido às suas complicações para a mãe e o feto (Salgado <em>et al.</em>, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pré-eclâmpsia (PE) é classificada em duas formas: leve, quando há hipertensão gestacional confirmada com a presença de proteinúria ≥ 3 g/24h na urina, podendo ser acompanhada de sintomas cerebrais, digestivos, trombocitopenia e alteração das enzimas hepáticas; e grave, quando a pressão arterial é ≥ 160/110 mmHg,&nbsp; associada à proteinúria ≥ 5 g ou ≥ 3+ em 24h, com comprometimento de múltiplos órgãos, sintomas visuais, cerebrais, dor epigástrica ou no quadrante superior direito persistentes, oligúria (&lt; 500 ml/24h), creatinina elevada (&gt; 1,2 mg/dL) e plaquetas &lt; 100.000/mm³. Contudo, uma pesquisa revelou que, na PE grave, o limite aceito para a proteinúria é de 5 g para a maioria dos pesquisadores (Gomes <em>et al.</em>, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre as principais manifestações clínicas apresentadas na pré-eclâmpsia com sinais de gravidade encontram-se náuseas, vômitos, dor em região epigástrica que irradia para membros superiores, cefaleia, alterações visuais (visão turva), hiperreflexia, taquipneia e ansiedade. Contudo, em algumas gestantes a doença pode evoluir de forma silenciosa (Santana <em>et al.</em>, 2019).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Sinais de iminência de eclâmpsia: caracterizados pela sintomatologia secundária a alterações vasculares do sistema nervoso, como cefaleia, distúrbios visuais (fotofobia, fosfenas e escotomas e hiperreflexia, ou hepáticas, sendo náuseas, vômitos e dor no andar superior do abdome (epigástrio ou no hipocôndrio direito) as mais comuns. (Brasil, 2022, p. 153).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A pré-eclâmpsia está associada a uma placentação anormal, que ocorre quando o citotrofoblasto, responsável por invadir as artérias espiraladas no início da gestação, não desempenha seu papel adequadamente. Esse processo, que normalmente resulta na necrose fibrinóide nas paredes dos vasos, não ocorre corretamente, impedindo que o fluxo sanguíneo adequado se estabeleça. Como consequência, há a falha na expressão dos marcadores de lesão endotelial, comprometendo um processo vital. Isso leva a um aumento na velocidade do fluxo sanguíneo, além de isquemia e hipóxia placentária, devido à redução na perfusão útero-placentária (Silva <em>et al.</em>, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda sobre os impasses placentários, em decorrência a defeitos no remodelamento das artérias espiraladas, percebe-se uma&nbsp;&nbsp; diferença entre os mecanismos pré-oxidantes e antioxidantes, o que acarreta em lesões repetitivas e, consequentemente, isquemia local. Essas lesões podem acabar gerando uma proteinúria, plaquetopenia e desequilíbrio nos fatores angiogênicos (Silva <em>et al.</em>, 2024, p. 5).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro fator importante relacionado à placentação anormal são os mecanismos imunológicos, uma vez que, na PE, há um desequilíbrio no perfil das células T, havendo um maior predomínio de células T helper 1, IFNγ e TNF, ao contrário da predominância de citocinas T helper tipo 2 na placentação normal, contribuindo dessa forma, para a má placentação, inflamação e disfunção endotelial (Melillo <em>et al.</em>, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em muitos casos, mulheres com pré-eclâmpsia não apresentam sinais ou sintomas evidentes, caracterizando-se como oligossintomáticas. No entanto, em outras situações, os sintomas podem variar significativamente. O edema, que geralmente ocorre nas mãos, dedos, pescoço, rosto, ao redor dos olhos e nos pés, é considerado um dos primeiros sinais mais leves da condição (Silva <em>et al.</em>, 2024).</p>



<h6 class="wp-block-heading"><strong>2.4 Papel da enfermagem na prevenção e manejo da pré-eclâmpsia</strong></h6>



<p class="wp-block-paragraph">As resoluções nº 524/2016 e nº 672/2021 do Conselho Federal de Enfermagem normatizam a atuação e as responsabilidades do enfermeiro, do enfermeiro obstetra e da obstetriz na assistência às gestantes, parturientes, puérperas e recém-nascidos. Essas normativas incluem a assistência em diferentes contextos, como Serviços de Obstetrícia,&nbsp; Centros de Parto Normal e Casas de Parto, bem como o estabelecimento de critérios para o registro de títulos no Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem (COFEN, 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), é uma ferramenta científica que confere maior segurança e qualidade da assistência aos pacientes, e maior autonomia aos profissionais de enfermagem. Na prática se constitui na aplicabilidade da ciência de enfermagem. O enfermeiro vivencia um desafio na edificação e compilação do conhecimento sobre o qual se fundamenta sua prática gerencial e assistencial. Assim, a SAE vem para somar e conformar o planejamento, a execução, o controle e a avaliação das ações de cuidados direto e indireto ao indivíduo e suas famílias (Wanzeler <em>et al.</em>, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a resolução nº 358/2009, do Conselho Federal de Enfermagem, dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de Enfermagem em ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem, e dá outras providências (COFEN, 2009).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Processo de Enfermagem organiza-se em cinco etapas inter-relacionadas, interdependentes, recorrentes e cíclicas: avaliação de enfermagem, que compreende a coleta de dados subjetivos e objetivos iniciais e contínuos para identificar as necessidades de cuidado relevantes; diagnóstico de enfermagem, que envolve o julgamento clínico sobre os problemas existentes, vulnerabilidades ou disposições para melhorar comportamentos de saúde; planejamento de enfermagem, que abrange a priorização de diagnósticos, determinação de resultados esperados e prescrição de intervenções; implementação de enfermagem, referente à execução das intervenções e ações prescritas, respeitando competências técnicas e legais; e, finalmente, a evolução de enfermagem, que consiste na avaliação dos resultados alcançados e revisão do processo como um todo (COFEN, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dito isso, o papel do enfermeiro no cuidado à gestante é acompanhar o pré-natal e tomar medidas preventivas e/ou terapêuticas para minimizar as complicações. Como tal, mostra-se como um fator positivo na assistência à gestante no pré-natal e até mesmo durante a gravidez, durante as consultas de planejamento familiar para procurar fatores de risco e doenças que causam certas complicações durante a gravidez, principalmente nas populações mais vulneráveis (Morais <em>et al.</em>, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O pré-natal adequado deve ocorrer com, no mínimo, seis consultas, iniciando no primeiro trimestre, ocorrendo duas no segundo e três no terceiro trimestre de gestação. Durante todo o acompanhamento pelo enfermeiro, são realizados exames físicos e solicitados outros de maneira complementar. Estas ações possibilitam observar o crescimento fetal e seu desenvolvimento, reduzindo o risco de intercorrências durante a gravidez (Melo <em>et al.</em>, 2020, p. 3).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os cuidados de enfermagem específicos para mulheres com pré-eclâmpsia e eclâmpsia são cruciais para reduzir complicações e taxas de morbimortalidade materna e fetal. Entre as principais intervenções, destaca-se a realização de um exame físico criterioso, a identificação precoce dos sinais clínicos de pré-eclâmpsia, o acompanhamento de exames laboratoriais e a avaliação fetal. Além disso, a equipe de enfermagem deve ser treinada continuamente para garantir que as técnicas de atendimento estejam atualizadas, utilizando instrumentos padronizados para a aferição da pressão arterial (PA) e assegurando a correta técnica de desinsuflação da coluna de mercúrio. O enfermeiro deve ainda aplicar protocolos institucionais para o tratamento precoce de crises hipertensivas, garantindo a padronização do atendimento e a revisão constante dos casos (Sarmento <em>et al.</em>, 2020).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O desenvolvimento diário e a adoção de protocolos de enfermagem baseados em evidências científicas na prática clínica do enfermeiro ajudam a orientar o processo de tomada de decisão e garantir a prestação de cuidados de qualidade e seguro (Morais <em>et al.</em>, 2022).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Compreender o papel da assistência de enfermagem no manejo da pré-eclâmpsia é essencial para garantir a qualidade do cuidado prestado. Muitas gestantes só descobrem a condição durante a internação, o que pode gerar grande desconforto emocional, agravado pelas alterações hormonais características da gestação. Esse desconhecimento sobre a doença pode ser prevenido por meio de um pré-natal eficaz e acompanhamento contínuo. A assistência baseada em orientações claras e na resolução de dúvidas durante a gravidez promove o envolvimento ativo da gestante no processo de autocuidado, contribuindo para uma gestação mais saudável (Santana <em>et al.</em>, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, o enfermeiro tem um papel no fornecimento de informações e orientações que promovem a responsabilidade do autocuidado da gestante, esclarecendo os equívocos e corrigindo qualquer desinformação obtida. É importante orientar a paciente a identificar os sinais que seu estilo de vida e ambiente oferecem, e propor maneiras de modificá-las para evitar um agravamento na gestação. A gestante pode cuidar de si mesmo e do feto se suas preocupações forem antecipadas e identificadas pelo enfermeiro e forem inseridas as sessões de orientação em cada consulta pré-natal (Souza <em>et al.</em>, 2024, p. 294).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A educação do paciente e a modificação do estilo de vida são intervenções de enfermagem cruciais para pacientes grávidas hipertensas. Os enfermeiros devem fornecer aos pacientes informações sobre&nbsp;&nbsp; práticas de estilo de vida saudáveis, tais como manter uma dieta equilibrada, praticar atividade física regular e gerir o stress. Além disso, os enfermeiros devem educar os pacientes sobre os sinais e sintomas da hipertensão e a importância de procurar atendimento médico caso apresentem algum sintoma preocupante (Lisboa; Duarte; Silva, 2024, p. 10).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Para a efetivação dos cuidados e prevenção da pré-eclâmpsia, é preciso haver capacitação da equipe multiprofissional através de educação continuada, treinamentos para obtenção de diagnóstico e tratamento precoce &#8211; este podendo ser farmacológico ou não –, técnicas e instrumentos adequados para realização de procedimentos, inclusive aferição da pressão arterial sistêmica (Cerilo-Filho <em>et al.</em>, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, na prática do cuidado clínico a gestante com pré-eclâmpsia, o enfermeiro promove um olhar clínico&nbsp;&nbsp; e&nbsp;&nbsp;&nbsp; pensamento&nbsp;&nbsp; crítico&nbsp;&nbsp;&nbsp; para&nbsp;&nbsp; individualizar o cuidado. Como profissional da equipe multidisciplinar de saúde e líder da equipe de enfermagem, deve desenvolver maneiras seguras e eficazes de cuidar.Sua prática clínica permite o alcance dos objetivos necessários, desde que atue com foco no paciente. Compreende-se que o cuidado clínico de enfermagem, no tocante a gestantes com pré-eclâmpsia, deve ser realizado em uma perspectiva ampliada, que valorize as necessidades do paciente e que produza novas formas de cuidar, integrando os demais fatores que contribuem para o bem-estar biopsicossocial (Nunes <em>et al.</em>, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, no manejo hospitalar da pré-eclâmpsia, o enfermeiro exerce um papel crucial, especialmente em unidades de alto risco, onde sua atuação imediata e técnica é essencial para garantir a segurança da paciente e do feto. Entre as responsabilidades do enfermeiro estão a avaliação inicial e estabilização da paciente logo na admissão, incluindo o manejo das vias aéreas, fornecimento de oxigênio suplementar, posicionamento adequado (como em decúbito lateral ou semi-Fowler), inserção de dispositivos como a cânula de Guedel e a instalação de acesso venoso para terapias medicamentosas. Além dessas medidas, o enfermeiro deve demonstrar competência técnico-científica para monitorar continuamente os sinais vitais e sintomas da paciente, assegurar a correta administração de medicações conforme os protocolos institucionais e promover uma assistência precoce e eficaz. Sua atuação comprometida pode reduzir significativamente o risco de complicações graves, como convulsões e descolamento prematuro de placenta, melhorando os desfechos materno-fetais (Silva <em>et al.</em>, 2021).</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>3 MÉTODO</strong></h5>



<h6 class="wp-block-heading"><strong>3.1 Tipo de estudo</strong></h6>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa bibliográfica é primordial na construção da pesquisa científica, uma vez que nos permite conhecer melhor o fenômeno em estudo (SOUSA <em>et al.</em>, 2021). Trata- se da consulta e apropriação por parte do pesquisador de material que já fora construído e publicado e que se encontra disponível para consulta, tais como livros e periódicos (Marcelino, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo caracteriza-se como uma revisão bibliográfica com abordagem descritiva e exploratória. A pesquisa exploratória tem como objetivo principal levantar informações relevantes sobre o objeto de estudo. Esse método objetiva tornar um problema explícito, aproximar-se mais dele, visando conhecê-lo melhor e com mais profundidade, ou ainda, dar uma nova visão sobre esse problema. Já a pesquisa descritiva busca transmitir a realidade de um determinado objeto de estudo da forma como ele é percebido pelos envolvidos ou observado pelo pesquisador em seu contexto específico (Pátaro <em>et al.</em>, 2023; Gil, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para nortear o estudo ocorreu com a utilização do acrônimo PCC, em que o P representa a “população, paciente ou problema” (gestantes em risco de pré-eclâmpsia), C representa o “conceito” (pré-eclâmpsia) e C representa o “contexto” (assistência de enfermagem) (Menezes <em>et al.</em>, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa maneira, a questão norteadora desse estudo é: Quais são as estratégias de assistência de enfermagem utilizadas no manejo dos fatores de risco da pré-eclâmpsia em gestantes?</p>



<h6 class="wp-block-heading"><strong>3.2 Coleta de dados</strong></h6>



<p class="wp-block-paragraph">Para a identificação de artigos pertinentes ao tema da pesquisa, foram selecionadas bases de dados nacionais e internacionais. Entre as principais plataformas utilizadas, destacam-se a Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos (PubMed), a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e a Base de Dados Bibliográfica Multidisciplinar (Scopus). Adicionalmente, foi empregada a ferramenta <em>Research Rabbit</em>, que utiliza Inteligência Artificial (IA) para aprimorar a busca por informações relacionadas ao tema da pesquisa. Essa estratégia envolveu a consulta a diversas bibliotecas e bases de dados, através da IA, com a utilização do título de busca: &#8220;Assistência de Enfermagem Frente aos Fatores de Risco da Pré-eclâmpsia&#8221;, facilitando a identificação de materiais específicos e relevantes para o estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A construção metodológica sucedeu pela seleção de Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), como: “Pré-eclâmpsia”, “Fatores de Risco” e “Enfermagem”. Esses termos foram sistematizados e consultados em bases de dados científicas (PubMed, BVS e Scopus), com critérios específicos para a escolha dos artigos. Para maior precisão nos resultados, foi utilizada uma estratégia de pesquisa com operadores booleanos <em>AND</em> e <em>OR</em>: (Pré-eclâmpsia <em>OR</em> <em>Pre-eclampsi</em>a) <em>AND</em> (Fatores de Risco <em>OR</em> <em>Risk Factors</em>) <em>AND</em> (Enfermagem <em>OR</em> <em>Nursing</em>).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os critérios para a seleção dos materiais analisados incluem publicações realizadas entre 2019 e 2024, artigos publicados em revistas científicas revisadas, trabalhos redigidos em português, inglês ou espanhol, disponíveis integralmente para consulta e com metodologia clara e bem definida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contrapartida, foram excluídos artigos anteriores a 2019, publicações que não abordam o tema em questão, materiais com acesso restrito ou incompletos, e trabalhos fora do contexto de periódicos indexados.</p>



<h6 class="wp-block-heading"><strong>3.3 Análise de dados</strong></h6>



<p class="wp-block-paragraph">O processo de seleção dos documentos científicos foi conduzido pelo pesquisador entre outubro e dezembro de 2024, com o auxílio da ferramenta online <em>Rayyan</em>. Este <em>software</em>, amplamente utilizado em revisões sistemáticas, oferece recursos como a identificação automática de duplicatas, a categorização eficiente dos estudos e uma interface interativa, otimizando o fluxo de trabalho em análises científicas (Ouzzani <em>et al.</em>, 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a remoção das duplicatas, iniciou-se a triagem dos artigos de forma sistemática, com a leitura dos títulos e resumos para selecionar os estudos mais pertinentes ao tema e à abordagem do trabalho. Os artigos que atenderam aos critérios iniciais foram submetidos à leitura integral, a fim de verificar sua relevância e conformidade com os critérios de elegibilidade estabelecidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base nos critérios de elegibilidade definidos, os documentos científicos relevantes à temática foram analisados minuciosamente. A extração dos dados foi realizada por meio de um instrumento desenvolvido especificamente para a pesquisa, que contemplou informações essenciais, como título, autores, ano de publicação, objetivo, metodologia utilizada e resultados obtidos. Os resultados principais serão apresentados em quadros, proporcionando uma visualização clara e estruturada, facilitando a compreensão dos dados de forma acessível.</p>



<h6 class="wp-block-heading"><strong>3.4 Aspectos éticos da pesquisa</strong></h6>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo seguiu os princípios éticos, com a devida referência aos autores e fontes utilizadas, em conformidade com as leis de direitos autorais no Brasil, especificamente a Lei n° 9.610/1998 e a Lei n° 12.853/2013 (Brasil, 1998; Brasil, 2013). As citações foram realizadas de acordo com as normas estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>4 RESULTADOS</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">O Fluxograma 1 descreve detalhadamente o processo de seleção dos estudos incluídos nesta pesquisa. Inicialmente, foram identificados 341 documentos científicos. Após a remoção de duplicatas, que resultou na exclusão de 3 artigos, procedeu-se à análise dos títulos e resumos. Nessa etapa, 325 estudos foram considerados inelegíveis, sendo excluídos pelos seguintes motivos: divergência em relação ao tema principal (n=91), publicação fora do período estabelecido pela pesquisa (n=212), exigência de pagamento para acesso (n=5), restrições linguísticas (n=5) e estudos incompletos ou inconsistentes (n=12).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após essa triagem, a amostra final foi composta por 13 artigos que atenderam aos critérios de elegibilidade. Esses documentos foram selecionados para leitura integral e inclusão na pesquisa, compondo a base de dados para a análise e discussão dos resultados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Fluxograma 1 &#8211; Ilustração do processo de triagem e seleção dos estudos na PubMed, BVS, Scopus e <em>Research Rabbit</em></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="644" height="755" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-56.png" alt="" class="wp-image-200893" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-56.png 644w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-56-256x300.png 256w" sizes="(max-width: 644px) 100vw, 644px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Autoria Própria (2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, foi possível selecionar um total de 13 artigos, que foram organizados e enumerados com informações, incluindo título, autores, ano de publicação, objetivos, método adotado e resultados apresentados. A sistematização dos dados está apresentada no Quadro 1, visando facilitar a visualização e a compreensão das principais informações extraídas para a pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quadro 1 &#8211; Caracterização dos estudos incluídos na revisão bibliográfica</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="647" height="736" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-57.png" alt="" class="wp-image-200894" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-57.png 647w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-57-264x300.png 264w" sizes="(max-width: 647px) 100vw, 647px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="541" height="816" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-58.png" alt="" class="wp-image-200895" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-58.png 541w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-58-199x300.png 199w" sizes="(max-width: 541px) 100vw, 541px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="548" height="821" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-59.png" alt="" class="wp-image-200896" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-59.png 548w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-59-200x300.png 200w" sizes="(max-width: 548px) 100vw, 548px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="550" height="221" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-60.png" alt="" class="wp-image-200897" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-60.png 550w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-60-300x121.png 300w" sizes="(max-width: 550px) 100vw, 550px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp; Fonte: Autoria Própria (2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Quadro 2 apresenta os principais meios de assistência de enfermagem identificados para o manejo dos fatores de risco da pré-eclâmpsia. Entre as estratégias destacam-se: pré-natal completo e humanizado (n=09); educação em saúde (n=08); triagem e diagnóstico precoce (n=08); acompanhamento multidisciplinar (n=04); monitoramento da pressão arterial (n=04); capacitação profissional (n=04); e mudanças de comportamento da gestante (n=02).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quadro 2 &#8211; Distribuição dos meios de assistência consoante com os estudos selecionados</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Meios de assistência de enfermagem</strong></td><td><strong>Documentos</strong></td></tr><tr><td>Pré-natal completo e humanizado</td><td>A1, A2, A3, A4, A5, A6, A7, A8 e A10</td></tr><tr><td>Educação em saúde</td><td>A2, A4, A6, A7, A8, A9, A10 e A11</td></tr><tr><td>Triagem e diagnóstico precoce</td><td>A1, A2, A3, A6, A7, A8, A9 e A12</td></tr><tr><td>Acompanhamento multidisciplinar</td><td>A1, A6, A8 e A11</td></tr><tr><td>Monitoramento da pressão arterial</td><td>A3, A4, A6 e A8</td></tr><tr><td>Capacitação profissional</td><td>A2, A3, A4 e A13</td></tr><tr><td>Mudanças de comportamento da gestante</td><td>A11 e A13</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Autoria Própria (2024).</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>5 DISCUSSÃO</strong></h5>



<h6 class="wp-block-heading"><strong>5.1 Pré-natal completo e humanizado</strong></h6>



