<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Volume 27 – Edição 129/DEZ 2023 &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
	<atom:link href="https://revistaft.com.br/category/edicao129/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://revistaft.com.br</link>
	<description>Revista Científica de Alto Impacto.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 12 Mar 2025 18:19:58 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	

<image>
	<url>https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2022/05/favicon-ft-150x150.png</url>
	<title>Volume 27 – Edição 129/DEZ 2023 &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
	<link>https://revistaft.com.br</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>EXPERIÊNCIA TEÓRICO-PRÁTICA COM O ELETROCARDIOGRAMA NA GRADUAÇÃO DE MEDICINA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/experiencia-teorico-pratica-com-o-eletrocardiograma-na-graduacao-de-medicina-um-relato-de-experiencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jan 2024 16:27:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 27 – Edição 129/DEZ 2023]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=119141</guid>

					<description><![CDATA[THEORETICAL-PRACTICAL EXPERIENCE WITH THE ELECTROCARDIOGRAM IN MEDICAL GRADUATION: AN EXPERIENCE REPORT REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10475506 Pedro Arthur Cavalcante Torquato ¹Eliciane Maria Linhares Sousa ¹Maylla Josefa Dias Leal ¹Iago de Melo Torres ¹Ana Darla Mendes Figueira¹Jáder José Sales Montenegro ¹Mateus Sena Lira ¹Saulo Silva Ramos¹Melissa Dias Leal Ribeiro 2Maria Clara Alencar Moura 3Marcio Braz Monteiro 4 Resumo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>THEORETICAL-PRACTICAL EXPERIENCE WITH THE ELECTROCARDIOGRAM IN MEDICAL GRADUATION: AN EXPERIENCE REPORT</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10475506</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Pedro Arthur Cavalcante Torquato ¹<br>Eliciane Maria Linhares Sousa ¹<br>Maylla Josefa Dias Leal ¹<br>Iago de Melo Torres ¹<br>Ana Darla Mendes Figueira¹<br>Jáder José Sales Montenegro ¹<br>Mateus Sena Lira ¹<br>Saulo Silva Ramos¹<br>Melissa Dias Leal Ribeiro <sup>2</sup><br>Maria Clara Alencar Moura <sup>3</sup><br>Marcio Braz Monteiro <sup>4</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO: </strong>O fisiologista Augustus D. Waller, em 1887, foi o primeiro a registrar um traçado eletrocardiográfico humano, por meio de eletrodos conectados às paredes anterior e posterior do tórax. O eletrocardiograma (ECG) é um exame não invasivo, realizado de maneira simples, caracterizado como um exame de baixo custo e essencial para diagnóstico de grande variedade de condições cardiológicas, inclusive sendo fundamental mediante diagnósticos complexos. <strong>OBJETIVOS: </strong>Descrever vivências adquiridas na disciplina de eletrocardiograma através da associação de instruções teóricas e práticas contribuindo para o desenvolvimento e formação dos discentes de medicina permitindo realizar a interpretação dos traçados eletrocardiográficos com precisão. <strong>METODOLOGIA: </strong>Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência. Os artigos selecionados para a produção do trabalho foram pesquisados por meio de bases de dados como PubMed, MEDLINE (National Library of Medicine), SciElo e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Os indexadores abordados nos Descritores em Ciência e Saúde (DECS) foram “Estudos”, “Eletrocardiograma”, “Medicina” e “Avaliação”. <strong>RESULTADOS: </strong>Houve momentos de aulas teóricas, o docente responsável pela disciplina introduziu conhecimentos sobre ECG e os aprofundando a cada nova aula, Sendo dividido em 3 práticas, as duas primeiras entre os acadêmicos com realização e interpretação do exame entre os discentes e o docente, no terceiro, realizou-se o exame em indivíduos da comunidade, análise pelos discentes e laudo pelo docente. <strong>CONCLUSÃO: </strong>Os conhecimentos adquiridos são fundamentais para a vivência acadêmica e para o profissional da medicina. Observou-se a importância da associação entre teoria e prática, pois a execução dos conhecimentos adquiridos e aplica-los em casos reais, promovendo melhor desempenho na interpretação e discussões dos achados eletrocardiográficos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Estudos. Eletrocardiograma. Medicina. Avaliação.</p>



<h5 class="wp-block-heading">1 INTRODUÇÃO</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O fisiologista Augustus D. Waller, em 1887, foi o primeiro a registrar um traçado eletrocardiográfico humano, por meio de eletrodos conectados às paredes anterior e posterior do tórax. Atualmente, esse exame é usado rotineiramente na prática clínica diária para identificar condições graves, como infarto do miocárdio, arritmias cardíacas, distúrbios hidroeletrolíticos e tromboembolismo pulmonar. (LIMA et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de ter sido introduzido há mais de 100 anos, o ECG continua sendo o método mais direto e comumente utilizado para avaliar anormalidades do ritmo cardíaco. Com o avanço da tecnologia, foram criadas diversas variações do eletrocardiógrafo, porém ainda é padrão a utilização do modelo standard com 12 derivações, que permite obter uma representação tridimensional da atividade elétrica cardíaca, sendo que em situações especiais, dependendo da suspeita da área afetada, poderá́ ser realizado, além dessas derivações, outras mais específicas (THALER, 2013)</p>



<p class="wp-block-paragraph">O eletrocardiograma (ECG) é um exame não invasivo, realizado de maneira simples, sendo caracterizado como um exame de baixo custo e essencial para o diagnóstico de uma grande variedade de condições cardiológicas, inclusive sendo fundamental mediante diagnósticos complexos (CANNAVAN, 2023). Além disso, o ECG realiza o registro elétrico do coração permitindo o aparelho apontar por meio das ondas de despolarização e repolarização das câmaras cardíacas, a visualização de alterações caso haja o comprometimento dos átrios ou ventrículos, sendo que é por meio de distúrbios no padrão elétrico normal que somos capazes de diagnosticar muitos dos problemas que possam afetar o coração (THALER, 2013).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Interpretar um ECG não é apenas uma das partes mais importantes para o diagnóstico de doenças cardíacas, como também configura uma das disciplinas mais desafiadoras do ambiente acadêmico. Diante disso, há o conceito de ser tão difícil para os alunos aprenderem esse exame, visto a necessidade de ampliar a integração de conhecimentos (CANNAVAN, 2023). Nesse viés, é válido pontuar a exigência e a expectativa de que médicos, estejam eles inseridos em qualquer especialidade, saibam interpretar de maneira acurada eletrocardiogramas, tendo em vista que uma acurada capacidade de interpretação do ECG contribui de maneira significativa com a boa evolução do paciente (MORAES et.al., 2019). O processo de conhecimento e educação são importantes aspectos na correta interpretação do ECG– definição do ritmo normal/anormal, compreensão dos conceitos eletrofisiológicos e características da técnica de monitorização (SAFFI, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;O objetivo deste trabalho é descrever vivências adquiridas na disciplina de eletrocardiograma através da associação de instruções teóricas e práticas contribuindo para o desenvolvimento e formação dos discentes de medicina permitindo realizar a interpretação dos traçados eletrocardiográficos com precisão.</p>



<h5 class="wp-block-heading">2 METODOLOGIA</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O presente trabalho trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, um tipo de produção de conhecimento, cujo texto trata de uma vivência acadêmica ou profissional em um dos pilares da formação universitária, cuja característica principal é a descrição da intervenção. Na construção do estudo é relevante conter embasamento científico e reflexão crítica (MUSSI, 2021). Sendo referente a aprendizagem de Eletrocardiograma (ECG) por meio da aplicação prática durante a disciplina eletiva de Eletrocardiografia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">São ministradas aulas teóricas sobre a temática de ECG todas as quartas-feiras, a partir de então foi dado início a aplicação prática com a utilização do aparelho eletrocardiográfico entre os discentes, abordando a realização de eletrocardiogramas entre si.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os artigos selecionados para a produção do presente trabalho foram pesquisados por meio de bases de dados como PubMed, MEDLINE (National Library of Medicine), SciElo e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Os indexadores abordados nos Descritores em Ciência e Saúde (DECS) foram “Estudos”, “Eletrocardiograma”, “Medicina” e “Avaliação”. Posteriormente foi realizada uma análise estatística através do uso dos dados colhidos dispostos em etapas de tabulação pelo software Microsoft Excel.</p>



<h5 class="wp-block-heading">3 RELATO DE EXPERIÊNCIA</h5>



<p class="wp-block-paragraph">A disciplina eletiva de eletrocardiograma tem como intuito fornecer conhecimento para os discentes a respeito do exame cardiológico tão frequente tanto na vida acadêmica quanto na prática clínica da carreira médica, com o objetivo de preparar os acadêmicos para realizar a leitura correta do eletrocardiograma a fim de identificar com facilidade as anormalidades, caso estejam presentes no exame, favorecendo os seguintes passos para o tratamento do paciente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No decorrer do período houve momentos de aulas teóricas na qual o docente responsável pela disciplina foi introduzindo os conhecimentos sobre ECG e aprofundando de acordo com cada nova aula, iniciando desde a revisão anatômica e fisiológica do sistema cardíaco até o ensinamento sobre os ritmos que são característicos das patologias cardíacas, principalmente as mais frequentes como infarto agudo do miocárdio, fibrilação atrial, flutter atrial e assim por diante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, durante uma aula prática surgiu a oportunidade de conhecer o aparelho eletrocardiográfico, juntamente com os eletrodos, papel milimetrado, botões de estandardização e as funcionalidades do aparelho. Além de poder manusear os eletrodos e realizar o ECG nos colegas presentes que compunham os respectivos grupos seguindo as orientações do professor, onde se posicionaram os eletrodos precordiais e das extremidades nos locais ideais e obteve-se a impressão das ondas e complexos cardíacos que representam as atividades elétricas do coração, logo após foi realizada a discussão e a avaliação dos eletrocardiogramas dos colegas, verificando o ritmo, a frequência cardíaca e interpretando a duração dos intervalos e segmentos presentes no exame. Essa etapa de discussão em grupo foi essencial para a consolidação do conhecimento e para a compreensão da relevância clínica do exame.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 01 – Posicionamento dos eletrodos</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="548" height="651" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-176.png" alt="" class="wp-image-119142" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-176.png 548w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-176-253x300.png 253w" sizes="(max-width: 548px) 100vw, 548px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autores, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um segundo momento prático entre os discentes no qual se realizaram novos eletrocardiogramas, a fim de avaliar 12 etapas no ECG, entre elas: se o ritmo era sinusal, analisar eixo, complexo e intervalos e onda T; para avaliar os conhecimentos básicos e necessários acerca do eletrocardiograma e a sua correta interpretação. Além disso, aplicaram-se critérios de sobrecarga ventricular como o índice de Sokolow Lyon e Moris, porém não foi encontrada nenhuma alteração patológica.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 02 – Eletrocardiógrafo durante a realização do exame</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="655" height="552" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-177.png" alt="" class="wp-image-119143" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-177.png 655w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-177-300x253.png 300w" sizes="(max-width: 655px) 100vw, 655px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autores, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, na última prática dos acadêmicos com o eletrocardiógrafo na eletiva, foi proposta a realização do eletrocardiograma em pacientes voluntários que se direcionaram a instituição de ensino superior e, mediante a subdivisão dos discentes em pequenas equipes, foram realizados os exames direcionados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o momento de realização do exame aos pacientes voluntários foi necessário em um primeiro momento fazer uma apresentação da equipe, uma breve introdução sobre o exame relatando como seria a realização, o posicionamento dos eletrodos, explicando ao paciente que ele não levaria choque ou sentiria dor. Ademais foram coletados o nome completo e a idade de cada paciente direcionado para a realização do exame, além da solicitação para a retirada da parte superior da roupa, de calçados e acessórios. Após essas instruções os pacientes foram orientados a deitar-se e a partir desse comando foram iniciado o posicionamento dos eletrodos e subsequente realização do exame por meio do manuseio do eletrocardiógrafo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse momento foi fundamental para que os conhecimentos a respeito da disciplina fossem aplicados na prática e dessa vez não só entre os discentes, mas também com pacientes, sendo satisfatório saber realizar o ECG e avaliá-lo corretamente por meio de uma discussão sobre o exame entre os integrantes dos subgrupos e posteriormente apresentando ao professor para que este pudesse realizar o laudo do eletrocardiograma realizado.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 03 – Análise do eletrocardiograma</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="507" height="450" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-179.png" alt="" class="wp-image-119145" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-179.png 507w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-179-300x266.png 300w" sizes="(max-width: 507px) 100vw, 507px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autores, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, ressalta-se a grande importância da disciplina na experiência acadêmico-prática dos discentes do curso de medicina, por meio de vivências que permitiram individualmente e coletivamente expandir seus conhecimentos sobre esse exame tão presente na prática cotidiana dos médicos, independente da especialidade escolhida, pois se trata de uma avaliação que deve ser habitual e de correta interpretação e leitura por todos os atuantes da área da medicina. Além de permitir aos discentes realizar condutas com um paciente para o aperfeiçoamento prático sobre os conhecimentos ministrados teoricamente, resultando em um entendimento sólido e essencial sobre o eletrocardiograma mediante sua enorme relevância para o diagnóstico e entendimento de patologias cardiovasculares.</p>



<h5 class="wp-block-heading">4 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, é de suma importância ressaltar que todos os conhecimentos adquiridos durante a eletiva de eletrocardiograma são fundamentais tanto para a vivência acadêmica quanto para o profissional da medicina, pois o eletrocardiograma trata-se de um exame bastante comum na prática clínica, sendo fundamental a sua correta interpretação e diagnóstico mediante alterações, se presentes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No decorrer da trajetória desse relato e da disciplina, observou-se a importância da relação e associação da teoria com a prática, visto a possibilidade de executar os conhecimentos adquiridos durante a ministração das aulas e poder colocá-los em práticas com a aplicação de casos reais, facilitando a compreensão e melhor desempenho dos acadêmicos na interpretação e discussões dos achados clínicos do exame.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, a orientação do docente foi imprescindível para o nosso desenvolvimento e formação, nos tornando mais confiantes e capazes de realizar a interpretação dos traçados com precisão. Por fim, esse período sendo discentes da eletiva de eletrocardiograma foi essencial para entendermos a importância do mesmo no diagnóstico e monitoramento de doenças cardíacas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">CANNAVAN, Priscila Moreno Sperling; AOKI, Roberta Nazario; GOMES, Roni Daniel. O ensino do eletrocardiograma na educação superior em enfermagem: revisão integrativa. <strong>Research, Society and Development</strong>, v. 12, n. 1, p. e5012139411-e5012139411, 2023. Disponível em: <a href="https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/39411">https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/39411</a>. Acessado em 26 de outubro de 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIMA, Carlos José Mota de et al. Desenvolvimento e Validação de um Aplicativo Móvel para o Ensino de Eletrocardiograma. <strong>Revista brasileira de educação médica</strong>, v. 43, p. 157-165, 2020. Disponível em: <a href="https://www.scielo.br/j/rbem/a/PG5MPGh93F6wQMs6zdbNytD/?lang=pt&amp;format=html">https://www.scielo.br/j/rbem/a/PG5MPGh93F6wQMs6zdbNytD/?lang=pt&amp;format=html</a>. Acessado em 26 de outubro de 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MUSSI, Ricardo Franklin de Freitas; FLORES, Fábio Fernandes; ALMEIDA, Claudio Bispo de. Pressupostos para a elaboração de relato de experiência como conhecimento científico. <strong>Revista práxis educacional</strong>, v. 17, n. 48, p. 60-77, 2021. Disponível em: <a href="http://educa.fcc.org.br/scielo.php?pid=S2178-26792021000500060&amp;script=sci_arttext">http://educa.fcc.org.br/scielo.php?pid=S2178-26792021000500060&amp;script=sci_arttext</a>. Acessado em 26 de outubro de 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SAFFI, Marco Aurélio Lumertz; BONFADA, Mônica Strapazzon. Conhecimento de enfermeiros no manejo e interpretação do eletrocardiograma. <strong>Revista Baiana de Enfermagem‏</strong>, v. 32, 2018. Disponível em: <a href="https://periodicos.ufba.br/index.php/enfermagem/article/view/26004">https://periodicos.ufba.br/index.php/enfermagem/article/view/26004</a>. Acessado em 26 de outubro de 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">THALER, Malcolm S. <strong>ECG essencial: eletrocardiograma na prática diária</strong>. São Paulo: Grupo A, 2013. <em>E-book.</em> ISBN 9788565852760. Disponível em: <a href="https://integrada.minhabiblioteca.com.br/%23/books/9788565852760/">https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788565852760/</a>. Acessado em:&nbsp; 20 de outubro de 2023.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">1 Discente do Curso Superior de Medicina da FAHESP/IESVAP.</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">2 Discente do Curso Superior de Medicina da UNINOVAFAPI</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">3 Discente do Curso Superior de Medicina da UNIFAP</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">4 Docente do Curso Superior de Medicina da FAHESP/IESVAP.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>PROGNÓSTICO DE PACIENTES ONCOLÓGICOS EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/prognostico-de-pacientes-oncologicos-em-unidade-de-terapia-intensiva/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jan 2024 13:59:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 27 – Edição 129/DEZ 2023]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=119120</guid>

					<description><![CDATA[PROGNOSIS OF ONCOLOGY PATIENTS IN THE INTENSIVE CARE UNIT REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10474468 Carlos José Alves1Gilberto Paulo Pereira Franco2Ana Flávia Schavetock Vieira3Andressa Puhl Petrazzini4Bárbara Lúcia Barbosa de Moraes5Celina dos Santos Alencastro6Gabriela Franco Pires Pedrosa7Joao Gabriel Valente Muniz8João Victor de Oliveira Alvarenga9Kalliandra Nunes Dutra10Pâmela Carolini Thomas Pies11Thaís Maria Piovezan Neves12 Resumo Características específicas de diferentes populações podem [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>PROGNOSIS OF ONCOLOGY PATIENTS IN THE INTENSIVE CARE UNIT</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10474468</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Carlos José Alves<sup>1</sup><br>Gilberto Paulo Pereira Franco<sup>2</sup><br>Ana Flávia Schavetock Vieira<sup>3</sup><br>Andressa Puhl Petrazzini<sup>4</sup><br>Bárbara Lúcia Barbosa de Moraes<sup>5</sup><br>Celina dos Santos Alencastro<sup>6</sup><br>Gabriela Franco Pires Pedrosa<sup>7</sup><br>Joao Gabriel Valente Muniz<sup>8</sup><br>João Victor de Oliveira Alvarenga<sup>9</sup><br>Kalliandra Nunes Dutra<sup>10</sup><br>Pâmela Carolini Thomas Pies<sup>11</sup><br>Thaís Maria Piovezan Neves<sup>12</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Características específicas de diferentes populações podem influenciar os resultados dos índices prognósticos. O objetivo deste estudo é avaliar a letalidade de pacientes oncológicos por meio dos índices prognósticos APACHE II, SAPS II, SAPS 3, UNICAMP II e CMM para pacientes oncológicos admitidos numa Unidade de Terapia Intensiva geralem Cuiabá, Mato Grosso. Foram incluídos os pacientes com diagnóstico definido de câncer. Os critérios de exclusão adotados foram: 1-reinternações; 2-óbito num período inferior a 24 horas de admissão e 3-dados incompletos. Foram avaliadas a taxa de letalidade padronizada, calibração e&nbsp; discriminação. A taxa de letalidade padronizada foi maior que a unidade&nbsp; no&nbsp; APACHE II, SAPS II e Equação Global do SAPS 3 e menor&nbsp; no&nbsp; UNICAMP II, Equação América Central e Sul do SAPS 3 e &nbsp;CMM. A calibração, por meio do teste de Hosmer-Lemeshow, foi adequada&nbsp; no APACHE II, UNICAMP II,&nbsp; SAPS 3 Equação Global e CMM e inadequada no SAPS II e&nbsp; SAPS 3 Equação América Central e Sul. A discriminação foi adequada para os modelos estudados, sendo pior para o SAPS II. &nbsp;Os índices prognósticos apresentaram variações no tocante às propriedades avaliadas. O SAPS 3 Equação Global e CMM&nbsp; apresentaram melhor desempenho ao passo que o&nbsp; SAPS II,&nbsp; o pior.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Unidades de terapia intensiva. Câncer. Mortalidade hospitalar. Índice de gravidade da doença. Prognóstico. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Specific characteristics of different populations can influence the results of prognostic indexes, especially when specific groups of diseases are evaluated. The objective of this study is to evaluate the lethality of cancer patients through the APACHE II, SAPS II, SAPS 3, UNICAMP II and CMM &nbsp;prognostic indexes for cancer patients admitted to a general Intensive Care Unit in Cuiabá, Mato Grosso. Patients with a definite cancer diagnosis were included. The exclusion criteria adopted were: 1-readmissions; 2-death within less than 24 hours of admission and 3-incomplete or uncertain data. The standardized lethality rate, calibration&nbsp;&nbsp; and discrimination were evaluated. The standardized lethality rate was higher than one in APACHE II, SAPS II and in the Global Equation of SAPS 3 and lower in UNICAMP II, Equation Central and South America of SAPS 3 and CMM. Calibration, through the Hosmer-Lemeshow test, was adequate in APACHE II, UNICAMP II, SAPS 3 Global Equation and CMM and inadequate in SAPS II and SAPS 3 Equation Central and South America. Discrimination was adequate for the studied models, being worse for SAPS II. The prognostic indexes showed variations regarding the evaluated properties. SAPS 3 Global Equation and CMM performed better, while SAPS II performed worst.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Intensive care units. Cancer. Hospital mortality. Severity of illness index. Prognosis. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introdução</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Câncer é o termo genérico que utilizamos para um grupo de enfermidades distintas, não transmissíveis, que promovem o crescimento desordenado de células. É uma patologia&nbsp;&nbsp; carregada por estigmas como a possível finitude da vida, grande sofrimento e insegurança (DIB <em>et al</em>, 2022). Da mesma forma, a&nbsp; Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pode produzir em muitas pessoas a visão de um ambiente hostil gerando nos pacientes e familiares sentimentos negativos como medo, insegurança, ansiedade&nbsp; e depressão. A internação na UTI&nbsp; pode&nbsp; significar uma&nbsp; ameaça&nbsp; para&nbsp; a&nbsp; família,&nbsp; uma&nbsp; ruptura&nbsp; afetiva&nbsp; e emocional&nbsp; com&nbsp; o&nbsp; familiar&nbsp; internado,&nbsp; mesmo&nbsp; que muitas vezes temporária (SELL <em>et al</em>, 2012).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Baseado no conhecimento acumulado, a ciência pode antever o desfecho de alguns eventos. Índices prognósticos são ferramentas amplamente utilizadas na medicina intensiva que estratificam os pacientes com base na gravidade da doença, atribuindo a cada um deles uma pontuação crescente à medida que a gravidade da doença aumenta (MORENO <em>et al</em>, 2016). Por meio deles é possível estimar o risco teórico de óbito de um paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo deste trabalho é avaliar a letalidade de pacientes oncológicos admitidos numa UTI geral por meio de índices prognósticos. Serão utilizados quatro escores genéricos, <em>Acute Physiology and Chronic Health Evaluation II </em>(APACHE II), &nbsp;<em>Simplified Acute Physiology Score II</em> (SAPS II), <em>Simplified Acute Physiology Score 3 </em>(SAPS 3) e Modelo da Universidade de Campinas II (UNICAMP II),&nbsp; além de um escore específico para pacientes oncológicos, <em>Cancer Mortality Model</em> (CMM).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fundamentação Teórica</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O APACHE II é o mais difundido dos índices prognósticos. Foi desenvolvido com base em dados coletados de 5.815 pacientes em 13 hospitais dos Estados Unidos no período de 1979 a 1982. É calculado por meio do somatório das pontuações de três partes: 1-variáveis fisiológicas (<em>acute physiology score</em> &#8211; APS), 2-idade e 3-doenças crônicas. Na primeira, as 12 variáveis clínicas e laboratoriais que compõem o APS recebem pontos de zero a quatro, de acordo com o grau de desvio da normalidade apresentados. São avaliadas dentro das primeiras 24 horas da admissão, utilizando-se o valor que apresentou a maior alteração nesse período. Inclui os seguintes parâmetros: temperatura, pressão arterial média, frequência cardíaca, frequência respiratória, escala de coma de Glasgow, oxigenação, pH arterial, sódio, potássio e creatinina séricos, além do hematócrito e contagem total de leucócitos. Na segunda, há pontuação para idade a partir dos 45 anos. Por fim, há pontuação caso o paciente seja imunocomprometido ou portador de insuficiência orgânica grave. No cálculo do risco calculado de óbito (RCO) utiliza-se de uma equação de regressão logística que leva em conta a situação ou não de pós-operatório de cirurgia de urgência e 50 possíveis categorias de diagnóstico (KNAUS <em>et al</em>, 1985). O SAPS II &nbsp;foi desenvolvido com o intuído de tornar mais simples o cálculo de risco teórico de óbito. Utiliza 15 variáveis coletadas nas primeiras 24 horas (LE GALL <em>et al</em>, 1993). O &nbsp;UNICAMP II &nbsp;é uma adaptação dos índices prognósticos à realidade brasileira. Utiliza o mesmo APS do APACHE II, mas inclui três variáveis em sua equação de predição de óbito: presença de ventilação mecânica, insuficiência renal e o caráter urgência e emergência da internação (TERZI <em>et al</em>, 2002). O SAPS 3 foi desenvolvido a partir de um banco de dados de 16.784 pacientes de 35 países no período de outubro a dezembro de 2002. Entre as inovações que esse novo índice traz está a presença de sete equações personalizadas &#8211; além de uma Equação Global (SAPS 3 EG), padrão &#8211; para diferentes partes do mundo, entre elas a Equação América Central e do Sul (SAPS 3 ACS) (MORENO <em>et al</em>, 2005). O CMM utiliza variáveis clínicas e laboratoriais semelhantes às dos índices já apresentados, mas incorpora aspectos específicos e relevantes ao prognóstico de &nbsp;doentes oncológicos tais como parada cardiorrespiratória prévia à internação na UTI, intubação orotraqueal, efeito de massa intracraniana, transplante de medula, evidência de progressão da doença e o estado clínico de Zubrod (GROEGER <em>et al</em>, 1998). Este último parâmetro, avalia o grau de comprometimento do câncer nas atividades diárias do paciente (OKEN <em>et al</em>, 1992).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Metodologia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O &nbsp;&nbsp;estudo foi realizado&nbsp; na UTI Adulto do Hospital de Câncer de Mato Groso. Trata-se de um &nbsp;hospital terciário&nbsp; com 94 leitos, 74 contratualizados com o Sistema Único de Saúde, possuindo&nbsp; uma UTI Adulto &nbsp;&nbsp;e uma &nbsp;UTI Pediátrica com 10 &nbsp;leitos cada. Possui programa de residência médica em cirurgia oncológica, anestesiologia, clínica médica, radioterapia, medicina intensiva&nbsp; e medicina intensiva pediátrica. A coleta de dados foi &nbsp;realizada por uma equipe &nbsp;&nbsp;previamente treinada. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Aspectos Éticos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho foi aprovado na &nbsp;Comitê de Ética em Pesquisa (CEP)/Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP)&nbsp; em 17/06/2022 sendo dispensado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.<strong> </strong>CAAE:57122122.9.0000.5164.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Critérios de elegibilidade, coleta de dados e definições de termos e variáveis</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados foram coletados retrospectivamente &nbsp;envolvendo as&nbsp; admissões do período de 1° de março de 2021&nbsp; a 28 de&nbsp; fevereiro de 2022, através de ficha padronizada e &nbsp;posteriormente inseridos no banco de dados Access 2016 (<em>Microsoft Corporation</em>).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Critério de inclusão</strong></p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Diagnóstico de câncer definido por meio de imagem, inventário cirúrgico ou exame histopatológico.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Critérios de exclusão</strong></p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Reinternações;</li>



<li>Óbito num período inferior a 24 horas da admissão na UTI;</li>



<li>Dados incompletos ou incertos.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Análise estatística</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A capacidade de&nbsp; predição dos índices prognósticos foi avaliada através de três propriedades: 1-taxa de letalidade padronizada (TLP); 2- calibração e 3 &#8211; discriminação. A TLP é obtida dividindo-se a letalidade observada pela predita para um determinado modelo. Assim, uma TLP igual à unidade indica que a letalidade observada corresponde à estimada. Se maior ou menor, indica, respectivamente, letalidade observada maior ou menor que a predita. Na calibração, avaliamos o grau de correspondência entre a letalidade observada e a esperada nas faixas de risco de óbito calculado. Este estudo é realizado por meio do <em>goodness-of-fit</em> (GOF) de Hosmer–Lemeshow (LEMESHOW &amp; HOSMER, 1982). No GOF, são comparadas as frequências de óbitos e de sobreviventes, observados e preditos, para dez faixas de risco de óbito calculado. Realiza-se o somatório do x² das frequências e calcula-se o p para uma distribuição com oito graus de liberdade. Valor de p maior que 0,05 indica um teste que descreveu bem a letalidade observada, ou seja, calibração adequada. Valor de p menor ou igual a 0,05 mostra discrepância entre o previsto e o observado, portanto, uma calibração inadequada. No estudo da discriminação, a sensibilidade e a especificidade de um método são avaliadas. Esta análise é realizada por meio da área sob a curva recebedora das características dos operadores (ASC), <em>curva ROC</em>&nbsp;(<em>Receiver Operating Characteristic</em>), que permite avaliar a correlação entre a sensibilidade (verdadeiros positivos) e o complementar da especificidade (1-especificidade) ou falsos negativos. Quanto maior os verdadeiros positivos e menor os falsos negativos, mais a curva se aproxima do ângulo superior esquerdo e maior será a área abaixo da curva. Assim, em linhas gerais, uma ASC = 0,5 mostra que a discriminação não é melhor que uma chance ao acaso; igual ou maior que 0,7 e menor que 0,8, uma discriminação aceitável; igual ou maior que 0,8 e menor que 0,9, discriminação excelente; maior ou igual a 0,9, discriminação excepcional (HOSMER &amp; LEMESHOW, 2000).Utilizamos o programa MedCalc 20.115 (Frank Schoonjans) para a ASC e o Excel 2016 (<em>Microsoft Corporation</em>) para todos os demais cálculos. Os intervalos de confiança (IC) apresentados são de 95%.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resultados &nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No período do estudo, 593 pacientes oncológicos foram admitidos na unidade.&nbsp; Desses, 101 (17,03%) foram excluídos totalizando um número final de&nbsp; 492 pacientes no estudo. Em sua substancial maioria são pacientes&nbsp; do SUS (99,19%).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As principais causas de admissão dos pacientes na UTI foram pós-operatório (59,55%), sepse (20,73%) e insuficiência respiratória aguda (5,69%), apresentadas na Tabela 1. &nbsp;As neoplasias malignas envolveram predominantemente o sistema digestório (39,23%), reprodutor masculino (16,26%) e reprodutor feminino (12,80%). O câncer mais frequente foi o de cólon e reto (18,50%) seguido pelas leucemias e linfomas (9,96%) e &nbsp;de útero (9,76%).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tabela 1 – Principais causas de admissão na UTI</p>



<figure class="wp-block-table is-style-regular"><table><tbody><tr><td>Pacientes</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Número</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Porcentagem</td></tr><tr><td>Pós-operatório</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">293</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">59,55</td></tr><tr><td>Sepse</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">102</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">20,73</td></tr><tr><td>Insuficiência respiratória</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">28</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">5,69</td></tr><tr><td>Rebaixamento do nível de consciência</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">19</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">3,86</td></tr><tr><td>Distúrbio hematológico</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">12</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2,44</td></tr><tr><td>Distúrbio metabólico</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">9</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1,83</td></tr><tr><td>Choque</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">7</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1,42</td></tr><tr><td>Pós-PCR</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">5</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1,02</td></tr><tr><td>Abdome agudo</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">3</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,61</td></tr><tr><td>Embolia pulmonar</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">3</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,61</td></tr><tr><td>Hemorragia digestiva</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">3</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,61</td></tr><tr><td>Dor torácica/ICO</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,41</td></tr><tr><td>Síndrome comicial</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,41</td></tr><tr><td>Outros</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">4</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,81</td></tr><tr><td>Total</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">492</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">100,00</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">PCR =&nbsp; parada cardiorrespiratória; ICO = insuficiência coronariana</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A letalidade na UTI foi de 24,77% enquanto a hospitalar foi de 31,50% . Foi superior à esperada quando utilizado os escores APACHE II, SAPS II e SAPS 3 EG e inferior quando estimada pelo UNICAMP II, SAPS 3 ACS e CMM. É importante destacar que, com exceção do SAPS II, a unidade está contida no intervalo de confiança dos escores avaliados (Tabela 2).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tabela 2 -Taxa de letalidade padronizada</p>



<figure class="wp-block-table is-style-regular"><table><tbody><tr><td>Escore</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">LE</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">TLP</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">IC</td></tr><tr><td>APACHE II</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">28,35</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1,11</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,94 &#8211; 1,30</td></tr><tr><td>UNICAMP II</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">32,58</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,97</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,82 &#8211; 1,13</td></tr><tr><td>SAPS II</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">19,30</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1,63</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1,39 &#8211; 1,91</td></tr><tr><td>SAPS 3 EQ</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">28,66</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1,10</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,93 &#8211; 1,29</td></tr><tr><td>SAPS 3 ACS</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">36,34</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,87</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,74 &#8211; 1,01</td></tr><tr><td>CMM</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">35,25</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,89</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,76 &#8211; 1,05</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">LE = letalidade esperada; TLP = taxa de letalidade padronizada;</p>



<p class="wp-block-paragraph">IC = intervalo de confiança de 95%</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos testes de Hosmer-Lemeshow, tanto&nbsp; Ĥ&nbsp; como Ĉ,&nbsp;&nbsp; a calibração foi adequada&nbsp; (p &gt; 0,05) para o APACHE II, UNICAMP II,&nbsp; SAPS 3 EG e CMM e inadequada para o SAPS II e&nbsp; SAPS 3 ACS. A Tabela 3 mostra os valores p encontrados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A avaliação da discriminação mostrou que&nbsp; os modelos estudados apresentaram&nbsp; desempenho adequado, a maioria excelente, sendo a do SAPS II a pior&nbsp; delas (Tabela 4).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tabela 3 – Teste&nbsp; <em>goodness-of-fit</em>&nbsp; de Hosmer–Lemeshow&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-table is-style-regular"><table><tbody><tr><td>Escore</td><td>Teste Ĥ</td><td>Teste&nbsp; Ĉ</td></tr><tr><td>APACHE II</td><td>0,383</td><td>&nbsp;0,610</td></tr><tr><td>UNICAMP II</td><td>0,053</td><td>0,051</td></tr><tr><td>SAPS II</td><td>&lt; 0,001</td><td>&lt; 0,001</td></tr><tr><td>SAPS 3 EG</td><td>0,202</td><td>0,138</td></tr><tr><td>SAPS 3 ACS</td><td>0,018</td><td>0,015</td></tr><tr><td>CMM</td><td>0,221</td><td>0,351</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Valores de p nos testes&nbsp; Ĥ e&nbsp; Ĉ&nbsp; de Hosmer-Lemeshow</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tabela 4 – Área sob a curva recebedora das características dos operadores</p>



