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	<title>Volume 29 – Edição 141/DEZ 2024 &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<description>Revista Científica de Alto Impacto.</description>
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		<title>PARTO DISTÓCICO COM PROLAPSO CERVICOVAGINAL E CESARIANA EM VACA: RELATO DE CASO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Oct 2025 22:53:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Veterinaria]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 141/DEZ 2024]]></category>
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					<description><![CDATA[DYSTOCIC PARTURITION WITH CERVICOVAGINAL PROLAPSE AND CESAREAN SECTION IN A COW: CASE REPORT REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510201951 João Victor Moraes Lôbo¹Lucas Bezerra de Sá²Mateus Bezerra de Sá³ Resumo&#160; A distocia é definida como um evento no qual existe uma dificuldade durante o processo do parto. O parto distocico pode se apresentar por causas de origem materna, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">DYSTOCIC PARTURITION WITH CERVICOVAGINAL PROLAPSE AND CESAREAN SECTION IN A COW: CASE REPORT</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510201951</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">João Victor Moraes Lôbo¹<br>Lucas Bezerra de Sá²<br>Mateus Bezerra de Sá³</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A distocia é definida como um evento no qual existe uma dificuldade durante o processo do parto. O parto distocico pode se apresentar por causas de origem materna, em consequência a defeitos anatômicos ou patológicos no canal do parto a exemplo do estreitamento das vias fetais moles e duras, torção uterina e prolapso, como o cervicovaginal e por outro lado, as causas de origem fetal podem estar relacionadas a fatores como gestação gemelar, tamanho do feto, estática fetal incorreta e má formação fetal. A identificação da distócia de forma precoce bem como a conduta adequada, são essenciais tanto para a sobrevivência da mãe quanto do bezerro. Para diagnóstico do parto distócico, alguns pontos importantes precisam ser avaliados como a fase de gestação e tempo de trabalho de parto além disso, uma anamnese detalhada deve ser realizada bem como um exame físico minucioso avaliando pontos importantes como os sinais vitais, avaliação da dilatação do canal do parto e a estática fetal. A conduta terapêutica em casos que necessitam de intervenção obstétrica pode ser manejada de forma clínica ou cirúrgica a exemplo da realização das manobras obstétricas, episiotomia, fetotomia ou cesariana. O presente trabalho tem como objetivo relatar um caso de distocia com presença de prolapso cervicovaginal em uma bovina fêmea mestiça, a qual foi submetida ao tratamento cirúrgico do prolapso por meio da técnica da sutura vulvar de Bühner e a cesariana, para realização da retirada do bezerro, promovendo a sobrevivência da mãe e também do bezerro. Conclui-se que a abordagem cirúrgica adotada permitiu a retirada do feto e o reposicionamento das estruturas prolapsadas, de acordo com as recomendações presentes na literatura veterinária. A técnica empregada demonstrou viabilidade prática e adequação aos princípios da obstetrícia veterinária, sendo uma alternativa válida para manejo de casos semelhantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Bovinos; cesariana; distocia; obstetrícia; prolapso.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Dystocia is defined as an event in which difficulty occurs during the parturition process. Dystocic labor may result from maternal causes, due to anatomical or pathological defects in the birth canal, such as narrowing of the soft or hard birth passages, uterine torsion, and prolapses — including cervicovaginal prolapse. On the other hand, fetal causes may be related to factors such as twin pregnancy, fetal size, abnormal fetal presentation or position, and congenital malformations. Early identification of dystocia, as well as the adoption of an appropriate therapeutic approach, is essential for the survival of both the dam and the calf.For the diagnosis of dystocia, several aspects must be assessed, including the stage of gestation, duration of labor, and, additionally, a detailed anamnesis and thorough physical examination should be performed, evaluating vital signs, the degree of cervical dilation, and fetal presentation and position. Therapeutic management in cases requiring obstetric intervention can be clinical or surgical, including obstetric maneuvers, episiotomy, fetotomy, or cesarean section. The present report aims to describe a case of dystocia associated with cervicovaginal prolapse in a crossbred cow, which underwent surgical treatment using the Bühner vulvar suture technique and a cesarean section for fetal extraction, ensuring the survival of both the dam and the calf. It was concluded that the surgical approach adopted allowed successful fetal removal and repositioning of the prolapsed structures, consistent with the recommendations described in veterinary literature. The technique proved to be practical, effective, and aligned with the principles of veterinary obstetrics, representing a viable alternative for the management of similar cases.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>Cattle; cesarean; dystocia; obstetrics; prolapse.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introdução</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O parto distócico é definido como um evento no qual existe uma dificuldade durante o processo de parição. A distocia pode se apresentar por causas de origem materna, em consequência a defeitos anatômicos ou patológicos no canal do parto bem como, de origem fetal que pode estar relacionada a fatores como gestação gemelar, tamanho do feto, posição no útero e fetos que apresentam má formação. Todos esses fatores resultam em um período de parto mais prolongado, logo, é fundamental a execução de procedimentos adequados para tal situação, a exemplo da realização de manobras obstétricas ou até mesmo da cesariana com o intuito de que tanto o terneiro quanto a vaca, não apresentem complicações ou sequelas e não reduzam suas taxas de produtividade, evitando assim, prejuízos econômicos para o produtor (Rice, 1994; Borges, 2011; Nunes, 2021).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O trato reprodutivo das fêmeas bovinas, é composto por ovários, tubas uterinas, útero, cérvix uterina, vagina, vestíbulo da vagina e vulva. Os ovários são órgãos pares que possuem um formato elíptico, são sustentados pelo mesovário, irrigados pela artéria ovariana e além disso, são órgãos que apresentam tanto função endócrina quanto exócrina. As tubas uterinas estão intimamente interligadas aos ovários, são órgãos pares sustentados pela mesossalpinge e é dividida em três estruturas sendo estas o infundíbulo que capta os oócitos liberados pelo ovário, a ampola na qual ocorre a fertilização e o istmo, que está ligada ao corno uterino e transporta os espermatozóides até a ampola. Na sequência, se encontra o útero que tem o formato em Y, é constituído por dois cornos uterinos, um corpo e uma cérvix e apresenta três camadas sendo o endométrio a mais interna, camada mucosa que contém estruturas denominadas carúnculas as quais, possuem o papel de fixar a placenta durante a gestação, em seguida está o miométrio que é uma camada muscular e a mais externa, é o perimétrio que se apresenta como uma camada serosa. A cérvix é uma estrutura fibrosa e atua como uma barreira entre a vagina e o útero, se abrindo somente durante o cio ou no parto. Caudal a cérvix, está localizada a vagina, que é o órgão copulatório. Em seguida se encontra o vestíbulo da vagina que apresenta o hímen vaginal e o orifício uretral e por último, está a vulva que representa a abertura externa do trato reprodutivo (Hafez; Hafez, 2004; König; Liebich, 2011).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diversos são os fatores que podem levar a ocorrência dos partos distócicos em fêmeas da espécie bovina, sendo estes a raça, conformação da vaca e do touro, nutrição, peso, idade, a duração da gestação e cruzamentos industriais com raças européias, merecem destaque pois podem acarretar em problemas durante o parto, resultando em um aumento de custo na produtividade, devido aos gastos necessários com intervenção médica e uso de medicamentos e além disso, afetar o desempenho produtivo e reprodutivo do animal em questão (Andolfato; Delfiol, 2014; Helguera et al., 2016).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As distocias de origem materna se caracterizam pela presença de constrição no canal do parto ou pela deficiência de força expulsiva na qual, a inércia uterina se destaca como responsável por cerca de 20% dos casos em que o canal do parto não apresenta condições para a ocorrência de um parto eutócico. A inércia uterina primária se define pela ausência da contração uterina de modo eficaz devido a causas endócrinas por diminuição de estrógenos, ocitocina e prostaglandina ou metabólicas, como a hipocalcemia. A inércia uterina secundária, ocorre por conta de um longo período de trabalho de parto, que resulta em um esgotamento da contratilidade do útero relacionado a uma estática fetal incorreta, gemelaridade ou patologia abdominal. Merecem destaque também o estreitamento das vias fetais moles e duras na qual se tratando da via fetal mole, se destacam a hipoplasia de órgãos genitais externos, anomalias nos órgãos genitais e distocias na cérvix, causadas por cervicite crônica e pela dilatação insuficiente. Na via óssea, as alterações se devem ao estreitamento pélvico que pode ocorrer por alterações hereditárias como a pelve infantil ou adquiridas a exemplo das fraturas, luxações e tumores ósseos. Além disso, existe a torção uterina que ocorre devido a falta de estabilidade no corno gestante e também de origem materna, se apresentam o prolapso vaginal ou uterino, que podem ocorrer devido ao esforço gerado pela distocia (Freire, et al., 2014; Silva, 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre as causas da distocia de origem fetal, a mais recorrente se trata da desproporção feto-pélvica, que corresponde a cerca de 50-55% dos casos, na qual o bezerro é muito grande para passar pelo canal do parto de maneira fisiológica. Uma outra causa importante, é o parto gemelar devido ao fato dos fetos não conseguirem ser expulsos em razão da largura que possuem em relação ao canal do parto. Existem também, as malformações fetais que podem ocorrer por conta de fatores genéticos, virais, químicos e físicos geralmente na fase inicial de formação do feto, sendo os monstros fetais mais frequentemente recorrentes os gêmeos siameses e o Schistosomus reflexus. A alteração na estática fetal, é uma outra causa que apresenta alta incidência de casos que resultam em distocia, pois o feto se encontra em uma posição que não consegue passar de forma natural pelo canal do parto, se fazendo necessário um exame vaginal para a confirmação de tal alteração. A morte fetal também se enquadra como uma das causas de partos distócicos e pode se desenvolver por diversas razões, a exemplo da hipóxia durante a gestação, infecções por vírus e bactérias e assim, resultar em aumento de volume do feto, devido a putrefação e por último, se apresenta a mumificação fetal, na qual ocorre a morte fetal por traumatismos, torção uterina levando a reabsorção dos líquidos fetais e aderência das membranas e assim, não são produzidos os hormônios necessário para iniciar o trabalho de parto (Jackson, 2004; Grunert et al., 2005; Medeiros et al., 2014).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devem ser observados alguns pontos importantes para a identificação de um parto distócico como a fase de gestação e o tempo de trabalho de parto. Para diagnosticar uma distocia, uma anamnese detalhada deve ser feita, obtendo-se informações a respeito da situação do feto e histórico reprodutivo da vaca, seguido pelo exame clínico da mesma avaliando os sinais vitais, escore corporal, sinais de dor, realização da palpação retal e vaginal, que atuam de forma fundamental para avaliação da dilatação do canal do parto, da estática fetal e se há a presença de obstruções que estão provocando a distocia. A ultrassonografia serve como um exame complementar a palpação, auxiliando na avaliação da viabilidade fetal e no diagnóstico de patologias a exemplo da hidrocefalia (Rice, 1994; Antoniassi et al., 2013; Mee, 2013; Frazer et al., 2020).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A conduta terapêutica em casos que necessitam de intervenção obstétrica, pode ser manejada de forma clínica ou cirúrgica, a depender das condições às quais se encontram o feto e a parturiente. As manobras obstétricas se apresentam como uma opção de tratamento clínico com o objetivo de corrigir a estática fetal através da tração e extração do feto com o auxílio de manobras como a retropulsão, a extensão, rotação, a inversão e a tração, fazendo o uso de materiais auxiliares como o fórceps, cordas e correntes. As opções cirúrgicas consistem na realização da episiotomia para facilitar a passagem do feto. A fetotomia é uma técnica realizada para dividir em partes menores o feto morto, através da amputação das partes do mesmo, que não consegue ser exteriorizado. E também, existe a cesariana, técnica cirúrgica com altas taxas de sobrevivência para a vaca e o bezerro e que é indicada para diversas formas de distocia a exemplo da hipertrofia fetal, alteração da estática fetal, alterações das vias fetais e torção uterina (Turner; McIlwraith, 2016; Resende et al., 2018; Nunes, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente trabalho tem como objetivo realizar um relato de caso sobre parto distócico com presença de um prolapso cervicovaginal em uma fêmea mestiça da espécie bovina.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Relato de caso&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No dia 26 de agosto de 2025 no Sítio Rocha, município de&nbsp; Parnamirim &#8211; PE,&nbsp; foi atendida uma vaca mestiça com aproximadamente 3 anos de idade, pesando cerca de 350 kg, primípara, em fase final de gestação, apresentando prolapso cervicovaginal&nbsp; e intensas contrações. De acordo com as informações fornecidas pelo proprietário, o quadro teve início por volta das 18 horas do mesmo dia. O atendimento veterinário ocorreu por volta das 23 horas, no qual verificou-se que o animal apresentava persistência das contrações abdominais e prolapso cervicovaginal (Figura 1).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1. </strong>Prolapso cervicovaginal na vaca.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="210" height="254" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1059.png" alt="" class="wp-image-240936"/></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Arquivo pessoal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp; animal foi devidamente contido em decúbito esternal e, em seguida, realizou-se tricotomia da região sacrococcígea. Procedeu-se à antissepsia do local com solução antisséptica apropriada,&nbsp; seguida da administração de 5 mL de cloridrato de lidocaína a 2% sem vasoconstritor, por bloqueio epidural no espaço sacrococcígeo. Adicionalmente, foi realizada anestesia infiltrativa nos pontos de introdução e passagem da agulha de Gerlach para maior conforto do animal durante o procedimento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mucosa vaginal, exteriorizada e recoberta por material orgânico decorrente do contato com fezes e solo, foi submetida à lavagem com água e sabão, seguida de antissepsia rigorosa, visando à remoção de sujidades. Após a higienização, procedeu-se à reintrodução manual e cuidadosa das estruturas prolapsadas, com retorno da mucosa vaginal e do colo uterino à sua posição anatômica, evitando-se traumas adicionais aos tecidos. Com o objetivo de prevenir recorrência do prolapso foi realizado sutura de Bühner, utilizando equipo de&nbsp; fluidoterapia esterilizado e agulha de Gerlach. Logo em seguida foi administrado a dose de 0,05 mg/kg de Dexametasona fosfato dissódico (Cort-Trat® SM) intramuscular.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do quadro de trabalho de parto ativo, associado à ausência de progressão fetal e ao histórico de prolapso cervicovaginal previamente corrigido, optamos pela realização imediata de cesariana de emergência. Como o animal já se encontrava em decúbito esternal, realizou-se o reposicionamento cuidadoso para decúbito lateral direito, a fim de viabilizar o acesso cirúrgico pelo flanco esquerdo. Procedeu-se à tricotomia ampla da região paralombar esquerda, seguida de antissepsia rigorosa com solução degermante à base de clorexidina 2% e posteriormente aplicação de álcool iodado 0,1%. Para bloqueio anestésico regional, foi empregada a técnica do bloqueio em ´´L&#8220; invertido, utilizando-se cloridrato de lidocaína a 2% sem vasoconstritor, distribuída entre os planos subcutâneo, muscular e peritoneal, com objetivo de garantir analgesia adequada durante toda a intervenção, e logo após, colocou-se o pano de campo estéril.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a confirmação da analgesia, realizou-se incisão cutânea numa posição mais ventral em relação ao flanco, seguida&nbsp; de incisão dos planos musculares com divulsão, respeitando a anatomia local, até a exposição do peritônio parietal, o qual foi cuidadosamente incisado para acesso à cavidade abdominal. A seguir, procedeu-se à identificação e exteriorização do corno uterino gestante para que a menor quantidade possível de líquido caísse na cavidade. Foi realizada uma incisão no útero sobre um membro, e promovida a retirada do concepto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O feto foi retirado com sucesso e apresentava sinais vitais ao nascimento, sendo imediatamente submetido à higienização e estimulação tátil-respiratória. A placenta foi inspecionada, com remoção manual apenas de porções já desprendidas, evitando-se tração forçada para prevenir hemorragias e lesões uterinas adicionais. Em seguida as bordas da incisão uterina foram limpas com uso de compressas estéreis, removendo o excesso de fluídos e resíduos presentes. Na sequência, o útero foi suturado em dois planos invaginantes contínuos, ambos no padrão Cushing.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Logo após a histerorrafia, procedeu-se à limpeza minuciosa do útero e da cavidade abdominal e então o útero foi realocado em sua posição anatômica. A síntese da parede abdominal foi realizada por planos: os músculos foram suturados com plano contínuo festonado, a camada subcutânea recebeu sutura intradérmica e a pele foi suturada utilizando padrão contínuo festonado.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No pós-operatório imediato, a fêmea recebeu administração de dipirona por via intravenosa, com o objetivo de promover analgesia sistêmica, contribuindo para o conforto pós-operatório imediato. Adicionalmente, foi administrado antibiótico de amplo espectro a base de penicilina (Megacilin® Super Plus) na dose de 20.000 UI/kg por via intramuscular.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 2.&nbsp; </strong>Pós-operatório imediato, evidenciando a vaca e o bezerro em boas condições após os procedimentos cirúrgicos<strong>.</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="176" height="226" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1060.png" alt="" class="wp-image-240938"/></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Arquivo pessoal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi instituído como conduta de protocolo terapêutico pós-operatório: Dexametasona (Cort-Trat® SM) na dose de 0,05 mg/kg, via intramuscular, uma vez ao dia, por três dias consecutivos; Penicilina (Megacilin® Super Plus) na dose 20.000 UI/kg, via intramuscular, uma vez ao dia, por cinco dias consecutivos; Dipirona (D-500) na dose de 25mg/kg, via intramuscular, uma vez ao dia, por cinco dias consecutivos. Adicionalmente, foi aplicada solução tópica à base de spray prata ao redor da ferida cirúrgica imediatamente após a sutura da pele. Em seguida, foi recomendada a reaplicação diária do produto até a completa cicatrização ou remoção dos pontos de pele. A remoção dos fios da sutura de pele foi orientada para ser realizada em 15 dias pós-operatório, ou conforme avaliação clínica individual.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Discussão</strong>&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A rotina de atendimentos obstétricos na espécie bovina, apresenta uma alta casuística, na qual os partos distócicos se manifestam como uma urgência. A anamnese, assim como um exame físico minucioso, atuam como fatores fundamentais para que o caso seja conduzido da melhor forma possível. Isso ocorre através da obtenção de dados, avaliação dos sinais vitais e da presença de dilatação no canal do parto. Dentre os episódios de distocia, 62,99% ocorrem em vacas cujas idades variam entre 2 e 5 anos, sendo que as primíparas apresentam um risco mais elevado de desenvolverem partos distócicos, quando comparadas com as multíparas. As distocias mais frequentes nas novilhas são a incompatibilidade feto-pélvica, a dilatação insuficiente da cérvix e as alterações na estática fetal, que podem resultar na ocorrência do prolapso (Borges et al., 2006; Freire et al., 2014; Helguera et al., 2016). Após realização da anamnese e do exame físico, foi possível entender que a vaca atendida no presente relato, possui aproximadamente 3 anos de idade, era primípara e apresentava uma distocia de origem materna, sendo esta causada por conta de uma dilatação cervical insuficiente associada ao prolapso cervicovaginal, tornando-se necessária, uma intervenção obstétrica de urgência, o que corrobora com as informações presentes na literatura.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Faria (2013), a ausência de dilatação cervical, como a observada neste caso, pode decorrer de múltiplos fatores, como a deficiência na estimulação provocada pelo feto e suas membranas, alterações hormonais, estresse em novilhas devido à hierarquia social e falhas na resposta hormonal do canal cervical. Fatores hormonais, aliados à dilatação física induzida pelo início do parto e à presença das membranas fetais, estão diretamente envolvidos no mecanismo de dilatação. Em casos de hipocalcemia, a redução da contratilidade uterina pode comprometer a abertura do colo do útero, dificultando a progressão do parto. Essa dilatação insuficiente da cérvix no momento do parto, pode resultar na ocorrência do prolapso cervicovaginal, no qual, os fatores predisponentes para a determinada ocorrência&nbsp; incluem o relaxamento e o aumento da mobilidade das estruturas de tecido mole no canal pélvico e no períneo, ao passo que o parto se aproxima e também ao aumento da pressão intra-abdominal devido ao crescimento do feto, aumento da gordura intra-abdominal ou à distensão do rúmen (SIlva et al., 2011), como ocorreu no caso relatado.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento do prolapso em bovinos pode envolver diferentes abordagens cirúrgicas, sendo as técnicas de sutura vulvar, como as descritas por Caslick, Bühner e Flessa, amplamente empregadas na prática clínica. No entanto, nenhuma dessas intervenções apresenta eficácia absoluta para todos os casos, exigindo, em determinadas situações, ajustes no protocolo adotado de acordo com a gravidade do quadro e as condições específicas do animal (Prestes et al., 2008). A principal finalidade das técnicas de contenção aplicadas em casos de prolapsos é prevenir a exteriorização da parede vaginal, cervical ou uterina, evitando a recorrência do quadro clínico. Prolapsos classificados como de grau moderado a grave são comumente tratados com técnicas de contenção mais robustas, sendo a sutura de Bühner e a técnica de Flessa indicadas nesses casos (Prestes; Landim-Alvarenga; Lourenção, 2017). O padrão de sutura utilizado neste relato foi o do tipo Bühner, condizente com as recomendações da literatura para casos graves e moderados.&nbsp; Todas as técnicas citadas requerem a realização de anestesia epidural, limpeza criteriosa de toda a área exposta e a escolha adequada do método terapêutico conforme as particularidades de cada caso, podendo ser associado o uso de fármacos de suporte (Gilbert, 2018). De acordo com Flórez (2020), o protocolo anestésico indicado nesses procedimentos consiste na anestesia epidural baixa, realizada com cloridrato de lidocaína a 2 % sem vasoconstritor, em volume de 5 a 7 mL, aplicada no espaço sacrococcígeo. Tais condutas foram seguidas no presente relato, garantindo analgesia e segurança durante o procedimento cirúrgico, permitindo a execução sem intercorrências relacionadas à dor ou movimentação do animal.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O protocolo anestésico realizado para proceder com a cesariana em vacas, se baseia no uso do bloqueio local em ´´L´´ invertido, que é realizado com a aplicação de 60 ml a 80 ml de lidocaína 2%, sem vasoconstritor, usando uma agulha longa com o intuito de impedir a transmissão de impulsos nociceptivos, atingindo e assim, resultando na dessensibilização de toda a musculatura do flanco. (Teixeira; Santos, 2001; Jackson, 2004; Turner; McIlwraith, 2016). A vaca do relato foi submetida ao bloqueio anestésico local em ´´L´´ invertido com 80 ml de lidocaína a 2% sem vasoconstritor, promovendo dessensibilização entre os planos subcutâneo, muscular e peritoneal para&nbsp; então, ser procedida a cesariana.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cesariana se apresenta frequentemente como um procedimento de emergência, podendo ser realizada em diversas formas de distocia. Além disso, é considerado um procedimento cirúrgico que promove uma alta taxa de sobrevivência tanto para o bezerro quanto para a mãe, pois o parto distócico prolongado, coloca em risco a vida de ambos. O procedimento deve ser realizado em um ambiente higiênico, iluminado e com instalações que permitam uma adequada contenção do animal. Se tratando da técnica cirúrgica da cesariana, existem algumas formas de abordagem sendo estas pelo flanco esquerdo, pelo flanco direito ou um acesso com incisão paramediana ventral no entanto, o acesso cirúrgico pelo flanco esquerdo é o mais utilizado na rotina, por conta&nbsp; do rúmen atuar impedindo a possibilidade de evisceração das alças intestinais. Esse acesso apresenta como objetivo evitar a contaminação do feto, mas também pode ser feito quando o feto morreu recentemente e inclusive, com a vaca em estação (Vermunt, 2008; Turner; McIlwraith, 2016).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a incisão da pele e do subcutâneo no acesso cirúrgico através do flanco, os músculos oblíquo abdominal externo, oblíquo abdominal interno e transverso do abdômen, são submetidos a divulsão dígito-digital. Na sequência, o útero deve ser localizado e exteriorizado, sendo feita então a histerotomia, preferencialmente na curvatura maior do corno gravídico, evitando os placentomas por conta do risco de hemorragia. Os membros do bezerro são utilizados como referência para o local da incisão e durante a tração do feto, cuidados devem ser tomados para que não ocorra laceração do útero e nem extravase conteúdo uterino para a cavidade abdominal. Na sequência, a histerorrafia é executada com sutura dupla e invaginante. Por fim, o útero é reposicionado anatomicamente e são feitas as suturas da musculatura e da pele (Martins, 2007; Schulz, 2008; Vermunt, 2008; Turner; McIlwraith, 2016; Nunes, 2021). No presente relato, pelo fato da paciente apresentar uma distocia, optou-se pela realização da cesariana de emergência. Dessa forma, a vaca foi contida em decúbito esternal em um ambiente higiênico. O procedimento foi realizado com o acesso cirúrgico pelo flanco esquerdo e a técnica de acordo com a descrição da literatura citada. O procedimento aconteceu sem intercorrências e tanto a vaca quanto o bezerro sobreviveram.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As recomendações pós-cirúrgicas, como sugerido por Andolfato; Delfiol (2014), consistiram no uso de antibioticoterapia profilática, sendo a penicilina o antibiótico de escolha neste caso, cuidados tópicos com a ferida cirúrgica, sendo estes o uso de antisséptico, repelente e também a retirada dos pontos. Além disso, foi realizado o controle da dor e da inflamação, com o uso de dipirona e dexametasona respectivamente. De acordo com Jericó; Andrade (2008), a dipirona é um fármaco antipirético e analgésico, com fraca ação anti-inflamatória. Segundo SPINOSA et al. (2002), o uso de glicocorticóide no pós-cirúrgico deve ser feito buscando um efeito anti-inflamatório e prevenindo um possível choque séptico.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Conclusão&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente relato de caso demonstra a relevância da intervenção obstétrica imediata e da escolha técnica apropriada em situações de parto distócico associado ao prolapso cervicovaginal em fêmeas bovinas. Considerando o estágio avançado da gestação, o quadro clínico apresentado e as condições do canal cervical, optou-se pela realização de cesariana pelo flanco esquerdo, e correção do prolapso com técnica de sutura de Bühner.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A abordagem cirúrgica adotada permitiu a retirada do neonato e o reposicionamento das estruturas prolapsadas, de acordo com as recomendações presentes na literatura veterinária. A técnica empregada demonstrou viabilidade prática e adequação aos princípios da obstetrícia veterinária, sendo uma alternativa válida para manejo de casos semelhantes.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. Referências bibliográficas&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ANDOLFATO, G. M.; DELFIOL, D. J. Z.</strong> Principais causas de distocia em vacas e técnicas para correção: revisão de literatura. <em>Revista Científica de Medicina Veterinária</em>, São Paulo, n. 22, p. 1–16, jan. 2014.&nbsp;&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>SPINOSA, H. S.; GÓRNIAK, S. L.; BERNARDI, M. M</strong>. Farmacologia aplicada à medicina veterinária. 3 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002 .&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>TEIXEIRA, M. W.; SANTOS, C. G. R.</strong> Anestesia local e regional em bovinos. <em>Revista do Conselho Federal de Medicina Veterinária</em>, v. 22, p. 31–32, 2001.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>TURNER, A. S.; McILWRAITH, C. W.</strong> Cirurgia gastrointestinal do bovino: laparotomia de flanco e exploração abdominal. Cesariana em vaca. In: TURNER, A. S.; McILWRAITH, C. W. <em>Técnicas cirúrgicas em animais de grande porte.</em> São Paulo: Roca, 2016a. Cap. 13, p. 237–241; Cap. 14, p. 289–295.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>VERMUNT, J. J.</strong> The caesarean operation in cattle: a review. <em>Iranian Journal of Veterinary Surgery</em>, No. Supplement 2, pp. 82–100, 2008.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS RELACIONADO AO PAPILOMAVÍRUS HUMANO (HPV)</title>
		<link>https://revistaft.com.br/carcinoma-de-celulas-escamosas-relacionado-ao-papilomavirus-humano-hpv/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Mar 2025 16:08:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 141/DEZ 2024]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202503271307 Fernanda Vieira da SilvaEric Filipe Trindade Cândido SantosAna Luisa de Araujo OliveiraMaria José Oliveira dos SantosMasoumeh Sadat Mosavi NasabThalía Soares da SilvaStefany Rufino BastosDaniele Silva Pereira ManzoniVinicius Fatalla MiguelMicaella Ordalia Marçal de Freitas RESUMO&#160; O Papilomavírus Humano (HPV), vírus de DNA de fita dupla, é amplamente reconhecido como uma doença sexualmente transmissível [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202503271307</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Fernanda Vieira da Silva<br>Eric Filipe Trindade Cândido Santos<br>Ana Luisa de Araujo Oliveira<br>Maria José Oliveira dos Santos<br>Masoumeh Sadat Mosavi Nasab<br>Thalía Soares da Silva<br>Stefany Rufino Bastos<br>Daniele Silva Pereira Manzoni<br>Vinicius Fatalla Miguel<br>Micaella Ordalia Marçal de Freitas</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Papilomavírus Humano (HPV), vírus de DNA de fita dupla, é amplamente reconhecido como uma doença sexualmente transmissível e, tradicionalmente, está associada ao câncer de colo do útero. (PEREIRA, et. al 2022). No entanto, estudos mais recentes têm identificado uma associação significativa entre o HPV e o carcinoma de células escamosas (CCE). Este artigo apresenta uma revisão sistemática que explora a relação entre o HPV e o CCE. Para isso, foram consultadas as bases de dados artigos científicos publicados entre os anos de 2019 e 2024, utilizando as bases de dados PubMed (National Library of Medicine), Web of Science, SciELO (Scientific Electronic Library Online) e Google Acadêmico, nos idiomas português, espanhol e inglês, de acordo com critérios de inclusão e exclusão estabelecidos. Foram selecionados artigos que abordaram a infecção do câncer&nbsp; e sua relação com o HPV. Embora tenha sido encontrada uma grande quantidade de estudos sobre o HPV e neoplasias em diferentes regiões do corpo, a revisão evidenciou a conexão entre o HPV e o CCE. Além disso, foi ressaltada a importância da implementação de métodos diagnósticos mais rápidos, acessíveis e eficazes, que possibilitem uma identificação precisa da patologia e seu fator etiológico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chaves: </strong>Papilomavírus Humano, Carcinoma de Células Escamosas, Doenças Malignas, Carcinoma.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Human Papillomavirus (HPV), a double-stranded DNA virus, is widely recognized as a sexually transmitted disease and is traditionally associated with cervical cancer. (PEREIRA, et. al 2022) However, more recent studies have identified a significant association between HPV and squamous cell carcinoma (SCC). This article presents a systematic review that explores the relationship between HPV and SCC. For this, the databases of scientific articles published between 2019 and 2024 were consulted, using the PubMed (National Library of Medicine), Web of Science, SciELO (Scientific Electronic Library Online) and Google Scholar databases, in Portuguese, Spanish and English, according to established inclusion and exclusion criteria. Articles that addressed cancer infection and its relationship with HPV were selected. Although a large number of studies on HPV and neoplasias in different regions of the body were found, the review highlighted the connection between HPV and SCC. In addition, the importance of implementing faster, more accessible and effective diagnostic methods was highlighted, which allow for accurate identification of the pathology and its etiological factor.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>Human papillomavirus, squamous cell carcinoma, malignant diseases, carcinoma.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Carcinoma de Células Escamosas Relacionado ao HPV (Papilomavírus Humano) é um tipo de câncer que pode afetar diversas regiões do corpo, incluindo a cabeça, pescoço, colo do útero, ânus, e outros órgãos genitais. O HPV é uma infecção viral comum que, em algumas situações, pode levar a alterações nas células epiteliais, favorecendo o desenvolvimento de tumores malignos. O vírus, especialmente os tipos 16 e 18, está fortemente associado ao desenvolvimento do carcinoma de células escamosas. Esses tipos de câncer têm um caráter indolor nas fases iniciais e podem ser diagnosticados por meio de exames de rotina, como o Papanicolau (para o câncer cervical) ou biópsias. A infecção por HPV é geralmente transmitida por contato sexual, mas também pode ocorrer por outras formas de contato direto. O tratamento do carcinoma de células escamosas relacionado ao HPV varia conforme a localização e o estágio do câncer, podendo envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou uma combinação desses métodos. A vacinação contra o HPV tem se mostrado eficaz na prevenção de vários tipos de câncer associados ao vírus, sendo recomendada para adolescentes antes da iniciação sexual. A compreensão do papel do HPV nesse tipo de câncer tem ajudado a melhorar estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento, resultando em uma maior taxa de sobrevivência e controle da doença.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. OBJETIVO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo deste artigo é investigar a relação entre o carcinoma de células escamosas e a infecção pelo papilomavírus humano (HPV), abordando os mecanismos biológicos envolvidos, os fatores de risco associados, às implicações no diagnóstico e tratamento, além de analisar a importância da prevenção e do rastreamento para reduzir a incidência dessa condição.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a realização desta revisão de literatura, foi conduzida uma busca sistemática em artigos científicos publicados entre os anos de 2019 e 2024, utilizando as bases de dados PubMed (National Library of Medicine), Web of Science, SciELO (Scientific Electronic Library Online) e Google Acadêmico. O objetivo foi reunir evidências científicas atualizadas sobre a associação entre o carcinoma de células escamosas oral e a infecção pelo HPV. Para isso, foram utilizados os seguintes descritores em inglês: Human Papillomavirus, Squamous Cell Carcinoma, Malignant Disorders, Oropharyngeal Carcinoma. A seleção dos artigos foi realizada a partir da leitura dos títulos e resumos, priorizando estudos que abordassem aspectos clínicos, histopatológicos e moleculares do carcinoma de células escamosas, bem como estratégias de prevenção e tratamento. Foram incluídos artigos originais, revisões sistemáticas e diretrizes clínicas que apresentassem embasamento científico sólido, publicados em inglês, português ou espanhol. Por outro lado, foram excluídos trabalhos com dados incompletos, relatos de caso isolados sem fundamentação científica, estudos que não apresentassem uma metodologia clara e publicações que não contemplassem informações relevantes ao objetivo deste estudo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. REVISÃO DE LITERATURA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1&nbsp; PATOGÊNESE DO HPV NO EPITÉLIO ORAL&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estabelecimento de uma lesão relacionada ao HPV envolve a infecção de células-tronco epiteliais de longa duração ou células semelhantes a troncos da camada basal, com células basais servindo como reservatório de vírus. Em uma infecção produtiva (ou seja, produtora de virions), as proteínas iniciais virais que regulam o ciclo de vida viral (E6 e E7) são expressas em níveis suficientes para impulsionar a entrada no ciclo celular para permitir a amplificação do genoma viral nas camadas epiteliais médias, mas não a proliferação celular anormal das camadas basais e parabasais. As proteínas tardias L1 e L2, que codificam componentes da capsídea viral envolvidas na montagem viral e liberação lítica, são expressas em níveis relativamente altos nas camadas epiteliais médias durante a infecção produtiva. Embora tais lesões sejam detectáveis clinicamente (como [L]-SIL ou CIN1) de baixo grau, elas normalmente são resolvidas naturalmente dentro de 1 a 2 anos. Os tipos de HPV de alto risco impulsionam eficientemente a proliferação celular nas camadas de células basais e parabasais. As lesões de alto grau resultantes (CIN3) são caracterizadas pela falta de produção de virion de HPV (ou seja, infecção não produtiva ou abortiva); a produção de vírus é provavelmente impulsionada pelo CIN1 adjacente. A expressão de E6 e E7 é aumentada, impulsionando a proliferação celular anormal nas camadas epiteliais inferior e média, enquanto a expressão de L1 e L2 é encerrada, portanto, não ocorre mais embalagem e montagem viral. A expressão desregulada de E6 e E7 contribui para as mudanças celulares associadas à patogênese do câncer, incluindo aumento da divisão celular, menor sensibilidade à inibição de contato e inibição da diferenciação. (REUSCHENBACH M et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2 SUBTIPOS VIRAIS DO HPV</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O HPV inclui uma família de vírus de DNA que infectam as células epiteliais basais e são divididos em tipos de baixo e alto risco. Os tipos de HPV de baixo risco, também chamados de não oncogênicos, geralmente causam verrugas genitais e papilomas do trato respiratório e têm sido associados a anormalidades de baixo grau nas células cervicais. Os tipos de HPV de baixo risco e não oncogênicos mais comuns em todo o mundo são os tipos de HPV 6 e 11. Os tipos de HPV oncogênico de alto risco estão altamente associados ao câncer do colo do útero, orofaringe, ânus, vagina, vulva e pênis. Os tipos de HPV de alto risco mais comuns são 16 e 18, mas também incluem os tipos menos prevalentes de 31, 33, 45, 52 e 58. Mais de 95% dos casos de câncer cervical estão associados a HPV de alto risco, enquanto mais de 90% do câncer anal, 70% do câncer vaginal e vulvar, 60% do câncer orofaríngeo e 60% dos casos de câncer penianos estão associados ao HPV de alto risco. (ROMAM BR et al., 2021). Dessa forma, fica evidente a importância do HPV como um fator etiológico significativo no desenvolvimento de neoplasias malignas, especialmente em regiões anogenitais e orofaríngeas. O HPV de alto risco, como os tipos 16 e 18, desempenha um papel fundamental na transformação maligna das células epiteliais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.3 PAPEL DAS ONCOPROTEÍNAS E6 E E7 NA TRANSFORMAÇÃO MALIGNA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As oncoproteínas virais E6 e E7 desempenham papéis centrais nos processos cancerígenos induzidos pelo HPV. Durante o desenvolvimento do tumor, geralmente acompanha a ativação de vias de sinalização anormais. E6 e E7 induzem mudanças no ciclo celular, proliferação, invasão, metástase e outros comportamentos biológicos, afetando as vias de sinalização relacionadas ao tumor a jusante, promovendo assim a transformação maligna das células e, finalmente, levando à tumorigênese e progressão. (PENG P et al., 2024). Dessa maneira, percebe-se que a presença das oncoproteínas E6 e E7 é determinante para a progressão dos tumores induzidos pelo HPV, pois elas modificam mecanismos celulares essenciais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.4&nbsp;ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Prevalência do HPV em lesões malignas orais&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em todo o mundo, a infecção pelo HPV é um grande problema de saúde pública, principalmente porque é uma das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) mais comuns. Globalmente, a prevalência de infecção por HPV é de aproximadamente 12% com discrepâncias continentais devido ao desenvolvimento socioeconômico e ao programa de vacinação de cada país, e o câncer induzido pelo HPV tem uma prevalência de 5,1%, que varia entre gêneros e inúmeros locais anatômicos. (MENEZES SAF et al., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fatores de risco associados&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em geral, para a OSCC, fatores de risco bem estabelecidos são o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e a mastigação de tabaco, embora desde 1983, tenha sido hipótese de que a OSCC pode emergir dos subtipos de HPV de RH; em particular, o subtipo 16 do HPV (HPV-16) está associado ao comportamento sexual desprotegido. No entanto, o papel específico do HR HPV em relação aos fatores de risco da OSCC não é totalmente compreendido. (MENEZES SAF et al., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.5 DEFINIÇÃO E MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DO CEC&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O carcinoma espinocelular da boca ou carcinoma de células escamosas (CCE) é um tumor maligno que tem origem no epitélio de revestimento e é considerado o tumor maligno mais comum neste local. O carcinoma do vermelhão do lábio é geralmente visto em indivíduos com pele clara expostas a grandes quantidades de radiação solar. Cerca de 90% das lesões localizam-se no lábio inferior, aparecem como ulceração endurecida exsudativa, crostosa e indolor. A evolução do carcinoma de células escamosas é um processo de várias etapas que engloba a inativação de genes supressores do tumor e a ativação sequencial de oncogenes. São encontradas várias alterações genéticas que levam a mudança de normalidade para hiperqueratose/hiperplasia, e acontece antes do desenvolvimento de atipias histopatológicas, formando uma restrição histológica para um diagnóstico antecipado. Algumas úlceras tumorais são primeiro confundidas com aftas,&nbsp; que&nbsp; pode&nbsp; afetar o diagnóstico e&nbsp; tardar o início do tratamento&nbsp; do&nbsp; câncer.&nbsp; As&nbsp; aftas&nbsp; são&nbsp; caracterizadas&nbsp; como&nbsp; lesões&nbsp; redondas&nbsp; ou&nbsp; ovais,&nbsp; cobertas&nbsp; por&nbsp; membranas brancas&nbsp; ou amarelas,&nbsp; com&nbsp; uma&nbsp; mancha&nbsp; vermelha&nbsp; ao&nbsp; redor.&nbsp; São&nbsp; lesões&nbsp; benignas&nbsp; que&nbsp; aparecem&nbsp; geralmente na&nbsp; língua,&nbsp; lábios&nbsp; ou&nbsp; nas bochechas, embora apareçam em outras partes da boca. Não há uma causa clara para o aparecimento de aftas, mas, além das reações aos alimentos cítricos, como limão, laranja e abacaxi, os traumas também podem ser desencadeados por alterações hormonais&nbsp; ou&nbsp; imunológicas.&nbsp; Outra&nbsp; particularidade&nbsp; que&nbsp; diferencia&nbsp; as&nbsp; duas&nbsp; lesões&nbsp; é&nbsp; o&nbsp; tempo&nbsp; de&nbsp; cicatrização.&nbsp; No&nbsp; câncer,&nbsp; as úlceras não cicatrizam completamente, ao passo que as aftas podem durar de 7 a 15 dias na boca. (GUEDES C et al., 2021). Sendo assim, o câncer na região do vermelhão do lábio tende a apresentar uma evolução que envolve a alteração genética das células, indo de alterações benignas para a formação de câncer. Esse processo pode ser gradual, sendo dificultado pelo fato de algumas úlceras tumorais se confundirem com aftas, o que retarda o diagnóstico correto. As aftas, por sua vez, são lesões benignas e geralmente se curam em um curto período de tempo, ao contrário das úlceras cancerígenas, que não cicatrizam facilmente. Esse fator é crucial para a diferenciação entre as duas condições e para o início do tratamento adequado do câncer.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.6 DIAGNÓSTICO E EXAMES COMPLEMENTARES&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico é feito através de um exame clínico, incluindo visualização e palpação a fim de detectar anormalidades. Pode ser utilizado o corante azul toluidina, um corante de caráter básico utilizado para auxílio de diagnóstico. O profissional passa o corante sobre a superfície da lesão. Se a coloração ficar azul forte, o resultado é positivo, ou seja, a lesão é maligna. Caso a lesão não mantenha a coloração azul, a lesão é benigna. Examinar histopatologicamente também é importante para que se confirme o diagnóstico, para assim definir o melhor tratamento para o paciente, por isso deve ser feita uma biópsia incisional da lesão incluindo fragmento da pele normal. São utilizadas classificações histopatológicas para tentar explicar o comportamento biológico dos tumores. Os exames complementares devem ser solicitados de acordo com o comportamento biológico do tumor, ou seja, o seu grau de invasão. Caso necessário poderá ser solicitado exames laboratoriais, bioquímicos, RX da cabeça e pescoço e tomografia caso o cirurgião-dentista ache necessário. (SILVA LT et al., 2022). Nesse sentido, o diagnóstico precoce do carcinoma de células escamosas oral (CCE) é crucial para o sucesso do tratamento e a melhoria do prognóstico do paciente. Isso ocorre porque o carcinoma de células escamosas, embora seja o tipo mais comum de câncer oral, pode se apresentar inicialmente de forma assintomática ou com sintomas semelhantes a condições benignas, como aftas, o que pode atrasar a identificação do câncer. Nesse contexto, a precisão e a rapidez no diagnóstico são fundamentais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.7 A VACINAÇÃO CONTRA O HPV&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A vacinação contra o HPV é a única vacinação atual disponível para a&nbsp;prevenção do câncer. A vacinação contra o HPV enfrenta uma variedade de desafios em todo o mundo, desafios semelhantes enfrentados pela vacinação contra SARs-CoV-2, incluindo a estabilização térmica do produto vacinal e o fornecimento da cadeia de frio. Muitas melhorias na vacinação para a prevenção e tratamento do HPV estão sendo investigadas, embora provavelmente enfrentem barreiras semelhantes às vacinas atuais contra o HPV. (ROSALIK K et al., 2021). Neste contexto, a vacinação contra o HPV é uma medida preventiva importante contra o câncer, mas sua implementação global ainda encontra dificuldades logísticas e técnicas. Essas dificuldades, como a necessidade de manter as vacinas em temperaturas específicas, são desafios recorrentes em programas de vacinação em todo o mundo. Mesmo com os avanços na pesquisa, as melhorias que estão sendo exploradas para vacinas mais eficazes ainda podem enfrentar obstáculos semelhantes aos enfrentados pelas vacinas já existentes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.8 PROGNÓSTICO E RESPOSTA AO TRATAMENTO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento precoce por radioterapia&nbsp; ou cirurgia&nbsp; tem o mesmo índice&nbsp; de&nbsp; cura, portanto, a&nbsp; escolha&nbsp; do tratamento dependerá da predileção do paciente, resultados do controle da doença, estética, conveniência, custo e qualidade de vida. A cirurgia&nbsp; ainda&nbsp; é&nbsp; a&nbsp; primeira&nbsp; escolha&nbsp; para&nbsp; o&nbsp; tratamento&nbsp; do&nbsp; câncer da&nbsp; cavidade&nbsp; oral,&nbsp; pois&nbsp; tem&nbsp; boa&nbsp; acessibilidade&nbsp; e&nbsp; reduz&nbsp; a morbidade. Embora a radioterapia seja tão eficaz quanto a cirurgia, ainda apresenta algumas desvantagens, como ocasionar efeitos adversos ao tratamento oncológico como xerostomia e disfagia e o tratamento é mais longo, durando cerca de 6 a 7 semanas. Portanto, a radioterapia é geralmente usada para pacientes que não podem se submeter à cirurgia. Antes de iniciar a radioterapia, é preciso realizar um planejamento para marcar a posição do paciente e a área a ser tratada ao longo do processo de tratamento, além disso, a máscara é feita para manter a cabeça do paciente na mesma posição ao&nbsp; longo&nbsp; dos&nbsp; dias&nbsp; seguintes. Além da xerostomia&nbsp; e&nbsp; da mucosite&nbsp; oral,&nbsp; o&nbsp; tratamento&nbsp; oral&nbsp; interventivo/preventivo,&nbsp; deve&nbsp; ser realizado&nbsp; para&nbsp; diminuir&nbsp; complicações&nbsp; posteriores, como&nbsp; osteorradionecrose&nbsp; e&nbsp; cárie&nbsp; de&nbsp; radiação.&nbsp; Portanto, os&nbsp; tratamentos direcionados à saúde bucal devem ser realizados antes da radioterapia. No decorrer do tratamento, os pacientes devem manter cuidados odontológicos rigorosos, juntamente com a aplicação de flúor. (GUEDES C et al., 2021). Neste caso, o tratamento precoce do câncer oral pode ser feito com cirurgia ou radioterapia, ambos com bons resultados de cura. No entanto, a escolha entre os dois depende de vários aspectos relacionados ao paciente e ao tratamento, sendo que a cirurgia é a opção preferida devido a menores complicações. Já a radioterapia, apesar de ser igualmente eficaz, é indicada principalmente para quem não pode passar por cirurgia e requer cuidados especiais durante e após o tratamento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O carcinoma de células escamosas oral (CCE) relacionado ao HPV tem se tornado uma preocupação crescente na área da oncologia, principalmente devido à associação com o vírus HPV de alto risco, como o HPV-16. A detecção precoce, o tratamento adequado e a vacinação contra o HPV são elementos essenciais para melhorar os resultados clínicos. No entanto, cada abordagem apresenta prós e contras que precisam ser considerados para uma gestão eficaz da doença.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. Diagnóstico Precoce&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Prós:</strong>&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Aumento das taxas de cura: O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento em estágios iniciais da doença, quando o tumor é mais localizado e menos agressivo, aumentando significativamente as chances de sucesso do tratamento.&nbsp;</li>