<p class="wp-block-paragraph">A assistência pré-natal completa e humanizada é essencial para a promoção da saúde materna e fetal, garantindo cuidado integral desde os primeiros estágios da gestação. Segundo Santos; Pinto; Santos (2021), um pré-natal bem estruturado permite a prevenção de complicações obstétricas e contribui significativamente para a redução das taxas de mortalidade materna e infantil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Silva; Sá; Sousa (2023), o cuidado humanizado é um componente indispensável desse processo, englobando não apenas a realização de exames laboratoriais e o monitoramento de sinais vitais, mas também a construção de um ambiente acolhedor e de escuta ativa. Essa abordagem, baseada no diálogo aberto, na valorização das crenças e no estímulo ao autocuidado, proporciona à gestante uma sensação de segurança e apoio ao longo de toda a gestação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Saraiva <em>et al.</em> (2022) destacam que iniciar o pré-natal precocemente é fundamental para assegurar uma gestação mais tranquila e segura, permitindo oferecer suporte adequado a gestantes em diversas condições. Além disso, Sarmento <em>et al.</em> (2021) enfatizam que o pré-natal humanizado deve respeitar as particularidades e individualidades de cada mulher, promovendo um cuidado mais próximo e empático. Essa atenção personalizada fortalece os vínculos entre as gestantes e os profissionais de saúde, resultando em um atendimento que alia técnica e acolhimento, elementos indispensáveis para uma experiência gestacional positiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Leite; Vegenas; Rosa (2023) ressaltam a importância de implementar protocolos e estratégias que assegurem a qualidade da assistência no pré-natal, garantindo que todas as gestantes tenham acesso apropriado aos serviços de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, Lins <em>et al.</em> (2022) reforçam que o fortalecimento da atenção primária à saúde desempenha um papel crucial no acompanhamento gestacional, com a enfermagem assumindo um papel de destaque no oferecimento de cuidados humanizados e contínuos. Ao integrar a escuta ativa e o suporte técnico, os enfermeiros asseguram uma atenção centrada na gestante, contribuindo para melhores resultados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Souza <em>et al.</em> (2024) afirmam que o início precoce do pré-natal está associado a uma assistência de maior qualidade, reduzindo riscos e promovendo desfechos&nbsp;&nbsp; positivos para a mãe e o bebê. Barros <em>et al.</em> (2022) complementam essa perspectiva ao sublinhar que o pré-natal adequado proporciona segurança e qualidade no atendimento, possibilitando à gestante vivenciar uma gestação mais tranquila. Dessa forma, o enfermeiro, ao atuar nesse cenário, torna-se um agente essencial, oferecendo suporte tanto físico quanto emocional, alinhado às necessidades específicas de cada gestante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, Mekie <em>et al.</em> (2021) ressaltam que a adoção de práticas humanizadas no pré-natal contribui para alinhar as necessidades das gestantes com as práticas assistenciais seguras, promovendo melhores condições de cuidado. Assim, o pré- natal completo e humanizado consolida-se como uma estratégia indispensável para garantir não apenas a saúde física, mas também o bem-estar emocional da gestante, reforçando o compromisso com uma assistência integral ao longo de toda a gestação.</p>



<h6 class="wp-block-heading"><strong>5.2 Educação em saúde</strong></h6>



<p class="wp-block-paragraph">A educação em saúde no pré-natal possibilita à mulher a preparação para a gestação e o parto, além de aumentar a adesão das gestantes ao acompanhamento. Essa prática contribui diretamente para o bem-estar materno e fetal, promovendo uma gestação mais saudável, conforme Silva; Sá; Sousa (2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Silva <em>et al.</em> (2023), destacam ainda que o papel da enfermagem é essencial nesse processo, com a responsabilidade de orientar, apoiar e acompanhar as gestantes. A utilização de uma linguagem simples e acessível pelos enfermeiros favorece o processo psicoemocional da gestante e estreita o vínculo entre ela e o profissional de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por sua vez, Sarmento <em>et al.</em> (2021) ressaltam a importância do acompanhamento contínuo, que é crucial para incentivar a gestante a se envolver ativamente no seu autocuidado. Esse acompanhamento contribui para uma gestação mais tranquila e saudável, proporcionando o esclarecimento de dúvidas e a aplicação de orientações precisas ao longo do período gestacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prevenção de complicações durante a gestação, conforme Sarmento <em>et al.</em> (2021), ocorre por meio de ações educativas específicas. Nesse contexto, os enfermeiros devem orientar as gestantes sobre os cuidados com a saúde e incentivá-las a adotar comportamentos saudáveis durante a gestação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Leite; Vegenas; Rosa (2023) ressaltam a relevância da educação em saúde no monitoramento da hipertensão gestacional. Os enfermeiros têm a responsabilidade de educar as gestantes sobre a importância de monitorar a pressão arterial, seguir uma alimentação balanceada e aderir ao tratamento médico recomendado, prevenindo assim complicações durante a gestação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Barros <em>et al.</em> (2022), a educação continuada e o estímulo ao seguimento das consultas de pré-natal são aspectos fundamentais. Esse acompanhamento, com avaliação fetal regular, permite uma gestão adequada da saúde da gestante e do feto, contribuindo para a prevenção de complicações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, Souza <em>et al.</em> (2024) destacam a relevância da educação em saúde, que envolve informar a gestante sobre as patologias que podem afetar a gravidez, como a pré-eclâmpsia, e orientá-la sobre hábitos de vida saudáveis. Tais orientações são cruciais para o sucesso do pré-natal e para a redução de riscos durante a gestação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Mitchell-Brown; Pubols (2020), os enfermeiros desempenham um papel vital ao encorajar as gestantes a manter um peso corporal saudável, seguir uma dieta equilibrada e realizar consultas regulares durante o pré-natal. A educação contínua, nesse caso, é essencial para fornecer recursos que auxiliem na promoção do autocuidado e na detecção precoce de complicações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mekie <em>et al.</em> (2021) ressaltam que, especialmente durante o primeiro trimestre do pré-natal, é fundamental enfatizar a orientação sobre um estilo de vida saudável, incluindo dieta balanceada, controle do estresse e exames regulares. Além disso, a educação sobre os fatores de risco, sintomas e complicações da pré-eclâmpsia deve ser abordada nas consultas de pré-natal, garantindo que as gestantes estejam bem informadas e preparadas para lidar com possíveis complicações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Roberts <em>et al.</em> (2023) identificaram sete estratégias principais para uma educação eficaz do paciente, as quais podem ser aplicadas no contexto do pré-natal. Essas estratégias incluem o uso de uma linguagem simples e não médica, a organização das informações em componentes claros, como “fragmentar e verificar”, e o uso do método “ensinar de volta” para garantir que a gestante compreendeu as orientações, por meio de perguntas abertas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, Roberts <em>et al.</em> (2023) ressaltam que não se deve presumir o nível de alfabetização ou compreensão de uma gestante com base em sua aparência ou nível educacional. As mensagens educativas devem ser repetidas para garantir que sejam lembradas e utilizar ferramentas comprovadas para manter a consistência das informações. Por fim, é importante empregar várias estratégias de ensino para acomodar diferentes estilos de aprendizagem das gestantes, melhorando a efetividade das orientações.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>5.3 Triagem e diagnóstico precoce</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">A anamnese e a triagem realizadas na primeira consulta pré-natal são fundamentais para a definição de estratégias de cuidado, permitindo a identificação das necessidades específicas das gestantes com pré-eclâmpsia (PE), visando a redução dos possíveis danos. Segundo Santos; Pinto; Santos (2021), é imprescindível que o profissional responsável por essa etapa obtenha informações detalhadas sobre o histórico de PE em mulheres multíparas, avalie os padrões de pressão arterial (PA) da gestante, além de investigar a presença de patologias pré-existentes ou fatores de risco, como idade, obesidade, diabetes mellitus e estresse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Santos <em>et al.</em> (2021) também relatam que o risco de PE na primeira gestação é de 4,1%, enquanto nas gestações subsequentes esse risco diminui para 1,7%. Tais dados evidenciam a importância do conhecimento sobre o histórico obstétrico, de forma a possibilitar a inclusão da gestante em um acompanhamento especializado e classificado como pré-natal de alto risco, que será capaz de fornecer uma assistência mais intensiva ao longo da gestação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, Silva; Sá; Sousa (2023) destacam que os enfermeiros da Estratégia Saúde da Família (ESF) devem planejar suas ações de assistência com base no perfil epidemiológico da população atendida pela unidade básica de saúde. Logo após a confirmação da gravidez, uma consulta de enfermagem detalhada deve ser realizada para avaliar as condições da gestante e traçar um plano de cuidados adequado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Silva <em>et al.</em> (2023), enfatizam que as consultas de enfermagem, tanto para gestantes de baixo quanto de alto risco, devem incluir a realização de exames físicos completos, como aferição de peso e pressão arterial, medição da altura uterina e ausculta dos batimentos cardíacos fetais, sempre que a idade gestacional for apropriada para tal. Além disso, é fundamental o acompanhamento contínuo dos resultados dos exames solicitados a cada trimestre gestacional, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A detecção precoce das alterações fisiológicas da gestante é um aspecto decisivo para a prevenção de complicações e para a redução da morbimortalidade materno- infantil. Leite; Vegenas; Rosa (2023) ressaltam a relevância de se manter um acompanhamento criterioso das gestantes, destacando que a prevenção precoce de complicações, como a pré-eclâmpsia, é essencial para garantir a saúde tanto da mãe quanto do feto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Barros <em>et al.</em> (2022) reforçam que o exame físico detalhado, que inclui a avaliação dos níveis pressóricos e de outros sinais indicadores de pré-eclâmpsia, deve ser realizado com regularidade. Souza <em>et al.</em> (2024) complementam afirmando que a anamnese detalhada, associada ao exame físico e ao constante monitoramento da pressão arterial, são fundamentais para facilitar a detecção precoce de casos de pré-eclâmpsia e garantir o manejo adequado da gestante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para rastrear a pré-eclâmpsia, Mitchell-Brown; Pubols (2020) destacam que a enfermeira deve começar com uma coleta abrangente do histórico de saúde, incluindo a investigação do histórico familiar de hipertensão crônica ou pré-eclâmpsia. Caso esses fatores de risco sejam identificados, a avaliação deve ser aprofundada, sendo essencial informar a gestante sobre os sinais de alerta da doença, como dor de cabeça intensa, dor abdominal superior, anormalidades na visão e edema nas mãos e face.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Meazaw <em>et al.</em> (2020) afirmam que a detecção precoce e o tratamento oportuno da pré-eclâmpsia e eclâmpsia são fundamentais para impedir o agravamento da doença e prevenir complicações graves para a mãe e o feto. Dessa forma, é altamente recomendável que os profissionais de saúde realizem uma avaliação detalhada do histórico da gestante e dos riscos familiares em sua consulta de agendamento, a fim de assegurar um acompanhamento mais eficaz e seguro.</p>



<h6 class="wp-block-heading"><strong>5.4 Acompanhamento multidisciplinar</strong></h6>



<p class="wp-block-paragraph">É essencial que, ao longo de todo o processo gestacional, a mulher tenha acesso contínuo a informações sobre a patologia, possibilitando, juntamente com a equipe multiprofissional, o desenvolvimento de um planejamento reprodutivo focado na redução dos riscos de desfechos desfavoráveis. A atuação da equipe multiprofissional composta por nutricionista, enfermeiro, médico e educador físico, assegura um cuidado integral, proporcionando à gestante um atendimento holístico que contempla suas necessidades nutricionais, físicas e clínicas. Dessa&nbsp;&nbsp; forma, os profissionais envolvidos contribuem para a melhoria dos hábitos e da qualidade gestacional, promovendo uma abordagem completa e eficaz, conforme destacam Santos; Pinto; Santos (2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Leite; Vegenas; Rosa (2023) afirma que a colaboração estreita entre enfermeiros obstetras e outros profissionais de saúde é fundamental para fornecer o melhor atendimento possível à gestante e ao feto. O conhecimento especializado dos enfermeiros, combinado com a coordenação de uma equipe multidisciplinar, é crucial para alcançar resultados positivos no tratamento da pré-eclâmpsia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O acompanhamento conjunto com a equipe médica e outros profissionais envolvidos, gerando um plano de cuidado compartilhado e avaliando o progresso da gestação, assegura o tratamento adequado durante todo o processo, conforme ressaltado por Souza <em>et al.</em> (2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, os prestadores de cuidados de saúde possuem diversas oportunidades para compartilhar informações sobre os sinais e sintomas da pré-eclâmpsia, tanto antes da gravidez quanto durante a gestação e o período pós-parto, como apontado por Roberts <em>et al.</em> (2023).</p>



<h6 class="wp-block-heading"><strong>5.5 Monitoramento da pressão arterial</strong></h6>



<p class="wp-block-paragraph">A detecção precoce da hipertensão arterial (HA) durante a gestação é crucial para um diagnóstico adequado e para a prevenção de complicações. A aferição da pressão arterial (PA) em todas as consultas de pré-natal é essencial para identificar alterações que possam indicar a presença de patologias que agravam a situação gestacional. A hipertensão arterial é uma das principais causas de internação de gestantes, e está associada a desfechos adversos graves, como o óbito, conforme afirmam Saraiva <em>et al.</em> (2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Sarmento <em>et al.</em> (2021), a técnica de aferição da PA deve ser realizada com um manguito adequado à circunferência do braço e com uma velocidade lenta de desinsuflação (≤2 mmHg). Além disso, a identificação e o tratamento precoce das crises hipertensivas são fundamentais para evitar complicações. Os autores destacam a importância de seguir os protocolos institucionais, além da revisão periódica dos processos de trabalho, a fim de garantir um atendimento de qualidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Leite; Vegenas; Rosa (2023) afirmam que o estado gestacional pode induzir a hipertensão arterial em mulheres que antes eram normotensas ou agravar uma&nbsp;&nbsp; hipertensão pré-existente. A pressão arterial é considerada hipertensa quando a PA sistólica atinge ou ultrapassa 140 mmHg, e/ou a PA diastólica é superior ou igual a 90 mmHg. Para esses casos, é fundamental realizar uma aferição precisa da PA, a fim de orientar as decisões clínicas, evitando tratamentos inadequados. Com isso, recomenda a padronização da aferição da PA, com o método auscultatório, que é considerado o padrão-ouro para a medição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Souza <em>et al.</em> (2024) destacam que a padronização da técnica de aferição, que envolve o uso de um manguito adequado e a desinsuflação lenta da coluna de mercúrio, é essencial para o bom acompanhamento da gestante. A revisão contínua dos processos de atendimento também é necessária para garantir a qualidade na prática clínica. Nesse sentido, o enfermeiro desempenha um papel fundamental durante o pré-natal, orientando a gestante, monitorando a pressão arterial e garantindo que ela siga o tratamento corretamente, prevenindo complicações graves.</p>



<h6 class="wp-block-heading"><strong>5.6 Capacitação profissional</strong></h6>



<p class="wp-block-paragraph">É imprescindível que os profissionais de saúde recebam capacitação adequada para atuar nas redes de assistência, com destaque para a importância do compartilhamento de informações claras e objetivas, conforme afirmam Silva; Sá; Sousa (2023). Ademais, a qualificação profissional é essencial para o manejo eficaz de gestantes, e a educação continuada se destaca como uma estratégia fundamental para melhorar a assistência no pré-natal, seja de baixo, médio ou alto risco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, é crucial que os profissionais, ao concluírem a graduação, busquem meios para se qualificar ainda mais em sua área de atuação, visando prestar atendimento de qualidade e realizar os cuidados necessários em tempo hábil, o que pode prevenir riscos de complicações graves para a mãe e o bebê. Segundo Saraiva <em>et al.</em> (2022), a capacitação contínua tem um papel central na melhoria da assistência e no fornecimento de um atendimento humanizado, especializado e de qualidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A educação permanente é um fator essencial para garantir que os profissionais de saúde, especialmente os enfermeiros, desenvolvam um pensamento crítico em relação à sua conduta com pacientes com pré-eclâmpsia, como destaca Sarmento <em>et al.</em> (2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para reduzir o impacto da pré-eclâmpsia grave, Machano; Joho (2020) afirmam que os profissionais da saúde devem possuir um treinamento adequado, sendo capazes de identificar a condição em um estágio inicial durante as consultas de pré- natal, fornecendo o tratamento adequado e encaminhamentos oportunos para evitar complicações. A formação contínua dos enfermeiros, em especial nas emergências obstétricas, é fundamental para a identificação precoce e o manejo eficaz de complicações como a pré-eclâmpsia grave, a fim de melhorar os desfechos maternos e fetais.</p>



<h6 class="wp-block-heading"><a id="_Toc188428992"></a><strong>5.7 Mudanças de Comportamento da Gestante</strong></h6>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a gestação, a adoção de hábitos saudáveis é fundamental para garantir a saúde materno-infantil. Roberts <em>et al.</em> (2023) destacam que uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividades físicas e a manutenção de uma boa qualidade de sono são fatores-chave para minimizar riscos à saúde, como diabetes gestacional, parto prematuro e distúrbios hipertensivos. A apneia obstrutiva do sono, por exemplo, tem sido associada ao aumento da pressão arterial durante a gestação, o que pode comprometer a saúde tanto da mãe quanto do bebê.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, Machano e Joho (2020) ressaltam a importância de promover a conscientização sobre mudanças comportamentais, incluindo o engajamento das gestantes e seus familiares. Eles sugerem que estratégias de promoção da saúde, como programas de acompanhamento, são cruciais para impulsionar hábitos saudáveis e, assim, alcançar melhores resultados para a mãe e o recém-nascido. O fortalecimento dessa conscientização pode resultar não apenas na melhoria dos cuidados durante a gestação, mas também em um impacto positivo no pós-parto, garantindo o bem-estar da mãe e do bebê a longo prazo.</p>



<h6 class="wp-block-heading"><strong>6 CONCLUSÃO</strong></h6>



<p class="wp-block-paragraph">A presente pesquisa alcança seu objetivo ao reforçar a relevância das estratégias de enfermagem no manejo dos fatores de risco da pré-eclâmpsia, evidenciando a importância de práticas fundamentadas em um pré-natal humanizado, triagem precoce, educação em saúde e acompanhamento multidisciplinar. Essas intervenções não apenas contribuem para a redução de complicações e da mortalidade materno-fetal, mas também promovem o bem-estar integral da gestante e do feto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base nos fatores de risco discutidos, destacou-se que a capacitação contínua dos profissionais de saúde, especialmente no contexto do pré-natal, é essencial para a detecção precoce de condições de risco e a implementação de intervenções preventivas e eficazes. A monitorização adequada da pressão arterial, a educação para mudanças comportamentais e o incentivo à adoção de hábitos saudáveis mostraram-se determinantes para melhorar os desfechos materno-fetais. Ademais, o cumprimento do pré-natal completo é essencial, sendo então a principal estratégia da enfermagem quanto a prevenção da pré-eclâmpsia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, ao descrever o impacto positivo da assistência de enfermagem, a pesquisa reafirma que, por meio de cuidados qualificados, embasados em protocolos científicos e conduzidos com empatia, o enfermeiro desempenha um papel central na promoção de uma assistência segura e eficiente à saúde materna.</p>