<figure class="wp-block-table is-style-regular"><table><tbody><tr><td>Escore</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Área sob a curva</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">IC</td></tr><tr><td>APACHE II</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,792</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,753 &#8211; 0,827</td></tr><tr><td>UNICAMP II</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,809</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,771 &#8211; 0,843</td></tr><tr><td>SAPS II</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,681</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,637 &#8211; 0,722</td></tr><tr><td>SAPS 3 – Equação Global</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,827</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,790 &#8211; 0,859</td></tr><tr><td>SAPS 3 – Equação América Central e Sul</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,833</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,797 &#8211; 0,865</td></tr><tr><td>CMM</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,802</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">0,764 &#8211; 0,837</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">IC = intervalo de confiança de 95%</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Discussão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas últimas duas &nbsp;décadas, as mudanças demográficas e o aumento da expectativa de vida dos pacientes com câncer aumentaram significativamente a prevalência desses pacientes na UTI. É &nbsp;importante frisar que a disfunção orgânica aguda e não a malignidade é que determina o prognóstico dos pacientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A letalidade dos pacientes oncológicos apresenta variações na literatura. Zheng <em>et al</em> (2021) analisando dados coletados ao longo de 6 anos no Canadá encontraram uma letalidade hospitalar de 24%. Na Espanha, Díaz-Díaz, Martínez &amp; Herrejón (2018) constataram letalidade hospitalar e na terapia intensiva de respectivamente 36,52% e 20,96%. No Brasil, dados de 28 &nbsp;UTIs &nbsp;&nbsp;mostraram taxa de &nbsp;30% e 21% para a letalidade hospitalar e a da UTI (SOARES <em>et al</em>, 2010).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os fatores clínicos independentes para a mortalidade hospitalar dos pacientes oncológicos admitidos na UTI foram estágio IV do câncer, admissões oriundas da emergência e não programadas, eventos não relacionados à malignidade, sepse, evento adverso induzido por quimioterapia e ventilação mecânica (MARTOS‑BENITEZ <em>et al</em>, 2018). Em relação&nbsp; à sepse, adotando-se como referência a última definição, a mortalidade dos pacientes que necessitavam de ventilação mecânica&nbsp; foi de&nbsp; 78%,&nbsp; ao passo que os que não necessitaram foi de&nbsp; 27%. Quanto ao uso de terapia renal substitutiva, a mortalidade foi respectivamente&nbsp; de 65% e 34%&nbsp;&nbsp; para os que necessitaram&nbsp; ou não deste&nbsp; recurso terapêutico (NATHAN <em>et al</em>, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pacientes hematológicos geralmente apresentam um curso mais grave da doença ao contrário dos pacientes com tumores sólidos (LUECK <em>et al</em>, 2021). Estudo multicêntrico envolvendo hospitais da França e da Bélgica &nbsp;encontrou &nbsp;letalidade hospitalar de&nbsp; 39,3% e 27,6% na UTI (AZOULAY <em>et al</em>, 2013). Outro &nbsp;estudo&nbsp; realizado na Polônia envolvendo pacientes com neoplasias malignas hematológicas, a maioria leucemias,&nbsp; encontrou uma mortalidade na UTI de 70,4% e &nbsp;hospitalar de&nbsp; 80.6%. Os principiais determinantes do êxito letal foram a falência de órgãos chave como pulmão, a terapia renal substitutiva e a longa permanência na UTI (KALICIŃSKA <em>et al</em>, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação&nbsp; aos &nbsp;tumores sólidos, estudo realizado na França com dados coletados ao longo de pouco mais de uma década&nbsp; mostrou uma letalidade na UTI de 22,6%. Os determinantes &nbsp;da mortalidade encontrados &nbsp;foram doença metastática, câncer em progressão sob tratamento, internação por complicações específicas e extensão das falências orgânicas, tais como ventilação mecânica, suporte hemodinâmica terapia renal substitutiva e o <em>Sequential Organ Failure Assessment </em>&nbsp;(SOFA escore) elevado (VIGNERON <em>et al</em>, 2021).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No tocante ao desempenho dos índices prognósticos em pacientes oncológicos criticamente enfermos, estudo envolvendo &nbsp;UTIs&nbsp; brasileiras encontrou &nbsp;melhor&nbsp; discriminação para o SAPS II e SAPS 3 (ASC = 0,84) em relação ao CMM (ASC = 0,79); melhor calibração para o CMM e SAPS 3 ACS (respectivamente p = 0,128 e p = 0,126) e pior &nbsp;para o SAPS II (p=0,007). A TLP do&nbsp; SAPS 3 ACS &nbsp;foi o que mais&nbsp; se aproximou da unidade (1,02) enquanto o SAPS II&nbsp; e o CMM os que mais se afastaram, respectivamente subestimando (TLP=1,49) ou superestimando (TLP=0,48) a mortalidade (SOARES <em>et al</em>,&nbsp; 2010). Na China, &nbsp;demonstrou-se excelente discriminação (&gt;0,8) para o SAPS 3 e o APACHE II. O SAPS 3 subestimou (TLP=1,5) ao passo que o APACHE II superestimou (TLP=0,72). A calibração foi adequada para os&nbsp; dois modelos (XING<em> et al</em>, 2015). Em Cuba, &nbsp;foi encontrada excelente discriminação e calibração para o APACHE II e SAPS 3 (AUC &gt; 0,9 e p &gt; 0,05) sendo que a TLP do SAPS 3 EG a que mais se aproximou da unidade (1,08). O &nbsp;SAPS 3 ASC superestimou &nbsp;a mortalidade (TLP=0,85) ao passo que &nbsp;o APACHE II subestimou (TLP=1,19) (MARTOS‑BENITEZ <em>et al</em>, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Conclusão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O desempenho em relação aos índices prognósticos, bem como a mortalidade encontrada, não difere substancialmente dos dados encontrados na literatura. Características regionais e a proporção de tipos de câncer, fase de tratamento e combinação e comorbidades influenciam e podem explicar eventuais diferenças. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">AZOULAY, E.; MOKART, D.; PÈNE, F.; LAMBERT, J.<em> et al.</em> Outcomes of Critically Ill Patients With Hematologic Malignancies: Prospective Multicenter Data From France and Belgium &#8211; A Groupe de Recherche Respiratoire em Réanimation Onco-Hématologique Study. 31, n. 22, August, 1 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DÍAZ-DÍAZ, D.; MARTÍNEZ, M. V.; HERREJÓN, E. P. Oncological patients admitted to an intensive careunit. Analysis of predictors of in-hospital mortality <strong>Med Intensiva</strong>, 42, p. 346–353, 2018. Disponível em: <a href="https://www.medintensiva.org/en-oncological-patients-admitted-an-intensive-articulo-S2173572718301164">https://www.medintensiva.org/en-oncological-patients-admitted-an-intensive-articulo-S2173572718301164</a>. Acesso em: 12 abr. 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DIB, R. V.; GOMES, A. M. T.; RAMOS, R. D. S.; FRANÇA, L. C. M.<em> et al.</em> Pacientes com Câncer e suas Representações Sociais sobre a Doença: Impactos e Enfrentamentos do Diagnóstico. <strong>Revista Brasileira de Cancerologia </strong>68, n. 3, 2022. Disponível em: <a href="https://rbc.inca.gov.br/index.php/revista/article/view/1935">https://rbc.inca.gov.br/index.php/revista/article/view/1935</a>. Acesso em: 27 dez. 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GROEGER, JS; LEMESHOW, S;&nbsp; PRICE, K; NIERMAN, DM;, P; el al. Multicenter outcome study of cancer patients admitted to the intensive care unit: a probability of mortality model. <strong>J Clin Oncol</strong>, v. 16, n. 2, p. 761-70, 1998.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOSMER, DW; LEMESHOW, L. Assessing the fit of the model. In: HOSMER, DW; LEMESHOW, S. <strong>Applied logistic regression</strong>. 2nd ed. New York: Wiley, 2000. p.143-202.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KALICIŃSKA, E.; KUSZCZAK, B.; DĘBSKI, J.; SZUKALSKI, Ł.<em> et al.</em> Hematological malignancies in Polish population: what are the predictors of outcome in patients admitted to Intensive Care Unit? <strong>Supportive Care in Cancer</strong>, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KNAUS, WA; DRAPER, EA; WAGNER, DP; ZIMMERMAN, JE. APACHE II: A severity of disease classification system. <strong>Crit Care Med</strong>, v. 13, n. 10, p. 818-29, 1985.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LE GALL, JR; LEMESHOW, S; SAULNIER F. A New Simplified Acute Physiology Score (SAPS II) based on a European/North American multicenter study. <strong>JAMA</strong>, n. 270, v. 24, p. 2957-63, 1993. Erratum in: <strong>JAMA</strong>, v. 271, n. 17, 1994.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LEMESHOW, S; HOSMER JR, DW. A review of goodness of fit statistics for use in the development of logistic regression models. <strong>Am J Epidemiol</strong>, v. 115, n. 1, p. 92-106, 1982.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LUECK, C.; BEUTEL, G. Der Krebspatient auf der Intensivstation. <strong>Medizinische Klinik &#8211; Intensivmedizin und Notfallmedizin</strong>, 116, p. 104-110, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARTOS‑BENITEZ, F. D.; LARRONDO‑MUGUERCIA, H.; LEON‑PEREZ, D.; RIVERO‑LOPEZ, J. C.<em> et al.</em> Performance of three prognostic models in critically ill patients with cancer: a prospective study. <strong>International Journal of Clinical Oncology</strong>, march, 24 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARTOS‑BENITEZ, F. D.; SOTO‑GARCIA, A.; GUTIERREZ‑NOYOLA, A. Clinical characteristics and outcomes of cancer patients requiring intensive care unit admission: a prospective study. <strong>Journal of Cancer Research and Clinical Oncology </strong>144, p. 717–723, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MORENO, R.; NASSAR JUNIOR, A. P.; AFONSO, S.; METNITZ, P. Sistemas de pontuação de e resultados de predição. In: KNOBEL, E. <strong>Condutas no paciente grave</strong>. 4 ed. São Paulo: Editora Atheneu; 2016. cap. 292, p. 2931-2940.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MORENO, RP; METNITZ, PG; ALMEIDA, E; JORDAN, B; BAUER, P; CAMPOS, RA; IAPICHINO, G; EDBROOKE, D; CAPUZZO, M; LE GALL, JR; SAPS 3 Investigators. SAPS 3-From evaluation of the patient to evaluation of the intensive care unit. Part 2: Development of a prognostic model for hospital mortality at ICU admission. <strong>Intensive Care Med,</strong> v. 32, n. 10, p. 1345-55, 2005. Erratum in: <strong>Intensive Care Med</strong>, v. 32, n. 5, p. 796, 2006. Disponível em: <a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1315315/">https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1315315/</a>. Acesso em: 10 mar. 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NATHAN, N.; SCULIER, J.-P.; AMEYE, L.; PAESMANS, M.<em> et al.</em> Sepsis and Septic Shock Definitions in Patients With Cancer Admitted in ICU. <strong>Journal of Intensive Care Medicine</strong> v. XX, n. X, p. 1-7, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">OKEN, MM; CREECH, RH; TORMEY, DC; HORTON, J; DAVIS, EE et al. (1982). Toxicity and Response Criteria of the Eastern Cooperative Oncology Group. <strong>American Journal of Clinical Oncology</strong>, v. 5, n. 6, p 649-656, 1982.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SELL, C. T.; SELL, B. T.; NASCIMENTO, E. R. P. D.; PADILHA, M. I.<em> et al.</em> Alterações na Dinâmica Familiar com a Hospitalização em Unidade de Terapia Intensiva. <strong>Revista Enfermagem UERJ</strong>, 20, n. 4, p. 488-492, 2012. Disponível em: <a href="https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/enfermagemuerj/article/view/5223">https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/enfermagemuerj/article/view/5223</a>. Acesso em: 27 dez. 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOARES, M.; SILVA, U. V.; TELES, J. M.; SILVA, E.<em> et al.</em> Validation of four prognostic scores in patients with cancer admitted to Brazilian intensive care units: results from a prospective multicenter study. <strong>Intensive Care Med</strong>, 36, n. 7, p. 1188-1195, Jul 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TERZI, RG; GOMEZ, MI; ARAUJO, S; DRAGOSAVAC, D; FALCÃO, ALE; MACHADO, HC. Índices prognósticos em Medicina Intensiva. <strong>Rev Bras Ter Intensiva</strong>, v.14, n. 1, p. 6-2, 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VIGNERON, C.; CHARPENTIER, J.; VALADE, S.; ALEXANDRE, J.<em> et al.</em> Patterns of ICU admissions and outcomes in patients with solid malignancies over the revolution of cancer treatment <strong>Annals of Intensive Care</strong>, 11, n. 182, 2021. Disponível em: <a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC8709803/">https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC8709803/</a>. Acesso em: 10 abr. 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">XING, X.; GAO, Y.; WANG, H.; HUANG, C.<em> et al.</em> Performance of Three Prognostic Models in Patients with Cancer in Need of Intensive Care in a Medical Center in&nbsp; China. <strong>Plos One </strong>June 25 2015. Disponível em: <a href="https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0131329">https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0131329</a>. Acesso em: 12 mar. 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZHENG, B.; REARDON, P. M.; FERNANDO, S. M.; WEBBER, C.<em> et al.</em> Costs and Outcomes of Patients Admitted to the Intensive Care Unit With Cancer. <strong>J Intensive Care Med </strong>36, n. 2, p. 203-210, February 2021</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">1-Médico Especialista em Medicina Intensiva AMIB/AMB. Coordenador da UTI Adulto do Hospital de Câncer de Mato Grosso. Grupo Cuiabano de Medicina Intensiva, Cuiabá-MT.e-mail: <a href="mailto:carlosjosealves@terra.com.br">carlosjosealves@terra.com.br</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">2-Médico Especialista em Medicina Intensiva AMIB/AMB. Hospital de Câncer de Mato Grosso. Grupo Cuiabano de Medicina Intensiva, Cuiabá-MT.e-mail: <a href="mailto:gppf@terra.com.br">gppf@terra.com.br</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">3-Residente em Ginecologia e Obstetrícia, Hospital Universitário Júlio Müller &#8211; Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá-MT.e-mail:&nbsp; <a href="mailto:ana_flavia_vieira@hotmail.com">ana_flavia_vieira@hotmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">4-Residente em Oftalmologia, Centro de Estudos e Pesquisas Oculistas Associados, Rio de Janeiro-RJe-mail: <a href="mailto:barbaralucia_@hotmail.com"></a>&nbsp;<a href="mailto:andressa_petrazzini@hotmail.com">andressa_petrazzini@hotmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">5-Clínica Geral, Hospital Municipal São Benedito, Cuiabá-MTe-mail: <a href="mailto:barbaralucia_@hotmail.com">barbaralucia_@hotmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">6-Residente em Radiologia e Medicina de Imagem, Grupo Digimax, Caçador-SCe-mail: <a href="mailto:alencastro_alencastro@hotmail.com">alencastro_alencastro@hotmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">7-Residente em Medicina da Família, Hospital Geral, Cuiabá-MTe-mail: <a href="mailto:gabriela_fpp@hotmail.com">gabriela_fpp@hotmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">8-Clínico Geral, Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia, Curitiba-PRe-mail: <a href="mailto:jgabrielmuniz@hotmail.com">jgabrielmuniz@hotmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">9-Clínico Geral, Hospital Municipal São Benedito, Cuiabá-MTe-mail: <a href="mailto:joaovictor.oalvarenga@gmail.com">joaovictor.oalvarenga@gmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">10-Clínica Geral, Instituto Stanley Hair Transplante Capilar, Cuiabá &#8211; MTe-mail: <a href="mailto:kalliandradutra@hotmail.com">kalliandradutra@hotmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">11-Clínica Geral, Hospital Municipal São Benedito, Cuiabá-MTe-mail: <a href="mailto:pamela_pies@hotmail.com">pamela_pies@hotmail.com</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">12-Residente em Medicina Intensiva, Unicamp, Campinas-SPe-mail: <a href="mailto:thaispiovezan0@gmail.com">thaispiovezan0@gmail.com</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO DAS PROFESSORAS DURANTE A PANDEMIA DA COVID-19: DO ACÚMULO DE TAREFAS AOS SOFRIMENTOS PSÍQUICOS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/precarizacao-do-trabalho-das-professoras-durante-a-pandemia-da-covid-19-do-acumulo-de-tarefas-aos-sofrimentos-psiquicos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jan 2024 21:31:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 27 – Edição 129/DEZ 2023]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=119033</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10472232 Amanda Caroline da Silva Soares[1]Flávia Cristina Silveira Lemos[2] RESUMO: Como estudante e pesquisadora, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia, da Universidade Federal do Pará (UFPA), surgiu o interesse em aprofundar o estudo sobre a psicologia das emergências e sua aplicabilidade na Tese de Doutorado, cujo objeto consiste nas narrativas de professoras-mães, de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10472232</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Amanda Caroline da Silva Soares<a id="_ftnref1" href="#_ftn1">[1]</a><br>Flávia Cristina Silveira Lemos<a id="_ftnref2" href="#_ftn2">[2]</a></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO: </strong>Como estudante e pesquisadora, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia, da Universidade Federal do Pará (UFPA), surgiu o interesse em aprofundar o estudo sobre a psicologia das emergências e sua aplicabilidade na Tese de Doutorado, cujo objeto consiste nas narrativas de professoras-mães, de uma Universidade pública do estado do Pará, que se reinventaram durante a pandemia da COVID-19. O presente estudo é inicial e tem como ponto de partida levantamentos bibliográficos e a nossa vivência enquanto pedagoga de uma universidade federal, já que a pesquisa de campo, que envolve entrevistas semi-estruturadas, ainda não foi realizada. Os resultados iniciais apontam para a precarização do trabalho das professoras, aumento da violência doméstica, além de impactos na saúde mental das mulheres-professoras que vivenciaram o momento pandêmico. Tais resultados servirão de base para o aprimoramento do projeto de pesquisa doutoral.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>ensino remoto; pandemia da COVID-19; precarização do trabalho das professoras; saúde mental; violência de gênero.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O uso das tecnologias de ensino durante a Pandemia da Covid-19</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente a internet é uma das ferramentas mais utilizadas pela sociedade e corrobora para a construção de um mundo globalizado, onde saberes múltiplos são compartilhados a uma velocidade que faz com que o mundo pareça menor diante da ampliação do acesso às tecnologias da informação e comunicação. Os usos e apropriações da internet e das novas tecnologias no cotidiano tem gerado efeitos complexos nas existências, nas relações sociais e no campo dos valores culturais (CASTELLS, 2003).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A difusão e expansão da internet fomentaram o uso das tecnologias nos diversos setores da sociedade, trazendo mudanças nas relações econômicas, sociais e culturais, por exemplo, inclusive na educação e no trabalho. Estas transformações têm impactado tanto positivamente quanto negativamente a vida das pessoas em diversos aspectos. Além destas mudanças, o reconhecimento de que os jovens, e aqui destacamos os estudantes, estão cada vez mais conectados, o que requer repensar paradigmas, redefinir o trabalho docente, vendo o professor como um formador/orientador que incentiva o pensamento crítico e inovador (SORJ, 2003; 2004).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, o acesso à internet não é amplo e igualitário. Há desigualdades de acesso e da qualidade do sinal, sem falar que há limites de equipamentos e aquisição de celulares, notebooks e computadores de mesa pelo preço e renda baixa de boa parte da população no país. No Brasil e em várias áreas específicas há problemas graves no acesso, falta de antena ou pequena quantidade de cobertura das antenas das operadoras (SORJ, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Amazônia, por exemplo, que tem grandes extensões e florestas densas com diversas populações em regiões ribeirinhas e em territórios indígenas, quilombolas e de assentamento dos movimentos sem-terra há uma situação diferenciada também no acesso à internet e a uma rede de serviços e infraestrutura. Deve-se considerar estas dimensões na pesquisa e no trabalho educativo bem como em diversas políticas públicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto da pandemia da COVID – 19, o professor foi fundamental para dar prosseguimento ao processo de ensino-aprendizagem remoto de modo a não comprometer o processo formativo dos alunos. O fechamento das escolas e universidades, dadas as peculiaridades de prevenção do vírus, fez com que o ensino remoto, que foi adotado para dar continuidade ao processo de ensino-aprendizagem, trouxesse uma complexidade de acontecimentos para o campo da política pública de educação, de assistência social e saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse “novo” modelo de ensino alterou bastante o trabalho dos professores e aqui destacamos as professoras em função das situações de violência de gênero vividas por mulheres no cotidiano e que foram acirradas com a pandemia. Além de precisar adotar novas e diversas metodologias e estratégias para dar continuidade ao seu trabalho, foi necessário transformar a sua casa em sala de aula. Desse modo, surgiu o desafio de conciliar sua jornada de trabalho, dessa vez, em outra configuração, e as atividades dedicadas à família e ao lar. Tarefas, muitas vezes, dadas como exclusivas para as mulheres ou pouco compartilhada com os homens foram intensificadas na pandemia e trouxeram uma sobrecarga de trabalho para as mulheres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desse modo, fica clara a manipulação capitalista e patriarcal que amplia a desigualdade pautada numa democracia (relativa) de acesso ao conhecimento que tem se mostrado cada vez mais burguesa (BAALBAKI, 2014). Tudo isso acentua a precarização do trabalho da mulher-mãe-professora, além de um sistema patriarcal, misógino e desigual condições de equidade de gênero.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo busca explanar esse processo que envolve mulheres- professoras- mães, a partir da imposição do isolamento social, e que muitas vezes é esquecida como profissional e que impactou na sua subjetividade e sociabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A precarização do trabalho das professoras em tempos de pandemia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O desejo de pesquisar a precarização do trabalho das mulheres surgiu a partir de reflexões realizadas durante o período pandêmico, reconhecendo a gravidade do cenário que se instalou, bem como os esforços para se conter o contágio, cuja adoção do <em>home office</em> se deu como medida essencial de preservação da saúde coletiva. Tal experiência, nesse modelo de trabalho, se fez presente em diversos ambientes, inclusive na Universidade Federal do Pará, onde atuamos como Técnica em Assuntos Educacionais &#8211; Pedagoga.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Destaca-se aqui a importância de que a Psicologia se efetua como um viés da educação que possibilita reflexões sobre o processo de ensino-aprendizagem, tanto no ensino regular/presencial, quanto no Ensino Remoto Emergencial (ERE). A partir desta realidade, propomos o presente estudo de um lugar de fala e percurso tanto profissional quanto de formação que nos coloca em uma posição de acúmulo de experiências relevantes para realizar este trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez, num momento inicial, e baseado em uma perspectiva superficial pensou-se que, para as mulheres-mães o trabalho remoto seria positivo, pois todos os afazeres, seja como mãe, profissional ou com os cuidados com a casa estariam concentrados no mesmo lugar, mas o que acabou ocorrendo foi a precarização do dia-a-dia da mulher somada às diversas modalidades de violências vividas por estas em suas casas, muitas vezes. Mesmo que no período do <em>home office</em> tanto mulheres quanto os homens estivessem em casa, mas sabe-se que, no geral, as mulheres são responsáveis pelo maior acúmulo de tarefas dentro de casa ou dependendo do caso recebem ajuda do parceiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A rotina do trabalho associada à rotina das mães apresentava dificuldades, já que assim como essa mãe/professora precisava desenvolver seu trabalho docente, ministrar suas aulas, era necessário garantir que seus filhos assistissem as aulas programadas para suas turmas, já que estes também estavam estudando de maneira remota. E, muitas vezes, tudo isso acontecia no mesmo horário, sobrecarregando ainda mais o papel de mãe, professora e mulher.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É do nosso conhecimento que a realidade da trabalhadora mãe é mais desigual e o contexto pandêmico colocou em evidência aquilo que já discutimos há anos, mas que ainda precisa de muita luta e resistência: a desigualdade de gênero. O trabalho desenvolvido dentro do ambiente familiar, acabou reduzindo, e as vezes até anulando, o seu tempo de descanso, já que, muitas vezes, não havia horário para iniciar e encerrar suas atividades, uma vez que o trabalho público atravessou o ambiente privado, ocasionando o acúmulo de atividades, gerando cansaço físico e até mesmo problemas mentais (SILVA et al.,2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além de ministrar suas disciplinas remotamente, os professores que são pais e, sobretudo, as mães&nbsp;também eram responsáveis por um outro ambiente que se misturava ao espaço doméstico: a da escola dos filhos. O suporte familiar era fundamental para que o ensino remoto fosse eficaz. Considerava-se necessário que as famílias participassem mais efetivamente na vida escolar dos alunos, propiciando maior apoio aos trabalhos dos professores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente tudo isso aconteceu de maneira bem conturbada, já que a comunicação entre professores e alunos passou a ser feita apenas pelos canais digitais. Os docentes e os alunos que estavam habituados com o contato presencial, acreditando, até então, que essa interação era essencial para o desenvolvimento da aprendizagem, precisaram se adequar ao novo modelo de ensino e comunicação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aí, foi posto outro desafio, visto que as aulas remotas precisavam ser atrativas, além de possibilitar a aprendizagem, mesmo que muitos professores não dominassem as ferramentas digitais, precisavam utilizá-las a seu favor, atendendo as necessidades do aluno e do processo educativo. Numa perspectiva mais positiva sobre esse período pandêmico há de se destacar que o professor desenvolveu novas habilidades, a exemplo do melhor uso das tecnologias, o que, talvez, em outro contexto não haveria essa oportunidade. Constata-se que o uso das tecnologias educacionais é imprescindível para ensinar as gerações futuras, se aperfeiçoando e de adaptando às práticas inovadoras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Ensino Remoto Emergencial foi uma forma de ensinar e aprender diferente do habitual e foi um processo bastante desafiador tanto para as professoras quanto para os alunos, já que todos foram pegos de surpresa. Além disso existia um fenômeno sanitário que mexeu e ainda mexe com o emocional das pessoas, impactando na saúde mental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Coronavírus foi descoberto, em dezembro de 2019, após casos catalogados na China. A transmissão acontece de uma pessoa doente para outra pela proximidade, sem o uso de barreiras físicas (principalmente o uso de máscaras) e por meio de superfícies contaminadas, daí a importância do uso de álcool em gel. Diante disso e da falta de medicamentos ou vacinas, que só começaram a ser aplicadas no Brasil em janeiro de 2021, o distanciamento social tornou-se uma medida necessária para diminuir a transmissão. Em virtude disso, a população mundial precisou adotar o distanciamento social e os processos formativos passaram a ser realizados a partir das tecnologias digitais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As instituições públicas, historicamente, apresentam dificuldades por falta de recursos tecnológicos, e muitas vezes sem infraestrutura básica para aluno e professor, precarizando tanto o trabalho docente como o processo de ensino-aprendizagem. Além disso, muitos alunos se encontram em situação de vulnerabilidade e sem a estrutura mínima para o ensino remoto, ocasionados pela falta de políticas públicas eficientes; professores com poucas habilidades tecnológicas; famílias com problemas financeiros; etc. Ricardo Antunes (2020) e Sennett (2008) são importantes referências sobre a precarização do trabalho, inclusive, denominando este processo de uberização da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, não tem como minimizar os efeitos deixados pela pandemia, seja pelas perdas de entes queridos, na economia, na educação e os efeitos disso tudo na saúde mental de quem vivenciou esse momento de medo e incertezas que assolou o mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pandemia assustadora ocasionada pelo vírus SARS-CoV-2 deu espaço para uma nova pandemia, que merece tanta atenção como a outra, e que envolve a saúde mental. A sobrecarga do trabalho remoto, a falta de socialização, o abalo emocional devido as perdas de pessoas, a violência doméstica, já que muitas mulheres ficaram mais tempo com seus agressores, aumentaram o nível de estresse e sofrimento psíquico da população.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em março de 2021, o diretor gral da OMS, Tedros Adhanom, se manifestou declarando o aumento da violência de gênero no período pandêmico:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A violência contra as mulheres é endêmica em todos os países e culturas, causando danos a milhões de mulheres e suas famílias, e foi agravada pela pandemia de Covid-19. Mas, ao contrário da Covid-19, a violência contra as mulheres não pode ser interrompida com uma vacina. Só podemos lutar contra isso com esforços sustentados e enraizados &#8211; por governos, comunidades e indivíduos &#8211; para mudar atitudes prejudiciais, melhorar o acesso a oportunidades e serviços para mulheres e meninas e promover relacionamentos saudáveis e mutuamente respeitosos (FIOCRUZ, 2021).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O confinamento forçado e a convivência prolongada em um mesmo espaço, intensificou os fatores de risco, ficando a mulher em uma situação de maior vulnerabilidade, aumentando os conflitos familiares e, por consequência, a violência contra a mulher (ABUDE, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Considerações finais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da docência ser marcada pelo gênero feminino e as mulheres-professoras terem se mantido no teletrabalho no ensino remoto, a manutenção do trabalho na educação formal não deu destaque a mulher, já que, em muitos casos, estas foram vistas como privilegiadas por terem mantido seus trabalhos em casa e sem terem perdido ou reduzido sua renda, sem se darem conta que nesse período o trabalho dessas professoras foi mais desgastante, já que sobrava pouco ou quase nada de tempo para que elas olhassem para si, evidenciando a desigualdade de gênero acentuada nesse momento histórico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A intensificação do trabalho, juntamente com a precarização das condições laborais, trouxe impactos significativos para essa categoria profissional. Além das demandas acadêmicas, muitas professoras tiveram que conciliar o trabalho remoto com as responsabilidades domésticas, enfrentando jornadas exaustivas e o desafio constante de equilibrar as demandas profissionais e familiares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As mulheres professoras precisaram se adaptar rapidamente a novas tecnologias, preparar materiais didáticos virtuais e lidar com as complexidades de manter os alunos engajados à distância. Essa transição abrupta não apenas demandou habilidades técnicas, mas também exigiu uma carga emocional adicional, já que muitas professoras buscaram apoiar emocionalmente seus alunos diante do contexto desafiador da pandemia, além de serem suas próprias apoiadoras em caso de violências sofridas em seus próprios lares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Observando atentamente o impacto social da pandemia, é doloroso constatar que o isolamento imposto para conter a propagação da COVID-19 resultou em um ambiente propício para o aumento das tensões familiares, exacerbando situações já existentes e criando novos desafios. Mulheres, em particular, enfrentaram um aumento nas incidências de violência, muitas vezes com menos recursos para buscar ajuda, dada a restrição de movimentação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A precarização das condições de trabalho também se manifestou na falta de suporte institucional adequado. A ausência de políticas específicas para mitigar os impactos da pandemia nas atividades acadêmicas e na saúde mental das professoras agravou a situação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Temos interesse especial nas consequências psicológicas desse contexto para as mulheres professoras, que enfrentam não apenas as dificuldades práticas, mas também o desgaste emocional resultante da sobrecarga e da incerteza. É crucial que, mesmo após a pandemia, reconheçamos e abordemos essas questões para tentar garantir, cada vez mais, um ambiente de trabalho justo e sustentável para as mulheres que desempenham um papel fundamental na educação, já que esse processo de precarização do trabalho docente não é novo, apenas foi intensificado no momento de isolamento social.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ABUDE, Kátia Maria Brasil. <strong>O impacto da pandemia no Brasil, em 2020, na incidência da violência doméstica contra mulher, em especial, o feminicídio</strong>. Conteúdo Jurídico. Brasília- DF, 2021. Disponível em: <a href="https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-civil/o-impacto-da-pandemia-no-brasil-em-2020-na-incidencia-da-violencia-domestica-contra-mulher-em-especial-o-feminicidio">https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-civil/o-impacto-da-pandemia-no-brasil-em-2020-na-incidencia-da-violencia-domestica-contra-mulher-em-especial-o-feminicidio</a>. Acesso em: Novembro, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ANTUNES, Ricardo. <strong>Uberização, trabalho digital e indústria 4.0</strong>. São Paulo: Boitempo, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BAALBAKI, E. C. F. E <strong>Divulgação científica e o discurso da necessidade</strong>. LETRAS, v.24, n.48, p. 379-396, Santa Maria, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://books.google.com.br/books?id=nCKFFmWOnNYC&amp;printsec=frontcover&amp;dq=a+galaxia+da+internet+castells&amp;hl=pt-BR&amp;ei=BPxyTLmCIoaBlAf2073pDQ&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;ct=result&amp;resnum=1&amp;ved=0CCsQ6AEwAA#v=onepage&amp;q=tecnomeritocr%C3%A1tica&amp;f=false">CASTELLS, Manuel. </a><a href="http://books.google.com.br/books?id=nCKFFmWOnNYC&amp;printsec=frontcover&amp;dq=a+galaxia+da+internet+castells&amp;hl=pt-BR&amp;ei=BPxyTLmCIoaBlAf2073pDQ&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;ct=result&amp;resnum=1&amp;ved=0CCsQ6AEwAA#v=onepage&amp;q=tecnomeritocr%C3%A1tica&amp;f=false"><strong>A Galáxia da Internet</strong></a><a href="http://books.google.com.br/books?id=nCKFFmWOnNYC&amp;printsec=frontcover&amp;dq=a+galaxia+da+internet+castells&amp;hl=pt-BR&amp;ei=BPxyTLmCIoaBlAf2073pDQ&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;ct=result&amp;resnum=1&amp;ved=0CCsQ6AEwAA#v=onepage&amp;q=tecnomeritocr%C3%A1tica&amp;f=false">: reflexões sobre a Internet, os negócios e a sociedade</a>. Trad. Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIMA, Everton. Violência contra as mulheres no contexto da Covid-19. <strong>FIOCRUZ</strong>. 2021. Disponível em: <a href="https://portal.fiocruz.br/noticia/violencia-contra-mulheres-no-contexto-da-covid-19">https://portal.fiocruz.br/noticia/violencia-contra-mulheres-no-contexto-da-covid-19</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">SENNETT, Richard. <strong>A corrosão do caráter</strong>. São Paulo: Record, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, et al. A Feminização do cuidado e a sobrecarga da mulher-mãe na pandemia. <strong>Revista Feminismos</strong>, v. 8, n. 3, Set. – Dez. 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SORJ, B. et al.&nbsp;<strong>Sobrevivendo nas Redes &#8211; Guia do Cidadão.</strong> São Paulo: Editora Moderna, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SORJ, B.,&nbsp;<strong>A Democracia Inesperada: cidadania, direitos humanos e desigualdade social. </strong>Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SORJ, B.,&nbsp;<strong>brasil@povo.com &#8211; A Luta contra a Desigualdade na Sociedade da Informação. </strong>Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> Doutoranda em Psicologia, no Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Pará (UFPA). Mestra em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da UFPA. Pedagoga pelo Instituto de Ciências da Educação da UFPA. Técnica em Assuntos Educacionais, na Pró-Reitoria de Ensino de Graduação, da UFPA. E-mail: amanda84soares@yahoo.com.br</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref2" id="_ftn2">[2]</a> Doutora em História Cultural pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Professora na Universidade Federal do Pará. E-mail: flaviacslemos@gmail.com</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>PENTALOGIA DE CANTRELL, CASO RARO DE SOBREVIDA EM PACIENTE COM CORREÇÃO PARCIAL</title>
		<link>https://revistaft.com.br/pentalogia-de-cantrell-caso-raro-de-sobrevida-em-paciente-com-correcao-parcial/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jan 2024 21:05:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 27 – Edição 129/DEZ 2023]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=119031</guid>

					<description><![CDATA[PENTALOGY OF CANTRELL, A RARE CASE OF SURVIVAL IN A PATIENT WITH PARTIAL CORRECTION REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10472188 Martins de Souza Honorato¹Dra. Suellen Sthefany Mota Tiago Andrighetto² RESUMO Pentalogia de Cantrell é um conjunto raro de malformações congênitas que englobam coração, pericárdio, diafragma, esterno e parede abdominal ventral. É comumente associado a anomalias congênitas, sendo que [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>PENTALOGY OF CANTRELL, A RARE CASE OF SURVIVAL IN A PATIENT WITH PARTIAL CORRECTION</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10472188</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Martins de Souza Honorato¹<br>Dra. Suellen Sthefany Mota Tiago Andrighetto²</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Pentalogia de Cantrell é um conjunto raro de malformações congênitas que englobam coração, pericárdio, diafragma, esterno e parede abdominal ventral. É comumente associado a anomalias congênitas, sendo que a taxa de sobrevivência de pacientes com esta condição é estimada em cerca de 37%. Este artigo tem como finalidade relatar um caso raro de pentalogia de Cantrell em paciente com 3 anos e 9 meses de idade, submetida a procedimentos paliativos. Houve realização de uma cirurgia após o nascimento e com boa evolução até o momento sem correção de defeitos intracardíacos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras &#8211; chaves</strong>: Malformação congênita; Pentalogia de cantrell; Anomalia rara</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Pentalogy of Cantrell is a rare set of congenital malformations that encompass the heart, pericardium, diaphragm, sternum and ventral abdominal wall. It is commonly associated with congenital anomalies, and the survival rate of patients with this condition is estimated at around 37%. This article aims to report a rare case of pentalogy of Cantrel in a patient aged 3 years and 9 months, who underwent palliative procedures. Surgery was performed after birth and with good progress so far without correction of intracardiac defects.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Congenital malformation; Cantrell Pentalogy; Rare anomaly</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Pentalogia de Cantrell é um conjunto de malformações congênitas que englobam coração, pericárdio, diafragma, esterno e parede abdominal ventral. É comumente associado a anomalias congênitas associadas e a taxa de sobrevivência de pacientes com esta condição é estimada em cerca de 37%.[6]. A ectopia cordis é uma condição em que o coração está localizado fora do tórax e coberto por uma membrana semelhante à onfalocele que pode complicar ainda mais o prognóstico e o tratamento da Pentalogia de Cantrell. Os bebês geralmente apresentam múltiplas malformações cardíacas, sendo a tetralogia de Fallot a mais comum. O prognóstico depende da gravidade dos defeitos intra e extracardíacos da extensão dos defeitos da parede abdominal, da hipoplasia pulmonar e da hérnia diafragmática. O prognóstico é ruim principalmente para pacientes com doença grave e pentalogia de Cantrell do tipo completa, sendo que a taxa média de sobrevivência sem qualquer cirurgia intervencionista é de cerca de 36 horas. Os defeitos da pentalogia descritos no artigo inicial de Cantrell são os seguintes: [2]Onfalocele supraumbilical, Fenda esternal inferior, Defeito no tendão central do diafragma, Defeito no pericárdio, Anomalia intracardíaca. São considerados defeitos de campo de desenvolvimento devido ao envolvimento de múltiplos tecidos, desde o cardíaco até a parede abdominal ventral. Embora a condição ainda não tenha sido associada à genética, casos familiares foram relatados na literatura [4]. Um estudo populacional de bebês com anomalias cardíacas congênitas em Baltimore-Washington sugeriu uma prevalência regional de 5,5 por 1 milhão de nascidos vivos [1]. Júnior, E., Carrilho, M., Toneto, B., &amp; Guilhen, J. (2017) (8): “Faltam estudos que avaliem a via de parto ideal para os casos de Pentalogia de Cantrell devido à sua raridade e mau prognóstico, levando à interrupção da gravidez em muitos países. Em uma série de 13 casos de Pentalogia, a taxa de mortalidade foi de 84,6%, sendo as principais causas de morte insuficiência cardíaca (31%), hipóxia (23%) ou complicações perioperatórias (23%). Dos 13 casos citados no estudo anterior, seis pacientes foram submetidos a algum tipo de intervenção cirúrgica, sendo que cinco necessitaram de cirurgia cardíaca.”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. OBJETIVO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Relatar um caso raro de pentalogia de Cantrel em paciente com 3 anos e 9 meses de idade, submetida a procedimentos paliativos. Neste caso, houve a realização de uma cirurgia após o nascimento com boa evolução até o momento, apesar da não correção de defeitos intracardíacos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho, configura-se como um estudo de caso, pelo relato de uma anomalia rara, além do caráter descritivo de forma minuciosa. Este caso relata uma anomalia rara, a Pentalogia de Cantrell, em paciente submetida a procedimentos paliativos e com boa evolução até o momento, apesar da não correção de defeitos intracardíacos.&nbsp; Foi descrito na forma de relato de caso e para sua publicação, obteve aprovação pelo Comitê de Ética e Pesquisa da instituição, conforme o número do parecer consubstanciado 6.566.064, segue a resolução 466/2012 e respeita os princípios éticos da Declaração de Helsinque. Além disso, como utiliza dados retrógrados de prontuário médico, foi feito Termo de Consentimento de Utilização de Dados (TCUD).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. RELATO DE CASO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Paciente, feminina, de 3 anos e 9 meses de idade, nascida de parto cesárea com diagnóstico de malformações desde 13 semanas de gestação, foi submetida a procedimento cirúrgico com 5 dias de vida, sendo realizado o fechamento do diafragma com &#8220;patch&#8221; de pericárdio bovino e reconstrução de parede abdominal , sem intercorrências. Paciente apresenta ainda tetralogia de Fallot e foi submetida a valvoplastia pulmonar percutânea na internação no período neonatal. A paciente tem sobrevivido sem grandes repercussões clínicas, sem a correção total dos defeitos intracardíacos associados, apresentando também traqueostomia desde período neonatal, porém sem uso de ventilador há 2 anos e está aguardando a correção cirúrgica da Tetralogia de Fallot. Em ultrassonografia de parede abdominal , identifica-se cobertura visceral pela pele e tecido celular subcutâneo em todos os pontos da parede abdominal anterior compatível com hérnia ventral. Em ecocardiograma de Outubro de 2023 identifica-se Tetralogia de Fallot, Tronco pulmonar e artéria pulmonar direita dilatados, pós procedimento percutâneo de valvoplastia pulmonar com estenose de grau moderado, uma boa função biventricular, fração de ejeção estimada em 65,8%; ausência de derrame pericárdico. Paciente atualmente segue em seguimento com cirurgia cardíaca.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A criança do presente relato não apresentou complicações pós-operatórias e atualmente, decorridos cerca de 4 anos, está com boa evolução, a despeito de até o momento não ter sido submetida a correção das lesões intracardíacas e de parede abdominal. O prognóstico da Pentalogia de Cantrell geralmente é ruim, com altas taxas de morbi-mortalidade, taxa de mortalidade em torno de 63% e uma sobrevida máxima de 9 meses após a cirurgia.[3]. O prognóstico a longo prazo para crianças com essa anomalia depende da complexidade do defeito cardíaco associado . A ocorrência dos defeitos de cinco componentes na Pentalogia de Cantrell é bastante rara, e a gravidade da malformação é um fator significativo na determinação do prognóstico . Os cuidados pré-natais adequados, incluindo acompanhamento rigoroso por ultrassonografia, são essenciais para a detecção precoce de complicações e o fornecimento de aconselhamento adequado aos pais [5]. O diagnóstico precoce e a avaliação da anomalia são de extrema importância para o aconselhamento pré-natal e o manejo pós-natal eficazes, pois oferecem aos pais a opção de interromper a gravidez, respeitando as individualidades e culturais de cada região. O diagnóstico pré-natal da pentalogia de Cantrell é possível, porem as taxas de sobrevivência pós-natal são baixas devido à evolução das estruturas anatômicas(10) .</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jnah, A., Newberry, D. e Inglaterra, A. (2015) (9)&nbsp;: “Os diagnósticos diferenciais para Pentalogia de Cantrell (POC) incluem ectopia cordis isolada, defeitos isolados da parede abdominal (onfalocele), síndrome da banda amniótica e ectopia torácica isolada. O intervalo de tempo imediato após o parto deve ser utilizado para inspecionar, avaliar, diagnosticar e determinar se a correção cirúrgica dos defeitos associados é viável. As estratégias iniciais de manejo incluem ressuscitação neonatal com estabilização, proteção dos defeitos de apresentação e correção de alterações metabólicas e hemodinâmicas. A antibioticoterapia deve ser iniciada para profilaxia contra sepse, um fator de risco significativo associado a defeitos esternais. Após o período imediato de ressuscitação, é indicada uma avaliação da candidatura do paciente ao reparo cirúrgico”. A revisão da literatura indica o uso de tecidos autólogos e materiais biocompatíveis para fechamento da parede torácica, proporcionando melhores resultados em pacientes com defeitos menores e proporcionando maior sobrevida (8).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas futuras podem se concentrar em elucidar ainda mais as etiologias genéticas da Pentalogia de Cantrell e além disso o relato de todas as variantes possíveis dessa patologia é importante para acumular experiências no tratamento desses pacientes e melhorar a estratégia e o prognóstico desse problema de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">1- Carmi R, Boughman JA. Pentalogia de Cantrell e anomalias associadas da linha média: um possível campo de desenvolvimento da linha média ventral. Sou J Med Genet. 01 de janeiro de 1992; 42 (1):90-5. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/1308371 Acessado em: 10 de out de 2023</p>