<li>Diferenciação entre lesões benignas e malignas: O uso de exames complementares, como corante azul toluidina e biópsia, é eficaz na diferenciação de lesões, prevenindo diagnósticos tardios de câncer que poderiam ser confundidos com condições benignas como aftas.&nbsp;</li>



<li>Escolha de tratamento direcionado: O diagnóstico preciso&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">possibilita a escolha do tratamento mais eficaz, seja cirurgia ou radioterapia, baseado nas características específicas do tumor e do paciente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Contras:&nbsp;</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Dificuldade em diagnóstico precoce: Muitas lesões iniciais de carcinoma oral podem ser confundidas com outras condições mais comuns e menos graves, como aftas, retardando o início do tratamento.&nbsp;</li>



<li>Custo e acesso limitado: Em algumas regiões, a disponibilidade de métodos diagnósticos avançados, como biópsias e exames de imagem, pode ser limitada, dificultando a detecção precoce.&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Tratamento: Cirurgia vs. Radioterapia&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Prós da Cirurgia:</strong>&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Remoção eficaz do tumor: A cirurgia permite a remoção completa da lesão, o que é crucial para os casos iniciais do CCE, com boa taxa de cura e menos risco de recorrência local.&nbsp;</li>



<li>Menos efeitos adversos: Em comparação com a radioterapia, a cirurgia tende a causar menos efeitos colaterais como xerostomia (boca seca) e disfagia (dificuldade para engolir).&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Contras da Cirurgia:&nbsp;</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Morbidade e reconstrução estética: Embora eficaz, a cirurgia pode resultar em defeitos estéticos, especialmente em tumores localizados em áreas visíveis como lábios e cavidade oral, além de exigir um processo de reconstrução pós-operatória.&nbsp;</li>



<li>Possível invasividade: Em casos mais avançados, a cirurgia pode ser mais complexa e exigir procedimentos invasivos, com maior risco de complicações.&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Prós da Radioterapia:&nbsp;</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Alternativa para pacientes inoperáveis: A radioterapia é uma opção valiosa para pacientes que não podem se submeter à cirurgia devido a condições de saúde ou localização do tumor.&nbsp;</li>



<li>Eficácia semelhante à cirurgia: Quando indicada corretamente, a radioterapia pode ser tão eficaz quanto a cirurgia, especialmente para tumores em estágios mais avançados.&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Contras da Radioterapia:&nbsp;</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Efeitos adversos significativos: A radioterapia está associada a efeitos colaterais como xerostomia, mucosite oral e disfagia, que podem prejudicar a qualidade de vida do paciente.&nbsp;</li>



<li>Tratamento mais longo: O tempo necessário para a conclusão do tratamento radioterápico é mais longo (6 a 7 semanas), o que pode ser desconfortável para os pacientes e dificultar o acompanhamento clínico.&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. Vacinação contra o HPV&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Prós:&nbsp;</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Prevenção eficaz: A vacinação contra o HPV é a única medida preventiva disponível contra o câncer oral relacionado ao HPV. Ela tem mostrado ser eficaz na redução da incidência de infecções pelo HPV de alto risco, especialmente HPV-16, que está fortemente associado ao CCE.&nbsp;</li>



<li>Redução de doenças relacionadas ao HPV: A vacina também contribui para a redução de outros cânceres associados ao HPV, como câncer cervical, anal e orofaríngeo.&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Contras:</strong>&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Desafios logísticos: A distribuição e armazenamento da vacina, que exige uma cadeia de frio rigorosa, podem ser difíceis de implementar em regiões com infraestrutura limitada.&nbsp;</li>



<li>Barreiras culturais e educacionais: A aceitação da vacina pode ser influenciada por fatores culturais e pela falta de conscientização sobre a importância da vacinação, o que pode prejudicar as taxas de adesão, especialmente em populações de risco.&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. CONCLUSÃO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O carcinoma de células escamosas relacionado ao HPV representa uma das formas mais prevalentes e bem estudadas de câncer, especialmente em áreas como o colo uterino, orofaringe e oral. A infecção persistente por tipos oncogênicos do HPV, como os tipos 16 e 18, que desempenham um papel crucial na evolução das lesões precursoras, como a displasia, para o carcinoma invasivo. A correlação entre a presença do HPV e o grau de displasia reforça a importância da detecção precoce e do monitoramento constante de pacientes infectados, com o objetivo de identificar alterações celulares que possam evoluir para um câncer invasivo. Portanto, o estudo contínuo da relação entre o HPV e o carcinoma de células escamosas é essencial não apenas para o aprimoramento das estratégias de prevenção, como a vacinação e o rastreamento, mas também para a personalização do tratamento, com base nas características moleculares de cada tipo de câncer. A abordagem integrada e multidisciplinar, levando em consideração tanto os casos HPV-positivos quanto os HPV-negativos, é fundamental para melhorar o prognóstico dos pacientes e diminuir a incidência e a mortalidade associadas a esse tipo de câncer.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS&nbsp;</strong></p>



<ol class="wp-block-list">
<li>BARSOUK A. et al. Epidemiologia, Fatores de Risco e Prevenção do Carcinoma de Células Escamosas de Cabeça e Pescoço. Med Sci&nbsp;(Basileia). v. 11, n. 2, p. 42. jun.2023.&nbsp;</li>



<li>DE MENEZES SAF. et al. Prevalence and Genotyping of HPV in Oral Squamous Cell Carcinoma in Northern Brazil. Pathogens. v.27, n. 11(10), p. 1106, sep.2022.&nbsp;</li>



<li>FERRIS RL. et al. Carcinoma Orofaríngeo com Foco Especial no Carcinoma de Células Escamosas Relacionado ao HPV. Rev Pathol Anual. v. 18, p. 515-535. jan.2023.&nbsp;</li>



<li>GUEDES C. et al. CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS BUCAL: uma revisão de literatura. Scientia Generalis. v. 2, n. 2, p. 165-176. 2021.&nbsp;</li>



<li>LOUREDO BVR. Conceitos de estado da ciência do carcinoma de células escamosas orofaríngeas relacionado ao HPV: uma revisão abrangente. Oral Surge Oral Med Oral Pathol Oral Radiol. v. 134 n. 2, p. 190-205. ago.2022.&nbsp;</li>



<li>PENG Q. et al. HPV E6/E7: insights into their regulatory role and mechanism in signaling pathways in HPV-associated tumor. Cancer Gene Ther. v. 31, n. 1, p.9-17, jan.2024.&nbsp;</li>



<li>PEREIRA R. et al. Relação da infecção do papiloma vírus humano (HPV) com a apresentação de carcinomas de células escamosas de regiões da orofaringe: Uma revisão sistemática. Universidade de São Paulo. V. 55, n. 4. 2022.&nbsp;</li>



<li>REUSVHENBACH M. et al. Prophylactic HPV vaccines in patients with HPV-associated diseases and cancer. Vaccine. v. 41, n. 42, p. 61946205. 2023.&nbsp;</li>



<li>ROMAN, BR. et al. Epidemiology and incidence of HPV-related cancers of the head and neck. J Surg Oncol, v. 124, n. 6, p. 920-922, nov.2021.&nbsp;</li>



<li>ROSALIK K. et al. Human Papilloma Virus Vaccination. Viruses. v. 8, n.&nbsp;13, p.1091. jun.2021.</li>
</ol>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A UTILIZAÇÃO DA LINGUAGEM ESCRITA EM OFÍCIOS NOS AMBIENTES ADMINISTRATIVOS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/a-utilizacao-da-linguagem-escrita-em-oficios-nos-ambientes-administrativos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft PA]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Mar 2025 11:42:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Linguística, Letras e Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 141/DEZ 2024]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=203773</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202503160841 Keyla Da Silva Lima1Orientador: Prof. Me. Tiêgo Ramon Dos Santos Alencar Resumo: Este trabalho investiga a utilização da linguagem escrita em ofícios nos ambientes administrativos, analisando sua relevância para a comunicação organizacional e os desafios enfrentados na sua produção. O objetivo central da pesquisa foi compreender como a linguagem escrita impacta a [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202503160841</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide" />



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Keyla Da Silva Lima<sup>1</sup><br>Orientador: Prof. Me. Tiêgo Ramon Dos Santos Alencar</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide" />



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho investiga a utilização da linguagem escrita em ofícios nos ambientes administrativos, analisando sua relevância para a comunicação organizacional e os desafios enfrentados na sua produção. O objetivo central da pesquisa foi compreender como a linguagem escrita impacta a clareza, a formalidade e a padronização dos ofícios administrativos, contribuindo para a eficiência dos processos institucionais. A metodologia adotada incluiu uma abordagem qualitativa, com pesquisa bibliográfica e análise documental de ofícios administrativos de diferentes instituições. Os resultados apontam que a ausência de padronização, a falta de capacitação dos profissionais e as dificuldades de adaptação às novas tecnologias comprometem a efetividade desses documentos. A necessidade de equilíbrio entre formalidade e acessibilidade surge como um fator crucial para a melhoria da comunicação escrita nesses contextos. Conclui-se que a capacitação contínua e a modernização das práticas redacionais são fundamentais para otimizar a produção de ofícios administrativos, garantindo maior clareza e eficiência na comunicação organizacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>linguagem escrita; ofícios administrativos; comunicação organizacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">This work investigates the use of written language in letters in administrative environments, analyzing its relevance for organizational communication and the challenges faced in its production. The central objective of the research was to understand how written language impacts the clarity, formality and standardization of administrative tasks, contributing to the efficiency of institutional processes. The methodology adopted included a qualitative approach, with bibliographical research and documentary analysis of administrative documents from different institutions. The results indicate that the lack of standardization, the lack of professional training and the difficulties in adapting to new technologies compromise the effectiveness of these documents. The need for a balance between formality and accessibility emerges as a crucial factor for improving written communication in these contexts. It is concluded that continuous training and modernization of writing practices are fundamental to optimizing the production of administrative offices, ensuring greater clarity and efficiency in organizational communication.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: written language; administrative offices; organizational communication.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1 INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A comunicação é um elemento essencial para as relações humanas desde os primórdios da civilização, quando a necessidade de expressar emoções e opiniões impulsionou o desenvolvimento de diferentes formas de linguagem. Conforme Penteado (2012, p. 1), o termo &#8220;comunicar&#8221; origina-se do latim &#8220;comunicare&#8221;, que significa tornar comum, compartilhar informações e trocar experiências. Esse processo envolve a participação ativa dos envolvidos, garantindo que a mensagem seja compreendida de maneira eficaz. No contexto organizacional, a comunicação assume um papel ainda mais relevante, especialmente no que se refere à linguagem escrita utilizada nos ofícios administrativos. Para que a comunicação seja eficaz, é fundamental que as mensagens sejam transmitidas com clareza, objetividade e brevidade, além de considerar a escolha adequada do canal para garantir a inteligibilidade da informação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário compreendido, o presente trabalho de conclusão de curso tem como objetivo geral analisar a linguagem escrita nos ofícios administrativos, investigando sua influência na eficácia da comunicação interna. Para alcançar esse propósito, serão identificadas as características linguísticas e discursivas dos ofícios administrativos, além de investigar os desafios enfrentados na redação e interpretação desses documentos dentro do ambiente organizacional. A questão-problema que norteia esta pesquisa é: como a linguagem escrita nos ofícios administrativos afeta a eficácia da comunicação organizacional? A resposta para essa questão permitirá compreender de que maneira a clareza, a formalidade e a padronização textual contribuem para a transmissão eficiente das informações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A afirmativa levantada é que a utilização de uma linguagem inadequada nos ofícios administrativos pode comprometer a comunicação organizacional, gerando ambiguidades, dificuldades de interpretação e até mesmo impactos negativos na tomada de decisões dentro das instituições. Dessa forma, espera-se que a análise detalhada desse gênero textual possibilite a proposição de estratégias para aprimorar a linguagem escrita utilizada nos ofícios, tornando-a mais clara e eficiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A justificativa para a realização deste estudo reside na importância de compreender como a comunicação escrita nos ofícios influencia o funcionamento das organizações, tanto no setor público quanto no privado. A escrita de ofícios é uma prática fundamental nos ambientes administrativos, pois formaliza informações e decisões, garantindo o registro oficial de atos e procedimentos. No entanto, a falta de padronização e a inadequação da linguagem podem gerar ruídos na comunicação, dificultando o entendimento das mensagens e comprometendo a eficiência dos processos administrativos. Assim, este trabalho busca contribuir para a melhoria da comunicação escrita nos ambientes organizacionais, fornecendo subsídios para tornar a linguagem dos ofícios mais clara e acessível, promovendo maior eficácia na troca de informações e nas tomadas de decisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2 METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A metodologia deste estudo foi estruturada para garantir uma análise sistemática e detalhada da linguagem escrita nos ofícios administrativos. A pesquisa seguiu uma abordagem qualitativa e bibliográfica, baseada na revisão de literatura. O estudo foi conduzido com o objetivo de identificar padrões linguísticos e discursivos, além de propor estratégias para otimizar a comunicação organizacional por meio da escrita formal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a aquisição de dados, foi realizada uma pesquisa bibliográfica em fontes acadêmicas renomadas, como artigos científicos, livros e manuais de redação oficial. A busca foi conduzida no Google Acadêmico, SciELO, Periódicos CAPES e outras bases indexadas, utilizando descritores específicos como &#8220;linguagem escrita&#8221;, &#8220;ofícios administrativos&#8221;, &#8220;comunicação organizacional&#8221; e &#8220;análise discursiva&#8221;. Todos os descritores utilizados foram registrados para garantir a rastreabilidade e reprodutibilidade do estudo.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="953" height="340" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-383.png" alt="" class="wp-image-203774" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-383.png 953w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-383-300x107.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-383-768x274.png 768w" sizes="(max-width: 953px) 100vw, 953px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A seleção dos artigos seguiu critérios rigorosos. Foram incluídos estudos publicados nos últimos dez anos (2015-2025), que abordassem diretamente a relação entre a linguagem escrita e os ofícios administrativos. Foram priorizados artigos de revistas científicas de alto impacto, garantindo a relevância acadêmica e metodológica dos trabalhos analisados. Como critérios de exclusão, foram descartados textos que tratassem genericamente da comunicação organizacional sem abordar especificamente os ofícios administrativos, bem como trabalhos opinativos ou sem fundamentação teórica consistente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A coleta de dados ocorreu por meio da seleção e análise de doze artigos científicos que atendiam aos critérios estabelecidos. Os documentos analisados foram examinados para identificar características formais, padrões linguísticos recorrentes e possíveis dificuldades enfrentadas na redação e interpretação dos textos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados coletados foram organizados e exibidos por meio de categorias temáticas, permitindo uma visão clara das características da linguagem nos ofícios administrativos. A análise comparativa entre os documentos possibilitou a identificação de boas práticas e falhas comuns na comunicação escrita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O acompanhamento do desenvolvimento do estudo ocorreu por meio da revisão contínua da literatura e da validação dos achados junto a especialistas na área de comunicação organizacional. A avaliação da efetividade da pesquisa foi feita com base na aplicabilidade das estratégias propostas para aprimorar a redação dos ofícios administrativos e na contribuição do estudo para a melhoria da comunicação organizacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3 RESULTADOS E DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1 RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para garantir transparência e acessibilidade às fontes utilizadas, a tabela abaixo apresenta os artigos analisados, incluindo o nome do artigo, a revista em que foi publicado, o ano de publicação e o link para acesso:</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="695" height="188" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-385.png" alt="" class="wp-image-203780" style="width:843px;height:auto" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-385.png 695w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-385-300x81.png 300w" sizes="(max-width: 695px) 100vw, 695px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="693" height="957" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-387.png" alt="" class="wp-image-203782" style="width:843px" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-387.png 693w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-387-217x300.png 217w" sizes="(max-width: 693px) 100vw, 693px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">3.1.1 LINGUAGEM, ESCRITA E SUAS PERSPECTIVAS NO PROCESSO DE COMUNICAÇÃO</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabe-se que a comunicação é um elemento central nas interações humanas, sendo fundamental para a troca de informações e a construção do conhecimento. No contexto organizacional, a linguagem escrita, especialmente por meio de ofícios administrativos, desempenha um papel crucial na transmissão de mensagens formais e na documentação de processos internos. Para Menezes (2007), a comunicação pode ser classificada em quatro tipos distintos: intrapessoal, interpessoal, intragrupal e intergrupal. Cada uma dessas categorias possui implicações específicas no ambiente de trabalho, influenciando a forma como as mensagens são transmitidas e interpretadas dentro das instituições.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em si, a linguagem, conforme Lima (2010), é definida como um sistema complexo que possibilita a aquisição e o uso de uma determinada língua. Logo, Cunha (2009) complementa essa definição ao afirmar que a linguagem pode ser entendida como qualquer sistema de sinais utilizado para a comunicação, abrangendo desde expressões verbais até elementos não verbais, como gestos e símbolos. Porém, no ambiente administrativo, a precisão e a clareza da linguagem escrita são essenciais para garantir que as informações sejam compreendidas corretamente pelos destinatários, minimizando ou evitando ambiguidades e promovendo a maior clareza comunicacional possível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A importância da linguagem escrita no contexto organizacional é destacada por autores contemporâneos. De acordo com Silva (2012), a escolha entre linguagem formal e informal depende de fatores como idade, classe social e contexto situacional. Mas sabemos, que no ambiente corporativo, a linguagem formal é predominante, especialmente em documentos oficiais como ofícios, memorandos e relatórios. Essa formalidade assegura a objetividade, a impessoalidade e a clareza necessárias para a comunicação institucional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a comunicação escrita eficaz é uma ferramenta estratégica que fortalece a cultura organizacional e alinha as estratégias da empresa. Segundo um artigo publicado no portal Administrabrasil.com.br, &#8220;a comunicação escrita é uma habilidade indispensável no mercado de trabalho atual. Dominar a escrita empresarial é fundamental para transmitir ideias e argumentos de forma clara, persuasiva e profissional&#8221; (ADMINISTRABRASIL, 2025). Essa perspectiva ressalta a importância de uma comunicação escrita bem estruturada para o sucesso organizacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A comunicação escrita também enfrenta desafios que podem ser superados com capacitação e prática. Conforme destacado por Niero (2017), &#8220;falar com clareza e escrever com coesão e coerência, sem erros gramaticais, melhoram o currículo de qualquer profissional, fazendo com que o atendimento aos clientes internos e externos seja mais eficiente&#8221; (NIERO, 2017). Isso evidencia a necessidade de investimento no desenvolvimento das habilidades de escrita dos colaboradores para aprimorar a comunicação interna e externa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sendo assim, pode-se afirmar que a comunicação escrita nos ofícios administrativos deve seguir diretrizes bem estabelecidas para evitar falhas interpretativas e promover um fluxo informacional eficiente. A análise das perspectivas da linguagem e da escrita no processo comunicacional permite compreender a importância da escolha adequada dos termos, da estruturação lógica dos textos e da observância das normas institucionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3.1.2 A ESCRITA FORMAL NOS DIAS CONTEMPORÂNEOS</p>



<p class="wp-block-paragraph">No ambiente escolar, desde a Educação Básica, busca-se desenvolver nos alunos a capacidade de produzir textos coesos e coerentes, respeitando normas gramaticais e os diferentes gêneros textuais. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece diretrizes para o ensino da escrita ao longo dos anos escolares, destacando a necessidade de formar indivíduos proficientes na comunicação escrita (BRASIL, 1998). No Ensino Fundamental, por exemplo, os estudantes são incentivados a compreender a função dos textos e a adequação da linguagem ao contexto de produção e recepção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A questão da supremacia da escrita sobre a oralidade ainda é discutida no meio acadêmico. Marcuschi (2010) defende que ambas as modalidades possuem suas particularidades e que a escrita não deve ser vista como superior à oralidade, mas sim como um sistema complementar dentro da comunicação humana. No entanto, no contexto educacional e profissional, a escrita formal desempenha um papel fundamental na estruturação do conhecimento e na organização das informações, exigindo um ensino sistemático e contínuo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pedagogia da escrita busca desenvolver a competência escritora dos aprendentes, entendendo-a como um processo cognitivo-sócio-interacional (PALMA; TURAZZA, 2014). Nesse sentido, os estudantes precisam ser incentivados a planejar, escrever, revisar e reescrever seus textos, compreendendo a escrita como um processo e não apenas como um produto final. Para isso, a abordagem baseada nos gêneros textuais tem se mostrado eficaz, pois permite que os alunos desenvolvam a capacidade de adaptação da linguagem às diversas situações comunicativas, promovendo uma maior autonomia na produção textual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ensino da escrita formal deve ser embasado em uma perspectiva de Educação Linguística, permitindo que os alunos se tornem proficientes usuários da língua em diferentes contextos. Como destaca Bechara (1993), é fundamental que os estudantes sejam capazes de escolher a linguagem adequada para cada situação comunicativa, tornando-se verdadeiros poliglotas dentro de sua própria língua. Esse domínio da escrita formal não apenas melhora a comunicação no meio acadêmico, mas também amplia as oportunidades profissionais e sociais dos indivíduos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A produção textual eficiente envolve uma série de aspectos, incluindo a escolha do gênero adequado, a organização lógica das ideias, o uso apropriado dos recursos linguísticos e a atenção à coesão e à coerência. Nesse sentido, os gêneros textuais funcionam como instrumentos pedagógicos que auxiliam no ensino da escrita, pois permitem que os estudantes compreendam as diferentes formas de expressão e suas funções sociais. Segundo Bakhtin, os gêneros são relativamente estáveis e apresentam características próprias que devem ser compreendidas e dominadas pelos usuários da língua (SILVA, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto profissional, a escrita formal continua sendo uma exigência fundamental, principalmente em ambientes que requerem precisão e clareza na comunicação, como a administração pública e as empresas privadas. Documentos como relatórios, memorandos e ofícios são exemplos de textos que seguem normas específicas e exigem um nível elevado de formalidade e organização textual. A falta de domínio da escrita formal pode comprometer a credibilidade e a eficácia da comunicação em tais contextos, tornando-se um obstáculo para o desenvolvimento profissional dos indivíduos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, a escrita formal permanece como uma habilidade essencial nos dias contemporâneos, sendo indispensável para a vida acadêmica, profissional e social. O ensino da escrita deve ir além da simples correção gramatical, incentivando a reflexão sobre os diferentes usos da língua e a importância da adequação textual a cada situação. Dessa forma, a valorização da escrita formal na educação básica e no ensino superior contribui para a formação de cidadãos mais críticos, reflexivos e preparados para os desafios da comunicação na sociedade atual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3.1.3 REFLEXOS E DESAFIOS DA ESCRITA DE OFÍCIOS EM AMBIENTES ADMINISTRATIVOS</p>



<p class="wp-block-paragraph">É de conhecimento que a escrita de ofícios em ambientes administrativos garante um papel fundamental na formalização de processos e na comunicação institucional, independentemente da esfera administrativa que esteja inserida. Mas, apesar de sua importância, esse gênero textual enfrenta desafios significativos, que variam desde a adequação linguística até a necessidade de conformidade com normas oficiais. A crescente digitalização dos documentos administrativos também impõe novas exigências quanto à clareza, à objetividade e à padronização da linguagem escrita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Rodrigues e Almeida (2021), falhas na redação podem comprometer a interpretação da mensagem, levando a equívocos administrativos e retrabalho. A escrita de ofícios exige domínio da norma culta e a adequação do discurso ao contexto formal. Diferente da comunicação cotidiana, em que a informalidade pode ser tolerada, os ofícios requerem precisão terminológica e coesão textual. Conforme Costa e Mendes (2020), a capacitação dos profissionais na produção de documentos administrativos é essencial para evitar equívocos que possam comprometer a credibilidade institucional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto, que pode ser considerado um desafio notável, é a adaptação dos ofícios administrativos às novas tecnologias, que requer preparo e compressão. A transição dos documentos físicos para plataformas digitais também alterou a dinâmica do modo de produção e do arquivamento de ofícios, exigindo que os profissionais desenvolvam habilidades específicas relacionadas ao uso de ferramentas tecnológicas. Essa mudança impacta diretamente na maneira como os ofícios são estruturados e manipulados dentro das instituições (SOUZA; PEREIRA, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A acessibilidade e a inclusão também são questões que chamam atenção no âmbito da escrita administrativa; devido o aumento da preocupação com a acessibilidade textual, é necessário que os ofícios sejam redigidos de forma compreensível para diferentes públicos, evitando jargões excessivos e frases complexas que dificultem a interpretação e a compreensão da mensagem. Conforme Oliveira (2022), a simplificação da linguagem sem perda da formalidade é um desafio contínuo na comunicação organizacional e também necessário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a escrita de ofícios nos ambientes administrativos não apenas reflete a organização e a eficiência das instituições, mas também impõe desafios que precisam ser superados por meio de capacitação contínua, adaptação tecnológica e refinamento da comunicação escrita. O aprimoramento desse gênero textual é necessário para garantir transparência e eficácia nos processos institucionais e sobretudo em ambientes administrativos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2  Discussão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A utilização da linguagem escrita em ofícios nos ambientes administrativos é um fator importante para garantir que haja uma comunicação eficiente, a padronização documental e a transparência nos processos. Porém, a análise desse gênero textual revela desafios e implicações que requerem atenção por parte dos operadores que os produzem e das instituições que os utilizam como meio formal de comunicação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a escrita de ofícios é necessário clareza e precisão na transmissão e formulação das informações. A utilização inadequada de estruturas textuais, terminologias ambíguas ou falhas gramaticais pode causar e promover danos a interpretação do conteúdo, possivelmente resultando em retrabalho e dificultando a execução eficiente de processos administrativos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, a formalidade exigida nesse tipo de documento exige a necessidade de um domínio avançado da norma culta e do conhecimento das convenções textuais específicas do gênero. A escrita formal utilizada nos ofícios precisa equilibrar tecnicidade e acessibilidade. Mesmo que a normatização seja fundamental para a padronização e para a segurança jurídica e administrativas dos documentos, há uma crescente demanda por textos mais objetivos e menos prolixos, a fim de tornar a comunicação mais fluida e acessível a diferentes públicos. Percebe-se que esse desafio se intensifica em um contexto de transformação digital, onde a migração dos documentos para plataformas eletrônicas impõe novas exigências quanto à estrutura e formatação. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A relação entre a produção escrita e a capacitação dos profissionais envolvidos reflete uma enorme diferença. Atualmente, muitas instituições, públicas e privadas, não oferecem treinamentos contínuos para seus servidores ou funcionários administrativos, resultando em textos com inconsistências estruturais e deficiências na organização da informação; há uma necessidade urgente de investimentos na formação continuada para aprimorar a produção escrita nesse contexto. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A contínua evolução das práticas administrativas também influencia a produção de ofícios; uma vez que o avanço da comunicação organizacional tem demandado a revisão de diretrizes para que os textos escritos mantenham sua função essencial, mas se adaptem às novas formas de interação e ao uso crescente de tecnologias. A adoção de modelos mais dinâmicos de redação e a implementação de inteligências artificiais para revisar e otimizar os textos administrativos são tendências que podem impactar significativamente a forma como os ofícios são produzidos e interpretados em um futuro próximo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante compreender que a discussão sobre a escrita nos ofícios administrativos deve considerar tanto os desafios estruturais e linguísticos quanto as mudanças tecnológicas e organizacionais que influenciam esse gênero textual. Sendo que a busca por uma comunicação mais eficaz, aliada à necessidade de adaptação às novas realidades do ambiente institucional, deve, sem dúvidas nortear a produção e o aperfeiçoamento contínuo dos ofícios administrativos, garantindo sua relevância e eficiência em ambientes administrativos contemporâneos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4 CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo possibilitou identificar sua importância como elemento essencial para a comunicação organizacional. Observou-se que a clareza, a formalidade e a padronização são aspectos determinantes para a eficácia desses documentos, mas desafios como a falta de capacitação profissional e as transformações tecnológicas exigem adaptações constantes. Este estudo confirmou que irregularidades na escrita dos ofícios pode comprometer a interpretação da mensagem e gerar impactos negativos aos processos demandados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando este cenário, é importante que as instituições desenvolvam treinamentos contínuos e implementem diretrizes claras para a redação desses documentos, garantindo uniformidade e precisão na comunicação. Com novas tecnologias, modernização e a simplificação dos textos, sem perda da formalidade necessária, se tem estratégias que contribuem para uma comunicação mais acessível e eficaz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A capacitação profissional e o desenvolvimento de práticas padronizadas são alternativas excelentes para assegurar que esses documentos cumpram sua função de maneira eficiente e transparente, promovendo uma comunicação administrativa clara, objetiva e assertiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. <strong>NBR 6023</strong>: informação e documentação: referências: elaboração. Rio de Janeiro, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BAKHTIN, Mikhail. <strong>Estética</strong><strong> </strong><strong>da</strong><strong> </strong><strong>criação</strong><strong> </strong><strong>verbal</strong>. São Paulo: Martins Fontes, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BECHARA, Evanildo. <strong>Moderna gramática portuguesa</strong>. 37. ed. São Paulo: Nova Fronteira, 1993. BRASIL. <strong>Parâmetros Curriculares Nacionais: língua portuguesa</strong>. Brasília: MEC/SEF, 1998.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ADMINISTRABRASIL. <strong>A</strong><strong> </strong><strong>comunicação</strong><strong> </strong><strong>escrita</strong><strong> </strong><strong>como</strong><strong> </strong><strong>ferramenta</strong><strong> </strong><strong>de</strong><strong> </strong><strong>gestão</strong><strong> </strong><strong>empresarial</strong>. Disponível em: https://administrabrasil.com.br/a-comunicacao-escrita-como-ferramenta-de-gestao-empresarial/. Acesso em: 6 fev. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">COSTA, M.; MENDES, T. <strong>Redação Oficial e Comunicação Administrativa</strong>. São Paulo: Atlas, 2020. </p>



<p class="wp-block-paragraph">CUNHA, Karina Miranda Machado Borges. <strong>A comunicação no meio profissional</strong>. 2009.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GIL, Antonio Carlos. <strong>Como</strong><strong> </strong><strong>elaborar</strong><strong> </strong><strong>projetos</strong><strong> </strong><strong>de</strong><strong> </strong><strong>pesquisa</strong>. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIMA, Silvia Ferreira. <strong>Comunicação</strong><strong> </strong><strong>e</strong><strong> expressão através dos textos</strong>. São Paulo: Editora Biblioteca 24 horas. 1ªed: 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MENEZES, Jose Eugenio de oliveira. <strong>Communicare:</strong><strong> </strong><strong>revista</strong><strong> </strong><strong>de</strong><strong> </strong><strong>pesquisa/</strong><strong> </strong><strong>centro</strong><strong> </strong><strong>indisciplinar</strong><strong> </strong><strong>de </strong><strong>pesquisa</strong>, Faculdade Cásper Libero. V.7, nº1 (2007). – São Paulo: Faculdade Cásper Libero, 2007.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARCUSCHI, Luiz Antônio. <strong>Da</strong><strong> </strong><strong>fala</strong><strong> </strong><strong>para</strong><strong> </strong><strong>a</strong><strong> </strong><strong>escrita:</strong><strong> </strong><strong>atividades</strong><strong> </strong><strong>de</strong><strong> </strong><strong>retextualização</strong>. São Paulo: Cortez, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NIERO, J. <strong>Comunicação escrita: desafio que pode ser vencido</strong>. Fecomercio SP, 22 fev. 2017. Disponível em: https://<a href="http://www.fecomercio.com.br/noticia/comunicacao-escrita-desafio-que-pode-ser-vencido">www.fecomercio.com.br/noticia/comunicacao-escrita-desafio-que-pode-ser-vencido.</a> Acesso em: 6 fev. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA, R. <strong>Comunicação</strong><strong> </strong><strong>Organizacional</strong><strong> </strong><strong>e</strong><strong> </strong><strong>Linguagem</strong><strong> </strong><strong>Acessível</strong>. Rio de Janeiro: FGV, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PALMA, Rodrigo; TURAZZA, Alessandra. <strong>Ensino</strong><strong> </strong><strong>de</strong><strong> </strong><strong>escrita</strong><strong> </strong><strong>e</strong><strong> </strong><strong>desenvolvimento</strong><strong> </strong><strong>da</strong><strong> </strong><strong>competência</strong><strong> </strong><strong>textual</strong>. Curitiba: Appris, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">RODRIGUES, L.; ALMEIDA, P. <strong>A escrita profissional e seus desafios na contemporaneidade</strong>. Brasília: UnB, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, A. B. <strong>Variações</strong><strong> </strong><strong>linguísticas:</strong><strong> </strong><strong>uma</strong><strong> </strong><strong>abordagem</strong><strong> </strong><strong>sociolinguística</strong>. São Paulo: Editora Acadêmica, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, Ezequiel Theodoro da. <strong>A escrita e seus desafios na contemporaneidade</strong>. São Paulo: Contexto, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, C.; PEREIRA, J. <strong>Transformações</strong><strong> </strong><strong>digitais</strong><strong> </strong><strong>na</strong><strong> </strong><strong>comunicação</strong><strong> </strong><strong>administrativa</strong>. Porto Alegre: Sulina, 2019.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide" />



