<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Volume 26 &#8211; Edição 110/MAI 2022 &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
	<atom:link href="https://revistaft.com.br/category/edicao110/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://revistaft.com.br</link>
	<description>Revista Científica de Alto Impacto.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 12 Mar 2025 22:27:34 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	

<image>
	<url>https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2022/05/favicon-ft-150x150.png</url>
	<title>Volume 26 &#8211; Edição 110/MAI 2022 &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
	<link>https://revistaft.com.br</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>INTERVENÇÃO FISIOTERAPÊUTICA NAS MULHERES IDOSAS COM INCONTINÊNCIA URINÁRIA: REVISÃO DE LITERATURA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/intervencao-fisioterapeutica-nasmulheres-idosas-com-incontinenciaurinaria-revisao-de-literatura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Oston Mendes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jun 2022 18:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Fisioterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 26 - Edição 110/MAI 2022]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=128326</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.6613829 PHYSIOTHERAPEUTIC INTERVENTION IN ELDERLY WOMEN WITH URINARY INCONTINENCE: A LITERATURE REVIEW Autores:Walkiria Benacon da Silva Rego¹Elderfran da Silveira Pinheiro¹Vicente Lucas Adam Queiroz Gomes²Thaiana Bezerra Duarte³ 1Acadêmicos do curso de Bacharel em Fisioterapia da UNINORTE²Fisioterapeuta, Pós-graduado em Fisioterapia Traumato-ortopédica em Desportiva (IAPES)³Fisioterapeuta, Docente na UNINORTE, Pós-Doutorado e Doutorado pela Faculdade de Medicina de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.6613829</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>PHYSIOTHERAPEUTIC INTERVENTION IN ELDERLY WOMEN WITH URINARY INCONTINENCE: A LITERATURE REVIEW</strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="596" height="276" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1205.png" alt="" class="wp-image-128330" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1205.png 596w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1205-300x139.png 300w" sizes="(max-width: 596px) 100vw, 596px" /></figure>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong>Autores</strong>:<br>Walkiria Benacon da Silva Rego¹<br>Elderfran da Silveira Pinheiro¹<br>Vicente Lucas Adam Queiroz Gomes²<br>Thaiana Bezerra Duarte³<br></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Acadêmicos do curso de Bacharel em Fisioterapia da UNINORTE<br>²Fisioterapeuta, Pós-graduado em Fisioterapia Traumato-ortopédica em Desportiva (IAPES)<br>³Fisioterapeuta, Docente na UNINORTE, Pós-Doutorado e Doutorado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo – FMRP/USP, Mestre em Saúde Materno-Infantil pela Universidade Federal do Maranhão – UFMA, Especialista em em Saúde da Mulher pela Universidade Federal do Maranhão – UFMA, Membro da diretoria da Associação Brasileira de Fisioterapia em Saúde da Mulher (ABRAFISM) no cargo de Diretora Tesoureira, Delegada representante do Brasil na “International Organization of Physical Therapists in Pelvic and Womens Health (IOPTPWH) um subgrupo da “World Confederation of Physical Therapy” e atua na área de Fisioterapia, com ênfase em Saúde da Mulher, Ginecologia, Obstetrícia, Urologia e Assoalho Pélvico.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong><br>A incontinência urinária (IU) atinge 72% das mulheres no mundo. Geralmente, são três os tipos de sintomas mais encontrados, sendo eles: incontinência urinária de esforço (IUE), urge incontinência (UI) e incontinência urinária mista (IUM). Contudo, elementos relacionados aos tratamentos fisioterapêuticos na incontinência urinária mostram-se conexos no sentido de apontar seus fins e importância, para mais bem selecionar a intervenção. O objetivo desse estudo foi revisar a literatura científica para verificar os efeitos da intervenção fisioterapêutica na incontinência urinária das mulheres idosas. Para compor este estudo dezesseis publicações foram selecionados nas seguintes bases de dados: LILACS, SciELO, PEDro e PubMed. Os resultados obtidos na revisão foram de que a intervenção fisioterapêutica na IU gerou melhoria na qualidade de vida, no aumento da força dos músculos do assoalho pélvico, na redução das quedas, dos sintomas e da frequência. Conclui-se que a atuação da fisioterapia na IU promoveu benefícios nos pontos analisados, porém, sugere-se que mais ensaios randomizados controlados sejam realizados, para melhor compreensão do impacto da terapêutica e acréscimo de possíveis recursos que podem ser usados como intervenção fisioterapêutica.<br><strong>Palavras-chave</strong>: Exercícios; Incontinente; Qualidade de Vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Urinary incontinence (UI) affects 72% of women worldwide. Generally, there are three types of symptoms most commonly found, namely: stress urinary incontinence (SUI), urge incontinence (UI) and mixed urinary incontinence (MUI). However, elements related to physiotherapeutic treatments in urinary incontinence are shown to be connected in the sense of pointing out their purposes and importance, in order to better select the intervention. The aim of this study was to review the scientific literature to verify the effects of physical therapy intervention on urinary incontinence in elderly women. To compose this study, sixteen publications were selected from the following databases: LILACS, SciELO, PEDro and PubMed. The results obtained in the review were that the physiotherapeutic intervention in UI generated an improvement in the quality of life, in the increase of the strength of the pelvic floor muscles, in the reduction of falls, symptoms and frequency. It is concluded that the role of physiotherapy in UI promoted benefits at the points analyzed, however, it is suggested that more randomized controlled trials be carried out, for a better understanding of the impact of therapy and the addition of possible resources that can be used as a physiotherapeutic intervention.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Exercises; Incontinent; Quality of life.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a Sociedade Brasileira de Urologia (2018), a incontinência urinária (IU) atinge 72% das mulheres no mundo. Cerca de 20% dos casos de incontinência são em mulheres adultas, e em idosas pode chegar a 50%, destas estima-se que 50% apresentam recorrência, desta maneira, as mulheres são mais atingidas por causa da anatomia do órgão feminino e na maioria dos casos, todavia, o problema tem picos na menopausa e após os 75 anos.<br>De acordo com Costa e Santos (2012), as incontinências urinárias são classificadas de acordo com os sintomas apresentados, os três tipos mais encontrados são: incontinência urinária de esforço (IUE) – quando há perda da urina pelo meato uretral sincrônica com a realização de esforços; urgeincontinência (UI) – caracterizada pela perda urinária seguida da urgência miccional e incontinência urinária mista (IUM) – ocorre perda urinária tanto à urgência quanto na realização de esforços.<br><br>No estudo realizado por Pitangui et al. (2012), foi possível observar que muitas vezes as idosas acometidas pela IU convivem com estes sintomas como algo intrínseco ao envelhecimento, não percebendo o quanto afetam sua qualidade de vida, deste modo, Costa e Santos, (2012) ressaltam que o tratamento por intervenção fisioterapêutica na maioria das vezes é recomendado como primeira alternativa.<br><br>Segundo Cruz et al. (2020), a musculatura do assoalho pélvica pode se contrair voluntariamente sob demanda e involuntariamente em resposta ao aumento da pressão intra-abdominal, como durante atividade física. Sendo assim, Tim e Mazur-Bialy, (2021) afirmam que por meio da coordenação adequada com o sistema nervoso, ligamentos e fáscia, bem como contração e relaxamento adequados dos músculos do assoalho pélvico (MAP), inclusive mantém a estabilidade dos órgãos internos e participa da continência, micção, defecação, funções sexuais. Deste modo, D’Ancona et al., (2019) apontam que qualquer distúrbio nas funções dos músculos do assoalho pélvico pode levar à sua disfunção.<br><br>De acordo com o estudo realizado por Bertoldi et al. (2014) e Freitas et al. (2020), a atuação fisioterapêutica em idosas incontinentes apresentou benefícios na qualidade de vida (QV) de idosas com queixas urinárias relacionadas à IU, sendo mais evidente na melhora da percepção de saúde, frequência urinária e ocorrência de queixas associadas e IU, isto é, em vários domínios da QV dos idosos, mostrando-se efetiva no manejo da IU em estágios iniciais e na prevenção da IU. Atualmente, as intervenções fisioterapêuticas na incontinência urinária das mulheres idosas têm sido usadas como objeto de várias pesquisas, porém, há escassez de estudos que reúnam estas informações em uma revisão sistemática. Logo, elementos relacionados aos tratamentos fisioterapêuticos na incontinência urinária mostram-se conexos no sentido de apontar seus fins e importância, para mais bem selecionar a intervenção e instigar para que outros estudos sejam realizados com outros tratamentos em ensaios clínicos randomizados controlados.<br><br>Sendo assim, o objetivo desse estudo foi revisar na literatura científica os efeitos da intervenção fisioterapêutica na incontinência urinária das mulheres idosas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo realizado foi de natureza básica, com abordagem quantitativa, apresentando fins de pesquisa exploratória e característica de literatura científica, assim como fora descrito por Faccio e Marques (2016), para análise da fisioterapia nas mulheres idosas com incontinência urinária.<br><br>Os dados para desenvolvimento deste estudo foram coletados entre os meses de março a maio do ano de 2022. Para obtenção destes elementos foram utilizadas as bases de dados: LILACS, SciELO, PEDro e PubMed, tendo como descritores: fisioterapia; incontinência urinária e idosas.<br><br>Os critérios de inclusão nesta revisão foram: ensaios randomizados controlados, estudos de intervenção e a partir de 2012 e os critérios de exclusão foram: artigos duplicados e os que não trouxessem desfechos relacionados à incontinência urinária.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESULTADOS E DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Por meio dos descritores utilizados foi obtido um total de 2196 artigos, dos quais 1694 artigos foram excluídos por não serem ensaios clínicos randomizados controlados. Após o critério de exclusão 428 artigos tiveram que ser eliminados, então 74 artigos foram selecionados para a triagem por meio da leitura do texto completo, dos quais 58 foram excluídos, assim, restaram 16 estudos para serem revisados. A Figura 1 mostra o processo de inclusão para esta revisão.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1 – Fluxograma do processo de inclusão dos artigos</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="972" height="605" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1203.png" alt="" class="wp-image-128327" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1203.png 972w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1203-300x187.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1203-768x478.png 768w" sizes="(max-width: 972px) 100vw, 972px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Liu et al. (2017) e Wang et al. (2018), a eletroacupuntura em idosas com incontinência urinária pode reduzir cerca de 50% ou mais na perda de urina, utilizando o teste do absorvente como medida durante 1 hora. No entanto, Schreiner et al., (2020) afirmam que métodos de eletroestimulação utilizados tanto de forma percutânea quanto transcutânea no nervo tibial podem repercutir melhora no quadro sintomatológico de idosas incontinentes, inclusive complementando treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP) à terapia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No estudo realizado por Kachorovski et al. (2015), que teve duração de três meses, mostrou que o alongamento isométrico por meio do “isostretching” contribuiu para uma melhora significativa nos sintomas de incontinência urinária e, por conseguinte, na qualidade de vida dessas idosas incontinentes, contudo, correlacionaram a melhora apresentada ao visível aumento da força muscular do assoalho pélvico obtido por meio dos exercícios feitos. Na análise de Langoni et al. (2014), a IU teve alta prevalência e esteve associada à diminuição da força muscular do assoalho pélvico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Huang et al. (2019), o Ioga em grupo foi efetivo na redução dos sintomas das idosas incontinentes, sendo realizado duas vezes semanais no modo presencial e uma vez semanal só em casa sob orientação. Segundo Kannan et al. (2022), as posturas de ioga destinadas a abordar os músculos do assoalho pélvico e do core apresentaram benefícios superiores aos exercícios de Pilates em termos de melhora da continência, contudo, Nicosia et al., (2020) ressaltam a escassez de estudos medindo a autoeficácia em relação ao desempenho de posturas de ioga.<br>Diokno et al., (2018) realizou uma análise onde as pacientes receberam uma aula única de duas horas sobre saúde da bexiga, apoiada por materiais escritos e um CD de áudio, que é um método menos comum, mas bem interessante da fisioterapia na promoção da saúde ensinando as mulheres sobre a função da bexiga, técnicas de uso do banheiro, treinamento da bexiga.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img decoding="async" width="914" height="1024" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1204-914x1024.png" alt="" class="wp-image-128329" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1204-914x1024.png 914w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1204-268x300.png 268w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1204-768x860.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1204.png 967w" sizes="(max-width: 914px) 100vw, 914px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se que a atuação da fisioterapia na IU por meio da eletroacupuntura, eletroestimulação transcutânea e percutânea, “isostretching”, Ioga, Material educativo, exercícios gerais e de treinamento do músculo do assoalho pélvico e dos músculos abdominais gerou benefícios na melhoria na qualidade de vida, no aumento da força dos músculos do assoalho pélvico, na redução das quedas, dos sintomas e da freqüência. Todavia, tiveram também estudos que afirmaram à necessidade de que o tratamento tivesse um período de pelo menos três meses, pois a interrupção da terapêutica pode causar recorrência dos sintomas, porém, sugere-se que mais ensaios randomizados controlados sejam realizados, para melhor compreensão do impacto da terapêutica e acréscimo de possíveis recursos que podem ser usados como intervenção fisioterapêutica.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALMEIDA, PP; MACHADO, LRG. The prevalence of urinary incontinence in women practicing of jump. Fisioter Mov. 2012.<br><br>BENÍCIO, CDAV; LUZ, MHBA; LOPES, MHBM; CARVALHO NAR. Urinary incontinence: prevalence and risk factors in women at a basic health unit. ESTIMA. 2016.<br><br>BERTOLDI, JT; GHISLERI, AQ; PICCININI, BM. Fisioterapia na incontinência urinária de esforço: revisão de literatura. Rev do Dep de Ed Fís e Saúde e do Mestr em Promoção da Saúde da UNISC.<br>2014.<br><br>BERTOTTO, A; SCHVARTZMAN, R; UCHÔA, S; WENDER, MCO. Effect of electromyographic biofeedback as an add-on to pelvic floor muscle exercises on neuromuscular outcomes and quality of life in postmenopausal women with stress urinary incontinence: a randomized controlled trial.<br>Neurourol Urodyn. 2017.<br><br>COSTA, AP; SANTOS, FDRP. Approach to physiotherapy in the treatment of urinary stress incontinence: literature review. FEMINA. 2012.<br><br>CRUZ, KMG; GOMES, VLAQ; ROCHA, PHL. Os efeitos do método pilates nos idosos frágeis: revisão sistemática. Nova Fisio Científica. 2020.<br><br>D’ANCONA, C; HAYLEN, B; OELKE, M; ABRANCHES-MONTEIRO, L; ARNOLD, E; GOLDMAN, H; HAMID, R; HOMMA, Y; MARCELISSEN, T; RADEMAKERS, K; SCHIZAS, A; SINGLA, A; SOTO, I; TSÉ, V; WACHTER, S; HERSCHORN, S. The International Continence Society (ICS) report on the terminology for adult male lower urinary tract and pelvic floor symptoms and dysfunction. Neurourol Urodyn. 2019.<br><br>DIOKNO, AC; NEWMAN, DK; LOW, LK. Effect of group-administered behavioral treatment on urinary incontinence in older womenA randomized clinical Trial. JAMA Intern Med. 2018.<br><br>DUMOULIN, C; MORIN, M; DANIELI, C; CACCIARI, L; MAYRAND, MH; TOUSIGNANT, M; ABRAHAMOWICZ, M. Group-based vs individual pelvic floor muscle training to treat urinary incontinence in older women: a randomized clinical trial . JAMA Intern Med. 2020.<br><br>FACCIO, RBA; MARQUES, LM. Tratamento da incontinência urinária de esforço em idosas da comunidade: revisão de literatura. UFMG. 2016.<br><br>FUENTES-APARÍCIO, L; BALASCH-BERNAT, M; LOPEZ-BUENO, L. Add-On Effect of postural instructions to abdominopelvic exercise on urinary symptoms and quality of life in climacteric women with stress urinary incontinence. a pilot randomized controlled trial. Int J Environ Res Public Health. 2021.<br><br>HUANG, AJ; CHESNEY, M; LISHA, N; VITTINGHOFF, E; SCHEMBRI, M; PAWLOWSKY, S; HSU, A; SUBAK, L. A group-based yoga program for urinary incontinence in ambulatory women: feasibility, tolerability, and change in incontinence frequency over 3 months in a single-center randomized trial. Am J Obstet Gynecol. 2019.<br><br>KACHOROVSKI, LW; MORAES, CCS; ROSA, EM; GRUBER, CR. Effect of isostretching on the quality of life of incontinent older women. Fisioter Mov. 2015.<br><br>KANNAN, P; HSU, WH; SUEN, WT; CHAN, LM; ASSOR, A; HO, CM. Yoga and Pilates compared to pelvic floor muscle training for urinary incontinence in elderly women: a randomised controlled pilot trial. Complement Ther Clin Pract. 2022.<br><br>LANGONI, VS; KNORST, MR; LOVATEL, GA; LEITE, VO; RESENDE, TL. Urinary incontinence in elderly women from Porto Alegre: its prevalence and relation to pelvic floor muscle function. Fisioter Pesq. 2014.<br><br>LIU, Z; LIU, Y; XU, H; HE, L; CHEN, Y; FU, L; LI, N; LU, Y; SU, T; SUN, J; WANG, J; YUE, Z; ZHANG, W; ZHAO, J; ZHOU, Z; WU, J; ZHOU, K; AI, Y; ZHOU, J; PANG, R; WANG, Y; QIN, Z; YAN, S; LI, H; LUO, L; LIU, B. Effect of electroacupuncture on urinary leakage among women with stress urinary incontinence: a randomized clinical trial. JAMA. 2017.<br><br>MENEZES, EC; VIRTUOSO, JF; MAZO, GZ. Urinary loss in older women during physical exercise: a comparative study between aerobic and non-aerobic activities. J Phys Educ. 2016.<br><br>MIHAĽOVÁ, M; HAGOVSKÁ, M; ORAVCOVÁ, K; MARTINÁSKOVÁ, N; GRUS, C; ŠVIHRA, J. Pelvic floor muscle training, the risk of falls and urgency urinary incontinence in older women. Z Gerontol Geriatr. 2022.<br><br>NICOSIA, FM; LISHA, NE; CHESNEY, MA; SUBAK, LL; PLAUT, TM; HUANG, A. Strategies for evaluating self-efficacy and observed success in the practice of yoga postures for therapeutic indications: methods from a yoga intervention for urinary incontinence among middle-aged and older women. BMC Complement Med Ther. 2020.<br><br>PITANGUI, ACR; SILVA, RG; ARAÚJO, RC. Prevalence and impact of urinary incontinence on the quality of life of institutionalized elderly women. Rev Bras Geriatr Gerontol. 2012.<br><br>PTAK, M; BRODOWSKA, A; CIEĆWIEŻ, S; ROTTER, I. Quality of life in women with stage 1 stress urinary incontinence after application of conservative treatment-a randomized trial. Int J Environ Res Public Health. 2017.<br><br>SCHREINER, L; NYGAARD, CC; SANTOS, TG; KNORST, MR; SILVA, IGF. Transcutaneous tibial nerve stimulation to treat urgency urinary incontinence in older women: 12-month follow-up of a randomized controlled trial. Int Urogynecol J. 2020.<br><br>SOCIEDADE BRASILEIRA DE UROLOGIA. Incontinência urinária afeta a vida de mais de 10 milhões de pessoas no País. SBU-SP. 2018.<br><br>TIM, S; MAZUR-BIALY, AI. The most common functional disorders and factors affecting female pelvic floor. Life (Basel). 2021.<br><br>VIRTUOSO, JF; MAZO, GZ; MENEZES, EC. Prevalence, typology and severity of urinary incontinence symptoms in older women according to physical activity practice. Fisioter Mov. 2012.<br><br>WAGG, A; CHOWDHURY, Z; GALARNEAU, JM; HAQUE, R; KABIR, F; MACDONALD, D; NAHER, K;<br>YASUI, Y; CHERRY, N. Exercise intervention in the management of urinary incontinence in older women in villages in Bangladesh: a cluster randomised trial. The Lancet. 2019.<br><br>WANG, W; LIU, Y; SUN, S; LIU, B; SU, T; ZHOU, J; LIU, Z. Electroacupuncture for postmenopausal women with stress urinary incontinence: secondary analysis of a randomized controlled trial. World J Urol. 2018.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>DOS PARÂMETROS PARA APLICAÇÃO DA PRESCRIÇÃO TOTAL OU PARCIAL TRABALHISTA E A SUTIL ALTERAÇÃO DO ARTIGO 11, §2º DA CLT, INTRODUZIDA PELA LEI N.º. 13.467/2017;</title>
		<link>https://revistaft.com.br/dos-parametros-para-aplicacao-da-prescricao-total-ou-parcial-trabalhista-e-a-sutil-alteracao-do-artigo-11-%c2%a72o-da-clt-introduzida-pela-lei-n-o-13-467-2017/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Oston Mendes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 May 2022 00:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências Jurídicas]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 26 - Edição 110/MAI 2022]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=48926</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.7086994 Autor: Marcelo Scarin Jantorno, advogado trabalhista inscrito na OAB/SP n.º. 316.240 com ampla experiência na área, tendo atuado em escritórios de renome na capital do Estado de São Paulo, atualmente com banca própria. Pós graduado em direitos humanos e direito tributário; Resumo: O presente artigo busca tratar sobre a possível inversão da [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.7086994</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong>Autor: </strong><br>Marcelo Scarin Jantorno, <br>advogado trabalhista inscrito na OAB/SP n.º. 316.240 com ampla experiência na área, tendo atuado em escritórios de renome na capital do Estado de São Paulo, atualmente com banca própria. <br>Pós graduado em direitos humanos e direito tributário;</p>