<p class="wp-block-paragraph">2- Duan QJ, Gao Z, Zhang ZW, Li JH, Ma LL, Ying LY. Definição correta de pentalogia de Cantrell. J Perinat Med. 2009; 37 (4):426. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19309255 Acessado em: 02 de set de 2023</p>



<p class="wp-block-paragraph">3- Jorge Victor da Silva Costa, Carlos Eduardo Coimbra Melonio, Ciro Bezerra Vieira, Caio Marcio Barros de Oliveira, Plínio da Cunha Leal, Elizabeth Teixeira Noguera Servín, Lyvia Maria Rodrigues de Sousa Gomes, Ed Carlos Rey Moura, Anesthesia for surgical repair of the pentalogy of Cantrell: case report, Brazilian Journal of Anesthesiology (English Edition),Volume 69, Issue 3, 2019, Pages 322-325. Disponível em:https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0104001418301738?via%3Dihub , Acesso em: 02 de nov de 2023</p>



<p class="wp-block-paragraph">4- Martin RA, Cunniff C, Erickson L, Jones KL. Pentalogia de Cantrell e ectopia cordis, um complexo de campo de desenvolvimento familiar. Sou J Med Genet. 01 de abril de 1992; 42 (6):839-41. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/1554024 Acessado em: 02 de set de 2023</p>



<p class="wp-block-paragraph">5- Sana MK, Rentea RM. Pentalogy of Cantrell. [Updated 2023 May 29]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023 Jan-. Available Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK558948/ Acesso em: 20 de out de 2023</p>



<p class="wp-block-paragraph">6- Vazquez-Jimenez JF, Muehler EG, Daebritz S, Keutel J, Nishigaki K, Huegel W, Messmer BJ. Síndrome de Cantrell: um desafio ao cirurgião. Ann Thorac Surg. abril de 1998; 65 (4):1178-85. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/9564963/ Acessado em: 25 de ago de 2023</p>



<p class="wp-block-paragraph">7 &#8211; &nbsp;HAZIN, S.; VIEIRA, J.; GOMES, c.; TENÓRIO, E.; MORAES NETO, F.; LAPA, c.; MATTOS, S.; MORAES, C. R. &#8211; Pentalogia de Cantrell: relato de caso. Rev. Bras. Cir. Cardiovasc., 10 (4): 211-213, 1995.Pentalogia de Cantrell: relato de caso –disponivel em :SciELO <a href="https://www.scielo.br/j/rbccv/a/cySXWj9yRcM5FHmQd7y7pwy/?format=pdf&amp;lang=pt">https://www.scielo.br/j/rbccv/a/cySXWj9yRcM5FHmQd7y7pwy/?format=pdf&amp;lang=pt</a> , acesso em 23 de setembro 2023</p>



<p class="wp-block-paragraph">8 &#8211; Júnior, E., Carrilho, M., Toneto, B., &amp; Guilhen, J. (2017).&nbsp;Pentalogia de Cantrell: diagnóstico pré-natal, parto e reparo cirúrgico pós-natal imediato.&nbsp;<em>Jornal de Cirurgia Neonatal</em>&nbsp;, 6.&nbsp; , disponivel em :&nbsp;<a href="https://doi.org/10.21699/jns.v6i2.503" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://doi.org/10.21699/jns.v6i2.503</a> Acesso em 6 de outubro 2023</p>



<p class="wp-block-paragraph">9 &#8211; Jnah, A., Newberry, D. e Inglaterra, A. (2015).&nbsp;Pentalogia de Cantrell: Relato de Caso com Revisão da Literatura.&nbsp;<em>Avanços na Assistência Neonatal</em>&nbsp;, 15, 261–268. disponivel em: &nbsp;<a href="https://doi.org/10.1097/ANC.0000000000000209" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://doi.org/10.1097/ANC.0000000000000209</a>&nbsp;. Acesso em 10 de novembro de 2023</p>



<p class="wp-block-paragraph">10 &#8211; Pośpiech-Gąsior, K., Słodki, M., &amp; Respondek-Liberska, M. (2016).&nbsp;Qual é a taxa de sobrevivência na pentalogia de Cantrell detectada no pré-natal?&nbsp;<em>Cardiologia Pré-Natal</em>&nbsp;, 6, 31 &#8211; 36. disponivel em <a href="https://doi.org/10.1515/pcard-2016-0004" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://doi.org/10.1515/pcard-2016-0004</a>&nbsp;. Acesso em 11 de novembro 2023</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">¹ Médico Residente em Pediatria, Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, HUMAP/UFMS. Email: martinsmed91@gmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">² Médica Cardiologista Pediátrica, Preceptora da Residência de Pediatria, Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, HUMAP/UFMS. Email: suellen_sthefany@yahoo.com.br</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>OS IMPACTOS DA CETAMINA COMO DROGA TERAPÊUTICA NO MANEJO DA IDEAÇÃO SUICIDA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/os-impactos-da-cetamina-como-droga-terapeutica-no-manejo-da-ideacao-suicida-uma-revisao-integrativa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jan 2024 20:56:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 27 – Edição 129/DEZ 2023]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=119028</guid>

					<description><![CDATA[THE IMPACTS OF KETAMINE AS A THERAPEUTIC DRUG IN THE MANAGEMENT OF SUICIDAL IDEATION: AN INTEGRATIVE REVIEW LOS IMPACTOS DE LA KETAMINA COMO DROGA TERAPÉUTICA EN EL MANEJO DE LA IDEA SUICIDA: UNA REVISIÓN INTEGRATIVA REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10472172 Levi Nogueira Moura1 Gabriel Sampaio Falcão1 Pedro Figueiredo da Silva Filho1 Cindy Nogueira Moura2 RESUMO Objetivo: Diante [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>THE IMPACTS OF KETAMINE AS A THERAPEUTIC DRUG IN THE MANAGEMENT OF SUICIDAL IDEATION: AN INTEGRATIVE REVIEW</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>LOS IMPACTOS DE LA KETAMINA COMO DROGA TERAPÉUTICA EN EL MANEJO DE LA IDEA SUICIDA: UNA REVISIÓN INTEGRATIVA</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10472172</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Levi Nogueira Moura<sup>1</sup> <br>Gabriel Sampaio Falcão<sup>1</sup> <br>Pedro Figueiredo da Silva Filho<sup>1</sup> <br>Cindy Nogueira Moura<sup>2</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Objetivo:</strong> Diante de um crescente número de casos de suicídio ao redor do mundo, torna-se necessário pesquisar novas estratégias para o combate à ideação suicida. Este estudo tem como objetivo identificar os impactos positivos e negativos do uso da cetamina, enquanto possível droga terapêutica no manejo da ideação suicida. <strong>Métodos:</strong> Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, referente a artigos publicados em inglês, no período de 2017 a 2022. A seleção baseou-se na associação dos descritores: ketamina e ideação suicida, através do uso do operador AND, na base de dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). <strong>Resultados:</strong> A amostra final contemplou 8 artigos internacionais nesta revisão. <strong>Conclusão:</strong> A análise do conteúdo concluiu que a cetamina tem o potencial de proporcionar uma melhora rápida e considerável na redução da ideação suicida, apresentando efeitos antidepressivos e inibidores de ideação suicida de ação rápida. Entretanto, faz-se necessário a realização de pesquisas adicionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Saúde Mental, Ideação Suicida, Cetamina.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Objective:</strong> Faced with a growing number of suicide cases around the world, it is necessary to research new strategies to combat suicidal ideation. This study aims to identify the positive and negative impacts of the use of ketamine, as a possible therapeutic drug in the management of suicidal ideation. <strong>Methods:</strong> This is an integrative literature review, referring to articles published in English, from 2017 to 2022. The selection was based on the association of the descriptors: ketamine and suicidal ideation, using the AND operator, in the database of the Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). <strong>Results:</strong> The final sample included 8 international articles in this review. <strong>Conclusion:</strong> The content analysis concluded that ketamine has the potential to provide a rapid and considerable improvement in the reduction of suicidal ideation, showing fast-acting antidepressant and suicidal ideation inhibitory effects. However, further research is needed.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Key words:</strong> Mental Health, Suicidal Ideation, Ketamine.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMEN</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Objetivo:</strong> Ante un número creciente de casos de suicidio en todo el mundo, es necesario investigar nuevas estrategias para combatir la ideación suicida. Este estudio tiene como objetivo identificar los impactos positivos y negativos del uso de la ketamina, como posible fármaco terapéutico en el manejo de la ideación suicida. <strong>Métodos:</strong> Se trata de una revisión integrativa de la literatura, referente a artículos publicados en inglés, de 2017 a 2022. La selección se basó en la asociación de los descriptores: ketamina e ideación suicida, mediante el uso del operador AND, en la base de datos de la Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). <strong>Resultados:</strong> La muestra final incluyó 8 artículos internacionales en esta revisión. <strong>Conclusión:</strong> El análisis de contenido concluyó que la ketamina tiene el potencial de proporcionar una mejora rápida y considerable en la reducción de la ideación suicida, mostrando efectos antidepresivos e inhibidores de la ideación suicida de acción rápida. Sin embargo, se necesita más investigación.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palabras clave:</strong> Salud Mental, Ideación Suicida, Ketamina.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas cometem suicídio ao redor do mundo anualmente (OMS, 2021).&nbsp; Em território nacional, o suicídio é a terceira principal causa de morte na faixa etária entre 15 e 29 anos, superado apenas por homicídios e acidentes de transporte (BRASIL, 2021). Em uma análise da progressão de número de suicídios ao longo dos anos, percebe-se que, no período de 2011 a 2015, foram registrados 55.649 óbitos por suicídio no Brasil, com uma taxa geral de 5,5/100 mil habitantes, variando de 5,3 em 2011 a 5,7 em 2015, denotando uma importante temática com crescente mortalidade a ser discutida em sociedade (BRASIL, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Concomitantemente, a ideação suicida é a emergência de cunho psiquiátrico mais frequente em hospitais, fazendo-se necessário uma intervenção imediata (TORRES GA, et al., 2011). Entretanto, apesar da importância desse manejo e da frequência com a qual se faz necessária, são escassos os protocolos que fornecem algoritmos para essas situações, seja devido à complexa interação entre seus fatores de risco, ao desconforto do paciente em abordar a temática, à individualidade clínica dos episódios, ao déficit de intervenções farmacológicas eficazes, ou ao conjunto de todas essas características (WEBER AN, et al., 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem inúmeras teorias propostas para as causas da depressão, todas incapazes de explicarem totalmente as alterações patológicas ocorridas em pacientes que a apresentam, mas igualmente importantes sob o ponto de vista farmacológico uma vez que possibilita a pesquisa de novos fármacos para o manejo dessa afecção. A teoria das monoaminas, proposta por Schildkraut em 1965, afirma que os transtornos depressivos são decorrentes de um déficit funcional de transmissores de monoaminas, norepinefrina (NE) e 5-hidroxitriptamina (5-HT) em certos locais do cérebro, enquanto a mania, comum em transtornos bipolares, resulta de seu excesso funcional. Concomitantemente, essa teoria é sustentada através de opções terapêuticas que abordam esses déficits. Por exemplo, os antidepressivos tricíclicos (ADT), que bloqueiam a recaptação de NE e de 5-HT, proporcionando melhora do humor (RITTER, 2020; GUERRERO e BERNITA, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra visão sugere que a redução dos níveis do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) ou o mau funcionamento de seu receptor, TrkB, desempenham papel importante na fisiopatologia da depressão, sendo o comportamento depressivo associado à redução da expressão de BDNF, sendo elevado por meio de tratamento com antidepressivos. Através da terapia estabilizadora do humor com lítio, a glicogênio sintase quinase 3 (GSK3β) tem sido implicada como relevante na patogênese da depressão (RITTER JM, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, existe ainda a visão de que a exposição ao estresse potencializa a ação excitotóxica do glutamato, mediada pelos receptores de N-metil-D-aspartato (NMDA) e altera a expressão de genes que promovem a apoptose neural no hipocampo e córtex pré-frontal. Essa ótica, associada a outras mais, cria uma complexa rede diagramática para os possíveis mecanismos fisiopatológicos da depressão (RITTER JM, 2020; SHIROMA et al, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tendo em mente a relação direta entre a expressão do glutamato nos receptores NMDA através do estresse que levam diretamente à formação de sintomas depressivos, além de que a sobrecarga de estresse é o principal indutor de ideação suicida, torna-se relevante investir na investigação de possíveis fármacos que venham a utilizar-se dessa via.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A cetamina, por sua vez, é um antagonista não-competitivo dos receptores NMDA reconhecida pela sua capacidade anestésica mediada pela dissociação eletrofisiológica entre vias tálamo-corticais e o sistema límbico, bem como suas importantes características analgésicas em doses sub-anestésicas (CASTILLO MCA, 2022). A efetividade do uso de cetamina no manejo de transtornos depressivos tem sido demonstrada na literatura nos últimos anos, de forma que os índices nos escores demonstraram benefícios no Transtorno Depressivo Maior, resistente ou não à terapêutica convencional, e no Transtorno Depressivo Bipolar (AL JURDI RK, et al., 2017; FOND G, et al., 2014; DIAS IKS, et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apesar dos achados que comprovem a eficácia da cetamina no manejo de síndromes depressivas e efeitos minimamente danosos em relação ao alívio dos sintomas depressivos, mesmo aquelas resistentes às intervenções farmacológicas preconizadas pelas diretrizes, o uso dessa droga em território nacional ainda é pouco disseminado (DIAS IKS, et al., 2022; FERNANDES EL, et al., 2023; MENDES LFS, et al., 2023). Diante disso, o objetivo deste trabalho foi identificar os impactos da cetamina enquanto possível droga terapêutica no manejo da ideação suicida.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>MÉTODOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta pesquisa se caracteriza como uma revisão integrativa. Sendo assim, seguiu-se as seguintes etapas na criação desta revisão: a escolha do tema; a seleção dos critérios de inclusão e exclusão; a avaliação dos estudos encontrados; a interpretação dos resultados e a apresentação da revisão mediante uma análise crítica dos achados (DANTAS HLL, et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa e seleção dos artigos foi realizada em março de 2022. O levantamento bibliográfico foi realizado na base de dados MEDLINE através da Biblioteca Virtual em Saúde, utilizando os Descritores em Ciências da Saúde (DECS), em português: ketamina AND ideação suicida. Visando obedecer aos critérios de seleção, buscou-se identificar quais trabalhos se aproximavam da temática delimitada a partir da leitura dos resumos e do acesso aos textos completos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto aos critérios de elegibilidade dos textos, foram definidos como critérios de inclusão: estudos que contemplassem os impactos da cetamina como droga terapêutica no manejo da ideação suicida. Foi utilizada restrição temporal de cinco anos, disponibilidade do artigo completo, o texto deveria estar disponível on-line ou em material impresso, e redigido em inglês. Foram excluídos os artigos com fuga ao tema já que não se relacionavam aos impactos da cetamina no paciente com ideação suicida.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente, com a inserção dos descritores, foram encontrados 114 artigos. Após a filtragem de disponibilidade do texto completo, base de dados e restrição temporal, foram encontrados 83 textos. Após a leitura dos títulos e resumos, foram excluídos 63 textos, sobrando 20 para a leitura completa. A amostra final contou com apenas 8 artigos com conteúdo relevante para inclusão definitiva neste estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1</strong> &#8211; Síntese dos artigos elencados neste estudo, João Pessoa &#8211; PB, 2023.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table><tbody><tr><td><strong>Autor</strong></td><td><strong>Título</strong></td><td><strong>Objetivo</strong></td><td><strong>Tipo de estudo</strong></td><td><strong>Desfecho</strong></td></tr><tr><td>KACZMAREK B, <em>et al</em>. (2021)</td><td><em>Ketamine as a novel drug for depression treatment.</em></td><td>Analisar os efeitos das diversas vias de administração da cetamina no tratamento da ideação suicida.</td><td>Revisão de literatura.</td><td>A cetamina pode ser utilizada por meio da via intravenosa, intranasal e oral. No tratamento da depressão, todas as configuram como robustos meios de combater a ideação suicida.</td></tr><tr><td>MCINNES LA <em>et al</em>. (2022)</td><td><em>A retrospective Analysis of ketamine intravenous therapy for depression in real-world care settings.</em></td><td>Analisar os efeitos do tratamento com cetamina intravenosa (KIT) em pacientes com ideação suicida não identificados em clínicas comunitárias de prática privada nos EUA.</td><td>Estudo de coorte.</td><td>O tratamento com cetamina intravenosa (KIT) se mostrou eficaz no tratamento da ideação suicida, reduzindo significativamente a ideação, podendo causar até remissão.</td></tr><tr><td>CAN AT, <em>et al</em>. (2021)</td><td><em>Low dose oral ketamine treatment in chronic suicidality: An open-label pilot study.</em></td><td>Analisar os efeitos da cetamina por via oral em baixas doses nos pacientes que possuem ideação suicida crônica.</td><td>Estudo piloto.</td><td>As respostas encontradas nesse estudo são consistentes, sugerindo que a administração oral é um tratamento alternativo viável e tolerável para pacientes com ideação suicida crônica.</td></tr><tr><td>PHILLIPS JL, <em>et al.</em> (2019)</td><td><em>Single and repeated ketamine infusions for reduction of suicidal ideation in treatment-resistant depression.</em></td><td>Analisar os efeitos da utilização de infusões únicas e repetidas de cetamina em pacientes com ideação suicida em depressão resistente ao tratamento.</td><td>Estudo piloto.</td><td>Os resultados mostraram que infusões únicas e repetidas de cetamina, que foram mantidas com infusões de manutenção, resultaram em diminuição da ideação suicida.</td></tr><tr><td>LASCELLES K, <em>et al</em>. (2019)</td><td><em>Effects of ketamine treatment on suicidal ideation: a qualitative study of patients’ accounts following treatment for depression in a UK ketamine clinic.</em></td><td>Analisar os efeitos do tratamento com cetamina na ideação suicida em um estudo de relato de pacientes após tratamento de depressão</td><td>Estudo de coorte.</td><td>O tratamento com a cetamina foi considerado eficaz na redução da ideação suicida, embora a duração dos efeitos tenha variado consideravelmente.</td></tr><tr><td>BERARDIS DD, <em>et al.</em> (2018)</td><td><em>Eradicating Suicide at Its Roots: Preclinical Bases and Clinical Evidence of the Efficacy of Ketamine in the Treatment of Suicidal Behaviors.</em></td><td>Analisar a eficácia do uso da cetamina no tratamento da ideação suicida com base nas evidências pré-clínicas, clínicas e processos neurobiológicos. &nbsp;</td><td>Revisão sistemática.</td><td>Os resultados sugerem o potencial da cetamina no tratamento de ação rápida na ideação suicida.</td></tr><tr><td>ANDRADE C (2018)</td><td><em>Ketamine for</em> <em>Depression, 6: Effects on Suicidal Ideation and Possible Use as Crisis</em> <em>Intervention in Patients at Suicide Risk</em><a href="https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/mdl-29659211">.</a>  </td><td>Analisar os benefícios do uso da cetamina em pacientes com ideação suicida tendo como foco os achados de ECRs e meta-análises. &nbsp;</td><td>Revisão sistemática.</td><td>Os resultados evidenciam que a dosagem sub-anestésica de cetamina tem o potencial de tornar-se um tratamento de intervenção de crise para pacientes com ideação suicida na medicina de emergência e na psiquiatria. &nbsp;</td></tr><tr><td>WILKINSON ST, <em>et al</em>. (2018)</td><td><em>The Effect of a</em> <em>Single Dose of Intravenous Ketamine on Suicidal Ideation: A Systematic Review</em> <em>and </em>Individual <em>Participant Data Meta-Analysis.</em>  </td><td>Analisar os efeitos de uma única dose de cetamina na ideação suicida.</td><td>Revisão sistemática.</td><td>Os resultados demonstram os potenciais benefícios do uso da cetamina como tratamento para a crise em indivíduos com ideação suicida. &nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><a></a><strong>Fonte:</strong> MOURA LN, et al., 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em todos os textos selecionados, foi tido como consenso a presença de efeitos positivos da cetamina em relação à redução da ideação suicida, independentemente da forma de administração, seja por via intravenosa, intranasal ou via oral. Ademais, os autores relataram o início rápido da ação da cetamina, apresentando redução da ideação suicida já dentro de 40 minutos após a infusão, enquanto os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) induzem tais efeitos antidepressivos de forma mais tardia, podendo levar um período superior ao de duas semanas. Segundo Wilkinson ST, et al. (2018), 54,9% dos pacientes submetidos à terapia com cetamina estavam livres da ideação suicida 24 horas após uma única infusão da droga, enquanto 60% estavam livres da ideação uma semana após a infusão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das taxas robustas de resposta e remissão, observou-se também uma forte durabilidade da resposta. Segundo McInnes L, et al. (2022), os respondedores à indução da cetamina intravenosa têm aproximadamente 80% de probabilidade de sustentar a resposta em 4 semanas e aproximadamente 60% de probabilidade em 8 semanas, mesmo sem infusões de manutenção. Em relação à forma intranasal, de acordo com Kaczmarek B, et al. (2021), os efeitos permanecem por 7 dias após uma única dose. Embora a administração de dose única por meio da via intranasal possa ocasionar em um efeito menos longínquo, podem ser administradas doses mais altas em acompanhamento, mantendo o efeito inibidor de ideação suicida por até 2 meses.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi pesquisado também a utilização do medicamento de forma oral. No tal, de acordo com Can AT, et al. (2021), notou-se a mesma redução da ideação suicida presente nas outras vias, além de melhorias de curto e prolongado prazo, como em sintomas afetivos, bem-estar e funcionamento sócio-ocupacional. No entanto, é caracterizada por baixa biodisponibilidade. A taxa de absorção do fármaco depende de fatores genéticos, ingestão alimentar, motilidade intestinal variável e condição gástrica, além de sofrer intenso metabolismo no fígado. Devido a esse fato, apenas 17-23% da dose do medicamento atinge o sistema circulatório. No entanto, a forma oral pode se tornar uma alternativa à forma intravenosa devido à administração menos invasiva, boa tolerância e possibilidade de autoadministração (KACZMAREK B, et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre as formas de administração, foi possível notar que a forma intravenosa foi que a mais apresentou efeitos positivos com menor gama de efeitos adversos, algo decorrente da menor posologia necessária nessa via. Isso ocorre diante de uma maior biodisponibilidade da droga nessa forma de administração, onde no geral infusões repetidas da cetamina promovem um alívio geral na ideação suicida e em pacientes com transtorno depressivo persistente. Infusões únicas e repetidas com manutenção de uma vez por semana também promovem a diminuição na ideação, além de causar menos dependência química se comparada à via intranasal (PHILLIPS JL, et al., 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a cetamina apresente vários efeitos positivos, é importante notar também que os efeitos colaterais são mais pronunciados dentro dos primeiros 40 minutos após a administração do medicamento. Dentre os efeitos adversos, podemos citar os derivados das propriedades simpaticomiméticas indiretas da cetamina, como a liberação de noradrenalina que leva ao aumento da pressão arterial, da frequência cardíaca, do débito cardíaco e, consequentemente, aumento do consumo de oxigênio de miocárdio. Devido a este fato existem contraindicações ao uso da droga: aneurismas, uma história de hemorragias intracerebrais e outras patologias intracranianas as quais levam ao aumento da pressão intracraniana. Além disso, a doença arterial coronariana grave ou eventos cardiovasculares recentes (até 6 semanas) também são contraindicações ao uso da cetamina. Não limitado a apenas estes, o paciente também pode apresentar algumas reações adversas mais comuns, como cefaleia, sedação e vômitos. No entanto, foram de curta duração e não necessitam de intervenção médica (KACZMAREK B, et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante salientar também que alguns achados sugerem que os efeitos da cetamina na ideação suicida e na depressão são parcialmente independentes, onde mudanças gerais na ideação suicida não foram explicadas pela mudança nos sintomas depressivos. Essa independência parcial sugere o uso potencial da cetamina para um contexto além de um possível transtorno depressivo maior persistente (PHILLIPS JL, et al., 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da cetamina se mostrar eficaz na redução da ideação suicida, ainda não existe um consenso quanto à duração dos seus efeitos. Diante disso, faz-se necessário a produção científica para melhor estudo (LASCELLES K, et al., 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Através da pesquisa, foi possível inferir que a cetamina tem o potencial de apresentar efeitos antidepressivos e inibidores de ideação suicida de ação rápida, reduzindo consideravelmente a gravidade dos pensamentos suicidas já nas primeiras 24 horas com benefícios notados em até uma semana. Contudo, por mais que seja evidente os potenciais benefícios do uso da cetamina no manejo da ideação suicida, ainda se faz necessário maior produção científica acerca do tema.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<ol class="wp-block-list">
<li>AL JURDI RK, et al. Psychopharmacological Agents, and Suicide Risk Reduction: Ketamine and Other Approaches. Curr Psychiatry Rep, 2015; 17 (10).</li>



<li>BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos não Transmissíveis no Brasil 2021- 2030. Brasília, 2021. 118 p.</li>



<li>BRASIL. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico: Suicídio. Saber, agir e prevenir, 2017; 40(38).</li>



<li>CAN AT, et al. Low dose oral ketamine treatment in chronic suicidality: An open-label pilot study. Transl Psychiatry, 2021; 11 (1): 1-9.</li>



<li>CASTILLO MCA. Revisão bibliográfica sobre as propriedades farmacológicas da cetamina na esquizofrenia e na depressão. Tese de Mestrado (Ciências da Saúde) – Universidade de Brasília, Brasília, 2022; 75p.</li>



<li>DANTAS HLL, et al., Como elaborar uma revisão integrativa: sistematização do método científico. Rev Recien. 2021; 12(37):334-345.</li>



<li>DIAS IKS, et al. Uso da cetamina na depressão resistente ao tratamento: uma revisão sistemática. J Bras Psiquiatr, 2022; 71(3): 247-52.</li>



<li>FERNANDES EL, et al. Principais tratamentos alternativos para a Ansiedade e Depressão: uma revisão de literatura. Brazilian Journal of Health Review, 2023; 6(1): 2062-2074.</li>



<li>FOND G, et al. Ketamine administration in depressive disorders: A systematic review and meta-analysis. Psychopharmacology (Berl), 2014; 231 (18): 3663-3676.</li>



<li>GUERRERO KJR e BERNITA RES. Neurobiología del transtorno depresivo mayor. Vive Revista de Salud, 2022; 5(15).</li>



<li>KACZMAREK B, et al. Ketamine as a novel drug for depression treatment. Psychiatr Danub, 2021; 33 (4): 468-474.</li>



<li>LASCELLES K, et al. Effects of ketamine treatment on suicidal ideation: a qualitative study of patients’ accounts following treatment for depression in a UK ketamine clinic. BMJ Open, 2019; 9 (8):1-8.</li>



<li>MCINNES L, et al. A retrospective analysis of ketamine intravenous therapy for depression in real-world care settings. J Affect Disord, 2022; 301: 486-495.</li>



<li>MENDES LFS, et al. Potencial terapêutico da cetamina em transtornos depressivos. Research, Society and Development, 2023; 12 (2).</li>



<li>ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Suicide worldwide in 2019: global health estimates. Genebra, 2021. 28 p.</li>



<li>PHILLIPS JL, et al. Single and repeated ketamine infusions for reduction of suicidal ideation in treatment-resistant depression. Neuropsychopharmacology, 2020; 45 (4): 606-612.</li>



<li>RITTER JM. Rang &amp; Dale Farmacologia. 9 ed. Rio de Janeiro: GEN, 2020; 763p.</li>



<li>SHIROMA PR, et al. A Systematic Review of Neurocognitive Effects of Subanesthetic Doses of Intravenous Ketamine in Major Depressive Disorder, Post-Traumatic Stress Disorder, and Healthy Population. Clin Drug Investig, 2022; 42: 549-566.</li>



<li>TORRES GA, et al. Suicidal behavior and variables associated with the emergency unit of a university general hospital. Rev Bras Psiquiatr. 2011.</li>



<li>WEBER AN, et al. Assessing and Managing Suicidal Ideation. Prim Care Clin Off Pract, 2016; 43(2): 341–354.</li>
</ol>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup><sup> </sup>Graduando em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba (AFYA)</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>2 </sup>Médica Pós-graduanda em Saúde da Família e Comunidade pela Fiocruz Mato Grosso do Sul</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A CONCEPÇÃO DE UM PARADIGMA DE CRESCIMENTO ECONÔMICO ATRAVÉS DAS MPMES</title>
		<link>https://revistaft.com.br/a-concepcao-de-um-paradigma-de-crescimento-economico-atraves-das-mpmes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jan 2024 20:49:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Administração]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 27 – Edição 129/DEZ 2023]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=119023</guid>

