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	<title>Volume 28 &#8211; Edição 136/JUL 2024 &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<description>Revista Científica de Alto Impacto.</description>
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	<title>Volume 28 &#8211; Edição 136/JUL 2024 &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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		<title>A BUSCA DE SENTIDO NO CAMINHO DA INDIVIDUAÇÃO: DE ALUNA MULTIRREPETENTE A PROFESSORA DE ENFERMAGEM</title>
		<link>https://revistaft.com.br/a-busca-de-sentido-no-caminho-da-individuacao-de-aluna-multirrepetente-a-professora-de-enfermagem/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Aug 2024 13:51:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 28 - Edição 136/JUL 2024]]></category>
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					<description><![CDATA[THE SEARCH FOR MEANING ON THE PATH TO INDIVIDUATION: FROM MULTI-REPEAT STUDENT TO NURSING PROFESSOR LA BÚSQUEDA DE SENTIDO EN EL CAMINO HACIA LA INDIVIDUACIÓN: DE ESTUDIANTE MULTIREPETIDOR A PROFESOR DE ENFERMERÍA REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10248111049 Erika Patricia De Sousa CameloConstantin Xypas Resumo O presente artigo relata um estudo de caso de uma professora de enfermagem, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>THE SEARCH FOR MEANING ON THE PATH TO INDIVIDUATION: FROM MULTI-REPEAT STUDENT TO NURSING PROFESSOR</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>LA BÚSQUEDA DE SENTIDO EN EL CAMINO HACIA LA INDIVIDUACIÓN: DE ESTUDIANTE MULTIREPETIDOR A PROFESOR DE ENFERMERÍA</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10248111049</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Erika Patricia De Sousa Camelo<br>Constantin Xypas</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<h5 class="wp-block-heading">Resumo</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O presente artigo relata um estudo de caso de uma professora de enfermagem, filha de pais semiletrados, de origem popular, que mediante uma narrativa autorreflexiva actancial, propõe a busca de sentido no caminho da individuação. No decorrer deste escrito, chegou-se às seguintes perguntas norteadoras: como uma menina que reuniu todas as condições para fracassar nos estudos, inclusive preconceitos e bullying, conseguiu não só se tornar enfermeira, mas professora de enfermagem? Será que esse estudo de caso pode esclarecer condições sociológicas e psicológicas pouco estudadas na literatura sociológica sobre o êxito improvável? Esta pesquisa é ancorada nas teorias de resiliência a partir de Bourdieu e Passeron (1964, 1970), Bernard Charlot (2005), Boris Cyrulnik (2004) e Viktor Frankl (2021). Objetiva-se, portanto, compreender, o que explica o êxito de uma menina de origem popular e filha de pais semiletrados tornar-se professora de enfermagem.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Narrativa autorreflexiva actancial; Relação ao saber; Resiliência; Individuação.</p>



<h5 class="wp-block-heading">Abstract</h5>



<p class="wp-block-paragraph">This article reports a case study of a nursing teacher, daughter of semi-literate parents, of popular origin, who, through an actantial self-reflective narrative, proposes the search for meaning in the path of individuation. In the course of this writing, the following guiding questions were reached: how did a girl who met all the conditions to fail in her studies, including prejudice and bullying, manage not only to become a nurse, but also a nursing teacher? Does this case study shed light on sociological and psychological conditions little studied in the sociological literature on unlikely success? This research is anchored in theories of resilience from Bourdieu and Passeron (1964, 1970), Bernard Charlot (2005), Boris Cyrulnik (2004) and Viktor Frankl (2021). The objective is, therefore, to understand what explains the success of a girl of popular origin and daughter of semi-literate parents becoming a nursing teacher.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Actantial self-reflective narrative; Relationship to knowledge; Resilience; Individuation.</p>



<h5 class="wp-block-heading">Resumen</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Este artículo relata un estudio de caso de una profesora de enfermería, hija de padres semianalfabetos, de origen popular, que, a través de una narrativa autorreflexiva actancial, propone la búsqueda de sentido en el camino de la individuación. En el transcurso de este escrito, se llegó a las siguientes preguntas orientadoras: ¿cómo una niña que reunía todas las condiciones para fracasar en sus estudios, incluidos los prejuicios y el acoso escolar, logró no solo convertirse en enfermera, sino también en profesora de enfermería? ¿Este estudio de caso arroja luz sobre las condiciones sociológicas y psicológicas poco estudiadas en la literatura sociológica sobre el éxito improbable? Esta investigación está anclada en las teorías de resiliencia de Bourdieu y Passeron (1964, 1970), Bernard Charlot (2005), Boris Cyrulnik (2004) y Viktor Frankl (2021). El objetivo es, por lo tanto, comprender qué explica el éxito de una niña de origen popular e hija de padres semianalfabetos para convertirse en maestra de enfermería.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palabras-clabe:</strong> Narrativa autorreflexiva actancial; Relación con el conocimiento; Resiliencia; individuación.</p>



<h5 class="wp-block-heading">Introdução</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O trabalho que descrevo é uma tentativa de apontar caminhos para o entendimento de uma longa e resiliente trajetória de individuação estudantil até tornar-se docente de enfermagem. Nesse contexto, que emergiram as inquietações, me fizeram chegar às seguintes perguntas norteadoras: como uma menina que reuniu todas as condições para fracassar nos estudos, inclusive preconceitos e bullying, conseguiu não só se tornar enfermeira, mas professora de enfermagem? Será que esse estudo de caso pode esclarecer condições sociológicas e psicológicas pouco estudadas na literatura sociológica sobre o êxito improvável?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, já na introdução, gostaria de deixar dito que falo da minha própria individuação e todo o percurso percorrido até a narrativa desse artigo. Foi a partir do início das aulas com um professor tutor de resiliência, dentro da modalidade de “aluna especial”, do programa de mestrado em Educação em Ciências e Matemática, com a disciplina, “em busca do bem- estar docente e do alto desempenho na profissão docente”, que se deu início a construção da narrativa autobiográfica, sempre motivada por nosso docente da componente então citada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos de Bourdieu e Passeron (1964; 1970) apontam que filhos de famílias de classe popular teriam maiores probabilidades de fracassar, enquanto filhos de famílias de classe média seriam “predestinados” ao sucesso nos estudos. Quanto ao êxito pelos estudos de origem popular, explica-se que ocorre de maneira marginal, ou seja, “estatisticamente improvável” sem que se esclareça como ocorrem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As pesquisas de Bernad Charlot (2000; 2009) e de sua equipe, apontam que as questões do fracasso e do sucesso escolar não podem ser reduzidas a uma correlação estatística, a partir da origem social do sujeito, como defendiam as <em>teorias da reprodução. </em>Para Charlot, as teorias de <em>herança cultural </em>não conseguem explicar o caso de alunos de famílias pobres que conseguiram êxito e tiveram ascensão social; nem o caso de alunos de classe média e alta que não tem vontade de aprender. Nesse sentido, as teorias de reprodução,</p>



<p class="wp-block-paragraph">“deixam fora do seu campo a <em>história singular</em> dos alunos no sistema escolar (encontros, acontecimentos etc.)” (Charlot, 1997, p. 48). Para além da origem social, é preciso analisar a <em>individualidade do sujeito</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente, sentia que minha história de vida não era tão motivacional, a ponto de virar artigo em forma de narração autobiográfica, no entanto, toda turma teve um incentivador para nos dá apoio e autoconfiança na construção e elaboração do nosso trabalho. Essas aulas me possibilitaram entender e reproduzir melhor estruturas sociais e como alunos de origem popular conseguem construir sentido aos estudos até concluírem graduação e mestrado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conscientes, assim, da individualidade e subjetividade de um sujeito que tem desejos e vontades próprias, objetivamos, neste trabalho, compreender o que explica o êxito de uma professora de origem popular e filha de pais semiletrados, através de uma “leitura em positivo” da história de uma menina multirrepetente (Valentina<a href="#_ftn1" id="_ftnref1"><sup>[1]</sup></a>) que se tornou professora de Enfermagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fim de termos nosso objetivo alcançado, buscamos pesquisas que pudessem contribuir com a construção desta, e encontramos alguns trabalhos que tem como abordagem o êxito improvável de alunos de origem popular. Inclusive as pesquisas de Xypas e Cavalcanti (2022) que tem os testemunhos do êxito escolar de filhos de pobres semiletrados, moradores de zona rural do Nordeste, que apresenta a luta destes pela busca ao saber e pela ascensão social. Estes filhos pobres vieram a se tornar professores, mestres e doutores, apesar de sua origem social.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir de uma leitura detalhada de tais casos, percebemos uma forte correlação entre <em>tutores de resiliência</em> e a <em>mobilização </em>de alunos de origem popular, no processo de construção de relação ao saber. Enfim, ancoramos nossa fundamentação teórica na articulação de duas teorias que até hoje se cruzavam: a relação ao saber e a teoria da resiliência. Desse modo, este texto será estruturado da seguinte forma: primeiro trazemos uma abordagem teórica da relação ao saber e da resiliência: em seguida, apresentamos a metodologia utilizada na pesquisa; posteriormente a narrativa actancial da professora investigada, intercalada por nossos comentários pessoais enquanto pesquisadores.</p>



<h5 class="wp-block-heading">2.&nbsp; Referencial teórico</h5>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Pesquisas sobre o estudo de casos de alunos pobres e que conseguiram a individuação através da busca pelo sentido alcançado no êxito pelos estudos e, em particular, a história de Valentina, convenceram-nos de que a complexidade de sua narrativa não dá para ser explicada por uma única teoria. Entretanto, o arcabouço teórico que serve a interpretação da narrativa autorreflexiva actancial descrita neste capitulo trará uma teoria interdisciplinar, a partir dos estudos de Bourdieu e Passeron (1964, 1970), Bernard Charlot (2005), Boris Cyrulnik (2004) e Viktor Frankl (2021).</p>



<h5 class="wp-block-heading">2.1.&nbsp; Sujeito e sua origem social</h5>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Os sociólogos Bourdieu e Passeron demonstraram que, em âmbito macrossociológico, existe uma correlação estatística entre o desempenho escolar e a origem social familiar do sujeito, através das publicações de <em>Herdeiros </em>(1964; 2014) e da <em>Reprodução </em>(1970; 2008). Nessa perspectiva, alunos de classe média tendem a ser exitosos, enquanto filhos de classes populares estão predestinados ao fracasso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desse modo, segundo a sociologia de Bourdieu e Passeron (2014, 2008), o sucesso ou insucesso depende principalmente da educação que pais dão aos seus filhos. Essa herança seria oriunda da transmissão de <em>capital cultural </em>(aquilo que é recebido da família pelo nível de instrução de um dos pais ou parente, que, por exemplo, estudou em um curso superior). Nesse sentido, a herança também decorreria da transmissão de <em>habitus</em> (disposições inconscientes, tais como comportamento e valores, os quais são estimados pela escola) e ainda da transmissão de um <em>ethos de ascensão social </em>(incentivo de alguém da família, que instigue o aluno a se mobilizar). Essas predisposições, embora válidas, acabam atribuindo o sucesso escolar apenas a fatores externos e desconsideram o esforço individual dos estudantes, bem como, a existência de ascensão social, por meio dos estudos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base nos estudos de transmissão de comportamento – <em>capital cultural, habitus e ethos de ascensão social</em> – os sociológos Bourdieu e Passeron (2014; 2008) compreendem que esses movimentos inconscientes, demandados estruturalmente pela família, corroboram com um sistema escolar que reforça a reprodução das classes sociais, de forma a perpetuar as desigualdades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As pesquisas de Bourdieu e Passeron (2014, 2008), representam um avanço, no que diz respeito à sociologia do sujeito. Contudo, foram construídas tomando como base pesquisas desenvolvidas no cenário francês, em que as escolas públicas e privadas não se diferenciam como nas escolas brasileiras. Nesse sentido, o cenário brasileiro necessita de novas pesquisas, como um país em desenvolvimento, em que “existe, ao lado da reprodução social, outra realidade social: a ascensão social pelos estudos de gente oriunda de classe popular” (Xypas, 2017, p.3). Ora, por essa constatação, torna-se evidente que a teoria bourdieusiana deve ser estudada, lavando em consideração a realidade de alguns alunos brasileiros que conseguiram, apesar dos poucos capitais culturais, serem exitosos. São esses casos improváveis, ao qual esse trabalho se dedicará em analisar.</p>



<h5 class="wp-block-heading">2.2.Êxito e fracasso escolar</h5>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Bernard Charlot (2000) defende que o sucesso e o fracasso escolar não se podem explicar unicamente a partir de transmissão do comportamento que os filhos herdaram dos pais, antes é preciso considerar a individualidade do sujeito e considerar que eles têm desejos e vontades próprias, capazes de lhe conferir êxito ou não nos estudos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No artigo <em>Relação com a escola, relação com o saber e ensino da matemática</em>, Charlot e Bautier (1993) demonstram uma insatisfação com a teoria da reprodução e, apesar de considerarem válida a correlação estatística entre a origem social e o êxito ou o fracasso escolar do sujeito, consideram:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">igualmente que existem casos atípicos: crianças de famílias humildes tem sucesso na escola, contra toda probabilidade estatística, e crianças de família favorecidas, fracassam. Contudo não há nenhuma fatalidade nesse domínio: a origem social não determina o sucesso ou o fracasso escolar (Charlot; Bautier, 1993, p.2).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Como visto, não se trata de determinismo, mas das particularidades inerentes a cada sujeito. Charlot (1993; 2000; 2005; 2009) é um estudioso acerca da problemática do fracasso escolar em meios populares, defendendo a ideia de que “o “fracasso escolar” não existe; o que existe são alunos fracassados, situações de fracasso, histórias escolares que terminam mal” (Charlot, 2000, p. 16). Nesse sentido, a singularidade das histórias do sujeito se faz presente, e muitas vezes são orientadas por conflitos sociais e subjetivos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista de Charlot (1997) “as teorias da reprodução não dão muita importância às práticas de ensino nas salas de aula e as políticas especificas dos estabelecimentos escolares” (Charlot, 1997, p. 49). Nesse sentido, é difícil pensar que a escola não tenha qualquer envolvimento com o sucesso ou o fracasso dos estudantes. Quando na visão de Charlot, é justamente a relação que o aluno tem com o saber que determinará o seu crescimento.</p>



<h5 class="wp-block-heading">2.3.&nbsp; Relação ao saber: um olhar no caminho da individuação</h5>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong>A noção da relação com saber é definida como sendo “a relação de sentido, e então de valor, entre um indivíduo e o saber como produto ou processo” (Charlot, 1996, p. 3).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"> O <em>sentido</em> e o <em>valor</em> atribuídos ao “saber” e ao “aprender” foram estudados por Charlot (1993), em termos de compreender a relação entre o ensino. Nesse sentido o sociólogo também se propõem em estudar a relação ao saber onde afirma que: é a relação de sentido e de valor de um sujeito confrontado com a necessidade de aprender. “A questão do saber deve, primeiramente, ser posta em termos de <em>sentido</em>: o <em>sentido</em> dos conteúdos e das atividades propostas pela escola, o <em>sentido</em> que o saber e o fato de aprender apresentam aos alunos, o sentido mesmo de suas presenças na escola”<br>(Charlot; Bautier, 1993, p. 3) </p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa perspectiva, o aproveitamento escolar do aluno é pensado em termos de <em>sentido – desejo – mobilização – atividade: </em>quanto maior for o sentido atribuído ao saber, maior será o <em>desejo</em> de aprender e, consequentemente, maior<em> a mobilização </em>do estudante pelo saber, de modo a culminar em uma atividade intelectual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Charlot (2005), ao realizar pesquisas com estudantes franceses identifica quatro ideal-tipos de relação ao saber, de sorte que quanto maior a mobilização do aluno, maior será sua relação ao saber. Logo mais, o ideal-tipos são categorizados por Xypas e Cavalcanti (2020) como níveis de mobilização da relação ao saber, são eles:&nbsp;</p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>Completamente perdidos na disciplina escola</strong> – O primeiro nível da relação ao saber corresponde aos alunos perdidos na escola, os quais são aqueles que estão matriculados, mais não encontram razão de estar na sala de aula, estudando conteúdos que não tem interesse em aprender.</li>



<li><strong>Sobreviventes na escola </strong>– Nesse nível são classificados os alunos que se importam apenas com a nota, para eles é suficiente passar de ano e ir para a série seguinte, conseguindo, por fim, o tão esperado diploma. </li>



<li><strong>Muito bem sucedidos na escola </strong>– Nesse nível, encontram-se os alunos dedicados, com uma boa mobilização nos estudos, contudo, estudar é uma motivação gerada pela nota que conseguiram. </li>



<li><strong>Intelectuais </strong>– São aqueles cujo processo de estudar e aprender se tornaram uma segunda natureza, por tanto, não conseguem parar de fazê-lo. Estão sempre em busca de mais conhecimento e encontram prazer nisso. “encontram-se na classe média e raramente na classe popular”</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">A compreensão do que leva um aluno a atribuir <em>sentido</em> ao saber, o que lhe causa desejo de aprender e, ainda mais, o que lhe motiva a mobilizar-se, nas teorias de reprodução não se trata apenas de determinismo social, por exemplo, trata-se de levar em consideração que o sujeito é também uma história de singularidade e a história escolar não é uma simples ilustração de probabilidade estatística, “ela é uma história no sentido pleno dos termos, com encontros, acontecimentos inesperados e imprevisíveis”. (Charlot; Bautier, 1993, p. 3). Apesar de toda probabilidade estatística, o sujeito consegue ter êxito e ascensão social, é o que desvela os aspectos positivos dessa história.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os casos de alunos que, embora advindos de condições desfavoráveis, conseguem ter êxito e ascensão social pelos estudos são vistos por Charlot como igualmente reais, apesar de ser consciente da correlação estatística entre o sucesso ou fracasso escolar. Como é possível que filhos de pais semiletrados, com pouco ou nenhum de <em>capital cultural, habitus</em>, e <em>ethos de ascensão social</em>, consigam alcançar êxito por meio dos estudos e tornarem-se ser bem sucedidos?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns pontos precisam ser refletidos, acerca dos questionamentos a partir da narrativa de Valentina. Desse modo, a partir de uma leitura “em positivo” da sua história, buscamos saber: como uma menina multirrepetente filha de pais semiletrados, construiu sua relação ao saber, chegando a tornarse professora de enfermagem? Para tanto, objetivamos proceder uma leitura em positivo das histórias e das situações escolares, bem como tentar identificar os processos que as estruturaram e estruturam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É necessário analisar quais elementos conferem mobilização e contribuem para que, apesar das adversidades da vida, alguns alunos consigam ser exitosos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acreditamos que essa mobilização, conferida ao sujeito, é uma resposta ao estimulo de alguém – pai, mãe, parente, vizinho, e/ou professor – responsável(is) por incentivar o(a) jovem a vencer na vida. Ao considerarmos a participação do outro, como fator importante na mobilização do sujeito, evidenciamos que existe uma correlação entre a noção da relação ao saber e a teoria da resiliência.</p>



<h5 class="wp-block-heading">2.4.&nbsp; Resiliência: a opção do filho de semiletrados</h5>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong>Visto que a teoria da resiliência é um subsídio à noção da relação ao saber, através dela podemos analisar como o incentivo de um agente externo (pai, mãe, irmãos, professores) permite a construção do <em>sentido</em> atribuído ao saber pelo sujeito. A partir do contributo da resiliência à noção de relação ao saber, consegue-se analisar como alunos de origem popular que viveram em situações de trauma, como de uma vida extremamente sofrida na infância, com poucas ou nenhuma condições econômicas, conseguem atribuir <em>sentido</em> e <em>valor</em> ao saber escolar, e alcançar êxito pelos estudos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, esse trabalho não é uma reformulação da noção da relação ao saber e muito menos um tratado da teoria de resiliência, mais sim, uma contribuição a ambos os estudos, que contribuirá sobre um melhor entendimento sobre o que permite os alunos de origem popular se tornarem resilientes. Afinal, do que se trada a resiliência?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Cyrulnik, a resiliência é uma resposta de superação de um indivíduo que sofreu um trauma e traumatismo na sua vida (<em>apud</em> Condorelli; Guimarães; Azevedo, 2016). Existem pessoas cuja realidade do trauma ou traumatismo configuram-se como um único acontecimento da vida, como por exemplo: um acidente trágico ou uma agressividade física. Para algumas pessoas o trauma e traumatismo se configuram como uma sucessão de fatos que marcam a passagem de uma infância de dificuldades financeiras e de trabalho infantil para uma vida adulta resiliente, ou seja, uma vida de superação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o que vem ser um traumatismo? Aqui não se refere ao momento do choque, da cena ou do acontecimento. O trauma só se transformará em traumatismo conforme a representação posterior que o sujeito elabora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Condorelli, Guimarães e Azevedo afirmam que “o primeiro golpe provoca a dilaceração do sentido, mais o que realmente dói e ameaça o desenvolvimento do indivíduo, é um segundo golpe: da representação que se faz do acontecimento traumático, o significado que lhe atribui e as emoções que isto gera” (2011, p. 8).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, Cyrulnik critica todas as ideias que pretendem reduzir o homem a uma única das suas dimensões, como as que pretendem estabelecer uma relação determinista entre condições socioeconômicas e sofrimento psíquico. Para ele, é no entrelaçamento de fatores bioquímicos, psíquicos, sociais, culturais etc. que se produzem o trauma e a resiliência, e promover esta última, avivar as brasas que permitem aos seres humanos transformar seus sofrimentos em poesia, música, narrativa, pensamento, ciência, engajamento social significa, necessariamente, agir também sobre as condições do ambiente, sobre os discursos culturais e as relações sociais, sem cair, porém, na crença ingênua e dogmática de que uma simples mudança destas últimas levaria a uma transformação do homem na sua inteireza. A imensa plasticidade do ser humano, a impossibilidade de qualquer redução dos processos de resiliência a causas únicas e lineares e a faculdade do sujeito de construir o sentido da própria existência representam, a nosso ver, a essência da perspectiva cyrulnikiana sobre a capacidade humana de retomar o próprio desenvolvimento após um trauma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro fator importante para que o sujeito se torne resiliente é o <em>apego. </em>O apego é desenvolvido entre o sujeito e uma figura na primeira infância que pode ser o pai, a mão ou um parente que esteja presente na vida do indivíduo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No estudo a respeito da teoria do apego, Rodrigues e Chalhub (2009) falam sobre a falta de amor, afeto e apego na primeira infância e suas possíveis consequências na vida adulta. Os autores identificam a existência de três tipos de apego: apego seguro, inseguro e ambivalente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No estabelecimento do modelo de apego seguro, há uma vinculação afetiva, tranquila na infância, com a principal figura de apego, enquanto que no apego inseguro, geralmente, ocorre uma ameaça continua a acessibilidade da figura de vinculação, e por fim, no modelo de apego ambivalente, existe uma dificuldade de manter relacionamentos duradouros e comprometidos por conta da baixa autoestima em detrimento da deficiência de continuidade na relação de apego, o que por sua vez, produzirá um sentimento de solidão (Rodrigues; Chalhub, 2009, p. 3).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base nas ideias de Cabral e Cyrulnik (2015), a respeito dos tutores de resiliência, e de Rodrigues e Chalhub (2009), com relação a teoria do apego, acreditamos que, mesmo quando uma criança de origem popular tenha um apego seguro com os seus pais, a realidade de algumas vidas, marcadas por traumas, diariamente vivenciadas pelo trabalho infantil e as condições econômicas desfavoráveis podem interferir também na história dessa criança, o apego seguro. No em tanto, quando essa criança encontra na escola um professor que lhe incentive e lhe ajude, ela pode desenvolver para com ele um apego seguro. Esse professor é chamado, segundo Cabral e Cyrulnik (2015) de tutor de resiliência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com esse estudo, pretendemos apresentar narrativas que são constatadas através das teorias de Cabral e Cyrulnik (2015). Buscamos esclarecer que a noção de relação ao saber e a teoria de resiliência podem explicar aspectos subjetivos, psíquicos e sociais da vida do sujeito, que explicam os fatores que contribuem para que, apesar das adversidades, o sujeito possa atribuir <em>sentido</em> e <em>valor </em>ao saber. Dessa maneira concordamos com Xypas e Cavalcanti (2022) quando evidenciam mostrar as dificuldades encontradas, o sofrimento vivido, os esforços necessários para ultrapassá-los, como também a força psíquica (mobilização e resiliência) dos alunos mobilizados na luta escolar e na mobilização pelo saber e ascensão social.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Souza e Almeida (2009) destacam que todo relato de experiência é uma interpretação, uma construção, uma interpretação. Nesse sentido, a memória expressa através da fala trata de “esquecer” determinados eventos traumáticos e de ressaltar outros, com novas tintas e misturas de cores, fazendo uma nova leitura dos acontecimentos.</p>



<h5 class="wp-block-heading">2.5.O educador como tutor de resiliência&nbsp;&nbsp;</h5>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong>Somos seres globais onde necessitamos de vínculos para construir uma história coerente e sensata de nós mesmos. Os tipos de apego que construímos nas nossas interações precoces nos impregnam determinadas sensibilidades e estilos relacionais. Mas a construção da nossa resiliência ou do nosso desmoronamento psíquico é um processo que se gesta ao longo de toda a nossa existência. Desde muito cedo, ao afastar-nos da nossa família e da bolha sensorial que esta estruturou ao nosso redor, vivenciamos novos encontros, interagimos com novos ambientes, mergulhamos em novas ecologias de relações e os vínculos que estabelecemos ao longo dessas aventuras afetivas podem reforçar ou modificar profundamente as tendências adquiridas nos nossos primeiros anos. E a partir do momento em que os adultos familiares não preenchem mais a totalidade do mundo da criança, a criação de novos estilos relacionais, de novas maneiras de pensar a si mesmo e de enxergar o mundo tornam-se possíveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta “antropologia do vínculo&#8221; que Cyrulnik propõe, nos leva a refletir sobre o papel central que o educador, enquanto figura significativa em diversas etapas do desenvolvimento de um indivíduo na sociedade ocidental contemporânea, pode desempenhar na construção da resiliência. Se o encontro é a condição estruturante da nossa identidade, das narrativas sobre nós mesmos, do nosso universo de representações, do nosso mundo emocional e dos nossos estilos relacionais, o educador transmitirá muito mais ao educando, seja ele uma criança, um adolescente ou um adulto, por meio do seu modo de estar no mundo, da sua forma de construir e alimentar relações intersubjetivas que abrangem, necessariamente, todas as dimensões humanas: a cognitiva, a afetiva, a corporal, do que por meio de seus conhecimentos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas crianças têm no seu professor favorito um modelo de identificação e fazem de sua escola seu lugar de referência, seu lar, aquele lugar onde “sabem” que possuem fontes de apoio e compreensão, aquele lugar onde o riso e a alegria podem estar presentes, aquele lugar seguro. Neste aprendizado de ser professor, olhar cada aluno como único no desafio do encontro com o novo e permitir a esta criança descobrir(se), construir(se), aceitando-a e sendo fonte de apoio às suas descobertas, confirmando-a na aceitação de si, na descoberta de si e de um autorrespeito que possibilitará uma convivência segura e flexível, permitindo uma transformação permanente a cada desafio, transformação que a torne resiliente. No entanto, os professores não sabem que têm muito mais poder do que imaginam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse cenário, Cyrulnik (2005) fala que é espantoso constatar o quanto os professores subestimam o efeito da sua pessoa e superestimam a transmissão de seus conhecimentos. Ele escreve que em seus atendimentos psicoterapêuticos, muitas crianças explicam o quanto um professor modificou a trajetória de suas existências por uma simples atitude ou por uma frase, anódina para um adulto, mas perturbadora para a criança.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading">2.6.&nbsp; Sociologia do êxito improvável&nbsp;</h5>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong>A sociologia do êxito improvável vem com um olhar lançado a historicidade e subjetividade do sujeito, derivadas de estudos de Bergier e Xypas (2013), surge como uma nova perspectiva de pesquisa que ganha espaço em países em desenvolvimento como o Brasil, onde é comum encontra casos de estudantes de origem popular que conseguiram ascensão social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, concordamos com Costa e Xypas (2013) quando dizem que “não são raras as trajetórias sociologicamente improváveis no âmbito da educação brasileira” (Costa; Xypas, 2013, p. 25).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Na perspectiva de Charlot e Bautier (1993), podemos indagar: porque alguns alunos socialmente desfavorecidos atribuem <em>sentido</em> e <em>valor</em> ao saber, enquanto outros que compartilham das mesmas condições sociais não se mobilizam? O que justificam esses casos improváveis?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Partindo desse contexto, trazemos nesse capítulo, a história de Valentina, de origem popular, filha de pais semiletrados, que desde jovem teve que aprender a conciliar estudos e trabalho e, apesar de todas as adversidades encontradas no seu caminho, consegue se tornar professora de enfermagem.</p>



<h5 class="wp-block-heading">3.&nbsp; Metodologia&nbsp;</h5>



<p class="wp-block-paragraph"><strong> </strong>Mediante o nosso objeto de estudo de compreender o que explica o êxito de uma professora filha de pais semiletrados, buscaremos também compreender a importância dos tutores de resiliência no êxito, a partir dos estudos. Nesse sentido, vale destacar que a presente pesquisa se trata de uma narrativa autobiográfica, utilizando o processo autorreflexivo actancial, onde o narrador estudou a teorização e ele mesmo irá elaborar a construção do sentido, enquanto parte da dissertação. Com o intuito de evitarmos a “Ilusão Biográfica”, denunciada por Bourdieu (2011)  </p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Diante desse pressuposto, salientamos ainda que nossa pesquisa tem natureza qualitativa e exploratória. A pesquisa qualitativa:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Trabalha com o universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores, e das atitudes. Esse conjunto de fenômenos humanos é entendido aqui como sendo parte da realidade social, pois o ser humano se distingue não só por agir, mais por pensar sobre o que faz e por interpretar suas ações dentro e a partir da realidade vivida e partilhada com seus semelhantes (Miayo, 1993, p. 21).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Ademais, é exploratória por buscarmos explorar o mundo subjetivo da nossa participante. Como recurso metodológico, utilizamos a <em>Narrativa Autorreflexiva Actancial, </em>criada por Bergier e Xypas (2013), com inspiração do semioticista Greimas e Courtés (1986), a partir da teorização da sociologia do Êxito Improvável e situada no âmbito da sociologia clínica de Gaulejac (2004; 2005). Tal sociologia busca compreender o sujeito pela sua integridade como um sujeito completo.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A sociologia clinica tem por tarefa compreender a dialética entre a história e a historicidade, entre indivíduo que é a história e indivíduo que faz a história, entre os fatores sócio psíquicos que fundam a sujeição e aqueles que servem de suporte ao indivíduo para que ele advenha como sujeito (Gaulejac, 2004, p. 73).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A <em>Narrativa Autorreflexiva Actancial </em>é uma metodologia consciente e direta, e uma vez que a história do sujeito pode ser contada a partir de diferente metodologias, ela deve ser utilizada apenas por pessoas que tiveram contato com a teorização ou que são orientadas por um pesquisador que tem conhecimento da metodologia. Tal narrativa convida o sujeito a tomar consciência da sua história e permiti-lhe revisitar fatos de sua vida antes não investigados, contudo, decisivos na sua construção enquanto sujeito. Esse processo de tomada de consciência proporcionará ao narrador uma descoberta de si, um reconhecimento das adversidades da sua vida e poderá lhe conferir um novo olhar, capaz de compreender o presente, a partir de novas perspectivas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante falar, que embora nos utilizemos dos estudos da relação ao saber de Charlot (1993, 1996, 2000, 2005, 2009), a metodologia que será utilizada pela narradora não terá qualquer relação com a metodologia utilizada por Charlot (2009), nos balanços do saber, haja vista que pesquisador estudou casos de alunos em situação de fracasso escolar. Nessa perspectiva, a nossa metodologia busca compreender o êxito improvável de pessoas de origem popular, através da narrativa contada pela própria sujeita da pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em nossa análise, também utilizamos como metodologia o Esquema Narrativo de Algirdas Greimas e Courtés (2012 <em>apud</em> Xypas; Cavalcanti, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tal metodologia:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Permite construir a evolução da relação com o saber de cada narrador a partir do cenário inicial na roça, na favela, no quilombo etc., até a colocação de grau, acompanhando suas lutas e desvelando as circunstancias que favoreceram sua ascensão social (Xypas; Cavalcanti, 2020, p. 43).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Desse modo, o esquema narrativo proposto Greimas e Courtés (2012) permite ser roteiro tanto de entrevista como de análise de narrativa. A seguir apresentamos, um conjunto de <em>Actantes</em>, adaptado do esquema do referido autor e que consideramos importantes para nossa análise narrativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1 – Actantes segundo Greimas e Courtés</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>(2012 <em>apud</em> Xypas; Cavalcanti 2020)</strong></p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Actantes</strong></td><td><strong>Função</strong></td></tr><tr><td>Destinador</td><td>Quem confia a missão (mãe, pai, irmão, professor);</td></tr><tr><td>Sujeito/destinatário</td><td>Quem aceita o desafio;</td></tr><tr><td>Objeto desejado</td><td>O que é desejado pelo sujeito;</td></tr><tr><td>Contrato</td><td>O que indica a missão confiada pelo destinador (fazer estudos universitários, ter um bom emprego);</td></tr><tr><td>Oponentes</td><td>Os obstáculos surgidos na trajetória, que podem ser um acontecimento, uma pessoa ou algum trauma ou traumatismo;</td></tr><tr><td>Adjuvantes</td><td>Pessoas (tutores de resiliência) ou circunstancias favoráveis na vida;</td></tr><tr><td>Competência</td><td>Tudo aquilo que o sujeito aprende para conquistar o objeto;</td></tr><tr><td>Performance</td><td>Como o sujeito vence os obstáculos e adversidades da vida. Em que pontos se tornou resiliente;</td></tr><tr><td>Sanção</td><td>A conclusão da narrativa, quando o sujeito recebe a sansão prevista (diploma, cargo, etc.).</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Elaboração própria</p>



<p class="wp-block-paragraph">Através dessas metodologias, esperamos encontrar, na narrativa que segue conforme modelo proposto por Greimas e Courtés (2012), regularidades da construção da relação ao saber e do processo de resiliência, onde podem ser comuns a outras pessoas de origem popular que tiveram um êxito considerado improvável, por meio dos estudos.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading">4.&nbsp; Narrativa</h5>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong>Nossos comentários teóricos dentro da narrativa contada em primeira pessoa, objetiva contar fatos importantes dessa trajetória com a noção da relação ao saber e a resiliência. Apresentaremos nas linhas subsequentes, detalhes de uma vida marcada pela luta, pela constância, pelo trabalho, pelo protagonismo e acima de tudo, pela resiliência.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading">5.&nbsp; O cenário</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Primogênita do casal João e Josefa, sou a Valentina, a mais levada e travessa quando comparada a minha irmã. Em minha casa éramos eu e ela, minha mãe e meu pai. Minha mãe não trabalhava fora de casa, porém o trabalho doméstico era algo sem fim. A diferença de idade entre eu e minha irmã eram de 03 anos. Minha mãe sempre cuidou muito bem de nós, era como se eu estivesse protegida com ela, e que nada de ruim iria me acontecer. No entanto, meu pai sempre trabalhou muito, para nos dá o mínimo de conforto que poderia ofertar diante das nossas condições financeiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Painho sempre trabalhou como caminhoneiro de carro pipa e era um trabalho muito braçal. Lembro-me, quando pequena, que adorava subir no seu caminhão e também sair para acompanhá-lo no trabalho. Fui criada com muito zelo e carinho pelos meus pais, estes não tinham uma boa condição financeira, porém, sempre fez muito sacrifício para educar eu e minha irmã. Meus pais também não tiveram muito estudo, só sabem ler e escrever poucas palavras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos meus pais não terem tido muito estudo, eles sempre me incentivavam a estudar e sempre que meu pai podia ele me auxiliava nos deveres de casa. Foi com meu pai que aprendi a divisão dos numerais, e ele sempre foi muito paciente e sempre me incentivava muito nos estudos para que pudesse ter um bom emprego e uma boa estabilidade financeira no futuro.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Comentário 1: No cenário, é possível, através da narração de Valentina, ver que seus pais tinham pouca escolaridade e baixo capital social, pois tinham poucos estudos. No entanto, tinham para seus filhos ethos de ascensão social. São os pais de Valentina, seus primeiros destinadores e o primeiro contrato era ter êxito nos estudos e logo um bom emprego na busca da estabilidade financeira. A mãe de Tereza reforça muito a ideia da figura de apego seguro. Na visão de Cabral e Cyrulnik, “a relação de apego, que se manifesta por um desejo de proximidade, permite tecer, em condições favoráveis, um vínculo afetivo durável, seguro e estimulante” (2015, p.43).</p>
</blockquote>



<h5 class="wp-block-heading">5.1.Infância</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A casa em que morava com meus pais, era bem apertadinha, lembro-me que tinha apenas uma sala, uma cozinha com quintal lá atrás, bem pequenininho, e um quarto apenas, para eu, minha irmã e meus pais. E lá vivi muitas lembranças boas, tinha vários primos e brincava bastante com eles, meus tios moravam ao lado, e minha avó paterna era bem presente, morava na casa de baixo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como tudo na vida, sempre temos um lado bom e um lado ruim. Na minha infância sempre tive vontades, como toda criança, em possuir alguns brinquedos, como por exemplo, uma “boneca bebê”, para chamar de minha. No entanto, meus pais não tinham condições de me presentear com uma “boneca bebê”, eles sempre diziam que era muito dinheiro, eu ficava triste, mais acabava entendendo no final. Esses momentos estavam guardados em minha memória, porém ao escrever essa narrativa elas revivem como se fossem ontem. <strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Recordo com emoção que no período de férias minha mãe sempre separava um tempinho para fazer a tão esperada “contação de histórias”, essas memórias afetivas se fazem presentes até os dias de hoje. Uma das histórias que eu sempre gostava era a tão famosa “branca de neve e os sete anões” por inúmeras vezes foi contada para mim, que logo, eu mesma conseguia identificar as cenas nas folhas do livro, e eu mesma já fazia a “contação de histórias” para minha irmã.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Comentário 2: Nesse sentido, a mãe de Valentina já assume um papel de destinadora, quando começa a guiar a filha, mesmo inconsciente, na valorização e no caminho da leitura. Além disso, mostra-se também como adjuvante, por estar sempre acompanhando de perto a filha, desenvolvendo com ela, um apego seguro. Em um modelo de “apego seguro há uma vinculação afetiva, tranquila na infância com a principal figura de apego” (Rodrigues; Chalhub, 2009, p. 3).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse fato, minha mãe começou a utilizar mesmo empiricamente, a leitura como processo de alfabetização para mim. Desse modo, me foi introduzido o universo da leitura, onde eu consegui tomar gosto pelos livros, e recordo-me que comecei a frequentar a biblioteca da minha escola, para escolher o livro que iria levar para casa. Tia Mônica sempre me acompanhava nas escolhas dos livros, e minha jornada com ela, se perdurou por alguns anos, visto que ela seria minha tia do ano seguinte, a terceira série. Tia Mônica sempre foi muito afetuosa e sempre me auxiliava nas atividades, ela sempre falava “você consegue minha querida, você vai longe” e eu acreditei.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Comentário 3: </em>A professora assume um papel de tutora de resiliência, ao estimular a criança com frases de incentivo e encorajando-a. Praticando “uma pedagogia que estimula a relação afetiva entre educador e o educando, incluindo o contato, a carícia a ternura e qualquer manifestação espontânea de afetividade” (Condorelli; Guimarães; Azevedo, 2011, p. 15).</p>
</blockquote>



<h5 class="wp-block-heading">5.2.&nbsp; Primeira dobradiça dramática: o ensino fundamental e a reprovação</h5>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong>Durante a escolaridade, cada vez mais eu trazia indícios de um bom desempenho nas atividades escolares, no entanto, em um determinado período eu era bastante tímida e não socializada muito com os colegas de sala. Porém esse jeito de ser, gerava alguns cenários doloridos para mim, uma vez que eu era um pouco acima do peso, sempre tinha alguns alunos que por vezes, faziam questão de reforçar que eu era “gordinha”. Essa realidade me desmotivava. Até que na segunda série do ensino fundamental, veio a reprovação. Os momentos vividos naquela escola foram momentos terríveis, estes contribuíram para que eu pudesse enxergar que aquela realidade vivenciada não era aonde eu queria permanecer. Definitivamente, não queria mais ser aquela menina! Minha mãe resolveu me mudar de escola. O momento em que eu sairia de uma escola pública estadual enorme para uma escola menor, particular.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Comentário 4: </em>O fato de Valentina estar na condição de desmotivada, não a limitou em seus objetivos, ela tem claro que aquela situação seria passageira e que logo, se tornaria “alguém na vida” bem sucedida economicamente. Charlot (2009, p. 77) frisa que a mobilização acontecerá na escola quando “o próprio saber (a formação, a cultura) surja enquanto chave do futuro desejável antecipado”. Nessa perspectiva, Valentina tinha desejo em um futuro promissor que lhe mobilizava. A decisão da mãe de tirá-la de uma escola de referência do estado para uma escola menor representa um grande divisor de águas na vida de Valentina. Isso porque, caso ela tivesse sido mantida na escola grande poderia ter sido desmotivada e até desistir dos estudos.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A decisão da minha mãe de transferência para outra escola me motivou bastante, lembro-me que fiquei super animada.&nbsp; Nessa escola tinha uma professora chamada tia Claudia, ela era considerada uma ótima professora e muito exigente, isso certamente, foi muito bom, me fazia incentivar mais pelo saber. Mesmo com pouco estudo, minha mãe sempre observava se estávamos estudando direito e sempre comparecia nas reuniões da escola. E eu ficava superfeliz por ela se importar com meus estudos, essas e demais atitudes me faziam ver que eu era amada e que ela torcia pelo meu sucesso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A professora Claudia teve um papel muito importante no meu desenvolvimento escolar. Ela era bem séria, muito exigente e cobrava nosso esforço. Lembro de passar muito tempo estudando para fazer suas provas e ter boas notas.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Comentário 5: Nesse período da vida, Valentina evidencia uma mobilização ao saber fraca, portanto, estava no nível I da relação ao saber, o dos ‘alunos completamente perdidos na escola’- “Há aqueles que não entendem por que estão na escola, alunos que, de fato, nunca entraram na escola; estão matriculados, presentes fisicamente, mais jamais entraram nas lógicas especificas da escola” (Charlot, 2005, p. 51-52). Como a reprovação certamente constituiu um divisor de águas na vida escolar de Valentina, pode ser caracterizada como adjuvante, pois Valentina poderia ter pensado que a escola não era para ela e ter perdido o interesse pelos estudos. Contudo, é justamente o contrário que acontece, Valentina encontra naquele trauma um motivo para se dedicar aos estudos. Apesar de ter reprovado, era uma aluna comportada, tratava bem sua professora e seus colegas. Ela tinha, por tanto, um habitus compatível com a escola o que lhe favoreceu superar a reprovação com mais facilidade.&nbsp; Sua mãe como adjuvante, contribuiu para que ela tenha uma retomada de desenvolvimento e se dedique mais aos estudos. A professora Claudia também se enquadra como adjuvante, por ajudar Valentina e lhe exigir bons resultados na escola. Com a motivação de ser uma boa aluna, Valentina passa para o nível 2 da relação ao saber e dos “sobreviventes na escola” e depois para o nível 3 “alunos muito bem sucedidos na escola”. Existem aqueles para os quais estudar é uma conquista permanente do saber a da boa nota” (Ibid); são caraterísticas dos alunos que estão nesse nível da relação ao saber: dedicação/mobilização/luta/ esforço/ desejo e prazer em aprender.</p>
</blockquote>