<hr class="wp-block-separator aligncenter has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo: </strong>O presente artigo busca tratar sobre a possível inversão da lógica jurisprudencial na aplicação da prescrição total ou parcial em razão de mero descumprimento ou efetiva supressão de direito em razão da alteração promovida pela reforma trabalhista – Lei n.º. 13.467/2017 &#8211; ao artigo 11, §2º da CLT.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract: </strong>This article seeks to address the possible inversion of jurisprudential logic in the application of total or partial prescription due to non-compliance or effective suppression of rights due to the change promoted by the labor reform &#8211; Law nº. 13.467/2017 &#8211; to article 11, §2 of the Consolidation of Labor Law.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>prescrição total – prescrição parcial – Súmula n.º. 294 do C. TST – artigo 11, §2º da CLT – Lei 13.467/2017;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1 &#8211; Introdução</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Já não é nenhuma novidade que a reforma trabalhista, instituída pela Lei n.º. 13.467/2017 alterou diversos pontos da legislação laboral. Dentre estas alterações, uma passou aparentemente de forma mais sutil e sem muitas críticas, ao menos à época. Trata-se da alteração promovida no art. 11, §2º da CLT, que com a mera supressão de uma expressão terminológica poderia, ao menos em tese, subverter a lógica jurisprudencial referente à natureza da prescrição aplicada para alguns casos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2 &#8211; Da Alteração Promovida Pela Reforma Trabalhista</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vejamos a alteração, em destaque:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“<em>Art. 11. A pretensão quanto a créditos resultantes das relações de trabalho prescreve em cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho.</em></p><p>I – <em>(revogado);</em></p><p>II – <em>(revogado).</em></p><p><em>§ 1º O disposto neste artigo não se aplica às ações que tenham por objeto anotações para fins de prova junto à Previdência Social. (Incluído pela Lei nº 9.658, de 5.6.1998)</em></p><p><em>§ 2º Tratando-se de pretensão que envolva pedido de prestações sucessivas decorrente de <u><strong>alteração ou descumprimento </strong></u>do pactuado, a prescrição é total, exceto quando o direito à parcela esteja também assegurado por preceito de lei.</em></p><p><em>§ 3º A interrupção da prescrição somente ocorrerá pelo ajuizamento de reclamação trabalhista, mesmo que em juízo incompetente, ainda que venha a ser extinta sem resolução do mérito, produzindo efeitos apenas em relação aos pedidos idênticos. (NR)” [1]</em></p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto ao caput do artigo e o §1º, não há qualquer comentário relevante a ser feito. Trata-se apenas de atualização, uma vez que a prescrição qüinqüenal do rurícola foi inserida no ordenamento por meio da EC 28/2000 e por conta disso não constava expressamente do inciso II do art. 11, que fora revogado e incorporado ao caput com a redação já conhecida da CF.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As novidades vieram com os parágrafos §§ 2º e 3º. Iniciando pelo §3º que é, em tese, mais simples que as discussões guardadas para o §2º. No tocante ao §3º não houve grandes novidades, além da positivação do que já era entendido pela jurisprudência do C. TST.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que pode causar uma certa confusão, é a inserção do termo “somente” no início da frase. Aliás, a professora Vólia Bonfim quando elaborou comentários ao projeto de lei chamou a atenção para este ponto:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“<em>A palavra “somente” contida no parágrafo 5º do artigo 11 deve ser alocada em outra parte da frase, para não gerar a interpretação de que só existe esse tipo de interrupção de prescrição.” [2]</em></p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">E realmente apareceram teses advogando no sentido da restrição das causas de interrupção da prescrição. Entretanto, não parece ser essa a intenção do legislador, até mesmo porque manteve na própria CLT a previsão do art. 440, causa obstativa da prescrição contra o menor de 18 anos. No mais, a doutrina sempre se inclinou para a aplicação subsidiária do Código Civil quanto ao tema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda nesse sentido discussões podem ocorrer com relação ao previsto na Orientação Jurisprudencial n.º. 392 da SDI-1 do C. TST, que trata do protesto judicial como causa interruptiva da prescrição, entretanto, o instituto do protesto judicial caiu em desuso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No mais, andou bem o legislador quando constou que o mero ajuizamento da ação interrompe a prescrição, consagrando a parte final da OJ 392 que afasta a aplicação do §2º do art. 240 do CPC, ante a incompatibilidade do art. 841 e a prescrição é interrompida com o ajuizamento da ação mesmo perante juízo incompetente (previsão do próprio CPC).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3 – Da Sutil Supressão Terminológica Promovida no §2º do Artigo 11 DA CLT e sua Problemática</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O §2º trata da positivação da construção jurisprudencial da prescrição total e prescrição parcial, referida em diversas súmulas e OJs. Aliás, o próprio C. TST reconhece que o tema até então era decorrente de uma construção jurisprudencial</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, há uma inclusão sutil e sorrateira de um termo maligno que modifica brutalmente a sistemática conhecida, proporcionando em um país que a Justiça Trabalhista é conhecida como Justiça dos Desempregados uma isenção abrupta da responsabilidade dos maus empregadores. Aqui reside o que pensamos ser uma das alterações mais ardilosas da reforma trabalhista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para entendermos melhor a profundidade deste dispositivo, precisamos retomar a discussão no tocante à sistemática da prescrição total e da prescrição parcial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em primeiro lugar, não há que se fazer a confusão entre prescrição total e prescrição bienal e prescrição parcial e prescrição qüinqüenal. Embora alguns autores se relacionem ao instituto da prescrição bienal e qüinqüenal desta forma, não é o mais adequado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como já mencionamos, a idéia é uma construção jurisprudencial. O ponto nevrálgico do tema é trazida na Súmula 294 do C. TST:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>SUM-294 PRESCRIÇÃO. ALTERAÇÃO CONTRATUAL. TRABALHADOR URBANO</em> <br>(mantida) &#8211; Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003<br><em>Tratando-se de ação que envolva pedido de prestações sucessivas decorrente de <u>alteração do pactuado</u>, a prescrição é total, <u>exceto quando o direito à parcela esteja também assegurado por preceito de lei.</u></em><br><em>Histórico: Redação original (cancelamento das Súmulas nº 168 e 198) &#8211; Res. 4/1989, DJ 14, 18 e 19.04.1989 [3]</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Prescrição total é aquela que começa a correr do ato, consumando-se 05 anos após a referida alteração ou supressão do direito não previsto em lei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, a doutrina menciona que para ocorrer a prescrição total são necessários 02 elementos: “ato único” e ausência de previsão do direito em lei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por sua vez, a prescrição parcial é aquela que se renova mês a mês, não decorrendo de um ato único do empregador ou, se decorrendo, o direito discutido possui previsão legal. <em>Ou seja, não é necessário discutir a legalidade do ato jurídico do empregador em si, já havendo previsão legal sobre ele.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A jurisprudência possui diversos dispositivos sumulares e orientações jurisprudenciais sobre os temas, a exemplo: Súmula n.º. 06, IX, Súmula n.º. 199, Súmula n.º. 275, Súmula n.º. 327, Súmula n.º. 373, Súmula n.º. 452, Orientação Jurisprudencial n.º. 76, Orientação Jurisprudencial n.º. 175, Orientação Jurisprudencial n.º. 242, Orientação Jurisprudencial n.º. 243 da SDI1, dentre outras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vejamos alguns destes dispositivos para entendermos a lógica da aplicação da prescrição total ou prescrição parcial:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>SUM-373 GRATIFICAÇÃO SEMESTRAL. CONGELAMENTO. PRESCRIÇÃO</strong></em><br>PARCIAL (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 46 da SBDI-I) &#8211; Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005<br><em>Tratando-se de pedido de <u><strong>diferença </strong></u>de gratificação semestral que teve seu valor <u><strong>congelado</strong></u>, a prescrição aplicável é a <u><strong>parcial</strong></u>. (ex-OJ nº 46 da SBDI-I &#8211; inserida em 29.03.1996) [4]</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">É certo que o pagamento de gratificação semestral não possui previsão legal, mas decorre do contrato de trabalho ou outra norma pactuada entre empregado e empregador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, uma vez instituída ela passa a ser devida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso da Súmula, não se discute a legalidade da gratificação ou de algum ato que a instituiu, alterou ou suprimiu, mas apenas as eventuais diferenças em decorrência de uma omissão do empregador, que congelou os valores. Portanto, não há um ato único de alteração contratual ou supressão do direito contratualmente ajustado, mas mera omissão e discussão das diferenças que ainda estão vigentes conforme o ajuste individual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, ainda que não haja previsão do direito em lei, não estamos frente a um ato único do empregador de alteração ou supressão do direito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim sendo, a prescrição é total e se renova mês a mês.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No tocante às diferenças salariais, a Súmula n.º. 452 do C. TST dispõe:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>SUM-452 DIFERENÇAS SALARIAIS. PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS. DESCUMPRIMENTO. CRITÉRIOS DE PROMOÇÃO NÃO OBSERVADOS.</em><br><em><strong>PRESCRIÇÃO PARCIAL. </strong>(conversão da Orientação Jurisprudencial nº 404 da SBDI-I) &#8211; Res. 194/2014, DEJT divulgado em 21, 22 e 23.05.2014</em><br><em>Tratando-se de pedido de pagamento de <u><strong>diferenças </strong></u>salariais decorrentes da <u><strong>inobservância dos critérios de promoção estabelecidos em Plano de Cargos e Salários criado pela empresa, a prescrição aplicável é a parcial, pois a lesão é sucessiva e se renova mês a mês. </strong></u>(grifo nosso) [5]</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais uma vez, não se discute se o direito, ainda que não previsto em lei, é devido ou não. O que se discute são diferenças decorrentes de uma omissão do empregador em não observar determinados critérios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, não se fala em ato único que suprime um direito já implementado por meio de ajuste entre o empregado e o empregador ou sua alteração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com relação às comissões, a famosa Orientação Jurisprudencial n.º. 175 da SDI-1 dispõe sobre situações de alteração ou supressão desta, no seguinte sentido:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>OJ-SDI1-175 &#8211; Comissões. Alteração ou Supressão. Prescrição total (nova redação em decorrência da incorporação da Orientação Jurisprudencial nº 248 da SBDI-I) &#8211; DJ 22.11.2005</strong></em><br><em>A supressão das comissões, ou a alteração quanto à forma ou ao percentual, em prejuízo do empregado, é suscetível de operar a prescrição total da ação, nos termos da Súmula nº 294 do TST, em virtude de cuidar-se de parcela não assegurada por preceito de lei. [6]</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta súmula parece soar um pouco mais ilógico a primeira vista pois automaticamente relacionamos as comissões como uma das formas de remuneração previstas em lei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ocorre que o TST entende que embora a comissão seja uma modalidade de remuneração, não há obrigação legal que preveja necessariamente o seu pagamento. Este decorrerá por meio do ajuste entre o empregado e o empregador, não se tratando portanto de direito previsto em lei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No mais, a redução do percentual ou a sua supressão acarretam um ato único do empregador, uma vez que extingue ou modifica o direito bilateralmente previsto anteriormente. Não haverá mais aquele direito anteriormente previsto. Assim, para pleitear as diferenças haverá a necessidade da discussão da legalidade da postura ativa do empregador que reduziu ou suprimiu a comissão em si.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, aqui prescrição é total. Sem mais rodeios, entendida a sistemática da prescrição total <em>versus </em>parcial, vamos aos motivos pelos quais consideramos que a alteração é maligna.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando da positivação da tese prevista na Súmula 294 do C. TST, o legislador incluiu de maneira “despretensiosa” o termo “descumprimento”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pela previsão da lei, a prescrição passará a ser total no caso de direitos não previstos em lei, quando houver alteração contratual e também quando houver o descumprimento do direito previsto contratualmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Percebe-se que quando introduz o mero “descumprimento” do direito, alarga-se demasiadamente a idéia anterior de “ato único” do empregador, não sendo mais aquele que altera ou suprime uma relação jurídica existente entre as partes onde se necessitaria discutir a legalidade do ato do empregador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mero descumprimento do acordado entre o empregado e o empregador já bastaria para invocar a prescrição total. Ou seja, os casos de mera inobservância do direito, mas que não os excluem por ato do empregador, como nos casos das Súmulas citadas acima, já gerariam a aplicação da prescrição total. Altera-se a lógica adotada pelo TST que diferenciava as naturezas prescricionais em razão de mero descumprimento ou da supressão efetiva do direito por ato unilateral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Basicamente e em resumo, parece-nos que podemos sustentar que, salvo hipóteses em que o direito em si decorre da lei (pagamento de horas extras, 13º salário etc), a prescrição em caso do seu mero descumprimento sempre será total, o que obrigaria o trabalhador a propor Reclamação Trabalhista eventualmente no curso de seu contrato de trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4 &#8211; Conclusão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vemos, assim, como uma opção possível rebater o texto do dispositivo alegando problemática de interpretação, adotando a interpretação mais benéfica por meio da lógica anterior à reforma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Argumentaríamos que não seria adequada a inclusão do marco inicial prescricional pelo mero simples “descumprimento” ou a essa forma de interpretação do termo “descumprimento”, devendo ser entendido como sinônimo de supressão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso porque o direito em tese descumprido, ainda que sem previsão legal, aderiu ao patrimônio jurídico e dele sequer foi retirado expressamente pelo empregador, tendo tão somente não sido observado. Sendo assim, não há que se falar na defesa da legalidade de sua supressão. Ele ainda está lá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vale lembrar que os contratos de trabalho e os regulamentos empresariais são fontes formais do direito do trabalho, não podendo ser ignorados se vigentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Referência Bibliográfica</strong></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">[1]  <em>BRASIL. Decreto-lei nº 5.452, de 1 de maio de 1943. Aprova a consolidação das leis do trabalho. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">[2]  <em>REFORMA TRABALHISTA &#8211; Comentários ao Substitutivo do Projeto de Lei 6787/16, BOMFIM</em> <em>CASSAR, Vólia, disponível em https://www.migalhas.com.br/arquivos/2017/5/art2017050301.pdf;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>[3], [4] e [5] Disponível em https://www.tst.jus.br/sumulas</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>[6] Disponível em https://www.tst.jus.br/web/guest/ojs/-/asset_publisher/1N7k/content/id/355330?_com_liferay_asset_publisher_web_portlet_AssetP ublisherPortlet_INSTANCE_1N7k_redirect=https%3A%2F%2Fwww.tst.jus.br%3A443%2Fweb%2Fguest%2Fojs%3Fp_p_id%3Dcom_liferay_asset_publisher_web_portlet_AssetPublisherPortlet_ INSTANCE_1N7k%26p_p_lifecycle%3D0%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26_ com_liferay_asset_publisher_web_portlet_AssetPublisherPortlet_INSTANCE_1N7k_cur%3D0% 26p_r_p_resetCur%3Dfalse%26_com_liferay_asset_publisher_web_portlet_AssetPublisherPortl et_INSTANCE_1N7k_assetEntryId%3D355330</em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A REPRESENTAÇÃO FEMININA EM “A BOLSA AMARELA” E SUA CONTRIBUIÇÃO  PARA A FORMAÇÃO DE LEITORES CRÍTICOS/REFLEXIVOS.</title>
		<link>https://revistaft.com.br/a-representacao-feminina-em-a-bolsa-amarela-e-sua-contribuicao-para-a-formacao-de-leitores-criticos-reflexivos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CS]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 May 2022 21:15:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências Humanas]]></category>
		<category><![CDATA[Linguística, Letras e Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 26 - Edição 110/MAI 2022]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=77562</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.7975290 Flávia Martins Malaquias1 RESUMO&#160; A análise da representação feminina na literatura desempenha um papel essencial na&#160; compreensão e discussão da desigualdade de gênero enfrentada pelas mulheres em&#160; diversos contextos sociais. Conscientes do poder transformador da literatura, que&#160; contribui com a formação do leitor crítico/reflexivo, e amplia seu horizonte de&#160; expectativas, neste estudo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.7975290</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Flávia Martins Malaquias<sup>1</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise da representação feminina na literatura desempenha um papel essencial na&nbsp; compreensão e discussão da desigualdade de gênero enfrentada pelas mulheres em&nbsp; diversos contextos sociais. Conscientes do poder transformador da literatura, que&nbsp; contribui com a formação do leitor crítico/reflexivo, e amplia seu horizonte de&nbsp; expectativas, neste estudo buscaremos explorar a representação feminina no livro &#8220;A&nbsp; Bolsa Amarela&#8221;, de Lygia Bojunga, para analisar as vivências da protagonista e&nbsp; adversidades enfrentadas pela protagonista. Para alcançar os objetivos, realizaremos uma análise reflexiva apoiada nas contribuições teóricas de Brait (2017), Costa Lima&nbsp; (1981), Candido (2002), Todorov (2009), Ginzburg (2012) e Zilberman (1994). Essas&nbsp; perspectivas teóricas enriqueceram este estudo, promovendo uma reflexão crítica e&nbsp; aprofundada sobre as questões supracitadas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>A bolsa amarela; representação feminina; literatura; relação de gênero.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A narrativa &#8220;A Bolsa Amarela&#8221;, escrita por Lygia Bojunga, publicada em 1976,&nbsp; apresenta em seu enredo questões acerca da identidade e liberdade aliadas à&nbsp; representação feminina e as condições enfrentadas pelas mulheres em uma sociedade&nbsp; patriarcal. Por meio de uma narrativa na voz infantil, apresenta uma protagonista que&nbsp; enfrenta conflitos com a família que acredita que “criança não têm vontade”, reprimindo&nbsp; suas vontades deixar de ser criança, ter nascido garoto em vez de menina e a vontade&nbsp; ser escritora, tendo que escondê-las dentro de uma bolsa amarela. Nesta narrativa, é&nbsp; questionado e contestado os estereótipos de gênero e os preconceitos que os envolvem.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É natural questionar se um livro destinado a esse público pode, de fato, suscitar&nbsp; discussões sobre a sociedade patriarcal e as imposições enfrentadas pelas mulheres.&nbsp; No entanto, é nesse contexto que a força da literatura reside na capacidade de abordar&nbsp; temas complexos e desafiadores de maneira acessível e significativa para as crianças,&nbsp; ampliando as percepções do leitor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Objetivamos analisar e problematizar sobre a representação feminina presente no&nbsp; livro, com vistas a discutir sobre suas contribuições para a construção de identidades&nbsp; femininas e para a percepção das relações de poder entre os gêneros. Para&nbsp; procedermos à essa análise delineamos objetivos específicos que visam contextualizar&nbsp; os conceitos de mímesis e representação, identificar a simbologia dos objetos utilizados&nbsp; na narrativa para representar determinadas situações vivenciadas pela protagonista.&nbsp; Assim também uma análise reflexiva utilizando uma seleção específica de trechos da&nbsp; obra como corpus, com o objetivo de aprofundar a compreensão da condição da mulher&nbsp; na sociedade atual, embasando-se na representação feminina presente na literatura da&nbsp; narrativa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa adotará uma abordagem bibliográfica e de corpus. A fundamentação&nbsp; teórica baseia-se em autores renomados, tais como Costa Lima (1981), Candido (2002),&nbsp; Todorov (2009), Ginzburg (2012), Zilberman (2014) e outros, que fornecem subsídios&nbsp; teóricos relevantes para a compreensão da representação feminina na literatura e a&nbsp; contribuição para a formação de leitores literários críticos e autônomos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, buscamos contribuir para uma reflexão crítica sobre as questões de&nbsp; gênero, ampliar o entendimento das complexidades da representação feminina e&nbsp; destacar a importância da literatura infantojuvenil como meio de promover discussões&nbsp; significativas sobre a sociedade patriarcal, suas consequências das desigualdades de&nbsp; gênero para as mulheres.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Perspectivas teóricas sobre a construção da personagem protagonista Raquel&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao explorar as perspectivas teóricas da literatura na construção da personagem&nbsp; protagonista Raquel, é possível destacar algumas abordagens relevantes que&nbsp; contribuem para uma compreensão mais profunda desse processo criativo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Candido (2000), enfatiza a relação intrínseca entre a arte, a literatura e os aspectos&nbsp; sociais. Segundo o autor, a literatura reflete os conflitos vivenciados pelas personagens,&nbsp; buscando denunciar situações que exigem uma mudança de paradigmas socioculturais.&nbsp; Por conseguinte, em sua obra Literatura e Sociedade, afirma que&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A criação literária corresponde a certas necessidades de representação do&nbsp; mundo, às vezes como preâmbulo a uma práxis socialmente condicionada. Mas&nbsp; isto só se torna possível graças a uma redução ao gratuito, ao teoricamente&nbsp; incondicionado, que dá ingresso ao mundo da ilusão e se transforma&nbsp;dialeticamente em algo empenhado, na medida em que suscita uma visão de&nbsp; mundo (CANDIDO, 2000, p. 49).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, a ficção pode refletir a realidade de maneira significativa, retratando&nbsp; situações em que pessoas se deslocam em busca de trabalho e melhores condições de&nbsp; vida. Essa temática, tão presente na sociedade, é abordada tanto na literatura quanto na&nbsp; realidade vivida por muitas pessoas. Na construção da personagem protagonista em &#8220;A&nbsp; bolsa amarela&#8221; percebe-se claramente um reflexo das questões e desafios enfrentados&nbsp; pelas crianças na sociedade, explorando temas como a liberdade, a identidade e a busca&nbsp; por autonomia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra abordagem relevante é a perspectiva de Todorov (2009) em relação à&nbsp; interação da literatura com diversos discursos vivos.