					<description><![CDATA[THE DESIGN OF AN ECONOMIC GROWTH PARADIGM THROUGH MSMES REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10472167 Julio Cesar C. Brito ¹Oswaldo Cruz da Silva Sousa ² Resumo As Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) podem ser eleitas como elemento alternativo ao serem inseridas em um processo de reestruturação, onde se elimine ou pelo menos minimize as bolhas de efeito [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>THE DESIGN OF AN ECONOMIC GROWTH PARADIGM THROUGH MSMES</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10472167</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Julio Cesar C. Brito ¹<br>Oswaldo Cruz da Silva Sousa ²</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) podem ser eleitas como elemento alternativo ao serem inseridas em um processo de reestruturação, onde se elimine ou pelo menos minimize as bolhas de efeito passageiro. Dentro deste novo contexto, políticas de desenvolvimento regional devem ser direcionadas para um processo de valorização das potencialidades locais e fortalecimento de empresas de menor porte, potencializando o desenvolvimento endógeno. Com intuito de melhor compreender os aspectos inerentes às MPMEs, realizou-se uma pesquisa nas cidades fluminenses de Petrópolis e Nova Friburgo, visando ratificar e complementar as investigações teóricas. O trabalho da pesquisa direcionou suas atenções para a construção de estudos sobre uma visão detalhada de fatores que causam a mortalidade deste grupo empresarial. Os resultados apontaram que a maioria buscava uma nova jornada por questões ligadas a renda/manutenção da vida, ou seja, como uma necessidade para auferir algum rendimento e de forma considerada amadora. Através dos resultados apurados pela pesquisa aplicada, comprovou-se que a ausência de uma gestão profissional à frente dos pequenos negócios leva a uma mortalidade prematura deste segmento empresarial, impedindo por consequência uma maior expansão dos negócios, ampliação dos postos de trabalhos e uma melhor distribuição da renda.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Pequenas empresas. Desenvolvimento econômico. Aglomerações empresariais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Micro, Small and Medium Enterprises (MSMEs) can be chosen as an alternative element when included in a restructuring process, which eliminates or at least understand the aspects inherent to MSMEs, research was carried out in the Rio de Janeiro cities of Petrópolis and Nova Friburgo, aiming to ratify and complement theoretical investigations. The research work directed its attention to the construction minimizes temporary bubbles. Within this new context, regional development policies must be directed towards a process of valuing local potential and strengthening smaller companies, enhancing endogenous development. In order to better of studies on a detailed view of factors that cause mortality in this business group. The results showed that the majority were looking for a new journey for reasons related to income/maintenance of life, that is, as a need to earn some income and in a way considered amateur. Through the results obtained through applied research, it was proven that the absence of professional management at the head of small businesses leads to premature mortality in this business segment, consequently preventing greater business expansion, expansion of jobs and better distribution of income.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Small companies. Economic development. Business clusters.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1 INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apesar de estarmos no século XXI, a sociedade brasileira sofre pesadas consequências devido às políticas econômicas aplicadas não terem conseguido elevar o padrão qualitativo de vida da sua maioria. Infelizmente o crescimento econômico do país não transferiu dividendos sociais. O resultado é a constituição de um país para somente 2/5 de sua população (Pochmann, 2010).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os modelos de crescimento utilizados na economia brasileira baseados nos oligopólios favoreceram a concentração da renda e o desemprego. Ao final do ano de 2020 o país contava com quase 14 milhões de desempregados (IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; É claro que não se nega a participação da grande empresa dentro do cenário econômico ocidental. Porém, os oligopólios cresceram controlando a oferta e obtiveram ganhos altos e fáceis, além de diminuir o poder de barganha dos sindicatos dos trabalhadores. Com um “Exército Industrial de Reserva” alto, a mão de obra torna-se barata e o salário cai, representando lucros elevadíssimos e concentração de poder e renda (Brito, 2004).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com Souza (1999), o crescimento é condição indispensável para o desenvolvimento, mas não é condição suficiente. Haja vista que parte da população brasileira tem buscado alternativas de sobrevivência, através do setor informal. Segundo dados do IBGE, a partir de 2017, este setor passou a absorver um número de ocupados maior do que o setor formal, com um incremento de 1.829 milhão de pessoas, chegando a quase 40 milhões de pessoas vivendo na informalidade em 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desta forma, mudanças qualitativas no modo de vida das pessoas, das instituições e das estruturas produtivas devem ocorrer. Ou seja, a transformação de uma economia arcaica em uma economia moderna, eficiente, juntamente com a melhoria do nível de vida do conjunto da população. Isso significa buscar alternativas nas propostas de desenvolvimento econômico (Baldwin, 1979).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 Revisão Sobre algumas teorias de desenvolvimento e crescimento econômico e a não inclusão das MPMEs</strong><strong><em></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com Baldwin (1979), desde 1945 o desenvolvimento econômico tem se tornado um dos maiores assuntos discutidos mundialmente. A preocupação sobre o embasamento teórico recai sobre a sua utilização como arcabouço para a elaboração das políticas aplicadas na sociedade. Porém, é possível verificar que nestes arcabouços teóricos infelizmente não há alguma ênfase com relação ao aproveitamento das MPMEs como elemento dinâmico destes processos. Este relato foi descrito por Filion (1999), quando o autor descreveu que os pequenos empresários são pouco citados nos modelos de desenvolvimento econômico e quando aparecem são representados por uma função. Keller (2019) também destacou esta observação ao relatar que nas teorias elaboradas sobre crescimento econômico, não se aborda o papel do empreendedorismo como fator fundamental para geração de crescimento sustentável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Investigando os fatos transcorridos no período pós-crise de 1929, o economista inglês John Mayard Keynes, procurou apontar os fatores que induzem e atrapalham o crescimento dos investimentos e seus impactos sobre a renda e o emprego em sua obra clássica <em>Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda</em> (Souza, 1999).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As ideias de Keynes ainda moldam vários pensamentos econômicos na atual conjuntura. Porém, observa-se que as análises keynesianas ainda focam na utilização dos mesmos atores para serem elementos dinâmicos da Demanda Efetiva, principalmente o Estado como agente regulador para a manutenção da demanda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando Schumpeter declarou que a atividade econômica tem sempre como significado a satisfação das necessidades, sendo, portanto, o produtor o personagem que dá início às mudanças econômicas, estimulando os consumidores a adquirirem novos hábitos e rompendo o <em>status quo,</em> infelizmente ele também não soube analisar o papel das empresas de menor porte, que poderiam ser utilizadas como elemento dinâmico do processo criativo (Souza, 1999).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isto porque há certa confusão em se delegar a Schumpeter como o autor que deu relevância para os pequenos empresários. Porém, visualiza-se em seus escritos que o mesmo faz referência do empreendedor àquele que investe pesadamente em inovações e promove o processo da Destruição criativa. Neste ponto, portanto, conclui-se que Schumpeter cita empresários de grandes corporações como os responsáveis pelo processo, onde não há referências específicas acerca de empresas de menor porte (Souza, 1999).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Não somente nestes autores citados, mas também em demais autores que estudaram sobre teorias que abordam o aspecto do crescimento econômico, podemos observar que as MPMEs (Micro, Pequenas e Médias Empresas) não foram destacadas como elemento dinâmico e central para esta concepção. Ou quando citadas, ficaram relegadas a um segundo plano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta observação se torna relevante, visto que quando se analisa as teorias econômicas sobre o aspecto do desenvolvimento podemos realizar uma reflexão sobre a economia nacional, observando que as mesmas serviram de base para a elaboração das políticas até aqui implantadas. Pois, ao que parece, apesar de estarmos no século XXI, o Brasil ainda encontra-se enraizado em laços profundos com séculos passados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 A possibilidade da concepção de um novo paradigma de crescimento econômico através das MPMEs</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Percebe-se, portanto, que há a necessidade da visualização de outros arcabouços teóricos a serem analisados, de forma a se questionar sobre a possibilidade da utilização das MPMEs (Micro, Pequenas e Médias Empresas) como indutoras de um processo de desenvolvimento econômico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Um destes embasamentos trata da <em>Teoria do Crescimento Equilibrado</em>, apresentado por Rosenstein-Rodan, onde o autor apresentou este modelo para a Europa Oriental (Souza, 1999).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O modelo parte da suposição de que as economias não desenvolvidas deveriam procurar contornar o problema da escassez de demanda pela dispersão dos investimentos em uma gama variada de indústrias, de modo a criar um mercado interno, via expansão do emprego e da renda, promovendo um grande impulso econômico (Souza, 1999).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dentro desta análise, é possível fazer uma ligação desta Teoria com outro arcabouço teórico, que é a <em>Teoria do Desenvolvimento Endógeno</em>, visualizando a possibilidade do desenvolvimento de uma alternativa no que tange à utilização das MPMEs.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As ideias acerca da Teoria do Desenvolvimento Endógeno tiveram como embrião os apontamentos descritos por Alfred Marshall em fins do século XIX, quando definiu o conceito de “Distrito Industrial”. Ele utilizou este conceito para caracterizar as concentrações de empresas localizadas nos subúrbios das cidades inglesas (Campos, Callefi e Souza, 2005).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tanto as ideias de Marshall quanto as análises de Schumpeter, deram a François Perroux o embasamento para o desenvolvimento da Teoria Endógena nas décadas de 1940 e 1950. Segundo o pesquisador francês, o crescimento econômico se manifesta em polos distintos e por meio de diferentes canais (Costa, 2010).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com Perroux, nos polos, liderados por empresas líderes, são reunidas empresas complementares que proporcionam o surgimento de conjunturas acumulativas de ganhos, através da facilidade do transporte e da comunicação entre as unidades empresariais aglomeradas. O polo seria uma unidade econômica motriz ou um conjunto formado por várias dessas unidades que exercem efeitos de expansão sobre outras unidades com as quais se relaciona (Costa, 2010).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Este processo de aglomeração eleva o entendimento sobre o aspecto do Desenvolvimento Endógeno, onde a questão territorial passa a ser analisada em conjunto com a questão produtiva, tornando-se um novo paradigma industrial, marcado pela descentralização organizacional e produtiva (Casarotto Filho e Pires, 2001).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desta forma, há a possibilidade do desenvolvimento de uma perspectiva de atividades produtivas mais descentralizadas, através da ampliação de oportunidades para as MPMEs. Essas empresas podem se instalar em regiões que desenvolveriam uma diversidade de relações sociais, baseadas na complementaridade, na interdependência produtiva e nas ações cooperativas. Esses fatores ampliariam o desenvolvimento regional, no sentido de buscar melhores perspectivas de crescimento econômico, aprimoramento técnico, redução de custos e geração de emprego e renda. Assim, as empresas de menor porte melhorariam suas chances de competir e obter vantagens no mercado que antes só estavam ao alcance das grandes empresas (Campos, Callefi e Souza, 2005).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal como sugeriu Montaño (2001), através da associação de pequenos empresários que poderiam se reunir para a aquisição de matérias primas, maquinário e demais insumos, assim como também na fase da comercialização, teriam condições de unidos, fazer frente ao poder monopsônio de uma grande empresa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A racionalidade na utilização de um modelo baseado em MPMEs está ancorada em um processo de geração de emprego e renda destinada a prover, repor e elevar os padrões de vida e na utilização dos recursos próprios, englobando unidades de trabalho, revertendo a lógica do capital, que é de deslocar trabalhadores e fechar oportunidades de trabalho em prol da eficiência econômica (Kraychete, 2000).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta nova concepção de produção não deve se restringir apenas como uma simplória alternativa para amenizar as mazelas do capitalismo e principalmente minimizar os prejuízos do desemprego. Ele deve servir também para que a sociedade possa descobrir que é possível um novo modo de fazer e conceber as relações econômicas e sociais, perfazendo as sementes para a construção de uma nova cultura do trabalho (Tiriba, 2002).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Corroborando com este ensaio teórico envolvendo as MPMEs dentro de um processo de desenvolvimento econômico, Acs, Desai e Hessels (2008), formularam uma hipótese de crescimento econômico (denominada de “Teoria do Empreendedorismo pelo Transbordamento do Conhecimento”), onde a mesma descreve que níveis mais altos de crescimento devem resultar de uma maior atividade empreendedora, uma vez que o empreendedorismo serve como mecanismo de facilitar o transbordamento e a comercialização do conhecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para testar a hipótese do trabalho, os autores receberam um apoio empírico em teste aplicado no universo de 327 condados da Alemanha. Eles concluíram que o empreendedorismo é um fator chave para explicar o desempenho econômico regional. Eles verificaram que nas regiões onde há mais empreendedorismo, o Produto Interno Bruto e sua variação são maiores, comprovando que há possibilidade da aplicação do exercício teórico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para ratificar com este pensamento, Barros e Pereira (2008) utilizaram uma pesquisa de campo para analisar a correlação entre empresas de pequeno porte e crescimento econômico, a partir de dados estatísticos divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e trabalhos publicados na literatura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O resultado apontou um efeito significativo da atividade empreendedora sobre a taxa de desemprego: nos municípios onde há maior proporção de trabalhadores por conta própria, o desemprego é menor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mesmo com este ensaio, cabe uma ressalva a ser feita, onde não se pretende criar uma obsessão nem tampouco eleger as MPMEs como condição <em>sine qua non</em> para a saída de alguma crise. Mas, deve-se ter a compreensão de que o país necessita de políticas e ações que modifiquem a estrutura produtiva, envolvendo a questão social dentro de um caráter que objetive a continuidade e evitando os chamados “efeitos-bolhas”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Torna-se de plausível compreensão que as MPMEs não irão conseguir absorver todo o excesso de contingente produtivo, principalmente em épocas de desemprego, mas suas ações podem ser suficientes para atenuar os problemas sociais causados em períodos de recessão e investimentos pesados em tecnologias poupadoras de trabalho braçal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas, de acordo com Spies (2018), é possível verificar através de alguns estudos relacionados com o empreendedorismo, o aumento de renda familiar, a superação de situações de pobreza e desigualdade, apontando uma direção na melhoria das condições das pessoas com a introdução da iniciativa empreendedora, mesmo ainda que seja um empreendedorismo por necessidade advindo da mais pura falta de opção de inclusão social. Desta forma, acredita-se na ideia tácita de que investindo em empreendedorismo, se está investindo, de forma indireta, em desenvolvimento econômico, aumentando renda e diminuindo injustiças sociais como a pobreza ou a má distribuição de renda.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3 O entrave na utilização das MPMEs como elemento dinâmico de crescimento econômico</strong><strong><em></em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A grande questão que paira sobre a utilização das MPMEs como indutoras de um processo de crescimento econômico é sobre a sua alta taxa de mortalidade. Na busca pela formulação de uma base teórica ancorada nestas empresas, Misunaga, Miyatake e Filippin (2012) procuraram contribuir para um referencial teórico relacionado com a mortalidade precoce das empresas de menor porte, bem como indicar possíveis soluções para que sejam evitados os fracassos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os autores realizaram pesquisas e declararam que a falta de conhecimento técnico e experiência dos gestores caracterizam-se como os maiores fatores para a mortalidade prematura dos pequenos negócios. Tanto que os autores apontam os relatos conclusivos de Franco e Haase, onde esses motivos são os causadores das restrições do desenvolvimento do empreendedorismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em outra análise a respeito do tema (mortalidade das pequenas empresas), Pinheiro e Ferreira Neto (2019) publicaram resultados de suas pesquisas, onde verificaram que a incapacidade de gerenciar o fluxo de caixa com eficiência foi considerada uma das principais razões pelas quais as empresas falharam, principalmente no primeiro ano de operação. Segundo ainda os autores, os gestores tomavam decisões apenas com base em experiências pessoais (e não profissionais) e visando decisões apenas no curto prazo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os resultados do trabalho de campo de pesquisa realizada ratificaram demais resultados anteriormente encontrados sobre as principais causas de mortalidade das MPMEs: a ausência de uma gestão profissional, onde esta atrapalha na condução dos negócios, levando inclusive a falência dos negócios.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3 METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com intuito de melhor compreender os aspectos inerentes às MPMEs, realizou-se uma pesquisa nas cidades fluminenses de Petrópolis e Nova Friburgo, visando ratificar e complementar as investigações teóricas. O desenvolvimento econômico nas duas cidades é diferenciado, porém em ambos os casos foram observadas atividades correlacionadas com agrupamento de pequenas empresas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O trabalho da pesquisa visou direcionar suas atenções para a construção de uma tese acerca de estudos sobre pequenas empresas, mais especificamente para obter uma visão detalhada de fatores que causam a mortalidade das mesmas e ainda a forma como atuam em estruturas de aglomerações. O trabalho partiu de uma investigação desses fatores, sobre como atuam isoladamente e em conjunto. O mesmo utilizou também de evidências de estudos anteriores como forma de apoio ao embasamento a ser construído, permitindo uma visão holística sobre o fenômeno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As investigações ocorreram conjuntamente em empresas localizadas em aglomerações denominadas de <em>clusters</em> (os Arranjos Produtivos Locais), em comparação com outras que não se localizam no mesmo conjugado territorial, de forma que foi possível verificar se os fatores de mortalidade das empresas de menor porte são específicos para determinados grupos ou ocorrem independente da localidade. Ou seja, se o fato da aglomeração era elemento de interferência na condução dos negócios, ou algo indiferente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O motivo da escolha das duas cidades e, por conseguinte, dos seus empresários, resume-se ao fato de que as empresas abordadas possuem características relacionadas com a municipalidade, onde Petrópolis e Nova Friburgo são conhecidas não apenas pela parte histórica, mas também pelo polo têxtil e o forte comércio de roupas que movimentam boa parte da economia local. Desta forma contou-se com uma amostra que pôde auxiliar na percepção para saber se entre os empresários havia uma profissionalização de suas gestões por meio de conhecimentos adquiridos em processos educacionais oficiais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4 RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O levantamento dos dados foi realizado entre os meses de julho a agosto do ano de 2021. Foram abordados 100 pequenos empresários, dos quais 60 se dispuseram a responder ao questionário. Consequentemente, foram coletados 60 questionários divididos em 02 partes. A primeira parte foi direcionada a 30 empreendedores instalados nos Arranjos e a segunda parte foi direcionada a 30 empreendedores fora dos Arranjos, sendo 15 de cada grupo em cada município pesquisado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As coletas de dados não se resumiram apenas na forma de questionários, mas também em informações colhidas através de entrevistas junto aos empreendedores pesquisados, objetivando analisar os fatores que mais afetam e prejudicam na desenvoltura de seus negócios. A pesquisa se valeu também da observação como instrumento para a obtenção de dados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A maioria dos entrevistados situa-se na faixa dos 40 anos, onde há certa acumulação de capital, em conjunto com captações exógenas (empréstimos, herança, etc.), estimulando a aventura no mundo dos negócios e se colocar à frente de uma empresa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Notou-se através dos dados colhidos que a maioria possui nível médio de instrução, o que facilitaria, ou melhor, auxiliaria na captação dos conhecimentos necessários para um processo mais duradouro dos seus negócios. Observou-se também que estes números obtidos junto aos empresários entrevistados, vão de encontro dos números observados em ambos os municípios sobre a escolaridade. Isto se traduz em uma sinergia negativa ao que se refere sobre a problemática da capacitação dos empreendedores, onde tal empecilho é oriundo da própria organização da sociedade brasileira, refletindo-se na baixa produtividade e, consequentemente, na elevada taxa de mortalidade precoce dos pequenos empreendimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Notou-se também que, ao que parece, são aventureiros, no sentido empreendedor, pois se arriscam com pouca experiência a formalizar um negócio próprio, já que se detectou que a maioria das empresas é nova dentre as que foram pesquisadas. Talvez seja esse um dos motivos apontado por Dornelas (2001) que levam à falência empresas criadas por pessoas entusiasmadas, mas sem o devido preparo. Visto que o mercado apresenta-se com uma irredutível incapacidade de gerar novos postos de trabalho em volume suficiente para absorver um volume significativo de pessoas, o caminho a ser trilhado por aqueles que foram alocados à margem é a ida arriscada para o lado corporativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Talvez o risco da perda de rendimentos possa explicar que a maior parte das pessoas que resolveram abrir seu próprio negócio já trabalhava no ramo e a maioria era empregada. Esse era o elemento significativo para a experiência necessária ao se lançar na aventura do movimento empreendedor. Isso revela o que se percebe de forma assistemática dos pequenos empreendedores que levam seus negócios à falência, onde os mesmos acham que, por terem alguma experiência técnica é fator suficiente de sucesso à frente de um negócio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O desejo pelo próprio negócio foi detectado pela pesquisa, que apontou que a maioria buscava esta nova jornada não como uma visão de crescimento ou elevação do patrimônio, mas sim por questões ligadas a renda/manutenção da vida, ou seja, como uma necessidade para auferir algum rendimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Porem, apesar do espírito empreendedor, os empresários participantes da pesquisa reconheceram em sua maioria a falta da visão profissional para a gestão dos negócios. Os empreendedores declararam sentir a falta de um especialista no comando dos negócios. Em suas respostas, conforme se pode analisar nas figuras abaixo, comentaram o fato de sentir que poderiam “render mais em seus negócios”, se fossem capacitados para o aspecto da gestão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Figuras 01 e 02 &#8211; Por que resolveu abrir um negócio?</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="820" height="203" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-112.png" alt="" class="wp-image-119024" style="width:962px;height:auto" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-112.png 820w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-112-300x74.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-112-768x190.png 768w" sizes="(max-width: 820px) 100vw, 820px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Dados da Pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Muitos também relacionaram a questão do crédito como elemento impedidor para a prosperidade dos seus empreendimentos. Mas, desses que elegeram a falta de crédito como um empecilho para o crescimento dos seus negócios, um número considerável relatou durante a entrevista que a falta de alguém especializado a trabalhar com finanças poderia se transformar em transtorno, pela falta de habilidade em utilizar recursos financeiros, conforme demonstram as figuras abaixo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Figuras 03 e 04 &#8211; Principal entrave para a prosperidade dos negócios</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="781" height="194" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-113.png" alt="" class="wp-image-119025" style="width:941px;height:auto" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-113.png 781w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-113-300x75.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-113-768x191.png 768w" sizes="(max-width: 781px) 100vw, 781px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: dados da pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mesmo sentindo a necessidade de um apoio profissional e especializado, uma parte significativa dos entrevistados não buscou esta opção, pois declararam e apontaram dificuldades para a obtenção deste fato importante, dentre as quais o custo no apoio e a sensação de que não seriam plenamente atendidos. Muitos se consideraram pequenos e acharam que não seriam bem tratados em órgãos de apoio. Alguns relataram inclusive, em modo comparativo, a experiência dentro de instituições financeiras oficiais (bancos), onde não se sentem plenamente incentivados e tratados com respeito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Foi perguntado também se alguma instituição de ensino realizou algum contato na tentativa de auxiliar ou mesmo repassar algum conhecimento especializado. Todos foram unânimes em responder negativamente sobre este aspecto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Alguns se estenderam em suas declarações respondendo ainda que era uma situação lamentável esta não conexão com o ensino, visto ser este o caminho para a aprendizagem. Pois, tal como descreveu Villela (1994) citando como exemplo a Indonésia, houve naquele país um direcionamento de políticas para as empresas de menor porte, onde foram oferecidos serviços de treinamento e educação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A imensa maioria, mesmo sem apoio por parte de profissionais, considera importante este suporte para a abertura e condução das atividades empresariais. Porém, tal importância não se traduziu na busca por uma orientação especializada, de acordo com os dados informados pelas figuras abaixo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Figuras 05 e 06 &#8211; Acha importante a orientação profissional?</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="739" height="199" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-114.png" alt="" class="wp-image-119026" style="width:1017px;height:auto" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-114.png 739w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-114-300x81.png 300w" sizes="(max-width: 739px) 100vw, 739px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tanto que, mesmo sabendo da importância de uma profissionalização à frente dos negócios, a maior parte não possui um Plano de negócios, apesar de já terem ouvido falar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Alguns entrevistados relataram que conseguiram obter algum ensinamento, mas consideraram o mesmo de aspecto “tecnicista”, onde sentiram que algo mais próximo a eles estava em falta. Declararam que era uma espécie de “ensino robotizado”, igual para todos, sem perceber ou mesmo se importar com o nível de conhecimento de cada empreendedor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Este tipo de ensino é o que Lima (2001) chamou a atenção, quando o mesmo descreve que a formação deve visar, entre outras coisas, a modificação das atitudes, fomentando-os para que se desenvolvam ou amplifiquem suas características empreendedoras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; É também o que Lopes de Sá (1984) descreveu em seus escritos ao registrar que não se deve confundir as normas que se aplicam a uma pequena empresa com as que devem servir para uma grande organização, pois nas pequenas empresas as decisões, providências e execuções de medidas para a realização dos negócios estão nas mãos do proprietário, ao contrário da burocracia presente nos grandes conglomerados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso significa, segundo o autor, que os métodos de administração devem variar de acordo com a dimensão das empresas. É preciso evitar o enlatado, o padronizado, pois cada empresa deve ter o seu próprio sistema de organização, estudado especialmente para ela. E as escolas nacionais de administração ainda patinam nesta visão errônea, dificultando ainda mais a chegada do conhecimento para os pequenos empresários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Observa-se, portanto, que a educação e a qualificação dos empreendedores são instrumentos importantes para a formação da capacidade competitiva de um país. Além da importância para a competitividade, a educação básica é condição fundamental à geração de uma força de trabalho, envolvendo qualidade e produtividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desta forma, para que o Brasil possa alcançar os padrões necessários de exigibilidade para se situar ao nível de primeiro mundo, será necessário um investimento maciço em capital humano, porém não no sentido de tornar o ser humano um mero fator de produção, mas sim de torná-lo consciente e capaz de argumentar e apresentar ideias e soluções. Ou seja, a educação aliada à visão de negócio como peça central de um novo paradigma industrial e como objetivo social em si mesmo, e não apenas como peça complementar a este mesmo modelo. No mundo desenvolvido, a educação escolar colaborou para que se formassem sociedades menos desiguais, na medida em que instrumentalizava os indivíduos para uma participação mais efetiva tanto no nível da atividade política quanto no da atividade produtiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A educação deve, então, deixar de ser encarada como bem de consumo, isto é, como simples despesa social, ou no mesmo nível de bens e serviços que propiciam imediato benefício aos consumidores, passando a ser encarada como um investimento, com a possibilidade da aplicação de recursos para que se possa em futuro próximo se obter uma maior eficácia do trabalho, uma quantidade superior de produtos gerados, elevando as qualidades físicas e intelectuais dos indivíduos considerados como agentes produtivos e abrindo-se um leque de opções e oportunidades com a soma da visão do empreendedorismo como realidade e deixando de ser algo abstrato e apenas um objeto singelo de (raro) estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Governo para apoiar as MPMEs deve adotar uma política de fortalecimento objetivando o aspecto profissional dos dirigentes destas empresas. Deve haver então uma aproximação maior entre os centros de ensino e pesquisa com esta categoria empresarial, pondo em foco o repasse dos conhecimentos e não apenas alocá-los <em>inside</em> e aguardando pela procura de quem necessita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O processo de profissionalização da gestão pode ser entendido como o caminho pelo qual as estratégias de coordenação de atividades e os esforços organizacionais adotados pela administração vão se formalizando, à medida que a empresa vai passando pelas diferentes fases do seu crescimento. A profissionalização representa duas grandes frentes de ação: o processo de delegação de responsabilidades e o grau de formalização dos mecanismos utilizados para o controle das atividades no interior da organização. Entende-se, portanto, por sistemas formais de administração o processo explícito de estabelecimento das políticas, dos objetivos, dos planos e programas, dos orçamentos e dos critérios de avaliação e recompensa no interior da empresa (Padula, 2002).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso significa que a formação que a maior parte dos gestores de MPMEs necessita é uma formação não somente tecnicista, mas principalmente esta atrelada à formação do conhecimento humano, da formação para a vida, para um pensamento crítico e atento ao que ocorre mundo afora. Ou seja, não deixar mais que a escola se torne um Aparelho Ideológico do Estado e se livrar das amarras do capital. Pois, enquanto a consciência tecnológica estiver como modo soberano em detrimento da consciência política, estará se preconizando a separação entre sujeito que pensa e o sujeito que (somente) opera.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; É o que Filion (1999) refletiu sobre a educação empreendedora. O educador direcionado para transmitir conhecimentos para aqueles que desejam ser inseridos no mundo dos empreendimentos, deve também adquirir a lógica do empreendedor, ou seja, ter um contato direto com empreendedores não somente pelos estudos, mas também pelos testemunhos e vidas de alguns empreendedores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso significa que desenvolver empreendedores é, para Filion, trabalhar atitudes. Neste aspecto, para o autor, o modelo de educação tradicional é inadequado para formar empreendedores porque condiciona à passividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5 DISCUSSÃO E CONCLUSÕES</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Através dos resultados apurados pela pesquisa aplicada, comprovou-se que a ausência de uma gestão profissional à frente dos pequenos negócios leva a uma mortalidade prematura deste segmento empresarial, impedindo por consequência uma maior expansão dos negócios, ampliação dos postos de trabalhos e uma melhor distribuição da renda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em vários livros e artigos analisados que foram utilizados como base para o desenvolvimento do presente trabalho, observou-se que dados e temas já indicavam que a falta de uma profissionalização das empresas de menor porte, mesmo aquelas localizadas em arranjos, ou seja, organizadas com demais empresas de uma cadeia produtiva em comum, era a responsável por levar inúmeros empreendimentos a um encerramento prematuro de suas atividades. Ou como compararam Hisrich, Peters e Shepherd (2009) de <em>luto</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta profissionalização dos dirigentes que se colocam à frente das MPMEs deve ter outro dinamismo na forma dos repasses dos conhecimentos. Infelizmente a academia brasileira ainda não está preparada para esta situação, ao direcionar programas em sua maior parte para que as pessoas sejam postulantes a cargos em grandes corporações. É necessário, portanto, que o “empreender” seja aprendido e a Educação passe a ser uma cruzada importante (Olivo e Mello, 1999).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Infelizmente no país ainda não se desenvolve em larga escala atividades que envolvam o ensinamento de empreendedorismo visando o fortalecimento da gestão destas empresas. Não basta detectar e copiar as características do empreendedor de sucesso para se transformar em empreendedor. O tema central do empreendedorismo no Brasil deve ser a construção do desenvolvimento humano e social, inclusivo e sustentável, através da disseminação de uma cultura empreendedora. Pois é essa cultura que ajudará a construir valores sociais que sustentam a noção de um sistema empreendedor de vida como desejável e que apoiam fortemente a busca de um comportamento empreendedor efetivo por indivíduos ou grupos. A pedagogia empreendedora deve ter como proposta libertar o empreendedor que existe internamente nas pessoas, mas que está frequentemente aprisionado pelo formato das nossas relações sociais, pelos nossos valores e crenças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Este processo não pode ser realizado sob uma ótica empresarial pura e sim dentro de um propósito que valorize o homem em si, pois o enorme contingente informal que existe atualmente na economia brasileira é fruto das políticas implantadas até o presente momento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isto significa que o despertar de uma cultura empreendedora deve ser baseada em ensinamentos profissionais através de uma educação pró ativa e crítica, traduzindo-se em uma possibilidade de se pensar em alternativas de crescimento econômico, onde se permita a inclusão das MPMEs neste processo de planejamento, visando um equilíbrio através do seu fortalecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pois, com um maior número de MPMEs e sendo elas a maior responsável direta e indiretamente pela geração de postos de trabalho, a tendência é o crescimento da massa salarial, incorporando novos trabalhadores ao processo produtivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As MPMEs podem fazer parte inclusive de um planejamento regional e integrado, onde haja o envolvimento de todos os elementos atuantes e influentes direta e indiretamente de uma determinada área, evitando-se reproduzir o que Araújo (2000) determinou de ilha de prosperidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sob esta ótica, a utilização das MPMEs como alternativa para o elemento dinâmico multiplicador de investimentos, empregos e renda, se faz por acreditar que podem ser eleitas como alternativa e serem inseridas em um processo de reestruturação, onde se elimine ou pelo menos minimize as bolhas de efeito passageiro, inclusive trazendo a reboque várias outras cadeias, inclusive que envolvam grandes empreendimentos, como o setor automotivo, por exemplo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta linha de raciocínio é embasada através do pensamento de Najberg <em>et al</em> (2000) e Ramos (2000), onde inclusive enfatizam a papel das políticas públicas para diminuir a mortalidade das unidades de menor porte, visto que as mesmas possuem papel significativo na geração e manutenção de emprego, em conjunto até com os avanços científicos, demonstrando a necessidade do país em reverter o quadro de mortalidade dos pequenos empresários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Espera-se, portanto, que esta nova visão possa gerar várias discussões e embates a respeito de novas propostas acerca do crescimento da economia brasileira, onde daqui para frente possa se pensar em sempre envolver os menos favorecidos e não simplesmente descarta-los e deixa-los à própria sorte, como ocorreu nos modelos implantados até o presente momento no país.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Acs, Zoltan; Desai, Sameeksha; Hessels, Jolanda. (2008) Entrepreneurship, economic development and institutions. <em>Small Business Economy</em>, 219-234.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Araújo, Tânia Bacelar de. (2000). <em>Ensaios sobre o desenvolvimento brasileiro: heranças e urgências</em>. Rio de Janeiro: REVAN.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Baldwin, Robert E. (1979). <em>Desenvolvimento e crescimento econômico</em>. São Paulo: Pioneira Editora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Barros, Aluízio Antonio de; Pereira, Claudia Maria Miranda de Araújo. (2008). Empreendedorismo e crescimento econômico: uma análise empírica. <em>RAC, 12 (</em><em>4</em>), p. 975-993, out/dez.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Brito, Julio Cesar. (2004). <em>Uma concepção de crescimento econômico a partir da perspectiva de um planejamento baseado no fortalecimento das MPMEs</em>. Dissertação de mestrado, UFRuRJ, Seropédica, RJ, Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Campos, Antonio Carlos, de; Callefi, Patrícia; Souza, João Batistas da Luz de. (2005). A teoria de desenvolvimento endógeno como forma de organização industrial. <em>Acta Scientiarium. Human and Social Sciences. 27, (2)</em>, p. 163-170.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Costa, Eduardo José Monteiro da. (2010). <em>Arranjos produtivos locais, políticas públicas e desenvolvimento regional</em>. Belém: IDESP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dornelas, José Carlos Assis. (2001). <em>Empreendedorismo: transformando ideias em negócios</em>. Rio de Janeiro: Campus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Casarotto Filho, Nelson; Pires, Luís Henrique. (2001). <em>Redes de pequenas e médias empresas e desenvolvimento local: estratégias para a conquista da competitividade global com base na experiência italiana</em>. São Paulo: Atlas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Filion, Louis Jacques. (1999). Diferenças Entre Sistemas Gerenciais de Empreendedores e Operadores de&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pequenos Negócios. <em>Revista de Administração de Empresas. São Paulo, 39, (4),</em> p. 6-20, out/dez.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hisrich, Robert; Peters, Michael; Sheperd, Dean. (2009). <em>Empreendedorismo</em>. Porto Alegre: Bookman.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Keller, Renan Gonçalves. (2019). <em>O contributo do empreendedorismo para o desenvolvimento econômico: o papel da formação de clusters no ecossistema empreendedor sob a perspectiva brasileira</em>. Dissertação de mestrado, Universidade do Porto, Cidade do Porto, Portugal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Kraychete, Gabriel. (2000). <em>Economia dos setores populares: entre a realidade e a utopia. Petrópolis: Vozes.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Lima, E. de O. (2001). <em>A formação em empreendedorismo face à realidade do pequeno empresário brasileiro: a partir da vanguarda que devemos enfatizar?</em> Brasília: SEBRAE.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lopes de Sá, Antônio. (1984). <em>Como administrar pequenos negócios</em>. Rio de Janeiro: Ediouro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Misunaga, Haroldo Yutaka; Miyatake, Anderson Katsumi; Filippin, Marcelo. (2012). Mortalidade de micro e pequenas empresas: ensaio teórico sobre os motivos do fechamento prematuro de empresas e lacuna de pesquisas. In: <em>Maringá Manegement. 09, (</em><em>2), </em>p. 07-18, jul/dez.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Montaño, Carlos. (2001). <em>Microempresa na era da globalização</em>. São Paulo: Cortez.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Najberg, Sheila, <em>et al</em>. (2000). Sobrevivência das firmas no Brasil: dez 1995 – dez 1997. <em>Revista do BNDES, 07, (</em><em>13),</em> p. 33-48.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Olivo, Silvio; Mello, Álvaro. (1999). <em>O empreender e as novas formas de negócio para geração de emprego &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &amp; renda.&nbsp; In: Geração de emprego e renda no Brasil: experiências de sucesso</em>. Carlos Aquiles Siqueira (coord.). Rio de Janeiro: DP&amp;A.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Padula, Antonio Domingos. (2002). <em>Empresa familiar: profissionalização, desenvolvimento e sucessão</em>. Porto Alegre: SEBRAE/RS.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pinheiro, Janaína Felix Diógenes; Ferreira Neto, Macário Neri. (2019). Fatores que contribuem para a mortalidade das micro e pequenas empresas no Brasil. <em>Brazilian Journal of Development. 7, (05),</em> 11107-11122, jul.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pochmann, Márcio. (2010). <em>Desenvolvimento capitalista e divisão do trabalho. In: Reestruturação produtiva: perspectivas de desenvolvimento local com inclusão social</em>. Márcio Pochmann (org.). Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ramos, Ricardo Corrêa de Oliveira. (2000). <em>Perfil do pequeno empreendedor</em>. Dissertação de Mestrado. Universidade de São Paulo, São Paulo. Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Souza, Nali de Jesus de. (1999). <em>Desenvolvimento econômico</em>. São Paulo: Atlas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Spies, Luciana Guimarães. (2018). <em>Empreendedorismo e desenvolvimento econômico no Brasil</em>. Dissertação de mestrado, UFRGS, Porto Alegre, RJ, Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tiriba, Lia Vargas. (2002). <em>Educação e crise do trabalho: perspectivas de final de século</em>. Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Villela, André. (1994). As Micro, Pequenas e Médias empresas. Textos para discussão, Rio de Janeiro: <em>BNDES, 17</em>, jun.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">1 Docente da Fundação de Apoio à Escola Técnica (FAETEC) RJ, Mestre em Gestão e Estratégia em Negócios. E-mail: juliocesarcbrito@gmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">2 Docente orientador na&nbsp; Universidad Internacional Iberoamericana UNINI, Doutor em Projetos &#8211; Administração Estratégica. E-mail: ocsousa@gmail.com</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>CUIDADOS CLÍNICOS DE ENFERMAGEM DISPENSADOS A CRIANÇA COM ESQUIZOFRENIA: REVISÃO INTEGRATIVA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/cuidados-clinicos-de-enfermagem-dispensados-a-crianca-com-esquizofrenia-revisao-integrativa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jan 2024 20:39:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 27 – Edição 129/DEZ 2023]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=119019</guid>