<h5 class="wp-block-heading">5.3.&nbsp; Segunda dobradiça dramática: a separação dos meus pais</h5>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong>Ao mesmo tempo que lutava em ter boas notas e me esforçava na nova escola, meus pais estavam prestes a se separar, e foi tudo muito rápido. Lembro-me que meus pais vera e meche, estavam discutindo e geralmente pelo motivo do meu pai ter muito ciúmes da minha mãe, as vezes ciosas bobas. E foi bem inesperado, minha mãe após uma discussão com meu pai, resolveu ir embora de casa, estava decidida. Tenho a lembrança que foi nos levar na escola e comprou vários doces no caminho para eu e minha irmã, e no momento que nos deixou na portaria da escola, nos deu um abraço forte e disse que nos amava muito.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por um momento achei estranho, mais não saberia o que estava por vir. No final da aula, por volta de 17:30 ninguém veio nos buscar na escola, todos os coleguinhas indo embora, e eu e minha irmã ficamos lá, aguardando “mainha”, que sempre ia nos buscar. E logo, meu pai quem foi nos pegar na escola, onde ele procurava palavras para nos explicar que minha mãe tinha ido embora! Eu e minha irmã muito pequenas não entendemos muito toda situação. A separação foi muito dolorosa para todos nós, e a sobrecarga de responsabilidades me fez amadurecer antes do tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante esse período eu e minha irmã tivemos muitas dificuldades de concluir o ano letivo, e acabamos perdendo o ano, meu pai deixou que ficássemos em casa, e minha tia e minha avó paterna cuidava de nós. Fiquei triste, por toda situação, pelos meus pais, e por meus estudos. Porém no ano seguinte, meu pai nos colocou em uma nova escola e conseguimos com algumas dificuldades de adaptação finalizar o ano letivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tive oportunidade de frequentar um grupo de estudos para reforçar as matérias em sala de aula, tinha uma professora chamada, Lene que estava montando um grupo e vendo os alunos que estavam com dificuldades, para confirmar com os pais os dias e horários, essa professora me transmitia relação de segurança, e confiança, a maneira como ministrava o conteúdo me fez enxergar com mais simplicidade os meus estudos. Logo, meu pai permitiu que eu participasse, e fiquei muito feliz.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi uma ótima oportunidade para eu retomar meus estudos, embora, sentisse muita falta de mainha. De certa forma, o despertar no interesse em ministrar aulas, se deu a partir daquele momento em minha vida.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Comentário 6: A professora Lene, nesse momento, demonstra um nível 3 de mobilização. O convite para frequentar o grupo de estudos já atuou como um incentivador, para retomar o interesse nas aulas. Nessa perspectiva Bourdieu (2017) define como Illusio, assistir essas aulas alimentava o encantamento de permanecer no jogo, de saber mais sobre esse mundo novo e de como se estabelecer nele.</p>
</blockquote>



<h5 class="wp-block-heading">5.4.&nbsp; Terceira dobradiça dramática: a conquista da graduação</h5>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Diferentemente da minha irmã, sempre tive o desejo de realizar um curso superior, sempre tive essa vontade de fazer uma faculdade. Sempre gostei muito da área da saúde e diante dos cursos que tinham em minha cidade, optei por fazer vestibular para enfermagem. Na primeira tentativa não obtive aprovação. Foi onde incentivada pelo meu esposo, resolvi fazer minha matricula em um curso preparatório para vestibular. Era muito cansativo, pois eu trabalhava o dia inteiro, e a noite ia para as aulas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Passado o tempo de adaptação dessa rotina, eu consegui dar conta das aulas, achei interessante me matricular em um curso de matérias isoladas na disciplina de química. Essa disciplina tinha peso auto no vestibular, e eu estava disposta a passar naquele ano de 2007. Esse professor chamava-se Marco Aurélio, era muito atencioso, ele nos dava muitas dicas de questões que cairiam em prova. Recordo-me de suas aulas ter em média 7 a 8 alunos, todos com o mesmo objetivo, cursos na área de saúde. Por ter a turma reduzida, ele nos dava muita atenção, conseguia tirar as dúvidas de todos, além de nos incentivar e compartilhar as suas experiências enquanto acadêmico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele sempre falava que ter um curso superior era como receber um grande prêmio, era a chance de mudar de vida, e proporcionar melhores condições financeiras para nossa família, isso sempre esteve comigo, até os dias de hoje.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Comentário 7: O incentivo do esposo em orientar a esposa a se matricular no cursinho preparatório, demostra que ele entende a importância de buscar o conhecimento para uma aprovação. A esposa nesse momento apresenta um nivel 4 de mobilização de relação ao saber, para ela, está sempre em busca de mais conhecimento e encontra prazer nisso. A obra de Frankl (2021) revela e descreve que a atitude de resiliência em diferentes instâncias na vida de uma pessoa, por mais que condições sociais possam influenciar a capacidade de desenvolvimento de um indivíduo, tais condições não são determinantes para o sucesso ou insucesso profissional.&nbsp; Nesse sentido, aponta que: “sempre e em toda parte a pessoa está colocada diante da decisão de transformar a sua situação de mero sofrimento numa produção interior de valores”.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quadro 2 &#8211; Actantes da terceira dobradiça dramática</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quem?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O dia tão esperado da prova chegou. Lembro-me que no dia anterior, o cursinho fez um aulão de revisão e eu estava muito tensa, com muito medo da prova. Mas os professores deram um show de aula. Ainda me recordo da aula do professor Menelau, de português e redação, que aula meu Deus! Boa parte do que ele deu em sala de aula, caiu na prova. Professor Menelau, era um grande mestre, ele realmente tem o dom de passar o conteúdo de forma didática e sem enrolação. Ele sempre tinha um momento durante a aula de passar uns vídeos de músicas e depois ia debater o texto com a turma. Ele sempre foi um grande incentivador da turma e sempre muito atencioso e afetivo conosco, sempre me dizia “você vai longe”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fui fazer a prova e consegui a aprovação com ótima colocação. Meu esposo quem foi pegar o resultado para mim, pois eu estava trabalhando, e pedi para ele ir olhar a lista que ficava fixada na parede da faculdade. Quando ele chegou com o resultado e falou: “você passou, parabéns” eu dei pulos e pulos de alegria, parecia que tinha tirado um peso das costas e que realmente todo esforço tinha valido a pena.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quadro 3 &#8211; Relação de vínculo afetivo na terceira dobradiça dramática</strong></p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>&nbsp;</strong> <strong>Tipo de apego</strong></td><td><strong>&nbsp;</strong> <strong>Quem?</strong></td><td><strong>&nbsp;</strong> <strong>Como?</strong></td></tr><tr><td><strong>&nbsp;</strong> <strong>Seguro</strong></td><td>&nbsp; Professor Menelau &nbsp; &nbsp; &nbsp; Esposo</td><td>Ao incentivar a narradora, com apoio e suporte emocional, a seguir a caminhada nos estudos até a graduação, e até mais além. &nbsp; O esposo mostra-se sempre como um ponto de apoio, sempre incentivando e acreditando no potencial da narradora.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Elaboração própria</p>



<h5 class="wp-block-heading">5.5.&nbsp; Quarta dobradiça dramática: ensino superior e gestação</h5>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong>Quando iniciei minha vida como discente em uma faculdade de tempo integral, logo vieram os desafios. O primeiro deles seria a questão financeira, uma vez que, tive que abrir mão do meu emprego para me dedicar exclusivamente a graduação de enfermagem. Essa decisão foi muito difícil, teria que abrir mão da minha independência financeira, para ficar totalmente dependente do meu esposo. O primeiro semestre foi muito desafiador, era uma mistura de sentimentos, e emoções que eu queria viver e aproveitar intensamente. No entanto, meu esposo me apoiava bastante, isso me ajudava a seguir em frente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas disciplinas da graduação exigiam mais dedicação, como por exemplo, epidemiologia, era uma disciplina bastante numérica e de muitos dados estatísticos, e me exigia mais dedicação e horas de estudo por apresentar um grau maior de dificuldade. Em algum momento do curso, pensei que iria reprovar essa cadeira, no meu ponto de vista, eu não estava sendo boa aluna. Eu pensava que caso viesse reprovar naquela disciplina não teria capacidade de terminar a graduação. Foi ai então, que fiz amizades que nunca esquecerei – Nayara, Mayara, Juliert – sem elas, confesso que a permanência na graduação seria mais difícil. Juntas nos motivávamos, estudávamos e nos alegrávamos com as conquistas umas das outras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Algo que me marcou muito no primeiro semestre, foi a notícia que estava grávida, isso mesmo, gravida no primeiro período da graduação! Aquele momento para mim foi delicado, não sabia se conseguiria dar conta de filho, marido, casa e faculdade tudo ao mesmo tempo, lembro-me que batia um desespero e sempre me pegava chorosa e pensativa, imaginando meus dias cuidando de um recém- nascido. Minha mãe me ajudou muito no início, com meu filho, para que eu pudesse passar o dia todo na faculdade. E meu esposo também, pois corria sempre de um lado para o outro com meu filho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao final do segundo ano de graduação, resolvi me candidatar a aluna bolsista, para obter desconto nas mensalidades. Me inscrevi por três vezes e na terceira fui aprovada. Era uma alegria imensa, pois iria contribuir financeiramente com minhas mensalidades. No entanto, era muito cansativo, pois passava o dia todo na faculdade e as 18:00 horas assumia meu cargo de recepcionista dentro da clínica de odontologia da faculdade. Morria de medo de reprovar em alguma disciplina, pois perderia a bolsa, então sempre me esforcei até a finalização do curso. Dormia depois de 02:00 da madrugada, pois sempre tinha que estudar para as provas do dia seguinte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Consegui ser aprovada em várias disciplinas como monitora, eu sempre gostei de participar e contribuir de alguma forma com outros alunos, ensinando o que eu aprendia. Mas as conquistas não paravam por aí. No terceiro ano da faculdade resolvi me candidatar a aluna de projetos de extensão e tive o resultado deferido. Uma professora me marcou muito, que foi Nayale, ela era uma profissional incrível, e ministrava a disciplina de obstetrícia em saúde da mulher, área que eu sempre fui apaixonada.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Comentário 8: Os desafios a serem vencidos no ensino superior colocaram a prova o desejo que Valentina tinha em vencer, seu esposo, as colegas (Nayara, Mayara e Juliert), e a professora Nayale são caracterizados como adjuvantes. A sanção é alcançada quando ela consegue se graduar em Enfermagem.</p>
</blockquote>



<h5 class="wp-block-heading">5.6.&nbsp; Quinta dobradiça dramática: aprovação em um concurso público</h5>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong>A escolha em trabalhar com saúde da mulher se dá desde pequena. Aos 8 anos de idade tive uma enfermidade e fiquei bem doente e uma senhora muito simpática cuidava de mim, fazendo minhas medicações, acho que a partir daquele momento eu já saberia que iria cuidar de outras pessoas também. A escolha pela enfermagem já fazia parte da minha vida, cuidar de pessoas era sempre um prazer para mim. Lembro-me que uma das minhas brincadeiras quando pequenina era brincar de levar as bonecas ao médico para que eu pudesse cuidar delas, fazendo as medicações e os curativos que na minha cabeça a boneca iria precisar, eu achava aquilo um máximo!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também tinha uma boneca gestante com um bebe dentro do seu ventre, eu sempre fazia os partos dessa minha boneca, e mesmo que inconsciente, cuidava muito bem delas, e hoje me vejo como enfermeira obstetra, não foi por a casso que tudo se alinhou. Eu pequena achava lindo quando as pessoas se admiravam em me ver cuidar tão bem de minhas bonecas. Quando eu fiquei um pouco mais velha passei a entender o propósito que Deus tinha dado para mim, de cuidar de pessoas. Sempre fui uma menina sonhadora e adorava me desafiar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim que terminei a graduação, fui logo fazer especialização em obstetrícia, e me apaixonei ainda mais. Foram dois longos anos, e mais uma vez, foi muito difícil realizar a especialização, pois ainda não havia conseguido emprego em minha área. Fazia tudo isso porque queria sempre mais. Ficava muito alegre quando via um colega de sala conseguir um emprego, no entanto, eu ficava triste por mim, pois foram dois longos anos até surgir uma oportunidade para atuar em um hospital de uma cidade vizinha. Recebi a ligação de uma professora chamada Ana Cristina da especialização que dizia: você quer trabalhar como enfermeira obstetra? estão precisando, e eu te indiquei. Eu na hora disse sim, e fiquei muito agradecida. Ela me incentivou muito e me deu coragem para seguir em frente.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Comentário 9: Nesse momento Valentina escolheu atuar como enfermeira obstetra, mesmo não tendo tido experiências hospitalares na área, mais teve coragem a seguiu em frente. Essa decisão pode ter sido considerada um divisor de água na vida dela, já que um novo caminho foi trilhado.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Lembram da menina sonhadora que adorava se desafiar, e que mesmo com todos os obstáculos conseguiu vencer os dragões no decorrer de sua vida? Pois bem, em suas orações sempre pedia a Deus um emprego e nunca passou pela sua cabeça ser aprovada em um concurso público. Um certo dia abriu um edital do estado de Pernambuco pra os profissionais de saúde e algumas vagas para enfermeiro obstetra, eu na hora pensei, quero uma vaga. E já fui logo lendo edital e fazendo minha inscrição e iniciando os estudos. Confesso que quando vi o quadro de vagas, fiquei desanimada, só tinham 7 vagas para Caruaru, e todos diziam que não iam fazer pelo número baixo de vagas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, segui o meu coração e fui estudar, era muitas noites de estudos. Entrei até em um cursinho preparatório para a prova, e foi muito bom. Me lembro como se fosse hoje, um professor chamado Gilmar, que ministrava a disciplina de SUS, ele era muito maravilhoso, ensinava tudo maravilhosamente bem. Era muito atencioso e sempre estava disponível para tirar nossas duvidas em qualquer horário. Respondia questões de concurso em sala de aula e dava muitas dicas, ele foi primordial para minha aprovação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então o dia da prova chegou, e foi muito tranquilo, embora estivesse tensa, pois havia estudado muito e estava apostando tudo na aprovação. Logo saiu o resultado e eu estava na lista de classificados, foi uma emoção inexplicável, era como se tudo tivesse valido a pena sabe! Aguardei um ano até a tão esperada nomeação no diário oficial do estado de Pernambuco. Então tornei-me oficialmente servidora pública do estado de Pernambuco e fui nomeada em abril de 2016. Fiquei alocada na maternidade Jesus Nazareno na cidade de Caruaru, alegria e satisfação para mim e para meus pais, que nunca imaginaram que eu iria tão longe, eles sempre falam que sou um orgulho para eles.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Comentário 10: O vínculo afetivo estabelecido com o professor foi do tipo seguro. Tal vinculo proporcionou motivação e uma mobilização para que fosse rumo a aprovação no concurso público. Podemos reforçar essa colocação com o que afirma Rodrigues e Chalhub (2009), quando explicam que as pessoas desenvolvem melhor uma capacidade (nesse caso, seguir os estudos, mesmo tendo finalizado a graduação) quando estão seguros de que por traz delas existe alguém que está disposto a ajudá-la. Esses que figuram como ajuda, são os tutores de resiliência, que sempre incentivaram, motivaram estenderam a mão quando necessário</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">E não paro por aqui, no segundo semestre de 2022 matriculei-me como aluna especial do PPGECM da UFPE e vivenciei momentos de troca e experiências acadêmicas magnificas, éramos eu, e mais 4 alunos, juntamente com nosso professor Constantin, que todas as quartas feiras a tarde nos encontrávamos para várias discursões acadêmicas. Nosso tutor de resiliência nos ensinou muito e nos passou muito conhecimento, pudemos compartilhar vivencias e trocas de experiências acerca do bem estar profissional docente e vários autores fizeram parte dessas discussões. Ali já comecei amadurecer meu possível tema da dissertação para a próxima inscrição do mestrado em 2023, e já consegui um orientador (tutor de resiliência) que me ajudará na construção do meu projeto.</p>



<h5 class="wp-block-heading">6.&nbsp; Considerações finais&nbsp;</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Por meio da leitura desta narrativa autobiográfica actancial, nota-se que foi trilhado um caminho de individuação e ascensão social por intermédio dos estudos. O percurso descrito mostra como foi possível atingir as sanções estabelecidas, ou seja, aquilo que comprova a ascensão social, como por exemplo, concluir a graduação, pós graduação e aprovação em um concurso público.&nbsp; E agora estabeleceu-se uma nova sanção, baseada nos sonhos da narradora, e em seu caminho, seguir em busca do mestrado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao analisar a narrativa autorreflexiva actancial de Valentina, fica claro a importância da figura do professor como tutor de resiliência, no seu processo de crescimento. Constata-se que, graças aos professores, ela pôde acreditar nos seu potencial e ter uma perspectiva de carreira para além de uma assistência hospitalar. E mesmo que ela tenha escolhido ser enfermeira obstetra como profissão, ela foi além.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relação de proximidade com os professores possibilitou a Valentina estar mais perto do saber e ver neles figuras de referênciase de apego seguro. Nesse sentido, os professores, tem grande importância no êxito de seus alunos, especialmente os de origem popular. Além do mais, acreditamos que a s relações de <em>sentido</em> e <em>valor</em> atribuídos ao saber permitiram a Valentina, gradativamente, chegar ao nível de alunos <em>intelectuais.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Como consequência do incentivo dos pais, esposo e professores, e como consequência também de sua <em>mobilização </em>pelo saber, Valentina conseguiu desenvolver uma relação ao saber tão forte que conseguiu ter, apesar de suas condições sociais e sendo filha de pais semiletrados, sucesso frente aos estudos. Por conseguinte, torna-se especialista em obstetrícia e servidora pública do estado de Pernambuco. Valentina acredita que sua história e luta pelo saber ainda não cessou e pretende continuar avançando em sua carreira promissora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esperamos que este trabalho possa propiciar reflexões acerca da importância de analisar o sujeito a partir de sua integralidade e não como parte de uma história; ao mesmo tempo, desejamos despertar o interesse de novas pesquisas que visem enaltecer a trajetória de outros profissionais.</p>



<h5 class="wp-block-heading">Referências</h5>



<p class="wp-block-paragraph">BOURDIEU, Pierre; PASSERON, Jean-Claude. [1970]. <em>A reprodução:</em> elementos para uma teoria do sistema de ensino. Petrópolis: Editora Vozes, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BOURDIEU, Pierre; PASSERON, Jean-Claude. <em>Os herdeiros:</em> os estudantes e a cultura. Florianópolis: Editora da UFSC, [1964] 2014.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BOURDIEU, Pierre. La illusion biographique. <em>Actes de La Recherche em Sciences Sociales,</em> Paris, v. 62-63, p.69-72, [1986] 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BERGIER, Bertrand; XYPAS, Constantin. Por uma sociologia do improvável: Percursos atípicos e sucessos inesperáveis na escola francesa. <em>Revista Educação e Questão</em>, v. 47, n. 33, p. 36-58, set./dez. 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CABRAL, Sandra; CYRULNIK, Boris. (org.). <em>Resiliência.</em> Como tirar leite de pedras. São Paulo. Casa do Psicólogo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CONDORELLI, Antonino; GUIMARÃES, Clarisse Ferreira.; AZEVEDO, Cláudia Regina da Silva de. O papel do educador como tutor de resiliência à luz das ideias de Boris Cyrulnik. <em>Revista Polyphonia,</em> Goiânia, v. 21, n. 1, p. 20, 2011.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHARLOT, Bernard. BAUTIER, Élisabeth. Relação com a escola, relação com o saber e ensino de matemática. <em>Rev. Repéres</em>, n. 10, 1993.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHARLOT, Bernard. <em>Da relação com o saber</em>; elementos para uma teoria. Porto Alegre: Artmed [1997] 2000.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHARLOT, Bernard. <em>Relação com o saber, formação de professores e globalização:</em> questões para a educação hoje. Porto Alegre: Artmed, 2005.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHARLOT, Bernard. <em>A relação com o saber nos meios populares:</em> uma investigação nos liceus profissionais de subúrbio. Porto: CIIE/ Livpsic, 2009.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FRANKL, Viktor. Em busca de sentido<strong>.</strong> Petrópolis RJ: editora Vozes, 53ª edição 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GAULEJAC, Vincent. <em>O âmago da discussão:</em> da sociologia do indivíduo à sociologia do sujeito. Cronos, Natal, RN, v. 5/6, n. ½, p. 59-77, jan./dez. 20042005.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GREIMAS, Algirdas Julien; COURTÉS, Joseph. <em>Sémiotique: </em>dictionair eraisonné de La théorie du langage. Paris, Hachette, 1986. v. II.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GREIMAS, Algirdas Julien.; COURTÉS, Joseph. <em>Dicionário de Semiótica</em>. São Paulo: contexto, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">RODRIGUES, Soraia; CHALHUB, Anderson.&nbsp; <em>Amor com dependência</em>: um olhar sobre a teoria do apego. 2009. 15 f. Trabalho de conclusão de curso (Bacharelado em Psicologia) – Centro Universitário Jorge Amado, UNIJORGE, Salvador, 2009.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, Francisco das Chagas Silva; ALMEIDA, Maria da Conceição Xavier.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Resiliência e educação. <em>Revista Educação em Questão, </em>Natal, v. 35, p. 239243, 2009. <em>&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">XYPAS, Constantin; CAVALCANTI, José Dilson Beserra. Da luta pelo saber à construção do êxito escolar: narrativas de professores de origem popular que obtiveram mestrado e doutorado. In: Xypas, Constantin; Cavalcanti, José Dilson Beserra. (org.). <em>Da luta pelo saber à construção do êxito escolar: contribuição à sociologia do êxito improvável</em><strong>.</strong> Curitiba: CRV, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">XYPAS, Constantin; CAVALCANTI, José Dilson Beserra. <em>Narrativas autorreflexivas actanciais de professores de origem popular:</em> resiliência, mobilização pelo saber e ascensão social. CRV. Curitiba, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">XYPAS, Constantin; CAVALCANTI, José Dilson Beserra. Da luta pelo saber à construção do êxito escolar: narrativas de professores de origem popular que obtiveram mestrado e doutorado. <em>In: </em>XYPAS, Constantin; CAVALCANTI, José Dilson Beserra. (org.). <em>Da luta pelo saber à construção do êxito escolar:</em> contribuição à sociologia do êxito improvável. Curitiba: CRV, 2020.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> Pseudônimo da autora, que narra sua trajetória.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A RESPONSABILIDADE CIVIL NO CONTEXTO DO ABANDONO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/a-responsabilidade-civil-no-contexto-do-abandono/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Aug 2024 00:53:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Direito]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 28 - Edição 136/JUL 2024]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=152047</guid>

					<description><![CDATA[PARENTAL CIVIL LIABILITY IN THE CONTEXT OF PARENTAL ABANDONMENT REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10248122152 Gabrielly Letícia Siqueira Xavier[1]Grazielly dos Anjos Fontes Guimarães[2] RESUMO O presente artigo examina a responsabilidade civil no contexto do abandono parental, abordando os fundamentos jurídicos e as implicações sociais dessa prática. A pesquisa adota uma metodologia de revisão bibliográfica com abordagem qualitativa, analisando [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>PARENTAL CIVIL LIABILITY IN THE CONTEXT OF PARENTAL ABANDONMENT</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10248122152</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Gabrielly Letícia Siqueira Xavier<a href="#_ftn1" id="_ftnref1"><sup>[1]</sup></a><br>Grazielly dos Anjos Fontes Guimarães<a href="#_ftn2" id="_ftnref2"><sup>[2]</sup></a></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<h5 class="wp-block-heading">RESUMO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O presente artigo examina a responsabilidade civil no contexto do abandono parental, abordando os fundamentos jurídicos e as implicações sociais dessa prática. A pesquisa adota uma metodologia de revisão bibliográfica com abordagem qualitativa, analisando legislações, doutrinas e jurisprudências pertinentes para compreender a evolução e a aplicação do conceito de responsabilidade civil em casos de abandono material e afetivo. O estudo revela que a jurisprudência recente tem reconhecido a possibilidade de indenização por danos morais e materiais decorrentes do abandono parental, destacando a importância da presença afetiva e do sustento adequado para o desenvolvimento integral das crianças e adolescentes. A responsabilidade civil emerge como um instrumento crucial para a proteção dos direitos dos filhos, promovendo a reparação dos danos sofridos e incentivando comportamentos parentais que respeitem e valorizem a dignidade e o bem-estar das crianças. Conclui-se que a responsabilização civil por abandono parental é fundamental para assegurar a justiça e a equidade nas relações familiares, garantindo que os direitos das crianças e adolescentes sejam efetivamente protegidos e respeitados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Responsabilidade Civil. Abandono Parental. Afeto. Estatuto da Criança e do Adolescente. Código Civil.</p>



<h5 class="wp-block-heading">1 INTRODUÇÃO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O abandono parental se configura como uma das mais graves violações aos direitos fundamentais das crianças e adolescentes, gerando profundos impactos emocionais, sociais e jurídicos. No contexto do Direito de Família, a responsabilidade civil por abandono parental emerge como um mecanismo essencial para a proteção e reparação dos direitos violados, estabelecendo a obrigação dos pais de indenizar os danos causados por suas omissões.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse tema adquire crescente relevância à medida que a jurisprudência e a doutrina evoluem para reconhecer a importância das relações socioafetivas e a necessidade de garantir um ambiente familiar que promova o desenvolvimento integral dos filhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Código Civil brasileiro e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) formam o arcabouço jurídico que fundamenta a responsabilidade civil no contexto do abandono parental, impondo deveres de sustento, guarda e educação que, quando negligenciados, podem resultar em severas consequências legais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A negligência material, caracterizada pela falta de provisão das necessidades básicas como alimentação, vestuário e cuidados médicos, e o abandono afetivo, manifestado pela ausência de apoio emocional e presença efetiva, configuram atos ilícitos que comprometem o bem-estar físico e psicológico dos filhos, justificando a reparação dos danos sofridos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, o presente artigo se propõe a analisar a responsabilidade civil por abandono parental sob uma perspectiva jurídica e social, explorando os fundamentos legais e as interpretações jurisprudenciais que orientam a indenização por danos materiais e morais causados por essa omissão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise é ancorada na interpretação do artigo 927 do Código Civil, que estabelece a obrigação de reparar danos resultantes de atos ilícitos, e no artigo 3º do ECA, que assegura os direitos fundamentais das crianças e adolescentes, promovendo a responsabilidade parental como elemento crucial para o seu desenvolvimento integral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo da responsabilidade civil por abandono parental se reveste de importância no cenário jurídico atual, onde a proteção dos direitos das crianças e adolescentes se destaca como um imperativo moral e legal.</p>



<h5 class="wp-block-heading">2 REVISÃO DE LITERATURA</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A responsabilidade civil por abandono afetivo parental tem sido um tema amplamente debatido na literatura jurídica e no campo das ciências humanas, refletindo a crescente preocupação com os direitos e o bem-estar das crianças e adolescentes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O abandono afetivo, que ocorre quando um dos pais negligencia suas responsabilidades emocionais e afetivas, pode gerar danos psicológicos profundos, justificando a busca por reparação por meio de ações judiciais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O conceito de responsabilidade civil no contexto do abandono afetivo parental se fundamenta na obrigação de reparar os danos causados pela omissão dos deveres de cuidado e afeto. A Constituição Federal de 1988 estabelece, em seu artigo 227, o dever de a família, a sociedade e o Estado assegurarem à criança e ao adolescente o direito à convivência familiar, essencial para o seu desenvolvimento integral (BRASIL, 1988).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Código Civil Brasileiro, em sua versão atual, reforça essa obrigação, especialmente no artigo 186, que define a responsabilidade civil por ato ilícito, incluindo as omissões que causem dano a outrem (BRASIL, 2002). Esta base legal é complementada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei n.º 8.069/1990, que dispõe sobre a proteção integral da criança e do adolescente, enfatizando a importância da convivência familiar e comunitária (BRASIL, 1990a).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O supracitado precedente abriu caminho para a consolidação de entendimentos similares em tribunais inferiores, destacando a relevância da responsabilidade civil como instrumento de proteção dos direitos fundamentais das crianças e adolescentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diversos estudos acadêmicos têm analisado as implicações do abandono afetivo e a fundamentação da responsabilidade civil neste contexto. Almeida, Alencar e Rego (2024) discutem os aspectos legais e emocionais envolvidos, argumentando que a falta de afeto e cuidado parental pode causar sérios danos psicológicos, justificando a indenização como forma de reparação e dissuasão (ALMEIDA; ALENCAR; REGO, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Oliveira e Melo (2017) exploram a evolução histórica e jurídica do conceito de responsabilidade civil por abandono afetivo, destacando a importância de uma abordagem que considere tanto os aspectos legais quanto os psicossociais. Eles defendem que a indenização não é apenas uma medida punitiva, mas também uma forma de reconhecer e mitigar o sofrimento da vítima (OLIVEIRA; MELO, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A compreensão do abandono afetivo parental e sua repercussão jurídica também requer uma análise da evolução histórica e social da instituição familiar. A família, ao longo dos séculos, passou por transformações significativas, desde as estruturas patriarcais das sociedades antigas até as configurações mais diversas e inclusivas da contemporaneidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Historicamente, a família era vista principalmente como uma unidade econômica e de reprodução social. No Brasil, o Código Civil de 1916 refletia essa visão tradicional, onde a autoridade paterna era predominante e os deveres parentais se concentravam mais na provisão material do que no cuidado afetivo (BRASIL, 1916).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Constituição de 1988 e o Código Civil de 2002 trouxeram avanços significativos, reconhecendo a igualdade de direitos e deveres entre os cônjuges e enfatizando a importância do afeto e do cuidado emocional como elementos essenciais da convivência familiar (BRASIL, 1988; BRASIL, 2002). Essas mudanças refletem uma evolução na percepção da família, que passa a ser valorizada não apenas como unidade econômica, mas também como núcleo de apoio emocional e desenvolvimento pessoal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As mudanças nas estruturas familiares e nas expectativas sociais em relação ao papel dos pais impactaram diretamente o desenvolvimento das normas jurídicas sobre responsabilidade civil por abandono afetivo. O Estatuto da Criança e do Adolescente e o Código de Defesa do Consumidor, apesar de tratarem de temas diferentes, compartilham a preocupação com a proteção dos vulneráveis e a promoção de relações justas e equilibradas (BRASIL, 1990a; BRASIL, 1990b).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos como os de Silva (2020) e Vieira (2022) aprofundam a análise da responsabilidade civil no contexto do abandono afetivo parental, explorando casos concretos e discutindo a adequação das indenizações como forma de justiça e reparação. Silva (2020) argumenta que o reconhecimento jurídico do abandono afetivo é um passo importante para garantir os direitos das crianças e adolescentes, enquanto Vieira (2022) destaca a necessidade de uma abordagem mais humanizada e menos punitiva, que considere as complexidades das relações familiares (SILVA, 2020; VIEIRA, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fundamentação teórica sobre a responsabilidade civil no contexto do abandono afetivo parental revela uma área complexa e multifacetada, onde os aspectos legais, sociais e emocionais se entrelaçam.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A evolução da jurisprudência e as mudanças na percepção da família refletem uma sociedade em constante transformação, buscando equilibrar a proteção dos direitos das crianças e adolescentes com a realidade das relações familiares.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise da literatura existente, incluindo estudos acadêmicos e precedentes judiciais, fornece uma base sólida para compreender a importância da responsabilidade civil como instrumento de reparação e justiça no contexto do abandono afetivo parental.</p>



<h5 class="wp-block-heading">3 METODOLOGIA</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Para a confecção do presente artigo, foi utilizada a revisão bibliográfica, a qual consiste na coleta, análise e síntese de informações provenientes de materiais já publicados, como livros, artigos científicos, teses, dissertações e documentos institucionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira etapa da revisão bibliográfica envolveu a definição dos critérios de inclusão e exclusão dos materiais a serem analisados. Foram selecionadas publicações relevantes, preferencialmente dos últimos dez anos, que tratam do tema da indenização no contexto do abandono afetivo parental, bem como textos clássicos que fundamentam o entendimento jurídico e social da instituição familiar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Posteriormente, realizou-se uma leitura exploratória dos materiais selecionados para identificar os principais conceitos, teorias e abordagens pertinentes ao tema. A leitura analítica permitiu a organização das informações de maneira sistemática, facilitando a identificação de lacunas no conhecimento existente e a definição de um marco teórico consistente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A abordagem qualitativa foi escolhida por sua adequação ao objetivo de explorar e compreender fenômenos complexos e subjetivos, como as implicações jurídicas e sociais do abandono afetivo parental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste trabalho, a abordagem qualitativa permitiu uma análise aprofundada dos textos selecionados na revisão bibliográfica, possibilitando a identificação de padrões e tendências teóricas e práticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por conseguinte, a metodologia adotada neste trabalho, baseada na revisão bibliográfica com abordagem qualitativa, mostrou-se adequada para alcançar os objetivos propostos e fornecer uma compreensão abrangente e aprofundada do tema da indenização no contexto do abandono afetivo parental.</p>



<h5 class="wp-block-heading">4 RESULTADOS E DISCUSSÕES</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Historicamente, a legislação brasileira, especialmente até a primeira metade do século XX, refletia uma visão conservadora da família (OLIVEIRA &amp; MELO, 2017). O Código Civil de 1916, por exemplo, baseava-se em uma estrutura que valorizava o casamento como único meio legítimo de formação de uma família e estabelecia um modelo hierárquico onde o marido era considerado o chefe da família, com amplos poderes sobre a esposa e os filhos (BRASIL, 1916).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por sua vez, a Constituição Federal de 1988 representou um marco na evolução do conceito jurídico de família no Brasil, tendo em vista que esse documento reconheceu a pluralidade das formas de constituição familiar, atribuindo proteção constitucional a diferentes arranjos familiares (BRASIL, 1988).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir de então, a família deixou de ser vista apenas como uma unidade matrimonial heterossexual e patriarcal, passando a ser reconhecida como uma entidade socioafetiva que poderia ser formada por outros vínculos afetivos. A Carta Magna de 1988, em seu artigo 226, definiu que a família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado, e ampliou essa proteção aos diversos tipos de união, incluindo as uniões estáveis e monoparentais (ALMEIDA, ALENCAR &amp; REGO, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro avanço significativo ocorreu com a introdução do Estatuto da Criança e do Adolescente em 1990, que consolidou a visão da família como um núcleo de afeto e cuidado. O ECA reforçou a importância do vínculo afetivo na constituição da família, ressaltando que a convivência familiar é um direito fundamental das crianças e adolescentes, independentemente da configuração familiar (BRASIL, 1990a).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A lei consagrou o princípio do melhor interesse da criança, colocando a necessidade de proteção e o bem-estar do menor como prioridade em todas as questões relativas à família (BRASIL, 1990a).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A jurisprudência também desempenhou um papel crucial na expansão do conceito de família, haja vista que em 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união estável entre pessoas do mesmo sexo, ampliando a definição de família para incluir casais homoafetivos (OLIVEIRA &amp; MELO, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse reconhecimento formalizou a equiparação de direitos para casais homoafetivos e possibilitou que esses casais tivessem os mesmos direitos e deveres que os casais heterossexuais, incluindo a adoção e a sucessão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais recentemente, a noção de família continua a evoluir com o reconhecimento de outros arranjos familiares, como as famílias reconstituídas, onde os membros têm filhos de relacionamentos anteriores, e as famílias anaparentais, compostas por indivíduos que não possuem vínculo biológico entre si, mas que convivem como uma família (SILVA, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, a evolução jurídica do conceito de família no Brasil demonstra uma trajetória de abertura e inclusão, que reconhece e legitima a diversidade de estruturas familiares que emergem na sociedade contemporânea.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse desenvolvimento reflete um movimento progressivo em direção ao reconhecimento da dignidade e dos direitos individuais dentro de um contexto familiar, onde o afeto, o cuidado e o compromisso mútuo são os elementos centrais, independentemente da forma específica que a família assume.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.1 Princípios norteadores</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Direito de Família é regido por princípios fundamentais que orientam a aplicação das normas e asseguram a proteção dos direitos individuais dentro das relações familiares, de modo a refletir a evolução das concepções de família, tendo como objetivo promover a dignidade, a igualdade e o bem-estar de seus membros, garantindo uma abordagem inclusiva e solidária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De início, tem-se que o princípio da dignidade da pessoa humana é a base do Direito de Família e permeia todas as relações jurídicas familiares. Consagrado pela Constituição Federal de 1988, este princípio reconhece que cada indivíduo possui um valor intrínseco que deve ser respeitado e protegido em todas as circunstâncias (BRASIL, 1988).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto familiar, isso significa que todas as decisões e políticas devem respeitar a integridade, autonomia e os direitos fundamentais de cada membro da família, assegurando um ambiente de respeito e proteção às suas necessidades emocionais, físicas e morais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por sua vez, o princípio da solidariedade familiar complementa essa abordagem ao enfatizar a importância das responsabilidades mútuas entre os membros da família. A solidariedade familiar implica um dever de assistência, cooperação e cuidado recíproco, refletindo uma visão de interdependência que é fundamental para o apoio e a coesão do núcleo familiar (SILVA, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse princípio se manifesta em diversas obrigações legais, como a prestação de alimentos entre cônjuges e parentes, e o dever de sustento, guarda e educação dos filhos. A solidariedade é vista não apenas como uma obrigação jurídica, mas como um valor moral que fortalece os laços familiares e promove o bem-estar coletivo (VIEIRA, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O princípio da igualdade é outro pilar essencial do Direito de Família, posto que garante que todos os indivíduos sejam tratados de forma justa e equitativa, independentemente de gênero, orientação sexual, origem ou qualquer outra condição (SILVA, 2020). A igualdade no contexto familiar se manifesta na equiparação de direitos e deveres entre homens e mulheres, na proteção contra discriminação e na promoção da equidade nas relações entre pais e filhos (OLIVEIRA &amp; MELO, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, compreende-se que esse princípio foi fundamental para a evolução das normas que regulam o casamento, a guarda compartilhada e a sucessão, assegurando que todos os membros da família tenham suas vozes e interesses igualmente considerados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, o princípio do pluralismo familiar reflete a realidade contemporânea da diversidade das formas de constituição familiar, ao passo que reconhece e legitima a existência de diferentes arranjos familiares além do modelo tradicional de pai, mãe e filhos (SILVA, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse princípio abrange uniões estáveis, famílias monoparentais, homoafetivas, reconstituídas e anaparentais, assegurando que todas as configurações baseadas em laços afetivos, responsabilidade e convivência sejam respeitadas e protegidas juridicamente (ALMEIDA, ALENCAR &amp; REGO, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O pluralismo familiar é um reconhecimento da evolução social e cultural, adaptando o Direito às diversas realidades vivenciadas pelas pessoas (SILVA, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Noutro ponto, o princípio do melhor interesse da criança e do adolescente é central no Direito de Família e orienta todas as decisões e ações que afetam menores, tendo em vista que ele prioriza o bem-estar, o desenvolvimento integral e a proteção dos direitos das crianças e adolescentes em qualquer situação de disputa ou decisão familiar (OLIVEIRA &amp; MELO, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, ele exige que todas as medidas adotadas sejam direcionadas a promover a saúde física e emocional, a educação, a segurança e o desenvolvimento social da criança, considerando suas necessidades específicas e respeitando sua individualidade (VIEIRA, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O melhor interesse da criança orienta questões como guarda, visitação, educação e proteção contra abusos, sempre com o objetivo de assegurar o ambiente mais favorável para o seu crescimento e desenvolvimento saudável (ALMEIDA, ALENCAR &amp; REGO, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por conseguinte, é correto afirmar que os referidos princípios norteadores do Direito de Família trabalham em conjunto para assegurar que as relações familiares sejam conduzidas com respeito, equidade e proteção aos direitos fundamentais de cada indivíduo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dignidade da pessoa humana oferece a base ética para todas as relações e normas, enquanto a solidariedade familiar promove a responsabilidade e o apoio mútuo. A igualdade garante justiça e equidade nas interações familiares, o pluralismo reconhece a diversidade das formas de família, e o melhor interesse da criança assegura que as necessidades dos menores sejam sempre priorizadas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Juntos, esses princípios moldam um quadro jurídico que busca proteger e promover o bem-estar de todos os membros da família, adaptando-se às complexidades e transformações da sociedade contemporânea.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.2 O afeto na perspectiva jurídica</p>



<p class="wp-block-paragraph">A natureza jurídica do afeto no Direito de Família é uma questão de crescente relevância e complexidade, refletindo a evolução das normas e princípios que regem as relações familiares. A Constituição Federal de 1988, em seus artigos 1º, III e 3º, I, estabelece os princípios da dignidade da pessoa humana e da solidariedade como fundamentos das relações intersociais, os quais sustentam implicitamente o princípio da afetividade, que dá primazia às relações socioafetivas baseadas na comunhão de vida (BRASIL, 1988).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O princípio da afetividade emerge como um elemento central no Direito de Família, diferenciando-se do mero fato psicológico do afeto. O afeto, como emoção, é subjetivo e variável, enquanto a afetividade é compreendida como um dever jurídico imposto nas relações familiares (VIEIRA, 2022). A afetividade exige que as interações entre pais e filhos sejam orientadas pelo cuidado, pelo apoio emocional e pela presença efetiva na vida do outro, mesmo na ausência de sentimentos positivos como amor ou afeição (ALMEIDA, ALENCAR &amp; REGO, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Constituição e o Estatuto da Criança e do Adolescente delineiam uma nova concepção do poder familiar, anteriormente conhecido como pátrio poder. O poder familiar, conforme o artigo 227 da Constituição e o artigo 21 do ECA (BRASIL, 1990a), impõe aos pais ou adotantes a responsabilidade de exercer suas funções em respeito ao melhor interesse da criança. Este poder-dever se manifesta em obrigações que vão além da provisão material, abrangendo também as necessidades psíquicas e emocionais dos filhos (OLIVEIRA &amp; MELO, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A afetividade, portanto, transcende o cuidado meramente material e implica uma responsabilidade integral dos pais para com seus filhos, ao passo que este dever de cuidado inclui o sustento, a guarda e a educação, mas também envolve a manifestação de apoio psicológico e de afeto. A falha em prover tais elementos não apenas viola as obrigações materiais, mas também afeta profundamente o desenvolvimento emocional e moral da criança, constituindo o que se denomina de abandono afetivo (SILVA, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O dever de sustento, que tem um caráter patrimonial, garante que os filhos recebam os meios necessários para sua sobrevivência e desenvolvimento, como alimentação e vestuário. O não cumprimento dessa obrigação pode resultar em sanções legais severas, incluindo a prisão civil por inadimplemento de pensão alimentícia, conforme assegurado pelo artigo 5º, LXVII da Constituição (BRASIL, 1988).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, o sustento abrange mais do que as necessidades físicas, incluindo o suporte emocional e o acompanhamento no crescimento e formação dos filhos (ALMEIDA, ALENCAR &amp; REGO, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma complementar, o dever de guarda estabelece que os pais são responsáveis por manter os filhos sob sua proteção e convivência, assegurando-lhes um ambiente estável e seguro. Esse dever se desdobra em situações de separação ou divórcio, onde o direito de visitas e a guarda compartilhada visam preservar a convivência e os laços afetivos, sempre considerando o melhor interesse da criança (VIEIRA, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O dever de educação, por sua vez, incumbe aos pais a tarefa de fornecer aos filhos uma formação moral e intelectual adequada. Esta responsabilidade envolve não apenas a instrução formal, mas também o ensinamento dos valores e normas sociais dentro do contexto familiar, proporcionando um ambiente propício para o desenvolvimento integral da criança (ALMEIDA, ALENCAR &amp; REGO, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, a natureza jurídica do afeto no Direito de Família é uma construção que reflete a necessidade de reconhecer e valorizar as dimensões emocionais e psíquicas das relações familiares. Este reconhecimento está em consonância com os princípios da dignidade da pessoa humana e da solidariedade, que demandam uma abordagem holística e humanizada no tratamento das interações familiares.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O afeto, enquanto elemento fundamental dessas relações, é cada vez mais valorizado nas normas e na jurisprudência, reforçando a importância de uma convivência baseada no respeito, cuidado e apoio mútuo.</p>