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A literatura não nasce no vazio, mas no centro de um conjunto de discursos&nbsp; vivos, compartilhando com eles numerosas características; não é por acaso que,&nbsp; ao longo da história, suas fronteiras foram inconstantes. Senti-me atraído por&nbsp; essas formas diversas de expressão, não em detrimento da literatura, mas ao&nbsp; lado dela (TODOROV, 2009, p.22).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Sabe-se que a literatura não existe isolada, mas se entrelaça com outros campos&nbsp; do conhecimento, enriquecendo-se por meio desse diálogo constante. Essa interação&nbsp; amplia as possibilidades da literatura e proporciona uma compreensão mais ampla e&nbsp; profunda do mundo ao conectar-se com diferentes áreas de conhecimento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela não surge no vazio, mas está associada a inúmeras características e diálogos&nbsp; com diferentes áreas do conhecimento. Dessa forma, a construção da personagem&nbsp; protagonista pode ser enriquecida por elementos provenientes de diversas disciplinas,&nbsp; como a psicologia, a pedagogia e a sociologia. Isso possibilita uma compreensão mais&nbsp; ampla e complexa da personagem, suas motivações e seu impacto no leitor.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, é válido considerarmos o gênero literário como um elemento influente na&nbsp; construção da personagem protagonista. Bojunga utiliza elementos do gênero da&nbsp; narrativa infantojuvenil, explorando as vivências e os dilemas das crianças. A&nbsp; personagem protagonista, nesse cenário, assume uma posição central na história, sendo&nbsp; construída de forma a representar as experiências e os sentimentos comuns nessa fase&nbsp; da vida. Através da construção da personagem, a autora é capaz de transmitir&nbsp; mensagens, despertar a empatia do leitor e promover reflexões sobre temas relevantes&nbsp; para o público infantojuvenil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A construção da personagem protagonista está inserida em um contexto de&nbsp; transformações sociais. A literatura comparada tem discutido amplamente as relações&nbsp; entre exclusão social e valor literário, questionando visões patriarcais e conservadoras&nbsp; que foram predominantes por muito tempo. Nesse sentido, a construção da personagem&nbsp; protagonista, especialmente no que se refere à representação feminina, ganha&nbsp; importância ao desafiar estereótipos e promover a inclusão de perspectivas diversas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Destarte, ao considerar as perspectivas teóricas da literatura, podemos&nbsp; compreender a riqueza e a complexidade desse processo criativo, que vai além da mera&nbsp; representação de uma figura central na narrativa. A construção da personagem é&nbsp; influenciada por elementos sociais, diálogos interdisciplinares e reflexões sobre gênero&nbsp; e inclusão, resultando em uma obra que aborda&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas transformações recentes, a literatura comparada tem amplamente discutido as&nbsp; relações entre exclusão social e valor literário. Os princípios comuns à sociedade&nbsp; patriarcal e ao conservadorismo canônico têm passado por mudanças, acompanhando&nbsp; as transformações das últimas décadas e despertando interesse na crítica ao cânone e&nbsp; aos seus valores. Dessa forma, o nacionalismo literário tem reavaliado, de maneira&nbsp; pertinente, a inclusão das mulheres na literatura, o que tem ganhado importância&nbsp; (GINZBURG, 2012).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Além das palavras: a construção da personagem protagonista&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No tocante ao narrador, Beth Brait (2017) explica que sendo em primeira ou &nbsp;terceira pessoa, as técnicas selecionadas pelo autor pode ser por meio de descrição &nbsp;detalhada ou sintética, com os discursos direto, indireto ou indireto livre, diálogos e &nbsp;monólogos para atender às suas intenções e formas para sua manipular o discurso, &nbsp;construindo as personagens que, quando completas, escapam de comando, reduzindo&nbsp;se em palavras expostas aos receptores que podem trazer outras possibilidades de produção de sentidos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Brait (2017), na construção de uma personagem, o escritor usa &nbsp;artifícios disponíveis através de um código para gerar as criaturas de seus textos, &nbsp;provenientes de sua vida real ou imaginária, sonhos, pesadelos, e mesmo, de &nbsp;mesquinharias do cotidiano. Ainda, afirma que&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“A condução da narrativa por um narrador em primeira pessoa implica,&nbsp; necessariamente, a sua condição de personagem envolvida com os&nbsp;“acontecimentos” que estão sendo narrados. Por esse processo, os recursos&nbsp; selecionados pelo escritor para descrever, definir, construir os seres fictícios que&nbsp; dão a impressão de vida chegam diretamente ao leitor através de uma&nbsp; personagem. Vemos tudo através da perspectiva da personagem, que, arcando&nbsp; com a tarefa de “conhecer-se” e expressar esse conhecimento, conduz os traços&nbsp; e os atributos que a presentifica e presentifica as demais personagens”&nbsp; (BRAIT, 2017, p. 83).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa perspectiva, observa-se que a construção da protagonista Raquel, é&nbsp; conduzida de forma sutil e delicada ao longo da narrativa. Bojunga utiliza técnicas&nbsp; narrativas eficazes para transmitir as emoções e os pensamentos da protagonista,&nbsp; mergulhando na mente da criança e explorando seus conflitos internos. A partir do&nbsp; discurso indireto livre e uma linguagem predominantemente coloquial, o leitor tem acesso&nbsp; direto aos sentimentos de Raquel, criando uma conexão emocional profunda com suas&nbsp; vontades e seus conflitos familiares.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ressalta-se que para a construção do personagem pode ser construída somente por meio de um jogo de linguagem, que seja tangível a sua presença, sendo de &nbsp;movimentos sensíveis. Sendo o texto um produto, sendo ele o único que concretiza os&nbsp; elementos usados pelo escritor para dar consistência à sua criação para causar estímulos&nbsp; às reações dos leitores. Nesse sentido, constroem-se as personagens seguindo&nbsp; determinadas leis, mas que somente o texto fornece.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao se observar o processo de construção de personagens de um texto, por meio&nbsp; da comparação, pode-se compreender como o autor realiza seu processo de criação&nbsp; de criaturas que compõem seu texto, levando em conta o conjunto de sua obra. É&nbsp; preciso ter em mente que esse entendimento é definido por meio da análise, aliada a&nbsp; uma perspectiva crítica, bem como pelas bases teóricas usadas ao analisar. No entanto,&nbsp; o leitor comum pode tão somente desfrutar da personagem sem a preocupação de um&nbsp; analista (BRAIT, 2017).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No tocante à construção da personagem protagonista Raquel, é possível observar&nbsp; a habilidade de Bojunga em criar uma personagem cativante e complexa. A protagonista,&nbsp; enfrenta desafios emocionais e busca encontrar sua própria identidade. Essa construção é conduzida de forma sutil e delicada ao longo da narrativa. A autora utiliza técnicas&nbsp; narrativas eficazes para transmitir as emoções e os pensamentos, mergulhando na&nbsp; mente da criança e explorando seus conflitos internos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso do discurso indireto livre permite ao leitor ter acesso direto aos sentimentos&nbsp; da personagem, criando uma conexão emocional profunda. Além disso, a protagonista&nbsp; é apresentada como uma criança imaginativa e sonhadora, cuja bolsa amarela é um&nbsp;símbolo importante na história. Através da bolsa, a personagem protagonista expressa&nbsp; seus desejos, medos e anseios mais profundos, revelando sua necessidade de se&nbsp; libertar das expectativas e pressões sociais. A bolsa torna-se uma metáfora poderosa&nbsp; para a busca da individualidade e da autenticidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo da narrativa, a personagem enfrenta desafios e confronta os valores e&nbsp; normas impostos pela sociedade, especialmente no que diz respeito ao papel da mulher.&nbsp; Questiona os estereótipos de gênero e busca se libertar das limitações impostas,&nbsp; reivindicando seu espaço e sua voz.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa construção destaca a importância da autenticidade e da busca pela identidade&nbsp; própria. A autora retrata de forma sensível e realista os dilemas enfrentados pelas&nbsp; crianças ao tentarem se encaixar em padrões sociais pré-estabelecidos. Raquel representa a luta pela individualidade e a necessidade de se expressar livremente,&nbsp; deixando uma mensagem poderosa para os leitores de todas as idades.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Mimesis e a Representação: entre a imitação e a criação&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A representação não ocorre por vontade própria, mas busca tornar-se visível e dar&nbsp; visibilidade ao outro, em um aspecto paradoxal. A prática da mimesis faz com que a&nbsp; linguagem perca sua identidade habitual, deixando de expressar apenas implicações&nbsp; imediatas sobre o mundo. Da mesma forma, o produtor da linguagem se despoja de sua&nbsp; própria identidade e passa a falar ou escrever para dar vida a fantasmas, que não são&nbsp; meras projeções de seu eu empírico (COSTA LIMA, 1981, p. 230). O autor também&nbsp; destaca que a mimesis atua na representação de representações, estabelecendo um&nbsp; distanciamento entre elas e a própria cena, o que torna possível apreciá-las, conhecê-las e questioná-las. Esse distanciamento pode impedir a ação prática sobre o objeto,&nbsp; mas, ao mesmo tempo, permite que se pense nele, experimentando-o. A distância&nbsp; mantém o objeto próximo daquilo que o alimenta, assim como da proximidade do mundo&nbsp; sensível que está em seu horizonte (COSTA LIMA, 1981, p. 231).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aristóteles (2011) compara tragédia e comédia, mostrando que a representação ou&nbsp; imitação está associada aos personagens, que podem ser pessoas com características&nbsp; inferiores ou superiores inerentes aos seres humanos reais. A mimesis é tanto imitativa&nbsp; quanto criativa, pois denota a inclinação do ser humano em representar as coisas como&nbsp; deveriam ser, mas não são. A literatura é uma fonte de experiências sobre o&nbsp; comportamento humano. No entanto, o efeito mimético não é o mesmo que sentir a&nbsp;situação narrada, pois ele é subjetivo. Ao longo do tempo, a literatura perdeu sua&nbsp; importância em gerar reflexões próprias e abordar questões humanas. Na época de&nbsp; Aristóteles, a literatura desempenha um papel crucial e estava integrada à vida cultural&nbsp; da sociedade. No entanto, na contemporaneidade, a literatura cria personagens por meio&nbsp; da imitação de ações humanas. As personagens imitam o ser humano da mesma forma&nbsp; que o ser humano se molda por meio da imitação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Zilberman (1994), os livros têm o potencial de ensinar valores às crianças&nbsp; por meio da moral da história, proporcionando à literatura infantil um espaço para discutir&nbsp; questões sociais, uma vez que ela desempenha um papel fundamental na formação das&nbsp; crianças. As histórias infantis utilizam animais como uma forma de alegoria para&nbsp; expressar seu mundo interior, relacionando-se com sua forma física, comportamento,&nbsp; virtudes e características humanas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na literatura infantil, é comum encontrar a representação do gênero feminino&nbsp; estereotipado como mulher frágil e indefesa. Nas histórias infantis, as mulheres&nbsp; frequentemente são retratadas como passivas, aguardando que os homens, ativos, as&nbsp; &#8220;salvem&#8221; e as despossem sem considerar sua vontade (ALVES e PITANGUY, 1985, p.&nbsp; 64). Desde os primórdios da literatura infantil, os contos de fadas apresentam princesas&nbsp; enfrentando perigos, à espera de seus príncipes heróis para resgatá-las e viverem felizes&nbsp; para sempre.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aristóteles (2011), ao abordar gêneros literários como poesia, fábula, teatro,&nbsp; epopeia, entre outros, atribui uma importância fundamental ao enredo. O enredo é&nbsp; essencialmente o desenvolvimento da história, com mudanças que buscam novos&nbsp; rumos. Essas mudanças dependem da semelhança e da necessidade de se basearem&nbsp; na história, que deve ter um começo, meio e fim para alcançar um ponto. Na imitação&nbsp; das ações humanas, é necessário reconhecer uma reviravolta, que ocorre quando o ser&nbsp; humano sai da ignorância e adquire conhecimento sobre algo que antes desconhecia,&nbsp; causando uma mudança abrupta. Se essa mudança leva a um desfecho negativo, chega-se à catarse, uma comoção emocional que leva à purificação. A catarse proporciona uma&nbsp; liberação emocional intensa, representando o clímax da história e constituindo uma das&nbsp; partes da narrativa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Estereótipos culturais e novas identidades: a representação feminina na literatura</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O sexo é uma questão política, pois envolve relações de poder. O movimento&nbsp; feminista surge como uma ruptura aos modelos políticos tradicionais que desconsideram&nbsp; o espaço individual e definem a política apenas na esfera objetiva. O discurso feminista&nbsp; denuncia a natureza subjetiva da opressão e dos aspectos emocionais, revelando as&nbsp; relações interpessoais e buscando organizar a política pública. Essas relações contêm&nbsp; elementos de poder e hierarquia entre homens, mulheres e outras categorias. Em todas&nbsp; as esferas da vida, seja no âmbito doméstico, no trabalho ou em outros contextos, as&nbsp; mulheres buscam recriar essas relações, valorizar a feminilidade e repensar e reconstruir&nbsp; a identidade de gênero, sem a necessidade de se adaptarem a modelos hierarquizados.&nbsp; É importante considerar as qualidades femininas e masculinas como atributos integrais&nbsp; do ser humano (ALVES &amp; PITANGUY, 1991).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bourdieu (2002) argumenta que existe uma dominação masculina que priva as mulheres por meio de um sistema de regras opressoras que julga o corpo feminino.&nbsp; Essas concepções estão enraizadas e muitas vezes invisíveis na sociedade, originando se de princípios morais e religiosos que impõem normas que valorizam o corpo&nbsp; masculino e reduzem o corpo da mulher a um objeto sexual. Essa situação de&nbsp; desigualdade é perpetuada sem justificativa, silenciando e subordinando as mulheres,&nbsp; que são excluídas da participação e relegadas ao papel de donas de casa. Existe uma&nbsp; divisão entre os sexos na ordem social que parece tão normal e natural que se torna&nbsp; inevitável, pois está profundamente internalizada nas mentes e funciona como esquemas&nbsp; perceptíveis, resultando em relações de poder sobre a mulher. Esses esquemas sociais&nbsp; atribuem ao homem um papel de dominador e opressor, impondo uma ideia de&nbsp; masculinidade que limita a liberdade da mulher de escolher outros caminhos para sua&nbsp; vida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Zolin (2011), os textos canônicos produzidos por escritores masculinos&nbsp; representam a mulher por meio de estereótipos culturais, retratando-a como sedutora,&nbsp; perigosa, imoral, megera, indefesa ou incapaz, ou ainda como um anjo capaz de se&nbsp; sacrificar pelo bem-estar familiar. A partir dos anos 90 do século XX, as personagens&nbsp; femininas nos textos literários escritos por mulheres passaram a ser construídas com o&nbsp; intuito de agregar novas identidades, desafiando a ordem patriarcal por meio de&nbsp; abordagens feministas. Essa tendência na literatura feminina caracteriza-se pela&nbsp; produção de textos literários novos e autônomos que denunciam a opressão e buscam&nbsp; promover uma nova identidade feminina. Em seu estudo sobre Ana Maria Machado e&nbsp; Nélida Piñon, demonstrou que a transformação das mulheres que antes estavam&nbsp;aprisionadas nas relações de gênero, sendo identificadas como mulheres-objeto, em&nbsp; personagens femininas protagonistas de narrativas que as constroem como mulheres sujeitas. Essas personagens são dotadas da capacidade de construir sua própria trajetória&nbsp; e desafiar as manifestações do poder de ideologias patriarcais, as quais estão perdendo&nbsp; força na sociedade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Desconstrução dos estereótipos de gênero em “A Bolsa Amarela”: a voz da&nbsp; protagonista Raquel&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Procedemos ao diálogo entre as teorias apresentadas na fundamentação teórica e&nbsp; o corpus selecionado. Narrada em primeira pessoa pela personagem protagonista, traz&nbsp; uma criança que vive em meio a adultos e sente que não tem voz dentro de sua família.&nbsp; A narrativa desenvolve-se a partir de sua perspectiva subjetiva, permitindo que a&nbsp; narradora participe ativamente da história. Segundo Brait (2017), a escolha entre a&nbsp; primeira e a terceira pessoa na narrativa permite ao escritor detalhar ou sintetizar sua&nbsp; narrativa, manipular o discurso e construir personagens completas. Nesse sentido,&nbsp; Raquel é uma personagem e, ao mesmo tempo, narradora, conferindo-lhe participação&nbsp; e controle sobre tudo o que é narrado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Raquel é uma menina questionadora, com uma imaginação fértil e uma&nbsp; personalidade marcante. Ela se recusa a aceitar os papéis socialmente impostos a seu&nbsp; gênero e idade, entrando em conflito com sua família patriarcal. Raquel guarda dentro&nbsp; de uma bolsa amarela seus desejos reprimidos, como o desejo de ser adulta, de ter&nbsp; nascido menino e de se tornar escritora, pois não concorda com as imposições às quais&nbsp; está exposta. No entanto, ao tentar esconder esses desejos sufocados, eles apenas&nbsp; crescem ainda mais:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Eu tenho que achar um lugar para esconder as minhas vontades. Não digo&nbsp; vontade magra, pequenininha, que nem tomar sorvete a toda hora, dar sumiço&nbsp; da aula de matemática, comprar um sapato novo que eu não aguento mais o&nbsp; meu. Vontade assim todo o mundo pode ver, não tô ligando a mínima. Mas as&nbsp; outras &#8211; as três que de repente vão crescendo engordando toda a vida &#8211; ah &#8211; essas eu não quero mais mostrar [&#8230;]&#8221; (BOJUNGA NUNES, 2020, p. 9).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a personagem sofre com a tradição familiar patriarcal, sendo uma criança&nbsp; do sexo feminino sem espaço para expressar sua vontade, uma vez que seu desejo não&nbsp; é considerado legítimo em uma sociedade machista que não leva em conta o desejo&nbsp; infantil. Em uma sociedade tradicional que concede autoridade aos pais, principalmente&nbsp;aos pais do sexo masculino, as crianças, especialmente as meninas, se submetem a essa autoridade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na narrativa, não se nota a presença das vozes de seus pais em seu mundo infantil,&nbsp; o que demonstra uma desigualdade entre o adulto e a criança. Por isso, ela deseja ser&nbsp; adulta: &#8220;gente grande é uma turma muito difícil de entender&#8221; (BOJUNGA, 2020, p.18).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, sua narrativa denota a predominância de valores do masculino&nbsp; sobrepondo-se aos femininos, a menina demonstra isso em um jantar na casa de sua tia&nbsp; Brunilda, que mantém a família financeiramente: “Puxa vida, por que é que eu não tinha&nbsp; nascido Alberto em vez de Raquel? Pronto! Mal acabei de pensar aquilo e a vontade de&nbsp; ter nascido garoto deu uma engordada [&#8230;]” (BOJUNGA, 2020, p. 77).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vontade de ser homem não está associada à sexualidade da personagem, mas&nbsp; sim, à vontade de ter voz e ter liberdade na sociedade patriarcal, ela quer ter o direito de&nbsp; jogar bola, soltar pipa, ter o mesmo direito que um menino. Raquel em sua fala ao irmão&nbsp; deixa evidente como se sente em relação à essa desigualdade,&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Vocês podem ter um monte de coisas que a gente não pode. Olha: lá na escola,&nbsp; quando a gente tem que escolher um chefe pras brincadeiras, ele sempre é um&nbsp; garoto. Que nem chefe de família: é sempre o homem também. Se eu quero&nbsp; jogar uma pelada, que é o tipo do jogo que eu gosto, todo mundo faz pouco de&nbsp; mim e diz que é coisa pra homem; se eu quero soltar pipa, dizem logo a mesma&nbsp; coisa. É só a gente bobear e ficar burra: todo mundo tá sempre dizendo que vocês&nbsp; têm que meter as caras no estudo, que vocês é que vão ser chefe de família,&nbsp; que vocês é que vão ter tudo. Até para resolver casamento – então eu não vejo?&nbsp; – a gente fica esperando vocês decidirem (BOJUNGA, 2012, p. 16-17).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Ela não gosta do modo com que a tratam, isso por perceber que ela como menina&nbsp; não possui a força e a liberdade que os meninos têm, pois recebe um tratamento inferior&nbsp; em sua família que é composta por adultos, sendo ela a única criança e ainda ser menina.&nbsp; Sua vontade de ser homem, portanto, ocorre pelo anseio de liberdade como a de seu&nbsp; primo Alberto, filho de sua rica tia Brunilda.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alves e Pitanguy (1985) mostram que a literatura infantil representar o gênero&nbsp; feminino através do estereótipo de mulher de frágil e indefesa, reproduzindo histórias infantis criam mulheres submissas à espera de um príncipe encantado que salve sua &nbsp;vida e se case com ela como prêmio, não importando seu desejo de se casar ou não &nbsp;com o príncipe que lhe aparece. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente, possui um equilíbrio, pois apresenta um enredo estável, com Raquel&nbsp; vivendo com sua família, participando dela submetendo-se a regras tradicionais que&nbsp; configuram sua família. Mas surgem as vontades da menina que vão se intensificando,&nbsp;gerando o desequilíbrio. Para fugir desse problema, Raquel usa seu imaginário para fugir&nbsp; dessa situação, e assim, ela deixa sua casa e somente retorna, após organizar seus&nbsp; conflitos. Passa de um equilíbrio para o desequilíbrio, tornando-se insegura e revoltada&nbsp; com a forma de tratamento dado por sua família. Entretanto, no final, a adolescente&nbsp; passa a compreender os adultos. O leitor pode ver a passagem do equilíbrio para o&nbsp; desequilíbrio e o retorno ao equilíbrio emocional. Ela possui três desejos que crescem&nbsp; em sua mente: ser homem, ser escritora e crescer para ficar adulta.