					<description><![CDATA[CLINICAL NURSING CARE PROVIDED TO CHILDREN WITH SCHIZOPHRENIA: INTEGRATIVE REVIEW REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10472147 Luciano Moreira Alencar 1Amanda Ayara de Souza Marques 2Larissa Rayane Alencar do Espírito Santo Araújo 2Willian dos Santos Silva 3Déborah Albuquerque Alves Moreira 4Valéria de Souza Araújo 4Emanuel Cardoso monte 5Eveline Naiara Nuvens Oliveira 5Thiago Bruno Santana 5Maria Gildene Sampaio 6Robério Ferreira [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>CLINICAL NURSING CARE PROVIDED TO CHILDREN WITH SCHIZOPHRENIA: INTEGRATIVE REVIEW</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10472147</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Luciano Moreira Alencar <sup>1</sup><br>Amanda Ayara de Souza Marques <sup>2</sup><br>Larissa Rayane Alencar do Espírito Santo Araújo <sup>2</sup><br>Willian dos Santos Silva <sup>3</sup><br>Déborah Albuquerque Alves Moreira <sup>4</sup><br>Valéria de Souza Araújo <sup>4</sup><br>Emanuel Cardoso monte <sup>5</sup><br>Eveline Naiara Nuvens Oliveira <sup>5</sup><br>Thiago Bruno Santana <sup>5</sup><br>Maria Gildene Sampaio <sup>6</sup><br>Robério Ferreira Nobre <sup>7</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Objetivo: Identificar na literatura a eficiência dos cuidados clínicos de enfermagem direcionadas ao à criança com esquizofrenia e o papel que o enfermeiro exerce no tratamento da criança e no apoio aos familiares. Método: Trata-se de uma revisão integrativa cuja busca ocorreu nas bases de dados LILACS, BDENF e EDLINE, por meio do uso dos DeCS “esquizofrenia infantil” e “cuidados de enfermagem”, cruzados através do uso do operador Booleano AND. Para análise foram incluídos estudos que atenderam aos critérios de inclusão: estudos acessíveis e disponíveis nas íntegra, nos idiomas inglês, português e espanhol e que atendessem a questão proposta para a pesquisa. Resultados: A busca resultou em 20 artigos, dos quais 5 foram elegíveis para o estudo. Embora a esquizofrenia seja relativamente rara nessa faixa etária, pode resultar em consideráveis desafios para a integração psicológica e a adaptação ao ambiente social. Isso ocorre, mesmo quando se valoriza a preservação da autonomia e singularidade de cada indivíduo. O avanço desta condição, aliado ao subdiagnóstico, prejudica a previsão de uma doença que já impacta significativamente o funcionamento das pessoas. É fundamental persistir na avaliação da possibilidade de esquizofrenia de início precoce e, após estabelecer o diagnóstico, adotar uma abordagem abrangente, incorporando tanto estratégias farmacológicas quanto não farmacológicas, a fim de aprimorar a evolução do quadro clínico. Conclusão: O cuidado de enfermagem à criança com esquizofrenia é uma tarefa complexa que exige compreensão, empatia e competência por parte dos profissionais de saúde. É essencial que os enfermeiros estejam atualizados com as melhores práticas, desenvolvam uma abordagem centrada na criança e promova um ambiente de cuidado seguro e acolhedor.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>assistência de enfermagem; esquizofrenia; criança.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>SUMMARY</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Objective: To identify in the literature the efficiency of clinical nursing care directed towards children with schizophrenia and the role that nurses play in the treatment of the child and in supporting family members. Method: This is an integrative review whose search occurred in the LILACS, BDENF, and MEDLINE databases, using the DeCS &#8220;childhood schizophrenia&#8221; and &#8220;nursing care&#8221;, crossed through the use of the Boolean operator AND. Studies that met the inclusion criteria were included in the analysis: studies that were accessible and available in full, in English, Portuguese, and Spanish, and that addressed the proposed research question. Results: The search resulted in 20 articles, of which 5 were eligible for the study. Although schizophrenia is relatively rare in this age group, it can result in considerable challenges for psychological integration and adaptation to the social environment. This occurs even when the preservation of the autonomy and uniqueness of each individual is valued. The progression of this condition, coupled with underdiagnosis, impairs the prognosis of a disease that already significantly impacts people&#8217;s functioning. It is crucial to persist in evaluating the possibility of early-onset schizophrenia and, once the diagnosis is established, to adopt a comprehensive approach, incorporating both pharmacological and non-pharmacological strategies, in order to enhance the clinical outcome. Conclusion: Nursing care for children with schizophrenia is a complex task that requires understanding, empathy, and competence on the part of healthcare professionals. It is essential that nurses stay up-to-date with best practices, develop a child-centered approach, and promote a safe and welcoming care environment.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> nursing care; schizophrenia; child.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A saúde mental das crianças é uma preocupação global cada vez mais relevante, uma vez que a compreensão de que a saúde mental é tão importante quanto a saúde física está se tornando mais difundida. As crianças, como qualquer outro grupo demográfico, enfrentam desafios emocionais e psicológicos, que podem ter um impacto significativo em seu desenvolvimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Reforma Psiquiátrica Brasileira (RPB) representou um processo abrangente de transformações sociais que impactaram significativamente a formação dos profissionais de enfermagem na área da saúde mental. Essas mudanças direcionaram a prática de enfermagem para uma abordagem inovadora, substituindo o antigo paradigma de institucionalização e cuidados manicomiais, que predominava no modelo psiquiátrico e biomédico de assistência. Em vez disso, a RPB promoveu a transição para uma abordagem de cuidado baseada na liberdade e no território (Silva Po et al., 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos principais pilares da RPB foi o movimento de desinstitucionalização, que visava a redução drástica do número de crianças internadas em hospitais psiquiátricos. Isso resultou na transferência de crianças e adolescentes para serviços de saúde mental comunitários, proporcionando um ambiente mais adequado ao seu desenvolvimento (Leão e Batista, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A esquizofrenia é uma condição se caracteriza pela presença de distúrbios no pensamento e nas percepções sensoriais. Embora suas causas ainda não estejam completamente esclarecidas, as evidências acumuladas sugerem que fatores genéticos, ambientais e psicossociais desempenham um papel significativo. Além disso, complicações durante a gravidez e o parto, juntamente com variáveis mediadoras, como hábitos pouco saudáveis (por exemplo, consumo de substâncias ilícitas), podem influenciar adversamente o desenvolvimento normal do bebê (Aas et al., 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela se caracteriza por sintomas como delírios, alucinações, desorganização do pensamento e alterações no comportamento emocional. Quando esses sintomas se manifestam em crianças, a complexidade do diagnóstico e tratamento aumenta consideravelmente. Crianças com esquizofrenia muitas vezes têm dificuldade em comunicar seus sintomas, tornando essencial que os profissionais de enfermagem estejam atentos a sinais sutis de sua condição (Saldanha et al., 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando se manifesta em idade precoce ou apresenta início precoce, essa condição é considerada mais grave, insidiosa e incapacitante, uma vez que tem o potencial de afetar de forma mais intensa as percepções sensoriais, o pensamento e o comportamento (Jerath et al., 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O primeiro passo no cuidado de enfermagem à criança com esquizofrenia é a avaliação cuidadosa e o diagnóstico preciso. Os enfermeiros devem trabalhar em conjunto com outros profissionais de saúde mental para coletar informações sobre o histórico médico, desenvolvimento psicossocial e comportamental da criança. O diagnóstico precoce é crucial para iniciar o tratamento adequado e melhorar o prognóstico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cuidado de enfermagem à criança com esquizofrenia não se limita apenas à criança, mas também envolve os pais e cuidadores. Os enfermeiros devem fornecer informações sobre a doença, estratégias de manejo e recursos de apoio disponíveis para ajudar os pais a compreender e lidar com os desafios que enfrentam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Este trabalho objetiva identificar na literatura a eficiência dos cuidados clínicos de enfermagem direcionadas ao à criança com esquizofrenia e o papel que o enfermeiro exerce no tratamento da criança e no apoio aos familiares.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma revisão integrativa da literatura que foi conduzida por meio de uma pesquisa bibliográfica abrangente sobre o tema da esquizofrenia infantil e o papel do enfermeiro do tratamento a criança com esta condição clínica, bem como a identificação dos principais cuidados realizados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa bibliográfica é reconhecida como uma das abordagens mais eficazes para o desenvolvimento de estudos, pois permite a identificação de semelhanças e diferenças entre estudos de referência, bem como fornece atualizações frequentes e embasa estudos relevantes (Souza, Oliveira e Alves, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo de construção deste estudo envolveu várias etapas, conforme delineado por Sousa, Silva e Carvalho (2010). Inicialmente, foi formulada uma questão de pesquisa que considerou as características dos participantes, as intervenções a serem analisadas e os resultados a serem investigados, resultando na seguinte pergunta norteadora: qual o papel do enfermeiro e quais os principais cuidados de enfermagem têm sido utilizadas no tratamento das crianças com esquizofrenia?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca por informações nas bases de dados iniciou-se de maneira ampla, visando a identificação de uma amostra abrangente que contivesse informações significativas sobre o tema. Esse critério de busca assegurou a diversidade de dados coletados, sem comprometer a especificidade do tema e a confiabilidade dos resultados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As bases de dados utilizadas para pesquisa incluíram a Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Base de Dados em Enfermagem (BDENF) e Sistema Online de Busca e Análise de Literatura Médica (MEDLINE), todas indexadas na plataforma da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Além disso, para aumentar a expressividade e a abrangência da amostra, foi consultada a base Brasil Scientific Electronic Library Online (SciELO).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As palavras-chave selecionadas para a pesquisa bibliográfica foram escolhidas com base nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), e incluíram as seguintes: “esquizofrenia infantil” e “cuidados de enfermagem”. As buscas nas bases de dados foram realizadas por meio da combinação dessas palavras-chave utilizando o operador Booleano &#8220;AND&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os critérios de inclusão adotados foram os seguintes: estudos acessíveis e disponíveis na íntegra, nos idiomas inglês, português e espanhol, sem limitação temporal quanto ao ano de publicação, que abordassem a questão proposta para a pesquisa. Como critério de exclusão, foram considerados estudos duplicados nas bases de dados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na etapa inicial da análise, foi realizada uma leitura sintetizada do material identificado na primeira amostra, selecionando os dados a serem analisados de forma mais detalhada posteriormente. Isso permitiu uma organização mais eficaz do conteúdo coletado, com base em sua qualidade e características individuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para estruturar e organizar os dados dos artigos, foi adaptado o instrumento elaborado por Ursi (2005), que consiste em uma tabela síntese com tópicos e subtópicos específicos. Esse instrumento de coleta transformou os achados bibliográficos em uma forma visual clara e sintetizada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Posteriormente, foi realizada uma exploração mais aprofundada do material coletado, recortando informações específicas sobre o tema, objetivo da pesquisa, relevância, metodologia, respostas à problemática, contexto e lacunas a serem preenchidas em futuros estudos. Esses dados foram organizados em um quadro síntese com o objetivo de proporcionar uma análise comparativa entre os resultados e as conclusões encontrados nos artigos da amostra.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a pesquisa nas bases de dados utilizando os descritores mencionados, identificamos um total de 19 artigos disponíveis. Para começar, realizamos a eliminação das duplicatas encontradas em diferentes bases. Em seguida, procedemos à leitura dos títulos e resumos de todos os estudos, a fim de determinar quais estavam alinhados com a questão norteadora. Os artigos remanescentes foram então lidos na íntegra para avaliar sua elegibilidade para esta pesquisa. Ao final desse processo, selecionamos um total de 5 estudos. A Figura 1 apresenta o processo de seleção dos artigos de forma visual.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="938" height="766" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-111.png" alt="" class="wp-image-119021" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-111.png 938w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-111-300x245.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-111-768x627.png 768w" sizes="(max-width: 938px) 100vw, 938px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Dos cinco artigos considerados adequados para a pesquisa, observamos que esses estudos abrangiam uma ampla diversidade geográfica, sendo publicados em periódicos de várias origens. Além disso, notamos uma predominância do uso das línguas espanhola e portuguesa nas publicações selecionadas. Quanto ao ano de publicação, variaram no período de 2004 a 2022, como ilustrado no Quadro 1.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1</strong> &#8211; Características dos estudos sobre o papel do enfermeiro do trabalho, segundo título da pesquisa, autor, país e ano de publicação. Juazeiro do Norte-CE, 2023.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table><tbody><tr><td>N</td><td>Título</td><td>Autor / Ano</td><td>Periódico</td></tr><tr><td>1</td><td>Características clínicas y tratamiento farmacológico en la esquizofrenia de inicio en la infancia. Una revisión<sup></sup></td><td>Guerrero-Vaca et al, 2022</td><td>Dominio de las Ciencias</td></tr><tr><td>2</td><td>Esquizofrenia infantil como autoproteção psíquica – concepção da psicologia analítica<sup></sup></td><td>Nunes e Serbena, 2022</td><td>Psicologia em Pesquisa</td></tr><tr><td>3</td><td>Esquizofrenia de inicio precoz: Revisión bibliográfica</td><td>Otárola, 2022</td><td>Ciencia y Salud</td></tr><tr><td>4</td><td>Factores de riesgo para padecer trastornos psicóticos: ¿Es posible realizar una detección preventiva?</td><td>Tizón et al, 2008</td><td>Clínica y Salud</td></tr><tr><td>5</td><td>Psicoses funcionais na infância e adolescência</td><td>Tengan e Maia, 2004</td><td>Jornal de Pediatria</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: elaboração própria</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Quadro 2 traz as informações acerca do objetivo de cada um dos estudos selecionados, bem como os principais resultados encontrados e o desfecho que cada estudo teve após avaliação discussão dos mesmos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quadro 2</strong> &#8211; Características dos estudos sobre o objetivo e o delineamento do estudo, o papel do enfermeiro do trabalho evidenciado no estudo e os desfechos alcançados. Juazeiro do Norte-CE, 2023.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table><tbody><tr><td>N</td><td>Objetivo</td><td>Resultados</td><td>Desfechos</td></tr><tr><td>1</td><td>caracterizar a esquizofrenia infantil e descrever os principais tratamentos utilizados nestes transtornos</td><td>A esquizofrenia ocorre na infância e adolescência mais frequentemente em homens do que em mulheres. Nesse grupo populacional, os sintomas podem variar, com maior afetação nas relações sociais, comunicação, pensamento e emoções. O diagnóstico precoce poderia reduzir e controlar os sintomas positivos da esquizofrenia, embora se considere que quanto mais precoce for o seu aparecimento, pior prognóstico e evolução terá esta doença.</td><td>É necessário conhecer e diagnosticar a esquizofrenia rapidamente para iniciar um tratamento adequado que possibilite melhor qualidade de vida para o paciente, família e seu ambiente.</td></tr><tr><td>2</td><td>compreender o sentido da emergência da esquizofrenia na infância a partir da psicologia analítica</td><td>Quando o processo esquizofrênico irrompe no período da infância, observa-se que a característica regressiva desses estados remete a fases iniciais de vida; nessa direção, a tendência é a de que a presença de imagens avassaladoras se imponha, assim como ocorre no processo esquizofrênico do adulto, porém com um teor arquetípico, embasado pela afetividade. Para compreender esse aspecto, tornou-se pertinente averiguar os fatores do desenvolvimento psicológico da infância a partir da perspectiva afetiva e vincular, que permitem constatar a presença de uma disposição psíquica infantil para o seu desenvolvimento, que passa pela interação humana constante.</td><td>na esquizofrenia infantil, a cisão psíquica surge como uma forma de autoproteção a partir de situações que se configuram como traumáticas, visando a preservação do núcleo essencial da personalidade</td></tr><tr><td>3</td><td>Estabelecer com base na literatura as características clínicas da esquizofrenia manifestada precocemente</td><td>A esquizofrenia de início precoce é definida como o início da doença antes dos 18 anos e engloba a esquizofrenia com início na infância e na adolescência. A esquizofrenia com início na infância é definida como o surgimento de sintomas psicóticos antes dos 13 anos e é considerada como representando um subgrupo de pacientes com uma herança genética mais pronunciada. As manifestações clínicas incluem as que são observadas na esquizofrenia em adultos e podem abranger a presença de sintomas positivos (alucinações e delírios) e sintomas negativos (apatia, isolamento social, anedonia). Essa forma de esquizofrenia está associada a uma evolução clínica grave, um comprometimento significativo do funcionamento psicossocial e maior gravidade das anormalidades cerebrais. Apesar de seu curso clínico frequentemente agressivo, a evidência atual confirma a eficácia de intervenções psicossociais e farmacológicas no tratamento. Entre as opções terapêuticas, destacam-se os antipsicóticos atípicos, que apresentam eficácia comparável, embora com perfis variados de efeitos adversos.</td><td>a progressão dessa doença, juntamente com um subdiagnóstico dela, obscurece o prognóstico de uma doença que, por si só, já tem um grande impacto no funcionamento das pessoas. É de vital importância continuar avaliando a possibilidade de ocorrência da esquizofrenia de início precoce e, uma vez estabelecido o diagnóstico, implementar uma abordagem agressiva por meio de estratégias farmacológicas e não farmacológicas para melhorar o curso da doença.</td></tr><tr><td>4</td><td>É apresentado o desenho e as primeiras avaliações do instrumento LISMEN de exploração e triagem de sinais de alerta e fatores de risco de transtornos mentais graves, em particular transtornos psicóticos, aplicável nos primeiros anos de vida pelos serviços de atenção primária de saúde e pelos equipamentos de saúde mental associados a eles</td><td>Apresentamos o design e os primeiros testes de uma ferramenta de triagem e avaliação de sinais de alerta e fatores de risco de transtornos mentais graves, especialmente transtornos psicóticos, aplicável nos primeiros anos de vida pelos serviços de atenção primária à saúde e pelas instalações de saúde mental associadas a eles. Trata-se do LISMEN (Lista de Itens de Saúde Mental em Idades Pré-escolares e Escolares).</td><td>Embora hoje possuamos um amplo conjunto de conhecimentos sobre os fatores de risco da esquizofrenia e de outras psicoses, isso não implica que possamos prever o transtorno com base neles. O LISMEN é uma tentativa nesse sentido.</td></tr><tr><td>5</td><td>Revisar a literatura acerca das psicoses funcionais na infância e adolescência e permitir ao pediatra a possibilidade de reconhecer esta patologia em sua rotina de trabalho.</td><td>A presença de uma criança doente em uma família quase que inevitavelmente acaba levando a um desequilíbrio nas relações familiares, principalmente quando se trata de doença mental. Muitas vezes, um ser doente acaba mobilizando sentimentos variados, como culpa, raiva, medo, vergonha, fracasso, entre outros, os quais necessitam ser trabalhados. Em algumas situações, uma orientação familiar pode solucionar o problema.</td><td>A esquizofrenia com início na infância é uma patologia rara, quase 50 vezes menos freqüente quando comparada com pacientes que iniciaram a doença com idade acima de 15 anos. É uma doença distinta do autismo infantil não somente por questões conceituais, mas por um embasamento na fenomenologia, genética, quadro clínico e neurológico associado.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: elaboração própria</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Guerrero-Vaca et al. (2022) afirmam que estudar esquizofrenia em crianças e adolescentes é relevante e necessário, uma vez que permite compreender e conhecer as características clínicas específicas presentes nessa doença, bem como diferenciá-la de outros distúrbios que podem ser confundidos no diagnóstico definitivo. Além disso, a esquizofrenia deve ser considerada como um transtorno complexo e incapacitante que, portanto, requer tratamento imediato diante dos primeiros sinais de um episódio psicótico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a esquizofrenia seja relativamente rara nessa faixa etária, pode resultar em consideráveis desafios para a integração psicológica e a adaptação ao ambiente social. Isso ocorre, mesmo quando se valoriza a preservação da autonomia e singularidade de cada indivíduo. No caso da esquizofrenia infantil, a cisão psicológica e a subsequente interrupção do desenvolvimento ocorrem em um estágio em que a construção da linguagem verbal ainda está em andamento, o que torna a expressão dificultada por essa via. Portanto, é relevante promover formas alternativas de expressão que facilitem a compreensão das experiências em curso (Nunes e Serbena, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A esquizofrenia infantil representa um desafio na área da psicopatologia, não apenas devido à sua baixa incidência, mas também devido ao impacto que exerce nos estágios iniciais do desenvolvimento, afetando fatores psicológicos fundamentais e as interações interpessoais. No entanto, os estudiosos mencionados na discussão concordam que a preservação dos aspectos cognitivos e do senso de autoproteção psicológica em face de situações traumáticas e imagens arquetípicas percebidas como ameaçadoras à mente é um elemento central na esquizofrenia infantil (Nunes e Serbena, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A esquizofrenia com início na infância apresenta particularidades distintas em comparação com o início na fase adulta. Quando manifestada antes dos 12 anos, está intimamente ligada a questões de comportamento. Crianças nessas condições são frequentemente descritas como tendo dificuldades de adaptação social, comportamento peculiar e isolamento, além de exibir distúrbios comportamentais e atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor (Tengan e Maia, 2004).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando há suspeita de esquizofrenia na infância, é fundamental considerar alguns pontos essenciais. O primeiro é a idade de início dos sintomas, lembrando que a esquizofrenia é um transtorno progressivo que frequentemente tem um histórico anterior aparentemente normal. É extremamente raro que os sintomas se manifestem antes dos 7 anos de idade. Outro aspecto crucial é a avaliação do histórico familiar, pois frequentemente há outros membros da família afetados. O diagnóstico não é simples e pode ser desafiador diferenciá-lo de outros transtornos, especialmente o transtorno afetivo bipolar, muitas vezes exigindo avaliações repetidas ao longo do tempo (Tengan e Maia, 2004).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A infância e, em particular, a adolescência são períodos de mudanças significativas no desenvolvimento biológico, social e psicológico. As pessoas com esquizofrenia de início precoce enfrentam dificuldades adicionais para lidar com essas mudanças (Otárola, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem múltiplos obstáculos que dificultam o processo de diagnóstico da esquizofrenia com início na infância, tais como a pressão frequentemente exercida pelos familiares, a gravidade das manifestações clínicas e a limitação de tempo (Otárola, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Otárola (2022), o avanço desta condição, aliado ao subdiagnóstico, prejudica a previsão de uma doença que já impacta significativamente o funcionamento das pessoas. É fundamental persistir na avaliação da possibilidade de esquizofrenia de início precoce e, após estabelecer o diagnóstico, adotar uma abordagem abrangente, incorporando tanto estratégias farmacológicas quanto não farmacológicas, a fim de aprimorar a evolução do quadro clínico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os transtornos de personalidade são diagnósticos geralmente aplicados à população adulta, uma vez que as estruturas de personalidade nas crianças ainda estão em fase de desenvolvimento, não estando completamente formadas. No entanto, certos transtornos de personalidade, como o transtorno de personalidade antissocial, requerem um histórico de transtorno de conduta antes dos 15 anos como um pré-requisito (Tengan e Maia, 2004).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Guerrero-Vaca et al. (2022) os médicos devem considerar a possibilidade de não adesão ao tratamento e os efeitos adversos relacionados ao tratamento ao desenvolver um plano de tratamento abrangente. Os sintomas negativos clinicamente relevantes da esquizofrenia, que ocorrem na maioria dos pacientes, devem ser reconhecidos, avaliados e geridos da melhor maneira possível para alcançar melhores resultados para os pacientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Tengan e Maia (2004) na esquizofrenia, geralmente, após a estabilização de uma crise, o indivíduo não retorna ao seu estado anterior, frequentemente manifestando alguma alteração na afetividade e no pragmatismo, conhecido como &#8220;defeito&#8221; pós-crise. O prognóstico da doença é geralmente desafiador, embora os avanços na terapia farmacológica tenham contribuído significativamente para a melhora do quadro (Tengan e Maia, 2004).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os fatores que podem indicar um prognóstico mais favorável incluem o início tardio dos sintomas, um precipitante claro, início súbito dos sintomas, histórico social favorável, como emprego e relacionamentos interpessoais, presença de sintomas depressivos, estado civil de casado (embora isso não se aplique aqui), sintomas positivos (como delírios e alucinações) e um sistema de apoio familiar e social favorável (Tengan e Maia, 2004).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dado que os sintomas negativos muitas vezes não são reconhecidos pelos médicos e o tratamento baseado em evidências é limitado, os sintomas negativos estão mais intimamente relacionados ao funcionamento deficiente do paciente, menor qualidade de vida e menor produtividade do que os sintomas positivos, que podem ser tratados de forma mais eficaz com os tratamentos disponíveis (Guerrero-Vaca et al, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora existam diferentes tratamentos farmacológicos que podem ser usados para tratar a esquizofrenia infantil, a escolha deve ser baseada na história clínica, nas características do paciente e, quando aplicável, no uso anterior de medicamentos, no caso de recorrências ou em pacientes com histórico familiar de esquizofrenia (Guerrero-Vaca et al, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desenvolvimento de um instrumento de triagem para detectar fatores de risco e sinais de alerta desde os primeiros meses de vida pode representar uma vantagem significativa na tentativa de sistematizar o critério clínico normalmente usado por pediatras, médicos de família, serviços de atenção precoce e serviços de saúde mental infantojuvenil. Ter um questionário de fácil utilização, de curta extensão e que não exija um treinamento exaustivo pode ajudar a reduzir as diferenças no critério clínico entre profissionais e, consequentemente, facilitar a realização dessas tarefas preventivas essenciais (Tizón et al, 2008).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O cuidado de enfermagem à criança com esquizofrenia é uma tarefa complexa que exige compreensão, empatia e competência por parte dos profissionais de saúde. A esquizofrenia infantil é uma condição que pode ter um impacto profundo na vida da criança e de sua família, e um cuidado de enfermagem eficaz desempenha um papel crucial na melhoria da qualidade de vida e no prognóstico dessas crianças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É essencial que os enfermeiros estejam atualizados com as melhores práticas e desenvolvam uma abordagem centrada na criança, que leve em consideração suas necessidades específicas e promova um ambiente de cuidado seguro e acolhedor. Com uma abordagem multidisciplinar, tratamento adequado e apoio contínuo, as crianças com esquizofrenia podem ter a oportunidade de levar vidas significativas e satisfatórias.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">AAS, M.; et al. Childhood trauma and ITS relationship with premorbid adjustment, cognition and treatment outcomes&nbsp; in&nbsp; first&nbsp; episode&nbsp; shcizophrenia<strong>. Schizophrenia&nbsp; Bulletin</strong>, 45(Supplement_2), S204–S205 [Internet]. 2019 [Acesso em: 12 de abril de 2023]; Disponível em: https://doi.org/10.1093/SCHBUL/SBZ019.284</p>



<p class="wp-block-paragraph">GUERRERO-VACA. D. I,; et al. Características clínicas y tratamiento farmacológico en la esquizofrenia de inicio en la infancia. Una revisión. <strong>Dom. Cien</strong>., ISSN: 2477-8818 Vol. 8, núm. 2. Abril-Junio, pp. 483-501 [Internet]. 2022 [Acesso em: 18 de setembro de 2023]; Disponível em: DOI: http://dx.doi.org/10.23857/dc.v8i2.2657</p>



<p class="wp-block-paragraph">JERATH, A. U.; MAVRIDES, N. A.; COFFEY, B. J. Complexity&nbsp; in&nbsp; Evaluation&nbsp; and Pharmacological&nbsp; Treatment&nbsp; of&nbsp; Early&nbsp; Onset&nbsp; Psychosis&nbsp; with&nbsp; Mood&nbsp; Symptoms:&nbsp; Childhood Onset&nbsp;&nbsp;&nbsp; Schizophrenia&nbsp;&nbsp;&nbsp; or&nbsp;&nbsp;&nbsp; Affective&nbsp;&nbsp;&nbsp; Disorder? <strong>Journal&nbsp;&nbsp;&nbsp; of&nbsp;&nbsp;&nbsp; Child&nbsp;&nbsp;&nbsp; and&nbsp;&nbsp;&nbsp; Adolescent Psychopharmacology</strong>, 29(3), 241–244 [Internet]. 2019 [Acesso em: 14 de maio de 2023]; Disponível em: &nbsp;<a href="https://doi.org/10.1089/CAP.2019.29164.BJC">https://doi.org/10.1089/CAP.2019.29164.BJC</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">LEÃO, A.; BATISTA, A. M. Caminhos e impasses da desinstitucionalização na perspectiva dos trabalhadores de saúde mental da Grande Vitória. <strong>Trabalho, Educação e Saúde</strong>, v. 18, n. 3, e00271102 [Internet]. 2020 [Acesso em: 02 de junho de 2023]; Disponível em: DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1981-7746-sol00271</p>



<p class="wp-block-paragraph">NUNES, M. M.; SERBENA, C. A. Esquizofrenia infantil como autoproteção psíquica – concepção da psicologia analítica<strong>. Psicol. Pesqui</strong>. | 16 | 1-24 | 2022 DOI: 10.34019/1982-1247.2022.v16.30385 [Internet]. 2022 [Acesso em: 12 de setembro de 2023]; Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1982-12472022000100002</p>



<p class="wp-block-paragraph">OTÁROLA, E, P. Esquizofrenia de inicio precoz: Revisión bibliográfica. <strong>Revista Ciencia Y Salud</strong>, 6(3), pág. 139–144 [Internet]. 2022 [Acesso em: 12 de setembro de 2023]. Disponível em: https:// doi.org/10.34192/ cienciaysalud.v6i3.452</p>



<p class="wp-block-paragraph">SALDANHA, D.; SINGH, I.; SINGH, V. P.; GOYAL, E.; PATHAK, V.; SALDANHA, D.; PATKAR, P. Childhood&nbsp; Schizophrenia.&nbsp; Does&nbsp; Early&nbsp; Diagnosis&nbsp; And&nbsp; Management Offer&nbsp; Hope?-Web&nbsp; of Science&nbsp;&nbsp; Core&nbsp;&nbsp; Collection. <strong>Indian&nbsp;&nbsp; Journal&nbsp;&nbsp; Of&nbsp;&nbsp; Psychiatry</strong>, 59(6), 187–187 [Internet]. 2017 [Acesso em: 22 de junho de 2023]. Disponível em: https://www-webofscience-com-espoch.knimbus.com/wos/woscc/full-record/WOS:000392104500161</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, P. O,; et al. Cuidado clínico de enfermagem em saúde mental. <strong>Rev enferm UFPE online</strong>; 12(11): 3133-46 [Internet]. 2018 [Acesso em: 28 de abril de 2023]. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/236214/30521</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUSA, A. S.; OLIVEIRA, S. O.; ALVES, L H. A pesquisa bibliográfica: princípios e fundamentos. <strong>Cadernos da Fucamp</strong>, v.20, n.43, p.64-83 [Internet]. 2021 [Acesso em: 13 de maio de 2023]. Disponível em: https://revistas.fucamp.edu.br/index.php/cadernos/article/view/2336</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, M. T.; SILVA, M. D.; CARVALHO, R. Revisão integrativa: o que é e como fazer. <strong>Einstein</strong>; 8(1 Pt 1):102-6 [Internet]. 2010 [Acesso em: 12 de abril de 2023]. Disponível em: https://www.scielo.br/j/eins/a/ZQTBkVJZqcWrTT34cXLjtBx/?format=pdf&amp;lang=pt</p>



<p class="wp-block-paragraph">TENGAN, S. K.; MAIA, A. K. Psicoses funcionais na infância e adolescência. <strong>Jornal de Pediatria</strong> &#8211; Vol. 80, Nº2(supl) [Internet]. 2004 [Acesso em: 21 de setembro de 2023]. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jped/a/x6BVKKCxPPfQvhQ9mgzyCNd/</p>



<p class="wp-block-paragraph">TIZÓN, J. L.; et al. Factores de riesgo para padecer trastornos psicóticos: ¿Es posible realizar una detección preventiva?. <strong>Clínica y Salud</strong>, vol. 19 n.º 1 [Internet]. 2008 [Acesso em: 23 de setembro de 2023]. Disponível em: https://scielo.isciii.es/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1130-52742008000100002</p>



<p class="wp-block-paragraph">URSI, E. S. Prevenção de lesões de pele no perioperatório: revisão integrativa de literatura. 2005. 130 f. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – <strong>Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo</strong>, Ribeirão Preto [Internet]. 2005 [Acesso em: 19 de abril de 2023]. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22132/tde-18072005-095456/pt-br.php</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Enfermeiro, Mestre em Cuidados Clínicos em Enfermagem e Saúde, Docente do Centro Universitário Paraiso – UNIFAP, Juazeiro do Norte – CE; Email: luciano.alencar@fapce.edu.br (ORCID: 0000-0002-8778-8763) </p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"> (ORCID: 0000-0003-1988-3491)</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">(ORCID: 0009-0005-8744-1689)</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>3</sup>Enfermeiro, Graduado em Enfermagem, Centro Universitário Paraiso – UNIFAP, Juazeiro do Norte – CE (ORCID: 0009-0007-1513-350X)</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>4</sup>Enfermeira, Mestre em Enfermagem, Enfermeira no Hospital Regional do Cariri – HRC, Juazeiro do Norte – CE (ORCID: 0000-0002-2823-8681)<br></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>4</sup>Enfermeira, Mestre em Enfermagem, Enfermeira no Hospital Regional do Cariri – HRC, Juazeiro do Norte – CE(ORCID: 0000-0001-9702-6765)<br> </p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>5</sup>Enfermeiro, Especialista em Urgência e Emergência, Enfermeiro no Hospital Regional do Cariri – HRC, Juazeiro do Norte – CE(ORCID: 0000-0002-4719-7168)<br> </p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>5</sup>Enfermeiro, Especialista em Urgência e Emergência, Enfermeiro no Hospital Regional do Cariri – HRC, Juazeiro do Norte – CE(ORCID: 0009-0003-3926-7132)</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>5</sup>Enfermeiro, Especialista em Urgência e Emergência, Enfermeiro no Hospital Regional do Cariri – HRC, Juazeiro do Norte – CEORCID: 0000-0003-1904-9085)</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>6</sup>Fisioterapeuta, Especialista UTI Neo e Pediátrica, Fisioterapeuta no Hospital Regional do Cariri – HRC, Juazeiro do Norte – CE(ORCID: 0009-0008-5241-0024)</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>7</sup>Pedagogo, Mestre em Educação, Docente da Universidade Regional do Cariri – URCA, Crato – CE(ORCID: 0000-0002-2327-2274)</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>MEDIDAS PREVENTIVAS DA EQUIPE DE ENFERMAGEM FRENTE AS DOENÇAS OCUPACIONAIS GERADAS NA UNIDADE DE PRONTO ATENDIMENTO – UPA 24H</title>
		<link>https://revistaft.com.br/medidas-preventivas-da-equipe-de-enfermagem-frente-as-doencas-ocupacionais-geradas-na-unidade-de-pronto-atendimento-upa-24h/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jan 2024 20:16:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 27 – Edição 129/DEZ 2023]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=119017</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10472125 Juliana Caroliny Oliveira da Costa [1]Aline Alves de Sousa Cardoso[2] RESUMO Tendo em vista a importância do conhecimento sobre as medidas preventivas da equipe de enfermagem frente as doenças ocupacionais no ambiente da Unidade Pronto Atendimento – UPA24h, a presente pesquisa busca apresentar os principais riscos ocupacionais que acometem esta categoria profissional [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10472125</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Juliana Caroliny Oliveira da Costa <a id="_ftnref1" href="#_ftn1">[1]</a><br>Aline Alves de Sousa Cardoso<a id="_ftnref2" href="#_ftn2">[2]</a></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Tendo em vista a importância do conhecimento sobre as medidas preventivas da equipe de enfermagem frente as doenças ocupacionais no ambiente da Unidade Pronto Atendimento – UPA24h, a presente pesquisa busca apresentar os principais riscos ocupacionais que acometem esta categoria profissional bem como traz um enfoque sobre a importância e os benefícios das precauções para prevenção, demonstrando a importância da adesão a estas com vistas a reduzir o risco de acidentes e doenças ocupacionais o no ambiente laboral. Nessa percepção levanta-se o seguinte problema: Como prevenir os desencadeantes de doenças ocupacionais na equipe de enfermagem no âmbito da UPA? Por conseguinte, a pesquisa tem como objetivo geral: Identificar os métodos de prevenção dos desencadeantes de doenças ocupacionais na equipe de enfermagem no âmbito da UPA; e específicos: Contextualizar a segurança no trabalho, e as condições de trabalho do enfermeiro na unidade UPA, descrever as principais doenças ocupacionais que acometem os profissionais de enfermagem no âmbito das urgências e emergências, caracterizar as medidas preventivas para contenção dos riscos ocupacionais relacionados ao trabalho de enfermagem. Para o desenvolvimento da pesquisa utilizou-se a abordagem qualitativa e quantitativa, sendo mediada através da pesquisa bibliográfica a partir de livros, artigos científicos, cadernos do Ministério da Saúde, trabalhos de conclusão de curso, encontrados em bases de dados virtuais como Scielo, Google Acadêmico e na BVS (biblioteca virtual em saúde). Espera-se com essa pesquisa demonstrar os aspectos gerais dos das doenças ocupacionais e seu impacto na saúde do trabalhador de enfermagem. Permitindo conhecer as precauções de prevenção e entender que as mesmas são fundamentais na redução dos riscos ocupacionais, com o envolvimento de toda a equipe de enfermagem e com o suporte oferecido pelas instituições e gestão de saúde, sendo possível reduzir os riscos de doenças ocupacionais, promovendo assim a saúde dos trabalhadores e melhorar a qualidade de vida dos mesmos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras chaves: </strong>Saúde do Trabalhador. Prevenção. Doenças Ocupacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente pesquisa visa decorrer sobre a prevenção de doenças ocupacionais que atingem os profissionais de enfermagem no contexto de urgências e emergências na UPA, apresentando os principais riscos que acometem esta categoria profissional, trazendo um enfoque sobre a importância e os benefícios das precauções para prevenção, demonstrando a importância da adesão da mesma, vistas a reduzir o risco de doenças ocupacionais e contaminação no ambiente laboral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tendo em vista a importância das medidas preventivas para equipe de enfermagem, é evidente que ela está frente as atividades de prestações de serviços de saúde, enfrentado assim condições insalubres e penosas, como a falta de treinamento e de capacitação de profissionais, ambientes físicos não adequados, falta de material apropriado, ausência de manutenção preventiva de equipamentos, quadro de profissionais insuficientes para demanda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil constatam-se corriqueiramente situações que afrontam essas medidas preventivas para as profissionais de enfermagem, diante disso, foi levantado o seguinte questionamento: Como prevenir os desencadeantes de doenças ocupacionais na equipe de enfermagem no âmbito da UPA?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pretendendo-se encontrar respostas para a questão levantada acima, foram então definidos o objetivo geral e os específicos.&nbsp; Objetivo geral: Identificar os métodos de prevenção dos desencadeantes de doenças ocupacionais na equipe de enfermagem no âmbito da UPA. Objetivos específicos: Contextualizar a segurança no trabalho, e o trabalho do enfermeiro na UPA; descrever as principais doenças ocupacionais que acometem os profissionais de enfermagem no âmbito das urgências e emergências; caracterizar as medidas preventivas para contenção dos riscos ocupacionais relacionados ao trabalho de enfermagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo de acidentes de trabalho está cada vez mais evidente, nesse sentido podemos perceber que existe uma escassez o que reforça como é essencial a que a prevenção de doenças ocupacionais. Segundo Diniz (2005) a prevenção dos acidentes deve ser realizada através de medidas gerais de comportamento, eliminação de condições inseguras e treinamento dos empregados, uso de EPI´s obrigatório, havendo fiscalização em todas as atividades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O principal objetivo dos serviços de saúde é prevenir e restaurar a saúde seus clientes, com isso se evidencia a necessidade de melhorar a efetividade das ações e estratégias que estão propostas para os profissionais que prestam essa assistência, para solucionar essa questão que vem crescendo cada vez mais, favorecendo assim positivamente a saúde do profissional como de seus clientes em seu ambiente laboral de trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, trabalhar no setor saúde significa se expor à inúmeros riscos ocupacionais, facilitando assim a exposição dos trabalhadores da saúde à vários perigos ao longo da sua carreira. Segundo MAGAGNINI; ROCHA; AYRES, (2011 p. 309) considerando esta realidade, acredita-se que os profissionais de enfermagem que cuidam de outros indivíduos, muitas vezes se esquecem de cuidar de si mesmos e do ambiente de labor, onde têm adoecido pelas condições e pelos ambientes desfavoráveis para desenvolver as suas atribuições.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A referente pesquisa se trata de uma abordagem qualitativa, utilizando a pesquisa bibliográfica a partir de livros, artigos científicos, cadernos do Ministério da Saúde, trabalhos de conclusão de curso, leis e manuais, que abordam sobre o tema exposto, tendo o local de estudo escolhido para construção da pesquisa o âmbito nacional brasileiro que tem maior abrangência, selecionando materiais de maior relevância para aprimorar a pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, a análise de ocorrência de doenças ocupacionais em um ambiente de urgência é um tema do estudo proposto, justificando-se pela atualidade e pela contribuição ao atendimento do processo de prevenção de saúde-doença dos trabalhadores em unidade de atendimento imediato, implicando a importância de falar sobre doenças ocupacionais os acidentes de trabalho com os profissionais de enfermagem, o que soma no conhecimento profissional, como da sociedade em geral que será beneficiada com mais informações.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A metodologia garante a racionalidade e o direcionamento capaz de aproximar um melhor entendimento como forma de possibilitar o cumprimento de todos os objetivos traçados para a pesquisa e o seu desenvolvimento, assim direcionando com a finalidade de conhecer a diversidade de estudos sobre o tema. Segundo (MARCONI; LAKATOS, 2010). “Método é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo – conhecimentos válidos e verdadeiros – traçando o caminho”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo realizado trata-se de uma abordagem qualitativa que gera grande capacidade de reflexão, abordando novas ideias com um objetivo de formular um material que não seja apenas a transcrição e sim trazer novas ideias. A abordagem qualitativa trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. (MINAYO, 2001, p. 14)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, utiliza-se como base para o estudo a pesquisa bibliográfica, o tipo de pesquisa escolhido é de extrema importância pois ela é caminho que norteia o estudo, e está inteiramente ligada a uma interpretação geral do mundo. A pesquisa bibliográfica toma como objeto apenas livros e artigos científicos, tendo normalmente a finalidade de buscar relações entre conceitos, características e ideias, às vezes unindo dois ou mais temas, onde consiste em levantamento de dados a partir de estudos de outros autores para o complemento do tema proposto (ALMEIDA, 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O local de estudo pode ser de várias dimensões desde de um local mais específico até um mais amplo, o local de estudo escolhido para essa pesquisa é nacional, visando a realidade do cenário brasileiro diante do tema abordado na pesquisa. Segundo Nébia Maria (2009, p. 12) “O local de estudo deve ser descrito quanto a sua localização geográfica, características de serviço oferecidos, desde que tais dados sejam relevantes ao estudo”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A amostra é a parte da população onde os dados para a pesquisa serão obtidos. Segundo Lakatos, Marconi (2013 p. 163) “A amostra é uma parcela convenientemente selecionada do universo (população); é um subconjunto do universo”. Por ser uma pesquisa bibliográfica a amostra será artigos publicados, revistas, livros, leis, utilizando esses artigos para pesquisa, com objetivo de se analisar todos assuntos que abordam o tema proposto, chegando no objetivo geral do projeto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O projeto em questão adquiriu os critérios de pesquisa utilizando como consulta bases de dados virtuais como Google acadêmico, Scielo e periódicos da biblioteca virtual de saúde (BVS). Tendo como palavra-chave os descritores de caracteres: doenças ocupacionais, acidentes de trabalho na enfermagem, saúde do trabalhador, prevenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os critérios de inclusão foram artigos nacionais, livros, leis e políticas, materiais bibliográficos que que tenham compatibilidade como tema descrito, publicados entre os anos de 2004 a 2022. Nos critérios de exclusão foram todos materiais que após leitura não abordavam o assunto referente ao tema proposto, como também materiais de sites não confiáveis, bibliografias incompletas, e que não complementaram de maneira satisfatória o estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A amostra da pesquisa constituiu-se de um total de 34 documentos encontrados em meio online, na Biblioteca Virtual de Saúde e no GOOGLE acadêmico, utilizando-se os descritores de caracteres: acidente de trabalho na enfermagem; prevenção na enfermagem, onde passaram por leituras e análises, sendo selecionados 15 para produção do estudo, tendo os demais excluídos por não se encaixarem nos critérios de inclusão e não complementarem de maneira satisfatória o estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante da análise dos documentos utilizados na pesquisa, foram precisos a minuciosa escolha de critérios, constituindo, portanto, os subsídios necessários para a elaboração deste estudo, sendo assim possível alcançar os objetivos do tema proposto almejados na pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. REVISÃO DE LITERATURA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O trabalho se faz presente desde os primórdios da humanidade, sendo destacado e caracterizado como um mecanismo de garantia da subsistência. Na maioria das vezes em condições inadequadas, mas mesmo assim exercendo de forma prazerosa pois é o meio de seu sustento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O trabalho consente ao ser humano, seja homem ou mulher, obter sua identidade e dignidade, porém, ao passo que por meio da sua atividade laboral este adquire decência, responsabilidade e através desta emancipação financeira e pessoal, pode ser fonte de sofrimento e doenças quando afeta a saúde do trabalhador (MENDES, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Corroborando com autor supracitado, o trabalho é caracterizado como fonte de renda ao homem, porém pode causar danos como sofrimento e doença, devido aos riscos que este trabalhador poderá estar exposto. Sendo que o trabalho é um aspecto fundamental para a vida humana, pois desde os tempos da antiguidade à atualidade existe o trabalho, um meio que o ser humano necessita para usufruir de uma vida melhor, alimentar-se, vestir-se e em momentos cuidar de sua saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, compreende-se que existe uma relação entre trabalho e saúde, e isso justifica as políticas públicas institucionais criadas em proteção à saúde do trabalhador, formuladas com bases nos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde, e que trata dessa questão, visando proteger o empregador e principalmente o trabalhador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A saúde é definida como um estado de total bem-estar, físico, mental e social e não constitui somente uma ausência de doença ou de enfermidade. Para poder exercer suas atividades laborais de forma prazerosa e harmoniosa, o homem necessita de saúde, e na ausência desta terá déficits e limitações que o afaste por um período para recuperação da saúde (BRASIL, 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante de tais aspectos que envolve a saúde e o trabalhador, no decorrer dos anos foram criadas leis, diretrizes, normas, todas as formas de respaldo que asseguram que este trabalhador exerça suas funções laborais de forma prazerosa e que não venha causar danos a sua saúde, são benefícios ao trabalho de forma mais abrangente e eficaz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A saúde do trabalhador é um tema de grande explanação e âmbito nacional, de tal modo, pode-se que a enfermagem do trabalho é abordada como a ciência e prática especializada que fornece e presta serviços de saúde a trabalhadores e populações ativas. A prática atenua na promoção, proteção e na recuperação da saúde do trabalhador, no contexto de um ambiente de trabalho saudável e seguro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde a antiguidade, o trabalho vem sendo determinado em duas situações distintas, assim respectivamente: como expressão de vida e degradação, criação e desventura, atividade vital humana e escravidão, ora cultuado pelo seu lado positivo, ora pelos seus traços negativos (ANTUNES, 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o trabalho passou a ser uma condição útil e imperativa à existência do ser humano, sendo este o intercâmbio para com a natureza, todo ser vivo é representado por esta demonstração. O homem através do trabalho passou a adquirir seus valores de uso, tendo um maior conforto e segurança a si e aos seus próximos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos maiores pensadores sobre as relações de trabalho e sociedade Karl Marx (2000, p. 12), ele “avalia que o lado positivo dessa relação ao resgatar a longa história da atividade humana”, observou que por meio do trabalho o homem conquistou dignidade e humanidade o que o distinguiu dos outros animais vivos, sendo este fator determinante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A importância do trabalho para o bem-estar e a saúde das pessoas fica clara, pois é no trabalho que se passa a maior parte de nossa vida. Compreensível é o papel relevante do trabalho na vida e o reflexo do restante dela sobre a qualidade do trabalho e o desempenho profissional (NASCIMENTO, 2008). Neste aspecto, surge a necessidade de reformas na saúde, para contemplar a saúde do trabalhador, na intenção de proporcionar melhor qualidade de vida a estes indivíduos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reforma do setor saúde iniciada na década de 80 com a implantação das Ações Integradas de Saúde &#8211; AIS (1983) acompanhada pelo movimento sanitário brasileiro com apogeu na VIII Conferência Nacional de Saúde (1986) culminou a idealização e implantação da criação do Sistema Único de Saúde o qual se normatizou com a nova Constituição Brasileira (1988) que contemplou a saúde como um direito social, cuja garantia é responsabilidade de cada um e de todos e, em especial do Estado, assegurado mediante duas condições básicas: políticas públicas- econômicas e sociais para redução de riscos e, acesso a todos os brasileiros a serviços e ações de saúde (ALMEIDA, 2008).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a Saúde do Trabalhador vem ganhando destaque com interesse característico de relevância para muitos empresários, que define sobre um fator interessante: a saudável execução de um favorável ambiente de trabalho, assim também como a atenção com os índices de absenteísmo dos seus funcionários, e a parte mais interessada que é a boa mão de obra que este trabalhador produzira ao seu empregador. Sendo que, com tudo isto, o trabalhador deve ter em seu ambiente de trabalho prazer em laborar, minimizando maiores problemas de saúde futuros.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de estabelecer a relação da profissão enfermagem com os riscos ocupacionais aos quais estão submetidos faz-se necessário a observação sistemática dos conceitos e dos aspectos históricos que norteiam estes elementos e a sua respectiva relação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Concernente aos acidentes de trabalho (AT), os mesmos podem ser compreendidos como eventos nos quais o indivíduo sofre algum tipo de acidente no durante o exercício de sua profissão. O AT pode acarretar danos à saúde do trabalhador, como lesões corporais, por exemplo, resultando em sequelas, incapacidades e até mesmo levar ao óbito (BATISTONI et al., 2011).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda em relação ao conceito de acidente de trabalho, Almeida, Pagliuca e Leite (2015, p. 709) estabelecem que “o AT se caracteriza por uma interação direta, repentina e involuntária entre a pessoa e o agente agressor em curto espaço de tempo”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do destacado nos parágrafos anteriores pode se compreender os acidentes de trabalho como situações comuns no ambiente laboral e que preocupam a todos pois pode acarretar sérios danos a saúde das pessoas. Observa-se, ainda, que os danos podem levar inclusive a sequelas irreversíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A preocupação com os AT vem desde a antiguidade. Existem relatos que antecedem a era cristã onde as doenças e morte no trabalho ocorriam, principalmente entre os escravos e servos trabalhadores do setor da mineração (RIBEIRO, SHIMIZU, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desse modo, a preocupação com a saúde dos trabalhadores ganha corpo e, com isso, acaba envolvendo todas as categorias profissionais, em geral. Os riscos ocupacionais acabam sendo relacionados a diversos tipos de trabalho, inclusive, na área da Saúde, tornando diversas profissões deste setor como susceptíveis aos riscos de adoecerem ou sofrerem algum tipo de acidente de trabalho (SILVA, 2011).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os autores acima acrescentam ainda em seu estudo que os riscos ocupacionais na área da saúde podem estar relacionados a todos as categorias profissionais, mas, principalmente àqueles profissionais que atuam em ambientes hospitalares e, mais ainda, a equipe de enfermagem, pelas suas características profissionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com relação aos riscos ocupacionais e os trabalhadores da enfermagem, esta categoria profissional é considerada por inúmeros autores como aquela que se encontra mais susceptível ao acometimento por algum tipo de dano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre os principais meios de adoecerem no ambiente de trabalho, estão destacados pelos autores: o maior contato direto físico com os enfermos; o maior tempo permanecido em contato com os pacientes; o contato com substâncias tóxicas, com equipamentos e materiais contaminados; além do fato de o ambiente hospitalar já ser intensamente insalubre (BATISTONI et al., 2011).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos itens mais destacados entre aqueles que evidenciam o elevado risco ocupacional dos trabalhadores de enfermagem está o contato direto e físico com os pacientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto abordado em relação aos riscos ocupacionais da equipe de enfermagem é o tempo de permanência do profissional junto do paciente. Geralmente a equipe de enfermagem que permanece 24 horas de plantão próximas ao paciente internado, pode estar exposto a vários riscos, podendo adquirir doenças ocupacionais e do trabalho, além de lesões devido aos acidentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Almeida, Pagliuca e Leite (2015, p. 709) incluem no rol de fenômenos explicativos para o elevado risco ocupacional da enfermagem o quantitativo de trabalhadores. Para os autores “a enfermagem constitui a maior representatividade de pessoal dentro das urgências”, o que contribui naturalmente para o elevado número de ocorrências de exposição a riscos ocupacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme os autores a enfermagem apresentam uma condição preocupante com relação aos riscos ocupacionais. De acordo com o parágrafo acima, o número elevado de trabalhadores, bem como as condições de trabalho que os mesmos muitas vezes enfrentam, levam-nos a constituírem um grupo preocupante com relação aos riscos ocupacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Silva (1996 <em>apud </em>Batistoni et al., 2011, p. 57) “os trabalhadores de enfermagem estão expostos a uma diversidade de cargas que são geradoras de processos de desgaste”. O autor caracteriza o trabalho da enfermagem citando ainda que “as características e as formas de organização do trabalho expõem os trabalhadores da enfermagem, pois são obrigados a permanecer nesse ambiente, durante toda a sua jornada laboral e grande parte da vida produtiva”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dinâmica de trabalho desempenhada pelos profissionais da enfermagem no seu cotidiano, pode ser um fator de alto risco ocupacional quando relacionado ao stress, impossibilitando de realizar o processo de trabalho de forma efetiva e segura, gerando insatisfação nas atividades executadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os riscos ocupacionais que mais aparecem relacionados aos trabalhadores de enfermagem são aqueles oriundos de contato direto com substâncias contaminadas, como, por exemplo, o sangue, secreções e fluidos corpóreos; acidentes com materiais perfurocortantes; e exposição do trabalhador à situações de contato direto com pacientes infecto-contagiosos sem diagnóstico conhecido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos principais tipos de acidentes de trabalho relacionado com a enfermagem é a contaminação e o acidente com materiais perfurocortantes. Este tipo de acidente pode expor os profissionais a diversos agentes nocivos que podem causar danos a saúde destes trabalhadores (MARZIALE; RODRIGUES, 2012).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso de equipamentos de proteção individual (EPI) é considerado muito importante para evitar danos como os citados acima. A utilização destes equipamentos por parte da enfermagem pode oferecer-lhes segurança durante o exercício do seu trabalho. Dentre os EPI’s, destacam-se as máscaras, os óculos, aventais e capotes descartáveis, gorros e luvas descartáveis (VASCONCELOS; REIS; VIEIRA, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em qualquer local de trabalho a equipe de enfermagem se depara com situações diversas e, ás vezes, desconhecidas, que exige cautela e cuidados rigorosos tanto para manter as condições vitais dos pacientes quanto para proteger-se de eventuais acidentes indesejáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido, o uso de EPI’s tem sido a alternativa mais eficaz e resolutiva na questão da proteção individual dos profissionais. O seu uso correto e contínuo faz-se necessário para que os dados relacionados aos riscos ocupacionais e esta categoria profissional possam ser minimizados ou mesmo sanados (VASCONCELOS; REIS; VIEIRA, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aliando-se a adequada e contínua adesão ao uso dos EPI’s e o concreto comprometimento de todas as PP, como a lavagem das mãos e o descarte adequado das substâncias contaminadas, é possível conceber uma realidade futura capaz de proporcionar dados mais satisfatórios e menos alarmantes no quesito das doenças ocupacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa pesquisa proporcionou compreender os aspectos primordiais sobre o tema em questão, <em>Saúde Do Trabalhador</em>, e as medidas preventivas da equipe de enfermagem frente as doenças ocupacionais no ambiente da UPA, tem demostrado a eficácia que a enfermagem do trabalho é abordada como a ciência e prática especializada que fornece e presta serviços de saúde a trabalhadores e populações ativas em exercício diária da profissão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prática em saúde, atenua na promoção, proteção e na recuperação da saúde do trabalhador, no contexto de um ambiente de trabalho saudável e seguro. Em relação ao tema o ambiente de urgências deve haver medidas de proteção que são indispensáveis ao seu dia a dia. A pratica da enfermagem no ambiente da UPA é clara que instiga prejuízos a saúde, como dito ao decorrer deste estudo, trabalhos noturnos, carga horaria enormes, sobretudo a sobrecarga laboral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O problema em questão se dá em como prevenir os desencadeantes de doenças ocupacionais na equipe de enfermagem no âmbito da UPA? A prevenção à saúde dos profissionais de saúde, se dá pela conscientização e se realiza também através de cursos de promoção e de informação, os quais devem levar em conta os riscos específicos naquela área e unidades de urgências, as medidas adequadas de prevenção contra os acidentes de trabalho e de tutela da saúde, e considerando-se o nível de conhecimento destes profissionais ali engajados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O profissional precisa entender a importância de sua saúde para que possa exercer o processo de cuidado ao próximo, embora, muitos enfermeiros não identificam a necessidade e importância de prevenção no âmbito emocional durante sua jornada de trabalho, eles sabem que o fator emocional influencia diretamente na eficácia do serviço prestado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, o manejo na percepção frente as doenças ocupacionais, principalmente as silenciosas e acumulativa como stress, devido à sobrecarga durante a jornada de trabalho, deve ser reconhecer como sinal de gravidade entre quaisquer patologias psiquiátricas em situações de urgência.&nbsp; E através das medidas preventiva, educativas pode ser identificada inicialmente promovendo saúde ao profissional e gerando maior qualidade no ambiente de trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALMEIDA, Carlos Alberto; Um enfoque ergonômico para educação física. Disponível em: http://www.rc.unesp.br/ib/efisica/motriz/02n2/2n2_ART09.pdf Acesso em 01 de junho de 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALMEIDA, Cristiana Brasil de; PAGLIUCA, Lorita Marlena F.; LEITE, Ana Lourdes Almeida e Silva. Acidentes de trabalho envolvendo os olhos: avaliação de riscos ocupacionais com trabalhadores de enfermagem. <strong>Rev. Latino-am. Enfermagem. </strong>São Paulo, v. 13, n. 5, p. 708-716, out. 2015</p>