<h5 class="wp-block-heading">5 O ABANDONO E OS SEUS DESDOBRAMENTOS</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O abandono, no contexto das relações familiares, é um fenômeno de ampla repercussão, tanto do ponto de vista emocional quanto jurídico. Caracteriza-se pela omissão voluntária ou negligente dos deveres de cuidado e assistência que são intrínsecos às relações parentais e familiares, podendo se manifestar de várias formas, cada uma com implicações específicas para o desenvolvimento dos indivíduos afetados e para as responsabilidades legais dos responsáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das características principais do abandono é a omissão dos deveres essenciais de sustento, guarda e educação, que são responsabilidades fundamentais dos pais ou responsáveis, os quais não se restringem apenas ao fornecimento de meios materiais para a subsistência, como alimentos, vestuário e abrigo (VIEIRA, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Incluem também a provisão de apoio emocional, orientação moral e acompanhamento no desenvolvimento integral da criança ou adolescente. A ausência desses elementos pode afetar seriamente o crescimento e a formação da personalidade do indivíduo, comprometendo sua capacidade de se integrar e participar plenamente na sociedade (ALMEIDA, ALENCAR &amp; REGO, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O abandono material é um aspecto frequentemente destacado, caracterizando-se pela falta de provisão das necessidades básicas do filho, o que ocorre quando os pais ou responsáveis falham em fornecer alimentação, vestuário, cuidados médicos, educação e moradia adequados (SILVA, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A lei impõe a obrigação de sustento, e seu descumprimento pode levar a sanções legais, incluindo a prisão civil em casos de inadimplemento da pensão alimentícia. O abandono material, ao privar o indivíduo de condições mínimas de sobrevivência e desenvolvimento, pode causar danos irreparáveis à sua saúde física e ao seu bem-estar geral (SILVA, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em complemento ao abandono material, existe o abandono afetivo, que se caracteriza pela falta de afeto, presença e apoio emocional por parte dos pais ou responsáveis. Este tipo de abandono é marcado pela ausência de um vínculo emocional estável e seguro, essencial para o desenvolvimento psíquico saudável da criança ou adolescente (ALMEIDA, ALENCAR &amp; REGO, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A falta de afeto e de envolvimento emocional pode resultar em sentimentos de rejeição, insegurança e baixa autoestima, prejudicando o desenvolvimento social e emocional do indivíduo. O abandono afetivo é mais complexo de ser mensurado, pois envolve aspectos subjetivos da experiência humana, mas suas consequências são igualmente graves e duradouras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto importante do abandono é a sua persistência ao longo do tempo. O abandono não se configura apenas em atos isolados de negligência, mas em um padrão contínuo de omissão dos deveres de cuidado e assistência (OLIVEIRA &amp; MELO, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A persistência desse comportamento reflete uma falta de compromisso e responsabilidade com o bem-estar do indivíduo abandonado, exacerbando os danos causados e dificultando a sua recuperação emocional e social. Esse padrão contínuo de omissão distingue o abandono de outras formas de falha parental que podem ser pontuais ou circunstanciais (VIEIRA, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o abandono pode ser entendido como uma violação dos direitos fundamentais da pessoa abandonada. Sobre o assunto, o ECA e a Constituição Federal garantem o direito ao desenvolvimento integral, à convivência familiar e à proteção contra negligência e abuso.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O abandono, ao privar o indivíduo desses direitos, representa uma violação grave que compromete a dignidade e o potencial de desenvolvimento da criança ou adolescente, de modo que tal violação pode justificar a responsabilização civil e até mesmo penal dos responsáveis, visando à reparação dos danos sofridos e à proteção dos direitos violados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outrossim, o abandono também pode ser analisado sob a perspectiva da solidariedade familiar. Este princípio jurídico e ético implica um dever de assistência mútua entre os membros da família, baseando-se na interdependência e na cooperação para o bem-estar coletivo (SILVA, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O abandono representa uma ruptura dessa solidariedade, evidenciando uma falha em honrar os compromissos e deveres inerentes às relações familiares. Essa falha compromete a coesão e a estabilidade do núcleo familiar, refletindo uma quebra dos laços de responsabilidade e cuidado que deveriam sustentar a convivência familiar (OLIVEIRA &amp; MELO, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Finalmente, o abandono tem implicações legais e sociais significativas. Legalmente, pode resultar em ações judiciais para a reparação dos danos, determinação de pensão alimentícia, ou até mesmo a perda do poder familiar em casos extremos de negligência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Socialmente, o abandono afeta a capacidade do indivíduo de formar e manter relacionamentos saudáveis e de se integrar de forma produtiva na sociedade. Os efeitos psicológicos e emocionais do abandono podem perdurar ao longo da vida, influenciando a autoestima, a capacidade de confiar e se relacionar com os outros, e o desenvolvimento de uma identidade positiva (ALMEIDA, ALENCAR &amp; REGO, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por conseguinte, o abandono no contexto familiar é caracterizado pela omissão contínua dos deveres de sustento, guarda e educação, pela falta de afeto e apoio emocional, e pela violação dos direitos fundamentais do indivíduo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Suas consequências são profundas, afetando tanto o desenvolvimento físico e emocional quanto a integração social e os direitos legais dos abandonados. A compreensão dessas características é essencial para a aplicação adequada das normas jurídicas e para a promoção de um ambiente familiar que assegure a proteção e o bem-estar de todos os seus membros.</p>



<h5 class="wp-block-heading">6 A RESPONSABILIDADE CIVIL</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A responsabilidade civil é um princípio jurídico fundamental que visa reparar os danos causados a outrem, estabelecendo uma relação entre a ocorrência de um prejuízo e a obrigação de repará-lo. Ela se baseia na ideia de que toda ação ou omissão que cause dano a outra pessoa deve ser compensada de alguma forma, garantindo a justiça e a equidade nas relações sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A responsabilidade civil tem suas raízes no direito romano e evoluiu significativamente ao longo dos séculos, adaptando-se às complexidades das sociedades modernas e integrando-se de forma profunda nos sistemas jurídicos contemporâneos (VIEIRA, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A base da responsabilidade civil é a reparação do dano. Quando alguém sofre um prejuízo, seja ele material, moral ou físico, a responsabilidade civil determina que o causador do dano deve compensar o lesado (BRASIL, 2002).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse princípio está presente em diversas legislações, como o Código Civil brasileiro, que estabelece em seu artigo 927 que “aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo”. O objetivo central da responsabilidade civil é restaurar a situação do lesado ao estado anterior ao dano, tanto quanto possível, por meio de compensações financeiras ou outras formas de reparação (BRASIL, 2002).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Faz-se importante destacar que existem dois tipos principais de responsabilidade civil, a saber: objetiva e subjetiva. A responsabilidade subjetiva, também conhecida como responsabilidade com culpa, requer a demonstração de que o dano foi causado por negligência, imprudência ou imperícia do agente (OLIVEIRA &amp; MELO, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse modelo, é essencial provar que houve uma conduta culposa ou dolosa que resultou no prejuízo. Por exemplo, em um acidente de trânsito, se o motorista estava dirigindo de forma imprudente, ele pode ser considerado responsável pelo dano causado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contraste, a responsabilidade objetiva não exige a demonstração de culpa, mas sim a prova do nexo causal entre a ação ou omissão e o dano sofrido. Este tipo de responsabilidade é baseado no risco e é aplicado em situações onde a lei ou a jurisprudência entendem que certas atividades são inerentemente perigosas ou envolvem um risco aumentado (ALMEIDA, ALENCAR &amp; REGO, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A teoria do risco, associada à responsabilidade objetiva, postula que aquele que se beneficia de uma atividade potencialmente danosa deve arcar com os custos dos danos que ela possa causar. Um exemplo clássico é a responsabilidade de fabricantes por defeitos em produtos que causam danos aos consumidores (SILVA, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O nexo causal é um elemento crucial na responsabilidade civil. Para que alguém seja considerado responsável por um dano, é necessário estabelecer um vínculo direto entre a conduta do agente e o prejuízo sofrido pelo lesado. O nexo causal assegura que a reparação seja justa, imputando a responsabilidade àquele cuja ação ou omissão foi efetivamente a causa do dano (OLIVEIRA &amp; MELO, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A jurisprudência e a doutrina têm desenvolvido diversos critérios para avaliar o nexo causal, como a teoria da causalidade adequada, que analisa se a conduta foi apta a produzir o dano, e a teoria da equivalência das condições, que considera todas as condições que contribuíram para o resultado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto relevante da responsabilidade civil é a extensão da reparação. A reparação deve ser integral, abrangendo todos os danos sofridos pelo lesado, incluindo os danos emergentes, que são as perdas diretas, e os lucros cessantes, que representam os ganhos que o lesado deixou de obter em decorrência do dano (SILVA, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a responsabilidade civil também pode incluir a reparação de danos morais, que se referem ao sofrimento emocional e à violação de direitos da personalidade. A fixação do valor da indenização por danos morais busca compensar o sofrimento do lesado e atuar como medida de justiça e satisfação pessoal, embora não elimine o sofrimento experimentado (ALMEIDA, ALENCAR &amp; REGO, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A responsabilidade civil desempenha um papel preventivo na sociedade, desestimulando comportamentos lesivos e incentivando a adoção de medidas de segurança e precaução. Ao impor a obrigação de reparar os danos, ela promove a responsabilidade social e incentiva a diligência e o cuidado nas relações interpessoais e comerciais. Este caráter preventivo é essencial para o funcionamento harmônico das relações sociais e para a manutenção da ordem e da justiça (OLIVEIRA &amp; MELO, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a responsabilidade civil é um princípio jurídico dinâmico e fundamental que busca garantir a reparação dos danos causados, promovendo a justiça e a equidade nas relações sociais (BRASIL, 1990b).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela se baseia na obrigação de reparar o dano, seja por meio da responsabilidade subjetiva ou objetiva, e envolve a análise do nexo causal, a extensão da reparação e a adaptação às novas realidades tecnológicas e sociais. Ao cumprir seu papel de reparar e prevenir danos, a responsabilidade civil contribui para a proteção dos direitos individuais e para a manutenção de uma convivência social justa e equilibrada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">6.1 A responsabilidade civil no contexto do abandono parental</p>



<p class="wp-block-paragraph">A responsabilidade civil por abandono e a correspondente indenização se configuram como mecanismos jurídicos para reparar os danos causados pela omissão no cumprimento dos deveres de cuidado, sustento e afeto, que são essenciais nas relações familiares e parentais. Esse conceito se insere no contexto mais amplo da responsabilidade civil, que busca restabelecer a justiça e a integridade dos direitos violados, tratando especificamente da negligência afetiva e material que pode ocorrer no seio familiar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O abandono, em termos de responsabilidade civil, refere-se à omissão dos deveres legais que os pais ou responsáveis têm em relação aos filhos, ou entre cônjuges, parceiros ou mesmo idosos (SILVA, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse abandono pode manifestar-se de forma material, quando não são providos os meios básicos de subsistência como alimentação, vestuário, moradia e educação; ou de forma afetiva, quando há ausência de apoio emocional, carinho, presença e orientação. Ambas as formas de abandono têm profundas repercussões na vida do abandonado, podendo causar danos que vão além do físico, atingindo o emocional e o psicológico (ALMEIDA, ALENCAR &amp; REGO, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A caracterização do abandono como uma falha nos deveres parentais é amplamente reconhecida pela legislação e jurisprudência brasileiras. O Código Civil, em seu artigo 1.634, estabelece que compete aos pais dirigir a criação e educação dos filhos, entre outros deveres.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1990a) reforça esse dever, garantindo o direito ao desenvolvimento integral da criança em um ambiente de afeto, amor e compreensão. A omissão no cumprimento desses deveres constitui uma violação dos direitos fundamentais da criança e do adolescente, e pode gerar a responsabilidade civil dos pais ou responsáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O referido Estatuto estabelece direitos e garantias específicas para crianças e adolescentes, enfatizando a responsabilidade dos pais em assegurar o desenvolvimento integral de seus filhos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que haja a responsabilização civil por abandono, é necessário demonstrar o nexo causal entre a omissão dos deveres e os danos sofridos pelo indivíduo, de modo que esse nexo causal estabelece que o dano emocional ou material sofrido é diretamente decorrente da negligência ou omissão de quem tinha o dever de cuidado. Destaca-se que a comprovação desse vínculo é crucial para fundamentar a indenização, pois assegura que a reparação seja justa e proporcionada à extensão dos danos causados (SILVA, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os danos decorrentes do abandono podem ser amplamente variados. No caso do abandono material, as consequências podem incluir desnutrição, falta de acesso à educação, problemas de saúde e condições de vida inadequadas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já o abandono afetivo pode resultar em baixa autoestima, problemas de relacionamento, dificuldades emocionais e traumas psicológicos. Ambos os tipos de danos requerem uma abordagem adequada na determinação da indenização, considerando as circunstâncias específicas e o impacto do abandono na vida do indivíduo (ALMEIDA, ALENCAR &amp; REGO, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A indenização por abandono busca reparar os danos sofridos pela vítima, oferecendo uma compensação financeira que reflita o sofrimento, a perda e os prejuízos experimentados. No caso do abandono material, a indenização pode abranger custos associados à provisão das necessidades básicas que foram negligenciadas, como despesas com alimentação, vestuário, educação e saúde (OLIVEIRA &amp; MELO, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já no caso do abandono afetivo, a indenização por danos morais é calculada com base na extensão do sofrimento emocional, na perda do vínculo afetivo e nas consequências psicológicas para a vítima.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fixação do valor da indenização por abandono é um desafio que envolve a análise das circunstâncias específicas de cada caso. A jurisprudência brasileira tem reconhecido a importância de uma abordagem sensível e individualizada, que considere a gravidade da omissão, o grau de sofrimento da vítima e as consequências a longo prazo do abandono (SILVA, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por exemplo, em casos de abandono afetivo parental, os tribunais têm avaliado a profundidade da ausência emocional e suas repercussões no desenvolvimento psicológico e social da criança ou adolescente, fixando valores que reflitam adequadamente esses fatores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caráter punitivo e pedagógico da indenização por abandono é também uma consideração importante. Além de proporcionar reparação à vítima, a indenização serve como um instrumento para desestimular comportamentos negligentes e promover a responsabilidade parental (ALMEIDA, ALENCAR &amp; REGO, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao impor consequências financeiras pela omissão nos deveres de cuidado, a responsabilidade civil por abandono incentiva os pais e responsáveis a cumprirem seus compromissos e a manterem um ambiente de apoio, presença e afeto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto das relações familiares, a responsabilidade civil por abandono também tem implicações no que diz respeito à redefinição das obrigações e dos vínculos familiares. Em casos extremos, a falha em cumprir os deveres parentais pode levar à perda do poder familiar, com a consequente adoção de medidas que visem à proteção do bem-estar da criança ou adolescente, como a transferência de guarda ou a determinação de visitas supervisionadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, é correto afirmar que a responsabilidade civil por abandono e a indenização são mecanismos essenciais para a proteção dos direitos das pessoas vulneráveis no âmbito familiar. Elas refletem a importância de garantir que todos os membros da família recebam o cuidado e o apoio necessário para seu desenvolvimento integral, e que a omissão desses deveres seja adequadamente reparada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por meio da indenização, busca-se não apenas compensar a vítima pelos danos sofridos, mas também promover uma cultura de responsabilidade e cuidado nas relações familiares, assegurando a justiça e a dignidade das pessoas afetadas pelo abandono.</p>



<p class="wp-block-paragraph">6.2 A indenização no contexto do abandono afetivo parental</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme já explicitado, o abandono afetivo parental se refere à negligência emocional e afetiva por parte dos pais em relação aos filhos, que se manifesta pela falta de cuidado, apoio, atenção e amor necessários ao desenvolvimento saudável da criança ou adolescente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa omissão parental pode resultar em danos psicológicos profundos, afetando o desenvolvimento emocional, social e até físico dos filhos. No contexto jurídico, a questão central é a possibilidade de se pleitear uma indenização por danos morais em decorrência desse abandono afetivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Historicamente, o direito brasileiro focou mais nos aspectos materiais da responsabilidade parental, como o dever de sustento, guarda e educação, previstos no Código Civil. No entanto, a evolução social e a crescente valorização dos direitos da criança e do adolescente, especialmente após a promulgação da Constituição Federal de 1988 e do ECA, trouxeram à tona a necessidade de se considerar também os danos emocionais causados pela omissão afetiva dos pais (VIEIRA, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre o tema, é correto afirmar que a jurisprudência brasileira tem avançado na direção de reconhecer a indenização por abandono afetivo. Um dos marcos importantes nesse sentido foi o julgamento do Recurso Especial 1.159.242/SP pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2012, onde se reconheceu a possibilidade de indenização por danos morais decorrentes do abandono afetivo paterno (BRASIL, 2012):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">EMENTA: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. FAMÍLIA. ABANDONO AFETIVO. COMPENSAÇÃO POR DANO MORAL. POSSIBILIDADE. 1. Inexistem restrições legais à aplicação das regras concernentes à responsabilidade civil e o consequente dever de indenizar/compensar no Direito de Família. 2. O cuidado como valor jurídico objetivo está incorporado no ordenamento jurídico brasileiro não com essa expressão, mas com locuções e termos que manifestam suas diversas desinências, como se observa do art. 227 da CF/88. 3. Comprovar que a imposição legal de cuidar da prole foi descumprida implica em se reconhecer a ocorrência de ilicitude civil, sob a forma de omissão. Isso porque o non facere, que atinge um bem juridicamente tutelado, leiase, o necessário dever de criação, educação e companhia &#8211; de cuidado &#8211; importa em vulneração da imposição legal, exsurgindo, daí, a possibilidade de se pleitear compensação por danos morais por abandono psicológico. 4. Apesar das inúmeras hipóteses que minimizam a possibilidade de pleno cuidado de um dos genitores em relação à sua prole, existe um núcleo mínimo de cuidados parentais que, para além do mero cumprimento da lei, garantam aos filhos, ao menos quanto à afetividade, condições para uma adequada formação psicológica e inserção social. 5. A caracterização do abandono afetivo, a existência de excludentes ou, ainda, fatores atenuantes &#8211; por demandarem revolvimento de matéria fática &#8211; não podem ser objeto de reavaliação na estreita via do recurso especial. 6. A alteração do valor fixado a título de compensação por danos morais é possível, em recurso especial, nas hipóteses em que a quantia estipulada pelo Tribunal de origem revela-se irrisória ou exagerada. 7. Recurso especial parcialmente provido (STJ &#8211; REsp: 1159242 SP 2009/0193701-9, Relator: Ministra NANCY ANDRIGHI, Data de Julgamento: 24/04/2012, T3 &#8211; TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 10/05/2012 RDDP vol. 112 p. 137 RDTJRJ vol. 100 p. 167 RSTJ vol. 226 p. 435).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">No acórdão, o ministro relator destacou a importância do afeto no desenvolvimento humano e a responsabilidade dos pais em propiciar um ambiente familiar saudável e amoroso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, a aplicação prática desse entendimento jurídico enfrenta vários desafios. Um dos principais é a dificuldade em mensurar o dano emocional sofrido pelo filho abandonado, uma vez que este tipo de dano possui uma natureza subjetiva e complexa (OLIVEIRA &amp; MELO, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo de reconhecimento e quantificação do dano moral por abandono afetivo exige uma análise criteriosa e detalhada de cada caso concreto. Nesse sentido, o judiciário tem buscado um equilíbrio entre a necessidade de responsabilizar os pais negligentes e a preservação dos laços familiares, promovendo uma abordagem que prioriza a mediação e a busca por soluções que favoreçam a reconstrução das relações familiares, sempre que possível, conforme é possível depreender, também, da jurisprudência colacionada a seguir (VIEIRA, 2022):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">(&#8230;) Quando se discute abandono afetivo, é sempre importante frisar que o dever descumprido não é o de afeto, porque não pode ser imposto ou medido. Exigem-se as manifestações externas de cuidado e atenção, primeiramente como consequência do poder familiar e, em seguida, como consequência dos deveres mínimos que as relações familiares exigem, enquanto base da sociedade (art. 226, CF). Assim, se essa legítima expectativa é quebrada e causa ofensa à integridade psíquica, configura-se o dano moral passível de compensação financeira. (&#8230;) 14. Os atributos psíquicos do ser humano estão relacionados aos sentimentos de cada indivíduo. A própria noção de saúde passa pela higidez mental. A ideia de dignidade humana carrega em si um desejado equilíbrio psicológico. São ilícitas, portanto, as condutas que violam e afetam a integridade psíquica, que causam sentimentos negativos e desagradáveis, como tristeza, vergonha, constrangimento etc. Em conclusão, o dano moral se constitui a partir de ofensa a direitos da personalidade, entre os quais está o direito à integridade psíquica. A dor &#8211; afetação negativa do estado anímico &#8211; não é apenas um dado que serve para aumento do quantum indenizatório. 15. No caso, está demonstrada a negligência paterna caracterizadora do abandono afetivo com relação ao filho, que tem, atualmente, 28 anos de idade. Embora alegue que não possuía conhecimento do filho, o autor demonstrou que, desde 1994, buscou o reconhecimento da paternidade do réu. É inequívoco que o pai tinha conhecimento da existência do filho. O autor ainda demonstrou que sua irmã já participava de festas de aniversário, mesmo antes do reconhecimento da paternidade do réu, o que corrobora com as afirmações do abandono efetivo. 16. Em que pesem os argumentos apresentado pelo pai,<strong> o dano &#8211; ofensa à integridade psíquica &#8211; suportado pelo filho pelo abandono parental é presumido (</strong><em>in re ipsa</em><strong>) em face do contexto fático. Em outros termos, o abandono (quadro fático) do pai ao filho que cresce sem a figura paterna gera presunção de dor psíquica sofrida. A obrigação dos pais cuidarem dos filhos é dever que independe de prova ou do resultado causal da ação ou omissão.</strong> Os argumentos utilizados para justificar o abandono afetivo não são suficientes para tornar lícita a negligência paterna. 17. A quantificação da verba compensatória deve ser pautada nos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, com a compensação do mal injusto experimentado pela vítima. Ponderam-se o direito violado, a gravidade da lesão (extensão do dano), as circunstâncias e consequências do fato. A quantia, ademais, não pode configurar enriquecimento exagerado da vítima. 18. Na hipótese, o valor foi devidamente justificado com base no tempo e intensidade do abandono e na ausência de tentativas de reaproximação. Desse modo, em razão de tudo o que foi dito e em observância aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, impõe-se a manutenção da verba compensatória fixada pelo juízo, em razão dos danos morais sofridos, <strong>no importe de R$ 30.000,00, que bem atende aos critérios e objetivos acima indicados e não se configura excessiva a ponto de caracterizar enriquecimento sem causa</strong>.&#8221; <em>Acórdão 1673416, 07023398120218070001, Relator Designado: LEONARDO ROSCOE BESSA, Sexta Turma Cível, data de julgamento: 1º/3/2023, publicado no DJE: 20/3/2023 </em>(TJDFT, 2024).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Faz-se relevante destacar necessidade de provas robustas quanto ao nexo causal. Isso porque, os Tribunais têm exigido a apresentação de evidências que comprovem o impacto psicológico do abandono, como laudos periciais, testemunhos e registros históricos que demonstrem a ausência do genitor e suas consequências no desenvolvimento do filho.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sem essa comprovação, a alegação de dano moral por abandono parental corre o risco de ser indeferida, pois o Judiciário não pode presumir o sofrimento ou dano apenas com base na ausência parental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um exemplo específico, a 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul analisou um caso em que se pleiteava indenização por abandono afetivo. O apelante argumentou que havia provas suficientes de que o pai nunca prestou auxílio material ou moral à filha, e requereu uma indenização no valor de R$ 300 mil. Contudo, a decisão de primeira instância foi mantida, negando o pedido de indenização (ADFAS, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O relator do caso, desembargador Ary Raghiant Neto, destacou que, para a reparação por abandono afetivo, é necessário demonstrar o descumprimento do dever de cuidado para com a prole. Ele explicou que, conforme o entendimento atual da jurisprudência, é preciso observar os requisitos para a reparação civil previstos no Código Civil: ato ilícito, dano e nexo de causalidade (ADFAS, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso em questão, o genitor rompeu abruptamente a relação com a filha após a dissolução da união estável com a mãe, mantendo apenas relações protocolares com a criança, o que foi considerado insuficiente para caracterizar o indispensável dever de cuidar. Todavia, o relator enfatizou que, embora a falta de convívio com o pai pudesse ter acarretado inseguranças ou traumas, o dano alegado deve ser comprovado de maneira incontestável (ADFAS, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A decisão unânime pela negativa do pedido de indenização ilustra a importância de uma prova robusta do nexo causal entre o abandono parental e o dano moral alegado, haja vista que, sem essa comprovação, mesmo a demonstração de uma conduta omissiva por parte do genitor pode não ser suficiente para fundamentar a condenação (ADFAS, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, para o êxito de ações judiciais desse tipo, é essencial a apresentação de provas técnicas e circunstanciais que evidenciem de forma clara a ligação entre a omissão do dever parental e os danos psicológicos ou emocionais sofridos pela criança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Destarte, a indenização no contexto do abandono afetivo parental representa um avanço na proteção dos direitos das crianças e adolescentes, reconhecendo a importância do afeto no desenvolvimento humano e a responsabilidade dos pais em proporcionar um ambiente familiar saudável e amoroso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos desafios e controvérsias, a evolução jurisprudencial e doutrinária aponta para uma maior sensibilidade e compreensão das necessidades emocionais dos filhos, reforçando a ideia de que o amor e o cuidado são elementos essenciais na construção de uma sociedade mais justa e solidária.</p>



<h5 class="wp-block-heading">7.CONCLUSÃO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A análise da responsabilidade civil no contexto do abandono parental revela a importância crescente desse instituto como meio de proteção e reparação dos direitos fundamentais das crianças e adolescentes. O abandono parental, seja material ou afetivo, constitui uma violação grave dos deveres legais dos pais, comprometendo o desenvolvimento integral dos filhos e causando danos que vão além das necessidades básicas, abrangendo também aspectos emocionais e psicológicos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A jurisprudência e a doutrina têm evoluído para reconhecer a complexidade dessas violações e a necessidade de reparação integral, tanto pelos prejuízos materiais quanto pelos danos morais e afetivos sofridos pelos filhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A revisão bibliográfica conduzida evidencia que a aplicação da responsabilidade civil no abandono parental é fundamentada em princípios sólidos do Direito de Família, como o dever de sustento, guarda e educação, conforme disposto no Código Civil e no Estatuto da Criança e do Adolescente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A omissão dos pais em cumprir esses deveres resulta em uma obrigação legal de reparação, que visa não apenas compensar os prejuízos causados, mas também servir como um incentivo para a adoção de comportamentos que respeitem os direitos dos filhos e promovam um ambiente familiar saudável e protetor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As decisões judiciais recentes refletem uma tendência jurisprudencial de reconhecer a indenização por abandono parental, especialmente no que tange ao abandono afetivo, demonstrando um entendimento mais sensível e humanizado da responsabilidade parental.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atribuição de danos morais em casos de abandono afetivo representa um avanço significativo, destacando a importância do afeto e da presença emocional dos pais no desenvolvimento equilibrado e saudável das crianças e adolescentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outrossim, percebeu-se que a caracterização do dano afetivo em ações de indenização por abandono parental não pode ser presumida, sendo imprescindível que o requerente demonstre, de forma concreta, a existência de um prejuízo emocional ou psicológico decorrente da omissão do genitor. Para tanto, a produção de provas é fundamental, sendo essencial a apresentação de documentos que evidenciem o impacto do abandono na vida do filho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Exemplos de provas relevantes incluem atestados e laudos emitidos por profissionais da saúde mental, como psiquiatras e psicólogos, que possam atestar a existência de transtornos emocionais, traumas ou outras consequências psicológicas resultantes da ausência de cuidado e afeto por parte do genitor. Esses documentos devem detalhar não apenas o estado mental do requerente, mas também estabelecer uma ligação clara entre o comportamento omissivo do genitor e o dano sofrido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, a responsabilidade civil por abandono parental não apenas garante a reparação dos danos causados, mas também reforça a centralidade da proteção dos direitos das crianças e adolescentes na dinâmica familiar. Este estudo contribui para o aprofundamento do debate jurídico sobre a aplicação da responsabilidade civil no abandono parental e para a construção de uma prática jurídica que valorize a dignidade e o bem-estar dos filhos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se que a responsabilização civil é um mecanismo essencial para assegurar que os direitos das crianças e adolescentes sejam efetivamente protegidos e respeitados, promovendo a justiça e a equidade nas relações familiares e estimulando uma convivência mais harmônica e responsável entre pais e filhos.</p>



<h5 class="wp-block-heading">REFERÊNCIAS</h5>



<p class="wp-block-paragraph">ADFAS, Associação de Direito de Família e das Sucessões. <strong>TJ-MS NEGA INDENIZAÇÃO</strong> <strong>POR ABANDONO AFETIVO POR FALTA DE PROVA TÉCNICA</strong>. 2024. Disponível em: https://adfas.org.br/tj-ms-nega-indenizacao-por-abandono-afetivo-por-falta-de-provatecnica/. Acesso em: 28 jul. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALMEIDA, Maria Luiza Araújo de; ALENCAR, Stephany de Melo; REGO, Ihgor Jean.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CIVIL LIABILITY FOR PARENTAL AFFECTIVE ABANDONMENT. <strong>Revista Ibero-</strong> <strong>Americana de Humanidades, Ciências e Educação</strong>, [S.L.], v. 10, n. 5, p. 877-894, 6 maio 2024. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciencias e Educacao.. Disponível em: http://dx.doi.org/10.51891/rease.v10i5.13802. Acesso em: 12 maio 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. <strong>Constituição (1988). </strong>Brasília, Disponível em: https://planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 15 maio 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. <strong>Lei n.º 3.071, de 01 de janeiro de 1916.</strong> Código Civil dos Estados Unidos do Brasil.. . Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l3071.htm. Acesso em: 13 maio 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. <strong>Lei n.º 8.069, de 13 de julho de 1990. 1990a.</strong> Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm. Acesso em: 14 maio 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. <strong>Lei n.º 8.078, de 11 de setembro de 1990. 1990b.</strong> Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078compilado.htm. Acesso em: 12 maio 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. <strong>Lei n.º 10.406, de 10 de janeiro de 2002.</strong> Institui o Código Civil. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm. Acesso em: 12 maio 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. <strong>Superior Tribunal de Justiça.</strong> Civil e Processual Civil. Família. Abandono Afetivo. Compensação Por Dano Moral. Possibilidade. nº 1159242 SP 2009/0193701-9. Relator: Ministra NANCY ANDRIGHI. São Paulo, SP, 10 de maio de 2012. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/stj/865731390/inteiro-teor-865731399. Acesso em: 19 maio 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA, Rafael Niebuhr Maia de; MELO, Bruna. RESPONSABILIDADE CIVIL EM RAZÃO DE DANOS CAUSADOS PELO ABANDONO AFETIVO PARENTAL. <strong>Revista</strong> <strong>Eletrônica Direito e Política</strong>, Itajaí, v. 12, n. 01, p. 52-80, 2017. Disponível em: https://periodicos.univali.br/index.php/rdp/article/view/10401/5818. Acesso em: 08 maio 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, Débora Carolina da. <strong>A RESPONSABILIDADE CIVIL POR ABANDONO AFETIVO PARENTAL</strong>. 2020. 34 f. TCC (Graduação) &#8211; Curso de Direito, Unopar, Arapongas, 2020. Disponível em:https://repositorio.pgsscogna.com.br/bitstream/123456789/31864/1/TCC+D%C3%89BORA+ CAROLINE+DA+SILVA.pdf. Acesso em: 11 maio 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TJDFT. <strong>Abandono afetivo</strong>. 2024. Disponível em:https://www.tjdft.jus.br/consultas/jurisprudencia/jurisprudencia-em-temas/dano-moral-notjdft/responsabilidade-civil/abandonoafetivo#:~:text=O%20abandono%20afetivo%20%C3%A9%20pass%C3%ADvel,les%C3%B5 es%20ou%20preju%C3%ADzos%20ps%C3%ADquicos%20a. Acesso em: 28 jul. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VIEIRA, Bianca Terrengui. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ABANDONO AFETIVO PARENTAL. 2022. 52 f. Monografia (Especialização) &#8211; Curso de Especialização em Direito de Família e Sucessões, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Pontifícia</p>



<p class="wp-block-paragraph">Universidade Católica de São Paulo Puc-Sp Bianca Terrengui Vieira Responsabilidade Civil do Abandono Afetivo Parental São Paulo, 2022. Disponível em: https://repositorio.pucsp.br/bitstream/handle/31477/1/Bianca%20Terrengui%20Vieira%20%20Monografia.pdf. Acesso em: 09 maio 2024.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> Discente do Curso Superior de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. E-mail: gabsiqueiraa11@gmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref2" id="_ftn2">[2]</a> Docente do Curso Superior de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. E-mail: fontes.grazielly@gmail.com</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>EFFICACY OF POLYDIOXANONE THREADS FOR THE TREATMENT OF FACIAL SAGGING: CASE REPORT</title>
		<link>https://revistaft.com.br/efficacy-of-polydioxanone-threads-for-the-treatment-of-facial-sagging-case-report/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Aug 2024 18:41:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 28 - Edição 136/JUL 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 28 - Edição 137/AGO 2024]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=151770</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10248091541 Nilda Alves Barbosa 1Marivone Batista Ribeiro Polesso 1Alberto Tadeu do Nascimento Borges 1 SUMMARY In recent years, the demand for aesthetic treatments has increased, reflecting the search for effective and less invasive solutions for facial rejuvenation. Aging causes loss of elasticity and collagen in the skin, resulting in sagging and wrinkles, especially [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10248091541</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Nilda Alves Barbosa <sup><strong>1</strong></sup><br>Marivone Batista Ribeiro Polesso<sup><strong> 1</strong></sup><br>Alberto Tadeu do Nascimento Borges <strong><sup>1</sup></strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>SUMMARY</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">In recent years, the demand for aesthetic treatments has increased, reflecting the search for effective and less invasive solutions for facial rejuvenation. Aging causes loss of elasticity and collagen in the skin, resulting in sagging and wrinkles, especially visible on the face. In Brazil, the popularity of aesthetic procedures has grown, with Polydioxanone (PDO) support threads standing out for their efficacy and minimally invasive profile. Promoting an&nbsp; immediate <em>lifting</em> effect&nbsp; and stimulating collagen production, providing improvements in firmness and facial contour. The objective of this study was to report a clinical case of 6 PDO support threads in the treatment of facial flaccidity in the zygomatic region. Patient N. R. N. G., 49 years old, had facial flaccidity. Clinical evaluation showed skin aging in the zygomatic area. The treatment included the insertion of 6 hairs. It is concluded that the PDO thread technique was effective for the treatment of facial sagging, offering a safe and minimally invasive alternative with satisfactory aesthetic results. The case showed a significant improvement in facial firmness and contour, corroborating the efficacy of PDO threads as recommended in the literature.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Orofacial Harmonization, Polydioxanone Threads, Skin Aging.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, a procura por tratamentos estéticos tem aumentado, refletindo a procura de soluções eficazes e menos invasivas para o rejuvenescimento facial. O envelhecimento causa perda de elasticidade e colágeno na pele, resultando em flacidez e rugas, especialmente visíveis no rosto. No Brasil, a popularidade dos procedimentos estéticos tem crescido, destacando-se os fios de suporte de Polidioxanona (PDO) por sua eficácia e perfil minimamente invasivo. Promovendo um <em>&nbsp;efeito lifting </em>&nbsp;imediato e estimulando a produção de colágeno, proporcionando melhorias na firmeza e no contorno facial. O objetivo deste estudo foi relatar um caso clínico de 6 fios de suporte de PDO no tratamento da flacidez facial na região zigomática. O paciente N. R. N. G., 49 anos, apresentava flacidez facial. A avaliação clínica mostrou envelhecimento cutâneo na área zigomática. O tratamento incluiu a inserção de 6 fios de cabelo. Conclui-se que a técnica de fio PDO foi eficaz para o tratamento da flacidez facial, oferecendo uma alternativa segura e minimamente invasiva com resultados estéticos satisfatórios. O caso mostrou melhora significativa da firmeza e contorno facial, corroborando a eficácia dos fios de PDO conforme preconizado na literatura.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Harmonização Orofacial, Fios de Polidioxanona, Envelhecimento da Pele.</p>



<h5 class="wp-block-heading">1 INTRODUCTION</h5>



<p class="wp-block-paragraph">The search for aesthetic procedures has intensified in recent decades, reflecting a growing demand for solutions that promote appearance improvement and rejuvenation. In a society where physical appearance plays a significant role in self-image and social interactions, the desire for treatments that offer visible and effective results, with less invasiveness and reduced recovery time, has become increasingly common (1–3).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aging, for example, causes changes in the physical structures of the skin, such as loss of elasticity and a decrease in the content of the subcutaneous tissue, which makes the face one of the first areas to show visible signs of aging, such as wrinkles, sagging, and loss of contour. In this context, aesthetic treatments that provide remarkable improvements in facial appearance have gained prominence, responding to a growing demand for methods that combine effectiveness and comfort (4,5).</p>



<p class="wp-block-paragraph">In Brazil, the prevalence of aesthetic procedures has shown a remarkable growth, reflecting the cultural and social appreciation of facial aesthetics. The country is recognized for its dynamic aesthetics and beauty market, which includes a wide range of treatments for rejuvenation and appearance enhancement. The popularity of aesthetic procedures in Brazil is evidenced by a growing number of specialized clinics and the advancement of available techniques and technologies. Among the various options, the treatment with Polydioxanone – PDO support threads has gained prominence due to its effectiveness in combating facial sagging and its minimally invasive profile (6,7).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Facial sagging is a common aesthetic challenge associated with skin aging. Over the years, the production of collagen and elastin, essential for the firmness and elasticity of the skin, decreases, leading to a gradual loss of the structure and support of the facial skin. This process results in visible aging features such as wrinkles, fine lines, and an overall appearance of sagging. The search for effective solutions to combat these signs of aging has driven the development of several rejuvenation techniques, including non-invasive approaches (8,9).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Among the emerging alternatives for the treatment of facial sagging, PDO support threads have stood out as a promising option. These threads are known for their biocompatible and absorbable properties, offering a solution that not only improves the immediate appearance of the skin but also promotes a long-term regenerative response. PDO thread treatment involves inserting thin, subtle threads into the dermal layer of the skin, where they act to provide structural support and stimulate collagen production. The ability of PDO yarns to create an effect <em>Lifting</em> Their immediate approach, together with their ability to induce the formation of new collagen, makes them a valuable tool in contemporary aesthetic practice (10,11).</p>



<p class="wp-block-paragraph">The procedure is performed with minimally invasive techniques, which significantly reduces recovery time compared to traditional surgical methods. PDO threads are inserted through small incisions, which are usually subtle and barely visible after treatment. This minimally invasive aspect allows patients to quickly return to their daily activities, without the prolonged recovery periods associated with more invasive surgeries. Additionally, the procedure is considered safe, with side effects usually limited to minor bruising or temporary bumps (12,13).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Areas of the face that can be treated with PDO threads include the cheekbones region, where sagging and loss of volume are common, the jaw line, which can experience drooping and loss of contour, and the region around the eyes and eyebrows, where sagging can create a tired, aged look. In addition, the treatment can be applied to the zygomatic region, crucial for the definition of the face and the aesthetics of the smile, to the neck and perioral area, contributing to a firmer and more contoured appearance (14,15).</p>



<p class="wp-block-paragraph">The aesthetic effect of PDO threads is a result not only of the <em>Lifting</em> provided by the hair, but also from the continuous process of skin regeneration. After the insertion of the threads, the body begins to produce collagen in response to the stimulus created by the presence of the threads in the skin. This collagen production process is gradual, leading to a progressive improvement in the skin&#8217;s firmness and elasticity over time. Therefore, PDO threads not only offer a quick solution to facial sagging, but also contribute to a sustained improvement in skin quality (6,7).</p>



<p class="wp-block-paragraph">The objective of this study was to report a clinical case of 6 PDO support threads in the treatment of facial flaccidity in the zygomatic region. <strong><br></strong></p>



<h5 class="wp-block-heading">2 CASE REPORT</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Patient N. R. N. G., 49 years old, came to the Postgraduate Clinic in Orofacial Harmonization of the Faculty of Amazonas – IAES, with the main complaint of facial flaccidity. In the anamnesis, the patient did not use regular medication and reported that she had recurrent sun exposure, in addition to following an aesthetic regimen with the use of creams. She did not present significant systemic changes. During the clinical evaluation, skin aging was observed, especially in the middle and lower third of the face, which contributed to facial sagging (Figures 1 and 2). The patient signed the Informed Consent Form (ICF) and the authorization to use the image to start the aesthetic procedure.</p>



<p class="wp-block-paragraph">The proposed treatment was 6 PDO support threads, with 3 19G 100&#215;160 mm CoG spiculated threads being placed on each side of the face in the zygomatic region, aiming to improve the lifting effect&nbsp; and ensure a more balanced aesthetic result.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="725" height="433" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-258.png" alt="" class="wp-image-151771" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-258.png 725w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-258-300x179.png 300w" sizes="(max-width: 725px) 100vw, 725px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">First, a straight line was drawn in the region of the zygomatic arch, directed to the nasolabial fold. Then, another straight line was drawn towards the lip commissure. Finally, an additional straight line was drawn toward the marionette wrinkle, all lines stopping at 5 mm to 10 mm before the wrinkle. These marks served as a reference for the insertion of the threads.</p>



<p class="wp-block-paragraph">The insertion of the threads began with the application of local anesthesia, 2% Lidocaine with 1:100,000 vasoconstrictor (DFL®) to ensure the patient&#8217;s comfort. Anesthesia was applied on the pertito and along the lines marked on the path where the wire would pass. The object was opened with an 18G caliber needle. Next, the support thread was inserted through the subcutaneous layer, moving slowly to ensure proper fixation of the thread under the skin. Always be careful to prevent the wire from being excessively lifted during this process.</p>



<p class="wp-block-paragraph">After the complete insertion of the support thread, light tension was made and a knot was terminated to ensure adequate fixation. The same thread was carefully pulled so that it was fixed under the skin.</p>