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É nesse cenário, que a garota se vale de fantasias para narrar acontecimentos&nbsp; sobrenaturais, imaginações que são usadas para a busca de equilíbrio emocional. Desse&nbsp; modo, ela cria um mundo de imaginação, por meio de amigos imaginários André e&nbsp; Lorelai; além de animais, galos, galinhas e objetos a bolsa amarela e seus sete filhotes,&nbsp; alfinete, guarda-chuva, que falam, sentem e realizam as imaginações dela. A essas&nbsp; imaginações, Costa Lima (1981) chama de representação para tornar o outro visível em&nbsp; uma prática mimética na qual o objeto de imaginação perde sua habitual identidade, não&nbsp; consistindo em algo que traga implicações imediatas sobre o mundo. Ao usar a mimesis,&nbsp; o personagem fala ou escreve para animar fantasmas, que não são meramente&nbsp; projeções empíricas. A mimesis supõe um distanciamento entre as representações e a&nbsp; cena apresentada, possibilitando o questionamento ou conhecimento.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas imaginações da menina marcam a importância e a simbologia da bolsa para&nbsp; Raquel. Ela vivia com sua família em uma zona rural, mas eles mudaram para a cidade&nbsp; e com isso, sentiu falta do quintal da casa. Sua família passou a ter uma vida triste e&nbsp; irritada, talvez devido à dificuldade financeira e condições de trabalho na cidade muito&nbsp; ruins. Passou a ter saudade do quintal e da felicidade de todos naquele espaço onde ela&nbsp; podia brincar e usar a imaginação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim que a menina ganhou uma bolsa amarela, única peça que a família não&nbsp; quis entre várias roupas e acessórios sua tia Brunilda doou, ela olhou dentro da bolsa e&nbsp; fez uma analogia com o quintal dizendo: “tava até parecendo o quintal da minha casa,&nbsp; com tanto esconderijo bom, que fecha, que estica, que é pequeno, que é grande. E tinha&nbsp; uma vantagem: a bolsa eu podia levar sempre a tiracolo, o quintal não” (BOJUNGA,&nbsp; 2020, p.28-29).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desse modo, a velha bolsa amarela abrigou suas três vontades, passando a ser&nbsp; seu quintal, lugar para ela depositar passou a depositar seus desejos, usando a&nbsp; imaginação. A bolsa torna a menina sensível e criativa e simboliza um conflito que a&nbsp; divide em dois mundos, um real e outro imaginário, através dos quais ela estabelece uma&nbsp;relação que mostra as incoerências da realidade e como a imaginação pode trazer compreensão para suas dificuldades em viver em um mundo marcado por imposições&nbsp; que tolhe a liberdade das pessoas, seja qual for sua sexualidade. No mundo real,&nbsp; estavam as vozes paterna e materna que representavam a sociedade patriarcal, e de&nbsp; outro, as vozes criadas que subverteram essa realidade. A bolsa permanecia com Raquel&nbsp; o tempo inteiro e em todos os lugares por onde ela levava seu inconsciente com uma&nbsp; organização para cada situação, configuradas nos bolsos da bolsa aos quais ela&nbsp; chamava de filhotes da bolsa amarela.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Cheguei em casa e arrumei tudo que eu queria na bolsa amarela. Peguei os&nbsp; nomes que eu vinha juntando e botei no bolso sanfona. O bolso comprido eu&nbsp; deixei vazio, esperando uma coisa bem magra pra esconder lá dentro. No bolso&nbsp; bebê eu guardei um alfinete de fralda que eu tinha achado na rua, e no bolso de&nbsp; botão escondi uns retratos do quintal da minha casa, uns desenhos que eu tinha&nbsp; feito, e umas coisas que eu andava pensando. Abrir um zipe; escondi fundo minha&nbsp; vontade de crescer; fechei. Abri outro zíper; escondi mais fundo minha vontade&nbsp; de escrever; fechei. No outro bolso de botão espremi a vontade de ter nascido&nbsp; garoto (ela andava muito grande, foi um custo pro botão fechar). Pronto! a&nbsp; arrumação tinha ficado legal. Minhas vontades estavam presas na bolsa amarela,&nbsp; ninguém mais ia ver a cara delas (BOJUNGA, 2020, p. 30-31).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Foi assim, que ela criou personagens animais e objetos para esconder na bolsa&nbsp; suas vontades da família. Essas personagens possuem uma história própria com início,&nbsp; meio e fim, ainda que não tenha o tradicional final feliz. A criação de personagens&nbsp; fantásticas como os galos Afonso e Terrível, a Guarda-Chuva, o Alfinete de Fraldas e o&nbsp; pessoal da Casa dos Consertos simboliza as várias etapas de crescimento emocional da&nbsp; personagem, alegorias dos desejos mais intensos da personagem-protagonista.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as personagens criadas está o galo Rei, que quebra o estereótipo masculino. Ele foge do galinheiro e pede abrigo na bolsa amarela, dizendo que seu nome&nbsp; não identifica com seu modo de pensar e que ele não queria mandar nas galinhas. Pediu&nbsp; a Raquel para mudar seu nome, desse modo ele próprio escolheu o nome de Afonso.&nbsp; Ela não gostou do nome, dizendo que o galo não combinava com Afonso, entretanto&nbsp; respeitou sua vontade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Primeiro, a menina cria o Rei que se tornou Afonso. Ele não queria reinar&nbsp; no galinheiro, porque diz não gostar de mandar e, foi por essa razão, que não se sentia&nbsp; confortável com o nome Rei. Mais tarde, ela criou outro galo ao qual chamou de Terrível&nbsp; para dividir o galinheiro com Afonso que não se sentiu ameaçado, o que não aconteceria&nbsp; com os homens. Ele aceitou terrível, mas o galinheiro se revoltou com essa situação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os episódios dos galos trazem as considerações de Bourdieu (2002) sobre a&nbsp; dominação masculina que inferioriza a mulher. Essa concepção está cristalizada ou&nbsp; invisíveis na sociedade e buscam impedir a mudança de paradigma como aconteceu o&nbsp; galo Afonso aceitar outro galo ajudando com as galinhas. Em outras palavras, o sistema&nbsp; social, não aceita comportamentos diferentes daqueles que são impostos socialmente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também Candido (2000) considera que a literatura pode denunciar condutas que &nbsp;precisam mudar paradigmas socioculturais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Raquel, o Alfinete de Fraldas era pequeno e insignificante como ela se&nbsp; sentia, e por isso, ela não deu nenhuma função para ele em seu mundo imaginário, mas&nbsp; mesmo deixando-o, ele representa a prisão da criança, pois ela deseja crescer e ser&nbsp; adulta. As ideias de Zilberman (1994) podem ser associadas à alegoria que crianças &nbsp;usam para exteriorizar seu mundo interior, no caso do alfinete de fraldas, ele é uma &nbsp;associada à forma física, na representação do que é ser criança.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A menina inventa uma personagem chamada André para quem escreve uma carta&nbsp; reclamando que nasceu após todos seus irmãos, em um momento em que a mãe não&nbsp; queria mais filhos, dizendo que se sua mãe não queria ter mais filhos, por que ela nasceu.&nbsp; Nessa carta ela faz uma reflexão referente à liberdade de querer um filho ou não, dizendo&nbsp; que as pessoas deveriam nascer se a mãe quisesse e pergunta a André o que ele pensa&nbsp; disso. (BOJUNGA, 2020). Aqui a autora entra em um assunto muito controverso e&nbsp; bastante questionado pela sociedade de forma leve e sutil, o direito da mulher de ter ou&nbsp; não um filho indesejado. Essa passagem do livro questiona a autonomia que a mulher&nbsp; deveria ter sobre seu corpo com relação à reprodução, além de estar em conformidade&nbsp; por Raquel não gostar de sua condição de ser uma criança, demonstrando seu&nbsp; sofrimento por ter nascido em uma família adulta, com problemas financeiros, sendo&nbsp; mais um fardo para a família, e ainda ser criança e menina. Essa sua insignificância fez&nbsp; com que ela criasse estratégias para fugir da realidade para dar conta de trabalhar suas&nbsp; emoções.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Zolin (2011) faz menção sobre uma literatura feminina caracterizada pela&nbsp; denúncia da opressão contra a mulher, trazendo-lhe uma nova identidade. Para Ginzburg&nbsp; (2012), há um nacionalismo literário de inserção de mulheres na literatura que tem &nbsp;crescido e aumentado sua importância no mundo da literatura de cunho social &nbsp;(GINZBURG, 2012).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em outra parte do enredo, Afonso entrega a Raquel um guarda-chuva,&nbsp; descobrindo que esse objeto ao ser produzido, pode ser homem ou mulher. Ela escolheu&nbsp;que este seria feminino, no caso uma guarda-chuva. Ela escolheu que a guarda-chuva&nbsp; seria pequena, mas essa sua escolha era contraditória, uma vez que queria ser menino&nbsp; e adulta. Nesse momento, ela estava diminuindo sua vontade de ser garoto e a aceitação&nbsp; de sua identidade feminina. A guarda-chuva mesmo sendo pequena podia crescer e agir&nbsp; como criança no sentido de brincar e se divertir. Ela podia escolher crescer ou ser&nbsp; pequena por meio do cabo que podia se mover para aumentar ou diminuí-la. Ela queria&nbsp; crescer, mas continuar brincando, o que não acontece com os adultos: “viu que uma&nbsp; coisa não tinha nada a ver com a outra: ela podia muito bem ser grande e ela podia muito&nbsp; bem continuar brincando.” (BOJUNGA, 2020, p.50).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Raquel leva o guarda-chuva para consertar na Casa dos Consertos e foi lá que&nbsp; ela teve ajuda para acabar com suas vontades. Nesse lugar, ela encontra uma realidade&nbsp; bem divergente da sua, lá todos possuem o mesmo tratamento, exercem as mesmas&nbsp; funções sendo homens ou mulheres. Conversa com Lorelai, outra personagem que ela&nbsp; criou. Quer saber quem é o chefe da casa, se é o pai ou o avô dela. Lorelai diz lhe&nbsp; pergunta para que chefe e a menina diz que é para resolver as coisas e Lorelai&nbsp; respondeu:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A gente senta aí na mesa e resolve tudo que precisa. Resolve como é que vai&nbsp; enfrentar um caso que a vizinha criou; revolve se vai brincar mais que trabalhar;&nbsp; resolve o que é que vai comer; quanto é que vai gastar em roupa, em comida,&nbsp; em livro; resolve essas transas todas. Cada um dá uma ideia. E fica resolvido o&nbsp; que a maioria acha melhor (BOJUNGA, 2020, p. 114).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A menina foi surpreendida com uma realidade diferente daquela de sua família na&nbsp; qual os homens têm uma posição de poder privilegiado em relação às mulheres, bem&nbsp; como dos adultos em relação aos mais jovens como ela. Na família da Casa de&nbsp; Consertos, ela percebeu que as mulheres fazem trabalhos considerados para homens&nbsp; pela sociedade patriarcal, também os homens fazem trabalhos domésticos que essa&nbsp; sociedade destina às mulheres.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nasceu nela o desejo de ser como Lorelai que gosta de ser criança e mulher ao&nbsp; mesmo tempo, ainda que a sociedade imponha normas que tiram a liberdade e a&nbsp; independência das mulheres. A descoberta dessa família que desconsidera as&nbsp; imposições sociais, liberta as vontades de Raquel que percebe que pode soltar pipa&nbsp; como os meninos e de ser grande, contudo, a vontade de ser escritora continua. Ela preferiu continuar a esconder essa vontade e parar de escrever, para evitar o deboche&nbsp; de sua família. Entretanto, não consegui, porque a vontade cresceu mais ainda. Segundo&nbsp; Raquel, “falaram que tanta coisa era coisa só pra garoto, que eu acabei até pensando&nbsp; que o jeito era nascer garoto. Mas agora eu sei que o jeito é outro”. Foi assim, que ela&nbsp; resolveu escrever e depositar na bolsa amarela que estava cada dia mais pesada.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Acabei até mudando de ideia: resolvi que se eu queria escrever qualquer coisa&nbsp; eu devia escrever e pronto. Carta, romancinho, telegrama, o que me dava na&nbsp; cabeça. Queriam rir de mim? Paciência. Melhor rirem de mim do que carregar&nbsp; aquele peso dentro da bolsa amarela. (BOJUNGA, 2020, p. 103)&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Sua descoberta maior foi a de que queria ser escritora, coisa que ela exercitou ao&nbsp; criar personagens, escreveu cartas para André e Lorelai, inclusive no final a conheceu&nbsp; pessoalmente Lorelai e sua família que ela fantasiou. Nesse momento, descobriu que&nbsp; pode mudar. Observa-se que as histórias inventadas pela menina estão em&nbsp; conformidade com as ideias de Todorov (2009), que afirma que a literatura não nasce no &nbsp;vazio, mas sim, através de um conjunto de discursos vivos, com várias características, &nbsp;não ocorrendo por acaso. “A bolsa amarela&#8221; é uma obra que nasceu das vontades vivas &nbsp;de Raquel, cujos discursos resultaram em sua imaginação, componentes da obra literária &nbsp;de Lygia Bojunga.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bojunga utiliza diversas metáforas para simbolizar elementos essenciais na&nbsp; narrativa, abordando temas como o inconsciente infantil, a repressão das vontades e os&nbsp; conflitos internos. Abaixo seguem análises que contribuem para a compreensão dessas&nbsp; metáforas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• A bolsa amarela simboliza o inconsciente infantil e a repressão das vontades. Ela&nbsp; representa o espaço onde a protagonista, Raquel, guarda seus segredos mais profundos&nbsp; e desejos não expressos. A bolsa amarela torna-se um símbolo da importância de dar&nbsp; voz às emoções e vontades reprimidas, permitindo que Raquel explore sua&nbsp; individualidade e expresse suas necessidades.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• As cartas escritas por Raquel ao longo da história possuem um significado mais&nbsp; profundo. Elas funcionam como um exercício de escrita e uma forma de expressão&nbsp; pessoal para a protagonista. As cartas simbolizam a busca de Raquel por encontrar sua&nbsp; voz como escritora e afirmar sua identidade. Por meio delas, ela revela seu processo de&nbsp; descoberta e autodescoberta, compartilhando suas experiências e reflexões.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• O guarda-chuva representa o projeto de Raquel de ser grande e pequena&nbsp; simultaneamente. Essa metáfora reflete o desejo de Raquel de explorar o mundo e&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">desafiar as limitações impostas pela sociedade e pelos adultos. O guarda-chuva&nbsp; simboliza a dualidade de Raquel, sua busca por equilíbrio entre a liberdade de expressão&nbsp; e as responsabilidades da vida cotidiana.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• O alfinete de fralda é utilizado por Raquel para controlar e fiscalizar suas próprias&nbsp; vontades. Essa metáfora representa a autodisciplina e a internalização das regras&nbsp; sociais. Ela reflete o conflito interno de Raquel entre suas vontades individuais e as&nbsp; expectativas externas, mostrando a necessidade de encontrar um equilíbrio saudável&nbsp; entre suas necessidades e as demandas do mundo ao seu redor.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• A Casa de Consertos simboliza a família idealizada por Raquel, onde todos os&nbsp; problemas e conflitos seriam resolvidos. Essa metáfora expressa o desejo de Raquel de&nbsp; encontrar um ambiente familiar harmonioso e acolhedor, onde suas vontades e&nbsp; necessidades sejam compreendidas e atendidas. A casa de consertos representa a&nbsp; busca por segurança emocional e o anseio por um espaço onde Raquel possa ser&nbsp; verdadeiramente ela mesma.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• O Galo Terrivel representa a limitação da liberdade de pensamento. Essa metáfora&nbsp; simboliza as restrições impostas pela sociedade, que restringem a expressão das ideias&nbsp; e o questionamento das normas estabelecidas. Reflete a dificuldade de Raquel, a&nbsp; protagonista, em expressar sua individualidade e ter suas opiniões valorizadas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• André é um personagem que representa a comunicação e a imaginação. Sua&nbsp; presença na história estimula Raquel a se expressar e explorar sua criatividade. A&nbsp; metáfora de André destaca a importância da comunicação como meio de expressão e&nbsp; conexão com os outros. Além disso, sua presença também desperta a imaginação de&nbsp; Raquel, abrindo portas para novas possibilidades e descobertas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• Lorelai é um símbolo das descobertas realizadas por Raquel ao longo da narrativa.&nbsp; Essa metáfora representa a jornada de autodescoberta da protagonista, sua busca por&nbsp; compreender a si mesma e ao mundo ao seu redor. Lorelai simboliza as experiências&nbsp; transformadoras e reveladoras que contribuem para o amadurecimento de Raquel.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas metáforas contribuem para uma reflexão mais profunda sobre temas como&nbsp; a liberdade de pensamento, a importância da expressão pessoal, a busca pela identidade&nbsp; e a reconciliação dos conflitos internos. Através desses símbolos, a autora nos convida&nbsp; a refletir sobre as experiências da infância, a necessidade de autoconhecimento e a&nbsp; importância de encontrar um espaço onde possamos expressar quem realmente somos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Funcionam como recursos que serviram para superar a opressão dos adultos sobre&nbsp; ela. Essas metáforas configuradas em amigos pessoas, amigos objetos e amigos animais metamorfoseados. A bolsa estabelece a mediação entre a realidade e a fantasia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, no final, quando Raquel esvazia a bolsa, ela está passando por um rito de&nbsp; passagem entre a criança pré-adolescente que deixou de ser criança e se transformou&nbsp; em uma adulta jovem que conseguiu sua libertação. Através desses símbolos, a autora&nbsp; nos convida a refletir sobre as experiências da infância, a necessidade de&nbsp; autoconhecimento e a importância de encontrar um espaço onde possamos expressar&nbsp; quem realmente somos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Considerações finais&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A representação feminina em &#8220;A Bolsa Amarela&#8221;, de Lygia Bojunga, aborda as&nbsp; condições das mulheres na sociedade patriarcal por meio de uma narrativa na voz&nbsp; infantil. Ficou evidente que é possível abordar e refletir sobre a sociedade patriarcal na&nbsp; literatura infantil, promover uma problematização e reflexão sobre as temáticas&nbsp; apresentadas na obra, conforme estabelecido nos objetivos deste estudo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O aporte teórico ratifica que, por meio da mimese, é possível tratar de temas&nbsp; considerados pesados para crianças. As teorias e a própria obra nos mostram que os&nbsp; jovens leitores podem se beneficiar desse tipo de texto, pois contribui para a formação&nbsp; de identidade, além de proporcionar caminhos para reflexão e equilíbrio interior. Raquel,&nbsp; a personagem principal, vivencia aventuras engraçadas e divertidas, utilizando-as como&nbsp; pretexto para denunciar a sociedade patriarcal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A obra pode ser considerada feminista, levando à discussão sobre gênero ao&nbsp; romper com paradigmas através de personagens como o Galo Afonso e a família da&nbsp; Casa de Consertos, por meio da imaginação. Abre espaço para diversas análises,&nbsp; incluindo questões de gênero, aborto, preconceito social, consumismo, identidade,&nbsp; liberdade, entre outros. Além de questões sociais, o livro também possui uma&nbsp; metalinguagem da criação literária, uma vez que Raquel acaba produzindo textos e&nbsp; situações que se tornam histórias imaginárias, podendo servir como ponto de partida&nbsp; para discussões sobre técnicas de produção textual.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, além de analisar a representação feminina, a obra oferece a oportunidade&nbsp; de explorar temas que despertam questionamentos sobre a sociedade patriarcal que&nbsp; vivemos e promove reflexões/discussões enriquecedoras sobre as relações de&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">desigualdades de gênero e social. Contribui significativamente para o desenvolvimento&nbsp; de leitores críticos/reflexivos e para a promoção da leitura literária.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, B. M.; PITANGUY, J. <strong>O que é feminismo? </strong>São Paulo: Brasiliense, 1991. BRAIT, Beth. <strong>A personagem. </strong>São Paulo: ÁTICA, 2017.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BOJUNGA, Lygia. <strong>A bolsa amarela. 35</strong>. ed., Rio de Janeiro: Casa Lygia Bonjunga, 2020&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BOURDIEU, Pierre. <strong>A dominação masculina. </strong>2. ed., Rio de Janeiro: BERTRAND &nbsp;BRASIL, 2002.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CANDIDO, A. <strong>Literatura e sociedade. </strong>Rio de Janeiro: Ouro Sobre Azul, 2000.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. <strong>Dicionário de símbolos</strong>. Trad. de Vera da &nbsp;Costa e Silva. Rio de Janeiro: José Olympio, 2017.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">COSTA LIMA, Luiz. Representação Social e Mímesis. IN: _____. <strong>Dispersa demanda</strong>. &nbsp;Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1981.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GINZBURG, Jaime. O narrador na literatura brasileira contemporânea. <strong>Quaderni di&nbsp; letterature iberiche e iberoamericane</strong>, 2 (2012), p. 199-221&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JAUSS, Hans Robert. <strong>A história da literatura como provocação à Teoria Literária</strong>. &nbsp;Trad. Sérgio Tellaroli. São Paulo: Editora Ática, 1994.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">TODOROV, Tzvetan, [1939] <strong>A literatura em perigo. </strong>Todorov; tradução Caio Meira. &#8211; Rio &nbsp;de Janeiro: DIFEL, 2009.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZILBERMAN, Regina. <strong>A literatura infantil na escola. </strong>9. ed. São Paulo: Global, 1994.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZOLIN, Lúcia Osana. <strong>A construção da personagem feminina na literatura brasileira&nbsp; contemporânea (re)escrita por mulheres. </strong>Revista Diadorim / Revista de Estudos&nbsp; Linguísticos e Literários do Programa de Pós-Graduação em Letras Vernáculas da&nbsp; Universidade Federal do Rio de Janeiro. v. 9, jul. 2011. Disponível em: Acesso em: jan&nbsp; 2021.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-black-color has-alpha-channel-opacity has-black-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Doutoranda em Estudos de Linguagens (PPGEL/UFMS). Docente na Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do&nbsp; Sul.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE RESULTADOS EXPERIMENTAIS E TEÓRICOS DE UMA ESTACA  COM CARGA HORIZONTAL APLICADA NO TOPO </title>
		<link>https://revistaft.com.br/analise-comparativa-entre-resultados-experimentais-e-teoricos-de-uma-estaca-com-carga-horizontal-aplicada-no-topo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft NI]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 May 2022 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências Exatas e da Terra]]></category>