<p class="wp-block-paragraph">AGOSTINI, Marcia. Saúde do trabalhado. Disponível em: http://books.scielo.org/id/sfwtj/pdf/andrade-9788575413869-46.pdf . Acesso em 12 de julho de 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BATISTONI, Emanuelle de Andrade et al. Importância do EPI: Percepção da Equipe de Enfermagem na Sala de Emergência. <strong>REAS, Revista Eletrônica Acervo e Saúde. </strong>Belo Horizonte, v. 2, p. 55-69, 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CARDOSO, Ana Paula Moreira. O trabalho como determinante do processo saúde x doença. <strong>Tempo Social, revista de sociologia da USP, </strong>v. 27, n. 1, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CARVALHO, Carmen Milena Rodrigues S. et al. Aspectos de biossegurança relacionados ao uso do jaleco pelos profissionais de saúde: uma revisão de literatura. <strong>Texto Contexto Enferm. </strong>Florianópolis, v. 28, n. 2, p. 355-360, jun. 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHAGAS, An a Maria; SALIM, Celso; SERV O, Luciana. &nbsp;Saúde e segurança no trabalho no Brasil: Aspectos institucionais, sistemas de informações e indicadores. Disponível em: http://www.cpn-nr18.com.br/uploads/documentos-gerais/livro_sst_ipea_e_fundacentro.pdf. Acesso em 12 de julho de 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">COPEL. Uniformes e equipamentos de segurança no trabalho. Disponível em: http://www.copel.com/hpcopel/root/sitearquivos2.nsf/arquivos/espec_copel_2006_acessorios_ergonomicos_r1_2008/$FILE/esp_2006_r1_2008.pdf. Acesso em 02 de maio de 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GONSALVES, Jeanne; MANSUR, Olivia; MENESES, Silvia; LANNES, Marise. Secretaria escolar e sua importância na instituição de ensino. Disponível em: http://www.colegio24horas.com.br/sineperio/Congresso2010/Jeanne-Olivia.pdf. Acesso em 02 de maio de 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GONÇALVES, Camila; ROCHA, Roberta; ENDO, Cristina; TAUBE, Oswaldo; SILVA, Gabriel; FERREIRA, Bruno. &nbsp;Análise ergonômica das condições de trabalho de um setor de secretaria. Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd182/condicoes-de-trabalho-de-um-setor-de-secretaria.htm Acesso em 02 de maio de 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">IIDA, I. Ergonomia: projeto e produto. &nbsp;São Poulo: Blucher, 1993.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>LAKATOS</em>, E. Maria; <em>MARCONI</em>, M. de Andrade. Fundamentos de metodologia científica: Técnicas de pesquisa. 7 ed. – São Paulo: Atlas, <em>2010.</em><em></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">MAFRA, Denise Aparecida L. et al. Percepção dos Enfermeiros sobre a importância dos uso dos Equipamentos de Proteção Individual para Riscos Biológicos em um Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. <strong>O Mundo da Saúde. </strong>São Paulo, v. 32, n. 1, p. 31-38, jan-mar. 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NASCIMENTO, A. Ergodesign para trabalho em terminais informatizados. Rio de Janeiro: 2AB, 2008;</p>



<p class="wp-block-paragraph">RAVAGNANI, Juliana S.; CRIVELARO, Patrícia M.; Qualidade de sono e percepção da qualidade de vida dos profissionais de enfermagem de uma unidade de terapia intensiva.&nbsp; Disponível em: http://www.uni salesiano.edu.br/biblioteca/monografias/51939.pdf. Acesso em 03 de maio de 2023.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a>&nbsp; Mestre em Saúde Pública, pela Pontifícia Universidade Católica &#8211; PUC de Minas Gerais</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref2" id="_ftn2">[2]</a> Especialista em Saúde Pública, pela Universidade Federal da Bahia – UFBA &#8211; Salvador</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>VIDA E O DIREITO DE VIVER DOS POVOS ORIGINÁRIOS DA COMUNIDADE NOVA VIDA MADIJA KULINA/MANAUS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/vida-e-o-direito-de-viver-dos-povos-originarios-da-comunidade-nova-vida-madija-kulina-manaus/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jan 2024 20:05:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Direito]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 27 – Edição 129/DEZ 2023]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=119015</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10472114 Lindoneide Lima Parédio RESUMO Este artigo propõe uma investigação sobre os caminhos para o respeito à vida e ao direito de viver dos povos originários do interior amazonense, com ênfase na comunidade Nova Vida Madija Kulina, situada em Manaus. O objetivo é examinar os caminhos para o desenvolvimento integral do ser humano, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10472114</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Lindoneide Lima Parédio</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo propõe uma investigação sobre os caminhos para o respeito à vida e ao direito de viver dos povos originários do interior amazonense, com ênfase na comunidade Nova Vida Madija Kulina, situada em Manaus. O objetivo é examinar os caminhos para o desenvolvimento integral do ser humano, enfrentar o colapso da vida no Planeta Terra e oferecer alternativas de vida e gestão de políticas sociais alinhadas com a realidade dos povos originários e não originários da região. A pesquisa, realizada por meio de estudo de caso com lideranças da comunidade Nova Vida, empregou fontes secundárias, levantamento bibliográfico, pesquisa documental e a estratégia de pesquisa-ação, incluindo entrevistas semiestruturadas. Os resultados apontam para a persistência do etnocentrismo como obstáculo ao respeito à vida e ao direito de viver dos povos originários em âmbito internacional e nacional. Longe de buscar apenas a superação dessas barreiras, o estudo propõe avançar na construção do conhecimento para além dos limites da instituição universitária. Os próprios protagonistas do estudo assumem a continuidade desse processo, visando uma ciência mais inclusiva e sensível à vida em comunidade, reduzindo exclusões, discriminações e promovendo maior participação e respeito aos diversos saberes, incluindo os tradicionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: vida, terra, povos originários, respeito.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No atual século XXI, marcado pela ascensão da inteligência artificial e pelos desafios que ela impõe à vida humana e ambiental, o planeta enfrenta um colapso que transcende às fronteiras geográficas e desafia a própria natureza da vida. Neste cenário, a região amazônica é rica em diversidade cultural e biológica, sendo um importante centro de existência global.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo proporciona uma reflexão profunda sobre a urgência de respeitar o direito à vida e à existência dos originários e de outros povos que vivem na Amazônia. O debate extrapola as fronteiras geográficas e aborda questões globais como as alterações climáticas, a extinção acelerada de espécies e os efeitos prejudiciais do avanço do capitalismo na região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A base cientifica apresentada destaca pesquisas que mostram ameaças&nbsp;imediatas à&nbsp;biodiversidade amazônica, incluindo mudanças climáticas, desmatamento,&nbsp;poluição&nbsp;de rios e violência contra povos indígenas. Esta evidência confirma a necessidade urgente de agir para respeitar e preservar não só as riquezas naturais, mas também as culturas originárias que historicamente viveram em harmonia com a natureza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, este artigo se propõe a explorar caminhos para o desenvolvimento do ser humano a partir dos ensinamentos e práticas dos povos originários, contribuindo para a construção de alternativas de vida sustentáveis. A análise abrange não apenas a esfera local, mas também considera implicações nacionais e internacionais, buscando uma abordagem global para remediar o colapso da vida no Planeta Terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O artigo delineia uma trajetória histórica de negligência social no Brasil, destacando a necessidade de reconhecimento e respeito pelos modos de vida dos povos originários. As violações de direitos, evidenciadas por dados alarmantes de violência contra os povos indígenas, indicam a urgência de uma mudança de paradigma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em conclusão, este trabalho apresenta seus objetivos, fundamentando a relevância social, científica e profissional da pesquisa. Ao se debruçar sobre os direitos humanos, a preservação da vida e a continuidade do Planeta Terra, propõe-se uma contribuição substancial para a construção de marcos legais que respeitem a dignidade humana e a diversidade cultural, visando a promoção de um futuro sustentável e equitativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. A Vida, o Respeito e o Direito de existir nas Terras Interiores do Amazonas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta parte, abordaremos inicialmente uma breve análise sobre a vida, o respeito e o direito de existir na sociedade contemporânea em crise. Iniciaremos com uma reflexão sobre a origem da vida, destacando sua divindade, a imperfeição humana primordial, a transição do divino para o domínio científico, a exploração da terra e de seus recursos, a concepção do desenvolvimento na Europa, a necessidade de transformações comportamentais, o adoecimento da humanidade e a busca por cura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em seguida, adentraremos uma segunda parte, discutindo o direito de existir na sociedade brasileira. Neste contexto, faremos breves considerações sobre os países sul-americanos, as políticas sociais para povos originários e não originários em áreas de fronteira, a vida e o direito de existir no Brasil sob a liderança dos povos originários, o Tratado de Cooperação Amazônica (TCA), os desafios a serem superados, a necessidade de o Estado brasileiro cumprir suas responsabilidades, os reflexos da globalização na realidade nacional, os impactos empresariais, as barreiras urbanas, os problemas globais que afetam o Brasil, a urgência de programas de abastecimento de alimentos e os investimentos em fontes renováveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No terceiro momento, exploraremos os direitos de existência dos povos originários e não originários. Destacaremos o reconhecimento da vida desses povos ancorado na terra e em suas riquezas. Abordaremos o tratamento sagrado que atribuem à terra, ausente em outras comunidades. Analisaremos a superação da histórica conivência com a violência contra esses povos, a relevância da terra diante das mudanças climáticas, os desafios globais relacionados à agricultura, os conflitos no Sul do Amazonas, a violação dos direitos humanos dessas comunidades, a superação do colonialismo e dos estigmas do passado, além da importância dos conhecimentos tradicionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.1 A Existência, a Valorização e a Garantia do Direito à Vida em uma Sociedade Moderna à Beira do Colapso</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Refletir sobre a vida na sociedade contemporânea, mesmo diante das influências e desdobramentos provenientes da Europa Ocidental, requer, em qualquer contexto, a consideração da terra e das riquezas nela presentes. Falar sobre a vida sem contemplar o uso da terra e suas riquezas é desprovido de significado, pois a conexão entre a vida humana e esses elementos é intrínseca. Nesse sentido, abordar a terra e suas riquezas sem considerar homens e mulheres que delas extraem o sustento é igualmente sem sentido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os elementos da existência, como a terra, o céu, os animais, as florestas, o conhecimento, emanam de uma fonte divina. Embora todos compartilhem o fôlego da vida, essa jornada é efêmera para todos os seres, humanos e animais. A desconexão entre o conhecimento divino e a ciência humana tem exacerbado as vaidades e os desequilíbrios em relação ao cuidado com a terra e a busca pelo suficiente para viver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A desobediência inicial de homens e mulheres ao único pedido do criador estabeleceu o meio, o direito de viver, mas não conforme a vontade divina. Assim, o respeito vai além de uma simples atitude; envolve amar, temer, honrar, obedecer e praticar a justiça na relação entre o eu e o outro para uma realização mais plena da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O princípio (alfa) representa a vida, o meio refere-se ao direito de viver, e o fim (ômega) representa o oposto da vida. Portanto, se a vida é efêmera, o direito de viver deve ser uma prática universal para garantir o respeito. A ausência desse respeito pode levar ao sofrimento e à dor causados pelo oposto da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A necessidade de respeito e do direito de viver transcende o mero discurso e deve ser aplicada constantemente em todos os lugares e por todos, sem exceção. Sem essa prática, o que se interpõe entre o início e o fim é contrário à vida e ao bem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A palavra &#8220;respeito&#8221;, de acordo com o vocabulário, pode ser substituída por termos como obedecer, ouvir, temer, referenciar, venerar, admirar, considerar, acatar, seguir, atender, aceitar, cumprir e observar. A desobediência original de Eva e Adão forjou o meio e o direito de viver, mas não conforme a vontade do criador. Portanto, respeitar vai além da consideração pelo outro; implica na prática da contemplação da existência da vida como algo divino e sagrado, buscando uma abordagem mais abrangente para o cumprimento da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a perspectiva de Boff (2020), o respeito envolve, primeiramente, o reconhecimento da diferença e, em segundo lugar, a visão do outro como um valor em si mesmo. Isso implica aceitar no outro o direito de existir e ser aceito como é.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A desobediência inicial resultou em um afastamento da terra e das riquezas, refletindo uma falta de cuidado, zelo e responsabilidade, especialmente com o surgimento das cidades, que passaram a abrigar extravagâncias e desequilíbrios humanos em decorrência da lógica de mercado voltada para o lucro do grande capital.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O abandono, expulsão e ilusão levaram homens e mulheres a se tornarem escravos do mercado capitalista nas grandes cidades, enquanto o meio rural, mesmo marginalizado, conserva um pouco de terra e riqueza. No entanto, essa última fronteira enfrenta pressões e precisa ser preservada para o benefício de todos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da exploração desigual por uma pequena parcela da população, a vida na Terra continua sendo uma oportunidade para reverter a situação. O fim da ganância humana poderia proporcionar um ambiente de regeneração e produção suficiente para atender a todos, conforme defendido por Mahatma Gandhi.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A energia necessária para iluminar o caminho em direção ao respeito pela vida e ao direito de viver dos povos originários é a energia positiva nas relações entre o eu e o outro em todo o mundo. A mudança no comportamento humano, afastando-se da energia negativa, é essencial para preservar a vida no Planeta Terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Até o momento atual, a humanidade tem agido conforme sua conveniência, abandonando valores divinos e colocando o homem no centro do destino e da vida, guiado pela ciência, economia e tecnologia. No entanto, é imperativo questionar esses rumos e buscar uma ciência a serviço da paz mundial, desvinculada da ganância humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ideia de desenvolvimento, originada na Europa Ocidental e difundida por filósofos iluministas, economistas e teóricos modernos, é vista como uma imposição eurocêntrica. A análise contraposta à ideia de desenvolvimento, destacando a dependência e a dominação, aponta para a necessidade de uma abordagem mais crítica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A economia, assim como qualquer disciplina, não deve ser soberana na compreensão da vida. É fundamental repensar o papel da ONU, que, embora tenha objetivos nobres, enfrenta desafios na prática, com guerras, pobreza e desigualdade persistindo no mundo. Uma revolução comportamental é necessária para superar o poder econômico, político e social que perpetua o status quo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O atrofiamento mental causado pela lógica educacional capitalista precisa ser superado, promovendo uma educação voltada para o desapego à energia negativa e a busca por uma vida mais simples e harmoniosa com a natureza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A renúncia aos vícios do passado, como ambições desmedidas, consumismo e ganância, é urgente para construir um futuro mais equilibrado. A sociedade global precisa se adaptar a uma vida mais simples, abandonando práticas prejudiciais à vida em sociedade e ao direito de viver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ganância humana e a obsessão pelo dinheiro são obstáculos significativos para a construção de uma sociedade mais justa. É necessário valorizar e respeitar a vida, colocando-a acima do dinheiro, que, por sua vez, deve ser utilizado como meio, não como fim.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca frenética por acumulação de riquezas, aliada à opressão da maioria, é questionada diante da realidade de que o dinheiro não oferece garantias contra doenças incuráveis. A sociedade, sob a influência do capitalismo, precisa reconsiderar seus valores e priorizar o direito à vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A lógica da modernidade em colapso, com suas inovações tecnológicas e comunicação instantânea, amplia as disparidades sociais entre países, tornando essencial a busca por um equilíbrio baseado em ações inversas às práticas atuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A saúde deve ser reconhecida como um direito humano fundamental, mas também a terra e suas riquezas não devem ser tratadas como meras commodities. É necessário um compromisso com a promoção da vida, a paz mundial e a continuidade do Planeta Terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O respeito à terra e à riqueza nela presente deve transcender a lógica de mercado, buscando um equilíbrio entre o conhecimento divino e a ciência humana. Ações em biotecnologia, por exemplo, só terão sentido se estiverem a serviço do bem comum, evitando a desigualdade social e a dependência tecnológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do colapso iminente, é imperativo um aprendizado conjunto com não humanos, repensando a vida em harmonia com a natureza. A mudança comportamental, tanto individual quanto estrutural, é necessária para alcançar um novo sentido de existência e equilíbrio no viver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ciência e a técnica, embora contribuam para o progresso, não devem ser submetidas à tutela do grande capital. Uma ciência a serviço de todos, promovendo o bem de todos, é essencial para enfrentar os desafios contemporâneos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O destino humano está intrinsecamente ligado à terra e às riquezas nela existentes. A cura para os males contemporâneos só será possível com a reconexão com a responsabilidade de administrar o planeta, buscando uma vida mais simples e em harmonia com não humanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante das influências sofridas pelos povos originários e das mudanças culturais, é crucial preservar a sensibilidade em relação à terra e suas riquezas. O destino humano está entrelaçado com a terra, e a sobrevivência não deve ser determinada apenas pela força ou aptidão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A sociedade atual, marcada pela busca desenfreada por acumulação e poder, precisa repensar seus valores e práticas. O equilíbrio entre a vida humana, a terra e suas riquezas deve ser buscado, abandonando práticas prejudiciais e promovendo uma vida mais justa e sustentável.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. INSTRUMENTOS DE PROTEÇÃO AOS POVOS ORIGINÁRIOS: INTERNACIONAIS, REGIONAIS E NACIONAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O conceito de &#8220;povos originários&#8221; utilizado neste estudo visa reconhecer esses grupos como os primeiros habitantes de determinadas regiões, abrangendo todo o território nacional. Essas comunidades estão distribuídas em diversas áreas, desde as comunidades ribeirinhas até municípios onde a maioria da população é composta por povos originários, como São Gabriel de Cachoeira. Algumas dessas comunidades permanecem isoladas, como os Korubo no Vale Javari, enquanto outras se integram a antigos seringueiros e caboclos por questões de sobrevivência. Cada grupo possui uma sociedade única, com formas específicas de organização e cosmologia que orientam sua vida social, cultural, econômica e religiosa (SOUZA, 2018, p.55,56; LUCIANO, 2006, p. 31).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses povos, cujos direitos são reconhecidos internacionalmente, contam com instrumentos internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1945), a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (1965), o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (1966), o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos e Sociais (1966) e a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Povos Indígenas (1989).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na América Latina, esses direitos são amparados pela Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem (1948), pela Convenção Americana sobre Direitos Humanos (1969), pela Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura (1985), pelo Protocolo de San Salvador sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (1988) e pelo Projeto de Declaração da Organização dos Estados Americanos sobre Direitos Indígenas (1997). Além disso, a Constituição Federal de 1988 reconhece esses povos como cidadãos brasileiros, com disposições a serem regulamentadas pelos estados onde residem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os instrumentos internacionais para a proteção dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1945) e a Convenção n° 169 da OIT sobre Povos Indígenas (1989), garantem uma série de direitos fundamentais aos indivíduos. A Declaração Universal, por exemplo, estabelece, no artigo 1, que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos, sem distinção de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política, origem nacional ou social, fortuna ou qualquer outra condição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que concerne aos direitos individuais, o artigo 3 da Declaração Universal assegura o direito à vida, liberdade e segurança pessoal. Além do mais, são garantidos direitos como a igualdade perante a lei, o acesso à justiça, a liberdade de pensamento, de expressão, de reunião e de associação pacíficas. O documento também evidencia a importância do direito ao trabalho, à educação gratuita, à saúde e ao bem-estar, bem como à participação na vida cultural da comunidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, mesmo 75 após a adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos, muitos de seus dispositivos ainda não foram plenamente aplicados em todo o mundo, inclusive países signatários. O direito à vida, considerado um dos direitos individuais mais fundamentais, é frequentemente violado globalmente, com notícias diárias de aumento da violência contra crianças, idosos, feminicídios e jovens assassinados. Essas violações estendem-se a situações de conflito, migração forçada e exploração desumana, afetando também os povos originários da região amazônica, que frequentemente são expulsos de suas terras em busca de paz, enfrentando desafios como na era colonial e na contemporaneidade com o avanço do capitalismo na Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desses desafios, é imperativo que as comunidades internacionais, nacionais e regionais reforcem e implementem efetivamente os instrumentos de proteção existentes, garantindo o respeito e a preservação dos direitos fundamentais e direitos humanos dos povos originários.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. O CAMINHO PARA O EVOLUIR DO SER HUMANO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta parte, primeiramente, oferece-se uma breve explanação sobre o desenvolvimento do ser humano. Inicialmente, realiza-se uma reflexão sucinta acerca dessa temática. Destaca-se a manifestação da vida sob a influência divina, a imperfeição humana inicial, o respeito, a transição do divino para o cenário científico, a exploração da terra e de suas riquezas, a concepção do desenvolvimento na Europa, a necessidade de transformações comportamentais, o adoecimento da humanidade e a urgência de cura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Num segundo momento, apresenta-se a visão dos povos originários sobre os caminhos a serem trilhados para o desenvolvimento do ser humano. Nessa abordagem, destaca-se o registro das tradições desses povos, abrangendo aspectos como a vida espiritual, familiar, princípios, respeito, aprendizado com seres não humanos, cuidado com o próximo e o desenvolvimento do ser humano para além das perspectivas futuras.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1 O DESAFIO DO DESENVOLVIMENTO DO SER HUMANO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No século XXI, o desafio do desenvolvimento está relacionado com uma estratégia de governação falha, caracterizada pela ganância irracional pela terra e pela riqueza. Há uma ansiedade generalizada, especialmente, entre estudiosos, sobre o desenvolvimento na Amazônia. O desenvolvimento do ter humano, visto como ameaça à vida no Planeta Terra, exige mudanças comportamentais radicais. É imperativo abandonar vaidades, luxúria, egoísmo, ambição, individualismo, consumismo, competição, arrogância, corrupção, desobediência, fake news, exibicionismo, protecionismo, imperialismo, mentiras e outros comportamentos prejudiciais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Historicamente, a essência do desenvolvimento esteve centrada no TER, resultando em desigualdades, desumanidade e desrespeito a milhões de pessoas na pobreza. A construção de uma nova história, voltada para a defesa da vida em paz e a continuidade do Planeta Terra, requer uma mudança de paradigma em direção ao desenvolvimento do SER.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma mudança radical no comportamento humano deve ocorrer globalmente para equilibrar a energia necessária para viver em paz. Existe um desequilíbrio planetário no comportamento humano, exigindo renúncia individual e coletiva. A renúncia, passo crucial para o desenvolvimento do SER humano, implica em esforço além do âmbito material, alcançando o espiritual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Renunciar à busca desenfreada por dinheiro, à busca doentia pela evolução material, ao consumismo excessivo, à vaidade, ao egoísmo, à ambição, à luxúria, à superioridade, ao racismo, ao individualismo, à arrogância, à corrupção, à desobediência, à disseminação de fake news, ao exibicionismo, à competição, ao protecionismo, ao imperialismo e à guerra é essencial. A renúncia visa atingir um equilíbrio, possibilitando o retorno a uma vida mais simples, recíproca e contributiva para uma convivência harmoniosa com a vida no Planeta Terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A necessidade de renúncia também se estende ao sistema capitalista, responsável pelo desequilíbrio comportamental humano. A transição para uma sociedade que cuida da vida, preserva os recursos naturais e adota um consumo responsável é crucial (Boff, 2020). A renúncia é uma escolha pela vida frente aos desafios globais como aumento populacional, limitações de recursos naturais, demanda por alimentos, escassez de água e questões de saúde (ONU, 2023; Nussenveig, 2011; Crestana, 2011; Nobre, 2011).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na dianteira dos inúmeros problemas globais, a renúncia torna-se uma alternativa vital. Seja na renúncia das mudanças climáticas, da COVID-19 ou do genocídio de mães, é necessário que os seres humanos encontrem soluções, e a renúncia surge como uma prática indispensável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse âmbito, o gênero masculino tem muito a aprender com o feminino. É necessária atenção à saúde, exames periódicos e mudanças comportamentais. A renúncia à busca desenfreada por dinheiro, à evolução material doentia e ao excesso de consumismo são passos necessários para equilibrar o comportamento humano. A igualdade de gênero e a humildade são fundamentais para construir uma sociedade mais justa e equilibrada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A renúncia é um fazimento que permite alcançar equilíbrio, libertação, cura e contribuir para uma convivência mais amigável e respeitosa. Renunciar não é apenas abrir mão, mas um esforço que transcende o material e atinge o espiritual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ponto de vista dos povos originários oferece insights valiosos sobre os caminhos para o desenvolvimento do Ser humano, induzindo uma reflexão crítica sobre as mudanças necessárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos caminhos destacados é o aspecto espiritual, enfatizando a necessidade de caminhar com Deus para alcançar o equilíbrio, especialmente diante da destruição causada pela ação humana na natureza. A construção de uma civilização baseada na espiritualidade, não vinculada à religião, mas à cooperação, solidariedade, respeito e veneração ao criador, é apontada por Boff (2020) como essencial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A família é apontada como elemento crucial para o desenvolvimento do ser humano. O papel da família na formação de princípios, respeito e exemplo para os filhos é fundamental. A necessidade de resgate da família é evidente diante dos problemas sociais relacionados a violações contra crianças e adolescentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vida dos povos originários destaca-se por rituais, festas, caça coletiva, pesca, e trabalho cooperativo. A distribuição equitativa dos recursos demonstra uma maior interação, respeito, empatia e cooperação entre esses povos, elementos que contribuem para o desenvolvimento do SER.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A preparação para a vida agora e no futuro é particularmente enfatizada face às alterações climáticas. A educação é vista como um caminho para o desenvolvimento do ser humano, enfatizando a necessidade de uma abordagem holística que inclua aspectos emocionais, espirituais, físicos, sociais e intelectuais. Neste contexto, a educação deve visar o equilíbrio e a preservação da vida, o que contribui para a formação de um mundo mais justo, sustentável e pacífico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O aprendizado com seres não humanos é enfatizado, mostrando que a natureza é uma grande professora. O respeito à mãe Terra, aos animais, às árvores e aos elementos naturais é fundamental para o desenvolvimento do ser humano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cuidado com o próximo, a compaixão e a solidariedade são apontados como elementos-chave para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa. A cooperação entre os seres humanos, a valorização da diversidade, o respeito às diferenças e a construção de relações baseadas na empatia são aspectos essenciais para o desenvolvimento do SER.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A perspectiva dos povos originários destaca o desenvolvimento do ser humano para além das perspectivas futuras. A conexão com as tradições, a valorização da ancestralidade, o respeito às histórias e experiências passadas contribuem para a formação de identidades sólidas, enraizadas em princípios éticos e morais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O adoecimento da humanidade é evidente nos desequilíbrios ambientais, nas crises sociais, nas injustiças, na violência, nas desigualdades e na perda de valores essenciais. A urgência de cura humana é imperativa, e a renúncia surge como uma prática essencial nesse processo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cura humana requer uma abordagem integral, considerando aspectos físicos, emocionais, espirituais e sociais. A renúncia a comportamentos prejudiciais é um passo crucial para a cura individual e coletiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reconexão com a espiritualidade é destacada como parte fundamental do processo de cura. A busca por significado, propósito e transcendência é essencial para superar os desafios enfrentados pela humanidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A construção de relações saudáveis e a promoção da justiça social são elementos-chave na cura do ser humano. A renúncia ao individualismo, à competição desenfreada e à busca por poder contribui para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A urgência de cura humana também está relacionada à preservação do meio ambiente. A renúncia ao consumismo excessivo, à exploração descontrolada dos recursos naturais e à degradação ambiental é fundamental para garantir a sobrevivência das gerações futuras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A educação desempenha um papel crucial na cura humana. Uma educação que promova valores éticos, respeito à diversidade, compaixão e responsabilidade ambiental contribui para a formação de cidadãos conscientes e comprometidos com a construção de um mundo melhor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A urgência de cura humana exige uma transformação profunda nos paradigmas existentes. A renúncia a padrões de comportamento prejudiciais é um passo essencial para abrir caminho para uma nova visão de mundo baseada na cooperação, na solidariedade e no respeito à vida em todas as suas formas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a renúncia não é apenas um ato de abnegação, mas uma escolha consciente de abandonar padrões de comportamento que causam danos à vida no planeta. A cura do ser humano está intrinsecamente ligada à cura do planeta, e a renúncia é a chave para desencadear essa transformação profunda e necessária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caminho para o desenvolvimento do ser humano é multifacetado e desafiador, exigindo uma abordagem integral que considere aspectos físicos, emocionais, espirituais e sociais. A urgência de cura humana reflete-se nos desequilíbrios ambientais, nas crises sociais e nas injustiças que permeiam a sociedade contemporânea.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A renúncia emerge como uma prática fundamental nesse processo, envolvendo a abdicação de padrões de comportamento prejudiciais, a busca por uma conexão mais profunda com a espiritualidade, a construção de relações saudáveis e a promoção da justiça social. A renúncia não é apenas um ato de abnegação, mas uma escolha consciente de abandonar hábitos que perpetuam a degradação humana e ambiental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A visão dos povos originários possibilita insights valiosos sobre os caminhos para o desenvolvimento do ser humano, destacando a importância da espiritualidade, da família, da educação integral, do aprendizado com seres não humanos, do cuidado com o próximo e da valorização das tradições.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em última análise, o desenvolvimento do ser humano está intrinsecamente ligado à cura do planeta, exigindo uma transformação profunda nos paradigmas existentes. A renúncia é a chave para desencadear essa transformação, permitindo a construção de um mundo mais equitativo, sustentável e compassivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desafio que se apresenta é monumental, mas a urgência de cura humana exige ação imediata. Cada indivíduo tem um papel a desempenhar nesse processo, fazendo escolhas conscientes que promovam o bem-estar humano e o equilíbrio ambiental. Somente através da renúncia e do compromisso com uma visão mais elevada de desenvolvimento será possível trilhar o caminho para um futuro sustentável e harmonioso.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. OS DESAFIOS PARA ATENUAR A CRISE AMBIENTAL NA TERRA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta parte, primeiro damos uma visão geral dos problemas globais que assolam o planeta Terra. Em particular, destacamos as alterações climáticas, que ganharam notoriedade desde 2011, quando afetaram três continentes e provocaram o aumento das temperaturas. Em seguida, discutimos as consequências irreversíveis destas mudanças, como a subida do nível do mar, a escassez de água, as doenças relacionadas com a água, a poluição urbana e o esgotamento das unidades populacionais de peixes. Além disso, discutimos os desafios da escassez de água, enfatizando os aspectos culturais, o uso excessivo de energia e as complexidades relacionadas, incluindo o consumo humano e as limitações de recursos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Examinamos também a ocorrência do El Niño desde 1976, que ocorre cada vez mais na Amazônia, e destacamos a crescente demanda por alimentos em todo o mundo, que traz consigo problemas relacionados à disponibilidade de áreas cultivadas, estoques pesqueiros, áreas degradadas e exploradas, ameaçadas de extinção, espécies e água. Lidamos com as ameaças do uso da terra na Amazônia, especialmente da pecuária desde 1990 e do desmatamento em estados como Pará, Acre, Amapá, Roraima, Tocantins, Rondônia, Mato Grosso e Maranhão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apresentamos os desafios que se tornam cada vez mais agudos no estado do Amazonas, especialmente no sul da região, enquanto as empresas e agências multilaterais se expandem. Lidamos com invasões, uso ilegal de recursos naturais e danos ao patrimônio em terras indígenas, reservas, assentamentos e conflitos com povos indígenas e comunidades tradicionais. Destacamos o avanço da pecuária no Sul da Amazônia desde 2019, incluindo o cultivo da soja, e enfatizamos a importância da pesquisa de subsistência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na última parte exploramos a perspectiva da Pesquisa-Ação originária e analisamos formas de resolver a crise ambiental no planeta Terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1 OS DESAFIOS GLOBAIS NA TERRA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os desafios globais apareceram não só nos tempos modernos ou com a monitorização das alterações climáticas em 2008. Na verdade, têm origem no século XIX, onde a expansão territorial dos países desenvolvidos se combinou com a exploração dos recursos naturais, do comércio e da população, crescimento e consumo. As alterações climáticas são o resultado da atividade humana desde a Revolução Industrial, que tem causado problemas como o aquecimento global, colapsos regionais, secas e impactos na produção agrícola.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2011, o aquecimento global atingiu três continentes e atingiu o Brasil com desastres como deslizamentos de terra na região serrana do Rio de Janeiro. As seguintes alterações irreversíveis incluem a subida do nível do mar, a escassez de água, as doenças relacionadas com a água e a poluição nas grandes cidades. A escassez de água, por outro lado, é provocada não apenas pelo ciclo hidrológico, mas também pela poluição global causada pela má gestão dos recursos hídricos em meio a uma crise global.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o uso excessivo de energia desde a revolução industrial até à atual matriz energética global apresenta desafios, especialmente porque as reservas de petróleo, a principal fonte de procura, estão esgotadas. O consumo humano incontrolável agrava a situação, levando a um consumo de recursos superior a 20% da taxa de substituição rentável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde 1976, o El Niño aumentou na Amazônia, intensificando as secas e os incêndios. A crescente procura de alimentos leva à degradação das áreas cultivadas, dos estoques de peixes exploráveis ​​e das espécies ameaçadas. O aumento da pecuária e do desmatamento nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil está piorando ainda mais a situação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No sul do Amazonas, enfrentamos problemas causados ​​pela atuação de empresas e organizações multilaterais, incluindo ataques, uso ilegal de recursos naturais, danos a propriedades e conflitos com povos tradicionais. O fomento à pecuária e ao plantio de soja na região Sul a partir de 2019 são pontos críticos que exigem a preservação da vida e do ecossistema. A gestão ilegal de terras públicas é crescente nos municípios do Sul Amazonense, o que gera incentivos ao agronegócio, expansão de áreas florestais, desmatamento e degradação ambiental. Os povos originários, as áreas protegidas e as áreas rurais são os principais alvos, ocasionando conflitos e ameaças à vida das comunidades originárias e tradicionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em oposição a este cenário alarmante, a investigação-ação sobre povos originários é uma abordagem promissora para melhorar a crise ambiental da Terra. Com o seu conhecimento milenar, os povos originários oferecem soluções práticas e sustentáveis ​​para preservar a biodiversidade, a gestão florestal e a utilização responsável dos recursos naturais. Uma abordagem eficaz baseia-se no respeito pelas tradições, na valorização da diversidade cultural e na participação ativa destas comunidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A investigação-ação propõe combinar o conhecimento científico e a sabedoria tradicional, envolvendo os povos originários no processo de tomada de decisão de implementação de políticas ecológicas. Revitalizar as práticas culturais, fortalecer as instituições locais e apoiar a autonomia destas comunidades são passos importantes. A sobrevivência da Amazônia e de outras regiões ameaçadas depende em grande parte de uma parceria igualitária entre governos, organizações associativas locais e ambientais e povos originários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, a pesquisa-ação surge como uma ferramenta renovadora de promover mudanças significativas na abordagem da crise ambiental. A presença ativa dos originários na investigação, na elaboração de políticas e em práticas sustentáveis ​​é essencial para a construção de um futuro mais equilibrado e sustentável para o planeta Terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2 Trajetória Histórica de Negligência no Brasil</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A trajetória histórica de negligência no Brasil é profundamente enraizada em diversos aspectos que abrangem desde as comunidades originárias até a má gestão dos recursos naturais. Desde o período colonial, esses povos foram vítimas de exploração e desrespeito aos seus direitos, deixando uma marca duradoura de marginalização que persiste até os dias atuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a herança da escravidão trouxe consigo uma discriminação racial sistêmica, na qual a população negra enfrentou e ainda enfrenta consequências significativas. A negligência social perpetuada ao longo do tempo resultou em desigualdades profundas, refletidas em áreas como acesso à educação, oportunidades de emprego e tratamento justo perante a lei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses padrões de negligência se estendem a áreas cruciais, como saúde e segurança. Comunidades carentes muitas vezes enfrentam condições de vida precárias, com serviços de saúde inadequados e falta de infraestrutura básica. A segurança pública também é afetada, especialmente em regiões urbanas marginalizadas, contribuindo para altas taxas de criminalidade e violência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a gestão ambiental no Brasil muitas vezes demonstra uma negligência em relação aos recursos naturais. A exploração excessiva, desmatamento descontrolado e a falta de políticas eficazes para a preservação ambiental indicam uma preocupante indiferença em relação ao futuro duradouro do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em resumo, a trajetória histórica de negligência no Brasil abrange diversas esferas, desde as relações com comunidades tradicionais até questões fundamentais como educação, saúde, segurança e meio ambiente. Essa realidade destaca a necessidade urgente de abordar essas questões de maneira abrangente e eficaz para construir um futuro mais justo e equitativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CONTRIBUIÇÕES NOS NÍVEIS LOCAL, NACIONAL E GLOBAL</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que tange às contribuições nos níveis local, nacional e global, destaca-se a abordagem estratégica do Conselho de Gestão, que se desdobra de maneira eficaz nos três contextos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No âmbito local, as estratégias do Conselho de Gestão concentram-se na implementação de políticas inclusivas e no estabelecimento de diálogo contínuo com líderes comunitários. Isso se traduz em programas específicos direcionados para o desenvolvimento do ser, garantindo que as soluções sejam adaptadas às necessidades particulares de cada comunidade e que repercutirá em práticas mais duradouras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No nível nacional, as contribuições são orientadas pela adesão à Convenção dos Direitos Humanos do Brasil. Esse comprometimento reflete-se na formulação e fortalecimento de políticas públicas que asseguram os direitos fundamentais de todas as comunidades, incluindo aquelas que historicamente foram negligenciadas. Paralelamente, são desenvolvidas propostas alternativas para preencher lacunas nas políticas existentes, buscando promover a equidade social e o acesso universal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, no cenário global, destaca-se as contribuições pela adesão ao Pacto pela da Vida, da vida em Paz e da continuidade do Planeta Terra, como compromisso de todos, assumindo o compromisso com pactos internacionais já existentes. A atuação em consonância com acordos globais e a pro atividade de todos seres humanos, a começar pelo Brasil reforça o seu papel como agente proativo na promoção dos direitos humanos e na busca por soluções conjuntas para desafios que transcendem fronteiras. Essa participação ativa para adesão ao Pacto pela da Vida, da vida em Paz e da continuidade do Planeta Terra, somado ao compromisso com demais pactos internacionais representa uma contribuição significativa para a construção de um cenário global mais justo e equitativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ESTRATÉGIAS DE IMPLEMENTAÇÃO DO CONSELHO DE GESTÃO COMUNITÁRIA</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Conselho de Gestão Comunitária (CGC) é uma entidade a ser estabelecida por cada comunidade e bairro. Isso implica que haverá apenas um CGC por comunidade ou bairro, servindo como a plataforma de participação ativa para os cidadãos brasileiros, começando a partir do grupo familiar. Suas responsabilidades começam com a gestão da vida na comunidade, bairro ou aldeia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A operação do CGC é delineada em estatuto, que precisa ser devidamente registrado em um cartório. Ele deve ser desenvolvido e aprovado por coordenadores locais, coordenadores nacionais e globais, e a coordenação geral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os princípios fundamentais do Conselho de Gestão Comunitária são baseados no respeito e cuidado pela vida, paz, continuidade do Planeta Terra, diálogo e empatia para manter a paz e harmonia na comunidade, ao diálogo e empatia para manter a paz e harmonia na comunidade. Outros princípios incluem respeitar a forma de vida no espaço territorial de cada comunidade, com solidariedade e empatia aos outros, participação ativa dos membros da comunidade com o CGC, renúncia a comportamentos que coloquem em risco a vida individual e comunitária, e respeito às decisões aprovadas pelos membros da comunidade. Além disso, destaca a adesão aos direitos e deveres delineados na Constituição Brasileira de 1988 e nos direitos humanos conforme a Convenção de Direitos Humanos no Brasil e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, entre outros direitos regulamentados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os objetivos do Estatuto do CGC, exemplificados pela Comunidade Nova Vida Madija Kulina, devem incluir estimular o respeito entre os membros da comunidade, promover ações para o respeito de todos os seres vivos, garantir a permanência socio-cultural dos membros da comunidade, envolver a comunidade na garantia do cotidiano urbano-rural, garantir a segurança e o bem-estar social dos membros da comunidade, promover o respeito aos agentes internos e externos que respeitam as condições socioculturais, participar na construção, implementação, monitoramento e fiscalização de políticas públicas, garantir o uso pacífico dos recursos naturais em benefício da comunidade, evitar a entrada de problemas sociais na comunidade, garantir o atendimento de políticas sociais e públicas por meio de encaminhamentos de demandas e propostas para instâncias municipais, estaduais e federais. Deve ser discutido, debatido e adaptado à realidade da comunidade, do bairro, do assentamento,&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A operacionalização do Conselho de Gestão Comunitária envolve a coordenação geral, responsável pelo desenvolvimento dos objetivos e princípios delineados no Estatuto do CGC. Isso inclui as coordenações locais, coordenações nacionais-globais e a coordenação geral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A coordenação local geral é responsável por coordenar e apoiar as atividades das coordenações locais presentes na comunidade, bairro ou assentamento. O escopo de trabalho da coordenação local geral depende do número de ruas, becos e vilas existentes na comunidade ou bairro. Por exemplo, se um bairro tiver 24 ruas, haverá 24 coordenações locais, todas subordinadas à coordenação local geral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As coordenações locais têm a responsabilidade principal de coordenar ações com grupos familiares por rua, vila, beco, com o objetivo de mobilizar, articular e reunir esses grupos familiares. A intenção principal é estabelecer em cada grupo familiar um gestor familiar responsável por identificar, discutir, debater e registrar os problemas vivenciados, demandas de políticas públicas e sociais, e informar sobre a existência de organizações políticas. Devem proporcionar oportunidades para discussão, debate e propostas com base nas ações, demandas e propostas apresentadas pelo grupo familiar. A participação de todos os membros da família é crucial. Por exemplo, se alguém estiver morando na rua em uma área específica, essa pessoa também deve participar de todo o processo dentro do grupo familiar. Com as informações do gestor familiar, a coordenação local sistematiza as informações para repasse à coordenação local geral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para isso, é necessário compreender: a) problemas sociais, ambientais, políticos, culturais, econômicos, entre outros; b) demandas por políticas sociais &#8211; educação, saúde, habitação, eletricidade, proteção social, lazer, entre outras; c) organizações &#8211; associativas, cooperativas, beneficentes, entre outras; ética e direitos humanos; pacto pela vida, vida em paz e continuidade do Planeta Terra; e fiscalização, controle e monitoramento. Portanto, as coordenações locais de bairros e comunidades devem passar por formação para o processo de gestão participativa, incluindo conteúdos relacionados às suas atribuições e outros temas relevantes para as coordenações locais e a vida em comunidade, bairro ou aldeia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante ressaltar que as coordenações nacionais e globais devem trabalhar em parceria com as coordenações locais para divulgar, mobilizar e implementar o Pacto pela vida, vida em paz e continuidade do Planeta Terra. Da mesma forma que as coordenações locais, as coordenações nacionais e globais devem atuar inicialmente com os grupos familiares, com a intenção de definir no grupo familiar um gestor familiar do Pacto pela vida, vida em paz e continuidade do Planeta Terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Coordenação Nacional/Global geral e respectivas coordenações nacionais e globais têm a responsabilidade principal de mobilizar frentes, começando pelas coordenações locais, e outras frentes nacionais e até internacionais, visando o cumprimento do Pacto pela vida, vida em paz e continuidade do Planeta Terra. Para isso, devem adotar os objetivos e metas delineados no Pacto, com o objetivo de efetivá-lo em nível local, nacional e até internacional. Essa coordenação deve se apropriar das agendas locais, regionais, nacionais e internacionais para divulgar e fornecer apoio no processo de implementação junto às outras coordenações locais e às coordenações nacionais e globais que serão constituídas nas comunidades, bairros e cidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, é crucial destacar que as coordenações nacionais e globais atuarão fortemente para ratificar o Pacto pela vida, vida em paz e continuidade do Planeta Terra. Elas terão um papel mais intenso e proativo em ações para concretizar o Pacto pela vida. Para isso, as coordenações nacionais-globais de bairros e comunidades devem passar por formação para o processo de gestão participativa, incluindo conteúdos relacionados às suas atribuições e outros temas relevantes para a coordenação nacional-global geral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, na Conferência Nacional dos Direitos Humanos, proclama-se a presente Convenção dos Direitos Humanos do Brasil como um ideal comum a ser buscado por todos os brasileiros e possivelmente por todas as nações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CONCLUSÃO.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A investigação dos caminhos para o respeito à vida e ao direito de viver dos povos ancestrais da comunidade Nova Vida Madija Kulina enfrentou diversas dificuldades, manifestadas pela aparente falta de interesse na participação na pesquisa. Pareceu haver uma desvalorização da vida e do direito de viver por parte dos povos originários, levando à redução do escopo do estudo, que inicialmente contemplava tanto os povos originários quanto os não originários do interior amazonense, para se concentrar apenas nos povos originários que migraram para a comunidade Nova Vida Madija Kulina, na zona norte da capital amazonense.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta jornada de investigação foi permeada por desafios, refletindo a complexidade da vida contemporânea. Escrever sobre os caminhos para o respeito à vida em meio a eventos como a pandemia de COVID-19, a destruição ambiental, as mudanças climáticas, e os conflitos ao redor do mundo é um testemunho do caminho que a humanidade parece seguir, muitas vezes fora de controle. A experiência de testemunhar a destruição da vida e enfrentar desafios como o calor intenso, a fumaça das queimadas e as ameaças aos povos originários na Amazônia torna evidente o colapso da vida provocado pela ação humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar das adversidades, é essencial reconhecer e enaltecer os povos originários da comunidade Nova Vida Madija Kulina, verdadeiros protagonistas dessa investigação sobre os caminhos para o respeito e o direito de viver. Além disso, a contribuição financeira da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (FAPEAM) e da CAPEES desempenhou um papel fundamental para viabilizar este trabalho árduo em prol da compreensão da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não se trata apenas de resultados de experimentos, mas de um processo contínuo que transcende a pesquisa-ação. Este processo está intrinsecamente conectado à crise global da vida, como indicam diversos estudos e pesquisas citados. Os desafios incluem a incerteza do futuro das espécies de florestas tropicais, a contaminação dos ecossistemas aquáticos, a violência contra os povos originários, e a falta de respeito aos direitos fundamentais e humanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A migração dos povos originários para a cidade de Manaus é um reflexo do descaso do Estado no interior do Amazonas, que desrespeita não apenas os direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal de 1988, mas também os direitos humanos reconhecidos internacionalmente. Na cidade, a pesquisa evidencia a luta constante por terra, garantias fundamentais e a ameaça das organizações criminosas, muitas vezes envolvendo lideranças religiosas evangélicas na disputa por território e poder.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Compreende-se que os caminhos para o desenvolvimento do ser humano, em vez do ter, são uma jornada longa que requer mudanças no comportamento e estilo de vida. A proposta deste estudo não é apenas fornecer resultados limitados no tempo e espaço, mas sugerir uma construção contínua, liderada pelos povos originários da comunidade Nova Vida Madija Kulina, que possa se estender para outros tempos, espaços e protagonistas. Trata-se de uma abordagem de ciência que valoriza todos os conhecimentos, sejam científicos, tradicionais ou outros, visando uma nova forma de vida menos predatória, com respeito à vida, paz e continuidade no Planeta Terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao buscar caminhos para evitar o colapso da vida no Planeta Terra, fica claro que a responsabilidade recai sobre o ser humano. A implementação do Conselho Gestor Comunitário na Comunidade Nova Vida Madija Kulina representa um passo significativo, não apenas como uma solução local, mas como uma contribuição para a construção de políticas públicas, resolução de problemas e resistência em tempos de limitações naturais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A continuidade deste projeto depende da mobilização de todos, começando pelos povos originários da Comunidade Nova Vida Madija Kulina. A renúncia ao consumismo, a conscientização ambiental, o cuidado com a terra e a presença ativa na construção de políticas públicas são elementos essenciais nessa jornada. A moralização do Estado e a coesão entre os níveis governamentais são fundamentais para garantir a efetivação dos direitos fundamentais e humanos, superação de negligencia social no Brasil, bem como a preservação da vida, da vida em paz e da continuidade no Planeta Terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERENCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ASSEMBLEIA GERAL DA ONU. (1948). &#8220;Declaração Universal dos Direitos Humanos&#8221; (217 [III] A). Paris. Disponível em:https://www.unicef.org/brazil/declaracao-universal-dosdireitos-humanos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BANIWA, André Fernando, et al (orgs). Bem viver e viver bem, segundo o Povo Baniwa no Noroeste Amazônico Brasileiro. Curitiba: Ed. UFPR, 2019.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Constituição Federal de 1988. Brasília: DF,1988.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;. Lei n 8.742. Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS). Brasília: DF, 1993/2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;. Relatório da Comissão de Investigação do Ministério Interior. Relatório Figueiredo. Brasília, 1967.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8212;&#8212;&#8212;-. Lei nº 10.406. Código Civil. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 139, n. 8, p. 1-74, 11 jan. 2002. Disponível em: https://legis.senado.leg.br/norma/552282. Acesso em 26/08/2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;. Decreto de 25 de fevereiro de 2008 que institui o Programa Territórios da</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cidadania &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; e &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; dá &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; outras providências. Disponível &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; em:</p>