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup> Graduanda do Curso de Licenciatura em Letras Português, da Universidade Federal do Amapá. E-mail: kmjrd02@gmail.com.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O PAPEL DO PROFISSIONAL DA SAÚDE FRENTE A VIOLÊNCIA INFANTIL</title>
		<link>https://revistaft.com.br/o-papel-do-profissional-da-saude-frente-a-violencia-infantil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft PA]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Feb 2025 14:00:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 141/DEZ 2024]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=198201</guid>

					<description><![CDATA[THE ROLE OF THE HEALTHCARE PROFESSIONAL IN REGARD TO CHILDHOOD VIOLENCE REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202502161059 Luise Helena Leite Maciel1; Djalma Miguel da Silva Junior2; Bárbara Polli3; Amynsitha Alcântara Barreto Marques4; Karina Maria da Silva Menezes5; Cleidiane da Conceição Alves6; Marisa Gomes de Albuquerque7; Priscila Cabral Gomes8; Lucimar Pereira De Lima.9; Karina Lima Barbosa da Silva10; Luana [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">THE ROLE OF THE HEALTHCARE PROFESSIONAL IN REGARD TO CHILDHOOD VIOLENCE</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202502161059</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Luise Helena Leite Maciel<sup>1</sup>; Djalma Miguel da Silva Junior<sup>2</sup>; Bárbara Polli<sup>3</sup>; Amynsitha Alcântara Barreto Marques<sup>4</sup>; Karina Maria da Silva Menezes<sup>5</sup>; Cleidiane da Conceição Alves<sup>6</sup>; Marisa Gomes de Albuquerque<sup>7</sup>; Priscila Cabral Gomes<sup>8</sup>; Lucimar Pereira De Lima.<sup>9</sup>; Karina Lima Barbosa da Silva<sup>10</sup>; Luana Valle Testa De Moura<sup>11</sup>; Keilla Katariny Araújo de Melo<sup>12</sup>; Hermelinda Maria Batista Vanderley Chagas<sup>13</sup>; Giulliane Paula Coêlho Ferreira<sup> 14</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A violência infantil é definida como qualquer forma de abuso, negligência ou exploração que prejudica o desenvolvimento físico, emocional ou psicológico da criança. A atuação dos profissionais de saúde é fundamental, pois, em função de seu contato direto e constante com a população. A notificação compulsória é tratada como uma medida essencial para acionar os órgãos de proteção da criança, como o Conselho Tutelar e o Ministério Público. Realizou-se uma revisão integrativa da literatura, selecionando 28 estudos publicados entre 2014 e 2024, a partir de bases de dados como PubMed, SciELO, LILACS e Cochrane Library. Os critérios de inclusão englobaram artigos revisados por pares, publicados em português ou inglês, e que abordassem explicitamente a violência infantil, com foco específico nas responsabilidades e estratégias de intervenção dos profissionais de saúde. o acolhimento e a escuta comprometida, que são essenciais para o atendimento humanizado de crianças vítimas de violência. Um ambiente de empatia e confiança facilita a expressão das crianças, contribuindo para a coleta de informações relevantes para o caso.Por fim, o artigo enfatiza a importância da atuação em rede, onde profissionais de saúde trabalham em conjunto com outras áreas, como educação e assistência social, para formar uma rede de proteção integral à criança. A formação de equipes interdisciplinares e o fortalecimento da cooperação intersetorial são sugeridos como formas de garantir um acompanhamento contínuo e abrangente. o artigo destaca a necessidade de uma abordagem sistemática que inclui capacitação, protocolos institucionais claros e trabalho em rede para que os profissionais de saúde exerçam seu papel de forma eficaz, promovendo a proteção e o bem-estar das crianças.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Violência Infantil. Notificação compulsória. Acolhimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1 INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a Organização Mundial da Saúde, a violência contra crianças é um problema grave e multifacetado, que atinge milhões de jovens e compromete seu desenvolvimento integral. De forma ampla, a violência pode ser definida como qualquer ato ou omissão que cause dano físico, deficiência de desenvolvimento, privação, psicológico ou social a uma criança, colocando-a em situação de risco e vulnerabilidade de forma intencional. Entre os tipos de violência infantil, destaca-se a violência física, caracterizada por agressões que deixam marcas visíveis no corpo; a violência psicológica, que abrange atos como humilhações e ameaças que afetam o bem-estar emocional; a negligência que ocorre quando os responsáveis deixam de provar os cuidados básicos necessários à saúde e ao desenvolvimento da criança; e violência sexual, que inclui qualquer contato sexual provocado ou exposição a conteúdos sexuais.Segundo os índices coletados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública para o ano de 2022, dando continuidade à produção de dados sobre os registros dos crimes de abandono de incapaz, abandono material, maus-tratos, lesão corporal no contexto de violência doméstica, pornografia infanto-juvenil, exploração sexual infantil, estupro e mortes violentas intencionais ( QUADRO 1 ).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foi instituído no Brasil em1990pelalei nº 8.069, sendo um marco legal e regulatório dos direitos humanos de crianças e adolescentes. O ECA inspirou o direcionamento da rede de atenção as vítimas de violência infanto juvenil também aos setores de saúde a partir da criação da Política Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, que estabelece diretrizes para a proteção integral de crianças e adolescentes, garantindo-lhes direitos fundamentais como saúde, educação e segurança. Esse marco normativo também impõe a todos os cidadãos, em especial aos profissionais de saúde, a responsabilidade de agir em casos de suspeita ou notificação de violência, promovendo a proteção e o cuidado imediato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os profissionais de saúde têm uma função crucial na identificação e intervenção frente à violência infantil. Eles podem reconhecer sinais físicos, como hematomas, fraturas ou queimaduras, que nem sempre são facilmente explicados; bem como sinais comportamentais, incluindo medo, ansiedade ou retraimento social, que podem indicar uma situação de violência ou abuso. Após a identificação desses sinais, o profissional deve proceder com o acolhimento e a escuta comprometida, criando um ambiente de confiança e segurança para que a criança possa, se possível, expressar seus sentimentos e relatar o que vivenciou. A notificação compulsória é uma obrigação para profissionais de saúde em casos de suspeita ou confirmação de violência contra crianças, que protegem a vítima e acionam as redes de apoio e proteção. No Brasil, essa notificação deve ser feita a órgãos como o Conselho Tutelar, as Delegacias Especializadas e o Ministério Público. Além da notificação, os profissionais devem fornecer orientações e, quando necessário, encaminhar a criança e seus responsáveis aos serviços especializados, garantindo que as redes de proteção e reabilitação sejam acionadas. (QUADRO 2). A atuação do profissional de saúde, portanto, vai além da identificação e notificação; envolve um acompanhamento cuidadoso e contínuo da vítima, integrando-se a outros serviços da rede de apoio para garantir um atendimento humanizado e eficiente. Desta forma, o compromisso dos profissionais de saúde com a proteção infantil é essencial para combater a violência e promover um desenvolvimento saudável e seguro para as crianças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo deste artigo é analisar o papel dos profissionais de saúde na identificação, intervenção e prevenção da violência infantil, destacando a importância de sua atuação para a proteção e bem-estar das crianças. Ao final, esperamos que o artigo contribua para a conscientização sobre a relevância do papel do profissional de saúde na proteção infantil e para o fortalecimento das ações de combate à violência contra crianças.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste estudo, a revisão bibliográfica será realizada de forma sistemática, abrangendo uma ampla gama de fontes, incluindo artigos de periódicos, teses, dissertações, livros e relatórios técnicos relacionados ao papel do profissional da saúde frente à violência infantil.Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada através dos materiais científicos indexados na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS). Utilizou-se para a busca dos artigos as bases de dados: LILACS (Literatura Latino-Americana em Ciências de Saúde), ScieLO (Scientific Electronic Library On -line),PubMed, Scopus e CINAHL (Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature), entre outras, utilizando palavras-chave relevantes relacionadas ao tema, como &#8220;Violência Infantil&#8221;, &#8220;Notificação compulsória&#8221;, &#8220;Acolhimento&#8221;, entre outras. A busca será restrita a artigos em português e inglês, considerando a relevância e disponibilidade de informações nessas línguas.Os critérios de inclusão para seleção dos estudos foram estudos, artigos científicos e revisões de literatura que abordam a violência infantil, com foco específico nas responsabilidades e estratégias de intervenção dos profissionais de saúde.Serão excluídos estudos que não estejam diretamente relacionados ao tema ou que não atendam aos critérios de qualidade estabelecidos. Foram excluídas fontes não revisadas por pares ou sem respaldo científico, como artigos de opinião, textos de blog e outras fontes sem base empírica. Após a seleção dos estudos, será realizada uma análise crítica do conteúdo, identificando informações relevantes, tendências, lacunas no conhecimento e evidências científicas que possam contribuir para a construção do argumento do estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados da revisão bibliográfica serão apresentados de forma organizada e sintetizada no trabalho, fornecendo uma base teórica sólida para embasar a discussão e as conclusões.Por meio da revisão bibliográfica, espera-se obter uma compreensão aprofundada sobre o papel do profissional da saúde frente à violência infantil, integrando evidências científicas e experiências práticas relatadas na literatura especializada. Essa análise crítica permitirá identificar lacunas no conhecimento e áreas que necessitam de maior investigação, contribuindo para o avanço do campo e aprimoramento da prática clínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3 RESULTADOS E DISCUSSÕES</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A atuação dos profissionais de saúde na identificação e intervenção de casos de violência infantil representa uma das frentes mais importantes para a proteção e promoção do bem-estar das crianças. Dada a complexidade e a sensibilidade que envolve esse tema, é essencial examinar os aspectos práticos de como esses profissionais lidam com as diferentes formas de violência infantil, quais desafios enfrentam no ambiente clínico e as implicações de sua atuação para a rede de proteção. A análise da literatura e das práticas institucionais revelam um cenário multifacetado, onde a capacitação, a empatia e o cumprimento dos protocolos legais se entrelaçam para compor uma resposta eficaz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os profissionais de saúde, devido ao contato frequente com a população e sua formação específica, estão em uma posição privilegiada para identificar sinais físicos e comportamentais de violência contra crianças. Estudos mostram que, muitas vezes, a primeira apresentação da violência é sutil, com sintomas que incluem alterações comportamentais, como medo ou retraimento social, e sinais físicos inexplicáveis, como hematomas e fraturas em diferentes estágios de cicatrização. No entanto, a identificação precoce ainda enfrenta barreiras graves. Primeiramente, o conhecimento insuficiente sobre os sinais menos evidentes da violência infantil pode levar à falta de suspeitas e, portanto, de intervenção. Além disso, muitos profissionais se sentem inseguros ao interagir com as famílias ou em questionar as condições de vida da criança, o que pode ter habilidades no processo de identificação e na coleta de informações essenciais para uma avaliação completa. A capacitação continuada tem-se mostrado uma estratégia eficaz para superar essa lacuna, oferecendo aos profissionais as habilidades e o conhecimento necessários para refletir sinais de alerta e estabelecer um ambiente de confiança.O estupro é o tipo de crime com maior número de registros contra crianças e adolescentes do Brasil. Em 2022 foram quase 41 mil vítimas de 0 a 13 anos, das quais quase 7 mil tinham entre 0 e 4 anos, mais de 11 mil, entre 5 e 9 anos, mais de 22 mil entre 10 e 13 anos e mais de 11 mil entre 14 e 17 anos. Dentre as vítimas do sexo feminino, existe um pico de casos entre 3 e 4 anos de idade e, a partir dos 9 anos, o</p>



<p class="wp-block-paragraph">número de casos aumenta e alcança o seu maior valor com vítimas de 13 anos. Dentre as vítimas do sexo masculino, apesar de se tratar de menor quantidade de casos, o pico se dá aos 4 anos de idade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os crimes de maus-tratos (art. 136 do Código Penal e art. 232 do ECA) possuem números significativos de registros com vítimas de 0 a 17 anos. Em 2022 foram documentados 22.527 casos nessa faixa etária, o que significa um aumento de 13,8% em relação a 2021 e uma taxa de 45,1 registros por 100 mil habitantes dessa idade. Além disso, nota-se que o aumento ocorreu em todas as faixas etárias, porém proporcionalmente maior nas faixas de 10 a 13 e 14 a 17 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das principais ferramentas à disposição dos profissionais de saúde para combater a violência infantil é a notificação compulsória. No Brasil, esta notificação é obrigatória para qualquer suspeita ou confirmação de violência contra crianças e adolescentes, sendo um mecanismo essencial para acionar os órgãos de proteção, como o Conselho Tutelar e o Ministério Público. A notificação, quando realizada de forma eficiente, garante que a criança seja atendida pelas instituições competentes e que receba acompanhamento psicológico, social e lega.No entanto, estudos revelam que, apesar da obrigatoriedade, muitos casos não são notificados pelos profissionais de saúde. Entre os motivos mais recorrentes estão o medo de retaliação por parte das famílias, a falta de explicação sobre os procedimentos de notificação e o desconhecimento sobre a proteção legal oferecida ao profissional que denuncia. Esses fatores apontam para a necessidade de políticas institucionais que apoiem o profissional, tanto com treinamento específico sobre a legislação quanto com protocolos institucionais que garantem segurança e confidencialidade. A conscientização sobre a importância da notificação e a garantia de apoio institucional é significativamente importante para que os profissionais se sintam mais confiantes em cumprir esse dever.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da notificação, o acolhimento e a escuta são práticas fundamentais para o atendimento humanizado de crianças vítimas de violência. Esses elementos são essenciais para construir um ambiente seguro, no qual a criança possa expressar-se e relatar, se possível, os acontecimentos vivenciados. O acolhimento envolve desde o comportamento do profissional até o espaço físico em que a consulta é realizada, buscando minimizar o desconforto e o medo da criança.A escuta comprometida exige que o profissional adote uma postura de empatia e paciência, ouvindo a criança sem julgar e respeitando seu tempo. Em muitos casos, uma criança pode não sentir vontade de falar abertamente ou, devido à idade, pode não compreender totalmente a gravidade da violência vivenciada. Por isso, é importante que o profissional esteja atento a sinais não verbais e observe possíveis contradições nas histórias contadas pelos responsáveis . Esse cuidado na escuta reforça a confiança da criança no profissional e favorece a coleta de informações que podem ser cruciais para o encaminhamento adequado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os profissionais de saúde enfrentaram uma série de desafios e dilemas éticos ao lidar com casos de violência infantil. Um dos dilemas mais comuns é o conflito entre o dever de proteger a criança e o medo de interferir no ambiente familiar. Muitas vezes, os profissionais hesitam em realizar uma notificação compulsória ou em confrontar os responsáveis devido à preocupação com o impacto disso na dinâmica familiar. Contudo, a legislação brasileira é clara ao colocar a proteção da criança acima de qualquer consideração familiar, estabelecendo a notificação como uma obrigação inquestionável.Outro desafio diz respeito à falta de recursos e apoio institucional. Muitos profissionais relatam que, ao identificar e notificar um caso de violência, encontram-se sem suporte adequado para lidar com a situação, pois nem todas as instituições de saúde possuem protocolos bem definidos para o atendimento de vítimas de violência infantil. A ausência de recursos e a sobrecarga de trabalho afetam diretamente a qualidade do atendimento, criando um ambiente desfavorável para o desenvolvimento de uma abordagem integral e humanizada. A atuação dos profissionais de saúde no combate à violência infantil só é eficaz quando integrada à rede de proteção, composta por órgãos como o Conselho Tutelar, assistentes sociais, psicólogos e profissionais de educação. A rede de apoio oferece um suporte complementar e multidisciplinar que vai além do atendimento inicial, promovendo acompanhamento e apoio contínuo para a recuperação física e psicológica da criança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O trabalho interdisciplinar permite que os profissionais de saúde atuem em conjunto com outros setores, fortalecendo o acompanhamento e potencializando os resultados das disciplinas. Estudo de Souza e colaboradores (2021) aponta que crianças incluídas em uma rede integrada de proteção apresentam recuperação mais rápida e têm menos probabilidade de reviver experiências de violência. Além disso, a colaboração entre setores facilita a troca de informações e promove a conscientização sobre os sinais de violência, melhorando o monitoramento e prevenindo reincidências. A capacitação contínua é uma necessidade inegável para que os profissionais de saúde atuem de forma eficaz frente à violência infantil. Muitos estudos sugerem que a formação recebida durante a graduação é insuficiente para capacitar os profissionais na identificação de sinais de violência, que muitas vezes são sutis e ainda um olhar treinado.(Programas de educação permanente, que incluem treinamentos específicos sobre o atendimento a crianças vítimas de violência e práticas de escuta, são mostrados sintomas para melhorar a detecção de casos.  Esses treinamentos também abordam questões legais e éticas, esclarecendo aos profissionais sua responsabilidade com a notificação compulsória e os passos a serem seguidos em caso de suspeita ou notificação de abuso. A capacitação contribui para que o profissional desenvolva habilidades tanto técnicas quanto interpessoais, ampliando sua capacidade de oferecer um atendimento seguro e humanizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados das intervenções realizadas por profissionais de saúde em casos de violência infantil demonstram que o impacto de uma abordagem adequada vai além do tratamento imediato. Quando o profissional atua com base em protocolos, escuta ativa e notificação compulsória, ele contribui para a quebra do ciclo de violência, evitando que a criança volte a ser vítima e promovendo um ambiente mais seguro para o seu desenvolvimento.Entretanto, para que essas ações sejam efetivas, é fundamental que as instituições de saúde garantam suporte e condições de trabalho adequadas. A criação de protocolos institucionais claros, o fortalecimento da rede de proteção e o investimento em capacitação contínua são medidas permitidas para que os profissionais de saúde possam cumprir seu papel com segurança e eficácia. Além disso, políticas públicas que promovem campanhas de conscientização sobre a violência infantil e incentivam a denúncia são essenciais para prevenir novos casos e proteger as crianças em situação de vulnerabilidade.A análise dos resultados e desafios enfrentados pelos profissionais de saúde frente à violência infantil revela a importância de uma atuação comprometida e comprometida, baseada em princípios éticos e no conhecimento das políticas de proteção infantil. A identificação precoce, a notificação compulsória, o acolhimento e a escuta são elementos centrais para uma abordagem eficaz, que visa não apenas à proteção imediata, mas também ao apoio contínuo das crianças e suas famílias.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Observa-se que esses profissionais desempenham um papel essencial na identificação, notificação e acolhimento de crianças em situação de violência. Suas intervenções significam a proteção imediata e o acompanhamento integral dessas vítimas, contribuindo para a interrupção do ciclo de violência. No entanto, a eficácia dessa atuação depende de uma série de fatores: capacitação contínua, suporte institucional, protocolos claros e a cooperação de uma rede intersetorial de proteção.A necessidade de capacitação contínua para esses profissionais é destacada como essencial, visto que o treinamento oferecido durante a formação inicial muitas vezes é insuficiente para lidar com a complexidade e a atenção dos casos de violência infantil. Além disso, a notificação compulsória, apesar de ser uma obrigação legal, ainda enfrenta desafios de execução devido ao desconhecimento, insegurança e falta de apoio institucional.O acolhimento e a escuta são elementos fundamentais para que as crianças possam se manifestar e se sentirem seguras durante o atendimento. Um ambiente de confiança e empatia facilita a comunicação e contribui para a recolha de informações cruciais para o processo de intervenção e proteção.A cooperação intersetorial entre saúde, educação, justiça e assistência social forma uma rede de apoio essencial para oferecer um acompanhamento completo e eficaz às crianças vítimas de violência. Com o trabalho conjunto e a troca de informações entre os profissionais dessas áreas, a rede de proteção ganha força e capacidade para atuar de maneira preventiva e resolutiva.Em suma, este artigo reforça a necessidade de uma abordagem multifacetada e sistemática na proteção de crianças contra a violência. Políticas públicas que priorizam a capacitação dos profissionais de saúde, o fortalecimento das redes de proteção e a conscientização sobre a importância da notificação compulsória são passos fundamentais. Quando devidamente apoiados e capacitados, os profissionais de saúde podem exercer um papel transformador na vida das crianças vítimas de violência, garantindo um atendimento mais seguro, ético e humanizado, e contribuindo para a construção de uma sociedade que valorize a proteção e o desenvolvimento saudável de suas crianças.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ROMEIRO, Juliana et al. Violência física e fatores associados em participantes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE). Ciência &amp; Saúde Coletiva, v. 26, n. 2, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALGERI S, SOUZA LM. Violência contra crianças e adolescentes: um desafio no cotidiano da equipe de enfermagem. Revista Latino Americana de Enfermagem, 2006; 14(4): 625-631.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Lei n° 1.968, 25 de outubro de 2001. Dispõe sobre a notificação, ás autoridades competentes, de casos de suspeita ou de confirmação de maus-tratos contra crianças e adolescentes atendidos nas entidades do SUS. Brasília: casa civil, 2001.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Lei n° 8.394, 20 de dezembro de 1996. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília: casa cibil, 1996.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, Camila dos Santos; COSTA, Maria Conceição Oliveira; ASSIS, Simone Gonçalvesde; MUSSE, Jamilly de Oliveira; SOBRINHO, Carlito Nascimento; AMARAL, Magali Teresópolis Reis. Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes/VIVAe a notificaçãodaviolência infanto-juvenil, no Sistema Único de Saúde/SUS de Feira de Santana-Bahia, Brasil. Rev. Ciência &amp; Saúde Coletiva, v. 19, n.3, p.773-784, 2014</p>



<p class="wp-block-paragraph">COSTA, Dayse Kalyne Gomes da; REICHERT, Lucas Pereira; FRANÇA, Jael RúbiaFigueiredo de Sá; COLLET, Neusa. Concepções e práticas dos profissionais de saúdeacercada violência intrafamiliar contra crianças e adolescentes. Revista Trabalho educaçãoemsaúde,v.13, n.2, p.79-95, 2015</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALHÃES MLC, et al. O profissional de saúde e a violência na infância e adolescência. Revista Feminina, 2009; 37(10): 548-551.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>ANEXOS</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="669" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-605-1024x669.png" alt="" class="wp-image-198203" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-605-1024x669.png 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-605-300x196.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-605-768x501.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-605.png 1037w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">(QUADRO 1)</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="621" height="832" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-691.png" alt="" class="wp-image-198566" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-691.png 621w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-691-224x300.png 224w" sizes="(max-width: 621px) 100vw, 621px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="615" height="720" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-692.png" alt="" class="wp-image-198567" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-692.png 615w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-692-256x300.png 256w" sizes="(max-width: 615px) 100vw, 615px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">( QUADRO 2 )</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-3-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-3-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduada no Curso Superior de Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau. <em>Campus </em>Graças.e-mail: <a href="mailto:luisehelena39@gmail.com">luisehelena39@gmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>2</sup>Discente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Maurício de Nassau. <em>Campus </em>Graças.e-mail: <a href="mailto:djalma426@gmail.com">djalma426@gmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>3</sup>Discente do Curso Superior de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. <em>Campus </em>Porto Alegre. e-mail: <a href="mailto:barbara.polli@hotmail.com">barbara.polli@hotmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>4</sup>Discente do Curso Superior de Enfermagem da Universidade Tiradentes. <em>Campus </em>Imbiribeira .e-mail: <a href="mailto:mysitha@gmail.com">mysitha@gmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>5</sup>Graduada no Curso Superior de Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau. <em>Campus </em>Graças .e-mail: <a href="mailto:karina_14dhenifer@hotmail.com">karina_14dhenifer@hotmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>6</sup>Graduada no Curso Superior de Enfermagem pela Universidade Estadual Vale do Acaraú. <em>Campus </em>Sobral-CE. e-mail: <a href="mailto:cleidialves8602@gmail.com">cleidialves8602@gmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>7</sup>Graduada no Curso Superior de Enfermagem pela Universidade Paulista UNIP. <em>Campus </em>Recife.e-mail: <a href="mailto:marisa13albuquerque@gmail.com">marisa13albuquerque@gmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>8</sup>Graduada do Curso Superior de Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau. <em>Campus </em>Graças.e-mail: <a href="mailto:enfpriscila6@gmail.com">enfpriscila6@gmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>9</sup>Graduada do Curso Superior de Medicina pela Universidad Privada Abierta Latinoamericana. <em>Campus</em></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Bolívia.e-mail: <a href="mailto:lucimarsophiariverospereira@gmail.com">lucimarsophiariverospereira@gmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>10</sup>Discente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Maurício de Nassau. <em>Campus </em>Graças.e-mail: <a href="mailto:karina_lima.bs@hotmail.com">karina_lima.bs@hotmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>11</sup>Graduada do Curso Superior de Enfermagem pela Universidade Estácio de Sá. <em>Campus </em>Niterói.e-mail: <a href="mailto:Luana.testa@hotmail.com">Luana.testa@hotmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>12</sup>Graduada do Curso Superior de Enfermagem pela Universidade Paulista. <em>Campus </em>Recife. e-mail: <a href="mailto:katarinynet@gmail.com">katarinynet@gmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>13</sup>Graduada do Curso Superior de Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau. <em>Campus</em></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Graças.e-mail: <a href="mailto:Vanderleyhermelinda@gmail.com">Vanderleyhermelinda@gmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>14</sup>Discente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Maurício de Nassau. <em>Campus </em>Graças.e-mail: <a href="mailto:giullianepaula@hotmail.com">giullianepaula@hotmail.com</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>CÂNCER DE BOCA: UM ESTUDO BIBLIOGRÁFICO ENTRE CARCINOMA BASOCELULAR E CARCINOMA ESPINOCELULAR</title>
		<link>https://revistaft.com.br/cancer-de-boca-um-estudo-bibliografico-entre-carcinoma-basocelular-e-carcinoma-espinocelular/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft AR]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Feb 2025 04:04:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 141/DEZ 2024]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=196673</guid>

					<description><![CDATA[MOUTH CANCER: A BIBLIOGRAPHIC STUDY BETWEEN BSOCELLULAR CARCINOMA AND SPINOCELLULAR CARCINOMA REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202502080102 Adriana Cabral Gonçalves de Souza¹; Wanderlei Souza1; Izabella Barbosa1; Danielle Aquino1; Daniele Pessoa1; Tamires Oliveira2; Matheus Silva3; Lohanna Monteiro4; Artur Rinaldi5; Raynnara Arruda6. Resumo Introdução: O câncer é uma doença que pode afetar diversos órgãos do corpo, incluindo a pele e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">MOUTH CANCER: A BIBLIOGRAPHIC STUDY BETWEEN BSOCELLULAR CARCINOMA AND SPINOCELLULAR CARCINOMA</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202502080102</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Adriana Cabral Gonçalves de Souza¹; Wanderlei Souza<sup>1</sup>; Izabella Barbosa<sup>1</sup>; Danielle Aquino<sup>1</sup>; Daniele Pessoa<sup>1</sup>; Tamires Oliveira<sup>2</sup>; Matheus Silva<sup>3</sup>; Lohanna Monteiro<sup>4</sup>; Artur Rinaldi<sup>5</sup>; Raynnara Arruda<sup>6</sup>.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introdução:</strong> O câncer é uma doença que pode afetar diversos órgãos do corpo, incluindo a pele e a cavidade bucal. <strong>Objetivo:</strong> A pesquisa visa atualizar dados sobre subtipos de câncer de pele não melanoma em busca de capacitar odontologistas e especialidades afins de reconhecer sinais iniciais do Carcinoma Basocelular e Carcinoma Espinocelular na região perioral e boca. Implementar estratégias preventivas robustas e disponibilizar recursos indispensáveis para a identificação precoce do câncer bucal.<strong> Resultados:</strong> Segundo o Instituto Nacional de Câncer a projeção para as Américas indica que a mortalidade por câncer aumentará significativamente, atingindo 2,1 milhões de mortes até o ano de 2030 e ao examinar a incidência de tabagismo constatou-se que 61,64% dos pacientes fumantes apresentaram casos de câncer bucal afetando os lábios e outras regiões no interior da cavidade oral. <strong>Conclusões: </strong>No contexto da Saúde Bucal, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o Ministério da Saúde (MS) e o Governo Federal do Brasil estão apoiando projetos que visam o desenvolvimento de novas tecnologias centradas na prevenção, diagnóstico e tratamentos de variados tipos de câncer não melanoma. Essas iniciativas são essenciais para aprimorar a capacidade de identificar precocemente e tratar eficazmente essas condições, contribuindo para a melhoria da saúde pública. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Câncer Bucal, Exposição Solar, Carcinoma Basocelular, Carcinoma Espinocelular e Tratamento de neoplasias.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pele realiza várias atividades essenciais à saúde e bem-estar do indivíduo. Além de proteger o corpo contra uma ação violenta de um agente externo, também, regula a temperatura corporal, produz vitamina D, é sensível a dor e mantém estabilidade dos líquidos (hidrolipídico, secreção e plasma). É o maior órgão do corpo humano, constituído por três camadas a epiderme (superficial), derme (intermediária) e hipoderme (profunda), porém, pode ocorrer alterações tegumentar diante o envelhecimento, tabagismo, etilismo e principalmente a radiação solar. (BENEDETTI 2024, RODRIGUES <em>et al</em>., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos científicos indicam que a exposição excessiva ao sol durante a infância e até os 20 anos de idade constitui o principal fator de risco para o desenvolvimento de câncer de pele na fase adulta e idosa. Essa relação torna-se ainda mais relevante no contexto do Brasil, um país tropical caracterizado por vastas regiões com praias exuberantes, cachoeiras de beleza singular, atividades expostas ao ar livre como a produção de cana-de-açúcar e milho, brigadas de incêndio, construção civil e outras atividades comuns, expondo trabalhadores a luz solar constantemente. Aliás, o contato duradouro com substâncias químicas, como os bifenilos policlorados (PCBs), são conhecidos por serem cancerígenos, contribui para o risco aumentado de câncer de pele (WILD; WEIDERPASS; STEWART, 2020; INCA, 2022; ALIATTI, 2024).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="316" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-190-1024x316.png" alt="" class="wp-image-196678" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-190-1024x316.png 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-190-300x92.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-190-768x237.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-190.png 1184w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Imagem 1. Fonte: Justiça do Trabalho &#8211; Trabalhador rural ficava exposto a temperaturas entre 26,8ºC e 32ºC. https://www.migalhas.com.br/quentes/168789/exposicao-ao-sol-gera-adicional-de-insalubridade.<br>Imagem 2. Fonte: Lei de prevenção à exposição indevida ao sol &#8211; 15/12/2023. https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2023-12/lei-de-prevencao-a-exposicao-indevida-ao-sol-precisa-de<a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2023-12/lei-de-prevencao-a-exposicao-indevida-ao-sol-precisa-de-regulamentacao"></a>regulamentacao. Acesso das duas imagens em 08/07/2024.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A exposição prolongada aos raios ultravioleta (UV) pode causar diversas alterações cutâneas, incluindo queimaduras solares, envelhecimento precoce e mutações no DNA das células da pele, desenvolvendo neoplasias. As pessoas com pele mais clara são especialmente vulneráveis por produzirem menos melanina, onde o pigmento é fator responsável pela proteção natural contra os efeitos nocivos dos raios UV (MSD, 2023 e SOUSA <em>et al</em>., 2021). &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), projeta-se que entre 2023 e 2025 o Brasil registre aproximadamente 704 mil novos casos de câncer anualmente, no qual, 220 mil serão de câncer não melanoma. As regiões Sul e Sudeste são as mais afetadas, concentrando cerca de 70% dos casos e na região Nordeste, especificamente em Recife, as projeções climáticas para os próximos dez anos indicam uma tendência de redução da umidade relativa do ar, acompanhada por ventos de baixa intensidade, madrugadas consideravelmente quentes, enquanto se observa um incremento significativo na taxa de insolação. Essas alterações climáticas ressaltam a necessidade de adaptações no planejamento urbano e nas políticas ambientais para mitigar os impactos adversos à saúde pública e ao meio ambiente (MEDEIROS, GUEDES, 2020). Dentro desse cenário, é estimado que mais de 15 mil novos casos sejam de câncer da cavidade oral, sem incluir os tumores de pele não melanoma (BRASIL, MS e INCA, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo observações de Alves Teixeira <em>et al.,</em> a exposição prolongada à radiação ultravioleta (UV) constitui o principal fator etiológico para o desenvolvimento de cânceres não melanomas. Estatisticamente, segundo o INCA de 2020, a neoplasia cutânea destaca-se como a patologia oncológica mais prevalente no Brasil. Este tipo de câncer é classificado em dois tipos principais: Carcinoma Basocelular (CBC) e Carcinoma Espinocelular (CEC), conforme cita Bacelar (2021). O CEC é também conhecido como Carcinoma Epidermóide de boca ou Carcinoma de Células Escamosas (BRASIL, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O CBC é uma neoplasia cutânea que pode acometer a cabeça pescoço, olhos, boca, extremidades, orelhas, tronco e genitália. Suas manifestações clínicas incluem nódulos, pápulas, placas eritematosas com crostas, áreas hemorrágicas e bordas bem demarcadas e brilhantes, geralmente medindo cerca de 2 centímetros. Embora a progressão do CBC seja tipicamente lenta, a invasão de estruturas adjacentes pode levar a complicações severas. Portanto, é essencial determinar a classe histopatológica dos tipos de CBC para identificar aqueles com maior potencial de crescimento e infiltração, e assim, implementar a intervenção terapêutica mais adequada, melhorando a saúde e bem estar do paciente (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2024; FIRNHABER JM, 2020). &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando esses tumores malignos acometem a região perioral (ao redor da boca), a excisão cirúrgica é considerada uma abordagem terapêutica primária. O reconhecimento clínico acurado e a avaliação minuciosa das lesões da mucosa oral são capazes de detectar até 99% dos cânceres bucais (ABATI <em>et al., </em>2020). Este procedimento consiste em remover o tumor com uma margem de segurança apropriada, assegurando a remoção completa do tecido maligno e, consequentemente, minimizando a possibilidade de recidiva. Tal abordagem otimiza as chances de cura, ao erradicar integralmente as células neoplásicas presentes na área acometida. O Carcinoma Basocelular não é fatídico, mas tem grande incidência desse tipo de neoplasia, devido ao crescimento de células basais na camada externa da pele (QUEEN, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O CEC é uma neoplasia maligna e agressiva. Este tipo de câncer possui grande relevância clínica devido à presença de linfonodos nas regiões do pescoço, assoalho da boca e outras áreas adjacentes. A propagação do tumor para esses linfonodos pode resultar na disseminação de infecções e na formação de neoplasias nas regiões da cabeça, boca, véu palatino, pescoço, tronco e membros inferiores. As lesões são frequentemente observadas na língua e no assoalho bucal, podendo também afetar a orofaringe e áreas genitais, muitas vezes associadas à infecção pelo papilomavírus humano (Tan <em>et al.,</em>2023). As lesões do CEC tipicamente iniciam-se com inchaços, pequenos nódulos, manchas secas, bordas duras, escamosas ou com crostas na pele. Podem ser vermelhos, castanho-claros-claros ou escuros, branco, rosa, semelhantes a uma queratose actínica. Em casos mais graves, são requisitados exames de radiografia e tomografia, além da realização de uma biópsia incisional para remover uma amostra do tecido lesionado e uma porção de tecido saudável. Esta análise visa verificar a diferenciação celular do tumor. Os sintomas mais comuns incluem dores, fístula salivar e dificuldade de abrir a boca (trismo). Essas lesões são de difícil cicatrização, crescem rapidamente e possuem alto potencial de metástase. Devido a sua agressividade e combinação de fatores predisponentes do indivíduo, o exame clínico, diagnóstico e tratamento precoce são necessários para melhorar o prognóstico dos pacientes (ALVES-SILVA <em>et al., </em>2021) e (KIGNEL, 2020).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="311" height="295" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-19.jpeg" alt="" class="wp-image-196675" style="width:732px;height:auto" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-19.jpeg 311w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-19-300x285.jpeg 300w" sizes="(max-width: 311px) 100vw, 311px" /><figcaption class="wp-element-caption">Imagem 3. Fonte: https://www.facebook.com/profile.php?id=100063615065061&amp;locale=cs_CZ. Posts diários sobre Anatomia e Fisiologia da cabeça e do Pescoço. Acesso: 15/01/2025.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A principal diferença entre o CBC e o CEC está na origem, aparência e no padrão de crescimento maligno das células. Enquanto o CBC tende a ser menos agressivo e a crescer mais lentamente, o CEC é mais propenso a crescer rapidamente e a metastizar. Devido a essas diferenças marcantes, um exame clínico e patológico minucioso é essencial para distinguir entre esses subtipos de câncer de pele. A determinação do tipo específico de carcinoma é determinante para a escolha do tratamento mais favorável (SBD).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="508" height="402" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-20.jpeg" alt="" class="wp-image-196676" style="width:654px;height:auto" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-20.jpeg 508w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-20-300x237.jpeg 300w" sizes="(max-width: 508px) 100vw, 508px" /><figcaption class="wp-element-caption">Imagem 3: Fonte: Sociedade Brasileira de Dermatologia &#8211; https://www.affix.com.br/dezembro-laranja-reforce-os<a href="https://www.affix.com.br/dezembro-laranja-reforce-os-cuidados-com-a-sua-pele/"></a>cuidados-com-a-sua-pele/. Acesso em 14/11/2024.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as abordagens terapêuticas disponíveis, destacam-se a Terapia Fotodinâmica, Crioterapia, Excisão Cirúrgica e a Cirurgia de Mohs. A aplicação de fármacos como vismodegib e sonidegib é de suma importância, devido à sua capacidade de inibir a proliferação das células neoplásicas. Outro método terapêutico engloba a utilização do HeberFERON, cuja administração é restrita a profissionais qualificados para o manejo de pacientes de alto risco, em conformidade com os critérios rigorosos estipulados pela National Comprehensive Cancer Network (NCCN). Ademais, biomarcadores específicos são utilizados para a análise de fluidos salivares em indivíduos com condições de alto risco, proporcionando uma detecção precoce e um monitoramento contínuo do câncer. Esta metodologia avançada facilita uma intervenção terapêutica oportuna e eficaz, aprimorando significativamente os prognósticos clínicos. (BATISTA <em>et al</em>., 2022; TABERNA et al., 2020; FIDELIS, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cirurgia micrográfica de Mohs distingue-se por proporcionar uma elevada taxa de cura, preservando ao máximo o tecido sadio. Esta técnica cirúrgica meticulosa envolve a remoção do câncer de pele em finas camadas, que são examinadas microscopicamente em tempo real até a completa erradicação das células neoplásicas. Este método preservando a máxima quantidade possível de pele saudável ao redor do tumor (Bittner, 2021).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="963" height="705" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-189.png" alt="" class="wp-image-196677" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-189.png 963w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-189-300x220.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-189-768x562.png 768w" sizes="(max-width: 963px) 100vw, 963px" /><figcaption class="wp-element-caption">Imagens 1 e 2 disponibilizadas pela autora – Cirurgias realizadas pelo Dr. Wanderlei Souza, Bucomaxilofacial da Cidade de Caruaru &#8211; PE. Remoção total do Carcinoma Espinocelular. Resultados satisfatórios das biópsias, informando margens livres com tecido saudável (2023).</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Esta investigação tem como finalidade apresentar dados contemporâneos acerca dos subtipos de câncer de pele não melanoma delineados neste estudo. Objetiva capacitar acadêmicos da área de saúde, odontologistas e profissionais de especialidades afins a exercerem um papel preponderante na prevenção e diagnóstico precoce do CPNM. Esta análise visa contribuir para o aprimoramento da saúde pública e redução da incidência desses tumores, através de uma revisão bibliográfica extensiva que abrange o período de 2019 a 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi realizada uma revisão de literatura abrangente utilizando bases de dados renomadas: PubMed, Scientific Electronic Library Online (SciELO), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Medline, <strong>Research, Society and Development</strong>, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Instituto Nacional do Câncer (INCA), Organização PanAmericana da Saúde (OPAS), Ministério da Saúde, International Agency for Research on Cancer (IARC), Anais Brasileiros de Dermatologia, afim de obter um arcabouço científico amplo e atual.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seleção dessas fontes foi cuidadosamente realizada para garantir a inclusão das pesquisas relevantes, cobrindo um vasto espectro de estudos sobre câncer de pele não melanoma e câncer bucal. A análise de dados permitiu a identificação de padrões, tendências e avanços significativos no diagnóstico precoce e tratamento dessas condições.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram empregadas palavras-chave em português, como &#8220;câncer bucal&#8221;, &#8220;exposição solar&#8221;, &#8220;carcinoma basocelular&#8221;, &#8220;carcinoma espinocelular&#8221; e tratamento de neoplasias&#8221;, bem como seus equivalentes em inglês: &#8220;oral cancer&#8221;, &#8220;sun exposure&#8221;, &#8220;basal cell carcinoma&#8221;, &#8220;squamous cell carcinoma&#8221; e &#8220;early detection&#8221;. Essas palavras-chave foram utilizadas para garantir a amplitude e a significância dos artigos selecionados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir das palavras chaves foram encontrados 68 artigos, esses foram rigorosamente avaliados por dois examinadores distintos de acordo com os critérios estabelecidos. Foram incluídos artigos em uma janela temporal de 2019 a 2024, e foram excluídos artigos que não estivessem disponíveis para leitura de forma integral e estudos que fugissem à temática abordada.&nbsp; Ao todo 26 artigos foram selecionados para compor esse estudo, permitindo a identificação de padrões, tendências e avanços no diagnóstico e tratamento do carcinoma basocelular e do carcinoma espinocelular.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESULTADOS E DISCUSSÕES&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Inúmeros estudos reforçam a importância de cuidados com a pele para prevenir o câncer de pele. Medidas preventivas incluem o uso regular de protetor solar, chapéus e roupas que cubram as áreas mais expostas ao sol. Outro fator significativo é a demora em procurar atendimento para identificar lesões suspeitas, tardando o tratamento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Médicos, dermatologistas, oncologistas, e especialistas odontológicos (estomatologistas e bucomaxilofacial) são profissionais qualificados para avaliar o tipo de câncer, o comprometimento da área afetada e conduzir o melhor tratamento para a lesão, seja por cirurgia excisional, cirurgia padrão ouro de Mohs, medicamentos, terapia fotodinâmica, crioterapia, radioterapia e quimioterapia. Dessa forma, o crescimento das lesões é controlado, resultando em uma melhoria significativa no prognóstico dos pacientes, com taxas de cura que superam os 90%. É imperativo que se busque atendimento médico o mais cedo possível, no início da doença, a fim de evitar o agravamento do quadro e a ocorrência de sequelas desnecessárias.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A conscientização sobre os fatores de risco, como se expor ao Sol por longo tempo, o consumo de tabaco, álcool, obesidade, infecção pelo HPV, falta de higiene bucal e a importância de exames regulares são fundamentais para a redução da incidência e mortalidade desses tipos de cânceres. Contudo, campanhas educativas e políticas de saúde pública são necessárias para informar a população sobre a prevenção e os sinais de alerta do câncer CPNM. Dados do INCA em 2023, apresentaram a estimativa de 10.900 novos casos paro a sexo masculino e 4.200 para o sexo feminino com câncer na cavidade bucal. Devendo os profissionais dentistas realizar um exame clínico detalhado, verificando todas áreas da cavidade bucal (JIMÉNEZ, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse estudo conclui que a população brasileira, ainda, demonstra falta de cuidado com a pele e procura o profissional tardiamente, causando muitas vezes, um diagnóstico tardio, porém, avançado, na possibilidade de ser letal. São relevantes campanhas educativas em todos os meios, em especial, voltadas para aqueles profissionais que são habilitados para prevenir, detectar e realizar a intervenção apropriada. As políticas públicas devem, prioritariamente, incentivar, prevenir e orientar os cidadãos, bem como os profissionais da saúde devem estar atentos e atualizados quanto as diretrizes para diagnóstico e manejo dessas patologias.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ABATI, S.; BRAMATI, C.; BONDI, S.; LISSONI, A.; TRIMARCH, M. Oral Cancer and Precancer: A Narrative Review on the Relevance of Early Diagnosis. Int J Environ Res Saúde Pública, [s. l.], 8 dez. 2020. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7764090/. Acesso em 07/01/2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALIATTI, A.; DELAI, J.; MATANA, J.; ZARDO, L.; RADAELLI, P. (2024). EXPOSIÇÃO SOLAR E CÂNCER DE PELE: DESAFIOS E SOLUÇÕES PARA A SAÚDE DOS TRABALHADORES RURAIS. Anais do 22º Encontro Científico Cultural Interinstitucional – 2024 ISSN 1980-7406. Acesso em 24/07/2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, B. E. A. et al. Análise fractal como ferramenta complementar no diagnóstico de carcinoma mucoepidermóide (CME) e carcinoma espinocelular oral (CEC). Research, Society and Development, Paraíba, v. 11, n. 12, p. 284111234511, 2022. Acesso em 01/11/2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BACELAR, C. A; Avaliação Dos Fatores De Fotoexposição E Fotoproteção Em Pacientes Com Câncer De Pele Não Melanoma (2021); Diretoria Integrada Bibliotecas /UFMA. TCCs de Graduação em Medicina do Campus de Imperatiz (Aprovado). https://monografias.ufma.br/jspui/bitstream/123456789/7165/1/ANDERSONBACELAR.pdf. Acesso em 24/09/2024</p>