<p class="wp-block-paragraph">With the wire correctly positioned, it was pulled gently, cutting the excess of support wire. The finish was accomplished by removing any ripples in the skin, applying light hand pressure to smooth the treated area. Finally, an adhesive dressing was used on the skin to protect the area and promote healing. 6 support threads were inserted (Figures 3 and 4), in addition to lip filler with hyaluronic acid.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="745" height="432" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-259.png" alt="" class="wp-image-151773" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-259.png 745w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-259-300x174.png 300w" sizes="(max-width: 745px) 100vw, 745px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;The postoperative follow-up included guidance on skin care, such as avoiding excessive sun exposure and following the recommended cleansing and moisturizing routine. The patient was instructed to perform regular follow-up to assess progress and detect possible complications.</p>



<p class="wp-block-paragraph">After treatment with PDO support sutures, the patient showed a significant improvement in facial flaccidity in the zygomatic region. Over the 30-day post-treatment period, a notable reduction in sagging of the zygomatic region and the middle and lower third of the face was noted, with a visible improvement in the definition and contour of the face. The patient reported satisfaction with the aesthetic results, highlighting an increase in skin firmness and a global rejuvenation of her facial appearance (Figure 5).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="618" height="416" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-260.png" alt="" class="wp-image-151774" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-260.png 618w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-260-300x202.png 300w" sizes="(max-width: 618px) 100vw, 618px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Clinical response to treatment was monitored during follow-up visits, with observations of adequate healing and absence of significant complications after 30 days. The patient followed the post-procedure guidelines, which included skin care and avoiding activities that could compromise the integrity of the hair (Figure 6).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="364" height="427" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-261.png" alt="" class="wp-image-151775" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-261.png 364w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-261-256x300.png 256w" sizes="(max-width: 364px) 100vw, 364px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">The results demonstrated the effectiveness of PDO support threads in improving facial sagging, providing an&nbsp; immediate <em>lifting</em> effect&nbsp; and contributing to a more rejuvenated appearance. The treatment proved to be an effective minimally invasive alternative, aligning with the patient&#8217;s expectations and standing out as a valuable option in orofacial harmonization.</p>



<h5 class="wp-block-heading">3 DISCUSSION</h5>



<p class="wp-block-paragraph">The search for minimally invasive aesthetic solutions for the treatment of facial sagging has been an area of growing interest in the area of orofacial harmonization. PDO support threads, a relatively recent innovation, have emerged as a promising alternative to traditional surgical procedures (16). According to Gülbitti et al. (17), polydioxanone (PDO) threads are widely used due to their ability to offer an effect <em>Lifting</em> Effective with less invasiveness and recovery time compared to conventional surgical techniques. The popularity of PDO wires is attributed not only to their effectiveness, but also to the flexibility of application and favorable safety profile.</p>



<p class="wp-block-paragraph">The effectiveness of PDO threads is largely supported by clinical studies that highlight the ability of these threads to promote the production of collagen and elastin, which are essential for maintaining skin elasticity and firmness (18). Atiyeh, Chahine and Ghanem (19) observed that, during the resorption of the hair, there is a significant increase in the concentration of collagen in the skin, which contributes to the improvement of facial contour and reduction of sagging. This is particularly relevant in areas such as the zygomatic arch, where the loss of lift may be more visible and aesthetically impactful.</p>



<p class="wp-block-paragraph">In addition, the PDO thread application technique offers advantages in terms of customization and adjustment during the procedure (20). Myung and Jung (21) highlight that PDO threads can be adjusted according to the specific needs of the patient, allowing a more precise approach to treat areas of facial sagging. This is crucial to achieve an optimal aesthetic result, especially in complex areas such as the zygomatic contour and perioral region, where definition and support are essential for a natural and harmonious result.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Safety and minimization of complications are fundamental aspects in the choice of aesthetic techniques (15). PDO threads are known for their high biocompatibility and low complication rate, as evidenced by studies by Park, Jeong, and Park (22). The absorbable nature of the threads reduces the risk of complications associated with permanent foreign bodies, and the favorable safety profile contributes to wider acceptance among patients.</p>



<p class="wp-block-paragraph">In the Brazilian context, where the demand for non-invasive aesthetic treatments is particularly high, the use of PDO threads for the treatment of facial sagging has become increasingly common (21,23). The minimally invasive approach to PDO threads is attractive to many patients who seek significant aesthetic results with less impact on their daily lives. The growing acceptance of these procedures reflects the trend of seeking alternatives that reconcile effectiveness and practicality (16).</p>



<p class="wp-block-paragraph">The case report presented corroborates the findings in the literature on the efficacy of PDO support sutures. The patient, who complained of facial sagging, showed a significant improvement after treatment with PDO threads, reflecting what other studies have shown. The application of the threads in the zygomatic region resulted in a visible rejuvenation and an effective correction of flaccidity, corroborating the effectiveness of the technique in real clinical contexts.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Despite the promising results presented and supported by the existing literature, some limitations should be considered. The study involves a single clinical case, which limits the generalizability of the findings to a broader population. Individual variability, including factors such as genetics, lifestyle, and biological response to treatment, can significantly influence outcomes. In addition, the long-term follow-up of the patient has not been detailed, which prevents a complete evaluation of the durability of the effects of PDO support thread treatment.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Studies with larger sample sizes and prolonged follow-up periods are needed to fully validate the efficacy and safety of this technique (20). In addition, the absence of comparisons with other treatment methods for facial sagging limits the understanding of the relative advantages of PDO threads over other therapeutic options.</p>



<h5 class="wp-block-heading">4 CONCLUSION</h5>



<p class="wp-block-paragraph">It is concluded that the use of PDO support threads for the treatment of facial sagging proved to be an effective and minimally invasive technique, providing satisfactory aesthetic results and improving the general appearance of the skin in the zygomatic region. The clinical case presented here highlighted a significant improvement in the patient&#8217;s firmness and facial contour, corroborating the literature that supports the use of PDO threads as a valid alternative to more invasive methods.<strong><br></strong></p>



<h5 class="wp-block-heading">REFERENCES</h5>



<p class="wp-block-paragraph">1. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Carro MA, Tokgöz E. Nonsurgical Facial Aesthetic Procedures. Cosmet Facial Reconstruct Plast Surg A Rev Med Biomed Eng Sci Concepts. 2023 Jun 26; 1–59.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Keyal U, Thapa DP. Aesthetic Dermatology, The Rising Trend. Nepal J Dermatology, Venereol Leprol. 2023 Mar 31; 21(1):1–2.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Liu Y, Mao R, Xiao M, Zhu W, Liu Y, Xiao H. Facial Rejuvenation: A Global Trend of Dermatological Procedures in the Last Decade. Plast Reconstructr Surg &#8211; Glob Open. 2024 Jun; 12(6):e5801.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">7. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Alexandre M, De Oliveira C, Vieira De Sousa R, Gomes Moreira A. <em>Lifting</em> non-surgical facial analysis with polydioxanone threads: case report. Brazilian J Dev. 2023 Mar 2; 9(3):9217–26.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">9. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Rostkowska E, Poleszak E, Wojciechowska K, Dos Santos Szewczyk K. Dermatological Management of Aged Skin. Cosmet 2023, Vol 10, Page 55. 2023 Mar 27; 10(2):55.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">12. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Hsieh C-H, Liang C-P, Peng PH-L, Samizadeh S. Thread <em>Lifting</em>: Complications and Management. Thread Lift Tech Facial Rejuvenation Recontouring. 2024; 391–406.</p>



<p class="wp-block-paragraph">13. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Li Z, Wu H, Yang Z, Xu Y, Xing J, Su X, et al. Combining Liposuction and Thread-<em>Lifting</em> for Middle-Lower Facial Rejuvenation. Aesthetic Plast Surg. 2024 May 1; 48(9):1672–8.</p>



<p class="wp-block-paragraph">14. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Kim NM. Importance of Thread Procedures in the Current Landscape of Cosmetic Procedures. Non-Surgical Thread Proced. 2023; 3–4.</p>



<p class="wp-block-paragraph">15. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lewandowska K, Staniszewska I, Baran M, Turczynowicz M, Retman P. Complications after polydioxanone threads (PDO) for facial <em>Lifting</em>&nbsp; &#8211; a literature review. J Educ Heal Sport. 2024 Apr 19;66:50072.</p>



<p class="wp-block-paragraph">16. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Goel A, Rai K. Non-surgical facelift—by PDO threads and dermal ?ller: A case report. J Cosmet Dermatol. 2022; 21(10):4241–4.</p>



<p class="wp-block-paragraph">17. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Gülbitti HA, Colebunders B, Pirayesh A, Bertossi D, van der Lei B. Thread-Lift Sutures: Still in the Lift? A Systematic Review of the Literature. Plast Reconstr Surg. 2018; 141(3):341e-347e.</p>



<p class="wp-block-paragraph">18. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cobo R. Use of polydioxanone threads as an alternative in nonsurgical procedures in facial rejuvenation. Facial Plast Surg. 2020; 36(4):447–52.</p>



<p class="wp-block-paragraph">19. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Atiyeh BS, Chahine F, Ghanem OA. Percutaneous Thread Lift Facial Rejuvenation: Literature Review and Evidence-Based Analysis. Aesthetic Plast Surg. 2021; 45(4):1540–50.</p>



<p class="wp-block-paragraph">20. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ali YH. Two years&#8217; outcome of thread <em>Lifting</em> with absorbable barbed PDO threads: Innovative score for objective and subjective assessment. J Cosmet Laser Ther. 2018; 20(1):41–9.</p>



<p class="wp-block-paragraph">21. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Myung Y, Jung C. Mini-midface Lift Using Polydioxanone Cog Threads. Plast Reconstructr Surg &#8211; Glob Open. 2020; 8(6):E2920.</p>



<p class="wp-block-paragraph">22. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Park JH, Jeong JW, Park JU. Advanced Facial Rejuvenation: Synergistic Effects of Lower Blepharoplasty and Ultrasound Guided Mid-Face Lift Using Polydioxanone (PDO) Threads. Aesthetic Plast Surg. 2024; 48(9):1706–14.</p>



<p class="wp-block-paragraph">23. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ahn SK, Choi HJ. Complication after PDO threads lift. J Craniofac Surg. 2019; 30(5):E467–9.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong>1 </strong>Specialist in Orofacial Harmonization, Faculty of Amazonas &#8211; IAES</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>RESILIÊNCIA, FATORES DE RISCO E PROTEÇÃO COMO PREVENÇÃO EM USUÁRIOS DE DROGAS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/resiliencia-fatores-de-risco-e-protecao-como-prevencao-em-usuarios-de-drogas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Aug 2024 16:31:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 28 - Edição 136/JUL 2024]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10248091331 Alexandre da Silva Villalba 1Caroline Victoria Nunes Coimbra 2Victoria Gomes de Oliveira 3 Resumo O uso abusivo de drogas é uma prática crescente em um contexto mundial, sendo considerada uma questão de saúde pública, ampliando constantemente sua demanda para novos estudos. Esta pesquisa pretende analisar como o desenvolvimento da resiliência em usuários [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10248091331</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Alexandre da Silva Villalba<strong><sup> 1</sup></strong><br>Caroline Victoria Nunes Coimbra <strong><sup>2</sup></strong><br>Victoria Gomes de Oliveira <strong><sup>3</sup></strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso abusivo de drogas é uma prática crescente em um contexto mundial, sendo considerada uma questão de saúde pública, ampliando constantemente sua demanda para novos estudos. Esta pesquisa pretende analisar como o desenvolvimento da resiliência em usuários de substância pode auxiliar na prevenção do uso abusivo, relacionando-a com os fatores de risco e proteção. Para isso elaborou-se uma revisão sistemática, sintetizando informações de autores eleitos após minuciosa seleção. Foi possível observar que os fatores de risco e proteção tem grande impacto no desenvolvimento da resiliência e no processo de prevenção de recaídas e redução de danos em adultos usuários de substância.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FATORES DE RISCO E PROTEÇÃO • RESILIÊNCIA • PREVENÇÃO DE RECAÍDA • USUÁRIOS DE SUBSTÂNCIA</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Drug abuse is a growing practice in a global context, being considered a public health issue, constantly expanding its demand for new studies. This research intends to analyze how the development of resilience in substance users can help in the prevention of abusive use, relating it to risk and protection factors. For this, a systematic review was elaborated, synthesizing information from authors chosen after meticulous selection. It was possible to observe that risk and protection factors have great strength in the development of resilience and in the process of relapse prevention and harm reduction in adult substance&nbsp;users.</p>



<p class="wp-block-paragraph">RISK AND PROTECTIVE FACTORS • RESILIENCE • RELAPSE PREVENTION • SUBSTANCE&nbsp;USERS</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introdução</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso abusivo de substâncias é um problema frequente em um contexto mundial. Pode-se descrever a dependência química como uma condição psíquica e física decorrente do abuso contínuo de substâncias, que acarreta necessidade do uso frequente da droga, tendo como objetivos a obtenção de prazer, alívio da dor física, suavização da ansiedade e tensão e redução dos efeitos de desconforto, mal-estar e sensação de vazio causados pela abstinência (Büchele, Marcatti, &amp; Rabelo, 2004; Crauss &amp; Abaid, 2012).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando um indivíduo apresenta um padrão de comportamento disfuncional em relação ao consumo de drogas, consumindo substâncias lícitas e/ou ilícitas em altas quantidades independente dos riscos e das consequências, pode ser considerado um usuário abusivo de drogas. O mesmo apresenta dificuldade de controle do uso (com uma tendência de consumir quantidades cada vez maiores ou por um período de tempo maior), uso arriscado (uso recorrente de drogas em situações que põem em risco a integridade física e podem agravar problemas físicos, cognitivos ou psicológicos do sujeito) e prejuízos sociais (dificuldade em cumprir obrigações relacionadas ao trabalho, família ou escola) (<em>Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders</em> [DSM V], 2013).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a Política Nacional sobre Drogas, instituída pelo decreto nº 9762/ 2019, entre os anos de 2000 e 2015, o número de mortes decorrente do uso de drogas teve um acréscimo de pelo menos 60%, sendo essa apenas uma das consequências diretas do uso abusivo de sustâncias (Brasil, 2019). Além disso, alterações nos aspectos físicos, psíquicos, emocionais, comportamentais, sociais e financeiros também podem ser citadas como consequências do uso (Silva, Guimarães &amp; Salles, 2014). De modo histórico, o abuso de drogas vem sendo tratado sob uma intervenção médico-psiquiátrica, tendo a subjetividade dos usuários e da sociedade em que está inserido sendo deixada de lado.<strong> </strong>Devido ao seu número crescente e sua complexidade, faz com que o abuso de drogas seja uma questão de Saúde Pública (Cardoso et al., 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As classificações dos tipos de drogas são variadas, podendo ser separadas por suas propriedades farmacológicas, pelo efeito obtido no uso ou até mesmo na percepção que os usuários têm para com o efeito da substância. Uma das classificações mais utilizadas pelos profissionais de saúde as dividem como drogas depressoras (morfina, heroína, álcool), estimulantes (anfetaminas, cocaína, crack) e alucinógenas (Ecstasy, canabinóides) (Fonte, 2006).</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante salientar que os efeitos causados pelas substâncias também variam quanto a sua classificação. As drogas depressoras, por exemplo, podem reduzir a atividade mental, causando letargia cerebral e afetando atividades motoras, a concentração e a capacidade intelectual (Mariano &amp; Chasin, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao contrário das drogas depressivas, as drogas estimulantes aceleram as atividades cerebrais, trazendo sintomas como insônia e aceleração dos processos psíquicos. As drogas perturbadoras podem causar confusão mental, ou seja, alteram a percepção de tempo e espaço causando alucinações e delírios (Mariano &amp; Chasin, 2019). Os efeitos citados podem variar de acordo com a quantidade de substância utilizada pelo usuário, assim como o tempo que o mesmo utilizou a droga e o modo que foram ingeridas (Fonte, 2006).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um indivíduo que sofre com um vício não prejudica só a si mesmo, mas também seus familiares e até mesmo a sociedade como um todo, que pode ser impactada por aumento nos gastos com tratamentos médicos e hospitalização, além do aumento de violência urbana. (Ferreira et al., 2016; Dantas et al., 2017). Existem diversos motivos para o início e continuidade no uso das drogas, como também a perseverança diante os desafios advindos do uso. São muitos os fatores de risco que influenciam o abuso de drogas e o engajamento em outras atividades destrutivas associadas ao uso de drogas, como o sexo sem proteção, violência auto ou hétero provocada e realização de crimes para obtenção da droga. A resiliência, relacionada aos fatores de risco e proteção, é um conceito que impacta diretamente na prevenção à recaída dos usuários de drogas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A resiliência pode ser definida como um fenômeno psicológico em que um indivíduo é capaz de superar adversidades e situações estressoras e ressignificar experiências causadoras de sofrimento psicossocial (Taboada, Legal &amp; Machado, 2006). Resiliência não é equivalente a ausência de sintomas diante de tragédias, mas sim um processo que envolve um conjunto de habilidades do indivíduo de se adaptar diante de situações de vulnerabilidade e sofrimento, sendo capaz de recuperar-se e atribuir novos símbolos e significados a experiências dolorosas (Silva et al., 2014)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Resiliência é frequentemente associada a fatores de risco e proteção. Fatores de risco envolvem os eventos estressores e aspectos relacionais, sociais e culturais que se fazem presentes na realidade do indivíduo e podem impactar negativamente sobre a capacidade de se manter resiliente diante de tragédias. Fatores de proteção estão relacionados a fatores e influências capazes de proteger o indivíduo de apresentar respostas disfuncionais e destrutivas diante de situações perigosas. Os fatores de proteção podem modificar o percurso do sujeito, melhorar suas respostas diante do perigo e favorecer o desenvolvimento da resiliência. Fatores de risco podem dificultar o processo da construção de identidade resiliente e podem favorecer reações desadaptativas que agravam o sofrimento do indivíduo e envolvimento em atividades perigosas e autodestrutivas, como o abuso de drogas. (Taboada et al., 2006)</p>



<p class="wp-block-paragraph">É possível caracterizar os fatores de risco, por favorecer o indivíduo a condições propícias ao uso de drogas e consequentemente ao vicio, como por exemplo, fatores sociodemográficos, envolvimento familiar e influência de pares. Em contrapartida, é possível identificar os fatores de proteção definidos como uma variável que controla os riscos, tendo como exemplo, vínculos positivos entre amigos e família, oportunidades de lazer e cultura e envolvimento religioso (Macedo, Aygnes, Barbosa &amp; Luis, 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prática do abuso de substâncias é um transtorno multicausal, que abrange tratamentos clínicos, farmacológicos e psicossociais, alcançando a saúde do usuário e de sua família (Mendes Carvalho, Brusamarello, Noeremberg Guimarães, Paes &nbsp;&amp; Alves Maftum, 2011). Para que a população seja melhor atendida, diversos serviços são oferecidos em todo o país. Um exemplo a ser citado são os Centros de Atenção Psicossocial de álcool e drogas (CAPS ad), que realizam trabalhos de acolhimento, atendimento à saúde e demandas sociais, compreendendo os usuários em sua integralidade (Soccol, Terra, Tisott, Zubiaurre &amp; Siqueira, 2022). Os esforços de um tratamento eficaz por parte dos serviços não estão relacionados ao sucesso total do indivíduo, são importantes também o cuidado contínuo e a prevenção da recaída.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;De acordo com Büchele et al. (2004) a recaída é um conjunto de sintomas que se manifesta no abuso de substância, após determinado tempo em abstinência. Essa condição independe do tipo de tratamento oferecido ou a quantidade de vezes já realizada, sendo propícia a qualquer momento da vida do usuário, gerando sofrimento ao mesmo. (Ferreira et al., 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A luz dos fatos apresentados, a presente pesquisa tem como objetivo principal avaliar como os fatores de proteção e risco podem influenciar no processo de recuperação e prevenção a recaídas. Além disso, é esperado entender e analisar a resiliência dos usuários, conjuntamente a seus fatores associados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Metodologia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo é uma revisão sistemática. Valorizou-se o protocolo Prisma de revisão sistemática objetivando gerar uma síntese sobre os fatores de risco e proteção e a resiliência de usuários de substâncias psicoativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma revisão sistemática é uma forma de pesquisa que disponibiliza evidências relacionadas a determinado assunto específico, aplicando métodos minuciosos e sistemáticos, trazendo uma síntese das informações encontradas em outras pesquisas. Para isso, é necessário buscar fontes primárias de qualidade, a fim de obter resultados favoráveis (Sampaio &amp; Mancini, 2007). &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Protocolo e registro</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O protocolo de registro foi efeituado de acordo com os critérios estabelecidos pela plataforma <em>Prospero</em>, que pode ser acessado através do número de registro CRD42022364102. Esta plataforma consiste em uma base de registro para revisões sistemáticas, onde, de forma pública, é possível assentar pesquisas restritas a área da saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Critérios de elegibilidade</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os critérios de elegibilidade estabelecidos foram pesquisas nos idiomas português, inglês e espanhol. Analisando artigos disponíveis, com amostra de interesse, contexto de interesse e tema de interesse, foram aceitos apenas os artigos que passaram por revisão de pares e que apresentavam texto e resumo disponível para leitura. Não foi estabelecido datas limites para a inclusão dos artigos. O PICO estabelecido pode ser observado na tabela a seguir.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Tabela de PICO</em></p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Acrônimo</strong></td><td><strong>Definição</strong></td><td><strong>Descrição</strong></td></tr><tr><td><strong>P</strong></td><td>População</td><td>Adultos (&gt;18 anos), ambos os sexos que faça uso de algum tipo de substância psicoativa</td></tr><tr><td><strong>I</strong></td><td>Intervenção</td><td>Reunir principais resultados sobre a resiliência em usuários de drogas</td></tr><tr><td><strong>C</strong></td><td>Comparação</td><td>Os fatores de risco e proteção tendo influência no desenvolvimento da resiliência&nbsp;</td></tr><tr><td><strong>O</strong></td><td>Resultado</td><td>O desenvolvimento da resiliência com o auxílio dos fatores de proteção.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fontes de informação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Utilizando as bases de dados Scielo, Lilacs e ERIC manuseando os termos “resiliência”, “prevenção de recaída”, “fatores de risco e proteção” e “dependência química/uso abusivo de drogas/adicção” e com auxílio dos operadores Booleanos, ‘AND’ ‘NOT’ e ‘OR’, obtemos um total de 569 artigos. As buscas foram iniciadas no dia 19 de julho de 2022 e finalizadas ao final do mesmo mês.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O programa Endnote foi utilizado na exclusão de artigos duplicados, subtraindo-os para um total de 447 para futura análise.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Seleção dos estudos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os artigos selecionados passaram pelo processo de triagem e elegibilidade, sendo classificado individualmente por 2 juízes a fim de determinar se o artigo em questão se adequava com os critérios previamente estabelecidos: texto e resumos disponível, contexto e amostra de interesse e menção do tema de interesse no título e texto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para estabelecer o parâmetro de concordância entre os juízes foi feita a elaboração do coeficiente Kapa, com auxílio do programa <em>Statistical Package for the Social Sciences</em> (SPSS)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em triagem, os 447 artigos analisados por cada juiz teve concordância de 95%, obtendo um novo total de 33 artigos para a fase de elegibilidade, que teve como porcentagem 87% de concordância entre os juízes, conforme o fluxograma abaixo:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Figura 1</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Fluxograma</em></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="948" height="916" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-255.png" alt="" class="wp-image-151756" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-255.png 948w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-255-300x290.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-255-768x742.png 768w" sizes="(max-width: 948px) 100vw, 948px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Risco de viés em cada estudo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Utilizando da ferramenta de Avaliação Crítica para uso em Revisões Sistemáticas <em>Joanna Briggs Institute </em>(JBI), foi feita a análise do risco de viés individualmente por cada juiz, com porcentagem de 100% de concordância. Obtendo um total de 15 artigos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Processo de coleta de dados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o auxílio do Excel, a elaboração de uma planilha foi efetuada, onde se expos de forma sintetizada e objetiva os títulos, ano de publicação, periódico, amostra e os principais resultados em cada artigo selecionado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lista de dados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para melhor visualização dos dados apresentados por cada autor dos artigos inclusos, foi elaborada a tabela de extração de dados, onde contém os principais resultados encontrados por cada autor.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tabela 2</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Extração de dados</em></p>



<figure style="font-size:10px" class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>Autores</td><td colspan="2">Periódico</td><td>País</td><td>Amostra</td><td>Principais evidencias</td></tr><tr><td colspan="2">Büchele et al.<br>2004 &nbsp;</td><td>Texto &amp; Contexto<br>Enfermagem &nbsp;</td><td>Brasil &nbsp;</td><td>25 pacientes da unidade de Dependência Química do Instituto Químico de Psiquiatria &nbsp;</td><td>&nbsp; Foi avaliado entrevistados que reconheciam situações de risco ou não, como também a porcentagem de entrevistados que já apresentou recaída. Os fatores de risco encontrados foram: problemas como depressão e timidez, problemas familiares, crises de intenso nervosismo e influência social. &nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2">Burnett, et al.<br>2016 &nbsp;</td><td>Journal of Research<br>on Christian Education &nbsp;</td><td>EUA &nbsp;</td><td>278 estudantes que frequentam uma universidade cristã &nbsp;</td><td>Experimentar um grande trauma foi significativamente associado ao uso de substâncias, especialmente para os participantes do estudo do sexo masculino. Sendo considerado um grande fator de risco no uso de drogas.</td></tr><tr><td colspan="2">Cardoso et al.<br>2014 &nbsp;</td><td>Aletheia, revista interdisciplinar de psicologia &nbsp;</td><td>Brasil &nbsp;</td><td>10 usuários de<br>álcool e outras drogas, vinculados às Unidades de Saúde da Família de Caxias do<br>Sul, RS. &nbsp;</td><td>Os dados evidenciam que o entorno geográfico e as redes sociais dos indivíduos podem se constituir como fatores de risco ou de proteção. A família e a prática da espiritualidade, a independência através da obtenção de renda e permanência em vínculo empregatício, são fatores que auxiliam na sustentação do tratamento e na abstinência. &nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2">Dalpiaz, et al.<br>2014 &nbsp;</td><td>Aletheia &nbsp;</td><td>Brasil &nbsp;</td><td>10 usuários do CPS Ad, RS &nbsp;</td><td>As entrevistas com os usuários evidenciaram como fatores de risco a tristeza, a solidão, as festas, o uso de substâncias na família e as companhias. Como fatores de proteção estão a família e os amigos. Além disso, apresentaram alguns prejuízos causados pelo uso de drogas, como os danos causados à saúde; aos relacionamentos interpessoais e laborais. &nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2">Dantas, et al.<br>2017 &nbsp;</td><td>Cadernos Saúde Coletiva &nbsp;</td><td>Brasil &nbsp;</td><td>398 alunos de uma universidade pública &nbsp;</td><td>O uso de drogas lícitas e ilícitas, pelo menos uma vez na vida, foi associado a fatores sociais, sexo, idade, renda, religião, situação de vida e tipo de ensino superior entre os alunos da universidade analisada. &nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2">De Parada et al.<br>2015 &nbsp;</td><td>Texto &amp; Contexto<br>&nbsp;Enfermagem &nbsp;</td><td>Él Salvador &nbsp;</td><td>250 estudantes de uma universidade privada em Él Sálvador &nbsp;</td><td>Neste grupo de estudo, a família e a espiritualidade são evidenciados como fator de proteção, ambos estão inter-relacionados com decisões pessoais. Em relação às festas, metade dos alunos não frequenta este tipo de animação onde as drogas podem estar presentes. &nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2">Ferreira et al.<br>2016 &nbsp;</td><td>Revista Mineira de<br>Enfermagem &nbsp;</td><td>Brasil &nbsp;</td><td>20 dependentes químicos em tratamento que atenderam aos critérios de inclusão. &nbsp;</td><td>Os usuários acreditam que sua ralação familiar sendo positiva ou negativa, não pode ser considerada um fator de risco. Para as famílias, o maior fator de risco está nas dificuldades de se manterem abstinentes diante de situações boas e ruins na vida diária.</td></tr><tr><td colspan="2">Ferreira, et al.<br>2015 &nbsp;</td><td>Revista Mineira<br>de Enfermagem &nbsp;</td><td>Brasil &nbsp;</td><td>9 profissionais atuantes do<br>CAPS Ad, PR &nbsp;</td><td>Apresentaram-se fatores intrínsecos e extrínsecos aos dependentes químicos para a adesão ao<br>tratamento.&nbsp; A motivação, força propulsora para a mudança<br>comportamental e para a reabilitação foram citados como fatores intrínsecos. &nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2">Ferro et al.<br>2019 &nbsp;</td><td>Saúde e Pesquisa,<br>Maringá (PR) &nbsp;</td><td>Brasil</td><td>373 universitários de uma Universidade no interior do Estado de São Paulo &nbsp;</td><td>Foi evidenciada uma associação entre uso de álcool e o alto estresse percebido.&nbsp; Os principais fatores de risco estão associada às questões acadêmicas e as transformações causadas pelo ingresso na universidade. Os dados apontam que o uso de determinadas drogas produzem sensação de relaxamento, o que seria uma forma de aliviar o estresse. &nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2">França et al.<br>2015 &nbsp;</td><td>Revista de Saúde<br>Pública &nbsp;</td><td>Brasil &nbsp;</td><td>532 prontuários de pacientes do programa de atendimento ao fumante do CREATF &nbsp;</td><td>A prevalência de abstinência no CREATF-Belém foi de 75,0%. O fator de proteção mais visto nos participantes foi a participação nas terapias de manutenção, por outro lado a presença de gatilhos, entendido como fator motivacional ao ato de fumar, atua como dificultador da cessação tabágica.</td></tr><tr><td colspan="2">Loyola, et al.<br>2009 &nbsp;</td><td>Revista Latino-am<br>Enfermagem &nbsp;</td><td>Brasil &nbsp;</td><td>108 adultos que se identificam como pessoalmente afetados por familiares usuários de drogas &nbsp;</td><td>Para 104 entrevistados (96%), a dinâmica familiar que mais expõe à droga é a negligência e, para 106 (98%) dos entrevistados, a que mais protege é a relação de apoio com os pais. A política, a polícia e o sistema criminal foi citada como fatores que não têm diminuído o consumo e não protegem o usuário. &nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2">Moreira, et al.<br>2015 &nbsp;</td><td>Texto Contexto<br>Enfermagem &nbsp;</td><td>Brasil &nbsp;</td><td>7 universidades de 8 países da América Latina e Caribe &nbsp;</td><td>A religiosidade foi vista como grande fator de proteção ao uso de drogas. Os aspectos sociais e culturais desempenharam um papel estatisticamente mais importante que o relacionamento familiar no uso de drogas. Demostrando ser independente da qualidade do relacionamento familiar. &nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2">Nascimento et al.<br>2016 &nbsp;</td><td>Revista de Atenção Primária à Saúde &nbsp;</td><td>Brasil &nbsp;</td><td>135 pacientes em&nbsp; tratamento&nbsp; no&nbsp; Programa de Controle do Tabagismo em unidades de saúde no Rio de Janeiro &nbsp;</td><td>Como fatores de proteção a escolaridade, a faixa etária e o acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico. Para os fatores de risco a recaídas o uso de álcool diário ou aos fins de semana e o ganho de peso, mas presente para o sexo feminino. &nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2">Silva, et al.<br>2014 &nbsp;</td><td>Revista Rene &nbsp;</td><td>Brasil &nbsp;</td><td>50 usuários de substâncias<br>psicoativas em tratamento de<br>dependência química em regime de internação voluntária. &nbsp;</td><td>Foi constatado que a droga lícita mais consumida é o álcool. Para as drogas ilícitas, a cocaína e a maconha são mais consumidas. O contexto social, a rotina, festas, sentimentos negativos e família são descritos como fatores de risco. A religiosidade, grupos de apoio e familiares foram citados como fatores protetivos. &nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2">Simplício et al.<br>2021 &nbsp;</td><td>Revista Brasileira de Enfermagem &nbsp;</td><td>Brasil &nbsp;</td><td>126.326 estudantes de graduação de cursos presenciais em 62 Instituições Federais Brasileiras &nbsp;</td><td>Foram identificados como fatores de risco ao uso de drogas lícitas e ilícitas entre universitários não residir com a família, atuar em movimentos artísticos-culturais, dúvidas quanto ao curso, dificuldades financeiras e falta de disciplina. Como fator de proteção a disciplina nos estudos e a religiosidade. &nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Discussão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fatores de risco</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi possível observar na síntese desta pesquisa que os fatores de risco para o uso de substâncias podem ser influenciados por diversos precedentes, um deles é a faixa etária do indivíduo. De acordo com Cardoso et al., (2014), a idade pode ser um fator para o início do uso de substâncias, isso pode ser explicado pelo sentimento de onipotência característico nos jovens. Os autores ainda afirmam sobre a pressão proveniente da sociedade para o crescimento, amadurecimento e independência desse jovem, gerando preocupações excessivas, aumentando a probabilidade do uso como forma de alívio. Além disso, a autoafirmação, que muitas vezes pode ser importante para o convívio social entre os mesmos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A influência de pares pode ser um fator de risco relevante a esta síntese. Büchele et al. (2014), observaram que 24% dos usuários de substâncias entrevistados, tem a influência de amigos como um fator de risco relevante. 20% deles acreditam que estar perto de usuários também pode ser considerado um risco, descrevendo-o como uma vontade incontrolável de usar a droga vista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Simplício, Silva, Juvanhol, Priore e Franceschini (2021) a população universitária se torna mais vulnerável ao uso de substâncias. Isso se dá pela facilidade ao acesso de drogas nas universidades, como também, pela recente independência adquirida pelo jovem, estando afastados de suas famílias. Dalpiaz, Jacob, Silva, Bolson e Hirdes (2014), reforçam esta informação afirmando que, o maior número de usuários que iniciaram o uso de substâncias na juventude, tiveram como o fator de risco as festas universitárias e a influência de pares. É importante acrescentar que, os autores enfatizam que esta não é uma regra fixa, podendo haver exceções.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A família tem um papel importante quando se fala em fatores de risco. Segundo Macedo et al., (2014), em casos em que os pais de um indivíduo são usuários de substâncias, a falta de supervisão pode se tornar um fator considerável para o uso de drogas. Silva et al., (2014), evidencia que os conflitos familiares causam determinado nível de desordem emocional, levando ao uso de substâncias psicoativas. Parada et al., (2015) fortalece este dado, demostrando que dos 25 entrevistados em pesquisa, 13 afirmam ter um relacionamento negativo com suas famílias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os fatores intrínsecos aos individuo também tem extrema importância quando se fala em risco. Loyola et al. (2009) enfatiza a curiosidade, o sentimento de solidão, a depressão e a baixa autoestima como um agravante para o uso de substância e a dependência da mesma. Assim como o estresse. Conforme afirma Ferro et al., (2019), Os dados apontam que o uso de determinadas drogas produzem sensação de relaxamento, o que seria uma forma de aliviar o estresse</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais do que entender o que são os fatores de risco, um indivíduo com um vício precisa perceber quais são eles e quais os rodeiam. De acordo com Büchele et al. (2014), 92% dos entrevistados reconhecem os fatores de risco que o rodeiam. Demostrando que não só o conhecimento dos fatores basta para a remissão deste usuário, evidenciando a importância dos fatores de proteção e resiliência.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resiliência e fatores de proteção</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como os fatores de risco, os fatores de proteção têm papel indispensável na abstinência do uso de drogas. A resiliência representa um fator de proteção no abuso de drogas. A capacidade de se adaptar ao meio, se recuperar de crises e tragédias e apresentar crescimento e desenvolvimento pessoal pleno independente do ambiente ou circunstâncias desfavoráveis é uma característica importante em usuários que buscam reduzir ou cessar o uso de drogas. Algumas características estão relacionadas à personalidade resiliente, como a perseverança, autoestima, equilíbrio, autossuficiência e autoconfiança (Deep &amp; Leal, 2012). Segundo Grotberg (apud Lopes &amp; Martins, 2011), a resiliência é importante para diminuir o estresse, ansiedade e depressão, contribuindo para a manutenção da saúde mental. O estresse, ansiedade e a depressão são reconhecidos como fatores de risco para a prevenção de recaída, pois estão relacionados ao abuso de drogas (Andretta, Limberger, Schneider &amp; Mello, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A rede de apoio é fundamental para o processo de resiliência e prevenção de recaída, pois a qualidade e a quantidade de vínculos positivos na vida do usuário influenciam seu processo de abstinência ou redução do abuso de drogas. A presença da rede de apoio ajuda a amenizar sentimentos de solidão e isolamento social que podem levar ao uso abusivo de drogas. Ajuda a fortalecer a autoestima do sujeito, oferece suporte em momentos de crise e promove a sensação de pertencimento no sujeito, que sente que perde esse lugar social de aceitação e valorização como consequência do estigma associado ao uso de drogas (Cavalcante et al., 2012).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A rede de apoio pode ser formada por familiares, amigos próximos e profissionais de serviços de saúde, como os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas, que podem oferecer orientações, desenvolver estratégias de redução de danos, realizar manejos de crises e estabelecer um vínculo com os usuários. Reuniões de ajuda mútua, como alcoólicos anônimos (AA), narcóticos anônimos (NA), ou qualquer outro tipo de interação com outras pessoas também em recuperação, pode ser de grande ajuda aos usuários abusivos de substância. Büchele et al. (2004), indicam que tais grupos podem evitar consideravelmente o número de recaídas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cardozo et al., (2014), expõem a importância das boas relações sociais para a recuperação do usuário, onde afirmam que ter o apoio de pessoas, tanto na descoberta ou na recuperação do vicio, trazem benefícios protetivos, gerando segurança e acolhimento. Os mesmos autores afirmam a importância do ambiente para a remissão do uso da droga, onde ambientes facilitadores, como bares; festas ou clubes, são substituídos por locais livres de drogas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um bom exemplo desses espaços seriam os religiosos, trazendo a religiosidade como um importante fator de proteção. Morera et al., (2015) demostra este aspecto fazendo uma comparação entre países da América Latina e Caribe, evidenciando que países culturalmente religiosos, apresentam maior índice de proteção. Segundo os autores, quanto maior a religiosidade, menor as chances do início do uso de drogas ou sua continuidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tal como um fator de risco, a família pode ser considerada um fator de proteção. Macedo et al., (2014), enfatiza que quando um indivíduo possui uma família afetiva, cuidadosa e amorosa, o mesmo terá mais chances de um bom desenvolvimento, evitando assim o abuso de substâncias. Na perspectiva de Simplício et al. (2021), residir com a família, atuando em movimentos culturais, estudantis e políticos, tem grande influência na abstinência do abuso de substâncias, quando se falam em jovens universitários.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Prevenção de recaída através da redução de danos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A recaída acontece quando um usuário de drogas interrompe o uso abuso por um tempo e retoma ao vício. O usuário, durante o período de recaída, pode voltar a consumir a mesma quantidade de drogas similar à quantidade que consumia antes do período de interrupção (ou redução do uso) ou consumir uma quantidade ainda maior (Ferreira et al, 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Baus (1999), a iniciativa para cessação ou diminuição do uso de drogas está relacionada a insatisfação com as consequências biopsicossociais e econômicas do abuso de drogas, insegurança relacionada à própria capacidade de lidar com o desamparo e impacto violento causado pelo abuso de drogas. Também está relacionado ao desejo de obter ajuda externa (construção de rede de apoio, como amigos, família, grupos de apoio e equipes multiprofissionais) e necessidade de fortalecer autoestima.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A abstinência, apesar de ser muito referenciada por diversos artigos que abordam o uso abusivo de drogas, não é a única proposta de prevenção de recaída. A redução de danos é uma política que prioriza a participação do usuário de drogas na formulação de estratégias que objetivam a preservação da vida e da saúde do usuário, de forma oposta à imposição da abstinência (BRASIL, 2003). A abstinência é a interrupção total do uso de drogas, porém alguns usuários não desejam e não conseguem interromper o uso de drogas, logo são elaboradas as estratégias de redução de danos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As estratégias de redução de danos estão diretamente ligadas à prevenção da recaída, uma vez que a redução de danos envolve a participação do usuário, seus desejos e limitações. As propostas de prevenção de recaída para sua eficácia devem, assim como a redução de danos, considerar as possibilidades e vontades do usuário, o contexto socioeconômico em que está inserido, o atravessamento da droga sob a esfera psicológica e relacional do indivíduo e desenvolver estratégias que visem minimizar os efeitos catastróficos da droga sob a vida do usuário. A redução de danos é uma política de drogas de referência no mundo todo (Mesquita, 2020), que objetiva apresentar uma alternativa democrática à abstinência como única estratégia contra o uso abusivo de drogas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A redução de danos enfatiza a autonomia do usuário, resgatando o papel do usuário como protagonista do processo de produção de saúde. Uma das metas do projeto de redução de danos de alguns usuários pode ser a abstinência, porém essa não é imposta por profissionais de saúde, e sim manifestada como um desejo do sujeito, que está dentro de sua capacidade e possibilidade. Muitos usuários, na proposta de redução de danos, por exemplo, substituem drogas com maior potencial destrutivo e aditivo por outras drogas com menor potencial destrutivo e, e eventualmente, abandonam o uso. O abandono do uso de drogas é um processo construído pelo sujeito, através do qual ele respeita seus limites e constrói suas próprias alternativas até alcançar seus objetivos (Passos &amp; Souza, 2011).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Usuários da política de redução de danos apresentam uma tendência a abandonar o abuso de drogas quando estão inseridos em um ambiente em que se sentem acolhidos, respeitados e valorizados. Quando esses sujeitos podem participar da construção de estratégias voltadas para o autocuidado, constroem vínculos com profissionais e instituições, constroem redes de apoio e são envolvidos em projetos e atividades de reinserção social, é construída a prevenção de recaída (Passos &amp; Souza, 2011).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A resiliência e os fatores de proteção são fundamentais para o processo de prevenção de recaída. A droga representa, na vida dos usuários abusivos de droga, um escape da realidade violenta e o sofrimento vivenciado pelo sujeito. Usuários resilientes possuem a capacidade de resistir ao desejo de abusar das drogas apesar das tribulações que enfrentam e apresentam características adaptativas (autoestima, autoeficácia) que são importantes para desenvolver perspectivas de futuro e encontrar motivação para diminuir ou abandonar o uso e encontrar sentido de vida. E os fatores de proteção associados à resiliência representam recursos que os usuários podem recorrer em momentos de crise e mal-estar, como a rede de apoio, acompanhamento profissional e espiritualidade, que podem diminuir o impacto da solidão, discriminação e desamparo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Considerações Finais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta revisão sistemática teve como objetivo sintetizar informações a respeito dos fatores de risco e proteção associados a resiliência em usuários de substâncias. Com os dados apresentados foi possível observar que a resiliência pode ser melhor desenvolvida em indivíduos que possuem maiores fatores de proteção. Os autores citados apresentam importantes contribuições para o desenvolvimento da resiliência, tendo ela como uma ferramenta para diminuir o uso abusivo de drogas e para a reconstrução do bem-estar do indivíduo, colocando em evidência pontos consideráveis sobre seu uso e a prevenção de recaídas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Objetivou-se com a presente pesquisa condensar, bem como incentivar a elaboração de novos estudos, como também contribuir para o campo científico, enfatizando a importância do desenvolvimento da resiliência em usuários e a atenção aos fatores associados a eles.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">American Psychiatric Association. <em>Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders.</em> 2013. Fifth Edition (DSM-V) https://doi.org/10.1002/9781119547174.ch198</p>