		<category><![CDATA[Engenharias]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 26 - Edição 110/MAI 2022]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=60534</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.7626667 Eliomar Gotardi Pessoa&#160;Gabriel Seixas Pinto Azevedo Benittez&#160;Nathalia Pizzol de Oliveira&#160;Vitor Borges Ferreira Leite Resumo: Muitos fenômenos físicos que ocorrem na natureza, em especial na Engenharia Civil, podem ser modelados por equações&#160; diferenciais. O cálculo de deflexão de estacas isoladas submetidas a carregamento horizontal, foco de estudo neste trabalho, é&#160; modelado por uma [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.7626667</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Eliomar Gotardi Pessoa&nbsp;<br>Gabriel Seixas Pinto Azevedo Benittez&nbsp;<br>Nathalia Pizzol de Oliveira&nbsp;<br>Vitor Borges Ferreira Leite</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-0-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-0-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo:</strong> Muitos fenômenos físicos que ocorrem na natureza, em especial na Engenharia Civil, podem ser modelados por equações&nbsp; diferenciais. O cálculo de deflexão de estacas isoladas submetidas a carregamento horizontal, foco de estudo neste trabalho, é&nbsp; modelado por uma equação diferencial linear de quarta ordem, a qual pode ser resolvida por métodos analíticos e numéricos. Os autores trataram o fenômeno de interação solo-estaca por meio das abordagens de WINKLER (1867) e PASTERNAK (1954), e&nbsp; propuseram a resolução analítica das equações diferenciais através da Transformada de Laplace e da Equação Característica da&nbsp; EDO de coeficientes constantes. Por fim, os resultados teóricos foram comparados com os experimentais, realizados na&nbsp; FEC/Unicamp, e com os encontrados pelo programa SAP 2000. Foi verificada grande concordância entre todos os resultados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Equação diferencial. Estaca. Interação solo-estaca. Transformada de Laplace.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>1 Introdução&nbsp;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>1.1 Considerações Iniciais&nbsp;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na maior parte dos casos, as estacas são carregadas com forças axiais, porém de acordo com o&nbsp; carregamento aplicado, estas podem estar submetidas à forças horizontais. As torres de linhas de transmissão e os pilares de ponte são exemplos nos quais suas fundações são solicitadas por forças horizontais devido à&nbsp; atuação do vento nessas estruturas esbeltas. Suas fundações são, usualmente, estacas ou tubulões que terão&nbsp; uma carga horizontal aplicada em seu topo. Sendo assim, o estudo do comportamento de estacas submetidas&nbsp; a esforços horizontais tem grande relevância no estado da arte da Engenharia Geotécnica, uma vez que são&nbsp; estruturas utilizadas com recorrência em projetos dessa área.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>1.2 Objetivo&nbsp;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente trabalho tem como objetivo a utilização de métodos matemáticos para determinar os&nbsp; deslocamentos de uma estaca escavada isolada submetida a provas de carga estática horizontal, simulando a&nbsp; interação solo-estaca. Os ensaios foram realizados no Campo Experimental de Mecânica dos Solos da&nbsp; Unicamp, no qual o subsolo é caracterizado como silto-arenoso.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>1.3 Metodologia&nbsp;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vários métodos diferentes de análise foram propostos para caracterizar o problema. Neste presente&nbsp; trabalho, os autores escolheram os métodos de WINKLER (1867) <em>apud </em>ROSENDO (2020) e PASTERNAK&nbsp; (1954) <em>apud </em>ROSENDO (2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O modelo mais utilizado é o estabelecido por WINKLER (1867), que substitui o solo por uma série&nbsp;de molas horizontais. O solo ao redor de uma estaca carregada horizontalmente é solicitado em compressão&nbsp; de um lado, e seria por tração do outro. Como o solo não resiste à tração, a estaca tende a se descolar do solo&nbsp; no lado que estaria tracionado. Assim, um modelo de meio elástico contínuo não representa de maneira&nbsp; adequada o solo em torno dessa estaca. Por esse motivo, e pela maior simplicidade, o modelo de WINKLER&nbsp; (1967) é mais utilizado na prática.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O modelo de PASTERNAK (1954) é baseado no modelo de WINKLER (1967), no entanto contempla&nbsp; a resistência ao cisalhamento entre as camadas de solo, a qual é negligenciada pelo último autor referenciado.&nbsp; Essa resistência é adicionada a fim de considerar a interação entre os elementos da mola na direção vertical.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como os problemas dessa natureza são modelados com base em equações diferenciais, os métodos&nbsp; escolhidos para a resolução deles são: Transformada de Laplace e Equação Característica da EDO de&nbsp; coeficientes constantes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também foram realizadas análises paramétricas com o objetivo de identificar o efeito da variação da&nbsp; carga aplicada e do diâmetro da estaca nos deslocamentos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, os resultados teóricos foram comparados com a análise realizada através da ferramenta SAP&nbsp; 2000 pelos autores do trabalho e com os dados da instrumentação fornecidos por ROSENDO (2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>2 Caso estudado&nbsp;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>2.1 Parâmetros utilizados&nbsp;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O caso estudado no presente trabalho é o de uma estaca isolada com diâmetro (D) de 30 cm e&nbsp; comprimento (L) de 5 m submetida à provas de carga no Campo Experimental de Mecânica dos Solos da&nbsp; Unicamp, no qual o subsolo é caracterizado como silto-arenoso. Cabe lembrar que alguns dados foram&nbsp; consultados nos trabalhos de MARZOLA (2016) e ROSENDO (2020). No topo da estaca será aplicada uma&nbsp; carga horizontal (H) de 14 kN sem momento (M) aplicado, e o que procuramos encontrar é o deslocamento&nbsp; (y) da estaca em função da profundidade, conforme a figura 1, abaixo.</p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">&nbsp;<strong>Figura 1. Estaca isolada sob carregamento horizontal H no topo&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="227" height="296" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-340.png" alt="" class="wp-image-60993"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Além desses parâmetros, é importante definir o módulo de elasticidade da estaca (Ep) e seu momento&nbsp; de inércia (I<sub>p</sub>), apresentados a seguir.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="697" height="174" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-289.png" alt="" class="wp-image-60932" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-289.png 697w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-289-300x75.png 300w" sizes="(max-width: 697px) 100vw, 697px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">No modelo de Winkler, a reação do solo é dada pelo módulo de reação do solo (K), que pode ser&nbsp; constante ou variar com a profundidade, nesse trabalho adotaremos ele como constante com valor de 13,7&nbsp; MN/m³. Além disso, é preciso definir o módulo de elasticidade do solo (Es) e o e cisalhamento (G),&nbsp; apresentados abaixo.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="367" height="193" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-290.png" alt="" class="wp-image-60934" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-290.png 367w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-290-300x158.png 300w" sizes="(max-width: 367px) 100vw, 367px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os parâmetros adotados estão em acordo com as características reais de ensaios realizados em&nbsp; estacas isoladas carregadas horizontalmente. Para os cálculos a seguir, as dimensões estão em m e MN.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>2.2 Modelo de Winkler&nbsp;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O modelo de Winkler é o que descreve o comportamento do solo de forma mais simplificada,&nbsp; admitindo a hipótese que o solo é modelado como uma série de molas, espaçadas e independentes com&nbsp;comportamento elástico linear. Nesse modelo, as propriedades do solo são descritas apenas pelo parâmetro&nbsp;K, que representa a rigidez da mola.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse modelo é considerado uma aproximação do verdadeiro comportamento do solo, principalmente&nbsp; devido à desconsideração da continuidade e da coesão do solo. O modelo matemático para uma estaca&nbsp; isolada, considerando o carregamento no topo da estaca e solo elástico-linear, adotando a hipótese de&nbsp; Winkler para a reação do solo, e considerando a estaca uma viga de Bernoulli, é dado por uma equação&nbsp; diferencial ordinária, onde a primeira parte corresponde à deflexão da estaca e o segundo termo, à hipótese&nbsp; de Winkler, da forma:&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="87" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-291-1024x87.png" alt="" class="wp-image-60935" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-291-1024x87.png 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-291-300x25.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-291-768x65.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-291.png 1052w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Onde,&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">K – módulo de reação horizontal do solo;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E<sub>p</sub>I<sub>p</sub> – rigidez da estaca;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">y – deflexão da estaca ao longo da profundidade z.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base na teoria de Euler para vigas, são definidas as seguintes Equações:</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="981" height="312" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-292.png" alt="" class="wp-image-60936" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-292.png 981w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-292-300x95.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-292-768x244.png 768w" sizes="(max-width: 981px) 100vw, 981px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando uma estaca livre no topo, as condições de contorno em z=0 (topo) são:</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="336" height="216" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-293.png" alt="" class="wp-image-60938" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-293.png 336w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-293-300x193.png 300w" sizes="(max-width: 336px) 100vw, 336px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A transformada de Laplace pode ser aplicada a derivadas de infinitos graus, estas sendo contínuas&nbsp; para todo z&gt;0 e se f<sup>N</sup> é contínua por partes e de ordem exponencial em [0,ꚙ), então:</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1018" height="69" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-294.png" alt="" class="wp-image-60940" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-294.png 1018w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-294-300x20.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-294-768x52.png 768w" sizes="(max-width: 1018px) 100vw, 1018px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Aplicando a propriedade apresentada será aplicada à equação diferencial da deflexão da estaca (2.1),&nbsp; resultando em:&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="684" height="387" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-295.png" alt="" class="wp-image-60942" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-295.png 684w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-295-300x170.png 300w" sizes="(max-width: 684px) 100vw, 684px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">As inversas das transformadas de Laplace foram consultadas em SPIEGEL e LIU (2009):</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="820" height="275" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-296.png" alt="" class="wp-image-60944" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-296.png 820w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-296-300x101.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-296-768x258.png 768w" sizes="(max-width: 820px) 100vw, 820px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Derivadas:&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="604" height="161" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-297.png" alt="" class="wp-image-60947" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-297.png 604w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-297-300x80.png 300w" sizes="(max-width: 604px) 100vw, 604px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="507" height="165" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-298.png" alt="" class="wp-image-60948" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-298.png 507w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-298-300x98.png 300w" sizes="(max-width: 507px) 100vw, 507px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Aplicando as condições de contorno em que y(5) = 0 e y’(5) = 0:&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="563" height="167" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-299.png" alt="" class="wp-image-60949" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-299.png 563w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-299-300x89.png 300w" sizes="(max-width: 563px) 100vw, 563px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Como os valores das constantes são, agora, conhecidos, pode-se estabelecer o padrão dos&nbsp; deslocamentos horizontais em função do comprimento da estaca devido a aplicação de uma força horizontal&nbsp; de 14kN no topo, conforme a Tabela 1 e a Figura 2.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1. Valores de deslocamento ao longo do comprimento da estaca – Winkler.&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="177" height="285" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-300.png" alt="" class="wp-image-60950"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Figura 2. Deslocamento horizontal vs profundidade – Winkler.&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="327" height="427" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-301.png" alt="" class="wp-image-60951" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-301.png 327w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-301-230x300.png 230w" sizes="(max-width: 327px) 100vw, 327px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em>2.2.1 Análise paramétrica – variação da carga horizontal aplicada no topo da estaca&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o estudo paramétrico, supomos aplicação de carga com outros valores: 10kN, 12kN, 16kN, 18kN&nbsp; e 20 kN. Como a carga só produz efeito na terceira parcela da equação diferencial, os sistemas de equações&nbsp; formados pela aplicação das condições de contorno possuem os mesmos valores dos coeficientes que&nbsp; acompanham C1 e C2.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">• <strong>P = 10 kN&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="623" height="267" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-303.png" alt="" class="wp-image-60953" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-303.png 623w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-303-300x129.png 300w" sizes="(max-width: 623px) 100vw, 623px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Derivadas:</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="226" height="40" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-304.png" alt="" class="wp-image-60954"/></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="203" height="160" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-305.png" alt="" class="wp-image-60955"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">• <strong>P = 12 kN&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="591" height="255" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-306.png" alt="" class="wp-image-60956" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-306.png 591w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-306-300x129.png 300w" sizes="(max-width: 591px) 100vw, 591px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Derivadas:</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="216" height="194" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-307.png" alt="" class="wp-image-60957"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">• <strong>P = 16 kN&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="587" height="248" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-308.png" alt="" class="wp-image-60958" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-308.png 587w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-308-300x127.png 300w" sizes="(max-width: 587px) 100vw, 587px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Derivadas:</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="222" height="198" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-309.png" alt="" class="wp-image-60959"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">• <strong>P = 18 kN&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="589" height="254" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-310.png" alt="" class="wp-image-60960" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-310.png 589w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-310-300x129.png 300w" sizes="(max-width: 589px) 100vw, 589px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Derivadas:</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="206" height="199" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-311.png" alt="" class="wp-image-60961"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">• <strong>P = 20 kN&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="422" height="126" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-312.png" alt="" class="wp-image-60962" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-312.png 422w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-312-300x90.png 300w" sizes="(max-width: 422px) 100vw, 422px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="201" height="36" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-313.png" alt="" class="wp-image-60963"/></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="215" height="315" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-314.png" alt="" class="wp-image-60964" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-314.png 215w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-314-205x300.png 205w" sizes="(max-width: 215px) 100vw, 215px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tabela 2. Valores de deslocamento ao longo do comprimento de estacas com diferentes diâmetros</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="584" height="205" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-315.png" alt="" class="wp-image-60965" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-315.png 584w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-315-300x105.png 300w" sizes="(max-width: 584px) 100vw, 584px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Figura 3. Funções de deslocamento das estacas – Análise paramétrica (Winkler)&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="238" height="408" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-316.png" alt="" class="wp-image-60966" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-316.png 238w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-316-175x300.png 175w" sizes="(max-width: 238px) 100vw, 238px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se que ao aumentar os valores das cargas aplicadas, os deslocamentos máximos (no topo)&nbsp;também aumentam, conforme esperado. Vale ressaltar que o método de Winkler é baseado na Teoria da&nbsp; Elasticidade, porém para grandes deslocamentos haverá plastificação do solo ao redor da estaca. Portanto,&nbsp; espera-se que com um aumento de carga mais considerável, os deslocamentos sejam maiores e o perfil de&nbsp; deslocamentos se afaste do encontrado pela instrumentação, uma vez que a condição atingida se distancia&nbsp; do regime elástico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>2.3 Modelo de Pasternak modificado&nbsp;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O modelo proposto considera a interação entre as molas, do modelo de Winkler, e a resistência ao&nbsp; cisalhamento entre elas, através da variação, ou não, do módulo de cisalhamento do solo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As hipóteses básicas do modelo são as seguintes:&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">(a) na direção longitudinal, a estaca é considerada como um feixe retangular, com largura&nbsp; de D e rigidez de E<sub>p</sub>I<sub>p</sub>;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">(b) a força de cisalhamento pode ser transferida entre molas, e a camada de cisalhamento&nbsp; produz somente deslocamento de cisalhamento (direção y);&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">(c) a estaca está em contato o solo circundante e os deslocamentos da estaca são iguais&nbsp; aos deslocamentos na superfície de contato estaca-solo;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">(d) existe o atrito apenas no sentido y, e o atrito lateral entre o solo e a estaca não é&nbsp; considerado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A equação diferencial do modelo de Pasternak é dada por:</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="783" height="51" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-317.png" alt="" class="wp-image-60967" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-317.png 783w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-317-300x20.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-317-768x50.png 768w" sizes="(max-width: 783px) 100vw, 783px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Onde,&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">G – módulo de cisalhamento do solo;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">K – módulo de reação horizontal do solo;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">EpIp – rigidez da estaca;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">y – deflexão da estaca ao longo da profundidade z.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando uma estaca livre no topo, as condições de contorno são:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">i) No topo da estaca, z = 0;&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="722" height="90" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-320.png" alt="" class="wp-image-60970" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-320.png 722w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-320-300x37.png 300w" sizes="(max-width: 722px) 100vw, 722px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="715" height="153" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-319.png" alt="" class="wp-image-60969" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-319.png 715w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-319-300x64.png 300w" sizes="(max-width: 715px) 100vw, 715px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Substituindo os parâmetros adotados nesse trabalho na equação (2.7), obtemos:&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="721" height="43" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-321.png" alt="" class="wp-image-60972" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-321.png 721w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-321-300x18.png 300w" sizes="(max-width: 721px) 100vw, 721px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Realizando a variação de parâmetros na equação homogênea (2.12) com r = y<sup>’</sup>obtemos a seguinte&nbsp; equação característica:</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="717" height="40" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-322.png" alt="" class="wp-image-60974" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-322.png 717w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-322-300x17.png 300w" sizes="(max-width: 717px) 100vw, 717px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Cujos os resultados são as raízes complexas apresentadas abaixo.