<p class="wp-block-paragraph">BATISTA&nbsp; S.,&nbsp; I.&nbsp; T.,&nbsp; &amp;&nbsp; Queiroz&nbsp; de&nbsp; Mello&nbsp; Padilha,&nbsp; I.&nbsp; (2022).&nbsp; Mecanismos Epigenéticos&nbsp; no Surgimento&nbsp; do&nbsp; Câncer: uma&nbsp;Revisão&nbsp;Bibliográfica. Ensaios e Ciência C Biológicas Agrárias e da Saúde, 26(1), 130 – 134. DOI: https://doi.org/10.17921/14156938.2022v26n1p130-134. Acesso em 28/11/2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BENEDETTI, 2024. Considerações gerais sobre radiação solar e danos à pele. &nbsp;MD, Harvard Medical School. Revisado/Corrigido: out. 2023. https://www.msdmanuals.com. Acesso em 12/08/2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BENEDETTI, Manual MSD, Harvard Medical School. https://www.msdmanuals.com/pt/casa/dist%C3%BArbios-da-pele/biologia-da-pele/estruturae-fun%C3%A7%C3%A3o-da-pele. Acesso em 08/07/2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BITTNER, Guilherme Canho et al., Cirurgia Micrográfica de Mohs: revisão de indicações, técnica, resultados e considerações. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 96, n. 3, p. 263277, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Câncer de pele. 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/cancer-de-pele. Acesso em 02/09/2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer (INCA). Estimativa 2023: Incidência de Câncer no Brasil. Rio de Janeiro: 2022. Disponível em: https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/document/estimativa-2023.pdf. Acesso em 12/08/2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FIDELIS M.C. , Stelini RF, Staffa LP, Moraes AM, Magalhães RF. Basal cell carcinoma with compromised margins: retrospective study of management, evolution, and prognosis. An Bras Dermatol. 2021;96(1):17-26. https://doi.org/10.1016/j.abd.2020.11.001 . Acesso em 28/11/2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FIRNHABER J. M. Basal Cell and Cutaneous Squamous Cell Carcinomas: Diagnosis and Treatment. Am Fam Physician. 2020 Sep 15;102(6):339-346. PMID: 32931212. Acesso em 01/11/2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GUEDES, R. V. De S.; SILVA, T. L. Do V. Análise Descritiva da Precipitação, Temperatura, Umidade e Tendências Climáticas no Recife -PE.Revista Brasileira de Geografia Física,v. 13, n. 07, p. 3234, 2020. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/rbgfe/article/view/246169. Acesso em 07/01/2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HERNANDEZ L.E. , Mohsin N, Levin N, Dreyfuss I, Frech F, Nouri K. Basal cell carcinoma: An updated review of pathogenesis and treatment options. Dermatol Ther. 2022 Jun;35(6):e15501. doi: 10.1111/dth.15501. Epub 2022 Apr 12. PMID: 35393669. Acesso em 21/10/2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JIMÉNEZ-MÉNDEZ, Edgar et al. Carcinoma oral de células escamosas en reborde alveolar. Revista ADM Órgano Oficial de la Asociación Dental Mexicana, v. 81, n. 4, p. 225-229, 2024. Acesso em 14/01/2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KIGNEL S. Estomatologia: bases do diagnóstico para o clínico geral. 3 ed. Rio de Janeiro: Santos. 2020. Acesso em 07/01/2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MEDEIROS,&nbsp; R.&nbsp; M. Insolação&nbsp; decadalpara&nbsp; o&nbsp; município&nbsp; de&nbsp; Recife -PE,&nbsp; Brasil. Revista Geográfica Acadêmica, v. 12, n. 2, p. 124–137, 2018.Disponível em: https://revista.ufrr.br/rga/article/view/5269. Acesso em 07/01/2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">QUEEN D, Knackstedt T, Polacco MA, Collins LK, Lee K, Samie FH. Charac teristics of Nonmelanoma SkinCancers of Cutaneous Perioral and Ver milion Lip Treated by Mohs Micrographic Surgery. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2019;33(2):305-11. Acesso em 21/10/2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">RODRIGUES, S. N. et al. Inquérito epidemiológico: condição de fotoproteção e diagnósticos de lesões pré-neoplásicas e de câncer de pele em uma população rural de uma região agrícola. Revista Thêma et Scientia, 2024. Disponível em: https://themaetscientia.fag.edu.br/index.php/RTES/article/view/1660. Acesso em 08/07/2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica – Câncer de Pele &#8211; https://www.sbcd.org.br/sou-paciente/para-a-sua-pele/cancer-de-pele/. Acesso em 14/11/2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sociedade Brasileira de Dermatologia – Câncer da Pele &#8211; https://www.sbd.org.br/doencas/cancer-da-pele/. Acesso em 14/11/2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, A. et al. Epidemiologia do carcinoma basocelular: uma revisão crítica. Dermatology International, v. 11, n. 1, p. 15-25, 2021. Acesso em 12/08/2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TABERNA, Miren et al. The multidisciplinary team (MDT) approach and quality of care. Frontiers in oncology, v. 10, p. 85, 2020. Acesso em 28/11/2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TAN, Yunhan et al. Oral squamous cell carcinomas: state of the field and emerging directions. International Journal of Oral Science, v. 15, n. 1, p. 44, 2023. Disponivel em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10517027/. Acesso em 25/04/2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TEIXEIRA, Mihari Alves et al. PERFIL EPIDEMIOLÓGICO SOCIAL DOS PACIENTES COM SUSPEITA DE CANCER DE PELE NO DISTRITO FEDERAL, BRASIL. Revista Enfermagem Atual In Derme, v. 97, n. ed. esp), p. e023110-e023110, 2023. https://doi.org/10.31011/reaid-2023-v.97-n.2-art.1822. Acesso em 02/09/2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WILD C. P., Weiderpass E, Stewart BW, editors. World Cancer Report: Cancer research for cancer prevention. Lyon (FR): International Agency for Research on Cancer; 2020. PMID: 39432694. Acesso em 08/07/2024.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">¹Enfermeira Pós-Graduada em Saúde do Idoso e Enfermagem Dermatológica. Atualmente é Discente do Curso Superior de Bacharelado em Odontologia do Instituto Ser Educacional &#8211; Campus Caruaru-PE. E-mail: adrianasouzaodonto@outlook.com. Contato: 81.9.9755-6668.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>APLICAÇÃO DO SISTEMA DE PRODUÇÃO ENXUTA NA ÁREA ADMINISTRATIVA DA EMPRESA AREAL UNIÃO: UMA PROPOSTA DE MELHORIA CONTÍNUA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/aplicacao-do-sistema-de-producao-enxuta-na-area-administrativa-da-empresa-areal-uniao-uma-proposta-de-melhoria-continua/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft FA]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Feb 2025 05:15:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências Sociais Aplicadas]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 141/DEZ 2024]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202502070215 Geirysjhon De Matos Dutra1,Wagner Soares de Lima2 RESUMO O presente trabalho tem como objetivo analisar e propor melhorias para os processos administrativos da empresa Areal União, localizada em Mirante da Serra, Rondônia, por meio da aplicação do Sistema de Produção Enxuta. A empresa enfrenta desafios como a falta de centralização de documentos, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202502070215</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Geirysjhon De Matos Dutra<sup>1</sup>,<br>Wagner Soares de Lima<sup>2</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>R</strong>ESUMO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O presente trabalho tem como objetivo analisar e propor melhorias para os processos administrativos da empresa Areal União, localizada em Mirante da Serra, Rondônia, por meio da aplicação do Sistema de Produção Enxuta. A empresa enfrenta desafios como a falta de centralização de documentos, dificuldades de comunicação interna e desperdício de recursos materiais, impactando a eficiência dos fluxos de trabalho. A implementação de práticas de <em>Lean Office</em> e do Sistema Toyota de Produção busca otimizar esses processos, eliminando desperdícios e melhorando a produtividade. O estudo foi baseado na análise dos fluxos atuais de trabalho e na aplicação de ferramentas como o mapeamento do fluxo de valor. A pesquisa envolveu a realização de questionários e observações diretas no setor administrativo, visando identificar os principais pontos de melhoria. Espera-se que a adoção de práticas enxutas proporcione maior eficiência operacional, redução de retrabalho e, consequentemente, maior competitividade para a empresa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Sistema de Produção Enxuta, Lean Office, desperdício, processos administrativos, mapeamento do fluxo de valor, eficiência operacional, melhoria contínua.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>A</strong>BSTRACT</h5>



<p class="wp-block-paragraph">The aim of this study is to analyze and propose improvements for the administrative processes of the company Areal União, located in Mirante da Serra, Rondônia, through the application of the Lean Production System. The company faces challenges such as the lack of document centralization, internal communication difficulties, and material resource waste, which impact the efficiency of workflow processes. The implementation of Lean Office practices and the Toyota Production System aims to optimize these processes by eliminating waste and improving productivity. The study was based on the analysis of current workflows and the application of tools such as value stream mapping. The research involved conducting surveys and direct observations in the administrative department to identify key areas for improvement. It is expected that the adoption of lean practices will result in greater operational efficiency, reduced rework, and, consequently, increased competitiveness for the company.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Lean Production System, Lean Office, waste, administrative processes, value stream mapping, operational efficiency, continuous improvement.</p>



<h5 class="wp-block-heading">1 INTRODUÇÃO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, a busca por eficiência e a redução de desperdícios têm se tornado um fator essencial para a sustentabilidade e o crescimento das organizações. Nesse contexto, o Sistema de Produção Enxuta (Lean) tem se destacado como uma estratégia eficaz, não apenas no setor industrial, onde foi originalmente desenvolvido pela Toyota, mas também em processos administrativos. A aplicação dos princípios Lean em ambientes administrativos, conhecido como Lean Office, visa otimizar os fluxos de trabalho, eliminar desperdícios e melhorar a qualidade e produtividade das atividades organizacionais. No Brasil, diversas empresas têm adotado essas práticas com o objetivo de aprimorar a gestão interna e garantir maior competitividade no mercado. A Areal União, localizada em Mirante da Serra, Rondônia, enfrenta desafios administrativos comuns a muitas empresas em crescimento, como a falta de centralização de informações, dificuldades na comunicação entre setores e desperdício de recursos materiais, o que compromete sua eficiência operacional e pode afetar sua capacidade de atender às demandas do mercado da construção civil com agilidade e qualidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse contexto, a implementação de práticas do Sistema de Produção Enxuta, como o mapeamento do fluxo de valor e o controle visual de processos, apresenta-se como uma solução viável para aprimorar a organização e a comunicação interna da empresa. A adoção dessas ferramentas não apenas melhora a eficiência dos processos administrativos, mas também contribui para melhores resultados financeiros e fortalece a competitividade empresarial. O problema de pesquisa que orienta este estudo é: Como a aplicação do Sistema de Produção Enxuta pode contribuir para a melhoria da eficiência administrativa da empresa Areal União? A partir desse problema, foram levantadas as seguintes hipóteses: a) A aplicação do Sistema de Produção Enxuta na Areal União pode reduzir desperdícios e ineficiências nos processos administrativos; b) A implementação de ferramentas Lean pode otimizar a comunicação interna e a centralização de informações, melhorando a gestão interna; c) A adoção de práticas Lean resultará em ganhos na qualidade e produtividade das atividades administrativas da empresa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo geral deste trabalho é propor melhorias nos processos administrativos da Areal União com base nos princípios do Sistema de Produção Enxuta, visando otimizar a gestão interna e reduzir desperdícios. Para alcançar esse objetivo, foram definidos três objetivos específicos: a) Identificar os principais desafios administrativos enfrentados pela empresa; b) Analisar os fluxos de trabalho existentes para detectar desperdícios e ineficiências; c) Implementar ferramentas do Sistema Lean, como o mapeamento do fluxo de valor e o controle visual de processos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relevância deste estudo está na necessidade crescente das organizações de aprimorar a gestão administrativa para garantir maior eficiência operacional, especialmente em empresas como a Areal União, que enfrentam desafios específicos relacionados à produtividade e competitividade. A aplicação dos princípios Lean pode trazer melhorias significativas, criando um ambiente de trabalho mais organizado, ágil e eficiente, e pode servir como referência para outras organizações que buscam otimizar seus processos administrativos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A metodologia adotada para este estudo foi a pesquisa bibliográfica, que forneceu a fundamentação teórica necessária sobre os conceitos do Sistema de Produção Enxuta e sua aplicação em ambientes administrativos. A pesquisa também envolveu um estudo de caso na empresa Areal União, no qual foram analisados os processos administrativos da organização e aplicadas as ferramentas Lean, como o mapeamento do fluxo de valor e o controle visual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O trabalho está estruturado em quatro capítulos: o primeiro apresenta a fundamentação teórica sobre o Sistema de Produção Enxuta, abordando seus princípios e a adaptação para o contexto administrativo; o segundo capítulo descreve o contexto da empresa Areal União e os desafios enfrentados em seus processos administrativos; o terceiro capítulo detalha a implementação das ferramentas Lean na empresa, com foco no mapeamento do fluxo de valor e no controle visual; e o quarto capítulo apresenta os resultados obtidos, avaliando os impactos das mudanças propostas na eficiência administrativa da empresa.</p>



<h5 class="wp-block-heading">2 REVISÃO DE LITERATURA</h5>



<h5 class="wp-block-heading">2.1 Sistema de Produção Enxuta (LeanManufacturing)</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A produção enxuta, também conhecida como leanmanufacturing, é um modelo de gestão originado no Sistema Toyota de Produção (STP) que visa eliminar desperdícios e aumentar a eficiência nos processos produtivos. Esse conceito tem sido amplamente adotado por empresas de diferentes setores, com o objetivo de melhorar a competitividade, reduzir custos e aumentar a satisfação do cliente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com ShigeoShingo (1996), um dos principais estudiosos do Sistema Toyota de Produção, a produção enxuta se baseia na ideia de eliminar desperdícios em todas as fases da produção, desde o fornecimento de matéria-prima até a entrega final do produto ao consumidor. O desperdício é entendido como qualquer recurso que não agregue valor ao produto, como tempo de espera, excesso de estoques, movimentação desnecessária e retrabalho. A filosofia enxuta propõe que a eliminação desses desperdícios seja contínua, através de uma gestão focada na melhoria constante dos processos, também conhecida como Kaizen.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A metodologia lean é estruturada em torno de vários princípios, incluindo a padronização do trabalho, o foco na melhoria contínua e o respeito aos colaboradores, considerando-os agentes ativos no processo de melhoria (Lacerda, 2015). O just in time (JIT), que visa a produção de itens apenas quando necessários, e o kanban, um sistema de controle visual que facilita a gestão dos fluxos de materiais, são algumas das ferramentas utilizadas para reduzir o desperdício e melhorar o desempenho operacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A aplicação da produção enxuta, ou <em>leanmanufacturing</em>, não se limita apenas ao setor industrial, embora sua origem esteja intimamente ligada à produção de bens no contexto de grandes fábricas, como as observadas no Sistema Toyota de Produção. A partir do sucesso desse modelo, diversos estudiosos e especialistas, como Womack e Jones (2004) e Tapping e Shuker (2010), destacaram a possibilidade de estender os princípios do <em>lean</em> para outros contextos, incluindo as áreas administrativas, com a introdução do conceito de <em>lean office</em>.</p>



<h5 class="wp-block-heading">2.2. Lean Office e sua aplicação em ambientes administrativos</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O <em>lean office</em> refere-se à adaptação dos conceitos de <em>lean</em> para o ambiente de trabalho administrativo, com o objetivo de otimizar processos que, muitas vezes, são menos visíveis e frequentemente ignorados no que tange à eficiência operacional. Entre os processos que podem ser melhorados com a aplicação do <em>lean office</em>, destacam-se a gestão de documentos, o controle de agendas, a comunicação interna e o fluxo de informações. Esses aspectos, muitas vezes, sofrem com desperdícios que, embora não tão evidentes como em uma linha de produção industrial, podem gerar ineficiência significativa nas organizações (Tapping e Shuker, 2010).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O conceito de desperdício, conforme descrito por Shingo (1996) e mais tarde explorado por Womack e Jones (2004), é um dos pilares da produção enxuta. No contexto do <em>lean office</em>, desperdícios podem se manifestar de diversas formas, como o tempo perdido na busca por documentos, o retrabalho causado pela falta de organização e a espera por informações que não chegam no momento necessário. A aplicação dos princípios do <em>lean</em> visa eliminar esses desperdícios, tornando os processos mais ágeis e menos propensos a erros, o que resulta em uma maior eficiência e redução de custos indiretos.Por exemplo, a gestão de documentos, uma área crítica em muitas organizações, pode ser significativamente otimizada com o uso de técnicas <em>lean</em>.</p>



<h5 class="wp-block-heading">2.3 Ferramentas da Produção Enxuta</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A implementação de sistemas de armazenamento e recuperação de informações mais eficientes, a digitalização de documentos e a padronização de processos são algumas das ferramentas que permitem não apenas reduzir o tempo gasto na busca por arquivos, mas também minimizar os custos relacionados ao espaço físico de armazenamento e ao gerenciamento manual de documentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O controle de agendas, por sua vez, pode ser otimizado através do uso de sistemas automatizados que permitem a visualização em tempo real das disponibilidades dos envolvidos, evitando falhas de comunicação e sobrecarga de trabalho. A comunicação interna, um processo crucial em qualquer organização, pode ser aprimorada por meio de ferramentas digitais que facilitam o compartilhamento de informações de maneira mais eficiente e transparente. Além disso, o fluxo de informações pode ser simplificado com a implementação de sistemas que centralizam a troca de dados e eliminam redundâncias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A aplicação dos princípios do <em>lean</em> no ambiente administrativo não só busca a eliminação de desperdícios, mas também foca na melhoria contínua. O <em>Kaizen</em>, que é uma filosofia central da produção enxuta, também pode ser transferido para o <em>lean office</em>. Essa filosofia de melhoria contínua implica a constante busca por maneiras de aprimorar os processos administrativos, seja por meio de inovações tecnológicas, seja por meio da revisão constante de práticas e rotinas (Womack e Jones, 2004).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso do mapeamento do fluxo de valor (valuestream mapping), conforme defendido por Rother e Shook (2003), é uma das ferramentas mais eficazes para identificar e eliminar desperdícios em qualquer tipo de processo. Esta técnica permite a visualização do fluxo de atividades e recursos dentro de uma organização, proporcionando uma representação clara dos processos desde a entrada de matéria-prima até a entrega do produto final ao cliente. Com essa visualização, é possível identificar facilmente os gargalos, áreas de ineficiência e pontos críticos onde os desperdícios, como tempo de espera, movimentação excessiva de materiais e retrabalho, ocorrem. Essa ferramenta é fundamental para entender o impacto de cada etapa no processo produtivo, facilitando a tomada de decisões para a eliminação de desperdícios e a melhoria contínua, um princípio central da filosofia lean (Womack&amp; Jones, 2004). Através do mapeamento do fluxo de valor, as organizações podem priorizar as áreas que necessitam de intervenção imediata, otimizando os recursos e acelerando o processo de produção, como foi demonstrado por Shingo (1996) em seus estudos sobre o Sistema Toyota de Produção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a adaptação de práticas lean para o gerenciamento de cadeias de suprimentos tem mostrado benefícios consideráveis, conforme argumenta Ballou (2018). Ele discute como a produção enxuta pode ser integrada ao planejamento da cadeia de suprimentos, permitindo uma melhor sincronização entre fornecedores e fabricantes. Isso é alcançado por meio de uma abordagem mais eficiente de gerenciamento de estoques e fluxo de materiais, o que resulta em menores níveis de inventário e maior flexibilidade na resposta às flutuações da demanda. A redução dos estoques, como enfatizado por Shingo (1996), não só diminui os custos de armazenagem, mas também reduz o risco de obsolescência de materiais, criando um ambiente de trabalho mais ágil e responsivo. Com uma cadeia de suprimentos mais enxuta, as empresas conseguem minimizar o lead time, melhorando a entrega de produtos e serviços e, consequentemente, aumentando a satisfação do cliente (Ballou, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A integração dos conceitos de produção enxuta na gestão de cadeias de suprimentos também permite que as empresas adotem práticas como o Just in Time (JIT), que visa a entrega de materiais na quantidade e no momento exato, eliminando a necessidade de grandes estoques e otimizando o uso de recursos (Liker, 2005). Segundo Womack e Jones (2004), a aplicação do JIT e do mapeamento do fluxo de valor pode transformar a maneira como as empresas operam, permitindo-lhes melhorar a eficiência operacional e reduzir custos. A chave para o sucesso dessa integração reside na colaboração estreita entre os fornecedores e a empresa, garantindo que a produção seja ajustada de acordo com as necessidades reais do mercado e evitando excessos que poderiam resultar em desperdícios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além de sua aplicação no ambiente de manufatura, a produção enxuta também tem sido eficaz em setores como o gerenciamento de serviços e operações administrativas. Tapping e Shuker (2010) ressaltam que práticas como o mapeamento de processos e a eliminação de desperdícios podem ser igualmente valiosas em ambientes não industriais, como escritórios e centros de atendimento ao cliente. Ao aplicar os mesmos princípios de eficiência e melhoria contínua, essas práticas promovem a otimização dos processos administrativos, como a gestão de documentos e o fluxo de informações, com impactos diretos na redução de custos indiretos e no aumento da produtividade organizacional. Isso reforça a ideia de que os conceitos da produção enxuta podem ser universalmente aplicados, independentemente do tipo de setor, e que sua adaptação a diferentes contextos pode gerar melhorias significativas em diversos tipos de processos (Rother&amp;Shook, 2003).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A adoção do sistema de produção enxuta proporciona uma série de benefícios tangíveis e intangíveis para as empresas. Entre os benefícios mais imediatos, destaca-se a redução de custos operacionais, como apontado por Shingo (1996) e Slack, Chambers e Johnston (2015), que enfatizam a importância da eliminação de desperdícios como forma de melhorar a rentabilidade das empresas. A redução de estoques, por exemplo, não apenas diminui o custo com armazenamento, mas também reduz o risco de obsolescência e de produtos com defeitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro benefício importante da produção enxuta é a melhoria na qualidade dos produtos. Ao implementar ciclos de feedback rápido e controles de qualidade em cada etapa da produção, a empresa consegue identificar problemas mais cedo e realizar correções de forma proativa, antes que os produtos defeituosos cheguem ao cliente final. A filosofia jidoka, que busca automatizar e detectar falhas durante a produção, é um exemplo desse foco contínuo na qualidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a implementação de sistemas enxutos promove um ambiente de trabalho mais organizado e colaborativo. De acordo com Liker (2005), a produção enxuta não apenas melhora os resultados financeiros, mas também estimula o engajamento dos funcionários, que são incentivados a sugerir melhorias e a participar ativamente na solução de problemas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora os benefícios da produção enxuta sejam amplamente reconhecidos, a implementação do modelo nas empresas pode apresentar desafios significativos. O primeiro desafio é a resistência à mudança, especialmente em empresas com uma cultura organizacional enraizada em práticas tradicionais de gestão. Além disso, a formação e o treinamento adequados dos colaboradores são fundamentais para garantir o sucesso da implementação. A transformação para um sistema enxuto exige um comprometimento das lideranças e uma mudança de mentalidade em todos os níveis da organização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro desafio é a adaptação das ferramentas e técnicas lean às especificidades de cada empresa. Não existe um modelo único que possa ser replicado em todas as organizações, sendo necessário um estudo detalhado do contexto e das necessidades da empresa para definir as melhores práticas a serem aplicadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A produção enxuta é uma filosofia de gestão que visa eliminar desperdícios e aumentar a eficiência dos processos produtivos. Sua aplicação tem se expandido para além das fábricas, sendo adaptada para setores administrativos e cadeias de suprimentos, proporcionando benefícios significativos em termos de redução de custos, aumento de qualidade e melhoria do ambiente de trabalho. No entanto, sua implementação exige um planejamento cuidadoso, treinamento contínuo e o engajamento de todos os colaboradores da organização. Com a adaptação correta e a adoção das ferramentas apropriadas, a produção enxuta pode se tornar um diferencial competitivo importante para empresas em diversos setores.</p>



<h5 class="wp-block-heading">3 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A Areal União é uma pequena empresa localizada em Mirante da Serra, Rondônia, fundada em 2012, com atuação no nicho de materiais de construção. Seu portfólio inclui a venda de produtos como areia, brita, cimento, tijolos, telhas, argamassa, entre outros materiais para a construção civil. A empresa também oferece serviços de entrega e consultoria para a escolha de materiais, atendendo principalmente construtoras, empreiteiras locais, pequenos e médios lojistas de materiais de construção, proprietários de obras e reformas residenciais, além de prefeituras e órgãos públicos que contratam materiais para infraestrutura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com um faturamento anual estimado de R$ 3,5 milhões, a Areal União conta com 25 colaboradores distribuídos em setores como Administrativo, Comercial, Logística, Financeiro, Recursos Humanos, Atendimento ao Cliente e Estoque. Entre as funções desempenhadas, estão o atendimento ao cliente e vendas diretas, gestão de pedidos e controle de estoque, logística de transporte e entrega de materiais, controle financeiro e faturamento, gestão de pessoal e folha de pagamento, além do relacionamento com fornecedores. A empresa possui como principais fornecedores indústrias de cimento como Votorantim e CSN Cimentos, fabricantes regionais de tijolos e telhas, distribuidores de areia e brita do estado de Rondônia, e atacadistas de ferragens e produtos para acabamento.</p>



<h5 class="wp-block-heading">4 MATERIAIS E MÉTODOS</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A metodologia adotada para a análise e proposição de melhorias nos processos administrativos da empresa Areal União foi baseada em um diagnóstico qualitativo, com o objetivo de identificar os principais problemas operacionais e sugerir soluções práticas através da aplicação dos princípios do Sistema de Produção Enxuta. A pesquisa foi conduzida em duas fases: o planejamento e a aplicação da pesquisa.</p>



<h5 class="wp-block-heading">4.1 Tipo de Pesquisa e Abordagem</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O primeiro passo para a coleta de dados foi realizar uma análise preliminar das atividades diárias no setor administrativo da empresa, focando em áreas específicas como a organização de documentos, controle de materiais, gestão de agenda e comunicação interna. Durante essa etapa, foi elaborado um questionário com perguntas abertas e fechadas, para que a colaboradora da empresa, responsável pelas atividades administrativas, pudesse identificar os principais desafios enfrentados no dia a dia. A observação direta também foi realizada, permitindo uma visão mais detalhada das práticas correntes e da fluidez dos processos. A pesquisa teve como principal objetivo identificar os pontos de ineficiência que geram retrabalho, aumentam os prazos e prejudicam a produtividade.</p>



<h5 class="wp-block-heading">4.2 Coleta de dados</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa foi aplicada no dia 13 de setembro de 2024, com a colaboração da secretária da empresa, que participou ativamente do processo de identificação das dificuldades operacionais. Através da observação e dos questionários aplicados, foi possível confirmar que o maior desafio encontrado na rotina administrativa era o desperdício de recursos materiais, como o uso excessivo de papel, e a falta de um sistema centralizado para o armazenamento e o controle de documentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a comunicação entre os setores apresentou falhas, o que compromete a eficiência e a coordenação das atividades. A pesquisa identificou que esses problemas podem ser mitigados com a implementação de ferramentas de gestão que seguem os princípios de produção enxuta, como a digitalização de documentos e o uso de plataformas compartilhadas para o gerenciamento de tarefas e comunicação interna.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A coleta de dados através de observação direta e questionários permitiu uma análise precisa dos fluxos de trabalho e das falhas nos processos administrativos, criando uma base sólida para a proposição de melhorias através da aplicação do conceito de <em>Kaizen</em> (melhoria contínua) e de ferramentas do Sistema Toyota de Produção, que visam a eliminação de desperdícios e o aumento da produtividade na administração de empresas.</p>



<h5 class="wp-block-heading">4.3 Técnica de Análise dos Dados</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Para a análise dos dados coletados, utilizou-se a técnica da&nbsp;Análise de Conteúdo, conforme proposta por Bardin (2016). Esse método permitiu a categorização das informações obtidas por meio das respostas aos questionários e das anotações da observação direta, possibilitando a identificação dos principais problemas e gargalos nos processos administrativos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise foi estruturada em três etapas principais:</p>



<ol style="list-style-type:lower-alpha" class="wp-block-list">
<li>Pré-análise – Organização dos dados coletados, leitura flutuante das informações e identificação de categorias de análise (desperdícios, falhas de comunicação, retrabalho, entre outros).</li>



<li>Exploração do material – Codificação e classificação dos dados conforme os princípios do Lean Office, destacando pontos críticos e oportunidades de melhoria.</li>



<li>Tratamento e interpretação – Discussão dos achados à luz do referencial teórico, relacionando os problemas identificados com as ferramentas do Sistema de Produção Enxuta, como Mapeamento do Fluxo de Valor (VSM), 5S e Just in Time.</li>
</ol>



<h5 class="wp-block-heading">5 RESULTADOS E DISCUSSÃO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos processos administrativos da Areal União e da Serralheria revelou uma série de problemas estruturais que impactam diretamente a eficiência operacional dessas empresas. Entre os principais problemas identificados, destacam-se a desorganização na gestão documental, a gestão ineficiente de agendas e prazos e a comunicação ineficaz entre os setores. Essas falhas operacionais resultam em perda de tempo, erros e retrabalho, afetando a produtividade e a satisfação dos clientes. No entanto, as soluções propostas buscam resolver essas questões e promover a transformação dos processos de acordo com os conceitos da produção enxuta, que visa eliminar desperdícios e otimizar o fluxo de trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A desorganização na gestão de documentos foi um dos problemas mais evidentes nas visitas realizadas às instalações da Areal União e da Serralheria. A falta de um sistema estruturado para armazenar e organizar os documentos administrativos e técnicos gerava atrasos e dificultava o acesso às informações necessárias. Além disso, a dependência de documentos físicos ocupava muito espaço e recursos que poderiam ser melhor aproveitados. A solução proposta para esse problema foi a implementação de um sistema digital de gestão documental, utilizando ferramentas como Google Drive ou Microsoft OneDrive, que permitirão a centralização de todos os arquivos em um único local, acessível e seguro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com isso, os colaboradores terão acesso rápido e fácil às informações, sem a necessidade de procurar fisicamente por documentos ou depender de arquivos em papel. Essa ação está alinhada com o conceito de Kaizen, promovendo a melhoria contínua ao eliminar desperdícios e otimizar o tempo gasto na busca por documentos. A digitalização de arquivos, além de reduzir custos com impressão e armazenamento, facilita o trabalho administrativo e melhora a eficiência dos processos operacionais, representando uma importante aplicação da produção enxuta no setor administrativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro problema crítico identificado foi a gestão ineficaz de agendas e prazos, que comprometia a coordenação entre os setores da Areal União e da Serralheria. O não cumprimento de prazos resultava em atrasos na entrega de serviços e prejudicava o fluxo de trabalho. Para resolver essa questão, foi sugerido o uso de ferramentas de calendário compartilhado, como o Google Agenda, que possibilitam a visualização em tempo real de compromissos e prazos. Essa ferramenta garantirá que todos os colaboradores estejam cientes dos prazos e compromissos, com a possibilidade de alertas e notificações para evitar esquecimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gestão eficiente da agenda, nesse sentido, está em conformidade com o conceito de Just in Time (JIT), que preconiza a entrega de informações e recursos no momento exato em que são necessários. Ao permitir que as equipes estejam sincronizadas e informadas sobre os compromissos, essa solução evita a sobrecarga de tarefas e garante que os prazos sejam cumpridos, resultando em uma maior produtividade e organização no fluxo de trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A comunicação interna também foi um ponto crítico nas empresas analisadas. A falta de canais rápidos e eficientes para a troca de informações entre os departamentos gerava mal-entendidos e falhas operacionais. Para solucionar esse problema, foi proposto a criação de canais de comunicação ágeis, como grupos de mensagens ou e-mails corporativos direcionados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso de ferramentas como WhatsApp, Slack ou e-mail corporativo permitirá uma comunicação mais eficaz, garantindo que as informações sejam compartilhadas de forma clara e rápida entre os setores. Essa ação está alinhada com o princípio de fluxo contínuo, que visa eliminar intervalos desnecessários entre as etapas do processo e garantir uma troca de informações eficiente. Ao integrar essas ferramentas de comunicação, será possível evitar retrabalhos, minimizar erros e melhorar a coordenação entre as equipes, o que, por sua vez, aumentará a eficiência e a qualidade dos serviços prestados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a implementação dessas soluções, espera-se uma melhora significativa na organização e no fluxo de trabalho administrativo das empresas. A centralização dos documentos facilitará o acesso rápido às informações, o controle de prazos será mais eficiente e a comunicação interna será mais clara e ágil, evitando falhas e retrabalho. Ao aplicar os princípios da produção enxuta, como Kaizen e Just in Time, as empresas estarão adotando práticas que visam eliminar desperdícios e melhorar continuamente seus processos. O impacto esperado dessas mudanças é um aumento da produtividade, redução de custos operacionais e maior satisfação dos clientes, já que a empresa será capaz de entregar seus produtos e serviços de forma mais eficiente e dentro dos prazos estabelecidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em termos práticos, durante as visitas realizadas à Serralheria, foi identificado que a falta de um sistema organizado para armazenar orçamentos e projetos resultava em atrasos na elaboração de novas propostas para os clientes. Com a digitalização dos documentos e o uso de uma plataforma centralizada, as equipes poderão acessar os históricos de clientes e orçamentos anteriores de forma rápida, o que permitirá a elaboração de propostas mais rápidas e precisas. Além disso, a falta de clareza nos prazos e compromissos dificultava a organização das entregas na Areal União, o que poderia ser facilmente resolvido com o uso de uma ferramenta de agenda compartilhada, garantindo que todos os setores envolvidos estejam sincronizados e cientes dos prazos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Serralheria, a comunicação entre o setor de vendas e a produção era um ponto crítico. Mudanças nos pedidos dos clientes nem sempre eram comunicadas a tempo, o que resultava em peças sendo produzidas de forma incorreta. A implementação de um canal de comunicação direto e ágil entre esses setores, utilizando uma ferramenta de mensagens rápida, como o WhatsApp, permitirá que as alterações nos pedidos sejam enviadas imediatamente, evitando erros e retrabalhos. Esse exemplo ilustra bem como a comunicação eficiente, integrada com as ferramentas digitais, pode melhorar o fluxo de trabalho e reduzir custos com retrabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, a análise das práticas observadas na serralheria e no Areal União com base nas teorias da produção enxuta, conforme discutido por autores como Womack e Jones (2004), Ohno (1997) e Rother e Shook (2003), revela que a implementação de conceitos-chave pode promover melhorias significativas tanto em termos de redução de desperdícios quanto de otimização de processos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O conceito central da produção enxuta é a eliminação de desperdícios (muda), que se manifesta em várias formas, como o tempo de espera, o excesso de estoques, o retrabalho, os defeitos e os movimentos desnecessários (Womack e Jones, 2004). Nos casos observados, um exemplo claro de desperdício foi o gerenciamento de documentos. A prática de arquivamento físico ineficiente, identificada na serralheria e no Areal União, pode ser ligada ao desperdício de tempo de espera, uma das formas mais comuns de desperdício nos processos administrativos. A proposta de digitalização e centralização dos documentos reflete diretamente a aplicação do princípio de fluxo contínuo, conforme recomendado por Rother e Shook (2003), que argumentam que a documentação digitalizada facilita o acesso rápido e elimina atrasos causados pela busca manual de informações. Essa ação permite não apenas a redução do tempo de espera, mas também contribui para a padronização dos processos, outro princípio essencial da produção enxuta (Ohno, 1997).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto importante de análise é a gestão de materiais e estoque, que, segundo a produção enxuta, deve ser feita de forma que se evite o excesso de inventário e que a reposição ocorra de maneira eficiente, sem falhas (Shingo, 1996). Na serralheria e no Areal União, foi identificado que a falta de controle eficaz sobre os materiais resultava em excessos de estoque e, em alguns casos, na falta de materiais essenciais. Para resolver esse problema, foi sugerido o uso de ferramentas de controle de estoques, como sistemas de reposição automatizada e mais eficientes. O conceito de Just in Time (JIT), conforme proposto por Ohno (1997), pode ser claramente aplicado aqui: garantir que materiais sejam comprados e entregues exatamente quando necessário, reduzindo o estoque excessivo e minimizando os custos de armazenagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A comunicação interna também foi um fator relevante em ambas as empresas, onde a falta de integração entre os setores resultava em falhas no fluxo de trabalho. A introdução de canais de comunicação diretos e rápidos, como grupos de WhatsApp ou plataformas digitais de comunicação, alinha-se ao conceito de fluxo de informações contínuo dentro do modelo da produção enxuta. A comunicação eficiente é essencial para o bom funcionamento das operações, conforme destacado por Liker (2005), que sugere que a informação precisa ser compartilhada em tempo real para que decisões rápidas e precisas possam ser tomadas, evitando erros e retrabalhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o conceito de Kaizen, que defende a melhoria contínua por meio de pequenos ajustes constantes, foi observado nas sugestões de implementação de calendários compartilhados e revisão de processos administrativos. A utilização do Google Agenda, por exemplo, permite o controle mais eficaz de prazos e compromissos, evitando atrasos e falhas no cumprimento das metas. A padronização de processos e a melhoria contínua desses fluxos administrativos são práticas que seguem diretamente os princípios da produção enxuta e têm como objetivo eliminar as ineficiências no ambiente de trabalho (Womack e Jones, 2004).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, o mapa de fluxo de valor, uma ferramenta central na produção enxuta, também pode ser aplicada para identificar pontos de melhoria nos processos de ambas as empresas. De acordo com Rother e Shook (2003), mapear o fluxo de valor é essencial para entender todos os passos de um processo e identificar onde ocorrem os desperdícios. Em ambas as empresas, uma análise detalhada do fluxo de trabalho e do mapeamento das etapas envolvidas permitiu identificar áreas de melhoria, como o gerenciamento de documentos e a comunicação entre setores, que podem ser aprimoradas por meio de soluções mais eficientes, como a digitalização e a integração de ferramentas tecnológicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, as práticas observadas na serralheria e no Areal União estão alinhadas com os princípios da produção enxuta, como a eliminação de desperdícios, a melhoria contínua e o foco na eficiência dos processos. A implementação de soluções como a digitalização de documentos, o controle de estoques e a melhoria da comunicação interna demonstra um compromisso com a criação de valor e a redução de custos, essenciais para a competitividade no contexto industrial atual, conforme discutido por autores como Womack e Jones (2004), Shingo (1996) e Liker (2005).</p>