<h6 class="wp-block-heading"><strong>REFERÊNCIAS</strong></h6>



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<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduando em enfermagem na Universidade Estadual do Maranhão &#8211; UEMA.<br><sup>2</sup>Graduando de Medicina na Universidade de Rio Verde &#8211; UNIRV.<br><sup>3</sup>Graduando em Enfermagem na Universidade Estadual do Maranhão &#8211; UEMA.<br><sup>4</sup>Graduando em Enfermagem na Universidade Estadual do Maranhão &#8211; UEMA.<br><sup>5</sup>Graduando em Enfermagem na Universidade Estadual do Maranhão &#8211; UEMA.<br><sup>6</sup>Graduando em Enfermagem na Universidade Estadual do Maranhão &#8211; UEMA.<br><sup>7</sup>Graduando em Enfermagem na Universidade Estadual do Maranhão &#8211; UEMA.<br><sup>8</sup>Graduando em Enfermagem na Universidade Estadual do Maranhão &#8211; UEMA.<br><sup>9</sup>Graduando em Enfermagem na Universidade Estadual do Maranhão &#8211; UEMA.<br><sup>10</sup>Graduando em Enfermagem na Universidade Estadual do Maranhão &#8211; UEMA.<br><sup>11</sup>Graduando em Enfermagem na Universidade Estadual do Maranhão &#8211; UEMA.<br><sup>12</sup>Graduando em Enfermagem na Universidade Estadual do Maranhão &#8211; UEMA.<br><sup>13</sup>Mestre. Docente da Universidade Estadual do Maranhão &#8211; UEMA.<br><sup>14</sup>Doutora. Docente da Universidade Estadual do Maranhão &#8211; UEMA.<br><sup>15</sup>Mestre. Docente da Universidade Estadual do Maranhão &#8211; UEMA.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ANOSMIA PÓS-COVID-19</title>
		<link>https://revistaft.com.br/anosmia-pos-covid-19/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CS]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Mar 2025 02:02:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 143/FEV 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=200604</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202502282302 Amábille de Oliveira Martins1Alonso Alves Pereira Neto2Mário Pinheiro Espósito3Thaís Antônia dos Anjos Ramos4Walquiria Gelinski Henicka5Karina dos Santos Alencastro6Luanna Eugênia Camargo7 RESUMO A disfunção olfativa pós viral (DO) persistente decorrente da pandemia de COVID-19 é uma preocupação de saúde global relevante que continua a crescer. Embora muitos consigam recuperar espontaneamente sua capacidade olfativa, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202502282302</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Amábille de Oliveira Martins<sup>1</sup><br>Alonso Alves Pereira Neto<sup>2</sup><br>Mário Pinheiro Espósito<sup>3</sup><br>Thaís Antônia dos Anjos Ramos<sup>4</sup><br>Walquiria Gelinski Henicka<sup>5</sup><br>Karina dos Santos Alencastro<sup>6</sup><br>Luanna Eugênia Camargo<sup>7</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A disfunção olfativa pós viral (DO) persistente decorrente da pandemia de COVID-19 é uma preocupação de saúde global relevante que continua a crescer. Embora muitos consigam recuperar espontaneamente sua capacidade olfativa, a perda persistente do olfato e do paladar são sintomas comuns da síndrome pós-COVID-19, com impactos significativos na qualidade de vida. O objetivo deste estudo é investigar quais são as abordagens terapêuticas eficazes para a recuperação da anosmia em pacientes pós-COVID-19. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura na base de dados da PubMed. A busca na base de dados da PubMed utilizou descritores do MeSH como &#8220;Síndrome de COVID-19 Pós-Aguda&#8221;, &#8220;Anosmia&#8221;, &#8220;Transtornos do Olfato&#8221;, combinados com o operador booleano AND para maximizar a relevância dos estudos selecionados. A estratégia de cruzamento dos descritores, inclui combinações como &#8220;Síndrome de COVID-19 Pós-Aguda&#8221; AND &#8220;Anosmia&#8221; e &#8220;Síndrome de COVID-19 Pós-Aguda&#8221; AND &#8220;Transtornos do Olfato&#8221;. Os estudos corroboram a recomendação de treinamento olfativo precoce e consistente nesses pacientes. Contudo, alguns desses estudos concluem que outras abordagens terapêuticas não demonstraram superioridade individual em relação ao treinamento olfativo, seja em termos de escores de olfato, duração da anosmia ou taxas de recuperação. Perspectivas futuras para pesquisa devem se concentrar na otimização das abordagens terapêuticas existentes e na investigação de novas estratégias para o tratamento da anosmia pós-COVID-19.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Síndrome de COVID-19 Pós-Aguda; Anosmia; Transtornos do Olfato; Otorrinolaringologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">COVID-19 é uma enfermidade multiorgânica provocada pelo SARS-CoV-2, apresentando sintomas comuns como febre, tosse e dificuldade para respirar. Alterações olfativas são vistas como sinais iniciais da infecção devido à alta carga viral nas vias nasais. A anosmia, que afeta cerca de 20% dos adultos, ainda não possui um mecanismo bem definido e conta com poucos tratamentos eficazes. Fatores neurológicos e bioquímicos concomitantes podem complicar a elaboração de protocolos terapêuticos<sup>1</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Anosmia é a perda do olfato, podendo ser parcial ou completa. Atualmente, a anosmia é reconhecida como um sintoma distintivo que facilita o diagnóstico da COVID-19. A patogênese precisa ainda não está bem elucidada. Foi registrado que 79,5% dos pacientes devem recuperar totalmente o olfato nos dois primeiros meses, enquanto os demais podem não restabelecer completamente essa função<sup>2</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A disfunção olfativa pós viral (DO) persistente decorrente da pandemia de COVID-19 é uma preocupação de saúde global relevante que continua a crescer. Embora muitos consigam recuperar espontaneamente sua capacidade olfativa, a perda persistente do olfato e do paladar são sintomas comuns da síndrome pós-COVID-19, com impactos significativos na qualidade de vida<sup>3</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem várias teorias que explicam como ocorre a perda do olfato em pacientes com COVID-19. Sugere-se que os coronavírus invadem a via olfativa através do neurônio sensorial primário do sistema nervoso central localizado na mucosa olfatória. Esta mucosa está situada no teto da cavidade nasal e é composta por um neuroepitélio especializado. O vírus atinge o neurônio sensorial secundário ao atravessar a placa cribriforme e, então, alcança o bulbo olfatório<sup>4</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A justificativa para mitigar a neuroinflamação em pacientes com COVID-19 fundamenta-se na observação de inflamação persistente no bulbo olfatório e nos centros olfativos após a infecção pelo SARS-CoV-2. Pacientes com anosmia ou hiposmia apresentam ativação de microglia pró-inflamatória e mudanças neuroinflamatórias. Isso indica que a neuroinflamação contínua pode dificultar a recuperação olfativa. Combater a neuroinflamação durante o treinamento olfativo pode promover a recuperação, sendo as alterações inflamatórias potencialmente mais tratáveis do que a perda neuronal permanente<sup>5</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O microambiente iônico na fenda olfatória desempenha um papel essencial na conversão de sinais químicos em sinais elétricos, facilitando a transmissão de informações olfativas para o sistema central. A alteração dos níveis de íons está associada à presença ou progressão de várias doenças. O cálcio, junto com a calmodulina, controla a sensibilidade ao monofosfato de adenosina cíclico, influenciando a sensibilidade dos canais olfativos regulados por nucleotídeos cíclicos. Mudanças nos níveis de cálcio no nariz podem diminuir a sensibilidade dos neurônios receptores olfatórios, impactando a excitabilidade neuronal e possivelmente aprimorando o processo olfativo<sup>6</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acredita-se que as alterações comportamentais resultem principalmente da disseminação da inflamação nos bulbos olfatórios para outras áreas do cérebro ou, menos frequentemente, da infecção direta do tecido cerebral parenquimatoso; a inflamação sistêmica provocada pelo SARS-CoV-2 também pode desempenhar um papel. A conexão entre a disfunção olfatória e outros sintomas prolongados da COVID ainda não é bem compreendida, e há poucos tratamentos baseados em evidências disponíveis<sup>7</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a anosmia pós-COVID-19 emergiu como uma preocupação significativa de saúde pública, afetando uma proporção significativa de pacientes que se recuperam da infecção pelo coronavírus.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo deste estudo é realizar uma revisão narrativa da literatura para investigar quais são as abordagens terapêuticas eficazes para a recuperação da anosmia em pacientes pós-COVID-19. Através da estratégia PICO, pretendemos analisar estudos que abordem a população de pacientes que tiveram COVID-19 e desenvolveram anosmia, sem restrição de idade ou gênero. Essa revisão contribuirá para o entendimento global dos efeitos da COVID-19 e ajudará a orientar práticas clínicas e políticas de saúde voltadas para a recuperação dos pacientes pós-infecção.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>MÉTODOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo caracteriza-se como uma revisão narrativa da literatura discutindo a anosmia pós-COVID-19. Foram utilizadas estratégias de pesquisa e acrônimos para encontrar e sistematizar os resultados<sup>8</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A metodologia incluiu a elaboração da pergunta norteadora, busca ou amostragem na literatura, coleta de dados, análise crítica dos estudos incluídos, discussão dos resultados e apresentação da revisão. A partir desta estratégia, criou-se a seguinte questão central do estudo: Quais são as abordagens terapêuticas eficazes para a recuperação da anosmia em pacientes pós-COVID-19?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Utilizou-se a estratégia PICO (População, Intervenção, Comparação, Outcome) para orientação da pesquisa. A população incluiu pacientes que tiveram COVID-19 e desenvolveram anosmia. A intervenção foi a aplicação de terapias para a recuperação do olfato, em comparação com outras terapias ou placebo, com o objetivo de identificar as abordagens terapêuticas mais eficazes para a recuperação da anosmia pós-COVID-19.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca na base de dados da PubMed utilizou descritores do MeSH como &#8220;Síndrome de COVID-19 Pós-Aguda&#8221;, &#8220;Anosmia&#8221; e &#8220;Transtornos do Olfato&#8221;, combinados com o operador booleano AND para maximizar a relevância dos estudos selecionados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A estratégia de cruzamento dos descritores, inclui combinações como &#8220;Síndrome de COVID-19 Pós-Aguda&#8221; AND &#8220;Anosmia&#8221; e &#8220;Síndrome de COVID-19 Pós-Aguda&#8221; AND &#8220;Transtornos do Olfato&#8221;.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a relevância do estudo, foram definidos critérios de elegibilidade. Os critérios de inclusão incluíram estudos que investiguem abordagens terapêuticas para a recuperação da anosmia em pacientes pós-COVID-19, publicados entre 2020 e 2024, sendo ensaios clínicos randomizados, estudos observacionais, prospectivos e transversais, com texto completo disponível em português, inglês ou espanhol. Os critérios de exclusão consistiram em estudos duplicados, revisões, teses e dissertações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta revisão não envolve intervenção com seres humanos e, portanto, não requer aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mediante a combinação dos descritores, encontram-se na literatura 453 estudos. Destes, com a aplicabilidade dos critérios de elegibilidade, este número reduziu para 15. Com a leitura na íntegra, foram selecionados 14 estudos para compor a análise final.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quatorze estudos foram selecionados na PubMed para esta revisão, abrangendo os anos de 2021 a 2024. A maioria dos artigos selecionados foi publicada em 2022, representando 57,14% do total. Artigos de 2023 corresponderam a 21,43%, artigos de 2024 correspondem a 14,29%, e artigos de 2021 representaram 7,14% do total. Os estudos foram publicados em uma variedade de periódicos, incluindo American Journal of Rhinology &amp; Allergy, International Forum of Allergy &amp; Rhinology, Infection and Drug Resistance, Journal of Clinical Medicine and Cells, Brazilian Journal of Otorhinolaryngology.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os estudos foram identificados como ensaios clínicos randomizados. Isso permitiu uma análise abrangente das diferentes abordagens terapêuticas e suas eficiências na recuperação da anosmia pós-COVID-19.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As terapias avaliadas nos estudos variaram amplamente, incluindo o uso de plasma rico em plaquetas, pentassódio dietilentriamina pentaacetato, ivermectina em nanossuspensão mucoadesiva nasal, palmitoiletanolamida ultramicronizada e luteolina, entre outras. A eficácia dessas terapias foi variada, com taxas de recuperação olfativa reportadas variando de 60% a 85%, dependendo da intervenção utilizada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A distribuição dos estudos por tipos de terapia mostrou uma predominância de intervenções farmacológicas, com sete estudos investigando essas abordagens. Outros quatro estudos focaram em terapias baseadas em plasma, enquanto três estudaram o uso de suplementos dietéticos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa diversidade metodológica reflete a busca por tratamentos eficazes para a disfunção olfativa pós-COVID-19. Os resultados destacam a importância do treinamento olfativo como terapia adjuvante, com estudos relatando melhorias significativas na função olfativa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A combinação de palmitoiletanolamida ultramicronizada e luteolina com treinamento olfativo mostrou-se particularmente eficaz, sugerindo uma abordagem integrada no tratamento da anosmia pós-COVID-19. Esses achados reforçam a necessidade de mais investigações para otimizar o manejo dessa condição clínica desafiadora.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O pentaacetato de dietilenotriamina pentassódico (DTPA) pode ser eficaz na melhoria da anosmia pós-COVID-19, apresentando ganhos significativos na função olfativa em indivíduos tratados. Além de diminuir a quantidade de cálcio no muco nasal, contribuindo para a restauração da capacidade olfativa, o DTPA sugere-se como uma terapia promissora para pacientes com anosmia persistente após a infecção pelo SARS-CoV-2.<sup>1&nbsp;</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contraste, o tratamento com plasma rico em plaquetas (PRP) demonstrou eficácia na melhoria da função olfativa em pacientes pós-COVID-19. Houve um aumento significativo no escore do teste Sniffin&#8217; Sticks em comparação ao grupo placebo, além de uma taxa de resposta superior. A recuperação foi notada principalmente na capacidade de discriminação olfativa, indicando que o PRP pode ser uma opção terapêutica segura para a perda de olfato associada à COVID-19.<sup>2</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso de gluconato de sódio intranasal foi eficaz na diminuição da concentração de cálcio no nariz e na melhoria da função olfativa. Observou-se uma significativa melhoria clínica na escala olfativa, de anosmia para hiposmia, em comparação a um grupo que recebeu cloreto de sódio. Adicionalmente, houve uma redução notável na concentração de cálcio nasal após o uso do gluconato de sódio.<sup>3</sup> Assim como, o furoato de mometasona evidenciou uma maior modificação nos escores olfativos em comparação ao placebo após mais de 2 semanas de tratamento.<sup>4</sup>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a combinação de suplementos orais de palmitoiletanolamida e luteolina (PEA-LUT) junto com treinamento olfativo demonstrou ser mais eficaz do que o treinamento olfativo isolado na recuperação da função olfativa em pacientes com disfunção olfativa persistente após infecção por COVID-19. Uma proporção maior de pacientes no grupo de intervenção apresentou melhora, destacando uma recuperação mais expressiva ao final de 90 dias em comparação aos controles.<sup>5, 7, 10</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Adicionalmente, a administração de ivermectina local na forma de spray nasal de nanossuspensão mucoadesiva demonstrou eficácia na reversão da anosmia pós-COVID-19 em comparação com o placebo. Após uma semana de tratamento, o grupo que recebeu o spray nasal de ivermectina mostrou uma taxa de recuperação significativamente maior para a anosmia em comparação com o grupo placebo, embora não tenham sido observadas diferenças significativas nas taxas de recuperação entre os grupos nos meses subsequentes (1, 2 e 3 meses) de acompanhamento.<sup>4&nbsp;</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Paralelamente, a administração de ácido etilenodiamino tetra-acético (EDTA) intranasal teve efeito positivo na diminuição dos sintomas. O treinamento olfativo combinado com EDTA resultou em melhorias clínicas em 88% dos pacientes, comparado a 60% daqueles que receberam apenas treinamento olfativo. Houve uma redução significativa nos níveis de cálcio nas secreções nasais após o uso do EDTA em comparação com o grupo que recebeu apenas treinamento olfativo.<sup>6</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Todavia, o treinamento olfativo utilizando mais fragrâncias em um período mais curto não demonstrou ser superior ao método clássico para a recuperação da anosmia. Obteve-se melhorias significativas na função olfativa, avaliadas tanto subjetivamente quanto pelo teste de identificação de odores da Universidade da Pensilvânia (UPSIT). A presença de variações na capacidade olfativa foi associada a pontuações mais altas no UPSIT, indicando uma possível relação entre essas alterações e a resposta ao tratamento.<sup>11</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, os estudos corroboram a recomendação de treinamento olfativo precoce e consistente nesses pacientes. Contudo, alguns desses estudos concluem que outras abordagens terapêuticas não demonstraram superioridade individual em relação ao treinamento olfativo, seja em termos de escores de olfato, duração da anosmia ou taxas de recuperação.<sup>13, 14, 15</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A revisão narrativa da literatura sobre a anosmia pós-COVID-19 revelou uma complexidade significativa na recuperação da função olfativa em pacientes afetados pelo SARS-CoV-2. A revisão identificou várias abordagens terapêuticas, incluindo treinamento olfativo e intervenções farmacológicas, que mostraram eficácia variável na recuperação da função olfativa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo apresenta algumas limitações importantes. Primeiramente, a maioria dos estudos incluídos foi realizada em um período relativamente curto após a pandemia, o que limita a compreensão dos efeitos a longo prazo da anosmia pós-COVID-19. Além disso, a heterogeneidade dos métodos terapêuticos avaliados dificulta a comparação direta entre os estudos. A variação nos critérios de diagnóstico e nos desfechos avaliados também pode ter influenciado os resultados obtidos. Finalmente, a falta de ensaios clínicos randomizados de longo prazo impede uma análise mais robusta da eficácia das intervenções terapêuticas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Perspectivas futuras para pesquisa devem se concentrar na otimização das abordagens terapêuticas existentes e na investigação de novas estratégias para o tratamento da anosmia pós-COVID-19. Estudos longitudinais são necessários para compreender melhor a evolução da recuperação olfativa ao longo do tempo e para identificar fatores preditivos de resposta ao tratamento. Além disso, são necessários ensaios clínicos randomizados de grande escala para validar as intervenções terapêuticas identificadas e para estabelecer diretrizes clínicas baseadas em evidências para o manejo dessa condição clínica desafiadora.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