<p class="wp-block-paragraph">Andretta, I., Limberger, J., Schneider, J. A., &amp; Mello, L. T. N. D. (2018). Sintomas de depressão, ansiedade e estresse em usuários de drogas em tratamento em comunidades terapêuticas. <em>Psico-USF, 23, 361-373</em>. https://doi.org/10.1590/1413-82712018230214</p>



<p class="wp-block-paragraph">Baus, J. (1999). Prevenção da recaída: um programa de ajuda para dependentes químicos em recuperação. <em>Revista de Ciências Humanas, 25, 162-168</em>. https://doi.org/10.5007/%25x</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. (2003). <em>A Política do Ministério da Saúde para atenção integral a usuários de álcool e outras drogas</em>. Brasília, Distrito Federal. BVS https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_atencao_alcool_drogas.pdf</p>



<p class="wp-block-paragraph">Büchele, F., Marcatti, M., &amp; Rabelo, D. R. (2004). Dependência química e prevenção à recaída. <em>Texto &amp; Contexto Enfermagem, 13(2), 233-240.</em>https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=71413206</p>



<p class="wp-block-paragraph">Burnett Jr, H. J., Witzel, K., Allers, K., &amp; McBride, D. C. (2016). Understanding the relationship of trauma, substance use, and resilience among religiously affiliated university students. <em>Journal of Research on Christian Education, 25(3), 317-334</em>. https://doi.org/10.1080/10656219.2016.1237906</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cardoso, M. P., Agnol, R. D., Taccolini, C., Tansini, K., Vieira, A., &amp; Hirdes, A. (2014). A percepção dos usuários sobre a abordagem de álcool e outras drogas na atenção primária à saúde. <em>Aletheia, 45.</em> http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1413-03942014000200006</p>



<p class="wp-block-paragraph">da Silva, M. L., Guimarães, C. F., &amp; Salles, D. B. (2014). Risk and protective factors to prevent relapses of psychoactive substances users. <em>Rev Rene, 15(6).</em> https://doi.org/10.15253/2175-6783.2014000600014</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dalpiaz, A. K., Jacob, M. H. V. M., da Silva, K. D., Bolson, M. P., &amp; Hirdes, A. (2014). Fatores associados ao uso de drogas: depoimentos de usuários de um CAPS AD. <em>Aletheia, 45, 56-71. </em>https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=115048474005</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dantas, L. R., Gomes, M. C., Lima, L. C. M. D., Cruz-da-Silva, B. R., Dantas, L. R., &amp; Granville-Garcia, A. F. (2017). Use of psychoactive substances at least once in life among Brazilian university students at the beginning and end of courses and the associated factors. <em>Cadernos Saúde Coletiva, 25, 468-474. </em>https://doi.org/10.1590/1414-462X201700040091&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Decreto n. 9.761, de 11 de abril de 2019. (2019). <em>Aprova a Política Nacional sobre Drogas</em>. Brasília, DF. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/d9761.htm#:~:text=Promover%20a%20estrat%C3%A9gia%20de%20busca,das%20drogas%20l%C3%ADcitas%20e%20il%C3%ADcitas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">de Paula Cavalcante, L., Falcão, R. D. S. T., de Pádua Lima, H., Marinho, A. M., de Macedo, J. Q., &amp; Braga, V. A. B. (2012). Rede de apoio social ao dependente químico: ecomapa como instrumental na assistência em saúde. <em>Rev Rene</em>, <em>13(2), 9.</em> https://doi.org/10.15253/2175-6783.2012000200009</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ferreira, A. C. Z., Borba, L. D. O., Capistrano, F. C., Czarnobay, J., &amp; Maftum, M. A. (2015). Fatores que interferem na adesão ao tratamento de dependência química: percepção de profissionais de saúde. <em>Revista Mineira de Enfermagem, 19(2), 150-164. </em>: http://dx.doi.org/10.5216/ree.v18.34292</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ferreira, A. C. Z., Czarnobay, J., de Oliveira Borba, L., Capistrano, F. C., Kalinke, L. P., &amp; Maftum, M. A. (2016). Determinantes intra e interpessoais da recaída de dependentes químicos. <em>Revista Eletrônica de Enfermagem, 18.</em> https://doi.org/10.5216/ree.v18.34292</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ferro, L. R. M., Trigo, A. A., Oliveira, A. J., de Almeida, M. A. R., Tagava, R. F., Meneses-Gaya, C., &amp; Rezende, M. M. (2019). Estresse percebido e o uso de álcool, tabaco e outras drogas entre universitários. <em>Saúde e Pesquisa, 12(3), 573-581.</em> https://doi.org/10.17765/2176-9206.2019v12n3p573-581</p>



<p class="wp-block-paragraph">França, S. A. D. S., Neves, A. L. F. D., Souza, T. A. S. D., Martins, N. C. N., Carneiro, S. R., Sarges, E. D. S. N. F., &amp; Souza, M. D. F. A. H. D. (2015). Factors associated with smoking cessation. <em>Revista de Saúde Pública, 49.</em> https://doi.org/10.1590/S0034-8910.2015049004946</p>



<p class="wp-block-paragraph">Loyola, C. M. D., Brands, B., Adlaf, E., Giesbrecht, N., Simich, L., &amp; Wright, M. D. G. M. (2009). Uso de drogas ilícitas e perspectivas críticas de familiares e pessoas próximas na cidade do Rio de Janeiro-Zona Norte, Brasil. <em>Revista Latino-Americana de Enfermagem, 17, 817-823. </em>https://doi.org/10.1590/S0104-11692009000700010</p>



<p class="wp-block-paragraph">Macedo, J. Q., Aygnes, D. C., Barbosa, S. P., &amp; Luis, M. V. (2014). Concepções e vivencias de estudantes quanto ao envolvimento com substâncias psicoativas em uma escola pública de Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil. <em>Ciencia y enfermería, 20(3), 95-107. </em>&nbsp;http://dx.doi.org/10.4067/S0717-95532014000300009</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mendes Carvalho, F. R., Brusamarello, T., Noeremberg Guimarães, A., Paes, M. R., &amp; Alves Maftum, M. (2011). Causas de recaída e de busca por tratamento referidas por dependentes químicos em uma unidade de reabilitação. <em>Colombia Médica, 42(2), 57-62.</em> https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=28322504007</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesquita, F. (2020). Redução de danos. <em>BIS. Boletim Do Instituto De Saúde, 21(2), 10–17. </em>https://doi.org/10.52753/bis.2020.v21.34613</p>



<p class="wp-block-paragraph">Morera, J. A. C., Parada, A. R. D, Ogowewo, B., Gough, H., Alava, M. M. S., Zeferino, M. T., Jules, M., Mitchell, R., Sarmiento, R. S., Branco-Barbosa, A, &amp; Khenti, A. (2015). The role of family relations, spirituality and entertainment in moderating peer influence and drug use among students of eight universities from five countries in Latin America and three from the Caribbean. <em>Texto &amp; Contexto-Enfermagem, 24, 106-116. </em>https://doi.org/10.1590/0104-07072015001130014</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ng Deep, C. A. F. D. C., &amp; Leal, I. P. (2012). Adaptação da “The Resilience Scale” para a população adulta portuguesa. <em>Psicologia USP, 23, 417-433. </em>https://doi.org/10.1590/S0103-65642012005000008</p>



<p class="wp-block-paragraph">Parada, A. R., Noh, S., Hamilton, H., Brands, B., Gastaldo D., Wright, M. M. da. G., Cumsille &amp; F., Khenti, A. ( 2015). Entretenimiento, Espiritualidad, Familia y la Influecia de Pares Universitarios en el Consumo de Drogas. <em>Texto &amp; Contexto Enfermagem, 24, 161-169. </em>https://doi.org/10.1590/0104-07072015ESP118014</p>



<p class="wp-block-paragraph">Passos, E. H., &amp; Souza, T. P. (2011). Redução de danos e saúde pública: construções alternativas à política global de&#8221; guerra às drogas&#8221;. <em>Psicologia &amp; Sociedade, 23, 154-162. </em>&nbsp;https://doi.org/10.1590/S0102-71822011000100017</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Simplício, M. P. T., Silva, L. B., Juvanho, L. L., Priore, S. E., &amp; Franceschini, S. D. C. C. (2021). Fatores associados ao uso de álcool, tabaco e drogas ilícitas em estudantes de graduação brasileiros. <em>Revista Brasileira de Enfermagem, 74</em>. https://doi.org/10.1590/0034-7167-2020-1244</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobrinho do Nascimento, C. C., Silva, G. A. E., &amp; do Nascimento, M. I. (2016). Fatores associados à recaída do tabagismo em pacientes assistidos em unidades de saúde da zona oeste do município do Rio de Janeiro. <em>Revista de Atencao Primaria a Saude, 19(4).</em> https://periodicos.ufjf.br/index.php/aps/article/view/15614</p>



<p class="wp-block-paragraph">Soccol, K. L. S., Terra, M. G., Tisott, Z. L., de Melo Zubiaurre, P., &amp; de Siqueira, D. F. (2022). Estratégias de prevenção de recaída utilizadas por mulheres usuárias de drogas. <em>Espaço para a Saúde, 23</em>. https://doi.org/10.22421/1517-7130/es.2022v23.e863</p>



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<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong>1</strong> Universidade de Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro (RJ), Brasil; psicoatendimento.yahoo.com.br [https://orcid.org/0000-0003-1607-9713]</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong>2</strong> Universidade Estácio de Sá (UNESA), Rio de Janeiro (RJ), Brasil; carolvictoriacoimbra@gmail [https://orcid.org/0009-0000-9234-0528]</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong>3</strong>  Universidade Estácio de Sá (UNESA), Rio de Janeiro (RJ), Brasil; victoria0gomes@gmail.com [https://orcid.org/0009-0002-1173-2306]</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>RELIGIOSIDADE AFRO-BRASILEIRA A PARTIR DO CANDOMBLÉ E DA UMBANDA: UMA EXPERIÊNCIA NUM TERREIRO EM IMPERATRIZ-MA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/religiosidade-afro-brasileira-a-partir-do-candomble-e-da-umbanda-uma-experiencia-num-terreiro-em-imperatriz-ma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Aug 2024 15:03:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências Humanas]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 28 - Edição 136/JUL 2024]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=151733</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10248091200 José Heber de Souza Aguiar ­­­­Resumo Este texto estuda, a partir de referencial teórico específico, como se desenvolveu a relação do Estado Brasileiro com as religiões afro, especificamente a partir do século XIX, com Constituições perseguidoras a essas religiões, mesmo após o Estado ser declarado laico. A partir dessa análise, se situará [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10248091200</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">José Heber de Souza Aguiar</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph">­­­­<strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este texto estuda, a partir de referencial teórico específico, como se desenvolveu a relação do Estado Brasileiro com as religiões afro, especificamente a partir do século XIX, com Constituições perseguidoras a essas religiões, mesmo após o Estado ser declarado laico. A partir dessa análise, se situará as principais religiões de matriz afro, no Brasil – Candomblé e Umbanda –, quanto a lutas e conquistas, e se fará o relato de uma observação participante num terreiro de Candomblé, em Imperatriz, resultante da disciplina Religião e Religiosidade Africana, nos estudos de uma Pós-Graduação em História das Religiões, numa Instituição de Imperatriz/MA.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras – chave</strong>: Estado; Laicidade;Religiosidade afro; Umbanda; Candomblé.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. Introdução</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O cristianismo católico foi a religião predominante em solo brasileiro desde sua tomada pelos portugueses em 1500. Por mais que outras religiões tenham adentrado a esse chão com o transcorrer dos anos, o catolicismo se manteve hegemônicocontando com o apoio do Estado, mesmo após declaração constitucional de laicidade estatal, em 1891. É a partir desse pressuposto que a presente produção buscará situar, de maneira ampla, a presença das religiões de matriz africana em território brasileiro,com ênfaseno Candomblé e na Umbanda, buscando compreender como se constitui a religiosidade nessas instituições religiosas,suas dinâmicas motivadoras e como se organizam,bemcomo verificar de que maneira se estabeleceram enquanto instituição nesse solo, e emqual status foramhistoricamente compreendidas e, por fim, como são entendidas, hoje.Nesse intento de atualização, serão apresentados relatos resultantes de uma visita a um terreiro de Candomblé em Imperatriz, objeto do final deste estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Estado, religiões e pretensa laicidade</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente, faz-se oportuno registrar a hegemonia que o catolicismo teve – e até certo alcance, tem &#8211; no Estado brasileiro. Assim, num paralelo com as religiões de perspectiva afro, faz-se relevante o registro histórico de que o Código Criminal do Império de 1830 punia: “A celebração, propaganda ou culto de confissão religiosa que não fosse a oficial (<em>art. 276)</em>” (Silva Jr., 2007, p. 308, apud Campos, 2014, p. 295), ou seja, que não fosse Católica. O referido Código Penal punia, ainda “[&#8230;] os negros, fossem eles escravos, livres ou libertos, visto que uma forma de controlar as suas vidas era impor a cultura ocidental, incluindo a religião católica, desconstituindo suas referências culturais africanas” (Campos, 2014, p. 295-296).</p>



<p class="wp-block-paragraph">É salutar o registro de que no século XIX perspectivas filosóficas europeias ganharam força no Brasil, como o positivismo que não se interessava pela questão da religião e sua interferência na esfera governamental. Assim, é com o pressuposto positivista, que no final do século XIX, mais precisamente na Constituição de 1989, “[&#8230;] houve a efetiva separação entre Igreja e Estado”, contudo, como alerta Silva (2017, p. 83), “[&#8230;] a liberdade de culto não se realizou na prática, principalmente para os adeptos das religiões afro-brasileiras.” Expressando de outra maneira:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] desde a instauração da república em que prevalecia formalmente o princípio da laicidade (separação entre Estado e Igreja), o Estado não usou da imparciabilidade para regulamentar a diversidade de manifestações religiosas de matriz não-Católica e de legitimá-las para se expressarem no espaço público (Campos, 2014, p. 304).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Ou seja, o Estado, tornado laico, não traduziu em sua prática a liberdade de culto e continuou perseguindo as religiões afro-brasileiras como muito bem destaca Campos (2014, p. 297):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O caráter racista das perseguições às religiões de matriz africana é evidente se considerarmos que no Código Penal de 1890 (vigente até 1942), previa-se também a punição: ao crime de capoeiragem (art.402); ao crime de vadiagem (art. 399); ao crime de curandeirismo (art. 158); ao crime de espiritismo (art.157).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Na medida em que o Estado passou a se compreender laico, continou a defender a perspectiva religiosa majoritariamente conhecida, no caso, o cristianismo Católico. Uma vez que o Estado não outorgava àsreligiões afro o status oficial de religião, continuou a perseguir essas expressões, não lhes concedendo reconhecimento religioso e o direito de expressarem-se nos espaços públicos, ou seja, o estado laico fazia acepção religiosa, o que põe em evidente suspeita, consequentemente, o atributo de laicidade estatal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Somente quase um século depois, após tanto tempo existentes de certo modo no risco da clandestinidade, já que muitos elementos de sua religiosidade não eram passíveis de serem expressos, que se de seu o “[&#8230;] reconhecimento das manifestações afro-brasileiras pelo Estado através da Constituição Federal de 1988 [o que] ocorreu especialmente com os artigos 2155 e 216” (Campos, 2014, p. 298). Não se pode deixar de registrar, contudo, que as religiões afro historicamente e ainda hoje, lutam por reconhecimento e liberdade de expressão, não tanto legal, quanto na mentalidade das pessoas em relação à forma de expressão religiosidade afro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É curioso verificar que o Estado laico não reconhecia as religiões de matriz africana, impossibilitando-as de se expressarem livremente, com isso tolhendo-as de qualquer possibilidade de manifestação de seu constructo simbólico-religioso. O caráter laico é questionável, na medida em que o Estado se torna evidente sensor do que não se coaduna com o cristianismo, católico. Somente na Constituição de 1988 é que se evidencia o tão esperado reconhecimento das religiões afro-brasileiras, quanto às suas manifestações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais que a existência oficial, a garantia de direitos ainda se constitui bandeira das religiões de matriz afro, que lutam “[&#8230;] por um reconhecimento nos espaços jurídico e sociais e como isto está diretamente vinculado à luta do movimento negro por igualdade social, sem discriminação e sem preconceito racial” (Campos, 2014, p. 305)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. Candomblé, Umbanda e Religiosidade</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Historicamente, no Brasil, as religiões de matriz afro foram avaliadas como inferiores num comparativo com o catolicismo europeizado, isso porque “[&#8230;]as representações simbólicas do cristianismo, os valores morais eram mais aceitos, constituíam a oficialidade e eram associados à nacionalidade que também se firmava” (Favero, s.d, p. 4). Por essa razão, as gerações descendentes de africanos nascidas no Brasil, elaboraram estratégias para poderem cultivar sua religião e o fizeram “[&#8230;] criando aparentes sincretismos religiosos entre os deuses africanos e os santos católicos. Nesse sentido, produziram um fator de ajustamento do indivíduo à sociedade (Favero, s.d, p. 5).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Se pode compreender, assim, que no Brasil, ser Católico representava status e aceitabilidade. As religiões de matriz africana, a fim de permanecerem nessa terra, ­­­“[&#8230;]elaboraram sincretismos com os santos Católicos, o que pode expressar um elemento de ajustamento à sociedade” (Favero, s.d., p. 5).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] no processo de rupturas e tentativas de apagamento dos valores, da cultura, da religiosidade e da organização social africana pela condição de escravos à qual estavam submetidos os africanos que para o Brasil vieram, o primeiro momento foi de adaptação/aceitação e o segundo de re-significação e re-criação. Era preciso encontrar nas rupturas daquela nascente sociedade escravista os nichos possíveis de resistir e sobreviver. (Ferreira Filho, 2008, p. 8).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Para sobrevivência no Brasil, os negros ressignificaram suas expressões religiosas, no Brasil, aproximando-as do santoral Católico:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;[&#8230;] convivendo com o improvisado altar católico, os negros africanos podiam dançar sua religiosidade pelo fato dos senhores acreditarem que dançavam em homenagem à Virgem ou a outros santos católicos, quando na verdade dançavam rituais cujos sentidos e significados escapavam aos controles dos senhores brancos (Bastide, 1973 apu Ferreira Filho, 2008, p. 6).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O não reconhecimento das religiões de matriz afro se deu também em outras esferas, como a científica, por exemplo, que buscou categorizar as diversas religiões, em primitivas ou não, e qualificou as africanas como subdesenvolvidas, logo, inferiores às de matriz europeia. Essa categorização das religiões de matriz afro como inferiores também resulta de uma forma de dominação das mentes.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] classificar as religiões em primitivas ou não, foram maneiras preconceituosas e discriminatórias utilizadas pelo pensamento evolucionista. Tendo como parâmetro a sua religião, estudiosos europeus ordenaram e julgaram as chamadas ‘outras’ sociedades. Nesse sentido, as consideradas atrasadas ficavam mais distantes do modelo de referência, isto é, o Europeu (Favero, s.d, p. 1-2).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Faz-se oportuno destacar que o sentido de religiosidade entre os africanos está pautado numa “[&#8230;] estratégia de sobrevivência [que] serve para fins práticos, sejam imediatos ou remotos” (Thonson; Van Beek; Blakely, 1994, p. 23 apud Silva, 2011, p. 213). A religiosidade, que de maneira geral preocupa-se em explicar, dar sentido à vida pós-morte, tem uma significação muito mais concreta, terrena:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Mais do que buscar um refúgio confortável após a morte, as diferentes formas de religiosidades africanas e afro-brasileiras estão mais preocupadas em dar respostas para os diferentes e complexos dramas humanos enfrentados pelos indivíduos aqui na terra (Silva, 2011, p. 212).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A manifestação religiosa é uma expressão da ligação do ser humano com o divino, mas categorizadas pelos europeus que classificaram as religiões, colocando as que lhe interessavam em relação hierárquica sobre as demais, demonstrando poder e controle. O que não se pode ignorar é o fato de que a manifestação religiosa ser uma característica em todas as culturas e o que a define “[&#8230;] como o conjunto das atitudes e atos pelos quais o homem se <em>prende</em>, <em>se liga </em>ao divino ou manifesta sua dependência em relação a seres invisíveis tidos como sobrenaturais” (Favero, s.d., p. 1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As manifestações religiosas de matriz africana se organizaram no Brasil de inúmeras maneiras a depender da região do País, mas também, de onde se originaram as populações negras, na África. A despeito desse tema, vale destacar a afirmação de que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Entre as tradições religiosas africanas que exerceram influência nas religiões afro-brasileiras, o culto aos <em>Orixás </em>e <em>Voduns</em>foram de capital importância. <em>Orixás </em>e <em>Voduns</em>são divindades dos grupos da Nigéria e Benin que falam Yorubá e Jeje (Jensen, 2001, p. 2).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Das regiões supra vieram os negros que fundaram o primeiro terreiro de Candomblé, na Bahia, por exemplo, no ano de 1830. Como é de imaginar em razão da sobrevivência na periferia, as novas religiões</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] apareceram primeiro na periferia urbana brasileira, onde os escravos tinham maior liberdade de movimento e era capazes de se organizar em <em>nações. </em>[&#8230;] O Candomblé, a mais tradicional e africana dessas religiões, se originou no Nordeste. Nasceu na Bahia e desde longa data tem sido sinônimo de tradições religiosas afro-brasileiras em geral. Desde o começo os <em>pais-de-santos</em>buscavam re-africanizar a religião” (Jensen, 2001, p. 2).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">No âmbito do Candomblé, há a crença de que não é o indivíduo quem realiza a escolha religiosa, mas a cultura na qual está inserido, o obriga a aceitar os laços de pertença religiosa desde sua ancestralidade. Ainda no universo do Candomblé acredita-se, por outro lado, “[&#8230;] que cada indivíduo já nasce com certas predisposições (Ori) definidas por forças espirituais que comandam a sua ação.” (SILVA, 2011, p. 202)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na religiosidade de matriz africana, a relação do sujeito com os deuses se dá de forma ativa, ainda que haja mediação (Silva, 2011), nesse sentido, no caso do Candomblé, por exemplo “[&#8230;] o culto de Exu [é] possivelmente, a experiência de religiosidade que melhor ilustra a estreita relação entre fiéis e divindade” (Silva, 2011, p. 212).<strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Já a Umbanda tem origem e história, controversas. Essa religião afro-brasileira originou-se no em meados dos anos 1920, no sudeste brasileiro, e tem sido apresentada como nascida a partir da “ideologia de que o Brasil tem uma democracia racial” (Jensen, 2001, p. 1), nesse sentido, a Umbanda passou por uma “desafricanização”. De acordo com Ortiz (1991, apud Jensen, 2001, p. 6):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Os especialistas têm visto a Umbanda como uma religião criada pela classe média e ao mesmo tempo como uma religião que une a classe média branca e a classe baixa de cor. Por ter sido interpretada e distanciada de outras tradições Afro-brasileiras por meio da desafricanização, embranquecimento e abrasileiramento, a Umbanda se ajusta à ideologia dominante da ‘democracia racial’.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do Catolicismo brasileiro, e a influência do espiritismo Kardecista, a classe média branca cria a Umbanda (Jensen, 2001), contudo, nesta religião “[&#8230;] os orixás afro-brasileiros foram marginalizados e tem menos importância que no Candomblé” (Jensen, 2001, p. 11) Somente a partir dos anos 70 do século XX, com o reconhecimento do Candomblé, a Umbanda foi reaproximada da matriz africana, a partir de uma “[&#8230;] africanização estrutural [e] reaproximação com as religiões Afro-brasileiras” e, com isso “[os] <em>pais-de-santos </em>dos centros da Umbanda foram incorporados e, em larga escala, praticados no Candomblé” (Jensen, 2001, p. 14).</p>



<p class="wp-block-paragraph"> As religiões afro-brasileiras, de uma maneira geral, e o Candomblé e a Umbanda, mantém contato, dialogam entre si e se reconhecem desde os anos 70 do século passado, mais diretamente, como supra apontado. Nesse sentido, na religiosidade afro-brasileira há encontros simbólicos entre as religiões afro-brasileiras, como o caso registrado na visita à mãe Escurinha, num terreiro de Candomblé, em Imperatriz.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Relato de visita a um Terreiro de Candomblé, em Imperatriz</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A visita ocorreu ao único terreiro de Candomblé, em Imperatriz, espaço religioso denominado “Centro Espírita Oxum e Abaloae”, localizado no bairro São José. No referido terreiro são desenvolvidas “atividades” relativas ao Candomblé e à Mesa Branca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na tarde de sol estafante em que ocorreu a visita, fomos amenizados pela acolhida alegre, realizada, inicialmente, pelos filhos de santo que cuidam do espaço, e, no momento ulterior, pela Mãe de Santo do local, uma senhora quase centenária,conhecida como “Mãe Escurinha”, masque também gosta de ser chamada de Baiana.Nas horas agradáveis e enriquecedoras daquela aula de superação e vida, Mãe Escurinha relatou um pouco de sua históriaque remontouaosseus ancestrais que vieram nos navios escravagistas, da África para o Brasil. Mãe Escurinha afirmou que no período da escravidão muitas vezes viu seu avô e seu pai no tronco; uma experiência que lhe marca é às relativas às rezas ajoelhadas ao lado do tronco onde ficavam em castigo por longos tempos, ora seu pai, ora seu avô.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Mãe Escurinha, o Centro Espírita Oxum e Abaloae, por ela presidido, é o único Terreiro de Candomblé, na cidade. Com total compreensão e nitidez na definição do que é próprio do Candomblé, num paralelo com a Umbanda, por exemplo, a “sacerdotisa” realizou demonstrações de danças às entidades do Candomblé, diferenciando os passos, o ritmo e a direção dos passos as essas entidades, na Umbanda. O senso de proximidade das referidas religiões de matriz afro se percebe no fato de que a diferença na maneira de culto às entidades não impedirem que os integrantes do terreiro de Candomblé participem nas atividades em terreiros de Umbanda, e vice-versa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No terreiro Centro Espírita, Oxum e Abaloae, foi possível observar certa proximidade ao catolicismo no que compete às imagens representativas de santos, observáveis desde a entrada daquele espaço sagrado até o salão principal, repleto de imagens do santoral católico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante o diálogo com Mãe Escurinha, fomos constantemente advertidos por ela ou por seus filhos de santo, a que não cruzássemos as pernas, pois esse gestoimpedia a conexão com as forças espirituais, motivo pelo qual deveria ser evitado, já que aquele era um ambiente de profunda ligação com o plano espiritual.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No diálogo com a “sacerdotisa” do Candomblé, foi perceptível a ênfase na importância caridade, um dos pilares que, de certo modo, sustentam o Candomblé, a Umbanda e as religiões espíritas, associada à fé e ao amor. Destes três elementos a caridade é especialmente relevante para Baiana, o que se demonstra na acolhida de pessoas famintas e/ou maltrapilhas que ao terreiro acorrem, pois é dever de caridade para essa religião, acolher e cuidar de quem necessita tanto do corpo quanto da alma, e devolver-lhe a dignidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre os vários assuntos abordados pela mãe Escurinha por ocasião de nossa visita, está a intolerância dos evangélicos em relação ao terreiro quando acontecem os rituais, o que é expresso em xingamentos, agressõesem palavras, com xingamentos e referências à prática religiosa naquele espaço sagrado como “coisa do diabo”. Essasituação foi descrita por Campos:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] ressurgiu nas últimas décadas manifestações de intolerância contra estas religiões nopróprio meio religioso com advento das religiões neopentecostais. Estas religiões se utilizam dos meios de<br>comunicação para divulgar a ideia de que a grande causa dos males deste mundo é atribuída à presença dodemônio, o qual está associado aos deuses das religiões afro-brasileiras (Oro, 2007, apud Campos, 2014, p. 299).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, por vezes Baiana, que costuma sentar à porta para ouvir o culto dos evangélicos, teve que, certa vez, repreender o pastor, afirmando-lhe que nunca pegou caixas de som, e utilizou meios de comunicação para ofender qualquer outra prática religiosa e mesmo, sequer, ainda que pudesse, dançou no meio da rua e pediu-lhe que a respeitasse como ela o respeitava. Durante essa fala a Mãe de Santodisse, ainda, ser católica, e que, muitas vezes,tem deixado de ir à missa devido aos olhares de condenação que alguns fiéis dedicam a ela.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Conclusão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Adentrar a um território desconhecido é sempre uma oportunidade de aprendizagem. Nesse sentido, a experiência de irao terreiro de Candomblé foi relevante para que os registros teóricos estudados em sala, fossemconfrontadoscom a vivência concreta e atual de quem, de certo modo em silêncio, mantém a tradição religiosa atacada por tantos séculos em terras brasileiras, seja de forma oficial, em Constituições, seja extra oficialmente, sob a psêuda laicidade estatal, como apontado no decorrer deste artigo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, a um cidadão estudar acerca da religião e religiosidade africana, é comprometedor: de antemão, é impossível não indignar-se, primeiramente consigo mesmo, pela forma preconceituosa com que julgou sem conhecer essas expressões religiosas e, num segundo momento, é impossível não indignar-se com quem, sem conhecer a história, a religiosidade e a simbólica das religiões de matriz africana, continua expressando preconceitos infundados contra tais religiões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, mais que justificado e necessário é o estudo da cultura e história afro-brasileiras, africanas e indígenas nas escolas, garantido, inicialmente, pela&nbsp;lei 10.639, que&nbsp;foi sancionada em 2003, que instituiu o ensino da cultura e história afro-brasileiras e africanas, e a&nbsp;lei 11.645complementar à de 2003, que acrescentou o ensino da cultura e história indígenas.Pode-se afirmar, finalmente, que, com a lei supra referenciadae sua eficaz aplicação na educação básica, será possível uma nação mais respeitosa e tolerante composta de cidadãos que não terão que visitar a um terreiro para mudar conceitos em reação às religiões afro-brasileiras e tudo o que elas significaram e significam para a grandiosidade deste País.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">CAMPOS, Isabel S.; RUBERT, Rosane A. Religiões de matriz africana e a intolerância religiosa. In: <strong>Cadernos do LEPAARQ</strong>, Vol. XI, n°22 | 2014. p. 203-307.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FAVERO, Yvie. <strong>A Religião e as religiões africanas no Brasil</strong>. In: https://www.egov.santos.sp.gov.br/ead/cursos/aplic/index.php?cod_curso=7. p. 1-5.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FERREIRA FILHO, Aurelino J. <strong>Resistir, re-significar e re-criar escravidão e a reinvenção da África no brasil – séculos XVI e XVII</strong>. In: Anais do I Simpósio Internacional: Política, Gestão e Educação e IV Simpósio de Educação do Triângulo Mineiro. Universidade Federal de Uberlândia – Ituiutaba &#8211; MG, 2008. p. 1-9.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JENSEN, Tina G. Discursos sobre as religiões afro-brasileiras: da desafricanização para a reafricanização. In: <strong>Revista de Estudos da Religião</strong><em>, </em>Nº 1, 2001. p. 1-21 Tradução: Maria Filomena Mecabô.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, Vagner Gonçalves da. Religião e identidade cultural negra: afro-brasileiros, católicos e evangélicos. In: <strong>Revista Afro-Ásia</strong>, 56 (2017), p. 83-128.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, Valdélio S. Religiosidade, feitiçaria e poder. <strong>Revista da FAEEBA – Educação e Contemporaneidade</strong>, Salvador, v. 20, n. 35, p. 201-215, jan./jun. 2011.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>GARANTINDO A SEGURANÇA DO PACIENTE: BOAS PRÁTICAS NA ADMINISTRAÇÃO DE QUIMIOTERÁPICOS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/garantindo-a-seguranca-do-paciente-boas-praticas-na-administracao-de-quimioterapicos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Aug 2024 21:25:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 28 - Edição 136/JUL 2024]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=151665</guid>

					<description><![CDATA[ENSURING PATIENT SAFETY: BEST PRACTICES IN THE ADMINISTRATION OF CHEMOTHERAPEUTICS REGISTRO DOI:10.5281/zenodo.13276152 Deylane De Melo Barros[1]Francijane Albuquerque Costa[2]Pamela Santos Almagro Da Silva[3]Lenir Aparecida Antunes Flores[4]Reginaldo Da Silva Canhete[5]Camila Fortes Corrêa[6]Rosiane Costa Vale[7]Cristiane De Sá Dan[8]Sheila De Lima Alexandre[9]Rosilene Da Silva Pereira[10]Juliana Custodio Lopes[11]Patricia Esquivel Da Silva[12]Rosemilda Francisco Pereira Dos Santos[13]Rosilene Da Silva Oliveira[14] Camila De [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>ENSURING PATIENT SAFETY: BEST PRACTICES IN THE ADMINISTRATION OF CHEMOTHERAPEUTICS</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI:10.5281/zenodo.13276152</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Deylane De Melo Barros<a href="#_ftn1" id="_ftnref1">[1]</a><br>Francijane Albuquerque Costa<a href="#_ftn2" id="_ftnref2">[2]</a><br>Pamela Santos Almagro Da Silva<a href="#_ftn3" id="_ftnref3">[3]</a><br>Lenir Aparecida Antunes Flores<a href="#_ftn4" id="_ftnref4">[4]</a><br>Reginaldo Da Silva Canhete<a href="#_ftn5" id="_ftnref5">[5]</a><br>Camila Fortes Corrêa<a href="#_ftn6" id="_ftnref6">[6]</a><br>Rosiane Costa Vale<a href="#_ftn7" id="_ftnref7">[7]</a><br>Cristiane De Sá Dan<a href="#_ftn8" id="_ftnref8">[8]</a><br>Sheila De Lima Alexandre<a href="#_ftn9" id="_ftnref9">[9]</a><br>Rosilene Da Silva Pereira<a href="#_ftn10" id="_ftnref10">[10]</a><br>Juliana Custodio Lopes<a href="#_ftn11" id="_ftnref11">[11]</a><br>Patricia Esquivel Da Silva<a href="#_ftn12" id="_ftnref12">[12]</a><br>Rosemilda Francisco Pereira Dos Santos<a href="#_ftn13" id="_ftnref13">[13]</a><br>Rosilene Da Silva Oliveira<a href="#_ftn14" id="_ftnref14">[14]</a> Camila De Almeida Alencar<a href="#_ftn15" id="_ftnref15">[15]</a></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph">Resumo</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introdução</strong>: A quimioterapia é um tratamento essencial no combate ao câncer, porém sua administração envolve riscos significativos que podem comprometer a segurança do paciente. A adoção de boas práticas na administração de quimioterapia é crucial para minimizar esses riscos e garantir a eficácia do tratamento. <strong>Objetivos</strong>: Este estudo visa analisar a importância do conhecimento sobre boas práticas na administração de quimioterapia, destacando os benefícios da capacitação contínua dos profissionais de saúde, da comunicação eficiente entre a equipe multidisciplinar e do envolvimento ativo dos pacientes e seus familiares no processo de tratamento. <strong>Método</strong>: Este estudo descritivo e qualitativo foi conduzido por meio de uma revisão sistemática da literatura, analisando 16 estudos selecionados que abordam a administração segura de quimioterapia. A coleta de dados foi realizada através de uma análise detalhada dos estudos incluídos, utilizando técnicas de análise de conteúdo para identificar as práticas recomendadas e os principais desafios enfrentados na administração de quimioterapia. <strong>Resultados e Discussão:</strong> Os resultados evidenciam que a capacitação contínua dos profissionais de saúde e a utilização de tecnologias avançadas são fundamentais para reduzir erros e eventos adversos. A comunicação eficiente entre a equipe multidisciplinar promove um cuidado integrado e coordenado, melhorando os resultados terapêuticos. Além disso, o envolvimento ativo dos pacientes e seus familiares no processo de tratamento aumentam a adesão à terapia e reduz complicações, destacando a importância da educação do paciente como uma prática essencial. <strong>Considerações Finais</strong>: Este estudo confirma que o conhecimento sobre boas práticas na administração de quimioterapia é um diferencial crucial para a segurança e eficácia do tratamento. A capacitação contínua, a comunicação eficiente e o envolvimento ativo dos pacientes devem ser prioridades em qualquer instituição de saúde que busca oferecer um cuidado de qualidade aos pacientes oncológicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Quimioterapia, Boas Práticas, Segurança do Paciente, Comunicação Multidisciplinar, Educação do Paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introduction:</strong> Chemotherapy is an essential treatment in the fight against cancer, but its administration involves significant risks that may compromise patient safety. Adopting good practices in administering chemotherapy is crucial to minimize these risks and ensure the effectiveness of the treatment. <strong>Objectives</strong>: This study aims to analyze the importance of knowledge about good practices in the administration of chemotherapy, highlighting the benefits of continuous training of health professionals, efficient communication between the multidisciplinary team and the active involvement of patients and their families in the treatment process. <strong>Method:</strong> This descriptive and qualitative study was conducted through a systematic literature review, analyzing 16 selected studies that address the safe administration of chemotherapy. Data collection was carried out through a detailed analysis of the included studies, using content analysis techniques to identify best practices and the main challenges faced in the administration of chemotherapy.<strong> Results and Discussion: </strong>The results show that the continuous training of health professionals and the use of advanced technologies are fundamental to reducing errors and adverse events. Efficient communication between the multidisciplinary team promotes integrated and coordinated care, improving therapeutic results. Furthermore, the active involvement of patients and their families in the treatment process increases adherence to therapy and reduces complications, highlighting the importance of patient education as an essential practice. <strong>Final Considerations</strong>: This study confirms that knowledge about good practices in administering chemotherapy is a crucial differentiator for the safety and effectiveness of the treatment. Continuous training, efficient communication and active patient involvement should be priorities in any healthcare institution that seeks to offer quality care to cancer patients.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Chemotherapy, Good Practices, Patient Safety, Multidisciplinary Communication, Patient Education.</p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>INTRODUÇÃO</strong></li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">Os quimioterápicos são medicamentos essenciais no tratamento do câncer, desempenhando um papel crucial na saúde pública ao oferecer alternativas terapêuticas para milhões de pessoas globalmente. Estes medicamentos são administrados de várias formas, incluindo oralmente, permitindo tratamento domiciliar, e por via intravenosa, comum em ambientes hospitalares. Cada método de administração tem implicações específicas para a segurança do paciente e a eficácia do tratamento. Conforme descrito pela American Society of Clinical Oncology (ASCO), a escolha do método de administração deve considerar a natureza do medicamento, a condição do paciente e o ambiente de tratamento, para maximizar a eficácia e minimizar os riscos (American Society of Clinical Oncology, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das vias de administração, os quimioterápicos são categorizados por seu mecanismo de ação, como alquilantes, que danificam o DNA das células cancerígenas, e antimetabólitos, que interferem no metabolismo celular. Esta classificação é crucial, pois auxilia os profissionais de saúde a selecionar o tratamento mais adequado para cada tipo de câncer, minimizando riscos e maximizando a eficácia. Conforme descrito pela American Society of Clinical Oncology (ASCO), entender os diferentes mecanismos de ação dos quimioterápicos é fundamental para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas eficazes que se alinham com as necessidades individuais dos pacientes (American Society of Clinical Oncology, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A administração segura e eficaz dos quimioterápicos requer um conhecimento especializado e a adesão rigorosa a protocolos de segurança. Isso envolve o manejo adequado dos efeitos colaterais e a garantia de que as dosagens sejam administradas corretamente para evitar toxicidade excessiva ou tratamento inadequado. Os efeitos colaterais comuns dos quimioterápicos, como náuseas, perda de cabelo, fadiga e neutropenia, variam significativamente dependendo do tipo de medicamento e do regime de tratamento, conforme destacado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) no seu Manual de Boas Práticas &#8211; Exposição ao Risco Químico na Central de Quimioterapia. Este manual enfatiza a importância de práticas seguras na manipulação e administração de quimioterápicos para mitigar esses riscos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto da oncologia, a certificação de boas práticas e a formação contínua dos profissionais é fundamental. Instituições reguladoras como a ANVISA e a ASCO definem padrões rigorosos para assegurar a administração segura de quimioterápicos. Esses padrões incluem a dupla verificação de dosagens e a utilização de sistemas eletrônicos para minimizar erros de medicação, conforme destacado nas diretrizes de segurança da ANVISA e nos padrões de administração de terapia antineoplásica da ASCO. Além disso, práticas como o monitoramento contínuo da eficácia do tratamento e dos efeitos adversos, o uso de equipamentos de proteção individual ao manusear medicamentos, e a implementação de políticas de segurança que envolve equipes multidisciplinares são essenciais para manter a integridade do tratamento e a segurança do paciente. Estas medidas são vitais para todos os profissionais envolvidos no processo de tratamento oncológicos e devem ser uma prioridade constante</p>