<h5 class="wp-block-heading">6 CONCLUSÃO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho teve como objetivo analisar e propor a aplicação do Sistema de Produção Enxuta (leanmanufacturing) na área administrativa da empresa Areal União, com o intuito de promover melhorias contínuas nos processos e, consequentemente, aumentar a eficiência e reduzir desperdícios. A abordagem adotada envolveu a identificação de práticas administrativas ineficientes, o mapeamento do fluxo de trabalho e a proposição de soluções baseadas nos princípios da produção enxuta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo da pesquisa, foi possível observar que, embora o conceito de lean seja amplamente reconhecido no contexto industrial, sua aplicação em áreas administrativas ainda apresenta um grande potencial de melhoria. No caso da Areal União, diversos problemas administrativos foram identificados, como a falta de organização nos processos de gestão de documentos, a comunicação interna ineficiente e a dificuldade em gerenciar agendas e fluxos de informação. Esses problemas geravam desperdícios de tempo, esforço e recursos, comprometendo a produtividade geral da empresa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A proposta de melhoria contínua baseada no Sistema de Produção Enxuta foi estruturada a partir da adaptação de ferramentas como o mapeamento de fluxo de valor, o Just in Time, a padronização de processos e a organização do ambiente de trabalho, para um contexto administrativo. A partir dessas práticas, sugeriu-se a reorganização dos fluxos de trabalho, a redução de burocracia e a implementação de sistemas de comunicação mais ágeis e eficientes, visando uma maior integração entre os departamentos e a eliminação de etapas desnecessárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, os resultados sugerem que a aplicação de métodos como o 5S para organização do ambiente de trabalho e a implementação de uma abordagem mais flexível no gerenciamento de agendas podem impactar positivamente no cotidiano administrativo da Areal União. Essas mudanças estão diretamente relacionadas à filosofia lean, que preza pela eliminação de desperdícios, pela otimização de recursos e pela busca contínua de soluções mais eficientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A implementação das propostas apresentadas neste trabalho poderá trazer benefícios tangíveis para a Areal União, incluindo a redução de custos operacionais, o aumento da produtividade e a melhoria no clima organizacional, uma vez que processos mais eficientes contribuem para a diminuição de frustrações entre os colaboradores. Além disso, a empresa estará mais preparada para se adaptar às mudanças do mercado, uma vez que o sistema de produção enxuta também foca na flexibilidade e na capacidade de resposta rápida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, para que os resultados esperados sejam alcançados, é fundamental que a alta gestão da empresa Areal União esteja comprometida com a mudança cultural e a implementação dos princípios de melhoria contínua. A adesão plena aos conceitos da produção enxuta requer não apenas a aplicação de ferramentas específicas, mas também a formação e engajamento de todos os colaboradores no processo de transformação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a adaptação do Sistema de Produção Enxuta para a área administrativa da Areal União oferece uma grande oportunidade para a empresa aprimorar seus processos, aumentar a competitividade e assegurar um crescimento sustentável. As propostas de melhoria contínua apresentadas neste trabalho são um passo inicial para a implementação de uma gestão mais eficiente e alinhada com as melhores práticas do mercado.</p>



<h5 class="wp-block-heading">REFERÊNCIAS</h5>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Discente do Curso Superior de Tecnologia em Gestão Comercial do Instituto Federal de Rondônia (IFRO), Campus Jaru, e-mail: geirysjhonmatos@gmail.com.</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>2</sup>Docente do Instituto Federal de Rondônia (IFRO), Campus Porto Velho &#8211; Calama. Leciona Administração Empreendedora e apoia a Educação Inclusiva e as ações de Inovação. Mestre em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental. Especialista em Gestão Pública, Economia e Gestão do Agronegócio, e Neuropsicologia. Graduado em Administração e em Segurança Pública. Doutorando em Administração pela UFPR. E-mail: wagner.soares@ifro.edu.br.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A URGÊNCIA NA EFETIVIDADE DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS SOCIAIS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/a-urgencia-na-efetividade-dos-direitos-fundamentais-sociais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft FA]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Feb 2025 20:47:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências Sociais Aplicadas]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 141/DEZ 2024]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202502061744 Guilherme Richena Ferreira1,Jose Maria Ferreira2 RESUMO: Os direitos sociais e fundamentais sociais precisam ser efetivados com urgência, observando-se a normatividade dos princípios constitucionais, inclusive os de natureza processual.  A Constituição Federal elegeu como princípio de maior peso, a Dignidade da Pessoa Humana e, para dar-lhe maior densidade, trouxe outros princípios materiais, além [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202502061744</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Guilherme Richena Ferreira<sup>1</sup>,<br>Jose Maria Ferreira<sup>2</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>RESUMO:</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Os direitos sociais e fundamentais sociais precisam ser efetivados com urgência, observando-se a normatividade dos princípios constitucionais, inclusive os de natureza processual. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A Constituição Federal elegeu como princípio de maior peso, a Dignidade da Pessoa Humana e, para dar-lhe maior densidade, trouxe outros princípios materiais, além de princípios de direito processual (em razão da necessidade de adequação do processo ao direito material tutelado – processo como meio de efetivação do direito)<sup>3</sup>, estabelecendo um amplo rol de direitos fundamentais, com a finalidade de possibilitar a efetividade dos direitos fundamentais sociais, visto que a liberdade fática somente é atingida, quando o indivíduo tem acesso à moradia digna, alimentação suficiente, educação de qualidade, saúde, transporte, e demais prestações necessárias em consonância com a realidade social de cada localidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Poder Legislativo, que tem maior legitimidade para fazer escolhas, inclusive com a alocação dos recursos orçamentários, para dar densidade aos direitos sociais e fundamentais sociais, mantém-se, constantemente, inerte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Poder Executivo, por seu lado, não tem demonstrado esforços políticos para instaurar políticas públicas que permitam efetivar os direitos sociais e os direitos fundamentais sociais.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, cabe ao Poder Judiciário, quando provocado, por ações individuais ou coletivas, bem como, no âmbito das ações constitucionais, fazer a interpretação da Constituição, extraindo o máximo de normatividade dos princípios constitucionais do Estado Social, com auxílio dos princípios instrumentais da razoabilidade e proporcionalidade e princípios processuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>PALAVRAS-CHAVE: </strong>direitos fundamentais, direitos fundamentais sociais. efetividade constitucional; garantia pelo processo.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>ABSTRACT:</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Social and fundamental social rights need to be implemented urgently, making the constitution Closer to reality, observing the normativity of constitutional principles, including those of a procedural nature.</p>



<p class="wp-block-paragraph">The Federal Constitution chose the Dignity of the Human Person as the most important principle and, to give greater density, it brings other material principles, including others of procedural law, in addition to the list of fundamental rights, wit de purpose of enabling the effectiveness of rights social fundamentals, since factual freedom is only achieved when the individual has access to decent housing, sufficient food, quality education, health, and other  necessary benefits in live with the social reality of each location.</p>



<p class="wp-block-paragraph">The Legislative Branch, which has more legitimacy to make choices, with the allocation of budgetary resources, to give density to social and fundamental social rights, does not act in this sense.</p>



<p class="wp-block-paragraph">The Executive Branch, for its part, has not demonstrated political efforts to establish policies, in order to give effect to social and fundamental social rights.</p>



<p class="wp-block-paragraph">In this way, it is up to Judiciary, when provoked, by individual or collective actions, as well as, within the scope of constitutional actions, to interpret the Constitution, extracting maximum effectiveness from the constitutional principles of the Social State, with the help of the instrumental principles of reasonableness and proportionality, and procedural principles.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>KEY WORDS: </strong>Fundamental rights, Social fundamental right,; Constitutional effectiveness, Guarantee of fundamental rights by procedural law.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>INTRODUÇÃO</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo para quem defende que os direitos sociais sempre dependem de legislação infraconstitucional e políticas públicas, sustentando que apenas os direitos fundamentais sociais têm consistência suficiente para se exigir a efetividade, o que se verifica na realidade brasileira é uma crise de efetividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que se pretende demonstrar e discutir no presente artigo é a falta de segurança jurídica das pessoas vulneráveis, as quais dependem de prestações para o exercício de sua liberdade plena, tendo em vista uma Constituição Federal que assegura o Estado Social, tendo como princípio fundamental e de maior peso a Dignidade da Pessoal Humana, assim estabelecido em decorrência da total ruptura com o regime militar, cuja constituição outorgada durante sua vigência, impossibilitava a liberdade política e era totalmente refratária aos direitos sociais e fundamentais sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Poder Legislativo, na medida em que é eleito pelo voto popular e tem autonomia para dispor sobre o orçamento, especialmente, para fazer as conformações de gastos orçamentários, direcionando-os às políticas públicas, é o Poder da República que detém maior legitimidade para a efetivação dos direitos fundamentais e dos direitos fundamentais sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cabe ao Poder Legislativo, na elaboração da legislação, dar maior densidade aos direitos sociais e aos direitos fundamentais sociais, para fins de proporcionar a efetividade destes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao Poder Executivo também cabe a instituição de políticas públicas, podendo remanejar recursos, especialmente, evitando desperdícios com gastos desnecessários, mas, ainda, atuando politicamente junto ao Poder Legislativo, com a finalidade de possibilitar as políticas públicas que se fazem necessárias, com previsão de verbas orçamentárias e aprovação de legislação que permitam a efetividade dos direitos sociais e direitos fundamentais sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ocorre que os Poderes Legislativo e Executivo não têm demonstrado vontade política em cumprir os comandos da Constituição Federal e dar efetividade aos direitos sociais e direitos fundamentais sociais nela estabelecidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo principal deste trabalho é demonstrar que a Constituição Federal fortaleceu o Poder Judiciário com instrumentos que possibilitam a hermenêutica constitucional a fim de concretizar os direitos sociais e, especialmente, os direitos fundamentais sociais.<sup>4</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para isso, foi dada força normativa aos princípios, visto que, além do princípio da Dignidade da Pessoa Humana que possui maior peso na Constituição Federal, direcionando o intérprete, com densidade suficiente para exigir o seu efetivo cumprimento, a Constituição Federal instituiu outros princípios dotados de força normativa, como o princípio da isonomia, que exige a implantação da igualdade material, além de vários outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O princípio da proporcionalidade possui especial relevância na interpretação constitucional, sendo essencial para a efetividade dos direitos fundamentais sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos princípios de ordem material e princípios instrumentais, a Constituição Federal assegurou o princípio do devido processo legal, o princípio da tutela adequada, assegurando o direito de ação e o direito de amplo acesso ao Poder Judiciário, com garantias para a ação e para o desenvolvimento válido e regular do processo num contexto de um Estado Democrático de Direito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Constituição Federal exige a implementação da igualdade fática, com o pleno desenvolvimento da personalidade e asseguração da liberdade, trazendo princípios com força normativa, assegurando o fortalecimento do Poder Judiciário, especialmente, na interpretação constitucional, seja através de ação individual, coletiva, ações constitucionais, com objetivo de concretizar a efetivar os direitos fundamentais, especialmente os direitos fundamentais sociais</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>OS DIREITOS SOCIAIS E FUNDAMENTAIS SOCIAIS NA CONSTITUIÇÁO</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Com a vigência da Constituição Federal de 1.988 houve uma modificação radical no Estado brasileiro. Saímos de uma ditadura militar, regime no qual vigia uma Constituição outorgada, sem garantias, sequer quanto aos direitos fundamentais de primeira dimensão (eis que as liberdades públicas não eram asseguradas), para um Estado Democrático de Direito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tampouco eram assegurados direitos fundamentais de segunda dimensão, eis que o princípio da igualdade era apenas formal, não havia prestações positivas, além do que, não havia garantias processuais para a efetivação dos direitos fundamentais sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Constituição Federal de 1.988, para além de assegurar os direitos fundamentais de primeira dimensão, as garantias individuais em face do próprio Estado, negativas e formais, assegurando, inclusive, garantias processuais ao cidadão, preocupou-se em trazer um rol de direitos prestacionais de segunda dimensão, com a previsão de direitos sociais e direitos fundamentais sociais, trazendo a garantia da isonomia na sua modalidade positiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não bastasse isso, assegura os direitos de terceira dimensão, como a solidariedade social, direito à autodeterminação dos povos, direito ao desenvolvimento etc., além das garantias processuais para a efetivação dos direitos fundamentais sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Constituição Federal de 1.988, nas palavras de PAULO BONAVIDES “é basicamente em muitas de suas dimensões essenciais uma Constituição do Estado Social”<sup>5</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Como salienta o referido Autor, diferente da Constituição do Estado Liberal, “antigoverno e anti-Estado”, ao passo que a Constituição do Estado Social está impregnada de “valores refratários ao individualismo no Direito e ao absolutismo no Poder”.<sup>6</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os direitos prestacionais são de importância extrema para toda a coletividade, visto que, sem a observância da supremacia da liberdade fática sobre a liberdade jurídica, é impossível fazer as escolhas entre as alternativas permitidas, na medida em que a liberdade jurídica meramente formal, não tem valor algum, pois, somente tem liberdade quem tem à sua disposição os meios materiais e intelectuais necessários e indispensáveis, a fim de tornar possível, de fato, que haja, efetivamente, a escolha livre, visto que “sem os pressupostos fáticos para o seu exercício”, o direito de liberdade não teria valor.<sup>7</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Por menor que seja a privação, em relação à liberdade, ou negação ao acesso às prestações atinentes aos direitos sociais, representam uma afronta ao Estado Democrático de Direito, visto que restará ferida a Dignidade da Pessoa Humana, uma vez que foi adotada a “fórmula política” pela Constituição Federal de 1.988, que correspondia à ideologia dominante no momento Constituinte com relação à dignidade da pessoa humana (ideologia dominante, esta, que não se circunscrevia apenas ao Brasil, mas ao mundo ocidental), expressando a necessidade de se assegurar o direito à liberdade, ao estado de bem-estar social, à igualdade positiva, inclusão de pessoas vulneráveis, reconhecimento social, etc.<sup>8</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Importante destacar que o Poder Constituinte Originário elegeu como princípio de maior peso, para dar maior efetividade aos demais princípios, bem como, às normas de direitos fundamentais, a Dignidade da Pessoa Humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi escolhido como fundamento da República Federativa do Brasil na Carta Política de 1.988, tendo-se em vista o fosso profundo originado com a ruptura institucional em razão de um longo período de ditadura militar, no qual imperava o total desrespeito aos direitos humanos (é insustentável a convivência democrática sob uma Constituição autoritária).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Naquele momento de ruptura institucional, aflorava na sociedade Brasileira os anseios por um novo direito, razão pela qual a dignidade da pessoa humana, no momento Constituinte, foi erigida como o Princípio de maior peso, a fim de permitir que se extraísse maior normatividade dos direitos fundamentais.<sup>9</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Inobstante a vigência de uma Constituição que garante a liberdade política e elege a Dignidade da Pessoa Humana como o princípio primordial, fundante, o que se observa na atualidade é uma crise de efetividade dos direitos fundamentais, num Estado que muito arrecada e desperdiça enorme quantidade de recursos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Verifica-se a ausência de compromisso do Poder Executivo com a concretização dos direitos fundamentais, deixando-se milhares de pessoas sem a possibilidade de acesso aos direitos sociais fundamentais que, em muitos casos, constituem-se nos mínimos existenciais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Poder Legislativo tampouco assume compromisso com a efetivação de tais direitos; aliás, no momento presente, a maioria parlamentar tem procurado criar dificuldades ao Poder Executivo no que tange à instituição de políticas públicas que garantam a efetivação dos direitos fundamentais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Poder Judiciário, a partir da Constituição Federal de 1.988, além de ganhar prestígio, passou a ter importância fundamental para a efetivação dos direitos fundamentais sociais.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>O PODER LEGISLATIVO E PARTICIPAÇÃO POPULAR EM POLÍTICAS PÚBLICAS DE DIREITOS FUNDAMENTAIS SOCIAIS E DIREITOS SOCIAIS</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Tendo em vista a imposição Constitucional para a efetivação dos direitos fundamentais, é dever de todos os Poderes do Estado proporcionar a plena concretização desses direitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nada justifica o atual estado de desrespeito à Constituição Federal, com a ausência de garantia aos cidadãos dos direitos fundamentais nela positivados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os Poderes do Estado são destinatários do <em>dever</em> de garantir a efetivação dos direitos fundamentais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Poder Executivo deve eleger como prioridade de seus planos de governo a implementação dos direitos fundamentais sociais através da instituição de políticas públicas que objetivem à inclusão social em condições mínimas de igualdade do maior número de grupos e pessoas vulneráveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Poder Judiciário deve observar a normatividade dos princípios Constitucionais, dando maior efetividade aos direitos fundamentais sociais e, mesmo, adotar aquilo que Ari Marcelo Solon denomina de hermenêutica jurídica radical.<sup>10</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Poder Legislativo possui o dever de legislar com o objetivo de possibilitar a concretização de tais direitos, conferindo maior densidade aos princípios e aos direitos fundamentais previstos na Constituição.<sup>11</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Estado não pode abster-se de possibilitar o acesso a todos aqueles que necessitam dos direitos fundamentais sociais, visto que a Constituição Federal, como estatuto político supremo, deve ser efetivada, especialmente para a concretização do princípio da dignidade da pessoa humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Toda a sociedade deve contribuir para a concretização dos direitos fundamentais sociais e dos direitos sociais, e, também, exigir dos poderes constituídos tal concretização, através da implementação de mecanismos que permitam o acesso de todos aqueles que estão desamparados, em situação de vulnerabilidade, a tais direitos, constitucionalmente garantidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A participação de toda a sociedade é indispensável, mesmo porque, há muitos conflitos de interesses, e há necessidade de pacificação social, com a finalidade de acomodação do interesse de todos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Somente se consegue a paz quando todas as pessoas têm condições dignas de vida, têm comida suficiente, educação, saúde, moradia, trabalho, pois, sem o mínimo indispensável para uma vida digna, não é possível construir uma sociedade participativa e solidária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que o Estado prestacional possa manter uma estrutura básica de procedimentos pré-processuais que objetivem possibilitar a funcionalidade dos direitos sociais fundamentais, deve ser proporcionada a discussão entre todos os envolvidos, especialmente, em se tratando de um estado pluralista, no qual a solidariedade e o convívio pacífico devem ser alcançados como objetivo maior, evitando-se o confronto e encontrando-se uma solução com a composição do interesse de todos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para tanto, é indispensável uma cidadania bem-informada de seus direitos constitucionais, e plenamente conscientizada, com aptidão para o exigir e exercer tais direitos, em harmonia com o Estado, que deve somar esforços aos cidadãos, em convivência recíproca, com a participação de todos, e concessão de tais prestações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o alcance desses objetivos há necessidade de previsão de instrumentos procedimentais que permitam a composição rápida dos conflitos, ou, em caso de não haver composição, uma solução rápida e adequada.<sup>12</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A participação da sociedade tem ficado cada vez mais estéril, na medida em que para legitimar as ações dos governantes, basta a escolha dos políticos, outorgando-lhes um mandato ilimitado de toda a sociedade. A sociedade tem aceitado a legitimação pelo procedimento em todas as áreas de atuação do poder, seja político ou jurídico, para a solução dos mais intrincados problemas, acatando as soluções que nem sempre são de boa qualidade, em nome da garantia da paz social, e da agilidade dos negócios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A legitimação pelo procedimento, neste aspecto, tem como pressuposto a forma, que se sobrepõe à legitimação da participação social efetiva, deixando de lado a observância à efetiva participação democrática do povo na tomada de decisões.<sup>13</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">No processo legislativo vislumbra-se um processo de negociação entre partidos políticos. &nbsp;Existem diversas possibilidades ao se tratar legislativamente um determinado tema. É um processo complexo, influenciado pelo grau de ignorância do cidadão, especialmente em razão da distorção da informação, hoje, as expectativas em relação à legislação são sempre muito reduzidas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em defesa da lei argumenta-se que nas casas legislativas há amplo debate, com discussões e sugestões, inclusive nas comissões; argumenta-se que o processo legislativo não se limita à contagem dos votos, em razão da intensa interação existente entre os parlamentares e destes com a sociedade, com as suas respectivas bases, procurando-se um consenso, a fim de não prevalecer apenas a opinião da maioria.<sup>14</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Importante salientar, nesse passo, que a essencialidade do direito social fundamental objeto de conformação do legislador não pode ficar refém da discricionariedade da maioria parlamentar, sendo, portanto, necessário que haja controle por outros poderes do Estado. De outro lado, não se trata apenas e tão somente de prestações positivas, pois, pode, também, corresponder a ações negativas, um não fazer para não eliminar uma posição jurídica, ou a não revogação de instrumentos normativos que garantem prestações fundamentais sociais.<sup>15</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para conferir maior densidade aos direitos fundamentais sociais, a lei poderia melhor delimitar o seu conteúdo, com a participação de toda a sociedade civil interessada, especialmente, os grupos vulneráveis, organizações sociais, sindicatos, associações. Todos os poderes constituídos devem participar com as forças sociais.<sup>16</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Como contraponto, o mundo globalizado exige que as leis sejam claras e possibilitem agilidade no mercado, com o menor custo possível; enxerga-se como dever da Justiça possibilitar o livre exercício do comércio com a máxima segurança, desviando o enfoque do plano normativo da análise do direito em conformidade com a Constituição, para valorizar a análise econômica do direito.<sup>17</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, torna-se difícil a elaboração de leis que possibilitem a efetivação dos direitos fundamentais, visando atingir o objetivo da Constituição Federal na construção de uma sociedade justa e solidária. O capital tem conseguido, tanto em outros países, como no Brasil, aprovação de leis em total prejuízo do trabalhador e dos menos favorecidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os processos sociais estão voltados para a economia de mercado, assim como toda a mídia, especialmente aquela que disponibiliza a (des)informação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As informações são distorcidas e, em vez de conscientizarem o cidadão e de favorecerem o exercício crítico da cidadania, vários setores da imprensa atacam as decisões tomadas com objetivo de defender os direitos fundamentais, pretendendo colocar o cidadão contra a efetivação de tais direitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pretende-se negar ou anular o próprio Estado, contrapor a ideia (ideologia) do privado em contraposição ao público, como se o próprio Estado deve-se atuar em desconformidade com a sua própria natureza e se anular face às maravilhas da administração privada. Privatiza-se a prestação da saúde pública, da educação, por meio da concessão de tais serviços públicos às denominadas “Organizações Sociais”.<sup>18</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nota-se, assim, a ausência de espaços democráticos que possibilitem o exercício da cidadania, restando apenas uma estrutura procedimental, com processos legislativos, administrativos, judiciais, eleitorais meramente formais, que não asseguram a participação efetiva na tomada das decisões, se voltando à imposição destas como legítimas e visando à aceitação social das decisões tomadas ou, ao menos, a uma conformação de expectativas, de forma que tais processos “democráticos”, aos quais faltam democracia e participação efetivas, servem como mecanismos de legitimação das decisões tomadas nos processos de poder e de conformação das legítimas expectativas sociais, a fim de se apaziguar o descontentamento das massas prejudicadas pelas decisões tomadas e pelas políticas públicas adotadas a partir de tais processos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em razão da alteração da natureza da Suprema Corte, de um Tribunal Supremo situado hierarquicamente na cúpula do Poder Legislativo e ao qual cabe a guarda da Constituição Federal, para um Tribunal Político, que conversa com as demais instituições, se reúne com o Presidente da República, com os chefes do Legislativo, participa das políticas públicas e, por vezes, atua na mediação de disputas entre os demais Poderes e os seus representantes e integrantes e conforma, a partir de argumentos consequencialistas exarados em decisões, os interesses do Estado à realidade legislativa, o que se têm é uma Corte cada vez menos preocupada com a defesa intransigente da Constituição e cada vez mais protagonista de um papel Político (tal qual os papeis dos chefes das casas legislativas e do chefe do executivo), deixando, portanto, de assegurar os direitos fundamentais, negando-lhes efetividade ou, muitas vezes, conformando-os num patamar mínimo, com a finalidade de atender os anseios do próprio Estado e do “mercado” e de sua ideologia neoliberal, “mercado” este que exerce forte lobby no Congresso Nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Passa-se, assim, de uma Corte que exerce função contramajoritária para um Tribunal conformador, mediador, que deixa de lado argumentos jurídicos para se preocupar mais amplamente com argumentos de natureza econômica, movimento que se evidencia com a contratação de economista chefe para assessorar a instituição.<sup>19</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Constituição, nesta concepção, representa apenas a instrumentalização, com repartição das competências, com força vinculativa das decisões tomadas, independente da satisfação das pessoas atingidas e independentemente da garantia da participação popular nos processos de poder e de tomada de decisões. <sup>20</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Poder Judiciário não pode se furtar a efetivar os direitos fundamentais. Este, como aplicador do direito, deve concretizar e priorizar a efetividade dos direitos sociais, seja em ações individuais, ou nas insatisfações coletivas, com a solução dos interesses em conflito, sempre com objetivo de incrementar a mudança social.<sup>21</sup></p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>NECESSIDADE DE DELIMITAR NA LEI OS CONTORNOS DOS DIREITOS SOCIAIS E FUNDAMENTAIS SOCIAIS.</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Em razão das Constituições de diversos países que trazem um rol de direitos sociais, a doutrina se divide; enquanto os mais liberais sustentam que se trata de meras normas programáticas, sem normatividade, existem aqueles que advogam pela força normativa, com a necessidade de concretização da Constituição; sustentam que os direitos sociais são universais e que todos podem cobrar do Estado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em que pese a tentativa de sistematização dos direitos fundamentais, há dificuldade de fazer uma classificação em razão de sua abrangência, contudo, tratam-se de prestações de naturezas diversas, sendo muito difícil tal sistematização, senão impossível, eis que não há uma conexão no que concerne às categorias de direitos sociais, não havendo uniformidade das prestações; por este motivo, cabe a cada Estado, em sua ordem constitucional,  efetuar a positivação, de cada uma das diversas espécies de prestações. De outro lado, os direitos prestacionais não podem ser condensados num catálogo fechado, sem possibilidade de expansão, devido às necessidades inerentes a cada sociedade.<sup>22</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Há dificuldade de estabelecer um controle por meio de um modelo de direitos sociais em razão das características e das necessidades de cada local, pois, mesmo que as normas fundamentais de um determinado Estado tragam os seus direitos fundamentais sociais, em alguns deles, dadas as dimensões continentais, como no caso do Brasil, não seria possível a uniformização das necessidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em razão disso, a doutrina tem se posicionado no sentido de que a metodologia mais correta seria recortar na própria lei qual o núcleo essencial, ou seja, delimitar o núcleo essencial de cada prestação a ser concedida aos indivíduos.23</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há que se dizer, contudo, que não se pode concordar com esse recorte que leva em conta apenas o mínimo existencial, pois esse mínimo em uma visão libertarista estaria sempre muito aquém das reais necessidades do povo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os direitos fundamentais vinculam de forma vertical todos os poderes constituídos, especialmente em relação aos direitos fundamentais sociais e respectivo núcleo essencial. Não se permite a restrição do mínimo existencial, eis que corresponde a afronta ao princípio da Dignidade da Pessoa Humana, sendo inadmissível e vedada a postergação da efetivação do mínimo existencial do direito fundamental social, sob a objeção da reserva do possível.<sup>24</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">O mínimo existencial deve garantir condições qualitativas de uma vida humana com dignidade, preenchendo os requisitos mínimos para assegurar a liberdade plena, com padrões superiores à mera existência/sobrevivência física, tendo sempre como vetor a dignidade da pessoa humana. Não se pode aceitar o mínimo existencial como sendo o mínimo vital, especialmente numa concepção estritamente liberal de um mínimo suficiente para a garantia do exercício das liberdades fundamentais.<sup>25</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para aqueles que defendem a teoria interna, esses limites estão presentes no momento do nascimento dos direitos fundamentais, eis que já nascem com os conteúdos estabelecidos, não havendo possibilidade de haver restrição. Tendo em vista a impossibilidade de separação e o âmbito de proteção e os limites dos direitos fundamentais, em razão do limite ser imanente, pode possibilitar outras considerações a outros bens dignos de proteção, a exemplo dos direitos coletivos e estatais, potencializando o risco de restrições arbitrárias da liberdade. De outro lado, em relação à teoria externa, os limites não são imanentes, não são estabelecidos aprioristicamente, o que torna possível a distinção entre os direitos fundamentais e os seus limites, sendo o direito ilimitado na sua existência, e apenas após as restrições ele se torna limitado; ou seja, antes de sua limitação, o direito existe <em>prima facie</em>, o que possibilita que alguns direitos não sofram limitações; a posição definitiva se houver limitação, somente ocorrerá após o exercício do direito. Ao contrário da teoria interna, essa teoria possibilita o sopesamento quando ocorrer o choque entre princípios de direitos fundamentais.<sup>26</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para aqueles que advogam que apenas os direitos fundamentais sociais são judicializáveis, tem se procurado estabelecer critérios mais seguros, com objetivo de deixar mais exequíveis, as normas e princípios para a concretude desses direitos, com a delimitação precisa do âmbito de proteção (suporte fático), estabelecendo os limites e os limites dos limites.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Indispensável que sejam estabelecidas as balizas que conformam o seu conteúdo, a fim de que seja possível a efetividade em sua aplicação, tornando o seu controle mais eficaz, visto que quanto mais delimitado o seu campo de abrangência, seja através da Constituição, da lei, da doutrina e jurisprudência, cada vez mais se estará aprimorando e contribuindo para o aperfeiçoamento dos direitos fundamentais.<sup>27</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">O preâmbulo da Constituição Federal de 1.988 preconiza que o Brasil é um Estado Social de Direito Democrático, o que é expressamente consagrado nos artigos 1º a 4º da Constituição. A Carta Política elenca um catálogo expresso de direitos fundamentais sociais, sem falar nos princípios que regem os títulos que disciplinam a Ordem Econômica e Social, além de outras normas e princípios dispersos pela Constituição que dão concretude aos referidos princípios, razão pela qual não poderia ser desconsiderada sumariamente a existência de direitos sociais fundamentais.<sup>28</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em que pese não haja uma posição de forma mais acentuada de que os direitos sociais correspondem a um direito subjetivo, não se pode deixar de afirmar que os direitos sociais são direitos fundamentais, estando amparados e reconhecidos em normas constitucionais, o que permite afirmar que referidos direitos podem ser constituídos como “posições jurídicas jusfundamentais”. Sustenta-se, ainda, não ser possível apenas a judicialização do mínimo existencial, podendo o indivíduo judicializar o direito social, na medida em que configurado como posição jurídica. O Poder Judiciário deve verificar, não podendo ser retirada essa sua prerrogativa, para analisar em cada caso concreto, a possibilidade de concessão do direito prestacional social.<sup>29</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Não há como estabelecer a priori todos os direitos fundamentais sociais, mesmo porque, não são apenas aqueles arrolados na Constituição, mas, também, outros, dependendo de uma análise de conteúdo material, devendo ser observada a nota de fundamentalidade, referente à estrutura do Estado e da Sociedade, especialmente no que tange à proteção da pessoa humana.<sup>30</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a concepção clássica, os direitos fundamentais têm por finalidade a proteção da liberdade dos indivíduos contra o poder do Estado, correspondendo ao status negativo em sentido amplo.<sup>31</sup> </p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, para o exercício da liberdade de escolha, há necessidade de estabelecer prestações aos indivíduos, com a efetiva entrega de bens materiais, cultura, saúde etc. A liberdade não existe de fato quando o indivíduo não tem condições de escolha, quando lhes faltam os meios para uma vida digna, especialmente, alimentos, educação, saúde, moradia, lazer, cultura, exercício de uma profissão, meio ambiente saudável etc. A liberdade fática, para ser exercida, exige o acesso a todos os bens materiais que possibilitam viver com dignidade. A falta de meios indispensáveis para uma vida digna, em razão de uma mera liberdade jurídica, não passaria de mera fórmula vazia.<sup>32</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os direitos às prestações não são apenas prestações positivas, assegurando-se, também, os direitos de natureza negativo-defensiva, a exemplo do direito de propriedade, da iniciativa privada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outros direitos que antes eram considerados como direitos sociais, em razão das conquistas pelos trabalhadores, não consistem numa prestação positiva do Estado diretamente, estando definidos como direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores, os quais abrangem o direito à greve e o direito à liberdade sindical.<sup>33</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Direitos às ações positivas do Estado são divididos em duas situações, ou seja, a exigência de uma ação fática e a exigência de uma ação normativa. O direito a uma ação fática decorre da necessidade da implementação de uma determinada prestação, seja para uma entidade privada que receba determinada subvenção para a prestação de determinados serviços ao cidadão, como uma escola privada que fornece bolsas gratuitas a pessoas carentes, seja através do estabelecimento de um mínimo existencial ao cidadão, ou, ainda, quando se cria vagas em universidades públicas; não importa a forma como é efetivada a ação fática. Por outro lado, o direito a uma ação normativa pode adquirir o caráter de direitos a prestações do Estado.<sup>34</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo que os direitos sociais correspondam a um “dever objetivo não relacional”, o seu reconhecimento está respaldado por normas constitucionais, não havendo como deixar de reconhecê-los como direitos fundamentais, respaldados como “posições jurídicas jusfundamentais”.  Assim, não apenas o mínimo existencial pode ser judicializado, configurando-se como posição jurídica, de modo a permitir que o indivíduo possa buscar a proteção judicial. Não se pode impedir que os direitos fundamentais sociais sejam judicializados, mesmo que a precedência para essa conformação pertença ao Poder Legislativo, visto que se não fosse assim, os direitos sociais fundamentais não possuiriam normatividade.<sup>35</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">O mínimo existencial, em se tratando de direito fundamental social, não pode ser obstado pela reserva do possível, além do que, mesmo os direitos sociais previstos na Constituição, bem como, em tratados internacionais, e até mesmo em legislação infraconstitucional, não podem sê-lo (desde que tenham uma textura mínima suficiente para extrair normatividade).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pode parecer que a cláusula do mínimo existencial ocasiona grande restrição aos direitos fundamentais, porém, tendo-se em vista que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, assim como  a do Superior Tribunal de Justiça, afastam a reserva do possível, na medida em que o mínimo existencial deve corresponder ao núcleo básico possível para assegurar a dignidade da pessoa humana, aliás, reforçado com um elenco de outros direitos fundamentais sociais, pode-se dizer que essa restrição é pouco acentuada.<sup>36</sup>.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>A EFETIVIDADE DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS SOCIAIS PELO PODER JUDICIÁRIO COM FUNDAMENTO NA NORMATIVIDADE DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Em razão da abertura proporcionada pelos princípios, com a possibilidade de diálogo entre eles, pode-se afirmar que há maior responsabilidade do Poder Judiciário, ao qual cabe fazer concretizar os direitos fundamentais, inclusive, os sociais, observando os valores dos princípios e fazendo atuar sua força normativa, sempre que os demais poderes deixarem de cumprir a sua missão constitucional, não restando aos cidadãos outra alternativa a não ser socorrer-se do judiciário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O poder judiciário muitas vezes se esquiva quando decide os pleitos referentes à concretização dos direitos fundamentais sociais, com o argumento de que há necessidade de intervenção do Poder Legislativo, sustentando que as normas Constitucionais não possuem a densidade suficiente para a efetiva concretização desses direitos. Sabe-se que o Poder Judiciário sofre grande pressão de poderosos grupos econômicos nacionais e supranacionais, além do que, de grupos políticos neoliberais, com grande representação no Congresso Nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a passagem do Estado Liberal para o Estado Social, há uma mudança radical na concepção de Estado, com a instrumentalização de mecanismos e procedimentos a fim de se atingir os objetivos primordiais traçados no momento Constituinte, especialmente a implantação da igualdade positiva, possibilitando o acesso aos direitos fundamentais sociais e, para isso, há uma expansão dos poderes e deveres do Poder Judiciário, como intérprete da Constituição.<sup>37</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Constituição de 1.988 avançou muito o Estado Social, eis que, traz mecanismos e institutos processuais, com o objetivo de garantia de efetividade dos direitos sociais, o que a torna de 3ª dimensão, na medida em que não prevê apenas a concessão dos direitos fundamentais sociais, mas, vai além, com os mecanismos processuais que garantem a efetividade, através do mandado de injunção, mandado de segurança coletivo.<sup>38</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Houve um grande avanço com o desenvolvimento de mecanismos de controle das Constituições, passando-se de um formalismo rígido da constitucionalidade formal para um conceito mais aberto, o que possibilita uma oxigenação das Constituições, com a ascensão do Poder Judiciário, o qual através dos mecanismos de controle, permite que o juiz não fique preso a formalismos e ao teor abstrato, podendo adequar a Constituição à realidade social.<sup>39</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os princípios fundamentais são incorporados na consciência jurídica, porém, extraídos da realidade social, após a sua maturação, razão pela qual não é permitido ao intérprete negar a sua existência, ou desviar de sua trajetória, sendo permitido apenas fazer o sopesamento, com objetivo de harmonizar o sistema.<sup>40</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Constituição Federal consagrou como princípio de maior valor a dignidade da pessoa humana, acentuando o objetivo de proporcionar o pleno desenvolvimento da personalidade. Para isso, com a finalidade de dar mais concretude ao princípio da Dignidade da Pessoa Humana, outros princípios foram positivados na Constituição Federal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ocorre que muitos direitos fundamentais sociais até hoje não foram concretizados, com a total falta de certeza dos jurisdicionados, especialmente, aqueles pertencentes a grupos vulneráveis. Nota-se a ausência de segurança jurídica, especialmente, em relação àquelas pessoas que mais necessitam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem realmente precisa de segurança jurídica são os mais pobres, que não têm o que comer, que não possuem moradias dignas, acesso ao saneamento básico, a medicamentos, aos quais falta atendimento à saúde, falta educação, com a falência do ensino público de primeiro e segundo grau, especialmente, nas periferias das grandes cidades, bem como nos Estados mais pobres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A segurança jurídica exige que haja mecanismos que possibilitem a efetivação dos direitos. No entanto, no ordenamento jurídico os direitos que exigem a sua efetivação antes de qualquer outro, são os direitos fundamentais, entre eles, os direitos fundamentais sociais. A segurança jurídica, num Estado Social, ao lado de garantir o Estado de Direito, deve garantir a implementação de mecanismos que permitam avançar na entrega das prestações sociais.<sup>41</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme o magistério de KONRAD HESSE, a Lei Fundamental não quer uma ordem neutra em relação aos direitos fundamentais, ao contrário, traz como efeito, a normatividade dos princípios que consagram os direitos fundamentais. Afirma que ocorreu uma mudança radical, passando de um conceito formal, para um conceito material, com adoção de uma concepção ampla dos direitos fundamentais.<sup>42</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ocorre que os princípios têm natureza normativa, razão pela qual devem ser concretizados, ainda que o legislador deixe de dar densidade. Na realidade, em que pese num primeiro momento induzir à crença de que não possuem conteúdo normativo, isso corresponde à mera aparência, pois, na realidade, os princípios gerais correspondem à essência das demais normas jurídicas, condensadas numa proposição normativa. Em sendo os princípios proposições normativas, sintetizadas da constatação e análise das demais normas, não há dúvidas de que se trata de normas jurídicas, com conteúdo suficiente exigir a sua efetividade.<sup>43</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Estado Social tem por objetivo propulsionar a igualdade fática entre todos os indivíduos, devendo sempre propiciar a entrega das prestações, com a possibilidade de acesso, especialmente, com a produção de normas que proporcionem a igualdade material; de outro lado, os princípios Constitucionais do Estado Social devem sempre nortear a hermenêutica Constitucional, para garantir a equivalência dos direitos sociais, a fim de potencializar a isonomia fática.<sup>44 </sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A nossa Constituição traça os contornos de um estado social e democrático, trazendo um rol de direitos fundamentais, os quais conferem normatividade aos princípios, especialmente, aqueles que disciplinam a ordem econômica e social; além disso, há diversas normas dispersas pelo texto constitucional com o objetivo de concretizar os princípios constitucionais. Neste contexto não há como negar a existência dos direitos sociais fundamentais, os quais mesmo que localizados fora do texto constitucional, devem ser observados, em especial porque são eles que servem para dar força e possibilitar o livre exercício das liberdades fáticas, e com isso concretizar o princípio da igualdade material.<sup>45</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os princípios Constitucionais possibilitam que decisões importantes sejam tomadas, permitindo que questões controversas do sistema jurídico sejam solucionadas, inclusive, quando há colisão entre direitos fundamentais, especialmente, os sociais, em decorrência da plasticidade dos princípios, possibilitando que as aparentes contradições sejam harmonizadas, na medida que os princípios constitucionais possibilitam um diálogo entre si, permitindo uma abertura para que haja conformação dos aparentes conflitos. <sup>46</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Por sua vez o princípio da proporcionalidade, de natureza instrumental, de importância exponencial, especialmente, naqueles casos quando há choque na efetivação da igualdade positiva, com a necessidade de efetivação dos direitos fundamentais sociais, na medida em que, a lesão ao princípio da proporcionalidade, num Estado Social, traz prejuízos irreparáveis aos sistemas hermenêuticos; na realidade deve imperar a supremacia da Constituição, com a somatória de todos os princípios, visto que os princípios fundamentais representam a norma que norteia toda a interpretação da Constituição, razão pela qual, sempre que houver antagonismo entre os direitos fundamentais, assim como, a necessidade de dar efetividade às normas de direitos fundamentais, indispensável a utilização do princípio da proporcionalidade, com objetivo de dar mais efetividade à Constituição.<sup>47</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Importante salientar que o princípio da proporcionalidade torna possível uma interpretação da Constituição em consonância com a realidade, especialmente em relação às questões sociais ignoradas pelo formalismo jurídico, ou mesmo, conscientemente marginalizadas, o que torna o constitucionalismo mais atualizado, em total sintonia com a vida real e as vicissitudes sociais, dando maior plenitude e abrangência aos direitos fundamentais sociais, possibilitando a efetividade.<sup>48</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a proporcionalidade em sentido estrito, sempre deve haver correspondência entre meio e fim que se tem por escopo encontrar, por meio de uma lei ou princípio, aquela que minimize os prejuízos e maximize os resultados positivos, não sendo possível admitir que haja precarização de direitos fundamentais, especialmente do núcleo essencial, bem como a violação da dignidade da pessoa humana. Sempre que na interpretação quando em jogo princípios constitucionais, quando se encontrar prejuízos para determinadas pessoas ou grupos, é indispensável que sejam superados pelas vantagens. Os meios são diversos para o fim de se alcançar  o resultado final, contudo, entre as opções, há de ser escolhido o meio mais adequado, o qual se demonstra mais apropriado e  seja mais natural, demonstrando conformidade e utilidade com o fim desejado; o meio escolhido sempre deve ser o qual reduz os prejuízos, superando as desvantagens, com a possibilidade de desenvolver valores, com possibilidades de desenvolver determinados valores, minimizando a violação em relação a outros  contrapostos, assegurando que todos os direitos sejam preservados e que não haja a violação do conteúdo mínimo.<sup>49</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a efetividade da Constituição Federal, de inestimável valor os princípios constitucionais do processo, pois, quando os Poderes Legislativo e Executivo, deixam de colocar à disposição das pessoas os direitos fundamentais, assim como, os direitos sociais, não resta outra alternativa, a não ser socorrer-se do Poder Judiciário, seja por meio de ações individuais, coletivas, ou, ainda, das ações constitucionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em princípio, pode-se afirmar que bastava a Constituição Federal assegurar o princípio do devido processo legal, visto que dele emanam os demais princípios Constitucionais do Processo. No entanto, com o objetivo de assegurar a efetivação dos direitos fundamentais, inclusive, os sociais, a Constituição para demonstrar a necessidade de efetividade dos direitos fundamentais, traz outros princípios processuais, em especial, o direito de ação, assegurando o amplo acesso à justiça, com a efetiva e adequada tutela jurisdicional, contraditório, ampla defesa.<sup>50</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Constituição Federal assegura o direito de ação, eis que proíbe a autotutela para a defesa dos direitos. O estado deve assegurar uma tutela jurisdicional idônea, ou seja, uma tutela que seja adequada e efetiva, além de assegurar o acesso à justiça. A tutela deve ser o mais abrangente possível, eis que deve assegurar a isonomia, com a concessão dos direitos, inclusive os novos direitos fundamentais sociais, em especial, visando a implantar a igualdade material. Para isso é indispensável a instrumentalização de tutela adequada, com procedimentos que sejam capazes de enfrentar as questões de fato, além de hermenêuticas que são colocadas para a entrega da prestação jurisdicional, com observância de técnicas referentes à cognição, ônus da prova, efetividade, antecipação da tutela, etc. É indispensável que o processo justo traga resultados que assegurem o direito material, visto que a força normativa dos direitos fica abalada quando há ausência de efetividade. Não se admite após a Constituição Federal apenas a tutela repressiva; com o surgimento dos novos direitos, é indispensável ao Estado assegurar a tutela inibitória, preventiva contra o ilícito, eis que o processo deve assegurar a efetividade, devendo ser estruturado para esta finalidade.<sup>51</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">O princípio da “efetiva e adequada tutela jurisdicional”, conforme ensinamentos do jurista professor Kazuo Watanabe, não representa um enunciado de um programa, sem nenhum conteúdo normativo; ao contrário, corresponde a uma norma com densidade suficiente para extrair comandos imperativos de natureza processual, referentes à entrega da prestação jurisdicional. A primeira das consequências corresponde à tutela individual para a entrega estritamente do que foi pedido à pessoa que tiver direito; a segunda consequência refere-se à entrega de prestação jurisdicional, mais abrangente, seja através de uma ação coletiva, ou, ainda, uma ação individual, com efeitos coletivos, ou, meramente individual, com objetivo de se provocar o Poder Judiciário para que haja o controle de políticas públicas, independentemente da espécie de demanda. O mais importante é uma mudança radical de uma visão equivocada de mundo, com raízes profundas no sistema processual pátrio, na qual há privilégio exacerbado do ter, em detrimento do ser. Essa mudança tem relevância, na medida em que propicia que os direitos não patrimoniais, especialmente, todos aqueles que dizem respeito “à vida, à saúde, à integridade, física e mental e à personalidade (imagem, intimidade, honra etc.)” possam ser tutelados, com maior efetividade e de forma mais adequada.<sup>52</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A grande dificuldade do Poder Judiciário é quanto à possibilidade em relação aos direitos fundamentais sociais, de saber se todos eles são dotados de eficácia imediata, esclarecendo que o termo justiciabilidade ou acionabilidade dos direitos fundamentais não corresponde a requisito para o ingresso da ação, ou, ainda, para a análise do mérito, mas, para o acolhimento da prestação jurisdicional, tratando-se de um qualificativo correspondente à existência do direito material, com densidade suficiente para a sua efetividade, ou seja, sobre a necessidade de constatar se todos os direitos fundamentais sociais são dotados de densidade suficiente, sem a prévia conformação de outros Poderes do Estado, mediante adoção de políticas públicas que possibilitem a sua concretização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O direito de ação, sempre é incondicionado, razão pela qual o mérito sempre haverá de ser analisado pelo Poder Judiciário.<sup>53</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Processo não pode servir apenas para legitimação de forma abstrata, eis que, indispensável a efetiva participação das partes, com discussão plena, sendo que a dialética é fator preponderante, com a ampla participação dos sujeitos no procedimento cognitivo, sempre com o objetivo principal de se alcançar uma solução justa, com participação efetiva, devendo sempre as partes e o juiz atuarem em colaboração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo deve disponibilizar mecanismos que permitam o exercício do contraditório de forma plena, com a efetiva participação das partes e do juiz, sempre com o objetivo de uma ótima qualidade da prestação jurisdicional e “perfeita aderência da sentença”.<sup>54</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os princípios instrumentais da razoabilidade e proporcionalidade têm importância fundamental  no sopesamento dos princípios constitucionais, mas, sobretudo em relação à aplicação e interpretação pelo Poder Judiciário quando da construção da norma, momento da decisão, especialmente, quando em jogo restrições de direitos fundamentais, resolvendo-se as questões nem sempre com a preponderância do princípio de maior peso, com o afastamento do princípio de menor peso, mas, sim, utilizando-se da ponderação, quando há necessidade de urgência na prestação jurisdicional, podendo ser antecipada a tutela, sem ouvir a parte contrária, o que é indispensável  para a efetivação dos direitos fundamentais sociais.<sup>55</sup></p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>CONCLUSÃO</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Precisamos de um giro científico no Direito e na hermenêutica jurídica. É preciso que se altere o atual Estado de negação à efetividade aos direitos fundamentais, fundamentais sociais e sociais de maneira geral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A caminhada percorrida desde a promulgação da Constituição Federal de 1.988 já deveria ter levado a outros resultados, mais satisfatórios. De vigência, são 36 (trinta e seis) anos. Nos vemos diante de uma grave crise de efetividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Qualquer crise econômica serve de argumento para a retirada de direitos fundamentais, especialmente, aqueles que exigem gastos. Não apenas gastos do Estado, mas, ainda, em relação ao Capital.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O quadro é ainda mais grave quando pensamos nos direitos previstos e que sequer foram regulamentados/efetivados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Constituição Federal elegeu como princípio fundamental a dignidade da pessoa humana, porém, a ideologia que move a todos, especialmente os grandes grupos econômicos, continua sendo o capital.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme sempre é colocado pela doutrina, em nosso país, sequer os direitos sociais fundamentais mais básicos foram efetivados. Sempre visto como vilão na propaganda feita pela imprensa que procura conduzir a economia no caminho do (neo)liberalismo,&nbsp; sob o argumento de que os gastos públicos não podem aumentar, que as pessoas se beneficiam ardilosamente dos direitos sociais, trazendo, assim, um desconforto para os necessitados, uma desconfiança entre os demais membros da sociedade, e, o que é pior, encorajam os governantes a deixar de investir justamente na concretização desses direitos, em total desrespeito à Constituição Federal, com ausência de segurança jurídica para aqueles que mais necessitam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tal crise não pode prosseguir, com a negação de direitos fundamentais, sob o mesmo argumento de sempre, qual seja, a falta de recursos. A reserva do possível não pode servir de parâmetro jurídico para a não concretização dos direitos fundamentais sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Num primeiro momento, cabe ao legislador, eleito democraticamente, elaborar os textos legais, com o objetivo de concretização dos direitos fundamentais sociais, assim como, dos demais direitos sociais. Cabe, também, ao executivo, através de políticas públicas, conceder os direitos fundamentais sociais e demais direitos sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não há dúvidas de que o legislador é que possui maior legitimidade para fazer a alocação de recursos públicos, com o objetivo de fazer a acomodação orçamentária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que se tenha maior segurança há necessidade de que seja elaborada lei dando densidade aos princípios e aos direitos sociais elencados na Constituição Federal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Saliente-se, contudo, que uma constituição que assegura como princípio de maior peso a dignidade da pessoa humana, e que traz um elenco de direitos fundamentais, não permite ao legislador infraconstitucional elaborar uma legislação supressora de direitos fundamentais sociais e mesmo de direitos sociais, com base apenas e tão somente num discurso vazio e sem nenhum amparo científico de que isso é necessário para atrair mais investimentos em nosso País. Não há dúvidas de que toda argumentação é importante, contudo, não se pode admitir que qualquer discurso, sem nenhuma seriedade, possa justificar o retrocesso social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O devido processo legislativo, que pressupõe ampla e democrática participação social, deve ser observado nas Casas Legislativas, proporcionando um debate sério de ideias, com o chamamento dos interessados para participação efetiva, especialmente, quando se trata de direitos fundamentais sociais, bem como, dos direitos sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os discursos sedutores daqueles que pregam o Estado mínimo dividem as opiniões dos eleitores com falsas ideias de que a meritocracia deve imperar, com reduzidos direitos sociais, para possibilitar o enriquecimento da nação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse discurso ludibriador tem como objetivo enganar, contrapor o cidadão, mediante a desinformação, à efetivação dos valores constitucionais inafastáveis e, portanto, de seus próprios direitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É recorrente a alegação de que, diminuindo impostos, as garantias aos trabalhadores, as prestações previdenciárias, diminuindo ao mínimo os com direitos sociais, extinguindo as contribuições sociais, empresas serão atraídas para o Brasil e atrairemos, enquanto Nação, prosperidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O argumento importado da reserva do possível, sem nenhum critério, é falacioso. Conforme ensina a doutrina, o possível não é um dado objetivo, de fácil constatação e mensuração, visto que em razão das grandezas orçamentárias, bem como, do desperdício, corrupção, obras faraônicas inacabadas, pode-se dizer que eles podem ser alocados de várias formas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De importância fundamental, as garantias constitucionais do processo, especialmente, o princípio da efetiva e adequada tutela jurisdicional, com a instrumentalização dos procedimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De suma importância, para além da tutela individual, a tutela coletiva, as garantias e as ações constitucionais, como o mandado de injunção, a ação de descumprimento de preceito constitucional, ação de inconstitucionalidade por omissão, mandado de segurança coletivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se os direitos sociais, e, principalmente, os direitos fundamentais sociais, não forem efetivados, teremos que admitir que a Constituição é mera norma programática sem nenhuma normatividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Indispensável que o Estado possibilite a efetividade dos direitos sociais e fundamentais sociais, através de técnicas e instrumentos desenvolvidos com tal finalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os direitos necessitam de garantias, eis que, sem garantias, não existe direito, e, sim, mera promessa, vazia de conteúdo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acertadamente, afirma Teresa Arruda Alvim, que “[h]oje, <em>cobra-se</em> do juiz uma decisão <em>justa </em>e <em>funcional</em>, para resolver problemas cuja solução não emerja com clareza do texto da lei”<sup>56</sup>. Não se desconhece que a tarefa de julgar, de “optar por uma concretização da ideia de justiça que esteja <em>embutida </em>no sistema jurídico”<sup>57</sup>, seja tarefa árdua e tenha seus percalços. Vivemos, hoje, em uma sociedade plural e dinâmica, heterogênea, não sendo ao julgador tarefa fácil significar o direito e a própria Constituição a partir de um <em>ethos </em>dominante<em>.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">No plano processual, há necessidade de instrumentos que permitam a entrega de uma tutela adequada (devido processo legal), com procedimentos apropriados, que permitam a ampla discussão das partes, com participação efetiva do juiz, para uma solução justa<sup>58-59</sup>, devendo ser potencializada a efetividade dos direitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De fato, “o processo foi concebido para dar direito a quem os têm: não para criar direitos e atribui-los a quem não os tenha, ou para subtrair direitos de seus titulares.”<sup>60</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Domingo García Belaunde, em artigo denominado <em>Garantismo, Derechos y Protección Procesal</em>, questiona: &#8220;¿Qué garantiza una garantía?&#8221;<sup>61-62</sup>. O autor, ao nos direcionar tal pergunta, de extremada importância, afirma que, entendida classicamente, a garantia não passava de um enunciado que criava uma segurança jurídica de proteção e que, por isso, por si mesma, a garantia não valia de nada. Inobservada a garantia, violada, caberiam dois caminhos, a justiça pelas próprias mãos, mecanismo de tutela do direito descartado pelos ordenamentos jurídicos contemporâneos e, de outro lado, o processo, que é o meio civilizado por excelência à garantia do direito e, no caso, à garantia da garantia.<sup>63</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">É o processo que efetiva o direito e, portanto, as garantias e direitos fundamentais e fundamentais sociais num Estado civilizado. Nossa doutrina há muito aponta, em razão da alteração do entendimento quanto ao sentido e à finalidade do Direito, que o processo não é um fim em si mesmo, mas que o fim do processo é a efetivação do direito, a solução dos conflitos e o apaziguamento da sociedade, de forma que o processo deve se adequar ao direito material tutelado e visar à sua efetividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido, não há como ignorar a necessidade de legitimar efetivamente os mecanismos de proteção social (e, consequentemente, as decisões tomadas a partir desses mecanismos), a implementação de políticas públicas, o processo legislativo e o próprio processo judicial que tutela os direitos e as garantias fundamentais, seja em âmbito individual ou coletivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O procedimento legitima o fruto, o resultado da tutela jurisdicional (a decisão), mas não o procedimento quadrado, formal, absorto do direito material tutelado e da necessidade de adequação, que ignora que o devido processo legal pressupõe a adequação no sentido de flexibilização das normas procedimentais para a tutela adequada do Direito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é por outra razão, ao que nos parece, que Nelson Nery Júnior, muito acertadamente, afirma que o direito processual se submete “ao <em>princípio da dignidade da pessoa humana</em>, que se apresenta como fundamento da República Federativa do Brasil [&#8230;]”<sup>64</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo judicial deve ser construído sem se furtar à tutela da representação adequada, do contraditório como poder de influenciar efetivamente nas decisões judiciais e que, portanto, também pressupõe uma fundamentação adequada pelo julgador nos termos do artigo 489, §1º, do CPC<sup>65</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sendo o devido processo legal uma cláusula geral, Arruda Alvim expõe, brilhantemente, ser possível, senão imperativo, &#8220;reconhecer-se que se uma dada realidade a esse princípio se opõe, ainda que não haja uma disciplina infraconstitucional inequívoca a respeito, essa situação não deve subsistir por infração ao devido processo legal.&#8221;<sup>66</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, compreendemos ser necessário, por ser oportuno, que se legisle, para fins de que se regrem, os princípios inerentes à tutela dos direitos fundamentais em juízo, inclusive prevendo a medida da representação e da participação adequadas dos indivíduos no processo para que se legitimem as decisões oriundas dos processos decisórios que tratem, seja no âmbito da tutela coletiva ou da tutela pluri-individual, a medida da adequação da tutela sob a perspectiva do processo democrático e participativo, no qual a coletividade, destinatária dos direitos fundamentais, deverá ser adequadamente representada, bem como seus interesses.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É necessário colocar o cidadão em paridade de armas com o Estado nos Tribunais de Cúpula, exercendo o mesmo poder de influência que os Procuradores Federais, os Advogados da União, nos julgamentos das causas, julgamentos estes nos quais por reiteradas vezes argumentos consequencialistas e porta-vozes de um caos futuro e supostamente a espreita, que amedronta, mas nem sempre é efetivamente demonstrado se sobrepõe aos fundamentos jurídicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A liberdade, a dignidade do cidadão, os seus direitos, devem ser tutelados pelo Estado, mas, também, face ao Estado, que por vezes é quem viola o direito do cidadão e o direito social da coletividade, de forma que a facilidade de acesso dos Advogados Públicos, dos Procuradores Federais, que representam os interesses do próprio Estado aos Ministros das Cortes Superiores, em contraposição à dificuldade de acesso a tais ministros pelo jurisdicionado, deve levar à uma análise crítica da paridade de armas, do poder de influência (poder de influir eficazmente nas decisões judiciais) e da adequação dos processos que tutelam direitos fundamentais e direitos fundamentais sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imperioso lembrar que o Poder é uno, tripartido como forma de representação e de repartição. O Estado em juízo e o Poder Judiciário são duas facetas de um mesmo Poder, indivisível, soberano, face ao qual o jurisdicionado deve ser protegido, em razão da necessidade de se resguardarem os seus direitos fundamentais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, cabe salientar que os juízes, especialmente quando se trata de interpretação Constitucional, não estão sujeitos apenas aos textos legais, mas, sobretudo, devem fazer uma análise crítica do seu significado, extraindo normatividade dos princípios, com a plena eficácia dos direitos fundamentais.<sup>67</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-3-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-3-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph">3 BELAUNDE, Domingo Garcia. <strong>39. Garantismo, Derechos Y Protección Procesal</strong> In: PEREIRA, Paula et al. <strong>Processo Constitucional</strong>. São Paulo (SP):Editora Revista dos Tribunais. 2021. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/doutrina/processo-constitucional/1339715969. Acesso em: 12 de Dezembro de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4 Como defende Ari Marcelo Solon em “Hermenêutica Jurídica Radical”, antes de qualquer interpretação propriamente dita, há uma escolha fundante, fora da moldura do texto normativo:<br>“[&#8230;] os <em>topoi </em>hermenêuticos são determinados por algo que se situa além deles e condiciona as possibilidades das molduras normativas. Normativamente, trata-se de lutar para que estes <em>topoi </em>sejam conectados constantemente a uma <em>utopia</em>: a da realização das promessas do documento constitucional de 1998, no caso brasileiro”.<br>Solon, Ari Marcelo. Hermenêutica jurídica radical. &#8211; 1. ed. &#8211; São Paulo: Marcial Pons, 2017, p. 134/135.</p>