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="163" height="124" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-323.png" alt="" class="wp-image-60975"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Desse modo, temos que:</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="782" height="407" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-324.png" alt="" class="wp-image-60976" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-324.png 782w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-324-300x156.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-324-768x400.png 768w" sizes="(max-width: 782px) 100vw, 782px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="482" height="226" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-325.png" alt="" class="wp-image-60977" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-325.png 482w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-325-300x141.png 300w" sizes="(max-width: 482px) 100vw, 482px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando as equações (4.2), (4.3), (4.4) e (4.5), pode-se montar o seguinte sistema de equações<br>para descobrir os valores das constantes C1, C2, C3 e C4.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="580" height="124" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-326.png" alt="" class="wp-image-60978" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-326.png 580w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-326-300x64.png 300w" sizes="(max-width: 580px) 100vw, 580px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em sistemas de EDOs lineares com coeficientes constantes, pode-se fazer a resolução a partir da<br>redução da matriz a forma triangular, o sistema inicial (1) pode ser representado na forma abaixo.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="656" height="116" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-327.png" alt="" class="wp-image-60979" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-327.png 656w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-327-300x53.png 300w" sizes="(max-width: 656px) 100vw, 656px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir é feito o cálculo dos quocientes q21, q31 e q41.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="243" height="161" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-328.png" alt="" class="wp-image-60980"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Com os valores de qi1 definidos, é realizado o seguinte processo para criação do sistema (2):&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">i) Multiplica-se a 1ª equação do sistema (1) por (-q21) e é adicionado o resultado à 2ª equação&nbsp; do sistema (1), isso resultará na 1ª equação do sistema (2);&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ii) Multiplica-se a 1ª equação do sistema (1) por (-q31) e é adicionado o resultado à 3ª equação&nbsp; do sistema (1), isso resultará na 2ª equação do sistema (2);</p>



<p class="wp-block-paragraph">iii) Multiplica-se a 1ª equação do sistema (1) por (-q41) e é adicionado o resultado à 4ª equação&nbsp;do sistema (1), isso resultará na 3ª equação do sistema (2);&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">iv) A 4ª equação do sistema (2) é a 1ª equação do sistema (1).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Resultando no sistema (2) apresentado abaixo em forma matricial.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="648" height="238" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-329.png" alt="" class="wp-image-60981" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-329.png 648w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-329-300x110.png 300w" sizes="(max-width: 648px) 100vw, 648px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Com os valores de qi2 definidos, é realizado o seguinte processo para criação do sistema (3):&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">i) Multiplica-se a 1ª equação do sistema (2) por (-q22) e é adicionado o resultado à 2ª equação&nbsp; do sistema (2), isso resultará na 1ª equação do sistema (3);&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ii) Multiplica-se a 1ª equação do sistema (2) por (-q32) e é adicionado o resultado à 3ª equação&nbsp; do sistema (2), isso resultará na 2ª equação do sistema (3);&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">iii) A 3ª equação do sistema (3) é a 1ª equação do sistema (2).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">iv) A 4ª equação do sistema (3) é a 4ª equação do sistema (2).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Resultando no sistema (3) apresentado abaixo em forma matricial.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="634" height="114" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-330.png" alt="" class="wp-image-60982" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-330.png 634w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-330-300x54.png 300w" sizes="(max-width: 634px) 100vw, 634px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Com os valores de q33 definidos, é realizado o seguinte processo para criação do sistema (3):&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">i) Multiplica-se a 1ª equação do sistema (2) por (-q22) e é adicionado o resultado à 2ª equação&nbsp; do sistema (2), isso resultará na 1ª equação do sistema (3);&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ii) A 2ª equação do sistema (4) é a 1ª equação do sistema (3);&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">iii) A 3ª equação do sistema (4) é a 3ª equação do sistema (3);&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">iv) A 4ª equação do sistema (4) é a 4ª equação do sistema (3).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Resultando no sistema (4) apresentado abaixo em forma matricial.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="653" height="197" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-331.png" alt="" class="wp-image-60983" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-331.png 653w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-331-300x91.png 300w" sizes="(max-width: 653px) 100vw, 653px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A partir do sistema (4) podemos definir C4, e consequentemente os outros valores.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="146" height="137" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-332.png" alt="" class="wp-image-60984"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, substituindo os valores das constantes na função de deslocamento y(z), podem-se obter os valores de deslocamentos ao longo do comprimento da estaca, apresentados abaixo na Tabela 3 a cada 0,50 m, resultando também no Figura 4.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tabela 3. Valores de deslocamento ao longo do comprimento da estaca</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="180" height="289" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-333.png" alt="" class="wp-image-60985"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Figura 4. Função de deslocamento da estaca – Pasternak&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="255" height="380" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-334.png" alt="" class="wp-image-60986" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-334.png 255w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-334-201x300.png 201w" sizes="(max-width: 255px) 100vw, 255px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em>2.3.1 Análise paramétrica – variação do diâmetro da estaca&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o intuito de avaliar o impacto de alguns parâmetros de entrada na solução do problema, foi&nbsp; feita uma análise paramétrica variando o diâmetro da estaca. O diâmetro da estaca influencia diretamente&nbsp; na inércia da estaca, alterando a parcela correspondente à rigidez da estaca (EPIP). A mudança dessa parcela,&nbsp; acarreta na modificação do primeiro termo da Equação (2.13), resultando valores diferentes para as raízes&nbsp; complexas, e assim, também para as derivadas e sistema de EDO.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Toda a resolução abordada acima foi planificada, com as raízes da equação de 4° grau variando de&nbsp; acordo com a mudança em seu primeiro termo, foi feito o cálculo com diâmetros de 60 cm, 50 cm, 40 cm,&nbsp; 30 cm e 20 cm. Os resultados encontrados para os valores de deslocamento da estaca estão expostos na&nbsp; tabela e gráfico abaixo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tabela 4. Valores de deslocamento ao longo do comprimento de estacas com diferentes diâmetros</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="537" height="215" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-335.png" alt="" class="wp-image-60987" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-335.png 537w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-335-300x120.png 300w" sizes="(max-width: 537px) 100vw, 537px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Figura 5. Funções de deslocamento das estacas – Análise paramétrica (Pasternak)</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="239" height="426" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-336.png" alt="" class="wp-image-60988" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-336.png 239w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-336-168x300.png 168w" sizes="(max-width: 239px) 100vw, 239px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Nota-se que o aumento do deslocamento no topo da estaca fica em torno de 20% com cada aumento&nbsp; de 10 cm no diâmetro, mas como pode ser observado no gráfico acima, o diâmetro da estaca também&nbsp; influencia na forma da função deslocamento e não apenas nos valores.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como esperado, estacas com maiores diâmetros, logo maior rigidez, sofrem menores deslocamentos na&nbsp; superfície e possuem uma função deslocamento mais retilínea que estacas com menores diâmetros. Estas,&nbsp; são mais esbeltas e com menor rigidez, tendendo a terem maiores deslocamentos, como foi observado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>4 Resultados de campo&nbsp;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente trabalho se baseou em uma situação real de provas de carga estática horizontal em uma&nbsp; estaca escavada isolada. Um inclinômetro foi instalado no interior da estaca, a fim de coletar os valores dos&nbsp; deslocamentos horizontais. Os ensaios foram realizados no Campo Experimental de Mecânica dos Solos da&nbsp; Unicamp, no qual o subsolo é caracterizado como silto-arenoso. Os resultados da instrumentação encontram-se na Figura 6.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Figura 6. Dados de deslocamento do inclinômetro</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="289" height="419" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-337.png" alt="" class="wp-image-60989" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-337.png 289w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-337-207x300.png 207w" sizes="(max-width: 289px) 100vw, 289px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Através de uma rápida análise é possível notar que os dados do inclinômetro estão na mesma faixa&nbsp; de valores encontrados através das resoluções matemáticas, no item a seguir essa comparação poderá ser&nbsp; mais explorada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>5 Comparação entre resultados&nbsp;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das diferentes abordagens para o problema realizadas nos itens anteriores, foi utilizado o&nbsp; software SAP 2000 para o desenvolvimento de um modelo com as mesmas características do problema&nbsp; analisado. Através desse software, obtemos diferentes resultados para os deslocamentos da estaca, a cada&nbsp; 0,5 m, apresentados no gráfico abaixo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Figura 7. Perfil de deslocamentos através do software SAP</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="243" height="364" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-338.png" alt="" class="wp-image-60990" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-338.png 243w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-338-200x300.png 200w" sizes="(max-width: 243px) 100vw, 243px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A curva resultante dessa análise é semelhante às apresentadas para estacas com diâmetro de 30 cm&nbsp; e carga horizontal aplicada de 14 kN. Através dos resultados obtidos nas abordagens propostas no presente&nbsp; trabalho, pode-se realizar a comparação entre elas, que é apresentada pelo gráfico a seguir.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Figura 8. Comparação dos deslocamentos obtidos através de diferentes abordagens (P=14kN).</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="290" height="414" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-339.png" alt="" class="wp-image-60991" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-339.png 290w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-339-210x300.png 210w" sizes="(max-width: 290px) 100vw, 290px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Observa-se que, de modo geral, houve uma convergência de valores teóricos e experimentais. Os&nbsp; métodos analíticos apresentaram valores de deslocamentos superiores quando comparados com os ensaios&nbsp; executados, sendo, portanto, a favor da segurança. A modelagem com o auxílio do software SAP 2000&nbsp;apresentou deslocamentos inferiores quando comparados à instrumentação, mostrando, assim, uma análise&nbsp; contra a segurança.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>6 Considerações Finais&nbsp;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir dos resultados obtidos e para os valores estudados (P=14kN e D=30cm), observa-se que&nbsp; embora o método de Pasternak considere o módulo de cisalhamento G, os deslocamentos não são afetados&nbsp; consideravelmente se comparados com a abordagem de Winkler, o qual não leva em consideração esse&nbsp; parâmetro.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, verifica-se que a rigidez da estaca (e, portanto, o diâmetro) está relacionada aos&nbsp; deslocamentos horizontais. A variação do diâmetro é mais sensível, nesse caso, do que a variação da carga. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Também se observou que os deslocamentos horizontais obtidos pelo SAP 2000 foram inferiores aos&nbsp; dados observados em campo (contra a segurança). Quanto às soluções analíticas, os resultados&nbsp; apresentaram valores semelhantes entre si e aos obtidos experimentalmente. Cabe lembrar que as diferenças&nbsp; relatadas são ínfimas (décimos de milímetros), o que nos permite dizer que são praticamente iguais quando&nbsp; tratamos de problemas relacionados à Engenharia Civil. Para maiores valores de carga, as quais poderiam&nbsp; fazer com que o solo ultrapasse o patamar elástico, as discrepâncias poderiam ser maiores e os métodos não&nbsp; são aplicáveis, pois eles se baseiam na teoria da Elasticidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Referências Bibliográficas&nbsp;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">AOKI, N., VELLOSO, D. A. <strong>An aproximate method to estimate the bearing capacity of piles. </strong>In:&nbsp; Congreso Panamericano de Mecanica de Suelos y Cimentaciones. PASSMFE, 5., Buenos Aires. Anais&#8230;&nbsp; Buenos Aires: Sociedad Argentina de Mécanica de Suelos e Ingenieria de Fundaciones, p.367-376, 1975.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARZOLA, M. M. <strong>Análise do comportamento de estaca escavada de pequeno diâmetro submetida&nbsp; a carregamento horizontal em solo não saturado. </strong>Dissertação de M. Sc., FEC/UNICAMP, São Paulo,&nbsp; SP, Brasil, 2016.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">PASTERNAK, P. <strong>On a new method of an elastic foundation by means of two foundation constants</strong>.&nbsp; Gosudarstvennoe Izdatelstvo Literaturi po Stroitelstuve i Arkhitekture, 1954.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ROSENDO, D. C. <strong>Análise experimental e teórica de grupos de estacas carregadas horizontalmente&nbsp; em solo laterítico. </strong>Tese de D. Sc., FEC/UNICAMP, São Paulo, SP, Brasil, 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SPIEGEL, M. R., LIPSCHUTZ, S., LIU, J. <strong>Mathematical handbook of formulas and tables. </strong>3th Ed.&nbsp; McGraw Hills, 2009.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">WINKLER, E. <strong>Theory of elasticity and strength. </strong>Prague, Czechoslovakia, 1867.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>PARCELAMENTOS ESPECIAIS: UM DESESTÍMULO À CONFORMIDADE FISCAL?</title>
		<link>https://revistaft.com.br/parcelamentos-especiais-um-desestimulo-a-conformidade-fiscal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Oston Mendes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 May 2022 14:11:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 26 - Edição 110/MAI 2022]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=46229</guid>

					<description><![CDATA[Autoras:Adrise LageMarina Chehuen RESUMO O presente artigo visou analisar a reiterada instituição de parcelamentos especiais como um dos principais fatores de desestímulo ao cumprimento espontâneo de obrigações tributárias e consequente aumento expressivo de devedores contumazes e de planejamentos tributários abusivos que não estejam em conformidade fiscal. Para tanto, foram explorados, inicialmente, aspectos gerais sobre o [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="341" height="75" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2022/04/CODIGO-DO-REGISTRO-DOI-EM-1.jpg" alt="" class="wp-image-46063" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2022/04/CODIGO-DO-REGISTRO-DOI-EM-1.jpg 341w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2022/04/CODIGO-DO-REGISTRO-DOI-EM-1-300x66.jpg 300w" sizes="(max-width: 341px) 100vw, 341px" /><figcaption>10.5281/zenodo.6524724</figcaption></figure></div>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-background has-luminous-vivid-amber-background-color has-luminous-vivid-amber-color is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong>Autoras:<br></strong>Adrise Lage<br>Marina Chehuen</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente artigo visou analisar a reiterada instituição de parcelamentos especiais como um dos principais fatores de desestímulo ao cumprimento espontâneo de obrigações tributárias e consequente aumento expressivo de devedores contumazes e de planejamentos tributários abusivos que não estejam em conformidade fiscal. Para tanto, foram explorados, inicialmente, aspectos gerais sobre o histórico dos parcelamentos especiais no Brasil e, em seguida, foi realizada uma análise dos referidos parcelamentos sob à luz da justiça fiscal e o abalo que a dita “Cultura do Parcelamento” pode gerar na moralidade fiscal e ética concorrencial. Por fim, na última parte do presente artigo, enfatizou-se o Compliance Fiscal como um instrumento de elevação do patamar de ética concorrencial que tende a possibilitar a concessão de benefícios aos contribuintes que estejam em conformidade ou em nível avançado de implementação de mecanismos de compliance. Adotou-se na pesquisa a metodologia referencial bibliográfica, utilizando-se de livros, artigos e obras que versam a respeito do tema ora estudado e da legislação brasileira aplicável.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Parcelamento tributário. Parcelamento especial. Compliance. Conformidade tributária. Conformidade Cooperativa. Justiça fiscal</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Histórico dos parcelamentos especiais no Brasil.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Previsto no art. 151 do Código Tributário Nacional, o parcelamento tributário é um instituto já bastante conhecido pelos contribuintes brasileiros e, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é dividido em 2 grupos: o parcelamento convencional e os parcelamentos especiais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estes trazem regras excepcionais àquelas previstas para o parcelamento convencional, ou seja, sua finalidade deveria ser tratar de situações que saem da normalidade. Por isso, habitualmente é determinado um prazo para adesão e certas restrições quanto aos débitos que podem ser objeto do parcelamento, conforme seus períodos de vencimento e/ou outro requisito que limite a inclusão de determinado débito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desta premissa, em 2000, os programas especiais de recuperação fiscal foram instituídos pela Receita Federal em cumprimento ao disposto na Lei nº 9.964 de abril de 2020, como segue:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“É instituído o Programa de Recuperação Fiscal – Refis, destinado a promover a regularização de créditos da União, decorrentes de débitos de pessoas jurídicas, relativos a tributos e contribuições, administrados pela Secretaria da Receita Federal e pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, com vencimento até 29 de fevereiro de 2000, constituídos ou não, inscritos ou não em dívida ativa, ajuizados ou a ajuizar, com exigibilidade suspensa ou não, inclusive os decorrentes de falta de recolhimento de valores retidos.”</p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Posteriormente, em 2017, foi instituído o Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), chamado de “novo Refis”. O PERT tornou-se um novo programa de parcelamento especial instituído pelo Governo Federal que abrangeu débitos de outros parcelamentos especiais anteriores não pagos, de natureza tributária ou não tributária e garantiu o parcelamento em até 188 vezes de dívidas com a União, cujos descontos alcançaram até 90% dos juros e das multas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A título de ilustração, segundo informações extraídas do site oficial do Governo Federal (www.receita.fazenda.gov.br<a href="#sdfootnote1sym" id="sdfootnote1anc"><sup>1</sup></a>), no PERT autorizado pela Lei Complementar nº162/2018, foram oferecidas 3 opções de adesão, nas quais era necessário realizar o pagamento de 5% como entrada (paga em até 5 parcelas mensais e sucessivas, observado o valor mínimo da parcela), do valor da dívida consolidada, sem reduções.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo informações disponíveis no site supracitado, “o valor restante (95% da dívida consolidada), pode ser regularizado em:</p>