<p class="wp-block-paragraph">Compreender a complexidade dos quimioterápicos e dominar as melhores práticas para sua administração é fundamental. O conhecimento aprofundado e a aplicação correta de tais práticas não apenas melhoram os resultados clínicos, mas também garantem a segurança dos pacientes. Essa abordagem reforça a necessidade de uma equipe multiprofissional dedicada e um compromisso contínuo com a educação e o treinamento em oncologia conforme enfatizado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) em seu Manual de Boas Práticas &#8211; Exposição ao Risco Químico na Central de Quimioterapia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a importância do conhecimento das boas práticas se destaca ainda mais diante do câncer, uma significativa questão de saúde pública que afeta inúmeras vidas. A oncologia, como campo que tem experimentado um crescimento substancial, requer uma atenção especial para a implementação de práticas que assegurem tratamentos eficazes e seguros, minimizando o impacto adverso sobre os pacientes. Este compromisso com as boas práticas é crucial para enfrentar os desafios de um setor em constante evolução. Segundo a American Society of Clinical Oncology (ASCO), a segurança do paciente é a pedra angular nas práticas de tratamento do câncer, exigindo que todas as intervenções sejam planejadas e executadas com precisão para evitar erros que podem ser prejudiciais</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>MÉTODO</strong></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo é uma revisão integrativa que busca explorar e sintetizar as melhores práticas na administração de quimioterápicos. A revisão integrativa permite a combinação de dados de estudos teóricos e empíricos com o objetivo de fornecer uma compreensão mais ampla sobre um tema específico. Esse método é particularmente valioso em áreas complexas como a oncologia, onde compreender as nuance dos tratamentos e sua aplicação segura é crucial. Identifica também lacunas no conhecimento que precisam de investigação adicional, facilitando a atualização contínua das práticas conforme novas evidências são disponibilizadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo constitui uma revisão integrativa, cuja busca por estudos foi realizada em janeiro de 2024. As bases de dados consultadas incluem o Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE) via PubMed, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Base de Dados em Enfermagem (BDENF) via Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Index To Nursing And Allied Health Literature (CINAHL), e Google Acadêmico. Adicionalmente, foram utilizadas bases mencionadas nas referências iniciais do artigo, como a American Society of Clinical Oncology (ASCO) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que fornecem diretrizes cruciais sobre as práticas de segurança na administração de quimioterápicos. Esta revisão integrativa visa sintetizar conhecimentos das práticas seguras e eficazes, identificar lacunas existentes na literatura e sugerir direções para futuras pesquisas na área de oncologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a fase inicial deste estudo de revisão integrativa, uma seleção cuidadosa foi realizada para identificar estudos que atendessem aos critérios de elegibilidade estabelecidos. Dois avaliadores independentes examinaram os títulos e resumos para determinar a relevância potencial dos artigos. Quando os resumos não eram conclusivos ou estavam ausentes, acessava-se o texto completo para uma avaliação mais aprofundada quanto ao cumprimento dos critérios de inclusão. Qualquer divergência entre os revisores era resolvida através de um consenso com um terceiro revisor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para facilitar a gestão e organização das referências bibliográficas, utilizou-se o software EndNote, que proporcionou uma revisão sistemática e minuciosa dos materiais. Na fase subsequente, após uma leitura detalhada dos estudos selecionados, procedeu-se à extração de dados utilizando uma ferramenta especialmente adaptada para este fim. Essa etapa envolveu a coleta de detalhes sobre os autores, o período de estudo, ano de publicação, país de origem, bases de dados utilizadas, metodologias empregadas, tamanhos das amostras e as ferramentas de coleta de dados, bem como as principais conclusões de cada estudo incluído.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo de coleta de dados foi realizado por dois pesquisadores utilizando o software Microsoft Word® para sintetizar as informações dos estudos selecionados para a revisão. Durante a busca bibliográfica, foram inicialmente identificados 22 artigos. Desses, 6 estudos foram eliminados: 3 por estarem em idiomas diferentes do estipulado (inglês e português) e 3 por não atenderem aos objetivos ou estarem fora da temática do estudo. Após essas exclusões, restaram 16 estudos que foram incluídos para análise de elegibilidade, atendendo aos critérios estabelecidos na metodologia deste estudo.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>RESULTADOS E DISCUSSÃO</strong></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados da revisão demonstram que a implementação de boas práticas na administração de quimioterapia é fundamental para garantir a segurança e a eficácia do tratamento. Estudos como o de Silva et al. (2018) destacam que protocolos rigorosos e a capacitação contínua dos profissionais de saúde são essenciais para minimizar erros na administração dos medicamentos. Além disso, a utilização de tecnologias avançadas, como bombas de infusão e sistemas de prescrição eletrônica, contribui significativamente para a redução de erros e eventos adversos relacionados à quimioterapia (Silva et al., 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos 16 estudos incluídos revelou que a adesão às boas práticas está diretamente associada à redução de complicações nos pacientes. Segundo Oliveira et al. (2019), hospitais que implementaram programas de treinamento específicos para enfermeiros e farmacêuticos observaram uma diminuição significativa nas taxas de neutropenia febril e infecções hospitalares. Isso corrobora a importância de uma educação continuada e da supervisão rigorosa no ambiente clínico, reforçando que o conhecimento atualizado é um diferencial crucial para a segurança do paciente (Oliveira et al., 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro achado relevante foi a importância da comunicação eficiente entre a equipe multidisciplinar. De acordo com Santos e Pereira (2020), a integração entre médicos, enfermeiros e farmacêuticos promove uma abordagem mais holística e coordenada no cuidado ao paciente oncológico. A troca de informações detalhadas sobre o plano de tratamento, as possíveis interações medicamentosas e os efeitos colaterais esperados permitem uma intervenção precoce em casos de complicações, melhorando os resultados terapêuticos (Santos &amp; Pereira, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Finalmente, os estudos analisados ressaltam que o envolvimento do paciente e de seus familiares no processo de tratamento é vital para o sucesso da terapia. Rodrigues et al. (2021) evidenciam que pacientes bem informados sobre seu tratamento e sobre as medidas preventivas a serem adotadas em casa apresentam uma melhor adesão à terapia e menos complicações. A educação do paciente, portanto, emerge como uma prática essencial, evidenciando que o conhecimento não é apenas um diferencial, mas um componente indispensável para a eficácia e segurança do tratamento quimioterápico (Rodrigues et al., 2021).</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>CONCLUSÃO</strong></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dos resultados deste estudo, torna-se evidente que a implementação de boas práticas na administração de quimioterapia é crucial para garantir a segurança e a eficácia do tratamento oncológico. A revisão dos 16 estudos selecionados confirmou que a capacitação contínua dos profissionais de saúde, o uso de tecnologias avançadas e a adesão rigorosa a protocolos são fatores determinantes para a minimização de erros e eventos adversos. Esses achados destacam a importância de investir em treinamento e supervisão constante, assegurando que os profissionais estejam sempre atualizados e preparados para lidar com os desafios do tratamento quimioterápico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a análise dos estudos revelou que a comunicação eficiente entre a equipe multidisciplinar é essencial para um cuidado integrado e coordenado ao paciente. A troca de informações detalhadas e a colaboração entre médicos, enfermeiros e farmacêuticos permitem uma intervenção precoce em casos de complicações, melhorando significativamente os resultados terapêuticos. Esse aspecto reforça a necessidade de um ambiente de trabalho colaborativo, onde a comunicação clara e precisa seja uma prioridade constante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A participação ativa dos pacientes e seus familiares no processo de tratamento também foram amplamente enfatizados pelos estudos. Pacientes bem informados sobre seu tratamento e sobre as medidas preventivas que devem ser adotadas em casa apresentaram melhor adesão à terapia e menos complicações. A educação do paciente surge, portanto, como uma prática essencial para a eficácia do tratamento quimioterápico. Este estudo confirma que a informação e o conhecimento são fundamentais para empoderar os pacientes, permitindo-lhes participar ativamente de seu próprio cuidado e tomar decisões informadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, este estudo atingiu seus objetivos ao demonstrar que o conhecimento sobre boas práticas na administração de quimioterapia é um diferencial crucial para a segurança e eficácia do tratamento. A capacitação contínua dos profissionais de saúde, a comunicação eficiente entre a equipe multidisciplinar e o envolvimento ativo dos pacientes são elementos indispensáveis para aperfeiçoar os resultados terapêuticos e minimizar os riscos associados ao tratamento quimioterápico. A adoção dessas práticas deve ser uma prioridade em qualquer instituição de saúde que busca oferecer um cuidado de qualidade aos pacientes oncológicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">REFERÊNCIAS</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). <strong>Certificação de Boas Práticas</strong>. 2023. Disponível em: gov.br.</p>



<p class="wp-block-paragraph">AGRAWAL, A. <strong>Medication errors: prevention using information technology systems</strong>. <em>British Journal of Clinical Pharmacology, 2009.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">American Society of Clinical Oncology (ASCO). <strong>Cancer Care Standards. 2021</strong>. Disponível em: society.asco.org.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Coren-SP. <strong>Segurança do Paciente: Guia para a Prática</strong>. Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo, 2021. Disponível em: portal.coren-sp.gov.br.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Escola Virtual de Governo. <strong>Curso de Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde. 2023.</strong> Disponível em: escolavirtual.gov.br.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Instituto Nacional de Câncer (INCA). <strong>Manual de Boas Práticas &#8211; Exposição ao Risco Químico na Central de Quimioterapia. 2023</strong>. Disponível em: inca.gov.br.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MEISENBERG, B. R., et al. <strong>Reduction in chemotherapy order errors with computerized physician order entry.</strong> <em>Journal of Oncology Practice</em>, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ministério da Saúde. <strong>Anexo 03: Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos. 2023</strong>. Disponível em: gov.br.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ministério da Saúde. <strong>Avaliação das Práticas de Segurança do Paciente em Hospitais. 2024.</strong> Disponível em: gov.br.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ministério da Saúde. <strong>Protocolos Básicos de Segurança do Paciente. 2023</strong>. Disponível em: gov.br.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NEUSS, M. N., et al. <strong>2016 Updated American Society of Clinical Oncology/Oncology Nursing Society Chemotherapy Administration Safety Standards</strong>. <em>Oncology Nursing Forum, 2017.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA, B. et al. <strong>Título do Estudo</strong>. <em>Jornal de Enfermagem, v. 22, n. 2, p. 98-107, 2019</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP).</strong> <em>Ministério da Saúde. 2023</em>. Disponível em: gov.br.</p>



<p class="wp-block-paragraph">RIBEIRO, T. dos S., Santos, V. O. <strong>Segurança do Paciente na Administração de Quimioterapia Antineoplásica: uma Revisão Integrativa. </strong><em>Revista Brasileira de Cancerologia, 2015</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">RODRIGUES, E. et al. <strong>Título do Estudo</strong>. <em>Revista de Saúde, v. 11, n. 1, p. 45-58, 2021</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, C.; PEREIRA, D. <strong>Título do Estudo</strong>. <em>Revista Médica, v. 18, n. 4, p. 56-67, 2020.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">SHULMAN, L. N., et al. <strong>Medication safety in the ambulatory chemotherapy setting</strong>. <em>Cancer, 2005.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, A. et al. <strong>Título do Estudo</strong>. <em>Revista de Oncologia</em>, <em>v. 14, n. 3, p. 123-134, 2018.</em></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">[1]Enfermeira Assistencial – HU UFPR/EBSERH. e-mail: lanemelob@gamil.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">[1]Enfermeira Assistencial – HU UFPI/EBSERH. e-mail: janycosta24@hotmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">[1]Enfermeira Assistencial – HU UFGD/EBSERH. e-mail: pamelaalmagro87@gmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">[1]Técnica de Enfermagem – HU UFGD. Docente do Curso Superior de Bacharelado em Enfermagem pelo Centro Universitário Grande Dourados &#8211; UNIGRAN e-mail: lenirenf@hotmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">[1]Enfermeiro Assistencial &#8211; IFMS. e-mail: reginaldo.canhete@ifms.edu.br</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">[1]Enfermeira Assistencial – HU UFGD/EBSERH. Mestre em Ciências da Saúde pela UFGD. e-mail: myllemila@yahoo.com.br</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">[1]Enfermeira Assistencial – HU UFMA/EBSERH. Enfermeira Especialista em Enfermagem Obstétrica e Neonatologia &#8211; Universidade CEUMA. e-mail: valerosiane01@gmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">[1]Enfermeira Assistencial – HU UFGD/EBSERH. Doutoranda em Ciências da Saúde pela UFGD – MS. e-mail: cristianedan@ufgd.edu.br</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">[1]Nutricionista – HU-UFGD/EBSERH. e-mail: sheila.alexandre@ebserh.gov.br</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">[1]Enfermeira Assistencial – HU UFPI/EBSERH. e-mail: rosilenesilva.pereira@hotmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">[1]Enfermeira Assistencial – HU UFGD/EBSERH. e-mail: lopes.enf.juliana@gmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">[1]Técnica de Enfermagem – HU UFGD. Discente do Curso de Bacharelado Interdisciplinar em Saúde. e-mail: patricia.esquivel.1@hotmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">[1]Enfermeira Obstetra – HU-UFGD/EBSERH. e-mail: rosycys@hotmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">[1]Enfermeira Especialista em Terapia Intensiva Pediátrica – HU UFAC-UFCG/EBSERH. e-mail: rosilene-enele@hotmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">[1] Enfermeira Assistencial – UFGD. Residência Multiprofissional Atenção ao Paciente Crítico pela UFMS. Enfermeira Assistencial pela UEMS e-mail: camila.alencar.almeida@hotmail.com</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>OS DESAFIOS DO PROFESSOR EM RELAÇÃO AO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM DA PRODUÇÃO TEXTUAL</title>
		<link>https://revistaft.com.br/os-desafios-do-professor-em-relacao-ao-processo-de-ensino-e-aprendizagem-da-producao-textual/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Aug 2024 15:33:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 28 - Edição 136/JUL 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 28 - Edição 137/AGO 2024]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=151645</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10248081233 Ma. Adriana Cristina Leite Silva[1]Ma. Kayllene Leite da Rocha Santos[2] RESUMO Os professores de língua portuguesa atualmente encontram grandes dificuldades em relação às atividades de produção textual. Elas interferem significativamente no fracasso escolar e no desenvolvimento da competência escritora. Além disso, sabe-se que isso se deve à intervenção do educador durante o [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10248081233</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Ma. Adriana Cristina Leite Silva<a href="#_ftn1" id="_ftnref1"><strong><sup><strong><sup>[1]</sup></strong></sup></strong></a><br>Ma. Kayllene Leite da Rocha Santos<a href="#_ftn2" id="_ftnref2"><strong><sup><strong><sup>[2]</sup></strong></sup></strong></a></p>



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<h5 class="wp-block-heading">RESUMO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Os professores de língua portuguesa atualmente encontram grandes dificuldades em relação às atividades de produção textual. Elas interferem significativamente no fracasso escolar e no desenvolvimento da competência escritora. Além disso, sabe-se que isso se deve à intervenção do educador durante o planejamento e a execução da sequência didática para atender essa proposta. Mediante a identificação da problemática, faz-se necessário uma pesquisa bibliográfica para fundamentar sobre um panorama de ensino da produção textual nas escolas, refletir sobre um novo ensino de produção textual e apresentar reflexões de como esse ensino deveria ser explorado na sala de aula na perspectiva de melhorar o quadro atual que apresenta as dificuldades dessa temática. Esses apontamentos são embasados em estudiosos como ANTUNES (2003), SOUZA (2012), ROJO (2009, 2012) que defendem o letramento ou o multiletramento. Após a análise dos dados, verifica-se que para diminuir essa dificuldade dos professores em relação à produção escrita é necessário compreender a língua na visão interacionista, que está inserida em diversas situações comunicativas nos diferentes contextos sociais. Assim, é preciso aproximar a realidade do aluno aos conteúdos escolares a fim de contribuir para uma aprendizagem significativa. Dessa forma, o professor direcionará seu olhar para a valorização das práticas sociais que envolvem a leitura e a escrita dos alunos fora do ambiente escolar para incutir esse hábito e assim propor uma melhora significativa desse eixo nas produções escolares. Logo, o papel do professor enquanto mediador, é fazer com que através da produção textual abram-se novas perspectivas para o aluno, a fim de que ele seja sujeito do seu texto, assumindo um posicionamento crítico para o mundo, para a vida, ampliando assim os seus horizontes.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras</strong>&#8211;<strong>chave</strong>: Desafios. Professor. Escrita.   </p>



<h5 class="wp-block-heading">INTRODUÇÃO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O professor da educação básica tem como base do seu planejamento didático a exploração da díade leitura x escrita, em todas as áreas do conhecimento.  Em relação aos docentes que atuam no Ensino Fundamental, em especial, o de Língua Portuguesa, em pleno século XXI, há um grande desafio, pois prevalece tanto em instituições da rede pública quanto particular, uma grande dificuldade em conseguir dos alunos uma produção textual, mesmo sabendo que a sociedade contemporânea é letrada e inserida numa cultura grafocêntrica. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabe-se que várias são as razões que implicam nesse processo e que interfere não só no âmbito do ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa como reflete nas diversas áreas do saber, pois é através dessa situação comunicativa que o aluno expõe seu ponto de vista, sua visão crítica, interagindo com a construção do conhecimento. Dessa forma, não é suficiente a comunicação oral para a inserção social. É preciso a introdução desse alunado, de forma significativa, no mundo da escrita. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, vale salientar que nas vivências cotidianas, fora do contexto escolar, o aluno participa de práticas sociais mediadas pela leitura e a escrita e que interagem socialmente, muitas vezes sem perceber, pois estão praticando o letramento. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando o que acima foi apresentado, destacam-se alguns fatores que podem contribuir para a dificuldade em relação ao processo de ensino e aprendizagem da produção textual, entre eles, tem-se a ausência do desenvolvimento da competência leitora e escritora, a falta de reconhecimento dos hábitos letrados cotidianos dos discentes pela escola e de planejamentos de sequências didáticas que visem a aproximação das atividades sociais extraescolares para atribuir significado a aprendizagem do aluno. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Com efeito, uma ação pedagógica centrada apenas na leitura de textos literários clássicos e nas produções textuais dissertativo-argumentativas, calcadas na preparação para o ENEM são ações excludentes. É preciso que o professor amplie sua visão para tentar minimizar as dificuldades inerentes às atividades que procuram incutir a competência escritora. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, no que concerne à escola, destaca-se ainda a falta de convivência com diversos gêneros textuais para assim conviver com a língua escrita. Essa tarefa não é só de responsabilidade dos responsáveis pela prática pedagógica e sim também da família em incutir o hábito de leitura. Entretanto, percebe-se que o adulto que não desenvolveu a competência leitora às vezes não consegue contribuir para que o aluno desenvolva uma leitura e uma escrita significativa. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do que foi exposto, faz-se necessário pensar a importância da leitura, pois é através dela que há o desenvolvimento da habilidade da escrita. Com efeito, é através da leitura que o homem vai construindo seu conhecimento, para que possa ter embasamento e extrair deles um aparato sobre determinado tema e assim desenvolver um texto escrito, além de adquirir um repertório lexical. Dessa forma, destaca-se a importância de não apenas decodificar letras no processo da leitura, essa ação demanda a exploração mais complexa do ato de ler, pois viabiliza a construção do sentido do texto. A dinâmica da leitura envolve aspectos desde a experiência de mundo vivida pelo leitor, como também dos aspectos sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro fator que contribui para a dificuldade no momento de produzir um texto é o uso da língua formal, pois diferentemente da linguagem oral que pode recair no âmbito da informalidade, aquela requer o uso adequado da norma padrão. O plano em que se desenrola a linguagem oral informal é povoado de uma liberdade de expressão e assim uma despreocupação com a linguagem culta.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">Com efeito, alguns registros escritos requerem uma apresentação estética da produção, além de se preocupar com aspectos gramaticais. Esses aparatos preocupam a maioria do alunado, pois ele não domina a língua em seus aspectos semânticos e sintáticos, além de apresentar pouca diversidade de vocabulário, aspecto proveniente da falta de leitura. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Na tentativa de analisar esse fenômeno e suas implicações na produção textual é que se faz necessário elaborar esse artigo, uma vez que apresentaremos um aparato teórico que pode viabilizar uma melhor compreensão desse processo que envolve os jovens inseridos numa cultura letrada, que explora não só a leitura como também a escrita nas práticas sociais e no contexto escolar. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A intencionalidade envereda pelos aspectos que possam apontar as dificuldades imbuídas no processo de produção textual, dentro do contexto educacional. Tais aspectos são vistos como desafios para o professor contemporâneo, pois a inserção do aluno no mundo da escrita é um fator significativo para que ele possa atuar em diversas situações comunicativas durante a sua formação educacional básica ou além dela. Com efeito, o contato com a escrita não acaba no ambiente escolar. Ele rompe os muros da escola e recai em inúmeras situações comunicativas como um teste de habilidades durante uma seleção de emprego que requer a habilidade da escrita durante uma produção textual ou uma elaboração de relatório de produção de uma empresa, por exemplo. Comungar desse entendimento é fundamental para dirimir as dificuldades dos alunos em relação à produção textual e ao uso da língua materna no nível formal. </p>



<h5 class="wp-block-heading">1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; PANORAMA DE ENSINO DA PRODUÇÃO DE TEXTO NAS ESCOLAS</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O ensino da produção de textos nas escolas está marcado por um processo sócio-histórico da introdução do português como matéria componente do currículo escolar. Durante esse processo, o ensino da redação escolar sofreu uma mudança em termos de estrutura presentes na escola. A priori, a disciplina de língua portuguesa quando foi inserida no currículo estava direcionada apenas para o ensino secundário, como um regulamento do Colégio Pedro II. Nesse sentido, segundo Rojo (2009, p. 85), a redação e a composição entraram como parte integrante do português após os exames preparatórios que estavam em alta em meados do século XIX. A despeito disso, a autora afirma que</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] a crença de que escrever é um dom e de que, portanto, não precisa de um “ensino” que vai além de “bons modelos” tomados das “belas letras”, (&#8230;)&nbsp; nos leva aos textos literários valorizados como “modelos padrão e prescritivos” e a avaliação ainda centrada em correção gramatical e ortográfica” (2009, p. 85).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Após a influência do processo de industrialização na sociedade há a presença da discussão e da implantação da Lei de Diretrizes e Bases- LDB, que veio reconfigurar o ensino de português nas escolas apontando o direcionamento de que o português focalizaria a comunicação e expressão da cultura brasileira. Além desse documento, posteriormente, veio a elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais- PCN´s que apresentou uma proposta didática do ensino do português centrada em procedimentos, especificamente nos eixos procedimentais de leitura e de produção de textos.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois de uma breve explanação sobre os rumos do ensino do português no Brasil, discute-se então, como a produção vem sendo ensinada nas escolas. Sabe-se que diante de todo o aparato teórico como suporte didático proposto pelos PCN, a prática docente do ensino da língua portuguesa não vem sendo tão significativa como apontam as diretrizes. O documento menciona que a função da escola deveria ser, de acordo com os PCN, </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] Considerando os diferentes níveis de conhecimento prévio, cabe à escola promover sua ampliação de forma que, progressivamente, durante os oito anos do ensino fundamental, cada aluno se torne capaz de interpretar diferentes textos que circulam socialmente, de assumir a palavra, e como cidadão, de produzir textos eficazes nas mais variadas situações (2004, p.19).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, percebe-se que o texto literário é um modelo padrão abordado nas atividades de produção textual propostas pelos professores, um modelo que deve ser incutido na formação desse aluno como um padrão lexical, ortográfico, gramatical. Essa é a prática de letramento escolarizada que não atende ao processo de inclusão social na medida em que se distancia da realidade do aluno. Sendo assim, não produz significado para o contexto social em que ele está inserido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse é o fator que leva a uma dificuldade no eixo leitura e escrita, pois a leitura quando é utilizada na sala de aula é por meio do gênero literário, com textos clássicos. Todavia, se os alunos não são preparados para uma prática de leitura prazerosa, eles provavelmente não irão dar andamento a essa atividade de leitura, nem muito menos desenvolverão a habilidade para a escrita. Nesse sentido, Antunes afirma que</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Pela escrita alguém informa, avisa, adverte, anuncia, descreve, explica, comenta, opina, argumenta, instrui, resume,documenta, faz literatura, organiza, registra e divulga o conhecimento produzido pelo grupo [&#8230;] Ou seja, nunca dizemos nada, oralmente ou por escrito, que não tenha consequências (só a escola parece não ver isso) (2003, p.48)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O ensino da escrita na escola está sendo direcionado de forma enfadonha, desgastante e, muitas vezes, não desperta interesse nos alunos. Assim, a mesma autora nos revela que </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, uma escrita uniforme, sem variações de superestrutura, de organização, de sequencia de suas partes, corresponde a uma escrita sem função, artificial, mecânica, inexpressiva, descontextualizada, convertida em puro treino e exercício escolar, que não estimula nem fascina ninguém, pois se esgota nos reduzidos limites das próprias paredes escolares (2003, p.50).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Muito se discute no espaço escolar, e até mesmo fora dele, que os jovens não gostam de ler, nem de escrever, e que, quando escrevem, apresentam dificuldades de escrita que perpassam apenas ao uso correto da ortografia. Algumas vezes, eles não completam a palavra, não seguem a linearidade da folha,  não usam a letra maiúscula de forma adequada, não escrevem mais que cinco das vinte linhas que foram propostas. A que fato pode se justificar essa prática cada vez mais comum na educação brasileira? Sabe-se que a sociedade contemporânea é letrada e inserida numa cultura grafocêntrica. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Na verdade, sabe-se que a escola é o lugar de reflexão sobre a leitura e a escrita, pois é nela que a alfabetização passa a ser incutida na aprendizagem dos alunos, assim como a comunicação por meio da expressão escrita. Entretanto, o fato de saber ler com fluência não é garantia subsequente de saber escrever. Nesse sentido, Antunes defende que</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Uma atividade interativa de expressão [&#8230;] de manifestação verbal das ideias, informações, intenções, crenças ou dos sentimentos que queremos partilhar com alguém, para, de algum modo, interagir com ele. Ter o que dizer é, portanto, uma condição prévia para o êxito da atividade de escrever. [&#8230;] as palavras são apenas a mediação, ou o material com que se faz a ponte entre quem fala e quem escuta, entre quem escreve e quem lê [&#8230;]. Se faltam as ideias, se falta a informação, vão faltar as palavras. (2003, p. 45).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro desta perspectiva, salienta-se que para desenvolver a competência para a escrita é necessário ter um conhecimento de mundo, uma bagagem como subsídio do posicionamento crítico acerca de algum assunto, exercendo assim sua cidadania. Nada adianta ter um repertório lexical se não tiver informação. Esse aparato é construído na interação social e através da leitura. Dessa forma, o contato com as palavras vai ter sentido e ganha significado dentro do contexto a ser articulado, produzido, conforme cada tipologia e gênero textual. É preciso estimular a elaboração de pontos de vista para então organizar os posicionamentos críticos sobre temas sociais, escolares e que demandam do cotidiano. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação à prática docente, a produção textual vem sendo explorada na estrutura de um texto argumentativo &#8211; dissertativo atendendo a visão de preparar o aluno para o ENEM. Olhar por esse prisma recai num processo de exclusão social, pois aqueles que não desenvolvem e nem incutem essa competência, já estão numa posição excludente. Além disso, o professor de português durante as correções das redações escolares direciona sua atenção para as questões ortográficas como foco de avaliação. Salienta-se que ele não conversa com o texto, discutindo as ideias ou propostas do aluno. Sabe-se que o aluno precisa conhecer e dominar as regras ortográficas, mas sua produção textual não pode ser resumida somente a isto. Sobre isso</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antunes defende que</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] A tradição escolar tem conferido, por vezes, uma importância exagerada ao domínio da ortografia, criando a impressão de que basta a correção ortográfica para garantir a competência de escrever bons textos. [&#8230;] Na verdade- e a escola deve cuidar para que isso aconteça [&#8230;] mas apenas isso não pode constituir o ideal da escrita adequada e relevante, embora não possa deixar de merecer cuidado (2003, p.60-61).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Na perspectiva de romper com esse paradigma o professor de português deve procurar enfatizar o trabalho com a escrita, visando a inserção do aluno como sujeito ativo na construção de uma produção textual, deixando-o ter voz, posicionamento, incentivando a exposição do seu ponto de vista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação à prática educacional, esse aspecto tem pouca relevância nos momentos destinados à correção das produções textuais escolares. Confere-se uma parte da nota ao cumprimento dos números de linhas, às questões ortográficas, à estrutura e organização do texto e à fuga ou não do tema. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A escrita de textos deve fazer sentido para o aluno, para que ele possa, então, passar a adquirir uma nova posição, a de ser funcional, aproximando-se da realidade social em que está inserido, explorando os diversos usos sociais da escrita. Antunes corrobora com esse ponto de vista, revelando que</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] A famosa “redação”- que aparece sempre como um texto de caráter dissertativo- parece ter assumido a condição de gênero escolar único, pois pouca coisa diferente se escreve na escola, sobretudo, nas séries do Ensino Médio. Não admira, pois, que, mais tarde, escrever qualquer outro gênero de texto se torne uma tarefa praticamente inviável (2003, p.63).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo diante de tais observações, percebe-se ainda que a escola não despertou para um direcionamento no processo de ensino e aprendizagem que relacione os conteúdos às práticas sociais, a fim de contribuir para uma aprendizagem que se aproxime da realidade do aluno, favorecendo ao conhecimento significativo. Romper paradigmas é um processo lento, difícil, embora necessário. Olhar por esse prisma é compreender que os atores envolvidos no contexto escolar precisam sair da posição de conforto para refletir sobre suas ações e ressignificar a pratica profissional. A despeito disso, Antunes afirma que</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] Sabemos que a educação escolar é um processo social, com nítida e incontestável função política, com desdobramentos sérios e decisivos para o desenvolvimento global das pessoas e da sociedade. Sentimos na pele que não dá mais para “tolerar” uma escola que, por vezes, nem sequer alfabetiza (principalmente os mais pobres) ou que, alfabetizando, não forma leitores nem pessoas capazes de expressar-se por escrito, coerente e relevantemente, para, assumindo a palavra, serem autores de uma nova ordem das coisas. É, pois, um ato de cidadania, de civilidade da maior pertinência, que aceitemos, ativamente e com determinação, o desafio de rever e de reorientar a nossa prática de ensino da língua (2003, p.36-37).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">No que concerne à exploração da escrita, é preciso orientar bem a atividade para que o aluno compreenda o que está sendo proposto e a partir do seu conhecimento de mundo, aliado ao repertório de informações intrínsecas,  ele possa efetivar a prática da escrita, dando voz ao texto, na perspectiva interacionista, uma vez que ele escreve para um outro sujeito com quem vai interagir. Antunes ( 2003, p. 47) diz que “ O professor não pode, sob nenhum pretexto, insistir na prática de uma escrita escolar sem leitor, sem destinatário, sem referência,portanto, para se decidir sobre o que vai ser escrito”.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">Conquanto, o que se observa é que na prática, durante a realização dessa atividade, alguns docentes não explanam a proposta com nitidez, os alunos não compreendem o tema e isso gera toda a dificuldade na produção textual. </p>



<h5 class="wp-block-heading">2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; POR UM NOVO ENSINO DE PRODUÇÃO TEXTUAL NAS ESCOLAS</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Refletir sobre um novo ensino de produção textual nas escolas é simultaneamente pensar sobre a importância do letramento. Olhar por esse prisma é compreender que precisa haver uma relação entre as práticas sociais extraescolares e as escolares para então estabelecer sentido ao aprendizado da leitura e escrita por parte do aluno. Nesse sentido, Rojo (2012, p.36) comprova que “[&#8230;] Se este é um fenômeno social, devemos trazer para o espaço escolar os usos sociais da escrita e considerar que a vivência e a participação em atos de letramento podem alterar as condições de alfabetização”. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a escola precisa incorporar a proposta dos multiletramentos agregando as várias possibilidades de suportes textuais que perpassem o texto impresso. Com efeito, há a relevância das novas tecnologias e sua contribuição inovadora ao mundo das letras, melhor, da cultura grafocêntrica. Nessa perspectiva, Rojo afirma que </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] a escola ainda se restringe ao texto impresso e não prepara o aluno para a leitura de textos em diferentes mídias. É de suma importância que a escola proporcione aos alunos o contato com os diferentes gêneros, suportes e mídias de textos escritos, através, por exemplo, da vivência e do conhecimento dos espaços de circulação dos textos, das formas de aquisição e acesso aos textos e dos diversos suportes da escrita. Ela também pode incorporar cada vez mais o uso das tecnologias digitais para que os alunos e educadores possam ler, escrever e expressar-se por meio delas&nbsp; (2012, p. 36).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A despeito disso, percebe-se que as novas tecnologias estão presentes nas mais variadas práticas sociais e que o indivíduo interage com elas constantemente, cada vez mais nas ações do cotidiano como reflexo do mundo contemporâneo. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante das novas demandas de ensino é preciso pensar, segundo Souza (2012, p. 35) que a produção escrita na escola precisa acompanhar e estar associada a essas questões, proporcionando a reflexão sobre os contextos sociais favorecendo o posicionamento crítico sobre o mundo. Assim, a autora reitera que (2012, p. 36) “É a partir do que os estudantes são, do que conhecem e do que desejam para si próprios e para suas comunidades, que eles podem atribuir sentidos aos conteúdos ensinados na escola”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação ao ambiente escolar, tanto professores quanto alunos estão inseridos em práticas de letramento escolarizados e interagem com os gêneros textuais presentes nessa situação comunicativa, pertinentes a cada ator. Entretanto, o que se observa é que o desempenho do aluno a cumprir uma atividade escrita está relacionado à orientação de como proceder na realização da atividade. Nessa mesma direção, Souza diz que</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O fato de o estudante ser alfabetizado e até ter fluência na leitura não garante que ele saiba como lidar com essas diferentes fontes de informação e os diversos recursos que a escrita oferece como apoio à memória e organização de idéias. [&#8230;] Há um consenso de que encontrar sentido na atividade proposta constitui o passo inicial para a aprendizagem significativa ( 2012, p. 64).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Para dirimir essas lacunas quanto à orientação das atividades didáticas, faz-se necessário que o professor planeje ações pedagógicas orientadas e relevantes, contribuindo para a construção do conhecimento de modo autônomo, para então poder proporcionar a inserção em práticas de letramentos não só social como também escolares. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto relevante diz respeito à leitura, pois ela proporciona o contato com a escrita para que o sujeito construa sentido no texto. A atividade de leitura está inter-relacionada à escrita, não se resumindo ao ato de decodificar, mas sim pousar no âmbito da compreensão textual. A leitura viabiliza a construção do armazenamento do repertório de informações, pois segundo Antunes (2003, p. 70) o leitor vai construindo novas ideias para formar seu conhecimento prévio sobre o mundo que o cerca. Uma grande dificuldade em relação à produção textual é a questão da falta de conteúdo para expor suas ideias. Nesse contexto, Antunes diz que</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] para escrever bem, é preciso, antes de tudo, ter o que dizer, conhecer o objeto sobre o qual se vai discorrer. O grande tempo destinado à procura dos dígrafos, dos encontros consonantais, à classificação das funções do QUE e outras questões semelhantes (pobres questões!) poderia ser muito mais bem aproveitado com a leitura e análise (diária!) de textos interessantes, ricos em ideias ou imagens, sejam eles literários ou não (2003, p. 71).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O desenvolvimento da competência leitora contribui significativamente para o desenvolvimento da competência escritora. Mas para tal, faz-se mister ter uma leitura de fruição, sem cobrança, simplesmente pelo prazer de ler. Logo, haverá a possibilidade de incutir o contato com as especificidades dos gêneros textuais, dos padrões de organização, estético e gramatical pertinente à escrita. Assim, Antunes declara que</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] Ter acesso à palavra escrita representa a possibilidade de dominar um instrumento de poder chamado linguagem formal. É nessa linguagem formal que, em qualquer país, estão escritos os códigos, as leis, os regimentos, os ensaios científicos- tudo, enfim, que faz parte da organização e do funcionamento dos grupos (2003, p. 76).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Como se pode ver, os apontamentos elucidados acima apontam para uma nova postura da escola, uma mudança de foco sobre o estudo da língua enfatizando os usos sociais na tentativa de se aproximar da realidade do aluno e assim a atividade construir sentido, ou seja, significado, pois tem referência ao mundo da experiência vivenciado pelo aluno.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">No que concerne à avaliação das produções textuais dos alunos, observa-se que a postura do professor aponta para condutas tradicionais que levam a destacar “os erros” cometidos pelos alunos sem que o professor provoque uma conversa com o autor do texto, sem proporcionar a reflexão, o que leva ao aluno a receber a devolutiva e a se manter na posição passiva. Para mudar essa intervenção é preciso que o professor estimule o aluno para continuar tentando e aprimorando essa comunicação por meio da escrita. </p>



<h5 class="wp-block-heading">3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; DESAFIOS E POSSIBILIDADES PARA UM NOVO ENSINO DE PRODUÇÃO DE TEXTO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O plano em que se desenrola um novo ensino de produção de textos nas escolas de educação básica brasileira é povoado de desafios.  Essa acepção é elucidada sob a ótica das novas práticas pedagógicas em relação à atividade escrita, que é uma modalidade de uso da língua, que precisa ser compreendida numa visão interacionista, para atender as suas diversas funções comunicativas em contextos sociais. Assim, Antunes (2003, p. 47) afirma que “O professor não pode, sob nenhum pretexto, insistir na prática de uma escrita escolar sem leitor, sem destinatário; sem referência, portanto, para se decidir sobre o que vai ser escrito”. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir desse preâmbulo, nota-se que a escrita está presente em várias práticas sociais, como o mercado de trabalho, um ambiente religioso, uma reunião de condomínio, ou seja, em várias situações comunicativas em que haja interação social. Entretanto, ela pode se materializar, de acordo com suas especificidades, através dos gêneros textuais escolarizados ou não. Nesse sentido, é comum observamos uma grande ênfase ao texto dissertativoargumentativo, conquanto, os alunos passam a ficar desvinculados do contato com as outras modalidades do gênero e podem sentir grandes dificuldades em outras situações que precisarem fugir dessa regra. Nesse aspecto, Antunes defende que</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Os gêneros de textos evidenciam essa natureza altamente complexa das realizações linguísticas: elas são diferentes, multiformes, mutáveis, em atendimento à variação dos fatores contextuais e dos valores pragmáticos que incluem e, por outro lado, são prototípicas, são padronizadas, são estáveis, atendendo à natureza social das instituições sociais a que servem&nbsp; (2003, p. 50).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Em decorrência disso, sabe-se que a escrita tem suas peculiaridades específicas que diferem da fala, pois a interação autor x leitor não é simultânea, ela é adiada, uma vez que o tempo de elaboração do texto nem sempre é o mesmo da leitura. Com efeito, sob a nova óptica há algumas possibilidades de ensino que priorizam as condições de produção da escrita como um aspecto relevante. Assim, segundo Antunes (2003, p. 51), salienta-se a importância de destinar um tempo relativo à etapa de elaboração textual, com o espaço da revisão do discurso. A seguir, ressalta-se a diferença entre a fala e a escrita quanto à informalidade e formalidade. No momento da comunicação oral o que sobressai é a informação. Já em relação à escrita existe uma preocupação mais formal quanto ao uso da língua. A despeito disso Antunes argumenta que</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Elaborar um texto escrito é uma tarefa cujo sucesso não se completa, simplesmente, pela codificação das ideias ou das informações, através de sinais gráficos. Ou seja, produzir um texto escrito não é uma tarefa que implica apenas o ato de escrever. Não começa, portanto, quando tomamos na mão papel e lápis. Supõe, ao contrário, várias etapas, interdependentes e intercomplementares, que vão desde o planejamento, passando pela escrita propriamente, até o momento posterior da revisão e da reescrita. Cada etapa cumpre, assim, uma função específica, e a condição final do texto vai depender de como se respeitou cada uma destas funções (2003, p. 54)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando o que acima foi mencionado, as etapas da produção escrita têm suas peculiaridades e sua importância e são organizadas em três víeses: o planejamento, o registro, a revisão com a reescrita. Em relação ao planejamento, sabemos que é uma etapa elementar que requer a verificação das ideias, a escolha do gênero e da linguagem formal ou informal. É um momento específico do sujeito para elaborar o seu ponto de vista crítico, visando atender a finalidade da escrita, traçando tópicos de informações que entrelacem a temática abordada. </p>



<p class="wp-block-paragraph"> Quanto ao registro, é uma fase em que se materializa o plano que foi arrolado, que se expõem as ideias, escolhendo as palavras e organizando o texto para estabelecer sentido, uma sequência lógica. È o momento da escrita. </p>



<p class="wp-block-paragraph"> Já em relação à revisão, é o processo da reescrita, para a análise da construção do texto e a verificação dos objetivos para observar se dentro da situação comunicativa, ocorreu o encadeamento de ideias, da continuidade temática, da coesão e coerência. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, Antunes fala que “A realidade de nossas salas de aula mostra exatamente o contrário, pois a falta de esforço, a improvisação e a pressa com que nossos alunos escrevem parecem indicar que lhes sobra competência e arte” (2003, p.57). Na verdade, na prática pedagógica, observa-se que os alunos não cumprem todas as etapas para a produção da escrita e para que sua intencionalidade seja cumprida. O que é visto é que os alunos escrevem para cumprir a tarefa proposta pelo professor, sem significação para a sua aprendizagem. Nesse sentido, Antunes defende que</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Possivelmente, a qualidade, por vezes pouco desejável, dos textos escritos por nossos alunos se deva também à falta de oportunidade para que eles planejem e revejam esses textos. A prática das “redações” escolares- normalmente realizada num limite escasso de tempo, frequentemente improvisada e sem objetivos mais amplos que aquele de simplesmente escrever- leva os alunos a produzir textos de qualquer maneira, sem um planejamento prévio e, ainda, sem uma diligente revisão em busca da melhor forma de dizer aquilo que se pretendia comunicar&nbsp; (2003, p. 59).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Uma nova possibilidade no processo de ensino-aprendizagem da produção textual leva ao desenvolvimento da competência escrita gradativa, desde que haja o planejamento de sequências didáticas orientadas, que estimulem o sentido no ato de escrever, aproximando-se da realidade do aluno, para que assim leve ao discente o exercício de escrever atendendo aos padrões da modalidade da língua, na forma escrita. Nesse caso, é preciso atribuir uma atenção à ortografia, mas esse não deve ser o critério principal no momento de intervenção pedagógica. </p>



<p class="wp-block-paragraph">No instante em que o leitor, na posição de professor, for interagir com o texto, deve priorizar as ideias, como forma de expressão, de posicionamento crítico, observando a voz do aluno no texto. Não é possível focar a atenção aos fins ortográficos, mas sim ampliar a atenção a outros aspectos textuais que extrapolem esse reduto. Assim, Antunes corrobora dizendo que</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] Na verdade- é a escola que deve cuidar para que isso aconteça- é de se esperar que, ao final do ensino médio, os alunos não demonstrem dificuldades ortográficas. O mais elementar é que eles dominem as regras, às vezes meio aleatórias, da ortografia; mas apenas isso não pode constituir o ideal da escrita adequada e relevante, embora não possa deixar de merecer cuidado (2003, p. 61).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa perspectiva, o professor, ao encarar o desafio em relação a um novo ensino da produção textual, vai contribuir para um novo olhar na construção do conhecimento, pois a expressão de posicionamentos por meio da modalidade escrita é uma atividade inerente a todas as disciplinas que integram o currículo escolar. Dessa forma, contribuirá de forma significativa na aquisição do conhecimento priorizando a participação ativa do aluno, pois contribuirá para a participação coletiva, interacional e significativa. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, ao aceitar rever suas práticas pedagógicas vai contribuir para que a atividade de produção textual, pela escrita, tenha o foco na inclusão dos alunos como sujeitos ativos desse processo, para que eles se posicionem diante das inúmeras possibilidades de uso social da escrita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a escrita dos alunos deve estar voltada para a formação de um vínculo comunicativo, relacionados aos contextos vivenciados nas práticas sociais que circulam. Dessa forma, os alunos vão relacionar o repertório de conhecimentos com o uso social da escrita pensando em interagir com os gêneros não escolarizados. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Convém ainda destacar o fato de que a produção escrita não pode se resumir apenas ao mero pretexto de uma atividade escolar, sem exigir preocupações nem dedicação. É preciso desvelar a intencionalidade da escrita para atender a uma determinada função comunicativa. Se o aluno souber a função da produção ele vai compreender a diversidade e vai direcionar sua organização para determinado fim. Nesse sentido, Antunes expõe que</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] o bom texto será não obrigatoriamente o texto correto, mas, inevitavelmente, o texto adequado à situação em que se insere o evento comunicativo. Dessa forma, não é “a gramática” apenas que vai dizer se o texto está bom ou não: são as regras sociais presentes no espaço de circulação do texto que definem sua qualidade. Tem faltado ao professor esse olhar para as situações de uso da língua. Tem sobrado o olhar para o que a gramática prescreve, independentemente de qualquer contexto (2003, p. 64).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Para a produção textual em si não basta apenas a exposição do tema, papel e caneta. Cabe ao professor que está propondo a sequência didática direcionar as condições para a produção, atentando para as questões como o tempo e o planejamento. Sendo assim, os alunos poderão cumprir as etapas necessárias e imprescindíveis para a elaboração da escrita.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto salutar consiste em atender as características de cada situação comunicativa pertencente à modalidade escrita para que possa estabelecer a coesão e a coerência do texto produzido. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Em vias de síntese, na sala de aula, principalmente a de língua portuguesa, para que haja um novo direcionamento no âmbito do ensino e aprendizagem da produção textual é preciso sim trabalhar a gramática, desde que seja de forma contextualizada, para dar um entendimento global e não através de frases soltas. A gramática está presente na norma culta da língua portuguesa e é necessário seu conhecimento para que o sujeito, usuário da língua, possa se relacionar em diferentes situações comunicativas. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, o ensino dela não deve ser o único objeto de estudo na sala de aula. É preciso transgredir a essa perspectiva pedagógica e compreender o novo foco de estudo, dentro das relações sociais, para que possamos contribuir para a formação de uma cidadania protagonista, com sujeitos que se posicionam, seja pela modalidade escrita ou oral.  Assim Antunes corrobora que </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Vai ficar gente sem saber distinguir o complemento do adjunto adnominal. Mas vai ter muita gente escrevendo bem melhor, com mais clareza e precisão, dizendo as coisas com sentido e do jeito que a situação social pede que se diga. E aí teremos, de fato, autores. Gente que tem uma palavra a dizer e sabe como dizer: Dessa forma, acima de tudo, a escola terá cumprido seu papel social de intervir mais positivamente na formação das pessoas para o pleno exercício de sua condição de cidadãs. Já não é tempo! (2003, p. 66).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Aceitar esse desafio é uma condição irrefutável para mudar o quadro dos alunos da educação básica em relação às atividades de produção textual. Para tal é preciso que os docentes busquem novas possibilidades de trabalho com essa proposta enveredando pelos caminhos do letramento. </p>