<p class="wp-block-paragraph">5 BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 18ª ed. São Paulo, MALHEIROS EDITORES, 2006,  p. 373</p>



<p class="wp-block-paragraph">6 BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 18ª ed. São Paulo, MALHEIROS EDITORES, 2006,  p. 373</p>



<p class="wp-block-paragraph">7 ALEXY, Robert. Teoria dos Direitos Fundamentais. Tradução de Virgílio Afonso da Silva. São Paulo: Malheiros, 2008, p. 504</p>



<p class="wp-block-paragraph">8 MARTINS, Flademir Jerônimo Belinati. Dignidade da Pessoa Humana: princípio constitucional fundamental, 4ª tiragem. Curitiba: Juruá, 2006, p. 75.</p>



<p class="wp-block-paragraph">9 BRITO, Carlos Ayres. Teoria da Constituição. 2ª tirag. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 42</p>



<p class="wp-block-paragraph">10 Como defende Ari Marcelo Solon em “Hermenêutica Jurídica Radical”, antes de qualquer interpretação propriamente dita, há uma escolha fundante, fora da moldura do texto normativo:<br>“[&#8230;] os <em>topoi </em>hermenêuticos são determinados por algo que se situa além deles e condiciona as possibilidades das molduras normativas. Normativamente, trata-se de lutar para que estes <em>topoi </em>sejam conectados constantemente a uma <em>utopia</em>: a da realização das promessas do documento constitucional de 1998, no caso brasileiro”.<br>Solon, Ari Marcelo. Hermenêutica jurídica radical. &#8211; 1. ed. &#8211; São Paulo: Marcial Pons, 2017, p. 134/135.</p>



<p class="wp-block-paragraph">11 DIMOULIS, Dimitri; MARTINS, Leonardo. Teoria Geral Dos Direitos Fundamentais. 2ª ed. rev. atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2009, pág. 90.</p>



<p class="wp-block-paragraph">12 HÄBERLE, Peter. Pluralismo y Constituición: estúdios de teoria constitucional de la sociedade abierta – estúdio preliminar y traducción de Emilio Mikunda. Madrid: Editorial Tecnos, 2002, pág. 200</p>



<p class="wp-block-paragraph">13 ESTEVES, João Pissarra. Legitimação Pelo Procedimento e Deslegitimação da Opinião Pública. In: SANTOS, José Manuel. O Pensamento de Niklas Luhmann. Covilhã: Universidade da Beira Interior, 2005, pág. 314</p>



<p class="wp-block-paragraph">14 GALVÃO, Jorge Octávio Lavocat. O Neoconstitucionalismo e o Fim do Estado de Direito. São Paulo: Saraiva, 2014, pág. 231</p>



<p class="wp-block-paragraph">15 Leivas, Carlos Gilberto Cogo. Direitos Fundamentais Sociais. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2006, página 88.</p>



<p class="wp-block-paragraph">16 AGRA, Walber de Moura. Direitos Sociais. In: MARTINS, Ives Gandra da Silva; MENDES, Gilmar Ferreira; NASCIMENTO, Carlos Valder do (coords.). Tratado de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva, 2010, 1 vol., p. 552</p>



<p class="wp-block-paragraph">17 ROSA, Alexandre Moraes da. O Giro Econômico do Direito ou O Novo e Sofisticado Caminho da Servidão: Para uma nova Gramática do Direito Democrático no Século XXI. IN: NUNES, Antônio Jose Alvelã; COUTINHO, Jacinto Nelson de Miranda.  O Direito E O Futuro O Futuro Do Direito. Coimbra: Almedina, 2008, pág. 230</p>



<p class="wp-block-paragraph">18 Solon, Ari Marcelo. Hermenêutica jurídica radical. &#8211; 1. ed. &#8211; São Paulo: Marcial Pons, 2017, p. 123/129.</p>



<p class="wp-block-paragraph">19 Disponível em:&lt; https://www.jota.info/artigos/stf-contrata-economista-chefe-uma-novidade-bem-vinda>. Acesso em: 11 de dezembro de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">20 BERCOVICI, Gilberto. Constituição e Política: uma relação difícil. Lua Nova: Revista, Cultura e Política, nº 61, 2004, p.16</p>



<p class="wp-block-paragraph">21 CASTRO, Carlos Roberto De Siqueira. O Devido Processo Legal e a Razoabilidade das Leis na Nova Constituição do Brasil. 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1989, p. 317/318.</p>



<p class="wp-block-paragraph">22 SARLET, 2009, P. 284.</p>



<p class="wp-block-paragraph">23 CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Estudos sobre Direitos Fundamentais. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2.008, p. 260</p>



<p class="wp-block-paragraph">24 SARLET, 2009, p.352</p>



<p class="wp-block-paragraph">25 SARLET,  2009, p.352</p>



<p class="wp-block-paragraph">26 SARLET, 2009, p. 387</p>



<p class="wp-block-paragraph">27 SARLET, 2009, p. 389</p>



<p class="wp-block-paragraph">28 SARLET, 2009, p. 83</p>



<p class="wp-block-paragraph">29 QUEIROZ, Cristina. Direitos Fundamentais Sociais: funções, âmbito, conteúdo, questões interpretativas e problemas de justiciabilidade. 2ª ed. Coimbra, 2006, p. 27.</p>



<p class="wp-block-paragraph">30 SARLET, Ingo Wolfgang. A Eficácia dos Direitos Fundamentais: Uma teoria geral dos direitos fundamentais na perspectiva constitucional. 14ª ed. rev. atual. e ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2009, pág. 75.</p>



<p class="wp-block-paragraph">31 ALEXY, Robert. Teoria dos Direitos Fundamentais. Tradução de Virgilio Afonso da Silva. São Paulo: Malheiros, 2008, pág. 433</p>



<p class="wp-block-paragraph">32 ALEXY, Robert. Teoria dos Direitos Fundamentais. Tradução de Virgilio Afonso da Silva. São Paulo: Malheiros, 2008, ,pág. 506</p>



<p class="wp-block-paragraph">33 QUEIRÓZ, Cristina. Direitos Fundamentais Sociais: funções, âmbito, conteúdo, questões interpretativas e problemas de justiciabilidade. 2ª ed. Coimbra: Coimbra, 2006,  p. 27</p>



<p class="wp-block-paragraph">34 ALEXY, Robert. Teoria dos Direitos Fundamentais. Tradução de Virgilio Afonso da Silva. São Paulo: Malheiros, 2008, pág. 202</p>



<p class="wp-block-paragraph">35 QUEIRÓZ, Cristina. Direitos Fundamentais Sociais: funções, âmbito, conteúdo, questões interpretativas e problemas de justiciabilidade. 2ª edição. Coimbra: Coimbra, 2006, p. 152.</p>



<p class="wp-block-paragraph">36 WATANABE, Kazuo. Controle Jurisdicional Das Políticas Públicas – “Mínimo Existencial” e Demais Direitos Fundamentais Imediatamente Justicializáveis. In: GRINOVER, Ada Pellegrini; WATANABE, Kazuo (org.) – 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2013, p. 219.</p>



<p class="wp-block-paragraph">37 GRINOVER, Ada Pelegrini, O Controle Jurisdicional de Políticas Públicas. In: GRINOVER, Ada Pelegrini, WATANABE, Kazuo (org.). – 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2013, p. 126.</p>



<p class="wp-block-paragraph">38 BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 18ª ed. São Paulo MALHEIROS EDITORES, 2006, p.373</p>



<p class="wp-block-paragraph">39 BONAVIDES, Paulo, p. 423</p>



<p class="wp-block-paragraph">40 CANOTILHO,  2003, P. 1164. Canotilho destaca a importância  dos  princípios fundamentais salientando que eles são extraídos da sociedade, num processo de incorporação na consciência jurídica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">41 Ávila, Humberto. Teoria Da Segurança Jurídica -3ª ed. São Paulo: Malheiros Editores, pág. 227.</p>



<p class="wp-block-paragraph">42 HESSE, Konrad. Temas Fundamentais do  Direito Constitucional: textos selecionados e traduzidos por Carlos Santos Almeida, Gilmar Ferreira  Mendes e Inocêncio Mártires Coelho. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 38</p>



<p class="wp-block-paragraph">43 BOBBIO, Norberto. Teoria do Ordenamento Jurídico. 10ª ed. Tradução de Maria Celeste Cordeiro Leite Dos Santos. Revisão Técnica de Cláudio De Cicco. Apresentação de Tércio Sampaio Ferraz Junior. Brasília: UNB – Universidade de Brasília, 1997, p. 158-159.</p>



<p class="wp-block-paragraph">44 BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 18ª ed. São Paulo: MALHEIROS EDITORES, 2006, 378.</p>



<p class="wp-block-paragraph">45 SARLET. Ingo Wolfgang. A Eficácia Dos Direitos Fundamentais: uma teoria geral dos direitos fundamentais na perspectiva constitucional. 10ª ed. rev. atual. e ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2009, pág. 83</p>



<p class="wp-block-paragraph">46 CANOTILHO, Joaquim Jose Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. 7ª ed. 2ª reimpr. Coimbra: Almedina, 2003, p. 1.163. A importância fundamental dos princípios ao sistema constitucional é ressaltada na lição de Canotilho quando acentua que: “fornecem suportes rigorosos para solucionar determinados problemas metódicos”, citando, como exemplo a solução dos conflitos fundamentais, concluindo que eles possibilitam “respirar, legitimar, enraizar e caminhar o próprio sistema”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">47 BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 18ª ed. São Paulo: MALHEIROS EDITORES, 2006, p. 435</p>



<p class="wp-block-paragraph">48 BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 18ª ed. São Paulo: MALHEIROS EDITORES, 2006, P. 434</p>



<p class="wp-block-paragraph">49 GUERRA FILHO, Willis Santiago. A Dimensão Processual dos Direitos Fundamentais<em>. In</em>: Revista de Processo, ano 22, n. 01. São Paulo, jul./set. 1997, p.185</p>



<p class="wp-block-paragraph">50 BUENO FILHO, Edgard Silveira. O Direito à Defesa Na Constituição. São Paulo: Saraiva, 1994, p. 47.</p>



<p class="wp-block-paragraph">51 SARLET, Ingo Wolfgang, MARINONI, Luiz Guilherme, MITIDIERO, Daniel. – 7ª ed. – São Paulo: Saraiva Educação, 2018,  812/819</p>



<p class="wp-block-paragraph">52 WATANABE,  Kazuo, Código Brasileiro do Consumidor Comentado Pelos Autores do Anteprojeto. 9ª ed. Rio de Janeiro: FORENSE UNIVERSITÁRIA, 2007, p. 854/855.</p>



<p class="wp-block-paragraph">53 WATANABE, Kazuo. Controle Jurisdicional Das Políticas Públicas – “Mínimo Existencial” e Demais Direitos Fundamentais Imediatamente Justicializáveis. In: GRINOVER, Ada Pelegrini, WATANABE, Kazuo (org.). – 2ª ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2013, p. 215.</p>



<p class="wp-block-paragraph">54 GRINOVER, Ada Pelegrini, 1990, p. 18</p>



<p class="wp-block-paragraph">55 BEDAQUE, José Roberto Dos Santos. Efetividade Do Processo E Técnica Processual. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 486.</p>



<p class="wp-block-paragraph">56 ALVIM, TERESA ARRUDA. Precedentes, recurso especial e recurso extraordinário / Teresa Arruda Alvim, Bruno Dantas. – 7. Ed. ver., atual. e ampl. – São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2023, p. 44.</p>



<p class="wp-block-paragraph">57 <em>Idem, ibidem.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">58 Ao discorrer sobre a importância do princípio do contraditório no direito processual e da fundamentação das decisões judiciais para um processo democrático e justo, Daniel Mitidiero afirma que:<br>&#8220;[&#8230;] a intensificação do diálogo e o foco sobre as razões em que se consubstancia o diálogo processual fomentam a democracia e a vinculação ao direito, além de viabilizar uma tutela aos direitos tanto em uma perspectiva particular como em uma perspectiva geral. Fomenta a democracia, porque permite a conformação do exercício da jurisdição a partir das razões invocadas pelas partes – ou, pelo menos, sobre as quais teve a oportunidade de se pronunciar. Fomenta a vinculação ao direito, porquanto procura guiar a tomada de decisão em estreita vinculação com o caso debatido em juízo e com o direito aplicável à espécie. Fomenta a tutela dos direitos, por fim, na medida em que permite uma delimitação mais bem-acabada daquilo que é efetivamente debatido, enfrentado e decidido, viabilizando assim a adoção de comportamentos futuros a partir de uma melhor identificação do precedente formado.&#8221;<br>MITIDIERO, Daniel. <strong>36. Processo Constitucional e Direito ao Diálogo no Processo: Entre o Direito ao Contraditório e o Dever de Fundamentação</strong> In: PEREIRA, Paula et al. <strong>Processo Constitucional</strong>. São Paulo (SP):Editora Revista dos Tribunais. 2021. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/doutrina/processo-constitucional/1339715969. Acesso em: 12 de Dezembro de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">59 &#8220;O devido processo (processo justo) pressupõe a incidência da isonomia; do contraditório; do direito à prova; da igualdade de armas; da motivação das decisões administrativas e judiciais; do direito ao silêncio; do direito de não produzir prova contra si mesmo e de não se autoincriminar; do direito de estar presente em todos os atos do processo e fisicamente nas audiências; do direito de comunicar-se em sua própria língua nos atos do processo; da presunção de inocência; do direito de duplo grau de jurisdição no processo penal; do direito à publicidade dos atos processuais; do direito à duração razoável do processo; do direito ao julgador administrativo e ao acusador e juiz natural; do direito a juiz e tribunal independentes e imparciais;  do direito de ser comunicado previamente dos atos do juízo, inclusive sobre as questões que o juiz deva decidir <em>ex officio</em>,  entre outros derivados da <em>procedural due process clause</em>.&#8221;<br>NERY JÚNIOR, Nelson. <strong>1. O Devido Processo Legal</strong> In: JÚNIOR, Nelson. <strong>Princípios do Processo na Constituição Federal</strong>. São Paulo (SP):Editora Revista dos Tribunais. 2018. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/doutrina/principios-do-processo-na-constituicao-federal/1153091437. Acesso em: 12 de Dezembro de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">60 ARRUDA ALVIM, Teresa. Ação rescisória e querela nullitatis: semelhanças e diferenças / Teresa Arruda Alvim, Maria Lúcia Lins Conceição. – 2. Ed. ver., atual. e ampl. – São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2020, p. 19.</p>



<p class="wp-block-paragraph">61 Em tradução livre: <em>O que assegura uma garantia?</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">62 BELAUNDE, Domingo Garcia. <strong>39. Garantismo, Derechos Y Protección Procesal</strong> <em>In</em>: PEREIRA, Paula et al. <strong>Processo Constitucional</strong>. São Paulo (SP):Editora Revista dos Tribunais. 2021. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/doutrina/processo-constitucional/1339715969. Acesso em: 12 de Dezembro de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">63 BELAUNDE, Domingo Garcia. <strong>39. Garantismo, Derechos Y Protección Procesal</strong> <em>In</em>: PEREIRA, Paula et al. <strong>Processo Constitucional</strong>. São Paulo (SP):Editora Revista dos Tribunais. 2021. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/doutrina/processo-constitucional/1339715969. Acesso em: 12 de Dezembro de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">64 NERY JÚNIOR, Nelson. <strong>1. O Devido Processo Legal</strong> In: JÚNIOR, Nelson. <strong>Princípios do Processo na Constituição Federal</strong>. São Paulo (SP):Editora Revista dos Tribunais. 2018. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/doutrina/principios-do-processo-na-constituicao-federal/1153091437. Acesso em: 12 de Dezembro de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">65 MITIDIERO, Daniel. <strong>36. Processo Constitucional e Direito ao Diálogo no Processo: Entre o Direito ao Contraditório e o Dever de Fundamentação</strong> In: PEREIRA, Paula et al. <strong>Processo Constitucional</strong>. São Paulo (SP):Editora Revista dos Tribunais. 2021. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/doutrina/processo-constitucional/1339715969. Acesso em: 12 de Dezembro de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">66 ARRUDA ALVIM. <strong>2. Devido Processo Legal – Aspectos Principais e Paralelos</strong> In: DANTAS, Marcelo. <strong>Temas Atuais de Direito Processual: Estudos em Homenagem ao Professor Eduardo Arruda Alvim</strong>. São Paulo (SP):Editora Revista dos Tribunais. 2022. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/doutrina/temas-atuais-de-direito-processual-estudos-em-homenagem-ao-professor-eduardo-arruda-alvim/1481216024. Acesso em: 12 de Dezembro de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">67 CAMBI, Eduardo. Neoconstitucionalismo e Neoprocessualismo: direitos fundamentais, políticas públicas e protagonismo judiciário. 2ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>BIBLIOGRAFIA</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">AGRA, Walber de Moura. Direitos Sociais. In: MARTINS, Ives Gandra da Silva; MENDES, Gilmar Ferreira; NASCIMENTO, Carlos Valder do (coords.). Tratado de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva, 2010, 1 vol.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALEXY, Robert. Teoria dos Direitos Fundamentais. Tradução de Virgílio Afonso da Silva. São Paulo: Malheiros, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ARRUDA ALVIM, TERESA. Precedentes, recurso especial e recurso extraordinário / Teresa Arruda Alvim, Bruno Dantas. – 7. Ed. ver., atual. e ampl. – São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2023, p. 44.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Advogado, graduado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e pós-graduado em Direito Processual Civil pela mesma instituição, onde atualmente cursa o seu mestrado na mesma área. Currículo Lattes disponível em: http://lattes.cnpq.br/4978092311971360.</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>2</sup>Advogado com especializações em direito previdenciário, processual civil e material e processual do trabalho, mestre em Direito Constitucional pela Instituição Toledo de Ensino (ITE). Currículo Lattes disponível em: http://lattes.cnpq.br/6578947471848718</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ESTUDO DE CASOS DE CÃES DIAGNOSTICADOS COM HEMOPARASITOSES NA CLÍNICA ESCOLA VETERINÁRIA DA UNIG</title>
		<link>https://revistaft.com.br/estudo-de-casos-de-caes-diagnosticados-com-hemoparasitoses-na-clinica-escola-veterinaria-da-unig/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft PA]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Jan 2025 22:26:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências Agrárias]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 141/DEZ 2024]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=194953</guid>