<ul class="has-small-font-size wp-block-list"><li>Parcela única: com redução de 90% dos juros de mora, 70% das multas de mora, de ofício ou isoladas e 100% dos encargos legais, inclusive honorários advocatícios;</li><li>Em até 145 parcelas: com redução de 80% dos juros de mora, 50% das multas de mora, de ofício ou isoladas e 100% dos encargos legais, inclusive honorários advocatícios;</li><li>Em até 175 parcelas: com redução de 50% dos juros de mora, 25% das multas de mora, de ofício ou isoladas e 100% dos encargos legais, inclusive honorários advocatícios.”</li></ul>



<p class="wp-block-paragraph">Via de regra, o que se pretende com os programas especiais de regularização tributária é a geração de recursos para o Estado, a diminuição dos conflitos jurídicos entre os contribuintes e os órgãos públicos e a promoção a regularidade fiscal dos devedores. Algumas exceções, no entanto, são o Programa Refis da Crise, instituído durante a crise de 2009 e o Programa PERT – COVID-19, previsto no Projeto de Lei Complementar n° 152, de 2020, em trâmite perante o Congresso Nacional. Ambos, diante de um cenário de crise e calamidade pública, comunicam-se em torno de um propósito: o de estimular a economia brasileira. Ao se referir ao PERT – COVID-19, o atual presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, sugere que &#8220;o programa amplia a perspectiva de arrecadação no futuro próximo, o que será de absoluta necessidade para que o Brasil possa retomar o crescimento econômico o mais rápido possível”<a href="#sdfootnote2sym" id="sdfootnote2anc"><sup>2</sup></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Denice Bento Alves e Mariana Compagnoni, em artigo apresentado na XX USP International Conference in Accounting<a href="#sdfootnote3sym" id="sdfootnote3anc"><sup>3</sup></a>, “o Brasil é um país que apresenta um histórico recorrente de perdão de dívidas de contribuintes. Em 2017, a Receita Federal do Brasil (RFB) desenvolveu um estudo acerca do impacto dos parcelamentos especiais concedidos nos 18 anos anteriores à pesquisa. De acordo com o Órgão, houve cerca de 40 programas de parcelamentos especiais, dos quais 50% dos contribuintes acabaram sendo excluídos por inadimplência ou optar por incluir a dívida parcelada em outro programa (Receita Federal do Brasil, 2017).”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, apesar da singularidade dos parcelamentos especiais mencionado anteriormente, desde 2000, os REFIS/PERTS têm sido uma recorrente opção política feita pelo Governo Federal brasileiro, como pode ser verificado no quadro abaixo:</p>



<figure class="wp-block-table"><table><tbody><tr><td><strong>PROGRAMA</strong></td><td><strong>BASE LEGAL</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong><br>C<strong>ONTRIBUINTES<br>BENEFICIADOS</strong></strong></td></tr><tr><td>Programa de Recuperação Fiscal – REFIS</td><td>Lei n.º 9.964, de 10 de abril de 2000</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">129 mil</td></tr><tr><td>Parcelamento Especial (Paes</td><td>Lei n.º 10.684, de 30 de maio de 2003</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">374 mil</td></tr><tr><td>Parcelamento Excepcional (Paex)</td><td>MP n.º 303, de 29 de junho de 2006</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">244 mil</td></tr><tr><td>Programa Refis da Crise</td><td>Lei n.º 11.941, 27 de maio de 2009</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">886 mil</td></tr><tr><td>Primeira reabertura do Refis da Crise</td><td>Lei n.º 12.865, de 9 de outubro de 2013</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">102 mil</td></tr><tr><td>Segunda reabertura do Refis da Crise</td><td>Lei n.º 12.973, de 13 de maio de 2014</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">102 mil</td></tr><tr><td>Terceira reabertura do Refis da Crise</td><td>Lei n.º 12.996, de 18 de junho de 2014</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">326 mil</td></tr><tr><td>Quarta reabertura do Refis da Crise</td><td>Lei n.º 13.043 de 13 de novembro de 2014</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">326 mil</td></tr><tr><td>Programa de Regularização Tributária (PRT</td><td>MP n.º 766, de 4 de janeiro de 2017</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">100 mil</td></tr><tr><td>Programa Especial de Regularização Tributária (PERT)</td><td>MP n.º 783, convertida na Lei n.º 13.496, de outubro de 2017</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">740 mil</td></tr><tr><td>Programa Especial de Regularização Tributária das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte optantes pelo Simples Nacional (Pert-SN).</td><td><a href="http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lcp%20162-2018?OpenDocument">Lei nº 162, de 6 de Abril de 2018</a></td><td class="has-text-align-center" data-align="center">(número de beneficiados não encontrado)</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Percebe-se pelos dados apresentados que os parcelamentos vinham sendo instituídos a cada 3 anos. No entanto, no REFIS da Crise, a estratégia mudou e, ao invés de criar novos programas, houve sucessivas reaberturas do mesmo parcelamento. É importante destacar ainda que, além dos supracitados, durante o período foram instituídos vários outros parcelamentos destinados a setores ou atividades específicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar do legítimo propósito dessa opção de política fiscal, que é a concessão de parcelamentos proporcionar a recuperação de créditos tributários de maneira ágil bem como prevenir e reduzir litígios administrativos e/ou judiciais, não há como ignorar que a reiterada instituição destes programas (principalmente aqueles com reduções de multa e juros) podem influenciar negativamente o comportamento dos contribuintes, de modo que estes deixam de cumprir suas obrigações tributárias na expectativa de instituição iminente de um novo programa de parcelamento com condições especiais para pagamento. Fala-se em uma verdadeira “Cultura dos Parcelamentos” tendente, inclusive, a categorizar contribuintes como “viciados em Refis”, como a própria publicação feita em julho de 2018 no site oficial do Governo Federal (gov.br)<a href="#sdfootnote4sym" id="sdfootnote4anc"><sup>4</sup></a> pretende:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">“<strong>Receita Federal cancela o PERT de mais de 700 “viciados em Refis</strong>”<br>Outros 4.000 contribuintes já estão sendo cobrados a regularizar as obrigações correntes”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relatório elaborado pela Receita Federal do Brasil<a href="#sdfootnote5sym" id="sdfootnote5anc"><sup>5</sup></a>, que ao serem analisadas “empresas com acompanhamento diferenciado ou especial e com o auxílio das ferramentas econométricas, descartou-se a hipótese de que os parcelamentos de natureza tributária não influenciam a decisão dos agentes econômicos na manutenção do pagamento de suas obrigações tributárias correntes, ou seja, não se mantém a regularidade da arrecadação induzida.” Essa influência negativa ocorre principalmente na expectativa de abertura de novo parcelamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pelo referido estudo, “essa expectativa reduz em 5,8% o incremento esperado da arrecadação induzida para as empresas que optam pelo parcelamento, comparando com as que não optam. Após a opção, pelos modelos apresentados, o “efeito colateral” acarreta um decréscimo estimado de 1,5% no incremento esperado da arrecadação induzida. Estima-se, portanto, que R$ 18,6 bilhões deixaram de ser arrecadados de obrigações tributárias correntes por ano em decorrência da publicação de parcelamentos especiais.”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Análise dos parcelamentos especiais sob à luz da justiça fiscal</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir desse breve histórico apresentado, estaria o Estado sendo leniente com a injustiça fiscal? Haveria uma patente violação aos princípios fundamentais da ordem econômica da livre concorrência, isonomia e capacidade contributiva em razão da reiterada instituição de programas de parcelamentos especiais? E, por fim, estaria a justiça fiscal sendo desprestigiada em face da corrida estatal pela arrecadação? Afinal, o que é justiça?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a concepção mais antiga e tradicional, justiça é igualdade; igualdade nas relações entre os indivíduos, bem como nas relações entre o Estado e os indivíduos. O Direito, por sua vez, é justamente o remédio para disparidades decorrentes de desigualdades. Segundo essa teoria, não é tolerável que o Direito imponha uma ordem qualquer, é preciso que seja uma ordem fundada no respeito à igualdade (BOBBIO, 2000, p. 117)<a href="#sdfootnote6sym" id="sdfootnote6anc"><sup>6</sup></a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A justiça, no âmbito tributário, engloba a justiça fiscal, tributária e social. Contudo, a presente análise se restringirá a explanar a justiça tão somente fiscal, conceito este diretamente relacionado à concessão sucessiva de parcelamentos especiais. A Justiça fiscal, por seu turno, pressupõe a utilização de políticas tributárias como instrumento de aprimoramento de igualdades e de atenuação de desigualdades entre os contribuintes. Justiça Fiscal significa, portanto, a distribuição igualitária da carga tributária, na medida em que a prestação dos serviços públicos seja garantida por meio da capacidade contributiva de cada contribuinte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por conseguinte, agir em conformidade com a justiça fiscal deveria ser a base de toda política tributária, pois não há livre concorrência que suporte os efeitos extrafiscais de uma contribuição fiscal desigual. É fundamental que o Estado promova políticas tributárias que estejam, sobretudo, em defesa da livre concorrência, sob pena de causar um “tumulto tributário”, como bem leciona Klaus Tipke<a href="#sdfootnote7sym" id="sdfootnote7anc"><sup>7</sup></a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Referida lição aplica-se sobremaneira aos programas de parcelamentos especiais, ditos “excepcionais”, uma vez que incorrem em tratamento não isonômico ao conceder, de maneira frequente, as benesses do parcelamento em conjunto com redução de juros e multa a contribuintes, em sua maioria, com elevada capacidade contributiva e com recursos suficientes para cumprir suas obrigações tributárias de maneira tempestiva. Em outras palavras, a pessoa jurídica que voluntariamente deixa de recolher tributos é altamente privilegiada em detrimento daquela que cumpre regularmente suas obrigações tributárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre a referida temática, é inegável que a dita “Cultura do Parcelamento” desestimula a arrecadação espontânea e induz um aumento expressivo no número de devedores contumazes, que podem ser compreendidos como aqueles que acumulam dívidas propositadamente, de forma planejada e sistemática com vistas a obter vantagens concorrenciais e, consequentemente, maior lucratividade. Atualmente, vale dizer, existem dois projetos de lei tramitando no Congresso Nacional que definem o que seria um devedor contumaz: o PLS 284/2017<a href="#sdfootnote8sym" id="sdfootnote8anc"><sup>8</sup></a> e o PL 1646/2019<a href="#sdfootnote9sym" id="sdfootnote9anc"><sup>9</sup></a>. O PLS 284/2017 define da seguinte forma: “trata-se de criminoso, e não de empresário, que se organiza para não pagar tributos e, com isso, obter vantagem concorrencial”. O PL 1646/2019 considera “devedor contumaz o contribuinte cujo comportamento fiscal se caracteriza pela inadimplência substancial e reiterada de tributos”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Flávio Rubinstein, professor da FGV Direito de São Paulo, doutor e mestre pela faculdade de Direito da USP e mestre pela Harvard Law School, “esses devedores contumazes aderem aos programas de parcelamento para ter os benefícios e logo deixam de pagar os parcelamentos. Isso cria um ciclo nocivo”. E complementa: “a discussão desse parcelamento faz sentido, estamos em um momento de crise e é importante tê-lo para a preservação de empregos e para ajudar o governo a ter caixa”<a href="#sdfootnote10sym" id="sdfootnote10anc"><sup>10</sup></a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A título de exemplo de que a “Cultura do Parcelamento” incentiva o comportamento contumaz, convém mencionar dados levantados e divulgados pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional em 2018, segundo os quais, no PERT lançado em 2017, determinado Banco parcelou a sua dívida total de R$ 94.446.607,69, mesmo havendo lucrado cerca de R$ 9.950.000.000,00 no ano de 2017 — portanto, mais de 100 vezes o valor do seu débito inscrito na Dívida Ativa da União. Da mesma forma, determinada empresa parcelou o valor de R$ 66.921.072,88, enquanto o seu lucro foi de R$ 7.850.500.000,0028<a href="#sdfootnote11sym" id="sdfootnote11anc"><sup>11</sup></a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cumpre destacar que, além do indubitável prejuízo, fruto da concorrência desleal, causado aos contribuintes adimplentes, os parcelamentos especiais que se tornaram habituais, somam uma renúncia fiscal que, em 2018, ultrapassava os R$ 175 bilhões. Isso ocorre porque, além da renúncia direta acarretada pelos descontos concedidos nesses programas, há uma perda indireta para os cofres públicos, haja vista a quantidade considerável de contribuintes que arcam tão somente com o pagamento das primeiras parcelas do programa e, posteriormente, tornam-se inadimplentes na iminente espera de um novo programa para reparcelar suas dívidas. É, infelizmente, o “<em>modus operandi”</em> que precisa ser enfrentado em homenagem à justiça fiscal<a href="#sdfootnote12sym" id="sdfootnote12anc"><sup>12</sup></a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abalo na moralidade </strong><strong>fiscal</strong><strong> e ética concorrencial.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No nosso ordenamento jurídico, o princípio da moralidade (expresso no art. 37 da Constituição Federal), possui fortíssima ligação com as noções de ética e justiça e, apesar de não ser muito explorada, existindo poucos estudos na área, a moralidade fiscal é um importante elemento a ser analisado para compreendermos os impactos de sucessivos programas especiais de parcelamentos na atitude e comportamento dos contribuintes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por moral tributária, entende-se um conjunto de princípios e valores éticos nos quais devem se basear as ações da administração tributária bem como dos contribuintes. Neste caso, ela representa a vontade dos contribuintes de pagar tributos, partindo de uma motivação genuína.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outrossim, estudos apontam que a moral tributária é um aspecto relevante na determinação tanto da conformidade fiscal quanto da evasão fiscal. Segundo Patrícia Bacheschi Gomez de Lamadrid, “ao contrário da evasão fiscal, a moral fiscal não mede comportamentos individuais, mas, sim, atitudes. Ela reflete a obrigação moral de pagar tributos, a crença de que pagando-os o indivíduo está contribuindo para a sociedade, e pode também refletir o remorso moral ou a culpa por fraudar o sistema tributário.”<sup></sup><strong><a href="#sdfootnote13sym" id="sdfootnote13anc"><sup>13</sup></a></strong> Tais atitudes, por sua vez, estão diretamente relacionadas ao nível de confiança no Estado, no Poder Judiciário e no sistema legal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda segundo Patrícia Lamadrid, “cidadãos que consideram as leis e as autoridades justas e respeitosas tendem mais à conformidade do que aqueles com percepções negativas sobre o Estado”. Nesse ponto, em que pese o critério tradicional da racionalidade, verificam-se outros critérios relevantes que influenciam negativamente a moralidade fiscal dos contribuintes, tais como: a injustiça tributária, aceitação da prática de sonegação pela sociedade, a falta de transparência na aplicação dos recursos públicos, a desigualdade fiscal, a ética, a insegurança jurídica e a complexidade da legislação. A propósito, note-se que são recorrentes as dúvidas na interpretação e aplicação da vasta e complexa legislação tributária brasileira, que levam à autuação fiscal e ao inevitável e longo contencioso administrativo ou judicial, o que acaba deteriorando a relação entre os contribuintes e a administração tributária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, ao praticar políticas tributárias nas quais alguns se beneficiam ao não pagar ou reduzir o tributo devido enquanto o contribuinte adimplente se sente prejudicado ao se comportar de forma aderente, o Estado enfraquece os importantes critérios supracitados e fortalece a ocorrência de planejamentos tributários abusivos, com efeitos diretos no aumento do passivo tributário, na diminuição da arrecadação potencial e na violação da livre concorrência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Exemplificando tudo o que foi dito até aqui, vale mencionar uma matéria publicada no dia 07 de janeiro de 2022 pelo Valor Econômico, com a seguinte manchete:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Rafael Birmann: </strong><br><strong>Como o empresário com dívida de US$ 300 milhões concluiu o prédio da Faria Lima que abriga o Facebook</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a matéria, ao contar como conseguiu saldar a dívida de US$300 milhões, Roberto Birmann relatou que o primeiro passo foi fazer um acordo com um banco fora do país e que o passo seguinte foi traçar um plano: “Montei uma tabelinha, que guardo até hoje, com todos os passivos e ativos. Daí ficou mais fácil”. Recorda que entrou em acordo com a maioria dos credores<strong> e que a única dívida que havia decidido não honrar era a do Imposto de Renda. “Quem quebra nunca paga”, acredita. Era coisa de R$ 40 milhões. Passados alguns anos, porém, aderiu a um Refis e logo em seguida a um segundo. “Acabou saindo, mais ou menos, por uns R$ 3 milhões”, resume, agradecendo a mais essa sorte.”</strong>(grifo nosso)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tal revelação reforça a elevada quantidade de adesões reincidentes constatadas pelo já citado “Estudo sobre Impactos dos Parcelamentos Especiais”, atualizado em dezembro de 2017 pela RFB, sobretudo no universo dos grandes contribuintes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o estudo, “cabe frisar ainda que a concessão reiterada de parcelamentos sob condições especiais criou uma certa acomodação nos contribuintes, que não se preocupam mais em liquidar suas dívidas. Em relação às opções pelas modalidades de parcelamentos especiais, verifica-se que um grupo importante de contribuintes participou de 3 ou mais modalidades, o que caracteriza utilização contumaz deste tipo de parcelamento.” Veja-se<a id="sdfootnote15anc" href="#sdfootnote15sym"><sup>15</sup></a>:</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="275" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2022/05/image-1024x275.png" alt="" class="wp-image-46230" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2022/05/image-1024x275.png 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2022/05/image-300x81.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2022/05/image-768x206.png 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2022/05/image.png 1076w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>



<p class="wp-block-paragraph">Destaca-se que, de acordo com portaria do Secretário da Receita Federal, o contribuinte com faturamento anual superior a R$ 150 milhões, dentre outros critérios, estaria sujeito a acompanhamento diferenciado pela RFB à época do estudo. Em 2016, este universo de contribuintes era de 9.427, dos quais 2.023 participaram de 3 ou mais modalidades de parcelamentos especiais. Nessa perspectiva, observa-se pela Tabela disponibilizada que os contribuintes que aderiram a 3 parcelamentos especiais ou mais, detinham uma dívida de mais de R$ 160 bilhões. Desse valor, 68,6% eram de responsabilidade dos contribuintes sujeitos a acompanhamento diferenciado, que reiteradamente se beneficiam das regras dos parcelamentos especiais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, cabe ressaltar que tal comportamento impacta diretamente na ética concorrencial e reforça a ideia de que a moral fiscal depende não só da educação ou da capacidade contributiva do contribuinte, mas também do sistema legal, da interação dos contribuintes com as autoridades tributárias, bem como do ambiente constitucional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Compliance Fiscal como um instrumento de elevação do patamar de ética concorrencial e aumento de benefícios ao contribuinte em conformidade.