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</ol>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Hospital Otorrino de Cuiabá, Cuiabá, MT. Email: aamabillemartins@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0009-0007-2731-5415<br><sup>2</sup>Hospital Otorrino de Cuiabá, Cuiabá, MT. Email: alonsoo.neto@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0009-0000-9514-8996<br><sup>3</sup>Hospital Otorrino de Cuiabá, Cuiabá, MT. Email: mario@drmarioesposito.com.br. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5080-3424<br><sup>4</sup>Hospital Otorrino de Cuiabá, Cuiabá, MT. Email: thaisramos0@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0009-0009-9475-122X<br><sup>5</sup>Hospital Otorrino de Cuiabá, Cuiabá, MT. Email: walquiriahenicka@hotmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7057-9212<br><sup>6</sup>Hospital Otorrino de Cuiabá, Cuiabá, MT. Email: karinaalencastro@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0009-0004-1735-8277<br><sup>7</sup>Hospital Otorrino de Cuiabá, Cuiabá, MT. Email: luanninhacamargo@hotmail.com. ORCID: https://orcid.org/0009-0008-5643-359X</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>FATORES DE RISCO E PREVENÇÃO PARA SUICÍDIO EM MÃES DE CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/fatores-de-risco-e-prevencao-para-suicidio-em-maes-de-criancas-com-transtorno-do-espectro-autista/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Mar 2025 01:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Sociais Aplicadas]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 143/FEV 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202503072218 Brenda Kayene Camargos Villas Bôas1Renan Merlin Cuani2Ana Carolina Merlin Barboza3Sandra Leal Calais4 Resumo&#160;&#160; Este estudo visa identificar os fatores de risco e proteção para o suicídio em mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), focando nos desafios emocionais, sociais e familiares que elas enfrentam, uma vez que o diagnóstico impacta [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202503072218</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Brenda Kayene Camargos Villas Bôas<sup>1</sup><br>Renan Merlin Cuani<sup>2</sup><br>Ana Carolina Merlin Barboza<sup>3</sup><br>Sandra Leal Calais<sup>4</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo visa identificar os fatores de risco e proteção para o suicídio em mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), focando nos desafios emocionais, sociais e familiares que elas enfrentam, uma vez que o diagnóstico impacta profundamente essas mulheres devido às demandas de manejo e cuidado que seus filhos necessitam. A metodologia utilizada foi a revisão de literatura, utilizando 12 artigos sobre o tema, abordando fatores como a qualidade de vida das mães, o impacto emocional do cuidado, as estratégias de enfrentamento e as implicações familiares. Os resultados encontrados indicam que as mães lidam com desafios como a sobrecarga de responsabilidades, a falta de apoio social e os efeitos negativos nas relações familiares e sociais, desenvolvendo exaustão, ansiedade e depressão, contudo, é importante frisar que apesar de tantos aspectos negativos, essas mães buscam conforto e valor vivencial nos progressos que seus filhos demonstram ao longo dos tratamentos, o que acentua ainda mais a importância do apoio emocional de familiares e grupos de suporte, com isso é notório que o diagnóstico precoce e o acompanhamento profissional são essenciais para a adaptação e que redes de apoio social e o fortalecimento dos laços familiares contribuem para a melhora da qualidade de vida. Conclui-se que políticas públicas que ofereçam suporte contínuo às famílias e promovam a inclusão social das crianças com autismo são urgentes e fundamentais para amparar as mães, ajudando-as a enfrentar as demandas do cuidado e os impactos do TEA no contexto familiar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chaves:</strong> Suicídio, Transtorno do Espectro Autista, Fatores de risco, Fatores de proteção e Maternidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a Associação Americana de Psiquiatria (2023), o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades na comunicação e interação social, além de comportamentos restritos ou repetitivos. Sua gravidade e manifestação variam, e, embora seja permanente, o diagnóstico precoce é fundamental para melhorar o prognóstico, reduzir os sintomas e promover uma melhor qualidade de vida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC) dos EUA indica uma prevalência de TEA de 1 para cada 36 crianças de 8 anos. No Brasil, embora não haja dados oficiais, um estudo preliminar aponta uma incidência de 27,2 casos a cada 10 mil crianças (Júlio-Costa; Starling-Alves; Antunes, 2023). Observa-se um aumento expressivo nos diagnósticos de TEA recentemente (Shaw <em>et al.</em>, 2021), tornando-o uma questão de interesse coletivo. A escassez de estatísticas confiáveis e estudos robustos sobre a quantidade de autistas no Brasil destaca a importância de pesquisas sobre o tema (Freire; Nogueira, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando as pessoas com TEA, é essencial também focar nos cuidadores, especialmente as mulheres, que assumem esse papel devido a fatores históricos e culturais, cuidando desde crianças até idosos (Laranjeira; Nakamura, 2023). Muitas mães enfrentam um &#8220;adoecimento invisível&#8221;, o que pode levar a problemas psicológicos significativos, como ansiedade, depressão e até ideações suicidas (Biase, 2023). Há uma responsabilização da mulher em relação aos cuidados frente a adoecimentos ou deficiências, especialmente quando se trata de crianças (Mendes<em> et al.</em>, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A expectativa em torno da figura da mulher cuidadora implica uma renúncia de aspectos pessoais em prol do cuidado com a criança e a família (Moreira, 2018). Esse papel imposto à mulher torna relevante a discussão sobre os impactos que as demandas recorrentes por pessoas com autismo necessitam, uma vez que traz alterações na rotina familiar, exige uma readequação de papéis e gera consequências diversas em áreas como a ocupacional, financeira, entre outras.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A sobrecarga materna envolve o fardo emocional e físico enfrentado por muitas mães, especialmente aquelas que cuidam de filhos com deficiência, como o autismo. Esse fenômeno deriva de um padrão cultural que coloca a mulher como principal cuidadora, exigindo que ela dedique todo seu tempo e energia aos filhos. Ademais, o forte vínculo emocional entre mãe e filho intensifica essa responsabilidade no cuidado. Muitas mães dedicam-se integralmente a esse papel, ficando impossibilitadas de trabalhar ou realizar outras atividades. Quando recebem auxílio familiar, ele geralmente ocorre a pedido da própria mãe, em momentos em que precisa realizar algum compromisso ou afazer doméstico, sendo os avós maternos e os irmãos os que mais ajudam. A falta de apoio de outros familiares, como tios e primos, frequentemente está ligada ao estigma de que a criança autista é frágil e de difícil interação (Pinto <em>et al</em>., 2016).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dedicação integral assumida pela mãe, que muitas vezes renuncia à profissão e se divide entre marido, filhos e tarefas domésticas, pode trazer sérias consequências físicas e mentais. As queixas mais comuns entre essas cuidadoras incluem dores articulares, depressão, insônia, ansiedade e fadiga, com a maior sobrecarga concentrada no aspecto emocional (Cezar; Smeha, 2011; Pinto <em>et al.</em>, 2016; Batista <em>et al.</em>, 2008).<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos desafios já mencionados, destacam-se a postergação diagnóstica (a mais citada), a dificuldade em lidar com o diagnóstico e os sintomas, o acesso limitado aos serviços de saúde e ao apoio social, a escassez de atividades de lazer e educacionais, questões financeiras e a preocupação com o futuro. As mães também enfrentam a perda do filho idealizado e os ajustes exigidos por essa nova realidade (Gomes <em>et al.,</em> 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A alta responsabilidade dessas mães nos cuidados com várias áreas e pessoas gera uma sobrecarga que resulta em desgaste físico e emocional, levando ao isolamento, depressão e, em alguns casos, a pensamentos suicidas. Esse estágio ocorre após períodos de depressão e ansiedade, tornando crucial a identificação dos fatores de risco que levam a essas ideações suicidas, para minimizar os fatores estressantes e promover estratégias saudáveis. Esse apoio contribui para melhorar a qualidade de vida da criança e da família e para prevenir o adoecimento dessas mães; o acompanhamento psicológico reduz significativamente ou até elimina as taxas de tentativas de suicídio (Biase, 2023). Segundo Botega (2015), o suicídio ocorre como uma tentativa de interromper uma dor psíquica considerada insuportável, levando ao desejo de cessar a própria vida para aliviar esse sofrimento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a Organização Mundial da Saúde, há 2 milhões de casos no Brasil. O adoecimento das mães torna-se um tema relevante para estudo e prevenção, focando na promoção de sua saúde. Com o aumento de suicídios de mães de crianças autistas, incluindo casos de filicídio, este trabalho busca dar visibilidade ao sofrimento psíquico dessas mulheres e identificar formas de prevenir o adoecimento das mães de crianças com TEA. Compreender essa vulnerabilidade pode ajudar a desenvolver políticas públicas e intervenções voltadas à melhoria da qualidade de vida dessas mães e ao fortalecimento de um ambiente familiar saudável, pois o acompanhamento psicológico e o apoio social reduzem significativamente as tentativas de suicídio (Biase, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>OBJETIVO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Identificar os fatores de risco e proteção para o suicídio em mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>MÉTODO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A metodologia escolhida foi uma revisão de literatura, visando a análise de artigos científicos e livros publicados entre 2000 e 2023 sobre o adoecimento mental de cuidadores, especialmente mães de crianças com TEA. Segundo Flor <em>et al</em>. (2021), as revisões de literatura são essenciais na pesquisa científica, pois permitem uma análise aprofundada de um campo teórico específico, identificando diversas contribuições, abordagens e perspectivas sobre o tema.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa utilizou bases de dados como <em>Google Scholar, PubMed</em> e periódicos da CAPES para coletar informações sobre o tema. Foram usadas palavras-chave específicas, como&nbsp;&#8220;suicídio,&#8221; &#8220;Transtorno do Espectro Autista,&#8221; &#8220;fatores de risco,&#8221; &#8220;fatores de proteção&#8221; e &#8220;maternidade.&#8221;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seleção dos artigos e livros baseou-se em sua relevância para entender os desafios das mães de crianças com TEA, com foco na saúde mental. A revisão narrativa possibilitou sintetizar as principais descobertas e discussões da literatura, proporcionando uma visão abrangente sobre o adoecimento mental das mães.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>RESULTADOS E ANÁLISE&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados foram analisados qualitativamente para identificar padrões, tendências e lacunas na pesquisa, além de refletir sobre implicações para práticas e políticas de apoio às mães.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao todo, 12 artigos foram selecionados para o estudo, conforme mostrado na tabela a seguir:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1 –</strong><em> </em>Artigos selecionados para a revisão de literatura</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="617" height="407" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-137.png" alt="" class="wp-image-201567" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-137.png 617w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-137-300x198.png 300w" sizes="(max-width: 617px) 100vw, 617px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="627" height="126" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-139.png" alt="" class="wp-image-201569" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-139.png 627w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-139-300x60.png 300w" sizes="(max-width: 627px) 100vw, 627px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="620" height="683" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-140.png" alt="" class="wp-image-201570" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-140.png 620w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-140-272x300.png 272w" sizes="(max-width: 620px) 100vw, 620px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="619" height="545" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-141.png" alt="" class="wp-image-201571" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-141.png 619w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-141-300x264.png 300w" sizes="(max-width: 619px) 100vw, 619px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>Fonte: Elaborado pela autora</em></p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">Os 12 artigos analisados abordam diferentes aspectos da vivência de mães de crianças com autismo, seus desafios emocionais e as implicações para o desenvolvimento infantil. Sifuentes e Bosa (2010) investigam as características da coparentalidade e observam que as tarefas parentais tendem a não ser igualmente divididas entre os pais, o que frequentemente gera conflitos, especialmente no que diz respeito às práticas educativas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pinto <em>et al</em>. (2016), por sua vez, analisam o impacto do diagnóstico do autismo nas relações familiares, enfatizando a sobrecarga materna e as alterações nas dinâmicas familiares. Batista <em>et al</em>. (2008) abordam a vivência das mães, que lidam com sentimentos de solidão e abnegação, colocando sua própria rotina em segundo plano para cuidar dos filhos. Cezar <em>et al.</em> (2011) destacam que a maternidade de crianças com autismo é repleta de desafios, levando as mães a renunciarem à carreira, vida social e relacionamentos, o que provoca sentimentos de incerteza e tristeza. Um fator importante é que mães de pessoas com TEA apresentam níveis mais altos de ansiedade e depressão em comparação às mães de indivíduos com deficiência intelectual (Avci <em>et al</em>., 2002) e enfrentam maior estresse e sofrimento psicológico em relação às mães de crianças com atraso no desenvolvimento, mas sem autismo (Abbott <em>et al</em>., 2009).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cuvero (2008) avalia a qualidade de vida dos cuidadores de crianças autistas, destacando as desvantagens em comparação aos cuidadores de crianças saudáveis. Fairthorne <em>et al</em>. (2014) identificam fatores que influenciam a qualidade de vida das mães, apontando o impacto negativo nos relacionamentos e na saúde, mas também reconhecendo as recompensas associadas ao ato de cuidar. Lecrubier <em>et al</em>. (2002) discutem a identificação de distúrbios psiquiátricos na atenção primária à saúde, sugerindo a implementação de ferramentas de triagem e treinamentos para médicos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Shu <em>et al</em>. (2000) exploram o impacto do autismo na saúde mental das mães, evidenciando níveis elevados de depressão e ansiedade e a necessidade de um modelo de atenção primária para preveni-los. Nunes e Santos (2010) examinam o itinerário terapêutico das mães em busca de diagnóstico e tratamento, revelando sobrecarga emocional e desamparo quanto ao futuro dos filhos. Constantinidis <em>et al</em>. (2018) abordam as vivências das mães, destacando a importância do diagnóstico e a resistência dos profissionais em fornecê-lo, além de dificuldades de aceitação por parte dos pais.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sanini <em>et al</em>. (2010) analisam a relação entre depressão materna e o desenvolvimento da criança autista, com base em uma revisão de literatura. Andrade e Teodoro (2012) discutem o impacto do autismo no funcionamento familiar, destacando a importância do suporte social e de programas de treinamento para os pais. Esses estudos proporcionam uma visão abrangente dos desafios enfrentados pelas mães de crianças com autismo, abrangendo temas como coparentalidade, impactos nas relações familiares, saúde mental materna e estratégias de enfrentamento essenciais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os cuidados com pessoas autistas envolvem várias atividades, incluindo as da vida diária, transporte e saúde (Bosa; Sifuentes, 2010). Essas responsabilidades recaem principalmente sobre as mães, que, devido a uma demanda histórico-cultural, assumem o papel de principais cuidadoras, dedicando-se integralmente aos filhos (Pinto <em>et al</em>., 2016). Essa dedicação das mães muitas vezes leva à abdicação de suas profissões, limitando suas atividades relacionadas aos filhos e aos afazeres domésticos (Batista <em>et al.</em>, 2008; Pinto <em>et al.,</em> 2016). Como resultado, suas relações sociais e afetivas são comprometidas, o que contribui para impactos físicos e mentais significativos (Cezar e Smeha, 2011; Pinto <em>et al</em>., 2016). Já os pais costumam ser os provedores&nbsp;financeiros e atuam como colaboradores esporádicos (Bosa; Sifuentes, 2010).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cuvero (2008) avaliou a qualidade de vida dos cuidadores de indivíduos com TEA, em sua maioria mães, e constatou prejuízos significativos nos aspectos físicos e mentais. O estudo destaca as dificuldades enfrentadas por essas cuidadoras em comparação a cuidadores de crianças saudáveis. Além disso, mães de crianças com TEA apresentam maior risco de estresse parental em relação àquelas que cuidam de crianças com outros transtornos do desenvolvimento (Bosa; Sifuentes, 2010).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1</strong> <strong>Fatores de Risco para suicídio em mães atípicas&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O impacto emocional e psicológico sobre as mães de crianças com TEA é um tema relevante, exemplificado pelo caso de Milce Maria Alonso Soares, que, após matar seu filho Cléber Baraldi, de 27 anos, também com TEA, cometeu suicídio. Esse incidente em Águas Claras, Distrito Federal, ilustra a sobrecarga emocional enfrentada por muitas mães de crianças atípicas (Rios; Abreu, 2024). O suicídio materno relacionado a filhos com deficiência revela o intenso estresse, solidão e sentimento de impotência que essas mães enfrentam devido às demandas de cuidados intensivos e à falta de suporte adequado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caso citado destaca a importância de discutir a saúde mental das mães de crianças com autismo. A sobrecarga emocional dessas mulheres, frequentemente invisível, pode se tornar um risco, agravado pela falta de suporte psicológico e social. A ausência de apoio efetivo, como no caso de Milce, pode ser determinante para tragédias desse tipo (Rios; Abreu, 2024).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro caso trágico foi o de uma mãe que, após lançar seu filho de 12 anos de uma janela de hotel, cometeu suicídio. Esse episódio destaca a intensa carga psíquica que algumas mães enfrentam, frequentemente isoladas e sem suporte adequado para lidar com as demandas contínuas de cuidar de uma criança com deficiência. O estresse constante contribui para a deterioração do bem-estar psicológico dessas mães, elevando o risco de comportamentos suicidas. O caso relatado destaca o impacto da falta de apoio psicológico e da marginalização social, agravando o sofrimento emocional. Esses fatores de risco são fundamentais para entender tragédias relacionadas ao suicídio materno, reforçando a importância de intervenções precoces e de apoio psicológico contínuo como estratégias essenciais para mitigar esses riscos e oferecer proteção a mães sob estresse extremo (Rodrigues; Viana, 2013).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ximena Agrelo, mãe de Vicente, um jovem de 18 anos com autismo severo, compartilha em um relato honesto o impacto da condição de seu filho em sua vida e na dinâmica familiar. Em um desabafo, Ximena revela que, apesar do amor incondicional, sente um alívio perturbador ao desejar que Vicente morra minutos antes dela, devido à preocupação constante com o futuro dele e sua total dependência para os cuidados diários. O relato também aborda os desafios emocionais e físicos que ela enfrenta, incluindo a dificuldade de lidar com a falta de comunicação de Vicente e o medo constante de que ele não consiga expressar suas dores ou necessidades. Ximena enfatiza que, apesar das dificuldades, nunca romantizou a condição do autismo, reconhecendo as complexidades e os desafios que ele impõe à vida familiar, destacando as questões relacionadas à sobrecarga emocional, à necessidade de suporte e à constante preocupação com o futuro do filho. A maternidade de um jovem com autismo severo, como relatado por Ximena, expõe um dos muitos dilemas que podem contribuir para um aumento do risco de distúrbios psicológicos e suicídios entre mães de crianças com deficiência (Psicologia do Brasil, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base na reportagem do Portal R7 (2015), no município de Juatuba, em Minas Gerais, Daniela Cristina dos Santos, de 30 anos, confessou ter matado seu filho, Isaque Gonçalves dos Santos, de seis anos, diagnosticado com autismo, afirmando que não aguentava mais ver o sofrimento da criança. O menino foi asfixiado pela mãe, que alegou que o filho estava passando por dificuldades emocionais intensas, embora as investigações não tenham encontrado evidências de abusos sexuais, como inicialmente afirmado pela mulher. Após o crime, Daniela ligou para a polícia e se entregou, demonstrando arrependimento. Embora tenha se mostrado arrependida, ela afirmou que acreditava ter feito o melhor para o filho. O caso gerou uma investigação sobre a saúde mental da mãe e um laudo psiquiátrico foi solicitado para avaliar sua sanidade no momento do crime. Este caso traz à tona as complexas questões psicológicas enfrentadas por mães de crianças com autismo, como sobrecarga emocional, sensação de impotência diante do sofrimento dos filhos e a possível ausência de apoio psicológico adequado, fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de ideações suicidas ou de violência.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Chaboudet e Marques (2024), em 7 de agosto de 2024, uma mulher foi presa em Saquarema, no Rio de Janeiro, após confessar publicamente nas redes sociais que havia matado seu filho de 3 anos. A postagem, feita em seu perfil no Facebook, dizia: &#8220;Eu matei meu filho, mandem uma viatura para ele ter um enterro digno&#8221;, e incluía o endereço onde morava. De acordo com a Polícia Civil, embora ninguém tenha testemunhado o crime, a mãe admitiu, em conversa com familiares, que estrangulou a criança. A criança foi levada para o hospital pelos bombeiros, mas já chegou sem vida. A mulher tentou fugir, mas foi localizada e presa. A Polícia Civil indicou que a mãe sofria de quadros psicóticos e havia tentado suicídio anteriormente, sugerindo que o ato poderia ter sido um surto psicótico.&nbsp; O caso destaca a gravidade dos fatores psicológicos enfrentados por mães em situações extremas, incluindo transtornos mentais não tratados e a pressão de cuidar de filhos, o que pode resultar em trágicas consequências, como o suicídio ou homicídio de crianças.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fairthorne <em>et al</em>. (2014) destacam sobre a mortalidade precoce e as causas principais de morte em mães de crianças com deficiência intelectual ou TEA. Os dados são preocupantes: essas mães apresentam duas vezes mais risco de morte, 40 a 50% mais risco de câncer, 150% de maior chance de doenças cardiovasculares e 200% mais chance de acidentes diversos. Em um estudo epidemiológico, Lecrubier <em>et al</em>. (2002) identificaram altas taxas de depressão (68%) e ansiedade generalizada (28%) entre cuidadores de crianças autistas na Europa Ocidental e em países em desenvolvimento. Essas taxas estavam relacionadas a dificuldades sociais significativas e à presença de eventos estressantes. Da mesma forma, em Taiwan, Shu, Lung e Chan (2000) encontraram uma prevalência de 33% de algum transtorno psiquiátrico entre mães de crianças com TEA. Os autores destacam que a condição autista da criança representa uma sobrecarga emocional, física e financeira para as mães e suas famílias.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nunes e Santos (2010), em um estudo que analisou a trajetória materna na busca por compreender os desafios relacionados ao filho com TEA, revelaram mudanças na dinâmica familiar, especialmente na interação entre mãe e filho. Os autores observaram uma situação de vulnerabilidade, onde as mães se dedicam integralmente às crianças, ao mesmo tempo em que precisam cuidar da casa e da família, resultando em sobrecarga emocional e física. O tempo que a criança passa na escola é frequentemente utilizado pelas mães para realizar tarefas domésticas, deixando pouco espaço para atividades de autocuidado. Os resultados também mostraram que as mães enfrentam frustração diante da dificuldade de aprendizagem dos filhos e expressam grande preocupação com o futuro e o bem-estar, especialmente quando não puderem mais exercer o papel de cuidadoras.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Tabela 2 pode-se observar os fatores de risco para suicídio em mães atípicas com base nas pesquisas e estudos levantados:&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 2 – </strong>Fatores de risco de suicídio de mães atípicas</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="620" height="420" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-142.png" alt="" class="wp-image-201573" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-142.png 620w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-142-300x203.png 300w" sizes="(max-width: 620px) 100vw, 620px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>Fonte: Elaborado pela autora</em></p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">Esses fatores de risco revelam a complexidade dos desafios enfrentados pelas mães de crianças com TEA, com implicações diretas na saúde mental e no bem-estar dessas mulheres. O estresse relacionado ao cuidado, o isolamento social e a falta de apoio estruturado aparecem como fatores críticos, evidenciando a necessidade de intervenções para fortalecer as redes de apoio social e psicológico para essas mães. O suporte adequado pode, assim, ser um fator fundamental na prevenção de transtornos mentais graves, como a depressão e a ideação suicida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2 Fatores de Prevenção para suicídio em mães atípicas&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A prevenção do suicídio entre mães de crianças com TEA é um tema complexo que envolve uma série de fatores, desde o apoio psicológico até a implementação de políticas públicas voltadas para esse grupo. A falta de suporte familiar e social é um dos maiores desafios, visto que muitas dessas mães enfrentam uma sobrecarga emocional significativa devido às exigências diárias do cuidado com seus filhos. Como apontado por Cuvero (2008) e Bosa e Sifuentes (2010), a ausência de uma rede de apoio pode contribuir para o aumento do risco de adoecimento mental, como depressão e ansiedade, fatores que estão diretamente ligados ao risco de suicídio.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, as mães de crianças com TEA frequentemente enfrentam o isolamento social, que pode ser ampliado pela exclusão das crianças com autismo em eventos e interações sociais. Constantinidis, Silva e Ribeiro (2018) destacam que, enquanto as mães lidam com esse estigma social, é crucial criar estratégias de inclusão para as crianças, promovendo ambientes sociais mais acessíveis e acolhedores. A inclusão social das crianças não só melhora seu bem-estar, mas também reduz a pressão emocional sobre as mães, promovendo uma maior sensação de pertencimento e apoio.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A educação e o empoderamento dessas mães também desempenham um papel&nbsp;fundamental na prevenção do suicídio. Estudos como os de Batista et al. (2008) e Moreira (2018) indicam que a pressão para atender a expectativas culturais sobre o papel da mulher como cuidadora, pode gerar um sentimento de culpa e inadequação. Oferecer suporte psicológico, bem como promover a educação sobre o TEA, pode aliviar essas tensões, ajudando as mães a lidarem melhor com os desafios que enfrentam. A criação de uma rede de apoio sólida, com a inclusão de outros membros da família e profissionais capacitados, pode reduzir significativamente a sobrecarga emocional dessas mães, como ressaltam Sanini, Brum e Bosa (2010), além de facilitar a realização de atividades sociais e o bem-estar geral.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a prevenção do suicídio entre mães de crianças com TEA exige um esforço conjunto, que envolve a criação de políticas públicas de inclusão e apoio, o fortalecimento das redes de apoio social e familiar e a promoção de um ambiente mais acolhedor e educativo para essas mães e suas famílias.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Tabela 3, podem ser observados os fatores de proteção relacionados ao suicídio de mães atípicas, com base nas pesquisas e estudos levantados:&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 3 &#8211;</strong>  Fatores de proteção relacionados ao suicídio de mães atípicas</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="618" height="135" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-143.png" alt="" class="wp-image-201575" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-143.png 618w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-143-300x66.png 300w" sizes="(max-width: 618px) 100vw, 618px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="620" height="282" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-144.png" alt="" class="wp-image-201576" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-144.png 620w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-144-300x136.png 300w" sizes="(max-width: 620px) 100vw, 620px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>Fonte: Elaborado pela autora.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Tabela 3, são apresentados os fatores de prevenção relacionados ao suicídio de mães de crianças com TEA. Estes fatores, conforme evidenciado por diversos estudos, desempenham um papel essencial na redução do risco de sofrimento emocional e psicológico dessa população. O apoio emocional e social é fundamental, pois contribui significativamente para a redução do estresse e da solidão, fatores amplamente mencionados por Nunes e Santos (2010) e Mota e Vilas Boas (2022).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Grupos de apoio e redes sociais, por sua vez, permitem o compartilhamento de experiências e reduzem a sobrecarga emocional, como apontado por Christmann <em>et al</em>. (2017). O acompanhamento psicológico, que atua na diminuição dos sintomas de depressão e ansiedade, é outro aspecto importante, como destaca Biase (2023).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, é importante uma estrutura familiar forte e colaborativa para ajudar na adaptação e no bem-estar emocional das mães, com base em estudos de Cuvero (2008) e Bosa e Sifuentes (2010). Práticas de autocuidado e a criação de tempo para si mesmas são essenciais para a manutenção da saúde mental e física das mães, conforme observado por Cezar e Smeha (2011). A educação e conscientização sobre o TEA também contribuem para o aumento da empatia e compreensão nas relações sociais, sendo amplamente abordada por Batista <em>et al</em>. (2008) e Moreira (2018).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, programas de suporte à parentalidade fortalecem as habilidades parentais e o <em>coping</em>, como demonstrado nos estudos de Avci <em>et al</em>. (2002) e Abbott <em>et al</em>. (2009). Esses fatores de proteção podem ajudar a prevenir o suicídio e promover o bem-estar das mães atípicas, refletindo a importância do apoio social, familiar e psicológico para essa população. Esses fatores são essenciais para a construção de uma rede de apoio sólida que favoreça a saúde mental e a qualidade de vida das mães de crianças com TEA, sendo um ponto chave para a proteção do suicídio nesse grupo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo identificou os desafios emocionais, sociais e familiares que mães de crianças com TEA enfrentam no cotidiano. A partir de uma análise bibliográfica de 12 artigos científicos, foi possível compreender como o diagnóstico de autismo afeta profundamente a vida dessas mães, trazendo uma sobrecarga emocional significativa, dificuldades na interação social e mudanças nas dinâmicas familiares. As dificuldades de comunicação e interação social presentes no TEA não afetam apenas as crianças, mas também impõem desafios diários às mães, que muitas vezes se veem sobrecarregadas, ansiosas e, em alguns casos, até deprimidas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados indicaram que, além dos desafios, as mães também experimentam momentos de satisfação e realização ao perceberem o progresso de seus filhos, destacando a importância do acompanhamento profissional e de diagnósticos precoces para lidar de forma mais eficaz com as dificuldades. No entanto, é evidente que a falta de suporte social adequado e as constantes demandas do cuidado infantil podem aumentar o risco de sofrimento emocional&nbsp;e até mesmo suicídio em algumas mães.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo mostrou que as estratégias de enfrentamento (<em>coping</em>), o apoio psicológico e o fortalecimento das redes de apoio social e familiar são essenciais para mitigar esses riscos, promovendo uma adaptação mais saudável à nova realidade imposta pelo diagnóstico. A pesquisa também evidenciou a importância das políticas públicas voltadas para o apoio contínuo às famílias de crianças com autismo, oferecendo suporte psicológico, social e institucional.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas políticas poderiam, além de ajudar a melhorar a qualidade de vida das mães, contribuir para a inclusão social das crianças com TEA, criando um ambiente mais acolhedor e integrador para todos os membros da família. A busca por soluções para diminuir o estigma social e promover a inclusão das pessoas com autismo nas diversas esferas da sociedade é fundamental, não apenas para o bem-estar das mães, mas também para o desenvolvimento saudável das crianças.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, conclui-se que, embora a maternidade de uma criança com TEA envolva uma série de desafios emocionais e sociais significativos, o apoio adequado pode transformar essas experiências, promovendo qualidade de vida e reduzindo o risco de consequências negativas como o suicídio. As políticas públicas de apoio, às estratégias de enfrentamento e as redes de apoio familiar desempenham um papel crucial na adaptação dessas mães e na criação de um ambiente mais inclusivo e saudável para as famílias que lidam com o autismo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ABBOTT, D. A.; MEREDITH, W. H. Strengths of parents with retarded children. <strong>Family&nbsp;</strong></p>