					<description><![CDATA[STUDY OF CASES OF DOGS DIAGNOSED WITH HEMOPARASITOSIS AT THE UNIG VETERINARY SCHOOL CLINIC REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma102401311926 Maria Cristina Ravagnani Gonçalves1; Luis Felipe de Morais1; Rayane da Silva Fernandes1; Ursula dos Santos Ferreira de Souza1; Jorge Luiz Pinto Abrahão Junior1; Natália Lôres Lopes2 Resumo&#160; As hemoparasitoses são enfermidades de grande importância na clínica de animais [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">STUDY OF CASES OF DOGS DIAGNOSED WITH HEMOPARASITOSIS AT THE UNIG VETERINARY SCHOOL CLINIC</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma102401311926</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Maria Cristina Ravagnani Gonçalves<sup>1</sup>; Luis Felipe de Morais<sup>1</sup>; Rayane da Silva Fernandes<sup>1</sup>; Ursula dos Santos Ferreira de Souza<sup>1</sup>; Jorge Luiz Pinto Abrahão Junior<sup>1</sup>; Natália Lôres Lopes<sup>2</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As hemoparasitoses são enfermidades de grande importância na clínica de animais de companhia, sendo responsável por elevada casuísta em clínicas e hospitais veterinários.  Dentre as principais hemoparasitoses estão a Erliquiose Monocítica Canina, Anaplasmose Trombocitotrópica Canina, Babesiose e Hepatozoonose. O objetivo deste trabalho é analisar e descrever a ocorrência de cães diagnosticados com hemoparasitoses atendidos na clínica escola da Universidade Iguaçu (UNIG) campus Nova Iguaçu, no período de fevereiro de 2024 a dezembro de 2024 contribuindo com dados epidemiológicos para a literatura. Foram incluídos 10 cães na clínica escola Veterinária da UNIG diagnosticados com hemoparasitose. Os animais passaram por anamnese, histórico e exame físico. Foram descritos os sinais clínicos, realizado hemograma com pesquisa de hemoparasitas em capa leucocitária,e, quando indicado, realização de teste rápido 4DX para <em>Ehrlichia canis</em>, <em>Anaplasma platys</em> e <em>Hepatozoon canis</em>  e/ou PCR para <em>Babesia canis vogeli</em>. Os dados obtidos foram tabelados utilizando o Microsoft Excel® e analisados através de estatística descritiva. Foi observado que 50% dos animais analisados apresentaram coinfecção por anaplasmose e erlichiose, 40 % com erliquiose e 10 % com Anaplasmose, através do teste 4DX . As principais alterações observadas no hemograma foram: seis cães apresentaram valores diminuídos de hemoglobina (60%), 4 no hematócrito (40%) e três de hemácias (30%). A trombocitopenia ocorreu em 4 animais (40%) assim como a monocitopenia conclui-se que a maior ocorrência foi de coinfecção por erlichiose e anaplasmose, sendo importante realizar exames laboratoriais para se obter o diagnóstico definitivo e identificar os agentes envolvidos. Sendo de grande valia a combinação do hemograma e de testes como o 4DX.  </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>PALAVRAS-CHAVES</strong>: Caninos, Erlichiose, Anaplasmose diagnóstico</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As hemoparasitoses são enfermidades de grande importância na clínica de animais de companhia, em especial da espécie canina, sendo responsável por elevada casuísta em clínicas e hospitais veterinários (Aguiar,2013). Essas doenças são causadas por patógenos que são transmitidos por artrópodes hematófagos, e parasitam as células presentes na corrente sanguínea, ou seja, podem estar presentes em eritrócitos, leucócitos e até mesmo nas plaquetas (Costa,2015). Dentre as principais hemoparasitoses descritas é possível citar a Erliquiose Monocítica Canina, a Anaplasmose Trombocitotrópica Canina, a Babesiose e Hepatozoonose, causados pelos agentes dos gêneros <em>Ehrlichia, Anaplasma, Babesia e Hepazoon</em>, respectivamente (De Araújo et al.,2022; Lappin, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na família Anaplasmataceae estão <em>Anaplasma platys</em> que formam mórulas nas plaquetas circulantes e <em>Erlichia canis</em> que parasita monócitos. Já no gênero <em>Babesia</em>, as subespécies <em>Babesia canis canis, Babesia canis rossi</em> e <em>Babesia canis vogeli</em> são observadas nas hemácias enquanto que <em>Hepatozoon canis</em> pode ser encontrado nos neutrófilos circulantes (Nelson; Couto, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas enfermidades possuem manifestações clínicas variáveis, desde imperceptíveis até quadros clínicos mais graves que podem levar a óbito (Labarthe <em>et al.,</em>2003). Muitas vezes a sintomatologia se apresenta de forma semelhante, com anorexia, perda de peso, febre, linfadenopatia, palidez de mucosas, hepatomegalia e/ou esplenomegalia, dentre outros. Ocorre ainda alterações no laboratoriais que podem variar de acordo com o agente envolvido como trombocitopenia, anemia hemolítica, monocitose, leucócitos, leucopenia, hipoalbuminemia (Silveira <em>et al</em>.,2019). As alterações laboratoriais e os sinais clínicos são inespecíficos, sendo necessário a obtenção do diagnóstico definitivo e a identificação do agente envolvido. Métodos como pesquisa de anticorpos, reação em cadeia pela polimerase (PCR), pesquisa de hematozoários em esfregaço sanguíneo podem ser utilizados (Nelson; Couto, 2015). A conduta terapêutica realizada deverá ser escolhida de acordo com o agente envolvido no quadro, dessa forma se faz necessária a escolha do método de diagnóstico mais indicado para cada hemoparasitose,&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com distribuição mundial, a casuística de cada hemoparasitose varia de acordo com a região estudada. Em Sergipe foi observado que <em>Erlichia canis</em> e <em>Anaplasma platys</em> foram os hemoparasitas de maior ocorrência (Silveira <em>et al</em>.,2019), já em São Paulo <em>Erilchia canis</em> foi a mais frequente, seguida por <em>Babesia canis vogeli</em> e <em>Anaplasma platys</em> não foi observado (Junior Eis,2021). Em contrapartida no Rio Grande do Sul <em>Babesia</em> foi o gênero mais prevalente (Ferraz <em>et al.,</em> 2022), logo conhecer os dados epidemiológicos da região em que o médico veterinário atua é essencial para auxiliar na conduta diagnóstica para o paciente atendido bem como para instituir o tratamento mais adequado.  O presente estudo tem como principal objetivo analisar e descrever a ocorrência de casos de hemoparasitose em cães atendidos na clínica escola da Universidade Iguaçu (UNIG), analisar os métodos  utilizados para o seu diagnóstico, sinais clínicos e alterações laboratoriais apresentadas, contribuindo com dados epidemiológicos para a literatura. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>METODOLOGIA&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo foi conduzido na clínica escola veterinária da Universidade Iguaçu, campus Nova Iguaçu no período de fevereiro a dezembro de 2024. O estudo foi submetido e aprovado pelo comitê de ética da UNIG (CEUA) e um termo de livre consentimento esclarecido que será aplicado aos responsáveis dos animais participantes do projeto. Foram atendidos cães que com sintomatologia clínica suspeita de hemoparasitose. Os cães passaram por anamnese e histórico detalhado, exame físico completo. Foram descritos os sinais clínicos apresentados pelos pacientes em ficha clínica e&nbsp; coletado 3 ml de sangue da veia cefálica utilizando seringa de 5 ml e scalp 23G para realização de hemograma com pesquisa de hemoparasitas em capa leucocitária, e quando indicado, a realização de teste rápido 4DX para E<em>hrlichia canis, Anaplasma platys </em>e<em> Hepatozoon canis.</em>e/ou PCR para <em>Babesia canis vogeli.&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados foram anotados em ficha clínica e posteriormente tabelados utilizando o programa Microsoft Excel® e analisados através de estatística descritiva.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESULTADOS E DISCUSSÃO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram diagnosticados 10 cães com hemoparasitose (4 fêmeas e 6 machos) raças variadas. As raças variaram em SRD (4) Yorkshire (2), Cocker Spaniel (1), Poodle (1), Rottweiller (1) e American Bully (1), A idade variou entre três meses a 11 anos (média 4,27 anos). As hemoparasitoses podem ocorrer em qualquer idade, assim como no observado com ocorrência em filhote, adultos e idosos, independente também de raça e sexo ( Benigno <em>et al.</em>, 2011; Furlong <em>et al.,</em> 2004 apud De Araújo <em>et al.,</em>2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre os sinais clínicos, vômito foi relatado em 6 animais (60%), prostração em 4 (40%), febre em 2 (20%) e inapetência em 2 (20%), emagrecimento em um (10%), sensibilidade 1 cão apresentou abdominal (10%),  sendo estes sinais inespecíficos,não sendo observados somente em casos de hemoparasitoses. Um cão apresentou epistaxe (10%), dois animais foram a clínica para realização de exames (30%), um para avaliação após diagnóstico de dirofilariose (10%) e um para realização de triagem cirúrgica para castração (10%). Em três cães foi descrito o contato com carrapatos, sendo que a transmissão dessas enfermidades é realizada pelo <em>Rhipicephalus sanguineus</em> (Jericó et al.,2015) </p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto às hemoparasitoses, cinco cães foram diagnosticados com Anaplasmose e Erlichiose concomitantemente (50%), quatro com Erlichiose (40%), enquanto que um animal foram diagnosticados com Anaplasmose (10%). A ocorrência de coinfecção como observado no caso de cães com anaplasmose e erlichiose no presente estudo pode acelerar ou agravar o curso da doença (Jericó et al., 2015). Todos os animais foram positivos no teste 4DX.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a literatura o diagnóstico das hemoparasitoses combina métodos laboratoriais como hemograma, testes rápidos (4DX) e PCR, destacando-se pela necessidade de técnicas complementares para maior precisão, onde nesse trabalho foram realizados hemograma com avaliação do esfregaço sanguíneo para pesquisa de hemoparasitas,&nbsp; o teste&nbsp; rápido 4DX e o PCR dependendo do caso&nbsp; (De Araújo <em>et al.,</em> 2022).&nbsp; O esfregaço sanguíneo foi realizado em 8 animais (80%) e em apenas 1, foi positivo para <em>Anaplasma sp</em>. Essa técnica é comumente utilizada na rotina clínica, porém pode haver casos de resultados falso-negativos, tendo maior probabilidade de ser positivo em casos agudos (Jericó et al, 2015). A visualização de mórulas de <em>Erlichia canis</em> no esfregaço sanguíneo é considerado raro, acontecendo em cerca de 4-6% dos casos, já no caso da anaplasmose essa avaliação direta aparenta ter maior sensibilidade quando comparada a casos de erlichiose (Sainz. et al.,2015). Em dois pacientes foi realizado PCR para <em>Babesia canis vogeli</em>, sendo ambos negativos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Os achados do presente estudo corroboram com o observado por Silveira <em>et al</em> (2019) em estudo realizado em Sergipe, no qual erlichiose e anaplasmose tiveram ocorrência elevada. Esses resultados somados a ausência de casos diagnosticados com <em>Babesia sp</em> diferem do observado em São Paulo, no qual foi descrito a sua ocorrência e ainda ausência de casos diagnosticados de anaplasmose (Junior Eis,2021) e no Rio Grande do Sul com maior prevalência de cães diagnosticados com Babesiose (Ferraz <em>et al.,</em> 2022). Esses dados reforçam a necessidade de se realizar estudos epidemiológicos para se obter um perfil em cada região visando diagnósticos mais precisos e adoção de medidas preventivas. Entretanto o presente estudo cursou com um número pequeno de participantes, sendo necessário a realização de estudos maiores.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;As hemoparasitoses podem levar a alterações laboratoriais como as observadas no hemograma (Sainz et al.,2015). No presente estudo a alteração mais frequente foi a anemia, sendo observado que seis cães apresentaram valores diminuídos de hemoglobina (60%), 4 no hematócrito (40%) e três de hemácias (30%). A trombocitopenia ocorreu em 4 animais (40%) , assim como a monocitopenia. Eosinopenia foi observada em 2 cães (20%),2 com linfopenia&nbsp; (20%),enquanto que a ocorrência de leucopenia, neutropenia e trombocitose ocorreu em 1 cão cada (10%). Um paciente não apresentou alterações no hemograma e 2 não realizaram o exame pois foram à clínica apenas para realização de 4DX. Essas alterações estão de acordo com o descrito na literatura (Nelson; Couto, 2015; Sainz et al.,2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Baseando-se nos resultados obtidos conclui-se que a maior ocorrência foi de coinfecção por erlichiose e anaplasmose, sendo importante realizar exames laboratoriais para se obter o diagnóstico definitivo e identificar os agentes envolvidos. Sendo de grande valia a combinação do hemograma e de testes como o 4DX. É importante salientar a necessidade de realização de medidas preventivas para auxiliar no controle das hemoparasitoses.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Sainz Á, Roura X, Miró G, Estrada-Peña A, Kohn B, Harrus S, Solano-Gallego L. <strong>Guideline for veterinary practitioners on canine ehrlichiosis and anaplasmosis in Europe.</strong> Parasit Vectors. 2015, 4;8:75.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVEIRA  AM, MENEZES GMM, JUNIOR AST, SANTOS ALC, DELFINO AISA<strong>. Levantamento de hemoparasitoses em cães e gatos no Hospital Veterinário Dr. Vicente Borelli Aracajú-Sergipe.</strong> Pubvet Medicina Veterinária e Zootecnia.2019; 13 (1):1-5.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">TAYLOR MA, COOP RL, WALL RL. <strong>Parasitologia Veterinária.4 ed. Rio de Janeiro. Guanabara-koogan;</strong>2017.1052p.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup> Discente do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Iguaçu Campus Nova Iguaçu e-mail: 220020991@aluno.unig.edu.br; 20092058@aluno.unig.edu.br,220046203@aluno.unig.edu.br,220037752@aluno.unig.edu.br<br><sup>2</sup> Docente do Curso de. Medicina Veterinária da Universidade Iguaçu Campus Nova Iguaçu . e-mail: 0177077@professor.unig.edu.br</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A  ARTROSCOPIA DE JOELHO E A RELAÇÃO COM O TROMBOEMBOLISMO VENOSO (TEV): REVISÃO SISTEMÁTICA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/a-artroscopia-de-joelho-e-a-relacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Jan 2025 13:13:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 141/DEZ 2024]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th102502111750 Daniel Lucas Santos Souza¹ Giorgio Vagner Silva Nogueira² RESUMO A artroscopia de joelho é um dos procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos mais utilizados para o diagnóstico e tratamento de diversas patologias articulares, incluindo lesões meniscais e rupturas de ligamentos. Entre as técnicas mais comuns estão a meniscectomia e a reconstrução do ligamento cruzado [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th102502111750</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Daniel Lucas Santos Souza¹<br> Giorgio Vagner Silva Nogueira²</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A artroscopia de joelho é um dos procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos mais utilizados para o diagnóstico e tratamento de diversas patologias articulares, incluindo lesões meniscais e rupturas de ligamentos. Entre as técnicas mais comuns estão a meniscectomia e a reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA), além de possíveis intervenções no ligamento cruzado posterior (LCP). Embora seja considerada uma técnica segura, há riscos associados, como o tromboembolismo venoso (TEV). Este artigo revisa a incidência de TEV em pacientes submetidos à artroscopia de joelho, abordando as estratégias de prevenção e manejo com base nas melhores práticas clínicas. Metodologia: Esta pesquisa trata-se de uma abordagem de revisão sistemática para sintetizar as evidências mais recentes sobre o tema, orientada pela Diretrizes PRISMA 2020 e os Ensaios clínicos randomizados foram avaliados pela escala PEDro. Para avaliar a literatura disponível sobre incidências de TEV e intervenção em reconstruções de LCA e meniscectomias via artroscopica, dois revisores independentes conduziram uma busca sistemática utilizando os descritores: “knee” AND “arthroscopy” OR “arthroscopic” AND “complication” AND “risk” AND “venous thromboembolism”, OR “Vein Thrombosis” OR “venous thrombosis”. As bases de dados consultadas foram Pubmed, Web Of Science, Scopus e Embase, considerando publicações até o dia 02 de dezembro de 2024. O protocolo PRISMA foi adotado para orientar a pesquisa, aplicando filtros específicos como “Randomized Controlled Trial”, “Meta-Analysis” e “Systematic Reviews” para refinar os resultados. Resultados: Segundo a estratégia de busca, foram encontrados 1862 estudos nas plataformas de buscas com os descritores supracitados, os quais foram novamente avaliados segundo duplicidade nos bancos de dados, seu desenho e relevância conforme os filtros do tipo de estudo e critérios de inclusão. Houve uma correlação muito forte entre as buscas dos dois pesquisadores (k=0,891). Ao final restaram 13 estudos, após leitura individual e conformidade com o tema, que foram incluídos. Conclusão: Com base nos estudos revisados, conclui-se que a artroscopia de joelho, embora seja um procedimento amplamente utilizado e com baixa morbidade, apresenta riscos de tromboembolismo venoso, especialmente em cirurgias de reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA). A meniscectomia, por outro lado, tem menor duração cirúrgica e, consequentemente, menor risco de TEV. A implementação de profilaxia deve ser personalizada, considerando fatores de risco como idade, IMC, duração da cirurgia e comorbidades do paciente. Ainda que não haja consenso universal sobre a necessidade de anticoagulação em todos os procedimentos, a profilaxia deve ser considerada especialmente em casos de maior risco. Mais estudos são necessários para definir diretrizes mais claras para a profilaxia de TEV em pacientes submetidos à artroscopia de joelho.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras</strong>&#8211;<strong>chave</strong>: artroscopia de joelho, ligamento cruzado anterior, tromboembolismo venoso, meniscectomia, cirurgia ortopédica.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A artroscopia de joelho é um dos procedimentos cirúrgicos mais utilizados de forma minimamente invasivo com o intuito de obtenção do diagnóstico e tratamento de diversas patologias articulares, como lesões meniscais e rupturas de ligamentos. Entre as formas mais comuns realizadas via artroscopia de joelho, destacam-se a meniscectomia e a reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA) além de atuação no ligamento cruzado posterior a depender da indicação. Embora a artroscopia seja considerada uma intervenção segura, é fundamental compreender os riscos associados, incluindo a ocorrência de tromboembolismo venoso (TEV) (1-3).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O TEV, que abrange tanto a trombose venosa profunda (TVP) quanto a embolia pulmonar (EP), é uma complicação que pode se tornar grave e surgir após cirurgias ortopédicas. Acompanhando a evolução de técnicas cirúrgicas envolvidas nas lesões do joelho a artroscopia se tornou um aprimoramento na escala evolutiva e se relacionando aos protocolos de prevenção, embora a frequência de TEV possa variar dependendo do tipo atingido de lesões a serem tratadas de forma particular mas ainda não se tenha um consenso definido sobre tal tema (3).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre as utilizações de artroscopia do joelho está o reparo de LCA que pode envolver estruturas de partes moles e agressão à pele incluindo o pós operatório e tempo cirúrgico maior que outras atuações implicando em risco aumentado para TEV. Tendo um uso de enxertos e parte de imobilização são somadas nesse quadro diferindo de meniscectomia, por exemplo, que geralmente tem uma incidência menor de TEV por alguns fatores como menor duração de cirurgia (3-4).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa relação entre o tipo de procedimento artroscópico de joelho e a ocorrência de TEV destaca a importância de uma avaliação cuidadosa dos fatores de risco individuais e a implementação de medidas profiláticas adequadas uma vez que não se tenha observado relação efetiva dentre os fatores específicos dos dois temas envolvidos. A identificação precoce e o manejo adequado do TEV são essenciais para minimizar as complicações e garantir a recuperação segura dos pacientes (4-6)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os métodos artroscópicos estão com o passar do tempo cada vez mais utilizados para complementar diagnósticos das patologias relacionadas ao joelho de contorno mais precoce passando a ter tratamentos efetivos e prioritários e consequentemente relacionando com complicações cirúrgicas (7). A tromboprofilaxia utilizada em procedimentos artroscópicos mesmo naqueles que apresentam poucos fatores de risco pode ser relacionada a diminuição maior de complicações tromboembólicas (5-10).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, este artigo tem como objetivo explorar a incidência de TEV em pacientes submetidos à artroscopia de joelho, com ênfase na reconstrução do LCA e a meniscectomia. Além disso, foram discutidas as estratégias de prevenção e manejo do TEV, considerando as evidências atuais e as melhores práticas clínicas para garantir a segurança e a eficácia dos procedimentos artroscópicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Estratégia de pesquisa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta pesquisa trata-se de uma abordagem de revisão sistemática para sintetizar as evidências mais recentes sobre o tema, orientada pela Diretrizes PRISMA 2020 (https://www.prisma-statement.org/), e os Ensaios clínicos randomizados foram avaliados pela escala PEDro ( https://pedro.org.au/portuguese/resources/pedro-scale/).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para avaliar a literatura disponível sobre incidências de TEV e intervenção em reconstruções de LCA e meniscectomias via artroscopica, dois revisores independentes conduziram uma busca sistemática utilizando os descritores: “knee” AND “arthroscopy” OR “arthroscopic” AND “complication” AND “risk” AND “venous thromboembolism”, OR “Vein Thrombosis” OR “venous thrombosis”. As bases de dados consultadas foram Pubmed, Web Of Science, Scopus e Embase, considerando publicações até o dia 02 de dezembro de 2024. O protocolo PRISMA foi adotado para orientar a pesquisa, aplicando filtros específicos como “Randomized Controlled Trial”, “Meta-Analysis” e “Systematic Reviews” para refinar os resultados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Critérios de Elegibilidade e Seleção</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos identificados passaram por uma rigorosa seleção baseada nos seguintes critérios de inclusão:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Relevância direta ao tema de interesse;</li>



<li>Publicação em periódicos científicos indexados;</li>



<li>Disponibilidade em qualquer idioma;</li>



<li>Realização de pesquisas em seres humanos;</li>



<li>Acesso ao texto completo do artigo.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Foram excluídos estudos que apresentavam apenas relatos de caso isolados ou metodologias consideradas de baixa confiabilidade como ausência de avaliação de viés de seleção e validação de dados, estudos series de casos retrospectivos e ensaios experimentais em animais ou cadáveres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Variáveis Investigadas e Dados Extraídos: Os investigadores, trabalhando de forma independente, seguiram os mesmos critérios de seleção para os estudos e extraíram informações pertinentes como o desenho do estudo, objetivo, tipo de avaliação, e os desfechos clínicos alcançados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Identificação dos estudos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a estratégia de busca, foram encontrados 1862 estudos nas plataformas de buscas com os descritores supracitados, os quais foram novamente avaliados segundo duplicidade nos bancos de dados, seu desenho e relevância conforme os filtros do tipo de estudo e critérios de inclusão. Houve uma correlação muito forte entre as buscas dos dois pesquisadores (k=0,891). Ao final restaram 13 estudos, após leitura individual e conformidade com o tema, que foram incluídos (Figura 1-3; Tabela 1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Figura 1. Fluxograma PRISMA.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="669" height="574" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-373.png" alt="" class="wp-image-197467" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-373.png 669w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-373-300x257.png 300w" sizes="(max-width: 669px) 100vw, 669px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Figura 2. Descrição temporal da literatura incluída por ano de publicação.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="649" height="372" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-374.png" alt="" class="wp-image-197468" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-374.png 649w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-374-300x172.png 300w" sizes="(max-width: 649px) 100vw, 649px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Figura 3. Número de artigos segundo o desenho do estudo.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="684" height="414" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-375.png" alt="" class="wp-image-197469" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-375.png 684w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-375-300x182.png 300w" sizes="(max-width: 684px) 100vw, 684px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Tabela 1. Representação dos artigos coletados no estudo.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>Estudo</td><td>Tipo de estudo</td><td>Objetivo</td><td>Tipo de avaliação</td><td>Conclusão</td></tr><tr><td>Touw et al. (2023)</td><td>ECR</td><td>Estudar o efeito da lesão na perna e da artroscopia do joelho nos níveis plasmáticos de fatores anticoagulantes e fibrinolíticos.</td><td>Aplicamos os 2 seguintes desenhos para investigar esse efeito: um estudo transversal para trauma na perna e um estudo antes e depois para artroscopia de joelho. Amostras de plasma de participantes de ensaios clínicos randomizados POT-CAST e POT-KAST (coletadas logo após o trauma na perna ou antes ou depois da artroscopia) foram analisadas quanto ao tempo de lise do coágulo e níveis de antitrombina,                               inibidor da via do fator    tecidual, proteína C, proteína S livre, plasminogênio, ativador do plasminogênio tecidual, inibidor do ativador do plasminogênio 1, antiplasmina, inibidor da fibrinólise ativável pela trombina, plasmina- antiplasmina e dímero D. Para o efeito da lesão na perna, amostras de 289 pacientes foram comparadas com amostras pré-operatórias de 293 pacientes de artroscopia, atuando como controles usando regressão linear e ajustando para idade, sexo, índice de massa corporal, comorbidades e variação diurna. Para o efeito da artroscopia do joelho, as alterações médias foram calculadas para 277 pacientes usando modelos mistos lineares ajustados para variação diurna. Parâmetros diferentes de CLT e D- dímero foram medidos em subconjuntos menores.</td><td>Em contraste com a lesão na perna, a artroscopia do joelho foi associada à diminuição dos níveis de fator anticoagulante natural. Nem a lesão na perna nem a artroscopia do joelho afetaram a fibrinólise in vivo.</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>Perrotta et al. (2022)</td><td>Revisão sistemática</td><td>Avaliar a eficácia e a segurança de intervenções &#8211; mecânicas, farmacológicas ou uma combinação de ambas &#8211; para tromboprofilaxia em adultos submetidos a artroscopia de joelho.</td><td>Usamos métodos Cochrane padrão. Nossos desfechos primários foram embolia pulmonar (EP), TVP sintomática, TVP assintomática e mortalidade por todas as causas. Nossos desfechos secundários foram efeitos adversos, sangramento maior e sangramento menor. Usamos os critérios GRADE para avaliar a certeza da evidência.</td><td>Há um pequeno risco de que adultos saudáveis submetidos a KA desenvolvam tromboembolismo venoso (EP ou TVP). Encontramos evidências de moderada a baixa certeza de pouco ou nenhum benefício da HBPM ou rivaroxabana na redução desse pequeno risco de EP ou TVP sintomática. Os estudos forneceram evidências de muito baixa certeza de que a HBPM pode reduzir o risco de TVP assintomática em comparação com nenhuma profilaxia, mas é incerto como isso se relaciona diretamente com a incidência de TVP ou EP em pessoas saudáveis submetidas a KA. Provavelmente há pouca ou nenhuma diferença nos efeitos adversos (incluindo sangramento maior e menor), mas os dados relacionados a esses resultados foram limitados pelo baixo número de eventos nos estudos que relataram esses resultados.</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>Zhu et al. (2019)</td><td>Meta- análise</td><td>Avaliar a eficácia e a segurança da heparina de baixo peso molecular (HBPM) para a prevenção de tromboembolismo venoso sintomático (TEV) após cirurgia artroscópica do joelho e reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA) por meio da realização de uma meta-análise de ensaios clínicos randomizados (ECRs).</td><td>O efeito primário e o desfecho de segurança foram a incidência de TEV maior e eventos hemorrágicos maiores (EHs), respectivamente. O efeito secundário e o desfecho de segurança foram a incidência de todos os TEV e todos os EHs, respectivamente. Riscos relativos (RRs) com ICs de 95% foram calculados usando o Review Manager 5.3.</td><td>Comparado com o tratamento sem HBPM, a HBPM não teve eficácia significativa na prevenção de TEV em pacientes submetidos a cirurgia artroscópica simples de joelho, mas aumentou o risco de BEs. No entanto, a HBPM teve eficácia significativa na prevenção de TEV para pacientes submetidos principalmente a ACLR e não aumentou o risco de BEs.</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>Yu et al. (2019)</td><td>Meta-análise</td><td>Avaliar a eficácia e segurança tromboprofilática de anticoagulantes após cirurgia artroscópica do joelho.</td><td>A eficácia e a segurança da tromboprofilaxia foram avaliadas e expressas usando risco relativo (RR) e intervalos de confiança de 95% (ICs de 95%).</td><td>O número combinado necessário para tratar para prevenir um TEV sintomático ou assintomático foi 26, enquanto o número combinado necessário para causar dano para causar um evento hemorrágico maior foi 869.<br>Esses resultados mostram que os anticoagulantes podem reduzir efetivamente o risco geral de TEV após KA; entretanto, o risco aumentado de sangramento deve ser totalmente considerado.</td></tr><tr><td>Huang et al.(2018)</td><td>Meta- análise</td><td>Avaliar a eficácia e segurança da heparina de baixo peso molecular após artroscopia do joelho.</td><td>Os principais resultados da eficácia (prevenção de TVP e EP) e complicações (morte, sangramento maior e sangramento menor) de HBPM em cirurgia artroscópica de joelho foram avaliados usando o software Review Manager 5.3.</td><td>Comparado com o grupo controle, o grupo tratado com HBPM após artroscopia do joelho não apresentou associação na redução da taxa de TEV sintomática, taxa de TVP sintomática ou taxa de EP sintomática. A taxa de TEV sintomática foi de 0,5% (11/2.166) no grupo HBPM versus 0,6% (10/1.713) no grupo controle. Embora as limitações desta meta-análise não possam ser ignoradas, os resultados do nosso estudo mostram que a HBPM após artroscopia do joelho é ineficaz. Recomendamos que a HBPM não seja fornecida rotineiramente para artroscopia do joelho.</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>Zheng et al. (2018)</td><td>Meta- análise</td><td>Uma meta-análise foi conduzida usando dados de oito ensaios randomizados para comparar a tromboprofilaxia com placebo ou nenhum tratamento profilático em pacientes submetidos à artroscopia do joelho.</td><td>Os benefícios e danos da tromboprofilaxia foram avaliados, incluindo a incidência de TVP assintomática, TEV sintomática, embolia pulmonar e eventos adversos relacionados à anticoagulação.</td><td>Esta meta-análise não indica eficácia da tromboprofilaxia para prevenir TVP ou TEV sintomático em pacientes submetidos à artroscopia de joelho não importante. Em relação ao paciente submetido à reconstrução ligamentar do joelho, a estratégia tromboprofilática deve levar em consideração principalmente os fatores de risco do paciente.</td></tr><tr><td>van Adrichem et al. (2017)</td><td>ECR</td><td>Foram comparadas as eficácias analgésicas do bloqueio do iPACK guiado por ultrassom e do GNB quando combinados com o bloqueio contínuo do canal adutor após artroplastia total do joelho.</td><td>Os pacientes foram designados para receber uma dose profilática de heparina de baixo peso molecular (durante os 8 dias após a artroscopia no ensaio POT-KAST ou durante todo o período de imobilização devido ao gesso no ensaio POT- CAST) ou nenhuma terapia anticoagulante. Os desfechos primários foram as incidências cumulativas de tromboembolismo venoso sintomático e sangramento grave dentro de 3 meses após o procedimento.</td><td>Os resultados dos nossos ensaios mostraram que a profilaxia com heparina de baixo peso molecular durante os 8 dias após a artroscopia do joelho ou durante todo o período de imobilização devido ao gesso não foi eficaz para a prevenção de tromboembolismo venoso sintomático.</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>Camporese et al. (2016)</td><td>ECR</td><td>Avaliar a eficácia e a segurança da rivaroxabana para tromboprofilaxia após KA terapêutica.</td><td>O desfecho primário de eficácia foi um composto de morte por todas as causas, tromboembolismo sintomático e TVP proximal assintomática em três meses; sangramento grave representou o desfecho primário de segurança. Todos os pacientes foram submetidos à ultrassonografia de perna inteira no dia 7 (+1), ou antes, se sintomáticos.</td><td>Não encontramos associação entre diferentes procedimentos artroscópicos e eventos trombóticos. O pequeno tamanho da amostra, a alta taxa de exclusão e o baixo número de procedimentos de reconstrução do ligamento cruzado anterior são as principais limitações do nosso estudo. Concluindo, um curso de sete dias de rivaroxabana de 10 mg pode ser empregado com segurança para tromboprofilaxia após KA. Se a profilaxia após KA deve ser administrada a todos os pacientes ou a indivíduos selecionados de &#8220;alto risco&#8221;, ainda precisa ser determinado. Um estudo maior para verificar nossos resultados preliminares é necessário.</td></tr><tr><td>Kaye et al. (2015)</td><td>ECR</td><td>A eficácia da aspirina como profilaxia farmacológica pós- operatória de TEV foi avaliada em uma população de baixo</td><td>O desfecho primário do estudo atual foi o desenvolvimento de TVP ou embolia pulmonar (EP), e o desfecho secundário foi o</td><td>Como não foram identificados casos de TEV em nossa população de pacientes, o uso de aspirina</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td rowspan="10">&nbsp;</td><td rowspan="10">&nbsp;</td><td>risco submetida a</td><td>desenvolvimento de uma</td><td>em uma</td></tr><tr><td>artroscopia de joelho.</td><td>complicação pós-</td><td>população de</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>operatória.</td><td>baixo risco</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>Ultrassonografia duplex</td><td>submetida a</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>venosa de compressão</td><td>cirurgia</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>bilateral, de perna inteira,</td><td>artroscópica de</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>foi realizada de 10 a 14</td><td>joelho não é</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>dias no pós-operatório</td><td>justificado.</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>para documentar a</td><td>&nbsp;</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>incidência de TVP.</td><td>&nbsp;</td></tr><tr><td>Camporese et</td><td>ECR</td><td>Avaliar se a heparina de</td><td>Incidência combinada de</td><td>Em pacientes</td></tr><tr><td>al. (2008)</td><td>&nbsp;</td><td>baixo peso molecular</td><td>trombose venosa profunda</td><td>submetidos à</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>(HBPM) previne melhor</td><td>proximal assintomática,</td><td>artroscopia de</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>a trombose venosa</td><td>tromboembolismo venoso</td><td>joelho, a HBPM</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>profunda e não causa</td><td>sintomático e mortalidade</td><td>profilática por 1</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>mais complicações do</td><td>por todas as causas (ponto</td><td>semana reduziu</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>que meias de</td><td>final primário de eficácia)</td><td>um desfecho</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>compressão graduada</td><td>e incidência combinada de</td><td>composto de</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>em adultos submetidos</td><td>eventos hemorrágicos</td><td>trombose venosa</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>à artroscopia de joelho.</td><td>importantes e</td><td>profunda</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>clinicamente relevantes</td><td>proximal</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>(ponto final primário de</td><td>assintomática,</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>segurança). Todos os</td><td>tromboembolia</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>pacientes foram</td><td>venosa</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>submetidos a</td><td>sintomática e</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>ultrassonografia bilateral</td><td>mortalidade por</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>de perna inteira no final</td><td>todas as causas</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>do regime profilático</td><td>mais do que as</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>alocado ou antes, se</td><td>meias de</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>indicado. Todos os</td><td>compressão</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>pacientes com achados</td><td>graduadas.</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>normais foram</td><td>&nbsp;</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>acompanhados por 3</td><td>&nbsp;</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>meses, e nenhum foi</td><td>&nbsp;</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>perdido no</td><td>&nbsp;</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>acompanhamento.</td><td>&nbsp;</td></tr><tr><td>Huang et al</td><td>ECR</td><td>Avaliar o efeito de</td><td>Além da</td><td>No presente</td></tr><tr><td>(2002)</td><td>&nbsp;</td><td>anestesias gerais e</td><td>tromboelastografia, o</td><td>estudo, não</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>raquidiana na</td><td>tempo de protrombina e</td><td>encontramos</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>hemostasia sanguínea</td><td>tromboplastina parcial</td><td>nenhuma técnica</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>usando</td><td>ativada, e a contagem de</td><td>anestésica</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>tromboelastografia.</td><td>hematócrito e plaquetas</td><td>individual que</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>também foram</td><td>pudesse ter efeito</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>examinados</td><td>na hemostasia de</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>simultaneamente. O</td><td>pacientes</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>sangue foi coletado e</td><td>submetidos à</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>examinado antes da</td><td>cirurgia</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>anestesia para fornecer os</td><td>artroscópica</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>dados basais (Tempo 1).</td><td>diagnóstica.</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>Mais três avaliações</td><td>&nbsp;</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>foram realizadas em</td><td>&nbsp;</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>momentos diferentes, ou</td><td>&nbsp;</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>seja, vinte minutos após a</td><td>&nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>indução da anestesia e logo antes da incisão da pele (Tempo 2), trinta minutos após a incisão da pele (Tempo 3) e três horas após a cirurgia (Tempo 4).</td><td>&nbsp;</td></tr><tr><td>Michot et al</td><td>ECR</td><td>Determinar a incidência</td><td>Para detectar TVP, todos</td><td>Em pacientes</td></tr><tr><td>(2002)</td><td>&nbsp;</td><td>de TVP, demonstrar a</td><td>os pacientes foram</td><td>submetidos à</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>eficácia de uma</td><td>submetidos à</td><td>cirurgia</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>profilaxia perioperatória</td><td>ultrassonografia de</td><td>artroscópica</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>e pós-operatória contra</td><td>compressão bilateral antes</td><td>ambulatorial do</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>tromboembolismo com</td><td>e 12 e 31 dias após a</td><td>joelho sem</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>uso de heparina de</td><td>cirurgia.</td><td>profilaxia</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>baixo peso molecular</td><td>&nbsp;</td><td>antitrombótica, o</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>(HBPM) e mostrar a</td><td>&nbsp;</td><td>risco de TVP é</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>segurança e a</td><td>&nbsp;</td><td>alto. A profilaxia</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>viabilidade da</td><td>&nbsp;</td><td>perioperatória e</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>administração de</td><td>&nbsp;</td><td>pós-operatória</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>HBPM.</td><td>&nbsp;</td><td>com dalteparina é</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>um meio eficaz e</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>seguro de reduzir</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>esse risco.</td></tr><tr><td>Wirth et al</td><td>ECR</td><td>Avaliar o risco de TEV</td><td>A medida de desfecho</td><td>Pacientes</td></tr><tr><td>(2001)</td><td>&nbsp;</td><td>nesses pacientes e</td><td>primário avaliada às cegas</td><td>submetidos à</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>determinar a eficácia e a</td><td>foi a incidência de TVP</td><td>artroscopia do</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>segurança de uma</td><td>detectada por</td><td>joelho apresentam</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>heparina de baixo peso</td><td>ultrassonografia de</td><td>risco moderado de</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>molecular (HBPM) na</td><td>compressão codificada por</td><td>TEV e profilaxia</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>prevenção de TEV.</td><td>cores. Ambos os grupos</td><td>eficaz pode ser</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>foram comparáveis em</td><td>alcançada com</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>relação a dados</td><td>HBPM</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>demográficos e</td><td>(reviparina).</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>características basais.</td><td>&nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Análise metodológica</p>