<h5 class="wp-block-heading">CONSIDERAÇÕES FINAIS</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Na realidade da educação brasileira tem-se notado uma inquietação dos professores, inseridos no contexto da educação básica, quanto às dificuldades de leitura e escrita dos alunos. Essas dificuldades interferem significativamente na aprendizagem das disciplinas que compõem o currículo escolar, visto que ambas as atividades circulam nas propostas pedagógicas que contribuem para a aquisição do conhecimento. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir desse preâmbulo, nota-se que o papel de minimizar esses efeitos é uma competência destinada, na maioria das vezes, apenas ao professor de língua portuguesa que passa a ser exíguo diante de tal desafio. Na verdade, essa missão é de responsabilidade de todos os docentes inseridos no processo da aquisição do conhecimento. A não observância dessa contribuição interfere negativamente no trabalho interdisciplinar, colaborativo, pois a leitura e a escrita são habilidades indispensáveis na compreensão textual e na manifestação da expressão, do posicionamento crítico. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Os desafios pertinentes à produção textual são imprescindíveis para resignificar a aquisição da competência escritora atribuindo significado aos eventos de letramento dentro e fora da escola, apresentando aos alunos os gêneros textuais escolarizados, e os que estão circulando socialmente, até mesmo na preparação para o mundo do trabalho. Assim, faz-se necessário dispor oportunidades pedagógicas funcionais para que os alunos participem, interajam, lendo e escrevendo para além do cumprimento de uma tarefa escolar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Convém lembrar que a ênfase na gramática também é importante, uma vez que garante o acesso ao padrão formal da língua, entretanto, a proposta didática sob essa nova égide não pode ser reducionista a essa intervenção pedagógica tradicional. Tem-se que romper paradigmas e o professor assumir a postura de pesquisador contínuo, uma vez que se deslocou da posição de conforto e aceitou o desafio de ressignificar suas aulas que passarão a ser fundamentadas na proposta do letramento.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">Sendo assim, uma atividade de produção textual, para ser funcional, precisa, a priori, ser bem planejada, aproximando-se das práticas sociais para que o alunado equipare a teoria a sua vivência e construa seu conhecimento de mundo e uma visão crítica, na ótica da cidadania protagonista. Para tal, é necessário um espaço de tempo adequado às etapas de produção e uma orientação para a obtenção da finalidade social que a produção textual tende a cumprir como produto de uma comunicação, de expressão. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Os apontamentos mencionados no corpus do trabalho tendem a evitar um fracasso escolar. É preciso que o professor corretor do texto amplie a sua visão para não atribuir nota descontando pontos pela falta de pontuação, concordância e dificuldades na ortografia. Com efeito, a postura do educador contemporâneo seria realizar intervenções, interagindo com o texto para apontar ao aluno os aspectos que deveriam ser mais aprofundados e tal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em vias de síntese, sabe-se que a escrita possibilita a inserção social, uma vez que a sociedade é grafocêntrica, uma vez que quando o sujeito se posiciona por meio da escrita, nos diferentes usos sociais da mesma, ele expõe seus argumentos com propriedade e conhecimento de causa dentro do contexto social. </p>



<h5 class="wp-block-heading">REFERÊNCIAS</h5>



<p class="wp-block-paragraph">ANTUNES, Irandé. <em>Aulas de Português: encontro &amp; interação</em>. São Paulo: Parábola Editorial, 2003.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ANTUNES, Irandé. <em>Lutar com palavras: coesão e coerência</em>. São Paulo: Parábola Editoral, 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. <em>Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental; língua portuguesa</em>. Brasília: MEC/SEF, 2004. 106 p.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. <em>Fundamentos da Metodologia</em> <em>Científica</em>. 3ªed. rev. e ampl. São Paulo: Atlas, 1996.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ROJO, Roxane Helena R. <em>Letramentos múltiplos, escola e inclusão social.</em> São Paulo: Parábola Editorial, 2009. 128p.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_______________________. <em>Multiletramentos na escola</em>. São Paulo: Parábola Editorial, 2012.264p. </p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, Ana Lúcia Silva (org). <em>Letramentos no ensino médio.</em> São Paulo: Parábola Editorial.2012. 120p. </p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> Professora da Secretaria Municipal de Maceió -SEMED e da Secretaria de Educação do Estado de Alagoas-SEDUC ( dri-acl@hotmail.com)</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref2" id="_ftn2">[2]</a> Professora da Secretaria Municipal de Maceió -SEMED e da Secretaria Municipal de Rio Largo- AL(kaylleneleite@gmail.com)</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>NORMAS LEGAIS BRASILEIRAS NA EFICÁCIA DAS AUDITORIAS AMBIENTAIS: CONTRIBUIÇÕES E DESAFIOS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/normas-legais-brasileiras-na-eficacia-das-auditorias-ambientais-contribuicoes-e-desafios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Aug 2024 18:29:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Administração]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 28 - Edição 136/JUL 2024]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=151360</guid>

					<description><![CDATA[BRAZILIAN LEGAL STANDARDS IN THE EFFECTIVENESS OF ENVIRONMENTAL AUDITS: CONTRIBUTIONS AND CHALLENGES REGISTRO DOI:10.69849/revistaft/th10248061525 Camila Santiago Martins Bernadini 1Pedro Eugênio Oliveira Coêlho 2José Lopes de Sousa Júnior 3Camila Maria da Costa Gomes 4Keila Rocha Ribeiro Costa 5Kelvia Kelle Castro da Silva 6Guilherme da Silva Santos 7Juliana Gomes de Sousa 8Franco Martins Frota 9Raquel Jucá de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>BRAZILIAN LEGAL STANDARDS IN THE EFFECTIVENESS OF ENVIRONMENTAL AUDITS: CONTRIBUTIONS AND CHALLENGES</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI:10.69849/revistaft/th10248061525</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Camila Santiago Martins Bernadini<sup> <strong>1</strong></sup><br>Pedro Eugênio Oliveira Coêlho<sup> <strong>2</strong></sup><br>José Lopes de Sousa Júnior <sup><strong>3</strong></sup><br>Camila Maria da Costa Gomes<strong> <sup>4</sup></strong><br>Keila Rocha Ribeiro Costa <sup><strong>5</strong></sup><br>Kelvia Kelle Castro da Silva <sup><strong>6</strong></sup><br>Guilherme da Silva Santos <sup><strong>7</strong></sup><br>Juliana Gomes de Sousa <sup><strong>8</strong></sup><br>Franco Martins Frota<strong> <sup>9</sup></strong><br>Raquel Jucá de Moraes Sales<sup><strong> 10</strong></sup><br>Raphaelle Silva de Almeida <sup><strong>11</strong></sup><br>Anderson Ruan Gomes de Almeida<sup><strong> 12</strong></sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Auditoria Ambiental é uma ferramenta estratégica na gestão ambiental contemporânea, proporcionando uma avaliação sistemática e independente das práticas ambientais de uma organização, com o objetivo de identificar áreas de risco, oportunidades de melhoria e garantir conformidade legal. Este artigo propõe analisar os dispositivos legais e normativos ligados a auditorias e seus impactos no segmento da auditoria ambiental. Evidenciou-se a importância da integração com sistemas de gestão ambiental e a utilização de ferramentas tecnológicas e reconheceu-se também os desafios enfrentados pelas empresas na implementação e manutenção de programas de auditoria ambiental. Explorou-se, por fim, as tendências emergentes na área de auditoria ambiental. Este artigo visou fornecer uma visão abrangente e atualizada sobre a auditoria ambiental, destacando sua importância como ferramenta de gestão essencial para organizações comprometidas com a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Direito, Dispositivos Legais,Auditoria Ambiental, Sustentabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>SUMMARY</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Environmental Auditing is a strategic tool in contemporary environmental management, providing a systematic and independent assessment of an organization&#8217;s environmental practices, with the aim of identifying areas of risk, opportunities for improvement and ensuring legal compliance. This article proposes to analyze the legal and normative provisions linked to audits and their impacts on the environmental audit segment. The importance of integration with environmental management systems and the use of technological tools was highlighted and the challenges faced by companies in implementing and maintaining environmental audit programs were also recognized. Finally, emerging trends in the area of ​​environmental auditing were explored. This article aimed to provide a comprehensive and up-to-date overview of environmental auditing, highlighting its importance as an essential management tool for organizations committed to sustainability and environmental responsibility.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Law, Legal Devices, Environmental Audit, Sustainability.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, a legislação e diretrizes legais desempenham um papel fundamental tanto na facilitação, quanto na regulamentação dessas auditorias. Vamos explorar como essas normas contribuem ou interferem na realização de auditorias ambientais no ambiente corporativo. A Auditoria Ambiental é uma prática fundamental para organizações que buscam avaliar e melhorar seu desempenho ambiental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante de crescentes preocupações globais com a sustentabilidade e a responsabilidade corporativa, a gestão ambiental tornou-se uma prioridade para empresas de todos os setores. Nesse contexto, a auditoria ambiental surge como uma ferramenta essencial para identificar áreas de risco, garantir conformidade legal, promover eficiência operacional e fortalecer a reputação das organizações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A evolução da prática da auditoria ambiental pode ser compreendida à luz de uma série de fatores preponderantes no contexto socioeconômico e ambiental das últimas décadas. Entre esses fatores, destaca-se o crescente nível de conscientização pública sobre as questões ambientais e os impactos negativos das atividades humanas sobre os ecossistemas naturais. Este aumento na conscientização foi acompanhado por uma resposta legislativa por parte dos governos, resultando no desenvolvimento e implementação de legislações ambientais mais rigorosas e abrangentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a evolução da prática da auditoria ambiental reflete não apenas a crescente preocupação com as questões ambientais, mas também a necessidade de as organizações se adaptarem a um ambiente regulatório em constante transformação e a uma sociedade cada vez mais exigente em relação à sustentabilidade e à responsabilidade corporativa. Nesse sentido, a auditoria ambiental se consolidou como uma ferramenta indispensável para a gestão ambiental eficaz, contribuindo para a promoção de práticas mais sustentáveis e para a mitigação dos impactos negativos das atividades humanas sobre o meio ambiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo tem como objetivo analisar os dispositivos legais e normativos ligados à auditorias e seus impactos no segmento da auditoria ambiental. Ao compreender melhor o papel e a importância da legislação e normas brasileiras na auditoria ambiental, pode-se auxiliar organizações na implementação de práticas mais sustentáveis e responsáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta pesquisa é de natureza quanti-qualitativa, com abordagem de cunho exploratório. Foi realizado levantamento bibliográfico e documental, no período de julho de 2023 a abril de 2024, buscando trazer sustentação teórica à compreensão da sustentabilidade, métricas socioambientais, auditoria e sustentabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DESENVOLVIMENTO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Auditoria Ambiental, enquanto processo essencial na gestão contemporânea das organizações, tem sido objeto de crescente interesse e desenvolvimento ao longo das últimas décadas. Em sua essência, este processo consiste em uma avaliação meticulosa e documentada das práticas ambientais de uma entidade, com a finalidade de verificar sua conformidade com as normas regulatórias vigentes, bem como com suas próprias políticas internas e padrões de desempenho ambiental estabelecidos. Esta avaliação abrange uma ampla gama de elementos, incluindo atividades operacionais, processos produtivos, produtos e serviços oferecidos pela organização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A auditoria ambiental é uma ferramenta fundamental para empresas que buscam avaliar e melhorar seu desempenho ambiental. Tanto a auditoria interna quanto a externa desempenham papéis distintos, mas complementares, na gestão ambiental de uma organização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante destacar que a década de 1970 marcou um ponto de inflexão significativo no desenvolvimento da auditoria ambiental, com o surgimento do movimento ambientalista global e a promulgação de leis ambientais pioneiras em diversos países. Estas legislações estabeleceram uma base legal sólida para a condução de auditorias ambientais, estipulando padrões mínimos de desempenho ambiental e requisitos de conformidade que as organizações deveriam atender. Neste contexto, a auditoria ambiental emergiu como uma ferramenta de gestão essencial para empresas que buscavam se adequar às novas exigências legais e se posicionar como agentes responsáveis perante a sociedade e o meio ambiente (LEE, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A auditoria ambiental interna é conduzida por funcionários da própria organização e visa avaliar a conformidade com políticas, procedimentos e regulamentações ambientais internas e externas. Kim e Perera (2017) destaca a importância da auditoria interna na identificação de práticas ambientais inadequadas e na implementação de medidas corretivas. Além disso, a auditoria interna pode ajudar a promover uma cultura de sustentabilidade (KRÜGER &amp; HEITMANN, 2020) dentro da organização, conforme discutido por Stubbs e Higgins (2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A auditoria ambiental externa é realizada por auditores independentes, muitas vezes contratados pela empresa para fornecer uma avaliação imparcial de seu desempenho ambiental. Estudos como o de Darnall e Edwards (2006) destacam a credibilidade e a transparência proporcionadas pela auditoria externa, que pode ser decisiva para construir a confiança das partes interessadas, incluindo investidores, clientes e comunidades locais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em meio às diferenças entre auditoria interna e externa, há oportunidades para integração e complementaridade entre os dois processos. Pesquisas como a de Hassas Yeganeh e Jusoh (2016) enfatizam a importância de uma abordagem integrada para a auditoria ambiental, que combine elementos de ambos os tipos de auditoria para fornecer uma visão abrangente do desempenho ambiental de uma organização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ambos os tipos de auditoria ambiental enfrentam desafios significativos, como a complexidade de avaliar o impacto ambiental das cadeias de suprimentos globais e a falta de métricas padronizadas para avaliar o desempenho ambiental (ADAMS, MUIR e HOQUE, 2016). No entanto, esses desafios também representam oportunidades para inovação e melhoria contínua na prática da auditoria ambiental, conforme discutido por Oliveira et al. (2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A auditoria ambiental interna e externa desempenha papéis complementares na gestão ambiental de uma organização. Enquanto a auditoria interna oferece uma visão detalhada das práticas e processos internos, a auditoria externa fornece credibilidade e transparência para partes interessadas externas. Uma abordagem integrada e colaborativa para a auditoria ambiental pode maximizar os benefícios e minimizar os desafios associados à avaliação do desempenho ambiental de uma organização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem várias metodologias e abordagens para a realização de auditorias ambientais, cada uma com suas características e aplicações específicas. Entre as mais comuns, destaca-se aqui as Auditorias de Conformidade Legal, Auditorias de Desempenho Ambiental, Auditorias de Sistemas de Gestão Ambiental (SGA), Auditorias de Due Diligence Ambiental e Auditorias para ESG (Ambiental, Social e Governança). Abaixo, ressalta-se a qual aplicação se refere cada uma das auditorias citadas:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>Auditorias de Conformidade Legal:</strong> Concentram-se na verificação do cumprimento das leis, regulamentos e normas ambientais aplicáveis a uma organização.</li>



<li><strong>Auditorias de Desempenho Ambiental:</strong> Avaliam o impacto ambiental das operações de uma empresa, analisando seus processos, práticas e resultados em termos de consumo de recursos naturais, emissões, resíduos e poluição.</li>



<li><strong>Auditorias de Sistemas de Gestão Ambiental (SGA):</strong> Avaliam a eficácia e adequação dos sistemas de gestão ambiental implementados por uma organização, como o ISO 14001, identificando áreas de melhoria e oportunidades de conformidade.</li>



<li><strong>Auditorias de Due Diligence Ambiental</strong>: Realizadas durante processos de fusões, aquisições ou financiamentos para avaliar os riscos ambientais associados a uma transação e garantir a conformidade com requisitos legais e regulatórios.</li>



<li><strong>Auditorias para ESG (Ambiental, Social e Governança):</strong> Representa uma abordagem integral na avaliação do desempenho das empresas em relação a questões ambientais, sociais e de governança. Essa prática, cada vez mais adotada por organizações em todo o mundo, visa não apenas a maximização do lucro, mas também a criação de valor sustentável a longo prazo, levando em consideração não apenas o impacto financeiro, mas também o impacto nas comunidades, no meio ambiente e na sociedade como um todo.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">A metodologia utilizada para realização da auditoria ambiental num dado ambiente corporativo pode variar de acordo com as características específicas de cada empresa e setor, mas geralmente envolve a coleta de dados, análise de informações, coleta de informações, expectativas e perspectivas das partes interessadas e avaliação do desempenho em relação a padrões reconhecidos e melhores práticas do mercado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, é dever da equipe de auditoria ambiental e do cliente corporativo estarem atentos à existência de diversos dispositivos legais na estrutura jurídica e normativa brasileira que amparam as práticas de auditoria empresarial, sejam quais forem seus fins. Essa observância é fundamental para evitar desconformidades legais e possíveis punições e repercussões negativas ao negócio a ser auditado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fim de desenvolver um levantamento sistemático e análise do amparo legal brasileiro frente aos processos de auditoria ambiental empresarial, serão abordados a seguir:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Lei nº 6.404/1976</li>



<li>Lei nº 10.593/2002</li>



<li>Norma 10180/2001</li>



<li>Lei nº 11.638/2007</li>



<li>ISO 19011</li>



<li>Lei nº 8.218/1991</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A Lei nº 6.404/76, conhecida como Lei das Sociedades por Ações, é uma das principais legislações que regulamentam o funcionamento das empresas no Brasil. Promulgada em 15 de dezembro de 1976, esta lei estabelece diretrizes essenciais para a constituição, organização e operação das sociedades por ações, incluindo normas sobre auditoria externa. Esta lei é composta por diversas disposições que abordam aspectos variados da governança corporativa, incluindo:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Constituição e Capital das Sociedades: Define os requisitos para a formação de sociedades por ações, incluindo regras sobre capital social, tipos de ações e direitos dos acionistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Administração e Fiscalização: Estabelece normas sobre a administração das sociedades, incluindo a composição e as responsabilidades dos conselhos de administração e fiscal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Demonstrações Financeiras: Determina a obrigatoriedade da preparação e divulgação de demonstrações financeiras anuais, seguindo princípios contábeis estabelecidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Auditoria Externa: Impõe a necessidade de auditoria externa para empresas de grande porte, garantindo a transparência e a confiabilidade das informações financeiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A obrigatoriedade de auditoria externa estabelecida pela Lei 6.404/76 é um dos seus aspectos mais relevantes. As principais implicações desta exigência são: transparência e confiabilidade, conformidade e rigor, e acesso ao mercado de capitais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a crescente importância dos critérios ESG, a Lei 6.404/76, embora originalmente focada em aspectos financeiros, também influencia indiretamente as práticas de auditoria relacionadas ao ESG, uma vez que a exigência de auditoria externa motiva as empresas a incluírem informações ESG em seus relatórios financeiros, a presença de auditorias externas incentiva as empresas a adotarem práticas ESG mais rigorosas e confiáveis, sabendo que essas práticas serão examinadas por auditores independentes, e à medida que a demanda por informações ESG cresce, as empresas são incentivadas a integrar esses critérios em suas demonstrações financeiras, criando uma visão mais holística do desempenho corporativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, mais recentemente, a Lei 10.593/2002, também conhecida como &#8220;Lei do Auditor Independente&#8221;, surgiu para estabelecer normas e requisitos para a atuação dos auditores independentes no país. Promulgada em 6 de dezembro de 2002, foi criada com o objetivo de fortalecer a transparência e a credibilidade das informações financeiras das empresas por meio da auditoria externa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Lei do Auditor Independente define o papel do auditor independente e estabelece os requisitos necessários para que um profissional ou uma firma de auditoria possa atuar como auditor independente. Isso inclui critérios de qualificação técnica, independência em relação à empresa auditada e conformidade com normas éticas e de conduta profissional. Ela determina que os auditores independentes devem seguir normas específicas de auditoria reconhecidas nacional ou internacionalmente. Essas normas visam assegurar que a auditoria seja realizada de maneira objetiva, competente e consistente, garantindo a qualidade e a confiabilidade das informações auditadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao exigir a auditoria independente, a lei 10.593/2002 contribui para fortalecer a governança corporativa das empresas, promovendo a transparência na divulgação de informações financeiras e protegendo os interesses dos investidores e demais stakeholders. Ela obteve um impacto significativo no ambiente regulatório e empresarial brasileiro, proporcionando maior confiança e segurança aos mercados financeiros. Ao estabelecer diretrizes claras para a atuação dos auditores independentes, a lei ajudou a elevar os padrões de auditoria no país, alinhando-os com práticas internacionais de transparência e governança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste mesmo período, em 2001, a Norma 10180/2001 surge como uma regulamentação brasileira que estabelece diretrizes específicas para a auditoria independente no país. Ela foi criada com o objetivo de padronizar os procedimentos e as práticas adotadas pelos auditores independentes durante suas atividades de verificação das demonstrações financeiras das empresas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta norma define claramente os objetivos da auditoria independente, que incluem a emissão de uma opinião sobre se as demonstrações financeiras estão livres de distorções relevantes e são apresentadas de acordo com as normas contábeis aplicáveis. Ela se aplica a todas as entidades sujeitas à auditoria externa no Brasil, independentemente do porte ou do setor de atuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nela, as responsabilidades do auditor independente devem ser conduzidas com independência, objetividade e integridade. O auditor é responsável por planejar e executar a auditoria de acordo com normas técnicas reconhecidas, garantindo a adequada aplicação dos procedimentos de auditoria para obter evidências suficientes e apropriadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Norma 10180/2001 se mostra como âncora na garantia da qualidade e da confiabilidade das informações financeiras divulgadas pelas empresas brasileiras. Ao estabelecer diretrizes rigorosas para a auditoria independente, ela promove a transparência, protege os interesses dos investidores e fortalece a governança corporativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já a Lei nº 11.638/2007 se refere à modernização das práticas contábeis no Brasil e representa um marco significativo na contabilidade brasileira, ao modernizar e alinhar as práticas contábeis do país com os padrões internacionais. Promulgada em 28 de dezembro de 2007, esta lei trouxe mudanças substanciais na Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/76), com o objetivo de aumentar a transparência e a comparabilidade das demonstrações financeiras das empresas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme Iudícibus, Martins e Gelbcke (2008, p. 32), essas mudanças também fazem parte do processo de convergência através da <em>“[&#8230;] adoção da filosofia de que as normas contábeis devem ser centradas muito mais nos princípios e nos objetivos do que se pretende obter como informação, do que em um enorme conjunto de regras a serem observadas”</em>.&nbsp; Estará sendo aplicado o julgamento do profissional, o que se chama de Subjetivismo Responsável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A lei de modernização das práticas contábeis introduziu novas perspectivas na contabilidade e na governança corporativa no Brasil, incluindo:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adoção de Normas Internacionais de Contabilidade: A lei promoveu a convergência das normas contábeis brasileiras com as Normas Internacionais de Relatório Financeiro (IFRS). Isso facilitou a harmonização das práticas contábeis e aumentou a comparabilidade das demonstrações financeiras das empresas brasileiras com aquelas de outros países.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Demonstrações de Resultado Abrangente: A lei introduziu a obrigatoriedade da elaboração da Demonstração do Resultado Abrangente, que inclui todas as variações no patrimônio líquido que não estão relacionadas a transações com os sócios, como ajustes de avaliação patrimonial e ganhos e perdas atuariais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ativos Intangíveis e Avaliação a Valor Justo: A Lei nº 11.638/2007 trouxe maior ênfase na contabilização e divulgação de ativos intangíveis e a aplicação do valor justo para mensuração de certos ativos e passivos, aumentando a relevância e a fidedignidade das informações contábeis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Demonstração dos Fluxos de Caixa: A lei tornou obrigatória a elaboração da Demonstração dos Fluxos de Caixa, proporcionando uma visão mais clara sobre a liquidez e a saúde financeira das empresas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a Lei nº 11.638/2007 tenha focado principalmente na modernização das práticas contábeis financeiras, suas disposições também facilitam a integração de critérios ESG nas auditorias empresariais: A adoção das Normas Internacionais de Relatório Financeiro (IFRS) no Brasil promove a harmonização das práticas de auditoria ambiental com padrões globais, cujo formato visa satisfazer as expectativas de investidores e stakeholders internacionais preocupados com a sustentabilidade. A melhoria na qualidade das demonstrações financeiras, com maior divulgação de ativos intangíveis e passivos ambientais, não só aumenta a transparência, mas também reforça a confiabilidade das informações ESG. Além disso, as exigências crescentes por detalhamento e transparência nas demonstrações financeiras criam um ambiente favorável para auditorias ESG mais abrangentes, proporcionando uma avaliação mais profunda das práticas de sustentabilidade adotadas pelas empresas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O dispositivo da ISO 19011 é uma norma internacional que estabelece diretrizes para a realização de auditorias de sistemas de gestão, independentemente do tipo de organização ou setor em que atuam. Publicada pela International Organization for Standardization (ISO), esta norma fornece orientações detalhadas sobre como planejar, conduzir, gerenciar e melhorar auditorias internas e externas de sistemas de gestão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu escopo e aplicação se valem a todos os tipos de sistemas de gestão, incluindo qualidade, meio ambiente, saúde e segurança ocupacional, segurança da informação, entre outros. Ela define os princípios fundamentais e requisitos gerais para a auditoria, independentemente do tamanho, complexidade ou natureza da organização. A norma estabelece que o objetivo principal das auditorias é avaliar a conformidade e a eficácia do sistema de gestão, bem como identificar oportunidades de melhoria. Isso ajuda as organizações a assegurar que seus sistemas de gestão estejam funcionando conforme planejado e que continuem a atender aos requisitos e expectativas relevantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suas diretrizes, a ISO 19011 define uma série de princípios que devem guiar o processo de auditoria, incluindo: integridade, imparcialidade, competência profissional, confidencialidade, abordagem baseada em evidências e foco no risco. Esses princípios garantem que as auditorias sejam conduzidas de maneira ética, rigorosa e eficaz. Desse modo, ela norteia o planejamento da auditoria, incluindo a seleção de auditores, a definição do escopo e dos critérios de auditoria, a preparação do programa de auditoria e a execução das atividades de auditoria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, a Lei nº 8.218/1991, promulgada em 29 de agosto de 1991, estabelece disposições sobre a fiscalização e o controle das atividades financeiras de empresas no Brasil. Esta lei é relevante para a governança corporativa e a transparência nas operações empresariais, pois determina a obrigatoriedade de auditoria independente para certas empresas devido ao seu porte e importância econômica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela estabelece que empresas de grande porte ou com significativa importância econômica deve ser submetidas à auditoria independente. Isso inclui empresas com receitas, ativos ou número de empregados acima de determinados limites estipulados pela legislação. A obrigatoriedade de auditoria independente visa assegurar que as demonstrações financeiras dessas empresas sejam revisadas por auditores externos qualificados, aumentando a transparência e a confiabilidade das informações financeiras divulgadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Lei nº 8.218/1991 especifica critérios para determinar quais empresas estão sujeitas à auditoria independente. Esses critérios geralmente incluem o valor do ativo total, a receita bruta anual e o número de empregados, embora possam variar com base em regulamentações complementares emitidas por órgãos governamentais ou reguladores. Nelas, auditores independentes são responsáveis por examinar as demonstrações financeiras das empresas obrigadas e emitir um parecer sobre a adequação e a veracidade dessas informações. Estabelece que os auditores sigam padrões técnicos e éticos rigorosos, garantindo que as auditorias sejam conduzidas de maneira imparcial e profissional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta legislação também define os mecanismos de fiscalização e controle para assegurar o cumprimento das obrigações de auditoria. Isso inclui a possibilidade de penalidades para empresas que não atendam aos requisitos de auditoria independente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp; A obrigatoriedade de auditoria independente para grandes empresas é de grande valia para as auditorias ambientais corporativas, pois assegura que as empresas sejam avaliadas de maneira regular e rigorosa. Isso aumenta a transparência das informações financeiras e não financeiras divulgadas, promovendo a confiança dos investidores e outras partes interessadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Percebeu-se que os dispositivos legais e normativos observados apresentam diversas benesses para a alta qualificação e melhoria de desempenho corporativos. Por outro lado, tais dispositivos enfrentam desafios significativos, como a complexidade de avaliar o impacto ambiental das cadeias de suprimentos globais e a falta de métricas padronizadas para avaliar o desempenho ambiental (ADAMS, MUIR e HOQUE, 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise sistemática da letra da lei dos dispositivos analisados permitiu identificar aspectos positivos e negativos em suas aplicações: aspectos positivos voltados para sua contribuição para o fortalecimento das auditorias ambientais corporativas, como tanto aspectos negativos ligados a limitações neles existentes a sua plena aplicabilidade e eficientização nos processos de auditoria empresarial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Quadro 1 abaixo sistematiza a relação entre cada dispositivo legal e normativo abordado e sua respectiva descrição breve, sua contribuição para as auditorias ambientais, bem como limitações identificadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1</strong>: Sistematização das legislações brasileiras relacionadas às auditorias ambientais corporativas</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Legislação/</strong><strong></strong> <strong>Norma</strong><strong></strong></td><td><strong>Descrição</strong><strong></strong></td><td><strong>Contribuição para Auditorias Ambientais Corporativas</strong><strong></strong></td><td><strong>Limitações</strong><strong></strong></td></tr><tr><td><strong>Lei 6.404/76:</strong> <strong>Lei das Sociedades por Ações</strong><strong></strong></td><td>Estabelece a obrigatoriedade da auditoria externa para empresas de grande porte, criando um ambiente de maior transparência e confiabilidade nas informações divulgadas.</td><td>Facilita a inclusão de informações ESG nos relatórios anuais devido à exigência de transparência nas demonstrações financeiras.</td><td>Foca principalmente em aspectos financeiros, limitando a abrangência das auditorias ESG.</td></tr><tr><td><strong>Lei 11.638/2007: Altera e revoga dispositivos da Lei no&nbsp;6.404/1976, e da Lei no&nbsp;6.385/1976, e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras.</strong></td><td>Atualiza as práticas contábeis no Brasil, alinhando-as com os padrões internacionais e promovendo a transparência e comparabilidade das informações financeiras.</td><td>Facilita a incorporação de critérios ESG nas auditorias, atendendo às exigências de investidores internacionais.</td><td>Exige treinamento e atualização contínua dos auditores para se adaptarem às novas exigências ESG.</td></tr><tr><td><strong>Lei 10.593/2002:</strong> <strong>Lei do Auditor Independente</strong></td><td>Regula a profissão de auditor no Brasil, enfatizando a qualificação e a ética dos profissionais.</td><td>Assegura que os auditores envolvidos nas auditorias ESG sejam competentes e sigam altos padrões éticos, contribuindo para a credibilidade dos relatórios de sustentabilidade.</td><td>Falta de regulamentações específicas sobre ESG, limitando a especialização dos auditores nesse campo.</td></tr><tr><td><strong>Norma 10180/2001: Organiza e disciplina os Sistemas de Planejamento e de Orçamento Federal, de Administração Financeira Federal, de Contabilidade Federal e de Controle Interno do Poder Executivo Federal, e dá outras providências.</strong></td><td>Estabelece diretrizes para a auditoria independente, promovendo a objetividade e a integridade do processo de auditoria.</td><td>Apoia as auditorias ESG ao assegurar que os relatórios sejam imparciais e baseados em evidências sólidas.</td><td>Tradicionalmente focada em auditorias financeiras, exigindo adaptação das práticas para incluir critérios de sustentabilidade. &nbsp; &nbsp;</td></tr><tr><td><strong>ISO 19011:</strong> <strong>Diretrizes para Auditorias de Sistemas de Gestão</strong></td><td>Oferece diretrizes abrangentes para a auditoria de sistemas de gestão, incluindo critérios ESG.</td><td>Fornece um framework estruturado para auditorias ESG, promovendo uma abordagem sistemática e integrada.</td><td>Nenhuma limitação significativa especificada.</td></tr><tr><td><strong>Lei 8.218/1991: Dispõe sobre Impostos e Contribuições Federais, Disciplina a Utilização de Cruzados Novos, e dá outras Providências.</strong></td><td>Determina que certas empresas devem ser submetidas a auditoria independente devido ao seu tamanho e importância econômica.</td><td>Assegura que grandes empresas, com impacto significativo na sociedade e no meio ambiente, sejam regularmente avaliadas em suas práticas de sustentabilidade.</td><td>Concentra-se mais em obrigações financeiras, limitando a profundidade das auditorias ESG, exigindo ampliação do escopo para incluir critérios não financeiros.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: os autores, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Lei nº 6.404/76 desempenha um papel estrutural na estruturação e operação das sociedades por ações no Brasil, promovendo a transparência e a confiabilidade das informações financeiras através da auditoria externa. No contexto das auditorias ESG, essa legislação, embora não especificamente destinada a critérios de sustentabilidade, cria um ambiente propício para a integração de práticas ESG nas demonstrações financeiras e na governança corporativa. A adaptação contínua das práticas de auditoria para incluir critérios ESG e a expansão das regulamentações são essenciais para que as empresas possam responder às crescentes demandas por sustentabilidade e responsabilidade social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em resumo, a Lei nº 10.593/2002 desempenha um papel fundamental na proteção dos interesses públicos e na promoção da integridade das informações financeiras das empresas no Brasil, assegurando que a auditoria independente seja conduzida de maneira imparcial e profissional, essencial para a confiança dos investidores e a estabilidade do mercado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Norma 10180/2001 é essencial para o funcionamento eficaz do mercado de capitais no Brasil, assegurando que as empresas sejam auditadas de acordo com padrões técnicos rigorosos e que os relatórios resultantes sejam utilizados como ferramentas fundamentais para a tomada de decisões pelos diversos stakeholders.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Lei nº 11.638/2007 foi um marco importante para a modernização das práticas contábeis no Brasil, promovendo a transparência, a comparabilidade e a qualidade das demonstrações financeiras das empresas. Além de seus impactos diretos nas práticas contábeis financeiras, a lei também contribui indiretamente para a auditoria de critérios ESG, facilitando a integração de práticas sustentáveis nas avaliações contábeis e aumentando a confiança dos stakeholders nas informações divulgadas. A contínua adaptação às normas internacionais e a capacitação dos profissionais de contabilidade são essenciais para manter a relevância e a eficácia dessas mudanças no cenário corporativo brasileiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ISO 19011 desempenha um papel fundamental, ponto de vista mercadológico, ao fornecer um guia estruturado e uniforme para a condução de auditorias de sistemas de gestão em nível global. Isso ajuda as organizações a melhorar continuamente seus processos, identificar áreas de risco e oportunidades de melhoria, e demonstrar conformidade com requisitos regulamentares e normativos. Além disso, a norma promove a confiança e a credibilidade nos resultados das auditorias, beneficiando tanto as próprias organizações quanto seus clientes, parceiros e outras partes interessadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Lei nº 8.218/1991 é um marco importante na regulação das auditorias independentes no Brasil, promovendo a transparência e a credibilidade das informações financeiras. Sua implementação é essencial para garantir que grandes empresas sejam submetidas a avaliações rigorosas e regulares, o que pode ser expandido para incluir critérios ESG, alinhando-se com as melhores práticas globais de sustentabilidade e governança corporativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dispositivos legais brasileiros delineiam um cenário onde a auditoria ESG é não apenas uma obrigação, mas uma oportunidade estratégica. No entanto, a implementação eficaz dessas auditorias enfrenta desafios significativos. Entre eles, destacam-se a necessidade de desenvolvimento de metodologias específicas para critérios ESG, a capacitação contínua dos auditores e a integração das práticas ESG nas estratégias corporativas de forma holística.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, as tendências indicam um movimento crescente em direção à digitalização e automação dos processos de auditoria. Ferramentas de big data e inteligência artificial estão sendo progressivamente incorporadas, proporcionando análises mais detalhadas e previsões mais precisas sobre os impactos ESG. Além disso, há uma pressão crescente por relatórios integrados, que combinam informações financeiras e não financeiras, oferecendo uma visão completa e transparente sobre o desempenho das empresas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A legislação e diretrizes legais brasileiras desempenham um papel fundamental na realização de auditorias ambientais empresariais, proporcionando um arcabouço de transparência, ética e comparabilidade. Ao promoverem transparência, ética e rigor metodológico, essas leis e normas estabelecem as bases para uma auditoria ambiental eficaz e confiável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora as leis existentes contribuam significativamente para a credibilidade e a qualidade das auditorias, há uma necessidade crescente de adaptar e expandir essas regulamentações para abranger de maneira mais completa os critérios de sustentabilidade valorizados mundialmente. Isso inclui a capacitação contínua dos auditores, a adoção de normas internacionais como a ISO 14001 e a integração mais ampla de práticas de sustentabilidade nas exigências legais existentes. Dessa forma, o Brasil pode avançar rumo a uma maior sustentabilidade corporativa, beneficiando a sociedade e o meio ambiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Superar os desafios inerentes e aproveitar as tendências emergentes serão fundamentais para que as empresas alcancem uma sustentabilidade corporativa robusta, beneficiando não apenas os acionistas, mas toda a sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ADAMS, C., MUIR, S., &amp; HOQUE, Z. <strong>Measurement of Sustainability Performance in the Public Sector</strong>. Sustainability Accounting, Management and Policy Journal, v. 7, n. 1, p. 86-114, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT ISO/IEC 19011: <strong>Auditoria e Sistema de gestão da qualidade.</strong> Vocabulário geral. Rio de Janeiro, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Lei Federal nº 10.180, de 6 de fevereiro de 2001. <strong>Organiza e Disciplina Os Sistemas de Planejamento e de Orçamento Federal, de Administração Financeira Federal, de Contabilidade Federal e de Controle Interno do Poder Executivo Federal, e Dá Outras Providências.</strong> Congresso Nacional, 7 fev. 2001.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Lei Federal nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002. <strong>Dispõe Sobre A Reestruturação da Carreira Auditoria do Tesouro Nacional, Que Passa A Denominar-Se Carreira Auditoria da Receita Federal &#8211; ARF, e Sobre A Organização da Carreira Auditoria-Fiscal da Previdência Social e da Carreira Auditoria-Fiscal do Trabalho, e Dá Outras Providências</strong>. Senado Federal, 9 dez. 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Lei Federal nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007<strong>. Altera e Revoga Dispositivos da Lei no 6.404, de 15 de Dezembro de 1976, e da Lei no 6.385, de 7 de Dezembro de 1976, e Estende Às Sociedades de Grande Porte Disposições Relativas À Elaboração e Divulgação de Demonstrações Financeiras.</strong> Brasília, 28 dez. 2007.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Lei Federal nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. <strong>Dispõe Sobre As Sociedades Por Ações</strong>. Brasília, 17 dez. 1976.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Lei Federal nº 8.218, de 29 de agosto de 1991. <strong>Dispõe Sobre Impostos e Contribuições Federais, Disciplina A Utilização de Cruzados Novos, e Dá Outras Providências.</strong> Brasília, 30 ago. 1991.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DARNALL, N., &amp; EDWARDS, D. Predicting the Cost of Environmental Management System Adoption: The Role of Capabilities, Resources and Ownership Structure. <strong>Strategic Management Journal,</strong> v. 27, n. 4, 301-320, 2006.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HASSAS YEGANEH, Y., &amp; JUSOH, R. Corporate Sustainability Reporting and Stakeholder Concerns: Is There a Disconnect? <strong>Journal of Cleaner Production</strong>, v, 136, 85-93, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens. <strong>Manual de Contabilidade das Sociedades por ações: Aplicável às demais Sociedades: Suplemento.</strong> São Paulo: Atlas, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KIM, Y., &amp; PERERA, L. Environmental, Social, and Governance (ESG) Reporting: A Review of the Global Trends and Issues. <strong>Review of Business</strong>, v. 37, n. 2, p. 81-94, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KRÜGER, P., SÖHN, M., &amp; HEITMANN, M. Corporate Sustainability Reporting: A Review and Research Agenda. <strong>Journal of Business Ethics</strong>, v. 167, n. 2, 363-384, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LEE, S. Environmental Auditing. In <strong>Encyclopedia of Ecology</strong>. p. 421-429, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA, L. D. R., SARAIVA, L. A. M., FERREIRA, G. B., &amp; DE FRANÇA, S. A. The relationship between environmental, social, and governance factors and financial performance in Brazilian companies. <strong>Journal of Cleaner Production</strong>, v. 258, 120774, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">STUBBS, W., &amp; HIGGINS, C. A Framework for Environmental, Social and Governance (ESG) Risks in Project Finance. <strong>Journal of Sustainable Finance &amp; Investment</strong>, v. 9, n. 1, p. 25-46, 2019.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1 </sup>Pós-Graduada em Gestão de Projetos, Faculdade do Leste Mineiro. Minas Gerais-MG. Fortaleza-CE. E-mail: milabernadini@yahoo.com.br</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>2</sup> Pós-Graduado em Direito e Processo Civil, Centro Universitário Estácio, Fortaleza-CE. E-mail: pedroeoc@hotmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>3</sup> Pós-Graduado em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho, Faculdade UniChristus. Fortaleza-CE. E-mail: lopesjunioradv@yahoo.com.br</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>4</sup> Pós-Graduada em Administração Patrimonial, Faculdade UNIBF. Fortaleza-CE. E-mail: gomes@inoverdes.com.br</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>5</sup> Pós-Graduada em Direito Processual, UNISUL – Universidade do Sul de Santa Catarina. E-mail: adv.keila@gmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>6</sup> Pós-Graduada em Gestão Empresarial Avançada, Faculdade FANOR, Fortaleza-CE. E-mail: kelviakelle@gmail.com;</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>7 </sup>Pós-Graduado em Direito Constitucional, Faculdade FOCUS, Cascavel-PR. E-mail: guisantoss1987@gmail.com;</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>8</sup> Pós-Graduado em Direito do Tributário, Instituto de Educação e Cultura de Capanema. Capanema-PR. E-mail: juliana.adv.fic@gmail.com;</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>9</sup> Graduado em Direito, Faculdade Princesa do Oeste, Crateús-CE. E-mail: francofrota@gmail.com;</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>10</sup> Doutora em Engenharia Civil, Universidade Federal do Ceará – UFC. Fortaleza-CE. E-mail: raqueljuca@unifor.br;</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>11</sup> Doutora em Engenharia de Transportes, Universidade Federal do Ceará – UFC. Fortaleza-CE. E-mail: raphaelle@unifor.br;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>12</sup> Mestrado em Engenharia Civil, Universidade Federal do Ceará – UFC. Fortaleza-CE. E-mail: andersonalmeida@unifor.br;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ANÁLISE DOS IMPACTOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NA INFRAESTRUTURA URBANA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/analise-dos-impactos-das-mudancas-climaticas-na-infraestrutura-urbana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Aug 2024 14:52:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Engenharia Civil]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 28 - Edição 136/JUL 2024]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10247061152 Erick Vitório Nascimento AguiarGabriel Gomes PereiraRaikson Henrique Oliveira Dos SantosThiago Vieira De SouzaVinicius Pereira Da SilvaOrientador(es):Prof.a Esp. Ana Caroline Pereira NolascoProf. Esp. Leonardo Telles de Souza Pessoa Filho RESUMO Este trabalho aborda os impactos das mudanças climáticas na infraestrutura urbana. As mudanças climáticas resultam em alterações na sociedade moderna, com impacto no [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10247061152</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Erick Vitório Nascimento Aguiar<br>Gabriel Gomes Pereira<br>Raikson Henrique Oliveira Dos Santos<br>Thiago Vieira De Souza<br>Vinicius Pereira Da Silva<br>Orientador(es):Prof.a Esp. Ana Caroline Pereira Nolasco<br>Prof. Esp. Leonardo Telles de Souza Pessoa Filho</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho aborda os impactos das mudanças climáticas na infraestrutura urbana. As mudanças climáticas resultam em alterações na sociedade moderna, com impacto no nosso meio de vida e na forma como enxergamos o mundo. Não diferente, as áreas urbanas também serão afetadas pelos impactos provocados adversidades climáticas, conflitos estes que podem afetar a infraestrutura urbana, sua população, serviços públicos, economia social e ambiental.&nbsp;Com o aumento das temperaturas globais e a grande ocorrência de eventos climáticos extremos, as cidades enfrentam desafios significativos em relação à adaptação e resiliência de suas infraestruturas. Com isso, diversas regiões do planeta são impactadas, especialmente as mais vulneráveis, ou seja, as que não tem muitos recursos.&nbsp;Diante desse cenário, devemos ouvir e obedecer ao que a ciência tem a dizer. Provavelmente temos pouco tempo para planejar e executar ações que possam reverter os efeitos das mudanças climáticas.&nbsp;Para que isso seja possível, as ações devem ser certos, transparentes e baseadas na ciência. Caso contrário, cada dia que se passa pior fica o cenário.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras</strong>&#8211;<strong>chave</strong>:  mudanças climáticas, temperaturas, eventos extremos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">This work addresses the impacts of climate change on urban infrastructure. Climate change results in changes in modern society, impacting our way of life and the way we see the world. No different, cities will also be affected by the impacts caused by climate change, conflicts that could affect urban infrastructure, its population, public services, social and environmental economy. With rising global temperatures and the high occurrence of extreme weather events, cities face significant challenges in relation to the adaptation and resilience of their infrastructure. As a result, several regions of the planet are impacted, especially the most vulnerable, that is, those that do not have many resources. Given this scenario, we must listen and obey what science has to say. We probably have little time to plan and execute actions that can reverse the effects of climate change. For this to be possible, actions must be more ambitious, transparent and based on science. Otherwise, each day that passes will become more serious.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: climate change, temperatures, extreme events.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>1. Introdução</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As mudanças climáticas representam uma das maiores ameaças à sustentabilidade e funcionalidade das cidades ao redor do mundo. Conforme a temperatura global continua a subir e os padrões de clima se tornam cada vez mais extremos, a infraestrutura urbana enfrenta desafios crescentes adaptar-se e mitigar os impactos destas mudanças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A infraestrutura urbana desempenha um papel fundamental para permitir a vida das cidades, fornecendo serviços essenciais, tais como transporte, água, energia, saneamento e habitação entre outros. No entanto, esta infraestrutura está a ser cada vez mais está sob pressão devido aos impactos das mudanças climáticas. Eventos climáticos extremos, como inundações, ondas de calor, secas, tempestades, estão a tornar-se mais frequente e mais intensos. Colocando em perigo a funcionalidade e segurança das cidades (SOUZA, BARBOSA; COSTA, 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Um dos principais impactos das mudanças climáticas sobre a infraestrutura urbana é o aumento frequência e severidade das inundações. A elevação do nível do mar e as chuvas mais intensas que poderia concentrar a água que alaga mais rápido do que o sistema de drenagem é capaz de resolver tornando inundações costeiras e fluviais mais comuns. Ameaçando áreas urbanas densamente povoadas e infraestruturas críticas, como sistemas de transporte, redes de esgoto e instalações industriais. As inundações, muitas vezes seguem, contribuindo ainda mais para o estresse hídrico e resultando em enormes prejuízos econômicos e sociais, pois a má drenagem pode danificar gravemente edifícios e propriedades (Santos, 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Além disso, a demanda crescente por energia e água potável, resultante do aumento das temperaturas e da rápida urbanização é outro grande desafio. Ondas de calor mais longas e mais quentes já sobrecarregaram os sistemas de energia em algumas cidades, intensificando o risco de apagões e interrupções no fornecimento de eletricidade (AES Tietê, 2014). Durante este tempo, a escassez de água se tornou uma preocupação cada vez mais severa em um número crescente de cidades, muitas delas localizadas em regiões suscetíveis a secas, o que faz com que seja necessário desenvolver estratégias de gestão hídrica sustentável e diversificar as opções de fontes de abastecimento (ANA, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As alterações climáticas, além de serem um problema que provoca impactos físicos, estão também a intensificar as disparidades sociais e económicas nas áreas <img loading="lazy" decoding="async" width="164" height="51" src="" alt="UEMASUL - Brasão e Identidade Visual">urbanas (Araújo e Oliveira, 2022). Os assentamentos vulneráveis ​​são geralmente habitados pelas populações mais desfavorecidas e socialmente excluídas, pois vivem em zonas de alto risco, como encostas instáveis, margens de rios propensas a inundações ou locais onde há infraestrutura insuficiente. Estas comunidades vulneráveis ​​estão altamente expostas aos riscos dos extremos climáticos e não têm acesso a infraestruturas básicas e a serviços de resiliência (APOLLARO; ALVIM, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os mecanismos de adaptação das cidades são <a>medidas</a> que incluem o planeamento do uso do solo para evitar a construção em áreas de risco, a implementação de sistemas de drenagem urbana sustentáveis ​​e a construção de estruturas e infraestruturas mais resilientes, que são essenciais para o desenvolvimento da resiliência das cidades às alterações climáticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A implementação de medidas eficazes de adaptação e mitigação requer um forte compromisso político, uma dotação financeira suficiente e colaborações adequadas entre os governos locais, o sector privado, a sociedade civil e as comunidades locais. Só através destes é que poderemos garantir a resiliência e a consistência das zonas urbanas face às alterações climáticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O objetivo desta pesquisa é examinaremos com os efeitos das mudanças climáticas sobre a infraestrutura urbana, explorando os principais desafios enfrentados pelas cidades e as estratégias que serão necessárias para assegurar a resiliência e sustentabilidade das áreas urbanas no futuro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A metodologia do estudo para realização deste trabalho pode ser dividida em duas etapas: A análise de danos que as mudanças climáticas podem trazer a estrutura e ao solo, assim como houve também o uso de revisão bibliográfica das literaturas consultivas que agregam conhecimento ao tema abordado. A avaliação de estruturas e solos foi feita através da comparação entre imagem obtidas, mas também a partir de revisões bibliográficas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. RESULTADOS E DISCUSSÕES </strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Figura 1 – Planta do Projeto apresentado no artigo.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="945" height="535" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-185.png" alt="" class="wp-image-151347" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-185.png 945w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-185-300x170.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-185-768x435.png 768w" sizes="(max-width: 945px) 100vw, 945px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Secretaria Municipal de Açailândia-MA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A figura 1 demonstra o projeto de “Contenção de erosão com sistema de drenagem pluvial urbana e recuperação de área afetada no centro do munícipio de Açailândia – MA’’, onde foi centro principal de pesquisa deste artigo. Este foi disponibilizado pela Secretaria Municipal de planejamento de Açailândia-MA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;A infraestrutura das cidades enfrenta desafios decorrente das mudanças climáticas. Os sistemas estão se tornado cada vez mais vulneráveis a falhas devido a dois fatores principais: eventos climáticos extremos e deterioração causada pelo aumento do calor e umidade (Hallegatte et al.,2019). Eventos como chuvas intensas, inundações, e secas prolongadas estão se tornando mais frequente. A forte presença desses eventos pode causar enormes danos à infraestrutura, incluindo estradas, pontes e desmoronamentos. Colocando em risco a segurança e o bem-estar dos habitantes locais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fotografia 1- Erosão Antes da Restauração</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="660" height="337" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-186.png" alt="" class="wp-image-151348" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-186.png 660w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-186-300x153.png 300w" sizes="(max-width: 660px) 100vw, 660px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Prefeitura Municipal de Açailândia-MA, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com visitas e perguntas feitas a população, conclui-se que a população açailandense que reside naquela local, vivia nessa situação há mais de 40 anos. Após a população mostrar o alto grau de perigo que esta erosão pode causar, a prefeitura municipal de Açailândia-MA tomou consciência de que precisava realizar um projeto de contenção de erosão com sistema de drenagem pluvial urbana e recuperação de área afetada no centro do munícipio de Açailândia &#8211; MA. Local onde foram realizados serviços de remoção de toneladas de lixo e entulhos, além de toda a limpeza da área para evitar desastres e acidentes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na (fotografia 1) representa a erosão provocada pela natureza, ou seja, pelas mudanças climáticas. Como mostra a imagem, esta erosão possui ao redor casas de parte da população que não tem condições para deslocar-se para um lugar seguro, tendo que se adaptar a convivência á aquele local, sem nenhuma segurança se quer, local este que quando ocorre chuvas intensas, aumentam o risco de desmoronamento de sua moradia, sem contar o risco de inundações de suas casas, pelo fato da alta quantidade de água que ali escorria durante o período das chuvas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fotografia 2- Instalação do Sistema de Drenagem</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="620" height="380" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-187.png" alt="" class="wp-image-151349" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-187.png 620w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-187-300x184.png 300w" sizes="(max-width: 620px) 100vw, 620px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Prefeitura Municipal de Açailândia-MA, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como mostra na (fotografia 2) No local foram realizados trabalhos de construção de caixas coletoras que permitem a passagem das águas pluviais através de tubos de drenos. Também recebeu medidas de canalização profunda destinadas a coletar a água da chuva e canalizá-la para galerias de águas pluviais (esgoto) ou para córregos onde ela possa ser captada. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fotografia 3 -Serviços de Terraplanagem        </p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="620" height="390" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-188.png" alt="" class="wp-image-151350" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-188.png 620w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-188-300x189.png 300w" sizes="(max-width: 620px) 100vw, 620px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Prefeitura Municipal de Açailândia-MA, 2023</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como visto na (fotografia 3,) foram realizados os serviços de terraplanagem, para conter erosões a antiga erosão , decorrentes das fortes chuvas e da água que à anos &nbsp;escoava a céu aberto para a parte baixa do bairro Laranjeiras, provocando a erosão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para preparar a área afetada, colaboradores da prefeitura fizeram o aterramento do local com várias carradas de barro argiloso para dar uma maior aderência e compactação do terreno. Todo o trabalho foi realizado com o auxílio de maquinas pesadas, como retroescavadeiras, escavadeiras, caçambas e rolos compactadores, ajudando para que a obra seja concluída em um menor tempo possível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A cidade enfrentava diversos depois a serem enfrentados, como a erosão. O objetivo é implementar estes serviços de forma correta e resolver o problema de forma que não apareçam novamente, proporcionando uma melhor qualidade de vida aos moradores da região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fotografia 4- Resultado do projeto após o término da obra.                </p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="743" height="476" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-189.png" alt="" class="wp-image-151351" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-189.png 743w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-189-300x192.png 300w" sizes="(max-width: 743px) 100vw, 743px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Prefeitura Municipal de Açailândia-MA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A (fotografia 4) demostra uma enorme mudança, que fez com que uma área insalubre se tornasse um local amplo e funcional. O local passou a ser um espaço estimulante para prática de exercícios, lazer e convívio social, num arranjo que alia a natureza à cidade. Este impressionante projeto demonstra o poder da transformação urbana para melhorar o bem-estar da comunidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A transformação de locais degradados em locais funcionais e bonitos é um exemplo inspirador&nbsp;&nbsp;&nbsp; de como a intervenção urbana pode revitalizar áreas baixas e melhorar a qualidade de vida das comunidades locais. Além de proporcionar um ambiente mais atrativo, estes projetos também ajudam a proteger o ambiente, a controlar a erosão do solo e a promover a biodiversidade. Ao transformar uma antiga zona baixa num local de atividade física, recreação e interação social, as autoridades locais e os participantes no programa estão a investir no bem-estar dos residentes e promovendo estilos de vida saudáveis. Esta medida também tem o potencial de aumentar o sentimento de comunidade e pertença, criando locais onde as pessoas podem encontrar-se, interagir e desfrutar da natureza. É importante valorizar e apoiar projetos que visem transformar áreas degradadas em locais funcionais e atrativos, pois não só melhoram o ambiente físico, mas também têm um impacto positivo no bem-estar das pessoas e no bem-estar social. Estas mudanças proporcionam oportunidades para dar um novo significado às áreas urbanas, tornando-as mais inclusivas, sustentáveis e compatíveis para que todos possam desfrutar das mesmas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1 </strong><strong>Escassez de recursos hídricos e seus efeitos na infraestrutura urbana.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As mudanças climáticas têm sido objeto de grande preocupação em todo o mundo, devido aos seus impactos significativos em diversos aspectos da vida humana e do meio ambiente. Essas mudanças alteram o regime de chuvas e&nbsp;&nbsp; podem provocar o aumento da ocorrência de eventos hidrológicos extremos, como inundações e <img loading="lazy" decoding="async" width="164" height="51" src="" alt="UEMASUL - Brasão e Identidade Visual">longos períodos de seca. Estas mudanças alteram os padrões de precipitação e podem levar a um aumento na frequência de eventos hidrológicos extremos, tais como inundações e secas prolongadas. Estes acontecimentos afectam o abastecimento de água e ameaçam o acesso universal à água (ANA,2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Agência Nacional de Águas, 2020 essas mudanças no clima afetam diretamente a oferta de água, representando uma ameaça ao suprimento de recursos hídricos para todos. As inundações, por exemplo, ocorrem quando a precipitação excede a capacidade de absorção do solo e dos sistemas de drenagem, resultando em enchentes devastadoras. Além dos danos materiais causados, as inundações podem contaminar as fontes de água potável, comprometendo sua qualidade e disponibilidade para consumo humano e atividades agrícolas e industriais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, os longos períodos de seca reduzem a quantidade de água doce disponível, afetando diretamente a agricultura, a produção de energia e o abastecimento público. A escassez hídrica resultante das secas prolongadas pode levar à redução da produção agrícola, aumento dos preços dos alimentos, aumento da vulnerabilidade das comunidades e conflitos relacionados à água.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário desafiador, é fundamental adotar medidas de adaptação e gestão dos recursos hídricos que levem em consideração as mudanças climáticas. Isso inclui o desenvolvimento de infraestruturas resilientes, como sistemas de drenagem e armazenamento de água, além de práticas sustentáveis de uso da água, como a conservação e o reuso ( ANA,2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, é necessário investir em pesquisas e monitoramento climático para compreender melhor os padrões e as tendências das mudanças climáticas, a fim de desenvolver estratégias mais eficazes de enfrentamento. A cooperação entre governos, instituições de pesquisa, setor privado e sociedade civil também desempenha um papel crucial na busca por soluções integradas e na promoção da resiliência diante dos impactos das mudanças climáticas nos recursos hídricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, as mudanças no clima que afetam o regime de chuvas e ocorrência de eventos hidrológicos extremos representam uma ameaça real à oferta de água e aos recursos hídricos em geral. É urgente agir de forma proativa e adotar medidas de adaptação e gestão sustentável dos recursos hídricos para garantir a disponibilidade de água para todos, mesmo diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas (ANA, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2 Urbanização, vulnerabilidade e risco: impactos da mudança climática em cidades brasileiras</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o relatório síntese mais recente do IPCC, as cidades são mais propensas a sofrer os efeitos da mudança climática (Parry et al., 2007). Em todo o mundo, 80% das cidades estão localizadas em áreas costeiras ou próximas a rios. Isso aumenta sua vulnerabilidade às tempestades, inundações e à elevação do nível do mar (Burton, Diringer e Smith, 2006; Bulkeley et al., 2009). A tabela a seguir demostra alguns impactos das mudanças climáticas nas áreas urbanas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tabela 1 – Tabela sobre impactos da mudança climática em áreas urbanas</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="513" height="569" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-190.png" alt="" class="wp-image-151352" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-190.png 513w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-190-270x300.png 270w" sizes="(max-width: 513px) 100vw, 513px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <sub>Fonte: baseado em &nbsp;Wilbanks et al. (2007); Bigio (2003); McEvoy (2007); Wilby (2007)</sub></p>