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<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>brendakayene30@gmail.com<br><sup>2</sup>renanmerlin_@hotmail.comi</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>USO DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS ENTRE ACADÊMICOS DE ODONTOLOGIA EM UMA FACULDADE PRIVADA NO NORTE DE MINAS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/uso-de-substancias-psicoativas-entre-academicos-de-odontologia-em-uma-faculdade-privada-no-norte-de-minas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft NI]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Mar 2025 00:30:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 143/FEV 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[USE OF PSYCHOACTIVE SUBSTANCES AMONG DENTAL STUDENTS AT A PRIVATE COLLEGE IN THE NORTH OF MINAS GERAIS REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202502282130 Luis Rafael Mangueira Ribeiro1; Pedro Eleutério Santos Neto2; Marcos Vinícius Macedo de Oliveira 2; Camila Santos Pereira2; Patrícia Luciana Batista Domingos3; Michelle Pimenta Oliveira3; Talita Antunes Guimarães2 Resumo O presente estudo avaliou o uso de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">USE OF PSYCHOACTIVE SUBSTANCES AMONG DENTAL STUDENTS AT A PRIVATE COLLEGE IN THE NORTH OF MINAS GERAIS</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202502282130</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Luis Rafael Mangueira Ribeiro<sup>1</sup>; Pedro Eleutério Santos Neto<sup>2</sup>; Marcos Vinícius Macedo de Oliveira<sup> 2</sup>; Camila Santos Pereira<sup>2</sup>; Patrícia Luciana Batista Domingos<sup>3</sup>; Michelle Pimenta Oliveira<sup>3</sup>; Talita Antunes Guimarães<sup>2</sup></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo avaliou o uso de substâncias psicoativas (SPA) entre os acadêmicos de uma universidade privada localizada em Montes Claros, MG. Foi realizado um estudo descritivo, quantitativo de cunho exploratório através de um questionário baseado no <em>Medical Outcomes Study 36 – Item Short Form</em> (SF-36), uma escala que avalia a qualidade de vida por meio de perguntas, abrangendo oito domínios referentes à qualidade de vida, associada ao questionário presente no Levantamento Nacional de Álcool e Drogas da <em>Medical Outcomes Trust and Qualitymetric Incorporated</em>, que avalia o consumo de SPA lícita (álcool e tabaco) e ilícita (maconha, LSD e cocaína). Foram avaliadas as variáveis de sexo, hábitos de vida, saúde mental e tipo SPA consumida.&nbsp; Os dados foram organizados em planilhas do Microsoft Office Excel, versão 2010, utilizando o Teste Qui-quadrado, ao nível de significância de 5%. Os resultados do estudo mostraram que 42,4% da amostra faz uso de alguma SPA.&nbsp; A maioria dos homens (57,78%) relatam já terem consumido alguma SPA, já a maioria das mulheres (64,15%) dizem nunca ter feito seu uso (p=0,019). As SPA mais consumidas foram as lícitas, seguida das ilícitas (maconha, LSD e cocaína) e por último, ambas. É visto que 70,3% dos acadêmicos que fazem uso das SPA, relatam saírem regularmente com os amigos, enquanto 50,6% dos que não utilizam relataram o oposto (p=0,003). A maioria dos indivíduos que relataram fazer uso SPA se sente ao menos um pouco deprimidos (37,5%). Conclui-se que o uso de SPA é predominante entre os homens e as SPA lícitas (álcool e tabaco) são as mais consumidas. E a maioria dos acadêmicos que consumiram as SPA relataram que se sentiam um pouco deprimidos e que saiam regularmente com os amigos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Universitários. Substâncias ilícitas. Álcool.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1 INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao decorrer da história, o homem vem utilizando e desenvolvendo diversas substâncias psicoativas (SPA) para várias finalidades. Finalidades essas como alívio de dor, busca do prazer laboral (alívio de tensões cotidianas), além da melhora do desempenho profissional e estudantil. As SPA possuem principal espectro de ação no sistema nervoso central, trazendo alterações no funcionamento cerebral, no comportamento e na noção da percepção (FERNANDES et al., 2024). Essas substâncias podem ser classificadas como depressoras (álcool), estimulantes (tabaco, cocaína, crack e anfetamina) e perturbadoras (LSD e maconha) (SILVA et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na atualidade, o uso de SPA é um grande problema de saúde mundial que vem crescendo, principalmente em países em desenvolvimento. Esse acontecimento gera diversos problemas para a vida dos indivíduos, como a dependência química e o desenvolvimento de transtornos mentais, como a depressão (FERNANDES et al., 2024). Sobre seu uso, de acordo com o relatório mundial sobre drogas de 2021, cerca de 275 milhões de pessoas usaram drogas no mundo no ano de 2020. Segundo ele, cerca de 5,5% da população de 16 a 64 anos já usou droga pelo menos uma vez no ano anterior da pesquisa, enquanto 13% do número total de pessoas que usam drogas sofrem de transtornos associados à sua utilização (UNODC, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante enfatizar uma grande preocupação em relação ao consumo dessas substâncias feita por estudantes universitários no Brasil, visto que no primeiro Levantamento Nacional Sobre Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários (realizado em 27 capitais), 80% dos jovens adultos de universidades públicas e particulares já fizeram uso de alguma bebida alcoólica, e 47% já usaram tabaco alguma vez na vida. De acordo com mesmo levantamento, as SPA mais frequentemente consumidas são: álcool (60,5%), tabaco (21,6%), maconha (9,1%), anfetamínicos (8,7%), tranquilizantes (5,8%), inalantes (2,9%) e alucinógenos (2,8%) (LARANJEIRA et al., 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">É visto por Santos, Pereira e Siqueira (2013) que, por mais que o ingresso à universidade seja uma experiência positiva e gratificante para boa parte dos estudantes, também vem acompanhada de uma série de responsabilidades intensas em um período crítico da transição psicossocial, sendo esse um fator de risco para o uso dessas substâncias (SANTOS, PEREIRA e SIQUEIRA, 2013). Mediante a esses fatores, os estudantes da área da saúde fazem parte de um grupo especial de atenção em relação ao consumo de SPA, devido ao seu envolvimento com situações de promoção à saúde em diversas morbidades, se aproximando de ambientes de sofrimento e dor (LARANJEIRA et al., 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Infere-se, portanto, a necessidade de se avaliar os fatores associados à utilização de substâncias psicoativas entre os acadêmicos, visando identificar o perfil de cada usuário e as possíveis causas de seu consumo. Nesse contexto, os acadêmicos de uma universidade privada de Montes Claros, MG, tiveram seus perfis avaliados em relação ao uso das seguintes substâncias psicoativas: álcool, tabaco, maconha, dietilamida do ácido lisérgico (LSD), crack e cocaína.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2 METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Realizou-se um estudo do tipo quantitativo, descritivo e analítico, de caráter exploratório entre os acadêmicos de uma universidade privada localizada na cidade de Montes Claros, MG. A população alvo foram os 400 acadêmicos matriculados, sendo incluídos os alunos maiores de 18 anos que aceitaram a participação do estudo e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido para autorização da pesquisa. A Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) e o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) aprovou esse estudo por meio do parecer nº 5.032.549.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Foi utilizado como instrumento de coleta de dados o <em>Medical Outcomes Study 36 – Item Short Form</em> (SF-36), uma escala que avalia a qualidade de vida por meio de perguntas, abrangendo oito domínios referentes à qualidade de vida, sendo eles: capacidade funcional, aspectos físicos, aspectos emocionais, dor, estado geral de saúde, vitalidade, aspectos sociais e saúde mental<sup>6</sup>. Junto dela, o questionário presente no Levantamento Nacional de Álcool e Drogas da <em>Medical Outcomes Trust and Qualitymetric Incorporated</em>, foi usado na obtenção dos dados sobre o uso de substâncias psicoativas, possuindo 9 escalas validadas. A sessão de consumo de álcool foi baseada no questionário HABLAS desenvolvido pelo Prof. Raul Caetano e possui uma sub-sessão de avaliação de abuso e dependência baseado no DSM-IV. A avaliação de consumo de tabaco é uma compilação adaptada das escalas NDSS (<em>nicotine dependence syndrome scale</em>) e a TDS (<em>Tobacco Dependence screener</em>). Além disso, conta com a escala SDS (<em>Severity Dependence Scale</em>) – Maconha, LSD e Cocaína, desenvolvida pelo <em>National Cannabis Prevention and Information Centre</em> (NCPIC) e utilizada pelo levantamento domiciliar da Inglaterra (Adult Psychiatric Morbidity in England, 2007)<sup>7</sup>. O questionário foi aplicado no mesmo de forma presencial de sala em sala.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Foram obtidas informações sobre faixa etária; sexo; período do curso; uso de SPA (sim ou não); se a substância era lícita (álcool e tabaco), ilícita (maconha, cocaína, LSD, crack) ou se o indivíduo utilizava tanto substâncias lícitas quanto ilícitas, podendo ser respondido mais de uma alternativa. Foi abordado também, a frequência do consumo (diária, semanal, mensal, raramente, de forma recreativa); e sentimentos ao consumir a substância (feliz, eufórico, agitada, deprimida, atenta, tranquilo, relaxado, reduz a tensão, desconexão da realidade). Também foi coletado sobre os hábitos de vida do acadêmico (sair com amigos, prática de atividades físicas, atividades terapêuticas ou religiosas, viajar); se o indivíduo de sente ansioso (absolutamente, um pouco, moderadamente, bastante, não) ou deprimido (absolutamente, um pouco, moderadamente, bastante, não).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados coletados foram digitados e organizados em planilhas do Microsoft Office Excel, versão 2010. Utilizou-se o teste qui-quadrado para comparação de médias e proporções, ao nível de 5%. Foi avaliada a quantidade de indivíduos que relataram fazer uso de SPA, relacionando com o sexo. Também foi avaliado a porcentagem do uso de SPA, acompanhado da correlação do hábito de sair regularmente com os amigos e com sentimento de tristeza (se sentir deprimido).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3 RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De 400 acadêmicos elegíveis, 151 aceitaram participar do estudo e responderam ao questionário (taxa de resposta de 37,75%). Não houve exclusão de nenhum questionário respondido, totalizando com amostra final de 151 questionários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo contou com 106 estudantes do sexo feminino, entre os 18 aos 32 anos, e 45 estudantes do sexo masculino, entre os 18 aos 48 anos, possuindo a média de idade 22,7 anos (desvio padrão=5,787). A tabela 1 apresenta a quantidade de indivíduos que relatam ter feito uso ou não de substâncias psicoativas, sendo os homens os maiores consumidores de SPA em relação as mulheres (p=0,019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">É observado também na tabela 1, que a maioria dos estudantes relatam nunca terem feito uso de SPA. Em relação aos hábitos que envolvem sair regularmente com os amigos, observa-se na tabela 1 que os indivíduos que fazem uso de substâncias psicoativas saem mais regularmente com os amigos em relação aos que não usam SPA (p=0,003). Já em relação ao fato de sentir deprimido, nota-se que a maioria dos indivíduos que faz uso de SPA relatam se sentirem pelo menos um pouco deprimidos, enquanto a maioria da amostra que não utiliza SPA relatam não se sentirem deprimidos (0,046).</p>



<p class="wp-block-paragraph">É visto também, que a maioria dos homens relatam fazerem uso de alguma SPA, sendo a mais predominante as substâncias lícitas (álcool e tabaco), seguido das ilícitas (maconha, LSD e cocaína) e de ambas (lícitas e ilícitas). Entre as mulheres, as substâncias mais consumidas são as lícitas (álcool e tabaco), seguido das ilícitas (maconha) e de ambas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação as substâncias psicoativas utilizadas pela amostra, foi visto que as SPA lícitas são as mais consumidas, seguido das ilícitas e por último, ambas. Em relação ao sexo, foi visto que 73,1% dos homens relatam consumirem drogas lícitas, 15,4% ilícitas e 11,5% ambas as substâncias. Já as mulheres, 92,1% relatam consumirem drogas lícitas, 5,3% ilícitas e 2,6% ambas as substâncias.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1.</strong> Características analíticas e descritivas do estudo.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="820" height="395" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1293.png" alt="" class="wp-image-200561" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1293.png 820w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1293-300x145.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1293-768x370.png 768w" sizes="(max-width: 820px) 100vw, 820px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4 DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em decorrência aos dados obtidos no presente estudo, a prevalência do uso de drogas psicoativas é predominante nos indivíduos homens. Dado esse semelhante aos estudos realizados em universidades (SILVA e TUCCI, 2016; KAWANO, 2019), onde é apresentado que o sexo masculino teve associação com o maior uso de drogas como tabaco, maconha e álcool, e que o padrão de consumo de risco de SPA esteve associado positivamente com o sexo masculino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A substância psicoativa mais consumida pelas amostras são as lícitas (álcool e tabaco), seguida das ilícitas (maconha, LSD e cocaína). Um estudo realizado com 266 estudantes, em uma universidade de Passo Fundo sobre o uso de SPA, indicou que o álcool e o tabaco foram as substâncias de maior experimentação entre os acadêmicos, possuindo 249 estudantes consumidores de bebidas alcoólicas (GONÇALVES et al., 2019). Foi apresentado em um estudo com 357 universitários que as SPA mais utilizadas entre os acadêmicos, matriculados em uma faculdade na região oeste de Santa Catarina, são o álcool, tabaco e a maconha (KOLHS et al., 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação aos resultados obtidos no estudo, a maioria dos indivíduos que relatam se sentirem ao menos um pouco deprimidos fazem uso de substâncias psicoativas. Diversos artigos que relacionam o uso de drogas com a ansiedade e depressão relatam que o que motiva o consumo de droga é o alívio do próprio mal-estar. Apontando que os universitários estão inseridos em um ambiente de vulnerabilidade, sendo mais propensos ao desenvolvimento de transtornos mentais que podem levar ao abuso de substâncias psicoativas (BARBOSA, ASFORA e DE MOURA, 2020). Estudantes universitários aumentam o uso de substâncias psicoativas quando se sentem deprimidos, ansiosos, cansados, estressados, com ideia de culpa ou baixa autoestima, sugerindo que nesses grupos pudessem ser verificadas e associadas o consumo de SPA com o distúrbio psiquiátrico menor (HORTA, et al. 2012). Entretanto, o presente estudo não avaliou se o uso de drogas também ocorria antes do estudante entrar no curso superior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No presente estudo, é visto que a maioria dos indivíduos que já fez uso de substâncias psicoativas sai regularmente com os amigos (70,3%), enquanto a maioria dos indivíduos que diz nunca ter feito uso dessas substâncias relata o oposto (50,6%). Em um estudo comparativo entre universidades do Brasil e Portugal, sobre o tempo livre e o uso de drogas, é visto que atividades sociais, como sair com os amigos, não interferiam no consumo de drogas entre os acadêmicos (ROMERA et al., 2018). Porém, no mesmo estudo, em relação a esta mesma afirmação, é citada uma pesquisa realizada no Brasil por Gorgulho e Ros (2006), que compreendia atividades sociais como sair com os amigos intrinsecamente relacionadas ao consumo de álcool entre os jovens brasileiros (GORGULHO e DA ROS, 2006).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo se apresenta limitado em relação à taxa de resposta, porém apresenta resultados semelhantes a outras pesquisas que abordavam o uso de SPA entre os acadêmicos, podendo ser utilizado para o redirecionamento de estudos futuros sobre fatores associados ao consumo de drogas no ensino superior. Esperava-se que o número de indivíduos que faziam uso de substâncias psicoativas fosse prevalente em relação aos que nunca fizeram seu uso, devido a toda pressão e autocobrança que envolvem o ambiente acadêmico, sendo as substâncias psicoativas uma maneira de fugir de sentimentos negativos e das responsabilidades, como descrito ao decorrer do estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5 CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo observou que o uso de substâncias psicoativas é prevalente em indivíduos do sexo masculino, os quais relatam consumir SPA lícitas, ilícitas ou ambas (álcool, tabaco, maconha, LSD e cocaína), enquanto as mulheres relatam utilizarem substâncias lícitas, ilícitas e ambas (álcool, tabaco e maconha). É visto também, que a SPA mais consumidas entre os acadêmicos são as substâncias lícitas (álcool e tabaco). Nenhum dos acadêmicos relatou o uso de crack. A maioria dos indivíduos que relatam se sentirem ao menos um pouco deprimidos, e saírem regularmente com os amigos, são os estudantes que dizem fazerem uso de SPA.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">1. BARBOSA, L. N. F.; ASFORA, G. C. A.; DE MOURA, M. C. Ansiedade e depressão e uso de substâncias psicoativas em jovens universitários. <em>SMAD, Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas (Edição em Português)</em>, v. 16, n. 1, p. 1-8, 2020. DOI: <a href="https://doi.org/10.11606/issn.1806-6976.smad.2020.155334">https://doi.org/10.11606//issn.1806-6976.smad.2020.155334</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2. FERNANDES, M. A. et al. Psychoactive substances: consumption among workers from the mobile urgency care system. <em>Revista de Enfermagem UFPI</em> [Internet], v. 13, n. 1, 17 fev. 2024. Disponível em: <a href="https://doi.org/10.26694/reufpi.v13i1.3929">https://doi.org/10.26694/reufpi.v13i1.3929</a>. Acesso em: 23 jun. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3. GONÇALVES, J. S.; LEITE FAVA, S. M. C.; ALVES, A. C.; DÁZIO, E. M. R. Reflexões acerca do panorama de consumo de álcool e/ou outras drogas entre estudantes universitários. <em>Revista de Enfermagem do Centro-Oeste Mineiro</em> [Internet], v. 9, 18 nov. 2019. Disponível em: <a href="http://seer.ufsj.edu.br/recom/article/view/2594">http://seer.ufsj.edu.br/recom/article/view/2594</a>. DOI: <a href="https://doi.org/10.19175/recom.v9i0.2594">https://doi.org/10.19175/recom.v9i0.2594</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4. GORGULHO, M.; DA ROS, V. Alcohol and harm reduction in Brazil. <em>International Journal of Drug Policy</em>, v. 17, n. 4, p. 350–357, 2006. DOI: <a href="https://doi.org/10.1016/j.drugpo.2006.05.003">https://doi.org/10.1016/j.drugpo.2006.05.003</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">5. HORTA, R. L.; HORTA, B. L.; HORTA, C. L. Uso de drogas e sofrimento psíquico numa universidade do Sul do Brasil. <em>Psicologia em Revista</em>, v. 18, n. 2, p. 264-276, 21 fev. 2012. DOI: <a href="https://doi.org/10.5752/P.1678-9563.2012v18n2p264">https://doi.org/10.5752/P.1678-9563.2012v18n2p264</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">6. II LEVANTAMENTO NACIONAL DE ÁLCOOL E DROGAS (LENAD) – 2012. LARANJEIRA, Ronaldo (Supervisão) et al. São Paulo: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas de Álcool e Outras Drogas (INPAD), UNIFESP, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">7. KAWANO, A. N. Consumo de álcool e outras drogas por universitários brasileiros da área da saúde: uma revisão integrativa. 2019. [citado em 18 abr. 2024]. Disponível em: <a href="https://repositorio.ufu.br/handle/123456789/28304">https://repositorio.ufu.br/handle/123456789/28304</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">8. KOLHS, M. et al. Substâncias psicoativas: o uso entre universitários na região oeste de Santa Catarina. <em>REAS</em> [Internet], v. 11, n. 10, e415, 18 maio 2019. Disponível em: <a href="https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/415">https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/415</a>. DOI: <a href="https://doi.org/10.25248/reas.e415.2019">https://doi.org/10.25248/reas.e415.2019</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">9. LAGUARDIA, J. et al. Brazilian normative data for the Short Form 36 questionnaire, version 2. <em>Revista Brasileira de Epidemiologia</em> [online], v. 16, n. 4, p. 889-897, 2013. Disponível em: <a href="https://doi.org/10.1590/S1415-790X2013000400009">https://doi.org/10.1590/S1415-790X2013000400009</a>. ISSN 1980-5497. Acesso em: 18 nov. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">10. PIRES, I. T. M. et al. Uso de álcool e outras substâncias psicoativas por estudantes universitários de Psicologia. <em>Psicologia: Ciência e Profissão</em>, v. 40, e191670, 2020. DOI: <a href="https://doi.org/10.1590/1982-3703003191670">https://doi.org/10.1590/1982-3703003191670</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">11. ROMERA, L. A. et al. Tempo livre e uso de álcool e outras drogas: estudo comparativo entre estudantes universitários do Brasil e Portugal. <em>Movimento</em>, v. 24, p. 765–76, 2018. DOI: <a href="https://doi.org/10.22456/1982-8918.81951">https://doi.org/10.22456/1982-8918.81951</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">12. SANTOS, M. V. F. dos; PEREIRA, D. S.; SIQUEIRA, M. M. de. Uso de álcool e tabaco entre estudantes de Psicologia da Universidade Federal do Espírito Santo. <em>Jornal Brasileiro de Psiquiatria</em>, v. 62, p. 22–30, 2013. DOI: <a href="https://doi.org/10.1590/S0047-20852013000100004">https://doi.org/10.1590/S0047-20852013000100004</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">13. SILVA, É. C.; TUCCI, A. M. Padrão de consumo de álcool em estudantes universitários (calouros) e diferença entre os gêneros. <em>Temas em Psicologia</em>, v. 24, n. 1, p. 313-323, 2016. [Citado 18 abr. 2024]. Disponível em: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=393041641021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">14. SILVA, J. M. da et al. Uso de substâncias psicoativas entre universitários de Educação Física. <em>Unifunec Científica Multidisciplinar</em> [Internet], v. 12, n. 14, p. 1-14, 13 jun. 2023. Disponível em: <a href="https://doi.org/10.24980/ucm.v12i14.5625">https://doi.org/10.24980/ucm.v12i14.5625</a>. Acesso em: 23 jun. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">15. UNODC. <em>World Drug Report 2021: pandemic effects ramp up drug risks</em>. 24 jun. 2021. [Citado 11 ago. 2023]. Disponível em: https://www.unodc.org/unodc/en/data-and-analysis/wdr2021.html.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduando da Faculdade de Ciências Odontológicas de Montes Claros, Minas Gerais, Brasil.</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>2</sup>Professor(a) da Faculdade de Ciências Odontológicas, Brasil; Centro Universitário FIPMoc, Brasil; Universidade Estadual de Montes Claros, Brasil.</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>3</sup>Faculdade de Ciências Odontológicas, Brasil; Centro Universitário Funorte, Brasil; Universidade Estadual de Montes Claros, Brasil</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ANQUILOSE DA ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR: ETIOLOGIA, IMPACTOS FUNCIONAIS E ABORDAGENS TERAPÊUTICAS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/anquilose-da-articulacao-temporomandibular-etiologia-impactos-funcionais-e-abordagens-terapeuticas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft NI]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Mar 2025 00:09:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 143/FEV 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=200312</guid>