<p class="wp-block-paragraph">A qualidade metodológica dos ensaios incluídos foi avaliada utilizando as diretrizes PRISMA e de forma objetiva com a lista de verificação PEDro de 10 pontos, pois tamanhos de efeito exagerados foram relatados para ensaios com metodologia mais fraca. Qualquer discordância na classificação de itens individuais entre os revisores foi resolvida por consenso. Os ensaios foram rotulados como qualidade ‘alta’, ‘moderada’ ou ‘ruim’ de acordo com a pontuação total atingida. O rótulo ‘alta’ foi dado aos ensaios que atingiram uma pontuação PEDro de sete ou mais, enquanto os “moderados” foram</p>



<p class="wp-block-paragraph">classificados quando pontuaram 6 ou 5, e ensaios com uma pontuação de 4 ou menos receberam um rótulo de ‘ruim’.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os ensaios incluídos foram submetidos a uma avaliação aprofundada de possíveis fatores de confusão relacionados aos parâmetros e procedimentos de tratamento com Laser (Tabela 2).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tabela 2. Descrição da pontuação individual dos ensaios clínicos avaliados segundo escala PEDro.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="495" height="436" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-376.png" alt="" class="wp-image-197471" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-376.png 495w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-376-300x264.png 300w" sizes="(max-width: 495px) 100vw, 495px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Com base na tabela 2, os estudos foram descritos como metodologicamente fortes em 84% (n=10) dos ensaios incluídos, e moderados em 16% (n=2) dos estudos restantes, no escore PEDro (Figura 4).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Figura 4. Representação gráfica da pontuação na escala PEDro e autor.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="447" height="231" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-377.png" alt="" class="wp-image-197472" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-377.png 447w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-377-300x155.png 300w" sizes="(max-width: 447px) 100vw, 447px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Características gerais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Oito ECR apresentaram dados de 3818 pacientes. Todos os ECRs incluídos foram publicados entre 2001 e 2023 com períodos de acompanhamento variando de 30 minutos a 3 meses. Complicações da artroscopia de joelho são incomuns, com taxas de menos de 1%. As complicações mais frequentes são hematoma local, artrite piogênica e eventos tromboembólicos. O risco de trombose venosa profunda (TVP) foi de 0,25% em média (intervalo de confiança (IC) de 95% 0,18% a 0,31%). O risco de eventos tromboembólicos após reconstrução do LCA foi maior em participantes que fumavam, naquelas que tomavam anticoncepcionais orais, naquelas com histórico prévio de doenças tromboembólicas e naquelas com índice de massa corporal acima de 30 kg/m 2.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Principais resultados clínicos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Cinco estudos compararam heparina de baixo peso molecular (HBPM) subcutânea diária versus nenhuma profilaxia; um estudo comparou rivaroxabana oral 10 mg versus placebo; e um estudo comparou aspirina versus nenhuma profilaxia. Nenhum ou baixo efeito significativo foi descrito como capaz de prevenir TVP com as intervenções descritas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação a meia de compressão, um estudo com 1317 participantes comparou HBPM versus meias de compressão. A HBPM pode levar a pouca ou nenhuma diferença no risco de EP em comparação com meias de compressão, mas pode reduzir o risco de TVP sintomática. Os resultados sugerem que a HBPM provavelmente leva a pouca ou nenhuma diferença em sangramento grave (RR 3,01, IC 95% 0,61 a 14,88; evidência de certeza moderada) ou sangramento menor (RR 1,16, IC 95% 0,64 a 2,08; evidência de certeza moderada).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A incidência de EP em todos os estudos combinados foi baixa, com sete casos em 3818 participantes. Não houve mortes em nenhum dos grupos de intervenção ou controle.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos revisados evidenciam que a profilaxia de TEV em cirurgias artroscopicas de joelho tem um impacto baixo ou não significativo por uma incidência baixa, principalmente em menistectomia. Enquanto a meniscectomia apresenta riscos mais baixos de complicações tromboembólicas, a complexidade e o tempo prolongado da reconstrução do LCA aumentam a probabilidade de TEV. Esses achados ressaltam a importância de uma avaliação cuidadosa dos fatores de risco individuais, como hábitos de fumo, IMC e histórico de trombose, e a implementação de profilaxias apropriadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De maneira geral, protocolos de profilaxia de TEV, como o uso de anticoagulantes profiláticos, são recomendados especialmente em casos de pacientes com fatores de risco elevados. No entanto, ainda há controvérsias sobre a necessidade de profilaxia universal em cirurgias artroscópicas de baixo risco, como a meniscectomia (8-14).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A evolução de procedimentos cirúrgicos para patologias envolvendo joelho trouxe benefícios que partem tanto do pós operatório para o paciente quanto na diminuição de complicações dentre elas o TEV. No que diz respeito a atuação para complementar a investigação pode-se inferir que a especificidade no diagnóstico tornou maior associando a menor morbidade ao paciente e por conseguinte diminuição de maiores riscos. (12,13)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A artroscopia pode servir com método diagnóstico ou terapêutico apresentando indicações específicas para cada uma das possibilidades e envolvendo particularidades que podem ajudar também na diminuição da ocorrência de tromboembolismo venoso (15,16).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No tratamento do LCA pode ser utilizada a artroscopia como método e visualização do acometimento e posterior reconstrução fazendo incisão minimamente invasiva para retirada de tendão na inserção da tíbia proximal medial até sua localização no fêmur e por meio desse procedimento em questão realiza a reconstrução no local acometido do ligamento cruzado anterior e testada estabilidade (13-18).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por ser um procedimento mais complexo pela substituição de ligamento seccionado por um enxerto de tendão a incidência do risco de TEV pode ser maior pelo tempo de duração da cirurgia em comparação com a meniscectomia além de possibilidade de trauma vascular (16,19).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, há um pequeno risco de que adultos saudáveis submetidos à artroscopia do joelho desenvolvam embolia pulmonar (EP) ou trombose venosa profunda (TVP). Os estudos forneceram evidências de certeza moderada a baixa de pouco ou nenhum benefício da heparina de baixo peso molecular (HBPM) ou rivaroxabana na redução desse pequeno risco de EP ou TVP sintomática, principalmente em menistectomias. Provavelmente há pouca ou nenhuma diferença nos efeitos adversos (incluindo sangramento maior e menor), mas os dados relacionados a isso foram limitados pelo baixo número de eventos nos estudos que relataram esses resultados. Novos estudos devem focar no benefício da profilaxia em pessoas de alto risco, como aquelas com obesidade, aquelas que não conseguem ganhar mobilidade precoce ou aquelas com acesso limitado a cuidados de emergência agudos. Novos ensaios clínicos com participantes de baixo risco exigiriam um tamanho de amostra muito grande para registrar um número suficiente de eventos (18-30).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base nos estudos revisados, conclui-se que a artroscopia de joelho, embora seja um procedimento amplamente utilizado e com baixa morbidade, apresenta riscos de tromboembolismo venoso, especialmente em cirurgias de reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA). A meniscectomia, por outro lado, tem menor duração cirúrgica e, consequentemente, menor risco de TEV. A implementação de profilaxia deve ser personalizada, considerando fatores de risco como idade, IMC, duração da cirurgia e comorbidades do paciente. Ainda que não haja consenso universal sobre a necessidade de anticoagulação em todos os procedimentos, a profilaxia deve ser considerada especialmente em casos de maior risco. Mais estudos são necessários para definir diretrizes mais claras para a profilaxia de TEV em pacientes submetidos à artroscopia de joelho.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



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<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">1 &#8211; Médico Residente em Ortopedia e Traumatologia – Universidade Federal do Vale do São Francisco</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">2-&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Médico Ortopedista Especialista em Joelho – HU &#8211; UNIVASF</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>EDUCAÇÃO PARA A REDUÇÃO DE RISCOS DE DESASTRES: ANÁLISE DE CASOS EM SÃO PAULO E MINAS GERAIS.</title>
		<link>https://revistaft.com.br/educacao-para-a-reducao-de-riscos-de-desastres-analise-de-casos-em-sao-paulo-e-minas-gerais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft PA]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jan 2025 10:20:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências Sociais Aplicadas]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 141/DEZ 2024]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=195597</guid>

					<description><![CDATA[EDUCATION FOR DISASTER RISK REDUCTION: CASE ANALYSIS IN SÃO PAULO AND MINAS GERAIS. REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202501290724 Lenon Couto Ferreira1Breno Luiz Thadeu da Silva2 Resumo Este estudo tem como objetivo aprofundar a compreensão da educação para a redução de riscos de desastres (ERRD) como ferramenta fundamental para a construção de sociedades mais resilientes. Por meio de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong><br></strong><strong>EDUCATION FOR DISASTER RISK REDUCTION: CASE ANALYSIS IN SÃO PAULO AND MINAS GERAIS.</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202501290724</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Lenon Couto Ferreira<sup>1</sup><br>Breno Luiz Thadeu da Silva<sup>2</sup></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo tem como objetivo aprofundar a compreensão da educação para a redução de riscos de desastres (ERRD) como ferramenta fundamental para a construção de sociedades mais resilientes. Por meio de uma revisão bibliográfica abrangente, exploramos os conceitos, métodos e benefícios da ERRD, destacando sua relevância na gestão de riscos de desastres. A pesquisa evidenciou que a ERRD, ao promover a conscientização sobre os riscos, desenvolver habilidades práticas e fomentar uma cultura de prevenção, contribui significativamente para a redução da vulnerabilidade e o aumento da capacidade de resposta das comunidades frente a eventos adversos. A análise de materiais didáticos utilizados em SP e em MG, este último no município de Espírito Santo do Dourado, revelou lacunas na abordagem da ERRD no currículo escolar, evidenciando a necessidade de políticas públicas que incentivem a sua implementação de forma mais integrada e abrangente. Além disso, o estudo identificou a importância da participação ativa da comunidade escolar e de outros atores sociais na construção de um ambiente escolar mais seguro e resiliente. Assim conclui-se que a ERRD é uma ferramenta estratégica para a construção de sociedades mais seguras e resilientes. No entanto, para alcançar resultados efetivos, é fundamental investir em ações educativas contínuas, promover a integração da ERRD nos currículos escolares em todos os níveis de ensino e fortalecer a articulação entre as diferentes esferas de governo, instituições de ensino e comunidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Resiliência. Gestão de riscos de desastres. Prevenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1 INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A frequência e a intensidade dos desastres naturais têm aumentado nas últimas décadas, impulsionadas por fatores como as mudanças climáticas, a urbanização desordenada e a degradação ambiental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a educação para a redução de riscos de desastres (ERRD) surge como uma ferramenta essencial para fortalecer a resiliência das comunidades, preparando-a para se prevenir e para melhor se recuperar depois de eventos extremos, como enchentes, deslizamentos, estiagem severa, entre outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A educação para a redução de riscos de desastres é um processo contínuo que visa aumentar a consciência e o conhecimento sobre os riscos, capacitando indivíduos e comunidades a tomar medidas proativas para reduzir sua vulnerabilidade e melhorar sua capacidade de resposta a desastres. De acordo com Selby e Kagawa (2012, <em>apud</em> MATSUO; SILVA, 2021) a educação para a redução de riscos de desastres constitui um processo de construção do entendimento das causas, natureza e efeitos dos riscos, ao mesmo tempo em que contribui na promoção de uma série de competências e habilidades que permitem à sociedade participar de forma ativa na prevenção dos desastres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já a resiliência, no contexto da gestão de riscos de desastres, refere-se à capacidade de uma comunidade de resistir, absorver, adaptar-se e recuperar-se de maneira eficiente dos efeitos de um desastre. Nesse contexto, a resiliência trata então da capacidade de um sistema, comunidade ou sociedade exposta a perigos para resistir, absorver, acomodar, adaptar, transformar e recuperar-se dos efeitos desse mesmo perigo de forma oportuna e eficiente, o que inclui a preservação e restauração de suas estruturas básicas essenciais e das funções de gestão de risco (UNISDR, 2009). Para a ONU, a resiliência deve focar não apenas na forma como os indivíduos, comunidades e negócios agem face aos diversos impactos e pressões, mas também na forma que eles identificam oportunidades para um desenvolvimento transformacional (ONU, 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido, o objetivo deste artigo é explorar, através de revisão bibliográfica, os conceitos, métodos e benefícios da educação para a redução de riscos, destacando sua importância na promoção de sociedades mais resilientes e preparadas para enfrentar eventos adversos, demonstrando sua importância no contexto da gestão de riscos de desastres. Analisaremos também como as práticas escolares relacionadas à Educação para a Redução de Riscos de Desastres (ERRD) podem contribuir para o fortalecimento da resiliência das comunidades e constituir-se como ferramentas de gestão do risco de desastres.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2 O CONCEITO DE DESASTRE E DE REDUÇÃO DE RISCO DE DESASTRES</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As discussões sobre desastre avançaram nos últimos anos no Brasil. Como fenômeno ambiental, o desastre se apresenta como inundações, enchentes, deslizamentos, rupturas de barragens, entre outros, noticiados amplamente pela imprensa. A temática chama atenção e as pesquisas em torno aumentaram no sentido de despertar nas instituições de estado e de mercado estratégias de ação e/ou intervenção. As pesquisas, principalmente na área das ciências sociais, obtiveram avanços e nos chamam atenção, conforme (MARCHEZINI <em>et al</em>., 2017), a concepção do desastre como um fenômeno social, algo “desnaturalizado”. Em contrapartida, as ciências humanas lançam o olhar para um contexto mais amplo de desastres, assim incluindo a relação de estruturas sociais, arranjos institucionais, pressões dinâmicas, e, consequentemente, o evento físico. Neste sentido, as análises em torno dos riscos, vulnerabilidades, adaptação e resiliência podem ser investigadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Partindo-se da premissa de que a redução dos riscos de desastres contribui para o desenvolvimento sustentável, minimizando os impactos negativos dos desastres na economia local e na qualidade de vida da população, percebemos a real importância de se resgatar o protagonismo das ações de educação para a prevenção de desastres nos diversos níveis e espaços educacionais, buscando formar cidadãos conscientes e preparados para lidar com situações adversas, bem como contribuir para a redução de impactos negativos de desastres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A abordagem da proteção e defesa civil, no contexto da redução do risco de desastres, fundamenta-se em diversos conceitos e princípios que orientam as ações de preparação e resposta diante de eventos adversos. De acordo com Cardona (2007), a redução do risco de desastres consiste em um processo contínuo de identificação, análise e gestão dos fatores que contribuem para a ocorrência de desastres, visando a redução das vulnerabilidades e o aumento da resiliência das comunidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, ações educativas em proteção e defesa civil desempenham um papel central na construção de sociedades mais seguras e resilientes. Segundo Wisner <em>et al</em>. (2012), a educação para a redução do risco de desastres engloba atividades voltadas para a sensibilização, a capacitação e a mobilização da população, visando aumentar sua compreensão sobre os riscos, suas habilidades para lidar com situações de emergência e sua participação ativa na construção de comunidades mais seguras.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3 EDUCAÇÃO PARA A REDUÇÃO DE RISCOS DE DESASTRES COMO FERRAMENTA DE GESTÃO DE RISCOS DE DESASTRES</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na visão de Motta, Mendonça e Sato (2022), a ERRD é “parte potencializadora da gestão de riscos de desastres”. E a ERRD pode ocorrer de diversas maneiras, abrangendo desde a educação formal nas escolas até a educação informal e comunitária. Um método eficaz, segundo Selby e Kagawa (2012), consiste em incorporar conteúdos relacionados à redução de riscos e à resiliência nos currículos escolares, desde o ensino fundamental até o superior. Isso pode incluir disciplinas específicas ou a inserção de tópicos em matérias existentes, como geografia, ciências e estudos sociais. Ou, como estratégia educacional, consiste no desenvolvimento de projetos escolares e atividades extracurriculares que promovam o envolvimento ativo dos estudantes na identificação e na mitigação de riscos em suas comunidades. Exemplos incluem simulações de evacuação, campanhas de conscientização e participação em planos de emergência locais. Para isso, é necessário o treinamento de professores e educadores para que possam transmitir de maneira eficaz os conceitos de ERRD e isso envolve fornecer recursos pedagógicos, materiais didáticos e oportunidades de formação continuada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, infelizmente, a temática de redução de riscos de desastres não encontra guarida e amparo normativo no campo educacional. De acordo com Matsuo e Silva (2021), a primeira formalização da ERRD no currículo brasileiro se deu em 2012 com a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (BRASIL, 2012), ao estabelecer o desenvolvimento da cultura de prevenção de desastres. Contudo, em 2017, houve um retrocesso e a temática de ERRD foi imposta como caráter opcional nos sistemas de ensino estaduais e municipais. Na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) encontramos algumas pistas que nos tornam claros os objetivos de aprendizagem que se aproximam as temáticas de riscos e desastres. Se tomarmos o referido documento norteador, no currículo de Ciências e Geografia do 8º ano, temos as seguintes referências que podem nos nortear: “discutir iniciativas que colaboram para o restabelecimento do equilíbrio ambiental a partir da identificação de alterações climáticas regionais e globais provocadas pela ação humana” (BRASIL, 2018, p. 349) e “analisar a segregação socioespacial em ambientes urbanos da América Latina, com atenção especial ao estudo de favelas, alagados e zona de riscos” (BRASIL, 2018, p. 391).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse panorama, têm-se que a implementação de programas educativos voltados para crianças e adolescentes emerge como uma estratégia eficaz e necessária para aumentar a resiliência das comunidades urbanas frente aos desastres. Ao promover a conscientização sobre os riscos, fornecer informações sobre medidas preventivas e capacitar os jovens para agir de forma segura em situações de emergência, tais programas contribuem para a construção de uma cultura de segurança e prevenção, capaz de mitigar os impactos dos desastres e proteger a vida e o bem-estar das pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mediante as reflexões sobre a promoção e continuidade de uma educação para a redução de riscos e desastres, trazemos a presente discussão, tendo em vista a construção de uma comunidade mais resiliente. Para que se torne realidade, faz-se necessária implementar programas educativos voltados para as presentes temáticas, tendo em vista, a reflexão e conscientização dos alunos no período escolar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1 ERRD em SP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No estado de São Paulo, desde o ano de 2009, a ERRD tomou espaço no currículo educacional, alocando-se como um dos temas contemporâneos transversais em conformidade com a lei Federal nº 12.608/2012, a qual institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil. Os temas relacionados a redução de riscos e desastres devem ser trabalhados durante toda escolaridade dos estudantes, perpassando pelas diferentes áreas do conhecimento e componentes curriculares. Neste sentido, desde 2011, as Equipes Curriculares da Coordenadoria Pedagógica do Estado de São Paulo vêm desenvolvendo uma série de projetos com foco na ERRD, sendo eles: abordar a temática nos materiais de apoio ao Currículo Paulista, promover seminários para divulgar informações e práticas inspiradoras em ERRD e estabelecer parcerias e divulgar campanhas voltadas à promoção da sustentabilidade e da resiliência nas comunidades escolares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o avanço e implantação desses projetos, no ano de 2021, é lançada naquele estado o “Programa Escola + Segura” em ERRD, estando estruturado em três frentes de atuação, ilustradas na Imagem 1 abaixo:&nbsp; 1) Educação em Redução de Riscos e Desastres (ERRD); 2) Alerta sobre riscos e desastres; 3) Protocolo de proteção à vida.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Imagem 1: Frentes de atuação do Programa Escola + Segura</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="943" height="657" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-1777.png" alt="" class="wp-image-195619" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-1777.png 943w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-1777-300x209.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-1777-768x535.png 768w" sizes="(max-width: 943px) 100vw, 943px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: https://efape.educacao.sp.gov.br/convivasp/nossa-atuacao/educacao-para-reducao-de-riscos-de-desastres/.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como podemos observar na imagem acima, as três frentes de atuação do Programa Escola + Segura se ampara em três pilares que se espera atingir: Centros Educacionais mais seguros, gestão de desastres nas escolas e educação para redução de riscos e resiliência. Neste sentido, o programa traz como objetivos:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Fortalecer a educação para a redução de riscos e para a resiliência;</li>



<li>Proteger os estudantes e a comunidade escolar contra riscos e desastres;</li>



<li>Garantir o planejamento de ações pedagógicas junto à comunidade escolar em face de possíveis perigos e/ou adversidades.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">As atividades desenvolvidas foram divididas sobre os seguintes eixos: a) Convivência e Acolhimento: Plano de melhoria da convivência escolar; Professor orientador de Convivência; Programa Psicólogos na Escola; b) Segurança e Proteção Escolar: Assessor da Segurança; Botão do Pânico; Educação para a Redução e Riscos e Desastres (ERRD), Programa Vizinhança Solidária Escolar (PVSE), Protocolo Conviva, Rede Protetiva, Videomonitoramento; entre outras formações. Um dos exemplos de materiais utilizados é o Documento Orientador Conviva SP-2024, programa este de Melhoria da Convivência Escolar, que utiliza da ERRD e da Defesa Civil naquilo que denominam como “Esquema de Rede Protetiva”, conforme demonstrado na Imagem 2 abaixo.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Imagem 2: Esquema “Rede Protetiva”</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="936" height="486" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-1779.png" alt="" class="wp-image-195621" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-1779.png 936w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-1779-300x156.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-1779-768x399.png 768w" sizes="(max-width: 936px) 100vw, 936px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: https://efape.educacao.sp.gov.br/convivasp/nossa-atuacao/educacao-para-reducao-de-riscos-de-desastres/. Acesso em: 18/11/2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A rede protetiva é um conjunto de entidades, profissionais e instituições que atuam para garantir apoio e resguardar os direitos de crianças e adolescentes. Sendo constituída por serviços da área da saúde, assistência social e segurança pública (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, Secretaria da Educação, 2024).Com o exemplo dado da Secretaria de Educação do Governo do Estado de São Paulo, percebemos a implantação de um programa amplo, o qual está incluído Educação para a Redução e Riscos e Desastres. As chamadas “Trilhas formativas”, são formações voltadas para profissionais da educação e alunos, que abordam diversos temas, como: “Mudanças climáticas e desastres”, “Drogas e Violências”, “Comunidades Resilientes”, entre outros, levando as pessoas a refletirem sobre si mesmas e sobre o meio em que vivem.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2 ERRD em Espírito Santo do Dourado – MG</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A nível nacional, a temática “risco” pode ser encontrada na literatura didática da área de humanas, principalmente em Geografia, no ensino médio. No Plano Nacional do Livro Didático (PNLD), os riscos naturais e ambientais adotam uma abordagem técnica e geossistêmica dos processos, focada principalmente na compreensão dos processos físico-naturais e no entendimento da relação dicotômica, natureza e ser humano (CLEMENTE, 2018). Neste sentido, tomamos um material didático, do ensino fundamental, adotado pelo município mineiro de Espírito Santo do Dourado, para realizar uma breve análise de como é tratada a temática “risco”. O material escolhido foi “Geografia de Minas Gerais”, do 5º ano do ensino Fundamental, produzidos pelo Sistema de Ensino Aprende Brasil, do qual segue ilustração da capa na Imagem 3.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Imagem 3: Capa do livro didático “Geografia-Minas Gerais”</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="472" height="627" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-1780.png" alt="" class="wp-image-195622" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-1780.png 472w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-1780-226x300.png 226w" sizes="(max-width: 472px) 100vw, 472px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Acervo pessoal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que façamos a nossa análise, nos debruçaremos sobre três categorias abordadas por Clemente (2018): “Natureza”, “Meio Ambiente” e “Educação e riscos”. As categorias são assim identificadas pela autora:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Natureza: refere-se ao bloco/conteúdo que foca na descrição dos fenômenos e dos processos naturais. Essa categoria subdivide-se em duas subcategorias: “Descrição dos processos naturais”, em que se prioriza a descrição dos processos e a compreensão dos fenômenos e “Descrição dos processos naturais e seus efeitos sobre a sociedade”, em que, além de descrever os processos, os autores apontam como os mesmos podem gerar efeitos catastróficos para a população e para a sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Meio Ambiente: refere-se àquele bloco/conteúdo que aborda fundamentalmente as relações entre sociedade e natureza. Essa categoria também divide-se em duas subcategorias: “Relação entre processos naturais e ações antrópicas”, em que os textos enfatizam como as ações do homem podem acelerar e/ou intensificar um processo natural e “Relações entre processos sociais/naturais e vulnerabilidade”, em que o foco é discutir como os processos sociais (urbanização, segregação espacial, ocupação do solo, especulação imobiliária e outros) somados aos processos naturais torna aquele indivíduo que é economicamente vulnerável, também ambientalmente vulnerável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Educação e Risco: refere-se àquele bloco/conteúdo que aborda a Educação para o risco. As duas subcategorias são: “Percepção do perigo”, em que os textos estimulam os alunos a observarem seu cotidiano no intuito de desenvolver a percepção dos perigos e “Ações Preventivas”, em que o foco do bloco está em trabalhar com ações que promovem a mitigação, a eliminação ou a redução dos riscos, a preparação para os eventos e o aumento da resiliência, no campo individual ou coletivo (CLEMENTE, 2018, p. 8).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Esse livro didático é dividido em três grandes temáticas, que são abordadas durante o ano: 1- Dinâmica populacional do território de Minas Gerais; 2- Espaço Urbano de Minas Gerais; 3- Energia, Transporte e Comunicação, conforme Imagem 4, que ilustra o sumário.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Imagem 4: Sumário do livro didático “Geografia-Minas Gerais”</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="472" height="631" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-1781.png" alt="" class="wp-image-195623" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-1781.png 472w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-1781-224x300.png 224w" sizes="(max-width: 472px) 100vw, 472px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Acervo Pessoal</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao tomar o material como objeto análise, observando as categorias apresentadas por Clemente (2018), percebemos que a temática “risco” vem a ser tratada, mesmo que de forma breve, apenas no segundo capítulo do material didático “Espaço Urbano de Minas Gerais”. Ao observar o mapa curricular integrado do material didático, tomamos o conhecimento de que o tema por nós estudado tem como conteúdos privilegiados os “Problemas Sociais e ambientais de Minas Gerais”. As Unidades temáticas abordadas são “Natureza, ambiente e qualidade de vida”, “Formas de representação e pensamento espacial” e “Natureza, ambientes e qualidade de vida”. Os objetos de conhecimento contemplam a “Qualidade ambiental”, os “Diferentes tipos de poluição” e a “Gestão pública da qualidade de vida”. Seguindo as orientações da BNCC, são apresentadas três habilidades a serem trabalhadas:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">(EF05GE10): Reconhecer e comparar atributos da qualidade ambiental e algumas formas de poluição dos cursos de água e dos oceanos (esgotos, efluentes industriais, marés negras, etc.), fazendo um paralelo com a realidade vivenciada.<br>(EF05GE11): Identificar e descrever problemas ambientais que ocorrem no entorno da escola e da residência (lixões, indústrias poluentes, destruição do patrimônio histórico, etc.), propondo soluções (inclusive tecnológicas) para esses problemas.<br>(EF05GE12): Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vivem. (APRENDE BRASIL, Geografia- Minas Gerais, 2023).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">No decorrer do texto apresentado pelo material didático, a palavra “risco” não aparece explicitamente. Porém, os assuntos abordados e as imagens apresentadas levam o professor a refletir com os alunos sobre a temática principal por nós estudada. Cabe ao docente dinamizar suas aulas, buscar outros conteúdos para que a abordagem seja empregadas na temática redução de riscos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido, para melhor ilustrar nossa reflexão sobre o assunto empregado no material didático, optamos por dividir o estudo em três blocos, apresentados nos quadros abaixo:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Quadro 1: Bloco “Meio Ambiente”.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="505" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-23-1024x505.png" alt="" class="wp-image-195822" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-23-1024x505.png 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-23-300x148.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-23-768x379.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-23.png 1096w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: autoria pessoal</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, como forma de complementar a estratégia de ensino, sugere-se a utilização da Imagem 5 para trabalho com os alunos.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Imagem 5: Sugestão de imagem para trabalho com os alunos</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="620" height="477" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-20.png" alt="" class="wp-image-195816" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-20.png 620w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-20-300x231.png 300w" sizes="(max-width: 620px) 100vw, 620px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: GEOGRAFIA- MINAS GERAIS, Sistema de Ensino Aprende Brasil, 2023, p. 38.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Quadro 2: Bloco “Meio Ambiente”.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="607" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-24-1024x607.png" alt="" class="wp-image-195823" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-24-1024x607.png 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-24-300x178.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-24-768x455.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-24.png 1095w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: autoria pessoal</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, sugere-se a utilização da Imagem 6 para trabalho com os alunos.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Imagem 6: Sugestão de imagem para trabalho com os alunos</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="620" height="451" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-21.png" alt="" class="wp-image-195817" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-21.png 620w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-21-300x218.png 300w" sizes="(max-width: 620px) 100vw, 620px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: GEOGRAFIA- MINAS GERAIS, Sistema de Ensino Aprende Brasil, 2023, p. 40.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, o Quadro 3 abaixo traz o Bloco “Natureza”.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Quadro 3: Bloco “Natureza”.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="555" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-25-1024x555.png" alt="" class="wp-image-195825" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-25-1024x555.png 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-25-300x163.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-25-768x416.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-25.png 1096w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: autoria pessoal</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, sugere-se a utilização da Imagem 7 para trabalho com os alunos.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Imagem 7: Sugestão de imagem para trabalho com os alunos</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="620" height="436" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-22.png" alt="" class="wp-image-195818" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-22.png 620w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image-22-300x211.png 300w" sizes="(max-width: 620px) 100vw, 620px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: GEOGRAFIA- MINAS GERAIS, Sistema de Ensino Aprende Brasil, 2023, p. 40.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como podemos perceber, mediante as análises do material didático escolhido presente nos quadros acima, os temas abordados contemplam duas das três categorias abordadas por Clemente (2018): “Natureza” e “Meio Ambiente”. Mesmo que a expressão “risco” não se faça presente no texto do material didático, como foi apontado acima, o professor pode ser orientado a trabalhar com os alunos a temática nos conteúdos acima observados. A categoria meio ambiente se sobressai, no sentido de enfatizar reflexões sobre as consequências advindas das ações humanas e a busca pela sustentabilidade. Os recortes das temáticas abordadas pelo livro didático buscaram evidenciar como as ações humanas podem modificar o ambiente, prejudicando a si próprio e a natureza. A intervenção humana nos aspectos físico-naturais e consequentemente em outros fatores &#8211; econômicos e políticos -, contribui para o aumento dos desastres como também dos prejuízos materiais, conforme abordam em suas obras Veyret (2007) e Almeida (2012).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A importância da inserção da ERRD no campo educacional se faz indispensável no sentido da reflexão e no diálogo com as disciplinas abordadas e em situações que as pessoas muitas vezes tendem a conviver. É interessante observar, conforme Clemente (2018, p. 117), a partir de Moreira (2012), que as escolas “têm sido chamadas a servir como locais de abrigo para as vítimas de enchentes, deslizamentos de terras, entre outros desastres naturais”. Contudo, o que as escolas, como instituições de educacionais, tem feito para contribuir na questão da prevenção dos riscos e no fortalecimento da resiliência? Assim, devemos repensar a atuação das escolas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A escola deve ser repensada como um espaço de formação de vidas, de consciências e de reflexões e, neste sentido, a Educação em Redução de Risco e Desastre pode ser inserida por meio de diálogos, vivências, ações e práticas de prevenção e segurança auxiliadas pela Devesa Civil. Os conteúdos e conhecimentos científicos podem ser trabalhados por meio da interdisciplinaridade, e disciplinas como a História, Português, Ciências e principalmente a Geografia. Cabe, neste sentido, ao professor orientar os estudos, discutir inter-relação sociedade/natureza no âmbito do risco ambiental, e, a partir dos conhecimentos prévios dos alunos, auxiliá-los na construção de conhecimentos e de uma cultura de prevenção dos riscos de desastre, tornando os estudantes menos vulneráveis a essas situações.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4 METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Partindo-se da premissa de que a redução dos riscos de desastres contribui para o desenvolvimento sustentável, minimizando os impactos negativos dos desastres na economia local e na qualidade de vida da população, o projeto se justifica pela importância de se resgatar o protagonismo das ações de educação para a prevenção de desastres nos diversos níveis e espaços educacionais, buscando formar cidadãos conscientes e preparados para lidar com situações adversas, bem como contribuir para a redução de impactos negativos de desastres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o presente artigo adota a abordagem qualitativa, com enfoque em revisão bibliográfica, no intuito de demonstrar como as práticas escolares relacionadas à Educação para a Redução de Riscos de Desastres (ERRD) podem contribuir para o fortalecimento da resiliência das comunidades e constituir-se como ferramentas de gestão do risco de desastres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para assegurar a atualidade e relevância das fontes, priorizou-se a utilização de materiais publicados nos últimos dez anos, representando pelo menos 50% das referências empregadas. O levantamento foi realizado em bases de dados acadêmicas reconhecidas, como Scielo e CAPES Periódicos, além de consulta à legislação disponível nos portais oficiais do Governo Federal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, através de uma revisão da literatura, pretende-se demonstrar como uma abordagem educacional tem o potencial de aumentar a conscientização, desenvolver habilidades práticas e promover uma cultura de prevenção e resiliência.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5 CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A educação para a redução de riscos de desastres emerge como uma ferramenta poderosa para fortalecer a resiliência das comunidades e aprimorar a gestão de riscos. Ao aumentar a conscientização, desenvolver habilidades práticas e promover uma cultura de prevenção, a ERRD capacita indivíduos e comunidades a enfrentar e se recuperar de desastres de maneira eficaz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante esta pesquisa, percebemos que, o Estado de São Paulo vem trabalhando ERRD com professores e alunos, utilizando da abordagem de diversas temáticas. Em Minas Gerais, no ano de 2024, o governo estadual e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil lançaram um projeto-piloto, na intenção de disseminar a cultura da resiliência e da autoproteção entre os alunos do ensino fundamental de escolas públicas do Estado. O objetivo é tornar o aprendizado mais dinâmico e prático, facilitando a absorção de conhecimentos cruciais sobre conceitos como Defesa Civil, tipos de desastres, meio ambiente, sustentabilidade, mudanças climáticas e percepção de riscos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos casos analisados, observou-se que, enquanto o estado de São Paulo apresenta uma ênfase mais consolidada na educação para a redução de riscos de desastres (ERRD), com iniciativas mais estruturadas e integradas ao contexto escolar, em Minas Gerais, a ERRD ainda se encontra em estágio incipiente. Essa disparidade evidencia a necessidade de esforços direcionados para ampliar e fortalecer a implementação da ERRD em regiões onde sua abordagem ainda é limitada, a fim de garantir que todas as comunidades, independentemente de sua localização, possam se beneficiar dessa importante ferramenta de conscientização e resiliência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, a presente pesquisa buscou demonstrar como a abordagem educacional tem grande potencial para promover a conscientização, desenvolver habilidades práticas e promover uma cultura de prevenção e resiliência, restando inequívoco que a Educação para a Redução de Riscos de Desastres pode contribuir para o fortalecimento da resiliência das comunidades e constituir-se como ferramenta de gestão do risco de desastres. Ou seja, faz-se necessária a construção de uma Educação para a Redução de Riscos efetiva no Brasil, um país que constantemente tem sido assolado pelos mais diversos tipos de desastres.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">APRENDE BRASIL, Sistema de Ensino. <strong>Geografia &#8211; Minas Gerais</strong>. Curitiba: 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012. <strong>Institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil</strong>. Disponível em: <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12608.htm">https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12608.htm</a>. Acesso em: 25 maio 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_____. Ministério da Educação. <strong>Base Nacional Comum Curricular</strong>. Ensino Fundamental. 2018. Brasília: Secretaria de Educação Básica. 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CARDONA, Omar D. <strong>Indicators of disaster risk and risk management:</strong> program for Latin America and the Caribbean. Inter-American Development Bank: Washington, 2007. Disponível em: <a href="https://publications.iadb.org/pt/node/11419">https://publications.iadb.org/pt/node/11419</a>. Acesso em 14 out. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CLEMENTE, Fernanda Silva. Riscos naturais, ambientais e os conteúdos similares presentes nos livros didáticos de geografia do ensino médio. 2018. <strong>Dissertação</strong> (Mestrado em Geografia). Universidade Federal de São João del-Rei, João del-Rei 2018. Disponível em: <a href="https://ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/ppgeog/Fernanda%20Clemente.pdf">https://ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/ppgeog/Fernanda%20Clemente.pdf</a>. Acesso em: 27 out. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO. <strong>Conviva São Paulo:</strong> Programa de melhoria da Convivência e Proteção Escolar. São Paulo: Secretaria da Educação, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARCHEZINI, V. <em>et al</em>. (Eds.). <strong>Reduction of vulnerability to disasters:</strong> from knowledge to action. São Carlos: RiMa Editora, 2017. 624 p. il. ISBN – 978-85-7656.050.0</p>



<p class="wp-block-paragraph">MATSUO, Patricia Mie; SILVA, Rosana Louro Ferreira. Desastres no Brasil? Práticas e abordagens em educação em redução de riscos e desastres. <strong>Educar em Revista</strong>, Curitiba, v. 37, e78161, 2021. Disponível em: <a href="https://www.scielo.br/j/er/a/PJhCj6DSvLcTGM4yGFxmJFj/?format=pdf&amp;lang=pt">https://www.scielo.br/j/er/a/PJhCj6DSvLcTGM4yGFxmJFj/?format=pdf&amp;lang=pt</a>. Acesso em: 13 out. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MOTTA, Letícia Rodrigues; MENDONÇA, Marcos Barreto de; SATO, Anderson Mululo. Educação para redução de riscos de desastres: uma perspectiva da legislação educacional vigente no Brasil. <strong>Terra Livre</strong>, São Paulo, ano 37, vol.1, n. 58, 2022, p. 418-441. Disponível em: <a href="https://publicacoes.agb.org.br/terralivre/article/view/2264">https://publicacoes.agb.org.br/terralivre/article/view/2264</a>. Acesso em: 18 out. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. ONU. <strong>Documentos Temáticos da Habitat III:</strong> 15 – Resiliência urbana, 2015. Disponível em: <a href="http://habitat3.org/wp-content/uploads/15-Resili%C3%AAncia-Urbana_final.pdf">http://habitat3.org/wp-content/uploads/15-Resili%C3%AAncia-Urbana_final.pdf</a>. Acesso em: 10 out. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SELBY, David; KAGAWA, Fumiyo. <strong>Redução do risco de desastres no currículo escolar: </strong>estudos de casos de trinta países. Genebra:&nbsp; UNICEF, 2012. Disponível em: <a href="https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000220517">https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000220517</a>. Acesso em: 15 nov. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">UNISDR. <strong>Terminologia sobre a Redução de Risco de Desastres do UNISDR</strong>. Genebra, maio. 2009. Disponível em: <a href="http://www.unisdr.org/we/inform/terminology">http://www.unisdr.org/we/inform/terminology</a>. Acesso em: 11 nov. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VEYRET, Yvette. <strong>Os riscos:</strong> o Homem como agressor e vítima do meio ambiente. São Paulo: Contexto, 2007.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WISNER, Ben; GAILLARD, J. C.; KELMAN, Ilan. <strong>The Routledge Handbook of Hazards and Disaster Risk Reduction</strong>. Routledge: Abingdon, 2012. Disponível em: <a href="https://api.taylorfrancis.com/content/books/mono/download?identifierName=doi&amp;identifierValue=10.4324/9780203844236&amp;type=googlepdf">https://api.taylorfrancis.com/content/books/mono/download?identifierName=doi&amp;identifierValue=10.4324/9780203844236&amp;type=googlepdf</a>. Acesso em 13 nov. 2024.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup> Discente do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Proteção e Defesa Civil do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG) &#8211; Campus Santa Luzia. e-mail: lenon.unifal@live.com<br><sup>2</sup> Docente do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Proteção e Defesa Civil do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG) &#8211; Campus Santa Luzia. Doutor em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU-UFBA). e-mail: breno.silva@ifmg.edu.br</p>



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