<p class="wp-block-paragraph">https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret_sn/2008/decreto-40117-25-fevereiro-2008 https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret_sn/2008/decreto-40117-25-fevereiro-2008-571946-publicacaooriginal-95077-pe.html571946-publicacaooriginal-95077-pe.html. Acesso em 25 de setembro de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BOFF, Leonardo. “ Saber cuidar”: Ética do humano – compaixão pela terra. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CARNEIRO DA CUNHA, Manuela. Os direitos dos índios. São Paulo: Brasiliense, 1987.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CARVALHO, Jose Barbosa. Desmatamentos, Grilagens e Conflitos Agrários no Amazonas. Manaus Editora Valer., 2010.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CERQUEIRA, Daniel (coord). Atlas de Violência 2021. IPEA, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CENTRO DE TRABALHO INDIGENISTA/CTI. Nota da Univaja à Imprensa: Aumento do assédio de grupos fundamentalistas no Vale do Javari. Ecoamazonia. Disponível em https://www.ecoamazonia.org.br/2020/03/nota-univaja-a-imprensa-aumento-assedio-grupos https://www.ecoamazonia.org.br/2020/03/nota-univaja-a-imprensa-aumento-assedio-grupos-missionarios-fundamentalistas-vale-javari/Acesso em 13/09/2022missionarios-fundamentalistas-vale-javari/Acesso em 13/09/2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CRESTANA, Silvio. Agricultura e Meio ambiente. In: NUSSENZVEIG, H. Moiysés. O futuro da Terra. (Org.). Rio de Janeiro: FGV, 2011. p.195-226.</p>



<p class="wp-block-paragraph">COSTA, Luiz Allencar Dalla. A indústria do petróleo. Disputa por territórios cada vez mais profundos. 1ª. São Paulo: Expressão Popular, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">COSTA, Mauro Gomes da. A institucionalização e o disciplinamento de crianças indígenas nas missões salesianas do Amazonas/Brasil – 1923-1965. Revista Brasileira da História da Educação. V. 21, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Convenção &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; n° &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 169 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; da &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; OIT &nbsp;&nbsp;&nbsp; sobre &nbsp; Povos indígenas e Tribais. 1989.</p>



<p class="wp-block-paragraph">https://www.google.com/search?q=referencia+OIT+169&amp;oq=referencia+OIT+169&amp;aqs=chro me..69i57j33i160l3.7113j0j15&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8. Acesso em 16/09/2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">COORDENAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES INDIGENAS DA AMAZONIA BRASILEIRA. Documentos. Disponível em https://coiab.org.br/documentos.Acesso em 26/09/2022.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CUNHA, Karen Clara Leão de. Avaliação da Gestão Municipal de Resíduos Sólidos no Estado do Amazonas. Curitiba, 2023. (Dissertação).</p>



<p class="wp-block-paragraph">DALLARI, Dalmo. Viver em Sociedade. 2ª ed. Frutal-MG, Propectiva, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DIAMOND, Jarede. Colapso: como as sociedades escolhem o fracasso ou sucesso. Tradução; Alexandre Raposo. 5ª ed. Rio de Janeiro-São Paulo: Editora Record, 2007.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">DEAN, Warren. A luta pela borracha no Brasil. Studio Nobel, 1989</p>



<p class="wp-block-paragraph">FEDERAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES INDIGENAS DO RIO NEGRO. Fatos históricos para os povos do Rio Negro. Disponível&nbsp; em: https://foirn.org.br/linha-do-tempo-povos-do https://foirn.org.br/linha-do-tempo-povos-do-rio-negro/rio-negro/ Acesso em 25 de setembro de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FERANSIDE, Philip. Floresta amazônica e clima. In: NUSSENZVEIG, H. Moiysés. O futuro da Terra. (Org.). Rio de Janeiro: FGV, 2011. p.227-248.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FIGUEIREDO, N.M.A. Método e metodologia na pesquisa cientifica. 2ª ed. São Caetano do Sul: São Paulo Yendis Editora, 2007.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FREITAS, Marcilio de, SILVA, Marilene Correa da, BARROS, Marcus. (orgs.)&nbsp; Diálogos com a Amazônia. Manaus: Editora Valer, 2011.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FREITAS, Marcos Antônio Braga de. Política Indigenista: perspectiva e tendências no século XXI. Hileia, Revista de Direito Ambiental da Amazônia. n°. 3.jul-dez, 2004.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FORNAZIER, Armando e BELIK, Walter. Politicas territoriais e desigualdades sociais no rural brasileiro. Redes, 20 (2), 47-68. https://doi.org/10.17058/redes.v2022.2356</p>



<p class="wp-block-paragraph">FUNDAÇÃO ESTADUAL DO INDIO-FEI. Histórico. FEI, 2015.&nbsp; Disponível&nbsp; em: http://www.fei.am.gov.br/a-instituicao/ Acesso em 25 de setembro de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GARDNER, Toby A. et al. Prospects for tropical forest biodiversity in a humanmodified world. REVIEW AND SYNTHESIS. Ecology Letters, (2009) 12: 561–582.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GIL, Antônio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. São Paulo: Atlas, 1994.&nbsp; ________________. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2002.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">________________. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2008.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">HAKIY, Tiago. Literatura Indígena – a voz da ancestralidade. In: DORRICO, Julie, DANNER, Leno Francisco, CORREIA, Heloisa Helena Siqueira, DANNER, Fernando. (Orgs.).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Literatura Indígena Brasileira Contemporânea. Porto Alegre,RS: Editora Fi, 2018. p.77-39.&nbsp; &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">HENRIQUE, Camila. Confira as notícias do Amazonas que foram destaque em 2012. Disponível em. https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2012/12/confira-noticias-do https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2012/12/confira-noticias-do-amazonas-que-foram-destaque-em-2012.htmlamazonas-que-foram-destaque-em-2012.html. Acesso em 22/09/2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">IAMAMOTO, M.V. O serviço social na contemporaneidade: trabalho e formação profissional. São Paulo: Cortez, 2007.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JEKUPÉ, Olívio. Literatura Nativa. In: DORRICO, Julie, DANNER, Leno Francisco, CORREIA, Heloisa Helena Siqueira, DANNER, Fernando. (Orgs.). Literatura Indígena Brasileira Contemporânea. Porto Alegre, RS: Editora Fi, 2018. p.46-50.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JORNADA, João Alziro Herz da. Energia da Biomassa. In: NUSSENZVEIG, H. Moiysés. O futuro da Terra. (Org.). Rio de Janeiro: FGV, 2011. p. 89-114.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KAMBEBA, Márcia Wayna. Literatura Indígena – da oralidade a memória escrita. In: DORRICO, Julie, DANNER, Leno Francisco, CORREIA, Heloisa Helena Siqueira, DANNER, Fernando. (Orgs.). Literatura Indígena Brasileira Contemporânea. Porto Alegre,RS: Editora Fi, 2018. p.39-45.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LUCIANO, Gersem dos Santos. O Índio Brasileiro: o que você precisa saber sobre os povos indígenas de hoje. Brasília: Ministério da Educação, 2006.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MANSO, Carlos, et al. Áreas protegias ou áreas ameaças? A incessante busca pelo ouro em Terras Indígenas e Unidades e Conservação na Amazônia. (s.l).Instituto Escolhas, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MENEZES, Thereza Cristina Cardoso. Expansão a Fronteira Agropecuária e Mobilização dos Povos Tradicionais no Sul o Amazonas”. s.l ,2009.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MELLO, Neli Aparecida de. Políticas na Amazônia. São Paulo: Annablume, 2006.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MERLINO, Tatiana.&nbsp; Evangelizar acima de tudo: o cerco aos índios isolados. Repórter Brasil, Outras Mídias, 2020. Disponível&nbsp; https://outraspalavras.net/outrasmidias/evangelizarhttps://outraspalavras.net/outrasmidias/evangelizar-acima-de-tudo-o-cerco-aos-indios-isolados/acima-de-tudo-o-cerco-aos-indios-isolados/. Acesso em 13/09/2022.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MILANEZ, Felipe e NIXIWAKA. Uma nova Era, a Erado Amor: espiritualidade e luta pela liberdade do povo Yawanawá. In: DORRICO, Julie, DANNER, Leno Francisco, MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social. Teoria, método e criatividade. 18 ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MUNDURUKU, Daniel. Escrita Indígena registro, oralidade e literatura. O reencontro da memória. In: DORRICO, Julie, DANNER, Leno Francisco, CORREIA, Heloisa Helena Siqueira, DANNER, Fernando. (Orgs.). Literatura Indígena Brasileira Contemporânea. Porto Alegre,RS: Editora Fi, 2018. p.81-84.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MACIEL, Luciano Moura e NETO, Joaquim Shiraishi. Acesso à Justiça: direitos decepados do cidadão múltiplos no Estado do Amazonas. 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NOBRE, Dias. Mudanças globais e o Brasil: por que devemos nos preocupar. In: NUSSENZVEIG, H. Moiysés. O futuro da Terra. (Org.). Rio de Janeiro: FGV, 2011. p.115138.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NUSSENZVEIG, H. Moysés. O futuro da Terra. In: NUSSENZVEIG, H. Moiysés. O futuro da Terra. (Org.). Rio de Janeiro: FGV, 2011. p.11-18.</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA, M.M. Como fazer pesquisa qualitativa. Petrópolis: Vozes, 2007.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SALES, Lilian Patricia, et al. Recalculating route: dispersal constraints will drive the redistribution of Amazon primates in the Anthropocene. Nordic Society Oikos Ecographi. 42: 1789–1801, 2019.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SALATI, Enéas. Impacto global das mudanças climáticas. In: NUSSENZVEIG, H. Moiysés. O futuro da Terra. (Org.). Rio de Janeiro: FGV, 2011. p.19-34.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, Ely Ribeiro de. Literatura Indígena e Direitos Autorais. In: DORRICO, Julie, DANNER, Leno Francisco, CORREIA, Heloisa Helena Siqueira, DANNER, Fernando. (Orgs.). Literatura Indígena Brasileira Contemporânea. Porto Alegre,RS: Editora Fi, 2018. p.51-74.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">TUNDISE, José Galizia. A crise mundial de água. In: NUSSENZVEIG, H. Moiysés. O futuro da Terra. (Org.). Rio de Janeiro: FGV, 2011. p.61-88.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VIEIRA, Lima Célia Guimarães. Uso da terra e biodiversidade na Amazônia. In:</p>



<p class="wp-block-paragraph">VIEIRA, Alva Rosa e SANTOS, Jonise Nunes. Infâncias e Interculturalidade no Alto Rio Negro. São Paulo: Porticus, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZOGBI, Paula. Egoístas. Os 15 maiores problemas mundo, segundo a Geração Y. São jovens da geração smartphone de hoje que definirão as prioridades dos próximos anos. https://www.infomoney.com.br/consumo/os-15-maiores-problemas-do-mundo-segundo-a-geracao-y/ Site Infomoney. Consultado em 12/03/2023/ agosto/2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WALLERSTEIN, Immanuel. (Org.). Para abrir as ciências sociais. São Paulo: Editora Cortez,</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>GESTÃO DO CUIDADO PARA A ATENÇÃO INTEGRAL A SAÚDE DA PESSOA IDOSA EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/gestao-do-cuidado-para-a-atencao-integral-a-saude-da-pessoa-idosa-em-unidade-de-terapia-intensiva/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft LU]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jan 2024 14:51:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 27 – Edição 129/DEZ 2023]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=118736</guid>