					<description><![CDATA[ANKYLOSIS OF THE TEMPOROMANDIBULAR JOINT: ETIOLOGY, FUNCTIONAL IMPACTS AND THERAPEUTIC APPROACHES REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202502282109 André de Almeida Agra Omena1, Roberta Vanessa Cordeiro Guimarães1, Matheus Harllen Gonçalves Veríssimo2, Sérgio Ricardo Canedo Xavier3, Helen Mendonça Pessanha4, José Davi Pereira da Silva5, Victor Gabriel Oliveira Duran Dias6, Maria Clara Silva do Amor Porto6, Luan Mariano França Souza6, Lucas [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">ANKYLOSIS OF THE TEMPOROMANDIBULAR JOINT: ETIOLOGY, FUNCTIONAL IMPACTS AND THERAPEUTIC APPROACHES</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202502282109</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">André de Almeida Agra Omena<sup>1</sup>, Roberta Vanessa Cordeiro Guimarães<sup>1</sup>, Matheus Harllen Gonçalves Veríssimo<sup>2</sup>, Sérgio Ricardo Canedo Xavier<sup>3</sup>, Helen Mendonça Pessanha<sup>4</sup>, José Davi Pereira da Silva<sup>5</sup>, Victor Gabriel Oliveira Duran Dias<sup>6</sup>, Maria Clara Silva do Amor Porto<sup>6</sup>, Luan Mariano França Souza<sup>6</sup>, Lucas Morais Rodrigues Melo<sup>6</sup>, Natália Eduarda de Almeida Silva<sup>7</sup>, Nivia Coelho Venas<sup>8</sup>, Vinnicius Pereira Almeida<sup>9</sup>, Yasmim Ferreira de Castro Brandão<sup>10</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A anquilose da articulação temporomandibular (ATM) é uma condição rara e debilitante caracterizada pela fusão fibrosa ou óssea entre o côndilo mandibular e a fossa glenoide, resultando em restrição dos movimentos da mandíbula. Essa alteração pode comprometer funções essenciais como mastigação, fala e respiração, além de impactar negativamente a estética facial e a qualidade de vida dos pacientes. A anquilose pode ter origem traumática, infecciosa ou estar associada a doenças sistêmicas, sendo fundamental um diagnóstico preciso para direcionar a abordagem terapêutica. O tratamento envolve técnicas cirúrgicas, reabilitação pós-operatória com fisioterapia intensiva e, em alguns casos, reconstrução articular com enxertos ou próteses. Para esta pesquisa, foram utilizadas as bases de dados eletrônica: U.S National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), ScienceDirect, Cochrane Library e Lilacs. Além disso, foram utilizados dois descritores para a composição da chave de pesquisa, sendo os seguintes (MeSH/DeCS). Após as pesquisas, conclui-se que o conhecimento aprofundado sobre a anquilose da ATM é essencial para a escolha da melhor conduta terapêutica e para minimizar suas consequências funcionais e psicossociais. <strong>Palavras-chave:</strong> Anquilose. Articulação Temporomandibular. Odontologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Temporomandibular joint (TMJ) ankylosis is a rare and debilitating condition characterized by fibrous or bone fusion between the mandibular condyle and the glenoid fossa, resulting in restriction of jaw movements. This change can compromise essential functions such as chewing, speech and breathing, in addition to negatively impacting the facial aesthetics and quality of life of patients. Ankylosis can have traumatic origin, infectious or be associated with systemic diseases, being fundamental a precise diagnosis to direct the therapeutic approach. Treatment involves surgical techniques, postoperative rehabilitation with intensive physiotherapy and, in some cases, joint reconstruction with grafts or prostheses. For this research, the electronic databases were used: U.S National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), ScienceDirect, Cochrane Library and Lilacs.</p>



<p class="wp-block-paragraph">In addition, two descriptors were used for the composition of the search key, being the following (MeSH/DeCS). After the research, it is concluded that in-depth knowledge about TMJ ankylosis is essential to choose the best therapeutic approach and minimize its functional and psychosocial consequences.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Ankylosis. Temporomandibular Joint. Dentistry.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1 INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;A articulação temporomandibular (ATM) é uma articulação do tipo gínglimo-artrodial, ou seja, possibilita tanto movimentos de deslizamento quanto de dobradiça entre as estruturas ósseas. Ela é composta pela cavidade mandibular do osso temporal, pelo côndilo da mandíbula, pelo disco articular, pelo tecido retrodiscal, pela membrana sinovial, pela cartilagem e pela cápsula articular. A cavidade mandibular, também chamada de fossa glenoide do osso temporal, é delimitada anteriormente pela raiz anterior do processo zigomático e apresenta, à sua frente, uma elevação discreta conhecida como eminência articular. O disco articular é uma estrutura flexível e bicôncava constituída por tecido conjuntivo denso, posicionando-se entre a superfície inclinada posterior da eminência articular e a região anterossuperior do côndilo mandibular. Com uma espessura de aproximadamente 1,5 milímetros, ele compartimentaliza a articulação em duas partes: a inferior, responsável pelos movimentos rotacionais, e a superior, que permite a translação. O disco articular se subdivide em três porções: a anterior, situada à frente do côndilo mandibular; a intermediária, posicionada ao longo do tubérculo articular; e a posterior, localizada acima do processo condilar da mandíbula. Tanto a cavidade mandibular quanto o côndilo mandibular são revestidos por fibrocartilagem articular e membrana sinovial. No interior da articulação, encontra-se a cavidade sinovial, preenchida por líquido sinovial. Os movimentos desempenhados pela ATM incluem deslizamento e dobradiça, além de deslocamentos laterais e translação anterior. Assim como outras articulações do corpo humano, a ATM está suscetível a processos inflamatórios, como sinovites e osteoartrite, além de alterações degenerativas, como artrites inflamatórias, incluindo a artrite reumatoide, e o deslocamento do disco articular. Modificações nesse sistema podem comprometer seu funcionamento adequado, levando ao desenvolvimento da disfunção temporomandibular (DTM). Esse distúrbio tem se tornado cada vez mais relevante na área da saúde pública, visto que sinais e sintomas relacionados à DTM podem estar presentes em até 50% da população (Tavares, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O termo “anquilose” refere-se à perda de mobilidade de uma articulação. Assim, a anquilose da articulação temporomandibular (ATM), uma condição complexa e debilitante, ocorre devido à fusão óssea ou fibrosa entre o côndilo mandibular e a fossa glenoide, representando um grande desafio tanto para o paciente quanto para o cirurgião. Essa patologia é caracterizada pela limitação dos movimentos da mandíbula, resultando em dificuldades para mastigar, alterações na fala, assimetrias faciais, comprometimento respiratório e impactos psicossociais, principalmente em indivíduos mais jovens (Upadya et al., 2021). A anquilose da ATM pode ser de natureza fibrosa, fibro-óssea ou óssea, além de se manifestar de forma unilateral, bilateral, intra-articular ou extra-articular, ocorrendo em estágios progressivos. Sua etiologia é multifatorial, onde na maioria dos casos, essa condição está associada a traumas (73,2%), infecções locais ou sistêmicas (17%) e, em menor proporção, a causas desconhecidas (7,3%). Em doenças sistêmicas, como a espondilite anquilosante, a ATM pode estar comprometida em cerca de 3 a 20% dos pacientes, embora a incidência específica de anquilose da ATM nessa patologia varie entre 2 e 4%, sendo relatada ocasionalmente (Singh et al., 2021). Essa desordem afeta substancialmente a qualidade de vida dos indivíduos acometidos, pois interfere negativamente na alimentação, higiene bucal, desenvolvimento normal da face e da oclusão dentária, além de impactar o sono e a respiração (Sharma et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico da anquilose envolve a análise da gravidade das aderências, a idade de manifestação, a causa subjacente e a duração da condição. Assim, o tratamento eficaz da anquilose da ATM requer uma abordagem multidisciplinar, incluindo intervenções cirúrgicas, terapias ortodônticas e técnicas fisioterapêuticas (Saini et al., 2024). Quando ocorre na infância e não é tratada precocemente, a condição pode resultar em um padrão clínico característico, com retrognatismo, encurtamento do ramo mandibular e apneia obstrutiva do sono (AOS), devido à interrupção contínua do crescimento no centro condilar. Se a anquilose se desenvolver após a finalização do crescimento, o risco de deformidades faciais e AOS é consideravelmente menor, embora outras limitações funcionais possam persistir independentemente do tempo de evolução da patologia. Os principais objetivos terapêuticos no manejo da anquilose são restaurar a estética facial, recuperar a mobilidade articular e minimizar qualquer desconforto, ainda que a articulação rígida geralmente não seja dolorosa. Para isso, é essencial uma combinação de liberação cirúrgica, reabilitação pós-operatória com fisioterapia intensiva e reconstrução articular para possibilitar o crescimento adequado (Mohanty; Verma, 2021). Diversos materiais têm sido empregados ao longo do tempo para interposição na articulação, incluindo menisco, tecido muscular, fáscia, pele, cartilagem, gordura e materiais aloplásticos, com o objetivo de tratar a anquilose e otimizar a funcionalidade da ATM (Joshi et al., 2023). As estratégias cirúrgicas voltadas para a restauração da função articular incluem coronoidectomia, artroplastia em gap (GA), artroplastia interposicional (IA), osteotomia do ramo mandibular baixo, substituição protética da articulação e reconstrução da unidade ramocôndilo (RCU) com enxerto autógeno. No entanto, até o momento, nenhuma dessas técnicas demonstrou superioridade absoluta sobre as demais na recuperação completa da função articular, o que pode ser atribuído a diferenças na etiologia, na fisiopatologia e à baixa prevalência dessa condição rara (Kelly; Bowen; Murray, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A principal causa da anquilose da ATM é o trauma, frequentemente decorrente de fraturas condilares não tratadas adequadamente, que podem resultar na formação de tecido fibroso ou calcificado na articulação. Além disso, infecções locais ou sistêmicas, como otites médias e artrites infecciosas, também estão entre os fatores etiológicos importantes. Mubashir, Rattan e Alegre (2023) identificaram diferenças morfológicas entre anquilose de origem traumática e infecciosa, destacando que a tomografia computadorizada de feixe cônico (CBCT) pode auxiliar na diferenciação dessas condições, o que é fundamental para o planejamento cirúrgico. A anquilose da ATM compromete funções essenciais, como a mastigação, a fala e a respiração, além de causar assimetrias faciais significativas, especialmente em casos bilaterais. Esses fatores afetam diretamente a qualidade de vida dos pacientes. Sharma (2020) desenvolveu um questionário específico para avaliar o impacto da anquilose na qualidade de vida, demonstrando que pacientes submetidos ao tratamento cirúrgico apresentam melhora significativa nos aspectos funcionais e emocionais. Seu diagnóstico é baseado na avaliação clínica e em exames de imagem. A tomografia computadorizada multidetectores (TCMD) tem sido amplamente utilizada para avaliar a extensão da fusão óssea e sua relação com estruturas adjacentes (Singh et al., 2020). Além disso, estudos sugerem a importância do uso de relatórios estruturados para guiar a conduta cirúrgica e reduzir complicações intraoperatórias.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento da anquilose da ATM pode envolver técnicas cirúrgicas, ortodônticas e fisioterapêuticas. A escolha do método depende da idade do paciente, da gravidade da anquilose e da presença de deformidades associadas. Diversas técnicas cirúrgicas são empregadas no manejo da anquilose da ATM, incluindo a Artroplastia Interposicional (AI): Procedimento que consiste na remoção da massa anquilosante e interposição de materiais biológicos ou sintéticos para evitar a recidiva. Estudos indicam que a AI proporciona melhores resultados funcionais quando comparada à artroplastia de gap (Upadya et al., 2021); Osteogênese por Distração (DO): Técnica utilizada para restaurar a simetria facial e melhorar a função respiratória em pacientes com deformidades associadas. Pode ser combinada com outras abordagens, como a artroplastia interposicional e o uso de enxertos (Upadya et al., 2021); Substituição Total da Articulação (TJR): Indicada para casos graves ou recidivantes, consiste na substituição da ATM por uma prótese aloplástica personalizada. Roychoudhury et al. (2021) demonstraram que essa técnica melhora significativamente a abertura bucal e a qualidade de vida dos pacientes, embora seu uso em pacientes em crescimento ainda requeira mais estudos; Uso de Enxertos Autógenos: Os enxertos costocondrais continuam sendo uma alternativa amplamente utilizada devido à sua capacidade de crescimento adaptativo e bons resultados funcionais. No entanto, há um risco maior de reanquilose em comparação com outras técnicas (Mohanty e Verma, 2021). Com relação a reabilitação pós-operatória, a fisioterapia desempenha um papel essencial na prevenção da recidiva e na recuperação da função mandibular. Cardozo (2020) demonstrou que pacientes que aderiram ao tratamento fonoterápico tiveram melhores resultados na amplitude de abertura bucal, enquanto aqueles que não seguiram o protocolo apresentaram alta taxa de reanquilose. Yadav, Roychoudhury e Butia (2021) sugerem um protocolo para a prevenção da reanquilose, incluindo a remoção completa da massa anquilosante, osteotomia com bisturi piezoelétrico para minimizar traumas, interposição de gordura e fisioterapia agressiva. Esses fatores combinados são fundamentais para um melhor prognóstico. O desenvolvimento de novas tecnologias tem contribuído para a evolução do tratamento da anquilose da ATM. O planejamento cirúrgico virtual e a impressão 3D permitem maior precisão na reconstrução da articulação, resultando em melhores resultados estéticos e funcionais (Keyser, MPhil e Warburton, 2020). Além disso, o uso de próteses personalizadas desenvolvidas por meio da tecnologia CAD/CAM tem sido apontado como uma alternativa promissora para a substituição da ATM, superando as limitações das próteses convencionais (Upadya et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3 METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Esta revisão integrativa da literatura possui uma metodologia qualitativa, sendo baseada em Cardozo (2020), Upadya <em>et al</em>. (2021), Mubashir, Rattan e Alegre (2023) e Roychoudhury <em>et al</em>. (2021), e no desenvolvimento da seguinte pergunta de pesquisa: Quais são as principais causas da anquilose da articulação temporomandibular e como as diferentes abordagens terapêuticas impactam a função mandibular e a qualidade de vida dos pacientes? Para isto, foram utilizadas as bases de dados eletrônica: U. S. National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Cochrane Library, Literatura LatinoAmericana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Science Direct para pesquisar e identificar estudos que respondessem à pergunta norteadora desta revisão integrativa da literatura. A base de dados foi pesquisada para estudos realizados entre 2020 e 2025. Obtemos um total de 6.520 artigos, onde dentro dessa quantidade foram encontradas 14 duplicatas, excluídos 6.504 e selecionados 16 artigos para esta pesquisa. Esta revisão integrativa baseou-se em três etapas: Na primeira etapa foi o estabelecimento dos descritores para ambas as bases de dados, sendo uma com a utilização de MeSHterms (PubMed) e DeCS/MeSH (BVS). Em seguida, na segunda etapa, foram feitas uma busca avançada nas bases e análise do quantitativo dos artigos científicos presentes na íntegra. Logo em seguida, na terceira etapa, foram selecionados os artigos que se adequaram aos critérios de elegibilidade estabelecidos pelos pesquisadores. Na quarta e quinta etapa, os pesquisadores formularam uma tabela descritiva sobre os autores, objetivo de pesquisa, resultados e conclusão e em seguida, desenvolvimento da discussão dos artigos científicos, a fim de responder à pergunta norteadora estabelecida no início desta metodologia. Foram utilizados dois descritores para a composição da chave de pesquisa, sendo os seguintes (<em>MeSH/DeCS</em>): [(Anquilose/<em>Ankylosis</em>) AND (Articulação Temporomandibular/<em>Temporomandibular Joint</em>)]. Em seguida, os pesquisadores selecionaram os trabalhos com análise no título e resumo, com base nos critérios de elegibilidade. Os critérios de elegibilidade foram os seguintes: artigos publicados em português e inglês; ensaios clínicos randomizados ou não randomizados; metanálise; revisões sistemáticas e artigos que se adequem à temática. Também foi utilizado o sistema de formulário avançado para busca e seleção dos artigos utilizando conector booleano “AND”. Em seguida, artigos que preencheram os critérios de elegibilidade foram identificados e incluídos na revisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os trabalhos que preencheram todos os critérios de seleção foram incluídos no estudo, os que não preencheram os critérios e/ou não se mostraram relevantes foram excluídos. Os resultados por análise foram representados na Tabela 1 e estabeleceu-se a construção da Tabela 2 aos estudos selecionados, com formulação das colunas (Autor/Ano; Objetivo do estudo; Resultados e Conclusão).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1 &#8211;</strong> Seleção dos artigos por análise empregada e estabelecimento dos critérios de inclusão.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="566" height="159" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1256.png" alt="" class="wp-image-200460" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1256.png 566w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1256-300x84.png 300w" sizes="(max-width: 566px) 100vw, 566px" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Fonte:</strong> Elaborado pelos autores, 2025.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tabela 2 – </strong>Estudos detalhados em tabela de resultados</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="813" height="470" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1271.png" alt="" class="wp-image-200479" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1271.png 813w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1271-300x173.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1271-768x444.png 768w" sizes="(max-width: 813px) 100vw, 813px" /></figure>