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>O termo “Compliance</em>” tem origem no idioma inglês e já está incorporado na linguagem empresarial brasileira, sendo majoritariamente traduzido pelo termo “conformidade”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estar em conformidade significa cumprir as normas internas, leis e regulamentos, de modo a priorizar uma conduta ética e moral corporativa. Ao ser implementado, o programa de <em>compliance</em> busca investigar, identificar e mapear riscos, a fim de traçar estratégias para que qualquer desvio, risco ou inconformidade possam ser evitados e solucionados. Inclusive, cumpre destacar que a ausência de <em>compliance</em> é uma das razões para o fechamento de inúmeras empresas no país, que praticam atos ilícitos decorrentes da falta de controles internos ou da ineficiência na gestão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cabe ressaltar, contudo, que a conformidade não se restringe a simplesmente cumprir determinadas ordens. Trata-se de definir padrões e normas, abarcando princípios e práticas, que visam a boa governança corporativa. Trata-se, pois, não de um fim, mas de um meio para apoiar a eficiência econômica, o crescimento sustentável e a estabilidade financeira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A necessidade e a responsabilidade do setor de <em>compliance</em> nas empresas aumentou expressivamente com a criação da Lei Anticorrupção (Lei nº. 12.846) criada em 1º de agosto de 2013. A também chamada Lei da Empresa Limpa regulamenta a responsabilidade administrativa e civil de pessoas jurídicas por atos praticados contra a Administração Pública, determina rígidas sanções e punições para empresas que, no relacionamento com os governos (federal, estadual e municipal), autarquias e outras instituições públicas, cometam infrações e atos de corrupção que, vale dizer, poderiam ter sido evitadas com a implementação de um efetivo programa de <em>compliance</em><em><a href="#sdfootnote16sym" id="sdfootnote16anc"><sup>16</sup></a></em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a Lei Anticorrupção não tenha tornado obrigatório o <em>compliance</em> nas empresas, a adoção de boas práticas de governança, conformidade e ética corporativa é expressamente estimulada. Assim, empresas que eventualmente sejam condenadas em processos administrativos, poderão ter suas penalidades reduzidas se demonstrarem a existência de um Programa de <em>Compliance </em>robusto,comprovado pelos mecanismos e procedimentos internos de integridade e auditoria, bem como pelo conjunto de documentos e registros exigidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, além de conferir efeito inibidor da corrupção, a referida lei tende a imprimir uma postura mais responsável nas empresas, desde a alta direção ao colaborador de menor nível hierárquico, de modo que os mecanismos de <em>compliance</em> implementados sejam capazes de criar um ambiente de negócios íntegro e ético que tende a refletir em todos os relacionamentos, seja com o Poder Público, seja com parceiros comerciais, clientes e fornecedores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os ditos “mecanismos de <em>compliance”</em> podem ser estendidos por diversos segmentos do ambiente corporativo. No setor contábil e fiscal, em razão das complexas e constantes alterações fiscais, implementar o <em>compliance</em> fiscal pode funcionar positivamente, principalmente quando atrelado ao planejamento tributário, haja vista a constante necessidade de prevenção de sanções decorrentes de possíveis erros de cálculo, atraso ou descumprimento de obrigações principais e/ou acessórias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, com a implementação de mecanismos de <em>compliance </em>fiscal, os benefícios advindos tão somente das constantes adesões a parcelamentos tendem a se tornar uma medida excepcional, haja vista que o maior controle e conformidade conferido na rotina contábil e fiscal da empresa tende a reduzir os riscos tributários, incrementar o rating fiscal, reduzir a aplicação de penalidades por não conformidade, garantir o cumprimento das obrigações tributárias sem os artifícios contábeis que se traduzem em atos de sonegação e facilitar a obtenção de benefícios fiscais exclusivos dos bons contribuintes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contrapartida, não estar “em <em>compliance</em>” insere a empresa em rota de colisão com o Fisco e aumenta consideravelmente a possibilidade de autuações e imposições de multas e penalidades pela falta de conformidade com as normas tributárias, sendo que esse desembolso financeiro, muitas vezes não previsto, pode afetar consideravelmente o fluxo de caixa da empresa e inviabilizar o seu crescimento, obtenção de lucro e, ao final, a própria sustentabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <em>compliance</em> fiscal, portanto, pode ser considerado uma revolução na relação Fisco x Contribuinte, impactando em uma relevante melhora no relacionamento deste dois atores sociais, visto que permite que as empresas aumentem a credibilidade, não sejam mais vistas como potenciais sonegadoras ou infratoras da legislação fiscal, e, ainda, não sejam categorizadas como “viciadas em REFIS”, mas sejam reconhecidas como condutoras essenciais na busca de uma política fiscal e social justa que eleve, inclusive, a ética concorrencial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cumpre esclarecer que há enorme expectativa quanto à regulamentação da Lei Anticorrupção pelo Governo Federal, pois, até o momento, empresas que ainda não implementaram o <em>compliance</em> não estão impedidas de firmar contratos com a Administração Pública Federal, ou que tenham a intenção de participar de licitações no âmbito federal</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, dezessete Estados da Federação (SP, PR, GO, MG, MA, ES, MT, DF, AL, SC, MS, PE, PB, RJ, RS, PA e RO) saíram na frente, pois já regulamentaram a Lei Federal Anticorrupção. Ademais, sete Estados passaram a exigir programas de <em>compliance</em> para empresas que firmem contratos com a administração pública: Rio de Janeiro (Lei nº 7.753, de 17/10/2017), Distrito Federal (Lei nº 6.112, de 02/02/2018, alterada pela Lei nº 6.308, de 13/06/2019 e regulamentada pelo Decreto nº 40.388, de 14/01/2020), Rio Grande do Sul (Lei nº 15.228, de 25/09/2018, alterada pela Lei nº 15.600, de 16/03/2021 e regulamentada pelo Decreto nº 55.631, de 09/12/2020, alterado pelo Decreto nº 55.928, de 07/06/202), Amazonas (Lei nº 4.730, de 27/12/2018), Goiás (Lei nº 20.489, de 10/10/2019), Pernambuco (Lei nº 16.722, de 09/12/2019, alterada pela Lei nº 17.133, de 18/12/2020) e Mato Grosso (Lei nº 11.123, de 08/05/2020)<a href="#sdfootnote17sym" id="sdfootnote17anc"><sup>17</sup></a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A par desse atual cenário, a Receita Federal do Brasil tem ampliado as medidas de incentivo à conformidade, de modo que o caminho da colaboração e da transparência se torne o mais vantajoso aos contribuintes quando comparado ao inadimplemento fiscal e, consequentemente, impacte positivamente na arrecadação tributária. Nesse sentido, a Administração Tributária caminha para a evolução das estratégias de conformidade tributária: o programa de conformidade cooperativa que é, em geral, de adesão voluntária e oferecida a grandes contribuintes<a href="#sdfootnote18sym" id="sdfootnote18anc"><sup>18</sup></a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Mônica Tereza Dória do Amaral em seu trabalho “Programa de Conformidade Cooperativa da OCDE: Uma Alternativa viável para a Administração Brasileira?”, “o conceito de conformidade tributária cooperativa surgiu em 2008 quando o FTA publicou um estudo (OCDE, 2008) que incentivava as administrações tributárias a estabelecer um relacionamento com os grandes contribuintes baseado na confiança e na cooperação, denominado à época como “relacionamento aprimorado”. A partir de então, vários “países desenvolveram abordagens baseadas no princípio de que as empresas preparadas para serem totalmente transparentes podem esperar em troca maior certeza sobre sua posição tributária” (OCDE, 2013, p. 11)<a href="#sdfootnote19sym" id="sdfootnote19anc"><sup>19</sup></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, baseados em orientações e estudos publicados pela Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), de acordo com Flavio Vilela Campos “criam-se modelos de conformidade cooperativa, nos quais a Administração tributária e contribuintes celebram acordos voluntários, fundamentados na transparência, confiança legítima, boa-fé e espírito de colaboração, com o compromisso de garantia de segurança jurídica pela Administração tributária e da aplicação de políticas fiscais responsáveis pelos contribuintes.”<a href="#sdfootnote20sym" id="sdfootnote20anc"><sup>20</sup></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante de todo o exposto, entende-se que, a depender do enquadramento e histórico fiscal do contribuinte, um dos critérios de adesão a parcelamentos especiais poderia ser a comprovação de implementação do <em>compliance</em> fiscal, a fim de demonstrar que a adesão ao parcelamento não é uma medida de protelação, mas sim de remediação dos danos decorrentes do tempo de desconformidade enfrentado por boa parte das grandes empresas classificadas como “grandes contribuintes”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em complemento, acredita-se que grandes empresas que estrategicamente descumprem suas obrigações tributárias à espera de vantajosos parcelamentos administrativos não devem ser impedidas de renegociar suas dívidas tributárias. Contudo, critérios mais rigorosos devem ser estabelecidos em homenagem à concorrência leal, melhoria do ambiente de negócios e do Estado como um todo. Assim, exigir a comprovação da adoção de medidas de <em>compliance</em> por parte de uma categoria de contribuintes, contribuirá sobremaneira para o avanço da autorregularização fiscal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, entende-se que contribuintes em processo avançado de conformidade ou já comprovadamente regulares devem ser beneficiados, seja com a concessão de procedimentos simplificados de cumprimento de obrigações acessórias, seja com a abertura de diálogo institucional que possibilite uma relação mais célere e transparente com o Fisco.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências Bibliográficas:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">APLICATIVOS para adesão ao PERT-Simples Nacional e PERT – MEI já estão disponíveis. 04/06/2018. Disponível em: <a href="http://www8.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional/noticias/noticiacompleta.aspx?id=cfa67ed4-ce14-4342-a55e-50c6603ff070">http://www8.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional/noticias/noticiacompleta.aspx?id=cfa67ed4-ce14-4342-a55e-50c6603ff070</a>. Acesso em: 02 de maio de 2022</p>



<p class="wp-block-paragraph">PROJETO que reabre prazo para o Programa Especial de Regularização Tributária segue para a Câmara. Agência Senado 05/08/2021 Disponível em: <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2021/08/05/projeto-que-reabre-prazo-para-o-programa-especial-de-regularizacao-tributaria-segue-para-a-camara">https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2021/08/05/projeto-que-reabre-prazo-para-o-programa-especial-de-regularizacao-tributaria-segue-para-a-camara</a> Acesso em: 02 de maio de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alves, Denise M. &amp; Campagnoni, Mariana (2020) “Parcelamento tributário e endividamento com provisões e contingências em empresas de relevância nacional” in XX USP International Conference in Accounting. Disponível em: <a href="https://congressousp.fipecafi.org/anais/20UspInternational/ArtigosDownload/2270.pdf">https://congressousp.fipecafi.org/anais/20UspInternational/ArtigosDownload/2270.pdf</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">RECEITA Federal cancela o PERT de mais de 700 “viciados em Refis”. 19/07/2018. Disponível em: <a href="https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2018/julho/receita-federal-cancela-o-pert-de-mais-de-700-201cviciados-em-refis201d">https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2018/julho/receita-federal-cancela-o-pert-de-mais-de-700-201cviciados-em-refis201d</a>Acesso em: 02 de maio de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ESTUDO sobre impactos dos parcelamentos especiais (24/07/2014). Disponível em: <a href="https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/orientacao-tributaria/pagamentos-e-parcelamentos/arquivos-e-imagens-parcelamento/estudo-sobre-os-impactos-dos-parcelamentos-especiais.pdf">https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/orientacao-tributaria/pagamentos-e-parcelamentos/arquivos-e-imagens-parcelamento/estudo-sobre-os-impactos-dos-parcelamentos-especiais.pdf</a> Acesso em: 02 de maio de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PISKE, Oriana. A noção de Justiça e a Concepção Normativista-Legal do Direito (2011). Disponível em: <a href="https://www.tjdft.jus.br/institucional/imprensa/campanhas-e-produtos/artigos-discursos-e-entrevistas/artigos/2010/a-nocao-de-justica-e-a-concepcao-nomativista-legal-do-direito-juiza-oriana-piske">https://www.tjdft.jus.br/institucional/imprensa/campanhas-e-produtos/artigos-discursos-e-entrevistas/artigos/2010/a-nocao-de-justica-e-a-concepcao-nomativista-legal-do-direito-juiza-oriana-piske</a>. Acesso em 02 de maio de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TIPKE, Klaus; YAMASHITA, Douglas. Justiça fiscal e princípio da capacidade contributiva. São Paulo: Malheiros, 2002. P. 28.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PROJETO DE LEI do Senado n. 284, de 2017. Disponível em: <a href="https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/130467">https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/130467</a>. Acesso em 02 de maio de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PROJETO DE LEI da Câmara dos Deputados n. 1646/2019. Disponível em: <a href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2194879">https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2194879</a>. Acesso em 02 de maio de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">OYAMA, Érico. Emenda propõe que devedor contumaz não tenha direito a parcelamento tributário (05/08/2021). Disponível em: <a href="https://www.jota.info/coberturas-especiais/contencioso-tributario/devedor-contumaz-refis-05082021">https://www.jota.info/coberturas-especiais/contencioso-tributario/devedor-contumaz-refis-05082021</a>. Acesso em 02 de maio de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LAMADRID, Patrícia Bacheschi Gomez de. <a href="https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/confia/estudos-relacionados/3BDissertaoPatriciaLamadrid.pdf">A mudança do paradigma das relações tributárias entre a Receita Federal e os contribuintes.</a> Dissertação de Mestrado. Fundação Getúlio Vargas, Escola de Direito de São Paulo. São Paulo, SP, 2020 Disponível em: <a href="https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/confia/copy_of_estudos-relacionados">https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/confia/copy_of_estudos-relacionados</a>. Acesso em: 02 de maio de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SALLES, Daniel. Rafael Birmann: Como o empresário com dívida de US$ 300 milhões concluiu o prédio da Faria Lima que abriga o Facebook. Valor, de São Paulo (07/01/2022). Disponível em: <a href="https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2022/01/07/rafael-birmann-como-o-empresario-com-divida-de-us-300-milhoes-concluiu-o-predio-da-faria-lima-que-abriga-o-facebook.ghtml?GLBID=13b7f166d40fe064ae543673774db5bb7696e546667537245337056755a72594c5333337639434777747475436b6353657066665939553857457a576e6e41395541502d6443507a413149726564324b6536545a6f4d6158664c6d31536d514132504e575a6d513d3d3a303a7570683374757168646278743474793931756f79">https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2022/01/07/rafael-birmann-como-o-empresario-com-divida-de-us-300-milhoes-concluiu-o-predio-da-faria-lima-que-abriga-o-facebook.ghtml?GLBID=13b7f166d40fe064ae543673774db5bb7696e546667537245337056755a72594c5333337639434777747475436b6353657066665939553857457a576e6e41395541502d6443507a413149726564324b6536545a6f4d6158664c6d31536d514132504e575a6d513d3d3a303a7570683374757168646278743474793931756f79</a> Acesso em: 02 de maio de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CAMPOS, Flávio Vilela. <a href="https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/confia/estudos-relacionados/4BDissertaoFlvioVilela.pdf">A conformidade tributária no Brasil: uma análise comparada</a><a href="https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/confia/estudos-relacionados/4BDissertaoFlvioVilela.pdf">.</a> Dissertação de Mestrado. Instituto de Estudios Fiscales – IEF. Universidad Nacional de Educación a Distancia – UNED. Espanha, 2020. Disponível em: <a href="https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/confia/copy_of_estudos-relacionados">https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/confia/copy_of_estudos-relacionados</a>. Acesso em: 02 de maio de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">RIBEIRO, Rafael. O que é compliance? (23/10/2019). Disponível em: <a href="https://rafalimaribeiro.jusbrasil.com.br/noticias/772370067/o-que-e-compliance">https://rafalimaribeiro.jusbrasil.com.br/noticias/772370067/o-que-e-compliance</a>. Acesso em 02 de maio de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Legislações dos Estados que exigem Programas de Compliance de Licitantes (23/09/2021). Disponível em: <a href="https://certigov.com.br/legislacoes-dos-estados-que-exigem-programas-de-compliance-de-licitantes/">https://certigov.com.br/legislacoes-dos-estados-que-exigem-programas-de-compliance-de-licitantes/</a>. Acesso em 02 de maio de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ações de Conformidade Tributária. Disponível em: <a href="https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/conformidade-tributaria">https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/conformidade-tributaria</a>. Acesso em 02 de maio de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">AMARAL, Mônica. Programa de Conformidade Cooperativa da OCDE: uma alternativa viável para a Administração Tributária brasileira? Trabalho de conclusão de Pós Graduação Lato Sensu. Fundação Getúlio Vargas, Escola de Direito de São Paulo. São Paulo, SP, 2020. Disponível em: <a href="https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/confia/estudos-relacionados/1BTCCEspecializaoMnicaAmaral.pdf">https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/confia/estudos-relacionados/1BTCCEspecializaoMnicaAmaral.pdf</a>. Acesso em 02 de maio de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CAMPOS, Flávio. A conformidade tributária no Brasil: uma análise comparada. Dissertação de Mestrado. Instituto de Estudios Fiscales – IEF. Universidad Nacional de Educación a Distancia – UNED. Espanha, 2020. Disponível em: <a href="https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/confia/estudos-relacionados/4BDissertaoFlvioVilela.pdf">https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/confia/estudos-relacionados/4BDissertaoFlvioVilela.pdf</a>. Acesso em 02 de maio de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#sdfootnote1anc" id="sdfootnote1sym">1</a> <a href="http://www8.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional/noticias/noticiacompleta.aspx?id=cfa67ed4-ce14-4342-a55e-50c6603ff070">http://www8.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional/noticias/noticiacompleta.aspx?id=cfa67ed4-ce14-4342-a55e-50c6603ff070</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#sdfootnote2anc" id="sdfootnote2sym">2</a> Agência do Senado <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2021/08/05/projeto-que-reabre-prazo-para-o-programa-especial-de-regularizacao-tributaria-segue-para-a-camara">https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2021/08/05/projeto-que-reabre-prazo-para-o-programa-especial-de-regularizacao-tributaria-segue-para-a-camara</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#sdfootnote3anc" id="sdfootnote3sym">3</a> <a href="https://congressousp.fipecafi.org/anais/20UspInternational/ArtigosDownload/2270.pdf">https://congressousp.fipecafi.org/anais/20UspInternational/ArtigosDownload/2270.pdf</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#sdfootnote4anc" id="sdfootnote4sym">4</a><a href="https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2018/julho/receita-federal-cancela-o-pert-de-mais-de-700-201cviciados-em-refis201d">https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2018/julho/receita-federal-cancela-o-pert-de-mais-de-700-201cviciados-em-refis201d</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#sdfootnote5anc" id="sdfootnote5sym">5</a><a href="https://static.poder360.com.br/2021/08/20171229-estudo-parcelamentos-especiais.pdf">https://static.poder360.com.br/2021/08/20171229-estudo-parcelamentos-especiais.pdf</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#sdfootnote6anc" id="sdfootnote6sym">6</a><a href="https://www.tjdft.jus.br/institucional/imprensa/campanhas-e-produtos/artigos-discursos-e-entrevistas/artigos/2010/a-nocao-de-justica-e-a-concepcao-nomativista-legal-do-direito-juiza-oriana-piske">https://www.tjdft.jus.br/institucional/imprensa/campanhas-e-produtos/artigos-discursos-e-entrevistas/artigos/2010/a-nocao-de-justica-e-a-concepcao-nomativista-legal-do-direito-juiza-oriana-piske</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#sdfootnote7anc" id="sdfootnote7sym">7</a> TIPKE, Klaus; YAMASHITA, Douglas. Justiça fiscal e princípio da capacidade contributiva. São Paulo: Malheiros, 2002. P. 28</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#sdfootnote8anc" id="sdfootnote8sym">8</a> <a href="https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/130467">https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/130467</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#sdfootnote9anc" id="sdfootnote9sym">9</a> <a href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2194879">https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2194879</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#sdfootnote10anc" id="sdfootnote10sym">10</a><a href="https://www.jota.info/coberturas-especiais/contencioso-tributario/devedor-contumaz-refis-05082021">https://www.jota.info/coberturas-especiais/contencioso-tributario/devedor-contumaz-refis-05082021</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#sdfootnote11anc" id="sdfootnote11sym">11</a> ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL (UNAFISCO NACIONAL). Petição Inicial na ADI n. 6.027-DF. 2018. P. 20. Disponível em: <a href="https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&amp;docID=748319179&amp;prcID=5556484">https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&amp;docID=748319179&amp;prcID=5556484</a>. Acesso em: 2 de maio de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#sdfootnote12anc" id="sdfootnote12sym">12</a> <a href="https://unafisconacional.org.br/unafisco-ingressa-com-adi-6-027-no-stf-contra-concessao-reiterada-de-parcelamentos-especiais-de-debitos-tributarios/">https://unafisconacional.org.br/unafisco-ingressa-com-adi-6-027-no-stf-contra-concessao-reiterada-de-parcelamentos-especiais-de-debitos-tributarios/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#sdfootnote13anc" id="sdfootnote13sym">13</a> <a href="https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/confia/estudos-relacionados/3BDissertaoPatriciaLamadrid.pdf">Microsoft Word &#8211; V. 2.0 &#8211; TCC Patricia Lamadrid (www.gov.br)</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a id="sdfootnote14sym" href="#sdfootnote14anc">14</a> <a href="https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2022/01/07/rafael-birmann-como-o-empresario-com-divida-de-us-300-milhoes-concluiu-o-predio-da-faria-lima-que-abriga-o-facebook.ghtml">https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2022/01/07/rafael-birmann-como-o-empresario-com-divida-de-us-300-milhoes-concluiu-o-predio-da-faria-lima-que-abriga-o-facebook.ghtml</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#sdfootnote15anc" id="sdfootnote15sym">15</a><a href="https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/orientacao-tributaria/pagamentos-e-parcelamentos/arquivos-e-imagens-parcelamento/estudo-sobre-os-impactos-dos-parcelamentos-especiais.pdf">https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/orientacao-tributaria/pagamentos-e-parcelamentos/arquivos-e-imagens-parcelamento/estudo-sobre-os-impactos-dos-parcelamentos-especiais.pdf</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#sdfootnote16anc" id="sdfootnote16sym">16</a> <a href="https://rafalimaribeiro.jusbrasil.com.br/noticias/772370067/o-que-e-compliance">https://rafalimaribeiro.jusbrasil.com.br/noticias/772370067/o-que-e-compliance</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#sdfootnote17anc" id="sdfootnote17sym">17</a> <a href="https://certigov.com.br/legislacoes-dos-estados-que-exigem-programas-de-compliance-de-licitantes/">https://certigov.com.br/legislacoes-dos-estados-que-exigem-programas-de-compliance-de-licitantes/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#sdfootnote18anc" id="sdfootnote18sym">18</a> <a href="https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/conformidade-tributaria">https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/conformidade-tributaria</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#sdfootnote19anc" id="sdfootnote19sym">19</a> <a href="https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/confia/estudos-relacionados/1BTCCEspecializaoMnicaAmaral.pdf">https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/confia/estudos-relacionados/1BTCCEspecializaoMnicaAmaral.pdf</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#sdfootnote20anc" id="sdfootnote20sym">20</a> <a href="https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/confia/estudos-relacionados/4BDissertaoFlvioVilela.pdf">https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/confia/estudos-relacionados/4BDissertaoFlvioVilela.pdf</a></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><br></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