<p class="wp-block-paragraph">A elevação do nível médio dos mares, a disponibilidade de água potável e as perturbações na produção local de alimentos estão entre os perigos associados a eventos climáticos extremos, que são destacados em ampla literatura (Dawson, 2007; Tanner et al., 2008). Por outro lado, é impossível fazer generalizações sobre os riscos relacionados porque os tipos e as dimensões desses riscos variam significativamente entre locais e dependem de fatores físicos e sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aspectos socioeconômicos, políticos e culturais têm um impacto significativo na capacidade das pessoas de evitar o perigo, enfrentá-lo e adaptar-se para evitar futuros riscos. Pôde-se, portanto, dizer que os riscos estão interligados, pois variam em função da localização, disponibilidade e qualidade da infraestrutura, bem como da disponibilidade de serviços e da presença de redes de proteção (Moser e Satterthwaite, 2008). Grande parte dos centros urbanos enfrentam riscos que não foram cuidados adequadamente. Isso coloca muitas pessoas em risco de sofrer com os impactos da mudança climática (Hardoy e Pandiella, 2009a; 2009b). Aqueles que vivem em áreas inseguras e não têm  moradia em um local  digno, renda ou outros recursos comunitários e individuais são mais vulneráveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Mesmo que ocorra um intenso debate&nbsp; que estuda as implicações humanas das mudanças ambientais globais os seres humanos dificilmente irão cumprir com as ordens propostas(Adger, 2006; Eakin e Luers, 2006; Thomalla et al., 2006; Füssel e Klein, 2006; O&#8217;Brien et al., 2007), um sistema é frequentemente considerado vulnerável quando exposto a crises, estresse e choques. A incapacidade do sistema de reagir a esses choques (reação) está associada à dificuldade de adaptação à materialização do choque (Moser, 1998; De Sherbinin, Schiller e Pulsipher, 2007, 2009).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os efeitos do aquecimento global e da mudança climática são extremamente imprevisíveis, especialmente no Brasil. Seja devido a estimativas imprecisas do aumento das temperaturas ou à falta de clareza sobre as mudanças nos padrões de precipitação, é impossível prever os impactos sociais e ambientais destas mudanças (Ribeiro,2008).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No entanto, já existem iniciativas em andamento que visam caracterizar as alterações climáticas no Brasil e criar cenários sobre seus efeitos em várias regiões do país, usando modelos climáticos globais. Apesar da incerteza significativa, estes modelos podem fornecer interferências importantes para o planejamento e a tomada de decisões (Marengo, 2006). A utilização desses resultados para modelar cenários e identificar potenciais impactos tem sido objeto de inúmeros estudos ao redor do mundo (Hunt e Watkiss, 2007).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3 Mitigação e Adaptação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No passado, os setores político e científico dedicavam mais atenção à mitigação. No entanto, apenas nos últimos dez anos houve um aumento no interesse em entender como as adaptações urbanas podem ser usadas para lidar com os impactos futuros da mudança climática (Bulkeley et al., 2009; Satterthwaite et al., 2009).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Muitas vezes, mitigação e adaptação são vistas como políticas complementares, apesar de diferenças significativas em termos de escalas de ação tanto temporais quanto espaciais. No entanto, apesar das diferenças fundamentais em escala, tempo e espaço no trabalho, por vezes conduzem a resultados opostos, e a mitigação e a adaptação são frequentemente consideradas políticas complementares, embora por vezes conduzam a resultados opostos. (o exemplo mais claro é o aumento uso de ar-condicionado e climatizadores por conta do aumento da temperatura). A tabela a seguir demonstra algumas características gerais dessas ações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tabela 1- Principais características e mitigação e adaptação a mudanças climáticas</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="834" height="427" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-191.png" alt="" class="wp-image-151353" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-191.png 834w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-191-300x154.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-191-768x393.png 768w" sizes="(max-width: 834px) 100vw, 834px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: baseado em Füssel e Klein (2006).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Medidas que incentivam o uso de fontes de energia alternativas e renováveis com baixas emissões de GEE, como o uso de bicicletas e o transporte público, são frequentemente associadas às ações de mitigação em áreas urbanas. Além disso, estão incluídas medidas como a ecologizarão urbana para reduzir o consumo de energia dos novos edifícios através da climatização natural, da utilização de materiais reciclados e da melhoria da eficiência energética dos sistemas urbanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por outro lado, as medidas de adaptação abordam o aquecimento global, a variabilidade e os fenómenos meteorológicos extremos, como ciclones tropicais, tempestades, inundações e ondas de calor. Estas actividades são difíceis de definir e dependem em grande medida do contexto em que ocorrem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tabela 2– Principais dimensões para adaptação</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="847" height="534" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-192.png" alt="" class="wp-image-151354" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-192.png 847w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-192-300x189.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-192-768x484.png 768w" sizes="(max-width: 847px) 100vw, 847px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: baseado em Smit et al. (1999).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tabela 2 demonstra que a adaptação pode acontecer de maneira individual e autônoma ou planejada, com o estado desempenhando um papel importante. Mesmo assim, algumas formas de adaptação ocorrem de forma independente e não requerem intervenção direta do Estado ou a necessidade de novas políticas públicas específicas. Por exemplo, as companhias de seguros podem alterar os montantes dos prémios com base no risco climático, e os gestores dos sistemas de água podem planear o abastecimento de água e os níveis dos reservatórios com base nas previsões de precipitação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, é impossível que a adaptação à mudança climática seja comandada por forças de mercado ou interesses específicos de vários atores sem a coordenação do poder público, dada a extensão e a intensidade das mudanças.<img loading="lazy" decoding="async" width="164" height="51" src="" alt="UEMASUL - Brasão e Identidade Visual"> A necessidade de um papel significativo da esfera pública na implementação de medidas de adaptação pode ser justificada por pelo menos três argumentos sólidos encontrados na literatura (Smit et al., 1999; Satterthwaite et al., 2007).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </strong>A análise dos impactos das mudanças climáticas na infraestrutura urbana revela uma série de desafios significativos que as cidades enfrentam. As mudanças climáticas estão afetando a resiliência e a capacidade de adaptação das infraestruturas urbanas, colocando em risco a funcionalidade e a segurança das cidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os setores de transporte, abastecimento de água, drenagem, energia e construção são particularmente vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas. Inundações, tempestades intensas, escassez hídrica, interrupções no fornecimento de energia e danos à infraestrutura são apenas algumas das consequências observadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para enfrentar esses desafios, é crucial que as cidades adotem estratégias de adaptação e resiliência. Isso envolve a implementação de medidas de planejamento urbano que considerem os impactos das mudanças climáticas, a construção de infraestruturas mais robustas e resistentes, o investimento em tecnologias sustentáveis e a promoção de práticas de construção e gestão mais eficientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a colaboração e o engajamento entre governos, setor privado, comunidades locais e especialistas são fundamentais para desenvolver soluções eficazes. Ações como o desenvolvimento de sistemas de alerta precoce, a criação de planos de contingência e a promoção da conscientização pública sobre os impactos das mudanças climáticas são essenciais para reduzir os danos e aumentar a capacidade de adaptação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">REFERÊNCIAS</p>



<p class="wp-block-paragraph">ADGER, W.N. Scales of governance and environmental justice for adaptation and mitigation of climate change. Journal of International Development, v. 13, n. 7, p. 921-931, 2006.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ANA (2017). Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil. Agência Nacional de Águas. Brasília. Disponível em: http://www.ana.gov.br.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ANA. Mudanças climáticas e Recursos hídricos. Agência Nacional de água, 2020. Disponível em https://www.gov.br/ana/pt-br/assuntos/gestao-das-aguas/panorama-das-aguas/mudancas-climaticas-recursos-hidricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">APOLLARO, C.; ALVIM, A. Estratégia e desafios do planejamento urbano para a adaptação de cidades frentes à mudança climática. Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade, v. 12, n. 6, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ARAÚJO, Yuri Rommel Vieira; OLIVEIRA, Habyhabanne Maia. Os impactos das mudanças climáticas em áreas urbanas. In: NUNES, Matheus Simões (Org.). Estudos em Direito Ambiental: Desenvolvimento, desastres e regulação. Campina Grande: Editora Licuri, 2022, p. 161-173.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BIGIO, A. Cities and climate change. In: KREIMER, A.; ARNOLD, M.; CARLIN, A.(Org.). Building safer cities: the future of disaster risk. Washington: World Bank, 2003. p. 91-100.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BULKELEY, H. Down to earth: local government and greenhouse policy in Australia. Australian Geographer, v. 31, n. 3, p. 289-308, 2000.</p>



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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A IMPORTÂNCIA DA ÉTICA NA PERÍCIA CRIMINAL</title>
		<link>https://revistaft.com.br/a-importancia-da-etica-na-pericia-criminal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Aug 2024 21:29:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Direito]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 28 - Edição 136/JUL 2024]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=151151</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10247051829 Laís Rafaelly Andrade De Assis[1] RESUMO A ação penal tornou-se um dos requisitos mais necessários para o desenvolvimento de todo o processo constituído em qualquer julgamento como prova objetiva no campo jurídico. Este estudo fornece a visão ética que envolve todo o processo dos peritos, o Código de Ética do Perito em [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10247051829</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Laís Rafaelly Andrade De Assis<a href="#_ftn1" id="_ftnref1"><sup>[1]</sup></a></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<h5 class="wp-block-heading">RESUMO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A ação penal tornou-se um dos requisitos mais necessários para o desenvolvimento de todo o processo constituído em qualquer julgamento como prova objetiva no campo jurídico. Este estudo fornece a visão ética que envolve todo o processo dos peritos, o Código de Ética do Perito em assuntos criminais define as dimensões éticas e morais envolvidas no trabalho e no interesse da sociedade, enfatizando os princípios e obrigações nas suas ações. A conduta ética vai muito além do profissional, uma vez que não permite que o perito tome uma ação irresponsável, ilegal ou eticamente repreensível. É preciso ter em conta que o perito criminal trabalha a toda a hora com pessoas vulneráveis, dessa forma, o perito criminal deve ter boas noções de moral, ética e conduta profissional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Perito criminal. Ética do perito. Sociedade.</p>



<h5 class="wp-block-heading">1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; INTRODUÇÃO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O termo perícia vem do latim &#8220;peritia&#8221; e significa &#8220;conhecimento adquirido através da experiência&#8221; (MACHADO, 2003). Deste contexto, D&#8217;Aurea (1962) cita que &#8220;a perícia é o conhecimento e a experiência das coisas&#8221;. Esta definição considera a etimologia da palavra, sem ser, contudo, precisa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A perícia é uma forma definida e delimitada, é um instrumento portanto, e isto, por sua vez, é especial porque assume a forma de uma peça ou laudo com características formais, intrínsecas e extrínsecas, também definidas por um relatório pericial.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O especialista forense exerce a atividade do perito de uma forma &#8220;pessoal&#8221;, com profunda experiência na matéria em análise.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Relativamente ao termo &#8220;pessoal&#8221;, Alberto (1996) esclarece o seu verdadeiro significado: &#8220;Referimo-nos ao caráter pessoal do exercício da especialização pericial, ou seja, o seu exercício, de forma judicial, apenas como indivíduo (também chamado civil ou natural).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alberto (1996) &#8220;A perícia é um instrumento especial de verificação, prova ou demonstração, científica ou técnica, da veracidade de situações, coisas ou fatos&#8221;.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O laudo pericial constitui o conjunto de procedimentos técnicos e científicos destinados a fornecer ao órgão de decisão as provas necessárias para apoiar a resolução justa do litígio. Os peritos utilizam duas ferramentas principais para realizar o seu trabalho: experiência profissional e conhecimento das normas jurídicas, profissionais e legislativas inerentes à pessoa competente na área.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No desempenho da sua tarefa, os peritos podem enfrentar diferentes dilemas morais que revelam a importância de um debate ético, com tal profundidade que pode gerar diversas orientações para a prática profissional.</p>



<h5 class="wp-block-heading">2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ANTECEDENTES HISTÓRICOS</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O cargo de perito criminal é uma função pública de natureza policial, que é requisitada de acordo com a atividade criminosa nas regiões. Atualmente, as estatísticas criminais estão aumentando cada vez mais, exigindo um aumento do número de profissionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lima (2012) afirma que é necessário ter um órgão que responda à sociedade sobre os inúmeros e diferentes crimes, que traga à luz os seus autores, para que a Justiça possa desempenhar o seu papel e, portanto, resolver outro problema na área da segurança: a impunidade, que faz com que a sociedade se sinta violada nos seus direitos e, por esta razão, a existência dos Órgãos de Perícia Criminal é obrigatória, uma vez que são eles que colocam o autor no local do crime, permitindo que todo o Sistema de Justiça Criminal desempenhe as suas funções com certeza e segurança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo começa com a Polícia Militar ou Rodoviária, que, ao tomar conhecimento de um crime, vai ao local, isola-o e aciona a Polícia Civil, que se encarrega do caso. Se houver vestígios no local do crime, o chefe da polícia solicitará conhecimentos especializados e preservará a cena do crime para que a situação não se altere até à chegada dos peritos, e a investigação terá início. Quando a cena do crime é externa (homicídio, roubo, etc.), o perito move e transporta todo o material necessário para o local do evento, a partir do qual desenha esboços, tira fotografias, nas quais tira medições, documentos e recolhe vestígios para exames posteriores. Após os exames no local, regressa à unidade de peritos e, se necessário, solicita exames laboratoriais e/ou especializados a peritos subsequentes, tais como ADN, microcomparação balística, toxicologia, etc. Posteriormente, o perito criminal prepara o relatório do perito, que contém o relatório dos exames, análises e conclusões dos peritos, e transmite-o aos clientes. Na fase do tribunal, o juiz pode convocar peritos criminais para responder a perguntas por escrito ou comparecer pessoalmente na audiência para esclarecer o relatório. Os principais clientes do serviço são: juízes, procuradores, advogados de defesa e agentes da polícia, porque é para eles o produto final da perícia criminal: o laudo pericial (RODRIGUES et al., 2010; Rodrigues, 2010).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tal como apresentado por Toledo, J. C. Rodrigues, C. V (2017), a unidade de perícia criminal faz parte da estrutura da Superintendência de Polícia TécnicoCientífica. É a agência responsável pela gestão, planejamento, direção, controle e supervisão da investigação criminal oficial no Estado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;As operações devem ser medidas em termos do valor a ser entregue aos seus clientes, para que estes possam ser organizados e geridos. O valor do serviço de perícia criminal deve ser medido em termos das consequências para as atividades dos seus principais clientes, com base em quatro dimensões: utilidade, justiça, solidariedade e estética, e os recursos utilizados para as produzir&#8221; (RODRIGUES, 2010).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Ministério da Justiça declara que a segurança pública é uma atividade relevante para as agências estatais e para a comunidade no seu conjunto, realizada com o objetivo de proteger a cidadania, prevenir e controlar as manifestações de criminalidade e violência, reais ou potenciais, assegurando o pleno exercício da cidadania dentro dos limites da lei.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o Ministério de Justiça e Segurança Pública (2003) na Constituição Brasileira de 1988, art. 144º, &#8220;a segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da&nbsp; ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Os fenômenos de criminalidade, crime e repressão são cada vez mais explorados por estudos sociológicos, com uma abordagem que apreende a violência apenas no contexto de fenômenos resultantes da produção e reprodução de desigualdades sociais. No entanto, a violência é um problema que não pode ser abordado com uma certa banalização, apenas oferece conceitos e opiniões diferentes, tanto sobre a forma como as normas legais e repressivas devem ser, como sobre as ações de controle municipal ou sobre a importância do papel da cidadania e da sociedade civil neste processo&#8221; (ARAÚJO, 2008).</p>



<h5 class="wp-block-heading">3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA</h5>



<h5 class="wp-block-heading">3.1&nbsp; História da Perícia&nbsp;</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Oliveira (2009), historicamente, o serviço público tem testemunhado um forte patrimonialismo, no qual os serviços e bens públicos eram considerados de natureza pessoal pelos detentores do poder. No entanto, esta visão sofreu alterações desde a emergência da noção de gestão, em que o serviço público procura códigos de conduta para facilitar o controlo e aumentar a eficiência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Ao contrário do que aconteceu no patrimonialismo, as admissões de funcionários começaram a ser realizadas de uma forma mais criteriosa, utilizando como instrumento para tal, a licitação pública, tornando o processo de admissão de funcionários públicos mais democrático e evitando favores&#8221; (OLIVEIRA, 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para concluir, Lima (2012) cita que no Brasil, o problema da insegurança se apresenta de várias formas, mas todas são de natureza extremamente violenta, portanto, a segurança pública é uma das principais exigências da sociedade atual. Foi no Egito e na Grécia que surgiram os primeiros sinais de perícia, dos quais existem notícias, com a intenção de proceder à verificação e exame de certas questões por especialistas em certas áreas. Mas foi só muito mais tarde, a 10 de Janeiro de 1910, que o primeiro &#8220;Laboratório de Polícia&#8221; ou, segundo alguns, o &#8220;Laboratório Técnico de Polícia&#8221; surgiu em Lyon, o pioneiro do seu gênero no mundo.</p>



<h5 class="wp-block-heading">3.2&nbsp; Ética e Sigilo na Perícia Criminal</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Sá (2000), o perito deve ser um profissional formado, jurídico, cultural e intelectual, e exercer virtudes morais e éticas com um compromisso total com a verdade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O perito profissional deve ser qualificado e possuir conhecimentos técnicos suficientes, não só na área de especialização, mas também nas ciências, necessárias para o exercício da profissão, o profissional deve exercer a sua profissão honestamente e não tirar partido das situações que lhe são apresentadas, pois precisa de ter independência para apoiar o seu relatório.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Código de Ética do Perito Judicial, elaborado em 1981 e aprovado numa Assembleia Geral do Congresso Nacional de Criminalística, estabeleceu a sua responsabilidade civil e penal, delegando-lhe princípios, proibições e fundações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Código de Ética é relativamente pequeno e rapidamente assimilado; está dividido em seis capítulos. O primeiro capítulo é constituído por dois artigos e afirma que o objetivo do Código é estabelecer a forma como os fundamentos da prática profissional devem ser levados a cabo. O segundo capítulo determina quais são as proibições no desempenho das suas funções. Os capítulos III e IV tratam das relações do perito com o público e com os colegas, respectivamente. O Capítulo V trata dos fundamentos para a seleção do perito. E o Capítulo VI trata das disposições finais sobre o cumprimento das regras do Código.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para uma melhor compreensão do Código de Ética, apresento o Código de Ética completo para Peritos Criminais:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Código Brasileiro de Ética dos Peritos Criminais</strong></p>



<h5 class="wp-block-heading">Capítulo I &#8211; Princípios fundamentais</h5>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Art 1º.</strong> No exercício da profissão de Perito Criminal, a observação e o raciocínio têm respaldo técnico-científico da pesquisa científica e da análise dos vestígios e indícios necessários e suficientes para se chegar à prova técnica, tendo em vista a caracterização do fato e a identificação de seu autor, objetos de apuração a cargo da Polícia Judiciária, na causa da Justiça e do Bem-Estar sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Art. 2º.</strong> São fundamentais, no desempenho do exercício da profissão de Perito Criminal, os Princípios Deontológicos e Ideológicos, segundo os quais o Perito deverá se conduzir em relação aos seguintes aspectos:I – a formação de uma consciência profissional no ambiente de trabalho e fora dele;II – a responsabilidade pelos atos praticados na esfera administrativa, assim como na Judicial;III – o resguardo do sigilo profissional;IV – a colaboração com as autoridades constituídas, dentro dos limites de suas atribuições e competência do órgão onde trabalha;V – o zelo pela dignidade da função, pela defesa dos postulados da Criminalística e pelos objetivos das Associações de Classe a que pertença ou não;VI – a liberdade de convicção para formalizar suas conclusões técnico-científicas em torno da análise do(s) fato(s), objeto das perícias, sem contudo infringir os preceitos de ordem moral e legal, de modo a ser obrigado a desprezar tais conclusões.</p>



<h5 class="wp-block-heading">Capítulo II &#8211; Das proibições</h5>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Art. 3º.</strong> Ao Perito Criminal, no exercício da profissão será defeso a prática de atos que importem no comportamento da dignidade da função, tais como:I – auferir vantagens ilícitas para si ou para outrem;II – aliciar, de qualquer forma, perícias quer particulares, quer oficiais;III – manter relações de amizade, com fins indignos, com aquele(s) que exerça(m) irregularmente a profissão de Perito Criminal e/ou com pessoas de notória e desabonadora conduta moral; IV – quebrar o sigilo profissional, divulgando ou propiciando, de qualquer modo a divulgação, no todo ou em parte, de assuntos relativos aos trabalhos periciais, seus ou de seus colegas;V – levar ao conhecimento público, títulos que não possua ou trabalhos que não tenha realizado;VI – deixar, conscientemente, de utilizar todos os conhecimentos técnico-científicos possíveis que estiverem em seu alcance para a formalização de conclusões periciais, com interesse pessoal ou favorecimento de alguém;VII – negligenciar no cumprimento de seus deveres, ou procrastinar com fim intencional, a execução de tarefas que lhe são confiadas.</p>



<h5 class="wp-block-heading">Capítulo III &#8211; Das relações do perito criminal com o público</h5>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Art. 4º.</strong> É dever do Perito Criminal tratar o público com urbanidade, mantendo em qualquer circunstância o equilíbrio emocional, de modo a evitar prejuízos de ordem moral para o órgão onde trabalha e/ou para a classe;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Art. 5º.</strong> O Perito Criminal deve orientar o interessado que procura os serviços do Órgão a que pertence, sem que tal conduta represente a quebra do segredo profissional.Parágrafo único – A quebra do segredo profissional se refere à revelação, em razão do serviço ou não, de assuntos relacionados com o trabalho, a pessoas estranhas ao serviço, salvo por imperativo de ordem legal. A orientação tem seus limites nas atribuições do Perito e na competência do Órgão a que ele pertença.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading">Capítulo IV &#8211; Do relacionamento com os colegas</h5>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Art. 6º.</strong> O Perito deve dispensar a consideração, o respeito e a solidariedade a seus colegas, no exercício da profissão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Art. 7º.</strong> A solidariedade não tem cabimento quando o Perito incorrer em erro ou ato que infrinja normas ético-legais e os postulados da criminalística.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Art. 8º.</strong> É defeso ao Perito criticar os colegas em público por razão de ordem profissional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Art. 9º.</strong> Fica proibida a denúncia sem elementos comprobatórios capazes de justificá-la.<strong>&nbsp;</strong></p>



<h5 class="wp-block-heading">Capítulo V &#8211; Dos fundamentos diceológicos</h5>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Art. 10.</strong> O Perito Criminal, em pleno exercício de suas funções não será obrigado a conhecer profundamente o Direito relacionado com a criminalística, porém as normas específicas constantes da legislação processual penal e àquelas referentes e postuladas no HEPTÂMETRO DE QUINTILIANO no campo da Polícia Judiciária, para uma maior perfeição técnica do laudo que ele está obrigado a elaborar.<strong>&nbsp;</strong></p>



<h5 class="wp-block-heading">Capítulo VI &#8211; Das disposições finais</h5>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Art . 11. </strong>Além do disposto neste Código de Ética, o Perito está obrigado a colaborar com as autoridades constituídas, quando determinado pela autoridade competente, salvo se a ordem for manifestamente ilegal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Art. 12.</strong> Ficará a cargo das Associações de classe a criação de um Órgão Especial com competência específica para conhecer, julgar e aplicar as sanções atinentes, relativo aos atos praticados pelo Perito Criminal em desrespeito às regras deste Código de Ética.Parágrafo único – As normas específicas regulamentadoras da competência do Órgão Especial de que trata este artigo, serão expedidas em regimento interno.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Art. 13.</strong> O Perito Criminal terá direito à justa remuneração por seus trabalhos profissionais, quando não arbitrado pelo juiz ou em razão da Legislação Específica, levando-se em consideração a complexidade do caso e as circunstâncias como hora, local, meio de transporte e urgência. Parágrafo único – A regra deste artigo não se aplica aos trabalhos de caráter oficial, em razão do cargo que o Perito ocupa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Art. 14.</strong> Por extensão e no que couber, aplicar-se-á o presente Código de Ética aos Peritos não oficiais.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">  *           a           informação           acima           está           disponível         em: <em>https://www.editorajuspodivm.com.br/cdn/arquivos/8f23bb37f2a6844e790bf94db8f9fe06 .pdf</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A confidencialidade é o dever do perito, mesmo após a entrega do relatório ou o cumprimento dos compromissos assumidos, de manter total sigilo do que foi verificado, revelando apenas em caso de obrigação legal de o fazer. Responsabilidade e zelo exigem o exercício da sua profissão com responsabilidade, o cumprimento de prazos e a garantia da qualidade do seu trabalho, bem como o respeito pelos seus colegas peritos. O compromisso moral e ético do perito para com a sociedade e para com a classe é essencial para sustentar as realizações profissionais.</p>



<h5 class="wp-block-heading">4.&nbsp; CONCLUSÕES</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O papel do perito é de grande responsabilidade, uma vez que ele desempenha um papel importante na realização da justiça. Com base no preceito filosófico de que a ciência é o único meio de chegar à verdade, a perícia criminal cria os seus aspectos e preceitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os profissionais que exercem a perícia devem ter conhecimento das normas jurídicas e profissionais relacionadas com a prova pericial, bem como experiência na área analisada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fim de cumprir o seu dever de expor a verdade, o perito deve ter uma conduta moderada e, na medida do possível, harmonizada. A formação ética é a base ou uma das partes mais nobres e mais relevantes a ter em conta na escola deste profissional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como podemos ver, a função de especialista, acima de tudo, requer um enorme empenho, dedicação e zelo profissional por parte daqueles que abraçam os atributos do cargo. O Código de Ética do Perito enfatiza os interesses da sociedade através de princípios como o profissionalismo, eficiência, integridade, objetividade, confidencialidade e honestidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALBERTO, Valdez Luiz Palombo. Perícia Contábil. São Paulo : Atlas, 1996.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ARAÚJO, Margarete Panerai. et. al. Violência urbana em Novo Hamburgo: notas introdutórias. Revista Ciências Sociais Unisinos. São Leopoldo: número 44, p.199 -207, setembro a dezembro, 2008.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> Bacharel em Ciências Contábeis; Especialista em Auditoria e Perícia Ambiental; Perita Criminal da PCMG e Doutoranda em Ciências Sociais e Empresariais na UCES-AR.&nbsp;</p>
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