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<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="819" height="254" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1267.png" alt="" class="wp-image-200474" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1267.png 819w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1267-300x93.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1267-768x238.png 768w" sizes="(max-width: 819px) 100vw, 819px" /></figure>



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<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="815" height="256" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1257.png" alt="" class="wp-image-200463" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1257.png 815w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1257-300x94.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1257-768x241.png 768w" sizes="(max-width: 815px) 100vw, 815px" /></figure>



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<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="534" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1220-1024x534.png" alt="" class="wp-image-200327" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1220-1024x534.png 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1220-300x156.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1220-768x401.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1220.png 1160w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="499" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1216-1024x499.png" alt="" class="wp-image-200322" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1216-1024x499.png 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1216-300x146.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1216-768x375.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-1216.png 1142w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Fonte:</strong> Elaborado pelos autores, 2025.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A anquilose da articulação temporomandibular (ATM) é uma condição complexa que exige uma abordagem multidisciplinar para seu diagnóstico e tratamento. Os estudos analisados demonstram que a fisioterapia pós-operatória tem um papel crucial na recuperação dos pacientes, reduzindo significativamente o risco de recidiva. De acordo com Cardozo (2020), a adesão à fonoterapia pós-operatória resultou em melhores desfechos clínicos, enquanto a falta desse acompanhamento aumentou as chances de reanquilose em 95,45% dos casos. Além disso, a escolha da técnica cirúrgica influencia diretamente na recuperação funcional e estética dos pacientes. Upadya et al. (2021) indicam que a artroplastia interposicional apresenta melhores resultados em relação à abertura bucal quando comparada à artroplastia em gap, sem diferenças significativas nas taxas de recorrência. Da mesma forma, Mubashir, Rattan e Alegre (2023) ressaltam a importância da tomografia computadorizada de feixe cônico (CBCT) na diferenciação entre anquilose traumática e infecciosa, o que pode direcionar uma conduta cirúrgica mais assertiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A substituição total da articulação aloplástica tem sido apontada como uma alternativa eficaz para casos mais graves, proporcionando melhora na abertura bucal e na qualidade de vida, conforme observado por Roychoudhury et al., (2021). No entanto, Mohanty e Verma (2021) destacam que, apesar dos avanços nos materiais e técnicas cirúrgicas, os enxertos autógenos, como o costocondral, ainda são amplamente utilizados devido à sua biocompatibilidade e bons resultados funcionais. Outro ponto relevante é o impacto da anquilose da ATM na qualidade de vida dos pacientes. Sharma (2020) desenvolveu um questionário específico para avaliar esse aspecto e observou que intervenções cirúrgicas melhoram significativamente os domínios de limitação funcional, bem-estar psicológico e social. Esses achados reforçam a necessidade de um tratamento individualizado, considerando não apenas a recuperação funcional, mas também o impacto emocional e social da doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, a introdução de novas tecnologias, como o planejamento cirúrgico virtual e a impressão 3D, tem contribuído para maior precisão nos procedimentos e melhores resultados pós-operatórios (Keyser, MPhil e Warburton 2020). No entanto, apesar dos avanços, ainda há necessidade de estudos adicionais para determinar a eficácia a longo prazo das diferentes abordagens terapêuticas e otimizar as estratégias de prevenção da reanquilose.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;A anquilose da articulação temporomandibular (ATM) representa uma condição desafiadora tanto do ponto de vista diagnóstico quanto terapêutico, impactando diretamente a qualidade de vida dos pacientes acometidos. Sua manifestação clínica pode comprometer funções essenciais, como mastigação, deglutição, fala e respiração, além de gerar deformidades faciais que podem acarretar implicações psicossociais. Diante disso, a identificação precoce da anquilose e a adoção de estratégias terapêuticas eficazes são fundamentais para minimizar suas consequências funcionais e estéticas. O manejo da anquilose da ATM envolve diferentes abordagens terapêuticas, que vão desde técnicas cirúrgicas, como artroplastia interposicional, osteogênese por distração e reconstrução com enxertos, até reabilitação pós-operatória, com destaque para a fisioterapia intensiva, essencial para evitar a recidiva e garantir uma melhor recuperação funcional. O avanço das tecnologias biomédicas, incluindo o planejamento cirúrgico virtual, a impressão 3D e o desenvolvimento de próteses customizadas, tem possibilitado um refinamento na reconstrução da ATM, proporcionando melhores resultados em termos de mobilidade articular e estética facial. No entanto, apesar do progresso nas técnicas de tratamento, ainda não há um consenso definitivo sobre o método cirúrgico ideal para todos os casos. A escolha da abordagem deve considerar fatores como idade do paciente, extensão da anquilose, etiologia e presença de comprometimentos associados, como apneia obstrutiva do sono e assimetrias faciais severas. Além disso, a adesão ao tratamento fisioterapêutico pósoperatório se mostra essencial para prevenir a reanquilose e otimizar os resultados cirúrgicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do impacto funcional e emocional da anquilose da ATM, é imprescindível que os profissionais da área da saúde estejam capacitados para diagnosticar precocemente essa condição e indicar o tratamento mais adequado. Estudos futuros são necessários para avaliar a eficácia a longo prazo das diferentes técnicas cirúrgicas e desenvolver novas abordagens que reduzam as taxas de recidiva e melhorem a previsibilidade dos resultados. Por fim, a abordagem multidisciplinar, envolvendo cirurgiões bucomaxilofaciais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e ortodontistas, continua sendo a melhor estratégia para o sucesso no manejo da anquilose da ATM. Somente por meio do aprimoramento contínuo das técnicas terapêuticas e da adesão dos pacientes ao tratamento reabilitador será possível oferecer soluções eficazes para restaurar a funcionalidade da ATM e proporcionar uma melhor qualidade de vida aos pacientes afetados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">CARDOZO, Magnus Gregory Tavares. Avaliação da alteração de músculos mastigatórios em pacientes com anquilose temporomandibular e o impacto da fonoterapia pós-operatória na recuperação destes pacientes. 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Singh R, Bhalla AS, Manchanda S, Roychoudhury A. Multidetector computed tomography in preoperative planning for temporomandibular joint ankylosis: A pictorial review and proposed structured reporting format. <em>Imaging Sci Dent</em>, v. 51, n. 3, p. 313-321, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">UPADYA, Varsha Haridas et al. Classification and surgical management of</p>



<p class="wp-block-paragraph">temporomandibular joint ankylosis: a review. <strong>Journal of the Korean Association of Oral and Maxillofacial Surgeons</strong>, v. 47, n. 4, p. 239-248, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KAPOOR, Kavish et al. Temporomandibular joint ankylosis—“Knowing when not to operate”: Case report and qualitative systematic review of literature. <strong>Clinical Case Reports</strong>, v. 10, n. 3, p. e05556, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SAINI, Ravinder S. et al. The role of physiotherapy interventions in the management of temporomandibular joint ankylosis: a systematic review and meta-analysis: Running title: Physiotherapy in TMJ ankylosis. <strong>Head &amp; Face Medicine</strong>, v. 20, n. 1, p. 15, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JOSHI, Sanjay S. et al. Effectiveness of Dermis Fat Graft Versus Temporalis Myofascial Flap for Interposition in Temporomandibular Joint Ankylosis: A Systematic Review. <strong>Journal of Maxillofacial and Oral Surgery</strong>, v. 22, n. 2, p. 321-328, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BI, R. et al. A new clinical classification and treatment strategies for temporomandibular joint ankylosis. <strong>International journal of oral and maxillofacial surgery</strong>, v. 49, n. 11, p. 1449-1458, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SHARMA, Vinay Kumar et al. Development and validation of temporomandibular joint ankylosis quality of life questionnaire. <strong>Journal of Cranio-Maxillofacial Surgery</strong>, v. 48, n. 8, p. 779-785, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ROYCHOUDHURY, Ajoy et al. Alloplastic total joint replacement in management of temporomandibular joint ankylosis. <strong>Journal of Oral Biology and Craniofacial Research</strong>, v. 11, n. 3, p. 457-465, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KELLY, M.; BOWEN, A.; MURRAY, D. J. Efficacy of temporomandibular joint arthroplasty and insertion of a Matthews device as treatment for ankylosis of the joint: a case series. <strong>British Journal of Oral and Maxillofacial Surgery</strong>, v. 59, n. 10, p. 1113-1119, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MOHANTY, Sujata; VERMA, Anjali. Ankylosis management with autogenous grafts: A systematic review. <strong>Journal of Oral Biology and Craniofacial Research</strong>, v. 11, n. 3, p. 402-409, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KEYSER, Benjamin; AFZAL, Zahid; WARBURTON, Gary. Computer-assisted planning and intraoperative navigation in the management of temporomandibular joint ankyloses. <strong>Atlas of the Oral and Maxillofacial Surgery Clinics of North America</strong>, v. 28, n. 2, p. 111-118, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SINGH, Apoorva et al. Longitudinal changes in electromyographic activity of masseter and anterior temporalis muscles before and after alloplastic total joint replacement in patients with temporomandibular ankylosis: a prospective study. <strong>British Journal of Oral and Maxillofacial Surgery</strong>, v. 60, n. 7, p. 896-903, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">YADAV, P.; ROYCHOUDHURY, A.; BHUTIA, O. Strategies to reduce re-ankylosis in temporomandibular joint ankylosis patients. <strong>British Journal of Oral and Maxillofacial Surgery</strong>, v. 59, n. 7, p. 820-825, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MUBASHIR, M. M.; RATTAN, V.; JOLLY, S. S. Differences in morphology of temporomandibular joint ankylosis of traumatic and infective origin. <strong>International Journal of Oral and Maxillofacial Surgery</strong>, v. 52, n. 10, p. 1081-1089, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MALIK, Sameer et al. A systematic review of the clinical outcomes for various orthodontic and physiotherapy appliances used for the management of temporomandibular joint ankylosis. <strong>Journal of Cranio-Maxillofacial Surgery</strong>, 2024.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Discente do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário Unifacisa</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>2</sup>Graduado do Curso Superior de Odontologia pela Universidade Estadual da Paraíba, Araruna</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>3</sup>Graduado do Curso Superior de Odontologia pela Universidade de Vassouras do Rio de Janeiro</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>4</sup>Graduada do Curso Superior de Odontologia pela Universidade Estácio de Sá – UNESA</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>5</sup>Discente do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário &#8211; UNIESP</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>6</sup>Discente do Curso Superior de Odontologia pela Universidade Tiradentes, Sergipe</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>7</sup>Discente do Curso Superior de Odontologia pela ITPAC Porto Nacional</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>8</sup>Graduada do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário UNIFAS</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>9</sup>Discente do Curso Superior de Odontologia pela Universidade de Uberaba &#8211; UNIUBE</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>10</sup>Discente do Curso Superior de Odontologia pela Universidade Federal da Bahia</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>EXPERIÊNCIA DE ESTUDANTES DE MEDICINA EM EXTENSÕES COMUNITÁRIAS AO ASSENTAMENTO FELIX DE AZARA-HERNADARIAS-PY: RELATOS PESSOAIS.</title>
		<link>https://revistaft.com.br/experiencia-de-estudantes-de-medicina-em-extensoes-comunitarias-ao-assentamento-felix-de-azara-hernadarias-py-relatos-pessoais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft RA]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Feb 2025 23:26:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 143/FEV 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=200890</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202502282050 Lilian Raquel Ramírez Barúa1Raissa Pinto Bohry2Maria Jacqueline dos Santos Couto3Idalécio Couto Pereira4Thayná Maria Soares Rosa de Andrade5Raissa Bohry de Souza Vasconcelos Correa6Juan Phablo Gomes da Silva7Welton Bohry de Souza8 RESUMO Movidos pela empatia e pela sede de colocar a medicina em prática, um grupo de alunos brasileiros da Universidade Central do Paraguai [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202502282050</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Lilian Raquel Ramírez Barúa<sup>1</sup><br>Raissa Pinto Bohry<sup>2</sup><br>Maria Jacqueline dos Santos Couto<sup>3</sup><br>Idalécio Couto Pereira<sup>4</sup><br>Thayná Maria Soares Rosa de Andrade<sup>5</sup><br>Raissa Bohry de Souza Vasconcelos Correa<sup>6</sup><br>Juan Phablo Gomes da Silva<sup>7</sup><br>Welton Bohry de Souza<sup>8</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Movidos pela empatia e pela sede de colocar a medicina em prática, um grupo de alunos brasileiros da Universidade Central do Paraguai desenvolveu um projeto de assistência à comunidade do Assentamento Felix de Azara em Hernandarias-PY com o objetivo de promoção de saúde. Durante as 5 visitas programadas puderam aprender não só sobre medicina com o auxílio de médicos voluntários como também sobre amor, empatia e solidariedade, experiência transformadora que ao ser narrada pode impulsionar outros grupos a manterem o legado e as instituições de ensino a fomentarem esse tipo de iniciativa já que cada vez mais se tem discutido a necessidade de estratégias para promover uma formação médica humanizada que responda às demandas populacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>PALAVRAS CHAVES: </strong>Medicina comunitária, responsabilidade social, voluntariado, promoção de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A escassez de recursos financeiros governamentais e as limitações do sistema de saúde paraguaio é uma realidade que não está distante da realidade do Brasil, por isso, o fomento da união desses dois povos em prol do avanço social, especialmente no quesito saúde no Paraguai, tem um elemento impulsionador que é a empatia trazida pela familiarização.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tendo em vista o exposto, o objetivo do presente trabalho é relatar a experiência de um grupo de estudantes brasileiros do curso de medicina da Universidade Central do Paraguai de Cidade do Leste em visitas a uma comunidade carente localizada em Hernandarias PY.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ideia partiu de um grupo de estudantes que ao formar a Liga Universitária de Anatomia Patológica da Universidade Central do Paraguai de Cidade do Leste passou a se questionar sobre o papel social das ligas universitárias e como sair da rotina técnica que envolve o estudo da anatomia patológica para contactar o objetivo final de todo o conhecimento na área médica: manter a saúde do ser humano, especialmente dos mais vulneráveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>MÉTODO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Tendo em vista os direitos e deveres conferidos aos estudantes ao tomarem para si a responsabilidade de formar uma liga universitária, o grupo que desenvolveu o presente estudo buscou o apoio da instituição de ensino a qual é vinculado para realizar extensões comunitárias mediante projetos aprovados pela coordenação de ligas e captação de recursos fornecidos pela Universidade Central do Paraguai como cestas básicas, transporte e médicos. Além disso, foram realizadas campanhas de arrecadação de valores e doações entre estudantes e funcionários da instituição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O local foi escolhido por indicação de uma ONG que mantinha um trabalho social na região e por isso pode fazer a ponte entre o grupo de voluntários e a líder comunitária do Assentamento Felix de Azara, a qual cedeu um espaço com uma varanda coberta e um terreno aberto. Posteriormente foi contactado também um líder religioso que cedeu as dependências de uma igreja para as ações voluntárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram realizadas cinco visitas à comunidade do Assentamento Felix de Azara localizada em Hernandarias-PY de junho a dezembro de 2024. O grupo de acadêmicos voluntários variava entre 10 e 30 pessoas, divididos em grupos de tarefas como, promoção de saúde, alimentação, recreação, distribuição de doações e investigação científica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As visitas tinham o objetivo principal de melhorar a vida das pessoas da comunidade por meio da promoção de saúde, por isso cada incursão tinha um tema de abordagem definido baseado nas necessidades que iam sendo descobertas ao longo do processo. A equipe envolvida na promoção de saúde fazia orientações e atividades lúdicas ora ao público infantil, ora ao público adulto, além de realizar, sob coordenação de médicos fornecidos pela Universidade Central do Paraguai, medição de sinais vitais, exame físico, aconselhamento e distribuição de medicações oriundas de doações de uma ONG.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Assim, o planejamento dos temas das visitas foi organizado da seguinte forma:</p>



<p class="wp-block-paragraph">09/06/24: hábitos de higiene</p>



<p class="wp-block-paragraph">24/08/24: Saúde da criança</p>



<p class="wp-block-paragraph">13/10/24: Saúde da mulher-Autoexame de mamas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">26/10/24 Planejamento familiar</p>