					<description><![CDATA[CARE MANAGEMENT FOR COMPREHENSIVE HEALTH CARE FOR THE ELDERLY IN AN INTENSIVE CARE UNIT REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10471073 Vinicius de Souza Campos1Tatiana de Oliveira Lima2 RESUMO O presente estudo objetivou investigar a gestão docuidado para a atenção integral a saúdeda pessoa idosa internada em Unidade de Teria Intensiva; com ênfase nos determinantes da necessidade desse cuidado [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>CARE MANAGEMENT FOR COMPREHENSIVE HEALTH CARE FOR THE ELDERLY IN AN INTENSIVE CARE UNIT</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10471073</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Vinicius de Souza Campos<strong><sup>1</sup></strong><br>Tatiana de Oliveira Lima<strong><sup>2</sup></strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo objetivou investigar a gestão docuidado para a atenção integral a saúdeda pessoa idosa internada em Unidade de Teria Intensiva; com ênfase nos determinantes da necessidade desse cuidado e do desempenho dos serviços de atenção terciária e dos níveis de proteção social da família e do território. O delineamento proposto é de um estudo transversal por conveniência em área de abrangência dos serviços assistenciais de UTI adulto, de um hospital municipal público da região Sul de São Paulo/SP. A população-alvo do estudo é constituída por indivíduos com 60 anos ou mais de idade e seus respectivos cuidadores. Cuja abordagem metodológica incorporou um instrumento de coleta de dados com questões semiestruturadas que nortearam a entrevista. Os resultados demonstram a necessidade do gerenciamento do cuidado da pessoa idosa internada em UTI com um olhar abrangente sobre os determinantes sociais de saúde e configuram a presença do profissional assistente social na gestão desse cuidado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>PALAVRAS-CHAVE:</strong>Envelhecimento.GestãodoCuidado.UTI.ServiçoSocial</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">The present study aimed to investigate the management of care for the integral health care of the elderly person hospitalized in an Intensive Care Unit; with emphasis on the determinants of the need for this care and the performance of tertiary care services and the levels of social protection of the family and the territory. The proposed design is a cross-sectional study for convenience in an area covered by the adult ICU care services, in a public municipal hospital in the southern region of São Paulo/SP. The target population of the study consists of individuals aged 60 years or older and their respective caregivers. Whose methodological approach incorporated a data collection instrument with semi-structured questions that guided the interview. The results demonstrate the need to manage the care of the elderly person hospitalized in the ICU with a comprehensive look at the social determinants of health and configure the presence of the social worker professional in the management of this care.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>KEYWORDS:</strong>Aging.CareManagement.ICU.ServiceSocial</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A proposta de estudar a gestão do cuidado nas multidimensões da realidade em uma perspectiva de atenção integralà saúde da pessoa idosa é fundamental no campo de ensino e pesquisa em Serviço Social, compreendendo a pesquisa enquanto dimensão formativa (CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL, 2010, pag. 10). Desse modo, é de extrema relevância para a categoria estudar os aspectos do envelhecimento e saúde, pois possuem grande importância e relevância para o aperfeiçoamento da atuação profissional qualificadoe propondo atender as necessidades postas cotidianamentenuma sociedade que vive a era da longevidade, onde estes processos não são heterogêneos entre as classes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A profissão de Serviço Social desenvolveu em sua origem uma postura de caráter assistencial e messiânica, o qual permeou décadas, com um olhar centrado a atender as demandas imediatas da população sem assistência do poder público, postura esta, construída no conservadorismo, com uma intervenção focalizada na questão imediata expressa na restrição do modelopositivista de trabalho com o usuário. O assistente social em sua prática profissional precisa aprimorar os conceitos teóricos, na promoção da saúde como uma questão política na realidade diária de trabalho. Para Vasconcelos(2006) uma atividade mecânica, inconsciente, faz do assistente social um protagonista passivo no seu próprio espaço profissional. A autora ainda desperta a atenção analisando que os assistentes sociais são levados a um trabalho conservador que, direta ou indiretamente, consciente ou inconscientemente, reproduz e/ou reforça o status quo, sem conseguirem romper, na prática, com valores conservadores. Ainda assim segundo a autora mesmo apoiando o debate hegemônico do Serviço Social, a maioria dosassistentes sociais realiza atividades profissionais na direção contrária aos objetivos quese propõe e, assim também, na direção contrária aos interesses históricos da classe trabalhadora, o que conduz a repensar veemente a atuação profissional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para tanto, se faz necessária uma reflexão sistêmica a respeito do cuidado, para a partir de então iniciar um diálogo estrutural da gestão. O cuidado traz consigo um ideário político e crítico que se materializa numa lógica de ressignificação do sujeito e da estrutura social e dinâmica construindo uma relação democrática e cidadã entre àquele que demanda cuidado, o cuidador, o profissional e demais sujeitos envolvidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na base do cuidado é imprescindível reconhecer que este tem ligação direta como sistema capitalista, de modo que, de acordo com que uma sociedade se estruture num processo de dominação, exemplificando no capitalismo, tanto mais as relações institucionais e interpessoais que se configuram se forma articulada a esse processo. Portanto, para Hamilton e Niholds (1976), a assistência direta ao cuidado do cliente tinha no monopólio capitalista como premissa básica a busca de recursos tanto na personalidade como no ambiente para corrigir a situação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seguindo a discussão das dimensões do cuidado, é possível vislumbrar ocuidar, no contexto do Estado de direito e da democracia horizontal. A saúde é um direito fundamental do ser humano, conforme preconiza a Constituição Federal de 1989 (CF/88) em seu Art.2º, o qual menciona ser dever do Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício. Assim, podemos compreender o cuidado como àquele que vem assegurar a autonomia, reverter as discriminações, desenvolver a autoestima, incluindo sujeitos a bens, serviços e direitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na política de saúde, o Serviço Social é convidado a assumir uma dimensão operativa do cuidado, atuando na mediação da responsabilidade com o outro, e com os reflexos das contradições sociais e dos impactos do capitalismo na vida cotidiana que estão num constante diálogo sinuoso com os Determinantes Sociais de Saúde &#8211; DSS, reivindicando da profissão uma análise crítica das políticas sociais, a partir das relações com o sujeito que não é somente uma força de trabalho mecânica na lógica do sistema capitalista, o qual, nesta fase da perda de sua vitalidade em decorrência da velhice necessita dispor de seus direitos sociais assegurados, a fim de promover um envelhecimento com dignidade. O envelhecimento da população brasileira ocorre de modo histogêneo entre as classes, por este motivo a CF/88 reforça o papel do Estado no desenvolvimento de políticas públicas de proteção social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após discutir o conceito de cuidado e suas expressões, podemos seguir evidenciando a gestão desse cuidado, em saúde, de forma integral pensando na pessoa idosa sob assistênciaemUnidadedeTerapia Intensiva. Esseespaçoreivindica aprática de um Serviço Social crítico, reflexivo gerenciando o cuidado de modo que o cuidar não se reduza à apenas a um estilo de relação estagnada,mas se construindo como um valor que se agrega ao trabalho profissional e construindo uma relação de inclusão, escuta qualificada e reconhecendo o outro e sua alteridade como forma de acolhimento e qualidade da atenção. Assim, contribui-se para uma ruptura com a sociedade do abandono (ROBLES, 2010) e com a crítica ao descaso capitalista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gestão do cuidado para atenção integral à saúde da pessoa idosa pode estar presente tanto numa perspectiva fisiológica, como no dia a dia das relações familiares, comunitárias, institucionais e profissionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na concepção ampliada de cuidado no viés de gestão é preciso distinguir ocuidado da questão restrita da clínica, não limitando o cuidado a cura fisiológica, pois o objetivo da gestão do cuidado é axiológico, centrado na construção de um cuidado estendido, reunindoosrecursosdafamília,dacomunidade,dasociedadeedoEstado,em que seja fundamental a valorização do outro, do meio e do tempo, e principalmente com o envolvimento e participação daquele que demanda cuido, trabalhando na a valorização e necessidade de se ter um pressuposto de que seja inteiramente humanizado na luta pelos direitos humanos e essenciais a vida, como disposto na Política de Humanização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o Serviço Social elaborar a gestão do cuidado é reconhecer os direitos e deveres dos indivíduos, fortalecendo os vínculos e realizar um trabalho de acolhimento com as famílias, cuidadores e responsáveis principalmente aquelas que estão vulnerabilizadas neste momento de internação na UTI, potencializando as famílias e viabilizando recursos dentro de uma assistência humanizada, voltada ao paciente em sua integralidade, com ênfase nos serviços, estando atento para o cotidiano que envolve a família que tem um de seus membros na Unidade de Terapia Intensiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atuação do Serviço Social na Unidade de Terapia Intensiva é legitimada pela Resolução Nº 7, de 24 de fevereiro de 2010 do Ministério da Saúde que dispõe sobre os requisitos mínimos para funcionamento de Unidades de Terapia Intensiva e dá outras providências. Dessa forma, na sessão IV, do Art.18, parágrafo V determina que dentre os serviços que devem ser garantidos, por meios próprios ou terceirizados, a assistência social é um direito do paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudar os aspectos do envelhecimento e da longevidade no campo do Serviço Social na área da saúde é necessário para que o assistente social descontrua os mitos, e preconceitos que englobam a pessoa idosa, o processo de envelhecimento, as estratégias de cuidado junto à equipe do setor da UTI, visto que neste ambiente o trabalho realizado é intensivo para a cura e a melhora do paciente e de atenção particular e específica ao caso ali apresentado, contudo é preciso uma visão ampla do cuidado nas suas várias dimensões.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>MÉTODO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa foi realizada em uma Unidade de Terapia Intensiva adulto, de um hospital público do Município de São Paulo localizado na Zona Sul, a unidade de saúde é referência em traumas, neurocirurgia e bucomaxilofacial. Fornece também apoio e atendimento às organizações sociais que atuam na região, é de fácil acesso, para quem vem dos bairrosda região Sul ou mesmode cidades vizinhas. A equipe técnica dohospital é composta por funcionários públicos, residentes em saúde, internos, estagiários e parceria conjunta com Oorganizações Ssociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Hospital abrange o território de divisa com os distritos de Vila Sonia, Vila Andrade, Jardim São Luís e Capão Redondo e com o município de Taboão da Serra,através do Córrego Pirajuçara e pertence a supervisão de saúde da Coordenadoria daZona Sul de São Paulo região de M&#8217;Boi Mirim. O distrito está localizado a cerca de 16 quilômetros do Marco Zero da cidade de São Paulo, na Zona Sudoeste. De acordo com dados dos censos demográficos 1991 e 2000, a população é de aproximadamente 191 a 527 mil habitantes e a densidade demográfica é de 14. 963 habitantes por quilômetro quadrado.Segundo informações do site oficial da Prefeitura Municipal de São Paulo e da Enciclopédia Livre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O distrito é conhecido pela presença de uma expressiva desigualdade social, com um número relevante de população de baixa renda vivendo em favelas, residências de baixo padrão e conjuntos habitacionais populares, ao lado de condomínios horizontais e verticais de classe média e média alta. Contudo, a história social da fundação deste hospital está relacionada a organização popular em movimentos sociais(Subprefeitura de Campo Limpo).Além disso, o distrito possui grandes áreas de comércio popular e uma atividade industrial em processo de declínio, com alguns galpões e fábricas ainda em atividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quantoa  os sujeitos da pesquisa foram entrevista dos pessoalment e um total de 08 pessoas, sendo elas 05 (cinco) membros da equipe multiprofissional atuantes na UTI Adulto, sendo esses profissionais de nível superior, e 03 (três) cuidadores de pacientes idosos com 60 anos ou mais, hospitalizados na UTI adulto com traumas ou outras morbidades provenientes de quedas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a realização da pesquisa foi elaborado o Termo de consentimento Livre e Esclarecido(TCLE),noqualosujeitoéesclarecidosobreoobjetivodapesquisa,osriscose benefícios previstos e também um Termo de Compromisso e Confidencialidade, garantindo sigiloecuidado comasinformaçõesdo prontuário, conformea ResoluçãoCNS 46, de 12 de dezembro de 2012. O projeto de pesquisa foi submetido à apreciação do Comitê de Ética e aprovado na data de 23 de setembro de 2021, sendo o número do parecer 4.991.927. Assim como visando preservar a identidade dos sujeitos da pesquisa foi atribuído nome flores brasileiras aos profissionais de saúde entrevistados e nomes de cores aos cuidadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram incluídosnapesquisa pacientesidosos, com 60 anos ou mais, internadosna UTI adulto, com histórico de queda ou outras comorbidades decorrentes a quedas anteriores. Foram excluídos da pesquisa os pacientes com idade inferior a 60 anos ou idosos com complicações de saúde que ainda estão a esclarecer o diagnóstico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESULTADO E DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a transcrição das entrevistas, o produto foi analisado por meio da análise de conteúdo na modalidade temática proposta por Bardin (2011). Esse tipo de análise organiza-se em: pró-análise, exploração do material, tratamento dos resultados e interpretação. Inicialmente, através da pró-análise foi realizada uma leitura flutuante sobre as entrevistas, a fim de se estabelecer o contato com o material de estudo, deixando-se invadir por impressões e orientações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir disto e da determinação do objeto de estudo, teve-se o direcionamento sobre os materiais, a ponto de escolher as entrevistas que fornecessem informaçõessobre o problema levantado, e venha a constituir o corpus, que corresponde ao conjunto de documentos que foram submetidos a processos analíticos. Após a realização da pró- análise, passou-se para a exploração do material em que foram realizados recortes do texto em unidades comparáveis de categorização para análise temática e de modalidade de codificação para registro de dados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Bardin (2011), as unidades de registro correspondem à unidade de significação codificada e corresponde ao segmento do conteúdo considerado unidade de base, visando à categorização e a contagem frequencial. As unidades de registro podem ser de natureza e de dimensões muito variáveis, portanto, a partir destas, surgem os temas ou categorias centrais que são utilizados para o estudo das entrevistas. Paraauxiliar na análise dos dados, foi utilizado o software Atlas/ti 5.0, que é um programa de análise de dados qualitativos, útil para a organização de grande quantidade de textos, gráficos, informações de áudio ou vídeo, além de ajudar a estabelecer relações e a construir categorias (MUHR, 2004).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para ampliar a compreensão dos achados da pesquisa torna-se necessário a realização da conceituação sobre o processo de envelhecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O CONCEITO DE ENVELHECIMENTO</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para conseguir estabelecer um diálogo a respeito da gestão do cuidado para atenção integral a saúde da pessoa idosa sob cuidados intensivos é preciso primeiro desmistificarmos o conceito de envelhecimento, no cenário dessa discussão. O crescimento expressivo da população idosa no Brasil e da longevidade vem acontecendo em números absolutos e relativos, essa realidade brasileira é um reflexo mundial. Em 1950, eram aproximadamente 204 milhões de idosos no mundo e, já em 1988, quase 05 décadas depois, esse crescente alcançava 579 milhões de pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir de uma análise demográfica e individual, o envelhecimento é definidopelo número de anos vividos por uma pessoa. Em vista disso, são considerados velhos aqueles que alcançam 60 anos de idade. Na esfera biológica, por sua vez,</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O envelhecimento é definido como um processo de mudanças universais pautadas geneticamente para a espécie e para cada indivíduo, que se traduzem em diminuição da plasticidade comportamental, em aumento da vulnerabilidade, em acumulação de perdas evolutivas e no aumento da probabilidade de morte (Neri, 2001, p.46)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O conceito de envelhecimento e longevidade não podem ser analisados de modo isolados, reivindica uma leitura de modo amplo, para além dos aspectos biológicos, com ênfase nas perdas de doenças, mas como uma consequência do sucesso no processo de desenvolvimento humano, considerando as transformações no mundo do capital e o crescente populacional em meio as políticas públicas e sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cenário atual expõe o envelhecimento acontecendo de formas bem distintas de acordo com o desenvolvimento econômico de cada país. Idosos envelhecem em cenários distintos, com acesos a bens e serviços bem diferenciados de acordo com a classe social.O envelhecimento da população brasileira e a maior longevidade das pessoas idosas são, sem dúvida, novos desafios na sociedade contemporânea, assim todo esse contexto expressa novas formas da questão social, como é o caso da negligência e da violência contra o idoso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O envelhecimento da população está se processando em meio a condições devida, para parcelas imensas da população, ainda muito desfavoráveis, essa fase da vida requisita novas formas de hábito de cuidado. Contudo, as dimensões do cuidado são desiguais para a população idosa mais pobre, com a escassez recursos humano emateriais para o cuidado, sem acesso a bens e serviços essências a vida humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil está envelhecendo; isso é um fato que nos aponta os estudos, e na perspectiva de elaborar a gestão do cuidado em saúde a partir da unidade de terapia intensiva buscamos nos próprios profissionais a concepção desse processo de idoso e velhice:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>[&#8230;] ser idoso é ter experiência de vida. Então, são pessoas que já viveram uma grande parte de vida, que a gente tem que absorver [&#8230;] eles aprendem. O que eles já viveram, e a gente que é mais jovem aprender com eles. Em relação a isso, acho que ser idoso para mim, é ter experiência de vida. [&#8230;](Profissional Orquídea).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Outro entrevistado diz:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>[&#8230;] de um aspecto mais biológico um tratado assim socialmente, é ter 60 anos ou mais! Agora seridoso da parte da questão social, partindo da questão social, é alguém que [&#8230;] ele já tem muita experiência já viveu muito na vida, agora ele entra em uma fase em que ele vai precisar de cuidados maiores. [&#8230;](profissional flor-de-lótus).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação ao conceito de velho,se tem:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Ser velho, eu acho que é diferente de ser idoso, [&#8230;] Então ser velho, é alguma coisa que já está antiga, Já está quebrada, não é algo que dá pra arrumar novamente (Profissional Orquídea).</em></p>
</blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>[&#8230;]. Então, essa palavra carrega um estigma. Quando cê fala de velho, cê falade algo passado, algo que não tem mais utilidade! Tanto que esse termo“velho” hoje em dia, a gente não usa mais. É um termo, ligado com um pejorativo, em algumas, situações! Então, acho que a palavra “velho” carrega, “ser velho” carrega isso, ser ultrapassado e não ter mais utilidade (profissional flor-de-lótus).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">É possível observar na fala dos profissionais entrevistados uma distinção do termo idoso e do termo velho, o termo idoso aparece na fraseologia relacionado com a longevidade, aprendizado e experiência, já o termo velho é compreendido pelos profissionais como objeto com valor de utilidade. Temos, portanto, a objetificação do sujeito idoso, o que reflete na lógica capitalista o valor do sujeito pelo valor de uso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Teixeira (2008) discorre que o envelhecimento em tempos de Capital dominante ocorre num cenário de desfavorecimento para a população que está envelhecendo, visto que na ótica do capital tudo gira em torno do trabalho, da mão de obra operacional e produtiva. Diante disso a velhice vem com limitações e redução da produtividade, o idoso passa a ser visto como um ser desvalorizado e sem espaço na operação do capital, isto posto, o idoso passa a ser um indivíduo vagandona desproteção social. O pensamentode Teixeira é evidenciado no discurso dos profissionais entrevistados:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Olha, pela legislação o idoso é a pessoa a partir de 65 anos, mas, eu não tenho muito uma concepção do que é seridoso porque eu acho que é uma coisa muito subjetiva. [&#8230;]pela lei é apartirdos 65ou 60!Ás vezes, a pessoa tem essa idade, mas ela não se sente idoso. Então, eu acho que é uma questão mais subjetiva, vai da pessoa. [&#8230;] Olha, eu não gosto muito [&#8230;] desse termo: “velho” porque assim, velho é uma coisa que não serve mais para nada, e se for pensar na questão deserhumanoeu acho que todomundoenquantoestivervivo ele serve pra alguma coisa. Então, velho pra mim, é um termo que eu não, não colocaria assim, não me adequa a minha, a minha ideia de que velho é uma coisa. (Profissional Bromélia).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Nota-se que não há uma clareza por parte dos profissionais de saúde do conceito de idoso, além do valor de uso e de utilidade atribuído ao idoso à velhice é encaradacomo uma questão subjetiva e individual aparece ainda na interlocução do entrevistado uma negação do termo velho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É possível verificar neste mesmo contexto na mensagem oral dos profissionais entrevistados a expressão de dificuldade em elaborar questões relativas ao ser idoso e ao ser velho:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Difícil, né?! Pra mim, não é tanto em relação à idade, mas, as suas delimitações, as suas limitações, é quando você começa a perder a sua destreza, o seu estilo de vida, começa a ser alterado. Pra mim, é isso. Não, é tanto quantos anos você tem, mais tipo: &#8216;Quando que eu me&#8230; comecei a me cansar mais, o meu raciocínio tá mais lento?!&#8217; Vitalidade/Fisiologia, pra mim é isso. Aí eu acho que &#8216;o velho&#8217; é pela idade! Tipo: &#8216;ai, tô velha!&#8217;, &#8216;tô velha&#8217;. Tipo, pra mim eu tô velha! (risos) Tô com 42 anos. (gargalhada) Eu acho que aí, é mais em relação à idade” (Profissional Amaranthus).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto acima, o profissional entrevistado relaciona o termo idoso com questões fisiopatológicas, com o adoecimento, redução da autonomia e dependência de cuidado e para o mesmo profissional a concepção de velho está ligada a idade, é perceptível também na oralidade do entrevistado a compreensão precoce de velho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas narrativas dos cuidadores entrevistados o conceito de idoso também vem associado com a aquisição de experiência e conhecimento e a imagem de velho é encarada como uma fase desafiadora de perda da capacidade funcional, limitação e redução da autonomia.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">&#8220;<em>Para mim o que é ser idoso? Acredito que seja perder a capacidade de realizar algumas coisas com agilidade, com sagacidade, e também tem experiência para lidar com outras coisas mesmo sob dificuldades. É ter um olhar mais crítico sobre algumas situações. Ser velho acho que é a parte mais cruel de ser idoso, é quando você se sente realmente incapaz de realizar algumas coisas, ou se sente próximo da morte.” (Cuidador Amarelo).</em></p>
</blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>É uma pergunta um pouco difícil!Assimpelo que eu vi, eu acho que é uma parte da vida um pouco difícil! Dadas as consequências que a idade traz. As doenças que a idade traz, mas eu entendo que se um idoso tem uma família que lute por ele, como ele fez pela família, ele pode passar por essa fase de forma mais tranquila. [&#8230;] Acho que ser velho é talvez, a pessoa se colocar nessa situação: “sou velho”, “ser velho”. [..] acho que é isso” (Cuidador Verde).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Postas as colocações dos entrevistados em diálogo com os autores Teixeira e KOVÁCS, se tornam dilucidadas as implicações em torno do processo da velhice e da longevidade,caminhando em trilhas de eras capitalistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desse modo Teixeira (2008) apresenta a velhice na sociedade capitalista contemporânea, vista como uma responsabilidade individual, percorrendo entre a precariedade de políticas públicas e sociais de proteção social, até mesmo de saúde, e uma vertente da longevidade abarrotada de preconceitos e estereótipos socialmente construídos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tal realidade nos leva a maturar várias questões que possam aclarar os mitos, estereótipos e dificuldades postas a velhice enopercursoda longevidade, principalmente no campo da saúde onde cada vez mais presenciamos o avanço da ciência e da educação em saúde. À face do exposto, KOVÁCS (2010) elucida que para muitos profissionais de saúde, falar de velhice e de longevidade é o mesmo que falar de morte e a morte é vista como resultado do fracasso diante da tentativa de se manter a vida. Para a autora, a forma como cada um percebe esse tema pode variar de acordo com a história pessoal de perdaseexperiências; aelaboraçãodos processosde luto; aculturaem que estáinserido, bem como a formação universitária e a capacitação em serviço.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KOVÁCS (2010), ainda desvenda, que mesmo na atualidade como uma sociedade em escala mundial envelhecendo, ainda assim as profissões de saúde não dialogam na integralidade sobre o processo de envelhecimento e menos ainda sobre a morte. De acordo com a autora asescolas de profissionais de saúde formam profissionais para atuar no percurso e manutenção da vida, mas não com o fim da vida e com o processo de finitude e morte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Retomando a relação do cuidado com a velhice é sabido que na realidade da população idosa brasileira a família é a principal instituição de cuidado, o desafio se torna ainda maior pensando que grande parte dessas famílias estão imersas em cenário de vulnerabilidade social e também distantes da linha de cuidado por parte do Estado; uma vez que a compreensão da velhice com valor de uso e utilidade e dificuldade de elaborar conceitos relacionados é reflexo do próprio sistema do capital que fragiliza os cuidados em saúde por ambas as partes, tanto pelos profissionais de saúde, quanto pelos cuidadores e se torna ainda mais desafiador pensar o gerenciamento desse cuidado de forma efetiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GESTÃO DO CUIDADO : FAMÍLIA, ESTADO E PROTEÇÃO SOCIAL</p>



<p class="wp-block-paragraph">SegundoMioto (1997):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A família é uma instituição social historicamente condicionada e dialeticamente articulada com a sociedade na qual está inserida. Isto pressupõe compreender as diferentes formas de famílias em diferentes espaços de tempo, emdiferentes lugares, além de percebê-las como diferentes dentro de um mesmo espaço social e num mesmo espaço de tempo. Esta percepção leva a pensar as famílias sempre numa perspectiva de mudança, dentro da qual se descarta a ideia de modelos cristalizados para se refletir as possibilidades em relação ao futuro (Pag,10)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto a autora ainda discorre sobre as políticas públicas e sociais focalizadas na família, trazendo aqui novamente a reflexão da família vista outra vezcomo agente de cuidado. Assim a PNAS (Brasil, 2004) retrata a matricialidade sócio familiar como à centralidade da família como núcleo social fundamental para aefetividade de todas as ações e serviços da política de assistência social. Considerando a Política de Assistência Social como uma política essencial a manutenção da vida, assim como a saúde, que também vislumbra a família como núcleo de cuidado e proteçãosocial, cabe nessa discussão compreender a concepção de família a partir da ótica do materialismo histórico dialético.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A centralização do cuidado na família e as políticas criadas para reforçar esse contexto é identificada por Mioto (1997) como Políticas familistas ou familismo na PNAS, nessalógicaapesquisamostraqueessarealidadecaracterizadaporMioto(1997) aparece também na essência do cuidado no Sistema Único de Saúde, uma vez que todos os profissionais entrevistados apontam a família ou o próprio idoso como responsável pelo seu próprio cuidado:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Eu acho que, quem é responsável pelo idoso é a maioria dos familiares. Então, quem toma conta dele é a família. Mesmo que ele mora sozinho a família é responsável por ele. Então eu acho que sim, que a família em si tem que dá conta, ou amigo, se ele tiver também, né?! (Pprofissional orquídea).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Na manifestação do profissional entrevistado abaixo, é possível analisar além da responsabilização do idoso pelo autocuidado e da família, a evidência da questão de gênero no cuidado, onde a mulher na figura de esposa é apresentada pelo profissional como principal agente do cuidado.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Responsável pelo idoso?! É claro, ele mesmo! Claro, como um sujeito. Mas, eu ligo muito à família, principalmente à esposa, se ele tiver esposa, as pessoas que moram juntas na casa com ele. E também tem parte do Estado nisso. Que o Estado, assim como a criança, ele se responsabiliza pelo idoso, por ser mais vulnerável socialmente e fisicamente. (Profissional Flor-de-Lotus).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, para entender as famílias, é necessário retroceder aos modelos mais antigos em que se explicitavam as relações entre pais e filhos nos diferentes papéis, bem como as diversas relações entre os componentes.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Pensar a família como uma realidade que se constitui pelo discurso sobre si própria, internalizado pelos sujeitos, é uma forma de buscar uma definição que não se antecipe à sua própria realidade, mas que nos permita pensar como ela se constrói, constrói sua noção de si, supondo evidentemente que isto se fazem cultura, dentro, portanto, dos parâmetros coletivos do tempo e do espaço em que vivemos, que ordenam as relações de parentesco (entre irmãos, entre pais e filhos, entre marido e mulher). Sabemos que não há realidade humana exterior à cultura, uma vez que os seres humanos se constituem em cultura, portanto, simbolicamente” (SARTI, 2005. p.27)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Na fala de apenas um dos profissionais de saúde o Estado aparece como responsável ou corresponsável pelo idoso a ideia de que a família e o próprio idoso são responsáveis por gerir esse cuidado é unânime.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Sempre que o idoso puder, a agente sempre tem que, [..] favorecer, enaltecer, a autonomia dele. Eu acho que todo idoso quer ser autônomo, mai é claro que quando a gente tá falando de idosos, muito idoso, a gente tá falando acima dos 80, 90 anos! É inevitável quevá precisar de um certo auxílio. Mas, a autonomia, eu, eu creio, que é uma coisa, muito preciosa para o idoso, se ele puder manter, ou até quando ele puder manter. (Profissional Begônia).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Atenta-se aqui para o enobrecimento da autonomia do idoso realizado pelo profissionalde saúde para a produção do autocuidado, e uma percepção de idoso com uma longitudinalidade acima da expectativa de vida da população brasileira. Nessa mesma lógica ver-se que os próprios cuidadores possuem a conceituação de serem os primeiros responsáveis pelo cuidado.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Nos meus exemplos, eu entendo que nós.Assim, a família, inclusive é o que a gente sempre fez, como agradecimento, de novo, e como obrigação, lógico! Como responsabilidade mesmo! (Cuidador Verde)</em></p>
</blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Bom, o responsável pelo idoso é quem convive com ele,é quem ama ele. É ele mesmo que é responsável por ele. Ele é responsável por ele! Mas, quem convive com ele, quem ama ele, também é responsável por ele. Se aquela pessoa temum amor. (Cuidador Azul)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Diante da trajetória de centralização da família, conforme já discutimos até aqui, observa-se que ao mesmo tempo em que o Estado entende a família como a principal e mais importante esfera social, por vezes também a culpa claramente diante das mais variadas situações e problemáticas sociais decorrentes. Isso se torna ainda mais manifesto pelo fato de que a família é constantemente requisitada a realizar as mudanças no mundo privado, e, sem considerar o nível da sociedade e as relações socioeconômicas na qual as famílias estão inseridas. Esse pensamento é expresso na fala dos profissionais de saúde entrevistados quando discutido sobre os indicadores de internação de pacientes idosos em UTI, onde os entrevistados relacionam às quedas a ausência de retaguarda e cuidados familiares:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Muito idoso com histórico de queda, a gente vê principalmente idosos que as vezesnão tem [&#8230;]muita retaguarda</em><em>, </em><em>àsvezestem escadasem corrimão, [&#8230;]ou o sujeito, o idoso é etilista, ou usa outro tipo de droga e acaba tendo essas quedas (Profissional Flor-de-lótus).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Assim é evidente que o Estado tem deixado responsabilidades que são denatureza pública para o universo privado, a família. Nessa vertente caminhamos contramão a CF/88 frente à ideologia neoliberal, onde a tendência geral tem sido de restrição e redução de direitos, sob o argumento da crise fiscal do Estado. Logo o Estado intervém o mínimo possível, ficando sob responsabilidade dos sujeitos e do livre mercado o seu estado de “bem-estar social”; e quando houver a intervenção do Estado nessa relação de forças de classes será no segmento de reajustar os sujeitos ao sistema estabelecido, no caso o sistema capitalista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ELABORAÇÃO DA GESTÃO DO CUIDADO</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tratar a gestão de cuidados para a atenção integral à saúde da pessoa idosa em Unidade de Terapia Intensiva abre várias vias de discussão dentre os principais podemos destacar a família, o território, a comunidade, o Estado e as relações de cuidado doEstado a atenção terciária e a UTI, aqui discutida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os primeiros ensaios de Terapia Intensiva no Brasil foram iniciados em 1950, coma prática do método de ventilação mecânica controlada. Com a importação de “pulmões de aço” pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Universidade de São Paulo, a ventilação mecânica deixou de ser exclusividade dos centros cirúrgicos e de anestesiologia, para dar origem a embrionárias unidades de respiração. Desde então o perfildospacientessob oscuidadosdaTerapiaIntensivaseapresentacomopacientesem estado de saúde mais crítico com uma necessidade de atenção especial em prol da recuperação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na gestão de cuidados fornecidos ao idoso na UTI a interdisciplinaridade se tornao eixo da questão, compreendendo que um saber sozinho, de modo isolado, por si só não gera a integralidade do cuidado. Guedes e Junior (2010) afirmam que: “a interdisciplinaridade surge como uma possível solução ao problema da fragmentação na assistência, facilitando a abordagem do paciente de forma mais ampla.” (pag. 120). Para os autores MATOS, PIRES e CAMPOS (2009) a perspectiva do trabalho interdisciplinar possibilita melhores relações de trabalho, conduz a aproximação dos profissionais das necessidades do paciente e traz contribuições para uma assistência qualificada e dinamizada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa pesquisa um dos desafios foi evidenciar a interdisciplinaridade como parte essencial para a gestão do cuidado à pessoa idosa na UTI. Em vista disso, procurou nos profissionais de saúde que atende a Unidade deTerapia Intensiva a intelecção de cuidado integral:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>[&#8230;]</em>não é só cuidado do idoso, tem que dar em tudo que tá em torno dele, eu acho que faz parte” (Profissional Orquídea).</p>
</blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>No âmbito geral, eu sempre penso que o cuidado [&#8230;] tem que partir daquela pessoa, pessoa se cuidar, né?! Obviamente que, no caso de um paciente de UTI que não tá consciente, ele não vai ter essa capacidade de, de emitir sua opinião [&#8230;]&#8221; (Profissional Begônia).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">É possível verificar nos dois discursos acima que de acordo com a literatura e os princípios do SUS, os profissionais de saúde expõem uma visão limitada do cuidado. O “profissional orquídea” aponta o cuidado integral como um cuidado de fato mais abrangente, mas não há uma ampliação do conceito. No enunciado do “profissional begônia”, há a individualização e responsabilização do sujeito pelo próprio cuidado. Contudo, é perceptível que os profissionais de saúde não possuem clareza do conceito de gestão de cuidado e em reunirrecursos para o gerenciamento desse cuidado.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Gestão de cuidados de saúde?! Como fala de gestão, vem na minha cabeça uma instituição maior que vai apontar falhas, vai estipular metas para os cuidados tanto em serviços primários, secundários e terciários, que fazem também o monitoramento dessas, das instituições que aplicam esses cuidados.&#8221; (Profissional Flor-de-lótus)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Para esses profissionais a gestão do cuidado está relacionada a uma instituição física que possa administrar os cuidados e não vislumbram o gerenciamento desse cuidado a partir da responsabilidade coletiva na Unidade de Terapia Intensiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que tange os indicadores de internação, todos os profissionais entrevistados consideram um número relevante de idosos internados na UTI, em decorrência de quedas da própria altura:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Sim, tem bastante. Um número bem alto de pacientes idosos que, devido à queda, na emergência principalmente tem bastante. Que eu fico na emergência também! Então tem bastante: UTI, emergência [&#8230;]. Eu morro de medo depois de trabalhar aqui, em cair na rua. (risos)&#8221; (Profissional Orquídea).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Os cuidadores entrevistados apontam a causa dessas quedas a doenças adquiridas durante o processo de envelhecimento como Alzheimer,Parkinson, Labirintite e fraqueza. Relatam os cuidadores que os ambientes domésticos onde vivem esses idosos não passaram por nenhuma adaptação no decorrer do envelhecimento, os três cuidadores entrevistados narram que os idosos cuidados residiam sozinhos e estavam sós no momento das quedas e cuidadores informais com vínculos familiares estabelecidos são acionados para o cuidado. Durante o processo de entrevista chama atenção para a questão de que, os três cuidadores entrevistados, todos eram netos, com idade entre 24 e 30 anos, que possuíam certo contato com os avós e de acordo com a organização familiar e segundo eles pela vitalidade da juventude foram selecionados a exercer ou colaborar nos cuidados. E estes mesmos recém cuidadores informais entrevistados também não esboçam compreensão da gestão da administração do cuidado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na teoria percebemos que a ideia de gestão, cuidado integral, integralidade e dimensões do cuidado geram o macroconceito gestão do cuidado integral em saúde, o qual será concretizado por meio de múltiplas ferramentas de gestão e cuidado, desde a organização familiar, os vínculos construídos e estabelecidos, a passagem de plantão, acolhimento, a sistematização da assistência em saúde, classificação de risco, segurança do paciente, entre outras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ASSISTENTE SOCIAL COMO AGENTE OPERANTE NA GESTÃO DO CUIDADO DA PESSOAIDOSA NA UTI</p>



<p class="wp-block-paragraph">Martinelli (2006) em sua obra Reflexões Sobre o Serviço Social e o Projeto Ético- Político Profissional, declara que somos profissionais que chegamos o mais próximo possível da vida cotidiana das pessoas com as quais trabalhamos. Alega ainda que, são poucas as profissões que conseguem chegar tão perto deste limite como os assistentes sociais.Sendo assim,aautoranos leva a vislumbramos a profissão como aquela, aqual dá uma dimensão da realidade mais a proxima da do contexto real dos sujeitos, possibilitando construir e reconstruir identidades – a da profissão e a nossa – em um movimento contínuo. Na mesma obra a autora discorre que,</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">É muito importante que possamos construir identidades pela positividade. Identidades pedem reconhecimento, reciprocidade, são construções coletivas. Não há como construir identidades de modo solitário e ninguém constrói identidade no espelho, pois ela é construída no cenário público, na vida cotidiana, juntamente com os movimentos sociais, com as pessoas com as quais trabalhamos.&#8221; (Pag, 11)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Assim é possível compreender que o assistente social tem possibilidade de articular as várias dimensões da vida dos usuários que nem sempre são valorizadas ou possíveis de serem incorporadas, principalmente em se tratando da pessoa idosa que foi impregnado pelo sistema capitalista o rótulo de inutilidade, incapacidade e ineficácia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa aponta que a gestão do cuidado é abrangente, requer a união de agentes operacionais, recursos materiais, institucionais serviços e políticas multifacetárias. Desse modo, tal questão não se torna matéria de intervenção somente dos Assistentes Sociais, sendo fundamental a articulação com outras áreas do saber e inclusão da população idosa na linha do cuidado, uma vez que o cuidado ofertado de modo isolado não é cuidado gestado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a entrevista foi possível constatar que a maioria dos profissionais desaúde e até mesmo os cuidadores identificam o assistente social e o psicólogo como profissionais inseridos no gerenciamento do cuidado à pessoa idosa:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Acho que principalmente, o Serviço Social, e a Psicologia, eles que vão ter um contato maior com a família. E ainda melhora o caso, então acho que é os principais (Profissional Orquídea).</em></p>
</blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A Assistente Social, é a primeira que vem na cabeça Assistente Social e o segundo Psicólogo também” (Profissional Flor-de-lótus).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Acho que em primeiro lugar, um assistente social, porque ele que vai saber direcionar e também explicar como seria o melhor cuidado para o idoso[&#8230;]</em> </p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>(CuidadorVerde)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa aponta a dimensão política e operativa que o Serviço Social vem assumindo na atenção terciária em saúde no cenário hospitalar, uma postura de gerenciamento do cuidado na Unidade de Terapia Intensiva junto a equipe multiprofissional, a família, a comunidade e os recursos sociais e de saúde do território. É neste cenário que se dá a materialização da dimensão política do Serviço Social, nas relações com os diversos sujeitos a partir de suas construções de histórias de vida e sociabilidade e das contradições e disputas destas relações sociais. A dialética do cenário exposto nos mostra as contradições de classes do contexto atual, sendo necessário ao profissional de Serviço Social por intermédio de seu projeto ético político, desenvolver ações coletivas para promover a materializaçãodesteprojetode profissão, o qual busca a emancipação dos sujeitos e uma sociedade justa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados da pesquisa conduz a percepção de que a dimensão política profissional e técnica-operativa do Serviço Social se constrói a partir do contato com o outro, com o trato com a questão social e com a metamorfose dos sujeitos, nesse caso a partir da gestão do cuidado para atenção integral a saúde da pessoa idosa na Unidade de Terapia Intensiva. Agora com base, no que foi tratado até aqui referente a dimensão política do Serviço Social, reforça a necessidade da categoria profissional inserida em todas as políticas sociais, com ênfase na política de saúde, para a partir da ontologia da questão social, dos sujeitos, das relações sociais, gestar o cuidado junto ao Estado, a família e a comunidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa aponta o assistente social como profissional essencial no processo de gerenciamento do cuidado; com sua práxis materializada na intersetorialidade. O gerenciamento do cuidado não é pauta específica do assistente social, mas ele consegue perceber a complexidade dos casos e articular os envolvidos neste processo, seja pormeio da educação popular, movimentos sociais e de categorias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Iamamoto, (1982, p. 173-174), o assistente social, em sua prática, configurou-se como o “profissional da assistência”, operando com recursos institucionais para a prestação de serviços, racionalizando e administrando sua atribuição, controlando o acesso e o uso dos mesmos pela “clientela”. A autora ainda revela que o trabalho profissional se concretizou pela ação intermediária nas relações entre instituição e usuários surgindo como o profissional da coerção e do consenso, como um especialista político, sendo essa característica a que aparece com maior intensidade,embora não seja exclusiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONSIDERAÇÕESFINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base nos aspectos apresentados, compreende-se que existe uma fragmentação na assistência à saúde do idoso internado na Unidade de Terapia Intensiva; eque é necessário uma melhor articulação das atividades ofertadas como também, nas inter-relações dos profissionais com os cuidadores e familiares; da mesma forma se faz necessário que esses profissionais tenham um movimento de resignificar concepções importantes no processo de saúde como: cuidado, gestão do cuidado relação familiar e proteção social visando a integralidade do cuidado a essa população específica. Dessa forma, a interdisciplinaridade e intersetorialidade é fundamental na assistência ofertada a pessoa idosa na UTI, uma vez que apresentam especificidades e necessitam de uma atenção diferenciada. A prática da gestão do cuidado promove uma ligação e organização entre as atividades executadas e os fluxos estabelecidos, de modo que elas se correlacionem mesmo que sejam realizadas de maneira independente, proporcionando melhorias no cuidado ao idoso hospitalizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gestão do cuidado da pessoa idosa na UTI envolve inúmeras dimensões decunho individual e coletivo, que expõem a complexidade da prática da integralidade da assistência em saúde. O reconhecimento do itinerário terapêutico do idoso hospitalizado em UTI possibilita identificar o universo cultural desses indivíduos e a organização sistêmica dos serviços de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo evidenciou que não há a execução da gestão do cuidado para atenção integral a saúde do idoso na UTI analisada, os profissionais não possuem clareza das concepções e noção do processo de longevidade; a velhice é nebulosa entre esses profissionais e os cuidadores,carregando alguns estigmas e preconceitos o que implica no gerenciamento do cuidado. Fortalecer o cuidado em saúde na Unidade de Terapia Intensiva é de extrema importância nesse contexto, já que o tratamento do idoso com traumas é executado por uma equipe multiprofissional, cada um com suas particularidades, suas atribuições e sua disponibilidade de equipamentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A autonomia e o protagonismo do idoso vítima de queda dentro do processo saúde-doença faz parte do contexto da gestão do cuidado, possibilitando a corresponsabilização dentro dos mais distintos itinerários terapêuticos, a participação na tomada de decisão e a reabilitação de maneira mais encorajada a superar as vulnerabilidades geradas pelas relações de cuidados em saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de todos os desafios identificados na pesquisa considera-se que é possível realizar a gestão do cuidado pensando na atenção integral da saúde do idoso na própria UTI. Para isso dispõe da participação do profissional assistente social que, com uma visão ampliada e generalista possui um compromisso ético com o cuidado em saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O profissional assistente social quando com clareza de sua intervenção e dimensão ético-política voltada para a emancipação dos sujeitos na construção de uma sociedade justa e igualitária, terá sua ação voltadapara a gestão do cuidado de maneira articulada e integrada com todos os envolvidos neste processo. Segundo VASCONCELOS (1997) estudos têm mostrado que ainda que de formas desafia doras a atuação do assistente social na política de saúde na prevenção coletiva vem sustentando mudanças nos padrões de morbi-mortalidade e reconfigurando o cuidado ampliado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aintegralidade do cuidado ao idoso internado em UTI é amaterialização da gestão do cuidado em saúde, com vistas ao apoio em todas as etapas do diagnóstico, do tratamento do trauma e pensar com a família como se dará essa reabilitação. Dessa forma, busca-se pela garantia da autonomia do idoso, da família e dos respectivos cuidadores dentro dos limites, da melhoria da qualidade de vida e de saúde e, primordialmente, da qualidade da sobrevida daqueles que passam pela UTI.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ACOSTA</strong>,AnaRojas;VITALE,MariaAmáliaFaller(org).Família,Redes,LaçosePolíticas públicas. 3. Ed. – São Paulo: Cortez, 2007.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AGICH,</strong>G.Dependênciaeautonomianavelhice.Ummodeloéticoparaocuidadode longo prazo. São Paulo: Loyola/São Camilo, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>BARROCO, </strong>Maria Lucia S. Barbárie e neoconservadorismo: os desafios do projeto ético- &#8211; político. Serviço Social &amp; Sociedade, São Paulo, n. 106, abr./jun. 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>BRASIL</strong>. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e a Miséria (MDS), Política Nacional de Assistência Social- 2004/ Sistema Único de Assistência Social- SUAS. Código de Ética Profissional dos Assistentes Sociais. Resolução CFESS n° 273, de 13 de março de 1993, com as alternações introduzidas pelas Resoluções CEFESSn° 290/1994 e n. 293/1994.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>BRASIL</strong>-Leinº8.742/1993-LeiOrgânicadaAssistênciaSocial–LOAS</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CFESS. </strong>Parâmetros para Atuação de Assistentes Sociais na Política de Saúde. [Brasília]: Conselho Federal de Serviço Social, [2010]. Disponível em: , Acessado em 16 de outubro de 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>HAMILTON,G</strong>.Teoriaepráticadoserviço socialdecaso.3.ed.Riode Janeiro: Agir, 1976.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>IAMAMOTO, M</strong>. V; CARVALHO, R. Relações Sociaios e Serviço Social no Basil. Esboço de uma interpretação histórico-metodológica. São Paulo: Cortez/Celats, 1982.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>KOVÁCS, </strong>M.J. Educação Para a Morte: temas e reflexões. São Paulo: Casa do Psicólogo; 2003..</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>MARX, </strong>K.<em>Grundrisse</em>: elementos fundamentales para la critica de la economia política. Mexico: Siglo XXI, 1982.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>MARTINELLI, </strong>Maria Lúcia.Reflexões sobre o Serviço Social e o projeto ético-político profissional.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Disponível&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; em: <a href="https://www.researchgate.net/publication/237488661_emancipacao_REFLEXOES_SOBRE_O_SERVICO_SOCIAL_E_O_PROJETO_ETICO-POLITICO_PROFISSIONAL">https://www.researchgate.net/publication/237488661_emancipacao_REFLEXOES_SOBRE</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.researchgate.net/publication/237488661_emancipacao_REFLEXOES_SOBRE_O_SERVICO_SOCIAL_E_O_PROJETO_ETICO-POLITICO_PROFISSIONAL">_O_SERVICO_SOCIAL_E_O_PROJETO_ETICO-POLITICO_PROFISSIONAL</a>. Acessoem 11de</p>



<p class="wp-block-paragraph">junhode 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MinistériodaSaúde,AgênciaNacionaldeVigilânciaSanitária -RESOLUÇÃONº7,DE24DE FEVEREIRO&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; DE&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2010.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Disponível&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; em: <a href="https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2010/res0007_24_02_2010.html">https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2010/res0007_24_02_2010.html</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acessoem24/04/2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>MIOTO, </strong>Regina Célia Tamaso. Trabalho com famílias: um desafio para os Assistentes Sociais.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Disponível:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://revistaseletronicas.pucrs.br/fo/ojs/index.php/fass/article/view/979">http://revistaseletronicas.pucrs.br/fo/ojs/index.php/fass/article/view/979</a>. Acesso em: 22/04/2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>MIOTO,</strong>ReginaCéliaTamaso;NOGUEIRA,VeraMariaRibeiro.PolíticaSocialeServiço Social:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; os&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; desafios&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; da&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; intervenção&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; profissional&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Disponível: <a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1414-">http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1414-</a> 49802013000300005 Acesso em: 23/04/2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NERI, </strong>A.L. Atitudes em relação a velhice. Evidencias da pesquisa brasileira. Gerontologia, São Paulo, v. V, n. 3, set.1997, p 130-139.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RAICHELIS, </strong>Raquel. Proteção social e trabalho do assistente social: tendências e disputas na conjuntura de crise mundial. Serviço Social &amp; Sociedade, São Paulo, n. 116, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ROBLES,</strong>L.A.H.<em>Lasociedaddelabandono</em>:ensayosobrelavigilanciaanticipadaenlas sociedades contemporáneas. Ciudad Juárez: El Colegio de Chihuahaua, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>SIMIONATTO, </strong>Ivete. Classes subalternas, lutas de classe, e hegemonia: uma abordagem gramsciana. Katálysis, Universidade Federal de Santa Catarina, v. 12, n. 1, p. 41-49, 2009.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Teixeira, </strong>Solange Maria. Envelhecimento e o trabalho no tempo do capital: implicaçõespara a proteção social no Brasil – São Paulo: Cortez, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>VASCONCELOS,</strong>AnaMaria. Apráticado Serviço Social: Cotidiano,formação ealternativas na área da saúde. São Paulo: Cortez, 1997.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Assistente Social, Professor, com Residência Multiprofissional em Atenção à Terapia Intensiva UTI Adulto, através do programa de Residência Multiprofissional da Secretaria Municipal da Saúde SMS/SP; especialista em Saúde Mental e Psiquiatria (pós graduação latu-sensu); especialista em Saúde Pública com ênfase em Estratégia Saúde da Família (pós graduação latu-sensu); especialista em Instrumentalidade do Serviço Social (pós graduação latu-sensu); possui formação pedagógica em Letras/Português (licenciatura). Atualmente é assistente social Servidor Público no Instituto de Infectologia Emilio Ribas IIER.<br>E-mail: viniciussouza.servicosocial@gmail.com<br><strong>Instituição: </strong>Hospital Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha –SMS<br><strong>Departamento:</strong> Serviço Social</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong>Qualificação:</strong> Assistente Social.<strong>Titulação:</strong> Doutoranda no curso de Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade de Santo Amaro (2018); Especialista em Preceptoria no SUS pelo Instituto Sírio-Libanês do Hospital Sírio Libanês e Pesquisa (2020); Especialista em Gerontologia Social pela Faculdade Paulista de Serviço Social (2013); Bacharel em Serviço Social pela Universidade São Francisco (2008).E-mail: tatysociall@gmail.com<br><strong>Instituição: </strong>Hospital Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha –SMS<br><strong>Departamento:</strong> Serviço Social</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