<p class="wp-block-paragraph">01/12/24 Nutrição e alimentação</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><img loading="lazy" decoding="async" width="601" height="340" src="https://lh7-rt.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXeSijZ-_67FCUdFxRodbDmfDvvvqmt6-RLcza9gbLmG-qg8Ssg_Gyfm9pMVxyNb8bbGGWaV0xIiOsuP0yGJMDfgs2I7BV7G_jjLfGi5X6XM85-whCuidZ7Zj6ZF6k0VmsiEpwex9c3K9wkOKYVmy0k?key=ZW2o4Z1euF0-0uh0CJmvudum"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Imagem 1: Voluntários e médica orientadora fazendo exame físico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A equipe da alimentação ficava responsável por captar recursos, preparar merendas e refeições e distribuir para a comunidade, bem como por distribuir cestas básicas.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><img loading="lazy" decoding="async" width="601" height="318" src="https://lh7-rt.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXciWsg4OxbMubNlyxGXXeiJiN-JMReTI-m-ADypQJ1lv9nKFOz8xmUP1JRl47mWBXH4SeRvWTX15ZUng7JTxwZEiC4K6X4MB_o1bAXOM-7gPr00CG9Q3EV9FQclxvhgc1eu-Ax3KWMC3vyUkpW529c?key=ZW2o4Z1euF0-0uh0CJmvudum"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Imagem 2: voluntarios distribuindo refeições.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os voluntários da recreação captavam recursos para comprar brinquedos e alugar estruturas e desenvolviam atividades recreativas e educacionais.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><img loading="lazy" decoding="async" width="601" height="401" src="https://lh7-rt.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXeCyvqyMtZ27L_8LeJWOTOvzI2ydKC8XoF9xXiuTL_7011DKTL6ZV9L0-xPTSfwZsFAwR6_2USe6fyMzc8q7l3oLrbkx5zPu5eg2058DiB3sj8gph40lYAiE89PVSVf4F-PwFOi4o9aRHlykwJ3Cg?key=ZW2o4Z1euF0-0uh0CJmvudum"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Imagem 3: Voluntários promovendo recreação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As entregas de doações eram coordenadas por uma média de cinco voluntários que além de captar os recursos, delimitavam um espaço com varais e mesas onde podiam expor as peças e permitir com que cada pessoa interessada escolhesse itens que eram colocados em sacolas em alusão a uma loja solidária.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><img loading="lazy" decoding="async" width="601" height="452" src="https://lh7-rt.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXec28Dda5X0q3QZ85_fN6fdV9dJIQH2-qv3mZhB2JTQCtsJa5zwM_UDjOl_RMgPC9nQCvdDQF3e7i06XwFaKq3Zw-n8pw9fZPmtMgcUEmq6BEBZS0wCD9x4ptQx9qGjkvBaXD1qHSBy6zMRo2g8Czo?key=ZW2o4Z1euF0-0uh0CJmvudum"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Imagem 4: voluntários organizando “loja solidária”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Finalmente, os estudantes que ficaram a cargo da investigação científica, colhiam dados como peso e altura das crianças e tipo de alimentação das famílias por meio de entrevistas e consentimento livre e esclarecido para posterior confecção de artigo científico.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><img loading="lazy" decoding="async" width="601" height="452" src="https://lh7-rt.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXfn27tFJunJJQBgXyzsiIZ4s-ZFXoZtFhty3c3ReQQizgAj6c2xMbmIYEYiA4DvGBAo0ao7RdA5V0Qc6ski02wweH51vOjoL7kj98q-axemmZ8JbSsheT_OIt6G9rZzhn_D9Jggla1qCd5sZo_6ABw?key=ZW2o4Z1euF0-0uh0CJmvudum"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Imagem 5: Voluntária realizando entrevista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Posteriormente foram colhidos depoimentos dos sete estudantes que desenvolveram o presente estudo os quais foram numerados de 1 a 7 para facilitar a organização do trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depoimento do estudante 1</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A primeira vez que fui ao assentamento tive certeza de que estava em busca da profissão que me faria feliz ao mesmo tempo me senti impotente por não conseguir resolver os problemas daquela comunidade, mas percebi que era necessário o trabalho que estávamos começando a desenvolver e que poderia sim render bons frutos para aquelas pessoas carentes. Cheguei à conclusão de que se eu tornar melhor um dia de uma pessoa que seja, já vale a pena, além disso, eu estava fazendo parte de uma transformação que podia fazer aquelas pessoas cuidarem melhor da própria saúde evitando doenças decorrentes de maus hábitos alimentares e de higiene.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O local era aberto com chão de terra onde as crianças brincavam, muitas delas descalças e maltrapilhas. Havia um espaço coberto onde fazíamos a parte médica, o médico que nos acompanhava no dia atendia os membros da comunidade de um a um com o auxílio dos voluntários, grande parte dos pacientes tinha queixas de pressão alta, diabetes, doenças de pele e sintomas respiratórios, quando conseguimos doações os pacientes saiam com os seus medicamentos, infelizmente não conseguimos fazer isso todas as vezes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto relevante era a quantidade de filhos por família, muitas mulheres com 4 ou 5 filhos sem uso regular de método contraceptivo e sem procedimento de ligadura tubária, por isso fazíamos orientação de planejamento familiar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Me chamou atenção também o caso de um senhor que levou uma radiografia de tórax na qual pudemos identificar um abscesso pulmonar, ele relatou que estava fazendo uso de um antibiótico receitado pelo médico que o avaliou, porém interrompeu o tratamento por conta própria por não achar mais necessário e mantinha o hábito de fumar, tentamos orientar da melhor forma, mas sinceramente não acredito na possibilidade de um bom prognóstico. Esse tipo de caso me entristece, mas me faz ter mais vontade de focar na educação das crianças de criar uma base sólida de conhecimento para que elas tenham melhores hábitos que os pais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vivência da prática da medicina em situação adversa, a céu aberto, sem equipamentos de diagnóstico, sem especialistas em várias áreas, em muitas situações sem medicações necessárias traz sentimentos mistos de desânimo e vontade de superação, de fazer o melhor com o que temos a mão e brigar por recursos e visibilidade daquela comunidade pelos governantes.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depoimento do estudante 2</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O dia em que chegamos pela primeira vez ao local para iniciar a nossa ação foi marcante, uma experiência que eu nunca havia vivenciado antes. Assim que desci do carro, duas crianças vieram correndo em minha direção e me abraçaram, um gesto que ficou gravado na minha memória. São crianças carentes, tanto materialmente quanto afetivamente, foi algo que me tocou profundamente. Desde então, o projeto transformou minha perspectiva sobre a vida. Foi uma experiência que mexeu muito comigo e me fez perceber a importância de estar presente e ajudar aqueles que mais precisam. A partir desse dia, participei de mais projetos. Um dos projetos foi do Dia das Crianças, não existe gratificação maior que lembrar dos sorrisos tão puros e lindos daquelas crianças. Todos esses projetos me motivaram ainda mais a continuar ajudando e fazendo a diferença na vida dessas pessoas através dos trabalhos voluntários. Sinto que conseguimos realizar um propósito: fazer a diferença na vida dessas pessoas.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depoimento do estudante 3</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A princípio todas essas visitas que mencionarei a seguir só ocorreram devido ao trabalho excepcional da liga universitária de anatomia patológica (LUAP), que permitiu com que pudéssemos promover a saúde de uma comunidade carente sempre visando o bem-estar social. Então, tudo começou, quando nos reunimos em um mercado na esquina da universidade Central do Paraguai- UCP para planejar como que seria essa visita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com isso, tomamos café da manhã, discutimos, e seguimos para a comunidade localizada em Hernandárias PY, e ao chegarmos lá, fomos recepcionados de braços abertos pela chefe da comunidade e pelas crianças que residem ali naquela comunidade, e isso foi incrível, já que, pudemos sentir o nível de carência que havia alí. Portanto, começamos a descarregar água potável, vários voluntários se dividiram entre os que faziam parte da cozinha que eram responsáveis por fazer a feijoada , e montar os pratos com arroz, feijoada e salada para distribuirmos para a população. Já os que eram responsáveis pela recreação ficaram encarregados de montar o pula pula e encher o brinquedo inflável,&nbsp; assim como supervisionar o tempo de cada criança, e ao mesmo tempo tinha os voluntários que ficaram responsáveis por organizar as roupas para doar. Além do&nbsp; atendimento gratuito ofertado por outros voluntários da nossa mesma equipe, tendo como objetivo ver grau de desnutrição e averiguar os signos vitais, e orientar a população sobre os possíveis riscos à saúde. E em outra parte tínhamos a distribuição de brinquedos, cestas básicas e kits de higiene feminina a população coordenada por outros voluntários , onde percebi que poucas ações podem fazer muita diferença na vida do próximo, principalmente quando unimos força para isso. Logo após montarmos os pratos do almoço começamos a servir de forma civilizada enquanto as pessoas da comunidade formaram filas para isso.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depoimento do estudante 4</p>



<p class="wp-block-paragraph">“No segundo semestre do ano de 2024, tive o privilégio de participar como acadêmica de medicina de quatro visitas/projeto de extensão no Assentamiento Felix de Azara- Hernandarias, no Paraguai, no qual tive a oportunidade de desenvolver várias atividades junto a esta comunidade carente, tais como:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Acompanhar atendimento médico&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Realizar orientações de saúde, verificar sinais vitais, exame físico&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Distribuição de doações&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Servir lanche&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Recreação&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Participar de uma ação social em uma comunidade carente é uma experiência que transcende palavras. É sentir o coração pulsar mais forte ao olhar nos olhos de quem luta, diariamente, para superar as adversidades. É perceber que, ao estender a mão, estamos não apenas oferecendo ajuda, mas também recebendo lições profundas de resiliência, amor e esperança.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para mim um momento bem marcante foi durante a roda de conversa em alusão ao Outubro Rosa, Realizar uma palestra em outro idioma sobre o câncer de mama em uma comunidade carente foi uma experiência profundamente gratificante e emocionante. Ver aquelas mulheres, muitas vezes enfrentando desafios diários imensos, reunidas para aprender e se fortalecer, trouxe um sentimento indescritível de alegria e propósito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cada palavra compartilhada, era possível perceber o interesse nos olhos de cada uma delas. Falar sobre a importância da prevenção, do autoexame e da busca por ajuda médica despertou não apenas a conscientização, mas também a esperança. Foi um momento de troca genuína, onde não apenas transmiti conhecimento, mas também recebi força e inspiração das histórias e da coragem delas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A satisfação de saber que, mesmo em meio a tantas dificuldades, conseguimos criar um espaço de acolhimento, escuta e aprendizado é inestimável. Sair dali com o coração cheio de gratidão, vendo que plantamos sementes de cuidado e empoderamento, reforça a certeza de que pequenos gestos podem salvar vidas e transformar realidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada sorriso que surge, cada olhar de gratidão, nos lembra que, por menor que pareça, o gesto de solidariedade pode ser uma fagulha de luz na escuridão. Ver crianças rindo, famílias se unindo, e sonhos sendo reacendidos nos faz entender que o verdadeiro propósito da vida é o compartilhar.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É nesse encontro de realidades que nasce algo poderoso: uma troca. Doamos alimentos, roupas ou tempo, mas recebemos algo imensurável em troca—uma renovação da nossa humanidade. Ação social não é apenas ajudar; é se conectar, transformar e, acima de tudo, acreditar que juntos podemos construir um futuro mais justo e solidário.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depoimento do estudante 5</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Participar da ação social&nbsp; no Dia das Crianças foi uma das experiências mais marcantes da minha vida. Eu tive a oportunidade de brincar com as crianças e mudar o dia delas, doamos muitos brinquedos que fizeram os olhos delas brilharem de felicidade, e ainda servimos lanches deliciosos que foram preparados com muito carinho. A cada sorriso, a cada abraço que recebi, senti meu coração se encher de alegria e enxerguei que devemos sempre exercer a caridade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das brincadeiras e das doações, foi muito importante e emocionante ver como pequenos gestos podem transformar o dia dessas criaturinhas. Passamos horas brincando de pular corda, fazendo quebra de braço com os meninos, organizando jogos e até contando histórias, e a cada instante parecia mágico. Ao final da programação, ver a alegria nos olhos delas e ouvir seus agradecimentos sinceros me fez perceber o verdadeiro valor de estar presente e contribuir para a felicidade de alguém.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Me sinto um homem honrado e mais feliz por dentro por ter participado de uma ação tão importante na vida de pessoas tão necessitadas. Essa experiência me mostrou o poder da solidariedade e como, juntos, podemos criar momentos inesquecíveis para quem mais precisa. Foram programações que serão lembrado para sempre em minha vida e em meu coração, com a certeza&nbsp; que pequenas atitudes podem gerar grandes impactos na vida dessas pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos finais das programações, eu estava suado, cansado, mas era um cansaço bom, aquele que vem quando você sabe que fez algo importante&nbsp; e significativo. Me sinto um homem mais completo, mais conectado com o mundo à minha volta. Participar dessas ações me lembrou o quanto é importante estar presente e compartilhar o que temos de melhor com os outros. Foi uma experiência que não só trouxe felicidade para as crianças, mas também me encheu de uma sensação de propósito e alegria interior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que possamos seguir o exemplo do nosso mestre Jesus fazendo a diferença na vida de comunidades, onde quer que formos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Obrigado por ter dado a oportunidade de participar de algo tão grandioso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa é a nossa missão aqui na terra. Eis me aqui senhor envia-me a mim. Obrigado por ter dado a oportunidade de participar de algo tão grandioso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa é a nossa missão aqui na terra.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depoimento do estudante 6</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O Assentamento Félix de Azara, no Paraguai, é um exemplo inspirador de como ações sociais podem transformar vidas, especialmente a de crianças carentes. Tive a oportunidade de participar de um projeto voltado para o apoio social, nutricional e médico da comunidade, com enfoque nas crianças, e gostaria de partilhar um pouco dessa experiência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao chegar à comunidade, ficou claro que as dificuldades enfrentadas pelas crianças eram profundas. Muitas vivem em situação de extrema pobreza, sem acesso adequado a alimentos, materiais de higiene, materiais escolares, ou espaços seguros para brincar e aprender. Com isso em mente, organizamos uma série de atividades que visavam atender às suas necessidades mais importantes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A insegurança alimentar nessa comunidade também é uma questão preocupante. Com a ajuda de doações de parceiros, conseguimos oferecer refeições para cerca de 300 pessoas.&nbsp; Além disso, organizamos campanhas de saúde com apoio de médicos voluntários, que realizaram exames básicos e orientaram as famílias sobre higiene e prevenção de doenças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos momentos mais emocionantes foram as atividades de lazer realizadas com as crianças. Elas brincaram de bola, pularam corda, fizeram pintura no rosto, desenhos e claramente se sentiam muito felizes com nossa presença.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A experiência não apenas impactou a vida das crianças, mas também fortaleceu os laços comunitários. As famílias começaram a se envolver mais ativamente nas atividades, criando um ambiente de solidariedade e apoio mútuo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao final, ficou claro que pequenas ações podem gerar grandes mudanças. Ver o sorriso das crianças e a esperança nos olhos das famílias foi a maior recompensa. Este trabalho no Assentamento Félix de Azara reforçou a importância de continuar investindo em projetos que promovam a dignidade e o bem-estar das comunidades mais vulneráveis.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depoimento do estudante 7</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A última vez que fui ao assentamento Felix de Azara era um domingo de sol de uma alegria que contrastava com a realidade triste daquelas famílias sedentas por atenção e cuidados. Minha missão nesse dia era catalogar dados para um estudo científico acerca de nutrição e alimentação, além de ter tido a oportunidade de orientar quanto a alimentação, pude me conectar mais estreitamente com aqueles seres humanos, conversar como amiga, saber seus nomes, escutar suas histórias, suas dificuldades, saber como é o cotidiano deles, sem dúvida isso fez eu me sentir viva e satisfeita de ter dado uma coisa básica e gratuita: atenção. É claro que existe a frustração de não poder suprir a maioria das demandas deles de forma permanente e de saber que aquela era minha última visita, pelo menos por hora, porque o projeto estava se encerrando e que aquelas pessoas iam continuar ali sedentas, mas me senti bem de ter trabalhado até ali, de ter ensinado alguma coisa, de ter levado esperança e alegria, de quem sabe ter motivado mais e mais pessoas a fazerem o mesmo, de ter visto vários sorrisos. Foi um bom desfecho e um bom início de nova caminhada agora que posso usar o que aprendi em Felix de Azara.”</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><img loading="lazy" decoding="async" width="601" height="401" src="https://lh7-rt.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXfZkiCqbUe0iEttYhEbVcKYoDuzBrwBinhBhbUW7wSsllKlNvLCXjy9ClaXePR7BDw8JPXQXmzawI2mL5FrJpDO5kYPmy-siklhIDxRSyxaC5CSHGfBkQ9YGuajMYYbStt5_T9zbIOvd43kFL77VA?key=ZW2o4Z1euF0-0uh0CJmvudum"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Imagem 6: Voluntários no último dia do projeto de extensão em Felix de Azara.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A discrepância social nos países latino-americanos tem vários reflexos, talvez o mais cruel seja a desigualdade no acesso à saúde, que se tornou ainda mais evidente com pandemia do Covid 19 tendo em conta o baixo índice de testagem, acompanhamento e rastreio dos casos comparados a países da Europa, Ásia e América do Norte refletindo em letalidade e casos graves<sup>1</sup>. Além disso, a falta de orientação, o desconhecimento do comportamento adequado para enfrentamento da pandemia, o medo da vacina fomentado por discursos negacionistas que atingiam mais a população carente do que o trabalho de conscientização mostrou o quanto os menos abastados estão distanciados de orientações básicas de saúde o que não lhes permite crítica e práticas positivas no enfrentamento e prevenção de doenças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, fica exposta a necessidade de a atenção básica em saúde ir ao encontro das comunidades carentes, ação essa de responsabilidade primária dos governos, mas que pode ser impulsionada pelas escolas médicas, as quais também tem um papel fundamental com as comunidades nas quais estão inseridas e com os acadêmicos que necessitam de uma formação médica humanizada e situada na realidade. Muito se tem discutido acerca da necessidade de criar estratégias para aproximar os futuros médicos do campo de prática nas comunidades. O momento atual é de atualização do processo de formação dos médicos, por muito tempo o ensino era desbalanceado, tendendo fortemente para o ensino tecnicista que criava um abismo entre o aprendizado e as demandas das comunidades ao redor<sup> 2.</sup>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Especificamente se tratando do Paraguai, é notória a quantidade de cursos superiores em medicina que absorvem especialmente alunos brasileiros. Conforme estimativa do último censo do governo paraguaio, há cerca de 20.000 estudantes de medicina brasileiros na região de fronteira<sup>3</sup>. Assim, fica clara a disponibilidade de recursos humanos para ações de promoção de saúde, catalogação de perfis sociais e necessidades e estudos científicos. Por isso, é necessária a fomentação dessas atividades dentro das universidades paraguaias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Focault refletiu sobre a questão da falta de interação médico paciente e chegou à conclusão de que o estudo centrado no tecnicismo tende a tornar o paciente um apêndice da doença<sup>4</sup>. Por isso, a formação médica deve se aprofundar no conhecimento dos cenários sociais os quais serão a realidade dos futuros médicos que precisam saber identificar as diferentes necessidades de saúde da população e ampliar o foco da formação profissional<sup>5</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Paraguai, a responsabilidade social é exigida das universidades, as quais estão em busca da formação de cidadãos universitários comprometidos com a sociedade tanto nos campos educacional, ambiental e cultural<sup>6</sup>. Por tanto, existe já um movimento conjunto entre alunos e instituições de melhorar a formação médica no sentido de interagir e responder às demandas populacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um estudo da Universidade de Franca, Brasil avaliou estudantes de medicina quanto aos sentimentos em relação ao contato com a comunidade. A coleta de dados ocorreu em período de avaliações semestrais, momento de estresse e preocupações para os acadêmicos e, a despeito disso, os cinco sentimentos mais frequentemente relatados foram motivação, satisfação, alegria, realização e empatia<sup>7</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2024, foi publicado um artigo com relatos de alunos brasileiros da Universidade Privada do Leste, Paraguai, que referem os mesmos sentimentos positivos em relação ao contato com a população local em um trabalho voluntário que realizaram durante todos os anos da graduação<sup>8</sup>, mais uma vez corroborando com a ideia de que o movimento aposto ao tecnicismo está se desenvolvendo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ensino voltado para a humanização e suprimento das demandas populacionais caminha junto com a ideia da promoção de saúde que visa melhorar e controlar a saúde dos indivíduos numa constante busca por impedir os meios de adoecimento considerando as diferenças sociais, culturais e econômicas de cada localidade bem como as necessidades pessoais e fatores externos<sup>9</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um estudo de 2021 relacionou a adesão ao tratamento de hipertensão arterial às estratégias de promoção de saúde<sup>10</sup>, apontando para a responsabilidade dos profissionais médicos em orientar quanto a medicação e mudança de hábitos para redução das estatísticas de doenças preveníveis. O que ressalta a importância do trabalho que foi realizado em Felix de Azara a longo prazo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSÕES</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A escassez de recursos financeiros governamentais e as limitações do sistema de saúde do Paraguai, principalmente no tocante ao acesso à saúde pelas comunidades carentes e distantes dos centros urbanos, dificulta o trabalho de assistência e&nbsp; a resolução completa dos problemas da comunidade, no entanto, a extrapolação das fronteiras não só territoriais, mas dos muros das instituições de ensino podem sim trazer grandes benefícios às populações carentes deixando um legado de ensino aprendizagem sociocultural que pode revolucionar aspectos relacionados à prevenção de doenças, cidadania e planejamento familiar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No tocante a experiência do grupo de alunos que desenvolveu o presente estudo, pode-se concluir que o processo foi tão enriquecedor para a comunidade quanto para os acadêmicos já que a interação trouxe aprendizado mútuo e deixou marcas que determinarão a conduta desses futuros médicos por toda a carreira.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">1-&nbsp; Coelho, Carolina Gomes. O efeito da testagem laboratorial nos indicadores de acompanhamento da COVID-19: análise dos 50 países com maior número de casos. 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">2- Educação Médica e Formação na Perspectiva Ampliada e Multidimensional: Considerações acerca de uma Experiência de Ensino-Aprendizagem. Claudio José dos Santos Júnior, Jailton Rocha MisaelI Maria Rosa da Silva, Valmir de Melo Gomes. 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3- Resultados finales de Censo Nacional de Población y Viviendas 2022. Disponível em: <a href="https://www.ine.gov.py/censo2022/">https://www.ine.gov.py/censo2022/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">4- Foucalt M.O nascimento da clínica. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1994.</p>



<p class="wp-block-paragraph">5- Interação ensino, serviços e comunidade: desafios e perspectivas de uma experiência de ensino-aprendizagem na atenção básica. Célia Regina Rodrigues Gil, Bárbara Turini, Marcos Aparecido Sarria Cabrera, Marilda Kohatsu, Sonia Maria Coutinho Orquiza.2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">6- Percepción de estudiantes de medicina acerca de la responsabilidad social universitaria Perception of medicine students about university social responsibility María Adela Pérez Velilla, Gustavo Calvo. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">7- Sentimentos do Estudante de Medicina quando em Contato com a Prática. Isabela de Oliveira KalufI Samantha Gurgel Oliveira SousaI Saturnino LuzII Raquel Rangel CesarioI. 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">8- Voluntariado &#8211; A ciência da solidariedade: Relatos de experiências por estudantes de medicina sobre trabalhos voluntários no Paraguai e no Brasil. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">9-Silva MJS, Schraiber LB, Mota A. O conceito de saúde na Saúde Coletiva: contribuições a partir da crítica social e histórica da produção científica. Physis. 2019;29(1):e290102. http://dx.doi.org/10.1590/s0103-73312019290102<br><a href="http://dx.doi.org/10.1590/s0103-73312019290102">http://dx.doi.org/10.1590/s0103-73312019290102</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">10- Adherencia al tratamiento antihipertensivo en adultos de Unidades de Salud Familiar del Paraguay: estudio multicéntrico Raúl Real Delor , María Alejandra Gamez Cassera , María Laurel Redes Zeballos , Marilia Martínez Urizar , Gladys Alicia Aguilera Iriarte , Gemali Oviedo Velázquez , Laura Belotto Galeano, Gabriela Ullón Suárez, Edgar Daniel Paredes Sánchez , Verónica Villar Vázquez , María Betharrám Báez Riveros , Astrid Ortiz Galeano. 2021.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-black-color has-alpha-channel-opacity has-black-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Orcid: 0009-0009-2053-9760<br>Médica orientadora<br>Universidade Central do Paraguai<br><sup>2</sup>Orcid 0000-0002-7353-843X<br>Acadêmica de medicina<br>Universidade Central do Paraguai<br><sup>3</sup>Orcid:0009-0002-7842-1561<br>Acadêmica de medicina<br>Universidade Central do Paraguai<br><sup>4</sup>Orcid: 0009-0001-6658-3267<br>Acadêmico de medicina<br>Universidade Central do Paraguai<br><sup>5</sup>ORCID: 0009-0000-1663-9886<br>Acadêmica de medicina<br>Universidade Central do Paraguai<br><sup>6</sup>ORCID. 0009-0001-2869-4476<br>Acadêmica de medicina<br>Universidade Central do Paraguai<br><sup>7</sup>Acadêmico de medicina<br>Orcid: 0009-0006-1045-2301<br>Universidade Central do Paraguai<br><sup>8</sup>Orcid: 0000-0001-7559-3865<br>Acadêmico de medicina<br>Universidade Central do Paraguai</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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